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Numero do processo: 19515.000230/2009-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
IR-FONTE. PAGAMENTO SEM CAUSA. INOCORRÊNCIA. Tributo não é penalidade ou sanção de ato ilícito. A exigência de IR-Fonte com fulcro no art. 35 da Lei 8.981/1995 deve observar 2 premissas básicas: i) a efetiva realização do pagamento (prova a cargo do Fisco); ii) a inexistência ou não comprovação da causa do desembolso, e/ou a constatação de que o beneficiário não é aquele apontado pela fonte pagadora (prova também a cargo do Fisco). Na situação versada nos autos, comprovado pelo autuado que os pagamentos se deram em função da prestação de serviços dos beneficiários, com efetiva retenção de IR-Fonte; comprovado ainda que os serviços foram prestados, ainda que parcialmente (aquisição e processamento), o fato de não ter sido comprovada a exportação desses produtos, pode ensejar a glosa dos benefícios tributários vinculados à venda destinada ao exterior, porem, não autorizam a exigência de IR-Fonte sob a acusação de pagamento sem causa.
Recurso de Oficio Negado. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1402-001.343
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio e dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Antônio José Praga de Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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TURMA DA DRJ EM SÃO PAULO I SP ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2002, 2003, 2004 IRFONTE. PAGAMENTO SEM CAUSA. INOCORRÊNCIA. Tributo não é penalidade ou sanção de ato ilícito. A exigência de IRFonte com fulcro no art. 35 da Lei 8.981/1995 deve observar 2 premissas básicas: i) a efetiva realização do pagamento (prova a cargo do Fisco); ii) a inexistência ou não comprovação da causa do desembolso, e/ou a constatação de que o beneficiário não é aquele apontado pela fonte pagadora (prova também a cargo do Fisco). Na situação versada nos autos, comprovado pelo autuado que os pagamentos se deram em função da prestação de serviços dos beneficiários, com efetiva retenção de IRFonte; comprovado ainda que os serviços foram prestados, ainda que parcialmente (aquisição e processamento), o fato de não ter sido comprovada a exportação desses produtos, pode ensejar a glosa dos benefícios tributários vinculados à venda destinada ao exterior, porem, não autorizam a exigência de IRFonte sob a acusação de pagamento sem causa. Recurso de Oficio Negado. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio e dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 02 30 /2 00 9- 43 Fl. 2975DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000230/200943 Acórdão n.º 1402001.343 S1C4T2 Fl. 0 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Relatório COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente em parte a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por sua vez, a 6a. TURMA DA DRJ EM SÃO PAULO I – SP, também recorre de ofício em face da exoneração de valor acima de R$ 1.000.000,00. Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO (CBD), empresa acima identificada, foi submetida a auditoria fiscal. Ao final do procedimento a fiscalização constatou os seguintes fatos narrados no Termo de Verificação Fiscal 01 (fls. 2.153/2.162) e Termo de Verificação Fiscal 02 (fls. 2.163/2.185). A CBD, nos anos calendário de 2002 e 2003, supostamente teria adquirido grãos de soja de Centúria S/A Industrial, Comercial e Agrícola (Centúria), CNPJ n° 01.298.968/000370. Em seguida, estes grãos de soja supostamente teriam sido beneficiados por Rubi S/A Comércio, Indústria e Agricultura (Rubi), CNPJ nº 04.136.996/000207 e 04.136.996/000118 e transformados em farelo e óleo de soja. Por fim, o farelo de soja e óleo de soja supostamente teriam sido alienados para Cooperativa Agropecuária Norte Pioneiro (Canorp), CNPJ nº 77.479.442/000197, que efetuaria a exportação dos produtos. A CBD também contratou a empresa Master Consultoria Tributária S/C Ltda (Master), CNPJ 04.233.504/000102, para administrar estas operações. Segundo a fiscalização, todas estas operações foram simuladas, assim os pagamentos efetuados a título de industrialização à Rubi e os pagamentos em favor da Master foram considerados sem causa. O contribuinte no ano calendário de 2002 reduziu indevidamente o lucro líquido, no valor de R$ 401,94, como custo na aquisição de grãos de soja. Em decorrência das faltas apuradas, foram lavrados em 22/05/06 os seguintes autos de infração, cientificados ao contribuinte na mesma data: Fl. 2976DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000230/200943 Acórdão n.º 1402001.343 S1C4T2 Fl. 0 3 Ajuste da Base de Cálculo do Imposto de Renda (fls. 2.192/2.193). Fundamento legal citado na fl. 2.193; Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF (fls. 2.204/2.207): Total do crédito tributário, R$ 72.952.361,77, incluídos o tributo, multa e juros de mora calculados até 28/04/06. Fundamento legal citado na fl. 2.207. O contribuinte apresentou defesa de fls. 2.226/2.346, em 21/06/06, alegando em síntese: na consecução de seus objetivos sociais promoveu a compra de soja em grãos, os industrializou e vendeu os seus derivados com a finalidade de exportação; foi procurada pela empresa Master para prestar serviço de consultoria com vistas a realizar operação de performance de exportação, que melhoraria o resultado operacional do contribuinte, com aproveitamento de créditos de PIS e IPI; esta operação consistia na compra de grãos de soja da empresa Centúria que entregaria o produto diretamente na empresa Rubi, por conta do impugnante. Estes grãos eram transformados em derivados e transportados diretamente pela Rubi para a Canorp que em nome próprio efetuava a exportação; os contratos que lastrearam esta operação se encontram em anexo; uma vez exportada a soja a exportadora se encarregava de enviar ao impugnante o memorando de exportação; realiza este tipo de operação há mais de 20 anos; está sendo condenada sem que suas operações tenham sido fiscalizadas, com base em alegações e fatos verificados em períodos distintos, envolvendo outros contribuintes. O fisco chegou ao estabelecimento do impugnante com as autuações préconstituídas; o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) previa a fiscalização do IRPJ, assim a fiscalização não tinha poderes para fiscalizar o PIS, o IRRF e a COFINS; a fiscalização valeuse exclusivamente de provas obtidas pelo Fisco estadual para lavratura de auto de infração do ICMS que sequer foi julgado definitivamente; a investigação efetuada pelo Fisco estadual junto à empresa Centúria foi empreendida no ano de 2004, não tendo assim, condições de remontar operações ocorridas com até dois anos de antecedência; o fato de a Centúria ter se mudado para imóveis menores não a desqualifica, pois grande parte das aquisições de grãos de soja ocorreram quando o produto já se encontrava no estabelecimento da empresa Rubi que possuía cerca de 5.000 m2; a empresa Rubi ainda hoje está ativa no cadastro do CNPJ; o fato anteriormente narrado faz cair por terra o argumento utilizado pelo Fisco estadual de que a última operação da Centúria controlada por Posto Fiscal de Fronteira do Mato Grosso, teria ocorrido em 25/06/01, já que a soja já se encontrava no estado de São Paulo; a informação obtida junto ao contabilista da empresa Centúria de que a partir de março de 2001 foram entregues Gias negativas foi utilizada pela fiscalização para demonstrar a inexistência de operações da Centúria, ao passo que o próprio Fisco afirmou que houve emissão de Nota Fiscal nº 377, de 25/06/01, não escriturada; Fl. 2977DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000230/200943 Acórdão n.