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Numero do processo: 10715.000752/2004-18
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 22/06/1999
MEDICAMENTOS. PRODUTOS MISTURADOS. GRANEL. ANTIBIÓTICO. NCM 3003.20.59
Medicamentos constituídos por produtos misturados entre si, preparados para fins terapêuticos ou profiláticos, mas não apresentados em doses nem acondicionados para venda a retalho, contendo o antibiótico ceftriaxona sódica se classificam no código NCM 3003.20.59.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO MANTIDO.
Numero da decisão: 3802-001.423
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
REGIS XAVIER HOLANDA
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: REGIS XAVIER HOLANDA
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 22/06/1999 MEDICAMENTOS. PRODUTOS MISTURADOS. GRANEL. ANTIBIÓTICO. NCM 3003.20.59 Medicamentos constituídos por produtos misturados entre si, preparados para fins terapêuticos ou profiláticos, mas não apresentados em doses nem acondicionados para venda a retalho, contendo o antibiótico ceftriaxona sódica se classificam no código NCM 3003.20.59. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO MANTIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 07 52 /2 00 4- 18 Fl. 199DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10715.000752/200418 Acórdão n.º 3802001.423 S3TE02 Fl. 184 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por Instituto Biochimico Ltda. contra Acórdão nº 0718.996, de 26 de fevereiro de 2010 (fls. 131 a 141), proferido pela 2ª Turma da DRJ/FlorianópolisSC, que manteve o lançamento relativo ao Imposto de Importação, multa de mora e juros de mora. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integrante da decisão recorrida que transcrevo a seguir: A empresa em epígrafe submeteu a despacho aduaneiro mercadoria descrita como “CEFTRIAXONA SÓDICA – QUALIDADE FARMACÊUTICA – REGISTRO MIN. SAÚDE Nº 1.0063.0003.0015”, por meio da declaração de importação nº 99/05042415, registrada em 22.06.1999, classificandoa no código NCM 2941.90.31 da TEC, próprio para Ceftriaxona e seus sais, sujeita à alíquota de imposto de importação de 5% e IPI de 0%. Em ato de revisão aduaneira foi solicitado exame laboratorial, conforme Pedido de Análise nº 22135/99, que resultou na elaboração do Laudo de Análise do LABOR nº 20100/00, de 29.06.1999, esclarecendo que a mercadoria tratavase de “um medicamento contendo Ceftriaxona sódica, preparado para fins terapêuticos ou profiláticos, mas não apresentado em doses nem acondicionado para venda a retalho”. Considerando o resultado do supra citado exame, a autoridade fiscal reclassificou, com base no disposto na RGI/SH nº 1 e a Nota Explicativa da posição 3003, a mercadoria para o código NCM 3003.20.59, sujeita à alíquota de 11% de II e 0% de IPI, . O Laudo do LABOR nº 20100/00 (fl. 07) informa: AMOSTRA: Coletada pelo LABOR. Pó branco. INTERESSADO: Instituto Biochimico Ltda. PROCEDÊNCIA: ALF/AIRJ DI – 99/05042415 1ª adição I ENSAIOS REALIZADOS E RESULTADOS OBTIDOS: (RESUMO) ENSAIOS RESULTADOS Ponto de fusão 228,6C Cromatografia em camada fina Semelhante ao padrão secundário da Ceftriaxona sódica. Espectrofotometria no ultravioleta visível: abs. máx. em água (242 nm, 272 nm) 240,5 nm, 270.1 nm dosagem 90% Identificação de: Fl. 200DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10715.000752/200418 Acórdão n.º 3802001.423 S3TE02 Fl. 185 3 cloreto (nitrato de prata) positivo sódio (chama) positivo II – CONCLUSÃO: Tratase de um medicamento contendo Ceftriaxona sódica, preparado para fins terapêuticos ou profiláticos, mas não apresentado em doses nem acondicionado para venda a retalho. Não tendo o contribuinte efetuado o recolhimento da diferença de alíquota do imposto de importação, decorrente da reclassificação fiscal, foi lavrado o presente auto de infração, formalizando a exigência do crédito tributário relativo ao II, acrescido da multa de mora de 20% sobre o imposto devido, tendo em vista a ocorrência de uma das hipóteses previstas no AD(N) COSIT nº 10/97 (mercadoria descrita corretamente e com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado), e dos juros de mora calculados até 30.12.2003, totalizando o valor de R$ 2.419,88. Regularmente cientificada em 20.02.2004 (fls. 39/40), a interessada apresentou impugnação em 22.03.2004, de fls. 41 a 46, instruindoa com os documentos de fls. 47 a 63, alegando, em síntese, que: 1) a conclusão do laudo laboratorial induziu em erro a autoridade autuante, ao não mencionar que a mercadoria importada tratase de um antibiótico contemplado na subposição tarifária 2941 da TEC, nominalmente mencionado na NCM 2941.90.31, conforme utilizada pela impugnante; 2) a mercadoria importada é empregada, como matériaprima, na formulação do produto denominado “Amplospec”; 3) o produto em questão (ceftriaxona) não está misturada a nenhum outro produto químicofarmacêutico, sendo, portanto, um produto orgânico, de constituição química definida, possui peso molecular próprio e está apresentado isoladamente, preenchendo, por conseguinte, todos os requisitos erigidos pela letra “a” das Notas do Capítulo 29 para ser classificado na NCM indicada na adição 001 da declaração de importação nº 99/05042415; 4) a posição tarifária pretendida pela a autoridade autuante (NCM/TEC 3003.20.59), segundo se depreende da nota “3, a), 2.” do Capítulo 30, da redação subposição 3003 e das NESH’s (págs. 445 e 467 do Tomo I) compreende, exclusivamente, as ceftriaxonas misturadas a demais produtos farmacêuticos, principalmente a outros antibióticos, abarcando, portanto, produtos diversos do importado pela impugnante; 5) conclui a impugnante que, desta forma, nos termos da legislação em vigor, a ceftriaxona, por ser um antibiótico, deve ser classificada no código NCM 2941.90.31, ou seja, o informado na declaração de importação nº 99/05042415; 6) por precaução, solicita a realização de diligência a fim de que o LABOR responda aos quesitos formulados nos subitens 14.1 a 14.3 da impugnação (fl. 46); 7) finaliza, requerendo o arquivamento do auto de infração, que alega não ter procedência, nem amparo legal. Encaminhado os autos para julgamento de 1ª instância, estes foram baixados em diligência para que o Laboratório de Análises do Ministério da Fazenda, após a realização de novos ensaios na amostra contraprova nº 22.135/99 (fls. 95 a 98), Fl. 201DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10715.000752/200418 Acórdão n.º 3802001.423 S3TE02 Fl. 186 4 respondesse aos quesitos formulados pela impugnante, com o fim de esclarecer aspectos essenciais ao deslinde do presente litígio (fls. 81/82 e 86/87). Em decorrência, foi emitido o Parecer Técnico nº 025/2009, do Laboratório L. A. Falcão Bauer, emitido em cumprimento do Contrato ALF/STS nº 05/2005 (fls. 99 a 100), tecendo considerações sobre a mercadoria em tela e respondendo aos quesitos que lhe foram solicitados pela autoridade julgadora. Do supracitado Parecer Técnico, reproduziremos os trechos de maior interesse para a solução do presente litígio: “(...) Resultado das Análises Identificação Química: positiva para cloreto Respostas aos Quesitos constantes na Notificação Gralt nº 049/2007 1. Ceftriaxona Sódica é um princípio ativo Antibiótico. No entanto, de acordo com os Resultados das Análises constantes no laudo em epígrafe além da Ceftriaxona Sódica a mercadoria contém Substâncias Inorgânicas à base de Cloreto, constituindose em Preparação Medicamentosa à base de Ceftriaxona Sódica, uma Preparação Medicamentosa contendo Antibiótico. 2. Segundo os Resultados das Análises constantes no laudo em epígrafe, a mercadoria não se trata de um composto orgânico de constituição química definida e isolado. Além da Ceftriaxona Sódica a mercadoria contém Substâncias Inorgânicas à base de Cloreto, caracterizando a mercadoria como uma Preparação Medicamentosa. 3. Segundo os Resultados das Análises constantes no laudo em epígrafe, a mercadoria não se encontra misturada com outros antibióticos. Entretanto indicam que a mercadoria apresenta um teor de 90% de Ceftriaxona Sódica e Substâncias Inorgânicas à base de Cloreto. Portanto concluimos tratar se de uma Preparação Medicamentosa à base de Ceftriaxona Sódica e Substâncias Inorgânicas à base de Cloreto, uma Preparação Medicamentosa contendo Antibiótico, mas não apresentado em doses nem acondicionado para venda a retalho. Uma Preparação Medicamentosa, a granel (...)”. Cientificada a tomar conhecimento do Parecer Técnico nº 025/2009 (fls. 102/103), a interessada apresentou manifestação às fls. 105/106, instruindoa com os documentos de fls. 107 a 129, alegando, em especial, que: “(...) 4. O laudo com o Parecer Técnico nº 025/2009 emitido por L. A. Falcão Bauer Centro Tecnológico de Controle de Qualidade Ltda., não é conclusivo, pois: a) A matéria prima em questão foi analisada oito anos após a expiração do seu prazo de validade que é de dois anos; b) A especificação da Farmacopéia Americana (USP) em anexo, preconiza a faixa de 90,0 a 115,0 de teor do ativo em base anidra, sendo que a quantidade de água varia entre 8,0 a 10,0%, logo o valor encontrado de 90% de teor está Fl. 202DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10715.000752/200418 Acórdão n.