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Numero do processo: 35011.000196/2007-72
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Apr 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Apr 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de Apuração: 08/2001 a 10/2002
NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. PRECEDENTES CSRF.
A divergência jurisprudencial ensejadora do conhecimento do recurso especial há de ser específica, revelando a existência de teses diversas na interpretação de um mesmo dispositivo legal, o que não ocorreu in casu.
Precedentes.
Acórdão que trate Mandado de Procedimento Fiscal MPF de tributos
administrado pela então Secretaria da Receita Federal não se presta como paradigma para demonstrar divergência de acórdão que trata de MPF referente procedimento fiscal disciplinado pelo Decreto n° 3.969/2001, específico para os tributos federais previdenciários.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-001.384
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Francisco Assis de Oliveira Junior
1.0 = *:*
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de Apuração: 08/2001 a 10/2002 NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. PRECEDENTES CSRF. A divergência jurisprudencial ensejadora do conhecimento do recurso especial há de ser específica, revelando a existência de teses diversas na interpretação de um mesmo dispositivo legal, o que não ocorreu in casu. Precedentes. Acórdão que trate Mandado de Procedimento Fiscal MPF de tributos administrado pela então Secretaria da Receita Federal não se presta como paradigma para demonstrar divergência de acórdão que trata de MPF referente procedimento fiscal disciplinado pelo Decreto n° 3.969/2001, específico para os tributos federais previdenciários. Recurso especial não conhecido.
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Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de Apuração: 08/2001 a 10/2002 NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. PRECEDENTES CSRF. A divergência jurisprudencial ensejadora do conhecimento do recurso especial há de ser específica, revelando a existência de teses diversas na interpretação de um mesmo dispositivo legal, o que não ocorreu in casu. Precedentes. Acórdão que trate Mandado de Procedimento Fiscal MPF de tributos administrado pela então Secretaria da Receita Federal não se presta como paradigma para demonstrar divergência de acórdão que trata de MPF referente procedimento fiscal disciplinado pelo Decreto n° 3.969/2001, específico para os tributos federais previdenciários. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 09/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Assinado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Elias Sampaio Freire – PresidenteSubstituto (Assinado digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Júnior Relator (Assinado digitalmente) EDITADO EM: 18/04/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire (PresidenteSubstituto), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente Substituto), Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Eivanice Canário da Silva (Conselheira convocada), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Ronaldo de Lima Macedo (Conselheiro Convocado). Relatório TORONTO CONSTRUÇÕES INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, teve contra si lavrada NFLD n° 35.928.7115, referente as contribuições sociais devidas ao INSS, correspondentes à parte da empresa, dos segurados, do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e as destinadas a Terceiros, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados, em relação ao período de 08/2001 a 10/2002, conforme Relatório Fiscal, às fls. 42/49. Apresentada a impugnação e analisada pela autoridade competente, o lançamento foi anulado conforme Acórdão nº 8.509, exarado pela 5ª Turma da DRJ Belém PA, fls. 88/94. Em observância ao disposto no artigo 366, inciso I, alínea "a", do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99 (na redação dada pelo Decreto n° 6.032/2007), c/c artigo 1o, inciso III, da Portaria MPS n° 158, de 11/04/2007, a autoridade julgadora de primeira instância recorreu de ofício da decisão encimada, que declarou a nulidade do lançamento fiscal. A 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos negou provimento ao recurso de ofício interposto pela DRJBelém=PA, conforme acórdão nº 20400.606, fls.97/113, cuja ementa transcrevo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2001 a 31/10/2002 PREVIDENCIÁRIO. NORMAS PROCEDIMENTAIS. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF EXPIRADO. LANÇAMENTO POSTERIOR. NULIDADE. De conformidade com a legislação tributária, especialmente o parágrafo único, do artigo 14, da Portaria RFB n° Fl. 2DF CARF MF Emitido em 09/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Assinado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35011.000196/200772 Acórdão n.º 920201.384 CSRFT2 Fl. 2 3 11.371/2007, é nulo o lançamento fiscal promovido, com a devida cientificação do sujeito passivo, desamparado de Mandado de Procedimento Fiscal MPF válido, o qual, igualmente, somente produzirá efeitos com a comprovação da ciência do contribuinte. Tratandose de contribuições previdenciárias, cuja a notificação fora lavrada sob o manto da legislação previdenciária específica, com mais razão a nulidade do lançamento deve ser decretada, tendo em vista o disposto no artigo 31, inciso III, da Portaria MPS n° 520. In casu, inexistindo Mandado de Procedimento Fiscal MPF válido/vigente à época da lavratura da notificação fiscal, tendo em vista que o MPFF já se encontrava com o prazo expirado, e os MPFC's não foram devidamente cientificados ao contribuinte, o lançamento se apresenta nulo de pleno direito. RECURSO DE OFÍCIO NEGADO. Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 255/262, com arrimo no artigo 67do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Entende a recorrente que, além de ter havido interpretação divergente da adotada, em casos semelhantes, por outra Câmara do Conselho de Contribuintes, a decisão impugnada ofende os artigos 142 do CTN, 33 da Lei n.° 8.212/91, 1o e 3o da Lei n.° 11.028/2005, e arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. Sustenta que o acórdão ora recorrido sufragou a posição de que o auto de infração estaria eivado de nulidade, haja vista o contribuinte não ter sido cientificado dos Mandados de Procedimento Fiscal Complementares, e, ao posicionarse dessa forma, acabou por empreender uma interpretação alargada do escopo do mandado de procedimento Ressalta que o MPF constitui apenas instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais. Sua função é a de delimitar o sujeito passivo e os tributos objeto do procedimento fiscalizatório, o período de apuração, os atos sob investigação e o prazo de duração do procedimento fiscal, não se consubstanciando em ato que atribua competência ao Auditor Fiscal para efetuar o lançamento, que decorre diretamente da Lei. Cita, para corroborar suas alegações, jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes às fls. 108/109. Acrescenta que ao declarar a nulidade do lançamento por ausência de MPF em vigor, também violou os arts. 59 e 60 do Decreto n.° 70.235/72, pois de acordo com a disciplina de tais dispositivos a notificação e demais termos do processo administrativo fiscal somente serão declarados nulos na ocorrência de uma das seguintes hipóteses: a) quando se tratar de ato/decisão lavrado ou proferido por pessoa incompetente; b) resultar em inequívoco cerceamento de defesa à parte, comprovado o efetivo prejuízo, tal como o desconhecimento total dos fatos que ensejaram o lançamento, sendo certo que não restou caracterizada nenhuma das hipóteses acima. Assevera que o sujeito passivo tinha pleno conhecimento dos fatos que ensejaram o lançamento, deles podendo defenderse efetivamente, e, o fez, apresentando longo e detalhado arrazoado, por meio do qual se insurge contra o procedimento de apuração adotado pela fiscalização, dentre outros argumentos. Tendo o contribuinte exercido seu direito de defesa sem qualquer percalço, o procedimento de lançamento não se mostra eivado de nenhuma mácula que imponha a sua anulação ou que inviabiliza a análise do mérito da pretensão recursal. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 09/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Assinado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 4ª Câmara do da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Fazenda Nacional, sob o argumento de que a recorrente demonstrou, fundamentadamente, em que a decisão recorrida seria contrária à lei ou à evidência dos fatos, consoante o disposto no inciso I do artigo 7o do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Despacho nº 2400286/2009, às fls. 113/114. Em contrarazões, o interessado sustenta a inadmissibilidade do recurso e, no mérito, reprisa os argumentos em seu recurso voluntário . É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Assis de Oliveira Júnior, Relator O recurso especial é tempestivo, conforme consta do despacho às fls. 146/147. Contudo, conforme será demonstrado, não pode ser conhecido pela ausência de requisitos de admissibilidade, a saber, a ausência de comprovação de divergência que autorize a sua interposição. Por considerar importante para dirimir a questão controversa proposta, transcrevo as ementas dos acórdãos indicados como paradigmas pela recorrente relacionados à possibilidade de anular o lançamento nos casos em que a cientificação tenha ocorrido na ausência de Mandado de Procedimento Fiscal – MPF válido: "NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO FORMAL. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INOCORRÊ'NCIA. O MPF não se constitui ato essencial à validade do lançamento, de sorte que a sua ausência ou falta da prorrogação do prazo nele fixado não retira a competência do auditor fiscal que é estabelecido em lei. (.) Preliminares rejeitadas. Recurso Provido. Acórdão nº 10248.948) "ITR. NORMAS PROCESSUAIS. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. AUSÊNCIA. PRELIMINAR DE NULIDADE. INEXISTÊNCIA. A ausência da expedição do Mandado de Procedimento Fiscal — MPF não gera nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal, vez tratarse de mero elemento de controle administrativo, não causando, por si só, prejuízo à defesa do contribuinte. (.) RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO." (Acórdão n." 30133436) Em relação às contribuições previdenciárias, o Mandado de Procedimento Fiscal foi instituído pelo Decreto 3.969, de 15/10/2001, e revogado pelo Decreto 6.104, de 2007. Assim, considerando ter sido a notificação lavrada em 20/10/2006, é forçoso concluir que o presente julgamento não pode desconsiderar o contexto normativo vigente à época dos fatos. Tal conclusão é corolário da segurança jurídica anteriormente mencionada. No tocante às normas regentes, o art. 15 do Decreto 3969, de 2001, estabelecia que o Mandado de Procedimento Fiscal extinguiase pela conclusão do procedimento ou pelo decurso dos prazos estabelecidos pelos artigos 12 e 13 do mesmo diploma, variando de 60 dias a 120 conforme o caso, devendo a prorrogação ser formalização mediante documento complementar. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 09/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Assinado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35011.000196/200772 Acórdão n.º 920201.384 CSRFT2 Fl. 3 5 Conforme consta à fl. 90, a ação fiscal teve início em 05/05/2006, e neste primeiro Mandado o procurador da empresa foi notificado. Sucessivamente ocorreram prorrogações e nestes Mandados posteriores o sujeito passivo era sempre considerado ausente, quando as normas regulamentares estabeleciam a necessidade de ciência pessoa, postal ou por edital, nesta ordem. O último Mandado foi emitido em 20/10/2006 com prazo de execução até o dia 31/10/2006, não tendo sido prorrogado. Contudo, apenas em 04/01/2007 a empresa tomou ciência da lavratura da notificação por via postal, isto é, mais de dois meses após a consolidação do lançamento. O inciso II do art. 15 do Decreto 3.969, de 2001, estabelecia a extinção do Mandado de Procedimento Fiscal pelo decurso do prazo para sua execução, sendo ressalvado pelo artigo 16 a possibilidade de emissão de novo Mandado com a finalidade de concluir o procedimento fiscal. Transcrevo alguns dispositivos do Decreto nº 3.969, de 2001: Art. 2º Os procedimentos fiscais relativos aos tributos federais previdenciários serão executados por servidores habilitados e instaurados mediante ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Parágrafo único. Para o procedimento de fiscalização, será emitido Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização (MPF F) e, no caso de diligência, Mandado de Procedimento Fiscal Diligência (MPFD). Art. 3º Para os fins deste Decreto, entendese por procedimento fiscal: I de fiscalização, as ações que objetivam a verificação do cumprimento das obrigações tributárias, por parte do sujeito passivo, relativas aos tributos federais previdenciários, podendo resultar em constituição de crédito tributário; II de diligência, as ações destinadas a coletar informações ou outros elementos de interesse da administração previdenciária, inclusive para atender exigência de instrução processual. (...............) Art. 15. O MPF se extingue: I pela conclusão do procedimento fiscal, registrado em termo próprio; II pelo decurso dos prazos a que se referem os arts. 12 e 13. Art. 16. A hipótese de que trata o inciso II do art. 15 não implica nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade responsável pela emissão do Mandado extinto determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal. Cotejando os paradigmas apresentados pela FAZENDA NACIONAL, verifico que referemse aos tributos administrados pela então Secretaria da Receita Federal. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 09/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Assinado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Destaco que o acórdão recorrido declarou, por unanimidade, nulo o lançamento tendo em vista a ciência da notificação ter ocorrido mediante Mandado de Procedimento Fiscal com prazo de validade expirado. Conforme bem destacado pelo conselheiro Elias Sampaio Freire em voto de sua lavra, Acórdão nº 920200.794, 14/04/2010, “a divergência jurisprudencial ensejadora do conhecimento do recurso especial há de ser específica, revelando a existência de teses diversas na interpretação de um mesmo dispositivo.” O mesmo entendimento foi defendido na oportunidade em que se julgou o Recurso Especial nº 102151.750, Acórdão nº 920200.136, da lavra do conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, cuja ementa transcrevo: REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE DE RECURSO ESPECIAL — INEXISTÊNCIA — RECURSO NÃO CONHECIDO — É entendimento da CSRF que acórdão cujo objeto é o julgamento de matéria afeta à CSLL não serve de paradigma para caracterizar divergência em face a acórdão cuja matéria fática está relacionada ao imposto de renda pessoa física, ainda que em ambos os casos se discuta a multa isolada de que trata o art. 44, . II, da Lei n°9.430, de 1996. Têmse decidido no âmbito deste colegiado, portanto, que os acórdão que examinem a matéria Mandado de Procedimento Fiscal – MPF de tributos administrados pela então Secretaria da Receita Federal não devem ser considerados paradigmas para demonstrar dissídio jurisprudencial quando a nulidade declarada tiver como fundamento o Decreto nº 3.969, de 2001, que tratava especificamente de contribuições previdenciárias. Ante o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER DO RECURSO ESPECIAL interposto pela Fazenda Nacional. Francisco Assis de Oliveira Júnior (Assinado digitalmente) Fl. 6DF CARF MF Emitido em 09/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Assinado digitalmente em 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 35301.014137/2006-35
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: DOMICILIO TRIBUTÁRIO. NECESSÁRIA VINCULAÇÃO À DECISÃO
JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO.
No presente caso há decisão judicial com trânsito em julgado que define o domicilio tributário do contribuinte.
As decisões proferidas pelo Poder Judiciário tem prevalência sobre as proferidas pelas autoridades Administrativas, devendo estas cumprirem as determinações judiciais, nos exatos termos em que foram proferidas.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.466
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: Elias Sampaio Freire
1.0 = *:*
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ementa_s : DOMICILIO TRIBUTÁRIO. NECESSÁRIA VINCULAÇÃO À DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. No presente caso há decisão judicial com trânsito em julgado que define o domicilio tributário do contribuinte. As decisões proferidas pelo Poder Judiciário tem prevalência sobre as proferidas pelas autoridades Administrativas, devendo estas cumprirem as determinações judiciais, nos exatos termos em que foram proferidas. Recurso especial negado.
