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Numero do processo: 13888.916041/2011-94
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 31/01/2001
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE.
A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido.
Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria.
Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação.
Recurso Especial do Contribuinte não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-006.147
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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PAGAMENTO INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Recorrente FÊNIX EMPREENDIMENTOS S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 31/01/2001 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Recurso Especial do Contribuinte não Conhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 91 60 41 /2 01 1- 94 Fl. 162DF CARF MF Processo nº 13888.916041/201194 Acórdão n.º 9303006.147 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Contribuinte com fundamento nos artigos 64, inciso II, 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra ao Acórdão nº 3802002.812, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do Fato Gerador: 31/01/2001 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718, DE 1998, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal. Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 1998. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 31/01/2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO MATERIAL NÃO DEMONSTRADO. RECURSO NÃO PROVIDO. Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, não demonstrou nos autos o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. A não comprovação, portanto, do indébito, impede seja reconhecido o direito à restituição pleiteada. Recurso a que se nega provimento". Não conformada com tal decisão a Contribuinte interpôs o presente recurso. Visando comprovar o dissenso jurisprudencial apontou como paradigmas os Acórdãos nºs 3302002.226 e 330201.748. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 13888.916041/201194 Acórdão n.º 9303006.147 CSRFT3 Fl. 4 3 Mediante despacho de admissibilidade do Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF foi dado seguimento ao recurso. Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões nas quais requer o nãoconhecimento do recurso especial interposto pela Contribuinte. Alternativamente, requer, no mérito, que seja negado provimento ao recurso, mantendose o acórdão proferido pela eg. Turma a quo por seus próprios fundamentos. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.142, de 13/12/2017, proferido no julgamento do processo 13888.916042/201139, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.142): "O Recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, restando contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamada de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos. Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame de admissibilidade do Recurso Especial. A divergência suscitada pela Contribuinte em razão do acórdão recorrido ter decidido que o Recorrente não teria demonstrado nos autos o recolhimento indevido, pois apesar de ter acostado documentos, deixou de retificar a DCTF e o DACON, sendo que este último seria imprescindível para se confirmar a alegada inclusão indevida de receitas não tributáveis, na base de cálculo da contribuição em questão. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 13888.916041/201194 Acórdão n.º 9303006.147 CSRFT3 Fl. 5 4 Verificase que o voto condutor da decisão recorrida, o recurso voluntário não mereceu provimento sob o fundamento de que: "Agora, além dos documentos acima citados, a suplicante acosta aos autos cópias das folhas do Livro Razão inerentes à contabilização das receitas financeiras do período (ver fls. 80/81). Todavia, permanece sem apresentar a DCTF retificadora, o mesmo podendo ser dito em relação à DIPJ retificadora e ao DACON retificador. Ou seja, mesmo considerando a possibilidade de retificação de ofício da DCTF por parte da autoridade administrativa – acaso demonstrada a legitimidade da correção dos valores declarados – , entendimento que esta Turma tem adotado em muitos de seus julgados, não se pode olvidar da necessidade de apresentação dos documentos comprobatórios do reclamado indébito, dentre os quais o DACON retificador, imprescindível para verificar se, na base de cálculo da contribuição, foram originalmente consideradas as receitas financeiras do sujeito passivo, fonte do direito creditório reclamado. Sem a devida comprovação não há como afirmar que o crédito reclamado é indevido, ainda que admitidas as novas provas acostadas aos autos (Livro Razão) em homenagem ao princípio da efetividade do processo, que tem como norte um processo menos formalista, que deságua na busca pela verdade material. Mas esta há que ser harmonizada com a segurança e a celeridade exigidas nas lides administrativas, não se podendo transferir para o Fisco o ônus de comprovar o direito creditório alegado, que é do sujeito passivo, a teor do disposto no artigo 333, inciso I, do CPC". Como se observa, a decisão recorrida, fundamentou que a Contribuinte não comprovou o direito ao crédito reclamado, se desincumbiu do ônus probatório consistente em demonstrar o seu direito creditório. Isto é, não comprovou que houve erro ou pagamento a maior hábil a gerar o indébito alegado. Por outro lado, o acórdão paradigma nº 330201748, analisou tão somente a questão relativa a necessidade de retificação da DCTF em momento anterior à apresentação da DCOMP. Além disso, naquele caso o Sujeito Passivo providenciou a retificação da DCTF, circunstância que não se verifica no presente caso. Transcrevo parte do aresto: “Como relatado, a empresa Recorrente apurou a existência de pagamento indevido de Cofins e o utilizou para compensação de débito seu, apresentando a competente PER/DCOMP sem, contudo, efetuar a retificação da DCTF anteriormente apresentada. Corretamente, a DRF verificou que o valor do pagamento (Darfs) informado pela Recorrente foi integralmente aproveitado no débito informado na DCTF e, por esta razão, não reconheceu a existência de crédito e não homologou a compensação declarada. Somente após a ciência da decisão que não homologou a compensação declarada é que a Recorrente providenciou a retificação da DCTF e ingressou com manifestação de inconformidade, esta indeferida pela DRJ porque a DCTF fora apresentada após a ciência do Despacho Decisório da DRF e porque a Recorrente não apresentou a prova da existência do crédito alegado. Por seu turno, no recurso voluntário a empresa Recorrente sustente que o crédito efetivamente existe e está devidamente provado nos autos e que efetuou a retificação da DCTF após a ciência do despacho decisório. Concluindo: à mingua de previsão legal, a falta de apresentação de DCTF retificadora, ou a sua apresentação após a emissão do Despacho Decisório, por si só, não se constitui em motivo para o indeferimento do pedido de restituição e, conseqüentemente, para a não homologação da compensação declarada pela Recorrente. Deve, portanto, a autoridade administrativa da RFB apurar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado considerando Fl. 165DF CARF MF Processo nº 13888.916041/201194 Acórdão n.º 9303006.147 CSRFT3 Fl. 6 5 todas as provas trazidas aos autos e outras que julgar imprescindível para apurar a verdade material e formar sua convicção.” Neste mesmo sentido, o acórdão paradigma nº 3302002.226, trata de situação na qual foi apresentado o DACON retificador. Vejamos: Por seu turno, no recurso voluntário a empresa Recorrente sustente que o crédito efetivamente existe e está devidamente provado nos autos e que efetuou a retificação da DCTF após a ciência do despacho decisório. Relatório “Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevo o relatório produzido pela DRJ de Brasília: (...) Considerado cientificado dessa decisão em 22/10/2009, bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 23/11/2009, manifestação de inconformidade à fl. 2 a 6, acrescida de documentação anexa. A contribuinte alega que houve inúmeros erros na consolidação dos dados da apuração da contribuição, o que teria originado o crédito pleiteado. Retificou a Dacon do período para demonstrar o valor que seria realmente devido. Anexa cópias das declarações retificadas. Voto “Em síntese, a Recorrente advoga a existência de pagamentos indevidos e junta ao processo a Dacon retificadora transmitida em data anterior ao despacho decisório exarado pela DRF.” Como se vê, as decisões paragonadas não se identifica semelhança fática, o acórdão recorrido entendeu imprescindível a apresentação dos documentos comprobatórios do indébito, dentre os quais o DACON retificador, para verificar se, na base de cálculo da contribuição, foram originalmente consideradas as receitas financeiras da Contribuinte, fonte do direito creditório guerreado. Por outro lado, Os acórdãos indicados como paradigmas, não apresentam similitude fática, considerada relevante para o resultado do julgamento. No que tange o acórdão nº 330201748, nada fala sobre a questão da apresentação do DACON retificador. Além disso, traz o fundamento com o qual concorda a Turma a quo, relativa à necessidade ou não de retificação da DCTF em momento anterior à emissão do despacho decisório. Se a presente controvérsia girasse apenas em torno dessa matéria, a Turma a quo poderia ter acatado a pretensão da Contribuinte. A decisão recorrida encampou o fundamento de que: “mesmo considerando a possibilidade de retificação de ofício da DCTF por parte da autoridade administrativa – acaso demonstrada a legitimidade da correção dos valores declarados –, entendimento que esta Turma tem adotado em muitos de seus julgados”. Sem embargo, a retificação do DACON, embora, possa parecer irrelevante para o Acórdão n. 3302002.226, o mesmo não ocorre em relação a decisão recorrida. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 13888.916041/201194 Acórdão n.º 9303006.147 CSRFT3 Fl. 7 6 Entretanto, o fato é que essa retificação do DACON ocorreu no caso discutido no acórdão indicado como paradigma (Acórdão nº 3302002.226), ao passo que o mesmo não se verificou no presente caso. Com efeito, a situação examinada pelo Acórdão n. 3302002.226, poderia a Turma a quo ter decidido de forma diversa, ou acolhendo a pretensão da contribuinte, ou determinando o retorno dos autos em diligência. O fato é que ocorreu na situação abordada pelo Acórdão n. 3302002.226 circunstância relevante, não presente na decisão recorrida, que poderia ter alterado a convicção ou a fundamentação do colegiado a quo. O contexto fático exposto nas decisões paradigmas e no acórdão recorrido, patente pela leitura das passagens acima transcritas, demanda do mesmo modo, que o recurso especial não seja conhecido em face da ausência de demonstração de que, discutindo casos similares, foi dada interpretação jurídica diversa. Neste sentido, O Manual de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial (versão atualizada, pg.30) estabelece que: O RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, assim estabeleceu, em seu art. 67, § 1º, do Anexo II: "§ 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar de forma objetiva qual a legislação que está sendo interpretada de forma divergente." Em 15 de fevereiro de 2016, foi publicada a Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016, com a seguinte redação: “§ 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente.” Neste sentido, não tomo conhecimento do Recurso interposto pela Contribuinte, em razão de não ter sido comprovada divergência, e similitude fática, nos termos do § 1º da Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte não foi conhecido. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 167DF CARF MF
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Numero do processo: 13962.000471/2009-38
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2008
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.638
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2008 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Patrícia da Silva - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 96 2. 00 04 71 /2 00 9- 38 Fl. 445DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência, previsto nos arts. 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, interposto pela Fazenda Nacional em face da decisão do Acórdão nº 240203.710, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF em 14/08/2013 Segue abaixo a ementa e o dispositivo da decisão recorrida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2008 SEGURADO EMPREGADO. CARACTERIZAÇÃO. COMPETÊNCIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL.. A Auditoria Fiscal dispõe de instrumentos normativos para caracterizar o trabalhador como segurado empregado quando presentes na prestação de serviço os elementos caracterizadores da relação de emprego, mesmo quando a prestação se dê mediante interposta empresa. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INCLUSÃO DE RUBRICAS NÃO COMPONENTES DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. INOCORRÊNCIA. A apuração dos valores de contribuições previdenciárias sobre rubricas as quais a recorrente entende não devam compôla, não enseja declaração de nulidade do lançamento, somente, se for o caso, poderá ser determinada sua exclusão do valor tributável. SIMULAÇÃO. EMPRESAS INTERPOSTAS OPTANTES PELO SIMPLES. DEMONSTRAÇÃO DO VÍNCULO EM RELAÇÃO AO CONTRIBUINTE PRINCIPAL. LANÇAMENTO, POSSIBILIDADE. Tendo em vista que restou devidamente comprovado que os funcionários empregados segurados registrados nas empresas tidas por interpostas, em verdade, possuem seu vínculo em relação a outra empresa, esta a principal em relação às demais, merece ser mantido o lançamento que entendeu pela prática de simulação para o não pagamento das contribuições previdenciárias patronais e destinadas a terceiros. Fl. 446DF CARF MF Processo nº 13962.000471/200938 Acórdão n.º 9202006.638 CSRFT2 Fl. 446 3 MULTA. LEI 11.941/09. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. ART. 35 DA LEI 8.212/91. LIMITAÇÃO AO PATAMAR DE 75%. Em consonância ao disposto no art. 144 do CTN, o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Portanto, para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/08, deve ser aplicada a multa de mora nos percentuais vigentes à época, limitada, no entanto, a 75% (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei nº 8.212/1991). Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para recálculo da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, observado o limite de 75%. A Fazenda trouxe como paradigmas: Acórdãos 240102.453 e 920202.086, requerendo: seja dado total provimento ao presente recurso com a consequente reforma acórdão recorrido a fim de que prevaleça a forma de cálculo utilizada pela autoridade fiscal para aferição da multa mais benéfica ao contribuinte, em conformidade com o ue dispõe a Instrução Normativa SRF nº 1.027/2010. O Contribuinte, intimado por edital não apresentou contrarrazões. Na origem: É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora Entendo presentes todos os requisitos de tempestividade e divergência fática suficiente para conhecimento do presente. Fl. 447DF CARF MF 4 No mérito, a discussão cingese à controvérsia relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. Fl. 448DF CARF MF Processo nº 13962.000471/200938 Acórdão n.º 9202006.638 CSRFT2 Fl. 447 5 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: Fl. 449DF CARF MF 6 “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a Fl. 450DF CARF MF Processo nº 13962.000471/200938 Acórdão n.º 9202006.638 CSRFT2 Fl. 448 7 estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma Fl. 451DF CARF MF 8 forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. Fl. 452DF CARF MF Processo nº 13962.000471/200938 Acórdão n.º 9202006.638 CSRFT2 Fl. 449 9 § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista Fl. 453DF CARF MF 10 no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Diante de todo o exposto, conheço e dou provimento ao recurso para determinar que a multa seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 454DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.905195/2012-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.185
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
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(assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte supra identificado em face de decisão da DRJ Juiz de Fora/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se contrapor ao Despacho Decisório que não homologara a compensação declarada, sob o argumento de que o pagamento informado havia sido localizado mas utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegou haver transmitido DCTF retificadora na qual se confirmou o seu crédito e que o quantum informado e pleiteado no PER/DComp era suficiente para a homologação da compensação declarada. Requereu, ainda, a juntada do presente processo a outro processo administrativo alegando haver conexão entre eles. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 75 .9 05 19 5/ 20 12 -4 9 Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10675.905195/201249 Resolução nº 3201001.185 S3C2T1 Fl. 130 2 A decisão da Delegacia de Julgamento, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de apresentação de prova documental por parte do interessado que pudesse embasar o indébito tributário alegado. Apontou a autoridade julgadora de primeira instância que a simples retificação da DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não era hábil à modificação do Despacho Decisório. Cientificado da decisão de piso, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e, sucintamente, reiterou a existência do crédito postulado, anexando documentação complementar com vista à comprovação do direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3201001.164, de 27/02/2018, proferido no julgamento do processo 10675.905169/201211, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201001.164): Como relatado, discutese no presente feito a legitimidade de crédito postulado pela Recorrente por meio de PER/DCOMP, correspondente à apuração de COFINS não cumulativa. De acordo com o PER/DCOMP apresentado, o crédito postulado teve origem no pagamento indevido ou a maior de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. Consoante Despacho Decisório Eletrônico proferido, o crédito indicado seria inexistente, posto que o recolhimento do DARF em questão teria sido integralmente utilizado para a quitação de débito de COFINS declarado pelo próprio contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, a Recorrente aduz que o crédito utilizado é legítimo, informando que: Visando recuperar o crédito tributário acima apontado, a Manifestante providenciou a retificação da DCTF em 04/02/2011, conforme atesta o recibo de entrega nº 35.35.13.86.29.00, e a retificação do DACON em 27/01/2011, consoante atesta o recibo de entrega nº 1078177135. Diante da regular constituição do crédito tributário, através da retificação das obrigações acessórias acima mencionadas, a Manifestante transmitiu o PER/DCOMP nº 33828.46086.280111.1.3.042016 para a Receita Federal do Brasil em 28/01/2011 para compensar o seu lídimo crédito tributário com outros débitos tributários de sua titularidade. Foram anexadas à Impugnação cópias das declarações mencionadas. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10675.905195/201249 Resolução nº 3201001.185 S3C2T1 Fl. 131 3 A Delegacia da Receita Federal indeferiu a Manifestação apresentada ao argumento de que a "compensação é realizada mediante entrega da DCOMP. Assim, o crédito informado deve existir na data da transmissão dessa Declaração" Com efeito, não resta dúvidas de que a retificação da DCTF da Recorrente ocorreu após a transmissão do PER/DCOMP, muito embora esta tenha ocorrido anteriormente à emissão do Despacho Decisório Eletrônico. Não obstante, embora não afaste a possibilidade de revisão do lançamento, a partir dos documentos apresentados pela Recorrente em sede de Manifestação de Inconformidade, entendeu a Turma Julgadora de origem que os documentos apresentados não seriam suficientes para a análise do crédito postulado: Entretanto, a contribuinte limitouse a apresentar a DCTF retificadora e a informar que o crédito decorre da retificação da DCTF. Nada mais foi trazido, como, por exemplo, escrituração contábil, documentos fiscais ou quaisquer outros documentos hábeis e idôneos que demonstrassem a liquidez e certeza do direito creditório pretendido. No presente caso, somente a apresentação de documentos integrantes da escrituração contábil e fiscal da empresa poderiam comprovar o montante do tributo devido no período, e que, desta forma, o pagamento indevido ou a maior efetuado em DARF daria ao interessado crédito passível de ser compensado. São os livros fiscais e contábeis mantidos pelo contribuinte, os elementos capazes de fornecer à Fazenda Nacional conteúdo substancial válido juridicamente para a busca da verdade material dos fatos. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente reafirma os argumentos de defesa e, diante dos fundamentos do acórdão recorrido, acrescenta aos autos cópia do seu balancete contábil. Na hipótese dos autos, não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos, além do fato de que a retificação da sua DCTF ocorreu antes da emissão do despacho decisório. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal. Desse modo, voto por CONVERTER O FEITO EM DILIGÊNCIA para que a Autoridade Preparadora efetue a análise do Pedido de Compensação com base nos dados informados em DCTF retificadora, transmitida anteriormente ao Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10675.905195/201249 Resolução nº 3201001.185 S3C2T1 Fl. 132 4 despacho decisório, podendo intimar o contribuinte para apresentar demais documentos ou informações que entenda necessário. Após a manifestação fiscal, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. Da mesma forma que ocorreu no paradigma, neste processo, o contribuinte retificou a DCTF depois da transmissão do PER/DComp mas antes da ciência do despacho decisório. Apesar de o processo paradigma se referir apenas à Cofins, o mesmo raciocínio desenvolvido se aplica também à contribuição para o PIS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora efetue a análise da Declaração de Compensação com base nos dados informados em DCTF retificadora, transmitida anteriormente ao despacho decisório, podendo intimar o contribuinte para apresentar demais documentos ou informações que entender necessários. Após, concedase o prazo de 30 (trinta) dias ao Contribuinte para que se manifeste acerca do resultado da diligência. Concluída a instrução do feito, retornem os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 132DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.008182/2006-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano calendário: 2006
CSLL/PIS/COFINS. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO COMPENSAÇÃO. Verificado que a recorrente não é contribuinte dos tributos objeto de retenção pela fonte pagadora, efetivamente realizada e
repassada aos cofres públicos, cumpre à autoridade tributária autorizar a compensação com tributos por ela devidos.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 1402-000.571
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: CSL- que não versem sobre exigência de cred. trib. (ex.:restituição.)
