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Numero do processo: 10920.006727/2007-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO. TRIBUTAÇÃO.
O adicional por tempo de serviço é rendimento tributável, conforme determina a legislação tributária.
A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física. (Súmula CARF nº 68, Portaria MF nº 383, DOU de 14/07/2010)
CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXTINTO PELO PAGAMENTO.
Incabível a exigência por procedimento de ofício de crédito tributário já extinto nos termos do art. 156 do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-001.232
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR
PARCIAL provimento ao recurso, para considerar devido o imposto de R$ 3.782,34, acrescido de multa de ofício, no percentual de 75% e juros de mora, devendo a unidade administrativa que jurisdiciona a contribuinte verificar se os débitos devidos se enquadram nas condições previstas no art. 14 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO. TRIBUTAÇÃO. O adicional por tempo de serviço é rendimento tributável, conforme determina a legislação tributária. A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física. (Súmula CARF nº 68, Portaria MF nº 383, DOU de 14/07/2010) CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXTINTO PELO PAGAMENTO. Incabível a exigência por procedimento de ofício de crédito tributário já extinto nos termos do art. 156 do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte
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TRIBUTAÇÃO. O adicional por tempo de serviço é rendimento tributável, conforme determina a legislação tributária. A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física. (Súmula CARF nº 68, Portaria MF nº 383, DOU de 14/07/2010) CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXTINTO PELO PAGAMENTO. Incabível a exigência por procedimento de ofício de crédito tributário já extinto nos termos do art. 156 do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR PARCIAL provimento ao recurso, para considerar devido o imposto de R$ 3.782,34, acrescido de multa de ofício, no percentual de 75% e juros de mora, devendo a unidade administrativa que jurisdiciona a contribuinte verificar se os débitos devidos se enquadram nas condições previstas no art. 14 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora Fl. 53DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 27/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 10920.006727/200757 Acórdão n.º 210201.232 S2C1T2 Fl. 50 2 EDITADO EM: 25/04/2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Eivanice Canário da Silva, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra MARIA ANIZIA ROCHA ROSLINDO foi lavrado Auto de Infração, fls. 06/10, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 2002, exercício 2003, no valor total de R$ 16.654,90, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até setembro de 2007. A infração apurada pela autoridade fiscal encontrase assim descrita no Auto de Infração: Omissão de rendimentos excedentes ao limite de isenção para declarantes com 65 anos ou mais. O valor foi deduzido, indevidamente, das duas fontes pagadoras. também houve divergência em relação aos valores declarados: Secretaria de Estado da Fazenda = R$ 46.712.85 Ministério da Defesa = R$ 58.312,08 + R$ 13.754,00 referente à isenção para maiores de 65 anos. Inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, fls. 01/05, onde alega, em apertada síntese, que os rendimentos considerados omitidos no Auto de Infração foram recebidos a título de adicional por tempo de serviço e que conforme disposto na Lei nº 8.852, de 4 de fevereiro de 1994, tais rendimentos são isentos e nãotributáveis. Acrescenta, ainda, que recolheu três parcelas nos valores de R$ 1.010,94. A autoridade julgadora de primeira instância considerou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento, conforme Acórdão DRJ/FNS nº 0716.729, de 19/06/2009, fls. 23/25. Cientificada da decisão de primeira instância, por via postal, em 16/07/2009, Aviso de Recebimento (AR), fls. 28, a contribuinte apresentou, em 10/08/2009, recurso voluntário, fls. 29/38, no qual reproduz e reitera as mesmas alegações e argumentos da impugnação, acrescentando que o débito pode ser passível de remissão, conforme art. 14 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. É o Relatório. Fl. 54DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 27/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 10920.006727/200757 Acórdão n.º 210201.232 S2C1T2 Fl. 51 3 Voto Conselheira Núbia Matos Moura O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. De imediato, cumpre observar que o lançamento é decorrente de revisão de Declaração de Ajuste Anual (DAA), exercício 2003, anocalendário 2002, retificadora. Na DAA original, recibo de entrega, fls. 16, a contribuinte havia apurado saldo de imposto a pagar, no valor de R$ 3.032,83, que foi devidamente recolhido, conforme DARF, fls. 13/15. Já na DAA retificadora a contribuinte apurou saldo de imposto a restituir, no valor de R$ 591,37, conforme Demonstrativo, fls. 09. Destaquese que tal quantia não chegou a ser restituída para a contribuinte. No recurso, assim como na impugnação, a contribuinte afirma que o Auto de Infração deixou de considerar a quantia recolhida a título de quotas. Por seu turno, a decisão recorrida pronunciouse no sentido de afirmar que o valor efetivamente recolhido deveria ser abatido dos débitos da contribuinte, devendo tal procedimento ser solicitado na Delegacia da Receita Federal, não cabendo reparos ao lançamento fiscal. Tal decisão merece reparo, pois implica em onerar o contribuinte com multa de ofício sobre valores já recolhidos antes do lançamento. De acordo com o inciso I do art. 156 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), o pagamento extingue o crédito tributário e estando o mesmo extinto não pode, por óbvio, ser exigido do contribuinte mediante lançamento de ofício. Deste modo, devese ajustar o presente lançamento à realidade fática para exigir da contribuinte apenas o crédito tributário ainda não liquidado na data do lançamento. Assim, considerando o pagamento realizado pela contribuinte, o crédito tributário mantido deve ser de R$ 3.782,34 (R$ 6.815,17 – R$ 3.032,83). Feitas estas considerações, passase ao exame das alegações da recorrente de que o adicional por tempo de serviço é rendimento isento e não tributável, em virtude do disposto na Lei nº 8.852, de 1994. De pronto, cumpre esclarecer que a Lei nº 8.852, de 1994, que dispõe sobre a aplicação dos arts. 37, incisos XI e XII, e 39, § 1º, da Constituição Federal, cuida da definição de vencimento, vencimento básico e remuneração. Contudo, não traz em seu bojo hipóteses de isenção ou nãoincidência de imposto de renda sobre valores recebidos por servidores públicos. Outrossim, no artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que relaciona os rendimentos percebidos por pessoas físicas isentos do imposto de renda, o Fl. 55DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 27/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 10920.006727/200757 Acórdão n.º 210201.232 S2C1T2 Fl. 52 4 adicional por tempo de serviço não está contemplado. Portanto, são tributáveis os rendimentos recebidos mediante tal rubrica. Aliás, tal entendimento já se encontra pacificado neste Colegiado, conforme súmula, abaixo transcrita, aplicável ao caso: Súmula CARF nº 68: A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física. (Portaria MF nº 383, DOU de 14/07/2010) Portanto, não pode prevalecer a hipótese de nãoincidência do imposto de renda sobre os rendimentos recebidos a título de adicional por tempo de serviço, conforme entende a contribuinte. Por fim, no que se refere à remissão de débitos, conforme disposto no art. 14 da Lei nº11.941, de 2009, cumpre esclarecer que a remissão depende de consolidação dos débitos do contribuinte, sendo certo que esta autoridade não dispõe dos elementos necessários para se pronunciar sobre o assunto, cabendo à Delegacia da Receita Federal do Brasil, que jurisdiciona a contribuinte, promover a consolidação dos débitos e conceder à remissão nos casos em que couber. Ante o exposto, voto por DAR PARCIAL provimento ao recurso, para considerar devido o imposto de R$ 3.782,34, acrescido de multa de ofício, no percentual de 75% e juros de mora, devendo a unidade administrativa que jurisdiciona a contribuinte verificar se os débitos devidos se enquadram nas condições previstas no art. 14 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 56DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 27/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO
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Numero do processo: 13205.000015/2003-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2000
DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO.
Indefere-se o pedido de diligência quando a sua realização revele-se prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora.
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA.
Sujeitam-se à tributação os rendimentos recebidos de pessoas jurídicas oferecidos à tributação pelo contribuinte, mormente quando este não junta aos autos documentação hábil e idônea que possa ilidir o feito fiscal.
Numero da decisão: 2201-001.006
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade negar provimento ao recurso. Ausência justificada da conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2000 DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Indefere-se o pedido de diligência quando a sua realização revele-se prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. Sujeitam-se à tributação os rendimentos recebidos de pessoas jurídicas oferecidos à tributação pelo contribuinte, mormente quando este não junta aos autos documentação hábil e idônea que possa ilidir o feito fiscal.
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INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de diligência quando a sua realização revelese prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. Sujeitamse à tributação os rendimentos recebidos de pessoas jurídicas oferecidos à tributação pelo contribuinte, mormente quando este não junta aos autos documentação hábil e idônea que possa ilidir o feito fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade negar provimento ao recurso. Ausência justificada da conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. (Assinado Digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Júnior Presidente. (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza, Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. Fl. 134DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/05/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 30/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/05/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Relatório Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado Auto de Infração (fls. 31/34), relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2000, que alterou o resultado apurado de Imposto a Restituir no valor de R$ 2.361,05, para saldo de Imposto a pagar de R$ 1.836,70. A fiscalização, por meio de revisão da Declaração de Ajuste Anual da contribuinte, glosou os valores informados a título de Imposto de Renda Retido na Fonte. Cientificada do lançamento, a autuada apresentou Impugnação, alegando, que: 1. O valor declarado ano base 1.999, foi declarado superior ao rendimento aquisitivo, sendo acrescentado por engano aos meus rendimentos os recibos da empresa SCHAHIN ENGENHARIA E COMÉRCIO LIDA, inscrita no CGC n° 61.226.890/000149, no valor de R$ 16.586,50 (dezesseis mil quinhentos e oitenta e seis reais e cinqüenta centavos),ora anexos, sendo que os mesmos já haviam sido declarados no ano calendário 1.998; 2. Nesta oportunidade estou enviando os recibos declarado indevidamente para maior esclarecimentos, e segue anexo também, cópias autenticadas dos recibos de rendimentos recebidos no ano base de 1.999, os quais servirão realmente para base de cálculo do meu imposto de renda em questão. 2.1. Recebi da empresa SCHAHN ENGENHARIA E COMÉRCIO LTDA, a importância de R$ 1.140,00 (um mil cento e quarenta reais), no ano de 1.999; 2.2. Recebi da empresa PRELAZIA DO XINGU inscrita no CGC n° 04.892.592/0001 54, a importância de R$ 4.760,00 (quatro mil setecentos e sessenta reais); 2.3. Recebi do Sr. ALMIRO ILHA NIDERAUER CPF n° 064.293.600 59), a importância de R$ 4.000,00 (quatro reais); 2.4. Recebi da empresa MASAM — MADEIREIRA SÃO MIGUEL LTDA, inscrita no CGC n° 83589150/0002 90 a importância de R$ 1.498,50 (um mil quatrocentos e noventa e oito reais e cinqüenta centavos). Dando um total de recebimento no ano de 1.999 a importância bruta de R$ 11.398,50, deduzido os dependentes, base de cálculo dar R$ 11.218,50. Em 13/02/2006, o Acórdão n° 5.560, da 2ª Turma de Julgamento, fls. 39/41, considerou improcedente o lançamento, determinando que fosse restabelecido ao sujeito passivo o valor de R$ 2.361,05, a título de imposto a restituir, tendo em vista que o IRRF glosado restaria provado pelos documentos de fls. 07/12. O sujeito passivo tomou ciência do Acórdão em 14/03/2006, conforme AR de fl. 45. Fl. 135DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/05/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 30/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/05/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13205.000015/200374 Acórdão n.º 220101.006 S2C2T1 Fl. 2 3 Posteriormente, em 23/01/2006, o Delegado da DRF/Santarém solicitou às fls. 49/50 uma análise do referido Acórdão, tendo em vista o disposto no art. 32 do Decreto n° 70.235/72. Em cumprimento ao disposto no art. 22, § 1°, da Portaria MF n° 58, de 17 de março de 2006, a 2ª Turma da DRJ – Belém/PA efetuou a reanálise do Acórdão n° 5.560 e proferiu novo julgamento e, desta vez, considerou integralmente procedente o lançamento, posto que “... o sujeito passivo não sofreu retenção de imposto de renda na fonte no ano calendário de 1999, conforme DIRF de fl. 19, haja vista que a retenção provada pelos documentos de fls. 07/12 referese ao anocalendário de 1998”. (fl.54) Intimada da nova decisão de primeira instância em 31/08/2007 (fl. 59), Cássia de Fátima Santana Mendes apresenta Recurso Voluntário em 28/07/2007 (fl. 60), sustentando, essencialmente, verbis: (...) Na fase de Impugnação a Recorrente demonstrou que os honorários lançados na Declaração do Exercício de 2000 ano base 1999 tiveram como fato gerador o Exercício de 1999, ano base de 1998, acostando na peça, todos os recibos, fls. 07/12, dos autos e sem pesquisar e confrontar com os clientes da Recorrente, o Auditor Fiscal se apoio no erro de lançamento, para produzir o Auto de Infração, eivado de imperfeições. O Auditor Fiscal ao promover a Revisão Interna, não ofereceu o Direito a Ampla Defesa, quando promoveu a revisão internamente e decidiu pela aplicação do Auto de Infração, sem antes Intimar a Recorrente a prestar esclarecimento. Como se trata de Revisão Interna, não possui o mesmo tratamento de uma Fiscalização, deveria neste caso, o Auditor Fiscal convocar a Recorrente a prestar os devidos esclarecimento ou requerer os comprovantes de Rendimentos antes de aplicar o Auto de Infração. (...) Nobres Conselheiros, nada foi providenciado, os Julgadores da Delegacia de Julgamento, simplesmente, anularam a Primeira Decisão e aplicou nova Decisão contra a Recorrente. Diante dos vícios formais, requer que o processo seja Baixado em Diligência para que possa o Auditor Fiscal, confrontar os Rendimentos da Recorrente com a contabilidade da empresa Schahin Cury Engenharia e Comércio Ltda, para comprovar o que afirma a Recorrente. Por outro lado, o lançamento do crédito embasase única e exclusivamente em Rendimentos fictícios, já que houve erro no preenchimento da Declaração por uma interpretação estreita do Auditor Fiscal e dos Nobres Julgadores, prejudicam a Recorrente com aplicação de um malfadado Auto de Infração. Fl. 136DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/05/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 30/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/05/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Ficou assim, configurado que o Auditor Fiscal TRIBUTOU POR MERA SUPOSIÇÃO, já que não pesquisou a verdade real, intimando a empresa Schahin Cury Engenharia e Comércio Ltda a comprovar os pagamentos a titulo de Honorários realizado a Recorrente. O que é defeso ao Fisco e só caracteriza, dessa maneira, uma inadmissível e ilegal voracidade fiscalista que tributa sem ter prova inequívoca do rendimento (fato gerador), já que não levou em consideração o erro no preenchimento da Declaração de Imposto de Renda da Recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Segundo se colhe dos autos o lançamento e decorrente de glosa de imposto de renda retido na fonte indevidamente informado pela recorrente em sua DIRPF/2000. A autoridade fiscal efetuou a glosa do referido imposto por não constar informação na DIRF – Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte em nome da recorrente, contudo, manteve o rendimento tributável lançado pela contribuinte no valor de R$ 27.985,00. Em seu instrumento recursal, requer a suplicante retificação dos valores informados em sua DIRPF/2000 que, segundo alega, representa erro em seu preenchimento. Fundamentalmente, solicita à autuada que reconheça o valor de R$ 11.398,50 como rendimentos tributáveis, pois “Esses rendimentos são os que foram recebidas pela prestação dos serviços prestadas as empresas Schahin Cury, que devem ser considerados como fato gerador e não o valor de R$ 27.985,00”. Pois bem, compulsandose os autos verificase que a recorrente não colaciona qualquer prova que possa roborar com sua tese, qual seja, que efetivamente recebeu, no ano calendário 1999, o valor de R$ R$ 11.398,50 da empresa Schahin Cury. Ao contrário, solicita que o processo seja convertido em diligência para que o órgão fazendário intime as empresas pela qual prestou serviço. Ora, se a contribuinte possuía prova do valor recebido, tais como recibos, declarações, cheques recebidos, extratos bancários, etc., deveria, pois, ter sido previamente carreado aos autos para que pudesse ser objeto de análise do colegiado. Além do mais, o deferimento do pedido de diligência não é um direito absoluto da recorrente e depende do livre convencimento da autoridade julgadora para a solução da lide “... sendo que o seu indeferimento não implica nulidade da decisão...” (Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, Ed. Dialética, pág. 210, Professor Marcos Vinicius Neder). Fl. 137DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/05/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 30/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/05/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13205.000015/200374 Acórdão n.º 220101.006 S2C2T1 Fl. 3 5 Assim, como a contribuinte não apresentou documentos que comprovassem a hipótese supracitada, a fiscalização considerou os valores declarados pela recorrente como rendimentos tributáveis. Destarte, deve ser mantida a exigência. Por fim, não se verifica nos autos qualquer irregularidade na formação da exigência e, em relação à falta de intimação para prestar esclarecimentos, impende reproduzir a Súmula CARF nº 46, aprovada pelo Pleno deste Conselho Administrativo: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Portanto, percebese que com a peça recursal perdeu a contribuinte a oportunidade de comprovar suas alegações, razão pela qual não há outra solução senão a procedência do lançamento. Ante ao exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Fl. 138DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/05/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 30/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/05/2011 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 35393.000476/2006-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/11/2005 a 01/07/2006
EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO. RESGATE DE OBRIGAÇÕES DA ELETROBRAS. PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. INCOMPETÊNCIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL.
