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Numero do processo: 11516.722538/2011-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2007 a 28/02/2008
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - INCORPORAÇÃO - LANÇAMENTO NA INCORPORADORA
Conforme consta do relatório fiscal os valores apurados como devidos no referido auto de infração se referem originalmente à empresa WEG Automação Ltda - CNPJ nº 08.520.338/000186, incorporada pela autuada.
Recurso Voluntário Provido em Parte
PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. EXISTÊNCIA DE PLANO CONTEMPLANDO TODOS OS SEGURADOS A SERVIÇO DA EMPRESA E OUTRO ABRANGENDO APENAS OS DIRETORES. ATENDIMENTO À LEI DESONERATIVA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES.
Nos casos em que a empresa institui um plano de previdência complementar abrangendo todo o quadro funcional e outro contemplando apenas os diretores, inexiste atropelo ao art. 28, §9º, p, da Lei 8.212/1991, o qual exige, para não inclusão da verba no salário-de-contribuição, a extensão do benefício a todos os empregados e dirigentes, mas não determina que o benefício seja igual para todos os segurados.
Numero da decisão: 2401-003.772
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da tributação os valores referentes ao plano de previdência privada, vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que negava provimento ao recurso, sendo que votaram pelas conclusões os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire, que apesar de não aplicarem as regras da LC nº 109, entendem que o requisito da Lei nº 8.212/91 não resta descumprido pelo fato de haver a adoção de planos de previdência distintos pela empresa. Pelo voto de qualidade, foi mantida a tributação sobre a PLR paga a administradores e conselheiros, vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Ewan Teles Aguiar, que afastavam a tributação. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira Araújo. O conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira apresentará declaração de voto. Fez sustentação oral: Dr. Dimas Tarcisio Vanin, OAB/SC nº 3431.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Kleber Ferreira de Araújo - Redator Designado
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Ewan Teles Aguiar e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2007 a 28/02/2008 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - INCORPORAÇÃO - LANÇAMENTO NA INCORPORADORA Conforme consta do relatório fiscal os valores apurados como devidos no referido auto de infração se referem originalmente à empresa WEG Automação Ltda - CNPJ nº 08.520.338/000186, incorporada pela autuada. Recurso Voluntário Provido em Parte PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. EXISTÊNCIA DE PLANO CONTEMPLANDO TODOS OS SEGURADOS A SERVIÇO DA EMPRESA E OUTRO ABRANGENDO APENAS OS DIRETORES. ATENDIMENTO À LEI DESONERATIVA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Nos casos em que a empresa institui um plano de previdência complementar abrangendo todo o quadro funcional e outro contemplando apenas os diretores, inexiste atropelo ao art. 28, §9º, p, da Lei 8.212/1991, o qual exige, para não inclusão da verba no salário-de-contribuição, a extensão do benefício a todos os empregados e dirigentes, mas não determina que o benefício seja igual para todos os segurados.
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Da mesma forma, inaplicável a regra do art. 158 da lei 6404/76, quando não se identifica que a distribuição decorreu do capital investido, mas tão somente da prestação de serviços. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. EXISTÊNCIA DE PLANO CONTEMPLANDO TODOS OS SEGURADOS A SERVIÇO DA EMPRESA E OUTRO ABRANGENDO APENAS OS DIRETORES. ATENDIMENTO À LEI DESONERATIVA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Nos casos em que a empresa institui um plano de previdência complementar abrangendo todo o quadro funcional e outro contemplando apenas os diretores, inexiste atropelo ao art. 28, §9º, “p”, da Lei 8.212/1991, o qual exige, para não inclusão da verba no saláriodecontribuição, a extensão do benefício a todos os empregados e dirigentes, mas não determina que o benefício seja igual para todos os segurados. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2007 a 28/02/2008 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO INCORPORAÇÃO LANÇAMENTO NA INCORPORADORA AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 25 38 /2 01 1- 46 Fl. 1254DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 Conforme consta do relatório fiscal os valores apurados como devidos no referido auto de infração se referem originalmente à empresa WEG Automação Ltda CNPJ nº 08.520.338/000186, incorporada pela autuada. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da tributação os valores referentes ao plano de previdência privada, vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que negava provimento ao recurso, sendo que votaram pelas conclusões os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire, que apesar de não aplicarem as regras da LC nº 109, entendem que o requisito da Lei nº 8.212/91 não resta descumprido pelo fato de haver a adoção de planos de previdência distintos pela empresa. Pelo voto de qualidade, foi mantida a tributação sobre a PLR paga a administradores e conselheiros, vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Ewan Teles Aguiar, que afastavam a tributação. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira Araújo. O conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira apresentará declaração de voto. Fez sustentação oral: Dr. Dimas Tarcisio Vanin, OAB/SC nº 3431. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Kleber Ferreira de Araújo Redator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Ewan Teles Aguiar e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1255DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 11516.722538/201146 Acórdão n.º 2401003.772 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente processo correspondente ao lançamento de contribuições previdenciárias, incidentes sobre os valores pagos pela WEG EQUIPAMENTOS ELÉTRICOS S/A. aos seus empregados, no período de 07/2007 a 12/2008, conforme abaixo especificado: Conforme consta do relatório fiscal fls. 16 a 33, os valores apurados como devidos no referido auto de infração se referem originalmente à empresa WEG Automação Ltda – CNPJ nº 08.520.338/000186. Sucede que, devido a incorporação de tal sociedade empresária pela Autuada em 10 de agosto de 2009, o lançamento foi efetuado em nome desta. Foram lançadas contribuições sociais previdenciárias da empresa sobre remunerações pagas, devidas ou creditadas, a segurados contribuintes individuais, relativas a competências compreendidas entre 07/2007 a 12/2008. De acordo com o relatório fiscal de fls. 16 a 33, o lançamento das contribuições contidas no levantamento “P5 – PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR” foi efetuado sobre contribuições feitas a plano de previdência privada relativas a diretores e membros do conselho de administração da WEG Automação Ltda. O lançamento das contribuições contidas no levantamento “L5 – PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS”, por sua vez, foi efetuado com base em valores pagos a título de participação nos lucros e resultados a diretores da WEG Automação Ltda. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 30/12/2011, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou defesa, fls. 1163 a 1175, nos seguintes termos: 1. Diz que a exigência fiscal é totalmente improcedente. 2. Lembra que a participação dos administradores nos lucros é prevista no §1º do artigo 152 da Lei nº 6.404/1976. 3. Ressalta que o pagamento de participação nos lucros e resultados da empresa a administradores ocorreu de forma regular, com estrita observância do seu Estatuto Social e do §1º do artigo 152 da Lei nº 6.404/1976. 4. Assevera que o §9º do artigo 28 da Lei nº 8.212/1991 deixa claro que não integra o salário de contribuição a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com a lei específica. 5. Frisa que, no presente caso, a lei específica é a Lei nº 6.404/76. Cita ementa e excertos de julgados do Tribunal Regional Federal da 1ª Região e do Superior Tribunal de Justiça. Fl. 1256DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 6. Frisa, a fim de ilustrar o debate, que “não seria a diferença de categoria de segurados da previdência social que teria o condão de afastar a isenção da incidência das contribuições sociais sobre valores pagos a título de participação nos resultados”. 7. Sustenta que “tanto a categoria de segurados obrigatórios, como celetistas (Inciso I do artigo 12 da Lei 8.212/91) como a categoria dos contribuintes individuais, como administradores (letra ‘f’ do inciso V do artigo 12 da Lei 8.212/91), está contida na hipótese de isenção da contribuição social sobre receitas de participação nos resultados, tipificada na letra ‘j’ do parágrafo 9º do artigo 28 da Lei 8212/91, que trata de ‘lei específica’”. 8. Ressalta que “ambas as categorias contam com ‘lei específica’ versando sobre tais proventos, sejam os celetistas (Lei 10.101/2000), sejam os administradores (§1º do art. 152 da Lei nº 6.404/76), sendo que inexiste, em nosso arcabouço legislativo, qualquer previsão que diferencie o tratamento tributário dos valores percebidos por estes a título de participação nos lucros/resultados”. 9. Afirma que a Lei nº 8.212/1991 não faz qualquer distinção de tratamento entre a participação nos lucros paga aos empregados e a participação no lucros paga aos administradores. 10. Destaca que a verba em questão, por ter como pressuposto a existência de lucro, é totalmente aleatória e incerta. 11. Ressalta que de acordo com o artigo 463 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999), a parcela do lucro distribuída aos administradores é indedutível para fins de apuração do lucro real. 12. Aduz que não concorda com a afirmação da autoridade fiscal de que “a participação nos lucros ou resultados das empresas, citada na alínea ‘j’, do parágrafo 9º, do artigo 28, da Lei 8.212/1991, foi regulamentada pela Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, conforme disposto nos artigos 1º e 2º”. 13. Afirma que tal afirmação é uma ilação infundada, pois induz “a um raciocínio equivocado de que a Lei 10.101/2000 teria sido feita ‘sob medida’ para ‘regulamentar’ um dispositivo de outra Lei, no caso, a 8.212/91, estreitando a isenção para somente a categoria dos empregados celetistas, excluindo os administradores”. 14. Frisa que “a Lei 10.101/2000 decorre da conversão da Medida Provisória 1.982/77, após sucessivas reedições, sendo que em nenhum destes diplomas (medidas provisórias antigas ou própria Lei 10.101) consta alguma menção de que o legislador estaria buscando a aventada ‘regulamentação’” mencionada pela autoridade fiscal. 15. Diz que a Lei nº 10.101/2000 tratou de novo instituto criado para compartilhamento dos resultados entre todos os envolvidos no ciclo econômico empresarial (empregados e administradores), com fulcro no inciso XI do artigo 7º da Constituição Federal. 16. Assevera que “a alínea ‘j’, do parágrafo 9º, do artigo 28, da Lei 8.212/1991 continua abarcando todas as categorias de beneficiários de valores advindos de participação de lucros/resultados, eis que inexiste previsão legal de incidência de contribuições sociais sobre tal base”. 17. Ressalta que todos os seus diretores não são empregados. Fl. 1257DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 11516.722538/201146 Acórdão n.º 2401003.772 S2C4T1 Fl. 4 5 18. Afirma que o §2º do artigo 202 da Constituição Federal “afasta a incidência de qualquer tributo ou contribuição sobre os valores destinados à planos de previdência complementar”. 19. Assevera que o princípio da imunidade tributária destas contribuições também encontra assento na legislação infraconstitucional, conforme o disposto no §1º do artigo 69 da Lei Complementar nº 109/2001. 20. Ressalta que, de maneira geral, o estímulo à instituição de planos de previdência complementar no Brasil é dirigido a todos os trabalhadores, mas em especial, àqueles com remuneração acima do teto de contribuição previdenciária. 21. Frisa que “para os trabalhadores com salário até o teto previdenciário, praticamente não há necessidade de complementação de aposentadoria, pois o valor que é pago pelo INSS já é, praticamente, igual ao salário da ativa”. 22. Sustenta que “a exigência de que o mesmo seja disponível a todos os empregados (em que pese que isso não é uma exigência constitucional), há que se entender que ‘todos’ são aqueles que necessitem, com maior intensidade, de uma complementação de aposentadoria”. 23. Afirma que efetua, em relação a seus administradores, uma contribuição complementar para uma entidade de previdência complementar aberta, porque estes são as pessoas que mais sofrem redução em termos de aposentadoria do INSS, comparativamente com seus ganhos da ativa. 24. Diz que a necessidade de estar disponível a todos não significa que todos os planos devem estar disponíveis para todos os empregados. 25. Alega que “se já existe um plano disponível para todos os empregados, nada impede que se contrate outro plano (desde que autorizado pelo órgão competente – a SUSEP no caso de entidades abertas), este dirigido aos que mais necessitem da complementação pós aposentadoria, justamente por estarem com ganho habitual superior ao teto de contribuição ao INSS”. 26. Assevera que a matéria deve ser vista de forma ampla, qual seja, “o fato de que quanto maior for a poupança previdenciária acumulada, não importando a favor de quem, maior será a segurança financeira e social da coletividade, já que notório o fato de que um dos pilares de solidez do sistema financeiro é um bom nível de reservas econômicas combinado com parcimônia nos gastos públicos, especialmente no tocante aos elevados custos sociais envolvidos”. 27. Diz que a preocupação do legislador foi a de “fomentar o aumento da previdência privada no país, seja na modalidade aberta ou fechada, sem jamais fazer ressalvas quanto à possibilidade de um contribuinte contar com mais de um plano”. 28. Assevera que “não há óbice à contratação de mais de um plano de previdência, inexistindo fundamento legal para que tal fato, por si só, afaste a equivalência do tratamento tributária para os valores revertidos para um ou para outro plano, afastando a isenção da contribuição social sobre os valores depositados”. Fl. 1258DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 29. Alega que a situação existente no presente caso se compatibiliza ao disposto na alínea “p” do §9º do artigo 28 da Lei nº 8.212/1991, visto que “todos os empregados e diretores tem acesso a, no mínimo, um dos planos de previdência privada em debate”, como reconhecido pela própria autoridade fiscal. 30. Ressalta que o plano “aberto” contratado (Bradesco Vida e Previdência) é devidamente autorizado pela SUSEP, órgão do Ministério da Fazenda, do qual faz parte a Receita Federal do Brasil, portanto, as contribuições foram feitas de forma regular, a uma entidade autorizada a funcionar no ramo de previdência complementar. 31. Destaca que os regulamentos dos planos em debate (WEG Seguridade Social e Bradesco Vida e Previdência), assim como a legislação, não contêm “proibição à adesão pelos participantes a outros planos quaisquer”. 32. Alega que “a situação dos Conselheiros é exatamente igual à dos Diretores, uma vez que tais Conselheiros participam de dois planos”. 33. Em decorrência da improcedência das contribuições lançadas, tbm deve ser cancelada a multa de ofício exigida. 34. Alega que os autos de infração em questão mostramse totalmente na contramão de tudo aquilo que é a intenção maior do próprio Governo Federal. 35. Requer, por fim, a declaração de improcedência dos lançamentos fiscais. Foi exarada a Decisão de 1 instância, fls. 1210 a 1225 , que determinou a procedência do lançamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008 LANÇAMENTO DE CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. Constatado o não recolhimento total ou parcial de contribuições sociais previdenciárias, não declaradas em GFIP, o auditor fiscal da Receita Federal do Brasil efetuará o lançamento do crédito previdenciário. PARTICIPAÇÃO NO LUCRO. ADMINISTRADOR. SOCIEDADE ANÔNIMA. A participação dos membros do conselho de administração e da diretoria no lucro de companhia, prevista na Lei nº 6.404/1976, sofre a incidência de contribuições sociais previdenciárias por caracterizar contraprestação aos serviços prestados. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. Os valores pagos pela empresa relativos a programa de previdência complementar não disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes integram o salário de contribuição. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 1259DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 11516.722538/201146 Acórdão n.º 2401003.772 S2C4T1 Fl. 5 7 Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 1230 a 1250, contendo em síntese os mesmos argumentos da impugnação, os quais podemos descrever de forma sucinta: 36. Diz que a exigência fiscal é totalmente improcedente. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS 37. Ressalta que o pagamento de participação nos lucros e resultados da empresa a administradores ocorreu de forma regular, com estrita observância do seu Estatuto Social e do §1º do artigo 152 da Lei nº 6.404/1976. 38. Assevera que o §9º do artigo 28 da Lei nº 8.212/1991 deixa claro que não integra o salário de contribuição a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com a lei específica. 39. Frisa que, no presente caso, a lei específica é a Lei nº 6.404/76. Cita ementa e excertos de julgados do Tribunal Regional Federal da 1ª Região e do Superior Tribunal de Justiça. 40. Frisa, a fim de ilustrar o debate, que “não seria a diferença de categoria de segurados da previdência social que teria o condão de afastar a isenção da incidência das contribuições sociais sobre valores pagos a título de participação nos resultados”. 41. Ressalta que “ambas as categorias contam com ‘lei específica’ versando sobre tais proventos, sejam os celetistas (Lei 10.101/2000), sejam os administradores (§1º do art. 152 da Lei nº 6.404/76), sendo que inexiste, em nosso arcabouço legislativo, qualquer previsão que diferencie o tratamento tributário dos valores percebidos por estes a título de participação nos lucros/resultados”. 42. Afirma que a Lei nº 8.212/1991 não faz qualquer distinção de tratamento entre a participação nos lucros paga aos empregados e a participação no lucros paga aos administradores. 43. Destaca que a verba em questão, por ter como pressuposto a existência de lucro, é totalmente aleatória e incerta. 44. Ressalta que de acordo com o artigo 463 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999), a parcela do lucro distribuída aos administradores é indedutível para fins de apuração do lucro real. 45. Aduz que não concorda com a afirmação da autoridade fiscal de que “a participação nos lucros ou resultados das empresas, citada na alínea ‘j’, do parágrafo 9º, do artigo 28, da Lei 8.212/1991, foi regulamentada pela Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, conforme disposto nos artigos 1º e 2º”. 46. Diz que a Lei nº 10.101/2000 tratou de novo instituto criado para compartilhamento dos resultados entre todos os envolvidos no ciclo econômico empresarial (empregados e administradores), com fulcro no inciso XI do artigo 7º da Constituição Federal. 47. Assevera que “a alínea ‘j’, do parágrafo 9º, do artigo 28, da Lei 8.212/1991 continua abarcando todas as categorias de beneficiários de valores advindos de participação de Fl. 1260DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 lucros/resultados, eis que inexiste previsão legal de incidência de contribuições sociais sobre tal base”. 48. No processo 14.485.001551/200784, o próprio CARF proferiu acordão 2301003473 reconhecendo o alcance da não incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a administradores. 49. PREVIDÊNCIA PRIVADA DIRIGENTES 50. Afirma que não andou bem o acordão, já que consiste numa disposição constitucional, qual seja, que o §2º do artigo 202 da Constituição Federal “afasta a incidência de qualquer tributo ou contribuição sobre os valores destinados à planos de previdência complementar”. 51. Assevera que o princípio da imunidade tributária destas contribuições também encontra assento na legislação infraconstitucional, conforme o disposto no §1º do artigo 69 da Lei Complementar nº 109/2001. 52. Ressalta que, de maneira geral, o estímulo à instituição de planos de previdência complementar no Brasil é dirigido a todos os trabalhadores, mas em especial, àqueles com remuneração acima do teto de contribuição previdenciária. 53. Sustenta que “a exigência de que o mesmo seja disponível a todos os empregados (em que pese que isso não é uma exigência constitucional), há que se entender que ‘todos’ são aqueles que necessitem, com maior intensidade, de uma complementação de aposentadoria”. 54. Afirma que efetua, em relação a seus administradores, uma contribuição complementar para uma entidade de previdência complementar aberta, porque estes são as pessoas que mais sofrem redução em termos de aposentadoria do INSS, comparativamente com seus ganhos da ativa. 55. Diz que a necessidade de estar disponível a todos não significa "que todos os planos devem estar disponíveis para todos os empregados". 56. Alega que “se já existe um plano disponível para todos os empregados, nada impede que se contrate outro plano (desde que autorizado pelo órgão competente – a SUSEP no caso de entidades abertas), este dirigido aos que mais necessitem da complementação pós aposentadoria, justamente por estarem com ganho habitual superior ao teto de contribuição ao INSS”. 57. Assevera que “não há óbice à contratação de mais de um plano de previdência, inexistindo fundamento legal para que tal fato, por si só, afaste a equivalência do tratamento tributária para os valores revertidos para um ou para outro plano, afastando a isenção da contribuição social sobre os valores depositados”. 58. Este Conselho já enfrentou a questão por ocasião do julgamento do processo 10783723424/201109, em que foi proferido o acordão 2402003.661 que entendeu que não há fundamento para incidência de contribuições sociais 59. Alega que a situação existente no presente caso se compatibiliza ao disposto na alínea “p” do §9º do artigo 28 da Lei nº 8.212/1991, visto que “todos os empregados e diretores tem acesso a, no mínimo, um dos planos de previdência privada em debate”, como reconhecido pela própria autoridade fiscal. Fl. 1261DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 11516.722538/201146 Acórdão n.º 2401003.772 S2C4T1 Fl. 6 9 60. Alega que “a situação dos Conselheiros é exatamente igual à dos Diretores, uma vez que tais Conselheiros participam de dois planos”. 61. Faz uma analogia: Determinado contribuinte, preocupado com seus rendimentos após a aposentadoria, decide por contratar um plano de previdência aberta no mercado (num banco, por exemplo), mesmo já participando de um plano fechado, patrocinado por sua empregadora. É notória a dedutibilidade de contribuições revertidas para planos de previdência privada para fins de cálculo e apuração do IRPF anual, logo, o contribuinte do exemplo acima não encontraria óbice para deduzir as contribuições vertidas em ambos os planos (o aberto contratado junto ao banco e o fechado (patrocinado por sua empregadora) até o limite legal, eis que tais valores receberiam um tratamento tributário equivalente. 62. Resumi seus argumentos descrevendo: 62.1. (a) todos os empregados e administradores tem acesso ao plano de previdência complementar fechada da WEG Seguridade social, como reconhecido no próprio tópico 4.3.7 do REFISC. 62.2. (b)não há vedação à contratação de mais de um plano para administradores de uma companhia, no caso, um plano de previdência complementar aberta, na forma prevista na sessão III da LC 109/2001. 62.3. (c) não há disposição legal que segregue os planos de previdência complementar aberta e os planos de previdência complementar fechada para fins de incidência tributária, tanto quando ao IR como com relação às contribuições previdenciárias incidentes, pelo contrário os mesmos tem tratamento semelhante sob a LC 109/2001. 63. A improcedência dos pretensos lançamentos antes mencionadas representará questão prejudicial a cobrança da multa; 64. Alega que os autos de infração em questão mostramse totalmente na contramão de tudo aquilo que é a intenção maior do próprio Governo Federal. 65. Requer, por fim, a declaração de improcedência dos lançamentos fiscais. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 1262DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 10 Voto Vencido Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 1229. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO Primeiramente, convém destacar que o lançamento em questão envolve duas rubricas PLR e Previdência Privada dos administrados e Conselheiros, sem vínculo de emprego com a autuada, decorrentes da incorporação da empresa WEG Automação Ltda – CNPJ nº 08.520.338/000186. Não houve por parte do recorrente qualquer questionamente acerca do lançamento por incorporação. Assim, passemos ao mérito do lançamento. QUANTO AO PAGAMENTO DE PLR Quanto aos levantamentos de PLR a administradores e conselheiros, basicamente argumenta o recorrente · Ressalta que o pagamento de participação nos lucros e resultados da empresa a administradores ocorreu de forma regular, com estrita observância do seu Estatuto Social e do §1º do artigo 152 da Lei nº 6.404/1976. · Assevera que o §9º do artigo 28 da Lei nº 8.212/1991 deixa claro que não integra o salário de contribuição a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com a lei específica. · Frisa, a fim de ilustrar o debate, que “não seria a diferença de categoria de segurados da previdência social que teria o condão de afastar a isenção da incidência das contribuições sociais sobre valores pagos a título de participação nos resultados”. Antes de prosseguir na análise, devemos primeiramente identificar os fundamentos da autoridade fiscal, para que referidos valores constituíssem salário de contribuição, para então baseado na peça recursal e impugnatória, determinar a procedência do lançamento frente aos argumentos do julgador de primeira instância. 4.2 Remunerarão de Diretores Participação nos Lucros e Resultados da Empresa (Contribuição constante do subitem 2.1.2 deste REFISC) 4.2.1) Atendendo a solicitação do Termo Fiscal de 25/05/2011 (Doc 1), no qual foram solicitados os Programas de Benefícios concedidos pela WEL, esta apresentou, dentre outros, o programa de Participação nos Lucros e Resultados por parte dos empregados e dirigentes, bem como as Convenções Coletivas de Trabalho firmados com os Sindicatos dos Empregados vinculados, disciplinando referido beneficio, os quais abrangiam exclusivamente os segurados empregados da empresa. Fl. 1263DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 11516.722538/201146 Acórdão n.º 2401003.772 S2C4T1 Fl. 7 11 4.2.2) Referido benefício, quando pago aos segurados empregados, de acordo com a legislação previdenciária, não seria base de cálculo para efeito do cálculo da contribuição previdenciária, conforme disposto na alínea “j” do parágrafo 9o do artigo 28 da Lei n° 8212/91, que assim disciplina: Art. 28. Entendese por salário de contribuição: (...) § 9o Não integram o salário d econtribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10.12.97) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; 4.2.3) A participação dos segurados empregados, nos lucros ou resultados das empresas, citada na alínea "j". do parágrafo 9o, do artigo 28, da Lei n° 8.212/1991, foi regulamentada pela Lei n° 10.101, de 19 de dezembro de 2000, conforme disposto nos artigos 1° e 2o: (...) 4.2.5) A WEL disponibilizou ainda as Atas do Conselho de Administração (Doc 12), no qual verificamos que eram aprovadas as distribuições a título de participação nos resultados aos dirigentes da empresa (Diretores e Membros do Conselho de Administração), razão pela qual intimamos a empresa por meio do Termo Fiscal de 25/07/2011 (Doc 18), a apresentar relação mensal contendo informações individualizadas de todos os dirigentes/acionistas beneficiários da verba "participação nos lucros e resultados". Em resposta, a WEL remeteu a correspondência de 05/08/2011 (Doc 19) na qual foram trazidos os documentos solicitados (Doc 21). 4.2.6) De acordo com a própria informação prestada pelo contribuinte, constante de seu Anexo de n° 8 (Doc 9), referidas verbas foram lançadas nas contas contábeis 821000120/581010001, conforme amostragem de lançamento no QUADRO XIII a seguir: 4.2.7) Constatase, assim, que a WEL remunerou seus Diretores e membros do Conselho de Administração com o benefício de participação nos lucros e resultados, conforme discriminação de beneficiários e valores concedidos, constantes do Anexo II Participação nos Resultados, o qual foi elaborado a partir da informação prestada pela empresa (Doc 12) e lançamentos contábeis. 4.2.8) Referidas importâncias integram o salário de contribuição recebido pelos administradores/conselho de administração, nos termos do Art. 28 da Lei 8.212/91, uma vez que a Lei nº 10.101/00, em seus Artigos 1° e 2° contempla, exclusivamente, os segurados empregados, não incluindo, os segurados Fl. 1264DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 12 contribuintes individuais, razão pela qual são devidas as contribuições previdenciárias paga sob esta remuneração, as quais foram apuradas em conformidade com o descrito no subitem 2.1.2 do presente REFISC. Ou seja, analisando os pontos trazidos pelo auditor o mesmo indica que a lei 10.101/2000 somente possibilitaria a exclusão de valores pagos à título de PLR para os segurados empregados, razão pela qual não há respaldo para exclusão dos valores distríbuídos aos administradores. Passemos, agora, antes mesmos de apreciar a procedência do lançamento, identificar, toda a legislação que abarca a matéria. DA DEFINIÇÃO DE SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO PARA DIRETORES NÃO EMPREGADOS Como parte do lançamento envolve contribuições sobre os pagamentos feitos a contribuintes individuais, importante apreciar, primeiramente, o conceito de salário de contribuição em relação a estes segurados. Para os trabalhadores contribuintes individuais, aos quais se enquadram os diretores não empregados, o art. 28, III da referida lei, assim dispõe: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o §5º; Quanto a contribuição patronal às contribuições da empresa sobre a remuneração dos contribuintes individuais é regulada pelo art. 22, III da Lei n ° 8.212/1991, com redação conferida pela Lei n ° 9.876/1999, nestas palavras: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Inciso acrescentado pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99 vigência a partir de 02/03/2000 conforme art. 8º da Lei nº 9.876/99). De acordo com o previsto no § 4º do art. 201 do Regulamento da Previdência Social na redação conferida pelo Decreto n ° 4.032/2001: Art. 201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de: II vinte por cento sobre o total das remunerações ou retribuições pagas ou creditadas no decorrer do mês ao segurado contribuinte individual; (Redação alterada pelo Decreto nº 3.265/99) A legislação previdenciária é clara quando destaca, em seu art. 28, §9º, quais as verbas que não integram o salário de contribuição. Tais parcelas não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial. Fl. 1265DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 11516.722538/201146 Acórdão n.º 2401003.772 S2C4T1 Fl. 8 13 Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10/12/97, e de 6 a 9 acrescentados pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; Fl. 1266DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 14 g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a Fl. 1267DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 11516.722538/201146 Acórdão n.º 2401003.772 S2C4T1 Fl. 9 15 legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Ao contrário do afirmado pela recorrente, entendo que a verba paga aos administradores e conselheiros possui natureza remuneratória. Como destacado pelo auditor fiscal, a Lei n 6.404/1976 não regula a exclusão da participação nos lucros e resultados do conceito de remuneração, nem tampouco, pode valerse o recorrente da lei 10.101/2000 para excluir tais valores da base de cálculo de contribuições A participação nos Lucros e Resultados PLR somente foi regulamentada após a Constituição Federal de 1988, donde devese observar os ditames legais, para que dito pagamento seja excluído do conceito de salário de contribuição. Diversamente do argumento trazido pelo recorrente quanto ao pagamento de acordo com a lei 6.404, a verba paga não remunerou o capital investido na sociedade, logo remunerou efetivamente o trabalho executado pelos administradores e conselheiros. Os pagamentos efetuados possuem natureza remuneratória. Tal ganho ingressou na expectativa dos segurados contribuintes individuais em decorrência do contrato e da prestação de serviços à recorrente, sendo portanto uma verba paga pelo trabalho e não para o trabalho o que pelo natureza também poderia excluir o valor do conceito de salário de contribuição. Entendo que a autoridade julgadora bem enfrentou a questão, quando esclareceu que o pagamentos realizados aconteceram em relação a prestação de serviços, denominada, “participação estatutária”, ou seja, diferente a participação recebida em função do capital investido nos moldes da Lei 6.404/76.. Senão Conforme ensina Fábio Ulhoa Coelho o conceito de “administradores”, em uma sociedade anônima, “abrange os membros de dois órgãos da estrutura societária: a diretoria e o conselho de administração, os quais, em decorrência, são definidos como órgãos da administração” (Curso de direito comercial, volume 2 – 5. ed. rev. e atual. de acordo com o novo Fl. 1268DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 16 Código Civil e alterações da LSA – São Paulo: Saraiva, 2002. p. 236). A participação dos administradores de uma companhia no seu lucro, prevista na Lei nº 6.404/1976, não se confunde com a participação dos empregados nos lucros/resultados da empresa prevista na Lei nº 10.101/2000. Além de ser disciplinada em outro diploma legal, a participação prevista no § 1º, do artigo 152 da Lei nº 6.404/1976, é restrita aos administradores das sociedades anônimas, enquanto que a participação prevista na Lei nº 10.101/2000 é devida pelas empresas a todos os seus empregados. A legislação previdenciária, ao contrário do que alega a Autuada, exclui da incidência das contribuições sociais previdenciárias somente a participação dos empregados nos lucros/resultados da empresa paga em conformidade com a Lei nº 10.101/2000: A participação dos administradores nos lucros das companhias, portanto,sempre sofrerá incidência de contribuições sociais previdenciárias, pois, além de ser uma forma de contraprestação aos serviços prestados, não foi incluída na redação do artigo 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/1991, e no inciso X do §9º do artigo 214 do Regulamento da Previdência Social, que fazem referência somente à participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa, prevista na Lei nº 10.101/2000. Neste sentido, colhese da jurisprudência do Tribunal Regional Federal da 4º Região:(...) Ressaltese que o §1º, do artigo 201, do Regulamento da Previdência Social, quando fala que o “lucro distribuído ao segurado empresário” não sofre a incidência de contribuições sociais previdenciárias, está se referindo a remuneração proveniente do capital social que pode ser paga aos acionistas de uma sociedade anônima. Tal remuneração não se confunde com a participação dos administradores de uma companhia no seu lucro, prevista na Lei nº 6.404/1976, que conforme já dito, sofre a incidência de contribuições sociais previdenciárias. Nesse sentido, ensina Sérgio Pinto Martins: Diferenciase, ainda, a participação nos lucros da participação no capital; nesta última, o empregado teria ações ou quotas da empresa. A participação nos lucros não diz respeito à participação do empregado no capital da empresa, mas à participação no resultado positivo obtido pela empresa ao final de certo período de tempo, geralmente um ano. (Participação dos Empregados nos Lucros das Empresas – 2. ed. – São Paulo: Atlas, 2000) Ante o exposto, verificase que a autoridade fiscal agiu legitimamente ao lançar contribuições sociais previdenciárias sobre valores pagos a administradores (diretores não empregados e membros do conselho de administração) a título de participação nos lucros e resultados da Autuada. Fl. 1269DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 11516.722538/201146 Acórdão n.