Nome do relator: Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2006 CSLL/PIS/COFINS. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO COMPENSAÇÃO. Verificado que a recorrente não é contribuinte dos tributos objeto de retenção pela fonte pagadora, efetivamente realizada e repassada aos cofres públicos, cumpre à autoridade tributária autorizar a compensação com tributos por ela devidos. Recurso Provido.
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RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO COMPENSAÇÃO. Verificado que a recorrente não é contribuinte dos tributos objeto de retenção pela fonte pagadora, efetivamente realizada e repassada aos cofres públicos, cumpre à autoridade tributária autorizar a compensação com tributos por ela devidos. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Jaci de Assis Junior, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 142DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 03/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/06/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10166.008182/200621 Acórdão n.º 140200.571 S1C4T2 Fl. 2 2 Relatório ASSOCIAÇÃO DOS MÉDICOS DE HOSPITAL PRIVADOS DO DF recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela 4ª Turma de Julgamento da DRJ/BrasíliaDF em primeira instância, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): Trata o presente processo declaração de compensação – Dcomp (fl. 1), na qual a contribuinte acima identificada compensa pretenso crédito de contribuições (CSLL, COFINS e PIS) retidas na fonte em agosto de 2006, no valor total de R$ 51.664,59, com débito de retenções na fonte (Pagto de PJ a PJ de direito privado), relativo às mesmas contribuições, feitas pela contribuinte na 2ª quinzena de agosto de 2006, no mesmo valor. A autoridade administrativa a quo examinou a questão e no despacho decisório (fls. 35 a 41) não reconheceu o crédito compensado e, em conseqüência, não homologou a declaração de compensação por concluir que a contribuinte não fazia jus ao crédito de retenções de CSLL, PIS e COFINS sofridas em agosto de 2006, por ser incabível a compensação direta com valor a recolher de retenções feitas sobre pagamentos a outras pessoas jurídicas ou órgãos públicos, uma vez que a legislação somente permite deduzir da base de cálculo da CSLL, Pis e Cofins os valores retidos, cuja dedução deve ser feita na escrituração contábil ou na Declaração de Isenta ou DACON da pessoa jurídica. A contribuinte tomou ciência do despacho decisório em 06/03/2008(AR – fl. 42v). Inconformada, em 20/03/2008, por meio de seus procuradores (Othon de Azevedo Lopes e Renato Soares Peres Ferreira), apresentou a manifestação de inconformidade (fls. 45 a 59), na qual, em resumo, alega que o despacho decisório deve ser reformado para que seja homologada a compensação efetuada e extinto o débito correspondente com base nos seguintes argumentos de defesa: Despacho decisório. apesar de reconhecer de modo expresso o direito à compensação dos valores retidos a título de CSLL, PIS e COFINS, houve por bem não homologar a operação, com a alegação de que, ao realizar a compensação, não teriam sido observados preceitos normativos como o § 1o do artigo 5o da MP n° 413/2008 e o artigo 5o da IN SRF n° 600/2005; os dispositivos normativos invocados não eram aplicáveis à compensação em tela, por não estarem em vigor no instante em que se deu a operação (caso da MP n° 413/2008) ou pelo fato de desconsiderarem especificidades fundamentais da situação tratada ou, ainda, pelo fato de somente poderem ser cumpridos mediante a apresentação de declaração inexata ao Fisco (caso da IN n° 600/2005, se interpretada consoante o § 13 do Despacho Decisório); é necessário que se descreva a sua situação em relação às indevidas retenções que sofre, nos pagamentos destinados a seus associados e ao aproveitamento dos créditos advindos dessas retenções e que se esclareça a inexistência de qualquer Fl. 143DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 03/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/06/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10166.008182/200621 Acórdão n.º 140200.571 S1C4T2 Fl. 3 3 irregularidade nos procedimentos adotados. Isso porque optou pela conduta que melhor permitia ao Fisco o acompanhamento do recolhimento dos tributos devidos; Direito à compensação tributária artigo 74 da Lei n° 9.430/1996 o direito à compensação tributária é expresso e assegurado no artigo 74 da Lei n° 9.430/1996, como reconhecido no despacho decisório; mas a mesma decisão administrativa entendeu pela não homologação da compensação; ao assim proceder, o Fisco deixou de lado o principal aspecto da controvérsia, ou seja, a existência de um direito legalmente assegurado, que deve ser viabilizado e não obstado pelas autoridades públicas, pois, consoante o artigo 74 da Lei n° 9.430/1996, verificado o crédito por parte do contribuinte é seu direito compensálo com qualquer débito próprio de tributo administrado pela Receita Federal; deve permear a análise do caso a circunstância de que a compensação, enquanto direito subjetivo, integra o seu patrimônio jurídico e, assim, partindo dessa premissa é que se deve discutir o despacho decisório, adequandoo ao seu direito à compensação tributária; A situação da AMHPDF/Retenções indevidas. atividade/compensações coloca diversas facilidades à disposição de seus associados, intermediando contratos de prestação de serviços médicos que envolvem o exercício da medicina pelos associados e o pagamentos pelos tomadores de serviços (planos de saúde), dos honorários correspondentes. Nessa intermediação contratual, figura como mera intermediária, já que celebra o contrato em nome dos associados e recebe, como mera depositária, os honorários médicos que são repassados aos mesmos prestadores dos serviços; os diversos tomadores de serviços celebram, por seu intermédio, contratos de prestação de serviços médicos a serem prestados pelos associados, em razão do oneroso operacional para o pagamento direto, preferem fazer o depósito da remuneração devida aos associados, para a AMHPDF. Assim, relativamente às contribuições (CSLL, PIS e COFINS), muitas vezes sofre nos pagamentos que recebe como mera intermediária de seus associados, retenções conjugadas desse tributo, código de receita 5952, no montante de 4,65% (artigo 30 da Lei n° 10.833/2003); essas retenções eram feitas pelo fato de os tomadores de serviços julgarem que deveriam assim proceder, por ser ela uma pessoa jurídica que perante eles representava os associados em contratos de prestação de serviços médicos. Na condição de intermediária e ao fato de ser ela mera depositária dos valores que recebia, tornava o relacionamento com os planos confuso; o STJ um dos tomadores de serviços prestados pelos seus associados, por seu intermédio , formulou consulta à Receita Federal, sobre a forma que deveriam realizar as retenções, e na Solução de Consulta COSIT n° 05, de 30/03/2004, esclareceu, em resumo, que, no caso concreto, as retenções deveriam ser realizadas de acordo com a natureza do prestador dos serviços o associado e não a Requerente, mera intermediária e que as retenções de CSLL, PIS e COFINS só eram cabíveis se os serviços fossem prestados por pessoa jurídica; embora tenha divulgado a Solução de Consulta COSIT n° 05/2004 entre os tomadores de serviços de seus associados, a imensa maioria, em face de enormes dificuldades operacionais, continuou realizando as retenções como se ela fosse a Fl. 144DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 03/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/06/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10166.008182/200621 Acórdão n.º 140200.571 S1C4T2 Fl. 4 4 prestadora dos serviços. Tal situação gerou impasse, na medida em que os créditos de retenções deveriam ser apropriados pelos prestadores de serviços médicos (pessoas jurídicas ou físicas); diante de retenções indevidas que não incidem sobre boa parte das atividades que intermedeia (prestação de serviços por pessoas físicas) nem podem ser cobrados sobre suas atividades já que não tem fins lucrativos, isenta de incidência de PIS, COFINS e CSLL, nas formas, respectivamente, dos artigos 13, IV, da MP n° 2.158 34/2001, 14, da mesma MP e 15, § 1o, da Lei n° 9.532/1997 passou a apurar créditos e compensálos com tributos que deveria reter na fonte, de diversas pessoas jurídicas às quais faz repasses. Isso porque são essas as reais prestadoras de serviços; as compensações realizadas eram de créditos de retenções inadequada sobre valores a ser repassados aos associados com débitos de retenções que deveriam ser realizadas, quando dos repasses desses mesmos valores a seus associados pessoas jurídicas, ou seja, tratavase de retenções que tinham a finalidade, de adiantar o pagamento da COFINS, CSLL e PIS, por pessoas jurídicas prestadoras de serviços médicos; essas compensações foram realizadas para solucionar um problema decorrente do descumprimento, pelos tomadores de serviços, da Solução de Consulta COSIT n° 05/2004 que o despacho decisório deixou de homologar, sob o argumento de que não teriam sido observados dispositivos normativos específicos; procedimento de compensação/regular ao realizar a compensação entre valores de tributos retidos, nada mais fez do que seguir a regra geral prevista nos dispositivos normativos que tratam da matéria, o artigo 7o da IN SRF n° 480/2004 e o artigo 5o da IN SRF n° 600/2005. Ou seja, realizou os abatimentos devidos de créditos apurados (período mensal) com os débitos correspondentes ao período seguinte (relativo a retenções mensalmente exigidas); ao proceder à compensação entre os valores indevidamente retidos e os valores a serem retidos (débitos) escolheu a solução que permitia o melhor acompanhamento do recolhimento dos tributos incidentes pelo Fisco, pois, ao realizar o procedimento formalizando todas as suas etapas, inclusive por meio de DCOMP e registros específicos na DCTF, estava em verdade permitindo que o Fisco acompanhasse cada passo da operação; é descabido ser apenada por ter adotado um procedimento seguro para o Fisco, já que a forma adotada permitia melhor controle de suas operações pelas autoridades fiscais. O contraste entre sua lealdade e o procedimento da Administração fica claro a insustentabilidade dos fundamentos do despacho decisório, que aplica retroativamente uma norma tributária para defender a suposta irregularidade da conduta da associação; a dedução e a compensação são formas de extinção de obrigações tributárias a partir da contraposição de créditos do sujeito passivo (tributo a restituir ou a compensar) à obrigação (tributo a recolher). A compensação é o gênero já que na forma do artigo 74 da Lei n° 9.430/1996, quaisquer créditos e débitos administrados pela Receita Federal pode ser compensado e tem seu procedimento vinculado à apresentação de declarações de compensação ao Fisco, por meio de formulários próprios. A dedução é a espécie, por envolver apenas alguns tributos, em determinadas circunstâncias (apuração de saldos de CSLL e de PIS e COFINS), não exigindo procedimentos específicos perante o Fisco, mas procedimentos contábeis internos e mera informação nas declarações; Fl. 145DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 03/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/06/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10166.008182/200621 Acórdão n.º 140200.571 S1C4T2 Fl. 5 5 a dedução é uma compensação simplificada, para casos específicos, inaplicável a situações sui generis como a ora apreciada, em que resta o recurso à compensação comum. Em outras palavras, seja denominado como compensação ou dedução, cuidase no caso do gênero compensação, já que se trata de duas pessoas que são "ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra" (art. 368 do Código Civil) com autorização legal (art. 170 do CTN); não é apenas pela inexistência de qualquer irregularidade no seu procedimento de compensação que se deve reformar o despacho decisório e homologar a operação. Essa conseqüência se apóia também no fato de que, diante de um impasse que não deu causa, adotou o procedimento que permitia ao Fisco um melhor acompanhamento da situação, sem que se diminuísse qualquer parcela da arrecadação tributária. Ademais, não se pode esquecer que a dedução contábil sugerida é uma espécie de compensação que, em casos complexos como o presente, pode ser declarada expressamente à Autoridade Fiscal; Inexistência de irregularidade/compensação de retenções de PIS e COFINS. não merece qualquer reprimenda ao procedimento escolhido de compensação dos débitos de PIS e COFINS. A desqualificação da compensação, promovida pelo despacho decisório, fundamentouse em ilegal aplicação da MP n° 413/2008, procedimento de todo inviável em face dos artigos 105 e 106 do Código Tributário Nacional e do artigo 150, III, "a", da Constituição Federal; ao interpretar a compensação realizada, a Diort ignorou que os valores pagos a título de PIS e COFINS. Os créditos compensados eram referentes unicamente às aplicações financeiras da associação, tributos que se submetiam a um regime jurídico diverso daquele a que se refere a MP n° 413/2008. Ainda se aplicasse ao caso a MP invocada, ficaria configurada, pelo menos em relação a uma parte dos débitos, a "impossibilidade da dedução" prevista no § 1o do artigo 5o de tal diploma, diante da flagrante desproporção entre os valores pagos a título de PIS e COFINS e os créditos apurados a partir das retenções indevidas sobre os pagamentos realizados à associação; as compensações de PIS e COFINS foram plenamente regulares, tendo sido observados todos os diplomas aplicáveis ao caso, devendo o despacho decisório ser reformado, para que sejam homologados os procedimentos de compensação; não homologação das compensações de pis/cofins/ilegal aplicação retroativa da MP n° 413/2008 a primeira inconsistência da decisão compromete todo o despacho decisório atacado. Tratase da invocação, como razão para a não homologação das compensações de PIS e COFINS, de dispositivo da MP n° 413/2008. A compensação em tela foi realizada antes do dia 03/01/2008, data de publicação da MP n° 413/2008. Assim, não seria possível uma norma constante dessa recentíssima Medida Provisória ser óbice à compensação realizada e declarada muito antes de sua promulgação; é impossível que em 2005 ela observasse a norma que viria a ser editada somente em 2008. É de causar espécie a flagrante violação aos artigos 105 e 106 do Código Tributário Nacional e ao artigo 150, III, "a" da Constituição Federal. A aplicação retroativa da norma foi feita de maneira completamente desenvolta, como se não existisse a elementar proteção do direito dos contribuintes consubstanciada no princípio da irretroatividade das leis; a decisão adotada no despacho decisório não sobrevive a um simples confronto com a mais rudimentar formulação do princípio da irretroatividade da lei tributária. Fl. 146DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 03/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/06/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10166.008182/200621 Acórdão n.º 140200.571 S1C4T2 Fl. 6 6 Motivo suficiente para que se reconheça o seu direito às compensações do Pis e Cofins, que devem ser expressamente homologadas, reformandose a descabida decisão da autoridade fiscal; Os valores a pagar de pis/cofins/aplicações financeiras. a eventual aplicabilidade da MP n° 413/2008 ao caso concreto o que, diante da flagrante violação ao princípio da irretroatividade das leis, se admite apenas em favor da argumentação não faria com que ela fosse a norma aplicável à situação da qual se cuida; a MP n° 413/2008 (artigo 5o, caput) se refere ao pagamento das contribuições em seu regime normal (faturamento) e os pagamentos registrados decorreram de PIS e COFINS sobre aplicações financeiras. Os tributos, assim, embora tenham o mesmo nomen juris não são os mesmos, juridicamente, bastando lembrar que, consoante o artigo 4o do CTN, é o fato gerador que define a natureza jurídica do tributo, sendo irrelevante a sua denominação; a norma se refere ao PIS/COFINS "comuns", incidentes sobre o faturamento, suas disposições não são aplicáveis a tributos que, embora tenham a mesma denominação, são juridicamente diversos. O PIS e a COFINS sobre rendimentos financeiros não têm como fato gerador o faturamento, mas sim o rendimento auferido em aplicações financeiras, que, no caso das entidades sem fins lucrativos, não se configuram como espécie do gênero faturamento. Os tributos são juridicamente distintos, não sendo assim intercambiáveis as normas que a eles se aplicam; nem mesmo a primeira parte do caput do artigo 5o da MP n° 413/2008 é aplicável ou seria aplicável, se não se estivesse ferindo também o princípio da irretroatividade das leis ao caso em tela. Isso porque a norma trata das retenções de PIS e COFINS a serem deduzidas dos valores apurados das contribuições a pagar no período, cujo procedimento diz respeito às retenções devidas, que são consideradas antecipações do pagamento devido ao final do período. No caso em tela, a situação é outra, ou seja, sofreu retenções indevidas que não são antecipações do que é devido ao final do período, mas créditos tributários em sentido próprio. Assim, como se trata de créditos tributários, e não de antecipação do tributo devido ao final do período, não é necessária a dedução, para que se faça a compensação; a obrigação prevista no artigo 5o da MP n° 413/2008 segundo a qual é preciso realizar contabilmente as deduções dos valores a pagar no período, para que se aproveite como crédito tributário o valor retido na fonte de PIS e COFINS não seria aplicável ao caso em tela, ainda que se superasse a intransponível barreira da aplicação retroativa do diploma, pois o que ora se discute é a compensação de valores retidos indevidamente a título de PIS e COFINS sobre o faturamento, sujeitos a regime diverso daquele correspondente ao PIS e à COFINS incidentes sobre aplicações financeiras; não compensação dos valores retidos na fonte/valores a pagar a autoridade fiscal não poderia chegar à conclusão no despacho, no sentido da não homologação das compensações. Isso porque incide, no caso, o § 1o do mesmo artigo 5o da MP n° 413/2008, que possibilita a compensação dos valores quando o montante retido no mês exceder o valor da respectiva contribuição a pagar; os valores registrados pelo Fisco como recolhidos no mesmo período em que foi apurado o crédito objeto da compensação são claramente inferiores aos montantes dos créditos, conforme o despacho decisório. Tal situação, incontestável, enseja a aplicação ao caso do § 1o do artigo 5o da MP n° 413/2008; Fl. 147DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 03/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/06/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10166.008182/200621 Acórdão n.