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Numero do processo: 13976.000971/2008-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias
Exercício: 2005
Ementa: DCTF. MULTA POR FALTA DE ENTREGA.
A multa por falta de entrega de DCTF é devida quando descaracterizada a alegada inatividade pela constatação de recolhimentos de contribuições previdenciárias sob o CNPJ do contribuinte.
Numero da decisão: 1202-000.626
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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MULTA POR FALTA DE ENTREGA. A multa por falta de entrega de DCTF é devida quando descaracterizada a alegada inatividade pela constatação de recolhimentos de contribuições previdenciárias sob o CNPJ do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Orlando José Gonçalves Bueno, Carlos Alberto Donassolo, Nereida Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Viviane Vidal Wagner. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 06/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13976.000971/200830 Acórdão n.º 1202000.626 S1C2T2 Fl. 67 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo contribuinte em face de decisão de primeira instância que manteve o lançamento de multa por falta de entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF, no valor de R$ 500,00, referente ao QUARTO trimestre de 2004, cujo prazo fatal para a entrega ocorreu em 18/02/2005. O auto de infração (fl. 03) apontou como enquadramento legal os seguintes dispositivos: Arts. 113 e § 3°, 115 e 160 da Lei 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional (CTN); Art. 7°, incisos I e II, § 3° e inciso II, da Lei n° 10.426, de 24 de abril de 2002, e alterações posteriores. Cientificado da autuação em 14/11/2008 (fl.53), o contribuinte apresentou impugnação em que não constestou a falta de entrega da DCTF, mas alegou que se manteve inativo durante o período e que, por esse motivo, estaria dispensado da entrega da referida declaração. A DRJ/Curitiba julgou procedente o lançamento pelos seguintes fundamentos: consoante previsto na legislação tributária, as pessoas jurídicas que se mantiverem inativas desde o inicio do anocalendário a que se referirem as DCTF (no caso 2004), estão dispensadas de sua apresentação (relativamente aos trimestres em que se mantiverem nessa condição); a referida dispensa deixa de existir a partir do trimestre, inclusive, em que a pessoa jurídica pratica qualquer atividade operacional, nãooperacional, financeira ou patrimonial; no caso em análise, a interessada apresentou DIPJ pelo lucro presumido (fls. 18/52), na qual, para o trimestre em questão, não indicou a ocorrência de receita bruta; pesquisa no sistema de arrecadação da previdência social (extrato à fl. 55) apontou a ocorrência de três pagamentos no anocalendário 2004, nos meses de janeiro, fevereiro e julho; diante da prática de atividades financeiras no 1° trimestre de 2004, a partir desse trimestre passou a ser obrigatória a apresentação da declaração em debate, o que torna legitima a cobrança da multa pela falta de entrega da DCTF relativa ao trimestre em questão. Cientificado da decisão de primeira instância em 25/06/2010 (AR de fl. 60), o contribuinte apresentou, em 23/07/2010, recurso voluntário em que novamente sustenta ter estado inativo durante o anocalendário de 2004, não ter tido qualquer movimentação financeira, e que os pagamentos referidos pelo julgador não eram tributos, mas contribuições previdenciárias efetuadas pelo sócio, com recursos próprios e em proveito pessoal. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 06/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13976.000971/200830 Acórdão n.º 1202000.626 S1C2T2 Fl. 68 3 Tratandose de autos de infração de multa por falta de entrega de DCTF do mesmo ano calendário de 2004 e tendo sido utilizados os mesmos argumentos de defesa e as mesmas razões de decidir pelo colegiado a quo, serão apreciados conjuntamente os processos nºs 13976.000971/200830 (4º trimestre/2004), 13976.000972/200884 (3º trimestre/2004), 13976.000973/200829 (1º trimestre/2004) e 13976.000974/200873 (2º trimestre/2004), nos termos do art. 58, §8º, do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF. É o relatório. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 06/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13976.000971/200830 Acórdão n.º 1202000.626 S1C2T2 Fl. 69 4 Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora Presentes os pressupostos recursais, inclusive o temporal, o recurso deve ser conhecido. A conclusão sobre a validade do auto de infração de imposição de multa por falta de entrega de DCTF dependerá da definição quanto à obrigatoriedade ou não da entrega no caso concreto. Segundo a norma que disciplina o tema, a Instrução Normativa SRF nº 255, de 11 de dezembro de 2002, art. 3º, estão dispensadas da apresentação da DCTF: I as microempresas e empresas de pequeno porte enquadradas no regime do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), relativamente aos trimestres abrangidos por esse sistema; II as pessoas jurídicas imunes e isentas, cujo valor mensal de impostos e contribuições a declarar na DCTF seja inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais); III as pessoas jurídicas que se mantiveram inativas desde o início do anocalendário a que se referirem as DCTF, relativamente às declarações correspondentes aos trimestres em que se mantiverem inativas; IV os órgãos públicos, as autarquias e as fundações públicas; V os consórcios constituídos na forma dos arts. 278 e 279 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976; VI os fundos em condomínio e os clubes de investimento que não se enquadrem no disposto no art. 2º da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999. § 1º Não está dispensada da apresentação da DCTF, a pessoa jurídica: I excluída do Simples, a partir, inclusive, do trimestre que compreender o mês em que a exclusão surtir seus efeitos; II cuja imunidade ou isenção houver sido suspensa ou revogada, a partir, inclusive, do trimestre do evento; III referida no inciso III do caput, a partir do trimestre, inclusive, em que praticar qualquer atividade operacional, não operacional, financeira ou patrimonial. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 06/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13976.000971/200830 Acórdão n.º 1202000.626 S1C2T2 Fl. 70 5 § 2º Na hipótese do inciso I do § 1º, não deverão ser informados na DCTF os valores apurados pelo regime do Simples. § 3º A pessoa jurídica que passar à condição de inativa no curso do anocalendário somente estará dispensada da apresentação da DCTF a partir da declaração correspondente ao 1º trimestre do anocalendário subseqüente. § 4º Considerase inativa a pessoa jurídica que não realizar qualquer atividade operacional, nãooperacional, financeira ou patrimonial no curso do trimestre.” (destaquei). Vêse que o conceito de pessoa jurídica inativa tem caráter negativo, alcançando aquela que não tenha efetuado qualquer atividade operacional, não operacional, patrimonial ou financeira, inclusive aplicação no mercado financeiro ou de capitais, durante todo o ano calendário. A mera entrega de DIPJ com informação de apuração pelo lucro presumido não é suficiente para descaracterizar a situação de inatividade se não vier acompanhada da prova de uma daquelas atividades. Consoante extrato juntado aos autos na fase de julgamento (fl.55), tratase de recolhimentos a título de contribuição previdenciária, sob o código 2100. Alega o recorrente que os pagamentos foram efetuados pelo sócio, com recursos próprios e em benefício próprio. O Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, que aprova o Regulamento da Previdência Social, traz a relação dos segurados obrigatórios em seu art. 9º, dentre eles, como contribuinte individual, o sócio gerente e sócio cotista que recebam remuneração decorrente de seu trabalho (inciso V, alínea h). Por outro lado, em seu art. 11, aponta como segurado facultativo aquele que deixou de ser segurado obrigatório da previdência social (inciso V). Ora, os recolhimentos efetuados apenas poderiam se dissociar da empresa dita inativa, caso fossem realizados nessa última modalidade (código 1406 ou 1457). Ainda que realizados sob modalidade de contribuinte individual (código 1007 ou 1104), pressuporiam atividade da empresa, descaracterizando, assim, a alegada inatividade no período. Ocorre que os recolhimentos foram efetuados sob o código 2100, cuja descrição, informada no sítio oficial da Previdência Social (www.previdencia.org.br), indica “Empresas em Geral CNPJ/MF”. Assim, não há como acatar a alegação do recorrente de que os recolhimentos apontados seriam de interesse pessoal do sócio e não seriam suficientes para descaracterizar a inatividade no período. Existindo pagamentos efetuados no CNPJ da empresa, denotase que existiu atividade financeira para fins de caracterização de obrigatoriedade de entrega da DCTF referente ao período em questão. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 06/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13976.000971/200830 Acórdão n.º 1202000.626 S1C2T2 Fl. 71 6 Diante disso, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 73DF CARF MF Impresso em 06/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10120.000045/2011-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DAS PESSOAS JURÍDICAS IRPJ.
Ano-calendário: 2006.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE.
Ausente qualquer das hipóteses contidas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72 não há falar em nulidade.
IMPOSTO DE RENDA DAS PESSOAS JURÍDICAS. FALTA DE PAGAMENTO DO TRIBUTO. DIPJ APRESENTADA ‘ZERADA’ EM CONTRAPARTIDA ÀS RECEITAS INFORMADAS AO FISCO ESTADUAL.
Comprovado que a recorrente auferiu receitas, mas não as apresentou à tributação subsiste a autuação que arbitra o lucro com base nas movimentações declaradas ao Fisco estadual, mormente se a recorrente intimada a demonstrar a real parcela tributável, não o faz.
Numero da decisão: 1301-000.632
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, por unanimidade, afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DAS PESSOAS JURÍDICAS IRPJ. Ano-calendário: 2006. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. Ausente qualquer das hipóteses contidas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72 não há falar em nulidade. IMPOSTO DE RENDA DAS PESSOAS JURÍDICAS. FALTA DE PAGAMENTO DO TRIBUTO. DIPJ APRESENTADA ‘ZERADA’ EM CONTRAPARTIDA ÀS RECEITAS INFORMADAS AO FISCO ESTADUAL. Comprovado que a recorrente auferiu receitas, mas não as apresentou à tributação subsiste a autuação que arbitra o lucro com base nas movimentações declaradas ao Fisco estadual, mormente se a recorrente intimada a demonstrar a real parcela tributável, não o faz.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DAS PESSOAS JURÍDICAS IRPJ. Anocalendário: 2006. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. Ausente qualquer das hipóteses contidas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72 não há falar em nulidade. IMPOSTO DE RENDA DAS PESSOAS JURÍDICAS. FALTA DE PAGAMENTO DO TRIBUTO. DIPJ APRESENTADA ‘ZERADA’ EM CONTRAPARTIDA ÀS RECEITAS INFORMADAS AO FISCO ESTADUAL. Comprovado que a recorrente auferiu receitas, mas não as apresentou à tributação subsiste a autuação que arbitra o lucro com base nas movimentações declaradas ao Fisco estadual, mormente se a recorrente intimada a demonstrar a real parcela tributável, não o faz. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente (assinado digitalmente) Fl. 3274DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE 2 Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada contra decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ de Brasília/DF. Verificase que contra a recorrente acima identificada foram lavrados autos de infração (fls. 2.011 2.043), para formalização e exigência de crédito tributário relativo ao ano calendário 2006. Colhese da leitura do presente processo que a ação fiscal foi iniciada no intuito de averiguar a divergência constatada nas informações sobre as vendas do contribuinte constantes da Declaração Periódica de Informações (DPI), apresentada à Secretaria da Fazenda do Estado de Goiás (Sefaz/GO) e da Declaração de Informações EconômicoFiscais DIPJ, apresentada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Verificase ainda, que foi analisada a divergência constatada entre a DPI e as vendas realizadas mediante cartão de crédito, informadas pelos agentes financeiros em Declarações de Operações com Cartões de Crédito Decred. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, a recorrente auferiu receita, mediante revenda de gêneros alimentícios no varejo, restringindose a cumprir as obrigações tributárias exigidas pela fiscalização estadual e no tocante aos tributos federais, deixou de escriturar a contabilidade de suas operações, não tendo apurado, informado e tampouco recolhido os valores devidos em 2006. Não obstante ter informado a receita bruta auferida com a venda de produtos alimentícios à Sefaz/GO, a recorrente teria apresentado DIPJ com valores zerados. Em relação às Declaração de Débitos c Créditos Tributários Federais DCTF, no ano calendário 2006, foram apresentadas sem débito e em 2007 não foram apresentadas. Ainda segundo a fiscalização, mesmo após intimações e reintimações, nas quais foram dadas oportunidades suficientes para a regularização da escrituração, a recorrente deixou de apresentar os livros obrigatórios de sua escrita contábil, restringindose a entregar, relativamente a 2006, o Livro Registro de Saídas e Apuração de ICMS, inviabilizando, assim, a apuração do lucro real. Quanto ao anocalendário de 2007, assentou a fiscalização que foram entregues sem protocolo quatro livros Diário, relativos a cada trimestre. Assim, ainda que já tivesse colhido informações junto à Coordenação do Sintegra da Sefaz/GO para fornecer arquivo de notas fiscais de saída em meio magnético, a fiscalização entendeu por bem encerrar parcialmente a fiscalização, para melhor analisar os documentos relativos a 2007. Fl. 3275DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE Processo nº 10120.000045/201132 Acórdão n.º 1301000.632 S1C3T1 Fl. 2 3 No que concerne ao ano calendário 2006, destacou a fiscalização que procedeu ao arbitramento do lucro do sujeito passivo, com fundamento no artigo 530, inciso III, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 RIR/99, a partir da receita bruta conhecida, qual seja, a coligida dos Livros de Apuração do ICMS. Sobre as receitas auferidas foram também lançadas de ofício as demais contribuições sociais devidas (PIS e Cofins) e por entender que as vendas por cartão de crédito estão inseridas dentro do valor das vendas informadas à Sefaz, a Fiscalização não procedeu à inclusão, na base de cálculo dos tributos lançados, dos valores constantes das informações prestadas pelos agentes financeiros em Decred. Diante do fato de a empresa, apesar de estar em atividade, não ter efetuado nenhum recolhimento no curso dos referidos anos calendário de ter apresentado à Receita Federal DIPJ com valores "zerados" e DCTF sem débitos em 2006, não tendo apresentado esta última em 2007, a Fiscalização entendeu que houve prática reiterada a configurar o dolo, concluindo assim, que a contribuinte agiu com o objetivo de se esquivar da obrigação de pagar tributos federais, tendo incorrido em prática de sonegação, tal como definida no artigo 71, I, da Lei nº 4.502/64, o que ensejou a aplicação da multa qualificada de 150%. Devidamente notificada da autuação (fl. 2.045), a recorrente apresentou Impugnação (fls. 2.051 2.102), insurgindose contra o lançamento e aduzindo para tanto, que não se teria mantido a observância dos requisitos mínimos da legislação de regência do processo administrativo, bem como ofensa aos princípios do contraditório, ampla defesa e do devido processo legal, o que acarretaria a nulidade dos autos de infração. Alegou ainda, que não houve permissão escrita da autoridade superior para o arbitramento do lucro, tendo agido o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil AFRFB sem competência para tanto, arrazoando ainda, a nulidade dos lançamentos de contribuição para o PIS e de Cofins, ao argumento de que foram fundamentados em dispositivo de lei declarado inconstitucional pelo STF, no exame de Recurso Extraordinário ao qual foi atribuída repercussão geral. Nesse sentido, aduziu que a fiscalização considerou os ingressos financeiros na empresa como "receita”, dentro de um conceito introduzido na legislação tributária pelo artigo 3°, § 1º, da Lei n° 9.718/98, o qual foi objeto da referida decisão. Transcreveu a ementa do Acórdão nº 20181416 do Segundo Conselho de Contribuintes e afirmou que a capitulação legal do arbitramento seria inadequada, sob a alegação de ser incabível a adoção de arbitramento de lucros quando é possível a apuração do lucro real. Argumentou ainda, que com os dados da apuração do ICMS disponíveis, a Fiscalização poderia ter identificado o lucro bruto das operações, considerando não apenas a receita, mas o respectivo custo das mercadorias vendidas, ainda que faltassem alguns elementos de despesas administrativas e que o arbitramento do lucro deve ser medida extrema, aludindo ao princípio da verdade material e ao dever de aperfeiçoamento do lançamento, para fundamentar a alegação de que é necessário rever os autos de infração, em vista de terem sido levados à tributação valores absurdos e distantes da realidade, tomandose por base de cálculo parâmetros incompatíveis com a atividade da empresa. Seguiu afirmando que em decorrência de incorreto aferimento da base tributável, de indevida determinação da exigência e de capitulação errônea do lançamento, os Fl. 3276DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE 4 referidos autos de infração teriam desatendido a norma prescrita nos artigos 112 e 142 do CTN e no artigo 10 do Decreto nº 70.235/72, bem como ao próprio princípio da legalidade. Esclareceu que seria impossível a imposição de quaisquer multas de ofício, uma vez que as aludidas penalidades pecuniárias constituem acessório da exação principal, a qual entende deva ser declarada nula, consignando que ainda que houvesse infração à legislação tributária, as penalidades aplicadas de 150% constituiriam ato confiscatório em descompasso com o disposto no artigo 150 da Constituição Federal. No mais, argumentou que salvo disposição de lei em contrário, o ônus da prova incumbiria a quem alega, e que presunções, interpretações, conclusões ou indícios seriam insuficientes para caracterizar a existência do dolo. Ressaltou a ilegalidade e inconstitucionalidade de aplicação da taxa Selic a título de juros de mora, asseverando que a natureza dessa taxa é de índice remuneratório, condizente com operações de mercado financeiro e não com encargos por atraso no pagamento de tributos, o que afronta a regra contida no artigo 161, § 1º, do CTN. Requerendo por fim, a improcedência do lançamento de ofício e a extinção do respectivo crédito tributário. A 2ª Turma da DRJ em Brasília/DF, nos termos do acórdão e voto de folhas 2.144 a 2.168, manteve o auto de infração, julgando para tanto, improcedente a Impugnação afastando de início as alegações preliminares entendendo nessa toada que se reputa válido o auto de infração quando constatada a inexistência de norma legal dispondo sobre a necessidade de autorização superior para o arbitramento do lucro, bem como de igual forma é válido o auto de infração que contém todos os requisitos formais exigidos pela legislação processual, os quais incluem a completa descrição dos fatos, de modo a permitir que o sujeito passivo, na impugnação, exerça o direito ao contraditório e à ampla defesa. Quanto ao arbitramento do lucro, entendeu a decisão recorrida, em estreito resumo, que o lucro da pessoa jurídica deve ser arbitrado quando o contribuinte, regularmente intimado, deixa de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos em conformidade com as normas de escrituração comercial e fiscal, sendo válida a utilização das informações disponíveis no Livro Registro de Apuração do ICMS para obtenção dos valores da receita bruta conhecida e que se julgava por bem, indeferirse o pedido de produção de provas adicionais quando elas são desnecessárias à solução do litígio e a solicitação é apresentada em desacordo com o disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235/72. No mais, quanto ao Processo de representação fiscal para fins penais, entendeuse que somente seria encaminhado ao Ministério Público depois de proferida a decisão final, na esteia administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente, assentandose que os órgãos julgadores administrativos não detêm competência para apreciar arguições de inconstitucionalidade contra diplomas legais regularmente editados, devendo a autoridade administrativa aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu, refutandose os demais argumentos e mantendo assim, o lançamento de ofício. Devidamente notificada da decisão desfavorável (fl. 2.182), a contribuinte interpôs Recurso Voluntário arguindo que no presente auto de infração verificase a ocorrência de um brutal critério de arbitramento de lucros, absolutamente incompatível em face do Estado de Direito, afirmando nessa toada, a nulidade do auto de infração porquanto teria descumprido regras procedimentais, tendo em vista que o arbitramento do lucro da recorrente não foi Fl. 3277DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE Processo nº 10120.000045/201132 Acórdão n.