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Numero do processo: 11080.904043/2014-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2010
COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADA APÓS DESPACHO DECISÓRIO. LUCRO PRESUMIDO. REVISÃO DE BASES TRIBUTÁRIAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR COMPROVADO. HOMOLOGAÇÃO DEVIDA
Ainda que a DCTF tenha sido retificada após despacho decisório eletrônico, havendo comprovação de que houve pagamento indevido ou a maior, em virtude de equívoco na formação da base para a apuração da CSLL, no lucro presumido, cumpre homologar as compensações declaradas até o montante do direito creditório reconhecido.
Numero da decisão: 1302-003.530
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2010 COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADA APÓS DESPACHO DECISÓRIO. LUCRO PRESUMIDO. REVISÃO DE BASES TRIBUTÁRIAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR COMPROVADO. HOMOLOGAÇÃO DEVIDA Ainda que a DCTF tenha sido retificada após despacho decisório eletrônico, havendo comprovação de que houve pagamento indevido ou a maior, em virtude de equívoco na formação da base para a apuração da CSLL, no lucro presumido, cumpre homologar as compensações declaradas até o montante do direito creditório reconhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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ESTIMATIVA DE CSLL. Recorrente CLV EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2010 COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADA APÓS DESPACHO DECISÓRIO. LUCRO PRESUMIDO. REVISÃO DE BASES TRIBUTÁRIAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR COMPROVADO. HOMOLOGAÇÃO DEVIDA Ainda que a DCTF tenha sido retificada após despacho decisório eletrônico, havendo comprovação de que houve pagamento indevido ou a maior, em virtude de equívoco na formação da base para a apuração da CSLL, no lucro presumido, cumpre homologar as compensações declaradas até o montante do direito creditório reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 40 43 /2 01 4- 43 Fl. 453DF CARF MF Processo nº 11080.904043/201443 Acórdão n.º 1302003.530 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto face ao Acórdão nº 1293.657, da 4ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro (RJ) que, por unanimidade, julgou improcedente a manifestação de conformidade, registrandose a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010 INEXISTÊNCIA DE EMENTA. O acórdão resultante do julgamento de processo administrativo fiscal decorrente de despacho decisório emitido por processamento eletrônico não conterá ementa, de acordo com a Portaria RFB nº 2724, de 27 de setembro de 2017. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A recorrente é sociedade de propósito específico regularmente constituída na forma de sociedade limitada, tendo por objeto social promover, mediante incorporação, desenvolvimento, implantação e venda, o empreendimento imobiliário constituído de um condomínio horizontal composto por unidades autônomas, desenvolvido no local denominado "Cruz das Almas", Sito na Rodovia Estadual RS040, em Viamão (RS), bem como, complementarmente, a comercialização de bens e direitos que vierem a ser recebidos em permuta ou dação em pagamento nas transações inerentes ao seu objeto. A recorrente teria revisado suas bases tributárias, referentes a exercícios anteriores e teria identificado equívocos na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Alega que houve equívoco na composição da base de cálculo dos tributos apurados pelo lucro presumido, ao desconsiderar que as receitas financeiras provenientes da comercialização de imóveis, e apuradas por meio de índices ou coeficientes previstos em contratos, deviam ser consideradas receita bruta para fins de cálculo do lucro presumido. Tais receitas, foram, equivocadamente, consideradas como acréscimos à base de cálculo apurada mediante percentuais sobre a receita bruta, sendo adicionadas em sua integralidade à base apurada. Assim, apurou diferenças nos valores finais devidos. Apresentou quadros demonstrativos da retificação dos valores devidos de IRPJ e CSLL e indicou os períodos e os fatos geradores. Destacou que as DCOMPs não foram homologadas, com base na conclusão de que os valores pagos (DARF) teria sido integralmente utilizado. A recorrente identificou que a não homologação das DCOMPs deveuse à falta de indicação dos valores corretos nas respectivas DCTFs, retificandoas após o despacho decisório. Fl. 454DF CARF MF Processo nº 11080.904043/201443 Acórdão n.º 1302003.530 S1C3T2 Fl. 4 3 Após as retificadoras, apresentou manifestações de inconformidade e documentos, por meio dos quais teria comprovado a existência e validade do crédito. Ressalta que houve intimações específicas sobre as DCTFs retificadoras, devidamente atendidas, mediante prestação de esclarecimentos necessários e juntada de documentação relacionada. Fundamenta o pedido de homologação das DCOMPs, com base nas disposições do Parecer COSIT n° 2, de 28 de agosto de 2015, e no entendimento do CARF de que, o fato de a retificação da DCTF ter ocorrido após a transmissão da DCOMP, não impede a homologação da compensação realizada. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o entendimento de que a documentação apresentada não seria suficiente para comprovar a existência do crédito objeto da DCOMP. A recorrente foi devidamente intimada do acórdão recorrido e interpôs recurso voluntário, tempestivamente. Sustentou, resumidamente, que o acórdão merece ser reformado pelas seguintes razões: a) a decisão recorrida alega que não está comprovado o crédito utilizado na compensação por falta de documentos, mas sequer aponta quais seriam os documentos que não teriam sido apresentados e não analisa os que foram; b) quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, já estava comprovada a existência e validade do crédito utilizado para as compensações formalizadas; e, mesmo que não o fossem, a documentação acostada à impugnação comprova a existência e validade do crédito em questão. É o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator À vista da interposição tempestiva do recurso voluntário e do atendimento aos demais requisitos de admissibilidade, cumpre conhecer do recurso. Em conformidade com o despacho decisório eletrônico, localizaramse um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para a quitação de débitos da recorrente, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na PER/DCOMP em questão. Diante da conclusão quanto à inexistência de crédito, não foi homologada a compensação declarada. A recorrente sustenta que a referida decisão, quanto à não homologação da compensação, relacionada a crédito de CSLL pago a maior, referente ao 2° trimestre de 2010, não se fundamentou na falta de comprovação do crédito por ausência de apresentação de documentos. Defende que, o despacho decisório só identificou que o referido DARF já havia sido utilizado, pelo fato de que ainda não havia sido retificada a DCTF, quando da análise da DCOMP. Fl. 455DF CARF MF Processo nº 11080.904043/201443 Acórdão n.º 1302003.530 S1C3T2 Fl. 5 4 Ressalta que, ainda que já iniciados os procedimentos de fiscalização, a retificação foi efetuada, antes do prazo para a manifestação de inconformidade. Com essa retificação teria ficado evidenciada a existência de crédito suficiente à compensação em questão. Com esse entendimento, a recorrente alega que, o acórdão recorrido deveria ter se limitado ao que já havia sido levantado no processo administrativo, ou seja, que foi realizada a retificação da DCTF, conforme comprovou, por meio dos seguintes documentos, anexos à impugnação, em relação aos quais salienta que seriam suficientes para comprovar a validade da compensação realizada: a) despacho decisório que originou a Manifestação de Inconformidade; b) DCOMP analisada; c) DCTF original, DCTF retificadora; e d) DIPJ Exercício 2011, anocalendário 2010; Ressaltou, ainda, que não teriam sido analisados pela DRJ os argumentos trazidos pela recorrente, nem os documentos acostados ao processo administrativo, sendo apresentados apenas argumentos genéricos para justificar a manutenção da decisão de não homologação da compensação. O acórdão recorrido concluiu que embora o Parecer COSIT n° 2, de 28 de agosto de 2015, admita a retificação da DCTF depois da transmissão do DCOMP não impede a homologação da compensação realizada, determina, também, que o crédito seja comprovado através de documentos, nos seguintes termos: "Portanto, como ressaltado no Parecer n° 2, a transmissão de DCTF retificadora, por si só, não seria suficiente para a comprovação do pagamento indevido ou a maior, sendo necessário, em face da legislação vigente, que os valores informados na mencionada DCTF estivessem coerentes com outras declarações enviadas à RFB, tendo ainda como suporte documentos contábeis e/ou fiscais." A recorrente rebate, frisando que, utilizandose de uma interpretação equivocada do que foi efetivamente dito no Parecer COSIT, o acórdão recorrido concluiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, face à ausência de comprovação da existência do crédito, porém sequer teria analisado os documentos apresentados e tampouco teriam sido apontados quais seriam os documentos faltantes essenciais para comprovação do crédito em questão. Conforme ressaltado pela recorrente, esta Turma, ao analisar situação semelhante ao presente caso, concluiu pela validade da argumentação apresentada, analisou a DCTF retificadora e concluiu que assistia razão à recorrente (acórdão nr. 1302002.082). A conclusão do referido acórdão foi no sentido de que, ainda que a DCTF tenha sido retificada após despacho decisório eletrônico, verificase, no caso, há indicativos de que houve pagamento indevido ou a maior, tendo em vista, a evidenciação pela recorrente, Fl. 456DF CARF MF Processo nº 11080.904043/201443 Acórdão n.º 1302003.530 S1C3T2 Fl. 6 5 quanto ao referido equívoco na formação da base para a apuração da CSLL sobre lucro presumido. Destacamse, nesse mesmo sentido, as seguintes razões da recorrente: (...) o equívoco em questão ocorreu, em função de terse ignorado, por ocasião da apuração original dos referidos tributos e respectivo preenchimento e transmissão da DCTF, a circunstância de que, com base nas disposições do art. 30 da Lei n° 8.981/95, combinadas com o contido nos §§ 4° do art. 15 e 2° do art. 20, ambos da Lei n° 9.249/95, as receitas financeiras provenientes da comercialização de imóveis e apuradas por meio de índices ou coeficientes previstos em contratos, devem ser consideradas receita bruta para fins de cálculo do lucro presumido. O art. 30 da Lei n° 8.981/95 determina que deve ser considerado como receita bruta o montante efetivamente recebido, relativo às unidades imobiliárias vendidas, pelas pessoas jurídicas que explorem atividades imobiliárias relativas à incorporação imobiliária e venda de imóveis construídos: "Art. 30. As pessoas jurídicas que explorem atividades imobiliárias relativa a loteamento de terrenos, incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda, bem como a venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda, deverão considerar como receita bruta o montante efetivamente recebido, relativo às unidades imobiliárias vendidas." Ao mesmo tempo, desde o advento da Lei n° 11.196/05, os §§ 4° do art. 15 e 2° do art. 20, ambos da Lei n° 9.249/95, estabelecem que, para efeitos de cálculo do lucro presumido, para fins de incidência do IRPJ e CSLL, devem ser integrados os valores recebidos a título de receita financeira da pessoa jurídica que explore atividades imobiliárias relativas a loteamento de terrenos, incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda, bem como a venda de imóveis construídos ou adquiridos para a revenda, quando decorrente da comercialização de imóveis e for apurada por meio de índices ou coeficientes previstos em contrato: "Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (...) § 4° O percentual de que trata este artigo também será aplicado sobre a receita financeira da pessoa jurídica que explore atividades imobiliárias relativas a loteamento de terrenos, incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda, bem como a venda de imóveis construídos ou adquiridos para a revenda, quando decorrente da comercialização de imóveis e for apurada por meio de índices ou coeficientes previstos em contrato. (... ) Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma Fl. 457DF CARF MF Processo nº 11080.904043/201443 Acórdão n.º 1302003.530 S1C3T2 Fl. 7 6 definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1° do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. (... ) § 2° O percentual de que trata o caput deste artigo também será aplicado sobre a receita financeira de que trata o § 4° do art. 15 desta Lei." Entendo que assiste razão à recorrente, quanto ao entendimento de que, para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL na sistemática do lucro presumido, na hipótese de atividades imobiliárias relativas a loteamento de terrenos, incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda, bem como a venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda, o percentual de presunção também será aplicado sobre a receita financeira quando decorrente da comercialização de imóveis e apurada por meio de índices ou coeficientes previstos em contrato. A recorrente demonstrou que são corretas e que devem ser acolhidas, as retificações efetuadas e que devem produzir os efeitos esperados, para corrigir a base de cálculo utilizada para apurar o valor devido de CSLL, para o 2° trimestre de 2010, e evidenciar o crédito utilizado nas DCOMPs em questão. Exame da Disponibilidade do Crédito Utilizado em DCOMPs Assim, resta verificar se é possível concluir quanto à disponibilidade do crédito utilizado pela recorrente nas DCOMPs em questão. A recorrente sustenta que é devida a integral homologação das DCOMPs em questão. Sustenta que, após a verificação do referido equívoco, revisou as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, apurandose diferenças nos valores finais devidos. Vejamse, mais uma vez, as seguintes razões; Em relação ao 2° trimestre de 2010 período gerador do crédito objeto da DCOMP analisada no despacho decisório que originou o presente processo administrativo (fls. 35) cabe demonstrar a diferença apurada e informada em DCTF, conforme demonstrativo abaixo: CSLL Competência DARF 2372 (1) DCTF antiga (2) Nova Apuração (3) Diferença (1) (3) 2° TRI 2010 201.519,88 201.519,88 65.986,03 135.533,85 Com base nesse contexto, apuraramse indébitos tributários no montante de R$ 135.533,85, a título de CSLL, em valores originais, os quais foram objeto de formalização por meio da correspondente retificação da DCTF (fls. 44/81). Para utilizar o crédito apurado nessa diferença recolhida a maior, a recorrente optou por realizar compensações, da seguinte forma (DCOMP analisada fls. 37/42): N° Per/Dcomp DARF Pago a Maior Valor Original do Crédito Original na Saldo do Crédito Impostos Compensados Fl. 458DF CARF MF Processo nº 11080.904043/201443 Acórdão n.º 1302003.530 S1C3T2 Fl. 8 7 Crédito Inicial Data da Transmissã o Original 41787.99026.300414.1.3.041818 PA: 30/06/2010 Cód.Receita: 2372 Vencimento: 30/07/2010 Valor: R$ 165.639,09 135.533,85 82.747,30 IRPJ e CSLL Competência 1° trimestre/2014 33379.72656.230514.1.3.040196 Idem acima Idem acima 82.747,30 60.416,60 PIS Abril/2014 R$ 5.394,39 COFINS Abril/2014 R$ 24.897,20 32215.35378.200614.1.3.040460 Idem acima Idem acima 60.416,60 49.203,17 IRRF Competência Maio/2014: 1708: R$ 264,53 3208: R$ 15.044,05 (Vera Barcellos) 33319.37063.250614.1.3.048608 Idem acima Idem acima 49.203,17 38.134,07 PIS Maio/2014 R$ 2.691,10 COFINS Maio/2014 R$ 12.420,44 18539.89944.250714.1.3.048052 Idem acima Idem acima 38.134,07 25.838,21 COFINS Junho/2014 R$ 16.887,13 01072.15868.310714.1.3.047599 Idem acima Idem acima 25.838,21 2.468,50 CSLL 2° trimestre/2014 R$ 32.095,96 04581.54684.310714.1.3.041095 Idem acima Idem acima 2.648,50 IRPJ 2° trimestre/2014 Parcial 2/3 R$ 3.637,45 Ocorre, porém, que, ao examinar as primeiras DCOMP (41787.99026.300414.1.3.041818, 33379.72656.230514.1.3.040196, 32215.35378.200614.1.3.040460 e 33319.37063.250614.1.3.048608), o Agente Fiscal não homologou a compensação declarada por entender que o DARF discriminado nas DCOMP havia sido utilizado para pagar a CSLL do período. Ao receber a notificação da decisão de não homologação das DCOMP, a recorrente verificou que não havia promovido a correta retificação da DCTF anterior e, em 19/08/2014, promoveu as correções necessárias (declaração n° 100.2010.2014.1881746666 fls. 65/81). Cabe ainda frisar que, em conformidade com o dossiê específico, apresentado juntamente com o recurso voluntário, a fiscalização examinou a DCTF retificadora e concluiu pela existência do referido crédito de pagamento a maior. Observase, portanto, que a recorrente demonstrou a existência e a disponibilidade do crédito de R$135.533,85, utilizado nas DCOMPs indicadas no quadro acima reproduzido. Por todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário para homologar as compensações até o limite do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 459DF CARF MF Processo nº 11080.904043/201443 Acórdão n.º 1302003.530 S1C3T2 Fl. 9 8 Fl. 460DF CARF MF
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Numero do processo: 16561.720039/2014-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. ACONDICIONAMENTO DO PRODUTO. PRL 60.
As operações decorrentes do acondicionamento para fins comerciais e aposição de marca enquadram-se no conceito legal de industrialização, vez que há agregação de valor ao produto, razão pela qual é correta a aplicação do PRL 60.
