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Numero do processo: 10935.001319/2005-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2000 a 30/11/2002
NULIDADE DO LANÇAMENTO.
As alegações de nulidade trazidas pela Recorrente não podem prosperar, uma fez que não se verifica a ocorrência de fatos que se subsumam ao comando previsto no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, que rege o Processo Administrativo Fiscal, no qual são previstas as hipóteses de nulidade. Não devem ser acatadas alegações genéricas acerca de ausência de liquidez, certeza e exigibilidade dos valores lançados pela fiscalização. O contribuinte, ao formalizar sua impugnação, deve trazer aos autos os argumentos e provas que entender cabíveis, relativos ao auto de infração especificamente. Não há autorização na norma para que façam alegações imprecisas e abstratas.
PROVA NO PROCESSO TRIBUTÁRIO
As partes em litígio, Fisco e contribuinte, ao fazerem suas alegações devem apresentar as provas que as estribam. Tanto o Fisco (artigo 9º./PAF), como o contribuinte (artigo 16/PAF), têm um marco legal estabelecido para apresentação de todas as provas que demonstrem suas alegações e argumentos. As provas devem trazer aos autos a versão mais próxima e possível dos eventos ocorridos no mundo fenomênico, de forma a permitir ao julgador decidir o litígio.
Numero da decisão: 3201-000.718
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Conselheiro Relator.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Luís Eduardo Garrossino Barbieri
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2000 a 30/11/2002 NULIDADE DO LANÇAMENTO. As alegações de nulidade trazidas pela Recorrente não podem prosperar, uma fez que não se verifica a ocorrência de fatos que se subsumam ao comando previsto no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, que rege o Processo Administrativo Fiscal, no qual são previstas as hipóteses de nulidade. Não devem ser acatadas alegações genéricas acerca de ausência de liquidez, certeza e exigibilidade dos valores lançados pela fiscalização. O contribuinte, ao formalizar sua impugnação, deve trazer aos autos os argumentos e provas que entender cabíveis, relativos ao auto de infração especificamente. Não há autorização na norma para que façam alegações imprecisas e abstratas. PROVA NO PROCESSO TRIBUTÁRIO As partes em litígio, Fisco e contribuinte, ao fazerem suas alegações devem apresentar as provas que as estribam. Tanto o Fisco (artigo 9o./PAF), como o contribuinte (artigo 16/PAF), têm um marco legal estabelecido para apresentação de todas as provas que demonstrem suas alegações e argumentos. As provas devem trazer aos autos a versão mais próxima e possível dos eventos ocorridos no mundo fenomênico, de forma a permitir ao julgador decidir o litígio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Fl. 220DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE 2 JUDITH AMARAL MARCONDES ARMANDO Presidente. LUÍS EDUARDO G. BARBIERI Relator. EDITADO EM: 10/08/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Judith Amaral Marcondes Armando (presidente da turma), Luciano Lopes de Almeida Moraes (vice presidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Daniel Mariz Gudino. Relatório O presente processo trata de lançamento de ofício, veiculado através de auto de infração, para a cobrança da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, multa de ofício e juros de mora, totalizando um crédito tributário apurado de R$ 132.178,10, relativo aos períodos de 01/01/2000 a 30/11/2002. Por bem descrever os fatos transcrevo o Relatório que integra a decisão de primeira instância administrativa, verbis: 1. Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado contra o interessado acima identificado, relativo à falta de recolhimento da Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, abrangendo os períodos de apuração janeiro de 2000 a novembro de 2002 (PA 01/00 a 11/02, v. fls. 155 a 166), no valor (principal) de R$ 55.619,11, com multa de oficio de 75% no valor de R$ 41.714,22, e juros de mora, calculados até 31/05/2005, no valor de R$ 34.844,77, totalizando um crédito tributário apurado de R$ 132.178,10, em decorrência de ação fiscal efetuada pela Delegacia da Receita Federal em Cascavel (DRF/Cascavel/PR), conforme Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) à fl. 01. 2. Na Descrição dos Fatos de fls. 163/165, bem como no Termo de Verificação Fiscal de fl. 167, os AFRF autuantes informam que: • em procedimento de fiscalização no contribuinte anteriormente identificado, e no curso das verificações obrigatórias, constataramse diferenças entre o PIS a pagar decorrente da base de cálculo constante dos livros fiscais da empresa (cópia dos balancetes de verificação constantes dos livros diários anexados às fls. 06/120) e o valor declarado/recolhido pela mesma; • às fls. 129/141, anexouse relação dos valores declarados em DCTF; • às fls. 121/128, anexouse relação dos pagamentos efetuados pela empresa; • intimada a justificar tais diferenças (fls. 142/154), a empresa nada respondeu, lavrandose, em decorrência, o Auto de Infração que contempla as diferenças assinaladas da contribuição para o PIS. 3. O enquadramento legal do lançamento fiscal do PIS (indicado à fl. 165), cientificado ao contribuinte em 27/06/2005, conforme se observa à fl. 162, consistiu no art. 149 da Lei n° 5.172/66; arts. 1° e 3°, alínea "b", da Lei Complementar n° 07/70; art. 1, parágrafo único, da Lei Complementar n° 17/73, Título 5, capítulo 1, seção 1, alínea "b", itens I e II, do Regulamento do PIS/PASEP, aprovado pela Fl. 221DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE Processo nº 109350013192005 Acórdão n.º 3201000718 S3C2T1 Fl. 219 3 Portaria MF n° 142/82; arts. 2°, inciso I, 8°, inciso I, e 9°, da Lei n° 9.715/98; arts. 2° e 3° da Lei n° 9.718/98. 4. No que se refere à multa de oficio e aos juros de mora, os dispositivos legais aplicados foram relacionados no demonstrativo de fls. 159/161. 5. Após tomar ciência da autuação, o interessado, inconformado, apresentou, em 27/07/2005, a impugnação juntada às fls. 168/173, e documentos anexos (cópia) de fls. 174/182 (Contrato Social e Quarta Alteração Contratual, fls. 174/180; folha de intimação integrante de Auto de Infração do PIS, fl. 181; documento de identidade e CPF de sócio/representante da empresa, fl. 182), com as alegações abaixo resumidas: 5.1. o trabalho de fiscalização efetivado carece de legalidade, tomando nulo o Auto de Infração, dentre outros argumentos, em preliminar, pela flagrante violação e inobservância do devido processo legal (art. 5°, LIV, da Constituição Federal de 1988CF/88) e da ampla defesa (art. 5 0, LV, da CF/88); 5.2. o referido Auto de Infração tãosomente descreve eventuais e "supostas" infrações de modo genérico, sem possuir elementos que possibilitem à recorrente exercer seu direito de defesa, e se limitando basicamente a descrever e citar nomes, bem como uma "pretensa" e "suposta" legislação pertinente à matéria, sem oferecer fundamentação para a atividade fiscalizatória levada a efeito; 5.3. é inequívoco que a legislação tida como suporte legal para constituição de referido Auto de Infração é insuficiente para legitimar a atitude tomada pela fiscalização; 5.4. ao não se oportunizar que a impugnante exercite de maneira satisfatória sua defesa, resta caracterizado o cerceamento ao direito constitucionalmente garantido à ampla defesa, na exata medida em que os dispositivos legais utilizados na fundamentação de referido Auto mostramse inaplicáveis ao presente caso; 5.5. os enquadramentos legais transcritos tratam genericamente da sistemática de tributação, sendo impertinentes às "supostas" infrações cometidas pela impugnante como estipulado na autuação, motivo pelo qual deve ser reconhecida e decretada a nulidade do feito fiscal; 5.6. a legislação citada no Auto de Infração nunca foi infringida pela impugnante, como provam suas declarações e seus registros contábeis; 5.7. inexistindo pertinência lógica entre os fatos afirmados e a legislação tida como suporte legal, resta evidente que o princípio do devido processo legal e da ampla defesa restam prejudicados, pois além de se constituir Auto de Infração de maneira incorreta, a impugnante nem sabe ao certo do que se defender, ante a omissão de referido Auto à realidade dos fatos; 5.8. deste modo, resta evidente que inexiste o enquadramento do caso concreto que se examina nos preceitos das normas abstratas tidas como aplicáveis ao caso, inexistindo, em outras palavras, a necessária subsunção do fato ao preceituado pela norma, motivo suficiente para que se decrete a nulidade do feito, ante a inexistência de conseqüências jurídicas como alegado; 5.9. como decorrência lógica da primeira preliminar invocada, temse que todo procedimento fiscalizatório utilizase primordialmente das diretrizes normativas estabelecidas pelo Decreto n° 70.235/72, devendo o Auto de Infração, no mínimo, preencher os requisitos gerais necessários à sua formação, que, em relação aos atos Fl. 222DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE 4 administrativos são: competência, finalidade, motivo de causa, e objeto; e, que, em relação aos atos jurídicos são: agente capaz, objeto lícito, e que obedeça a forma prescrita em lei (conforme preceitua o artigo 166 do Código Civil Brasileiro); 5.10. a forma prescrita em lei é necessária para válida constituição do auto de infração, sendo que, no caso, o Decreto n° 70.235/72 regula, em seu art. 10, os "requisitos específicos" do ato administrativo/jurídico denominado de "auto de infração"; 5.11. a lei é clara: ou é observada a forma legal ou o ato é nulo de pleno direito, de acordo com o artigo 166 do Código Civil Brasileiro, que regula a nulidade dos atos jurídicos; 5.12. não havendo a mínima condição de vincular o procedimento adotado pelos fiscais autuantes, em sua forma de constituir o Auto de Infração, aos artigos tidos como infringidos e que dão suporte ao seu enquadramento legal, exigido obrigatoriamente para ser válida a constituição do mesmo, deve ser reconhecida e decretada a nulidade do feito por inobservância da forma prescrita em lei para sua válida constituição; 5.13. no mérito, temse que todos os pagamentos tributários efetivados pela impugnante a título de COFINS (sic) obedeceram rigorosamente as bases de cálculo respectivas, ou seja, a impugnante recolheu o que efetivamente declarou, nada mais sendo devido ao erário público; 5.14. assim, verificase que a impugnante não poderá responder por eventuais infrações praticadas por outra pessoa jurídica de direito privado, muito menos aceitar responsabilidade que não deriva de lei, por direta infração, dentre outros, ao princípio da legalidade; 5.15. diante de tudo quanto foi dito, e considerando: que o presente feito cerceia o direito constitucionalmente garantido à ampla defesa da impugnante, ante a inaplicabilidade dos dispositivos legais ao caso concreto; a flagrante nulidade, pela inobservância da forma prescrita em lei para a válida constituição do Auto de Infração; que, no mérito, quando possibilitada a discussão, restou demonstrada a inexistência de infração tributária, bem como incabível a extremada pretensão fiscalizatória, requerse a extinção do feito, desconstituindo o lançamento indevidamente realizado através do Auto de Infração, pelas razões constantes em preliminares, ou, por cautela, pelas razões meritórias, notadamente pela inexistência de amparo legal para a autuação imposta pela fiscalização, requerendose, ainda, a produção de todas as provas em direito admitidas, em especial a juntada de novos documentos, perícias e oitiva de testemunhas. 6. À fl. 184, tendo em vista o contido na Portaria RFB n° 340, de 22/02/2008, que transferiu a competência para julgamento dos processos relacionados em seu Anexo II, da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba (DRJ/CTBA) para a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II (DRJ/RJ02), o presente processo foi encaminhado a esta DRJ/RJ02, para julgamento. A Quinta Turma da Delegacia da Receita Federal no Rio de Janeiro – II, julgou o lançamento procedente, proferindo o Acórdão nº 1320.711 (fls. 185/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2000 a 30/11/2002 NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Fl. 223DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE Processo nº 109350013192005 Acórdão n.º 3201000718 S3C2T1 Fl. 220 5 Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. PIS/Pasep. LANÇAMENTO. PROCEDÊNCIA. É procedente o lançamento que, com base nos registros contábeis da empresa, promoveu a constituição de oficio da contribuição devida, não paga e não declarada em DCTF. ELEMENTOS DE PROVA A prova deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, por força do artigo 16, § 4 0, do Decreto n° 70.235/72. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIA. DILIGÊNCIAS. A autoridade julgadora de primeira instância indeferirá as diligências e perícias que considerar prescindíveis ou impraticáveis, fazendo constar do julgamento o seu indeferimento fundamentado. Lançamento Procedente A recorrente foi cientificada do Acórdão (fl. 194/197) em 18/08/2008. Inconformada com a decisão da autoridade julgadora administrativa, interpôs Recurso Voluntário em 16/09/2008 (fls. 198/ss), onde repisando os argumentos apresentados na impugnação, aduz em síntese: há nulidade do auto de infração por preterimento ao seu direito de defesa; há nulidade do auto de infração por inobservância da forma prescrita em lei para sua válida constituição; o auto de infração lavrado não oferece condições para que exerça de maneira satisfatória sua defesa; os pagamentos efetivados à título de PIS obedecem rigorosamente as base de cálculos respectivas, sendo que recolheu o efetivamente declarado, nada mais sendo devido ao Erário Público, requer, por fim, a produção de todas as provas em Direito admitidas, em especial a juntada de novos documentos, perícias e oitiva de testemunhas. Assim, requer o provimento ao recurso voluntário apresentado. O processo digitalizado foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório Voto Fl. 224DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE 6 Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Não há reparos a fazer na decisão administrativa de primeira instância. As alegações de nulidade trazidas pela Recorrente não prosperam, uma fez que não se verifica a ocorrência de fatos que se subsumam ao comando previsto no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, que rege o Processo Administrativo Fiscal PAF, no qual são previstas as hipóteses de nulidade. Registrese, ainda, que sobre a apresentação de impugnação no processo administrativo fiscal assim dispõe o art. 16, III, do Decreto nº 70.235/72: “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993)”. No presente caso a Recorrente apresenta somente alegações genéricas acerca de ausência de liquidez, certeza e exigibilidade dos valores lançados, decorrente da falta de recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep, sem entretanto demonstrar efetivamente o seu pagamento. O Contribuinte ao formalizar sua Impugnação ao lançamento deve trazer aos autos os argumentos e provas que entender cabíveis, relativos ao auto de infração especificamente. Não há autorização na norma para que faça alegações imprecisas ou genéricas. Não se vislumbra, no caso em tela, preterimento ao direito de defesa da Recorrente, uma vez que infrações que motivaram a lavratura do auto foram corretamente detalhadas (fls. 162/163 e 167) e embasadas documentalmente (fls. 06/154). Ademais, dentro do regular processo administrativo teve oportunidades – tanto na impugnação como no recurso para apresentar os elementos de defesa e não o fez a contento. Entendo, também, que não houve inobservância à forma prescrita em lei para a validade do ato administrativo do lançamento tributário, uma vez que o mesmo atendeu a todos os requisitos previstos no artigo 10 do PAF – Decreto no. 70.235/72. Sendo improcedente a alegação de nulidade, passase a analisar o restante dos argumentos apresentados pela recorrente. No mérito, a Recorrente não logrou demonstrar a improcedência a acusação da fiscalização, mais uma vez fez alegações genéricas. De concreto temos que a fiscalização apresentou as planilhas/demonstrativos de folhas 147/154 onde verificase que foram declarados valores inferiores àqueles efetivamente devidos, obtidos a partir dos registros mantidos pela própria empresa em sua contabilidade. Registrese, por oportuno, que esta irregularidade foi devidamente cientificada ao contribuinte, que não trouxe elementos de prova que as contestassem. Fl. 225DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE Processo nº 109350013192005 Acórdão n.º 3201000718 S3C2T1 Fl. 221 7 No tocante ao ônus da prova, cabe à parte que alega realizar a instrução dos autos, em seu favor, por meio de provas positivas, ou em desfavor da parte adversa, por meio de provas desconstitutivas. No caso em debate temse que a fiscalização descreveu os fatos (fls. 162/163 e 167) que vieram acompanhados de farta documentação probante (fls. 06/154), notadamente as citadas “planilhas/demonstrativos” de folhas 147/154 A Recorrente não trouxe sequer um elemento de prova para corroborar suas afirmações. Assim, cabe às partes em litígio Fisco e contribuinte ao fazerem suas alegações apresentarem as provas que as estribam. Devem demonstrar os fatos que alegam de forma a esclarecer o julgador, proporcionandolhe o conhecimento dos mesmos. Tomemos a lição de Fabiana Del Padre Tomé (obra: “A prova no Direito Tributário – Editora Noeses, 2005, página 202): “...às partes compete afirmar os fatos que pretendem ver reconhecidos, produzindo as provas necessárias para tanto, e ao julgador incumbe agir imparcialmente, examinando e valorando os elementos probatórios constituídos pelas partes, para com base neles dirimir o conflito instalado, ...”. Prossegue a citada autora (páginas 219 e 221 da obra citada), no que se refere ao ônus da prova: “Ao mesmo tempo em que o ônus da prova corresponde ao encargo que têm as partes de produzir provas para demonstrar os fatos por elas alegados, serve ao julgador como auxiliar na formação de seu convencimento, em especial nas hipóteses em que a prova é insuficiente, incerta ou faltante. Neste sentido, o ônus da prova está intimamente relacionado com problemas de valoração dos elementos carreados aos autos”. ...... “O direito à produção probatória decorre da liberdade que tem a parte de argumentar e demonstrar a veracidade de suas alegações, objetivando convencer o julgador. Por isso, ainda que não lhe tenha sido atribuído o ônus da prova, todos os elementos de convicção que levar aos autos serão importantes, interferindo no ato decisório. Visto por outro ângulo, o direito à prova implica a existência de ônus, segundo o qual determinado sujeito do processo tem a incumbência de comprovar os fatos por ele alegados, sob pena de, não o fazendo, ver frustrada a pretendida aplicação do direito material”. O PAF (Decreto no. 70.235/72), em seu artigo 16, parágrafo 4º, prescreve que a prova documental será apresentada na impugnação. Este é o momento adequado para apresentação das provas existentes, no que se refere ao contribuinte, salvo exceções legais. Por outro lado, no que ser refere ao Fisco, o artigo 9o. do mesmo Decreto estabelece que o auto de infração ao ser formalizado deve estar instruídos com todos os elementos de prova. Fl. 226DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE 8 Logo, podemos concluir que tanto o Fisco (artigo 9o.), como o contribuinte (artigo 16), tem um marco legal estabelecido para apresentação de todas as provas que demonstrem suas alegações e argumentos. Rejeitase, portanto, o requerimento do interessado para a posterior produção de provas. Desta forma, as provas que as partes – Fisco e contribuinte – dispõem foram apresentadas e constam dos autos. Assim, com base nestas provas é que o litígio foi analisado e decidido. Entendo, por fim, que não faltou motivação e nem insuficiência de matéria fática probatória por parte do Fisco. Ante o exposto, conheço do recurso posto que presentes os requisitos de admissibilidade para, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Conselheiro Relator Fl. 227DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE
