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Numero do processo: 11080.731891/2014-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011
NORMAS REGIMENTAIS. CONCOMITÂNCIA DISCUSSÃO JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. MESMO OBJETO. CONHECIMENTO PARCIAL DAS ALEGAÇÕES RECURSAIS. SÚMULA CARF N° 01.
De conformidade o artigo 78, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, a propositura de ação judicial com o mesmo objeto do recurso voluntário representa desistência da discussão de aludida matéria na esfera administrativa, ensejando o não conhecimento das alegações da peça recursal objeto da ação judicial.
ILEGITIMIDADE PASSIVA. SUJEIÇÃO PASSIVA CARACTERIZADA.
Conforme confessado pelo contribuinte a atividade é exercida através de seus membros. Portanto a legitimidade passiva restou caracterizada, pois a relação jurídica originária é estabelecida sempre com a contribuinte.
CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. BOLSAS DE EXTENSÃO. NÃO INCIDÊNCIA.
Conjunto probatório condizente com as atividades da contribuinte. Bolsas de extensão transferidas aos membros em decorrência da prática da docência em hospital de clínicas, pela ministração de aulas aos médicos residentes, de acordo com a Lei 8.958/94.
In casu, não restou caracterizado o caráter remuneratório da verba destinada a bolsa extensão, sendo incabível a incidência de contribuição previdenciária sobre a rubrica.
CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. BOLSAS DE PESQUISA. NATUREZA MERCANTIL. INCIDÊNCIA.
Constitui base de cálculo de contribuição previdenciária o pagamento de bolsas de pesquisa com características mercantis, quando importa contraprestação de serviços e os resultados revertem-se economicamente em benefício do patrocinador.
Numero da decisão: 2401-006.052
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o levantamento BE do DEBCAD 51.045.116-0. Vencidos os conselheiros José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Miriam Denise Xavier que davam provimento parcial em menor extensão para, quanto ao levantamento BE, retificar a base de cálculo e excluir a multa e os juros. Vencidos em primeira votação os conselheiros Rayd Santana Ferreira (relator) e Andréa Viana Arrais Egypto, que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente as Conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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CONCOMITÂNCIA DISCUSSÃO JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. MESMO OBJETO. CONHECIMENTO PARCIAL DAS ALEGAÇÕES RECURSAIS. SÚMULA CARF N° 01. De conformidade o artigo 78, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, a propositura de ação judicial com o mesmo objeto do recurso voluntário representa desistência da discussão de aludida matéria na esfera administrativa, ensejando o não conhecimento das alegações da peça recursal objeto da ação judicial. ILEGITIMIDADE PASSIVA. SUJEIÇÃO PASSIVA CARACTERIZADA. Conforme confessado pelo contribuinte a atividade é exercida através de seus membros. Portanto a legitimidade passiva restou caracterizada, pois a relação jurídica originária é estabelecida sempre com a contribuinte. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. BOLSAS DE EXTENSÃO. NÃO INCIDÊNCIA. Conjunto probatório condizente com as atividades da contribuinte. Bolsas de extensão transferidas aos membros em decorrência da prática da docência em hospital de clínicas, pela ministração de aulas aos médicos residentes, de acordo com a Lei 8.958/94. In casu, não restou caracterizado o caráter remuneratório da verba destinada a bolsa extensão, sendo incabível a incidência de contribuição previdenciária sobre a rubrica. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. BOLSAS DE PESQUISA. NATUREZA MERCANTIL. INCIDÊNCIA. Constitui base de cálculo de contribuição previdenciária o pagamento de bolsas de pesquisa com características mercantis, quando importa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 18 91 /2 01 4- 27 Fl. 5245DF CARF MF Processo nº 11080.731891/201427 Acórdão n.º 2401006.052 S2C4T1 Fl. 3 2 contraprestação de serviços e os resultados revertemse economicamente em benefício do patrocinador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o levantamento BE do DEBCAD 51.045.1160. Vencidos os conselheiros José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Miriam Denise Xavier que davam provimento parcial em menor extensão para, quanto ao levantamento BE, retificar a base de cálculo e excluir a multa e os juros. Vencidos em primeira votação os conselheiros Rayd Santana Ferreira (relator) e Andréa Viana Arrais Egypto, que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente as Conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Fl. 5246DF CARF MF Processo nº 11080.731891/201427 Acórdão n.º 2401006.052 S2C4T1 Fl. 4 3 Relatório FUNDAÇÃO MÉDICA DO RIO GRANDE DO SUL, contribuinte, pessoa jurídica, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 6a Turma da DRJ em Fortaleza/CE, Acórdão nº 0833.307/2015, às efls. 2.767/2.784, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal, concernente às contribuições previdenciárias devidas ao INSS, referente aos valores pagos aos segurados contribuintes individuais e obrigação acessória, em relação ao período de 01/2010 a 12/2011, conforme Relatório Fiscal, às fls. 2.372/2.413 e demais documentos que instruem o processo, consubstanciado nos seguintes Autos de Infração: a) DEBCAD 51.045.1152 contribuição patronal incidente sobre as remunerações de segurados contribuintes individuais, prevista na Lei nº 8.212/91, art. 22, III. BE – BOLSA DE EXTENSÃO; BP – BOLSA DE PESQUISA. (fatos geradores do ano 2010) b) DEBCAD 51.045.1160 contribuição patronal incidente sobre as remunerações de segurados contribuintes individuais, prevista na Lei nº 8.212/91, art. 22, III BE – BOLSA DE EXTENSÃO; BP – BOLSA DE PESQUISA. (fatos geradores do ano de 2011) c) DEBCAD 51.045.1179 contribuição patronal incidente sobre as remunerações de segurados contribuintes individuais, prevista na Lei nº 8.212/91, art. 22, III. CH – CONTR HOSPITAIS E UNIVERSIDADE. (fatos geradores de 2010 e 2011 oriundos de contratos firmados com hospitais) d) DEBCAD 51.045.1195 contribuição patronal incidente sobre as remunerações de segurados contribuintes individuais, prevista na Lei nº 8.212/91, art. 22, III. CE – BOLSA PESQ ESPECFICOS. (fatos geradores de 2010 e 2011 citados no item 16 do Relatório Fiscal – Casos Específicos) e) DEBCAD 51.045.1187 CFL 35 Deixar a empresa de prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, conforme previsto na Lei nº 8.212/1991, art. 32, III e §11, combinada com o art. 225, III, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999. Fl. 5247DF CARF MF Processo nº 11080.731891/201427 Acórdão n.º 2401006.052 S2C4T1 Fl. 5 4 Conforme seu estatuto, a Fundação Médica do Rio Grande do Sul constituise em fundação de apoio ao Hospital de Clínicas de Porto Alegre – HCPA, enquanto hospital escola da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS, mediante credenciamento junto a Ministério da Educação – MEC e ao Ministério da Ciência e Tecnologia – MCT. Foi constatado que a Fundação remunera, a título de bolsas, professores médicos, médicos pesquisadores e outros vinculados à área de saúde, os quais compõem o corpo docente da Universidade Federal do Rio Grande do Sul concomitantemente. Tais bolsas são denominadas “bolsas de pesquisa” e “bolsas de extensão”. As Bolsas de Pesquisa são valores pagos pela Fundação para desenvolvimento de projetos de pesquisa apresentados por empresas diversas, geralmente laboratórios farmacêuticos, mediante contratos de pesquisa firmados, em sua maioria, entre a Fundação, o Hospital das Clínicas de Porto Alegre, o laboratório interessado na pesquisa e o Pesquisador/Investigador vinculado à Fundação. Pela análise dos contratos referentes às Bolsas de Pesquisa, vêse que têm o caráter de prestação de serviços, com a propriedade das invenções pertencendo aos laboratórios, que têm direito de monitorar os estudos e o ambiente no qual se desenvolvem, além de definir a forma como são efetuadas as pesquisas, dentre outras características. O fato de a totalidade dos dados gerados, descobertas e invenções, bem como quaisquer direitos de propriedade intelectual relacionados a essas descobertas, ser de propriedade do laboratório denota que a pesquisa reverte em benefício do contratante. As Bolsas de Extensão são valores pagos pela Fundação a professores/médicos e outros profissionais vinculados à área de saúde que compõem o corpo docente da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, mediante convênio entre a Fundação e o Hospital de Clínicas de Porto Alegre, respectivamente denominados convenente e concedente. Entre 2010 e 2011 encontravamse em vigor os seguintes convênios: Convênio Operacional nº 001/2010 e 001/2011 – Programa de Extensão de Preceptoria de Residência Médica; Convênio Operacional nº 004/2010 e 004/2011 – Programa de Docência em Residência Integrada Multiprofissional em Saúde; Convênio Operacional nº 005/2010 e 005/2011 – Programa de Extensão de Atividades Didáticas Complementares, de Gestão de Informações Hospitalares e de Qualidade Assistencial no Hospital de Clínicas de Porto Alegre; Convênio Operacional nº 006/2010 e 006/2011 – Programa de Extensão em Odontologia. A Universidade Federal do Rio Grande do Sul UFRS oferece cursos de graduação e pósgraduação na área de saúde (Medicina, Enfermagem e Odontologia), todavia não dispõe de estrutura hospitalar própria capaz de viabilizar o desempenho das atividades práticas na área de saúde. Para preencher tal lacuna a UFRS estabeleceu ser o Hospital de Clínicas de Porto Alegre seu Hospital Escola, o qual disponibiliza suas instalações e seus pacientes para o exercício das atividades acadêmicas práticas. Conforme os contratos firmados, os professores da UFRS vinculados à Fundação Médica exercem atividades de preceptoria dos médicos residentes/enfermeiros/dentistas e também são responsáveis pelas internações e procedimentos efetuados nos pacientes do Hospital das Clínicas atendidos pelos residentes. Os serviços objeto dos convênios são realizados por médicos/enfermeiros/dentistas membros da Fundação Médica, os quais assinam um documento Fl. 5248DF CARF MF Processo nº 11080.731891/201427 Acórdão n.º 2401006.052 S2C4T1 Fl. 6 5 padrão, com cláusulas iguais para os quatro convênios. A variação ocorre apenas no que tange ao objeto do convênio e o valor da bolsa. É padronizado também o documento intitulado “Relatório do Bolsista”, no qual são discriminados a carga horária, a área de atuação, o tipo de atividade realizada, dentre outras informações. Os tipos de atividades são iguais para todas as especialidades médicas no Convênio 001. Para os demais convênios esse formulário não foi apresentado, apesar de solicitado por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 3, o que ensejou a lavratura do Auto de Infração com Código de Fundamentação Legal nº 38. Constitui parte integrante das atividades dos bolsistas vinculados à Fundação a prestação de serviços médicos a pacientes atendidos no Hospital de Clínicas de Porto Alegre pelo Sistema Único de Saúde – SUS. A Auditoria entende que as bolsas de extensão concedidas configuramse como pagamento pela prestação de serviços médicos, odontológicos, de enfermaria e de controle de qualidade do Hospital executados por membros da Fundação Médica do Rio Grande do Sul, juntamente com o treinamento dos médicos residentes. Em resposta a consulta formulada, o Ministério da Educação emitiu a Informação nº 0001/2001, na qual conclui que os professores da Universidade não estão obrigados ao exercício de atividades assistenciais no âmbito do Hospital, pois os deveres inerentes ao cargo de magistério na área de saúde não abrangem a prestação de assistência aos pacientes e as atividades assistenciais na área de saúde integram os fins institucionais do Hospital e não da Universidade. No documento do Ministério da Educação foi declarado que os professores da área de saúde da UFRS podem ser contratados pela Fundação para prestar serviços assistenciais no Hospital e que essas relações de trabalho são estabelecidas com exclusividade entre eles e a Fundação. A bolsa recebida deve ser caracterizada como contraprestação de serviços prestados no âmbito do Hospital para cumprimento das obrigações de atendimento ambulatorial e assistencial à população atendida pelo SUS. Nesse sentido já se manifestou a Secretaria da Receita Federal do Brasil na Solução de Consulta SRRF/10 a RF/DISIT nº 18, provocada pela Fundação Médica, na qual foi dito que por ter a característica de contraprestação por serviços prestados, a bolsa de extensão está em desacordo com o disposto no caput do art. 6º do Decreto nº 5.205/2004. Os objetos dos contratos vigentes em 2010 não podem ser considerados doação civil, pois têm natureza eminentemente comercial e o valor é repassado em contraprestação a um serviço prestado. Assim, foi descumprido o disposto no Decreto nº 5.205/2004. Para o período de 2011 foi descumprido o art. 2º da Lei nº 8.958, alterado pela Lei nº 12.349/2010, que determina para as fundações a observância do princípio da publicidade. É necessária a divulgação integral em sítio na rede mundial de computadores dos instrumentos contratuais e dos relatórios semestrais de execução dos contratos, entretanto os contratos em questão têm normas de confidencialidade extremamente rigorosas. Em consulta ao sítio da Fundação, a Auditoria constatou o descumprimento à disposição legal. Ademais, o Decreto nº 7.423/2010 impôs também, no seu art. 6º, §1º, que nos planos de trabalho que embasam o projeto devem estar precisamente definidos os participantes Fl. 5249DF CARF MF Processo nº 11080.731891/201427 Acórdão n.º 2401006.052 S2C4T1 Fl. 7 6 vinculados à instituição apoiada autorizados a participar, bem como o valor das bolsas concedidas e os pagamentos previstos a pessoas físicas e jurídicas, o que não foi observado pelo sujeito passivo. Assim, o pagamento das bolsas de pesquisa e as bolsas de extensão em tela constituem fato gerador das contribuições previdenciárias, sendo os médicos e pesquisadores caracterizados como contribuintes individuais. A Fundação interpôs a Ação Ordinária 501531185.2010.404.7100/RS, em face da Fazenda Nacional, objetivando a declaração de não obrigatoriedade do recolhimento de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a professores e pesquisadores vinculados a projetos de pesquisa e extensão. A MM. Juíza Federal, na sua sentença, disse que o último decreto apresenta maiores restrições e condições a serem observadas no desenvolvimento dos projetos do que o anterior, não mais caracterizando como doações civis as bolsas, com evidente possibilidade, a qual já existia por força da própria Lei nº 9.250/1995, de que assuma caráter remuneratório. Acrescenta a MM. Juíza, que o Decreto nº 7.423/2010, ao prever a proporcionalidade com relação à remuneração do beneficiário e ao estabelecer aplicabilidade do teto constitucional aos valores, evidencia o caráter remuneratório das bolsas percebidas pelos docentes. A par dos contratos analisados até aqui, há outros com características distintas, mas que descumpriram o art. 6º, §4º, do Decreto nº 5.205/2004 ou o art. 6º, §1º, do Decreto nº 7.423/2010. O Contrato 001767 (contratante: APAE de Caxias do Sul) foi assinado em 1º/03/2003 e mantido até o ano de 2011, contrariando o art. 1º do Decreto nº 5.205/2004 e o art. 1ºB da Lei nº 8.958/1994 que prevêem prazo determinado. A possibilidade de renovações sucessivas dos contratos contraria o Decreto nº 7.423/2010, que veta a reapresentação reiterada. Os contratos visam ao apoio a projeto de pesquisa, mas também atendimento assistencial aos pacientes da APAE, configurando contraprestação de serviços e objeto genérico (Decreto nº 7.423/2010, art 8º). Não há nos contratos definição expressa de valor, periodicidade, duração e beneficiários da bolsa de pesquisa (Decreto nº 5.205/2004, art. 6º, §4º). Não há nos contratos execução limitada no tempo, definição precisa dos resultados esperados e metas, quem são os participantes autorizados e o valores das bolsas a serem concedidas, pagamentos previstos a pessoas físicas e jurídicas (Decreto nº 7.423/2010, art. 6º). 25. Em alguns contratos, o objeto é uma doação com a finalidade específica de custear um evento promovido pelo Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Alguns também incluem financiamento para participação em outros eventos no exterior e até mesmo objetos genéricos, como no contrato com a Shire de 13/09/2011. Esses contratos não são destinados a um projeto de pesquisa nos termos da legislação que rege a matéria. No Contrato 004308 (Elsa), não foram especificados os beneficiários e os valores das bolsas. Foi citado o valor total a ser pago a bolsistas e estagiários, sem identificação de quantos seriam e quanto receberiam. Há referência a trinta e seis bolsistas não nominados, que receberão bolsa em valor determinado por 36 meses, todavia consta planilha com os valores mensais recebidos por cerca de 40 a 70 bolsistas. Há um Auto de Infração lavrado por descumprimento de obrigação acessória (Código de Fundamento Legal 68) com decisão transitada em julgado administrativamente dentro dos últimos cinco anos (Auto de Infração 37.385.1324). Fl. 5250DF CARF MF Processo nº 11080.731891/201427 Acórdão n.º 2401006.052 S2C4T1 Fl. 8 7 O Auto de Infração nº 51.045.1187 (Código de Fundamentação Legal 38) foi lavrado por não terem sido apresentados todos os documentos solicitados, o que caracteriza a conduta de deixar de exibir qualquer documento ou livro relacionado com as contribuições previstas na Lei nº 8.212/1991. Não foram apresentados todos os contratos em que houve pagamentos no período fiscalizado, conforme planilha 22, e não foram apresentados os Relatórios dos Bolsistas relacionados também nessa planilha. Foi aplicada a reincidência genérica, com a elevação do valor da multa em duas vezes. Inconformada com a Decisão recorrida, autuada apresentou Recurso Voluntário, às efls. 2.812/2.837, procurando demonstrar sua improcedência, repisando em número, grau e gênero as razões da impugnação, motivo pelo qual, neste aspecto, adoto o relatório da DRJ, em síntese as seguintes razões. Preliminarmente, suscita o que segue: 1. Não há prestação de serviços, adequandose as bolsas de estudo ao disposto na Lei nº 8.958/1994. Tais doações, inclusive, já passaram pelo crivo do Tribunal de Contas da União e da Procuradoria Geral das Fundações de Apoio (órgão do Ministério Público Estadual), que atestaram a inexistência de qualquer relação de prestação de serviço que acarretem vantagem para a impugnante. 2. O próprio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF já examinou a relação jurídica estabelecida entre os médicos preceptores dos projetos de pesquisa e de residência médica do HCPA e chancelou a isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física dos professores, por entender que a bolsa recebida da Fundação Médica tem caráter de doação e não decorre de contraprestação de serviços, tampouco acarreta vantagem para o doador. 3. Ainda que se admita ter havido prestação de serviços, a relação teria como sujeitos de um lado os professores da UFRS, de outro, o Hospital de Clínicas e as outras entidades patrocinadoras, que seriam os beneficiários. No relato da Auditoria, em momento algum a impugnante foi descrita como beneficiária dos “serviços” ou destinatária do seu resultado econômico, tampouco como titular da disponibilidade utilizada para o seu financiamento (não efetua pagamento, mas apenas repassa os valores doados). 4. A relação de prestação de serviços é regulada pelo Código Civil, envolvendo tomador e prestador. O sujeito passivo da contribuição previdenciária prevista no art. 22, III, é sempre o credor do serviço (tomador). Do próprio relatório fiscal, concluise que os financiadores e tomadores dos serviços prestados são as entidades, como o Hospital de Clínicas de Porte Alegre e os laboratórios, sendo a impugnante mera repassadora dos valores pagos. Houve, pois, erro crasso por parte da fiscalização quando indicou a impugnante como sujeito passivo do lançamento. Fl. 5251DF CARF MF Processo nº 11080.731891/201427 Acórdão n.º 2401006.052 S2C4T1 Fl. 9 8 5. Em 1998, foi lavrada a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD nº 32.722.3111, contra o Hospital de Clínicas de Porto Alegre, com a exigência das contribuições previdenciárias sobre os pagamentos feitos a título de bolsas de pesquisa e extensão (doações) que não cumpriram os requisitos da legislação. Os pressupostos de fato e de direito foram os mesmo agora suscitados pela fiscalização. O Hospital teve êxito na Ação Anulatória de Débito Fiscal nº 1999.71.00.0266656, processo judicial no qual foi reconhecida a nulidade da NFLD por ausência de vínculo empregatício. O Judiciário entendeu que não há subordinação do corpo docente da UFRS com o Hospital, permanecendo a relação estatutária do corpo funcional com a Universidade. Se a fiscalização entendeu que houve a prestação de serviços, deveria ter agora autuado o Hospital e não a Fundação, o que seria mais coerente. 6. Além de o Auditor Fiscal ter, por equívoco, desconsiderado os depósitos judiciais, errou no cômputo da base de cálculo. A quantia por ele apurada corresponde ao valor efetivamente gasto com cada bolsista, porém nesse montante estão inclusos o valor líquido da bolsa, a retenção de 11% depositada em Juízo (valor que varia caso o bolsista comprove reter por outras fontes), a retenção de Imposto sobre a Renda de 27,5% depositado em Juízo e a contribuição previdenciária patronal depositada em Juízo. O valor da contribuição patronal deve incidir sobre o valor da bolsa consideradas as retenções (R$ 6.000,00) e não sobre o valor que a Fundação despende com cada bolsista (R$ 7.200,00). Deve, pois, ser efetuada diligência, para que sejam revistos os valores lançados. 7. A impugnante interpôs a Ação Declaratória nº 5015311 85.2010.404.7100, requerendo que fosse declarada a isenção do Imposto sobre a Renda e a não incidência das contribuições previdenciárias sobre as bolsas de ensino, pesquisa e extensão doadas no âmbito da Lei nº 8.958/1994 e regulada pelo Decreto nº 5.205/2004. A sentença de primeiro grau determinou a extinção da ação judicial sem resolução de mérito, em virtude da alteração da legislação objeto de questionamento e da impossibilidade de proferir declaração em abstrato, o que foi mantido pelo Tribunal Regional Federal – TRF da 4ª Região. A ação encontrase pendente de análise do Recurso Especial interposto pela Fundação (nº 1.437.578). 8. Nesse ínterim, desde 2011, a impugnante realiza depósito judicial dos valores referentes às contribuições previdenciárias sobre os pagamentos efetuados a título de bolsa de extensão, os quais são objeto do lançamento. Dessa forma, desde 2011, a impugnante não está em mora, não havendo motivo para a imputação de multa e juros. Transcritas as preliminares argüidas, passaremos a dispor sobre os fundamentos de mérito, senão vejamos: 9. A Fundação age como intermediária entre o Hospital de Clínicas de Porto Alegre (IFES apoiada) e as entidades públicas Fl. 5252DF CARF MF Processo nº 11080.731891/201427 Acórdão n.º 2401006.052 S2C4T1 Fl. 10 9 e privadas que desejam utilizar a sua estrutura para desenvolvimento de pesquisas e extensão. 10. Os projetos de extensão são desenvolvidos por meio de 4 (quatro) convênios operacionais firmados anualmente entre o Hospital e a Impugnante. Os programas são financiados com verbas recebidas pelo Hospital do Ministério da Educação, destinadas a ações que integrem as rotinas hospitalares à formação profissional dos médicos residentes do Hospital (Programa de Residência Médica). Tais quantias são utilizadas para a contratação de bolsistas (professores da UFRS) que conduzem os residentes em reuniões de equipe, quando se discutem os casos de responsabilidade de cada aluno. 11. As atividades do professor preceptor (supervisor) não se confundem com o atendimento ambulatorial a pacientes, efetivado pelos residentes e médicos do hospital. O Hospital tem uma estrutura de mais de 700 (setecentos) médicos contratados cuja função é atender aos milhares de pacientes do SUS. Apesar de esses médicos contratados poderem interagir com os residentes nos atendimentos realizados no âmbito do Programa de Residência Médica, a sua função não se confunde com a dos professores membros da Fundação, que é o ensino prático do médico residente. 12. Nos projetos de pesquisa, os pesquisadores (membros da Fundação), juntamente com os médicos residentes e alunos da graduação (Hospital e UFRS) encampam pesquisas nas áreas de sua especialidade e de acordo com as necessidades dos pacientes do SUS atendidos no Hospital e buscam patrocínios de instituições públicas e privadas para custeio dos projetos. 13. O projeto de pesquisa tem finalidade acadêmica e científica e seus efeitos alcançam toda a comunidade médica na construção de novos medicamentos e tratamentos na área de saúde, beneficiando toda a sociedade, podendo contemplar os patrocinadores de forma indireta. Há estudos científicos, publicações de artigos, apresentação dos resultados em eventos acadêmicos, etc. 14. Assim, a impugnante entende, com base na singularidade das relações nos projetos de pesquisa, que o pagamento dos profissionais em forma de bolsa está em total conformidade com o art. 4º da Lei nº 8.958/1994 e regulamentação. 15. O Tribunal de Constas da União auditou todos os convênios, contratos e termos de concessão de bolsas firmados pela Fundação e o Hospital de Clínicas de Porto Alegre, tendo concluído que se enquadram no que determina a Lei nº 8.958/1994 e no Decreto nº 5.205/1994. Além de demonstrar a boa fé da impugnante, tal decisão evidencia que ela sustentouse em uma análise técnica de um órgão jurisdicional vinculado ao ente responsável pela tributação. Fl. 5253DF CARF MF Processo nº 11080.731891/201427 Acórdão n.º 2401006.052 S2C4T1 Fl. 11 10 16. O CARF chegou às mesmas conclusões no Acórdão nº 2801 003.779, quando examinou a isenção do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física sobre as bolsas recebidas. 17. As tarefas de análise de indicadores de eficiência do hospital, análise de prontuários, análise de críticas e sugestões dos funcionários e pacientes, busca de aperfeiçoamento dos processos licitatórios, auditoria dos exames, dos óbitos e das prescrições medicamentosas e análise de solicitações de estágios encaminhadas ao hospital encaixamse no conceito de “desenvolvimento institucional, científico e tecnológico da IFES apoiada” previsto no §3º do art. 6º do Decreto nº 5.205/2004. 18. Ao contrário do que disse a Auditoria, as pesquisas científicas realizadas pelos membros da Fundação não constituem prestação de serviços no interesse exclusivamente comercial dos laboratórios patrocinadores e outras entidades. Os contratos se originam de interesse público de produção de conhecimento e de sanar as necessidades do SUS. Os próprios pesquisadores buscam os patrocínios, que são concedidos por instituições públicas e privadas, as quais fornecem seus medicamentos gratuitamente, entre outros subsídios. 19. O pesquisador não desenvolve fórmulas medicamentosas, não opina profissionalmente sobre elas e não influencia na montagem dos remédios pesquisados, não sendo responsável pelos lucros que o laboratório patrocinador possa vir a ter caso o medicamento venha a ser comercializado. 20. As cláusulas de confidencialidade e propriedade intelectual suscitadas pela autoridade fiscal como caracterizadoras da prestação de serviços não decorrem de exigência contratual, mas sim por força do art. 6º e seguintes da Lei nº 9.279/1996 e das normas éticas relativas aos sujeitos do experimento (paciente, formulação química dos fármacos e dados do fabricante). 21. A existência de vantagem econômica nos contratos de patrocínio firmados com os laboratórios é mera presunção da fiscalização, não comprovada nos autos e discordantes com os seguintes fatos: a. Há projetos que não estão vinculados ao teste de medicamentos; b. Alguns dos medicamentos utilizados já são comercializados e fornecidos gratuitamente pelos laboratórios; c. Muitas das pesquisas constatam a ineficácia dos fármacos testados, não trazendo lucro algum para o fabricante; d. Os estudos produzidos não garantem o registro e a distribuição dos medicamentos fabricados, que devem respeitar uma série de normas impostas pela Lei nº 6.390/1976 e avaliação da Anvisa. Fl. 5254DF CARF MF Processo nº 11080.731891/201427 Acórdão n.º 2401006.052 S2C4T1 Fl. 12 11 22. O descumprimento das obrigações acessórias de publicidade das informações dos contratos e no sítio da Fundação não é suficiente para extirpar as bolsas do regime jurídico aplicável a elas. Ademais, não foi provado esse fato para os contratos de 2010 e 2011. Em todos os termos de Concessão de Bolsa e contratos anexados ao Auto de Infração, há especificação dos valores doados e das bolsas, período de vigência do contrato, etc. Quanto ao sítio da Fundação na internet, este foi examinado somente em 02/10/2014, após mais de 3 (três) anos dos períodos fiscalizados, não se prestando a provar a falta de publicidade. 23. Mesmo tendo sido revogado o Decreto n 5.205/2004, a natureza das verbas não se altera enquanto estiverem de acordo com a Lei nº 8.958/1994 e não haverá prestação de serviços. Ao final, a recorrente requer: (a) seja recebido e provido o seu recurso, com a suspensão da exigibilidade do crédito tributário; (b) seja cancelado o Auto de Infração em face da sua ilegitimidade passiva; (c) não acolhido o pedido anterior, seja cancelado o lançamento por as atividades se enquadrarem na Lei nº 8.958/1994, afastando o caráter de remuneração das bolsas doadas. (d) se for mantida a autuação, que seja efetuada diligência, para a exclusão da contribuição exigida a maior. Não houve apresentação de contrarrazões. Em 25/10/2017, a contribuinte apresentou 'Complemento ao Recurso" às fls. 2.892/2.898, explicitando o que segue: Esclarece que a hipótese normativa tributária da contribuição previdenciária, como é cediço, tem como materialidade uma relação jurídica estabelecida entre tomador e prestador. Se a prestação de serviço existe (fato gerador), nascem as respectivas obrigações tributárias, tanto para o prestador de serviço (limitada ao salário de contribuição), como para o empregador (incidente sobre a remuneração paga ao prestador de serviço). Se não existe, não nascerá nenhuma relação tributária, conforme princípio lógico do terceiro excluído. No caso em tela, os preceptores/pesquisadores vinculados à Recorrente irresignados com o posicionamento da RFB que lhes exigia tanto o IRPF, como a contribuição do INSS sobre as bolsas ajuizaram ações perante a Justiça Federal em Porto Alegre, através das quais buscaram o reconhecimento de que sua atividade não configura prestação de serviço à Recorrente e, consequentemente, não está sujeita ao IRPF nem à contribuição para o INSS . Analisando os pleitos ajuizados pelos preceptores/pesquisadores, que têm como objeto a percepção das bolsas repassadas pela Recorrente, o Poder Judiciário reconheceu a procedência, de modo definitivo, de TODAS as ações, cristalizando a inexigibilidade da contribuição para o INSS, pela inexistência da contraprestação de serviços, que constitui a materialidade do crédito tributário ora discutido, anexando documentação. Aduz que o Poder Judiciário definiu, com caráter de definitividade, o regime jurídico aplicável ao caso , fixando que: (i) as bolsas administradas pela FMRS caracterizam doação; (ii) não há benefício econômico à FMRS; e (iii) a atividade desenvolvida pelos preceptores/pesquisadores constitui regime Fl. 5255DF CARF MF Processo nº 11080.731891/201427 Acórdão n.º 2401006.052 S2C4T1 Fl. 13 12 jurídico próprio inconfundível com a prestação de serviços, razão por que não está sujeita ao recolhimento de INSS. Repisar que, embora não tenham sido propostas pela Recorrente, as decisões advindas das ações propostas pelos “pretensos prestadores de serviços” qualificam, de modo definitivo, a natureza jurídica das bolsas a eles repassadas pela Recorrente (objeto do presente lançamento). Se a Administração Fazendária deve respeitar decisão judicial transitada em julgado na esfera trabalhista reconhecendo a inexistência de vínculo empregatício em reclamatória proposta pelo pretenso empregado (processo no qual a Fazenda sequer foi parte), com maior razão deve respeitar as decisões judiciais proferidas em processos ajuizados pelos preceptores/pesquisadores, nos quais a Fazenda foi ré, cujas decisões reconheceram a inexistência de prestação de serviços deles à Recorrente. Explana quando a nova redação do art. 9° da Lei n° 10.973/04 e, mais uma vez, insurgese quanto a legitimidade passiva. Após, regular processamento do feito, em 05 de junho de 2018, foi proposta resolução por este Conselheiro Relator, acatada pela unanimidade do Colegiado, às efls 3.605/3.616, in verbis: Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, os Autos de Infração sob análise referemse a exigência de crédito tributário concernente às contribuição previdenciária incidentes sobre as parcelas que atribui a professores universitários e pesquisadores vinculados aos programas e projetos de pesquisa e extensão levados a efeito pela entidade. Com efeito, a Recorrente impetrou Ação Ordinária n° 501531185.2010.404.7100/ RS, perante a 2° Vara Tributária de Porto Alegre/RS, em face da União, visando a declaração de inexigibilidade de pagamento de imposto de renda e contribuição previdenciária incidentes sobre as parcelas que atribui a professores universitários e pesquisadores vinculados aos programas e projetos de pesquisa e extensão levados a efeito pela entidade. Entrementes, inobstante constar dos autos a informação de que a contribuinte se valeu do Judiciário com o fito de discutir a matéria objeto do presente lançamento, não fora acostado ao processo a documentação pertinente à aludida discussão judicial, o que inviabiliza verificar se há, efetivamente, concomitância entre as discussões administrativa e judicial. Ora, como a contribuinte registra a discussão judicial da regularidade/legalidade da presunção, o qual fora adotado na conclusão da fiscalização, impõese tomar conhecimento do teor do pedido formulado nos autos da Ação Ordinária, bem como das eventuais decisões e/ou recursos apresentados até o presente momento, tendo em vista que podem guardar similitude com as razões recursais da entidade, o que inviabilizaria o conhecimento de tais alegações em face da concomitância, na esteira do disposto na Súmula CARF nº 01, ou mesmo a Fl. 5256DF CARF MF Processo nº 11080.731891/201427 Acórdão n.