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. IN SRF Nº 243/2002. LEGALIDADE.
A sistemática de cálculo do "Método do Preço de Revenda menos Lucro com margem de lucro de sessenta por cento (PRL 60)" prevista na Instrução Normativa SRF n° 243, de 2002, não afronta o disposto no art. 18, inciso II, da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei n° 9.959, de 2000. Súmula CARF n° 115.
Numero da decisão: 1201-002.926
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em manter o lançamento. Vencidos os conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Alexandre Evaristo Pinto e Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada), que davam parcial provimento afastando a tributação pelo método PRL60 nos casos em que o recorrente aplicou o método PRL20.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigenio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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ACONDICIONAMENTO DO PRODUTO. PRL 60. As operações decorrentes do acondicionamento para fins comerciais e aposição de marca enquadramse no conceito legal de industrialização, vez que há agregação de valor ao produto, razão pela qual é correta a aplicação do PRL 60. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. IN SRF Nº 243/2002. LEGALIDADE. A sistemática de cálculo do "Método do Preço de Revenda menos Lucro com margem de lucro de sessenta por cento (PRL 60)" prevista na Instrução Normativa SRF n° 243, de 2002, não afronta o disposto no art. 18, inciso II, da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei n° 9.959, de 2000. Súmula CARF n° 115. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em manter o lançamento. Vencidos os conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Alexandre Evaristo Pinto e Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada), que davam parcial provimento afastando a tributação pelo método PRL60 nos casos em que o recorrente aplicou o método PRL20. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 39 /2 01 4- 35 Fl. 2152DF CARF MF Processo nº 16561.720039/201435 Acórdão n.º 1201002.926 S1C2T1 Fl. 2.153 2 Bossa, Efigenio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório ELI LILLY DO BRASIL LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 1454.887 (fls. 2007), pela DRJ Ribeirão Preto, interpôs recurso voluntário (fls. 2056) dirigido a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma daquela decisão. O processo trata de lançamentos tributários (fls. 1803) para exigir IRPJ e CSLL relativos ao ano 2009, bem como juros de mora e multa de ofício (75%). A fiscalização concluiu que o contribuinte não manejou corretamente o método dos preços de transferência, relativo à apropriação dos custos ocorridos na importação de produtos cujo exportador estrangeiro é parte relacionada, conforme apontado no Termo de Constatação Fiscal (fls. 704). A decisão recorrida (fls. 2007) considerou improcedente a correspondente impugnação (fls. 1821). Em seu recurso voluntário (fls. 2056), o contribuinte apresentou os argumentos a seguir sintetizados: i) o procedimento fiscal seria nulo em razão de ter adotado dados diferentes daqueles fornecidos pelo contribuinte durante a auditoria fiscal; ii) o procedimento apontado na Instrução Normativa SRF nº 243/2002 contraria o procedimento determinado pela Lei nº 9.430/1996; iii) os produtos importados sofreram apenas simples acondicionamento em embalagem para fins de revenda no mercado interno, o que afastaria a aplicação do método PRL 60; Ao final, requer a declaração de improcedência dos lançamentos tributários. Na primeira vez em que este colegiado se reuniu para apreciar o feito, o julgamento foi convertido em diligência, nos termos da Resolução nº 1201000.209 (fls. 2113), para que a RFB adotasse as seguintes medidas: a) elabore demonstrativo similar ao Anexo 05 do termo de constatação fiscal (fl. 1802), acrescentado, para cada um dos 14 produtos ali indicados, as informações sobre o método de preços de transferência adotado pela contribuinte, bem como o valor do preço praticado e do preçoparâmetro por ela utilizados; b) pronunciese sobre a alegação da recorrente segundo a qual a fiscalização empregou base de informações distinta daquela que lhe havia sido apresentada em resposta à intimação fiscal (vide item 3 do recurso voluntário à fl. 2058 e ss.); A diligência requerida foi cumprida e reduzida a termo por meio do relatório de fls. 2119. O contribuinte se manifestou sobre o resultado da referida diligência por meio das contrarrazões de fls. 2134. O conteúdo do relatório da diligência e a correspondente manifestação do interessado serão abordados oportunamente no voto. Fl. 2153DF CARF MF Processo nº 16561.720039/201435 Acórdão n.º 1201002.926 S1C2T1 Fl. 2.154 3 É o relatório Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. O contribuinte foi cientificado da decisão recorrida em 05/02/20125(fls. 2055) e apresentou o seu recurso voluntário em 05/03/2015 (fls. 2056), dentro do prazo recursal. O recurso voluntário atende aos demais pressupostos de admissibilidade, pelo que passo a conhecêlo. 1 Divergência entre os dados nulidade diligência O recorrente afirma que o procedimento fiscal é nulo em razão de ter adotado dados diferentes daqueles fornecidos pelo contribuinte durante a auditoria fiscal, conforme o seguinte excerto (fls. 2058): Trouxe a Recorrente quando da apresentação de Impugnação Administrativo, laudo pericial contábil que demonstrava que a base de informações utilizadas pela fiscalização para realização dos cálculos não era a mesma fornecida pela Recorrente, o que acarretava diferença nos cálculos. Desta forma, como base nos mesmos arquivos disponibilizados à fiscalização e que deram origem a presente autuação, foi demonstrado o equívoco nos cálculos apresentados pela fiscalização, pelas seguintes razões apontadas pelo perito contábil que reproduziu o laudo juntado aos autos: [...] Evidente que há divergência de cálculo com base nos arquivos apresentados à fiscalização, o que inequivocamente levou ao erro no cálculo quanto aos produtos importados pela Recorrente e por consequência, em erro no valor da exigência tributária em litígio. Inobstante a alegação da 15a Turma da DRF de que não há nulidade na autuação, uma vez que a Recorrente apresentou sua impugnação e arguiu a existência de divergência nos cálculos, temse certo a necessidade de que eventuais erros quanto ao valor devido sejam sanados imediatamente, sob pena de nulidade: O recorrente ainda requer a realização de diligência, o que foi atendido. A diligência teve como objeto a questão aqui apontada. O correspondente relatório fiscal está juntado nas fls. 2119. Nele, a fiscalização resume o procedimento de cálculo adotado e apresenta seu parecer quanto às diferenças apontadas pelo recorrente. Em apertada síntese, a fiscalização: afirma que utilizou somente as informações prestadas pelo contribuinte e as informações contidas na base de dados da RFB, a ele relacionadas; atribui a diferença apontada ao objeto da própria fiscalização, ou seja, os ajustes feitos pela fiscalização em razão do descumprimento das normas vigentes por parte do contribuinte; afirma que o laudo apresentado pelo contribuinte oferece apenas dados consolidados, de forma sintética, de maneira que restou impossível verificar, por comparação, se houve algum erro material na confecção das planilhas apresentadas pela fiscalização. O contribuinte apresentou contrarrazões ao relatório da diligência, em que propugna pela corretude do procedimento por ele adotado, em relação à aplicação do método Fl. 2154DF CARF MF Processo nº 16561.720039/201435 Acórdão n.º 1201002.926 S1C2T1 Fl. 2.155 4 PRL, entre o PRL 20 e o PRL 60. Ou seja, o contribuinte não rebateu os esclarecimentos da fiscalização quanto a origem dos dados utilizados. Entendo que ficou esclarecido que a divergência apontada pelo recorrente está entre os dados por ele encontrados, no mister de apurar os tributos devidos, e os dados que expressam o resultado da auditoria fiscal. Não há qualquer evidência de divergência entre os dados fornecidos pelo contribuinte à fiscalização e os dados que fundamentaram a auditoria fiscal. Portanto, não há nulidade a ser apreciada, apenas o mérito do lançamento tributário, no que diz respeito à interpretação e aplicação da legislação tributária. Assim, entendo que deve ser afastada a presente alegação de nulidade. 2 Instrução Normativa nº 243/2002 adequação à Lei nº 9.430/1996 O recorrente afirma que o procedimento apontado na Instrução Normativa SRF nº 243/2002 contraria o procedimento determinado pela Lei nº 9.430/1996, razão pela qual seguiu o artigo 18 da referida lei, mesmo contrariando a Instrução Normativa, conforme o seguinte excerto (fls. 2058): Importante frisar desde logo e conforma exposto claramente quando da apresentação da Impugnação, que a Recorrente não pretende a declaração de ilegalidade ou inconstitucionalidade da IN n° 243/2002, questão vedada aos órgãos administrativos, de competência do Poder Judiciário, e sim demonstrar que o método estabelecido pela IN 243/2002 é contrário ao método disposto na Lei 9.430/96, devendo, assim, prevalecer esse último em respeito ao princípio da estrita legalidade. Com efeito, a metodologia estabelecida pela IN 243/2002 traz uma série de distorções, extrapolando os limites estabelecidos pela Lei 9.430/96, tornando o método de cálculo totalmente irreal e fora dos parâmetros estabelecidos em Lei. Assim, a Recorrente realizou os seus cálculos com base na Lei 9.430/96, conforme estabelecia o art. 18 há época dos fatos geradores, cujo método é incompatível com o disposto na IN Instrução Normativa 243/2002. A questão envolvendo a adequação da IN SRF nº 243/2002 e a Lei nº 9.430/1996 já foi amplamente discutida nos colegiados deste CARF, de forma que foi possível se chegar a uma pacificação de entendimento, no sentido de reconhecer essa compatibilidade, nos termos da Súmula CARF nº 115, verbis: Súmula CARF nº 115 A sistemática de cálculo do "Método do Preço de Revenda menos Lucro com margem de lucro de sessenta por cento (PRL 60)" prevista na Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, não afronta o disposto no art. 18, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000. O recorrente reconhece que não seguiu a orientação contida na referida Instrução Normativa. Todavia, a Instrução Normativa determina o procedimento a ser tomado pelo contribuinte para o cumprimento do artigo 18 a Lei nº 9.430/1996. Assim, é lícito concluir que o contribuinte não atendeu à referida lei, pelo que o lançamento tributário se fez necessário. Com isso, entendo que o lançamento tributário deve ser mantido frente a esta alegação do recorrente. Fl. 2155DF CARF MF Processo nº 16561.720039/201435 Acórdão n.º 1201002.926 S1C2T1 Fl. 2.156 5 3 Processo de acondicionamento por embalagem O recorrente afirma que os produtos por ele importados sofrem apenas simples acondicionamento em embalagem para fins de revenda no mercado interno, o que afastaria a aplicação do método PRL 60, o qual seria destinado apenas aos bens importados aplicados à produção, conforme o seguinte excerto (fls. 2065): Pelo disposto acima, o método PRL60 deve ser aplicado apenas e tão somente na hipótese de "bens importados aplicados à produção" e que o PRL20 é utilizado nas demais hipóteses. Portanto, o simples acondicionamento de embalagem ao produto para fins de revenda no mercado interno, como no presente caso, não configura de forma alguma a hipótese "de bens importados aplicados à produção", razão pela qual é incorreto o entendimento da fiscalização e dos julgadores da 15a Turma da DRJ de aplicação do método PRL60%. [...] Os importados pela Recorrente são prontos e acabados, ou seja, os bens importados não sofreram qualquer transformação na sua essência, sendo apenas revestidos com rótulo, bula e embalagens para transporte e revenda no mercado interno de acordo a legislação que dispõe sobre a matéria, razão pela qual foi adotado o método PRL 20. Com efeito, a "produção" a que se refere a disposição do art. 18, II, da Lei 9.430/96, não pode ser entendido como qualquer forma de acondicionamento ou mesmo a simples preparação para a entrega ao Governo ou disponibilização ao consumidor final, devendo ser entendido, na verdade, como sendo o resultado do processo produtivo onde ocorra a transformação do insumo, sua modificação ou a sua aplicação específica de forma a descaracterizar a identidade própria do produto (princípio ativo). O recorrente ainda afirma que os produtos por ele comercializados são medicamentos destinados ao uso animal e humano, obrigatoriamente sujeitos às normas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento MAPA, bem como do Ministério da Saúde ANVISA, devendo também atender ao disposto no Código de Defesa do Consumidor. Por fim, o recorrente apresenta as características dos medicamentos Humulin R, Humulin N, Humalog e Monensina (Rumensin). A fiscalização adotou os método PRL 60 com o fundamento de que a atividade produtiva do contribuinte teria agregado valor aos bens importados, conforme o seguinte excerto (fls. 709): Conforme explicitado no § 9o do art. 12 da IN n° 243/2002, o método do Preço de Revenda menos Lucro mediante a utilização da margem de lucro de 20% somente deve ser aplicado nas hipóteses em que, no País, não haja agregação de valor ao custo dos bens, serviços ou direitos importados, configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos bens, serviços ou direitos importados. Nos casos em que há agregação de valor no Brasil ao custo dos bens e serviços importados a legislação é clara ao vedar o uso da margem de 20% no método PRL. Tal entendimento converge com a orientação da CoordenaçãoGeral de Tributação COSIT da Secretaria da Receita Federal do Brasil, manifestada na Solução de Consulta n°5, de 01/09/2006, que dispõe que: [...] Fl. 2156DF CARF MF Processo nº 16561.720039/201435 Acórdão n.º 1201002.926 S1C2T1 Fl. 2.157 6 No caso em tela adotamos o método PRL60 para todos os insumos ou produtos intermediários que , de acordo com a codificação informada, não tiveram saída direta, ou seja, integraram produtos finais diferentes, acondicionados em embalagens diversas, e que, além disso, houve agregação de valor aos bens importados. A decisão embargada corroborou o entendimento da fiscalização, declinando a sua interpretação do referido artigo 18 da Lei nº 9.430/1996 (fls. 2044): Procedimentos de acondicionamento, rotulagem, marcação ou qualquer outro requisito prévio ao comércio de itens importados, demandam, no mínimo, utilização de materiais para tanto e intervenção humana e/ou de maquinário e tecnologia, entre outras providências, as quais, por menores que sejam, representam custos adicionais que passam sim a integrar o valor do item comercializado no mercado interno. Neste contexto, para fins de cálculo do preço de transferência, não há como acatar o entendimento da defesa, com base no Parecer Técnico (Laudo) que apresenta, de que os processos responsáveis pela agregação de valor são preponderantemente, vendas, distribuição, logística, pósvenda, ouvidoria, produção, atributos e qualidade. Reiterese, os procedimentos de rotulagem, embalagem e acondicionamento não são isentos de custos, pelo contrário, representam dispêndios para a Importadora os quais serão agregados como valor nos itens a serem comercializados no mercado interno. A alegação de que tais procedimentos são adotados por necessidade de observância de normas da Anvisa, ou do Código de Defesa do Consumidor ou, ainda, de regras para participação em licitações públicas, com dever de observância dos preços nelas atingidos, não altera, nem anula, os dispêndios para materialização da rotulagem, acondicionamento, embalagem e/ou marcação dos itens importados com a consequente agregação a seu valor. O método PRL 60 é determinado no referido artigo 18, II, da Lei nº 9.430/1996, nos seguintes termos, conforme a redação vigente na época dos fatos: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: [...] II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. Fl. 2157DF CARF MF Processo nº 16561.720039/201435 Acórdão n.º 1201002.926 S1C2T1 Fl. 2.158 7 A presente lide reside na interpretação do que seja um bem aplicado na produção. O termo produção é aberto e comporta conteúdos em número suficiente para uma ampla discussão. Buscarei subsídios no Direito positivado. A industrialização é, sem dúvida, uma espécie de produção. A legislação pátria, no âmbito do Direito Tributário, define industrialização como operação de que resulte alteração da natureza, funcionamento, utilização, acabamento ou apresentação do produto, nos termos do parágrafo único do artigo 3º da Lei nº 4.502/1964, verbis: Art. 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto. Parágrafo único. Para os efeitos deste artigo, considerase industrialização qualquer operação de que resulte alteração da natureza, funcionamento, utilização, acabamento ou apresentação do produto, salvo: I o conserto de máquinas, aparelhos e objetos pertencentes a terceiros; II o acondicionamento destinado apenas ao transporte do produto; III O preparo de medicamentos oficinais ou magistrais, manipulados em farmácias, para venda no varejo, diretamente e consumidor, assim como a montagem de óculos, mediante receita médica. (Incluído pelo DecretoLei nº 1.199, de 1971) IV a mistura de tintas entre si, ou com concentrados de pigmentos, sob encomenda do consumidor ou usuário, realizada em estabelecimento varejista, efetuada por máquina automática ou manual, desde que fabricante e varejista não sejam empresas interdependentes, controladora, controlada ou coligadas. (Incluído pela Lei nº 9.493, de 1997) Portanto, a alteração da apresentação do produto é considerada uma industrialização e, portanto, é lícito que seja tida como atividade de produção. Na espécie, o contribuinte importou produtos acabados mas que não estavam aptos a serem negociados no mercado nacional. Alguns desses produtos foram importados em ampolas, mas necessitavam de acondicionamento adequado para a comercialização, com identificação dentro dos padrões regulamentares e embalagem apropriada para a sua conservação, distribuição e consumo. Outros produtos foram importados a granel e precisavam ser fracionados e acondicionados dentro dos padrões comerciais do próprio contribuinte, além de também necessitarem de identificação dentro dos padrões regulamentares e de embalagem apropriada para a sua conservação, distribuição e consumo. Entendo que essa atividade pode ser considerada como alterações na "apresentação do produto" e, assim, considerada como industrialização. Consequentemente, pode ser considerada uma atividade de produção. Saliento que o acondicionamento em tela não se destina exclusivamente a possibilitar o transporte do produto, mas passa a fazer parte do produto. Salientando, ainda, que a aposição da marca do produto agregalhe valor efetivo. Para tornar claro que a atividade realizada pelo contribuinte afeta não somente o custo do produto final, mas também o lucro potencial na comercialização do produto (agregação de valor), permitamme a utilização de um instrumento retórico, no sentido de levantar a hipótese de se encontrar, na mesma prateleira, uma ampola de insulina humana identificada com a marca Lilly e outra ampola de insulina humana identificada com a marca Farmácia Oswaldo Cruz. Penso que o consumidor, em geral, estaria disposto a pagar um preço maior pela primeira, produzida por uma reconhecida empresa multinacional da indústria Fl. 2158DF CARF MF Processo nº 16561.720039/201435 Acórdão n.º 1201002.926 S1C2T1 Fl. 2.159 8 farmacêutica, do que pela segunda, apresar de a Farmácia Oswaldo Cruz possuir uma bem sucedida historia, de quase um século, manipulando remédios na cidade de Fortaleza e apesar de ter importado ampolas, ainda por hipótese, do mesmo lote das ampolas da concorrente, diferenciandose apenas pelo rótulo. Portanto, concluo que a atividade do contribuinte em alterar a apresentação do produto importado tem natureza de produção, afeta o custo de produção e agrega valor ao produto final, sendo justificável a adoção de método que considere o reflexo positivo da atividade no preço de comercialização, qual seja, o método PRL 60. Tenho conhecimento de que há, neste tribunal administrativo, várias decisões no sentido de não considerar como atividade de produção a alteração no acondicionamento de medicamentos, no que foi muitas vezes referido como "blisterização". Todavia, a Câmara Superior de Recursos Fiscais vem adotando entendimento diferente, conforme os Acórdãos nº 9101002.198, de 02/02/2016, e Acórdão nº 9101002.840, de 12/05/2017, cujas ementas seguem parcialmente transcritas, respectivamente: PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. PRL60. ADOÇÃO OBRIGATÓRIA. IMPORTAÇÃO DE COMPRIMIDOS A GRANEL. BLISTERIZAÇÃO. PROCESSO DE PRODUÇÃO. O processo de blisterização e a embalagem em caixas de papelão dos medicamentos importados a granel para venda no mercado interno constituise em uma última etapa do processo de produção, agregando valor ao produto e vinculando a apuração do ajuste de preço de transferência ao método PRL60, em detrimento do método PRL20. utilizável apenas e tão somente nos casos de simples revenda da mercadoria importada. Recurso Especial do Procurador Provido. ACONDICIONAMENTO PARA FINS COMERCIAIS. PRL 60. APLICÁVEL. As operações decorrentes do acondicionamento para fins comerciais e aposição de marca enquadramse no conceito legal de industrialização, vez que há agregação de valor ao produto, razão pela qual é correta a aplicação do PRL60. Com isso, entendo que não há reparos a fazer no procedimento fiscal adotado. 4 Conclusão Diante das razões acima expostas, voto por conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Relator Fl. 2159DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.901921/2011-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 24 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.870