score : 1.0
Numero do processo: 10930.004717/2008-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2004
Ementa: PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. CIÊNCIA POSTAL DA DECISÃO RECORRIDA. TRINTÍDIO LEGAL CONTADO DA DATA REGISTRADA NO AVISO DE RECEBIMENTO OU, SE OMITIDA, CONTADO DE QUINZE DIAS APÓS A DATA DA EXPEDIÇÃO DA INTIMAÇÃO. RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO. Na forma dos arts. 5º, 23 e 33 do Decreto nº 70.235/72, o recurso voluntário deve ser interposto no prazo de 30 dias da ciência da decisão recorrida. Os prazos serão contínuos, excluindo-se na sua contagem o dia do início e incluindo-se o do vencimento. No caso de intimação postal,
esta será considerada ocorrida na data do recebimento colocada no AR ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 2102-001.352
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO
conhecer do recurso por perempto.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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CIÊNCIA POSTAL DA DECISÃO RECORRIDA. TRINTÍDIO LEGAL CONTADO DA DATA REGISTRADA NO AVISO DE RECEBIMENTO OU, SE OMITIDA, CONTADO DE QUINZE DIAS APÓS A DATA DA EXPEDIÇÃO DA INTIMAÇÃO. RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO. Na forma dos arts. 5º, 23 e 33 do Decreto nº 70.235/72, o recurso voluntário deve ser interposto no prazo de 30 dias da ciência da decisão recorrida. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. No caso de intimação postal, esta será considerada ocorrida na data do recebimento colocada no AR ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO conhecer do recurso por perempto. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 15/06/2011 Fl. 99DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Em face do contribuinte WALTER MARCONDES FILHO, CPF/MF nº 189.866.849 34, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 13/04/2004, auto de infração (fls. 26 a 29), com ciência postal em 15/08/2008. Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 2.210,62 MULTA DE OFÍCIO R$ 1.657,96 Ao contribuinte foi imputada uma glosa de despesas médicas, no montante de R$ 8.038,60, no anocalendário 2003, conduta essa apenada com multa de ofício de 75%, com a seguinte fundamentação (fl. 32): Glosa parcial do pagamento efetuado ao Plano de Saúde da Unimed do Estado do Paraná CNPJ: 78.339.439/000130 no valor de R$ 203,60 referente ao segurado Gustavo Tomasetti Marcondes, conforme verificado no demonstrativo do plano. Gustavo Tomasetti Marcondes CPF: 027.223.40950 (filho) não é dependente do declarante, possui mais de 24 anos (data de nascimento 08/04/1978) e apresentou declaração completa em separado. Glosa de R$ 2.835,00 declarado como pagamento de despesas médicas a Luciana Bazzo Bertoncini. Foi solicitado, através de nova intimação datada de 29/05/2008, que fosse comprovado o efetivo pagamento, mas o contribuinte não comprovou o pagamento de tais despesas. Glosa de R$ 5.000,00 declarado como pagamento de despesas médicas a Françoase P. Seletti. Foi solicitado, através de nova intimação datada de 14/07/2008, que fosse comprovado o efetivo pagamento, mas o contribuinte não comprovou o pagamento de tais despesas. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. O impugnante juntou cópias dos recibos das despesas glosadas com os profissionais acima discriminados (fls. 18 a 25), enfatizando que cumpriu os ditames da legislação tributária, acostando aos autos a documentação hábil para o mister. Uma cópia da DIRPFexercício 2004 foi acostada aos autos (fls. 35 a 41). Fl. 100DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10930.004717/200849 Acórdão n.º 2102001.352 S2C1T2 Fl. 2 3 A 6ª Turma de Julgamento da DRJCuritiba (PR), por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 0628.403, de 24 de setembro de 2010 (fls. 50 a 53), que restou assim ementado: MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase como não impugnada a parte do lançamento em relação a qual o contribuinte não apresenta óbice. DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. São dedutíveis despesas médicas, desde que devidamente comprovadas mediante documentação hábil e idônea. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. ÔNUS DA PROVA. É licito ao fisco exigir a comprovação e justificação das despesas medicas, cabendo o ônus da prova ao contribuinte. PROVAS DOCUMENTAIS. IMPUGNAÇÃO. FASE INSTRUTÓRIA. PRAZO. PRECLUSÃO TEMPORAL. 0 momento para produção de provas documentais é juntamente com a impugnação, inexistindo fase instrutória especifica, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual, salvo se fundada nas hipóteses expressamente previstas na legislação pertinente. O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 1º/11/2010 (fl. 58). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 03/12/2010 (fl. 59). No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que fez a prova das despesas médicas exigidas pela legislação tributária, com os recibos competentes, apresentados em original ou em cópia autenticada, e conclui pedindo (fl. 67): a) realização de toda e qualquer diligência a fim de se apurar a verdade material, em especial: (i) a intimação das profissionais, Luciana Bazzo Bertoncini e Françoase P. Seletti, a fim de se comprovar a efetiva prestação do serviço; e (iii) a intimação da servidora pública Aparecida de Moura Britez de Carvalho, auxiliar — Matricula n° 09048138, a fim de se comprovar a conferência dos documentos recebidos no Termo de Comparecimento com os originais; b) seja o recorrente intimado, em tempo hábil, acerca da inclusão do recurso em Pauta de Julgamento, viabilizandose, assim, a realização de sustentação oral, por meio de procurador legalmente habilitado; e c) seja conhecido e provido o presente recurso voluntário, reformandose o Acórdão n° 0628.403, no sentido de anular a Notificação de Lançamento, e, via de conseqüência, o crédito constituído, bem como multa e juros, nos termos desta defesa. Termos em que pede e espera provimento. Fl. 101DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 1º/11/2010 (fl. 58), segunda feira, e interpôs o recurso voluntário em 03/12/2010 (fl. 59), sextafeira, quando já fluíra o trintídio legal, que teve seu termo final em 02/12/2010, quartafeira, pois o termo a quo do prazo começou a fluir no dia 03/11/2010, aqui considerando o feriado nacional no dia 02/11/2010 (finados). Para aclarar a afirmação acima, transcrevemse os arts. 5º, 23 e 33 do Decreto nº 70.235/72, que dispõem sobre as formas e prazos de intimação no rito do Processo Administrativo Fiscal: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1o , I a III – omissis; § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 102DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10930.004717/200849 Acórdão n.º 2102001.352 S2C1T2 Fl. 3 5 III e IV – omissis; § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 5o a §9º omissis. (...) SEÇÃO VI Do Julgamento em Primeira Instância (...) Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. (grifouse) Pelo acima destacado, vêse que o trintídio legal para interposição do recurso voluntário contase da data de ciência anotada no aviso de recebimento AR ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação. Ainda, os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Pelo que consta dos autos, o contribuinte foi intimado da decisão a quo em 1º/11/2010, segundafeira, e interpôs o recurso voluntário em 03/12/2010, sextafeira. Assim, o prazo de trinta dias contase a partir de 03/11/2010, aqui considerando o feriado nacional no dia 02/11/2010 (finados), encerrandose no dia 02/12/2010, quintafeira. Dessa forma, quando interposto o recurso voluntário em 03/12/2010, já tinha fluído o prazo legal. Ante o exposto, patente a intempestividade do recurso voluntário. Dessa forma, voto no sentido de NÃO CONHECER o recurso voluntário interposto, pois perempto. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 103DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 6 Fl. 104DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 10480.011459/2002-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 1999
Ementa:
IRPF. DESPESAS MÉDICAS. GLOSA.
0 contribuinte que apresentou recibos considerados inidôneos deve fazer a contraprova do pagamento e da prestação do serviço.
Hipótese em que a prova produzida pelo Recorrente não é suficiente para confirmar a prestação da totalidade dos serviços e os respectivos pagamentos.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-001.000
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-04-28T12:38:02Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 8; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-04-28T12:38:02Z; Last-Modified: 2011-04-28T12:38:02Z; dcterms:modified: 2011-04-28T12:38:02Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:0b691170-ad0e-466b-8dd9-dc8f8f62c934; Last-Save-Date: 2011-04-28T12:38:02Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-04-28T12:38:02Z; meta:save-date: 2011-04-28T12:38:02Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-04-28T12:38:02Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-04-28T12:38:02Z; created: 2011-04-28T12:38:02Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2011-04-28T12:38:02Z; pdf:charsPerPage: 1025; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-04-28T12:38:02Z | Conteúdo => io Marcos Cândido - dente / Alexandre Nao i Nishioka - Relator EDITADO EM: S /12R 2011 S2-C 1 T1 Fl. 391 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10480.011459/2002-15 Recurso n° 504.006 Voluntário Acórdão n° 2101-01.000 — Camara / la Turma Ordinária Sessão de 15 de maw() de 2011 Matéria IRPF - Despesas médicas Recorrente WALTER GERMANO FRANÇA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 1999 Ementa: IRPF. DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. 0 contribuinte que apresentou recibos considerados inidôneos deve fazer a contraprova do pagamento e da prestação do serviço. Hipótese em que a prova produzida pelo Recorrente não é suficiente para confirmar a prestação da totalidade dos serviços e os respectivos pagamentos. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Processo n° 10480.011459/2002-15 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-01.000 Fl. 392 Participaram do julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Ana Neyle Olímpio Holanda, Jose Raimundo Tosta Santos, Odmir Fernandes e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 370 e seguintes) interposto em 22 de novembro de 2007 (fl. 370) contra acórdão proferido pela la Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife (fls. 354/365), do qual o Recorrente teve ciência em 23 de outubro de 2007 (fl. 368), que, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente o auto de infração de fls. 04/08, lavrado em 10 de maio de 2002, em decorrência de omissão de rendimentos de pessoa jurídica e de deduções indevidas, verificadas no ano- calendário de 1998. 0 acórdão recorrido teve a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 1998 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. Somente são acatadas as despesas médicas do contribuinte e seus dependentes, quando comprovadas por documentação que atenda aos requisitos legais. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. É de se manter a parte da majoração dos rendimentos tributáveis quando os documentos dos autos atestam que houve omissão apenas de tal parcela. LIVRO CAIXA. Somente são dedutiveis as despesas de custeio pagas, necessárias A. percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, desde que devidamente comprovadas. CARNt-LEÃO. DEDUÇÃO INDEVIDA. Não é dedutivel como imposto pago a titulo de came-le -do aquele imposto retido na fonte de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, quando considerados na dedução de 1RRF pela fiscalização. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Podem ser deduzidas as importâncias pagas a titulo de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, apenas quando em cumprimento de decisã ou acordo judicial. Lançamento Procedente em Parte" (fl. 354). Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 370 e seguintes), exclusivamente para que fosse reconhecida a dedutibilidade das despesas médicas apontadas, de tal sorte que restaram sem recurso as demais questões apreciadas pela Recorrida. , 2 Processo n° 10480.011459/2002-15 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-01.000 Fl. 393 E o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator 0 recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Analisando-se os autos, verifica-se que, no mérito, o recurso voluntário interposto cinge-se tão-somente ao pleito de reconhecimento da dedutibilidade de despesas médicas efetuadas com duas profissionais, inicialmente glosadas, a saber: (i) Dra. Abelane de Cássia Gomes Lisboa, CRP 02/7602, CPF 457.009.314- 00, no valor de R$ 9.000,00 (nove mil reais); (ii) Dra. Ana Célia Gouveia, CRP 02/3136, CPF 189.486.694-00, no valor total de R$ 10.000,00 (dez recibos de R$ 1.000,00), referente a supostos serviços medicos prestados em favor do filho do Recorrente, Rodrigo Rebel lo França. Pois bem, no que se refere à glosa das aludidas despesas médicas, a controvérsia gira em torno da necessidade ou não da comprovação da efetiva prestação de serviços, bem como dos respectivos pagamentos. Em relação à dedução dessas despesas, a norma aplicável ao caso (Lei n. 9.250/95) determina o seguinte: "Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: I — de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos tributação definitiva; II— das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; §2°. 0 disposto na alínea 'a' do inciso II: I — aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no Pais, destinados h. cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II — restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; 3 Processo n° 10480.011459/2002-15 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101 -01.000 Fl. 394 III — limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas — CPF ou Cadastro Geral de Contribuintes — CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento." Por sua vez, o Decreto n. 3.000/99, ao regulamentar o imposto de renda, reproduz o seguinte comando normativo: "Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juizo da autoridade lançadora (Decreto-Lei n.° 5.844, de 1.943, art. 11, § 3°). § 1 0 . Se foram pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto-Lei n.° 5.844, de 1943, art. 11, § 4°)." No presente caso, a Recorrida não acolheu a impugnação do Recorrente sob os seguintes fundamentos: "18. No que se refere ao recibo de fl. 43, com data de 31/12/1998, este descreve o recebimento pela Sra. Abelane de Cassia Gomes Lisboa, CRP 02/7602, CPF 457.009.314-00, do valor de RS 9.000,00, do Sr. Walter Germano Franca, referente a serviços prestados em psicoterapia durante o período de 02/01/1998 a 31/12/1998. 19. Este recibo não especifica em quem foram prestados os serviços e não contém o endereço da prestadora dos serviços, em desacordo com art. 80, §1°, III, do Regulamento do Imposto de Renda — RIR/1999. Além disso, contém uma descrição genérica da prestação dos serviços, indicando apenas um montante, portanto, não especificando quantas sessões de psicoterapia teriam sido realizadas por mês e quais os valores mensais pagos, observando-se ainda que o único sinal de datação, "externo" ao documento, através de um carimbo de cartório, tem data de 12/08/2002, próxima da impugnação, que tem data de 15/08/2002 e foi apresentada a repartição fiscal em 19/08/2002, conforme fls. 01 a 03. 20. Além das considerações precedentes, é oportuno observar que os recibos, desacompanhados da comprovação da efetiva transferência dos recursos para o pagamento das despesas por eles informadas, são elementos de prova que se mostram frágeis, ou insuficientes, ao convencimento deste julgador, tendo em vista faculdade prevista no art.. 29 do Decreto 70.235/72 ... 22. Portanto, a comprovação da efetiva transferência do numerário, no causa em pauta, através de cheques nominativos ou de extratos bancários que atestem as transferências ou saques e depósitos em valores e datas coincidentes com os pagamentos, ou, pelo menos, próximos, seria importante para que se pudesse asseverar a realização da(s) despesa(s), quando estas sejam passíveis de dedução, o que não se verifica, entretanto, para o caso de despesas com terceiros, ainda que filhos do contribuinte, que não sejam dependentes deste para fins de dedução do imposto de renda." Em seu recurso, insiste o Recorrente em afirmar que todas as exigências feitas pela fiscalização e confirmadas pela Recorrida seriam descabidas, pois o recibo de fl. 43 4 Processo n° 10480.011459/2002-15 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-01.000 Fl. 395 seria suficiente para comprovar a prestação dos serviços e os pagamentos, da mesma forma que os recibos juntados apenas e tão-somente por ocasião do recurso. Ocorre, todavia, que, o Recorrente trouxe aos autos apenas os recibos emitidos pelos profissionais, sem justificar os vícios apontados na decisão recorrida. Devido ao valor envolvido no presente caso (R$ 19.000,00), considero a documentação insuficiente para atestar a efetiva prestação dos serviços e os respectivos pagamentos, o que poderia se dar por meio de cheques, de extratos bancários indicando saques em dinheiro, de faturas de cartões de credito ou, ate, pela juntada do prontuário medico. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. c A, Alexandre Naoki Nishioka 5
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Numero do processo: 10840.000318/2004-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2001
IRPF. COMPROVAÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS.
