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Numero do processo: 10865.900331/2008-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
RESTITUIÇÃO - INEXISTÊNCIA DE PRESCRIÇÃO AQUISITIVA E DE DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO PERQUIRIR DIREITO CREDITÓRIO
O evento da decadência veda as atividades inerentes ao ato de lançamento, no que toca à verificação da ocorrência do fato gerador, à determinação da matéria tributável, ao cálculo do montante do tributo devido, etc.
Deste modo, realmente não há que se pensar em adição de receitas omitidas, glosa de despesas, alteração em coeficientes de apuração ou alíquota, etc.
Mas o que se discute especificamente neste processo é a legitimidade do indébito a ser restituído/compensado, e, para isso, considero perfeitamente possível averiguar a efetiva ocorrência dos pagamentos que o geraram, notadamente pelo fato do Fisco está dentro do quinquídio legal para análise do pedido de compensação formulado pelo contribuinte, nos termos do §5º, do art.74 da Lei n.º 9.430/96.
COMPENSAÇÃO - ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO
Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal.
IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL. RECONHECIMENTO COMO SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE
As estimativas mensais, quer calculadas sobre base estimada, quer a partir de balanços ou balancetes de suspensão ou redução, não são extintivas do crédito tributário, vez que constituem mera antecipação do tributo a ser apurado ao final do ano-calendário.
Dessa forma, sendo mera antecipação, não há que se falar em pagamento indevido ou a maior passível de repetição. Assim, trataremos o presente caso como compensação de saldo negativo do IRPJ, pois o mero erro formal do Contribuinte em indicar nos PER/DCOMP os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado pelo conjunto destas mesmas estimativas, não é fator impeditivo do reconhecimento do seu direito creditório como tal (saldo negativo), razão pela qual também há que se negar a incidência de juros de mora a partir do pagamento indevido, mas sim a partir de 1 de janeiro de 2002.
Numero da decisão: 1302-002.022
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de decadência suscitada, e, no mérito, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Júlio Lima Souza Martins (Suplente Convocado), Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 RESTITUIÇÃO INEXISTÊNCIA DE PRESCRIÇÃO AQUISITIVA E DE DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO PERQUIRIR DIREITO CREDITÓRIO O evento da decadência veda as atividades inerentes ao ato de lançamento, no que toca à verificação da ocorrência do fato gerador, à determinação da matéria tributável, ao cálculo do montante do tributo devido, etc. Deste modo, realmente não há que se pensar em adição de receitas omitidas, glosa de despesas, alteração em coeficientes de apuração ou alíquota, etc. Mas o que se discute especificamente neste processo é a legitimidade do indébito a ser restituído/compensado, e, para isso, considero perfeitamente possível averiguar a efetiva ocorrência dos pagamentos que o geraram, notadamente pelo fato do Fisco está dentro do quinquídio legal para análise do pedido de compensação formulado pelo contribuinte, nos termos do §5º, do art.74 da Lei n.º 9.430/96. COMPENSAÇÃO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL. RECONHECIMENTO COMO SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE As estimativas mensais, quer calculadas sobre base estimada, quer a partir de balanços ou balancetes de suspensão ou redução, não são extintivas do crédito tributário, vez que constituem mera antecipação do tributo a ser apurado ao final do anocalendário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 03 31 /2 00 8- 91 Fl. 3295DF CARF MF Processo nº 10865.900331/200891 Acórdão n.º 1302002.022 S1C3T2 Fl. 3.296 2 Dessa forma, sendo mera antecipação, não há que se falar em pagamento indevido ou a maior passível de repetição. Assim, trataremos o presente caso como compensação de saldo negativo do IRPJ, pois o mero erro formal do Contribuinte em indicar nos PER/DCOMP os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado pelo conjunto destas mesmas estimativas, não é fator impeditivo do reconhecimento do seu direito creditório como tal (saldo negativo), razão pela qual também há que se negar a incidência de juros de mora a partir do pagamento indevido, mas sim a partir de 1 de janeiro de 2002. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de decadência suscitada, e, no mérito, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente. (assinado digitalmente) MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Júlio Lima Souza Martins (Suplente Convocado), Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Por bem sintetizar o processo, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto SP a seguir transcrito: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento Fl. 3296DF CARF MF Processo nº 10865.900331/200891 Acórdão n.º 1302002.022 S1C3T2 Fl. 3.297 3 indevido ou a maior de tributo (IRPJ estimativa, código de arrecadação 2362), concernente ao período de apuração 06/2001. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, de acordo com suas próprias razões: que seria nulo o despacho decisório recorrido por ausência de fundamentação e motivação do indeferimento do pedido, com afronta a dispositivos legais e constitucionais; que os dados sobre o alegado crédito foram devidamente informados em PER/DCOMP, não havendo razão para o indeferimento do pedido sob alegação de que os valores são inexistentes; que os dados sobre o alegado crédito foram devidamente informados em PER/DCOMP, não havendo razão para o indeferimento do pedido sob alegação de que os valores são inexistentes; que caberia as autoridades fiscais diligenciar junto à empresa para averiguar os valores informados em PER/DCOMP, em observância ao princípio da verdade material e as disposições constitucionais que regem a administração pública; que “a simples declaração da existência de um crédito a ser restituído e/ou compensado com outros débitos administrados pela Receita Federal já é suficiente para que a fiscalização federal utilize todos os meios hábeis para comprovar a veracidade do pedido do contribuinte, em especial a comprovação da existência de um crédito tributário”; Ao final requer seja julgada procedente a Manifestação de Inconformidade, anulando o despacho decisório recorrido e restabelecidas as compensações efetuadas. Fl. 3297DF CARF MF Processo nº 10865.900331/200891 Acórdão n.º 1302002.022 S1C3T2 Fl. 3.298 4 Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em sua decisão, a Delegacia de Julgamento afirmou que as estimativas mensais não poderiam caracterizar pagamento a maior passível de compensação, dada a sua natureza de mera antecipação. Contudo, entendeu que deveria examinar eventual apuração, pela Contribuinte, de saldo negativo de IRPJ no período em questão (2001), já que este poderia indicar a existência de crédito líquido e certo passível de compensação. Fl. 3298DF CARF MF Processo nº 10865.900331/200891 Acórdão n.º 1302002.022 S1C3T2 Fl. 3.299 5 Nesse contexto, fez uma série de considerações e enumerou requisitos para a caracterização de saldo negativo a ser restituído/compensado, firmando que a Contribuinte não havia apresentado qualquer documentação em sua peça impugnatória. Inconformada com a decisão de primeira instância administrativa, da qual tomou ciência em 28/07/2010, a Contribuinte apresentou em 26/08/2010 o recurso voluntário com os argumentos abaixo: DOS FATOS Em virtude das antecipações efetuadas a título de imposto de renda durante o anocalendário 2001, ao final do exercício a Recorrente apurou saldo negativo de IRPJ, razão pela qual decidiu solicitar a restituição/compensação dos valores pagos a maior, por meio da transmissão de diversas Declarações de Compensação utilizando o indigitado crédito (Doc. 03); DA PROVA Inicialmente, importante destacar a necessidade do conhecimento dos documentos acostados ao presente recurso voluntário que atestam a legitimidade do crédito proveniente da apuração de saldo negativo de IRPJ no exercício de 2001 (Doc. 04 – DARF´s; Doc. 05 DIPJ/2001; e Doc. 06 LALUR/2001), em obediência ao princípio da verdade material que norteia o procedimento administrativo fiscal federal; É imperioso o conhecimento do presente recurso voluntário e a análise dos argumentos expostos, que indubitavelmente acarretarão no reconhecimento integral dos créditos de IRPJ e, por consectário, na extinção dos débitos compensados; Ainda que a existência do crédito não tenha sido comprovada quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, em razão da necessidade de se observar o princípio da verdade material, a Recorrente pode fazêlo neste momento sem prejuízos; Fl. 3299DF CARF MF Processo nº 10865.900331/200891 Acórdão n.º 1302002.022 S1C3T2 Fl. 3.300 6 DO DIREITO DO CRÉDITO PLEITEADO A Recorrente adotava a sistemática de apuração do IRPJ por estimativa mensal, tendo efetuado pagamentos estimados no decorrer do ano calendário de 2001 (vide doc. 04) e, com o fechamento de seu balanço contábil, verificou o pagamento a maior do referido tributo, gerando, desta forma, o denominado saldo negativo (vide doc. 05); Referida sistemática encontra respaldo no artigo 6°, § 1°, inciso II, da Lei n° 9.430/96; Da análise dos documentos fiscais acostados pela Recorrente é possível constatar a apuração do saldo negativo de IRPJ no importe de R$ 140.283,14 vide doc. 05 DIPJ/2001), sendo certo que esse crédito é suficiente para liquidar o débito debatido no presente procedimento administrativo, bem como todos os demais débitos extintos com a utilização do referido saldo negativo através da transmissão de PER/DCOMP's; A Recorrente possuía um crédito no valor de R$ 140.283,14, o qual foi corretamente utilizado para quitar débitos administrados pela Receita Federal do Brasil; Inclusive, remanesceu em favor do Recorrente saldo credor de R$ 40.887,18, mesmo após ter efetuado as compensações supra mencionadas; Em que pese a Recorrente tenha informado nas PER/DCOMP's o valor dos recolhimentos por estimativa, e não o saldo negativo, é certo que esse procedimento não fulmina a existência do seu crédito tributário; Da análise dos documentos fiscais acostados ao recurso, e principalmente da DIPJ/2001 e das guias DARF´s, é visível que todos os recolhimentos mensais por estimativa (vide docs. 04 e 05) geraram recolhimentos a maior, os quais são passíveis de compensação; Fl. 3300DF CARF MF Processo nº 10865.900331/200891 Acórdão n.º 1302002.022 S1C3T2 Fl. 3.301 7 O crédito utilizado pela Recorrente é líquido e certo, não havendo razão para a manutenção do indeferimento da presente compensação, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional e artigo 74 da Lei n° 9.430/96; Diante da comprovação da existência do saldo negativo de IRPJ através da DIPJ anocalendário 2001, não obstante o preenchimento do PER/DCOMP tenha sido efetuado com o valor do IRPJ recolhido por estimativa, não há razão para o não reconhecimento do direito creditório pleiteado; Um simples vício formal não tem o condão de extinguir o direito da Recorrente, mesmo porque a Receita Federal do Brasil, através de seu banco de dados, tem como verificar os valores efetivamente recolhidos a título de IRPJ; A D. Autoridade Julgadora, por ter todas as informações em seu sistema, poderia ter verificado a sua existência, ou ter intimado a Recorrente a apresentar documentos capazes de comprovar o crédito, não podendo simplesmente indeferir o pleito da Recorrente; A simples ocorrência de erro formal não macula a existência do crédito apurado em decorrência dos recolhimentos a maior efetuados pela Recorrente no anocalendário de 2001 a título de IRPJ; Tendo em vista que no caso em tela o crédito pleiteado decorre de recolhimentos efetuados a maior, devidamente comprovados através do saldo negativo apurado no anocalendário 2001 (vide docs. 04 e 05), e compensados dentro do prazo legal, é de rigor o reconhecimento do direito creditório pleiteado pela Recorrente, com a consequente extinção do débito compensado; DA DECADÊNCIA Cabe destacar, ainda, que no caso em tela o crédito de IRPJ apurado no anocalendário 2001 não pode ser objeto de questionamento por parte das autoridades fiscais, em razão da decadência; Fl. 3301DF CARF MF Processo nº 10865.900331/200891 Acórdão n.º 1302002.022 S1C3T2 Fl. 3.302 8 O saldo negativo apurado em 2001 foi homologado tacitamente em 2007, extinguindose o direito do Fisco de discutir o crédito compensado, nos termos do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional; Sendo o IRPJ um tributo sujeito ao lançamento por homologação, o contribuinte apura o valor do tributo, o declara e efetua o pagamento do montante que considera devido, sendo certo que no caso em discussão, a Recorrente ao invés de apurar saldo devedor de IRPJ, no final do exercício de 2001, apurou crédito, o qual foi devidamente discriminado na DIPJ ano calendário 2001; Assim, caberia ao Fisco o dever de fiscalizar os procedimentos adotados pelo contribuinte, e realizar o lançamento das eventuais diferenças apuradas dentro do quinquídio legal; Uma vez que o saldo negativo apurado pela Recorrente nunca foi alvo de contestação pela D. Autoridade Fiscal, é certo que as informações declaradas na DIPJ do anocalendário 2001 encontramse homologados, ainda que tacitamente; O saldo negativo apurado pela Recorrente no ano de 2001 foi tacitamente homologado em 2007, com a consequente ausência do direito da D. Autoridade Fiscal em discordar da compensação efetuada pela Recorrente; A decisão administrativa proferida em 24/04/2008 é manifestamente extemporânea, haja vista que o ano de 2007 o saldo negativo de IRPJ não era mais passível de glosa por parte da D Autoridade Fiscal. Exatamente nesse sentido é a jurisprudência firmada por este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (decisões transcritas); E nem que se diga que a DIPJ retificadora, transmitida em 08/03/2004, tenha alterado o marco inicial para o decurso do prazo decadencial, haja vista que, como consabido, o prazo decadencial não é interrompido ou suspenso. Além disso, a referida declaração não alterou a composição do saldo negativo apurado originalmente no anocalendário de 2001; Fl. 3302DF CARF MF Processo nº 10865.900331/200891 Acórdão n.º 1302002.022 S1C3T2 Fl. 3.303 9 Contandose o prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, a apuração do saldo negativo referente ao ano de 2001, utilizado para a quitação de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, foi tacitamente homologado no ano de 2007, motivo pelo qual, mais uma vez, devem ser reconhecidas como legítimas as compensações efetuadas pela Recorrente; DO PEDIDO A Recorrente solicita seja o presente recurso conhecido e provido para que seja reconhecido o direito creditório pleiteado, bem como para que sejam homologadas as compensações efetuadas. Vindo os autos para julgamento por este Egrégio Conselho, o mesmo foi convertido em diligência para esclarecer os seguintes pontos (177/187), litteris: É necessário que os autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal em Limeira/SP, para que aquela unidade: 1) junte aos autos cópia integral da DIPJ do anocalendário de 2001; 2) verifique e informe: a base de cálculo e o respectivo IRPJ no anocalendário de 2001; o valor das estimativas recolhidas referentes a 2001; o valor das retenções sofridas a título deste imposto no mesmo período; as receitas relativas a estas retenções, averiguando se elas foram computadas pela Contribuinte na base de cálculo do imposto; 3) apresente relatório circunstanciado esclarecendo se há saldo negativo de IRPJ a ser restituído/compensado, e qual o seu valor; 4) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias. Baixado os autos em diligência, foi produzido relatório circunstanciado pela Delegacia da Receita Federal de Limeira/SP, aduzindo, resumidamente, o seguinte (fls. 3261/3265): Fl. 3303DF CARF MF Processo nº 10865.900331/200891 Acórdão n.º 1302002.022 S1C3T2 Fl. 3.304 10 2 O valor do saldo negativo de IRPJ é de R$ 140.283,14, mas o crédito utilizado pelo contribuinte para compensação limitouse ao valor do pagamento, esclarecendo que não foi utilizado o pagamento de R$ 106,87, feito para o mês de maio de 2001: 3 Não há previsão legal para restituição de ofício. Portanto o crédito original a ser reconhecido na totalidade dos processos não pode ser superior a R$ 94.185,13. Intimada do relatório de diligência, a recorrente pleiteia que seja homologada a sua PERDCOMP tendo em visto o reconhecimento na integralidade do valor do seu saldo negativo de IRPJ, no montante de R$ 140.283,14. É o relatório. Voto Conselheiro MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA O presente Recurso Voluntário foi apresentado em conformidade com o que dispõe o art. 33, do Decreto 70.235/72, portanto, dele conheço. Quanto ao argumento da decadência trazido pela recorrente, entendemos que não é aplicável ao caso vertente. É certo que após o transcurso do prazo decadencial, não pode o Fisco realizar procedimento fiscal visando modificar a base de cálculo do tributo, seja para exigir débitos, ou para reverter/reduzir prejuízo fiscal. Fl. 3304DF CARF MF Processo nº 10865.900331/200891 Acórdão n.º 1302002.022 S1C3T2 Fl. 3.305 11 O evento da decadência veda as atividades inerentes ao ato de lançamento, no que toca à verificação da ocorrência do fato gerador, à determinação da matéria tributável, ao cálculo do montante do tributo devido, etc. Deste modo, realmente não há que se pensar em adição de receitas omitidas, glosa de despesas, alteração em coeficientes de apuração ou alíquota, etc. Mas o que se discute especificamente neste processo é a legitimidade do indébito a ser restituído/compensado, e, para isso, considero perfeitamente possível averiguar a efetiva ocorrência dos pagamentos que o geraram, notadamente pelo fato do Fisco está dentro do quinquídio legal para análise do pedido de compensação formulado pelo contribuinte, nos termos do §5º, do art.74 da Lei n.º 9.430/96. Por isso a alegação de decadência não tem o efeito pretendido pela recorrente, no sentido de justificar uma restituição automática do alegado direito creditório. Superada essa questão, passamos a análise do mérito propriamente dito. Compulsando a PERDCOMP (19173.84208.130504.1.7046020) objeto da presente lide, observase que o contribuinte pleiteou a compensação de seu débito tributário com crédito decorrente de pagamento indevido ou maior de IRPJ referente a estimativa do mês de junho de 2001, senão vejamos: Fl. 3305DF CARF MF Processo nº 10865.900331/200891 Acórdão n.