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Numero do processo: 11853.000151/2008-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/1999 a 28/02/2003
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL.
CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN.
Encontra-se atingida pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS PATRONAIS. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ATO CANCELATÓRIO DE ISENÇÃO.
Perde o direito à isenção a Entidade Beneficente de Assistência Social que tenha o seu benefício fiscal cancelado mediante Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais, desde a data prevista expressamente no Ato Cancelatório, ficando tal entidade, desde então, sujeita ao recolhimento integral das contribuições previdenciárias previstas nos artigos 22 e 23 da Lei nº 8.212/91.
ADICIONAL DE SAT. APOSENTADORIA ESPECIAL.
O benefício da aposentadoria especial será financiado com os recursos provenientes da contribuição de que trata o inciso II do art. 22 da Lei no 8.212/91, cujas alíquotas serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, conforme a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente.
LANÇAMENTO. INVESTIGAÇÃO DE DOLO/CULPA DO SUJEITO PASSIVO. DESNECESSIDADE.
É juridicamente irrelevante para caracterizar a legalidade, legitimidade e procedência do lançamento, o exame do elemento subjetivo da conduta do Sujeito Passivo que desaguou no descumprimento das obrigações previdenciárias que deram ensejo a lavratura da notificação fiscal correspondente.
NFLD. MULTA DE MORA COM EFEITO DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA.
Não constitui confisco a imputação de penalidade pecuniária em razão de não
cumprimento tempestivo de obrigação de natureza tributária.
Foge à competência deste colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2302-001.266
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF,
por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, reconhecendo a fluência do prazo decadencial nos termos do art.
173, inciso I do CTN. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Wilson Antonio de Souza Correa que entenderam aplicar-se o art. 150, paragrafo 4º do CTN para todo o período. Para o período não decadente não houve divergência, acompanhando-se o
provimento parcial conferido pelo Relator.
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN. Encontrase atingida pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS PATRONAIS. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ATO CANCELATÓRIO DE ISENÇÃO. Perde o direito à isenção a Entidade Beneficente de Assistência Social que tenha o seu benefício fiscal cancelado mediante Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais, desde a data prevista expressamente no Ato Cancelatório, ficando tal entidade, desde então, sujeita ao recolhimento integral das contribuições previdenciárias previstas nos artigos 22 e 23 da Lei nº 8.212/91. ADICIONAL DE SAT. APOSENTADORIA ESPECIAL. O benefício da aposentadoria especial será financiado com os recursos provenientes da contribuição de que trata o inciso II do art. 22 da Lei no 8.212/91, cujas alíquotas serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, conforme a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 LANÇAMENTO. INVESTIGAÇÃO DE DOLO/CULPA DO SUJEITO PASSIVO. DESNECESSIDADE. É juridicamente irrelevante para caracterizar a legalidade, legitimidade e procedência do lançamento, o exame do elemento subjetivo da conduta do Sujeito Passivo que desaguou no descumprimento das obrigações previdenciárias que deram ensejo a lavratura da notificação fiscal correspondente. NFLD. MULTA DE MORA COM EFEITO DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA. Não constitui confisco a imputação de penalidade pecuniária em razão de não cumprimento tempestivo de obrigação de natureza tributária. Foge à competência deste colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, reconhecendo a fluência do prazo decadencial nos termos do art. 173, inciso I do CTN. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Wilson Antonio de Souza Correa que entenderam aplicarse o art. 150, paragrafo 4º do CTN para todo o período. Para o período não decadente não houve divergência, acompanhandose o provimento parcial conferido pelo Relator. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Wilson Antonio de Souza Correa e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração: 01/04/1999 a 28/02/2003 Data da lavratura da NFLD: 10/11/2005. Data da Ciência do NFLD : 14/11/2005. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11853.000151/200817 Acórdão n.º 230201.266 S2‐C3T2 Fl. 444 3 Tratase de crédito tributário lançado em desfavor da empresa em epígrafe, consistente em contribuições previdenciárias destinadas ao financiamento do benefício da aposentadoria especial previsto no caput do artigo 57 da Lei 8.213/91, na redação dada pela Lei 9.528/97, incidentes sobre a remuneração dos segurados sujeitos a condições especiais que prejudicam a saúde ou a integridade física e ensejam a concessão de aposentadoria especial, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 255/262 e anexos a fls. 263/301. Relata a autoridade lançadora que o contribuinte em tela perdeu o direito ao beneficio da isenção da quota patronal da contribuição previdenciária disposto no artigo 55 da Lei 8212/91, a contar de 1º de janeiro de 1995, conforme Ato Cancelatório de Isenção a fl. 247. Informa o auditor fiscal notificante que o presente lançamento referese ao adicional de contribuição patronal destinada ao custeio do benefício da aposentadoria especial prevista no art. 57 da Lei nº 8.213/91, calculado mediante a incidência das alíquotas estabelecidas no §6° do mesmo dispositivo legal ora mencionado, exclusivamente sobre a remuneração dos segurados sujeitos às condições especiais prejudiciais à saúde ou à integridade física, conforme declarado pelo Recorrente no campo OCORRÊNCIA das GFIP relativas ao período de apuração. Os segurados, as remunerações e o correspondente enquadramento de exposição a agentes nocivos informados pelo Recorrente nas GFIP/SEFIP encontramse especificados no relatório intitulado "SEGURADOS COM OCORRÊNCIA NA GFIP DE EXPOSIÇÃO A AGENTES NOCIVOS / RISCOS AMBIENTAIS APOSENTADORIA ESPECIAL", a fl. 263/301. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 306/315. A Seção de Contencioso Administrativo da Delegacia da Receita Previdenciária no Distrito Federal baixou o feito em diligência, para que fosse verificada a real existência de agentes nocivos que conferissem aos segurados relacionados na presente NFLD o direito à aposentadoria especial, conforme Despacho a fl. 320. Em face da impossibilidade de verificar o meio ambiente que motivou o registro de ocorrência de exposição a agentes nocivos nas informações prestadas à Previdência Social por meio de GFIP/SEFIP, porque os fatos em questão ocorreram entre as competências janeiro/1999 a julho/2001, a fiscalização intimou a empresa a apresentar documentos comprobatórios dos argumentos oferecidos em sua Defesa Administrativa contra o referido débito, sendo concedido, inicialmente, o prazo de 10 dias, o qual foi postergado, a pedido, com o objetivo de privilegiar a comprovação das afirmações formuladas na impugnação. Esgotados todos os prazos possíveis, o contribuinte não apresentou nenhuma prova ou justificativa para provar as afirmações oferecidas na sua defesa administrativa. A empresa foi, mais uma vez, intimada a apresentar provas ou justificativas das alegações oferecidas em sua defesa administrativa, conforme Carta SRP/DRP/DF nº 17/2007, a fl. 405, recebida pela empresa em 25/01/2005. Fl. 447DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 O Recorrente deixou transcorrer in albis o prazo que lhe fora assinalado, sem se manifestar a respeito do objeto da intimação suso mencionada. A Delegacia da Receita Previdenciária no Distrito Federal lavrou Decisão Notificação a fls. 408/417 julgando procedente a Notificação Fiscal em apreço e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 20/03/2007, conforme Aviso de Recebimento a fl. 438. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 421/436, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes elementos: • Que o lançamento é nulo em razão da perda da validade dos atos praticados sob a égide da Medida Provisória 258/2005, em face do Ato Declaratório do Presidente da Mesa do Congresso Nacional n° 40/05, que declarou a perda da sua vigência; • Que a notificação é indevida em razão de, por convenção coletiva, estar obrigado a “recolher os valores como os professores exercem atividade insalubre em função do pó de giz"; (sic) • Que a multa tem natureza confiscatória. Aduz que a multa aplicada não tem cabimento, vez que inexistiu dolo por parte da empresa; Ao fim, requer a anulação ou a declaração de insubsistência do lançamento. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 20/03/2007. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 19 de abril do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. Fl. 448DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11853.000151/200817 Acórdão n.º 230201.266 S2‐C3T2 Fl. 445 5 2. DAS QUESTÕES PRELIMINARES AO MÉRITO 2.1. DA DECADÊNCIA Malgrado não haja sido suscitada pelo Recorrente, a condição intrínseca de matéria de ordem pública nos autoriza a examinar, ex officio, a questão relativa à fluência do prazo decadencial do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário objeto do vertente processo. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, em julgamento realizado em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n º 8.212/91, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme estatuído no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála de imediato. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei n º 8.212, urgem serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência. O instituto da decadência no Direito Tributário, malgrado respeitadas posições em sentido diverso, encontrase regulamentado no art. 173 do Código Tributário Nacional CTN, que reza ipsis litteris: Código Tributário Nacional CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 449DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. A análise da subsunção do fato in concreto à norma de regência revela que, ao caso sub examine, operase a incidência das disposições inscritas no inciso I do transcrito art. 173 do CTN. Nessa condição, tendo sido o lançamento realizado em 10 de novembro de 2005, este apenas alcançaria os fatos geradores ocorridos a partir da competência dezembro/1999, inclusive, excluído os fatos geradores relativos ao 13º salário desse mesmo ano. Pelo exposto, encontramse atingidas pela fluência do prazo decadencial todas as obrigações tributárias relativas aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro de 1999, caducando, por conseguinte, o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário a elas correspondente. 2.2. DA NULIDADE DO LANÇAMENTO Alega o Recorrente ser o vertente lançamento nulo em razão da perda da validade dos atos praticados sob a égide da Medida Provisória 258/2005, em face do Ato Declaratório do Presidente da Mesa do Congresso Nacional n° 40/05, que declarou a perda da sua vigência. Razão não lhe assiste. Com efeito, a Medida Provisória nº 258, de 21 de julho de 2005, outorgou à Secretaria da Receita Federal do Brasil a competência para arrecadar, fiscalizar, administrar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição, a ser exercida, privativamente, através dos auditores fiscais da Receita Federal do Brasil, cargo este constituído pela transformação dos cargos efetivos de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, da Carreira referida no art. 8o, os cargos efetivos, ocupados e vagos, de AuditorFiscal da Receita Federal, da Carreira Auditoria da Receita Federal, e de AuditorFiscal da Previdência Social, da Carreira AuditoriaFiscal da Previdência Social, de que tratam o parágrafo único do art. 5º e o art. 7º da Lei nº 10.593/2002, respectivamente. Medida Provisória nº 258, de 21 de julho de 2005 Art. 8o Fica criada a Carreira de Auditoria da Receita Federal do Brasil, composta pelos cargos de nível superior de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil e de Técnico da Receita Federal do Brasil. (...) Fl. 450DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11853.000151/200817 Acórdão n.º 230201.266 S2‐C3T2 Fl. 446 7 Art. 10. São atribuições dos ocupantes do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da Receita Federal do Brasil, relativamente aos tributos e às contribuições por ela administrados: I em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário dos tributos e contribuições; b) elaborar e proferir decisões em processo administrativo fiscal, ou delas participar, bem como em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais; c) executar procedimentos de fiscalização, inclusive os relativos ao controle aduaneiro, para verificar o cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo, praticando todos os atos definidos na legislação específica, inclusive os relativos à apreensão e guarda de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; d) examinar a contabilidade de sociedades empresarias, empresários, órgãos, entidades, fundos e de contribuintes em geral, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190 a 1.192 e observado o disposto no art. 1.193, todos do Código Civil; e) auditar a rede arrecadadora quanto ao recebimento e repasse dos tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil; e f) supervisionar as atividades de orientação ao contribuinte; II em caráter geral, as demais atividades inerentes à competência da Receita Federal do Brasil. §1o O Poder Executivo poderá, dentre as atividades de que trata o inciso II, cometer seu exercício, em caráter privativo, ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil. §2o Incumbe ao Técnico da Receita Federal do Brasil auxiliar o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil no exercício de suas atribuições. §3o O Poder Executivo, observado o disposto neste artigo, disporá sobre as atribuições dos cargos de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil e de Técnico da Receita Federal do Brasil. Art. 12. Ficam transformados: I em cargos de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, da Carreira referida no art. 8º, os cargos efetivos, ocupados e vagos, de AuditorFiscal da Receita Federal, da Carreira Auditoria da Receita Federal, e de AuditorFiscal da Previdência Social, da Carreira AuditoriaFiscal da Previdência Social, de que tratam o parágrafo único do art. 5o e o art. 7o da Lei nº 10.593, de 2002, respectivamente; e II em cargos de Técnico da Receita Federal do Brasil, da Carreira referida no Fl. 451DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 art. 8o, os cargos efetivos, ocupados e vagos, de Técnico da Receita Federal, da Carreira Auditoria da Receita Federal, de que trata o parágrafo único do art. 5o da Lei no 10.593, de 2002. (...) No caso presente, o lançamento foi formalizado aos dez dias do mês de novembro de 2005, por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência legal que lhe fora outorgada pela aludida MP nº 258/2005, que teve seu prazo de vigência encerrado em 18 de novembro de 2005, não havendo que se falar, na ocasião, em vício de competência. Com efeito, demonstrou conhecimento jurídico o Recorrente ao lembrar que o Ato Declaratório do Presidente da Mesa do Congresso Nacional nº 40, publicado no D.O.U. de 21 de novembro de 2005, reconheceu que o prazo de vigência da citada MP nº 258/2005 houvese por encerrado no dia 18 do mesmo mês e ano. Tal conhecimento jurídico aflorou, igualmente, ao se remontar que o §3º do art. 62 da CF/88 dispõe de forma clara que as Medidas Provisórias não convertidas em lei perderiam a sua eficácia, desde a sua edição. Tal conhecimento jurídico, no entanto, revelouse apenas parcial, jogando por terra todo o fundamento argumentativo tão veementemente empreendido pelo Recorrente em seu instrumento de repúdio ao presente lançamento. Isso porque o próprio §3º do art. 62 da CF/88, tão prontamente invocado pelo Notificado em seu Recurso Voluntário, dispõe, expressamente, sobre a competência do Congresso Nacional para disciplinar, mediante Decreto Legislativo, as relações jurídicas decorrentes das Medidas Provisórias que tiveram sua eficácia fulminada pelo decurso do prazo de sessenta dias (e não 30 dias como defende a empresa) contados de sua edição. Nessa perspectiva, ressalva a própria Constituição Federal que, não sendo editado o referido decreto legislativo no prazo improrrogável de sessenta dias contados da perda de eficácia de medida provisória, as relações jurídicas constituídas e decorrentes de atos praticados durante sua vigência conservarseão por ela regidas. Constituição Federal de 1988 Art. 62. Em caso de relevância e urgência, o Presidente da República poderá adotar medidas provisórias, com força de lei, devendo submetê las de imediato ao Congresso Nacional. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001) (...) §3º As medidas provisórias, ressalvado o disposto nos §§ 11 e 12, perderão eficácia, desde a edição, se não forem convertidas em lei no prazo de sessenta dias, prorrogável, nos termos do §7º, uma vez por igual período, devendo o Congresso Nacional disciplinar, por decreto legislativo, as relações jurídicas delas decorrentes. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001) (grifos nossos) §11. Não editado o decreto legislativo a que se refere o §3º até sessenta dias após a rejeição ou perda de eficácia de medida provisória, as relações jurídicas constituídas e decorrentes de atos praticados durante sua vigência conservarseão por ela regidas. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001) Fl. 452DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11853.000151/200817 Acórdão n.º 230201.266 S2‐C3T2 Fl. 447 9 E foi exatamente o que se sucedeu no caso sub examine. A não produção, pelo Congresso Nacional, no prazo constitucional, do Decreto Legislativo acima mencionado, implicou a perda da eficácia da MP nº 258/2005 com efeitos ex nunc, e não ex tunc como assim entende a empresa, de molde que as relações jurídicas decorrentes dos atos praticados sob a égide da aludida Medida Provisória conservamse, ainda, por ela regidas. Diante de tal quadro fático/jurídico, não havendo as relações jurídicas emergidas na regência da MP nº 258/2005 sofrido qualquer efeito de eficácia decorrente da extirpação do citado Diploma do mundo jurídico, urgese observar os mandamentos encartados no art. 144 do CTN, in verbis: Código Tributário Nacional CTN Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. §1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Nessa esteira, os atos praticados na vigência da Medida Provisória continuam válidos e eficazes, a teor do §11 da art. 62 da Constituição da República, inexistindo qualquer vício de legalidade, tampouco de competência, no lançamento sobre o qual ora nos debruçamos. Vencidas as preliminares, passamos à análise do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre, de plano, assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente contestadas pelo Recorrente, as quais presumirseão verdadeiras. 3.1. DOS FATOS GERADORES. Fl. 453DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 Alega o Recorrente que a notificação é indevida em razão de, por convenção coletiva, estar obrigado a “recolher os valores como os professores exercem atividade insalubre em função do pó de giz". (sic) Tal obrigação particular, firmada em Convenção Coletiva, não é excludente nem afasta a obrigação tributária principal expressamente criada por lei formal editada nas conchas opostas do Congresso Nacional. No capítulo reservado à seguridade social, nossa Lei Soberana estatui que tal direito social seria financiado por toda a sociedade, mediante recursos provenientes, dentre outras fontes, das contribuições sociais a cargo do empregador, da empresa e das entidades a elas equiparadas, incidentes sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. Estabeleceu ainda que nenhum benefício ou serviço da seguridade social poderia ser criado, majorado ou estendido sem a correspondente fonte de custeio total e conferiu à lei a competência para instituir outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social. Na seção dedicada à Previdência Social, a Carta Constitucional preordenou como direito social previdenciário a cobertura dos eventos de doença, invalidez, morte e idade avançada, assim como a aposentadoria especial para os casos de atividades exercidas sob condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física do trabalhador, dentre outros benefícios. Constituição Federal de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) §4º A lei poderá instituir outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social, obedecido o disposto no art. 154, I. Fl. 454DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11853.000151/200817 Acórdão n.º 230201.266 S2‐C3T2 Fl. 448 11 §5º Nenhum benefício ou serviço da seguridade social poderá ser criado, majorado ou estendido sem a correspondente fonte de custeio total. Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) I cobertura dos eventos de doença, invalidez, morte e idade avançada; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) § 1º É vedada a adoção de requisitos e critérios diferenciados para a concessão de aposentadoria aos beneficiários do regime geral de previdência social, ressalvados os casos de atividades exercidas sob condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física e quando se tratar de segurados portadores de deficiência, nos termos definidos em lei complementar. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 47, de 2005) (...) A matéria em relevo foi confiada à Lei nº 8.213/91, que instituiu o Plano de Benefícios da Previdência Social, reservando aos seus artigos 57 e 58 a disciplina legal do benefício da aposentadoria especial em favor do segurado que houver trabalhado sujeito a condições especiais que prejudiquem a sua saúde ou a sua integridade física, e, em ádito, a sua fonte de custeio, verbis: Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991 Art. 57. A aposentadoria especial será devida, uma vez cumprida a carência exigida nesta Lei, ao segurado que tiver trabalhado sujeito a condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física, durante 15 (quinze), 20 (vinte) ou 25 (vinte e cinco) anos, conforme dispuser a lei. (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995) §1º A aposentadoria especial, observado o disposto no art. 33 desta Lei, consistirá numa renda mensal equivalente a 100% (cem por cento) do salário de benefício. (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995) §2º A data de início do benefício será fixada da mesma forma que a da aposentadoria por idade, conforme o disposto no art. 49. §3º A concessão da aposentadoria especial dependerá de comprovação pelo segurado, perante o Instituto Nacional do Seguro Social–INSS, do tempo de trabalho permanente, não ocasional nem intermitente, em condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física, durante o período mínimo fixado. (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995) Fl. 455DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 §4º O segurado deverá comprovar, além do tempo de trabalho, exposição aos agentes nocivos químicos, físicos, biológicos ou associação de agentes prejudiciais à saúde ou à integridade física, pelo período equivalente ao exigido para a concessão do benefício. (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995) §5º O tempo de trabalho exercido sob condições especiais que sejam ou venham a ser consideradas prejudiciais à saúde ou à integridade física será somado, após a respectiva conversão ao tempo de trabalho exercido em atividade comum, segundo critérios estabelecidos pelo Ministério da Previdência e Assistência Social, para efeito de concessão de qualquer benefício. (Incluído pela Lei nº 9.032, de 1995) §6º O benefício previsto neste artigo será financiado com os recursos provenientes da contribuição de que trata o inciso II do art. 22 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, cujas alíquotas serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, conforme a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11.12.98) (grifos nossos) §7º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais referidas no caput. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.98) (grifos nossos) §8º Aplicase o disposto no art. 46 ao segurado aposentado nos termos deste artigo que continuar no exercício de atividade ou operação que o sujeite aos agentes nocivos constantes da relação referida no art. 58 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.98) Art. 58. A relação dos agentes nocivos químicos, físicos e biológicos ou associação de agentes prejudiciais à saúde ou à integridade física considerados para fins de concessão da aposentadoria especial de que trata o artigo anterior será definida pelo Poder Executivo. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) §1º A comprovação da efetiva exposição do segurado aos agentes nocivos será feita mediante formulário, na forma estabelecida pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS, emitido pela empresa ou seu preposto, com base em laudo técnico de condições ambientais do trabalho expedido por médico do trabalho ou engenheiro de segurança do trabalho nos termos da legislação trabalhista. (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11.12.98) §2º Do laudo técnico referido no parágrafo anterior deverão constar informação sobre a existência de tecnologia de proteção coletiva ou individual que diminua a intensidade do agente agressivo a limites de tolerância e recomendação sobre a sua adoção pelo estabelecimento respectivo. (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11.12.98) §3º A empresa que não mantiver laudo técnico atualizado com referência aos agentes nocivos existentes no ambiente de trabalho de seus trabalhadores ou que emitir documento de comprovação de efetiva exposição em desacordo com o Fl. 456DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11853.000151/200817 Acórdão n.º 230201.266 S2‐C3T2 Fl. 449 13 respectivo laudo estará sujeita à penalidade prevista no art. 133 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 9.528, de 1997) §4º A empresa deverá elaborar e manter atualizado perfil profissiográfico abrangendo as atividades desenvolvidas pelo trabalhador e fornecer a este, quando da rescisão do contrato de trabalho, cópia autêntica desse documento.(Incluído pela Lei nº 9.528, de 1997) Com efeito, a estrutura normativa dos tributos em geral aponta no sentido de que a sua base de cálculo, em princípio, deve ser apurada com base em documentos a serem elaborados sob a responsabilidade do Sujeito Passivo que registrem, de forma precisa, os fatos geradores de contribuições previdenciárias, bem como os montantes pecuniários correspondentes a cada hipótese de incidência prevista nas leis de regência correspondentes. Excepcionalmente, nas ocasiões em que o conhecimento fiel dos montantes acima referidos não for viável, o ordenamento jurídico admite o emprego da aferição indireta, o que não se aplica à situação em estudo. No caso específico sub oculi, a contribuição adicional para o custeio da aposentadoria especial somente será exigida das empresas cujos trabalhadores estiverem sujeitos de modo permanente a fatores de riscos ambientais ensejadores do direito ao benefício previdenciário em realce. A existência de tais condições maléficas, no arquétipo jurídico estruturado pela legislação previdenciária, ser obrigatoriamente ser informada no campo intitulado “OCORRÊNCIA” das Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, como assim determina o Manual da GFIP, aprovado pela Instrução Normativa INSS/DC nº 86, de 05 de fevereiro de 2003, Diploma Normativo abrangido pelo conceito legal de legislação tributária, nos termos dos art. 96 e 100, I do CTN, com vocação jurídica herdada do §2º do art. 113 do CTN para impor obrigações tributárias acessórias de obediência obrigatória pelos contribuintes. Manual da GFIP 4.8 OCORRÊNCIA No campo ocorrência o empregador/contribuinte presta, ao mesmo tempo, duas informações: a exposição ou não do trabalhador, de modo permanente, a agentes nocivos prejudiciais à sua saúde ou à sua integridade física, e que enseje a concessão de aposentadoria especial; se o trabalhador tem um ou mais vínculos empregatícios (ou fontes pagadoras). Para classificação da ocorrência, deve ser consultada a tabela de Classificação dos Agentes Nocivos (Anexo IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99). Para a comprovação de que o trabalhador está exposto a agentes nocivos é necessário que a empresa mantenha perfil profissiográfico previdenciário, emitido com base em laudo técnico de condições ambientais do trabalho LTCAT atualizado, elaborado por médico do trabalho ou engenheiro de Fl. 457DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 14 segurança do trabalho, conforme disposto no art. 58, § 1º, da Lei nº 8.213/91. Para os trabalhadores com apenas um vínculo empregatício (ou uma fonte pagadora), informar os códigos a seguir, conforme o caso: (em branco) Sem exposição a agente nocivo. Trabalhador nunca esteve exposto. 01 Não exposição a agente nocivo. Trabalhador já esteve exposto. 02 Exposição a agente nocivo (aposentadoria especial aos 15 anos de trabalho); 03 Exposição a agente nocivo (aposentadoria especial aos 20 anos de trabalho); 04 Exposição a agente nocivo (aposentadoria especial aos 25 anos de trabalho). Atenção: Não devem preencher informações neste campo as empresas cujas atividades não exponham seus trabalhadores a agentes nocivos. O código 01 somente é utilizado para o trabalhador que esteve e deixou de estar exposto a agente nocivo, como ocorre nos casos de transferência do trabalhador de um departamento (com exposição) para outro (sem exposição). É de extrema relevância salientar que a fiel elaboração da GFIP não se constitui numa mera faculdade da empresa, mas, sim, uma obrigação acessória de curial observância, nos termos do inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91, do art. 22 e dos §§ 1º e 4º do art. 58 da Lei nº 8.213/91 e dos §§ 2º, 6º e 7º dos artigos 68 e 336 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. Cite que será a partir das informações declaradas pela empresa, sob sua inteira responsabilidade, no campo “OCORRÊNCIA” das GFIP, que os trabalhadores ali informados poderão usufruir do direito à aposentadoria especial prevista no art. 57 da Lei nº 8.213/91. Igualmente, com fundamento em tais informações emergirá em favor do fisco federal, e em desfavor da empresa declarante, a obrigação tributária principal consubstanciada no adicional de contribuição previdenciária a que se refere o §6º do art. 57 do mesmo Diploma Legal, destinado ao financiamento do benefício previdenciário em realce. No caso em exame, o Recorrente declarou no campo “OCORRÊNCIA” das GFIP referentes ao período de apuração em debate o código 04 para os trabalhadores elencados discriminadamente no relatório intitulado "SEGURADOS COM OCORRÊNCIA NA GFIP DE EXPOSIÇÃO A AGENTES NOCIVOS / RISCOS AMBIENTAIS APOSENTADORIA ESPECIAL", a fl. 263/301, operando, dessa forma, a constituição do crédito tributário referente ao adicional de que trata o §6º do art. 57 da Lei nº 8.213/91, podendo o Fisco Previdenciário exigilo de imediato, a teor das disposições estampadas nos artigos 33, §7º e 32, IV e §2º ambos da Lei nº 8.212/91, em excerto específico rememorado adiante para melhor compreensão de seus termos. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Fl. 458DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11853.000151/200817 Acórdão n.º 230201.266 S2‐C3T2 Fl. 450 15 Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) §2o A declaração de que trata o inciso IV constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (...) Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11; e ao Departamento da Receita FederalDRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "d" e "e" do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (...) §7º O crédito da seguridade social é constituído por meio de notificação de débito, autodeinfração, confissão ou documento declaratório de valores devidos e não recolhidos apresentado pelo contribuinte. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) Registrese por relevante que, nos termos do §1º do art. 147 do CTN, nas hipóteses em que o lançamento for efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, a retificação da declaração, por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só será admissível mediante comprovação do erro em que se fundar, e antes de notificado o lançamento. Código Tributário Nacional CTN Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. §1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Fl. 459DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 16 §2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Não se deve perder de vista, igualmente, que as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social equiparamse a documentos públicos e que o seu preenchimento com informações incorretas ou omissas constituise crime de falsidade ideológica, na forma prevista no DecretoLei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal Brasileiro. DecretoLei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal Falsificação de documento público Art. 297 Falsificar, no todo ou em parte, documento público, ou alterar documento público verdadeiro: Pena reclusão, de dois a seis anos, e multa. §1º Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendose do cargo, aumentase a pena de sexta parte. §2º Para os efeitos penais, equiparamse a documento público o emanado de entidade paraestatal, o título ao portador ou transmissível por endosso, as ações de sociedade comercial, os livros mercantis e o testamento particular. (grifos nossos) §3º Nas mesmas penas incorre quem insere ou faz inserir: (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) I na folha de pagamento ou em documento de informações que seja destinado a fazer prova perante a previdência social, pessoa que não possua a qualidade de segurado obrigatório;(Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) II na Carteira de Trabalho e Previdência Social do empregado ou em documento que deva produzir efeito perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter sido escrita; (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) III em documento contábil ou em qualquer outro documento relacionado com as obrigações da empresa perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter constado. (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) (grifos nossos) §4º Nas mesmas penas incorre quem omite, nos documentos mencionados no §3º, nome do segurado e seus dados pessoais, a remuneração, a vigência do contrato de trabalho ou de prestação de serviços.(Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) Falsidade ideológica Art. 299 Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante: (grifos nossos) Pena reclusão, de um a cinco anos, e multa, se o documento é público, e reclusão de um a três anos, e multa, se o documento é particular. Parágrafo único Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendose do cargo, ou se a falsificação ou alteração Fl. 460DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11853.000151/200817 Acórdão n.º 230201.266 S2‐C3T2 Fl. 451 17 é de assentamento de registro civil, aumentase a pena de sexta parte. À vista dos dispositivos supra selecionados e diante dos fatos registrados pela fiscalização, avulta, por decorrência lógica, haver se operado em desfavor da empresa em relevo a obrigação tributária principal relativa ao adicional de que trata o §6º do art. 57 da Lei nº 8.213/91, não logrando o Recorrente produzir qualquer meio de prova lídimo e capaz de ilidir o lançamento tributário que ora se consuma. Também não procede a alegação de que a Recorrente configurase como entidade sem fins lucrativos de utilidade pública, e que preenche os requisitos do artigo 14 do Código Tributário Nacional para gozo da imunidade fazendo jus a isenção da quota patronal, nos termos do DecretoLei n° 1.572/77 e § 7° do art. 195 da Constituição Federal. A entidade em relevo teve o benefício da isenção cotas patronais das contribuições previdenciárias cancelada em 25 de fevereiro de 2003, mediante o ATO CANCELATÓRIO DE ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS n° 23.401.4/0093/2003, a fl. 247, o qual operou efeitos retroativos a 1º de janeiro de 1995, estando desde então o Recorrente sujeito às obrigações tributárias principal e acessórias estatuídas na Lei nº 8.212/91. 3.2. DA AUSÊNCIA DE DOLO/CULPA Pondera o Recorrente que a multa aplicada não tem cabimento, vez que inexistiu dolo por parte da empresa. O apelo clamado é totalmente descabido e por inteiro divorciado das normas positivas que disciplinam as obrigações tributárias, sejam elas de caráter principal ou acessório, e subjugam os procedimentos administrativos de lançamento, bem como os de imposição de penalidades pecuniárias de natureza tributária. Fincamos os alicerces sobre os quais será erigida a opinio juris que ora se escultura nos dispositivos concretados no art. 113 do CTN, em excerto transcrito a seguir para a melhor compreensão de seus fundamentos. Código Tributário Nacional CTN Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. §1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Fl. 461DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 18 §3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Da mera leitura dos preceitos legais comandados na Codex Tributário, avulta que a legislação que disciplina a espécie ora discutida, não impôs, como pressuposto para a aplicação de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação tributária, qualquer interdependência com o elemento subjetivo da conduta do Sujeito Passivo. Ao contrário, dispôs expressamente que tal obrigação surge com a ocorrência do fato gerador ipso facto. Mesmo em relação às obrigações acessórias, o simples fato de sua inobservância é suficiente para convolar a obrigação deste naipe em principal, relativamente à penalidade pecuniária imposta pelo seu descumprimento. Do marco primitivo da fundamentação legal acima delineada advêm os preceitos norteadores da atividade fiscal neste comenos atacada, inseridos no art. 34 da Lei nº 8.212/91, cujo enunciado, na redação vigente à época da NFLD discutida, assentase firme no sentido de que a mera constatação de atraso total ou parcial no recolhimento das contribuições previdenciárias as sujeita a juros e multa de natureza moratórios, ambos de caráter irrelevável, independentemente de qualquer perquirição a respeito da subjetividade da conduta do contribuinte. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (grifos nossos) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento Categoricamente, asselase nas leis que disciplinam as obrigações tributárias a desnecessidade de se demonstrar o elemento subjetivo da conduta do Sujeito Passivo que desaguou no descumprimento das obrigações previdenciárias nas situações aqui abordadas, sendo juridicamente irrelevante para caracterizar a legalidade, legitimidade e procedência da lavratura da vertente notificação fiscal a investigação do dolo ou da culpa do Recorrente. 3.3. DA APLICAÇÃO DE MULTA DE MORA COM EFEITO DE CONFISCO Argumenta o Recorrente que a multa aplicada tem natureza confiscatória e que o seu elevado valor fere o princípio da capacidade contributiva. Fl. 462DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11853.000151/200817 Acórdão n.º 230201.266 S2‐C3T2 Fl. 452 19 O clamor do Recorrente não merece acolhida. Com efeito, a Constituição Federal de 1988, no Capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional assentou, em relação aos impostos, os princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva do contribuinte. Nessa mesma prumada, ao tratar das limitações do poder do Estado de tributar, o inciso IV do art. 150 da Carta obstou, igualmente, a utilização de tributos com efeito de confisco, estatuindo ipsis litteris: Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: (...) §1º Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. (grifos nossos) Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: IV utilizar tributo com efeito de confisco; Olhando com os olhos de ver, avulta que os Princípios Constitucionais suso realçados são dirigidos, sem sombra de dúvida, aos membros políticos do Congresso Nacional, como vetores a serem seguidos no processo de gestação de normas matrizes de cunho tributário, não ecoando nos corredores do Poder Executivo, cujos servidores auditores fiscais subordinamse cegamente ao principio da atividade vinculada aos ditames da lei, dele não podendo se descuidar, sob pena de responsabilidade funcional. Imerso na Ordem Constitucional positiva e eficaz, a disciplina atinente à aplicação de multa de mora decorrente do descumprimento tempestivo de obrigações tributárias principais de cunho previdenciário ficou a cargo da Lei nº 8.212/91, cujos artigos 34 e 35 estatuem, de forma objetiva, que as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas a multa de mora de caráter irrelevável. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 463DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 20 b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). §1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. §2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. §3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. §4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora Fl. 464DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11853.000151/200817 Acórdão n.º 230201.266 S2‐C3T2 Fl. 453 21 a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinquenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Conforme articulado, escapa da competência deste Colegiado a análise da adequação das normas tributárias introduzidas pela Lei nº 8.212/91 ao Ordenamento Jurídico às vedações e princípios constitucionais aviados nos artigos 145 e 150 da Lei Maior. Revelase mais do que sabido que a declaração de inconstitucionalidade de leis ou a ilegalidade de atos administrativos constituise prerrogativa outorgada pela Constituição Federal exclusivamente ao Poder Judiciário, não podendo os agentes da Administração Pública imiscuíremse ex proprio motu nas funções reservadas pelo Constituinte Originário ao Poder Togado, sob pena de usurpação da competência exclusiva deste. Ademais, perfilhando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Cumpre ainda salientar, por relevante, ser vedado aos membros das turmas de julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com a Constituição Federal, conforme determinado pelo art. 62 Regimento Interno do CARF, aprovado pela PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministério da Fazenda. PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009 Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Fl. 465DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 22 Igualmente, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pelas leis que regem as contribuições ora em apreciação plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Notificante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Cumprenos chamar a atenção para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa seja na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo portanto todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Desbastada nesses talhes a escultura jurídica, impedido se encontra este Colegiado de apreciar tais alegações e afastar a multa aplicada nos trilhos mandamentais da lei, sob alegação de inconstitucionalidade por violação ao princípio previsto no artigo 150, IV da Constituição Federal, atividade essa que somente poderia emergir do Poder Judiciário. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo ser excluídos todos os lançamentos relativos aos fatos geradores ocorridos na competência novembro de 1999 e nas competências anteriores a esta, bem como aqueles referentes ao 13º salário desse mesmo ano. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 466DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 13005.001080/2008-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Data do fato gerador: 29/05/2005
AQUISIÇÃO DE AGUARDENTE À GRANEL. CRÉDITO DO IPI
SUSPENSO. ESCRITURAÇÃO PROIBIDA. MULTA.