RESPONSABILIDADE DA ELETROBRAS.
É incabível, por falta de previsão legal, a restituição e compensação, no âmbito da Receita Federal do Brasil, de valores correspondentes a cautelas de obrigações da Eletrobras, decorrentes de empréstimo compulsório sobre energia elétrica, instituído pelo art. 4º da Lei IV 4.156/62 e legislação
posterior. Nos termos dessa legislação, é de responsabilidade da Eletrobras o resgate dos títulos correspondentes.
SÚMULA CARF N° 24. INCOMPETÊNCIA DA SRF PARA PROMOVER
COMPENSAÇÃO ENTRE CRÉDITOS DERIVADOS DE OBRIGAÇÕES DA ELETROBRAS E DÉBITOS TRIBUTÁRIOS COMO AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. VINCULAÇÃO DOS MEMBROS DO CARF A JURISPRUDÊNCIA CONSUBSTANCIADA EM SÚMULA. De acordo com o art. 72, do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscal (Portaria le 256, de 22/06/2009, alterada pela Portaria n° 446, de 27/08/2009), as Súmulas do CARF são de observância obrigatória pelos seus membros.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-000.837
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Thiago D’Ávila Melo Fernandes
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COMPENSAÇÃO. Recorrente FARMÁCIA DROGAD'OURO LTDA. Recorrida SRP - SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/11/2005 a 01/07/2006 EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO. RESGATE DE OBRIGAÇÕES DA ELETROBRÁS. PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. INCOMPETÊNCIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. RESPONSABILIDADE DA ELETROBRÁS. É incabível, por falta de previsão legal, a restituição e compensação, no âmbito da Receita Federal do Brasil, de valores correspondentes a cautelas de obrigações da Eletrobrds, decorrentes de empréstimo compulsório sobre energia elétrica, instituído pelo art. 40 da Lei IV 4.156/62 e legislação posterior. Nos termos dessa legislação, é de responsabilidade da Eletrobrds o resgate dos títulos correspondentes. SÚMULA CARF N° 24. INCOMPETÊNCIA DA SRF PARA PROMOVER COMPENSAÇÃO ENTRE CRÉDITOS DERIVADOS DE OBRIGAÇÕES DA ELETROBRÁS E DÉBITOS TRIBUTÁRIOS COMO AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIARIAS. VINCULAÇÃO DOS MEMBROS DO CARF A JURISPRUDÊNCIA CONSUBSTANCIADA EM SÚMULA. De acordo com o art. 72, do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscal (Portaria le 256, de 22/06/2009, alterada pela Portaria n° 446, de 27/08/2009), as Súmulas do CARF são de observa l cia obrigatória pelos seus membros. Recurso Voluntário Negado Credito Tributário Mantido , I Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' Camara / 2 Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. ENTO - Presidente t THIAGO D'AVILA MELO FERNANDES - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Arlindo Costa e Silva, Thiago D'Avila Melo Fernandes, Manoel Coelho Arruda Junior e Marco Andre Ramos Vieira (presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (fls. 124/139) contra o Despacho Decisório de fls. 120/121, proferido pela Delegacia da Receita Previdenciaria em Guarulhos, que indeferiu o pedido de homologação de compensação entre créditos tributários efetuada pela Empresa recorrente. A Recorrente atravessou Pedidos de Compensação de débitos tributários identificados pelos números PT 35.412.001070/2006-11, 36.266.004198/2006-21, 35.412.001873/2006-76, 35.412.001860/2006-05, 35.412.001983/2006-38, 35.412.001984/2006-82 e 35.412.002051/2006-11, consubstanciados no crédito oriundo de urna Cautela de Obrigações das Centrais Elétricas Brasileiras S/A (ELETROBRAS) de IV 000134928-1 (146171), avaliada em R$ 501.263,44 (quinhentos e um mil, duzentos e sessenta e três reais e quarenta e quatro centavos). Ato continuo, requereu ao INSS a homologação do referido "enc 'ntro de contas", que acabou sendo negada por meio da decisão de primeira instância da DRP/Guarulhos, consoante fotocópia do despacho decisório As fls. 120/121. Regularmente intimada da decisão supra mencionada, conforme depreende do AR de fls. 122, a Empresa apresentou Recurso Voluntário tempestivamente, fls. 124 a 13 alegando, em síntese, que: 2 Processo n° 35393.000476/2006-52 S2-C3T2 Acórdilo n.° 2302-00.837 Fl. 144 Deve ser homologado o "encontro de contas", porque atende aos requisitos da Lei 4.156/62, já que o credito utilizado pelo recorrente (01 cautela de Obrigações da Eletrobrds) seria a materialização do empréstimo compulsório instituído pela Unido através da lei apontada, e o Código Tributário Nacional em seu Art. 170 autoriza o procedimento; Tanto o INSS quanto a SRF são responsáveis por administrar e recolher tributos destinados aos cofres públicos federais, o que não prejudica o pleito de compensação da Recorrente; iii. Urna vez que a Recorrente possui créditos cujo responsável solidário 6 a Unido, nada obsta A realização do encontro de contas de débitos para- fiscais administrados pelo INSS, corn base no Art. 1° caput e §2° da IN SRF/SRP; iv. ao contrário do afirmado pela decisão recorrida o crédito é liquido e certo, corn base, inclusive, em entendimento do STJ; Intimada, a Delegacia da Receita Previdencidria de Guarulhos apresentou contra-Razões ao Recurso Administrativo As fls. 140/142. o relatório. Voto Conselheiro THIAGO D'ANILA MELO FERNANDES, Relator Como se aduz da simples vista de fls. 122 dos autos, a recorrente foi intimada da Decisão que negou o pleito de compensação em 29 de agosto de 2006 e interpôs o Recurso no dia 12 de setembro de 2006 (v. fls. 124). Sendo assim, atestada está a tempestividade do recurso interposto. No tocante as questões ventiladas no Recurso, a Recorrente aleg, que o crédito apontado, consistente em urna cautela de Obrigações da Eletrobrds, eria a materialização do empréstimo compulsório instituído pela Unido através da Lei IV 4.1. 6/62, configurando-se, portanto, em titulo liquido e certo apto ao procedimento compensatório. Todavia, não há como se pleitear a compensação entre os créditos elencàçlos pelo contribuinte, oriundos de empréstimo compulsório, consubstanciados em Cautela Obrigações da Eletrobrds, e os débitos relativos As contribuições previdencidrias devidas, ei que este órgão colegiado já firmou entendimento sobre a matéria em questão, a partir da prolação da Súmula CARF n° 24, sendo vejamos: 3 Súmula CARF n° 24: "Não compete a Secretaria da Receita Federal promover a restituição de obrigações da Eletrobrás, nem sua compensação com débitos tributários". Destarte, levando-se em consideração que as teses do CARF consolidadas em Súmulas vinculam os seus membros, conforme determinação contida no caput do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria n° 446, de 27 de agosto de 2009), há que ser aplicado o entendimento exarado na orientação supramencionada. 1. CONCLUSÃO Pelo exposto, tendo em vista as considerações retromencionadas, CONHEÇO do recurso voluntário para no mérito NEGAR-LHE PROVIMENTO. É como voto. Sala das Sessões, em 10 de fevereiro de 2011 c4/... THIAGO D'AVILA MELO FERNANDES 4
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Numero do processo: 13975.000218/2005-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
NÃOCUMULATIVIDADE.
CRÉDITOS PASSÍVEIS DE DEDUÇÃO
Os custos de bens e serviços nãoutilizados
diretamente no processo de
produção e/ ou de fabricação dos produtos vendidos não geram créditos de
Cofins passíveis de desconto da contribuição devida e/ ou de ressarcimento.
DESPESA FINANCEIRA. ADIANTAMENTO SOBRE CONTRATOS DE
CÂMBIO
A despesa financeira decorrente de adiantamento de contrato de câmbio para
financiamento de exportação incorrida e apropriada até 30 de abril de 2004
gerava crédito de Cofins nãocumulativa,
passível de dedução da
contribuição devida e/ ou de ressarcimento.