º 1302002.022 S1C3T2 Fl. 3.306 12 O despacho decisório não reconheceu o direito creditório da recorrente pelo seguinte motivo (fls.06): Fl. 3306DF CARF MF Processo nº 10865.900331/200891 Acórdão n.º 1302002.022 S1C3T2 Fl. 3.307 13 Pela legislação relativa à apuração do imposto de renda (IRPJ), para as pessoas jurídicas optantes pelo lucro real, temse que os pagamentos efetuados pela contribuinte no decorrer dos meses do ano civil são recolhimentos por estimativa, configurando antecipações do tributo devido no final do período anual de apuração. Ou seja, a interessada, porquanto fez a opção prevista no artigo 2° da Lei n° 9.430/96, fica obrigada aos recolhimentos mensais por estimativa, com base na receita bruta, devendo, ao final do anocalendário, proceder a apuração do tributo devido, sendo autorizada a dedução dos valores anteriormente recolhidos por estimativa, para efeitos de determinação do tributo a pagar. Da leitura do texto legal podese inferir que o lucro real, deve ser apurado trimestralmente, como regra, e que a apuração anual é uma alternativa que, para seu exercício requer pagamentos mensais por estimativa nos termos dos artigos 222, 223, 228 a 230 do RIR/99. Assim, a pessoa jurídica, ao optar pela apuração do imposto de renda com base no lucro real anual, poderá suspender ou reduzir o pagamento do tributo devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do tributo, calculado com base no lucro real do período em curso. O levantamento de balanços ou balancetes mensais equivale ao próprio ajuste efetuado entre o mês de janeiro e o mês de levantamento do balanço ou balancete. O tributo calculado com base no lucro real daquele período (janeiro ao mês de levantamento do balanço) será comparado com todo o tributo recolhido sobre as operações de janeiro até mês anterior ao do levantamento do balanço ou balancete. Se a soma dos pagamentos efetuados for maior que o tributo devido apurado com base no balanço ou balancete, a empresa não terá que pagar o tributo relativo ao mês de levantamento do balanço. Se o tributo apurado no balanço ou balancete for maior, a empresa deverá pagar a diferença. Fl. 3307DF CARF MF Processo nº 10865.900331/200891 Acórdão n.º 1302002.022 S1C3T2 Fl. 3.308 14 Portanto, as estimativas mensais, quer calculadas sobre base estimada, quer a partir de balanços ou balancetes de suspensão ou redução, não são extintivas do crédito tributário, vez que constituem mera antecipação do tributo a ser apurado ao final do ano calendário. Dessa forma, sendo mera antecipação, não há que se falar em pagamento indevido ou a maior passível de repetição. Assim, trataremos o presente caso como compensação de saldo negativo do IRPJ, pois o mero erro formal do Contribuinte indicar nos PER/DCOMP os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado pelo conjunto destas mesmas estimativas, não é fator impeditivo do reconhecimento do seu direito creditório como tal (saldo negativo), razão pela qual também há que se negar a incidência de juros de mora a partir do pagamento indevido, mas sim a partir de 1 de janeiro de 2002. Passando a análise do mérito do caso em apreço, o pedido formalizado em PER/DCOMP tem por objeto o crédito do tipo "pagamento indevido ou a maior" de IRPJ estimativa mensal de junho de 2001, código de arrecadação 2362. O relatório de diligência ao analisar de forma pormenorizada o cálculo do Imposto de Renda por estimativa no anocalendário de 2001 afirmou o seguinte: 3 No anocalendário de 2001, o contribuinte apurou os seguintes valores de IRPJ devido por estimativa: Fl. 3308DF CARF MF Processo nº 10865.900331/200891 Acórdão n.º 1302002.022 S1C3T2 Fl. 3.309 15 Fl. 3309DF CARF MF Processo nº 10865.900331/200891 Acórdão n.º 1302002.022 S1C3T2 Fl. 3.310 16 O total de imposto de renda retido na fonte deduzido na apuração do imposto de renda devido por estimativa é de R$ 26.432,29 e para validar o saldo negativo apurado, o contribuinte teria que ter sofrido retenção no valor total de R$ 45.991,14 e ter oferecido a receita correspondente à tributação. A retenção feita pela fonte pagadora Bradesco já comprova a retenção deduzida bem como o valor oferecido à tributação. Assim, o valor do saldo negativo de IRPJ confirmado é de R$ 140.283,14. (...) Fl. 3310DF CARF MF Processo nº 10865.900331/200891 Acórdão n.º 1302002.022 S1C3T2 Fl. 3.311 17 Diante da análise pormenorizada efetuada pela unidade preparadora, não restam dúvidas quanto ao direito creditório do contribuinte. Contudo, andou bem a unidade preparadora ao chamar a atenção deste colegiado que o contribuinte não pleiteou a compensação do seu saldo negativo de IRPJ (R$ 140.283,14), mas sim do pagamento indevido ou a maior por ele pleiteado em suas DCOMP´s, totalizando a quantia de R$ 94.185,13, isto é, o seu direito creditório está limitado a tal montante. Ante o exposto, voto no sentido de REJEITAR a preliminar de decadência suscitada, e, no mérito em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, reconhecendo a compensação efetivada como saldo negativo do IRPJ até o limite do seu direito creditório que totaliza a quantia original de R$ 94.185,13, conforme tabela abaixo enumerada, incidindo correção monetária a partir de 1 de janeiro de 2002. É como voto. Fl. 3311DF CARF MF Processo nº 10865.900331/200891 Acórdão n.º 1302002.022 S1C3T2 Fl. 3.312 18 MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA Relator Fl. 3312DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.003251/2007-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 02 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-000.874
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o presente julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram a presente Resolução.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o presente julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram a presente Resolução. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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score : 1.0
Numero do processo: 13637.720208/2015-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Para reconhecimento da isenção decorrente de moléstia grave prevista no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713/1988 e alterações, os rendimentos precisam ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Aplicação da Súmula nº 63 do CARF.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-003.709
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de diligência suscitada pelo Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, que restou vencido, juntamente com os Conselheiros Martin da Silva Gesto e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa. No mérito, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencida a Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto (Relatora), que negou provimento ao recurso. Foi designado o Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto para redigir o voto vencedor.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
(Assinado digitalmente)
Rosemary Figueiroa Augusto - Relatora
(Assinado digitalmente)
Dilson Jatahy Fonseca Neto - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada, Theodoro Vicente Agostinho (Suplente convocado).
Nome do relator: ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2014 MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. Para reconhecimento da isenção decorrente de moléstia grave prevista no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713/1988 e alterações, os rendimentos precisam ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Aplicação da Súmula nº 63 do CARF. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de diligência suscitada pelo Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, que restou vencido, juntamente com os Conselheiros Martin da Silva Gesto e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa. No mérito, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencida a Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto (Relatora), que negou provimento ao recurso. Foi designado o Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto para redigir o voto vencedor. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente (Assinado digitalmente) Rosemary Figueiroa Augusto - Relatora (Assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada, Theodoro Vicente Agostinho (Suplente convocado).
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PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. Para reconhecimento da isenção decorrente de moléstia grave prevista no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713/1988 e alterações, os rendimentos precisam ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Aplicação da Súmula nº 63 do CARF. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de diligência suscitada pelo Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, que restou vencido, juntamente com os Conselheiros Martin da Silva Gesto e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa. No mérito, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencida a Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto (Relatora), que negou provimento ao recurso. Foi designado o Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto para redigir o voto vencedor. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 63 7. 72 02 08 /2 01 5- 07 Fl. 90DF CARF MF Processo nº 13637.720208/201507 Acórdão n.º 2202003.709 S2C2T2 Fl. 91 2 Rosemary Figueiroa Augusto Relatora (Assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada, Theodoro Vicente Agostinho (Suplente convocado). Relatório Contra o sujeito passivo foi lavrada notificação de lançamento de IRPF (fls. 24/28), relativa ao exercício 2014, anocalendário 2013, por omissão de rendimentos recebidos das fontes pagadoras: Fundação Petrobrás de Seguridade Social Petros, no valor de R$ 56.587,50; e Fundo Especial de Previdência do Município do Rio de Janeiro, no valor de R$ 4.646,80. Na impugnação às fls. 02/03, o contribuinte alega se tratar de rendimentos isentos do imposto de renda em razão de ser portador de moléstia grave. Trouxe os documentos de fls. 04/15. Em prévia análise dos fatos, a unidade de origem manteve a autuação, sob o fundamento de que o laudo pericial apresentado não foi assinado por médico vinculado ao serviço oficial de saúde da União, Estado, Distrito Federal ou Município, conforme Termo Circunstanciado e Despacho de fls. 34/35. Ciente desses Despachos, o contribuinte apresentou, ainda, a manifestação e documentos de fls. 42/64, esclarecendo que procurou o Serviço Médico Oficial de Saúde do Município de Barbacena MG e foi atendido pela Drª Maristella, a qual homologou, com aposição de carimbo, o referido laudo pericial. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Brasília (DF), às fls. 67/71, ao analisar os autos, concordou com o entendimento da unidade lançadora de que o laudo apresentado não foi assinado por médico vinculado a serviço médico oficial, e manteve a infração. Inconformado, o contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 79/81, alegando em síntese que o laudo em questão foi assinado pelo Dr. Antônio Carlos Jorge Miziara, integrante do Centro Barbacenense de Assistência Médica e Social, associação privada em oncologia, e que também foi assinado pela Dra. Maristela M. Meneghin, médica do Centro Ambulatorial Agostinho Paolucci (SESAP Secretatia Municipal de Saúde Pública); que o referido Centro é um Hospital Municipal, como reconhecido no Termo Ciscunstanciado; Fl. 91DF CARF MF Processo nº 13637.720208/201507 Acórdão n.º 2202003.709 S2C2T2 Fl. 92 3 e que foi orientado na própria Agência da Receita Federal de Barbacena/MG a se dirigir a esse serviço médico. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. São necessárias duas condições para que os rendimentos recebidos por portadores de moléstias graves definidas em lei sejam isentos do imposto sobre a renda: (i) ser a moléstia atestada em laudo emitido por serviço médico oficial da União, Estados, DF ou Municípios; (ii) os rendimentos serem provenientes de aposentadoria, pensão, reserva remunerada ou reforma, conforme Lei nº 7.713/1998 e Súmula CARF nº 63, a seguir: Lei nº 7.713/1988 : Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; Súmula CARF Nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. (destaquei) No caso dos autos, observase que os comprovantes de rendimentos de aposentadoria, apresentados às fls. 10/12, foram aceitos pelo Fisco, posto que não apontados como motivo para manter a infração. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 13637.720208/201507 Acórdão n.º 2202003.709 S2C2T2 Fl. 93 4 A questão controversa se resume em definir se o laudo médico apresentado pelo contribuinte às fls. 13 e reapresentado às fls. 87, foi emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, tendo a fiscalização assim consignado no Termo de fls. 34: (...) o Laudo apresentado não foi considerado apto para comprovação da isenção uma vez que não foi identificado o vínculo empregatício entre o médico emitente do laudo e o Serviço Médico Oficial identificado no campo próprio. No referido laudo médico (fls. 13 e 87), emitido em 13/02/2014 e com validade até 13/02/2015, consta que o contribuinte é portador de neoplasia maligna CID C44 (da pele), desde 10/2001, e que a doença é passível de controle. Nesse laudo, há carimbos de dois serviços de saúde: Centro Barbacenense de Assistência Médica e Social (CNPJ 19.557.487/000136), que é entidade privada (de acordo com o documento de fls. 46 e como reconhece o contribuinte em seu recurso, às fls. 80); e Centro Ambulatorial Dr. Agostinho Paolucci (CNPJ 17.095.043/000109), serviço médico do Município de Barbacena/MG, conforme fls. 82. Embora o laudo tenha sido emitido pelo Dr. Antônio Carlos Jorge Miziara (identificação no cabeçalho do laudo e carimbo junto à assinatura), também consta a assinatura da Dra. Maristela M. Meneghin. Ao analisar essa situação, a primeira instância administrativa manteve a infração, sob o entendimento de que o mencionado laudo não estava assinado por médico vinculado a serviço oficial de saúde. Nesse sentido, o § 5º, do art. 6º, da Instrução Normativa RFB nº 1.500, de 29/10/2014, esclarece as informações mínimas que o laudo pericial para fins de isenção do imposto de renda deve conter: Art. 6º (...) (...) § 5º O laudo pericial a que se refere o § 4º deve conter, no mínimo, as seguintes informações: I o órgão emissor; II a qualificação do portador da moléstia; III o diagnóstico da moléstia (descrição; CID10; elementos que o fundamentaram; a data em que a pessoa física é considerada portadora da moléstia grave, nos casos de constatação da existência da doença em período anterior à emissão do laudo); IV caso a moléstia seja passível de controle, o prazo de validade do laudo pericial ao fim do qual o portador de moléstia grave provavelmente esteja assintomático; e Fl. 93DF CARF MF Processo nº 13637.720208/201507 Acórdão n.º 2202003.709 S2C2T2 Fl. 94 5 V o nome completo, a assinatura, o nº de inscrição no Conselho Regional de Medicina (CRM), o nº de registro no órgão público e a qualificação do(s) profissional(is) do serviço médico oficial responsável(is) pela emissão do laudo pericial. (...) (Grifouse) Como se vê, nos termos desse dispositivo, necessário que o profissional responsável pela emissão do laudo tenha “nº de registro no órgão público”, o que ocorre quando há vinculo de emprego com o referido órgão. Assim, em relação ao Dr. Antônio Carlos Jorge Miziara, constatase que este não possuiu vínculo com o serviço médico oficial Centro Ambulatorial Dr. Agostinho Paolucci, conforme extratos do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) de 44 e declaração de fls. 45, trazidos pelo contribuinte. Quanto a Dra. Maristela M. Meneghin, o extrato do CNES trazido pela recorrente às fls. 85, também demonstra a ausência de vínculo empregatício entre ela e o Centro Ambulatorial Dr. Agostinho Paolucci. Logo, não se confirmando esse vínculo, os médicos em questão não podem ser considerados como integrantes do serviço médico oficial em comento, para a finalidade de emissão de laudo que ateste a isenção. Por essas razões, concluise que esse laudo não foi emitido por serviço médico oficial, conforme exige o art. 30, da Lei nº 9.250, de 26/12/1995 e a súmula 63 do CARF. Dessa forma, voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Rosemary Figueiroa Augusto Relatora Voto Vencedor A despeito das bem fundamentadas argumentações apresentadas pela i.Relatora, devo divergir no tocante ao preenchimento dos requisitos legais pelo laudo apresentado. Por um lado, percebese que, como bem ressaltou a i.Relatora, o art. 6°, §5°, V, da IN RFB n° 1.500/2014 exige: V o nome completo, a assinatura, o n°de inscrição no Conselho Regional de Medicina (CRM), o n° de registro no órgão público e a qualificação do(s) profissional(is) do serviço médico oficial responsável(is) pela emissão do laudo pericial. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 13637.720208/201507 Acórdão n.º 2202003.709 S2C2T2 Fl. 95 6 Diferentemente do que entendeu a i.Relatora, contudo, não observo nesse "n° de registro no órgão público" uma exigência de vínculo empregatício, vez que especialmente na atividade médica não é incomum o cadastro de profissionais na forma de prestador de serviço autônomo. Nesse sentido, é suficiente qualquer vínculo jurídico que permita ao profissional assinar em nome do órgão público. Foi esse o caso em relação à Dra. Maristela M. Meneghin, como se denota do extrato do CNES trazido pela recorrente (fl. 85), na qual ela consta como "autônoma", com vínculo de 20h/semana e atrelada ao SUS. Efetivamente, exigir o vínculo empregatício não apenas ultrapassa os parâmetros da IN como, inclusive, cria um obstáculo estranho ao Contribuinte: dirigindose ao órgão público, lá deverá requerer do médico que o atenda, antes de elaborar um laudo, que comprove a natureza do seu vínculo; não tendo vínculo empregatício, terá de exigir o atendimento por outro profissional. Pior, dois Contribuinte que, tendo se dirigido ao mesmo órgão público, com a mesma doença, terão situação diferente um sendo aceito o seu laudo e outro não exclusivamente em função da sua sorte de ter sido ou não atendido por profissional empregado ou autônomo. Em suma, entendo que não se pode deixar de conhecer do laudo em razão desse fundamento e, consequentemente, que a Contribuinte deve ter o seu direito reconhecido. Dispositivo: Diante de tudo quanto exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto redator designado. Fl. 95DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.725463/2011-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011
Ementa:
COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Cabe ao contribuinte efetivamente comprovar, nos termos e prazos da legislação de regência, a liquidez e certeza dos créditos que pretende compensar. A ausência de comprovação afasta o direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 2202-003.774
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 Ementa: COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Cabe ao contribuinte efetivamente comprovar, nos termos e prazos da legislação de regência, a liquidez e certeza dos créditos que pretende compensar. A ausência de comprovação afasta o direito creditório pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 54 63 /2 01 1- 18 Fl. 395DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase, em breves linhas, de compensação não homologada. Tendo a Contribuinte apresentado Manifestação de Inconformidade, a DRJ negou provimento ao pleito. Inconformada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário que, em primeiro julgamento, foi convertido em diligência por este e.CARF. Os autos ora retornam, com a informações da DRF. Feito o breve resumo da lide, passo ao relatório pormenorizado dos autos. A Contribuinte apresentou uma série de PER/DCOMP's alegando crédito inicial de R$ 13.054.822,871, provenientes de Processo Administrativo anterior, especificamente 10168.000416/201130. Nº PER/DCOMP nº Data da Entrega Retificadora fls. 1 25843.48650.180311.1.3.040014 18/03/2011 Não 2/5 2 32027.42265.310511.1.3.048503 31/05/2011 Não 6/9 3 06693.41705.150611.1.3.047273 15/06/2011 Não 10/3 4 22624.54250.250311.1.3.048067 23/03/2011 Não 14/19 5 04655.45848.150411.1.3.049310 15/04/2011 Não 20/23 6 13876.31187.200411.1.3.040000 20/04/2011 Não 24/27 7 37985.74018.250411.1.3.044738 25/04/2011 Não 28/33 8 25326.22022.160511.1.3.041090 16/05/2011 Não 34/37 9 41957.75184.250511.1.3.041061 25/05/2011 Não 38/41 10 29204.02282.190811.1.3.047292 19/08/2011 Não 42/45 11 17795.60935.200611.1.3.040537 20/06/2011 Não 46/49 12 16602.45220.240611.1.3.040063 24/06/2011 Não 50/55 13 15730.33084.300611.1.3.042091 30/06/2011 Não 56/59 14 33849.85015.060711.1.7.049073 06/07/2011 Sim nº 12 60/65 15 19924.10040.190711.1.3.043833 19/07/2011 Não 66/69 1 Na PER/DCOMP nº 25843.48650.180311.1.3.040014 foi alegado crédito de R$ 13.151.044,67 (fl. 3) Na PER/DCOMP nº 05716.56379.150311.1.3.040820 foi alegado crédito de R$ 13.185.371,10 (fl. 95) Fl. 396DF CARF MF Processo nº 10166.725463/201118 Acórdão n.º 2202003.774 S2C2T2 Fl. 396 3 16 05450.54887.220711.1.3.045534 22/07/2011 Não 70/73 17 30001.04775.250711.1.3.046203 25/07/2011 Não 74/79 18 29976.22888.290711.1.3.042000 29/07/2011 Não 80/83 19 09788.73264.150811.1.3.047832 15/08/2011 Não 84/87 20 18507.26858.250511.1.3.044020 25/05/2011 Não 88/93 21 05716.56379.150311.1.3.040820 15/03/2011 Não 94/97 22 09744.69256.290411.1.3.049807 29/04/2011 Não 98/101 23 08387.83504.310311.1.3.048510 31/03/2011 Não 102/105 Em 11/08/2011 foi emitido o Memorando SACP/CGH nº 0304/2011 DRF/BSB/Diort solicitando o envio dos autos do processo nº 10168.000416/201130 para subsidiar a análise dos PER/DCOMP's apresentados pela Contribuinte (fl. 106). Em 22/08/2011 foi enviado em resposta o Memorando nº 1/2011/PROT SEDE/SAMF/SPOA/SE/MFDF informando que foi pedido desistência do referido processo, com esclarecimento que havia sido protocolado o processo nº 10168.000683/201026, e que os documentos a ele anexados haviam sido devolvidos à Contribuinte (Fl. 107). Como consequência, foi emitida em 25/08/2011 a Intimação nº 707/2011 para que, nos termos dos arts. 927 e 928 do RIR/1999, a Contribuinte apresentasse a documentação comprobatória do seu direito creditório (fl. 109). Recebida essa intimação, a Contribuinte solicitou prorrogação do prazo, informando que solicitaria cópias integrais dos autos do processo nº 10168.000416/201130 (fl. 110 e docs. anexos fls. 111/113). Posteriormente, a Contribuinte protocolou nova petição informando que ainda não conseguira os documentos porquanto o processo nº 10168.000416/201130 foi "eliminado/cancelado" sem qualquer notificação, esclarecimento ou resposta ao Contribuinte, mas que ainda aguardava a obtenção de cópia dos autos e que, ato contínuo, apresentaria os documentos solicitados (fl. 121/122 e docs. anexos fls. 123/127). Em 23/09/2011 foi proferido Despacho Decisório DRF/BSB/Diort (fls. 128/133) informando que a Compensação não foi homologada à falta de comprovação da existência e da origem do crédito. Intimada em 18/10/2011 (fl. 145), a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 17/11/2011 (fls. 150/166 e docs. anexos fls. 167/303) solicitando (1) efeito suspensivo em relação ao seu débito; (2) cópia do processo nº 10168.000416/201130 ou do protocolo de desistência do referido processo; (3) emissão de Certidão Positiva com Efeitos de Negativa. Levado a julgamento em sede de primeiro grau, a DRJ proferiu o acórdão nº 0349.052, de 31/07/2012 (fls. 307/311) que restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 Fl. 397DF CARF MF 4 Per/Dcomp Compensação de débitos tributários com crédito de pagamento indevido ou a maior. A compensação de débitos de tributos ou contribuições sociais administrados pela Receita Federal do Brasil somente poderá ser autorizada pela autoridade administrativa fiscal com crédito líquido e certo a favor do sujeito passivo, contra a Fazenda Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada em 20/09/2012 (fl. 312), e ainda inconformada, a Contribuinte opôs Recurso Voluntário em 16/10/2012 (fls. 322/345), argumentando, em síntese: · Que a ciência do dia 20/09/2012 foi dada a pessoas alheias ao processo, posto que haviam pendências entre os escritórios que representavam a Contribuinte. Nesse sentido, pede reabertura do prazo para apresentação de Pedido de Reconsideração e/ou Embargos de Declaração; · Que deve ser analisado o Pedido de Restituição constante no processo administrativo nº 10168.000416/201130 antes dos pedidos de compensação ora analisados, porquanto aquele processo é a origem do crédito utilizado nestas compensações; · Que o acórdão recorrido se equivocou ao concluir que era descabida a análise do processo referente ao Pedido de Restituição; · Que o fisco não pode se escusar de apresentar cópias do processo nº 10168.000416/201130 ao argumento de que houve pedido de desistência e devolução da documentação sem sequer comprovar estes fatos; · Que a Contribuinte juntou aos autos do processo nº 10168.000416/201130 os documentos originais, razão pela qual não dispõe deles para instruir os presentes autos; · Que a desistência/cancelamento do processo administrativo nº nº 10168.000416/201130, feita à revelia da participação da Contribuinte, constitui violação aos arts. 48, 49 e 59 da Lei nº 9.784/99 e inclusive do art. 5º, XXXII e XXXIV da CF/1988; · Que a mesma Lei nº 9.784/99 determina que as manifestações dos contribuintes/administrados e dos agentes administradores devem ser feitas por escrito (arts. 2º, 3º, 5º, 6º e 22), de sorte que é necessária a apresentação do multicitado "pedido de desistência"; · Que o art. 6º da Lei nº 12.016/2009 (Lei do Mandado de Segurança) assegura à Recorrente o direito líquido e certo de exigir uma cópia ou a exibição do pedido de desistência do processo nº 10168.000416/201130; Fl. 398DF CARF MF Processo nº 10166.725463/201118 Acórdão n.º 2202003.774 S2C2T2 Fl. 397 5 · Que, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, com alterações posteriores, o débito da Contribuinte deve ser considerado extinto sob condição de ulterior homologação enquanto não sobrevier decisão no processo administrativo nº 10168.000416/201130; e · Pede (1) a emissão de Certidão Positiva com Efeitos de Negativa; (2) o retorno dos autos à 1º instância para a juntada dos documentos constantes no processo nº 10168.000416/201130; e (3) concessão do efeito suspensivo ao Recurso Voluntário. Levado a julgamento em sede de 2º grau, o CARF proferiu a Resolução nº 2202000.579, de 14/04/2014 (fls. 373/375), no qual registrou que não há nos autos qualquer informação precisa de qual a origem do crédito que se pede restituição nos autos do processo nº 10168.000416/201130, o que impede a certeza com relação à competência para análise do processo, determinando o retorno dos autos à origem para que se informe qual a natureza do crédito tributário objeto do pedido de restituição e de compensação. Após o encaminhamento dos autos à DIORT, foi anexada informação de que o processo nº 10168.000416/201130 encontrase "eliminado/cancelado" (fl. 380). Também foram anexadas capas e informações referentes ao processo administrativo nº 10168.000683/201026, que versou sobre pedido de restituição de COFINS (fls. 381/386). Enfim, foi juntado aos autos a Informação Fiscal nº 922/2015/DIORT/DRF/BSB Diligência (fls. 387/390), que constatou: "Nessa linha, com a extinção do processo nº 10168.000416/201131, não há como verificar a natureza do direito creditório junto a esse processo e, consequentemente, resta prejudicado o atendimento à Resolução do CARF nº 2202 000.579. Cabe observa que, conforme o parágrafo 02 do Memorando [nº 1/2011/PROT/SEDE/SAMF/SPOA/SE/MFDF], a desistência do processo nº 10168.000416/201131 ocorreu em virtude da protocolização do processo nº 10168.000683/201026 (fl. 381/386), cujo assunto é crédito judicial de PIS" fls. 388/389. Outrossim, consta dos autos um "Termo de Desentranhamento" (fl. 120) informando a exclusão das fls. de nº 116 a 119, em função da modificação do conteúdo do despacho decisório. É o relatório. Voto Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Fl. 399DF CARF MF 6 Do pedido de reabertura de prazo: A Contribuinte argumenta, preliminarmente, que a ciência foi dada a pessoa estranha aos autos, de sorte que só teve efetivo conhecimento da decisão 20 dias depois, causando prejuízo ao seu direito de defesa. Acontece que, compulsando os autos, é possível observar, na fl. 312, a ciência foi dada a um Thiago Ramos Sá Gondim no dia 20/09/2012. À fl. 315 consta substabelecimento datado de 30/07/2012 pelo patrono Germano Cesar de Oliveira Cardoso em prol daquele primeiro. Enfim, observase à fl. 313 procuração dada pela Contribuinte ao senhor Germano Cesar Oliveira Cardoso no dia 07/05/2012, na qual se concede poderes de representação "ad judicia et extra", indicando especificamente, entre outros, poderes de representação em processos administrativos e, entre outras instituições públicas, a Secretaria da Receita Federal. Nesse sentido, percebese que a pessoa que tomou conhecimento da decisão em 20/09/2012 tinha sim competência para fazêlo, ainda que não fosse a pessoa que viria a firmar a defesa administrativa. Por essa razão, não é possível dar provimento a esse pedido. Da suspensão da exigibilidade do crédito tributário: A Contribuinte argumenta, ainda, pela suspensão da exigibilidade do crédito tributário, com a emissão de Certidão Positiva com Efeitos de Negativa, frente à interposição do recurso voluntário. O CTN é expresso, em seu art. 151, que a apresentação de recursos administrativos têm o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário. Igualmente, o Decreto nº 70.235/1972, ratifica o efeito suspensivo do Recurso Voluntário em seu art. 33. Por esses motivos, assiste razão ao pedido da Contribuinte. Da diligência Pleiteia a Contribuinte, ainda, que os autos sejam devolvidos à 1ª instância para que sejam juntados os documentos constantes no processo administrativo nº 10168.000416/201130. Essa diligência já foi feita nos termos da Resolução CARF nº 2202 000.579, de 14/04/2014, inclusive com o objetivo de se averiguar a verdadeira competência para o julgamento desse processo. Em resposta à diligência, foi juntado aos autos a Informação Fiscal nº 922/2015/DIORT/DRF/BSB, da qual transcrevemos o seguinte trecho: "Da leitura dos três parágrafos do Memorando encaminhado pelo Setor de Protocolo do Edifício Sede, acima transcritos, percebese que o processo 10168.000416/201131 foi cancelado no sistema COMPROT e que a documentação que havia nesse processo foi devolvida ao contribuinte. Nessa linha, com a extinção do processo 10168.000416/201131, não há como verificar a natureza do direito creditório junto a esse processo e, consequentemente, resta prejudicado o atendimento à Resolução do CARF nº 2202000.579." fl. 388; Em outras palavras, com base nessas informações, concluise que não é possível a juntada aos autos dos documentos constantes no processo nº 10168.000416/201130. Fl. 400DF CARF MF Processo nº 10166.725463/201118 Acórdão n.º 2202003.774 S2C2T2 Fl. 398 7 Em suma, não é possível converter o julgamento em diligência posto que impraticável, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/1972. Do sobrestamento processo vinculado: Argumenta a Contribuinte, em síntese, que o crédito sobre o qual lastreou seus pedidos de compensação encontrase comprovado nos autos do processo administrativo fiscal nº 10168.000416/201130 e, por essa razão, deve ser dado provimento às compensações ou, pelo menos, devese aguardar o julgamento deste outro processo antes da resolução da presente lide. Efetivamente, o RICARF discorre sobre os processos vinculados em no art. 6º do Anexo II: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. (...) § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III do § 1º, se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. (...) § 6º Na hipótese prevista no § 4º se não houver recurso a ser apreciado pelo CARF relativo ao processo principal, a unidade preparadora deverá devolver ao colegiado o processo convertido em diligência, juntamente com as informações constantes do processo principal necessárias para a continuidade do julgamento do processo sobrestado. (...) Efetivamente, tem razão a Contribuinte em tese, mas não no caso prático, quando pede que este processo seja vinculado ao processo de Pedido de Restituição no qual baseou seu crédito. Percebese, entretanto, que os autos já foram convertidos em diligência e, Fl. 401DF CARF MF 8 nesta, foi informado que o processo que seria principal já não existe. Portanto, recai na hipótese do art. 6º, §6º, do Anexo II ao RICARF, supratranscrito, que determina o julgamento do processo decorrente com base nas informações do processo principal. Outrossim, ainda que a situação concreta cause estranheza, uma vez que esse processo principal não veio ao CARF, não pode este órgão se pronunciar sobre a sua tramitação. Do mérito Enfim, o Código Tributário Nacional é expresso em afirmar que: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Em outras palavras, só é possível a compensação de créditos entre o COntribuinte e a Fazenda Nacional mediante a comprovação de créditos líquidos e certos em favor daquele. O ônus dessa comprovação é do postulante, i.e., daquele de almeja realizar a compensação, no caso, a Contribuinte. Essa é a jurisprudência desta casa: Acórdão CSRF nº 9101002.548, 07/02/2017: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. Tratandose de fato constitutivo de direito, cujo ônus da prova incumbe ao autor, em conformidade com o art. 373, inciso I, do Código de Processo Civil CPC (Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015), e tendo em vista que a existência, certeza e liquidez do crédito pleiteado são requisitos essenciais ao deferimento da restituição/compensação requerida, na forma do art. 170 do Código Tributário Nacional CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), compete ao sujeito passivo, que dele pretende se beneficiar, a efetiva comprovação daquele crédito, não cabendo opor a esse ônus alegações de decadência ou de homologação tácita por parte do Fisco. Acórdão CARF nº 2401004.612, de 08/02/2017: COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. De acordo com o tradicional critério de distribuição do ônus probatório, cabe ao sujeito passivo comprovar a liquidez e a certeza do seu direito creditório utilizado no procedimento de compensação de contribuições previdenciárias em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP). Acórdão CARF nº 3301003.171, de 20/02/2017: RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PER/DECOMP. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS Nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos Fl. 402DF CARF MF Processo nº 10166.725463/201118 Acórdão n.º 2202003.774 S2C2T2 Fl. 399 9 probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido. Acórdão CARF nº 1201001.545, de 25/01/2017: COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Cabe ao contribuinte efetivamente comprovar, nos termos e prazos da legislação de regência, a liquidez e certeza dos créditos que pretende compensar. A ausência de comprovação afasta o direito creditório pleiteado. No caso, se é verdade que a situação concreta apontada pela Contribuinte causa estranheza, também é verdade que esta não comprovou a existência do crédito, nem mesmo trouxe aos autos cópias das petições e dos documentos que supostamente juntou naquele processo de restituição. Nesse contexto, entendo que não ser possível dar provimento ao pleito da Contribuinte. Dispositivo Diante de tudo quanto exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (ASSINADO DIGITALMENTE) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Fl. 403DF CARF MF
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Numero do processo: 13839.908142/2009-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 30/01/2003
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS
Nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido.
Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 30/01/2003
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. VIDROS DE SEGURANÇA APLICADOS EM VEÍCULOS AUTOMÓVEIS.
O produto denominado vidros de segurança não emoldurados utilizados como pára-brisas e nas janelas dos veículos automóveis, classifica-se na posição 7007 da TIPI.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/01/2003
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA
Não padece de nulidade o despacho decisório, proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.192
Decisão:
ACORDAM os membros da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 30/01/2003 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS Nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido. Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 30/01/2003 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. VIDROS DE SEGURANÇA APLICADOS EM VEÍCULOS AUTOMÓVEIS. O produto denominado vidros de segurança não emoldurados utilizados como pára-brisas e nas janelas dos veículos automóveis, classifica-se na posição 7007 da TIPI. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/01/2003 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA Não padece de nulidade o despacho decisório, proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado.