Quando comprovada a efetividade de despesas médicas, através de
documentação idônea, deve ser considerada a legitimidade da mesma a fim de utilizá-la como dedução na declaração de ajuste anual. Após comprovações apresentadas pelo contribuinte, a glosa de dedução de despesas somente pode ser mantida quando restarem motivadas as razões da autoridade administrativa.
Numero da decisão: 2102-001.072
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para serem restabelecidas as deduções das despesas odontológicas efetuadas pelo RECORRENTE, no valor de R$ 14.990,00 (fl.s 78 a 84).
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA
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COMPROVAÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. Quando comprovada a efetividade de despesas médicas, através de documentação idônea, deve ser considerada a legitimidade da mesma a fim de utilizála como dedução na declaração de ajuste anual. Após comprovações apresentadas pelo contribuinte, a glosa de dedução de despesas somente pode ser mantida quando restarem motivadas as razões da autoridade administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para serem restabelecidas as deduções das despesas odontológicas efetuadas pelo RECORRENTE, no valor de R$ 14.990,00 (fl.s 78 a 84). ASSINADO DIGITALMENTE Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente ASSINADO DIGITALMENTE Carlos André Rodrigues Pereira Lima Relator Fl. 160DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 10840.000318/200494 Acórdão n.º 2102001.072 S2‐C1T2 Fl. 126 2 EDITADO EM 10/02/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos, Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho, Acácia Sayuri Wakasugi e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Cuidase de recurso voluntário de fls. 57 a 60, interposto contra decisão da DRJ em São Paulo/SP, de fls. 53 a 55v, que julgou procedente em parte o lançamento do IRPF de fls. 11 a 14, relativo ao anocalendário 2001, lavrado em 17/10/2003. O presente lançamento teve origem na glosa de deduções relativas a despesas médicas e com instrução. De acordo com o demonstrativo das infrações de fl. 13, a autoridade fiscal apontou dedução indevida a título de despesas com instrução pelo fato de que o RECORRENTE não apresentou os comprovantes de despesas, nos termos do art. 8º, inciso II, alínea “b” e § 3º da Lei nº 9.250/95; e arts. 39 a 42 da Instrução Normativa SRF nº 15/2001. No tocante às despesas médicas, a autoridade fiscal afirmou que o RECORRENTE não apresentou os laudos médicos solicitados no pedido de esclarecimentos nº 971/2003, em desacordo com o art. 8º, inciso II, alínea “a” e os §§ 2º e 3º da Lei nº 9.250/95; e os arts. 43 a 48 da Instrução Normativa SRF nº 15/2001. Desta forma, foram alteradas as seguintes linhas da declaração do RECORRENTE: (i) despesas com instrução de R$ 1.700,00 para R$ 0,00; e (ii) despesas médicas de R$ 16.926,56 para R$ 452,00. (fl. 12). Após a revisão da declaração, foi apurado imposto a restituir no valor de R$ 149,06, em substituição ao resultado de imposto a restituir de R$ 5.147,06 inicialmente apurado pelo RECORRENTE (fl. 14). DA IMPUGNAÇÃO Em 05/02/2004, o RECORRENTE apresentou a impugnação de fls. 01 e 02. Em suas razões, alegou, em síntese, que quando foi intimado através do pedido de esclarecimento nº 971/2003 (fl. 19), apresentou todos os comprovantes com despesas médicas solicitados pela fiscalização, exceto os laudos médicos e cheques nominativos. Fl. 161DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 10840.000318/200494 Acórdão n.º 2102001.072 S2‐C1T2 Fl. 127 3 Afirmou que as despesas médicas lançadas são na maioria de tratamentos dentários e, por, sua vez estes profissionais dentistas estão desobrigados de fornecerem laudos aos seus pacientes. Alegou também que não era obrigado efetuar nenhum pagamento com cheques nominativos, e que a forma de pagamentos é determinada pelo contribuinte e não imposta pelo poder público. Portanto, afirmou que tais despesas médicas foram efetuados em dinheiro. Sobre as despesas com instrução, o RECORRENTE afirmou que tratavamse de diversos cursos profissionais feitos durante o anocalendário, e que os comprovantes correspondentes foram extraviados. Requereu também a Notificação dos profissionais dentistas Rosangela Califani Machado e Silva – CPF. n° 097.510.63841 e Ceres Cochoni Achicar – CPF. n° 164.065.78864, para que apresentem suas declarações a fim de comprovar o recebimento de tais valores. DA DECISÃO DA DRJ A DRJ, às fls. 53 a 55v dos autos, julgou procedente o lançamento do imposto, através de acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001 GLOSA DE DEDUÇÃO DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO. Mantémse a glosa de despesas com instrução quando não forem apresentados comprovantes do efetivo pagamento. GLOSA DE DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. Mantémse a glosa de dedução a título de despesas médicas, quando não forem apresentados documentos hábeis que comprovem o efetivo pagamento pela prestação dos serviços médicos e odontológicos, devendo ser aceitas aquelas devidamente comprovadas. Lançamento Procedente em Parte” Nas razões do voto que compõe o julgamento, a autoridade julgadora verificou que o RECORRENTE não apresentou os comprovantes de despesas com instrução, se limitando a informar que foram extraviados. Assim, manteve a glosa efetuada pela fiscalização. Fl. 162DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 10840.000318/200494 Acórdão n.º 2102001.072 S2‐C1T2 Fl. 128 4 Sobre a glosa das despesas médicas, a autoridade julgadora afirmou que cabe ao contribuinte a prova de que faz jus à dedução pleiteada na declaração, conforme prevê os arts. 80 e 73, § 1º, do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99). Sobre o tema, afirmou que, existindo dúvida por parte do Fisco, quanto à idoneidade do documento, pode este solicitar provas não só da efetividade do pagamento, mas também da efetividade dos serviços prestados pelos profissionais. Assim, tendo em vista as dúvidas suscitadas acerca da autenticidade dos recibos de despesas médicoodontológicas, caberia ao beneficiário do recibo provar que realmente efetuou o pagamento no valor nele constante, bem como que o serviço foi prestado, para que ficasse caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução. Ponderou que tal prova seria possível mediante a apresentação, de um lado, de cópias de cheque, extratos bancários demonstrando saques em datas próximas/coincidentes com as datas das consultas/tratamentos e, de outro, de laudos técnicos atestando o serviço prestado, entre outros documentos, o que, entretanto, não ocorreu. Afirmou que, nos termos do art. 29 do Decreto nº 70.235/72, o julgador administrativo tem livre convicção no julgamento, para aceitação ou não de comprovações. Desta forma, como a comprovação é possível e o contribuinte não a faz, seria lícito concluir que tais serviços não foram realmente prestados, tendo sido emitidos os recibos unicamente com o fito de reduzir indevidamente da base de cálculo tributável. Entretanto, observou que deveria se fazer um reparo no total das despesas médicas a serem consideradas, pois a fiscalização aceitou apenas o valor de R$ 452,00 correspondentes aos valores de pagamentos comprovados (fls. 29 a 33), e o RECORRENTE apresentou os comprovantes de pagamentos efetuados à empresa CODEP – CONVÊNIO ODONTOLÓGICO EMPR. PLANJ SC LTDA. (fls. 34 a 45), em seu nome, no total de R$ 441,63, sendo que não foram aceitos os referentes a MÁRCIA REGINA CIRELLI, que não consta como dependente do RECORRENTE DIRPF (fl. 07), no valor total de R$ 52,00 (fls. 46 a 49). Assim, o lançamento foi revisto, de modo a considerar um total de despesas no valor de R$ 893,63 (R$ 452,00 + R$ 441,63), o que alterou o montante total das deduções para o valor de R$ 3.762,01, nos seguintes termos: Rendimento declarados 54.955,94 () Deduções 3.762,01 Base de Cálculo 51.193,93 Imposto Devido (alíquota de 27,5% e parcela a deduzir de R$ 4.320,00) 9.758,33 Imposto Retido na Fonte 10.028,83 Imposto a restituir calculado 270,50 Diante do exposto, a DRJ julgou procedente em parte o lançamento DO RECURSO VOLUNTÁRIO Fl. 163DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 10840.000318/200494 Acórdão n.º 2102001.072 S2‐C1T2 Fl. 129 5 O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão em 03/02/2009, conforme ciência exarada nos próprios autos (fl. 55v), apresentou recurso voluntário de fls. 57 a 60 em 03/03/2009. Em suas razões, reiterou os argumentos de sua impugnação, e alegou que as despesas médicas glosadas pela fiscalização foram devidamente declaradas pelos beneficiários dos rendimentos: Dra. Rosângela Califani Machado e Silva – CPF nº 097.510.63841 e Dra. Ceres Cochoni Achicar – CPF. nº 164.065.78864. O RECORRENTE demonstrou sua inconformidade com a decisão de primeira instância, visto que os recibos dados pelos prestadores de serviços odontológicos deveriam ser aceitos. Afirmou que somente abriu conta bancária, em conjunto com sua cônjuge, no mês de maio de 2001, conforme extratos e contrato de cheque especial anexados ao seu recurso (fls. 98 a 112), e que, portanto, não poderia ser prejudicado por pagar as despesas médicas em dinheiro. Ademais, alegou que se soubesse que tais pagamentos não poderiam ser realizados em dinheiro e sim com cheques nominativos, teria optado por apresentar sua declaração no modelo simplificado, onde poderia apurar a base de cálculo de R$ 46.955,94 (R$ 54.955,94 menos a dedução de 20%) sem comprovação de despesas. Por fim, o RECORRENTE concorda expressamente com a glosa: (i) das despesas com instrução, no valor de R$ 1.700,00, tendo em vista que não conseguiu recuperar os documentos extraviados; (ii) do valor de R$ 52,00 referente ao Convênio odontológico pago à sua filha Márcia Regina Corrêa Cirelli; e (iii) do valor de R$ 983,13 também de convênio médico odontológico que o RECORRENTE não conseguiu recuperar os documentos dos valores correspondentes. Este recurso voluntário compôs lote, sorteado para este relator, em Sessão Pública. É o relatório. Voto O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. Primeiramente, cumpre observar que o RECORRENTE apenas impugnou o presente lançamento no tocante aos supostos pagamentos efetuados à Dra. Rosângela Califani Machado e Silva, no valor total de R$ 4.990,00 (fl. 78), e à Dra. Ceres Cochoni Achicar, no valor total de R$ 10.000,00 (fls. 79 a 84). Assim, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72, devem ser consideradas não impugnadas as demais matérias que não foram expressamente contestadas. Fl. 164DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 10840.000318/200494 Acórdão n.º 2102001.072 S2‐C1T2 Fl. 130 6 Devese esclarecer que os valores pagos em decorrência dos documentos de fls. 73 a 77 (R$ 452,00) já foram reconhecidos pela fiscalização, enquanto que as despesas efetuadas em razão dos documentos de fls. 85 a 96 (R$ 441,63) foram reconhecidas pela autoridade julgadora de primeira instância. De acordo com o que consta dos autos, o debate resumese à aceitação de recibos entregues pela Dra. Rosângela Califani Machado e Silva e pela Dra. Ceres Cochoni Achicar como prova dos serviços médicos/odontológicos prestados, no anocalendário 2001, no montante total de R$ 14.990,00. Sobre o tema, o Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999), em seu art. 73, estabelece que todas as deduções estão sujeitas à comprovação de sua realização, nos seguintes termos: "Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. § 1° Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. § 2° As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tomar irrecorrível na esfera administrativa. § 3º Na hipótese de rendimentos recebidos em moeda estrangeira, as deduções cabíveis serão convertidas para Reais, mediante a utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento do rendimento." Em seu art. 80, o RIR/1999 determina, ainda, o seguinte: "Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1° O disposto neste artigo: (...) III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento." Fl. 165DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 10840.000318/200494 Acórdão n.º 2102001.072 S2‐C1T2 Fl. 131 7 No caso dos autos, os recibos foram rejeitados pela fiscalização visto que o RECORRENTE deixou de apresentar laudos médicos que comprovassem a efetividade dos serviços, ou ainda cópias de cheques ou extratos bancários que atestassem a despesa realizada. O RECORRENTE alega que efetuou tais pagamentos em dinheiro, e que não possuía conta corrente até o mês de maio de 2001, conforme extratos anexados às fls. 98 a 109 dos autos. Conforme declaração de ajuste anual às fls. 05 a 10 dos autos, o RECORRENTE recebeu, durante o anocalendário 2001, o total de R$ 63.360,27 entre rendimentos tributáveis, isentos/nãotributáveis e rendimentos sujeitos à tributação exclusiva. Desse total, R$ 1.788,38 foi efetivamente retido a título de contribuição à previdência oficial, e R$ 10.028,83 foram retidos a título de imposto de renda, conforme comprovantes de fls. 19 e 20 dos autos. Desse modo, o RECORRENTE obteve, em tese, o rendimento líquido de R$ 51.543,06 durante o anocalendário 2001. Feitos os esclarecimentos acima, passo a analisar o caso em tela. Ao contrário do que argumentou a autoridade julgadora de primeira instância, entendo que os recibos emitidos pela Dra. Rosângela Califani Machado e Silva, no valor total de R$ 4.990,00 (fl. 78), e pela Dra. Ceres Cochoni Achicar, no valor total de R$ 10.000,00 (fls. 79 a 84) devem sim ser aceitos como comprovação de despesas médicas. Para efetuar a glosa de deduções, a autoridade fiscal deve motivar o seu ato, expondo as razões para efetivação da glosa. Tal ato (glosa de deduções) deve obedecer aos limites fixados em lei, sob pena de o ato administrativo tornarse arbitrário e, portanto, ilegal. Sobre a discricionariedade do ato administrativo, transcrevo abaixo as lições de Celso Antônio Bandeira de Mello: “89. A situação é bastante diversa quando a lei deixa ao Poder Público certa margem de discricionariedade por ocasião da prática do ato. Assim, considerese o caso da autorização do porte de arma. Se o particular o solicita, a Administração deferirá ou não, posto que a lei não constrange à prática do ato, dado que faculta ao Poder Público examinar no caso se convém ou não atender ao pretendido pelo interessado.(...) 90. Em suma: discricionariedade é liberdade dentro da lei, nos limites da norma legal, e pode ser definida como: ‘ margem de liberdade conferida pela lei ao administrador a fim de que este cumpra o dever de integrar com sua vontade ou juízo a norma jurídica, diante do caso concreto, segundo critérios subjetivos próprios, a fim de dar satisfação aos objetivos consagrados no sistema legal’. 91. Não se confundem discricionariedade e arbitrariedade. Ao agir arbitrariamente o agente estará agredindo a ordem jurídica, pois terá se comportado fora do que lhe permite a lei. Seu ato, em conseqüência, é ilícito e por isso mesmo corrigível judicialmente. Fl. 166DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 10840.000318/200494 Acórdão n.º 2102001.072 S2‐C1T2 Fl. 132 8 (...) 98. Assim, a discricionariedade existe, por definição, única e tãosomente para proporcionar em cada caso a escolha da providencia ótima, isto é, daquela que realize superiormente o interesse público almejado pela lei aplicanda. Não se trata, portanto, de uma liberdade para a Administração decidir a seu talante, mas para decidirse do modo que torne possível o alcance perfeito do desiderato normativo. (...)” (BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de Direito Administrativo. 22ª ed. rev. São Paulo: Malheiros, 2007. p.413 a 418). Conforme preceitua o art. 73 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), as deduções pleiteadas em declaração de ajuste anual estão sujeitas à comprovação do contribuinte. Após a glosa efetuada pela fiscalização, o RECORRENTE apresentou os recibos de fls. 78 a 84 que comprovam a efetividade das despesas de serviços odontológicos. Assim, agiu em conformidade com o que determina o art. 73 do Decreto nº 3.000/99, não podendo a autoridade lançadora simplesmente efetuar a glosa de tais despesas sem motivar legalmente o seu ato. A tese de que o RECORRENTE deveria apresentar cópias de cheques não deve prevalecer, pois, como bem afirmou o RECORRENTE em suas razões, nada impede que os pagamentos fossem efetuados em espécie. Neste sentido, todos os recibos apresentados indicam que os serviços foram pagos em dinheiro. Também não há que se falar em deduções exageradas (art. 73, § 1º, do Decreto nº 3.000/99), tendo em vista que o RECORRENTE possuía, no anocalendário em questão, rendimento líquido suficiente para justificar tais despesas médicas. Por oportuno, devese esclarecer que, após pesquisa no sítio da Receita Federal na internet, constatei que os profissionais que emitiram os recibos de fls. 78 a 84 (Dra. Rosângela Califani Machado e Silva e Dra. Ceres Cochoni Achicar) encontramse com a inscrição no CPF/MF regular, e que não existe qualquer processo administrativo envolvendo os mencionados profissionais desde o anocalendário objeto da presente ação (2001) até a presente data. Consulta essa realizada através do sistema “COMPROT”. Desta forma, o pedido de dedução de tais despesas médicas, formulado pelo RECORRENTE, deve ser acatado, tendo em vista que os recibos apresentados nos autos são perfeitamente aptos a comprovar a efetividade do dispêndio com serviços odontológicos. Sobre o tema, importante transcrever ementa de acórdão proferido pela antigo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, verbis: “GLOSA DE DEDUÇÃO DE DESPESAS — FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO. A glosa de dedução de despesas, após a justificativa apresentada pelo contribuinte, deve ser seguida de rigorosa fundamentação que demonstre a inaplicabilidade do art. 242 do RIR194 às despesas incorridas. A simples alegação, sem contra Fl. 167DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 10840.000318/200494 Acórdão n.º 2102001.072 S2‐C1T2 Fl. 133 9 demonstração fundamentada, por parte da autoridade administrativa, atinge o princípio da motivação dos atos administrativos. (recurso voluntário nº 133791; 7ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes; julgamento em 16/04/2003)” Portanto, o lançamento deve ser revisto de modo a considerar as despesas odontológicas referentes aos recibos de fls. 78 a 84, no valor total de R$ 14.990,00, além das despesas de R$ 452,00 (fls. 73 a 77), já reconhecida pela fiscalização, e de R$ 441,63 (fls. 85 a 96), reconhecida pela autoridade julgadora de primeira instância. Assim, deve ser considerado o valor total de despesas médicas de R$ 15.883,63, que somado à dedução com dependentes no valor de R$ 1.080,00 e à dedução a título de previdência oficial no valor de R$ 1.788,38, resulta no montante total de deduções de R$ 18.752,01. Rendimento declarados 54.955,94 () Deduções 18.752,01 Base de Cálculo 36.203,93 Imposto Devido (alíquota de 27,5% e parcela a deduzir de R$ 4.320,00) 5.636,08 Imposto Retido na Fonte 10.028,83 Imposto a restituir calculado após revisão 4.392,75 Isto posto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para serem restabelecidas as deduções das despesas odontológicas efetuadas pelo RECORRENTE, no valor de R$ 14.990,00 (fl.s 78 a 84). ASSINADO DIGITALMENTE Carlos André Rodrigues Pereira Lima Fl. 168DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO
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Numero do processo: 16707.100323/2005-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 2001
EXCLUSÃO DO SIMPLES. LIMITE DE RECEITA BRUTA EXCEDIDO.