º 3802001.423 S3TE02 Fl. 187 5 absolutamente dentro da especificação, e os 10% restantes, quase em sua totalidade, representam a quantidade de água presente; c) O cloreto encontrado na matéria prima é oriundo de substâncias usadas na sua síntese; d) O teste para detecção do íon cloreto é extremamente sensível, portanto a detecção de traços deste é absolutamente esperada; e) Não foi evidenciado pelo L. A. Falcão Bauer o método analítico que permitiu a quantificação da Ceftriaxona Sódica e também das Substâncias Inorgânicas à base de Cloreto. É necessário apresentar o método, a identificação e quantidade do cloreto encontrado; f) As referências bibliográficas apresentadas por este laboratório, os sites wikipédia, boa saúde e interações medicamentosas, não são reconhecidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária; g) Nas Farmacopéias Americana e Européias não é preconizado o teste de detecção do íon cloreto na Ceftriaxona Sódica. (...)” Cumpridas as diligências propostas, os autos retornaram para julgamento (fl. 130). A DRJ não acolheu as alegações do contribuinte e considerou procedentes os lançamentos em acórdão com a seguinte ementa: PREPARAÇÃO MEDICAMENTOSA CONTENDO CEFTRIAXONA SÓDICA E SUBSTÂNCIAS INORGÂNICAS À BASE DE CLORETO. FORMA DE ACONDICIONAMENTO. GRANEL. Preparação Medicamentosa composta do Antibiótico Ceftriaxona Sódica e Substâncias Inorgânicas à base de Cloreto, ou seja, medicamento constituído por produtos misturados entre si, preparados para fins terapêuticos ou profiláticos, não apresentado em doses nem acondicionados para venda a retalho se classifica no código TEC/NCM 3003.20.59 Cientificado do referido acórdão em 09 de abril de 2010 (fl. 144), o interessado apresentou recurso voluntário em 07 de maio de 2010 (fls. 145 a 146) pleiteando a reforma do decisum. Anota que importa o princípio ativo isolado (antibiótico puro) em barricas de 5kg para processar em sua unidade fabril e produzir o medicamento acabado Amplospec 1g – um antibiótico estéril injetável. Destaca ainda que os medicamentos injetáveis são estéreis e são considerados a granel, quando encontramse em sua embalagem primária, conforme preconiza a Resolução RDC n° 17 de 16/04/2010 da ANVISA. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10715.000752/200418 Acórdão n.º 3802001.423 S3TE02 Fl. 188 6 Conclui que, desta forma, nos termos da legislação em vigor, a ceftriaxona, por ser um antibiótico, deve ser classificada no código NCM 2941.90.31, ou seja, o informado na declaração de importação nº 99/05042415. Por fim, argúi que em outro processo de n° 10715.000753/200454 sobre a classificação de "CEFTRIAXONA CEFTTRIAXONE SODIUM CRYSTALINE no código NCM 2941.90.31", a decisão foi favorável à impugnação e exoneração do crédito tributário, conforme pode ser verificado nos documentos acostados aos Autos. É o relatório. Voto Conselheiro Regis Xavier Holanda, Relator Da admissibilidade Por conter matéria desta E. Turma da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte. Da classificação fiscal No presente caso, o impugnante pleiteia a classificação do produto importado descrito na DI como “CEFTRIAXONA SÓDICA – QUALIDADE FARMACÊUTICA – REGISTRO MIN. SAÚDE Nº 1.0063.0003.0015” no código NCM 2941.90.31 (II: 5% e IPI: 0%) e a fiscalização pretende o código NCM 3003.20.59 (II: 11% e IPI: 0%). O laudo de assistência técnica de fl. 07 assim descreve o produto: Tratase de um medicamento contendo Ceftriaxona sódica, preparado para fins terapêuticos ou profiláticos, mas não apresentado em doses nem acondicionado para venda a retalho. Posteriormente, em cumprimento de diligência, respondendo aos quesitos formulados pela impugnante, o Parecer Técnico nº 025/2009, do Laboratório L. A. Falcão Bauer, emitido em cumprimento do Contrato ALF/STS nº 05/2005 (fls. 99 a 100), esclarece aspectos essenciais ao deslinde do presente litígio: “(...) Resultado das Análises Identificação Química: positiva para cloreto Respostas aos Quesitos constantes na Notificação Gralt nº 049/2007 1. Ceftriaxona Sódica é um princípio ativo Antibiótico. No entanto, de acordo com os Resultados das Análises constantes no laudo em epígrafe além da Ceftriaxona Sódica a mercadoria contém Substâncias Inorgânicas à Fl. 204DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10715.000752/200418 Acórdão n.º 3802001.423 S3TE02 Fl. 189 7 base de Cloreto, constituindose em Preparação Medicamentosa à base de Ceftriaxona Sódica, uma Preparação Medicamentosa contendo Antibiótico. 2. Segundo os Resultados das Análises constantes no laudo em epígrafe, a mercadoria não se trata de um composto orgânico de constituição química definida e isolado. Além da Ceftriaxona Sódica a mercadoria contém Substâncias Inorgânicas à base de Cloreto, caracterizando a mercadoria como uma Preparação Medicamentosa. 3. Segundo os Resultados das Análises constantes no laudo em epígrafe, a mercadoria não se encontra misturada com outros antibióticos. Entretanto indicam que a mercadoria apresenta um teor de 90% de Ceftriaxona Sódica e Substâncias Inorgânicas à base de Cloreto. Portanto concluimos tratar se de uma Preparação Medicamentosa à base de Ceftriaxona Sódica e Substâncias Inorgânicas à base de Cloreto, uma Preparação Medicamentosa contendo Antibiótico, mas não apresentado em doses nem acondicionado para venda a retalho. Uma Preparação Medicamentosa, a granel (...)”. (Negritei e sublinhei) De acordo com a Regra Geral nº 1 para a Interpretação do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (Decreto nº 97.409/88), “para os efeitos legais a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas regras seguintes”. Semelhante regramento, agora cuidando da classificação em subposições e em itens e subitens, encontramos na Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) nº 6 e na Regra Geral Complementar (RGC) nº 1. A Nomenclatura Comum do Mercosul, baseada no Sistema Harmonizado, traz os seguintes textos relacionados aos códigos desejados: 2941 – Antibióticos. 2941.90 – Outros 2941.90.3 – Cefalosporinas e Cefamicinas; seus derivados; sais destes produtos 2941.90.31 – Ceftriaxona e seus sais (grifei) ......................................... 3003 – Medicamentos (exceto os produtos das posições 30.02, 30.05 ou 30.06) constituídos por produtos misturados entre si, preparados para fins terapêuticos ou profiláticos, mas não apresentados em doses nem acondicionados para venda a retalho. 3003.20 – Contendo outros antibióticos 3003.20.5 – Contendo cefalosporinas, cefamicinas ou derivados destes produtos 3003.20.59 – Outros (grifei) Fl. 205DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10715.000752/200418 Acórdão n.º 3802001.423 S3TE02 Fl. 190 8 Ademais, as seguintes Notas apresentam ainda interesse: Capítulo 29, Nota 1, a: 1. Ressalvadas as disposições em contrário, as posições do presente Capítulo apenas compreendem: a) os compostos orgânicos de constituição química definida apresentados isoladamente, mesmo contendo impurezas; Ainda, as NESH referentes à posição 3003, que compreende as Notas Explicativas, esclarecem: “Página 569: A presente posição compreende as preparações medicamentosas de uso interno ou externo, para fins terapêuticos ou profiláticos em medicina humana ou veterinária. Estes produtos obtêmse misturando duas ou mais substâncias entre si. Todavia, apresentados em forma de doses ou acondicionados para venda a retalho, incluemse na posição 30.04. (grifei) São especialmente classificados nesta posição: 1) As preparações medicamentosas, resultantes de misturas, da natureza das que figuram nas farmacopéias oficiais e as especialidades farmacêuticas, quer se trate de colutórios, colírios, pomadas, ungüentos, linimentos, preparações injetáveis, revulsivos, etc. (exceto, todavia, as preparações compreendidas nas posições 30.02, 30.05 e 30.06). (grifei) ........................................... 2) As preparações constituídas pela mistura de um só produto medicamentoso com outro produto que seja apenas um excipiente, edulcorante, aglomerante, suporte, etc. .......................................... Dessa forma, não se tratando o produto de um composto orgânico de constituição química definida e isolado, afastamos de pronto a classificação desejada pela recorrente. Com efeito, como bem destacado pela decisão recorrida, não obstante a Ceftriaxona Sódica ser um princípio ativo antibiótico, a mercadoria efetivamente importada é constituída de Ceftriaxona Sódica e Substâncias Inorgânicas à base de Cloreto, ou seja, não atende às orientações das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) da posição 2941, pleiteada pela contribuinte, uma vez que os antibióticos podem ser constituídos por uma única substância ou por um grupo de substâncias próximas. Ocorre que a mercadoria em pauta não se constitui de uma única substância, tampouco Substâncias Inorgânicas à base de Cloreto é substância próxima da Ceftriaxona Sódica. Por outro lado, também não socorre a recorrente a alegação de que em outro processo de n° 10715.000753/200454 a decisão lhe fora favorável. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10715.000752/200418 Acórdão n.º 3802001.423 S3TE02 Fl. 191 9 Consultando o acórdão nº 0718.997, vêse claramente que o motivo da exoneração do crédito tributário lançado foi o erro da autoridade autuante em considerar que a mercadoria estava acondicionada para venda a retalho, quando, em verdade, encontravase acondicionada em tambores, o que implicou no afastamento da classificação no código NCM 3004.20.59 – adotada pela autoridade fiscal, o qual abriga medicamentos apresentados em doses, ou acondicionados para venda a retalho. Não obstante, reafirmouse nesse invocado acórdão que preparação medicamentosa composta do Antibiótico Ceftriaxona Sódica e Substâncias Inorgânicas à base de Cloreto, ou seja, medicamento constituído por produtos misturados entre si, preparados para fins terapêuticos ou profiláticos, não apresentado em doses nem acondicionados para venda a retalho se classificaria no código TEC/NCM 3003.20.59. Assim, caracterizado o produto como uma preparação medicamentosa à base de Ceftriaxona Sódica e Substâncias Inorgânicas à base de Cloreto uma preparação medicamentosa contendo antibiótico, mas não apresentada em doses nem acondicionada para venda a retalho – e sim a granel , a classificação NCM 3003.20.59 apresentase como a adequada para o produto em questão. Portanto, correta a classificação definida pela autoridade fiscal no exercício de sua atividade vinculada. Da conclusão Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao presente recurso voluntário. Sala das Sessões, em 28 de novembro de 2012 (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Fl. 207DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA
score : 1.0
Numero do processo: 10909.005391/2008-44
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
IRRF. COMPENSAÇÃO.
Comprovada a retenção do imposto pela informação da fonte pagadora, deve ser reconhecido o direito à compensação do valor correspondente com o imposto devido, apurado quando do ajuste anual.é a fonte pagadora a responsável, enquadrando-se no crime de apropriação indébita e caracterizando-se como depositária infiel de valor pertencente à Fazenda Pública. Pode o beneficiário, neste caso, compensar o imposto retido.Recurso Provido.