º 1301000.632 S1C3T1 Fl. 3 5 precedido de solicitação de autorização à autoridade superior da DRF, de jurisdição do contribuinte, à qual estavam lotados os agentes fiscalizadores. Ainda insistindo nesse argumento, afirmou a recorrente que os AFRFs agiram sem competência para tanto e que seus trabalhos ocorreram sem a devida permissão escrita da autoridade competente, ato que os legitimaria a proceder ao arbitramento de lucros, sendo nulo o lançamento. Sustentou ainda, a nulidade dos lançamentos de PIS e COFINS fundamentados em dispositivo de lei declarado inconstitucional pelo STF, com repercussão geral, e que a exigência da COFINS e do PIS sobre ingressos financeiros, com base no art. 3°, $ 1°, da Lei n° 9.718/1998, deveria ser cancelada, pois insubsistente o fundamento legal utilizado, declarado que foi como "inconstitucional" pela Suprema Corte. Quanto ao arbitramento do lucro no ano calendário 2006, sustentou a recorrente que a fiscalização determinou no Auto de Infração que nos períodos envolvidos na autuação o lucro da pessoa jurídica fosse arbitrado com base nas receitas informadas à Secretaria de Fazenda do Estado de Goiás e que tal, imposição revelase flagrantemente arbitrária, porquanto reveladora de que o real intuito da lavratura do Auto de Infração seria prejudicar e até destruir a pessoa jurídica da recorrente haja vista ter "inflado" de maneira astronômica o crédito tributário. Seguiu argumentando que sua atividade é “supermercado” vendedor de mercadorias de primeira necessidade, especialmente gêneros alimentícios, produtos de limpeza e de higiene pessoal e que possui margem de lucro muito pequena, reputando de igual forma indevido o arbitramento na medida em que o Fiscal teve acesso a informações necessárias à determinação do lucro bruto e até mesmo do resultado final de cada período, como forma de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, assentando ainda, que a própria autoridade lançadora afirmou que o sujeito passivo apresentou os livros de interesse da fiscalização estadual do anocalendário 2006 e que que obteve informações junto à SEFAZ/GO, quanto às saídas do ano calendário 2007, esclarecendo que os livros de apuração do ICMS (entradas e saídas) de 2006, exibidos à Fiscalização Federal, bem como os dados integrantes do SINTEGRA, sistema da SEFAZ/Goiás, permitem visualizar tanto as compras como as vendas realizadas nos respectivos períodos de apuração. No mais, argumentou que com os dados da apuração do ICMS a Fiscalização poderia perfeitamente ter identificado o lucro bruto das operações, considerando não apenas a receita, mas o respectivo custo das mercadorias vendidas, ressaltando que as bases tributadas pelo IRPJ e pelo ICMS são flagrantemente diferentes, razão pela qual devem ser expurgadas quaisquer operações que não reflitam na base de cálculo do IRPJ, mas no caso concreto, ao contrário disso, o auditor firmou intransigente posição de imputar à Contribuinte o pesadíssimo ônus do arbitramento de lucros que, para o ramo de supermercados, representaria uma absoluta distorção da realidade empresarial do referido segmento, porquanto estudos abalizados de técnicos do setor comprovariam que a lucratividade encontrase em mínimos patamares de 1% a 2% das receitas. Por fim, insurgiuse contra as multas aplicadas e quanto à aplicação da Taxa Selic pugnando pelo provimento do seu recurso voluntário. É o relatório. Fl. 3278DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE 6 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. Em análise das alegações preliminares é conveniente registrar de plano que a decisão recorrida não está a merecer qualquer reparo. Com efeito, a recorrente arguiu que o lançamento de ofício seria nulo na medida em que não foram respeitados os aspectos formais exigidos e a parte alusiva ao PIS e à COFINS teria sido fundamentada em dispositivo de lei declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal e que o arbitramento do lucro não foi autorizado, por escrito, pela autoridade administrativa superior àquela que lavrou o auto de infração. Andou bem a decisão recorrida ao afirmar que as aventadas ocorrências, ainda que confirmadas, no âmbito do processo administrativo fiscal, não importam em nulidade do procedimento fiscalizatório. Sem óbice de a recorrente sustentar que a autuação de PIS e COFINS, por se calcar em dispositivo que teria sido declarado inconstitucional pelo STF importar em preterição ao seu direito de defesa tal fato não se coaduna com a lógica do processo administrativo fiscal. Por óbvio, não se desconhece a exigência da correta capitulação da infração, contudo, por igual turno não se pode olvidar que o contribuinte se defende dos fatos e não da legislação. O que se tem ao capitular determinada circunstância ocorrida é mera conformação entre os fatos e a norma tributária de regência, de sorte que na espécie, o lançamento de PIS e COFINS foi mero reflexo do arbitramento do lucro, não se arrimando em dispositivo declarado inconstitucional ou coisa que o valha. Assim como já afirmado na decisão recorrida, o fato de o arbitramento do lucro não ser precedido de autorização escrita da autoridade administrativa superior àquela que lavrou o auto de infração não enseja nulidade, quer pela ausência de determinação legal para que assim se proceda, quer pela falta de prejuízo à contribuinte que teve nos autos, respeitado seu direito à ampla defesa e contraditório. Dito isso, não vislumbro qualquer nulidade na autuação, afastando, portanto, as alegações preliminares. No que toca ao cerne das alegações preliminares, ainda que verificadas como se de mérito fossem, tendo em vista que a recorrente não refuta a autuação em sua materialidade, não revelam suficiência para infirmar a autuação. Como declinado no relatório acima e bem afirmado nas demais decisões proferidas nesse processo administrativo, a recorrente apresentou ao Fisco Estadual as pertinentes declarações e documentação comprobatória da movimentação realizada no ano calendário 2006, a despeito disso, constatou a Fiscalização que a contribuinte apresentou DIPJ com valores zerados. Fl. 3279DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE Processo nº 10120.000045/201132 Acórdão n.º 1301000.632 S1C3T1 Fl. 4 7 Foi deveras evidenciado nos autos que a recorrente obteve receita naquele período, tanto que informoua à Sefaz/GO, em nada obstante a isso apresentou DIPJ com valores zerados e DCTF sem indicar qualquer débito. Podese ler e reler os arrazoados da contribuinte e não se verificará qualquer justificativa para a não apresentação das declarações e o consequente não pagamento dos tributos federais, de sorte que ao Fisco, ausentes tais declarações e empreendendo o trabalho fiscalizatório, oportunizou à recorrente tanto comprovar quanto regularizar tal situação, somente diante da mora da recorrente foi que se arbitrou o lucro. Tal como sustentado pela contribuinte, de fato o arbitramento é medida excepcional, fato é, que tal excepcionalidade aferese no presente caso sem grande esforço investigativo, ora, a recorrente apresentou DIPJ zerada a despeito de ter comprovada movimentação declarada ao Fisco estadual, foi intimada a apresentar sua escrituração e não o fez, o que se impõe é o arbitramento, que digase passagem, cuidou de fazer as pertinentes exclusões. Quanto a multa qualificada considerando a conduta do contribuinte anteriormente narrada ficou demonstrado que a recorrente agiu com dolo ao omitir receita o que me leva a manter a multa qualificada. No que toca à utilização da Taxa SELIC registrese incidir na espécie o que disposto na Súmula CARF nº 04, assentandose, por oportuno que o caso concreto não reclama qualquer diligência ou esclarecimento que não pudesse ser realizado pela recorrente no curso do presente processo. Feitas essas considerações, voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário mantendo inalterada a decisão recorrida. Sala das Sessões, em 03 de agosto de 2011 (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. Fl. 3280DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE
score : 1.0
Numero do processo: 35432.000350/2007-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 28/03/2007
CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 33, § 2.º DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 283, II, “j” DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária.
Ao deixar de apresentar o Livro Caixa com lançamento de transportadores autônomos, incorreu a empresa em inobservância do artigo 33, § 2.º da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “j” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 28/03/2007
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO IMPROCEDÊNCIA
DE AUTO DE INFRAÇÃO SOBRE O ATO CANCELATÓRIO.
A declaração de improcedência de AI acerca de Ato Cancelatório não desobriga a empresa de manter em dia sua escrituração contábil.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-001.985
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 28/03/2007 CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 33, § 2.º DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 283, II, “j” DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autode infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Ao deixar de apresentar o Livro Caixa com lançamento de transportadores autônomos, incorreu a empresa em inobservância do artigo 33, § 2.º da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “j” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 28/03/2007 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO IMPROCEDÊNCIA DE AUTO DE INFRAÇÃO SOBRE O ATO CANCELATÓRIO. A declaração de improcedência de AI acerca de Ato Cancelatório não desobriga a empresa de manter em dia sua escrituração contábil. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Fl. 263DF CARF MF Emitido em 22/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 264DF CARF MF Emitido em 22/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35432.000350/200755 Acórdão n.º 240101.985 S2C4T1 Fl. 261 3 Relatório O presente Auto de Infração de obrigação acessória, lavrado sob n. 37.073.2626, em desfavor da recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 33, §2º da Lei n ° 8.212/1991 c/c art. 283, II, “j” do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, a recorrente a empresa sob ação fiscal foi intimada em 06.03.2007 para apresentar Livro Diário. Utilizando da faculdade prevista artigo 7 da Lei 9.317/96 e do artigo 45 da Lei 8.981/95, que dispensa as empresas optantes do Simples e pelo Lucro Presumido de escrituração contábil e comercial, foi apresentado para a fiscalização Livro Caixa. Os dispositivos permissivos acima condicionam esta faculdade a que o Livro Caixa deva conter toda a movimentação financeira da empresa, inclusive a bancária. Ocorre que o Livro Caixa apresentado não continha toda a movimentação financeira da empresa, uma vez que não se identificou no período fiscalizado em seus lançamentos o montante das remunerações pagas, devidas ou creditadas para os segurados empregados dos estabelecimentos de Paranaguá e de São Francisco do Sul, embora declaradas em GFIP, muito menos qualquer despesa de manutenção dos referidos estabelecimentos. A situação acima apontada demonstra que o Livro Caixa apresentado não está revestido de sua formalidade essencial que é a de representar toda a movimentação financeira da empresa, inclusive a bancária. Nesta mesma linha de raciocínio, no Livro Caixa exibido também não se identificou, no período até o final de 2004, qualquer pagamento para transportadores, sejam eles pessoas físicas ou jurídicas, fato este que demonstra a omissão da informação correspondente, considerando a ausência de veículos próprios do sujeito passivo e a exclusividade da prestação por parte destes transportadores autônomos. Assim sendo, considerando que o Livro Caixa apresentado não representa a real movimentação financeira da empresa, inclusive a bancária, inafastável é a apresentação do Livro Diário, o qual até o momento também não foi exibido, apesar de devidamente intimado. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 28/03/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls176. O processo foi baixado em diligência, fl. 197, no intuito do auditor manifestarse acerca das alegações sobre o encerramentos das atividades da filial. Manifestouse a autoridade fiscal, fls. 199: É inquestionável o encerramento das filiais ao final do exercício de 2003 conforme apontado pelo impugnante, mas inobstante isso, subsiste a obrigação de apresentação de toda a movimentação financeira da empresa até este data, uma vez que o período verificado pela fiscalização iniciouse em janeiro de 2000. Fl. 265DF CARF MF Emitido em 22/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Para comprovar de que esta movimentação financeira efetivamente existia basta verificar o montante da remuneração declarada em GFIP e os recolhimentos previdenciários realizados nos estabelecimentos filiais, os quais ora juntamos. Tais eventos financeiros não encontram registrados no Livro Caixa, documento este juntado pelo autuante às fls. 15 a 170 em sua impugnação. Aproveitase a oportunidade de ratificar a ausência de registros em Livro Caixa de pagamentos realizados para os transportadores autônomos anteriormente ente 2005, um a vez que a impugnante sequer contesta tal fato. Assim, sendo, diante dos fatos acima alegados e dos documentos apresentados pela impugnante, a manifestação é pela manutenção integral do presente Auto de infração, haja vista não se cogita elisão da infração ou correção integral da falta. Foi exarada a DecisãoNotificação DN que confirmou a procedência do lançamento, conforme fls. 219 a 223 . Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, fls. 223 a 224, onde o recorrente alega Afirma o recorrente que o lançamento descrito nos autos deve ser cancelado, pois a justificativa para isso é x" idêntica àquela já exposta no Acórdão constante do processo n° 15983.000065/200529, proferido pela 3° Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. Foi colacionado aos autos outra peça de defesa ao AI em questão, fl. 258 a 260, porém datado de 30/11/2007, sendo que a emissão da Decisão Notificação deuse em data posterior. Não consta do referido documento n. de protocolo, sendo assim, como o mesmo aborda matéria correlata ao auto apreciarei o objeto da mesma, no que for pertinente. A DRFB encaminhou o recurso a este conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 266DF CARF MF Emitido em 22/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35432.000350/200755 Acórdão n.º 240101.985 S2C4T1 Fl. 262 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 257. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO No recurso em questão, o contribuinte resumiuse a atacar que apresentou documentos similares o que possibilitou a autoridade proceder a auditoria, bem como argumenta que houve julgamento por parte do 3. Conselho acerca do Ato Cancelatório do Simples, o que por si só já é capaz de nulidificar a autuação. Dessa forma, em relação as faltas que lhe foram imputadas, objeto da presente autuação, e amplamente rebatidas pela autoridade julgadora de 1. Instância quanto ao não cumprimento da exigência de apresentação dos livros em conformidade, como não houve recurso expresso aos pontos da DecisãoNotificação (DN) presumese a concordância da recorrente com a DN. Contudo, competenos apreciar a argumentação quanto a impropriedade da autuação face a declaração de improcedência do ato cancelatório do SIMPLES. O procedimento adotado pelo AFPS na aplicação do presente autode infração seguiu a legislação previdenciária, conforme fundamentação legal descrita. Conforme prevê o art. 33, § 2º da Lei n ° 8.212/1991, o contribuinte é obrigado a exibir os livros e documentos relacionados com as contribuições previdenciárias, nestas palavras: Art.33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 9/07/2001) (...) § 2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liqüidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. Fl. 267DF CARF MF Emitido em 22/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Assim, a exigência da fiscalização não foi desmedida, pois a solicitação foi realizada no prazo estabelecido na legislação. A AuditoraFiscal agiu de acordo com a norma aplicável, e não poderia deixar de fazêlo, uma vez que sua atividade é vinculada. Deixou claro tanto a autoridade fiscal em diligência realizada, como o auditor julgador que a empresa não demonstrou a contabilização dos pagamentos feitos a autônomos carreteiros, o que por si só já demonstra o cometimento da falta que lhe foi imputada. Assim, mesmo que sua opção pelo regime do SIMPLES seja valida, por decisão desse próprio Conselho em Julgamento do Ato Cancelatório, não lhe retira a obrigação de apresentar livros e documentos devidamente escriturados. Demonstrou a autoridade fiscal que livro Caixa não demonstrava todos os lançamentos, o que por si só já é capaz de manter o lançamento. Mesmo que para filiais observouse o encerramento de atividades. Destacase que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Como é sabido, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2º do CTN, nestas palavras: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. A legislação engloba as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes, conforme dispõe o art. 96 do CTN. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 268DF CARF MF Emitido em 22/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35432.000350/200755 Acórdão n.º 240101.985 S2C4T1 Fl. 263 7 Fl. 269DF CARF MF Emitido em 22/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10120.007708/2009-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2007
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL.