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COMPENSAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Recorrente VITROTEC VIDROS DE SEGURANÇA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 30/01/2003 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS Nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 30/01/2003 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. VIDROS DE SEGURANÇA APLICADOS EM VEÍCULOS AUTOMÓVEIS. O produto denominado vidros de segurança não emoldurados utilizados como párabrisas e nas janelas dos veículos automóveis, classificase na posição 7007 da TIPI. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/01/2003 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA Não padece de nulidade o despacho decisório, proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 81 42 /2 00 9- 52 Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13839.908142/200952 Acórdão n.º 3301003.192 S3C3T1 Fl. 3 2 ACORDAM os membros da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário contra o Acórdão 1429.691, exarado pela 2ª Turma da DRJ/RPO em face de Despacho Decisório que denegou restituição pleiteada e, conseqüentemente, não homologou as compensações declaradas. A recorrente formalizou PER/DComp objetivando a compensação de pretensa diferença recolhida a maior relativa ao IPI. A fiscalização, a partir das características do DARF discriminado no PER/DComp, constatou que o crédito alegado como indevidamente pago foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação pretendida. O interessado apresentou manifestação de inconformidade tempestiva, onde alegou, em sede preliminar, que a fundamentação legal genérica do Despacho Decisório implicou cerceamento do seu direito de defesa. No mérito, sustentou que o direito à restituição decorre de recolhimento a maior de IPI face a erro de classificação de seus produtos (vidros não emoldurados destinados exclusivamente para serem utilizados no párabrisas e nas janelas dos veículos automotores das posições 8701 a 8705). Os mesmos foram classificados na posição 7007 (Vidros de Segurança), com alíquota de 15% de IPI, quando o correto, segundo motivos, julgados e princípio da seletividade, deveria ser na posição 8708 da TIPI (partes e acessórios dos veículos automóveis das posições 8701 a 8705), com alíquota de 5%. Ao analisar a Manifestação de Inconformidade, a DRJ/RPO julgoua IMPROCEDENTE, nos termos do Acórdão 1429.691, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 30/01/2003 NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. Somente são nulos os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com comprovada preterição do direito de defesa. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13839.908142/200952 Acórdão n.º 3301003.192 S3C3T1 Fl. 4 3 RESTITUIÇÃO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. VIDROS DE SEGURANÇA APLICADOS EM VEÍCULOS AUTOMÓVEIS. Inexiste erro de classificação fiscal se contribuinte lançou nos documentos fiscais e recolheu com a respectiva alíquota os vidros, utilizados como pára brisas e nas janelas dos veículos automóveis, classificados na posição 7007 da TIPI. Conseqüentemente, inexiste recolhimento indevido ou maior que o devido que se enquadre como crédito líquido e certo contra a Fazenda Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado o contribuinte apresentou Recurso Voluntário replicando as alegações da Manifestação de Inconformidade. É o relatório, em sua essência. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.171, de 20 de fevereiro de 2017, proferido no julgamento do processo 13839.904308/200961, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.171): "O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade. Dele tomo conhecimento. As indicações de folhas no presente voto, não havendo informação contrária, referemse à numeração constante no eprocesso. 1 Da Preliminar de Nulidade A recorrente alega que houve preterição do direito de defesa, ensejando a nulidade do despacho Decisório, por indicação inespecífica de dispositivo legal, nos seguintes termos: No despacho decisório que não homologou a compensação em tela constam como enquadramento legal: "Artigo 165 e 170, da Lei n°5.172 (CTN); Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. " Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13839.908142/200952 Acórdão n.º 3301003.192 S3C3T1 Fl. 5 4 Ocorre que os artigos contém parágrafos e incisos QUE NÃO FORAM DEVIDAMENTE ESPECIFICADOS, o que resultou na impossibilidade de a recorrente identificar qual deles fundamenta a decisão não homologatória da compensação, ou seja, EVIDENCIASE INDICAÇÃO INESPECÍFICA QUE CARACTERIZA FORMALIZAÇÃO INCORRETA, em flagrante contrariedade ao que dispõe a legislação que rege a matéria e que prevê a indicação clara e precisa dos dispositivos legais supostamente infringidos , o que não ocorreu no caso. Tal fato resulta em flagrante prejuízo à defesa do contribuinte, resultando em vício insanável que enseja a nulidade do despacho decisório". Não vislumbro nos autos qualquer preterição do direito de defesa. O Acórdão recorrido não merece reparos, nesse pormenor. O despacho Decisório encontrase suficientemente fundamentado e o enquadramento legal está adequado aos fatos apurados. Não há, na espécie, motivo para que a autoridade fiscal indicasse os incisos ou alíneas em que se subdividiam os artigos elencados. Andou bem o julgador de primeira instância, vejamos parte dos fundamentos de seu voto que: [...] "Contudo, o que constato é que, para um pedido genérico lastreado num DARF, regularmente utilizado, para a integral quitação de débitos, mormente por inexistir qualquer retificação do DARF e da DCTF, nenhuma outra capitulação legal seria possível, aliás, creio que foi até exaustiva no caso, pois, bastaria citar o artigo 171 do CTN, ou seja, que a compensação só se faz com créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional." [...] O excerto acima transcrito é suficientemente didático. Não há coerência lógica nos argumentos trazidos pela recorrente, senão o intuito de dar sobrevida ao litígio. Com o exposto, não se verifica qualquer cerceamento do direito de defesa, tampouco algum ato ou fato que ampare, ainda que de longe, a nulidade do Despacho Decisório. 2 Do Mérito O cerne do litígio está centrado da [in]existência do crédito disponível para restituição, submetido à PER/DComp, i.é., [in]existência de pagamento a maior de IPI por parte do contribuinte. A fiscalização, em procedimento de análise de PER/DComp, detectou que o crédito alegado como indevidamente pago fora integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação pretendida. O recorrente, por sua vez, alega que efetuou recolhimento de IPI a maior em face de equívoco na classificação fiscal de vidros não emoldurados destinados para uso nos párabrisas e janelas de veículos automotores das posições 8701 a 8705 da Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13839.908142/200952 Acórdão n.º 3301003.192 S3C3T1 Fl. 6 5 TIPI. Originariamente efetuou os recolhimento do IPI com base na posição da TIPI 7007, alíquota de 15%, conquanto, no seu entender, deveria ter recolhido com base na posição 8708, alíquota de 5%. Sustenta que tem o direito de classificar os vidros não emoldurados nas subposições 8708.29.19 ou 8708.29.99 da TIPI. Tece comentários sobre a metodologia do sistema de classificação fiscal e procura demonstrar a correção da classificação utilizada. Adentra em comentários acerca do princípio da seletividade do IPI sustentando que os princípios constitucionais devem ser considerados prioritariamente para fim de classificar um produto na TIPI, em detrimento às regras do Sistema harmonizado. Em resumo temos que o recorrente sustenta que cometeu erro na classificação de vidros não emoldurados destinados para uso nos párabrisas e janelas de veículos automotores, de sua fabricação e, como conseqüência, recolheu IPI a maior. É nessa matéria, classificação fiscal, que se limita a peça recursal. Outrossim, a exigência fiscal emerge da constatação por parte da fiscalização de que o crédito alegado como indevidamente pago fora integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação pretendida. Essa é a matéria posta originariamente pela fiscalização. Sobre ela nada falou o recorrente. Apressome a afirmar: ainda que o recorrente tenha êxito quanto a classificação por ele pretendida, fazse necessária a comprovação de que eventual pagamento a maior do IPI fora devidamente escriturado, bem assim que as obrigações acessórias tenham sido alteradas para contemplar os valores efetivamente devido do tributo, tornadoo liquido e certo. Portanto temos dois pontos a serem apreciados: (i) a liquidez e certeza do crédito alegadamente pago a maior e (ii) a correta classificação do produto. 2.1 A LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ALEGADAMENTE PAGO A MAIOR É notoriamente sabido que, nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido. Essa é a dicção do art. 373, inciso I, do Código de Processo Civil – CPC, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal Decreto nº 70.235/72 (PAF): Art. 373 O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; [...] Disso não se desincumbiu o contribuinte. Do compulsar dos autos não se vislumbra nenhum elemento apresentado pela recorrente que tenha o condão de afastar as alegações da fiscalização que alicerçaram a negativa relativa ao pedido de restituição. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13839.908142/200952 Acórdão n.º 3301003.192 S3C3T1 Fl. 7 6 Noutra esteira, a fiscalização demonstrou que, relativamente ao crédito que se pretende ser indevido, há débitos a ele originariamente vinculados, portanto não disponíveis para restituição e, conseqüentemente, não servindo para custear compensação. Dessarte, depreendese que os valores de IPI que o recorrente pretende considerar indevidamente recolhidos para fins de fruição de restituição não se encontram devidamente comprovados, portanto não revestidos de certeza e liquidez. 2.2 A CORRETA CLASSIFICAÇÃO DO PRODUTO Passo a apreciar a classificação fiscal adotada pelo contribuinte para o produto vidro não emoldurados destinados para uso nos párabrisas e janelas de veículos automotores. Ressaltese que a classificação fiscal, no caso concreto, não influenciará diretamente na decisão quanto ao direito à restituição, posto que, isoladamente, eventual erro na classificação não é suficiente para dotar de liquidez e certeza o crédito pago a maior,. O recorrente sustenta que tem o direito de classificar os vidros não emoldurados nas subposições 8708.29.19 ou 8708.29.99 da TIPI. Tece comentários sobre a metodologia do sistema de classificação fiscal e procura demonstrar a correção da classificação utilizada. Adentra em comentários acerca do princípio da seletividade do IPI sustentando que os princípios constitucionais devem ser considerados prioritariamente para fim de classificar um produto na TIPI, em detrimento às regras do Sistema harmonizado. O Julgador a quo, em seu voto, constante do Acórdão recorrido, fundamenta exaustivamente as razões para descaracterizar a pretensa classificação dos vidros na posição 8708 e a necessária e correta classificação na posição 7007. vejamos excerto do voto: [...] Quanto ao mérito, nenhuma razão assiste ao interessado, sendo que a classificação fiscal do produto em questão já é pacificada na Receita Federal do Brasil desde 1998, quando, mediante o DEC SRRF 8ª RF nº 155/98, publicado no DOU em 06/08/98, classificou na posição 7007 da TIPI os vidros a serem utilizados como párabrisas e nas janelas dos veículos automóveis. [...] Não vislumbro razão para o aprofundamento da análise da presente matéria, a uma, pelo brilhante voto constante do Acórdão recorrido, não merecendo reparos, a duas, em face da publicação da Solução de Consulta do Centro de Classificação de Mercadorias da RFB, SC 56/2014, 1ª Turma, com a qual concordo e a utilizo como fundamento de minha decisão. Sua ementa é suficientemente esclarecedora: 7007.21.00 Vidro de segurança não emoldurado, formado por folhas contracoladas (vidro laminado), de espessuras que variam de 1 mm até mais de 6,5 mm, acompanhado de guarnição de borracha para vedação, destinado a uso como parabrisa de automóveis SC 296/2015 1ª Turma Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13839.908142/200952 Acórdão n.º 3301003.192 S3C3T1 Fl. 8 7 Como se vê o produto denominado vidro de segurança não emoldurado, destinado a uso como parabrisa de automóveis tem definida e consolidada sua classificação fiscal na posição 7007. Dispositivo Ante o exposto, considerando que (i) os créditos de IPI que se pretende considerar indevidamente recolhidos para fins de fruição de restituição, não se encontram devidamente comprovados, portanto não revestidos de certeza e liquidez e que (ii) o produto denominado vidro de segurança não emoldurado, destinado a uso como parabrisa de automóveis deve ser classificado fiscal na posição 7007, da TIPI, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 64DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.001433/2009-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 03 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1401-000.442
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, José Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia de Carli Germano e Antonio Bezerra Neto.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, José Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia de Carli Germano e Antonio Bezerra Neto. . RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .0 01 43 3/ 20 09 -8 6 Fl. 2145DF CARF MF Processo nº 16327.001433/200986 Resolução nº 1401000.442 S1C4T1 Fl. 1.364 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 1625.219 da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em SÃO PAULO ISP. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: Tratase de impugnação (fls. 231 a 261) a Auto de Infração (fls. 194 a 207) de IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA ERPJ, por DESPESAS INDEDUTÍVEIS e PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS, e da CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL REFLEXA, relativo a fato gerador ocorrido em 31/12/2004, lavrado pela DEINF/SPO, em 22/12/2009. 2.O crédito tributário constituído foi composto pelos valores a seguir discriminados : IRPJ R$ 53.652.584,40 Juros de Mora (até 30/11/2009) R$ 33.345.081,20 MultaR$ 40.239.438,30 Valor do Crédito Tributário Apurado R$ 127.237.103,90 CSLL R$ 19.314.930,38 Juros de Mora (até 30/11/2009) R$ 12.004.229,23 Multa R$ 14.486.197,78 Valor do Crédito Tributário Apurado R$ 45.805.357,39 Crédito Tributário do ProcessoR$ 173.042.461,29 Como enquadramento legal do lançamento, o autuante assinala, para o IRPJ, com relação à infração "Despesas Indedutíveis", os artigos 247, 249, inciso I, 251 e parágrafo único, e 299, do RIR/99, e, para a infração "Perdas no Recebimento de Créditos Inobservância dos Requisitos Legais", o artigo 9o, da Lei 9.430/96, e os artigos 249, inciso I, 251 e parágrafo único, e 340, do RIR/99 (fl. 198). Para a CSLL consigna os artigos 2o e parágrafos, da Lei 7.689/88, o artigo Io da Lei 9.316/96 e artigo 28 da Lei 9.430/96, e o artigo 37 da Lei 10.637/02 (fl. 204). Os juros moratórios foram exigidos com base nos artigos 6o, parágrafo 2o, e 28, da Lei 9.430/96, e a multa de o: fundamento no artigo 44, inciso I, da Lei 9.430/96(fi. 195 e 201). 4. No Termo de Verificação Fiscal (fis. 188 a 193), a autoridade fiscal noticia, em resumo, que: Fl. 2146DF CARF MF Processo nº 16327.001433/200986 Resolução nº 1401000.442 S1C4T1 Fl. 1.365 3 i) o autuado deduziu, no anocalendário de 2004, o valor de R$ 15.109.330,88, a título de despesas de descontos concedidos em operações de crédito (integrando o valor declarado na linha 30 Outras Despesas Operacionais, da Ficha 05B Despesas Operacionais PJ Componente do Sistema Financeiro) (fi. 185), contabilizadas na conta 8.1.9.52.10.022, sendo que, intimado, não apresentou a documentação comprobatória das operações, necessária para que se pudesse afirmar que as referidas despesas corresponderam a descontos concedidos em negociações de crédito; ii) além disso, tais despesas não atendem ao conceito de perdas na realização de crédito, contido nos artigos 9o e parágrafos, 10° e parágrafos, 11 e parágrafos, e 12, parágrafo único, da Lei 9.430/96, que são normas específicas em relação à normal geral de dedutibilidade do artigo 299 do RIR/99, com base na qual alega ter feito as deduções; iii) excluiu, ainda, na apuração do lucro real do anocalendário de 2004, o valor de R$ 199.502.006,74 (integrando o valor constante da Linha 33 Outras Exclusões, da Ficha 09B Demonstração do Lucro Real PJ Componente do Sistema Financeiro (fl. 186), a título de custo dos créditos cedidos; tratarseia, segundo informa o autuado, de perdas efetivas, na cessão de créditos de liquidação duvidosa, definitivas e com deságio, o que seria normal, estando sua dedutibilidade baseada no artigo 299 do RIR/99 e no Parecer Normativo 92/81; iv) intimado, o autuado não apresentou os documentos relativos aos registros contábeis, o que impede afirmarse que os créditos cedidos referirseiam a operações de empréstimo, sabendose, também, que as despesas com cessões de crédito somente são dedutíveis se as operações observam as normas das autoridades monetárias, em específico, a Resolução B 2.836/2001; v) o exame dos dados fornecidos pelo autuado em CD revelou que o deságio na cessão foi de 94% do valor nominal dos créditos cedidos, qualificados, ainda, como "sem coobrigação" e constando o autuado como o mandatário da cobrança; vi) além disso, faltou individualização para parte dessas despesas de cessão de crédito, nos valores de R$ 17.482.517,74 e R$ 14.895.039,42, por não terem sido identificados os beneficiários. 