º 2401006.052 S2C4T1 Fl. 14 13 necessária observância por parte desse Colegiado na hipótese de rechaçar o Ato Cancelatório. No entanto, somente com o conhecimento do inteiro teor da exordial, bem como dos demais atos processuais e/ou decisões proferidas no decorrer do processo judicial em epígrafe é que este Conselheiro poderá se manifestar sobre o assunto, com a segurança que o caso exige, buscando evitar, sobretudo, proferir eventual voto contrário à Súmula CARF nº 01. Assim, mister se faz converter o julgamento em diligência com a finalidade de a autoridade fazendária intimar a contribuinte à apresentar cópia do Mandado Judicial e certidão de objeto e pé, nos autos do processo judicial sob nº 501531185.2010.404.7100/ RS. Inclusive, se for de interesse da contribuinte, manifestese acerca dos documentos solicitados Em resposta a diligência encimada, a contribuinte anexou aos autos cópia integral da ação judicial, efls. 3.660/5210, além de apresentar manifestação no sentido de que não há concomitância (efls. 3.626/3.630). É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator RECURSO VOLUNTÁRIO JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE CONCOMITÂNCIA DELIMITAÇÃO DA LIDE Apesar de presente o pressuposto de admissibilidade, ser tempestivo, há nos autos questão preliminar, indispensável ao deslinde da controvérsia, que deve ser elucidada, prejudicando, assim, o conhecimento de parte do recurso, como passaremos a demonstrar. Com efeito, a Recorrente impetrou Ação Ordinária n° 5015311 85.2010.404.7100/RS, perante a 2° Vara Tributária de Porto Alegre/RS, em face da União, postulando a declaração de inexigibilidade de pagamento de imposto de renda e contribuição previdenciária incidentes sobre as parcelas que atribui a professores universitários e pesquisadores vinculados aos programas e projetos de pesquisa e extensão levados a efeito pela entidade, senão vejamos o pedido constante da Petição Inicial (efls. 3.709): Fl. 5257DF CARF MF Processo nº 11080.731891/201427 Acórdão n.º 2401006.052 S2C4T1 Fl. 15 14 Assentado que a citada medida judicial versa no tudo e no todo sobre o mérito da matéria tratada no presente Processo Administrativo Fiscal (contribuição previdenciária incidentes sobre bolsa pesquisa e extensão), e que a decisão proferida na Instância Judicial subjuga qualquer outra exarada na esfera administrativa, adquirindo inclusive o atributo da coisa julgada formal e material, resulta que, qualquer que seja o veredictum proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, bem como por esta Corte Administrativa, acerca da matéria objeto do litígio, será tido como letra morta diante da decisão judicial transitada em julgado. Da leitura da norma esculpida no §3º do art. 126 da Lei nº 8.213/91, numa interpretação sistemática e teleológica com os princípios da eficiência e da economia processual, conduz ao entendimento de que a propositura de ação judicial que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo, importa renúncia dos beneficiários acobertados pelos resultados de tal demanda ao direito de recorrer na esfera administrativa e à desistência do eventual recurso interposto. Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991 Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social INSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) (...) 3º A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. A matéria em apreço já foi enfrentada, em situações pretéritas idênticas, por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, dando ensejo à edição da Súmula nº 1, cujo Verbete transcrevemos adiante: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 5258DF CARF MF Processo nº 11080.731891/201427 Acórdão n.º 2401006.052 S2C4T1 Fl. 16 15 Contudo, ambos os atos apontam a propositura de ação judicial como ato suficiente para impedir a apreciação, no contencioso administrativo, de matéria levada à apreciação do Poder Judiciário. Não se exige, portanto, a coexistência dos processos administrativo e judicial para se concluir pela renúncia às instâncias administrativas, mas apenas o ato de propor ação judicial por qualquer modalidade processual. Diante desse quadro, pugnamos pelo não conhecimento dos temas levados à apreciação do Poder Judiciário, e reiterados no vertente Instrumento Recursal interposto perante este Colegiado, com fundamento no preceito insculpido no art. 126, §3º da Lei nº 8.213/91, em interpretação sistemática e teleológica com os princípios da eficiência e da economia processual. A renúncia ora em voga independe de ato volitivo da parte, ou mesmo da vontade psicológica do Impetrante. Ela decorre ex lege, e de forma objetiva, independentemente do motivo ou do tempo em que a demanda tenha sido ajuizada perante o poder judiciário. Salientamos ainda que referida renúncia não está condicionada ao resultado da demanda judicial, ou seja, com ou sem resolução de mérito, o ato de renúncia é perfeito e acabado. Tal conclusão não colide com as diretivas positivadas no art. 35 da Portaria RFB n°10.875/2007, in verbis: Portaria RFB n°10.875, de 16 de agosto de 2007. Art. 35. A propositura de ação judicial pelo sujeito passivo, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente ao lançamento, com o mesmo objeto, importa em renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto. Em consulta ao sítio do CARF, verificamos que há diversos julgados nesse sentido, senão vejamos: Acórdão n° 1101000.920 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário:2005 CONCOMITÂNCIA. A propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual é suficiente para caracterizar a renúncia as instâncias administrativas. A extinção do processo judicial sem julgamento do mérito não descaracteriza a renúncia às instâncias administrativas, decorrente, apenas, da propositura da ação judicial. Interpretação da Súmula CARF nº 1. (Acórdão n° 1101000.920 Sessão de 08 de agosto de 2013) Acórdão n° 2201002.469 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2009, 2010, 2011, 2012 Fl. 5259DF CARF MF Processo nº 11080.731891/201427 Acórdão n.º 2401006.052 S2C4T1 Fl. 17 16 Ementa: NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, fundamentalmente porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SÚMULA CARF Nº 1. “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial”. EXTINÇÃO DE PROCESSO JUDICIAL SEM RESOLUÇÃO DE MÉRITO. IRRELEVÂNCIA. É irrelevante que o processo judicial tenha sido extinto sem resolução de mérito, na forma do art. 267 do CPC, pois a renúncia às instâncias administrativas, em decorrência da opção pela via judicial, é definitiva, insuscetível de retratação.(Acórdão n° 2201002.469 Sessão de 12 de agosto de 2014) (GRIFAMOS) No entanto, o caso concreto, exige uma análise mais aprofundada. Vale dizer que a concomitância deve ser vista no momento em que se inicia o litígio, ou seja, na apresentação da impugnação. In casu, quando da interposição da defesa inaugural já havia a decisão do TRF confirmando a sentença de primeiro grau de "extinção sem julgamento do mérito". Portanto, devemos observar em qual medida às alegações apresentadas na defesa estão atingidas pela concomitância? Pois bem, quando no final de 2010 há uma alteração na legislação, seja pela MP que originou a Lei, seja pelo Decreto, conclui se, assim, ter havido uma alteração na causa de pedir, tanto é verdade que o prórpio relatório fiscal procura fazer essa separação dessa alteração. Neste diapasão, notase que há concomitância apenas em relação aos fatos geradores (argumentos) referentes ao anocalendário 2010, devendo ser conhecido o recurso no que tange as razões referentes ao anocalendário 2011. Afora às razões sobre não incidência de contribuições sobre as bolsas extensão e pesquisa, verificamos a existência de argumentos distintos daqueles ventilados na demanda judicial, neste aspecto, por preencher o pressuposto de admissibilidade, conheço também das alegações sobre a ilegitimidade passiva e a majoração da base de cálculo. PRELIMINAR ILEGITIMIDADE PASSIVA Fl. 5260DF CARF MF Processo nº 11080.731891/201427 Acórdão n.º 2401006.052 S2C4T1 Fl. 18 17 A contribuinte esclarece que os projetos de pesquisa e residência médica são solicitados pelo Hospital de Clínicas de Porto Alegre, sendo a Recorrente mera gestora de projetos e repassadora de recursos. Afirma que o cumprimento dos contratos não acarreta benefícios econômicos à recorrente, sendo uma entidade sem fins lucrativos e exerce suas atividades em estrita conformidade com as obrigações legais de uma fundação de apoio. Explicita não ter benefícios com as atividades dos bolsistas, não auferindo nenhum rendimento por esta forma de contratação. Aduz não ser parte legítima para figurar no polo passivo da cobrança. Cita entendimento do CARF, nos programas de residência médica, quem assume o risco pelas atividades é a instituição acadêmica de saúde que promove e financia os programas no caso, o Hospital de Clínica de Porto Alegre , e não a sua fundação de apoio. Sem razão a recorrente! A meu ver o relatório fiscal é claro no sentido de que está efetuando o lançamento sobre os valores repassados pela contribuinte a seus membros a título de doação na forma de bolsas de extensão e pesquisa, sendo certo que a autoridade fiscal está retirando o caráter de doação e isenção indicado na lei de regência para considerálos como remuneração, senão vejamos: Portanto, conforme transcrição acima, estão caracterizados os termos da sujeição passiva tributária de acordo com art. 22, III da Lei 8.212/91: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; No estatuto social da contribuinte às fls. 46 em seu artigo 3º encontrase elencado seus objetivos como entidade: Fl. 5261DF CARF MF Processo nº 11080.731891/201427 Acórdão n.º 2401006.052 S2C4T1 Fl. 19 18 Logo, verificase que para a consecução de seu objeto social e demais atividades da entidade são provenientes da prestação de serviço de seus membros, não sendo crível entender, na forma como sustentada pela recorrente, que tais membros estivessem prestando serviço de forma unilateral e direta sem qualquer vínculo fundacional com a entidade. O entendimento esposado pela recorrente teria êxito apenas nos casos em que os referidos membros fossem remunerados e prestando serviço diretamente a terceiros (laboratórios, Universidades e Hospitais) sem qualquer atuação ou convênio da Fundação. Com certeza não seria interessante aos membros da Fundação esse modelo de prestação de serviço a terceiros, pois os valores recebidos diretamente desses terceiros seriam tributados, ao contrário dos repassados a título de bolsa pela Fundação. Há, pois, prestação de serviços por parte dos profissionais envolvidos, não podendo ser aceita a alegação de que os verdadeiros beneficiários seriam o Hospital de Clínicas de Porto Alegre e os laboratórios envolvidos, pois a Fundação se beneficiou da atividade dos beneficiários das bolsas, na medida em que conseguiu cumprir os contratos e convênios firmados e com isso auferiu rendimentos pelos serviços prestados. A não demonstração de vantagem econômica por parte da Fundação não desvirtua o lançamento, pois a vantagem se consubstancia na medida em que os profissionais possibilitaram o cumprimento de seus objetivos institucionais. Restando patente que o vínculo jurídico se dá entre a Fundação e os segurados contribuintes individuais, não há que se falar em prestação de serviços ao Hospital e Fl. 5262DF CARF MF Processo nº 11080.731891/201427 Acórdão n.º 2401006.052 S2C4T1 Fl. 20 19 aos laboratórios. O fato de esses segurados prestarem os serviços em estabelecimentos de terceiros não descaracteriza o liame jurídico com a Fundação, que foi quem os contratou. Não há óbice nenhum no Código Civil a que se contrate um prestador de serviços para atuar em local diverso do estabelecimento do contratante. A relação do contratante com o segurado contribuinte individual não tem os mesmos contornos daquela existente quando há segurados empregados envolvidos. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário no que tange à matéria da ilegitimidade passiva. MÉRITO NATUREZA DAS BOLSAS PAGAS Em relação às bolsas concedidas por Fundações de Apoio, para desenvolvimento de projetos de extensão, importante destacar que a Lei n° 8.958/94 estabelece um regime jurídico específico no tocante às contratações e aos pagamentos dos servidores participantes dos projetos. Assim, tendo em vista a necessidade de desburocratizar as contratações para impulsionar a evolução científica e tecnológica das IFES e ICT's, até então engessadas frente à velocidade dos progressos na área, instituiuse um regime jurídico próprio, tratando das relações entre as Instituições Federais de Ensino Superior e de Pesquisa Cientifica e Tecnológica e as fundações de apoio. Esse é o teor do art. 1° do mencionado diploma legal: Art. 1°. As Instituições Federais de Ensino Superior IFES e as demais Instituições Científicas e Tecnológicas ICTs, de que trata a Lei nº 10.973, de 2 de dezembro de 2004, poderão celebrar convênios e contratos, nos termos do inciso XIII do caput do art. 24 da Lei no 8.666, de 21 de junho de 1993, por prazo determinado, com fundações instituídas com a finalidade de apoiar projetos de ensino, pesquisa, extensão, desenvolvimento institucional, científico e tecnológico e estímulo à inovação, inclusive na gestão administrativa e financeira necessária à execução desses projetos. Por conseguinte, a referida lei permitiu, ainda, que as instituições federais apoiadas autorizassem a participação de seus servidores nas atividades desenvolvidas pelas Fundações de Apoio, sem prejuízo de suas atribuições funcionais. A participação do servidor, neste caso, é voluntária, tem prazo determinado (pode ser prorrogado) e não gera vínculo empregatício de qualquer natureza, conforme se depreende do art. 4º, §1º, na redação vigente à época do fato gerador, verbis: Art. 4º As instituições federais contratantes poderão autorizar, de acordo com as normas aprovadas pelo órgão de direção superior competente, a participação de seus servidores nas atividades realizadas pelas fundações referidas no art. 1º desta lei, sem prejuízo de suas atribuições funcionais. § 1º A participação de servidores das instituições federais contratantes nas atividades previstas no art. 1º desta lei, autorizada nos termos deste artigo, não cria vínculo empregatício de qualquer natureza, podendo as fundações Fl. 5263DF CARF MF Processo nº 11080.731891/201427 Acórdão n.º 2401006.052 S2C4T1 Fl. 21 20 contratadas, para sua execução, concederem bolsas de ensino, de pesquisa e de extensão. Cumpre notar que a Lei nº 8.958/94, foi alterada pela Lei nº 12.349, de 15 de dezembro de 2010 e pela Lei nº 12.863, de 24 de setembro de 2013, sendo as principais modificações no tocante às bolsas concedidas pelas fundações de apoio as que se seguem: Art. 1° As Instituições Federais de Ensino Superior IFES e as demais Instituições Científicas e Tecnológicas ICTs, de que trata a Lei nº 10.973, de 2 de dezembro de 2004, poderão celebrar convênios e contratos, nos termos do inciso XIII do caput do art. 21 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, por prazo determinado, com fundações instituídas com a finalidade de apoiar projetos de ensino, pesquisa, extensão, desenvolvimento institucional, científico e tecnológico e estímulo à inovação, inclusive na gestão administrativa e financeira necessária à execução desses projetos. [...] Art. 4º. As IFES e demais ICTs contratantes poderão autorizar, de acordo com as normas aprovadas pelo órgão de direção superior competente e limites e condições previstos em regulamento, a participação de seus servidores nas atividades realizadas pelas fundações referidas no art. 1o desta Lei, sem prejuízo de suas atribuições funcionais. § 1° A participação de servidores das IFES e demais ICTs contratantes nas atividades previstas no art. 1o desta Lei, autorizada nos termos deste artigo, não cria vínculo empregatício de qualquer natureza, podendo as fundações contratadas, para sua execução, conceder bolsas de ensino, de pesquisa e de extensão, de acordo com os parâmetros a serem fixados em regulamento. [...] Art. 4°B. As fundações de apoio poderão conceder bolsas de ensino, pesquisa e extensão e de estímulo à inovação aos estudantes de cursos técnicos, de graduação e pósgraduação e aos servidores vinculados a projetos institucionais, inclusive em rede, das IFES e demais ICTs apoiadas, na forma da regulamentação específica, observados os princípios referidos no art. 2°. (grifo nosso) Desse modo, a redação atual da Lei nº 8.958/94 reconhece de forma expressa o pagamento de bolsas de estudos para alunos de graduação e pósgraduação por fundações. A meu ver, tratase apenas de reconhecimento expresso da não incidência. Vale citar ainda o Parecer PGFN/CAJE nº 593, de 31 de julho de 1990, da Procuradoria da Fazenda Nacional, anterior, portanto, à Lei nº 8.958, de 1994, e ao Decreto nº 5.205, de 2004, quando analisou as bolsas de estudo e pesquisas frente ao instituto da doação, assim dispôs: Fl. 5264DF CARF MF Processo nº 11080.731891/201427 Acórdão n.º 2401006.052 S2C4T1 Fl. 22 21 A bolsa de estudo ou de pesquisa será doação civil, negócio de liberalidade, desde que o pagamento feito pelo doador, atribuindo o encargo da realização de estudo ou de pesquisa, não reverta esse resultado economicamente para ele, doador, ou para pessoa interposta. Será doação, pois, o pagamento de valor, em pecúnia ou in natura, à pessoa, sob condição de que realize um curso acadêmico ou uma pesquisa para o domínio público, sem que o resultado do estudo ou da pesquisa seja diretamente aproveitado economicamente para o doador. Ao contrário, se o resultado do estudo ou da pesquisa reverter ao doador, estarseá diante de relação de emprego contra salário. No primeiro caso, sem dúvida alguma, estão as bolsas de estudo conferidas pelo Ministério da Educação ou Secretarias de Educação dos Estados e dos Municípios, como verdadeiras doações civis de mera liberalidade; no segundo caso, estão as ‘bolsas’ de estudo ou de pesquisa custeadas pelos empregadores para a melhoria profissional de seus empregados ou de seus laboratórios empresariais para o desenvolvimento de drogas e produtos químicos economicamente aproveitáveis Tal Parecer traz elementos esclarecedores sobre a natureza jurídica dos valores pagos a título de bolsas de estudo e pesquisa, demonstrando o caráter de doação civil. Dessa forma, em que pese a redação original da Lei nº 8.958/94 tenha previsto a não incidência da contribuição previdenciária apenas para os pagamentos a servidores, o texto do Parecer demonstra que o que é relevante para determinar se tratase ou não de verba remuneratória passível de tributação de contribuição previdenciária é a natureza em si do pagamento, e as bolsas de estudos configurariam uma forma de doação civil, de modo que não há que se falar em incidência da contribuição previdenciária. Por fim, cumpre destacar a publicação da Solução de Consulta Interna nº 9/2015 da Cosit, que reconheceu que as bolsas de ensino, pesquisa e extensão não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária desde que se constituam como doação civil, cujos resultados dos projetos não revertam economicamente a benefício do doador e não importem remuneração decorrente de prestação de serviço, conforme pode ser observado abaixo: Solução de Consulta Interna nº 9 Cosit Data: 23 de junho de 2015 Origem: DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL EM BELO HORIZONTE ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. BOLSAS DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO. 1. O Decreto nº 7.423, de 2010, aplicase aos fatos geradores futuros e o fato de este ato, diferentemente do Decreto nº 5.563, de 2005, não consignar expressamente que as bolsas de ensino, pesquisa, e extensão não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária quando concedidas nos termos da Lei nº 8.958, de 1994, não constitui motivo isolado para inclusão Fl. 5265DF CARF MF Processo nº 11080.731891/201427 Acórdão n.º 2401006.052 S2C4T1 Fl. 23 22 de tais bolsas no campo de incidência previdenciário, uma vez que a tributação ocorrerá ou não em função da natureza jurídica do pagamento. 2. As bolsas de ensino, pesquisa e extensão concedidas nos termos da Lei nº 8.958, de 1994, e do Decreto nº 7.423, de 2010, não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária desde que se constituam como doação civil, cujos resultados dos projetos não revertam economicamente a benefício do doador e não importem remuneração decorrente de prestação de serviço. 3. No caso concreto, diante dos fatos e do conteúdo probatório encontrado, é que poderá a fiscalização verificar a natureza remuneratória ou não da verba paga pela prestação dos serviços. Dispositivos Legais: Código Tributário Nacional CTN, arts. 96, 101, 105 e 106; Código Civil, art. 538; Lei nº 8.212, de 1991, art. 22, incisos I, II e III e art. 28, incisos I e III; Lei nº 8.958, de 1994, arts. 1º, 2º, 4º e 4ºB; Lei nº 10.973, de 2004, art. 9º; Lei nº 12.349, de 2010, art. 3º; Lei nº 12.863, de 2013, art. 6º; Decreto nº 5.205, de 2004, arts. 5º, 6º, 7º e 8º; Decreto nº 5.563, de 2005, art. 10; Decreto nº 7.423, de 2010, arts. 7º, 15 e 16; Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, art. 58, XXVI; Parecer PGFN/CAJE nº 593, de 1990, itens 18 e 19. Como se vê tratase de sistemática específica de trabalho que, através de um Convênio Operacional visa à cooperação das partes envolvidas (professores da UFRGS, Fundação Médica do RS, HCPA e Universidade Federal) todos com um único objetivo que é aperfeiçoar a saúde pública no país, através da capacitação dos médicos residentes do hospital. As bolsas de extensão tem como finalidade o desenvolvimento do projeto aprovado pelo MEC e pelo Ministério da Saúde. Não há como confundir tais atribuições, seja como coordenador e preceptor com uma contraprestação de serviços onerosa com vantagem direta ao doador. Não se trata aqui de uma simulação de relação de emprego ou de prestação de serviço, mas sim de uma sistemática legal criada para apoiar o desenvolvimento tecnológico e científico da UFRGS e do seu hospitalescola. Especificamente quanto as bolsas de extensão o único motivo para desconsiderar tais valores como doação de acordo com a decisão da DRJ foi o seguinte: Do conjunto probatório, contudo, mormente nos instrumentos dos convênios, vêse que os profissionais, na verdade, são responsáveis pelos pacientes atendidos pelos residentes, e prestam atendimento ambulatorial e assistencial à população atendida pelo SUS, ao contrário do alegado pela Fundação. Segue, como exemplo, trecho do Convênio Operacional nº 001/2010 – Programa de Extensão de Preceptoria de Residência Médica: 7.2. todos os atendimentos, internações e procedimentos em pacientes através do programa desenvolvido junto ao CONCEDENTE, serão realizados em nome de membros da CONVENENTE, que serão responsáveis na forma da legislação vigente. Fl. 5266DF CARF MF Processo nº 11080.731891/201427 Acórdão n.º 2401006.052 S2C4T1 Fl. 24 23 Deve ser observado que por mais mérito que tenha a atividade assistencial aos pacientes do SUS, que necessitam de amparo à saúde, esses mesmos pacientes e suas famílias precisarão de amparo quando se tornarem inativos, inclusive por doenças crônicas, consubstanciado nos benefícios da Seguridade Social, em especial da Previdência Social. Esta última foi instituída em nosso país na forma de um sistema contributivo de repartição, onde os recursos saem de um fundo para o qual contribuem os trabalhadores em atividade. Dessa forma, embora a impugnante tenha alegado que os efeitos das pesquisas e demais atividades desenvolvidas beneficiam a sociedade, não se pode olvidar que o sistema previdenciário favorece essa mesma sociedade, na medida em que se destina a pessoas que necessitam de amparo em momentos de doença, acidentes de trabalho e demais situações previstas na legislação previdenciária. Assim, o que interessa, no caso, é se os trabalhadores em questão são segurados obrigatórios contribuintes individuais, independentemente dos destinatários das atividades desenvolvidas por eles. Pois bem! Entendo que merece retoques a r. decisão de piso, quanto a valoração e interpretação da prova quanto a esses convênios. Os convênios e demais documentos entre a contribuinte e o Hospital de Clínicas de Porto Alegre foram aos autos. Ao contrário do quanto decidido e pela análise desses documentos entendo que os preceitos da Lei 8.958/94 e o Decreto 5.202/04, bem como as alterações ocorridas pela Lei n° 12.349/2010 e o Decreto n° 7.423/10, não foram infringidos. A meu ver não houve contraprestação de serviço propriamente dita para o SUS, mas a prática da docência pelos membros da contribuinte em um hospital de clínicas ministrando aulas aos médicos residentes. Nesse sentido, transcrevo trecho do acórdão n. 2801003.300 que examina exatamente a mesma questão: Quanto ao raciocínio de haver uma contraprestação de serviço, dou razão ao Recorrente quando diz que em qualquer caso a pesquisa ou a extensão sempre trará em seu bojo a realização de algum “serviço”. Obviamente que o bolsista sempre terá que realizar uma tarefa, produzir alguma coisa, gerar algo, para que receba a bolsa. Caso não o faça, deverá ter a bolsa suspensa ou cancelada. Mas, no caso essa não é a razão principal da bolsa, que se trata de mera decorrência de sua participação no Projeto. Mesmo que tenha ocorrido eventual prestação de serviço, nesse caso o ônus seria da fiscalização que, a meu ver, não se desincumbiu em proválo, efetuando o lançamento apenas por amostragem com análise superficial em alguns contratos e relatórios de docentes. O caput do art. 1º da Lei 8.958/94, alterada pela Lei n° 12.349/10, em vigor na época da autuação previa que: “As Instituições Federais de Ensino Superior IFES e as demais Instituições Científicas e Tecnológicas ICTs, sobre as quais dispõe a Lei no 10.973, de 2 de dezembro de 2004, poderão celebrar convênios e contratos, nos termos do inciso XIII Fl. 5267DF CARF MF Processo nº 11080.731891/201427 Acórdão n.º 2401006.052 S2C4T1 Fl. 25 24 do art. 24 da Lei no 8.666, de 21 de junho de 1993, por prazo determinado, com fundações instituídas com a finalidade de dar apoio a projetos de ensino, pesquisa e extensão e de desenvolvimento institucional, científico e tecnológico, inclusive na gestão administrativa e financeira estritamente necessária à execução desses projetos..” Os termos desse artigo devem ser interpretados em conjunto com o artigo 6º do Decreto, pois senão, haveria sobreposição do decreto regulamentador sobre a Lei o que de fato não pode ocorrer. Ora, o conhecimento produzido no projeto de extensão voltado ao SUS tem como única decorrência o aprimoramento da saúde pública, através da capacitação dos médicos residentes. Notese que o benefício desse projeto atinge toda a sociedade, pois o conhecimento adquirido pelo médico residente permanece e segue com esse profissional onde quer que ele exerça a sua profissão. Por sinal, a realidade conhecida dos hospitais escola nos mostra que, na maioria das vezes o médico residente, ao concluir a Programa de Residência Médica, procura outros locais de trabalho, como clínicas e outros hospitais particulares. Nessa linha, não consigo enxergar vantagem para a Fundação Médica ou para o HCPA, que são meros veículos (meios) para o desenvolvimento de projetos científicos e tecnológicos. O regime jurídico instituído para fins de contratação de fundações de apoio por parte de instituições de ensino visou proteger projetos públicos que, no presente caso, foram financiados por entes públicos, como os Ministérios da Educação e da Saúde, notadamente, em vista da finalidade pública atrelada ao resultado das atividades desenvolvidas pelos membros participantes de cada projeto. De notar, portanto, que como forma de incentivar a participação dos projetos de ensino, pesquisa e extensão, o §1º do referido artigo permitiu que as fundações concedessem bolsas de ensino, pesquisa e extensão, aos participantes dos projetos, de modo a fomentar o desenvolvimento cientifico e tecnológico nas áreas de atuação das IFES e ICT’s. O benefício, nestes casos, não é revertido a uma pessoa em específico, mas sim a toda sociedade, que terá atendimento de melhor qualidade e com profissionais cada vez mais habilitados ao exercício da atividade profissional da área da saúde. Entendo que mesmo que tenha ocorrido a referida contraprestação, tenho que é do escopo do contrato entre a instituição federal e a contribuinte, pois encontrase dentro do escopo do “desenvolvimento institucional” e de interesse das instituições federais contratantes de acordo com o que se encontra na Lei de regência na época. Ora, se o HCPA é voltado para o atendimento à população, não vejo nenhum óbice criado pela Lei ou limitação em qualquer sentido. Neste diapasão, não tenho dúvidas que pela análise dos convênios que nada mais são que a formalização dos projetos entre a instituição federal e a contribuinte, no caso, ficou bem caracterizado todos esses itens indicados na lei e decreto regulamentador. Da mesma forma, apesar de ter suas especificidades, o raciocínio acima, também se aplica as bolsas de pesquisas que, a meu ver, também não restou caracterizado a prestação de serviços. As pesquisas são feitas de diversas maneiras, tais como: estudos de determinadas comunidades para averiguação da ocorrência de certa doença e/ou síndrome. estudos de pacientes com sintomas, pesquisa de medicamentos para tratamentos de patologias etc. Fl. 5268DF CARF MF Processo nº 11080.731891/201427 Acórdão n.º 2401006.052 S2C4T1 Fl. 26 25 Os projetos tem finalidade acadêmica e científica e seus efeitos são abrangentes a toda a comunidade médica na construção de novos medicamentos e tratamentos na área da saúde. O benefício é para toda a sociedade, podendo conteplar os patrocinadores, mas de forma indireta. Como já dito, equivocamse a fiscalização e a DRJ ao alegarem que as pesquisas realizadas pelos membros da contribuinte tratamse de prestação de serviços, no interesse exclusivamente comercial dos laboratórios patrocinadores. Isto porque, os contratos não são gerados por interesse dos laboratórios com a intenção de obter autorizações regulatórias para seus medicamentos, mediante uma "prestação de serviços". Ao que se observa, os contratos se originam do interesse público, para produção de conhecimento e de sanar as necessidades do SUS, Vale salientar ainda que vários medicamentos empregados nos estudos, já são comercializados e amplamente consolidados no mercado (ex.: refesnol), ou seja, rechaçando a prestação de serviços para a autorização regulatória. Ademais, da análise dos contratos objeto da autuação, resta claro que o pesquisador não é o desenvolvedor de fórmulas medicamentosas, além de não opinar profissionalmente em relação a elas. Assim, não há influencia na montagem dos remédios pesquisados, não sendo o pesquisador responsável pelos lucros que o laboratório patrocinador possa vir a ter caso o medicamento venha a ser comercializado, baseandose o auditor em mera presunção. Pelo exposto acima, percebese que as atribuições previstas para o recebimento da bolsa encaixamse perfeitamente nas definições de ensino, pesquisa e extensão reguladas pelos Decretos n° 5.205/04 e 7.423/10, e a Lei n° 8.958/94, não havendo falar em desrespeito ao regime jurídico. Ademais, importa mencionar que a relação ora debatida já foi objeto de auditoria realizada pelo TCU. Enquanto órgão competente para analisar a regularidade das bolsas doadas pelas Fundações de Apoio, por força do art.3°, inc. IV, da Lei n° 8.958/94. O Tribunal de Contas da União auditou todos os convênios, contratos e termos de concessão de bolsa firmadas pela contribuinte. A conclusão daquele órgão vai de encontro a toda a fundamentação do lançamento, como se pode ver no Acórdão 001.622/2010 2, que afirmou expressamente: Fl. 5269DF CARF MF Processo nº 11080.731891/201427 Acórdão n.º 2401006.052 S2C4T1 Fl. 27 26 Observase ter o Tribunal de Contas confirmado que as bolsas concedidas pela recorrente obedecem ao disposto no Decreto n° 5.205/04 e seu art. 6°, ou seja, que são doações civis para proceder a estudos e pesquisas e que não se caracterizam como contraprestação de serviços e nem revertem economicamente para o doador. Portanto, apesar de todas as razões do lançamento fiscal, a meu ver, não restou caracterizado o caráter remuneratório da verba destinada a bolsa extensão e a bolsa pesquisa. Apesar de concluir pela não incidência de contribuição previdenciárias sobre os valores pagos a título de bolsa extensão e bolsa pesquisa, há nos autos questões que não poderiam deixar de ser abordadas, o que faremos a seguir: MAJORAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO Aduz a contribuinte ter a fiscalização se confundido no cálculo das contribuições previdenciárias, pois considerou o montante de 20% relativo a cota patronal depositado em juízo, como integrante da base de calculo. Pois bem. Para uma melhor elucidação do tema, colacionamos, a título de amostragem, os termos de compromissos entre a fundação e os bolsistas, senão vejamos: 1. FUNDAÇÃO X DÉBORA FEIJÓ VILLAS BOAS VIEIRA 2. FUNDAÇÃO X CELSO DALLIGNA Fl. 5270DF CARF MF Processo nº 11080.731891/201427 Acórdão n.º 2401006.052 S2C4T1 Fl. 28 27 Conforme se depreende dos documentos que instruem o processo, notase que o fiscal claramente equivocouse quanto a base de calculo dos valores pagos a título das bolsas, pois incorporou a base o percentual de 20% referente a cota patronal depositada em juízo, vejamos a "TABELA I": TABELA I Fl. 5271DF CARF MF Processo nº 11080.731891/201427 Acórdão n.º 2401006.052 S2C4T1 Fl. 29 28 Portanto, diante da vasta documentação acostada aos autos e do evidente equivoco cometido pelo auditor, é de se restabelecer a ordem legal, para retificar a base de calculo apurada das contribuições, conforme planilhas 7, 9, 11 e 13, o percentual de 20% relativo a cota patronal depositada em juízo (conforme tabela encimada). MULTA DE OFÍCIO E JUROS Cumpre salientar que o lançamento tributário efetuado para prevenir a decadência não deve incluir os juros e multas, segundo pressupõe a legislação e a jurisprudência uníssona deste Tribunal, inclusive com elaboração de súmulas como veremos a posteriori. No entanto, para que não haja a incidência das multas e dos juros, os depósitos judiciais devem corresponder a integralidade das contribuições devidas, conforme dispõe os enunciados das Súmulas CARF n° 17 e 5, in verbis: Súmula CARF nº 17: Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Em análise a informação fiscal e ao manifesto da contribuinte, especialmente pela decisão de piso e o resultado do tópico anterior, concluise ter razão a recorrente, pois vislumbro o depósito correspondente a totalidade das contribuições exigidas no levantamento BE Bolsa de Extensão (DebCad n° 51.045.1160). Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em consonância parcial com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER EM PARTE DO RECURSO VOLUNTÁRIO para rejeitar a preliminar de ilegitimidade e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 5272DF CARF MF Processo nº 11080.731891/201427 Acórdão n.