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DOMICILIO TRIBUTÁRIO. NECESSÁRIA VINCULAÇÃO Á DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. No presente caso há decisão judicial com trânsito em julgado que define o domicilio tributário do contribuinte. As decisões proferidas pelo Poder Judiciário tem prevalência sobre as proferidas pelas autoridades Administrativas, devendo estas cumprirem as determinações judiciais, nos exatos termos em que foram proferidas. Recurso especial negado. Vistos, re a. os e discutidos os presentes autos. Acor embros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso Elias Sampaio FM -- --.)&lator e Presidente-Substituto EDITADO EM: 26/04/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire (Presidente-Substituto), Gonçalo Bonet Allage (Vice-Presidente Substituto), Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Alexandre Naoki Nishioka (Conselheiro convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Ronaldo de Lima Macedo (Conselheiro Co nvo cado). Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão n° 205- 00.662, proferido pela antiga Quinta Camara do 2° CC em 03/06/2008 (fls. 1867/1876), interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de contrariedade à Camara Superior de Recursos Fiscais (fls. 1881/1898), nos termos do art. 70, inciso I c/c art. 15, ambos do Regimento Interno da Camara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007. O acórdão recorrido, por maioria de votos, acatou a preliminar de domicilio tributário para anular o lançamento. Segue abaixo sua ementa: DOMICÍLIO TRIBUTAM. ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR. Prevalece o direito a eleição do domicilio tributário que somente pode ser recusado nas hipóteses comprovadas de impossibilidade ou dificuldade de realização da ação fiscal no domicilio eleito. Processo Anulado." A recorrente afirma que o acórdão proferido merece ser reformado, pois contraria a legislação tributária de regência da matéria, precisamente, o art. 127, §2° do C'TN; arts. 9°, §2°, 11, 59, 60 e 61, todos do Decreto n° 70.235/72; e, ainda, arts. 2°, IX e 22, da Lei n° 9.784/99. No seu entender contraria também a prova dos autos, no ponto em que interpreta equivocadamente a decisão proferida pelo Tribunal Regional Federal da 2° Regido. Explica que não há fundamento jurídico que respalde a decretação de nulidade do auto de infração sob a argumentação de que a autoridade fiscal não demonstrou os motivos que ensejaram a recusa do domicilio fiscal eleito pelo sujeito passivo, ou ainda, que a decisão final do TRF determina a anulação dos autos praticados pela fiscalização no domicilio escolhido para realização dos trabalhos fiscais. Entende que a decisão recorrida, ao anular o presente procedimento fiscal diante de decisão do TRF que declarou que o domicilio fiscal da pessoa jurídica era aquele constante da alteração do contrato social, partiu de premissa equivocada, pois atribuiu ao acórdão em comento um efeito constitutivo de anulação que ele no tem. Desse modo, violou o teor da decisão judicial, prova coligida nos autos. Em seguida, aduz que, se foram confilinadas as razões para a desconsideração do domicilio eleito pela contribuinte, ao anular a autuação a decisão atacada afronta o art. 127, §2° do CTN. Pondera que, a. luz do regramento legal pertinente, não subsiste motivo para a anulação da autuação, afinal os procedimentos de fiscalização são válidos mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicilio tributário do sujeito passivo. In casu, o auto de infração foi lavrado por servidor competente, muito embora este não fosse lotado no suposto domicilio fiscal da contribuinte. Nesse contexto, o acórdão recorrido viola o art. 9°, §2° do PAF. Alega que, da leitura detida do auto de infração, bem como do Relatório Fiscal e demais termos que acompanham o procedimento fiscal, conclui-se que tudo está em plena conformidade com o que estabelece os arts. 10, 11, 59, 60 e 61 do Decreto n°70235/72 e a Lei n° 8212/91. Processo n° 35301.014137/2006-35 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-01.466 Fl. 2 Em sua opinião, a descrição pormenorizada dos fatos e dos fundamentos legais que sustentam a autuação estão precisamente explicitados nos termos do procedimento fiscal. Assim, todos os elementos essenciais ao ato praticado estão presentes, não restando evidenciada situação de prejuízo ao direito de defesa a ensejar a decretação de nulidade do processo. Sustenta que o contribuinte em momento algum demonstrou de forma concreta e efetiva o prejuízo advindo da desconsideração do domicilio tributário. Na verdade, teria demonstrado ter pleno conhecimento da origem da autuação, tanto que rebate de forma bem minuciosa o débito. Cita jurisprudência da CSRF segundo a qual, se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não somente preliminares, mas também razões de mérito, mostra-se incabível a declaração de nulidade do auto de infração por cerceamento de defesa, devendo prevalecer os princípios da instrumentalidade e economia processual em lugar do rigor das formas. Ao final, requer seja dado provimento ao recurso. Nos termos da Informação e Decisão de fls. 1900/1906, negou-se seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Às fls. 1910/1915, a PGFN interpôs agravo em face da Decisão acima descrita. Nos termos do Despacho n°2401-102/2009 (fis. 1917/1919), que reexaminou a admissibilidade do recurso interposto, deu-se seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. O contribuinte ofereceu contra-razões as fls. 1926/1957. Inicialmente afirma que, nos termos do art. 7°, §3° do Regimento Interno, o Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional não deve ser admitido, uma vez que o acórdão recorrido apreciou matéria preliminar de nulidade do lançamento, decidindo por anular a decisão de primeira instancia, bem como todo o procedimento fiscal. Não deve ser admitido também porque as provas dos autos comprovam a nulidade de todo o procedimento fiscal, viciado desde sua origem. Entende que a legislação tributária estabelece que a recusa ao domicilio deve ser justificada, o que não ocorreu no presente caso. Ressalta que o domicilio da empresa, desde 1995, é sua sede em Rio das Flores. A declaração judicial citada pela recorrente, que confirma tal fato, produz reflexos em relação a uma fiscalização levada a efeito em local diverso do declarado. Explica que se a Fiscalização, embora ciente do local correto a fiscalizar, optou por efetivar o ato fiscal fora do domicilio da empresa e, se ela, empresa, não está obrigada a apresentá-los ern local diverso do seu centralizador, não há como se aplicar a aferição indireta. Eis o vicio da fiscalização, em sua opinião. 913 Ressalta que não foi demonstrado qualquer empecilho para a ocorrência fiscal, tanto assim que outros Órgãos Municipais, Estaduais e Federais procedem normalmente As suas fiscalizações. A empresa apontou o equivoco dos fiscais e indicou o endereço correto para a diligência fiscal, informação desprezada pelo Fisco. Assim, não se justifica a recusa do domicilio fiscal da recorrida. Pondera que o cerceamento de defesa se deu pela ausência de acompanhamento da ação fiscal por técnico habilitado, com a prestação de informações e apresentação de documentos necessários à conferência da regularidade fiscal da empresa. Ao final, requer que não seja admitido o Recurso Especial interposto pela Unido e, caso assim não entenda, que seja negado provimento ao mesmo, mantendo-se a decisão que anulou o lançamento em tela. Eis o breve relatório. Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator Saliente-se que, não obstante o aludido recurso não encontrar previsão no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a Portaria Ministerial MF n°. 256, de 22 de junho de 2009, em suas disposições transitórias, prevê que os recursos com base no inciso I do art. 70 e do art. 9° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, interpostos em face de acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior A. 1° de julho de 2009, serão processados de acordo com o rito previsto nos arts. 15 e 16 e nos arts. 43 e 44 daquele Regimento. Por seu turno o inciso I do art. 70 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF no 147, de 25 de junho de 2007, fazia previsão de interposição de recurso especial na hipótese de contrariedade à lei. 0 recurso é tempestivo e examinando-se o recurso especial apresentado verifica-se que ele demonstrou, fundamentadamente, em que a decisão recorrida seria contrária A lei, no entendimento da Fazenda Nacional, consoante o disposto no inciso I do artigo 7° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Assim, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Para melhor elucidação da controvérsia, transcrevo trecho do relato contido no Acórdão da Apelação Cível n.° 2003.51.01.022430-0 da Sétima Turma do Tribunal Regional Federal da 2 Regido, de relatoria do desembargador Sérgio Schwaitzer: Trata-se de recurso de apelação interposto por MI MONTREAL IATORMÁTICA LTDA em ataque à sentença proferida pelo MM. Juizo da l9 Vara Federal desta Cidade, nos autos de ação sob procedimento ordinário movida pela ora Apelante em face do INSS. A espécie foi sumariada pelo ilustre sentenciante nos seguintes termos: Processo n°35301.014137/2006-35 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-01.466 Fl. 3 "MI. MONTREAL INFORMÁTICA LTDA, qualificada na inicial, ajuiza a presente ação em face do INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL, objetivando a declaração de que o domicílio fiscal da autora é o local de sua sede, situada na Rua Capitão Jorge Soares, n° 4 — Rio da Flores — RJ. Postula, ainda, seja determinado que seus requerimentos sej am recebidos e processados pela Gerência Regional de Arrecadação e Fiscalização de Volta Redonda, ao qual o Município de Rio das Flores está vinculado, e, ainda, que todos os atos administrativos praticados pelo réu sejam provenientes da referida Gerência Regional de Volta Redonda. Como causa de pedir, alega que tem sua sede fixada na Rua Capitão Soares, n° 4, no Município de Rio das Flores, conforme consta de seu Contrato Social, que foi devidamente registrado. Portanto, este é o seu domicilio fiscal, nos exatos termos do disposto no art. 127, do Código Tributário Nacional, e está ele submetido a fiscalização pela Gerência Regional de Arrecadação e Fiscalização de Volta Redonda. Entretanto, o Réu insiste em fiscalizá-la na sua filial, situada na Rua Sao José, n ° 90, no Centro do Rio de Janeiro. Sustenta a ilegalidade da atuação do réu, que discricionariamente, elegeu filial para efetuar fiscalização impedindo-lhe de realizar seus atos administrativos na Gerência Regional de Volta Redonda, obstando, inclusive, o protocolo dos requerimentos de certidões. Dai o pedido. (..) Ademais, há de se salientar que transitou em julgado a seguinte decisão judicial: "dou provimento ao recurso para, reformando a sentença, julgar procedente o pedido e declarar como domicilio tributário da Autora a sua sede, situada na Rua Capitão Jorge Soares no 04, Centro, Município de Rio das Flores — RJ.", assim ementada: "ADMINISTRATIVO — ALTERAÇÃO DE SEDE - DOMICILIO TRIBUTÁRIO — RECUSA PELA ADMINISTRAÇÃO - ART. 127, ,§ 2°, DO CTN. I — Da leitura do caput do artigo 127 do CIN verifica-se que, a principio, a eleição de domicilio tributário é prerrogativa do contribuinte. Se o mesmo não o elege, passa a Administração o avaliar as alternativas legais para sua definição, enumeradas nos incisos do referido artigo. Nesta situação, em se tratando de pessoa jurídica de direito privado, tem -se como domicilio tributário, ex vi do inciso II, o local de sua sede. II — A autonomia que a pessoa jurídica possui para definir, em seus atos constitutivos, o local de sua sede, não se confunde corn o exercício da faculdade de eleição do seu domicilio tributario. O § 2° do art. 127 do GIN permite que a autoridade administrativa recuse domicilio fiscal apenas quando este tenha sido fixado por eleição, e não em virtude de mudança de sede promovida por conta de alteração de contraio social da empresa. 111— Recurso provido." 5 Pe Fazenda Nacional. sto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da Elias Sam o Freire Como se vê, no presente caso há decisão judicial com trânsito em julgado que define o domicilio tributário do contribuinte. As decisões proferidas pelo Poder Judiciário tem prevalência sobre as proferidas pelas autoridades Administrativas, devendo estas cumprirem as determinações jiidiciais, nos exatos termos em que foram proferidas. Portanto, o tratamento a ser conferido na esfera administrativa há de se vincular ao conteúdo da decisão judicial transitada em julgado cuja conseqüência é sua imperatividade e imutabilidade da resposta jurisdicional. Acerca do tema, assim nos ensina o eminente jurista Luiz Fux em sua obra "Curso de Direito Processual Civil", Ed. Forense, 2001, p. 694/695, da qual se extrai o seguinte excerto: "A imutabilidade da decisão é fator de equilíbrio social na medida em que os contendores obtem a última e decisiva palavra do Judiciário acerca do conflito intersubjetivo e a sua imperatividade da decisão completa o ciclo necessário de atributos que permitem ao juiz conjurar a controvérsia pela necessária obediência ao que foi decidido." A decisão judicial faz lei entre as partes, a ser aplicada ao caso concreto, não cabendo a este Colegiado dar-lhe outro entendimento diferente daquele expresso, sob pena de desobediência a determinação judicial. Neste sentido: "PREVIDENCIÁR.I0 — CUSTEIO — NFLD — DESCUMPRIMENTO DE DECISÃO JUDICIAL - DOMICILIO TRIBUTÁRIO. Havendo decisão judicial que determina o domicilio tributário do contribuinte, deve ser esse o domicilio a ser considerado pela autoridade fiscal, salvo se comprovado obstrução ou justificativa para desconsiderá-lo, desde que devidamente justificado. A simples alegação de confronto das informações de GFIP com a verificação fisica não é suficiente para desconsiderar domicilio determinado pela justiça, se não comprovada obstrução. Processo Anulado" (Acórdi CARF n° 2401-01.604, Relatora: conselheira Elaine Criss a snteiro e Silva Vieira) 6
score : 1.0
Numero do processo: 10865.002683/2010-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007
ISENÇÃO ATO CANCELATÓRIO
Cancelada a isenção da entidade com julgamento administrativo em última e definitiva instância com efeitos retroativos à 01/01/2001, a entidade deve informar em GFIP o FPAS correspondente a sua atividade e recolher as contribuições previdenciárias de forma integral.
AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES.
Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91.
RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449.
REDUÇÃO DA MULTA.
As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A
à Lei nº 8.212.
Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase
a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento
e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe
comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da
sua prática.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-001.302
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conceder
provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória nº 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei
nº 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 ISENÇÃO ATO CANCELATÓRIO Cancelada a isenção da entidade com julgamento administrativo em última e definitiva instância com efeitos retroativos à 01/01/2001, a entidade deve informar em GFIP o FPAS correspondente a sua atividade e recolher as contribuições previdenciárias de forma integral. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei nº 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Fatos Geradores Recorrente SANTA CASA DE MISERICÓRDIA CAROLINA MALHEIROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 ISENÇÃO ATO CANCELATÓRIO Cancelada a isenção da entidade com julgamento administrativo em última e definitiva instância com efeitos retroativos à 01/01/2001, a entidade deve informar em GFIP o FPAS correspondente a sua atividade e recolher as contribuições previdenciárias de forma integral. AUTODEINFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. EDITADO EM: 15/09/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Manoel Coelho Arruda Júnior, Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Vera Kempers de Moraes Abreu, Wilson Antonio de Souza Correa. Ausência Momentânea: Manoel Coelho Arruda Júnior, Vera Kempers de Moraes Abreu Fl. 302DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10865.002683/201001 Acórdão n.º 230201.302 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório Trata o presente de autodeinfração, lavrado em 25/08/2010, em desfavor do sujeito passivo acima passivo acima identificado, com ciência em 26/08/2010, em virtude do descumprimento do artigo 32, inciso IV, §5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, com multa punitiva aplicada conforme dispõe o artigo 32, § 5º da Lei n.º 8.212/91 e artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, por ter informado nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP’s do período de 01/2005 a 12/2007, o FPAS 639, de entidade isenta da cota patronal das contribuições previdenciárias, quando teve sua isenção cancelada em 15/04/2005, com efeitos retroativos a 01/01/2001. O Ato Cancelatório consta da fl. 39 e foi motivado pela falta de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, válido. Após impugnação, Acórdão de fls. 245/245, julgou a autuação procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso tempestivo, arguindo em síntese: a) a decadência do período de 01/2005 a 07/2005; b) que é competência exclusiva do CNAS reconhecer a qualidade de entidade beneficente; c) que a MP 446/2008, dispôs que os recursos pendentes de julgamento acerca dos certificados deveriam ser deferidos; d) que o CEBAS foi renovado automaticamente; e) que por ser reconhecida entidade beneficente de assistência social, tem direito à isenção; f) que teve convalidada todas as suas certificações; Requer o reconhecimento da decadência e da isenção que foi consagrada com a medida provisória, o provimento do recurso e o cancelamento do auto de infração. É o relatório. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Da Preliminar A autuação se deu em 25/08/2010, com ciência pelo sujeito passivo em 26/08/2010, referindose às competências de 01/2005 a 12/2007. A recorrente alega a decadência qüinqüenal, ,mas devese observar que a decadência, no caso, deve ser examinada à luz do artigo 173, inciso I do Código Tributário Nacional, visto que não há recolhimentos parciais efetuados, por se tratar de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Da leitura do dispositivo transcrito, do exame da data da autuação e competências envolvidas, resta claro que não há período decadente no auto de infração. Do Mérito Quanto ao mérito, o auto de infração se refere a falta de informação em GFIP da remuneração paga a todos os segurados que prestaram serviço para a recorrente no período de 01/2005 a 12/2007, já que foi informado o código FPAS de entidade isenta das contribuições previdenciárias patronais, quando a isenção já havia sido cassada, em 04/2005, com efeitos retroativos a 01/01/2001. A incorreção no FPAS gerou omissão das contribuições previdenciárias, pois o sistema deixa de calcular as alíquotas patronais devidas. A obrigação acessória surge do descumprimento de dever instrumental a cargo do sujeito passivo, consistindo numa prestação positiva (fazer), que não seja o recolhimento do tributo, ou negativa (não fazer). Descumprida obrigação acessória (obrigação de fazer/não fazer) possui o Fisco o poder/dever de lavrar o AutodeInfração. A penalidade pecuniária exigida dessa forma convertese em obrigação principal, na forma do § 3º do art. 113 do CTN. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10865.002683/201001 Acórdão n.º 230201.302 S2C3T2 Fl. 3 5 No presente caso, a obrigação acessória corresponde ao dever de informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, por intermédio de documento definido em regulamento (GFIP), TODOS os dados relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do INSS. Ao não informar os valores relativos a toda remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, a recorrente infringiu o artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, pois é obrigada a informar, mensalmente, ao INSS, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações do interesse do Instituto, sendo que a apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada. A recorrente alega que tem direito à isenção da cota patronal previdenciária, em virtude do disposto pela MP 446/2008. Ocorre que esta argumentação é inócua neste processo, eis que a referida discussão já se esgotou na esfera administrativa com a emissão do Ato Cancelatório n.º 21.424.1/006/2005, emitido em 15/04/2005, com efeitos retroativos a 01/01/2001, que cancelou isenção a que a recorrente fazia jus, por falta do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, válido, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social. O Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3048/99, traz no seu artigo 206, parágrafo 9º, que não caberá recurso ao Conselho de Recursos da Previdência Social (redação vigente à época do cancelamento) da decisão que cancelar a isenção pela falta de referido certificado, renovado a cada três anos. Portanto, à época da emissão do ato cancelatório, a falta do certificado válido ocasionou o cancelamento da isenção, sem direito a recurso, tornadose definitiva a decisão e não cabendo a este colegiado apreciar novamente a discussão, cujo assunto já transitou em julgado administrativamente. Também é improcedente a alegação da recorrente quanto à aplicação da Medida Provisória 446/2008,haja vista que o cancelamento da isenção ocorreu em 04/2005, com efeitos retroativos a 01/2001, não havendo que se falar em renovação automática da isenção, sob o abrigo da MP, pois a entidade já não gozava do benefício quando da edição da citada MP e tampouco da Lei n.º 12.101, de 27/11/2009. Apenas para argumentar, é de se notar que a posse do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social não implica em fruição automática da isenção patronal das contribuições previdenciárias, uma vez que deveriam ser cumpridos os demais requisitos explícitos no artigo 55, da Lei n.º 8.212/91, vigente quando da emissão do Ato Cancelatório e a isenção devia ser requerida ao INSS – Instituto Nacional do Seguro Social. Ou seja, a simples detenção do Certificado não impunha o dever do fisco em reconhecer a isenção, pelo contrário a entidade deveria solicitar a isenção e provar o cumprimento de todos os requisitos legais, bem como era de responsabilidade do INSS verificar o cumprimento periódico e sistemático de todas as condições impostas pelo artigo 55 da Lei n.º 8.212/91, para que a entidade pudesse continuar gozando do benefício legal. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Portanto, mesmo que a entidade entenda que manteve o certificado de entidade beneficente por toda a sua existência, isto não implica, por si só, em isenção patronal das contribuições previdenciárias. Mas, repito, a discussão deste assunto, neste processo, é improcedente porque já está pacificada, administrativamente a questão, não possuindo a recorrente a isenção patronal das contribuições previdenciárias e por isso estava obrigada a informar em GFIP o código FPAS relativo a sua atividade e não como sendo entidade isenta, pois assim omitiu as informações relativas aos fatos geradores de contribuição previdenciária, e sujeitouse a lavratura deste auto de infração. A multa referente ao descumprimento da obrigação acessória, que originou este auto de infração, está contida no artigo 32, § 5º da Lei n.º 8.212/91 e artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, vigente à época da autuação: Art.284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: I valor equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no caput do art. 283, em função do número de segurados, pela não apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, independentemente do recolhimento da contribuição, conforme quadro abaixo: 0 a 5 segurados ½ valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo Acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo II cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção ou substituição, quando se tratar de infração cometida por pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social em gozo de isenção das contribuições previdenciárias ou por empresa cujas contribuições incidentes sobre os respectivos fatos geradores tenham sido substituídas por outras; e (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 9/06/2003) Fl. 306DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10865.002683/201001 Acórdão n.º 230201.302 S2C3T2 Fl. 4 7 III cinco por cento do valor mínimo previsto no caput do art. 283, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. § 1º A multa de que trata o inciso I, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue, sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração. § 2º O valor mínimo a que se refere o inciso I será o vigente na data da lavratura do autodeinfração. Deverá ser considerado, por competência, o número total de segurados da empresa, para fins do limite máximo da multa, que será apurada por competência, somandose os valores da contribuição não declarada, e seu valor total será o somatório dos valores apurados em cada uma das competências. Todavia, há que se observar a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do CTN. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, já na redação da Lei n.º 11.941/2009, nestas palavras: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: Fl. 307DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim, no caso presente, há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional. Pelo exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, devendo a multa aplicada ser calculada considerando as disposições do artigo 32A, inciso I, da Lei n.º 11.941/2009. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 308DF CARF MF Impresso em 22/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10735.001118/2005-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DIFPAPEL
IMUNE
Período de Apuração: 2002, 2003 e 2004.