Numero da decisão: 2802-001.534
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado:. por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite Relatora
EDITADO EM:22/11/2012
Participaram, do presente julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Lucia Reiko Sakae, Carlos Andre Ribas De Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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COMPENSAÇÃO. Comprovada a retenção do imposto pela informação da fonte pagadora, deve ser reconhecido o direito à compensação do valor correspondente com o imposto devido, apurado quando do ajuste anual.é a fonte pagadora a responsável, enquadrandose no crime de apropriação indébita e caracterizandose como depositária infiel de valor pertencente à Fazenda Pública. Pode o beneficiário, neste caso, compensar o imposto retido.Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado:. por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso –Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora EDITADO EM:22/11/2012 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 53 91 /2 00 8- 44 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Participaram, do presente julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Lucia Reiko Sakae, Carlos Andre Ribas De Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls.111 a 115) interposto contra acórdão proferido na Primeira instância administrativa, pela De1egacia da Receita Federal de Julgamento em Julgamento em Florianópolis (SC), que considerou improcedente, a impugnação apresentada, contra o lançamento de offício nos termos do Decreto 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda — RIR/99, tendo em vista a glosa do valor declarado a título de imposto de renda retido na fonte pela JCJ Têxtil Indústria e Comércio Ltda R$ 4.370,50 A Décima Primeira Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento São Paulo II (SP), ao examinar o pleito, proferiu o acórdão n° 0724.348, de 06 de maio de 2011, que se encontra às fls. 117/120, considerando procedente o lançamento, sob o fundamento de que deve ser mantida a glosa do valor declarado a título de imposto de renda retido na fonte pela JCJ Têxtil Indústria e Comércio Ltda (R$ 4.370.50), visto que o interessado não comprovou seu efetivo recolhimento. A ciência de tal julgado se deu por via postal em 03/06/2011, consoante o AR – Aviso de Recebimento –. (fls. 63). À vista da decisão, foi protocolizado, em 04/07/2011, recurso voluntário dirigido a este colegiado, fls. (fls.111 a 115), no qual o pólo passivo, com vistas a obter a reforma do julgado, reitera, os argumentos apresentados em primeira instância e ainda: · que a notificação de lançamento deve ter sua nulidade reconhecida; · apesar de ter feito prova inconteste de que era apenas um mero funcionário da empresa JCJ Têxtil Ind. e Com. Ltda, a sua impugnação foi julgada improcedente, sendo mantido o crédito tributário exigido; · conforme se comprova através de cópia autenticada de sua Carteira de Trabalho e contrato de trabalho a título de experiência, foi admitido para laborar na empresa JCJ TÊXTIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, no dia 06/06/05, na função de gerente industrial tendo sido demitido sem justa causa em 11.09.2006, consoante se extrai da cópia do aviso prévio ". · o comprovante de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda na fonte de fl. 22 comprova que os valores descontados do seu salário pela JCJ Têxtil Indústria e Comércio Ltda, no ano de 2005, a título de imposto de renda retido na fonte, totalizaram o montante de R$ 4.370,50. · apesar da função de gerente industrial na , na empresa JCJ TÊXTIL IND E COM LTDA, verdade era um mero empregado, sem poder algum de gestão na administração, recebeu somente valores líquidos dos seus salários e não brutos, portanto não tem como ser Fl. 138DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10909.005391/200844 Acórdão n.º 2802001.534 S2TE02 Fl. 597 3 responsabilizado por pagamento algum, decorrente do não recolhimento do imposto de renda descontado na fonte, cabendo esta responsabilidade única e exclusivamente à sua empregadora JCJ TÊXTIL IND E COM. LTDA, pois foi esta a fonte que reteve os valores; · não pode ser prejudicado caso seja constatado que a fonte pagadora não repassou à União as quantias retidas de seu salário a título de IRRF. Por fim, solicita o cancelamento da presente notificação de lançamento e o pagamento do imposto a restituir no valor de R$ 1.957,25 ( hum mil, novecentos e cinqüenta e sete reais e vinte e cinco centavos), acrescido de juros de mora e correção monetária Apresenta os seguintes documentos:a) cópia da identidade e CPF do Recorrente;cópia da carteira de trabalho comprovando o vínculo empregatício junto à empresa JCJ TÊXTIL IND E COM LTDA; b)cópia contrato de trabalho e contrato trabalho a título de experiência; c) aviso prévio; d) folhas de pagamentos do ano de 2005, da empregadora do Recorrente, JCJ TÊXTIL IND E COM LTDA; e) comprovantes de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda na fonte pagadora das empregadoras do Recorrente, ano calendário2005; f) termo de rescisão contrato trabalho empresa JCJ Têxtil Ind e Com Ltda; g)cópia termo de audiência ação trabalhista 01455/2006; h) cópia contrato social da empresa JCJ Têxtil Ind e Com Ltda; i) cópia da declaração de ajuste fiscal relativa ao exercício 2006, ano calendário 2004; j) cópia da notificação de lançamento 2006/609450332824035; k)cópia da impugnação levada a efeito; l) cópia da decisão de primeiro grau; m)cópia da ação judicial interposta É o relatório. Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite Relatora Tempestivo e interposto por parte legítima, é de se conhecer o presente recurso. O dissídio que chega a este Colegiado trata de lançamento, relativo ao imposto sobre a renda de pessoa física (IRPF), referente ao anocalendário 2005, exercício 2006, no montante de R$ 4.370,50, em face de haver sido constatada a dedução indevida de imposto sobre a renda retido na fonte (IRF). Em sede de Recurso Voluntário, o recorrente reafirma que apesar da função de gerente industrial na , empresa JCJ TÊXTIL IND E COM LTDA, na verdade era um mero empregado, sem poder algum de gestão na administração, recebeu somente valores líquidos dos seus salários e não brutos, portanto não tem como ser responsabilizado por pagamento algum, decorrente do não recolhimento do imposto de renda descontado na fonte, cabendo esta responsabilidade única e exclusivamente à sua empregadora JCJ TÊXTIL IND E COM. LTDA, pois foi esta a fonte que reteve os valores; Fl. 139DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Faz prova do alegado por meio de : a) cópia da carteira de trabalho comprovando o vínculo empregatício junto à empresa JCJ TÊXTIL IND E COM LTDA; b)cópia contrato de trabalho e contrato trabalho a título de experiência; c) aviso prévio; d) folhas de pagamentos do ano de 2005, da empregadora do Recorrente, JCJ TÊXTIL IND E COM LTDA; e) comprovantes de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda na fonte pagadora das empregadoras do Recorrente, ano calendário 2005; f) termo de rescisão contrato trabalho empresa JCJ Têxtil Ind e Com Ltda; g)cópia termo de audiência ação trabalhista 01455/2006 O Regulamento do Imposto sobre a Renda (Decreto n.º 3.000, de 1999), em seu artigo 624, prevê estarem sujeitos à incidência do imposto na fonte, calculado na forma do art. 620 do mesmo diploma, os rendimentos do trabalho assalariado pagos por pessoas físicas ou jurídicas (Lei nº 7.713, de 1988, art. 7º, inciso I).). Em seu artigo 717, o mesmo ato regulamentar, fundamentado nos artigos 99 e 100 do DecretoLei n.º 5.844, de 1943 e no artigo 7.º, § 1.º, da Lei n.º 7.713, de 1988, determina que compete è fonte pagadora reter o imposto na fonte, salvo disposição em contrário. A fonte pagadora fica ainda obrigada ao recolhimento do imposto, mesmo que não o tenha retido (Decreto n.º 3.000, de 1999, artigo 722, caput, cuja matriz legal é o artigo 103 do DecretoLei n.º5.844, de 1943). Isto significa afirmar que a fonte pagadora tem o dever de descontar o imposto de renda quando paga a renda ou provento. Por outro lado, o contribuinte tem o direito de receber da fonte o informe de rendimento e retenção, para que possa exercer os efeitos de direito daí derivados, no caso, o de compensar o imposto retido na fonte com o imposto que tiver que pagar na declaração de ajuste anual. No recurso o Contribuinte reafirma que o valor foi retido e que não pode ser responsabilizada por uma obrigação que é da fonte pagadora. Pois bem, às fls. 22 dos autos o Contribuinte apresenta Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, demonstrando que foi retido da recorrente, durante o ano calendário de 2005, o valor de R$ 4.370,50. A DRJ em FlorianópolisSC, entendeu que o contribuinte era gerente da fonte pagadora e. assim sendo, somente seria cabível a compensação do Imposto de Renda Retido na Fonte com o devido na Declaração de Ajuste Anual se houvesse a efetiva comprovação do recolhimento do valor retido, já que, por força do disposto no artigo 8o do Decretolei n° 1.736. de 20 de dezembro de 1979. e no artigo 723 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n° 3.000/99), são solidariamente responsáveis pelos débitos decorrentes do não recolhimento do imposto de renda descontado na fonte os acionistas controladores, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. No presente caso, em que os valores de imposto de renda na fonte foram retidos do beneficiário do rendimento, mas não foram recolhidos aos cofres públicos, aplicase o Parecer Normativo COSIT n.º 1, de 24 de setembro de 2002, que assim determina: Imposto retido e não recolhido 17. Ocorrendo a retenção do imposto sem o recolhimento aos cofres públicos, a fonte pagadora, responsável pelo imposto, enquadrase no crime de apropriação indébita previsto no art. 11 da Lei nº 4.357, de 16 de julho de 1964, e caracterizase como depositária infiel de valor pertencente à Fazenda Pública, conforme a Lei nº 8.866, de 11 de abril de 1994. Ressaltese que a obrigação do Fl. 140DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10909.005391/200844 Acórdão n.º 2802001.534 S2TE02 Fl. 598 5 contribuinte de oferecer o rendimento à tributação permanece, podendo, nesse caso, compensar o imposto retido. Concluise, da compreensão do texto acima transcrito, que, tendo a pessoa jurídica denominada JCJ TÊXTIL IND E COM LTDA, retido o imposto de renda, é ela a responsável por seu recolhimento, podendo o Recorrente, na qualidade de beneficiário do pagamento, compensar o imposto retido, mesmo que não recolhido. Conclusão Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso (assinado digitalmente) Dayse Fernandes LeiteRelatora Fl. 141DF CARF MF Impresso em 28/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10293.720042/2008-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. LAUDO DE AVALIAÇÃO.
O arbitramento do valor da terra nua (VTN), apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve ser reduzido para aquele demonstrado nos autos, mediante a apresentação de Laudo Técnico de Avaliação do imóvel, elaborado nos termos da NBR-ABNT 14653-3.
MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃO-CONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009)
RO e RV Negados
Numero da decisão: 2102-002.393
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento aos recursos de ofício e voluntário.