Numero da decisão: 3301-00.932
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento
parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros
Antonio Lisboa Cardoso, Fábio Luiz Nogueira e Maria Teresa Martínez López, que davam
provimento integral ao recurso.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE DEDUÇÃO Os custos de bens e serviços nãoutilizados diretamente no processo de produção e/ ou de fabricação dos produtos vendidos não geram créditos de Cofins passíveis de desconto da contribuição devida e/ ou de ressarcimento. DESPESA FINANCEIRA. ADIANTAMENTO SOBRE CONTRATOS DE CÂMBIO A despesa financeira decorrente de adiantamento de contrato de câmbio para financiamento de exportação incorrida e apropriada até 30 de abril de 2004 gerava crédito de Cofins nãocumulativa, passível de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Antonio Lisboa Cardoso, Fábio Luiz Nogueira e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento integral ao recurso. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Jose Adão Vitorino de Morais – Redator Redator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 08/06/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Maurício Taveira e Silva, Fábio Luiz Nogueira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão proferida pela DRJ Rio de Janeiro II, RJ, que julgou procedente em parte a manifestação inconformidade interposta contra despacho decisório que reconheceu e deferiu parcialmente pedido de ressarcimento de créditos de Cofins nãocumulativa, apurado para o 1º trimestre de 2004. Inconformada com deferimento parcial, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade requerendo o deferimento integral do ressarcimento pleiteado, alegando razões assim sintetizadas por aquela DRJ: “a) As notas fiscais que comprovam as aquisições do fornecedor Vidroforte Indústria e Comércio de Vidros Ltda foram emitidas com CFOP 6.501, destinado a vendas com fim específico de exportação. Contudo, foram utilizadas pela requerente como matéria prima em seu processo de industrialização; b) O CFOP foi utilizado de forma equivocada pelo fornecedor, sem qualquer responsabilidade da recorrente; c) Notese que a empresa Vidroforte destacou o ICMS nas operações, contudo, a venda com fim específico de exportação não tem destaque de ICMS. Assim, a recorrente pagou o ICMS, o PIS e a COF1NS à empresa fornecedora, os dois últimos embutidos no preço dos produtos; d) Caso o fornecedor não tenha recolhido o PIS e a COFINS, a empresa recorrente não pode ser prejudicada, vez que referido recolhimento é de responsabilidade de terceiro, cabendo ao fisco a cobrança da empresa responsável pelo pagamento; e) Na época das aquisições sequer havia lei autorizando a suspensão do PIS e da COFINS, tanto que no campo ‘observações’ das notas fiscais constou apenas a suspensão do IPI. A recorrente passou a estar autorizada a efetuar a compra com suspensão do PIS e da COFINS somente após a publicação do Ato Declaratório Executivo n° 1, de 06/01/2006. A partir dessa data, a Vidroforte passou a vender para a recorrente com suspensão das contribuições, passando a conceder desconto relativo à suspensão; f) Não existem os supostos ‘vícios formais’ a ensejar a glosa referente aos fretes das aquisições de insumos mas, quando muito, meras irregularidades. O transporte utilizado para levar a madeira bruta das florestas até o estabelecimento da recorrente é efetuado por pessoas humildes que, ao invés de emitirem uma nota fiscal (conhecimento de frete) para cada operação de transporte, emitiam uma nota fiscal conjunta com a totalidade dos serviços prestados em determinado período; g) Referida falha não prejudicou o fisco pois não houve omissão dos valores referentes aos fretes. O fato de ter havido irregularidades não impediu que a empresa transportadora recolhesse PIS e COFINS sobre esses valores; h) Caso se entenda que não tem como auferir os valores a serem ressarcidos, que se determine o retorno dos autos à DRF em Blumenau para análise do crédito; i) Os valores incluídos nos CFOP 1.949 e 2.949 não apresentam qualquer incorreção, vez que se tratam de importâncias relativas a serviços de pessoa Fl. 2DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 08/06/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS Processo nº 13975.000218/200510 Acórdão n.º 330100.932 S3C3T1 Fl. 751 3 jurídica utilizados na extração de madeira, manutenção de florestas e manutenção de máquinas, cujo direito ao crédito está previsto no art. 3º, II, da Lei 10.833/03; j) De fato, no mesmo CFOP existem entradas com direito ao crédito e outras sem. Contudo, a autoridade administrativa deveria ter intimado a recorrente para prestar as informações necessárias. Juntase aos autos as notas fiscais que comprovam o direito pleiteado; k) As vendas ao exterior são efetuadas por meio de Contrato de Câmbio, que impõe ao exportador o pagamento de uma taxa de câmbio para receber em moeda nacional o valor que foi pago pelo importador em moeda estrangeira. Não resta dúvida de que a taxa de câmbio decorrente do contrato de câmbio configurase como despesa financeira; 1) A interpretação da redação original do inciso V, do art. 3º, da Lei 10.833/03 não pode restringir o direito ao ressarcimento às despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos; m) Há ainda situações em que o banco onde o Contrato de Câmbio foi celebrado adianta o valor e cobra juros do exportador. Tal procedimento é uma espécie de empréstimo; n) Relativamente às despesas com transporte na venda da produção do estabelecimento não há que se falar em ‘vícios formais relevantes’ porquanto cada conhecimento de frete foi devidamente vinculado a uma nota de venda de produtos encaminhados ao porto para exportação; o) Caso se entenda que não tem como auferir os valores a serem ressarcidos, que se determine o retorno dos autos à DRF em Blumenau para análise do crédito; ...” Analisada a manifestação de inconformidade, a DRJ julgoua procedente em parte, conforme acórdão nº 1322.686, datado de 08/12/2008, às fls. 715/729, sob as seguintes ementas: “VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A aquisição de bens utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda gera direito a crédito a ser descontado da COFINS nãocumulativa, quando não comprovado que a aquisição tenha sido efetuada com o fim específico de exportação. COFINS APURAÇÃO NÃOCUMULATIVA. GLOSA DE CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. Não é cabível a glosa de crédito a ser descontado da contribuição para a COFINS nãocumulativa, calculado em relação a serviços utilizados como insumo, quando devidamente escriturados e amparados por documentos hábeis que lhe dêem suporte. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 08/06/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 4 Os serviços caracterizados como insumos são aqueles diretamente aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Despesas e custos indiretos, embora necessários à realização das atividades da empresa, não podem ser considerados insumos para fins de apuração dos créditos no regime da não cumulatividade. COFINS REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. DESPESAS FINANCEIRAS. As despesas financeiras sobre contratos de câmbio não dão direito a crédito para ser descontado da COFINS apurada segundo o regime de incidência nãocumulativa. DECISÃO ADMINISTRATIVA. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Consideramse definitivos os ajustes efetuados na base de cálculo dos créditos a descontar relativamente aos itens que não foram expressamente contestados.” Cientificada dessa decisão, inconformada, a recorrente interpôs o recurso voluntário às fls. 741/747, requerendo a sua reforma a fim de que se reconheça o seu direito ao ressarcimento pleiteado, alegando, em síntese, a ilegalidade das glosas efetuadas pela autoridade administrativa competente e mantidas pela autoridade julgadora de primeira instância sobre os custos/despesas de: a) custeio (manutenção) de florestas, extração de madeiras e manutenção de máquinas e equipamentos utilizados na produção de madeira (matériaprima) e, c) despesas financeiras sobre contrato de câmbio. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. Em seu recurso voluntário, a recorrente suscitou a ilegalidade das glosas sobre os custos/despesas com: a) custeio (manutenção) de florestas, extração de madeiras e manutenção de máquinas e equipamentos utilizados na produção de madeira; e, c) despesas financeiras sobre contrato de câmbio. A Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que instituiu o regime com incidência nãocumulativa para a Cofins, assim dispõe, quanto aos créditos dessa contribuição, passíveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento, in verbis: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 3º do art. 1º; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes; Fl. 4DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 08/06/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS Processo nº 13975.000218/200510 Acórdão n.º 330100.932 S3C3T1 Fl. 752 5 (...); V despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e o valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (...).” Os dispositivos legais transcritos acima elecam de forma expressa os custos e despesas que geram créditos de Cofins nãocumulativa passíveis de deduções e/ ou de ressarcimento. Os custos e despesas decorrentes de custeio de florestas, extração de madeira e manutenção de máquinas e equipamentos utilizados no custeio e extração de madeiras não estão elencados naquele diploma legal. Segundo aqueles dispositivos, somente geram créditos de Cofins os custos dos bens utilizados como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Os referidos custos/despesas não constituem insumos utilizados na produção ou fabricação dos produtos vendidos pela recorrente. Assim, não há que se falar em ressarcimento de créditos apurados sobre tais custos e despesas. Já as despesas com adiantamento de contratos de câmbio (ACC) incorridas e apropriadas até 30 de abril de 2004, como no presente caso, geravam créditos de Cofins, passíveis de dedução da contribuição devida ou de ressarcimento por constituírem despesas financeiras decorrentes de financiamentos para a exportação nos termos do inciso V do artigo 3º da Lei nº 10.833, de 29/12/2003, citado e transcrito anteriormente. O ACC tem o objetivo de financiar o capital de giro às empresas exportadoras, na forma de antecipação, para que possam produzir, comercializar os produtos objetos de exportação. A título de esclarecimento, cabe ressaltar que a partir de 1º de maio de 2004, as despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamento deixaram de gerar créditos de Cofins, em face da alteração da redação do inciso V do artigo 3º da Lei nº 10.833, de 29/12/2003, determinada por meio da Lei nº 10.865, de 30/04/2004, art. 21, com vigência a partir de 1º de maio de 2004. Até 30 de abril de 2004 aquele dispositivo legal autorizava o crédito. A partir de então inexiste previsão legal para se creditar da Cofins sobre aquelas despesas financeiras. Em face do exposto e de tudo o mais que consta dos autos, voto pelo provimento parcial do recurso voluntário apenas para reconhecer o direito de a recorrente se creditar da Cofins nãocumulativa sobre as despesas decorrentes de adiantamento sobre contratos de câmbio incorridas e apropriadas até 31 de março de 2004, mantendose o indeferimento sobre os demais custos e despesas questionadas. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 08/06/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 6 José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 6DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 08/06/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS
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Numero do processo: 11634.000537/2008-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário:
2005
RECOLHIMENTOS EFETUADOS APÓS INÍCIO DE PROCEDIMENTO
FISCAL. FATOS GERADORES NÃO DECLARADOS.
Aos recolhimentos relativos a fatos geradores não declarados, efetuados no prazo de vinte dias seguintes ao início de procedimento fiscal, não se aplica o benefício prescrito no art. 47 da Lei nº 9.430/96, devendo ser acrescidos da
multa de ofício.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO.
A prestação de declaração contendo valores reduzidos de receitas,
correspondendo a 5% dos fatos geradores verificados, sem qualquer
justificativa plausível, evidencia o intuito de fraude. A apresentação de livros e documentos fiscais, e mesmo a confissão dos fatos geradores omitidos
durante a fiscalização, não elide o dolo.
Numero da decisão: 1302-000.545
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso quanto ao lançamento dos tributos, e por maioria de votos, em negar provimento ao recurso quanto à aplicação da multa qualificada de 150%, vencido o Conselheiro Irineu Bianchi.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2005 RECOLHIMENTOS EFETUADOS APÓS INÍCIO DE PROCEDIMENTO FISCAL. FATOS GERADORES NÃO DECLARADOS. Aos recolhimentos relativos a fatos geradores não declarados, efetuados no prazo de vinte dias seguintes ao início de procedimento fiscal, não se aplica o benefício prescrito no art. 47 da Lei nº 9.430/96, devendo ser acrescidos da multa de ofício. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. A prestação de declaração contendo valores reduzidos de receitas, correspondendo a 5% dos fatos geradores verificados, sem qualquer justificativa plausível, evidencia o intuito de fraude. A apresentação de livros e documentos fiscais, e mesmo a confissão dos fatos geradores omitidos durante a fiscalização, não elide o dolo.