Decisão: Processo: 13851.901921/2011-83Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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(assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento no Rio de Janeiro que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versa o processo sobre pedido de ressarcimento e declaração de compensação relativos a crédito de PIS/COFINS não cumulativa. A DRF de origem exarou o despacho decisório, reconhecendo em parte o direito creditório e homologando as compensações objeto da Dcomp analisada, até o limite do direito creditório remanescente após o procedimento especial de ressarcimento de que trata a Portaria MF 348/2010. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, mediante a qual manifestou concordância com a fiscalização em relação aos itens: “6.3. Despesas com alugueis de prédios locados”, “6.4.2. Partes e peças importadas utilizadas na manutenção de máquinas e RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 51 .9 01 92 1/ 20 11 -8 3 Fl. 515DF CARF MF Processo nº 13851.901921/201183 Resolução nº 3402001.870 S3C4T2 Fl. 3 2 equipamentos diretamente aplicados na produção” e “6.6. Receita na venda de sucatas”; e sustentou a legitimidade dos demais créditos, em linhas gerais, sob o conceito de insumo delimitado pelo critério da necessidade/essencialidade dos gastos com bens ou serviços utilizados pela empresa em sua atividade. A Delegacia de Julgamento não acatou os argumentos da manifestante, entendendo que nenhum dos itens glosados contestados poderia ser gerador de crédito, conforme ementa abaixo: (...) NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Para fins de apuração de créditos da nãocumulatividade, consideramse insumos os bens e serviços diretamente aplicados ou consumidos na fabricação do produto. SERVIÇOS DE TRANSPORTE. MOVIMENTAÇÃO INTERNA. As despesas com serviço de transporte contratado para movimentação interna de produtos não gera direito a crédito a ser descontado no regime nãocumulativo da COFINS, por não se enquadrar no conceito de insumos nem se caracterizar como frete nas operações de venda. INSUMOS. MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Cofins nãocumulativa as despesas com a aquisição de partes e peças de reposição utilizadas em máquinas e equipamentos que atuem diretamente no processo de fabricação ou produção dos bens destinados à venda, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado da empresa. (...) Cientificada dessa decisão em, a contribuinte apresentou recurso voluntário, sustentando o seu direito creditório sob os seguintes tópicos: II 1. Da Legitimidade da Apropriação dos Créditos de COFINS Oriundos dos Serviços Prestados pelas Empresas SERVISYSTEM e TRANSPORTADORA TRANSCARGA (itens 7.2 e 7.5 do Termo de Verificação Fiscal) Essencialidade dos Serviços na Atividade Produtiva da Recorrente. II. 1.2. Sobre os serviços de condução de veículos industriais prestados pela SERVISYSTEM II. 1.3. Serviços de Administração de Almoxarifado. II. 1.4. Ad Argumentandum Tantum Necessidade de manutenção dos créditos de COFINS ao menos em relação ao fornecimento dos veículos industriais pela Servisystem II.2. Do Direito ao Crédito de PIS Decorrente da Aquisição de Partes. Pecas. Lubrificantes, Graxas e Serviços de Manutenção de Máquinas Pertencentes à Recorrente Atuação Direta desse Maquinário no Processo de Fabricação ou Produção (Itens 7.4.1 e 7.4.2 do Relatório de Atividade Fiscal) II.2. a. Nulidade do Acórdão Recorrido Falha da Fiscalização Necessidade de Verificação, In loco, da Utilização dos Insumos e das Máquinas no Processo Produtivo da Recorrente Conversão do Julgamento deste Recurso em Diligência II.2.b. Do Direito da Recorrente aos Créditos de COFINS sobre instintos e serviços essenciais à sua linha de produção e aplicados no maquinário que não entram diretamente em contato com o produto final produzido pela Recorrente. II.2.a. Da Efetiva Participação das Máquinas e Insumos no Processo de Produção da Recorrente. Fl. 516DF CARF MF Processo nº 13851.901921/201183 Resolução nº 3402001.870 S3C4T2 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Resolução nº 3402 001.855, de 23 de abril de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 13851.721690/2011 26. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela resolução (Resolução nº 3402001.855): "Do conceito de insumo para o PIS e a Cofins não cumulativos O Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR (2010/02091150), pelo rito dos Recursos Repetitivos, decidiu no sentido de que o conceito de insumo deve ser aferido segundo os critérios de essencialidade ou relevância para o processo produtivo da contribuinte, bem como que há ilegalidade no conceito de insumo previsto nas Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004. A Procuradoria da Fazenda Nacional expediu a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, com a aprovação da dispensa de contestação e recursos sobre o tema, com fulcro no art. 19, IV, da Lei nº 10.522, de 2002, c/c o art. 2º, V, da Portaria PGFN nº 502, de 2016, o que vincula a Receita Federal nos atos de sua competência. O conceito de insumo delimitado no REsp nº 1.221.170/PR (2010/02091150) não diverge muito do entendimento que já vinha sendo adotado predominantemente neste CARF sobre a matéria, a qual reclama há muito tempo uniformização na jurisprudência em homenagem à segurança jurídica, razões pelas quais se adota desde já o entendimento do STJ veiculado no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR (2010/02091150), cuja ementa consta abaixo: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, Fl. 517DF CARF MF Processo nº 13851.901921/201183 Resolução nº 3402001.870 S3C4T2 Fl. 5 4 efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3º, II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço –para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Os critérios da essencialidade e relevância considerados são aqueles delimitados no Voto da Ministra Regina Helena Costa, conforme observação que constou na Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN MF: 35. O STJ, seguindo o voto da Ministra Regina Helena Costa adotou a posição intermediária quanto ao conceito de insumo, ao adotar os critérios de relevância e essencialidade – também adotadas no CARF – e afastando o conceito de insumo da legislação do IPI e IRPJ. De acordo com o voto da Ministra Regina Helena estabeleceuse o critério de relevância – mais abrangente que o de pertinência adotado pelo Ministro Mauro Campbell Marques. Os Ministros Mauro Campbell Marques e Napoleão Nunes Maia Filho realinharam os seus votos para acompanhar Ministra Regina Helena Costa. (...) Observação 1. Observase que o STJ adotou a interpretação intermediária acerca da definição de insumo, considerando que seu conceito deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Devese, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância. Vale destacar que os critérios de essencialidade e relevância estão esclarecidos no voto da Ministra Regina Helena Costa, de maneira que se entende como critério da essencialidade aquele que “diz com o item do qual dependa, intrínseca e Fl. 518DF CARF MF Processo nº 13851.901921/201183 Resolução nº 3402001.870 S3C4T2 Fl. 6 5 fundamentalmente, o produto ou serviço”, a)”constituindo elemento essencial e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço” ou “b) quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”. Por outro lado, o critério de relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja: a) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva” b) seja “por imposição legal.” Vale aqui também fazer as ressalvas efetuadas pela Procuradoria da Fazenda Nacional na Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF no sentido de que foi estabelecido no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR somente um conceito abstrato de insumo, cabendo ao julgador ou aplicador da norma avaliar, em cada caso concreto, se o insumo em questão enquadrase ou não nesse conceito, ou mesmo, se não se trata de hipótese de vedação ao creditamento ou de outras previsões específicas constantes nas Leis nºs 10.637/2002, 10.833/2003 e 10.865/2005. A Receita Federal, por sua vez, trouxe outros delineamentos para a interpretação do conceito abstrato de insumo trazido pelo STJ mediante o PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05, de 17 de dezembro de 2018, cujo entendimento também vincula a fiscalização em seus atos. Observase, no entanto, que, para verificar o enquadramento do caso concreto ao referido conceito abstrato de insumo, algumas questões ainda precisam ser esclarecidas pela fiscalização e pela recorrente. II1. Da Apropriação dos Créditos de Cofins relativos aos serviços prestados pelas Empresas SERVISYSTEM e TRANSPORTADORA TRANSCARGA (itens 7.2 e 7.5 do Termo de Verificação Fiscal) Um dos contratos celebrados em 2010 com a empresa SERVISYSTEM tem o seguinte objeto: “O objeto da presente contratação é a prestação de serviços, pela CONTRATADA, de administração de almoxarifados e serviços administrativos, no Projeto denominado “deficientes” nas dependências indicadas pela CONTRATANTE. Também faz parte da presente contratação, a utilização de mão de obra por parte da CONTRATANTE, no que ser refere ao setor de Análise e Estatística da Qualidade, cujos serviços dizem respeito a desmontagem de produtos avariados.” (...) Embora haja nos autos alguma descrição do que seria a administração de almoxarifados, falta um melhor detalhamento acerca do serviço relacionado ao "setor de Análise e Estatística da Qualidade", bem como quanto aos demais "serviços administrativos" ou ao Projeto denominado “deficientes”. Fl. 519DF CARF MF Processo nº 13851.901921/201183 Resolução nº 3402001.870 S3C4T2 Fl. 7 6 Dessa forma, é conveniente que se solicite à recorrente um laudo técnico com descrição detalhada dos serviços relativos ao Contrato celebrado em 2010 com a empresa SERVISYSTEM que tem como objeto prestação de serviços "de administração de almoxarifados e serviços administrativos", em especial, o eventual enquadramento desses serviços no conceito abstrato de insumo delimitado acima e/ou no entendimento veiculado pelo PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05, de 17 de dezembro de 2018. Caso seja possível, solicitase a segregação das remunerações dos serviços do contrato, diante da possibilidade de se manter algumas glosas de serviços e reverter outras do mesmo contrato. De outra parte, para uma maior segurança no julgamento pelo Colegiado seria também de grande utilidade um laudo técnico nesses termos relativamente aos demais contratos celebrados com a SERVISYSTEM ou com a TRANSCARGA. II.2. Da Aquisição de Partes, Peças, Lubrificantes, Graxas e Serviços de Manutenção de Máquinas pertencentes à Recorrente Relativamente a este tópico, as glosas foram efetuadas em relação às aquisições diretamente encaminhadas aos centros de custos que não estavam diretamente relacionados ao processo produtivo conforme entendimento da fiscalização (item 7.4.1 do Relatório Fiscal). Os centros de custos foram assim descritos pela fiscalização: Com relação aos centros de custos de "Engenharia de Produtos" e "Desenvolvimento de Novos produtos", relativos ao desenvolvimento de novos processos de fabricação de compressores, haveria a possibilidade de creditamento caso os itens adquiridos para estes centros (partes, peças, lubrificantes, graxas e serviços) atendessem aos Fl. 520DF CARF MF Processo nº 13851.901921/201183 Resolução nº 3402001.870 S3C4T2 Fl. 8 7 requisitos constantes no item 8.1 ("Pesquisa e Desenvolvimento") do PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05/2018. Relativamente aos centros de custos de manutenção, quais sejam, Construção e Reforma de Máquinas; Ferramentaria; Fábrica geral; Funilaria e Manutenção Industrial; há, em tese, a possibilidade de creditamento como insumos somente para os bens e serviços que não devam ser objeto de ativação (creditamento por encargos de depreciação). Essa matéria também foi tratada no Parecer Normativo Cosit/RFB nº 05/2018 no item 7.1 ("Manutenção periódica e substituição de partes de ativos imobilizados"). Assim, a recorrente deve ser intimada para que apresente Laudo Técnico acerca da análise da essencialidade/relevância ao processo produtivo das partes, peças, lubrificantes, graxas e serviços aplicados nos centros de produção de manutenção ou de pesquisa e desenvolvimento, em especial, se atendem aos requisitos de creditamento nos termos dos itens 7.1 ou 8.1 do PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05/2018. Nessa esteira, com fundamento no art. 18 do Decreto nº 70.235/72 e nos arts. 35 a 37 e 63 do Decreto nº 7.574/2011, voto no sentido de determinar a realização de diligência para que a Unidade de Origem: a) Intime a recorrente a, dentro de prazo razoável, apresentar Laudo Técnico com os seguintes quesitos: a.1) Descrição detalhada dos serviços relativos ao Contrato celebrado em 2010 com a empresa SERVISYSTEM que tem como objeto prestação de serviços "de administração de almoxarifados e serviços administrativos", em especial, o eventual enquadramento desses serviços no conceito abstrato de insumo delimitado no Voto da Ministra Regina Helena Costa no REsp nº 1.221.170/PR e/ou no PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05, de 17 de dezembro de 2018. Caso seja possível, solicitase a segregação das remunerações dos serviços do contrato, diante da eventual possibilidade de o Colegiado manter algumas glosas de serviços e reverter outras do mesmo contrato. a.2) Descrição detalhada dos serviços relativos aos demais contratos celebrados com a SERVISYSTEM ou com a TRANSCARGA e do seu eventual enquadramento no conceito de insumo e segregação da remuneração, conforme delineado no item precedente. a.3) Análise da essencialidade/relevância ao processo produtivo das partes, peças, lubrificantes, graxas e serviços aplicados nos centros de produção de manutenção e de pesquisa e desenvolvimento, em especial, se atendem aos requisitos de creditamento nos termos dos itens 7.1 ou 8.1 do PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05/2018. b) Elabore Relatório Conclusivo acerca da apuração das informações solicitadas nos itens acima, manifestandose acerca dos fatos e fundamentos apresentados pela recorrente, inclusive, sobre o eventual enquadramento dos itens glosados contestados no conceito de insumo delimitado no Voto da Ministra Regina Helena Costa proferido no Fl. 521DF CARF MF Processo nº 13851.901921/201183 Resolução nº 3402001.870 S3C4T2 Fl. 9 8 REsp nº 1.221.170/PR e/ou no PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05/2018, ambos de aplicação obrigatória no âmbito da RFB. 3. Após a intimação da recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011, devolva o processo a este Colegiado para prosseguimento." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por determinar a realização de diligência para que a Unidade de Origem: a) Intime a recorrente a, dentro de prazo razoável, apresentar Laudo Técnico com os seguintes quesitos: a.1) Descrição detalhada dos serviços relativos ao Contrato celebrado em 2010 com a empresa SERVISYSTEM que tem como objeto prestação de serviços "de administração de almoxarifados e serviços administrativos", em especial, o eventual enquadramento desses serviços no conceito abstrato de insumo delimitado no Voto da Ministra Regina Helena Costa no REsp nº 1.221.170/PR e/ou no PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05, de 17 de dezembro de 2018. Caso seja possível, solicitase a segregação das remunerações dos serviços do contrato, diante da eventual possibilidade de o Colegiado manter algumas glosas de serviços e reverter outras do mesmo contrato. a.2) Descrição detalhada dos serviços relativos aos demais contratos celebrados com a SERVISYSTEM ou com a TRANSCARGA e do seu eventual enquadramento no conceito de insumo e segregação da remuneração, conforme delineado no item precedente. a.3) Análise da essencialidade/relevância ao processo produtivo das partes, peças, lubrificantes, graxas e serviços aplicados nos centros de produção de manutenção e de pesquisa e desenvolvimento, em especial, se atendem aos requisitos de creditamento nos termos dos itens 7.1 ou 8.1 do PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05/2018. b) Elabore Relatório Conclusivo acerca da apuração das informações solicitadas nos itens acima, manifestandose acerca dos fatos e fundamentos apresentados pela recorrente, inclusive, sobre o eventual enquadramento dos itens glosados contestados no conceito de insumo delimitado no Voto da Ministra Regina Helena Costa proferido no REsp nº 1.221.170/PR e/ou no PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05/2018, ambos de aplicação obrigatória no âmbito da RFB. 3. Após a intimação da recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011, devolva o processo a este Colegiado para prosseguimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 522DF CARF MF
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Numero do processo: 13502.900800/2009-60
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
De acordo com o §12 do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprova o atual Regimento Interno do CARF, não servirá como paradigma o acórdão que contrariar súmula do CARF. No caso, o paradigma apresentado para a comprovação da divergência jurisprudencial contraria frontalmente a Súmula CARF nº 84: "É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa". Além disso, o acórdão paradigma tratou de um contexto que não colocou em debate questões como as que foram examinadas pelo acórdão recorrido, o que também inviabiliza a caracterização da alegada divergência jurisprudencial.