º 2401003.772 S2C4T1 Fl. 10 17 É essencial destacar que a Constituição de 1988 estabelece em seu art. 7º, XI, a “participação nos lucros ou resultados, desvinculada da remuneração, conforme definido em lei”. Frisese que o legislador Constituinte, ao estabelecer o direito à participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa, remeteu à lei o poder de definir as condições e requisitos aplicáveis a tal direito. Porém ao contrário do que afirma a recorrente, primeiramente, no meu entender, assim, como já se manifestou o julgador, a Participação nos Lucros e Resultados PLR é norma constitucional de eficácia limitada. Com efeito, o item 02, do Parecer CJ/MPAS n º 547, de 03 de maio de 1996, , aprovado pelo Exmo. Sr. Ministro do MPAS, bem esclarece dita questão, conforme descrito abaixo. Raciocínio, que entende aplicável ao presente caso: (...) de forma expressa, a Lei Maior remete à lei ordinária , a fixação dos direitos dessa participação. A norma constitucional em foco pode ser entendida, segundo a consagrada classificação de José Afonso da Silva, como de eficácia limitada, ou seja, aquela que depende "da emissão de uma normatividade futura, em que o legislador ordinário, integrandolhe a eficácia, mediante lei ordinária, lhes dê capacidade de execução em termos de regulamentação daqueles interesses". (Aplicabilidade das normas constitucionais, São Paulo, Revista dos Tribunais, 1968, pág. 150). (Grifamos) O Parecer CJ/MPAS nº 1.748/99 traz em seu bojo o seguinte teor, verbis: DIREITO CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO TRABALHADOR PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS ART. 7º , INC. XI DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA POSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. 1) O art. 7º , inciso XI da Constituição da República de 1988, que estende aos trabalhadores o direito a participação nos lucros desvinculado da remuneração é de eficácia limitada. 2) O Supremo Tribunal Federal ao julgar o Mandado de Injunção nº 426 estabeleceu que só com o advento da Medida Provisória nº 794, de 24 de dezembro de 1994, passou a ser lícito o pagamento da participação nos lucros na forma do texto constitucional. 3) A parcela paga a título de participação nos lucros ou resultados antes da regulamentação ou em desacordo com essa norma, integra o conceito de remuneração para os fins de incidência da contribuição social. (...) 7. No entanto, o direito a participação dos lucros, sem vinculação à remuneração, não é auto aplicável, sendo sua eficácia limitada a edição de lei, consoante estabelece a parte final do inciso anteriormente transcrito. 8. Necessita portanto, de regulamentação para definir a forma e os critérios de pagamento da participação nos lucros, com a finalidade precípua de se evitar desvirtuamento dessa parcela. 9. A regulamentação ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, 29 de dezembro de 1994, que dispõe sobre a Fl. 1270DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 18 participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas e dá outras providências, hoje reeditada sob o nº 1.76956, de 8 de abril de 1999. 10. A partir da adoção da primeira Medida Provisória e nos seus termos, passou a ser lícito o pagamento de participação nos lucros desvinculada da remuneração, mas, destaco, a desvinculação da remuneração só ocorrerá se atender os requisitos pré estabelecidos. 11. O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL ao julgar o Mandado de Injunção nº 426, onde foi Relator o Ministro ILMAR GALVÃO, que tinha por escopo suprir omissão do Poder Legislativo na regulamentação do art. 7º, inc. XI, da Constituição da República, referente a participação nos lucros dos trabalhadores, julgou a citada ação prejudicada, face a superveniência da medida provisória regulamentadora. 12. Em seu voto, o Ministro ILMAR GALVÃO, assim se manifestou: O mandado de injunção pretende o reconhecimento da omissão do Congresso Nacional em regulamentar o dispositivo que garante o direito dos trabalhadores de participarem dos lucros e resultados da empresa (art. 7º, inc. IX, da CF), concedendose a ordem para efeito de implementar in concreto o pagamento de tais verbas, sem prejuízo dos valores correspondentes à remuneração. Tendo em vista a continuação da transcrição a edição, superveniente ao julgamento do presente WRIT injuncional, da Medida Provisória nº 1.136, de 26 de setembro de 1995, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e dá outras providências, verificase a perda do objeto desta impetração, a partir da possibilidade de os trabalhadores, que se achem nas condições previstas na norma constitucional invocada, terem garantida a participação nos lucros e nos resultados da empresa. (grifei) 14. O Pretório Excelso confirmou, com a decisão acima, a necessidade de regulamentação da norma constitucional (art. 7º, inc. XI), ficando o pagamento da participação nos lucros e sua desvinculação da remuneração, sujeitas as regras e critérios estabelecidos pela Medida Provisória. 15. No caso concreto, as parcelas referemse a períodos anteriores a regulamentação do dispositivo constitucional, em que o Banco do Brasil, sem a devida autorização legal, efetuou o pagamento de parcelas a título de participação nos lucros. 16. Nessa hipótese, não há que se falar em desvinculação da remuneração, pois, a norma do inc. XI, do art. 7º da Constituição da República não era aplicável, na época, consoante ficou anteriormente dito. (Grifamos) Ou seja, normas constitucionais de eficácia limitada são as que dependem de outras providências normativas para que possam surtir os efeitos essenciais pretendidos pelo constituinte. Fl. 1271DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 11516.722538/201146 Acórdão n.º 2401003.772 S2C4T1 Fl. 11 19 Conforme disposição expressa no art. 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, notase que a exclusão da parcela de participação nos lucros na composição do saláriode contribuição está condicionada à estrita observância da lei reguladora do dispositivo constitucional. Essa regulamentação somente ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, reeditada sucessivas vezes e convertida na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, que veio regular o assunto em tela. Assim, não há que se falar em auto aplicabilidade. Conforme previsto na alínea “j” do § 9o do art. 28 da Lei n º 8.212, a única hipótese para que a participação nos lucros e resultados não sofra incidência de contribuição previdenciária é que seja paga de acordo com a lei específica. À recorrente alega ainda que a os valores” paga a seus “administradores e conselheiros”, não estaria consubstanciada na Lei nº 10.101/00, mas sim na Lei n° 6.404/76, que em seu art. 152, trata do pagamento de PLR aos administradores estatutários, cumprindo, assim, o requisito estabelecido pela lei 8.212/91, motivo pelo qual tais pagamentos não se submeteriam a hipótese de incidência das contribuições previdenciárias. No entanto, não procede tais argumentos, como se demonstrará. Os pagamentos tais como realizados aos Administradores poderão ocorrer por força do §1º do art. 152 da Lei 6.404/76, que está inserido no título “Remuneração” de administradores, e, cuja interpretação sistêmica não deixa dúvidas de que o comentado pagamento é feito em retribuição ao trabalho, assim como já afirmou o julgador. Conforme disposto no inciso III do art. 22 e inciso III do art. 28, ambos da Lei 8.212/91, a contribuição previdenciária incide sobre a remuneração paga ao contribuinte individual pelos serviços prestados. O termo remuneração no ordenamento jurídico brasileiro corresponde a totalidade de retribuições, em dinheiro ou em utilidades, recebidas pelo trabalhador em contraprestação aos serviços prestados. Neste sentido a lição de Sergio Pinto Martins abaixo reproduzida: “A palavra remuneração contida no inciso III do art. 22 da Lei 8.212/91 tem sentido amplo, sendo os honorários dos autônomos. É o pagamento pela prestação dos serviços dos autônomos”(“Direito da Seguridade Social – Custeio da Seguridade Social, Benefícios, Acidente do Trabalho, Assistência Social, Saúde”, 24ª edição, Ed. Atlas, São Paulo – 2007). Em se tratando de Sociedades Anônimas, a remuneração concedida aos administradores pode comportar duas partes distintas: o então chamado “pro labore”, e outra variável, que consiste na participação nos lucros da companhia, que será devida ou não dependendo do que dispuser o estatuto social. Contudo o estatuto somente pode estabelecer a participação nos lucros quando, simultaneamente, prevê dividendo obrigatório mínimo de 25% do lucro líquido e somente poderá ser paga no exercício que for atribuído aos acionistas o dividendo obrigatório de que trata o artigo 202 da Lei nº 6.404/76. Tais limites são objeto do §1º do art. 152 da Lei das S.A. e, segundo a doutrina comercial, têm o objetivo de fixar parâmetros para o pagamento da remuneração dos administradores das SA, de modo a proteger os acionistas minoritários, coibindo abusos de acionistas majoritários, que se elegem para se atribuírem remuneração sem proporção com os serviços prestados. Ou seja, a interpretação dada aos dispositivos, no entender dessa relatora em hipótese alguma gera o afastamento da natureza remuneratória da referida verba. Fl. 1272DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 20 Cabe observar ainda que a participação estatutária dos administradores, assim como o pagamento de dividendos, é atribuição patrimonial ou destinação de resultado. Contudo, esta característica comum entre os dois pagamentos, é incapaz de igualar a natureza de remuneração de capital, do dividendo, com a natureza de remuneração do trabalho, da participação estatutária. Dúvidas não há que o dividendo pago a acionista decorre da sua participação acionária na companhia, enquanto que a participação estatutária aos administradores é paga em razão da prestação do trabalho. Ressaltese que o artigo 7º, inciso XI, da Constituição Federal, retro citado, garantiu a todos os trabalhadores, a participação nos lucros e resultados, desvinculada da remuneração na forma prevista em lei. Em obediência ao preceito constitucional, a alínea “j” do § 9º, do artigo 28, da Lei nº 8.212/1991, estabeleceu, dentre as hipóteses livres da tributação previdenciária, “a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com a lei específica”. A lei específica, Lei nº 10.101/2000, que regulou o pagamento da participação no lucro e resultado, desvinculado da remuneração somente a previu para o empregado. Não se pode elastecer o conceito de lucros ou resultados, nem tampouco, entender que a referida lei também se aplica aos trabalhadores não empregados, sob pena de todas as empresas enquadrarem como PLR, as verbas salariais pagas a todos os seus colaboradores. A Lei n ° 10.101, resultado da conversão das Medidas Provisórias anteriores, é cristalina nesse sentido. Apenas para reforçar a tese adotada pelo auditor fiscal, não serve também como argumento o fato de que o “caput do art. 7 da CF/88, utilizou a nomenclatura “trabalhadores”. Basta analisarmos os 34 incisos do próprio art. 7º, para que identifiquemos, que o termo “trabalhadores urbanos e rurais”, referese ao direitos dos “empregados urbanos e rurais”. Os direitos elencados no dispositivo constitucional, nos trazem a certeza do sentido empregado pelo legislador, considerando que: férias com adicional de 1/3, FGTS, repouso semanal remunerado, salário mínimo, jornada de trabalho, piso salarial, licença maternidade, licença paternidade, aviso prévio, previsão de indenização no caso de dispensa imotivada, salário família, horas extras, adicional noturno, insalubridade, periculosidade, dentro outros muitos ali elencados, são assegurados apenas aos trabalhadores detentores de uma relação de emprego, ou seja, garantidos aos empregados. No parágrafo único, também observamos a nomenclatura “trabalhadores”, porém com referência aos empregados domésticos. Assim, seja pela não aplicação da lei 10.101/2000, já que a mesma é restrita aos empregados, seja pelo fato que os valores recebidos vinculamse aos trabalhos prestados e não ao dividendo distribuído pelo capital investido, o que impossibilita a aplicação da art. 152 da lei 6.404 para exclusão dos valores do conceito de remuneração, os valores lançados como participação nos lucros aos administradores e conselheiros constituem salário de contribuição, razão pela qual procedente a autuação. CONCLUSÃO: devem ser mantidos os lançamentos em relação aos PLR PREVIDÊNCIA PRIVADA – Quanto aos levantamentos de Previdência privada a administradores e conselheiros, basicamente argumenta o recorrente o todos os empregados e administradores tem acesso ao plano de previdência complementar fechada da WEG Seguridade social, como reconhecido no próprio tópico 4.3.7 do REFISC. Fl. 1273DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 11516.722538/201146 Acórdão n.º 2401003.772 S2C4T1 Fl. 12 21 o não há vedação à contratação de mais de um plano para administradores de uma companhia, no caso, um plano de previdência complementar aberta, na forma prevista na sessão III da LC 109/2001. o não há disposição legal que segregue os planos de previdência complementar aberta e os planos de previdência complementar fechada para fins de incidência tributária, tanto quando ao IR como com relação às contribuições previdenciárias incidentes, pelo contrário os mesmos tem tratamento semelhante sob a LC 109/2001. Antes de prosseguir na análise, devemos primeiramente identificar os fundamentos da autoridade fiscal, para que referidos valores constituíssem salário de contribuição, para então baseado na peça recursal e impugnatória, determinar a procedência do lançamento frente aos argumentos do julgador de primeira instância. 4.3 Remuneração de Diretores Previdência Privada (Contribuição constante do subitem 2.1.3 deste REFISC) 4.3.1) Em resposta ao Termo Fiscal 25/05/2011, (Doc 1) a WEL, através de correspondência (Doc 2), apresentou os Contratos firmados com a Bradesco – Vida e Previdência S/A (Doc 4), bem como o Estatuto e o Regulamento Básico da WEG Seguridade Social (Doc 5) que se constituem nos Programas de Previdência Privada, não fornecendo a relação dos beneficiados de referidos programas. Tanto no Contrato firmado com a Bradesco, como com a WEG Seguridade, é previsto que os Planos de Previdência Complementar abrangeriam tanto os dirigentes como também os empregados do contribuinte. 4.3.2) Por meio do Termo Fiscal de 21/06/2011, (Doc 14), a WEL foi reintimada a apresentar a Relação dos empregados/dirigentes beneficiários dos programas da empresa com os respectivos valores pagos, oportunidade em que informou que as contribuições para a WEG Seguridade Social era um percentual sobre a Folha de Pagamento, abrangendo todos os segurados (empregados e dirigentes), enquanto que com relação à “Bradesco Vida e Previdência”, o benefício abrangia somente os dirigentes e, com a anuência desta fiscalização, disponibilizou a relação anual dos beneficiários deste plano relativo aos anos de 2006 e 2007 (doc 16)". 4.3.7) Na análise dos documentos apresentados, quanto aos benefícios da Previdência Privada, constatamos duas situações: a) O contribuinte aderiu ao Plano WEG de Seguridade Social (Doc 5), no qual todos os empregados e dirigentes são vinculados, efetuando uma contribuição mensal sobre a folha de pagamento no percentual de 2,8%; b) O contribuinte aderiu ao Plano Bradesco Vida e Previdência (Doc 4) no qual somente os dirigentes são vinculados, conforme exposto acima e caracterizado nas relações apresentadas, notadamente as relativas aos Doc 29; 4.3.8) A contribuição para a WEG Seguridade Social de 2,8% da empresa sobre a folha de pagamento (Doc 19), abrangendo Fl. 1274DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 22 todos os dirigentes da empresa, sejam eles empregados ou dirigentes, não integra o salário de contribuição conforme disposto na alínea "p" do parágrafo 9° do artigo 28 da Lei n° 8212/91, que assim disciplina: p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9° e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei n° 9.528. de 10.12.97) 4.3.9) Com relação às contribuições para a Bradesco Vida e Previdência, a empresa foi intimada e reintimada (Doc 18/27) a fornecer a relação de todos os beneficiários (empregados/dirigentes) desta seguradora, anexando a relação mensal individualizada dos beneficiários do Plano, o qual contempla somente os dirigentes da empresa (Doc 29); 4.3.10) Com relação às contribuições para a Weg Seguridade Social, o contribuinte apresentou relação informando o período e quais os dirigentes que foram/são contemplados com referido benefício (Doc 30). sendo que, conforme item "4.3.8" acima, os beneficiários de tal Plano são todos segurados da empresa, mediante contribuição mensal patronal. 4.3.11) Por meio de diligência realizada junto a Weg Seguridade Social (Doc 43) foi solicitado que informassem, para os dirigentes relacionados, o período de contribuição para o plano e as empresas patrocinadoras. Em resposta a intimação (Doc 44) a empresa ratifica que é realizada uma contribuição patronal sobre a folha de pagamento, abrangendo, portanto, todos os segurados do contribuinte, anexando uma relação (Doc 45) com as informações solicitadas no Termo Fiscal. 4.3.12) Cotejando tais informações, apenas a título elucidativo e complementar (ou seja, pagamento a Bradesco Vida e Previdência simultaneamente a WEG Seguridade Social), constatase que praticamente todos os Diretores e alguns participantes do Conselho de Administração são beneficiados em ambos os planos conforme demonstrado no Quadro XVI a seguir. (...) 4.3.13) Considerando que o plano de benefício do contribuinte junto a Bradesco Vida e Previdência S/A destinase somente aos diretores e membros do conselho de administração, não contemplando os demais segurados empregados, tal benefício passa a ser salário de contribuição, nos termos do Art. 28, I, da Lei 8.212/91, em virtude de não atender o disposto no na alínea “p” do parágrafo 9o do artigo 28 do diploma legal citado, sujeitandose a incidência das contribuições previdenciárias nos termos do Art. 22, III da Lei n. 8212/91, conforme subitem 2.1.2 do presente REFISC. Ou seja, analisando os pontos trazidos pelo auditor a base para que os valores caracterizemse como base de cálculo de contribuições é que a empresa dois planos de Fl. 1275DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 11516.722538/201146 Acórdão n.º 2401003.772 S2C4T1 Fl. 13 23 previdência, contemplado em um a totalidade de empregados e na outra aenas os diretores e conselheiros. Passemos, agora, antes mesmos de apreciar a procedência do lançamento, identificar, toda a legislação que abarca a matéria. Ao contrário que tentou argumentar o recorrente não entendo que o plano de previdência privada , por ele instituído, cuja concessão, beneficia apenas administradores e conselheiros, tenha preenchido os requisitos para exclusão do conceito acima referenciado. No caso, para que a verba PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR PRIVADA esteja excluída do conceito de salário de contribuição deveria ser paga nos limites do art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Grifo nosso Novamente o recorrente não demonstrou a concessão do benefício a todos os trabalhadores, pelo contrário argumentou em sede de recurso que: Assevera que o princípio da imunidade tributária destas contribuições também encontra assento na legislação infraconstitucional, conforme o disposto no §1º do artigo 69 da Lei Complementar nº 109/2001. Diz que a necessidade de estar disponível a todos não significa "que todos os planos devem estar disponíveis para todos os empregados". Alega que “se já existe um plano disponível para todos os empregados, nada impede que se contrate outro plano (desde que autorizado pelo órgão competente – a SUSEP no caso de entidades abertas), este dirigido aos que mais necessitem da complementação pós aposentadoria, justamente por estarem com ganho habitual superior ao teto de contribuição ao INSS”. Assevera que “não há óbice à contratação de mais de um plano de previdência, inexistindo fundamento legal para que tal fato, por si só, afaste a equivalência do tratamento tributária para os valores revertidos para um ou para outro plano, afastando a isenção da contribuição social sobre os valores depositados”. Todos os empregados e administradores tem acesso ao plano de previdência complementar fechada da WEG Seguridade social, como reconhecido no próprio tópico 4.3.7 do REFISC. Fl. 1276DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 24 Não há vedação à contratação de mais de um plano para administradores de uma companhia, no caso, um plano de previdência complementar aberta, na forma prevista na sessão III da LC 109/2001. Não há disposição legal que segregue os planos de previdência complementar aberta e os planos de previdência complementar fechada para fins de incidência tributária, tanto quando ao IR como com relação às contribuições previdenciárias incidentes, pelo contrário os mesmos tem tratamento semelhante sob a LC 109/2001. Concordo com o recorrente não impossibilita a criação de mais de um plano de previdência, e que o plano de previdência complementar fechado da WEG Seguridade Social, contempla todos os empregados e dirigentes, conform consta do próprio relatórios fiscal, razão pela qual o auditor não apurou tais valores como salário de contribuição. Os valores ora lançados referemse tão somente aos valores pagos à titulo de previdência para os diretores e conselheiros, uma vez que o plano de previdência Bradesco Vida e Previdência contempla apenas essa categoria, ou seja, são fornecidos 2 planos, um extensível a todos e outro apenas aos dirigentes. Ou seja, os próprios argumentos do recorrente levam a conclusão de descumprimento legal de extensão a todos, entendendo que a legislação aplicável ao caso não estabelece limitações, o que no meu entender não e a interpretação mais acertada. Não acolho a alegação, que a lei não define propriamente a incidência sobre a verba previdência complementar. A definição de salário de contribuição, como mencionamos acima é geral, englobando todas as espécies de pagamento (diretos e indiretos, até mesmo as utilidades), porém no mesmo dispositivo legal o legislador indica, quais verbas estarão excluídas do referido conceito. Caso, entendesse o legislador, que o simples fornecimento de previdência privada fosse excluído do conceito de salário de contribuição, sem qualquer limitação, bastaria uma simples modificação do art. 28, § 9 da lei 8212/91, o que até hoje não foi feito. Entendo, ainda, que a Lei Complementar 109/2001, não prevalece sobre o disposto na lei 8212/91, para efeitos de exclusão da base de cálculo de contribuições previdenciárias. Embora a LC 109/2001 tenha definido os critérios para os regimes de previdência complementar fechados e abertos não podemos interpretar dispositivos isolados para identificar a sobreposição sobre outras legislações que abarcam a matéria. Nesse sentido, valhome do mesmo raciocínio para não aplicação do art. 458, §2 da CLT (que descreve que previdencia privada não cnstitue salário in natura), para não aplicar a lei Complementar 109, tendo em vista a especificidade da lei previdenciária, que descreve conceito de salário de contribuição e as exclusões da referida base de cálculo, prevalece sobre norma geral que também especifica condições para o pagamento Assim, volto a ratificar que havendo norma especifica que disciplina a exclusão da base de cálculo de contribuições previdenciárias (art. 28, § 9 da lei 8212/91) e tendo o dispositivo constitucional § 2, do art. 202 da CF/88, feito expressa referência a observância dos termos de lei, entendo que o lançamento encontrase procedente. na medida que demonstrado pela autoridade fiscal que o plano de previdência realmente não alcança a totalidade dos empregados e dirigentes. . Constituição Federa1188: Fl. 1277DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 11516.722538/201146 Acórdão n.º 2401003.772 S2C4T1 Fl. 14 25 "Art. 202. O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, será facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o beneficio contratado, e regulado por lei complementar. (Redação dada pela Emenda Constitucional n° 20. de 1998 § 1' A lei complementar de que trata este artigo assegurará ao participante de planos de benefícios de entidades de previdência privada o pleno acesso às informações relativas à gestão de seus respectivos planos. (Redação dada pela Emenda Constitucional n° 20.de 1998 § 2° As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstas nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência privada não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes, nos termos da lei." . (Redação dada pela Emenda Constitucional n° 20. de 1998) (grifo nosso) " O ganho foi direcionado ao segurado "contribuinte individual" da recorrente (administradores e conselheiros, que digase nem mesmo possuem vinculo de permanência com a empresa), quando a empresa concedeu os planos de previdência privada. Estando, portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, no período objeto do presente lançamento, conforme já analisado, deve persistir o lançamento. Ademais, a questão do alcance da lei complementar para excluir o benefício de previdência privada, foi muito bem apreciado pelo julgador de primeira instância, razão pela qual adoto o referido voto como razões de decidir. A isenção tributária sobre o valor das contribuições pagas por pessoa jurídica para programa de previdência complementar de seus empregados e dirigentes deve observar os limites fixados em lei, por força da expressa previsão do art. 202, §2º, da Constituição Federal, cuja redação é a seguinte: Art. 202. O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, será facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício contratado, e regulado por lei complementar. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Em relação às contribuições sociais previdenciárias, a Lei nº 8.212/1991 foi clara ao determinar que os valores relativos a contribuições pagas por pessoa jurídica a programa de previdência complementar de seus empregados e dirigentes somente não integrarão o salário de contribuição, caso o citado programa (de previdência complementar) esteja disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes: Com efeito, é preciso que a empresa proporcione a todos os seus empregados e dirigentes um plano de previdência complementar Fl. 1278DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 26 que lhes seja facultado aderir, para que possa usufruir da isenção de contribuições sociais previdenciárias. Não o fazendo, ou beneficiando apenas os dirigentes ou um grupo restrito de empregados, esta parcela (contribuições feitas pela empresa a programa de previdência complementar) passa a ser uma forma de pagamento disfarçado de salário ou remuneração sobre a qual deverão incidir as contribuições sociais previdenciárias. No presente caso, entendo que não restou configurada a hipótese de isenção prevista na alínea “p” do § 9º do art. 28 da lei nº 8.212/91, em relação ao plano de previdência privada da “Bradesco Vida e Previdência”, visto que a própria Autuada admite que o mesmo era disponibilizado somente para seus diretores e membros do conselho de administração. A Impugnante alega que a não incidência de contribuições sociais previdenciárias sobre as contribuições feitas a plano de previdência privada da “Bradesco Vida e Previdência” estaria expressamente prevista no §1º do artigo 69 da Lei Complementar nº 109/2001. Vejamos, então, o que dispõem os artigos 68 e 69 da referida lei complementar: Art. 68. As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstos nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência complementar não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes. § 1o Os benefícios serão considerados direito adquirido do participante quando implementadas todas as condições estabelecidas para elegibilidade consignadas no regulamento do respectivo plano. § 2o A concessão de benefício pela previdência complementar não depende da concessão de benefício pelo regime geral de previdência social. Art. 69. As contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar, destinadas ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária, são dedutíveis para fins de incidência de imposto sobre a renda, nos limites e nas condições fixadas em lei. § 1º Sobre as contribuições de que trata o caput não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. (...) Uma leitura isolada e desatenta dos referidos dispositivos legais pode levar a crer que a empresa autuada tem razão. Contudo, isso não acontece. Primeiro, porque o caput do art. 202 da Constituição Federal de 1988 prevê a exigência de lei complementar para regular o regime de previdência privada, enquanto seu §2º determina que as contribuições patronais previstas nos planos das entidades de previdência privada não integram a remuneração dos participantes nos termos da lei, a saber, ordinária, já que a Fl. 1279DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 11516.722538/201146 Acórdão n.º 2401003.772 S2C4T1 Fl. 15 27 exigência de lei complementar não consta expressamente do texto do citado §2º. Além disso, a alínea “p” do § 9º do art. 28 da lei nº 8.212/91 está em perfeita consonância com o que determina o artigo 16 da própria Lei Complementar nº 109/2001: Art. 16. Os planos de benefícios devem ser, obrigatoriamente, oferecidos a todos os empregados dos patrocinadores ou associados dos instituidores. (grifouse) Os dispositivos que compõem um diploma legal devem ser interpretadosde forma sistemática. Com efeito, os artigos 68 e 69 da LC nº 109/2001, não devem ser considerados de forma isolada, mas sim em conjunto com o artigo 16, supra transcrito, que é claro ao determinar que os planos de previdência privada devem ser oferecidos a todos os empregados. Constatase, portanto, que a autoridade lançadora não cometeu qualquer ilegalidade ao fundamentar seu lançamento na alínea “p” do § 9º do art. 28 da lei nº 8.212/91, até porque este dispositivo legal encontrase em pleno vigor e não há decisão do STF declarando sua inconstitucionalidade ou resolução do Senado Federal que tenha suspendido sua execução. Diante do exposto, verificase que deve ser considerado legal e escorreito o lançamento de contribuições sociais previdenciárias sobre contribuições feitas a plano de previdência privada da “Bradesco Vida e Previdência” relativas a diretores e membros do conselho de administração da Autuada. Cabe ressaltar, por fim, que mesmo que tivesse sido comprovada a afirmação de que o plano de previdência privada da “Bradesco Vida e Previdência” oferecido pela Autuada foi autorizado pela SUSEP (Superintendência de Seguros Privados), tal fato não teria o condão de tornar o lançamento das exigências contidas nos levantamentos “P1 – PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR” e “P2 – PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR” do auto de infração de DEBCAD nº 37.279.9477 improcedente, já que na seara tributária, a Receita Federal do Brasil não se encontra vinculada a atos emitidos pela SUSEP. Nesse sentido, cabe citar o disposto no § 4º, do artigo 41, da LeiComplementar nº 109/2001:(...) CONCLUSÃO:Assim, tendo o recorrente descumprido os requisitos legais para concessão do benefício (art. 28, §9º, “p” da lei 8212/91), não há como excluir da base de cálculo de contribuições previdenciárias os pagamentos feitos à título previdência privada. FUNDAMENTAÇÃO GERAL PARA BENEFÍCIOS CONSTITUÍREM SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Pelo exposto o campo de incidência é delimitado pelo conceito de salário de contribuição, que destaca o conceito de remuneração em sua acepção mais ampla.. Remunerar Fl. 1280DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 28 significa retribuir o trabalho realizado. Desse modo, qualquer valor em pecúnia ou em utilidade que seja pago a uma pessoa natural em decorrência de um trabalho executado ou de um serviço prestado, ou até mesmo por ter ficado à disposição do empregador, está sujeito à incidência de contribuição previdenciária, seja ele contribuições para Previdência privada, um bônus ou uma gratificação. Segundo o ilustre professor Arnaldo Süssekind em seu livro Instituições de Direito do Trabalho, 21ª edição, volume 1, editora LTr, o significado do termo remuneração deve ser assim interpretado: No Brasil, a palavra remuneração é empregada, normalmente, com sentido lato, correspondendo ao gênero do qual são espécies principais os termos salários, vencimentos, ordenados, soldo e honorários. Como salientou com precisão Martins Catharino, “costumeiramente chamamos vencimentos a remuneração dos magistrados, professores e funcionários em geral; soldo, o que os militares recebem; honorários, o que os profissionais liberais ganham no exercício autônomo da profissão; ordenado, o que percebem os empregados em geral, isto é, os trabalhadores cujo esforço mental prepondera sobre o físico; e finalmente, salário, o que ganham os operários. Na própria linguagem do povo, o vocábulo salário é preferido quando há prestação de trabalho subordinado.” Não se pode descartar o fato de que os valores pagos á título de previdência complementar privada e PLR aos administradores e conselheiros, representam alguma espécie de ganho. Na verdade, dito benefício, está inseridos no conceito lato de remuneração, assim compreendida a totalidade dos ganhos recebidos como contraprestação pelo serviço executado. Também convém reproduzir a posição da professora Alice Monteiro de Barros acerca da distinção entre utilidades salariais e nãosalariais, enfatizando, de que forma, as utilidades fornecidas, tornamse ganhos, salários indiretos para os empregado. "As utilidades salariais são aquelas que se destinam a atender às necessidades individuais do trabalhador, de tal modo que, se não as recebesse, ele deveria despender parte de seu salário para adquirilas. As utilidades salariais não se confundem com as que são fornecidas para a melhor execução do trabalho. Estas equiparamse a instrumentos de trabalho e, conseqüentemente, não têm feição salarial." Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos da Decisão de Primeira Instância, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente são incapazes de refutar a presente notificação. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 1281DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 11516.722538/201146 Acórdão n.º 2401003.772 S2C4T1 Fl. 16 29 Voto Vencedor Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo – Redator Designado Ouso discordar do brilhante voto da Conselheira Relatora apenas na parte relativa à incidência de contribuições sobre os valores pagos a título de contribuições para plano de previdência complementar. Ao tomar conhecimento de decisão adotada pela CSRF tratando da incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos pelo empregador a título de contribuição para plano de previdência complementar de entidade aberta, resolvi melhor apreciar a questão, nos termos do que ficou decidido por aquele órgão, responsável pela uniformização da jurisprudência no âmbito do CARF. Falo do Acórdão n.º 9202003.193 – 2ª Turma, de 07/05/2014, Neste julgado, o colegiado por sete votos a três decidiu, conforme se vê da ementa do julgado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2004 PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE REMUNERAÇÃO PARA FINS DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A LC n° 109/2001 alterou a regulamentação da matéria antes adstrita à Lei n.º 8.212/1991, passando a admitir que no caso de plano de previdência complementar em regime aberto a concessão pela empresa a grupos de empregados e dirigentes pertencentes a determinada categoria não caracteriza salário decontribuição sujeito à incidência de contribuições previdenciárias. Recurso especial conhecido e provido. Na reunião de outubro passado, no julgamento do PAF n. 14041.001392/200737 já externei meu posicionamento em defesa da adoção do entendimento adotado pela CSRF afastando a incidência de contribuições para plano de previdência privada de empresa aberta, não extensivo a todos os empregados e dirigentes da empresa. Vejo que de fato a situação aqui tratada é similar. Nos termos do relatório do fisco, temos que: “4.3.13) Considerando que o plano de benefício do contribuinte junto a Bradesco Vida e Previdência S/A destinase somente aos diretores e membros do conselho de administração, não contemplando os demais segurados empregados, tal benefício passa a ser salário de contribuição, nos termos do Art. 28, I, da Lei 8.212/91, em virtude de não atender o disposto no na alínea “p” do parágrafo 9˚ do artigo 28 do diploma legal citado, sujeitandose a incidência das contribuições previdenciárias nos Fl. 1282DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 30 termos do Art. 22, III da Lei n. 8212/91, conforme subitem 2.1.2 do presente REFISC.” Apreciando esta situação, em que a patrocinadora (Weg Automação Ltda) contrata com empresa previdência complementar do tipo aberta (Bradesco Vida) plano em benefício de grupo de empregados, seus diretores e gerentes, verifico que na conceituação da Lei Complementar n.º 109/2001, tratase de plano de benefício coletivo instituído por entidade aberta de previdência, modalidade prevista no inciso II do art. 26 daquele diploma legal. De se observar que a instituidora do plano, em absoluto, pode ser incluída no grupo das entidades fechadas, haja vista que estas, mais conhecidas como fundos de pensão, são acessíveis exclusivamente pelos empregados de empresa, grupo de empresas ou órgãos públicos, bem como aos associados ou membros de pessoas jurídicas de caráter profissional, classista ou setorial (ver art. 31 da LC n.º 109/2001). Uma vez definida a natureza jurídica do plano, cujas contribuições foram objeto do lançamento sob enfoque, posso dizer que hoje me sinto confortável para acompanhar o entendimento da CSRF acima mencionado, adotando como fundamento o excelente voto do Conselheiro Gustavo Lian Haddad, do qual transcrevo excerto: No mérito, a discussão nos presentes autos se refere à obrigatoriedade de se disponibilizar programa de previdência privada complementar (em regime aberto) à totalidade dos empregados e dirigentes para que tais valores não integrem o salário decontribuição e, consequentemente, não estejam sujeitos à incidência de contribuições previdenciárias. A fiscalização aplicou à espécie o art. 28, § 9°, p, da Lei 8.212/91, segundo o qual contribuições da empresa para planos de previdência privada de seus empregados e dirigentes somente não estão sujeitas a contribuições previdenciárias se estiverem disponíveis à totalidade de seus empregados e dirigentes. In verbis: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT;” (Destaquei) Referido dispositivo foi incluído na Lei 8.212/91 no âmbito das alterações promovidas pela Lei 9.528, de dezembro de 1997. Nada obstante o dispositivo acima transcrito não tenha sido expressamente revogado, a regulação da matéria foi substancialmente alterada pela Emenda Constitucional 20/1998 e pela Lei Complementar 109/2001. Com o advento da Emenda Constitucional 20/1998, que alterou o art. 202 da Constituição Federal, a previsão de que as contribuições pagas pelo empregador a título de previdência privada para seus empregados não integram a remuneração do empregado ganhou status constitucional, in verbis: Fl. 1283DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 11516.722538/201146 Acórdão n.º 2401003.772 S2C4T1 Fl. 17 31 “Art. 202. O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, será facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício contratado, e regulado por lei complementar. (...) § 2° As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstas nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência privada não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes, nos termos da lei.” (Destaquei) A Lei Complementar 109/2001 foi aprovada para regulamentar o referido dispositivo constitucional e previu, no mesmo sentido da Constituição Federal, que as contribuições do empregador feitas a entidades de previdência privada não estão sujeitas a tributação e contribuições de qualquer natureza: “Art. 68. As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstos nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência complementar não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes. (...) Art. 69. As contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar, destinadas ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária, são dedutíveis para fins de incidência de imposto sobre a renda, nos limites e nas condições fixadas em lei. § 1o Sobre as contribuições de que trata o caput não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. (...)” (Destaquei) Da leitura dos dispositivos acima se constata que eles não contêm a condição antes prevista no art. 28, § 9°, p, da Lei 8.212/91. Isto é, nos termos dos arts. 68 e 69 acima citados, as contribuições que o empregador faz ao plano de previdência complementar do empregado não devem ser consideradas parte de sua remuneração e, especificamente, sobre elas não devem incidir quaisquer tributos ou contribuições. Especificamente em relação aos planos abertos de previdência complementar, como é o caso dos presentes autos (conforme item 4.6 do Relatório fiscal da NFLD, fls. 549), a Lei Complementar 109/2001 permite de forma expressa que sejam disponibilizados pelo empregador a grupos de uma ou mais categorias específicas dos seus empregados: Dos Planos de Benefícios de Entidades Abertas Art. 26. Os planos de benefícios instituídos por entidades abertas poderão ser: Fl. 1284DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 32 I individuais, quando acessíveis a quaisquer pessoas físicas; ou II coletivos, quando tenham por objetivo garantir benefícios previdenciários a pessoas físicas vinculadas, direta ou indiretamente, a uma pessoa jurídica contratante. § 1o O plano coletivo poderá ser contratado por uma ou várias pessoas jurídicas. § 2o O vínculo indireto de que trata o inciso II deste artigo referese aos casos em que uma entidade representativa de pessoas jurídicas contrate plano previdenciário coletivo para grupos de pessoas físicas vinculadas a suas filiadas. § 3o Os grupos de pessoas de que trata o parágrafo anterior poderão ser constituídos por uma ou mais categorias específicas de empregados de um mesmo empregador, podendo abranger empresas coligadas, controladas ou subsidiárias, e por membros de associações legalmente constituídas, de caráter profissional ou classista, e seus cônjuges ou companheiros e dependentes econômicos. (Destaquei) A Lei Complementar 109/2001 não apenas omitiu a condição antes prevista no art. 28, § 9°, p, da Lei 8.212/91 (isto é, estabeleceu que as contribuições do empregador a plano de previdência privada ou complementar dos empregados não devem ser consideradas como remuneração destes e não se submetem à incidência de qualquer imposto ou contribuição) como também expressamente permitiu o estabelecimento de planos de previdência complementar abertos coletivos, os quais podem ser compostos por grupos de uma ou mais categorias específicas de um mesmo empregador. A ratio motivadora do legislador complementar parece ter sido o de estimular a poupança privada pelos vários meios possíveis, inclusive a instituição de programas pelos empregadores em benefício de categorias específicas de empregados quando se tratar de plano aberto, oferecido pelo mercado, evitando o “engessamento” que por certo desestimularia a concessão de planos se houvesse rigidez exagerada quanto no público alvo do plano. Neste ponto, ainda que se entenda que a regulamentação do art. 202, § 2º, da Constituição Federal deveria ter sido veiculada por lei formalmente ordinária, em vista do previsto na parte final do dispositivo, a conclusão seria que, nesta parte, a Lei Complementar 109/2001 atua materialmente como lei ordinária, regulando a matéria de modo diferente da regulamentação anterior da Lei 8.212/91, com as alterações da Lei 9.528/97. A noção de que as leis complementares em sua forma também o são em sua substância ou matéria apenas e tão somente quando regulam matérias reservadas a esta espécie legislativa pela Constituição é assente na moderna doutrina e na jurisprudência do E. Supremo Tribunal Federal, consagrada no julgamento da ADIN 4.0715 (que tratou da COFINS de sociedades civis). Neste caso, o plenário do E. STF entendeu que lei ordinária poderia revogar previsão de lei complementar anterior que tratava de matéria não reservada especificamente à lei complementar pela Constituição Federal já que, neste ponto a previsão contida em lei complementar tem status de lei ordinária (é materialmente lei ordinária). Deste modo, entendo que a condição estabelecida pelo artigo 28, §9º, p, da Lei 8.212/91, isto é, a cláusula “desde que o programa de previdência complementar, aberto ou fechado, esteja disponível à totalidade de empregados Fl. 1285DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 11516.722538/201146 Acórdão n.º 2401003.772 S2C4T1 Fl. 18 33 e dirigentes” para que a contribuição do empregador a plano de previdência complementar não sofra incidência de contribuição previdenciária não é aplicável aos casos de previdência privada complementar em regime aberto coletivo, uma vez que legislação posterior (arts 68 e 69 c/c art. 26, §§ 2º e 3º, todos da Lei Complementar 109/2001 e transcritos acima) deixou de prever tal condição e, além disto, expressamente previu a possibilidade de o empregador contratar a previdência privada para grupos ou categorias específicas de empregados. Por óbvio que tal faculdade não pode servir de propósito a transmudar remuneração ou prêmio em contribuição a previdência privada não tributável, aspecto que deve ser aferido considerando as circunstâncias fáticas do caso. Posso, concluir, então, que estando alinhado inteiramente ao entendimento acima transcrito, encaminho pelo provimento do recurso na parte relativa à incidência de contribuição sobre as contribuições para o plano de previdência administrado pela Bradesco Vida e Previdência S/A e instituído em benefício dos administradores. Mesmo considerando que na presente lide a tese da aplicação da Lei Complementar n. 109/2001 para afastar a tributação não prevaleceu, encampo também o argumento de que o fato do Plano de Previdência Bradesco Vida ter sido disponibilizado apenas aos dirigentes não contraria a Lei n. 8.212/1991, uma vez que havia a disponibilização do Plano WEG Seguridade Social a todos os empregados e dirigentes. Portanto havia um plano básico extensível a todos os empregados e diretores e um plus concedido apenas aos últimos, o que, a meu ver, não contraria a Lei n. 8.212/1991, posto que esta não exige que o benefício seja igual para todos os segurados a serviço da empresa, mas apenas que abranja a totalidade do quadro funcional. Nessa toada, a concessão de benefício de previdência complementar diferenciado não acarreta em atropelo à lei previdenciária, posto que esta não impõe que exista isonomia na concessão desta benesse e ao intérprete não cabe impor outros requisitos não contemplados no texto legal. Voto por afastar da base de cálculo do lançamento as contribuições vertidas para o plano de previdência administrado pela Bradesco Vida e Previdência S/A e instituído em benefício dos administradores. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 1286DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 34 Declaração de Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Não obstante compartilhar com o entendimento da ilustre Conselheira relatora relativamente a inaplicabilidade da Lei Complementar nº 109/2001, para fins de afastar a tributação sobre os valores pagos aos empregados a título de Previdência Privada Complementar, acompanhamos pelas conclusões a divergência suscitada pelo Redator Designado Kleber Ferreira de Araújo, pelas razões de fato e de direito que passamos a desenvolver. Destarte, afora a questão da aplicabilidade da Lei Complementar nº 109/2001, a qual fora rechaçada pelo voto de qualidade, remanesceu em discussão para os Conselheiros que acompanharam pelas conclusões e determinantes ao provimento, nesta parte, ao recurso voluntário, a possibilidade de os Planos de Previdência Complementar serem diferenciados entre os administradores/diretores e demais segurados empregados, consoante externado pelo fiscal autuante em seu Relatório, nos seguintes termos: “[...] a) O contribuinte aderiu ao Plano WEG de Seguridade Social (Doc 5), no qual todos os empregados e dirigentes são vinculados, efetuando uma contribuição mensal sobre a folha de pagamento no percentual de 2,8%; b) O contribuinte aderiu ao Plano Bradesco Vida e Previdência (Doc 4) no qual somente os dirigentes são vinculados, conforme exposto acima e caracterizado nas relações apresentadas, notadamente as relativas aos Doc 29; 4.3.8) A contribuição para a WEG Seguridade Social de 2,8% da empresa sobre a folha de pagamento (Doc 19), abrangendo todos os dirigentes da empresa, sejam eles empregados ou dirigentes, não integra o salário de contribuição conforme disposto na alínea "p" do parágrafo 9° do artigo 28 da Lei n° 8212/91, que assim disciplina: p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9° e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei n° 9.528. de 10.12.97) 4.3.9) Com relação às contribuições para a Bradesco Vida e Previdência, a empresa foi intimada e reintimada (Doc 18/27) a fornecer a relação de todos os beneficiários (empregados/dirigentes) desta seguradora, anexando a relação mensal individualizada dos beneficiários do Plano, o qual contempla somente os dirigentes da empresa (Doc 29); 4.3.10) Com relação às contribuições para a Weg Seguridade Social, o contribuinte apresentou relação informando o período e quais os dirigentes que foram/são contemplados com referido Fl. 1287DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 11516.722538/201146 Acórdão n.º 2401003.772 S2C4T1 Fl. 19 35 benefício (Doc 30). sendo que, conforme item "4.3.8" acima, os beneficiários de tal Plano são todos segurados da empresa, mediante contribuição mensal patronal. 4.3.11) Por meio de diligência realizada junto a Weg Seguridade Social (Doc 43) foi solicitado que informassem, para os dirigentes relacionados, o período de contribuição para o plano e as empresas patrocinadoras. Em resposta a intimação (Doc 44) a empresa ratifica que é realizada uma contribuição patronal sobre a folha de pagamento, abrangendo, portanto, todos os segurados do contribuinte, anexando uma relação (Doc 45) com as informações solicitadas no Termo Fiscal. 4.3.12) Cotejando tais informações, apenas a título elucidativo e complementar (ou seja, pagamento a Bradesco Vida e Previdência simultaneamente a WEG Seguridade Social), constatase que praticamente todos os Diretores e alguns participantes do Conselho de Administração são beneficiados em ambos os planos conforme demonstrado no Quadro XVI a seguir. (...) 4.3.13) Considerando que o plano de benefício do contribuinte junto a Bradesco Vida e Previdência S/A destinase somente aos diretores e membros do conselho de administração, não contemplando os demais segurados empregados, tal benefício passa a ser salário de contribuição, nos termos do Art. 28, I, da Lei 8.212/91, em virtude de não atender o disposto no na alínea “p” do parágrafo 9o do artigo 28 do diploma legal citado, sujeitandose a incidência das contribuições previdenciárias nos termos do Art. 22, III da Lei n. 8212/91, conforme subitem 2.1.2 do presente REFISC. [...]” Antes mesmo de se adentrar as questões de mérito propriamente ditas, em relação ao caso concreto, mister se faz trazer à baila a legislação de regência que contempla a verba sub examine, bem como algumas considerações a propósito da matéria, senão vejamos: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: Fl. 1288DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 36 [...] p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97);” (grifamos) Por sua vez, a interpretação do caso concreto deve ser levada a efeito de forma objetiva, nos limites da legislação específica. Em outras palavras, a autoridade fiscal e, bem assim, o julgador não poderão deixar de observar os pressupostos legais para concessão de tal verba, sem a incidência de contribuições previdenciárias, sendo defeso, igualmente, a atribuição de requisitos/condições que não estejam contidos nos dispositivos legais que regulamentam a matéria, a partir de meras subjetividades, sobretudo quando arrimadas em premissas que não constam dos autos, sob pena, inclusive, de afronta ao Princípio da Legalidade. Tratandose de hipótese de isenção e/ou não incidência, os artigos 111, inciso II e 176, do CTN, traduzem muito bem os limites que a legislação tributária impõe quando da subsunção da norma ao caso concreto, in verbis: “Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I – suspensão ou exclusão do crédito tributário; II – outorga de isenção; III – dispensa do cumprimento de obrigações acessórias” Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo o caso, o prazo de sua duração.” Extraise dos dispositivos legais supracitados que qualquer tipo de isenção e/ou hipótese de não incidência que o Poder Público pretenda conceder deve decorrer de lei disciplinadora, sendo sua interpretação literal, não podendo o contribuinte, o fisco ou o julgador impor ou afastar condições/requisitos que não decorrem da lei seca. Na hipótese dos autos, a ilustre autoridade lançadora achou por bem descaracterizar os pagamentos efetuados pela contribuinte aos funcionários a título de Plano de Previdência Complementar, pelo simples fato de haver planos diferenciados entre os empregados e os diretores, o que implicaria dizer não estar presente o requisito “disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes”. Não obstante as substanciosas razões de fato e de direito ofertadas pela nobre Conselheira Relatora em defesa da manutenção do crédito previdenciário, seu entendimento, contudo, não tem o condão de prosperar. Data vênia àqueles que divergem do entendimento deste relator, a conclusão da exigência de Planos de Previdência Complementar eqüitativos a todos os setores de uma empresa, não encontra sustentáculo na norma isentiva acima transcrita. Com efeito, a alínea “p”, § 9º, do artigo 28, da Lei nº 8.212/91, em momento algum infere que aludido Plano deverá ser concedido de maneira idêntica a todos os funcionários e dirigentes da empresa, se limitando Fl. 1289DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 11516.722538/201146 Acórdão n.º 2401003.772 S2C4T1 Fl. 20 37 a estabelecer que “desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT”. Ora, tivesse o legislador ordinário a intenção de impor outros requisitos à concessão de referida benesse, teria feito de forma explícita e clara no bojo da norma legal, acima transcrita, o que não se verifica no caso vertente, não podendo o aplicador da lei conferir interpretação que extrapola o próprio texto legal, especialmente tratandose de isenção, cuja legislação deverá ser aplicada literalmente. Assim não o tendo feito, tornase defeso ao intérprete da lei, especialmente àqueles que exercem a atividade judicante no âmbito administrativo, concluir diversamente daquilo que a norma estabelece de forma clara e objetiva: Não incidirão contribuições previdenciárias sobre tais verbas se FOREM EXTENSIVOS A TODOS OS EMPREGADOS E DIRIGENTES. Repito, inexiste no dispositivo legal retro, a toda evidência, qualquer outro pressuposto legal que não seja o supramencionado, capaz de justificar a manutenção do lançamento. Na esteira desse entendimento, a exigência de Plano de Previdência Complementar igual a todos os empregados e diretores da empresa é de cunho subjetivo do agente lançador ou do julgador, mormente quando estabelece interpretação extensiva/subjetiva à norma legal que regulamenta o tema. E, como já sedimentado acima, a isenção não comporta subjetivismo. Outro não é o entendimento do eminente doutrinador Leandro Paulsen que, ao discorrer sobre a matéria, assim preleciona: “Não se pode exigir senão o cumprimento dos requisitos previstos na lei isentiva. O artigo 111 do CTN também se presta ao afastamento de requisitos não estabelecidos, por lei, como condição ao gozo da isenção.” (Paulsen, Leandro – “Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 10 ed. rev. atual. – Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; ESMAFE, 2008 – pág. 876) Mutatis Mutandis, a 2a Turma da CSRF, analisando processo contemplando Plano de Saúde, onde, igualmente, o legislador somente exigiu a extensividade a todos empregados e dirigentes da empresa, afastou a necessidade de planos igualitários para todos funcionários, na mesma linha proposta acima, conforme se depreende do Acórdão nº 9202 00.295, com a seguinte ementa: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2003 Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ASSISTÊNCIA MÉDICA – PLANO DE SAÚDE. EXTENSÃO/COBERTURA À TOTALIDADE DO EMPREGADOS/FUNCIONÁRIOS. REQUISITO LEGAL ÚNICO. Fl. 1290DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 38 De conformidade com a legislação previdenciária, mais precisamente o artigo 28, § 9º, alínea “q”, da Lei nº 8.212/91, o Plano de Saúde e/ou Assistência Médica concedida pela empresa tem como requisito legal, exclusivamente, a necessidade de cobrir, ou seja, ser extensivo à totalidade dos empregados e dirigentes, para que não incida contribuições previdenciárias sobre tais verbas. A exigência de outros pressupostos, como a necessidade de planos idênticos à todos os empregados, é de cunho subjetivo do aplicador/intérprete da lei, extrapolando os limites da legislação específica em total afronta aos preceitos dos artigos 111, inciso II e 176, do Código Tributário Nacional, os quais estabelecem que as normas que contemplam isenções devem ser interpretadas literalmente, não comportando subjetivismos.” (Processo nº 35318.001033/200509) É basicamente o que se verifica nos autos, com o agravante de que, tratando se de Previdência Complementar, com mais razão faz sentido a concessão de maneira diferenciada, lastreada no salário de cada funcionário. Ou seja, a complementação do benefício no plano privado acaba por seguir o valor que cada empregado ou dirigente é remunerado. Partindo dessas premissas, inobstante discordar da aplicabilidade da Lei Complementar nº 109/2001, na linha do exposta acima, acompanhamos a conclusão do provimento ao recurso, por outros fundamentos, entendendo inexistir disposição legal determinando o pagamento linear do Plano de Previdência Complementar. Por todo o exposto, estando o lançamento em dissonância com os dispositivos que regem a matéria, VOTO NO SENTIDO DE DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, por outros fundamentos daqueles adotados no voto vencedor, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1291DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 37169.005382/2006-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2000 a 31/12/2005
ERRO MATERIAL. OBSCURIDADE. RETIFICADO
O despacho de fls. 193 informa apenas que a impugnação foi tempestiva e, por isso, encaminhou o processo ao setor de análise de defesa e recursos. Neste contexto, infere-se que não ocorreu qualquer diligência a ensejar a intimação do contribuinte para apresentar manifestação sobre os fatos trazidos ao processo pela outra parte.
Embargos ACOLHIDOS.
Crédito Tributário MANTIDO.
Numero da decisão: 2302-003.553
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para corrigir erro material e manter a decisão consubstanciada no Acórdão embargado de anular a decisão de primeira instância.
Liege Lacroix Thomasi Presidente
Juliana Campos de Carvalho Cruz Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi, Leonardo Henrique Pires Lopes, Leo Meirelles do Amaral e Juliana Campos de Carvalho Cruz.
Nome do relator: JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2000 a 31/12/2005 ERRO MATERIAL. OBSCURIDADE. RETIFICADO O despacho de fls. 193 informa apenas que a impugnação foi tempestiva e, por isso, encaminhou o processo ao setor de análise de defesa e recursos. Neste contexto, infere-se que não ocorreu qualquer diligência a ensejar a intimação do contribuinte para apresentar manifestação sobre os fatos trazidos ao processo pela outra parte. Embargos ACOLHIDOS. Crédito Tributário MANTIDO.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2000 a 31/12/2005 ERRO MATERIAL. OBSCURIDADE. RETIFICADO O despacho de fls. 193 informa apenas que a impugnação foi tempestiva e, por isso, encaminhou o processo ao setor de análise de defesa e recursos. Neste contexto, inferese que não ocorreu qualquer diligência a ensejar a intimação do contribuinte para apresentar manifestação sobre os fatos trazidos ao processo pela outra parte. Embargos ACOLHIDOS. Crédito Tributário MANTIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para corrigir erro material e manter a decisão consubstanciada no Acórdão embargado de anular a decisão de primeira instância. Liege Lacroix Thomasi –Presidente Juliana Campos de Carvalho Cruz – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi, Leonardo Henrique Pires Lopes, Leo Meirelles do Amaral e Juliana Campos de Carvalho Cruz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 16 9. 00 53 82 /2 00 6- 59 Fl. 299DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ 2 Fl. 300DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 37169.005382/200659 Acórdão n.º 2302003.553 S2C3T2 Fl. 701 3 Relatório Tratase o presente recurso de Embargos Declaratórios opostos pelo Chefe da Seção de Controle e Acompanhamento Tributário DRFB em Blumenau/SC, com escopo no art. 66 do Regimento Interno do CARF, sob o fundamento de haver inexatidões materiais devidas a lapso manifesto. De acordo com o Relatório Fiscal (fls.112), a empresa deixou de recolher, no período de 01/1998 a 12/2005, valores relativos a retenções sobre os serviços prestados pelos seus contratados na atividade de limpeza, conservação, vigilância, segurança, carga de descarga, prestação de serviços, entre outros (serviços mediante cessão de mãodeobra), conforme determina o art. 31 da Lei n.°8.212/91. Os fatos geradores foram apurados com base na análise da escrituração contábil da empresa, Livro Diário e Livro Razão, corroborados por arquivos digitais disponibilizados, GFIP, Notas fiscais de Serviço, Faturas, Recibos e documentos de suporte de lançamentos contábeis, além das guias de recolhimento para a previdência social — GPS, relativas a retenção. A documentação foi fornecida pela empresa, no período indicado. À fls. 169/178 a empresa apresentou Impugnação. A Delegacia da Previdência Social em Blumenau/SC julgou o lançamento procedente (fls. 194/199). Inconformada, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 203/247), alegando em síntese: a) Que ao recurso não havia sido anexado a guia de recolhimento de valor correspondente a 30% do montante exigido, em virtude de uma decisão liminar deferida nos autos do Mandado de Segurança n° 2006.72.05.0050822, junto à 1ª Vara Federal de Blumenau/SC, dispensando a empresa desta obrigatoriedade; b) Nulidade da decisão em razão do cerceamento de defesa, tendo em vista que não foi analisado todos os pedidos e fundamentos apresentados pelo contribuinte; c) Nulidade da NFLD por não observar as formalidades previstas no art. 11 do Decreto n° 70.235/72 e nos arts. 50 e 53 da Lei n° 9.784/99; d) Decadência – aplicando o disposto no art. 150, §4º do CTN tem se que em razão da notificação do lançamento ter ocorrido em 04/2006, implementouse a decadência da cobrança dos valores relativos à competência de 04/2001 e anteriores; Fl. 301DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ 4 e) Inconstitucionalidade da exigência, já que o art. 31 da Lei nº 8.212/91 afronta o dispositivo constitucional instituído no art. 195 da Constituição Federal; f) Afirmou, ainda, que as várias retenções apontadas pela fiscalização como não efetuadas dizem respeito a pagamentos efetuados a empresas enquadradas no SIMPLES, a exemplo: Auxílio Serviços de Movimentação de Cargas Ltda EPP; NZ Serviços Ltda EPP; R. Mascarenhas dos Santos Serviços de Carga e Descarga ME; SL Serviços de Segurança Ltda ME; VIM Venture Serviços de Transportes e Prestação de Serviços Ltda ME (fls. 37). Sendo assim, cumpre destacar que, no período de 1º/01/2000 a 31/08/2002, os atos normativos do INSS dispensavam as fontes pagadoras de promover retenções, quando a beneficiária fosse empresa inscrita no SIMPLES (IN DC INSS n° 8/00; IN DC INSS n° 70/02; e IN DC INSS n° 80/02. g) Ilegalidade da cobrança da taxa SELIC; h) Inconstitucionalidade da multa; Às fls. 251/252 o auditorprevidenciário se manifestou sobre o recurso voluntário. Às fls. 253/256 o contribuinte anexou requerimento de desistência parcial do recurso referente aos seguintes levantamentos: ANS (05/2001 a 04/2002); ARR (05/2001 a 06/2001); ASC (03/2004 a 07/2004); CTC (03/2004, 12/2004, 01/2005 a 06/2005); ESP (01/2004 a 08/2004); FUT (01/2002 a 04/2005); MAC (06/2001 a 10/2001); MAS (05/2001 a 12/2003); MUL (11/2005 a 12/2005); NIL (05/2001 a 05/2005); RAM (05/2001 a 04/2002); TRA (12/2001 a 12/2005); VAG (01/2002 a 07/2002) e VAN (12/2003 a 08/2005). A 2ª Turma Ordinária / 3ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, anulou a decisão de primeira instância diante da ausência de análise de todos os termos dispostos na impugnação e documentos de acordo com à fl. 193. Posteriormente, à fls. 272, o auditor previdenciário interpôs petição afirmando haver no julgado erro material, já que a Relatora, ao mencionar a fl. 193, interpretou como sendo um encaminhamento para diligência fiscal, quando, na verdade, era apenas o envio do processo à autoridade competente à época para proferir decisão administrativa. Encaminhados os autos para julgamento, foi recebida a petição de fls. 272 como embargos declaratórios. É o relatório. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 37169.005382/200659 Acórdão n.º 2302003.553 S2C3T2 Fl. 702 5 Voto Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz, Relatora O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, devendo ser conhecido e examinado. Afirma o Embargante que a Relatora do Acórdão nº 2302081 teria interpretado o despacho de fls. 193 como encaminhamento para diligência fiscal, quando tão somente se tratava de envio do processo à autoridade competente para proferir decisão. Em vista deste erro, apresentou o auditor uma petição denominada de ‘Lapso manifesto em decisão do CARF’ com base no art. 66 do Regimento Interno aprovado pela Portaria nº 256/09. Ao ler aquele julgado, vislumbrei a existência de obscuridade a ser sanada, explico. Conforme aquela Relatora, após o exame dos autos, constatou que não foi cumprida a determinação de fls. 193. Mais adiante, aduziu que diante da falta de apreciação dos fatos e documentos da impugnação, houve o cerceamento de defesa da Recorrente, contrariando direitos constitucionalmente assegurados (fls. 270). Por causa disso, determinou a nulidade da decisão de piso, o que foi seguido pelos membros da Turma. Consta à fl. 193: “Ref.: NFLD n.° 35.883.7324 Interessado: TRANSPORTADORA ITANORTE LTDA. Assunto: Impugnação Tempestiva 1. 0 sujeito passivo em referência apresentou impugnação tempestiva e total, protocolizada sob o n° 37169.003229/200697 em 12/05/2006, à fl. 169. 2. Da análise do instrumento da impugnação, constatamos a existência dos elementos essenciais. 3. Registrado o evento "Apresentação de Impugnação Tempestiva", à fl. 192. 4. A chefia da Unidade de Atendimento da UAR — Previdenciária em Blumenau, sugerindo o encaminhamento ao Setor de Análise de Defesas e Recursos — 20.4214.” Na verdade, o despacho de fls. 193 informou apenas que a impugnação foi tempestiva e, por isso, encaminhou o processo ao setor de análise de defesa e recursos. Não existiu qualquer diligência a ensejar a intimação do contribuinte para apresentar manifestação sobre os fatos trazidos ao processo pela outra parte. Neste ponto, resta esclarecido o equívoco apontado pelo Ilustre Auditor. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ 6 Todavia, tendo em vista que a presente análise não adentrou no cerne do julgamento, até porque os embargos protocolados tiveram o objetivo tão somente de corrigir o erro material, mantenho a decisão tal como exposta no Acórdão nº 2302081.. Por todo o exposto: CONHEÇO dos Embargos Declaratórios para corrigir o erro material, mantendo a decisão consubstanciada no Acórdão embargado no sentido de anular a decisão de primeira instância para que seja analisada a impugnação e os documentos a ela anexados. É como voto. Sala das Sessões, em 04 de Dezembro de 2014. Juliana Campos de Carvalho Cruz Relatora Fl. 304DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ
score : 1.0
Numero do processo: 15504.003924/2010-44
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
FOLHA DE PAGAMENTO. ELABORAÇÃO. INFRAÇÃO.