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FATOS GERADORES NÃO DECLARADOS. Aos recolhimentos relativos a fatos geradores não declarados, efetuados no prazo de vinte dias seguintes ao início de procedimento fiscal, não se aplica o benefício prescrito no art. 47 da Lei nº 9.430/96, devendo ser acrescidos da multa de ofício. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. A prestação de declaração contendo valores reduzidos de receitas, correspondendo a 5% dos fatos geradores verificados, sem qualquer justificativa plausível, evidencia o intuito de fraude. A apresentação de livros e documentos fiscais, e mesmo a confissão dos fatos geradores omitidos durante a fiscalização, não elide o dolo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto ao lançamento dos tributos, e por maioria de votos, em negar provimento ao recurso quanto à aplicação da multa qualificada de 150%, vencido o Conselheiro Irineu Bianchi. (assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 11/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11634.000537/200803 Acórdão n.º 130200.545 S1C3T2 Fl. 316 2 (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (presidente da turma), Irineu Bianchi (vicepresidente), Wilson Fernandes Guimarães, Sandra Maria Dias Nunes, Eduardo de Andrade e Daniel Salgueiro da Silva. Relatório Tratase de apreciar Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido nestes autos pela 1ª Turma da DRJ/CTA, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade, conhecer da impugnação e considerar procedente o lançamento, conforme ementa que abaixo reproduzo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. TERMO DE INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. OMISSÃO DE RECEITAS. A constatação de omissão de receitas pela pessoa jurídica, devidamente comprovada pela fiscalização, justifica a exigência fiscal. Para infirmar o lançamento, deve o sujeito passivo apresentar prova convincente da não utilização do ilícito tributário. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. A conduta do contribuinte de não informar a maioria de suas receitas na declaração de rendimento entregue ao Fisco, praticando omissão de receitas durante anos consecutivos, denota o elemento subjetivo da prática dolosa e enseja a aplicação de multa qualificada pela ocorrência de sonegação prevista no art. 71 da Lei nº 4.502/1964. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. CSLL. Tratandose de lançamentos reflexos, a decisão prolatada no lançamento matriz é aplicável, no que couber, aos decorrentes, por força da relação de causa e efeito que os vincula. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 11/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11634.000537/200803 Acórdão n.º 130200.545 S1C3T2 Fl. 317 3 Os eventos ocorridos até o julgamento na DRJ, foram assim relatados no acórdão recorrido: Tratase de lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), referente a fatos geradores ocorridos no ano de 2005, no valor consolidado de R$2.243.817,32, com imposição de multa de ofício de 150%. A autuação decorreu da omissão de receitas operacionais, verificada a partir do confronto entre as receitas declaradas à Secretaria da Fazenda e as receitas declaradas em DIPJ. Em 21.8.2008, o sujeito passivo foi cientificado do lançamento (fl. 197) e, em 22.9.2008, apresentou impugnação de fls. 235 e 236, pela qual aduz, em síntese: a) que a empresa apresentou DIPJ retificadora, acompanhada de um pedido de parcelamento com os respectivos recolhimentos, e que a fiscalização indeferiu a retificação, o parcelamento e deixou de considerar no lançamento os pagamentos efetuados de fls. 262 a 297; b) que não ficou caracterizado o crime de sonegação, já que este envolve o desconhecimento do fato gerador pelo fisco; c) que a aplicação de multa de 150% é exagerado para uma situação em que o contribuinte leva o fato gerador ao conhecimento da autoridade fiscal; d) que requer o cancelamento do auto de infração e a concessão do parcelamento. A recorrente, na peça recursal submetida à apreciação deste colegiado, alegou, em síntese, que: (a) os recolhimentos efetuados espontaneamente, já após o início do procedimento fiscal, que não foram aceitos como parcelamento, deveriam ter sido descontados do montante devido imputado na autuação; (b) descabe a aplicação da multa qualificada pois os fatos geradores foram oferecidos na íntegra ao Fisco, que não os descobriu pelo seu labor probatório. Além disso, a fiscalização não justificou os cálculos de arbitramento feitos, vez que tomou o parâmetro da imputada receita bruta mas não excluiu os custos de produção, com o que inchou indevidamente a base de cálculo; É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 11/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11634.000537/200803 Acórdão n.º 130200.545 S1C3T2 Fl. 318 4 O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço. (a) Aproveitamento de recolhimentos efetuados após o início de procedimento fiscal Alega a recorrente que os recolhimentos efetuados espontaneamente, já após o início do procedimento fiscal, e que não foram aceitos como parcelamento, deveriam ter sido descontados do montante devido imputado na autuação. O acórdão recorrido, ao apreciar a matéria decidiu pela impossibilidade do pedido, porque não cabe à autoridade lançadora a apreciação de tal requerimento. Uma vez iniciado o procedimento fiscal os recolhimentos efetuados não podem ser considerados no ato do lançamento, já que vêm acrescidos de simples multa moratória, além de ter recolhidos pagamentos pelo Simples (fl. 23), quando era optante pela apuração do lucro real (fl. 72). A referência feita pelo impugnante ao prazo de vinte dias para pagar os seus débitos sem a imposição de multa de ofício aplicase somente aos valores previamente declarados, o que não é o caso da autuada. Contudo, conforme asseverou, os pagamentos que correspondam aos créditos lançados de ofício, devem ser aproveitados pela unidade de origem para abater o saldo devedor consolidado dos presentes autos. Não há reparos a fazer. O direito ao recolhimento com simples acréscimo de multa moratória nos vinte dias seguintes ao início de procedimento fiscal restringese aos valores já declarados, nos termos do art. 47 da Lei nº 9.430/96 (abaixo reproduzido), fato este que não se verifica no caso presente. Art. 47. A pessoa física ou jurídica submetida a ação fiscal por parte da Secretaria da Receita Federal poderá pagar, até o vigésimo dia subseqüente à data de recebimento do termo de início de fiscalização, os tributos e contribuições já declarados, de que for sujeito passivo como contribuinte ou responsável, com os acréscimos legais aplicáveis nos casos de procedimento espontâneo. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) – (grifo meu) Todavia, como bem ressalvado no julgado de primeiro grau, os pagamentos que correspondam aos créditos lançados de ofício devem ser aproveitados para abatimento do saldo devedor dos presentes autos. (b) Aplicação da multa de ofício – confissão na fase de procedimento fiscal dos fatos geradores omitidos Fl. 4DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 11/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11634.000537/200803 Acórdão n.º 130200.545 S1C3T2 Fl. 319 5 A recorrente confessou os fatos geradores omitidos durante o procedimento fiscal, tendo, inclusive, tentado retificar sua DIPJ, o que não foi aceito, por ser contrário ao art. 138 do CTN. Entende, então, que descabe a aplicação da multa qualificada pois os fatos geradores foram oferecidos na íntegra ao Fisco, que não os descobriu pelo seu labor probatório. Além disso, a fiscalização não justificou os cálculos de arbitramento feitos, vez que tomou o parâmetro da imputada receita bruta mas não excluiu os custos de produção, com o que inchou indevidamente a base de cálculo. Diferente entendimento esposou a DRJ no acórdão recorrido, cujo voto condutor vai assim vazado: Não é, contudo, essa a realidade que se extrai dos autos. O demonstrativo de fl. 194 evidencia que o sujeito passivo declarava em DIPJ pouco mais de 5% de suas receitas. Informou o montante de R$126.044,32 como receita, ao tempo em que auferira R$2.003.352,43. É consenso no seio da Administração que a mera omissão de receita não é o suficiente para justificar a imposição da multa majorada. Contudo, no presente caso, a conduta do sujeito passivo permite desvelar sua inequívoca intenção de não oferecer seus rendimentos à tributação. O traço marcante do seu dolo advém da enorme disparidade entre as receitas declaradas e as omitidas, além da prática reiterada de tal procedimento. Tenho me manifestado no sentido de que a declaração de rendimentos é o meio que a Administração Tributária possui para averiguar o cumprimento das obrigações do sujeito passivo. Assim, entendo que a conduta de falseála, reduzindolhe os valores de receita bruta, demonstra intenção de esconder do Fisco a ocorrência de fatos geradores. Provada a redução, entendo caracterizado o intuito de fraude, o qual autoriza a exasperação da multa. No caso vertente, a disparidade entre os fatos geradores e os valores declarados ao Fisco (apenas 5%) são agravantes a considerar. O raciocínio, neste caso, não é invalidado pela confissão, posto não ter essa o mérito nem os efeitos desejados, quando efetuada após início do procedimento fiscal. A alegação relativa à desconsideração de custos de produção não foi proposta quando da impugnação. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, a matéria não expressamente contestada na impugnação é considerada não impugnada, não podendo dela conhecer o colegiado de segunda instância. Desta forma, deixo de apreciála. Assim, voto para negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, 31 de março de 2011. (assinado digitalmente) Fl. 5DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 11/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11634.000537/200803 Acórdão n.º 130200.545 S1C3T2 Fl. 320 6 Eduardo de Andrade Relator Fl. 6DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 11/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 15374.725535/2008-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Feb 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano calendário: 1999
SALDOS NEGATIVOS DE RECOLHIMENTO DO IRPJ. PRAZO PARA PLEITEAR A RESTITUIÇÃO E PARA EFETUAR VERIFICAÇÕES FISCAIS. O prazo para pleitear a restituição do saldo negativo de IRPJ, acumulado, devidamente apurado e escriturado, é de 5 anos contados do
período que a contribuinte ficar impossibilitada de aproveitar esses créditos, mormente pela mudança de modalidade de apuração dos tributos ou pelo encerramento de atividades.
RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. ANULAÇÃO DE DESPACHO DECISÓRIO. Verificada omissão e contradição no despacho
decisório que primeiro analisou o pleito do contribuinte, cabível sua anulação para que outro seja proferido, sanando as incorreções, bem como aprofundando na análise das provas trazidas aos autos e de outras que se fizerem necessárias.
Despacho Decisório Anulado.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1402-000.457
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para anular parcialmente o despacho decisório de fls. 75 a 77, para que a autoridade administrativa complemente a apreciação do pleito da contribuinte, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Antonio José Praga de Souza
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PRAZO PARA PLEITEAR A RESTITUIÇÃO E PARA EFETUAR VERIFICAÇÕES FISCAIS. O prazo para pleitear a restituição do saldo negativo de IRPJ, acumulado, devidamente apurado e escriturado, é de 5 anos contados do período que a contribuinte ficar impossibilitada de aproveitar esses créditos, mormente pela mudança de modalidade de apuração dos tributos ou pelo encerramento de atividades. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. ANULAÇÃO DE DESPACHO DECISÓRIO. Verificada omissão e contradição no despacho decisório que primeiro analisou o pleito do contribuinte, cabível sua anulação para que outro seja proferido, sanando as incorreções, bem como aprofundando na análise das provas trazidas aos autos e de outras que se fizerem necessárias. Despacho Decisório Anulado. Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 15374.725535/200881 Acórdão n.º 140200.457 S1C4T2 Fl. 0 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para anular parcialmente o despacho decisório de fls. 75 a 77, para que a autoridade administrativa complemente a apreciação do pleito da contribuinte, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Viviani Aparecida Bacchmi, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório SAPUPEMA PARTICIPACOES S/A recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que indeferiu seu pedido, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida: Tratase de Manifestação de Inconformidade (fls. 106/115) apresentada pela interessada em 26/02/2009, em face do Despacho Decisório de fl.85, fundamentado no Parecer Conclusivo nº 18/2009, às fls. 82/84. A empresa enviou à RFB diversos Pedidos de Ressarcimento ou Restituição – Declaração de Compensação – PER/DCOMP, sendo que o de nº 41322.52235.230505.1.3.029075 (fls. 06/18) foi enviado em 23/05/2005. Todos objetivaram compensar débitos de tributos federais utilizando o saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 1999, no valor de R$ 410.036,11. A pretensão da Interessada foi negada pelo Despacho Decisório de fl. 85, sob a justificativa de que o saldo negativo do IRPJ de 1999 já fora objeto de decisões proferidas através de Despacho Decisório da Delegacia de Administração Tributária (DERAT) no Rio de Janeiro, bem como de Acórdão da DRJ/RJI, nos autos do processo administrativo nº 13706.000487/200114, ambas negando o pleito da interessada, sob o argumento de que o referido saldo negativo já havia sido utilizado em outras compensações pela própria empresa. Quanto à compensação objeto do PER/DCOMP nº 41322.52235.230505.1.3.02 9075 (fls. 06/18), o Parecer Conclusivo diz ser o pleito intempestivo, pois foi protocolado em 23/05/2005 um pedido de restituição/compensação de um crédito relativo ao ano de 1999. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 15374.725535/200881 Acórdão n.º 140200.457 S1C4T2 Fl. 0 3 Cientificada da decisão em 27/01/09(fl.07), a interessada apresentou, em 26/02/09 (fls. 106/115), Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, que: Não há que se falar em ocorrência de decadência em relação ao PER/DCOMP enviado em 23/05/2005. A duplicidade de compensação alegada pelo Fisco no PAF nº 13706.000487/2001 14 não existiu, sendo que a interessada demonstrou naqueles autos que a empresa não utilizou em duplicidade o crédito advindo do saldo negativo do IRPJ do ano calendário de 1999. Protesta quanto aos termos utilizados no Despacho Decisório, ao não reconhecer expressamente a existência de saldo negativo do IRPJ no valor de R$ 410.036,13, sendo que o único fato controverso (discutido no referido processo) é a existência ou não da ocorrência de compensação em duplicidade. A empresa apresentou Recurso Voluntário do Acórdão nº 1211.913, da 3ª Turma da DRJ/RJOI, nos autos do processo referido. Assim, o crédito tributário ora cobrado não pode ser exigido. Seja reconhecida a ausência de compensação em duplicidade pela empresa do saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 1999. A decisão recorrida está assim ementada: DECADÊNCIA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. O prazo decadencial para reconhecimento de direito creditório relativo a tributo sujeito ao lançamento por homologação, como é o caso do Imposto de Renda, termina após o transcurso de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário. COMPENSAÇÃO CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO Provado que a não homologação da compensação declarada pelo contribuinte foi motivada pela inexistência de crédito líquido e certo, não há por que retificar o Despacho Decisório correspondente. Solicitação Indeferida No voto condutor do acórdão de 1a. instância, colhese os seguintes fundamentos: (...) Vêse que estes artigos aplicamse integralmente à questão em tela, pois, a fim de ver reconhecido o seu direito creditório sobre o saldo negativo do Imposto de Renda – tributo sujeito a lançamento por homologação , a empresa formalizou o seu Pedido de Restituição, cumulado com a Declaração de Compensação, em 23 de maio de 2005, portanto em prazo maior que o estabelecido por lei para que pudesse fazêlo – cinco anos. Concluise então que, transcurso o prazo de cinco anos, contado da extinção do crédito tributário, deixou de existir o direito de a Interessada pleitear a compensação do Imposto de Renda pago em valor maior que o devido. Rebelase a Interessada contra a decisão da Delegacia de Administração Tributária, no Rio de Janeiro, que não homologou as compensações declaradas nos Fl. 3DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 15374.725535/200881 Acórdão n.