O art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origens indicadas.
Trata-se de presunção legal onde, após a intimação do Fisco para que o fiscalizado comprove a origem dos depósitos, passa a ser ônus do contribuinte a demonstração de que não se trata de receitas auferidas, sob pena de se considerar aquilo que não foi justificado como omissão de rendimentos.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26).
ATIVIDADE RURAL NÃO COMPROVADA. TRIBUTAÇÃO DE 20%
DOS DEPÓSITOS. IMPOSSIBILIDADE.
Não se comprovando que os depósitos bancários tiveram sua origem na atividade rural, impossível a tributação somente de 20% dos valores depositados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2101-001.429
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: Jose Evande Carvalho Araújo
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. O art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origens indicadas. Tratase de presunção legal onde, após a intimação do Fisco para que o fiscalizado comprove a origem dos depósitos, passa a ser ônus do contribuinte a demonstração de que não se trata de receitas auferidas, sob pena de se considerar aquilo que não foi justificado como omissão de rendimentos. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26). ATIVIDADE RURAL NÃO COMPROVADA. TRIBUTAÇÃO DE 20% DOS DEPÓSITOS. IMPOSSIBILIDADE. Não se comprovando que os depósitos bancários tiveram sua origem na atividade rural, impossível a tributação somente de 20% dos valores depositados. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 31/ 01/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10120.007708/200925 Acórdão n.º 2101001.429 S2C1T1 Fl. 222 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) _____________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Célia Maria de Souza Murphy, Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka. Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 137 a 146, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2007, para lançar infrações de omissão de rendimentos da atividade rural e de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$1.708.924,50, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 151 a 172), acatada como tempestiva. O relatório do acórdão de primeira instância resumiu os argumentos do recurso da seguinte maneira (fls. 179 a 181): Alega exercer atividade de compra, venda, cria, recria e engorda de gado, sendo que muitas negociações entre produtores são efetivadas de maneira informal, sem documentação fiscal, e que, mesmo quando há a emissão de nota fiscal, o preço consignado não é o combinado entre as partes, e sim o preço de pauta estabelecido pela Secretaria de Fazenda, motivo pelo qual é impossível comprovar cada depósito com coincidência de datas e valores. Ressalta que a Fiscalização teria reconhecido a atividade rural exercida pelo contribuinte, mas aplicou tributação favorecida apenas sobre os valores de depósitos provenientes de transações com o Frigorífico Iporá. Acredita que, no arbitramento com base no artigo 42, da Lei nº 9.430/96, não basta a existência de depósitos bancários, é imprescindível que seja comprovada a utilização dos valores depositados como renda consumida, evidenciando sinais Fl. 226DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 31/ 01/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10120.007708/200925 Acórdão n.º 2101001.429 S2C1T1 Fl. 223 3 exteriores de riqueza, visto que depósitos bancários não constituem, por si só, fato gerador do imposto de renda. Sustenta que, tanto a Lei 9.430/96, quanto a Lei 8.021/90, prescrevem que depósitos bancários de origem não comprovada constituem indícios de rendimentos omitidos, que somente podem ser tomados como tal, caso seja demonstrado, fundamentadamente, a existência de renda consumida, por meio de sinais exteriores de riqueza. Registra que a finalidade do procedimento administrativo de lançamento é a busca da verdade material, que deve ser demonstrada objetivamente, de modo que o dever de prova decorre da atividade administrativa de aplicação da lei tributária. A atuação administrativa, pautada pela legalidade é incompatível com a figura jurídica do “ônus da prova”, que seria conduta não obrigatória colocada pelo direito como opção de conduta para quem deseja alcançar determinada utilidade. Assim, o estado não teria o ônus de provar a ocorrência dos suportes fáticos que desencadearam sua ação, mas o dever de provar a realização das premissas fáticas que validam sua atuação. Conclui que em face dos princípios da legalidade e da motivação, bem como pela própria definição legal de lançamento, descabe cogitarse de inversão do ônus da prova no processo administrativo tributário. Argumenta que o Código Tributário Nacional, que é Lei Complementar, em seu artigo 43, prevê que o fato gerador do imposto de renda é a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda e de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no conceito anterior. A Constituição Federal impõe expressa limitação ao legislador ordinário, uma vez que o imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza há de ser cobrado sobre acréscimos patrimoniais, e jamais sobre o próprio patrimônio, de modo que os depósitos bancários devem constituir o ponto de partida para o trabalho de investigação e prova da ocorrência de acréscimos patrimoniais não oferecidos a tributação. Explica que o antigo regulamento do imposto de renda RIR/80, já estabelecia a possibilidade de arbitramento da renda presumida com base em sinais exteriores de riqueza que evidenciem a renda auferida ou consumida pelo contribuinte. Com base nessa norma foram lavrados lançamentos fundados exclusivamente em depósitos bancários o que teria levado o Tribunal Federal de Recursos a sumular a matéria por meio da Súmula 182. Entende que o artigo 42, da Lei nº 9.430/96 não conseguiu alterar o entendimento jurisprudencial no sentido da impossibilidade de se efetuar lançamentos com base, exclusivamente, em depósitos bancários, uma vez que a definição do sentido e o alcance desta norma não podem fugir dos comandos constitucionais e complementares que regulam a exigência de imposto de renda (em especial o artigo 43, do CTN), o dever de investigação e prova inserido no conceito de lançamento (art. 42), bem como a assentada jurisprudência administrativa e judicial relativa aos depósitos bancários como indícios do auferimento de renda. Por fim, solicita o cancelamento do lançamento e caso não sejam acatadas as teses levantadas acerca da total insubsistência do auto de infração, que se proceda Fl. 227DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 31/ 01/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10120.007708/200925 Acórdão n.º 2101001.429 S2C1T1 Fl. 224 4 novo cálculo do imposto de renda, aplicandose o percentual de 20% sobre o valor dos depósitos, que é a tributação máxima prevista na legislação para rendimentos da atividade rural. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente o lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 177 a 184): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício:2007 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA: OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL Consideramse não impugnadas as matérias que não tenham sido expressamente contestadas, conforme o art. 17, do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação da Lei nº 9.532, de 1997. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos normativos regularmente editados. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97 a Lei 9.430/96 no seu art. 42 autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 13/9/2010 (fl. 192), o contribuinte apresentou, em 5/10/2010, o recurso de fls. 193 a 216, onde afirma: a) que exerce a atividade de compra, venda, cria, recria e engorda de gado, onde muitas negociações entre produtores são efetivadas de maneira informal, sem documentação fiscal, e quando se emitem notas fiscais, o preço consignado no documento é o "preço de pauta" estabelecido pela Secretaria da Fazenda e não o preço efetivo da operação, Fl. 228DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 31/ 01/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10120.007708/200925 Acórdão n.º 2101001.429 S2C1T1 Fl. 225 5 motivo pelo qual é impossível comprovarse cada depósito com a "coincidência de datas e valores" como exigido pela fiscalização, haja vista que os documentos fiscais não refletem os valores da transação efetivada e dificilmente os negócios são realizados à vista, pois é praxe no mercado as transações com 30, 60 e 90 dias; b) que a própria fiscalização reconheceu que parte dos seus rendimentos se referem à atividade rural, e pugna para que se faça o mesmo com o restante dos rendimentos, reduzindose o lançamento para 20% do valor dos depósitos; c) que a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários é relativa e não absoluta, e que o próprio extrato bancário anexado aos autos pela autoridade fiscal comprova a atividade rural exercida pelo impugnante, não podendo desta forma os depósitos efetuados em sua conta bancária serem presumidos como renda. d) que a exigência de comprovação dos depósitos com coincidência de datas e valores é totalmente descabida, bastando a apresentação de documentos que comprovem o ingresso de valores em sua conta corrente, em valores compatíveis com o movimentado. e) que não basta a simples presunção legal de que os depósitos constituem renda tributável, sendo imprescindível que seja comprovada a utilização dos valores depositados como renda consumida, evidenciando sinais exteriores de riqueza, visto que, por si só, depósitos bancários não constituem fato gerador do imposto de renda pois não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos; que o lançamento assim constituído só é admissível quando ficar comprovado o nexo causal entre o depósito e o fato que represente omissão de rendimentos, conforme tem decidido reiteradamente o Conselho de Contribuintes; f) que a exigência fiscal de identificação da origem de cada depósito com valores e datas coincidentes afronta os princípios da razoabilidade e proporcionalidade; Ao final, pugna para que seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado, ou para que se recalcule a base de cálculo, aplicandose o valor de 20% do valor dos depósitos, que é a tributação máxima prevista na legislação para a tributação da atividade rural. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 217, contendo ainda, sem numeração, a fl. 218 com o despacho que trata do envio dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, a fl. 219 referente ao despacho de encaminhamento dos autos do SECOJ/SECEX/CARF para a 1a Câmara da 2a Seção, e a fl. 220 relativa à retificação de sorteio incorreto. É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há arguição de qualquer preliminar. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 31/ 01/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10120.007708/200925 Acórdão n.º 2101001.429 S2C1T1 Fl. 226 6 Infrações lançadas: O contribuinte informou, em sua declaração de ajuste do exercício de 2007, anocalendário de 2006 (fls. 121 a 123), ter auferido somente rendimentos tributáveis recebidos de pessoa fisica/exterior de R$37.649,00. Entretanto, verificouse que, no ano de 2006, foram depositados R$6.214.270,91 em sua contacorrente. Intimado a comprovar a origem dos depósitos, a Fiscalização concluiu que os créditos com o histórico "TEDTRANSF ELT DISPON REMET. FRIGORÍFICO IPORA LTDA" no extrato bancário, que totalizavam R$85.600,00, referiamse a receitas da atividade rural, que, por não terem sido declaradas, foram tributadas nessa rubrica. Já o restante dos depósitos foram considerados como sem origem, e por isso se presumiu se tratarem de receitas omitidas, com base no art. 42 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lançamento com base em depósitos bancários: Como já explicado, parte do lançamento se deu com base no art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, abaixo transcrito: Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 1997) §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 31/ 01/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10120.007708/200925 Acórdão n.º 2101001.429 S2C1T1 Fl. 227 7 § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Acrescentese que os limites do inciso II do § 3º foram alterados para R$ 12.000,00 (doze mil reais) e R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), respectivamente, pelo art. 4o da Lei nº 9.481, de 13 de agosto de 1997. Assim, vêse que a lei criou uma presunção legal de omissão de receita, que se caracteriza quando o titular de conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, após regular intimação, não comprove a origem dos recursos creditados nessas contas, mediante documentação hábil e idônea. Por isso, após a intimação do Fisco para que o fiscalizado comprove a origem dos depósitos, passa a ser ônus do contribuinte a demonstração de que não se trata de receitas auferidas, sob pena de se considerar aquilo que não foi justificado como omissão de rendimentos. No caso, verifico que a autoridade fiscal intimou devidamente o contribuinte a apresentar seus extratos bancários (fls. 02 a 04), que, como ele disse não os possuir (fl. 06), obteve os documentos diretamente com a instituição bancária (fls. 07 a 105), e que, depois de totalizar os depósitos, novamente intimou o sujeito passivo a justificar sua origem (fls. 106 a 119), tendo sido lavrado o auto de infração com os depósitos sem origem comprovada. Isso demonstra a correta adequação do procedimento fiscal aos termos da lei. Essa explicação afasta também o argumento de que não se poderia utilizar os depósitos bancários como omissão de receitas sem que se estabelecesse um vínculo entre os recursos depositados e alguma receita não escriturada, devendose ressaltar que essa interpretação está definitivamente sepultada na esfera administrativa desde a edição da Súmula CARF nº 26, que possui o seguinte enunciado: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Assim, após devidamente intimado a esclarecer a origem dos depósitos, passou a ser do recorrente o ônus dessa comprovação, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores com os depósitos bancários. Não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origens indicadas. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 31/ 01/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10120.007708/200925 Acórdão n.º 2101001.429 S2C1T1 Fl. 228 8 Origem dos depósitos na atividade rural: O recorrente afirma que todos os depósitos utilizados no lançamento têm origem na atividade rural. Argumenta que exerce a atividade de compra, venda, cria, recria e engorda de gado, onde muitas negociações entre produtores são efetivadas de maneira informal, sem documentação fiscal. E que, mesmo quando se emitem notas fiscais, o preço consignado no documento é o "preço de pauta" estabelecido pela Secretaria da Fazenda e não o preço efetivo da operação, motivo pelo qual é impossível comprovarse cada depósito com a "coincidência de datas e valores" como exigido pela fiscalização. Assim, os documentos fiscais não refletem os valores da transação efetivada e dificilmente os negócios são realizados à vista, pois é praxe no mercado as transações a prazo. Entretanto, não traz aos autos qualquer prova do fato, nem mesmo documentos que indiquem transações comerciais em valores diversos dos depósitos. Como já explicado, a lei tributária transfere ao contribuinte a obrigação de controlar sua movimentação financeira, cabendo a ele a comprovação, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores com os depósitos bancários. Na verdade, penso que não era nem mesmo possível considerar parte dos depósitos como oriundos da atividade rural, como fez a Fiscalização. Afinal, o simples fato do Frigorífico Iporã ter transferido valores para a conta do fiscalizado não significa que se tratava de receita da atividade rural, já que não existem quaisquer indícios de que o contribuinte crie animais para abate, ou que tenha qualquer atividade comercial com essa empresa. De qualquer modo, entendo que o lançamento foi efetuado desse modo para se aproveitar ao máximo os argumentos da defesa. Nesse sentido, impossível se deferir o pleito de reduzir a base de cálculo do imposto lançado para 20% dos depósitos, correspondente ao percentual de tributação própria do setor, ou então cancelar a autuação, como pretende o recorrente. Conclusão: Diante do exposto, julgo não haver reparos a serem feitos ao lançamento, pelo que voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 232DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 31/ 01/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10120.007708/200925 Acórdão n.º 2101001.429 S2C1T1 Fl. 229 9 Fl. 233DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 31/ 01/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10680.000564/2004-26
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Nov 08 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Nov 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LIQUIDO — CSLL
Ano-calendário: 1998
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO.