º 2401006.052 S2C4T1 Fl. 30 29 Voto Vencedor Conselheiro Cleberson Alex Friess Redator Designado Peço licença ao I. Relator para divergir do seu voto, na medida em que cabível apenas o provimento parcial ao recurso voluntário. Não é única a motivação do lançamento fiscal, tendo o agente fiscal procedido à analise em separado dos pagamentos a título de bolsas para professores/médicos, médicos/pesquisadores e outros profissionais de saúde, denominadas de "bolsas de extensão" e "bolsas de pesquisa". Em breve síntese, a fiscalização dividiu os fatos geradores e as bases de cálculos em 4 (quatro) levantamentos: BP Bolsa de Pesquisa; BE Bolsa de Extensão; CH Contratos Hospitais e Universidades e CE Bolsas de Pesquisa Casos Específicos (fls. 2.409/2.411). No item 13 do Relatório Fiscal, o agente lançador descreveu a contratação para o desenvolvimento de projetos de pesquisa mediante pagamento de bolsas, cujos instrumentos de acordo de vontade eram dotados de diversas características em comum (fls. 2.376/2.390). Mais a frente, no item 16 da narrativa fiscal, o diagnóstico se concentrou nos pagamentos a título de bolsas de pesquisa em casos específicos, para os quais o agente fazendário observou a existência de aspectos distintos do conjunto anterior, que demandavam explanação individualizada (fls. 2.397/2.407). Por fim, no item 17 do Relatório Fiscal, consta o detalhamento dos pagamentos efetuados a médicos vinculados à recorrente para prestação de serviços a universidades e hospitais (fls. 2.407/2.409). À exceção das bolsas de extensão, a recorrente não se desincumbiu do ônus probatório de apresentar elementos de fato e/ou de direito hábeis e suficientes para refutar o lançamento fiscal. O Decreto nº 5.205, de 14 de setembro de 2004, foi revogado pelo Decreto nº 7.423, de 31 de dezembro de 2010, irradiando efeitos a partir de 1º de janeiro de 2011, quando passou a regulamentar, na íntegra, as disposições da Lei nº 8.958, de 20 de dezembro de 1994, e suas alterações posteriores. Em que pese o Decreto nº 7.423, de 2010, não reproduzir exatamente a regulamentação anterior, que fazia menção às bolsas concedidas pelas fundações de apoio como doação civil, não integrantes da base de cálculo da contribuição previdenciária, a incidência tributária pressupõe o pagamento de remuneração destinado a retribuir o trabalho prestado. Fl. 5273DF CARF MF Processo nº 11080.731891/201427 Acórdão n.º 2401006.052 S2C4T1 Fl. 31 30 Vale dizer que as bolsas de pesquisa que não importem a contraprestação de serviços, cujos resultados do projeto não se revertem economicamente para o contratante/patrocinador, escapam à incidência da contribuição previdenciária. Porém, a partir da transcrição das diversas cláusulas contratuais, a fiscalização é convincente na demonstração que os resultados das pesquisas beneficiam economicamente o patrocinador, em geral um laboratório farmacêutico, caracterizando a contraprestação de serviço pelo pesquisador. Pois bem. Em primeiro lugar, conforme bem assentou o agente responsável pelo lançamento, os dados obtidos com a pesquisa, invenções ou quaisquer descobertas são propriedades exclusiva do laboratório contratante. A definição de exclusividade não se trata de uma imposição legal, porque a propriedade intelectual e a participação nos resultados são asseguradas às partes contratantes nos termos pactuados no contrato, podendo, eventualmente, existir previsão de alguma compensação financeira ou não financeira quando de cessão de direitos ao parceiro. Ademais disso, o pesquisador está submetido à ação fiscalizatória do contratante, não se constituindo em mera atividade de acompanhamento do andamento do projeto de pesquisa. Longe disso, poderá haver a determinação de inspeções no centro de pesquisa, nomeação de supervisores/monitores encarregados de auditar o trabalho realizado, sugestão de adoção de procedimentos técnicos e operacionais na condução das atividades e, periodicamente, a prestação de contas através de relatórios entregues para avaliação do patrocinador. É verdade que os efeitos dos projetos de pesquisa podem ser abrangentes, com prováveis benefícios para toda a sociedade na construção de medicamentos e tratamentos da área de saúde. Contudo, não significa que os resultados das pesquisas são alheios a vantagem econômica para o patrocinador, mesmo quando não envolvam autorização regulatória para a comercialização de medicamentos. Com efeito, a pesquisa e desenvolvimento de medicamentos e/ou substâncias compreendem diversas etapas, desde a pesquisa básica e passando pelos ensaios préclínicos e testes clínicos que podem demandar anos e anos de trabalho, além de diferentes pesquisadores envolvidos. Características análogas são possíveis identificar nos estudos sobre doenças, síndromes e respectivos tratamentos. Nesse segmento, portanto, o proveito econômico não é necessariamente imediato, pois assume a feição de investimento para o patrocinador, podendo representar retorno financeiro a médio ou longo prazo, tal como no desenvolvimento/aperfeiçoamento de medicamentos e/ou substâncias diversas, redirecionamento de pesquisas/estudos e cancelamento de outras, considerando que os resultados obtidos com os projetos, segundo cláusulas contratuais, revestemse em benefício do patrocinador. Ao contrário do alegado no recurso voluntário, a vantagem econômica não resta afastada pela possibilidade de realização de projetos com medicamentos já comercializados, ou quando as pesquisas revelam a ineficácia dos fármacos testados ou mesmo porque os estudos produzidos não garantam o registro e a distribuição dos medicamentos fabricados. Fl. 5274DF CARF MF Processo nº 11080.731891/201427 Acórdão n.º 2401006.052 S2C4T1 Fl. 32 31 De acordo com a documentação carreada aos autos, a auditoria realizada pelo Tribunal de Contas da União abordou questões sobre a manutenção de programas de residência médica e cursos de extensão para alunos e profissionais das áreas de enfermagem e odontologia. Não se conseguiu identificar que a fiscalização na fundação de apoio ao Hospital das Clínicas de Porto Alegre avaliou os aspectos anteriormente enumerados sobre as bolsas de pesquisa (fls. 2.529/2.538). É pertinente também assinalar que em relação às bolsas de pesquisa a fiscalização listou inicialmente projetos financiados por laboratórios, embora tenha deixado claro que os contratos apresentados pelo sujeito passivo foram integralmente analisados no curso do procedimento fiscal (item 13, do Relatório Fiscal). De fato, quanto aos projetos com verbas públicas e/ou mistas, tratou separadamente, descrevendo as peculiaridades nos itens 16 e 17 do Relatório Fiscal. No entanto, a recorrente não refutou os motivos específicos da sua natureza eminentemente comercial, conforme retratou o agente lançador, que resulta, sob o prisma do investigador/pesquisador, em contraprestação de serviços. Conclusão Ante o exposto, na parte conhecida do recurso voluntário DOU PARCIAL PROVIMENTO para excluir tão somente o lançamento fiscal referente às bolsas de extensão, nos termos do voto do I. Relator. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 5275DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10930.720023/2011-58
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
DECADÊNCIA
O STJ decidiu que, na hipótese de ocorrer a antecipação do pagamento do imposto, ainda que parcial, o dies a quo deve ser contado a partir da data do fato gerador, conforme prevê § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), devendo o termo inicial da decadência somente ocorrer no último dia daquele ano-calendário, quando se aperfeiçoa o fato gerador.
Em caso de dolo, fraude ou simulação, aplica-se o inciso I, do artigo 173, do CTN.
IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS DECORRENTES DE AÇÃO JUDICIAL. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE (RRA).
Os rendimentos recebidos acumuladamente, para fins de incidência de IRPF, devem respeitar o regime de competência, conforme decisão do STF no RE 614.406/RS.
Numero da decisão: 2002-001.029
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que se refaça os cálculos do lançamento do IRPF mês a mês, sob regime de competência.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 DECADÊNCIA O STJ decidiu que, na hipótese de ocorrer a antecipação do pagamento do imposto, ainda que parcial, o dies a quo deve ser contado a partir da data do fato gerador, conforme prevê § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), devendo o termo inicial da decadência somente ocorrer no último dia daquele ano-calendário, quando se aperfeiçoa o fato gerador. Em caso de dolo, fraude ou simulação, aplica-se o inciso I, do artigo 173, do CTN. IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS DECORRENTES DE AÇÃO JUDICIAL. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE (RRA). Os rendimentos recebidos acumuladamente, para fins de incidência de IRPF, devem respeitar o regime de competência, conforme decisão do STF no RE 614.406/RS.
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Em caso de dolo, fraude ou simulação, aplicase o inciso I, do artigo 173, do CTN. IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS DECORRENTES DE AÇÃO JUDICIAL. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE (RRA). Os rendimentos recebidos acumuladamente, para fins de incidência de IRPF, devem respeitar o regime de competência, conforme decisão do STF no RE 614.406/RS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que se refaça os cálculos do lançamento do IRPF mês a mês, sob regime de competência. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 72 00 23 /2 01 1- 58 Fl. 175DF CARF MF 2 Thiago Duca Amoni Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 103 a 107), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu autuação de valores supostamente devidos por omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Tal omissão gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 3.168,24, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, à efl. 02 a 92 dos autos, cujas alegações do contribuinte, conforme decisão da DRJ, foram: A contribuinte diz que embora tenha percebido rendimentos acumulados no decorrer do ano de 2008, os mesmos referemse a períodos anteriores, e, se assim considerados, estariam abrangidos por isenção, os pertinentes a período contado a partir de 2001, e os referentes a períodos anteriores estariam fulminados pela prescrição quinquenal. Em síntese, entende que neste caso o regime contábil a ser considerado é o de competência, e não o de caixa como ensina a RFB. A impugnação foi apreciada na 6ª Turma da DRJ/CTA que, por unanimidade, em 21/03/2013, no acórdão 0639.901, às efls. 147 a 151, julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário em relação a omissão de rendimentos. Recurso voluntário Ainda inconformada, a contribuinte, em 21/05/2013, apresentou recurso voluntário, às efls. 155 a 164, no qual alega, em resumo, que: · discorda do regime adotado pela decisão primeva quanto a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente; · os valores recebidos, se calculados mês a mês, seriam isentos de imposto de renda; · aqueles valores referentes aos anos de 1999 e 2000 estariam prescritos e decadentes; Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10930.720023/201158 Acórdão n.º 2002001.029 S2C0T2 Fl. 109 3 É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que a contribuinte foi intimada do teor do acórdão da DRJ em 22/04/2013, efls. 154, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 21/05/2013, efls. 155, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Quanto a alegação de prescrição e decadência, à luz do Direito Tributário, sem adentrar correntes doutrinárias específicas, o lançamento tributário é didaticamente dividido em três modalidades: lançamento de ofício, lançamento por homologação e lançamento por declaração. Conforme dispositivos do Código Tributário Nacional: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos:(grifos nossos) I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou Fl. 177DF CARF MF 4 omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa.(grifos nossos) § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. No lançamento por homologação o contribuinte tem o dever de apurar e pagar o tributo por sua conta, antecipandose a autoridade administrativa. Atualmente, pelo Princípio da Praticidade, a maioria dos tributos, inclusive o imposto de renda, estão sujeitos ao lançamento por homologação e, caso o contribuinte não cumpra seu dever legal, caberá ao Fisco efetuar o lançamento tributário de oficio, cuja conseqüência é aplicação da multa de ofício de 75%, conforme artigo 44 da Lei nº 9.430/96: Não interessa ao presente processo, contudo, como fora mencionado acima, o lançamento por declaração é aquele em que a autoridade administrativa, frente a uma informação prestada pelo sujeito passivo da obrigação tributária, exige o pagamento do tributo (por exemplo, o IPTU). No caso em tela, o Imposto de Renda é tributo cujo lançamento é feito por homologação, aplicandose à espécie o REsp nº 973.733/SC, julgamento sob o rito do art. 543 C do CPC (art. 62A do RICARF). Na ocasião, o STJ decidiu que, na hipótese de ocorrer a antecipação do pagamento do imposto, ainda que parcial, o dies a quo deve ser contado a partir da data do fato gerador, conforme prevê § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), devendo o termo inicial da decadência somente ocorrer no último dia daquele anocalendário, quando se aperfeiçoa o fato gerador. Isto porque, de acordo com o art. 2° da Lei n° 7.718/1988, a tributação do IRPF só se torna definitiva com o ajuste anual, na forma dos arts. 2°, 10 e 11 da Lei n° 8.134/1990, corroborada por Leis posteriores. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10930.720023/201158 Acórdão n.º 2002001.029 S2C0T2 Fl. 110 5 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. O lançamento recai sobre o anocalendário 2008, quando a contribuinte efetivamente recebeu os rendimentos da ação judicial. A notificação de lançamento foi lavrada em 29/11/2010, sendo que a contribuinte apresentou impugnação em 14/01/2011. Logo, não há que se falar em decadência do crédito tributário, já que este foi lançado dentro do prazo de 5 anos a contar do fato gerador. É o entendimento da jurisprudência deste CARF: PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. REGRAS, ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). No caso dos autos, verificase que não houve antecipação de pagamento. Destarte, há de se aplicar a regra expressa no I, Art. 173 do CTN, ou seja, contase o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. (Acórdão nº 9202002.548 Sessão de 5 de março de 2013) Nos casos de existência de dolo, ocorre o lançamento de ofício, a teor do art. 149, inciso VII, do CTN, consubstanciandose o termo inicial para a contagem do prazo decadencial como o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I ,do art. 173, do CTN. Assim, nem o prazo decadencial do inciso I, do art. 173, tampouco do §4º do art. 150, ambos do CTN, foram esgotados. Fl. 179DF CARF MF 6 Conforme os autos, o lançamento tributário foi baseado em omissão de rendimentos recebidos de ação judicial promovida pela contribuinte, da qual foi beneficiária do valor de R$ 26.620,06, recebidos por meio de ação judicial promovida em desfavor do INSS. Tais valores foram recebidos no curso do processo n° 2004.70.51.0021940, que tramitou na 2ª Vara do Juizado Especial Cível de Londrina e são oriundos de aposentadoria rural não pagos corretamente, recebidos no ano de 2008, mediante sentença de mérito. A DRJ manteve a autuação sob os seguintes fundamentos: Cabe observar que o regime de tributação do imposto de renda da pessoa física é o de caixa, ou seja, os rendimentos são tributados a partir do momento que efetivamente tornarse disponíveis. Quando são recebidos acumuladamente, em virtude de ação trabalhista, como é o caso, a regra permanece, não apenas pela lógica do regime de caixa, mas também por expressa disposição legal contida no art. 12 da Lei 7.713, de 1988. Portanto, incabível falar em fatos geradores ocorridos nos anos calendário de 1999 a 2006. De conseqüência dos rendimentos percebidos são acrescidos aos rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual do respectivo exercício, ou seja, 2009, submetendose à aplicação das alíquotas constantes da tabela progressiva anual. Isso porque o fato gerador do imposto de renda de pessoa física é um exemplo clássico de tributo que se enquadra na classificação de fato gerador complexivo, apurado no ajuste anual, ou seja, aqueles que se completam após o transcurso de um determinado período de tempo e abrange um conjunto de fatos e circunstâncias que, isoladamente considerados, são destituídos de capacidade para gerar a obrigação tributária exigível. Tratase, os presentes autos, de caso rendimentos recebidos acumuladamente (RRA) e da divergência de interpretação do Fisco e dos contribuintes, referendados pelo Judiciário, em relação a redação do artigo 12 da Lei nº 7.713/98, recentemente sepultada pela decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito do RE 614.406/RS, já adotada na jurisprudência deste CARF: IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). (Acórdão nº 9202003.695 27/01/2016) Para a Receita Federal do Brasil (RFB), quando, por qualquer fato, determinada pessoa física auferia rendimentos acumuladamente, provenientes do trabalho e de Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10930.720023/201158 Acórdão n.º 2002001.029 S2C0T2 Fl. 111 7 benefícios previdenciários, dentre eles a aposentadoria, em detrimento ao pagamento mensal, maneira usual, para fins de incidência do IRPF, adotariase o regime de caixa, tributando o montante global, independentemente da divisão do valor total pelos meses em que as parcelas seriam devidas. Por óbvio, os contribuintes insurgiramse em face de tal entendimento, acionando o Poder Judiciário que, à luz dos princípios da razoabilidade, proporcionalidade, isonomia e da capacidade contributiva, a incidência do IRPF deve considerar as datas e alíquotas vigentes em que de fato a verba seria devida, respeitando o regime de competência, já que não se pode transferir o ônus tributário ao contribuinte pessoa física, por exemplo, por dificuldade financeira da fonte pagadora. Obviamente que tais decisões, até o RE 614.406/RS, sempre foram concedidas individualmente aos contribuintes, gerando efeito entre as partes, jamais erga omnes. Contudo, com a decisão da Suprema Corte, cabe a este CARF aplicar a ratio decidendi ali exposada. Sobre o tema, leciona Hiromi Higuchi: No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto na fonte incidirá sobre o total dos rendimentos pagos no mês, inclusive sua atualização monetária e juros (art. 640 do RIR/99). O valor das despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização, poderá ser deduzido para apurar a base de cálculo do imposto. Além dos casos de pagamentos acumulados de salários de vários meses, por dificuldade financeira da fonte pagadora, esse fato ocorre nas revisões judiciais de aluguéis comerciais quando as diferenças mensais em litígio são depositadas à disposição da justiça. No caso de salários há injustiça porque a alíquota de 27,5% incidirá sobre salários que isoladamente pagos estariam isentos do imposto. Há injustiça até na dedução de dependentes. O STJ vem, reiteradamente, decidindo que no cálculo do imposto incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, devem ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, nos termos previstos no art. 521 do RIR (Decreto nº 85.450/80). A aparente antinomia desse dispositivo com o art. 12 da Lei nº 7.713/88 se resolve pela seguinte exegese: este último disciplina o momento da incidência; o outro, o modo de calcular o imposto. (...) O STF declarou a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, no RE 614.406/RS em repercussão geral. (grifos nossos) Fl. 181DF CARF MF 8 A fundamentação do voto vencedor prolatado pelo Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, no processo 10830.720626/201340, é precisa: Com a devida vênia ao posicionamento esposado pela Relatora, ouso discordar no que diz respeito à existência de vício material no lançamento e/ou de utilização de critério jurídico equivocado, que levassem à necessidade de desconstituição integral do lançamento, na forma proposta pelo Colegiado recorrido. Sem dúvida, reconhecese aqui, em linha com o recorrido, que a matéria sob litígio foi objeto de análise recente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2o. do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no. 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome a este último julgado vinculante, noto, porém, que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do TRF4 acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer, na forma ali determinada, a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, de se ressaltar aqui também que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei no. 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional, não se estando destarte, diante de utilização de critério jurídico equivocado ou vício material no lançamento efetuado. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento, constantes de efl. 21, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese,ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10930.720023/201158 Acórdão n.º 2002001.029 S2C0T2 Fl. 112 9 valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Assim, com a devida vênia ao posicionamento esposado por alguns membros deste Conselho, entendo que, a esta altura, ao se defender a exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, note se, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Assim, diante de tais motivos, voto no sentido de dar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional, no sentido de determinar a retificação do montante do crédito tributário com a aplicação tanto das tabelas progressivas como das alíquotas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência. Ainda, considerando que a desconstitituição do lançamento propugnada pelo Colegiado a quo levou ao não exame de alegações constantes do Recurso Voluntário do Contribuinte (mais especificamente quanto à isenção alegadamente aplicável aos rendimentos recebidos), de se retornar o feito ao Colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do Recurso Voluntário Desta forma, conheço do Recurso Voluntário para, afastar a preliminar dedecadência e, no mérito, darlhe parcial provimento para que se refaça os cálculos do lançamento do IRPF mês a mês, sob regime de competência. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 183DF CARF MF 10 Fl. 184DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.720079/2010-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.898
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, que entendia pela desnecessidade da diligência. Os Conselheiros Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra acompanharam a diligência sem a indicação da cooperação sugerida no item (iv) da diligência.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, que entendia pela desnecessidade da diligência. Os Conselheiros Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra acompanharam a diligência sem a indicação da cooperação sugerida no item (iv) da diligência. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório 1. Tratase de Pedido de Ressarcimento, relativo a crédito de contribuição não cumulativa. 2. Em suma, estamos diante da conhecida discussão a respeito do conceito de insumo para fins de incidência de PIS e COFINS, a qual gravita em torno de uma postura mais restritiva por parte da Receita Federal do Brasil, o que se dá com fundamento nas INs n.s 247/02 e 404/04, bem como de uma visão mais ampla por parte dos contribuintes, que atrelam o conceito de insumo a ideia de despesa dedutível, nos termos da legislação do Imposto sobre a Renda. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .7 20 07 9/ 20 10 -4 2 Fl. 657DF CARF MF Processo nº 11080.720079/201042 Resolução nº 3402001.898 S3C4T2 Fl. 3 2 3. Partindo do sobredito pressuposto, ou seja, de que insumo para fins de crédito de PIS e COFINS é aquele conceito estrito e aproximado da legislação do IPI (matériaprima, produto intermediário e material de embalagem) diretamente empregados na fase de industrialização, a fiscalização admitiu apenas parte dos créditos vindicados pela recorrente. 4. Devidamente intimado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, oportunidade em que, após discorrer acerca da metodologia que entende pertinente para o creditamento de PIS e COFINS, refutou as glosas perpetradas pela fiscalização. 5. Uma vez processada, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ de Ribeirão Preto. 6. Diante de tal situação, o contribuinte interpôs o recurso voluntário em análise, oportunidade em que repisou os fundamentos desenvolvidos em sede de manifestação de inconformidade. 7. Não obstante, em janeiro de 2019, a recorrente apresentou a petição em que requisitou o julgamento do processo em epígrafe com outros vários processos do mesmo contribuinte e que deveriam ser aqui reunidos em razão de uma conexão. 8. É o relatório. Resolução Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3402001.890, de 23 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 11080.001078/201003, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi, em parte, contrária ao meu entendimento pessoal, pois entendi desnecessário o encaminhamento do item "iv" da diligência. Todavia, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3402001.890): "I. Preliminarmente: da reunião dos processos indicados pelo contribuinte 9. Conforme já destacado alhures, o contribuinte pede a reunião de vários processos com o aqui tratado para que sejam julgados conjuntamente, o que faz ao fundamento da conexão entre tais casos. Os processos que o contribuinte pretende ver julgados em conjunto são os seguintes: Fl. 658DF CARF MF Processo nº 11080.720079/201042 Resolução nº 3402001.898 S3C4T2 Fl. 4 3 10. Importante destacar que os processos acima listados já se encontram para julgamento desta Turma julgadora, por intermédio do mecanismo da repetitividade, capitulado no art. 47, § 1º do RICARF. Para ser mais preciso, foram formados 03 (três) lotes de paradigmas, tendo como recursos paradigmas o presente processo, bem como os autos n. 11080.720182/201173 e 11080.906181/201386. Este último processo está sob relatoria da I. Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, enquanto que os demais estão sob a minha relatoria. 11. Não obstante, conforme se observa da petição do contribuinte (fls. 890/893), o objetivo primordial com esta reunião seria o de evitar decisões materialmente contraditórias para casos análogos, de modo a garantir uma unicidade de tratamento e, por conseguinte, uma segurança jurídica de índole material. 12. Nesse sentido, é possível afirmar que, como os 03 lotes de processo estão sujeitos ao julgamento da mesmíssima Turma julgadora, a pretensão do contribuinte, ainda que por uma via transversa, foi atingida, motivo pelo qual é desnecessária a reunião de tais processos paradigmáticos em face de um único Relator. II. Da conversão do presente julgamento em diligência 13. Conforme se observa dos autos, a questão não é nova neste Tribunal. Tratase de infindável discussão de creditamento de PIS e COFINS e do conceito legal de insumo. Durante muito tempo esta questão foi indevidamente discutida em um altiplano normativo, na medida em que a autoridade fiscal pautava suas manifestações com base no disposto na Instrução Normativa RFB nº 404, de 12 de março de 2004. Em suma, a autoridade fiscal e a Delegacia de Julgamento partem da premissa de que para serem considerados insumos os itens devem ser aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação do bem, aplicando, pois, conceito de insumo similar àquele desenvolvido no Parecer Normativo CST nº 65, de 30 de outubro de 1979. 14. Acontece que o conceito de insumo admitido por este Tribunal denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica Fl. 659DF CARF MF Processo nº 11080.720079/201042 Resolução nº 3402001.898 S3C4T2 Fl. 5 4 como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Neste mesmo diapasão foi o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, em recente julgado de caráter vinculante (REsp n. 1.221.170, julgado sob o rito de recursos repetitivos), cuja ementa segue abaixo transcrita: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Fl. 660DF CARF MF Processo nº 11080.720079/201042 Resolução nº 3402001.898 S3C4T2 Fl. 6 5 15. Destacase o voto da Ministra Regina Helena Costa, que considerou os seguintes conceitos de essencialidade ou relevância da despesa, que deve ser seguido por este Conselho: Essencialidade – considerase o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; Relevância considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. 16. Diante deste quadro, é prudente que os processos administrativos envolvendo créditos referentes a nãocumulatividade do PIS ou da Cofins sejam analisados casuisticamente, considerando cada item relacionado como “insumos” e o seu envolvimento no processo produtivo (critério de pertinência), para então definir a possibilidade de aproveitamento ou não do crédito pretendido. 17. Assim, retornando aos autos, tenho que este processo não se encontra em condições de receber um justo julgamento, de forma que deve o mesmo retornar à autoridade preparadora para que intime o contribuinte a esclarecer o que segue, inclusive com a apresentação de laudo técnico a provar suas assertivas: (i) precisar a participação dos seguintes itens glosados e que foram objeto de recurso voluntário e que se entendeu não restar enquadrado no conceito de insumo para fins do processo produtivo da empresa: (a) combustíveis, lubrificantes e gás (fls. 136/212); (b) materiais auxiliares de consumo; (c) uniformes, inclusive precisando a sua submissão a eventuais exigências trabalhistas ou sanitárias; e, por fim, (d) controle de pragas. 18. Ato contínuo, deverá a fiscalização (ii) efetuar descritivo minucioso do referido processo produtivo, a fim de que sejam constatados o emprego dos referidos bens e direitos, aquilatando sua participação em relação ao produto final. 19. Ao efetuar estas constatações, solicito que a autoridade preparadora (e exclusivamente ela) (iii) elabore um parecer conclusivo que possibilite identificar cada dispêndio elencado, para fins de uma análise jurídica deste Colegiado quanto à participação de cada bem ou direito no processo produtivo do contribuinte em questão. Fl. 661DF CARF MF Processo nº 11080.720079/201042 Resolução nº 3402001.898 S3C4T2 Fl. 7 6 20. O referido parecer deverá também ser elaborado na forma de uma planilha que segregue os bens considerados pela recorrente sob os seguintes critérios: (a) pertinência ou não ao processo produtivo da empresa; (b) vida útil estimada (consumo imediato, menos de um ano, mais de um ano); (c) contato direto com o produto em fabricação; (d) agregação ao produto final. 21. Por fim, antes ainda da devolução deste processo para este Tribunal, (iv) sugerese que o contribuinte e a Procuradoria da Fazenda Nacional promovam uma reunião, a luz do precedente repetitivo do STJ (REsp n. 1.221.170), e do laudo técnico que será preparado e apresentado à unidade de origem e, ainda, em razão da Nota explicativa SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF1, para que cooperem2 com a atividade judicativa atipicamente exercida por este Tribunal indicando, por conseguinte, quais glosas que as partes entendem como adequadas ao conceito de insumo vinculado pelo STJ e quais entendem como devidas em razão de uma extrapolação deste conceito. 22. Concluída a diligência, (v) o recorrente deverá ser intimado para que facultativamente apresente manifestação no prazo de 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o art. 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011. 23. Não obstante, independentemente da efetividade da reunião aqui mencionada e antes do retorno dos autos para este Tribunal, (vi) a Procuradoria da Fazenda Nacional deverá ser intimada a se manifestar a respeito da diligência perpetrada, bem como dos laudos acostados nos autos, isso em relação a eventuais glosas que permanecerão em discussão." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. 1 "Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2" 2 Nos termos do que dispõe o art. 6o do CPC, "in verbis": "Art. 6o Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva." Fl. 662DF CARF MF Processo nº 11080.720079/201042 Resolução nº 3402001.898 S3C4T2 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora intime o contribuinte a esclarecer o que segue, inclusive com a apresentação de laudo técnico a provar suas assertivas: (i) precisar a participação dos seguintes itens glosados e que foram objeto de recurso voluntário e que se entendeu não restar enquadrado no conceito de insumo para fins do processo produtivo da empresa: (a) combustíveis, lubrificantes e gás; (b) materiais auxiliares de consumo; (c) uniformes, inclusive precisando a sua submissão a eventuais exigências trabalhistas ou sanitárias; e, por fim, (d) controle de pragas. Ato contínuo, deverá a fiscalização: (ii) efetuar descritivo minucioso do referido processo produtivo, a fim de que sejam constatados o emprego dos referidos bens e direitos, aquilatando sua participação em relação ao produto final. Ao efetuar estas constatações, a autoridade preparadora (e exclusivamente ela) deverá: (iii) elabore um parecer conclusivo que possibilite identificar cada dispêndio elencado, para fins de uma análise jurídica deste Colegiado quanto à participação de cada bem ou direito no processo produtivo do contribuinte em questão. O referido parecer deverá também ser elaborado na forma de uma planilha que segregue os bens considerados pela recorrente sob os seguintes critérios: (a) pertinência ou não ao processo produtivo da empresa; (b) vida útil estimada (consumo imediato, menos de um ano, mais de um ano); (c) contato direto com o produto em fabricação; (d) agregação ao produto final. Por fim, antes ainda da devolução deste processo para este Tribunal: (iv) sugerese que o contribuinte e a Procuradoria da Fazenda Nacional promovam uma reunião, a luz do precedente repetitivo do STJ (REsp n. 1.221.170), e do laudo técnico que será preparado e apresentado à unidade de origem e, ainda, em razão da Nota explicativa SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF3, para que cooperem4 com a atividade 3 "Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2" 4 Nos termos do que dispõe o art. 6o do CPC, "in verbis": "Art. 6o Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva." Fl. 663DF CARF MF Processo nº 11080.720079/201042 Resolução nº 3402001.898 S3C4T2 Fl. 9 8 judicativa atipicamente exercida por este Tribunal indicando, por conseguinte, quais glosas que as partes entendem como adequadas ao conceito de insumo vinculado pelo STJ e quais entendem como devidas em razão de uma extrapolação deste conceito. Concluída a diligência: (v) o recorrente deverá ser intimado para que facultativamente apresente manifestação no prazo de 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o art. 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011. Não obstante, independentemente da efetividade da reunião aqui mencionada e antes do retorno dos autos para este Tribunal: (vi) a Procuradoria da Fazenda Nacional deverá ser intimada a se manifestar a respeito da diligência perpetrada, bem como dos laudos acostados nos autos, isso em relação a eventuais glosas que permanecerão em discussão. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 664DF CARF MF
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Numero do processo: 13227.900236/2014-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010
CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. REGIME MONOFÁSICO. AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS. DIREITO A CRÉDITO. FRETE. REVENDA. VAREJISTA. POSSIBILIDADE.