º 140200.571 S1C4T2 Fl. 7 7 à luz do § 2o do mesmo artigo, temse que, havendo excesso na comparação entre o montante retido e a contribuição a pagar no mês em que houve as retenções na fonte, configurase a "impossibilidade de dedução de que trata o caput". Essa situação, por sua vez, faz com que seja possível, nos termos do referido caput, a compensação tributária efetuada; ainda que se ponha a aplicar ao caso em tela a MP n° 413/2008, será necessário concluir pela homologação da compensação. É que, inequivocamente configurado no caso o § 1o do artigo 5o, a restrição constante do caput do mesmo artigo não se aplica, podendo ser feita a compensação independentemente da dedução contábil; o despacho decisório não pode prevalecer, sendo imperioso reconhecer que, diante da total regularidade do procedimento de compensação deve a operação correspondente ser expressamente homologada, extinguindose os débitos tributários respectivos; Direito de compensação dos valores indevidamente retidos a título de CSLL na compensação da CSLL não houve qualquer irregularidade, pois como não era possível a apuração de saldo negativo de CSLL, por ser associação civil sem fins lucrativos, entidade isenta do IRPJ e da CSLL, é inviável e inexigível o cumprimento da norma indicada como aplicável porque, para que se realizasse a apuração de saldo negativo tal como sugerido no despacho decisório, seria indispensável uma declaração inexata da associação, no sentido de que ela seria contribuinte da CSLL; por essas razões deve ser reconhecida a regularidade dos procedimentos de compensação e homologada a mesma, reformandose o despacho decisório que deixou de reconhecêla como válida e suficiente para a extinção dos débitos tributários correspondentes; a AMHPDF entidade isenta do IR/CSLL na condição de associação civil sem fins lucrativos goza de isenção ao IRPJ e da CSLL. Circunstância, ignorada pelo despacho decisório, e fundamental para que se entenda a operação relativa à compensação dos valores retidos a título de CSLL, nos pagamentos que recebe como mera depositária dos honorários devidos aos médicos e clínicas associados; segundo a decisão não seria cabível a compensação "direta" de valores retidos, que deveriam ser antes lançados na escrituração contábil voltada ao "saldo negativo" da CSLL. No entanto, sendo entidade isenta da CSLL, não tem como apurar saldo negativo dessa mesma contribuição; diante de uma retenção indevida pela associação e sendo descabido exigir que ela "apure" os tributos incidentes no mês para que chegar "saldo negativo". Não há saldo negativo de CSLL, mas crédito oriundo de retenção indevida; há peculiaridades do caso examinado que indicam a impossibilidade de apuração de saldo negativo de CSLL, já que a ausência de finalidades lucrativas enseja a inexistência de CSLL devida a ser contraposta aos créditos surgidos com as retenções indevidas; é correto dizer que a disposição do artigo 5o da IN SRF n° 600/2005, invocada pelo despacho decisório como fundamento para a não homologação das compensações, não é aplicável ao caso apreciado e, ao mesmo tempo, não exclui a regularidade do procedimento adotado pela associação; o dispositivo normativo invocado pela autoridade fiscal menciona apenas que, em caso de apuração de saldo negativo de IRPJ ou CSLL hipótese aplicável Fl. 148DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 03/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/06/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10166.008182/200621 Acórdão n.º 140200.571 S1C4T2 Fl. 8 8 unicamente àquelas pessoas que sejam contribuintes desses tributos, obviamente o valor correspondente poderá ser objeto de restituição apenas no mês subseqüente ao trimestre em que se apurou o saldo negativo. Não se aplica tal dispositivo às compensações de créditos oriundos de retenção indevida, como se extrai expressamente de seu texto; o caso em tela não pode ser regido pelas normas que prescrevem a apuração de saldo negativo de CSLL, pois, in casu, não recolhe ordinariamente esse tributo. O crédito decorre de retenções indevidas, e não de superação do saldo a recolher pelo saldo a restituir (saldo negativo). a associação não é contribuinte da CSLL, em sua forma ordinária, não impede que em determinados instantes ela recolha a contribuição que leva esse nome. Isso porque, ao liquidar aplicações financeiras, há o recolhimento da CSLL sobre os rendimentos das aplicações financeiras. No entanto, o tributo recolhido é juridicamente diverso da CSLL "comum", na forma do artigo 4o do CTN, não se aplicando a ele as mesmas regras existentes para a CSLL apurada sobre o lucro líquido. De qualquer maneira, é notável a regularidade das compensações realizadas no âmbito da CSLL, pois nenhuma norma aplicável ao caso foi descumprida; saldo negativo de CSLL/declaração falsa ao Fisco de modo surpreendente, a decisão indica que ela deveria apresentar declaração, porém, por não ter finalidade lucrativa, não é contribuinte da CSLL, gozando de isenção em relação a tal tributo. A declaração sugerida pelo Fisco como forma de viabilizar a apuração de saldo negativo, além de contrariar a lógica da apuração do tributo, pois não há adiantamentos por meio de retenções e posterior apuração, não pode haver saldo, positivo/negativo seria flagrantemente falsa; o cumprimento das obrigações opostas no despacho decisório ao procedimento de compensação adotado, além de ser inexigível em face da situação específica da mesma, depende de apresentação de declaração falsa. Tal entendimento, por ferir os mais elementares princípios do Estado de Direito e a legalidade estrita que deve reger a relação entre o Fisco e os contribuintes, não pode prevalecer, devendo ser totalmente afastado; Do pedido Requer a reforma do despacho decisório e a homologação da compensação realizada, para extingui, de modo definitivo, o débito tributário submetido a tal procedimento. Faz relação de vários processos que tratam de compensação realizada em diferentes períodos e pede sejam apreciados em conjuntos. A decisão recorrida está assim ementada: Restituição/Compensação CSLL, COFINS e PIS Retidas na Fonte. A legislação somente permite deduzir/compensar valores retidos na fonte na base de cálculo da CSLL, PIS e Cofins diretamente na escrituração contábil ou na Declaração de Isenta ou DACON da pessoa jurídica que prove haver assumido referido encargo ou no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla. Solicitação Indeferida. Fl. 149DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 03/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/06/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10166.008182/200621 Acórdão n.º 140200.571 S1C4T2 Fl. 9 9 Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 150DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 03/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/06/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10166.008182/200621 Acórdão n.º 140200.571 S1C4T2 Fl. 10 10 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Tratase de reconhecimento direito creditório, cumulado com pedido de compensação, relativo a contribuições (CSLL, COFINS e PIS) retidas na fonte em pagamentos realizados à contribuinte. A autoridade administrativa a quo examinou a questão e no despacho decisório (fls. 35 a 41) não reconheceu o crédito compensado e, em conseqüência, não homologou a declaração de compensação por concluir que a contribuinte não fazia jus ao crédito de retenções de CSLL, PIS e COFINS, por ser incabível a compensação direta com valor a recolher de retenções feitas sobre pagamentos a outras pessoas jurídicas ou órgãos públicos, uma vez que a legislação somente permite deduzir da base de cálculo da CSLL, Pis e Cofins os valores retidos, cuja dedução deve ser feita na escrituração contábil ou na Declaração de Isenta ou DACON da pessoa jurídica. A 4a. Turma da DRJ Brasília confirmou esse entendimento. Compulsando os autos, verificase que o Despacho Decisório DRF/BSB/Diort reconheceu de modo expresso oi; direito à compensação de valores retidos indevidamente a título de CSLL, , PIS e COFINS, na forma do artigo 74 da Lei n° 9.430/1996. À toda evidência, o procedimento de compensação realizado pela AMHPDF está correto. Isso porque tanto o direito à crédito pleiteado, quanto o cumprimento das exigências para a compensação cumpridos: às operações foram regularmente registrado na escrituração contábil da AMHPDF, apresentada desde a impugnação. A própria administração tributária já reconheceu a impropriedade das retenções, mediante Solução de Consulta COSIT n° 05, de 30 de março de 2004, em que se esclareceu, em resumo, que, no caso concreto; as retenções deveriam ser realizadas de acordo com 'a natureza do prestador dos serviços — o associado, e não a recorrente, mera intermediária — e que as retenções de CSLL, PIS e COFINS só eram cabíveis se os serviços fossem prestados por pessoa jurídica. Registrese que as compensações realizadas pela recorrente forma de créditos relativos a retenções inadequadamente realizadas sobre valores a serem repassados aos associados com débitos correspondentes às retenções que efetivamente deveriam ser realizadas, pela associação, Portanto, conforme enfatizado pela recorrente, tratavase de retenções que tinham a mesma finalidade, de adiantar o pagamento da COFINS, da CSLL e da contribuição para o PIS, por pessoas jurídicas prestadoras de serviços médicos. Fl. 151DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 03/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/06/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10166.008182/200621 Acórdão n.º 140200.571 S1C4T2 Fl. 11 11 Portanto, além de inexistir qualquer descumprimento das normas aplicáveis, como visto, as compensações foram um procedimento adotado pela associação para minimizar os transtornos decorrentes da inobservância, pelos tomadores de serviço. O direito à compensação tributária de tributos indevidamente pagos é expressa e amplamente assegurado, na forma do artigo 74 da Lei n° 9.430/1996. Frisese, novamente, que esse direito à compensação foi reconhecido tanto pela Diort/DRF/BSB quanto pela 4a. Turma da DRJ/BSA), mas foi indeferido com fulcro em aspectos formais absolutamente secundários, haja vista que além de comprovar a materialidade do direito creditório a recorrente cumpriu as formalidades principais, quais seja: escriturou as operações e apresentou as DCOMP. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, homologando as compensações efetuadas pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 152DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 03/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/06/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE
score : 1.0
Numero do processo: 10875.903886/2010-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3302-000.269
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento do recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator ad hoc.
EDITADO EM: 18/05/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator ad hoc. EDITADO EM: 18/05/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto
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Numero do processo: 10880.661484/2012-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
PROVA. DOCUMENTO ELABORADO EM LÍNGUA ESTRANGEIRA SEM TRADUÇÃO ELABORADA POR TRADUTOR JURAMENTADO. NÃO CONHECIMENTO.
Não se toma conhecimento de documento em idioma estrangeiro desacompanhado da respectiva tradução juramentada, seja ele produzido pelo sujeito passivo ou por agente da administração tributária ou por via diplomática (art. 192 do Código de Processo Civil ).
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-005.103
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato P. de Deus, Jorge Lima Abud e Sarah Maria L.de A. Paes de Souza, que convertiam o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, José Renato Pereira de Deus, Jorge Abud Lima e Diego Weis Jr.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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DOCUMENTO ELABORADO EM LÍNGUA ESTRANGEIRA SEM TRADUÇÃO ELABORADA POR TRADUTOR JURAMENTADO. NÃO CONHECIMENTO. Não se toma conhecimento de documento em idioma estrangeiro desacompanhado da respectiva tradução juramentada, seja ele produzido pelo sujeito passivo ou por agente da administração tributária ou por via diplomática (art. 192 do Código de Processo Civil ). Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato P. de Deus, Jorge Lima Abud e Sarah Maria L.de A. Paes de Souza, que convertiam o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, José Renato Pereira de Deus, Jorge Abud Lima e Diego Weis Jr. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 14 84 /2 01 2- 03 Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10880.661484/201203 Acórdão n.º 3302005.103 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente de declaração de compensação não homologada em razão de que o DARF já havia sido alocado a outro débito, conforme despacho eletrônico. Em manifestação, a recorrente alegou que, em razão da publicação da Lei nº 11.452/2007, cujo artigo 21 retroagiu os efeitos do artigo 20 para 1º/01/2006, especificamente quanto a não incidência da CIDE sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia, sem contundo proceder à retificação de DCTF, a qual foi requerida posteriormente mediante processo administrativo. Por sua vez, a Décima Quinta Turma da DRJ/RJ1 no Rio de Janeiro julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 12068.494. Inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, reiterando as razões aduzidas em impugnação, juntando ao recurso voluntário a documentação referente à comprovação de seu direito, a saber: contrato comercial com a ACI, contratos de câmbio e invoices. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.100, de 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.661481/201261, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.100): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A matéria em litígio diz respeito à alegação de restituição de pagamento indevido, em razão da não incidência de CIDE sobre royalties decorrentes de direitos autorais em contratos de licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, fundado no artigo 20 da Lei nº 11.452/2007, abaixo transcrito: Art. 20. O art. 2o da Lei no 10.168, de 29 de dezembro de 2000, alterado pela Lei no 10.332, de 19 de dezembro de 2001, passa a vigorar acrescido do seguinte § 1oA: “Art. 2o .................................................................................. Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10880.661484/201203 Acórdão n.º 3302005.103 S3C3T2 Fl. 4 3 .................................................................................. § 1oA. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia. A recorrente não procedeu à retificação da DCTF, em meio digital, protocolando processo administrativo em papel, cuja decisão foi assim expedida: "Confrontando a data de protocolo do pedido com o período a que se refere a DCTF, concluo que o direito de pleitear a retificação se encontrava extinto. Ademais, havendo decisão relativa à Declaração de Compensação proferida antes do pedido de retificação da DCTF, deve a questão ser discutida por meio de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório, de forma a se evitarem discussões administrativas paralelas sobre o mesmo assunto. Esta turma já se pronunciou em diversas ocasiões sobre a desnecessidade de se retificar a DCTF, quando o contribuinte consegue provar o direito alegado, mediante documentação hábil e idônea, em homenagem ao princípio da verdade material. Nos casos de auto de infração eletrônico de DCTF, entendo que este princípio atrai a possibilidade de se conhecer de provas apresentadas em recurso voluntário, uma vez que apenas na decisão de DRJ surge o fundamento da falta de provas em vista da não retificação de DCTF, bem como, até o momento daquela decisão, o contribuinte não recebeu qualquer intimação exigindo a documentação necessária para provar o direito alegado. No caso dos autos, a decisão recorrida especificou as provas que considerava necessárias para a comprovação do direito alegado. Porém, mesmo ciente da necessidade de apresentação das referidas, a recorrente não se desincumbiu adequadamente de seu ônus, deixando de apresentar contrato comercial com a GOLDEN GATE SOFTWARE INC., bem como apresentando o contrato comercial com a ACI WORLDWIDE INC. sem tradução juramentada, impossibilitando o conhecimento do documento em inglês, conforme artigo 157 do antigo CPC (Lei nº 5.869/1973, artigo 192 da Lei nº 13.105/2015 (NCPC), artigo 224 da Lei nº 10.406/2002 (CC), artigo 18 do Decreto 13.609/1943, artigo 22 da Lei nº 9.784/1999 e artigo 13 da Constituição Federal, abaixo transcritos: Lei nº 5.869/1973 (antigo CPC), artigo 157: TÍTULO V DOS ATOS PROCESSUAIS CAPÍTULO I DA FORMA DOS ATOS PROCESSUAIS Seção I Dos Atos em Geral Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10880.661484/201203 Acórdão n.º 3302005.103 S3C3T2 Fl. 5 4 [...] Art. 157. Só poderá ser junto aos autos documento redigido em língua estrangeira, quando acompanhado de versão em vernáculo, firmada por tradutor juramentado. Lei 13.105/2015, artigo 192: Art. 192. Em todos os atos e termos do processo é obrigatório o uso da língua portuguesa. Parágrafo único. O documento redigido em língua estrangeira somente poderá ser juntado aos autos quando acompanhado de versão para a língua portuguesa tramitada por via diplomática ou pela autoridade central, ou firmada por tradutor juramentado. Lei nº 10.406/2002, artigo 224: Art. 224. Os documentos redigidos em língua estrangeira serão traduzidos para o português para ter efeitos legais no País. Decreto nº 13.609/1943: Art. 18. Nenhum livro, documento ou papel de qualquer natureza que fôr exarado em idioma estrangeiro, produzirá efeito em repartições da União dos Estados e dos municípios, em qualquer instância, Juízo ou Tribunal ou entidades mantidas, fiscalizadas ou orientadas pelos poderes públicos, sem ser acompanhado da respectiva tradução feita na conformidade dêste regulamento. Parágrafo único. estas disposições compreendem também os serventuários de notas e os cartórios de registro de títulos e documentos que não poderão registrar, passar certidões ou públicasformas de documento no todo ou em parte redigido em língua estrangeira. Lei nº 9.784/1999: Art. 22. Os atos do processo administrativo não dependem de forma determinada senão quando a lei expressamente a exigir. § 1o Os atos do processo devem ser produzidos por escrito, em vernáculo, com a data e o local de sua realização e a assinatura da autoridade responsável. Constituição Federal, artigo 13: Art. 13. A língua portuguesa é o idioma oficial da República Federativa do Brasil. Destacase que não se tratam de expressões ou palavras de fácil e notório conhecimento da língua inglesa ou de texto de fácil compreensão, mas de contrato de licenciamento de uso de sofware, com mais de trinta páginas de contrato original e aditivos com diversos termos técnicos, sendo imprescindível a tradução juramentada para se avaliar o alcance do contrato e a existência de eventual transferência de tecnologia. Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10880.661484/201203 Acórdão n.º 3302005.103 S3C3T2 Fl. 6 5 Neste sentido, citamse os acórdãos abaixo e ementas parciais, proferidos por este Conselho: Acórdão nº 1301002.260: IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGADA. DOCUMENTOS ESTRANGEIROS DESACOMPANHADOS DE TRADUÇÃO JURAMENTADA. Os documentos em idioma estrangeiro anexados ao processo pelo contribuinte não podem ser avaliados, pois devem ser traduzidos para o português por tradutor juramentado. Acórdão nº 1301002.097: GLOSA DE DESPESAS. SERVIÇOS DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA E CONSULTORIA PAGOS A EMPRESA LIGADA NO EXTERIOR. EFETIVIDADE DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. PROVA. Procedente a glosa de despesas por serviços de assistência técnica e consultoria pagos a empresa ligada no exterior, na situação em que resta incomprovada a efetividade da prestação desses serviços. Documentos em língua estrangeira, desacompanhados da respectiva tradução juramentada, não podem ser aceitos como prova. Os poucos documentos em língua portuguesa são insuficientes para provar a efetividade da prestação dos serviços. Acórdão nº 3202000.546: PROVA. DOCUMENTO ELABORADO EM LÍNGUA ESTRANGEIRA SEM TRADUÇÃO ELABORADA POR TRADUTOR JURAMENTADO. NÃO CONHECIMENTO. Não se toma conhecimento de documento em idioma estrangeiro desacompanhado da respectiva tradução juramentada, seja ele produzido pelo sujeito passivo ou por agente da administração tributária (art. 157 do Código de Processo Civil). Sem tal tradução, o documento não possui valor efeito probante no processo administrativo, acarretando o indeferimento da compensação por falta de provas, já que o contrato comercial é elemento primordial na análise da existência ou não de transferência. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Assim, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10880.661484/201203 Acórdão n.º 3302005.103 S3C3T2 Fl. 7 6 Paulo Guilherme Déroulède Fl. 250DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.002886/2003-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/1999 a 31/05/1999, 01/07/1999 a 31/12/1999, 01/06/2000 a 30/06/2000, 01/01/2001 a 31/01/2001, 01/12/2001 a 31/12/2001, 01/04/2002 a 30/04/2002, 01/07/2002 a 31/07/2002, 01/12/2002 a 31/12/2002
COMPENSAÇÃO ESCRITURAL. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. DÉBITO DA MESMA ESPÉCIE. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 21/1997. IMPOSSIBILIDADE.