Estando evidenciada a ocorrência de equivoco na forma como a decisão fora proclamada, retifica-se o aresto embargado com vistas à perfeita definição do que foi decidido pelo Colegiado.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 9101-000.733
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher e prover os embargos de declaração, para retificar o Acórdão nº 01-00.051, para excluir da parte final o retorno dos autos para a câmara de origem para demais questões de mérito, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ
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(SUCESSORA DA SULISE ESPORTES E COMERCIO LTDA.) ASSUNTO: CONTRIBUICAO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LIQUIDO — CSLL Ano-calendário: 1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO. Estando evidenciada a ocorrência de equivoco na forma como a decisão fora proclamada, reti fica-se o aresto embargado corn vistas à perfeita definição do que foi decidido pelo Colegiado. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher e prover os embargos de declaração, para retificar o Acórdão n'.01-00.051, para excluir da parte final o retorno dos autos para a câmara de origem para demais questões de mérito, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. (assinado digitalmente) FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ. - Relator. EDITADO EM: Participaram do presente julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Leonardo de Andrade Couto, ‘1, %1 çj 7 ;12f2Cil5 F;=;,-,1.1;;;;; , 20 DE .,b-ALES REEirto 11';0 -1c.1 CARLOS fi,iTETo r;r ()E,f12201 i''T.:1';14C15f. s..0 DE SALES R1 7:',EIPC.) OE .>OI rb i.,1111151,irlo H 38 tu Jureidini Dias, Claudemir Rodrigues Malaquias, Antonio Carlos Guidoni Filho, Viviane 1 Wagner, Valmir Sandri, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto, Trata-se de Embargos de Declaração interpostos pelo Conselheiro Presidente Primeira Turma Ordinária da Segunda Camara da Primeira Seção de Julgamento do CARF, ual caberia a execução do Acórdão n° 9101-00.051, de decisão proferida pela 1 4 Turma da ara Superior de Recursos Fiscais — CSRF, na sessão de 10 de março de 2009, em face do urso Especial da Fazenda Nacional interposto contra decisão proferida pela extinta Oitava mara do Primeiro Conselho de Contribuintes, cujo seguimento foi efetuado através do , pacho n° 108-25912006 (fls. 345) Na sua explanação (Os.. 422/423) o embargante, após rninudente análise dos tos questionados no recurso voluntário, enumerando-os um a um (fl. 422), não logrou ntificar, entre eles, ponto que não tivesse sido devidamente apreciado pela Câmara orrida, consoante se pode verificar pela leitura do voto condutor do Acórdão n° 108-08.519, verando, assim, que (..) interpomos embareas de declaração com ofito de se sanear a contr ariedade ou a omissão do acórdão 9101-00 051 para se esclarecer quais quasar-es devem n ser enfrentadas pot esta Jul ma. 67 423) (destaques acrescidos) Dessa forma, se não mais remanescer ponto algum passível de apreciação parte da mencionada 1 4 Turma Ordinária, estaria equivocada a decisão embargada quando ármina o retorno dos autos "21 Ciimara recorrida para apreciar as demais alegações da orrente". No Recurso Especial que ensejou a decisão ora embargada, a Procuradoria Fazenda Nacional conclui seu pedido requerendo apenas que (ft 342): (..), deve ser dado provimento ao presente recurs() para restabelecer a multa isolada no percenival de 150% sob a responsabilidade da sucessora. (destaques acrescidos) Ç! .;11'.11 .21C VRA ■ 4 1:IISC.:. DE RIBEIRO DE 'I 1;121;:r,11:, ;',7:. CY-.PLOS ALBERT uitv 12120 FR.41.1C15i) SE ES RI E3E1RO. DE 2 101 2C:11 Faz-ar,:ta Processo n° 10680 000564/2004-26 Acerdilo n ° 9101 -00.,733 I' I. 39 csRF-Ti 425 Por seu turno, consta do aresto embargado que a decisão foi proclamada nos termos a seguir (11. 410): ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, CONHECER do recurso especial e DAR provimento ao recurso especial, e determinar o retorno dos autos à câmara recorrida para apreciar as demais alegações da recorrente, nos termos do relatório e voto que passam integrar o presente julgado (destaques acrescidos) E. o relatório Voto Conselheiro FRANCISCO DE SAL ES RIBEIRO DE QUEIROZ Os presentes Embargos de Declaração, apresentados pelo Conselheiro Presidente da 1' TO da 2° Camara da la SI que, em substituição à extinta 8 Camara do l a , Conselho de Contribuintes, fora encarregada da execução do Acórdão n° 9101-00 051,' preenchem os requisitos regimentais necessários 6. sua interposição, merecendo ser conhecidos.' Com efeito, as razões apresentadas pelo embargante levam-me à conclusão de que não caberia Aquela decisão, ao dar provimento ao Recurso Especial da PFN,' "determinar o retorno dos autos à Camara recorrida para apreciar as demais alegaçães da recorrente", porquanto os demais pontos que foram questionados no recurso voluntário jd, haviam sido devidamente apreciados naquela instancia de julgamento. • Conforme relatado, no Recurso Especial foi requerido unicamente o1 restabelecimento da multa isolada, elevada ao percentual de 150% com assento no art. 44, inciso H, e §1° inciso IV, da Lei n° 9.430/1996, tendo a Fazenda Nacional logrado êxito na Sua pretensão, em face do Colegiado ter abraçado o seu entendimento no sentido de que, no caso, referida multa seria aplicável também à sucessora por incorporação, dando-lhe provimento. Da leitura dos excertos transcritos a seguir, extraidos do voto vencedor do Acórdão n° 108-08.519, redigido exclusivamente para afastar a aplicação da multa isolada nos casos de incorporação, já que o relator original fora vencido, tem-se a exata visão dessa única matéria que posteriormente foi posta A apreciação deste Colegiado pela PFN (fl. 293 dos autos, p. 29 do Acórdão 108-08 519): Inicialmente gostaria de enaltecer a clare.:a do relatório, e a profundidade do vow proferido do ilustre Relator... Peço vênia para dele discordar somente artanto a trolicactio da multa isolada nos casos de incorporacio. Vejamos agora a problemática da -sucessiio e da responsabilidade tributária quanto à multa de oficio aplicada pelo fisco. e contestada pela recorrente. (destaques acrescidos) men:a eri 07! 2C IC pc,- FRANCISCO 1:1 1: :;"1,,.1.1.:.1:11,:!1:11. 1R(. 1 DE I I , 12/..;;; APAETO IbitalincLrle r;',1 071 i 2: 120 10 per FRANCISCO LFS ! /0112011 p:k3 1.:1 F..12..5.11(.11 3 Dr , Fl. 4 I , I Dessa forma, estando demonstrado que o questionamento objeto do Recurso cial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional restringira-se h viabilidade do am ento de multa isolada na sucessora por incorporação, e nada mais, tendo seus Mantas sido acolhidos por esta instancia especial de julgamento, considero procedentes os entes Embargos de Declaração, apenas para excluir da decisão embargada a recomendação Iritomo dos autos b. Camara recorrida para apreciar as demais alegações da recorrente". como voto. (assinado digitalmente) FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ - Relator Ht 1 4 ; •: , s61 lad I, alinfr, ,,,* 0?:12 120 r:or FRAJ4,1SOD DE SALES R'BEIRCI i 1112f2C 10 CARLOS ALBERT !; FRËIT 9riFTO . , tr.,.5::,ts E.:1: 1J711220 19 po; PRALlijISC:0 DE SALES Rv2EIRO DE ; ,,• . Erna ec. 1 (0.'"(J1 -: ps;LI
score : 1.0
Numero do processo: 37297.003789/2006-86
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jul 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Jul 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/2001 a 31/12 12005
DECADÊNCIA CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS
É de cinco anos o prazo para a Fazenda Nacional constituir créditos relativos à contribuição previdenciária. Confirmado o pagamento antecipado, o prazo se inicia da data do fato gerador, na forma definida pelo art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-001.637
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) em
conhecer em parte do recurso; e II) na parte conhecida, em dar provimento ao recurso, para acolher a decadência até a competência 04/2001.
Nome do relator: Francisco Assis de Oliveira Junior
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2001 a 31/12 12005 DECADÊNCIACONTRIBUIÇOES PREVIDENCIÁRIAS É de cinco anos o prazo para a Fazenda Nacional constituir créditos relativos à contribuição previdenciária. Confirmado o pagamento antecipado, o prazo se inicia da data do fato gerador, na forma definida pelo art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. Recurso especial provido em parte. . Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) em conhecer em parte do recurso; e II) na parte conhecida, em dar provimento ao recurso, para acolher a decadência até a competência 04/2001. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Júnior – Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por FRANCISCO ASSIS DE O LIVEIRA JU 2 EDITADO EM: 08/08/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Oliveira. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte com fundamento no art. 7º, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior c/c artigo 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Na decisão recorrida, Acórdão 20501476, de 02/12/2008, consta a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2001 a 31/12 12005 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei no 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°, caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173,1. BENEFICIO DA ASSISTÊNCIA MÉDICA. Para isenção de contribuição sobre os valores relativos ao beneficio da assistência médica, odontológica e afins, é necessário que a cobertura oferecida abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para afastar a aplicação de normaas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. JUROS DE MORA TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por FRANCISCO ASSIS DE O LIVEIRA JU Processo nº 37297.003789/200686 Acórdão n.º 920201.637 CSRFT2 Fl. 2 3 A inconformidade do contribuinte referese à alegação de divergência no tocante ao prazo decadencial aplicável às contribuições sociais, pois devia ter aplicado o termo inicial previsto no § 4º do art. 150 do CTN, bem como pela não inclusão dos valores pagos a título de assistência médica na base de cálculo das contribuições previdenciárias, em relação aos gerentes. O recurso foi admitido por meio de despacho às fls. 305/308. Tendo tomado ciência do Recurso Especial interposto, a Fazenda Nacional em contrarazões, sustenta, preliminarmente que não foi demonstrada fundamentadamente a divergência em nenhuma das duas teses indicadas pelo contribuinte. No tocante a decadência, o paradigma apresentado pugna pela aplicação do § 4º do art. 150 independentemente de ter havido recolhimento, pois o que se homologa é a atividade e não o recolhimento. Em relação à rubrica assistência médica, melhor sorte não assiste ao recorrente, pois o inteiro teor do acórdão paradigma referese a responsabilidade solidária, sem qualquer relação com a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Além disso, informa a Fazenda Nacional, que o excerto do acórdão paradigma colacionado pelo contribuinte não se identifica com o inteiro teor do acostado aos autos, bem como referese a seguro de vida em grupo, enquanto no processo sob apreciação deste colegiado debatese a assistência médica oferecida aos empregados e se estaria acessível a todos ou não. Pugna, ao final, pela manutenção do lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Assis de Oliveira Júnior, Relator O recurso especial é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, conforme consta do despacho às fls.305/308, tendo em vista a adequada demonstração da divergência no tocante à matéria decadência. No tocante à matéria assistência médica, assiste razão à Fazenda Nacional ao indicar que a divergência não foi devidamente apontada. Como se observa no acórdão recorrido, a decisão foi no sentido de manter o lançamento em relação à assistência médica paga aos gerentes. Entendeu o voto vencedor que o plano de saúde oferecido a estes empregados é superior ao oferecido aos demais empregados, constituindo um plus na remuneração. O fato de estas vantagens não terem sido oferecidas aos demais empregados descaracteriza a não incidência do tributo. Por outro lado, os acórdãos trazidos como paradigmas não tratam de matéria fática em que se pode sustentar a divergência apontada. Em verdade, o acórdão paradigma anulou o lançamento por vício formal, por ausência de fundamento legal em lançamento arbitrado no tocante à solidariedade entre contratante e contratado de obra de construção civil, Fl. 3DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por FRANCISCO ASSIS DE O LIVEIRA JU 4 razão pela qual, no tocante à divergência quanto à incidência da contribuição previdenciária sobre a rubrica assistência médica, não conheço do recurso especial interposto pelo contribuinte. No tocante à decadência, inicialmente, destaquese que a tese controversa trazida para apreciação desta Turma da Câmara Superior referese à aplicação do prazo de decadência ao crédito previdenciário lançado e discutido no presente lançamento, tendo por base o entendimento manifesto a partir da edição da Súmula Vinculante nº 8, do Supremo Tribunal Federal, publicada no Diário Oficial da União, de 20/06/2008, em consonância com as disposições do art. 103A da Constituição Federal, in verbis: Súmula Vinculante nº 8 – São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.5691997 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) (Vide Lei nº 11.417, de 2006). O art. 2º da Lei nº 11.417, de 19/12/2006, que regulamenta o dispositivo constitucional supratranscrito, assim dispõe sobre os efeitos da Súmula Vinculante editada pelo Supremo Tribunal Federal: Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. Quanto ao teor da Súmula Vinculante editada, esta declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que previam, respectivamente, prazos decadencial e prescricional de 10 anos para as contribuições devidas à Seguridade Social. O fundamento da decisão foi que lei ordinária não pode dispor sobre prazos de decadência e prescrição de tributo, questões reservadas à lei complementar (artigo 146, III, “b”, da Constituição Federal). Além do entendimento manifesto pelo Supremo Tribunal Federal, para deslinde da questão há de ser considerada também a previsão contida no art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, alterado pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, abaixo transcrito: “62A – As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infracontitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Fl. 4DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por FRANCISCO ASSIS DE O LIVEIRA JU Processo nº 37297.003789/200686 Acórdão n.º 920201.637 CSRFT2 Fl. 3 5 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Dessa forma, no tocante à matéria prazo decadencial, o Superior Tribunal de Justiça, julgando os recursos submetidos à sistemática de repetitivos, proferiu o Acórdão no Resp 973733, pacificando a matéria, cujo ementa transcrevo: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Fl. 5DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por FRANCISCO ASSIS DE O LIVEIRA JU 6 Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Nesse sentido, considerando a existência de decisão emanada do egrégio Tribunal, em sede de Recursos Repetitivos, passo a análise do caso concreto. Notese, inicialmente que, diferente da tese dominante nesse Conselho em relação ao fato de que a atividade desenvolvida pelo sujeito passivo tendente a praticar as ações previstas no art. 142 do CTN, independente de pagamento, seria o objeto da homologação pela autoridade tributária, verificase que a teor da decisão do STJ, o que deve ser homologado é o pagamento eventualmente antecipado pelo sujeito passivo. Feitas essas considerações, para solução da lide ora proposta, ainda resta dirimir a questão relacionada ao recolhimento específico da rubrica eventualmente lançada, conforme defende a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, ou se seria suficiente para caracterização de pagamento antecipado o recolhimento genérico relativo aos valores consolidados na folha de pagamento elaborada pelo sujeito passivo. Em relação à essa matéria, creio que a solução mais adequada deve considerar a regra matriz relacionada efetivamente à definição de qual seria a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Nesse sentido, observamos que à luz do que dispõe o inciso I do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, o elemento jurídico a ser considerado para efeito de análise do recolhimento total ou parcial referese à remuneração total paga, devida ou creditada aos segurados pelo empregador: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: 6 I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Nesse sentido, se eventualmente o sujeito passivo não recolhe o tributo em relação a determinada rubrica que acredita não ter incidência da contribuição previdenciária, tal fato não descaracteriza a antecipação de pagamento para o restante calculado e recolhido indicado pela folha de pagamento do empregador. Em verdade, o fracionamento dessas rubricas revelase necessário para identificação dos requisitos estabelecidos para verificação da não incidência do salário de contribuição em conformidade com as inúmeras previsões do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991. Contudo, o conjunto de situações e específicas que caracterizam a contraprestação onerosa do empregado pela empresa em nada altera a natureza jurídica de cada uma dessas rubricas que são, em seu conjunto, a remuneração devida ao segurado. Em outras palavras, cada rubrica é espécie do gênero remuneração. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por FRANCISCO ASSIS DE O LIVEIRA JU Processo nº 37297.003789/200686 Acórdão n.º 920201.637 CSRFT2 Fl. 4 7 Desse modo, para efeito de identificação do pagamento antecipado, não deve ser exigido o recolhimento específico de uma ou outra rubrica paga pelo empregador, mas sim a consolidação desses valores relativos aos itens discriminados na folha de pagamento. Ante o exposto, constatase que durante a ação fiscal foram analisadas guias de recolhimentos relacionadas às folhas de pagamento da empresa que não incluíram a rubrica objeto do presente lançamento, conforme consta à fl. 57, no Termo de Encerramento da Ação Fiscal, razão pela qual o prazo decadencial a ser aplicado, considerando os dispositivos retro mencionados é o quinquenal contado da ocorrência do fato gerador, isto é, nos termos do § 4º do art. 150 do CTN, haja vista ter ocorrido a antecipação de pagamento pelo sujeito passivo dos valores relacionados aos demais itens da folha de pagamento consolidada. Dessa forma, considerando que foi demonstrada a ocorrência de pagamento antecipado pelo contribuinte, o prazo decadencial a ser aplicado é o previsto no § 4º do art. 150 do CTN, razão pela qual VOTO no sentido de CONHECER EM PARTE DO RECURSO ESPECIAL INTERPOSTO E, NA PARTE CONHECIDA, DAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL interposto pelo contribuinte, excluindo do lançamento os valores lançados até a competência 04/2001. (Assinado digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Júnior Fl. 7DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por FRANCISCO ASSIS DE O LIVEIRA JU
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Numero do processo: 13864.000123/2009-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2000 a 31/10/2003
Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DA ALEGAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.