Numero da decisão: 9101-004.184
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Fabiano Alves Penteado, Viviane Vidal Wagner, Lívia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva (suplente convocado), Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o conselheiro Demetrius Nichele Macei, substituído pelo conselheiro Daniel Ribeiro Silva.
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO. De acordo com o §12 do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprova o atual Regimento Interno do CARF, não servirá como paradigma o acórdão que contrariar súmula do CARF. No caso, o paradigma apresentado para a comprovação da divergência jurisprudencial contraria frontalmente a Súmula CARF nº 84: "É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa". Além disso, o acórdão paradigma tratou de um contexto que não colocou em debate questões como as que foram examinadas pelo acórdão recorrido, o que também inviabiliza a caracterização da alegada divergência jurisprudencial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 90 08 00 /2 00 9- 60 Fl. 177DF CARF MF Processo nº 13502.900800/200960 Acórdão n.º 9101004.184 CSRFT1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Fabiano Alves Penteado, Viviane Vidal Wagner, Lívia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva (suplente convocado), Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o conselheiro Demetrius Nichele Macei, substituído pelo conselheiro Daniel Ribeiro Silva. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial quanto ao que se decidiu sobre direito creditório apurado a partir de recolhimento de estimativa mensal do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ. A recorrente insurgese contra o Acórdão nº 180300.850, de 24/02/2011, por meio do qual a 3a Turma Especial da 1a Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, deu provimento parcial a recurso voluntário da contribuinte acima identificada, para fins de reconhecer a possibilidade de restituição/compensação do direito creditório reivindicado a partir de recolhimento de estimativa mensal de IRPJ, na forma de saldo negativo. O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2005 DESPACHO DECISÓRIO. PRELIMINAR DE NULIDADE. DESCABIMENTO. Só se pode cogitar de declaração de nulidade de despacho decisório quando for, esse despacho, proferido por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2005 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVAS. O valor recolhido a título de estimativas de IRPJ ou CSLL integra o saldo negativo do período de apuração e, como tal, é passível de restituição e compensação com outros tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que o direito creditório pleiteado seja apreciado como saldo negativo, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, relator, que dava provimento parcial para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o consequente retorno dos autos ao Fl. 178DF CARF MF Processo nº 13502.900800/200960 Acórdão n.º 9101004.184 CSRFT1 Fl. 4 3 órgão de origem, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, relativamente à matéria acima mencionada. Para o processamento de seu recurso, a PGFN desenvolve os argumentos a seguir: de acordo com o v. acórdão ora recorrido, o valor recolhido a título de estimativas de IRPJ ou CSLL integra o saldo negativo do período de apuração e, como tal, é passível de restituição e compensação com outros tributos; ocorre que, divergindo frontalmente deste entendimento, temos o seguinte paradigma oriundo da Colenda 7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, verbis: Acórdão nº 19700.051 Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Exercício: 1996, 1997 Ementa: COMPENSAÇÃO CSLL PAGAMENTOS POR ESTIMATIVA as estimativas mensais, ainda que pagas em valor superior ao calculado na forma da lei, não se caracterizam, de imediato, como tributo indevido ou a maior passível de restituição. A opção pelo pagamento mensal por estimativa difere para o ajuste anual a verificação da regularidade dos pagamentos efetuados. DAS RAZÕES QUE JUSTIFICAM A REFORMA DO V. ACÓRDÃO ORA RECORRIDO como já visto, o litígio que envolve o presente processo decorre da análise da possibilidade legal de restituição e posterior compensação, de recolhimentos indevidos ou a maior de estimativas mensais de CSLL ou IRPJ; em verdade, o entendimento predominante é de que existe uma impropriedade na expressão "pagamento por estimativa", já que pagamento é forma de extinção do crédito tributário, fato que não se configura nos recolhimentos mensais por estimativa, que se traduzem por meras antecipações do tributo devido, a ser apurado definitivamente ao término do período definido na legislação; o crédito passível de ser restituído é aquele apurado no ajuste anual e demonstrado na declaração de rendimentos, na qual são considerados os valores devidos por estimativa, assim como o imposto devido em relação ao ano todo; consolidando este entendimento, o art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 460, de 18 de outubro de 2004, definiu que: [...]; Fl. 179DF CARF MF Processo nº 13502.900800/200960 Acórdão n.º 9101004.184 CSRFT1 Fl. 5 4 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. a Instrução Normativa SRF n° 600, de 28/12/2005, revogou a IN SRF n° 460/2004, mas manteve em seu art. 10, a mesma redação da norma revogada, acima transcrita; portanto, não se nega que a impugnante possa ter crédito em relação ao ano calendário de 2004, decorrente do recolhimento por estimativa em valor superior ao imposto apurado como devido ao final do exercício, mas esse crédito deverá estar consolidado na apuração anual efetivada na declaração de rendimentos na forma de saldo negativo, que não foi objeto do presente pedido; esclareçase que a apuração de imposto devido ao final do exercício, em valor inferior ao que foi recolhido por estimativa, indica a existência de crédito restituível a ser apurado na declaração de rendimentos, mas não caracteriza como indevidos os valores recolhidos a título de estimativa; DO PEDIDO diante do exposto, a União (Fazenda Nacional) requer seja conhecido e provido o presente Recurso Especial, a fim de, reformando o v. acórdão ora recorrido, ser restaurada "in totum" a r. decisão de 1ª instância. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do Despacho nº 1400 00.586, exarado em 06/06/2012, deu seguimento ao recurso, fundamentando sua decisão na seguinte análise sobre a divergência suscitada: O acórdão recorrido recebeu a ementa abaixo: [...]; Conforme o voto vencido, entendeuse que o contribuinte, por ter recolhido estimativa mensal em valor superior ao devido, faria jus à restituição: [...]; No voto vencedor, por sua vez, verificouse, à luz da DIPJ, a existência de saldo negativo, de sorte que foi dado “...parcial provimento ao recurso para que o direito creditório seja analisado pela unidade de origem a título de saldo negativo de IRPJ”. A seu turno, a recorrente aduz haver interpretação divergente conferida por outro colegiado à lei tributária, consubstanciada no seguinte julgado: [...]; Neste paradigma o pedido de restituição/compensação também teve como origem direito creditório a título de estimativa. Contudo, a decisão, diferentemente do acórdão recorrido, foi no sentido de se negar provimento ao recurso, não de aproveitálo para considerar o crédito como proveniente Fl. 180DF CARF MF Processo nº 13502.900800/200960 Acórdão n.º 9101004.184 CSRFT1 Fl. 6 5 de eventual saldo negativo apurado ao final do respectivo anocalendário, que pode, inclusive, existir, razão pela qual resta demonstrada a divergência de interpretação suscitada. In verbis: [...]; Pelo exposto, presentes os requisitos de admissibilidade, PROPONHO seja ADMITIDO o recurso especial interposto. Em 13/11/2012, a contribuinte foi cientificada do Acórdão nº 180300.850, do recurso especial da PGFN, e do despacho que deu seguimento a esse recurso, e em 27/11/2012, ela apresentou tempestivamente suas contrarrazões, com os seguintes argumentos: PRELIMINAR. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. o Presidente da 4ª Câmara da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais proferiu despacho admitindo o recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, por entender que o acórdão paradigma tratava de situação fática semelhante àquela tratada nestes autos; entretanto, conforme esclarecido, o presente caso trata da possibilidade de restituição e compensação com débitos próprios do saldo negativo de IRPJ, apurado em 31/12/2004, decorrente de pagamento a maior de estimativa mensal que integrou o saldo negativo do período de apuração, enquanto que no acórdão paradigma o cerne da questão é se recolhimentos feitos sob o regime de estimativa mensal geram, por si só e de imediato, direito à restituição ou compensação; não houve, portanto, no caso apresentado como paradigma, a apuração de saldo negativo no encerramento do períodobase, situação diversa do presente acórdão recorrido; pelo exposto, tendo em vista que o paradigma colacionado trata de situação diversa daquela objeto do presente recurso, não deve ser conhecido o recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional; DO DIREITO. DA ORIGEM DO CRÉDITO. conforme restou demonstrado nos autos, o crédito pleiteado tem origem no pagamento a maior a título de estimativa de IRPJ (código: 2362), relativo ao período de apuração de 31/12/2004, no valor de R$ 201.867,51; isto porque, no período em questão, a estimativa, apurada nos termos da legislação aplicável, não era devida (R$ 132.332,12), conforme DIPJ 2005, anocalendário 2004, já anexada ao processo; cumpre esclarecer, todavia, que, por equívoco, a Recorrida recolheu o valor de R$ 435.024,84, conforme cópia do DARF já acostada aos autos; assim, o valor apurado a título de estimativa mensal (R$ 132.332,12), corretamente informada na DIPJ, foi utilizada para compor o saldo negativo de IRPJ do exercício (R$ 656.757,95), nos termos da legislação aplicável; Fl. 181DF CARF MF Processo nº 13502.900800/200960 Acórdão n.º 9101004.184 CSRFT1 Fl. 7 6 o direito à restituição e compensação, objeto do presente processo, encontra previsão expressa no art. 74 da Lei n° 9.430/96, senão vejamos: [...]; entretanto, a d. Procuradoria entendeu que o pagamento a maior de estimativa, por si só, não se enquadra no conceito de crédito passível de restituição de que trata o referido art. 74. Isso porque, entendeu que a opção pelo pagamento mensal por estimativas difere para o ajuste anual a verificação da regularidade dos pagamentos realizados; ora, restou demonstrado nos autos, conforme DIPJ 2005, que o pagamento a maior resultou em apuração de saldo negativo de IRPJ, no montante total de R$ 656.757,95. Dessa forma, o valor relativo à estimativa de IRPJ apurada no períodobase encerrado em Dezembro de 2004 (R$ 201.867,51) foi inferior ao valor efetivamente recolhido (R$ 435.024,84), pelo que o pagamento a maior incorporou o saldo negativo apurado, razão determinante do acerto da decisão recorrida; assim, não merece qualquer reforma o r. acórdão recorrido, que nos termos do voto vencedor, reconheceu que houve efetivo recolhimento a maior no período evidenciado por saldo negativo de IRPJ apurado, conforme demonstrado na respectiva DIPJ 2005; DO PEDIDO. pelo exposto, requerse o não conhecimento do Recurso Especial interposto pela d. Procuradoria da Fazenda Nacional e, se conhecido, lhe seja negado provimento para manutenção integral do r. acórdão recorrido, para que o direito creditório reconhecido, a título de saldo negativo de IRPJ, seja analisado pela unidade de origem e, por conseguinte, homologadas as compensações vinculadas. É o relatório. Fl. 182DF CARF MF Processo nº 13502.900800/200960 Acórdão n.º 9101004.184 CSRFT1 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Não há condições para se conhecer do recurso especial. No recurso especial, a PGFN argumenta: que as estimativas mensais, ainda que pagas em valor superior ao calculado na forma da lei, não se caracterizam, de imediato, como tributo indevido ou a maior passível de restituição; que a opção pelo pagamento mensal por estimativa difere para o ajuste anual a verificação da regularidade dos pagamentos efetuados; que existe uma impropriedade na expressão "pagamento por estimativa", já que pagamento é forma de extinção do crédito tributário, fato que não se configura nos recolhimentos mensais por estimativa, que se traduzem por meras antecipações do tributo devido, a ser apurado definitivamente ao término do período definido na legislação; que o crédito passível de ser restituído é aquele apurado no ajuste anual e demonstrado na declaração de rendimentos, na qual são considerados os valores devidos por estimativa, assim como o imposto devido em relação ao ano todo; que de acordo com o art. 10 da IN SRF n° 460/2004, a contribuinte somente pode utilizar o pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Um dos motivos para o não conhecimento do recurso é que o paradigma apresentado, o Acórdão nº 19700.051, que segue a mesma linha dos argumentos acima descritos, contraria frontalmente a Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018). E de acordo com o §12 do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), não servirá como paradigma o acórdão que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar Súmula do CARF. Mas há ainda um outro motivo pelo qual o recurso especial não deve ser conhecido. É que o acórdão recorrido examinou o direito creditório na perspectiva do saldo negativo de IRPJ apurado no período. Fl. 183DF CARF MF Processo nº 13502.900800/200960 Acórdão n.º 9101004.184 CSRFT1 Fl. 9 8 De acordo com o voto que orientou essa decisão, não havia dúvidas de que a contribuinte tinha apurado saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 656.757,95 em sua DIPJ, e que nesse saldo negativo estava computado o alegado pagamento indevido ou a maior de estimativa, no valor de R$ 435.084,24. O acórdão recorrido também destacou que a recorrente efetivamente dispunha de saldo negativo de IRPJ no ano calendário 2004, em princípio com valor bem superior ao dos débitos objeto de compensação neste processo, e foi diante desse contexto específico que a turma julgadora, considerando a fungibilidade do direito de repetição de valores recolhidos indevidamente ao longo do ano calendário, determinou que o direito creditório fosse analisado pela unidade de origem à título de saldo negativo de IRPJ. O acórdão paradigma, por outro lado, tratou de um contexto que não colocou em debate questões como as que foram examinadas pelo acórdão recorrido. Observo que o despacho de exame de admissibilidade trouxe comentário sugerindo que o acórdão paradigma tinha adentrado na análise de um eventual saldo negativo (que poderia, inclusive, existir), e que, mesmo assim, aquela decisão havia negado o direito creditório a partir do pagamento de estimativa. Mas não foi isso o que aconteceu. Naquele outro caso, a controvérsia ficou mesmo restrita à questão sobre a possibilidade ou não de restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal, prevalecendo o entendimento do antigo art. 10 da IN SRF n° 460/2004. Não houve nenhuma análise, nenhum debate, sobre apuração de saldo negativo no período em questão, e nem manifestação admitindo a sua existência. Nesses termos, o acórdão paradigma não serve para a caracterização da alegada divergência, seja porque ele afronta diretamente a Súmula CARF nº 84, seja porque ele tratou de um contexto que não colocou em debate questões como as que foram examinadas pelo acórdão recorrido. Desse modo, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da PGFN. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 184DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.901639/2013-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/2011 a 31/03/2011
PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracteriza-se a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade.