Sujeitase
a multa prevista no art. 7º da Lei nº 9.394/97 o estabelecimento
que receber, registrar ou utilizar nota fiscal de produtos a que se refere os
arts. 3º e 4º da mesma Lei nº 9.394/97, cuja saída ocorre com a suspensão do
IPI.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.356
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: IPI- ação fiscal - penalidades (multas isoladas)
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ANTÔNIO CHIAMULERA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 29/05/2005 AQUISIÇÃO DE AGUARDENTE À GRANEL. CRÉDITO DO IPI SUSPENSO. ESCRITURAÇÃO PROIBIDA. MULTA. Sujeitase a multa prevista no art. 7º da Lei nº 9.394/97 o estabelecimento que receber, registrar ou utilizar nota fiscal de produtos a que se refere os arts. 3º e 4º da mesma Lei nº 9.394/97, cuja saída ocorre com a suspensão do IPI. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 14/11/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Walber José da Silva, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Relatório No dia 29/05/2005 a empresa DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS F. ANTÔNIO CHIAMULERA LTDA. adquiriu, para entrega futura, aguardante de cana à granel e escritou a aquisição no Livro de Registro de Entradas, creditandose do IPI lançado na Nota Fiscal de fl. 04. Nos termos dos Relatórios de Ação Fiscal de fls. 07/16 e 78/80, existe vedação legal para o lançamento do IPI na saída de aguardande de cana à granel (saída com suspensão do imposto) e, nas compras para entrega futura, o créditamento do IPI dáse quando do recebimento do mercadoria. Em face destas irregularidades, e com fulcro no art. 7º da Lei nº 9.493/97, foi lavrado o presente auto de infração para exigir a multa regulamentar no valor da mercadoria (fls. 75/80). Inconformada com a autuação a empresa interessada impugnou o lançamento, cujas razões estão sintetizadas no relatório do acórdão recorrido, que leio em sessão. A 3a Turma de Julgamento da DRJ em Porto Alegre RS julgou procedente o lançamento, nos termos do Acórdão no 1017.587, de 31/10/2008, cuja ementa abaixo se transcreve. MULTA. NOTA FISCAL. SAÍDA COM SUSPENSÃO OBRIGATÓRIA DO IPI. LANÇAMENTO INDEVIDO DO IMPOSTO. APROVEITAMENTO PELO ADQUIRENTE. O aproveitamento de crédito do IPI, ainda que parcial, referente a imposto indevidamente lançado na nota fiscal de venda de insumos, cuja saída do fornecedor deveria se dar obrigatoriamente com suspensão do IPI, enseja a aplicação da multa no valor total da mercadoria. Ciente desta decisão em 12/12/2008 (fl. 99), a interessada ingressou, no dia 15/12/2008, com o recurso voluntário de fls. 100/124, no renova seus argumentos de que: 1 o crédito foi escriturado ao abrigo de decisão judicial, não transitada em julgado, tomada em mandado de segurança e relativo a insumos isentos, imunes, tributados à alíquota zero ou não tributados; 2 em 21/03/2006, antes do início da ação fiscal, o negócio foi desfeito e cancelado o equivalente a 8.732.902 litros do produto, num total de 9.000.000 de litros adquiridos; 3 tendo desfeito parte do negócio, o valor do crédito de IPI aproveitado foi R$ 121.529,59 e não o valor de R$ 4.095.000,00 escriturado no dia 01/06/2005. Se não houve aproveitamento de crédito, a que se refere o art. 7º da Lei nº 9.493/97, não há que se falar em multa; 4 ocorreu a denuncia espontânea da infração porque o estorno do crédito aconteceu antes do início da fiscalização e da lavratura do auto de infração; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13005.001080/200888 Acórdão n.º 330201.356 S3C3T2 Fl. 134 3 5 a multa aplicada é abusiva e confiscatória, ferindo o princípio constitucional da proporcionalidade, ao fixar seu valor em 100% do valor da mercadoria; Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído a este Conselheiro Relator. É o Relatório. Voto Conselheiro Walber José da Silva, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele conheço. Como relatado, a empresa recorrente foi autuada porque utilizou crédito básico de IPI relativo a aquisição, para entrega futura, de aguardente de cana à granel, adquirido para entrega futura. Irresignada, a empresa contesta a atuação alegando, em síntese, que o crédito foi escriturado ao abrigo de decisão judicial; que o negócio foi desfeito antes do início da autuação e que não aproveitou o crédito constante da nota fiscal. Alega, ainda, que ocorreu a denuncia espontânea e que a multa aplicada é confiscatória. Sem razão a recorrente. O art. 7º da Lei nº 9.493/97, estabelece que fica sujeito a multa, no valor da mercadoria, o estabelecimento destinatário da nota fiscal de aquisição de aguardente de cana à granel cujo IPI foi destacado e aproveitado pelo destinatário da mercadoria. Diz o referido dispositivo legal: Art. 7º O estabelecimento destinatário da nota fiscal emitida em desacordo com o disposto no artigo anterior, que receber, registrar ou utilizar, em proveito próprio ou alheio, ficará sujeito à multa igual ao valor da mercadoria constante do mencionado documento, sem prejuízo da obrigatoriedade de recolher o valor do imposto indevidamente aproveitado. Está sobejamente provado nos autos que a recorrente utilizou indevidamente crédito de IPI na aquisição, para entrega futura, de aguardente de cana à granel. O fato de ter fruído do crédito por um determinado lapso de tempo e, depois, efetuado o estorno de parte dele, em nada afeta o lançamento porque: a uma, a saída do estabelecimento vendedor se deu (ou deveria se dar) com suspensão do imposto; a duas, porque a multa aplicase a quem receber, registrar ou utilizar a nota fiscal em proveito próprio ou alheio; a três, porque nas aquisições para entrega futura, existindo crédito do imposto a escriturar, o seu aproveitamento (escrituração) deve ocorrer quando da efetiva entrada dos produtos adquiridos; e a quatro, Fl. 4DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 4 porque não existe decisão judicial alguma autorizando a escrituração de créditos de insumos tributos, adquiridos com suspensão do imposto. Com relação ao percentual da multa lançada, não cabe à autoridade administrativa, por absoluta falta de competência, conhecer as alegações relativas ao seu caráter confiscatório (exorbitante), a teor dos arts. 97 e 102 da CF/88. Os juízos quanto ao princípio do nãoconfisco tributário e da proporcionalidade da reprimenda em relação à falta têm como destinatário imediato o legislador ordinário e não autoridade administrativa. Estando o percentual da multa fixado em lei, cabe à Administração apenas velar pelo seu fiel cumprimento. No caso em tela, a multa regulamentar aplicada foi a prevista no art. 7º da Lei nº 9.493/97, acima reproduzido. Por último, como bem disse a decisão recorrida, não é possível aplicar, por analogia, o instituto da denúncia espontânea, eis que os créditos indevidamente escriturados não foram reconhecidos pela recorrente e, consequentemente, efetuado o competente recolhimento do IPI decorrente. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walber José da Silva 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 14120.000043/2009-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 02 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Dec 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
Ementa:
AUTO DE INFRAÇÃO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INFRAÇÃO.
É obrigação da empresa exibir à fiscalização todos os documentos
relacionados à contribuições previdenciárias.
MULTA VALORES CORRIGIDOS
Os valores expressos em moeda corrente referidos no Regulamento da Previdência Social, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-001.510
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INFRAÇÃO. É obrigação da empresa exibir à fiscalização todos os documentos relacionados à contribuições previdenciárias. MULTA VALORES CORRIGIDOS Os valores expressos em moeda corrente referidos no Regulamento da Previdência Social, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 Ementa: AUTODEINFRAÇÃO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INFRAÇÃO. É obrigação da empresa exibir à fiscalização todos os documentos relacionados à contribuições previdenciárias. MULTA VALORES CORRIGIDOS Os valores expressos em moeda corrente referidos no Regulamento da Previdência Social, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. EDITADO EM: 19/12/2011 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 19/12/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Eduardo Augusto Marcondes de Freitas, Manoel Coelho Arruda Junior e Adriana Sato. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 19/12/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14120.000043/200980 Acórdão n.º 230201.510 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório Trata o presente de auto de infração lavrado em desfavor do recorrente, em 30/03/2009, com ciência em 01/04/2009, em virtude do descumprimento do disposto no artigo 33, parágrafo 2 , da Lei n. 8.212/91, com a multa punitiva aplicada de acordo com o artigo 283, inciso II, letra “j”, do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto n. 3.048/99, por não ter apresentado à fiscalização os Livros Diário e Razão dos anos de 2005 e 2006, as Notas Fiscais de Entrada de 01/2006 a 12/2006 e por ter apresentado parcialmente as Notas Fiscais de Entrada do período de 08/2005 a 11/2005. Após a impugnação, Acórdão de fls.42/49, julgou a autuação procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese: a) que a multa deve ser aplicada no valor mínimo contido no artigo 283, inciso II, “b”, já que não houve agravantes; b) que a Portaria Interministerial não se aplica ao AI, que não há qualquer referência no ao ato; c) que é inconstitucional o artigo 8º da citada Portaria buscar alterar o artigo 283, pois não se trata de Lei Complementar. Requer o provimento do recurso para reformar o Acórdão proferido e declarar a nulidade do Auto de Infração. É o relatório. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 19/12/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, documento de fl.55, conheço do recurso e passo ao seu exame. A recorrente foi autuada por não apresentar documentos exigidos pelo Fisco, como os Livros Diário e Razão, e as Notas Fiscais de Entrada, tudo no período de 01/2005 a 12/2006, conforme descrito no relatório fiscal da autuação, à fl. 06. Ao agir desta forma, descumpriu a obrigação acessória prevista no artigo 33, parágrafos 2° e 3º, da Lei n° 8.212/91: §2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou o seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta lei. § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. O Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3048/99, também se refere à infração no artigo 233: Art.233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. Devese salientar que o direito tributário utilizase de institutos de outros ramos do direito, mormente do direito privado, para instituir as hipóteses de incidência tributária, bem como prescrever obrigações acessórias que, nos termos do art.115, do CTN Código Tributário Nacional, constituemse na imposição de prática ou abstenção de ato que não configure obrigação principal. Ao instituir obrigações acessórias o legislador visa permitir, aos órgãos competentes, uma eficaz administração tributária. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 19/12/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14120.000043/200980 Acórdão n.º 230201.510 S2C3T2 Fl. 3 5 Assim, não cabe, nem deve o legislador tributário disciplinar determinadas condutas, já reguladas no ordenamento jurídico, bastando, para tanto, incorporálas ao direito tributário. Isto significa que, quando a Lei 8.212/91 prescreve a exibição de livros e documentos relacionados a estas contribuições, é evidente que, nestes comandos, está implícito o dever da empresa de observar a legislação que rege a matéria. A recorrente não discute o mérito da autuação, limitandose a argüir sua inconformidade com a multa aplicada. Está correta a lavratura do Auto de Infração e relativamente à aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória, faço referência ao preceito contido no artigo 92 da Lei n.º 8.212/91, de que infração a qualquer dispositivo daquela lei, para a qual não haja penalidade expressamente cominada, sujeitará o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável conforme dispuser o regulamento. A multa referente ao descumprimento da obrigação acessória, que originou este auto de infração, está contida no artigo 283, inciso II, letra “j”, do RPS, conforme descrito no Auto de Infração, em fundamentos legais da multa aplicada e foi atualizada pela Portaria Interministerial MPS/MF n.º 77 de 11/03/2008, publicada no DOU de 12/03/2008 na forma descrita pelo artigo 373 do Regulamento da Previdência Social: Art.373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Desta forma, a Portaria Interministerial MPS/MF Nº 77, de 11 de março de 2008 DOU de 12/03/2008, que dispõe sobre o reajuste dos benefícios pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS e dos demais valores constantes do Regulamento da Previdência Social – RPS é o elemento hábil para indicar o valor da multa vigente a ser aplicada na época da lavratura do Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória: Art. 8º A partir de 1º de março de 2008: (...) VI o valor da multa indicada no inciso II do art. 283 do RPS é de R$ 12.548,77 (doze mil quinhentos e quarenta e oito reais e setenta e sete centavos); Portanto, não há que se falar em inconstitucionalidade da portaria que modifica o valor da multa, eis que a legislação esclarece que se trata apenas de reajuste nos valores constantes do Regulamento da Previdência Social. Pelo exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 74DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 19/12/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 19/12/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.100216/2007-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Sep 16 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 1956
RESTITUIÇÃO. EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO. RESGATE DE TÍTULOS.
A devolução de empréstimo compulsório ou o resgate de título público emitido em sua garantia não se confundem com a repetição de indébito. Não é competência da Receita Federal a devolução de empréstimo compulsório ou
o resgate de título público emitido em sua garantia.
Numero da decisão: 1101-000.597
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
PROVIMENTO ao recurso voluntário.