DIFPAPEL IMUNE. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO.
A não apresentação da DIFPapel Imune nos prazos estabelecidos para entrega sujeitava o contribuinte à imposição da multa prevista no art. 57 da MP no 2.15835/2001, por mês-calendário.
Com a vigência do art. 1o da Lei no 11.945/2009, com efeitos a partir de 16/12/2008, a pena deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo. Para os processos pendentes de julgamento, há que se aplicar o dispositivo benéfico previsto no art. 106, II, “c”, do CTN, de forma que a exigência fiscal limite-se ao valor da multa aplicada, porém em uma única vez por cada declaração não apresentada no prazo. Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-000.368
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário.
Matéria: IPI- ação fiscal - penalidades (multas isoladas)
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DIFPAPEL IMUNE Período de Apuração: 2002, 2003 e 2004. DIFPAPEL IMUNE. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A não apresentação da DIFPapel Imune nos prazos estabelecidos para entrega sujeitava o contribuinte à imposição da multa prevista no art. 57 da MP no 2.158 35/2001, por mêscalendário. Com a vigência do art. 1o da Lei no 11.945/2009, com efeitos a partir de 16/12/2008, a pena deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo. Para os processos pendentes de julgamento, há que se aplicar o dispositivo benéfico previsto no art. 106, II, “c”, do CTN, de forma que a exigência fiscal limitese ao valor da multa aplicada, porém em uma única vez por cada declaração não apresentada no prazo. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário. José Luiz Novo Rossari Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior – Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros José Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres, Paulo Sérgio Celani, Rodrigo Cardozo Miranda, Antonio Spolador Junior e Gilberto de Castro Moreira Junior. Fl. 185DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por JOSE LUIZ NOV O ROSSARI Processo nº 10735.001118/200537 Acórdão n.º 3202000.368 S3C2T2 Fl. 183 2 Relatório Para melhor elucidação dos fatos ora analisados, transcrevo o relatório da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Juiz de ForaMG (“DRJ/JFA”), como constante às fls. 116/117 que concedeu provimento parcial à impugnação ao auto de infração apresentado pela Recorrente: “Tratase de auto de infração para exigência da multa regulamentar no valor de RS 1.110.000,00, lavrado em decorrência da constatação de ausência na entrega da Declaração Especial de Informações relativas ao Controle do Papel Imune (D1FPapel Imune). O lançamento foi amparado nos dispositivos legais relacionados na descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração, merecendo destaque a Instrução Normativa (IN) SRF n° 71, de 2001, e o art. 57, inciso I, da Medida Provisória (MP) n° '2.15835, de 2001. Cientificada do lançamento de oficio pela via postal em 02/05/2005 (fls. 28), a autuada, por meio do procurador constituído pelo instrumento de fl. 39, apresentou em 20/05/2005 sua impugnação de fls. 34/38, na qual solicitou a improcedência da autuação sob os argumentos, em síntese, de que: no caso vertente, havia uma particularidade a excluir a penalidade, porquanto o Fisco, apesar de interpelado, não conseguira elucidar o problema de que a compra de papel imune era feita pelo estabelecimento matriz, detentor de registro especial, mas que era uma mera loja de revenda, ao passo que a produção era operada pela filial, que não possuía registro especial. Daí,ofendia o princípio da igualdade a autuação do Fisco pelo descumprimento de obrigação acessória enquanto a contribuinte aguardava orientação do próprio fiscal autuante; houve um erro material quando da inscrição da impugnante, pois não foi feito o registro da filial que realizava toda a produção, desde a compra do papel até a comercialização final. Tal erro ficou de ser solucionado pelo fiscal autuante, que, entretanto, ao invés de esforçarse em orientar o contribuinte, acabou por lavrar o auto de infração; a autuação feria os princípios da capacidade contributiva ou econômica da impugnante, pois seu porte era pequeno, com faturamento bruto anual modesto, não tendo como liquidar o valor da multa aplicada sem incorrer em insolvência civil; era incorreta a forma cumulativa, por mês de atraso, de cálculo da multa, pois .foram considerados 222 meses, enquanto o período era de 24 meses, não tendo sido feito o somatório sucessivo dos trimestres sem entrega da DIF, ferindose, assim, o princípio da legalidade; havia que ser buscado socorro no art. 112, do CTN, pois, em caso de dúvida em matéria de infrações e penalidades, a regra era a interpretação benigna, favorável ao contribuinte; É o relatório. Fl. 186DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por JOSE LUIZ NOV O ROSSARI Processo nº 10735.001118/200537 Acórdão n.º 3202000.368 S3C2T2 Fl. 184 3 A decisão de fls. 116/123, proferida pela DRJ/JFA, foi assim ementada: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2002, 2003, 2004. DIFPAPEL IMUNE. FALTA OU ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A nãoapresentação, ou a apresentação da DIFPapel Imune após os prazos estabelecidos para a entrega dessa declaração, sujeita o contribuinte à imposição da multa prevista no art. 57 da MP n° 2.15834, de 2001, e reedição. Lançamento Procedente em Parte Inconformada com a decisão da DRJ/JFA, a qual considerou procedente em parte a impugnação ao auto de infração, a Recorrente apresentou o presente Recurso Voluntário de fls. 136/141, objetivando reformar a decisão em tela, alegando, em breve síntese, o que segue: a. Existência de grande dúvida acerca do correto preenchimento da DIFPapel Imune, motivo pelo qual foi formulada consulta às autoridades competentes em 30 de maio de 2005, respondida pelas autoridades competentes em 08 de julho de 2007; b. Impossibilidade de aplicação cumulativa da multa prevista no artigo 57, inciso I, da MP 2.158 de 2001, por ofensa aos princípios constitucionais tributários da legalidade, capacidade contributiva e da vedação ao confisco; c. Inexistência de lei impondo a entrega da referida declaração, vez que tanto a Lei n. 9.779/99 e Decretolei n. 1.593/77 não tiveram essa finalidade; d. Pede que o presente recurso seja acolhido e dado provimento, reformando se a decisão de primeira instância em sua totalidade. É o relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade. Desta forma, dele tomo conhecimento e passo a analisar as questões de mérito. Primeiramente, é importante destacar que a consulta formulada pela Recorrente foi posterior à autuação, de forma que não produz nenhum efeito quanto à exigibilidade dos juros decorrentes da infração (art, 161, parágrafo 2º, do CTN). Além disso, a resposta à consulta foi negativa, determinando que todos os estabelecimentos da Recorrente possuam registro especial para comercialização de papel, devendo cumprir as obrigações acessórias determinadas pela legislação tributária. Quanto ao mérito, acolho os argumentos muito bem fundamentados pelo Conselheiro José Luiz Novo Rossari em voto proferido nesta Turma, in verbis: “No mérito, em face da competência para dispor sobre obrigações acessórias, que foi atribuída à SRF pelo art. 16 da Lei no 9.779, de 1999, resta clara a Fl. 187DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por JOSE LUIZ NOV O ROSSARI Processo nº 10735.001118/200537 Acórdão n.º 3202000.368 S3C2T2 Fl. 185 4 legislação no que respeita à obrigatoriedade de apresentação da DIFPapel Imune no prazo definido no art. 11 da IN SRF no 71, de 2001, sob pena de aplicação da multa instituída pelo art. 57 da Medida Provisória no 2.15834, de 2001, conforme estabelece o art. 12 da referida IN. A multa exigida tem plena aplicação às infrações da espécie, por se tratar de norma tributáriapenal destinada ao controle fiscal e com previsão expressa em lei, sendo descabida a sua inaplicação em foro administrativo em face de meras alegações de violação aos princípios da capacidade contributiva, da legalidade e da vedação ao confisco, como pretende a Recorrente. À vista da clareza dessa legislação não procedem as alegações da recorrente pertinentes aos aspectos constitucionais da penalidade, por se tratar de matéria cuja apreciação não compete à via administrativa. Cumpre observar que esse entendimento já se encontra pacificado neste Colegiado, conforme se verifica da Súmula Carf no 2, aprovada pela Portaria Carf no 52/2010 (DOU de 23/12/2010), que dispõe, verbis: “ O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” No entanto, com a superveniência da Lei no 11.945, de 4/6/2009, houve substancial alteração na legislação pertinente ao Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil e à apresentação de informações referentes ao controle de papel beneficiado com imunidade, como se verifica do seu art. 1o, verbis: “Art. 1º Deve manter o Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil a pessoa jurídica que: I exercer as atividades de comercialização e importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal; e II adquirir o papel a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal para a utilização na impressão de livros, jornais e periódicos. § 1º A comercialização do papel a detentores do Registro Especial de que trata o caput deste artigo faz prova da regularidade da sua destinação, sem prejuízo da responsabilidade, pelos tributos devidos, da pessoa jurídica que, tendo adquirido o papel beneficiado com imunidade, desviar sua finalidade constitucional. § 2º O disposto no § 1º deste artigo aplicase também para efeito do disposto no § 2º do art. 2º da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, no § 2º do art. 2º e no § 15 do art. 3º da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e no § 10 do art. 8º da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004. § 3º Fica atribuída à Secretaria da Receita Federal do Brasil competência para: Fl. 188DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por JOSE LUIZ NOV O ROSSARI Processo nº 10735.001118/200537 Acórdão n.º 3202000.368 S3C2T2 Fl. 186 5 I expedir normas complementares relativas ao Registro Especial e ao cumprimento das exigências a que estão sujeitas as pessoas jurídicas para sua concessão; II estabelecer a periodicidade e a forma de comprovação da correta destinação do papel beneficiado com imunidade, inclusive mediante a instituição de obrigação acessória destinada ao controle da sua comercialização e importação. § 4º O não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 3o deste artigo sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I deste artigo, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. (destaquei) § 5º Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do § 4o deste artigo será reduzida à metade.” Esse dispositivo legal foi disciplinado pela IN RFB no 976, de 2009, que revogou a IN SRF no 71 e as INs que lhe alteraram a redação, e dispôs especificamente sobre a apresentação da DIFPapel Imune em seu art. 12, verbis: “Art. 12. A nãoapresentação da DIFPapel Imune, nos prazos estabelecidos no art. 11, sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. (destaquei) Parágrafo único. Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do caput será reduzida à metade.” Verificase que a nova legislação é clara ao substituir a sistemática até então vigente, de imposição de penalidade por mêscalendário estabelecida pela Medida Provisória no 2.15834, de 2001, pela imposição de multa única no caso de falta de apresentação da DIFPapel Imune no prazo estabelecido (art. 1o, § 4o, II, da Lei no 11.945, de 2009 e art. 12, II, da IN RFB no 976, de 2009). Fl. 189DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por JOSE LUIZ NOV O ROSSARI Processo nº 10735.001118/200537 Acórdão n.º 3202000.368 S3C2T2 Fl. 187 6 De acordo com o que estabelece o art. 33, IV, da Lei no 11.945, de 2009, o art. 1o dessa Lei produziu efeitos a partir de 16/12/2008. No caso em exame, em se tratando de processo pendente de julgamento, há que se considerar a norma benigna prevista no art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional (Lei no 5.172, de 1966), que, ao tratar da aplicação da legislação tributária, dispõe, verbis: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Com base nos fundamentos do julgado supra, perfeitamente aplicáveis ao caso em tela, voto para que se DÊ PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, de forma que a exigência da multa vigente à época fique limitada a uma única vez por cada declaração trimestral não apresentada no prazo, apuração esta que resulta no montante de 12 (doze) multas de R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 190DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUN, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por JOSE LUIZ NOV O ROSSARI
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Numero do processo: 16327.001281/2004-15
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2002
PERC. REGULARIDADE FISCAL. MOMENTO DA COMPROVAÇÃO. MEDIDA LIMINAR. REVOGAÇÃO. PERDA DO DIREITO AO BENEFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE.
Na apreciação do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de regularidade fiscal deve se ater à data da opção pelo incentivo questionado. A revogação de medida liminar que suspendia a exigibilidade de créditos tributários à época da opção pelo benefício fiscal não enseja a perda do direito ao incentivo.
Numero da decisão: 9101-000.887
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso da FAZENDA NACIONAL. Ausente, momentaneamente, a conselheira Karen Jureidini Dias.