O artigo 3º, inciso I das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 garante o direito ao crédito correspondente aos produtos adquiridos para revenda, mas excetua textualmente o direito ao crédito da aquisição de combustíveis, os quais são tributados pela Contribuições pelo regime monofásico (artigo 3º, inciso I, alínea "b"). Tal exceção, contudo, não invalida o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador do combustível para revenda, que compõe o custo de aquisição do produto (art. 289, §1º do RIR/99). Isto porque o frete é uma operação autônoma em relação à aquisição do combustível, paga à transportadora, na sistemática de incidência da não-cumulatividade. Sendo os regimes de incidência distintos, do produto (combustível) e do frete (transporte), permanece o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador do combustível para revenda.
CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO. BENS DE PEQUENO VALOR OU DE VIDA ÚTIL INFERIOR A UM ANO. BENFEITORIAS.
Os materiais de construção adquiridos em grande quantidade (concreto, areia, ferragens, pisos, forros e revestimentos, materiais para instalações elétricas e hidráulicas) utilizados em construção, benfeitoria ou reforma, devem ser ativados, independentemente do custo unitário, tendo em vista a sua utilização conjunta e incorporação ao imóvel (artigo 79 e 81, inciso II do Código Civil). Dessarte, os dispêndios com materiais de construção, assim como se dá com as benfeitorias, devem ser contabilizados no ativo imobilizado e, como tais, somente geram direito de crédito da Contribuição ao PIS e COFINS na forma de depreciação.
CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. ALUGUÉIS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS VINCULADOS A BENFEITORIAS.
Os dispêndios com aluguéis de máquinas e equipamentos destinados à realização de benfeitorias devem ser contabilizados no ativo imobilizado e, como tais, somente geram direito de crédito de PIS e Cofins na forma de depreciação.
CRÉDITOS DE PIS/COFINS. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 125.
Por expressa vedação legal, não incide atualização monetária sobre créditos da Contribuição ao PIS e da COFINS, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10. 833, de 2003.
Numero da decisão: 3402-006.471
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reverter as glosas referentes aos gastos com frete na aquisição de combustíveis para revenda. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra que negavam provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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REGIME MONOFÁSICO. AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS. DIREITO A CRÉDITO. FRETE. REVENDA. VAREJISTA. POSSIBILIDADE. O artigo 3º, inciso I das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 garante o direito ao crédito correspondente aos produtos adquiridos para revenda, mas excetua textualmente o direito ao crédito da aquisição de combustíveis, os quais são tributados pela Contribuições pelo regime monofásico (artigo 3º, inciso I, alínea "b"). Tal exceção, contudo, não invalida o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador do combustível para revenda, que compõe o custo de aquisição do produto (art. 289, §1º do RIR/99). Isto porque o frete é uma operação autônoma em relação à aquisição do combustível, paga à transportadora, na sistemática de incidência da nãocumulatividade. Sendo os regimes de incidência distintos, do produto (combustível) e do frete (transporte), permanece o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador do combustível para revenda. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO. BENS DE PEQUENO VALOR OU DE VIDA ÚTIL INFERIOR A UM ANO. BENFEITORIAS. Os materiais de construção adquiridos em grande quantidade (concreto, areia, ferragens, pisos, forros e revestimentos, materiais para instalações elétricas e hidráulicas) utilizados em construção, benfeitoria ou reforma, devem ser ativados, independentemente do custo unitário, tendo em vista a sua utilização conjunta e incorporação ao imóvel (artigo 79 e 81, inciso II do Código Civil). Dessarte, os dispêndios com materiais de construção, assim como se dá com as benfeitorias, devem ser contabilizados no ativo imobilizado e, como tais, somente geram direito de crédito da Contribuição ao PIS e COFINS na forma de depreciação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 02 36 /2 01 4- 49 Fl. 307DF CARF MF 2 CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. ALUGUÉIS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS VINCULADOS A BENFEITORIAS. Os dispêndios com aluguéis de máquinas e equipamentos destinados à realização de benfeitorias devem ser contabilizados no ativo imobilizado e, como tais, somente geram direito de crédito de PIS e Cofins na forma de depreciação. CRÉDITOS DE PIS/COFINS. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 125. Por expressa vedação legal, não incide atualização monetária sobre créditos da Contribuição ao PIS e da COFINS, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10. 833, de 2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reverter as glosas referentes aos gastos com frete na aquisição de combustíveis para revenda. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra que negavam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Fortaleza, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte, sobre crédito relativo à Contribuição ao PIS e a COFINS. Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, com riqueza de detalhes, colaciono o relatório do Acórdão recorrido in verbis: Tratase de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de JiparanáRO (fls. 32), que deferiu parcialmente/indeferiu o crédito pleiteado pelo contribuinte através do PER n° 03016.52216.291110.1.1.115506 Através do referido PER, o contribuinte solicitou o ressarcimento de R$ 106.282,54, a título de Cofins Não Fl. 308DF CARF MF Processo nº 13227.900236/201449 Acórdão n.º 3402006.471 S3C4T2 Fl. 334 3 Cumulativo Mercado Interno do período de apuração 2º Trimestre/2010, com a subsequente compensação de débitos, através de DCOMP, tendo a RFB reconhecido o crédito de R$ 1.045,20. A diferença se de deu em razão das glosas dos seguintes créditos: 1. créditos indevidos sobre gastos com frete na aquisição de combustíveis para revenda; 2. créditos indevidos sobre gastos com a realização de benfeitorias; 3. créditos indevidos sobre locações de máquinas e equipamentos utilizados em benfeitorias; 4. créditos indevidos apurados sobre a aquisição de bens para revenda sujeitos à incidência monofásica; 5. créditos indevidos apurados sobre a devolução de vendas de bens sujeitos à incidência monofásica; As glosas se deram no âmbito de procerdimento auditoria levada a efeito para apurar os créditos de PIS e Cofins declarados pelo contribuinte em DACON no ano calendário 2010. As glosas foram objeto de Manifestação de Inconformidade nos processos abaixo discriminados. Esses processos, por tratarem de matérias conexas, decorrentes dos mesmos fatos, estão sendo julgados conjuntamente na presente sessão. O detalhamento e a fundamentação das glosas, bem como a apuração dos saldos credores/devedores de PIS e Cofins, mês a mês, constam do Relatório Fiscal de fls. 35/216. A relação das notas fiscais objeto de glosa consta dos Anexos I a IV. Fl. 309DF CARF MF 4 Ciente do Despacho Decisório, o contribuinte apresentou tempestivamente, conforme Despacho de fl. 245, a Manifestação de Inconformidade de fls. 3/31, alegando em síntese que: Do direito de crédito: a Recorrente realiza a venda de gasolinas, óleo diesel e demais combustíveis, sendo seus produtos destinadas ao mercado interno e tributados à alíquota zero para PIS e Cofins, conforme determina a legislação vigente; a Recorrente, com base no artigo 3º das Leis 10.637/2002 para PIS e artigo 3º da Lei 10.833/2003 para COFINS, realizou créditos sobre insumos e serviços necessários a atividade que exerce. No entanto, cabe ressaltar, que não se apropriou de créditos sobre a aquisição de combustíveis, já que estes são tributados pelo regime monofásico e não dão direito a créditos; considerando que seu produto final é tributado à alíquota zero, com base no artigo 17 da Lei 11.033/2004 e artigo 16 da Lei 11.116/2005 a empresa protocolou através do programa Perdcomp os pedidos de ressarcimento dos créditos vinculados a saídas para o mercado interno, bem como apresentou para o período a Dacon a fim de demonstrar a apuração das contribuições para o PIS e a Cofins; Créditos indevidos sobre gastos com frete na aquisição de combustíveis para revenda: o agente fiscal transcreveu toda esta legislação para dizer que há vedação expressa para desconto de créditos sobre aquisições de combustíveis e, por extensão, também “não há como permitir o desconto de créditos em relação ao frete, o qual compõe o custo de aquisição de tais bens (combustíveis)” (cfe Relatório Fiscal – pg 21); a redação da norma que exclui os combustíveis da base de crédito é clara. E com base nesta norma que a Recorrente não tomou créditos de PIS e Cofins sobre as aquisições de combustíveis. No entanto, em momento alguma qualquer norma relativa ao PIS e Cofins disciplinou qualquer regra acerca de custo ou insumos/serviços vinculados; o artigo 3º das leis 10.637/2002 e 10.833/2003 autoriza expressamente que as empresas submetidas ao regime não cumulativo poderão creditarse de “bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços, na produção, na fabricação de bens ou produtos destinados à venda”; o frete é um insumo necessário e imprescindível para a realização da atividade comercial a que se propõem a Recorrente. o frete é uma operação comercial totalmente independente da compra do combustível, tem fornecedores distintos e Fl. 310DF CARF MF Processo nº 13227.900236/201449 Acórdão n.º 3402006.471 S3C4T2 Fl. 335 5 documentos fiscais (NFs) distintos, de forma que o pagamento deste serviço independe da operação “compra de combustível”; a Receita Federal, através da IN 404/2004, conceituou insumo para fins de créditos de Cofins e atribuiu o conceito que se aplica ao IPI, pois conceituou insumos apenas para empresas que realizam a fabricação de algum produto. Ao editar tal norma, a RFB foi além do seu dever de normatizar, ao tentar impor um conceito restritivo e oriundo das regras de IPI, já que o conceito estabelecido pela IN remete à fabricação ou produção, desgaste e alteração; a questão já foi tema de decisões do CARF e de tribunais judiciais que em suas decisões entenderam que os créditos de PIS/Cofins devem abranger todo custo ou despesa necessária à atividade da empresa; da mesma forma que vem decidindo o CARF e os Tribunais, as Soluções de Consulta da Receita Federal também dispõem neste sentindo, reconhecendo inclusive o frete sobre compras como insumo. Créditos indevidos sobre gastos com a realização de benfeitorias: a empresa trata como benfeitorias as definidas nos §§ 2º e 3º do artigo 96 do Novo Código Civil, Lei 10.406, de 10 de janeiro de 2002, a saber: “São necessárias as que têm por fim conservar o bem ou evitar que se deteriore” ou ainda, “podem facilitar seu uso”; todas as manutenções e reparos necessários à conservação das instalações, prédio e reformas da estrutura física da empresa, necessárias e utilizadas para realização da atividade fim da empresa, são lançados a título de benfeitorias; o regulamento do Imposto de Renda – RIR/99 em seu artigo 301, define o tratamento dado as pequenas despesas e dita que os custos de aquisição cujo valor sejam de até R$ 326,61 ou se de valor maior e que sua vida útil seja de até um ano podem ser lançadas diretamente como custos, sem serem imobilizadas; as benfeitorias são de valores inferiores ao limite ou de vida útil menos que um ano, foram lançadas direto como custos no mês incorrido, portanto não sofrem depreciação; para que funcione adequadamente e o cliente se sinta bem, constantemente são realizados benfeitorias em todo o empreendimento; Fl. 311DF CARF MF 6 como há grande movimentação de veículos pesados no pátio, como o calçamento é a base de lajota, constantemente são realizados reparos no pátio e nos muros que cercam o estabelecimento, com a utilização de pó de pedra, areias, cimentos, brita, etc. e com geração de entulhos; na área de abastecimento, como já afirmado, caminhões de grande porte circulam nas rampas, constantemente há reparos, com a utilização de ferragens, cimento, brita, pinturas em geral, sinalizações, troca de telhas da cobertura, manutenção em forros de PVC, gerando entulhos, etc; no que se refere aos banheiros destinados aos motoristas, sempre ocorre quebra de pias e vasos sanitários, culminado com sua troca, manutenção de chuveiros, hidráulica, lâmpadas, instalações elétricas, pisos, revestimentos, telhados, peças de reposição do aquecimento solar, pinturas em geral, etc. com geração de entulhos; esta é a destinação dos materiais adquiridos pela empresa, a título de benfeitorias, em que são utilizadas na manutenção de todas as instalações e que são úteis e necessárias para a conservação do patrimônio e realização da venda; estas pequenas manutenções/reparos denominados benfeitorias no caso em análise são efetuados sem projeto de execução, de forma que os documentos que comprovam sua realização são as notas fiscais e cupons fiscais de pagamentos de materiais e serviços, todas já apresentados ao Auditor e integrantes a este processo; na verdade, benfeitorias são obras ou gastos realizados na coisa imóvel, com a finalidade de conservála, melhorála ou embelezála, com o intuito na atividade comercial, em dar boa aparência ao ambiente e atrair o cliente. Se essas obras ou gastos mudassem a natureza da coisa imóvel, aí sim deveria haver um projeto, não podendo então ser consideradas como benfeitorias e sim como imobilizações e sofreriam a depreciação ou a amortização em caso de bens de terceiros; Créditos indevidos sobre locações de máquinas e equipamentos utilizados em benfeitorias. o Auto de Infração glosou integralmente os valores dos aluguéis de máquinas e equipamentos pagos à Pessoas Jurídicas; o art. 3° inciso IV das Leis nºs 10.637/2002 (PIS) e 10.833/2003 (Cofins) é expresso em admitir o desconto de crédito de de “aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa”; no entanto, o agente fiscal fundamentou sua glosa no fato de tais máquinas e equipamentos terem sido alugados para realização das benfeitorias em prédios próprios e de terceiros e nesta condição deveriam estas despesas ter sido imobilizadas e os créditos tomados através dos encargos e depreciação e amortização; Fl. 312DF CARF MF Processo nº 13227.900236/201449 Acórdão n.º 3402006.471 S3C4T2 Fl. 336 7 a legislação é clara quando autoriza a realização de créditos sobre aluguéis de máquinas e equipamentos, desde que pagos à pessoa jurídica. Somente isso; a legislação que autoriza o lançamento de créditos sobre aluguéis de máquinas e equipamentos pagos a pessoas jurídicas não estabelece qual deverá ser a contabilização de tal serviço, tampouco determina o que deve ser imobilizado ou não; Créditos indevidos apurados sobre a aquisição de bens para revenda sujeitos à incidência monofásica: a Recorrente equivocadamente considerou como tributadas alguns tipos de mercadorias que tem incidência monofásica para PIS e Cofins, conforme apontou o agente fiscal em seu relatório, no qual relacionou os itens excluídos; é correta a referida exclusão, se confirmada a tomada de créditos de produtos monofásicos. Mas também será correta a análise da base de débitos, já que a Recorrente oferecia a tributação todos os produtos sobre os quais tomava crédito; em momento algum, o Auditor Fiscal manifestouse no Relatório Fiscal acerca dos pagamentos indevidos efetuados pela Recorrente. Também não apresentou qualquer demonstrativo de cálculo que pudessem contemplar tais ajustes; assim, para que a glosa de tais itens esteja correta é preciso que se analisem os tipos de produtos, se monofásicos ou não e, também a base de débitos, para que o ajuste seja correto; desta forma, é justo e correto que tais valores sejam revistos, tanto em relação ao débito quanto em relação ao crédito; desde já requerse tal ajuste, para que a empresa não seja duplamente prejudicada, tendo em vista que o Despacho Decisório em debate excluiu o crédito e manteve o débito. Créditos indevidos apurados sobre a devolução de vendas de bens sujeitos à incidência monofásica: indevidamente a recorrente tomou créditos sobre devolução de mercadorias que tem incidência monofásica para PIS e Cofins conforme apontou o agente fiscal em seu relatório, no qual relacionou os itens excluídos; a contabilização dos créditos na devolução de vendas de mercadorias sujeitas à incidência monofásica é prova de que a empresa tributou indevidamente esses produtos na saída; Fl. 313DF CARF MF 8 desta forma, é justo e correto que tais valores sejam revistos, tanto em relação ao débito quanto em relação ao crédito; desde já requerse tal ajuste, para que a empresa não seja triplamente prejudicada, tendo em vista que o Despacho Decisório em debate excluiu o crédito e manteve o débito. Das compensações. como a Requerente faz jus ao crédito na integralidade solicitada, requer igualmente na integralidade a homologação das compensações realizadas e não homologadas ou homologadas parcialmente por insuficiência ou inexistência de crédito no Despacho Decisório; Suspensão da exigibilidade dos débitos: de acordo com o art. 151, inciso II do CTN, o débito deve ter sua exigibilidade suspensa; Ao final, requer a Recorrente. 1. Seja acolhido a presente Manifestação de Inconformidade; 2. Seja Reformado o Despacho Decisório ora guerreado para o fim de Reconhecer os créditos da Recorrente de COFINS NÃO CUMULATIVO no montante de 106.282,54 referente ao 2º Trimestre/2010, eis que apurados na forma da legislação em vigor e de direito; 3. Que sejam incluídos no montante da base de cálculo de créditos os valores relativos ao insumo frete sobre compras de mercadorias destinadas à venda, eis que compõem o custo dos produtos comercializados pela Recorrente, foram por ela suportados e atendem a condição de Insumo conforme determina a legislação de regência da matéria. 4. Que seja determinada a inclusão na base de créditos dos valores lançados a título de benfeitorias em imóveis próprios e de terceiros, eis que atendem o conceito de benfeitoria e a legislação de regência. 5. Que sejam incluídos no montante da base de créditos os valores pagos a título de locação de máquinas e equipamentos pagos a Pessoas Jurídicas, eis que legítimos, conforme comprovam os documentos anexados pela Recorrente, e que atendem a legislação de regência da matéria; 6. Que, seja determinada também a revisão da base de cálculo dos débitos, para o fim de ajustar os valores efetivamente devidos, já que a Recorrente tributou todos os produtos sobre os quais tomou crédito, inclusive os supostamente sujeitos a regime monofásico e da devolução de vendas de tais produtos; 7. Que em relação a todos os itens acima sejam afastadas interpretações equivocadas e diversas das constantes nas Leis Fl. 30 29 10.633/2002 e 10.833/2003, eis que tais normas são claras e não cabe a agente fiscal criar novas regras; Fl. 314DF CARF MF Processo nº 13227.900236/201449 Acórdão n.º 3402006.471 S3C4T2 Fl. 337 9 8. Que seja determinada a imediata suspensão da exigência do crédito tributário em face das disposições do artigo 151 do Código Tributário Nacional até que seja proferido despacho decisório definitivo; Sobreveio então o Acórdão da 5ª Turma da DRJ/FOR, negando provimento à manifestação de inconformidade da Contribuinte, cuja ementa foi lavrada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 PIS/COFINS. EMPRESA DISTRIBUIDORA OU REVENDEDORA. FRETE NA AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS. Os distribuidores e varejistas de combustíveis, tributados à alíquota zero de PIS e Cofins nas vendas, em razão do regime monofásico, não podem creditarse dos custos de frete incidentes na compra dos combustíveis. BENFEITORIAS. Os dispêndios com benfeitorias, sejam elas necessárias, úteis ou voluptuárias, devem ser contabilizados no ativo imobilizado e, como tais, somente geram direito de crédito de PIS e Cofins na forma de depreciação. BENFEITORIAS. BENS DE PEQUENO VALOR OU DE VIDA ÚTIL INFERIOR A UM ANO. Os materiais de construção adquiridos em grande quantidade (concreto, areia, ferragens, pisos, forros e revestimentos, materiais para instalações elétricas e hidráulicas) utilizados em construção, benfeitoria ou reforma, devem ser ativados, independentemente do custo unitário, tendo em vista a sua utilização conjunta e incorporação ao imóvel (art 43 do CC). ALUGUÉIS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS VINCULADOS A BENFEITORIAS. Os dispêndios com aluguéis de máquinas e equipamentos destinados à realização de benfeitorias devem ser contabilizados no ativo imobilizado e, como tais, somente geram direito de crédito de PIS e Cofins na forma de depreciação. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos em que se discute direito creditório, sua comprovação incumbe ao contribuinte, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência ou perícia a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, em que repisa os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. Contudo, não foram objeto de recurso: i) a exclusão dos créditos sobre bens para revenda sujeitos à incidência monofásica da Contribuição ao PIS e da COFINS; ii) a exclusão dos créditos sobre devolução de vendas de bens sujeitos à incidência monofásica da Contribuição ao PIS e da Fl. 315DF CARF MF 10 COFINS. Ademais, foi apresentado novo tópico acerca do direito à atualização dos créditos pleiteados pela taxa Selic. É o relatório. Voto Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, Relatora Os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário encontramse devidamente preenchidos, de modo que passo a apreciação do mérito. Mas antes, saliento que este processo está sendo julgado conjuntamente com os demais processos de ressarcimento, bem como com o auto de infração lavrado contra a Recorrente, sendo que as razões adotadas neste último são aqui aplicadas. 1. Créditos indevidos sobre gastos com frete na aquisição de combustíveis para revenda A Recorrente é empresa dedicada preponderantemente ao comércio varejista de combustíveis e lubrificantes, conforme se depreende do seu Contrato Social e é salientado pela autoridade lançadora no Relatório fiscal, nos seguintes termos: "a atividade comercial da contribuinte, consiste, resumidamente, na revenda de combustíveis e lubrificantes (Matriz – Vilhena/RO e Filial 1 – Porto Velho/RO), com exceção da Filial 2 – Vilhena/RO, denominada “Fazenda Batista”, que tem como atividade principal o reflorestamento." É então dentro desse específico setor da economia que deve ser analisada a tributação da Contribuição ao PIS e da COFINS no presente caso. Pois bem. Os combustíveis (gasolina, óleo diesel, querosene de aviação e outros) a partir de 1º de julho de 2000 são tributados pelas referidas Contribuições pela modalidade monofásica, incidindo uma única vez no fabricante ou importador, desonerando a receita da venda desses produtos nos distribuidores e varejistas. Como é consabido, a incidência monofásica tem por objetivo concentrar a incidência tributária, de modo que são aplicadas aos produtores ou importadores alíquotas diferenciadas, superiores às básicas, enquanto os demais (atacadistas e verejistas) são tributados à alíquota zero. Cumpre destacar que a incidência monofásica não se confunde com o instituto da substituição tributária, uma vez que nesta última as receitas estão obrigatoriamente sujeitas ao regime cumulativo, o que não acontece na primeira. Dessa forma, mesmo dentro da sistemática monofásica, os produtos sujeitos às alíquotas diferenciadas poderão estar sujeitos ao regime cumulativo ou não cumulativo, de acordo com o regime de tributação da pessoa jurídica (presumido ou real, respectivamente). Fl. 316DF CARF MF Processo nº 13227.900236/201449 Acórdão n.º 3402006.471 S3C4T2 Fl. 338 11 Ou seja, a incidência monofásica não é exceção à aplicação do regime não cumulativo e, consequentemente, no desconto de créditos inerente à essa modalidade de tributação. 1 Contudo, há regras na legislação que precisam ser observadas. Quando ocorre a tributação concentrada no início da cadeia produtiva, não haverá a apuração de créditos e débitos nas etapas posteriores. Por isso é que, com relação aos varejistas, acertadamente o artigo 3º, inciso I das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 garante o direito ao crédito correspondente aos produtos adquiridos para revenda, mas excetua o direito ao crédito da aquisição de combustíveis (dentre outros produtos), os quais são tributados pela Contribuições pelo regime monofásico (artigo 3º, inciso I, alínea "b"). Vejamos: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; Assim, não há dúvida de que não poderia a Recorrente tomar crédito dos combustíveis que adquire para revenda. E corretamente não o fez. Tal exceção ao creditamento dos produtos atingidos pela monofasia, contudo, não invalida o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador do combustível para revenda. Explico. Mas antes de tudo, ressalto que não se discute aqui o direito ao crédito segundo a regra do artigo 3º, inciso II, das Leis n. 10.637/2002 (PIS) e 10.833/2003 (COFINS), na condição de insumo necessário. Com efeito, a discussão em torno do que seriam insumos para fins de apuração de créditos da não cumulatividade das Contribuições não guarda relação com o caso dos autos, vez que o inciso II do artigo 3º cuida de hipótese de bens e serviços, utilizados como insumo, na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Essa, contudo, não é a situação da Recorrente, que pagava o frete na aquisição de bem destinado para a revenda. A revenda, enquanto operação comercial (como o atacado e o varejo), não se confunde com a prestação de serviços ou com a produção de bens, como de longa data vaticinam a Receita Federal, este Conselho e o Poder Judiciário. O direito ao crédito do frete referente à compra de mercadorias para revenda, aplicável ao presente caso decorre, isto sim, do próprio inciso I do artigo 3º das Leis n. 10.637/2002 (PIS) e 10.833/2003 (COFINS) Tratando especificamente do frete de empresas varejistas, a doutrina já se manifestou em diversas ocasiões, exatamente no sentido do seu resguardo pelo supracitado 1 BERGAMINI, Adolpho. et alii. Manual do PIS e da COFINS. São Paulo: Fiscosoft Editora Ltda, 2013, pp. 367 a 369. Fl. 317DF CARF MF 12 dispositivo legal (inciso I do artigo 3º da Lei n. 10/.833/2003 e 10.837/2002). As palavras de Marco Aurélio Greco2 sobre o tema são as seguintes: Assim, quando uma empresa adquire para revenda determinado bem e contrata o respectivo transporte, este faz parte indissociável da aquisição a que se refere o inciso "I", ainda que seja um dispêndio separado do preço do bem em sentido técnico. Realmente, só tem sentido adquirir para revender se o comprador receber o que comprou, pois, sem isto, não poderá garantir a entrega ao cliente. Portanto, para quem compra para revenda, o direito ao crédito de PIS/COFINS sobre o frete pago para que o bem chegue em seu estabelecimento está abrangido pelo inc. I do art. 3º da Lei n. 10.833/2003. A conclusão, de fato, não poderia ser outra. Afinal, o frete compõe o custo de aquisição do produto, conforme dispõe o artigo 289, §1º do RIR/99, vigente à época dos fatos: Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matérias primas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 14). § 1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação Nesse sentido, a própria Receita Federal já se manifestou em algumas oportunidades sobre o direito ao crédito decorrente do frete contratado na aquisição de produtos para revenda: Solução de Consulta Nº 234, de 13 de Agosto de 2007 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS O contribuinte poderá descontar créditos calculados em relação aos bens adquiridos para revenda ou utilizados como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. O valor do frete incidente na compra destes bens integra o custo de aquisição, podendo, portanto, compor a base de cálculo na apuração dos créditos da COFINS. Dispositivos Legais: Lei Nº 10.833, de 2003, art. 3º; RIR/99, art. 289,§ 1º e Instrução Normativa SRF Nº 247, de 2002, art. 66. Assunto: Contribuição para o PIS O contribuinte poderá descontar créditos calculados em relação aos bens adquiridos para revenda ou utilizados como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. O valor do frete incidente na compra destes bens integra o custo 2 PIS e COFINS Fretes pagos para o transporte de Mercadorias. in PEIXOTO, Marcelo Magalhães e MOREIRA JUNIOR, Gilberto de Castro (coords). PIS e COFINS à luz da jurisprudência do CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Volume 2. São Paulo: MP Editora, 2013, p 356. Fl. 318DF CARF MF Processo nº 13227.900236/201449 Acórdão n.