º 140200.457 S1C4T2 Fl. 0 4 PER/DCOMP relacionados no Despacho Decisório de fl. 85, haja vista que o crédito indicado pela contribuinte – saldo negativo de IRPJ apurado em 1999 – já fora utilizado em outras compensações, conforme já decidido por esta DRJ, nos termos do Acórdão n° 1211.913. Como dito, o saldo negativo do IRPJ de 1999 foi utilizado em duplicidade pela empresa, conforme apurado pela autoridade administrativa, nos termos do Parecer Conclusivo nº 18/2006 (fls. 75/77), que motivou a edição do Despacho Decisório de fl. 78, ora impugnado. Analisando os termos do Acórdão 1211.913 (fl.s. 79/81), vejo que o mesmo não merece reparos, pois está fundamentado nas provas e argumentos dos autos do processo 13706.000487/200114, no qual se reconhece que a empresa, de fato, utilizou o crédito oriundo do saldo negativo do IRPJ em duplicidade. Assim, não cabe nova decisão sobre a mesma matéria. Assim, pelo exposto, indefiro a solicitação da contribuinte e mantenho a não homologação das compensações por ela declaradas. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória, especialmente quanto a ausência de compensação em duplicidade e, ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 15374.725535/200881 Acórdão n.º 140200.457 S1C4T2 Fl. 0 5 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado tratase de pedido de reconhecimento de direito creditório relativo a saldos negativos de recolhimentos do IRPJ do anocalendário de 1999 e concomitante homologação das DCOMP que o contribuinte apresentou para aproveitamento desse crédito. A Decisão de 1a. instância entendeu que o contribuinte apresentou o pedido após transcorridos 5 anos da apuração do aludido direito creditório, logo, o direito ao pleito estaria extinto. Inobstante isso, apreciou o mérito e confirmou o despacho decisório da DRF, firmando entendimento que o credito já havia sido utilizado anteriormente. Prazo para pleitear a restituição ou compensação de saldos negativos de recolhimentos de IRPJ e CSLL, bem como da Fazenda Publica para verificar a correção dos valores pleiteados. A Câmara Superior nos últimos 3 anos, havia sedimentado o entendimento no sentido que, regra geral, o prazo para pleitear a restituição extinguese mesmo após 5 anos, contados do pagamento, nos termos do art. 168, inciso I, do CTN, conforme decido no acórdão nº 016000, proferido em 12/08/2008. Especificamente quanto ao saldo negativo de recolhimentos de IRPJ e CSLL dos anoscalendário de 1993 a 1997, a 1a. Turma da CSRF vem decidindo que o início da contagem prazo deslocase para a data da entrega da declaração. Nesse sentido citese o seguinte julgado: Acórdão nº 0106.047, de 10/11/2009, proferido no recurso 105152.539. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO CONTAGEM DO PRAZO DE DECADÊNCIA O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido; extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data da extinção do crédito tributário arts. 165 I e 168 I da Lei 5172 de 25 de outubro de 1966 (CTN). No caso do saldo negativo de IRPJ/CSLL (real anual), o direito de compensar ou restituir iniciase em abril de cada ano (Lei 9.430/96 art. 6° / RIR199 ART. 858 § 1° INCISO II). Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam integrar o presente julgado. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 15374.725535/200881 Acórdão n.º 140200.457 S1C4T2 Fl. 0 6 Compus o colegiado em ambos os julgamentos e acompanhei os relatores, sendo que os debates centraramse na contagem do prazo para interposição do pleito, a mesma questão ora enfrentada. Todavia, desde a sessão da CSRF de agosto/2010, revisitei a matéria adotando os fundamentos a seguir, transcritos do Acórdão 91000.347. Pois bem, o saldo negativo de recolhimentos do IRPJ e da CSLL afloram quando o valor das antecipações desses tributos – retenções em fonte ou recolhimentos por estimativa superaram o valor apurado a partir do lucro real(IRPJ) ou lucro liquido ajustado, respectivamente. Vejamos o que dispõe a legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social a partir do anocalendário de 1997. Lei 9.430 de 1996: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15. da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. § 1º O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. § 2º A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais) ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. § 3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior. § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. Art. 6º O imposto devido, apurado na forma do art. 2º, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir. § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: Fl. 6DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 15374.725535/200881 Acórdão n.º 140200.457 S1C4T2 Fl. 0 7 I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. § 2º O saldo do imposto a pagar de que trata o inciso I do parágrafo anterior será acrescido de juros calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir de 1º de fevereiro até o último dia do mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês do pagamento. § 3º O prazo a que se refere o inciso I do § 1º não se aplica ao imposto relativo ao mês de dezembro, que deverá ser pago até o último dia útil do mês de janeiro do ano subseqüente. (...) Art. 28. Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71, desta Lei. (...) Art. 30. A pessoa jurídica que houver optado pelo pagamento do imposto de renda na forma do art. 2º fica, também, sujeita ao pagamento mensal da contribuição social sobre o lucro líquido, determinada mediante a aplicação da alíquota a que estiver sujeita sobre a base de cálculo apurada na forma dos incisos I e II do artigo anterior. pela análise da sistemática de apuração, recolhimento e compensação do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e Contribuição Social – Lucro Real a partir do ano calendário de 1997, sob a égide da Lei 9.430/1996, estou convencido de que não há prazo para o contribuinte pleitear a restituição do chamado saldo negativo de recolhimentos do IRPJ e CSLL, devidamente apurado e apurado. Isso porque a lei estabeleceu um contacorrente. Art. 64. Os pagamentos efetuados por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal a pessoas jurídicas, pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, estão sujeitos à incidência, na fonte, do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para seguridade social COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP. § 1º A obrigação pela retenção é do órgão ou entidade que efetuar o pagamento. § 2º O valor retido, correspondente a cada tributo ou contribuição, será levado a crédito da respectiva conta da receita da União. § 3º O valor do imposto e das contribuições sociais retido será considerado como antecipação do que for devido pelo contribuinte em relação ao mesmo imposto e às mesmas contribuições. § 4º O valor retido correspondente ao imposto de renda e a cada contribuição social somente poderá ser compensado com o que for devido em relação à mesma espécie de imposto ou contribuição. § 5º O imposto de renda a ser retido será determinado mediante a aplicação da alíquota de quinze por cento sobre o resultado da multiplicação do valor a ser pago Fl. 7DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 15374.725535/200881 Acórdão n.º 140200.457 S1C4T2 Fl. 0 8 pelo percentual de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, aplicável à espécie de receita correspondente ao tipo de bem fornecido ou de serviço prestado. § 6º O valor da contribuição social sobre o lucro líquido, a ser retido, será determinado mediante a aplicação da alíquota de um por cento, sobre o montante a ser pago. § 7º O valor da contribuição para a seguridade social COFINS, a ser retido, será determinado mediante a aplicação da alíquota respectiva sobre o montante a ser pago. § 8º O valor da contribuição para o PIS/PASEP, a ser retido, será determinado mediante a aplicação da alíquota respectiva sobre o montante a ser pago. Instrução Normativa SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL SRF nº 93 de 24.12.1997 Apuração Anual do Lucro Real Art. 23. O imposto devido sobre o lucro real de que trata o §6º do art. 2º será calculado mediante a aplicação da alíquota de 15% (quinze por cento) sobre o lucro real, sem prejuízo da incidência do adicional previsto no §3º do art. 2º. §1º A determinação do lucro real será precedida da apuração do lucro líquido com observância das leis comerciais. §2º Considerase lucro real o lucro líquido do períodobase, ajustado pelas adições prescritas e pelas exclusões ou compensações autorizadas pela legislação do imposto de renda . §3º Observado o disposto no §4º do art. 2º, para efeito de determinação do saldo do imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: a) dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente; b) dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; c) do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; d) do imposto de renda calculado na forma dos arts. 3º a 6º e 10, pago mensalmente; e) do imposto de renda da pessoa jurídica pago indevidamente em períodos anteriores, ainda que compensado no decurso do anocalendário com o imposto de renda devido, apurado com base nas regras dos arts. 3º a 6º e 10. §4º Para efeito de determinação dos incentivos fiscais de dedução do imposto, serão considerados os valores efetivamente despendidos pela pessoa jurídica. (...) Fl. 8DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 15374.725535/200881 Acórdão n.º 140200.457 S1C4T2 Fl. 0 9 Art. 49. Aplicamse à contribuição social sobre o lucro líquido as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, observadas as alterações previstas na Lei nº 9.430, de 1996. IN SRF 210/02 IN Instrução Normativa SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL SRF nº 210 de 30.09.2002 Restituição Art. 2º Poderão ser restituídas pela SRF as quantias recolhidas ao Tesouro Nacional a título de tributo ou contribuição sob sua administração, nas seguintes hipóteses: I cobrança ou pagamento espontâneo, indevido ou a maior que o devido; II erro na identificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Parágrafo único. A SRF poderá promover a restituição de receitas arrecadadas mediante Darf que não estejam sob sua administração, desde que o direito creditório tenha sido previamente reconhecido pelo órgão ou entidade responsável pela administração da receita. Art. 3º A restituição de quantia recolhida a título de tributo ou contribuição administrado pela SRF poderá ser efetuada: I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia, mediante utilização do "Pedido de Restituição"; II mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física (DIRPF); ou III de ofício, em decorrência de representação do servidor que constatar o indébito tributário. (...) Art. 6º Os saldos negativos do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) poderão ser objeto de restituição: I na hipótese de apuração anual, a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração; II na hipótese de apuração trimestral, a partir do mês subseqüente ao do trimestre de apuração. Constatase que o aproveitamento dos saldos negativos nos períodos de apuração seguintes independe autorização prévia da RFB, muito menos está sujeita a apresentação de DCOMP. Tratase de um verdadeiro contacorrente, a exemplo do que ocorre com o Imposto sobre Produtos Industrializado. A cada mês o contribuinte apura o tributo devido, verifica o saldo de recolhimento do período anterior (existência de saldo negativo), bem como as retenções na fonte, Fl. 9DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 15374.725535/200881 Acórdão n.º 140200.457 S1C4T2 Fl. 0 10 e apura o saldo a pagar ou o novo saldo negativo de recolhido. Tratase de um procedimento dinâmico, que deve ser controlado no Lalur. O contribuinte deve manter em boa guarda todos os comprovantes de apuração, retenção e recolhimentos, enquanto estiver realizando aproveitamento de saldos anteriores, tal qual ocorre com o saldo de prejuízos fiscais ou lucro liquido negativo ajustado. Enquanto o contribuinte se mantiver no regime de apuração do lucro real poderá aproveitar esses saldos negativos de recolhimento. Mas se encerrar suas atividades ou mudar de regime, tem cinco anos para pleitear a restituição ou compensação desse saldo. No imposto de renda das pessoas físicas ocorre situação diversa, mas a diferença a maior entre as retenções em fonte e o imposto apurado no ajuste anual é restituído na forma da legislação de regência, sendo que essa declaração deve ser apresentada no prazo de 5 (cinco) anos, caso deseje receber a restituição. Frisese que o contribuinte do IRPF não tem a faculdade de compensar espontaneamente o imposto apurado nos anos seguintes, mesmo que tenham apresentado a declaração de ajuste. Aliás, é vedada qualquer tipo de compensação, devendo o contribuinte aguardar a restituição pela RFB. Portanto, da mesma forma que o contribuinte pode pleitear hoje a restituição de saldos nos quais estão incluídos valores gerados há 10 dez ou 15 anos, a Fazenda Pública pode fiscalizar a formação desses saldos. Não se trata, evidentemente, de auditoria do lucro liquido ou lucro real apurado pelo contribuinte, cujo prazo continua sendo contado na forma do art. 150 c/c 173 do CTN, e sim da efetividade dos recolhimentos, das retenções de IRFonte, compensações de prejuízos, transposição de saldos de um período para outro, compensações (inclusive com outros tributos), enfim a própria formação do saldo. O art. 264 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999 preceitua que a pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem os livros, documentos e papéis relativos à sua atividade, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes... Ou seja: o direito creditório pleiteado pelo contribuinte deve ser declarado líquido e certo pela autoridade administrativa e, para tanto, ela pode e deve investigar a origem do alegado crédito, qualquer que seja o tempo decorrido, e cabe ao contribuinte manter em boa ordem a documentação pertinente, enquanto não prescritas eventuais ações relativas ao crédito em questão. Situação que se verifica no presente caso. Assim, quanto a esta matéria, voto no sentido de afastar a alegação do decurso de prazo de 5 anos tanto para o Contribuinte pleitear a Restituição do Saldo Negativo de Recolhimentos, quanto para a Fazenda Pública verificar a correção do valores pleiteados. Do mérito. Tal qual asseverado pelo contribuinte em sua manifestação de inconformidade e no recurso voluntário, o presente processo é conexo ao de No. 13706.000487/200114. Ambos tem origem no mesmo Parecer Conclusivo nº 18/2006 (fls. 75/77), que motivou a edição do Despacho Decisório de fl. 78. Este colegiado, na sessão de 28/1/2011, apreciou o recurso voluntário interposto pelo contribuinte no processo 13706.000487/200114, proferido o acordão 1402 Fl. 10DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 15374.725535/200881 Acórdão n.º 140200.457 S1C4T2 Fl. 0 11 00408, cuja decisão foi, por unanimidade de votos, “anular parcialmente o despacho decisório de fls. 340343, para que a autoridade administrativa complemente a apreciação do pleito da contribuinte”. Transcrevo a seguir, a parte final do voto condutor do aludido acórdão, também de minha relatoria: No que tange aos anos de 1998 e 1999, nos quais o próprio despacho decisório reconhece a existência do saldo negativo de recolhimentos de IRPJ declarados pelo contribuinte. Porém, afirmase que já foi compensado com outros débitos, logo haveria duplicidade. O contribuinte, alega que efetuou apenas a substituição das DCOMP em razão de erro no preenchimento e que os valores seriam os mesmos. Todavia, isso não foi averiguado no aludido despacho. Tais fatos levamme a conclusão de que se faz necessário anular parcialmente o aludido despacho decisório, para que outro seja proferido analisando adequadamente os elementos trazidos aos autos (inclusive no recurso voluntário), bem como a efetividade do direito creditório alegado pelo contribuinte nos anos de 1996 e 1997. É recomendável que o processo seja instruído com cópia integral das DIRPJ e DIPJ do contribuinte dos anoscalendário de 1996 a 1999, bem como do Lalur, seus balanços e o Livro razão das contas de controle do IRRF da empresa em todos os períodos de apuração. Cientificado do novo despacho decisório, o contribuinte poderá apresentar manifestação de inconformidade à DRJ, se entender desfavorável, à luz do PAF. Diante do exposto voto no sentido de anular parcialmente o despacho decisório de fls. 340343, volvendo os autos à Unidade de origem para complementar a apreciação do pleito do contribuinte. No presente processo cabe essa mesma decisão, assim sendo, voto no sentido de anular parcialmente o despacho decisório de fls. 75 a 77, volvendo os autos à Unidade de origem para complementar a apreciação do pleito do contribuinte. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 11DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 18108.002274/2007-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2004
DECADÊNCIA. PERÍODO ABRANGIDO NÃO DECOTA A INFRAÇÃO COMETIDA. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. APRESENTAÇÃO DEFICIENTE DE DOCUMENTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE ATENUAÇÃO DA MULTA APLICADA.
O critério da dupla visita somente se aplica às fiscalizações ocorridas no âmbito trabalhista para inspeção dos estabelecimentos ou dos locais de trabalho.
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o fisco pode proceder ao lançamento de ofício da importância devida.
