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6275746 #
Numero do processo: 19515.005507/2009-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1102-000.213
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, determinar o sobrestamento do julgamento do recurso, à luz do art. 62-A do Anexo II, do RICARF, e do parágrafo único do art. 1º da Portaria CARF nº 1. de 03.01.2012, vencidos os conselheiros Ricardo Marozzi Gregorio (relator) e José Evande Carvalho Araujo, que prosseguiam no julgamento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro João Otávio Oppermann Thomé. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé – Presidente e Redator designado. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Meigan Sack Rodrigues, José Evande Carvalho Araujo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto.
Nome do relator: Não se aplica

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 19515.005507/2009­24  Resolução nº  1102­000.213  S1­C1T2  Fl. 376          2 Relatório    Trata­se  de  recurso  voluntário  interposto  por  QUATTOR  PETROQUÍMICA  S.A.,  contra  acórdão  proferido  pela  7ª  Turma  da  DRJ/São  Paulo  I  que  concluiu  pela  procedência dos lançamentos efetivados.   Os  créditos  tributários  lançados,  referentes  às  estimativas  de  IRPJ  e  CSLL,  correspondentes  ao  ano­calendário  de  2007,  totalizaram,  respectivamente,  os  valores  de  R$  31.236.492,31 e R$ 6.396.051,92.  A autuação é fundamentada no fato de que a empresa SPQ INVESTIMENTOS  E PARTICIPAÇÕES LTDA, ao ser incorporada pela QUATTOR PETROQUÍMICA S.A. em  30/11/2007,  teria  aproveitado  todo  o  prejuízo  fiscal  e  a  base  de  cálculo  negativa  da  CSLL  acumulados  em  períodos  anteriores,  na  apuração  do  quarto  trimestre  do  ano­calendário  de  2007, sem observar o limite dos 30% do lucro líquido ajustado previsto nos artigos 15 e 16 da  Lei nº 9.065/95.   Quanto  ao  IRPJ,  a  citada  empresa  havia  apurado  lucro  real  de  R$  166.869.728,92 e compensou R$ 114.255.690,189 de prejuízos fiscais de períodos anteriores,  acima,  portanto,  do  limite  de  R$  50.060.918,68,  caracterizando  um  excesso  de  R$  64.194.771,50.  Quanto  à  CSLL,  a  base  de  cálculo  apurada  no  período  foi  também  de  R$  166.869.728,92,  mas  a  citada  empresa  compensou  R$  86.569.314,68  de  bases  negativas  de  períodos  anteriores,  novamente  acima  do  limite  de  R$  50.060.918,68,  caracterizando  um  excesso de R$ 36.508.396,00.  A  fiscalização  registrou  que  a  empresa  autuada  possuía  saldos  acumulados  de  prejuízos  fiscais  e  bases  de  cálculo  negativas  da  CSLL  suficientes  para  efetuar  as  compensações  no  limite  de  30%, mas,  especificamente  em  relação  à  CSLL,  a  compensação  efetuada no valor de R$ 86.569.314,68 superava o saldo de R$ 68.078.010,27.  Segundo relato da recorrente, na impugnação, alegou­se:    a)  que  o  termo  Lucro,  empregado  para  definir  as  bases  de  cálculo  dos  dois  tributos  em  questão,  significa  renda  que  se  incorpora  ao  patrimônio  num  espaço  arbitrado de tempo, sendo, portanto, acréscimo patrimonial suscetível de ser mensurado  pela  técnica  contábil,  que  somente  considera  como  tal,  como  se  infere  das  normas  técnicas da Lei da S/A (Lei n° 6.404/76), dentre as quais o seu artigo 189, os resultados  positivos de um período após a absorção total dos resultados negativos acumulados de  períodos anteriores;  b) daí deduzir­se, que, tratando­se de pessoa jurídica extinta por incorporação, o  alcance dado pela Fiscalização ao artigo 15 da Lei n° 9.065/95  implica  transformá­lo  em  dispositivo  legal  desviado  de  finalidade,  pois,  não  se  subsumindo  o  lucro  real  apurado com observância de  seus preceitos à definição do artigo 43 do CTN, criou a  autoridade lançadora imposto novo, em desobediência, também, ao artigo 6º do mesmo  diploma legal (CTN).  Fl. 380DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 19515.005507/2009­24  Resolução nº  1102­000.213  S1­C1T2  Fl. 377          3 c) ademais, se no caso de extinção da pessoa jurídica, a restrição à compensação  dos prejuízos fiscais com limitação a 30% do lucro real, pretendida no auto de infração  impugnado,  faz  tábula  rasa dos  preceitos  consagrados  pelos  artigos  6°  e 43  do CTN,  pois,  criaram artificialmente um  lucro nas pessoas  jurídicas deficitárias,  para  tributar­ lhes o patrimônio sob a pseudo denominação de imposto sobre a renda;  d) no que diz  respeito à CSLL (artigo 16 da Lei n° 9.065195) esta violência se  reproduz  por  inteiro,  chegando  a  ser  tonitruante,  porque,  (i)  se  o  conceito  de  lucro  empregado  no  artigo  195,  inciso  I,  alínea  "c",  da  Constituição  Federal,  provém  do  direito  privado,  que  o  define  na  Lei  n°  6.404/76  (Lei  das  S/A)  como  resultado  do  exercício diminuído das participações, e (ii) se, de o acordo com o artigo 189 do mesmo  diploma  legal,  do  resultado  do  exercício  devem  ser  deduzidos,  antes  de  qualquer  participação,  os prejuízos  acumulados,  (iii)  não  pode  o  legislador  comum alterar  este  conceito, sob pena de, além de ensejar tributação do patrimônio, e não do lucro, pelas  mesmas razões jurídicas aqui aduzidas com relação ao IRPJ, chocar­se com as normas  intransponíveis do novamente lembrado artigo 6° do CTN, bem como com as do artigo  110 daquela Lei Complementar;   e) a impossibilidade de se computar penalidades de ofício aos créditos tributários  constituídos,  pois  o  disposto  no  artigo  132  do  CTN  veda  a  transmissão  da  responsabilidade por penalidades ao sucessor.    Diante dessas alegações, a já mencionada 7ª Turma da DRJ/São Paulo I proferiu  o Acórdão nº 16­25.049, de 22 de abril de 2010, por meio do qual decidiu pela procedência dos  lançamentos efetivados.  Na parte que interessa, assim figurou a ementa do referido julgado:    INCORPORAÇÃO. APROVEITAMENTO DE PREJUÍZOS FISCAIS DE PERÍODOS  ANTERIORES.  É  indevida  a  compensação de prejuízos  fiscais  sem observância do  limite de 30% do  lucro  líquido ajustado,  estabelecido pelo  artigo 15 da Lei n° 9.065/95, ainda que,  em  decorrência da extinção da pessoa jurídica por incorporação, reste saldo que não poderá  ser aproveitado pela sucessora.  (...)  MULTA DE OFÍCIO. EMPRESA INCORPORADA.  O  sucessor  por  incorporação  responde  pela  multa  de  ofício  decorrente  de  infração  cometida  pela  sucedida  quando  se  tratar  de  empresas  do  mesmo  grupo  econômico,  ainda  que  lançada  posteriormente  ao  evento  societário,  já  que  tinha  conhecimento  prévio da situação que levou à autuação fiscal.    Resumidamente,  foram  os  seguintes  os  fundamentos  que  motivaram  essa  decisão:    Fl. 381DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 19515.005507/2009­24  Resolução nº  1102­000.213  S1­C1T2  Fl. 378          4 a)  O  conceito  de  lucro  não  vem  do  artigo  189  da  Lei  das  S/A,  o  qual  determina  que  se  deduzam  do  resultado  do  exercício  os  prejuízos  acumulados  antes  de  qualquer  participação,  como  quer  fazer  crer  a  impugnante.   b)  O  ente  tributante,  diante  da  constatação  de  que  há  prejuízos  fiscais  acumulados, pode permitir ajustes adicionais ao lucro do período, por meio  de  sua  compensação,  mas  não  está  obrigado  a  tanto,  e  pode  fazê­lo  impondo  limitações. É  o  que  faz,  com  frequência,  o  legislador,  como na  situação da  legislação anterior  à Lei nº 8.981/95, quando  impunha  limite  temporal  ao  aproveitamento  dos  prejuízos,  ou  como  na  legislação  atual,  quando  impõe  o  limite  da  “trava”.  Outrossim,  em  determinadas  circunstâncias,  quando  impede  o  aproveitamento  dos  prejuízos  fiscais  se  entre  a  data  da  apuração  e  da  compensação  houver  ocorrido,  cumulativamente,  modificação  do  controle  societário  e  do  ramo  de  atividade  da  pessoa  jurídica,  ou  se  o  aproveitamento  for  de  prejuízos  da  sucedida pela sucessora, nos casos de cisão, fusão ou incorporação.  c)  Na  esteira  do  entendimento  do  STJ,  a  compensação  de  prejuízos  de  exercícios anteriores nada mais é do que um benefício fiscal.  d)  A  compensação  total  dos  prejuízos,  dada  a  impossibilidade  de  compensação pela sucessora, pode implicar justamente no aproveitamento  indireto, pela incorporadora, dos prejuízos da incorporada.  e)  O  artigo  132  do CTN deve  ser  interpretado  conjuntamente  com  o  artigo  129  do  mesmo  diploma  legal  para  se  concluir  que  é  possível  responsabilizar  o  sucessor  também  pela  multa  de  ofício.  Nessa  linha,  considera  exigível  a  multa  de  ofício,  mesmo  lançada  posteriormente  ao  evento  da  incorporação,  porque  a  empresa  incorporadora  faz  parte  do  mesmo  grupo  econômico  da  incorporada  e  tinha  conhecimento  pleno  da  situação  que  levou  ao  lançamento,  inclusive,  tal  situação  ocorreu  justamente devido ao citado evento.     Inconformada,  a  empresa  autuada  apresentou  recurso  voluntário  no  qual,  em  essência, ofereceu os mesmos argumentos da impugnação, a seguir resumidos:    f)  A  limitação  a  30%  da  compensação  de  prejuízos  fiscais  e  das  bases  negativas  da  CSLL  não  se  aplica  nas  hipóteses  de  descontinuidade  da  pessoa  jurídica.  Nesse  contexto,  urge  repudiar  a  interpretação  literal  amparada  na  premissa  de  que  a  compensação  nada  mais  é  que  um  benefício fiscal.   g)  O  artigo  189  da  Lei  das  S/A,  o  qual  permite  a  dedução  dos  prejuízos  acumulados,  visa  impedir  que  os  acionistas  se  apropriem  dissimuladamente  do  capital  da  empresa.  Por  isso,  o  mesmo  diploma  legal imputa responsabilidade aos administradores que não o observam.  Fl. 382DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 19515.005507/2009­24  Resolução nº  1102­000.213  S1­C1T2  Fl. 379          5 h)  Em  harmonia  com  a  lei  comercial,  as  normas  tributárias  permitiram  compensações  de  prejuízos  e  bases  negativas  acumulados  de  anos  anteriores. Aliás, esse permissão remonta os primórdios da instituição do  imposto  de  renda.  Nesse  sentido,  transcreve  todo  o  histórico  desse  contexto legislativo para concluir que o legislador sempre esteve atento  ao princípio da continuidade da entidade contábil. Cita doutrina de Noé  Winkler,  amparado  por  Rubens  Gomes  de  Sousa,  e  jurisprudência  do  STJ e da Câmara Superior de Recursos Fiscais.  i)  A  interpretação  literal  dos  dispositivos  legais  que  criaram  a  “trava”  ofende  os  conceitos  de  renda  e  de  lucro  insculpidos  na  Constituição  Federal, o que só pode ser envidado interpretando­se teleologicamente os  aludidos comandos para autorizar que, na última DIPJ a ser apresentada,  os  prejuízos  fiscais  e  as  bases  de  cálculo  da CSLL  acumulados  sejam  compensados sem restrição.  j)  A interpretação do Fisco sobre o alcance do artigo 15 da Lei nº 9.065/95  adultera o conceito legal de renda, extravasando a competência tributária  da  União  e  acarretando  tributação  do  patrimônio.  Nesse  sentido,  cita  doutrina  de  Bulhões  Pedreira  para  distinguir  os  conceitos  de  renda  e  patrimônio  e  concluir  que  sendo  o  lucro  tributável  espécie  do  gênero  renda e, como tal, representado por quantia que se agrega ao patrimônio  num  dado  espaço  de  tempo,  a  incidência  tributária  sobre  parcela  excedente  do  seu  valor,  denominada  por  alguns  de  “lucro  fictício”,  ou  ainda, expressando­se francamente e sem eufemismo, lucro inexistente, é  estranha ao campo de incidência do imposto de renda.   k)  A interpretação do Fisco sobre o alcance do artigo 58 da Lei nº 8.981/95  e 16 da Lei nº 9.065/95, ambas referentes à CSLL, encerra adulteração  do conceito constitucional de lucro, transgredindo o artigo 110 do CTN e  acarretando  idêntica  tributação  do  patrimônio  do  contribuinte.  Ao  atribuir  competência  à  União  para  instituir  a  aludida  contribuição,  a  Constituição fixou o elemento material de sua hipótese no artigo 195, I,  “c”,  qual  seja,  o  lucro  no  sentido  extraído  do  direito  privado.  Esta  conclusão  é  tão  notória  que  o  legislador  ordinário  denominou­a  contribuição social sobre o “lucro líquido”. Então, da mesma forma que  para  o  imposto  de  renda,  há  que  se  inferir  que  o  conceito  de  lucro  é  aquele definido pelo artigo 189 da Lei das S/A.  l)  Os abusos consubstanciados na interpretação dada no auto de infração e  na  decisão  recorrida  aos  dispositivos  legais  em  exame  não  encontram  precedente  no  mundo  civilizado.  Afirma  que  as  legislações:  do  Reino  Unido e da  Irlanda permitem a  compensação  integral  de prejuízos  sem  qualquer  limitação  de  tempo;  da  Holanda  permite  a  compensação  dos  prejuízos  dos  três  exercícios  anteriores  e  até  os  oitos  seguintes;  a  da  Alemanha permite a compensação dos prejuízos dos dois anos anteriores  e  o  “carry  forward”  para os  cinco  anos  seguintes;  da França  permite  a  retroação de três exercícios que se projeta nos cinco anos próximos; e da  Bélgica, Dinamarca, Espanha, Itália, Luxemburgo e Portugal permitem a  compensação integral futura dos prejuízos em cinco anos.  Fl. 383DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 19515.005507/2009­24  Resolução nº  1102­000.213  S1­C1T2  Fl. 380          6 m) A multa não se comunica à incorporadora. O artigo 132 do CTN veda a  transmissão da responsabilidade por penalidades ao sucessor. É incorreta  a  interpretação  extensiva  daquele  dispositivo  sob  pena  de  violação  da  legalidade. Ao  contrário  do  que  tenta  fazer  crer  a  decisão  recorrida,  o  fato  de  o  artigo  129  do  CTN  referir­se  a  “créditos  tributários”  apenas  reforça  sua  tese,  uma  vez  que,  especialmente  em  relação  à  fusão,  transformação ou incorporação, a intenção do legislador no artigo 132 ao  utilizar a expressão “tributos” foi justamente excluir a penalidade. Nesse  sentido,  transcreve  algumas  decisões  do  STF,  da  Câmara  Superior  de  Recursos Fiscais e do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes.   Ao final, postula que as  razões de fato e de direito expendidas na impugnação  sejam também consideradas integrantes das aduzidas no recurso voluntário, bem como requer  que a este seja dado provimento.  A  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  apresentou  contrarrazões  ao  recurso  voluntário, aduzindo, em síntese, o seguinte:   (i)  A controvérsia sobre a constitucionalidade da  limitação  de  30%  para  a  compensação  de  prejuízos  fiscais  e  bases  negativas  da  CSLL foi dirimida pelo STF no julgamento dos Recursos Extraordinários  nº  344.994  e  545.308,  nos  quais  firmou­se  o  entendimento  de  que  a  aludida compensação constitui autêntico benefício fiscal.   (ii)  Não há direito adquirido à compensação.  (iii)  Sendo a compensação autêntico  instrumento de política  fiscal,  ou  seja,  benefício  fiscal,  submete­se  ao  princípio  da  legalidade  estrita, não comportando interpretação extensiva ou por analogia.  (iv)  Não  há  silêncio  do  legislador  quanto  à  situação  da  extinção  da  pessoa  jurídica,  pois  a  limitação  que  consta  das  Leis  nº  8.981/95  e  9.065/95  deve  ser  aplicada  em  qualquer  hipótese,  sem  exceção.  (v)  O STJ, nos Recursos Especiais nº 307.389 e 1.107.518,  posicionou­se pela impossibilidade da compensação, pela incorporadora,  dos prejuízos fiscais de anos anteriores da empresa incorporada.  (vi)  A  pretensão  da  recorrente  constitui  verdadeira  burla  à  vedação  contida  no  artigo  58  da  Lei  nº  8.981/95,  segundo  a  qual  a  sucessora não pode compensar prejuízos fiscais da sucedida.  (vii)   A 5ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes e a  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais,  em  caso  idêntico,  negaram  provimento ao recurso voluntário, sendo que no voto condutor da decisão  deste  último  colegiado  a  relatora  demonstrou  que  a  preocupação  do  legislador  sempre  foi  em  não  permitir  que,  direta  ou  indiretamente,  eventos  como  a  incorporação  transformem­se  unicamente  em  instrumentos  de  aproveitamento  disfarçado  de  prejuízos  fiscais  entre  empresas.  Fl. 384DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 19515.005507/2009­24  Resolução nº  1102­000.213  S1­C1T2  Fl. 381          7 (viii)  O STJ entende que os artigo 132 e 129 do CTN devem  ser interpretados conjuntamente e, portanto, a responsabilidade tributária  dos sucessores estende­se às multas impostas ao sucedido pois integram  o patrimônio jurídico­material da sociedade empresarial sucedida;   (ix)  A  doutrina  majoritária  também  subscreve  o  entendimento  de  que  o  sucessor  é  o  responsável  pelas  multas  do  sucedido,  sendo  que  Zelmo  Denari  afirma  que  a  transmissibilidade  independe da data em que a penalidade tenha sido aplicada;   (x)  Diferentemente  da  lei  penal,  o  princípio  da  personalização da pena não se aplica sobre as penas que incidem sobre o  patrimônio,  neste  sentido,  o  entendimento  doutrinário  e  jurisprudencial  que cita.    Em  29/10/2013,  quando  o  presente  processo  já  havia  sido  incluído  em  pauta  para  julgamento  por  este  Colegiado,  a  recorrente  interpôs  requerimento  em  que  solicita  o  sobrestamento do referido julgamento, com fulcro no artigo 62­A do Anexo II do RICARF, por  entender que matéria do mesmo teor será discutida pelo STF nos autos do RE nº 591.340/PR.  Não obstante o relator tenha negado seu seguimento, em decisão monocrática, por entender que  a matéria  já havia sido decidida no RE nº 344.994/PR, foi  interposto, em 16/09/2013, agravo  regimental  (ainda pendente de julgamento) demonstrando que os  respectivos recursos  travam  discussões diversas.    É o relatório.    Voto Vencido    Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator    Antes  de  se  enfrentar  o  recurso  propriamente  dito,  há  que  se  discutir  a  preliminar de sobrestamento do feito requerida pela recorrente.  Isso porque, na sessão de 11 de abril de 2013, esta Turma decidiu por sobrestar  o  julgamento  em processo  que  tratava  da  trava  de 30% para  compensação  de prejuízos,  nos  termos  do  artigo  62­A  do  Anexo  II  do  RICARF  (Resolução  nº  1102­000.150,  Relator  Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé).   Naquela decisão, entendeu­se que o STF reconheceu, em 9/10/2008, a existência  de  repercussão  geral  no  RE  nº  591.340­6/SP,  de  relatoria  do Ministro Marco  Aurélio,  cuja  ementa se, transcreve:  Fl. 385DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 19515.005507/2009­24  Resolução nº  1102­000.213  S1­C1T2  Fl. 382          8   IMPOSTO DE  RENDA DE  PESSOA  JURÍDICA  E CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  SOBRE  O  LUCRO  LÍQUIDO  –  PREJUÍZO  –  COMPENSAÇÃO  –  LIMITE  ANUAL.  Possui  repercussão  geral  controvérsia  sobre  a  constitucionalidade  da  limitação  em  30%,  para  cada  ano­base,  do  direito  de  o  contribuinte  compensar  os  prejuízos  fiscais  do  Imposto  de  Renda  sobre  a  Pessoa  Jurídica  e  a  base  de  cálculo  negativa  da  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido  –  artigos 42 e 58 da Lei nº 8.981/95 e 15 e 16 da Lei nº 9.065/95.    Acrescentou­se  que  existiam  decisões monocráticas  do Ministro  Dias  Toffoli,  nos  RE  nº  433.767/SP,  547.226/SP  e  232.959/SC,  todas  de  26/10/2011,  que,  nos  termos  do  artigo 328 do Regimento Interno do STF, determinavam a devolução dos autos ao Tribunal de  origem para que fosse aplicado o disposto no artigo 543­B do CPC, demonstrando­se, assim, o  sobrestamento  do  feito  nos  termos  do  §  1º  do  artigo  62­A  do  Anexo  II  do  RICARF,  que  também se transcreve:    Art.  62­A. As decisões definitivas de mérito,  proferidas pelo Supremo  Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543­B e 543­ C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros  no  julgamento  dos  recursos no âmbito do CARF.  §  1º  Ficarão  sobrestados  os  julgamentos  dos  recursos  sempre  que  o  STF  também  sobrestar  o  julgamento  dos  recursos  extraordinários  da  mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543­ B.  §  2º  O  sobrestamento  de  que  trata  o  §  1º  será  feito  de  ofício  pelo  relator ou por provocação das partes.    Em  outra  ocasião,  na  sessão  de  06  de  agosto  de  2013,  novamente  a  Turma  decidiu pelo sobrestamento de julgamento que tratava da mesma matéria (Resolução nº 1102­ 000.173, Relator Conselheiro José Evande Carvalho de Araujo).  Ocorre  que,  em  03  de  setembro  de  2013,  o Ministro Marco  Aurélio  proferiu  decisão, nos autos daquele mesmo RE, com o seguinte conteúdo:    RECURSO  EXTRAORDINÁRIO  –  IMPOSTO  DE  RENDA  PESSOA  JURÍDICA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO  – PREJUÍZO – BASE DE CÁLCULO NEGATIVA – COMPENSAÇÃO  –  LIMITE  ANUAL  –  CONSTITUCIONALIDADE  –  NEGATIVA  DE  SEGUIMENTO.  Fl. 386DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 19515.005507/2009­24  Resolução nº  1102­000.213  S1­C1T2  Fl. 383          9 1. O Tribunal, na sessão plenária de 25 de março de 2009, concluiu o  julgamento  do  Recurso  Extraordinário  nº  344.994/PR,  de  minha  relatoria, acórdão redigido pelo ministro Eros Grau, o qual substituiu  este  processo  como  paradigma  de  repercussão  geral.  Assentou  ser  constitucional a limitação em 30%, para cada ano­base, do direito de o  contribuinte  compensar  os  prejuízos  fiscais  do  Imposto  de  Renda  Pessoa Jurídica  e a base de  cálculo negativa da Contribuição Social  sobre o Lucro Líquido – artigos 42 e 58 da Lei nº 8.981, de 1995, e 15  e 16 da lei nº 9.065, de 1995.  2.  Em  face  do  precedente,  ressalvando  a  óptica  pessoal,  nego  seguimento ao extraordinário.    É verdade, como alega a recorrente, que esta decisão teve caráter monocrático e  que  houve  a  posterior  interposição  de  agravo  regimental  visando  à  sua  reforma.  Contudo,  entendo  que,  enquanto  não  houver  decisão  contrária,  a  decisão  vigente  é  aquela  na  qual  o  relator  negou  seguimento  do  citado  RE.  Portanto,  cabível  o  julgamento  dos  processos  que  versam  sobre  o  assunto  sem  maiores  preocupações  com  a  necessidade  de  sobrestamento  prevista no § 1º do artigo 62­A do Anexo II do RICARF.    Por essa razão, entendo que deva ser negado o pedido de sobrestamento.    É como voto.    Documento assinado digitalmente.  Ricardo Marozzi Gregorio ­ Relator    Voto Vencedor  Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé  Em que pese o bem fundamentado entendimento exposto pelo relator na análise  da  preliminar,  a  Turma,  pela  maioria  de  seus  membros,  entendeu  pela  necessidade  de  se  proceder ao sobrestamento do feito, ante a não definitividade da decisão prolatada em caráter  monocrático pelo Min. Marco Aurélio nos autos do citado RE nº 591.340­6/SP.  Muito  embora  o  Agravo  Regimental  interposto  contra  a  referida  decisão  não  possua efeito suspensivo, conforme bem salientado pelo relator, o fato é que o reconhecimento  da repercussão geral da matéria, naqueles autos, foi feito pelo pleno do STF quando já há muito  a mesma questão vinha sendo debatida no bojo do RE nº 344.994/PR.  Fl. 387DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 19515.005507/2009­24  Resolução nº  1102­000.213  S1­C1T2  Fl. 384          10 Ademais,  em  que  pese  a  recente  decisão monocrática  do Min. Marco Aurélio  negando seguimento ao extraordinário, por entender que a questão já fora decidida pelo STF, o  reconhecimento  da  repercussão  geral  da  matéria  nos  autos  do  RE  nº  591.340  constituiu  o  fundamento  para  que  diversos  recursos  extraordinários  fossem  devolvidos  aos  tribunais  de  origem, em face da pendência de decisão pelo STF neste RE, e isto muito tempo depois de o  Tribunal ter proferido decisão no RE nº 344.994.  De fato, o STF decidiu pela constitucionalidade da “trava”, nos autos do RE nº  344.994, em 25.03.2009. Contudo, a pendência de decisão pelo STF no RE nº 591.340 ensejou  a devolução de processos aos tribunais de origem ao longo dos anos seguintes (2011, 2012, e  até  mesmo  2013),  conforme  se  pode  constatar  na  página  do  próprio  STF  (http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudenciaRepercussao/verProcessoRelacionado), pesquisando  pelo tema “117 ­ Limitação do direito de compensação de prejuízos fiscais do IRPJ e da base  de cálculo negativa da CSLL”.  Assim,  considerando­se  que:  (i)  em  pesquisa  à  página  do  STF,  não  consta  qualquer indicação de que o RE nº 344.994 teria substituído o RE nº 591.340 como paradigma  de repercussão geral; (ii) em pesquisa à página do STF, o RE nº 591.340, além de continuar a  constar  como  paradigma  sobre  o  tema  em  questão,  foi  o  fundamento  para  a  devolução  de  diversos processos aos tribunais de origem, muitos anos após a prolação de decisão pelo STF  nos autos do RE nº 344.994; e que (iii) a repercussão geral no RE nº 591.340 foi reconhecida  pelo pleno do STF quando já se encontrava em julgamento o RE nº 344.994, enquanto que a  negativa  de  seguimento  do RE nº  591.340  foi  determinada  em decisão monocrática,  e  ainda  pendente de julgamento de agravo regimental interposto; ... entendo precipitada a conclusão de  que não se deva mais sobrestar os julgamentos no CARF sobre a matéria.  Pelo  exposto,  ante o  atual  estágio processual do RE nº 591.340 no STF, deve  ainda  prevalecer  o  disposto  no  art.  62­A  do  Regimento  Interno  do  CARF,  na  esteira  da  jurisprudência desta Turma, consubstanciada nas Resoluções já citadas pelo relator.  Voto, portanto, por determinar o sobrestamento do julgamento deste recurso, à  luz do art. 62­A do Anexo II, do RICARF, e do § único do art. 1º da Portaria CARF nº 1, de  03.01.2012, até que transite em julgado a decisão que vier a ser proferida pelo STF no RE nº  591.340­6/SP.  Documento assinado digitalmente.  João Otávio Oppermann Thomé – Redator designado  Fl. 388DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME

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Numero do processo: 10166.722653/2012-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/04/2007 a 31/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. INCORREÇÕES. LANÇAMENTO PRINCIPAL JULGADO PROCEDENTE. RELAÇÃO DE CONEXÃO E ACESSORIEDADE. NECESSIDADE DE MANUTENÇÃO DA MULTA. Tendo em vista que o presente lançamento é acessório ao processo principal no qual foram julgadas procedentes as contribuições previdenciárias que justificaram a aplicação da multa pelo descumprimento de obrigação acessória, outra não pode ser a conclusão, senão pela manutenção da multa aplicada no presente Auto de Infração. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.819
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo- Presidente Lourenço Ferreira do Prado - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1410; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T2  Fl. 247          1  246  S2­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10166.722653/2012­56  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2402­004.819  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  25 de janeiro de 2016  Matéria  AUTO DE INFRAÇÃO: GFIP.  Recorrente  PINUS AUTOMÓVEIS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Período de apuração: 01/04/2007 a 31/12/2008  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  GFIP.  INCORREÇÕES.  LANÇAMENTO  PRINCIPAL  JULGADO  PROCEDENTE.  RELAÇÃO  DE  CONEXÃO  E  ACESSORIEDADE.  NECESSIDADE  DE MANUTENÇÃO DA MULTA.  Tendo em vista que o presente lançamento é acessório ao processo principal  no  qual  foram  julgadas  procedentes  as  contribuições  previdenciárias  que  justificaram  a  aplicação  da  multa  pelo  descumprimento  de  obrigação  acessória, outra não pode ser  a conclusão,  senão pela manutenção da multa  aplicada no presente Auto de Infração.  Recurso Voluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 26 53 /2 01 2- 56 Fl. 147DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por LOUR ENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO     2    Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento ao recurso voluntário.      Ronaldo de Lima Macedo­ Presidente      Lourenço Ferreira do Prado ­ Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  Ronaldo  de  Lima  Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira,  João Victor  Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado.  Fl. 148DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por LOUR ENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10166.722653/2012­56  Acórdão n.º 2402­004.819  S2­C4T2  Fl. 248          3    Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário  interposto  por PINUS AUTOMÓVEIS,  em  face  de  acórdão  que  manteve  a  integralidade  do  Auto  de  Infração  51.008.195­9  (CFL  78),  lavrado  para  a  cobrança  de  multa  por  ter  a  recorrente  apresentado  GFIP  com  informações  incorretas.  O contribuinte foi cientificado do lançamento em 19/04/2012.  Consta do relatório fiscal que no decorrer da fiscalização constatou­se que no  período  de  04/2007  a  10/2008,  a  recorrente  levou  a  efeito  compensações  de  contribuições  previdenciárias  em  GFIP,  sem  a  devida  observância  aos  dispositivos  legais  vigentes,  pois  utilizou­se  de  crédito  originado  de  apólice  de  Apólices  de  Obrigações  do  Reaparelhamento  Econômico  da República  dos Estados Unidos  do Brasil,  emitidas  no  ano  de  1953,  tido  pela  fiscalização  como  prescrito  e  inexistente,  além  de  ter  deixado  de  observar  o  limite  de  30%  (trinta por cento) para realização das compensações, prevista na Lei 8.212/91.  Em virtude do procedimento adotado pela recorrente, a fiscalização também  aplicou  ao  caso  a  multa  isolada  de  150%  (cento  e  cinquenta  por  cento),  pela  falsidade  na  declaração de compensação.    No que se refere a multa objeto do presente processo, o fiscal autuante aponta  que a recorrente apresentou GFIP no período de 04/2007 a 10/2008 com inconsistências quanto  (i)  valor  solicitado de  compensação,  (ii)  valor compensado,  (iii)  período  inicial,  (iv) período  final e (v) valor excedente.  Devidamente  intimado  do  julgamento  em  primeira  instância,  a  recorrente  interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta:  1.  que  houve  ofensa  aos  princípios  constitucionais  da  legalidade  estrita,  do  enriquecimento  sem  causa  e  da  verdade material.  2.  que  a  Recorrente  não  teve  a  intenção  de  declarar  falsamente  direito  a  compensação  inexistente,  e  que  acreditava  que  a  modalidade  executada  era  lícita  e  legal;  3.  que não sabia que os títulos utilizados não eram aptos  para quitar as contribuições mediante compensação.  4.  que não foi comprovado a intenção do contribuinte na  falsidade  das  informações  prestadas  razão  pela  qual  pugna pela exclusão da multa qualificada;  5.  que houve erro da  fiscalização na aplicação da multa  de  mora  e  multa  de  oficio,  o  que  ocorreu,  em  Fl. 149DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por LOUR ENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO     4  duplicidade, uma vez que referem­se ao mesmo fato e  no mesmo período.  Processado  o  recurso  sem  contrarrazões  da  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho.  É o relatório.  Fl. 150DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por LOUR ENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10166.722653/2012­56  Acórdão n.º 2402­004.819  S2­C4T2  Fl. 249          5  Voto             Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator  CONHECIMENTO  Tempestivo o recurso e presentes os demais pressupostos de admissibilidade,  dele conheço.  Sem preliminares.  MÉRITO  Da análise dos argumentos constantes no Recurso Voluntário, percebo que a  recorrente traz em sua defesa os mesmos argumentos utilizados quando defendeu­se dos autos  de infração principais, sem, no entanto, insurgir­se quanto as infrações especificamente objeto  do  presente  Auto  de  Infração  e  que  geraram  a  multa  pela  apresentação  de  GFIP  com  informações incorretas.  E  quando  do  julgamento  do  recurso  voluntário  apresentado  nos  autos  do  processo  administrativo  n.  10166.722652/2010­10,  por  mim  relatado  anteriormente,  o  lançamento foi mantido em sua integralidade, conforme se percebe da ementa a seguir:  “GLOSA  DE  COMPENSAÇÃO.  CRÉDITO  ORIUNDO  DE  APÓLICES  DOS  ESTADOS  UNIDOS  DO  BRASIL.  TÍTULOS  PRESCRITOS.  CRÉDITO  INEXISTENTE.  COMPENSAÇÃO  INDEVIDA.  A  compensação  tributária  somente  pode  vir  a  ser  deferida diante da cabal comprovação da existência de créditos  líquidos  e  certos  em  favor  do  contribuinte,  devendo  ser  respeitadas,  in  casu,  todas  as  normas  legais  relativas  ao  procedimento.  COMPENSAÇÃO  INDEVIDA.  MULTA  ISOLADA.  DECLARAÇÃO  FALSA.  Tendo  em  vista  que  a  recorrente  utilizou­se  de  crédito  inexistente,  deve  ser  aplicada  a  multa  isolada  na  compensação  indevida  pois  restou  caracterizada  a  falsidade na declaração.  CUMULAÇÃO  DE  MULTA  DE  MORA  E  MULTA  ISOLADA.  