º 1402001.343 S1C4T2 Fl. 0 4 a empresa Centúria manteve relação com o Fisco estadual do Mato Grosso ao longo dos anos de 2002 e 2003, pedindo baixa de seu estabelecimento apenas em janeiro de 2004, o que denota a regular presença da empresa no Mato Grosso durante o período a que se refere o auto de infração; em 01/07/02, 14/11/02, 17/12/02, 14/05/03 e 12/08/05, o Fisco estadual concedeu à Centúria autorizações de impressão de documentos fiscais, acenando com a regularidade da empresa; as alegações do Fisco estadual quanto à Centúria de que houve a renúncia do presidente em 08/04, solicitação de baixa da inscrição do estabelecimento em 01/04 e declaração de extravio de documentos fiscais em 01/04, eventos que comprovariam a inexistência da empresa, não podem ser opostas ao impugnante, pois as operações em questão ocorreram em período anterior; a declaração do exfuncionário da Centúria de que após a mudança da empresa para Rondonópolis MT em 2001 não houve qualquer operação, somente é válida até 01/02, quando o funcionário foi dispensado; conforme documentos anexos (doc. 13), a Centúria realizou operações com soja nos anos calendário de 2002 e 2003; em seu relatório, o Fisco estadual apontou para um superfaturamento dos grãos de soja. No caso em estudo, a soja era vendida por cerca de R$ 49,00, dentro dos padrões do mercado; este mesmo relatório informa que empresas de ramo totalmente diverso foram atraídas para a operação simulada envolvendo soja. Ocorre que o impugnante atua neste ramo econômico, vendendo derivados de soja, inclusive processados pela empresa Rubi (doc. 6); no que tange à empresa Rubi, o trabalho fiscal cita apenas operações envolvendo esta empresa com a Santa Cruz como fornecedora de soja e não com a pessoa jurídica Centúria; a idoneidade da Canorp foi assegurada pelo próprio Fisco paranaense, pois ela possuía regular cadastro, contava com AIDF e apresentava regularmente Gias; todas as exportações em questão foram realizadas, conforme memorandos de exportação; os lançamentos não têm por fundamento a ausência de exportação da soja, mas a emissão indevida de documento fiscal por eventual inexistência de soja; a fiscalização tenta demonstrar o dolo e máfé com a duplicação das notas fiscais de exportação; tendo em vista que vendeu derivados de soja para que a Canorp efetuasse em nome próprio a exportação, o fato de haver clonagem das notas fiscais de exportação não significa que os produtos exportados não sejam do impugnante, fato que não foi objeto de fiscalização; não concorda com o estorno dos créditos, já que desconhece qual seria a operação real, eis que não foram apresentadas as notas fiscais de exportação da Canorp referentes às vendas de sua soja; não encontrou as notas fiscais de exportação nºs 4726, 4722, 4720, 4721 e 5016, constantes dos Memorandos de Exportação; Fl. 2978DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000230/200943 Acórdão n.º 1402001.343 S1C4T2 Fl. 0 5 em face das inconsistências apontadas o estudo elaborado pelo Fisco estadual não serve para calcar o lançamento tributário; os autos de infração se sustentam em frágeis presunções; até é possível que as empresas investigadas pelo Fisco estadual tenham praticado operações irregulares, contudo nada é indicativo que nas operações do impugnante as máculas apontadas tenham ocorrido; não há prova nos autos que demonstre a existência de conluio do impugnante com outras empresas investigadas ou a inexistência das operações que deram o direito ao crédito de PIS e IPI, tampouco considerar os pagamentos efetuados à Master e Rubi, como sem causa; concluise que os autos de infração são nulos; a fiscalização desconsiderou todos os documentos fiscais relativos às operações realizadas visando à exportação dos derivados de soja, por entender que as operações não ocorreram, ou seja, teria ocorrido falsidade material; ocorre que os documentos são válidos até que se prove o contrário. Para que isso ocorra os documentos deveriam ser analisados em processo administrativo próprio e declarados inaptos por decisão do Delegado da Receita Federal; cita a Portaria MF nº 187/93; a totalidade das infrações apuradas foi praticada por terceiros, quanto ao impugnante não há uma única afirmação no relatório elaborado pelo Fisco estadual de que tenha participado da alegada fraude; se houve fraude, esta foi praticada pelos dirigentes das empresas mencionadas no relatório do Fisco estadual, que ao emitirem documentos falsos (memorandos e notas de exportação) teriam agido dolosamente, resultando em prejuízo ao Erário. O crédito tributário deveria ser exigido destes terceiros a teor do disposto no artigo 135 do CTN; teria que se provar que o impugnante conhecia esta fraude e que agiu em conluio com as demais empresas, o que não se comprovou; as principais provas arroladas pelo Fisco federal são notas de exportação que teriam sido duplicadas pela Canorp. Se foram os dirigentes desta empresa que agiram com dolo, e não embarcaram a soja vendida pelo impugnante, nos termos do artigo 135 do CTN e artigo 7º da Lei nº 10.637/02, a responsabilidade pelo recolhimento dos tributos deve ser imputada a eles; o impugnante ao efetuar as operações colocadas em discussão sempre agiu de boa fé e procurou se cercar de cautelas e praxe sobre a legalidade dos negócios; a operação em questão foi declarada idônea por empresas de auditoria e consultoria, entre elas a Delloitte Touche Tohmatsu Consultoria Contábil e Tributária S/A; os tributaristas Alcides Jorge Costa e Roque Carrazza emitiram parecer destacando que estas operações foram lícitas; não tem motivos para desconfiar da idoneidade dos documentos fiscais que lastrearam a operação, pois presentes os requisitos para sua validade, não podendo ser imputado ao impugnante qualquer sanção à vista do princípio da aparência; Fl. 2979DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000230/200943 Acórdão n.