Verificado pela autoridade fiscal que restou excedido o limite de receita bruta prescrito no art. 9º, I, da Lei nº 9.317/96, mesmo após ter sido reduzido o crédito tributário pelo julgamento administrativo, é correta a exclusão do regime simplificado.
Numero da decisão: 1302-000.512
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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LIMITE DE RECEITA BRUTA EXCEDIDO. Verificado pela autoridade fiscal que restou excedido o limite de receita bruta prescrito no art. 9º, I, da Lei nº 9.317/96, mesmo após ter sido reduzido o crédito tributário pelo julgamento administrativo, é correta a exclusão do regime simplificado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 01/06/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (presidente da turma), Irineu Bianchi (vicepresidente), Wilson Fernandes Guimarães, Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Eduardo de Andrade e Daniel Salgueiro da Silva. Relatório Por bem descrever os eventos ocorridos até o momento de seu relato, adoto o relatório produzido na DRJ. I DA EXCLUSÃO DO SIMPLES Em decorrência da representação Fiscal de fls. 01 e 02 a contribuinte acima identificada, na condição de Empresa de Pequeno Porte EPP, foi excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, a partir de 01/01/2001, mediante Ato Declaratório Executivo nº 60, de 11 de agosto de 2005 (fls. 116/117), em razão da receita bruta acumulada de R$ 1.639.370,44 em 2000 superar o limite estabelecido para sua permanência no Simples no anocalendário seguinte, nos termos do inciso IV do art. 15 da lei n° 9.317/96, com as alterações posteriores. A contribuinte foi cientificada da sua exclusão do SIMPLES, em 24 de Agosto de 2005, mediante o Aviso de RecebimentoAR de fl 119. II DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Em 13/09/2005, dentro do prazo legal, a contribuinte apresenta a manifestação de inconformidade contra o Ato Declaratório Executivo DRF/NAT n° 60, cujas alegações comentase a seguir de forma sucinta: II. 1 DOS EFEITOS DA EXCLUSÃO DO REGIME SIMPLES LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DOS FATOS GERADORES • Destaca que a Lei n° 9.317/96 sofreu diversas alterações, entre elas, a que trata do efeito da exclusão, que passou, segundo alteração introduzida pelo art. 196 do RIR/99, a ser a partir do mês seguinte àquele em que se proceder à exclusão. • Afirma que o RIR/99 contrariou a redação da norma original do art. 15 da Lei n° 9.317/96, tendo o D.O.U. feito circular, na data da publicação do RIR/99, a redação de que trata o inciso II, do art. 196, incluindo a EPP nos efeitos de exclusão a partir do mês subseqüente àquele em que se proceder à exclusão, ainda que de oficio, em virtude da constatação excludente prevista nos incisos II... do art. 192, e que, quando uma norma ulterior altera outra anteriormente vigente, mesmo que não a revogue explicitamente, a revogação possui eficácia plena, a teor do artigo 2o, §1°, da Lei de Introdução ao Código Civil, Decretolei nº 4.657, de 04/09/1942, • Ressalta que o art. 22, §6° da Instrução Normativa SRF nº 34, de 30/03/2001 também determina a exclusão a partir do mês subseqüente ao da ciência do Ato Declaratório expedido pela Secretaria da Receita Federal; • Destaca que in casu tanto o artigo 196 do RIR/99, quanto o §6° do art. 22 da IN Secretaria da Receita Federal n° 34/2001 respaldam a assertiva da peticionária. E, salienta que, à teor do artigo 108, III, do Código Tributário Nacional, a legislação processual, aí inclusos os novos procedimentos fiscais, alcançam fatos pretéritos, desde que o procedimento ocorra após a vigência da legislação que tenha Fl. 2DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 01/06/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16707.100323/200506 Acórdão n.º 130200.512 S1C3T2 Fl. 168 3 instituído novos critérios procedimentais, como é o caso dos novos critérios temporais estatuídos pela IN Secretaria da Receita Federal n° 34/2001, relativamente ao ato declaratório de exclusão do SIMPLES. Lembra que a atividade administrativa é plenamente vinculada; • Não há nenhum nexo entre a descrição dos fatos motivadores da exclusão do SIMPLES e a legislação pertinente, o que macula o art. 10, III, do Decreto Federal n° 70.235/72, com as modificações de lei. 11.2 DA IRRETROAT1VIDADE DOS EFEITOS DA EXCLUSÃO • A lei não pode retroagir para prejudicar. O Código Tributário Nacional elege em seu art. 112 o principio da benigna amplianda, e, por sua vez, o art. 106 do Código Tributário Nacional prevê a aplicação da lei em fato pretérito, mas em benefício do contribuinte, em consonância, pois, com a Constituição Federal. 11.3 DOS NOVOS EFEITOS DA EXCLUSÃO • A medida Provisória n° 2.15834 deu nova redação ao inciso II do art. 15 da Lei n° 9.317/96, na redação que lhe deu o art. 3o da lei n° 9.732/98, mas em face do princípio da anterioridade, válidos para fatos geradores a partir de 28/07/2001, efeitos jurídicos de 01/01/2002. • A redação do art. 196 do RIR/99 não foi modificada pelo art. 73 da Medida Provisória n° 2.15834 que se refere apenas aos incisos III a XLX do art. 9° da Lei 9.317/96, alterando seus efeitos para a partir do mês subseqüente ao que incorrida a situação excludente. O inciso II, que trata dos efeitos da empresa de pequeno porte não foi alterado; • Em consonância com o ordenamento jurídico foi expedida a IN Secretaria da Receita Federal nº 34, de 30/03/2001 que em seu art.22, §6° estabelece a exclusão de ofício a partir do mês subseqüente ao da ciência do ato declaratório executivo; • Portanto, não há nenhum dispositivo legal, relativamente a fatos geradores do ano calendário de 2000 que albergue os efeitos da exclusão do SIMPLES para o primeiro dia do ano civil seguinte àquele em que tenha havido faturamento bruto superior ao limite de permanência naquele regime tributário, relativamente à EPP; ∙ O art. 53 da Lei nº 9.784, de 29/01/99 estabelece que a Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade e revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade. In casu, tratase de economia processual, pois que não há a mínima condição do ato anulatório prosperar nas instâncias seguintes. • Conclui alegando que por questão de economia processual tornase imperativa a decretação de nulidade do Ato Declaratório de Execução DRF/NAT n° 60/2005. A 1ª Turma da DRJ/RPO, em sessão de julgamento, decidiu, por unanimidade, indeferir a solicitação, com supedâneo nos seguintes fundamentos: é correta a retroatividade dos efeitos da exclusão a 01/01/2002, tendo em vista que a nova redação dada ao inciso II do art. 15 da Lei nº 9.317/96 pela MP 2.15834/2001 (art. 73), por ser norma que institui novos procedimentos, retroage, a teor do inciso III do art. 108 do CTN; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 01/06/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 4 a retroatividade da MP 2158 alcança fatos ocorridos antes de sua vigência, ou seja, anteriores a 28/07/2001, por tratarse de norma processual que institui procedimentos, aplicada corretamente durante sua vigência. Irresignado, o recorrente interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, alegando, em síntese, os argumentos que reproduzo abaixo. o art. 196 do RIR/99 revogou o art. 15, II, da Lei nº 9.317/96, por terlhe dado redação diferente. Assim, ainda que não lhe tenha revogado explicitamente, possui eficácia plena, consoante o §1º do art. 2º da Lei de Introdução ao Código Civil. Nenhum ato legal posterior revogou o art. 196 do RIR/99; a IN SRF nº 34/2001, que prescrevia que os efeitos da exclusão no caso se dariam a partir do anocalendário subseqüente (§6º do art. 22) foi revogada pela IN SRF nº 250/2002, que revogou a IN 34 sem interrupção de sua força normativa. a exclusão não se confunde com procedimento de investigação e fiscalização, e, conforme delimitação do §1º do art. 144, o dispositivo não pode alcançála. a interpretação sobre a exclusão deve ser literal, conforme art. 111, I, do CTN. somente a legislação mais favorável pode retroagir, nos termos dos art. 106 e 113 do CTN. Requer, por fim, a decretação da nulidade do ADE DRF/NAT nº 60/2007, a aplicação das IN SRF nº 34/2001 e 355/2003, e o retorno retroativo ao Simples, com os efeitos pertinentes. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço. Discutese nos presentes autos a manifestação de inconformidade contra o Ato Declaratório Executivo DRF/NAT n° 60/2005, que excluiu do Simples o recorrente, com base no art. 14 da Lei nº 9.317/96, tendo em vista Representação Fiscal formulada pela fiscalização que em procedimento fiscal constatou o excesso de receita bruta para permanência no regime simplificado. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 01/06/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16707.100323/200506 Acórdão n.º 130200.512 S1C3T2 Fl. 169 5 De acordo com o auto de infração, formalizado nos autos do processo administrativo nº 16707.003360/200569, ficou constatada receita bruta acumulada no ano calendário de 2000 (conforme tabela abaixo) de R$3.632.085,25, superior, portanto, ao limite estabelecido no art.2º, II, da Lei nº 9.317/96 (R$1.200.000,00 para o anocalendário de 2000). Tal crédito tributário foi mantido in totum pelo julgamento efetuado pela 4ª turma da DRJ/REC. Porém, interposto Recurso Voluntário pelo autuado, foi a questão novamente julgada pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF, a qual, por unanimidade, excluiu da tributação as omissões de receita decorrentes de saldo credor de caixa e da denominada receita não escriturada, determinou que fossem considerados os recolhimentos efetuados na sistemática do Simples, e por maioria de votos, reduziu a multa de ofício de 150% para 75%, acolhendo, portanto, a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos até novembro de 2000, vencidos os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães e Marcos Rodrigues de Mello, sendo, ainda, designado o Conselheiro Paulo Jacinto do Nascimento relator do voto vencedor. Registrese, por oportuno, que foi interposto Recurso Especial pela Procuradoria da Fazenda Nacional, visando a reversão do julgado no que tange à desqualificação da multa de ofício. Desta forma, tendo em vista que o crédito tributário que motivou a exclusão foi reduzido no âmbito do próprio contencioso administrativo, a apreciação da matéria destes autos não pode ser feita sem que se observe o resultado ali obtido. Todavia, conforme reproduzido na tabela abaixo, a receita bruta acumulada no anocalendário de 2000, considerandose, inclusive, a decadência dos fatos geradores ocorridos até novembro de 2000 (matéria submetida à CSRF e ainda não julgada), é de R$1.361.619,81, ou seja, ainda assim é superior ao limite de R$1.200.000,00. Desta forma, passo a apreciar as questões levantadas no Recurso Voluntário. Mês calendário /Rubrica Receita Bruta Declarada pelo contribuinte na DSPJ Diferença Apurada em Procedimento Fiscal = (1)+(2)+(3) Receita Bruta Acumulada (1) Parcela Relativa a Saldo Credor de Caixa (2) Parcela Relativa a Omissão de Receitas por transferência entre matriz e filiais (3) Parcela Relativa a Omissão de Receitas por divergência entre o livro de ICMS e DSPJ Receita Bruta Mantida pela 1ªTO/3ªC com acolhimento da decadência dos fatos geradores ocorridos até nov/2000 Receita Bruta mensal, considerando o resultado dos julgados Receita Bruta Acumulada, considerando o resultado dos julgados 01/2000 64.713,00 168.500,76 233.213,76 11.235,96 144.602,18 12.662,62 64.713,00 64.713,00 02/2000 65.986,14 97.011,95 396.211,85 25.382,61 57.358,11 14.271,23 65.986,14 130.699,14 03/2000 65.781,45 417.515,60 879.508,90 96.972,71 297.608,78 22.934,11 65.781,45 196.480,59 04/2000 77.121,93 192.522,17 1.149.153,00 35.868,19 147.149,62 9.504,36 77.121,93 273.602,52 05/2000 106.840,15 255.435,29 1.511.428,44 36.835,62 218.599,67 106.840,15 380.442,67 06/2000 125.628,92 156.948,48 1.794.005,84 10.182,31 116.612,23 30.153,94 125.628,92 506.071,59 07/2000 125.217,59 75.709,30 1.994.932,73 1.079,43 59.132,71 15.497,16 125.217,59 631.289,18 08/2000 122.043,01 61.283,98 2.178.259,72 35.209,55 26.074,43 122.043,01 753.332,19 09/2000 107.753,77 126.155,04 2.412.168,53 27.624,54 63.985,84 34.544,66 107.753,77 861.085,96 10/2000 103.184,74 162.244,60 2.677.597,87 34.894,71 72.728,59 54.621,30 103.184,74 964.270,70 11/2000 79.278,00 135.398,46 2.892.274,33 40.968,27 2.015,10 92.415,09 79.278,00 1.043.548,70 12/2000 109.842,70 629.968,22 3.632.085,25 40.968,27 380.771,54 208.228,41 208.228,41 318.071,11 1.361.619,81 Total 1.153.391,40 2.478.693,85 3.632.085,25 397.222,17 1.586.638,80 494.832,88 208.228,41 1.361.619,81 1.361.619,81 Fl. 5DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 01/06/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 6 Sustenta a recorrente que o art. 196 do RIR/99 teria revogado o art. 15, II, da Lei nº 9.317/96, por terlhe dado redação diferente. Assim, ainda que não lhe tenha revogado explicitamente, possui eficácia plena, consoante o §1º do art. 2º da Lei de Introdução ao Código Civil. O inciso II do art. 196 do RIR/99 (Decreto nº 3.000/99), tem supedâneo no art. 15 da Lei nº 9.317/96, com a redação que lhe foi dada pelo art. 3º da Lei nº 9.732/98, a qual era vigente à época de expedição do regulamento, conforme consta da redação do próprio Regulamento. Tal dispositivo legal visava a regular os efeitos da exclusão do Simples com fundamento nos incisos III a XVIII do art. 9º da Lei nº 9.317, os quais foram reproduzidos nos incisos III a XVIII do art. 192 do RIR. O dispositivo legal que regula os efeitos da exclusão do Simples com base nos incisos I e II do art. 9º da Lei nº 9.317/96 (ultrapassagem dos limites legais de receita bruta, que é o caso presente) é o inciso IV do art. 15 daquela lei, o qual foi reproduzido no inciso IV do art. 196 do RIR/99 (abaixo reproduzido). Art. 196. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 194 e 195 surtirá efeito (Lei nº 9.317, de 1996, art. 15): ... II a partir do mês subseqüente àquele em que se proceder à exclusão, ainda que de ofício, em virtude da constatação excludente prevista nos incisos II a XVIII do art. 192 (Lei nº 9.732, de 1998, art. 3º);(grifo meu) ... IV a partir do anocalendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, nas hipóteses dos incisos I e II do art. 192; Art. 192. Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica (Lei nº 9.317, de 1996, art. 9º, e Lei nº 9.779, de 1999, art. 6º): ... II na condição de empresa de pequeno porte, que tenha auferido, no anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior a um milhão e duzentos mil reais; Desta forma, verificase, conforme já observado no julgamento de primeiro grau, que o inciso II do art. 196 do RIR contém um erro de grafia, pois ao mencionar indevidamente os incisos II a XVIII do art. 192 quis fazêlo em relação aos incisos III a XVIII, o que guarda consonância com o que prescreve a Lei (abaixo reproduzida), e com o que prescreve o inciso IV do art. 196 do mesmo Decreto. Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: ... Fl. 6DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 01/06/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16707.100323/200506 Acórdão n.º 130200.512 S1C3T2 Fl. 170 7 IV a partir do anocalendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, nas hipóteses dos incisos I e II do art. 9°; Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: ... I na condição de empresa de pequeno porte, que tenha auferido, no anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais); (Redação dada pela Lei nº 9.779, de 1999) O inciso IV do art. 15 da Lei nº 9.317/96, corretamente aplicado pela autoridade fiscal no Ato Declaratório Executivo nº 60/2005 para determinar o início dos efeitos da exclusão, nunca foi alterado na vigência da Lei, e portanto, não há cogitarse de retroatividade em sua aplicação. Tal dispositivo determina que tais efeitos irradiemse a partir do início do anocalendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido nos incisos I e II do art. 9º da Lei nº 9.317/96. Quanto à alegação de que o Decreto teria revogado a Lei nº 9.317/96, vale lembrar que, ainda que não fosse verificado o erro material evidente acima exposto, de acordo com o inciso IV do art. 84 da Constituição da República, compete privativamente ao Presidente da República editar decretos e regulamentos para a fiel execução das leis. O direito pátrio proíbe qualquer tentativa do Poder Executivo de legislar, exceto pela faculdade de editar Medidas Provisórias, as quais devem ser, todavia, submetidas ao crivo do Poder Legislativo.. Desta forma, além de não ser possível revogarse Lei por meio de Decreto, é essencial que este tenha supedâneo naquela, sob pena de ser ilegal, já que se destina à fiel execução da Lei. Tal conclusão está de acordo com o §1º do art. 2º da Lei de Introdução ao Código Civil, ao prescrever que a lei posterior revoga a (lei) anterior. O §6º do art. 22 da IN SRF nº 34/2001 (abaixo reproduzido) referese à exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica, assunto que foge completamente à presente discussão. Exclusão por comunicação Art. 22. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: ... § 1º A exclusão na forma deste artigo será formalizada pela pessoa jurídica, mediante alteração cadastral, firmada por seu representante legal e apresentada à unidade da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição ... § 6º Iniciado o procedimento de ofício, a falta de alteração cadastral implicará a exclusão da pessoa jurídica do Simples, a partir do mês subseqüente ao da ciência do ato declaratório Fl. 7DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 01/06/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 8 executivo expedido pela Secretaria da Receita Federal, sem prejuízo da aplicação da multa prevista no art. 36. No caso presente, vale lembrar, nenhuma alteração foi procedida, posto que o inciso IV do art. 15 da Lei nº 9.317/96 não experimentou revogação. Não verifico violação ao inciso I do art. 111 do CTN. Não há no ato administrativo qualquer interpretação extensiva dos preceitos legais. O ato aplica a exclusão a contribuinte que de fato ultrapassou o limite legal para permanecer no sistema simplificado, consoante prescreve a lei nº 9.317/96, e o faz de acordo com o que prescreve o dispositivo legal que comina a penalidade de exclusão e lhe determina o tempo dos efeitos. Quanto a alegada retroatividade, também não assiste razão ao recorrente. A norma aplicada para determinar o tempo dos efeitos da exclusão era vigente antes mesmo do início de produção dos fatos que culminariam na ultrapassagem do limite legal de permanência no regime simplificado. Assim, voto para negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendose os efeitos da exclusão do contribuinte do Simples a partir de 01/01/2001, nos termos do Ato Declaratório Executivo nº 60/2005. Sala das Sessões, 24 de fevereiro de 2011. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Relator Fl. 8DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 01/06/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 10976.000519/2008-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuição ao INCRA e ao SEBRAE