POSSIBILIDADE.  Tratam­se  de  multas  impostas  por  infrações  diferentes,  e  com  penalidades  distintas,  razão  pela  qual  foi  correta a sua aplicação.  INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe ao CARF a análise de  inconstitucionalidade da Legislação Tributária.  REPRESENTAÇÃO  FISCAL  PARA  FINS  PENAIS.  A  teor  do  disposto  na  Súmula  n.  28,  o  CARF  não  é  competente  para  pronunciar­se  sobre  processo  administrativo  relativo  a  Representação Fiscal para Fins Penais.  Fl. 151DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por LOUR ENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO     6   Recurso Voluntário Negado”.  Não obstante, trago a colação os argumentos já analisados por esta Eg. Turma  nos  autos  de  n.10166.7226512012­67,  os  quais  adoto  como  fundamentos  para  decidir.  Vejamos:  “Inicialmente  relembro  que  o  presente  julgamento  analisa  as  autuações  constantes  na  planilha  acima,  por  ter  a  Recorrente  declarado  indevidamente  a  compensação  de  contribuições  previdenciárias, deixando de observar o correto cumprimento de  suas obrigações tributárias, razão pela qual a autoridade fiscal  aplicou multa de ofício no percentual de 150%, bem como, multa  de mora face o atraso do recolhimento.  Passo  a  analisar  os  tópicos  objetos  de  Recurso  Voluntário  interposto pela Recorrente, senão vejamos:  Da Afronta aos Princípios Constitucionais   Alega  a  Recorrente  que  há  clara  afronta  aos  princípios  constitucionais  da  legalidade  estrita,  do  enriquecimento  sem  causa e da verdade material,  no  entanto,  tenho que não devem  prosperar as afrontas suscitadas.  Na  oportunidade,  verifico  que  a  Recorrente  traz  os  mesmos  argumentos apontados na peça de  impugnação, e  já analisados  pelo juízo a quo, senão vejamos o r. acórdão neste tópico:  “  ...Ambos os  lançamentos  fiscais estão, pois, dotados dos  seus  elementos necessários. Assim:   1. Não se vislumbra de que forma o princípio da legalidade não  tenha sido observado.   2.  Não  se  pode  falar  em  “enriquecimento  sem  causa”  pois  os  fatos  motivadores  dos  lançamentos  fiscais  e  respectivas  legislações encontram­se devidamente indicadas.   3.  Os  fatos  que  deram  ensejo  ao  lançamento  fiscal  –  compensação, a pretexto de direitos decorrentes da titularidade  de “Apólice de Obrigações do Reaparelhamento Econômico” – encontram­se  perfeitamente  informadas,  identificadas  e  caracterizadas.” (...)  Assim,  tenho  que  as  alegações  trazidas  pela  Recorrente  são  vagas  e  insubsistentes  para  se  evidenciar  real  afronta  constitucional, o que, a meu ver, não correu.  Ademais, tenho que, tais irresignações não podem ser analisadas  por este Conselho, em respeito a competência privativa do Poder  Judiciário,  já  que,  o  afastamento  da  aplicação  da  Legislação  referente as contribuições e multas,  indubitavelmente, ensejaria  o  reconhecimento  de  inconstitucionalidade  de  lei  em  vigor,  conforme  previsto  nos  artigos  97  e  102,  I,  "a"  e  III,  "b"  da  Constituição Federal, o que é vedado a este Eg. Conselho.  Sobre  o  tema,  o  CARF  consolidou  referido  entendimento  por  meio do enunciado da Súmula n. 02, a seguir:  Fl. 152DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por LOUR ENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10166.722653/2012­56  Acórdão n.º 2402­004.819  S2­C4T2  Fl. 250          7  “Súmula  CARF  nº  2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária  Logo, nada a prover.  Da Ausência de Dolo e Aplicação da Multa Isolada  A  recorrente  alega  que  não  agiu  com  dolo,  ao  efetuar  as  informações em GFIP para a ocorrência da compensação, e que  lançou  as  informações  com  base  em  laudos  periciais  que  lhe  asseguraram  poderia  se  valer  dos  títulos  junto  aos  órgãos  federais,  razão  pela  qual  entende  que  não  se  justifica  a  aplicação de multa qualificada, tampouco, no patamar aplicado.  Ora,  em que  pesem os  argumentos  da Recorrente,  tenho  que a  autoridade  fiscal  agiu  em  conformidade  com  a  legislação  tributária  vigente  no  tocante  a  aplicação  de multa  qualificada.  Assim, é a Lei quem determina e autoriza as situações passíveis  de  compensação dos  tributos devidos pelo Contribuinte,  não se  trata de ato discricionário, mas sim de ato vinculado a lei.  Nesse  pensamento  vejamos  o  que  aponta  o  artigo  170  do CTN  acerca do assunto:  “Art.  170. A  lei  pode,  nas  condições  e  sob  as  garantias  que  estipular,  ou  cuja  estipulação  em  cada  caso  atribuir  à  autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos  tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos,  do  sujeito  passivo  contra  a  Fazenda  pública.  (Vide Decreto  nº  7.212, de 2010)  Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a  lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu  montante,  não  podendo,  porém,  cominar  redução  maior  que  a  correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo  a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento.  Art. 170­A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento  de  tributo,  objeto  de  contestação  judicial  pelo  sujeito  passivo,  antes  do  trânsito  em  julgado  da  respectiva  decisão  judicial.  (Artigo incluído pela Lcp nº 104, de 2001)  Assim, é de fácil constatação, que além de não ter preenchido os  requisitos que determinam a  legislação, o contribuinte  realizou  as  declarações  em  GFIP,  utilizando­se  de  títulos  inerentes  a  Obrigação  do  Reaparelhamento  Econômico,  que  já  estavam  abarcados  pela  prescrição  desde  06.07.08,  fato  este  notório  e  amplamente demonstrado nos autos.  Quanto  as  alegações  de  não  existir  dolo  na  conduta  e  que  o  mesmo  acreditava  que  se  tratavam  de  títulos  válidos,  não  merecem guarida, porquanto incumbe ao Contribuinte certificar  da  validade/liquidez  do  crédito  utilizado  sob  pena  de  sofrer  as  sanções  previstas  em  lei,  com  aplicação  de  multa  avulsa  qualificada, como prevê o artigo 89 da Lei 8.212/91 c/c art. 74,  da Lei 9.430/96, verbis:  Fl. 153DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por LOUR ENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO     8  Lei nº 8.212/91   “Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c  do  parágrafo  único  do  art.  11  desta  Lei,  as  contribuições  instituídas  a título  de  substituição  e  as  contribuições  devidas  a  terceiros  somente  poderão  ser  restituídas  ou  compensadas  nas  hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que  o  devido,  nos termos  e  condições  estabelecidos  pela  Secretaria  da Receita Federal do Brasil.    (...)    § 10.   Na  hipótese  de  compensação  indevida,  quando  se  comprove  falsidade  da  declaração  apresentada  pelo  sujeito  passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no  percentual  previsto  no  inciso  I  do  caput  do  art.  44  da  Lei  no  9.430,  de  27  de  dezembro  de  1996,  aplicado  em  dobro,  e  terá  como  base  de  cálculo  o  valor  total  do  débito  indevidamente  compensado.”    Art.  58.  Na  hipótese  de  compensação  indevida,  quando  se  comprove  falsidade  da  declaração  apresentada  pelo  sujeito  passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no  percentual  previsto  no  inciso  I  do  caput  do  art.  44  da  Lei  nº  9.430,  de  27  de  dezembro  de  1996,  aplicado  em  dobro,  e  terá  como  base  de  cálculo  o  valor  total  do  débito  indevidamente  compensado  Interessante  notar,  que  sobre  este  aspecto,  a  própria  contribuinte,  em sua  impugnação, aponta a dúvida que possuía  na  compensabilidade  dos  títulos,  optando  por  pautar­se  na  orientação dos profissionais por si contratados. Todavia, mesmo  antes  do  período  em  que  levou  a  efeito  a  compensação  cuja  glosa pretende seja anulada,  fato é que o Superior Tribunal de  Justiça  já possuía jurisprudência no sentido da  impossibilidade  da compensação de títulos emitidos em data muito antiga, como  é o caso daquele utilizado para compensação no presente caso.  Vejamos:  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  EXECUÇÃO  FISCAL.  TÍTULOS DA DÍVIDA PÚBLICA. DUVIDOSA LIQUIDEZ DO  TÍTULO. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. IMPOSSIBILIDADE.  I  ­  O  julgado  do  Tribunal  a  quo  está  em  consonância  com  o  entendimento  desta Corte,  no  sentido  de  que  o  título  da  dívida  pública  somente  poderá  ser  considerado  de  fácil  liqüidez  se  puder  ser  negociado  na  bolsa  de  valores,  à  semelhança  dos  títulos de crédito, o que não é o caso das apólices em tela, que  são  do  início  do  século  passado,  não  servido  à  compensação  tributária.  Precedentes:  REsp  nº  691.282/PR,  Rel.  Min.  TEORI  ALBINO  ZAVASCKI, DJ de 07/11/2005 e REsp nº 373.979/PE, Rel. Min.  CASTRO MEIRA, DJ de 06/09/2004.  II ­ Agravo regimental improvido.  Fl. 154DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por LOUR ENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10166.722653/2012­56  Acórdão n.º 2402­004.819  S2­C4T2  Fl. 251          9  (AgRg  no  REsp  805.194/SC,  Rel.  Ministro  FRANCISCO  FALCÃO,  PRIMEIRA  TURMA,  julgado  em  06/04/2006,  DJ  04/05/2006, p. 147)  Não obstante, conforme apontou o relatório fiscal, também antes  mesmo  do  período  das  compensações  efetuadas,  já  fora  publicado  o  Parecer  nº.  859  da  PGFN,  publicado  no  Diário  Oficial  da União, de 06 de  julho de 1998, por  força da Lei nº.  4.069/62  e  do Decreto­lei  nº.  263,  de  28  de  fevereiro  de  1967,  que  reconhecia  a  prescrição  de  tais  títulos,  logo,  sua  imprestabilidade à compensação de impostos e contribuições de  competência da UNIÃO.  Em recente  julgado a  4ª Câmara da  1ª  Turma Ordinária  deste  CARF entendeu de  forma idêntica, mantendo a multa de 150%.  Veja­se:  “COMPENSAÇÃO  DE  CONTRIBUIÇÕES  COM  CRÉDITOS  DE  EMPRÉSTIMO  COMPULSÓRIO  PARA  ELETROBRÁS.  INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO  DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA. O sujeito passivo deve  sofrer  imposição de multa  isolada de 150%,  incidente  sobre as  quantias indevidamente compensadas, quando insere informação  falsa na GFIP, declarando créditos que  sabidamente não eram  passíveis  de  compensação com  contribuições  sociais,  como  é  o  caso  dos  valores  decorrentes  de  empréstimo  compulsório  à  Eletrobrás.(...)” (CARF. Acórdão nº 2401003.243. 4ª Câmara da  1ª Turma Ordinária. Rel. p/ Acórdão Kleber Ferreira de Araujo.  Julgado em 16/10/2013) – grifouse   Nesse contexto,  resta claramente demonstrado  nos  autos,  a hipótese de falsidade na  declaração apresentada pelo  sujeito  passivo,  eis  que  utilizou­se  de  crédito  inexistente  no  mundo  jurídico  para  proceder  à  compensação.  Portanto  aplicável  a  multa  isolada  qualificada prevista nos  termos  da  legislação  acima descrita.   Trago  aqui  as  mesmas  razões  de  decidir,  neste  tópico,  apresentadas no r. acórdão, fls. 133/156:  Ocorre, entretanto, que, neste caso, o Contribuinte, ao inserir em  GFIP  a  informação  de  que  era  credor  de  importância  compensável, o fez com a inserção (na GFIP) de informação não  correspondente  à  realidade,  pois,  com  já  destaquei  no  tópico  anterior, ao incluir o valor compensável, o Contribuinte estava –  considerando  as  hipóteses  legais  possíveis  –  declarando  que  havia  recolhido  contribuições  previdenciárias  indevidas  ou  a  maior.    Justamente  por  incluir  informação  não  correspondente  à  realidade  (ou  seja,  o  Contribuinte,  na  verdade,  não  havia  recolhido contribuições previdenciárias  indevidas ou a maior –  mas  supostamente  era  detentor  de  um  crédito,  cuja  origem  remontava  ao  início  da  segunda  metade  do  século  passado),  Fl. 155DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por LOUR ENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO     10  incorreu em falsa declaração, da qual resultou que, para efeito  de  prestação  formal  e  oficial  de  informações  à  Administração  Tributária,  declarou­se  devedor  de  montante  menor  do  que  o  realmente devido a título de contribuições previdenciárias.  (...)  Com acerto, entendeu, assim, a Fiscalização que o Contribuinte,  além  de  ter  promovido  o  pagamento  de  contribuintes  previdenciárias menores do que devia (sujeitando­se à multa de  mora), utilizou­se de  falsa  informação  (a  inserção em GFIP da  informação de que teria recolhido contribuições previdenciárias  indevidas ou a maior), sujeitando­se, por isso, à multa isolada.  Ora, e não há nem mesmo dúvida razoável de que a titularidade  de  “...  apólices  de  Obrigações  do  Reaparelhamento  Econômico...” possam ser confundidas com recolhimentos ou a  maior de contribuições previdenciárias.  Assim, mantenho a autuação respectiva.  Da  Simultaneidade  na  Aplicação  da Multa  de Mora  e Multa  Avulsa   Alega  a  Recorrente  que  a  fiscalização  incorreu  em  erro  ao  aplicar  simultaneamente a multa  de mora  e a  de  ofício  porque  ambas são excludentes e contraditórias.  No  entanto,  não  vejo  o  equívoco,  isto  porque  tratam­se  de  penalidades  impostas  com  fundamento  em  disposições  legais  diversas  e  específicos,  com  fatos  geradores  diferentes.  A  primeira  pelo  recolhimento  a  destempo  de  contribuições  previdenciárias  declaradas,  e,  a  segunda,  pela  falsidade  na  declaração  apresentada  pelo  sujeito  passivo,  razão  pela  qual  perfeitamente cabível a aplicação das respectivas multas.  Da mesma forma, não merece reparo o r. acórdão.  Da representação fiscal para fins penais  Melhor sorte não aufere a recorrente, no tocante ao seu pedido  de cancelamento da RFFP.  Sobre  o  assunto,  falece  a  este  Conselho  a  competência  par  qualquer  discussão,  a  teor  do  enunciado  da  Súmula  n.  28,  a  seguir:  Súmula  CARF  nº  28:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  controvérsias  referentes  a  Processo  Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.  Da aplicação da legislação mais benéfica  Tal  argumento  de  recurso  também  não  merece  qualquer  acolhimento,  considerando  que  no  presente  processo,  todos  os  fatos  geradores  das  contribuições  lançadas,  são  posteriores  a  vigência da MP 449/2008, não havendo que  se  falar,  portanto,  na  retroatividade  das  disposições  de  referida  norma  quanto  as  multas aplicadas.  Fl. 156DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por LOUR ENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10166.722653/2012­56  Acórdão n.º 2402­004.819  S2­C4T2  Fl. 252          11  Ante todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO  ao recurso”.  Dessa  forma,  em  se  tratando o  presente  lançamento  de  obrigação  acessória  conexa com os autos de infração de obrigação principal, outra conclusão não pode ser adotada,  senão  pela  necessidade  de  que  também  seja  julgado  procedente  o  lançamento  da multa  nos  autos do presente processo, pelo fato da relação de acessoriedade deste lançamento.  Ante  todo  o  exposto,  voto  no  sentido  de  NEGAR  PROVIMENTO  ao  recurso.  É como voto.    Lourenço Ferreira do Prado.                              Fl. 157DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2016 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por LOUR ENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO

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6163667 #
Numero do processo: 10930.907888/2011-27
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Oct 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do Fato Gerador: 14/02/2003 INCONSTITUCIONALIDADE. LEI Nº 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. O Tribunal Pleno do STF declarou em definitivo a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo da Cofins em virtude da alteração do conceito de Receita Bruta (REsp nºs 346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e 390.840/PR). Considerando o disposto no art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, fica facultado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação de Lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. Conforme o disposto no art. 62-A do Regimento Interno do CARF decisões de mérito em sede de repercussão geral e recurso repetitivo proferidas pelo STJ e STF deverão ser reproduzidas pelos conselheiros nos julgamentos ANÁLISE DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO. JUNTADA DOS EXCERTOS DOS LIVROS DIÁRIO E RAZÃO EM SEDE RECURSAL, APÓS PROVOCAÇÃO PELA DECISÃO RECORRIDA. POSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Nos termos do art. 16, § 4o, c, do Decreto 70.235/72, é possível a apreciação de documentação comprobatória do crédito suscitado, caso esta tenha sido juntada para embasar direito já alegado mediante planilha em sede de Manifestação de Inconformidade. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3802-004.187
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à instância a quo para apreciação do mérito. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do Fato Gerador: 14/02/2003 INCONSTITUCIONALIDADE. LEI Nº 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. O Tribunal Pleno do STF declarou em definitivo a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo da Cofins em virtude da alteração do conceito de Receita Bruta (REsp nºs 346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e 390.840/PR). Considerando o disposto no art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, fica facultado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação de Lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. Conforme o disposto no art. 62-A do Regimento Interno do CARF decisões de mérito em sede de repercussão geral e recurso repetitivo proferidas pelo STJ e STF deverão ser reproduzidas pelos conselheiros nos julgamentos ANÁLISE DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO. JUNTADA DOS EXCERTOS DOS LIVROS DIÁRIO E RAZÃO EM SEDE RECURSAL, APÓS PROVOCAÇÃO PELA DECISÃO RECORRIDA. POSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Nos termos do art. 16, § 4o, c, do Decreto 70.235/72, é possível a apreciação de documentação comprobatória do crédito suscitado, caso esta tenha sido juntada para embasar direito já alegado mediante planilha em sede de Manifestação de Inconformidade. Recurso Voluntário Provido em Parte.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2304; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE02  Fl. 90          1 89  S3­TE02  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10930.907888/2011­27  Recurso nº  1   Voluntário  Acórdão nº  3802­004.187  –  2ª Turma Especial   Sessão de  25 de fevereiro de 2015  Matéria  PIS/Pasep ­ PER/RESTITUIÇÃO  Recorrente  MOINHO GLOBO ALIMENTOS S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Data do Fato Gerador: 14/02/2003  INCONSTITUCIONALIDADE.  LEI  Nº  9.718/98.  ALARGAMENTO  DA  BASE DE CÁLCULO. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO.  O Tribunal Pleno do STF declarou em definitivo a  inconstitucionalidade do  art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo da  Cofins  em  virtude  da  alteração  do  conceito  de  Receita  Bruta  (REsp  nºs  346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e 390.840/PR).   Considerando o disposto no art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento  Interno do CARF, fica facultado aos membros das turmas de julgamento do  CARF afastar a aplicação de Lei que já tenha sido declarada inconstitucional  por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal.   REPERCUSSÃO  GERAL.  APLICAÇÃO  DO  ART.  62­A  DO  REGIMENTO  INTERNO  DO  CARF.  OBRIGATORIEDADE  DE  REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO.  Conforme o disposto no art. 62­A do Regimento Interno do CARF decisões  de mérito em sede de  repercussão geral e  recurso  repetitivo proferidas pelo  STJ e STF deverão ser reproduzidas pelos conselheiros nos julgamentos  ANÁLISE  DA  MATERIALIDADE  DO  CRÉDITO.  JUNTADA  DOS  EXCERTOS DOS  LIVROS  DIÁRIO  E  RAZÃO EM  SEDE  RECURSAL,  APÓS PROVOCAÇÃO PELA DECISÃO RECORRIDA. POSSIBILIDADE  DE APRECIAÇÃO.  Nos termos do art. 16, § 4o, c, do Decreto 70.235/72, é possível a apreciação  de  documentação  comprobatória  do  crédito  suscitado,  caso  esta  tenha  sido  juntada  para  embasar  direito  já  alegado  mediante  planilha  em  sede  de  Manifestação de Inconformidade.  Recurso Voluntário Provido em Parte.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 78 88 /2 01 1- 27 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA     2   Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  dar  provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à instância a quo  para apreciação do mérito.       (assinado digitalmente)  Joel Miyazaki ­ Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.        (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc  (art. 17,  inciso  III,  do  Anexo II do RICARF/2015).    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano  D'Amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno  Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.  Relatório  Preliminarmente, ressalta­se que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo  II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ­ RICARF/2015, fui  designado  como  redator  ad  hoc  (fl.  89),  para  formalização  do  respectivo  Acórdão,  considerando o  resultado  do  julgado,  conforme  o  constante  da ATA da  respectiva  sessão  de  julgamento.    A  Recorrente  MOINHO  GLOBO  ALIMENTOS  S/A.,  interpôs  o  presente  Recurso Voluntário  contra  o Acórdão  nº  06­41.510,  proferido  em  primeira  instância  pela  3ª  Turma da DRJ  em Curitiba/PR,  que  julgou  improcedente  a manifestação  de  inconformidade  declarada pelo contribuinte por recolhimento vinculado a débito confessado, negando o direito  creditório.  Por bem explicitar os atos e  fases processuais ultrapassados até o momento  da análise da impugnação, adota­se o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo:  Trata  o  presente  processo  de  manifestação  de  inconformidade  apresentada  em  face do  indeferimento  de  pedido  de  restituição  (PER),  de  nº  11526.60171.040705.1.2.04­8079,  nos  termos  do  despacho  decisório  emitido  em  02/12/2011  (rastreamento  nº  013472851).  No aludido PER,  transmitido eletronicamente em 04/07/2005, a  contribuinte  indicou  um  crédito  de  R$  787,07,  referente  ao  pagamento  efetuado  em  14/02/2003,  de  PIS/Pasep,  código  de  receita 8109, no valor total de R$ 65.483,40.  Segundo  o  despacho  decisório  recorrido,  a  restituição  foi  indeferida  porque  o  Darf  indicado  como  crédito  estava  totalmente utilizado para extinção de débito de PIS/Pasep, 8109,  do  período  de  apuração  de  31/01/2003,  de  acordo  com  a  informação da DCTF transmitida pela Interessada.  Fl. 91DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10930.907888/2011­27  Acórdão n.º 3802­004.187  S3­TE02  Fl. 91          3 Cientificada  em  22/12/2011,  a  Contribuinte  apresentou  Manifestação  de  Inconformidade  em  19/01/2012.  Alega  que  recolheu  valores  indevidos  de  PIS/Pasep  e  de  Cofins  que  incidiram  sobre  outras  parcelas  que  não  se  compreendem  no  conceito  de  faturamento,  relativamente  às  competências  de  07/2000 a 01/2004, 03/2004 e 07/2004.  Diz que nos referidos períodos (anos de 2000 a 2004) informou  em DCTF os valores devidos a  título de PIS/Pasep e de Cofins  levando em conta a  legislação vigente à época, que alargava a  suas bases de cálculo ao considerar as receitas financeiras como  integrantes do conceito de faturamento. Aduz, porém, que o STF  considerou  inconstitucional  tal  ampliação  da  base  de  cálculo.  Anexa jurisprudência do STF e do CARF.  Em função disso, entende que as “declarações prestadas à época  da  vigência  plena  do  §1o  do  art.  3o  da  Lei  n°  9.718/98,  hoje  declarada  inconstitucional,  hão  de  ser  revistas  de  modo  a  se  adequarem  a  tal  entendimento,  em  prol  da  realidade  material  que passou a existir com a declaração de inconstitucionalidade  pelo E. STF”.  Anexa planilha demonstrando as diferenças pleiteadas, as quais  “correspondem  exatamente  às  receitas  não  operacionais,  não  integrantes da base de cálculo do PIS/Cofins após a declaração  de inconstitucionalidade do §1o do art. 3o da Lei n° 9.718/98”.  Argumenta  que  para  o  deferimento  do  pedido  de  restituição  basta  que  a  autoridade  julgadora  exclua  das  DCTF  apresentadas as receitas não operacionais (financeiras),  tendo por base a planilha anexa, a fim de adaptar à realidade as  declarações prestadas.  Pede o provimento integral do presente recurso...  É o relatório.   Indeferida a Manifestação de  Inconformidade apresentada, o órgão  julgador  de primeira instância sintetizou as razões para a procedência do crédito tributário na forma da  Ementa que segue:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Data do Fato Gerador: 14/02/2003  RESTITUIÇÃO.  PAGAMENTO  INDEVIDO  OU  A  MAIOR.  RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO.  Correto  o  Despacho  Decisório  que  indeferiu  o  pedido  de  restituição  por  inexistência de direito creditório,  tendo em vista que o pagamento alegado  como  origem  do  crédito  estava  integral  e  validamente  alocado  para  a  quitação de débito confessado.  Fl. 92DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA     4 BASE  DE  CÁLCULO.  INCONSTITUCIONALIDADE.  CARÁTER  INTER  PARTES.  É  perfeitamente  aplicável  a  disposição  §  1º  do  art.  3º  da  Lei  nº  9.718,  de  1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez  que o  julgamento do STF pela  inconstitucionalidade da ampliação da base  de  cálculo  contida  naquele  dispositivo  não  tem  efeito  erga  omnes,  só  atingindo as partes envolvidas.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido.  Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ em Curitiba –  DRJ/CTA, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos  apresentados  em  sua manifestação  de  inconformidade,  anexa  trechos  de  seus  livros Diário  e  Razão  nos  quais  constam  as  rubricas  de  receitas  financeiras,  requer  a  homologação  da  compensação  declarada  por  evidente  a  origem  do  crédito  e,  por  conseguinte,  o  direito  à  compensação do mesmo.  É o relatório.  Voto             Conselheiro  Waldir  Navarro  Bezerra,  redator  ad  hoc  designado  para  formalizar a decisão (fl. 89), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi,  não  mais  compõe  este  colegiado  e  que  a  respectiva  Turma  Especial  foi  extinta,  retratando  hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF,  aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015.  Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros  processos nessa situação tratamento diverso.  Preenchidos  os  pressupostos  de  admissibilidade  e  tempestivamente  interposto,  nos  termos  do  Decreto  nº  70.235/72,  conheço  do  Recurso  e  passo  à  análise  das  razões recursais.  Conforme  exposto  nas  linhas  acima,  a  Declaração  de  Compensação  da  Recorrente teve como causa a tributação indevida de PIS e COFINS sobre receitas financeiras,  especialmente diante da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da  Cofins  promovida  pela  Lei  nº  9.718/98,  tendo  em  vista  a  ausência  de  mandamento  constitucional  (ou,  doutra  maneira,  a  edição  de  Lei  Complementar  que  estabelecesse  novas  fontes de custeio da seguridade social) que validasse a incidência da contribuição em referência  sobre  receitas  financeiras  e  outras  receitas  operacionais,  não  inseridas  no  conceito  de  faturamento.  Como  bem  observado  pela  decisão  recorrida,  o  Tribunal  Pleno  da  Egrégia  Corte  examinou  os  Recursos  Extraordinários  nºs  346.084/PR,  358.273/RS,  357.950/RS  e  390.840/PR, declarando, incidentalmente e por maioria, a inconstitucionalidade do §1º do art.  3º da Lei nº 9.718/98, na forma da ementa assim redigida:  Fl. 93DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10930.907888/2011­27  Acórdão n.º 3802­004.187  S3­TE02  Fl. 92          5 "CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º,  §  1º, DA LEI  Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL  Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não  contempla a figura da constitucionalidade superveniente.  TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO.  A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a  impossibilidade  de  a  lei  tributária  alterar  a  definição,  o  conteúdo  e  o  alcance  de  consagrados  institutos,  conceitos  e  formas  de  direito  privado  utilizados  expressa  ou  implicitamente.  Sobrepõe­se  ao  aspecto  formal  o  princípio da realidade, considerados os elementos tributários.  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  PIS  RECEITA  BRUTA  NOÇÃO  INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98.  A  jurisprudência  do  Supremo,  ante  a  redação  do  artigo  195  da  Carta  Federal  anterior  à  Emenda  Constitucional  nº  20/98,  consolidou­se  no  sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas,  jungindo­as  à  venda  de  mercadorias,  de  serviços  ou  de  mercadorias  e  serviços. É  inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que  ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas  auferidas  por  pessoas  jurídicas,  independentemente  da  atividade  por  elas  desenvolvida  e  da  classificação  contábil  adotada.  (Supremo  Tribunal  Federal,  Tribunal  Pleno,  RE  346.084/PR,  Relator  Ministro  Ilmar  Galvão,  Julgamento 09/11/2005, Publicação 01/09/2006)."  Ainda que, como destacado pela DRJ, a decisão não tenha efeito erga omnes  à  luz  da  legislação  de  regência  das  decisões  exaradas  pelo  STF,  o  art.  62,  parágrafo  único,  inciso  I,  do  Regimento  Interno  do  CARF,  autoriza  este  Colegiado  a  afastar  a  aplicação  de  tratado, acordo internacional, lei ou decreto “que já tenha sido declarado inconstitucional por  decisão plenária definitiva do Superior Tribunal Federal”.  Ora, não é outra a hipótese do caso sob exame.  Portanto, sendo a observância do decisum proferido pelo STF facultada a este  órgão julgador, deve­se reconhecer o direito de a Recorrente pleitear a restituição do montante  indevidamente  recolhido  a  título  de  Cofins  em  virtude  da  aplicação  do  art.  3º  da  Lei  nº  9.718/98,  declarado  inconstitucional  pelo  STF,  em  consonância  com  o  repertório  jurisprudencial do CARF, do qual se traz, a título exemplificativo, a decisão adiante:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/02/1999 a 30/11/2002  DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. PRAZO.  Para os pedidos de restituição apresentados até o dia 08/06/2005, o direito  de pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente, ou  em valor maior que o devido, extingue­se com o decurso do prazo de cinco  Fl. 94DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA     6 anos, contados da data da homologação (tácita ou expressa) do pagamento  antecipado, nos casos de tributos lançados por homologação.  Observância ao princípio da segurança jurídica.  INCONSTITUCIONALIDADE.  DECISÃO  DEFINITIVA  DO  STF.  APLICAÇÃO  Tendo  o  plenário  do  STF  declarado,  de  forma  definitiva,  a  inconstitucionalidade  do  §  1º  do  art.  3º  da  Lei  nº  9.718/98,  deve  o CARF  aplicar esta decisão para reconhecer o direito à restituição das importâncias  pagas com fulcro no referido dispositivo legal.  PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. FORMULÁRIO IMPRESSO. AUSÊNCIA DE  IMPEDIMENTO NO PER/DCOMP. INADMISSIBILIDADE.  Sem que haja impedimento de utilização do sistema eletrônico, considera­se  não formulado o pedido de restituição apresentado em formulário impresso  após 29/09/2003.  Recurso Voluntário Provido em Parte.  (CARF,  3ª  Seção,  3ª  Câmara,  2ª  Turma  Ordinária,  RV  501572,  Acórdão  3302­001.245,  Relator  Conselheiro  Walber  José  da  Silva,  Julgamento  06/10/2011)"  Assim é que, em tese, assiste direito ao Recorrente.  No entanto, ultrapassada a questão de direito, torna­se fundamental apreciar a  matéria de prova.  No  caso  em  tela,  a  análise  da  prova  restou  prejudicada,  pois  a  DRJ  não  aceitou a planilha apresentada pelo Recorrente.  Como forma de fundamentar a planilha apresentada à época da manifestação,  o  contribuinte  apresentou  excertos  de  seus  livros  Diário  e  Razão  para  buscar  comprovar  o  direito de crédito indicado na planilha que anexou em sua primeira peça defensiva.  Tais documentos podem excepcionalmente ser  juntados aos autos, diante da  previsão  do  art.  16,  §  4o,  c,  do  RPAF,  que  permite  a  apresentação  de  documentos  posteriormente  à  peça  defensiva  inaugural  para  contrapor  razões  trazidas  em  momento  processual seguinte, pelo que se vê abaixo:  "§  4º  A  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação,  precluindo  o  direito de o impugnante fazê­lo em outro momento processual, a menos que:  a)  fique demonstrada a  impossibilidade de  sua apresentação oportuna, por  motivo de força maior;  b) refira­se a fato ou a direito superveniente;   c) destine­se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos."  Todavia,  a  análise  da  documentação  acostada  aos  autos  pode  levar  à  supressão de instância.   Fl. 95DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10930.907888/2011­27  Acórdão n.º 3802­004.187  S3­TE02  Fl. 93          7 Assim,  e  considerando  que  a  supressão  de  instância  somente  pode  ser  realizada se esta for favorável ao sujeito passivo, forte no art. 59, § 3º, do Decreto 70.235/72,  entendo que devem os autos  retornar para  julgamento da DRJ quanto à matéria de prova, de  modo a se averiguar a liquidez e certeza do crédito oferecido à compensação.  Nesse mesmo sentido já decidiu essa Eg. Turma Especial, no Acórdão 3802­ 001.857, de relatoria do Conselheiro Solon Sehn:  "ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE SOCIAL COFINS  Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002  COFINS.  BASE  DE  CÁLCULO.  ART.  3º,  §  1º,  DA  LEI  Nº  9.718/1998.  INCONSTITUCIONALIDADE  DE  DECLARADA  PELO  STF.  RECURSO  EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62­A  DO  REGIMENTO  INTERNO  DO  CARF.  OBRIGATORIEDADE  DE  REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO.  O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF  no  julgamento  do  RE  nº  346.084/PR  e  no  RE  nº  585.235/RG,  este  último  decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543­B).  Assim,  deve  ser  aplicado o  disposto  no  art.  62­A do Regimento  Interno  do  Carf,  o  que  implica  a  obrigatoriedade  do  reconhecimento  da  inconstitucionalidade do referido dispositivo legal.  COMPENSAÇÃO.  CRÉDITO  DECORRENTE  DA  DECLARAÇÃO  DE  INCONSTITUCIONALIDADE  DO  ART.  3º,  §  1º,  DA  LEI  Nº  9.718/1998.  MATÉRIA NÃO CONHECIDA NA INSTÂNCIA A QUO. PRELIMINAR QUE  IMPEDIU  O  CONHECIMENTO  DO  MÉRITO.  AFASTAMENTO.  RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA EXAME DA MATÉRIA.  A DRJ, ao acolher a questão prejudicial relacionada à incompetência para a  declaração de  inconstitucionalidade do art.  3º,  § 1º,  da Lei nº 9.718/1998,  não chegou a apreciar o mérito da existência do direito creditório, isto é, o  valor do crédito e do débito e outras circunstâncias relevantes ao desate da  questão,  inclusive  a  efetiva  inclusão  das  receitas  financeiras  na  base  de  cálculo  da  contribuição  no  período  alegado  pelo  interessado. Destarte,  os  autos devem retornar à DRJ para exame da matéria de mérito, sob pena de  supressão de instância.  Recurso Voluntário Provido em Parte.  Aguardando Nova Decisão."  No mesmo  sentido,  aplicáveis  à  espécie  os  soma­se os  nºs Acórdãos  3802­ 001.959 e 3802­001.960, de relatoria do Conselheiro Bruno Mauricio Macedo Curi.  Conclusão  Fl. 96DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA     8 Diante  de  todo  o  exposto,  conheço  do  Recurso  Voluntário  para  dar­lhe  provimento  parcial,  determinando­se  o  retorno  dos  autos  à  instância  a  quo,  para  fins  de  apreciação do mérito.  Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II  do RICARF/2015, subscrevo o presente.     (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc.                                Fl. 97DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA

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Numero do processo: 19515.722090/2011-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1402-000.283
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento a fim de que o recurso seja julgado em conjunto com aquele de que trata o processo nº 19515.000784/2010-84, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento o Conselheiro Rogério Aparecido Gil. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto, Paulo Roberto Cortez e Rogério Aparecido Gil. Relatório SANTHER - FÁBRICA DE PAPEL SANTA THEREZINHA S.A. recorre a este Conselho, com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 16-40.548 da 4ª Turma da Delegacia de Julgamento de São Paulo/SPI, que julgou improcedente a impugnação apresentada. Por bem refletir o litígio, adoto o relatório da decisão recorrida até aquela fase processual, complementando-o ao final: Em decorrência de ação fiscal levada a efeito junto ao estabelecimento do contribuinte acima identificado e, diante de irregularidades apuradas, foi lavrado Auto de Infração de IRPJ, por meio do qual constituiu-se crédito tributário no importe de R$10.668.348,02, aí incluídos os valores do imposto, da multa de ofício e dos juros de mora (estes calculados até 12/2011). 2. Em 05/12/2011, na DEFIS/SP foi lavrado Auto de Infração, em decorrência dos fatos narrados no Termo de Verificação Fiscal (TVF), que assim descreve, resumidamente. I. INTRODUÇÃO 2.1. No exercício regular das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB), procedemos à fiscalização do contribuinte acima identificado para verificar o cumprimento das obrigações tributárias concernentes ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica - IRPJ, do Exercício 2007, Ano-Calendário (AC) 2006, cuja programação versa sobre COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZOS FISCAIS. II. PROCEDIMENTOS FISCAIS 2.2. Analisando a DIPJ do AC 2006 verificamos que o contribuinte, em função de ter realizado a compensação de prejuízo integral de seu Lucro Líquido (Lucro Real), no valor de R$26.993.827,63, com os saldos dos Prejuízos Fiscais de anos anteriores, não apurou saldo de IRPJ a Pagar. A compensação de prejuízo não foi realizada com a observância do limite de 30% (trinta por cento), determinado pelo art. 42 da Lei n° 8981/95, c/c com o art. 15 da Lei n° 9.065/95 e com os arts. 247, 250, inciso II, 251, parágrafo único, e art. 510 do RIR/99 (aprovado pelo Decreto n° 3.000/99). 2.3. Aos 20/07/2011, o contribuinte foi intimado através do Termo de Início de Fiscalização a esclarecer esses fatos, tendo apresentado, aos 16/08/2011, resposta à exação em comento. 2.4. Em sua resposta, fez saber que por decisão judicial transitada em julgado (MS n° 95.003128-0 - Apelação n° 96.03.064612-1) possuía autorização para compensar integralmente seus prejuízos fiscais na apuração do lucro tributável, sem a observância do limite de 30% (trinta por cento), estabelecido na legislação de regência. Na ocasião procedeu à juntada de cópia autenticada dos documentos vinculados à ação judicial em epígrafe, e cópia do LALUR - Livro de Apuração do Lucro Real, do mesmo período. 2.5. Com base nessas informações e nos controles da Receita Federal do Brasil, verificamos que o valor do prejuízo fiscal compensado pelo contribuinte em 31/12/2006, referente ao Lucro Real do AC 2006, deu-se pela integralidade. 2.6. Analisamos a decisão judicial trazida aos autos do presente procedimento fiscal pelo contribuinte, sobre a qual se assentou para embasar a compensação integral do prejuízo fiscal acumulado, a saber: 2.6.1. Na petição inicial em Mandado de Segurança (n° 95.0031284-0), o contribuinte contestava a constitucionalidade de dispositivo contido na Lei 8.981/95 (conversão da Medida Provisória n° 891/94), que passou a limitar em 30% a compensação dos prejuízos fiscais acumulados até 31/12/1994, suprimindo-lhe o direito concedido pela legislação anterior, que permitia a compensação integral dos prejuízos em exercícios posteriores, limitada a até quatro anos (art. 12 da Lei 8.541/92); 2.6.2. Aos 11/04/1995, Juiz de Direito proferiu sentença concedendo a liminar pleiteada pelo contribuinte “a fim de assegurar, quanto ao Imposto de Renda, a compensação dos prejuízos fiscais acumulados até 1994, na forma da legislação em vigor anteriormente à edição da Medida Provisória n° 812/94, convertida na Lei n° 9.981/95” (fls. 50/51 do Processo n° 95.0031284-0). Grifo nosso. 2.6.3. Porém, em sentença proferida aos 15/08/1995, Juíza Federal denegou a Segurança alcançada pelo contribuinte em sede de liminar. 2.6.4. Aos 15/09/1995, o contribuinte apresentou recurso de apelação da sentença proferida aos 15/08/1995, autuado com o n° 174961 e Re. N° 96.03.064612-1. 2.6.5. Aos 26/08/1998, Desembargador Federal profere acórdão da 4ª Turma do Tribunal Regional Federal (TRF) da 3ª Região em que por unidade (sic) decide dar provimento à apelação apresentada pelo contribuinte. 2.6.6. Aos 09/12/1998, a União Federal, representada pela Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN), ingressa com Recurso Especial para o Superior Tribunal de Justiça (STJ) contra a decisão do TRF da 3ª Região. 2.6.7. Aos 09/12/1998, a União Federal, representada pela PFN, ingressa com Recurso Extraordinário para o Supremo Tribunal de Federal, contra a decisão do TRF da 3ª Região, junto ao Exmo. Juiz Presidente do Tribunal Regional Federal da Terceira Região. 2.6.8. Aos 20/03/2000, Desembargador Federal admite o Recurso Especial interposto pela PFN. Nessa mesma data, denega o Recurso Extraordinário. 2.6.9. Aos 28/11/2000, a Primeira Turma do STJ proferiu decisão no sentido de não conhecer do Recurso Especial apresentado pela PFN. 2.6.10. Por fim, a Certidão de Objeto e Pé, expedida pelo STJ, aos 29/06/2001 (fl. 203 do processo), diz textualmente que “examinados os autos do Recurso Especial n° 265755/SP, em que figuram como recorrente a Fazenda Nacional e como recorrida a Fábrica de Papel Santa Therezinha S/A, deles verificou constar o seguinte: 1- trata-se, originariamente, de Mandado de Segurança com pedido de liminar, impetrado pela recorrida perante a 4ª Vara Federal, Seção Judiciária do Estado de São Paulo, sob o número 95.0031284-0, contra o Sr. Delegado da Receita Federal em São Paulo - Leste, objetivando a concessão de segurança a fim de eximir-se da limitação imposta pelo art. 42 da Lei número 8.981/95, à compensação, a partir do exercício de 1995, dos prejuízos fiscais apurados em seu balanço contábil acumulados até 31 de dezembro de 1994; 2 - Certifica, finalmente, que a Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça, à unanimidade de votos, não conheceu do recurso, nos termo do voto do Relator, Exmo. Sr. Ministro Milton Luz Pereira, conforme acórdão de fls. 190/191, publicado no D.J.U. de 28/05/2001, que transitou em julgado. 2.7. De todo o exposto, depreende-se que o contribuinte obteve sentença favorável à compensação integral do seu prejuízo fiscal com o Lucro Real obtido, porém limitada aos prejuízos acumulados até 31/12/1994. 2.8. O saldo do prejuízo fiscal do AC de 2006, registrado na Parte B do LALUR, é de R$37.815.664,08. Na presente auditoria, verificamos a compensação integral do prejuízo fiscal, que a rigor é o valor correspondente ao Lucro Líquido na DIPJ, de R$26.993.827,63, conforme ajuste descrito anteriormente. 2.9. Tendo em vista que o saldo de prejuízo acumulado em 2006 não tem sua formação em período anterior a 31/12/1994, conforme informam os SAPLI 2004/2005/2006 (DOC OUTROS - SAPLI), a sua compensação sujeita-se à limitação imposta pelo art. 42 da Lei n° 8.981/95, c/c o art. 15 da lei n° 9.065/95 e o art. 247, art. 250, inciso II, art. 251, parágrafo único, e art. 510 do RIR/99, a saber: (...). III. INFRAÇÃO APURADA 2.10. Concluída a auditoria fiscal sobre a compensação de prejuízos fiscais efetuada pelo contribuinte no AC 2006, verificamos a ocorrência de infração à legislação tributária de regência pela compensação indevida da totalidade dos prejuízos fiscais acumulados até 31/12/2006, no valor de R$37.815.664,08, com o Lucro Real apurado no mesmo período. 2.11. Segundo a legislação, o valor máximo compensável seria de: 30% X R$26.993.827,63 (Lucro Real)= R$8.098.148,29. Compensação indevida: R$26.993.827,63 - R$8.098.148,29 = R$18.895.679.34 2.12. O valor de R$18.895.679,34 excedente de compensação, foi adicionado ao Lucro Real para fins de recomposição da sua base cálculo. IV. CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO 2.13. Efetuada a auditoria dos documentos acostados aos autos da presente ação fiscal até esta data, constatamos a prática de infração tributária tipificada como COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO OPERACIONAL SEM A OBSERVÂNCIA DO LIMITE DE 30%, pela compensação integral dos prejuízos fiscais acumulados até 31/12/2006 com o Lucro Real do mesmo período. 2.14. O crédito tributário devido, constituído pelo IRPJ, acrescido dos encargos legais, no montante de R$10.668.348,02, foi lançado mediante Processo de Auto de Infração, do qual este TVF e o Demonstrativo de Apuração fazem parte integrante. IV. INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES 2.15. Encerramos esta fiscalização restringindo a ação fiscal à verificação da COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO OPERACIONAL SEM A OBSERVÂNCIA DO LIMITE DE 30%. Fica resguardado o direito da Fazenda Nacional de efetuar outras verificações mais abrangentes no período examinado, inclusive nas aqui analisadas. 2.16. O presente Termo de Verificação Fiscal e demais documentos integrantes do Auto de Infração lavrado nesta data constituem o PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL n° 19515.77.090/2011-82. 2.17. E para constar e produzir os efeitos legais, lavra-se o presente Termo em 02 (duas) vias, de igual forma e teor, uma das quais é enviada ao contribuinte por via postal com Aviso de Recebimento - AR, conforme o disposto no art. 23 do Decreto n° 70.235/72, com redação alterada pela Lei n° 11.196/2005. 3. O contribuinte foi cientificado do teor do referido Auto de Infração em 12/12/2011 e, dele discordando, em 11/01/2012, por meio de sua advogada, impugnou-o, alegando, em síntese, o quanto segue. Dos fatos 3.1. Trata-se de Auto de Infração e Imposição de Multa lavrado sob o fundamento de “Compensação Indevida de Prejuízos Fiscais”, que constituiu crédito tributário de IRPJ (ano-base 2006) no valor total de R$10.668.348,02 pela glosa de compensação integral, supostamente indevida, de prejuízo fiscal decorrente da não observância ao limite de 30% fixado no art. 42 da Lei nº 8.981/95 e art. 15 da Lei n° 9.065/95. 3.2. Analisando a DIPJ do AC 2006, o AFRFB apurou que o contribuinte realizou a compensação integral supostamente indevida de seu LUCRO LÍQUIDO da ordem de R$26.993.827,63 com o saldo de PREJUÍZOS FISCAIS de anos anteriores. Com isso, não apurou IRPJ a pagar. 3.3. No entendimento do AFRFB, essa compensação não observou o limite de 30% (trinta por cento) determinado pelo artigo 42 da Lei n° 8.981/95 c/c ao artigo 15 da Lei n° 9.065/95 e os artigos 247, 250 (inciso II), 251 (§ único), e 510, todos do RIR/1999 (aprovado pelo Decreto n° 3.000/1999). 3.4. Ainda no curso da fiscalização, a IMPUGNANTE demonstrou que possui decisão judicial definitiva (transitada em julgado) que lhe assegura o direito de compensar integralmente seus prejuízos fiscais na apuração do lucro tributável sem observar o limite (30%) do artigo 42 da Lei 8.981/95. 3.5. Diante disso, o AFRFB passou a analisar minuciosamente a questão, especialmente os efeitos e limites da referida decisão judicial, proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 95.0031284-0 e Apelação em MS n° 96.03.064612-1. 3.6. No entender do AFRFB, a IMPUGNANTE teria supostamente obtido o direito de compensar integralmente apenas os prejuízos acumulados até 31.12.1994. Diante dessa equivocada conclusão, concluiu ter havido uma suposta diferença de compensação no valor de R$18.895.679,34, quando teria direito de compensar apenas R$8.098.148,29. 3.7. Tais justificativas foram extraídas das CONCLUSÕES DA FISCALIZAÇÃO no TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL, sendo, portanto, as premissas fáticas que amparam a malfadada autuação. 3.8. Data venia, o lançamento fiscal ora impugnado deve ser julgado improcedente na sua integralidade, o que se requer desde já, pelas razões de fato e de direito a seguir aduzidas. DAS RAZÕES DE IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO Dos efeitos da decisão judicial proferida no MS n° 95.0031284-0 (MAS n° 96.03.064612-1) 3.9. Não é verdade que a decisão judicial proferida em favor da IMPUGNANTE nos autos do MS n° 95.0031284-0 e AMS n° 96.03.064612-1 (DOC. 03), já transitada em julgado, afastou a limitação prevista no art. 15 da Lei 9.065/95 (art. 45 da Lei 8.981/95) somente em relação aos prejuízos fiscais apurados até 31.12.1994. 3.10. Essa afirmação decorre de mera interpretação pessoal e indevida do AFRFB. Inclusive, não cabe ao AFRFB essa tarefa de interpretar os efeitos da decisão judicial proferida, mas somente observá-la, assegurando-se o seu fiel cumprimento. 3.11. Caso houvesse restado alguma dúvida sobre o teor da referida decisão, cabia à parte interessada (União, por meio de sua Procuradoria) ter ofertado EMBARGOS DECLARATÓRIOS para sanar eventuais dúvidas (obscuridades) no julgado, o que não foi feito. 3.12. Note-se que, a própria Procuradoria da Fazenda Nacional não contestou os termos da decisão judicial transitada em julgado. Assim, não pode, agora, o AFRFB querer definir o alcance da decisão proferida pelo TRF. 3.13. Para fundamentar o falacioso argumento, o AFRFB cita que na Certidão de Objeto e Pé do referido mandado de segurança constou que o objeto da ação era eximir da limitação prevista no art. 42 da Lei n° 8.981/95, a partir do exercício 1995, a compensação do lucro tributável com os prejuízos fiscais ocorridos até 31.12.1994. 3.14. Contudo, tal relato, ainda que eventualmente conste da citada certidão, não reflete a realidade dos fatos! O pedido da impetração não se limitou a esse período. Na verdade, não há uma única referência feita pela IMPUGNANTE a esse período ao longo do curso daquele processo judicial. 3.15. Aliás, o AFRFB não se atreveu a relatar o que consta da decisão transitada em julgada, já que, esta sim, assegura à IMPUGNANTE o direito de não observar a limitação de 30% na compensação dos prejuízos fiscais apurados a partir de 1994 em diante. 3.16. Ao AFRFB não é dado determinar os limites e o alcance do que transitou em julgado, já que para tanto há que se conhecer o Código de Processo Civil, a Lei de Introdução ao Código Civil e, ainda, as regras de vigência e de eficácia da norma. Afinal, não se pode aplicar o que consta de uma Certidão de Objete e Pé em detrimento do que diz um acórdão transitado em julgado. 3.17. O acórdão proferido pelo E. TRF da 3a Região, nos autos do citado MS, deu provimento à APELAÇÃO da IMPUGNANTE sem qualquer ressalva e, por conseguinte, lhe assegurou o que constava do pedido do recurso, ou seja, afastou a limitação do art. 15 da Lei 9.065/95 (art. 45 da Lei 8.981/95) em relação aos prejuízos fiscais apurados em todos os exercícios, e não somente em relação aos apurados até 31.12.1994. 3.18. Na medida em que o Acórdão deu provimento integral à Apelação sem ressalvas, assim o fez em todos os seus termos, ou seja, nos termos do pedido. Desse modo, foi assegurado à IMPUGNANTE o direito de compensar os prejuízos fiscais na apuração do lucro fiscal, sem qualquer limitação. Traz Parecer em socorro de sua tese. 3.19. Ora, a limitação atacada se aplicou ao ano-base 1995 e seguintes e não se referia apenas aos prejuízos fiscais apurados até 31.12.1994. E foi exatamente isso que se pretendia afastar quando da impetração, o que foi assegurado. 3.20. Essa restrição (até o ano-base 1994) não está contemplada no pedido da IMPUGNANTE, e nem sequer foi apreciada ao longo do referido processo judicial. Por isso, a coisa julgada (decorrente daquela decisão judicial) não está limitada dessa forma, mesmo porque o provimento jurisdicional prestado pelo TRF foi no sentido de dar provimento à APELAÇÃO da IMPUGNANTE, em todos os seus termos e sem qualquer restrição, haja vista que acolheu todos os argumentos colacionados pela IMPUGNANTE, utilizando-os na fundamentação de sua decisão. 3.21. Veja-se que o AFRFB se apega a um erro material constante da Certidão de Objeto e Pé do processo, mas não leva em consideração o acórdão, tão pouco a sua fundamentação. 3.22. Desse modo, o entendimento do AFRFB acabou “criando” uma restrição no julgado que não existe, razão pela qual o lançamento deve ser julgado improcedente, o que se requer, para reconhecer a validade da compensação integral dos prejuízos fiscais. 3.23. E mais, não há nenhum sentido em limitar a compensação total aos prejuízos fiscais, pois a inconstitucionalidade reconhecida pela decisão do TRF foi com relação à materialidade da limitação, e não sobre seu prazo de aplicação. 3.24. Este decisório, como norma individual e concreta que é, conferiu a Impugnante o direito de compensar prejuízos fiscais acumulados em qualquer exercício, sem as restrições impostas e já mencionadas pelas leis em questão. Veja-se ementa deste venerando aresto: "TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE A RENDA. COMPENSAÇÃO DE LUCROS, NO BALANÇO FISCAL, COM PREJUÍZOS APURADOS EM PERÍODOS-BASE ANTERIORES. ABOLIÇÃO DA LIMITAÇÃO TEMPORAL DO ART. 12 DA LEI 8.541/92 (LEI 8.981/95, ART. 117, INC. I). CRIAÇÃO DE LIMITE DE 30% AO EXERCÍCIO DO DIREITO DE COMPENSAR (LEI 8.981/95, ART. 42). EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO DECORRENTE DE ILEGAL MORATÓRIA ‘PRO FISCO’, INSTITUÍDA PELO LEGISLADOR ORDINÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO DO CTN. II- TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. COMPENSAÇÃO DE LUCROS NO BALANÇO FISCAL, COM BASES NEGATIVAS APURADAS EM PERÍODOS-BASE ANTERIORES. ABOLIÇÃO DA LIMITAÇÃO TEMPORAL DO ART. 44, PARÁGRAFO ÚNICO, DA LEI N° 8.383/91 (LEI N° 8.981/95. ART. 117, INC. II). CRIAÇÃO DE LIMITE DE 30% AO EXERCÍCIO DO DIREITO DE COMPENSAR (LEI N° 8.981/95, ART. 58). EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO DECORRENTE DE ILEGAL MORATÓRIA ‘PRO FISCO’, INSTITUÍDA PELO LEGISLADOR ORDINÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO DO CTN. 1- TAL COMO FOI ESTABELECIDA NOS ARTS. 42 E 58 DA LEI N° 8.981/95 E AO DEPOIS REITERADA NOS ARTS. 15 E 16 DA LEI Nº 9.065/95, A LIMITAÇÃO PERCENTUAL DE 30% IMPOSTA À COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES NEGATIVAS - RESPECTIVAMENTE EM RELAÇÃO A IMPOSTO SOBRE A RENDA E À CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO - NÃO RESTRINGE O DIREITO DOS CONTRIBUINTES DE COMPENSAR INTEGRALMENTE UNS E OUTRAS COM OS LUCROS QUE VENHAM A SER APURADOS, MAS APENAS ESCALONA TEMPORALMENTE O EXERCÍCIO DESSE DIREITO. 2- A LEGISLAÇÃO DO IMPOSTO SOBRE A RENDA E A DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO ABOLIU O ESQUEMA DE LIMITAÇÃO TEMPORAL QUE TRADICIONALMENTE IMPUNHA A COMPENSAÇÃO DE LUCROS. NO BALANÇO FISCAL, COM PREJUÍZOS (IRPJ) E BASE NEGATIVAS (CSL) VERIFICADOS EM PERIODOS-BASE ANTERIORES. OS INCS. I E II DO ART. 117 DA MP N° 812/94 - CONVERTIDA NA LEI N° 8.981/95 - REVOGARAM EXPRESSAMENTE O ART. 12 A LEI 8.541/92 E O ARTIGO 44, PARÁGRAFO ÚNICO, DA LEI N° 8.383/91. RESPECTIVAMENTE - DAÍ RESULTANDO QUE TODO O ESTOQUE DE PREJUÍZOS QUE SE TENHA FORMADO A PARTIR DO BALANÇO FISCAL ( DE IRPJ E CSL) LEVANTADO EM 31 DE DEZEMBRO DE 1994 É. POR FORCA DE DIREITO ADQUIRIDO, PERMANENTEMENTE DOTADO DE COMPENSABILIDADE. INSUSCETÍVEL. POIS. DE EXTINÇÃO POR DECADÊNCIA. 3- A CRIAÇÃO DE NOVO ESQUEMA LIMITADOR, AGORA EM FUNÇÃO DA EXPRESSÃO ECONÔMICA ABSOLUTA DO LUCRO REAL APURADO, EQUIVALE À IMPOSIÇÃO DE EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO, POIS TAL RESTRIÇÃO NÃO GUARDA RELAÇÃO ALGUMA COM OS ELEMENTOS DA HIPÓTESE NORMATIVA E DA BASE DE CÁLCULO DOS TRIBUTOS REFERIDOS - IMPOSTO SOBRE A RENDA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. O LIMITE DE 30% INCIDE SOBRE A DISPONIBILIDADE DE UM DIREITO. E NÃO SOBRE O DIREITO MESMO, POIS NÃO FAZ SENÃO RESTRINGIR O FLUXO NORMAL DO EXERCÍCIO DESTE. AO LONGO DO TEMPO. POR ISSO, SUA INCIDÊNCIA IMPLICA APROPRIAÇÃO TEMPORÁRIA DE PARCELA DO PATRIMÔNIO DA EMPRESA, LEVADA A CABO SEM OBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS PREVISTOS NO ART. 148 DA CONSTITUIÇÃO. 4- DE MODO ANÁLOGO AO UTILIZADO NA DILAÇÃO IMPOSTA AOS CONTRIBUINTES PELO ART. 3°, INC. I, DA LEI 8.200/91, TAMBÉM TRADUZ IMPOSIÇÃO INVÁLIDA DE EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO A REFERIDA LIMITAÇÃO DE 30% PREVISTA NOS ARTS. 42 E 58 DA LEI N° 8.981/95 E REITERADA NOS ARTS. 15 E 16 DA LEI N° 9.065/95 (ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM REO MS N° 150.656, REL, N° 94.03.047561-7, J. 28.9.95; VER. TRF 3a REGIÃO, VOL. 24, P. 196 E SEGS.). 5- A LIMITAÇÃO DE 30% NO CASO IMPOSTA À COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. ANTES MESMO DE SE REVESTIR COMO INSÓLITO EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO, ERIGE-SE COMO ILEGAL SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DE UM CRÉDITO DO CONTRIBUINTE, À MEDIDA QUE COONESTA COGENTE PROCRASTINAÇÃO DO EXERCÍCIO DO RESPECTIVO DIREITO POR SEU LEGÍTIMO TITULAR. DESSE MODO, A RIGOR, INTRODUZ ILEGAL ESQUEMA DE MORATÓRIA NO DIREITO TRIBUTÁRIO - MODALIDADE DE MORATÓRIA EM FAVOR DO FISCO, NÃO AUTORIZADA PELO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL - EXATAMENTE O REVERSO DA MEDALHA DO INSTITUTO QUE, EXCLUSIVAMENTE EM FAVOR DO CONTRIBUINTE, VEM DISCIPLINADO NO ART. 151. INC. I. DA REFERIDA CODIFICAÇÃO. 6- APELAÇÃO PROVIDA." (AMS 0031284-16.1995.4.03.6100 - Publicado em 01/12/1998 do DJU – 4ª Turma - Des. Rel. Andrade Martins - destacamos) 3.25. Ora, como se verifica, a conclusão do Relator foi no sentido de que a limitação de 30% representa postergação do direito do contribuinte em favor do Fisco, e essa conclusão independe se era para o prejuízo gerado até 1994 ou aquele gerado posteriormente. 3.26. Assim, quando a Impugnante pede na inicial que “seja concedida, em definitivo, a segurança, confirmando a concessão da liminar, para ser garantido à impetrante o direito de compensar do Imposto sobre a Renda apurado neste exercício e em exercícios futuros os prejuízos acumulados sem qualquer limitação”, e o Acórdão (transitado em julgado) julga integralmente procedente o que fora pedido na petição inicial da impetração, está evidentemente garantido o direito da Impugnante em haver tal compensação sem qualquer limitação temporal. 3.27. Ou seja, os pedidos elaborados pela Impugnante naquela inicial têm por objetivo dois efeitos: (i) declaratório: consistente no reconhecimento do direito à compensação integral, em qualquer tempo e (ii) condenatório: impondo ao Fisco que se abstenha de qualquer ato tendente a impedir a compensação de prejuízos acumulados em montante superior a 30% do imposto apurado naquele exercício ou em exercícios futuros. 3.28. O fato de ter ocorrido o transito em julgado do decisório de segundo grau, é essencial para o fundamento da presente demanda. Isso porque a discussão, e o que restou determinado pela sentença, tornam-se indiscutível (sic) e sedimenta o direito que se colocou em debate. É o que leciona Paulo Henrique dos Santos Lucon, em parecer (DOC. 2) elaborado a respeito da Compensação em Matéria Tributária, Efeitos da Sentença e Coisa Julgada, às fls. 13 e 35, no qual analisou a eficácia do Acórdão citado em relação à compensação integral e a qualquer tempo: (...). "Para a coisa julgada, é relevante a conclusão da sentença que dispõe sobre os pedidos deduzidos, se obviamente presentes os pressupostos autorizadores para o seu julgamento. A autoridade da coisa julgada está restrita ao dispositivo da sentença, não abrangendo as motivos que serviram de suporte à decisão (CPC, art. 469). No entanto, a fundamentação permite a aferição do raio de alcance da parte dispositiva da sentença. O capítulo (ou capítulos) da sentença atinente ao dispositivo restará protegido independentemente do que foi alegado ou poderia ter sido alegado no processo de conhecimento (deduzido ou deduzível)." (...) A autoridade da coisa julgada ou imutabilidade da sentença nada mais é que um atributo a ela conferido. No momento em que aquilo que foi decidido na parte dispositiva da sentença se torna indiscutível, independentemente de seu conteúdo, há o fenômeno da coisa julgada. Assim é que a coisa julgada é essa qualidade (ou atributo) consistente na imutabilidade que a lei atribui ao conteúdo constante da parte dispositiva (conclusão da sentença em decorrência do trânsito em julgado. Toda sentença, seja ela terminativa ou de mérito, faz coisa julgada. (...)" (destacamos) 3.29. É essencial a compreensão do que foi pedido na inicial, para posteriormente reconhecer se houve ou não o seu provimento na sentença. Assim, é válida as lições do ilustre consultado professor Paulo Henrique dos Santos Lucon que em seu parecer (fls. 36) reitera que “a coisa julgada atinge o conteúdo decisório da sentença que se relaciona com os pedidos deduzidos, seja ele declaratório, constitutivo, condenatório ou mandamental. Já o trânsito em julgado nada mais é que um fato jurídico que gera a coisa julgada. Isto tudo em decorrência de terem sido utilizados todos os recursos cabíveis na legislação processual em vigor (esgotamento dos recursos) ou de não terem sido os recursos utilizados ou ainda, por terem sido utilizados sem a observância de seus requisitos de admissibilidade (não conhecimento do recurso)(...).”. 3.30. Nesta linha o Acórdão atendeu rigorosamente o pleito da Impugnante, vez que deferiu integralmente o que se requereu na inicial, na qual está expresso o pedido de compensação sem qualquer limite, e a qualquer tempo (pedido “b” da inicial - DOC. 1). 3.31. É descabido, por tais razões, o que alega a Impugnada quando conclui que a Impugnante obteve sentença favorável à compensação integral do seu prejuízo fiscal com o Lucro Real obtido, porém limitada aos prejuízos acumulados até 31/12/1994. 3.32. O Acórdão, como reiteradamente se demonstrou, se ateve com perfeição aos pedidos da Impugnante em realizar a compensação sem qualquer limite de tempo, pois deu total provimento aos pedidos elaborados pela Impugnante, em sua inicial. Ao afirmar daquela forma e proceder à lavratura do presente auto de infração, a Impugnada desconsidera os efeitos da coisa julgada, ignora a segurança jurídica, o Estado Democrático de Direito e a Constituição Federal (art. 5°, inciso XXXVI). 3.33. É neste contexto que se faz justificável a compensação integral dos prejuízos acumulados pela Impugnante em 2006, visto que ainda que se tenha acumulado em momento posterior à 31/12/1994, ou seja, quando já vigente as Leis 8.981/95 e 9.065/95, certo é que há decisório que lhe assegura tal proceder. 3.34. Não bastasse isso (o que por si só já é suficiente para demonstrar a improcedência da presente autuação), vale ressaltar que a discussão ora em tela já é objeto do PAF n° 13807.010641/2002-17, que atualmente aguarda julgamento. Assim, objetivando evitar decisões conflitantes, com fulcro nos arts. 103 a 105 do CPC (conexão/continência), requer-se preliminarmente o sobrestamento do presente processo até que aquele processo administrativo n° 13807.010641/2002-17 seja definitivamente julgado e concluído. Dos pedidos 3.35. Em face do exposto, a Impugnante respeitosamente requer seja a presente Impugnação conhecida e totalmente provida, para fins de declarar nulo o Auto de Infração, cancelando-se integralmente a exigência fiscal. A decisão recorrida julgou improcedente a impugnação, tendo sua ementa recebido a seguinte redação: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. ALCANCE. Correta a autuação, visto que a decisão transitada em julgado deferiu o pleito da Apelante no sentido de que esta pudesse se utilizar do saldo de prejuízo fiscal apurado em 31/12/1994, sem, no entanto, abarcar a possibilidade de utilização dos prejuízos fiscais verificados após tal data. Intimado da decisão em 22 de novembro de 2012 (fl. 513), a Interessada apresentou recurso voluntário em 07 de dezembro de 2012 (fls. 514-529). Em resumo, reafirma seus argumentos da impugnação, pugnando ainda pelo julgamento conjunto dos autos com o processo nº 13807.010641/2002-17 (pedido de restituição/declaração de compensação) e 19515.000784/2010-84, alegando em relação a este que haveria bis in idem, pois em tal processo (constituído anteriormente) também se exigiria IRPJ e CSLL em razão da não observância da trava de 30% em relação ao mesmo período de apuração, qual seja, o ano-calendário de 2006. A constitucionalidade artigos 42 e 58 da Lei nº 8.981/95, bem como dos artigos 15 e 16 da Lei nº 9.065/95, encontra-se sob análise do Supremo Tribunal Federal, que, na apreciação de admissibilidade do Recurso Extraordinário nº 591340, reconheceu a repercussão geral da matéria, nos termos dos art. 543-A e 543-B do Código de Processo Civil. Conforme relatado, trata-se de recurso voluntário que versa sobre a exigência de IRPJ e CSLL em razão de o contribuinte não ter observado a limitação de compensação de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL de períodos anteriores (30% do resultado tributável do período), a teor dos arts. 247, 250, inciso III, 251, parágrafo único, e 510 do RIR/99 (IRPJ) e artigo 2º e §§, da Lei nº 7.689/88 (CSLL), bem como artigos 42 e 58 da Lei nº 8.981/95 e artigos 15 e 16 da Lei nº 9.065/95. Sobre o reconhecimento de repercussão geral pelo STF, dispunha o Regimento Interno do CARF, em seu art. 62­A, § 1º que “Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543­B do Código de Processo Civil.” Diante de tal dispositivo regimental, o processo foi sobrestado até que sobreviesse pronunciamento do STF sobre o tema. Contudo, a Portaria MF 545, de 18 de novembro de 2013, revogou os dispositivos que determinavam o sobrestamento dos autos nos termos já referidos, possibilitando o prosseguimento do feito. É o relatório.