Constitui infração, punível na forma da Lei, deixar de preparar folha(s) de pagamento(s), das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos, conforme disposto no art. 32, I, da Lei 8.212/1991, combinado com o art. 225, I e §9 º, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999.
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional.
Em se tratando de obrigação acessória, não sujeita à homologação, aplica-se a regra do artigo 173 do CTN.
ALEGAÇÃO SEM PROVA
Alegação desacompanhada das respectivas provas não se presta como motivo para revisão do lançamento fiscal.
Numero da decisão: 2403-002.398
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas De Souza Costa, Ivacir Julio De Souza, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Maria Anselma Croscrato e Jhonata Ribeiro Da Silva.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 FOLHA DE PAGAMENTO. ELABORAÇÃO. INFRAÇÃO. Constitui infração, punível na forma da Lei, deixar de preparar folha(s) de pagamento(s), das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos, conforme disposto no art. 32, I, da Lei 8.212/1991, combinado com o art. 225, I e §9 º, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. Em se tratando de obrigação acessória, não sujeita à homologação, aplica-se a regra do artigo 173 do CTN. ALEGAÇÃO SEM PROVA Alegação desacompanhada das respectivas provas não se presta como motivo para revisão do lançamento fiscal.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1817; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.003924/201044 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2403002.398 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 21 de janeiro de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente SUPERINTENDÊNCIA DE LIMPEZA URBANA DE BELO HORIZONTE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 FOLHA DE PAGAMENTO. ELABORAÇÃO. INFRAÇÃO. Constitui infração, punível na forma da Lei, deixar de preparar folha(s) de pagamento(s), das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos, conforme disposto no art. 32, I, da Lei 8.212/1991, combinado com o art. 225, I e §9 º, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. Em se tratando de obrigação acessória, não sujeita à homologação, aplicase a regra do artigo 173 do CTN. ALEGAÇÃO SEM PROVA Alegação desacompanhada das respectivas provas não se presta como motivo para revisão do lançamento fiscal. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 39 24 /2 01 0- 44 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas De Souza Costa, Ivacir Julio De Souza, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Maria Anselma Croscrato e Jhonata Ribeiro Da Silva. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.003924/201044 Acórdão n.º 2403002.398 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, Acórdão 0232.286 da 6ª Turma, que julgou a impugnação improcedente, conforme ementa abaixo transcrita. NULIDADE. Ausentes as hipóteses do art. 59 do Decreto n.° 70.235/72, não hi como prosperar a argüição de nulidade. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. FOLHA DE PAGAMENTO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo INSS. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: De acordo com o descrito ás fls. 01 e no Relatório Fiscal do Auto de Infração (fls. 10/12), tratase de infração à Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inciso I, combinado com o artigo 225, inciso I e parágrafo 9°, do Regulamento da Previdência Social —RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06/05/99, por ter a Superintendência de Limpeza Urbana de Belo Horizonte SLU deixado de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social, uma vez que omitiu da folha de pagamento verbas discriminadas de rescisões de contrato de trabalho relativas aos segurados empregados vinculados ao RGPS, nas competências 01/2005 a 12/2005. Conforme esclarece o referido relatório as verbas correspondentes ás rescisões de contrato de trabalho não são lançadas nas Folhas de Pagamento Mensais de forma discriminada (cada rubrica). Os lançamentos são feitos globalizados nas folhas, 'endo considerado como totalizador das parcelas sujeitas à incidência da contribuição previdenciária a verba 4026 — INCID INSS RESCISÃO. A penalidade foi fixada no valor de R$1.410,79 (um mil quatrocentos e dez reais e setenta e nove centavos), de conformidade com o previsto nos artigos 92 e 102 da Lei Fl. 144DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 8.212/91, e no artigo 283, inciso I, alínea "a" e artigo 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3048/99. Conforme informa o Relatório Fiscal do Auto de Infração, a empresa é infratora primária e não ficaram configuradas as circunstâncias agravantes previstas no artigo 290 do RPS. 0 auto de infração foi lavrado em 22/03/2010, tendo sido recebido pelo autuado em 25/03/2010, conforme fls. 01. A autarquia, representada por seu superintendente — Sr. Luiz Gustavo Fortini Martins Teixeira, apresentou impugnação, em 26/04/2010, consoante documentos de fls. 16/19, onde contesta o procedimento fiscal sob os seguintes argumentos relatados em síntese. Inicialmente faz um breve relato dos fatos. Nulidade do Auto de Infração Em sede preliminar, argui a nulidade do auto de infração em face da sua manifesta impropriedade, especialmente por inexistência de justa causa para a sua lavratura contra a impugnante, por inocorrência de qualquer ilicitude, muito menos a irrogada na peça acusatória. Dos Fundamentos Jurídicos Alega que as irregularidades apontadas no auto de infração dizem respeito mera questão operacional, uma vez que o sistema de rescisão contratual na autarquia ainda não se encontra informatizado. Diz que em nenhum momento houve omissão de remuneração paga. 0 fato é que as rescisões contratuais são processadas separadamente da folha de pagamento mensal, mas todos os valores pagos são solicitados, contabilizados e foram submetidos, por ocasião da fiscalização, à apreciação da RFB. Prossegue argumentando que as verbas pagas a titulo de rescisão contratual são lançadas no sistema de Folha de forma global (incidência total para o INSS) e não de forma individualizada como exigido pela fiscalização. No entanto, as contribuições previdenciárias não foram prejudicadas em razão do procedimento até então observado pela autarquia. Finalmente requer que seja acolhida a impugnação e, uma vez demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, seja cancelado o debito fiscal reclamado. Inconformada com a decisão, em 05/07/2012, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · Decadência. · Nulidade. Inexistência de justa causa. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.003924/201044 Acórdão n.º 2403002.398 S2C4T3 Fl. 4 5 · Mérito: ratifica os argumentos da impugnação e solicita reanálise. · Multa. É o relatório Fl. 146DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. A recorrente entende que o lançamento é nulo por inexistência de justa causa. Abaixo o recurso será analisado e se evidenciará a existência de justa causa. Também os fundamentos jurídicos foram questionados no recurso. Entendo que a autuação está correta e preenche os requisitos legais. À folha 1, foi apresentada descrição sumária da infração, dispositivo legal infringido, dispositivo legal da multa aplicada, dispositivos legais da gradação da multa aplicada e o valor da multa; às folhas 10 a 12 o Relatório Fiscal do Auto de Infração, descrevendo em detalhes os fatos e a fundamentação que motivaram a autuação e à folha 13 o Relatório Fiscal da Aplicação da multa, que detalha o cálculo da multa e sua fundamentação. O Relatório Fiscal informa que a empresa omitiu da folha de pagamento verbas discriminadas de rescisões de contrato de trabalho relativas aos segurados empregados vinculados ao Regime Geral de Previdência Social RGPS, no período de 01/2005 a 12/2005, que as verbas correspondentes às rescisões de contrato de trabalho não são lançadas nas Folhas de Pagamentos Mensais de forma discriminada (cada rubrica), isto é, os lançamentos são feitos globalizados nas Folhas, sendo considerado como totalizador das parcelas sujeitas a incidência da contribuição previdenciária a verba: 4026 — INCID INSS RESCISÃO. 2 Durante a ação fiscal foi constatado que o contribuinte omitiu da folha de pagamento verbas discriminadas de rescisões de contrato de trabalho relativas aos segurados empregados vinculados ao Regime Geral de Previdência Social RGPS, no período de 01/2005 a 12/2005, estando à mesma em desacordo com os padrões e normas estabelecidos pela Previdência Social. 3 As verbas correspondentes as rescisões de contrato de trabalho não são lançadas nas Folhas de Pagamentos Mensais de forma discriminada (cada rubrica). Os lançamentos são feitos globalizados nas Folhas, sendo considerado como totalizador das parcelas sujeitas a incidência da contribuição previdencidria a verba: 4026 — INCID INSS RESCISÃO. Portanto, a verba mencionada anteriormente, absorve diversas parcelas constante das rescisões de contrato de trabalho, estando em desacordo com as Folhas de Pagamentos Mensais. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.003924/201044 Acórdão n.º 2403002.398 S2C4T3 Fl. 5 7 Tal procedimento constitui infração ao artigo 32, inciso I, da Lei 8.212 de 24 de julho de 1991. Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; Na impugnação apropria recorrente admite a infração “As verbas pagas a titulo de rescisão contratual são lançadas no sistema de Folha de forma global (incidência total para INSS) e não de forma individualizada como exigido pela fiscalização.” 1 — As irregularidades apontadas no auto de infração ora combatido, dizem respeito A mera questão operacional, uma vez que o sistema de rescisão contratual nesta Autarquia ainda não se encontra informatizado. 2 — Em nenhum momento houve omissão de remuneração paga. 0 fato é que as rescisões contratuais são processadas separadamente da folha de pagamento mensal, mas todos os valores pagos são solicitados, contabilizados e foram submetidos, por ocasião da fiscalização, à apreciação da RFB. 3 — As verbas pagas a titulo de rescisão contratual são lançadas no sistema de Folha de forma global (incidência total para INSS) e não de forma individualizada como exigido pela fiscalização. No entanto, as contribuições previdenciárias não foram prejudicadas em razão do procedimento até então observado pela Autarquia, restando ora impugnada a autuação promovida neste sentido. Quanto à decadência, a questão da decadência qüinqüenal está pacificada. Esta é uma autuação única para todo o período, isto é, havendo infração fora de período decadente, procede a autuação. O lançamento abrange a totalidade do ano 2005. A ciência do lançamento ocorreu em 25/03/2010. Entendo que não ocorreu a decadência. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Quanto à questão da multa, o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa apresenta a fundamentação legal, artigo 283, I, "a" c/c o artigo 292, I, ambos do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, c/c art. 92 e art. 102 da Lei 8.212/91, e o valor da multa, correspondente a R$ 1.410,79. 1 De acordo com o disposto no artigo 283, I, "a" c/c o artigo 292, I, ambos do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, c/c art. 92 e art.102 da Lei 8.212/91, a multa aplicada corresponde a R$ 1.410,79 (hum mil, quatrocentos e dez reais e setenta e nove centavos), tendo em vista a atualização determinada pela Portaria Interministerial MPS/MF n.° 350, de 30/12/2009, artigo 8°, inciso V, (publicada no D.O.U. de 31/12/2009), conforme previsto no artigo 373 do citado RPS. Entendo legal o procedimento. CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 149DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10480.907245/2009-12
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2000 a 30/06/2000
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. MOTIVAÇÃO DA DECISÃO DA DRJ.
Não existe cerceamento do direito de defesa quando o órgão julgador aprecia de forma fundamentada as razões da manifestação de inconformidade.
PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. MATÉRIA IDÊNTICA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA.
A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica na renúncia à instância administrativa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.654
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado:
I - Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação aos questionamentos sobre a decisão de primeira instância;
II - Pelo voto de qualidade, não conhecer da matéria submetida ao Poder Judiciário. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo que não reconheciam a concomitância e negavam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
FLÁVIO DE CASTRO PONTES Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. MOTIVAÇÃO DA DECISÃO DA DRJ. Não existe cerceamento do direito de defesa quando o órgão julgador aprecia de forma fundamentada as razões da manifestação de inconformidade. PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. MATÉRIA IDÊNTICA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica na renúncia à instância administrativa. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação aos questionamentos sobre a decisão de primeira instância; II Pelo voto de qualidade, não conhecer da matéria submetida ao Poder Judiciário. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo que não reconheciam a concomitância e negavam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) FLÁVIO DE CASTRO PONTES – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 72 45 /2 00 9- 12 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.907245/200912 Acórdão n.º 3801004.654 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.907245/200912 Acórdão n.º 3801004.654 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Por meio de PER/Dcomp (Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação) a requerente postula a compensação de débitos de diversos tributos com crédito referente a valor que teria sido recolhido indevidamente a título da contribuição Cofins (cód. 2172). A Delegacia da Receita Federal do Brasil no Recife (PE), conforme Despacho Decisório Eletrônico, não reconheceu o direto creditório e não homologou as compensações efetuadas. Após ter sido cientificado dessa decisão, a interessada apresentou manifestação de inconformidade. Aduziu, em resumo, que ocorreu apenas uma falha de procedimento da empresa em não retificar as DCTFs onde constavam as informações dos débitos cuja compensação era solicitada. Tal erro de procedimento não anula a existência dos créditos, vez que estes decorrem da existência de decisão judicial favorável à OABPE, da qual a empresa é sindicalizada, garantindo a isenção de Cofins para as empresas exclusivamente prestadoras de serviços relativos a profissões legalmente regulamentadas. A fim de comprovar a veracidade das suas alegações, anexou cópia da ação judicial impetrada pela OABPE que garantiu o direito de isenção de Cofins da empresa, assim como a certidão de trânsito em julgado relativa a mesma ação. A DRJ no Recife (PE) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa transcrita abaixo: SOCIEDADE CIVIL. COFINS. ISENÇÃO RECONHECIDA POR DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. SUBSEQÜENTE POSICIONAMENTO DIVERSO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. TITULO JUDICIAL. INEXIGIBILIDADE. É inexigível o título judicial, consubstanciado em decisão judicial transitada em julgado que reconhece direito à isenção do pagamento da COFINS a sociedades civis prestadoras de serviços relacionados a profissão legalmente regulamentada, quando sobrevindo a respeito posicionamento diverso consolidado junto ao Supremo Tribunal Federal, especialmente quando a eficácia da decisão judicial transitada em julgado haja sido desconstituída em ação rescisória. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO FUNDADO EM TÍTULO JUDICIAL INEXIGÍVEL. NÃOHOMOLOGAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. PROCEDÊNCIA. É procedente o Despacho Decisório que não homologa compensações em que é utilizado suposto direito creditório Fl. 100DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.907245/200912 Acórdão n.º 3801004.654 S3TE01 Fl. 5 4 fundado em titulo judicial inexigível, por inexistir crédito líquido e certo a ser compensado.Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos, cujo teor é sintetizado a seguir. Após comentar a decisão da DRJ, sustenta a incoerência entre a decisão da DRF/Recife e a DRJ/Recife. Argumenta que referidas decisões são totalmente diferentes. A decisão da DRF/Recife que considerou não homologadas as compensações baseouse no fato de que os DARFS aos quais estavam vinculados os créditos estarem totalmente utilizados, razão pela qual, em nosso argumento de defesa, apresentamos as informações obtidas no CAC/Recife de que houve apenas um problema de não retificação das respectivas DCTFS da empresa. Pontua que a decisão da DRJ/Recife procedeu em uma inovação completa do conteúdo do indeferimento inicial das compensações. Insiste que toda a decisão proferida pela DRJ/Recife prendese à análise da ação judicial, quando a decisão primeira, proferida pela DRF/Recife, ocorreu apenas em razão da falha procedimental da empresa. Concluiu este tópico afirmando que por estes fatos merece reparo a decisão proferida pela Turma da DRJ/Recife, por ter cerceado o direito de defesa da empresa, ao inovar juridicamente os argumentos sem prévia comunicação de prazo para alegações da empresa sobre os novos fatos e informações apresentadas ao processo e que seriam objeto de análise, ofendendo frontalmente o art. 5º, Constituição Federal de 1988, quanto ao direito de defesa da empresa. Quanto ao direito creditório, discorda do entendimento da decisão da DRJ/Recife de que não seria possível à empresa a utilização dos créditos para compensação em razão de existir liminar em sede de Reclamação suspendendo os efeitos da decisão que garantia aos filiados à OAB/PE o direito de isenção de Cofins. Argumenta que a decisão judicial em Mandado de Segurança que concedeu o benefício da isenção da empresa da Cofins já havia sido encerrada e reconhecido o direito. Apenas em sede de ação rescisória foi reanalisada a questão, na qual o TRF da 5a. Região decidiu por conceder parcial provimento à rescisória a fim de conceder efeitos exnunc à decisão, ou seja, a rescisão da decisão que concedia o benefício da isenção da Cofins somente surtiria efeitos para frente, não abrangendo os fatos pretéritos. Esclarece que apenas contra esta decisão do TRF foi que concedeuse a liminar do Ministro Joaquim Barbosa do STF, suspendendo a modulação dos efeitos da decisão da rescisória. Aduz que liminar, como o próprio nome diz, é decisão precária e não anulou, como quer fazer crer a decisão da DRJ/Recife, os efeitos do decidido na ação rescisória. Seus efeitos estão apenas suspensos, aguardando um pronunciamento do órgão colegiado do STF quanto à manutenção ou não da liminar. Por fim requer que seja processado regularmente o presente Recurso Voluntário, e, ao final, julgado integralmente procedente para, reformando as decisões proferidas pela DRF/Recife e DRJ/Recife reconhecer o direito de crédito da empresa relativo aos pagamentos indevidos, realizados a título da Cofins e, conseqüentemente, homologar a Fl. 101DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.907245/200912 Acórdão n.º 3801004.654 S3TE01 Fl. 6 5 compensação realizada na PERDCOMP relacionada a este processo que utilizaram tais créditos. É o relatório. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.907245/200912 Acórdão n.º 3801004.654 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento.. De início, examinase a tese de irregularidade na decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Recife. A interessada sustenta cerceamento no direito de defesa em relação à decisão da DRJ/Recife, uma vez que esta inovou no conteúdo do indeferimento inicial das compensações, pois a decisão proferida pela DRJ/Recife prendese à análise da ação judicial, quando a decisão primeira, proferida pela DRF/Recife, ocorreu apenas em razão da falha procedimental da empresa. Não merece prosperar essa tese. Ao contrário do alegado, o colegiado de primeira instância discutiu todas as teses necessárias e suficientes para a solução da lide administrativa. Exemplificando, o julgado “a quo” motivou a decisão em relação a argumentação da recorrente em relação ao fato de que seu direito creditório era decorrente da ação judicial impetrada pela OABPE. Ora, foi a recorrente que trouxe ao litígio essa tese, de sorte que a decisão de primeira intância não inovou juridicamente no julgamento. Destarte, o órgão julgador administrativo estava obrigado a apreciar essa tese da interessada de maneira motivada e fundamentada. Assim, não há reparos a serem feitos na decisão a quo. Não se pode perder de vista que a decisão recorrida apreciou todas as questões relevantes necessárias a solução do litígio, em especial a eficácia das decisões judiciais apresentadas pela própria interessada. Assim, o julgador apresentou razões coerentes e suficientes para embasar a decisão. Além disso, no âmbito do processo administrativo fiscal as hipóteses de nulidade são tratadas de forma específica no art. 59 do Decreto nº 70.235/72: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." No caso vertente, nenhum dos pressupostos acima encontrase presente, uma vez que não ficou evidenciada a preterição do direito de defesa, tendo em vista que a decisão recorrida motivadamente demonstrou de forma clara e concreta as razões da não homologação das compensações, de sorte que não ficou caracterizado qualquer prejuízo à recorrente. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.907245/200912 Acórdão n.º 3801004.654 S3TE01 Fl. 8 7 Por tais razões não há que se falar em qualquer irregularidade da decisão guerreada por cerceamento de direito de defesa. O litígio tem como principal controvérsia eventual direito creditório em razão de ação judicial. Transcrevo de uma decisão da DRJ o histórico das ações judiciais em debate: 10.1. A OABPE impetrou ação de mandado de segurança coletivo em nome dos seus Escritórios de Advocacia associados, autuada em 31/05/2001, sob o nº 2001.83.00.0145250, objetivando, principalmente, em síntese, a isenção do recolhimento da Cofins prevista no inciso II do art. 6º da Lei Complementar (LC) nº 70, de 30 de dezembro de 1991, e a compensação dos valores pagos indevidamente. A segurança foi denegada pelo juízo de primeiro grau, com fundamento em que não havia obstáculo para a revogação da isenção concedida pela LC nº 70, de 1991, pela Lei (Ordinária) nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, tendo em vista que a isenção não é matéria reservada à lei complementar. O magistrado considerou, então, prejudicada a análise do pleito de compensação. 10.2. À apelação da OABPE junto ao Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5ª Região) – que obteve o nº AMS 80.558PE – foi pela Quarta Turma concedido provimento, por unanimidade, nos termos do voto do relator, que esposou entendimento diametralmente oposto ao do juiz singular, dando pela impossibilidade da revogação da referida isenção com fundamento no princípio da hierarquia das leis. 10.3. De tal decisão, foi interposto pela Fazenda Nacional Recurso Especial (REsp), que foi inadmitido. Irresignada, a Fazenda Nacional manejou agravo de instrumento, ao qual foi negado provimento. Assim, a decisão transitou em julgado em 09/09/2004, restando reconhecido o direito à isenção postulada. 10.4. Posteriormente, a OABPE atravessou petição alegando que a edição da Lei nº 10.833, de 30 de dezembro de 2003, em seu art. 30, poderia obstruir o cumprimento da decisão judicial que reconheceu a isenção da Cofins para as sociedades civis dedicadas ao exercício da advocacia, mediante a retenção na fonte da referida contribuição. Requereu, na ocasião, fosse oficiada a Receita Federal para que se abstivesse de exigir o pagamento da Cofins sobre as receitas auferidas pela prestação de serviços de advocacia, bem como de exigir a retenção na fonte de tal contribuição pelas pessoas jurídicas tomadoras dos referidos serviços. O pleito foi deferido monocraticamente e, ao depois, atacado por agravo regimental aviado pela Fazenda Nacional, o qual foi provido com base nos fatos de não ter sido debatida, nos autos, a Lei nº 10.833, de 2003, e de que não seria admissível, naquele momento processual, inovar a actio, transmudandoa. 10.5. Contra essa decisão, recorreu a OABPE, mediante o REsp nº 739.784 (nº 2005/00540062), cujo provimento foi negado por Fl. 104DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.907245/200912 Acórdão n.º 3801004.654 S3TE01 Fl. 9 8 unanimidade pela Segunda Turma do STJ em sessão de 19/11/2009, tendose, em resumo, concluído que a superveniência da Lei nº 10.833, de 2003, não pode ser alcançada pelos efeitos da coisa julgada que concedera a segurança pleiteada, de modo a ampliar o objeto da lide. Registrese que, no decorrer do voto, o ministro relator, Mauro Campbell Marques, após afirmar, a título ilustrativo, que a tese adotada pela instância de origem para reconhecer a isenção postulada pela recorrente não mais subsistia em razão de o STF, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 377.457 3/PR, relator o Ministro Gilmar Mendes, ter proclamado que a revogação da isenção da Cofins concedida pela LC nº 70, de 1991, pelo art. 56 da lei nº 9.430, de 1996, foi plenamente válida e eficaz, porquanto o referido diploma, não obstante formalmente complementar, ostenta, materialmente, caráter de lei ordinária , esclareceu que Primeira Seção do STJ, ao julgar a Ação Rescisória (AR) nº 3.761/PR, na sessão de 12/11/2008, deliberara pelo cancelamento da Súmula nº 276, que enunciava a isenção da Cofins perante as ditas sociedades, independentemente do regime tributário adotado. 10.6. Da decisão do STJ referida no subitem 10.3, a ProcuradoriaRegional da Fazenda Nacional na 5ª Região propôs Ação Rescisória (AR) nº 5.471PE (processo nº 2006.05.00.0442426/03) junto ao TRF5ª Região, que foi parcialmente procedente, por lhe terem sido dados efeitos ex nunc. No acórdão exarado, aquele tribunal regional afirmou que o acórdão rescindendo fora proferido antes da manifestação do STF sobre ser a matéria constitucional ou não. 10.7. Contra os efeitos exnunc da decisão do TRF5ª Região – que, em tese, daria aos escritórios de advocacia filiados à OAB PE o direito de não pagarem a Cofins no período abrangido pela ação coletiva até a publicação da decisão na ação rescisória –, a Fazenda Nacional protocolou Reclamação (Rcl) nº 6.917 junto ao STF, tendo o Ministro Joaquim Barbosa deferido, em 10/12/2008, liminar para suspender o acórdão da ação rescisória na parte em que conferiu efeitos meramente prospectivos ao acórdão que julgou procedente a ação rescisória. Encontrase o processo aguardando apreciação desse Colegiado. 10.8. Embargos de declaração opostos pelas partes – OABPE e Fazenda Nacional – contra a decisão proferida pelo TRF5ª Região no bojo da Ação Rescisória nº 5471/PE (processo nº 2006.05.00.0442426/03) foram julgados, não tendo, no entanto, ocorrido nenhuma alteração no resultado do julgamento originário por essa corte. Do exame das ações judiciais, constatase que a matéria está sub judice, uma vez que este processo administrativo tem o mesmo objeto da ação judicial em referência, homologação de compensação em face de pedido de restituição decorrente da legalidade da revogação da isenção do pagamento da Cofins, por parte das sociedades civis de profissão legalmente regulamentada, pela Lei nº 9.430, de 27/12/1996, que, em seu art. 56, revogou a veiculada pelo art. 6º, inciso II, da Lei Complementar nº 70, de 30/12/1991. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.907245/200912 Acórdão n.º 3801004.654 S3TE01 Fl. 10 9 Como se nota, o direito creditório está dependendo do desfecho da Reclamação no Supremo Tribunal Federal. Destarte, incide no caso vertente o parágrafo único do art. 38, da Lei nº. 6.830/80, que dispõe: Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto.(grifouse) O excelso Supremo Tribunal Federal já manifestou acerca da constitucionalidade desse dispositivo, conforme decidido no recurso extraordinário nº 233.582: EMENTA: CONSTITUCIONAL. PROCESSUAL TRIBUTÁRIO. RECURSO ADMINISTRATIVO DESTINADO À DISCUSSÃO DA VALIDADE DE DÍVIDA ATIVA DA FAZENDA PÚBLICA. PREJUDICIALIDADE EM RAZÃO DO AJUIZAMENTO DE AÇÃO QUE TAMBÉM TENHA POR OBJETIVO DISCUTIR A VALIDADE DO MESMO CRÉDITO. ART. 38, PAR. ÚN., DA LEI 6.830/1980.(...). É constitucional o art. 38, par. ún., da Lei 6.830/1980 (Lei da Execução Fiscal LEF), que dispõe que "a propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo [ações destinadas à discussão judicial da validade de crédito inscrito em dívida ativa] importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto". Recurso extraordinário conhecido, mas ao qual se nega provimento.(STF, RE 233582, DJe088 de 1605 2008).(grifouse) Em relação ao conteúdo desse dispositivo legal, Leandro Paulsen, René Bergmann e Ingrid Schroder explicam: O parágrafo em questão tem como pressuposto o princípio da jurisdição una, ou seja, que o ato administrativo pode ser controlado pelo Judiciário e que apenas a decisão deste é que se torna definitiva, com o trânsito em julgado, prevalecendo sobre eventual decisão administrativa que tenha sido tomada ou pudesse vir a ser tomada. Considerando que o contribuinte tem direito a se defender na esfera administrativa mas que a esfera judicial prevalece sobre a administrativa, não faz sentido a sobreposição dos processos administrativo e judicial. A opção pela discussão judicial, antes do exaurimento da esfera administrativa, demonstra que o contribuinte desta abdicou, levando o seu caso diretamente ao Poder ao qual cabe dar a última palavra quanto à interpretação e à aplicação do Direito, o Judiciário. Entretanto, tal pressupõe a identidade de objeto Fl. 106DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.907245/200912 Acórdão n.º 3801004.654 S3TE01 Fl. 11 10 nas discussões administrativa e judicial". (Leandro Paulsen, René Bergmann Ávila e Ingrid Schroder Sliwka. Direito Processual Tributário: processo administrativo fiscal à luz da doutrina e da jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2010, p. 447 e 448). De fato, se o sujeito passivo recorre ao Poder Judiciário, por uma questão de lógica, ele está desistindo tacitamente da esfera administrativa, visto que a decisão do Poder Judiciário é soberana. Eventuais decisões antagônicas, nas esferas administrativa e judicial, teriam uma única solução, qual seja, prevaleceria a da esfera judicial, em razão do princípio constitucional da jurisdição única, art. 5º, XXXV, da Constituição Federal. Destarte, não faz sentido a continuação da discussão no âmbito administrativo, pois o mérito da questão será decidido pelo Poder Judiciário com efeito de coisa julgada. Corroborando esta teoria, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do recurso especial nº 840.556, assim se pronunciou: TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA.AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA DE RECORRER NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IDENTIDADE DO OBJETO. ART. 38, PARÁGRAFO ÚNICO DA LEI Nº 6.830/80. 1. Incide o parágrafo único do art. 38, da Lei nº 6.830/80, quando a demanda administrativa versar sobre objeto menor ou idêntico ao da ação judicial. 2.(...) 3. In casu, os mandados de segurança preventivos, impetrados com a finalidade de recolher o imposto a menor, e evitar que o fisco efetue o lançamento a maior, comporta o objeto da ação anulatória do lançamento na via administrativa, guardando relação de excludência.4. Destarte, há nítido reflexo entre o objeto do mandamus – tutelar o direito da contribuinte de recolher o tributo a menor (pedido imediato) e evitar que o fisco efetue o lançamento sem o devido desconto (pedido mediato) com aquele apresentado na esfera administrativa, qual seja, anular o lançamento efetuado a maior(pedido imediato) e reconhecer o direito da contribuinte em recolher o tributo a menor (pedido mediato).5. Originárias de uma mesma relação jurídica de direito material, despicienda a defesa na via administrativa quando seu objeto subjugase ao versado na via judicial, face a preponderância do mérito pronunciado na instância jurisdicional. (...) (STJ, REsp 840556/AM, DJ 20/11/2006) (grifouse) Assim sendo, a existência de uma ação judicial, por parte da requerente, com o mesmo objeto desse processo administrativo fiscal importa na renúncia à esfera administrativa. Em relação a essa discussão, aplicase a Súmula nº 01 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) que uniformizou o seguinte entendimento: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois Fl. 107DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.907245/200912 Acórdão n.º 3801004.654 S3TE01 Fl. 12 11 do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.(grifouse) Além disso, os Conselheiros têm o dever de observar as súmulas, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009. Em caso análogo da mesma recorrente, esta tese também foi acolhida, em outro julgado do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: TRIBUTÁRIO. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. RENÚNCIA AO DIREITO DE RECORRER. CONFIGURAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. CUMPRIMENTO. A propositura pelo contribuinte de ação judicial onde se alterca matéria veiculada em processo administrativo, antes ou após a inauguração da fase litigiosa administrativa, conforme o caso, importa em renúncia ao direito de recorrer ou desistência do recurso interposto, não competindo ao CARF se manifestar acerca do alcance, efeitos e forma de cumprimento de decisões judiciais cuja execução não lhe caiba. DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não configura inovação de motivação do despacho decisório a fundamentação da decisão que, acolhendo ou rechaçando a pretensão deduzida em manifestação de inconformidade, examina elementos novos introduzidos na lide administrativa pelo próprio recorrente e que, até então, eram desconhecidos da Administração Tributária (CARF. 3ª Seção, 4ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, Acórdão 3401002.634, de 29/05/2014, rel. Robson José Bayerl, Processo nº 10480.905883/200818) Em remate, não se toma conhecimento das alegações decorrentes do direito creditório, isenção ou não da Cofins, visto que a recorrente submeteu à apreciação do Poder Judiciário esta matéria. Ante ao exposto voto no sentido de: I – negar provimento ao recurso voluntário em relação aos questionamentos sobre a decisão de primeira instância; II não conhecer da matéria submetida ao Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 108DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.907245/200912 Acórdão n.º 3801004.654 S3TE01 Fl. 13 12 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 15374.724217/2009-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1202-000.181
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto vencedor, vencidos os Conselheiros Geraldo Valentim Neto (relator) e Viviane Vidal Wagner. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente Substituto.