º 3402006.471 S3C4T2 Fl. 339 13 de aquisição, podendo, portanto, compor a base de cálculo na apuração dos créditos do PIS. Dispositivos Legais: Lei Nº 10.637, de 2002; Lei Nº 10.833, de 2003,arts. 15 e 16; RIR/99, art. 289, § 1º e Instrução Normativa SRF Nº 247, de 2002, art. 66. (grifamos). SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 15 de 27 de Fevereiro de 2007 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: FRETES NA AQUISIÇÃO Os custos de transporte até o estabelecimento do contribuinte, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País, integram custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda, constituindo base de cálculo dos créditos a serem descontados das contribuições devidas. ICMSSUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA Para fins de determinação da base de cálculo da contribuição, independentemente de qual seja o regime de cobrança desta, o contribuinte substituto do ICMS pode excluir da receita bruta o respetivo valor cobrado a título de substituição tributária destacado em nota fiscal, visto não ter a natureza de receita própria. (grifamos) Daí é que a própria autoridade fiscal, ao lavrar o presente auto de infração, justificou a glosa no fato de que, por estar o combustível sujeito ao regime monofásico e não gerar direito a crédito de PIS e Cofins na aquisição pelo revendedor, do mesmo modo, não geraria direito a crédito o frete respectivo, já que compõe o custo de aquisição do combustível. Ou seja, admite que, caso inexistente a questão da monofasia com a vedação ao crédito do produto, seria o caso de se reconhecer o crédito relativo ao frete contratado pela varejista. Assim, o raciocínio da autoridade é claro: o frete segue a mesma sorte do produto transportado, no que diz respeito ao direito ao creditamento. Entretanto, há um erro na premissa adotada e, consequentemente, na conclusão que se chegou no lançamento tributário. Vejamos. A Recorrente adquire mercadorias para revenda (combustíveis), porém a empresa vendedora não entrega os produtos no seu pátio mais especificamente, em seus tanques. Dessa forma, ela precisa contratar serviços de fretes de outra pessoa jurídica (transportadora) para que o produto chegue até seus estabelecimentos e que possa ser destinado à venda. Este frete, enquanto receita da transportadora, é tributado pela Contribuição ao PIS e pela COFINS. Em outras palavras, no caso do frete pago pelo comprador, há duas notas fiscais distintas. Uma para a distribuidora e outra para o transportador. A Distribuidora é sujeita ao regime monofásico, mas o transportador é tributado pelo regime não cumulativo. Nesses termos, fica evidente que o frete é uma operação autônoma em relação a aquisição do combustível. Tratase, em verdade, de operação comercial com a transportadora, na sistemática de incidência da nãocumulatividade, sendo que, repitase, a sua receita pela transportadora é tributada pela Contribuições. Vejase que, efetivamente, a Recorrente contrata Fl. 319DF CARF MF 14 empresa transportadora para proceder o frete, emitindo nota fiscal específica para essa operação (distinta daquela emitida pela distribuidora de combustível), conforme informações constantes do Anexo I do auto de infração. Tais dispêndios, portanto, são custo de aquisição de serviços de fretes e não custo de aquisição de combustível. Ou seja, muito embora estejam relacionadas como acima mencionado, já que o custo do frete integra o custo de aquisição do bem para revenda, nos termos do artigo 289, §1º do RIR/99 são operações distintas, com fornecedores distintos, e o mais importante, regimes de incidência distintos. Dessarte, devem ser analisadas de forma separada no que tange ao direito crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS. 3 Traçada tal premissa, fica clara a conclusão no sentido de que, sendo os regimes de incidência distintos, do produto (combustível, no modelo monofásico, pago ao distribuidor) e do frete (transporte, na nãocumulatividade, pago à empresa transportadora), não há que se falar que o destino do crédito do frete segue o mesmo daquele da mercadoria, como fez a autoridade fiscal ao fundamentar o lançamento tributário. Pelo contrário. Justamente em razão da distinção de regimes, permanece o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador do combustível para revenda, nos termos do artigo 3º, inciso I das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002, assim como existe para qualquer outro atacadista ou varejista que trabalhe com produtos tributados na sistemática da não cumulatividade. Não há na legislação nada que impeça tal creditamento para empresas como a Recorrente, já que inexiste critério de discrímem, em relação ao frete, do presente caso em comparação com qualquer outra empresa atacadista ou varejista. Inclusive, o raciocínio aqui empregado é o mesmo daquele adotado em outros julgamentos deste Conselho a respeito da possibilidade de tomada de crédito das Contribuições relativamente ao frete de produtos não tributados. Destaco a seguir passagem do voto da Conselheira Maysa De Sá Pittondo Deligne, no Acórdão 3402003.520, a respeito do tema: "Entretanto, ao contrário do que afirmou a fiscalização, o direito ao crédito pelo serviço de transporte prestado (frete) não se condiciona à tributação do bem transportado, inexistindo qualquer exigência nesse sentido na legislação. A restrição ao crédito se refere, APENAS, ao bem/serviço não tributado ou sujeito à alíquota zero (art. 3º, §2º, II, Leis n.º 10.637/2002 e n.º 10.833/2003), e não aos serviços tributados que possam ser a eles relacionados, como o caso: "Art. 3º (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)" (grifei) Como evidenciado pela fiscalização, não se discute aqui a natureza da operação sujeita ao crédito (frete na aquisição de 3 Não é demais reavivar a passagem da doutrina de Marco Aurélio Greco alhures transcrita, que confirma que tecnicamente os dispêndios com o produto e com o frete não se confundem: "assim, quando uma empresa adquire para revenda determinado bem e contrata o respectivo transporte, este faz parte indissociável da aquisição a que se refere o inciso "I", ainda que seja um dispêndio separado do preço do bem em sentido técnico." Fl. 320DF CARF MF Processo nº 13227.900236/201449 Acórdão n.º 3402006.471 S3C4T2 Fl. 340 15 bens para revenda, tributado e assumido pelo adquirente). O que se discute, apenas, é a suposta impossibilidade de tomada do crédito em razão do bem transportado ser sujeito à alíquota zero, restrição esta não trazida na Lei. Nesse sentido, vejamse outros acórdãos deste E. Conselho: "(...) CRÉDITOS. FRETE DE BENS QUE CONFIGURAM INSUMOS. SERVIÇO DE TRANSPORTE QUE CONFIGURA INSUMO, INDEPENDENTE DO BEM TRANSPORTADO ESTAR SUJEITO À CONTRIBUIÇÃO. O frete de um produto que configure insumo é, em si mesmo, um serviço aplicado como insumo na produção. O direito de crédito pelo serviço de transporte não é condicionado a que o produto transportado esteja sujeito à incidência das contribuições. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte" (Processo n.º 13971.005212/200994 Sessão de 20/08/2014. Relator Alexandre Kern. Acórdão n.º 3403003.164. Voto Vencedor do Conselheiro Ivan Allegretti. Maioria grifei) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 (...) COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. SERVIÇOS VINCULADOS A AQUISIÇÕES DE BENS COM ALÍQUOTA ZERO. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. É possível o creditamento em relação a serviços sujeitos a tributação (transporte, carga e descarga) efetuados em/com bens não sujeitos a tributação pela contribuição." (Processo n.º 10950.003052/200656. Sessão de 19/03/2013. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3403001.938. Maioria grifei) A mesma premissa adotada pela fiscalização no presente caso, mantida pela decisão de primeira instância, foi afastada com veemência e clareza pelo I. Conselheiro Relator Rosaldo Trevisan em seu voto no julgamento do último acórdão acima ementado: "A fiscalização não reconhece o crédito por ausência de amparo normativo, e afirma que o frete e as referidas despesas integram o custo de aquisição do bem, sujeito à alíquota zero (por força do art. 1o da Lei no 10.925/2004), o que inibe o creditamento, conforme a vedação estabelecida pelo inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.637/2002 (em relação à Contribuição para o PIS/Pasep), e pelo inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.833/2003 (em relação à Cofins): (...) Contudo, é de se observar que o comando transcrito impede o creditamento em relação a bens não sujeitos ao pagamento da contribuição e serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Não trata o dispositivo de serviços sujeitos a tributação efetuados em/com bens não sujeitos a tributação (o que é o caso do presente processo). Improcedente assim a subsunção efetuada pelo julgador a quo no sentido de que o fato de o produto não ser tributado “contaminaria” também os serviços a ele associados. Vejase que é possível um bem não sujeito ao pagamento das contribuições ser objeto de uma operação de transporte Fl. 321DF CARF MF 16 tributada. E que o dispositivo legal citado não trata desse assunto" (grifei). Cito ainda no mesmo sentido, os Acórdãos nº 3403 001.944, de 09 de março de 2013 e 3302004.886, de 25 de outubro de 2017. Por tudo quanto exposto, voto no sentido de reverter as glosas referentes aos fretes de combustíveis. 2. Créditos indevidos sobre gastos com a realização de benfeitorias A glosa aqui tratada se deu porque, segundo a fiscalização, a Contribuinte se creditou da Contribuição ao PIS e da Cofins na aquisição de bens do ativo imobilizado diretamente sob forma de custo no mês em que incorrido, quando na realidade, deveria creditarse na forma de dapreciação futura. De outra parte, Recorrente afirma que as compras eram destinadas à benfeitorias necessárias à suas atividades e que, como tais, geram direito de crédito na forma de custos. Ou seja, a divergência repousa não no direito ao crédito em si, mas na forma de sua apropriação. A matéria em discussão é disciplinada pelo artigo 3° das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, abaixo transcritos na parte que interessa à solução da presente lide: Lei 10.637, de 30 de dezembro de 2002 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI (...) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mão deobra, tenha sido suportado pela locatária; (...) § 1º O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: (...) Fl. 322DF CARF MF Processo nº 13227.900236/201449 Acórdão n.º 3402006.471 S3C4T2 Fl. 341 17 III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; _________________________ Lei 10.833, de 29 de dezembro de 2003 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI (...) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; (...) §1º Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: (...) III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; Pela leitura dos dispositivos, vemos que existem duas formas de geração de crédito excludentes entre si. Os bens adquiridos como insumos (inciso II) geram direito de crédito diretamente sobre o custo incorrido no mês (§ 1º, inciso I). Enquanto isso, no caso dos bens do ativo imobilizado, o direito de crédito se dá na forma de futura depreciação (§ 1º, inciso III). É certo que o ativo imobilizado (artigo 179, inciso IV da Lei n. 6.404/76) 4 compreende os bens de natureza duradoura, destinados ao funcionamento normal da sociedade e do seu empreendimento, assim como os direitos exercidos com essa finalidade. 5 Em outras palavras, o ativo imobilizado compreende os bens e direitos necessários ao exercício contínuo das atividades da pessoa jurídica (vide artigo 301 do RIR/99 e CPC n. 27), aí incluídos aqueles que tem finalidade unicamente administrativa, ou seja, que não são empregados diretamente na 4 Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo: (...) IV – no ativo imobilizado: os direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à manutenção das atividades da companhia ou da empresa ou exercidos com essa finalidade, inclusive os decorrentes de operações que transfiram à companhia os benefícios, riscos e controle desses bens; 5 In: FIPECAFI. Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações. São Paulo. Atlas, p. 198. Fl. 323DF CARF MF 18 produção ou na comercialização de mercadorias e de serviços, ou ainda, na locação, integram o ativo permanente. Também não há dúvidas de que as instalações prediais da empresa e, por conseguinte, as benfeitorias nelas realizadas, se inserem no conceito de ativos imobilizados. Logo, seus créditos de PIS e Cofins devem, em regra, ser calculados sobre a depreciação, conforme preconiza o citado artigo 3º, §1º, inciso III das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003. Somente seria possível a contabilização de bens ativáveis como custos se o valor unitário do bem fosse inferior a R$ 326,61 ou se sua vida útil inferior a um ano. No caso de bens valor unitário inferior a R$ 326,61, a contabilização como custo depende ainda de que atividade exercida não exija utilização de um conjunto desses bens. Tudo isso nos termos do artigo 301 do RIR/99, vigente à época dos fatos aqui tratados. In verbis: Art. 301. O custo de aquisição de bens do ativo permanente não poderá ser deduzido como despesa operacional, salvo se o bem adquirido tiver valor unitário não superior a trezentos e vinte e seis reais e sessenta e um centavos, ou prazo de vida útil que não ultrapasse um ano. § 1º Nas aquisições de bens, cujo valor unitário esteja dentro do limite a que se refere este artigo, a exceção contida no mesmo não contempla a hipótese onde a atividade exercida exija utilização de um conjunto desses bens. § 2º Salvo disposições especiais, o custo dos bens adquiridos ou das melhorias realizadas, cuja vida útil ultrapasse o período de um ano, deverá ser ativado para ser depreciado ou amortizado. Portanto, e como bem posto pela decisão Recorrida, em se tratando de bens corpóreos adquiridos para a manutenção das atividades da empresa, sua contabilização deverá ocorrer obrigatoriamente em conta do imobilizado, pouco importando se a aquisição se destina a manutenção, reparo, ampliação de instalações, com ou sem projetos, seja benfeitoria necessária, útil ou voluptuária. Ainda sobre o artigo 301 do RIR/99, friso que, conforme se verifica dos autos e se confirma nas palavras da própria Recorrente, os bens objeto de glosa são em sua grande maioria materiais de construção (areia, cimento, brita, ferragens, tintas, telhas, forros de PVC, vasos sanitários, instalações elétricas e hidráulicas, pisos, revestimentos, etc), aos quais não se aplica a regra do valor unitário prevista no art. 301 do RIR/99, tendo em vista sua utilização conjunta e/ou incorporação ao imóvel. É o que concluímos pela jurisprudência administrativa a respeito da matéria: ACÓRDÃO 1º Conselho de Contribuintes n°: 10193.676 de 07/11/2001 IRPJ. CUSTOS E DESPESAS OPERACIONAIS. BENS DO ATIVO DEDUZIDOS COMO DESPESAS. Os materiais de construção adquiridos em grande quantidade (concreto, areia, ferragens, pisos, forros e revestimentos, materiais para instalações elétricas e hidráulicas) utilizados na construção de muros de arrimo, benfeitorias e reformas, devem ser ativados, independentemente do custo unitário tendo em vista a sua utilização conjunta e incorporação ao imóvel (art 43 do CC). Fl. 324DF CARF MF Processo nº 13227.900236/201449 Acórdão n.º 3402006.471 S3C4T2 Fl. 342 19 Tal conclusão se alinha com os artigos 79 e 81, inciso II do Código Civil de 2002, os quais esclarecem que não perdem o caráter de imóveis os materiais provisoriamente separados de um prédio para nele se reempregarem. Corroborando tudo quanto exposto, temos que permitir que os contribuintes tomem crédito dos gastos com os materiais para obras de benfeitorias no momento em que incorrem nessas despesas, significaria conceder o crédito em duplicidade, pois o mesmo será apropriado também no futuro, via depreciação da benfeitoria que estará contabilizada no ativo imobilizado, uma vez concluída a obra. Finalmente, destaco que a jurisprudência desse Conselho vai no mesmo sentido das razões aqui adotadas, conforme se infere da ementa a seguir colacionada: Ementa(s) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL, DO INFORMALISMO MODERADO E DA AMPLA DEFESA. OFENSA. INOCORRÊNCIA. Inocorre ofensa aos princípios da verdade material, do informalismo moderado e da ampla defesa quando a Administração tributária atua em conformidade com a legislação tributária, material e processual, bem como com as informações e os elementos probatórios presentes nos autos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. INSUMOS. Na não cumulatividade das contribuições sociais, o elemento de valoração é o total das receitas auferidas, o que engloba todo o resultado das atividades que constituem o objeto social da pessoa jurídica, e o direito ao creditamento alcança todos os bens e serviços, úteis ou necessários, utilizados como insumos diretamente na produção, e desde que efetivamente absorvidos no processo produtivo que constitui o objeto da sociedade empresária. MATERIAL DE EMBALAGEM. DIREITO AO CRÉDITO. No regime da não cumulatividade da contribuição para o PIS e da Cofins, há direito à apuração de créditos sobre as aquisições de bens utilizados na embalagem para transporte, cujo objetivo é a preservação das características do produto vendido. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. DIREITO A CRÉDITO. Os valores referentes a serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, para manutenção das máquinas e equipamentos empregados na produção de bens destinados à venda, abarcando as peças de reposição, podem Fl. 325DF CARF MF 20 compor a base de cálculo dos créditos a serem descontados da contribuição não cumulativa, desde que respeitados todos os demais requisitos legais atinentes à espécie. BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. BENFEITORIAS. DEPRECIAÇÃO. AMORTIZAÇÃO. DIREITO A CRÉDITO. Em relação aos bens do ativo imobilizado, com expectativa de utilização no processo produtivo por mais de um ano, e aos serviços de mão de obra e materiais da construção civil, comprovadamente prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no País, os créditos serão calculados com base no valor do encargo de depreciação/amortização incorrido no período, observados os demais requisitos exigidos pela lei. CREDITAMENTO. BENS CONSUMIDOS DURANTE O PROCESSO PRODUTIVO. INSUMOS. Dão direito a crédito as aquisições de insumos consumidos durante o processo produtivo na marcação das matériasprimas e dos produtos finais fabricados, bem como na proteção das máquinas utilizadas no setor produtivo. (Acórdão 380303.205, Sessão de 17 de julho de 2012) Assim, encaminho o meu voto no sentido de que, de fato, os créditos da Contribuição ao PIS e da COFINS foram apropriados de forma equivocada pela Recorrente, já que não poderiam ter sido tomados como custos no mês em que incorrido, mas sim na forma de depreciação futura. Portanto, deve ser mantida a glosa dos créditos sobre gastos com a realização de benfeitorias. 3. Créditos indevidos sobre locações de máquinas e equipamentos utilizados em benfeitorias A glosa aqui tratada diz respeito à locação de caçambas, máquinas e outros equipamentos utilizados em construção civil. Com efeito, em resposta à intimação da Fiscalização, a Contribuinte informou que tais bens foram locados para utilização na limpeza e preparação de realização de benfeitorias do imóvel, bem como na retirada de entulho de tais obras. Diante desses elementos, entendeu a autoridade fiscal que os dispêndios integram os custos de benfeitorias em imóvel próprio e de terceiro, portanto, deveriam ser contabilizadas no ativo imobilizado, para posterior depreciação, e somente nesta condição seriam válidos os créditos da Contribuição ao PIS e da Cofins, com fulcro no artigo 3º, inciso IV das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2002. É a literalidade do TVF, o qual reproduzo abaixo: 3.4.3 Créditos indevidos sobre locações de máquinas e equipamentos utilizados em benfeitorias. Analisando a documentação apresentada, verificouse a existência de valores referentes a locação de caçambas, máquinas e outros equipamentos utilizados em construções civis, valores estes que foram informados no DACON na Linha 6 “Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoa Jurídica”. Fl. 326DF CARF MF Processo nº 13227.900236/201449 Acórdão n.º 3402006.471 S3C4T2 Fl. 343 21 Em função disso, intimouse a contribuinte, por meio do TIF nº 3, de 08/12/14, para justificar em qual atividade da empresa é utilizado o bem locado. Em resposta, a contribuinte informou que tais bens foram locados para utilização na limpeza e preparação da realização de benfeitorias do imóvel, bem como na retirada de entulhos decorrentes de tais obras. O Art. 3º, IV, da Lei 10.637/2002 e o Art. 3º, IV, da Lei 10.833/2003 permitem o desconto de créditos apurados em relação à locação de prédios, máquinas e equipamentos, desde que pagos a pessoas jurídicas e utilizados nas atividades da empresa. Lei 10.637, de 30 de dezembro de 2002 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; _______________________________ Lei 10.833, de 29 de dezembro de 2003 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; Entretanto, em que pese o permissivo legal acima transcrito, entendemos que tais gastos integram o custo das benfeitorias realizadas e que, portanto, deveriam ter o mesmo tratamento a elas atribuído, qual seja, a contabilização no imobilizado para posterior depreciação ou amortização. Com relação a benfeitorias, a estas cotas de depreciação e/ou amortização é que a lei permite a apuração de créditos de PIS e COFINS. Desse modo, pelas mesmas razões expostas no tópico 3.4.2 Créditos indevidos sobre gastos com a realização de benfeitorias, foram glosadas as despesas efetuadas com a locação de bens utilizados na preparação, limpeza e remoção de entulhos decorrentes das obras de benfeitorias realizadas pela contribuinte, cuja relação completa encontrase no Anexo III desse relatório, que resultou nos valores mensais constantes da tabela abaixo. (...) (grifei) Fl. 327DF CARF MF 22 Pois bem. É verdade que os valores gastos pela Recorrente com aluguel de máquinas e equipamento para a construção de benfeitorias deve seguir a mesma sorte das obras, ou seja, ser contabilizado no ativo imobilizado. Isto porque nas normas contábeis a esse respeito (NBC TG 27), segundo o princípio do reconhecimento dos custos de um item do ativo imobilizado, "esses custos incluem custos incorridos inicialmente para adquirir ou construir item do ativo imobilizado e os custos incorridos posteriormente para renoválo, substituir suas partes, ou dar manutenção a ele" (item 10). Ademais, na parte de mensuração no reconhecimento segundo a qual o reconhecimento como ativo deve ser mensurado pelo seu custo está claro que integram os elementos do custo "quaisquer custos diretamente atribuíveis para colocar o ativo no local e condição necessárias para o mesmo ser capaz de funcionar da forma pretendida pela administração" (item 16, b). Dentre os exemplos de custos diretamente atribuíveis, estão os "custos de preparação do local" (item 17, b). Por essas razões, assim como ocorre com os materiais de construção tratados no item anterior, os alugueis de máquinas e equipamentos para a edificação de benfeitorias deve ser contabilizado no ativo imobilizado tão logo a obra seja finalizada, iniciandose o período de depreciação fiscal e, consequentemente, o direito a tomada de crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS segundo a legislação sobre o tema, qual seja o inciso VI do artigo 3º das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, conjuntamente com o seu §1º, inciso III. Com efeito, a legislação de regência da Contribuição ao PIS e da COFINS permite a apuração de créditos em relação a "máquinas e equipamentos" em duas situações distintas. A primeira é aquela tratada no inciso IV do artigo 3º das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, a qual versa sobre o aluguel das referidas máquinas e equipamentos, condicionando que os valores pagos a título da locação sejam destinados à pessoa jurídica, para a consecução de atividades da empresa. Aqui, a lei diz somente que os gastos com aluguel devem estar direcionados à atividade da empresa, de modo que o crédito não está necessariamente ligado ao setor fabril ou a prestação de serviços. Portanto, mesmo a despesa com aluguel relativa à área administrativa das empresas ou aquelas tidas por empresas comerciais pode gerar crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS (vide Solução de Consulta DISIT/SRRF 08 n. 492, de 31 de dezembro de 2009 6 e Acórdão 3301005.016, de 28 de agosto de 20187). Na apropriação de créditos nos termos do inciso IV, estes serão calculados no 6 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep CRÉDITO. ALUGUEL DE PRÉDIOS. No cálculo da contribuição para o PIS/Pasep apurada pelo regime nãocumulativo podem ser descontados créditos relativos ao valor dos aluguéis de prédios utilizados nas atividades da empresa, aí compreendidas tanto suas atividades industriais, comerciais e de prestação de serviço, quanto suas atividades administrativas, desde que esses aluguéis sejam pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil. Dispositivos Legais: Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso IV e § 3º. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins CRÉDITO. ALUGUEL DE PRÉDIOS. No cálculo da Cofins apurada pelo regime nãocumulativo podem ser descontados créditos relativos ao valor dos aluguéis de prédios utilizados nas atividades da empresa, aí compreendidas tanto suas atividades industriais, comerciais e de prestação de serviço, quanto suas atividades administrativas, desde que esses aluguéis sejam pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil. Dispositivos Legais: Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, inciso IV e § 3º. 7 (...) REGIME NÃO CUMULATIVO. DESPESAS COM ALUGUEL DE MAQUINAS E EQUIPAMENTOS. DESCONTO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Fl. 328DF CARF MF Processo nº 13227.900236/201449 Acórdão n.º 3402006.471 S3C4T2 Fl. 344 23 momento do dispêndio sobre o valor da locação, sendo que esse montante estará contabilizado como custo da sociedade. Já a segunda situação vem disciplinada pelo inciso VI do mesmo artigo, o qual autoriza a apuração de créditos de “máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços”. Aqui, portanto, falase em máquinas e equipamentos que serão contabilizados no ativo imobilizado da sociedade. Nesse caso, o legislador restringiu o direito a tomada de crédito, ao estabelecer que as situações que permitem a sua apuração estão adstritas aos bens adquiridos ou fabricados para: a) locação a terceiros; b) utilização da produção de bens destinados à venda; ou c) utilização na prestação de serviços. Ou seja, não é todo e qualquer bem destinado ao ativo imobilizado que dará direito ao crédito das Contribuições, mas tão somente aqueles destinados a uma das três citadas finalidades estabelecidas pela lei (vide Acórdãos 3301002.806 e 3102002.166 deste Conselho). 8 Apurarseá os créditos nos moldes do inciso VI de acordo com a depreciação dos bens corpóreos adquiridos, contabilizados no ativo imobilizado. A decisão recorrida estabelece a distinção dos regimes, dando exemplos didáticos sobre sua aplicação. São seus dizeres: A interpretação integrada do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 (PIS) e 10.833/2003 (Cofins) deve levar à seguinte conclusão: os aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, são sim, em regra, passiveis de créditos calculados a partir dos valores pagos Se o disposto no art. 3º, IV, da Lei 10.833/2003, não restringiu o desconto de créditos da Cofins apenas às despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos ao processo produtivo da empresa, não cabe ao intérprete restringir a utilização de créditos somente aos alugueis de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo.(...) 8 A jurisprudência deste Conselho é tranquila a respeito do tema, conforme é possível depreender das ementas abaixo colacionadas: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/2008 a 28/02/2008 PIS/PASEP. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO PELA AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E NÃO UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O inciso VI do artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 vincula o creditamento em relação a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado além de seu emprego para locação a terceiros a seu uso na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Portanto, o legislador restringiu o creditamento da contribuição à aquisição de bens diretamente empregados na industrialização das mercadorias (ou na prestação de serviços), não sendo razoável admitir que seja passível do cômputo de créditos a aquisição irrestrita de bens necessários ao exercício das atividades da empresa como um todo. (...) (Processo 13603.724612/201113, Acórdão 3301002.806) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 (...) ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Não é admissível o direito à apropriação de créditos da Cofins não cumulativa sobre os encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado se não foi comprovado pelo contribuinte que os bens depreciados foram utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, ou utilizados nas atividades da empresa, no caso de edificações e benfeitorias, e que foram adquiridos a partir de 1/4/2004. (Processo n. 11080.931975/201116. Acórdão 3102002.166). Fl. 329DF CARF MF 24 nessas operações, desde que não ativáveis, hipótese em que o crédito será calculado sobre a depreciação. À evidência, as máquinas e equipamentos a que se refere o inciso IV, passiveis de crédito, são aquelas utilizadas nas atividades operacionais da empresa. Assim, por exemplo, se um posto de gasolina utiliza bombas de combustíveis locadas de terceiro, essa locação será contabilizada como custo e, por óbvio, poderá ser objeto de crédito de PIS e Cofins, calculado sobre o valor da locação, na forma do inciso IV. Por outro lado, se esse mesmo posto de gasolina aluga andaimes de terceiros para a execução de uma obra de ampliação de suas instalações, o valor dessa locação deverá ser contabilizado no ativo imobilizado e, por conseguinte, não gerará direito de crédito de PIS e Cofins sobre o custo de locação, mas sobre a depreciação do imóvel. Traçada tal conceituação, fica realmente claro que a fiscalização motivou o lançamento pelo fato de que as despesas com aluguel de máquinas e equipamentos "integram o custo das benfeitorias realizadas e que, portanto, deveriam ter o mesmo tratamento a elas atribuído, qual seja, a contabilização no imobilizado para posterior depreciação ou amortização". Ou seja, atribuiu como fundamento jurídico da autuação o comando do inciso VI do artigo 3º das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003. Desse modo, assim como concluído no item anterior, encaminho o meu voto no sentido de que, de fato, os créditos da Contribuição ao PIS e da COFINS foram apropriados de forma equivocada pela Recorrente, já que não poderiam ter sido tomados como custos no mês em que incorrido, mas sim na forma de depreciação futura. Portanto, deve ser mantida a glosa dos créditos sobre gastos com o aluguel de máquinas para a realização de benfeitorias. 4. Da suspensão da exigibilidade. Com relação ao pedido de suspensão da exigibilidade do crédito tributário constituído nos presentes autos, com fundamento no art. 151 do CTN, o mesmo carece de objeto, pois atendido está. 5. Correção do valor do crédito pela Taxa Selic No que se refere ao pedido de correção do valor do crédito pela Taxa Selic, tratase de matéria preclusa, já que não foi apresentada em manifestação de inconformidade. (artigo 17 do Decreto nº 70.235/72). De toda sorte, os artigos 13 e 15, inciso VI da Lei nº 10.833/2003 colocam expressa vedação legal a tal pretensão, em relação tanto à COFINS como à Contribuição ao PIS. Destaco seu conteúdo: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (...) VI no art. 13 desta Lei. Fl. 330DF CARF MF Processo nº 13227.900236/201449 Acórdão n.º 3402006.471 S3C4T2 Fl. 345 25 Inclusive, tal matéria é objeto da Súmula CARF n. 125, cujo teor transcrevo abaixo: No ressarcimento da Cofins e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Portanto, afasto a pretensão da Recorrente sobre a correção dos créditos pleiteados pela Taxa Selic. Dispositivo Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para cancelar as glosas referentes aos gastos com frete na aquisição de combustíveis para revenda. Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 331DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.900249/2006-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
CARF. SEGUNDA INSTANCIA.