Assinado digitalmente
Giovanni Christian Nunes Campos Presidente
Assinado digitalmente
Núbia Matos Moura Relatora
EDITADO EM: 26/11/2012
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eivanice Canário da Silva, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2005 VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. LAUDO DE AVALIAÇÃO. O arbitramento do valor da terra nua (VTN), apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve ser reduzido para aquele demonstrado nos autos, mediante a apresentação de Laudo Técnico de Avaliação do imóvel, elaborado nos termos da NBR-ABNT 14653-3. MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃO-CONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) RO e RV Negados
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento aos recursos de ofício e voluntário. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora EDITADO EM: 26/11/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eivanice Canário da Silva, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
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ARBITRAMENTO. LAUDO DE AVALIAÇÃO. O arbitramento do valor da terra nua (VTN), apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve ser reduzido para aquele demonstrado nos autos, mediante a apresentação de Laudo Técnico de Avaliação do imóvel, elaborado nos termos da NBRABNT 146533. MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃOCONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) RO e RV Negados AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 29 3. 72 00 42 /2 00 8- 31 Fl. 118DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10293.720042/200831 Acórdão n.º 2102002.393 S2C1T2 Fl. 119 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento aos recursos de ofício e voluntário. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 26/11/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eivanice Canário da Silva, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra AGROPECUÁRIA SANTO ELIAS LTDA foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 08/12, para formalização de exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) do imóvel denominado Seringal Santo Elias, com 7.943,5 ha (NIRF 3.983.5790), relativo ao exercício 2005, no valor de R$ 2.177.541,92, incluindo multa de ofício e juros de mora. No lançamento procedeuse ao arbitramento do valor da terra nua (VTN), mediante utilização do valor extraído do Sistema de Preços de Terra (SIPT), alterandose o VTN de R$ 2.000,00 (R$ 0,25/ha) para R$ 5.163.275,00 (R$ 650,00/ha), em virtude de a contribuinte ter deixado de apresentar laudo de avaliação do imóvel, comprovando o VTN declarado. Inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, fls. 55/58, e a autoridade julgadora de primeira instância julgou a impugnação procedente, para manter em parte o crédito tributário consubstanciado na Notificação, tributando o imóvel com base no VTN de R$ 142.200,45, equivalente a R$ 17,90/ha, indicado no Laudo Técnico de Avaliação, fls. 60/77, e seus anexos, fls. 78/83. (Acórdão DRJ/BSB nº 0343.664, de 22/06/2011, fls. 103/108) Fl. 119DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10293.720042/200831 Acórdão n.º 2102002.393 S2C1T2 Fl. 120 3 A DRJ Brasília recorreu de ofício de sua decisão a este Conselho Administrativo de Recurso Fiscais (CARF), em razão do limite de alçada estabelecido na Portaria MF nº 3, de 03 de janeiro de 2008. Cientificada da decisão de primeira instância, em 01/09/2011, fls. 112, a contribuinte apresentou, em 03/10/2011, recurso voluntário, fls. 113/115, onde alega que o percentual de 75% da multa de ofício ofende aos critérios da razoabilidade e proporcionalidade, configurando confisco. É o Relatório. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10293.720042/200831 Acórdão n.º 2102002.393 S2C1T2 Fl. 121 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora Do recurso de ofício O recurso de ofício preenche os requisitos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele conheço. No lançamento, procedeuse ao arbitramento do valor da terra nua (VTN), mediante utilização do valor extraído do Sistema de Preços de Terra (SIPT), alterandose o VTN de R$ 2.000,00 (R$ 0,25/ha) para R$ 5.163.275,00 (R$ 650,00/ha) e a decisão recorrida, acolhendo Laudo Técnico de Avaliação, fls. 60/77, apresentado pela contribuinte, juntamente com a impugnação, reduziu o VTN para R$ 142.200,45 (R$ 17,90/ha). A decisão recorrida está assim fundamentada: Por sua vez, a Requerente apresenta, nesta fase, o “Laudo Técnico de Avaliação”, doc. de fls. 60/77, e seus anexos, doc de fls. 78/83, elaborado pelo engenheiro Ermilson Maciel Pinto (Agrônomo), com ART, devidamente anotada no CREA/AC, doc./cópia de fls. 84, onde se concluiu que o valor da terra nua do imóvel, para o exercício de 2005, é de R$ 142.200,45 (R$ 17,90/ha) e solicita o seu acolhimento. De fato, o referido documento, elaborado pelo citado engenheiro, profissional legalmente habilitado, e, nesta condição, responsável pelas informações constantes do trabalho por ele desenvolvido, possibilita a revisão do VTN arbitrado pela fiscalização. Na análise do laudo apresentado, verificase que o autor do trabalho descreve as características do imóvel rural em particular (localização, acesso, caracterização da região e do imóvel), indicando que o terreno possui má localização e acesso restrito (sendo parte da viagem feita por caminhada ou em animais de transporte) e cerca de 99 % do imóvel é de floresta nativa, existindo apenas resquícios de áreas abertas por posseiros. Quanto à avaliação em si, o autor do trabalho utiliza o método comparativo de dados de mercado, sendo que a coleta de informações da época só se tornou possível devido ao acesso ao banco de dados do Incra; sendo que, para a obtenção do valor unitário do terreno foi obtida a Nota Agronômica e apresentadas 17 (dezessete) amostras. Após a apresentação dessas fontes, que totalizaram 17, e efetuar os devidos tratamentos estatísticos (média aritmética, desvio padrão, etc), chega ao valor da terra nua de R$ 142.200,45, o Fl. 121DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10293.720042/200831 Acórdão n.º 2102002.393 S2C1T2 Fl. 122 5 equivalente a R$ 17,90/ha (valor este igual ao Valor Total do Imóvel), e conclui que alcançou o grau de fundamentação II e precisão III, conforme pontuação definida na NBR 146533. Ressaltese, novamente, que o laudo demonstra a existência de características particulares desfavoráveis que justificam a utilização de VTN, por hectare, inferior ao obtido com base no SIPT. Também entendo que, por se tratar de um imóvel atípico, sem registro de qualquer benfeitoria útil e necessária à atividade rural, a falta de avaliação das suas benfeitorias não pode prejudicar todo o trabalho de avaliação, pois o que se busca nos autos é, de fato, o preço fundiário (das terras) do imóvel, àquela época. E ainda, que o VTN por hectare, apontado no referido “laudo técnico”, representa 71,6 vezes o VTN declarado de R$ 0,25/ha, demonstrando que a própria Impugnante reconhece que o valor por ela informado na sua DITR/2005 estava de fato subavaliado. Assim, entendo que o laudo de fls. 60/77, e seus anexos, doc de fls. 78/83, além de ter sido emitido por profissional habilitado (Engenheiro), atende aos requisitos essenciais estabelecidos na NBR 14.6533 da ABNT e demonstra de maneira inequívoca o valor fundiário do imóvel àquela época, constituindo documento hábil para alteração do VTN arbitrado pela fiscalização, nos termos da Norma de Execução Cofis nº 003/2006, de 29/05/2006, aplicada ao exercício de 2003 e posteriores. Por fim, temse que a matéria, além de eminentemente técnica, por envolver as normas da ABNT (NBR 14.6533), também possui um viés subjetivo, sendo permitido ao julgador administrativo, com fulcro no art. 29 do Decreto 70.235, de 1972, formar livremente convicção quando da apreciação do laudo apresentado pelo Impugnante, com o intuito de se chegar a um juízo quanto a aceitação ou não do mesmo para revisão do VTN arbitrado pela autoridade fiscal. Portanto, cabe acatar o “Laudo Técnico de Avaliação”, doc. de fls. 60/77, e seus anexos, doc de fls. 78/83, apresentado para revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, passando a ser aceito o VTN/ha de R$ 17,90/ha, o quê corresponde a um VTN de R$ 142.200,45. As razões de decidir da decisão recorrida, acima transcritas, não merecem reparos. De fato, o Laudo Técnico de Avaliação, fls. 60/77, atende ao disposto na NBR/ABNT 14653 parte 3. E mais, na Complementação da Descrição dos Fatos, fls. 17, a autoridade fiscal fez constar que o SIPT para o município de Sena Madureira era de R$ 800,00, R$ 650,00 e R$ 286,38, para os exercícios de 2004, 2005 e 2006, respectivamente. Tal fato demonstra a existência de inconsistência nos valores do SIPT, posto que não é razoável admitirse que os preços de imóveis rurais sofram tamanha desvalorização, da ordem de 64,21%, no período de 2 anos, salvo na ocorrência de fatos atípicos, dos quais não se tem notícias nos autos. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10293.720042/200831 Acórdão n.º 2102002.393 S2C1T2 Fl. 123 6 Corroborando este entendimento temse que para o exercício 2004, a média dos VTN nas DITR foi de R$ 116,86, conforme extrato SIPT, fls. 87. Nestes termos, devese negar provimento ao recurso de ofício. Do recurso voluntário O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. A recorrente alega em seu recurso que o percentual de 75% da multa de ofício ofende aos critérios da razoabilidade e proporcionalidade, configurando confisco. De imediato, cumpre dizer que a multa de ofício foi aplicada com base no disposto no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que a seguir se transcreve: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Importa destacar ainda que o exame da obediência das leis tributárias aos princípios constitucionais é matéria que não deve ser abordada na esfera administrativa, conforme se infere da Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Como se vê, os julgamentos administrativos não contemplam o exame de constitucionalidade de leis tributárias, de sorte que não será neste voto apreciada a alegação da recorrente de ofensa aos princípios constitucionais. Assim, deve ser mantida a multa de ofício, no percentual de 75%, conforme consubstanciado na Notificação de Lançamento. Da conclusão Ante o exposto, voto por NEGAR provimento aos recursos de ofício e voluntário. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 123DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10293.720042/200831 Acórdão n.º 2102002.393 S2C1T2 Fl. 124 7 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 10120.004763/2010-05
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2008
DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO
LANÇAMENTO.
Cabe ao AuditorFiscal
da Receita Federal do Brasil, na atribuição do
exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em
caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito
tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de
responsabilidade funcional.
DIPJ. DCTF. APRESENTAÇÃO. ASPECTO TEMPORAL.
A DIPJ e a DCTF apresentadas após o início do procedimento fiscal não
produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício.
MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL.
A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em
razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento
direto com a comprovação da conduta culposa.
MULTA ISOLADA. FALTA DE CUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES
TRIBUTÁRIAS. LUCRO REAL ANUAL.
A pessoa jurídica que adota o regime de tributação do lucro real optante pela
apuração anual que não cumprir as obrigações tributárias fica sujeita à multa
cinquenta por cento, aplicada isoladamente, calculada sobre o montante das
parcelas dos tributos estimados não recolhidos ou das insuficiências
apuradas.
DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e
jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade
de lei tributária.
LANÇAMENTO DECORRENTE.
O lançamento de CSLL sendo decorrente da mesma infração tributária, a
relação de causalidade que o informa leva a que o resultado do julgamento
deste feito acompanhe aquele que foi dado à exigência de IRPJ.
Numero da decisão: 1801-001.016
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros
Marcos Vinicius Barros Ottoni e Luiz Guilherme Medeiros Ferreira que votaram pela
exoneração da multa de ofício proporcional isolada determinada sobre a base de cálculo
estimada.
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2008 DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. DIPJ. DCTF. APRESENTAÇÃO. ASPECTO TEMPORAL. A DIPJ e a DCTF apresentadas após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa. MULTA ISOLADA. FALTA DE CUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS. LUCRO REAL ANUAL. A pessoa jurídica que adota o regime de tributação do lucro real optante pela apuração anual que não cumprir as obrigações tributárias fica sujeita à multa cinquenta por cento, aplicada isoladamente, calculada sobre o montante das parcelas dos tributos estimados não recolhidos ou das insuficiências apuradas. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTO DECORRENTE. O lançamento de CSLL sendo decorrente da mesma infração tributária, a relação de causalidade que o informa leva a que o resultado do julgamento deste feito acompanhe aquele que foi dado à exigência de IRPJ.
turma_s : Primeira Turma Especial da Primeira Seção
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Marcos Vinicius Barros Ottoni e Luiz Guilherme Medeiros Ferreira que votaram pela exoneração da multa de ofício proporcional isolada determinada sobre a base de cálculo estimada.