Matéria: Outros proc. que não versem s/ exigências cred. tributario
Nome do relator: Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro
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EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO. RESGATE DE TÍTULOS. A devolução de empréstimo compulsório ou o resgate de título público emitido em sua garantia não se confundem com a repetição de indébito. Não é competência da Receita Federal a devolução de empréstimo compulsório ou o resgate de título público emitido em sua garantia. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Assinado digitalmente VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. Assinado digitalmente CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO Relator. EDITADO EM: 04/11/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Diniz Raposo e Silva, Edeli Pereira Fl. 119DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente e m 04/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 2 Bessa, José Ricardo da Silva (vicepresidente), e Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma). Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão que considerou improcedente manifestação de inconformidade apresentada em razão de despacho decisório que nega pedido de restituição. Em 14/06/2007, despacho decisório nega o pedido de restituição lastreado em título da dívida pública (proc. fls. 33 a 38). Conforme o despacho: Trata o presente processo de Pedido de Restituição de Obrigações do Reaparelhamento Econômico, que têm origem nas Leis n° 1.474, de 26/11/1951, 1.628, de 20/06/1952, e 2.973, de 26/11/1956. O contribuinte pleiteia a restituição/compensação do titulo n° 004.480 (Laudo de Exame de Documento e cópia as fls. 12 a 17), no valor atualizado (Laudo de Atualização Monetária as fls. 04 a 11), segundo o contribuinte, de RS 10.549.769,31, com base no art. 227 da Portaria MF n° 259, de 24/08/2001 — Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal (revogada pela Portaria MF n°30, de 25/02/2005), a ser processada segundo o disposto na IN/SRF n° 460, de 18/10/2004 (revogada pelaIN/SRF nº 600/2005), com base nas seguintes justificativas: a) "por não se revestirem de natureza contratual própria de títulos públicos, situação que se confirma pelo fato de sempre terem sido excluídas dos chamamentos feitos para promover a redução dos papeis públicos em circulação ..., e também dos vários Pareceres a respeito publicados pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional", mas sim de empréstimo compulsório arrecadado como adicional do imposto de renda; b) que não podem ser considerados prescritos/decaídos, por não haver previsão legal especifica para o caso do Empréstimo Compulsório, espécie tributária sem prazo de devolução no CTN (segundo o contribuinte, somente contemplaria as hipóteses de pagamento indevido e de constituição do crédito tributário); c) que não ha vedação para o pleito de restituição/compensação, posto que o crédito do seu portador é reconhecido pela própria emissão das Obrigações do Reaparelhamento Econômico pela então Caixa de Amortização, órgão vinculado ao Ministério da Fazenda, e não é abrangidos pelo fundamento da prescrição na via administrativa, que só existe na via judicial; d) que as cártulas em causa possuem valor econômico, pois constam como não devolvidas aoscontribuintes que sofreram perdas patrimoniais com o desconto do empréstimo compulsório a que se referem. A autoridade informa que “o artigo 3°, caput e § 3°, da Lei n° 1.474/51 instituiu um adicional ao imposto de renda, devido nos exercícios de 1952 a 1956, a ser restituído em títulos da dívida pública federal”. Adiciona que “o artigo 1° da Lei n° 1.628/52 regulou a emissão das obrigações do reaparelhamento econômico, atendendo ao disposto no § Fl. 120DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente e m 04/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 11080.100216/200722 Acórdão n.º 110100.597 S1C1T1 Fl. 80 3 3° do artigo 3° da Lei n° 1.474/51”. Explica que a legislação acima mencionada “determinou a emissão de títulos da dívida pública com o nome de obrigações do reaparelhamento económico, restando bastante claro que estas são espécie de titulo público, que não têm natureza tributária e que não são tributo administrado pela SRF”. A autorida argumenta que os arts. 165, 168 e 170 do CTN não falam de título público, mas apenas de tributo. Alega que o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, também não permite a compensação com títulos públicos e que o § 12, inciso II, “c”, determina que compensação efetuada com título público deve ser considerada nãodeclarada. Conclui que o pedido de retituição é totalmente improcedente, pois não cabe a Receita Federal efetuar resgate de títulos emitidos para devolução do empréstimo compulsório. Também, explica que “o DecretoLei n° 263, de 28 de fevereiro de 1967, que, ao mesmo tempo que autorizou o Poder Executivo a resgatar os títulos da divida publica interna fundada federal, estabeleceu o prazo de seis meses, contados da data do início da execução efetiva dos respectivos serviços, para a apresentação dos títulos para resgate, após o qual a divida e os juros ficariam prescritos”. Informa que, “posteriormente, o DecretoLei n° 396, de 30 de dezembro de 1968, alterou para doze meses o referido prazo”. Esclarece que já ocorreu a prescrição, eis que se passaram mais de 30 anos. Complementa dizendo que, além do mais, o prazo prescricional de qualquer dívida da União é de 5 anos, como determina o art. 1º do Decreto nº 20.910, de 6 de janeiro de 1932. Para finalizar, trancreve jurisprudencia do STJ que estabelece que tais obrigações são títulos e que a dívida e os juros estão prescritos. Em 03/08/2007, o contribuinte é cientificado da decisão (proc. fl. 40). Em 31/08/2007, o contribuinte apresenta manifestação de inconformidade (proc. fls. 43 a 47). Argumenta que os empréstimos compulsórios não são alcançados pelos arts. 168 e 169 do CTN e que não há no CTN uma regra sobre prescrição ou decadência em desfavor do pleito. Sustenta que os títulos não têm natureza contratual própria dos títulos públicos porque decorrem de empréstimo compulsórios. Diz que não há prazo para o pedido de ressarcimento por via administrativa. Diz que as cártulas têm valor econômico e que a União é responsável direta pela sua devolução e o direito do credor é perpétuo e inesgotável. Em 20/12/2007, a 1º Turma da DRJ em Porto Alegre indefere a manifestação de inconformidade (proc. fls. 63 a 65). A turma julgadora informa que o art. 2º da IN SRF nº 600, de 2005, só admite a restituição de valores que tenham sido recolhidos a título de tributos administrados pela Receita Federal. Aponta como base legal da disposição o art. 165 do CTN e o caput do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Explica que o art. 2º da IN SRF nº 600, de 2005, admite excepcionalmente que “a Receita Federal poderá promover a restituição de outros créditos, que não aqueles relativos a tributos e contribuições administrados pelo órgão, desde que: (a) os valores se referiram a receitas arrecadadas mediante DARF e (b) o direito creditório tenha sido previamente reconhecido pelo órgão ou entidade responsável pela administração da receita”. Em razão destas regras e considerando que a restituição pleiteada diz respeito a crédito tributário de natureza não tributária e também não foi recolhida por meio de DARF, a turma nega provimento a manifestação de inconformidade. A turma transcreve acórdão do STJ que afirma que devolução de empréstimo compulsório não é matéria tributária. Ainda explica que: O fato de as cártulas de obrigações do reaparelhamento econômico terem sido emitidas com o objetivo de garantir o pagamento de um empréstimo compulsório, segundo doutrina e Fl. 121DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente e m 04/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 4 jurisprudência mencionada na manifestação de inconformidade, em nada socorre a tese da recorrente. Conforme certifica a jurisprudência, não se pode confundir a relação jurídica original, relativa à arrecadação de valores pelo Estado na forma de empréstimo compulsório, com a relação jurídica consecutiva, correspondente ao direito de os contribuintes exigirem do Poder Público a devolução dos valores anteriormente desembolsados. A primeira apresenta natureza tributária e a segunda, natureza administrativa. Em 05/03/2008, o contribuinte é cientificado da decisão (proc. fls. 66, 67 e 73). Em 13/03/2008, apresenta recurso voluntário, onde repete os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade (proc. fls. 68 a 72). Em 09/07/2009, a 1ª Turma da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF declina competência em favor da 1ª Seção do CARF (proc. fls. 76 a 78). Voto Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Relator. O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. Conforme definido no acórdão da DRJ, o pleito do contribuinte é improcedente. A decisão da turma julgadora foi tão esclarecedora que todos seus argumentos são adotados na íntegra e passam a fazer parte integrante do presente voto. Não obstante, cabe destacar que o próprio contribuinte faz sua solicitação de restituição pedindo que seu pleito seja processado segundo o disposto na IN SRF nº 460, de 2004 (proc. fl. 01). No entanto, a mencionada instrução normativa explica, no seu art. 2º, que a Receita Federal pode restituir tributos pagos a maior ou indevidamente, ou por erro (de identificação do sujeito passivo, alíquota, etc), ou por reforma ,anulação ,revogação ou drescisão de decisão condenatória. Mas, como o pleito do contribuinte versa sobre pedido de restituição de título público emitido para lastrear empréstimo compulsório, fica evidente que a própria base legal a qual o contribuinte pede que seu pleito se submeta evidencia que a Receita não pode atender ao pedido. Ademais, tal como a turma julgadora informou, a devolução de empréstimo compulsório não é matéria afeta a Receita Federal, nem pode ser confundida com a repetição de indébito tratada no CTN. O direito do contribuinte à restituição do empréstimo compulsório tem natureza totalmente diversa do direito a repetição do indébito, e seu tratamento também é diferente. No caso em concreto, a devolução foi regrada conforme os dispositivos citados pelo despacho da DRF, que prevêem a emissão de títulos públicos. O resgate de tais títulos é matéria fora da alçada da Receita Federal, por isso incabível pretender seu resgate por meio do rito de devolução de tributos recolhidos indevidamente. Por estas razões, voto por negar provimento ao recurso voluntário, para manter a negativa do pedido de restituição. Sala das Sessões, 4 de outubro de 2011 Assinado digitalmente Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro Relator Fl. 122DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente e m 04/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 11080.100216/200722 Acórdão n.º 110100.597 S1C1T1 Fl. 81 5 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente e m 04/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 10980.905449/2008-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social
Data do fato gerador: 31/05/1999
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
A competência para conhecer e porventura julgar os Embargos de Declaração
opostos é daquele que proferiu a decisão, que, no caso, é a Delegacia da
Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, razão esta que, frente à clara
supressão de instância, bem como a violação do devido processo legal, no
sentido de que não houve observância do rito procedimental estipulado em
lei, o presente processo deve ser encaminhado à ilustre DRJ competente para
julgamento.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3302-001.257
Decisão: Acordam os Membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em não
conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas e Alexandre Gomes, que apresentou declaração de voto.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. A competência para conhecer e porventura julgar os Embargos de Declaração opostos é daquele que proferiu a decisão, que, no caso, é a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, razão esta que, frente à clara supressão de instância, bem como a violação do devido processo legal, no sentido de que não houve observância do rito procedimental estipulado em lei, o presente processo deve ser encaminhado à ilustre DRJ competente para julgamento. Recurso Voluntário Não Conhecido Acordam os Membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas e Alexandre Gomes, que apresentou declaração de voto. (Assinado Digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (Assinado Digitalmente) Gileno Gurjão Barreto Relator Fl. 50DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 28/06/201 2 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digita lmente em 28/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10980.905449/200899 Acórdão n.º 330201.257 S3C3T2 Fl. 2 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas e Alexandre Gomes. Relatório Adotase o relatório da decisão recorrida, por bem resumir a contenda. Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF em Curitiba, que não homologou a compensação informada no Per/Dcomp nº 31802.65770.191006.1.7.042923, devido à inexistência de crédito para efetuar a compensação pretendida, uma vez que o pagamento de Cofins, no valor de R$ 2.792,64, recolhido em 10/06/1999, teria sido integralmente utilizado para quitação de outros débitos. Cientificada, a interessada apresentou, tempestivamente, a Manifestação de Inconformidade de fls. 10 a 15, argumentando, em síntese, que por ser sociedade civil estaria sujeita a isenção prevista no art. 6º, II da Lei Complementar n° 70, de 1991, sustentando, por outro lado, que a revogação da isenção pelo art. 56 da Lei no 9.430, de 1996, é ilegal, uma vez que lei ordinária não poderia alterar dispositivo de lei complementar. Argumenta que tal questão já se tornou pacífica na jurisprudência, sendo inclusive objeto da Súmula nº 276 que afirma que "As sociedades civis de prestação de serviços profissionais são isentas da Cofins, sendo irrelevante o regime jurídico adotado". Sustenta, também, que havia uma "celeuma em torna da possível reversão desta posição consolidada do STJ, pelo STF, diante do argumento de que matéria referente às alterações da Cofins possibilita a alteração mediante lei ordinária. Todavia, tal pronunciamento dessa Egrégia Corte Suprema já ocorreu, confirmandose a orientação do STJ". Requer, assim, a compensação de débitos com o valor recolhimento a maior. Vistos, relatados e discutidos os autos, acordaram os membros da Terceira Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR, por unanimidade de votos, em julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Intimada em 03/12/2010 da decisão supra, a Recorrente opôs Embargos de Declaração em 10/12/2010, o qual foi dirigido a DRJ de Curitiba/PR. É o relatório. Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Tratase originalmente de Embargos de Declaração opostos, em razão do acórdão proferido pela a DRJ de Curitiba/PR. Ocorre, entretanto, que, erroneamente, os autos foram remetidos a esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, sem que houvesse o pronunciamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba/PR, acerca dos Fl. 51DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 28/06/201 2 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digita lmente em 28/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10980.905449/200899 Acórdão n.º 330201.257 S3C3T2 Fl. 3 3 embargos de declaração opostos pela Embargante, em manifesta afronta ao princípio do devido processo legal, expresso no artigo 5º, LIV, da Constituição Federal/88. Os embargos de declaração dirigemse ao órgão prolator da decisão, cabendo a este o dever de responder. Nestes termos podemos citar, analogicamente o artigo 536 do Código de Processo Civil que prescreve: “Art. 536 os embargos serão opostos, no prazo de 5 (cinco) dias,em petição dirigida ao juiz ou relator, com indicação do ponto obscuro, contraditório ou omisso, não estando sujeitos a preparo.” Contudo, como dito, os presentes Embargos foram encaminhados, equivocadamente, a este Conselho, tendo em vista o despacho exarado à folha 45 dos autos. O pedido para que seja sanada a omissão constante na referida decisão há de ser conhecido e processado perante a Delegacia da Receita Federal de julgamento de Curitiba/PR, sob pena de intolerável supressão de instância, hábil a macular o devido processo legal. Sendo assim, resta claro que a competência para conhecer e julgar os Embargos de Declaração opostos é daquele que proferiu a decisão, que no caso em tela, pertence à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba, sob pena de afronta ao artigo 5º, LIV, da Constituição Federal/88, bem como ao artigo 536 do CPC. Por todo exposto, frente à clara supressão de instância, bem como a violação do devido processo legal, no sentido de que não houve observância do rito procedimental estipulado em lei, voto no sentido de não conhecer do presente recurso voluntário e encaminhar o presente processo à ilustre DRJ competente, para que esta efetue a devida análise nos Embargos de Declaração opostos, acostado aos autos as fls. 35/44, para apenas então recebêlo para futuro julgamento. Sala das Sessões, em 06 de outubro de 2011. (Assinado Digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Declaração de Voto Fl. 52DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 28/06/201 2 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digita lmente em 28/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10980.905449/200899 Acórdão n.º 330201.257 S3C3T2 Fl. 4 4 Pelo principio da fungibilidade dos recursos que aplico subsidiariamente no presente caso, e, considerando que o protocolo da petição denominada embargos de declaração foi protocolada dentro do prazo de 30 dias, receboa como Recurso Voluntário. A principal irresignação apresentada diz respeito a mudança de fundamentação para o indeferimento dos créditos utilizados na compensação. Isto porque o despacho decisório indeferiu a compensação pois o alegado pagamento indevido encontravase totalmente alocado a outro debito. A DRJ, por sua vez, indeferiu a compensação por entender que o pagamento não podia ser considerado indevido uma vez que a isenção alegada não existia. Fundamentou sua posição em decisão do pleno do STF que entendeu constitucional a revogação da isenção promovida pela Lei 9.430/96. Ou seja, a partir da edição da lei não há mais que se falar em isenção para as sociedades civis. Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário. (Assinado Digitalmente) ALEXANDRE GOMES Fl. 53DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 28/06/201 2 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digita lmente em 28/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO
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Numero do processo: 10280.001746/2005-16
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Nov 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Nov 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: RESSARCIMENTO DE IPI. AQUISIÇÕES A NÃO CONTRIBUINTES DO PIS E COFINS E ACRÉSCIMO DE JUROS CALCULADOS COM BASE NA TAXA SELIC. APLICAÇÃO DAS DECISÕES DO STJ PROFERIDAS NO RITO DO ART. 543C.
Na forma de reiterada jurisprudência oriunda do STJ, é cabível a inclusão na base de cálculo do crédito presumido de que trata
a Lei nº 9.363/96 das aquisições efetuadas junto a pessoas físicas bem como a aplicação da taxa selic acumulada a partir da data de protocolização do pedido administrativo, a título de “atualização monetária” do valor requerido, quando o seu deferimento decorre de ilegítima resistência por parte da Administração tributária (RESP 993.164).
Numero da decisão: 9303-001.726
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: Julio Cesar Alves Ramos
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AQUISIÇÕES A NÃO CONTRIBUINTES DO PIS E COFINS E ACRÉSCIMO DE JUROS CALCULADOS COM BASE NA TAXA SELIC. APLICAÇÃO DAS DECISÕES DO STJ PROFERIDAS NO RITO DO ART. 543C. Na forma de reiterada jurisprudência oriunda do STJ, é cabível a inclusão na base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96 das aquisições efetuadas junto a pessoas físicas bem como a aplicação da taxa selic acumulada a partir da data de protocolização do pedido administrativo, a título de “atualização monetária” do valor requerido, quando o seu deferimento decorre de ilegítima resistência por parte da Administração tributária (RESP 993.164). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. EDITADO EM: 16/01/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martinez López e Susy Gomes Hoffmann Fl. 325DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/02/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório Cuidase de recurso especial contra decisão que denegou o direito ao crédito presumido de IPI instituído pela Lei nº 9.363/96 sobre aquisições de insumos efetuadas junto a pessoas físicas e o abono de juros ao valor original. Os fundamentos da decisão, proferida pela Quarta Câmara do então Segundo Conselho de Contribuintes, foram de que o direito criado visa a ressarcir as contribuições que incidiram nas aquisições, de modo que se não houve incidência não há o que ressarcir. Quanto à Selic, de que há necessidade de previsão legal, visto que não se trata de mera correção ou atualização monetária, e que tal previsão inexiste. Como paradigmas das divergências, reportase a recorrente aos Acórdãos CSRF 0201.415, 0201.653, 20312.009 e 20173.627, cujas comprovações encontramse às fls. 251e ss, pelo que o recurso foi admitido pelo Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF. A Fazenda Nacional apresentou contrarazões em que pugna pela manutenção da decisão recorrida. É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS A divergência jurisprudencial foi adequadamente comprovada, merecendo apreciação o recurso tempestivamente interposto. Ambas as matérias nele controvertidas não comportam maiores delongas por parte desta Câmara Superior em razão da inclusão, em seu regimento, do art. 62A, que impôs a reprodução das decisões do Superior Tribunal de Justiça que tenham sido proferidas já na sistemática do art. 543C. Assim foi feito em relação a ambas as matérias no julgamento do RE 993.164, o qual, em cumprimento da norma regimental, reproduzo a seguir a fim de dar provimento ao recurso do contribuinte. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA Fl. 326DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/02/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10280.001746/200516 Acórdão n.º 9303001.726 CSRFT3 Fl. 2 3 VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas Fl. 327DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/02/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciarseão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtor exportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A Fl. 328DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/02/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10280.001746/200516 Acórdão n.º 9303001.726 CSRFT3 Fl. 3 5 oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 329DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/02/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 10940.002697/2004-29
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2004
EXCLUSÃO DO SIMPLES. MANUTENÇÃO E REPAROS EM
MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS.