5. Cientificado do lançamento em 22/12/2009 (fl. 197), o autuado impugnou o Auto de Infração em 21/01/2010 (fl. 231), oferecendo, para tanto, em resumo, as seguintes razões: i) da documentação comprobatória requerida pela autoridade, apenas alguns documentos, relativos à solicitação feita em 09/12/2009, não teriam sido apresentados, sendo que não teria condições materiais de apresentar todos os documentos antes de 22/12/2009, data da lavratura do Auto de Infração; ii) junta, com a impugnação, CD (disco compacto) contendo a base analítica da totalidade dos contratos cedidos, bem como a indicação de todos os nomes e CPF's de devedores, suprindo a falha apontada pela autoridade fiscal, quanto aos valores de R$ 17.482.517,74 e R$ 14.895.039,42; iii) no que respeita à glosa de despesas com perda na cessão de créditos, no montante de R$ 199.502.006,74, informa que tais despesas são dedutíveis pois que se referem a empréstimos, conforme atestado por empresa de auditoria (PRICEWATERHOUSECOOPERS) Fl. 2147DF CARF MF Processo nº 16327.001433/200986 Resolução nº 1401000.442 S1C4T1 Fl. 1.366 4 (fls. 296 a 303): são dívidas de cartão de crédito, consoante amostra de extratos que junta, cujo contrato seria de adesão, segundo cópia que anexa (fls. 285 a 295), sendo que o valor devido mensalmente e não pago no vencimento convolase em objeto de contrato de financiamento; e mesmo que não o fossem seriam dedutíveis, por serem perdas em cessão de créditos para terceiros; a própria autoridade lançadora iv) reconhece a dedutibilidade de despesas com cessão de créditos das instituições financeiras, quando decorrentes de créditos oriundos de empréstimos; iv) embora entenda já estar provado o seu direito, requer, se considerado necessário, seja realizada diligência para responder aos quesitos que apresenta (fl. 245); v) quanto à glosa das despesas de descontos na renegociação de créditos, no montante de R$ 15.109.330,88, observa que os artigos 9o a 14 da Lei 9.430/96 cuidam apenas de perdas possíveis, de limites e condições de dedutibilidade relativamente a valores que o credor ainda pretende receber, enquanto as perdas nas renegociações são imediatas, definitivas, incorridas para se evitarem perdas maiores; assim, são despesas operacionais das instituições financeiras dedutíveis na apuração do IRPJ e da CSLL; vi) tais perdas representam receitas que, de fato, não existiram e foram tributadas pelo IRPJ e CSLL; se não houve percepção, não houve renda, portanto, não se poderia ter IRPJ e CSLL sobre "não renda"; vii)dada a impossibilidade física de se produzir prova dessa complexidade no curto prazo da impugnação, pois se referem a eventos de descontos no encerramento de contas correntes, em liquidação de contrato e em renegociação de dívida , requer a realização de diligência para exame de documentação que se propõe a disponibilizar; viii) a exigência feita com base em ambas as infrações é improcedente porque a glosa integral dos referidos valores contraria os artigos 153, inciso III, e 195, inciso da CF, e os artigos 43 e 44 do CTN, que prevêem que a matéria tributável é a renda ou lucro do período; ix) além disso, para apurar o valor do imposto, a autoridade considerou apenas o prejuízo fiscal originalmente compensado pelo autuado, quando, em razão das infrações, teria direito a uma compensação adicional de prejuízos fiscais de R$ 64.383.101,28, valor este inferior ao saldo existente em 31/12/2004, como ao saldo atual (fls. 310 a 321); x) a aplicação da alíquota de IRPJ diretamente sobre as despe glosadas, retira liquidez e certeza do crédito tributário, violando a legislação, e, assim, o Auto seria nulo, uma vez que precisa ser refeito para apuração dos valores devidos, com exatidão; xi) embora não exigidos no lançamento, contesta a exigência de juros sobre a multa, para que não se alegue que a matéria não foi arguida na defesa apresentada, afirmando, entre outros argumentos, que o Conselho de Contribuintes não admite juros sobre multa, e a legislação somente autoriza a incidência de multa e juros sobre o valor atualizado do tributo; xii) a Taxa SELIC seria imprestável para exigência de juros de mora, porque é figura híbrida, composta de correção monetária, juros e valores correspondentes à remuneração das instituições financeiras, sendo, ainda, fixada unilateralmente por órgão do Executivo e acima do percentual do CTN. Fl. 2148DF CARF MF Processo nº 16327.001433/200986 Resolução nº 1401000.442 S1C4T1 Fl. 1.367 5 6.E o relatório. A DRJ MANTEVE EM PARTE os lançamentos, RECORRENDO DE OFÍCIO da parte cancelada, nos termos da ementa abaixo,: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 AUTO DE INFRAÇÃO. DILIGÊNCIAS. PRESCINDIBILIDADE. Quando as informações e documentos contidos nos autos são suficientes para a formação do juízo de convicção do julgador sobre o fato ensejador do lançamento fiscal, eventuais diligências requeridas são prescindíveis para a solução do litígio. PRELIMINARES. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. O lançamento fiscal, como ato jurídico administrativo, somente pode ser considerado nulo quando desprovido de elemento essencial à sua constituição e forma, conforme estipulado no artigo 166 do Código Civil e no artigo 59 do Decreto70.235/72, a saber, não ser praticado por pessoa competente, ter objeto ilícito, não ter sido observada a forma prescrita em lei, e ter sido preterido o direito de defesa. Estes vícios não se confundem com incorreção, praticada pela autoridade fiscal, na apuração da base de cálculo do tributo, incorreção esta, in casu, cujo saneamento passa a caber à autoridade julgadora. MÉRITO. PERDAS EM RENEGOCIAÇÃO DE CRÉDITO. INOBSERVÂNCIA DAS NORMAS LEGAIS DE DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS. CABIMENTO DE GLOSA. A dedução de despesas com perdas no recebimento de créditos deve atender aos requisitos objetivos trazidos pelos artigos 9o ao 12 da Lei 9.430/96, que instauraram novo regime de dedutibilidade de perdas a partir de 1997, em substituição ao sistema de Provisão para Devedores Duvidosos. Fora desses critérios, qualquer outro utilizado pelo contribuinte não é admissível, tornando cabível a glosa. Não importa, como in casu, se as perdas foram reconhecidas quando da renegociação de créditos com os devedores. PERDAS NA CESSÃO DE CRÉDITOS. FALTA DE PROVA. CABIMENTO DE GLOSA. É legítima a glosa de exclusão do lucro real de valores de despesas pretensamente efetuadas a título de perdas em operações de cessão de crédito, quando o contribuinte não produz prova cabal, mediante informações e documentos hábeis e idôneos a demonstrar a causa de tais despesas, in casu, evidenciando de forma individualizada e precisa que tais perdas se refeririam a empréstimos concedidos a clientes inadimplentes, titulares de cartão de crédito. Fl. 2149DF CARF MF Processo nº 16327.001433/200986 Resolução nº 1401000.442 S1C4T1 Fl. 1.368 6 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. DIREITO DO CONTRIBUINTE. Constatado que o contribuinte exerceu a faculdade que a lei lhe confere de compensar a base de cálculo do IRPJ de determinado anocalendário com saldo de bases negativas de anos anteriores, deve ser reconhecido, da mesma forma, o direito à compensação do valor tributável objeto de lançamento fiscal efetuado para o mesmo ano, respeitado o limite legal de 30%. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. EXIGÊNCIA NÃO CONSTANTE DO LANÇAMENTO. Descabe a arguição de cobrança indevida de juros de mora sobre a multa de ofício, quando tal exigência não consta do lançamento fiscal litigiado. TAXA SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE. FALTA DE COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. Irresignação formulada contra a validade de norma legal que manda aplicar a TAXA SELIC no cômputo dos juros de mora, não pode ser apreciada pelas instâncias julgadoras administrativas, às quais cabe apenas aplicar as normas legais aos casos concretos, sem deter poderes para afastálas por inconstitucionalidade ou ilegalidade, o que é atribuição exclusiva do Poder Judiciário. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. As normas fiscais que disciplinam a exigência com respeito ao IRPJ aplicamse à CSLL reflexa, no que cabíveis, especificamente o artigo 28 da Lei 9.430/96 que estabelece que os comandos legais que disciplinam as perdas no recebimento de créditos, contidos nos artigos 9o ao 12, da Lei 9.430/96, vigem também para a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. No caso a DRJ cancelou parte da autuação em função do reconhecimento dos prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL, no limite de 30% não efetuado de ofício pela fiscalização. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este CARF em relação à parte mantida, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação. É o relatório. Fl. 2150DF CARF MF Processo nº 16327.001433/200986 Resolução nº 1401000.442 S1C4T1 Fl. 1.369 7 VOTO Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator Admissibilidadade do Recurso Voluntário Consta dos autos que a Intimação n° 289/2010(decisão de 1ª instância) foi recebida pela empresa em 14/06/2010 (fls.413) e o recurso apenas foi apresentado em 30/12/2010, ou seja, em período em muito superior ao trintídio legal para apresentação de Recurso Voluntário. A Recorrente atesta em sua defesa que apenas tomou conhecimento da decisão de 1° instância por meio da Carta Cobrança n° 248/2010 em 30/11/2010, e, portanto, seu recurso seria tempestivo. O processo foi baixado em diligência para que se anexasse aos autos a prova do Recebimento da intimação que se dá através do AR (Aviso de Recebimento). A informação fiscal de retorno de diligência não conseguiu localizar o AR, mas fez constar dos autos às fls. 413 um extrato emitido pelos Correios dando conta de que a correspondência que continha a intimação n° 289/2010 (Objeto RJ283375300BR) teria sido recebida no domicílio do contribuinte, qual seja, Alameda Rio Negro n° 433 — 3° andar ponte setor oeste, Alphaville, Barueri/SP na data de 14/03/2010. E que a vinculação do Objeto RJ283375300BR entregue pelos Correios à efetiva ciência pelo contribuinte da decisão prolatada em 1ª instância poderia ser verificada pelo documento de fls. 412, onde consta que tal missiva se referia ao processo em comento, cujo conteúdo era justamente a intimação n° 289/2010. A esse respeito, com razão a Recorrente quando afirma: O extrato emitido pelo "site" dos Correios, por sua vez, apenas indica que o objeto RJ283375300BR foi entregue em 14/06/2010 no "CDD Alpahville Barueri/SP" (fl. 413 atual fl. 443), que não é o domicílio do Recorrente, e, ainda que fosse, sequer menciona quem teria recebido tal intimação e, tampouco, assinatura e data. Data maxima venia, o direito de defesa é um direito que não comporta dúvidas, a prova tem que ser cabal e o PAF determina que se dê através do AR. O simples registro do Correios não supre a falta do AR, pois extravios acontecem e o ônus da prova no caso não pode ser invertido. Outrossim, o relatório interno produzido pela DRF e o extrato emitido pelo site dos Correios não são documentos hábeis a atestar a ciência do Recorrente em relação à Intimação n° 289/2010, por não estar coerente com o disposto no artigo 23 do Decreto n° 70.235/72: Fl. 2151DF CARF MF Processo nº 16327.001433/200986 Resolução nº 1401000.442 S1C4T1 Fl. 1.370 8 Art. 23. Farseá a intimação: (... ) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (... ) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (...) Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário, por considerálo, na dúvida, tempestivo. Escopo da diligência O escopo dessa diligência se limitará ao Recurso voluntário. RECURSO VOLUNTÁRIO Tratase de crédito tributário constituído em face de UNICARD BANCO MÚLTIPLO S/A para cobrança da diferença de IRPJ e CSLL devidos no ano de 2004 em razão de deduções indevidas no cálculo do lucro real. Tais deduções incorretas correspondem às seguintes infrações: 1) perdas em operações de cessão de crédito, por não restarem tais despesas devidamente comprovadas; e 2) perdas nas renegociações de crédito, por ausência de atendimento dos requisitos previstos nos arts. 9° ao 12° da lei n° 9.430/96, e; A fiscalização, na infração 2, constatou que não houve a correta aplicação da legislação tributária na dedução de perdas em operações de crédito, as quais foram deduzidas sob o título de "descontos concedidos" em operações de renegociação de crédito, para viabilizar recebimento de dívidas vencidas, tendo sido reconhecido tais descontos como perdas, e lançados como despesa no resultado do anocalendário de 2004. A recorrente alega que atuando como banco comercial tem como principal função a concessão de crédito. No desenvolvimento de suas atividades financeiras, em virtude da renegociação das obrigações, muitas vezes inadimplidas, promove a concessão de descontos e o perdão de parte das dívidas, visando a liquidação dos débitos pendentes. Fl. 2152DF CARF MF Processo nº 16327.001433/200986 Resolução nº 1401000.442 S1C4T1 Fl. 1.371 9 Segundo sua defesa, por se referirem tais valores a perdas definitivas, estas não poderiam ser enquadradas no regime previsto nos arts. 9° a 12° da Lei n° 9.430/96, sendo regidas exclusivamente pela regra geral prevista no art. 299 do RIR/99. Tenho me posicionado quanto essa matéria alinhandome à tese aqui defendida pela Recorrente, pois concordo com sua alegação no sentido de que suas perdas incorridas na descontos de créditos tratamse de perdas já definitivas e, neste sentido, são dedutíveis do lucro real independentemente do atendimento aos critérios da Lei nº 9.430/1996, posto que despesas operacionais das instituições financeiras. Tais perdas possuiriam natureza equivalente àquelas incorridas nas cessões de créditos e, portanto, possuem efeitos equivalentes para o fim de tornar definitiva a perda da instituição financeira no recebimento de dívidas, porque em ambos os casos o credor negocia para estancar suas perdas. Uma vez afastado o fundamento principal da autuação e tendo em vista que a Fiscalização acompanhado pela DRJ também trouxe um outro fundamento para manutenção do lançamento, qual seja, um fundamento não mais de direito, mas sim um fundamento fático tanto para a infração 1 quanto para infração 2, é preciso que se investigue melhor o mesmo, em primeiro lugar em função do grande volume de provas envolvidas no caso, uma vez que as contas foram glosadas por sua totalidade, não sendo crível que um banco do porte da Recorrente não tivesse como provar operações usuais e normais de sua atividade econômica, principalmente no contexto que em que aconteceu tais intimações, culminando a última com prazo exíguo de 5(cinco) dias, conforme relatado pela Recorrente, no que diz respeito a infração 1: "(...) O Recorrente, na impugnação apresentada, demonstrou quanto à Infração 001 que a alegação da fiscalização quanto à falta de prova documental em realidade decorreu exclusivamente de sua demora na análise da documentação que era apresentada a cada intimação recebida, culminando na derradeira intimação de impossível atendimento no prazo exíguo de cinco dias. Com efeito, não fosse o fato de à época estar a fiscalização premida pela iminência de vencimento do prazo decadencial estava seguro o Recorrente que o presente auto de infração sequer teria sido lavrado, porque com a máxima vênia beira o absurdo supor que o Recorrente teria contabilizado e baixado de seu ativo perdas da ordem de R$ 200.000.000,00 como decorrentes da inadimplência de empréstimos/financiamentos tomados por seus clientes, e na realidade tais créditos teriam origem diversa e isto não teria sido percebido seja pela fiscalização do Banco Central do Brasil seja por seus auditores independentes (aliás, escapa até mesmo à imaginação que outra origem dos créditos seria esta, dado o objeto social do Recorrente e o enorme número de operações distintas que somaram aquele valor, praticamente todas com pessoas físicas, objeto de contratos de cessão de crédito distintos). (...)" Diante desse contexto ainda de incerteza, mas por se vislumbrar indícios de que a Recorrente tenha pelo menos alguma razão mesmo que parcial, bem assim em respeito ao princípio da verdade material orientador do Processo Administrativo Fiscal, inclinome pela conversão do julgamento em diligência, para que seja adotada as seguintes providências pela Fiscalização: Dar uma nova oportunidade para que o contribuinte traga as provas, que a fiscalização repute necessárias (para fins de comprovação documental de ambas as infrações) Fl. 2153DF CARF MF Processo nº 16327.001433/200986 Resolução nº 1401000.442 S1C4T1 Fl. 1.372 10 despesas e fornecendo um tempo compatível com o volume de provas requerido. Se for o caso, em função do grande volume de provas, fazer o referido levantamento por algum critério de amostragem, como o de maiores valores; Em relação à falta de individualização da infração 1, verificar se de fato isso foi sanado através do CD entregue pela Recorrente na fase impugnatória (valores de $ 17.482.517,74 e R$ 14.895.039,42), e se não foi o caso, que se lhe dê nova oportunidade para fazer essa individualização. Em relação ainda a infração 1, avaliar as provas já trazidas aos autos e pedir algum complemento caso entenda necessário a fim de confirmar, à luz das alegações e daquelas provas (anexos) já trazidas na impugnação, que as cessões de créditos tiveram origem em operações de empréstimo, financiamento ou arrendamento mercantil tuteladas pelas normas do Banco Central. Em relação à infração 2, embora a Recorrente tenha trazido alguns exemplos como amostragem, definir nova amostragem significativa (pelo critério dos maiores valores), intimando a Recorrente a fornecer de seus sistemas de informática (Sistema de Controle de Recuperação de Operações Inadimplentes) registros escriturais, mesmo que dispostos em telas de sistema, de onde se possa extrair e confirmar que se tratam mesmo de descontos definitivos em operações de crédito. Observar que a análise desse item no que concerne a "perdas no recebimento de créditos" deve ser feita nos moldes apregoados aqui neste voto, desconsiderando a figura da "Desistência" na forma adotada pela fiscalização para efetuar a glosa dessas despesas Se for o caso,refazer a base de cálculo dos tributos devidos; O Autuante pode trazer aos autos quaisquer outras informações que entenda importantes para o deslinde da matéria. Elaborar relatório conclusivo das verificações, ressalvado o fornecimento de informações adicionais e a juntada de outros documentos que entender necessários, entregar cópia do relatório à interessada e conceder prazo de 30 (trinta) dias para que ela se pronuncie sobre as suas conclusões, após o que, o processo deverá retornar a este Conselho para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 2154DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10711.006817/2010-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 23/06/2008
REGRAS DE CONTROLE ADUANEIRO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÃO QUE EXECUTAR.