(documento assinado digitalmente)
Geraldo Valentim Neto - Relator.
(documento assinado digitalmente)
Orlando José Gonçalves Bueno - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Andrada Márcio Canuto Natal, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto vencedor, vencidos os Conselheiros Geraldo Valentim Neto (relator) e Viviane Vidal Wagner. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente Substituto. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Relator. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Andrada Márcio Canuto Natal, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Tratase o presente processo de DCOMP nº 13765.29060.140205.1.3.030021 (fl. 04/08), na qual a Recorrente pleiteia crédito de saldo negativo de CSLL do ano calendário de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .7 24 21 7/ 20 09 -8 4 Fl. 263DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 23/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Processo nº 15374.724217/200984 Resolução nº 1202000.181 S1C2T2 Fl. 263 2 2003, no valor de R$ 891.430.58, compensandoo com débitos de IRPJ e CSLL (Exercício jan/2005), cadastrados sob o processo nº 15374.724219/200973. Segundo declarado pela Recorrente na DIPJ 2004 (fls. 25), o saldo negativo foi calculado na seguinte conformidade: CSLL devida R$ 7.788.444,89 () CSLL Mensal paga por estimativa R$ 8.679.875,47 Saldo Negativo de CSLL R$ 891.430.58 As estimativas apuradas mensalmente e informadas na DIPJ 2004 (fls. 21/24) seguem discriminadas: Estimativas mensais Janeiro R$ 898.663,91 Fevereiro R$ 82.309,13 Março R$ 2.054.781,19 Abril R$ 3.670.660,09 Maio R$ Junho R$ Julho R$ Agosto R$ Setembro R$ 903.838,53 Outubro R$ 1.069.622,61 Novembro R$ Dezembro R$ TOTAL CSLL a pagar R$ 8.679.875,46 A Delegacia da Receita Federal, em despacho decisório (fl. 55), acolheu a íntegra do Parecer Conclusivo nº 545/2009 (fls. 50/52), não reconhecendo o direito creditório e não homologando a compensação nela declarada, pelas seguintes razões: a) Os débitos de estimativa mensal de CSLL referentes aos meses de setembro e outubro de 2003, os únicos declarados em DCTF, têm sua extinção discutida em sede administrativa (processo nº 15374.000669/200896) por meio de Recurso Voluntário no CARF, carecendo, por esse motivo, da liquidez e certeza requeridas pelo art. 170 do CTN; b) A dedução da parcela de estimativa de CSLL referente ao mês de abril de 2003, no valor de R$3.670.660,33 está incorreta, pois o valor extinto por compensação na PER/DCOMP de nº 14150.37760.390503.1.3.024806 é de R$3.184.776,33; c) Levando em consideração que a única comprovação de extinção de débitos de CSLL Mensal por estimativa foi referente ao mês de abril de 2003, no valor de R$3.184.776, o saldo a pagar no ano calendário de 2003, depois de ajustado, tem o valor positivo de R$4.603.668,56, conforme tabela constante no parecer: Apuração anual ajustada da CSLL AC 2003 Fl. 264DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 23/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Processo nº 15374.724217/200984 Resolução nº 1202000.181 S1C2T2 Fl. 264 3 CSLL TOTAL R$7.788.444,89 CSLL Mensal paga por estimativa R$3.184.776,33 CSLL a pagar R$4.603.668,56 Intimada da decisão em 10/12/2009, a Recorrente apresentou, em 04/01/2010, Manifestação de Inconformidade (fls. 64/70), encaminhandose os autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, a qual houve por bem julgar improcedente a defesa ofertada, nos termos da ementa descrita (fls. 135/138): Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL Anocalendário: 2003 SALDO NEGATIVO CSLL. ESTIMATIVAS COMPENSADAS. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ. A estimativa cuja compensação não foi homologada em outro processo não possui a certeza e liquidez exigida pelo art. 170 CTN. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Extraemse do teor do Acórdão nº 1243.067 os seguintes fundamentos que, para melhor compreensão da lide, devem aqui ser colacionados: Quanto à estimativa de abril/2003 A interessada pleiteou compensação do valor de R$3.184.776,33. Tal compensação foi homologada por meio do processo nº 10768.906570/200691 e já confirmada no despacho decisório; Quanto às estimativas de setembro e outubro/2003 A interessada informou em DCTF compensações das estimativas de setembro e outubro, sendo que a estimativa de outubro foi informada por valor menor do que aquele informado em DIPJ. Tais DCOMP´s foram tratadas no processo nº 15374.000669/200896 e não foram homologadas pela DRJ (Acórdão nº 1320.613 de fls. 126/131) e pelo CARF (Acórdão nº 310100.401 – fls. 121/125), aguardandose o julgamento dos embargos de declaração; O crédito de FINSOCIAL pleiteado, oriundo de decisão judicial, foi negado administrativamente e as compensações não foram homologadas, pois todo o crédito já fora integralmente utilizado em compensações anteriores, sendo que qualquer discussão a respeito do crédito reconhecido judicialmente deve ser efetuada no âmbito do processo nº15374.000669/200896; Quanto às estimativas de janeiro a março de 2003: Fl. 265DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 23/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Processo nº 15374.724217/200984 Resolução nº 1202000.181 S1C2T2 Fl. 265 4 A interessada alega que as compensações foram efetuadas por meio de formulário em papel. Contudo, as cópias de formulários apresentadas na Impugnação (fls. 103/106) não possuem nenhum carimbo de recepção da RFB e estão datadas de 20/09/2006, período em que a compensação já era efetuada por meio de PER/DCOMP eletrônico; Não consta declaração dos débitos em DCTF; Quando a compensação era efetuada por meio de formulário em papel, os formulários comporiam um processo administrativo e o débito deveria ser informado na DCTF, vinculando a compensação ao processo. Contudo, não consta processo de compensação em nome da interessada relativo à compensação alegada; Conclusão Não há saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2003, uma vez que somente foi confirmada parte da estimativa de abril/2003 no valor de R$3.184.776,33, que não é suficiente para quitar o débito de CSLL apurada no valor de R$7.788.444,89. Tendo sido intimada em 11/06/2012, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 154/161), em 05/07/2012, colacionando argumentos da Manifestação de Inconformidade, merecendo destaque as seguintes alegações: i. A homologação deferida para o mês de abril/03 referese à compensação da CSLL apurada naquele mês com créditos de saldo negativo de IRPJ de períodos anteriores (PER/DCOMP nº 14150.37760290503.1.3024806 de fls. 95/102); ii. O mesmo procedimento adotado para o mês de abril/03 foi o adotado para os meses de janeiro a março/03, época em que a compensação se dava via formulário e não por meio eletrônico, compensandose débitos de CSLL com crédito de IRPJ e CSLL pagos por estimativa em anos anteriores (DCOMP de fls. 103/104), conforme abaixo sintetizado: Declaração de Compensação (fls. 103/104) Período Valor compensado (R$) Jan/03 898.663,91 Fev/03 82.309,13 Mar/03 2.021.005,05 Declaração de Compensação (fls. 105/106) Período Valor compensado (R$) Mar/03 34.839,41 iii. Em relação aos meses de setembro e outubro/03, a compensação de CSLL com débitos de FINSOCIAL foi efetuada com base em decisão transitada em julgado nos autos do Mandado de Segurança nº 93.00157469, que tramitou perante a 20ª Vara Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro/RJ; iv. As PER/DOMP´s nºs 15932.96759.311003.1.3.577358 (fls. 108/112) e 07516.81766.251103.1.03.579066 (fls. 113/117), respectivamente, de setembro e outubro de 2003, tornam idôneas as compensações mencionadas. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 23/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Processo nº 15374.724217/200984 Resolução nº 1202000.181 S1C2T2 Fl. 266 5 Ao final, requer sejam integralmente reconhecidos os créditos referentes ao saldo negativo de CSLL, pleiteado no valor de R$891.430,58, por meio da PER/DCOMP nº 13765.29060.140205.1.3.03.0021. Oportunamente os autos foram enviados a este Colegiado. Tendo sido designado relator do caso, requisitei a inclusão em pauta para julgamento do recurso. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade. Dessa forma, dele tomo conhecimento e passo a analisar as questões de mérito. Conforme exposto acima, por meio da PER/DCOMP nº 13765.29060.140205.1.3.03.0021, pretende a Recorrente compensar saldo negativo de CSLL no valor de R$891.430,58, decorrente de CSLL mensal paga por estimativa nos meses de jan/03 (R$898.663,91), fev/03 (R$82.309,13), mar/03 (R$2.054.781,19), abr/03 (R$3.670.660,09), set/03 (R$903.838,53) e out/03 (R$1.063.622,61), segundo informado na Ficha 16 da DIPJ 2004 (fls. 21/24). A fim de aferir a certeza e a liquidez do crédito de saldo negativo de CSLL declarado pela Recorrente, fazse necessário examinar a extinção dos débitos tributários relativosao pagamento de CSLL por estimativa nos meses supra mencionados. Examinando os autos, as informações prestadas, bem como a documentação acostada, constatouse o seguinte relativamente às estimativas mensais: I) CSLL paga por estimativa nos meses de janeiro a março/2003 Alega a Recorrente que, relativamente às estimativas dos meses de janeiro a março/03, época em que a compensação de se dava via formulário e não por meio eletrônico, compensouse, via formulário em papel,referidos débitos de CSLLcom crédito de IRPJ e CSLL pagos por estimativa em anos anteriores. Cumpre observar que as Declarações de Compensação (fls. 94/97)apresentadas pela Recorrente estão datadas de 20/09/2006, período em que já se exigia o procedimento por meio eletrônico, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 625, de 20.02.2006. Embora prevista essa exigência, este E. Conselho já se pronunciou no sentido de admitir o processamento de compensação por meio de formulário em papel, consoante precedentes: [...] PROCESSO TRIBUTÁRIO. OBRIGATORIEDADE DO PEDIDO ELETRÔNICO (PERDCOMP). PEDIDO DE RESTITUIÇÃO EM PAPEL. A Lei n° 9.430/96, que disciplina o procedimento dos pedidos de restituição e compensação, não obriga que tais pretensões sejam obrigatoriamente formuladas pelo meio eletrônico, não podendo a Instrução Normativa Fl. 267DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 23/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Processo nº 15374.724217/200984 Resolução nº 1202000.181 S1C2T2 Fl. 267 6 regulamentadora impor tal exigência, sob pena de declarar o pedido como "não declarado". (CARF, Acórdão n° 20312.999 . 3ª Câmara / 2º CC, Sessão de 05/06/2008 ) [...] PROCESSO TRIBUTÁRIO. OBRIGATORIEDADE DO PEDIDO ELETRÔNICO (PERDCOMP). PEDIDO DE RESTITUIÇÃO EM PAPEL. A Lei n° 9.430/96, que disciplina o procedimento dos pedidos derestituição e compensação, não obriga que tais pretensões sejamobrigatoriamente formuladas pelo meio eletrônico, não podendo aInstrução Normativa regulamentadora impor tal exigência, sobpena declarar o pedido como "não declarado". (CARF, Acórdão nº 330100.648. 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 25/08/2010) Ainda que admitida a compensação mediante formulário e, acolhendo aqui as razões aduzidas no acórdão recorrido, a Recorrente não demonstrou no decorrer do presente processo a extinção dos débitosrelativos à CSLL por estimativa nos exercícios de janeiro, fevereiro e março/03, uma vez que: (i) não consta, nas declarações de compensações apresentadas (fls. 94/97), qualquer prova da respectiva recepção e recebimento pela Receita Federal do Brasil; (ii) na DCTF não foram informados os débitos em comento (fls. 27/28); (iii) não consta processo administrativo de compensação em nome da Recorrente relativo à compensação alegada; e (iv) não consta registro de pagamento de CSLL mensal por estimativa no período de 01/01/2003 a 14/02/2005, conforme faz prova o extrato de consulta ao sistema SINAL07 (fl. 32). II) CSLL paga por estimativa relativaao mês de abril/03 A estimativa de CSLL apurada no mês de abril, conforme cadastrado no sistema SIEF (fls. 36/35), foi objeto de lavratura de Auto de Infração sob o processo nº 15374.001537/200881 “pelo fato de a fiscalização ter constatado que esta estimativa não foi declarada em DCTF, nem ter encontrado recolhimento no mesmo valor” (informações prestadas pela Fiscalização – fl. 04). Nestes autos administrativos, em sessão de 30/06/2011, foi provido em parte o Recurso Voluntário, aguardandose desde 07/07/2011 a formalização da respectiva decisão. Não obstante estar em curso o processo administrativo supra, a estimativa de CSLL de abril/03 foi extinta no valor de R$3.184.776,33 por meio da PER/DCOMP nº 14150.37760.290503.1.3.024806, a qualfoi homologada pelo Despacho Decisório nº 236/08 (fl. 37/45) e cadastrada no SIEF (fl. 49), conforme também se afere pelo extrato do processo administrativo nº 10768.720.779/200740, acostado à fl. 134. Ademais, apesar de a Recorrente ter informado, na DIPJ 2004, CSLL paga por estimativa em abril/03 no montante de R$3.670.660,09 (fl. 22) e na PER/DCOMP nº 14150.37760.290503.1.3.024806 terdeclarado débito de R$3.184.776,33 (fl. 92), a extinção de parte da estimativa de abril/03, no valor de R$3.184.776,33 foi confirmada pelo despacho Fl. 268DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 23/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Processo nº 15374.724217/200984 Resolução nº 1202000.181 S1C2T2 Fl. 268 7 decisório (fl.53) e também pelo próprio acórdão ora recorrido (fls.135/138), em decorrência das compensações homologadas. III) CSLL paga por estimativarelativa aos meses de set/03 e out/03 Em DCTF do ano calendário de 2003 (fl.27/28), a Recorrente informou débitos de CSLL relativos apenas aos meses de setembro, no valor de R$903.838,53, e de outubro, no valor de R$1.068.559,35, declarado este último em valor menor do que o declarado na DIPJ 2004. Na própria DCTF, constatase que referidos débitos de set/03 e out/03 foram compensados, respectivamente, por meio das PER/DCOMP´s nºs 15932.96759.311003.1.3.57 7358 (fl. 99/103) e 07516.81766.251103.1.3.579066 (fl. 104/108), com crédito de FINSOCIAL oriundo de ação judicial (Mandado de Segurança nº 9300157469). Porém, as PER/DCOMP´scitadas sob o processo administrativo nº 15374.000669/200896 não foram homologadas pelo CARF no Acórdão nº 310100.401 (fls. 122/125), que acolhendo decisão da 5ª Turma da DRJ/RJII entendeu que o crédito de FINSOCIAL já havia sido integralmente utilizado em compensações anteriores. Dessa decisão foram opostos embargos de declaração que, rejeitados por unanimidade em sessão de 10/11/2011 (Acordão nº 310100.921), deram ensejo à interposição de recurso especial, o qual, por ora, aguarda julgamento. IV) Conclusão Expostas as assertivas acima, temse em síntese o seguinte: Exercícios Valor de CSLL por estimativa declarado em DIPJ 2004 Situação do débito de CSLL pago por estimativa Valor do crédito confirmado Jan/2003 898.663,91 Não comprovada, pela Recorrente, a extinção do débito por meio de compensação R$0,00 Fev/2003 82.309,13 Não comprovada, pela Recorrente, a extinção do débito por meio de compensação R$0,00 Mar/2003 2.054.781,19 Não comprovada, pela Recorrente, a extinção do débito por meio de compensação R$0,00 Abr/2003 3.670.660,09 Extinção do débito no valor de R$3.184.776,33 com a homologação da PER/DCOMP nº 14150.37760.290503.1.3.02 R$3.184.776,33 Fl. 269DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 23/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Processo nº 15374.724217/200984 Resolução nº 1202000.181 S1C2T2 Fl. 269 8 4806 set/2003 903.383,53 Não homologada a compensação pelo CARF, no proc. adm. nº 15374.000669/200896, aguardando decisão definitiva Pendente de confirmação Out/2003 1.069.622,61 Não homologada a compensação pelo CARF, no proc. adm. nº 15374.000669/200896, aguardando decisão definitiva Pendente de confirmação Aferese da tabela acima que, ainda que eventualmente confirmado o crédito relativo à CSLL por estimativa nos meses de set/03 e out/03 nos autos do processo administrativo nº 15374.000669/200896, que, se somado com a estimativa confirmada de abr/03, totaliza o montante deR$5.157.782,47, referido crédito é insuficiente para quitar o débito de CSLL apurado no ajuste anual, conforme abaixo demonstrado: CSLL apurado no ajuste anual – AC 2003 R$7.788.444,89 () CSLL mensal paga por estimativa no AC 2003 R$5.157.782,47 Saldode CSLL a pagar R$2.630.662,42 Por todo o exposto, demonstrada a inexistência de Saldo Negativo de CSLL para o exercício de 2004, nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Voto Vencedor Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno, Redator Designado Em face a indicada existência de um processo conexo 15374.000669/200896 com a devida vênia do relator, que pode, ou não, uma vez que não cabe a essa turma julgadora, conhecer e apreciar o mérito do indigitado processo, influenciar a decisão a ser tomada no presente processo, por medida de maior segurança, prudência e não conflito de decisões conexas, é recomendável que se aguarde a decisão do citado processo. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 23/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Processo nº 15374.724217/200984 Resolução nº 1202000.181 S1C2T2 Fl. 270 9 Assim, ante ao exposto, propõese que o órgão de origem junte ao presente a decisão administrativa definitiva, na íntegra, quando proferida no processo conexo – 15374.000669/200896. Após a juntada em referência, os autos deste processo devem retornar à Turma para julgamento do recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 271DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por GERALDO VALENTIM NETO, As sinado digitalmente em 23/10/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO
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Numero do processo: 12466.722972/2011-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 19/10/2006 a 13/02/2007
Ementa:
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE.
Caracterizadas como por conta e ordem as operações de comércio exterior declaradas pela importadora como sendo por encomenda, o que implicou ocultação da real adquirente das mercadorias, resta tipificada a figura da interposição fraudulenta, sujeitando tanto a importadora como a suposta encomendante e a real adquirente, estas duas na condição de responsáveis solidárias, à penalidade de perdimento das mercadorias, a ser convertida em multa equivalente ao respectivo valor aduaneiro, nos casos em que estas não sejam localizadas ou tenham sido consumidas.
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO. MULTA. DECADÊNCIA.
Tratando-se da imposição de pena de perdimento, na hipótese do artigo 618, XXII do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002), por se cuidar de infração de caráter administrativo (aduaneiro), tem lugar a contagem do prazo decadencial na forma dos artigos 139 do Decreto-Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966 e 669 do Regulamento Aduaneiro, cujo prazo de 5 (cinco) anos tem seu curso iniciado na data da infração.