Nome do relator: Não se aplica

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento a fim de que o recurso seja julgado em conjunto com aquele de que trata o processo nº 19515.000784/2010-84, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento o Conselheiro Rogério Aparecido Gil. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto, Paulo Roberto Cortez e Rogério Aparecido Gil. Relatório SANTHER - FÁBRICA DE PAPEL SANTA THEREZINHA S.A. recorre a este Conselho, com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 16-40.548 da 4ª Turma da Delegacia de Julgamento de São Paulo/SPI, que julgou improcedente a impugnação apresentada. Por bem refletir o litígio, adoto o relatório da decisão recorrida até aquela fase processual, complementando-o ao final: Em decorrência de ação fiscal levada a efeito junto ao estabelecimento do contribuinte acima identificado e, diante de irregularidades apuradas, foi lavrado Auto de Infração de IRPJ, por meio do qual constituiu-se crédito tributário no importe de R$10.668.348,02, aí incluídos os valores do imposto, da multa de ofício e dos juros de mora (estes calculados até 12/2011). 2. Em 05/12/2011, na DEFIS/SP foi lavrado Auto de Infração, em decorrência dos fatos narrados no Termo de Verificação Fiscal (TVF), que assim descreve, resumidamente. I. INTRODUÇÃO 2.1. No exercício regular das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB), procedemos à fiscalização do contribuinte acima identificado para verificar o cumprimento das obrigações tributárias concernentes ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica - IRPJ, do Exercício 2007, Ano-Calendário (AC) 2006, cuja programação versa sobre COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZOS FISCAIS. II. PROCEDIMENTOS FISCAIS 2.2. Analisando a DIPJ do AC 2006 verificamos que o contribuinte, em função de ter realizado a compensação de prejuízo integral de seu Lucro Líquido (Lucro Real), no valor de R$26.993.827,63, com os saldos dos Prejuízos Fiscais de anos anteriores, não apurou saldo de IRPJ a Pagar. A compensação de prejuízo não foi realizada com a observância do limite de 30% (trinta por cento), determinado pelo art. 42 da Lei n° 8981/95, c/c com o art. 15 da Lei n° 9.065/95 e com os arts. 247, 250, inciso II, 251, parágrafo único, e art. 510 do RIR/99 (aprovado pelo Decreto n° 3.000/99). 2.3. Aos 20/07/2011, o contribuinte foi intimado através do Termo de Início de Fiscalização a esclarecer esses fatos, tendo apresentado, aos 16/08/2011, resposta à exação em comento. 2.4. Em sua resposta, fez saber que por decisão judicial transitada em julgado (MS n° 95.003128-0 - Apelação n° 96.03.064612-1) possuía autorização para compensar integralmente seus prejuízos fiscais na apuração do lucro tributável, sem a observância do limite de 30% (trinta por cento), estabelecido na legislação de regência. Na ocasião procedeu à juntada de cópia autenticada dos documentos vinculados à ação judicial em epígrafe, e cópia do LALUR - Livro de Apuração do Lucro Real, do mesmo período. 2.5. Com base nessas informações e nos controles da Receita Federal do Brasil, verificamos que o valor do prejuízo fiscal compensado pelo contribuinte em 31/12/2006, referente ao Lucro Real do AC 2006, deu-se pela integralidade. 2.6. Analisamos a decisão judicial trazida aos autos do presente procedimento fiscal pelo contribuinte, sobre a qual se assentou para embasar a compensação integral do prejuízo fiscal acumulado, a saber: 2.6.1. Na petição inicial em Mandado de Segurança (n° 95.0031284-0), o contribuinte contestava a constitucionalidade de dispositivo contido na Lei 8.981/95 (conversão da Medida Provisória n° 891/94), que passou a limitar em 30% a compensação dos prejuízos fiscais acumulados até 31/12/1994, suprimindo-lhe o direito concedido pela legislação anterior, que permitia a compensação integral dos prejuízos em exercícios posteriores, limitada a até quatro anos (art. 12 da Lei 8.541/92); 2.6.2. Aos 11/04/1995, Juiz de Direito proferiu sentença concedendo a liminar pleiteada pelo contribuinte “a fim de assegurar, quanto ao Imposto de Renda, a compensação dos prejuízos fiscais acumulados até 1994, na forma da legislação em vigor anteriormente à edição da Medida Provisória n° 812/94, convertida na Lei n° 9.981/95” (fls. 50/51 do Processo n° 95.0031284-0). Grifo nosso. 2.6.3. Porém, em sentença proferida aos 15/08/1995, Juíza Federal denegou a Segurança alcançada pelo contribuinte em sede de liminar. 2.6.4. Aos 15/09/1995, o contribuinte apresentou recurso de apelação da sentença proferida aos 15/08/1995, autuado com o n° 174961 e Re. N° 96.03.064612-1. 2.6.5. Aos 26/08/1998, Desembargador Federal profere acórdão da 4ª Turma do Tribunal Regional Federal (TRF) da 3ª Região em que por unidade (sic) decide dar provimento à apelação apresentada pelo contribuinte. 2.6.6. Aos 09/12/1998, a União Federal, representada pela Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN), ingressa com Recurso Especial para o Superior Tribunal de Justiça (STJ) contra a decisão do TRF da 3ª Região. 2.6.7. Aos 09/12/1998, a União Federal, representada pela PFN, ingressa com Recurso Extraordinário para o Supremo Tribunal de Federal, contra a decisão do TRF da 3ª Região, junto ao Exmo. Juiz Presidente do Tribunal Regional Federal da Terceira Região. 2.6.8. Aos 20/03/2000, Desembargador Federal admite o Recurso Especial interposto pela PFN. Nessa mesma data, denega o Recurso Extraordinário. 2.6.9. Aos 28/11/2000, a Primeira Turma do STJ proferiu decisão no sentido de não conhecer do Recurso Especial apresentado pela PFN. 2.6.10. Por fim, a Certidão de Objeto e Pé, expedida pelo STJ, aos 29/06/2001 (fl. 203 do processo), diz textualmente que “examinados os autos do Recurso Especial n° 265755/SP, em que figuram como recorrente a Fazenda Nacional e como recorrida a Fábrica de Papel Santa Therezinha S/A, deles verificou constar o seguinte: 1- trata-se, originariamente, de Mandado de Segurança com pedido de liminar, impetrado pela recorrida perante a 4ª Vara Federal, Seção Judiciária do Estado de São Paulo, sob o número 95.0031284-0, contra o Sr. Delegado da Receita Federal em São Paulo - Leste, objetivando a concessão de segurança a fim de eximir-se da limitação imposta pelo art. 42 da Lei número 8.981/95, à compensação, a partir do exercício de 1995, dos prejuízos fiscais apurados em seu balanço contábil acumulados até 31 de dezembro de 1994; 2 - Certifica, finalmente, que a Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça, à unanimidade de votos, não conheceu do recurso, nos termo do voto do Relator, Exmo. Sr. Ministro Milton Luz Pereira, conforme acórdão de fls. 190/191, publicado no D.J.U. de 28/05/2001, que transitou em julgado. 2.7. De todo o exposto, depreende-se que o contribuinte obteve sentença favorável à compensação integral do seu prejuízo fiscal com o Lucro Real obtido, porém limitada aos prejuízos acumulados até 31/12/1994. 2.8. O saldo do prejuízo fiscal do AC de 2006, registrado na Parte B do LALUR, é de R$37.815.664,08. Na presente auditoria, verificamos a compensação integral do prejuízo fiscal, que a rigor é o valor correspondente ao Lucro Líquido na DIPJ, de R$26.993.827,63, conforme ajuste descrito anteriormente. 2.9. Tendo em vista que o saldo de prejuízo acumulado em 2006 não tem sua formação em período anterior a 31/12/1994, conforme informam os SAPLI 2004/2005/2006 (DOC OUTROS - SAPLI), a sua compensação sujeita-se à limitação imposta pelo art. 42 da Lei n° 8.981/95, c/c o art. 15 da lei n° 9.065/95 e o art. 247, art. 250, inciso II, art. 251, parágrafo único, e art. 510 do RIR/99, a saber: (...). III. INFRAÇÃO APURADA 2.10. Concluída a auditoria fiscal sobre a compensação de prejuízos fiscais efetuada pelo contribuinte no AC 2006, verificamos a ocorrência de infração à legislação tributária de regência pela compensação indevida da totalidade dos prejuízos fiscais acumulados até 31/12/2006, no valor de R$37.815.664,08, com o Lucro Real apurado no mesmo período. 2.11. Segundo a legislação, o valor máximo compensável seria de: 30% X R$26.993.827,63 (Lucro Real)= R$8.098.148,29. Compensação indevida: R$26.993.827,63 - R$8.098.148,29 = R$18.895.679.34 2.12. O valor de R$18.895.679,34 excedente de compensação, foi adicionado ao Lucro Real para fins de recomposição da sua base cálculo. IV. CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO 2.13. Efetuada a auditoria dos documentos acostados aos autos da presente ação fiscal até esta data, constatamos a prática de infração tributária tipificada como COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO OPERACIONAL SEM A OBSERVÂNCIA DO LIMITE DE 30%, pela compensação integral dos prejuízos fiscais acumulados até 31/12/2006 com o Lucro Real do mesmo período. 2.14. O crédito tributário devido, constituído pelo IRPJ, acrescido dos encargos legais, no montante de R$10.668.348,02, foi lançado mediante Processo de Auto de Infração, do qual este TVF e o Demonstrativo de Apuração fazem parte integrante. IV. INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES 2.15. Encerramos esta fiscalização restringindo a ação fiscal à verificação da COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO OPERACIONAL SEM A OBSERVÂNCIA DO LIMITE DE 30%. Fica resguardado o direito da Fazenda Nacional de efetuar outras verificações mais abrangentes no período examinado, inclusive nas aqui analisadas. 2.16. O presente Termo de Verificação Fiscal e demais documentos integrantes do Auto de Infração lavrado nesta data constituem o PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL n° 19515.77.090/2011-82. 2.17. E para constar e produzir os efeitos legais, lavra-se o presente Termo em 02 (duas) vias, de igual forma e teor, uma das quais é enviada ao contribuinte por via postal com Aviso de Recebimento - AR, conforme o disposto no art. 23 do Decreto n° 70.235/72, com redação alterada pela Lei n° 11.196/2005. 3. O contribuinte foi cientificado do teor do referido Auto de Infração em 12/12/2011 e, dele discordando, em 11/01/2012, por meio de sua advogada, impugnou-o, alegando, em síntese, o quanto segue. Dos fatos 3.1. Trata-se de Auto de Infração e Imposição de Multa lavrado sob o fundamento de “Compensação Indevida de Prejuízos Fiscais”, que constituiu crédito tributário de IRPJ (ano-base 2006) no valor total de R$10.668.348,02 pela glosa de compensação integral, supostamente indevida, de prejuízo fiscal decorrente da não observância ao limite de 30% fixado no art. 42 da Lei nº 8.981/95 e art. 15 da Lei n° 9.065/95. 3.2. Analisando a DIPJ do AC 2006, o AFRFB apurou que o contribuinte realizou a compensação integral supostamente indevida de seu LUCRO LÍQUIDO da ordem de R$26.993.827,63 com o saldo de PREJUÍZOS FISCAIS de anos anteriores. Com isso, não apurou IRPJ a pagar. 3.3. No entendimento do AFRFB, essa compensação não observou o limite de 30% (trinta por cento) determinado pelo artigo 42 da Lei n° 8.981/95 c/c ao artigo 15 da Lei n° 9.065/95 e os artigos 247, 250 (inciso II), 251 (§ único), e 510, todos do RIR/1999 (aprovado pelo Decreto n° 3.000/1999). 3.4. Ainda no curso da fiscalização, a IMPUGNANTE demonstrou que possui decisão judicial definitiva (transitada em julgado) que lhe assegura o direito de compensar integralmente seus prejuízos fiscais na apuração do lucro tributável sem observar o limite (30%) do artigo 42 da Lei 8.981/95. 3.5. Diante disso, o AFRFB passou a analisar minuciosamente a questão, especialmente os efeitos e limites da referida decisão judicial, proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 95.0031284-0 e Apelação em MS n° 96.03.064612-1. 3.6. No entender do AFRFB, a IMPUGNANTE teria supostamente obtido o direito de compensar integralmente apenas os prejuízos acumulados até 31.12.1994. Diante dessa equivocada conclusão, concluiu ter havido uma suposta diferença de compensação no valor de R$18.895.679,34, quando teria direito de compensar apenas R$8.098.148,29. 3.7. Tais justificativas foram extraídas das CONCLUSÕES DA FISCALIZAÇÃO no TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL, sendo, portanto, as premissas fáticas que amparam a malfadada autuação. 3.8. Data venia, o lançamento fiscal ora impugnado deve ser julgado improcedente na sua integralidade, o que se requer desde já, pelas razões de fato e de direito a seguir aduzidas. DAS RAZÕES DE IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO Dos efeitos da decisão judicial proferida no MS n° 95.0031284-0 (MAS n° 96.03.064612-1) 3.9. Não é verdade que a decisão judicial proferida em favor da IMPUGNANTE nos autos do MS n° 95.0031284-0 e AMS n° 96.03.064612-1 (DOC. 03), já transitada em julgado, afastou a limitação prevista no art. 15 da Lei 9.065/95 (art. 45 da Lei 8.981/95) somente em relação aos prejuízos fiscais apurados até 31.12.1994. 3.10. Essa afirmação decorre de mera interpretação pessoal e indevida do AFRFB. Inclusive, não cabe ao AFRFB essa tarefa de interpretar os efeitos da decisão judicial proferida, mas somente observá-la, assegurando-se o seu fiel cumprimento. 3.11. Caso houvesse restado alguma dúvida sobre o teor da referida decisão, cabia à parte interessada (União, por meio de sua Procuradoria) ter ofertado EMBARGOS DECLARATÓRIOS para sanar eventuais dúvidas (obscuridades) no julgado, o que não foi feito. 3.12. Note-se que, a própria Procuradoria da Fazenda Nacional não contestou os termos da decisão judicial transitada em julgado. Assim, não pode, agora, o AFRFB querer definir o alcance da decisão proferida pelo TRF. 3.13. Para fundamentar o falacioso argumento, o AFRFB cita que na Certidão de Objeto e Pé do referido mandado de segurança constou que o objeto da ação era eximir da limitação prevista no art. 42 da Lei n° 8.981/95, a partir do exercício 1995, a compensação do lucro tributável com os prejuízos fiscais ocorridos até 31.12.1994. 3.14. Contudo, tal relato, ainda que eventualmente conste da citada certidão, não reflete a realidade dos fatos! O pedido da impetração não se limitou a esse período. Na verdade, não há uma única referência feita pela IMPUGNANTE a esse período ao longo do curso daquele processo judicial. 3.15. Aliás, o AFRFB não se atreveu a relatar o que consta da decisão transitada em julgada, já que, esta sim, assegura à IMPUGNANTE o direito de não observar a limitação de 30% na compensação dos prejuízos fiscais apurados a partir de 1994 em diante. 3.16. Ao AFRFB não é dado determinar os limites e o alcance do que transitou em julgado, já que para tanto há que se conhecer o Código de Processo Civil, a Lei de Introdução ao Código Civil e, ainda, as regras de vigência e de eficácia da norma. Afinal, não se pode aplicar o que consta de uma Certidão de Objete e Pé em detrimento do que diz um acórdão transitado em julgado. 3.17. O acórdão proferido pelo E. TRF da 3a Região, nos autos do citado MS, deu provimento à APELAÇÃO da IMPUGNANTE sem qualquer ressalva e, por conseguinte, lhe assegurou o que constava do pedido do recurso, ou seja, afastou a limitação do art. 15 da Lei 9.065/95 (art. 45 da Lei 8.981/95) em relação aos prejuízos fiscais apurados em todos os exercícios, e não somente em relação aos apurados até 31.12.1994. 3.18. Na medida em que o Acórdão deu provimento integral à Apelação sem ressalvas, assim o fez em todos os seus termos, ou seja, nos termos do pedido. Desse modo, foi assegurado à IMPUGNANTE o direito de compensar os prejuízos fiscais na apuração do lucro fiscal, sem qualquer limitação. Traz Parecer em socorro de sua tese. 3.19. Ora, a limitação atacada se aplicou ao ano-base 1995 e seguintes e não se referia apenas aos prejuízos fiscais apurados até 31.12.1994. E foi exatamente isso que se pretendia afastar quando da impetração, o que foi assegurado. 3.20. Essa restrição (até o ano-base 1994) não está contemplada no pedido da IMPUGNANTE, e nem sequer foi apreciada ao longo do referido processo judicial. Por isso, a coisa julgada (decorrente daquela decisão judicial) não está limitada dessa forma, mesmo porque o provimento jurisdicional prestado pelo TRF foi no sentido de dar provimento à APELAÇÃO da IMPUGNANTE, em todos os seus termos e sem qualquer restrição, haja vista que acolheu todos os argumentos colacionados pela IMPUGNANTE, utilizando-os na fundamentação de sua decisão. 3.21. Veja-se que o AFRFB se apega a um erro material constante da Certidão de Objeto e Pé do processo, mas não leva em consideração o acórdão, tão pouco a sua fundamentação. 3.22. Desse modo, o entendimento do AFRFB acabou “criando” uma restrição no julgado que não existe, razão pela qual o lançamento deve ser julgado improcedente, o que se requer, para reconhecer a validade da compensação integral dos prejuízos fiscais. 3.23. E mais, não há nenhum sentido em limitar a compensação total aos prejuízos fiscais, pois a inconstitucionalidade reconhecida pela decisão do TRF foi com relação à materialidade da limitação, e não sobre seu prazo de aplicação. 3.24. Este decisório, como norma individual e concreta que é, conferiu a Impugnante o direito de compensar prejuízos fiscais acumulados em qualquer exercício, sem as restrições impostas e já mencionadas pelas leis em questão. Veja-se ementa deste venerando aresto: "TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE A RENDA. COMPENSAÇÃO DE LUCROS, NO BALANÇO FISCAL, COM PREJUÍZOS APURADOS EM PERÍODOS-BASE ANTERIORES. ABOLIÇÃO DA LIMITAÇÃO TEMPORAL DO ART. 12 DA LEI 8.541/92 (LEI 8.981/95, ART. 117, INC. I). CRIAÇÃO DE LIMITE DE 30% AO EXERCÍCIO DO DIREITO DE COMPENSAR (LEI 8.981/95, ART. 42). EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO DECORRENTE DE ILEGAL MORATÓRIA ‘PRO FISCO’, INSTITUÍDA PELO LEGISLADOR ORDINÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO DO CTN. II- TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. COMPENSAÇÃO DE LUCROS NO BALANÇO FISCAL, COM BASES NEGATIVAS APURADAS EM PERÍODOS-BASE ANTERIORES. ABOLIÇÃO DA LIMITAÇÃO TEMPORAL DO ART. 44, PARÁGRAFO ÚNICO, DA LEI N° 8.383/91 (LEI N° 8.981/95. ART. 117, INC. II). CRIAÇÃO DE LIMITE DE 30% AO EXERCÍCIO DO DIREITO DE COMPENSAR (LEI N° 8.981/95, ART. 58). EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO DECORRENTE DE ILEGAL MORATÓRIA ‘PRO FISCO’, INSTITUÍDA PELO LEGISLADOR ORDINÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO DO CTN. 1- TAL COMO FOI ESTABELECIDA NOS ARTS. 42 E 58 DA LEI N° 8.981/95 E AO DEPOIS REITERADA NOS ARTS. 15 E 16 DA LEI Nº 9.065/95, A LIMITAÇÃO PERCENTUAL DE 30% IMPOSTA À COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES NEGATIVAS - RESPECTIVAMENTE EM RELAÇÃO A IMPOSTO SOBRE A RENDA E À CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO - NÃO RESTRINGE O DIREITO DOS CONTRIBUINTES DE COMPENSAR INTEGRALMENTE UNS E OUTRAS COM OS LUCROS QUE VENHAM A SER APURADOS, MAS APENAS ESCALONA TEMPORALMENTE O EXERCÍCIO DESSE DIREITO. 2- A LEGISLAÇÃO DO IMPOSTO SOBRE A RENDA E A DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO ABOLIU O ESQUEMA DE LIMITAÇÃO TEMPORAL QUE TRADICIONALMENTE IMPUNHA A COMPENSAÇÃO DE LUCROS. NO BALANÇO FISCAL, COM PREJUÍZOS (IRPJ) E BASE NEGATIVAS (CSL) VERIFICADOS EM PERIODOS-BASE ANTERIORES. OS INCS. I E II DO ART. 117 DA MP N° 812/94 - CONVERTIDA NA LEI N° 8.981/95 - REVOGARAM EXPRESSAMENTE O ART. 12 A LEI 8.541/92 E O ARTIGO 44, PARÁGRAFO ÚNICO, DA LEI N° 8.383/91. RESPECTIVAMENTE - DAÍ RESULTANDO QUE TODO O ESTOQUE DE PREJUÍZOS QUE SE TENHA FORMADO A PARTIR DO BALANÇO FISCAL ( DE IRPJ E CSL) LEVANTADO EM 31 DE DEZEMBRO DE 1994 É. POR FORCA DE DIREITO ADQUIRIDO, PERMANENTEMENTE DOTADO DE COMPENSABILIDADE. INSUSCETÍVEL. POIS. DE EXTINÇÃO POR DECADÊNCIA. 3- A CRIAÇÃO DE NOVO ESQUEMA LIMITADOR, AGORA EM FUNÇÃO DA EXPRESSÃO ECONÔMICA ABSOLUTA DO LUCRO REAL APURADO, EQUIVALE À IMPOSIÇÃO DE EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO, POIS TAL RESTRIÇÃO NÃO GUARDA RELAÇÃO ALGUMA COM OS ELEMENTOS DA HIPÓTESE NORMATIVA E DA BASE DE CÁLCULO DOS TRIBUTOS REFERIDOS - IMPOSTO SOBRE A RENDA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. O LIMITE DE 30% INCIDE SOBRE A DISPONIBILIDADE DE UM DIREITO. E NÃO SOBRE O DIREITO MESMO, POIS NÃO FAZ SENÃO RESTRINGIR O FLUXO NORMAL DO EXERCÍCIO DESTE. AO LONGO DO TEMPO. POR ISSO, SUA INCIDÊNCIA IMPLICA APROPRIAÇÃO TEMPORÁRIA DE PARCELA DO PATRIMÔNIO DA EMPRESA, LEVADA A CABO SEM OBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS PREVISTOS NO ART. 148 DA CONSTITUIÇÃO. 4- DE MODO ANÁLOGO AO UTILIZADO NA DILAÇÃO IMPOSTA AOS CONTRIBUINTES PELO ART. 3°, INC. I, DA LEI 8.200/91, TAMBÉM TRADUZ IMPOSIÇÃO INVÁLIDA DE EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO A REFERIDA LIMITAÇÃO DE 30% PREVISTA NOS ARTS. 42 E 58 DA LEI N° 8.981/95 E REITERADA NOS ARTS. 15 E 16 DA LEI N° 9.065/95 (ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM REO MS N° 150.656, REL, N° 94.03.047561-7, J. 28.9.95; VER. TRF 3a REGIÃO, VOL. 24, P. 196 E SEGS.). 5- A LIMITAÇÃO DE 30% NO CASO IMPOSTA À COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. ANTES MESMO DE SE REVESTIR COMO INSÓLITO EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO, ERIGE-SE COMO ILEGAL SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DE UM CRÉDITO DO CONTRIBUINTE, À MEDIDA QUE COONESTA COGENTE PROCRASTINAÇÃO DO EXERCÍCIO DO RESPECTIVO DIREITO POR SEU LEGÍTIMO TITULAR. DESSE MODO, A RIGOR, INTRODUZ ILEGAL ESQUEMA DE MORATÓRIA NO DIREITO TRIBUTÁRIO - MODALIDADE DE MORATÓRIA EM FAVOR DO FISCO, NÃO AUTORIZADA PELO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL - EXATAMENTE O REVERSO DA MEDALHA DO INSTITUTO QUE, EXCLUSIVAMENTE EM FAVOR DO CONTRIBUINTE, VEM DISCIPLINADO NO ART. 151. INC. I. DA REFERIDA CODIFICAÇÃO. 6- APELAÇÃO PROVIDA." (AMS 0031284-16.1995.4.03.6100 - Publicado em 01/12/1998 do DJU – 4ª Turma - Des. Rel. Andrade Martins - destacamos) 3.25. Ora, como se verifica, a conclusão do Relator foi no sentido de que a limitação de 30% representa postergação do direito do contribuinte em favor do Fisco, e essa conclusão independe se era para o prejuízo gerado até 1994 ou aquele gerado posteriormente. 3.26. Assim, quando a Impugnante pede na inicial que “seja concedida, em definitivo, a segurança, confirmando a concessão da liminar, para ser garantido à impetrante o direito de compensar do Imposto sobre a Renda apurado neste exercício e em exercícios futuros os prejuízos acumulados sem qualquer limitação”, e o Acórdão (transitado em julgado) julga integralmente procedente o que fora pedido na petição inicial da impetração, está evidentemente garantido o direito da Impugnante em haver tal compensação sem qualquer limitação temporal. 3.27. Ou seja, os pedidos elaborados pela Impugnante naquela inicial têm por objetivo dois efeitos: (i) declaratório: consistente no reconhecimento do direito à compensação integral, em qualquer tempo e (ii) condenatório: impondo ao Fisco que se abstenha de qualquer ato tendente a impedir a compensação de prejuízos acumulados em montante superior a 30% do imposto apurado naquele exercício ou em exercícios futuros. 3.28. O fato de ter ocorrido o transito em julgado do decisório de segundo grau, é essencial para o fundamento da presente demanda. Isso porque a discussão, e o que restou determinado pela sentença, tornam-se indiscutível (sic) e sedimenta o direito que se colocou em debate. É o que leciona Paulo Henrique dos Santos Lucon, em parecer (DOC. 2) elaborado a respeito da Compensação em Matéria Tributária, Efeitos da Sentença e Coisa Julgada, às fls. 13 e 35, no qual analisou a eficácia do Acórdão citado em relação à compensação integral e a qualquer tempo: (...). "Para a coisa julgada, é relevante a conclusão da sentença que dispõe sobre os pedidos deduzidos, se obviamente presentes os pressupostos autorizadores para o seu julgamento. A autoridade da coisa julgada está restrita ao dispositivo da sentença, não abrangendo as motivos que serviram de suporte à decisão (CPC, art. 469). No entanto, a fundamentação permite a aferição do raio de alcance da parte dispositiva da sentença. O capítulo (ou capítulos) da sentença atinente ao dispositivo restará protegido independentemente do que foi alegado ou poderia ter sido alegado no processo de conhecimento (deduzido ou deduzível)." (...) A autoridade da coisa julgada ou imutabilidade da sentença nada mais é que um atributo a ela conferido. No momento em que aquilo que foi decidido na parte dispositiva da sentença se torna indiscutível, independentemente de seu conteúdo, há o fenômeno da coisa julgada. Assim é que a coisa julgada é essa qualidade (ou atributo) consistente na imutabilidade que a lei atribui ao conteúdo constante da parte dispositiva (conclusão da sentença em decorrência do trânsito em julgado. Toda sentença, seja ela terminativa ou de mérito, faz coisa julgada. (...)" (destacamos) 3.29. É essencial a compreensão do que foi pedido na inicial, para posteriormente reconhecer se houve ou não o seu provimento na sentença. Assim, é válida as lições do ilustre consultado professor Paulo Henrique dos Santos Lucon que em seu parecer (fls. 36) reitera que “a coisa julgada atinge o conteúdo decisório da sentença que se relaciona com os pedidos deduzidos, seja ele declaratório, constitutivo, condenatório ou mandamental. Já o trânsito em julgado nada mais é que um fato jurídico que gera a coisa julgada. Isto tudo em decorrência de terem sido utilizados todos os recursos cabíveis na legislação processual em vigor (esgotamento dos recursos) ou de não terem sido os recursos utilizados ou ainda, por terem sido utilizados sem a observância de seus requisitos de admissibilidade (não conhecimento do recurso)(...).”. 3.30. Nesta linha o Acórdão atendeu rigorosamente o pleito da Impugnante, vez que deferiu integralmente o que se requereu na inicial, na qual está expresso o pedido de compensação sem qualquer limite, e a qualquer tempo (pedido “b” da inicial - DOC. 1). 3.31. É descabido, por tais razões, o que alega a Impugnada quando conclui que a Impugnante obteve sentença favorável à compensação integral do seu prejuízo fiscal com o Lucro Real obtido, porém limitada aos prejuízos acumulados até 31/12/1994. 3.32. O Acórdão, como reiteradamente se demonstrou, se ateve com perfeição aos pedidos da Impugnante em realizar a compensação sem qualquer limite de tempo, pois deu total provimento aos pedidos elaborados pela Impugnante, em sua inicial. Ao afirmar daquela forma e proceder à lavratura do presente auto de infração, a Impugnada desconsidera os efeitos da coisa julgada, ignora a segurança jurídica, o Estado Democrático de Direito e a Constituição Federal (art. 5°, inciso XXXVI). 3.33. É neste contexto que se faz justificável a compensação integral dos prejuízos acumulados pela Impugnante em 2006, visto que ainda que se tenha acumulado em momento posterior à 31/12/1994, ou seja, quando já vigente as Leis 8.981/95 e 9.065/95, certo é que há decisório que lhe assegura tal proceder. 3.34. Não bastasse isso (o que por si só já é suficiente para demonstrar a improcedência da presente autuação), vale ressaltar que a discussão ora em tela já é objeto do PAF n° 13807.010641/2002-17, que atualmente aguarda julgamento. Assim, objetivando evitar decisões conflitantes, com fulcro nos arts. 103 a 105 do CPC (conexão/continência), requer-se preliminarmente o sobrestamento do presente processo até que aquele processo administrativo n° 13807.010641/2002-17 seja definitivamente julgado e concluído. Dos pedidos 3.35. Em face do exposto, a Impugnante respeitosamente requer seja a presente Impugnação conhecida e totalmente provida, para fins de declarar nulo o Auto de Infração, cancelando-se integralmente a exigência fiscal. A decisão recorrida julgou improcedente a impugnação, tendo sua ementa recebido a seguinte redação: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. ALCANCE. Correta a autuação, visto que a decisão transitada em julgado deferiu o pleito da Apelante no sentido de que esta pudesse se utilizar do saldo de prejuízo fiscal apurado em 31/12/1994, sem, no entanto, abarcar a possibilidade de utilização dos prejuízos fiscais verificados após tal data. Intimado da decisão em 22 de novembro de 2012 (fl. 513), a Interessada apresentou recurso voluntário em 07 de dezembro de 2012 (fls. 514-529). Em resumo, reafirma seus argumentos da impugnação, pugnando ainda pelo julgamento conjunto dos autos com o processo nº 13807.010641/2002-17 (pedido de restituição/declaração de compensação) e 19515.000784/2010-84, alegando em relação a este que haveria bis in idem, pois em tal processo (constituído anteriormente) também se exigiria IRPJ e CSLL em razão da não observância da trava de 30% em relação ao mesmo período de apuração, qual seja, o ano-calendário de 2006. A constitucionalidade artigos 42 e 58 da Lei nº 8.981/95, bem como dos artigos 15 e 16 da Lei nº 9.065/95, encontra-se sob análise do Supremo Tribunal Federal, que, na apreciação de admissibilidade do Recurso Extraordinário nº 591340, reconheceu a repercussão geral da matéria, nos termos dos art. 543-A e 543-B do Código de Processo Civil. Conforme relatado, trata-se de recurso voluntário que versa sobre a exigência de IRPJ e CSLL em razão de o contribuinte não ter observado a limitação de compensação de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL de períodos anteriores (30% do resultado tributável do período), a teor dos arts. 247, 250, inciso III, 251, parágrafo único, e 510 do RIR/99 (IRPJ) e artigo 2º e §§, da Lei nº 7.689/88 (CSLL), bem como artigos 42 e 58 da Lei nº 8.981/95 e artigos 15 e 16 da Lei nº 9.065/95. Sobre o reconhecimento de repercussão geral pelo STF, dispunha o Regimento Interno do CARF, em seu art. 62­A, § 1º que “Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543­B do Código de Processo Civil.” Diante de tal dispositivo regimental, o processo foi sobrestado até que sobreviesse pronunciamento do STF sobre o tema. Contudo, a Portaria MF 545, de 18 de novembro de 2013, revogou os dispositivos que determinavam o sobrestamento dos autos nos termos já referidos, possibilitando o prosseguimento do feito. É o relatório.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722090/2011­82  Resolução nº  1402­000.283  S1­C4T2  Fl. 608          2 Relatório  SANTHER  ­  FÁBRICA  DE  PAPEL  SANTA  THEREZINHA  S.A.  recorre  a  este Conselho, com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do  acórdão nº 16­40.548 da 4ª Turma da Delegacia de Julgamento de São Paulo/SPI, que julgou  improcedente a impugnação apresentada.   Por bem refletir o litígio, adoto o relatório da decisão recorrida até aquela fase  processual, complementando­o ao final:  Em  decorrência  de  ação  fiscal  levada  a  efeito  junto  ao  estabelecimento do contribuinte acima identificado e, diante de irregularidades  apuradas, foi lavrado Auto de Infração de IRPJ, por meio do qual constituiu­se  crédito  tributário  no  importe  de  R$10.668.348,02,  aí  incluídos  os  valores  do  imposto, da multa de ofício e dos juros de mora (estes calculados até 12/2011).    2. Em 05/12/2011, na DEFIS/SP foi lavrado Auto de Infração, em  decorrência  dos  fatos  narrados  no  Termo  de  Verificação  Fiscal  (TVF),  que  assim descreve, resumidamente.    I. INTRODUÇÃO  2.1.  No  exercício  regular  das  funções  de  Auditor  Fiscal  da  Receita Federal do Brasil (AFRFB), procedemos à fiscalização do contribuinte  acima  identificado  para  verificar  o  cumprimento  das  obrigações  tributárias  concernentes ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica ­ IRPJ, do Exercício 2007,  Ano­Calendário  (AC)  2006,  cuja  programação  versa  sobre  COMPENSAÇÃO  INDEVIDA DE PREJUÍZOS FISCAIS.    II. PROCEDIMENTOS FISCAIS  2.2.  Analisando  a  DIPJ  do  AC  2006  verificamos  que  o  contribuinte, em função de ter realizado a compensação de prejuízo integral de  seu Lucro Líquido  (Lucro Real),  no  valor  de R$26.993.827,63,  com os  saldos  dos Prejuízos Fiscais de anos anteriores, não apurou saldo de IRPJ a Pagar. A  compensação de prejuízo não foi realizada com a observância do limite de 30%  (trinta por cento), determinado pelo art. 42 da Lei n° 8981/95, c/c com o art. 15  da Lei n° 9.065/95 e com os arts. 247, 250,  inciso  II, 251, parágrafo único, e  art. 510 do RIR/99 (aprovado pelo Decreto n° 3.000/99).    2.3.  Aos  20/07/2011,  o  contribuinte  foi  intimado  através  do  Termo  de  Início  de  Fiscalização  a  esclarecer  esses  fatos,  tendo  apresentado,  aos 16/08/2011, resposta à exação em comento.     2.4.  Em  sua  resposta,  fez  saber  que  por  decisão  judicial  transitada  em  julgado  (MS  n°  95.003128­0  ­  Apelação  n°  96.03.064612­1)  possuía  autorização  para  compensar  integralmente  seus  prejuízos  fiscais  na  apuração do  lucro  tributável,  sem a observância do  limite de 30%  (trinta por  cento), estabelecido na legislação de regência. Na ocasião procedeu à juntada  de cópia autenticada dos documentos vinculados à ação judicial em epígrafe, e  cópia do LALUR ­ Livro de Apuração do Lucro Real, do mesmo período.    Fl. 608DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722090/2011­82  Resolução nº  1402­000.283  S1­C4T2  Fl. 609          3 2.5.  Com  base  nessas  informações  e  nos  controles  da  Receita  Federal do Brasil, verificamos que o valor do prejuízo fiscal compensado pelo  contribuinte em 31/12/2006, referente ao Lucro Real do AC 2006, deu­se pela  integralidade.    2.6. Analisamos a decisão judicial trazida aos autos do presente  procedimento fiscal pelo contribuinte, sobre a qual se assentou para embasar a  compensação integral do prejuízo fiscal acumulado, a saber:    2.6.1.  