º 1402001.343 S1C4T2 Fl. 0 6 as empresas emitentes destes documentos fiscais eram legalmente constituídas e autorizadas à emissão destes documentos e antigas parceiras comerciais; os negócios jurídicos em tela estão amparados nos competentes contratos hábeis para a constituição de direitos e obrigações; não é possível o estorno do crédito decorrente das operações com a Rubi; esta empresa não foi autuada pelo Fisco federal, fato que denota sua regularidade; efetivamente pagou à Rubi pelo serviço prestado; não se comprovou simulação, ela não pode ser presumida; haverá simulação sempre que um ato apresenta vontade diferente da aparentemente manifestada e será defeituoso quando houver intuito de prejudicar terceiros ou violar lei; no caso em estudo a operação pactuada não aparenta direito diverso, não contém declaração falsa e não foi realizada para prejudicar terceiros. Os fatos analisados pela fiscalização se referem a operações praticadas por outros contribuintes em períodos distintos; a fiscalização não buscou a verdade material; com base nos princípios da motivação e da legalidade a autoridade fiscal não poderia ter lavrado auto de infração sem o levantamento e exame de toda documentação contábil e fiscal do impugnante; a contabilidade faz prova em seu favor, nos termos do artigo 276 do RIR/99 e artigos 379 a 382 do CPC, pois não tem como provar que a soja não circulou; a escrituração contábil está lastreada em contratos e documentos fiscais, a fiscalização não demonstrou a inveracidade dos fatos contabilizados; a responsabilidade pelo transporte da mercadoria ficou a cargo da Centúria e da Rubi, que não puderam encaminhar os comprovantes do transporte, pois estes documentos estariam com a Receita Federal (doc. 9); os valores supostamente devidos a título de PIS e COFINS estão confessados em DCTF (doc. 10), não sendo cabível o lançamento de ofício; os débitos de PIS e COFINS estão informados em DCOMP 34.31.98.35.20, 25.44.02.11.17, 04.92.43.40.49 e PA 11610.000398/200373; os pagamentos efetuados à Rubi e à Master têm causa, ou seja, industrialização por encomenda lastreada em documentos e contratos e prestação de serviço de assessoria, respectivamente; houve equívoco no reajustamento da base de cálculo do IRRF, em desobediência do artigo 20, § 1º, da INSRF nº 15/01, de alguns pagamentos listados à fl. 2.308; a exigência do IRRF com base na Lei nº 8.981/95, artigo 61, parágrafo terceiro e INSRF nº 15/01 ofende aos princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e da vedação de utilização de tributo com efeitos de confisco; a fiscalização pretendeu utilizar tributo para apenar o impugnante por prática de suposta fraude ou simulação não comprovada. Houve ofensa ao conceito de tributo; a Lei nº 8.981/95, artigo 61, parágrafo primeiro, tem natureza sancionatória; Fl. 2980DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000230/200943 Acórdão n.º 1402001.343 S1C4T2 Fl. 0 7 reteve valores a título de IRRF nos pagamentos efetuados em favor da Master que deveriam ser deduzidos do lançamento de ofício (fl. 2.319); caso não seja admitida a manutenção dos créditos de ICMS, PIS e IPI, o valor correspondente ao montante destes créditos não poderia compor o resultado do impugnante, devendo ser refeito o cálculo do lucro real, sendo que eventuais créditos de IRPJ constituiriam pagamentos indevidos e deverão ser compensados de ofício; a autoridade fiscal glosou o montante de R$ 401,94 a título de custo de aquisição de soja, ocorre que se a operação envolvendo soja não existiu, a respectiva receita também não pode ser considerada para fins de apuração do lucro real; quanto ao auto de infração do PIS a fiscalização não averiguou a ocorrência do fato gerador, optaram por proceder ao lançamento com base somente nos valores dos créditos glosados, sem identificar se e quando esses créditos foram utilizados; muito embora o valor dos créditos glosados possa ser o mesmo do tributo que deixou de ser recolhido, é necessário que se faça esta demonstração, pois o impugnante pode não ter utilizado a totalidade do crédito para pagamento de seus tributos, ou usado estes créditos em períodos posteriores aos que foram escriturados; não cometeu ilícito nenhum, pois tomou todas as cautelas quanto à idoneidade de seus fornecedores e as irregularidades apuradas pela fiscalização se referem a terceiros; não ficou comprovada conduta dolosa; não se comprovou a ocorrência de fraude, sonegação ou conluio; somente a existência de simulação não configuraria a aplicação da penalidade agravada, neste caso haveria que se provar o evidente intuito de fraude; foi vítima da operação envolvendo soja, assim não caberia o lançamento da multa agravada, a teor do disposto no artigo 112, II, do CTN; é ilegal a aplicação da taxa Selic como juros de mora, pois tem natureza remuneratória e não foi criada por lei; protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos; requer a nulidade e a improcedência dos autos de infração lavrados. Em face do despacho de fl. 2.803, a autoridade fiscal promoveu a constituição do presente processo administrativo contemplando autos de infração de IRPJ (fls. 2.192/2.193) e IRRF (fls. 2.204/2.207) que foram desentranhados do processo administrativo nº 19515.000982/200661, conforme informação constante às fls. 2.816/2.817. Quanto a este procedimento nada opôs o contribuinte (fl. 2.819). A decisão recorrida está assim ementada: NULIDADE. As causas de nulidade são aquelas previstas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972. MPF. O MPF é instrumento de controle interno da administração, qualquer irregularidade formal apurada não é causa de nulidade. PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE. Fl. 2981DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000230/200943 Acórdão n.º 1402001.343 S1C4T2 Fl. 0 8 É lícito ao Fisco valerse de informações e provas colhidas em outros processos, desde que guardem pertinência com os fatos cuja prova se pretenda oferecer. PAGAMENTO SEM CAUSA. Os pagamentos efetuados sem causa justificada devem ser tributados, nos moldes do artigo 61 da Lei nº 8.981/95. ERRO NA APURAÇÃO DO TRIBUTO DEVIDO. Deve ser cancelada parte da exigência quando ficar comprovado que a autoridade fiscal procedeu ao reajuste da base de cálculo do IRRF em desacordo com a legislação de regência. (...) CUSTOS INEXISTENTES. Devem ser adicionados ao lucro líquido do exercício os custos que afetaram de forma indevida a apuração do lucro real. Impugnação Procedente em Parte. Credito Tributário Mantido em Parte. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento nos seguintes termos: É o relatório. Fl. 2982DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000230/200943 Acórdão n.º 1402001.343 S1C4T2 Fl. 0 9 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. Ambos recursos, voluntário e de oficio, preenchem os requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, deles conheço. Tratase de processo administrativo decorrente da lavratura de auto de infração, por meio do qual a fiscalização objetiva a cobrança de IRFonte, relativamente aos meses de novembro e dezembro de 2002, setembro, outubro, novembro e dezembro de 2003 e janeiro de 2004, no valor de R$ 72.952.361,00 (incluindo multa e juros) e IRPJ, apenas compensação de prejuízo de 401,94 (vide fls. 2178 e 2191). Na mesma ação fiscal foram constituídos créditos tributários de PIS e Cofins, que estão sendo exigidos no processo De acordo com a descrição contida nos Termos de Verificação Fiscal, fls. 2153 e seguintes, a Recorrente teria realizado pagamentos sem causa às empresas Rubi S/A Ind., Com. e Agricultura e Master Consultoria Tributária S/A Ltda., uma vez que, no entendimento da fiscalização, as operações de aquisição, beneficiamento e exportação de soja teriam sido simuladas. Ressaltese, ainda, que as autoridades fiscais aplicaram a Recorrente com a exigência de multa agravada de 150%, nos termos do artigo 44, inciso II da Lei n.