Numero da decisão: 3401-002.807
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento aos recursos. Vencidos os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça. Angela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Julio Cesar Alves Ramos - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
EDITADO EM: 23/11/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Angela Sartori, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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Recorrente GEMAX TRADING COMPANY SA E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 19/10/2006 a 13/02/2007 Ementa: INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. Caracterizadas como por conta e ordem as operações de comércio exterior declaradas pela importadora como sendo por encomenda, o que implicou ocultação da real adquirente das mercadorias, resta tipificada a figura da interposição fraudulenta, sujeitando tanto a importadora como a suposta encomendante e a real adquirente, estas duas na condição de responsáveis solidárias, à penalidade de perdimento das mercadorias, a ser convertida em multa equivalente ao respectivo valor aduaneiro, nos casos em que estas não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO. MULTA. DECADÊNCIA. Tratandose da imposição de pena de perdimento, na hipótese do artigo 618, XXII do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002), por se cuidar de infração de caráter administrativo (aduaneiro), tem lugar a contagem do prazo decadencial na forma dos artigos 139 do Decreto Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966 e 669 do Regulamento Aduaneiro, cujo prazo de 5 (cinco) anos tem seu curso iniciado na data da infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento aos recursos. Vencidos os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça. Angela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 29 72 /2 01 1- 21 Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 2 Julio Cesar Alves Ramos Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. EDITADO EM: 23/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Angela Sartori, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira e Bernardo Leite de Queiroz Lima. Relatório Este processo cuida de Auto de Infração lavrado pela constatação da prática da interposição fraudulenta de terceiros na importação, quanto às Declarações de Importação (DI) relacionadas no relatório fiscal registradas no período entre 19/10/2006 e 13/02/2007 pela empresa GEMAX TRADING COMPANY S/A, CNPJ n° 04.508.006/000125, doravante denominada GEMAX). Segundo a autoridade fiscal, ela registrou as referidas DI na qualidade de importadora por encomenda, para revenda à encomendante predeterminada, a empresa EASY SERVIÇOS E COMÉRCIO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS LTDA, CNPJ 07.717.814/000190 (doravante denominada EASY). E que, de fato, essas operações acorbertavam “importações por conta e ordem” da real adquirente das mercadorias, a empresa RAVLIN DISTRIBUIDORA DE EQUIPAMENTOS ELETRÔNICOS E SOFTWARES LTDA, CNPJ 05.085.607/000135 (doravante denominada RAVLIN). Para essas conclusões, a fiscalização se apoiou na auditoria realizada nas operações comerciais e financeiras das empresas citadas: Este processo administrativo trata especificamente de penalidade relacionada a essa constatação de interposição fraudulenta, a resultante para aplicar a pena de perdimento das mercadorias importadas nos termos do art. 23, V, § 1° do Decretolei n° 1.455/76 (art. 618, XXII, § 1° do Regulamento Aduaneiro de 2002). Tendo em vista o consumo dos bens importados, o perdimento foi convertido em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias nos termos do § 3° do mesmo art. 23 (§ 1° do art. 618 do RA de 2002). As empresas EASY e RAVLIN foram autuadas como responsáveis solidárias pelos créditos lançados. Informo ainda que foi lavrada Representação Fiscal para Fins Penais formalizada pelo processo administrativo n° 12466.723200/201298. O Auto de Infração totalizou o valor de R$ 2.735.577,63. As empresas autuadas entraram cada uma com impugnação. A R. 24ª Turma da 1ª Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (DRJ SP1) analisou as razões apresentadas e teceu as seguinte ponderações e conclusões: · refutaram as alegações de nulidade por cerceamento ao direito de defesa por não acesso aos autos "As empresas GEMAX e RAVLIN alegaram violação às garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa, haja vista que a repartição alfandegária não permitiu o acesso ao auto de infração e obtenção de cópia integral de seu teor. Sobre essa questão, cumpre esclarecer que durante o prazo para a apresentação da impugnação, o auto de Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 12466.722972/201121 Acórdão n.º 3401002.807 S3C4T1 Fl. 3 3 infração fica à disposição para “vistas” ao contribuinte na repartição fiscal que jurisdiciona seu domicílio." · refutaram as alegações de nulidade por cerceamento ao direito de defesa por não reaver os livros fiscais apresentados à fiscalização os Julgadores apontam que os "livros apresentados são impressões gráficas de escrituração feita por sistemas de processamentos de dados e os documentos apresentados são cópias reprográficas apresentadas pela própria impugnante. Logo, a impugnante conhece e detêm todas as informações constantes nos documentos retidos." · refutaram as alegações de todas as impugnantes de nulidade da autuação por violação de normas relativas ao Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. O MPF é mero instrumento de controle administrativo. Os problemas com o MPF não invalidariam os trabalhos da fiscalização, pois o lançamento é atividade obrigatória e vinculada e a irregularidade do MPF não poderia se opor a essa obrigação com fundamento em Lei Complementar. E os impugnantes não sofreram prejuizo em seu direito de defesa. · refutaram as alegações das impugnantes de nulidade por cerceamento ao direito de contraditório e de produção de provas no procedimento de fiscalização "Na fase do procedimento até a lavratura do auto de infração não há litígio e, portanto, inexistem litigantes. Muito menos acusado, situação que não se aplica ao procedimento administrativo fiscal. O litígio só se estabelece, se aperfeiçoa, com a apresentação da impugnação, consoante o art. 14, do Decreto nº 70.235/72". E explicam ainda: "É importante esclarecer que o procedimento fiscal sob discussão teve como sujeito passivo apenas a empresa GEMAX, para a qual foi emitido o correspondente MPF. Em decorrência das evidências coletadas pelo fisco, as empresas EASY e RAVLIN foram incluídas no polo passivo como responsáveis solidárias. Esse fato, em primeiro lugar, não tem o condão de causar qualquer prejuízo à defesa dessas empresas, posto que, como já dito acima, na fase procedimental inexiste litígio, o qual somente se aperfeiçoa com a apresentação da impugnação, momento em que a interessada pode apresentar todos os elementos de prova que entender cabíveis. Em segundo lugar, a par das considerações que já tecemos acerca do MPF, inexiste previsão legal determinando a emissão de MPF relativamente aos sujeitos passivos solidários, nos termos da Portaria SRF nº 11.371/2007." · refutaram as alegações de nulidade feita pela a impugnante GEMAX que a fiscalização não demonstrou a prática da interposição para cada declaração de importação autuada, em violação ao art. 10, III, do PAF. "Em relação ao tema percebese que, apesar da fiscalização exemplificar a prática de transferências de recursos da empresa EASY para a empresa GEMAX em relação à DI nº 06/13539863, a demonstração foi feita para a totalidade das importações autuadas nas fls. 157/240, notadamente nas planilhas MODELO – 4, onde estão discriminados cada pagamento efetuado em relação a cada nota fiscal de saída da empresa GEMAX. Já pelas planilhas MODELO – 3 é feita a associação de cada nota fiscal com a respectiva declaração de importação DI. Assim percebese que, ao contrário do alegado pela impugnante, foi feita demonstração dos pagamentos realizados pela EASY para cada importação lançada, os quais estão igualmente refletidos nos registros contábeis da empresa juntados aos autos." · refutaram as alegações de nulidade feita pela GEMAX pela utilização de provas (conclusões) emprestadas de outros processos administrativos (processos das IN SRF n° 206/02, n° 650/06 e n° 228/02), além de impressões obtidas de outros autos de infração instaurados em face da impugnante e das empresas EASY e RAVLIN, os quais foram devidamente impugnados e se encontram pendentes de julgamento. Justificam que não há proibição a respeito; e que os processos citados pela impugnante são relativos à própria impugnante; e que as informações neles contidas são de conhecimento da impugnante; e elas foram integralmente reproduzidas. · refutaram as alegações de todas as impugnantes de decadência "Alegam todas as impugnantes a ocorrência de decadência das infrações ocorridas há mais de cinco anos da data de lavratura do auto de infração, nos termos do art. 753 do Regulamento Aduaneiro de 2009 (art. 139 do Decretolei n° 37/66). Ocorre que no caso concreto, como veremos mais adiante, ocorreu a tipificação da interposição fraudulenta na importação, fato que impede a utilização dos prazos previstos no art. 150, caput do CTN e no art. 139 do Decretolei n° 37/66. (....) Logo, a leitura combinada do § 4° do art. 150 do CTN com o art. 173 do CTN nos leva a conclusão de que a fiscalização tinha o dia 31/12/2011 como prazo limite para lançamento dos créditos relativos às Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 4 importações de 2006. Como a ciência do auto de infração em relação às empresas autuadas ocorreu ainda outubro de 2011, não há que se falar em decadência no caso concreto." · Rejeitaram as alegações que trataram do mérito, por entenderem que o auto de infração não mereceria reparos "No caso concreto entendo que a tipificação ocorreu por mais de uma via, vejamos: a GEMAX e a EASY não conseguiram comprovar a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados em suas operações; restou demonstrada a ocultação da real adquirente nas importações realizadas, a RAVLIN, visto que foram indicadas importações por encomenda quando, em verdade, estas importações destinavamse à empresa oculta; demonstrouse que a empresa GEMAX utilizouse de repasses de recursos financeiros da empresa EASY para realizar operação de importação de mercadorias, os quais só poderiam advir da adquirente oculta, haja vista a demonstração da incapacidade econômica e financeira da EASY para arcar com os custos das operações praticadas. Além disso, a produção de documentos que não traduzem a realidade comercial implica na realização de fraude documental. Logo, sob qualquer ponto de vista, foi corretamente tipificada a infração imputada às autuadas." · Refutaram a tese da GEMAX de que a multa a ser aplicada ao caso concreto seria a do art. 33 da Lei n º 11.488/07, ao invés a prevista pelos §§ do artigo 23 do Decretolei n. 1.455, de 1976. "O Conselho de Contribuintes há muito firmou entendimento no sentido de que o perdimento das mercadorias e a multa de 10% do art. 33 da Lei n º 11.488/07 são infrações autônomas." · refutaram o questionamento sobre a caracterização da solidariedade das impugnantes e da contradição aparente entre a responsabilidade objetiva (regra geral no Direito Tributário) e a responsabilidade subjetiva (decorrente de ação dolosa) do presente processo. Pois, "o fato de a empresa EASY figurar como encomendante de fachada na importação promovida pela GEMAX quando, na verdade, a real adquirente era a RAVLIN implica que todas tinham ciência da interposição, sendo inequívoco que as três concorreram para sua prática. Logo, perfeitamente aplicado o instituto da responsabilidade solidária às empresas EASY e RAVLIN. Ressaltese que no caso concreto ocorre a ressalva do §2º do art. 94 do Decretolei nº 37/66 por expressa determinação legal. Ademais, não há incongruência quando a fiscalização cita os incisos I e II, do art. 124 do CTN, posto que no caso a responsabilidade solidária das empresas EASY e RAVLIN materializase em ambas as hipóteses, já que tinham interesse em comum com a GEMAX na importação das mercadorias por se tratar da encomendante de fachada e da real adquirente, respectivamente, cuja responsabilidade solidária está expressamente prevista no art. 32, parágrafo único, alíneas “c” e “d” do DL 37/66 (imposto) e art. 95, V e VI, do mesmo normativo (multa). · refutaram as alegações de que imprecisão da determinação do fato imputado "No mérito, como já amplamente demonstrado nessa peça, a verdade material das operações revela situação diferente daquela que os documentos comerciais utilizados pelas interessadas pretenderam demonstrar, visto que RAVLIN é a real adquirente dos produtos importados, não merecendo fé a documentação citada. Observese que, para demonstrar esse contexto, a fiscalização não lançou mão do disposto no art. 116, parágrafo único, do CTN, mas tão somente procedeu à caracterização da interposição fraudulenta nos termos da legislação já comentada. O argumento de que os supostos benefícios auferidos por EASY e RAVLIN seriam irrelevantes quando se analisa o faturamento das impugnantes não altera em nada a tipificação do caso, visto que a interposição é uma infração de mera conduta, ou seja, basta a prática prevista na norma para a ocorrência da infração, independentemente de volumes transacionados ou de outras consequências fiscais. Quanto à alegação de que a aplicação da penalidade ofende aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, não merece melhor sorte. Isto porque, uma vez materializada a hipótese de incidência prevista na norma sancionadora, é defeso à autoridade aduaneira, à luz dos mencionados princípios, mitigar a aplicação da penalidade imposta pela legislação, eis que a atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, devendo a fiscalização aplicar a sanção em sua inteireza conforme determina a norma legal, em atendimento ao preceito contido no parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional. Sobre não haver sido comprovado o consumo das mercadorias, considerando ser a impugnante RAVLIN sua adquirente, caberia a ela, por óbvio, trazer aos autos os elementos que demonstrassem ainda estar na posse dos bens adquiridos, o que não foi feito. Logo, é procedente a exigência da multa." Votaram pela improcedência total das impugnações e a manutenção integral do crédito tributário lançado. O Acórdão n.º 1654.114, de 15/01/2014, ficou assim ementado: Fl. 1095DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 12466.722972/201121 Acórdão n.º 3401002.807 S3C4T1 Fl. 4 5 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 19/10/2006 a 13/02/2007 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. Caracterizadas como por conta e ordem as operações de comércio exterior declaradas pela importadora como sendo por encomenda, o que implicou ocultação da real adquirente das mercadorias, resta tipificada a figura da interposição fraudulenta, sujeitando tanto a importadora como a suposta encomendante e a real adquirente, estas duas na condição de responsáveis solidárias, à penalidade de perdimento das mercadorias, a ser convertida em multa equivalente ao respectivo valor aduaneiro, nos casos em que estas não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A contribuinte RAVLIN deixou de se manifestar, apesar de cientificada da decisão de 1ª instância. Inconformados, GEMAX e EASY ingressaram cada um com Recurso Voluntário, por meio dos quais argumentaram: A recorrente GEMAX expôs: 1. requer a nulidade do auto de infração por violação às garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa, haja vista que a repartição alfandegária não permitiu o acesso ao auto de infração e obtenção de cópia integral de seu teor. Afirma que tal fato foi levado ao conhecimento do InspetorChefe por meio de petição 2. necessidade de reforma quanto à nulidade da autuação por norma que impedia o fiscal de proceder nova autuação e violação ao art. 59, I e II, do Decreto n. 70.235, de 1972 e art. 15 parágrafo único da Portaria RFB n. 11.371/2007. 3. alega preliminarmente a decadência das infrações ocorridas há mais de cinco anos da data de lavratura do auto de infração, nos termos do art. 753 do Regulamento Aduaneiro de 2009 (art. 139 do Decretolei n° 37/66). Cita jurisprudência administrativa sobre o tema; 4. necessidade de reforma do acórdão por não ter declarado nulidade por ausência de descrição específica das irregularidades supostamente praticadas nos processos de importação. 5. alega preliminarmente a nulidade da autuação por utilização de prova emprestada (conclusões) de outros processos administrativos relativos à impugnante, 6. no mérito, alega que o capital social de uma empresa não atesta sua capacidade financeira. Alega que a fiscalização confundiu os conceitos de capital social e faturamento. e que se consideradas as suas fontes de recursos (ex.: benefício FUNDAP, receita financeira, reavaliação patrimonial, etc) seria afastada a presunção de infração. e que a estratégia da empresa justifica que ela tenha margem de retorno pequena. 7. e que não há que se falar em antecipações de valores entre terceiros e a GEMAX para caracterizar a infração, pois os valores depositados eram posteriores à nacionalização do produto, momento de sua revenda. 8. a multa de 100% tem caráter confiscatório. é desproporcional e irrazoável. 9. que a multa prevista no art. 33 da Lei n. 11.488/2007 é mais benéfica e deveria ser aplicada ao invés da prevista nos §§ do artigo 23 do DL 1.455, de 1976. A recorrente Easy expôs: 1. necessidade de reforma quanto à nulidade da autuação por norma que impedia o fiscal de proceder nova autuação e violação ao art. 59, I, do Decreto n. 70.235, de 1972 e art. 15 parágrafo único da Portaria RFB n. 11.371/2007. Fl. 1096DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 6 2. nulidade do auto de infração em razão da ausência de MPF dirigido em face da EASY. que ela não pode acompanhar a execução da fiscalização. faltou isonomia se comparada à GEMAX. 3. nulidade por falta de intimação para acompanhar e se manifestar no procedimento de fiscalização. implicou em impossibilidade de comprovar origem e disponibilidade dos recursos. 4. a recorrente deve ser excluída do pólo passivo por falta de fundamentação legal (a motivação é incongruente: incisos I e II doa rt. 124 do CTN são excludentes; art. 32 do DL 37/1966 so se aplica a imposto e não a multa; os incisos IV e V do artigo 95 do DL 37/1966 definem responsabilidade para situações diversas do presente caso). 5. alega preliminarmente a decadência das infrações ocorridas há mais de cinco anos da data de lavratura do auto de infração, nos termos do art. 753 do Regulamento Aduaneiro de 2009 (art. 139 do Decretolei n° 37/66). Cita jurisprudência administrativa sobre o tema; 6. a fundamentação do auto de infração esta viciada, pois há ausência de análise pormenorizada das importações. e adoção ilegítima de conclusões lançadas em outros processos. e ausência de documentação essencial. 7. e que há a necessidade de se limitar a atuação às declarações de importação referenciadas no quadro 09 do auto de infração pois apenas essas demonstrariam a tese fiscal do repasse entre GEMAX, EASY e RAVLIN, o que não se deu com as outras DIs listadas no auto de infração. 8. d) no mérito, alega afronta ao princípio da verdade material, visto que a qualificação dos fatos não corresponde à realidade. A GEMAX tratase de empresa com localização certa que cumpre regularmente com suas obrigações tributárias e, quanto à sua relação com a EASY, efetuou operações de importação e revenda de mercadorias durante anos, sempre emitindo a documentação idônea para suportá las; 9. e) a importadora, além de prestar os serviços mencionados pela fiscalização, especializouse em localizar excelentes oportunidades de negócios para a EASY, conhecendo vários fornecedores no exterior. Como a EASY possui enorme capacidade de distribuição de tais produtos no mercado interno, a GEMAX revende a mercadoria importada, geralmente por intermédio de uma negociação bastante rápida, ainda durante o curso do procedimento de importação, procedendo à entrega dos mesmos logo após o desembaraço aduaneiro; 10. f) com o passar do tempo, outro tipo de operação passou a ser realizado com a GEMAX, uma vez que a EASY passou a conhecer o mercado internacional e a se relacionar com os fornecedores, não havendo mais motivos para a GEMAX intermediar os negócios. Obviamente, a realização direta das operações de compra de mercadorias melhorava a dinâmica da empresa, aumentando a margem de lucro dos negócios realizados. Se esse fatos merecem qualificação jurídica diversa, não pode a fiscalização acusála de fraude desincumbindose de provar o dolo; 11. g) alega que a autoridade fiscal tem uma ideia preconcebida sobre a GEMAX, pois quando esta importava diretamente e depois revendia seus produtos, o fisco afirmava que ela não possuía capacidade financeira; e agora, quando a GEMAX realiza importação por encomenda da impugnante, a autoridade fiscal passa a dizer que é a EASY que não tem capacidade financeira. Não tem dúvidas de que, quando for interesse da fiscalização, passará a ser defendido que a RAVLIN não tem capacidade financeira até que se responsabilize solidariamente o consumidor final das mercadorias importadas; 12. h) em nenhum momento o fisco comprovou que houve falta de recolhimento de tributos em função das DI relacionadas, ou que houve vício na forma dos atos praticados. Em verdade, a fiscalização deseja aplicar o artigo 116, § único, do CTN, o que não é cabível, posto que o dispositivo ainda não foi regulamentado; 13. a tese da responsabilidade objetiva defendida pela fiscalização não se aplica ao caso em tela, posto que a legislação de regência impõe a necessidade e se comprovar o dolo do agente. Salienta que a EASY não participou do procedimento fiscal e, portanto, a fiscalização não foi capaz de formar convicção sobre sua verdadeira intenção. Observa que os supostos benefícios auferidos pela EASY são irrelevantes quando se analisa o faturamento da impugnante; 14. j) não tem ciência de qualquer elemento de prova a dar suporte aos ilícitos que lhe foram imputados, sendo que a multa aplicada afronta os princípios da razoabilidade e proporcionalidade; Fl. 1097DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 12466.722972/201121 Acórdão n.º 3401002.807 S3C4T1 Fl. 5 7 15. k) os critérios de avaliação da capacidade financeira da GEMAX utilizados pela fiscalização são equivocados. Tratase de um erro crasso avaliar a capacidade da empresa de financiar as atividades operacionais exclusivamente com suporte no aporte inicial dos sócios. Afinal, uma empresa pode ter um alto valor de capital social, e não ter capital de giro. Podese dizer o mesmo com relação ao lucro, porque este é apurado com base no regime de competência, o que inviabiliza seu uso para avaliação da capacidade financeira, pois uma empresa pode ser altamente lucrativa e ter problemas com capital de giro. Tivesse a fiscalização feito as análises corretamente, a autuação não teria ocorrido. O mesmo raciocínio se aplica à impugnante. O crescimento da empresa e a adequação do fluxo de caixa, permitiramlhe crescer e aumentar o volume e o giro das operações de importação e revenda de mercadorias; 16. l) a fiscalização laborou em erro ao alegar que a EASY efetuou a cada operação da importadora um adiantamento correspondente de recursos financeiros. De plano, registra que tal prova não lhe foi disponibilizada. Ademais, não há impedimento legal na formação de capital de giro por meio de adequação do prazo de recebimento e pagamento de duplicatas, sendo provável que as operações mais antigas financiaram as operações mais recentes. Observa que não pode ser penalizada por erro na escrituração comercial de terceiros; 17. m) alega que a conversão da pena de perdimento é improcedente, pois não foi comprovado o consumo das mercadorias; 18. n) o fato de a GEMAX prestar serviços relacionados à importação de mercadorias não é capaz de comprovar que outras operações de importação efetuadas com recursos próprios, ou por encomenda de terceiros, necessariamente caracterizem, por si só, interposição fraudulenta; 19. o) a fiscalização não prova que as operações efetuadas com a EASY não trouxeram lucro à GEMAX. O fato de uma empresa usufruir benefícios fiscais, criados por lei, não é indício de interposição fraudulenta; 20. p) quanto ao contrato reproduzido parcialmente, nada prova em relação à suposta interposição fraudulenta, posto que suas cláusulas estão de acordo com a modalidade denominada “importação por encomenda”; É o relatório. Voto Conselheiro Relator Eloy Eros da Silva Nogueira. Os recursos são tempestivos e foram atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Preliminares Nulidade por cerceamento de defesa por não acesso aos autos: Entendo que não procede a argumentação de nulidade do auto de infração, conforme expõe a recorrente, afirmando que a repartição alfandegária não teria permitido o acesso ao auto de infração e a obtenção de cópia integral de seu teor. É do conhecimento comum que o processo administrativo fica à disposição dos contribuintes, principalmente depois de intimados de ato fiscal ou administrativo. O acesso aos autos e a obtenção de cópias são procedimentos cotidianos dos setores de atendimento ao contribuinte. O contribuinte afirma que tal dificuldade foi levado ao conhecimento do InspetorChefe por meio de petição, Fl. 1098DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 8 mas nessa petição ou em outra parte do processo não há prova de que realmente a repartição tenha obstado o acesso aos autos. Ademais, o contribuinte apresentou sua impugnação e recurso e conseguiu contestar a autuação sem prejuízo ao seu direito de defesa, como se constata com a leitura dessas peças. Nulidade do auto de infração por incompetência da autoridade fiscal: Alegam as recorrentes a necessidade de reforma do decisum atacado quanto ao fato de não terem declarado a nulidade da autuação. Entendem que havia norma que impedia o fiscal de permanecer na autuação conduzida por novo MPF; que houve violação ao art. 59, I e II, do Decreto n. 70.235, de 1972 e art. 15 parágrafo único da Portaria RFB n. 11.371/2007. Segundo as recorrentes, teria o MPF sido renovado e mantido o mesmo Auditor Fiscal, contrariando a citada Portaria RFB, o que implicaria no disposto no artigo 59, I, do Decreto n. 70.235, de 1972. Data vênia, essa alegação a meu ver não tem amparo legal. Entendo que a competência para lavrar auto de infração apreciada à luz do que disciplina o Decreto n. 70.235, de 1972, não tem sua origem em uma Portaria administrativa. O MPF cumpre as seguintes funções: a) dá corpo e materialidade à decisão da administração, e informa a fundamentação requerida para a ação fiscal; b) atende os princípios constitucionais do conhecimento (ciência) e da transparência e define o escopo da ação fiscal; e, c) traduz a iniciativa institucional na identificação dos agentes públicos, louvando o princípio da pessoalidade. As limitações e irregularidades na aplicação desse recurso administrativo (ex.: prazo e prorrogações) precisam ser resolvidas no âmbito do processo administrativo disciplinar. Mas essas irregularidades não têm o poder de tomar nulo o lançamento tributário que atendeu aos requisitos do CTN, art. 142, e do Decreto nº 70.235, de 1972, art. 10. Afinal, o instrumento de controle administrativo, como o MPF, criado por portaria, não pode prevalecer sobre o Código Tributário Nacional, fundamento que determina a realização do lançamento, que é vinculado e obrigatório. Nulidade do auto de infração e do acórdão recorrido por insuficiência na demonstração dos fatos imputados: Entendo que não pode prosperar a argumentação para se reformar o acórdão por não ter declarado nulidade do auto de infração por ausência de descrição específica das irregularidades supostamente praticadas nos processos de importação. E também não pode prosperar a argumentação para declarar a nulidade do auto de infração pelo mesmo motivo. Consultei os documentos que instruem o auto de infração e há demonstração (relacionando declaração de importação, notas fiscais e pagamentos e registros contábeis) para as importações objeto da autuação deste processo. Pareceme desnecessário trazer ao texto do relatório fiscal cada um e todos esses cruzamentos de dados, bastando que estejam nos demonstrativos que instruem o auto de infração. Nulidade por provas emprestadas Também entendo que não tem fundamento declarar a nulidade da autuação por utilização de prova emprestada (conclusões) de outros processos administrativos relativos à impugnante. A prova emprestada é instituto que pode servir aos propósitos do processo Fl. 1099DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 12466.722972/201121 Acórdão n.º 3401002.807 S3C4T1 Fl. 6 9 administrativo. As partes podem manifestarse sobre esses conteúdos e suas implicações, e sobre sua pertinência; mas não há impedimento legal para sua aplicação. Nulidade por falta de MPF e acompanhamento da fiscalização: Não pode prosperar as alegações da EASY de nulidade do auto de infração em razão da ausência de MPF a ela dirigida e pelo fato que ela não teria podido acompanhar a execução da fiscalização. Também não pode prosperar o pedido de nulidade por falta de intimação para acompanhar e se manifestar no procedimento de fiscalização. Consultando os autos podemos ver às fls. 532 a 539 o MPF emitido em nome da empresa EASY, e as Intimações e os Termos de Constatação. Ou seja, não corresponde aos documentos juntados a afirmação da recorrente de que não teria sido intimada e teria merecido MPF próprio. No relatório fiscal encontramos informação de que as intimações à empresa não lograram receber atendimento satisfatório, demonstrando que houve o esforço de participála do procedimento de fiscalização. Nulidade de declaração da solidariedade tributária por incongruência de motivação. Ao contrário do que pede a recorrente EASY, pareceme correta a declaração de solidariedade com relação à GEMAX à luz das informações e dos argumentos que constituem o auto de infração. Não interpreto que haja incongruência entre os dispositivos legais indicados pela fiscalização. Eles concorrem para a sustentação da atribuição das responsabilidades tendo em vista a complexidade dos fatos e das atividades objeto da fiscalização. Reproduzo a analise dos Julgadores a quo a este respeito por dela concordar e considerála apropriada para justificar minha posição: O fato de a empresa EASY figurar como encomendante de fachada na importação promovida pela GEMAX quando, na verdade, a real adquirente era a RAVLIN implica que todas tinham ciência da interposição, sendo inequívoco que as três concorreram para sua prática. Logo, perfeitamente aplicado o instituto da responsabilidade solidária às empresas EASY e RAVLIN. Ressaltese que no caso concreto ocorre a ressalva do §2º do art. 94 do Decretolei nº 37/66 por expressa determinação legal. Logo, não há a citada contradição entre a responsabilidade objetiva (regra geral no Direito Tributário) e a responsabilidade subjetiva (decorrente de ação dolosa) do presente processo. Ademais, não há incongruência quando a fiscalização cita os incisos I e II, do art. 124 do CTN, posto que no caso a responsabilidade solidária das empresas EASY e RAVLIN materializase em ambas as hipóteses, já que tinham interesse em comum com a GEMAX na importação das mercadorias por se tratar da encomendante de fachada e da real adquirente, respectivamente, cuja responsabilidade solidária está expressamente prevista no art. 32, parágrafo único, alíneas “c” e “d” do DL 37/66 (imposto) e art. 95, V e VI, do mesmo normativo (multa). Preliminar de decadência Fl. 1100DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 10 Entendo que razão assiste às recorrentes quando alegam preliminarmente a decadência das infrações ocorridas há mais de cinco anos da data de lavratura do auto de infração, nos termos do art. 753 do Regulamento Aduaneiro de 2009 (art. 139 do Decretolei n° 37/66). A meu ver, a regra decadencial para os casos de aplicação de penalidade aduaneira é diferente das regras decadenciais para os casos de lançamento tributário. Há decisões proferidas no Conselho reiterando que o prazo decadencial, nos casos de aplicação de penalidade aduaneira, deve ser regido pelos arts. 138 e 139 do DecretoLei nº 37/1966, que toma o prazo qüinqüenal contado a partir da data da infração. A título de exemplo, reproduzo a Ementa de uma delas: Acórdão 3202000.548 Assunto: Obrigações Acessórias Data do Fato Gerador: 02/01/2004, 05/03/2004 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO. MULTA. DECADÊNCIA. Tratandose da imposição de pena de perdimento, na hipótese do artigo 618, XXII do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002), por se cuidar de infração de caráter administrativo (aduaneiro), tem lugar a contagem do prazo decadencial na forma dos artigos 139 do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966 e 669 do Regulamento Aduaneiro, cujo prazo de 5 (cinco) anos tem seu curso iniciado na data da infração. Recurso voluntário provido. Para a finalidade de se determinar a decadência, o termo inicial desse prazo é a data da infração, e nesse caso ela é a data do registro de cada declaração de importação, pois ela é atividade central da prática objeto da fiscalização e do objeto dessa autuação. Sendo assim, tendo a ciência do auto de infração se dado em 27/10/2011 (fls. 579), necessário se excluir da base que determina a multa tratada neste auto de infração as declarações de importação anteriores a 27/10/2006. Preliminar para redefinição do conjunto de declarações de importação base para a multa por falta de provas: Entendo que não há razão favorável à argumentação da EASY, de que há a necessidade de se limitar a atuação às declarações de importação referenciadas no quadro 09 do auto de infração pois apenas essas demonstrariam a tese fiscal do repasse entre GEMAX, EASY e RAVLIN, o que não se deu com as outras DIs listadas no auto de infração. A descrição dos fatos e a identificação da prática considerados infracionais se baseiam em dados e informações que, no conjunto, pretendem demonstrar e provar sua ocorrência e as pessoas a quem se deve atribuir a autoria e a responsabilidade. A autoridade fiscal e os Julgadores não tiveram dúvida de quais foram as declarações de importação registradas pela GEMAX, cujos bens importados foram destinados à EASY para posterior revenda. Essas empresas não contestam esses dados. A fiscalização demonstrou um terceiro interessado, o real adquirente, cuja conduta e participação completava o cenário com o qual se caracterizaria a prática Fl. 1101DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 12466.722972/201121 Acórdão n.