Na  petição  inicial  em  Mandado  de  Segurança  (n°  95.0031284­0),  o  contribuinte  contestava  a  constitucionalidade  de  dispositivo  contido  na  Lei  8.981/95  (conversão  da  Medida  Provisória  n°  891/94),  que  passou a limitar em 30% a compensação dos prejuízos fiscais acumulados até  31/12/1994,  suprimindo­lhe  o  direito  concedido  pela  legislação  anterior,  que  permitia  a  compensação  integral  dos  prejuízos  em  exercícios  posteriores,  limitada a até quatro anos (art. 12 da Lei 8.541/92);    2.6.2.  Aos  11/04/1995,  Juiz  de  Direito  proferiu  sentença  concedendo a  liminar pleiteada pelo contribuinte “a  fim de assegurar, quanto  ao  Imposto  de  Renda,  a  compensação  dos  prejuízos  fiscais  acumulados  até  1994,  na  forma  da  legislação  em  vigor  anteriormente  à  edição  da  Medida  Provisória n° 812/94, convertida na Lei n° 9.981/95” (fls. 50/51 do Processo n°  95.0031284­0). Grifo nosso.    2.6.3. Porém, em sentença proferida aos 15/08/1995, Juíza  Federal denegou a Segurança alcançada pelo contribuinte em sede de liminar.    2.6.4. Aos 15/09/1995, o contribuinte apresentou recurso de  apelação da sentença proferida aos 15/08/1995, autuado com o n° 174961 e Re.  N° 96.03.064612­1.    2.6.5.  Aos  26/08/1998,  Desembargador  Federal  profere  acórdão da 4ª Turma do Tribunal Regional Federal (TRF) da 3ª Região em que  por  unidade  (sic)  decide  dar  provimento  à  apelação  apresentada  pelo  contribuinte.    2.6.6. Aos 09/12/1998, a União Federal, representada pela  Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN), ingressa com Recurso Especial para  o Superior Tribunal de Justiça (STJ) contra a decisão do TRF da 3ª Região.    2.6.7. Aos 09/12/1998, a União Federal, representada pela  PFN,  ingressa  com  Recurso  Extraordinário  para  o  Supremo  Tribunal  de  Federal, contra a decisão do TRF da 3ª Região, junto ao Exmo. Juiz Presidente  do Tribunal Regional Federal da Terceira Região.    2.6.8.  Aos  20/03/2000,  Desembargador  Federal  admite  o  Recurso Especial  interposto  pela PFN. Nessa mesma  data,  denega  o Recurso  Extraordinário.    2.6.9.  Aos  28/11/2000,  a Primeira  Turma  do  STJ  proferiu  decisão no sentido de não conhecer do Recurso Especial apresentado pela PFN.    Fl. 609DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722090/2011­82  Resolução nº  1402­000.283  S1­C4T2  Fl. 610          4 2.6.10. Por  fim, a Certidão de Objeto  e Pé,  expedida pelo  STJ, aos 29/06/2001 (fl. 203 do processo), diz textualmente que “examinados os  autos  do Recurso Especial  n°  265755/SP,  em  que  figuram  como  recorrente  a  Fazenda Nacional e como recorrida a Fábrica de Papel Santa Therezinha S/A,  deles verificou constar o seguinte: 1­ trata­se, originariamente, de Mandado de  Segurança com pedido de liminar, impetrado pela recorrida perante a 4ª Vara  Federal, Seção Judiciária do Estado de São Paulo, sob o número 95.0031284­0,  contra o Sr. Delegado da Receita Federal em São Paulo ­ Leste, objetivando a  concessão de segurança a fim de eximir­se da limitação imposta pelo art. 42 da  Lei  número  8.981/95,  à  compensação,  a  partir  do  exercício  de  1995,  dos  prejuízos  fiscais  apurados  em  seu  balanço  contábil  acumulados  até  31  de  dezembro de 1994; 2 ­ Certifica, finalmente, que a Primeira Turma do Superior  Tribunal  de  Justiça,  à  unanimidade  de  votos,  não  conheceu  do  recurso,  nos  termo  do  voto  do  Relator,  Exmo.  Sr.  Ministro  Milton  Luz  Pereira,  conforme  acórdão de fls. 190/191, publicado no D.J.U. de 28/05/2001, que transitou em  julgado.    2.7. De  todo  o  exposto,  depreende­se  que  o  contribuinte  obteve  sentença favorável à compensação integral do seu prejuízo fiscal com o Lucro  Real obtido, porém limitada aos prejuízos acumulados até 31/12/1994.    2.8.  O  saldo  do  prejuízo  fiscal  do  AC  de  2006,  registrado  na  Parte B do LALUR, é de R$37.815.664,08. Na presente auditoria, verificamos a  compensação  integral do prejuízo  fiscal, que a rigor é o valor correspondente  ao  Lucro  Líquido  na  DIPJ,  de  R$26.993.827,63,  conforme  ajuste  descrito  anteriormente.     2.9. Tendo em vista que o saldo de prejuízo acumulado em 2006  não tem sua formação em período anterior a 31/12/1994, conforme informam os  SAPLI 2004/2005/2006 (DOC OUTROS ­ SAPLI), a sua compensação sujeita­ se à  limitação  imposta pelo art. 42 da Lei n° 8.981/95, c/c o art. 15 da  lei n°  9.065/95 e o art. 247, art. 250, inciso II, art. 251, parágrafo único, e art. 510 do  RIR/99, a saber: (...).    III. INFRAÇÃO APURADA  2.10.  Concluída  a  auditoria  fiscal  sobre  a  compensação  de  prejuízos  fiscais  efetuada  pelo  contribuinte  no  AC  2006,  verificamos  a  ocorrência  de  infração  à  legislação  tributária  de  regência  pela  compensação  indevida  da  totalidade  dos  prejuízos  fiscais  acumulados  até  31/12/2006,  no  valor de R$37.815.664,08, com o Lucro Real apurado no mesmo período.     2.11.  Segundo  a  legislação,  o  valor  máximo  compensável  seria  de:   30% X R$26.993.827,63 (Lucro Real)= R$8.098.148,29.  Compensação indevida:  R$26.993.827,63 ­ R$8.098.148,29 = R$18.895.679.34    2.12. O valor de R$18.895.679,34 excedente de compensação, foi  adicionado ao Lucro Real para fins de recomposição da sua base cálculo.  IV. CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO  Fl. 610DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722090/2011­82  Resolução nº  1402­000.283  S1­C4T2  Fl. 611          5 2.13. Efetuada a auditoria dos documentos acostados aos autos  da presente ação  fiscal  até  esta  data,  constatamos  a  prática  de  infração  tributária  tipificada  como  COMPENSAÇÃO  DE  PREJUÍZO  OPERACIONAL  SEM  A  OBSERVÂNCIA DO LIMITE DE 30%, pela compensação integral dos prejuízos  fiscais acumulados até 31/12/2006 com o Lucro Real do mesmo período.    2.14.  O  crédito  tributário  devido,  constituído  pelo  IRPJ,  acrescido  dos  encargos  legais,  no  montante  de  R$10.668.348,02,  foi  lançado  mediante Processo de Auto de Infração, do qual este TVF e o Demonstrativo de  Apuração fazem parte integrante.    IV. INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES  2.15.  Encerramos  esta  fiscalização  restringindo  a  ação  fiscal  à  verificação  da  COMPENSAÇÃO  DE  PREJUÍZO  OPERACIONAL  SEM  A  OBSERVÂNCIA DO LIMITE DE 30%. Fica resguardado o direito da Fazenda  Nacional  de  efetuar  outras  verificações  mais  abrangentes  no  período  examinado, inclusive nas aqui analisadas.     2.16.  O  presente  Termo  de  Verificação  Fiscal  e  demais  documentos  integrantes  do  Auto  de  Infração  lavrado  nesta  data  constituem  o  PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL n° 19515.77.090/2011­82.    2.17.  E  para  constar  e  produzir  os  efeitos  legais,  lavra­se  o  presente  Termo  em  02  (duas)  vias,  de  igual  forma  e  teor,  uma  das  quais  é  enviada  ao  contribuinte  por  via  postal  com  Aviso  de  Recebimento  ­  AR,  conforme o disposto no art. 23 do Decreto n° 70.235/72, com redação alterada  pela Lei n° 11.196/2005.     3.  O  contribuinte  foi  cientificado  do  teor  do  referido  Auto  de  Infração em 12/12/2011 e, dele discordando, em 11/01/2012, por meio de sua  advogada, impugnou­o, alegando, em síntese, o quanto segue.     Dos fatos  3.1. Trata­se de Auto de Infração e Imposição de Multa lavrado  sob  o  fundamento  de  “Compensação  Indevida  de  Prejuízos  Fiscais”,  que  constituiu  crédito  tributário  de  IRPJ  (ano­base  2006)  no  valor  total  de  R$10.668.348,02 pela  glosa  de  compensação  integral,  supostamente  indevida,  de prejuízo fiscal decorrente da não observância ao limite de 30% fixado no art.  42 da Lei nº 8.981/95 e art. 15 da Lei n° 9.065/95.  3.2.  Analisando  a  DIPJ  do  AC  2006,  o  AFRFB  apurou  que  o  contribuinte  realizou  a  compensação  integral  supostamente  indevida  de  seu  LUCRO LÍQUIDO da ordem de R$26.993.827,63 com o saldo de PREJUÍZOS  FISCAIS de anos anteriores. Com isso, não apurou IRPJ a pagar.    3.3.  No  entendimento  do  AFRFB,  essa  compensação  não  observou o limite de 30% (trinta por cento) determinado pelo artigo 42 da Lei  n° 8.981/95 c/c ao artigo 15 da Lei n° 9.065/95 e os artigos 247, 250 (inciso II),  251  (§  único),  e  510,  todos  do  RIR/1999  (aprovado  pelo  Decreto  n°  3.000/1999).    Fl. 611DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722090/2011­82  Resolução nº  1402­000.283  S1­C4T2  Fl. 612          6 3.4.  Ainda  no  curso  da  fiscalização,  a  IMPUGNANTE  demonstrou que possui  decisão  judicial  definitiva  (transitada em  julgado) que  lhe  assegura  o  direito  de  compensar  integralmente  seus  prejuízos  fiscais  na  apuração do lucro tributável sem observar o limite  (30%) do artigo 42 da Lei  8.981/95.    3.5. Diante disso, o AFRFB passou a analisar minuciosamente a  questão,  especialmente  os  efeitos  e  limites  da  referida  decisão  judicial,  proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 95.0031284­0 e Apelação em  MS n° 96.03.064612­1.    3.6.  No  entender  do  AFRFB,  a  IMPUGNANTE  teria  supostamente obtido o direito de compensar integralmente apenas os prejuízos  acumulados até  31.12.1994. Diante  dessa  equivocada  conclusão,  concluiu  ter  havido  uma  suposta  diferença  de  compensação  no  valor  de R$18.895.679,34,  quando teria direito de compensar apenas R$8.098.148,29.    3.7.  Tais  justificativas  foram  extraídas  das  CONCLUSÕES  DA  FISCALIZAÇÃO no TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL,  sendo, portanto, as  premissas fáticas que amparam a malfadada autuação.     3.8.  Data  venia,  o  lançamento  fiscal  ora  impugnado  deve  ser  julgado  improcedente  na  sua  integralidade,  o  que  se  requer  desde  já,  pelas  razões de fato e de direito a seguir aduzidas.     DAS RAZÕES DE IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO  Dos efeitos da decisão judicial proferida no MS n° 95.0031284­0 (MAS  n° 96.03.064612­1)  3.9. Não é verdade que a decisão judicial proferida em favor da  IMPUGNANTE  nos  autos  do MS  n°  95.0031284­0  e  AMS  n°  96.03.064612­1  (DOC. 03), já transitada em julgado, afastou a limitação prevista no art. 15 da  Lei 9.065/95 (art. 45 da Lei 8.981/95) somente em relação aos prejuízos fiscais  apurados até 31.12.1994.    3.10.  Essa  afirmação  decorre  de  mera  interpretação  pessoal  e  indevida do AFRFB. Inclusive, não cabe ao AFRFB essa  tarefa de interpretar  os efeitos da decisão judicial proferida, mas somente observá­la, assegurando­ se o seu fiel cumprimento.    3.11.  Caso  houvesse  restado  alguma  dúvida  sobre  o  teor  da  referida  decisão,  cabia  à  parte  interessada  (União,  por  meio  de  sua  Procuradoria)  ter  ofertado  EMBARGOS  DECLARATÓRIOS  para  sanar  eventuais dúvidas (obscuridades) no julgado, o que não foi feito.    3.12. Note­se que, a própria Procuradoria da Fazenda Nacional  não contestou os termos da decisão judicial  transitada em julgado. Assim, não  pode, agora, o AFRFB querer definir o alcance da decisão proferida pelo TRF.    3.13.  Para  fundamentar  o  falacioso  argumento,  o  AFRFB  cita  que na Certidão de Objeto e Pé do referido mandado de segurança constou que  o objeto da ação era eximir da limitação prevista no art. 42 da Lei n° 8.981/95,  Fl. 612DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722090/2011­82  Resolução nº  1402­000.283  S1­C4T2  Fl. 613          7 a partir do exercício 1995, a compensação do lucro tributável com os prejuízos  fiscais ocorridos até 31.12.1994.    3.14.  Contudo,  tal  relato,  ainda  que  eventualmente  conste  da  citada certidão, não reflete a realidade dos fatos! O pedido da impetração não  se  limitou a esse período. Na verdade, não há uma única referência  feita pela  IMPUGNANTE a esse período ao longo do curso daquele processo judicial.     3.15. Aliás,  o AFRFB não  se  atreveu  a  relatar o  que  consta  da  decisão  transitada em  julgada,  já que,  esta  sim, assegura à  IMPUGNANTE o  direito  de  não  observar  a  limitação  de  30%  na  compensação  dos  prejuízos  fiscais apurados a partir de 1994 em diante.    3.16. Ao AFRFB não é dado determinar os limites e o alcance do  que  transitou  em  julgado,  já  que  para  tanto  há  que  se  conhecer  o Código  de  Processo  Civil,  a  Lei  de  Introdução  ao  Código  Civil  e,  ainda,  as  regras  de  vigência  e de  eficácia da norma. Afinal,  não  se pode aplicar o que consta de  uma Certidão de Objete e Pé em detrimento do que diz um acórdão transitado  em julgado.    3.17. O acórdão proferido pelo E. TRF da 3a Região, nos autos  do citado MS, deu provimento à APELAÇÃO da IMPUGNANTE sem qualquer  ressalva e, por conseguinte, lhe assegurou o que constava do pedido do recurso,  ou seja, afastou a limitação do art. 15 da Lei 9.065/95 (art. 45 da Lei 8.981/95)  em  relação  aos  prejuízos  fiscais  apurados  em  todos  os  exercícios,  e  não  somente em relação aos apurados até 31.12.1994.    3.18.  Na  medida  em  que  o  Acórdão  deu  provimento  integral  à  Apelação  sem  ressalvas,  assim  o  fez  em  todos  os  seus  termos,  ou  seja,  nos  termos  do  pedido. Desse modo,  foi  assegurado à  IMPUGNANTE o  direito  de  compensar  os  prejuízos  fiscais  na  apuração  do  lucro  fiscal,  sem  qualquer  limitação. Traz Parecer em socorro de sua tese.    3.19.  Ora,  a  limitação  atacada  se  aplicou  ao  ano­base  1995  e  seguintes e não se referia apenas aos prejuízos fiscais apurados até 31.12.1994.  E foi exatamente isso que se pretendia afastar quando da impetração, o que foi  assegurado.    3.20. Essa restrição (até o ano­base 1994) não está contemplada  no pedido da IMPUGNANTE, e nem sequer foi apreciada ao longo do referido  processo  judicial.  Por  isso,  a  coisa  julgada  (decorrente  daquela  decisão  judicial)  não  está  limitada  dessa  forma,  mesmo  porque  o  provimento  jurisdicional prestado pelo TRF foi no sentido de dar provimento à APELAÇÃO  da  IMPUGNANTE,  em  todos  os  seus  termos  e  sem  qualquer  restrição,  haja  vista  que  acolheu  todos  os  argumentos  colacionados  pela  IMPUGNANTE,  utilizando­os na fundamentação de sua decisão.    3.21.  Veja­se  que  o  AFRFB  se  apega  a  um  erro  material  constante  da  Certidão  de  Objeto  e  Pé  do  processo,  mas  não  leva  em  consideração o acórdão, tão pouco a sua fundamentação.     Fl. 613DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722090/2011­82  Resolução nº  1402­000.283  S1­C4T2  Fl. 614          8 3.22. Desse modo, o entendimento do AFRFB acabou “criando”  uma restrição no julgado que não existe, razão pela qual o lançamento deve ser  julgado  improcedente,  o  que  se  requer,  para  reconhecer  a  validade  da  compensação integral dos prejuízos fiscais.    3.23. E mais, não há nenhum sentido em limitar a compensação  total  aos  prejuízos  fiscais,  pois  a  inconstitucionalidade  reconhecida  pela  decisão do TRF foi com relação à materialidade da limitação, e não sobre seu  prazo de aplicação.    3.24.  Este  decisório,  como  norma  individual  e  concreta  que  é,  conferiu a Impugnante o direito de compensar prejuízos fiscais acumulados em  qualquer exercício, sem as restrições impostas e já mencionadas pelas  leis em  questão. Veja­se ementa deste venerando aresto:  "TRIBUTÁRIO.  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA.  COMPENSAÇÃO  DE  LUCROS,  NO  BALANÇO  FISCAL,  COM  PREJUÍZOS  APURADOS  EM  PERÍODOS­BASE  ANTERIORES. ABOLIÇÃO DA LIMITAÇÃO TEMPORAL DO ART. 12 DA LEI 8.541/92  (LEI 8.981/95, ART. 117, INC. I). CRIAÇÃO DE LIMITE DE 30% AO EXERCÍCIO DO  DIREITO DE COMPENSAR (LEI 8.981/95, ART. 42). EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO  DECORRENTE  DE  ILEGAL  MORATÓRIA  ‘PRO  FISCO’,  INSTITUÍDA  PELO  LEGISLADOR ORDINÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO DO CTN.  II­ TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. COMPENSAÇÃO DE  LUCROS  NO  BALANÇO  FISCAL,  COM  BASES  NEGATIVAS  APURADAS  EM  PERÍODOS­BASE ANTERIORES. ABOLIÇÃO DA LIMITAÇÃO TEMPORAL DO ART.  44, PARÁGRAFO ÚNICO, DA LEI N° 8.383/91  (LEI N°  8.981/95. ART. 117,  INC.  II).  CRIAÇÃO DE LIMITE DE 30% AO EXERCÍCIO DO DIREITO DE COMPENSAR (LEI  N°  8.981/95,  ART.  58).  EMPRÉSTIMO  COMPULSÓRIO DECORRENTE DE  ILEGAL  MORATÓRIA  ‘PRO  FISCO’,  INSTITUÍDA  PELO  LEGISLADOR  ORDINÁRIO  SEM  AUTORIZAÇÃO DO CTN.  1­ TAL COMO FOI ESTABELECIDA NOS ARTS. 42 E 58 DA LEI N° 8.981/95 E AO  DEPOIS  REITERADA  NOS  ARTS.  15  E  16  DA  LEI  Nº  9.065/95,  A  LIMITAÇÃO  PERCENTUAL DE 30% IMPOSTA À COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS  E  BASES  NEGATIVAS  ­  RESPECTIVAMENTE  EM  RELAÇÃO  A  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  E  À  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  SOBRE  O  LUCRO  ­  NÃO  RESTRINGE  O  DIREITO  DOS  CONTRIBUINTES  DE  COMPENSAR  INTEGRALMENTE  UNS  E  OUTRAS  COM  OS  LUCROS  QUE  VENHAM  A  SER  APURADOS,  MAS  APENAS  ESCALONA  TEMPORALMENTE  O  EXERCÍCIO  DESSE DIREITO.  2­  A  LEGISLAÇÃO  DO  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  E  A  DA  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL SOBRE O LUCRO ABOLIU O ESQUEMA DE LIMITAÇÃO TEMPORAL  QUE  TRADICIONALMENTE  IMPUNHA  A  COMPENSAÇÃO  DE  LUCROS.  NO  BALANÇO  FISCAL,  COM  PREJUÍZOS  (IRPJ)  E  BASE  NEGATIVAS  (CSL)  VERIFICADOS EM PERIODOS­BASE ANTERIORES.  OS  INCS.  I  E  II DO ART.  117  DA  MP  N°  812/94  ­  CONVERTIDA  NA  LEI  N°  8.981/95  ­  REVOGARAM  EXPRESSAMENTE  O  ART.  12  A  LEI  8.541/92  E  O  ARTIGO  44,  PARÁGRAFO  ÚNICO,  DA  LEI  N°  8.383/91.  RESPECTIVAMENTE  ­  DAÍ  RESULTANDO  QUE  TODO O ESTOQUE DE PREJUÍZOS QUE SE TENHA FORMADO A PARTIR DO  BALANÇO FISCAL ( DE IRPJ E CSL) LEVANTADO EM 31 DE DEZEMBRO DE  1994  É.  POR  FORCA  DE  DIREITO  ADQUIRIDO,  PERMANENTEMENTE  DOTADO  DE  COMPENSABILIDADE.  INSUSCETÍVEL.  POIS.  DE  EXTINÇÃO  POR DECADÊNCIA.   3­  A  CRIAÇÃO  DE  NOVO  ESQUEMA  LIMITADOR,  AGORA  EM  FUNÇÃO  DA  EXPRESSÃO  ECONÔMICA  ABSOLUTA  DO  LUCRO  REAL  APURADO,  EQUIVALE  À  IMPOSIÇÃO  DE  EMPRÉSTIMO  COMPULSÓRIO,  POIS  TAL  RESTRIÇÃO  NÃO  GUARDA  RELAÇÃO  ALGUMA  COM  OS  ELEMENTOS  DA  HIPÓTESE  NORMATIVA  E  DA  BASE  DE  CÁLCULO  DOS  TRIBUTOS  REFERIDOS ­ IMPOSTO SOBRE A RENDA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE  Fl. 614DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722090/2011­82  Resolução nº  1402­000.283  S1­C4T2  Fl. 615          9 O  LUCRO.  O  LIMITE  DE  30%  INCIDE  SOBRE  A  DISPONIBILIDADE  DE  UM  DIREITO.  E  NÃO  SOBRE  O  DIREITO  MESMO,  POIS  NÃO  FAZ  SENÃO  RESTRINGIR  O  FLUXO  NORMAL  DO  EXERCÍCIO  DESTE.  AO  LONGO  DO  TEMPO. POR ISSO, SUA INCIDÊNCIA IMPLICA APROPRIAÇÃO TEMPORÁRIA  DE  PARCELA  DO  PATRIMÔNIO  DA  EMPRESA,  LEVADA  A  CABO  SEM  OBSERVÂNCIA  DOS  REQUISITOS  PREVISTOS  NO  ART.  148  DA  CONSTITUIÇÃO.  4­  DE  MODO  ANÁLOGO  AO  UTILIZADO  NA  DILAÇÃO  IMPOSTA  AOS  CONTRIBUINTES  PELO  ART.  3°,  INC.  I,  DA  LEI  8.200/91,  TAMBÉM  TRADUZ  IMPOSIÇÃO  INVÁLIDA  DE  EMPRÉSTIMO  COMPULSÓRIO  A  REFERIDA  LIMITAÇÃO  DE  30%  PREVISTA  NOS  ARTS.  42  E  58  DA  LEI  N°  8.981/95  E  REITERADA  NOS  ARTS.  15  E  16  DA  LEI  N°  9.065/95  (ARGUIÇÃO  DE  INCONSTITUCIONALIDADE  EM  REO  MS  N°  150.656,  REL,  N°  94.03.047561­7,  J.  28.9.95; VER. TRF 3a REGIÃO, VOL. 24, P. 196 E SEGS.).  5­  A  LIMITAÇÃO  DE  30%  NO  CASO  IMPOSTA  À  COMPENSAÇÃO  DE  PREJUÍZOS.  ANTES  MESMO  DE  SE  REVESTIR  COMO  INSÓLITO  EMPRÉSTIMO  COMPULSÓRIO,  ERIGE­SE  COMO  ILEGAL  SUSPENSÃO  DA  EXIGIBILIDADE  DE  UM  CRÉDITO  DO  CONTRIBUINTE,  À  MEDIDA  QUE  COONESTA  COGENTE  PROCRASTINAÇÃO  DO  EXERCÍCIO  DO  RESPECTIVO  DIREITO  POR  SEU  LEGÍTIMO TITULAR. DESSE MODO, A RIGOR, INTRODUZ ILEGAL ESQUEMA DE  MORATÓRIA  NO  DIREITO  TRIBUTÁRIO  ­ MODALIDADE  DE  MORATÓRIA  EM  FAVOR  DO  FISCO,  NÃO  AUTORIZADA  PELO  CÓDIGO  TRIBUTÁRIO  NACIONAL ­ EXATAMENTE O REVERSO DA MEDALHA DO INSTITUTO QUE,  EXCLUSIVAMENTE EM FAVOR DO CONTRIBUINTE, VEM DISCIPLINADO NO  ART. 151. INC. I. DA REFERIDA CODIFICAÇÃO.   6­ APELAÇÃO PROVIDA."  (AMS 0031284­16.1995.4.03.6100 ­ Publicado em 01/12/1998 do DJU – 4ª Turma ­ Des.  Rel. Andrade Martins ­ destacamos)    3.25. Ora, como se verifica, a conclusão do Relator foi no sentido  de  que a  limitação  de 30%  representa  postergação do  direito  do  contribuinte  em favor do Fisco, e essa conclusão  independe se era para o prejuízo gerado  até 1994 ou aquele gerado posteriormente.    3.26.  Assim,  quando  a  Impugnante  pede  na  inicial  que  “seja  concedida,  em  definitivo,  a  segurança,  confirmando  a  concessão  da  liminar,  para  ser  garantido  à  impetrante  o  direito  de  compensar  do  Imposto  sobre  a  Renda apurado neste exercício e em exercícios futuros os prejuízos acumulados  sem  qualquer  limitação”,  e  o  Acórdão  (transitado  em  julgado)  julga  integralmente procedente o que  fora pedido na  petição  inicial  da  impetração,  está  evidentemente  garantido  o  direito  da  Impugnante  em  haver  tal  compensação sem qualquer limitação temporal.    3.27. Ou  seja,  os  pedidos  elaborados  pela  Impugnante  naquela  inicial  têm  por  objetivo  dois  efeitos:  (i)  declaratório:  consistente  no  reconhecimento  do  direito  à  compensação  integral,  em  qualquer  tempo  e  (ii)  condenatório:  impondo  ao  Fisco  que  se  abstenha  de  qualquer  ato  tendente  a  impedir a compensação de prejuízos acumulados em montante superior a 30%  do imposto apurado naquele exercício ou em exercícios futuros.    3.28. O fato de ter ocorrido o transito em julgado do decisório de  segundo grau, é essencial para o fundamento da presente demanda. Isso porque  a discussão,  e o que restou determinado pela  sentença,  tornam­se  indiscutível  (sic)  e  sedimenta  o  direito  que  se  colocou  em  debate.  É  o  que  leciona  Paulo  Henrique  dos  Santos  Lucon,  em  parecer  (DOC.  2)  elaborado  a  respeito  da  Fl. 615DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722090/2011­82  Resolução nº  1402­000.283  S1­C4T2  Fl. 616          10 Compensação em Matéria Tributária, Efeitos da Sentença e Coisa Julgada, às  fls.  13  e  35,  no  qual  analisou  a  eficácia  do  Acórdão  citado  em  relação  à  compensação integral e a qualquer tempo: (...).   "Para a coisa julgada, é relevante a conclusão da sentença que dispõe sobre os pedidos  deduzidos, se obviamente presentes os pressupostos autorizadores para o seu julgamento.  A autoridade da coisa julgada está restrita ao dispositivo da sentença, não abrangendo  as  motivos  que  serviram  de  suporte  à  decisão  (CPC,  art.  469).  No  entanto,  a  fundamentação permite a aferição do raio de alcance da parte dispositiva da sentença. O  capítulo  (ou  capítulos)  da  sentença  atinente  ao  dispositivo  restará  protegido  independentemente  do  que  foi  alegado  ou  poderia  ter  sido  alegado  no  processo  de  conhecimento (deduzido ou deduzível)."  (...)  A autoridade da coisa julgada ou imutabilidade da sentença nada mais é que um atributo  a  ela  conferido. No momento  em que  aquilo  que  foi  decidido na  parte  dispositiva  da  sentença se torna indiscutível, independentemente de seu conteúdo, há o fenômeno da  coisa julgada.   Assim é que a coisa julgada é essa qualidade (ou atributo) consistente na imutabilidade  que a lei atribui ao conteúdo constante da parte dispositiva (conclusão da sentença em  decorrência do trânsito em julgado. Toda sentença, seja ela terminativa ou de mérito,  faz coisa julgada. (...)"  (destacamos)    3.29.  É  essencial  a  compreensão  do  que  foi  pedido  na  inicial,  para posteriormente reconhecer se houve ou não o seu provimento na sentença.  Assim,  é  válida  as  lições  do  ilustre  consultado  professor Paulo Henrique  dos  Santos Lucon que em seu parecer (fls. 36) reitera que “a coisa julgada atinge o  conteúdo decisório da sentença que se relaciona com os pedidos deduzidos, seja  ele declaratório,  constitutivo,  condenatório ou mandamental.  Já o  trânsito  em  julgado nada mais é que um fato jurídico que gera a coisa julgada. Isto tudo em  decorrência  de  terem  sido  utilizados  todos  os  recursos  cabíveis  na  legislação  processual  em  vigor  (esgotamento  dos  recursos)  ou  de  não  terem  sido  os  recursos  utilizados  ou  ainda,  por  terem  sido  utilizados  sem  a  observância  de  seus requisitos de admissibilidade (não conhecimento do recurso)(...).”.  3.30. Nesta  linha  o Acórdão  atendeu  rigorosamente  o  pleito  da  Impugnante, vez que deferiu integralmente o que se requereu na inicial, na qual  está  expresso  o  pedido  de  compensação  sem  qualquer  limite,  e  a  qualquer  tempo (pedido “b” da inicial ­ DOC. 1).    3.31.  É  descabido,  por  tais  razões,  o  que  alega  a  Impugnada  quando  conclui  que  a  Impugnante  obteve  sentença  favorável  à  compensação  integral  do  seu  prejuízo  fiscal  com  o  Lucro  Real  obtido,  porém  limitada  aos  prejuízos acumulados até 31/12/1994.    3.32. O Acórdão,  como  reiteradamente  se  demonstrou,  se  ateve  com  perfeição  aos  pedidos  da  Impugnante  em  realizar  a  compensação  sem  qualquer  limite  de  tempo,  pois  deu  total  provimento  aos  pedidos  elaborados  pela  Impugnante,  em  sua  inicial.  Ao  afirmar  daquela  forma  e  proceder  à  lavratura do presente auto de infração, a Impugnada desconsidera os efeitos da  coisa julgada, ignora a segurança jurídica, o Estado Democrático de Direito e  a Constituição Federal (art. 5°, inciso XXXVI).    3.33.  É  neste  contexto  que  se  faz  justificável  a  compensação  integral  dos  prejuízos  acumulados  pela  Impugnante  em 2006,  visto  que  ainda  Fl. 616DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722090/2011­82  Resolução nº  1402­000.283  S1­C4T2  Fl. 617          11 que se tenha acumulado em momento posterior à 31/12/1994, ou seja, quando  já  vigente  as  Leis  8.981/95  e  9.065/95,  certo  é  que  há  decisório  que  lhe  assegura tal proceder.    3.34.  Não  bastasse  isso  (o  que  por  si  só  já  é  suficiente  para  demonstrar  a  improcedência  da  presente  autuação),  vale  ressaltar  que  a  discussão  ora  em  tela  já  é  objeto  do  PAF  n°  13807.010641/2002­17,  que  atualmente aguarda julgamento. Assim, objetivando evitar decisões conflitantes,  com  fulcro  nos  arts.  103  a  105  do  CPC  (conexão/continência),  requer­se  preliminarmente  o  sobrestamento  do  presente  processo  até  que  aquele  processo administrativo n° 13807.010641/2002­17 seja definitivamente julgado  e concluído.    Dos pedidos  3.35. Em face do exposto, a  Impugnante respeitosamente requer  seja  a  presente  Impugnação  conhecida  e  totalmente  provida,  para  fins  de  declarar  nulo  o  Auto  de  Infração,  cancelando­se  integralmente  a  exigência  fiscal.    A  decisão  recorrida  julgou  improcedente  a  impugnação,  tendo  sua  ementa  recebido a seguinte redação:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2006  DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. ALCANCE.  Correta  a  autuação,  visto  que  a  decisão  transitada  em  julgado  deferiu  o  pleito  da  Apelante  no  sentido  de  que  esta  pudesse  se  utilizar do saldo de prejuízo fiscal apurado em 31/12/1994, sem,  no  entanto,  abarcar  a  possibilidade  de  utilização  dos  prejuízos  fiscais verificados após tal data.   Intimado  da  decisão  em  22  de  novembro  de  2012  (fl.  513),  a  Interessada  apresentou recurso voluntário em 07 de dezembro de 2012 (fls. 514­529). Em resumo, reafirma  seus argumentos da  impugnação, pugnando ainda pelo  julgamento conjunto dos autos com o  processo  nº  13807.010641/2002­17  (pedido  de  restituição/declaração  de  compensação)  e  19515.000784/2010­84,  alegando  em  relação  a  este  que  haveria  bis  in  idem,  pois  em  tal  processo  (constituído  anteriormente)  também  se  exigiria  IRPJ  e  CSLL  em  razão  da  não  observância  da  trava  de  30%  em  relação  ao mesmo  período  de  apuração,  qual  seja,  o  ano­ calendário de 2006.  A constitucionalidade artigos 42 e 58 da Lei nº 8.981/95, bem como dos artigos  15  e  16  da  Lei  nº  9.065/95,  encontra­se  sob  análise  do  Supremo  Tribunal  Federal,  que,  na  apreciação de admissibilidade do Recurso Extraordinário nº 591340, reconheceu a repercussão  geral da matéria, nos termos dos art. 543­A e 543­B do Código de Processo Civil.  Conforme relatado, trata­se de recurso voluntário que versa sobre a exigência de  IRPJ  e CSLL  em  razão  de  o  contribuinte  não  ter observado  a  limitação  de  compensação  de  prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL de períodos anteriores (30% do resultado tributável  do período), a teor dos arts. 247, 250, inciso III, 251, parágrafo único, e 510 do RIR/99 (IRPJ)  Fl. 617DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722090/2011­82  Resolução nº  1402­000.283  S1­C4T2  Fl. 618          12 e artigo 2º e §§, da Lei nº 7.689/88 (CSLL), bem como artigos 42 e 58 da Lei nº 8.981/95 e  artigos 15 e 16 da Lei nº 9.065/95.   Sobre o reconhecimento de repercussão geral pelo STF, dispunha o Regimento  Interno do CARF, em seu art. 62­A, § 1º que “Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos  sempre  que  o  STF  também  sobrestar  o  julgamento  dos  recursos  extraordinários  da  mesma  matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543­B do Código de Processo Civil.”  Diante  de  tal  dispositivo  regimental,  o  processo  foi  sobrestado  até  que  sobreviesse pronunciamento do STF sobre o tema.  Contudo,  a  Portaria  MF  545,  de  18  de  novembro  de  2013,  revogou  os  dispositivos  que  determinavam  o  sobrestamento  dos  autos  nos  termos  já  referidos,  possibilitando o prosseguimento do feito.  É o relatório.  Fl. 618DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722090/2011­82  Resolução nº  1402­000.283  S1­C4T2  Fl. 619          13   Voto  Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator.  O  recurso  voluntário  é  tempestivo  e  preenche  os  demais  pressupostos  de  admissibilidade, dele, portanto, tomo conhecimento.  A exigência diz respeito a débitos de IRPJ e CSLL relativos ao ano­calendário  de 2006 em razão da não observância da  trava de 30% para compensação de prejuízos/bases  negativas de CSLL de períodos anteriores.  No mérito, alega a Recorrente que a decisão transitada em julgado nos autos do  Mandado  de  Segurança  nº  95.0031284­0  assegura­lhe  o  direito  de  não  observância  de  tal  restrição.  Preliminarmente, aduz a Interessada que os presentes autos devem ser julgados  em conjunto com os processos números 13807.010641/2002­17 e 19515.000784/2010­84. Em  relação ao primeiro processo, requer, subsidiariamente, o sobrestamento dos presentes autos até  o julgamento daquele.  Consultando a situação processual na data da sessão de julgamentos, constata­se  que  tais  autos  aguardam  distribuição  para  relator,  encontrando­se  no  setor  competente  para  tanto (SECOJ).  Passo à análise das preliminares.  No que tange ao processo número 13807.010641/2002­17, entendo não assistir  razão à Recorrente. Isso porque os autos dizem respeito a pedido de reconhecimento de saldos  negativos relativos aos anos­calendário de 1997 a 2002 e, portanto, não se relacionam com o  período  de  apuração  dos  presentes  autos,  limitando­se,  no  máximo  a  tratar  da  melhor  interpretação da decisão judicial em comento, em que, eventual divergência, poderá ensejar o  manejo  de  recurso  especial. Considerando­se  que  os  cálculos  realizados  pelo  contribuinte  já  levam em consideração a compensação de 100% dos resultados apurados em todos os períodos  a que dizem respeito ambos os autos, os efeitos de eventual decisão favorável ao contribuinte  no recurso voluntário daquele processo não acarretará qualquer alteração material na presente  exigência. Assim sendo, rejeito o pedido de julgamento conjunto de tais feitos. Pelas mesmas  razões, não há que se falar em sobrestamento dos presentes autos para se aguardar o deslinde  daquele.  Já  em  relação  ao  processo  número  19515.000784/2010­84,  corroboro  com  o  entendimento  da  Recorrente  quanto  à  necessidade  de  julgamento  conjunto  dos  feitos.  Conforme documentos anexados às fls. 530­539, o auto de infração que compõe tal processo  também diz respeito a não observância da trava de 30% em relação ao ano­calendário de 2006,  cuja infração possui valores praticamente idênticos com os contidos no processo ora em exame.  Fl. 619DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722090/2011­82  Resolução nº  1402­000.283  S1­C4T2  Fl. 620          14 CONCLUSÃO  Nesse cenário, impõe­se o sobrestamento dos presentes autos a fim de aguardar­ se  a  distribuição  do  processo  número  19515.000784/2010­84  para  julgamento  conjunto  dos  feitos.  (assinado digitalmente)  FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO ­ Relator    Fl. 620DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO

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6294763 #
Numero do processo: 10630.720302/2007-10
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO NO ACÓRDÃO. Constatada omissão no acórdão, relativamente à efetiva área ambiental cuja glosa fora restabelecida, acolhem-se os Embargos de Declaração opostos, para que o vício seja sanado. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE - APP. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL - ADA. IMPRESCINDIBILIDADE. A partir da edição da Lei nº 10.165, de 2000, o reconhecimento da Área de Preservação Permanente - APP, independentemente da existência de Laudo Técnico, está condicionado à apresentação de Ato Declaratório Ambiental - ADA que retrate a situação do imóvel no exercício correspondente, mormente na ocorrência de diversas alienações ao longo do tempo. Embargos acolhidos.