Em relação à aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória previdenciária, a não correção da falta impede a concessão do benefício de relevação.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 2301-001.879
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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PERÍODO ABRANGIDO NÃO DECOTA A INFRAÇÃO COMETIDA. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. APRESENTAÇÃO DEFICIENTE DE DOCUMENTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE ATENUAÇÃO DA MULTA APLICADA. O critério da dupla visita somente se aplica às fiscalizações ocorridas no âmbito trabalhista para inspeção dos estabelecimentos ou dos locais de trabalho. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o fisco pode proceder ao lançamento de ofício da importância devida. Em relação à aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória previdenciária, a não correção da falta impede a concessão do benefício de relevação. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 10/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Leoncio Nobre de Medeiros, Damiao Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 10/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 18108.002274/200785 Acórdão n.º 230101.879 S2C3T1 Fl. 86 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa SUDESTE ENGENHARIA LTDA contra decisão que julgou procedente lançamento por descumprimento de obrigação acessória. 2. Narra o relatório fiscal que o contribuinte deixou de apresentar à fiscalização a seguinte documentação: “5.1. Livros Razão e Balancetes contábeis dos anos de 1999 e 2000, solicitados no TIAF lavrado em 11/05/07; 5.2. Guias de Recolhimento de FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP – relativas ao ano de 1999, solicitadas no TIAF lavrado em 11/05/07, sendo que consta nos sistemas da Previdência que tais documentos foram entregues (esclarecemos que a verificação física das mesmas era necessária para conferir os dados que constam nos sistemas de Previdência); 5.3. Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Precidencia Social – GFIP – Retificadoras, relativas ao ano de 2003, solicitadas no TIAF lavrado em 11/05/07, sendo que consta nos sistemas da Previdência a informação de que tais documentos foram entregues na rede bancária; como a empresa insistiu não ter entregue tais guias retificadoras, informamos a seguir os números de controle e data da exportação das guias retificadoras que constam no sistema da previdência, que não foram apresentadas nem em meio de papel nem em meio magnético, impossibilitando a conferência dos dados que nela constam com os dados que constam nos sistemas da Previdência (...) 5.4. contratos de empreiteiras, subempreiteiras e prestadoras de serviços de construção civil, contratadas pelo sujeito passivo, solicitados no TIAF lavrado em 11/05/2007; 5.5. contratos assinados nos anos de 2002 a 2004 com as prestadoras de serviços que emitiram as notas fiscais contabilizadas nas contas 3.1.1.001.00007 – Serv Subempreiteiras e 3.1.1.001.00011 – Locação de mãodeobra, solicitados no TIAD lavrado em 31/08/07; 5.6. recibos de pagamento e documentos fiscais do ano de 1999, solicitados no TIAD lavrado em 03/10/2007, que identificariam os fornecedores pagos pelo sujeito passivo, de acordo com os seguintes lançamentos contábeis, colhidos por amostragem (...) Fl. 3DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 10/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 5.7. comprovantes de pagamento e documentos fiscais, solicitados no TIAD lavrado em 31/08/2007, que deveriam compor os valores lançados e que deveriam identificar os fornecedores que teriam sido pagos com recursos da conta caixa, conforme os seguintes lançamentos a crédito da conta 1.01.01.01.001 Caixa – Adm. verificados no livro diário n.º 13, registrado na JUCEP em 18/04/2001, autenticado sob n.º 46220, representando saídas de recursos dessa conta, e tendo como contrapartida a débito a conta de passivo 2.01.01.01.001 – Fornecedores diversos (...)” (fl.s 18/20) 3. A decisão recorrida restou ementada nos termos que transcrevo abaixo: “AUTO DE INFRAÇÃO. Constitui infração a não exibição de livros e documentos relacionados com as contribuições sociais, necessários à fiscalização, bem como sua apresentação deficiente, conforme art. 33, §§ 2º e 3º da Lei 8.212/91 combinado com os arts. 232 e 233, parágrafo único do Decreto 3.048/99. MULTA. O valor da multa aplicada está em consonância com o disposto no artigo 283, inciso II, ‘j’ do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. ATENUAÇÃO. Não tendo sido corrigida a falta até o termo final do prazo para impugnação, é incabível a atenuação, em cinquenta por cento, da multa, prevista no inciso V do art. 292, combinado com o art. 291, ambos do Decreto 3.048/99. Lançamento procedente” (fl. 58) 4. Em suas razões a empresa alegou, em síntese, o que segue: a) preliminarmente, decadência quinquenal de todos os valores relativos às competências anteriores a novembro de 2002; b) a nulidade do auto de infração devido a não observância do critério legal da dupla visita, tendo em vista o cometimento de abuso de poder, na modalidade excesso de poder do fiscal; c) no mérito, que não houve descumprimento de obrigação pela empresa, pois o próprio auto de infração informa que os documentos foram devidamente entregues; d) a lei não exige a solenidade (forma escrita) nos contratos de empreitada, subempreitada e prestação de serviços, não cabendo ao agente fiscal exigir que a tais contratos se dê a forma escrita; e) que é primária quanto às imposições fiscais previdenciárias, e requer concessão de redução da imposição da multa em 50%. 5. Devidamente cientificado da apresentação de recurso voluntário por parte do contribuinte, o fisco se restringiu a encaminhar os autos para a análise deste Conselho. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 10/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 18108.002274/200785 Acórdão n.º 230101.879 S2C3T1 Fl. 87 5 Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes ADMISSIBILIDADE DO RECURSO 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DA DECADÊNCIA 2. Preliminarmente, é importante que seja feita a análise da decadência segundo o prazo quinquenal previsto nos termos do Código Tributário Nacional, conforme requerido pelo contribuinte. 3. Sobre essa questão, cumpre dizer que, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: “Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém se hígida a legislação anterior, com seus prazos quinquenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 10/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 4. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentados pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.” 5. Ainda sobre o assunto, Lei n° 11.417, de 19 de dezembro de 2006, dispõe o que segue: “Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2º O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1º O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. (...)” 6. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. 7. Dessa forma, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplica ao caso concreto. 8. Compulsando os autos, depreendese do Relatório Fiscal que o auto de infração lavrado contra o contribuinte foi recebido em 30/11/2007, referente ao período de 01/01/1997 a 31/12/2004. Entretanto, independentemente da regra decadencial aplicada, a infração ainda persiste, o que nos leva à manutenção do auto de infração e da multa aplicada, eis que, nos moldes em que classificada, bastaria um ato infracional para sustentar a autuação fiscal. 9. Em razão do exposto, não acolho a preliminar. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 10/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 18108.002274/200785 Acórdão n.º 230101.879 S2C3T1 Fl. 88 7 DA INEXISTÊNCIA DE NULIDADE NO PROCEDIMENTO 10. Alega, sem razão, o contribuinte, que o procedimento fiscal deveria ser anulado, devido a não observância do critério legal da dupla visita, instituído com base nos artigos 170 e 179 da Constituição Federal, bem como ao abuso de poder, na modalidade excesso de poder, do agente fiscalizador que exorbitou sua competência legal. 11. Isso porque, conforme pode ser verificado, o relatório fiscal foi lavrado por agente competente, no interesse público e de forma motivada; assim, é certo que cumpriu todos os requisitos dos atos administrativos. 12. E no que se refere à afirmativa da empresa de que é vedada a autuação fiscal em primeiro momento, segundo o critério legal da dupla visita, tal orientação encontra previsão legal na Consolidação das Leis Trabalhistas – CLT e aplicase apenas às autoridades competentes do Ministério do Trabalho, ou àquelas que exerçam funções delegadas, a quem compete a fiscalização do fiel cumprimento das normas de proteção ao trabalho, ou seja, a vedação aplicase apenas no que diz respeito às fiscalizações feitas no âmbito trabalhistas e não da Previdência Social. 13. Além disso, o artigo 627 da CLT traz em suas alíneas os casos em que o critério da dupla visita deve ser observado, quais sejam: “a) quando ocorrer promulgação ou expedição de novas leis, regulamentos ou instruções ministeriais, sendo que, com relação exclusivamente a esses atos, será feita apenas a instrução dos responsáveis; b) em se realizando a primeira inspeção dos estabelecimentos ou dos locais de trabalho, recentemente inaugurados ou empreendidos.” 14. E a Instrução Normativa n.º 84/2010, que dispõe sobre a fiscalização do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS e das Contribuições Sociais instituídas pela Lei Complementar n.º 110/2001, diz expressamente que nas inspeções nos locais de trabalho, feitas por Auditores Fiscais do Trabalho AFT, deverá ser observado o critério da dupla visita nas empresas devedoras, na forma do art. 627 da CLT, conforme disposto abaixo: “Art. 3º. (...) § 1º O AFT deverá observar o critério da dupla visita, na forma do art. 627 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT, do art. 6º, § 3º, da Lei n.º 7.855, de 24 de outubro de 1989, e do art. 55, §1º, da Lei Complementar n.º 123, de 14 de dezembro de 2006.” 15. Ainda sobre o tema, a Lei Complementar 123, de 14 de dezembro de 2006, que instituiu o Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, em seu artigo 55, determina a observância do critério da dupla visita para lavratura de autos de infração, “no que se refere aos aspectos trabalhista, metrológico, sanitário, ambiental e de segurança”, não havendo qualquer menção à seara previdenciária. 16. Assim, mesmo que a empresa pudesse optar por participar do SIMPLES, ainda não se submeteria ao critério da dupla vista, posto que não há previsão de sua aplicação no que se refere a fiscalização tributária. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 10/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 17. Dessa forma, não há que se falar em nulidade do procedimento fiscalizatório. DA AUTUAÇÃO 18. Como narra o Auto de Infração (fl.01), o contribuinte foi autuado por ter incorrido em descumprimento de obrigação acessória relacionada ao fato de não “exibir (...) documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei 8.212, de 24.07.91, ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira, conforme previsto no art. 33, parágrafos 2 e 3, da referida Lei, combinado com os artigos 232 e 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99”. 19. Os parágrafos 2º e 3º, do artigo 33, da Lei 8.212/91, assim dispõem sobre o tema: “Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (...) § 2º A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.” 20. Dessa forma, embora alegue o recorrente que não há obrigação de que sejam feitos contratos escritos no caso de empreiteiras, subempreiteiras e prestadoras de serviço de construção civil, ou com qualquer prestador de serviço, mesmo que tal assertiva pudesse prosperar, ainda persiste o fato de que a empresa não apresentou, nem por meio de papel, nem por meio magnético, as guias retificadoras, impossibilitando a conferência dos dados que nela constam com aqueles inscritos nos sistemas da previdência. DA IMPOSSIBILIDADE DE REDUÇÃO DA MULTA 21. Aduz, ainda, a empresa recorrente que por ser primária quanto às imposições fiscais previdenciárias, deveria ser beneficiada com a redução de 50% (cinquenta por cento) da multa aplicada. 22. E sobre esse assunto, dispunham os artigos 291 e 292, do Decreto 3.048/99, vigente à época dos fatos, que somente teriam suas multas relevadas ou atenuadas em cinquenta por cento, os infratores que fossem primários, não tenham incorrido em nenhuma circunstância agravante e tiverem corrigido a falta, in verbis: Fl. 8DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 10/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 18108.002274/200785 Acórdão n.º 230101.879 S2C3T1 Fl. 89 9 “Art.291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. §1º A multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. (...) Art.292. As multas serão aplicadas da seguinte forma: (...) V na ocorrência da circunstância atenuante no art. 291, a multa será atenuada em cinqüenta por cento;” 23. Assim, não tendo o contribuinte demonstrado que corrigiu sua falta em qualquer momento do processo, apesar de ser primário e não ter havido qualquer circunstância agravante, não faz jus ao benefício. CONCLUSÃO 24. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes ] Fl. 9DF CARF MF Emitido em 16/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Assinado digitalmente em 10/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA, 04/04/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 10860.003135/2005-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2001
IRPF. DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA PAGA A DEPENDENTE DECLARADO. VEDAÇÃO.
É permitida a dedução da importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais, mas, a partir do mês em que se iniciar esse pagamento, é vedada a dedução, relativa ao mesmo beneficiário, do valor correspondente a dependente (art. 78, §1o, do RIR/99).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2101-001.162
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Jose Evande Carvalho Araújo
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DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA PAGA A DEPENDENTE DECLARADO. VEDAÇÃO. É permitida a dedução da importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais, mas, a partir do mês em que se iniciar esse pagamento, é vedada a dedução, relativa ao mesmo beneficiário, do valor correspondente a dependente (art. 78, §1o, do RIR/99). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Presidente. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Célia Maria de Souza Murphy, Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka. Fl. 96DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 2 a 9, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2001, para lançar infração de omissão de rendimentos, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$1.140,06, acrescido de multa de ofício e juros de mora. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fl. 1), acatada como tempestiva, onde alega erro de digitação dos campos referentes aos rendimentos recebidos, e requer a revisão do lançamento para que seja considerada como dedução o valor da pensão alimentícia e da previdência oficial. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou o lançamento procedente em parte, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 60 a 64): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001 IMPUGNAÇÃO PARCIAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Os valores correspondentes sujeitam se à imediata cobrança. DEDUÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA OFICIAL. São dedutíveis, da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Física, os pagamentos de Contribuições para a Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, comprovados mediante documentos hábeis e idôneos. DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. REQUISITOS. São dedutíveis na Declaração do Imposto de Renda os pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Lançamento Procedente em Parte Fl. 97DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10860.003135/200573 Acórdão n.º 2101001.162 S2C1T1 Fl. 91 3 O julgador de 1a instância fundamentou sua decisão da seguinte maneira (fls. 62 e 63): O contribuinte não impugnou a infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Desta forma, conforme previsto no art. 17 do Decreto n° 70.235, de 1972, considerase não impugnada a matéria que não foi expressamente contestada, razão pela qual mantémse o Imposto incidente sobre a mesma, acrescido de multa de oficio e juros de mora. Concordando com as alterações efetuadas em sua declaração, o contribuinte requer a correção também dos valores a deduzir a título de previdência oficial e pensão alimentícia. (...) Os documento de fls. 41 a 52 —"Demonstrativo de Pagamento", emitidos pelo empregador do ora autuado, comprovam a retenção na fonte da contribuição destinada ao custeio da Previdência Social da União, no valor de R$ 1.611,60. Deve ser deduzida, portanto, contribuição previdenciária oficial no valor de R$ 1.611,60. Em relação à pensão alimentícia, temos que, nos termos art. 8°, inciso II, alínea f, da Lei 9.250, de 26 de dezembro de 1995, poderá ser deduzida da base de cálculo do imposto devido no anocalendário a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais. O interessado apresenta "Demonstrativos de Pagamento" referentes ao ano calendário 2000, emitido por seu empregador, com destaque de pensão alimentícia no valor de R$ 3.265,31. A legislação do Imposto de Renda é bem clara ao permitir somente a dedução das importâncias pagas a título de pensão em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, ou seja, somente o valor estipulado em juízo está sujeito à dedução na apuração da base de cálculo do Imposto de Renda. O fato de o contribuinte haver comprovado nos autos a efetiva entrega de valores ao alimentando não autoriza a dedução na Declaração de Imposto de Renda, isto porque o autuado não comprovou que o pagamento da pensão alimentícia ocorreu em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Desta forma, não pode ser aceita a dedução de R$ 3.265,31 a título de pensão alimentícia, devendo o lançamento ser retificado somente em relação à inclusão da dedução referente à previdência oficial, conforme tabela abaixo: (...) Fl. 98DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 23/06/2008 (fl. 70), o contribuinte apresentou, em 15/07/2008, o recurso de fls. 71 a 86, onde, onde apresenta a decisão judicial que determinou o pagamento de pensão alimentícia. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 89, que também trata do envio dos autos ao então Primeiro Conselho de Contribuintes. É o Relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há arguição de qualquer preliminar. O contribuinte concordou com a infração de omissão de rendimentos lançada, mas solicitou a exclusão de deduções que considera fazer jus, mas que não havia declarado. O julgador de 1a instância admitiu a dedução de valores pagos à previdência oficial, mas não das pensões alimentícias pagas, pois, apesar de comprovado o desembolso, não havia sido apresentada a decisão judicial que determinou o pagamento de pensão alimentícia. No voluntário, o recorrente apresentou cópia do acordo homologado judicialmente em 02/02/1999, onde se compromete a pagar pensão alimentícia para sua filha Nathalia Dantas dos Santos, nascida em 26/05/1998, na proporção de 20% de seu salário líquido, não incidindo sobre horas extras ou adicionais, incidindo, porém, sobre 13° salários, férias, e no caso de eventual rescisão trabalhista, incidente sobre seus direitos indenizatórios e FGTS (fls. 72 a 86). Entretanto, apesar de comprovado o pagamento de pensão alimentícia por ordem judicial, não será possível admitir a dedução desses valores na declaração de ajuste do exercício de 2001, porque o contribuinte informou, nessa mesma declaração, sua filha Nathalia Dantas dos Santos como dependente (fl. 25). De fato, o caput do art. 78 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda) permite a dedução da importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais, mas seu §1º determina que, a partir do mês em que se iniciar esse pagamento, é vedada a dedução, relativa ao mesmo beneficiário, do valor correspondente a dependente. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 99DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10860.003135/200573 Acórdão n.º 2101001.162 S2C1T1 Fl. 92 5 Fl. 100DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10283.000808/2008-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/05/2006
Ementa: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. VÍCIOS QUE NÃO
ACARRETAM A NULIDADE DO LANÇAMENTO.