Na vigência da Instrução Normativa SRF 21/1997, a autocompensão escritural dos créditos decorrentes de pagamento indevido, ou a maior que o devido, com débitos de tributos e contribuições da mesma espécie e destinação constitucional da própria pessoa jurídica era permitida mediante o registro na escrituração contábil e declaração na DCTF. O não cumprimento de qualquer desses requisitos impossibilita o acatamento da compensação. No caso, a interessada não comprovou o registro na escrituração contábil dos supostos valores compensados, o que impede o reconhecimento do procedimento compensatório.
PERDA DA ESPONTANEIDADE. CONFISSÃO DE DÍVIDA OU COMPENSAÇÃO REALIZADA APÓS O INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. EXONERAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO. IMPOSSIBILIDADE.
A confissão de dívida ou a realização de compensação após o início do procedimento fiscal não tem o condão de restabelecer a perda da espontaneidade e, por conseguinte, de extinguir o crédito tributário lançado.
BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO PROMOVIDO PELO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI 9.718/1998. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. RECEITAS ORIUNDAS DO EXERCÍCIO DAS ATIVIDADES EMPRESARIAIS. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, § 2º DO ANEXO II DO RICARF. CABIMENTO.
1. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, sob a égide da Lei 9.718/1998, corresponde à receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, que compreende o somatório das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais.
2. O alargamento da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, determinado no § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/1998, foi declarado inconstitucional pelo plenário do STF no julgamento dos RREE 346.084/PR, 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG e reafirmada no julgamento do RE 585.235-1/MG, sob regime de repercussão geral, o que obriga a reprodução do teor da referida decisão nos julgamentos deste Conselho.
Recurso de Ofício Não Conhecido e Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-005.191
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício e em dar provimento parcial ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/1999 a 31/05/1999, 01/07/1999 a 31/12/1999, 01/06/2000 a 30/06/2000, 01/01/2001 a 31/01/2001, 01/12/2001 a 31/12/2001, 01/04/2002 a 30/04/2002, 01/07/2002 a 31/07/2002, 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO ESCRITURAL. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. DÉBITO DA MESMA ESPÉCIE. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 21/1997. IMPOSSIBILIDADE. Na vigência da Instrução Normativa SRF 21/1997, a autocompensão escritural dos créditos decorrentes de pagamento indevido, ou a maior que o devido, com débitos de tributos e contribuições da mesma espécie e destinação constitucional da própria pessoa jurídica era permitida mediante o registro na escrituração contábil e declaração na DCTF. O não cumprimento de qualquer desses requisitos impossibilita o acatamento da compensação. No caso, a interessada não comprovou o registro na escrituração contábil dos supostos valores compensados, o que impede o reconhecimento do procedimento compensatório. PERDA DA ESPONTANEIDADE. CONFISSÃO DE DÍVIDA OU COMPENSAÇÃO REALIZADA APÓS O INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. EXONERAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO. IMPOSSIBILIDADE. A confissão de dívida ou a realização de compensação após o início do procedimento fiscal não tem o condão de restabelecer a perda da espontaneidade e, por conseguinte, de extinguir o crédito tributário lançado. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO PROMOVIDO PELO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI 9.718/1998. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. RECEITAS ORIUNDAS DO EXERCÍCIO DAS ATIVIDADES EMPRESARIAIS. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, § 2º DO ANEXO II DO RICARF. CABIMENTO. 1. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, sob a égide da Lei 9.718/1998, corresponde à receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, que compreende o somatório das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. 2. O alargamento da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, determinado no § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/1998, foi declarado inconstitucional pelo plenário do STF no julgamento dos RREE 346.084/PR, 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG e reafirmada no julgamento do RE 585.235-1/MG, sob regime de repercussão geral, o que obriga a reprodução do teor da referida decisão nos julgamentos deste Conselho. Recurso de Ofício Não Conhecido e Recurso Voluntário Provido em Parte.
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/1999 a 31/05/1999, 01/07/1999 a 31/12/1999, 01/06/2000 a 30/06/2000, 01/01/2001 a 31/01/2001, 01/12/2001 a 31/12/2001, 01/04/2002 a 30/04/2002, 01/07/2002 a 31/07/2002, 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO ESCRITURAL. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. DÉBITO DA MESMA ESPÉCIE. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 21/1997. IMPOSSIBILIDADE. Na vigência da Instrução Normativa SRF 21/1997, a autocompensão escritural dos créditos decorrentes de pagamento indevido, ou a maior que o devido, com débitos de tributos e contribuições da mesma espécie e destinação constitucional da própria pessoa jurídica era permitida mediante o registro na escrituração contábil e declaração na DCTF. O não cumprimento de qualquer desses requisitos impossibilita o acatamento da compensação. No caso, a interessada não comprovou o registro na escrituração contábil dos supostos valores compensados, o que impede o reconhecimento do procedimento compensatório. PERDA DA ESPONTANEIDADE. CONFISSÃO DE DÍVIDA OU COMPENSAÇÃO REALIZADA APÓS O INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. EXONERAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO. IMPOSSIBILIDADE. A confissão de dívida ou a realização de compensação após o início do procedimento fiscal não tem o condão de restabelecer a perda da espontaneidade e, por conseguinte, de extinguir o crédito tributário lançado. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO PROMOVIDO PELO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI 9.718/1998. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. RECEITAS ORIUNDAS DO EXERCÍCIO DAS AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 28 86 /2 00 3- 04 Fl. 2544DF CARF MF 2 ATIVIDADES EMPRESARIAIS. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, § 2º DO ANEXO II DO RICARF. CABIMENTO. 1. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, sob a égide da Lei 9.718/1998, corresponde à receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, que compreende o somatório das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. 2. O alargamento da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, determinado no § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/1998, foi declarado inconstitucional pelo plenário do STF no julgamento dos RREE 346.084/PR, 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG e reafirmada no julgamento do RE 585.2351/MG, sob regime de repercussão geral, o que obriga a reprodução do teor da referida decisão nos julgamentos deste Conselho. Recurso de Ofício Não Conhecido e Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício e em dar provimento parcial ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o relatório que integra o acórdão recorrido, que segue integralmente transcrito: Trata o presente processo de auto de infração de fls. 13 a 19, lavrado, contra o contribuinte em epígrafe, em decorrência de falta de recolhimento da Contribuição para o PIS, no valor total de R$3.147.590,12, referente aos fatos geradores ocorridos nos meses 05, 07 a 12/1999, 06/2000, 01/2001, 12/2001, 04/2002, 07/2002 e 12/2002, incluídos principal, multa de ofício e juros de mora calculados até 28/11/2003. 2. O procedimento fiscal que originou o lançamento ora questionado teve início em 28/04/2003, pela ciência do Termo de Início de Fiscalização de fl. 04. 3. O lançamento decorreu de apuração de diferença entre o valor de contribuição baseada na escrituração contábil e fiscal e o montante de contribuição declarada/paga pelo sujeito passivo Fl. 2545DF CARF MF Processo nº 18471.002886/200304 Acórdão n.º 3302005.191 S3C3T2 Fl. 2.545 3 (verificações obrigatórias). No Termo de Constatação de fls 11/12, constam, em síntese, as seguintes informações: 1) no ano de 1999, a empresa não recolheu e nem declarou em DCTF a contribuição, nos meses de maio e julho a dezembro; 2) nos meses 06/2000, 01/2001, 12/2001, 04/2002, 07/2002 e 12/2002 foram encontradas diferenças nas bases de cálculo da contribuição conforme demonstrativo de recolhimentos de tributos/contribuições declarados pela empresa às fls. 05/08 e planilhas de apuração das diferenças às fls. 09/10. 4. Embasando o feito fiscal, o autuante citou no auto de infração o seguinte enquadramento legal: : art. 3º, alínea “b” da Lei Complementar nº 07/70, art. 1º, parágrafo único da Lei Complementar nº 17/73, título 5, capítulo 1, seção 1, alínea “b”, itens I e II do Regulamento do PIS/Pasep, aprovado pela Portaria MF nº 142/82; arts. 2º, inciso I, 3º e 8º, inciso I, e 9º da Medida Provisória nº 1.212/95 e suas reedições, convalidadas pela Lei 9.715/98; art. 3º da Lei nº 9.715/98; arts. 2º, inciso I, 8º, inciso I, e 9º da Lei nº 9.715/98; arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98; arts. 2º, inciso I, alínea “a” e parágrafo único, 3º, 10, 26 e 51 do Decreto nº 4.524/02. No que se refere à multa de ofício e aos juros de mora, os dispositivos legais aplicados foram relacionados no Demonstrativo de fl. 19. 5.Cientificada em 11/12/2003 (fl. 13), a interessada ingressou, em 09/01/2004, com a petição de fls. 40 a 44, através da qual vem impugnar os lançamentos efetuados, alegando em síntese que: 1) no ano de 1999, por falta de referência nas DCTF, a fiscalização não levou em consideração a compensação efetuada pela Impugnante, cujos créditos correspondem a valores recolhidos a maior, a título de PIS, no período de fevereiro a abril de 1999 e que foram utilizados para quitar os débitos do contribuinte nos períodos de apuração de maio, novembro e dezembro de 1999, conforme planilha de compensação de fl. 85; 2) o fiscal também ignorou a compensação efetuada com base no processo administrativo nº 10070.001529/200299 (fls. 86/87), bem como os Darf por meio dos quais foram saldados os débitos relativos aos períodos de apuração de julho a novembro de 1999 (fls. 92/96). Ressaltese que, em novembro/99, a extinção do crédito tributário se deu por meio de Darf, no valor de cem reais (fl. 96), bem como por duas compensações, uma delas com base no processo administrativo nº 10070.001529/200299, correspondendo a R$85.728,43 (fl. 87), e a outra com o crédito decorrente de pagamentos excedentes no período de fevereiro a abril de 1999, no valor de R$6.167,97 (planilha de fl. 85); 3) no mês dezembro de 1999, a base de cálculo e o valor devido da contribuição, consignados na DIPJ estão incorretos. Os valores corretos encontramse na tabela de cálculos (fl. 97). O valor devido da contribuição corresponde a R$1.898,70, e foi Fl. 2546DF CARF MF 4 totalmente quitado com base na compensação de créditos, provenientes de pagamentos em excesso ocorridos no período de fevereiro a abril de 1999 (planilha de fl. 85); 4) no mês de junho de 2000, o valor devido da contribuição em comento informado em DCTF, correspondente a R$225.148,70, está incorreto. Na verdade, o valor apurado é de R$228.501,32, o qual esteve suspenso por medida judicial até maio de 2002, por força de decisão judicial exarada nos autos do processo judicial nº 99.00.179226, tendo sido quitado por pagamento, via Darf, cujo valor principal é de R$ 100,00 (fl. 98) e por meio de compensação do saldo devedor residual de R$228.401,32, via processo administrativo nº 10070.001529/200241; 5) no mês de janeiro de 2001, o valor informado como suspenso em DCTF de R$155.826,98 está incorreto. O valor efetivamente apurado a título de PIS foi de R$160.343,49, sendo o valor de R$2.575,64 compensado com créditos apurados de fevereiro a abril de 1999 (planilhas de fls. 85 e 99) e R$157.767,86, que esteve suspenso por medida judicial até maio de 2002 (Processo judicial nº 99.00.179226), foi quitado por pagamento, via Darf, cujo principal corresponde a R$ 100,00 (fl. 101) e via compensação na parcela de R$157.667,85 (Processo administrativo nº 10070.001529/200241); 6) no mês de dezembro de 2001, o valor de R$2.140.109,48, informado em DCTF como suspenso por medida judicial, está incorreto. O valor suspenso correto é de R$2.135.674,79 e o valor total devido correto é de R$2.320.403,41. O valor suspenso foi quitado pelo pagamento de R$ 100,00 (fl. 102) e pela compensação de créditos no valor de R$2.315.574,79, conforme processo administrativo nº 10070.001529/200241 (fl. 90). Os R$4.728,62 restantes foram saldados via compensação de créditos da Impugnante, decorrentes de recolhimento a maior da contribuição no período de fevereiro a abril de 1999 (planilhas de fls. 85 e 99); 7) no mês de abril de 2002, com a adoção do regime de caixa em junho de 2002, o valor apurado do PIS alterouse de R$466.155,90 para R$479.408,69, conforme demonstrado na DIPJ (fls. 103 e 123), sendo R$2.408,16 compensado com créditos apurados de fevereiro a abril de 1999 (planilhas de fls. 85, 99 e 100) e R$477.000,53 quitado via pagamento da parcela de R$ 100,00 (fl. 155) e por compensação, na parcela de R$476.900,53, via processo administrativo nº 10070.001529/200241 (fl. 86), em relação ao qual foi protocolado pedido de retificação (fl. 156). Não foi feita alteração na DCTF, uma vez que a Impugnante já se encontrava sob processo de fiscalização; 8) no mês de julho de 2002, foi apurado, a título de PIS, o valor de R$1.076.888,01, conforme consta da DIPJ (fls. 103 e 126) e foi quitado via pagamento de Darf no valor de R$ 10,00 (fl. 158) e por compensação no valor de R$1.076.878,01, segundo pedido de compensação protocolado em 15/08/2002 (fl. 159), tendo sido requerido pedido de substituição de pedido de compensação em 11/09/2003 (fls. 160 e 161). Não foi feita alteração na DCTF, pois o contribuinte se encontrava sob fiscalização; Fl. 2547DF CARF MF Processo nº 18471.002886/200304 Acórdão n.º 3302005.191 S3C3T2 Fl. 2.546 5 9) no mês de dezembro de 2002, apurouse na DIPJ (fl. 131) PIS no valor de R$14.352.060.04, quitada pelo pagamento de R$ 10,00 (fl. 162) e por compensações, nas parcelas de: R$484.462,50 com créditos de PIS relativo à Lei nº 10.637/2002, art. 3º, conforme informado na DIPJ; R$12.341.514,03, via processo administrativo nº 13706.000472/200318 (fls. 163 e 164); R$1.502.072,05, via processo administrativo nº 13706.000528/200334 ( fls. 165 e 166) e R$24.001,46, via PERD/COMP nº 14925.88793.300903.1.3.020550 (fls. 167 a 171). Não foi feita retificação de DCTF, uma vez que a empresa encontravase sob fiscalização; 10) por fim, requer que seja reconhecida a insubsistência do Auto de Infração em referência e a extinção do crédito tributário nele consubstanciado, por terem sido comprovados os erros contidos nas DCTF, bem como as suas causas e demonstrada a extinção do crédito tributário por meio de pagamentos e de compensações. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 483/499), em que, por maioria de votos, a impugnação foi julgada procedente em parte e o crédito tributário parcialmente mantido, ou seja, os valores pagos ou que foram objeto de compensação antes do início do processo de fiscalização, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/1999 a 31/05/1999, 01/07/1999 a 31/12/1999, 01/06/2000 a 30/06/2000, 01/01/2001 a 31/01/2001, 01/12/2001 a 31/12/2001, 01/04/2002 a 30/04/2002, 01/07/2002 a 31/07/2002, 01/12/2002 a 31/12/2002 Ementa: COMPENSAÇÃO DECLARADA À SRF. EFEITOS. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. 1. A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. 2. Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo. 3. A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. ÔNUS DA PROVA. ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA. A mera apresentação de planilhas de compensação e de planilhas para retificar valores informados na DIPJ já em fase impugnatória de procedimento fiscal, sem se fazer acompanhar de documentação da escrituração contábil e fiscal que dê arrimo à alegada alteração contábil, não tem o condão de, Fl. 2548DF CARF MF 6 automaticamente, impugnar de forma peremptória os valores apurados no curso da ação fiscal. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO APÓS O INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. PERDA DA ESPONTANEIDADE. O início do procedimento de ofício exclui a espontaneidade do contribuinte quanto à matéria e períodos fiscalizados. Lançamento Procedente em Parte Em 9/6/2004, a recorrente foi cientificada da decisão (fl. 577). Inconformada, em 9/7/2004, protocolou o recurso voluntário de fls. 507/524, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória, especialmente, em relação a: a) regularidade da compensação efetuada espontaneamente pela recorrente e que o fisco teve acesso à toda escrita fiscal e contábil e reconhecera a existência de pagamentos indevidos no período de fevereiro a abril/1999; b) a regularidade dos pedidos administrativos de compensação e de retificação de compensação, efetuados antes da notificação do lançamento, e que os pagamentos indevidos foram anteriores ao início da fiscalização e de conhecimento da administração tributária. As retificações foram tempestivas, pois anteriores à notificação de lançamento, de acordo com o artigo 147 do CTN e que as únicas alterações foram relativas aos débitos; e c) incorreta apuração da base de cálculo da Cofins relativa a dezembro/1999, em face dos balancetes apresentados no recurso. Por ter sido exonerado crédito tributário (contribuição e multa de ofício) em montante superior a R$ 500.000,00, foi interposto recurso de ofício perante o extinto 2º Conselho de Contribuintes da parte da decisão que cancelou o referido crédito tributário, nos termos do art. 2º da Portaria MF nº 375, de 7 de dezembro de 2001. Na Sessão de 23 de agosto de 2012, o julgamento foi convertido em diligência, por meio da Resolução nº 330200.244, para que fosse adotadas as seguintes providências pela unidade de origem da Receita Federal do Brasil, in verbis: (i) A Recorrente seja intimada a apresentar, no prazo de 30 dias, a documentação suporte necessária à comprovação das compensações realizadas nos meses de maio, julho e novembro/1999; bem como aquela que justifica a pleiteada mudança de base de cálculo; (ii) Após apresentada a documentação por parte da Recorrente, a autoridade administrativa competente deverá analisar os documentos trazidos e elaborar parecer conclusivo acerca das compensação realizadas no ano de 1999 e a pleiteada alteração de base de cálculo. (iii) Ainda, a autoridade administrativa deverá juntar aos autos o andamento dos processos administrativos nº 10070.001529/200241; 10070.002268/200286; 13706.000472/200318 e 13.706.000528/200334; com a conseqüente informação acerca da homologação ou não das compensações realizadas; Fl. 2549DF CARF MF Processo nº 18471.002886/200304 Acórdão n.º 3302005.191 S3C3T2 Fl. 2.547 7 (iv) Esclareça a autoridade administrativa acerca da informação trazida aos autos pela Recorrente no sentido de que os débitos cancelados e objetos do recurso de ofício ora analisado também são objeto (e estão sendo cobrados por meio) da Execução Fiscal nº 2009.51.01.5016883; (v) A Recorrente deverá ser intimada dos pareceres conclusivos sendolhe permitido manifestarse no prazo de 30 dias. Esclareçase que a presente diligência deve ser executada em conjunto com a solicitada no processo 18471.002887/200341, de relatoria do Conselheiro José Antonio Francisco e retornar ao Carf, também, juntamente com aquele processo. O relatório final, do qual deverá ser dada ciência à interessada para manifestação, conforme anteriormente destacado, deverá ser único para os dois processos, atendendo às solicitações específicas realizadas por cada relator. Em cumprimento às determinações da diligência, por meio do Relatório de Diligência Fiscal de fls. 2455/2469, a autoridade fiscal apresentou as respostas e conclusões, que serão abordadas no voto. Na manifestação sobre o resultado da diligência (fls. 2491/2502), a recorrente reafirmou que as compensações homologadas tacitamente no processo 10070.001529/200241 extinguiram o crédito tributário de julho a novembro/1999; que restou demonstrada a duplicidade entre valores lançados neste processo e objeto de execução judicial da Dívida Ativa pela PFN; que a base de cálculo para o mês de dezembro se refere apenas à conta “Diversas Receitas Operacionais”, no valor de R$ 292.107,62. Em 18/1/2017, a recorrente protocolou a petição integrante do arquivo não paginável de fl. 2543, em que reconheceu a identidade de motivos e de períodos de apuração entre os débitos lançados neste processo com os débitos da Cofins lançados no processo nº 18471.002887/200341 e informou que recurso interposto no citado processo fora objeto de julgamento por este Colegiado, na Sessão de 24 de agosto de 2016, por meio do acórdão nº 3302003.345, em que, por unanimidade de votos, foi negado provimento ao recurso de ofício e dado parcial provimento ao recurso voluntário. Com nessas informações, alegou a recorrente que este Colegiado devia, por coerência, seguir o mesmo entendimento explicitado no julgamento do recurso voluntário colacionado aos presentes autos, “para reconhecer ao menos a inexigibilidade dos débitos que foram previamente compensados, bem como determinar a redução da base de cálculo do PIS de dezembro/l999.” É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. Fl. 2550DF CARF MF 8 O recurso voluntário foi apresentado tempestivamente, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Porém, do recurso de ofício interposto não se toma conhecimento, por não preencher o pressuposto de admissibilidade, atinente ao limite alçada, conforme a seguir demonstrado. Do recurso de ofício A questão objeto do recurso de ofício cingese a parte da decisão que determinou o cancelamento do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep, no valor de R$612.200,61, respectiva multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento). Após a interposição do recurso de ofício em apreço foi editada a Portaria MF 63/2017, que, no seu art. 1º, alterou o limite de alçada do órgão de julgamento de primeiro grau para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), com os seguinte dizeres, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Em relação ao assunto, há jurisprudência consolidada neste Conselho, no sentido de que o requisito atinente ao limite de alçada deve ser atendido na data da apreciação do recurso de ofício, conforme dispõe a Súmula CARF nº 103, a seguir transcrita: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Com base nessas considerações, não se toma conhecimento do referido recurso de ofício, por não atender o limite de alçada exigido no art. 34, I, do Decreto 70.235/1972 e fixado no art. 1º da Portaria MF 63/2017. Do recurso voluntário Em face do não conhecimento do recurso de ofício, pelas razões anteriormente expostas, inequivocamente, tornouse definitiva a parcela da decisão recorrida que exonerou parte dos débitos da Contribuição para o PIS/Pasep lançados na presente autuação. Dessa forma, resta analisar a lide remanescente, concernente aos débitos lançados e mantidos no julgamento de primeiro grau, a seguir relacionados: PERÍODO DE APURAÇÃO VALOR DO DÉBITO (R$) mai/99 163.177,83 nov/99 6.167,97 dez/99 426.463,40 Fl. 2551DF CARF MF Processo nº 18471.002886/200304 Acórdão n.º 3302005.191 S3C3T2 Fl. 2.548 9 jan/01 1.940,87 dez/01 4.828,62 abr/02 13.352,78 jul/02 84.697,71 dez/02 8.113,91 Não há controvérsia quanto ao fato de que os motivos e os períodos de apuração dos débitos remanescentes lançados e mantidos neste processo são idênticos aos débitos da Cofins lançados e também mantidos no processo nº 18471.002887/200341, uma vez que a própria recorrente reconheceu a identidade fática entre os dois processos. Sabese ainda que o recurso voluntário interposto no referido processo foi julgado por este Colegiado na Sessão de 24 de agosto de 2016, que resultou na edição do acórdão nº 3302003.345, cujo voto condutor foi da lavra do nobre Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Como este Relator participou da referida Sessão de julgamento e acompanhou e concordou integralmente com o voto do i. Relator, com respaldo no art. 50, § 1º, da Lei 9.784/1999, mutatis mutandis, aqui adotase como razão de decidir os mesmos fundamentos apresentados no referido voto sobre a matéria litigiosa suscitada no recurso voluntário, que seguem transcritos: Em relação aos valores de maio/99, novembro/99, R$ 8.763,21 de dezembro/99, janeiro/2001, dezembro/2001, a recorrente alegou ter efetuado compensações destes débitos com indébitos do período de fevereiro a abril/99, conforme planilha de efl. 221, embora afirmou não ter informado tal compensação em DCTF, conforme impugnação de efls. 222. A recorrente alegou que a fiscalização deveria promover a compensação dos valores, pois que reconhecera os créditos na execução do procedimento fiscal. De fato, as planilhas de efls. 7 e 11, mostram pagamentos efetuados em montantes superiores aos valores devidos. Entretanto, isto não implica o reconhecimento da compensação efetuada, tanto assim que a fiscalização não reconheceu tais valores na coluna "compensação". Embora a recorrente possuísse o indébito, a compensação é um direito que precisa ser efetivamente exercido, o que não foi demonstrado pela recorrente em impugnação. Com efeito, o artigo 170 do CTN determinou à lei ordinária, a estipulação das garantias e condições para a autorização da compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda. À época dos fatos, vigia a redação original do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cujo caput estipulava que a Secretaria da Receita Federal poderia autorizar a compensação, o que foi disciplinado pelo Decreto nº 2.138/1997 e normatizado pela IN SRF nº 21/1997. A referida instrução normativa possibilitou a compensação entre tributos de mesma espécie, sem necessidade de requerimento (desde que não decorrente de sentença judicial nem relativos a Fl. 2552DF CARF MF 10 períodos de débitos anteriores ao crédito), o que seria o caso destes autos. Porém, isto não significou que a compensação fosse automática, mas sim que sua efetivação não dependia de requerimento à Secretaria da Receita Federal. Esta efetivação se dava pelo registro em sua contabilidade e declaração em DCTF (compensação sem Darf), embora a ausência da informação em DCTF tem sido relevada neste conselho, quando comprovada a efetivação da compensação mediante registros contábeis. Neste sentido, citamse os acórdãos: Acórdão nº 1301001.935: COMPENSAÇÃO. FALTA DE INFORMAÇÃO EM DCTF. REGISTRO CONTÁBIL. COMPROVAÇÃO. Na vigência do art. 66 da Lei nº 8.383/1991, não se exigia especial autorização para a compensação entre tributos da mesma espécie. Desta forma, pode ser superada a falta de comunicação em DCTF da compensação pretendida pelo sujeito passivo, desde que reste, como no presente caso, inequivocamente comprovada a existência do crédito e o tempestivo e adequado registro contábil da compensação efetuada. Para fatos geradores posteriores a 28/05/2003, não se pode admitir a compensação feita exclusivamente na contabilidade do sujeito passivo, sendo exigível a competente Declaração de Compensação. Acórdão nº 1401001.450: [...]COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DA MESMA ESPÉCIE. REQUISITOS.A compensação de indébitos tributários visando extinguir crédito tributário da mesma espécie e destinação constitucional, conquanto prescinda de formalização de pedido, para ter validade, deve ser devidamente declarada em DCTF antes do início da ação fiscal ou, no mínimo, demonstrado que a compensação foi procedida em sua contabilidade. Verificase nos autos que a recorrente não apresentou qualquer prova de ter efetivado esta compensação, apresentando os registros contábeis que indicassem o exaurimento do ativo a compensar e a amortização do passivo a recolher, o que, ao mesmo tempo valida a compensação e garante que não se utilize o crédito em duplicidade. Em manifestação de diligência, a recorrente pugnou que os indébitos são suficientes e que deveria a fiscalização ter procedido à compensação, mas novamente não apresenta provas de sua efetivação em contabilidade. Entendo que a recorrente pretendia que a fiscalização ou este conselho reconhecesse a compensação, de ofício, pelo simples fato de existirem indébitos tributários. Como já dito, esta situação não implica automaticamente a compensação de débitos subsequentes, pois é necessário que a recorrente a efetive, inclusive, para que não expire o prazo para pleitear a restituição, nos termos do artigo 168, I, do CTN. Todavia, não informou nada em DCTF, nem apresentou provas dos registros contábeis da realização da compensação. Ressaltase, ainda, que a compensação de ofício é efetuada mediante procedimentos internos normatizados, conforme artigo 73 da Lei nº 9.430/96, artigo 7º do Decretolei nº 2.287/1986, os quais pressupõem o reconhecimento de um direito creditório Fl. 2553DF CARF MF Processo nº 18471.002886/200304 Acórdão n.º 3302005.191 S3C3T2 Fl. 2.549 11 pedido pela contribuinte, a existência de débitos constituídos e a intimação para a manifestação de sua concordância, expressa ou tácita, procedimentos estes não cabíveis em procedimento de fiscalização, nem em julgamento administrativo. Já no que tange aos valores de abril/2002, julho/2002 e dezembro/2002, a recorrente procedeu à retificação de pedido de compensação ou entrega de DCOMP, após o início da fiscalização, quando a recorrente não mais possuía espontaneidade. Alegou que o não conhecimento das alegações equivaleria ao indeferimento sumário das compensações. A recorrente tomou ciência do início da fiscalização em 28/04/2003. Em 12/09/2003, entregou pedido de retificação de pedido de compensação no processo 10070.001529/200241, acrescendo o valor de R$ 61.166,74 ao débito anteriormente informado. Em 16/09/2003, alterou de R$ 4.304.860,28 para R$ 4.970.242,36, o débito a ser compensado de julho/2002 no processo 10070.002268/200286. Por fim, em 30/09/2003, entregou PER/DCOMP compensando R$ 43.639,03 de Cofins relativos a dezembro/2002. Constatase que tanto os pedidos de retificação quanto a entrega da DCOMP ocorreram após o início da ação fiscal, quando a recorrente já não possuía espontaneidade, nos termos do §1º e do inciso I1 do artigo 7º do Decreto nº 70.235/1972. A perda da espontaneidade acarreta a sujeição ao lançamento de ofício do tributo não pago e não declarado, com multa de ofício e não mais com multa de mora. É a razão pela qual a DRJ não conheceu destes valores como espontaneamente declarados. Mais uma vez a recorrente pugnou para considerar o momento em que ocorreu o indébito tributário, ao passo que a compensação ocorre no encontro de contas e não no momento em que surge o indébito. Frisese que, se ao invés de compensar, a recorrente tivesse recolhido em DARF, tal pagamento também não seria conhecido para efeito de exonerar o crédito tributário lançado de ofício, embora pudesse ser imputado ao crédito definitivamente constituído mediante o lançamento. Destarte, o início da fiscalização afasta a espontaneidade da recorrente, ou seja, o direito de confessar ou extinguir o crédito tributário com acréscimos moratórios, mas, ao contrário, sujeita tal extinção ao lançamento com multa de ofício. Ressaltase, porém, quanto a estes períodos, a ocorrência de inexatidão material no lançamento, reconhecida inclusive pela DRJ, quanto aos DARFs nos valores de R$ 100,00, R$ 10,00 e R$ 10,00, respectivamente para abril, julho e dezembro de 2002, 1 Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; [...] § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. Fl. 2554DF CARF MF 12 devendo tais valores serem excluídos dos saldos remanescentes da decisão da DRJ. Concernente ao valor de dezembro/99, a recorrente alegou que apurara base negativa da exação, mas que por decisão administrativa (da recorrente) optou em reconhecer a base de R$ 292.107,00. A apuração da base de cálculo da Cofins para o período em questão, dezembro de 1999, é regida pelo artigo 3º da Lei nº 9.718/98, cujo alargamento de base contido no §1º teve a inconstitucionalidade reconhecida nos leading cases RREE nº 346.084/PR; nº 357.950/RS; nº 358.273/RS; e nº 390.840/MG, e assentada no RE 585.2351/MG, com repercussão geral reconhecida, nos termos da seguinte ementa: EMENTA. RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ DE 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. No voto, o Ministro Cezar Peluso consignou: “1. O recurso extraordinário está submetido ao regime de repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais....”(grifei) Tal decisão deve ser reproduzida nos julgamentos administrativos no âmbito deste Conselho, conforme disposto no §2º do artigo 62 do Anexo II do atual RICARF, aprovado pela Portaria MFnº 343/2015. Assim, a receita bruta sujeita à incidência da Cofins restringese às vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. A última diligência realizada demonstra que a recorrente considerou como tributáveis apenas a conta de "diversas receitas operacionais", considerando não tributáveis, as contas: receitas financeiras, receitas não operacionais, receita de equivalência patrimonial, despesas recuperadas, receita de reversão de multa e efeitos inflacionários. De plano, destacase que a diligência reportou que, à exceção das receitas financeiras, as demais rubricas mencionadas possuem saldo total a débito, consistindo, de fato, em despesas e não em receitas, conforme efls. 1875. Fl. 2555DF CARF MF Processo nº 18471.002886/200304 Acórdão n.º 3302005.191 S3C3T2 Fl. 2.550 13 Relativamente às receitas financeiras, constatase que o objeto social da recorrente está disposto no artigo 2º do Estatuto Social, efl. 26, e não contempla atividades ligadas ao auferimento de receitas financeiras, em princípio. Portanto, concluise que a conta tributável diz respeito à rubrica "diversas receitas operacionais". Todavia, a diligência apurou um valor de R$ 1.241.025,69, enquanto a recorrente afirma ser o valor correto de R$ 292.107,62. A divergência está no valor acumulado para novembro de 1999, que a recorrente afirma ser R$ 948.918,07. Verificando os balancetes de novembro e dezembro de 1999, constatase que o saldo acumulado da conta 4199 em dezembro de 1999 é de R$ 1.241.025,69, efl. 477, e em novembro de 1999 corresponde a zero, efl. 264. Questionada sobre a divergência, a recorrente afirmou na resposta de efl. 1827, que as contas que compuseram este valor foram 41990000, 4199000, 4199, nada esclarecendo sobre a divergência, mas apenas confirmando os dados do balancete. Portanto, o valor correto a ser considerado para dezembro/1999 é de R$ 1.241.025,69, o que corresponde à Cofins devida de R$ 37.230,77. Como os motivos da autuação e as conclusões da diligência realizados no âmbito deste processo são idênticos aos do citado processo nº 18471.002887/200341, com a diferença apenas em relação aos valores dos débitos apurados, com base nos mesmos fundamentos consignados nos excertos do voto acima transcritos, propõese a exoneração e a manutenção da cobrança dos valores dos débitos da Contribuição para o PIS/Pasep a seguir discriminados: PA Valor mantido na decisão recorrida(R$) Valor exonerado neste julgado (R$) Valor mantido neste julgado (R$) mai/99 163.177,83 163.177,83 nov/99 6.167,97 6.167,97 dez/99 426.463,40 418.396,73 8.066,67 jan/01 1.940,87 1.940,87 dez/01 4.828,62 4.828,62 abr/02 13.352,78 100,00 13.252,78 jul/02 84.697,71 10,00 84.687,71 dez/02 8.113,91 10,00 8.103,91 Em aditamento ao que decido no citado processo, ainda que realizada após o início do procedimento fiscal, quando a recorrente já havia perdido a condição de espontaneidade, nos termos do § 1º e do inciso I do art. 7º do Decreto 70.235/1972, se Fl. 2556DF CARF MF 14 comprovada e homologada a compensação, o valor principal do débito compensado pode ser cancelado, porém, mantida a cobrança da multa de ofício e dos juros moratórios, conforme determinado pela fiscalização. Da conclusão Por todo o exposto, votase pelo não conhecimento do recurso de ofício e pelo conhecimento do recurso voluntário, para darlhe parcial provimento, para manter o crédito tributário discriminado na tabela supra e admitir a compensação realizada e homologada após o início da fiscalização (perda da espontaneidade), porém restrita ao valor principal do débito compensado. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 2557DF CARF MF