A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei
estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições.
JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE.
A cobrança de juros estava prevista em lei específica da Previdência Social, art. 34 da Lei n° 8.212/1991, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal. Para lançamentos posteriores à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449, convertida na Lei nº 11.941, aplica-se o art. 35 da
Lei nº 8.212 com a nova redação.
No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2º Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de nº 3.
Numero da decisão: 2302-001.478
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2000 a 31/10/2003 Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DA ALEGAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A cobrança de juros estava prevista em lei específica da Previdência Social, art. 34 da Lei n° 8.212/1991, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal. Para lançamentos posteriores à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449, convertida na Lei nº 11.941, aplica-se o art. 35 da Lei nº 8.212 com a nova redação. No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2º Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de nº 3.
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Recorrente NEW WORK STATION TELEMARKETING SERVICOS LTDA Recorrida DRJ CAMPINAS SP Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2000 a 31/10/2003 Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DA ALEGAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A cobrança de juros estava prevista em lei específica da Previdência Social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal. Para lançamentos posteriores à entrada em vigor da Medida Provisória n º 449, convertida na Lei n º 11.941, aplicase o art. 35 da Lei n º 8.212 com a nova redação. No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2º Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de nº 3. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Júnior e Eduardo Augusto Marcondes de Freitas. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13864.000123/200979 Acórdão n.º 230201.478 S2C3T2 Fl. 351 3 Relatório A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo a relativa aos Terceiros, cujos valores foram declarados em GFIP e ou constaram em folhas de pagamento, referente ao período compreendido entre as competências junho de 2000 a outubro de 2003, fls. 84 a 88. O presente lançamento é substitutivo ao anteriormente anulado por vício formal. Não conformado com a notificação, foi apresentada defesa pela sociedade empresária, fls. 101 a 114. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas exarou a Decisão, que confirmou a procedência em parte do lançamento, fls. 264 a 270. Foi alterado o lançamento em relação ao desconto dos segurados e ao enquadramento na alíquota SAT, seguindo os valores apurados no lançamento primitivo que foi anulado por vício formal. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 257 a 314. Em síntese, a recorrente em seu recurso alega o seguinte: • Não poderia a fiscalização utilizarse de elementos do lançamento anulado por vício formal insanável; • O lançamento originário foi anulado por vício material; • O lançamento já foi atingido pela fluência do prazo decadencial; • Não foram considerados os recolhimentos efetuados pela recorrente; • A NFLD deveria ser julgada nula em face de sua iliquidez; • Os juros Selic são indevidos, sendo ilegal a cobrança; • É ilegal e inconstitucional a contribuição devida a Terceiros; Não foram apresentadas contrarrazões pelo órgão fazendário. É o relato suficiente. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, pressuposto superado passo ao exame das questões preliminares ao mérito. O termo insanável significa que não podem ser corrigidos os erros naqueles autos. Assim, somente em novos autos para superarse os vícios na formalização. Os elementos contidos nos autos primitivos podem ser utilizados pela fiscalização, pois os erros não ocorreram relativamente a tais elementos. Ao contrário do afirmado pela recorrente, o lançamento originário não foi anulado por vício material. O vício encontrado pela Receita Previdenciária teve natureza de formal. Conforme expressamente consignada no acórdão que anulou os lançamentos, fls. 182 e seguintes, a natureza do vício é formal, nestas palavras: “a forma utilizada para distribuir os lançamentos nessas três NFLD, não é comum e não esta prevista nas normas reguladoras da atividade de lançamento.”. Além disso, houve incorreta apropriação de valores relativamente às contribuições dos segurados empregados. O próprio acórdão conclui o julgamento nestas palavras: Do exposto, concluise que a presente NFLD não foi regularmente lavrada, uma vez que não atende à norma veiculada pelo art 37, da Lei 8.212/91, bem assim ás que dela derivam, ou seja, o lançamento apresenta diversos vícios formais, uns sanáveis, outros, pelo contrário, insanáveis, que, sobretudo, cerceiam o direito de defesa do contribuinte, motivo esse suficiente para que se declare nulo o lançamento, sem julgamento do mérito, nos termos do art 32, parágrafo único, da Portaria MPS 520/04. Reconhecendo que o lançamento anterior foi anulado por vício formal, o termo a quo para contagem passa a ser a data que se tornar definitiva a decisão que houver anulado por vício formal o crédito anteriormente constituído, na forma do art. 173, inciso II do CTN. A presente NFLD englobou os fatos geradores ocorridos entre junho de 2000 a outubro de 2003. A NFLD originária foi lavrada em novembro de 2003, conforme cópias às fls. 182, portanto em período não abrangido pela decadência. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13864.000123/200979 Acórdão n.º 230201.478 S2C3T2 Fl. 352 5 Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo, então o pagamento antecipado, observarseá a extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, se não houver o pagamento antecipado não se aplica o disposto no art. 156, inciso VII do CTN, devendo assim ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN; havendo a necessidade de lançamento de ofício substitutivo, conforme previsto no art. 149, inciso V do CTN. Nessa hipótese, caso não haja o lançamento, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. Entretanto na hipótese de o lançamento ser anulado por vício formal, há que se observar o disposto no art. 173, inciso II do CTN. Assim, o lançamento substitutivo, ora em julgamento, foi constituído no prazo de cinco anos após anulação do lançamento anterior. Portanto, ao contrário do afirmado pela recorrente não houve a fluência do prazo decadencial. Quanto ao argumento de que não houve consideração dos valores recolhidos pela recorrente, esse argumento já foi devidamente enfrentado pela decisão de primeira instância. Conforme expressamente consignado na decisão a quo. O recolhimento total constatado pela Fiscalização foi de R$ 494.581,83, consoante Relatório de Documentos Apresentados (RDA). Este valor é inferior aos R$ 628.351,70 reconhecidos nas Guias de Recolhimento Registradas (GRR) constantes nos lançamentos anulados. Todavia, algumas competências exigidas nos lançamentos anteriores não constam nos lançamentos em julgamento. As competências 11/2000, 12/2000, 01/2001, 06/2001, 02/2003 e 05/2003 não são mais objeto de exação. Excluindose os recolhimentos nestas competências do GRR, verifica se que os recolhimentos reconhecidos totalizam R$ 411.032,16. Logo, há mais recolhimentos considerados nas autuações em julgamento do que nos lançamentos anulados. Pois bem, dos R$ 494.581,83 recolhidos, R$ 13.687,94 referemse a acréscimos moratórios e, por conseguinte, R$ 480.893,89 são tributos recolhidos. O Discriminativo Analítico do Debito (DAD) trata das contribuições exigidas, ou seja, das competências em que os valores recolhidos não foram suficientes para quitar a divida fiscal. Caso as contribuições pagas quitem a divida fiscal, nada aparecerá no DAD. Com isso existe a possibilidade de que contribuições recolhidas constantes no RDA não apareçam no DAD. Dai a importância do Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados (RADA), o qual informa como ocorreram as Fl. 5DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 apropriações. A tabela às fls. 268, verso, indica quais os recolhimentos que aparecem no DAD, totalizando R$ 186.115,48, e quais não aparecem (R$ 294.780,43) porque a contribuição devida foi integralmente paga. Os créditos aproveitados, portanto, totalizam R$ 480.895,91, que é justamente o valor total dos tributos recolhidos. Pelo exposto não há que se falar em iliquidez do lançamento; tendo a decisão de primeira instância apreciado corretamente os fatos e o direito. Todos os valores recolhidos pelo sujeito passivo já foram considerados quando da apuração da presente NFLD, fls. 24 a 36. Mesmo considerando os recolhimentos, esses não foram suficiente para cobrir o débito junto ao órgão fazendário. O presente lançamento resulta justamente de tais diferenças. O recorrente não provou que guias recolhidas não foram consideradas pela Auditoria Fiscal. A cobrança de juros estava prevista em lei específica da Previdência Social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal: Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n ° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996. (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. Para lançamentos realizados após a entrada em vigor da Medida Provisória nº 449, convertida na Lei n º 11.941, aplicamse os juros moratórios na forma do art. 35 da Lei n º 8.212 com a nova redação. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13864.000123/200979 Acórdão n.º 230201.478 S2C3T2 Fl. 353 7 Quanto à inconstitucionalidade apontada pela recorrente, não cabe tal análise na esfera administrativa. Não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. De acordo com a Súmula n ° 2 aprovada pelo Conselho Pleno do 2º Conselho de Contribuintes não pode ser declarada a inconstitucionalidade de norma pela Administração. Súmula N ° 2 O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2º Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de n 3, nestas palavras: Súmula N º 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais As prestadoras de serviços são obrigadas ao recolhimento das contribuições devidas ao Sesc e ao Senac, conforme fundamentos legais às fls. 37 e 38. Em relação às contribuições destinadas ao Sebrae as mesmas são devidas estando perfeitamente compatíveis com o ordenamento jurídico vigente, não sendo necessária lei complementar para sua instituição. Apenas para ilustrar, segue ementa do entendimento firmado pelo TRF da 4ª Região: Tributário – Contribuição ao Sebrae – Exigibilidade. 1. O adicional destinado ao Sebrae (Lei nº 8.029/90, na redação dada pela Lei nº 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas previstas no DecretoLei nº 2.318/86 (Senai, Senac, Sesi e Sesc), prescindível, portanto, sua instituição por lei complementar. 2. Prevê a Magna Carta tratamento mais favorável às micro e pequenas empresas para que seja promovido o progresso nacional. Para tanto submete à exação pessoas jurídicas que não tenham relação direta com o incentivo. 3. Precedente da 1ª Seção desta Corte (EIAC n 2000.04.01.1069909). Fl. 7DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 ACÓRDÃO: Vistos e relatados estes autos entre as partes acima indicadas, decide a Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório, voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Porto Alegre, 17 de junho de 2003. (TRF 4ª R – 2ª T – Ac. nº 2001.70.07.0020183 – Rel. Dirceu de Almeida Soares – DJ 9.7.2003 – p. 274) Na mesma linha é o pensamento do STJ, conforme ementa do Agravo Regimental no Agravo Regimental no Agravo de Instrumento de n ° 840946 / RS, publicado no Diário da Justiça em 29 de agosto de 2007: TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÕES AO SESC, AO SEBRAE E AO SENAC RECOLHIDAS PELAS PRESTADORAS DE SERVIÇO – PRECEDENTES. 1. A jurisprudência renovada e dominante da Primeira Seção e da Primeira e da Segunda Turma desta Corte se pacificou no sentido de reconhecer a legitimidade da cobrança das contribuições sociais do SESC e SENAC para as empresas prestadoras de serviços. 2. Esta Corte tem entendido também que, sendo a contribuição ao SEBRAE mero adicional sobre as destinadas ao SESC/SENAC, devem recolher aquela contribuição todas as empresas que são contribuintes destas. 3. Agravo regimental improvido. Desse modo, não procede o argumento da recorrente de que as contribuições destinadas ao SEBRAE somente podem ser exigidas de microempresas e de empresas de pequeno porte. Nesse sentido é o entendimento pacificado pelo Supremo Tribunal Federal, conforme julgamento dos Embargos de Declaração no Agravo de Instrumento n ° 518.082, publicado no Diário da Justiça em 17 de junho de 2005, cuja ementa é abaixo transcrita: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OPOSTOS À DECISÃO DO RELATOR: CONVERSÃO EM AGRAVO REGIMENTAL. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEBRAE: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. Lei 8.029, de 12.4.1990, art. 8º, § 3º. Lei 8.154, de 28.12.1990. Lei 10.668, de 14.5.2003. CF, art. 146, III; art. 149; art. 154, I; art. 195, § 4º. I. Embargos de declaração opostos à decisão singular do Relator. Conversão dos embargos em agravo regimental. II. As contribuições do art. 149, CF contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse de categorias profissionais ou econômicas posto estarem sujeitas à lei complementar do art. 146, III, CF, isso não quer dizer que deverão ser instituídas por lei complementar. A contribuição social do art. 195, § 4º, CF, decorrente de "outras fontes", é que, para a sua instituição, será observada a técnica da competência residual da União: CF, art. 154, I, ex vi do disposto no art. 195, § 4º. A contribuição não é imposto. Por isso, não se exige que a lei complementar defina a sua hipótese de incidência, a base Fl. 8DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13864.000123/200979 Acórdão n.º 230201.478 S2C3T2 Fl. 354 9 imponível e contribuintes: CF, art. 146, III, a. Precedentes: RE 138.284/CE, Ministro Carlos Velloso, RTJ 143/313; RE 146.733/SP, Ministro Moreira Alves, RTJ 143/684. III. A contribuição do SEBRAE Lei 8.029/90, art. 8º, § 3º, redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003 é contribuição de intervenção no domínio econômico, não obstante a lei a ela se referir como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais relativas às entidades de que trata o art. 1º do DL 2.318/86, SESI, SENAI, SESC, SENAC. Não se inclui, portanto, a contribuição do SEBRAE no rol do art. 240, CF. IV. Constitucionalidade da contribuição do SEBRAE. Constitucionalidade, portanto, do § 3º do art. 8º da Lei 8.029/90, com a redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003. V. Embargos de declaração convertidos em agravo regimental. Não provimento desse. A cobrança das contribuições destinadas ao INCRA está prevista em lei, conforme fundamentação legal, estando perfeitamente compatível com o ordenamento jurídico vigente. Quanto às empresas urbanas terem que recolher contribuição destinada ao INCRA, não há óbice normativo para tal exação. Nesse sentido é o entendimento do STF, conforme ementa no Agravo Regimental do Recuso Extraordinário de n ° 211.190, publicado no Diário da Justiça em 29 de novembro de 2002: EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA A FINANCIAR O FUNRURAL. VIOLAÇÃO DO PRECEITO INSCRITO NO ARTIGO 195 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. ALEGAÇÃO INSUBSISTENTE. A norma do artigo 195, caput, da Constituição Federal, preceitua que a seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, sem expender qualquer consideração acerca da exigibilidade de empresa urbana da contribuição social destinada a financiar o FUNRURAL. Precedentes. Agravo regimental não provido. No mesmo sentido é o entendimento da 1ª Seção do STJ no julgamento do Recurso Especial n 977.058 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO INCRA. ADICIONAL DE 0,2%. NÃO EXTINÇÃO PELAS LEIS 7.787/89, 8.212/91 E 8.213/91. LEGITIMIDADE. 1. A exegese PósPositivista, imposta pelo atual estágio da ciência jurídica, impõe na análise da legislação infraconstitucional o crivo da principiologia da Carta Maior, que lhe revela a denominada “vontade constitucional”, cunhada por Konrad Hesse na justificativa da força normativa da Constituição. 2. Sob esse ângulo, assume relevo a colocação topográfica da matéria constitucional no afã de aferir a que vetor principiológico pertence, para que, observando o princípio maior, a partir dele, transitar pelos princípios específicos, até o Fl. 9DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 alcance da norma infraconstitucional. 3. A Política Agrária encartase na Ordem Econômica (art. 184 da CF/1988) por isso que a exação que lhe custeia tem inequívoca natureza de Contribuição de Intervenção Estatal no Domínio Econômico, coexistente com a Ordem Social, onde se insere a Seguridade Social custeada pela contribuição que lhe ostenta o mesmo nomen juris. 4. A hermenêutica, que fornece os critérios ora eleitos, revela que a contribuição para o Incra e a Contribuição para a Seguridade Social são amazonicamente distintas, e a fortiori , infungíveis para fins de compensação tributária. 5. A natureza tributária das contribuições sobre as quais gravita o thema iudicandum , impõe ao aplicador da lei a obediência aos cânones constitucionais e complementares atinentes ao sistema tributário. 6. O princípio da legalidade, aplicável in casu, indica que não há tributo sem lei que o institua, bem como não há exclusão tributária sem obediência à legalidade (art. 150, I da CF/1988 c.c art. 97 do CTN). 7. A evolução histórica legislativa das contribuições rurais denota que o Funrural (Prorural) fez as vezes da seguridade do homem do campo até o advento da Carta neoliberal de 1988, por isso que, inaugurada a solidariedade genérica entre os mais diversos segmentos da atividade econômica e social, aquela exação restou extinta pela Lei 7.787/89. 8. Diversamente, sob o pálio da interpretação histórica, restou hígida a contribuição para o Incra cujo desígnio em nada se equipara à contribuição securitária social. 9. Consequentemente, resta inequívoca dessa evolução, constante do teor do voto, que: (a) a Lei 7.787/89 só suprimiu a parcela de custeio do Prorural; (b) a Previdência Rural só foi extinta pela Lei 8.213, de 24 de julho de 1991, com a unificação dos regimes de previdência; (c) entretanto, a parcela de 0,2% (zero vírgula dois por cento) – destinada ao Incra – não foi extinta pela Lei 7.787/89 e tampouco pela Lei 8.213/91, como vinha sendo proclamado pela jurisprudência desta Corte. 10. Sob essa ótica, à míngua de revogação expressa e inconciliável a adoção da revogação tácita por incompatibilidade, porquanto distintas as razões que ditaram as exações sub judice, ressoa inequívoca a conclusão de que resta hígida a contribuição para o Incra. 11. Interpretação que se coaduna não só com a literalidade e a história da exação, como também converge para a aplicação axiológica do Direito no caso concreto, viabilizando as promessas constitucionais pétreas e que distinguem o ideário da nossa nação, qual o de constituir uma sociedade justa e solidária, com erradicação das desigualdadesregionais. 12. Recursos especiais do Incra e do INSS providos. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por CONHECER do recurso voluntário, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo a decisão de primeira instância. É o voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 10DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13864.000123/200979 Acórdão n.º 230201.478 S2C3T2 Fl. 355 11 Fl. 11DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10111.000192/2005-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Dec 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Dec 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Período de apuração: 13/12/2004
Imposto Sobre a Importação II
ISENÇÃO VINCULADA À QUALIDADE DO IMPORTADOR. TRANSFERÊNCIA DO BEM.