Numero da decisão: 3302-006.860
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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CONCOMITÂNCIA. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracterizase a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. Relatório Trata o presente processo do Pedido de Restituição (PER), transmitido pelo contribuinte acima identificado, no qual solicita a restituição de PIS. Consta no processo Despacho Decisório Eletrônico proferido pela unidade de origem, o qual concluiu pela improcedência do crédito original informado no PER, sob o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 16 39 /2 01 3- 45 Fl. 352DF CARF MF Processo nº 16682.901639/201345 Acórdão n.º 3302006.860 S3C3T2 Fl. 3 2 fundamento de que o pagamento relacionado havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Cientificado desta decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, julgada improcedente pela DRJ, nos termos do Acórdão nº 12089.006. Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta que: a) A ausência de retificação de DCTF ou de qualquer outra obrigação acessória jamais poderia ser impeditivo do reconhecimento do seu direito ao crédito, na medida em que o Fisco possui outros meios de apurar a existência de eventual indébito tributário. Assim, não restam dúvidas de que a falta de retificação da DCTF não deve implicar na perda do direito ao crédito; b) Não há concomitância entre o presente processo e o Mandado de Segurança n° 002418579.2013.4.02.5101. A lide proposta foi no sentido de que fosse reconhecido o direito líquido e certo da recorrente não se sujeitar à incidência do PIS/Cofins sobre as receitas de interconexão, bem como para reconhecer o crédito referente a eventuais valores pagos indevidamente, relativamente a contribuições apuradas e recolhidas após a impetração do writ. O objeto da ação judicial se destina apenas às contribuições de PIS e Cofins apuradas e recolhidas após a distribuição do referido MS; c) No caso concreto, há uma divisão muito clara. Os pagamentos indevidos de PIS/COFINS sobre receitas de interconexão de redes, apuradas antes de 23.9.2013, foram objeto de pedido administrativo de restituição. Apenas os pagamentos realizados com base em apurações de PIS/COFINS feitas partir de 23.9.2013, foram objeto do pedido judicial formulado no Mandado de Segurança n° 002418579.2013.4.02.5101. Bem verdade que há certa semelhança entre as causas de pedir dos processos administrativos e judicial. Ambos estão fundados na “não incidência do PIS/COFINS sobre receitas de interconexão”. Todavia, os pedidos efetuados para se afastar o PIS e a COFINS sobre as receitas de interconexão, bem como para se reconhecer o crédito sobre pagamentos indevidos realizados envolvem a mesma discussão para períodos de apuração distintos. Frisese: os pedidos administrativos se voltam às contribuições apuradas e pagas antes da impetração do mandado de segurança. Já aquelas apuradas e pagas após o ajuizamento da ação judicial são objeto do mandado de segurança. Diante desse cenário, verificase que não há concomitância entre o mandado de segurança em curso perante o Poder Judiciário e o presente processo administrativo, tendo em vista que os períodos de apuração relativos ao crédito referente ao indébito tributário são distintos; d) Os valores recebidos pela Recorrente e repassados a outras operadoras a título de interconexão de redes não configuram receita tributável pelo PIS e COFINS, pois não se trata de “receita” auferida pela Recorrente, quer do ponto de vista jurídico, quer mesmo do ponto de vista contábil. No caso dos valores recebidos pela Recorrente e repassados a terceiros a título de interconexão de redes, o que se verifica é um mero e transitório ingresso de recursos que devem ser repassados ao terceiro que cedeu seus meios de rede à Recorrente. Não há, portanto, qualquer efetivo acréscimo patrimonial da Recorrente, porque já há um imediato e compulsório destino para aquele valor recebido, que é repassado para as outras operadoras de telecomunicação; e) A tributação nos moldes pretendidos pelo Fisco implica a tributação pelo PIS/COFINS da receita total auferida pela Recorrente pela prestação do serviço de Fl. 353DF CARF MF Processo nº 16682.901639/201345 Acórdão n.º 3302006.860 S3C3T2 Fl. 4 3 telecomunicação, incluindo a parcela que será repassada a terceiros pela interconexão de redes. E, além dessa tributação, nos termos da pretensão fiscal, haveria uma nova incidência do PIS/COFINS pelo terceiro que realiza a interconexão, no momento em que ele apropriar a receita que lhe é repassada, caracterizando o bis in idem tributário; f) A base de cálculo do PIS/COFINS não deve ser integrada por elementos estranhos à receita auferida, notadamente pelos valores que devem ser repassados a terceiros a título de interconexão de redes. Na prática, isso faz com que todo o valor pago pela Recorrente a título de PIS/COFINS sobre esses valores de interconexão de redes seja qualificado como indébito tributário, que lhe deve ser restituído. Termina o recurso requerendo o provimento para que seja reformado o acórdão recorrido, a fim de que seja deferido o pedido de restituição formulado. É o breve relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.815, de 25 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 16682.900008/201490, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.815): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise. O cerne da questão está em decidir se há concomitância entre esse processo administrativo e o Mandado de Segurança n° 002418579.2013.4.02.5101. Para tanto, é necessário analisar os objetos dos respectivos processos. Conforme já mencionado na decisão a quo, o indébito pleiteado no Pedido de Restituição decorre, nas palavras do contribuinte, “da indevida inclusão na base de cálculo do PIS de valores referentes a ingressos de numerário em razão de contratos de interconexão, os quais não constituem "receita" da Manifestante”. Portanto, defende em processo administrativo a não incidência do PIS/COFINS sobre tarifas de interconexão. Vejamos o objeto do MS nº 002418579.2013.4.02.5101: Pela petição inicial, temos os seguintes pedidos: a) concessão de medida liminar para assegurar o direito liquido e certo da impetrante à suspensão da exigibilidade dos créditos tributários, nos termos do art. 151, IV, do CTN, das Fl. 354DF CARF MF Processo nº 16682.901639/201345 Acórdão n.º 3302006.860 S3C3T2 Fl. 5 4 contribuições ao PIS e a Cofins, sobre os meros ingressos apurados mensalmente pelo regime de competência pela impetrante decorrentes tão somente das tarifas de interconexão recebidas dos usuários pela coprestação dos serviços de telecomunicações prestados pelas demais operadoras e a elas integralmente repassadas (serviços de transmissão, emissão ou recepção de símbolos, caracteres, sinais, escritos, imagens, sons ou informações de qualquer natureza); b) determinação à Autoridade Coatora sobre o contudo da decisão liminar, bem como acerca do conteúdo do presente mandamus, para que no prazo legal, preste as informações que entender necessárias, com a posterior oitiva do representante do Ministério Público; c) Ciência à União Federal, nos termos do art. 7º, II, da Lei nº 12.016/2009; d) ao final, a concessão da segurança para confirmar a liminar requerida e assegurar o direito liquido e certo de a impetrante não se sujeitar à incidência das contribuições ao PIS e à Cofins, sobre meros ingressos apurados mensalmente pelo regime da competência pela impetrante decorrentes tão somente das tarifas de interconexão recebidas dos usuários pela coprestação dos serviços de telecomunicações prestados pelas demais operadoras e a elas integralmente repassadas (serviços de transmissão, emissão ou recepção de símbolos, caracteres, sinais, escritos, imagens, sons ou informações de qualquer natureza), sob pena de violação ao art. 2º da Lei nº 9,718/99 e aos arts. 5º, II; 145 § 1º; 150, I e IV e 195, I, "b" da Constituição Republicana de 1988, com a consequente compensação do indébito dessas contribuições, apurados desde a distribuição do presente writ, devidamente atualizado pela Taxa Selic, após o trânsito em julgado, nos termos dos artigos 165, 170 e 170A do CTN. A sentença de primeiro grau do Mandado de Segurança nº 002418579.2013.4.02.5101, assim decidiu: Tratase de mandado de segurança com pedido de liminar impetrado por INTELIG COMUNICAÇÕES LTDA contra ato atribuído ao DELEGADO DA DELEGACIA ESPECIAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE MAIORES CONTRIBUINTES NO RIO DE JANEIRO DEMAC, objetivando a declaração de não incidência das contribuições ao PIS e à COFINS, sobre os ingressos apurados mensalmente pelo regime de competência pela Impetrante, decorrentes de tarifas de interconexão serviços prestados pelas demais operadoras, que são posteriormente repassados àquelas congêneres, bem como a declaração do direito de compensar o indébito referente a estas contribuições, apurado desde a distribuição do writ. Sustenta, em apertada síntese, que as chamadas "tarifas de interconexão" não constituem receita, e sim meros ingressos econômicos ou financeiros, tendo cm vista que são recebidas, cm um primeiro momento, pela Impetrante, porem repassadas cm seguida às operadoras que efetivamente prestaram os serviços ao cliente usuário da Impetrante. (...) Fl. 355DF CARF MF Processo nº 16682.901639/201345 Acórdão n.º 3302006.860 S3C3T2 Fl. 6 5 Pelo exposto, com fulcro no art. 269. I, do CPC. JULGO PROCEDENTE O PEDIDO e CONCEDO A SEGURANÇA, para determinar ao Impetrado que se abstenha de exigir da Impetrante que recolha o PIS e a Cofins, incluindo na base de cálculo o valor recebido pela Impetrante e posteriormente repassado a operadora congênere, que prestou efetivamente o serviço, a título de "tarifa de interconexão", bem como para declarar o direito da Impetrante à compensação do indébito, apurado desde a distribuição do presente, na forma da lei de regência, de acordo com a modalidade escolhida pelas Impetrantes, aplicandose a SELIC como critério de atualização do indébito, vedada a cumulação com qualquer outro índice, nos termos da fundamentação supra. Analisando as razões jurídicas apresentadas na peça recursal, fico convencido da identidade das demandas administrativa e judicial, pois nas duas esferas o que se discute é a inexistência de relação jurídica tributária do PIS e da Cofins em relação as receitas de interconexão. O próprio recorrente reconhece essa congruência entre os processos administrativo e judicial. Sua alegação para afastar a concomitância se ampara no fato de que os pagamentos indevidos de PIS/COFINS sobre receitas de interconexão de redes, apuradas antes de 23.9.2013, foram objeto de pedido administrativo de restituição, e que apenas os pagamentos realizados com base em apurações de PIS/COFINS feitas partir de 23.9.2013, foram objeto do pedido judicial formulado no Mandado de Segurança n° 0024185 79.2013.4.02.5101. Não comungo do entendimento no qual a concomitância é afastada pela falta de identidade entre os períodos de apuração apontados nos processos judicial e administrativo. O diferencial entre os períodos de apuração, aqueles contemplados pelo mandamus e os não contemplados, na minha visão, referese somente à possibilidade de o recorrente utilizálos para pedido de compensação antes do trânsito em julgado, por ordem judicial, conforme sua solicitação na exordial. Os demais períodos de apuração, os que foram apurados antes da distribuições do writ, deverão esperar o trânsito em julgado da ação para poderem se credenciar a objeto de um pedido de restituição, com possíveis compensações. Digo isso, pois a decisão do Poder Judiciário sobre a incidência do PIS e da Cofins nas receitas oriundas das tarifas de interconexão, terá reflexos para todos os períodos de apuração, independentemente se foi contemplado no pedido do MS nº 002418579.2013.4.02.5101 ou não Isso se deve ao fato de que na existência de processos paralelos, com objeto e finalidade idênticos, não é salutar que haja decisões com efeitos redundantes ou antagônicos. Em qualquer das hipóteses, prevalecerá a decisão judicial, motivo pelo qual a concomitância de processos ofende o princípio da economia processual. Em face disso, a opção do contribuinte pela via judicial encerra o processo administrativo fiscal em definitivo, em qualquer das fases em que ele se encontre. Fl. 356DF CARF MF Processo nº 16682.901639/201345 Acórdão n.º 3302006.860 S3C3T2 Fl. 7 6 Registrese que a coisa julgada a ser proferida no âmbito do Poder Judiciário jamais poderia ser alterada no processo administrativo, pois tal procedimento feriria a Constituição Federal, que adota o modelo de jurisdição una, onde são soberanas as decisões judiciais. Sendo assim, nos casos em que o sujeito passivo opta pela via judicial para a discussão de matéria tributária implica na renúncia ao poder de recorrer nesta instância, nos termos do parágrafo único do art. 38 da Lei nº 6.830/80 e do § 2º, art. 1º do Decretolei nº 1.737, de 1979. Ratificando este entendimento, foi aprovado o enunciado de Súmula CARF nº 01, in verbis: Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Na linha do entendimento fixado, não conheço do recurso quanto à matéria submetida ao crivo do Poder Judiciário e na parte conhecida, nego provimento ao recurso por enxergar identidade entre os pedidos e as causas de pedir apresentados no MS nº 2007.70.00.0222765 e neste recurso administrativo." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 357DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10768.720396/2007-71
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SÚMULA PUBLICADA POSTERIORMENTE. SÚMULA CARF Nº 84.
Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso.
Numero da decisão: 9101-004.180
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Fabiano Alves Penteado, Viviane Vidal Wagner, Lívia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva (suplente convocado) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o conselheiro Demetrius Nichele Macei, substituído pelo conselheiro Daniel Ribeiro Silva.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003 CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SÚMULA PUBLICADA POSTERIORMENTE. SÚMULA CARF Nº 84. Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso.