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Numero do processo: 15586.000096/2008-13
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 26/12/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.629
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 26/12/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 00 96 /2 00 8- 13 Fl. 1693DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de retorno de diligência comandada por meio da Resolução 9202 000.137 de 26 de setembro de 2017, onde restou assim consignado: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para esclarecimento acerca do julgamento do auto de infração correlato à NFLD DEBCAD 371100275. A resolução fezse necessária na medida que, por tratarse de AI de obrigação acessória AIOA, necessário primeiro verificar a certeza e liquidez do crédito, tendo em vista que conforme podemos identificar no relatório fiscal, foram lavrados Autos de Infração de Obrigações Principais conexos ao presente processo, qual seja: nº 37.110.0275. Contudo, não foi possível identificar qual a situação do referido processo, nem mesmo identificar o nº que lhe foi atribuído, o que prejudica a continuidade do presente lançamento. Antes de apreciarmos os termos da informação fiscal elaborada pela unidade preparado, relevante transcrever os termos do relatório que ensejou a resolução: Tratase de auto de infração, DEBCAD: 37.110.0259, com base no art. 32, IV, §3º e 5º da Lei nº 8.212/91 c/c art. 225, IV, §4º do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, lavrado contra o contribuinte identificado acima, consolidado em 26/12/2007, no valor de R$ 126.848,57 (Cento e vinte e seis mil, oitocentos e quarenta e oito reais e cinqüenta e sete centavos), em razão da empresa ter apresentado a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social – GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Numa breve síntese, a empresa apresentou a GFIP com omissão dos fatos geradores das contribuições previdenciárias, correspondentes a valores pagos às cooperativas de trabalho, UNIMED VITÓRIA Cooperativa de Trabalho Médico e UNIODONTO ES — Cooperativa de Trabalho Odontológico LTDA, conforme relatório fiscal da infração (fls. 13). De acordo com o Relatório Fiscal de aplicação de multa (fls. 14), a multa aplicada encontrase em conformidade com o art. 32, IV, § 5° da Lei n° 8.212/91, acrescentado pela Lei n° 9.528/97, e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, art. 284, inciso II e art. 373. 0 valor da multa corresponde a 100% do valor da contribuição devida e não declarada, observados os limites legais conforme previsto Fl. 1694DF CARF MF Processo nº 15586.000096/200813 Acórdão n.º 9202006.629 CSRFT2 Fl. 3 3 no parágrafo 4° do artigo 32 da Lei n° 8.212/91, e atualizada pela portaria n° 142, de 11/04/2007. O cálculo da multa encontrase discriminado no demonstrativo de fls. 15/17. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ julgado o lançamento procedente em parte, mantendo em parte o crédito tributário apurado. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 07/02/2012, foi dado provimento parcial ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2803001.288 (fls. 1.580/1.587), com o seguinte resultado: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para que seja efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32A, I, da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para que seja aplicado o mais benéfico à recorrente.”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 27/12/2007 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMISSAS. Apresentar a empresa GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas, constitui infração à legislação previdenciária. MULTA APLICÁVEL. LEI SUPERVENIENTE MAIS BENÉFICA. APLICABILIDADE O artigo 32 da lei 8.212/91 foi alterado pela lei 11.941/09, traduzindo penalidade, em tese, mais benéfica ao contribuinte, a qual deve ser aplicada, consoante art. 106, II “c”, do CTN, se mais favorável. Deve ser efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32A, I, da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para que seja aplicado o mais benéfico à recorrente. Recurso Voluntário Provido em Parte O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 12/06/2012 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração (fls. 1.590/1.592) alegando omissão no acórdão embargado em relação à aplicabilidade do art. 35A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/09. Tais embargos foram rejeitados. Assim, o processo foi novamente encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 10/12/2012 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 11/12/2012, Recurso Especial (fls. 1.599/1.609). Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido em relação ao cálculo da multa mais benéfica ao contribuinte retroatividade benigna. Fl. 1695DF CARF MF 4 Ao Recurso Especial da Fazenda Nacional foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2300530 (fls. 1.642/1.645), da 3ª Câmara, de 02/09/2013. O recorrente, em suas alegações, requer seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 32A da Lei ny 8.212/91, em detrimento do art. 35A, do mesmo diploma legal, para que seja esposada a tese de que a autoridade preparadora deve verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A da MP nº 449/2008. Cientificado do Acórdão nº 2803001.288, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN, em 19/08/2014, o contribuinte apresentou tempestivamente, em 03/09/2014, suas contrarrazões (fls.1.653/1.663). Em suas contrarrazões, alega, preliminarmente, que a despeito do que quer fazer crer o recorrente, a situação fática versada nos presentes autos é absolutamente diversa daquela narrada nos acórdãos paradigmas, uma vez que a conduta imputada à recorrida diz respeito apenas e tão somente ao descumprimento de obrigação acessória, instituída pelo inciso IV do artigo 32 da Lei nº 8.212/91; enquanto que nos acórdãos paradigmas houve, além do descumprimento de obrigação acessória, também o descumprimento de obrigação principal, de modo que o lançamento de ofício contemplou tributo e multa, devendo, realmente ser aplicada a multa prevista no artigo 35A do mesmo diploma legal. Conclui que, em razão disto, não há que se falar em divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e os paradigmas, o que, por conseqüência lógica, inviabiliza o manejo do presente recurso especial com fundamento do artigo 67 da Portaria MF nº 256/09. Argumenta que, caso superada a preliminar acima exposta, no mérito, o recurso especial da fazenda não merece provimento justamente em razão dos argumentos colocados anteriormente: a multa prevista no artigo 35A da Lei nº 8.212/91 somente é aplicável em casos em que, além do descumprimento da obrigação acessória, verificase o descumprimento de obrigação principal com o consequente lançamento de ofício do tributo, o que não é o caso dos presentes autos. É o relatório. Fl. 1696DF CARF MF Processo nº 15586.000096/200813 Acórdão n.º 9202006.629 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto é tempestivo e atende, em princípio, os pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, fls. 1642. Contudo, tendo sido questionado o conhecimento, passo a análise da questão. Do conhecimento Em relação ao conhecimento, argumenta que o paradigma aborda questão diversa, já que trata de obrigação principal,porém entendo que razão não assiste ao recorrente. Realmente, a própria ementa descreve tratarse de obrigação acessória, contudo a sistemática de aplicação da regra do art. 106 do CTN, quanto a retrotividade benigna trazida pela MP 449/08, convertida na lei 11.941/09 é justamente a realização de comparativo entre os somatórios das obrigações acessórias pela omissão em GFIP e obrigações principais, senão vejamos trecho do despacho de admissibilidade que descreve a questão: Ocorre que há equívoco no entendimento da recorrente, a decisão recorrida expressamente se manifestou acerca de qual multa deve ser aplicada e como a comparação deve ser efetivada, não havendo que se falar em omissão quanto a este ponto, senão vejamos. As multas em GFIP foram alteradas, após a lavratura do auto, pela lei n º 11.941/09, o que pode beneficiar o recorrente. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212,senão vejamos: (...) Dessarte, o valor do Auto de Infração deve ser calculado segundo a nova norma legal art. 32A, I, da lei 8.212/91, somente, e comparado aos valores que constam do presente auto, para se determinar o resultado mais favorável ao contribuinte. grifei CONCLUSÃO Ante o exposto, conheço do presente recurso e DOULHE PARCIAL PROVIMENTO para que seja efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32A, I, da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para que seja aplicado o mais benéfico à recorrente. O fato de não haver menção ao art. 35A citado, foi pelo entendimento da Turma pela sua inaplicabilidade. O julgador não precisa citar todos os artigos legais que entende prescindíveis ao deslinde da questão debatida, precisa, isto sim, Fl. 1697DF CARF MF 6 fundamentar sua decisão, apontando a legislação pertinente, o que foi feito. Isto posto, seja em relação a obrigação acessória ou principal, a retroatividade benigna será apreciada sobre os mesmos fundamentos, razão pela QUAL CONHEÇO DO RECURSO. Antes de avançarmos no mérito, relevante apreciar os termos das informações prestadas fls. 1676/1681: 2. Em atendimento ao comando expedido, informamos que a NFLD DEBCAD 37.110.0275 integra o Processo 15586.000099/200849. 2.1. Os fatos geradores que ensejaram na lavratura da NFLD 37.110.0275, nos termos do Relatório Fiscal anexado às fls. 67 71 do Processo 15586.000099/200849 foram: Falta de recolhimento da contribuição previdenciária de 15% incidente sobre o valor de notas fiscais/faturas de serviços prestados por cooperados, por intermédio das cooperativas de trabalho UNIMED VITORIACooperativa de trabalho Médico (CNPJ 27.578.434/000120) e UNIODONTO ES Cooperativa de Trabalho Odontológico Ltda (CNPJ 28.423.044/000143), lançadas no levantamento COO – COOPERATIVAS; O contribuinte tomou serviços com cessão de mão de obra da empresa TESCON Serviços Ltda ME, CNPJ 39.327.325/000119 sem efetuar a retenção de 11% incidente sobre o valor bruto da NFS/Fatura/recibo, e efetuar o recolhimento com a denominação social e o CNPJ da empresa contratada. 2.2.1. A saber, as contribuições lançadas no Levantamento COO, período de 10/2000 a 12/2001, estão excluídas em razão do Acórdão 230101.746 de 01/12/2010. 2.3. Informase ainda que, além dos AI 37.110.0275 (obrigação principal) e o AI 37.110.0259, no mesmo procedimento fiscal também foi lavrado o Auto de Infração de Obrigação Acessória AI DEBCAD 37.110.0267 vez que o contribuinte deixou de efetuar a retenção dos 11% incidentes sobre o valor bruto das NFS/Fatura dos serviços prestados com cessão de mão de obra, que se encontra BAIXADO POR PAGTO C/ RED 50 %. 2.4. No tocante a existência de julgamento, constatase que em sessão do dia 01/12/2010, a 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária do CARF, por meio do Acórdão n° 230101.746 assim decidiram: “ACORDAM os membros da 3ª Câmara/ 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, em relação à decadência, por maioria de votos, em dar provimento parcial para declarar a decadência de parte do período com base no artigo 173, I do CTN, vencidos os conselheiros Damiao Cordeiro de Morares e Edgar Silva Vidal que aplicavam o artigo 150, §4° do CTN. No mérito, por unanimidade de votos, em manter os demais valores. 2.5. O contribuinte, inconformado com o decidido no Acórdão nº 230101.746, interpôs recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, em 26/07/2011. Fl. 1698DF CARF MF Processo nº 15586.000096/200813 Acórdão n.º 9202006.629 CSRFT2 Fl. 5 7 2.6. A UNIÃO (Fazenda Nacional), através de sua Procuradora (PGFN), ofereceu CONTRARRAZÕES ao RECURSO ESPECIAL interposto contra o referido acórdão lavrado no processo administrativo em epígrafe. 2.7. Em 20/11/2013, o Processo 15586.000099/200849 foi encaminhado ao CSRF e se encontra na fase “EM JULGAMENTO DO RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE”. [...] 2.8.1. E, também, foram anexadas do SICOB, sistema de cobrança mantido pela RFB e Dataprev/INSS: Valores lançados no AI DEBCAD 37.110.0275; Informações sobre a situação do AI DEBCAD 37.110.0267. 2.9. Em 20/11/2013, o Processo 15586.000099/200849, referente ao AI DEBCAD 37.110.0275, foi encaminhado a Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF e se encontra na fase “EM JULGAMENTO DO RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE”. 2.9. Em 20/11/2013, o Processo 15586.000099/200849, referente ao AI DEBCAD 37.110.0275, foi encaminhado a Câmara Superior de Recursos Fiscais– CSRF, 2ª Turma, e se encontra na fase “EM JULGAMENTO DO RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE”. 2.9.1. A saber, o contribuinte encaminhou requerimento datado de 01.12.2014, termo de solicitação de juntada emitido em 28.01.2015, em que requer a descontinuidade do lançamento tributário e dá suas razões. 3.0. É o que se tem a informar. À Chefia da EF 18, para análise e prosseguimento. Ou seja, encontrase em julgamento nesta mesma sessão de julgamento o processo 15586.000099/200849, sendo que a procedência do presente AIOA encontrase diretamente vinculada a procedência daqueles autos. Dessa forma, transcrevo o resultado do Acórdão 9202006.630, julgado nesta mesma data: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento." Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Quanto ao questionamento sobre a multa aplicada, a qual deseja o recorrente ver reformado o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 32A, da Lei ny 8.212/91, entendo que razão assiste ao recorrente. Fl. 1699DF CARF MF 8 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº Fl. 1700DF CARF MF Processo nº 15586.000096/200813 Acórdão n.º 9202006.629 CSRFT2 Fl. 6 9 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: Fl. 1701DF CARF MF 10 “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a Fl. 1702DF CARF MF Processo nº 15586.000096/200813 Acórdão n.º 9202006.629 CSRFT2 Fl. 7 11 estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: ∙ Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou ∙ Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma Fl. 1703DF CARF MF 12 forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. Fl. 1704DF CARF MF Processo nº 15586.000096/200813 Acórdão n.º 9202006.629 CSRFT2 Fl. 8 13 § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista Fl. 1705DF CARF MF 14 no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 1706DF CARF MF
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Numero do processo: 10920.002307/2006-11
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001
RETORNO DOS AUTOS À DRJ APÓS AFASTAMENTO DA PRESCRIÇÃO.
Não se entende possível a devolução dos autos à DRJ para manifestação quanto à higidez do crédito, uma vez que a autuação e sua decisão fundamentaram-se tão somente na formalização da compensação via DCOMP e prescrição dos créditos, o que foi afastado no acórdão recorrido, no primeiro tema, por força de decisão judicial.