Em caso de isenção vinculada à qualidade do importador, a transferência de propriedade ou a cessão de uso dos bens, a qualquer título, obriga ao pagamento dos impostos que deixaram de ser recolhidos, acrescidos dos juros e mora e das penalidades cabíveis. A transferência dos bens com manutenção do benefício fiscal, somente pode ser feita a pessoa que goze de igual tratamento tributário, assim reconhecida e mediante prévia decisão da autoridade aduaneira.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3201-000.833
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negado provimento ao recurso, nos termos da relatora.
Nome do relator: JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO
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Em caso de isenção vinculada à qualidade do importador, a transferência de propriedade ou a cessão de uso dos bens, a qualquer título, obriga ao pagamento dos impostos que deixaram de ser recolhidos, acrescidos dos juros e mora e das penalidades cabíveis. A transferência dos bens com manutenção do benefício fiscal, somente pode ser feita a pessoa que goze de igual tratamento tributário, assim reconhecida e mediante prévia decisão da autoridade aduaneira. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, [Tabela de Resultados] [assinado digitalmente] Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente. [assinado digitalmente] Judith do Amaral Marcondes Armando Relatora. EDITADO EM: 29/01/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D’Amorim, Judith do Amaral Marcondes Armando, Fl. 137DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 2 Adriana Oliveira e Ribeiro, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, Daniel Mariz Gudiño, ausentes justificadamente Marcelo Ribeiro Nogueira e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório A EMBRAPA, empresa já qualificada nestes autos, importou, ao abrigo da Lei n. 8.010/1990, mediante Declaração de Importação nº. 04/12714978, de 16 de dezembro de 2004, aparelhos diversos, dentre os quais um espectrofotômetro com as características descritas no volume V deste processo. Em 08 de abril de 2005 solicitou à Inspetora da Alfândega do Aeroporto Internacional de Brasília, a transferência do aparelho para a UNICAMP, que, autorizada nos termos do projeto AVALIAÇÃO DO TEOR DE ACIDO ASCÓRBICO E DA COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES ANTIOXIDANTES E CORANTES DOS CAROTENÓIDES DO BAGAÇO DE PERIDÍCULO DE CAJU, registrado junto ao CNPq, o tomaria em comodato por dois anos, segundo cópia do contrato enviado como anexo ao pedido. Em 11 de maio de 2005, como decorrência das ações desenvolvidas pela Seção de Fiscalização Aduaneira, daquela Alfândega, foi lavrado o auto de infração em face da EMBRAPA, ao argumento de que havia transferido o aparelho em desconformidade com o art. 123, do Decreto nº. 4.345, de 2002, cuja base legal é o art 11, inciso I, parágrafo único do DL nº. 37/1966. Cientificada do lançamento em 18/05/2005, conforme fl. 11, a empresa insurgiuse contra a exigência, apresentando a impugnação de fls. 2434, em 16/06/2005, na qual expõe as seguintes razões de defesa: enviou correspondência à Inspetoria da Receita Federal solicitando autorização para transferência do equipamento importado com o benefício fiscal conferido pela Lei n° 8.010/1990, acompanhada por cópias do contrato de comodato firmado, em 22/03/2005, entre a Embrapa e a Unicamp, bem como do ofício expedido pelo CNPq, não se opondo à pretendida transferência, a título de modelos; embora tenha sido formalizado o contrato de comodato, não houve qualquer transferência do bem para uso da comodatária, tendo a Embrapa, em verdade, antecipado a documentação no intuito de demonstrar que o equipamento seria cedido em regime de comodato à Unicamp após a aprovação do órgão fiscal; Embrapa e Unicamp apenas se anteciparam na feitura do contrato, agindo com boafé, sem que fosse implementada a transferência ou entrega do bem (tradição), pois jamais tiveram a intenção de lesar a Fazenda Nacional ou descumprir qualquer disposição legal, haja vista a comunicação expressa desse ato volitivo à Receita Federal; o interesse da Embrapa foi apenas de instruir e legitimar a aprovação da futura transferência do bem à comodatária, após a decisão da autoridade aduaneira, em conformidade, ainda, com o consentimento do CNPq; a EMBRAPA E A UNICAMP foram, no máximo açodadas, porém nenhum prejuízo trouxeram ao Fisco, ao revés, foi submetido à apreciação da autoridade fiscal o pedido Fl. 138DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10111.000192/200573 Acórdão n.º 320100.833 S3C2T1 Fl. 2 3 para transferência do bem, que permanece ainda na sede da Embrapa aguardando a prévia autorização; que a doutrina proclama que as pessoas têm direito de somente serem consideradas sujeitos passivos de tributos após a ocorrência de seus fatos imponíveis e a segurança jurídica exige que a lei tributária seja estritamente interpretada, não compadecendo de uma interpretação extensiva ou analógica, pois atine à liberdade e propriedade; que o princípio da boafé irradia efeito sobre o Fisco e o contribuinte, exigindo que ambos respeitem os interesses do outro, devendo as normas ser interpretadas em harmonia com o citado princípio; que o tributo só pode ser exigido quando um fato ajustase rigorosamente a uma hipótese de incidência; nem a lei nem a Fazenda podem considerar ocorrido um fato imponível por mera ficção ou presunção, independente da efetiva verificação dos fatos, não sendo admissível ignorar o princípio da tipicidade fechada; que os tipos tributários não podem ser alargados por meio de presunções, ficções ou meros indícios, sinais ou suspeitas, cabendo ao Fisco o dever de imparcialidade, limitandose a sopesar o fato que vai declarar subsumido à hipótese de incidência, eis que o lançamento também está sob a égide da segurança jurídica, com os seus consectários (legalidade, tipicidade fechada, ampla defesa), não podendo, sob pena de nulidade, adotar critérios próprios no lugar dos legais; que a especificação dos procedimentos adotados pelo Fisco para lançar tem por escopo a descoberta da verdade material, que dará um juízo de certeza (e não apenas de verossimilhança) acerca da existência dos fatos tributários; que vigora o princípio da presunção de inocência até demonstração cabal em contrário, cujo ônus pertence ao acusador, de modo que uma pessoa só pode ser havida por violadora da ordem jurídica com base em fatos consistentes e incontroversos, prevalecendo o axioma in dúbio contra fiscum; que o Estado deve comprovar a culpabilidade do contribuinte, que é presumido inocente, sendo presunção iuris tantum, a qual só pode ceder com um mínimo de prova produzida por meio do devido processo legal e com garantia da ampla defesa, não cabendo exigir da defesa produção de provas referentes a fatos negativos (provas diabólicas); que não havendo certeza quanto aos fatos, nem o tributo pode ser exigido nem a sanção aplicada, pois os indícios não exoneram a Fazenda do ónus probandi, cabendo averiguar se por detrás deles existe realmente o fato imponível ou a infração tributária, com base em provas diretas ou indiretas; que conjecturas, indícios, intuições, não podem levar a lançamento de tributos ou imposição de penalidade, exigindose o "batismo de certeza" que só as verdadeiras provas fornecem; que nos termos do art. 124 do Decreto n° 4.543/2002, em homenagem aos princípios da ampla defesa, boa fé, segurança jurídica e verdade material, caberia diligência por parte da autoridade aduaneira, a fim de conferir que o bem se encontra na sede da Embrapa em Brasília; Fl. 139DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 4 que o contrato de comodato só se perfaz com a tradição da coisa, nos termos do art. 579 do Código Civil, logo inexistindo a tradição do bem, não cabe sanção fiscal, devendose ressaltar que a nota fiscal de transferência é o documento indispensável para realização dessa operação, sendo que, no caso, não foi emitida porque ainda não transferido o equipamento; que a doutrina confirma que o comodato, para se realizar, depende da entrega da coisa emprestada (tradição), o que equivale ao recebimento do bem pelo comodatário, sendo que, antes desse ato, somente é possível de reconhecimento a promessa de dar coisa em comodato, contrato consensual atípico, não regulamentado pelo Código Civil; por fim, considerando que não foi implementada a transferência do citado equipamento e que o contrato de comodato, enquanto não transferido o bem, não gera efeitos jurídicos além da simples promessa de comodato, requer o cancelamento dos auto de infração. A DRJ analisou a questão sob o ângulo da legalidade da transferência realizada, concluindo que o bem importado com isenção ligada a qualidade do importador passou a posse de outro beneficiário, sem cumprir as regras previstas, em especial o art. 11 do Decretolei n° 37/1966, com o conteúdo normativo do art. 123 do Decreto n° 4.543/2002 (vigente à época do fato): É o relatório. Voto Conselheira Relatora Judith do Amaral Marcondes Armando Aprecio o recurso interposto em nome da EMBRAPA, em boa forma. Conforme relatado, a Empresa importou ao abrigo da Lei n. 8.010, de 19,,, aparelhos que estavam destinados a pesquisas autorizadas pelo CNPq. Tendo em vista interesses compartilhados da EMBRAPA com a UNICAMP, e a luz do subprojeto AVALIAÇÃO DO TEOR DE ACIDO ASCÓRBICO E DA COMPOSIÇÃO E PROPRIEDADES ANTIOXIDANTES E CORANTES DOS CAROTENÓIDES DO BAGAÇO DE PERIDICULO DE CAJU, a EMBRAPA transferiu, sob regime de comodato, um espectrofotômetro, a UNICAMP, antes de obter a licença da SRFB. A legislação tributaria aduaneira versa da seguinte forma sobre a possibilidade de transferir ou ceder bens importados sob regime de isenção vinculada a qualidade do importador. 123. Quando a isenção ou a redução for vinculada à qualidade do importador, a transferência de propriedade ou a cessão de uso dos bens, a qualquer título, obriga ao prévio pagamento do imposto (Decretolei ri1 37, de 1966, art. 11). Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos bens transferidos ou cedidos: I a pessoa ou a entidade que goze de igual tratamento tributário, mediante prévia decisão da autoridade aduaneira (Decretolei n" 37, de 1966, art. 11, parágrafo único, inciso 1); Fl. 140DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10111.000192/200573 Acórdão n.º 320100.833 S3C2T1 Fl. 3 5 II após o decurso do prazo de três anos, contado da data do registro da declaração de importação, no caso de bens objeto da isenção a que se referem as alíneas "c" e "d" do inciso I do arí. 135 (Decretolei n" 1.559, de 29 de junho de 1977, art. Ia); e 111 após o decurso do prazo de cinco anos, contado da data do registro da declaração de importação, nos demais casos.. Observamos que não há possibilidade de aceitar, legalmente, que o equipamento seja cedido fora dessas margens, estreitas, fixadas pela norma. A EMBRAPA reconhece que não obteve a licença necessária. Entretanto, a guisa de justificativa, informou que os documentos acostados ao pedido de autorização para transferência eram apenas modelo, e que havia solicitado diligência à sua sede onde se encontrava o equipamento, aguardando a dita autorização. Verificamos, assim, que a questão poderia deixar de ser tributária e passaria a ser de procedimentos, caso entendêssemos que tais fatos modificariam o entendimento sobre os documentos já mencionados. Não é sensato crer e portanto e desnecessário argumentar nesse sentido, que um órgão público desejasse ludibriar outro órgão público Nada obstante, entendo que os documentos acostados são claros no sentido de que houve a transferência antes da autorização da Alfândega, e que tal fato, ao não ser admitido francamente pela EMBRAPA, gerou justificativas, dentre as quais, uma, a que a demanda de diligência, não atendida pela administração tributaria – ensejaria um outro rumo para analise e decisão desta lide. Ora, não há espaço para essa trilha. No caso concreto, em 13/04/2005, a impugnante protocolizou requerimento de autorização para transferência a terceiro do equipamento importado com isenção (fl. 01). Na mesma data informou que a UNICAMP é beneficiária do mesmo incentivo fiscal, ou seja, que não pretendia pagar pelos tributos de importação, adicionou cópia do contrato de comodato, inclusive com termo de recebimento do bem, de 22 de março de 2005. Não há qualquer referencia ao fato de se tratar de modelos que seriam utilizados caso e quando a transferência fosse autorizada. No meu entender não cabia diligência naquela oportunidade, uma vez que os documentos não deixam dúvidas do fato ocorrido. Assim, não creio estarmos diante de erro procedimental que possibilite alterar a convicção desta julgadora de que o curso do processo legal foi correto, a despeito de longo. Outrossim, no presente momento, seria inócua eventual diligência com a mesma finalidade, uma vez que, já transcorrido o prazo de vigência do comodato, o bem pode perfeitamente haver retornado e encontrarse na sede da litigante, sem que isso tenha força de provar que não fora transferido naquela ocasião. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 6 Como consta na decisão a quo, a prova cabível remonta a 22/03/2005 e é suficiente para demonstrar que o equipamento foi cedido em comodato antes de autorizado por quem competente. Em razão dos fatos, voto por manter o auto de infração em sua totalidade, e nego provimento ao recurso interposto. Sala das sessões, 05 de dezembro de 2011 [assinado digitalmente] Judith do Amaral Marcondes Armando Relatora Fl. 142DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 16327.000454/2004-70
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jul 30 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Jul 30 00:00:00 UTC 2009
Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. PRELIMINAR. DECADÊNCIA.