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ESTIMATIVA. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRAS ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SÚMULA PUBLICADA POSTERIORMENTE. SÚMULA CARF Nº 84. Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Fabiano Alves Penteado, Viviane Vidal Wagner, Lívia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva (suplente convocado) e Adriana AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 72 03 96 /2 00 7- 71 Fl. 639DF CARF MF Processo nº 10768.720396/200771 Acórdão n.º 9101004.180 CSRFT1 Fl. 640 2 Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o conselheiro Demetrius Nichele Macei, substituído pelo conselheiro Daniel Ribeiro Silva. Relatório A FAZENDA NACIONAL recorre a este Colegiado, por meio de recurso especial de divergência, em face de decisão que restou assim ementada: Acórdão nº 120200.465, de 25/01/2011 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003 ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR, COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB n° 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA EM ASPECTOS PRELIMINARES. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringese a aspectos preliminares, como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada esta preliminar, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. O colegiado a quo decidiu, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para admitir a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação pretendida, em virtude da ausência da análise do mérito pela autoridade preparadora. Cientificada, a Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN), tempestivamente, apresentou Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais (efls.144150), suscitando dissenso jurisprudencial em relação ao seguinte acórdão paradigma, assim ementado: Acórdão nº 10708.989 CSLL. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. PRETENSÃO DE COMPENSAÇÃO DOS VALORES. IMPOSSIBILIDADE. Os Fl. 640DF CARF MF Processo nº 10768.720396/200771 Acórdão n.º 9101004.180 CSRFT1 Fl. 641 3 valores recolhidos a título de estimativa devem ser levados à declaração de ajuste anual, sendo possível ao contribuinte, verificando o pagamento de contribuição em montante superior ao devido no exercício de apuração, pugnar pela restituição do saldo negativo. Os recolhimentos por estimativa não são, por si só, passíveis de restituição. COMPENSAÇÃO DECLARADA E NÃO HOMOLOGADA. MULTA DE OFÍCIO. INEXIGÊNCIA. Com o advento do art. 18 da Lei 10.833 de 2003, não é cabível a aplicação de multa de ofício de 75% nos casos de compensação declarada pelo contribuinte. Em face do consagrado princípio da retroatividade benigna é cabível a aplicação de norma editada em momento posterior ao fato. Recurso parcialmente provido. O recurso especial foi admitido pelo Presidente da Câmara, através do despacho de admissibilidade de efls.392394. Contrarrazões do contribuinte às efls.450456, em que sustenta o não seguimento do recurso fazendário uma vez que a recorrente aponta como paradigmas da divergência acórdãos antigos do então Conselho de Contribuintes, cuja tese já está superada no âmbito deste egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e, mais ainda, sedimentada em sentido contrário, em favor do contribuinte, conforme evidenciado pela Súmula CARF nº 84, aprovada pela Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais em sessão de 10 de dezembro de 2012. Sucessivamente, pede que seja negado provimento ao recurso especial, mantendose o recorrido. O contribuinte apresentou embargos com efeitos infringentes, apontando contradição na decisão e pedindo a modificação do julgado embargado para dar provimento integral ao seu recurso voluntário, homologando a compensação efetuada. Os embargos não foram admitidos, consoante despacho de efls.501505. Em seguida, o contribuinte apresentou Recurso Especial (efls.512529) em relação às matérias: (1) “possibilidade de se proceder a uma nova análise do crédito do contribuinte, mesmo após evidenciado o transcurso do prazo assinalado pelo § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/96, ante a necessidade de se comprovar, nos autos, a existência do indébito tributário”; (2) “data em que as decisões proferidas pelo CARF produzem efeitos para o contribuinte”; e (3) “inteligência quanto à aplicação do § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/96”. O despacho de admissibilidade do Presidente da Câmara (efls.591601) negou seguimento ao recurso especial, o que foi confirmado pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF em sede de agravo, conforme despacho de efls.621632. É o relatório. Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner Relatora Conhecimento Fl. 641DF CARF MF Processo nº 10768.720396/200771 Acórdão n.º 9101004.180 CSRFT1 Fl. 642 4 Tratase de analisar o recurso especial da PFN, admitido pelo despacho de e fls.392394, contra decisão que reconheceu que o pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subsequente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. A recorrente apresentou paradigma que decidiu, em sentido contrário, que os valores recolhidos a título de estimativa devem ser levados à declaração de ajuste anual, não sendo os recolhimentos por estimativa, por si só, passíveis de restituição. Sobre a admissibilidade do recurso especial, o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, prevê em seu art. 67 do Anexo II: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. [...] § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. [...] § 12 Não servirá como paradigma o acórdão que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar: I Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; II decisão judicial transitada em julgado, nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC); e III Súmula ou Resolução do Pleno do CARF (grifouse) O presente litígio diz respeito à possibilidade de aproveitamento de indébitos a título de estimativa de IRPJ e de CSLL como direito creditório em declarações de compensação. Esse tema foi objeto de amplos debates neste órgão de julgamento colegiado e decisões reiteradas no mesmo sentido deram origem à Súmula CARF nº 84, atualmente com efeito vinculante a toda a Administração Pública, de seguinte teor: Súmula CARF nº 84 É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de Fl. 642DF CARF MF Processo nº 10768.720396/200771 Acórdão n.º 9101004.180 CSRFT1 Fl. 643 5 11/09/2018). (Vinculante, conforme Portaria ME nº 128, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Portanto, considerase possível a formação e o aproveitamento em compensações de indébitos de estimativa, desde que o sujeito passivo comprove, perante a autoridade administrativa que o jurisdiciona: (a) o erro cometido no cálculo ou no recolhimento da estimativa; (b) a sua adequação para a formação do indébito; e (c) a correspondente disponibilidade, mediante prova de que já não se valeu desse indébito para liquidação do IRPJ devido no ajuste anual ou para formação do correspondente saldo negativo. Verificase, assim, o acerto da decisão recorrida que reconheceu a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação no presente caso, por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da contribuinte para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, será facultado ao contribuinte uma nova manifestação de inconformidade, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento. Nesse sentido, concluise que a decisão recorrida está em consonância com o disposto na Súmula CARF nº 84, enquanto o paradigma apontado, por sua vez, contraria o disposto na referida súmula, impedindo o conhecimento do recurso especial fazendário, a teor do disposto no art. 67 e §§ 3º e 12 do Anexo II do RICARF. Por fim, cabe observar que, consoante destacado pela decisão recorrida, ainda não houve a apreciação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Neste caso, uma vez não admitido o recurso especial da Fazenda Nacional quanto ao direito posto em discussão, prevalece a decisão recorrida que deu parcial provimento ao recurso voluntário e determinou o retorno dos autos à unidade de jurisdição do contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 643DF CARF MF Processo nº 10768.720396/200771 Acórdão n.º 9101004.180 CSRFT1 Fl. 644 6 Fl. 644DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.662844/2012-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 20/12/2007
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA.
Considera-se confissão de dívida os débitos declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos.
Nesses termos, não pode ser acatada a mera alegação de erro de preenchimento desacompanhada de elementos de prova que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170, do Código Tributário Nacional.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia.
Numero da decisão: 3301-006.006
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade devotos, negar provimento ao recurso voluntário.
assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo da Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Marco Antonio Nunes Marinho e Ari Vendramini
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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CONFISSÃO DE DÍVIDA. Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. Nesses termos, não pode ser acatada a mera alegação de erro de preenchimento desacompanhada de elementos de prova que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170, do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 28 44 /2 01 2- 86 Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10880.662844/201286 Acórdão n.º 3301006.006 S3C3T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade devotos, negar provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Winderley Morais Pereira – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo da Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Marco Antonio Nunes Marinho e Ari Vendramini Relatório Tratase de processo formalizado para o tratamento manual da Declaração de Compensação onde se pleiteia a compensação de crédito oriundo de pagamento a maior de COFINS não cumulativa, com débitos tributários de sua titularidade. Em análise da Declaração de Compensação transmitida, a unidade de origem emitiu o Despacho Decisório, tendo como resultado a não homologação da compensação. Contra esta decisão a recorrente apresentou manifestação de inconformidade, onde alega, em síntese: Que após o pagamento da contribuição, verificou que não havia considerado em sua apuração o desconto de créditos que lhe são conferidos pelo art. 3º da Lei nº 10.833/03; Que seu crédito pode ser aferido pela análise do DACON Retificador, juntado ao presente, que comprova a correta apuração da COFINS sob o regime nãocumulativo; Que a falta de retificação da DCTF não é suficiente para negarlhe o crédito a quem tem direito; Que deve prevalecer o princípio da verdade material. Que o Parecer Normativa Cosit nº 02/2015 ampara seu pleito; Requer a realização de diligência bem como a juntada posterior de documentos; Anexa cópias da DACON original e retificadora e memória de cálculo de apuração da contribuição. 5. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão nº 14067.495. Inconformado com tal decisão, o requerente apresentou Recurso Voluntário, onde traz, como razões de defesa os mesmos fundamentos e argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade dirigida á DRJ, requerendo in fine : Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10880.662844/201286 Acórdão n.º 3301006.006 S3C3T1 Fl. 4 3 seja reconhecida a procedência integral dos argumentos narrados neste Recurso Voluntário, a fim de que, nos termos do Parecer Normativo COSIT nº 02/2015, seja reconhecida a totalidade do direito creditório pleiteado sob os auspícios da verdade material, com a sequente homologação das compensações declaradas e a respectiva extinção do crédito tributário nos termos do artigo 156, inciso II, do Código Tributário Nacional Subsidiariamente, na remota hipótese do não reconhecimento imediato do direito invocado, o que não se acredita, requer sejam considerados todos os elementos probatórios carreados aos autos – sobretudo a memória de cálculo de apuração da COFINS do período e respetiva Ficha 16A do DACON Retificador –como indícios suficientes à veracidade do crédito tributário para, novamente à luz do Parecer Normativo COSIT nº 02/2015, autorizar/determinar a realização de diligência fiscal para análise/validação da apuração do tributo efetivada pela Recorrente, em observância à necessária busca pela verdade material dos fatos e relativização de questões meramente formais / burocráticas (entre elas o erro de preenchimento da DCTF). É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.990, de 28 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.662828/201293, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301005.990): "8. O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. 9. O próprio recurso voluntário traz a síntese fática base da discussão nestes autos que, em breve resumo, trata da não homologação de compensação declarada, diante da inexistência de crédito, pois o crédito pleiteado é oriundo de recolhimento efetuado por documento DARF totalmente vinculado a débito confessado em DCTF, ou seja, o débito confessado em DCTF foi totalmente liquidado pelo pagamento efetivado pelo DARF utilizado como argumento como nascedouro do crédito a ser utilizado na compensação. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10880.662844/201286 Acórdão n.º 3301006.006 S3C3T1 Fl. 5 4 10. Assim se manifesta a recorrente, em sua tese recursal : I – SÍNTESE DOS FATOS Tratase de processo administrativo instaurado para controle e análise depedido de compensação de créditos de COFINS formulado pela Recorrente, devidamente declarado via sistema PER/DCOMP que, ao ser analisado pela Autoridade Fiscal, não foi homologado, com amparo na seguinte motivação: “[...] A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. [...] Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. [...]” (destacado e grifado) Como se verifica, o fundamento do r. despacho decisório em questão reside unicamente na suposta inexistência do crédito oriundo do pagamento a maior efetuado através do DARF indicado no PER/DCOMP, pois a integralidade do crédito pleiteado estaria vinculada a débito declarado pela Recorrente, ou seja, o DARF em referência teria quitado, sem qualquer saldo remanescente, o débito correspondente à COFINS apurada no período. No entanto, o crédito constante no PER/DCOMP transmitido decorre do indébito de COFINS, o qual pode ser aferido pela análise do DACON retificador que comprova a correta apuração da COFINS sob o regime da nãocumulatividade. Com efeito, o DARF vinculado no PER/DCOMP teve por base o valor indicado no primeiro DACON transmitido, cuja apuração, por equívoco da Recorrente, não considerou os créditos inerentes ao regime da nãocumulatividade, tais como (i) os valores pagos à pessoa jurídica, referentes a aluguéis de máquinas e equipamentos utilizados em suas atividades empresariais, (ii) as despesas incorridas na aquisição de bens e serviços caracterizados como insumos, (iii) custos com armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, (iv) encargos de depreciação e amortização de máquinas e equipamentos incorporados ao seu ativo imobilizado, (v) encargos de depreciação e amortização relativos a edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, também utilizados nas atividades da Recorrente, entre outros. Desta forma, com a retificação da apuração da COFINS, a Recorrente verificou a existência de crédito tributário Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10880.662844/201286 Acórdão n.º 3301006.006 S3C3T1 Fl. 6 5 decorrente do pagamento a maior praticado, com o consequente direito à compensação do indébito correlato, nos termos do art. 74, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, bem como da Instrução Normativa RFB nº 900/08, à época vigente, motivo pelo qual é medida imperiosa a homologação da compensação em tela, justamente diante da inequívoca existência do crédito regularmente compensado. Nesse sentido, a Recorrente apresentou tempestivamente sua Manifestação de Inconformidade, demonstrando e comprovando pelos diversos documentos juntados aos autos que o r. despacho decisório carece de reforma integral, tendo em vista a total e incontroversa existência do saldo credor de COFINS pleiteado, consoante detalhadamente exposto. 12. Ou seja, defende a recorrente que o crédito objeto de pretensa compensação teria origem em erro da recorrente, ao deixar de apurar créditos da não cumulatividade, por aquisições no mercado interno de insumos e serviços, o que teria a levado a recolher a maior o valor da COFINS. Ao refazer a apuração de tais créditos, a recorrente alega que os créditos apurados foram utilizados para dedução da COFINS devida, o que teria reduzido o valor da COFINS a pagar, sendo que o valor utilizado para tal pagamento teria se tornado, desta forma, maior do que o devido, gerando um crédito a seu favor, crédito este que a recorrente utilizou para quitação de débitos via compensação. 13. A rigor, pretende a recorrente que se reconheça o direito creditório originado desta apuração de créditos da não cumulatividade, e que se homologue a compensação pleiteada, para que seja autorizada a sua utilização para liquidação de débitos indicado na DCOMP. 14. Entretanto, negase a recorrente a proceder a correção da DCTF, para desvincular o pagamento do débito confessado, o que teria como consequencia, se aceito o pedido da recorrente (de se reconhecer o direito creditório oriundo de pagamento a maior), um débito confessado em DCTF, portanto auto lançado e exigível, em aberto, o que traria á recorrente um prejuízo de igual monta, diante da liquidação dos débitos declarados em DCOMP. 15. Temos ainda a alegação da recorrente que não é mais possível a retificação da DCTF, por ter decorrido o prazo de cinco anos, portanto o sistema eletrônico não admitiria mais nenhuma alteração no documento DCTF, o que obrigaria a recorrente a possuir, em sua integralidade, os documentos comprobatórios da origem dos créditos e sua apuração. 16. Em sua defesa, a recorrente alega que seria necessária diligência, por parte da Fiscalização da Secretaria da Receita Federal, uma vez que “ a realização de diligências teria o condão de afastar toda e qualquer dúvida acerca de seu direito creditório, prevalecendo a verdade material dos fatos em Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10880.662844/201286 Acórdão n.º 3301006.006 S3C3T1 Fl. 7 6 face da existência de meros erros formais / obrigações acessórias.” . 17. Assim, o que deseja a recorrente não é comprovar o seu direito, e sim que a Fiscalização, através de diligências, apure o seu direito, uma vez que alega que retificou a DACON e apresentou planilhas demonstrando seu direito, o que seria suficiente para o reconhecimento do direito creditório. Desta forma, considero correta a decisão da DRJ, o que corroboro, em não ver necessidade de realização de diligências, uma vez que as provas apresentadas pela recorrente, como portadora do ônus da prova de demonstrar seu direito, são aquelas que a recorrente julgou aptas a tal demonstração, e são estas que devem ser a base do julgamento. 18. Diz a recorrente : “ Além do mais, relembrese o amplo acervo probatório juntado pela Recorrente nos presentes autos, especialmente a Memória de Cálculo (Doc. 05 da Manifestação de Inconformidade), que traz a abertura de todos os créditos utilizados na apuração da COFINS posteriormente retificada. Referido documento, em conjunto com a Ficha 16A, do DACON Retificador (Doc. 03 da manifestação de Inconformidade), demonstra especificamente cada uma das modalidades de crédito apuradas, a exemplo dos (i) bens e serviços utilizados como insumos, (ii) despesas de energia elétrica, (iii) armazenagem e frete, (iv) depreciação do ativo imobilizado e (v) devoluções de venda. Dessa forma, as referidas informações, com seus valores analiticamente expostos, comprovam a liquidez e validade dos créditos da COFINS apurados no período, afastando de plano qualquer alegação contrária da D. Autoridade Fiscal a esse respeito.' , reafirmando que julgue os elementos que trouxe aos autos suficientes para comprovar seu direito. 19. Aduz a recorrente que o despacho decisório estaria incorreto, pois carreou, como demonstrado, aos autos, as provas suficientes para que o seu direito creditório fosse reconhecido e que, em respeito ao princípio da verdade material, deveriam os julgadores terem buscado tal verdade, admitindo provas após a impugnação e solicitado diligências para apuração dos créditos. 20. Afirma a recorrente que “ sem prejuízo, a Recorrente reconhece que, por lapso, não adotou as providências adequadas relativas à retificação das informações sobre a apuração da contribuição e do recolhimento via código DARF errôneo (2172), pois deveria primeiramente promover a retificação do DARF recolhido (Redarf), nos termos do Anexo I, da Instrução Normativa SRF nº 672, de 30 de agosto de 2006, adequando o pagamento efetuado para o código de receita nº 5856 (COFINS NÃOCUMULATIVA), com a posterior retificação da DCTF correspondente. Todavia, o descumprimento destas obrigações acessórias não invalida a existência do crédito pleiteado, devidamente declarado no DACON retificador, sob pena de ofensa ao princípio da verdade material, o qual compele a Autoridade Fiscal à realização de todas a diligências Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10880.662844/201286 Acórdão n.