Numero da decisão: 9101-003.462
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado EMPREITEIRA FORTUNATO LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999, 2000, 2001 RETORNO DOS AUTOS À DRJ APÓS AFASTAMENTO DA PRESCRIÇÃO. Não se entende possível a devolução dos autos à DRJ para manifestação quanto à higidez do crédito, uma vez que a autuação e sua decisão fundamentaramse tão somente na formalização da compensação via DCOMP e prescrição dos créditos, o que foi afastado no acórdão recorrido, no primeiro tema, por força de decisão judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 23 07 /2 00 6- 11 Fl. 519DF CARF MF Processo nº 10920.002307/200611 Acórdão n.º 9101003.462 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório Tratamse de autos de infração (Efls. 185 ss.) lavrados para a constituição de IRPJ (janeiro de 2000 a dezembro de 2001) e CSLL (outubro a dezembro de 1999) diante da acusação fiscal de que (i) as compensações procedidas pela contribuinte não poderiam ser consideradas formalizadas, porque não realizadas por DCOMP, (ii) ao lado do fato de os respectivos créditos encontraremse prescritos, como se extrai do Relatório de Atividade Fiscal (Efls. 200 ss.), nos trechos transcritos abaixo: “4. IRREGULARIDADES ENCONTRADAS Da análise dos débitos que geraram a cobrança e que por determinação judicial devem ser lançados, foi constatado que o contribuinte deixou de observar o disposto na legislação (ver item 3) . Sendo a entrega da DCOMP a única maneira de se efetuar a compensação pretendida pelo impetrante a partir de outubro de 2002, e não tendo o contribuinte entregue a referida declaração (DCOMP), depreendese com facilidade que ele não formalizou a compensação pretendida perante a SRF, motivo pelo qual todas as compensações efetuadas nas DCTF's retificadoras apresentadas em 16.10.2004 não podem ser validadas. Repetese, elas não foram formalizadas perante esse Órgão. OBS: Segundo o art.3° da IN 323, de 24 de abril de 2003, a exceção para utilização dos formulários era o impedimento para o uso do programa PER/DCOMP, o que não era o caso da compensacão deste contribuinte, a previsão era para casos como o PIS / COFINS NÃO CUMULATIVO em que o programa não estava apto a fazer a compensação. Assim, além de os créditos utilizados estarem prescritos e não poderem ser utilizados em 16.10.2004, simplesmente não houve compensação. Os débitos tributários informados nessas declarações permanecem como saldos devedores, da mesma maneira como permaneceriam caso o contribuinte houvesse informado um Darf inexistente. Ele informou uma compensação que não gera efeitos, posto que inexistente. E ainda, contrariamente à orientação recebida, o contribuinte indicou novas compensações em DCTF, em 16.10.2004, utilizando créditos anteriores a 16.10.1999, ou seja, prescritos. Ele retificou as informações anteriores, muitas das quais eram compensações válidas, pois efetuadas tempestivamente e de acordo com a legislação da época, e informou novas compensações utilizando os seus créditos para pagamentos em outros períodos de apuração. Ou seja, informou novas compensações em 2004, com créditos que não poderiam ser utilizados nessa data, pois estavam prescritos, portanto, a ser constituídos por LANÇAMENTO por determinação judicial.” “7 BASE LEGAL PARA OS LANÇAMENTOS Os débitos serão lançados tendo em vista a não homologação de algumas compensações efetuadas pelo contribuinte conforme itens 5 e 6 com base na legislação sobre a compensação citada no item 3, que em resumo dispõe: Fl. 520DF CARF MF Processo nº 10920.002307/200611 Acórdão n.º 9101003.462 CSRFT1 Fl. 4 3 Até o advento da MP 66, de 28 de agosto de 2002, convertida na Lei 10.637, de 30 de dezembro de 2002, a compensação era efetuada de acordo com o artigo 74 da Lei 9.430/96, que exigia análise prévia da SRF para que se concretizasse a compensação, excetuandose os tributos de mesma espécie e destinação constitucional (artigo 66 da Lei 8.383/1991), que podiam ser compensados já na escrita fiscal do contribuinte. A MP 66/2002, convertida na Lei 10.637/2002, alterou a sistemática de compensação dos tributos administrados pela SRF, instituindo a Declaração de Compensação (Dcomp), por meio da qual seriam informados os créditos utilizados para a quitação dos débitos tributários. O artigo 74 da Lei 9.430/96 passou a ser assim redigido: "Art. 49. O art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: (.) 1 °A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. A IN 210, de 30 de setembro de 2002, já previa, de acordo com o disposto em compensação seria formalizada por meio de entrega da Declaração de Compensação — DECOMP. Art. 21. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da SRF. § 12 A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante o encaminhamento à SRF da "Declaração de Compensação". Art. 44. Ficam aprovados os formulários "Pedido de Restituição", "Pedido de Pagamento de Restituição", "Pedido de Ressarcimento de Créditos do IPI", "Pedido de Ressarcimento de IPI", "Pedido de Cancelamento de Declaração de Importação e Reconhecimento de Direito de Crédito" e "Declaração de Compensação" constantes, respectivamente, dos Anexos I, II, HI, IV, V e VI desta Instrução Normativa. A IN 323, de 24 de abril de 2003, Altera dispositivos da Instrucão Normativa SRF n° 210, de 30 de setembro de 2002, e dá outras providências, no caso específico do descumprimento do art. 3°, dispõe: Art. 3° Os formulários a que se refere o art. 44 da Instrução Normativa SRF n°210, de 30 de setembro de 2002, somente poderão ser utilizados pelo sujeito passivo nas hipóteses em que a restituição, o ressarcimento ou a compensação de seu crédito para com a Fazenda Nacional, embora admitida pela legislação federal, não possa ser requerido ou declarada à SRF mediante utilização do programa PER/DCOMP, aprovado pela Instrução Normativa SRF no 320, de 11 de abril de 2003. Parágrafo único. Na hipótese de descumprimento do disposto no caput, considerarseá não formulado o pedido de restituição ou de ressarcimento e não declarada a compensação. Sobreveio, em 30.10.2003, a Medida Provisória 135/2003, posteriormente convertida na Lei 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que, em seus artigos 17 e 18 alterou o commando anterior, determinando: Art. 17. O art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, alterado pelo art. 49 da Lei no 10.637, de 2002, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 74. (..) § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento Fl. 521DF CARF MF Processo nº 10920.002307/200611 Acórdão n.º 9101003.462 CSRFT1 Fl. 5 4 hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Espelhando as alterações promovidas no campo legal, a Instrucão Normativa SRF n° 460, de 18 de outubro de 2004, dispõe: Art. 1° A restituição e a compensação de quantias recolhidas a título de tributo ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal (SRF), a restituição e a compensação de outras receitas da União arrecadadas mediante Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf) e o ressarcimento e a compensação de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IP1), da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) serão efetuados conforme o disposto nesta Instrução Normativa. Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. § 1° A compensação de que trata o capuz' será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à SRF da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à SRF doformulário Declaração de Compensação constante do Anexo VI, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. 2° Á compensação declarada à SRF extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento. 42 A Declaração de Compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (.) § 62 A compensação declarada à SRF de crédito tributário lançado de oficio importa renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. (.) Art. 29.A autoridade da SRF que nãohomologar a compensação cientificará o sujeito passivo e intimáloá a efetuar, no prazo de trinta dias, contados da ciência do despacho de nãohomologação, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. s§' 12 Não ocorrendo o pagamento ou o parcelamento no prazo previsto no caput, o débito deverá ser encaminhado à PGFN, para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no art. 48. (.) Art. 30. O tributo ou contribuição objeto de compensação nãohomologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. § 12 Sem prejuízo do disposto no caput, será exigida do sujeito passivo, mediante lançamento de oficio, multa isolada calculada sobre o valor total do débito tributário indevidamente compensado, na hipótese de a compensação não ter sido homologada em virtude de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n2 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 22 Á multa isolada a que se refere o § 12 será a prevista, conforme o caso, nos incisos I ou II ou no § 22 do art. 44 da Lei n2 9.430, de 27 de dezembro de 1996, nos termos do art. 18 da Lei n2' 10.833, de 2003. (.) Fl. 522DF CARF MF Processo nº 10920.002307/200611 Acórdão n.º 9101003.462 CSRFT1 Fl. 6 5 Art. 31. A autoridade competente da SRF considerará não formulado o pedido de restituição ou de ressarcimento e não declarada a compensação quando o sujeito passivo, em inobservância ao disposto nos §§ 22 a 42 do art. 76, não tenha utilizado o Programa PER/DCOMP para formular pedido de restituição ou de ressarcimento ou para declarer compensação. § 3° A autoridade da SRF que considerar não declarada a compensação determinará a imediata constituição dos créditos tributários que ainda não tenham sido lançados de oficio nem confessados, bem assim a cobrança dos débitos já lançados de oficio ou confessados. () Art. 48. É facultado ao sujeito passivo, no prazo de trinta dias, contado da data da ciência da decisão que indeferiu seu pedido de restituição ou de ressarcimento ou, ainda, da data da ciência do despacho que nãohomologou a compensação por ele efetuada, apresentar manifestação de inconformidade contra o nãoreconhecimento do direito creditório ou a não homologação da compensação. Na interpretação da legislação pela DRF Joinville, foram seguidos rigorosamente os ditames acima, porém a este entendimento sobreveio a Sentença Judicial determinando que os débitos não poderiam ser inscritos em divida ativa, como ocorreu inicialmente, sem que se procedesse ao lançamento. Portanto, em vista da decisão judicial e ao entendimento de que, ao ser cumprida a decisão na qual o Juiz Federal substituto da 1a Vara de Joinville, que decidiu pela necessidade do formal lançamento afastaríamos com isto a possível decadência em relação ao IRPJ e à CSLL (no caso de contribuição, 10 anos, Lei 8.212/91), segundo o item II do art. 173 do CTN Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tomar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação administrativa (E fls. 226 ss.), sustentando a possibilidade de processamento das compensações formuladas via DCTF, ausência de prescrição dos créditos e, não acatados esses pontos, defende a decadência do direito ao lançado pela autoridade fiscal, exclusão dos juros com base na Taxa SELIC e redução da multa de mora aplicada por ter natureza confiscatória. A impugnação foi julgada parcialmente procedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I (Efls. 443 ss.), mantendose o lançamento somente com relação ao IRPJ referente ao terceiro e quarto trimestres de 2001 e respectiva multa, cancelandose a cobrança do imposto de 2000 e do primeiro e segundo trimestres de 2001 em função da aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, bem como a Fl. 523DF CARF MF Processo nº 10920.002307/200611 Acórdão n.º 9101003.462 CSRFT1 Fl. 7 6 cobrança da CSLL de 1999 (Súmula n.º 8 do STF), como se lê na ementa abaixo: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001 DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir crédito tributário relativo ao imposto sobre a renda, espécie de tributo sujeito à modalidade de lançamento por homologação, expirase, havendo pagamento antecipado, em cinco anos, contados da data da ocorrência do seu fato gerador, consoante o disposto no § 4º do art. 150 do CTN. Não incide a regra prevista no art. 173, II, do CTN, se não houve a anulação por vicio formal de lançamento anteriormente efetuado. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. LC N° 118/2005. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. Em consonância com a interpretação dada pelos arts. 3° e 4° da Lei Complementar n° 118/2005 ao inciso I do art. 168 do CTN, o direito de pleitear restituição, no caso de tributo sujeito ao lançamento por homologação, extinguese com o decurso de prazo de 5 anos contados da data do pagamento antecipado. PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, não se podendo decidir, em âmbito administrativo, pela inconstitucionalidade ou ilegalidade de leis ou atos normativos validamente editados. TAXA SELIC. Devidos os juros de mora calculados com base na taxa Selic, na forma da legislação vigente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário:1999 DECADÊNCIA. Declarada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91 por meio de súmula vinculante, cabe a aplicação da regra de decadência prevista no CTN. Lançamento Procedente em Parte” O contribuinte interpôs recurso voluntário (Efls. 459 ss.) contra a decisão que manteve a cobrança do IRPJ apenas do terceiro e quarto trimestres de 2001 com fundamentos resumidos pelo relatório do acórdão ora recorrido: “a) os lançamentos relativos ao terceiro e quartos trimestres de 2001 foram mantidos em razão da desconsideração das compensações efetuadas pela recorrente mediante DCTF retificadora ao invés de Declaração de Compensação; b) Ocorre que a receita federal impediu que a recorrente efetuasse a compensação via PER/DCOMP por considerar indevidamente que os créditos estavam prescritos, motivo pelo qual não restou alternativa a não ser retificar a DCTF; c) Digase ainda que a IN n.º 210/2002, ao determinar que a compensação seja efetuada pelo sujeito passivo mediante o encaminhamento da "Declaração de Compensação" (art. 21, parágrafo 1°), não dispôs acerca de qualquer conseqüência para as compensações encaminhadas de outra forma, ou seja, inexiste qualquer previsão legal que torne indevida as compensações na forma apresentada pela contribuinte; d) A questão aqui discutida foi objeto do Mandado de Segurança n° Fl. 524DF CARF MF Processo nº 10920.002307/200611 Acórdão n.º 9101003.462 CSRFT1 Fl. 8 7 2005.72.01.0021168, através do qual foi reconhecido o direito da Recorrente à compensação na forma efetuada, consoante teor do acórdão, julgado pelo Tribunal Regional Federal da Quarta Região; e) A norma que determinou a desconsideração das compensações não efetuadas pelo Programa PER/DCOMP surgiu somente após a contribuinte já ter efetuado o encaminhamento via DCTF em 16/10/2004, através da IN n.º 460, de 18/10/2004; f) Quanto à prescrição do crédito, alega a aplicação da tese do STJ dos 5 + 5, de forma a considerar que a prescrição somente ocorreria se houver sido ultrapassado o prazo de 10 anos, o que não ocorreu, repetindo a tese da LC nº 118/2005, mencionada na Impugnação; g) Alega ainda a confiscatoriedade da multa de 75%; h) Em seu pedido, requereu o cancelamento dos débitos de IRPJ de 2001 (3º e 4º trimestres), e caso não cancelado, a redução da multa de ofício.” (grifouse) O recurso foi julgado pela Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção de Julgamento, que lhe deu provimento por unanimidade de votos, sob os fundamentos registrados na ementa do acórdão n. 120100.699 (Efls. 474 ss.), a qual se transcreve a seguir: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2000, 2001, 2002 DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. Quanto à decadência em relação aos períodosbase do terceiro e quarto trimestres de 2001, tais fatos geradores não foram alcançados por este instituto, não ocorrendo, portanto, a extinção do crédito tributário, muito menos a homologação tácita das compensações, considerando que os lançamentos de IRPJ ocorreram em 25.08.2006 e os fatos geradores desses dois trimestres são de 30/09/2001 e 31/12/2001. Mesmo que apliquemos o disposto no artigo 150, § 4º, do CTN, no caso em questão, não ocorrerá a decadência para os dois fatos geradores mantidos pela decisão recorrida. COMPENSAÇÃO. PROCEDIMENTO. AFASTABILIDADE DE PROCEDIMENTO. APLICAÇÃO DE DECISÃO JUDICIAL. Não cabe a esse julgador adentrar à questão de se adotar ou não o procedimento do PER/DCOMP como meio hábil a ser utilizado pelo Recorrente, visto que o Pode Judiciário decidiu sobre a questão de forma à contribuinte, sob o ponto de vista da legitimidade da compensação através de DCTF. PRESCRIÇÃO QUANTO À UTILIZAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO EM COMPENSAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. O STF encerrou a discussão, reconhecendo o direito dos contribuintes, antes da edição da Lei Complementar n° 118/2005, de repetir indébito tributário no prazo de 10 anos, aplicável tal entendimento ao presente caso (Vide RE 566621, Julgado em 04.08.2011, Rel. Min. Ellen Gracie, Repercussão Geral reconhecida). CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. O fato de desvincular algumas compensações antigas, fazendo novas vinculações com créditos não prescritos, não pode implicar na inviabilidade da homologação. Provado o crédito nos autos, deve ser reconhecida a compensação. Recurso conhecido e provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 525DF CARF MF Processo nº 10920.002307/200611 Acórdão n.º 9101003.462 CSRFT1 Fl. 9 8 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao Recurso Voluntário.” Em face dessa decisão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial (E fls. 493 ss.), alegando divergência em relação aos acórdãos n. 140100.774 e 920201.948, no sentido de que, afastando a preliminar de prescrição dos créditos, a decisão recorrida deveria ter determinado o retorno dos autos à unidade de origem para que apreciasse a sua certeza e liquidez, não ocasionando supressão de instância. O recurso foi recepcionado por despacho de admissibilidade (Efls. 500 ss.) que compreendeu que “os acórdãos paradigmas indicados pela Fazenda Nacional afastaram a preliminar de prescrição do crédito utilizado em compensação tributária, devolvendo os autos à instância a quo para prosseguimento do julgamento, para análise de mérito da liquidez e certeza do direito créditório utilizado na compensação tributária, para evitar a supressão de instância de julgamento e prejuízo ao contrário e à ampla defesa” ao passo que a decisão recorrida, “tendo afastado a preliminar de prescrição do direito creditório (matéria prejudicial de mérito), não devolveu os autos à primeira instância de julgamento para análise de mérito dos atributos de certeza e liquidez do direito creditório utilizado pela Contribuinte na compensação tributária em DCTF (…)”. Intimada, a contribuinte ofereceu contrarrazões (Efls. 511 ss.), intempestivamente e com vícios de representação, de acordo com anotações manuscritas em sua capa e o despacho às Efls. 518, sustentando preliminarmente que o recurso não poderia ser conhecido diante da ausência de similitude fáctica, uma vez que o paradigma cuidaria da necessidade de retorno dos autos à origem após o afastamento da decadência, enquanto no presente caso o direito ao crédito já teria sido reconhecido no mandado de segurança. No mérito, aduz que inexistia previsão legal que tornassse indevidas as compensações na forma por ela apresentadas. Passase, assim, à apreciação do recurso especial da Fazenda Nacional. Voto Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora CONHECIMENTO O conhecimento do Recurso Especial condicionase ao preenchimento de requisitos enumerados pelo artigo 67 do Regimento Interno deste Conselho, que exigem analiticamente a demonstração, no prazo regulamentar do recurso de 15 dias, de (1) existência de interpretação divergente dada à legislação tributária por diferentes câmaras, Fl. 526DF CARF MF Processo nº 10920.002307/200611 Acórdão n.