A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal (Súmula CARF nº 57).
Numero da decisão: 1803-001.153
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004 EXCLUSÃO DO SIMPLES. MANUTENÇÃO E REPAROS EM MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal (Súmula CARF nº 57).
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MANUTENÇÃO E REPAROS EM MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal (Súmula CARF nº 57). Fl. 40DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 22/01/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 02/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10940.002697/200429 Acórdão n.º 180301.153 S1TE03 Fl. 40 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 41DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 22/01/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 02/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10940.002697/200429 Acórdão n.º 180301.153 S1TE03 Fl. 41 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 14): A contribuinte acima qualificada, mediante o Ato Declaratório Executivo DRF/PGT nº 529.911, de 2 de agosto de 2004 (fl. 06), foi excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples, com efeitos a partir de 24/04/2003, por incorrer em vedação prevista no art. 9º, XIII, da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, ou seja, por exercício da atividade vedada de reparação e manutenção de bombas e carneiros hidráulicos (CNAEFiscal nº 29122/02). 2. A exclusão do Simples foi fundamentada nos arts. 9º, XIII, 12, 14, I, e 15, II, da Lei nº 9.317, de 1996, art. 73 da Medida Provisória nº 2.15834, de 27 de setembro de 2001, e arts. 20, XII, 21, 23, I, e 24, II e parágrafo único, da Instrução Normativa SRF nº 355, de 29 de agosto de 2003. 3. Regularmente cientificada por via postal, em 27/08/2004 (fl. 12), a empresa manifestouse contrariamente ao procedimento, apresentando a Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples – SRS nº 250/2004 (fl. 08), a qual foi considerada improcedente pela autoridade administrativa, em face de a atividade por ela exercida integrar o rol das vedações previstas no art. 9º da Lei nº 9.317, de 1996, e art. 20 da IN SRF nº 355, de 2003. 4. Regularmente intimada do resultado da análise da SRS por via postal (AR recebido em 08/12/2004, à fl. 10), a interessada apresentou, tempestivamente, em 21/12/2004, a manifestação de inconformidade de fl. 01, instruída com os documentos de fls. 02/06, na qual argúi que está enquadrada no Simples desde 24/04/2003 e tem por objeto social a prestação de serviços de manutenção e reparação de bombas de combustíveis e bombas medidoras, cujo exercício não depende de profissional com habilitação legalmente exigida; que considera desrespeitosa a atitude da RFB de agora desclassificar sua inclusão no Simples, após têla aceito em 2003; solicita sua permanência no Simples, em face de esse regime ter sido criado justamente para beneficiar as micro e pequenas empresas, acrescentando que vem apresentando as declarações de rendimentos e efetuando os pagamentos dos impostos/contribuições por essa sistemática. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 13): ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003 ATIVIDADE VEDADA. As pessoas jurídicas cuja atividade seja prestação de serviços de reparação e manutenção de bombas e carneiros hidráulicos, por assemelharse à profissão de engenheiro, estão impedidas de optar pelo Simples. Fl. 42DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 22/01/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 02/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10940.002697/200429 Acórdão n.º 180301.153 S1TE03 Fl. 42 4 Solicitação Indeferida. 3. Cientificada da referida decisão em 09/04/2008 (fls. 22), a tempo, em 09/05/2008, apresenta a interessada Recurso de fls. 24 e 25, instruído com os documentos de fls. 26 a 36, nele argumentando, em síntese: a) que não é crível uma oficina mecânica ter que manter, no seu quadro de funcionários ou de sócios, um engenheiro mecânico, responsável pela realização do serviço de reparo, já que, apesar de a reparação de bombas exigir técnica apurada, dispensa conhecimento científico, podendo ser realizada por profissional treinado, mas não, necessariamente, com formação científica; b) que, para se evitar a exclusão das empresas do Simples, editouse a Lei nº 10.964, de 28 de outubro de 2004, que, em seu art. 4º, determina que, a partir de 1º de janeiro de 2004, ficam excetuadas da restrição de que trata o inciso XIII do art. 9º da Lei 9.317/96 as pessoas jurídicas que se dediquem às atividades nela elencadas; c) que, se a atividade da empresa é de manutenção e reparação de bombas de combustíveis, ela também não necessita de engenheiro para execução dos serviços e, sim, de um técnico responsável e formados pelo Senai ou pelo IQ, que, por meio do Inmetro, certifica as oficinas; d) que, se a empresa foi excluída por ser considerada assemelhada, então por que não se conceder o beneficio da tributação do Simples também por este critério? e) que a atividade desenvolvida pela empresa é de manutenção e reparação de bombas de combustíveis, e não bombas e carneiros hidráulicos; e f) que referida lei, a par de confirmar que as oficinas mecânicas efetivamente não necessitam da presença de um profissional legalmente habilitado, também confirmou que estas não desenvolvem atividades assemelhadas às demais descritas no inciso XIII do art. 9º da Lei nº 9.317/96. Em mesa para julgamento. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 22/01/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 02/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10940.002697/200429 Acórdão n.º 180301.153 S1TE03 Fl. 43 5 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. Em discussão o cabimento, ou não, da exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) da atividade de “reparação e manutenção de bombas e carneiros hidráulicos” (fls. 6). 5. Aplicase à espécie a Súmula CARF nº 57, de seguinte teor (grifouse): A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. 6. Descabe, pois, a exclusão procedida. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO AO RECURSO, para CANCELAR o Ato Declaratório Executivo DRF/PTG nº 529.911, de 02 de agosto de 2004 (fls. 6). É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 44DF CARF MF Impresso em 02/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 22/01/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 02/02/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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Numero do processo: 13605.000434/99-19
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1996
Admissibilidade do Recurso: Divergência não comprovada.
Situações fáticas diferentes, de per si, impossibilitam a caracterização do dissídio jurisprudencial, e, por conseguinte, retiram do recurso uma das condições de sua admissibilidade.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 9303-001.419
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não se conhecer do recurso especial, por falta de dissídio jurisprudencial. O Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda declarou-se
impedido de votar.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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Divergência não comprovada Recorrente Fazenda Nacional Interessado Anglogold Ashanti Córrego do Sítio Mineração S/A ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1996 Admissibilidade do Recurso: Divergência não comprovada. Situações fáticas diferentes, de per si, impossibilitam a caracterização do dissídio jurisprudencial, e, por conseguinte, retiram do recurso uma das condições de sua admissibilidade. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não se conhecer do recurso especial, por falta de dissídio jurisprudencial. O Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda declarouse impedido de votar. Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto e Relator EDITADO EM: 15 de julho de 2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Gileno Gurjão Barreto, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Henrique Pinheiro Torres. Relatório Fl. 1DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/07/ 2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 A turma julgadora de primeira instância assim descreveu os fatos: Versa a presente lide sobre o pedidos de ressarcimento de crédito presumido de IPI de fl. 01, relativo ao anocalendário de 1996, formalizado em 10/11/1999, com fulcro na Portaria MF nº 38, de 1997. O montante requerido de R$969.337,06 deriva da aplicação de juros Selic sobre valores originais apurados em cada mês do anocalendário até novembro de 1999, conforme demonstrativo juntado às fls. 02/04. Nos termos do “Demonstrativo de Crédito Presumido”, à fl. 02, o montante originalmente calculado foi de R$433.477,43. Em análise de legitimidade, a autoridade competente da Delegacia da Receita Federal em Coronel Fabriciano, MG, por meio do Despacho Decisório nº 141/2005, às fls. 59/61 que teve por sustentáculo o trabalho fiscal consolidado às fls. 42/58, mediante anexação de planilhas e Relatório de Procedimento Fiscal deferiu em parte o pleito, conferindo à contribuinte o ressarcimento de R$36.395,13. Para tanto, figurou como motivo do deferimento parcial, entre outras razões, o descumprimento de obrigação acessória, consubstanciado na não escrituração do RAIPI até agosto de 1996. No tocante à nãoescrituração do RAIPI até agosto de 1996, esta 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora – DRJ/JFA tem entendimento divergente do expresso pela DRF de origem, que buscou amparo no Parecer CST/SIPE nº 2.247, de 04/09/1981, contraposto ao enfoque dado pelos Pareceres Normativos CST nº 88, de 1970, e 89, de 1975, editados para esclarecer dúvidas sobre o incentivo fiscal previsto no artigo 5º do Decreto nº 491, de 05/03/1969. Tais dispositivos orientam no sentido de que se escriturado o crédito antes de prescrito, válido seria seu aproveitamento daquele benefício. Tomandose o entendimento manifestado nos referidos pareceres normativos como extensivo ao benefício em tela, os autos foram devolvidos à DRF em Coronel Fabriciano, para análise do quantum a que faria jus a requerente, afastando, no caso, a glosa relativa à escrituração em atraso do RAIPI. Em atendimento à solicitação desta DRJ/JFA, nos termos do expediente de fls. 137/138, houve por bem a Delegacia da Receita Federal em Coronel Fabriciano expedir o Despacho Decisório Retificador nº 175/2006, às fls. 193/195 – tendo por referência novo trabalho fiscal consolidado às fls. 154/192, mediante anexação de planilhas e Relatório de Procedimento Fiscal. Pelas razões dispostas a seguir, do Despacho Decisório resultou o deferimento de um crédito presumido de R$72.278,63: “Em levantamento anterior, os créditos relativos ao período de abril de 1995 a julho de 1996 haviam sido glosados por motivo de ausência de escrituração regular, nos termos do Parecer CST nº 2.247, de 01/01/81. Todavia, o despacho acima mencionado solicita cálculo de créditos afastando essa glosa. Permanecem as outras glosas, que no caso presente são do tipo classificado nas planilhas como 1 e 3: 1 Créditos de IPI sobre insumos de insumos Fl. 2DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/07/ 2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13605.000434/9919 Acórdão n.º 930301.419 CSRFT3 Fl. 423 3 O IPI somente pode ser creditado em operações de industrialização. A extração de minério não se caracteriza como industrialização para a legislação do IPI, sendo, inclusive, imune ao imposto (§3º do artigo 155 da Constituição Federal). Assim, as compras de insumos para a operação préindustrial – a extração de matériaprima, o minério – não podem gerar crédito de IPI. Foram glosados por esse motivo os créditos relativos a compras de explosivos (todos os tipos, inclusive cordéis, etc) e material de perfuração (brocas, coroas, bites, hastes, barriletes, cartucho, material de extensão em geral, calibrador de furo, ponteiro montabert, etc). A identificação de tais insumos se deu através da relação de notas fiscais, apresentadas pela contribuinte; através das próprias notas fiscais; da caracterização dos insumos através de visita e respostas às intimações; consulta ao Razão Analítico, em que se separam os custos em conta de mineração, operação de geologia, operação de metalurgia, manutenção de mineração, manutenção de metalurgia, etc. As NF contabilizadas em contas de mineração ou geologia inseremse na glosa acima descrita. (negritos acrescidos) 3 – Sem contato direto com o produto. O Parecer Normativo CST 65/79 traz um estudo acerca do crédito de IPI sobre insumos: (...) (citação do item 11 do referido parecer Normativo, nota da relatora) Como se vê, o Parecer acima, de força vinculante na administração tributária, não admite crédito sobre a aquisição de insumos que não tenham contato imediato, direto com o produto fabricado. (...) As glosas de crédito estão detalhadas na planilha ‘Detalhamento de Glosas’, com as motivações acima apresentadas. Em relação ao período em que houve reconhecimento parcial de créditos, não foram considerados quaisquer valores relativos a juros ou correção monetária dos créditos de IPI escrituráveis, por absoluta falta de previsão legal. (...) O cálculo foi feito com a seguinte metodologia (art. 2º da MP nº 948/95): (...) Crédito presumido= CI X RE/ROB X 5,37%, onde: CI = Custo das aquisições. Somaramse os valores nos livros de entrada a titulo de compra para a industrialização 1.11 e 2.11 Fl. 3DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/07/ 2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 (3.11 não foi somado, pois não incidiam as contribuições sobre as importações), exceto aquelas glosadas conforme já explicitado.Foi excluído o valor relativo ao IPI. RE: Receita de Exportação comprovada em Notas Fiscais (Planilha ‘Comprovação de Exportação’ – fls. 178/180 do presente, nota da relatora). (conferida por amostragem no SISCOMEX). ROB: RECEITA OPERACIOAL BRUTA, apurada nos Livros de Saída, planilha ‘Receita Operacional Bruta’ (fls. 178/180 do presente, nota da relatora).’ (Negritos acrescidos) Cientificada do deferimento parcial de seu pleito, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 197/242. Valendose de citações de decisões judiciais, acórdãos do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a requerente solicita a reforma do despacho decisório sob os argumentos a seguir sintetizados: I – SOBRE A PRELIMINAR DE DECADÊNCIA: a) já decaiu o direito de o Fisco indeferir o pedido de Ressarcimento, uma vez que o fez tardiamente, ou seja, depois de transcorrido o prazo de 05 (cinco) anos do protocolo do Pedido de Ressarcimento; b) no contexto da legislação que cuida dos Pedidos de Ressarcimento/Compensação, mais precisamente da IN SRF nº 460, de 2004, e do artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, há que se concluir que: 1) na hipótese de o Pedido de Ressarcimento de IPI ser acompanhado de Declaração de Compensação, transcorridos 05 anos do seu protocolo, está homologada a compensação realizada pelo contribuinte, nos termos do artigo 74, §2º e §5º da Lei nº 9.430/96, c/c o artigo 29, §2º, da IN SRF nº 460/2004, bem como o crédito utilizado nesta compensação; 2) na hipótese de o crédito objeto do Pedido de Ressarcimento ser maior do que o débito objeto da Declaração de Compensação, ou na hipótese de o Pedido de Ressarcimento não ser acompanhado no momento de seu protocolo de Declaração de Compensação, transcorridos 05 anos do seu protocolo, também estaria homologado o crédito de IPI apresentado pelo contribuinte; c) no caso concreto, verificase que o Pedido de Ressarcimento apresentado pela ora Requerente, em 11/11/1999, já está homologado, não podendo ser objeto de indeferimento por parte da autoridade fiscal, em decisão da qual a ora Requerente só foi intimada em 05/09/2005, com nova intimação em 18/12/2006; II – DO DIREITO AO CRÉDITO DE IPI DECORRENTE DE AQUISIÇÃO DE INSUMOS APLICADOS NA FASE DE MINERAÇÃO: Fl. 4DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/07/ 2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13605.000434/9919 Acórdão n.