Matéria: IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
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REGULARIDADE FISCAL. MOMENTO DA COMPROVAÇÃO. MEDIDA LIMINAR. REVOGAÇÃO. PERDA DO DIREITO AO BENEFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. Na apreciação do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de regularidade fiscal deve se ater à data da opção pelo incentivo questionado. A revogação de medida liminar que suspendia a exigibilidade de créditos tributários à época da opção pelo benefício fiscal não enseja a perda do direito ao incentivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso da FAZENDA NACIONAL. Ausente, momentaneamente, a conselheira Karen Jureidini Dias. (documento assinado digitalmente) Caio Marcos Cândido Presidente. (documento assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Marcos Cândido (Presidente), Leonardo de Andrade Couto, Claudemir Rodrigues Malaquias, Viviane Vidal Wagner, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Susy Gomes Hoffman (VicePresidente), Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Antonio Carlos Guidoni Filho e Valmir Sandri. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 09/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS Processo nº 16327.001281/200415 Acórdão n.º 910100.887 CSRFT1 Fl. 407 2 Relatório A Fazenda Nacional impetrou Recurso Especial com fundamento no art. 7º, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, em face do Acórdão nº 10809.733, fls. 357/362, proferido pela extinta Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, em 19/09/2008, assim ementado: “PERC. REGULARIDADE FISCAL. MOMENTO DA COMPROVAÇÃO. Na apreciação do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de regularidade fiscal deve se ater à data da opção pelo incentivo questionado. Recurso Voluntário Provido.” Os presentes autos versam sobre Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), relativo ao anocalendário de 2001, exercício de 2002, apresentado em 23/09/2004, (fls. 01/02). Conforme dados constantes da Ficha 29 – Aplicações em Incentivos Fiscais, da DIPJ/2002, a contribuinte destinou parcela do Imposto de Renda recolhido equivalente a R$ 465.473,41 para aplicação no FINAM (fls. 166). Em despacho decisório de 09/03/2006 (fls. 178/181), foi indeferido o pedido de revisão de ordem de emissão de incentivos fiscais, nos seguintes termos: “Diante do exposto... DECIDO INDEFERIR o pedido de revisão de ordem de emissão adicional de incentivos fiscais relativo ao IRPJ/2002, formulado pelo interessado, em decorrência da vedação legal estabelecida: pelo art. 60 da Lei nº 9.069/95; pela alínea “a”, inciso I, art. 47 da Lei nº 8.212/1991; pelo inciso II, do art. 6º da Lei nº 10.522/2002.” A empresa apresentou manifestação de inconformidade, protocolizada em 07/06/2006 (fls. 187/192), alegando, em síntese, que a legislação pertinente impõe a necessidade de verificação das pendências existentes à época da opção pelo incentivo fiscal, e não em outro momento, no interesse da Administração Tributária. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo prolatou o acórdão nº 1613.213 (fls. 282/300) indeferindo a solicitação em decisão consubstanciada na seguinte ementa: “INCENTIVO FISCAL.FINAM. REQUISITOS. A não comprovação de quitação de tributos e contribuições federais, pelo contribuinte, impede o reconhecimento ou a concessão de benefícios ou incentivos fiscais. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 09/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS Processo nº 16327.001281/200415 Acórdão n.º 910100.887 CSRFT1 Fl. 408 3 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRETAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O processo administrativo fiscal é regido por princípios, dentre os quais o da oficialidade, que obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final.” Inconformada, a contribuinte recorreu a este Conselho (fls. 312/323), ratificando as razões expendidas na manifestação de inconformidade. A Câmara recorrida, por sua vez, reconheceu o direito da Contribuinte de que seu pedido fosse apreciado, ao argumento de que “o que deve ser objeto de avaliação é o motivo que gerou a não emissão do certificado no momento da opção, isto é, a regularidade fiscal na entrega da Declaração de Rendimentos correspondente ao anocalendário de 2001”. Em sede de recurso especial, cujo seguimento foi dado pelo despacho de fls. 385/386, a Fazenda Nacional suscita divergência entre a decisão recorrida e a proferida no acórdão CSRF nº 0105.505. Em síntese, sustenta que a decisão a quo “desconsiderou a eficácia ex tunc inerente à revogação da liminar, razão pela qual concluiu que a contribuinte não possuía débitos (exigíveis) anteriores à opção pelo incentivo fiscal.” Presentes as contrarazões da contribuinte às fls. 390/395, onde pede o não conhecimento do recurso da Fazenda Nacional e, sucessivamente, a manutenção do acórdão recorrido, considerando que “a regularidade fiscal exigida pelo art. 60 da Lei nº 9.069/95, para fins de gozo dos benefícios do FINAM, deve existir quando da apresentação da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, momento no qual é feita a opção por referido benefício.” Os autos foram distribuídos a este Relator para análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Claudemir Rodrigues Malaquias Relator A Fazenda Nacional insurgese contra a decisão da extinta Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes que deu provimento ao recurso voluntário para determinar o exame do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão Adicional de Incentivos Fiscais (PERC). A questão submetida à apreciação deste colegiado cingese em definir se permanece ou não o direito ao benefício fiscal no caso de existência de débitos, cuja exigibilidade estava suspensa por força de medida liminar no momento da opção pelo incentivo, mas que, posteriormente, passaram a ser exigíveis em razão da revogação da medida. A Fazenda Nacional alega divergência jurisprudencial e junta como paradigma o acórdão CSRF/0105.505, de 18/09/2006, cuja ementa é a seguinte: “MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO – SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO – REVOGAÇÃO DE MEDIDA LIMINAR. Cabível a aplicação de multa de ofício se o Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 09/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS Processo nº 16327.001281/200415 Acórdão n.º 910100.887 CSRFT1 Fl. 409 4 contribuinte decide não recolher o tributo nos 30 dias seguintes a cassação da medida suspensiva da exigibilidade do crédito tributário na forma prevista do art. 63 da Lei nº 9.430/96 e também não deposita o valor para garantia do Juízo. O simples ingresso em Juízo não é fonte de direito. Caso decida interromper o pagamento do tributo com base em tutela provisória, o contribuinte assume todo o risco gerado pelo prejuízo causado, ainda que não se configure máfe. Recurso especial provido.” Pela leitura da ementa da decisão, verificase tratar de situações fáticas distintas. A decisão ora recorrida deu provimento ao recurso para determinar o exame do PERC, enquanto que a decisão paradigma indicada pela Fazenda cuidou da incidência da multa de ofício no caso de medida liminar revogada em momento anterior ao lançamento. Dentre suas prerrogativas atuais, esta Câmara Superior tem o objetivo de dirimir conflito de teses entre os demais colegiados deste Conselho. Em razão disso, é requisito dos recursos a ela submetidos a demonstração analítica da divergência suscitada com a indicação dos pontos na decisão paradigma que divirjam dos pontos específicos no acórdão recorrido. Assim, a ausência de similitude entre os fatos ensejaria, de plano, o não conhecimento do recurso, nos exatos termos do art. 67, § 6º do Regimento Interno do Carf. No entanto, a Fazenda, mesmo reconhecendo a discrepância do suporte fático entre o da decisão recorrida e o da considerada paradigma (fls. 370), sustenta que o fundamento adotado no voto condutor da decisão paradigma corresponde à tese jurídica contrariada pela câmara a quo, qual seja, a eficácia ex tunc da revogação de medida liminar. Efetivamente, demonstrou em seu recurso existir divergência quanto à tese jurídica relativa aos efeitos ex tunc da revogação de medida liminar. Destarte, conheço do recurso da Fazenda e passo a analisar os argumentos trazidos para apreciação deste colegiado. Alega a recorrente, que a câmara a quo desconsiderou a eficácia ex tunc inerente à revogação da liminar que havia determinado a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Logo, não poderia a decisão recorrida determinar o exame do PERC, considerando ser regular a situação fiscal da contribuinte à época da opção pelo benefício, uma vez que baseouse em liminar que havia sido posteriormente revogada e cujos efeitos retroagiriam até o momento da referida opção. No entender da Fazenda, caso a câmara recorrida houvesse acatado a tese da decisão paradigma, ou seja, concedido o efeito ex tunc à medida liminar cassada, o PERC teria sido indeferido, uma vez que os débitos até então com a exigibilidade suspensa, passaram a ser exigíveis com a revogação. Ou seja, para a recorrente, com a revogação da medida liminar restaurouse a exigibilidade do crédito tributário com efeitos retroativos, constituindo fato impeditivo para o gozo do benefício fiscal. No entanto, entendo que não assiste razão à Fazenda Nacional, sendo que a decisão recorrida não merece qualquer reparo, como intentarei demonstrar. Não há dúvidas quanto ao efeito ex tunc das decisões que revogam medidas liminares. De fato, a cassação dos efeitos da tutela demonstra sua injustificada concessão ab Fl. 4DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 09/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS Processo nº 16327.001281/200415 Acórdão n.º 910100.887 CSRFT1 Fl. 410 5 initio e os atos que dela decorreram, praticados por conta e risco do contribuinte, devem ser desfeitos ou, pelo menos, reparados em seus efeitos prejudiciais. Entretanto, não pode a recorrente pretender alterar o momento a que se refere a regularidade fiscal exigida para a concessão do benefício. O fato de considerar os efeitos liminares no momento da opção pelo incentivo fiscal, ainda que posteriormente revogados, não significa não reconhecer o efeito ex tunc das decisões judiciais que cassam medidas liminares. É necessário considerar os limites da eficácia medida liminar, cujo alcance refoge às pretensões da Fazenda. A medida liminar concedeu a segurança a contribuinte para suspender a exigibilidade crédito tributário relativo aos processos nº 13805.002392/9247 e nº 13805.000722/9661 (fls. 340/341). Com base nos documentos acostados, verificase que não consta da ação mandamental pedido relativo a opção pelo benefício fiscal discutido nos presentes autos. Ou seja, a discussão no mandado de segurança era outra, distinta do direito à opção pelo benefício fiscal. Logo, a decisão que cassa a medida liminar não possui o condão de alterar outras relações jurídicas diferentes de seu objeto. Por outras palavras, a cassação da liminar produz efeitos ex tunc unicamente para restabelecer a exigibilidade dos créditos tributários anteriormente suspensa. Restam, portanto, preservados os atos jurídicos finalizados durante a sua vigência, dentre eles, a certidão positiva com efeitos de negativa que possibilitou a opção pelo benefício. Por estas razões, não assiste razão à recorrente quando pretende infirmar a decisão recorrida ao argumento de que a medida liminar cassada restabeleceu os débitos da contribuinte, impedindo seu acesso ao incentivo fiscal. No caso dos autos, o débito que gerou o questionamento referese à inscrição na dívida ativa e ajuizamento de execução fiscal relativa aos processos administrativos nº 13805.002392/9247 e nº 13805.000722/9611. A opção pela destinação do imposto ao FINAM foi formalizada com a entrega da declaração em 28/06/2002. Compulsandose os autos, verificase que em 27/02/2000, foi concedida liminar em ação mandamental (fls. 334/341), sustando a exigibilidade dos débitos cobrados naqueles autos. Entretanto, essa liminar foi cassada somente em 18/03/2004 (fls. 342/352), posterior, portanto, ao momento da opção, o que pode ser confirmado pela Certidão de Objeto e Pé referente à ação judicial (fls. 353). Ora, tendo em conta que a cassação a liminar se deu somente em 2004, deve se considerar que no momento da opção pelo benefício, em 2002, os débitos objeto do questionamento não eram exigíveis e, portanto, não representavam óbice à opção da contribuinte pelo incentivo fiscal. Devese destacar que este Conselho já se pronunciou por diversas vezes no sentido de que a regularidade do contribuinte deve ser verificada no momento de sua opção pelo investimento incentivado e não na data da análise do pedido pela instância julgadora do PERC. Como a opção se dá com a entrega da declaração de Imposto de Renda pelo contribuinte, é neste momento que devese verificar a existência dos requisitos para a concessão do benefício fiscal. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 09/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS Processo nº 16327.001281/200415 Acórdão n.º 910100.887 CSRFT1 Fl. 411 6 Recentemente, firmouse esse entendimento, tendo o mesmo sido consignado no enunciado nº 37 da Súmula CARF, aprovada pela Portaria MF nº 383, de 12.07.2010 (DOU de 14.07.2010), verbis: Súmula CARF º 37. Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. No caso dos autos, verificase que era regular a situação fiscal apresentada pela contribuinte, considerando que no momento da entrega da declaração do Imposto de Renda vigorava a medida liminar que suspendia a exigibilidade dos débitos objeto dos processos nº 13805.002392/9247 e nº 13805.000722/9611. Portanto, não podia a autoridade julgadora denegar o exame do PERC, ao argumento de que a medida liminar já havia sido posteriormente revogada e, portanto, os débitos agora exigíveis, constituíam óbice para a concessão do benefício fiscal. Se assim fosse, estarseía retirando a eficácia da decisão liminar naquele momento, ainda que tais decisões possuam caráter precário e necessitam de confirmação posterior. Por outras palavras, a segurança concedida deve ser respeitada no período em que viger, ainda que no mérito julgado posteriormente, o resultado seja adverso. Assim , corroborando o entendimento já firmado no âmbito deste Conselho, me posiciono no sentido de que na apreciação do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de regularidade fiscal deve se ater à data da opção pelo incentivo questionado. A revogação de medida liminar que suspendia a exigibilidade de créditos tributários à época da opção pelo benefício fiscal não enseja a perda do direito ao incentivo. Por tais fundamentos, manifestome por NEGAR provimento ao recurso da Fazenda Nacional, mantendose inalterada a decisão recorrida que determinou o exame do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão Adicional de Incentivos Fiscais (PERC). É como voto. (documento assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Relator Fl. 6DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 11/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 09/03/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS
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Numero do processo: 11040.000210/2010-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO.