º 9101003.462 CSRFT1 Fl. 10 9 turma de câmaras, turma especial ou a própria CSRF; (2) legislação interpretada de forma divergente; (3) prequestionamento da matéria, com indicação precisa das peças processuais; (4) duas decisões divergentes por matéria, sendo considerados apenas os dois primeiros paradigmas no caso de apresentação de um número maior, descartandose os demais; (5) pontos específicos dos paradigmas que divirjam daqueles presentes no acórdão recorrido; além da (6) juntada de cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas, da publicação em que tenha sido divulgado ou de publicação de até 2 ementas, impressas diretamente do sítio do CARF ou do Diário Oficial da União quando retirados da internet, podendo tais ementas, alternativamente, serem reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade. Observase que a norma ainda determina a imprestabilidade do acórdão utilizado como paradigma que, na data da admissibilidade do recurso especial, contrarie (1) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal (art. 103A da Constituição Federal); (2) decisão judicial transitada em julgado (arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil; e (3) Súmula ou Resolução do Pleno do CARF. Voltandose então ao caso sob exame, verificase, relevantemente, que a autação deuse com base na acusação de não formalização das declarações via DCOMP e da ocorrência de prescrição dos créditos e, dentro desse limite, caminharam as defesas apresentadas e a decisão da DRJ e o acórdão recorrido. Neste, para que bem se demarque, decidiuse sobre a decadência, pontuouse que a questão da apresentação de DCOMP já havia sido enfrentada no Mandado de Segurança impetrado pela contribuinte que, relembrandose, enfrentou o ponto da necessidade de lançamento de ofício e, assim, reconheceu que a compensação poderia se processar à época sem a DCOMP e julgou o ponto da prescrição. Como adiantando e confirmado pela leitura do acórdão recorrido, especialmente do seu trecho final quanto ao retorno, os únicos fundamentos da autação foram a formalização da compensação via DCTF e prescrição dos créditos, não havendo sido veiculado nenhum outro argumento quanto à certeza ou liquidez do crédito pela fiscalização. Por essa razão, concluise no acórdão recorrido que seria indevido o retorno dos autos à DRJ, porque não restaria matéria a ser julgada. E isso foi o objeto de recurso pela Fazenda Nacional, sustentando que nos paradigmas n. 140100.774 e 9202 01.948, após a decisão sobre a prescrição, terseia determinado a mencionada devolução. Verficandose os referidos acórdãos paradigmas, no intuito de identificar se naqueles casos concretos a fiscalização teria demonstrado outras razões de decidir quanto à higidez do crédito, não se localizou nenhum dado a respeito nas decisões, sendo Fl. 527DF CARF MF Processo nº 10920.002307/200611 Acórdão n.º 9101003.462 CSRFT1 Fl. 11 10 que na segunda delas há um anotação quanto à incerteza sobre o crédito porque o fundamento se restringiria à questão temporal. Assim sendo, no suposto de que se tratrariam de decisões que determinaram o retorno dos autos sem mencionar a existência ou não de análise efetiva do crédito pela fiscalização, entendese que o recurso especial deve ser conhecido. Assim sendo, VOTASE POR CONHECER o recurso especial. MÉRITO Adentrandose no mérito, igualmente pelo já relatado acima, notase que a autação teve como fundamento a não formalização das declarações via DCOMP e a ocorrência de prescrição dos créditos e, dentro desse escopo, caminharam as defesas apresentadas, a decisão da DRJ e o acórdão recorrido. Neste, bem delimitando, decidiuse sobre a decadência, atestouse que a questão da apresentação de DCOMP já havia sido enfrentada no Mandado de Segurança impetrado pela contribuinte que tratou da necessidade de lançamento de ofício e, assim, reconheceu que a compensação poderia se processar à época sem a DCOMP e julgou o tema da prescrição. Leiase: "Quanto à decadência em relação aos períodosbase do terceiro e quarto trimestres de 2001, conforme bem decidido na decisão recorrida, tais fatos geradores não foram alcançados por este instituto, não ocorrendo, portanto, a extinção do crédito tributário, muito menos a homologação tácita das compensações, considerando que os lançamentos de IRPJ ocorreram em 25.08.2006 e os fatos geradores desses dois trimestres são de 30/09/2001 e 31/12/2001. Assim, mesmo que apliquemos o disposto no artigo 150, § 4º, do CTN, no caso em questão, não ocorrerá a decadência para os dois fatos geradores mantidos pela decisão recorrida. Quanto à prescrição do crédito tributário utilizado pela Recorrente em suas compensações de DCTF, a decisão da DRJ merece reparos. A despeito de não concordar com a tese dos 5 + 5 do STJ, visto que é desprovida de lógica normativa e interpretativa, o fato é que o artigo 62A do Regimento Interno do CARF determina a aplicação das decisões proferidas pelo E. STF em sede de repercussão geral, como ocorreu recentemente com a questão da decadência do direito da repetição de indébito de tributos recolhidos a maior ou indevidamente. Vejamos: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 528DF CARF MF Processo nº 10920.002307/200611 Acórdão n.º 9101003.462 CSRFT1 Fl. 12 11 § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Nesse sentido, embora o STJ já tenha pacificado a matéria, o fato é que apenas o STF veio dar repercussão geral à questão, vinculando os demais Tribunais quanto ao entendimento da matéria. Vejamos o entendimento consolidado do STJ, julgado pela 1ª Seção, sobre a matéria do prazo decadencial: "CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. LEI N° 7.787/89. COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL DO PRAZO. PRECEDENTES. 1. Está uniforme na 1ª Seção do STJ que, no caso de lançamento tributário por homologação e havendo silêncio do Fisco, o prazo decadencial só se inicia após decorridos 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, a partir da homologação tácita do lançamento. Estando o tributo em tela sujeito a lançamento por homologação, aplicamse a decadência e a prescrição nos moldes acima delineados. Não há que se falar em prazo prescricional a contar da declaração de inconstitucionalidade pelo STF ou da Resolução do Senado. A pretensão foi formulada no prazo concebido pela jurisprudência desta Casa Julgadora como admissível, visto que a ação não está alcançada pela prescrição, nem o direito pela decadência. Aplicase, assim, o prazo prescricional nos moldes em que pacificado pelo STJ, a corrente dos cinco mais cinco. A ação foi ajuizada em 16/12/1999. Valores recolhidos, a título da exação discutida, em 09/1989. Transcorreu, entre o prazo do recolhimento (contado a partir de 12/1989) e o do ingresso da ação em juízo, o prazo de 10 (dez) anos. lnexiste prescrição sem que tenha havido homologação expressa da Fazenda, atinente ao prazo de 10 (dez) anos (5 + 5), a partir de cada fato gerador da exação tributária, contados para trás, a partir do ajuizamento da ação." (EREsp n.° 435.8351SC, Rel. Ministro José Delgado, 24.03.2004 — os grifos são nossos). Por fim, em 04 de agosto de 2011, o STF encerrou a discussão, reconhecendo o direito dos contribuintes, antes da edição da Lei Complementar n° 118/2005, de repetir indébito tributário no prazo de 10 anos, aplicável tal entendimento ao presente caso (Vide RE 566621, Julgado em 04.08.2011, Rel. Min. Ellen Gracie, Repercussão Geral reconhecida). Apenas a título de complementação ao exposto no artigo supracitado, cumpre trazer as transcrições do artigo 165, incisos I e II do CTN (no caso em questão, em razão dos equívocos praticados pelo Recorrente quanto à sua base de cálculo, seria o caso de enquadrálo no inciso II): “Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento;” Portanto, os créditos utilizados pela Recorrente apontam para a não ocorrência Fl. 529DF CARF MF Processo nº 10920.002307/200611 Acórdão n.º 9101003.462 CSRFT1 Fl. 13 12 da prescrição, conforme entendimento sufragado pelo STF: Vejamos a tabela e as datas dos créditos tributários utilizados nas DCTF (inicial e retificadoras): 3° TRIMESTRE 2001 1a DCTF – Entregue em 14/11/2001 Débito Apurado R$ 39.158,47 Pagamento 31/10/2001 R$ 1.158,47 Compensação 30/04/1997 R$ 38.000,00 2a DCTF Entregue em 17/01/2002 Débito Apurado R$ 39.158,47 Pagamento 31/10/2001 R$ 1.158,47 Compensação 31/03/1997 R$ 21.584,96 3a DCTF – Entregue em 17/09/2004 Débito Apurado R$ 39.158,47 Pagamento 31/10/2001 R$ 1.158,47 Compensação 31/03/1997 21.584,96 4a DCTF – Entregue em 16/10/2004 Débito Apurado R$ 39.158,47 Pagamento 31/10/2001 R$ 1.158,47 Compensação 30/06/1997 R$ 22.374,96 Compensação 31/01/1998 R$ 32.936,09 Compensação 27/02/1998 R$ 32.936,09 4° TRIMESTRE 2001 1a DCTF – Entregue em 15/02/2002 Débito Apurado R$ 16.794,77 Pagamento 31/01/2002 R$ 794,77 Compensação 30/04/1997 R$ 21.584,96 2a DCTF – Entregue em 10/09/2003 Débito Apurado R$ 16.794,77 Pagamento 31/01/2002 R$ 794,77 Compensação 30/04/1997 R$ 21.584,96 3 a DCTF – Entregue em 16/10/2004 Débito Apurado R$ 16.794,77 Pagamento 31/01/2002 R$ 794,77 Compensação 27/02/1998 R$ 32.936,09 Compensação 31/03/1998 R$ 32.936,09 Nessas novas vinculações feitas em 16/10/2004, constatase que o crédito não está prescrito quando se compara as compensações (1997 e 1998) com a retificação das DCTFs em 16/10/2004, visto a tese dos 10anos. Assim, o fato de desvincular algumas compensações antigas, fazendo novas vinculações com créditos não prescritos, não poderia implicar na inviabilidade da homologação. No caso em questão, não adentramos à aplicabilidade do PER/DCOMP como procedimento hábil a ser utilizado pelo Recorrente, visto que o Recurso Especial interposto pela Fazenda não foi conhecido, estando prestes a ocorrer o trânsito em julgado da decisão favorável outorgada ao contribuinte, sob o ponto de vista da legitimidade da compensação através de DCTF. Considerando a multa como decorrente do lançamento, se não há débitos de IRPJ e CSLL devidos, em razão da compensação com créditos não prescritos, há que se falar em multa de ofício. Nestes termos, considerando a aplicação do disposto no artigo 515, § 3°, do CPC, de forma subsidiária, bem como em homenagem ao princípio da celeridade processual, cumpre destacar que os autos estão aptos a sem julgados quanto à integralidade do mérito, aplicandose a teoria da causa madura. O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n. 2006/00751177, já declarou que não há supressão de instância quando se aplica o art. 515, § 3º, do CPC, como segue: A necessidade de dar rápido deslinde à demanda justifica perfeitamente o Fl. 530DF CARF MF Processo nº 10920.002307/200611 Acórdão n.º 9101003.462 CSRFT1 Fl. 14 13 julgamento da ação pelo mérito. O art. 515, § 3º, do CPC permite, desde já, que se examine a matéria de fundo, visto que a questão debatida é exclusivamente de direito, não havendo nenhum óbice formal ou pendência instrumental para que se proceda à análise do pedido merital. Não há razão lógica ou jurídica para negar ao Tribunal a faculdade prevista pelo aludido dispositivo legal. Impõese, para tanto, sua aplicação. Inexistência de supressão de instância. (STJ. AgRg nos EDcl no REsp 842054 / RR ; AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL, 2006/00751177. Rel. Ministro JOSÉ DELGADO). Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário ofertado, para no mérito DARLHE PROVIMENTO, pelas razões acima colacionadas, destacando que não seria o caso de devolver a matéria para julgamento da DRJ, pois a mesma já se pronunciou quanto à questão da prescrição, sendo esse o único fundamento impediente da compensação. É como voto!" (grifouse) Como demonstrado, especialmente do trecho destacado logo acima, os únicos fundamentos da autação foram a formalização da compensação via DCTF e prescrição dos créditos, não havendo sido veiculado nenhum outro argumento quanto à certeza ou liquidez do crédito pela fiscalização. Por essa razão, concluiuse no acórdão recorrido que seria indevido o retorno dos autos à DRJ, porque não restaria matéria a ser julgada. Objetivamente, possuo o mesmo entendimento, de impossibilidade do retorno dos autos à origem ou à DRJ, uma vez que fiscalização não se fundamentou na higidez do crédito, mas sim na questão da formalização via DCTF e da prescrição. Se de um lado pode se argumentar que isso se deu porque supostamente teria entendido tais argumentos suficientes à não homologação das compensações, de outro, também pode indicar exatamente o contrário, que só não teria as homologado por conta desses dois pontos, e não da inexitência do crédito, reconhecendoo se assim não fosse. Nesse sentido, não entendo caber ao julgador traçar tais ilações e, quiçá, complementar, neste ponto, um trabalho fiscal, porque agora se afastou os seus fundamentos, o que era previsível pela autoridade administrativa e, quisesse, deveria têlo feito na situação oportuna e dentro do seu âmbito de competência que certamente não é atribuída ao colegiado. Assim sendo, votase por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Fl. 531DF CARF MF Processo nº 10920.002307/200611 Acórdão n.º 9101003.462 CSRFT1 Fl. 15 14 Fl. 532DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.920100/2008-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.195
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do voto do relator.
(Assinado com certificado digital)
Waldir Navarro Bazerra - Presidente substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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(Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bazerra Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Porto Alegre, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte sobre pedido de restituição de créditos IPI. O contribuinte apresentou PER/DCOMP informando como origem do direito creditório valores referentes a ressarcimento de crédito presumido de IPI. O Despacho Decisório Eletrônico da unidade local da Receita Federal reconheceu integralmente o direito creditório pleiteado, contudo, o mesmo foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados, resultando na não homologação parcial da compensação apresentada. Irresignado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade na qual informa que o valor do crédito foi considerado insuficiente para a quitação dos débitos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 20 10 0/ 20 08 -8 7 Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10980.920100/200887 Resolução nº 3402001.195 S3C4T2 Fl. 334 2 informados em razão de haver sido exigido, além dos juros de mora por ele calculados, também a multa moratória, que no seu entendimento seria indevida, já que encontrase ao amparo de denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN. Discorre sobre o caráter punitivo da multa, aponta desrespeito aos princípios da legalidade, tipicidade, razoabilidade e proporcionalidade e defende ainda o direito a atualização monetária do crédito. Sobreveio então o Acórdão da 2ª Turma da DRJ/BHE, negando provimento à manifestação de inconformidade da Contribuinte. Na questão de fundo, entendeu o colegiado de primeiro grau estar correta a incidência de juros e multa de mora sobre os débitos compensados, desde o seu vencimento até a data da entrega da Declaração de Compensação. Entendeu ainda que a denúncia espontânea não ilide o pagamento da multa moratória. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, no qual repisa os argumentos trazidos em sua impugnação ao lançamento tributário. É o relatório. Resolução Conselheiro Waldir Navarro Bazerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.188, de 29 de janeiro de 2018, proferida no julgamento do processo 10980.911025/200944, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402001.188: "O recurso é tempestivo, conforme o artigo 33 do Decreto 70.235/72, e preenche os demais requisitos de admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Como bem pontuado pelo Acórdão recorrido, o valor solicitado pela Recorrente por meio das PER/DOMPs foi integralmente reconhecido, não havendo o que reformar no Despacho Decisório no tocante ao crédito, inclusive quanto à atualização deste pela Taxa Selic. A principal discordância da Contribuinte diz respeito ao critério utilizado pelo Sistema de Controle de Créditos da RFB – SCC para a efetivação das compensações, o qual resultou em insuficiência do crédito para quitar integralmente os débitos declarados. Isto porque nas compensações de débitos na data de transmissão do PER/DCOMP o contribuinte apropriou apenas o principal e juros moratórios enquanto o SCC fez a imputação proporcional também de multa moratória. Assim, percebese que o ponto fulcral da lide é a capacidade da compensação tributária formalizada pela Recorrente implicar nos Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10980.920100/200887 Resolução nº 3402001.195 S3C4T2 Fl. 335 3 efeitos da denúncia espontânea, já que tal instituto lhe exime do recolhimento de multa, nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional. Entretanto, ainda não é possível o julgamento do mérito do caso. Explico. De um lado, o acórdão recorrido afirma que: A título de esclarecimento, acrescentase que os débitos já vencidos que motivaram a presente controvérsia foram informados em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF – apresentada antes da transmissão do PERDCOMP em que foi declarada a compensação, estando correta a imputação feita pelo sistema de controle de créditos, sendo legítima a cobrança do saldo devedor remanescente especificado no DDE. A seu turno, a Recorrente em diversas passagens de sua peça dirigida ao CARF afirma que não havia declarado tais débitos em DCTF, vejase um exemplo: De fato a Recorrente ao efetuar a compensação do tributo a que estava em atraso ainda não o havia declarado incidindo, portanto, os exatos termos requeridos pela legislação de regência e interpretação jurisprudencial para a ocorrência da denúncia espontânea. Compulsando os autos, constato que não se encontra juntada a DCTF. Assim, havendo dúvidas sobre o direito da Recorrente e resguardando o futuro julgamento do Colegiado sobre o mérito, entendo que o julgamento deste processo deve ser convertido em diligência, com base no artigo 18 do Decreto 70.235/72, para a repartição fiscal de origem, a fim: i) de trazer aos autos cópia da DCTF do período em questão; ii) esclarecer em parecer circunstanciado se os débitos constantes das compensações que originaram o presente processo administrativo estavam declarados ou não antes do envio das PER/DCOMPs, e quaisquer outras informações pertinentes. Feito isso, dêse ciência desse parecer à Recorrente, abrindolhe o prazo regulamentar para manifestação, e devolvase o processo para esta 3ª TO/4ª C/2ª T/CARF, para prosseguimento do julgamento. É a resolução." Importante frisar que os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para a repartição fiscal de origem, a fim: i) de trazer aos autos cópia da DCTF do período em questão; Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10980.920100/200887 Resolução nº 3402001.195 S3C4T2 Fl. 336 4 ii) esclarecer em parecer circunstanciado se os débitos constantes das compensações que originaram o presente processo administrativo estavam declarados ou não antes do envio das PER/DCOMPs, e quaisquer outras informações pertinentes. Feito isso, dêse ciência desse parecer à Recorrente, abrindolhe o prazo regulamentar para manifestação, e devolvase o processo para esta 3ª TO/4ª C/2ª T/CARF, para prosseguimento do julgamento. (Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bazerra Fl. 176DF CARF MF
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