º 3401002.807 S3C4T1 Fl. 7 11 suspeita. As informações sobre os bens importados adquiridos pela RAVLIN são apenas parte desse conjunto de provas, e não podem ser consideradas como as únicas. Portanto, a base de calculo da multa em questão deve considerar todas as operações de importação cujos bens foram destinados à EASY e que atendem à prática considerada infração pela fiscalização nesse caso. Quanto à alegação de que a multa não poderia ser aplicada por existir outra mais favorável ou ser abusiva: A recorrente EASY alega que a multa de 100% tem caráter confiscatório; é desproporcional e irrazoável; e que a multa prevista no art. 33 da Lei n. 11.488/2007 é mais benéfica e deveria ser aplicada ao invés da prevista nos §§ do artigo 23 do DL 1.455, de 1976. Esses dois argumentos não possuem fundamento legal. A multa aplicada através deste auto de infração obedece exatamente o que dispõe a sua base legal, e não tem a autoridade fiscal poder para decidir alterála. Ademais, para justificar sua aplicação ela tem fundamento distinto da multa prevista no artigo 33 da Lei n. 11.488, de 2007. Uma se refere à multa decorrente da conversão da pena de perdimento aos bens importados em operações que haja ocultação do interessado ou interposição fraudulenta, inclusive por presunção a partir da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos. Enquanto a outra se refere à cessão de nome para ocultar os reais interessado e beneficiários da operação. São penalidades relacionadas a condutas distintas. Ou seja, elas são penalidades autônomas, não tendo cabimento a suposição da recorrente que uma possa ser substituída pela outra Não merecem prosperar as demais argumentações feitas pelas recorrentes que pretendem desqualificar as conclusões que sustentam o auto de infração. As informações reunidas e produzidas com a fiscalização põem em evidência que as recorrentes não demonstraram com sua documentação a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados suficientes para explicar os montantes das importações realizadas. E assim é mesmo considerando o proporcionado pelo FUNDAP. Nem havia capacidade econômica e financeira ao longo do período fiscalizado; e elas amargavam sucessivos prejuízos operacionais. Além disso, a GEMAX não conseguiu demonstrar que efetivamente negociava com os seus fornecedores. E há suficiente elementos que provam a participação da RAVLIN como a real adquirente dos bens importados pela GEMAX nas operações fiscalizadas. Adoto as considerações desenvolvidas pelos Julgadores a quo por nelas ver a argumentação que articula as evidências favoráveis à manutenção das conclusões contidas no auto de infração: À fl. 60, a fiscalização apresenta na forma de uma planilha (QUADRO 04) a evolução do volume de importações nos anos de 2005 a 2007 e os respectivos capitais sociais e patrimônios líquidos registrados no período. Percebese que, partindose de um capital social de R$ 50.000,00, em apenas três anos a empresa GEMAX importou um volume de da ordem de R$ 30.000.000,00 (trinta milhões de reais). ... Fl. 1102DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 12 A partir da fl. 65, a fiscalização apresentou um resumo das intimações realizadas e seus respectivos tratamentos pela impugnante. Percebese claramente que, por diversas vezes, a GEMAX deixou de apresentar de forma completa a documentação e os esclarecimentos solicitados pela fiscalização. Dessa forma, tendo sido oportunizada à empresa a possibilidade de comprovar a origem, disponibilidade e transferência dos recursos utilizados em suas operações de comércio exterior, não logrou apresentar documentação que suportasse esse volume de importações. Lógica a conclusão da fiscalização, de fl. 62, de que o lucro registrado contabilmente pela GEMAX entre 2005 e 2007, em torno de R$ 980 mil, não seria suficiente para aumentar sua disponibilidade a ponto de justificar a desproporcionalidade entre sua capacidade econômica e financeira e o montante aplicado em suas operações de importação, mais de R$ 30 milhões. Corretamente desconsiderada pela fiscalização a reavaliação de terreno da empresa de R$ 45.000,00 para R$ 2,374 milhões, pouco tempo após a aquisição. Além de inflar artificialmente o patrimônio da empresa tal reavaliação não aumenta a capacidade financeira da mesma a ponto de justificar o quadro de evolução das importações descrito acima. Esses fatos relatados somados à ausência de empréstimos e financiamentos permite chegarmos à conclusão de que a GEMAX não possuía capacidade própria de financiar as importações realizadas. No presente processo, as importações objeto de autuação foram declaradas como por encomenda. Nessa modalidade, a GEMAX, na qualidade de importadora por encomenda, deveria providenciar as operações com recursos próprios para posterior revenda ao encomendante predeterminado, no caso, a empresa EASY. Ocorre, porém, que o resultado dos trabalhos de auditoria acabou por demonstrar que a empresa EASY não apresentava igualmente capacidade econômica e financeira para adquirir as mercadorias encomendadas junto à GEMAX. Vejamos. À fl. 96, a fiscalização apresenta na forma de uma planilha (QUADRO 06) a evolução do volume de importações da EASY nos anos de 2005 a 2007 e os respectivos capitais sociais e patrimônios líquidos registrados no período. Percebese que, partindose de um capital social de R$ 5.000,00, em menos de três anos a empresa EASY importou um volume de importações da ordem de R$ 7.000.000,00 (sete milhões de reais). Submetida igualmente aos procedimentos fiscais previstos pelas IN SRF 650/2006 e 228/2002, a EASY não atendeu às intimações, deixando de apresentar os livros de escrituração contábil e fiscal e demais documentos e esclarecimentos que pudessem demonstrar a origem, disponibilidade e aplicação dos recursos nas operações de comércio exterior praticadas. Consultas realizadas pelo fisco à base de dados dos sistemas da Receita Federal, em especial às Demonstrações de Resultado dos anos de 2006 e 2007 apresentadas pela empresa, revelaram que a EASY não obtinha resultado operacional positivo (vide QUADRO 07, fl. 99). Não foram identificados, também, quaisquer registros de empréstimos ou financiamentos tomados junto a instituições bancárias ou creditícias. Diante desse quadro, a incapacidade econômica e financeira da empresa EASY para adquirir as mercadorias encomendadas exsurge evidente, corroborando o entendimento adotado pelo fisco, qual seja: as operações só puderam ser viabilizadas porque a EASY, a partir de outubro de 2006, passou a agir em uma espécie de segunda camada de interposição entre a GEMAX e os reais adquirentes, os quais efetivamente arcavam com os custos das operações. Nessa formatação, denominada pelo fisco como “segunda fase de interposição”, cabia à EASY repassar os recursos das reais adquirentes à Fl. 1103DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 12466.722972/201121 Acórdão n.º 3401002.807 S3C4T1 Fl. 8 13 GEMAX. Em sua defesa, a impugnante GEMAX afirma que o quadro de ausência de lucro nas operações de importação pode ser mantido pelos resultados financeiros positivos decorrentes do deságio na quitação do ICMS do Estado do Espírito Santo (FUNDAP). Ocorre que mesmo considerando esses recursos financeiros, o lucro do exercício revelase totalmente incompatível com o volume de importações praticado. Dessa forma, a viabilidade financeira e operacional da impugnante só se justifica com o fluxo de recursos das reais adquirentes. Em nenhum momento logrou a impugnante comprovar que ela negociava diretamente as condições de compra com os exportadores estrangeiros. As correspondências apresentadas às fls. 808/809 não comprovam que ela respondia pela negociação das mercadorias importadas, no máximo, que ela respondia pelo fechamento dos respectivos contratos de câmbio. Cumpre observar que tais correspondências são relativas a um único exportador, são representativas de um processo de cobrança por inadimplemento do pagamento de uma exportação específica, não tendo a capacidade de comprovar a negociação de compra das mercadorias com a exportadora. Aliás, é natural que a empresa exportadora cobre a remessa de divisas da empresa responsável pelo fechamento do câmbio, no caso, a GEMAX. Também não há que se falar que a empresa EASY efetuava encomendas dos produtos importados à impugnante. O contrato de prestação de serviços celebrado entre GEMAX e EASY, juntado às fls. 517/521, é expresso ao dispor que todas as despesas da encomenda das mercadorias, bem como dos demais encargos, inclusive tributários, serão pagos pela encomendante, no caso, a EASY. Ora, esse modelo se afasta daquele previsto pela Lei 11.281/06 e IN SRF 634/2006, na medida em que é requisito para a caracterização da importação por encomenda que a operação seja realizada com recursos próprios da pessoa jurídica importadora. No caso dos autos, porém, restou sobejamente demonstrado que tanto GEMAX como EASY não apresentavam capacidade econômica e financeira para suportar as operações praticadas. ..... Também alegam as impugnantes GEMAX e EASY que a fiscalização não poderia considerar o capital social como parâmetro de capacidade financeira. De fato, se fizermos uma análise estática de um balanço específico podemos encontrar uma empresa com capital social ínfimo e alta disponibilidade financeira. Ocorre que a análise feita pela fiscalização não foi esta. A fiscalização verificou a evolução dinâmica do volume de importações (este um parâmetro dependente da capacidade financeira da empresa) a partir de um relativamente pequeno capital social. Essa discrepância, associada ao constante prejuízo operacional, inviabiliza por completo o surgimento de recursos próprios para suportar o volume de importações demonstrado por ambas as impugnantes. No caso concreto entendo que a tipificação ocorreu por mais de uma via, vejamos: 1. a GEMAX e a EASY não conseguiram comprovar a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados em suas operações; 2. restou demonstrada a ocultação da real adquirente nas importações realizadas, a RAVLIN, visto que foram indicadas importações por encomenda quando, em verdade, estas importações destinavamse à empresa oculta; Fl. 1104DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 14 3. demonstrouse que a empresa GEMAX utilizouse de repasses de recursos financeiros da empresa EASY para realizar operação de importação de mercadorias, os quais só poderiam advir da adquirente oculta, haja vista a demonstração da incapacidade econômica e financeira da EASY para arcar com os custos das operações praticadas. 4. Além disso, a produção de documentos que não traduzem a realidade comercial implica na realização de fraude documental. Logo, sob qualquer ponto de vista, foi corretamente tipificada a infração imputada às autuadas. Por todas essas considerações é que concluo que os recursos voluntários devem ser considerados procedentes em parte, apenas para reconhecer a decadência para as declarações de importação com registros anteriores a 27/10/2006. Credito tributário mantido em parte. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 1105DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA
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Numero do processo: 10480.731825/2012-10
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1801-000.380
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
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Resolvem, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório. Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 3a. Turma de Julgamento da DRJ em Florianópolis/SC que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra ato de exclusão do Simples Nacional. Por bem resumir os fatos, adoto o relatório da DRJ em Florianópolis/SC: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .7 31 82 5/ 20 12 -1 0 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 10/02/ 2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10480.731825/201210 Resolução nº 1801000.380 S1TE01 Fl. 3 2 Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório DRF/REC/PESSOA JURÍDICA/2012, de 01/02/2013 (fls. 43 a 45), que indeferiu o pedido de inclusão retroativa do contribuinte no Simples Nacional. Consta do Despacho Decisório que em 12/07/2012 a empresa alterou os dados do CNPJ com inclusão de atividade econômica vedada – CNAE 46.133/00 (REPRESENTANTES COMERCIAIS E AGENTES DO COMÉRCIO DE MADEIRA, MATERIAL DE CONSTRUÇÃO E FERRAGENS), que equivale à comunicação obrigatória de exclusão, com efeitos a partir de 01/08/2012, conforme dispõe o art. 74 da Resolução CGSN nº 94, de 2011. Inconformada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando (fls. 50/51): [...]A requerente incluiu INDEVIDAMENTE em seu contrato social a atividade de "representação por conta própria ou de terceiros e correspondentes de serviços de instalação e manutenção", essa alteração contratual foi registrada na JUCEPE e na RFB em 12/07/2012. A requerente jamais exerceu essa atividade, e após constatar o erro efetuou a retificação do contrato social excluído à referida atividade, e registrou JUCEPE e na RFB, em 11/10/2012. II O DIREITO Conforme previsão nos incisos II a XV e XVII a XXVI do art.15 da Resolução CGSN n° 94/2011, a exclusão produzirá efeitos a partir do mês seguinte ao da ocorrência da situação impeditiva, no caso de início de exercício de atividades impeditiva ao ingresso no Simples Nacional. Ocorre que a requerente nunca exerceu a atividade impeditiva, o que houve foi um erro formal, o que pode ser comprovado através da alteração do contrato social, registrada ainda dentro do 2º semestre de 2012, que segue em anexo. [...]Finalmente requer seja reformulada a decisão proferida para manter a empresa como Optante pelo Simples Nacional. A Turma Julgadora de 1a. Instância, apoiandose nas disposições da Lei Complementar n º 123, de 2006 (arts. 17,28,30 e 31) manteve a exclusão. Justificou que a mera previsão de atividade vedada, no contrato social, seria suficiente para obstar o ingresso ou a permanência no sistema, sendo irrelevante o fato de a pessoa jurídica exercer, ou não, a atividade vedada, como determinaria o Anexo VI da Resolução CGSN n º 94, de 2011. Cientificada da decisão, em 03/07/2014 (AR efl. 80), apresentou a interessada, em 15/07/2014, recurso voluntário. Em sua defesa afirma que nunca exerceu a atividade vedada, prevista, indevidamente, na alteração contratual. Salienta que seria necessário que o Fisco fizesse prova de que a empresa exerceria a atividade vedada para justificar a manutenção da exclusão da sistemática e que não seria permitida a exigência de prova negativa. Ao final pede pelo provimento do recurso e sua conseqüente reinclusão no Simples Nacional. É o relatório. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 10/02/ 2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10480.731825/201210 Resolução nº 1801000.380 S1TE01 Fl. 4 3 Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Pelo que se verifica do relato, a recorrente formalizou a alteração de dados no CNPJ – porque teria alterado o objeto social previsto em seu contrato social e, conseqüentemente, no CNAE Fiscal. Entendeu a administração tributária, no despacho decisório de exclusão, que a partir da alteração contratual promovida em 12/07/2012, a recorrente passou a dispor da possibilidade de exercer a atividade de “representação por conta própria ou de terceiros”, que é considerada atividade vedada para ingresso e permanência na sistemática do Simples Nacional, pela Lei Complementar n º 123, de 2006. Assinalou que, nesse mesmo sentido, o CGSN, pela Resolução n º 94, de 2011, determinou, no art. 74, que a alteração de dados no CNPJ, informada pela ME ou EPP à RFB, equivalerá à comunicação obrigatória de exclusão do Simples Nacional na hipótese de inclusão de atividade econômica vedada à opção pelo Simples Nacional. A recorrente, ao seu turno, informa que apesar de sempre ter constato de seu contrato social, desde a constituição, em 1998, nunca teria exercido a atividade de “representação por conta própria ou de terceiros”, e que já teria providenciado a exclusão da previsão dessa atividade de seu objeto social. Observo que nos autos se encontram anexadas, apenas, cópias do contrato social e alterações contratuais apresentadas pela empresa recorrente. Não há nenhum outro documento ou elemento inserido no presente processo. Esta Turma de Julgamento vem decidido no sentido de que, para manutenção da exclusão de pessoa jurídica do Simples por exercício de atividade vedada, é necessário que fique comprovado que a pessoa jurídica de fato exerceu a atividade proibida. Em face do exposto, voto pela conversão do julgamento na realização de diligências, para que a unidade de jurisdição da recorrente a intime a apresentar (i) as notas fiscais emitidas no período objeto dos autos, devidamente acompanhadas dos respectivos registros contábeis; (ii) contratos porventura celebrados no período; (iii) registros e anotações de empregados, dentre outros necessários a comprovar a real atividade praticada pela interessada. Ao final dos trabalhos deverá ser elaborado relatório circunstanciado e conclusivo das verificações efetuadas, do qual deverá ser cientificado a interessada, com prova de seu recebimento nos autos para, no prazo de trinta dias, a contar da ciência, manifestarse sobre as conclusões da diligência, se assim o desejar, retornandose, posteriormente, os presentes autos a este Colegiado para prosseguimento. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Fl. 138DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 10/02/ 2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10480.731825/201210 Resolução nº 1801000.380 S1TE01 Fl. 5 4 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 10/02/ 2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10850.907779/2011-08
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/1999 a 30/06/1999
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-006.531
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Paulo Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues, que convertiam o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/1999 a 30/06/1999 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea.
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(Incorporadora de GREEN VEÍCULOS COMÉRCIO E IMPORTAÇÃO LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/1999 a 30/06/1999 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Paulo Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues, que convertiam o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 77 79 /2 01 1- 08 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907779/201108 Acórdão n.º 3803006.531 S3TE03 Fl. 144 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto em contraposição à decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em decorrência do indeferimento do pedido de restituição formulado pelo contribuinte supra identificado. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição (PER) em 15 de abril de 2004, referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da contribuição para o PIS, período de apuração junho de 1999, no valor de R$ 65,20. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem indeferiu o pedido de restituição, pelo fato de que o pagamento declarado no PER já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento do direito creditório, alegando que o indébito decorrera da inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Argüiu o interessado que não fora previamente intimado para prestar esclarecimentos quanto à higidez do crédito tributário, tendo sido o despacho decisório prolatado sem que a fiscalização tivesse examinado a situação concreta do pedido de restituição. Requereu, também, o então Manifestante, em respeito ao princípio da economia processual, a reunião dos processos identificados na peça recursal para julgamento em conjunto, considerando terem todos eles o mesmo objeto. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários, do despacho decisório, do comprovante de arrecadação, de planilha por ele elaborada contendo a identificação dos valores das receitas financeiras auferidas no período e de parte do balancete. A DRJ Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do Fato Gerador: 30/06/1999 AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907779/201108 Acórdão n.º 3803006.531 S3TE03 Fl. 145 3 Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado, em momento anterior, para quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do Fato Gerador: 30/06/1999 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Arguiu o relator a quo que, “ainda que os óbices quanto à utilização integral do recolhimento não existissem, e que fosse possível estender os efeitos do julgado do STF para o presente caso, a interessada não se [desincumbira] de demonstrar e provar o suposto recolhimento a maior”, uma vez que os documentos apresentados se referiam apenas às receitas financeiras, dados esses insuficientes à apuração da base de cálculo da contribuição, qual seja, o faturamento. Cientificado da decisão de primeira instância em 19 de setembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 21 de outubro do mesmo ano e reiterou seu pedido, repisando os mesmos argumentos de defesa, sendo contestado o argumento da autoridade julgadora de piso relativamente à necessidade de prévia retificação da DCTF para se atestar a liquidez e certeza do crédito, argüindose que tal documento, além de não ser exigido em lei, não é o único apto a comprovar a existência de crédito passível de restituição. Afirmou ainda o Recorrente que apresentara, junto à Manifestação de Inconformidade, cópias do livro Diário, com seus termos de abertura e fechamento, bem como do balancete, contendo a identificação das receitas financeiras indevidamente incluídas no cômputo da contribuição, tratandose de documentos suficientes à comprovação do crédito pleiteado. Contestou também o argumento do julgador de piso que, segundo ele, pretendera anteceder qualquer ato processual futuro, relativamente à preclusão processual, pois que novos fatos e razões foram trazidos aos autos, reclamando pela aplicação do contido na alínea “c” do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. Junto ao recurso, o contribuinte trouxe aos autos cópia de parte do livro Razão. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907779/201108 Acórdão n.º 3803006.531 S3TE03 Fl. 146 4 Em 13/01/2014, a repartição de origem juntou a este processo, por apensação, o processo administrativo nº 10850.909903/201161, contendo a declaração de compensação do crédito controvertido nestes autos. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. No que tange à alegação de que o despacho decisório fora prolatado em desconformidade com a legislação de regência, dada a inocorrência de prévia intimação do interessado para prestar esclarecimentos quanto à higidez do crédito tributário, há que se ressaltar que o ato administrativo, muitas vezes, “prescinde da existência de um procedimento específico”, pois, quando “o agente administrativo [detém] todas as informações necessárias à configuração do fato imponível e à extração de todas as conseqüências tributárias” 1, ele não necessita colher novas informações ou provas, podendo decidir com base nos elementos presentes nos sistemas internos do órgão, quando suficientes à prolação do despacho decisório. Quanto ao pedido de reunião dos processos identificados na peça recursal para julgamento em conjunto, considerando que todos eles têm o mesmo objeto, há que se salientar que todos os processos presentes no lote em que figurou como interessada a pessoa jurídica Green Veículos Comércio e Importação Ltda., incorporada por Pará Automóveis Ltda., foram incluídos na pauta para julgamento na mesma sessão deste 3ª Turma Especial. Conforme acima relatado, controvertese nos autos acerca do pedido de restituição de valor recolhido a maior da contribuição apurada sobre receitas que extrapolam o conceito de faturamento, com fundamento na inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, do alargamento da base de cálculo promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. A inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição, para além do faturamento, operado pela Lei nº 9.718, de 1998, foi objeto de decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) 2, em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil CPC), cujo teor deve ser, obrigatoriamente, observado por este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. A Lei n° 9.718, decorrente da conversão da Medida Provisória nº 1.724, de 29 de outubro de 1998, foi publicada em novembro de 1998, quando vigia a redação original do art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, em que se previa apenas o faturamento como 1 MARINS, James. Direito processual tributário brasileiro (administrativo e judicial). 7. ed. São Paulo: Dialética, 2014, p. 266267. 2 Em 27 de novembro de 2008, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, no âmbito do Recurso Extraordinário nº 585.235, cujo mérito da repercussão geral foi julgado em 10 de setembro de 2008, pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, cujo teor passou, desde então, a vincular os demais órgãos judiciais e o CARF. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907779/201108 Acórdão n.º 3803006.531 S3TE03 Fl. 147 5 hipótese de incidência da contribuição social, não constando a possibilidade de alcançar outras receitas auferidas pela pessoa jurídica, o que veio a ocorrer somente em dezembro do mesmo ano por meio da Emenda Constitucional n° 20. De acordo com o entendimento do STF3, o alargamento posterior da base de cálculo das contribuições de “faturamento” para “receita e faturamento”, operada por meio da Emenda Constitucional n° 20/1998, não teve o condão de convalidar legislação anterior que previa a incidência da Cofins e da Contribuição para o PIS sobre a totalidade das receitas da pessoa jurídica. Não se pode olvidar que o termo faturamento referese ao somatório das receitas decorrentes de vendas de mercadorias ou serviços, não abrangendo, por conseguinte, outras receitas, como as receitas financeiras alheias ao objeto social da pessoa jurídica. Dessa forma, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, que estipula que as decisões definitivas do STF proferidas na sistemática da repercussão geral devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento de recursos no âmbito do CARF, concluise, em tese, pelo direito do contribuinte de obter a restituição de recolhimentos relativos à contribuição apurada sobre as receitas não abrangidas pelo conceito de faturamento, restando verificar, nos autos, a existência inequívoca de prova do indébito reclamado. Conforme se verifica do relatório supra, a DRJ Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório por ausência de provas hábeis a demonstrar e comprovar o suposto recolhimento a maior, considerando que os documentos apresentados se referiam apenas às receitas financeiras, dados esses insuficientes à apuração da base de cálculo da contribuição, qual seja, o faturamento. O Recorrente alega que, junto à Manifestação de Inconformidade, havia trazido aos autos, além de cópia do balancete, cópia do livro Diário, sendo que, compulsando os autos, se verifica que tal afirmativa não se confirma, pois somente a cópia do balancete foi juntada à peça recursal interposta em primeira instância. A par da decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP, em que a questão da prova do indébito foi posta como condicionante ao reconhecimento do direito creditório, o contribuinte traz aos autos cópia de parte do livro Razão, porém, conforme se dera em relação ao balancete, restrito às informações relativas às receitas financeiras, não se identificando o faturamento, dado esse imprescindível à apuração da contribuição efetivamente devida no período. De acordo com o art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de indeferimento do direito pleiteado, prova essa que deve ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade. O referido art. 16 do PAF assim dispõe: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; 3 REs nº 585.235, 346.084, 357.950, 358.273, 390.840, dentre outros. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907779/201108 Acórdão n.º 3803006.531 S3TE03 Fl. 148 6 II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Em conformidade com o excerto supra, temse que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações declaradas pelo próprio sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Conforme já dito, os elementos trazidos aos autos por cópias pelo contribuinte no momento da Manifestação de Inconformidade não eram aptos, por si sós, a comprovar o direito reclamado, dado que restritos às informações relativas às receitas financeiras, situação em que não se tem por comprovada a base de cálculo da contribuição devida (faturamento), o que impede o confronto entre os valores recolhidos aos cofres públicos e aqueles efetivamente devidos. A mesma falha ocorreu em sede de recurso, pois a parte do livro Razão apresentada também se restringiu às receitas financeiras, inviabilizandose a comprovação pretendida. A meu ver, essa constatação, por si só, já impede que se acate o pedido do Recorrente, pois mesmo afastando, em tese, a preclusão acima abordada, não se tem por configuradas as características de liquidez e certeza requeridas em casos da espécie. Abrir a possibilidade de produção de novas provas, a meu ver, ainda que em consonância com o princípio da verdade material, configura afronta aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade (art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999), à obrigatoriedade de atuação da Administração em conformidade com a lei e o Direito e à adequação entre meios e fins (art. 2º, parágrafo único, da Lei nº 9.784, de 1999), assim como ao dever do administrado de apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado antes das decisões administrativas e de prestar todas as informações necessárias ao esclarecimento dos fatos (art. 3º, III, e 4º, IV, da Lei nº 9.784, de 1999). Fl. 148DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907779/201108 Acórdão n.º 3803006.531 S3TE03 Fl. 149 7 Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão a uma possível inversão do ônus da prova. Destaquese que, em razão da incompletude da prova apresentada, um eventual retorno dos autos à repartição de origem para a reabertura da apreciação do presente feito não encontra respaldo na legislação processual tributária, pois, conforme nos leciona James Marins, “[a] flexibilização generalizada do regime de fases e de preclusões processuais fragiliza a segurança do processo e não pode ser admitida mesmo sob invocação do princípio da formalidade moderada, por atingir axioma ínsito ao conceito ontológico do procedimento e do processo entendido cedere pro” 4 (ir para a frente). Mesmo depois de ter sido alertado pelo julgador administrativo de primeira instância acerca da necessidade de apresentação de documentos comprobatórios do crédito pleiteado o Recorrente não se predispôs a instruir o processo nesta segunda instância de forma efetiva, dado que o documento então acrescentado não foi apto a suprir a falha de instrução do processo que já havia sido detectada na primeira instância. Nesse contexto, por ausência de prova da efetiva existência do direito creditório pleiteado, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator 4 MARINS, James. Direito processual tributário brasileiro (administrativo e judicial). 7. ed. São Paulo: Dialética, 2014, p. 293. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 16327.720708/2012-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2009 a 31/05/2009
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS A CARGO DA EMPRESA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PERIODICIDADE. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. SUBSTITUIÇÃO DE PARCELA SALARIAL.