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Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. DIPJ. DCTF. APRESENTAÇÃO. ASPECTO TEMPORAL. A DIPJ e a DCTF apresentadas após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa. MULTA ISOLADA. FALTA DE CUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS. LUCRO REAL ANUAL. A pessoa jurídica que adota o regime de tributação do lucro real optante pela apuração anual que não cumprir as obrigações tributárias fica sujeita à multa cinquenta por cento, aplicada isoladamente, calculada sobre o montante das parcelas dos tributos estimados não recolhidos ou das insuficiências apuradas. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. Processo nº 10120.004763/201005 Acórdão n.º 180101.016 S1TE01 Fl. 389 2 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTO DECORRENTE. O lançamento de CSLL sendo decorrente da mesma infração tributária, a relação de causalidade que o informa leva a que o resultado do julgamento deste feito acompanhe aquele que foi dado à exigência de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Marcos Vinicius Barros Ottoni e Luiz Guilherme Medeiros Ferreira que votaram pela exoneração da multa de ofício proporcional isolada determinada sobre a base de cálculo estimada. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente em Exercício Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Jaci de Assis Junior, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 4149 com a exigência do crédito tributário no valor total de R$425.310,76 que compreende: R$351.555,36 a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional, referente ao anocalendário de 2007, apurado pelo regime de tributação com base no lucro real anual, pela insuficiência de recolhimento do tributo determinada pelo cotejo dos valores informados na Declaração Integrada de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), fls. 1124, com aqueles constantes nas Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), fls. 2734, nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), em que não foi informado qualquer valor de IRPJ, fls. 2526 e nos Pedidos de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), em conformidade com dos demonstrativos às fls. 35 e 38; R$73.755,40 a título de multa de ofício proporcional isolada por falta de recolhimento de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) determinado sobre a base de cálculo estimada referente aos fatos geradores ocorridos em março, maio, agosto e setembro do anocalendário de 2007. Processo nº 10120.004763/201005 Acórdão n.º 180101.016 S1TE01 Fl. 390 3 Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 222, incisos I, III e IV do art. 841 e art. 843 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999), bem como § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: II Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 5056 com a exigência do crédito tributário no valor total de R$178.328,69: R$147.251,57 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional referente ao anocalendário de 2007, apurado pelo regime de tributação com base no lucro real anual, pela insuficiência de recolhimento do tributo determinada pelo cotejo dos valores informados na Declaração Integrada de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), fls. 1124, com aqueles constantes nas Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), fls. 2734, nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), em que não foi informado qualquer valor de IRPJ, fls. 2526 e nos Pedidos de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), em conformidade com dos demonstrativos às fls. 36 e 40; R$31.077,12 a título de multa de ofício isolada por falta de recolhimento de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) determinada sobre a base de cálculo estimada referente aos fatos geradores ocorridos em março, maio, agosto e setembro do ano calendário de 2007. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 222, incisos I, III e IV do art. 841 e art. 843 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999), bem como § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. Cientificada em 18.06.2010, fl. 60, a Recorrente apresentou a impugnação em 15.07.2010, fls. 6468, com as alegações abaixo sintetizadas. Aduz que há erro no preenchimento da DIPJ e da DCTF, que são passíveis de serem retificadas. Defende a tese de que seus registros contábeis estão com os valores corretos e que devem ser considerados de ofício. Suscita que fez o balanço de suspensão anual e que apurou ao final do ano calendário os valores devidos de R$209.065,08 e de R$83.903,43, respectivamente, de IRPJ e de CSLL. Informa que fez provisões mensais para evitar possíveis pagamentos a maior de tributos, cujos valores foram revertidos. Apresenta argumentos contra a aplicação da multa de ofício proporcional e da multa de ofício isolada por falta de recolhimento de tributo determinado sobre a base de cálculo estimada. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Processo nº 10120.004763/201005 Acórdão n.º 180101.016 S1TE01 Fl. 391 4 Conclui 1) Que abra oportunidade para a empresa esclarecer e retificar as informações junto a [RFB] e que torne sem efeito [os Autos de Infração]. 2) Que [os valores dos referidos débitos] do IRPJ e da CSLL sejam juntados no montante a ser parcelado em conformidade [com] o pedido de parcelamento da Lei nº 11.941/2009, que já foi deferido. Está registrado como resultado do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/BSA/DF nº 0342.645, de 18.04.2011, fls. 259266: “Impugnação Improcedente”. Restou ementado ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2008 ACÓRDÃO RETIFICADOR. ABRANGÊNCIA INCOMPLETA DA MATÉRIA EM LITÍGIO. Tendo sido o acórdão anterior incompleto, por deixar de apreciar matéria em litígio nos autos, impõese retificar a decisão anterior para incluíla. PARCELAMENTO LEI Nº 11.941, DE 2009. INAPLICABILIDADE AOS DÉBITOS DECORRENTES DE MULTA PROPORCIONAL E ISOLADA COM VENCIMENTO APÓS 30 DE NOVEMBRO DE 2008. Não são incluídos no parcelamento de que trata a Lei nº 11.941, de 2009, os débitos decorrentes de multa proporcional e isolada com vencimento posterior a 30 de novembro de 2008. CONFISSÃO DE DÍVIDA. A confissão, de forma irrevogável e irretratável, do débito que deu origem ao lançamento das multas proporcional e isolada pelo não pagamento das estimativas devidas implica na aceitação da referida multa. CONFISCO. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2008 MESMOS ELEMENTOS DE PROVA. MESMA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. Aplicase à CSLL o disposto em relação ao lançamento do IRPJ por decorrer dos mesmos elementos de prova e se referir à mesma matéria tributável. Notificada em 09.06.2011, fl. 277, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 11.07.2011 (segundafeira), fls. 278282, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge Processo nº 10120.004763/201005 Acórdão n.º 180101.016 S1TE01 Fl. 392 5 e reitera os argumentos apresentados na peça impugnatória em relação à multa de ofício proporcional pela diferença do percentual em relação à multa de mora e à multa de ofício proporcional isolada por falta de recolhimento de tributo determinado sobre a base de cálculo estimada. Acrescenta que os demais valores foram objeto de parcelamento formalizado no processo nº 10120.006310/201013. Conclui Diante do exposto, requer a Vossa Senhoria o recebimento do presente Recurso Administrativo, julgandoo procedente, anulando e tornando sem efeito [os Autos de Infração], pois somente assim estará aplicando a verdadeira JUSTIÇA! É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A matéria objeto de litígio devolvida para reexame nesta segunda instância de julgamento restringese à multa de ofício proporcional pela diferença do percentual em relação à multa de mora e à multa de ofício isolada por falta de recolhimento de tributo determinado sobre a base de cálculo estimada. A Recorrente menciona que a exigência não poderia ter sido formalizada. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Cabe ressaltar que o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação à pessoa jurídica, nos casos em que a autoridade dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Também pode ser efetivado por autoridade de jurisdição diversa do domicílio tributário da pessoa jurídica e fora do estabelecimento, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador1. Os Autos de Infração foram lavrados com a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinação da matéria tributável, cálculo do montante do tributo devido, identificação do sujeito passivo, aplicação da penalidade cabível e validamente cientificada a Recorrente, o que lhe conferem existência, validade e eficácia. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente expõe que apresenta declarações retificadoras com os valores que diz estarem corrigidos. 1 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 8, 27 e 46. Processo nº 10120.004763/201005 Acórdão n.º 180101.016 S1TE01 Fl. 393 6 Sobre o aspecto temporal da possibilidade jurídica da entrega da DIPJ e da DCTF, temse que não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício quando apresentadas após o início do procedimento fiscal, ou seja, o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária. Neste momento, a sua espontaneidade é excluída em relação aos atos anteriores, independentemente de intimação dos demais envolvidos nas infrações verificadas. Por esta razão, a declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício2. A DIPJ e a DCTF entregues pela Recorrente depois de cientificada do Termo de Intimação recebido em 19.02.2010, fls. 03 e 06 não tem efeito jurídico sobre a exigência. A afirmação suscitada pela defendente, destarte, não é pertinente. A Recorrente discorda da aplicação da multa de ofício proporcional. Via de regra, a norma jurídica secundária impõe uma sanção em decorrência da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A multa de natureza tributária é uma penalidade procedente da lei em razão do inadimplemento de uma obrigação legal principal ou acessória e expressa a obrigação de dar determinada quantia em dinheiro ao sujeito passivo. A aplicação da multa de ofício proporcional pressupõe a constituição do crédito tributário pelo lançamento direto, diante da constatação da falta de pagamento ou recolhimento, pela falta de declaração e pela declaração inexata de obrigações tributárias pelo sujeito passivo. Tem como requisito necessário a comprovação, de plano, da conduta culposa do agente, que é a falta cometida contra um dever, por ação ou omissão, de forma a evidenciar a inobservância de diligência que deveria ser observada quando da prática de um ato a que se está obrigado3. No presente caso, houve constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, de modo que está correta a aplicação da multa de ofício proporcional. A conclusão oferecida pela defendente, porém, não pode subsistir. A Recorrente discorda da aplicação da aplicação da multa de ofício proporcional isolada determinada sobre a base de cálculo estimada. A pessoa jurídica que adota o regime de tributação do lucro real pode optar pela apuração anual de IRPJ e de CSLL, o que lhe impõe o pagamento destes tributos em cada mês, determinados sobre base de cálculo estimada, ainda que venha a apurar prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa no balanço encerrado em 31 de dezembro do anocalendário. Pode, todavia, suspender ou reduzir os pagamentos dos tributos devidos em cada mês, desde que demonstre, mediante de balanços ou balancetes mensais, que as quantias acumuladas já recolhidas excedem os valores dos tributos devidos referentes ao período em curso. Para tanto, estes balanços ou balancetes devem ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário e a demonstração do lucro real relativa ao período deve ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur). O pressuposto é de que a norma jurídica secundária impõe uma sanção em decorrência da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A multa de natureza tributária, penalidade que tem como fonte a lei, é imposta em razão do 2 Fundamentação legal: art. 142 e art. 147 do Código Tributário Nacional, art. 7º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF n° 33. 3 Base legal: art. 142, art. 149 e art. 150 do Código Tributário Nacional, art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Processo nº 10120.004763/201005 Acórdão n.º 180101.016 S1TE01 Fl. 394 7 inadimplemento de uma obrigação legal principal ou acessória e expressa a obrigação de dar determinada quantia em dinheiro ao sujeito passivo. Por esta razão, caso obrigações tributárias mencionadas não sejam cumpridas a pessoa jurídica fica sujeita à multa de 50% (cinquenta por cento), aplicada isoladamente, calculada sobre o montante das parcelas dos tributos não recolhidos ou das insuficiências apuradas. Este percentual foi fixado a partir 15.06.2007, abrandando aquele originalmente previsto. Assim, para os atos não definitivamente julgados em for imposta a penalidade em percentual mais severo previsto na lei vigente ao tempo da sua prática, a lei superveniente mais branda aplicase ao ato pretérito, tendo em vista a excepcionalidade prevista no princípio da retroatividade benigna4. Os presentes autos não estão instruídos com a comprovação dos pagamentos integrais, tampouco com as transcrições no Livro Diário dos balanços ou balancetes mensais de suspensão ou redução e no Lalur da demonstração do lucro real do respectivo período. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A conclusão oferecida pela defendente, porém, não pode subsistir. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso5. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade6. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo7. O lançamento de CSLL sendo decorrente da mesma infração tributária, a relação de causalidade que o informa leva a que o resultado do julgamento deste feito acompanhe aquele que foi dado à exigência de IRPJ. Em face do exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 4 Fundamentação legal: art. 106 do Código Tributário Nacional, art. 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 2º e art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 13 da Instrução Normativa SRF nº 93, de 24 de dezembro de 1997 e art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. 5 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 6 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. 7 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Processo nº 10120.004763/201005 Acórdão n.º 180101.016 S1TE01 Fl. 395 8
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Numero do processo: 10530.001525/2008-93
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Oct 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
FALTA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO.