É intempestivo o Recurso Voluntário interposto após o transcurso do prazo legal de 30 (trinta) dias contados da data da ciência da decisão recorrida, excluindo-se o dia do início (data da ciência) e incluindo-se o do vencimento do prazo. Não interposto Recurso Voluntário no prazo legal, torna-se definitiva a decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 2101-001.403
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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RECURSO INTEMPESTIVO. É intempestivo o Recurso Voluntário interposto após o transcurso do prazo legal de 30 (trinta) dias contados da data da ciência da decisão recorrida, excluindose o dia do início (data da ciência) e incluindose o do vencimento do prazo. Não interposto Recurso Voluntário no prazo legal, tornase definitiva a decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) _______________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) _________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka, José Evande Carvalho Araujo, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Relatório Em desfavor de CELMAR VERGÍLIO TELES foi emitida a Notificação de Lançamento às fls. 12 a 18, na qual é cobrado o imposto sobre a renda de pessoa física (IRPF) suplementar no valor de R$ 12.046,61 (doze mil e quarenta e seis reais e sessenta e um centavos), que, com juros de mora calculados até 29.01.2010 e multa proporcional perfaz um valor total exigido de R$ 23.352,34(vinte e três mil trezentos e cinquenta e dois reais e trinta e quatro centavos). Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 13 a 16) a Fiscalização informa ter apurado: 1. Dedução indevida com dependente, no valor de R$ 1.584,60, por falta de comprovação; 2. Dedução indevida a título de despesas médicas no valor de R$ 21.086,00, por falta de comprovação; 3. Dedução indevida de pensão alimentícia judicial e/ou por escritura pública, no valor de R$ 18.057,03, por falta de comprovação; 4. Dedução indevida de contribuição para previdência privada e FAPI, no valor de R$ 8.025,67, por falta de comprovação. Em 17 de março de 2010, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 1 e 2), cujas razões e pedido foram assim sintetizados pelo órgão julgador a quo: “ em relação à dedução Indevida de Previdência Privada e FAPI, no valor de R$ 8.025,67, que o montante deduzido não ultrapassa 12%dos rendimentos tributáveis declarados; no que tange à Dedução Indevida de Dependentes, no valor de R$ 1.584,60 a glosa é indevida pois o dependente é companheiro (a) com quem o contribuinte tem filho ou vive há mais de cinco anos, ou cônjuge, tratase de Ângela Maria Lopes Teles, conforme certidão de casamento que anexa aos autos; no tocante à Dedução Indevida de Despesas Médicas, no valor de R$ 21.086,00, questiona o valor de R$ 1.690,90 eis que o valor referese a despesas médicas do próprio contribuinte, comprovante do SENERSAÚDE; em relação à Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial, no valor de R$ 18.057,03, tratase de pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia, inclusive alimentos provisionais, conforme normas do Direito de Família; anexa cópia de documentos.” Fl. 74DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11040.000210/201028 Acórdão n.º 210101.403 S2C1T1 Fl. 66 3 A 8.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre mediante o Acórdão n.º 1028.786, de 29 de novembro de 2010, julgou a Impugnação procedente em parte, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 DESPESAS MÉDICAS. As despesas médicas legalmente previstas e devidamente comprovadas podem ser deduzidas dos rendimentos tributáveis. DEDUÇÃO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA E FAPI São dedutíveis na Declaração Anual, observadas as condições e o limite legal, os pagamentos feitos pelo contribuinte em seu nome e no de seus dependentes, relacionados na declaração, destinados à obtenção de benefícios complementares, assemelhados aos da Previdência Social, efetuados a entidades de previdência privada domiciliadas no Brasil, bem como os efetuados aos Fundos de Aposentadoria Programada Individual – FAPI. DEDUÇÃO DE DEPENDENTE. O contribuinte pode deduzir R$ 1.584,60 por pessoa considerada dependente. Estão incluídos na relação de dependência a companheira com a qual o contribuinte tenha filho ou viva há mais de 5 anos, ou cônjuge. DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. GLOSA. A pensão alimentícia deve ser em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive alimentos provisionais, relativas às normas de Direito de Família. Não pode ser deduzida, portanto, a pensão paga informalmente, ou seja, por ato não homologado judicialmente. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Ciente da decisão em 12 de janeiro de 2011, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 25 de fevereiro de 2011. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário é intempestivo e não pode ser conhecido. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 O contribuinte tomou ciência do Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre em 12 de janeiro de 2011, conforme comprova o carimbo de entrega dos Correios no Aviso de Recebimento – AR às fls. 39. Compulsando os autos, verificase que o contribuinte protocolizou Recurso Voluntário na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Pelotas no dia 25 de fevereiro de 2011, conforme atesta o funcionário da referida unidade (fls. 44). O Recurso Voluntário pode ser interposto pelo contribuinte no prazo de trinta dias contados da ciência da Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, nos termos do artigo 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, a seguir transcrito: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. A contagem dos prazos no Processo Administrativo Fiscal está disciplinada no artigo 5.º do mesmo diploma legal, que assim dispõe, ipsis litteris: Art. 5° Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. No presente caso, iniciouse a contagem do prazo em 13 de janeiro de 2011, quintafeira, dia seguinte ao do recebimento da Decisão de primeira instância (12 de janeiro de 2011). Tendo em vista que não consta ter havido expediente anormal nas repartições federais em Pelotas na data, a contagem dos trinta dias iniciou em 13 de janeiro de 2011 e encerrouse em 11 de fevereiro de 2011, uma sextafeira, também dia de expediente normal. Vale salientar que os prazos recursais são peremptórios e preclusivos, razão pela qual, decorrendo o lapso temporal previsto em lei sem que ocorra a interposição do Recurso Voluntário, extinguese, tal como sucedeu na hipótese, o direito do interessado de deduzilo. Impõese, portanto, a conclusão de que a decisão a quo tornouse definitiva, nos termos do artigo 42 do Decreto n.º 70.235, de 1972, verbis: "Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; [...].” Conclusão Constatada a sua intempestividade, o Recurso Voluntário não preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele não conheço, deixando, destarte, de analisar o mérito. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11040.000210/201028 Acórdão n.º 210101.403 S2C1T1 Fl. 67 5 (assinado digitalmente) __________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 77DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 01/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10855.001431/2007-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 07/06/2005, 08/06/2005
PAGAMENTO DE TRIBUTO FORA DE PRAZO SEM O ACRÉSCIMO
DE MULTA MORATÓRIA. DESCABIDA A MULTA DE OFÍCIO.
APLICAÇÃO RETROATIVA DE NORMA SUPERVENIENTE MAIS
BENIGNA (ART. 106, II, CTN).
Descabe a cobrança de multa de ofício isolada exigida sobre os valores de tributos recolhidos extemporaneamente, sem o acréscimo da multa de mora, antes do início do procedimento fiscal. (Súmula no 31 do CARF).
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 3202-000.393
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso de ofício. Declararamse
impedidos os Conselheiros Rodrigo Cardoso
Miranda e Gilberto de Castro Moreira Junior.
Nome do relator: JOSE LUIZ NOVO ROSSARI
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 07/06/2005, 08/06/2005 PAGAMENTO DE TRIBUTO FORA DE PRAZO SEM O ACRÉSCIMO DE MULTA MORATÓRIA. DESCABIDA A MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO RETROATIVA DE NORMA SUPERVENIENTE MAIS BENIGNA (ART. 106, II, CTN). Descabe a cobrança de multa de ofício isolada exigida sobre os valores de tributos recolhidos extemporaneamente, sem o acréscimo da multa de mora, antes do início do procedimento fiscal. (Súmula no 31 do CARF) Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Declararamse impedidos os Conselheiros Rodrigo Cardoso Miranda e Gilberto de Castro Moreira Junior. José Luiz Novo Rossari – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Luiz Novo Rossari, Rodrigo Cardozo Miranda, Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luis Eduardo Garrossino Barbieri e Octavio Carneiro Silva Corrêa. Relatório Fl. 344DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 30/11/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10855.001431/200771 Acórdão n.º 3202000.393 S3C2T2 Fl. 341 2 Cuidase do recurso de ofício interposto pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São PauloII/SP em Acórdão que decidiu pela procedência da impugnação e pelo cancelamento do crédito tributário exigido. Como histórico inicial dos fatos, transcrevo e adoto o relatório constante do referido Acórdão, verbis: “Tratase de auto de infração, lavrado em 18/05/2007, constitutivo da exigência de multa de oficio isolada e respectivos juros moratórios, por falta de recolhimento da multa de mora, em pagamento intempestivo de tributos, no valor total de R$ 5.011.745,08. Segundo se depreende dos autos, nos meses de outubro e novembro de 2004, janeiro e fevereiro de 2005, a contribuinte constatou a falta de recolhimento de tributos incidentes na importação de mercadorias admitidas no Regime Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado RECOF. Para sanar essa falha, foram registradas Declarações de Importação (DI) em junho de 2005, por meio das quais os tributos devidos foram recolhidos em 07 e 08 de junho daquele ano. Posteriormente, os juros moratórios também foram quitados. Considerando tratarse de denúncia espontânea, haja vista que o pagamento dos tributos devidos e dos juros de mora realizouse antes do inicio de qualquer procedimento fiscal, entendeu a contribuinte pelo não cabimento da multa de mora. Em conseqüência, ajuizou o Mandado de Segurança no 2006.61.10.0057680, perante a 2ª Vara Federal de Sorocaba, para que esse direito lhe fosse reconhecido (fls. 11/127). A liminar pleiteada no mandamus foi indeferida por meio de despacho datado de 19/06/2006 (fls. 08/10), sendo o mesmo entendimento confirmado por sentença prolatada em 11/09/2006 (fls. 136/140), objeto de recurso ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região (fl. 141). A fiscalização, então, com fulcro nos artigos 43, parágrafo único, e 44, inciso I, parágrafo 1o, inciso II, da Lei no 9.430/96, procedeu à lavratura do auto de infração sob análise (fls. 142/154). Cientificada do lançamento em 18/05/2007 (fl. 152), a interessada apresentou impugnação, em 18/06/2007 (fls. 156/327), alegando em síntese que: (a) o total da multa de mora que não foi recolhida em razão da denúncia espontânea é de R$ 989.225,91, correspondente à alíquota de 20% aplicada sobre o valor principal dos tributos; (b) ocorre que o Sr. Auditor Fiscal não apenas aplicou multa, como no caso, aplicou a multa de oficio com alíquota de 75% sobre o valor dos tributos principal, e não obstante, aplicou também os juros Selic, conforme tabelas que apresentou; (c) o valor da autuação está equivocado, posto desbordar dos limites da sentença do mandado de segurança, que entendeu cabível a multa de mora, jamais a multa de oficio; (d) se cabível o lançamento, que fosse feito nos limites fixados na sentença, ou seja, com a multa de mora no valor de 20% dos tributos denunciados, mas jamais através da multa punitiva com alíquota de 75%; (e) cita doutrina e jurisprudência para referendar sua tese no sentido de que a denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN, determina a exclusão da multa de mora; Fl. 345DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 30/11/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10855.001431/200771 Acórdão n.º 3202000.393 S3C2T2 Fl. 342 3 (f) requer, assim, seja julgado improcedente o auto de infração e, subsidiariamente, seja convertida a multa de oficio em multa de mora como determinado na sentença judicial. É o relatório.” A lide foi decidida pela 2ª Turma da DRJ em São PauloII/SP, que, por unanimidade de votos, concluiu pela procedência da impugnação e pelo cancelamento do crédito tributário exigido, nos termos do Acórdão DRJ/SP2 no 1742.704, de 21/7/2010 (fls. 330/335), cuja ementa dispõe, verbis: “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 07/06/2005 e 08/06/2005 Ementa: MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Por força do principio da retroatividade benigna, é incabível a aplicação da multa de oficio nos casos de recolhimento extemporâneo desacompanhado de multa de mora. Impugnação Procedente” O órgão julgador concluiu pela improcedência do lançamento em vista do disposto no art. 14 da Medida Provisória no 351, de 2007, que alterou a redação do art. 44, I, da Lei no 9.430, de 1996, de forma a não mais exigir a multa de ofício de 75% no caso de pagamento do imposto após o vencimento do prazo sem o acréscimo de multa moratória, e do princípio da retroatividade benigna de que trata o art. 106, II, do CTN, tendo o decisório arguido, ainda, a Súmula no 31 do CARF, nesse mesmo sentido. Houve interposição de recurso de ofício pelo órgão julgador, em razão de que o valor do crédito tributário exonerado foi superior ao limite de alçada estabelecido pela Portaria MF no 3, de 2008. É o relatório. Voto Conselheiro José Luiz Novo Rossari, Relator Conheço do recurso de ofício por atender aos requisitos de admissibilidade. Discutese neste processo se o pagamento espontâneo de impostos e contribuições incidentes na importação de mercadorias, efetuado após a data de vencimento estabelecida na legislação sem o acréscimo de multa de mora previsto no art. 61 e seus §§ 1o e 2o, da Lei no 9.430, de 1996, sujeita o contribuinte à multa de ofício aplicada isoladamente, pela falta desse acréscimo, como determinava o art. 44, I e § 1o, II, dessa mesma Lei. A autuação teve como base a legislação existente à época dos pagamentos (7 e 8/6/2005), que previa a imposição da referida multa de ofício quando tais pagamentos fossem feitos fora de prazo e sem o acréscimo da multa de mora. E isso porque dispunha essa lei em seu art. 44, verbis: Fl. 346DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 30/11/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10855.001431/200771 Acórdão n.º 3202000.393 S3C2T2 Fl. 343 4 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (destaquei) (...)” Destarte, a norma legal que previa quatro situações de aplicação da multa de ofício nesse inciso I, dispôs originalmente de forma clara, não deixando margem a dúvidas no tocante a aplicação da multa de ofício, no caso de pagamento do principal fora de prazo sem o acréscimo da multa moratória. No entanto, sobreveio a Medida Provisória no 351, de 22/1/2007 (convertida na Lei no 11.488, de 15/6/2007), que inovou sobre a matéria, dispondo, verbis: “Art. 14. O art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...)” Verificase que a legislação superveniente excluiu das hipótese de infração originalmente penalizadas com a multa de ofício de 75% aquela pertinente ao pagamento ou recolhimento de imposto ou contribuição após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória. Destarte, e como se trata de processo pendente de julgamento, há que se interpretar a matéria nos termos do que dispõe o princípio benéfico expresso no art. 106, II, “a”, do Código Tributário Nacional (Lei no 5.172, de 1966), que determina que a lei aplicase a fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando deixe de definilo como infração. Verificase que no caso em exame encontramse presentes as condições previstas para a aplicação desse benefício, visto que se trata de processo pendente e cuja norma superveniente deixou de definir o ato – anteriormente sujeito à penalidade como infração, pelo que o fato está enquadrado inequivocamente no referido princípio benigno. Como já bem referiu a decisão proferida pelo órgão julgador, a matéria encontrase pacificada na Súmula 31, que foi divulgada pela Portaria CARF no 52, de 2010 (DOU de 23/12/2010), verbis: “Descabe a cobrança de multa de ofício isolada exigida sobre os valores de tributos recolhidos extemporaneamente, sem o acréscimo da multa de mora, antes do início do procedimento fiscal.” Fl. 347DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 30/11/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10855.001431/200771 Acórdão n.º 3202000.393 S3C2T2 Fl. 344 5 Diante do exposto, voto por que seja negado provimento ao recurso de ofício. José Luiz Novo Rossari Fl. 348DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 30/11/20 11 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI
score : 1.0
Numero do processo: 10980.003779/2004-14
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
PRESUNÇÃO SIMPLES. PROVA INDICIÁRIA.
No âmbito do processo administrativo fiscal é admitida a prova por presunção, desde que devidamente demonstrados os indícios precisos, veementes e convergentes, necessários para se inferir a ocorrência do fato gerador do imposto.
OMISSÃO DE RECEITA. TRANSFERÊNCIAS ENTRE MATRIZ E FILIAIS. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Não se configura omissão de receita a simples discrepância entre os valores apurados nos Registros Fiscais estaduais como transferências da matriz e os montantes das vendas registradas pela filial.