Matéria não levada à primeira instancia não pode ser apreciada na segunda instancia.
Numero da decisão: 1201-002.908
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em acolher os embargos com efeitos infringentes, anulando a Resolução nº 1201000.564, e no mérito não conhecer do recurso voluntário, por unanimidade.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Neudson Cavalcante Albuquerque, Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada), Alexandre Evaristo Pinto e Efigênio de Freitas Júnior
Nome do relator: Relator
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SEGUNDA INSTANCIA. Matéria não levada à primeira instancia não pode ser apreciada na segunda instancia. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em acolher os embargos com efeitos infringentes, anulando a Resolução nº 1201000.564, e no mérito não conhecer do recurso voluntário, por unanimidade. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Neudson Cavalcante Albuquerque, Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada), Alexandre Evaristo Pinto e Efigênio de Freitas Júnior Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 02 49 /2 00 6- 41 Fl. 102DF CARF MF 2 Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n. 07405. 22248.230903.1.3.045918 (efls 02/07), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito de IRPJ (código de receita: 3373, 2° trimestre de 2003) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (CSLL código 6012; 3° trimestre de 2002). Por intermédio do despacho decisório n. 763965924 (efl. 12), o direito creditório não foi reconhecido, e. por conseguinte nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débito da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade (e fl. 13), acompanhada dos documentos (efls. 13/14), na qual alega, em síntese, que: a) tratase de não homologação da compensação do IRPJ (código de receita: 33731), no valor de R$ 3.144,44, cujo motivo informado foi inexistência do crédito; b) realmente não há crédito a ser compensado e nem tampouco o débito informado neste PER/Dcomp, visto que o débito do IRPJ do 2o trimestre de 2003 encontrase totalmente pago, conforme quotas informadas na DCTFretificadora relativa ao 3o trimestre de 2003; c) o PER/Dcomp supra não pode ser alterado ou excluído face ao processo de crédito em curso, requerendo o cancelamento da cobrança feita na forma do presente despacho decisório. Ao final, requer o cancelamento da PER/Dcomp, cancelandose qualquer cobrança relativa ao despacho decisório supra. O acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento concluiu que não houve impugnação ao decidido, pois as alegações na manifestação de inconformidade objetivavam tãosomente o cancelamento da PER/Dcomp de n° 07405.22248.230903.1.3.045918 para evitar a cobrança de seu débito. Isto porque segundo a interessada, tanto o indébito, como o débito, inexistiriam. Outro impedimento ao pleito do manifestante era de que o débito havia sido confessado em DCTF, não refutado por provas contábeis nos autos: Dessa forma, a alegação da interessada objetiva tãosomente o cancelamento da PER/Dcomp de n° 07405.22248.230903.1.3.04 5918 para evitar a cobrança de seu débito, pois, segundo a interessada, tanto o indébito, como o débito, inexistem. Portanto, no que atine ao indébito, não há correção a ser feita no despacho decisório de fl. 11, tendo em conta a inobservância de requisito básico para sua formalização, qual seja, a existência de um crédito tributário da contribuinte junto à Fazenda Nacional. Em relação à glosa efetuada pela autoridade fiscal no despacho decisório de fl. 11, observase que houve na peça impugnatória concordância parcial à glosa do indébito pleiteado. Portanto, em relação a esta glosa, na cifra de R$ 3.144,44, reputase matéria incontroversa, em razão da postulante ter reconhecido expressamente a licitude do feito. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 13851.900249/200641 Acórdão n.º 1201002.908 S1C2T1 Fl. 103 3 A contribuinte apresentou Recurso Voluntário em que apela que houve cerceamento do direito de defesa por falta de intimação prévia (que possibilitasse "examinar com cautela os valores efetivamente devidos espelhados em sua contabilidades e apuração fiscal") ao despacho decisório; que em Manifestação de Inconformidade informou que o crédito compensado da CSLL já foi objeto de compensação em outra ocasião (perdcomp número 33531.43153.2309.03.1.3.044053); requer o reconhecimento do crédito e aduz que seja: "... dado integral provimento ao presente RECURSO, para o fim de ser decretada a insubsistência do VALOR NÃO HOMOLOGADO no processo Administrativo 13851.900249/200641 de compensação de créditos, sendo este devidamente arquivado. A Resolução nº 1201000.564 (efls. 92/100), de 17/08/2018, proferido por esta colenda Turma, converteu o julgamento em diligência com fundamentos nas razões expostas a seguir: Voto por converter o julgamento do recurso em diligência., solicitando o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que emita um relatório sobre as informações e os documentos anexados ao Recurso Voluntário, por fim, opinando pela existência do crédito de Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido (CSLL), Período de Apuração 30/09/2002, oriundo do pagamento a maior, argumentado pelo Recorrente. O julgamento referido seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicouse o decidido na Resolução nº 1201000.535, de 17/08/2018, proferida no julgamento do Processo nº 13851.900234/200683 (paradigma). Foi apresentado embargos de declaração (efls. 100/101) em que o conselheiro embargante defendeu que a decisão do paradigma, reproduzida no corpo da resolução nº 1201000.564, não se aplicaria caso destes autos. Isto porque, diferente dos outros processos que compunham os repetitivos em que se requeria o crédito descrito nas PERDCOMPs, nestes autos o contribuinte tanto assevera que compensou o crédito em outra PERDCOM como requer o cancelamento do débito confessado na PERDCOMP: "Nestes autos o contribuinte interpôs seu tempestivo Recurso Voluntário, considerando que o acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (efls. 17/22) ratificou o despacho decisório (efl. 12), não homologando a Declaração de Compensação (DCOMP) de Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido (CSLL) n° 07405.22248.230903.1.3.045918 (efls. 02/07) pela inexistência do crédito de pagamento indevido ou a maior. De acordo com referido despacho decisório, o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de outro débito do contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Fl. 104DF CARF MF 4 Entretanto, o contribuinte requer, em seu recurso voluntário (e fls. 24/38), que a Perdcomp em questão nestes autos (n° 07405.22248.230903.1.3.045918) seja desconsiderada, uma vez que o débito declarado já teria sido integralmente pago. Mesmo pedido já constara na manifestação de inconformidade (efl. 13). Contudo a Resolução nº 1201000.564 (efls. 92/100) aqui embargada não se manifestou sobre o referido pedido de desconsideração da Perdcomp n. 07405.22248.230903.1.3.04 5918. Ao contrário, deu seguimento ao processo requerendo diligência para que a Unidade de Origem opine sobre a existência do crédito: Voto por converter o julgamento do recurso em diligência., solicitando o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que emita um relatório sobre as informações e os documentos anexados ao Recurso Voluntário, por fim, opinando pela existência do crédito de Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido (CSLL), Período de Apuração 30/09/2002, oriundo do pagamento a maior, argumentado pelo Recorrente. Adiciono que o Recurso Voluntário informa que o crédito compensado já foi objeto de compensação em outra ocasião (Perdcomp 33531.43153.2309.03.1.3.044053), corroborando o contido no despacho decisório. É o relatório. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. O embargante afirma que houve omissão na decisão embargada (Resolução nº 1201000.564, efls. 92/100), pois não houve manifestação quanto a afirmação do próprio recorrente de que o crédito nestes autos discutidos foram requeridos em outra PERDCOM e que o principal pleito do recorrente era de que se desconsiderasse o débito confessado, ou a própria PERDCOM destes autos. De fato o principal pleito levado à primeira instância era de que não há crédito a ser compensado e nem tampouco o débito informado neste PER/Dcomp, visto que, conforme afirma o contribuinte " o débito do IRPJ do 2o trimestre de 2003 encontrase totalmente pago, conforme quotas informadas na DCTFretificadora relativa ao 3o trimestre de 2003". Tal pleito é reforçado no recurso voluntário, que em seu fechamento afirma a insubsistência do crédito e requer o arquivamento destes autos (efls. 37). Tais pleitos não são apreciados na Resolução embargada, que em contradição ao contido no recurso voluntário determinou diligência para opinando pela existência do crédito de Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido (CSLL), Período de Apuração Fl. 105DF CARF MF Processo nº 13851.900249/200641 Acórdão n.º 1201002.908 S1C2T1 Fl. 104 5 30/09/2002, oriundo do pagamento a maior, argumentado pelo Recorrente. Mas tal crédito estaria sendo discutido em outro processo, segundo o próprio contribuinte. Desta forma acolho os embargos e passo a analisar o pleito do recorrente. Em essência requer o recorrente o cancelamento da PERDCOMP apresentada (n. 07405. 22248.230903.1.3.045918, efls 02/07). Alega ainda que houve cerceamento do direito de defesa por falta de intimação prévia (que possibilitasse "examinar com cautela os valores efetivamente devidos espelhados em sua contabilidades e apuração fiscal") ao despacho decisório. A respeito do pedido de arquivamento da PERDCOMP concluo o pedido para exclusão ou retificação da PER/DCOMP destes ou de outros autos (bem como para a retificação de PERDCOMP já aprecidada pela DRF) incluemse na competência da DRF, e não é matéria do contencioso administrativo. No caso presente, a contribuinte não se insurge contra o despacho decisório e seus fundamentos em virtude de algum vício nele existente. Pelo contrário, limitase a apresentar pedidos de cancelamento da própria PERDCOMP. Entretanto, tal competência foi deferida exclusivamente às DRF, conforme se vê no art. 244 do aludido Regimento Interno da SRF, verbis: Art. 224. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil DRF, Alfândegas da Receita Federal do Brasil ALF e Inspetorias da Receita Federal do Brasil IRF de Classes "Especial A", "Especial B" e "Especial C", quanto aos tributos administrados pela RFB, inclusive os destinados a outras entidades e fundos, compete, no âmbito da respectiva jurisdição, no que couber, desenvolver as atividades de arrecadação, controle e recuperação do crédito tributário, de análise dos dados de arrecadação e acompanhamento dos maiores contribuintes, de atendimento e interação com o cidadão, de comunicação social, de fiscalização, de controle aduaneiro, de tecnologia e segurança da informação, de programação e logística, de gestão de pessoas, de planejamento, avaliação, organização, modernização, e, especificamente: (...) X executar as atividades relacionadas à restituição, compensação, reembolso, ressarcimento, redução e reconhecimento de imunidade e isenção tributária, inclusive as relativas a outras entidades e fundos; Em face do exposto, não tendo sido apontado qualquer vício, nulidade ou erronia de qualquer espécie no despacho decisório, ele deve ser mantido, até mesmo por se mostrar improfícua a única providência solicitada pela contribuinte. A única alegação de nulidade apontada pela recorrente não foi levada a primeira instancia, não podendo aqui ser apreciada de forma originária, conforme prescrito Fl. 106DF CARF MF 6 pelo art. 17 do Decreto 70235/72. Ademais o pedido de cancelamento da PERDCOMP em questão torna sem sentido qualquer pedido de repetição de atos processuais anteriores ao próprio pedido. Nesses termos, voto por conhecer do recurso voluntário, apenas para confirmar o entendimento da decisão de primeira instância de que a correção do débito confessado ou o cancelamento da PERDCOMP em questão não é passível de correção nesta sede de julgamento administrativo. Pelo exposto, voto por acolher os embargos com efeitos infringentes e não conhecer do recurso voluntário. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 107DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001702/2003-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 21 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 1999
IRPF DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA PRESUNÇÃO RELATIVA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS
0 Artigo 42 da Lei n. 9430/96 estabelece presunção relativa que, como tal inverte, o ônus da prova, cabendo ao contribuinte desconstitui-la.
A comprovação da origem dos depósitos deve sei feita pelo contribuinte de Forma individualizada, inclusive quanto a eventuais lucros ou dividendos recebidos.
Hipótese em que a Recorrente não desconstituiu a presunção
Recurso negado
Numero da decisão: 2101-000.853
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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RELATIVA DE: OMISSÃO DE RENDIMFNIOS 0 dingo 42 da Lci rt. 9430/96 estabelece presunção relativa que, como i rivet te, o onus da prova, cabendo ao contribuinte desconstitui-la A comprovação da ori .ii,;ern dos depósitos deve sei feita pelo contribuinte de Forma individualizada, inclusive quanto a eventuais luct.o,s ou dividendos recebidos. Hipótese em que a Recorrente não desconstituiu a presunção Recurso neL,Ïádo Vistos, relatados e discutidos os presentes autos ACORDAM os Membros da Prim.eira Turma Ordinária da Primeira Cámara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de 'Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. C 0 MARCOS CÂNDIDO - Presidente 7------- (7—)(0, ALE. ANDR.1 NÂOK1 NIS' IOKA- Relator FORMALIZADO EM: 1 I FBI 2011 Proco6so u I . E5I 71 001702/2003-81 82-C II 1 Acôrd5o is 23 l-131U353 F1 145 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ana Nevle Olimpio Holanda, Caio Marcos Candid°, Alexandre Naoki Niskioka, José Raimundo Tosta Santos, Odmir Fernandes e Gonçalo Bonet Allage.. Relatório 1.rata-se de teems° voluntário (fls. 127/129) interposto em 02 de abril de 2009 coou i a o acordao de fls, 116/122, do qual a Recorrente teve ciencia em 24 de marco de 2009 (11 124), proferido pela I I urrou da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro 11 (Ft J), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infrayao de lis.. 80/81., lavrado em 16 de setembro de 2003, em decorrência de amissao de rendimentos caracterizada poi depósitos bancarios coin origem nib comprovada, verificada no ano-ealendario de 1998 0 acordao teve a seguinte ementa: "ASSUNIO: IMPOS 10 SORRI -, A RENDA Pl'SSOA FÍS1CA - Period() de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 DITOSI1OS BANCÁRIOS PRESUNCAO DP OMISSÃO Dr RENDimEmos Para os faros geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, a legislação autoriza a presunção de omissão de rendiroentos corn base nos vu tor es depositados em conta para os guars o tirulat, regularinente imO imado, 111.10 comprove, mediante documentação húbJ e idonca, a origem dos recut os nessas operações. ONUS _DA PROVA Se o onus da prova arribuido ao eontribuinre por presunção legal, caberá a ele a pt ova da origem dos depósitos bancários em conta d surd itularidade I ,ançamento oeedente" (11 116) Não se con tom mando, a Recorrente interpôs o recurso de 11s 127/129, anexando, cm primeiro lugar, em atenei:lo r Intima.cao 0' 5084621.2, nova prova documental do depósito efetuado em 23 de dezembro de 1998, no valot dc R$ 13.000,00 (treze mil reais), na conta-corrente 0131893-8, Agência 0548, de sua titularidade, conforme extrato bancatio, valor esse que teria decorrido da retirada de lucros do escritório "ROSA PHT.R.UNGARO ADVOGADOS ASSOCIADOS". Aproveitou o ensejo,, por oportuno, para esclarecer que a U.NI.BANCO SEGUROS S.A. era sua (mica route pagadora à época, explicitando, destarte, a origem do lucro referido, em datas distintas dos vários pagamentos efetuados pela t Jnibanco. Ainda no tocante ao deposito Cm LereTélICia, acosta a Recorrente aos autos, igualmente, (i) ficha cadastral expedida pelo banco UN IBANE.X) S.A., inlorrnando que, em 28/03/2003, a conta-corrente foi migrada para a Ag(:..'ncia 1050 - C/C 0102932-5; (ii) folha de rosto da conta-corrente atual; (iii) copia do lustrumento 'Particular de Constituição de Sociedade Civil de Trabalho, hem como sua respectiva alteraéao. No que tange ao depósito no valor de R$ 13.500,00, cuja emitente foi a Sra. Olneida M.aria Pinto Cavalheiro, alega referir-se á parcela recebida pela venda do apartamento da Reeeltente, mintier() 206, sito a Rua Professor Gabizo, 81, tendo a venda sido declarada Procso n' I 5171 00170NN/03-81 S2-C. I I - 1 Acórdiio n - I I 146 Fazenda tanto pot - esta c01 -110 pela adquirente Alega, ainda, ter a venda sido intermediada por pro -fissional da area, e .junta., ulna. -vez mais, extrato baneario do depósito do aludido cheque emitido e depositado no dia 20 de novembro de 1998 (origem do cheque: BANCO BR ADESCO - Agencia 7060 - 20/11/1998) Por derradeiro, afirma que efetuou o pagamento do valor C111 2003, corn redução de 50%, con forme facultado pela legislação de regência. F". o relatorio Voto Conselheiro ALEX AN D1:1 NAOKI NISHRAA, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Preliminarmente, cumpre tecer breves eselarecimentos acerca do tuna que motivou a. lavratura do auto de infração, qual seja, omissão de rendimentos caracterizada poi - depositos bancarios com origem não comprovada. Como (:s., pacific() na jurisprudência deste Conselho, desde 1997, após a edição da Lei n " 9.430/96, em se verificando depósitos bancar ios SOP origem coMprovada, e ern não havendo o contribuinte logrado êxito em demonstrar sua origem, gravita em prol do rise° presunção relativa Nessc sentido, con forme preceitua o artigo 42 da Lei 9..430/96: "Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição Cinanceira, cm relação aos quais o titular, pessoa tísica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante docrunernaçao habi I e idonea, a ()kern dos recursos utilizados nessas operações. §1'. 0 valor das receitas ou dos rendimentos alui tido sera considerado auferido ou fecebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira §2". Os valores cuja om igem houver sido comprovada, que nao houverem sick) computados na base de calculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão as narinas de tributação especificas, previstas na iegislao, o vigente à época em quo auferidos ou recebidos " Na realidade, instituin o 1:acrid° dispositivo atir.,'nrica presunção legal rei at iva, cujo condão é justamente o de inverter o Onus da prova, atribuindo-o ao contribuinte, que passa a ter o dever de refutá-la. Como ('.; cediço, apresunç'Ao, seja ela hominis ou legal, é meio de prova que prescreve o reconhecimento juridic() de um fato provado de forma indireta Ou seja, provando- se diretamente o fito mdiciármo , tem-se, por conseguinte, a tini ação de um .juizo de probabilidade com relação ao tato presumido que, a partir dc então, necessita ser afastado pelo could bum te Proce.,;w a' 18471 001702/2003-81 82-C11 1 Acói (15o a " - I I 1 , 17 Nesse sentido, a presunção relativa icier ida pelo artigo 42 da Lei a 9 430/96 6 legitima, não fer indo, em nenhum ponto, a legislaçãottibutaria em vigor Note-se, ainda, que a Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de ROCUrSOS (TER), segundo a qual seria insuficiente pact comprovação da omissão de rendimentos simples verificação dc movimentação bancaria, consubstancia juisprud6ncia fiirtinada anteriormente à edição da Lei it 9.430/96, motivo pelo qua! não deve ser aplicada, A 2' Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes, da qual esta 1" Turma Ordinaiia teve origem, pot sua vez, já consolidou entendimento de acordo com o qual, a pai Iii da edição da Lei ii, 9.430/96, 6 válida a presunção em referencia, sendo óritis da Recouente desconstitui-la com a apresentação de provas suficientes para tanto o que se &preemie das seguintes ementas, destacadas dentre as inúmeias existentes sobre o tema: "OMISSÃO DE RENDITVIEN1 OS - LANCAM.EN 10 COM BASE FM DEPÓSITOS BANCÁRIOS - Para os tatos geradoies ocortidos a partir de I" de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n" 9 430, de 1996, aUtei iZa a presunção legal de omissão de rendimentos eeta base em depósitos bancários de otrgon não comprovada pelo sujeito passivo ONUS DA PROVA - Se o Onus da piova, pot presurieão legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da otigcm dos rectusos utilizados pala acobeitat setts depósitos bancarios 1° Conselho de Contribuintes, 2" Caturita, Ream so Voluntriiio n" I5S.817, Relatora Conselheb a Núbia Matos Moura, sessão de 24/04/2005) "JANÇAMENTO COM. BASE I'M DEPÓSITOS BANCÁRIOS PRESUNÇÃO L1 OMISSA0 Dl R.ENDIM EN tOS - Pala os fatos gcladoies ocorridos a partir de 1" de . janei ro de 1997, o art 42 da Lei n' 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissao de rendimentos coin base en) , depósitos banehios de origem não compiovada pelo sujeito passivo 1 AÇÃO PRESUMIDA DO IMPOST() SOBRE A RENDA - O procedimento da autoridade fiscal encontra-se em conformidade com o que preceitua o art 42 da Lei ir 9 430, de 1996, em que se presume como ornissao de rendimentos Os valores creditados em conta de depósito or de investimento, mantidos em instituição rinaneeira, cuja origem dos iecursos utilizados riesta operações, em relação aos quais o titular .pessoa Ilsioa ou jurídica, legularinet intimado, hero comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem do, recursos utilizados rieSSaS operações.. ONUS DA PROVA -Se (.) Cnius da prova, pot pi esuriclio legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados par a .i.cobeitai sells depósitos bancários, que não pode set substituida por meias al egações " (1' Conselho de Contribuintes, 2" Camara, Recurso Voluutario n" 141 207, Relator Conselheiro Romeu Bueno de Camargo, sessão de 27/02/2006) Verifica-se, a partir de uni breve compulsar dos autos, que o presente caso cinge-se a análise de dois depósitos especificos, a saber: (i) no valor de R$ 13 500,00, efetuado cm novembro de 1998 e (ii) no montante de R$ 13.000,00, realizado em dezembro de 1998 4 rrocc_,;80 ri" 1 ( 5 )1 /02/2003-8 1 S24111 AGOR1F10 11 " - No que aline no primeiro valor depositado, alega a Recorrente que seria decorr elite do pagamento de urna das parcelas relativas à venda de imóvel de sua propriedade, acostando, às fls. 09/100, as cópias da microfilmagem do referido titulo de crédito. bin que pese a existência da operação de alienação do bem imóvel à Sra. Olneida Maria Pinto Carvalho, mencionada pela Recorrente, confirmada por escritura -pública lavrada pelo 11" Ofício. faz-se mister frisar que a copia do cheque aeostado aos autos afigura-se absolutamente ilegivel, não 'havendo possibilidade de aferição da veracidade das in formações prestadas pela conbibuinte. Neste mesmo sentido, cumpre verberar, igualmente, que foi C011 ferida nova oportunidade à Recorrente de acostar aos autos copia legível do referido cheque, consoante SC extrai da diligência determinada à It 104, que, consoante se afere dos autos, restou infrutifera, doixando a Recorrente de acostar aos autos prova contundente clue comprovasse a origem dos valores depositados. Alem disso, como restou salientado no bojo do acórdão recorrido, em que pose a apresentação do extrato bancario trazendo a movimentação no valor de R$ 13.500,00, prova essa reapresentada. em sede de recurso voluntário (11. 142), não ha vinculação entre o referido valor a comma e venda do imóvel, uma vez que, analisando a escritura pública de fls. 28/30, tal valor não resta contemplado dentre as formas dc pagamento la aduzidas. Cumpre esclarecer, por -fim, que, não obstante a ausência de juntada oportuna das provas requeridas, poderia a Recorrente ter apresentado copia legível do referido cheque a qualcnier tempo, em atenção ao prineípio da verdade material, que norteia o processo sendo admissivel a inéreia di Recorrente. Nesse esteio, vale bisar que a Recorrente é advogada, conhecedora, destarte, dos meios legais aptos a comprovar suas alegaçoes, e ainda que não o fosse, diante da impossihilidade de compi ovação pela nricrofilmagem do cheque apresentada, podei- ia ter se socorrido de outros meios probatórios, tais como o instrumento particular prévio ou outros recibos.. _Diante desse panorama, não ha elementos probatórios aptos e suficientes a amparar a pretensão da Recorrente quanto ao valor de R$ 13,500,00, haja vista a insuficiência do extrato acostado como documento 01 do recurso voluntar io. No que atine ao segundo depósito efetuado em sua conta-cori ente, no valor de R$ 13 000,00, alega a Recorrente que referido montante seria relativo à percepção de honorários pagos pela Unilxmco AIG Seguros S.A., CNP1 n," 33.166.158/0001-96, a sociedade de advogados da qual a Recorrente fazia parte, cuja comprovação se Inndaria em telas de software colacionadas aos autos, As Os. 110/1 11 No entanto, consoante salientado pela Recorrida, em "consulta aos sistenias deste érgao (Ils. 113 (.t 115) as.severa que a recorrente efetivamente au/crio rendimentos dr) UN1BANCO - UNIAO DE BANCOS BRASILEIROS S/A, CATI 33 700.39-1/0001-40 em montante until° maior que o depósito aqui lia/ado (R$ 13 000,00), porém a título de iendimentos de apticer00 financeira (códigos de retencao 6800 e 8053), ou seja, completamente difi,venciados daquele,s comumente usados para pagamento de honorários" 122). Nesse sentido, pois, verifica-se que a simples alegação, por parte da Recorrente, de quo o valor depositado seria decorrente de retirada de lucros do escritório "Rosa Petrungaro Advogados Associados", não merece prosperar, mesmo porque, consoante se Sala das Sessões-DF, em 2 t de outubr«le 2010 I 1,9 Ali t XANDRl1J AOKT Pioceso 1 4471 001702/2003431 52-Cl Ii Aeord;io " 1-1 149 verifica, a cópia microfilmada do cheque (11. 131) supostamente pago ir Reconente encontra-se Assim, inexistindo, nos autos, a efetiva comprovação, por meio de contratos celebrados entre as partes, ou qualquer outro meio legal habit, de que os iendimentos decon'em do pagamento de tronotarios realizados ao escritório "Rosa Petrungaro Advogados Associados", posteriormente revertidos em favor da .Recorrente por meio da distribuiçao de lucros, uuio merecem guarida as alegações relativas a este tópico especifico. Por derradeiro, no que toca a alegação da Recorrente de (Tire teria pago o valor do auto de infração (R$ 14 023,21) com a redução de 50% da multa, tal COITIO iticaltado por lei, verifica-se que nao ha, nos autos, qualquer prova de que, de fato, relendo valor foi adimplido pela contribuinte . FISe-Se, por oportuno, que, havendo a contribuinte apt escutado iinpugnação e, inclusive, recurso voluotario visando diseutit os termos do auto de infutçao lavi ado, verifica- se nao fazer jus lc:due:do de multa, na forma prevista pela legislação tributaria, razao pel a qual rejeito as alegações da R.econente .F:is os motivos pelos quais voto no sentido de NEGAR prov Mien to ao feCUESO
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Numero do processo: 13768.000105/2009-85
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2005
DASN. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DE PENALIDADE.
Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE AO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA CARF Nº. 49.
A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF n. 49.