Meras alegações de erro não se prestam a justificar procedimento de retificação de declaração de rendimentos, mas sim provas inequívocas, que restaram não produzidas no presente caso.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.675
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Antonio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Tânia Mara Paschoalin e Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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Meras alegações de erro não se prestam a justificar procedimento de retificação de declaração de rendimentos, mas sim provas inequívocas, que restaram não produzidas no presente caso. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Tânia Mara Paschoalin e Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ/SDR/BA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 00 15 25 /2 00 8- 93 Fl. 47DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/09/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por TANIA MARA PASCHOA LIN Processo nº 10530.001525/200893 Acórdão n.º 2801002.675 S2TE01 Fl. 48 2 Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “Tratase de notificação de lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF correspondente ao exercício de 2007, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 375,94 crescidos de valores referentes a multa e juros de mora. O crédito tributário foi constituído em razão da compensação indevida de Imposto de Penda Retido na Fonte no valor de R$ 2.760,45, pois não houve informação em Declararão de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF da fonte pagadora, nem o contribuinte comprovou as informações declaradas. O impugnante alega, em síntese, que houve erro grosseiro no preenchimento da declaração de ajuste anual. Como rendimentos tributáveis constam os rendimentos da EBDA, CNPJ 14.772.867/000170, acrescidos dos rendimentos provenientes do comércio informal com vendas de ervas naturais.” A impugnação foi considerada improcedente, conforme Acórdão de fl. 30, que restou assim ementado: IMPOSTO DE RENDA. RETIDO NA FONTE COMPROVAÇÃO. Mantida a compensação indevida do Imposto de Renda Retido na Fonte por falta de prova. Regularmente cientificado daquele acórdão em 08/04/2011 (AR, fl. 32), o interessado interpôs recurso voluntário de fl. 33, em 10/05/2011. Em sua defesa, pretende seja cancelado o lançamento sob o argumento de que não se paga imposto sobre a venda de produtos naturais caseiro, sustentando que houve erro no preenchimento da declaração de ajuste anual com a inclusão dos rendimentos provenientes da venda de ervas naturais nos rendimentos tributáveis informados referente à fonte pagadora EBDA, CNPJ 14.772.867/0001 70. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Trata o processo de lançamento de glosa do imposto de renda retido na fonte informado pelo contribuinte em sua DIRPF/2007. O recorrente não contesta a referida glosa, porém, pretende seja excluído da base de cálculo o valor que excede os rendimentos oriundos da fonte pagadora Empresa Baiana Fl. 48DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/09/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por TANIA MARA PASCHOA LIN Processo nº 10530.001525/200893 Acórdão n.º 2801002.675 S2TE01 Fl. 49 3 de Desenvolvimento Agrícola S.A., tendo em vista que são decorrentes do comércio informal de ervas naturais. Ora, os valores recebidos caracterizam, salvo prova em contrário, rendimentos tributáveis, haja vista que a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer titulo. Ademais, meras alegações de erro não se prestam a justificar procedimento de retificação de declaração de rendimentos, mas sim provas inequívocas, que restaram não produzidas no presente caso. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 49DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/09/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por TANIA MARA PASCHOA LIN
score : 1.0
Numero do processo: 10907.001117/2002-21
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Oct 31 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001
CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC.
Por força das reiteradas decisões do STJ e do art. 62-A do RICARF, o valor do ressarcimento do crédito presumido deve ser corrigido pela variação da taxa Selic a partir da data de protocolo do pedido.
Embargos de Declaração Acolhidos.
Numero da decisão: 3403-001.781
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para suprir a omissão no Acórdão nº 3403-00.846 e reconhecer o direito do contribuinte corrigir o ressarcimento por meio da aplicação da taxa SELIC a partir da data de protocolo do pedido.
[Assinado com certificado digital]
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator ad hoc.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. Por força das reiteradas decisões do STJ e do art. 62A do RICARF, o valor do ressarcimento do crédito presumido deve ser corrigido pela variação da taxa Selic a partir da data de protocolo do pedido. Embargos de Declaração Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para suprir a omissão no Acórdão nº 340300.846 e reconhecer o direito do contribuinte corrigir o ressarcimento por meio da aplicação da taxa SELIC a partir da data de protocolo do pedido. [Assinado com certificado digital] Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator ad hoc. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 11 17 /2 00 2- 21 Fl. 662DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/10/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Tratase de embargos de declaração opostos pelo contribuinte ao Acórdão nº 340300.846, por meio do qual deuse provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito do contribuinte incluir no cálculo do crédito presumido as aquisições de pessoas físicas e cooperativas e o direito de incluir na receita de exportação as vendas realizadas para empresas comerciais exportadoras. Regularmente notificado daquele julgado em 01/08/2011 (AR de fl. 614), o contribuinte apresentou embargos de declaração de fls. 615/616 em 08/08/2011, alegando que houve omissão no Acórdão, pois não houve decisão quanto ao pedido de correção do ressarcimento pela taxa Selic. Por meio do despacho de fls. 619/620 os embargos tiveram seguimento determinado pelo Senhor Presidente da 4ª Câmara. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator ad hoc. O exame de admissibilidade dos embargos de declaração já foi superado pelo despacho do Presidente da Quarta Câmara de fls. 619/620. Tendo em vista que o Relator originário do Acórdão embargado passou a integrar outro colegiado, passo a relatar os embargos na condição de relator ad hoc. Verificase no corpo do recurso voluntário que entre os pedidos formulados constou a aplicação da correção pela taxa Selic ao valor do ressarcimento. Entretanto, embora o Relator originário tenha transcrito em seu voto a ementa do RESP nº 993.164 que faz referência ao RESP nº 1.035.847, o colegiado realmente não deliberou sobre a concessão da taxa Selic. Sendo assim, o Acórdão nº 340300.846 padece do vício de omissão, que merece ser sanado com a fundamentação a seguir. O art. 62A do Regimento Interno vinculou o CARF às decisões do Superior Tribunal de Justiça que tenham sido proferidas do art. 543C do CPC. Desse modo, transcrevo a seguir a ementa do RESP nº 1.035.847, que julgou a questão da atualização dos créditos de IPI, in verbis: “PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da não Fl. 663DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/10/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10907.001117/200221 Acórdão n.º 3403001.781 S3C4T3 Fl. 4 3 cumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Tendo em vista que no caso concreto existia ato administrativo de natureza genérica e abstrata (art. 2º , § 2º da IN SRF nº 419/2004), que impedia os contribuintes de incluírem no cálculo do crédito presumido as aquisições de pessoas físicas e cooperativas, é perfeitamente aplicável ao caso concreto a interpretação fixada pelo RESP nº 1.035.847. Com essas considerações, voto no sentido de acolher os embargos de declaração para suprir a omissão no Acórdão nº 340300.846 e reconhecer o direito do contribuinte corrigir o ressarcimento por meio da aplicação da taxa SELIC a partir da data de protocolo do pedido. Antonio Carlos Atulim Fl. 664DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/10/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10940.901220/2008-51
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2003, 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA.
Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito sem os documentos fiscais comprobatórios de suas alegações.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA
Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário negado,
Numero da decisão: 3801-001.286
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flavio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
EDITADO EM: 13/09/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio De Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Paulo Sérgio Celani, Jacques Maurício Ferreira Veloso De Melo, Maria Inês Caldeira Pereira Da Silva Murgel e eu Sidney Eduardo Stahl (Relator)
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2003, 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito sem os documentos fiscais comprobatórios de suas alegações. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário negado,
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PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito sem os documentos fiscais comprobatórios de suas alegações. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário negado, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flavio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. EDITADO EM: 13/09/2012 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 12 20 /2 00 8- 51 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio De Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Paulo Sérgio Celani, Jacques Maurício Ferreira Veloso De Melo, Maria Inês Caldeira Pereira Da Silva Murgel e eu Sidney Eduardo Stahl (Relator) Fl. 51DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.901220/200851 Acórdão n.º 3801001.286 S3TE01 Fl. 40 3 Relatório Trata o presente processo administrativo de pedido de compensação realizado através de PER/DCOMP, transmitida em 19/09/2006 (fls. 13/17), com base em suposto pagamento a maior a título de PIS/PASEP do período de apuração de fevereiro de 2004, por meio de guia DARF cujo recolhimento se deu em 15/03/2004, com débitos de CSLL do período de apuração de abril de 2004, tendo sido objetivada compensação no montante total de R$ 547,26. A DRF de origem proferiu despacho decisório (fls. 03) não homologando a compensação sob o fundamento de que o pagamento informado em PER/DCOMP, através de guia DARF, foi integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Inconformado, apresentou o contribuinte manifestação de inconformidade às fls. 01, sustentando, em síntese, que a origem do seu crédito decorre de pagamentos a maior, realizados em função da ausência de dedução da base de cálculo da Contribuição de valores legalmente dedutíveis, conforme supostamente lhe autorizaria a Lei nº 10.833/2003, sendo tais créditos aferíveis das respectivas DACON e DIPJ do período. A DRJ em Curitiba – PR, por sua vez, julgou improcedente a manifestação de inconformidade ofertada pelo contribuinte através do acórdão de fls. 22/23, considerando a ausência de comprovação do direito ao credito objeto da compensação materializada na PER/DCOMP, o que se confirmaria, inclusive, a partir inconsistências apuradas conta dos documentos mencionados pelo contribuinte na sua Manifestação de Inconformidade (DACON, DIPJ e DCTF) e planilha apresentada. Devidamente intimado para tanto (fls. 24), interpôs o contribuinte o presente Recurso Voluntário de fls. 25 (em 15/03/2004), através do qual sustenta, em síntese, que o argumento trazido em sua Manifestação de Inconformidade foi equivocado, e que em verdade “(...) os valores apropriados em Perd/Comp tem como sua origem o crédito de PIS nas entradas de Produtos e Serviços, como permite o contido no artigo 3º e parágrafos da MP 66/2002.” É o relatório. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl O recurso é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele se conhece. O argumento recursal fundamental é o de que a Recorrente tem direito a indébitos de PIS/COFINS por recolhimentos foram feitos a maior por conta de não aproveitamento dos créditos que teria direito em decorrência da legislação pertinente. Para tanto a Recorrente juntou as planilhas demonstrativas dos créditos não aproveitados em suas operações. A DRJ com base nas declarações da contribuinte (DACON, DIPJ e DCTF), entendeu não estarem comprovados os créditos requeridos, mantendo o mesmo suporte do despacho decisório. Despacho Decisório este, ressaltese, elaborado eletronicamente, isto é, a partir de um mero confronto de informações realizadas pelos sistemas de controle da Receita Federal do Brasil (Dacon x DCTF x Darf), do qual exsurgiu a informação de que valor algum havia sido recolhido a maior, e, portanto, crédito algum haveria de ser reconhecido. No caso em concreto, o Contribuinte administrado deve apresentar as provas do seu direito creditório. Tratase de postulado do Código de Processo Civil, subsidiariamente aplicável ao PAF, vejamos: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações. No processo administrativo fiscal, temse como regra que cabe àquele que pleiteia o direito, provar os fatos, prevalecendo o princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. Portanto, no caso em apreço, compete ao sujeito passivo. À ora Recorrente, a comprovação de que preenche os requisitos para fruição do ressarcimento. Ademais, do mesmo modo que o Decreto nº 70.235/1972 estabelece, em seu artigo 9°, a obrigatoriedade da autoridade fiscal traduzir por provas os fundamentos do lançamento, também atribui ao contribuinte, no inciso III do artigo 16, o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Em verdade, este dispositivo legal apenas transfere, para o processo administrativo fiscal, o sistema adotado pelo Código de Processo Civil, que, em seu artigo 333, ao repartir o ônus probandi, o faz inadmitindo a mera alegação e a negação geral. Assim, na hipótese de ressarcimento pleiteado, recai sobre a interessada o ônus de provar a pretensão deduzida. Logo, é imprescindível que as provas e argumentos sejam Fl. 53DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.901220/200851 Acórdão n.º 3801001.286 S3TE01 Fl. 41 5 carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, se revistam de toda força probante capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. Do exame desse litígio administrativo, verificase que a Recorrente não apresentou documentos suficientes para demonstrar o seu crédito, juntando mera planilha de valores que pretende compensar de que sorte o pedido de compensação nos moldes requeridos não deve prosperar. Consignese que o artigo 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional) estabelece como requisito para compensação que o crédito seja líquido e certo. No caso em discussão, o direito creditório não se apresentou líquido e certo, pois a requerente não comprovou por meio de demonstrativos, da escrituração fiscal, notas fiscais que alega estarem canceladas e dos lançamentos contábeis o valor de seu crédito. Nesse sentido voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. É como voto. Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 54DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10480.905171/2010-13