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
Ementa: DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. SÚMULA VINCULANTE nº 08.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o que dispõe o art. 150, § 4º, ou o art. 173 e seus incisos, ambos do Código Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não, respectivamente.
No caso de lançamento das contribuições sociais, cujos fatos geradores não são reconhecidos como tal pela empresa, restando claro que, com relação aos mesmos, a Recorrente não efetuou qualquer antecipação de pagamento, deixa de ser aplicado o § 4º do art. 150, para a aplicação da regra geral contida no art. 173, inciso I, ambos do CTN.
O lançamento foi efetuado em 24/11/2008, data da ciência do sujeito passivo (fl. 01), e os fatos geradores das contribuições apuradas ocorreram no período compreendido entre 01/2003 a 12/2003. Com isso, as competências posteriores a 11/2002 não foram abrangidas pela decadência, permitindo o direito do fisco de constituir o crédito tributário por meio de lançamento
fiscal.
PRÊMIO ASSIDUIDADE. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES AO INCRA E AO SEBRAE.
Nos termos do artigo 28, inciso I, da Lei nº 8.212/91, integra o salário de contribuição a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título aos segurados empregados, objetivando retribuir o trabalho, inclusive aqueles recebidos a título de prêmio, na forma de gratificação ajustada, independente da denominação dada pelo contribuinte.
ABONOS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA.
Após o advento do Decreto nº 3.265/99, somente as importâncias pagas aos empregados a título de abonos desvinculados expressamente por lei do salário, não compõem a base de cálculo das contribuições previdenciárias, conforme preceitua o art. 214, § 9º, V, alínea “j”, do Decreto nº 3.048/99.
Recurso Voluntário a que se nega provimento.
Numero da decisão: 2402-001.773
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em negar
provimento ao recurso, vencido o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues que votou por dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência até a competência 09/2003. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Nereu Miguel Ribeiro Domingues
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2345; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 181 1 180 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10976.000519/200880 Recurso nº 269.104 Voluntário Acórdão nº 2402001.773 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de maio de 2011 Matéria TERCEIROS Recorrente TECNOWATT ILUMINACAO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição ao INCRA e ao SEBRAE Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 Ementa: DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. SÚMULA VINCULANTE nº 08. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o que dispõe o art. 150, § 4º, ou o art. 173 e seus incisos, ambos do Código Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não, respectivamente. No caso de lançamento das contribuições sociais, cujos fatos geradores não são reconhecidos como tal pela empresa, restando claro que, com relação aos mesmos, a Recorrente não efetuou qualquer antecipação de pagamento, deixa de ser aplicado o § 4º do art. 150, para a aplicação da regra geral contida no art. 173, inciso I, ambos do CTN. O lançamento foi efetuado em 24/11/2008, data da ciência do sujeito passivo (fl. 01), e os fatos geradores das contribuições apuradas ocorreram no período compreendido entre 01/2003 a 12/2003. Com isso, as competências posteriores a 11/2002 não foram abrangidas pela decadência, permitindo o direito do fisco de constituir o crédito tributário por meio de lançamento fiscal. PRÊMIO ASSIDUIDADE. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES AO INCRA E AO SEBRAE. Nos termos do artigo 28, inciso I, da Lei nº 8.212/91, integra o salário de contribuição a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título aos segurados empregados, objetivando retribuir o trabalho, inclusive aqueles recebidos a título de prêmio, na forma de gratificação ajustada, independente da denominação dada pelo contribuinte. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Assinado digitalmente em 26/05/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, 26/05/2011 por ANA MARIA BAN DEIRA, 26/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 ABONOS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. Após o advento do Decreto nº 3.265/99, somente as importâncias pagas aos empregados a título de abonos desvinculados expressamente por lei do salário, não compõem a base de cálculo das contribuições previdenciárias, conforme preceitua o art. 214, § 9º, V, alínea “j”, do Decreto nº 3.048/99. Recurso Voluntário a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em negar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues que votou por dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência até a competência 09/2003. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo. Ana Maria Bandeira – Presidente em exercício. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator. Ronaldo de Lima Macedo – Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado, Leôncio Nobre de Medeiros, Tiago Gomes de Carvalho Pinto e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Ausente o Conselheiro Júlio César Vieira Gomes. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Assinado digitalmente em 26/05/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, 26/05/2011 por ANA MARIA BAN DEIRA, 26/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10976.000519/200880 Acórdão n.º 2402001.773 S2C4T2 Fl. 182 3 Relatório Tratase de NFLD lavrada em 21/11/2008 para exigir da Recorrente o valor de R$ 2.298,74, em razão do não recolhimento das contribuições destinadas ao INCRA e ao SEBRAE, no período de 01/2003, 02/2003, 06/2003, 07/2003, 09/2003, 11/2003 e 12/2003, por não ter incluído os valores pagos aos seus funcionários a título de abono de férias vinculado à assiduidade e do abono especial único, previstos na Convenção Coletiva de Trabalho, na base de cálculo das referidas contribuições. A Recorrente apresentou impugnação (fls. 35/122) pleiteando a improcedência da autuação. A d. Delegacia Regional de Julgamento em Belo Horizonte – MG (fls. 125/129) julgou procedente o lançamento, entendendo que os abonos constituemse em prêmio aos empregados que se destacam pela assiduidade ao trabalho. Portanto, estes pagamentos têm caráter remuneratório, decorrem do vínculo empregatício dos empregados e não podem ser excluídos da base de cálculo do INCRA e do SEBRAE. Irresignada, a Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 134/178) alegando que: • há decadência dos valores referentes ao período de 01/2003 a 11/2003, uma vez que teria havido o pagamento antecipado da contribuição, aplicandose ao caso a previsão do art. 150, §4º do CTN; • o abono concedido pela empresa aos funcionários incentivando a assiduidade, o qual se encontra devidamente previsto em Convenção Coletiva da categoria, não deve ser incluído na base de cálculo das contribuições ao INCRA e ao SEBRAE, uma vez que não corresponde a contraprestação de serviço; e • o abono especial único, também instituído através da Convenção Coletiva, não se caracteriza como contraprestação de serviço por parte do empregado, não podendo ser classificado como salário e, consequentemente, não podendo integrar a base de cálculo das contribuições. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Assinado digitalmente em 26/05/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, 26/05/2011 por ANA MARIA BAN DEIRA, 26/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Voto Vencido Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Em relação à preliminar de decadência, a Recorrente informa que houve o pagamento parcial das contribuições objeto da presente autuação, razão pela qual deveria ser aplicado ao caso o art. 150, § 4º do CTN, e não o art. 173, I do CTN. Analisandose o Discriminativo Analítico de Débito – DAD (fls. 04/05), nos campos relativos à informação de recolhimento por parte do contribuinte, verificase que não haveria, a princípio, nenhuma informação demonstrando que houve o pagamento antecipado das contribuições ao INCRA e ao SEBRAE. Ocorre que, conforme demonstrado pela Recorrente através do RDA – Relatório de Documentos Apresentados (fls. 08), esta efetuou o pagamento parcial das contribuições pleiteadas (em relação a outros fatos geradores), haja vista que dentro do valor apontado pela fiscalização como recolhido certamente há quantias pagas a título de INCRA e de SEBRAE. Caso contrário, a fiscalização deveria ter lavrado auto de infração para exigir também esses valores, o que, no entanto, não ocorreu. Vale destacar que, apesar de informados em campos diferentes na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIPs, todas as contribuições decorrentes desta declaração são pagas através de uma única Guia da Previdência Social – GPS. Ante o exposto, considerando que há comprovação nos autos de que houve o pagamento antecipado pela Recorrente das contribuições destinadas ao INCRA e ao SEBRAE (em relação a outros fatos geradores), que esta obteve ciência do lançamento em 24/11/2008, aplicase a regra do art. 150, § 4º do CTN para declarar decaídos os valores referentes às contribuições destinadas ao INCRA e ao SEBRAE no período de 01/2003, 02/2003, 06/2003, 07/2003 e 09/2003. Quanto ao período de novembro de 2003, em atenção ao art. 150, § 4º do CTN, consideramse homologados os valores lançados após o transcurso do prazo de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. Assim, considerando que o fato gerador das contribuições previdenciárias se encerram no último dia de cada mês (ocasião em que é elaborada a folha de pagamentos) e que o prazo de decadência começa a contar da ocorrência do fato gerador, o período de novembro de 2003 somente estaria decaído se a NFLD fosse lavrada em dezembro de 2008, o que não ocorreu. Superada a preliminar de decadência, passo à análise do mérito em relação aos períodos de novembro a dezembro de 2003. Quanto à possibilidade alegada pela Recorrente, de retirar da base de cálculo das contribuições previdenciárias os valores pagos a título de abono “assiduidade”, criado pela empresa e instituído através de Convenção Coletiva de Trabalho, verificase que não lhe assiste razão. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Assinado digitalmente em 26/05/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, 26/05/2011 por ANA MARIA BAN DEIRA, 26/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10976.000519/200880 Acórdão n.º 2402001.773 S2C4T2 Fl. 183 5 Isso porque, esta Corte Administrativa, analisando situação similar, entendeu que, quando o empregador estipula uma série de requisitos para a concessão do abono, tais como a assiduidade do empregado, como ocorreu neste caso, tratase de um prêmio assiduidade e não de um abono de férias, como pretende fazer crer a Recorrente. Segue transcrição de parte do voto proferido no Recurso Voluntário nº 143.4571, onde este E. Conselho analisou essa questão: “No caso vertente, em que pese a denominação concedida a referida verba (Abono de Férias), concluise que, na verdade, tratase de prêmio assiduidade, eis que a empresa estabelece uma série de requisitos a serem cumpridos para fazer jus ao aludido ‘abono’.” Em que pese a Recorrente tenha denominado o abono em questão de abono de férias, não há dúvidas que de tal verba não se trata, mas sim de abono puro e simples, concebido para premiar os funcionários pelo cumprimento de determinadas condições. A única relação entre o abono pago pela Recorrente e as férias é o fato de que, de acordo com a Convenção Coletiva, o valor do prêmio é pago quando o funcionário sai em período de férias. Logo, não há que se confundir o abono pago pela Recorrente com o abono de férias de que trata o art. 28, § 9º, ‘e’, item 6, da Lei nº 8.212/91. Assim, considerando que a verba discutida representa um ganho ao empregado, já que tem nítida repercussão econômica, concedida com características de habitualidade, não se enquadrando em nenhuma das hipóteses excludentes do § 9°, do art. 28 da Lei n° 8.212/91, é correta a sua inclusão na base de cálculo das contribuições destinadas ao INCRA e ao SEBRAE. Quanto ao abono especial único, também pago pela Recorrente aos seus funcionários em substituição à distribuição de lucros, conforme previsão em Convenção Coletiva, a Recorrente alega que por ter sido instituído sem nenhuma vinculação ao salário, estaria enquadrado no art. 28, § 9º, ‘e’, item 7, da Lei nº 8.212/91 e possibilitaria a sua exclusão da base de cálculo das contribuições destinadas ao INCRA e ao SEBRAE. Ocorre que, conforme se pode observar no texto da Convenção Coletiva (transcrito pela Recorrente à fl. 147), há expressa vinculação do pagamento do abono ao salário dos funcionários. A depender do número de funcionários da empresa, o valor do abono pode variar de 20% a 35% do salário nominal do empregado. 1 “SALÁRIO INDIRETO. PRÊMIO. INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Nos termos do artigo 28, inciso I, da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 457, § 1º, da CLT, integra o salário de contribuição, a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título aos segurados empregados, objetivando retribuir o trabalho, inclusive àqueles recebidos a título de prêmio, na forma de gratificação ajustada, independente da denominação dada pelo contribuinte. ABONOS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. Após o advento do Decreto 3.265/99, somente as importâncias pagas aos empregados a título de abonos desvinculados expressamente por lei do salário, não compõem a base de cálculo das contribuições previdenciárias, conforme preceitua o art. 214, § 9º, alínea ‘j’, do RPS. DECADÊNCIA. PRAZO DECENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 10 (dez) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ser lançado, nos moldes do artigo 45, da Lei nº 8.212/91. Recurso Voluntário Negado”. (Acórdão nº 20600.779 – PAF nº 36378.002803/200661 – Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes – Relatora Ana Maria Bandeira – Sessão de 07/05/2008) Fl. 5DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Assinado digitalmente em 26/05/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, 26/05/2011 por ANA MARIA BAN DEIRA, 26/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 Nesse sentido, não pode ser aplicada ao caso a regra de isenção prevista no art. 28, § 9º, ‘e’, item 7, da Lei nº 8.212/91, uma vez que a referida norma dispõe claramente que não irão compor a base de cálculo das contribuições apenas as parcelas “recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário”. No presente caso, não há que se falar em abono expressamente desvinculado do salário, eis que o abono especial único usa como medida para a sua aferição justamente o salário nominal dos empregados. Ademais, é importante destacar também que o art. 214, § 9º, inc. V, alínea “j”, do Decreto nº 3.048/99, ao qual este E. Conselho está vinculado, exige que haja previsão legal desvinculando de forma expressa o abono do salário, o que não acontece no presente caso. Vejase o teor desse dispositivo: “Art. 214. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: (...) V as importâncias recebidas a título de: (...) j) ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados do salário por força de lei; (...)” Quanto ao argumento da Recorrente de que, dada a existência de Convenção Coletiva, esta seria a lei entre as partes, razão pela qual seria devida a aplicação da regra de isenção, temse que esse argumento também não encontra procedência, conforme já ficou decidido por esta Corte Administrativa no julgamento do Recurso Voluntário já mencionado acima, in verbis: “Ao admitir a não incidência de contribuições previdenciárias incidentes sobre as verbas pagas a título de abono, ainda que decorrentes de Acordo e/ou Convenção Coletiva, posteriormente a edição do Decreto 3.265/99, como pretende a contribuinte, teríamos que interpretar o artigo 214, § 9º, alínea ‘j’, do RPS, de forma extensiva, o que vai de encontro com a legislação de regência, como acima demonstrado. Com efeito, nos termos do dispositivo legal retro, não integram o salário de contribuição as importâncias recebidas pelo empregado ali elencadas, expressamente desvinculadas do salário mediante lei, não se podendo interpretar a legislação instituidora dessa isenção extensivamente, de forma a desconsiderar a exigência de ‘lei’, a pretexto da existência de Convenção e/ou Acordo Coletivo que trouxe em seu bojo a desvinculação pretendida, tendo em vista que não pode ser considerada como ‘lei’ stricto sensu, a qual emana do poder legislativo, muito embora não se negue a força normativa de tais instrumentos, conquanto que congruentes à legislação de regência”. Deste modo, é correta a inclusão dos valores pagos a título de abono especial único na base de cálculo das contribuições destinadas ao INCRA e ao SEBRAE. Por fim, mesmo que pudessem ser desconsideradas todas as razões acima trazidas, apenas a título de argumentação, ainda assim as alegações de que os mencionados abonos concedidos pela Recorrente aos seus funcionários deveriam ser retirados da base de cálculo do INCRA e do SEBRAE, por estarem previstos em Convenção Coletiva, não Fl. 6DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Assinado digitalmente em 26/05/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, 26/05/2011 por ANA MARIA BAN DEIRA, 26/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10976.000519/200880 Acórdão n.