° 9.430/96, sob a acusação de dolo nas operações analisadas. Passo a apreciar os recursos. RECURSO DE OFICIO A decisão de 1a. instância deu provimento parcial ao recurso em face de erro na apuração da base de cálculo do IRFonte. Isso porque a autoridade fiscal equivocouse na aplicação da formula para fins de apuração da base de cálculo reajustada de alguns pagamentos (fls. 2.308). O erro foi apontada na peça impugnatória, no tocante a observância do 20, § 1º, da INSRF nº 15/01, que detalha a fórmula como deve ser calculado o rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto ou seja: RB= ((RPD)/1T), onde: RB=rendimento bruto RP=valores pagos D= dedução da classe de rendimentos a que pertence o RP Essa fórmula poder ser resumida da seguinte maneira: RB=RP/0,65, tendo em vista que a autoridade fiscal considerou a alíquota do IRRF como sendo de 35%. Fl. 2983DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000230/200943 Acórdão n.º 1402001.343 S1C4T2 Fl. 0 10 Vejamos a comparação da base de cálculo do IRRF desses pagamentos é o valor tomado no auto de infração: Data do pagamento Valor pago, em R$ Base de cálculo do IRRF correta, em R$ Base de cálculo do IRRF utilizada pela fiscalização, em R$ 08/09/03 3.078.003,23 4.735.389,58 8.794.294,94 03/10/03 2.771.300,07 4.263.538,57 7.918.000,20 31/10/03 297.973,59 458.420,91 851.353,11 06/01/04 71.258,90 109.629,08 203.596,86 31/10/03 1.966.674,36 3.025.652,86 5.619.069,60 06/01/04 529.278,52 814.274,65 1.512.224,34 02/12/03 301.875,55 464.423,92 862.501,57 07/01/04 71.351,84 109.772,06 203.862,40 02/12/03 1.992.427,96 3.065.273,78 5.692.651,31 07/01/04 529.968,84 815.336,68 1.514.196,69 29/12/03 344.624,84 530.192,06 984.642,40 07/01/04 81.613,55 125.559,31 233.181,57 29/12/03 3.464.092,99 5.329.373,83 9.897.408,54 06/01/04 921.990,27 1.418.446,57 2.634.257,91 Comprovado e corrigido o erro material, cumpre negar provimento ao recurso de oficio. RECURSO VOLUNTÁRIO De inicio, reproduzo os fundamentos iniciais da decisão de 1a. instancia, para melhor compreensão dos fatos e também das conclusões fiscais: “(...) A empresa fiscalizada, nos anoscalendário de 2002 e 2003, teria adquirido grãos de soja de Centúria S/A Industrial, Comercial e Agrícola (Centúria), CNPJ n° 01.298.968/000370. Em seguida, estes grãos de soja teriam sido beneficiados por Rubi S/A Comércio, Indústria e Agricultura (Rubi), CNPJ nº 04.136.996/000207 e transformados em farelo e óleo de soja. Por fim, o farelo de soja e óleo de soja teriam sido alienados para Cooperativa Agropecuária Norte Pioneiro (Canorp), CNPJ nº 77.479.442/000197, que efetuaria a exportação dos produtos. Segundo a fiscalização, todas estas operações que podemos denominar de “operação soja” foram simuladas, não existiram de fato. Fl. 2984DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000230/200943 Acórdão n.º 1402001.343 S1C4T2 Fl. 0 11 Para chegar a esta conclusão, a autoridade fiscal partiu inicialmente dos seguintes elementos probatórios, referentes a última etapa da “operação soja”, ou seja, a exportação. Na planilha de fl. 1.398, estão arroladas notas fiscais emitidas pela Canorp relativas à exportação de derivados de soja alienados à Canorp pelas seguintes empresas: Imcopa Imp. Exp. Ind. Óleos Ltda, Bianchini S/A Ind. Com. Agric e Coinbra Ind. Exp. Ltda. Ocorre que estes mesmos documentos fiscais foram utilizados para amparar exportações fictícias de derivados de soja que teriam sido vendidos pela empresa autuada à Canorp. O procedimento era simples: com base na nota fiscal verdadeira, era elaborada uma outra nota fiscal com todos os dados do documento fiscal original, exceto quanto à identificação do real fornecedor do farelo e óleo de soja que era alterada para o nome da empresa fiscalizada. Destaquemos alguns exemplos. Nota fiscal de exportação nº 4727 (fl. 1.403) emitida pela Canorp em 19/11/02, referente à venda de 20.385.030 kg de farelo de soja tipo I adquiridos de Imcopa Imp. Exp. Ind. Óleos Ltda, conforme nota fiscal nº 127282, de 11/11/02. O produto seria embarcado no Porto de Paranaguá, amparado no RE 02/1175125001. Os “Bill of Lading” (BL) de fls. 1.405/1.409 e as pesquisas efetuadas no Siscomex (fl. 1410/1413) atestam esta exportação. Ocorre que “idêntica” nota fiscal pode ser verificada à fl. 1.404, com uma diferença em relação à de fl. 1.403, no caso, o fornecedor do farelo de soja, tipo I seria a CBD que teria alienado o produto por intermédio da nota fiscal nº 041346, de 31/10/02. A questão crucial que surge é: qual das duas notas fiscais seria a verdadeira, ou seja, qual delas corresponderia a um negócio jurídico real? A fiscalização concluiu que a nota fiscal de fl. 1403 é a verdadeira. Entendo que esta conclusão está correta em decorrência dos seguintes elementos probatórios. A nota fiscal de fl. 1.403 foi colhida junto ao órgão da Secretaria da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona o local de embarque da mercadoria exportada, ao passo que a nota fiscal de fl. 1.404, além de ser uma cópia simples, foi juntada pela defesa sem que este documento contenha qualquer evidência de que tenha sido apresentada à autoridade fiscal no momento da realização da exportação do farelo de soja tipo I. Outra prova que robustece a posição da fiscalização é a de que a nota fiscal de fl. 1404 indica que o fornecedor do farelo de soja tipo I seria a CBD que teria alienado o produto por intermédio da nota fiscal nº 041346, de 31/10/02. Compulsando este documento fiscal que se encontra à fl. 1.384, observase que o produto vendido teria sido na realidade farelo de soja desengordurado tipo II e não farelo de soja tipo I que foi objeto da exportação. Há enorme diferença entre os farelos de soja tipo I, II e III, conforme se verifica no Anexo à Portaria nº 795/93 do ministro de estado da agricultura, do abastecimento e da reforma agrária. Fl. 2985DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000230/200943 Acórdão n.º 1402001.343 S1C4T2 Fl. 0 12 Ademais, os documentos de exportação controlados no Siscomex apontam para a exportação de farelo de soja tipo I (fls. 1410, 1411, 1413), da mesma forma, o Memorando de Exportação nº 083/2002, de fl. 1.402, trazido pela própria defesa. Neste ponto, convém destacar que o impugnante estava ciente de que a mercadoria vendida à Canorp não teria sido exportada, tendo em vista que recebeu os memorandos de exportação, conforme afirmou em sua defesa, memorandos que informavam a exportação de produto diverso daquele alienado à Canorp. Passemos a analisar mais uma das notas fiscais constante da planilha de fl. 1.398. Nota fiscal de exportação nº 4939 (fl. 1.912) emitida pela Canorp em 23/10/03, referente à venda de 618 toneladas de óleo de soja refinado adquiridas de Imcopa Imp. Exp. Ind. Óleos Ltda, conforme nota fiscal nº 149843, de 20/10/03. O produto seria embarcado no Porto de Paranaguá, amparado no RE 03/1249516001. O BL de fl. 1.916 e as pesquisas efetuadas no Siscomex (fls. 1914/1915) atestam esta exportação. Entretanto, “idêntica” nota