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-001.348
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator
EDITADO EM: 31/10/2012
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e José Fernandes do Nascimento. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Solon Sehn.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator EDITADO EM: 31/10/2012 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 51 71 /2 01 0- 13 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e José Fernandes do Nascimento. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Solon Sehn. Relatório Este processo decorre da não homologação de compensação pleiteada por meio de PER/DCOMP (retificadora), uma vez que, para a quitação do débito apontado pela suplicante, não foi confirmado o direito creditório por esta alegado, relativamente à COFINS de janeiro de 2003, no valor de R$ 506,36. Inconformada, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade onde alegou que o direito creditório estaria demonstrado na DACON retificadora do período e que, por limitação técnica da Receita Federal, não procedera à correspondente retificação da DCTF. Tais argumentos, todavia, não foram acolhidos pela 2a Turma da DRJ Recife, a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela interessada, fundamentada, basicamente, na não comprovação do direito creditório alegado (vide fls. 62/68). A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 05/03/2012 (fls. 71). Inconformada, a autuada apresentou, em 21/03/2012, o recurso voluntário de fls. 74/77, onde alega que a receita apontada como “outras receitas” na DIPJ do anocalendário de 2004, trata se exclusivamente de receita financeira, não tendo o contribuinte, no período, nada faturado a título de resultado de sua atividade de prestação de serviços. Ressalta, ainda, que a análise da ficha 06A da DIPJ (que alega anexar) seria suficiente para se chegar à conclusão de que nada recebera pela prestação de serviços (linha 08), portanto, o faturamento e a receita bruta do período corresponderiam a zero. Por sua vez, a receita financeira, indicada na linha 24 da DIPJ, não entraria na composição da Receita Bruta. Defende que a Lei no 11.941/09, ao revogar expressamente o § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/98, mudou o conceito anterior de receita bruta, deixando claro que esta corresponde ao faturamento. Assim, a receita financeira, mera compensação parcial do capital de giro no tempo, não poderia ser confundida com a “receita do faturamento”, a qual decorre principalmente das vendas e revendas de mercadorias e da prestação de serviços. Por todo o exposto, requer seja provido integralmente seu recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios O recurso há que ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para a sua aceitação. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10480.905171/201013 Acórdão n.º 3802001.348 S3TE02 Fl. 81 3 A discussão diz respeito à existência ou não de direito creditório decorrente de alegado pagamento indevido da COFINS de competência de janeiro de 2003 (regime cumulativo). É verdade que a Lei no 11.941, de 27/05/2009, em seu artigo 79, inciso XII, revogou expressamente o § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, que ampliara a base de cálculo do PIS e da COFINS. Este dispositivo, contudo, já fora declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, ao entender que o alargamento do conceito de faturamento prescrito pela norma em evidência estava maculado por vício formal de constitucionalidade. Com a declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, o STF entendeu que o PIS e a COFINS somente poderiam incidir sobre as receitas operacionais das empresas, ou seja, aquelas ligadas às suas atividades principais. O alcance desse entendimento, em relação à COFINS regida pelo regime da nãocumulatividade, prevaleceu até a edição da Medida Provisória no 135, de 20/10/2003, posteriormente convertida na Lei no 10.833, de 29/12/2003, que trouxe nova ampliação da base de cálculo da contribuição, agora, sem o vício da inconstitucionalidade, dada a edição da EC no 20, de 15/12/1998. A ampliação da base de cálculo para as empresas submetidas ao novo regime edificado pela norma em evidência – da nãocumulatividade – passou a viger a partir de 1o de fevereiro de 2004. Portanto, referida ampliação da base de cálculo da COFINS, nos termos acima observados, não alcança o período cujo direito creditório é reclamado pela empresa (janeiro de 2003). Consequentemente, considerando a natureza jurídica da reclamante – empresa de natureza comercial –, para o mês de janeiro de 2003, a exigência da contribuição sobre receitas outras além das originadas da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, em tese, não é legítima. Abstraindose dessa questão, temse, contudo, que a recorrente não comprova o crédito tributário reclamado. A título comprobatório do direito, esta alega anexar a ficha 06A da DIPJ, a qual, segundo defende, seria suficiente para demonstrar que a base de cálculo da contribuição teria sido composta unicamente por receitas financeiras não integrantes da citada base de cálculo. Tal documento, contudo, não foi acostado aos autos e, ainda que o fosse, o mesmo, por si só, não seria suficiente para demonstrar o alegado equívoco e o consequente direito creditório que a suplicante alega fazer jus. Com efeito, a interessada não juntou ao processo nenhuma documentação contábil ou fiscal capaz de confirmar o direito reclamado. Constam dos autos unicamente as DACON original e retificadora, bem como a ficha 26A da DIPJ do período, documentos que são insuficientes para a comprovação do direito. Para tanto, deveria a suplicante, por exemplo, ter apresentado o Livro Razão acompanhado do Livro Diário com os lançamentos que alicerçassem as correções aduzidas como legítimas. Não custa lembrar que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Assim, a certeza e a liquidez do direito creditório alegado deverá ser cabalmente demonstrada pela interessada na extinção do crédito tributário mediante Fl. 82DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 compensação. A não comprovação da certeza e da liquidez dos referidos créditos não poderia redundar na extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Da Conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. Sala de Sessões, em 23 de outubro de 2012. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 83DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A
score : 1.0
Numero do processo: 10875.901896/2011-71
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/2002 a 31/08/2002
REPERCUSSÃO GERAL. JUÍZO PRÉVIO DE ADMISSIBILIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. INAPLICABILIDADE DO ART. 62-A, § 1º, DO REGIMENTO INTERNO.
O exame do sobrestamento pressupõe o prévio juízo de admissibilidade do recurso. Do contrário, até mesmo recursos intempestivos deveriam ficar sobrestados aguardando a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. O § 1º do art. 62-A, ademais, deve ser interpretado à luz do princípio da lealdade e boa-fé, de modo a evitar que a alegação de matéria sob repercussão geral se converta em causa de protelação do exame do mérito de recursos manifestamente incabíveis.
PER/DCOMP. NÃO IDENTIFICAÇÃO DO CRÉDITO COMPENSADO. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA COMPENSAÇÃO.
A declaração do sujeito passivo - denominada PER/Dcomp - veicula a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Sem a identificação do crédito e dos débitos compensados, não se aperfeiçoa o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3802-001.399
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
EDITADO EM: 02/01/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Jose´ Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente momentaneamente o Conselheiro , Bruno Maurício Macedo Curi.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/2002 a 31/08/2002 REPERCUSSÃO GERAL. JUÍZO PRÉVIO DE ADMISSIBILIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. INAPLICABILIDADE DO ART. 62-A, § 1º, DO REGIMENTO INTERNO. O exame do sobrestamento pressupõe o prévio juízo de admissibilidade do recurso. Do contrário, até mesmo recursos intempestivos deveriam ficar sobrestados aguardando a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. O § 1º do art. 62-A, ademais, deve ser interpretado à luz do princípio da lealdade e boa-fé, de modo a evitar que a alegação de matéria sob repercussão geral se converta em causa de protelação do exame do mérito de recursos manifestamente incabíveis. PER/DCOMP. NÃO IDENTIFICAÇÃO DO CRÉDITO COMPENSADO. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA COMPENSAÇÃO. A declaração do sujeito passivo - denominada PER/Dcomp - veicula a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Sem a identificação do crédito e dos débitos compensados, não se aperfeiçoa o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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JUÍZO PRÉVIO DE ADMISSIBILIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. INAPLICABILIDADE DO ART. 62A, § 1º, DO REGIMENTO INTERNO. O exame do sobrestamento pressupõe o prévio juízo de admissibilidade do recurso. Do contrário, até mesmo recursos intempestivos deveriam ficar sobrestados aguardando a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. O § 1º do art. 62A, ademais, deve ser interpretado à luz do princípio da lealdade e boafé, de modo a evitar que a alegação de matéria sob repercussão geral se converta em causa de protelação do exame do mérito de recursos manifestamente incabíveis. PER/DCOMP. NÃO IDENTIFICAÇÃO DO CRÉDITO COMPENSADO. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA COMPENSAÇÃO. A declaração do sujeito passivo denominada PER/Dcomp veicula a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Sem a identificação do crédito e dos débitos compensados, não se aperfeiçoa o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 18 96 /2 01 1- 71 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 REGIS XAVIER HOLANDA Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. EDITADO EM: 02/01/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente momentaneamente o Conselheiro , Bruno Maurício Macedo Curi. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita (fls. 54): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2002 a 31/08/2002 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CERTEZA. LIQUIDEZ.COMPROVAÇÃO. A compensação de indébito fiscal com créditos tributários vencidos e/ou vincendos, está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. Somente podem ser objeto de compensação créditos líquidos e certos, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte, sob pena de não ter seu crédito reconhecido. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. É válida a ciência do lançamento de ofício quando entregue, pelos Correios, no domicílio eleito pela contribuinte. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. ARGÜIÇÃO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Permanecerá suspensa a exigibilidade dos débitos declarados em DCOMP enquanto estiver presente qualquer das hipóteses previstas no artigo 151 do Código Tributário Nacional – CTN. O Recorrente, nas razões recursais de fls. 7288, alega ter formalizado o pedido de compensação com fundamento na inconstitucionalidade da inclusão do Icms da base Fl. 91DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10875.901896/201171 Acórdão n.