º 930301.419 CSRFT3 Fl. 424 5 a) na maior parte dos créditos glosados, a fiscalização não considerou como insumos mercadorias essenciais à produção do ouro, cujo processo produtivo busca isolar o metal precioso dos demais componentes encontrados em seu entorno. Diferentemente do processo de produção, por exemplo, de um automóvel, não haverá a transformação de um insumo, como, no nosso exemplo, uma chapa de aço no produto final. Na produção do ouro, os insumos evidentemente não se transformam em ouro, mas possibilitam o isolamento do precioso mineral, que, na verdade, já está presente desde o primeiro momento do processo produtivo; b) seu processo de industrialização se inicia na mina, com a perfuração do solo e extração da rocha bruta, da qual será extraído o ouro, produto final da atividade de empresa. É a etapa chamada lavra, com a utilização de diversas ferramentas, brocas, óleos refrigeradores, etc. Depois da coleta do material bruto, iniciamse as outras fases do ciclo produtivo, a partir do escoamento do minério e sua estocagem em silos. A linha de produção compreende todo o processo, desde a perfuração da rocha bruta e detonação para extração do minério até a fase de fundição final do ouro. Não há como dissociar a fase minerária da fase de beneficiamento do ouro, já que ambas fazem parte do processo de produção industrial da requerente, cujo produto final é o ouro; c) em sendo 100% de sua produção destinada à exportação, diante do disposto na Lei nº 9.363, de 1996, tem direito ao crédito presumido de IPI decorrente de aquisição de insumos utilizados em seu processo produtivo, sob forma de ressarcimento do PIS/COFINS que incidiram nas etapas anteriores; d) O ouro consta da TIPI na posição 7108.13.10, cuja alíquota é zero, mas tem imunidade garantida porque é exportado. A Lei 9.779, de 1999, explicitou a possibilidade de manutenção e compensação do crédito do imposto, ratificado pelo artigo 4º da IN SRF nº 33, de 1999, representando expresso reconhecimento da inconstitucionalidade da legislação infraconstitucional que vedava a manutenção dos créditos nas hipóteses de saídas não tributadas. Foi reforçado tal entendimento relativo ao aproveitamento de créditos quando a Secretaria da Receita Federal expediu o Ato Declaratório Interpretativo nº 05, de 17/04/2006. Pela leitura dos citados dispositivos, podese percebe claramente o equívoco no qual incorreu o despacho decisório recorrido. III DOS INSUMOS UTILIZADOS NA FASE DE MINERAÇÃO DA PRODUÇÃO INDUSTRIAL a)O processo de industrialização da requerente inclui diversas etapas, quais sejam: a de perfuração e desmonte da rocha, Fl. 5DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/07/ 2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 moagem da rocha, flotação, bioxidação, oxidação sob pressão, lixiviação, neutralização, tratamento de água para que ela possa ingressar no circuito de beneficiamento dos minerais contidos no minério e etapa final de fundição do ouro. b) segundo o relatório fiscal, “as compras de insumos para a operação préindustrial a extração de matériaprima, o minério – não podem gerar crédito de IPI”. Com base neste entendimento foram glosados os créditos relativos a: brocas e coroas; adaptadores, hastes, luvas e punhos; calibrador; BIT; lâmina para rastelo (e bico de pato); barrilete; cordel, dinamite power gel; espoleta; cartucho de cimento “pega rápido” (Cimento Combextra); camisa e tubulão cunha, todos relacionados com a perfuração e detonação da rocha bruta. Ora, não há como excluir tal fase do processo industrial, porque o ouro já está presente neste momento no interior da rocha bruta perfurada e no mineral coletado. Não há, portanto, extração de matériaprima (o produto já é a matériaprima). O processo produtivo da requerente é plenamente integrado, razão pela qual a movimentação dos insumos, das máquinas e equipamentos e da mãodeobra dedicada à atividade de extração do minério e beneficiamento do ouro são atividades essenciais que, se não realizadas, inviabilizariam todo o processo de produção; IV DOS CRÉDITOS DECORRENTES DE BENS SUPOSTAMENTE DESTINADOS AO ATIVO PERMANENTE a) a Fiscalização evocou o Parecer Normativo CST nº 65, de 1979, para indeferir o pedido de ressarcimento de crédito presumido oriundo da aquisição de vários insumos utilizados no processo produtivo, na fase de purificação do minério, ao argumento de que não se enquadram no conceito de insumo em relação aos quais a legislação confere o direito, seja porque não tem contato direito com o produto ou porque são partes e peças de máquinas. Assim, o crédito presumido foi negado em razão do conteúdo do Parecer Normativo CST 65/79, que cria restrições, não previstas na legislação pertinente, ao direito de crédito dos contribuintes, revelandose, dessa forma, como inovador do texto legal. No entanto, os insumos em relação aos quais a Fiscalização negou o direito ao crédito se enquadram perfeitamente no conceito estipulado pelo próprio PN CST 65/79 de “produto intermediário lato senso”. Ocorre que a decisão que indeferiu o pedido descreveu os insumos de forma superficial, se limitando a afirmar serem partes e peças de máquinas e/ou que não têm contato físico com o produto final. Tal argumento não pode prosperar, porque o processo produtivo do ouro é peculiar, já que o produto final, ouro, tem sua composição mais simples do que as “matériasprimas” utilizadas no processo (a rocha bruta e o minério), isto é, o produto final já está presente desde o início da industrialização, sob a forma de minério, e só surgirá na forma pura ao final do processo; Fl. 6DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/07/ 2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13605.000434/9919 Acórdão n.º 930301.419 CSRFT3 Fl. 425 7 b) Portanto, é impossível o contato direto dos insumos adquiridos pelo recorrente com o produto final (ouro), pois este só aparece em sua forma pura ao final do ciclo produtivo; c) por outro lado, a fiscalização lançou mão do artigo 301 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999 para tentar enquadrar supostas partes e peças de máquinas no ativo permanente e, assim, excluir os respectivos créditos de IPI. No entanto, enquanto a referida norma considera não ativáveis tanto os bens inferiores a R$326,61 quanto aqueles que possuam vida útil inferior a um ano, independentemente de seu valor de aquisição, a fiscalização utiliza, diferentemente do comando legal, concomitantemente, as duas hipóteses, ou seja, os bens não ativáveis devem ter preço de aquisição inferior a R$326,61 e vida útil inferior a um ano. Além disso, pela verificação da exata descrição e da funcionalidade dos insumos em relação aos quais a fiscalização negou o crédito, percebese que se tratam de produtos intermediários por excelência, que têm contato físico com o produto (ouro) em forma de minério ou polpa de minério; desgastamse no processo produtivo ao qual são essenciais e não são partes e nem peças de máquinas. Entre eles estão: pás; pneus das máquinas de transportes que trafegam dentro da mina; rotores em geral; voluta (LA e LS); cabo de aço e oxigênio; d) resta comprovado, portanto, o direito ao crédito de IPI apurado pela empresa na aquisição dos insumos, por se tratarem de produtos intermediários nos termos do Regulamento do IPI e do próprio Parecer Normativo CST 65, de 1979. Para que seja comprovada a funcionalidade e as características de cada insumo acima, como forma de refutar a alegação do fiscal de que se trata de partes e peças ativáveis e/ou insumos que não mantém contato direto com o produto, a ora requerente protesta desde já pela produção de prova pericial, nos termos do que dispõe o incido IV do artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972; V – DO DIREITO AO CRÉDITO PRESUMIDO DECORRENTE DE GASTOS COM ENERGIA ELÉTRICA, TRANSPORTES, OXIGÊNIO E COMBUSTÍVEIS a) a Lei nº 9.363, de 1996, que trata do crédito presumido de IPI, em seu artigo 3º, caput, determina que as normas a serem são observadas como subsidiárias são as que regem a incidência das contribuições ao PIS e à Cofins, pois o que se pretende é extirpar toda a incidência das referidas contribuições nas etapas anteriores à exportação. Ademais, se o IPI não incide sobre os serviços de transporte; sobre operações de energia elétrica ou de telecomunicações, atividades que se sujeitam, exclusivamente, por força de limitações constitucionais, ao ICMS, não faz sentido lógico em a legislação do IPI incluir, entre os conceitos de matériaprima e produto intermediário, que conferem direito ao crédito deste imposto, as aquisições de insumos fora do alcance Fl. 7DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/07/ 2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 da incidência do próprio IPI, se o requisito primário para a tomada de créditos de IPI, segundo a Lei nº 4.502, de 1964, a incidência na etapa anterior. Sendo assim, o sentido da Lei nº 9.363, de 1996, é, através de crédito presumido, eliminar o custo de PIS e Cofins nas etapas da cadeia produtiva e, para tanto, se faz necessário verificar se as matériasprimas ou produtos intermediários sofrearam a incidência do PIS e Cofins e nunca do IPI. b) se o Conselho de contribuintes, nos julgamentos dos recursos 117.102; 109.375; 115.094 e 107.894, entre outros, considerou, no cálculo do CP, passíveis de créditos as aquisições de pessoas físicas e cooperativas, que sequer sofrem a incidência do PIS e da Cofins e do IPI, o que se dirá de aquisições de produtos submetidos a essa incidência? Nos citados julgados, o Conselho de Contribuintes chega a mencionar que se a Fiscalização estivesse correta em glosar créditos de aquisições de não contribuintes deveria retornar em toda a cadeia para alcançar outros custos dos fornecedores incorridos com pessoas físicas. Digase que, no presente caso, para manter o objetivo de desonerar a exportação, o mesmo deveria ocorrer com os insumos de energia elétrica, oxigênio, lubrificantes, frete e combustíveis; c) considerando, portanto, que as normas de direito são extraídas de todo o sistema jurídico e não apenas de regras isoladas, torna se imperioso que a Administração Tributária passe a analisar o Crédito Presumido de IPI com base em sua lógica sistêmica; d) especificamente com relação aos combustíveis e à energia elétrica, as Leis nos 10.637, de 2002 (na redação dada pela Lei nº 10.684, de 2003), e 10.833, de 2003, que tratam das contribuições PIS e Cofins, ao autorizarem inclusão do custo da energia elétrica no cômputo dos créditos no regime não cumulatividade, reconhecem que ela é um insumo essencial qualificável como produto intermediário. VI – DA POSSIBILIDADE DE ATUALIZAÇÃO DO SALDO CREDOR DE IPI PELA SELIC a) antes da Lei nº 9.779, de 19/01/1999, e dos artigos 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, os créditos de IPI com direito à manutenção poderiam ser tratados como créditos escriturais. Entretanto, se para o ressarcimento há a necessidade do estorno, motivo pelo qual deixam de ser simples créditos escriturais e passam a ser patrimoniais; b) como o artigo 11 da Lei nº 9.779, de 19/01/1999, atribuiu ao saldo credor de IPI a natureza de crédito de IPI decorrente de pagamento indevido ou maior que o devido, os valores a serem ressarcidos a esse título estão sujeitos à correção monetária pela Selic, desde a data em que se tornaram passíveis de restituição (compensação ou ressarcimento) até a data da recuperação do crédito; Fl. 8DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/07/ 2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13605.000434/9919 Acórdão n.º 930301.419 CSRFT3 Fl. 426 9 c) de acordo com a jurisprudência do STJ, a correção monetária não deve ser aplicada sobre créditos escriturais, mas os créditos reconhecidos administrativamente e devolvidos tardiamente pela Fazenda Pública devem ser atualizados, sob pena de serem corroídos pela inflação; d) a necessidade de correção monetária dos créditos de IPI apurados é reconhecida também pelo Conselho de Contribuintes e pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, órgão máximo em se tratando de processos administrativos tributários federais; e) nos casos em que a própria legislação confere o direito ao ressarcimento dos créditos, deve ser aplicada a atualização monetária pela taxa Selic sobre o saldo dos créditos, no intervalo entre o período base de apuração e a data da efetiva recuperação, pois lhes foi atribuída, pela lei, a condição de créditos patrimoniais, oponíveis à Fazenda Pública, e não de créditos escriturais. Por fim, a contribuinte ratificou: a sua tese sobre a decadência do direito de o Fisco indeferir o pedido de ressarcimento; o pedido de realização de perícia, nos termos do Decreto nº 70.235, de 1972; o pedido de reconhecimento do direito ao total do valor creditório requerido. Julgando o feito, o colegiado de primeira instância indeferiu a manifestação de inconformidade, em julgamento assim ementado. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1996 CRÉDITOS IPI. Geram o direito ao crédito, bem como compõem a base de cálculo do crédito presumido de IPI, além dos elementos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários, estrito senso, e material de embalagem), quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou, viceversa, desde que não devam, em face de princípios contábeis geralmente aceitos, ser incluídos no ativo permanente e desde que não sejam nem partes nem peças de máquinas. industrialização/creditamento de IPI As aquisições de elementos aplicados nas operações de mineração, atividade primária antecedente ao processo de industrialização, logo, não participante deste, não compõem a base de cálculo do crédito presumido de IPI, pois o artigo 1º da Lei nº 9.363, de 13/12/1996, estipula que a integram “as aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos Fl. 9DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/07/ 2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 10 intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1996 (1) DECADÊNCIA/ANÁLISE DE PEDIDO DE RESSARCIMENTO. Por falta de previsão legal, o prazo para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. (2) DILIGÊNCIA/PERÍCIA. São de pronto indeferidos os pedidos de diligência ou perícia considerados, a juízo do julgador, prescindíveis ao desfecho da lide (artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 1972). (3) CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS. É incabível, por falta de previsão legal, a incidência de atualização monetária ou de juros sobre créditos escriturais legítimos do IPI, bem como sobre o saldo credor trimestral acumulado. Para créditos que se revelem inexistentes ou ilegítimos, a pretensão de tal incidência é, deveras, absurda. (4) LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEGALIDADE. As normas e determinações previstas na legislação tributária presumemse revestidas do caráter de legalidade, contando com validade e eficácia, não cabendo à esfera administrativa questionálas ou negarlhes aplicação. Inconformada, a Requerente apresentou recurso voluntário, onde, em apertada síntese, reeditou os mesmos argumentos expendidos na manifestação de inconformidade. A câmara recorrida deu provimento parcial ao recurso para determinar à inclusão na base de cálculo do crédito presumido das aquisições de Gás O2. Segundo consta do acórdão recorrido, o Gás O2, utilizado em reação química nos sulfetos entra em contato direto com o produto final e deve ter o correspondente crédito reconhecido. Irresignada, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional apresentou recurso especial de divergência. Postulando pela não incidência de Selic no ressarciemnto, bem como, pela exclusão, da base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores relativos ao Gás O2, posto que este não entraria em contato com o produto final, e, em razão disso, não poderia ser considerado como matériaprima ou produto intermediário, o que afastaria a possibilidade de incluilos na base de cálculo do crédito presumido pleiteado. Por meio do despacho de fl. 377, arrimado na informação de fls. 375/376, o Sr. Presidente da Câmara recorrida admitiu parcialmente o apelo fazendário, mais precisamente, na parte pertinente a exclusão dos valores relativos às despesas com Gás O2. Regularmente cientificada do despacho que admitiu, apenas parcialmente o seu recurso especial, a Douta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional deixou passar in albis o prazo para apresentação de agravo de reexame. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/07/ 2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13605.000434/9919 Acórdão n.º 930301.419 CSRFT3 Fl. 427 11 Contrarrazões do sujeito passivo às fls.396 a 412. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres O recurso é tempestivo, passo a examinar os demais requisitos de admissibilidade. A teor do relatado, as questões trazidas no recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional cingemse à possibilidade ou não de se incluir os valores relativos às despesas com gás O2 na base de cálculo do crédito presumido de IPI, e, também, à incidência da Selic sobre ressarcimento. No despacho de admissibilidade do recurso, arrimado na informação de fls. 375/376, a questão da incidência da atualização foi afastada, de plano, sob o argumento de que se trataria de matéria alheia à decisão recorrida. Acontece que, na realidade, essa informação não é verdadeira, posto que, a teor do acórdão recorrido, fl. 342, o Colegiado reconheceu a incidência da Selic sobre o montante a ressarcir, a partir da data da protocolização do pedido. Desta feita, há, indubitavelmente, erro no despacho de admissibilidade, o qual poderia haver sido sanado por meio de embargos de declaração, ou mesmo de agravo de reexame, a ser interposto pela recorrente. Todavia, mesmo sendo regularmente intimada desse despacho a Fazenda Nacional não apresentou embargos ou agravo de reexame, o que tornou definitiva a decisão que conheceu, apenas parcialmente, o apelo fazendário. Desta feita, a matéria devolvida a Este Colegiado restringese à questão do direito à inclusão dos valores relativos à aquisição de gás O2. Essa matéria tornouse controvertida nos autos, mas, a meu sentir, não merece ser admitida posto que a divergência jurisprudencial não foi caracterizada, visto que as situações fáticas entre o acórdão recorrido e os paradigmas são distintas. De fato, nestes, o crédito é negado em razão de os insumos não integrarem o produto final ou não terem sido consumido ou desgastados em contato direto com ele, enquanto, naquele (acórdão recorrido), a razão para conceder o creditamento é, justamente, o fato de o Colegiado haver entendido que houvera o consumo em contato direto com o produto final. Para que não paire dúvida, transcrevo excerto do voto condutor do acórdão vergastado: "(...)Partilho do entendimento manifestado no Parecer Normativo da Coordenação do Sistema de Tributação (CST) da Receita Federal nº 65, de 1979, segundo o qual esses bens devem guardar semelhança com as matériasprimas e produtos intermediários que se integram ao produto final: "...semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto de fabricação, ou por este diretamente sofrida. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/07/ 2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 12 "Nessa ótica não se pode aceitar o crédito em relação àqueles itens relacionados e descritos na tabela acima, ou porque são partes e peças de máquinas utilizadas no processo de extração do minério bruto, ou porque não entram em contato direto com o produto em elaboração, tendo seu, desgaste de forma natural com o uso e não pelo contato com o produto industrializado, que é o ouro. Excepciono de tal regramento,entretanto, o produto denominado Gás 02, por entender que o mesmo entra em contato direto com o produto obtido ao final da segunda etapa do processo de industrialização. Acertada, portanto, a decisão da DRJ ao considerar como indevidos os créditos de IPI originários de mercadorias cuja utilização no processo produtivo não se dá mediante o contato direto com o produto final, exceção feita, pelas razões acima expostas, ao referido Gás 02. Do excerto acima, não há margem a dúvida, o crédito foi deferido, justamente, porque o mencionado gás é consumido em contato direto com o produto final, situação diametralmente oposta à tratada nos acórdãos paradigmas. Com essas considerações, voto no sentido de não conhecer do recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional. Henrique Pinheiro Torres Relator Fl. 12DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/07/ 2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10510.001023/2009-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO NÃO ESCRITURADO.