Numero da decisão: 9101-001.263
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
Nome do relator: CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 PRESUNÇÃO SIMPLES. PROVA INDICIÁRIA. No âmbito do processo administrativo fiscal é admitida a prova por presunção, desde que devidamente demonstrados os indícios precisos, veementes e convergentes, necessários para se inferir a ocorrência do fato gerador do imposto. OMISSÃO DE RECEITA. TRANSFERÊNCIAS ENTRE MATRIZ E FILIAIS. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Não se configura omissão de receita a simples discrepância entre os valores apurados nos Registros Fiscais estaduais como transferências da matriz e os montantes das vendas registradas pela filial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. (documento assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Valmar Fonsêca de Menezes, João Carlos de Lima Júnior, Claudemir Rodrigues Malaquias, Antônio Carlos Guidoni Filho, Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Fl. 1DF CARF MF Emitido em 27/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 7/12/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/12/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES M ALAQUIAS Processo nº 10980.003779/200414 Acórdão n.º 910101.263 CSRFT1 Fl. 915 2 Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias e Susy Gomes Hoffman (Vice Presidente). Relatório Com fundamento no art. 32, inciso I do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes (RICC), aprovado pela Portaria MF nº 55/98, a Fazenda Nacional interpõe recurso especial em face do acórdão nº 10708.406, de 25.01.2006, proferido pela Sétima Câmara do antigo Primeiro Conselhos de Contribuintes, assim ementado: “FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ Apurados, através de procedimento de ofício, valores devidos do imposto de renda pessoa jurídica, não antes declarados ou confessados pelo sujeito passivo, cabível a constituição do crédito tributário através de auto de infração, com aplicação de multa de ofício. MULTA DE OFÍCIO — PERCENTUAL Cabível a multa agravada e qualificada, quando, perfeitamente demonstrado nos autos, que os envolvidos na prática da infração tributária conseguiram o objetivo de, além de omitirem a informação em suas declarações de rendimentos, deixaram de recolher os tributos devidos, além de deixarem de atender às intimações para prestar esclarecimentos e apresentar documentos, merecendo a imposição da multa de 225%. CONFISCO — A vedação ao confisco, como limitação ao poder de tributar, restringese ao valor do tributo ou contribuição, conforme previsto no inciso IV do artigo 150 da Constituição Federal. A exigência de multa de ofício, aplicada em atenção à legislação vigente, não reveste o conceito de confisco. JUROS DE MORA — APLICABILIDADE DA TAXA SELIC — Sobre os créditos tributários vencidos e não pagos a partir de abril de 1995, incidem os juros de mora equivalentes à taxa SELIC para títulos federais. INCONSTITUCIONALIDADE A apreciação da constitucio nalidade ou não de lei regularmente emanada do Poder Legislativo é de competência exclusiva do Poder Judiciário, pelo princípio da independência dos Poderes da República, como preconizado na nossa Carta Magna. DECORRÊNCIAS Tratandose de lançamentos reflexivos, a decisão proferida no matriz é aplicável, no que couber, aos decorrentes, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.” Tratase de autos de infração (fls. 434/499) lavrados para constituir exigência relativa ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Fl. 2DF CARF MF Emitido em 27/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 7/12/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/12/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES M ALAQUIAS Processo nº 10980.003779/200414 Acórdão n.º 910101.263 CSRFT1 Fl. 916 3 Líquido (CSLL), Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS), referentes aos fatos geradores do 2º e 4º trimestres de 1999 e 1º ao 4º trimestre dos anoscalendários de 2000, 2001, 2002 e 2003. Conforme Termo de Verificação de Ação Fiscal (fls. 424/427), a fiscalização constatou i) divergências entre os valores de receitas apuradas nos livros fiscais e os informados ao fisco estadual, com base nas GIAS, cujas cópias foram obtidas junto à Fazenda Estadual do Paraná. Identificou, também, ii) diferenças entre as transferências para a filial e as vendas por ela efetuadas, presumindo a omissão no registro de receitas apuradas, tendo lançado os impostos e contribuições decorrentes destas irregularidades. Impugnada a exigência, o órgão de primeira instância julgou procedentes os lançamentos, conforme Acórdão DRJ/CTA nº 6.919, de 10.09.2004 (fls. 590/600). Em sede de Recurso Voluntário, a Contribuinte reportase aos argumentos trazidos na impugnação, asseverando, em síntese, que a decisão recorrida se distanciou dos preceitos jurídicos tributários que norteiam a ordem jurídica, estando eivado de vícios, sobretudo sobre o aspecto material. Submetido à apreciação da e. Sétima Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, o recurso foi, por maioria de votos, provido parcialmente para cancelar a exigência relativa à omissão de receita apurada pela fiscalização com base na diferença entre o montante das transferências realizadas da matriz para a filial e o valor das vendas nela registrado (item “ii” acima). À luz dos elementos carreados aos autos, entendeu o e. Colegiado a quo que a fiscalização não reuniu no processo elementos indiciários suficientes para sustentar a alegada presunção de omissão de receitas. Ante a parte que lhe foi desfavorável, a Fazenda Nacional interpôs o presente Especial alegando, em síntese, que: i) a presunção de omissão se funda em informações prestadas pela própria Contribuinte e obtidas junto ao Fisco estadual; e que ii) a contribuinte não impugnou a exigência com elementos materiais de prova, não elidindo, assim, a presunção em seu desfavor. Uma vez atendidos os pressupostos para sua admissibilidade, foi dado seguimento ao apelo da Fazenda, conforme Despacho PRESI nº 107016/07, de 26.01.2007, do então Presidente da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. Intimada, a Contribuinte apresenta suas contrarrazões (fls. 786/794) destacando o acerto da decisão recorrida e pugnando pela sua manutenção. Nesta oportunidade, com fundamento no art. 32, inciso II do RICC, apresenta seu Recurso Especial (fls. 795/847), ao qual foi negado seguimento, conforme Despacho nº DDC 107143484_121, de 14.07.2008 (fls. 849/855), proferido em sede de exame de admissibilidade, o qual considerou não comprovada a alegada divergência jurisprudencial. Irresignada, a Contribuinte interpôs Agravo regimental (fls. 871/901), tendo o mesmo sido improvido, conforme Despacho nº 018, de 16.10.2009, do Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 912). É o breve relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 27/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 7/12/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/12/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES M ALAQUIAS Processo nº 10980.003779/200414 Acórdão n.º 910101.263 CSRFT1 Fl. 917 4 Voto Conselheiro Claudemir Rodrigues Malaquias O recurso preenche os requisitos para sua admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A questão submetida à apreciação deste Colegiado cingese em saber se, com base nos elementos constantes dos autos, comporta presunção de omissão de receitas, o confronto realizado pela fiscalização entre o montante das transferências da matriz para a filial e o valor das vendas nela registrado. Conforme o relato acima, a e. Sétima Câmara cancelou a exigência ao argumento de que a fiscalização não logrou demonstrar, por meio das provas indiretas (presunção) a ocorrência do fato gerador do imposto. A Fazenda Nacional, em sua alegação, assevera que a Contribuinte não apresentou provas materiais suficientes para elidir a presunção em seu desfavor. O recurso da Fazenda tem por fundamento a suposta contrariedade aos elementos de prova constantes dos autos. Assim, para dirimir esta questão, mister proceder a análise dos indícios trazidos pela fiscalização e verificar se o Colegiado a quo, ao cancelar a exigência, não considerou de forma adequada as provas inseridas no processo. Pois bem, como é cediço, no âmbito do processo administrativo fiscal, não há óbice ao emprego de provas indiretas para atestar por presunção a ocorrência fato imponível. No campo das presunções, existem as presunções de fato ou simples e as presunções legais ou jurídicas. As primeiras, diferentes das segundas, não possuem previsão legal e estão escoradas na elaboração de raciocínio lógico, ou seja, na ilação que se faz com base na logicidade dos fatos conhecidos como indicadores da ocorrência de outros não conhecidos. No âmbito do direito tributário, desde que corretamente instruídas, as presunções podem ser admitidas para demonstrar a ocorrência do fato gerador do imposto. Nos casos de presunção simples, como é a hipótese dos autos, é do Fisco o ônus de apontar os indícios precisos, veementes e convergentes que, na forma de silogismo lógico e coerente, permitem inferir a ocorrência do fato gerador. No presente caso, conforme o Termo de Verificação (fls. 424/427), a infração foi assim caracterizada pela autoridade fiscal, verbis: “(...) TRANSFERÊNCIA DE MERCADORIAS PARA O ESTABELECIMENTO FILIAL. O estabelecimento matriz, transferiu para o estabelecimento filial sediado em São Paulo — SP, mercadorias para revenda. Das verificações nos livros fiscais da matriz e filial, ficou constatado grande diferença entre os valores transferidos e os valores das vendas do estabelecimento filial, conforme demonstrativo de fls. 433. Da mesma forma, que no estabelecimento matriz, ficou também constatado pela diligência efetuada nos clientes e pelos valores escriturados que a empresa registrou nos livros fiscais da filial, valores inferiores que não corresponde aos Fl. 4DF CARF MF Emitido em 27/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 7/12/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/12/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES M ALAQUIAS Processo nº 10980.003779/200414 Acórdão n.º 910101.263 CSRFT1 Fl. 918 5 consignados nas notas fiscais de vendas, agindo também com dolo caracterizando fraude e sonegação fiscal, ver relação às fls. 190. Assim, não tendo a empresa apresentado às notas fiscais de saída para verificação dos valores das vendas, consideramos a diferença entre os valores das mercadorias transferidas e valores das vendas escrituradas a menor, conforme demonstrativo de fls. 433, como omissões de receita, procedendose o lançamento do Imposto de Renda e tributação reflexa, CSLL, PIS e COFINS. (...)” Apesar do esforço da fiscalização em expor e concluir que a Contribuinte omitiu receitas de vendas, o trecho acima transcrito não comporta descrição suficiente dos indícios da infração alegada. O simples cotejo entre os valores transferidos da matriz para a filial, apurados unicamente pelo exame dos livros fiscais, e os valores registrados como vendas pela filial não constituem indícios precisos, veementes e convergentes, necessários para configurar a presunção de omissão de receitas. Seguindo a linha do voto condutor da decisão recorrida, a breve e sucinta caracterização da infração pela autoridade fiscal efetivamente não reúne os indícios hábeis e necessários à formação da prova presuntiva. Não obstante a Contribuinte ter oferecido resistência ao trabalho da fiscalização, sujeitandose inclusive ao agravamento da multa de ofício, que fora mantido pela e. Câmara a quo, o trabalho fiscal se limitou a totalizar as transferências para a filial e, não tendo apurado a venda das mercadorias transferidas, presumiu a omissão das receitas correspondentes, com base neste único elemento. A autoridade lançadora deixou de aportar aos autos outros elementos que, de forma convergente apontassem para a ocorrência da omissão. Demonstrar a ocorrência do fato gerador com base em simples presunção requer um trabalho mais detido a investigativo no intuito de trazer aos autos todos os elementos possíveis que, uma vez reunidos, permitem ao julgador formar sua convicção acerca da ocorrência do fato gerador, ainda que as provas acostadas sejam todas indiciárias. Entendo, assim, que este indício, considerado de forma isolada, não é suficiente para sustentar a tese da acusação, e tampouco tem o condão necessário para inverter o ônus da prova, como intenta argumentar a Recorrente. Portanto, não merece qualquer reparo o acórdão ora recorrido. Nesta linha de raciocínio, a Colenda Terceira Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, ao analisar situação semelhante, proferiu o Acórdão nº 10320.568, de 18.04.2001, relatado pelo Conselheiro Victor Luis de Salles Freire, conforme ementa abaixo transcrita, verbis: “TRANSFERÊNCIAS ENTRE MATRIZ E FILIAIS — OMISSÃO DE RECEITA NÃO CONFIGURADA. Não se configura omissão de receita a discrepância entre valores apurados nos Registros Fiscais estaduais, haja vista que o ICMS tem fato gerador diverso do Imposto de Renda.” Fl. 5DF CARF MF Emitido em 27/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 7/12/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/12/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES M ALAQUIAS Processo nº 10980.003779/200414 Acórdão n.º 910101.263 CSRFT1 Fl. 919 6 Por tais razões, CONHEÇO do recurso da Fazenda Nacional para, no mérito, NEGARLHE provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Relator Fl. 6DF CARF MF Emitido em 27/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 7/12/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/12/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES M ALAQUIAS
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Numero do processo: 13005.002234/2008-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2007 a 31/05/2008
ABONO ESPECIAL. A natureza jurídica das parcelas integrantes da folha salarial é verificada pelas suas origens e características materiais; sendo irrelevantes para qualificá-la a denominação e demais formalidades adotadas pelo sujeito passivo.
JUROS DE MORA. SELIC. APLICAÇÃO
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC.
MULTA DE MORA.
O lançamento reporta-se à data de ocorrência do fato gerador e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449, aplica-se a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei
nº 8.212, de 24/07/91).
INCONSTITUCIONALIDADE.
É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-002.049
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial para redução da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, vencido o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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A natureza jurídica das parcelas integrantes da folha salarial é verificada pelas suas origens e características materiais; sendo irrelevantes para qualificála a denominação e demais formalidades adotadas pelo sujeito passivo. JUROS DE MORA. SELIC. APLICAÇÃO É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC. MULTA DE MORA. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei nº 8.212, de 24/07/91). INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 1DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 07/10/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial para redução da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, vencido o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Tiago Gomes de Carvalho Pinto e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 07/10/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13005.002234/200859 Acórdão n.º 2402002.049 S2C4T2 Fl. 1000 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal com base nos valores informados em folhas de pagamento a título de abono especial, conforme relatório fiscal e discriminativo do débito. O benefício foi pago de acordo com Acordo Coletivo de Trabalho que contém a seguinte cláusula: 33.0 ABONO ESPECIAL 33.1 A MINUANO pagará aos seus empregados um Abono Especial no valor de R$ 443,10 (quatrocentos e quarenta e três reais e dez centavos), 50% na folha de pagamento do mês de fevereiro de 2008 e 50% na folha de pagamento do mês março de 2008. 33.1.1 Os empregados que contarem com menos de 12 (doze) meses de efetivo serviço em 30 de abril de 2007, receberão proporcionalmente, a razão de 1/12 (um doze) avos por mês, sendo que a fração igual ou superior a 15 (quinze) dias de trabalho será havida como mês integral. 33.2 Fica expressamente ajustado, que o abono extraordinário não tem natureza salarial, não se incorporando à remuneração dos empregados para quaisquer efeitos, não constituindo base de incidência de contribuição previdenciária nem do FGTS, não se configurando também como rendimento tributável do empregado. 33.3 A empresa, quando tiver implantado o Programa de Participação nos Resultados, para seus empregados, fica dispensada do pagamento constante nesta cláusula. Por considerar que a parcela possui natureza remuneratória, a fiscalização as lançou em autodeinfração datado de 04/02/2009. Seguem transcrições de trechos do acórdão recorrido: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2007 a 31/05/2008 INCONSTITUCIONALIDADE. A . argüição de inconstitucionalidade/ilegalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, tendo em vista que o julgamento da matéria transpõe, do ponto de vista constitucional, os limites da competência da autoridade administrativa. SAT/RAT é exigível a contribuição para o SAT/RAT nos percentuais de 1%, 2% e 3%, conforme a atividade preponderante da empresa envolva risco leve, médio e grave, respectivamente, nos termos do inciso II do art. 22. da Lei n° 8.212/91, e dos decretos regulamentadores da exação. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 07/10/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 OUTRAS ENTIDADES. INCRA a contribuição adicional para o INCRA tem origem na Lei n° 2.613/55 (art. 6", § 4') seguida do DecretoLei n° 1.146/70 e da Lei complementar if 11/1971 e sempre teve como sujeito passivo da exação tributária adicional todas as empresas. ABONO ESPECIAL. Incidência da contribuição. Os abonos pagos aos empregados só não sofrem a incidência da contribuição quando expressamente desvinculados do salário por força de lei. MULTA DE MORA. Aplicação da legislação de regência. A lei só retroage quando houver previsão de penalidade menos severa que a prevista na legislação vigente ao tempo de sua prática. ... Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações trazidas na impugnação: as parcelas pagas a título de abono especial não podem ser qualificadas como salário porque não correspondem à retribuição por serviços prestados (ausente o requisito da retributividade): o abono especial não compõe a base de cálculo da contribuição previdenciária devido a sua natureza indenizatória, natureza essa, assegurada por Acordo Coletivo de Trabalho; a inclusão das parcelas pagas a título de abono especial no rol das verbas que compõem a base de cálculo das contribuições previdenciárias afronta o art. 110 do Código Tributário Nacional — CTN c o inciso 1 do art. 22 da Lei n° 8.212/91: embora tenha valor econômico. o pagamento do abono especial não pode ser considerado como "salário in natura" porque não retribui o trabalho efetivo e porque não se verifica a habitualidade do seu pagamento. Quanto ao Seguro de Acidente de Trabalho SAT, alega inconstitucionalidade/ilegalidade da contribuição por afrontar o art. 150, inciso 1 da CF/88 também, o artigo 97, incisos III e IV e art.114 do CTN. Argumenta que a lei não criou hipótese de incidência das alíquotas e não definiu o alcance do grau de risco, ficando isso relegado ao Poder Executivo, evidenciando assim, a existência de vícios, pois não há definição de fato gerador da obrigação tributária, o que torna inexigível a contribuição ao SAT. Quanto à contribuição ao INCRA, alega não ser devida a referida contribuição, por tratarse, o sujeito passivo, de empresa urbana. Defende o entendimento de que a contribuição para o INCRA teria sido extinta pela Lei n° 7.787/89 e transcreve decisões nesse sentido. Requer no final que não sendo desconstituído o Auto de Infração, sejam aplicados os dispositivos da MP 449. de 03 de dezembro de 2008, em respeito ao princípio da "retroatividade Fl. 4DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 07/10/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13005.002234/200859 Acórdão n.º 2402002.049 S2C4T2 Fl. 1001 5 benigna", uma vez que, a Medida prevê penalidade menos severa ao contribuinte. É o Relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 07/10/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Comprovado nos autos o cumprimento dos pressupostos de admissibilidade do recurso, passo ao exame das questões preliminares. Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 6DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 07/10/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13005.002234/200859 Acórdão n.º 2402002.049 S2C4T2 Fl. 1002 7 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios de procedimento capazes de tornarem nulos quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No mérito Parcelas Remuneratórias A questão de mérito relativa aos fatos geradores lançados é a incidência ou não de contribuições previdenciárias sobre o chamado abono especial concedido anualmente e pago em duas parcelas. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 07/10/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 O artigo 28 da Lei nº 8212/91 ao definir o salário de contribuição dos segurados empregados assim o estabelece: Art. 28 Entendese por saláriodecontribuição I para o segurado empregado e trabalhador avulso a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob forma de utilidade e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador dos serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (...) § 9º não integram o saláriodecontribuição para os fins desta lei exclusivamente: (...) e) as importâncias: (...) 7) recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário. Por sua vez o Decreto nº 3.265/99 alterou a redação do artigo 214 dada pelo decreto nº 3048/99, que passou a vigorar com a seguinte redação: Art. 214 Entende por salário de contribuição (...) § 9º não integram o salário de contribuição, exclusivamente: (...) V as importância recebidas a título de: (...) j) os ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados do salário por força de lei. Por outro lado o artigo 457 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT ao definir a remuneração do empregado, determina que integram o salário do empregado, não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. Pela leitura dos dispositivos legais acima transcritos verificase que os abonos possuem natureza salarial e compõem a remuneração do empregado, podendo a lei, é certo, retirar essa natureza dos abonos pagos pelo empregador. É o que prevê o art. 28, §9º alínea “e” item 7, quando diz que não integram o salário de contribuição os abonos expressamente desvinculados do salário. Não têm o mesmo efeito as disposições entre as Fl. 8DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 07/10/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13005.002234/200859 Acórdão n.º 2402002.049 S2C4T2 Fl. 1003 9 partes formalizadas através de acordos coletivos de trabalho, conforme dispõe o artigo 123 do CTN: Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Apreciada a regularidade das bases de cálculo consideradas pela fiscalização, passase ao exame das exações exibidas no relatório discriminativo analítico do débito. Todas as rubricas levantadas decorrem de regrasmatrizes legalmente criadas e que, portanto, não podem ser afastadas do lançamento sob pena de se negar aplicação aos diplomas legais legitimamente inseridos no ordenamento jurídico. Cuidou a autoridade fiscal de demonstrar ao recorrente em seu relatório de fundamentos legais do débito todos os dispositivos legais e regulamentares que impõem a obrigação tributária de recolhimento. Pela mesma razão já aqui apontada, não compete a este julgador afastar a aplicação das normas legais. Neste mesmo sentido é a legitimidade da incidência de juros de mora por meio da taxa SELIC. Ressaltase que recentemente o Supremo Tribunal Federal decidiu pela constitucionalidade da incidência da taxa SELIC para fins de acréscimos legais de tributos: RE 582461 / SP SÃO PAULO RECURSO EXTRAORDINÁRIORelator(a): Min. GILMAR MENDESJulgamento: 18/05/2011 Órgão Julgador: Tribunal Pleno Publicação REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe158 DIVULG 17082011 PUBLIC 18082011 EMENT VOL02568 02 PP00177 Parte(s) RELATOR : MIN. GILMAR MENDES RECTE.(S) : JAGUARY ENGENHARIA, MINERAÇÃO E COMÉRCIO LTDA ADV.(A/S) : MARCO AURÉLIO DE BARROS MONTENEGRO E OUTRO(A/S)RECDO.(A/S) : ESTADO DE SÃO PAULO PROC.(A/S)(ES) : PROCURADOR GERAL DO ESTADO DE SÃO PAULO INTDO.(A/S) : UNIÃO PROC.(A/S)(ES) : PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL Ementa 1. Recurso extraordinário. Repercussão geral. 2. Taxa Selic. Incidência para atualização de débitos tributários. Legitimidade. Inexistência de violação aos princípios da legalidade e da anterioridade. Necessidade de adoção de critério isonômico. No julgamento da ADI 2.214, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 19.4.2002, ao apreciar o tema, esta Corte assentou que a medida traduz rigorosa igualdade de tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata de imposição tributária. 3. ICMS. Inclusão do montante do tributo em sua própria base de cálculo. Constitucionalidade. Precedentes. A base de cálculo do ICMS, definida como o valor da operação da circulação de mercadorias (art. 155, II, da CF/1988, c/c arts. 2º, I, e 8º, I, da LC 87/1996), inclui o próprio montante do ICMS incidente, pois ele faz parte da importância paga pelo comprador e recebida pelo vendedor na operação. A Emenda Constitucional nº 33, de 2001, inseriu a alínea “i” no inciso XII do § 2º do art. 155 da Constituição Federal, para fazer constar que cabe à lei complementar “fixar a base de Fl. 9DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 07/10/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 cálculo, de modo que o montante do imposto a integre, também na importação do exterior de bem, mercadoria ou serviço”. Ora, se o texto dispõe que o ICMS deve ser calculado com o montante do imposto inserido em sua própria base de cálculo também na importação de bens, naturalmente a interpretação que há de ser feita é que o imposto já era calculado dessa forma em relação às operações internas. Com a alteração constitucional a Lei Complementar ficou autorizada a dar tratamento isonômico na determinação da base de cálculo entre as operações ou prestações internas com as importações do exterior, de modo que o ICMS será calculado "por dentro" em ambos os casos. 4. Multa moratória. Patamar de 20%. Razoabilidade. Inexistência de efeito confiscatório. Precedentes. A aplicação da multa moratória tem o objetivo de sancionar o contribuinte que não cumpre suas obrigações tributárias, prestigiando a conduta daqueles que pagam em dia seus tributos aos cofres públicos. Assim, para que a multa moratória cumpra sua função de desencorajar a elisão fiscal, de um lado não pode ser pífia, mas, de outro, não pode ter um importe que lhe confira característica confiscatória, inviabilizando inclusive o recolhimento de futuros tributos. O acórdão recorrido encontra amparo na jurisprudência desta Suprema Corte, segundo a qual não é confiscatória a multa moratória no importe de 20% (vinte por cento). 5. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Decisão O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Relator, conheceu do recurso extraordinário, contra o voto da Senhora Ministra Cármen Lúcia, que dele conhecia apenas em parte. No mérito, o Tribunal, por maioria, negou provimento ao recurso extraordinário, contra os votos dos Senhores Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Votou o Presidente, Ministro Cezar Peluso. Em seguida, o Presidente apresentou proposta de redação de súmula vinculante, a ser encaminhada à Comissão de Jurisprudência, com o seguinte teor: “É constitucional a inclusão do valor do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços ICMS na sua própria base de cálculo.” Falaram, pelo recorrido, o Dr. Aylton Marcelo Barbosa da Silva, Procurador do Estado e, pelo amicus curiae, a Dra. Cláudia Aparecida de Souza Trindade, Procuradora da Fazenda Nacional. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa e, em viagem oficial à Federação da Rússia, o Senhor Ministro Ricardo Lewandowski. Plenário, 18.05.2011. Em razão da clareza do lançamento e do reconhecimento das bases de cálculo pelo próprio recorrente, é prescindível qualquer diligência ou perícia para a necessária convicção no julgamento do presente recurso, devendose aplicar o disposto nas normas que disciplinam o processo administrativo tributário, in verbis: DECRETO Nº 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) Fl. 10DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 07/10/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13005.002234/200859 Acórdão n.º 2402002.049 S2C4T2 Fl. 1004 11 As demais alegações trazidas pela recorrente centramse na inconstitucionalidade das exações discriminadas no lançamento, como aquelas relativas ao SAT e INCRA. A recorrente, embora tenha declarado em seus documentos o pagamento das parcelas remuneratórias, insurgese contra a cobrança em tese – seriam inconstitucionais os dispositivos legais. No entanto, o artigo 26A do Decreto n° 70.235/72 restringe a atuação do órgão administrativo no sentido de afastar dispositivo legal vigente: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Multa de Mora A questão a ser enfrentada é a retroatividade benéfica para redução ou mesmo exclusão das multas aplicadas através de lançamentos fiscais de contribuições previdenciárias na vigência da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009, mas nos casos em que os fatos geradores ocorreram antes de sua edição. É que a medida provisória revogou o artigo 35 da Lei 8.212/91 que trazia as regras de aplicação das multas de mora, inclusive no caso de lançamento fiscal, e em substituição adotou a regra que já existia para os demais tributos federais, que é a multa de ofício de, no mínimo, 75% do valor devido. Para tanto, devese examinar cada um dos dispositivos legais que tenham relação com a matéria. Prefiro começar com a regra vigente à época dos fatos geradores: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; Fl. 11DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 07/10/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo portanto necessária a constituição do crédito tributário por meio de lançamento, ainda assim a multa era de mora. A redação do dispositivo legal, em especial os trechos por mim destacados, é muito claro nesse sentido. Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora. Contemporâneo à essa regra especial aplicável apenas às contribuições previdenciárias já vigia desde 27/12/1996 o artigo 44 da Lei nº 9.430/96, aplicável a todos os demais tributos federais: Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições Multas de Lançamento de Ofício Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. É certo que esse possível conflito de normas é apenas aparente, pois como se sabe a norma especial prevalece sobre a geral; é um dos critérios para a solução dos conflitos aparentes. Para os fatos geradores de contribuições previdenciárias ocorridos até a MP 449 aplicavase sem vacilo o artigo 35 da Lei 8.212/91. Portanto, a sistemática do artigos 44 e 61 da Lei nº 9.430/96 para a qual multas de ofício e de mora são excludentes entre si não se aplica às contribuições previdenciárias. Quando a destempo mas espontâneo o pagamento aplicase a multa de mora e, caso contrário, seja necessário um procedimento de ofício para apuração do valor devido e cobrança através de lançamento então a multa é de ofício. Enquanto na primeira se pune o atraso no pagamento, na segunda multa, a falta de espontaneidade. E não fica só nisso, dependendo de alguns agravantes esta última que se inicia em 75% pode chegar a 225%; enquanto a multa de mora é limitada a 20% do valor principal. De fato, a fixação da multa de ofício independe do tempo de atraso no pagamento do tributo. Para fatos geradores ocorridos a 5 anos ou no anobase anterior, por exemplo, não significa que no lançamento relativo ao mais antigo a multa de ofício seja maior. Levarseão em consideração outros fatores, como: fraude, omissão de informações ou se apenas faltou a espontaneidade para o pagamento. Fatores esses que não influenciam a fixação da multa de mora no âmbito das contribuições previdenciárias. Na Previdência Social, essas Fl. 12DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 07/10/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13005.002234/200859 Acórdão n.º 2402002.049 S2C4T2 Fl. 1005 13 condutas do sujeito passivo são consideradas infrações por descumprimento de obrigações acessórias e, portanto, ensejam lavratura de auto de infração, cuja multa não tem nenhuma relação com a multa de mora que, pelo artigo 35 da Lei nº 8.212/91, é fixada em percentuais progressivos, considerando o tempo em atraso para o pagamento e a fase do contencioso administrativo fiscal em que realizado: prazo de defesa, após o prazo para a defesa e antes do recurso, após recurso e antes de 15 dias da ciência da decisão e após esse prazo. Quando realizado o lançamento a multa de mora é maior em razão da gradação e não porque foi aplicada com um procedimento de ofício. E esse acréscimo de valor da multa de mora também ocorre igualmente em outras fases do processo sem que, em qualquer momento, a Lei nº 8.212/91 alterasse a natureza jurídica da multa de mora. E, ainda, a diferença de percentual para a multa de mora quando a contribuição é paga espontaneamente ou não é de apenas 4%. Ressaltando que, mesmo tendo iniciado o procedimento fiscal, o sujeito passivo tem direito a recolher ou mesmo parcelar suas contribuições em atraso, como se espontaneamente. Portanto, repetese: no caso das contribuições previdenciárias somente o atraso era punido e nenhuma dessas regras se aplicava; portanto, não vejo como se aplicar a multa de ofício aos lançamentos de fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449. Alguns sustentam a aplicação quando embora tenham os fatos geradores ocorrido antes, o lançamento foi realizado na vigência da MP 449. E aí consulto as Normas Gerais de Direito Tributário. Preceitua o CTN que o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. ... É a afirmação legislativa da natureza declaratória do lançamento, já predominante na doutrina desde a edição das obras de Direito Tributário do saudoso mestre Amílcar de Araújo Falcão1: “De logo convém recordar que não é manso e tranqüilo o entendimento que exprimimos quanto à função do fato gerador como pressuposto e ponto de partida da obrigação tributária. Alguns autores dissentem dessa conclusão, afirmando que tal função criadora deve ser atribuída ao lançamento. Contestam estes que o lançamento tenha, como à maioria da doutrina e a nós parece ter, natureza declaratória.” Nesse sentido, trechos do meu voto no acórdão n° 2402001.874, de 28/07/2011 que decidiu pela inaplicabilidade do artigo 44 da Lei 9.430/96 nos autosde infração pelo descumprimento da obrigação acessória de declaração em GFIP dos fatos geradores: 1 FALCÃO, Amilcar de Araújo. Fato Gerador da Obrigação Tributária. 4. ed. Anotada e atualizada por Geraldo Ataliba. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1977. Fl. 13DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 07/10/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2006 GFIP. OMISSÕES. INCORREÇÕES. INFRAÇÃO. PENALIDADE MENOS SEVERA. RETROATIVIDADE BENIGNA. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE. Em cumprimento ao artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN, aplicase a penalidade menos severa modificada posteriormente ao momento da infração. A norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para adequação da multa ao artigo 32A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica. ... Ainda quanto à multa aplicada, deve ser aplicada, com fundamento no artigo 106 do Código Tributário Nacional, a regra trazida pelo artigo 26 da Lei n° 11.941, de 27/05/2009 que introduziu na Lei n° 8.212, de 24/07/1991 o artigo 32A. Seguem transcrições: Art.26. A Lei no 8.212, de 1991, passa a vigorar com as seguintes alterações: ... Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 14DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 07/10/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13005.002234/200859 Acórdão n.º 2402002.049 S2C4T2 Fl. 1006 15 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Código Tributário Nacional: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Podemos identificar nas regras do artigo 32A os seguintes elementos: é regra aplicável a uma única espécie de declaração, dentre tantas outras existentes (DCTF, DCOMP, DIRF etc): a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP; é possibilitado ao sujeito passivo entregar a declaração após o prazo legal, corrigila ou suprir omissões antes de algum procedimento de ofício que resultaria em autuação; regras distintas para a aplicação da multa nos casos de falta de entrega/entrega após o prazo legal e nos casos de informações incorretas/omitidas; sendo no primeiro caso, limitada a vinte por cento da contribuição; desvinculação da obrigação de prestar declaração em relação ao recolhimento da contribuição previdenciária; reduções da multa considerando ter sido a correção da falta ou supressão da omissão antes ou após o prazo fixado em intimação; e fixação de valores mínimos de multa. Inicialmente, esclarecese que a mesma lei revogou as regras anteriores que tratavam da aplicação da multa considerando cem por cento do valor devido limitado de acordo com o número de segurados da empresa: Art. 79. Ficam revogados: Fl. 15DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 07/10/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 I – os §§ 1o e 3º a 8º do art. 32, o art. 34, os §§ 1º a 4º do art. 35, os §§ 1º e 2º do art. 37, os arts. 38 e 41, o § 8º do art. 47, o § 2º do art. 49, o parágrafo único do art. 52, o inciso II do caput do art. 80, o art. 81, os §§ 1º, 2º, 3º, 5º, 6º e 7º do art. 89 e o parágrafo único do art. 93 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991; Para início de trabalho, como de costume, devese examinar a natureza da multa aplicada com relação à GFIP, sejam nos casos de “falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo” ou “informações incorretas ou omitidas”. No inciso II do artigo 32A em comento o legislador manteve a desvinculação que já havia entre as obrigações do sujeito passivo: acessória, quanto à declaração em GFIP e principal, quanto ao pagamento da contribuição previdenciária devida: II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. Portanto, temos que o sujeito passivo, ainda que tenha efetuado o pagamento de cem por cento das contribuições previdenciárias, estará sujeito à multa de que trata o dispositivo. Comparando com o artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais, vejo que as regras estão em outro sentido. As multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração, aplicandose apenas ao valor que não foi declarado e nem pago. Melhor explicando essa diferença, apresentamos o seguinte exemplo: o sujeito passivo, obrigado ao pagamento de R$ 100.000,00 apenas declara em DCTF R$ 80.000,00, embora tenha efetuado o pagamento/recolhimento integral dos R$ 100.000,00 devidos, qual seria a multa de ofício a ser aplicada? Nenhuma. E se houvesse pagamento/recolhimento parcial de R$ 80.000,00? Incidiria a multa de 75% (considerando a inexistência de fraude) sobre a diferença de R$ 20.000,00. Isto porque a multa de ofício existe como decorrência da constituição do crédito pelo fisco, isto é, de ofício através do lançamento. Caso todo o valor de R$ 100.000,00 houvesse sido declarado, ainda que não pagos, a DCTF já teria constituiria o crédito tributário sem necessidade de autuação. A diferença reside aí. Quanto à GFIP não há vinculação com o pagamento. Ainda que não existam diferenças de contribuições previdenciárias a serem pagas, estará o contribuinte sujeito à multa do artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991. Seguem transcrições: LEI Nº 9.430, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996. Dispõe sobre a legislação tributária federal, as contribuições para a seguridade social, o processo administrativo de consulta e dá outras providências. Fl. 16DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 07/10/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13005.002234/200859 Acórdão n.º 2402002.049 S2C4T2 Fl. 1007 17 ... Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições... Multas de Lançamento de Ofício Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. A DCTF tem finalidade exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no artigo 32A, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, sobretudo os salários de contribuição percebidos pelos segurados. São essas informações que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. Quando o sujeito passivo é intimado para entregar a GFIP, suprir omissões ou efetuar correções, o fisco já tem conhecimento da infração e, portanto, já poderia autuálo, mas isso não resolveria um problema extrafiscal: as bases de dados da Previdência Social não seriam alimentadas com as informações corretas e necessárias para a concessão dos benefícios previdenciários. Por essas razões é que não vejo como se aplicarem as regras do artigo 44 aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. E no que tange à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, parte também do dispositivo, além das razões já expostas, devese observar o Princípio da Especificidade a norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não se aplica o artigo 43 da mesma lei: Auto de Infração sem Tributo Art.43.Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de Fl. 17DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 07/10/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 18 mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em síntese, para aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas apenas as regras do artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 que regulam exaustivamente a matéria. É irrelevante para tanto se houve ou não pagamento/recolhimento e, nos casos que tenha sido lavrada NFLD (período em que não era a GFIP suficiente para a constituição do crédito nela declarado), qual tenha sido o valor nela lançado. E, aproveitando para tratar também dessas NFLD lavradas anteriormente à Lei n° 11.941, de 27/05/2009, não vejo como lhes aplicar o artigo 35A, que fez com que se estendesse às contribuições previdenciárias, a partir de então, o artigo 44 da Lei n° 9.430/1996, pois haveria retroatividade maléfica, o que é vedado; nem tampouco a nova redação do artigo 35. Os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 44 e 61 são apenas partes do sistema de cobrança de tributos instaurado pela Lei n° 9.430/1996. Quando da falta de pagamento/recolhimento de tributos são cobradas, além do principal e juros moratórios, valores relativos às penalidades pecuniárias, que podem ser a multa de mora, quando embora a destempo tenha o sujeito passivo realizado o pagamento/recolhimento antes do procedimento de ofício, ou a multa de ofício, quando realizado o lançamento para a constituição do crédito. Essas duas espécies são excludentes entre si. Essa é a sistemática adotada pela lei. As penalidades pecuniárias incluídas nos lançamentos já realizados antes da Lei n° 11.941, de 27/05/2009 são, por essa nova sistemática aplicável às contribuições previdenciárias, conceitualmente multa de ofício e pela sistemática anterior multa de mora. Do que resulta uma conclusão inevitável: independentemente do nome atribuído, a multa de mora cobrada nos lançamentos anteriores à Lei n° 11.941, de 27/05/2009 não é a mesma da multa de mora prevista no artigo 61 da Lei n° 9.430/1996. Esta somente tem sentido para os tributos recolhidos a destempo, mas espontaneamente, sem procedimento de ofício. Seguem transcrições: Art.35.Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. Art.35A.Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. Seção IV Acréscimos Moratórios Multas e Juros Fl. 18DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 07/10/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13005.002234/200859 Acórdão n.º 2402002.049 S2C4T2 Fl. 1008 19 Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Redação anterior do artigo 35: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; Retomando os autos de infração de GFIP lavrados anteriormente à Lei n° 11.941, de 27/05/2009, há um caso que parece ser o mais controvertido: o sujeito passivo deixou de realizar o pagamento das contribuições previdenciárias (para tanto foi lavrada a NFLD) e também de declarar os salários de contribuição em GFIP (lavrado AI). Qual o tratamento do fisco? Por tudo que já foi apresentado, não vejo como bis in idem que seja mantida na NFLD a multa que está nela sendo cobrada (ela Fl. 19DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 07/10/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 20 decorre do falta de pagamento, mas não pode retroagir o artigo 44 por lhe ser mais prejudicial), sem prejuízo da multa no AI pela falta de declaração/omissão de fatos geradores (penalidade por infração de obrigação acessória ou instrumental para a concessão de benefícios previdenciários). Cada uma das multas possuem motivos e finalidades próprias que não se confundem, portanto inibem a sua unificação sob pretexto do bis in idem. Agora, temos que o valor da multa no AI deve ser reduzido para ajustálo às novas regras mais benéficas trazidas pelo artigo 32 A da Lei n° 8.212/1991. Nada mais que a aplicação do artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN: Código Tributário Nacional: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” De fato, nelas há limites inferiores. No caso da falta de entrega da GFIP, a multa não pode exceder a 20% da contribuição previdenciária e, no de omissão, R$ 20,00 a cada grupo de dez ocorrências: Art. 32A. (...): I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. Certamente, nos eventuais casos em a multa contida no autode infração é inferior à que seria aplicada pelas novas regras (por exemplo, quando a empresa possui pouquíssimos segurados, já que a multa era proporcional ao número de segurados), não há como se falar em retroatividade. Outra questão a ser examinada é a possibilidade de aplicação do §2° do artigo 32A: Fl. 20DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 07/10/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13005.002234/200859 Acórdão n.º 2402002.049 S2C4T2 Fl. 1009 21 § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Deve ser esclarecido que o prazo a que se refere o dispositivo é aquele fixado na intimação para que o sujeito passivo corrija a falta. Essa possibilidade já existia antes da Lei n° 11.941, de 27/05/2009. Os artigos 291 e 292 que vigeram até sua revogação pelo Decreto nº 6.727, de 12/01/2009 já traziam a relevação e a atenuação no caso de correção da infração. E nos processos ainda pendentes de julgamento neste Conselho, os sujeitos passivos autuados, embora pudessem fazêlo, não corrigiram a falta no prazo de impugnação; do que resultaria a redução de 50% da multa ou mesmo seu cancelamento. Entendo, portanto, desnecessária nova intimação para a correção da falta, oportunidade já oferecida, mas que não interessou ao autuado. Resulta daí que não retroagem as reduções no §2°: Art.291.Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. §1oA multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. ... CAPÍTULO VI DA GRADAÇÃO DAS MULTAS Art.292. As multas serão aplicadas da seguinte forma: ... V na ocorrência da circunstância atenuante no art. 291, a multa será atenuada em cinqüenta por cento. Por tudo, voto pelo provimento parcial do recurso apenas para reconhecer o direito de retroatividade do artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, caso mais benéfica. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Por tudo, entendo que para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei nº 8.212, de 24/07/91) e não a multa de ofício fixada no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996. Assim, voto pelo provimento parcial ao recurso. Fl. 21DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 07/10/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 22 É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 22DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 07/10/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10875.002304/2002-46
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Nov 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Nov 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/01/1999
COFINS. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. APLICAÇÃO DE DECISÃO INEQUÍVOCA DO STF. POSSIBILIDADE.
Nos termos regimentais, pode-se afastar aplicação de dispositivo de lei que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária do Supremo Tribunal Federal.
Afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, com trânsito em julgado, a base de cálculo da contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, até a vigência da Lei 10.833/2003, voltou a ser o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e de mercadorias e de serviços.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-001.710
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso especial.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ASSOCIAÇÃO EDUCACIONAL PRESIDENTE KENNEDY ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/01/1999 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. APLICAÇÃO DE DECISÃO INEQUÍVOCA DO STF. POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, podese afastar aplicação de dispositivo de lei que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária do Supremo Tribunal Federal. Afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, com trânsito em julgado, a base de cálculo da contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, até a vigência da Lei 10.833/2003, voltou a ser o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e de mercadorias e de serviços. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Fl. 244DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Otacílio Dantas Cartaxo. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Nanci Gama. Relatório Os fatos foram assim narrados pelo Acórdão recorrido: Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 5ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas SP. Informa a Fiscalização no Termo de Verificação, constatação e esclarecimentos, de fl. 84, que: “verifiquei que não houve recolhimento por parte do contribuinte para a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins, conforme base de cálculo demonstrado na planilha de fls. 84”. O lançamento referese ao período de janeiro de 1998 a janeiro de 1999. A contribuinte impugnou regularmente o lançamento de ofício, alegando ser instituto de ensino sem fins lucrativos; que, nos termos do art. 150, VI, “c”, da Constituição Federal, goza de imunidade tributária, regra inserta na Medida Provisória nº 2.15835/2001 para viger a partir de fevereiro de 1999, sob a forma de isenção; que as normas contidas na referida MP e no art. 12 da Lei nº 9.532/97 repetem o texto constitucional, sendo, portanto, vedação constitucional e não legal; que a regra refere se à limitação ao poder de tributar do Estado, não tendo nascido para o Estado o direito ao lançamento desse crédito tributário. Apreciando as razões postas na impugnação, a Turma Julgadora proferiu decisão resumida na seguinte ementa: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/1998 a 31/01/1999 Ementa: IMUNIDADE. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. A Cofins incide sobre a receita das mensalidades cobradas pelas instituições de ensino. A imunidade prevista no art. 150, VI,’a’, da Constituição Federal contempla apenas os impostos. RECEITA DE CARÁTER CONTRAPRESTACIONAL. INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO. INCIDÊNCIA. A isenção prevista na Medida Provisória nº 2.113, de 2001, atinge tão somente as receitas relativas às atividades próprias, não incluindo as receitas de caráter contraprestacional auferidas pelas instituições de educação. Lançamento Procedente”. Fl. 245DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10875.002304/200246 Acórdão n.º 930301.710 CSRFT3 Fl. 236 3 A decisão recorrida esta especada nos seguintes fundamentos: quanto à imunidade: “Esse dispositivo limitase a tratar da imunidade relativa a imposto, não se aplicando à Cofins, cuja natureza jurídica é de contribuição social. Esse é o tratamento dado a ela pelo Supremo Tribunal Federal desde o julgamento da constitucionalidade da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, na Ação Direta de Constitucionalidade nº 01 01DF, de 01/12/93”; quanto à conceituação do que seja “atividade própria”, reproduz parte do Parecer Normativo CST nº 5, de 22/04/1992, cuja conclusão é: “entretanto, quando as entidades aqui tratadas auferirem receitas decorrentes da prestação de serviços e/ou da venda de mercadorias, mesmo que exclusivamente para seus associados, incidirá a contribuição de dois por cento sobre essas receitas, posto que aquelas entidades não estão isentas da mesma.” (negritou o original) A empresa foi intimada a conhecer da decisão em 20/01/2004, contra a qual se insurgiu em 19/02/2004, apresentando recurso voluntário a este Egrégio Conselho de Contribuintes, com as seguintes razões de dissentir: é entidade sem fins lucrativos, regularmente constituída e que pratica preços de mensalidade aquém dos de mercado, viabilizado por não ter finalidade econômica; expende longo arrazoado, com arrimo na doutrina, acerca da natureza de imposto, e não de contribuição, da Cofins; a base de cálculo foi apurada a partir da multiplicação do valor médio da mensalidade pelo número absoluto de alunos matriculados, sem considerar bolsistas incondicionais, desistentes, inadimplentes, superdimensionando a base de cálculo, desatendendo a norma de regência que exclui as vendas canceladas, as devolvidas e os descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente – art. 2º, parágrafo único, alínea “b”, da LC nº 70/91; não considerada a exclusão permitida da base de cálculo das recuperações de créditos baixados como perdas, previsto no art. 23 da IN SRF nº 247; o agente fiscal realizou simples operação matemática, não solicitando a apresentação dos documentos relativos às bolsas incondicionais concedidas, as perdas do período relativas a mensalidades não pagas e já baixadas na contabilidade como crédito não mais recebíveis, bem como as matrículas canceladas; e aduz que no período, em média, entre bolsas concedidas e alunos com matrículas canceladas ou inadimplentes, atingiuse um valor aproximado de 45% do total do seu faturamento. Fl. 246DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Ao fim, requer seja conhecido e provido o recurso para cancelar o auto de infração, ante a imunidade da recorrente ou determinado de ofício a retificação do auto de infração, para considerar a redução da base de cálculo de todo o período das exclusões determinadas por lei e normas da própria SRF. A autoridade preparadora informa a efetivação do arrolamento de bens para fins de garantir a instância recursal, conforme fl. 168. Julgando o feito, a Câmara recorrida deu provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da contribuição “outras receitas” que excedem o conceito de faturamento, assim entendido como o montante das receitas provenientes da venda de bens, de serviços ou de bens e de serviços.O acórdão foi assim ementado: COFINS. IMUNIDADE. As entidades beneficentes que prestam assistência social no campo de educação, para gozarem da imunidade constante do § 7º do art. 195 da Constituição Federal, devem atender ao rol de exigências determinado pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006. Recurso provido em parte. Irresignada, a Fazenda Nacional recorreu a este Colegiado pugnando pela reforma do acórdão vergastado, vez que, em seu entender, não se poderia estender a decisão do STF sobre alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, ao caso sob exame. Por meio do despacho de fls.206/207, o recurso foi admitido. Regularmente intimada, a recorrida deixou passar in albis o prazo para contrarrazoar o apelo fazendário. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, dele conheço. A teor do relatado, a controvérsia a ser aqui dirimida cingese à questão da extensão administrativa da decisão do STF que declarou inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei 9.718/1998 (alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS). Fl. 247DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10875.002304/200246 Acórdão n.º 930301.710 CSRFT3 Fl. 237 5 Nessa questão do alargamento da base de cálculo da COFINS, temse que, até o advento da Lei 9.718/1998, a base de cálculo dessa contribuição era a receita bruta decorrente da venda de bens, de serviços ou de bens e serviços (conceito de faturamento). Todavia, o §1 1º do art. 3º dessa Lei alterou o campo de incidência do PIS/Pasep e da Cofins, alargandoo, de modo a alcançar toda e qualquer receita auferida pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade por ela exercida e da classificação contábil das receitas. Desta forma, sob a égide desse dispositivo legal, dúvida não havia de que qualquer receita, independentemente de sua origem ou classificação contábil estava sujeita à incidência da Cofins. Correto, portanto, o lançamento fiscal. Acontece porém, que o STF, em controle difuso, julgou inconstitucional esse dispositivo legal. Cabe então verificar os efeitos dessa decisão pretoriana sobre a tributação ora em exame. Entendese que o controle concreto de constitucionalidade tem efeito interpartes, não beneficiando nem prejudicando terceiros alheios à lide. Para que produza efeitos erga ominis, é preciso que o Senado Federal edite resolução suspendendo a execução do dispositivo de lei declarado inconstitucional pelo STF. Não desconheço que o Ministro Gilmar Mendes, há muito vem defendendo a desnecessidade do ato senatorial para dar efeitos gerais às decisões da Corte Maior, mas essa posição ainda não foi positivada no ordenamento jurídico brasileiro, muito embora alguns passos importantes já foram dados, como é o caso da súmula vinculante. De qualquer sorte, a resolução senatorial ainda se faz necessária, para estender o alcance de decisões interpartes a terceiros alheios à demanda. De outro lado, o regimento interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais trouxe a possibilidade de se estender as decisões do STF, em controle difuso, aos julgados administrativos, conforme preceitua a Portaria nº 256/2009, Anexo II, art. 69. Este dispositivo reproduz a mesma redação prevista no regimento anterior (art. 49, na redação dada pela Portaria nº 147/2007): É vedado afastar a aplicação de lei, exceto ... “I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. Notese que tal dispositivo cria exceção à regra que veda este Colegiado afastar a aplicação de dispositivo legal, mas exige que a inconstitucionalidade desse dispositivo já tenha sido declarada por decisão definitiva do plenário do STF. Não basta qualquer decisão da Corte Maior, tem de ser de seu plenário, e, devese entender como definitiva a decisão que passa a nortear a jurisprudência desse tribunal nessa matéria. Em outras palavras, decisão definitiva, na acepção do art. 69 do RICARF é aquela reiterada, assentada na Corte. O caso dos autos, a meu sentir, amoldase, perfeitamente, à norma inserta no artigo 69 suso transcrito, posto que a questão da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/1998 encontrase apascentada no Supremo Tribunal Federal, inclusive, fez parte de minuta de súmula vinculante, que não foi adiante por causa de outra decisão desse Tribunal, referindose à base de cálculo das contribuições devidas pelas seguradoras. Neste caso, houve certa confusão sobre o conceito de faturamento e de receita, o que levou o STF a não sumular a matéria sobre o alargamento da base de cálculo das contribuições, mas, de qualquer sorte, continua valendo a decisão no tocante à base de cálculo das contribuições incidentes sobre sociedades não financeiras ou seguradoras. 1 Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Fl. 248DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 Em outro giro, temse notícia de que a própria PGFN já emitiu parecer no sentido de autorizar seus procuradores a não mais recorrerem das decisões judiciais que reconheçam a inconstitucionalidade do denominado alargamento da base de cálculo das contribuições sociais, fato esse que corrobora o entendimento de se aplicar ao caso em exame a decisão plenária do STF sobre o indigitado alargamento da base de cálculo da Cofins. O Carf apascentou a jurisprudência no sentido de estender a decisão do STF sobre o alargamento da base de cálculo das contribuições aos julgamentos administrativos. Aplicandose, pois ao caso ora em exame, a decisão do STF que julgou inconstitucional o alargamento da base de cálculo das contribuições sociais, até a vigência da Lei 10.833/2003, a base de cálculo da Cofins voltou a ser a receita bruta correspondente a faturamento assim entendido como o produto da venda de bens, serviços ou de bens e de serviços relacionados à atividade operacional da pessoa jurídica. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, para manter a exclusão, da base de cálculo dessa contribuição, das “outras receitas” que não sejam oriundas da venda de bens, de serviços ou de ambos. Henrique Pinheiro Torres Fl. 249DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/01/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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