A existência de vícios em relação ao Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não gera efeitos na relação jurídica fisco x contribuinte, estabelecida com o ato administrativo do lançamento, podendo aqueles ensejar, se for o caso, apuração de responsabilidade administrativa dos envolvidos, mas sem afetar
a relação jurídica fisco x contribuinte.
CONTRIBUIÇÃO AO SAT E AOS TERCEIROS
É devida a contribuição ao SAT e aos Terceiros, incidentes sobre as remunerações pagas, pela empresa, aos segurados empregados que lhe prestam serviços.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-002.105
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, para que se exclua do Relatório de Representantes Legais o sócio Jaime Marques Brasil, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2001 a 30/05/2006 Ementa: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. VÍCIOS QUE NÃO ACARRETAM A NULIDADE DO LANÇAMENTO. A existência de vícios em relação ao Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não gera efeitos na relação jurídica fisco x contribuinte, estabelecida com o ato administrativo do lançamento, podendo aqueles ensejar, se for o caso, apuração de responsabilidade administrativa dos envolvidos, mas sem afetar a relação jurídica fisco x contribuinte. CONTRIBUIÇÃO AO SAT E AOS TERCEIROS É devida a contribuição ao SAT e aos Terceiros, incidentes sobre as remunerações pagas, pela empresa, aos segurados empregados que lhe prestam serviços. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2001 a 30/05/2006 Ementa: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. VÍCIOS QUE NÃO ACARRETAM A NULIDADE DO LANÇAMENTO. A existência de vícios em relação ao Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não gera efeitos na relação jurídica fisco x contribuinte, estabelecida com o ato administrativo do lançamento, podendo aqueles ensejar, se for o caso, apuração de responsabilidade administrativa dos envolvidos, mas sem afetar a relação jurídica fisco x contribuinte. CONTRIBUIÇÃO AO SAT E AOS TERCEIROS É devida a contribuição ao SAT e aos Terceiros, incidentes sobre as remunerações pagas, pela empresa, aos segurados empregados que lhe prestam serviços. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, para que se exclua do Relatório de Representantes Legais o sócio Jaime Marques Brasil, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relator. Fl. 441DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Ausência momentânea: Wilson Antonio De Souza Correa Fl. 442DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10283.000808/200887 Acórdão n.º 230102.105 S2C3T1 Fl. 436 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente à diferença de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondente à parte da empresa, destinada ao financiamento dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e aos terceiros. Conforme Relatório Fiscal (fls. 139), constituem fatos geradores das contribuições lançadas as remunerações pagas e/ou creditadas aos segurados empregados, que prestaram serviços à empresa no período de 04/2001 a 12/2005, e a origem da contribuição é referente à diferença apurada com relação às folhas de pagamento apresentadas pelo Contribuinte. Segundo a autoridade lançadora, constitui ainda o débito lançado os acréscimos legais (levantamento DAL), relativos aos pagamentos de contribuições fora do prazo legal, no período entre 06/2001 a 05/2006. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 0112.562, da 5a Turma da DRJ/BEL, (fls. 386, vol. III), julgou o lançamento procedente em parte, acatando a decadência de parte do débito (04/2001 a 11/2002), com a aplicação do disposto no art. 150, § 4o, do CTN. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 411 ), alegando, em síntese, o que se segue. Preliminarmente, insiste que a cientificação do MPF se deu de forma irregular, pois, apesar de o art 23, I, do Decreto n° 70.235/72, bem como art. 588, da IN 03/2005, prevêem a possibilidade de cientificação do sujeito passivo por via de "preposto", não pode ser qualquer preposto, mas apenas aquele com capacidade de administração, como, por exemplo, gerentes, com poderes de gestão administrativa. Reafirma que a Sra. Darciléia Ferreira Andrade, encarregada do Departamento de Pessoal, não possui poderes de gestão administrativa, sendo tal competência unicamente reservada aos sócios diretores da empresa, que, como dito anteriormente, ficam permanentemente,diariamente na empresa. Ressalta que em nenhuma das prorrogações do MPF foi apresentado e entregue o Demonstrativo de Prorrogação ao sujeito passivo, através dos seus representantes legais, nem a preposto, nem a ninguém, tendo isso sido feito somente quando do encerramento da ação fiscal, o que configura ofensa aos princípios da legalidade e da moralidade administrativa. Reitera os mesmos argumentos em relação ao TIAD, que também não foi apresentado à pessoa competente, com poderes de gestão administrativa, e entende que a ausência de identificação do chefe do órgão expedidor da NFLD e do lançamento representa uma irregularidade insanável e indiscutível. Fl. 443DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA 4 Infere que o art. 11, do Decreto , ao fazer menção à expressão"ou de outro servidor autorizado” quer naturalmente se referir ao servidor que, eventualmente, esteja atuando em ,substituição ao Chefe do Órgão, jamais, entretanto, ao próprio Auditor Fiscal responsável e condutor do procedimento. Entende que insta a obrigação/dever da Administração de excluir do rol de VínculosRelação de Vínculos os exsócios que se retiraram do quadro societário antes de 12/2001, tendo em vista o acolhimento da preliminar de decadência. É o relatório. Fl. 444DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10283.000808/200887 Acórdão n.º 230102.105 S2C3T1 Fl. 437 5 Voto Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, Relatora. O recurso é tempestivo e todos os requisitos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice para seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, registro o que se segue. Preliminarmente, a recorrente alega que a cientificação do MPF se deu de forma irregular, pois foi apresentado a empregado sem capacidade de administração, ou seja, sem poderes de gestão administrativa, e que não foram apresentados, à empresa, as prorrogações do MPF, tendo sido entregue o Demonstrativo de Prorrogação somente quando do encerramento da ação fiscal, o que configura ofensa aos princípios da legalidade e da moralidade administrativa. No entanto, cumpre esclarecer que o procedimento só seria nulo se não estivesse precedido de MPF válido, o que não é o caso em tela, já que constatase a existência de Mandado de Procedimento Fiscal – MPFC válido quando da lavratura da NFLD. Portanto, o lançamento é válido pois está precedido de MPF. Da mesma forma, ao contrário do que entende a recorrente, o encaminhamento do Demonstrativo de Prorrogação MPF apenas no final da fiscalização não invalida o procedimento fiscal e nem contraria as determinações expressas no Decreto 70235/72, ou a IN 03/05, ou na Portaria 3.031/2005, pois a intimação não se confunde com o lançamento, sendo aquela apenas um requisito da eficácia desse. E, de acordo com o art. 31, da Portaria 520/04, vigente à época da lavratura da NFLD, são nulos os lançamentos não precedidos do MPF, o que, reiterase, não é o caso presente. Quanto às alegações de irregularidades na cientificação dos MPFC à empresa, entendo que, desde que o contribuinte tome ciência, por meio do MPF emitido originalmente, de que se encontra sob ação fiscal, inexiste prejuízo ao mesmo, tratandose a questão de ordem meramente formal. Na lição de Nelson Nery Júnior “Formalidade e formalismo. O juiz deve desapegarse do formalismo, procurando agir de modo a propiciar às partes o atingimento da finalidade do processo”. Ressaltese, ainda, que a invocação do princípio da instrumentalidade das formas é de todo cabível, e sua aplicabilidade não está restrita tãosomente à esfera processual. O STJ já se manifestou nesse sentido, como se pode inferir da parte transcrita do seguinte julgado: “PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE DAS FORMAS NO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. O concurso público, como procedimento administrativo, deve observar o princípio da instrumentalidade das formas (CPC 244). Em sede de concurso Fl. 445DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA 6 público não se deve perder de vista a finalidade para a qual se dirige o procedimento. Na avaliação da nulidade do ato administrativo é necessário temperar a rigidez do princípio da legalidade, para que se coloque em harmonia com os princípios da estabilidade das relações jurídicas, da boafé e outros valores essenciais à perpetuação do Estado de Direito.“ (RESP 6518/RJ – Min. Gomes de Barros – 1ª Turma – DJ 16.09.1991). Nesse contexto, a decisão que propugne pela nulidade do lançamento, nas condições expostas, como requer a notificada, certamente estará impregnada de excesso de formalismo, em evidente desprezo pela finalidade buscada, a qual, em essência, restou concretizada. Ademais, a Câmara Superior deste Conselho já vem decidindo que a existência de quaisquer vícios em relação ao MPF não gera efeitos quanto à relação jurídica fisco x contribuinte, estabelecida com o ato administrativo do lançamento, podendo os vícios ensejar, se for o caso, apuração de responsabilidade administrativa dos envolvidos, mas, reiterase, sem afetar a relação jurídica existente entre o fisco e o contribuinte. Cumpre esclarecer que o Mandado de Procedimento Fiscal MPF, atualmente disciplinado pela Portaria SRF nº 11.371/2007, é instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, e consiste em uma ordem emanada de dirigentes das unidades da Receita Federal para que seus auditores, em nome do Órgão fiscalizador, executem atividades fiscais tendentes a verificar o cumprimento das obrigações tributárias por parte do sujeito passivo. Nesse sentido, a cientificação do MPF ou do TIAD à segurada empregada, Sra. Darciléia Ferreira Andrade, encarregada do Departamento de Pessoal, é válida, pois a legislação que trata da matéria em nenhum momento exige que o Mandado ou o TIAD sejam apresentados a gerentes do sujeito passivo, ou a pessoas com capacidade de gestão. Concluo, portanto, que os atos praticados sob a égide do MPF válido não poderiam ser reputados nulos, motivo pelos quais rejeito as preliminares de nulidade. A recorrente defende, ainda, que a NFLD é nula por não identificar o chefe do Chefe do Órgão Expedidor da Notificação. Infere que o art. 11, do Decreto 70.235/72, ao fazer menção à expressão"ou de outro servidor autorizado” quer naturalmente se referir ao servidor que, eventualmente, esteja atuando em substituição ao Chefe do Órgão, jamais, entretanto, ao próprio Auditor Fiscal responsável e condutor do procedimento. Ora, utilizando o mesmo raciocínio da recorrente, se a intenção da Lei fosse essa defendida pela notificada, o legislador teria deixado consignado, no dispositivo legal citado, as palavras “ou seu substituto”, e não “outro servidor autorizado”. Ademais, o mesmo Decreto 70.235, tantas vezes citado pela recorrente, dispõe, em seu art. 59, que são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa. No caso presente, verificase que não ocorrera as hipóteses de nulidade elencadas pelo Decreto, pois a NFLD foi lavrada por pessoa competente e a notificada não Fl. 446DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10283.000808/200887 Acórdão n.º 230102.105 S2C3T1 Fl. 438 7 demonstrou que o fato de não constar o nome do chefe do órgão na Notificação cerceou o seu direito de defesa. Da mesma forma, não há a contradição no Acórdão combatido, como quer fazer crer a recorrente. Em nenhum momento a autoridade julgadora de primeira instância afirma que nos procedimentos de auto de infração seria, sim, o caso de assinatura do chefe do órgão. Ao contrário, o relator do Acórdão recorrido tenta demonstrar que, se no AI, que é um instrumento de constituição de crédito pelo descumprimento de obrigação acessória, não há a necessidade da assinatura do chefe do órgão, mas apenas do agente autuante, também na NFLD, que constitui o crédito tributário por descumprimento da obrigação principal, basta a assinatura da autoridade notificante. Assim, não há que se falar em nulidade da NFLD, que foi lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente notificante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem a Notificação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. O Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura da NFLD e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à notificada. E a autoridade fiscal, ao constatar a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária e o não recolhimento integral da contribuição devida, lavrou a competente NFLD, em observância em observância ao disposto no art. 37, da Lei 8.212/91: Art.37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Portanto, não há que se falar em nulidade ou ilegalidade da NFLD. A notificada entende que o lançamento é nulo uma vez que contempla, no rol de Relação de Vínculos, os exsócios que se retiraram do quadro societário antes de 12/2001, tendo em vista o acolhimento da preliminar de decadência. Porém, entendo que tal fato não é motivo de se decretar a nulidade da Notificação, devendo apenas ser retirado, do Relatório de Representantes Legais, o sócio JAIME MARQUES BRASIL, que se retirou da sociedade em 17/10/2001. Nesse sentido e Considerando tudo o mais que dos autos consta. Fl. 447DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA 8 Voto no sentido de CONHECER do recurso, e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para que se exclua do Relatório de Representantes Legais, o sócio JAIME MARQUES BRASIL, por ter se desligado da sociedade em período atingido pela decadência. É como voto. Bernadete de Oliveira – Relatora Fl. 448DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 15983.000399/2008-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
MATÉRIA SOB APRECIAÇÃO DO PODER JUDICIÁRIO. CONCOMITÂNCIA DAS INSTÂNCIAS JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE.