º 3301006.006 S3C3T1 Fl. 8 7 necessárias à efetiva verificação do crédito pleiteado pelo contribuinte, assim como exposto no tópico a seguir.” Tal afirmativa demonstra o reconhecimento da recorrente de que a vinculação do documento DARF ao débito confessado em DCTF deveria ter sido corrigida, para que restasse crédito disponível para reconhecimento do direito creditório, o que não foi feito. 21. Portanto, resta claro que, diante dos documentos carreados aos autos – DACON RETIFICADORA e planilhas de cálculo – o acervo probatório se mostrou insuficiente para comprovar o direito creditório, qual seja a origem documental dos créditos e a sua apuração registrada em documentos contábeis, devidamente conciliados, para tais créditos da não cumulatividade restassem indubitavelmente reconhecidos. Sem tais elementos, correta a decisão de piso em não reconhecer o direito creditório. 22. Quanto a considerarse como erro de fato o preenchimento da DCTF, tal argumento não socorre a recorrente, pois não há erro de fato na situação descrita, há sim uma nova apuração de valores que culminou, nas alegações da recorrente, em crédito a seu favor, e defende que as planilhas apresentadas demonstram tal crédito de forma inconteste, desta forma, realmente não se pode aceitar o argumento de erro de fato. 23. Defende ainda a recorrente que o seu descumprimento de suas obrigações – retificação do DARF e da DCTF – não ocasionaram dano ao erário, por tal razão, deve ser reconhecido o direito creditório. Assim se defende a recorrente: “ conquanto a necessária observância ao princípio da verdade material, por si só, resguarde o direito creditório da Recorrente, justamente pelo confronto do montante recolhido versus o valor declarado no DACON retificador, destacase que o não cumprimento das obrigações acessórias relativas ao Redarf (correção do código de recolhimento) e à consequente retificação da DCTF correspondente, também não seriam suficientes a não homologação da compensação em tela, quando analisadas sob a ótica da ausência de prejuízo ao Erário. Isto porque, se é verdade que a situação fática vivenciada pela Recorrente demonstra a regularidade da compensação praticada, pois não há dúvida quanto à existência do crédito tributário (apuração de créditos em decorrência da nãocumulatividade da contribuição recolhida), igualmente verdadeira é a completa ausência de prejuízo ao Erário advindo pelo não cumprimento das obrigações acessórias, principalmente diante da declaração idônea e devidamente entregue ao Fisco que permite a perfeita identificação da origem do crédito apurado (DACON Retificador). Neste sentido, o não cumprimento destas obrigações acessórias não apenas não seria idôneo para invalidar o crédito pleiteado (princípio da verdade material), como também não criou óbices à fiscalização ou, muito menos, resultou em prejuízos aos cofres públicos, o que impõe a conclusão pela absoluta ausência de prejuízos ao Erário, contexto este que da mesma maneira sinaliza a necessidade premente de homologação da compensação, seja pela Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10880.662844/201286 Acórdão n.º 3301006.006 S3C3T1 Fl. 9 8 comprovação do crédito requerido, seja pela inexistência de desfalques financeiros à Autoridade Fiscal na conduta da Recorrente. Em relação às autuações fiscais que padecem deste tipo de vício, consistente na exigência de tributo devidamente pago, com inexistência de prejuízo do Erário, há vários precedentes jurisprudenciais, administrativos e judiciais, favoráveis sendo oportuno destacar os seguintes ….” (grifamos). 24. Portanto, a própria recorrente admite que o tributo foi devidamente pago, o que traz duas possibilidades : uma a compensação, no ver da recorrente, deve ser homologada, o que ensejaria a consideração de pagamento a maior e a abertura de débito confessado em DCTF, assim o débito confessado em DCOMP estaria liquidado e o débito confessado em DCTF restaria em aberto e exigível, duas o débito confessado em DCTF estaria liquidado pelo recolhimento efetuado em DARF e não restaria direito creditório, pois não haveria pagamento a maior, o que deixaria em aberto os débitos confessados em DCOMP. Pelas duas análises, não haveria possibilidade de reconhecimento do direito sem a retificação da DCTF , ou do DARF, ou comprovação do direito por elementos de prova mais consistentes. 25. Quanto á aplicação do Parecer COSIT nº 2/2015, utilizandose do formalismo moderado, como defende a recorrente, o próprio parecer esclarece que a DCTF pode ser retificada mesmo após a emissão do despacho decisório eletrônico, ou ainda pode ter sua retificação objeto de análise administrativa, abrindo uma única possibilidade quando do impedimento para tal retificação, diz o Parecer citado : “ a não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios”, o que obriga a recorrente a carrear aos autos todos os elementos que se façam necessários para a demonstração do seu direito ao reconhecimento dos créditos da não cumulatividade oriundos de aquisições no mercado interno, como já dito, por meio de documentos fiscais, notas fiscais de aquisição, demonstração da apuração dos créditos e sua devida conciliação na sua escrita contábil e fiscal, o que definitivamente não foi apresentado pela recorrente. 26. Por fim, quanto ao pedido subsidiário de ' realização de diligência fiscal para o levantamento e constatação in concreto de todo o conjunto de elementos fático jurídicos que dão suporte aos procedimentos realizados, levandose em consideração a realidade fática efetivamente vivenciada e devidamente comprovada.” , este mostrase completamente descabido, pois caberia á recorrente, que alega possuir o direito, carrear aos autos os elementos de prova, uma vez que confessou em Declaração de Compensação que os possuía, o que nos leva a concluir que a recorrente possuía, á época da transmissão da DCOMP, todos os elementos de prova já citados. O que propõe a recorrente, é que a Fiscalização da Secretaria da Receita Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10880.662844/201286 Acórdão n.º 3301006.006 S3C3T1 Fl. 10 9 Federal atue como sua consultoria contábil para localizar, apurar e demonstrar os seus créditos da não cumulatividade. 27. Por todo o exposto, indefiro o pedido de diligência, por concordar com o julgador da DRJ, de que tal procedimento se mostra desnecessário, sendo suficientes os elementos trazidos aos autos pela recorrente para formar o convencimento deste relator. Conclusão 28. Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário apresentado, não reconhecendo o direito creditório por não ter a recorrente retificado a DCTF, não ter retificado o documento DARF e não ter apresentado elementos comprobatórios suficientes para que se possa aferir o seu direito aos créditos da não cumulatividade pleiteados. " Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 193DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.906455/2012-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
DCOMP. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. CRÉDITO FORMALIZADO TEMPESTIVAMENTE. INAPLICABILIDADE.
O sujeito passivo poderá apresentar Declaração de Compensação que tenha por objeto crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de 5 (cinco) anos, desde que referido crédito tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB antes do transcurso do referido prazo, nas forças deste.
REVISÃO DE OFÍCIO. DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE.
A DRF poderá efetuar a revisão de ofício de despacho decisório que não tenha homologado declaração de compensação, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014.
Numero da decisão: 1401-003.294
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário tão-somente para afastar a incidência da norma de prescrição, e determinar que Autoridade Administrativa revise o Despacho Decisório, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014, apure a liquidez e certeza do crédito solicitado e homologue a compensação declarada até o limite do que for reconhecido. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10580.906454/2012-16, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. CRÉDITO FORMALIZADO TEMPESTIVAMENTE. INAPLICABILIDADE. O sujeito passivo poderá apresentar Declaração de Compensação que tenha por objeto crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de 5 (cinco) anos, desde que referido crédito tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB antes do transcurso do referido prazo, nas forças deste. REVISÃO DE OFÍCIO. DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. A DRF poderá efetuar a revisão de ofício de despacho decisório que não tenha homologado declaração de compensação, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário tãosomente para afastar a incidência da norma de prescrição, e determinar que Autoridade Administrativa revise o Despacho Decisório, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014, apure a liquidez e certeza do crédito solicitado e homologue a compensação declarada até o limite do que for reconhecido. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10580.906454/201216, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 64 55 /2 01 2- 52 Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10580.906455/201252 Acórdão n.º 1401003.294 S1C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente). Relatório Trata o presente feito de Declaração de Compensação, por meio da qual o contribuinte pretende compensar pagamento indevido ou a maior de Simples (código de receita 6106) com débitos vencidos ou vincendos. A DComp que declara a compensação foi apresentada em 2010. Segundo as informações prestadas nessa declaração, o pagamento a maior ou indevido teria ocorrido em 2004 e o PER/DComp formalizando o crédito do contribuinte perante a Fazenda Nacional teria sido apresentado tempestivamente em 2005. Em Despacho Decisório, a Delegacia da Receita Federal não homologou a compensação porque, na data da transmissão da DComp já estaria extinto o direito de utilização do crédito por terem se passado mais de cinco anos entre a data de arrecadação e a data da transmissão. Irresignado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual, em síntese, alega que (i) apresentou tempestivamente o PER/DComp por meio do qual formalizou o crédito e compensou parcialmente com débitos; (ii) como o saldo não lhe foi restituído, teria direito a usálo, ainda que em 2010; (iii) ainda que não se homologue a compensação, há de se reconhecer a prescrição dos débitos. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade. Em seu entendimento, não é possível homologar compensações efetuadas após extinto o direito de pleitear a restituição do pagamento indevido ou a maior, nos termos do artigo 168, I, do Código Tributário Nacional. Em relação à alegação do contribuinte de que teria transmitido PER/DComp formalizando o crédito dentro do prazo prescricional, a DRJ argumentou que o primeiro PER/DComp transmitido pelo contribuinte não tinha natureza de "Pedido de Compensação", mas de "Declaração de Compensação". Assim, o crédito agora sob exame somente teria sido objeto de Pedido de Restituição em 2010. Quanto ao pedido do contribuinte para que se reconheça a prescrição dos débitos indevidamente compensados, a DRJ argumentou que a apresentação de DCTF em 2008 constituiu os créditos tributários. E a apresentação da DComp, ora submetida ao contencioso fiscal no rito do Decreto nº 70.235/72, suspenderia o prazo prescricional. Inconformado com o indeferimento de seus pedidos, o contribuinte manejou o recurso voluntário, no qual reitera as razões da Manifestação de Inconformidade. Resumidamente, era o que havia a relatar. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10580.906455/201252 Acórdão n.º 1401003.294 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº1401003.293, de 21/03/2019, proferido no julgamento do Processo nº10580.906454/2012 16, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1401003.293): À partida, neste voto, é preciso delinear a questão à qual cinge se o presente feito. Está sob análise tãosomente a homologação da compensação declarada pelo contribuinte em 2010. Não integra a presente lide o exame da liquidez e certeza do crédito formalizado no PER/DComp apresentado pelo contribuinte em 2005. E, no que diz respeito à compensação declarada, tenho que a decisão a quo deve ser reformada, conforme passo a expor. Inicialmente, impende destacar que o Despacho Decisório da DRF baseou a decisão de não homologar a declaração de compensação exclusivamente na extinção do direito a utilizar o crédito em função do exaurimento do prazo prescricional quinquenal. A DRF não trouxe nenhuma análise de que não houvesse o crédito oriundo de pagamento a maior ou indevido. Destarte, o ponto central a ser analisado é se, em 2010, havia sido extinto o direito do contribuinte de efetuar a compensação de débitos com o crédito oriundo de pagamento a maior ou indevido em 2004 e formalizado em 2005. O direito à repetição de indébito, no caso de pagamento indevido ou a maior, é previsto no artigo 165 do CTN, verbis: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10580.906455/201252 Acórdão n.º 1401003.294 S1C4T1 Fl. 5 4 na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. O exercício do direito à repetição do indébito tem limitação temporal determinada pelo artigo 168 do CTN nos seguintes termos: Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Para fins de contagem do prazo quinquenal, o artigo 3º da Lei Complementar nº 118/2005 determinou que, no caso de tributo sujeito à sistemática do lançamento por homologação, o termo a quo das hipóteses previstas no artigo 168, I, do CTN seria o momento do pagamento antecipado. A mudança do critério jurídico por meio da LC nº 118/2005 inovou no sistema jurídico e, assim, foi acolhida pelo Poder Judiciário com efeitos prospectivos e não retroativos, conforme se pode depreender do acórdão abaixo, exarado sob a égide do artigo 543B do Código de Processo Civil/73, no qual o Supremo Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade da parte final do artigo 4º do diploma legal citado, que dispunha sobre a aplicação do disposto no artigo 3º a fatos pretéritos: EMENTA DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10580.906455/201252 Acórdão n.º 1401003.294 S1C4T1 Fl. 6 5 verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (RE 566.621/RS, julgamento em 04/08/2011). (Grifei) A decisão do Supremo Tribunal Federal com fulcro no disposto no artigo 543B do CPC/73 deve ser observada pelos julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme determina o artigo 62, § 2º, do Anexo II do RICARF. Tal entendimento está consolidado na Súmula CARF nº 91, que tem efeito vinculante de acordo com a Portaria MF nº 277/2018, verbis: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. No caso em tela, o PER com a formalização do crédito foi transmitido em 2005 e, portanto, era tempestivo, de acordo com a norma aplicável. É mister destacar, no entanto, que o prazo do artigo 168 do CTN referese ao Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso (PER). Não se deve confundir com a Declaração de Compensação (DComp). Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10580.906455/201252 Acórdão n.º 1401003.294 S1C4T1 Fl. 7 6 A compensação é modalidade de extinção do crédito tributário, conforme artigo 156 do CTN: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: [...] II a compensação; O prazo quiquenal de que trata o artigo 168 do CTN não se refere à compensação. Mas, é preciso que o PER tenha sido formalizado antes desse prazo. Essa é a inteligência do artigo 34, § 10, da IN RFB nº 900/2008, que era vigente no momento em que foi transmitida a DComp ora sob análise: Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. [...] § 10. O sujeito passivo poderá apresentar Declaração de Compensação que tenha por objeto crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de 5 (cinco) anos, desde que referido crédito tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB antes do transcurso do referido prazo e, ainda, que sejam satisfeitas as condições previstas no § 5º. Então, no momento da transmissão da DComp, 2010, não havia sido extinto o direito de utilizar o crédito formalizado tempestivamente (2005) para efetuar a compensação pleiteada. Mas, há que se observar a parte final do dispositivo, que requer a observação das condições postas no parágrafo 5º do mesmo dispositivo. O parágrafo 5º mencionado diz: § 5º O sujeito passivo poderá compensar créditos que já tenham sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB, desde que, à data da apresentação da Declaração de Compensação: I o pedido não tenha sido indeferido, mesmo que por decisão administrativa não definitiva, pela autoridade competente da RFB; e II se deferido o pedido, ainda não tenha sido emitida a ordem de pagamento do crédito. Como dito anteriormente, o crédito que foi formalizado no PER original (transmitido em 2005) não se encontra sob exame neste Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10580.906455/201252 Acórdão n.º 1401003.294 S1C4T1 Fl. 8 7 feito. Mas, a homologação da compensação somente pode darse no limite das forças do crédito reconhecido naquele PER. A DRJ menciona que o crédito utilizado na DComp em comento não foi formalizado no PER transmitido em 2005. Mas, não há nenhum elemento probatório nos autos que permita chegar a essa conclusão. Ademais, descaberia o exame inaugural da liquidez e certeza do crédito formalizado em 2005 pelas autoridades julgadores, como se pode depreender da lição de Gilson Wessler Michels: O que resulta dessa distinção [entre recurso do tipo reexame e recurso do tipo revisão] é que, na medida em que no contencioso administrativo brasileiro foi adotada a separação entre órgãos de lançamento (Administração Ativa) e órgãos de julgamento (Administração Judicante), não sendo dada a esses a competência para praticar os atos primários de que são exemplos o lançamento e o despacho denegatório do pleito repetitório, mas sim a de praticar o ato secundário de reapreciação daqueles atos primários, só podem os órgãos julgadores administrativos prolatar decisões na esfera das quais anulam ou confirmam, parcial ou integralmente, o ato contestado (modalidade revisão), e jamais decisões nas quais substituem tal ato (modalidade reexame). (MICHELS, Gilson Wessler. Processo Administrativo Fiscal. São Paulo: Cenofisco, 2018. p 33.) De outra banda, é possível à autoridade administrativa na Delegacia da Receita Federal do Brasil efetuar a revisão de Despacho Decisório que não tenha homologado a compensação declarada, nos termos do nos termos do no Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014: REVISÃO DE DESPACHO DECISÓRIO QUE NÃO HOMOLOGOU COMPENSAÇÃO, EM SENTIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. A revisão de ofício de despacho decisório que não homologou compensação pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese de ocorrer erro de fato no preenchimento de declaração (na própria Declaração de Compensação – Dcomp ou em declarações que deram origem ao débito, como a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF e mesmo a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, quando o crédito utilizado na compensação se originar de saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ ou de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL), desde que este não esteja submetido aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes. Nestes termos, afastada a incidência da prescrição, que foi o motivo alegado pela autoridade administrativa no Despacho Decisório que não homologou a compensação, a DRF pode Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10580.906455/201252 Acórdão n.º 1401003.294 S1C4T1 Fl. 9 8 proceder à revisão deste Despacho e homologar a compensação, no limite das forças do crédito formalizado tempestivamente. Conclusão. Assim, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário tãosomente para afastar a incidência da norma de prescrição. Restituase os autos à delegacia de origem para que a autoridade administrativa revise o Despacho Decisório, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014, para homologar a compensação declarada até o limite do crédito formalizado no PER apresentado em 2005, que não tenha sido indeferido, aproveitado em outra compensação ou tenha sido objeto de ordem de pagamento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário tãosomente para afastar a incidência da norma de prescrição. Restituase os autos à delegacia de origem para que a autoridade administrativa revise o Despacho Decisório, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014, para homologar a compensação declarada até o limite do crédito formalizado no PER apresentado em 2005, que não tenha sido indeferido, aproveitado em outra compensação ou tenha sido objeto de ordem de pagamento. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 57DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.906154/2012-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 25/02/2011
PRAZO. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
O prazo legal para interposição de recurso voluntário é de trinta dias, a contar da intimação da decisão recorrida. Apresentando-se o recurso voluntário fora do prazo legal sem a prova de ocorrência de qualquer causa impeditiva, é intempestivo o recurso e, portanto, não pode ser conhecido.