Uma vez descumprida a regra da periodicidade expressamente prevista na Lei nº 10.101/00 os valores devem ser considerados parcela de natureza remuneratória, sem prejuízo dos pagamentos realizados nos ditames da lei. A ausência de regras claras e objetivas não permite ser presumida, devendo o Agente Fiscal proceder a análise das disposições expressamente consignadas nos instrumentos de negociação. A imposição de requisitos diversos daqueles expressamente descritos na legislação aplicável não justifica a descaracterização da natureza dos pagamentos de PLR realizados.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.322
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para exclusão do lançamento dos valores pagos de acordo com a periodicidade exigida pela Lei nº 10.101/2001. Quanto às regras claras e objetivas, o conselheiro Ronaldo de Lima Macedo acompanhou o relator pelas conclusões. Com relação a autuação por descumprimento de obrigação acessória, por maioria de votos, para adequação da multa aplicada ao artigo 32-A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, caso mais benéfica, vencida a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis que votou por manter a multa aplicada.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Thiago Taborda Simões - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Luciana de Souza Espindola Reis, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
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PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PERIODICIDADE. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. SUBSTITUIÇÃO DE PARCELA SALARIAL. Uma vez descumprida a regra da periodicidade expressamente prevista na Lei nº 10.101/00 os valores devem ser considerados parcela de natureza remuneratória, sem prejuízo dos pagamentos realizados nos ditames da lei. A ausência de regras claras e objetivas não permite ser presumida, devendo o Agente Fiscal proceder a análise das disposições expressamente consignadas nos instrumentos de negociação. A imposição de requisitos diversos daqueles expressamente descritos na legislação aplicável não justifica a descaracterização da natureza dos pagamentos de PLR realizados. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 07 08 /2 01 2- 80 Fl. 741DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para exclusão do lançamento dos valores pagos de acordo com a periodicidade exigida pela Lei nº 10.101/2001. Quanto às regras claras e objetivas, o conselheiro Ronaldo de Lima Macedo acompanhou o relator pelas conclusões. Com relação a autuação por descumprimento de obrigação acessória, por maioria de votos, para adequação da multa aplicada ao artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, caso mais benéfica, vencida a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis que votou por manter a multa aplicada. Júlio César Vieira Gomes Presidente Thiago Taborda Simões Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Luciana de Souza Espindola Reis, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 742DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16327.720708/201280 Acórdão n.º 2402004.322 S2C4T2 Fl. 681 3 Relatório Tratase de autuação decorrente do descumprimento de obrigações principais, referentes às contribuições incidentes sobre as verbas creditadas aos funcionários à título de PLR Participação nos Lucros e Resultados. Foram lavrados os seguintes Autos de Infração: · AI DEBCAD nº 51.025.6244 parte da empresa e àquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – RAT, abrangendo as competências 02/2009, 03/2009 e 05/2009; · AI DEBCAD n° 51.025.6252 parte destinada ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE (Salário Educação) e ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA, abrangendo as competências 02/2009, 03/2009 e 05/2009; Relatório Fiscal às fls. 346/366. Intimada da autuação, a Recorrente apresentou impugnação de fls. 384/422, que restou improcedente às fls. 543/558, sob os seguintes fundamentos: 1. O legislador constituinte, apesar de desvincular expressamente a PLR das verbas salariais, não é autoaplicável como alegam as Impugnantes, tendo em vista que a norma veiculada no seu artigo 7º, inciso XI, não tem aplicabilidade imediata, dada a sua eficácia limitada, necessitando de regulamentação; 2. A Lei de Custeio, com observância a Constituição Federal, exclui as verbas que não fazem parte da remuneração, dentre estas a Participação nos Lucros ou Resultados, desde que paga de acordo com a lei especifica, conforme dispõe o art. 28, §9º, ‘j”; 3. A Participação nos Lucros ou Resultados, somente não integrará a base de cálculo do salário de contribuição (art. 28, I da Lei nº 8.212/91), quando paga conforme a legislação especifica, no caso a Lei nº 10.101/00, do contrário, comporá a remuneração do empregado, com incidência de contribuição previdenciária e das contribuições destinadas as outras Entidades e Fundos (Terceiros), como aconteceu no caso em tela; 4. Os pagamentos (PLR) foram realizados com base em dois instrumentos distintos de negociação: Convenção Coletiva de Trabalho, referente a participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa de seguros privados e de capitalização; e Acordo Coletivo – no que toca planos de participação em lucros ou resultados; 5. O §2º do art.3º da Lei nº 10.101/00) veda qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de PLR em periodicidade inferior a um semestre civil, ou então, mais de duas vezes no mesmo ano civil, entretanto, a disposição legal não foi obedecida pela empresa, conforme se verifica no demonstrativo da periodicidade dos pagamentos (PLR), fls. 140/168; 6. O descumprimento do §2º do art.3º da lei nº 10.101/00 pela empresa, tem o condão de descaracterizar não somente os pagamentos que ultrapassam a periodicidade, mas sim a Fl. 743DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 totalidade dos pagamentos efetuados (Convenção Coletiva de Trabalho e Acordos Coletivos); 7. Os valores pagos a titulo de PLR foram apurados a partir da análise das folhas de pagamento, que por sua vez foram confirmados na contabilidade da empresa, todas entregues em arquivo magnético pela empresa, com demonstração nos campos próprios dos Discriminativos dos Débitos, fls. 335 (Debcad nº 51.025.6244), fls.342 (Debcad nº 51.025.6252); 8. Como no caso em tela (acordos 2008/2009) a negociação e assinatura não aconteceram em momento anterior ao inicio da vigência dos citados acordos, os valores pagos a título de PLR enquadramse no conceito de salário de contribuição; 9. Os critérios utilizados nos acordo coletivos são subjetivos (Cláusula Sexta), o que compromete a aferição de forma objetiva, conforme determina o §1º do art.2º da Lei nº 10.101/01; 10. Os documentos acostados pela empresa (03,04,05 e 06), fls. 511/537, não tem o condão de alterar os lançamento, pois na sua grande maioria são os mesmos já apresentadas a Fiscalização, logo, o descumprimento a legislação persiste (§1º do art.2º da Lei nº 10.101/00); 11. Os valores pagos (PLR) a vários empregados contraria a disposição prevista no art.3º da Lei nº 10.101/00, que por sua vez determina que os valores pagos a título de Participação nos Lucros ou Resultado, não podem substituir ou complementar o salário; 12. A legislação aplicada ao caso em tela foi observada, inexistindo cobrança de juros sobre a multa de oficio, bem como sobre a multa de mora, deixandose claro que os juros e a multa serão sempre exigidos individualmente sobre o valor principal atualizado; 13. Com relação ao pedido de produção de provas, verificase que o momento adequado de produzilas e solicitálas (perícia, diligência e documentos), é no momento da apresentação da impugnação, com observância dos requisitos previsto nos dispositivos legais do Decreto nº 70.235/72 Intimada do resultado do julgamento, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls. 608/622 alegando, em síntese: 1. A autoridade fiscal incluiu na base de cálculo autuada os pagamentos feitos a todos os funcionários, sem distinguir quais seriam aqueles que efetivamente foram contemplados com pagamentos em desrespeito à periodicidade imposta pela lei; 2. Em observância aos arts. 142 do CTN e 10 do Decreto nº 70.235/72, a autoridade fiscal deveria ter segregado a base de cálculo autuada, a fim de que fosse possível identificar os funcionários que recebem, supostamente, mais de dois pagamentos à título de PLR. Por tais motivos, o auto padece de nulidade; 3. A parcela de pagamentos apontada pela fiscalização, supostamente efetuada acima da periodicidade fixada em lei, decorre de mero ajuste dos primeiros pagamentos realizados. Esse ajuste não altera a natureza dos valores, tampouco traduz ofensa ao art. 3º, §2º, da Lei nº 10.101/0, entendimento este corroborado pelo TST; Fl. 744DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16327.720708/201280 Acórdão n.º 2402004.322 S2C4T2 Fl. 682 5 4. Os requisitos legais relativos à PLR restam atendidos quando os termos da participação forem pactuados, como no caso em tela, antes do fim do período a que se refere o acordo. Não é simplesmente a data da assinatura do acordo que demonstra seu caráter retroativo. Cabe ao julgador verificar as particularidades do caso concreto, à luz do princípio da verdade material; 5. A DRJ desconsiderou por completo que as regras dos programas próprios foram estabelecidas de forma clara e objetiva, fixando os direitos substantivos da participação e as regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição de cumprimento do acordado, tal como determina a legislação pertinente; 6. É possível verificar a compatibilidade entre o salário e o valor da participação nos lucros, eis que os salários nada têm de irrelevantes, ao contrário, são bastante elevados e absolutamente compatíveis com os praticados pelo mercado; 7. O art. 3º da Lei nº 10.101/00 não determina limitações quanto ao valor que pode ser pago ao empregado; 8. Os débitos de tributos e contribuições é que se sujeitam aos juros de mora, e não o valor da multa de mora. Portanto não cabem juros sobre a multa; Os autos foram remetidos ao CARF para julgamento do Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 745DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Thiago Taborda Simões, Relator O recurso voluntário atende a todos os requisitos de admissibilidade, dentre eles o da tempestividade, razão pela qual dele conheço. Preliminar Sustentam as Recorrentes, em sede de preliminar, que o não atendimento da regra da periodicidade para alguns pagamentos de PLR não teria o condão de macular a totalidade dos pagamentos por ela realizados. Por consequência lógica, entende que a base de cálculo adotada pela autoridade fiscal (a totalidade dos pagamentos) afronta o disposto no art. 142, do Código Tributário Nacional. A preliminar não merece ser acolhida, pois na visão do Fisco houve o desrespeito às regras estampadas na Lei nº 10.101/00 não só no que diz respeito à regra de periodicidade, mas também no fato de que os instrumentos de PLR deixaram de ser assinados antes de sua vigência; que não possuem regras claras e objetivas; e que os valores pagos denotam a sua natureza remuneratória. Assim considerando a fiscalização, isto é, que os valores pagos sob a rubrica participação nos lucros e resultados não estavam sob a guarida da Lei nº 10.101/00 tributou sua totalidade como salário. Por tal motivo, rejeito a preliminar. Mérito Participação nos lucros e resultados O art. 7º, XI da Constituição Federal, como já consolidado neste E. CARF, trata de norma com eficácia limitada, razão pela qual a Participação nos Lucros ou Resultados é regulada pelas disposições da Lei nº 10.101/2000: “Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. §1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo Fl. 746DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16327.720708/201280 Acórdão n.º 2402004.322 S2C4T2 Fl. 683 7 ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...). Art. 3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. (...). §2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil.” Assim, se atendidos os requisitos legais acima citados, não há que se falar na incidência das contribuições previdenciárias, a teor do que prescreve o art. 28, §9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91. Por outro lado, se descumpridos ou desvirtuados os preceitos legais, se estará diante do pagamento de remuneração disfarçada, com a consequente incidência dos encargos legais. Portanto, a análise do caso concreto estará adstrita aos limites da legislação específica, sendo vedado às partes (autoridade fiscal, contribuinte e o julgador) afastar os pressupostos legais existentes ou criar outros que não estejam expressamente regulamentados, sob pena de afronta ao Princípio da Legalidade. Periodicidade dos Pagamentos Prescreve o §2º, do art. 3º da Lei nº 10.101/00 (na redação que vigia na época dos fatos) que é vedado o pagamento de PLR em periodicidade inferior a um semestre civil ou em mais de duas vezes no mesmo ano. O posicionamento dessa Turma de Julgamento (PAF 19740.000622/200868, Relator Julio Cesar Vieira Gomes, Sessão de 12/03/2012), acompanhado também por julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais (PAF nº 35366.001448/200507, Relator Gustavo Lian Haddad, Sessão de 06/05/2014), é no sentido de que os pagamentos de PLR realizados em desconformidade com os limites legais acima estabelecidos devem ser desconsiderados, sem prejuízo, contudo, dos pagamentos adequados. Ao analisar as disposições contidas nos Acordos de PLR, mais especificamente os Anexos “II” e “III” do Plano de Participação nos Resultados anosbase 20082009 (fls. 127 e 129), consta a regra de “pagamento semestral, tendo como prazo Fl. 747DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 máximo para pagamento de cada semestre os meses de setembro do anobase e março do ano subsequente ao do exercício apurado.” No caso em tela, os pagamentos autuados referemse aos seguintes períodos: 02, 03 e 05/2009 (apuração de resultados da PLR 2º semestre de 2008). Assim, de antemão, é possível concluir que os pagamentos realizados no mês 05/2009 estão em desconformidade com as disposições acordadas e, consequentemente, não podem ser considerados como adequados à Lei nº 10.101/00. Para os demais pagamentos, a indicação dos períodos autuados, por si só, não possibilita averiguar se cada um dos beneficiários efetivamente recebeu mais de dois pagamentos de PLR no mesmo ano e/ou se tais pagamentos deixaram de observar o intervalo mínimo de seis meses. Porém, a fiscalização anexou aos autos uma relação dos pagamentos de PLR por beneficiário e período autuado (fls. 140/162), do qual é possível extrair quais são os pagamentos que não estão (ao lado dos pagamentos realizados em 05/2009) em conformidade com a regra da Lei nº 10.101/00: PLR 2º sem 2008 "Demonstrativo da PLR Paga por Beneficiário" (Fls. 140/162) fev/09 mar/09 mai/09 Giovana Alice Correia de Araujo OK Andre Lissker OK Andre Luiz da Rocha Dias OK Carlos Fernando Rossi Constantini OK D'Arthagnan Carlos Vasconcelos Junior OK x Fabio Mertz Focaccia OK Felipe Cyrne Beltrami OK Fernando Abdalla dos Santos OK Guido Prestes Lemos OK Irenio Ignacio da Silveira Neto OK Joseana Requejo do Amaral Marcicano OK Juliana Rozenbaum Munemori OK Julio Pimentel Algodoal Neto OK Marcos Moreira dos Santos Severine OK Maria Aparecida de Souza OK Natalia Maia Monaco OK Orlando Augusto Cardoso OK Patrick Campos de Mello OK Rafael Parga Nina OK Renata Vianna da Silva Pereira OK Rogerio de Lima Zarpão OK Sergio Ricardo Quintella OK Susana Russi Salaru OK Vladimir do Nascimento Pinto OK Rodrigo Murari Pace OK Caio Napoli Galvão OK Cassio Milan Lucin OK Gabriel Pires Valdivia Hartmann OK Fl. 748DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16327.720708/201280 Acórdão n.º 2402004.322 S2C4T2 Fl. 684 9 Marcelo Gomes de Souza Lima OK Felipe Costa Carvalho de F. Rodrigues OK Alexandre Campanelli Spada OK Andrea Cassia Cypriano OK Bento Carvalhaes Pinheiro A. M. Mussnich OK Cecilia Tigre Viriato de Medeiros OK Flavio Luiz Guarino OK Francine Abdala Martins OK Maria Laura Araujo Pessoa OK Mariana Coelho de Oliveira OK Silvia Renata Santini Yoshida Zaupa OK Cai Alejandro Von Igel OK Caio Felipe Zanardo do Val OK Devanir Martin da Costa OK Fabio de Souza Silva OK Fernando Gonçalvez Lasalvia OK Gerson Barassal Panariello OK x Gerson Leonardo Morelli Junior OK Jefferson Germano Dias OK Julia Conceição Texeira Pereira Silv OK Leandro São Jose Aguiar OK Luiz Alvaro de Paiva Ferreira OK x x Marina Eleonora Toledo Barros OK Pedro Henrique Rocha Sauma OK Pedro Stal Gimenez OK Renato Nonato de Oliveira OK Rodrigo Otavio Ramo Bittencourt OK Sergio Ricardo Carvalho Cabral OK Thalita Rodrigues e Silva OK Viviane Cristine Lucchese OK Adriano Ortega Carvalho OK Gisele Ricelli Baldin OK x Hugo Cesar Smocking Rosa OK Jose Eduardo de Azevedo Antunes Junior OK Leonardo Cavarge Martins OK Lucas Mateus de Santana Gonçalves OK Michelle Lyra OK Vinicius Salgado Cobo OK Vladimir Joelsas Timerman OK Caroline Canapini Dalago OK Marcel Akio Shiomi OK Osvaldo Vilas Boas OK Fl. 749DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Assim, em linha com o disposto no §2º, do art. 3º da Lei nº 10.101/00, o crédito tributário relativo aos pagamentos de PLR realizados em periodicidade inferior a semestralidade ou em mais de duas vezes no mesmo ano (destacados com “x” nas tabelas acima) devem ser mantidos no lançamento, diferentemente do crédito relativo aos demais pagamentos de PLR realizados pelas Recorrentes (destacados com “OK” nas tabelas acima). Portanto, acolho o argumento das Recorrentes para que apenas o crédito tributário relativo aos pagamentos realizados em desconformidade com a legislação seja mantido no lançamento. Regras Claras e Objetivas Na autuação sob análise a fiscalização entendeu que os Acordos de PLR não possuem regras claras e objetivas, seja porque deixaram de ser assinados no período anterior ao de sua vigência, seja porque não foram apresentados documentos relativos às memórias de cálculo e contratos de metas individuais. Com a devida vênia, discordo da interpretação fiscal. Negociação Prévia dos Acordos de PLR O procedimento a ser adotado para formalização da PLR é optativo à discricionariedade das partes, entre a criação de comissão específica ou a elaboração de convenção ou acordo coletivo. Já os requisitos prescritos pelo § 1º são de observância obrigatória para que o contribuinte tenha a fruição da imunidade. Assim, a fixação de regras claras e objetivas condicionantes do merecimento, mecanismos de aferição dos fatos relevantes, periodicidade da distribuição e fixação de prazos de vigência e rescisão das obrigações das partes. De forma não taxativa, são previstos também critérios e condições determinantes ou não da distribuição do resultado, sendo índices de produtividade, qualidade ou lucratividade os critérios, e a existência de programas de metas, resultados e prazos, as condições, estas, uma vez pactuadas, devem cronologicamente preceder os fatos que visa regular. A não taxatividade do §1º importa assumir que a necessidade de prévia pactuação dos termos não é um comando, mas uma faculdade. Entender o contrário seria instituir novas obrigações para fruição do benefício ao arrepio da lei, o que vai de encontro ao princípio da estrita legalidade. Nada obsta, assim, que o acordo coletivo seja formalizado durante o próprio exercício que destina afetar, pois apenas institui a metodologia de apuração do quantum devido a cada empregado a título de participação nos lucros. Ao contrário, que a legislação não admite é que tal paga suceda o pagamento do mesmo. No caso em tela, os valores autuados nos períodos de 02, 03 e 05/2009 estão vinculados ao Acordo assinado em 18/08/2008 (fls. 124). Assim a formalização das condições e critérios que servem para instruir a distribuição do PLR ocorreu no decorrer do próprio exercício a que se referiam, prática que, à luz do entendimento dessa Turma de Julgamento (PAF nº 13896.002986/201047, Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Sessão de 15/08/2012 e PAF nº 19515.000524/200975, Conselheiro Thiago Taborda Simões, Sessão de 13/03/2013), entendimento também adotado Fl. 750DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16327.720708/201280 Acórdão n.º 2402004.322 S2C4T2 Fl. 685 11 pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (PAF nº 14485.000329/200764, Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Sessão de 29 de janeiro de 2013), atende à Lei 10.101/00. Ademais, os critérios válidos para a distribuição da PLR são os mesmos que já vigoravam em anos anteriores (anosbase 20062007), do que é possível extrair que a data de assinatura dos Acordos não era fator determinante para que os empregados tivessem conhecimento daquilo que deveriam perseguir para receber parcela dos resultados da empresa. Memórias de Cálculo e Contratos Individuais de Metas As memórias de cálculo relativas aos pagamentos de PLR e os contratos de metas individuais não constituem documentos de produção ou guarda obrigatória. Logo, a ausência de sua entrega não permite presumir, por si só, que o respectivo Acordo de PLR carece de regras claras e objetivas. Penso que a intenção do legislador, no tocante a obrigatória clareza e objetividade das regras que permeiam a negociação da PLR, foi a de afastar a adoção de discricionariedade por parte da empresa na distribuição de lucros ou resultados, bem como evitar que o objeto de negociação deixasse de ser fielmente cumprido. No caso concreto, a “Cláusula Sexta” do Acordo dos anosbase 20082009 (fls. 123) estabelece que os critérios para distribuição dos valores são (i) a performance individual, (ii) a performance da empresa, unidade de negócio ou área de trabalho, (iii) a PLR da Convenção Coletiva de Trabalho vigente da respectiva categoria e (iv) o contrato de metas firmado entre os gestores e seus respectivos subordinados. Tais critérios estão espelhados nos Anexos do Acordo de PLR (fls. 125/129), nos quais constam os critérios adotados na definição dos valores da PLR (resultado financeiro consolidado das empresas, resultados financeiro das áreas, unidades e negócios, resultados financeiros individuais e avaliação individual de desempenho). Desta forma, não há impossibilidade ou até mesmo dificuldade de compreensão, por parte dos empregados das Recorrentes, na dinâmica adotada na definição dos valores da PLR. Nesse sentido os Acordos de PLR das Recorrentes não carecem de clareza e objetividade, especialmente porque, ao que indica o Relatório Fiscal e a decisão recorrida, a autoridade fiscal não se debruçou sobre as disposições, regras e critérios contidos nos referidos Acordos para que o CARF se posicionasse de forma contrária. Ademais, a 1ª Turma, da 4ª Câmara de Julgamento do CARF, ao analisar autuação fiscal baseada na ausência de apresentação das memórias de cálculo, concluiu pela improcedência do lançamento (PAF nº 16327.720507/201100, Sessão de 13/08/2013): “(...) não foi possível verificar se a Recorrente cumpriu o Regulamento do Plano Próprio por ela instituído quando do pagamento da referida parcela, vez que não foi atendida intimação específica para apresentação de memória de cálculo e documentos que comprovam o atendimento de metas e condições no plano. (...). Fl. 751DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 A esse respeito, esta Turma já se manifestou pela improcedência da cobrança, quando o auditor fiscal não efetua o lançamento por arbitragem em razão da recusa do sujeito passivo em apresentar a documentação solicitada. Segue abaixo trecho do voto vencedor proferido pelo Dr. Kléber Ferreira de Araújo, no processo de n. 16682.720575/201111. ‘Diante dessa recusa, surgiu para a auditoria a possibilidade desconsiderar os pagamentos como participação nos lucros e exigir as contribuições previdenciárias sobre a totalidade dos valores apresentados sob a referida rubrica. Essa possibilidade tem por fundamento jurídico o § 3.º do art. 33 da Lei n.º 8.212/1991, assim redigido: (...). Ocorre que não foi esse o caminho trilhado pela Autoridade Lançadora para edificar os lançamentos. É que sequer foi lavrado auto de infração pela não exibição dos documentos solicitados (ver TEPF de fls. 295/296), tampouco, mencionouse na motivação do lançamento que as contribuições estariam sendo lançadas por arbitramento em razão da recusa do sujeito passivo em atender a intimações da auditoria. (...).” Notese que os fatos narrados na decisão acima transcrita subsumemse perfeitamente ao presente caso, eis que a autoridade fiscal deixou de lavrar autuação fiscal em virtude da ausência de entregas de documentos (memória de cálculo e contratos de metas) e deixou de efetuar o lançamento com base no arbitramento. Assim, em relação ao argumento de ausência de clareza e objetividade dos Acordos de PLR autuados, assiste razão às Recorrentes. Natureza dos Pagamentos Realizados Alega o Agente Fiscal que os pagamentos de PLR realizados pelas Recorrentes possuiriam natureza remuneratória porque, além da “Cláusula Sexta” dos Acordos de PLR indicar a adoção de critérios subjetivos, de impossível aferição objetiva, os valores pagos, em alguns casos, são mais relevantes do que o salário base do empregado. O primeiro aspecto apontado pelo Agente Fiscal, aos olhos deste julgador, carece de motivação. Da leitura do Relatório Fiscal que fundamenta o lançamento e da decisão recorrida não se vislumbra qual(is) foi(ram) o(s) critério(s) adotado(s) na definição dos valores da PLR que possuiriam aludido caráter subjetivo. Transcrevo abaixo o teor da Cláusula Sexta: “CLÁUSULA SEXTA INFORMAÇÕES 6. Todos os empregados terão acesso às informações relativas às premissas e aos resultados previstos neste acordo, através dos meios internos de comunicação das empresas. 6.1. São instrumento de aferição do presente acordo, dentre outros: (a) A Performance Individual; Fl. 752DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16327.720708/201280 Acórdão n.º 2402004.322 S2C4T2 Fl. 686 13 (b) A Performance da empresa, unidade de negócio ou área de trabalho; (c) A PLR da Convenção Coletiva de Trabalho Vigente da respectiva categoria; (d) O Contrato de Metas firmado entre os Gestores e seus respectivos subordinados.” Ademais, reitero que, conforme entendimento apresentado no tópico anterior, os Acordos de PLR das Recorrentes gozam de clareza e objetividade. Quanto ao fato dos valores de PLR superarem o salário base dos empregados, recordo que a Lei 10.101/00 não impôs limites ou nos Acordos de PLR das Recorrentes, motivo pelo qual rechaço o argumento do Agente Fiscal. Nem poderia ser diverso já que se o espírito da norma é que seja feita a integração entre capital e trabalho, ou seja, que o segurado participe do lucro ou resultado que ajudou a ser alcançado, nos termos previstos nos respectivos instrumentos de negociação. As Recorrentes também acostaram aos seus memoriais estudo realizado por renomada empresa de consultoria, no qual indica que a remuneração de seus empregados encontravase nos patamares praticados pelo mercado. Diante de todo o exposto, se o intuito da fiscalização era o de apurar se os pagamentos de PLR realizados pelas Recorrentes tratavam de remuneração disfarçada, não foram apresentados provas capazes de demonstrar esse fato. Assim, entendo que assiste razão às Recorrentes. Juros sobre Multa As Recorrentes se insurgem quanto à incidência de juros sobre multa de ofício. No entanto, conforme se depreende da decisão recorrida no caso concreto não ocorre a citada incidência, conforme excerto abaixo destacado.: “INAPLICABILIDADE DE JUROS SOBRE MULTA DE OFICIO. No lançamento de ofício, não há previsão legal de aplicação, sobre a multa, de juros de mora, os quais incidem somente sobre o valor originário atualizado da contribuição. Lei 8.212/91, art. 34; Decreto 3.048/99, art. 239, II, e art. 242, § 2º. Diante da constatação factual, entendo que, nesse aspecto, não merece reforma a decisão recorrida. Da Multa aplicada Não obstante a ausência de alegação em sede de recurso voluntário, quanto à penalidade aplicada, passemos a análise: Em observância aos princípios da legalidade objetiva, da verdade material e da autotutela administrativa, presentes no processo administrativo tributário, frisamos que os Fl. 753DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 valores da multa aplicados foram fundamentados na redação do art. 32, inciso IV e §§ 4o e 5o, da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 9.528/1997. Entretanto, este dispositivo sofreu alteração por meio do disposto nos arts. 32A e 35A, ambos da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 11.941/2009. Com isso, houve alteração da sistemática de cálculo da multa aplicada por infrações concernentes à GFIP’s, a qual deve ser aplicada ao presente lançamento, tudo em consonância com o previsto pelo art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional. Assim, quanto à multa aplicada, vale ressaltar a superveniência da Lei 11.941/2009. Para tanto, inseriu o art. 32A na Lei 8.212/1991, o qual dispõe o seguinte: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o. Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o. Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o. A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). No caso em tela, tratase de infração que agora se enquadra no art. 32A, inciso I, da Lei 8.212/1991. Fl. 754DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16327.720708/201280 Acórdão n.º 2402004.322 S2C4T2 Fl. 687 15 Considerando o grau de retroatividade média da norma previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional (CTN), transcrito abaixo, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, qual a situação mais benéfica ao contribuinte, se a multa aplicada à época ou a calculada de acordo com o art. 32A, inciso I, da Lei 8.212/1991. Esclarecemos que não há espaço jurídico para aplicação do art. 35A da Lei 8.212/1991, eis que este remete para a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/1996, que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais, vejo que as sua regras estão em outro sentido. As multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração, aplicandose apenas ao valor que não foi declarado e nem pago. Assim, há diferença entre as regras estabelecidas pelos artigos 32A e 35A, ambos da Lei 8.212/1991. Quanto à GFIP não há vinculação com o pagamento. Ainda que não existam diferenças de contribuições previdenciárias a serem pagas, estará o contribuinte sujeito à multa do artigo 32A da Lei 8.212/1991. O art. 44 da Lei 9.430/1996 dispõe o seguinte: Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. A regra do artigo acima mencionado tem finalidade exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no art. 32A da Lei 8.212/1991, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, sobretudo os salários de contribuição percebidos pelos segurados. São essas informações que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. Quando o sujeito passivo é intimado para entregar a GFIP, suprir omissões ou efetuar correções, o Fisco já tem conhecimento da infração e, portanto, já poderia autuálo, mas Fl. 755DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 isso não resolveria um problema extrafiscal, que é: as bases de dados da Previdência Social não seriam alimentadas com as informações corretas e necessárias para a concessão dos benefícios previdenciários. Por essas razões é que não vejo como se aplicarem as regras do artigo 44 da Lei 9.430/1996 aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. E no que tange à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, parte também do dispositivo, além das razões já expostas, devese observar o Princípio da Especificidade – a norma especial prevalece sobre a geral: o art. 32A da Lei 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no art. 44 da Lei 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não se aplica o art. 43 da mesma lei: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em síntese, para aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas apenas as regras do art. 32A da Lei 8.212/1991 que regulam exaustivamente a matéria. É irrelevante para tanto se houve ou não pagamento/recolhimento e, no caso que tenha sido lavrado Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP), qual tenha sido o valor nele lançado. Conclusão Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER o Recurso Voluntário e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, mantendose no lançamento fiscal os pagamentos de PLR que não observaram a regra da periodicidade, nos termos da fundamentação aqui exposta, bem como para que seja recalculada a multa aplicada na obrigação acessória, se mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32 A da Lei 8.212/1991, nos termos do voto. É como voto. Thiago Taborda Simões. Fl. 756DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 16327.914294/2009-52
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 14 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3802-000.347
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado, Flávio Machado Vilhena Dias. OAB/MG 99.110.
RELATÓRIO
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado, Flávio Machado Vilhena Dias. OAB/MG 99.110. RELATÓRIO O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 14 29 4/ 20 09 -5 2 Fl. 237DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 4/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.914294/200952 Resolução nº 3802000.347 S3TE02 Fl. 238 2 A interessada entregou via Internet a Declaração de Compensação de fls. 69 a 73 (PER/DCOMP nº04019.42029.060807.1.3.048842, na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS (código de receita 7987) relativo ao período de apuração ocorrido em agosto de 2004 (31/08/2004). Pelo Despacho Decisório de fls. 38 e 77, a contribuinte foi cientificada, em 19/10/2009 (fl. 73), de que “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos Informados no PER/DCOMP”. Sendo que a utilização do crédito se encontrava assim discriminada: Número do Pagamento Valor Original Total Processo (PR)/PERDCOMP (PD)/Débitos (DB) Valor Original Utilizado 4652006068 177.283,27 Db: cód 7987 PA 31/08/2004 177.283,27 Valor Total 177.283,27 Em razão do acima descrito, não foi homologada a compensação declarada, tendo sido a interessada intimada a recolher o débito indevidamente compensado (principal: R$66.951,81). Irresignada, a contribuinte apresentou em 18/11/2009 a Manifestação de Inconformidade de fls. 02/07. Na peça de defesa, a contribuinte argumenta que a Manifestante é Entidade Fechada de Previdência Complementar e tem como objetivo instituir e administrar plano de previdência complementar e, por conseguinte, pagar aposentadorias complementares às pagas pela Previdência Social; tendo apurado crédito decorrente de pagamento a maior de tributos federais, apresentou, como lhe é facultado pela legislação de regência, a Declaração de Compensação de Tributos Federais n° 04019.42029.060807.1.3.048842; Nesta PER/DCOMP foi utilizado um crédito do código 7987 com período de apuração 31/08/2004, relativo à guia no montante total de R$ 177.283,27, com crédito histórico de R$ 46.662,82; A Manifestante apurou nesta competência o montante de R$ 191.445,27 que, quando confrontado com o valor recolhido na competência R$ 238.108,09 podese identificar como crédito exatamente o valor utilizado na PER/DCOMP conforme demonstrado à fl. 04; a Manifestante cometeu um equívoco formal, pois não demonstrou a existência do crédito no preenchimento da DCTF, sendo, contudo, o crédito, legítimo; Fl. 238DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 4/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.914294/200952 Resolução nº 3802000.347 S3TE02 Fl. 239 3 o mero erro material na declaração não invalida a compensação efetuada, visto que o crédito tem origem licita, devendo ser julgada procedente a Compensação efetuada pela Manifestante, com a conseqüente extinção do débito tributário ora imputado; Uma vez demonstrada a origem dos pagamentos realizados a maior que a Manifestante pretendeu compensar, como restou comprovado acima, é claro o seu direito à restituição destas quantias, sob pena de afronta ao princípio da moralidade administrativa, tendo em vista que sua negativa configura enriquecimento ilícito por parte do Estado os equívocos nas declarações do contribuinte não criam tributos, não podendo, uma vez comprovado o erro de fato, gerar obrigação tributária, reportandose a ensinamentos de Ives Gandra da Silva Martins e Hugo de Brito Machado; A quantia recolhida a título de tributo a maior, que não. era devida, nem sequer pode ser considerada como receita do Estado, sob pena de afronta ao princípio da legalidade e da moralidade administrativa; Como mero ingresso de caixa e não verdadeira receita, não pode esta quantia a que se pretende compensar ser integrada ao patrimônio do Poder Público, o que implica no dever do Estado de restituir o indébito tributário ao seu legítimo proprietário; Tão logo apurado o recolhimento indevido, esta parcela foi compensada com outros tributos devidos, nos moldes da legislação federal, de maneira que não há razões a se negar tal compensação; vale ressaltar que se a confissão do contribuinte não estiver de acordo com a lei e com a realidade fática, nenhum valor terá para o juízo tributário. O tributo ou é devido, ou não é, se incidência não houve. Assim, se aquele que confessou o fez em virtude de erro, a confissão pode ser revogada, conforme determina o Código de Processo Civil em seu artigo 352; Considerando que o valor confessado pela Manifestante não corresponde às hipóteses de incidência tributária, à confissão de dívida e conseqüente pagamento são absolutamente irrelevantes, não gerando qualquer obrigação tributária, prevalecendo os fatos verdadeiros sobre o confessado; Demonstrado que o fato confessado não correspondia à hipótese de incidência tributária, este não era capaz de gerar a obrigação tributária tornando a confissão de dívida absolutamente irrelevante, o que possibilita,deste modo, a compensação pretendida. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/SP 1 no 1649.267, de 08/08/2013, proferida pelos membros da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I/SP, cuja ementa dispõe, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOFINS Data do fato gerador: 15/09/2004 Fl. 239DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 4/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.914294/200952 Resolução nº 3802000.347 S3TE02 Fl. 240 4 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. O julgamento foi no sentido de indeferir a manifestação de inconformidade e não homologar a compensação, por falta de certeza e liquidez. Ainda insatisfeito, o contribuinte protocolizou o Recurso Voluntário, tempestivamente, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Requer a reforma da decisão recorrida, com objetivo de homologar as compensações pleiteadas. Argumenta que é de se notar que os valores declarados não existiam de fato, uma vez que a recorrente incorreu em erro material ao preencher suas DCTF, pois incluiu na base de cálculo valores que não deveriam ser inseridos, de receitas na base de cálculo do PIS e da COFINS, cometendo apenas um equívoco formal, apesar de não ter efetuado a retificação das DCTF. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o Relatório. VOTO Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Pois bem, como é cediço, a entrega de DCTF, sem qualquer tipo de comprovação que demonstre a divergência na apuração do débito, não é suficiente para comprovar o indébito indicado. No entanto, ciente disso e visando comprovar os fatos alegados e primando pelo princípio da verdade material, a Recorrente em fase de Manifestação de Inconformidade, apresentou uma planilha para demonstração da base real apurada para os cálculos do COFINS e cópia do Balancete Analítico Consolidado, referente ao período de apuração de agosto de 2004. Agora, no texto do seu Recurso Voluntário, repisa um Demonstrativo, visando demonstrar para a Administração Tributária a “base real” do COFINS apurada pelo Recorrente no referido mês, versando que tais documentos são satisfatórios para a comprovação do direito do crédito alegado nos autos, ressaltando que declarou e recolheu valor a maior de COFINS para esta competência. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 4/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.914294/200952 Resolução nº 3802000.347 S3TE02 Fl. 241 5 Neste passo, não resta dúvida de que a adoção do princípio da verdade material no processo administrativo fiscal consiste numa providência que resulta na melhor aplicação do direito e da justiça e por isso deve sempre ser perseguida. Considerando que o Recorrente argumenta que o fato que gerou o despacho denegatório foi o erro de preenchimento na DCTF, em que constou valor maior que o apurado e que não apresentou DCTF retificadora, pois de acordo com a legislação, após a expedição de despacho decisório, a lei proíbe o contribuinte de retificar a declaração. Com base nessas considerações e o contido no recurso voluntário da recorrente bem como devido às particularidades do caso concreto e antes do julgamento do mérito, com fundamento no art. 29 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), voto pela CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, devendo os autos retornarem à DRF do domicílio tributário da recorrente, para proceder parecer sobre: a) diligenciar, com base nos dados registrados nos documentos contábeis apresentados (Balancete Analítico Consolidado, referente ao período de apuração do COFINS de agosto de 2004, e pronunciarse sobre a veracidade dos cálculos elaborados no demonstrativo do COFINS (recurso voluntário), visto que os mesmos foram trazidos extemporaneamente pelo contribuinte e, portanto, não foram analisados pelo Fisco, com isso emitindo informação sobre a comprovação do direito creditório alegado e bem como seu respectivo valor, e b) em seguida, seja cientificada a recorrente, para, querendo, dentro do prazo fixado, manifestese sobre as conclusões exaradas no citado parecer. Após, retornemse os autos a esta 2ª Turma Especial/3ª Seção, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 241DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 4/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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