Numero da decisão: 1002-000.646
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE AO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA CARF Nº. 49. A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF n. 49. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 76 8. 00 01 05 /2 00 9- 85 Fl. 117DF CARF MF Processo nº 13768.000105/200985 Acórdão n.º 1002000.646 S1C0T2 Fl. 118 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo. Relatório Por bem expressar os fatos ocorridos até o momento processual anterior ao do julgamento da Manifestação de Inconformidade contra a exigência da multa por atraso na entrega da declaração, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/RJ1: Versa o presente processo sobre o auto de infração de fl. 19, cientificado à interessada acima qualificada em 09/03/2009, por meio do qual é exigido da mesma a multa por atraso na entrega da sua Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica DSPJ Simples, do exercício de 2006, anocalendário 2005, no valor de R$ 2.349,05. Inconformada, a interessada apresentou, em 27/03/2009, a impugnação de fls. 01/07, onde argüi a tempestividade e a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, descreve a autuação e alega, em síntese: Que recebeu o comunicado do Ato Declaratório n° 210087 em 03/11/2000 e imediatamente fez a Solicitação de Revisão da Vedação/Exclusão à Opção pelo Simples SRS, mas mesmo assim o sistema não permitiu a transmissão da declaração em tempo e hora. Que, mesmo fora do prazo, apresentou espontaneamente a Declaração, antes de qualquer procedimento fiscal, estando, portanto, diante do instituto da denúncia espontânea albergada pelo art. 138 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional CTN. Transcrevendo acórdãos e expondo sua opinião sobre o assunto, protesta contra a cobrança de multas nas denúncias espontâneas de entrega de Declarações e cumprimento de obrigações acessórias. Encerra pedindo seja determinada a suspensão da cobrança e seus efeitos e que seja julgado procedente o seu pleito, para declarar insubsistente o auto de infração, com as devidas baixas. A DRJ/RJ1 negou provimento à impugnação e o contribuinte apresentou Recurso Voluntário contra a decisão de primeira instância no qual ratificou e reforçou os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. Após uma primeira análise dos autos, este colegiado decidiu baixar o processo em diligência, conforme Resolução n.º 1002000.002, desta 2.ª Turma Extraordinária (efls. 43/47), abaixo reproduzida: Fl. 118DF CARF MF Processo nº 13768.000105/200985 Acórdão n.º 1002000.646 S1C0T2 Fl. 119 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem: a) informe o resultado da análise da SRS apresentada para o finalidade de reinclusão no Simples do anocalendário de 2005; b) informe, de acordo com a legislação vigente à época dos fatos, se a referida SRS teve efeito suspensivo da exigibilidade do crédito tributário discutido nos presentes autos; c) esclareça, por meio de parecer conclusivo, se houve, à época dos fatos, algum óbice na recepção da declaração do Simples nos sistemas de controle da SRF que teria motivado o atraso na entrega da declaração do anocalendário de 2005 nos moldes do relato feito pelo contribuinte; d) forneça, ou intime o contribuinte a apresentar, certidão de objeto e pé ou cópia da sentença judicial com trânsito em julgado dos Embargos à Execução de nºs. 2002.02.01.0412285 e 2005.50.04.0007229, vencido o conselheiro Júlio Lima Souza Martins que negava provimento ao recurso. Em Relatório de Diligência (efls. 103) a Unidade Preparadora prestou os esclarecimentos conforme segue: Este processo foi encaminhado ao SECAT/DRF/VIT/ES para informação quanto aos questionamentos feitos na Resolução do CARF nº1002000.002 em seus itens “a” a “c”, fl. 53. Em análise nos sistemas da RFB, verificamos que o contribuinte foi excluído do SIMPLES FEDERAL, com efeitos a partir de 01/11/2000, e apresentou SRS cuja análise foi concluída em 10/04/2001, em decisão que manteve a exclusão, conforme tela do SIVEX, fl. 101. Em 16/12/2004, o interessado, alegando não ter obtido resposta quanto à sua SRS, protocolou o processo de nº13768.000151/200470 requerendo sua reinclusão a partir da data de 01/11/2000. Tal processo foi extinto pelo Ato Declaratório Executivo DRF/VIT/ES nº15, de 30 de março de 2016, sem análise do mérito, conforme cópia integral juntada aos autos. Durante todo este período, não era possível a entrega das DIPJ no modelo SIMPLES via Receitanet Contribuinte, tendo em vista que estava excluído da modalidade do SIMPLES FEDERAL. Em 23/10/2007, foram entregues as declarações referentes aos anos calendário 2005, 2004 e 2003, via Receitanet Receita, as quais geraram as MAED que estão sendo controladas nos processos nº13768.000105/200985, 13768.000106/200920 e 13768.000107/200974, respectivamente. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 13768.000105/200985 Acórdão n.º 1002000.646 S1C0T2 Fl. 120 4 Feitas estas considerações, encaminhese este processo ao SEORT/DRF/VIT/ES para providências relativas ao item “d” da Resolução CARF. Consta, ainda, do relatório de diligência, Sentença de procedência do pedido com trânsito em julgado relativa aos embargos a execução constante do processo 2005.50.04.0007229, concedendo a antecipação de tutela "para que o Embargado retire o nome da Embargante do CADIM" (efls. 108/111). Atendidas as solicitações constantes da Resolução n.º 1002000.002 (efl. 114), não consta que o Recorrente tenha apresentado contrarrazões, sendo os autos encaminhados a esta relatoria em 01/02/2019 (efls. 115). E o Relatório do necessário. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva Relator Admissibilidade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 23B da Portaria MF nº 343/2015 (Regimento Interno do CARF), com redação dada pela Portaria MF n.º 329/2017. Demais disso, observo que o recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Preliminares O Recorrente alega ausência de resposta de sua petição, a qual consta do processo nº 13768.000151/200470. Baseada nessa alegação, este colegiado decidiu baixar o processo em diligência objetivando verificar possível cerceamento do direito de defesa do Recorrente. Em cumprimento à diligência, constatase que a Unidade de Origem juntou aos autos o processo nº 13768.000151/200470 (efl. 55), no qual o ora Recorrente solicitou a sua manutenção no Simples Federal, afirmando não ter recebido nenhuma resposta acerca da SRS Solicitação de Revisão de Exclusão do Simples perpetrada pelo ADE nº 210.087 com efeitos a partir de 01/11/2000 e alegando que o ADE em referência não explicitou a natureza das pendências junto à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 13768.000105/200985 Acórdão n.º 1002000.646 S1C0T2 Fl. 121 5 Constatase, ainda, que o requerente não obteve resposta de seu pedido, tendo o processo nº 13768.000151/200470 sido arquivado por meio do ADE/DRF/VITÓRIA nº 15/2016, com base no artigo 52 da lei nº 9.784/99 e sob a justificativa de que eventual decisão não teria o condão de produzir quaisquer efeitos tributários. Confirase: Entendo que não assiste razão ao Recorrente. Compulsandose os autos do processo nº 13768.000151/200470 às efls. 58, vejo que o requerimento do contribuinte diz respeito ao direito de apresentação da declaração do Simples Federal do exercício de 2004, conforme excerto seguinte: Entretanto, o auto de infração de efls. 21 referese ao atraso na entrega da declaração do Simples Federal do exercício de 2006, período em que o contribuinte já estava enquadrado no Simples, conforme indica o documento seguinte: Fl. 121DF CARF MF Processo nº 13768.000105/200985 Acórdão n.º 1002000.646 S1C0T2 Fl. 122 6 Assim, em nenhum momento o contribuinte teve seu direito a entrega tempestiva da declaração prejudicado, eis que já estava enquadrado no Simples desde o exercício de 1999. Correta, portanto, a afirmação da Unidade de Origem consignada no ADE/DRF/VITÓRIA nº 15/2016, no sentido de que o objeto da decisão do processo nº 13768.000151/200470 seria inútil ao presente processo, eis que não teria o condão de gerar quaisquer efeitos tributários. Com relação à Sentença de procedência a favor do contribuinte relativa aos embargos a execução constante do processo 2005.50.04.0007229, constato que não possui qualquer relevância para a solução do litígio constante desses autos, porque tem por objeto auto de infração lavrado em 24/10/1998 e não multa por atraso na entrega de declaração (efls 109). Rejeito, portanto as preliminares suscitadas. Mérito Observo, inicialmente, que não há discussão quanto ao atraso na entrega da declaração e ao cálculo do valor da multa exigida, o que torna o fato incontroverso. Os argumentos do Recorrente, a exemplo do que ocorreu em primeira instância, baseiamse no instituto da denúncia espontânea, haja vista ter efetuado a entrega da declaração antes de qualquer procedimento fiscal. Não vejo como acolher o pleito do Recorrente, pois a decisão da DRJ apresenta estreita sintonia com a jurisprudência do CARF. Os indigitados argumentos foram fundamentadamente afastados em primeira instância, conforme consta de trechos do voto condutor do acórdão recorrido, pelo que peço vênia para transcrevêlos e, com base no §1º do art. 50, da Lei nº 9.784/1999 c/c §3º do art. 57 do RICARF, adotálos, desde já, como razões de decidir (grifos do original): Fl. 122DF CARF MF Processo nº 13768.000105/200985 Acórdão n.º 1002000.646 S1C0T2 Fl. 123 7 A interessada protesta que o atraso na entrega de suas Declarações, que motivou a autuação, estaria albergado pelo instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do Código Tributário Nacional CTN, in verbis: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Ocorre que, a multa imposta à interessada, referente ao atraso na entrega de Declarações, não pode ser excluída pelo instituto da denuncia espontânea, uma vez que o próprio art. 7º da Lei n° 10.426, de 24 de abril de 2002, que prevê a imposição da multa, discorre em seu parágrafo 2o que as multas serão reduzidas à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício. Tal dispositivo foi observado no auto de infração e conta com a inaplicabilidade do art. 138 do CTN, uma vez que prevê a imposição da multa, mesmo que reduzida, exatamente no caso da entrega da Declaração após o prazo, espontaneamente, antes de procedimento de oficio. Voltandose ao exame do auto de infração, verificase estar indicado que as apresentações das Declarações ocorreram após o prazo final de entrega e que no demonstrativo do auto de infração, os cálculos das multas indicam ter sido observados os parâmetros dispostos no artigo 7o da Lei n° 10.426/2002, explicitados pelo artigo 7o da IN SRF 255/2002. Logo, tenho o entendimento que é fato incontroverso o atraso no cumprimento da obrigação acessória e que a autuação se deu com observância ao que determina a legislação. É verdade que há julgados administrativos e de tribunais com entendimento diverso. A ciência do Direito suscita controvérsias. Embora tais julgados tenham apenas efeitos entre as partes, vale mencionar a decisão proferida pelo STJ no Resp n 246.963, demonstrando o entendimento de que o art. 138 do Código Tributário Nacional não pode ser invocado para afastar as multas aplicadas por atraso na apresentação das declarações (DIPJ, DCTF, DIRF etc), mesmo que o contribuinte tome a iniciativa de apresentálas antes de receber a respectiva intimação. 'DENÚNCIA ESPONTÂNEA, ENTREGA COM ATRASO DE DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA 1. A entidade denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração do imposto de renda. 2. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas Fl. 123DF CARF MF Processo nº 13768.000105/200985 Acórdão n.º 1002000.646 S1C0T2 Fl. 124 8 pelo art. 138 do CTN. 3. Há de se acolher a incidência do art. 88, da Lei n° 8.981/95, por não entrar em conflito com o art. 138 , do CTN. 4. Recurso provido . Processo: 190388 RE/SP Recurso Especial UF: GO Decisão: Superior Tribunal de Justiça STJ Primeira Turma em 03.12.1998 Publicação: DJ em 22.03.1999 Relator: José Delgado Informações Adicionais: Decisão: Por unanimidade, dar provimento ao recurso. STJ RE/SP 190388 03.12.1998' Apesar de tratar de outro dispositivo legal que prescreve a aplicação de multa regulamentar por falta ou atraso no cumprimento da obrigação acessória de entregar a declaração de rendimentos (pessoa física e jurídica), a decisão não deixa dúvidas que seriada mesma no caso em exame, pois a natureza da infração é idêntica. Neste sentido não discrepa o entendimento do então Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos FiscaisCARF, conforme Acórdão n° 10243711, de 14/04/1999, in verbis: 'ESPONTANEIDADE INAPLICABILIDADE DO ART. 138 DO CTN A entrega da declaração é uma obrigação acessória a ser cumprida anualmente por todos aqueles que se encontrem dentro das condições de obrigatoriedade e, independe da iniciativa do sujeito ativo para seu implemento. A vinculação da exigência da multa à necessidade de procedimento prévio da autoridade administrativa fere o artigo 150 inciso II da Constituição Federal na medida em que, para quem cumpre o prazo e entrega a declaração acessória não se exige intimação, enquanto para quem não a cumpre seria exigida. Se esta fosse a interpretação estaríamos dando tratamento desigual a contribuintes em situação equivalente.' Não há, portanto, nenhum conflito entre o artigo 138 do CTN e a legislação Federal que dispõe sobre a aplicação de multas regulamentares, pois o afastamento das penalidades em função da denúncia espontânea não ocorre quando o fato gerador é o descumprimento de uma conduta meramente formal. Do acima exposto, verificase a higidez do lançamento, eis que teve como lastro o artigo 7º da Lei nº 10.426/2002. Concluise ainda, que a exoneração da multa pelo atraso na entrega de declaração fundada na Denúncia espontânea não se aplica aos casos de multas decorrentes de descumprimento de obrigações acessórias. Isso porque a própria natureza da obrigação acessória representa um viés autônomo do tributo cobrado. Nessa trilha, quando se descumpre a indigitada obrigação, nasce um direito autônomo à cobrança, pois pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal, relativamente à penalidade pecuniária (art. 113, § 3°, do CTN). De arremate, vale dizer que o assunto encontrase sumulado no enunciado 49 do CARF: Fl. 124DF CARF MF Processo nº 13768.000105/200985 Acórdão n.º 1002000.646 S1C0T2 Fl. 125 9 Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Dispositivo Com tudo o que foi exposto nos tópicos anteriores, resta claro que os argumentos esposados pela Recorrente não merecem acolhimento. Portanto, VOTO pelo NÃO PROVIMENTO do Recurso Voluntário, com a consequente manutenção da decisão de origem. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 125DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10845.000938/2003-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1998
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTAR. NECESSIDADE DE INTIMAÇÃO DE CO-TITULAR. SÚMULA CARF Nº 29.
Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CARÁCTER INQUISITÓRIO DO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO.
O procedimento de constituição do crédito tributário pode ser inquisitório e se destina tão somente a formalização da exigência fiscal. No entanto, é assegurado ao contribuinte o contraditório e a ampla defesa na sua impugnação ao lançamento e no processo contencioso administrativo que resulta dessa resistência.
FATO GERADOR ANUAL. APURAÇÃO MENSAL. SIMPLES METODOLOGIA. RENDIMENTOS PRESUMIVELMENTE AUFERIDOS POR DEPÓSITOS SEM ORIGEM COMPROVADA. FATO GERADOR MENSAL. ALÍQUOTA. VENCIMENTO. FIXAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
O artigo 83, inciso I, do RIR/1999 fixou uma regra geral, no sentido de que todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário compõem a base de cálculo do imposto devido no Ano-calendário, exceto os rendimentos isentos, os não tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva. Como os rendimentos presumivelmente auferidos por depósitos bancários sem origem comprovada não se situam entre as exceções acima apontadas, trata-se de rendimentos sujeitos à apuração anual do IRPF. O parágrafo 1° e 40 do artigo 42 da Lei n° 9.430/1996 visam apenas detalhar a metodologia utilizada, de modo a facilitar o direito de defesa do sujeito passivo, sem mexer na periodicidade do IRPF. O fato gerador é anual, mas algumas apurações devem ser feitas de forma mensal, como também é o caso do Carnê-leão e do acréscimo patrimonial a descoberto. Trata-se de simples metodologia que não implica na periodicidade mensal do IRPF. Na apuração mensal, foi escolhido o período de um mês por ser, ao mesmo tempo, suficiente e significativo, para a metodologia de cálculo da omissão de receitas, devendo, ao final, somá-las, para a correspondente tributação da base de cálculo anual
PRESUNÇÃO JURIS TANTUM. INVERSÃO O ÔNUS DA PROVA. FATO INDICIÁRIO. FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO.
A presunção legal juris tantum inverte o ônus da prova. Nesse caso, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado (fato indiciário) corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimentos (fato jurídico tributário.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA.
A realização de diligência não se presta à produção de provas que o sujeito passivo tinha o dever de trazer à colação junto com a impugnação.
Numero da decisão: 2202-005.010
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento os valores associados aos depósitos bancários realizados na conta conjunta nº 92.00780-4, Agência nº 0318, mantida no Banco Banespa S/A - Banco do Estado de São Paulo.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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CONTA CONJUNTAR. NECESSIDADE DE INTIMAÇÃO DE COTITULAR. SÚMULA CARF Nº 29. Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CARÁCTER INQUISITÓRIO DO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. O procedimento de constituição do crédito tributário pode ser inquisitório e se destina tão somente a formalização da exigência fiscal. No entanto, é assegurado ao contribuinte o contraditório e a ampla defesa na sua impugnação ao lançamento e no processo contencioso administrativo que resulta dessa resistência. FATO GERADOR ANUAL. APURAÇÃO MENSAL. SIMPLES METODOLOGIA. RENDIMENTOS PRESUMIVELMENTE AUFERIDOS POR DEPÓSITOS SEM ORIGEM COMPROVADA. FATO GERADOR MENSAL. ALÍQUOTA. VENCIMENTO. FIXAÇÃO. INOCORRÊNCIA. O artigo 83, inciso I, do RIR/1999 fixou uma regra geral, no sentido de que todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário compõem a base de cálculo do imposto devido no Anocalendário, exceto os rendimentos isentos, os não tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva. Como os rendimentos presumivelmente auferidos por depósitos bancários sem origem comprovada não se situam entre as exceções acima apontadas, tratase de rendimentos sujeitos à apuração anual do IRPF. O parágrafo 1° e 40 do artigo 42 da Lei n° 9.430/1996 visam apenas detalhar a metodologia utilizada, de modo a facilitar o direito de defesa do sujeito passivo, sem mexer na periodicidade do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 00 09 38 /2 00 3- 01 Fl. 538DF CARF MF Processo nº 10845.000938/200301 Acórdão n.º 2202005.010 S2C2T2 Fl. 539 2 IRPF. O fato gerador é anual, mas algumas apurações devem ser feitas de forma mensal, como também é o caso do Carnêleão e do acréscimo patrimonial a descoberto. Tratase de simples metodologia que não implica na periodicidade mensal do IRPF. Na apuração mensal, foi escolhido o período de um mês por ser, ao mesmo tempo, suficiente e significativo, para a metodologia de cálculo da omissão de receitas, devendo, ao final, somálas, para a correspondente tributação da base de cálculo anual PRESUNÇÃO JURIS TANTUM. INVERSÃO O ÔNUS DA PROVA. FATO INDICIÁRIO. FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO. A presunção legal juris tantum inverte o ônus da prova. Nesse caso, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado (fato indiciário) corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimentos (fato jurídico tributário. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelamse insuficientes para comprovar os fatos alegados. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. A realização de diligência não se presta à produção de provas que o sujeito passivo tinha o dever de trazer à colação junto com a impugnação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento os valores associados aos depósitos bancários realizados na conta conjunta nº 92.007804, Agência nº 0318, mantida no Banco Banespa S/A Banco do Estado de São Paulo. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Fl. 539DF CARF MF Processo nº 10845.000938/200301 Acórdão n.º 2202005.010 S2C2T2 Fl. 540 3 Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10845.000938/200301, em face do acórdão nº 340200.021, julgado pela 1 ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (DRJ/BEL), em sessão realizada em 04 de março de 2009, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar procedente em parte o lançamento. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Resolução do Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa que assim os relatou: “Contra o contribuinte ROLF FRITZ HANS ROSCHKE foi lavrado Auto de Infração relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (fls. 4 a 9), exercício 1998 (anocalendário 1997), por meio do qual lhe é exigido crédito tributário no montante de R$872.652,88, dos quais R$322.726,66 correspondem a imposto, R$242.044,99 a multa de ofício de 75%, e R$307.881,23 a juros de mora, calculados até 31/03/2003. O lançamento foi referente à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada em conta mantida junto ao Banespa Banco do Estado de São Paulo S/A e Banco Bradesco S/A, em um total de R$1.295.348,66. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação, alegando, resumidamente, o seguinte: Preliminares: Cerceamento do direito de defesa, caracterizada pela não concessão de prazo suficiente para um minucioso e completo levantamento dos documentos para comprovar a origem dos recursos que dão suporte à sua movimentação financeira; decadência do lançamento, nos termos dos art. 150, § 4°, do CTN, como nos termos do art. 173, I, da mesma norma, pois a ciência ocorreu em 07/04/2003, tendo decorridos mais de cinco anos desde a ocorrência dos fatos geradores. Mérito: A tributação de supostos recursos sem origem comprovada deve ser feita na medida em que os rendimentos forem percebidos, mensalmente, sendo ilegal a tributação anual dos recursos de origem não comprovada; a simples existência de depósitos nas suas contascorrentes não significa, necessariamente, a aquisição de renda ou qualquer outro tipo de provento; os cheques depositados na contacorrente do contribuinte, mas que foram devolvidos, devem ser excluídos do levantamento fiscal, pois não caracterizam ingresso de recurso; depósitos de recursos financeiros de aplicações financeiras e/ou contascorrentes do mesmo titular, não configuram ingresso de recursos; Fl. 540DF CARF MF Processo nº 10845.000938/200301 Acórdão n.º 2202005.010 S2C2T2 Fl. 541 4 com relação a movimentação no Banco Bradesco: a) o valor de R$ 235.964,43, depositado no mês de janeiro/97, referese a recurso oriundo de aplicação financeira realizada no referido Banco, resgatado no final do ano de 1996; b) os valores de R$ 10.000,00 e R$ 20,00, depositados em fevereiro/97, referemse a recursos do próprio titular, mantidos em aplicação junto ao Banespa; c) o valor de R$ 60.120,00, depositado em fev/97, referese a recursos do próprio titular, mantidos junto ao Banespa; d) o valor de R$ 2.350,00, referese à devolução de um mútuo realizado com pessoa física; e) o valor de R$ 150.101,20 se refere aos recebimentos por conta de lotes do Balneário Jardim Europa, conforme se pode comprovar através de baixa procedida em sua declaração do Imposto de Renda; f) o valor de R$ 200,00, de titularidade do próprio defendente, foi depositado com vistas a saldar compromissos relativos a CPMF; relação aos depósitos junto ao BANESPA, não houve tempo suficiente par identificalos individualmente. No entanto, boa parte se refere a recursos do próprio defendente mantidos em outras instituições financeiras; como proprietário do Loteamento Balneário Jardim Europa, é responsável pela manutenção, mas é ressarcido, proporcionalmente, por cada um dos proprietários do lotes, o que justifica um número bastante expressivo de depósitos de pequenos valores nas contascorrente do BANESPA; tem como atividade o assessoramento e aconselhamento financeiro a empresas de pequeno e médio porte, que resulta em recebimento de taxas de administração, caracterizada pela diferença entre o montante de recursos colocados à disposição dessas empresas e a devoluções efetuadas pelas mesmas, normalmente com cheques de terceiros; Ao final, requer que o auto de infração seja julgado improcedente ou, no mínimo, que seja convertido em diligência para que as imperfeições apontadas sejam corrigidas pelo AuditorFiscal. A Primeira Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém (PA) DRJ/ BEL julgou parcialmente procedente a impugnação, cujo Acórdão nº 019.122 (fls. 341 a 360) foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1998 Ementa:DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. Fl. 541DF CARF MF Processo nº 10845.000938/200301 Acórdão n.º 2202005.010 S2C2T2 Fl. 542 5 São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa, na forma do artigo 100, II, do Código Tributário Nacional. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. ENTENDIMENTO DOMINANTE DOS TRIBUNAIS SUPERIORES. VINCULAÇÃO DA ADMINISTRATIVA. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais, quando comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judicial. A autoridade julgadora administrativa não se encontra vinculada ao entendimento dos Tribunais Superiores pois não faz parte da legislação tributária de que fala o artigo 96 do Código Tributário Nacional, salvo quando tenha gerado uma súmula vinculante, nos termos da Emenda Constitucional n.º 45, DOU de 31/12/2004. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CARÁCTER INQUISITÓRIO DO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. O procedimento de constituição do crédito tributário pode ser inquisitório e se destina tão somente a formalização da exigência fiscal. No entanto, é assegurado ao contribuinte o contraditório e a ampla defesa na sua impugnação ao lançamento e no processo contencioso administrativo que resulta dessa resistência. DECADÊNCIA. IRPF SUJEITO A AJUSTE ANUAL. FATO GERADOR ANUAL. O IRPF continua com fato gerador anual, devendo, todavia as parcelas da base de cálculo sofrer apuração mensal. Nos rendimentos sujeitos ao ajuste anual, quando o contribuinte antecipa o pagamento, ainda que parcialmente, o termo inicial da contagem do prazo decadencial é a data de ocorrência do fato gerador nos termos do art. 150, § 4° do CTN. Na hipótese de não haver antecipação de pagamento ou apresentação da declaração, iniciase a contagem do prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, inciso I, do CTN. FATO GERADOR ANUAL. APURAÇÃO MENSAL. SIMPLES METODOLOGIA. RENDIMENTOS PRESUMIVELMENTE AUFERIDOS POR DEPÓSITOS SEM ORIGEM COMPROVADA. FATO GERADOR MENSAL. ALÍQUOTA. VENCIMENTO. FIXAÇÃO. INOCORRÊNCIA. O artigo 83, inciso I, do RIR/1999 fixou uma regra geral, no sentido de que todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário compõem a base de cálculo do imposto devido no Anocalendário, exceto os rendimentos isentos, os não tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos tributação definitiva. Como os rendimentos presumivelmente auferidos por depósitos bancários sem origem comprovada não Fl. 542DF CARF MF Processo nº 10845.000938/200301 Acórdão n.º 2202005.010 S2C2T2 Fl. 543 6 se situam entre as exceções acima apontadas, tratase de rendimentos sujeitos A. apuração anual do IRPF. O parágrafo 1° e 4° do artigo 42 da Lei n° 9.430/1996 visam apenas detalhar a metodologia utilizada, de modo a facilitar o direito de defesa do sujeito passivo, sem mexer na periodicidade do IRPF. O fato gerador é anual, mas algumas apurações devem ser feitas de forma mensal, como também é o caso do Carnêleão e do acréscimo patrimonial a descoberto. Tratase de simples metodologia que não implica na periodicidade mensal do IRPF. Na apuração mensal, foi escolhido o período de um mês por ser, ao mesmo tempo, suficiente e significativo, para a metodologia de cálculo da omissão de receitas, devendo, ao final, somalas, para a correspondente tributação da base de cálculo anual. PRESUNÇÃO JURIS TANTUM. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. FATO INDICIÁRIO. FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO. A presunção legal juris tantum inverte o ônus da prova. Nesse caso, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado (fato indiciário) corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimentos (fato jurídico tributário), nos termos do art. 334, IV, do Código de Processo Civil. Cabe ao contribuinte provar que o fato presumido não existiu na situação concreta. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CHEQUES DEVOLVIDOS. Os depósitos em cheques, devolvidos ao correntista, não podem ser considerados um efetivo crédito de valores para os efeitos da omissão de receita presumida de que trata o art. 42 da Lei n° 9.430/96, pois não há de fato o ingresso recurso na conta. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRANSFERÊNCIA ENTRE CONTAS DO MESMO TITULAR. Os depósitos decorrentes de transferências entre contas correntes de mesma titularidade não devem ser considerados na determinação da receita omitida de que trata o art. 42 da Lei no 9.430/96, por vedação expressa no inciso I do § 3° do mesmo artigo. DILIGÊNCIA – A realização de diligência não se presta à produção de provas que o sujeito passivo tinha o dever de trazer à colação junto com a peça impugnatória. Lançamento Procedente em Parte A decisão da DRJ excluiu a tributação sobre os cheques devolvidos e as transferências entre contas. O contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 27/09/2007, conforme Aviso de Recebimento (A.R.) à fl. 365, tendo interposto recurso voluntário em 19/10/2007 (fls. 366 a 407), por meio de procurador legalmente habilitado, no qual reitera as alegações da impugnação. Em sessão realizada em 4 de março de 2009, a Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento Fl. 543DF CARF MF Processo nº 10845.000938/200301 Acórdão n.º 2202005.010 S2C2T2 Fl. 544 7 do CARF deu provimento ao recurso voluntário (fls. 419 a 425), cuja decisão foi assim ementada. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1998 DEPÓSITO BANCÁRIO DECADÊNCIA Nos Casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. O fato gerador do IRPF, tratandose de rendimentos sujeitos ao ajuste anual, se perfaz em 31 de dezembro de cada anocalendário. Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito tributário é atingido pela decadência após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4° do CTN). Recurso provido. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial em 19/01/2010, o qual foi provido pela Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em decisão consubstanciada no Acórdão nº 9202002.916 (fls. 449 a 457), cuja ementa foi assim redigida. IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1998 DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 173, I, DO CTN. O art. 62ª do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com que a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações. No presente caso, não houve pagamento antecipado na forma de imposto de renda retido na fonte, carnêleão, imposto complementar, imposto pago no exterior ou recolhimento de saldo do imposto apurado, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 173, inciso I, do CTN, que fixa o marco inicial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Como o fato gerador do imposto de renda se completa no último instante do dia 31 de dezembro de um anocalendário, o lançamento de ofício somente pode ocorrer no instante seguinte, ou seja, no início do primeiro dia do anocalendário seguinte, e o termo inicial da contagem do prazo decadencial é o primeiro Fl. 544DF CARF MF Processo nº 10845.000938/200301 Acórdão n.º 2202005.010 S2C2T2 Fl. 545 8 dia do segundo anocalendário a partir da ocorrência do fato gerador No caso, como o lançamento se refere ao anocalendário de 1997, diante da ausência de antecipação de pagamento, o prazo decadencial se iniciou em 01/01/1999 e terminou em 31/12/2003. Como a ciência do lançamento se deu em 07/04/2003, o crédito tributário não havia sido fulminado pela decadência. Recurso especial provido. Assim, o processo retornou a essa Turma, para apreciação das demais questões do recurso. É o relatório.” A DRJ de origem entendeu pela procedência em parte do lançamento realizado, mantendo, assim parcialmente o débito tributário. O contribuinte apresentou recurso voluntário às fls. 366/406. Em decisão de n.º 340200.021, da sessão de 04 de março de 2009, este colegiado entendeu por reconhecer a decadência, conforme alegação do contribuinte. Diante da decisão, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial, requerendo que fosse afastada a decadência do lançamento para o IRPF referente ao fato gerador ocorrido em 31/12/1997. O Conselho Superior de Recursos Fiscais em sessão de 05 de novembro de 2013, Acórdão n.º 9202002.916, julgou procedente o Recurso Especial apresentado pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, no sentido de afastar a decadência do direito de lançamento do tributo relativo ao anocalendário de 1997. Com a chegada novamente dos autos ao CARF, houve a prolação da Resolução de n.º 2202000.615, em 08 de dezembro de 2015, para que o julgamento fosse convertido em diligência, de modo que a unidade de origem prestasse as seguintes informações: 1) Informe as contascorrentes que são conjuntas; 2) anexe ao processo a prova de que os cotitulares das contas conjuntas foram regularmente intimados a comprovar a origem dos recursos objeto da autuação; 3) elabore uma planilha com os totais mensais dos depósitos/créditos, os quais foram objeto deste lançamento, referentes às contas conjuntas em que porventura não tenha ocorrido a regular intimação dos cotitulares; 4) dê vista ao Recorrente, com prazo de 30 (trinta) dias para, querendo, se pronunciar. A Delegacia da Receita Federal em Santos, com a determinação da Resolução optou por realizar Termo de Intimação Fiscal da cotitular da conta bancária do contribuinte no Banco Banespa – Bando do Estado de São Paulo S/A (fls. 472/474), Adélia José da Cruz. Ainda, juntou aos autos tabela com intuito de demonstrar as movimentações financeiras que seriam incompatíveis com os rendimentos declarados. Fl. 545DF CARF MF Processo nº 10845.000938/200301 Acórdão n.