Recurso Voluntário intempestivo.
Numero da decisão: 3302-006.813
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède Presidente
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede.
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Recorrente ÁGUAS DE ITU EXPLORAÇÃO DE SERVICOS DE ÁGUA E ESGOTO S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 25/02/2011 PRAZO. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. O prazo legal para interposição de recurso voluntário é de trinta dias, a contar da intimação da decisão recorrida. Apresentandose o recurso voluntário fora do prazo legal sem a prova de ocorrência de qualquer causa impeditiva, é intempestivo o recurso e, portanto, não pode ser conhecido. Recurso Voluntário intempestivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 61 54 /2 01 2- 51 Fl. 128DF CARF MF 2 Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede. Relatório Aproveitase o Relatório do Acórdão de Manifestação de Inconformidade. Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) 22512.30183.230611.1.3.04 8189, por intermédio da qual o contribuinte pretende compensar débitos próprios com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo. Em decisão proferida pela DRF competente, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor do contribuinte e, por conseguinte, não foi homologada a compensação declarada no presente processo, em razão da constatação de que o valor pago foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DComp. Irresignado, interpôs o contribuinte Manifestação de Inconformidade, na qual alega, em síntese, que houve um equívoco no preenchimento de DCTF e DACON originais, o que levou à não homologação da compensação, mas que o erro foi sanado mediante a apresentação de DCTF e DACON retificadoras. Requer a revisão do Despacho Decisório. Em 27 de novembro de 2014, a 6a Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Ribeirão Preto/SP, através do Acórdão n° 1455.630, por unanimidade de votos, considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade. A empresa ÁGUAS DE ITU EXPLORAÇÃO DE SERVICOS DE ÁGUA E ESGOTO S.A. foi cientificada da decisão de 1a instância, por via eletrônica, em 16/03/2015 (e folhas 105). A empresa ÁGUAS DE ITU EXPLORAÇÃO DE SERVICOS DE ÁGUA E ESGOTO S.A. ingressou com Recurso Voluntário em 11/05/2015, de efolhas 108 à 124. Foi alegado em resumo: ü A não apreciação de argumentos defendidos na Impugnação; ü A Falta da Intimação para a Recorrente se manifestar sobre o fim da Instrução Artigo 44 da Lei 9.784/99; ü Os Deveres e Direitos previstos na Lei n° 9.784/99; Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10855.906154/201251 Acórdão n.º 3302006.813 S3C3T2 Fl. 3 3 ü A Falta de Legislação garantindo o indeferimento DIFIS/SP atestou a existência do direito creditório; ü A Incorreta e Inexistente Motivação; ü O Levantamento Fiscal Precário; ü O Cerceamento do Direito de Defesa; ü O Princípio da Verdade Material; ü O Direito ao Ressarcimento; ü A Decadência; ü A autorização para aplicação da alíquota de 60%; ü O Princípio da Irretroatividade; ü O Direito ao Ressarcimento com a SELIC; ü A Homologação Tácita das Compensações Prazo de 5 (cinco) anos; O PEDIDO Por tudo o que foi exposto e do que mais consta nos autos deste processo, demonstrada a insubsistência da improcedência do indeferimento do seu pleito e não reconhecimento do direito creditório e das compensações realizadas, requer a Recorrente que seja acolhido o presente Recurso Voluntário para ser reformada a decisão da DRJ e cancelado o r. Despacho Decisório para este E. CARF reconheça o direito creditório pleiteado no Pedido de Ressarcimento formulado pela Recorrente e a homologação das compensações correspondentes ao crédito reconhecido. Na hipótese deste E. CARF entender não ser possível reconhecer o direito creditório conforme pleiteado acima, que ao menos reforme a r. decisão da DRJ e cancele o r. Despacho Decisório diante dos vícios demonstrados neste Recurso Voluntário para: 1. reconhecer a competência da DERAT/SP para atuar nestes autos determinando a realização de uma nova fiscalização, a ser realizada no estabelecimento da Recorrente localizado no Município de São Paulo, Capital, com a posterior emissão pelo Delegado da DERAT/SP de um novo Despacho Decisório analisando e deferindo o Pedido de Ressarcimento do Crédito da COFINS pleiteado pela Recorrente e homologando as compensações realizadas com o direito creditório correspondente, ou 2. sucessivamente, caso entenda ser competente para apreciar o Pedido de Ressarcimento a autoridade que emitiu o Despacho Decisório, que ao menos cancele esta decisão e determine a realização de novas verificações fiscais a serem realizadas no estabelecimento da Recorrente localizado no Município de São Paulo, Capital, com a posterior emissão de um novo Despacho Decisório analisando e Fl. 130DF CARF MF 4 deferindo o Pedido de Ressarcimento do Crédito da COFINS pleiteado pela Recorrente e homologando as compensações realizadas com o direito creditório correspondente. Requer, outrossim, o reconhecimento da incidência da Taxa SELIC sobre o valor dos créditos da COFINS, contada da data do protocolo do pedido de ressarcimento até o efetivo ressarcimento e/ou compensação do direito creditório, bem como a homologação das compensações realizadas até o montante do crédito cujo ressarcimento for reconhecido administrativamente. Requer, ainda, o reconhecimento da suspensão da exigibilidade do crédito tributário de todos os débitos vinculados às compensações relacionadas a estes autos até a decisão final quanto ao pedido de ressarcimento. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lima Abud Da admissibilidade. Conforme despacho de efolhas 104, o Recorrente teve ciência do Acórdão de Manifestação de Inconformidade por meio de sua Caixa Postal, considerada seu Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) perante a Receita Federal do Brasil, ciência esta realizada por seu representante legal 269.958.67815 REINALDO BERTIN, na data de 05/03/2015 09:50:04, data em que se considera feita a intimação nos termos do art. 23, § 2°, inciso III, alínea 'b' do Decreto n° 70.235/72. O artigo 23 do Decreto 70.235/72, assim determina: Da Intimação Art. 23. Farseá a intimação: I (...) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2° Considerase feita a intimação: I (...) III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10855.906154/201251 Acórdão n.º 3302006.813 S3C3T2 Fl. 4 5 O Contribuinte solicitou a juntada do Recurso Voluntário em 11/05/2015 (e folhas 107). Essa data é corroborada pelo carimbo do canto direito superior das efolhas 108. Às efolhas 106, consta TERMO DE PEREMPÇÃO: TERMO DE PEREMPÇÃO Transcorrido o prazo regulamentar e não tendo o interessado apresentado recurso voluntário relativamente ao Acórdão da DRJ que julgou improcedente a manifestação de inconformidade/impugnação, lavro, nesta data, este termo para os devidos efeitos. (Grifo e negrito nossos) Às efolhas 126 consta o seguinte Despacho, que confirma as informações aqui retratadas: DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Tendo sido regularmente cientificado do Acórdão da DRJ, o interessado interpôs recurso voluntário ao CARF. A ciência do acórdão da DRJ ocorreu em 05/03/2015 (fl. 104) e o recurso foi apresentado em 11/05/2015 (fl. 108), portanto perempto. Diante do exposto, proponho a remessa do presente processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para prosseguimento regulamentar. (Grifo e negrito nossos) O Recurso Voluntário, portanto, é intempestivo. Assim dispõe o inciso I, do artigo 42, do Decreto n° 70.235/72: Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; Sendo assim, NÃO CONHEÇO do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É como voto. Jorge Lima Abud Relator. Fl. 132DF CARF MF 6 Fl. 133DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.721981/2011-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. INTERPOSIÇÃO APÓS O PRAZO LEGAL. PRECLUSÃO PROCESSUAL. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
A tempestividade é pressuposto intransponível para o conhecimento do recurso. Quando a impugnação é apresentada fora do prazo legal, não há como instaurar a fase litigiosa processual, conforme impõe o artigo 14 do Decreto Lei 70.235/72, configurando, portanto, a preclusão processual. Assim, não se pode conhecer das razões de mérito contidas no recurso voluntário, diante da impugnação intempestiva, que fica limitado à contrariedade oferecida à essa declaração.
Recurso Voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 2301-006.007
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso.
(assinatura digital)
João Maurício Vital - Presidente.
(assinatura digital)
Wesley Rocha - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: WESLEY ROCHA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. INTERPOSIÇÃO APÓS O PRAZO LEGAL. PRECLUSÃO PROCESSUAL. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. A tempestividade é pressuposto intransponível para o conhecimento do recurso. Quando a impugnação é apresentada fora do prazo legal, não há como instaurar a fase litigiosa processual, conforme impõe o artigo 14 do Decreto Lei 70.235/72, configurando, portanto, a preclusão processual. Assim, não se pode conhecer das razões de mérito contidas no recurso voluntário, diante da impugnação intempestiva, que fica limitado à contrariedade oferecida à essa declaração. Recurso Voluntário não conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso. (assinatura digital) João Maurício Vital - Presidente. (assinatura digital) Wesley Rocha - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Virgílio Cansino Gil.
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IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. INTERPOSIÇÃO APÓS O PRAZO LEGAL. PRECLUSÃO PROCESSUAL. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. A tempestividade é pressuposto intransponível para o conhecimento do recurso. Quando a impugnação é apresentada fora do prazo legal, não há como instaurar a fase litigiosa processual, conforme impõe o artigo 14 do Decreto Lei 70.235/72, configurando, portanto, a preclusão processual. Assim, não se pode conhecer das razões de mérito contidas no recurso voluntário, diante da impugnação intempestiva, que fica limitado à contrariedade oferecida à essa declaração. Recurso Voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso. (assinatura digital) João Maurício Vital Presidente. (assinatura digital) Wesley Rocha Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 19 81 /2 01 1- 08 Fl. 270DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Virgílio Cansino Gil. Relatório Tratase de auto de infração (efls. 17 a 27) lavrado em desfavor AMADIR MANOEL DE MATO, referente a Imposto sobre a Renda de Pessoa Física do anocalendário 2006, exercício 2007, no qual é exigido o valor do referido imposto suplementar na quantia de no valor de R$ 2.485,71, acrescido da multa de oficio de 75% e dos juros de mora, em decorrência da constatação de omissão de rendimentos caracterizada pela classificação indevida de rendimentos na DIRPF, como isentos por moléstia grave, na forma dos dispositivos legais descritos na peça fiscal. A DRJ de origem não conheceu da impugnação apresentada (Acórdão de impugnação de fls. 141/150), tendo em vista sua intempestividade, uma vez que teria sido protocolado fora do prazo legal. Em seu Recurso Voluntário o contribuinte nada alega quanto à decisão de primeira instância ter se decidido pela intempestividade da defesa. É o breve relatório. Voto Conselheiro Wesley Rocha Relator O Recurso Voluntário apresentado é tempestivo, seguindo a regra do art. 33 do Decreto Lei 70.235/72. Entretanto, não conheço do Recurso Voluntário interposto, em razão da intempestividade comprovada da peça de impugnação. Senão vejamos. A impugnação foi apresentada fora do prazo legal, mais precisamente em 25.11.2011 (efl 30). Como se verifica do Aviso de Recebimento AR693617633SL de efls. 29, o Auto de Infração foi encaminhado ao domicílio tributário do contribuinte e recebido em 25, de outubro, de 2011. Entretanto, o prazo fatal findouse em 24.11.2011, um dia anterior à apresentação do permitido legal. Na efl. 140 existe um Despacho mencionando a data de protocolo da defesa: "Tendo em vista a impugnação tempestiva, haja vista que a ciência por AR ocorreu em 25/10/2011 e o protocolo da defesa administrativa ocorreu em 25/11/2011, considerando tratarse de questão de mérito, propomos que o presente processo seja encaminhado a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) para apreciação da impugnação". Fl. 271DF CARF MF Processo nº 11516.721981/201108 Acórdão n.º 2301006.007 S2C3T1 Fl. 185 3 Ocorre que, conforme bem decidido pela DRJ de origem, e analisando a contagem de prazo para defesa, o protocolo ocorreu 31 (trinta e um) dias após a intimação do recorrente em seu endereço fiscal. Como se sabe, em processo administrativo fiscal os prazos serão contados conforme dispõe o artigos 5°, do Decreto 70.235/72, assim transcrito: "Art. 5° Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato". Cabe mencionar que, a notificação do lançamento tem o condão de dar eficácia ao lançamento, ou seja, o procedimento de envio da notificação perfectibiliza todos esses atos anteriores préconstituídos pelo agente fiscal (auditor). Nesse sentido, Leandro Paulsen explica que: “A notificação do lançamento ao sujeito passivo é condição para que o lançamento tenha eficácia. Tratase de providência que aperfeiçoa o lançamento, demarcando, pois, a formalização do crédito pelo Fisco. O crédito devidamente notificado passa a ser exigível do contribuinte. Com a notificação, o contribuinte é instado a pagar e, se não o fizer nem apresentar impugnação, poderá sujeitarse à execução compulsória através de execução fiscal. Ademais, após a notificação, o contribuinte não mais terá direito a certidão negativa de débitos. A notificação está para o lançamento como a publicação está para a Lei, sendo que para esta o Min. Ilmar Galvão, no RE 222.241/CE, ressalta que “Com a publicação fixase a existência da lei e identifica a sua vigência...” (In Direito Tributário e Código tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. 11ª Ed. Livraria do Advogado, notas ao artigo 142 do CTN). Assim, com a notificação formalmente entregue foi dada eficácia ao lançamento fiscal, sendo que a impugnação apresentada fora do prazo legal é causa da ocorrência da preclusão processual, referente ao direito da contribuinte contestar os atos fiscalizatórios. Nesse sentido, há longa data este Tribunal já se manifestou, conforme parte da ementa abaixo transcrita: "EMENTA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA – PRECLUSÃO PROCESSUAL: A declaração de intempestividade da impugnação, pela decisão de primeiro grau, além de impedir a instauração da fase litigiosa do procedimento, restringe o mérito a ser examinado no âmbito do recurso voluntário, que fica limitado à contrariedade oferecida a essa declaração". (Processo n.º 10880.013371/9167. Acórdão n.º 10805814, Conselheiro Relator José Antonio Matiel. publicado em 27.10.1999). Fl. 272DF CARF MF 4 Ademais, o contribuinte sequer recorreu da decisão de intempestividade da defesa apresentada. Portanto, nem a matéria de intempestividade foi devolvida a esse Tribunal para julgamento, o que agrava a situação do recorrente para análise de mérito de seu recurso. Nessas circunstâncias, sem fase litigiosa instaurada em sede de primeira instância, não há como adentrar ao mérito do recurso voluntário. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do Recurso Voluntário, tendo em vista a preclusão processual sem fase litigiosa instaurada, em razão da intempestividade da impugnação, impondo a manutenção da decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Fl. 273DF CARF MF
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