fiscal pode ser observada à fl. 1.913, com uma diferença em relação à de fl. 1.912, no caso, o fornecedor do óleo de soja refinado seria a CBD que teria alienado o produto por intermédio da nota fiscal nº 46547, de 29/09/03. Concluise que a verdadeira nota fiscal é a de fl. 1.912 que foi colhida junto ao órgão da Secretaria da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona o local de embarque da mercadoria exportada, ao passo que a nota fiscal de fl. 1913, além de ser uma cópia simples, foi apresentada pela defesa sem que este documento contenha qualquer evidência de que tenha sido apresentada à autoridade fiscal no momento da realização da exportação de óleo de soja refinado. Além disso, a nota fiscal de fl. 1.913 indica que o fornecedor do óleo de soja refinado seria a CBD que teria alienado o produto por intermédio da nota fiscal nº 46547, de 29/09/03. Compulsando este documento fiscal que se encontra à fl. 1.390, observase que o produto vendido teria sido na realidade óleo de soja degomado tipo I e não óleo de soja refinado que foi objeto da exportação. Há enorme diferença entre óleo de soja degomado e óleo de soja refinado. Apenas a título ilustrativo, convém diferenciar o que seja óleo de soja degomado e óleo de soja refinado, nos termos da Instrução Normativa Nº 49, de 22/12/2006 do MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO, Anexo: 2.14. Refino: etapas de tratamento que incluem degomagem, neutralização, clarificação e desodorização para tornar o óleo comestível. 2.16. Degomagem: tratamento pelo qual se retira do óleo as substâncias indesejáveis denominadas fosfolipídeos. Ademais, o documento de exportação controlado no Siscomex aponta para a exportação de óleo de soja refinado (fl. 1.914), da mesma forma, o BL de fl. 1.916 indica a venda de óleo de soja refinado. E, mais importante, o próprio memorando de exportação trazido pela defesa (fl. 1.911) atesta a exportação de óleo de soja refinado. Examinemos mais uma das notas fiscais constante da planilha de fl. 1.398. Tratase da nota fiscal de exportação nº 4900 (fl. 1.872) emitida pela Canorp em 06/09/03, referente à venda de 9.450 toneladas de farelo de soja tipo I adquiridas de Fl. 2986DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000230/200943 Acórdão n.º 1402001.343 S1C4T2 Fl. 0 13 Imcopa Imp. Exp. Ind. Óleos Ltda, conforme notas fiscais nº 145752 e 146316, de 29/08/03 e 09/09/03, respectivamente. O produto seria embarcado no Porto de Paranaguá, amparado no RE 03/1027588001. O BL de fl. 1.879 e as pesquisas efetuadas no Siscomex (fls. 1.874/1.878) atestam esta exportação. “Idêntica” nota fiscal pode ser verificada à fl. 1.873, com uma diferença em relação à de fl. 1.872, os fornecedores do farelo de soja, tipo I seriam a Novasoc Com Ltda e a CBD que teria alienado 2.418 toneladas do produto por intermédio da nota fiscal nº 46450, de 29/08/03 e 3.516 toneladas do mesmo produto amparado na nota fiscal nº 3979, de 29/08/03. A nota fiscal de fl. 1.872 é a original, pois colhida junto ao órgão da Secretaria da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona o local de embarque da mercadoria exportada, ao passo que a nota fiscal de fl. 1.873, além de ser uma cópia simples, foi apresentada pela defesa sem que este documento contenha qualquer evidência de que tenha sido apresentada à autoridade fiscal no momento da realização da exportação do farelo de soja tipo I. Outra prova que robustece a posição da fiscalização é a de que a nota fiscal de fl. 1873 indica que entre os fornecedores do farelo de soja tipo I se encontraria a CBD que teria alienado o produto por intermédio das notas fiscais nº 46450 e 3979. Compulsando estes documentos fiscais que se encontram às fls.1.388 e 1.389, respectivamente, observase que o produto vendido teria sido na realidade farelo de soja desengordurado tipo II e não farelo de soja tipo I que foi objeto da exportação. Há enorme diferença entre os farelos de soja tipo I, II e III, conforme anteriormente explanado. Ademais, os documentos de exportação controlados no Siscomex apontam para a exportação de farelo de soja tipo I (fls. 1874 e 1878), da mesma forma o Memorando de Exportação nº 112/03, de fl. 1.871, trazido pelo impugnante. As demais notas fiscais emitidas pela Canorp e constantes da planilha de fl. 1398 também possuem irregularidades semelhantes àquelas descritas nos parágrafos anteriores demonstrando que a posição exarada pela fiscalização está correta, ou seja, havia duas notas fiscais de exportação “idênticas”, tendo como única diferença a figura do alienante da mercadoria exportada, sendo fictícias as notas fiscais apresentadas pelo impugnante. Portanto, ficou comprovado que as operações de exportação de derivados de soja que teriam sido alienados pelo impugnante à Canorp não ocorreram. A defesa sustenta que vendeu os derivados de soja à Canorp e que a exportação ou não destes bens seria de responsabilidade desta empresa. De pronto, surge uma indagação que afastaria a tese da defesa, qual empresa (Canorp) compraria produtos, “pagaria” por eles e não os venderia? Entretanto, foram arroladas outras provas que derrubam a argumentação do impugnante. Neste passo, convém analisar as demais etapas da “operação soja” que supostamente resultaram na exportação dos produtos. Anteriormente já foi mencionado que grãos de soja eram adquiridos pelo impugnante da empresa Centúria, em seguida supostamente entregues à pessoa jurídica Rubi que os transformaria em farelo e óleo de soja. Fl. 2987DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000230/200943 Acórdão n.º 1402001.343 S1C4T2 Fl. 0 14 Para uma melhor clareza dos fatos analisemos uma das operações envolvendo soja à luz dos contratos acostados aos autos pela fiscalização. Por intermédio do Contrato nº 11/03 (fls. 202/204) a empresa Centúria teria alienado 31.137 toneladas de grãos de soja ao impugnante. Em seguida, os grãos de soja teriam sido entregues na empresa Rubi que com base no Contrato nº 12/03 (fls. 205/207) os transformaria em óleo e farelo de soja. Por intermédio do Contrato de compra de performance de exportação (fls. 208/209), a CBD adquiria performance de exportação, avaliada em 2% do valor total de exportação, valor a ser pago à Rubi. O farelo de soja (25.275 ton.) teria sido vendido à Canorp, por intermédio do Contrato 14/03 (fls. 210/211) e o óleo de soja degomado (4.460 ton.), com base no Contrato nº 15/03 (fls. 212/213). Esta operação mercantil estaria amparada na nota fiscal nº 46450 (fl. 1388) que destaca que o produto negociado foi farelo de soja tipo II e óleo de soja degomado. As demais operações seguem o mesmo padrão, com as mesmas partes contratantes, exemplifico algumas delas: Operação de compra de soja/mês Contrato de compra de grãos de soja, nº e fls. Contrato de industrialização de grãos de soja, fls. Contrato de venda de farelo e óleo de soja, fls. 10/02 1000/02 e 181/183 184/186 189/190 e 191/192 08/03 11/03 e 202/204 205/207 210/211 e 212/213 09/03 11 A e 214/216 217/219 223/225 e 226/228 09/03 16 A e 240/242 243/245 249/251 e 252/254 08/03 16 e 263/265 266/268 271/272 e 273/274 Como se vê, os contratos estavam