Obrigatoriedade de prestação de informações à Receita Federal do Brasil, tanto pelo transportador, quanto pelo agente de cargas. Incidência de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, na forma do caput e § 1º, do art. 37, e art. 107, do Decreto-lei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3401-003.384
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rodolfo Tsuboi.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÃO QUE EXECUTAR. Obrigatoriedade de prestação de informações à Receita Federal do Brasil, tanto pelo transportador, quanto pelo agente de cargas. Incidência de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, na forma do caput e § 1º, do art. 37, e art. 107, do Decretolei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rodolfo Tsuboi. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 00 68 17 /2 01 0- 17 Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10711.006817/201017 Acórdão n.º 3401003.384 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Versa o presente sobre Auto de Infração, para exigência de multa, com base no arts. 22 e 50 da IN RFB n° 800/2007 e arts. 37 e 107, inciso IV, alínea 'e', do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77, da Lei nº 10.833/03, por não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, referente ao fato gerador de 23/06/2008, conforme quadro DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO(S) LEGAL(IS) do Auto de Infração, no qual restou consignado, em síntese que: a realização da desconsolidação deve ser feita até o registro da atracação no porto de destino, pois é o porto de referência para este tipo de operação, sendo esse o limite temporal imposto e vigente para a data do fato gerador em referencia; no caso, não há dúvida quanto à materialidade do fato, qual seja, a não apresentação de informação na forma e no prazo definido pela legislação aduaneira; o art. 50, da IN RFB n° 800/2007, fixando que: o prazo (48 horas antes da atracação no porto de destino) de antecedência previsto no art. 22 desta IN somente será obrigatório a partir de 1° de abril de 2009 (Redação dada pela IN RFB n° 899/2008), não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no Pais, nos termos do parágrafo único, do mesmo art. 50. A decisão de primeira instância, foi pela improcedência da impugnação, nos termos do Acórdão 08032.292. Após ciência ao acórdão de primeira instância, a recorrente apresentou o recurso voluntário, alegando, em síntese: (a) a inobservância do art. 50, da IN RFB nº 800/2007, sobre os prazos de antecedência para prestação de informações a Receita Federal do Brasil entraram em vigor apenas em 1º de abril de 2009, estando dispensada de tal obrigação por ocasião dos fatos (23/06/2008) que deram ensejo à autuação, pois, na condição de agente de carga, não lhe são aplicáveis as disposições sobre transportador de carga do parágrafo único do referido art. 50; (b) ao definir a impugnante, agente de carga, como transportadora, distorceuse conceitos de direito privado, o que é expressamente vedado pelo art. 110 do CTN; (c) tratandose de dispensa do cumprimento de obrigação acessória, a lei tributaria deve ser interpretada literalmente, consoante dispõe o art. 111 do CTN. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.381, de 25 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 11128.006616/201054, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.381): Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10711.006817/201017 Acórdão n.º 3401003.384 S3C4T1 Fl. 4 3 "O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Como visto do relatório, tratase de Auto de Infração, lavrado para exigência de multa no valor de R$ 5.000,00, do art. 107, inciso IV, alínea 'e', do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77, da Lei nº 10.833/03, por não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, referente ao fato gerador de 11/09/2008, com base no arts. 22 e 50 da IN RFB n° 800/2007. A Recorrente defende que as disposições do art. 22, da IN RFB nº 800/2007, não são aplicáveis ao caso em exame, visto que os fatos datam de setembro de 2008 e os efeitos do artigo citado ocorreram somente após 1º de abril de 2009, na forma do caput do artigo 50, da mesma IN, com redação dada pela IN RFB nº 899/2008. Entretanto, foi correta a fiscalização ao exigir a observância dos prazos de antecedência de prestação de informações, na forma do parágrafo único, do artigo 50, da IN RFB nº 800/2007, cuja redação segue abaixo: Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de janeiro de 2009. Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pela IN RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. O art. 50, da IN RFB nº 800/2007, não eliminou a exigência de prazo para a prestação das informações até 1º de abril de 2009, apenas permitiu que os dados exigidos fossem fornecidos com menor antecedência, no caso, ao invés das 48 horas antes da atracação no porto de destino, o limite temporal é até o registro da atracação no porto de destino. Vejase que, o parágrafo único, do artigo 50, da IN RFB nº 800/2007, diz textualmente que o tempo de vacância do artigo 22, da IN RFB nº 800/2007, “não exime o transportador da obrigação de prestar informações”, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no Pais. Assim como, os arts. 3º e 5º, da IN RFB nº 800/2007, afirma referirse a transportador, abrangendo o agente de carga: "Seção II Da Representação do Transportador Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10711.006817/201017 Acórdão n.º 3401003.384 S3C4T1 Fl. 5 4 Art. 3º O consolidador estrangeiro é representado no País por agente de carga. [...] Art. 5º As referências nesta Instrução Normativa a transportador abrangem a sua representação por agência de navegação ou por agente de carga " (grifei) Por outro lado, tanto o transportador, quanto o próprio agente de cargas, qualidade que se insere a ora Recorrente, por força do caput e § 1º do art. 37, do Decretolei nº 37/66, com redação dada pelo art. 77, da Lei nº 10.833/03, têm o dever de prestar informações à Receita Federal do Brasil, na forma e prazos por ela estabelecidos. Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Tendo em vista que a embarcação atracou em 08/09/2008 e a Recorrente somente procedeu a desconsolidação da carga em 11/09/2008, não houve respeito aos prazos de antecedência previstos na legislação de regência em questão. Então, uma vez descumprida a obrigação acessória, não há como afastar a multa aplicada, pois, esta decorre de lei específica, dispondo expressamente aplicarse ao agente de carga, na forma do artigo 107, do Decretolei nº 37/1966, com redação dada pelo artigo 77, da Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta a porta, ou ao agente de carga; (...) [grifei] Assim, penso que a presente exigência fiscal, cujo objetivo é desestimular o descumprimento das obrigações aduaneiras, resulta de adequada subsunção dos fatos às normas que regem a matéria, de modo que não vislumbro argumentos capazes de invalidar o presente auto de infração. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10711.006817/201017 Acórdão n.º 3401003.384 S3C4T1 Fl. 6 5 Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a exigência fiscal." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 89DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.006000/2007-24
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: EMENTA: PAF NULIDADE NÃO
ENFRENTAMENTO DAS PRELIMINARES ARGÜIDAS NA IMPUGNAÇÃO CERCEAMENTO
DO DIREITO DE DEFESA NULIDADE DA DECISÃO DA DRJ
Pelas regras que norteiam o PAF Processo Administrativo Fiscal, havendo no processo questões preliminares não enfrentadas acarretam a nulidade da decisão da DRJ, por ferir um princípios básicos do procedimento administrativo, quais sejam: contraditório e ampla defesa.
DECISÃO RECORRIDA NULA
Numero da decisão: 1803-000.972
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, em anular a Decisão de Primeira Instância, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRF- ação fiscal - outros
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
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DECISÃO RECORRIDA NULA Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, em anular a Decisão de Primeira Instância, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Sergio Luiz Bezerra Presta (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Relator Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Marcelo de Assis Guerra, Sergio Luiz Bezerra Presta, Victor Humberto da Silva Maizman, Sergio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch Fl. 48DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 31/0 8/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 10380.006000/200724 Acórdão n.º 1803000.972 S1TE03 Fl. 49 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: “Trata o presente processo de Auto de Infração referente à Multa por Atraso na Entrega da Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte — DIRF, relativa ao ano calendário de 2004, no valor de R$ 9.320,64; conforme demonstrativo próprio constante da referida peça impositiva (fls. 11). 2. Enquadramento legal: Enquadramento legal: art. 113, § 3° da Lei n°5.172/66 (CTN); art. 11 do Decretolei n° 1.968/82, com a redação dada pelo art. 10 do Decretolei n° 2.065/83; art. 30 da Lei n° 9.249/95; art. 1° da Instrução Normativa — SRF nº 18/2000; art. 7° da Lei n° 10.426/2002; c/c a Instrução Normativa — SRF n° 197, de 10 de setembro de 2002 (fls. 11). 3. Inconformado com a exigência, da qual tomou ciência em 03/01/2007 (AR, fls. 12) o contribuinte apresentou impugnação em 28/06/2007 (fls. 01,v; e fls. 01/07). Alega, em síntese, entre outros motivos, que: 3.1 a impugnante não foi intimada a prestar esclarecimentos acerca do envio da DIRF, aliado ao fato de que a Administração Fazendária Federal vinha aceitando as informações enviadas pela Secretaria da Fazenda do Estado do Ceara (Sefaz/CE) com a retenção do IR de todos os servidores públicos do Estado, mudando, de repente, para exigir de cada órgão isoladamente, sem que a contribuinte tomasse ciência da referida mudança, o que afronta o principio constitucional do contraditório e da ampla defesa; 3.2 — argúi, também, que o Estado do Ceará, como pessoa jurídica de direito público interno, a quem a legislação especifica (INSRF n° 493/2005), atribui a obrigatoriedade de entregar a DIRF, fez a entrega do referido documento, em tempo hábil e de forma centralizada, através da Sefaz/CE, de sorte que a SRF está indevidamente imputando a cada órgão integrante da administração estadual multa por atraso na entrega da DIRF, quando o Estado, em nome de todos eles já cumprira com a referida obrigação, o que torna a exação insubsistente; 3.3 ante o exposto, requer a nulidade do Auto de Infração.” A 4ª Turma da DRJ/FORTALEZA–CE, em sessão de 22/11/2007, ao analisar a peça impugnatória apresentada, proferiu o acórdão n° 0812.266 que não conheceu “da impugnação por intempestiva. Encaminhese o processo à Delegacia da Receita Federal em Fortaleza/CE, para adotar as providências de sua alçada no que concerne ao prosseguimento da cobrança ou, se assim entender, rever de oficio o lançamento, conforme art. 149, inciso VIII ,do CTN”, sob argumentos assim ementados: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2004 Fl. 49DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 31/0 8/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 10380.006000/200724 Acórdão n.º 1803000.972 S1TE03 Fl. 50 3 Intempestividade da Impugnação Considerase intempestiva a peça impugnatória ofertada após o decurso do prazo estabelecido na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Impugnação não Conhecida” Cientificado da decisão em 29/01/2008, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, onde a Recorrente manteve os mesmos argumentos da peça impugnatória apresentada, que tem no seu início o seguinte tópico: “II DA TEMPESTIVIDADE DA IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA. Diferentemente da decisão ora recorrida, cumpre afirmar que a impugnação ofertada é tempestiva, seja por não ter havido a notificação regular do Estado do Ceará, por meio do órgão competente para representação estatal, a Procuradoria Geral do Estado, seja pelo fato do Estado do Ceará, representado pela Procuradoria Geral do Estado, apresentou, em 02/02/2007, impugnação contra autuação levada a efeito sobre esse mesmo fundamento, conforme se pode verificar do Processo Administrativo n° 10380.000924/200717, que se encontra atualmente em fase de recurso a este ilustre Conselho de Contribuintes. Dessa forma, todas as defesas apresentadas pelos demais órgãos instrumentais do Estado do Ceará, inclusive a presente, também estão tempestivas, vez que tendo a Procuradoria Geral do Estado competência institucional para representar o Estado do Ceará e, conseqüentemente, todos os demais órgãos que compõem a administração pública estadual, inquestionável que a defesa apresentada por aquela aproveita a todos os demais. Feita a primeira impugnação tempestivamente, todas as demais deverão seguir a mesma sorte do julgamento que for proferido no Processo Administrativo n.° 10380.000924/200717, até em respeito ao principio do julgamento uniforme, já que o assunto discutido em todos os autos de infração é o mesmo e o Estado do Ceará é quem efetivamente será prejudicado ou beneficiado com a decisão administrativa a ser proferida pela Receita Federal. Importante ressaltar, ainda, que nenhum dos órgãos autuados pela Receita Federal, muito embora possuam CNPJ próprio, é dotado de personalidade jurídica, constituindose em meros órgãos sem autonomia administrativa e financeira.Assim, requerse que os Doutos Conselheiros reformem a decisão ora recorrida, declarando a tempestividade da impugnação administrativa, e determinando seu processamento em conjunto com aquela existente no processo n.° 10380.000924/200717, pois a decisão neste processo, favorável ou desfavorável, produzirá imediatos reflexos no presente processo, Fl. 50DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 31/0 8/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 10380.006000/200724 Acórdão n.º 1803000.972 S1TE03 Fl. 51 4 porquanto trata da mesma matéria, com a conseqüente suspensão da exigibilidade do crédito questionado”. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta, Relator O presente é tempestivo e atende aos pressupostos legais para seu seguimento. Por essa razão dele conheço. Porém, diante do relatório acima, observase que a 4ª Turma da DRJ/FORTALEZA–CE ao analisar a peça impugnatória e proferir o acórdão n° 0812.266 não tratou de uma questão, que entendo ser essencial para o caso: A tempestividade da impugnação administrativa em virtude da Recorrente ser um órgão da administração pública do Estado do Ceará; e, que, segundo a Recorrente a notificação da imputação tributária deveria ser enviada ao “órgão competente para representação estatal, a Procuradoria Geral do Estado” Diante desses fatos, não há como negar que a falta de apreciação pela autoridade julgadora de primeira instância das razões de defesa apresentadas na impugnação caracteriza preterição do direito de defesa da recorrente. O conhecimento da matéria por este Conselho, sem discussão pela Delegacia de Julgamento, constituirseia em supressão de instância e, conseqüentemente, em violação da ampla defesa. Assim, valorizando as regras e os princípios inseridos na Lei nº. 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal e Decreto nº. 70.235/1972, que regulamenta o procedimento administrativo fiscal (“PAF”), principalmente os princípios do contraditório e da ampla defesa, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário e no mérito anular a decisão da 4ª Turma da DRJ/FORTALEZA–CE proferida no acórdão n° 0812.266, determinando que outra seja proferida com a inclusão do enfrentamento a questão da tempestividade da impugnação administrativa em virtude da Recorrente ser um órgão da administração pública do Estado do Ceará. Sala das Sessões, em (assinado digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta Fl. 51DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 31/0 8/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 10380.006000/200724 Acórdão n.º 1803000.972 S1TE03 Fl. 52 5 Fl. 52DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 31/0 8/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por SELENE FERREIRA DE MO RAES
score : 1.0
Numero do processo: 13910.000001/99-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1997
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO.
Os processos que retornem com embargos de declaração opostos, cujo relator não mais pertença ao CARF, devem ser apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc, se for o caso. Art. 49, § 7º do RICARF.
Embargos de declaração não conhecidos.
Numero da decisão: 3403-003.490
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento dos embargos de declaração e declinar da competência de julgamento à Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1997 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO. Os processos que retornem com embargos de declaração opostos, cujo relator não mais pertença ao CARF, devem ser apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc, se for o caso. Art. 49, § 7º do RICARF. Embargos de declaração não conhecidos.