Numero da decisão: 9202-003.814
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração com efeitos infringentes. No mérito dos Embargos, pelo voto de qualidade, rerratificar o Acórdão de Recurso Especial nº 9202-002.972, de 06/11/2013, para dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, restabelecendo a glosa da APP - Área de Preservação Permanente no total de 456,9 hectares. Vencidos os Conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (Relatora), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez, que votaram por negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (Assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Redatora-Designada EDITADO EM: 29/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1708; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T2  Fl. 2          1 1  CSRF­T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  10630.720302/2007­10  Recurso nº               Embargos  Acórdão nº  9202­003.814  –  2ª Turma   Sessão de  18 de fevereiro de 2016  Matéria  Imposto Sobre a Propriedade Territoral Rural ­ ITR   Embargante  Aperam Inox America do Sul S.A.  Interessado  Fazenda Nacional    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ­ ITR  Exercício: 2003  EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO NO ACÓRDÃO.  Constatada omissão no acórdão,  relativamente à efetiva área ambiental cuja  glosa  fora  restabelecida,  acolhem­se  os  Embargos  de  Declaração  opostos,  para que o vício seja sanado.  ÁREA  DE  PRESERVAÇÃO  PERMANENTE  ­  APP.  ATO  DECLARATÓRIO AMBIENTAL ­ ADA. IMPRESCINDIBILIDADE.  A partir da edição da Lei nº 10.165, de 2000, o reconhecimento da Área de  Preservação Permanente  ­ APP,  independentemente  da  existência de Laudo  Técnico, está condicionado à apresentação de Ato Declaratório Ambiental  ­  ADA  que  retrate  a  situação  do  imóvel  no  exercício  correspondente,  mormente na ocorrência de diversas alienações ao longo do tempo.  Embargos acolhidos.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 72 03 02 /2 00 7- 10 Fl. 547DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/02/2 016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por MARIA HELENA COT TA CARDOZO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO   2   Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os  Embargos  de  Declaração  com  efeitos  infringentes.  No  mérito  dos  Embargos,  pelo  voto  de  qualidade,  rerratificar  o Acórdão  de Recurso Especial  nº  9202­002.972,  de 06/11/2013,  para  dar  provimento  ao Recurso Especial  da  Fazenda Nacional,  restabelecendo  a  glosa  da APP  ­  Área  de  Preservação  Permanente  no  total  de  456,9  hectares. Vencidos  os  Conselheiros  Rita  Eliza  Reis  da  Costa  Bacchieri  (Relatora),  Patrícia  da  Silva,  Ana  Paula  Fernandes,  Gerson  Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez, que votaram por negar provimento ao Recurso  Especial  da Fazenda Nacional. Designada  para  redigir  o  voto  vencedor  a Conselheira Maria  Helena Cotta Cardozo.    (Assinado digitalmente)  Carlos Alberto Freitas Barreto ­ Presidente    (Assinado digitalmente)  Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri ­ Relatora    (Assinado digitalmente)  Maria Helena Cotta Cardozo – Redatora­Designada  EDITADO EM: 29/02/2016  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas  Barreto  (Presidente),  Maria  Teresa  Martinez  Lopez  (Vice­Presidente),  Luiz  Eduardo  de  Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da  Silva, Elaine Cristina Monteiro  e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor  de Souza Lima  Junior e Gerson Macedo Guerra.  Relatório  Trata­se  de  processo  por  meio  do  qual  discute­se  os  critérios  legais  para  composição da base de calculo do ITR no que tange as exclusões das áreas classificadas como  de Reserva Legal e Preservação Permanente.  A  autoridade  fiscal  lavrou  a  exigência,  em  função  da  apresentação,  pela  Contribuinte,  do  Ato  Declaratório  Ambiental —  ADA  em  desacordo  com  a  legislação.  De  acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 02/03:  "...  as  áreas  de  preservação  permanente  e  reserva  legal  declaradas pelo contribuinte foram desconsideradas, em vista do  ADA apresentado, protocolizado ern 25/06/2001, não atender ao  disposto na IN SRF n° 256. 0 contribuinte apresentou DITR do  Ex.  2001  com  as  áreas  de  preservação  permanente  e  reserva  Fl. 548DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/02/2 016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por MARIA HELENA COT TA CARDOZO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10630.720302/2007­10  Acórdão n.º 9202­003.814  CSRF­T2  Fl. 3          3 legal  de  919,6  ha  e  4.287,8  ha,  respectivamente,  em  conformidade  com  o  ADA.  Todavia  em  sua DITR  do  Ex.  2002  modificou  tais  áreas  para 3.779,6  e 1.309 ha,  respectivamente.  Nessa  ocasião  deveria  necessariamente  ter  protocolizado  novo  ADA no IBAMA, de forma a adequar as áreas excluídas da área  total  tributável,  conforme  as  alienações  que  realizou  desde  o  protocolo do ADA em 2001".  Assim, conforme o relatório do acórdão, "segundo o auto de infração lavrado  fazia­  se  necessário,  para  fins  de  justificar  a  exclusão  de  tributação  das  áreas  ambientais  declaradas  na  DITR/2003,  com  dimensões  diferentes  das  áreas  informadas  no  ADA  protocolado junto ao IBAMA, em 26/06/2001, comprovar a protocolização de nova ADA, junto  ao IBAMA, até 31/03/2004".  O assunto  já  foi enfrentado por essa Câmara Superior,  tendo sido  lavrado o  acórdão de nº 9202002.972, com a seguinte ementa:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  PROPRIEDADE  TERRITORIAL RURAL ITR  Exercício: 2003  ITR  ÁREA  DE  RESERVA  LEGAL  NECESSIDADE  DE  AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL PARA FRUIÇÃO  DA ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 11 DA LEI N° 8.847/94.  DESNECESSIDADE  DE  QUE  A  AVERBAÇÃO  SEJA  ANTERIOR AO FATO GERADOR.  Para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de  cálculo do ITR ela deve estar averbada à margem da matrícula  do imóvel. Esta obrigação decorre da interpretação harmônica e  conjunta  do  disposto  nas  Leis  nos  9.393,  de  1996,  e  4.771,  de  1965  (Código  Florestal),  mas  não  há  exigência  de  que  a  averbação  se  verifique  em  momento  anterior  à  ocorrência  do  fato gerador.  No  presente  caso,.a  área  de  4.287,8ha  relativa  à  reserva  legal  foi averbada no ano de 1991 (fl. 112).  ITR,  ÁREA  TRIBUTÁVEL.  ÁREA  DE  PRESERVAÇÃO  PERMANENTE. EXCLUSÃO. NECESSIDADE DO ADA.  Por  se tratar de áreas ambientais cuja existência  independe da  vontade do proprietário e de reconhecimento por parte do Poder  Público,  a  apresentação  do  ADA  ao  IBAMA  não  é  condição  indispensável  para  a  exclusão  das  áreas  de  preservação  permanente e de  reserva  legal, de que  tratam,  respectivamente,  os  artigos  2°  e  16  da  Lei  n.  4.771,  de  1965,  para  fins  de  apuração da área tributável do imóvel.  No  caso  em  análise,  sequer  houve  apresentação  de  laudo  técnico, fato que, per se, repercute a manutenção da glosa.  Recurso especial provido em parte  Foram  apresentados  Embargos  de  Declaração  por  parte  do  contribuinte.  O  Embargante  afirma  existir  omissão  no  que  tange  ao  dispositivo  da  sentença  que  trata  da  Fl. 549DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/02/2 016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por MARIA HELENA COT TA CARDOZO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO   4 possibilidade de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR, pois  apesar de o acórdão decidir no sentido de ser o ADA prescindível ao exercício desse direito,  admitindo a adequação da base de cálculo em razão de outros elementos probatórios, deixou o  colegiado de analisar e se manifestar sobre o laudo técnico juntado às fls. 229 dos autos desde  2011.  Os embargos de declaração foram "admitidos":   Efetivamente,  verifico  às  fls.  229  e  seguintes  a  existência  de  documento denominado Laudo Técnico.   Pelo  exposto,  proponho  que  os  presentes  embargos  sejam  acolhidos,  com  retorno  dos  autos  ao  colegiado,  para  que  seja  sanada a omissão apontada.  É o relatório.    Voto Vencido  Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Relatora  No  presente  caso  entendo  estar  sob  análise  apenas  a  discussão  acerca  dos  requisitos  para  alteração  da  base  de  cálculo  do  ITR  no  que  tange  as  deduções  de  valores  decorrentes  as  áreas  classificadas  como  de  Preservação  Permanente,  haja  vista  não  ter  sido  interposto qualquer recurso quanto a parte do acórdão que decidiu sobre a área de reserva legal  e a desnecessidade de que a averbação seja anterior ao fato gerador para fins de aplicação do  art. 11 da lei n° 8.847/94.  No  que  tange  a  parte  em  discussão  adoto  o  posicionamento  do  próprio  relator:  "Área de Preservação Permanente  Em momento anterior à alteração promovida no artigo 17­O da  Lei  n°  6.938/81  pela  Lei  n°  10.165,  de  27/12/2000,  apenas  Instruções  Normativas  da  Secretaria  da  Receita  Federal  veiculavam a obrigação relativa à apresentação do ADA.  A ausência de amparo legal para a exigência do ADA, quanto a  fatos ocorridos até o exercício 2000, deu origem ao Enunciado  CARF n° 41, que tem o seguinte conteúdo: “A não apresentação  do Ato Declaratório Ambiental  (ADA) emitido pelo  IBAMA, ou  órgão  conveniado,  não  pode  motivar  o  lançamento  de  ofício  relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000”.  No  entanto,  o  caso  em  apreço  está  relacionado  ao  exercício  2002.  A Súmula, então, é inaplicável à espécie.  Para  fatos  ocorridos  a  partir  do  exercício  2001,  inclusive,  o  artigo 17­O da Lei n° 6.938/81, com a redação que lhe foi dada  pela Lei 10.165/2000, passou a prever que:  Fl. 550DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/02/2 016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por MARIA HELENA COT TA CARDOZO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10630.720302/2007­10  Acórdão n.º 9202­003.814  CSRF­T2  Fl. 4          5 Art.  17­O.  Os  proprietários  rurais  que  se  beneficiarem  com  redução  do  valor  do  Imposto  sobre  a  Propriedade  Territorial  Rural  —  ITR,  com  base  em  Ato  Declaratório  Ambiental  ADA,  deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11  do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título  de Taxa de Vistoria (Redação dada pela Lei n° 10.165. de 2000)  redução  do  valor  do  Imposto  sobre  a  Propriedade  Territoria  Rural —  ITR,  com  base  em  Ato  Declaratório  Ambiental  ADA,  deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11  do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título  de Taxa de Vistoria (Redação dada pela Lei n° 10.165. de 2000):  §  1ºA. A Taxa  de Vistoria  a  que  se  refere  o  caput deste  artigo  não  poderá  exceder  a  dez  por  cento  do  valor  da  redução  do  imposto proporcionada pelo ADA  (incluído nela Lei n° 10.165.  de 2000)  §  1º.  A  utilização  do  ADA  para  efeito  de  redução  do  valor  a  pagar do  ITR é obrigatória.  (Redação dada pela Lei n°10.165,  de 2000)  Embora este texto pareça demonstrar que a legislação é taxativa  ao  exigir  a  protocolização  tempestiva  do  ADA  para  fins  de  exclusão  da  base  de  cálculo  do  ITR  das  áreas  de  preservação  permanente  e  de  utilização  limitada,  sob  minha  ótica,  não  se  pode  olvidar  que  a  apresentação  do ADA  pelo  contribuinte  ao  IBAMA ou órgão  conveniado –  até  que  haja  uma  vistoria  pelo  órgão competente e a ratificação ou retificação das declarações  ali  contidas  –  restringe­se  a  informações  prestadas  pelo  contribuinte  ao  órgão  ambiental  acerca  da  existência  de  áreas  que têm algum interesse ecológico.  Segundo penso, com o advento de tal regra, o ADA apresentado  tempestivamente  tem  a  função  de  inverter  o  ônus  da  prova,  passando este a ser do Fisco a partir da sua entrega. Caso não  ocorra  o  protocolo  tempestivo  do ADA,  pode  o  contribuinte  se  valer de outros meios de prova visando à fruição da redução da  base de cálculo do ITR.  Nesse sentido, no que toca à demonstração da existência efetiva  das  áreas  em  referência,  na  página  do  IBAMA  na  internet  (www.ibama.gov.br),  nos  “Serviços  Online”,  na  parte  relativa  ao “Ato Declaratório Ambiental – ADA”, no link “Respostas às  Perguntas  mais  Freqüentes  sobre  o  ADA”,  em  resposta  à  pergunta  n°  40  (“Que  documentação  pode  ser  exigida  para  comprovar  a  existência  das  áreas  de  interesse  ambiental?”),  consta  a  possibilidade  de  apresentação  dos  seguintes  documentos para tal finalidade:  Ato Declaratório Ambiental – ADA e o comprovante da entrega  do mesmo;  Ato  do Poder Público  declarando as  florestas  e demais  formas  de  vegetação  natural  como  Área  de  Preservação  Permanente,  conforme dispõe o Código Florestal em seu artigo 3.;  Fl. 551DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/02/2 016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por MARIA HELENA COT TA CARDOZO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO   6 Laudo  técnico  emitido  por  engenheiro  agrônomo  ou  florestal,  acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica – ART,  que  especifique  e  discrimine  as  Áreas  de  Interesse  Ambiental  (Área  de  Preservação  Permanente;  Área  de  Reserva  Legal;  Reserva Particular  do  Patrimônio Natural;  Área  de Declarado  Interesse Ecológico;  Área  de  Servidão  Florestal  ou Ambiental;  Áreas Cobertas  por Floresta Nativa; Áreas Alagadas  para  fins  de Constituição de Reservatório de Usinas Hidrelétricas);  Laudo de vistoria técnica do Ibama relativo à área de interesse  ambiental;  Certidão do Ibama ou de outro órgão de preservação ambiental  (órgão  ambiental  estadual)  referente  às  Áreas  de  Preservação  Permanente e de Utilização Limitada;  Certidão  de  registro  ou  cópia  da  matrícula  do  imóvel  com  averbação da Área de Reserva Legal;  Termo  de  Responsabilidade  de  Averbação  da  Área  de  Reserva  Legal (TRARL) ou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC);  Declaração  de  interesse  ecológico  de  área  imprestável,  bem  como,  de  áreas  de  proteção  dos  ecossistemas  (Ato  do  Órgão  competente,  federal ou estadual – Ato do Poder Público – para  áreas de declarado interesse ecológico): Se houver uma área no  imóvel  rural que  sirva para a proteção dos  ecossistemas  e que  não seja útil para a agricultura ou pecuária, pode ser solicitada  ao órgão ambiental federal ou estadual a vistoria e a declaração  daquela como uma Área de Interesse Ecológico.  Certidão  de  registro  ou  cópia  da  matrícula  do  imóvel  com  averbação da Área de Servidão Florestal;  Portaria  do  Ibama  de  reconhecimento  da  Área  de  Reserva  Particular do Patrimônio Natural (RPPN).  Portanto,  a própria Administração Pública  entende que o ADA  tem  efeito  meramente  declaratório,  não  sendo  o  único  documento  comprobatório da área de preservação permanente,  podendo  ser  levado  em  conta,  dentre  outros,  laudo  técnico  emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado da  Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, que especifique e  discrimine a área de interesse ambiental."  Assim,  considerando,  como  abordado  nas  razões  dos  Embargos  de  Declaração, haver nos autos elementos  suficientes para  comprovar o direito do Contribuinte,  acolho os  embargos  e determino a  reforma do  acórdão a quo  para determinar a  exclusão da  glosa da área de preservação permanente.    (Assinado digitalmente)  Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri  Fl. 552DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/02/2 016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por MARIA HELENA COT TA CARDOZO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10630.720302/2007­10  Acórdão n.º 9202­003.814  CSRF­T2  Fl. 5          7   Voto Vencedor  Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Designada  Trata­se  de  exigência  do  ITR  –  Imposto  Territorial  Rural  do  exercício  de  2003.   O  “Termo  de  Complemento  da  Notificação  de  Lançamento  de  n°  06103/00011/2007, do ITR/Ex.2003” evidencia que a motivação da glosa das áreas ambientais  foi a ausência de ADA específico para o Exercício de 2003, que refletisse a efetiva situação das  áreas, após diversas alienações, já que o ADA apresentado era de 2001. Confira­se às fls. 07 a  09:  “No presente lançamento as áreas de preservação permanente e  reserva  legal  declaradas  pelo  contribuinte  foram  desconsideradas,  em  vista  do  ADA  apresentado,  protocolizado  em  25/06/2001,  não  atender  ao  disposto  na  IN  SRF  n°  256.  0  contribuinte  apresentou  DITR  do  Ex.  2001  com  as  áreas  de  preservação permanente  e  reserva  legal de 919,6  e 4.287,8 há,  respectivamente, em conformidade com o ADA. Todavia em sua  D1TR do Ex. 2002 modificou tais áreas para 3.779,6 e 1.309 há,  respectivamente.  Nessa  ocasião  deveria  necessariamente  ter  protocolizado  novo  ADA  no  IBAMA,  de  forma  a  adequar  as  áreas excluídas da área total tributável, conforme as alienações  que realizou desde o protocolo do ADA em 2001.  De  fato,  analisando  a  certidão  do  imóvel  verifica­se  diversas  alienações parciais em 2001, 2002, 2003 e 2005, o que reforça a  necessidade  da  protocolização  de  novo  ADA  que  refletisse  a  nova situação do imóvel, quanto às áreas não­tributáveis."  No julgamento em Primeira Instância, a DRJ acatou quase toda a APP ­ Área  de  Preservação  Permanente  (3.322,7  ha,  dos  3.779,6  ha  declarados),  por  estar  inserida  no  Parque Estadual Rio Corrente. Confira­se o voto condutor do acórdão da DRJ:  “De  fato,  consta  dos  autos,  além  do  Decreto  de  criação  do  Parque,  às  f1s.  84/86,  com  os  seus  limites  e  confrontações,  o  memorial  descritivo  das  áreas  do  imóvel  da  contribuinte  que  estão  inseridas  nos  limites  do  Parque,  às  fls.  7/70  e  71/79,  o  mapa  com  a  planta  de  situação  das  áreas  de  propriedade  da  impugnante  inseridas  no Parque Estadual Rio Corrente,  às  fls.  81, elaborado pelo Engenheiro Florestal Renan Paulo da Costa  Alves,  com  ART  anotada  no  CREA,  às  fls.  82,  o  Laudo  de  Avaliação,  do  Governo  do  Estado  de  Minas  Gerais,  às  fls.  88/110,  elaborado  com  a  finalidade  de  instruir  o  processo  de  desapropriação  destinado  à  criação  do  citado  Parque  e  que  procede  à  avaliação  dos  imóveis  rurais,  incluindo  os  da  requerente.  Fl. 553DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/02/2 016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por MARIA HELENA COT TA CARDOZO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO   8 Esse conjunto de documentos forma a convicção de que a área  de  3.322,7  ha,  de  propriedade  da  requerente,  está  realmente  inserida  nos  limites  do  Parque  Estadual  Rio  Corrente  e,  conseqüentemente,  cabe  ser  considerada  como  de  área  de  preservação permanente, para fins de exclusão do IT12/2003.  Por  fim,  tem­se  que  ao  julgador  administrativo,  com  fulcro  no  art.  29  do  Decreto  nº  70.235,  de  1972,  é  permitido  formar  livremente convicção quando da apreciação das provas trazidas  aos  autos  ­  seja  pela  fiscalização,  de  um  lado,  seja  pelo  contribuinte,  de  outro,  com  o  intuito  de  se  chegar  a  um  juízo  quanto às matérias sobre as quais versa a lide.  Assim,  entendo  que  somente  deve  ser  acatada,  para  fins  de  exclusão do ITR, a área de preservação permanente de 3.322,7  ha,  comprovadamente  localizada  dentro  dos  limites  do  Parque  Estadual do Rio Corrente."  O  reconhecimento  da  quase  totalidade  da  APP  ­  Área  de  Preservação  Permanente pela DRJ ensejou Recurso de Ofício, cujo provimento foi negado à unanimidade.  Confira­se a ementa e a parte dispositiva do acórdão recorrido:  Ementa  "(...)  ITR. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO.  Não  incide  o  imposto  sobre  imóvel  inteiramente  localizado  em  área  de  preservação  permanente  transformada  em  Parque  Estadual instituído por Decreto Estadual.  Recurso de ofício negado  Recurso voluntário provido"  Parte dispositiva   "Acordam  os membros  do Colegiado, por  unanimidade,  negar  provimento ao recurso de ofício e, por maioria dar provimento  ao  recurso  voluntário. Vencidos  os  conselheiros  Jorge Cláudio  Duarte Cardoso e Eduardo Tadeu Farah. Presidiu o julgamento  o  conselheiro  Pedro  Paulo  Pereira  Barbosa.  Fez  Sustentação  oral o Dr. Tiago Conde Teixeira, OAB 06352492. Participou o  conselheiro Jorge Cláudio Duarte Cardoso. Ausência justificada  do  conselheiro  Francisco  Assis  de  Oliveira  Júnior.  Designado  para  elaborar  o  voto  vencedor  o  conselheiro  Pedro  Paulo  Pereira Barbosa."  Quanto ao Recurso Voluntário, que tratou do total da ARL ­ Área de Reserva  Legal e da APP ­ Área de Preservação Permanente dos 456,9 hectares restantes, decidiu­se que  a apresentação do ADA não era condição indispensável à sua exclusão da tributação do ITR, de  sorte que foi restabelecido o total das áreas declaradas.  O quadro a seguir resume a questão das áreas ambientais:  ÁREAS  AVERBAÇÃO/1991  ADA/2001  DITR/2003  AI  DRJ  CARF  Fl. 554DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/02/2 016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por MARIA HELENA COT TA CARDOZO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10630.720302/2007­10  Acórdão n.º 9202­003.814  CSRF­T2  Fl. 6          9 TOTAL  ­  16.801,3  10.324,7  10.324,7  10.324,7  10.324,7  APP  ­  919,6  3.779,6  0  3.322,7  3.779,6  (3.322,7 / RO  + 456,9 / RV)  ARL  4.287,87  4.287,8  1.309,0  0  0  1.309,0/RV  A  Fazenda  Nacional,  em  seu  Recurso  Especial,  aborda  tão­somente  o  Recurso Voluntário, conforme resta claro logo no início do apelo às fls. 276:  "Insurge­se  a Unido  (Fazenda Nacional)  contra  acórdão  da  1ª  Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de  Julgamento do  CARF  que  deu  parcial  provimento  ao  recurso  voluntário  do  particular." (grifei)  Ademais,  se  a  Fazenda Nacional  intentasse  rediscutir  o  não  provimento  do  Recurso de Ofício,  teria de demonstrar que os paradigmas  tratariam de Área de Preservação  Permanente comprovadamente inserida em parque nacional/estadual, nas mesmas condições da  área  acatada  pela  DRJ.  Entretanto,  as  ementas  colacionadas  no  Recurso  Especial  somente  tratam da exigência do ADA, sem qualquer alusão a eventual inserção em parque.  Nesse  contexto,  o  Acórdão  de  Recurso  Especial,  ora  embargado,  ao  dar  provimento  parcial  ao  recurso  da  Fazenda  Nacional  para  não  acatar  a  APP  ­  Área  de  Preservação  Permanente,  só  poderia  estar  se  referindo  aos  456,9  hectares  que  foram  restabelecidos em sede de Recurso Voluntário, eis que o acatamento dos 3.322,7 hectares pela  DRJ, objeto do Recurso de Ofício, já se tornara definitivo, uma vez que, repita­se, o Recurso  Especial da Fazenda Nacional  somente abordou o Recurso Voluntário. Entretanto, o acórdão  embargado assim concluiu:  "Portanto, a própria Administração Pública entende que o ADA  tem  efeito  meramente  declaratório,  não  sendo  o  único  documento  comprobatório da área de preservação permanente,  podendo  ser  levado  em  conta,  dentre  outros,  laudo  técnico  emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado da  Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, que especifique e  discrimine a área de interesse ambiental.  No  caso  em  análise,  deve  ser  revista  a  exclusão  da  Área  de  Preservação  Permanente,  haja  vista  que  não  houve  apresentação de laudo técnico.  DISPOSITIVO  Em  face  do  recurso  especial  interposto  pelo  Sujeito  Passivo,  conheço do referido, para, no mérito, DAR­LHE PROVIMENTO  PARCIAL,  para  restabelecer  a  glosa  em  face  da  área  de  preservação permanente."  De plano, podem ser constatadas três impropriedades, a saber:  ­ não se trata de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, e sim pela  Fazenda Nacional;  Fl. 555DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/02/2 016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por MARIA HELENA COT TA CARDOZO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO   10 ­ houve a apresentação de laudo técnico de avaliação, bem como memoriais  descritivos e mapas, tanto assim que a DRJ baseou­se nesses documentos para acatar a APP ­  Área  de  Preservação  Permanente  inserida  no  Parque  Rio  Corrente,  conforme  trecho  que  a  seguir se reitera:   “De  fato,  consta  dos  autos,  além  do  Decreto  de  criação  do  Parque,  às  f1s.  84/86,  com  os  seus  limites  e  confrontações,  o  memorial  descritivo  das  áreas  do  imóvel  da  contribuinte  que  estão  inseridas  nos  limites  do  Parque,  às  fls.  7/70  e  71/79,  o  mapa  com  a  planta  de  situação  das  áreas  de  propriedade  da  impugnante  inseridas  no Parque Estadual Rio Corrente,  às  fls.  81, elaborado pelo Engenheiro Florestal Renan Paulo da Costa  Alves,  com  ART  anotada  no  CREA,  às  fls.  82,  o  Laudo  de  Avaliação,  do  Governo  do  Estado  de  Minas  Gerais,  às  fls.  88/110,  elaborado  com  a  finalidade  de  instruir  o  processo  de  desapropriação  destinado  à  criação  do  citado  Parque  e  que  procede  à  avaliação  dos  imóveis  rurais,  incluindo  os  da  requerente.  ­  ao determinar o  restabelecimento da glosa da APP  ­ Área de Preservação  Permanente, sem qualquer  ressalva no sentido de que a área aludida era a de 456,9 hectares,  objeto  do  Recurso  Especial  da  Fazenda Nacional  (já  que  os  3.322,7  hectares  restabelecidos  pela  DRJ  não  estavam  em  julgamento),  o  acórdão  embargado  induziu  a  erro  a  autoridade  encarregada  de  executá­lo,  que  restabeleceu  a  glosa  total  da  APP  declarada,  de  3.779,6  hectares. Tal lapso resta claro no demonstrativo constante da Minuta de Cálculo de fls. 450 a  452,  em  que  a  APP  foi  zerada,  tal  como  ocorrera  no  Auto  de  Infração,  atribuindo­se  tal  consequência ao acórdão da CSRF.   Analisando­se a Minuta de Cálculo acima referenciada, evidencia­se o lapso,  e justifica­se a oposição dos Embargos de Declaração, a saber:  ­ Imposto apurado conforme declaração ­ R$ 21.204,40;  ­ Imposto suplementar conforme o Auto de Infração ­ R$ 1.093.863,20;  ­ Imposto suplementar após decisão da DRJ ­ R$ 167.849,60 (fls. 162);  ­ Imposto suplementar após acórdão da CSRF ­ R$ 498.099,92 (fls. 451).  Assim,  agregando­se  a  APP  ­  Área  de  Preservação  Permanente  já  reconhecida pela DRJ, à ARL ­ Área de Reserva Legal reconhecida no acórdão embargado, o  imposto  suplementar  apurado  teria  de  ser  inferior  aos  R$  167.849,60  da  decisão  da  DRJ,  e  nunca um valor superior, como o apurado às fls. 451.  Em face de tal constatação, esclarecido o lapso, no que tange ao laudo técnico  citado nos Embargos de Declaração, este somente teria utilidade na discussão acerca da APP ­  Área de Preservação Permanente não  reconhecida pela DRJ e nem pelo  acórdão embargado,  correspondente a 456,9 hectares. Nesse passo, esclareça­se que dito  laudo  técnico, datado de  05/11/2010, foi apresentado em 26/07/2011 (fls. 250 em diante), muito depois da interposição  do Recurso Voluntário, em 05/08/2008 (fls. 168), e diz respeito ao ITR/2006 e 2007.  Independentemente  da  existência  de  laudo,  ou  de  sua  aceitação  por  este  Colegiado, não  foi cumprida a determinação de apresentação do ADA, nos  termos da Lei nº  10.165, de 2000.  Fl. 556DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/02/2 016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por MARIA HELENA COT TA CARDOZO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10630.720302/2007­10  Acórdão n.º 9202­003.814  CSRF­T2  Fl. 7          11 No  presente  caso,  a  Contribuinte  protocolou  o  requerimento  do  ADA  no  Ibama em 26/06/2001 (fls. 78), com as informações de área total do imóvel de 16.801,3 ha e  APP ­ Área de Preservação Permanente de 919,6. Os dados constantes desse requerimento são  diferentes das informações registradas pela Contribuinte na DITR/2003 ­ área total do imóvel  de  10.324,7  ha  e APP  ­ Área  de  Preservação  Permanente  de  3.779,6  ha  ­  tendo  em  vista  a  ocorrência de alienações. Nesse passo, teria de ser apresentado o protocolo de um novo ADA,  já traduzindo as áreas corretas, referentes ao exercício de 2003, que pudesse referendar a APP  excedente  à  parte  que  comprovou­se  estar  inserida  no  Parque  Estadual  do  Rio  Corrente.  Entretanto, isso não foi providenciado, de sorte que não há como acatar­se dita APP.  Diante  do  exposto,  acolho  os  Embargos  de  Declaração  opostos  pela  Contribuinte, para que, na parte dispositiva do acórdão, bem como na conclusão do voto, seja  registrado  que  o  restabelecimento  da  glosa  da  APP  ­  Área  de  Preservação  Permanente  corresponde  a  apenas  456,9  hectares,  mantendo­se  a  área  já  acatada  pela  DRJ,  de  3.322,7  hectares.    (Assinado digitalmente)  Maria Helena Cotta Cardozo                                Fl. 557DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/02/2 016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por MARIA HELENA COT TA CARDOZO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO   12                   Fl. 558DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/02/2 016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por MARIA HELENA COT TA CARDOZO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO

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6290822 #
Numero do processo: 13971.003293/2010-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 2007, 2008, 2009 INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 2. “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. IRRF. RETIRADA PRÓ-LABORE. A transferência de numerário da empresa para o sócio, a título de empréstimo sob a forma de contrato de mútuo não comprovado, configura retirada de pró-labore, o qual se sujeita à incidência do imposto de renda retido na fonte. FALTA DE RETENÇÃO/RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. MULTA. CABIMENTO. É cabível a aplicação da multa sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida, conforme dispõe o art. 9º da Lei n.° 10.426/2002. MULTA QUALIFICADA. INOCORRÊNCIA. Para a caracterização da multa qualificada, há que estar presente a figura do dolo específico caracterizado pela intenção manifesta do agente de omitir dados, informações ou procedimentos que resultam na diminuição ou retardamento da obrigação tributária. O registro das operações nos livros fiscais, inclusive com o cumprimento das formalidades acessórias, não evidencia má-fé, inerente à prática de atos fraudulentos.