º 2402001.773 S2C4T2 Fl. 184 7 procedem também pelo simples fato de que a Convenção Coletiva é datada de novembro de 2003 (fl. 106), tendo sido depositada no Ministério do Trabalho somente no dia 09 de fevereiro de 2004 (fl. 106/verso), razão pela qual não pode servir como fundamento para os valores que foram pagos pela Recorrente durante todo ano de 2003. Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO, a fim de que os créditos tributários relativos às competências de 01/2003, 02/2003, 06/2003, 07/2003 e 09/2003 sejam extintos, por terem decaído. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 7DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Assinado digitalmente em 26/05/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, 26/05/2011 por ANA MARIA BAN DEIRA, 26/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 Voto Vencedor Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Redator Designado Com as devidas vênias, divirjo do entendimento do ilustre relator no que tange à decadência tributária e digo porquê. O lançamento em questão foi efetuado com amparo no art. 45 da Lei nº 8.212/1991. Entretanto, o Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, negou provimento aos mesmos por unanimidade, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8212/91. Na oportunidade, os ministros ainda editaram a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, a qual transcrevo abaixo: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. É necessário observar os efeitos da súmula vinculante, conforme se depreende do art. 103A, caput, da Constituição Federal que foi inserido pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (g.n.) Da leitura do dispositivo constitucional, podese concluir que, a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: “Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Assinado digitalmente em 26/05/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, 26/05/2011 por ANA MARIA BAN DEIRA, 26/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10976.000519/200880 Acórdão n.º 2402001.773 S2C4T2 Fl. 185 9 Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Por outro lado, ao tratar do lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, § 4º, o seguinte: “Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Entretanto, tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Se, no entanto, o sujeito passivo não efetuar pagamento algum, nada há a ser homologado e, por conseqüência, aplicase o disposto no art. 173 do CTN, em que o prazo de cinco anos passa a ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Para corroborar o entendimento acima, colaciono alguns julgados no mesmo sentido: "TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL. INTELIGÊNCIA DOS ARTS. 173, I, E 150, § 4º, DO CTN. 1. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art. 173, I, do CTN, segundo o qual 'o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado'. 2. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação —que, segundo o art. 150 do CTN, 'ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade Fl. 9DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Assinado digitalmente em 26/05/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, 26/05/2011 por ANA MARIA BAN DEIRA, 26/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO 10 administrativa' e 'operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa' —,há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Precedentes jurisprudenciais. 3. No caso concreto, o débito é referente à contribuição previdenciária, tributo sujeito a lançamento por homologação, e não houve qualquer antecipação de pagamento. É aplicável, portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art. 173, I, do CTN. 4. Agravo regimental a que se dá parcial provimento." (AgRg nos EREsp 216.758/SP, 1ª Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 10.4.2006) "TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. MANDADO DE SEGURANÇA. MEDIDA LIMINAR. SUSPENSÃO DO PRAZO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), que é de cinco anos. 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Omissis. 4. Embargos de divergência providos." (EREsp 572.603/PR, 1ª Seção, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 5.9.2005) Verificase que o lançamento fiscal em tela referese às competências 01/2003, 02/2003, 06/2003, 07/2003, 09/2003, 11/2003 e 12/2003 e foi efetuado em 24/11/2008, data da intimação e ciência do sujeito passivo. No caso em tela, tratase do lançamento de contribuições, cujos fatos geradores não são reconhecidos como tal pela empresa, restando claro que, com relação aos mesmos, a Recorrente não efetuou qualquer antecipação de pagamento, conforme Discriminativo Analítico de Débito DAD (fls. 04/05). Nesse sentido, aplicase o art. 173, inciso I, do CTN, para considerar que nenhuma competência lançada foi abrangida pela decadência tributária. Com isso – como o crédito foi constituído com fundamento no direito potestativo do Fisco em lançar os valores das contribuições não recolhidas em época determinada pela legislação vigente –, a preliminar de decadência não será acatada, eis que o Fl. 10DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Assinado digitalmente em 26/05/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, 26/05/2011 por ANA MARIA BAN DEIRA, 26/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10976.000519/200880 Acórdão n.º 2402001.773 S2C4T2 Fl. 186 11 lançamento fiscal referese ao período de 01/2003 a 12/2003 e não está abarcado pela decadência tributária. Quanto aos demais pontos abordados pelo ilustre Relator, no que não colidem com a motivação supramencionada, aliome às suas razões de decidir, tornandoas parte integrante deste voto. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso, rejeitar as preliminares e no mérito negarlhe provimento, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Assinado digitalmente em 26/05/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, 26/05/2011 por ANA MARIA BAN DEIRA, 26/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO
score : 1.0
Numero do processo: 14485.000136/2007-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2007
GANHOS HABITUAIS. CONCEITUAÇÃO. PAGAMENTO EM PECÚNIA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
Os comandos constitucional (art. 201, § 11) e legal (art. 28, I da Lei n ° 8.212/1991) dispõe claramente que os ganhos sob a forma de utilidades é que somente integrarão o salário-de-contribuição caso sejam pagos de forma habitual. A verba não foi paga em utilidade, mas sim em pecúnia, portanto independe de ter sido de forma habitual ou eventual para que esta verba
integre a remuneração do segurado.
Os termos habitual e eventual estão ligados ao lapso temporal. Como é cediço, o aspecto temporal de incidência das contribuições previdenciárias é mensal. Assim, se no decorrer do mês houve prestação de serviço remunerada, são devidas as contribuições e a base de cálculo será o montante devido ao segurado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2302-000.818
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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Recorrente RYDER LOGISTICA LTDA Recorrida DRJ SÃO PAULO SP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2007 GANHOS HABITUAIS. CONCEITUAÇÃO. PAGAMENTO EM PECÚNIA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Os comandos constitucional (art. 201, § 11) e legal (art. 28, I da Lei n ° 8.212/1991) dispõe claramente que os ganhos sob a forma de utilidades é que somente integrarão o saláriodecontribuição caso sejam pagos de forma habitual. A verba não foi paga em utilidade, mas sim em pecúnia, portanto independe de ter sido de forma habitual ou eventual para que esta verba integre a remuneração do segurado. Os termos habitual e eventual estão ligados ao lapso temporal. Como é cediço, o aspecto temporal de incidência das contribuições previdenciárias é mensal. Assim, se no decorrer do mês houve prestação de serviço remunerada, são devidas as contribuições e a base de cálculo será o montante devido ao segurado.. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/02/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Thiago D Avila Melo Fernandes, Manoel Coelho Arruda Júnior, Adriana Sato. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/02/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14485.000136/200711 Acórdão n.º 230200.818 S2C3T2 Fl. 165 3 Relatório A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, bem como as destinadas aos Terceiros. O período do presente levantamento abrange as competências fevereiro de 2003 a fevereiro de 2007, relatório fiscal às fls. 21 a 25; referente ao pagamento de bônus. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela sociedade empresária, fls. 77 a 108. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo decidiu pela procedência, em parte, do lançamento, fls. 128 a 141. Foram excluídos os valores referentes a Terceiros. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 145 a 161. Em síntese, a recorrente em seu recurso alega o seguinte: • Deve ser anulada a NFLD, pois é sintética e desmotivada; • Não há habitualidade nos pagamentos; • Não há motivo legal nem motivo de fato para se efetuar o lançamento; • O débito em conta de provisão não quer dizer necessariamente a ocorrência do fato gerador; • A verba foi paga de modo não habitual; • Requerendo, por fim, que o recurso seja provido. Não foram apresentadas contrarazões pelo órgão fazendário. É o relato suficiente. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/02/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 163. Pressuposto superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. Não procede o argumento recursal de que deveria ser anulada a NFLD, pois seria sintética e desmotivada. O lançamento foi realizado com base em documentação da própria recorrente, conforme relatório fiscal às fls. 21 a 25; o relatório indicou os motivos do lançamento; os fatos geradores estão devidamente descritos às fls. 06; a forma para se apurar o quantum devido, por competência, encontrase às fls. 04. Os valores foram apurados na contabilidade, planilhas e solicitação para crédito em conta, que são registros elaborados pela própria recorrente. Os relatórios juntados pela fiscalização favorecem a ampla defesa e o contraditório, possibilitando ao notificado o pleno conhecimento acerca dos motivos que ensejaram o lançamento. Desse modo, não assiste razão à recorrente de que houve omissão na motivação do lançamento. A motivação é simples, e restou cabalmente demonstrada no relatório fiscal às fls. 21 a 25: a empresa remunerou segurados e não recolheu os valores declarados. Desse modo, caso houvesse algum erro cometido pela recorrente na elaboração, tanto da contabilidade, quanto dos demais registros, caberia à notificada a demonstração da fundamentação de seu erro. A notificada teve oportunidade de demonstrar que os valores apurados pela fiscalização, e por ela própria registrados não condizem com a realidade na fase de impugnação e agora na fase recursal, mas não o fez. Alegar sem provar é o mesmo que não alegar. De acordo com os princípios basilares do direito processual, cabe ao autor provar fato constitutivo de seu direito, por sua vez, cabe à parte adversa a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A fiscalização previdenciária provou a existência do fato gerador, com base nos documentos juntados aos autos, elaborados pela própria recorrente. Assim, a presente NFLD não foi lavrada apenas com base em presunções, a fiscalização demonstrou, por meio de documentos elaborados pela própria recorrente, a veracidade do argumento da existência dos fatos geradores. Ao contrário do afirmado pela recorrente, o débito em conta de provisão não foi o único elemento utilizado pela fiscalização. Conforme fls. 26 a 39, a fiscalização colacionou planilhas com os valores devidos aos segurados elaboradas pela recorrente; cópias de pagamentos por meio do Banco Bradesco, autorização para débito em contacorrente; autorização para liberação de créditos por intermédio do Banco do Brasil. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a Fl. 4DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/02/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14485.000136/200711 Acórdão n.º 230200.818 S2C3T2 Fl. 166 5 retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Existem parcelas que não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991. Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10/12/97, e de 6 a 9 acrescentados pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; Fl. 5DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/02/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 6DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/02/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14485.000136/200711 Acórdão n.º 230200.818 S2C3T2 Fl. 167 7 p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) A única hipótese para que os abonos não sofram incidência é se forem expressamente desvinculados do salário, conforme disposto no item 7 da alínea “e”. Por definição, os abonos são bônus, é um extra pago ao segurado em função de trabalho realizado ao tomador de serviços, e assim estão no campo de incidência de contribuições, pois compõem o conceito remuneração. E se o tributo é criado por lei, somente norma de igual hierarquia pode dispensálo. Desse modo, por uma questão de lógica a desvinculação expressa somente pode ser conferida por lei, como é o caso dos abonos pecuniários de férias previstos no art. 143 e 144 da CLT, bem como o abono anual do Pis. Nesse sentido é o disposto no art. 214, parágrafo 9o, alínea “j” do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n º 3.048 de 1999, na redação conferida pelo Decreto n º 3.265. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/02/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e desse modo, interpretase literalmente a legislação que disponha sobre isenção, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, I, nestas palavras: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; Assim, onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de violarse os princípios da reserva legal e da isonomia. A indenização tem como pressuposto a reparação de um dano, seja jurídico ou fático. In casu, os segurados não tiveram um dano causado pelo tomador de serviços que ensejasse uma reparação. As provas contidas nos autos, corroboradas pelas afirmações da recorrente, demonstram que os segurados receberam os valores pelo fato de terem prestado serviços à recorrente. Para fins de escapar da incidência das contribuições previdenciárias não importa o nome jurídico conferido à verba, mas sim a natureza da mesma. Os pagamentos efetuados possuem natureza remuneratória. Tal ganho ingressou na expectativa dos segurados em decorrência do contrato de trabalho e da prestação de serviços à recorrente, sendo portanto uma verba paga pelo trabalho e não para o trabalho. Os comandos constitucional (art. 201, § 11) e legal (art. 28, I da Lei n ° 8.212/1991) dispõe claramente que os ganhos sob a forma de utilidades é que somente integrarão o saláriodecontribuição caso sejam pagos de forma habitual. A presente verba não foi paga em utilidade, mas sim em pecúnia, portanto independe de ter sido de forma habitual ou eventual para que esta verba integre a remuneração do segurado. Os termos habitual e eventual estão ligados ao lapso temporal. Como é cediço, o aspecto temporal de incidência das contribuições previdenciárias é mensal. Assim, se no decorrer do mês houve prestação de serviço remunerada, são devidas as contribuições e a base de cálculo será o montante devido ao segurado. Não importa se durante dez anos o segurado recebeu em um único mês um valor maior, haja vista a apuração das contribuições não ocorrer em período anual, quinquenal, ou decenal. Caso não se adotasse tal entendimento, poderia se chegar à construção teratológica de que o empregado que trabalhou somente um mês para a sociedade empresária não teria que contribuir para a Previdência Social. Estando portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, conforme já analisado, deve persistir o lançamento. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 8DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/02/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14485.000136/200711 Acórdão n.º 230200.818 S2C3T2 Fl. 168 9 Fl. 9DF CARF MF Emitido em 06/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/02/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10840.000851/2004-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 1998
IRPF. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL ORDINÁRIO REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN, DESDE QUE HAJA PAGAMENTO ANTECIPADO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICA-SE
A REGRA DECADENCIAL DO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA.
REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62-A, DO ANEXO II, DO RICARF. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se
do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008;
AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se
pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência
e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Reprodução da ementa do leading case Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos).
Numero da decisão: 2102-001.073
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, em virtude da decadência, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL ORDINÁRIO REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN, DESDE QUE HAJA PAGAMENTO ANTECIPADO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICASE A REGRA DECADENCIAL DO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62A, DO ANEXO II, DO RICARF. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. 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Forense, Rio de Janeiro, 2005, Fl. 648DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 10840.000851/200456 Acórdão n.º 2102001.073 S2‐C1T2 Fl. 553 2 págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Reprodução da ementa do leading case Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, em virtude da decadência, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. ASSINADO DIGITALMENTE Giovanni Christian Nunes Campos Presidente ASSINADO DIGITALMENTE Carlos André Rodrigues Pereira Lima Relator EDITADO EM 10/02/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos, Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho, Acácia Sayuri Wakasugi e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 546 a 550, interposto contra decisão da DRJ em São Paulo/SP, de fls. 532 a 540, que julgou procedente o lançamento de IRPF de fls. 09 a 11 dos autos, lavrado em 25/03/2004, relativo ao anocalendário 1998, com ciência do RECORRENTE em 29/03/2004, conforme AR de fl. 08. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 59.761,09, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício de 75%. De acordo com a descrição dos fatos às fls. 10 e 11, o lançamento teve origem nas seguintes infrações: 001 – RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS Fl. 649DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 10840.000851/200456 Acórdão n.º 2102001.073 S2‐C1T2 Fl. 554 3 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS Omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, decorrente do trabalho sem vínculo empregatício, conforme apurado em trabalhos de fiscalização , de acordo com Termo de Verificação Fiscal e relação de documentos, que são parte integrante deste auto de infração. Fato Gerador 30/11/1998 Valor Tributável ou Imposto R$ 5.000,00 Multa(%) 75,00 Enquadramento legal: Arts. 1°, 2° e 3º, e §§, da Lei n° 7.713/88; Arts. 1° ao 3º , da Lei n° 8.134/90; Art. 21 da Lei n° 9.532/97. 002 – DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta(s) de depósito ou de investimento, mantida(s) em instituição(ões) financeira(s), em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme apurado em trabalhos de fiscalização, de acordo com Termo de Verificação Fiscal e relação de documentos, que fazem parte integrante do auto de infração. Fato Gerador 31/03/1998 30/04/1998 31/05/1998 30/06/1998 31/07/1998 31/08/1998 30/09/1998 31/10/1998 30/11/1998 31/12/1998 Valor Tributável ou Imposto R$ 20.291,08 R$ 2.573,19 R$ 6.820,19 R$ 9.880,83 R$ 758,22 R$ 3.659,22 R$ 22.167,73 R$ 1.576,06 R$ 2.361,55 R$ 4.640,25 Multa(%) 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 Enquadramento legal: Fl. 650DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 10840.000851/200456 Acórdão n.º 2102001.073 S2‐C1T2 Fl. 555 4 Art. 42 da Lei nº 9.430/96; art.4º da Lei nº 9.481/97; art. 21 da Lei nº 9.532/97. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 12 a 19, a fiscalização constatou o seguinte: “À luz de todo o procedimento administrativo fiscal ficou inequivocamente comprovado que houve uma movimentação bancária sob titularidade do contribuinte, no ano calendário de 1998, que se transcorreu protegida pelo sigilo bancário, e cujos saques se configuraram em fato gerador para a exigência e recolhimento compulsório da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira, CPMF, em vigor naquele ano calendário. Com base no artigo n. 11 parágrafo segundo da Lei n. 9311 de 24/10/1.996, Lei n. 10.174 de 09/01/2.001 e artigo 6° da Lei Complementar n. 105 de 10/01/2.001 foi autorizada instauração de procedimento administrativo fiscal a partir de dados obtidos das contribuições efetuadas a título de CPMF, alcançando o contribuinte ora fiscalizado, diante da movimentação financeira apontada, que se encontrava incompatível com os dados declarados espontaneamente. (...) A autoridade fiscal poderá exigir do contribuinte os esclarecimentos que julgar necessários acerca da origem dos recursos e do destino dos dispêndios ou aplicações, sempre que as alterações declaradas importarem em aumento ou diminuição do patrimônio (Lei n°4.069, de 1962, art. 51, § 1°). Caracterizamse também como omissão de receita ou de rendimento, sujeitos a lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil ou idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (Lei n° 9.430, de 1996, art. 42).” Conforme planilha de fl. 20, o valor total dos depósitos efetuados nas contas correntes do RECORRENTE, no anocalendário 1998, foi de R$ 297.051,67. A subtrair desse montante o valor de (i) R$ 153.722,16 referentes aos cheques emitidos pela empresa Setel Serviços Técnicos de Eletricidade LTDA., que tiveram origem comprovadas; (ii) R$ 22.212,00 referentes aos rendimentos brutos declarados; (iii) R$ 17.145,36 relativo aos rendimentos da cônjuge; (iv) R$ 3.800,00 correspondente à receita da atividade rural; e (v) R$ 17.443,31 de mutações patrimoniais positivas, a fiscalização apurou o saldo de R$ 82.728,84, cuja origem não foi comprovada pelo RECORRENTE. Os rendimentos declarados pelo RECORRENTE, no anocalendário, importam R$ 22.212,00. Fl. 651DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 10840.000851/200456 Acórdão n.º 2102001.073 S2‐C1T2 Fl. 556 5 Ainda de acordo com o Termo de Verificação Fiscal, restou comprovado que o cheque emitido em 13/11/1998, no valor de R$ 5.000,00, obteve comprovação de origem, sendo depositado em conta corrente do RECORRENTE. Com isso, esclareceu que tal valor seria tributado sob rubrica específica como rendimento tributável recebido de pessoa jurídica. DA IMPUGNAÇÃO Em 28/04/2004, o RECORRENTE apresentou sua impugnação de fls. 527 a 529, por meio da qual expôs, em síntese, a seguinte matéria de defesa: que apresentou à fiscalização a documentação comprobatória de pagamentos feitos em nome da empresa Setel, ou numerários a ela devolvidos, o que não foi aceito. Portanto, entendeu que o lançamento fiscal se baseou em mera presunção; a quantia de R$ 82.728,83, considerada de origem não comprovada, seria da mesma natureza dos valores de R$ 214.322,83 que tiveram sua origem reconhecida pela fiscalização. Assim, entendeu que a fiscalização não utilizou critério seguro na constatação da origem dos valores; alegou que a autoridade fiscal não poderia considerar o valor de R$ 82.728,84 como renda, rendimento ou provento, sem critérios de convicção ou provas para tal conclusão; e por fim, alegou que no anocalendário de 1997, constam como rendimentos tributáveis e não tributáveis, nas declarações de ajuste anual do RECORRENTE e de sua esposa (Maria Cristina Degani Morais, CPF 005.470.66880), o valor total de R$ 120.509,09, que bem poderia constituir o alegado valor tributável de R$ 82.728,84. DA DECISÃO DA DRJ A DRJ, às fls. 532 a 540 dos autos, julgou procedente o lançamento, através de acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FISICA IRPF Exercício: 1999 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A partir de 1° de janeiro de 1997, com a entrada em vigor da Lei 9.430 de 1996, consideramse rendimentos omitidos autorizando o lançamento do imposto correspondente os depósitos junto a instituições financeiras quando o contribuinte, após Fl. 652DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 10840.000851/200456 Acórdão n.º 2102001.073 S2‐C1T2 Fl. 557 6 regularmente intimado, não lograr êxito em comprovar mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados. Lançamento Procedente” Desta forma, a DRJ manteve o lançamento do crédito tributário. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão da DRJ em 03/11/2008, conforme faz prova o “Aviso de Recebimento” de fl. 545, apresentou, tempestivamente, o recurso voluntário de fls. 546 a 550, em 25/11/2008. Em suas razões de recurso, o RECORRENTE afirmou que o levantamento fiscal é complexo e, por isso, dificulta a interpretação do lançamento. O RECORRENTE alegou que, por ser marido da sócia da SETEL, fazia pagamentos de despesas relativas às obras da referida empresa utilizando cheques próprios, para ser reembolsado posteriormente. Assim, a fiscalização não poderia presumir que tais valores eram renda sua. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. Em princípio, por ser matéria de ordem pública, passo a analisar a consumação da decadência do direito da Fazenda Pública lançar os créditos tributários em litígio. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no DOU em 22.12.2010), passou a disciplinar: Fl. 653DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 10840.000851/200456 Acórdão n.º 2102001.073 S2‐C1T2 Fl. 558 7 “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543 B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II do RICARF). No que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação, o Superior Tribunal de Justiça – STJ julgou o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/0176994 0), julgado em 12 de agosto de 2009, com acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos), da relatoria do Ministro Luiz Fux, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, Fl. 654DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 10840.000851/200456 Acórdão n.º 2102001.073 S2‐C1T2 Fl. 559 8 iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Obedecendo os critérios da decisão do STJ, e tendo em vista que o presente auto de infração foi lavrado apenas em 25/03/2004 (fl. 09), com ciência do RECORRENTE em 29/03/2004 (fl. 08), relativo a acusações do anocalendário 1998, resta nítido que tal lançamento ocorreu quando o crédito tributário já se encontrava extinto pela decadência (art. 156, inciso V, do CTN). Isto posto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para extinguir os créditos tributários em virtude da decadência. ASSINADO DIGITALMENTE Carlos André Rodrigues Pereira Lima Fl. 655DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 10840.000851/200456 Acórdão n.º 2102001.073 S2‐C1T2 Fl. 560 9 Fl. 656DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO
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Numero do processo: 16327.000798/2004-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003
CONCOMITÂNCIA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo,
de matéria distinta da constante do processo judicial (SÚMULA CARF Nº 1).
POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Tendo a contribuinte apurado bases de cálculo negativas, tanto para o imposto de renda, como para a contribuição social, descabe falar em postergação do pagamento do imposto. Equivocado, também, o argumento de que a “antecipação do aproveitamento das bases negativas deve ser considerada como postergação de tributos”, vez que os autos não tratam nem de compensação indevida de prejuízo, nem de compensação indevida de base negativa..