interligados, ou seja, o contribuinte adquiria grãos de soja, em seguida os encaminhava para transformação em farelo e óleo de soja degomado e, por fim, os vendia para empresa que teria a incumbência de exportar o produto. Os contratos de compra e venda de grãos de soja, firmados com a empresa Centúria S/A, possuíam as mesmas cláusulas. Passo a destacar duas delas: “SEGUNDAPAGAMENTO PARÁGRAFO ÚNICO –O COMPRADOR efetuará os pagamentos com as duplicatas de venda dos produtos industrializados, destinados ao mercado interno ou externo, as quais o VENDEDOR desde já as aceita como boas e valiosas para a devida liquidação” QUINTA CONDIÇÕES GERAIS O VENDEDOR é responsável pela legitimidade do crédito oriundo da venda da matéria prima, respondendo civil e criminalmente pelo mesmo, sujeitando se, ainda, às penalidades prescritas em lei por quaisquer atos de falsidade, inclusive as ideológicas, obrigandose, desde já, a devolver os valores efetivamente recebidos, mais multas e juros de mora e outros acréscimos que venham a ser cobrados do COMPRADOR, pelo fisco, desde que não haja recursos administrativos e judiciais.” Fl. 2988DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000230/200943 Acórdão n.º 1402001.343 S1C4T2 Fl. 0 15 Portanto, o impugnante efetuaria o pagamento pela compra de grãos de soja à empresa Centúria com as duplicatas de venda dos produtos industrializados à Canorp, ou seja, havia uma ligação entre a operação de compra dos grãos de soja e a operação de venda de farelo e óleo de soja degomado à CANORP. Todos os contratos de industrialização firmados com a empresa Rubi S/A, para a transformação de grãos de soja em farelo e óleo, também continham as mesmas cláusulas, entre elas se destacam: PRIMEIRA OBJETO A CONTRATADA prestará serviços de esmagamento de (..........) toneladas de soja em grãos para produção de óleo de soja e farelo de soja, de conformidade com as normas exigências, com objetivo único de remessa para o exterior QUARTA ESPECIAL O presente contrato fica vinculado, fazendo parte da operação já iniciada, ao contrato anterior de compra e venda de grãos de soja, firmado entre a CONTRATANTE e a CENTÚRlA S.A. INDUSTRlAL, COMERCIAL E AGRÍCOLA (....) SEXTA CONDIÇÕES GERAIS A CONTRATADA é responsável pela legitimidade do crédito oriundo da prestação de serviço, respondendo civil e criminalmente pelo mesmo, sujeitandose, ainda, às penalidades prescritas em Lei por quaisquer atos de falsidade, inclusive as ideológicas, (......) (g.n.) A quarta cláusula estabelece a ligação entre o contrato de compra dos grãos de soja e o de industrialização, ou seja, todos os grãos adquiridos da empresa Centúria S/A seriam transformados em farelo e óleo, para exportação (cláusula primeira in fine). A cláusula sexta deve ser destacada pelo fato de o prestador de serviço se responsabilizar pela legitimidade do crédito recebido da empresa autuada. Este procedimento não é usual. Os Contratos de compra de performance de exportação também possuíam cláusulas semelhantes que os interligavam às etapas anteriores, destaco a quarta cláusula: “O presente contrato fica vinculado, fazendo parte à operação já iniciada ao contrato anterior de compra e venda de grãos de soja, firmado entre o COMPRADOR e a CENTÚRIA S.A INDUSTRIAL COMERCIAL E AGRÍCOLA.” Por fim, os contratos de venda de farelo e óleo para a CANORP também possuíam as mesmas cláusulas, transcrevo a segunda cláusula: SEGUNDA DO PREÇO O valor total a pagar é de (....) a serem liquidados contra a apresentação dos documentos de embarque para o exterior da mercadoria, com as duplicatas que o (outorgante) VENDEDOR utilizará para liquidação da compra da soja em grãos, conforme contrato(....) já firmado.(g.n.) Mais uma vez deve ser destacada a ligação entre os contratos de compra de grãos de soja e a exportação do óleo e do farelo de soja, tendo em vista que a Centúria S/A apenas receberia o valor devido pelo impugnante se de fato a exportação ocorresse. Fl. 2989DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000230/200943 Acórdão n.º 1402001.343 S1C4T2 Fl. 0 16 Portanto, os contratos estavam interligados, fazendo parte de uma mesma operação, assim se uma delas não ocorreu as demais também inexistiram. Nos levam a esta conclusão os seguintes fatos. O interessado adquiria grãos de soja de Centúria S/A e o pagamento ocorreria com as duplicatas decorrentes da venda de óleo e farelo de soja à Canorp. Este fato demonstra de forma clara a interligação entre todas as operações, ou seja, desde a aquisição dos grãos de soja, seu envio para industrialização, sua venda e posterior exportação. No mercado não é usual uma empresa vender grãos de soja em troca de duplicatas de terceiros decorrentes de um negócio futuro e incerto. Causa mais estranheza o fato de o alienante se responsabilizar pela qualidade do crédito, conforme se verifica nos contratos de aquisição dos grãos de soja: “VENDEDOR desde já as aceita como boas e valiosas para a devida liquidação.” O VENDEDOR é responsável pela legitimidade do crédito oriundo da venda da matéria prima, respondendo civil e criminalmente pelo mesmo, sujeitandose, ainda, às penalidades prescritas em lei por quaisquer atos de falsidade, inclusive as ideológicas, obrigandose, desde já, a devolver os valores efetivamente recebidos, mais multas e juros de mora e outros acréscimos que venham a ser cobrados do COMPRADOR, pelo fisco” Ora, qual empresa venderia grãos de soja em troca de duplicatas a serem geradas em uma operação futura e ainda se responsabilizaria pela qualidade dos títulos? Prossigo. Os contratos firmados com a empresa Rubi S/A previam que o produto da industrialização tinha um único destino, qual seja exportação (cláusula primeira). Estes contratos também de forma expressa determinavam a interligação de toda operação, em sua cláusula quarta: QUARTA ESPECIAL O presente contrato fica vinculado, fazendo parte da operação já iniciada, ao contrato anterior de compra e venda de grãos de soja, firmado entre a CONTRATANTE e a CENTÚRlA S.A. INDUSTRlAL, COMERCIAL E AGRÍCOLA(....). Outro fato a ser destacado é que nesta operação invariavelmente o impugnante obtinha prejuízo. A título exemplificativo destaco novamente a operação de compra de grãos de soja ocorrida no mês de agosto de 2003, contratos de fls. 202/207 e 210/213: Valor, em R$ a receber de Canorp S/A (A) (fls. 210 e 212) Valor a pagar à Centúria S/A, em R$ (B) (fl. 202) Valor a pagar à Rubi S/A, em R$, com desconto ( C) (fl. 206) Saldo da operação, em R$ = A – (B +C) 18.908.733,00 + 7.359.000,00 25.843.710,00 2.269.326,83 (1.845.303,83) Em um sistema capitalista no qual o objetivo de uma empresa é auferir lucros para sua subsistência, assim como para distribuílos aos seus sócios não é crível que uma pessoa jurídica reiteradamente faça operações nas quais obtenha prejuízo. Fl. 2990DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000230/200943 Acórdão n.