Correta a presunção de omissão de receita de lançamentos a
crédito em conta corrente bancária não escriturada, atendidos os
requisitos do art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996. A
presunção legal inverte o ônus da prova em favor do Fisco,
cabendo ao contribuinte fazer a prova da origem e natureza
jurídica dos créditos.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO NÃO ESCRITURADO. DEPÓSITOS NÃO DECLARADOS. MÚTUO COM INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. AUSÊNCIA DE
INDICIO. PROVA PERICIAL. DESCABIMENTO.
Com a incidência da presunção o legal inverte-se o ônus da
prova, competindo ao contribuinte trazer elementos que indiquem
que os lançamentos a crédito, realizados em sua conta corrente
bancária não contabilizada, referem-se a mútuo com instituição
financeira. Ante a ausência de algum elemento de prova material
a indicar a possibilidade de os depósitos decorrem de contrato de
mútuo entre o contribuinte e instituição financeira, descabida a
pretensão de aprofundamento da fase probatório pela realização
de perícia ou diligencia.
Recurso voluntário desprovido.
Numero da decisão: 1201-000.608
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEIROZ
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DEPÓSITO BANCÁRIO NÃO ESCRITURADO. Correta a presunção de omissão de receita de lançamentos a crédito em conta corrente bancária não escriturada, atendidos os requisitos do art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996. A presunção legal inverte o ônus da prova em favor do Fisco, cabendo ao contribuinte fazer a prova da origem e natureza jurídica dos créditos. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO NÃO ESCRITURADO. DEPÓSITOS NÃO DECLARADOS. MÚTUO COM INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. AUSÊNCIA DE INDICIO. PROVA PERICIAL. DESCABIMENTO. Com a incidência da presunção o legal invertese o ônus da prova, competindo ao contribuinte trazer elementos que indiquem que os lançamentos a crédito, realizados em sua conta corrente bancária não contabilizada, referemse a mútuo com instituição financeira. Ante a ausência de algum elemento de prova material a indicar a possibilidade de os depósitos decorrem de contrato de mútuo entre o contribuinte e instituição financeira, descabida a pretensão de aprofundamento da fase probatório pela realização de perícia ou diligencia. Recurso voluntário desprovido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fl. 726DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI Processo nº 10510.001023/200981 Acórdão n.º 1201000.608 S1C2T1 Fl. 2 2 (Assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias – Presidente (Assinado digitalmente) Regis Magalhães Soares de Queiroz – Relator Participaram ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Marcelo Baeta Ippolito (Suplente Convocado), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Eduardo Martins Neiva Monteiro (suplente convocado), Regis Magalhães Soares Queiroz e Antonio Carlos Guidoni Filho. Ausente justificadamente o Conselheiro Marcelo Cuba Netto. Relatório Adoto o relatório da r. decisão a quo, verbis: No presente processo foram lavrados autos de infração contra a pessoa jurídica (PJ) acima identificada pelos regimes do Simples Federal e do Lucro Presumido. Do anocalendário de 2005, exigese crédito tributário do Simples no valor de R$ 874.551,21, a título de tributos, multa de oficio, e juros de mora, conforme Demonstrativo Consolidado à fl. 09, cotejando os períodos de apuração do anocalendário de 2005. Já do anocalendário de 2006, com a exclusão da PJ do Simples a partir de 01/01/2006 (fls. 07), por haver excedido o limite de receita bruta no ano anterior, exigese crédito tributário no valor de R$ 564.273,34, lançado pela forma do lucro arbitrado, conforme discriminado abaixo: IRPJ (fls. 285/288) R$ 156.720,37; PIS/PASEP (fls. 289/292) R$ 56.079,79; Cotins (fls. 293/296) R$ 258.830,63; CSLL (fls. 302) R$ 92.642,55. A descrição dos fatos, a base legal e o modo de apuração se encontram nos respectivos autos de infração e seus anexos (fls. 202/303 e fls. 285/302), incluindo Termos de Verificação Fiscal (TVF) n2 0001 (fl. 242) e n2 0002 (fls. 303). A autuação pelo Simples foi por omissão de receita e por insuficiência de recolhimento, por diferença entre a receita bruta oriunda de extratos bancários não escriturados, de origem não comprovada, e a receita bruta declarada à RFB por meio da DSPJSimples. No ano calendário de 2006, a PJ excluída do Simples não dispunha de escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ensejando a Fl. 727DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI Processo nº 10510.001023/200981 Acórdão n.º 1201000.608 S1C2T1 Fl. 3 3 autuação pelo arbitramento do lucro, também por omissão de receita apurada com base em valores de extratos bancários de origem não comprovada e da receita operacional pela revenda de mercadorias, no caso do IRPJ, com reflexos sobre as contribuições para o PIS/PASEP, Cofins e CSLL. Os extratos bancários utilizados pelo autuante se encontram nos anexos I e II deste processo. Consta do TVF nº 0001 que a ação fiscal foi iniciada em 31/10/2008, intimando a empresa a apresentar livros e documentos fiscais, bem como extratos bancários de suas contas correntes, dos anos de 2005 e 2006, conforme termo às fls. 10/11. Em 25/11/2008, ante o silêncio da PJ, esta foi reintimada a apresentar toda a documentação requerida no Termo de Início (fl. 12). Em 02/12/2008, a contribuinte entregou declaração informando que seus livros Caixa e os de Entrada e de Saída de Apuração do ICMS foram extraviados (fl. 13), fazendo, contudo, a entrega dos extratos dos bancos do Brasil S/A, Banese, CEF e Unibanco. Uma vez constatados créditos nas contas correntes em valores muito superiores às receitas declaradas, em 13/01/2009, a empresa foi intimada a comprovar a origem dos recursos creditados/depositados em suas contas correntes, conforme relação anexa ao Termo de Intimação (fls. 16/90). Em 02/03/2009, a empresa respondeu a intimação apresentando planilha detalhada da movimentação financeira feita em suas contas bancárias, decorrentes do uso da chamada "Conta Garantida", espécie de empréstimo pré aprovado empresarial oferecido pelos bancos referidos acima. Complementou que os valores da planilha se referiam a mútuo. Mas, não apresentou qualquer documento comprobatório (fls. 92/99). Feito o confronto dos valores da tal planilha com os da relação submetida ao contribuinte, constatouse que apenas uma pequena parte compunha os créditos a serem comprovados. O restante já havia sido excluído devido a correspondência de débito em outra conta do próprio contribuinte. Também foram excluídos os valores de crédito em uma conta que corresponderam a débitos em outra conta. Consta ainda daquele TVF que como alguns créditos da planilha em foco não apresentaram correspondência com o débito correspondente, em 10/03/2009, a PJ foi intimada a apresentar documentação comprobatória das operações pertinentes (fls. 100/101). Em 16/03/2009, a empresa respondeu mediante apresentação de planilha com os mesmos dados da anterior. Não apresentou, novamente, qualquer documento comprobatório. Então, foi elaborado o demonstrativo "Extrato de Crédito origem não comprovada mediante documentação hábil e idônea", onde figuram os créditos não comprovados (fls. 117/173). Do montante desses créditos foi subtraída a receita declarada na DSPJSimples do anocalendário de 2005 (fls. 174/213), para obter o valor da receita omitida que ensejou os lançamentos ora contestados. Em face do levantamento fiscal, que apurou receita bruta acumulada anual na quantia de R$ 5.017.275,15 (fl. 215), houve representação para exclusão do Simples Federal (vide fls. 01/08), que resultou na exclusão de oficio a partir de 01/01/2006, por haver excedido o limite Fl. 728DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI Processo nº 10510.001023/200981 Acórdão n.º 1201000.608 S1C2T1 Fl. 4 4 de receita para continuar no sistema na condição de empresa de pequeno porte no ano calendário de 2006, consoante Ato Declaratório Executivo (ADE) n. 2 13 de 24/03/2009 (fl. 07). Acerca do anocalendário de 2006, consta do TVF n2 0002, em suma, que dando continuidade ao TVF n2 0001, a empresa, excluída do Simples a partir de 01/01/2006, foi intimada a apresentar a documentação fiscal e documentos de suporte (fl. 282), tendo respondido que os mesmos haviam sido extraviados (fl. 283). Assim, e por não haver comprovado a origem dos extratos bancários do ano de 2006, conforme citado no TVF n 2 001, apurouse toda receita bruta da empresa (fl. 284), a qual foi tributada pelo lucro arbitrado. A contribuinte foi cientificada do feito em 08/04/2009, nos próprios autos de infração, às fls. 221, 225, 233, 237, 241, 285, 289, 293 e 297. Em 08/05/2009, apresentou as impugnações de fls. 307/444, por via posta (fl. 545), similares, instruídas com procurações, alteração contratual, e uma planilha em que pretende justificar a origem dos valores oriundos de extratos bancários, discordando da autuação relativamente aos tópicos resumidos adiante: (i) Que, o Fisco não fez prova cabal da ocorrência de omissão de receita, com base em valores obtidos dos extratos bancários apresentados pela impugnante, tidos como de origem não comprovada. Acrescenta que, ao contrário do entendimento da Fiscalização, significativa parcela dos valores bancários é oriunda da chamada "Conta Garantida", de empréstimo préaprovado oferecido pelos bancos do Brasil S/A, Banese, CEF e Unibanco, conforme visível na planilha anexa à impugnação (fls. 423/428). (ii) Ressalta que toda movimentação financeira da impugnante durante os períodos fiscalizados foi devidamente documentada na dita planilha, em que pese o extravio dos livros contábeis da empresa, como já informado ao Fisco. Pois a planilha aqui apresentada comprova a origem dos valores mutuados e a efetiva entrega ao mutuário, além da destinação dos montantes, em nada contradizendo as disposições fiscais vigentes. (iii) Que, a permissão para elaborar demonstrações contábeis, como a da planilha ora juntada, está albergada no item 2.3.1 da NBC, T 2.1, aprovada pela Resolução CFC nº 563/83, que transcreve. Neste cenário, essa planilha teria o condão de expressamente indicar as movimentações financeiras da PJ, revestindose de legitimidade para tanto, conforme previsto nas normas contábeis em vigor. (iv) Que, a presunção de omissão de receitas por suposta não comprovação de origem de depósitos é meramente formal, podendo ser elidida por prova da realidade, já que ao direito tributário e à contabilidade interessa a verdade material, jamais a verdade formal. (v) Que, a multa de ofício no percentual de 75% é excessivamente elevada e confiscatória de bens da autuada, contrariando aos princípios do nãoconfisco, da moralidade e da proporcionalidade, consagrados nos arts. 5 2, inciso II, e 150, inciso IV, da Constituição Federal de 1988 (CF/1988). Fl. 729DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI Processo nº 10510.001023/200981 Acórdão n.º 1201000.608 S1C2T1 Fl. 5 5 (vi) Que, em busca da verdade material, é necessária a realização de análise pericial, nos termos do art. 16, inciso IV, do Decreto n 9 70.235, de 1972 — Processo Administrativo Fiscal (PAF). (vii) Cita trechos de doutrina e jurisprudência que acredita servirem de sustentação aos seus argumentos de defesa. Pelo exposto, requer que se acate a presente impugnação, para deferimento do pedido de perícia, ou em caso de superação deste, que se julgue improcedente a autuação. O acórdão da DRJ de fls. 555 manteve o lançamento: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A existência de depósitos bancários não escriturados ou de origem não comprovada pela pessoa jurídica regularmente intimada autoriza o lançamento por omissão de receitas. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Cabe o lançamento de oficio sobre diferenças apuradas provenientes de pagamentos ou valores declarados a menor em face de utilização de alíquota inferior à efetivamente aplicável. EMPRÉSTIMO SOB A FORMA DE MÚTUO. COMPROVAÇÃO. A alegação da existência de empréstimo sob a forma de mútuo deve vir acompanhada de provas inequívocas da efetiva transferência do numerário emprestado, coincidente em datas e valores, e não por meio de simples planilha desacompanhada de documentos hábeis que atestem a veracidade da operação. EXCLUSÃO DO SIMPLES. LIMITE DE RECEITA BRUTA. A pessoa jurídica que no anocalendário obteve receita bruta acumulada em valor acima do limite legal deve ser excluída automaticamente do Simples Federal a partir do primeiro dia do anocalendário subsequente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006 CONSERVAÇÃO DE LIVROS E COMPROVANTES. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em boa guarda toda a escrituração, documentos e papéis relativos a sua atividade, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência no tocante aos atos neles consignados. MULTA OFÍCIO. LEGALIDADE. CONSTITUCIONALIDADE. No lançamento de oficio, por infrações à legislação tributária, há previsão legal para a cobrança da multa de oficio no percentual de 75% (setenta e cinco por cento), descabendo falarse de Fl. 730DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI Processo nº 10510.001023/200981 Acórdão n.º 1201000.608 S1C2T1 Fl. 6 6 inconstitucionalidade ou confisco. Na instância administrativa não se discute a constitucionalidade de atos legais em vigor, por ser atribuição exclusiva do Poder Judiciário. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006 PEDIDO DE PERÍCIA. Indeferese o pedido de perícia, quando se constata que os elementos dos autos do processo são suficientes para o julgamento da lide e que a solicitação não atende aos requisitos legais. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2006 ARBITRAMENTO. FALTA DE ESCRITURAÇÃO. A pessoa jurídica excluída do Simples a partir de 01/01/2006 fica sujeita ao arbitramento do lucro, na falta de escrituração contábil de conformidade com as leis comerciais e fiscais. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A existência de depósitos bancários não escriturados ou de origem não comprovada pela pessoa jurídica regularmente intimada autoriza o lançamento por omissão de receitas. Autos Decorrentes ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006 Contribuição para o PIS Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS IRPJ. MATÉRIA FÁTICA IDÊNTICA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO. Em se tratando de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento aos relativos à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, à PIS e à COFINS, em razão da relação de causas e efeitos advindas da correlação entre os mesmos fatos geradores e elementos probantes. Lançamento Procedente O recurso voluntário está juntado a fls. 569 repisando os mesmos argumentos de sua impugnação. É o relatório. Fl. 731DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI Processo nº 10510.001023/200981 Acórdão n.º 1201000.608 S1C2T1 Fl. 7 7 Voto Conselheiro Regis Magalhães Soares De Queiroz, relator: 1. Do conhecimento. O recurso voluntário foi protocolizado dentro do prazo legal e, portanto, dele tomo conhecimento. 2. Do fundamento. A autuação referente ao ano de 2005 decorreu de omissão de receita identificada a partir de divergência entre a receita bruta presumida a partir de lançamentos a crédito identificados em seus extratos bancários de contas correntes não escrituradas cuja origem ou natureza não foram comprovadas, no montante de R$ 5.017.275,15, e a receita declarada ao fisco na DSPJSIMPLES, de apenas R$ 911.209,01. Como muito bem destacou a r. decisão a quo, a recorrente em nenhum momento juntou algum documento que pudesse sustentar seus argumentos e elidir os arbitramentos, tendo limitadose a anexar uma planilha apócrifa, tanto na fase inquisitória quanto na contenciosa, para supostamente comprovar que a natureza e a origem de alguns lançamentos a crédito realizados em suas contas correntes não contabilizadas seriam decorrentes de mútuos com instituições financeiras. Entretanto, não se preocupou em trazer algum elemento comprobatório desta argumentação: nenhum contrato, nenhuma comunicação bancária, nenhuma prova da movimentação financeira efetiva, enfim, nenhum elemento fático veio aos autos em suporte de sua alegação. Como tal afirmação está desacompanhada de algum elemento que lhe dê suporte, não há fumus boni iuris a justificar um alongamento da instrução para produzir prova pericial, especialmente porque ela versaria sobre fatos que o recorrente deveria e poderia comprovar facilmente, pelo menos indiciariamente, com a simples juntada de, por exemplo, cópias dos contratos de mútuo a que alude. Quanto à afirmação de extravio de livros fiscais, também não é de acolher, pois, para que tivesse efeito, deveria a recorrente ter adotado os procedimentos descritos no §1º, do art. 264 do RIR, o que também não provou ter feito: §1° Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição de livros, fichas, documentos ou papéis de interesse da escrituração, a pessoa jurídica fará publicar, em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento, aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação, dentro de quarenta e oito horas, ao órgão competente do Registro do Comércio, remetendo cópia da comunicação ao órgão da Fl. 732DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI Processo nº 10510.001023/200981 Acórdão n.º 1201000.608 S1C2T1 Fl. 8 8 Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição (DecretoLei n°486, de 1969, art. 10). Desta forma, aplicase à recorrente a presunção de omissão de receita do art. 42 da Lei 9.430/96, conforme determinava o art. 18 da Lei 9.317/96, estando correto o lançamento realizado por presunção com base nos lançamentos a crédito realizados em conta corrente não contabilizada. Na hipótese de lançamento de ofício o art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996 determina a incidência de multa de 75% (setenta e cinco por cento), razão pela qual não há que se falar em descabimento desta penalidade, sendo vedado ao CARF declarar a inconstitucionalidade de norma legal vigente que ainda não tenha sido assim declarada pelo Col. STF, consoante vedação constante do art. 26A do Decreto 70.235/1972. Nesse sentido é o (impróprio) verbete da Súmula Unificada n. 2, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que dispõe: Súmula Unificada nº 2 – O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Desta forma, tendo o recorrente realmente auferido no ano de 2005 receita superior ao limite estabelecido para permanência no sistema simplificado, correto o ato de sua exclusão a partir do primeiro dia do exercício seguinte, ou seja, a partir de 1º de janeiro de 2006. E, como decorrência lógica da sua exclusão do SIMPLES a partir daquela data, correta a apuração dos tributos incidentes desde então pelo lucro arbitrado, cobrandoselhe pelo arbitramento o que não recolheu. 3 Do dispositivo. Isso posto, nego provimento ao recurso voluntário. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Regis Magalhães Soares De Queiroz – Conselheiro Relator Fl. 733DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI
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Numero do processo: 10835.720129/2007-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2003
SUJEIÇÃO PASSIVA. ÔNUS DA PROVA.