INOCORRÊNCIA No regime de apuração anual, o fato gerador do IRPJ
ocorre no último dia do ano, data que deve ser considerada como a inicial para fins de contagem do prazo decadencial.
MÉRITO. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITO. As perdas no
recebimento de créditos de valor superior a RS 30.000.00 e sem garantia, poderão ser deduzidas como despesas, para determinação do lucro real, se vencidos há mais de um ano e desde que Iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1302-000.031
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não
reconhecer a nulidade argüida e no mérito, negar provimento ao recurso, os Conselheiros Lavini a Moraes de Almeida Nogueira Junqueira e Inneu Bianchi acompanharam pelas conclusões, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Matéria: IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: Não Informado
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ementa_s : AUTO DE INFRAÇÃO. PRELIMINAR. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA No regime de apuração anual, o fato gerador do IRPJ ocorre no último dia do ano, data que deve ser considerada como a inicial para fins de contagem do prazo decadencial. MÉRITO. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITO. As perdas no recebimento de créditos de valor superior a RS 30.000.00 e sem garantia, poderão ser deduzidas como despesas, para determinação do lucro real, se vencidos há mais de um ano e desde que Iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-04-05T15:47:32Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-04-05T15:47:32Z; Last-Modified: 2010-04-05T15:47:32Z; dcterms:modified: 2010-04-05T15:47:32Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-04-05T15:47:32Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-04-05T15:47:32Z; meta:save-date: 2010-04-05T15:47:32Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-04-05T15:47:32Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-04-05T15:47:32Z; created: 2010-04-05T15:47:32Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2010-04-05T15:47:32Z; pdf:charsPerPage: 1574; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-04-05T15:47:32Z | Conteúdo => SRC3 '2 F/ 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo e 16327.000454/2004-70 Recurso n" 164.621 Voluntário Acórdão n" 1302-09.031 — 3 a Câmara / 2' Turma Ordinária Sessão de 30 de julho de 2009 Matéria IRPJ E OUTRO - Ex(s): 2000 Recorrente BANCO ABC BRASIL S. A. Recorrida 8a. TURMA/DRJ-SÃO PAULO/SP I AUTO DE INFRAÇÃO. PRELIMINAR. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA No regime de apuração anual, o fato gerador do IRPJ ocorre no último dia do ano, data que deve ser considerada como a inicial para fins de contagem do prazo decadencial. MÉRITO. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITO. As perdas no recebimento de créditos de valor superior a RS 30.000.00 e sem garantia, poderão ser deduzidas como despesas, para determinação do lucro real, se vencidos há mais de um ano e desde que Iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não reconhecer a nulidade argüida e no mérito, negar provimento ao recurso, os Conselheiros Lavini a Moraes de Almeida Nogueira Junqueira e Inneu Bianchi acompanharam pelas conclusões, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado 8- 88 e óts-/s88/c93-8.8 MARCOS RODRIGUES DE MELLO - Presidente e Relator EDITADO EM: r tven si " Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira (Suplente Convocada), Irineu Bianchi (Vice-Presidente), e Marcos Rodrigues De Mello (Presidente). Relatório Trata-se de impugnação (fls. 162 a 187) a Auto de Infração (fls. 150 a 157) de IRPJ, por PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS — INOBSERVÂNCIA DE REQUISITOS LEGAIS, ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL e EXCLUSÕES INDEVIDAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL, e, de CSLL- Reflexa, relativo a fatos geradores ocorridos em 31/12/99, lavrado pela DEINF/SPO, em 01/04/2004. 2. O credito tributário constituído foi composto pelos valores a seguir discriminados IRPJ R$ 399.501,92 Juros de Mora (calculados até 31/03/2004) R$ 293.074,60 Multa Proporcional R$ 299.626,43 Total R$ 992.202,95 CSLL R$ 39.030,96 Juros de Mora (calculados até 31/03/2004) R$ 28.633,10 Multa Proporcional R$ 29.273,21 Total R$ 96.937,27 TOTAL dos lançamentos R$ 1.089.140,22 3. Como enquadramento legal do lançamento do IRPJ, a autoridade fiscal • consigna, Rara a infração PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS — 1 INOBSERVANCIA DE REQUISITOS LEGAIS, os artigos 9' e 10°, parágrafos l u e 4', da Lei 9.430/96; para a infração ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL, o artigo 249, inciso I, do RIR/99; para EXCLUSÕES INDEVIDAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL, o artigo 250, inciso II, do RIR/99 (fls. 151 e 152). Para o lançamento da CSI.I.-Reflexa, indica os artigos 2' e parágrafos, da Lei 7.689/88, o artigo 1°, da Lei 9.316/96, o artigo 28, da Lei 9.430/96,0 artigo 7 0, da Medida Provisória 1.807/99 c reedições, e o artigo 60, da Medida Provisória 1.858/99 e reedições (fls. 156). 2 Processo n° 16327.00045412004-70 S-1=C3T2 Acórdao n.° 1302-00.031 4. Os juros de mora foram lançados com base no artigo 6°, parágrafo 2°, e artigo 28, da Lei 9.430/96, e a multa proporcional, no artigo 44, inciso 1, da Lei 9.430/96 (fls. 149 c 154). 5. Nos Termos de Verificação Fiscal (fls. 128 a 143), a autoridade fiscal noticia que: Turno de Verificação n° 1 o autuado teria procedido à exclusão do lucro real do ano-calendário de 99, do montante de R$ 3.101.886,56, por conta de adição efetuada no ano-calendário de 95 do valor de R$ 1.803.422,41 a título de excesso de despesas com perdas em operações de renda variável do ano, consoante os parágrafos 4° e 5", do artigo 76, da Lei 8.981/95, sendo que não efetuou o recolhimento do imposto correspondente à citada adição, com respaldo em liminar obtida no Mandado de Segurança 95.0060732-8; em 99, decidiu desistir do citado processo judicial e efetuar, com os benefícios da anistia oferecida pela Lei 9.779/99 e MP 1.807/99, o pagamento do débito de IRPJ de 95, à alíquota de imposto e adicional vigentes naquele ano, de 43%, perfazendo o montante de R$ 775.471,64; para apurar, contudo, o valor das despesas a ser excluído no ano-calendário de 99, o autuado utilizou a aliquota do IREI vigente em 99, de 25%, o que resultou em despesas a serem excluídas, de R$ 3.101.886,56 (— R$ 775.471,64 dividido por 25%), em lugar dos R$ 1.803.422,41, originalmente adicionados; caso se admitisse tal procedimento, estar-se-ia acolhendo verdadeira compensação do imposto devido em 95, recolhido em 99, com o imposto devido em 99, direito esse inexistente dado o fato de inexistir indébito tributário de 95 vez que o pagamento realizado não foi indevido; Termo de Verificação tf' 2 o autuado, na condição de empresa incorporadora, teria efetuado exclusão excessiva no lucro real e na base de cálculo da CSLL do ano-calendário de 99, no montante de R$ 383.809,33, relativo à diferença entre a dedução feita de R$ 2.105.086,72 e a permitida, de R$ 1.721.277,39; este último valor refere-se à parcela da Provisão para Ajuste a Valor de Mercado contabilizada na empresa cindida incorporada, ABC BRASIL CORRETORA DE VALORES MOBILIÁMOS S/A, CNPJ 33.817.677/0001-76, parcela essa correspondente ao valor do bem recebido na incorporação; tal procedimento infringiu o artigo 250, inciso II, do R11V99, que reproduz o artigo 6°, parágrafo 3°, do Decreto-lei 1.598/77; Termo de Verificação if 3 o autuado teria efetuado exclusões do lucro real, no ano-calendário de 99, de R$ 1.438.481,3391, a título de perdas no recebimento de créditos ocorridas em alegados acordos judiciais promovidos no âmbito de ações de execução, extintas, naquele ano, por sentenças homologatórias da desistência, por parte do autuado, na condição de credor; tais exclusões, porém, não teriam observado o disposto no artigo 9°, da Lei 9.430/96, nem atendido aos requisitos impostos nos parágrafos 1° e 4', do artigo 10, da referida lei, a saber, i) sentença ÁLT.-j/vz, 3 • judicial de insolvência do devedor, ou ii) transcurso do prazo de cinco anos contados do vencimento do crédito., 6. Cientificado do lançamento em 05/04/2004 (fls. 150, 155 e 157), o autuado impugnou o Auto de Infração em 05/05/2004 (fls. 162), oferecendo, para tanto, em resumo, as seguintes razões: em PRELIMINAR, reconhece o equivoco que ensejou as infrações Adições não computadas na Apuração do Lucro Real e Exclusões Indevidas na Apuração do Lucro Real, informa que a impugnação interposta se limita apenas ao IRPJ relativo à infração Perdas no Recebimento de Créditos, e noticia que procedeu ao recolhimento do IRPJ referente às primeiras infrações; com respeito, porém, à CSLL efetuou o recolhimento do adicional, com base no período de 05/99 a 12/99, como entende correto, não com base no período de 01/99 a 04/99 considerado no lançamento, conforme demonstrativo que anexa (fls. 234); alega, ainda, a decadência da parte do lançamento do 1RPj, datado de 05/04/2004, referente aos fatos geradores ocorridos nos meses de 01/99 a 03/99, pois foram tacitamente homologados no período de 01/2004 a 03/2004, com a extinção dos créditos, considerando que se trata de tributo sujeito a lançamento por homologação, cujo prazo decadencial é de 5 anos contados do fato gerador, nos turnos do parágrafo 4", artigo 150, do CTN; no MÉRITO, alega que em razão de acordo avençado com a empresa mutuária, AVANT RADIO CHAMADA LTDA, foi solicitada a extinção do processo de Execução de Titulo Executivo Extrajudicial relativo a divida de empréstimo vencida, nos termos do inciso TIL do artigo 794, do Código de Processo Civil; da mesma forma, em decorrência de transação levada a efeito com a empresa mutuaria KOERICI1 ENGENHARIA E TELECOMUNICAÇÕES LTDA, foi formulada desistência das Ações de Execução de Quantia Certa contra Devedor Solvente relativas a dividas de empréstimos vencidas; ao contabilizar as diferenças entre os valores das referidas dividas e os valores transacionados, levou a efeito sua dedução na DIPJ/2000, ano-calendário 99, nos termos dos artigo 9° e 100, da Lei 9.430/96; a autoridade fiscal, contudo, entendeu que os referidos valores não poderiam ser deduzidos da base de cálculo do IRPJ, pelo fato de a extinção das ações não ter sido decorrente de homologação de acordo judicial, consoante previsto em dispositivo próprio do • Código de Processo Civil, mas sim por estar baseada em outros artigos do CPC, desconfigurando, assim, a hipótese do parágrafo 3", do artigo 10, da Lei 9.430/96 e impondo a observância do prazo de 5 anos para dedução, fixado no parágrafo 1 0, do referido artigo; tal entendimento tem como premissa que o pronunciamento do Magistrado é que conferiria legitimidade ás transações realizadas; a autoridade fiscal prestigiou a forma em detrimento do conteúdo, malferindo o principio da verdade material, tendo em conta que as transações realizadas para a extinção de dívidas foram as mesmas que motivaram os pedidos de extinção das ações, transações essas, sobre direito patrimonial, portanto, disponível, que não poderiam sofrer ingerência do Poder Judiciário; por essa razão é inequívoca a subsunção das transações ao parágrafo 3", do artigo 10, da Lei 9.430/96, inexistindo necessidade de homologação desses acordos, com base em artigo especifico da lei, bastando que tais acordos tenham existido e constituído causa para a finalização das ações judiciais; 32.4 4 Processo ri" 16327.000454/2004-70 S1-C3T2 /Corda° nn302-41t031 Fl. 3 a autoridade fiscal adotou interpretação equivocada dos artigos 9° e 10 0, da Lei 9430/96, contrariando o princípio da legalidade, - cuja importância é destacada na doutrina, a teor de excerto colacionado -, deixando de realizar abordagem sistêmica da legislação sobre perdas de créditos, a qual prestigiaria o aproveitamento das perdas com base em critérios objetivos, a teor do que consta na Exposição de Motivos da Lei 9.430/96; a interpretação teleológica e sistêmica, - prestigiada pelo Conselho de Contribuintes, consoante julgados que colaciona -, impõe a legitimidade da dedução das perdas decorrentes de transações entre as partes, que culminam na impossibilidade de prosseguimento da ação judicial, com o adimplemento parcial do crédito; alega, ainda, que se a autoridade fiscal identificou que o autuado antecipou o aproveitamento de despesas, seria de rigor que o tratamento aplicável fosse de postergação de tributo, previsto no Parecer Normativo COSIT 02/96 e objeto de julgados do Conselho de Contribuintes, que colaciona; em face dos argumentos expostos, pleiteia a declaração de nulidade do lançamento, ou, ao menos, seja determinada sua correção para a transformação da exigência em postergação de imposto, requerendo, ainda, o reconhecimento dos pagamentos efetuados e da decadência dos fatos geradores ocorridos no período de 01/99 a 03/99. A DRJ decidiu conforme ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 AUTO DE INFRAÇÃO. PRELIMINAR. DECADÊNCIA. INOCORRÉNCIA. No regime de apuração anual, o fato gerador do IRPJ ocorre no Ultimo dia do ano, data que deve ser considerada como a inicial para fins de contagem do prazo decadencial. MÉRITO. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITO. As perdas no recebimento de créditos de valor superior a R$ 30.000,00 c sem garantia, poderão ser deduzidas como despesas, para determinação do lucro real, se vencidos há mais de um ano c desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento. CSLL ADICIONAL. As pessoas jurídicas, sujeitas ao pagamento da CSLL por estimativa, devem apurar a CSLL adicional, para o ano-calendário de 99, mediante a utilização da aliquota de 4% sobre o valor resultante da: aplicação da relação percentual entre o total das receitas brutas dos meses de maio até o Ultimo mês do período de apuração e o total das receitas brutas computadas no ano, sobre a base de cálculo anual apurada. A recorrente tomou ciência da decisão DRJ em 10/09/2007 e apresentou recurso em 10/10/2007. Em seu recurso reitera os argumentos da impugnação em especial: - que teria ocorrido decadência; 5 - que a decisão recorrida seria nula tendo em vista mudança de fundamentação jurídica em relação lançamento, pois a autuação considerou que houve violação ao parágrafo 3 0. do art. 10 da Lei 9.430, pois seria indevida a dedução de perdas derivadas de acordos quando não homologados por sentença e antes de decorridos cinco anos do vencimento do crédito. Que a decisão recorrida diz que não é aplicável o disposto no parágrafo 3°. do art. 10 da Lei 9430/96, face a ausência de registro contábil anterior a dedução a ser estornada ou adicionada.; - que, no mérito, seriam dedutiveis as perdas no recebimento de créditos; - finalmente que, caso fossem indedutiveis as perdas, teria ocorrido postergação. É o relatório. • Voto Conselheiro MARCOS RODRIGUES DE MELLO - Relator O recurso é tempestivo e deve ser conhecido. Inicio a analise pela alegação de decadência. O lançamento foi cientificado ao sujeito passivo em 05/04/2004 e refere-se a fato gerador ocorrido em 31/12/1999. Tendo o contribuinte optado pela apuração anual do IRPJ e da CSLL, está correta a análise da decisão recorrida que considerou ocorrido o fato gerador em 31/12/1999. Portanto, o lançamento, quando cientificado ao sujeito passivo, foi realizado dentro do prazo de cinco anos, que somente seria atingido em 31/12/2004. Não há, portanto, de se falar em decadência do direito de lançar. Quanto à nulidade da decisão recorrida, não vislumbro a irregularidade alegada. A decisão recorrida manteve a fundamentação legal do lançamento (violação aos artigos 9 e 10 da Lei 9430), não se podendo falar em alteração da base legal do lançamento. Isso pode ser verificado no trecho ah abaixo transcrito da decisão recorrida: 20. A questão então se cinge a se verificar se o reconhecimento das perdas, mediante exclusão direta na "Parte "A" do LAI,UR do ano-calendário de 99, é autorizado por outro comando legal. 21. Conforme consta do Termo de Verificação n° 3 (Os. 135 a 137), o débito de R$ 270.736,80, da empresa AVANT RADIO CHAMADA TTDA, reconhecido pelo autuado como perda em 31112/99, vencera em 06/05/99, e, os débitos da empresa KOERICH ENGENH_ARIA E TELECOMUNICAÇÕES LTDA, totalizando R$ 1.167.717,53, reconhecidos como perda também em 31/12/99, venceram em variadas datas do ano-calendário de 99, em 05/01/99, 04/01/99 e em 2 dias fiteis bancários anteriores a 20/01/99. As ações judiciais de cobrança desses débitos, por seu turno, foram objeto de desistência por parte do autuado, também no ano-calendário de 99. 