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COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO. Os processos que retornem com embargos de declaração opostos, cujo relator não mais pertença ao CARF, devem ser apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc, se for o caso. Art. 49, § 7º do RICARF. Embargos de declaração não conhecidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento dos embargos de declaração e declinar da competência de julgamento à Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 91 0. 00 00 01 /9 9- 00 Fl. 467DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão no 18.720, de 5 de março de 2008 da DRJ em Ribeirão PretoSP, que negou o direito ao ressarcimento do créditoprêmio à exportação, sob o argumento de que o art. 1º do DecretoLei nº 491/69 vigorou, na melhor das hipóteses, até março de 1995. Em tempo hábil, foi apresentado recurso voluntário no qual foi alegado que o processo não versa sobre ressarcimento do créditoprêmio à exportação, mas sim sobre o ressarcimento de IPI incidente na aquisição de insumos aplicados na industrialização de produtos exportados. Tendo em vista que a decisão recorrida decidiu acerca de questão estranha ao processo, a defesa requereu a decretação de sua nulidade a fim de que outra fosse proferida em seu lugar. Por meio do Acórdão 220100.284, que por unanimidade de votos adotou o voto condutor do então Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte, foram anulados os atos processuais a partir do Termo de Diligência de fls. 324 a 330 do PDF (fls. 162/165 do processo físico). Ficou decidido que tanto o despacho decisório, quanto o Acórdão da DRJ versaram acerca de matéria estranha ao processo e que esses atos deveriam ser anulados para que novas decisões, adequadas à realidade dos autos, fossem proferidas. O acórdão foi juntado aos autos em 05/11/2009, conforme despacho de fls. 11, tendo retornado ao CARF com a petição de fls. 461/465, datada de 11 de novembro de 2009, na qual o Senhor Delegado da DRF Londrina informa, entre outras coisas que, embora o relator do acórdão tenha mencionado que "após diversos trâmites processuais o presente processo passou a ser de titularidade da empresa Bungue Alimentos S/A", a documentação juntada aos autos demonstra que a detentora do crédito é a Seara Alimentos S/A . A autoridade administrativa explicou minuciosamente as razões das idas e vindas deste processo e as transformações societárias ocorridas, concluindo que no seu entender o recurso voluntário foi apresentado por um contribuinte que não é o detentor do crédito. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. Analisando o inteiro teor do Acórdão embargado, verificase que não foram citadas as diversas transformações societárias sofridas pelo contribuinte. O relator, antes de encerrar seu relatório, consignou o seguinte: "É de se notar que após diversos trâmites processuais o presente processo passou a ser de titularidade da empresa Bunge Alimentos S/A (dentre outros motivos, em razão de cisão na contribuinte)." E no início da fundamentação foi consignado o seguinte: Fl. 468DF CARF MF Processo nº 13910.000001/9900 Acórdão n.º 3403003.490 S3C4T3 Fl. 4 3 "Conheço do recurso por ser tempestivo e cumprir os pressupostos de admissibilidade." Ora, é cediço que a legitimidade e o interesse para recorrer são pressupostos subjetivos dos recursos. Em seu arrazoado, o Senhor Delegado de Londrina alega que o contribuinte que apresentou o recurso não era o detentor do crédito, ou seja, não possuía nem legitimidade e nem interesse em recorrer. Considerando que o inteiro teor do acórdão embargado evidencia que não houve debate e nem deliberação do colegiado acerca dos pressupostos de admissibilidade do recurso, uma vez que o relator simplesmente se limitou a informar no relatório que "após diversos trâmites processuais o presente processo passou a ser de titularidade da empresa Bungue Alimentos S/A" , tenho para mim ser inequívoco que houve omissão de ponto sobre o qual o colegiado deveria ter se manifestado, circunstância que rende ensejo aos embargos de declaração, a teor do art. 65 do RICARF, in verbis: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. § 1° Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de cinco dias contado da ciência do acórdão: I a IV ... omissis.... V pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão. } É inconteste que os pressupostos de admissibilidade do recurso são um ponto sobre o qual o colegiado deve deliberar antes de iniciar o exame de mérito, ainda mais neste caso concreto em que houve inúmeras idas e vindas do processo, em face das transformações societárias sofridas pelo contribuinte. Entretanto, tratandose de embargos de declaração interpostos em relação a acórdão cujo relator não mais pertence ao quadro de conselheiros do CARF, deve incidir a regra prevista no art. 49, § 7º do RICARF, in verbis: Art. 49. Os processos recebidos pelas Câmaras serão sorteados aos conselheiros. §§ 1º a 6º omissis.... § 7° Os processos que retornarem de diligência, os com embargos de declaração opostos e os conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc. Fl. 469DF CARF MF 4 Portanto, com a saída do Conselheiro Fernando Cleto do CARF, é inequívoco que este processo não poderia ter integrado novo lote de sorteio, mas sim retornado ao colegido ao qual pertencia o referido conselheiro para que seu presidente apreciasse pessoalmente o recurso da autoridade administrativa ou designasse relator ad hoc, conforme manda a regra regimental. Considerando que o Conselheiro Fernando Cleto pertencia à Primeira Turma Ordinária desta Câmara e que nesse colegiado ainda existe um conselheiro que participou do julgamento do acórdão embargado, ainda é possível a designação de relator ad hoc, o que não permite o sorteio deste processo a outro colegiado. Com esses fundamentos, voto no sentido de não tomar conhecimento dos embargos de declaração e de declinar da competência de julgamento à Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção, com base no disposto no art. 49, § 7º do RICARF. Por derradeiro, cumpreme esclarecer que o juízo de admissibilidade feito neste voto e colocado sob deliberação deste colegiado, não vincula o colegiado da Primeira Turma Ordinária, que poderá não tomar conhecimento da petição apresentada pela autoridade administrativa, caso entenda que não se verificaram os pressupostos regimentais do art. 65 do RICARF. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 470DF CARF MF
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Numero do processo: 13986.000026/2003-12
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. PRODUTOS QUE NÃO SE SUBMETERAM A OPERAÇÃO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Nos termos da Lei 9.363/96 o benefício alcança apenas o produtor exportador, entendendo-se por produtor aquele estabelecimeto que realize uma operação de industrialização segundo as definições da legislação do IPI (art. 3º, parágrafo único da Lei 4.502/64). Não sendo industrializado o produto exportado, descabe o direito ao benefício.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-002.830
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencida a Conselheira Nanci Gama (Relatora), que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas -Redator ad hoc
(assinado digitalmente)
Júlio César Alves Ramos - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martinez Lopez, Gileno Gurjão Barreto e Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: NANCI GAMA
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CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. Recorrente POMIFRAI FRUTICULTURA S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. PRODUTOS QUE NÃO SE SUBMETERAM A OPERAÇÃO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos da Lei 9.363/96 o benefício alcança apenas o produtor exportador, entendendose por produtor aquele estabelecimeto que realize uma operação de industrialização segundo as definições da legislação do IPI (art. 3º, parágrafo único da Lei 4.502/64). Não sendo industrializado o produto exportado, descabe o direito ao benefício. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencida a Conselheira Nanci Gama (Relatora), que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Redator ad hoc (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 6. 00 00 26 /2 00 3- 12 Fl. 199DF CARF MF Processo nº 13986.000026/200312 Acórdão n.º 9303002.830 CSRFT3 Fl. 186 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martinez Lopez, Gileno Gurjão Barreto e Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Nos termos do art. 17, III1, do RICARF, o Senhor Presidente deste Colegiado nomeoume redator ad hoc para formalizar o relatório e o voto vencido do presente acórdão, tendo em vista que a relatora originária, Nanci Gama, deixou de integrar o Colegiado antes da sua formalização. Tratase de recurso especial interposto pela empresa POMIFRAI FRUTICULTURA S.A. em face do acórdão proferido pela Primeira Câmara da Segunda Seção do CARF, cuja ementa ostenta o seguinte teor: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI N° 9.363/96. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NT. DIREITO NÃO RECONHECIDO. A exportação de produtos NT não dá direito ao ressarcimento de crédito presumido de IPLI. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. NÃO CABIMENTO. Não incide juros Selic no ressarcimento de créditos incentivados, por falta de previsão legal. Recurso negado. O sujeito passivo requer a reforma da decisão recorrida, invocando dissídio jurisprudencial quanto ao direito de usufruir do benefício fiscal do crédito presumido de IPI em relação à exportação de produto com notação NT na TIPI, e quanto à possibilidade de 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazêlo ou ñão mais componha o colegiado; Fl. 200DF CARF MF Processo nº 13986.000026/200312 Acórdão n.º 9303002.830 CSRFT3 Fl. 187 3 incidência de juros Selic no ressarcimento de créditos de IPI. Para tanto, apresenta como paradigmas os acórdãos nºs CSRF/0202.260 e CSRF/0202.175. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Redator ad hoc A teor do relatado, o Senhor Presidente deste Colegiado nomeoume redator ad hoc para formalizar o voto vencido do presente acórdão, tendo em vista que a relatora originária, Nanci Gama, deixou de integrar o Colegiado antes da sua formalização. Reproduzo, a seguir, o voto proferido pela i. Conselheira Nanci Gama, no Acórdão 9303002.722, no qual ela manifestase sobre a questão meritória posta em julgamento: A controvérsia aduzida nos presentes autos consiste em definir se os produtos classificados como não tributáveis “NT” pela TIPI integram a base de cálculo do crédito presumido do IPI ao serem exportados. Primeiramente, vale considerar que o artigo 1º da lei nº 9.363/961, ao instituir o benefício do crédito presumido de IPI à “empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais”, não o restringe apenas aos produtos industrializados. [...] Assim, tendo o benefício fiscal em tela sido dado ao gênero “mercadorias nacionais”, não cabe ao intérprete restringilo à espécie de “produtos industrializados”. Nesse sentido, peço a devida licença para transcrever como meu, o voto proferido pelo i. Conselheiro DALTON CESAR CORDEIRO DE MIRANDA quando do julgamento do Recurso nº 202126.282, cujas razões passo a aduzir: “Não cabe ao intérprete da norma jurídica estabelecer distinção onde o legislador não o fez. Ao excluir as aquisições, cuja última operação não esteja sujeita à incidência das contribuições por haver um distanciamento do critério legal de apuração da carga de contribuições contida nos insumos, automaticamente estarseia legitimando o pleito de um ressarcimento maior que o previsto em lei para os casos em que a carga de contribuições contida no valor das mercadorias fosse maior que o valor resultante da aplicação do critério previsto em lei, em razão do maior número de etapas que tenha percorrido. O erro da exigência da efetiva incidência das contribuições na última operação decorre, na minha opinião, de dois fatores. A tentativa da administração de barrar o benefício dado pela lei às empresas que adquiram produtos sem a incidência das contribuições, em razão do evidente ganho que auferem pela critérios contidos na lei. O outro é a decorrente da transferência indevida das regras vigentes na apuração do Imposto sobre Fl. 201DF CARF MF Processo nº 13986.000026/200312 Acórdão n.º 9303002.830 CSRFT3 Fl. 188 4 Produtos Industrializados – IPI para a presente sistemática de apuração dos créditos de COFINS e PIS a serem ressarcidos. Como é sabido, a legislação do IPI, como regra geral, expressamente proíbe o registro do crédito do imposto, se a operação de aquisição não está sujeita à incidência do referido imposto. Em razão do nome “crédito presumido de IPI” a Secretaria da Receita Federal deu ao incentivo fiscal o tratamento de crédito de IPI (conforme fica evidenciado pelas diversas normas administrativas expedidas por aquele órgão), como é o caso das mercadorias classificadas como “Não Tributadas” (ou NT) na tabela de incidência do IPI, hipótese em que as considera fora do incentivo fiscal em tela. O crédito passível de registro nos livros fiscais do IPI foi apenas uma forma criada pelo legislador para o ressarcimento mais rápido das contribuições, e seu valor não pode ser confundido com o IPI. Por outro lado, a lei autoriza que se utilize os conceitos da legislação do IPI apenas no que se refere aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem (art. 3o., parágrafo único, da Lei nº 9.363/96). O fato de ser ressarcido mediante a compensação com créditos de IPI não lhe altera a natureza jurídica, que permanece sendo de contribuição para o PIS e COFINS. Finalmente, não cabe à autoridade administrativa tentar corrigir eventuais distorções contidas na lei, como é o caso do ressarcimento das contribuições nos casos em que não houve essa incidência na operação anterior por não ser praticada por contribuinte, como nos casos de pessoas físicas e cooperativas, entre outros. Da mesma forma como a lei beneficiou as empresas que adquirem mercadorias de não contribuintes do PIS e PASEP, ao estabelecer um critério uniforme de apuração do crédito a ser ressarcido para todas as situações, igualmente prejudicou aquelas, cujos produtos percorrem várias etapas, sendo oneradas pelas contribuições de forma mais intensa, pela cumulação da incidência tributária, lhes retirando a competitividade, especialmente no mercado internacional, onde a regra é a não exportação de tributos. Entendo que a lei deva ser aplicada da forma como foi concebida pelo legislador, e que somente a este compete aprimorála. Evidentemente, por todas razões expostas, sou da opinião de que as matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, mesmo que adquiridos de não contribuintes do PIS e da COFINS, ou que, por outro motivo, essas contribuições não tenham incidido na aquisição dessas mercadorias, os valores correspondentes a essas operações devem compor a base de cálculo do incentivo fiscal em tela, sendo, portanto, incorreta a glosa aplicada pela fiscalização. (...) Como já por diversas vezes decidido na Câmara Superior de Recursos Fiscais, a finalidade da Lei nº 9.363/96 foi a de desonerar as exportações de mercadorias nacionais e, como conseqüência, melhorar o balanço de pagamentos. Aliás, tal entendimento está em linha com o que doutrinariamente defendido por José Erinaldo Dantas Filho, “O espírito do citado diploma Fl. 202DF CARF MF Processo nº 13986.000026/200312 Acórdão n.º 9303002.830 CSRFT3 Fl. 189 5 legal foi o de incentivar a exportação de produtos nacionais, tentando diminuir o chamado ‘custo Brasil’ para os produtos pátrios, de maneira que sejam ‘exportados tributos para o exterior’. O legislador federal visualizou a extrema necessidade de desonerar a exagerada carga tributária para os produtos exportados, bem como visou a combater o acentuado déficit da balança comercial de nosso País, assim gerando mais empregos e maior arrecadação.”2. Diferente não é, aliás, o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, conforme já consubstanciado no acórdão referente ao julgamento do já mencionado e citado Recurso Especial nº 586.392/RN3. Creio, ainda, abrindo aqui parênteses a bem ilustrar o debate, que do exame do Regulamento do IPI (Decreto nº 2.637/98), que trata dos conceitos de industrialização (transformação; beneficiamento; montagem; acondicionamento; e renovação e recondicionamento), entendo possível afirmar que as “mercadorias” exportadas pela recorrente (produtos de origem animal), são sim objeto ou resultante de um processo produtivo, mesmo que classificados como NT. Neste sentido, vale citar trechos de artigo de Júlio M. de Oliveira, intitulado “A Constituição, A Lei e o Regulamento do IPI – Hipóteses de Conflito”4: (...) “Ao nosso ver, o objeto do imposto não consiste meramente no ato de produzir acima delineado, pelo contrário, a materialidade da hipótese de incidência reside no resultado final deste ato – o produto. Assim não fosse, estaríamos diante de um imposto sobre industrialização e não sobre o produto industrializado. Neste sentido, cabe lembrar as sempre lúcidas considerações do mestre Geraldo Ataliba, verbis: “... Pela sua utilização (desse conjunto de componentes) é que se obtém, afinal, um produto. Se, portanto, a produção ou industrialização for posta na materialidade da hipótese de incidência do imposto, já não se estará diante do IPI, mas de tributo diverso.” Porém, esgotarse na existência de produtos industrializados a materialidade da hipótese de incidência do IPI, em outras palavras, o mero surgimento de um produto industrializado é suficiente para caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto? Quer nos parecer que não.” 2 “Da impossibilidade de Restrições ao Crédito Presumido de IPI através de Normas Administrativas Complementares”, in Revista Dialética de Direito Tributário, volume 75, p. 77. 3 REsp 586.392/RN, Ministra relatora Eliana Calmon, Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, acórdão publicado no D.J.U., Seção I, de 6/12/2004 4 “IPI – Aspectos Jurídicos Relevantes – Coordenação Marcelo Magalhães Peixoto” – São Paulo: Quartier Latin, 2003, pp. 221 a 238 Fl. 203DF CARF MF Processo nº 13986.000026/200312 Acórdão n.º 9303002.830 CSRFT3 Fl. 190 6 (...) E a propósito da discussão travada nestes autos, necessária se faz reafirmar que o benefício do crédito presumido está expressamente direcionado à empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. O artigo de lei é abrangente, portanto, daí não ser possível restringir o debate entre a distinção entre ‘produto industrializado não tributado” e “produto industrializado tributado’, pois tanto um como outro são ‘mercadorias’5 e, conseqüentemente, abrangidos pela Lei nº 9.363/96.” Dessa forma, restase evidente o entendimento de que, tendo o crédito presumido em análise o objetivo de ressarcir as contribuições incidentes sobre as etapas anteriores da cadeia produtiva, não é relevante se o produto é ou não tributado pelo IPI na sua saída final. Quanto ao entendimento da i. Conselheira Nanci Gama acerca da incidência da Selic na correção do crédito, reproduzo trecho de seu voto no acórdão 9303001.386: Quanto à questão referente à correção monetária do crédito do contribuinte pela taxa Selic, entendo que também merecem prosperar as razões do contribuinte. O cabimento da taxa Selic em matéria de ressarcimento de IPI também foi muito bem explicitado pela ilustre Conselheira Maria Teresa Martínez López, em seu voto proferido no Recurso 201125.339, a quem peço vênia para reproduzir como meu, conforme abaixo segue: “O STJ, orientado pela jurisprudência do STF, não reconhece o direito à correção monetária dos créditos meramente escriturais, como é o caso, porquanto, fundamentalmente, nos casos de compensação, a correção se aplicada aos créditos escriturais, ensejaria a correção dos débitos da mesma conta, sendo inalterável o resultado final e efetivo, se comparado aos valores históricos6. Nesse sentido, também é a jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes. 7 No entanto, a partir da data de protocolização do respectivo pedido e o do efetivo ressarcimento, por imposição dos princípios constitucionais da isonomia e da moralidade, nada mais justo que à contribuinte titular do direito ao crédito de IPI, garantase o direito à atualização monetária pela taxa SELIC, nesse período, nos moldes aplicáveis na restituição. Nesse sentido, 5 “Aquilo que é objeto de comércio; bem econômico destinado à venda; mercancia. ...” Ferreira, Aurélio Buarque de Holanda. “Novo Aurélio Século XXI: o dicionário da língua portuguesa/3ª edição – Rio de Janeiro : Nova Fronteira, 1999 6 REsp. 667308/ SC; REsp. 412.710∕SC, Rel. Min. Franciulli Netto, DJU 08∕09∕2003. REsp 416.776∕RS, Rel. Min. Luiz Fux, DJU 16∕02∕2004 e REsp 541.505∕PR, Rel. Min. José Delgado, DJU 20.10.2003, e REsp 412.710∕SC. 7 Vejase os acórdãos 20302.719/96, 20208.583/96, 20208.594/96 e 20302.719/97. Fl. 204DF CARF MF Processo nº 13986.000026/200312 Acórdão n.