Havendo o contribuinte apresentado a DITR, na qualidade de proprietário do imóvel rural, cabe a ele a ônus da prova de que não detinha a posse plena do referido imóvel para poder ser excluído do pólo passivo da obrigação tributária.
ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL.
OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA.
A partir do exercício de 2001 é indispensável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental como condição para o gozo da redução do ITR em se tratando de áreas de preservação permanente e de reserva legal, tendo em vista a existência de lei estabelecendo expressamente tal obrigação.
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO.
O arbitramento do VTN, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve prevalecer sempre que o contribuinte deixar de comprovar o VTN informado na Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-001.753
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em
REJEITAR a preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ÔNUS DA PROVA. Havendo o contribuinte apresentado a DITR, na qualidade de proprietário do imóvel rural, cabe a ele a ônus da prova de que não detinha a posse plena do referido imóvel para poder ser excluído do pólo passivo da obrigação tributária. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA. A partir do exercício de 2001 é indispensável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental como condição para o gozo da redução do ITR em se tratando de áreas de preservação permanente e de reserva legal, tendo em vista a existência de lei estabelecendo expressamente tal obrigação. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. O arbitramento do VTN, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve prevalecer sempre que o contribuinte deixar de comprovar o VTN informado na Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR). Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Fl. 173DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/02/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10835.720129/200753 Acórdão n.º 210201.753 S2C1T2 Fl. 2 2 Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 02/02/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Ausente justificadamente a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório Contra UNICARD BANCO MULTIPLO SA foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 01/06, para formalização de exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), relativa ao imóvel denominado Fazenda Ingazeiro – quinhão 5, com 2.620,8 ha (NIRF 5.555.5110), exercício 2003, no valor de R$ 771.722,86, incluindo multa de ofício e juros de mora, calculados até 30/11/2007. As infrações imputadas à contribuinte foram glosa total das áreas de preservação permanente e de utilização limitada e arbitramento do Valor da Terra Nua (VTN), com utilização de dados extraídos do Sistema de Preços de Terras (SIPT), conforme quadro a seguir: ITR 2003 Declarado Apurado no Auto de Infração 02Área de Preservação Permanente 1.640,0 ha 0,0 ha 03Área de Utilização Limitada 498,0 ha 0,0 ha 16Valor da Terra Nua R$ 16.545,00 R$ 3.790.410,62 Inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, fls. 17/26, que está assim resumida no Acórdão DRJ/CGE nº 0417.800, de 05/06/2009, fls. 98/103: • O lançamento deve ser considerado nulo por ser impossível concluir de fato e de direito qual a área exata da propriedade do impugnante, não sendo possível sequer identificar sua localização, além de ele não dispor da posse e do domínio pleno do imóvel; • Da análise da certidão da matrícula do imóvel, cumpre ressaltar que a transferência da propriedade, objeto de Dação em Pagamento, até o presente momento não fora levada a efeito Fl. 174DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/02/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10835.720129/200753 Acórdão n.º 210201.753 S2C1T2 Fl. 3 3 devido à pendência de exigências de ordem material e documental; • Se a área é de duvidosa existência, não há como presumir um elemento material da hipótese de incidência tributária qual seja: ser proprietário de imóvel rural; • O impugnante, por não deter a posse e o domínio pleno do imóvel, deixa de reunir todos os atributos de proprietário e, assim, a cobrança contra ele não deve subsistir, vez que o sujeito passivo do ITR é o proprietário, o titular do domínio útil e o posseiro, a qualquer titulo, de imóvel rural; • Se esse órgão de julgamento decidir que o impugnante é o sujeito passivo da relação, cumpre ressaltar que o Valor da Área Tributável foi arbitrado sem respeitar os requisitos legais para utilização desse expediente extraordinário; • A fiscalização se limitou a intimar o impugnante a comprovar elementos da área do imóvel, e, no silêncio desse, concluiu pela não existência de áreas como de preservação permanente e de utilização limitada, quando deveria ter buscado a verdade material; pairando dúvidas sobre a real materialidade da exação, deveria ter adotado outras medidas tendentes a comprovação dos fatos e não somente arbitrar a base de cálculo do imposto; • Assim, o Auto de Infração está eivado de nulidade insanável, na medida em que procedeu ao lançamento por arbitramento em total desrespeito aos critérios previstos no Código Tributário Nacional em seu artigo 148. A DRJ Campo Grande julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento. Cientificada da decisão de primeira instância, por via postal, em 07/07/2009, Aviso de Recebimento (AR), fls. 107, a contribuinte apresentou, em 06/08/2009, recurso voluntário, fls. 109/124, onde reforça e reitera os mesmos argumentos da impugnação, destacandose o a seguir resumido: Ausência de materialidade – A recorrente não detém a posse e o domínio pleno do imóvel. A propriedade da Fazenda Ingazeiro, outrora objeto de Dação em Pagamento em favor da Recorrente, não está localizada no mesmo local consignado no correspondente registro imobiliário, conforme se infere dos seguintes documentos: Nota de Devolução de Exigências, Laudo e Parecer Jurídico. Na oportunidade da dação em pagamento, o imóvel não poderia ser objeto de qualquer negócio jurídico com quem quer que fosse. Do arbitramento da base de cálculo – Valor da área tributável – No Auto de Infração arbitrouse o VTN, sem respeitar os requisitos legais para utilização desse expediente extraordinário, pois apontou uma base de cálculo que não corresponde à realidade da suposta propriedade rural. Com efeito, observese que o total da área tributável eleita pela autoridade fiscal, em momento algum foi objeto de qualquer medida desta, tendente a busca da realidade fática que cerca a presente questão, pois limitouse a intimar a recorrente a comprovar os elementos Fl. 175DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/02/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10835.720129/200753 Acórdão n.º 210201.753 S2C1T2 Fl. 4 4 balizadores da área do imóvel rural, sendo que no silêncio desta, derrogou por absurdamente concluir que toda a área era tributável, ignorando a existência ou não dos elementos para aferição da metragem da área tributável, tais como: área de preservação permanente e área de utilização limitada, etc. É o Relatório. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/02/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10835.720129/200753 Acórdão n.º 210201.753 S2C1T2 Fl. 5 5 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. No recurso, a recorrente traz uma preliminar de ilegitimidade passiva, argüindo que nunca foi investida na propriedade ou na posse do imóvel, pois a Escritura de Confissão e Composição de Dívida e Dação em Pagamento para Liquidação Parcial da Dívida e Outras Avenças, fls. 43/45, não foi averbada na matrícula do imóvel. Afirma, ainda, que a Fazenda Ingazeiro não está localizada no local consignado no correspondente registro imobiliário, conforme se infere da Nota de Devolução com Exigências, fls. 84/85, do Laudo de Vistoria, fls. 48/51, e do Parecer Jurídico, fls. 86/88. Dos documentos acima mencionados, verificase que a recorrente recebeu o imóvel, conforme Escritura de Confissão e Composição de Dívida e Dação em Pagamento para Liquidação Parcial da Dívida e Outras Avenças, fls. 43/45, celebrada em 15/05/2000. Ocorre que tal escritura não foi averbada na matrícula do imóvel. Dentre os documentos trazidos pela defesa consta Nota de Devolução com Exigências, fls. 84/85, datada de 30/05/2000, onde estão relacionadas as exigências (apresentação de vários documentos) necessárias para que o Oficial de Registro de Imóveis providenciasse a competente averbação. Insta frisar que, em nenhum momento, o Cartório afirmou que a averbação da Escritura de Dação em Pagamento não fosse possível em razão da inexistência do imóvel ou porque o imóvel não estivesse registrado em nome das pessoas que constaram como outorgantes dadores na referida Escritura de Dação em Pagamento. Para corroborar a tese de ilegitimidade passiva, a defesa trouxe um Laudo de Vistoria, fls. 48/51, emitido em 24/08/2001 por LVN Engenharia e Avaliações S/C Ltda, do qual se transcrevem alguns trechos, para melhor ilustrar a questão: Em reunião com o Gerente de Regularização e Cadastro do ITESP Sr. Luiz Antonio Zocal Garcia ( Tel. 0**11 2320933 ramal 1611), fomos informados que toda essa região em estudo pertence ao 4º perímetro de Presidente Venceslau SP, perímetro este composto em sua maioria por terras consideradas devolutas, isto é, terras que tiveram seu domínio de volta para o Estado, e que por tal fato as glebas em questão a longo tempo não mais existiam, o que veio a confirmar nossa suspeita. O Sr. Luiz Antônio Zocal Garcia nos informou ainda que as glebas constantes na escritura já não existem mais fisicamente e atualmente sobre as mesmas estão implantadas inúmeras pequenas propriedades e que na região a estrutura fundiária predominante é de pequenas propriedades rurais ( inferiores a 500,00 hectares). Fl. 177DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/02/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10835.720129/200753 Acórdão n.º 210201.753 S2C1T2 Fl. 6 6 No mesmo sentido, juntouse aos autos Parecer Jurídico, fls. 86/88, da lavra de Rufino Campos Advogados Associados, emitido 06/03/2002. Para melhor elucidar a questão, transcrevese a seguir trechos do referido documento: UNIBANCO PESQUISA FAZENDA INGAZEIRO. 1 Analisandose a escritura de confissão, composição de dívida e dação em pagamento notamos que os outorgantes doadores, devem ter em média mais de 100 anos, o que é impossível. portanto, quando a escritura foi outorgada muitos já estavam mortos. Chegamos a tal conclusão porque o imóvel tem origem na transcrição n° 1714 a qual foi lavrada em 12 de março de 1.931, sendo que o titulo que a deu origem provem de uma ação que foi homologada em 17 de janeiro de 1.921. Portanto se os outorgantes doadores, tinham 20 anos de idade quando foi homologada a divisão, quando outorgaram a escritura tinham pelo menos 100 anos. Sugerimos que sejam verificadas suas assinaturas no livro onde a escritura foi lavrada, mesmo porque pessoas nessa idade têm a caligrafia tremula. 2 Outrossim, foi declarado na escritura que eles residem no Sitio Santo Antônio em Santo Anastácio. Fomos na praça pública e na Igreja Católica, locais onde sempre se encontra pessoas de Idade onde entrevistamos cerca de 12 pessoas e nenhuma delas diz conhecer qualquer dos outorgantes doadores, de forma que eles não residem em Santo Anastácio. 3 Consta da escritura que "os outorgantes devedores são neste ato representados por seu bastante procurador....", cuja procuração foi lavrada no cartório do distrito de Jaracatiá em Goioerepr, sendo estranho pois a firma devedora tem sede em São Paulo, não havendo razão para ir tão longe outorgar uma procuração. Existem muitas procurações falsificadas "frias", dessa região. (...) 10 Nessa andança nos chegou informações que se tratam de terras devolutas, estando toda ocupada por terceiros, com títulos definitivos fornecidos pelo Estado. O Engenheiro da Prefeitura de Ribeirão dos Índios nos informou que na região não existe qualquer fazenda de área grande que possa ser a Fazenda Ingazeiro. (...) Na Procuradoria Regional do Estado, dizem que a região era toda de terras devolutas, entretanto precisam fazer levantamentos em todas ações existentes e que já existiram na comarca para localizar. Requeremos certidão, sendo que até o presente não ficou pronta. Em data de hoje. 06/marco/2002, estivemos na Procuradoria do Estado, nos deram informações que o pedido de certidão estava no Departamento de Engenharia para localização e demoraria mais 10/15 dias! Fl. 178DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/02/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10835.720129/200753 Acórdão n.º 210201.753 S2C1T2 Fl. 7 7 Eram essas informações que tínhamos até o presente, ratificando as informações anteriores. Em que pese as informações contidas no Laudo de Vistoria e no Parecer Jurídico, certo é que ambos os documentos não são conclusivos e definitivos sobre a existência ou não da propriedade em questão, sendo certo que a recorrente não demonstrou nos autos ter tomado nenhuma providência no sentido de desfazer o negócio efetivado mediante a Escritura de Confissão e Composição de Dívida e Dação em Pagamento para Liquidação Parcial da Dívida e Outras Avenças, fls. 43/45, celebrada em 15/05/2000. Observese que, segundo referida Escritura de Dação em Pagamento, a contribuinte recebeu a Fazenda Ingazeiro – quinhões 5, 7, 8 e 10, para quitação de dívida no valor de R$ 8.000.000,00. Por outro lado, a Certidão, fls. 40/41, certifica que o imóvel em questão está registrado no Cartório do Registro de Imóveis da Comarca de Santo Anastácio do Estado de São Paulo, no Livro de Transcrição das Transmissões, sob o número de ordem 1714, de 12/03/1931, sendo certo que os proprietários identificados na transcrição 1714, celebraram com a recorrente a Escritura de Confissão e Composição de Dívida e Dação em Pagamento para Liquidação Parcial da Dívida e Outras Avenças, fls. 43/45. Tais documentos conferem à recorrente a propriedade do imóvel, não havendo que se falar em erro na identificação do sujeito passivo, tampouco na inexistência do imóvel, conforme argúi a defesa. Vale lembrar que a recorrente apresentou a DITR, na qualidade de proprietária do imóvel. Importa, ainda, dizer que também houve autuação de ITR no que se refere ao exercício 2001 e o recurso apresentado pela recorrente, naquele caso, foi apreciado pela Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento (relatora Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga), conforme acórdãos nºs 2202 00619 e 220200.618, de 26/07/2010 e 220200.631, de 27/07/2010, que decidiu pela procedência em parte do recurso, para reduzir o percentual da multa de ofício de 112,5% para 75%. Os referidos acórdãos estão assim ementados: SUJEIÇÃO PASSIVA. ÔNUS DA PROVA. Havendo o contribuinte apresentado a DITR, na qualidade de proprietário do imóvel rural, cabe a ele o ônus da prova de que não detinha a posse plena do referido imóvel para poder ser excluído do pólo passivo da obrigação tributária. Nestes termos, considerando que o fato gerador do ITR “é a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano”, conforme disposto no art. 1º da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, correto o lançamento, no que diz respeito à sujeição passiva. No mérito, a recorrente insurgese contra o arbitramento do VTN, argüindo que houve no lançamento desrespeito aos requisitos legais para utilização desse expediente extraordinário, pois apontouse uma base de cálculo que não corresponde à realidade da suposta propriedade rural. Afirma, ainda, que o total da área tributável eleita pela autoridade fiscal, em momento algum foi objeto de qualquer medida desta, tendente a busca da realidade fática que cerca a presente questão, pois limitouse a intimar a recorrente a comprovar os elementos balizadores da área do imóvel rural, sendo que no silêncio desta, derrogou por absurdamente concluir que toda a área era tributável, ignorando a existência ou não dos elementos para aferição da metragem da área tributável, tais como: área de preservação permanente e área de utilização limitada, etc. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/02/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10835.720129/200753 Acórdão n.º 210201.753 S2C1T2 Fl. 8 8 De pronto, devese afirmar que as áreas de preservação permanente e de utilização limitada foram glosadas em razão da ausência de Ato Declaratório Ambiental (ADA). No que diz respeito à obrigatoriedade de apresentação do ADA para fins de redução do imposto a pagar, temse que, a partir da vigência da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, que deu nova redação à Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, tal exigência passou a ter expressa disposição legal. “Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1º A. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA.(Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000)” (grifei) Do artigo acima transcrito, resta claro que, a partir do exercício 2001, a obtenção do ADA é condição necessária e obrigatória para que o contribuinte usufrua a redução do valor a pagar do ITR quanto às áreas de preservação permanente e de utilização limitada. No presente caso, o ITR exigido no lançamento se refere ao exercício 2003 e a nãoapresentação do ADA implica em descumprimento dos requisitos necessários para a concessão da isenção. Logo, correta a glosa das áreas de preservação permanente e de utilização limitada. Vale destacar que a área de utilização limitada (reserva legal) não está averbada. Já no que se refere ao arbitramento do VTN temse que a autoridade fiscal agiu em conformidade com o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, utilizando para tal valor extraído do Sistema de Preços de Terras (SIPT), instituído pela Portaria SRF nº 447/2002, extrato fls. 14. Por seu turno, temse que a recorrente, intimada a comprovar o VTN declarado, nada apresentou, seja durante o procedimento fiscal, seja nas fases de impugnação e recursal. Assim, na ausência de elementos que comprove o VTN informado pela recorrente, devese manter o arbitramento promovido pela autoridade fiscal, eis que efetivado nos termos do art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/02/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10835.720129/200753 Acórdão n.º 210201.753 S2C1T2 Fl. 9 9 Ante o exposto, voto por rejeitar a preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 181DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/02/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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