º 1402001.343 S1C4T2 Fl. 0 17 Após esta exposição há que afastar a alegação da defesa de que a responsabilidade pelas irregularidades apuradas seriam de terceiros, e que não teria sido provado que o impugnante conhecia esta fraude e que agiu em conluio com as demais empresas. Ficou demonstrado que todas as etapas da operação envolvendo soja estavam interligadas, ou seja, desde a “compra” dos grãos de soja, sua “industrialização” e posterior “exportação”. Não seria crível que a CBD não estivesse ciente dos acontecimentos, afinal são operações envolvendo consideráveis quantias que deveriam ter o acompanhamento da empresa, mesmo porque impactariam de forma importante nas finanças da empresa. Outro fato importante é que o contrato firmado com a Canorp seria liquidado: “contra a apresentação dos documentos de embarque para o exterior da mercadoria”. Ora, em passagens anteriores ficou demonstrado que tanto os memorandos de exportação encaminhados pela Canorp ao impugnante, como os demais documentos de exportação, identificavam produtos exportados diversos daqueles vendidos pela CBD à Canorp. Evidente, que um dos cuidados básicos a serem adotados pelos contratantes em qualquer negócio jurídico é verificar a lisura dos documentos apresentados pela outra parte, principalmente, se deste documento resultaria o pagamento de milhões de reais. O fato de o interessado não ter se atentado que a mercadoria vendida não era a exportada, por certo indica que o negócio não existiu. Também há que rechaçar a ponderação do impugnante de que o lançamento do crédito tributário teve como escopo meras presunções, em face das inúmeras provas citadas em parágrafos anteriores, cito exemplificativamente: contratos de compra de grãos de soja, contratos de industrialização, contratos de exportação, memorandos de exportação, notas fiscais de exportação, Bill of landing, documentos de exportação, entre outros. (...) Por fim, devemos destacar trechos do trabalho efetuado pelo fisco estadual que vem ao encontro de nossa posição, ao demonstrar que as empresas Centúria, Rubi e Canorp eram utilizadas para fornecer benefícios fiscais a terceiros, por intermédio de operações fictícias de venda de grãos de soja, sua industrialização e posterior exportação de seus derivados. A fiscalização juntou aos autos (fls. 296/316) trabalho efetuado pela Diretoria Executiva da Administração Tributária– DEAT da Secretaria de Estado dos Negócios da Fazenda sobre esquema de evasão fiscal em operações com soja. Destaco as principais passagens: “1.1 Empresas estabelecidas em São Paulo foram procuradas, nos últimos anos, por elementos que se apresentam como "consultores tributários", a elas oferecendo serviços de assessoria com vistas à obtenção de expressiva redução na carga tributária por meio de créditos do ICMS, do PIS e da COFINS, e no passado de IPI, além de vantagens no IRPJ. Cuidavase daquilo que, no mercado de commodities, se denomina "performance de exportação", não obstante o fato de as empresas atraídas para o negócio atuarem em ramos de atividade econômica absolutamente estranhos ao da produção, beneficiamento e exportação da soja e seus derivados. Fl. 2991DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000230/200943 Acórdão n.º 1402001.343 S1C4T2 Fl. 0 18 1.2 Três eram as operações básicas do esquema, executadas por empresas criadas e controladas pelos seus mentores: Fornecimento da soja em grãos, com destaque do ICMS, a empresas adquirentes atraídas para o esquema; Remessa da soja, por ordem em conta dos adquirentes, para empresas beneficiadoras, com vistas à extração do óleo bruto degomado e do farelo de soja. Venda dos derivados de soja a empresas atuantes no comércio exterior, para o fim específico de exportação. 1.3 Às empresas adquirentes, beneficiárias do esquema, cabia apenas o cumprimento das obrigações acessórias previstas na legislação tributária e, obviamente, a quitação dos pagamentos previamente acordados. Em contrapartida, passaram a acumular elevado volume de créditos em conta gráfica, na medida em que os valores do tributo creditados ao ensejo da aquisição dos cereais acabavam sendo mantidos por força da exportação dos produtos extraídos do esmagamento da soja, gerando enormes reduções do imposto a recolher nos respectivos períodos de apuração. 1.4 Como adiante será mostrado, todas essas operações foram fictícias, não tendo ocorrido efetiva circulação de mercadorias. Daí então que não houve aquisição de soja em grãos, nem seu beneficiamento e muito menos a exportação de seus derivados. Houve apenas emissão de documentos fiscais reportando tais operações e comprovação fraudulenta de exportações. 1.5 (....)Nessa época, as empresas controladas pelos mentores do processo tinham posição definida no esquema: a mesma empresa podia ser fornecedora de grãos numa operação e, em outra, atuar como comercial exportadora. Era o caso da CENTÚRIA S/A INDUSTRIAL COMERCIAL E AGRÍCOLA, criada em Osasco como empresa industrial e comercial. Mas assim que estabelecida, no mesmo local, a RUBI S/A COMÉRCIO INDÚSTRIA E AGRICULTURA, a CENTÚRIA S/A, em fevereiro de 2001, a CENTÚRIA S/A, já a partir de agosto desse ano, começou a experimentar um progressivo processo de esvaziamento, deslocada para pequenas salas e com pessoas interpostas em seu quadro societário, até que transferida para o Estado do Mato Grosso, em março de 2003. O fato de continuar formalmente ativa nesse Estado tornou possível a obtenção de autorização para a impressão de 43.450 documentos fiscais. Desse total são conhecidas até o momento apenas 200 notas fiscais, utilizadas em operações fraudulentas. Quase todos os impressos foram remetidos para o antigo endereço da CENTÚRIA S/A em Osasco, onde hoje funciona a RUBI S/A. (....) Detalhamento das operacões: 1 Operação fictícia de venda de soja em grãos à empresa beneficiária do esquema, em valores superfaturados, com a finalidade de transmitir créditos fraudulentos de ICMS. 2 Suposta remessa (....) com destino à RUBI S/A, para fins de beneficiamento, por conta e ordem da empresa beneficiária do esquema. 3 Remessa simbólica da soja em grãos à RUBI S/A efetuada pela empresa beneficiária do esquema. 4 Retomo simbólico, à empresa beneficiária do esquema, dos subprodutos da soja (óleo bruto degomado e farelo de soja), em decorrência do beneficiamento supostamente efetuado pela RUBI S/A. Fl. 2992DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000230/200943 Acórdão n.º 1402001.343 S1C4T2 Fl. 0 19 5 Venda, pela empresa beneficiária do esquema, dos subprodutos da soja à CANORP, para o fim específico de exportação, em operação não tributada pelo ICMS. 6 Remessa parcelada à CANORP dos subprodutos da soja, efetuada pela RUBI S/A por ordem e conta da empresa beneficiária do esquema, para fins de exportação. (....) 2. A DUPLICAÇÃO DAS NOTAS FISCAIS DE EXPORTAÇÃO 2.1 De todos os atos fraudulentos praticados pelos mentores do esquema de evasão fiscal, nenhum se compara, pelo dolo e absoluta má fé de seus autores, ao procedimento de duplicação das notas fiscais de exportação. 2.2 Como mostrado no item anterior, a duas das empresas controladas pelo grupo havia sido atribuída a missão de "adquirir" os derivados da soja das empresas beneficiárias do esquema para o fim específico de exportação: a COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL NORTE PIONEIRO CANORP, de Japira (PR) (....). Mas como as operações anteriores de aquisição e de beneficiamento eram fictícias, não havendo, a rigor, o que exportar, os "planejadores tributários" adotaram a estratégia de simular uma operação de exportação em paralelo a uma operação real. (....) 