º 3802001.399 S3TE02 Fl. 91 3 de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins. Aduz que a certeza do direito à compensação advém do art. 195 da Constituição e que recolheu os Darfs sem subtrair as parcelas do Icms. É o Relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn A ciência da decisão se deu no dia 23/02/2012 (fls. 68) e o protocolo do recurso, em 14/03/2012 (fls. 70/71). Tratase, portanto, de recurso tempestivo que pode ser conhecido, uma vez que versa sobre matéria da competência da Terceira Seção e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto no 70.235/1972. Embora o sujeito passivo alegue que o direito creditório seria decorrente da inconstitucionalidade da inclusão do Icms na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins – matéria que, como se sabe, teve repercussão geral reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no âmbito do Recurso Extraordinário (RE) nº 574.706/PR1 entendese que não cabe o sobrestamento do feito mediante aplicação do art. 62A, § 1º, do Regimento Interno2. O exame do sobrestamento pressupõe o prévio juízo de admissibilidade do recurso. Do contrário, até mesmo recursos intempestivos deveriam ficar sobrestados aguardando a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. O § 1º do art. 62A, ademais, deve ser interpretado à luz do princípio da lealdade e boafé, de modo a evitar que a alegação de matéria sob repercussão geral se converta em causa de protelação do exame do mérito de recursos manifestamente incabíveis. Ademais, no caso dos autos, notase que a inconstitucionalidade da inclusão do Icms na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins sequer foi ventilada na manifestação de inconformidade. Portanto, tal alegação não pode ser conhecida, consoante reconhece a remansosa jurisprudência do Carf: [...] PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. CONHECIMENTO NA FASE RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. Em conformidade com o princípio da preclusão processual, se o sujeito passivo não contestou a matéria, no todo ou em parte, perante a autoridade julgadora de primeiro grau, não poderá mais fazêlo perante a instância superior, sob pena de inovação do feito e supressão de instância. (Acórdão 3802000.585. 3a S. 2a C. 2a TE. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. de 05/07/2011). 1 “Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785.” (DJe088, de 16/05/2008). 2 ""Art. 62A. [...] Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B." Fl. 92DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO TEMPORAL. Questão não provocada a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, e somente demandada em grau de recurso, constitui matéria preclusa. Recurso Voluntário Negado.” (Acórdão 310100.409. 3a. S. 1a C. 1a TO. Rel. Conselheiro Tarásio Campelo Borges. S. de 29/04/2010). [...] NORMAS PROCESSUAIS. MATÉRIA NÃO ABORDADA NA INSTÂNCIA ANTERIOR. PRECLUSÃO. EXCLUSÕES DE BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. Considerase preclusa matéria que não foi objeto de impugnação e que, por conseguinte, não foi objeto da decisão recorrida.” (Acórdão 340100.169. 3a S. 4a C. 1a TO. Rel. Conselheiro Odassi Guerzoni Filho. S. de 13/08/2009). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO E RECURSO VOLUNTÁRO. PRECLUSÃO. ART. 17 DO DECRETO 70.235/72. O recurso voluntário é cabível contra a decisão de primeira instância, de modo que o âmbito válido de sua fundamentação naturalmente se circunscreve aos temas tratados no julgamento que pretende reformar. O recurso voluntário não pode inovar, veiculando novos argumentos de defesa que não foram apresentados na impugnação nem debatidos em primeira instância. Exceção feita apenas quanto a temas reconhecidamente de ordem pública, como é o caso da decadência e da prescrição.” (Acórdão 340300.385. 3a S. 4a C. 3a TO. Rel. Conselheiro Ivan Allegretti. S. de 25/05/2010). Assim, se a matéria sob repercussão geral não pode ser conhecida, por não ter sido ventilada na instância a quo, é igualmente descabido o sobrestamento do feito, inclusive porque, a rigor, no presente caso concreto a não homologação ocorreu devido à utilização do Darf para a quitação de outros débitos declarados pelo contribuinte (fls. 63). Tal situação se deu porque o Recorrente, ao apresentar a PER/Dcomp, deixou de retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), o que fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação (fls. 42). Em circunstâncias dessa natureza, a Turma tem admitido a homologação da compensação, desde que retificada a Dctf e, principalmente, demonstrada a existência do direito creditório. Nesse sentido, cumpre destacar o julgado a seguir, de nossa relatoria: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/05/2005 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10875.901896/201171 Acórdão n.º 3802001.399 S3TE02 Fl. 92 5 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido. Direito Creditório Reconhecido. (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.007. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 22/05/2012) O Recorrente, além de não apresentar qualquer prova do direito creditório, sequer retificou a Dctf, razão pela qual não cabe a compensação. O sujeito passivo, na verdade, se limitou a afirmar que não tem como esclarecer a origem do crédito apurado e compensado (fls. 74). O Recurso, destarte, além de inovar indevidamente na suposta origem do direito creditório, mostrase manifestamente improcedente. Afinal, devese ter presente que a Lei nº 10.637/2002, ao alterar o art. 74 da Lei nº 9.430/1996, promoveu a unificação do regime de compensação, extinguindo as compensações realizadas na Dctf, na escrituração contábil e a condicionada ao deferimento de pedido administrativo. Todas essas modalidades foram substituídas pela autocompensação, que ressaltadas as contribuições para a seguridade social compensadas na Gfip (Guia de Recolhimento do Fgts e Informações à Previdência Social) é aplicável aos tributos administrados pela Receita Federal. No regime da autocompensação, como se sabe, a extinção do crédito tributário ocorre por iniciativa do sujeito passivo, mediante entrega de declaração contendo informações relativas aos créditos e débitos compensados, que, por sua vez, fica sujeita à posterior homologação pela autoridade competente no prazo de até cinco anos: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002). § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 94DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) A declaração do sujeito passivo denominada PER/Dcomp revestese de especial importância no mundo jurídico, porquanto representa a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Tratase, consoante destaca Paulo de Barros Carvalho, do veículo introdutor da norma individual e concreta que positiva o fato jurídico extintivo: “O fato extintivo da compensação será positivado por norma individual e concreta que promova o encontro das relações, extinguindoas no quantum em que se equivalerem. Os sujeitos habilitados a expedir a norma individual e concreta da compensação, formalizando o mencionado ‘encontro de contas’, são a autoridade administrativa e a autoridade judiciária. Há hipóteses em que a lei autoriza ao próprio particular a efetivação da compensação tributária. Esta, todavia, somente é utilizada quando o ato do particular for homologado pela Administração, de maneira tácita ou expressa. Dito de outro modo, o aplicarse da norma de compensação gera a extinção do crédito tributário e do débito do Fisco. Mas, para que esta se concretize, necessário o relato em linguagem competente não apenas das relações que se pretende compensar, mas também do fato da compensação. Apenas se descrito no antecedente de norma individual e concreta irradiará os efeitos previstos no consequente normativo, operandose extinção dos vínculos obrigacionais.” (CARVALHO, Paulo de Barros. Direito tributário, linguagem e método. 2. ed. São Paulo: Noeses, 2008, p. 480481). Em razão disso, para produzir os seus efeitos jurídicos próprios, a PER/Dcomp pressupõe a correta identificação do crédito e dos respectivos débitos compensados. Do contrário, não há como se aperfeiçoar juridicamente o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais. No presente feito, diante da não identificação da origem do crédito compensado, não há como se proceder à homologação da compensação, devido ao não aperfeiçoamento jurídico do encontro de contas pretendido pelo Recorrente. Votase, portanto, pelo conhecimento do recurso e pelo desprovimento, com a consequente manutenção do acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 95DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10875.901896/201171 Acórdão n.º 3802001.399 S3TE02 Fl. 93 7 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 29/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 10283.900421/2009-11
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2005
COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. ERRO DE PREENCHIMENTO. COMPROVAÇÃO.
Descabe considerar-se, como suposta alteração da origem do crédito pleiteado, o comprovado erro no preenchimento de Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp).
Numero da decisão: 1803-001.550
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que o direito creditório pleiteado seja apreciado, pela DRF de origem, como saldo negativo de CSLL, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Selene Ferreira de Moraes - Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman e Sérgio Rodrigues Mendes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Viviani Aparecida Bacchmi.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2005 COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. ERRO DE PREENCHIMENTO. COMPROVAÇÃO. Descabe considerarse, como suposta alteração da origem do crédito pleiteado, o comprovado erro no preenchimento de Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 04 21 /2 00 9- 11 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/11/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10283.900421/200911 Acórdão n.º 1803001.550 S1TE03 Fl. 92 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que o direito creditório pleiteado seja apreciado, pela DRF de origem, como saldo negativo de CSLL, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman e Sérgio Rodrigues Mendes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Viviani Aparecida Bacchmi. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/11/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10283.900421/200911 Acórdão n.º 1803001.550 S1TE03 Fl. 93 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 39verso): Trata o presente processo de PER/DCOMP transmitido em 31.10.2005, através do qual foi pedida restituição de CSLL (PA julho/2004 lucro real estimativa mensal) no valor original de R$ 246.682,84 e efetivada a compensação de débitos da interessada acima identificada com esse crédito (fl. 05). A Delegacia de origem, mediante despacho decisório eletrônico (fl. 06), asseverou que “a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP (...) foram localizados um ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Assim, não homologou a compensação declarada. Cientificada em 05.03.2009 (fl. 10) a interessada apresentou, tempestivamente, em 03.04.2009, manifestação de inconformidade (fls. 11/14), na qual [alega] em síntese que: a) ocorreu erro formal na elaboração do PER/DCOMP, no que se refere ao tipo de crédito, sendo sua intenção compensar o saldo negativo de IRPJ (sic); b) “(...) o erro quanto à indicação do tipo de crédito não deve ensejar o desacordo com os pedidos do contribuinte, merecendo, sim, a sua homologação.” c) Ao final, requer a homologação de seu PERD/COMP, bem assim a improcedência ou cancelamento do Despacho Decisório em questão. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 39): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004 COMPENSAÇÃO. Incabível compensar débitos informados em declaração de compensação com valores referentes a créditos diversos daquele indicado no documento, os quais simplesmente não integram o seu conteúdo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 3. Cientificada da referida decisão em 14/02/2011 (fls. 41), a tempo, em 09/03/2011, apresenta a interessada Recurso de fls. 42 a 58, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos. Em mesa para julgamento. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/11/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10283.900421/200911 Acórdão n.º 1803001.550 S1TE03 Fl. 94 4 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. A decisão recorrida, de fls. 39 a 40, não homologou a compensação declarada mediante Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), ao argumento de que (destaque do original): “não pode ser acolhida a pretensão da contribuinte no sentido de fazer compensar débito informado em seu PER/Dcomp com valores referentes a créditos diversos daquele indicado, os quais simplesmente não integram o seu conteúdo” (fls. 40). 5. Sucede que descabe considerarse, como suposta alteração da origem do crédito pleiteado, o comprovado erro no preenchimento de Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp). 6. No presente caso, admite a própria Recorrente que deveria ter indicado o pagamento de estimativa mensal na dedução da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), devida ao final do período de apuração, compondo o saldo negativo correspondente. 7. Assim, aquele pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório na correspondente Per/DComp, compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante, em conjunto com outras Per/DComp que porventura tenham a mesma origem de crédito. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para que o direito creditório pleiteado seja apreciado, pela DRF de origem, como saldo negativo de CSLL. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 94DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/11/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10283.900421/200911 Acórdão n.º 1803001.550 S1TE03 Fl. 95 5 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/11/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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