º 2202005.010 S2C2T2 Fl. 546 9 A cotitular recebeu AR de intimação em 01/11/2017, conforme fl.486. Em 20/11/2017, a cotitular apresentou petição (fls. 488/492) informando que era apenas secretária do contribuinte, tendo apenas a função burocrática de assinatura de cheques, dentro outros. Assim, alegou que por não ter tido participação solidária nos negócios do contribuinte (este já falecido), não poderia atender as exigências do termo de intimação, qual seja, apresentar documentação sobre a conta bancária (fls. 494/495). A Receita Federal, assim, em fls. 497/505 apresenta o resultado da diligência. Ainda, em fl. 519 traz a declaração de óbito do contribuinte em que a cotitular assina como declarante. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 1. Preliminar. Cerceamento de defesa. O contribuinte alega cerceamento do direito de defesa, caracterizada pela não concessão de prazo suficiente para um completo e minucioso levantamento dos documentos necessários para comprovar a origem dos recursos de sua movimentação financeira; Dos autos, extraise que o contribuinte tomou ciência do Termo de Início de Fiscalização (fl. 109), em 04/04/2002, quando foi intimado pela primeira vez a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos movimentados na contas bancárias existentes nas seguintes instituições financeiras: Banco do Brasil, Banco Bradesco, Banco do Estado de São Paulo BANESPA e HSBC Bank Brasil S/A — Banco Mútliplo. O Auto de Infração foi lavrado em 02/04/2003, cuja ciência foi dada em 04/04/2003. Portanto, entre a primeira intimação do contribuinte para comprovar a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias e a ciência do Auto de Infração, decorreram exatos um ano. Com efeito, descabido a alegação do contribuinte de que a fiscalização não concedeu prazo suficiente para a comprovação da origem dos recursos de sua movimentação financeira. Além do mais, cumpre lembrar que o procedimento de constituição do crédito tributário pode ser inquisitório e se destina tão somente a formalização da exigência fiscal. No entanto, é assegurado ao contribuinte o contraditório e a ampla defesa na sua impugnação ao lançamento e no processo contencioso administrativo que resulta dessa resistência. Fl. 546DF CARF MF Processo nº 10845.000938/200301 Acórdão n.º 2202005.010 S2C2T2 Fl. 547 10 O contribuinte, durante o procedimento fiscal, teve prazo bastante satisfatório para apresentar a origem dos depósitos bancários. Teve ainda a oportunidade de exercer o contraditório e a ampla defesa no prazo de impugnação ao lançamento (30 dias), quando poderia apresentar suas justificativas para os depósitos bancários, mediante documentação hábil e idônea. Portanto, afastamse as argumentações de cerceamento do direito de defesa suscitadas pelo defendente. 2. Mérito 2.1 Do período de apuração do IRPF Alega o contribuinte que o IRPF deve ser apurado mensalmente, a medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, não se admitindo que eventual apuração de acréscimo patrimonial a descoberto seja efetuado anualmente, por absoluta falta de previsão legal. Da mesma forma, a tributação de supostos recursos sem origem comprovada, também deve ser feita na medida em que os rendimentos forem percebidos, sendo ilegal a tributação anual dos recursos de origem não comprovada. Não procede a alegação. O fato gerador do IRPF continua anual, com as exceções do imposto cobrado de forma definitiva (IRPF exclusivamente na fonte) e do imposto de renda retido na fonte. Ao contrário do que argumentou o contribuinte, o artigo 2°, § 2°, do RIR/1999 caminha em sentido oposto, in verbis: Art. 2° [...] [...] § 2° O imposto será devido à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, sem prejuízo do ajuste estabelecido no art. 85 (Lei nº 8.134, de 27 de dezembro de 1990, art. 2º). [...] Art. 85. Sem prejuízo do disposto no § 2° do art. 2°, a pessoa física deverá apurar o saldo em Reais do imposto a pagar ou o valor a ser restituído, relativamente aos rendimentos percebidos no anocalendário (Lei n°9.250, de 1995, art. 7º) (destacouse) Pela regra acima assinalada, verificase que a apuração desse imposto sempre depende do ajuste anual de que trata o artigo 85 do RIR/1999, salvo exceções. A regra estabelecida pelo artigo 2°, § 2°, do RIR/1999 e pelo artigo 42, §§ 1° e 4°, da Lei n° 9.430/1996 visam apenas detalhar a metodologia utilizada, de modo a facilitar o direito de defesa do sujeito passivo, sem mexer na periodicidade do IRPF. No caso dos autos, o fato gerador ocorreu apenas no final daquele ano calendário, em 31/12/1997. Pelas razões colocadas, descabidas as razões do contribuinte. Fl. 547DF CARF MF Processo nº 10845.000938/200301 Acórdão n.º 2202005.010 S2C2T2 Fl. 548 11 2.2 Depósitos bancários. Presunção. A exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção em favor do Fisco, que fica dispensado de provar o fato que originou a omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte elidir a imputação, comprovando a origem dos recursos. Estabelece o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 que: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: 1 os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). § 4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar individualizadamente a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase, portanto, de ônus exclusivo da contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. 2.3 Omissão de rendimentos. Dos depósitos judiciais. Os documentos anexados aos autos não são suficientes para provar de maneira inequívoca os valores que circularam em conta bancária da contribuinte já foram tributados, a exceção dos já excluídos do lançamento pela DRJ. Assim, persistiu sem Fl. 548DF CARF MF Processo nº 10845.000938/200301 Acórdão n.º 2202005.010 S2C2T2 Fl. 549 12 comprovação de origem os seguintes depósitos, os quais o contribuinte faz as seguintes alegações em sua defesa, com relação aos depósitos na sua conta corrente junto ao Banco Bradesco: i. O valor de R$ 235.964,43, depositado no mês de janeiro/97, refere o contribuinte que o recurso é oriundo de aplicação financeira realizada no referido Banco, resgatado no final do ano de 1996; ii. Os valores de R$ 10.000,00 e R$ 20,00, depositados em fevereiro/97, sustenta o recorrente que seriam recursos do próprio titular, mantidos em aplicação junto ao Banespa; iii. O valor de R$ 60.120,00, depositado em fev/97, onde alega que se tratam de recursos do próprio titular, mantidos junto ao Banespa; iv. O valor de R$ 2.350,00, o qual seria, conforme alegado, devolução de um mútuo realizado com pessoa física; v. O valor de R$ 150.101,20 seria, no entender do contribuinte, recebimentos por conta de lotes do Balneário Jardim Europa, conforme se pode comprovar através de baixa procedida em sua declaração do Imposto de Renda; vi. Por fim, o valor de R$ 200,00, o qual seria de titularidade do próprio recorrente, o qual foi depositado com vistas a saldar compromissos relativos a CPMF. Ocorre que se faz necessário comprovar individualizadamente depósito por depósito, demonstrando a origem do recurso, de modo a comprovar, se for o caso, que os valores que ingressaram na conta do contribuinte possuem origem. E que a origem já foi tributada ou que, por alguma fundamentação, seria rendimento isento, não tributável ou sujeito a alguma tributação específica. O contribuinte sustenta ainda que não houve tempo suficiente par identificar individualmente os depósitos junto ao BANESPA. A tese não merece prosperar. Já se comentou alhures, que entre o início do procedimento fiscal e a ciência do Auto de Infração decorreu exato 1 (um) ano. Além disso, o contribuinte teve ainda o prazo de 30 (trinta) dias para apresentar sua impugnação ao lançamento. Com efeito, o contribuinte teve prazo suficiente para identificar os depósitos que deram origem ao lançamento. Por fim, o contribuinte alega que como proprietário do Loteamento Balneário Jardim Europa, é responsável pela manutenção, mas é ressarcido, proporcionalmente, por cada um dos proprietários dos lotes, o que justificaria um número bastante expressivo de depósitos de pequenos valores nas contascorrente do BANESPA. Teria como atividade o assessoramento e aconselhamento financeiro às empresas de pequeno e médio porte, que resulta em recebimento de taxas de administração, caracterizada pela diferença entre o montante de recursos colocados à disposição dessas empresas e a devoluções efetuadas pelas mesmas, normalmente com cheques de terceiros. Mais uma vez o contribuinte alega e não comprova. Pelo que, não prosperam as alegações do parágrafo anterior. Fl. 549DF CARF MF Processo nº 10845.000938/200301 Acórdão n.º 2202005.010 S2C2T2 Fl. 550 13 Analisando as alegações supra e a documentação trazida aos autos, temse que o contribuinte não apresentou documentação idônea que comprovasse essas referidas alegações. Alegar e não comprovar é o mesmo que não alegar, principalmente quando o ônus da provar recai sobre aquele que alega. No caso, cabe ao contribuinte afastar a presunção de omissão de receitas, mediante apresentação de documentos hábeis e idôneos que comprovem a origem dos créditos em suas contas bancárias. Assim, não sendo provado o fato constitutivo do direito alegado pelo contribuinte, com fundamento no artigo 373 do CPC/2015 e artigo 36 da Lei n° 9.784/99, devese manter sem reparos o acórdão recorrido. Ocorre que temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, do contribuinte ora recorrente. Neste sentido, prevê a Lei n° 9.784/99 em seu art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. Portanto, não comprovada a origem dos depósitos bancários, mantémse o lançamento. 2.4 Da conta conjunta. Conforme relatado, houve já neste processo a prolação da Resolução nº 2202 000.615, em 08 de dezembro de 2015, para que o julgamento fosse convertido em diligência, de modo que a unidade de origem prestasse as seguintes informações: 1) Informe as contascorrentes que são conjuntas; 2) anexe ao processo a prova de que os cotitulares das contas conjuntas foram regularmente intimados a comprovar a origem dos recursos objeto da autuação; 3) elabore uma planilha com os totais mensais dos depósitos/créditos, os quais foram objeto deste lançamento, referentes às contas conjuntas em que porventura não tenha ocorrido a regular intimação dos cotitulares; 4) dê vista ao Recorrente, com prazo de 30 (trinta) dias para, querendo, se pronunciar. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santos, com a determinação da Resolução, entendeu por realizar Termo de Intimação Fiscal da cotitular da conta bancária do contribuinte no Banco Banespa – Bando do Estado de São Paulo S/A (fls. 472/474), Adélia José da Cruz. Ainda, juntou aos autos tabela com intuito de demonstrar as movimentações financeiras que seriam incompatíveis com os rendimentos declarados. A cotitular recebeu AR de intimação em 01/11/2017, conforme fl. 486. Em 20/11/2017, a cotitular apresentou petição (fls. 488/492) informando que era apenas secretária do contribuinte, tendo apenas a função burocrática de assinatura de cheques, dentro outros. Assim, alegou que por não ter tido participação solidária nos negócios do contribuinte (este já Fl. 550DF CARF MF Processo nº 10845.000938/200301 Acórdão n.º 2202005.010 S2C2T2 Fl. 551 14 falecido), não poderia atender as exigências do termo de intimação, qual seja, apresentar documentação sobre a conta bancária (fls. 494/495). Portanto, conforme verificado, a cotitular não foi intimada previamente ao lançamento, sendo somente intimada após a Resolução nº 2202000.615, onde foi determinado que a Unidade preparadora juntasse ao processo a prova de que a cotitular teria sido intimada. Como não havia esta prova, esta foi providenciada, porém a destempo. A Súmula CARF nº 29 dispõe que todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. A fl. 502 (resultado da diligência fiscal), há a seguinte informação: “A conta corrente bancária no BANESPA S/A – BANCO DO ESTADO DE SÃO PAULO: Agência – 0318 – Cananeia, conta corrente: 92.007804. É a única conta corrente bancaria, na qual foram apuradas as movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada na Declaração de Ajuste Anual de 1998, anocalendário 1997, que constam os dois correntistas ROLF FRITZ HANS ROSCHKE e ADÉLIA JOSÉ DA CRUZ, portanto conta conjunta.” Diante disso, devem ser afastados do lançamento os depósitos judiciais da conta bancária no BANESPA S/A – BANCO DO ESTADO DE SÃO PAULO: Agência – 0318 – Cananeia, conta corrente nº92.007804. 2.5 Do pedido de diligência. O contribuinte pede o processo baixe em diligência para que as imperfeições apontadas sejam corrigidas pelo AuditorFiscal. Com efeito, denegase o pedido de diligência, pois esta não se presta à produção de provas que o sujeito passivo tinha o dever de trazer aos autos junto com a peça impugnatória. Apesar de ser facultado ao sujeito passivo o direito de pleitear a realização de diligências e perícias, em conformidade com o artigo 16, inciso IV do Decreto n° 70.235, de 1972, com redação dada pelo artigo 10 da Lei n° 8.748, de 1993, compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo ser indeferidas as que considerar prescindíveis ou impraticáveis (art. 18, caput , do Decreto n° 70.235, de 1972, com redação dada pelo art. 10 da Lei n° 8.748, de 1993). Conclusão. Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento os valores associados aos depósitos bancários realizados na conta conjunta nº 92.007804, Agência nº 0318, mantida no Banco Banespa S/A Banco do Estado de São Paulo. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 551DF CARF MF Processo nº 10845.000938/200301 Acórdão n.º 2202005.010 S2C2T2 Fl. 552 15 Fl. 552DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.909226/2012-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 24 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.934
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, que foi julgada improcedente, nos termos da ementa abaixo transcrita: (...) APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 09 22 6/ 20 12 -2 4 Fl. 341DF CARF MF Processo nº 13896.909226/201224 Resolução nº 3402001.934 S3C4T2 Fl. 3 2 débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, bem como cópias de livros contábeis, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Tendo em vista a aludida decisão, o contribuinte interpôs o recurso voluntário, acompanhado de documentos fiscais, oportunidade em que reiterou a alegação de retificação da sua DCTF original e que os documentos acostados com o recurso fariam prova da correição do quantum vindicado a título de crédito. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.925, de 24 de abril de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 13896.908078/201221. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela resolução (Resolução nº 3402001.925): "5. Primeiramente, insta destacar que o despacho denegatório da compensação perpetrada (fl. 87) pautouse pelo fato do crédito utilizado pelo contribuinte ter sido supostamente utilizado para saldar outro débito apontado pelo próprio recorrente em DCTF. 6. Ciente deste despacho, o contribuinte retificou a DCTF sobredita, acostando documentos fiscais com sua manifestação de inconformidade e informando em suas razões que o débito para o qual o crédito foi originalmente utilizado era inexistente. 7. O acórdão recorrido, por seu turno, entendeu que o contribuinte não fez prova suficiente do seu direito, uma vez que a simples retificação da Fl. 342DF CARF MF Processo nº 13896.909226/201224 Resolução nº 3402001.934 S3C4T2 Fl. 4 3 DCTF não seria suficiente para atestar seu direito, a qual deveria ser acompanhada dos documentos fiscais aptos a demonstrar a devida apuração do pretenso crédito. 8. Assim, em sede de recurso voluntário, o contribuinte trouxe aos autos cópia de farta documentação fiscal (fls. 126/357) que comprovaria a correição do quantum vindicado a título de crédito. 9. Embora não se olvide do disposto no art. 16, §4o do Decreto n. 70.235/72, também não é demais frisar que no processo administrativo fiscal vige o princípio da verdade material1 que, por sua vez, reforça a existência de outro princípio que ganhou novo fôlego com o advento do CPC/2015: o princípio da primazia da decisão de mérito, que visa prestigiar a decisão que resolva definitivamente a lide posta para julgamento. 10. Assim, no presente caso, parecenos que a simples chancela da tecnicamente adequada decisão da DRJ de Brasília resultaria em um convite para que o contribuinte continuasse discutindo a presente demanda pelos mesmos fundamentos aqui expostos, só que agora em outro palco, i.e., no âmbito do Poder Judiciário. 11. Tal postura, pura e simples, implicaria em uma sobrecarga do já assoberbado Poder Judiciário, bem como da própria Procuradoria da Fazenda Nacional, além de poder redundar, em ultima ratio, em uma condenação da Fazenda Pública em honorários advocatícios que, diante do CPC/2015, pode ter impacto significativo aos cofres públicos em razão do disposto no art. 85, §3o da novel legislação2. Em suma, tal postura se demonstraria assaz afrontosa a ideia de interesse público primário3, bem como ao princípio da moralidade, que devem nortear a Administração Pública. Ademais, também conflitaria contra os 1 O princípio da verdade material é valor normativo que aqui se convoca não como uma ferramenta mágica, semelhante a uma "varinha de condão" dotada de aptidão para "validar" preclusões e atecnias e transformar tais defeitos em um processo administrativo "regular". Com a devida vênia, este tipo de interpretação a respeito do princípio da verdade material só se presta a apequenar e, até mesmo, achincalhar esta importante norma. Assim, quando se fala em verdade material o que se quer aqui exprimir é a possibilidade de reconstruir fatos sociais no universo jurídico por intermédio de uma metodologia jurídica mais flexível, ou seja, menos apegada à forma, o que se dá, preponderantemente, em razão da relevância do valor jurídico do fato social que se pretende provar juridicamente. Em outros termos, "verdade material" é sinônimo de uma maior flexibilização probante em sede de processos administrativos, o que, se for usado com a devida prudência à luz do caso decidendo, só tem a contribuir para a qualidade da prestação jurisdicional atipicamente prestada em tais processos. 2 "Art. 85. A sentença condenará o vencido a pagar honorários ao advogado do vencedor. (..). § 3o Nas causas em que a Fazenda Pública for parte, a fixação dos honorários observará os critérios estabelecidos nos incisos I a IV do § 2o e os seguintes percentuais: I mínimo de dez e máximo de vinte por cento sobre o valor da condenação ou do proveito econômico obtido até 200 (duzentos) saláriosmínimos; II mínimo de oito e máximo de dez por cento sobre o valor da condenação ou do proveito econômico obtido acima de 200 (duzentos) saláriosmínimos até 2.000 (dois mil) saláriosmínimos; III mínimo de cinco e máximo de oito por cento sobre o valor da condenação ou do proveito econômico obtido acima de 2.000 (dois mil) saláriosmínimos até 20.000 (vinte mil) saláriosmínimos; IV mínimo de três e máximo de cinco por cento sobre o valor da condenação ou do proveito econômico obtido acima de 20.000 (vinte mil) saláriosmínimos até 100.000 (cem mil) saláriosmínimos; V mínimo de um e máximo de três por cento sobre o valor da condenação ou do proveito econômico obtido acima de 100.000 (cem mil) saláriosmínimos." 3 O qual se configura como interesse de toda uma coletividade e não da Administração Pública enquanto parte (no caso, enquanto parte litigante). Fl. 343DF CARF MF Processo nº 13896.909226/201224 Resolução nº 3402001.934 S3C4T2 Fl. 5 4 desígnios da própria existência do processo administrativo, i.e., de promover um controle de legalidade do crédito tributário e evitar, sempre que possível,.a judicialização de demandas. 12. Diante de tais razões, entendo por bem converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora: (i) analise os documentos acostados aos autos e, sem prejuízo de outros que possam ser solicitados, verifique se o contribuinte faz ou não jus ao crédito vindicado, apresentando, inclusive, planilha analítica a fundamentar suas considerações. 13. Uma vez realizada a diligência acima (ii) o Recorrente deverá ser intimado para, facultativamente, manifestarse em 30 (trinta) dias a seu respeito, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. 14. É a resolução." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por determinar a realização de diligência para que a Unidade de Origem: (i) analise os documentos acostados aos autos e, sem prejuízo de outros que possam ser solicitados, verifique se o contribuinte faz ou não jus ao crédito vindicado, apresentando, inclusive, planilha analítica a fundamentar suas considerações. 13. Uma vez realizada a diligência acima (ii) o Recorrente deverá ser intimado para, facultativamente, manifestarse em 30 (trinta) dias a seu respeito, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 344DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.900685/2014-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/2013 a 31/08/2013
PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracteriza-se a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade.
Numero da decisão: 3302-006.826
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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CONCOMITÂNCIA. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracterizase a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. Relatório Trata o presente processo do Pedido de Restituição (PER), transmitido pelo contribuinte acima identificado, no qual solicita a restituição de COFINS. Consta no processo Despacho Decisório Eletrônico proferido pela unidade de origem, o qual concluiu pela improcedência do crédito original informado no PER, sob o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 06 85 /2 01 4- 16 Fl. 324DF CARF MF Processo nº 16682.900685/201416 Acórdão n.º 3302006.826 S3C3T2 Fl. 3 2 fundamento de que o pagamento relacionado havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Cientificado desta decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, julgada improcedente pela DRJ, nos termos do Acórdão nº 12082.403. Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta que: a) A ausência de retificação de DCTF ou de qualquer outra obrigação acessória jamais poderia ser impeditivo do reconhecimento do seu direito ao crédito, na medida em que o Fisco possui outros meios de apurar a existência de eventual indébito tributário. Assim, não restam dúvidas de que a falta de retificação da DCTF não deve implicar na perda do direito ao crédito; b) Não há concomitância entre o presente processo e o Mandado de Segurança n° 002418579.2013.4.02.5101. A lide proposta foi no sentido de que fosse reconhecido o direito líquido e certo da recorrente não se sujeitar à incidência do PIS/Cofins sobre as receitas de interconexão, bem como para reconhecer o crédito referente a eventuais valores pagos indevidamente, relativamente a contribuições apuradas e recolhidas após a impetração do writ. O objeto da ação judicial se destina apenas às contribuições de PIS e Cofins apuradas e recolhidas após a distribuição do referido MS; c) No caso concreto, há uma divisão muito clara. Os pagamentos indevidos de PIS/COFINS sobre receitas de interconexão de redes, apuradas antes de 23.9.2013, foram objeto de pedido administrativo de restituição. Apenas os pagamentos realizados com base em apurações de PIS/COFINS feitas partir de 23.9.2013, foram objeto do pedido judicial formulado no Mandado de Segurança n° 002418579.2013.4.02.5101. Bem verdade que há certa semelhança entre as causas de pedir dos processos administrativos e judicial. Ambos estão fundados na “não incidência do PIS/COFINS sobre receitas de interconexão”. Todavia, os pedidos efetuados para se afastar o PIS e a COFINS sobre as receitas de interconexão, bem como para se reconhecer o crédito sobre pagamentos indevidos realizados envolvem a mesma discussão para períodos de apuração distintos. Frisese: os pedidos administrativos se voltam às contribuições apuradas e pagas antes da impetração do mandado de segurança. Já aquelas apuradas e pagas após o ajuizamento da ação judicial são objeto do mandado de segurança. Diante desse cenário, verificase que não há concomitância entre o mandado de segurança em curso perante o Poder Judiciário e o presente processo administrativo, tendo em vista que os períodos de apuração relativos ao crédito referente ao indébito tributário são distintos; d) Os valores recebidos pela Recorrente e repassados a outras operadoras a título de interconexão de redes não configuram receita tributável pelo PIS e COFINS, pois não se trata de “receita” auferida pela Recorrente, quer do ponto de vista jurídico, quer mesmo do ponto de vista contábil. No caso dos valores recebidos pela Recorrente e repassados a terceiros a título de interconexão de redes, o que se verifica é um mero e transitório ingresso de recursos que devem ser repassados ao terceiro que cedeu seus meios de rede à Recorrente. Não há, portanto, qualquer efetivo acréscimo patrimonial da Recorrente, porque já há um imediato e compulsório destino para aquele valor recebido, que é repassado para as outras operadoras de telecomunicação; e) A tributação nos moldes pretendidos pelo Fisco implica a tributação pelo PIS/COFINS da receita total auferida pela Recorrente pela prestação do serviço de Fl. 325DF CARF MF Processo nº 16682.900685/201416 Acórdão n.º 3302006.826 S3C3T2 Fl. 4 3 telecomunicação, incluindo a parcela que será repassada a terceiros pela interconexão de redes. E, além dessa tributação, nos termos da pretensão fiscal, haveria uma nova incidência do PIS/COFINS pelo terceiro que realiza a interconexão, no momento em que ele apropriar a receita que lhe é repassada, caracterizando o bis in idem tributário; f) A base de cálculo do PIS/COFINS não deve ser integrada por elementos estranhos à receita auferida, notadamente pelos valores que devem ser repassados a terceiros a título de interconexão de redes. Na prática, isso faz com que todo o valor pago pela Recorrente a título de PIS/COFINS sobre esses valores de interconexão de redes seja qualificado como indébito tributário, que lhe deve ser restituído. Termina o recurso requerendo o provimento para que seja reformado o acórdão recorrido, a fim de que seja deferido o pedido de restituição formulado. É o breve relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.815, de 25 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 16682.900008/201490, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.815): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise. O cerne da questão está em decidir se há concomitância entre esse processo administrativo e o Mandado de Segurança n° 002418579.2013.4.02.5101. Para tanto, é necessário analisar os objetos dos respectivos processos. Conforme já mencionado na decisão a quo, o indébito pleiteado no Pedido de Restituição decorre, nas palavras do contribuinte, “da indevida inclusão na base de cálculo do PIS de valores referentes a ingressos de numerário em razão de contratos de interconexão, os quais não constituem "receita" da Manifestante”. Portanto, defende em processo administrativo a não incidência do PIS/COFINS sobre tarifas de interconexão. Vejamos o objeto do MS nº 002418579.2013.4.02.5101: Pela petição inicial, temos os seguintes pedidos: a) concessão de medida liminar para assegurar o direito liquido e certo da impetrante à suspensão da exigibilidade dos créditos tributários, nos termos do art. 151, IV, do CTN, das Fl. 326DF CARF MF Processo nº 16682.900685/201416 Acórdão n.º 3302006.826 S3C3T2 Fl. 5 4 contribuições ao PIS e a Cofins, sobre os meros ingressos apurados mensalmente pelo regime de competência pela impetrante decorrentes tão somente das tarifas de interconexão recebidas dos usuários pela coprestação dos serviços de telecomunicações prestados pelas demais operadoras e a elas integralmente repassadas (serviços de transmissão, emissão ou recepção de símbolos, caracteres, sinais, escritos, imagens, sons ou informações de qualquer natureza); b) determinação à Autoridade Coatora sobre o contudo da decisão liminar, bem como acerca do conteúdo do presente mandamus, para que no prazo legal, preste as informações que entender necessárias, com a posterior oitiva do representante do Ministério Público; c) Ciência à União Federal, nos termos do art. 7º, II, da Lei nº 12.016/2009; d) ao final, a concessão da segurança para confirmar a liminar requerida e assegurar o direito liquido e certo de a impetrante não se sujeitar à incidência das contribuições ao PIS e à Cofins, sobre meros ingressos apurados mensalmente pelo regime da competência pela impetrante decorrentes tão somente das tarifas de interconexão recebidas dos usuários pela coprestação dos serviços de telecomunicações prestados pelas demais operadoras e a elas integralmente repassadas (serviços de transmissão, emissão ou recepção de símbolos, caracteres, sinais, escritos, imagens, sons ou informações de qualquer natureza), sob pena de violação ao art. 2º da Lei nº 9,718/99 e aos arts. 5º, II; 145 § 1º; 150, I e IV e 195, I, "b" da Constituição Republicana de 1988, com a consequente compensação do indébito dessas contribuições, apurados desde a distribuição do presente writ, devidamente atualizado pela Taxa Selic, após o trânsito em julgado, nos termos dos artigos 165, 170 e 170A do CTN. A sentença de primeiro grau do Mandado de Segurança nº 002418579.2013.4.02.5101, assim decidiu: Tratase de mandado de segurança com pedido de liminar impetrado por INTELIG COMUNICAÇÕES LTDA contra ato atribuído ao DELEGADO DA DELEGACIA ESPECIAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE MAIORES CONTRIBUINTES NO RIO DE JANEIRO DEMAC, objetivando a declaração de não incidência das contribuições ao PIS e à COFINS, sobre os ingressos apurados mensalmente pelo regime de competência pela Impetrante, decorrentes de tarifas de interconexão serviços prestados pelas demais operadoras, que são posteriormente repassados àquelas congêneres, bem como a declaração do direito de compensar o indébito referente a estas contribuições, apurado desde a distribuição do writ. Sustenta, em apertada síntese, que as chamadas "tarifas de interconexão" não constituem receita, e sim meros ingressos econômicos ou financeiros, tendo cm vista que são recebidas, cm um primeiro momento, pela Impetrante, porem repassadas cm seguida às operadoras que efetivamente prestaram os serviços ao cliente usuário da Impetrante. (...) Fl. 327DF CARF MF Processo nº 16682.900685/201416 Acórdão n.º 3302006.826 S3C3T2 Fl. 6 5 Pelo exposto, com fulcro no art. 269. I, do CPC. JULGO PROCEDENTE O PEDIDO e CONCEDO A SEGURANÇA, para determinar ao Impetrado que se abstenha de exigir da Impetrante que recolha o PIS e a Cofins, incluindo na base de cálculo o valor recebido pela Impetrante e posteriormente repassado a operadora congênere, que prestou efetivamente o serviço, a título de "tarifa de interconexão", bem como para declarar o direito da Impetrante à compensação do indébito, apurado desde a distribuição do presente, na forma da lei de regência, de acordo com a modalidade escolhida pelas Impetrantes, aplicandose a SELIC como critério de atualização do indébito, vedada a cumulação com qualquer outro índice, nos termos da fundamentação supra. Analisando as razões jurídicas apresentadas na peça recursal, fico convencido da identidade das demandas administrativa e judicial, pois nas duas esferas o que se discute é a inexistência de relação jurídica tributária do PIS e da Cofins em relação as receitas de interconexão. O próprio recorrente reconhece essa congruência entre os processos administrativo e judicial. Sua alegação para afastar a concomitância se ampara no fato de que os pagamentos indevidos de PIS/COFINS sobre receitas de interconexão de redes, apuradas antes de 23.9.2013, foram objeto de pedido administrativo de restituição, e que apenas os pagamentos realizados com base em apurações de PIS/COFINS feitas partir de 23.9.2013, foram objeto do pedido judicial formulado no Mandado de Segurança n° 0024185 79.2013.4.02.5101. Não comungo do entendimento no qual a concomitância é afastada pela falta de identidade entre os períodos de apuração apontados nos processos judicial e administrativo. O diferencial entre os períodos de apuração, aqueles contemplados pelo mandamus e os não contemplados, na minha visão, referese somente à possibilidade de o recorrente utilizálos para pedido de compensação antes do trânsito em julgado, por ordem judicial, conforme sua solicitação na exordial. Os demais períodos de apuração, os que foram apurados antes da distribuições do writ, deverão esperar o trânsito em julgado da ação para poderem se credenciar a objeto de um pedido de restituição, com possíveis compensações. Digo isso, pois a decisão do Poder Judiciário sobre a incidência do PIS e da Cofins nas receitas oriundas das tarifas de interconexão, terá reflexos para todos os períodos de apuração, independentemente se foi contemplado no pedido do MS nº 002418579.2013.4.02.5101 ou não Isso se deve ao fato de que na existência de processos paralelos, com objeto e finalidade idênticos, não é salutar que haja decisões com efeitos redundantes ou antagônicos. Em qualquer das hipóteses, prevalecerá a decisão judicial, motivo pelo qual a concomitância de processos ofende o princípio da economia processual. Em face disso, a opção do contribuinte pela via judicial encerra o processo administrativo fiscal em definitivo, em qualquer das fases em que ele se encontre. Fl. 328DF CARF MF Processo nº 16682.900685/201416 Acórdão n.º 3302006.826 S3C3T2 Fl. 7 6 Registrese que a coisa julgada a ser proferida no âmbito do Poder Judiciário jamais poderia ser alterada no processo administrativo, pois tal procedimento feriria a Constituição Federal, que adota o modelo de jurisdição una, onde são soberanas as decisões judiciais. Sendo assim, nos casos em que o sujeito passivo opta pela via judicial para a discussão de matéria tributária implica na renúncia ao poder de recorrer nesta instância, nos termos do parágrafo único do art. 38 da Lei nº 6.830/80 e do § 2º, art. 1º do Decretolei nº 1.737, de 1979. Ratificando este entendimento, foi aprovado o enunciado de Súmula CARF nº 01, in verbis: Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Na linha do entendimento fixado, não conheço do recurso quanto à matéria submetida ao crivo do Poder Judiciário e na parte conhecida, nego provimento ao recurso por enxergar identidade entre os pedidos e as causas de pedir apresentados no MS nº 2007.70.00.0222765 e neste recurso administrativo." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 329DF CARF MF
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