Numero da decisão: 1302-000.574
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (SÚMULA CARF Nº 1). POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO. INOCORRÊNCIA. Tendo a contribuinte apurado bases de cálculo negativas, tanto para o imposto de renda, como para a contribuição social, descabe falar em postergação do pagamento do imposto. Equivocado, também, o argumento de que a “antecipação do aproveitamento das bases negativas deve ser considerada como postergação de tributos”, vez que os autos não tratam nem de compensação indevida de prejuízo, nem de compensação indevida de base negativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. “documento assinado digitalmente” Marcos Rodrigues de Mello Presidente “documento assinado digitalmente” Fl. 1DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.000798/200489 Acórdão n.º 130200.574 S1C3T2 Fl. 3.84 2 Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, André Ricardo Lemes da Silva, Irineu Bianchi, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junior.. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.000798/200489 Acórdão n.º 130200.574 S1C3T2 Fl. 4.84 3 Relatório PORTO SEGURO VIDA E PREVIDÊNCIA S/A, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, São Paulo, que manteve, na íntegra, os lançamentos tributários efetivados, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativas aos anoscalendário de 1999, 2000, 2001 e 2002, formalizadas a partir da constatação de que a contribuinte, amparada por medida judicial, deduziu do lucro líquido, na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, valores referentes a contribuições (PIS e COFINS) que se encontravam com a exigibilidade suspensa. Na medida em que a contribuinte não apurou bases de cálculo positivas para os tributos objeto de averiguação, foram promovidas, apenas, ajustes às referidas bases. Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação ao feito fiscal (fls. 60/87), por meio da qual ofereceu, em síntese, os seguintes argumentos: que a impugnação deveria ser conhecida, pois a matéria em discussão não se identificaria com aquela levada à esfera judicial, não havendo, portanto, concomitância de pretensões; que os tributos que estão com exigibilidade suspensa não caracterizariam provisões contábeis de que trata o art. 13 da Lei n° 9.249/95, mas, sim, verdadeiras despesas, necessárias e usuais para a pessoa jurídica, dedutíveis conforme o art. 242 do RIR194; que a normatização tributária sempre teria encampado a natureza de despesa operacional dos tributos, dissentindose tãosomente quanto ao momento de sua contabilização; que o tributo levado ao crivo do Poder Judiciário seria devido antes que decidido de maneira contrária, ou seja, até o final da demanda existiria presunção da constitucionalidade das normas, razão pela qual a despesa existiria visto estar consolidada a obrigação tributária pela concretização da situação hipotética descrita na norma ainda que sua cobrança esteja suspensa pelo litígio; que a despesa com tributos, oriunda do nascimento da obrigação tributária no átimo da ocorrência do fato imponível no mundo fenomênico, seria certa e determinada, mesmo que seu pagamento esteja protraído pela espera de uma decisão judicial; que ocorrida a situação que originou a despesa, ela será imediatamente computada pelo contribuinte pelo regime de competência, assim como acontece com as receitas, mesmo que o desembolso para o seu pagamento efetivo se dê em momento posterior; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.000798/200489 Acórdão n.º 130200.574 S1C3T2 Fl. 5.84 4 que, diferentemente, a acepção técnica de provisão pressupõe a ocorrência de um fato futuro e incerto; que poderseia caracterizar as provisões como registros contábeis de mutações patrimoniais negativas que serão possivelmente realizadas no futuro, não havendo como se precisar o valor exato da provável perda; que os tributos discutidos judicialmente, ao contrário, não se enquadrariam na condição de provisão, pois, em face do princípio da legitimidade e da presunção de legalidade das normas, tal exação seria considerada devida desde a ocorrência de seu fato gerador, até que decisão transitada em julgado declare o contrário, razão pela qual até os valores com exigibilidade suspensa são despesas; que, ademais, o art. 41 da Lei n° 8.981/95 veda apenas a dedução da despesa de tributos com exigibilidade suspensa para efeito de determinação do Lucro Real, base de cálculo do IRPJ, mas não veda a sua dedução para fins de apuração da base de cálculo da CSLL; que, ainda que cabível o ajuste da base de cálculo do IRPJ e da CSLL procedido pela Fiscalização, seria ilegítimo o feito fiscal por ter ignorado o instituto da postergação do pagamento do tributo, nos termos do Parecer Normativo COSIT n° 2; que, tratandose de postergação, o lançamento haveria de confinarse à exigência dos eventuais encargos legais, bem como a adequação da base de cálculo para apuração do tributo devido, ao término da medida judicial, caso a decisão lhe seja desfavorável. A 8a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, analisando os feitos fiscais e a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº. 1613.639, de 30 de maio de 2007, pela procedência dos lançamentos, conforme ementa que ora transcrevemos. CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. A propositura de ação judicial importa a renúncia à discussão administrativa relativamente à matéria subjudice. Quanto à matéria diferenciada, há de ser conhecida a impugnação, devendo o processo ter seu prosseguimento normal. IRPJ e CSLL. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. PROVISÕES. Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa, nos termos do art. 151 do CTN, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por traduzirse em nítido caráter de provisão. IRPJ e CSLL. POSTERGAÇÃO. Descabe falarse em postergação se restar comprovada a inocorrência do pagamento espontâneo do tributo em período base posterior. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.000798/200489 Acórdão n.º 130200.574 S1C3T2 Fl. 6.84 5 Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso de folhas 124/157, por meio do qual, renovando os argumentos expendidos na peça impugnatória, adita: que impetrou Mandado de Segurança visando garantir seu direito líquido e certo de deduzir do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL os valores dos tributos que se encontram com sua exigibilidade suspensa; que a matéria levada a discussão na via administrativa versa, tãosomente, sobre as deduções na base de cálculo do Lucro Líquido e a postergação do tributo supostamente devido; que, como o ajuste foi efetivado em junho de 2004 e a medida judicial proposta em outubro de 1998, resta clara a impossibilidade lógicotemporal de discussão das questões ora debatidas naqueles autos, não se podendo arguir, assim, que o objeto da contestação administrativa seja similar ao da medida judicial; que, ao contrário do afirmado na decisão recorrida, efetuou os recolhimentos nos exercícios posteriores, como comprovam os DARF anexos (Doc. 03). É o Relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.000798/200489 Acórdão n.º 130200.574 S1C3T2 Fl. 7.84 6 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Trata a lide de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativas aos anoscalendário de 1999, 2000, 2001 e 2002, formalizadas a partir da constatação que a contribuinte, amparada por medida judicial, deduziu do lucro líquido, na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, valores referentes a contribuições (PIS e COFINS) que se encontravam com a exigibilidade suspensa. Às fls. 24/54, identifico cópia de inicial de Mandado de Segurança, em que a contribuinte, fundamentadamente, requer, in verbis: a) conceder medida liminar para suspender a exigibilidade do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro decorrentes da aplicação do parágrafo 1º do art. 41 da Lei nº. 8.981/95, permitindose, por corolário, a dedução dos tributos e contribuições, cuja exigibilidade esteja suspensa nos termos dos incisos II a IV do art. 151 do Código Tributário Nacional, pelo regime de competência, nos períodosbase de 1995 a 1997, compreendidos pela intimação da Delegacia Especial das Instituições Financeiras, bem como a partir do períodobase de 1998 e subseqüentes; ... c) julgar procedente o presente writ afastando, por inconstitucional, a disposição do parágrafo 1º do art. 41 da Lei nº 8.981/95, garantindose, por corolário, o direito líquido e certo das Impetrantes em realizar, nos períodosbase de 1995 a 1997, compreendidos pela intimação da Delegacia Especial das Instituições Financeiras, bem como a partir períodobase de 1998 e subsequentes, a dedução dos tributos e contribuições, cuja exigibilidade esteja suspensa nos termos dos incisos II a IV do art. 151 do CTN, pelo regime de competência na base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. (GRIFEI) Diante desse cenário, a autoridade julgadora de primeira instância, alegando concomitância de discussão de matérias no âmbito judicial e administrativo, deixou de apreciar a matéria relativa à aplicação das disposições do art. 41 da Lei nº. 8.981/95 na determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Não obstante, entendeu que os argumentos relacionados à natureza do dispêndio (provisão) e à postergação deveriam ser apreciados, eis que distintos dos discutidos na esfera judicial. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.000798/200489 Acórdão n.º 130200.574 S1C3T2 Fl. 8.84 7 Noto que a autoridade fiscal, ao descrever a infração, consignou expressamente que a contribuinte, ao deduzir da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social as contribuições que se encontravam com a exigibilidade suspensa, violou as disposições do art. 41 da Lei nº. 8.891, de 1995, abaixo transcrito. Art. 41. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. § 1º O disposto neste artigo não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, haja ou não depósito judicial. ... Resta evidente, a meu ver, que, ainda que a autoridade fiscal tenha avançado na busca pelos motivos que levaram o legislador a estabelecer restrição na dedução dos tributos e contribuições, o fundamento para os lançamentos tributários está na norma estampada pelo parágrafo 1º acima reproduzido. Nessas circunstâncias, em divergência com o esposado no voto condutor da decisão de primeiro grau, entendo que a discussão acerca dos fundamentos da norma que impede a dedução de tributos e contribuições que estejam com a exigibilidade suspensa, revela se absolutamente inócua, pois, ainda que se conclua no sentido de que tais dispêndios não têm natureza de provisão, nenhum resultado prático se alcançará, eis que a discussão acerca da validade da aplicação da norma em referência, tanto na determinação da base de cálculo do imposto de renda, como na da contribuição social, restou transferida para o Poder Judiciário. Correta a alegação da Recorrente de que a matéria levada a discussão na via administrativa versa, tãosomente, sobre as deduções na base de cálculo do Lucro Líquido e a postergação do tributo supostamente devido, sendo de clareza solar, contudo, que os argumentos acerca da possibilidade de dedução das exações com a exigibilidade suspensa, ainda que apresentem variação em relação aos que foram levados à apreciação judicial, não podem ser objeto de análise no âmbito administrativo. A súmula CARF nº 1 assim dispõe: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Improcedente, também, a alegação da Recorrente no sentido de que, pelo fato do ajuste de bases de cálculo ter sido feito em 2004 e a medida judicial proposta em 1998, não haveria possibilidade de, àquela época, discutir as questões referentes ao presente processo naqueles autos. Com efeito, como restou destacado, a Recorrente, ao buscar socorro para as suas pretensões no judiciário, requereu que a decisão lhe fosse favorável, também, para o períodobase de 1998 e subseqüentes. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.000798/200489 Acórdão n.º 130200.574 S1C3T2 Fl. 9.84 8 No que tange aos alegados efeitos postergatórios, matéria que, a meu ver, em consonância com a decisão de primeira instância, é estranha ao processo judicial, os argumentos trazidos por meio da peça recursal não podem ser recepcionados. Como bem destacou a decisão recorrida, nos anoscalendário objeto de fiscalização (1999 a 2002) a contribuinte apurou bases de cálculo negativas, tanto para o imposto de renda, como para a contribuição social. Não há, pois, que se falar em postergação de pagamento, eis que no momento em que, no contexto da suposição, “antecipouse o registro da despesa”, não se deixou de pagar imposto ou contribuição, mas, apenas, elevouse o prejuízo fiscal e a base negativa apurada. O efeito decorrente dos registros das despesas em momento em que, nos termos da autuação, elas eram indedutíveis, só seria perceptível a partir do instante em que a parcela do prejuízo fiscal (ou da base negativa) fosse utilizada para compensação na determinação do lucro real. Revelase absolutamente equivocada, também, a tese da Recorrente de que a “antecipação do aproveitamento das bases negativas deve ser considerada como postergação de tributos”, vez que os autos não tratam nem de compensação indevida de prejuízo, nem de compensação indevida de base negativa. Os acórdãos referenciados pela Recorrente em sua peça de defesa não guardam pertinência com as questões apreciadas no presente processo, mas, sim, com o argumentado no parágrafo anterior (compensação indevida). Enganase a Recorrente ao afirmar que a “norma referese à receita e a seus diversos momentos de escrituração e não a tributo e seus diferentes momentos de recolhimento, visto que, nos termos do art. 273 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/99), “a inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, atualização monetária, quando for o caso, ou multa, se dela resultar postergação do pagamento do imposto para período de apuração posterior ao em que seria devido, ou, a redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração. Os comprovantes de recolhimento trazidos pela Recorrente (fls. 173/176), desacompanhados que estão de explicação complementar, não autorizam qualquer conclusão, sendo certo, porém, que nenhuma relação têm com a alegada postergação, vez que, como já dito, tal fenômeno não ocorreu. Assim, considerado todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Sala das Sessões, em 26 de maio de 2011 “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 8DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 16327.000798/200489 Acórdão n.º 130200.574 S1C3T2 Fl. 10.84 9 Fl. 9DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
score : 1.0
Numero do processo: 10980.900616/2006-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/03/2003 a 02/03/2003
IOF. COMPENSAÇÃO. DCTF. RETIFICAÇÃO.
A retificação de DCTF, segundo a qual não haveria crédito, não é condição
essencial para o reconhecimento do direito à restituição dos pagamentos
vinculados a débitos na declaração original, que deve ser aferido a partir da
escrituração do contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-000.895
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencido o
Conselheiro Alan Fialho Gandra (relator). Designado para redigir o voto vencedor o
Conselheiro José Antonio Francisco.
Matéria: IOF - ação fiscal- (insuf. na puração e recolhimento)
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BANCO MÚLTIPLO Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/03/2003 a 02/03/2003 IOF. COMPENSAÇÃO. DCTF. RETIFICAÇÃO. A retificação de DCTF, segundo a qual não haveria crédito, não é condição essencial para o reconhecimento do direito à restituição dos pagamentos vinculados a débitos na declaração original, que deve ser aferido a partir da escrituração do contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencido o Conselheiro Alan Fialho Gandra (relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Antonio Francisco. Ausente o conselheiro Alexandre Gomes. (ASSINADO DIGITALMENTE) Walber José da Silva Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Alan Fialho Gandra Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 01/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, 01/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/ 05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10980.900616/200643 Acórdão n.º 330200.895 S3C3T2 Fl. 2 2 (ASSINADO DIGITALMENTE) José Antonio Francisco Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 0622.305, da DRJ/Curitiba, o qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada. Usando do princípio da economia processual e no intuito de ilustrar aos pares a matéria, adoto e ratifico excertos do relatório objeto da decisão recorrida, que bem descrevem os fatos até aquela fase dos autos, ipsis verbis: “Trata o presente processo da declaração de compensação n° 00172.70572.090703.1.7.040989 (fls. 0509), relativa à compensação do débito de IOF Operações de crédito/Pessoa Jurídica (código de receita 1150) da 2a semana de junho/2003, no valor de R$ 3.229,10, com utilização de direito creditório oriundo de pagamento efetuado a maior em 07/03/2003 do IOF com código de receita 1150 da 1a semana de março/2003 (DARF no valor de R$ 331.176,16). 2. A DRF/CuritibaPR, por meio do Despacho Decisório proferido em 25/05/2008, n° de rastreamento 763940715 (fl. 01), não homologou compensação declarada em face da inexistência do direito credito indicado, cujo valor foi integralmente utilizado na quitação do débito de IOF no valor de R$ 331.176,16 da 1ª semana de março/2003. 3. Regularmente cientificada desse Despacho Decisório via postal (AR recebido em 02/06/2008, à Il. 04), a reclamante apresentou, tempestivamente, em 02/07/2008, a manifestação de inconformidade de fls. 1013, na qual alega que o resultado do despacho decisório está equivocado em face de ter se baseado em informações por ela erroneamente prestadas nas DCTF dos 1º e 2º trimestres/2003, as quais foram retificadas para demonstrar tanto a real existência do direito creditório como a compensação efetuada; reconhece os equívocos cometidos no momento do preenchimento dessas DCTF originais, e acrescenta que esses erros materiais não devem ser considerados prerrogativas para não consideração da existência do direito creditório”. A DRJ não acolheu as alegações do contribuinte e manteve a glosa do crédito pretendido, em acórdão resumido na seguinte ementa: Fl. 2DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 01/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, 01/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/ 05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10980.900616/200643 Acórdão n.º 330200.895 S3C3T2 Fl. 3 3 “COMPENSAÇÃO INDEVIDA. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITORIO. Constatada a inexistência do direito creditório indicado na declaração de compensação, é de não se homologar a compensação declarada. PRAZO PARA RETIFICAÇÃO DE DCTF. DECADÊNCIA. Tratandose de lançamento por homologação, eis que a lei exige a apuração e o eventual pagamento do imposto antes de qualquer exame por parte da Fazenda Pública, e estando decaído o direito de a Fazenda Nacional proceder ao lançamento para exigir eventual diferença de IOF, da mesma forma é vedado à reclamante reduzir o valor do débito, anteriormente declarado na DCTF original, após o transcurso do prazo de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, mediante apresentação de DCTF retificadora”. Cientificada do acórdão, a interessada insurgese contra seus termos, interpondo recurso voluntário a este Eg. Conselho, repisando os mesmos argumentos aduzidos anteriormente, bem como aponta o princípio da verdade material, colacionando jurisprudência. Na forma regimental o processo foi distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Alan Fialho Gandra, Relator O recurso voluntário merece ser conhecido, pois é tempestivo e preenche os demais requisitos exigidos para sua admissibilidade. Conforme já assinalado no relatório acima, o direito creditório da compensação pretendida referese a IOF recolhido em 07/03/2003. O pleito foi indeferido em virtude dos números apresentados na DCTF original indicarem a inexistência de direito creditório e, também, em decorrência da decadência do direito de apresentar a DCTF retificadora. A entrega de DCTF é uma obrigação acessória, a qual está submetida a prazo para sua exigência. Por óbvio e por aplicação do princípio jurídico “o acessório acompanha o principal”, esse prazo coincide com o de constituição da obrigação principal. No presente caso o crédito é de IOF, tributo por homologação, cuja decadência operase nos termos do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, ou seja, cinco anos após o respectivo fato gerador. Nesse sentido, mutatis mutandis, temos o Parecer Cosit nº 48, de 07/07/1999, verbis: Fl. 3DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 01/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, 01/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/ 05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10980.900616/200643 Acórdão n.º 330200.895 S3C3T2 Fl. 4 4 “Extinguese em cinco anos o direito do contribuinte pleitear a retificação da declaração de rendimentos, inclusive quanto ao valor dos bens e direitos declarados”. Destarte, correta a decisão de primeiro grau vez que operouse a decadência do direito de retificar a DCTF, pois o direito creditório é de 07/03/2003 e a DCTF retificadora do 1º trimestre/2003 (fls. 1822) somente foi apresentada em 17/06/2008. Com essas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra Voto Vencedor Conselheiro José Antonio Francisco, redatordesignado O direito creditório não existiria, segundo o acórdão de primeira instância e o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam todos vinculados a débitos em DCTF. Ademais, a Interessada teria perdido o prazo para retificar as DCTF, de forma que não poderia mais contestar os argumentos constantes das decisões. Entretanto, tais conclusões são equivocadas. Basta que se considere que, se a Interessada houvesse retificado no prazo as DCTF, só por isso o direito de crédito não estaria comprovado. Obviamente, por via oblíqua, os fundamentos das decisões anteriores pretenderam tornar a vinculação dos pagamentos em DCTF como um obstáculo material ao reconhecimento do direito de crédito, que somente poderia ser afastado pela retificação. Entretanto, em princípio, nada impede que se verifique a existência do direito de crédito a partir da documentação fiscal e contábil do contribuinte. Não se verifica, ademais, que exista algum dispositivo legal que exija a coerência das obrigações acessórias para o reconhecimento do direito de crédito, mormente se se considere esgotado o prazo para retificação da DCTF quando o direito de repetição de indébito tenha sido apresentado no prazo. Dispõe o art. 165 do Código Tributário Nacional: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: Fl. 4DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 01/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, 01/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/ 05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10980.900616/200643 Acórdão n.º 330200.895 S3C3T2 Fl. 5 5 I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. O que se verifica da disposição citada é que o direito de restituição é amplo, não comportando a interpretação contida nas decisões anteriores. Por outro lado, é imprescindível que o direito de crédito seja demonstrado pelo contribuinte, razão pela qual não pode ser reconhecido no âmbito do presente recurso voluntário. À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para afastar a retificação de DCTF como condição essencial ao reconhecimento do direito de crédito, que, entretanto, deverá ser demonstrado pelo contribuinte nos termos eventualmente exigidos pela autoridade fiscal. Assim, o processo deverá retornar à unidade de origem para análise do direito de crédito. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 5DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 01/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA, 01/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/ 05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
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