º 9303002.830 CSRFT3 Fl. 191 7 vejamse precedentes jurisprudenciais reconhecendo a aplicação da taxa SELIC.8 Isto porque a demora própria do andamento fiscal, e a correspondente defasagem monetária do crédito, não podem ser carregadas como ônus do contribuinte, sob pena de ficar comprometido, pelo menos em parte, o valor ressarcido, que se busca preservar. De outra frente, poderseia invocar que a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, não seria apropriada em razão de não ser especificamente taxa de atualização monetária. Penso que a sua aplicação vai de encontro ao adotado na legislação, nos pedidos de restituição, compensação e cobrança de créditos da União. Há de se lembrar que o crédito presumido, quando aproveitado a maior ou indevidamente, também é pago com o acréscimo da SELIC. Observo inexistir texto legal específico conceituando a taxa SELIC. Podese dizer que a taxa SELIC é por sua composição, híbrida, tendo em vista que comporta juros e atualização monetária.9 Em verdade, o Fisco exige ou paga ao contribuinte aquilo que a União paga para tal captação. Nesse sentido, a “atualização/juros” são devidos por representar remuneração do capital, que permaneceu à disposição da empresa, e não guardam natureza de sanção. Também deve ser considerado o disposto no art. 39, § 4º da Lei nº 9.250/95, que preceitua que, a partir de 1º de janeiro de 1996, em lugar da UFIR, a compensação ou restituição de tributos deve ser acrescida de juros equivalentes à taxa referencial SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Ora, na repetição do indébito, consoante o disposto no parágrafo único do art. 167 do CTN, os juros moratórios são devidos apenas a partir do trânsito em julgado da decisão que a determinar. Logo, inferese que tal incidência não se faz a título de juros moratórios, pois estes estão vedados pelo Código 8 A matéria já foi objeto de vários julgados dos Conselhos de Contribuintes, (ACÓRDÃO 20213.920, sessão de 09/07/2002; ACÓRDÃO 20177.484 , sessão de 16/02/2004, incluindo CSRF ( CSRF/0201.732, sessão de 13 de setembro de 2004; e CSRF/020.762, DOU de 06/08/99; Acórdão nº CSRF/020.708, de 04/06/98), reconhecendo, tratandose de restituição de crédito de IPI, o direito à atualização do crédito pela taxa SELIC. 9 Algumas Resoluções antigas do Banco Central, como as de n°s. 2.672/96, 1.693/90 e 1.124/86, permitem inferir que essa taxa corresponde àquela média mensal apurada no Sistema Especial de Liquidação SELIC para os rendimentos dos títulos federais dentre os quais se inserem as Letras do Banco Central. Outrossim, inexiste definição legal quanto à composição dessa mesma taxa. Como corresponde ela aos rendimentos dos títulos federais, deve albergar conjuntamente os juros remuneratórios do capital empregado na aquisição desses títulos e, ainda, a correção monetária, que, a despeito de suprimida relativamente às demonstrações financeiras, para fins de apuração do imposto de renda (art. 4º da Lei nº 9.249/95), continua presente na economia nacional e é reconhecida através da publicação de vários índices oficiais ou oficiosos. Aliás, não é por outra razão que essa taxa varia mensalmente. Embora o livre jogo do mercado financeiro possa influir nessa variação, o componente relativo à inflação mensal é nela indescartável. Fl. 205DF CARF MF Processo nº 13986.000026/200312 Acórdão n.º 9303002.830 CSRFT3 Fl. 192 8 Tributário Nacional nesse mesmo parágrafo único do art. 167. Por outro lado, as Instruções Normativas da Receita Federal indicam ser a taxa SELIC adotada como referencial de juros moratórios, verdadeiro substitutivo da correção monetária. Mas, se a inflação, mesmo oficial, ainda permanece, não há como reconhecer apenas juros moratórios em favor do Fisco credor, sendo a correção elemento integrativo do próprio tributo devido e, pois, inseparável deste. Em verdade, o que ocorre é a substituição de um indexador por outro, de forma a repor o valor real do indébito a ser restituído. O mesmo, de resto, sucede quando credor o Fisco, com a atualização de seus créditos mediante uma taxa de supostos juros moratórios correspondentes à taxa referencial SELIC.10 Por esses motivos, a exemplo do ocorrido na cobrança, restituição ou compensação dos tributos e contribuições federais é que entendo que a escolha da taxa Selic reflete a melhor opção.” Com essas considerações, a Conselheira votou no sentido de dar provimento ao recurso especial interposto pela contribuinte, sendo vencida pela maioria do Colegiado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas 10 Também devese levar em consideração que o próprio Banco Central do Brasil, que apura a taxa SELIC, reconheceu em sua Circular nº 2.672/96, ao regulamentar Linha Especial de Assistência Financeira do Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional (PROER), ser a taxa SELIC diferenciada dos juros. Tanto assim que cobra encargos financeiros capitalizados diariamente e exigíveis trimestralmente à taxa equivalente à taxa média ajustada de todas as operações registradas no SELIC, acrescida de juros. Portanto, distinguemse os juros dessa última taxa. Fl. 206DF CARF MF Processo nº 13986.000026/200312 Acórdão n.º 9303002.830 CSRFT3 Fl. 193 9 Voto Vencedor Conselheiro Júlio César Alves Ramos, Redator Designado Apesar das fortes razões aduzidas pela relatora, o colegiado acolheu as defendidas pela Fazenda Nacional, tendo o Presidente em exercício atribuído a mim a difícil missão de redigir o voto vencedor. Ela apenas se atenua por já ter eu tido a ocasião de votar alguns processos que tratam da mesma matéria, quando concluí não caber o benefício na exportação de produtos com a notação NT na TIPI, que não sofreram processo de industrialização, conforme definições da legislação do imposto. As ponderações que à época fiz, e das quais ainda não me afastei, são basicamente as seguintes: "Entendo não assistir razão à recorrente. É que, como ela mesma reconhece, a lei instituidora do benefício exigiu a ocorrência de produção. De fato, o seu art. 1º apenas o confere a quem seja empresa produtora e exportadora. Confirase: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Mas, diferentemente do que ela afirma, a mesma Lei estabelece sim o que seja “produção” para esses efeitos, remetendo o intérprete e aplicador do direito às disposições da “legislação” do IPI. Tratase, como se sabe, do parágrafo único do art. 3º a seguir transcrito: Art. 3º Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem. Com isso, pareceme fora de qualquer discussão que o beneficiário do instituto criado em 1996 tem de ser um estabelecimento Fl. 207DF CARF MF Processo nº 13986.000026/200312 Acórdão n.º 9303002.830 CSRFT3 Fl. 194 10 produtor na forma do que preceitua a legislação do imposto. Como o próprio contribuinte afirma, nas palavras de Ulhôa Conta, não há necessidade de interpretar esse comando: ele é, por si só, cristalino. Ora, a legislação do IPI referida na norma tem como âncora a Lei nº 4.502 que, desde 1964, define o que seja produção para efeitos do IPI em seu art. 3º. ART.3 Considerase estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto. Parágrafo único. Para os efeitos deste artigo, considerase industrialização qualquer operação de que resulte alteração da natureza, funcionamento, utilização, acabamento ou apresentação do produto, salvo: I o conserto de máquinas, aparelhos e objetos pertencentes a terceiros; II o acondicionamento destinado apenas ao transporte do produto. III o preparo de medicamentos oficinais ou magistrais, manipulados em farmácias, para venda no varejo, diretamente e consumidor, assim como a montagem de óculos, mediante receita médica. * Inciso III acrescido pelo DecretoLei n. 1.199, de 27/12/1971. IV a mistura de tintas entre si, ou com concentrados de pigmentos, sob encomenda do consumidor ou usuário, realizada em estabelecimento varejista, efetuada por máquina automática ou manual, desde que fabricante e varejista não sejam empresas interdependentes, controladora, controlada ou coligadas. * Inciso IV acrescido pela Lei n. 9.493, de 10/09/1997 (DOU de 11/09/1997, em vigor desde a publicação). Mas nesse conceito original, cabia sim interpretar o alcance das expressões “alterar o acabamento ou a apresentação do produto”. Os diversos decretos que aprovaram regulamentos do IPI (RIPI) delimitaram o alcance das expressões contidas na lei ao definir, com precisão, cinco modalidades de industrialização. No período das exportações promovidas pela recorrente, o que vigia era ainda o RIPI baixado pelo decreto de nº 87.981, em 1982. Seu art. 4º assim regulamentava a definição de industrialização (disposição repetida em todos os regulamentos posteriores): Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, e Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único): I a que, exercida sobre matériasprimas ou produtos intermediários, importe na obtenção de espécie nova (transformação); II a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); Fl. 208DF CARF MF Processo nº 13986.000026/200312 Acórdão n.º 9303002.830 CSRFT3 Fl. 195 11 III a que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal (montagem); IV a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); ou V a que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento). Parágrafo único. São irrelevantes, para caracterizar a operação como industrialização, o processo utilizado para obtenção do produto e a localização e condições das instalações ou equipamentos empregados. Como se observa, a regulamentação, embora aprofundasse o alcance das expressões originais, ainda deixava aberto o campo de interpretação quanto aos limites das alterações que devem ser promovidas pelo “produtor” sobre o produto para que se configure uma industrialização. Por esse motivo, esta Câmara, por maioria, tem entendido possível ao contribuinte demonstrar o cumprimento dos requisitos previstos nesse dispositivo para enquadrarse como “produtor”, ainda que o seu produto esteja indicado na TIPI como NT. Dentre as modalidades ali definidas – ressalvese que de modo exemplificativo – duas parecem cogitáveis ao caso concreto: o beneficiamento e o acondicionamento. É também por esse motivo que se firmou o entendimento de que não cabe excluir a receita de exportação de produtos NT do total daquela receita que integra o numerador da relação utilizada para apurar a base de cálculo (receita de exportação sobre receita total). Assim, caso deferido o benefício, caberia também a revisão desse critério adotado pela fiscalização. Divirjo desse entendimento, embora deixando registrado que não concordo com o simples argumento de que basta o produto ser NT na TIPI para que o benefício se torne incogitável. Cumpre esclarecer esse meu posicionamento. É que entendo que aquela tabela, igualmente baixada por meio de decreto regulamentar expedido pela Presidência da República, vem exatamente para impedir interpretações divergentes, no âmbito administrativo, acerca do que seja industrialização para efeito do IPI. Nesse sentido, vale transcrever as felizes lições do saudoso mestre Hely Lopes Meirelles11, acerca do alcance e vinculação dos decretos regulamentares: Decretos, em sentido próprio e restrito, são atos administrativos da competência exclusiva dos chefes do Executivo, destinados a prover situações gerais ou individuais, abstratamente previstas de 11 MEIRELES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo, Malheiros, 2004, p. 181. Fl. 209DF CARF MF Processo nº 13986.000026/200312 Acórdão n.º 9303002.830 CSRFT3 Fl. 196 12 modo expresso, explícito ou implícito pela legislação. Comumente, o decreto é normativo e geral, constituindo exceção o decreto individual. Como ato administrativo, o decreto está sempre em situação inferior à da lei, e, por isso mesmo, não a pode contrariar. O decreto geral tem, entretanto, a mesma normatividade da lei, desde que não ultrapasse a alçada regulamentar de que dispõe o Executivo. O nosso ordenamento administrativo admite duas modalidades de decreto geral (normativo): o independente ou autônomo e o regulamentar ou de execução. Decreto regulamentar ou de execução é o que visa a explicar a lei e facilitar a sua execução, aclarando seus mandamentos e orientando sua aplicação. Tal decreto comumente aprova, em texto à parte, o regulamento a que se refere. Regulamentos são atos administrativos, postos em vigência por decreto, para especificar os mandamentos da lei, ou prover situações ainda não disciplinadas por lei. Desta conceituação ressaltam os caracteres marcantes do regulamento: ato administrativo (e não legislativo): ato explicativo ou supletivo da lei; ato hierarquicamente inferior à lei; ato de eficácia externa. Idêntico posicionamento (salvo quanto à possibilidade dos chamados decretos autônomos) adota outro de nossos mais celebrados administrativistas, o Professor Celso Antônio Bandeira de Mello12, para quem o princípio da legalidade ínsito no art. 84, IV da Lei Maior impõe “que mesmo os atos mais conspícuos do Chefe do Poder Executivo, isto é, os decretos, inclusive quando expedem regulamentos, só podem ser produzidos para ensejar execução fiel da lei. Ou seja: pressupõem sempre uma dada lei da qual sejam os fiéis executores”. Definindo, na mesma obra, o que seja essa “fiel execução”, ensina, com a característica clareza (op.cit., p. 330): “Ditos regulamentos cumprem a imprescindível função de, balizando o comportamento dos múltiplos órgãos e agentes aos quais incumbe fazer observar a lei, de um lado, oferecer segurança jurídica aos administrados sobre o que deve ser considerado proibido ou exigido pela lei (e ipso facto, excluído da livre autonomia da vontade), e, de outro lado, garantir aplicação isonômica da lei, pois, se não existisse esta normação infralegal, alguns servidores públicos, em um dado caso, entenderiam perigosa, insalubre ou insegura dada situação, ao passo que outros, em casos iguais, dispensariam soluções diferentes”. E mais adiante referindose à vinculação dos regulamentos (op. Cit. pp. 331 a 332): “É bem de ver que as disposições regulamentares a que ora se está aludindo presumem, sempre e necessariamente, uma interpretação da lei aplicanda... ...A respeito destes regulamentos cabem importantes anotações. 12 BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de Direito Administrativo. 17ª Ed. São Paulo, Malheiros, 2004, p. 94. Fl. 210DF CARF MF Processo nº 13986.000026/200312 Acórdão n.º 9303002.830 CSRFT3 Fl. 197 13 A primeira delas é a de que interpretar a lei todos fazem – tanto a Administração, para imporlhe a obediência, quanto o administrado, para ajustar seu comportamento ao que nela esteja determinado – mas, só o Poder Judiciário realiza, caso a caso, a interpretação reconhecida como a ‘verdadeira’, a ‘certa’ juridicamente. Seguese que, em juízo, poderá, no interesse do administrado, ser fixada interpretação da lei distinta da que resultava de algum regulamento. De outra parte, entretanto, não há duvidar que o regulamento vincula a Administração e firma para o administrado exoneração de responsabilidade ante o Poder Público por comportamentos na conformidade dele efetuados. Isto porque o Regulamento é ato de “autoridade pública”, impositivo para a Administração e, reflexamente, mas de modo certo e inevitável (salvo questionamento judicial), sobre os administrados, que, então, seja por isso, seja pela presunção de legitimidade dos atos administrativos, têm o direito de, confiadamente, agir na conformidade de disposições regulamentares”. Aplicando tais lições ao caso em análise, vêse que o que seja industrialização, mesmo com a definição que lhe deram tanto a Lei quanto o Decreto, pode ainda, em muitos casos, ser objeto de interpretações diversas. Para efeito de IPI, porém, toda discussão cessa diante da TIPI, pois é exatamente para dirimir qualquer dúvida nesse aspecto que ela é baixada. Não cabe, pois, ao agente administrativo considerar que o produto que ali esteja definido como não industrializado seja industrializado, ou viceversa. Trocando em miúdos, sempre que uma dada operação aparentemente puder enquadrarse como industrialização é aquela norma regulamentar que dirimirá, no âmbito das obrigações atinentes ao IPI, o correto entendimento (ao menos o correto na visão do Poder Executivo, de onde provém), e de forma vinculante a todos os aplicadores do direito integrantes de sua estrutura administrativa. E é claro que esse entendimento pode ser contestado pelos contribuintes, mas então há de ser objeto de apreciação pela instância constitucionalmente capaz: o Poder Judiciário. Nessa esteira é que entendo que não podem os aplicadores do direito não integrantes do Poder Judiciário ultrapassar as definições emanadas da TIPI no que se refere ao alcance do conceito de industrialização para efeito do IPI. Mas, como disse, esse posicionamento tampouco autoriza que se remeta automática e acriticamente à TIPI para desconfigurar o direito do postulante ao crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96, apenas porque na TIPI o produto apareça como NT. E isso porque nem todos os produtos que ali aparecem com tal expressão o fazem por serem produtos não industrializados. De fato, muitos, sem dúvida a maioria, o são. Mas ao lado deles há também os casos da imunidade conferida a alguns produtos. Para eles também a TIPI reserva a expressão NT, desde que aquela não incidência não dependa de qualquer condição. Fl. 211DF CARF MF Processo nº 13986.000026/200312 Acórdão n.º 9303002.830 CSRFT3 Fl. 198 14 No que respeita apenas à aplicação do IPI não faz qualquer diferença o motivo: sendo NT, o produto está fora do campo de incidência daquele imposto e quem o produz nenhuma obrigação tem com respeito ao tributo. Mas, quando se examina a TIPI com olhos no benefício da Lei 9.363/96, isso faz sim diferença, pois ela não exigiu, e nisso a recorrente tem inteira razão, que os produtos exportados estejam no campo de incidência do IPI. O que ela exige é que eles tenham sido submetidos a uma operação de industrialização. E, como espero ter deixado claro, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Essa ressalva, porém, não afeta a situação sob exame. O produto exportado pela empresa é definido na TIPI como NT exatamente porque os processos a que se possa submeter não foram considerados pelo legislador suficientes para caracterizar uma industrialização. Vale enfatizar que nessa caracterização a existência ou não de maquinário é inteiramente irrelevante. Com efeito, tanto um estabelecimento pode ser definido como industrial mesmo sem dispor de qualquer maquinário, como outro, que o detenha, nem por isso se torna “produtor”. Assim, enquanto o café em grão, não torrado nem descafeinado, constar na TIPI como NT, é produto não industrializado, as operações adotadas em seu “processamento” não consubstanciam industrialização e o seu “processador” não faz jus ao benefício veiculado na Lei nº 9.363/96." No caso ora em julgamento, o produto exportado foi a maçã (fruta in natura), que também consta na TIPI com a notação NT, e cujas operações efetuadas no seu preparo para a exportação não se consubstanciam em operação de industrialização. Em consequência, sua exportação não faz jus ao benefício do crédito presumido do IPI. No que diz respeito à taxa Selic, em virtude do não reconhecimento do direito de crédito, desnecessário enfrentar o mérito da incidência da Selic, dado que o acessório segue o principal. Importante ressaltar que houve indeferimento do valor total do pedido da contribuinte desde o Despacho Decisório da DRF/Joaçaba, sem reforma, ainda que parcial, pelas instâncias de julgamento. Desta forma, não há qualquer montante que seria passível de atualização pela Selic. Com base nessas considerações, votou o colegiado, por maioria, por negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo, sendo esse o voto que me coube redigir. (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos Fl. 212DF CARF MF
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