0 litigante não pode discutir a mesma matéria em processo judicial e em administrativo. Havendo coincidência de objetos nos dois processos, deve-se trancar a via administrativa. Em nosso sistema de direito, prevalece a solução dada ao litígio pela via judicial. Inteligência do enunciado sumular CARF n°1 (DOU de 22/12/2009), verbis: "Importa renúncia as instâncias
administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial".
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-001.236
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: Acácia Sayuri Wakasugi
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2003, 2004, 2005 MATÉRIA SOB APRECIAÇÃO DO PODER JUDICIÁRIO. CONCOMITÂNCIA DAS INSTÂNCIAS JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. 0 litigante não pode discutir a mesma matéria em processo judicial e em administrativo. Havendo coincidência de objetos nos dois processos, deve-se trancar a via administrativa. Em nosso sistema de direito, prevalece a solução dada ao litígio pela via judicial. Inteligência do enunciado sumular CARF n°1 (DOU de 22/12/2009), verbis: "Importa renúncia as instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial". Recurso Voluntário Negado.
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CONCOMITÂNCIA DAS INSTÂNCIAS JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. 0 litigante não pode discutir a mesma matéria em processo judicial e em administrativo. Havendo coincidência de objetos nos dois processos, deve-se trancar a via administrativa. Em nosso sistema de direito, prevalece a solução dada ao litígio pela via judicial. Inteligência do enunciado sumular CARF n°1 (DOU de 22/12/2009), verbis: "Importa renúncia as instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial". Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discuti s autos. Acordam os Membr do Colegiade , ar unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos d Giov §idente EDITADO EM: 28/11/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos, Eivanice Canário da Silva, Nabia Matos Moura, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Rubens Mauricio Carvalho e Acácia Sayuri Wakasugi. Relatório Em face do contribuinte JOSÉ VIEIRA DIAS, CPF/MF n° 107.193.508-91 , já qualificado neste processo, foi lavrado, em 18/01/2008, auto de infração (fls. 1 a 13), a partir da revisão de sua declaração de ajuste anual, referente aos anos calendários 2003, 2004, 2005, com o lançamento do imposto de renda, multa de oficio e de juros de mora, totalizando um crédito tributário de R$ 113.981,20. Conforme descrição dos fatos, o contribuinte classificou indevidamente na Declaração de Ajuste rendimentos decorrentes de aposentadoria de anistia, como isentos. Tal irregularidade decorre da falta de apresentação pelo contribuinte, conforme bem relatado pela DRJ, da Portaria do Ministro de Estado da Justiça, a qual conferiria o direito de reparação econômica de caráter indenizatório do regime de anistiado politico, segundo art. 3°, da Lei 10.559, de 13/11/2002. 0 crédito tributário foi lançado com a exigibilidade suspensa por força de Medida Liminar, da l a Vara Cível da Justiça Federal de Santos, razão pela qual também não foi aplicada a multa de oficio de 75%, em processo tombado sob o n° 2003.61.04.000056-6. A 3a Turma da DRJ/SPOII, por unanimidade de votos, julgou por não conhecer da impugnação, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 17-31.705, 06 de maio de 2009 (fls. 102 a 108 ), que foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-Calendário: 2003, 2004, 2005 Ementa: PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A propositura pela contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial, antes ou posteriormente a autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia ás instâncias administrativas. Impugnação não Conhecida 0 contribuinte foi intimado da decisão a quo em 23/03/2009, cujo qual interpôs recurso voluntário em 16/04/2009, no qual assim assevera: (-) 3. Pelo que se percebe, a r. decisão da Primeira Instância Administrativa não levou em consideração, nas razões de decidir, a eficácia dos princípios constitucionais da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, verdade real, moralidade, ampla defesa, segurança jurídica, interesse público e justiça tributária, ao fundamentar seu decisum, nos seguintes pontos: "No caso em questão o interessado impetrou o Mandado de Segurança n° 2003.61.04.000056-6, com pedido de liminar, pleiteando provimento jurisdicional no sentido de ser declarada a ilegalidade da tributação dos proventos de caráter indenizatórios relativo a anistia política "0 objeto da demanda judicial, portanto, é o mesmo tratado neste processo administrativo. Tal fato demonstra que o contribuinte fez clara opção pela via judicial em detrimento da Processo n° 15983.000399/2008-45 S2-C IT2 H. 122 Acórdão n.° 2102-01.236 via administrativa, uma vez viger no Brasil o principio da Unidade de Jurisdição ou Sistema de Jurisdição Onica, segundo o qual a funçeio jurisdicional é monopólio do Poder Judiciário. 5. DO PROCESSO JUDICIAL — Mesmo com advento da Lei 10.559, de 13 de novembro de 2002, o pagamento da aposentadoria ou pensão excepcional relativa aos já anistiados politicos continuou sendo efetuado pelo INSS. 0 artigo 90 da referida Lei estatuiu que "os valores mencionados não poderão ser objeto de contribuição ao INSS, as caixas de assistência ou fundos de pensão ou previdência, nem objeto de ressarcimento por estes de suas responsabilidades estatutárias." E, ainda, segundo seu parágrafo único, tais valores, pagos a titulo de indenização a anistiados politicos, são ISENTOS DE IMPOSTO DE RENDA. 6. Ocorre que o artigo 19 da referida lei enseja a interpretações a cerca da anistia política concedida anteriormente à Constituição da Republica, se seria beneficiada pela isenção, caso da requerente. Entretanto a matéria foi esclarecida pelo Decreto 4.987, de 25 de novembro de 2003, editado pelo Presidente da Republica, para regulamentar o referido artigo 19, da Lei 10.559/02, expressamente incluiu as aposentadorias, pensões ou proventos de qualquer natureza pagos aos já anistiados politicos (§ 1°, do artigo 1°, do Decreto 4987/03). 7. Com efeito, mesmo alcançando os pagamentos de aposentadoria e de pensões de anistiados politicos que trata o artigo 19, da Lei 10.559/02, o INSS não reconhecia a isenção do Imposto de Renda em relação aos benefícios na forma prevista no artigo 90, parágrafo único da Lei 10.559/02, isto porque, era o responsável tributário pelas retenções do IRRF e pelas informações fiscais perante a Receita Federal. 8. Nesse diapasão, o recorrente, para se valer do direito, e para que a Autarquia viesse a obedecer ao principio da legalidade e segurança jurídica (art.37, caput, da CF), conforme disposto na Constituição e na Lei, impetrou Mandado de Segurança, contra o INSS e o Gerente Executivo da Autarquia, autoridade responsável pela retenção do indigitado tributo, objetivando a declaração de inexigibilidade do Imposto Sobre a Renda, sobre a indenização recebida et titulo de aposentadoria excepcional de anistiado. Observa-se no processo judicial que mesmo diante dos apelos do INSS/Gerente Executivo da Autarquia, que arguiram ilegitimidade passiva, ambos foram mantidos no pólo passivo da ação, uma vez que era o responsável pela retenção. A Unido (Fazenda Nacional) foi posteriormente incluída na ação. Portanto, o que objetiva a recorrente na ação judicial é a declaração da inexigibilidade do Imposto de Renda Retido na Fonte, sobre os benefícios pagos pelo INSS, auferidos a titulo de aposentadoria excepcional de anistiado politico. (..) o relatório. Voto Conselheira Acácia Sayuri Wakaugi, Relatora Declara-se a tempestividade do apelo, já que interposto dentro do trintidio legal. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passa-se a apreciá-lo. Informa o recorrente que a controvérsia deduzida nestes autos se encontra sob apreciação do judiciário, no bojo do mandado de segurança 2003.61.04.000056-6, sem solução definitiva na instancia judicial. Vê-se que a pretensão aqui deduzida pela recorrente não pode ser julgada nesta instância administrativa, pois somente cabe a Administração se submeter ao decidido pelo Poder Judiciário, no bojo da Ação ordinária citada. Considerando a unicidade de jurisdição que tem vigência no Brasil, com supremacia do direito dito pelo Poder Judiciário, somente cabe a esta Segunda Turma da Primeira Camara da Segunda Seção do CARF reconhecer a concomitância das instâncias, e, em analogia com o determinado pelo parágrafo único do art. 38 da Lei n° 6.830/80, declarar, neste ponto, que a recorrente desistiu tacitamente do recurso interposto na esfera administrativa. E de se evidenciar que recentemente o Supremo Tribunal Federal declarou a constitucionalidade do parágrafo único do art. 38 da Lei n° 6.830/80, ou seja, a propositura de demanda com o mesmo objeto da lide administrativa implica em renúncia a esta última instância. Assim, nessa questão, veja-se a transcrição do informativo STF n° 476, de 22 agosto de 2007, verbis: Em conclusão de julgamento, o Tribunal, por maioria, negou provimento a recurso extraordinário em que se discutia a constitucionalidade do parágrafo único do art. 38 da Lei 6.830/80 ("Art 38. A discussão judicial da Divida Ativa da Fazenda Pública só é admissivel em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da divida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo único. A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto.'). Tratava-se, na espécie, de recurso interposto contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, que negara provimento et apelação da recorrente e confirmara sentença que indeferira mandado de segurança preventivo por ela impetrado, sob o fundamento de impossibilidade da utilização simultânea das vias administrativa e judicial para discussão da mesma matéria — v. Informativos 349 e 387. Entendeu-se que o art. 38, da Lei 6.830/80 apenas veio a conferir mera alternativa de escolha de uma das vias processuais. Nesta assentada, o Mk Sepfilveda Pertence, em voto-vista, acompanhou a divergência, no sentido de negar provimento ao recurso. Asseverou que a presunção de renúncia ao poder de recorrer ou de desistência do recurso na esfera administrativa não implica afronta es garantia constitucional da jurisdição, uma vez que o efeito coercivo que o dispositivo questionado possa conter apenas se efetiva se e quando o contribuinte previa o acolhimento de sua pretensão na esfera administrativa. Assim, somente haverá receio de provocar o Judiciário e ter extinto o processo administrativo, se este se mostrar mais eficiente que aquele. Neste caso, se houver uma solução administrativa imprevista ou contrária a seus interesses, ainda ai estará resguardado o direito de provocar o Judiciário. Por outro lado, na situação inversa, se o contribuinte não esperar resultado positivo do processo administrativo, não hesitará em provocar o Judiciário tão logo possa, e já não se interessará mais pelo que se vier a decidir na esfera administrativa, salvo no caso de eventual sucumbência jzirisdicionaL Afastou, também, a alegada ofensa ao direito de petição, ulna vez que este já teria sido exercido pelo contribuinte, tanto que haveria um processo administrativo em curso. Concluiu que o dispositivo atacado encerra preceito de economia processual que rege Processo n° 15983.000399/2008-45 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-01.236 H. 123 tanto o processo judicial quanto o administrativo. Por fim, registrou que já se admitia, no campo do processo civil, que a prática de atos incompatíveis com a vontade de recorrer implica renúncia a esse direito de recorrer ou prejuízo do recurso interposto, a teor do que dispõe o art. 503, caput, e parágrafo único, do CPC, nunca tendo se levantado qualquer dúvida acerca da constitucionalidade dessas normas. Vencidos os Ministros Marco Aurélio, relator, e Carlos Britto que davam provimento ao recurso para declarar a inconstitucionalidade do dispositivo em análise, por vislumbrarem ofensa ao direito de livre acesso ao Judiciário e ao direito de peticito. RE 233582/RJ, rel. orig. Min. Marco Aurélio, rel. p/ o acárdeio Min. Joaquim Barbosa, 16.8.2007. (RE-233582) — grifou-se - Por fim, no caso ora em debate, também incide a inteligência da Súmula CARF N° 1: "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial", e, com espeque no art. 72, caput e § 4°, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda', aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009 (DOU de 23 de junho de 2009), deve-se ressaltar que os enunciados sumulares, dos Conselhos de Contribuintes e do CARF, são de aplicação obrigatória nos julgamentos de 2° grau. , voto iscuti ANTE 0 EXPOST feito administrativo está s ndo- PROVIMENTO AO RECLif O. no sentido de reconhecer que o objeto do presente o na via judicial, o que implica em NEGAR Acdc asugi - Relatora Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. § 1 0 a §3 0 Omissis. § 4° As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF. 5
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