22. Trata-se, assim, de reconhcchnento de perdas de valores superiores a RS 30.000,00, relativas a débitos vencidos a menos de um ano, e cujos procedimentos 1 6 Processo n° 16327.000454(2004-70 5/rei 17- Acôrdão n." 1302-00.031 Fl. 4 judiciais de cobrança não foram mantidos pelo credor. Esta situação configura frontal descumprimento do disposto no artigo 9 0 , parágrafo 1°, inciso II, alínea c, da Lei 9430196, a seguir reproduzido, que autoriza a dedução de despesas com perdas de créditos apenas se "vencidos há mais de um ano" e " iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento". Ambos os requisitos não foram cumpridos pelo autuado. Lei 9.430/96 Seção 111 Perdas no Recebimento de Créditos Dedução Art. 9' As perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica poderão ser deduzidas como despesas, para determinação do lucro real, observado o disposto neste artigo. § 1° Poderão ser registrados como perda Os créditos: I - em relação aos quais tenha havido a Declaração de insolvência do devedor, em sentença emanada do Poder Judiciário; TI - sem garantia, de valor: e) superior a R$ 30.000,00 (trinta mil reais), vencidos há mais de um ano, desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento; (-) 23. Sendo assim, o procedimento de dedução dessas despesas, na existência de cobrança judicial, também não aguardou o transcurso do prazo de 5 anos previsto no artigo 10, parágrafo 1", da Lei 9430/96, a seguir transcrito, corno alega a autoridade fiscal. Lei 9.430/96 Registro Contábil das Perdas Art. 10. Os registros contábeis das perdas admitidas nesta Lei serão efetuados a débito de conta de resultado e a crédito: I - da conta que registra o crédito de que trata a alínea a do inciso II do § 1'. do artigo anterior; - de conta redutora do crédito, nas demais hipóteses. ACLA,A-- 7 § 1° Ocorrendo a desistência da cobrança pela via judicial, antes de decorridos cinco anos do vencimento do crédito, a perda eventualmente registrada deverá ser estornada ou adicionada ao lucro liquido, para determinação do lucro real correspondente ao período de apuração em que se der a desistência. 2' Na hipótese do parágrafo anterior, o imposto será considerado como postergado desde o período de apuração em que tenha sido reconhecida a perda. 24. Esses fatos tomam inequívoca a constatação das infrações praticadas pelo autuado em face dos expressos teores dos artigos 9° e 100, da Lei 9.430/96, acima reproduzidos, restando sem fundamento sua alegação de que a autoridade fiscal teria prestigiado mais a forma que o conteúdo das normas de regência da matéria, por não ter adotado interpretação sistêmica. Contra esse argumento, é útil evocar o principio da doutrina jurídica "in claris cessai interpretatio", ou seja, quando o sentido da norma é claro, inexiste escopo para interpretação. Verifica-se que a decisão recorrida manteve a fundamentação legal do lançamento, não se configurando a nulidade alagada no recurso. O mesmo trecho reproduzido acima também serve para análise do mérito . Conforme consta do Termo de Verificação n°3 (fls. 135 a 137), o débito de R$ 270336,80, da empresa AVANT RADIO CHAMADA LTDA, reconhecido pelo autuado como perda em 31/12/99, vencera em 06/05/99, c, os débitos da empresa KOERICH ENGENHARIA E TELECOMUNICAÇÕES LIDA, totalizando R$ 1.167.717,53, reconhecidos como perda também em 31/12/99, venceram em variadas datas do ano-calendário de 99, em 05/01/99, 04/01/99 e em 2 dias úteis bancários anteriores a 20/01/99. As ações judiciais de cobrança desses débitos, por seu turno, foram objeto de desistência por parte do autuado, também no ano- calendário de 99. Trata-se, assim, de reconhecimento de perdas de valores superiores a R$ 30.000,00, relativas a débitos vencidos a menos de um ano, e cujos procedimentos judiciais de cobrança não foram mantidos pelo credor. Esta situação configura frontal desciunprimento do disposto no artigo 9°, parágrafo 1°, inciso II, alínea c, da lei 9.430/96, a seguir reproduzido, que autoriza a dedução de despesas com perdas de créditos apenas se "vencidos há mais de uru ano" e " iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento". Ambos os requisitos não foram cumpridos pelo autuado. Também não merece acolhida o argumento de que deveria ter sido considerada a postergação: 25. Da mesma forma, não guarda relação de pertinência com os fatos em exame o pleito do autuado pelo tratamento de postergação, nos termos do Parecer COSIT 02/96, pois que a postergação supõe reconhecimento de perdas anterior ao momento de estorno. No caso, como demonstrado, trata-se não de hipótese de estorno, mas de mera realização de perdas cujos valores são excluídos diretamente do Lucro Real do ano, sem observância das normas fiscais. Diante do exposto, voto no sentido não reconhecer a decadência, afastar a nulidade da decisão argüida e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. MARCOS RODRIGUES DE MELLO — Relatar
score : 1.0
Numero do processo: 11040.001111/2004-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2002, 2003
MULTA ISOLADA DE OFÍCIO DECORRENTE DE CARNÊ-LEÃO NÃO PAGO. INCIDÊNCIA CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFÍCIO VINCULADA AO IMPOSTO LANÇADO NO AJUSTE ANUAL. RENDIMENTOS OMITIDOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA OU DE FONTE DO EXTERIOR QUE GERAM UMA DUPLA PENALIDADE COM MESMA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Mansamente
assentada na jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes e do CARF que a multa isolada do carnê-leão não pode ser cobrada
concomitantemente com a multa de ofício que incidiu sobre o imposto lançado, este em decorrência da colação no ajuste anual do rendimento que deveria ter sido submetido ao recolhimento mensal obrigatório, pois ambas têm a mesma base de cálculo, implicando em dupla penalidade em decorrência da omissão de um mesmo rendimento, conduta vedada em nosso ordenamento.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2102-001.549
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR
provimento ao recurso, para cancelar a multa de ofício isolada decorrente do carnê-leão não pago. Vencida a Conselheira Núbia Matos Moura que negava provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1889; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 1 1 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11040.001111/200415 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 210201.549 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de setembro de 2011 Matéria IRPF MULTA ISOLADA DO CARNÊLEÃO Recorrente LUIS ERNANI ROMERO SAAVEDRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003 MULTA ISOLADA DE OFÍCIO DECORRENTE DE CARNÊLEÃO NÃO PAGO. INCIDÊNCIA CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFÍCIO VINCULADA AO IMPOSTO LANÇADO NO AJUSTE ANUAL. RENDIMENTOS OMITIDOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA OU DE FONTE DO EXTERIOR QUE GERAM UMA DUPLA PENALIDADE COM MESMA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Mansamente assentada na jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes e do CARF que a multa isolada do carnêleão não pode ser cobrada concomitantemente com a multa de ofício que incidiu sobre o imposto lançado, este em decorrência da colação no ajuste anual do rendimento que deveria ter sido submetido ao recolhimento mensal obrigatório, pois ambas têm a mesma base de cálculo, implicando em dupla penalidade em decorrência da omissão de um mesmo rendimento, conduta vedada em nosso ordenamento. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso, para cancelar a multa de ofício isolada decorrente do carnêleão não pago. Vencida a Conselheira Núbia Matos Moura que negava provimento ao recurso. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 10/10/2011 Fl. 259DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Em face do contribuinte LUIS ERNANI ROMERO SAAVEDRA, CPF/MF nº 352.184.44049, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 07/10/2004, auto de infração (fls. 03 a 15), com ciência postal em 15/10/2004 (fl. 203). Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 21.489,24 MULTA DE OFÍCIO VINCULADA R$ 16.116,92 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA PELA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO DE CARNÊ LEÃO R$ 20.107,06 Ao contribuinte foram imputadas uma omissão de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas físicas e a ausência de pagamento do recolhimento mensal obrigatório sobre tais rendimentos (carnêleão), sendo ambas as condutas apenadas com multa de ofício no percentual de 75% sobre o imposto apurado e sobre o recolhimento mensal não pago, respectivamente, nos anoscalendário 2001 e 2002. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que restou assim resumida no relatório da decisão aqui recorrida (fl. 230): Inconformado com a multa isolada aplicada em função da falta de recolhimento do carnêleão, o contribuinte apresenta suas razões de impugnação, alegando, em apertada síntese, que a aplicação concomitante da multa de ofício e da multa isolada não merece prosperar uma vez incidentes sobre a mesma base de cálculo. Segundo ele, a multa isolada é penalidade alternativa à multa de lançamento de ofício e com esta não pode ser cumulada, haja vista a impossibilidade de dupla punição para o mesmo fato. Como somente houve impugnação da multa isolada do carnêleão, a autoridade preparadora apartou o crédito tributário não controvertido deste processo, que passou a ser controlado no processo administrativo 11040001.265/200415 (fl. 223). A 4ª Turma da DRJ/POA, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento, reduzindo o percentual da multa isolada de 75% para 50%, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 1013.847, de 07 de setembro de 2007 (fls. 229 e seguintes), em decisão assim ementada: CARNÊLEÃO. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. Fl. 260DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 11040.001111/200415 Acórdão n.º 210201.549 S2C1T2 Fl. 2 3 A Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 44, II, "a", com a redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007, disciplinada pela Instrução Normativa SRF n° 46, de 13 de maio de 1997, estabeleceu a aplicação da multa isolada para a pessoa física, sujeita ao pagamento do imposto na forma de carnêleão, que tenha deixado de fazêlo, sem prejuízo da multa calculada sobre o imposto suplementar apurado pelo Fisco FALTA DE RECOLHIMENTO DO CARNÊLEÃO RETROATIVIDADE DA LEI FISCAL Redução do percentual da multa de 75% para 50%. Dispondo a lei nova de penalidade menos severa que a vigente ao tempo da pratica da infração, aplicase ao fato pretérito. O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 18/02/2008 (fl. 241). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 14/03/2008 (fl. 242). No voluntário, o recorrente repisa as argumentações da impugnação, pugnando pelo afastamento da multa isolada de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 18/02/2008 (fl. 241), segundafeira, e interpôs o recurso voluntário em 14/03/2008 (fl. 242), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 19/03/2008, quartafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. A controvérsia cingese sobre o cabimento, ou não, da concomitância da multa isolada do carnêleão com a multa vinculada ao imposto apurado no ajuste anual. No caso em que os rendimentos sujeitos ao carnêleão são colacionados pela autoridade fiscal no ajuste anual, a jurisprudência administrativa de há muito tempo assentou se na impossibilidade da imputação de uma dupla penalidade pecuniária ao autuado pela omissão dos rendimentos recebidos de pessoa física, uma vinculada ao imposto lançado (multa de ofício vinculada ao imposto devido no ajuste anual, no percentual de 75% do imposto) e outra pelo não recolhimento do carnêleão (multa de ofício isolada, tendo como base de cálculo o imposto não antecipado mensalmente – carnêleão), ao fundamento de que a omissão dos rendimentos recebidos de pessoa física seria a base de cálculo para a apuração do imposto anual e daquele que deveria ter sido antecipado, com a multa de 75% incidente sobre cada um dos impostos citados – apurado no ajuste e antecipado (ou mesmo 50%, no caso da multa isolada do carnêleão, como no caso vertente). Em essência, uma mesma conduta (omissão de rendimentos percebidos de pessoa física) levaria a uma dupla penalidade, o que não é admitido em nosso sistema jurídico. Fl. 261DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 4 Para tanto, vejamse as seguintes ementas: Acórdão nº CSRF/0104.987, sessão de 15 de junho de 2004, relatora a conselheira Leila Maria Scherrer Leitão MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO – CONCOMITÂNCIA –MESMA BASE DE CÁLCULO – A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. Acórdão nº 10248.216, sessão de 26 de janeiro de 2007, relator o conselheiro Antonio José Praga de Sousa PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR NACIONAIS JUNTO AO PNUD TRIBUTAÇÃO – São tributáveis os rendimentos decorrentes da prestação de serviço junto ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento –PNUD, quando recebidos por nacionais contratados no País, por faltarlhes a condição de funcionário de organismos internacionais, este detentor de privilégios e imunidades em matéria civil, penal e tributária. (Acórdão CSRF 0400.024 de 21/04/2005). MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA MESMA BASE DE CÁLULO A aplicação concomitante da multa isolada e da multa de oficio não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo (Acórdão CSRF nº 0104.987 de 15/06/2004). Acórdão nº 10422.058, sessão de 06 de dezembro de 2006, relator o conselheiro Nelson Mallmann RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS UNESCO/ONU A isenção de imposto de renda sobre rendimentos pagos pelos organismos internacionais é privilégio exclusivo dos funcionários que satisfaçam as condições previstas na Convenção sobre Privilégio e Imunidades das Nações Unidas, recepcionada no direito pátrio pelo Decreto nº. 22.784, de 1950 e pela Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas da Organização das Nações Unidas, aprovada pela Assembléia Geral do Organismo em 21 de novembro de 1947, ratificada pelo Governo Brasileiro por via do Decreto Legislativo nº. 10, de 1959, promulgada pelo Decreto nº. 52.288, de 1963. Não estão albergados pela isenção os rendimentos recebidos pelos técnicos a serviço da Organização, residentes no Brasil, sejam eles contratados por hora, por tarefa ou mesmo com vínculo contratual permanente. LEGITIMIDADE PASSIVA Os Organismos Internacionais que possuem imunidade de jurisdição não se submetem à legislação interna brasileira, portanto deles não se pode exigir a retenção e o recolhimento do imposto de renda sobre valores pagos às pessoas físicas. Estas têm seus rendimentos sujeitos à tributação mensal, na forma de carnêleão. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA CONCOMITÂNCIA É incabível, por expressa disposição legal, a aplicação concomitante de multa de lançamento de ofício Fl. 262DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 11040.001111/200415 Acórdão n.º 210201.549 S2C1T2 Fl. 3 5 exigida com o tributo ou contribuição, com multa de lançamento de ofício exigida isoladamente. (Artigo 44, inciso I, § 1º, itens II e III, da Lei nº. 9.430, de 1996). Acórdão nº 10616.124, sessão de 28 de fevereiro de 2007, relator o conselheiro José Ribamar Barros Penha IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. REMUNERAÇÃO AUFERIDA POR NACIONAIS JUNTO AO PNUD. TRIBUTAÇÃO – Estão sujeitos a tributação do Imposto de Renda os rendimentos auferidos junto ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD em contraprestação de serviço contratados em território nacional, uma vez não preenchida a condição de funcionário do organismo internacional. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA ISOLADA CONCOMITANTE – É de ser afastada a aplicação de multa isolada concomitantemente com multa de ofício tendo ambas a mesma base de cálculo. No ponto, é de se afastar a multa isolada que incidiu sobre o recolhimento mensal obrigatório (carnêleão) não pago, que havia sido reduzida para o percentual de 50% pela decisão recorrida. Ante o exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso, para cancelar a multa de ofício isolada decorrente do carnêleão não pago. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 263DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
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