Numero da decisão: 2201-002.763
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares, e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%. Vencidos os Conselheiros CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI e HEITOR SOUZA LIMA JUNIOR, que, no mérito, negavam provimento ao recurso. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH – Relator Assinado Digitalmente HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR - Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2040; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T1  Fl. 2          1 1  S2­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13971.003293/2010­21  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2201­002.763  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  26 de janeiro de 2016  Matéria  IRRF  Recorrente  MONTE CLARO PARTICIPAÇÕES E SERVIÇOS SA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE ­ IRRF  Exercício: 2007, 2008, 2009  INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS.  VEDAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 2.  “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade  de lei tributária”.   IRRF. RETIRADA PRÓ­LABORE.  A transferência de numerário da empresa para o sócio, a título de empréstimo  sob a forma de contrato de mútuo não comprovado, configura retirada de pró­ labore, o qual se sujeita à incidência do imposto de renda retido na fonte.  FALTA  DE  RETENÇÃO/RECOLHIMENTO DO  IMPOSTO  DE  RENDA  NA FONTE. MULTA. CABIMENTO.  É cabível a aplicação da multa sobre a  totalidade ou diferença de tributo ou  contribuição  que  deixar  de  ser  retida,  conforme  dispõe  o  art.  9º  da Lei  n.°  10.426/2002.  MULTA QUALIFICADA. INOCORRÊNCIA.  Para a caracterização da multa qualificada, há que estar presente a figura do  dolo  específico  caracterizado  pela  intenção  manifesta  do  agente  de  omitir  dados,  informações  ou  procedimentos  que  resultam  na  diminuição  ou  retardamento  da  obrigação  tributária.  O  registro  das  operações  nos  livros  fiscais,  inclusive  com  o  cumprimento  das  formalidades  acessórias,  não  evidencia má­fé, inerente à prática de atos fraudulentos.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 32 93 /2 01 0- 21 Fl. 846DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR     2 Acordam  os membros  do Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  rejeitar  as  preliminares,  e,  no  mérito,  por  maioria  de  votos,  dar  provimento  parcial  ao  recurso,  para  reduzir  a  multa  de  ofício  ao  percentual  de  75%.  Vencidos  os  Conselheiros  CARLOS  ALBERTO  MEES  STRINGARI  e  HEITOR  SOUZA  LIMA  JUNIOR,  que,  no  mérito,  negavam provimento ao recurso.    Assinado Digitalmente  EDUARDO TADEU FARAH – Relator    Assinado Digitalmente  HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR ­ Presidente     Participaram do presente julgamento os Conselheiros: HEITOR DE SOUZA  LIMA JUNIOR (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, IVETE MALAQUIAS PESSOA  MONTEIRO,  MARIA  ANSELMA  COSCRATO  DOS  SANTOS  (Suplente  convocada),  CARLOS  ALBERTO MEES  STRINGARI,  MARCELO  VASCONCELOS  DE  ALMEIDA,  CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ.  Relatório  Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto Sobre  a Renda Retido na Fonte (IRRF), anos­calendário 2007, 2008 e 2009, consubstanciado no Auto  de Infração, fls. 273/284, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de  R$ 999.087,02.  A fiscalização lavrou o Auto de Infração relativo à multa isolada pela falta de  retenção/recolhimento do IRRF, conforme dispõe o art. 9° da Lei no 10.426/2002.  Cientificado  do  lançamento,  o  interessado  apresentou  tempestivamente  impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis:  1.  O  lançamento  não  pode  ser  de  emissão  de  representação  fiscal para fins penais, já que não é possível que a contribuinte,  antes mesmo do  fim do processo administrativo  tributário,  seja  processada criminalmente, sob a alegação de que teria deixado  de recolher tributo.  1.1. É inviável a formulação de representação para fins penais,  uma  vez  que  existe  processo  administrativo  pendente,  não  havendo  que  se  falar  em  crédito  tributário  definitivamente  constituído.  2.  Requer­se  a  reunião,  para  julgamento  em  conjunto,  dos  processos  nos  13971.003319/2010­31,  13971.003292/2010­87,  13971.003293/2010­21,  13971.003320/2010­  66,  13971.003321/2010­19  e  13971.003290/2010­98,  porque  envolvem  os  mesmos  fatos  geradores  e  existe  identidade  dos  elementos de prova (art.9º, §1º, do Decreto nº 70.235/72).  3.  Os  indicativos  de  simulação  referidos  pela  fiscalização  no  Termo  de  Verificação  Fiscal,  às  fls.308/311,  além  de  serem  Fl. 847DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 13971.003293/2010­21  Acórdão n.º 2201­002.763  S2­C2T1  Fl. 3          3 inaceitáveis  como  prova,  não  justificam  a  desconsideração  dos  contratos firmados pela impugnante, nem a autuação.  4. No  tocante  à  afirmação  do Fisco  de  que  haveria  uma  clara  rotina de pagamentos no início de cada mês (próximo ao dia 05),  do  valor  exato  de  R$60.000,00,  com  uma  complementação,  variável  e  de menor  valor,  na  segunda  quinzena  de  cada mês,  registre­se  que  a  impugnante  não  concedia  empréstimo  exatamente no mesmo valor todo início de mês, o que é provado  pelo  próprio  Termo  de  Verificação  Fiscal,  na  tabela  de  fls.311/313.  5.  No  que  diz  respeito  à  observação  de  que  a  impugnante  apresentava  prejuízos  acumulados  substanciais  e  dívidas  milionárias  em  seu  passivo,  não  justificando  a  concessão  de  outros empréstimos em relação aos quais não envidou esforços  no  recebimento,  cumpre  registrar  que  o  ordenamento  jurídico  não  impede  as  empresas,  com  prejuízo  fiscal,  a  conceder  empréstimos.  6.  No  presente  caso,  há  diversos  elementos  que  confirmam  a  existência  das  operações,  quais  sejam:  os  contratos  de  mútuo,  que não exigem formalidade (fls.11/14); os valores emprestados  constam  na  conta  bancária  do  mutuário  (que  inclusive  faz  referência  à  origem  da  transferência);  e  os  referidos  valores  foram  contabilizados  pela  impugnante.  Tais  fatos,  além  de  devidamente comprovados nos autos, restaram incontroversos.  7. O Fisco defendeu que os mútuos  seriam, na verdade,  verbas  remuneratórias com base em indícios, mas em nenhum momento  comprovou  qual  seria  o  suposto  motivo  destas  remunerações.  Assim,  não  foi  comprovada  a  ocorrência  de  qualquer  fato  gerador  relativo  a  pagamento  de  verbas  remuneratórias  que  pudessem embasar a retenção de imposto de renda.  8. O Fisco desconsiderou o contrato de mútuo para concluir que  os  valores  se  refeririam  a  verbas  remuneratórias,  ou  seja,  embora não tenha afirmado expressamente, considerou que teria  havido  simulação. Todavia,  em nenhum momento apontou qual  seria o fundamento legal da acusação. Note­se que o Fisco não  indicou  em  qual  das  hipóteses  contempladas  pelo  art.167,  §1º,  do Código Civil, se enquadraria a conduta da impugnante.  Além disso, os fatos narrados pelo Fisco não se enquadram em  nenhuma das hipóteses previstas pelo referido dispositivo legal.  9.  Ressalte­se  que,  para  aplicação  da  multa  de  150%,  não  bastam  suspeitas,  há  que  estar  materialmente  comprovado  e  demonstrado que o contribuinte de forma deliberada agiu com o  intuito de obter vantagens indevidas em matéria tributária, posto  que a fraude não se presume. Porém, as autoridades fiscais não  demonstraram  que  a  impugnante  agiu  de  forma  fraudulenta.  Além  disso,  reiteradamente  atendeu  as  intimações  fiscais,  entregando  os  documentos  solicitados  de  que  tinha  posse.  No  presente  caso  não  restou  comprovado  qualquer  fato  gerador,  muito menos fraude, simulação ou conluio.  Fl. 848DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR     4 10. A multa imposta é desproporcional, sendo que o percentual  máximo da multa de ofício aplicável seria de 75%.  11.  A multa  isolada  de  150%,  exigida  em  face  da  ausência  de  retenção de imposto de renda sobre os valores disponibilizados a  ROLF KUEHNRICH no período de 01/2006 a 12/2008, refere­se  a  período  de  apuração  de  IR  já  encerrado,  motivo  pelo  qual  revela­se improcedente a exigência, por falta de previsão legal.  12.  Requer­se  a  produção  de  todas  as  provas  em  Direito  admitidas,  possibilitando,  inclusive,  a  juntada  posterior  de  documentos.  A 10ª Turma da DRJ em São Paulo/SP1 julgou improcedente a impugnação  apresentada, conforme ementas abaixo transcritas:  IRRF. RETIRADA PRÓ­LABORE.  A  retirada  de  numerário  da  empresa  por  sócio,  a  título  de  empréstimo sob a forma de contrato de mútuo não comprovado,  configura retirada de pró­labore, o qual se sujeita à incidência  do imposto de renda retido na fonte.  OPERAÇÃO  DE  MÚTUO.  REGISTRO  PÚBLICO.  COMPROVAÇÃO.  São indispensáveis, para a comprovação de operação de mútuo,  contrato  registrado  no  registro  público  e  a  apresentação  de  documentos  hábeis  e  idôneos,  sendo  insuficiente  a  simples  apresentação de documentos particulares para opor a operação  a terceiros.  MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICABILIDADE.  É aplicável a multa de ofício de 150% naqueles casos em que, no  procedimento  de  ofício,  foi  constatado  que  a  conduta  do  contribuinte esteve associada às hipóteses previstas nos arts. 71  e 73 da Lei nº 4.502, de 1964.  CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA  Não há  cerceamento  do  direito  de  defesa  quando  se  infere dos  autos a presença de todos os demonstrativos hábeis à apuração  da matéria tributável ou do crédito tributário em questão.  JUNTADA DE PROVAS. PRECLUSÃO.  A  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação,  precluindo o direito de o impugnante fazê­lo em outro momento  processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de  sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; refira­se  a fato ou a direito superveniente; ou destine­se a contrapor fatos  ou razões posteriormente trazidos aos autos.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido  Fl. 849DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 13971.003293/2010­21  Acórdão n.º 2201­002.763  S2­C2T1  Fl. 4          5 A  contribuinte  foi  cientificada  da  decisão  de  primeira  instância  em  08/01/2014  (fl.  820)  e,  em  07/02/2014,  interpôs  o  recurso  de  fls.  822/842,  sustentando,  essencialmente, os mesmos argumentos postos em sua impugnação.  É o relatório.  Voto             Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator  O recurso reúne os requisitos de admissibilidade.    Como visto do relatório, a fiscalização apurou à falta de retenção do Imposto  de  Renda  sobre  verbas  remuneratórias  pagas  ao  Diretor­Presidente  da  empresa  autuada,  conforme dispõe o art. 9° da Lei nº 10.426/2002.  Antes  de  se  entrar  no mérito  da  questão,  cumpre  enfrentar  as  preliminares  suscitas pela recorrente.  Sobre a alegação de nulidade do acórdão recorrido, por não ter enfrentado a  totalidade  dos  pedidos  e  fundamentos  apresentados,  mormente  a  ilegalidade  e  inconstitucionalidade  da  multa  aplicada,  verifico,  pois,  que  a  argumentação  é  estéril  e  não  merece  prosperar.  Compulsando­se  a  decisão  de  primeira  instância,  verifica­se  que  a  DRJ  enfrentou devidamente a questão posta pela suplicante em sua impugnação, conforme se extrai  do excerto transcrito:  Em  relação  a  estes  questionamentos,  há  que  se  declarar,  de  plano,  que  ao  remeter  a  discussão  para  o  campo  da  inconstitucionalidade  de  institutos  jurídico­tributários  definidos  em  disposições  literais  de  lei  regularmente  vigentes,  a  contribuinte  deixa  em  limites muito  restritos  a  possibilidade  de  manifestação deste  juízo administrativo. Isto porque não podem  os órgãos  julgadores administrativos estender suas apreciações  para o campo das arguições relacionadas com a ilegalidade ou  inconstitucionalidade de atos legais regularmente editados.  De  tal  sorte, como a multa de ofício está prevista em ato  legal  vigente,  regularmente  editado,  a  saber,  para  as  competências  01/2006 a 11/2008, a multa estabelecida no inciso I e §1º do art.  44 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996 (150%) c/c o art.9º da Lei nº  10.426/2002,  descabida mostra­se  qualquer manifestação  deste  órgão  julgador  no  sentido  do  afastamento  de  sua  aplicação/eficácia.  De  fato,  não  cabe  aos  órgãos  julgadores  administrativos,  assim  como  o  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  –  CARF,  afastar  a  aplicação  da  legislação  tributária em vigor, nos  termos do art. 62 do seu Regimento  Interno (Portaria MF nº 343, de  2015), a saber:  Fl. 850DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR     6 Art.  62.  Fica  vedado  aos  membros  das  turmas  de  julgamento  do  CARF  afastar  a  aplicação  ou  deixar  de  observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob  fundamento de inconstitucionalidade.  É nesse sentido a Súmula CARF nº 2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária.   Não é outro o balizado pronunciamento do professor Hugo de Brito Machado  (Temas de Direito Tributário, Vol. I, Editora Revista dos Tribunais: São Paulo, 1994, p. 134)  sobre a matéria:   (...)  Não  pode  a  autoridade  administrativa  deixar  de  aplicar  uma  lei  ante  o  argumento  de  ser  ela  inconstitucional.  Se  não  cumpri­la  sujeita­se  à  pena  de  responsabilidade,  artigo  142,  parágrafo  único,  do  CTN.  Há  o  inconformado  de  provocar  o  Judiciário,  ou  pedir  a  repetição  do  indébito,  tratando­se  de  inconstitucionalidade já declarada.  Rejeita­se, assim, a suscitada preliminar.  No que tange à alegação de que o acórdão de primeira instância é nulo por ter  indeferido o pedido de reunião dos processos administrativos, penso que o argumento não tem  passagem.  Sem  querer  ser  repetitivo,  valho­me  das  bem  lançadas  conclusões  da  decisão  recorrida, que considero bastantes para afastar a pretensão da recorrente, pedindo vênia para a  transcrição:  Cumpre esclarecer, inicialmente, que a previsão normativa para  a  apensação  de  processos  administrativos  é  excepcional,  aplicando­se somente no caso das hipóteses tratadas na Portaria  RFB nº 666, de 24 de abril de 2008, as quais não se aplicam ao  caso em tela.  Ressalte­se  que  o  presente  processo,  cujo  número  é  13971.003293/2010­  21,  trata  de  exigência  de  multa  isolada  sobre  falta  de  retenção  de  IRRF,  enquanto  que  o  processo  nº  13971.003292/2010­87  trata  de  objeto  distinto,  a  saber,  o  lançamento de imposto de renda da pessoa jurídica.  Por  sua  vez,  o  processo  nº  13971.003319/2010­31  cuida  de  exigência  de  contribuições  previdenciárias,  relativa  à  parte  patronal,  e  traz  apensado  o  processo  13971.003321/2010­19,  que  se  refere  a  multa  por  descumprimento  de  obrigação  acessória,  ao  deixar  a  empresa  de  declarar  em  GFIP  as  remunerações pagas a sócio a titulo de mútuo.  Cumpre destacar que os processos em questão, juntamente com  processo administrativo nº 13971.003290/2010­98, que  trata da  exigência de  imposto de  renda da pessoa  física do contribuinte  ROLF KUEHNRICH,  já  foram  apreciados  em  13/05/2011  pela  6ª Turma da DRJ/Florianópolis.  Sendo  assim,  não  cabe  acolher  o  pedido  de  reunião  de  processos.  Fl. 851DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 13971.003293/2010­21  Acórdão n.º 2201­002.763  S2­C2T1  Fl. 5          7 Assim,  não  se  vê  a  necessidade  de  juntar  os  processos  mencionados  pela  recorrente para decisões conjuntas por se tratar de rubricas e assuntos distintos e já distribuídos  às turmas de julgamento.  Portanto,  não  identifico  na  decisão  prolatada  pela  autoridade  singular  qualquer vício.  No mérito,  alega  a  recorrente  que  as  verbas  pagas  ao  Sr.  Rolf  Kuehnrich,  presidente  da  empresa,  trata­se  de mútuo,  portanto  não  acorreu  fato  gerador  do  imposto  de  renda retido na fonte.  De início, impende reproduzir trecho da decisão recorrida, extraído do Termo  de  Verificação  Fiscal,  fls.  285/320,  relacionando  os  motivos  que  levaram  à  fiscalização  considerar os valores creditados ao presidente da empresa como pró­labore, e não operações de  mútuo:  4. A análise dos documentos disponibilizados permitiu constatar  que  a  empresa  não  tinha  ativo  imobilizado,  nem  apresentava  movimento  contábil  em  bancos.  Na  verdade,  a  fiscalizada  não  apresentou,  entre  2006  e  2008,  movimentação  financeira  em  bancos, de acordo com as informações repassadas à RFB pelas  Instituições  Financeiras  (DCPMF).  Nos  anos  de  2004  e  2005  houve  registro  de movimentações  diminutas  (R$11.014,65  e R$  5,25, respectivamente) de acordo com a DCPMF.  4.1.  A  empresa  registrou  em  sua  contabilidade  o  mútuo  concedido ao Diretor­Presidente ROLF KUEHNRICH na conta  1933 ­ 2.1.9.1.10, sendo que esta conta, contrariando a  técnica  contábil,  foi  classificada  no  passivo,  com  sinal  negativo,  e  contempla os lançamentos referentes à atualização monetária do  crédito, os quais, por serem ora a débito, ora a crédito, denotam  ter por base algum indexador de risco, como moeda estrangeira.  4.2. A empresa não registrou receita operacional,  e apresentou  Prejuízos  Acumulados  de  R$36.635.355,44  em  31/12/2005,  R$34.434.210,02  em  31/12/2006,  R$30.444.175,86  em  31/12/2007  e  R$  37.841.929,16  em  31/12/2008,  sendo  que  detinha  dívidas,  classificadas  no  grupo  do  Exigível  a  Longo  Prazo, da ordem de 30 milhões de reais.  4.3. De  acordo  com  as  atas  de  assembléias,  havia  previsão  de  remuneração  aos  administradores,  limitada  ao  valor  de  R$1.000,00  ao  mês.  Ressalta­se  que  os  administradores  eram  ROLF  KUEHNRICH  e  seu  filho  FREDERICO  KUEHNRICH  NETO.  Todavia,  embora  houvesse  a  previsão  de  remuneração  aos  diretores  da  empresa,  nos  livros  contábeis  não  foram  identificados pagamentos de honorários.  4.4.  Destaque­se  que  a  empresa  não  registrou  pagamentos  de  despesas  de  custeio,  como  água,  luz,  telefone,  transporte,  escrituração, normais a qualquer tipo de empreendimento.  5. Diante das constatações acima, é de se questionar a razão de  a  empresa  conceder  empréstimo  milionário  a  seu  Diretor­ Presidente,  não  obstante  apresentar  dívidas  com  valores  Fl. 852DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR     8 substanciais  em  seu  passivo,  e  um vultoso  prejuízo  acumulado.  Cumpre  ressaltar  que  não  houve  demonstração,  por  parte  da  fiscalizada,  de  tentativas  para  reaver  o  suposto  empréstimo  concedido desde 2006.  (...)  7.1. Havia uma clara  rotina de pagamentos no  início de cada  mês (próximo ao dia 05), do valor exato de R$ 60.000,00, com  uma  complementação,  variável  e  de menor  valor,  na  segunda  quinzena de cada mês. O saldo da dívida em 31/12/2008 era de  R$2.570.431,81,  considerando  os  valores  de  atualização  monetária. Em valores históricos,  foi concedido um total de R$  2.492.600,00.  Cabe  observar  que  a  atualização monetária  teve  como  base  algum  índice  de  risco,  o  que  gerou  atualização  negativa  em  vários  períodos.  Assim,  o  ganho  nominal  obtido  pela contribuinte foi mínimo.  7.2.  Além  disso,  os  contratos  não  previam  nenhum  tipo  de  garantia  da  dívida,  enquanto  que  o  contribuinte  ROLF  KUEHNRICH  atesta  que  os  valores  recebidos  destinaram­se  a  despesas  pessoais.  Ou  seja,  o  montante  milionário  não  foi  recebido  para  a  aquisição  de  um  bem  ou  outro  investimento  qualquer.  7.3.  Cabe  destacar  que  o  mutuário  era,  à  época,  Diretor­ Presidente  da  mutuante,  sendo  que  também  tinha  influência  sobre a TEKA, empresa que fez as transferências financeiras a  crédito em sua conta, conforme os comprovantes de fls.53/101.  (grifei)  Do exposto, verifica­se que a contribuinte, ao formalizar um mútuo com seu  sócio presidente, realmente tinha como objetivo entregar recursos sem o pagamento do imposto  de  renda  devido.  Essa  afirmação  é  corroborada  pelos  inúmeros  eventos  acima  relacionados,  tendo especialmente relevância o fato de a contribuinte mutuário sequer ter incluído os valores  recebidos da empresa em sua declaração de renda nos anos­calendário 2006 e 2007, além de a  fiscalizada  não  apresentar,  entre  2006  e  2008,  movimentação  financeira  em  bancos.  Com  efeito, saltam os olhos o fato de a contribuinte apresentar prejuízo acumulado nos exercícios de  2005, 2006, 2007 e 2008, no valor aproximado de 30 milhões de reais por exercício, além de  outras  dívidas  no  seu  passivo,  também  na  ordem  de  30  milhões  de  reais,  e  mesmo  assim  conceder empréstimos ao seu sócio diretor, sem que nos contratos houvesse previsão de juros  ou que as quantias emprestadas fossem efetivamente devolvidas.  Ademais, como bem pontuado pela decisão recorrida, os contratos de mútuo  apresentados não  foram  levados a  registro público, não sendo, portanto, oponível a  terceiros,  no caso, o fisco, conforme dispõe o art. 221 do Código Civil Brasileiro.  Assim, em que pese alegue a contribuinte que a natureza jurídica da operação  está  comprovada  por  documentação  e  escrita  contábil  idônea,  além  de  que  é  totalmente  desnecessário  o  registro  dos  contratos  em  cartório,  bem  como  dispensável  a  incidência  de  juros,  penso  que  por  todos  os  argumentos  despendidos  neste  voto  que  a  operação  de  empréstimo perpetrada pela recorrente não pode servir de lastro para justificar a remuneração  recebida  pelo  seu  sócio­presidente,  com  recursos  provenientes  da  TEKA  TECELAGEM  KUEHNRICH S.A, sem à incidência do imposto de renda retido na fonte.  Fl. 853DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 13971.003293/2010­21  Acórdão n.º 2201­002.763  S2­C2T1  Fl. 6          9 Portanto,  é  cabível  a  aplicação  da multa  sobre  a  totalidade ou  diferença  de  tributo ou contribuição que deixar de ser retida/recolhida, conforme dispõe o art. 9º da Lei nº  10.426/2002:  Art. 9o Sujeita­se à multa de que trata o inciso I do caput do art.  44  da  Lei  no  9.430,  de  27  de  dezembro  de  1996,  duplicada  na  forma de seu § 1o, quando for o caso, a fonte pagadora obrigada  a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou  recolhimento,  independentemente  de  outras  penalidades  administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº  11.488, de 2007)  Parágrafo  único.  As  multas  de  que  trata  este  artigo  serão  calculadas  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  tributo  ou  contribuição  que  deixar  de  ser  retida  ou  recolhida,  ou  que  for  recolhida após o prazo fixado.  Ressalte­se  que  não  se  trata  de  impor  a  contribuinte  prova  negativa,  mas,  fundamentalmente, que as provas produzidas, efetivamente, não comprovam os fatos alegados.   Assim, presente o fato gerador, correto o procedimento fiscal.  Em  relação  à  multa  qualificada,  entendeu  a  autoridade  fiscal  que  a  contribuinte  incorreu  na  conduta  de  sonegação  e  conluio,  contida  no  art.  71  e  73  da  Lei  4.502/1964  Ora, para a caracterização da fraude, há que estar presente a  figura do dolo  específico  caracterizado  pela  intenção manifesta  do  agente  de  omitir  dados,  informações  ou  procedimentos  que  resultam  na  diminuição  ou  retardamento  da  obrigação  tributária.  Com  efeito,  independentemente da redução ou supressão do  imposto de renda devido, a existência  de respeitáveis correntes neste Órgão, defendendo a regularidade do negócio entabulado pela  recorrente, conforme jurisprudência colacionada pela contribuinte aos autos, penso que ocorre  uma espécie de erro de proibição. Em verdade, quem age com intuito de fraude não escritura as  operações  em  seus  registros  comerciais  e  fiscais  e,  tampouco,  declara  essas  operações  nos  formulários de entrega obrigatória. Fundamentalmente, a exigência fiscal só foi constituída em  razão da análise da escrituração contábil da autuada colocada à disposição do fisco. Portanto,  aplicáveis as determinações do art. 112 do CTN.  Assim,  penso  que  as  provas  produzidas,  efetivamente,  comprovam  a  ocorrência do fato gerador do tributo; entretanto, não o evidente intuito de fraude apto a atrair a  penalidade qualificada.  Incomprovada  a  fraude  ensejadora  da  multa  qualificada,  esta  não  pode  subsistir. Dessa forma, deve o percentual da multa de ofício ser reduzido para 75%.  Ante  ao  exposto,  voto  por  rejeitar  as  preliminares  e,  no  mérito,  dar  provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo­a ao percentual  de 75%.    Assinado Digitalmente  Eduardo Tadeu Farah    Fl. 854DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR     10                               Fl. 855DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR

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6255746 #
Numero do processo: 10940.002688/2008-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jan 22 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2102-000.132
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento deste recurso até que transite em julgado o acórdão do Recurso Extraordinário nº 614.406, nos termos do artigo 62A, do Anexo II, do RICARF. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho - Presidente em exercício e relator. EDITADO EM: 08/02/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rubens Mauricio Carvalho , Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Núbia Matos Moura, Ewan Teles Aguiar, Francisco Marconi de Oliveira, Carlos André Rodrigues Pereira Lima .
Nome do relator: Não se aplica

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1837; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C1T2  Fl. 10          1 9  S2­C1T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10940.002688/2008­61  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  2102­000.132  –  1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  17 de abril de 2013  Assunto  Sobrestamento do Julgamento de recurso voluntário  Recorrente  AYRTON LUIZ DECHANDT  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  sobrestar  o  julgamento deste recurso até que transite em julgado o acórdão do Recurso Extraordinário n   614.406, nos termos do artigo 62A, do Anexo II, do RICARF.  Assinado digitalmente.   Rubens Maurício Carvalho ­ Presidente em exercício e relator.   EDITADO EM: 08/02/2014  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Rubens  Mauricio  Carvalho  ,  Roberta  de  Azeredo  Ferreira  Pagetti,  Núbia  Matos  Moura,  Ewan  Teles  Aguiar,  Francisco Marconi de Oliveira, Carlos André Rodrigues Pereira Lima .       Relatório  Por meio do Auto de Infração de fls.04/07, exige­se do contribuinte R$ 7.305,51  de imposto suplementar, R$ 5.479,13 de multa de oficio de 75% e R$ 860,58 de juros de mora  sobre o imposto suplementar, calculados até maio de 2008.  O  lançamento, conforme descrição dos fatos e enquadramento  legal de fls. 05,  refere­se  5.  constatação  de  omissão  de  rendimentos  recebidos  de  pessoa  jurídica  quando  confrontados com o valor dos rendimentos informados pela fonte pagadora em Declaração de     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 40 .0 02 68 8/ 20 08 -6 1 Fl. 36DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 08/02/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Processo nº 10940.002688/2008­61  Resolução nº  2102­000.132  S2­C1T2  Fl. 11          2 Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), na base de cálculo relativa ao exercício de 2007,  ano­calendário de 2006.  Já a decisão da DRJ foi assim ementada,     Diante disso e dos demais documentos que constam nos autos, inconteste que há  no presente litígio crédito tributário cuja base de cálculo é decorrente de rendimentos recebidos  acumuladamente.  Voto  Conselheiro Rubens Maurício Carvalho.  O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele  conheço.  Na  forma  do  art.  62A,  caput  e  §  1º  do Anexo  II,  do RICARF,  sempre  que  a  controvérsia tributária seja admitida no rito da repercussão geral (art. 543B do CPC), deverão  as Turmas de  Julgamento do CARF sobrestar o  julgamento de matéria  idêntica nos  recursos  administrativos, aguardando a decisão definitiva da Suprema Corte.  Daí, no âmbito das Turmas de Julgamento da Primeira e Segunda Câmaras da  Segunda  Seção  do  CARF,  a  controvérsia  sobre  a  tributação  dos  rendimentos  recebidos  acumuladamente  deve  ter  o  julgamento  administrativo  sobrestado,  pois  o  STF  reconheceu  a  repercussão geral na matéria, como se vê abaixo (informação extraída do site www.stf.jus.br):  Tema 368 Incidência do imposto de renda de pessoa física sobre  rendimentos  percebidos  acumuladamente.  –  RE  614.406  –  Relatora a Min. Ellen Grace.  O  presente  caso  trata  de  rendimentos  recebidos  acumuladamente,  sendo  certo  que  o  recurso  voluntário  versa  sobre  a  matéria  do  Tema  228  e  deve  ter  seu  julgamento  sobrestado, na forma do art. 62, caput e § 1º, do Anexo II, do RICARF.  Fl. 37DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 08/02/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Processo nº 10940.002688/2008­61  Resolução nº  2102­000.132  S2­C1T2  Fl. 12          3 Ante o exposto, voto no sentido de SOBRESTAR o julgamento do recurso.  Assinado digitalmente.   Rubens Maurício Carvalho ­ Relator  Fl. 38DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 08/02/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO

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Numero do processo: 10882.723458/2012-58
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - MULTA - APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C//C LEI 11.941/08 - APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL - RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados antes da MP 449/2008, convertida na lei 8212/91 fundamenta-se no disposto no art. 35, II da lei 8212/91. A retroatividade benigna para limitar a multa a 20% é incabível, quando constatado que a natureza da multa aplicável no lançamento é "de oficio". AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA - COMPARATIVO DE MULTAS - APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32-A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35-A, penalidade única combinando as duas condutas. Recurso Especial do Contribuinte Negado
Numero da decisão: 9202-003.717
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Maria Teresa Martinez Lopez que davam provimento ao recurso. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/02/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO     2  ACORDAM  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  negar  provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da  Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Maria Teresa Martinez Lopez que davam provimento ao  recurso.    Carlos Alberto Freitas Barreto ­ Presidente.     Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora    Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas  Barreto  (Presidente),  Maria  Teresa  Martinez  Lopez  (Vice­Presidente),  Luiz  Eduardo  de  Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da  Silva, Elaine Cristina Monteiro  e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor  de Souza Lima  Junior, Gerson Macedo Guerra.  Fl. 384DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/02/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.723458/2012­58  Acórdão n.º 9202­003.717  CSRF­T2  Fl. 3          3  Relatório  O  presente  AIOP,  lavrado  sob  o  nº  37.372.919­7,  tem  por  objeto  as  contribuições  sociais  destinadas  ao  custeio  da  Seguridade  Social,  parcela  a  cargo  dos  segurados,  descontada  pela  empresa  e  não  recolhida  em  sua  totalidade,  levantadas  sobre  os  valores  pagos  a  pessoas  físicas  na  qualidade  de  empregados.  O  lançamento  compreende  competências entre o período de 01/2008 a 12/2008.  Ainda conforme o Relatório Fiscal, fls. 148 a 153, foi apurado o comparativo  entre a multa mais benéfica nos termos da MP 448, convertida na lei 11.941/2009, tendo sido  aplicada a multa de 24% e de 75% apenas para c0mpetência 12/2208  Em  sessão  plenária  de  14/08/2013,  foi  negado  provimento  ao  Recurso  Voluntário s/n, prolatando­se o Acórdão nº 2401­003.172 (fls. 296 a 303), assim ementado:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS  PREVIDENCIÁRIAS  Período  de  apuração:  01/01/2008  a  31/12/2008  AI.  NORMAS  LEGAIS PARA SUA LAVRATURA. OBSERVÂNCIA.  CERCEAMENTO  DO  DIREITO  DE  DEFESA.  INOCORRÊNCIA. Não se caracteriza o cerceamento do direito  de  defesa  quando o  fiscal  efetua  o  lançamento  em observância  ao  art.  142  do  CTN,  demonstrando  a  contento  todos  os  fundamentos  de  fato  e  de  direito  em  que  se  sustenta  o  lançamento  efetuado,  garantindo  ao  contribuinte  o  seu  pleno  exercício ao direito de defesa.  LANÇAMENTO.  INFORMAÇÕES  DE  PAGAMENTOS  EFETUADOS  A  PESSOAS  FÍSICAS  CONSTANTES  EM  CONTABILIDADE.  AUSÊNCIA  DE  COMPROVAÇÃO  DOS  PAGAMENTOS. NÃO PRESTAÇÃO DE ESCLARECIMENTOS.  MANUTENÇÃO.  Tendo  em  vista  que  o  lançamento  originouse  do  fato  da  contabilidade  da  recorrente  apontar  pagamentos  efetuados  a  contribuintes  individuais,  sem  que  esta  viesse  a  comprovar  o  recolhimento  dos  valores  devidos  ou  mesmo  se  tratar de verba sobre a qual não deveria incidir as contribuições  previdenciárias, impõese a manutenção do lançamento.  SÓCIOS.  CORRESPONSABILIDADE.  APROPRIAÇÃO  INDÉBITA.  ELABORAÇÃO DE TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA. ART. 135  DO  CTN.  IMPUTAÇÃO  DE  INTERESSE  COMUM  NA  OCORRÊNCIA  DO  FATO  GERADOR.  AUSÊNCIA  DE  MOTIVAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA.  Tendo em vista que no presente caso a autoridade fiscal imputou  a  sujeição  passiva  solidária  ao  sóciogerente  da  empresa,  sem  delinear  no  relatório  fiscal  da  infração  quais  os  motivos  ensejadores  de  sua  conclusão  pela  existência  no  caso  do  interesse  comum na  situação que  se  constituiu  no  fato  gerador  Fl. 385DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/02/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO     4  do  tributo,  é  de  ser  reconhecida  a  improcedência  do  termo  de  sujeição passiva.  AUTO  DE  INFRAÇÃO  POR  DESCUMPRIMENTO  DE  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA.  AUSÊNCIA  DE  INFORMAÇÕES  DE  FATOS  GERADORES  EM  GFIP.  NECESSIDADE  DE  PRÉVIA  INTIMAÇÃO  PARA  CORREÇÃO  DAS  FALTAS.  IMPROCEDÊNCIA  DAS  ALEGAÇÕES.  Improcedem  as  alegações recursais no sentido de que a recorrente deixou de ser  intimada  de  forma  prévia  para  correção  de  erros  em  GFIP,  quando em sentido contrário o relatório fiscal aponta de  forma  expressa  que  em  verdade  a  contribuinte  fora  devidamente  intimada a realizar tal providência.  Recurso Voluntário Negado.  O  contribuinte  foi  cientificado  em  05/12/2013,  tendo  apresentado  recurso  especial,  fls.  314  a  323,  em  20/12/2013,  ou  seja,  tempestivamente.  Em  seu  recurso  visa  rediscutir a  limitação da multa aplicada no presente AI no patamar e 20%, nos  termos da  lei  449/2008, convertida na lei 11.941/2009.  Ao Recurso Especial  foi dado seguimento, conforme o Despacho  fls. 364 a  366.  O recorrente traz como alegações:  ·  Observa que os paradigmas  entendem que  a multa de mora,  quando  aplicada,  deve  ser  limitada  a  20%  de  acordo  com  a  retroatividade  benéfica no art. 61 da Lei 9430/96.  ·  A decisão recorrida, por outro lado, aplicou a multa de mora de 24%  no período entre  janeiro a novembro de 2008 e a multa de ofício de  75%  aos  fatos  ocorridos  em  dezembro  de  2008,  quando  entrou  em  vigor a MP 449/08.  Foram  apresentados  contrarrazões,  fls.  371  a  380,  onde  destaca  a  procuradoria: No que toca à multa, a autoridade fiscal registrou que foram efetuados cálculos,  por  competência,  para  verificação  da  multa  mais  benéfica  ao  contribuinte.  para  efeito  da  apuração da multa mais benéfica ao contribuinte, em hipóteses como a dos presentes autos,  em  que  houve  lançamento  da  obrigação  principal,  bem  como  lançamento  da  obrigação  acessória, deve­se efetuar o seguinte cálculo: somar as multas da sistemática antiga (art. 35,  II  e  art.  32,  IV da  norma  revogada)  e  comparar o  resultado dessa operação  com a multa  prevista no art. 35­A da Lei nº 8.212/91, introduzido pela MP nº 449/2008, convertida na  Lei nº 11.941/2009 e que remete ao art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 (75%). Requer ao final,  seja negado provimento ao Resp do contribuinte.      Fl. 386DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/02/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.723458/2012­58  Acórdão n.º 9202­003.717  CSRF­T2  Fl. 4          5  Voto             Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira ­ Relatora  PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE  O Recurso  Especial  interposto  pelo  contribuinte  é  tempestivo  e  atende  aos  demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido.  DO MÉRITO  LIMITAÇÃO DA MULTA A 20% ­ RETROATIVIDADE BENIGNA  Quanto ao questionamento sobre a multa aplicada, a qual deseja o recorrente  ter  seu  patamar  limitado  a  20%,  entendo  correto  o  posicionamento  adotado  pela  turma  ordinária,  que  ratificou  o  posicionamento  adotado  pelo  auditor  fiscal  em  proceder  ao  lançamento nos termos do normativo vigente à época da lavratura do AI, comparando­o com a  Medida Provisória MP 449/09, convertida na Lei 11.941/2009, que alterou revogou o art. 32, §  4o, da Lei 8.212/91. Assim, manifesto meu entendimento acerca da multa.  No que toca à multa, a autoridade fiscal registrou em seu relatório, fls. 150,  que  foram  efetuados  cálculos,  por  competência,  para  verificação  da multa mais  benéfica  ao  contribuinte comparando­se a da legislação anterior, art. 35 e 32 da Lei nº 8.212/91, na redação  antiga, vigente à época da lavratura do AI e a da legislação atual (art. 35­A da Lei nº 8.212/91,  introduzido  pela Lei  nº  11.941/2009). Como  resultado,  aplicou­se,  para  cada  competência,  a  multa mais benéfica (sistemática anterior ou atual), em face do que dispõe o art. 106 do CTN.  Ainda, no que tange ao cálculo da multa, para entender a natureza das multas  aplicadas  e  por  conseguinte  como  deve  ser  interpretada  a  norma,  passemos  a  algumas  considerações,  tendo em vista que a citada MP alterou a sistemática de cálculo de multa por  infrações relacionadas à GFIP, introduzindo dois novos dispositivos legais, senão vejamos:  Até a edição da MP 449, quando realizado um procedimento fiscal, em que se  constatava  a  existência  de  débitos  previdenciários,  lavrava­se  em  relação  ao  montante  da  contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito ­ NFLD. Caso constatado que,  além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação  de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a  empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória.  Nessa  época  os  dispositivos  legais  aplicáveis  eram  multa  ­  art.  35  para  a  NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100%  da  contribuição  devida  em  caso  de  omissões  de  fatos  geradores  em  GFIP)  para  o  Auto  de  infração de obrigação acessória.  Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32­A,  o qual dispõe o seguinte:  Fl. 387DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/02/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO     6  “Art. 32­A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração  de que trata o  inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo  fixado  ou  que  a  apresentar  com  incorreções  ou  omissões  será  intimado a apresentá­la ou a prestar esclarecimentos e sujeitar­ se­á às seguintes multas:   I  –  de  R$  20,00  (vinte  reais)  para  cada  grupo  de  10  (dez)  informações incorretas ou omitidas; e   II  –  de  2%  (dois  por  cento)  ao  mês­calendário  ou  fração,  incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda  que  integralmente  pagas,  no  caso  de  falta  de  entrega  da  declaração ou entrega após o prazo,  limitada a 20% (vinte por  cento), observado o disposto no § 3o deste artigo.   § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no  inciso  II do  caput  deste  artigo,  será  considerado  como  termo  inicial  o  dia  seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração  e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não­ apresentação,  a  data  da  lavratura  do  auto  de  infração  ou  da  notificação de lançamento.   § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão  reduzidas:   I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo,  mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou   II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação  da declaração no prazo fixado em intimação.   § 3o A multa mínima a ser aplicada será de:   I  –  R$  200,00  (duzentos  reais),  tratando­se  de  omissão  de  declaração  sem  ocorrência  de  fatos  geradores  de  contribuição  previdenciária; e   II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.”   Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35­A que  dispõe o seguinte,   “Art.  35­A.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício  relativos  às  contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplica­se o disposto  no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.”   O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte:  “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as  seguintes multas:  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata “  Fl. 388DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/02/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.723458/2012­58  Acórdão n.º 9202­003.717  CSRF­T2  Fl. 5          7  Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de  forma espontânea pelo contribuinte,  levando ao  lançamento de ofício, a multa a ser aplicada  passa  a  ser  a  estabelecida  no  dispositivo  acima  citado,  ou  seja,  em  havendo  lançamento  da  obrigação  principal  (a  antiga  NFLD),  aplica­se  multa  de  ofício  no  patamar  de  75%.  Essa  conclusão  leva­nos  ao  raciocínio  que  a  natureza  da  multa,  sempre  que  existe  lançamento,  refere­se a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91.  Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de  ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais ­ NFLD ou Autos  de  Infração  de  Obrigação  Principal  ­  AIOP,  pois  estaríamos  na  verdade  retroagindo  para  agravar a penalidade aplicada.  Por  outro  lado,  com  base  nas  alterações  legislativas  não mais  caberia,  nos  patamares  anteriormente  existentes,  aplicação  de  NFLD  +  AIOA  (Auto  de  Infração  de  Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa  a ser exclusivamente de 75%.  No presente caso,  ,  conforme consta do  relatório decorrente da omissão em  GFIP  foram objeto de  lançamento, por meio da notificação  já mencionada e,  tendo havido o  comparativo foi lavrada multa de 24% e o AIOA.   Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de  multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso  II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao  sujeito passivo, face às alterações trazidas.  No caso do AIOP  )ou NFLD)  julgada,  e  alvo  do presente  recurso  especial,  prevaleceu  o  valor  de  multa  aplicado  nos  moldes  do  art.  35,  inciso  II,  revogado  pela  MP  449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, ou seja, 24%.  No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório  a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também  revogado,  o  qual  previa  uma multa  no  valor  de  100%  (cem  por  cento)  da  contribuição  não  declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo.  Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual  das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte:  ·  Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35,  inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a  limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou  ·  Norma  atual,  pela  aplicação  da  multa  de  setenta  e  cinco  por  cento  sobre os valores não declarados,  sem qualquer  limitação, excluído o  valor de multa mantido na notificação.  Assim,  entendo  que  a  multa  aplicada  pelo  auditor  encontra­se  em  perfeita  consonância  com  os  normativos  vigentes.  Note­se  que  a  aplicação  do  somatório  das multas  para  efeitos  de  apuração  da  multa  mais  benéfica,  impossibilita  a  aplicação  da  limitação  da  Fl. 389DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/02/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO     8  multa a 20%, por considerar, que a multa aplicada pela legislação anterior não tem caráter de  moratória, mas de multa de ofício.   CONCLUSÃO  Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pelo  Contribuinte.  É como voto.    Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira                              Fl. 390DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/02/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO

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Numero do processo: 10725.721778/2011-03
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 03/11/2008 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. ISENÇÃO. REQUISITOS. ENTIDADE BENEFICENTE. REQUERIMENTO DE DESISTÊNCIA DA AÇÃO EM RAZÃO DE PEDIDO DE PARCELAMENTO. Requerimento de desistência da ação apresentada por contribuinte em cumprimento ás formalidades do Parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/09. Hipótese em que deve-se declarar a definitividade do crédito tributário face a desistência do sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-003.790
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para declarar a definitividade do lançamento em face da desistência do sujeito passivo. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. (assinado digitalmente) RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI - Relatora. EDITADO EM: 23/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 03/11/2008 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. ISENÇÃO. REQUISITOS. ENTIDADE BENEFICENTE. REQUERIMENTO DE DESISTÊNCIA DA AÇÃO EM RAZÃO DE PEDIDO DE PARCELAMENTO. Requerimento de desistência da ação apresentada por contribuinte em cumprimento ás formalidades do Parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/09. Hipótese em que deve-se declarar a definitividade do crédito tributário face a desistência do sujeito passivo.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para declarar a definitividade do lançamento em face da desistência do sujeito passivo. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. (assinado digitalmente) RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI - Relatora. EDITADO EM: 23/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO   2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas  Barreto  (Presidente),  Maria  Teresa  Martinez  Lopez  (Vice­Presidente),  Luiz  Eduardo  de  Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da  Silva, Elaine Cristina Monteiro  e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor  de Souza Lima  Junior, Gerson Macedo Guerra.    Relatório  Tratas­se  de  processo  baseado  em  lançamentos  fiscais  por  meio  dos  quais  exige­se  o  pagamento  do  principal  e  obrigação  acessória  decorrentes  do  inadimplemento  de  contribuição previdenciária referentes às 01/2008 a 12/2008, haja vista o descumprimento, pelo  contribuinte, dos critérios de isenção previstos extinto art. 55 da Lei nº 8.212/91.  Não  tendo  o  contribuinte  comprovado  o  atendimento  aos  critérios  para  fruição da norma isentiva destinada às entidades beneficentes, exige­se: contribuições devidas  à Seguridade Social incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes  individuais,  relativas  à parcela patronal,  incluindo as  contribuições para  o  financiamento das  prestações  concedidas  em  razão do grau de  incidência de  incapacidade  laborativa decorrente  dos  riscos  ambientais  do  trabalho  ­  SAT/GILRAT  (DEBCAD  37.304.3392),  contribuições  destinadas a outras Entidades/Terceiros (DEBCAD 37.304.3406) e multa pelo descumprimento  de obrigação acessória, pela apresentação da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à  Previdência  Social  (GFIP)  com  dados  não  correspondentes  aos  fatos  geradores  de  todas  as  contribuições previdenciárias (DEBCAD 37.304.3384).  A  autuada  apresentou  impugnações  (fls.  264/280,  727/748  e  1200/1221),  alegando, em síntese, I) nulidade do lançamento em razão da ausência de motivação dos fatos,  II) cumprimento de todos os requisitos legais, tendo informado corretamente os dados em suas  declarações, e III) ilegalidade da multa aplicada haja vista seu elevado valor.  A  Delegacia  de  Julgamento,  por  meio  do  acórdão  12­46.840,  julgou  improcedente as impugnações e manteve os lançamentos realizados.  Em  sede  de  recurso,  o  contribuinte  reitera  seus  argumentos  e  pleiteia  o  reconhecimento  da  inexigibilidade  do  crédito  constituído  em  razão  da  sua  inclusão  no  parcelamento da Lei nº 11.941/09, subsidiariamente pleiteia o afastamento das penalidades pela  aplicação da imunidade e ainda pelo nítido caráter confiscatório.  O Colegiado a quo, por meio do acórdão 2402­003.560, por unanimidade de  votos,  deu  provimento  parcial  ao  Recurso  apenas  para  determinar  o  recálculo  da  multa  de  obrigação  principal  nos  termos  do  artigo  35  da  Lei  n°  8.212/91  vigente  à  época  dos  fatos  geradores,  observado  o  limite  de  75%  e  para  adequação  da  multa  por  descumprimento  da  obrigação acessória ao artigo 32A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica.   Foram  apresentados  recursos  especiais  de  divergência  por  ambos  os  envolvidos.  O recurso da Fazenda Nacional, baseando­se nos acórdãos paradigmas de nº  2401­002.453 e 9202­02.086, insurge­se contra a parte da decisão que fixou novo critério para  o  cálculo  das  multas.  Segundo  a  Procuradoria,  com  base  nos  paradigmas  e  na  Instrução  Normativa  nº  1.027/10,  para  aferição  da  multa  mais  benéfica  ao  sujeito  passivo  deve­se  Fl. 1851DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10725.721778/2011­03  Acórdão n.º 9202­003.790  CSRF­T2  Fl. 3          3 comparar: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos  moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e  das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do  art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa  aplicada  de  ofício  nos  termos  do  art.  35A  da  Lei  nº  8.212,  de  1991,  acrescido  pela  Lei  nº  11.941, de 2009.  No  que  tange  ao  recurso  do  contribuinte,  antes  mesmo  de  submetê­lo  à  análise de admissibilidade, a Associação Fluminense de Assistência à Mulher, à Criança e ao  Idoso  ­  nova  denominação  social  da  Associação  Fluminense  dos  Plantadores  de  Cana  ­  protocolizou pedido de desistência uma vez que a mesma aderiu ao parcelamento especial de  débitos instituído pela Lei nº 11.941/09.  A Fazenda Nacional, em que pese o pedido de desistência apresentado pelo  contribuinte, ratificou o Recurso Especial por ela apresentado.  É o relatório.    Voto             Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri  O Recurso ora discutido preenche os  requisitos  legais,  razão pela qual dele  conheço.  Em que pese o objetivo do  recurso  seja  a discussão dos  critérios utilizados  pelo  acórdão  para  aplicação  da  retroatividade  benigna  de  norma,  haja  vista  as  alterações  promovidas pela MP 449/08 em dispositivos da Lei nº 8.212/91, há nos altos fato relevante que  deve ser considerado.  Após a realização do exame de admissibilidade do recurso apresentado pela  Fazenda  Nacional,  foram  juntados  documentos  ao  processo  e  entre  esses  foi  devidamente  formalizado pedido de desistência da ação pelo Contribuinte.  O pedido de desistência foi formulado nos seguintes termos:  ASSOCIAÇÃO FLUMINENSE DE  ASSISTÊNCIA  À MULHER,  ÀS  CRIANÇA  E  AO  IDOSO  ­  AFAMCI,  nova  razão  social  da  antiga ASSOCIAÇÃO FLUMINENSE DOS PLANTADORES DE  CANA  ­  ASFLUCAN,  já  devidamente  qualificada  no  presente  processo  administrativo,  vem  requer  a  desistência  total  do  Recurso Especial interposto e renunciar à qualquer alegação de  direito  neste  discutida,  tendo  em  vista  o  que  dispõe  a  Lei  nº  11.941/2009 c/c art. 14, caput e seguintes da Portaria Conjunta  PGFN/RFB nº 7, de 15/10/2013.  De fato artigo 14 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 7/2013 é expresso ao  fixar  como  critério  formal  para  adesão  ao  parcelamento  instituído  a  renúncia  por  parte  do  Fl. 1852DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO   4 contribuinte a todo e qualquer direito que fundamente ações judiciais ou administrativas. Eis o  teor do citado artigo:  Art. 14. Para aproveitar as condições de que trata esta Portaria,  o  sujeito  passivo  deverá  desistir  de  forma  irrevogável  de  impugnação  ou  recurso  administrativos,  de  ações  judiciais  propostas  ou  de qualquer defesa  em  sede  de  execução  fiscal  e,  cumulativamente,  renunciar  a  quaisquer  alegações  de  direito  sobre  as quais  se  fundam os  processos  administrativos  e ações  judiciais.  Diante  disto  não  há  mais  o  qualquer  litígio  em  questão,  uma  vez  que  o  contribuinte  renunciou  ao  seu  direito  de  discutir  o  lançamento  efetuado.  Assim,  deve­se  declarar a definitividade do crédito tributário nos moldes em que fixado pelo auto de infração.  Importante mencionar que ao desistir da ação e  solicitar o parcelamento do  débito esse foi  realizado com base exatamente nos valores apurados por meio do lançamento  realizado pelo Fisco ou seja, o contribuinte já pagou ou está pagamento o principal e as multas  ­ ainda que com benefícios ­ segundo os critérios do fiscal, e no caso das multas, o critério do  fiscal  é  exatamente  o  critério  apontado  pela  Fazenda  Nacional  no  presente  recurso  como  correto.  Diante  do  exposto,  conheço  e  dou  provimento  ao  Recurso  para  declarar  a  definitividade  do  crédito  tributário  nos  moldes  em  que  apurado  pelo  auto  de  infração  originalmente lavrado, haja vista o pedido de desistência apresentado sujeito passivo.  Rita  Eliza  Reis  da  Costa  Bacchieri  ­  Relatora                               Fl. 1853DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO

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6243402 #
Numero do processo: 18108.002418/2007-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2003 a 31/05/2006 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. A descrição clara e precisa do conteúdo do lançamento e de sua fundamentação legal afastam pretensas alegações de cerceamento de defesa REMUNERAÇÃO DE CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. PARTE DOS SEGURADOS.APURAÇÃO NA CONTABILIDADE. A empresa é obrigada a arrecadar a contribuição previdenciária do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontando­a da respectiva remuneração recebida, constante de livros contábeis, e recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Incide na espécie a retroatividade prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente autuação ser calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, para as obrigações principais, se mais benéficas ao contribuinte. A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35-A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício.
Numero da decisão: 2301-004.054
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR (Relator), MAURO JOSE SILVA, ADRIANO GONZALES SILVERIO.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2003 a 31/05/2006 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. A descrição clara e precisa do conteúdo do lançamento e de sua fundamentação legal afastam pretensas alegações de cerceamento de defesa REMUNERAÇÃO DE CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. PARTE DOS SEGURADOS.APURAÇÃO NA CONTABILIDADE. A empresa é obrigada a arrecadar a contribuição previdenciária do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontando­a da respectiva remuneração recebida, constante de livros contábeis, e recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Incide na espécie a retroatividade prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente autuação ser calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, para as obrigações principais, se mais benéficas ao contribuinte. A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35-A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR (Relator), MAURO JOSE SILVA, ADRIANO GONZALES SILVERIO.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2089; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C3T1  Fl. 2          1 1  S2­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  18108.002418/2007­01  Recurso nº  999.999   Voluntário  Acórdão nº  2301­004.054  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  14 de maio de 2014  Matéria  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS  Recorrente  L´ATELIER MÓVEIS LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/07/2003 a 31/05/2006  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS  PREVIDENCIÁRIAS  CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.  A  descrição  clara  e  precisa  do  conteúdo  do  lançamento  e  de  sua  fundamentação legal afastam pretensas alegações de cerceamento de defesa   REMUNERAÇÃO  DE  CONTRIBUINTES  INDIVIDUAIS.  PARTE  DOS  SEGURADOS.APURAÇÃO NA CONTABILIDADE.  A empresa é obrigada a arrecadar a contribuição previdenciária do segurado  contribuinte  individual  a  seu  serviço,  descontando­a  da  respectiva  remuneração  recebida,  constante  de  livros  contábeis,  e  recolher  o  valor  arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo.  MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA.  Incide  na  espécie  a  retroatividade  prevista  na  alínea  “c”,  do  inciso  II,  do  artigo  106,  da  Lei  nº  5.172,  de  25  de  outubro  de  1966,  Código  Tributário  Nacional,  devendo  a multa  lançada  na  presente  autuação  ser  calculada  nos  termos  do  artigo  35  caput  da Lei  nº  8.212,  de  24  de  julho  de 1991,  com a  redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, para as obrigações  principais, se mais benéficas ao contribuinte.  A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35­A, da Lei  n.º  8.212/91,  na  redação  dada  pela MP  n.º  449/2008,  convertida  na  Lei  n.º  11.941, multa de ofício.              AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 10 8. 00 24 18 /2 00 7- 01 Fl. 347DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS     2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  I)  Por  maioria  de  votos:  a)  em  dar  provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61,  da  Lei  nº  9.430/1996,  se  mais  benéfica  à  Recorrente,  nos  termos  do  voto  do(a)  Relator(a).  Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em  manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas  demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).        (assinado digitalmente)  Luiz Eduardo de Oliveira Santos  PRESIDENTE  DA  SEGUNDA  SEÇÃO  DE  JULGAMENTO  NA  DATA  DA FORMALIZAÇÃO.        (assinado digitalmente)  Marcelo Oliveira  Relator ad hoc na data da formalização.        Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  MARCELO  OLIVEIRA  (Presidente),  WILSON  ANTONIO  DE  SOUZA  CORREA,  BERNADETE  DE  OLIVEIRA  BARROS, MANOEL  COELHO ARRUDA  JUNIOR  (Relator), MAURO  JOSE  SILVA, ADRIANO GONZALES SILVERIO.  Fl. 348DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 18108.002418/2007­01  Acórdão n.º 2301­004.054  S2­C3T1  Fl. 3          3     Relatório  Conselheiro  Marcelo  Oliveira  ­  Relator  designado  ad  hoc  na  data  da  formalização   Para  registro  e  esclarecimento,  pelo  fato  do  conselheiro  responsável  pelo  relatório ter deixado o colegiado antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazê­ lo.  Esclareço que aqui reproduzo o relato deixado pelo conselheiro nos sistemas  internos do CARF, com as quais não necessariamente concordo.  Feito o registro.    Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  por  L´Atelier  Móveis  Ltda.  em  face  de  acórdão  proferido  pela  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  São  Paulo II (SP), que julgou procedente o lançamento apurado por meio de Notificação Fiscal de  Lançamento  de  Débito  –  NFLD  (DEBCAD:  37.120.787­8),  como  se  depreende  da  ementa  a  seguir colacionada:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS  PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/07/2003 a 31/05/2006   NFLD ­ DEBCAD: 37.120.787­8  CONTRIBUIÇÕES  DE  EMPREGADOS.  0  contribuinte  é  obrigado  a  arrecadar  e  recolher  a  contribuição  previdenciária  devida  pelos  empregados,  descontando­as  das  respectivas  remunerações.  AUSÊNCIA  DE  RECOLHIMENTO.  Constatados  fatos  geradores  sem  recolhimento  das  contribuições  previstas  na  Lei  n°  8.212/91,  a  fiscalização  lavrará  Notificação  Fiscal  de  Lançamento de Débito.  CERCEAMENTO DE DEFESA. A descrição clara e precisa do  conteúdo do  lançamento e de  sua  fundamentação  legal afastam  pretensas alegações de cerceamento de defesa DECADÊNCIA.  0  prazo  para  a  Seguridade  Social  apurar  e  constituir  seus  créditos é de dez anos.  ILEGALIDADE.  Não  cabe  a  discussão  de  ilegalidade  ou  inconstitucionalidade  de  legislação  vigente,  na  esfera  administrativa.  Lançamento Procedente  Fl. 349DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS     4 Conforme consta do Relatório Fiscal (fls.04­07),o presente Auto de infração  foi  lavrado  por  deixar  a  empresa  de  arrecadar,  mediante  desconto  das  remunerações,  as  contribuições  de  contribuintes  individuais,correspondentes  a  11%  dos  montantes  pagos  referente às competências 01/07/2003 a 31/05/2006.  De acordo com o Auto de Infração,foram infringidos os art. 30, I, a, da Lei nº  8.212/91  c/c  216,  inciso  I,  alínea  a  do Regulamento  da Previdência  Social  (RPS),  aprovado  pelo Decreto 3.048/99, ensejando, assim, a aplicação da penalidade nos termos do art. 283, I, g  e art. 373 do RPS.  O  contribuinte  foi  regularmente  cientificado  da  ação  fiscal  por  meio  de  Mandado  de  Procedimento  Fiscal—MPF  (às  fls.  10/17),tendo  sido  solicitada  a  exibição  de  documentos  através  dos Termos  de  Intimação  para Apresentação  de Documentos—TIAD(às  fls.18/23),com datas de ciência em 10/04/2007, 27/04/2007, 28/06/2007, 21/08/2007.  Tendo  sido  intimada  do  lançamento,  a  Recorrente  apresentou  impugnação  argüindo a nulidade do auto,com base nos seguintes argumentos:  (a) A auditoria fiscal atribuiu ao impugnante responsabilidades que a ele não  cabia  e  aplicou  critérios  legais  anacrônicos  para  a  determinação  do  quantum  debeatur;  (b)Foram protocolizadas defesas para cada uma das infrações lavradas com amparo no MPF, as  quais, obrigatoriamente, deverão ser levadas em consideração no julgamento desse expediente;  (c)  Não  há  clareza  nem  precisão  quanto  aos  exatos  descumprimentos  apontados;  (d)O  preenchimento  inadequado  dos  relatórios  e  dos  documentos  integrantes  do  processo  administrativo­fiscal previdenciário cerceiam o direito de defesa do impugnante.  Instada  a  se manifestar  sobre  a  Impugnação,  10ª  Turma  da DRJ/SPOII,  no  acórdão  nº  17­24.921,  julgou  improcedente  a  impugnação,  sob  o  argumento  de  que  as  alegações suscitadas não foram capazes de demonstrar a existência de vício formal que possa  O  órgão  julgador  argumenta  que  o  débito  em  epígrafe,  refere­se  a  competências  06/2002  e  0712003,  por  não  ter  o  defendente  comprovado  o  recolhimento  à  Previdência  Social  de  contribuições  a  que  estão  obrigados  os  segurados  empregados  é  de  responsabilidade da empresa, mediante desconto das respectivas remunerações. Informa ainda,  em  seu  acórdão  que,  o  crédito  previdenciário  teve  como  fato  gerador,  o  pagamento  da  remuneração dos segurados empregados.  Entende a delegacia que conforme descrito no relatório fiscal, o fato gerador  foi  constatado  e  as  bases  de  cálculo  foram  apuradas  a  partir  do  exame  das  Guias  de  Recolhimento  do  FGTS  e  Informações  à  Previdência  Social  —  GFIP,  elaboradas  e  apresentadas pelo contribuinte à fiscalização (fls 12).  Quanto ao eventual cerceamento de defesa, entendeu o acórdão recorrido que  não merece  acolhimento,  pois  os  valores  devidos  foram  apurados  após  exame  detalhado  de  lançamentos­  contábeis  e  de Guias  de Recolhimento  do  FGTS  e  Informações  à  Previdência  Social — GFIP elaborados e apresentados pelo contribuinte à fiscalização.  No que tange a decadência, a Delegacia da Receita alega que o direito de a  Seguridade Social constituir seus créditos extingue­se após dez anos, como prevê o art.45 da  Lei 8.212/91. A decadência é contada do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o  crédito  poderia  ter  sido  constituído,  como  disciplina  o  inciso  I  do  supramencionado  artigo.  Dessa forma, A NFLD ora guerreada, foi emitida por não ter o contribuinte comprovado, até a  data  de  sua  emissão,  o  recolhimento  das  contribuições  devidas  à  Previdência  Social  e  aos  Fl. 350DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 18108.002418/2007­01  Acórdão n.º 2301­004.054  S2­C3T1  Fl. 4          5 Terceiros conveniados, no período de 06/2002 a 07/2003, ainda não alcançado pela decadência  para fins de constituição de crédito previdenciário.  Por  fim,  o  questionamento  do  contribuinte  sobre  a  afronta  dos  dispositivos  constitucionais também foi rechaçada pelo órgão julgador que apreende que tais assuntos não  são objetos de apreciação pela instancia administrativa, cabendo ao Supremo Tribunal Federal  a  declaração  de  inconstitucionalidade  de  lei  ou  ato  normativo  federal,  ao  Senado  Federal  a  suspensão de execução de lei declarada inconstitucional pelo STF, conforme o art. 102, inciso  I,  "a",  inciso  III,  "b"  e  art.  52,  inciso  X,  da  CONSTITUIÇÃO  DA  REPÚBLICA  FEDERATIVA DO BRASIL de 1988.  O  Contribuinte  foi  devidamente  intimado  do  acórdão  recorrido  em  18/08/2008, e interpôs o Recurso Voluntário na data de 16/09/2008, transcrevendo as mesmas  irresignações anteriormente descritas em sua impugnação ao Notificação Fiscal de Lançamento  de Débito – NFLD.  É o relatório.  Fl. 351DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS     6   Voto             Conselheiro  Marcelo  Oliveira  ­  Relator  designado  ad  hoc  na  data  da  formalização.  Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo voto  ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazê­lo.  Esclareço que aqui reproduzo ­ integralmente ­ as razões de decidir do então  conselheiro, constantes dos arquivos do CARF, com as quais não necessariamente concordo.  Feito o registro.    Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame do mérito.  1) DO CERCEAMENTO DE DEFESA   O  contribuinte  pretende  ver  declarada  a  nulidade  da  NFLD  lavrada  pelo  INSS, pois ao seu ver não há clareza nem precisão quanto às infrações apontadas pelo Auditor  Fiscal.   Sustenta  ainda  que  o  preenchimento  inadequado  do  relatório  fiscal  e  de  outros  documentos  integrantes  do  processo  administrativo  fiscal­previdenciário  teria  prejudicado a contribuinte, cerceando o seu direito de defesa.   Quanto  ao  procedimento  da  fiscalização  e  formalização  do  lançamento  também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e  11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis:  Art.  10.  O  auto  de  infração  será  lavrado  por  servidor  competente,  no  local  da  verificação  da  falta,  e  conterá  obrigatoriamente:  I  a  qualificação  do  autuado;  II  o  local,  a  data  e  a  hora  da  lavratura;  III  a  descrição  do  fato;  IV  a  disposição  legal  infringida  e  a  penalidade  aplicável;  V  a  determinação  da  exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de  trinta  dias;  VI  a  assinatura  do  autuante  e  a  indicação  de  seu  cargo ou função e o número de matrícula.  Art.  11. A notificação de  lançamento  será  expedida pelo órgão  que administra o tributo e conterá obrigatoriamente:  I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o  prazo para recolhimento ou  impugnação; III a disposição legal  infringida,  se  for  o  caso;  IV  a  assinatura  do  chefe  do  órgão  expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu  cargo ou função e o número de matrícula.  Fl. 352DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 18108.002418/2007­01  Acórdão n.º 2301­004.054  S2­C3T1  Fl. 5          7 O  recorrente  foi  devidamente  intimado  de  todos  os  atos  processuais  que  trazem  fatos  novos,  assegurando­lhe  a  oportunidade  de  exercício  da  ampla  defesa  e  do  contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto.  Art. 23. Far­se­á a intimação:  I  pessoal,  pelo  autor  do  procedimento  ou  por  agente  do  órgão  preparador,  na  repartição  ou  fora  dela,  provada  com  a  assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou,  (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997)  II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via,  com  prova  de  recebimento  no  domicílio  tributário  eleito  pelo  sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997)  III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos  nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004)  A  decisão  recorrida  também  atendeu  às  prescrições  que  regem  o  processo  administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa  dos  fundamentos  e  se  revestiu  de  todas  as  formalidades  necessárias.  Não  contém,  portanto,  qualquer vício que suscite  sua nulidade, passando,  inclusive,  pelo  crivo do Egrégio Superior  Tribunal de Justiça:  Art.  31.  A  decisão  conterá  relatório  resumido  do  processo,  fundamentos  legais,  conclusão  e  ordem  de  intimação,  devendo  referir­se,  expressamente,  a  todos  os  autos  de  infração  e  notificações  de  lançamento  objeto  do  processo,  bem  como  às  razões  de  defesa  suscitadas  pelo  impugnante  contra  todas  as  exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993).  “PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  NULIDADE  DO  ACÓRDÃO.  INEXISTÊNCIA.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  SERVIDOR  PÚBLICO  INATIVO.  JUROS  DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ.  1.  Não  há  nulidade  do  acórdão  quando  o  Tribunal  de  origem  resolve  a  controvérsia  de  maneira  sólida  e  fundamentada,  apenas não adotando a tese do recorrente.  2. O  julgador  não  precisa  responder  a  todas  as  alegações  das  partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar  a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas  indicados “. (RESP 946.447RS– Min. Castro Meira – 2ª Turma–  DJ 10/09/2007 p.216).  Portanto,  em  razão  do  exposto  e  nos  termos  das  regras  disciplinadoras  do  processo administrativo fiscal, não se identificam vícios de procedimento capazes de tornarem  nulos quaisquer dos atos praticados:  Art. 59. São nulos:  I  os  atos  e  termos  lavrados  por  pessoa  incompetente;  II  os  despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou  com preterição do direito de defesa.  Fl. 353DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS     8 Sendo  assim,  não  se  vê  mácula  na  ação  fiscal,  não  devendo  prosperar  portanto o argumento da recorrente.  2) MÉRITO  2.1 Contribuintes Individuais  A  escrituração  contábil,  até  prova  em  contrário,  evidencia  a  realidade  dos  fatos. A peça acusatória do lançamento apresenta a conta contábil com os valores pagos e os  segurados beneficiários dos pagamentos, todos, em princípio, pessoas físicas. A recorrente não  contesta  tal condição; apenas defende que não sendo segurados empregados, a está sujeita ao  pagamento da contribuição previdenciária.  Continuando,  as  folhas  de  pagamentos  foram  preparadas  pelo  próprio  recorrente  e  nelas  estão  escrituradas  parcelas  reconhecidamente  remuneratórias,  conforme  passa­se ao exame das exações exibidas no relatório discriminativo analítico do débito. Todas  as  rubricas  levantadas  decorrem  de  regras­matrizes  legalmente  criadas  e  que,  portanto,  não  podem  ser  afastadas  do  lançamento  sob  pena  de  se  negar  aplicação  aos  diplomas  legais  legitimamente inseridos no ordenamento jurídico. Cuidou a autoridade fiscal de demonstrar ao  recorrente  em  seu  relatório  de  fundamentos  legais  do  débito  todos  os  dispositivos  legais  e  regulamentares que impõem a obrigação tributária de recolhimento. Pela mesma razão já aqui  apontada,  não  compete  a  este  julgador  afastar  a  aplicação  das  normas  legais.  Neste mesmo  sentido é a legitimidade da incidência de juros e multa de mora. Os artigos 35 e 35A da Lei n°  8.212,  de  24/07/91  criaram  regras  claras  para  os  acréscimos  legais,  que  somente  podem  ser  dispensados por expressa determinação de lei.  Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das  contribuições  sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art.  11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição  e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras  entidades  e  fundos,  não  pagos  nos  prazos  previstos  em  legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora,  nos  termos  do  art.  61  da  Lei  no  9.430,  de  27  de  dezembro  de  1996.  Art. 35A.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício  relativos  às  contribuições  referidas no art. 35 desta Lei, aplica­se o disposto no art. 44 da  Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.  Em razão da clareza do lançamento e do reconhecimento das bases de cálculo  pelo  próprio  recorrente,  é  prescindível  qualquer  diligência  ou  perícia  para  a  necessária  convicção no  julgamento do presente  recurso, devendo­se aplicar o disposto nas normas que  disciplinam o processo administrativo tributário, in verbis:  DECRETO Nº 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972.  Art.  18.  A  autoridade  julgadora  de  primeira  instância  determinará,  de  ofício  ou  a  requerimento  do  impugnante,  a  realização  de  diligências  ou  perícias,  quando  entendê­las  necessárias,  indeferindo  as  que  considerar  prescindíveis  ou  impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine.  (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993)  Fl. 354DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 18108.002418/2007­01  Acórdão n.º 2301­004.054  S2­C3T1  Fl. 6          9 Nesse sentido, não acolho a arguição recorrente.  2.2Multa  Em  relação  à  multa  há  de  se  registrar  que  o  dispositivo  legal  que  lhe  dá  supedâneo foi alterado pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, merecendo verificar a questão  relativa à  retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do  inciso  II, do artigo 106, da Lei nº  5.172, de 25 de outubro de 1966.  Segundo as novas disposições legais, a multa de mora que antes respeitava a  gradação prevista na  redação original do artigo 35, da Lei nº 8.212, de 24 de  julho de 1991,  passou a ser prevista no caput desse mesmo artigo, mas agora limitada a 20% (vinte por cento),  uma vez  que  submetida  às  disposições  do  artigo  61  da Lei  nº  9.430,  de  27  de dezembro  de  1996.  Incabível a comparação da multa prevista no artigo 35­A da Lei nº 8.212/91,  já que este dispositivo veicula multa de ofício, a qual não existia na legislação previdenciária à  época do  lançamento e, de acordo com o artigo 106 do Código Tributário Nacional deve ser  verificado o fato punido.   Ora  se  o  fato  “atraso”  aqui  apurado  era  punido  com  multa  moratória,  consequentemente, com a alteração da ordem jurídica, só pode lhe ser aplicada, se for o caso, a  novel multa moratória, prevista no caput do artigo 35 acima citado.   Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II,  do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo  a multa  lançada  na  presente  autuação  ser  calculada nos  termos  do  artigo  35  caput  da Lei  nº  8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009,  se mais benéfica ao contribuinte.   2.3 SELIC  No tocante à taxa SELIC, cumpre asseverar que sobre o principal apurado e  não recolhido,  incidem os juros moratórios, aplicados conforme determina o artigo 34 da Lei  8.212/91:  “... As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas  pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento,  pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas  aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de  Liquidação e de Custódia – SELIC, a que se refere o artigo 13,  da  Lei  n.º  9.065,  de  20  de  junho  de  1995,  incidentes  sobre  o  valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável.”  O art. 161 do CTN prescreve que os juros de mora serão calculados à taxa de  1% (um por cento) ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. No caso das contribuições  em tela, há lei dispondo de modo diverso, ou seja, o aludido art. 34 da Lei 8.212/91 dispõe que  sobre as contribuições em questão incide a Taxa SELIC.  Portanto,  está  correta  a  aplicação  da  referida  taxa  a  título  de  juros,  perfeitamente  utilizável  como  índice  a  ser  aplicado  às  contribuições  em  questão,  recolhidas  com atraso, objetivando recompor os valores devidos.   Fl. 355DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS     10 Ainda,  quanto  à  admissibilidade  da  utilização  da  taxa  SELIC,  ressaltamos  que o Segundo Conselho, do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, aprovou ­  na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicada no D.O.U. de 26/09/2007, Seção 1,  pág. 28 ­ a Súmula 3, que dita:  É  cabível  a  cobrança  de  juros  de  mora  sobre  os  débitos  para  com  a  União  decorrentes  de  tributos  e  contribuições  administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com  base  na  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liqüidação  e  Custódia – Selic para títulos federais.  E, com a criação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF,  tal súmula foi consolidada na Súmula CARF n.º 4:  A partir de 1º de abril  de 1995, os  juros moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia ­  SELIC para títulos federais.  3) CONCLUSÃO  Pelo  exposto,  voto  pelo  CONHECIMENTO  do  Recurso  Voluntário  interposto,  para,  no  mérito,  DAR­LHE  PROVIMENTO  PARCIAL,  devendo  a  multa  ser  aplicada conforme previsto no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996,  se mais benéfica à Recorrente,  nos termos do voto, para as competências até 11/2008.  É como voto.    Foi  assim  que  o  conselheiro  votou  na  sessão  de  julgamento,  conforme  registro.    (assinado digitalmente)  Marcelo Oliveira  Relator ad hoc na data da formalização                                Fl. 356DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/11/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS

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