2.4 As duas operações corriam em paralelo, tendo por suporte uma única nota fiscal de exportação, que era duplicada. No corpo da via original era indicado o nome da verdadeira empresa exportadora, da qual haviam sido adquiridos os produtos objeto da operação de exportação, enquanto que na via duplicada era indicado o nome da empresa beneficiária do esquema. 2.5 Não ocorriam, por isso mesmo, duas exportações, mas apenas uma, devidamente comprovada pelo respectivo memorando, conhecimento de transporte marítimo (BiII of Lading), fatura comercial, contrato de câmbio e por todos os extratos do SISCOMEX (Sistema Integrado de Comércio Exterior). Só que apenas uma se concretizava e a outra era simulada. (....) 2.12 O modus operandi empregado nas exportações atribuídas à CANORP foi ainda mais simples: os fraudadores simplesmente tiraram cópia reprográfica da nota fiscal antes do preenchimento, lançando, na via original, os dados da exportação real e, na cópia reprográfica, os dados da exportação fictícia. (....) 3. A ENGENHARIA FINANCEIRA DO ESQUEMA 3.1 Por tudo o que se viu até este passo, dúvidas não há a respeito daquilo que realmente se procurava vender às empresas interessadas. Não se tratava, na verdade, de negócios com soja, mas de créditos do ICMS, do PIS e da COFINS. Em passado recente, entravam também em jogo créditos do IPI. O objetivo era, por isso mesmo, gerar o maior volume possível de créditos em favor das empresas beneficiárias. Daí, então, que a primeira providência consistia em "inflar" os valores de venda da soja em grãos (....) para patamares muito acima dos preços correntes no mercado (....). Fl. 2993DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000230/200943 Acórdão n.º 1402001.343 S1C4T2 Fl. 0 20 3.2 Como visto, a empresa adquirente remetia simbolicamente a soja em grãos a uma das empresas beneficiadoras: RUBI S/A COMÉRCIO INDÚSTRIA E AGRICULTURA, (....). Não obstante os elevados custos de beneficiamento pagos pela empresa adquirente da soja em grãos, os derivados do produto farelo de soja e óleo bruto eram vendidos, por valores inferiores aos da aquisição da soja em grãos, às comerciais exportadoras do esquema: (....) e COOPERATIVA AGROPECUÁRIA NORTE PIONEIRO CANORP. 3.3 Tratavase, como se vê, de estratégia viciada por extremado artificialismo, na medida em que se atribuía a produtos industrializados valor de comerciali zação inferior ao dos insumos in natura. Bem comparando, seria o mesmo que a goiabada ter preço de venda menor do que as goiabas!(....) (....) 3.5 A engenharia financeira do esquema valeuse, neste passo, de um mecanismo de compensação, juridicamente qualificado de subrogação, pelo qual a empresa beneficiária(....) foi orientada para transferir (....) seu crédito (....), por meio de endosso na duplicata que emitiu contra esta última. Operouse, deste modo, a substituição do credor subrogante(....), pelo credor subrogado (....), que passou então a assumir o pólo ativo na relação obrigacional. (....) 3.9 Justamente nessa suposta quitação de duplicatas (....) se aninhava a farsa mais perversa do esquema de defraudação fiscal. Pois os empresários aliciados pelos "consultores tributários" da MASTER (....) ficavam sabendo que não iriam precisar retirar milhões de reais do capital de giro para fazer frente à aquisição da soja em grãos (....). 3.10 Tudo parecia ser extremamente simples e atraente: ao invés de terem que despender, digamos, 10 milhões de reais, na aquisição de 1.451 toneladas de soja em grãos, bastaria aos felizardos empresários pagar por volta de R$ 950.000,006 para serem contemplados com um crédito correspondente a 12% de ICMS, a 7,6% de COFINS e a 1,65% de PIS, num total de R$ 2.125.000,00! E com a vantagem de poderem apropriarse imediatamente de tais créditos, sem preci sarem esperar pelas exportações. Um verdadeiro negócio da China, como se vê, onde só o que conta são os créditos, e não as operações com soja. (....) 5. EMPRESAS DO ESQUEMA ENVOLVIDAS 5.1 Além das já apontadas empresas com funções operacionais, destacamse as "consultorias tributárias", encarregadas de montar o esquema e de promover o aliciamento das empresas às quais são ofertadas as chamadas operações de "performance" de exportação. (....) 5.2 Mas outras empresas de consultoria acabaram se associando à MASTER, (....) Tais consultorias atuaram, na verdade, com coadjuvantes da MASTER na tarefa de aliciamento das empresas para o esquema de evasão fiscal. 5.3.(....)Conhecidas empresas de auditoria, algumas de reputação internacional como a DELOITTE TOUCHE TOHMATSU CONSULTORIA CONTÁBIL E TRIBUTÁRIA S/C LTDA (....). (....) 6. RELATÓRIOS DE DILIGÊNCIAS FISCAIS E ANÁLISE DOCUMENTAL 6.1 Em face dos limites do presente relatório, não foram narradas, em detalhes, as diligências realizadas junto às empresas montadas para operacionalizar o Fl. 2994DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000230/200943 Acórdão n.º 1402001.343 S1C4T2 Fl. 0 21 esquema, constantes de vários relatórios de diligências fiscais e análise documental. Estes os relatórios já concluídos: CENTÚRIA S/A INDUSTRIAL COMERCIAL E AGRÍCOLA Primeira das empresas montadas (....), que funcionou inicialmente em Osasco e acabou formalmente transferida para Rondonópolis (MT) e depois para Cuiabá (MT). As diligências provaram que a empresa jamais entrou em efetiva atividade em ambos os municípios, conquanto lograsse obter autorização para impressão de 43.450 documentos fiscais, dos quais são conhecidos apenas 200, consoante já dito. Os livros contábeis da CENTÚRIA S/A foram encontrados na latrina do estabelecimento filial da (....). COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL DO NORTE PIONEIRO CANORP.(....) Diligências promovidas no local revelaram um estabelecimento em situação de abandono, coberto por poeira. Não foram encontrados equipamentos apropriados à industrialização de soja ou de canadeaçúcar, nem estoques de soja, e muito menos tanques destinados à armazenagem de óleo de soja. Constatouse, enfim, que as operações atribuídas à CANORP eram apenas escriturais. Apenas notas fiscais em branco foram encontradas, tudo indicando que o preenchimento dos documentos igualmente se processou em São Paulo, no estabelecimento onde situada a RUBI S/A COMÉRCIO INDÚSTRIA E AGRI CULTURA. (g.n.) Todos estes fatos levam à mesma conclusão da fiscalização, ou seja, todas as operações estavam interligadas e não existiram. (...)” Pois bem, pela análise dos autos estou convencido de que não há que se falar em incidência do IRFonte em face de pagamento sem causa nessas operações, pois: 1) ocorreu a incidência do IRFonte, na pagamento dos serviços prestados à Máster, bem como à Rubi, sendo que tais empresas, em principio, ofereceram tais valores à tributação (fato incontroverso nos autos); 2) foram juntados documentos pela Recorrente que demonstram ter havido a prestação de mencionados serviços (industrialização e consultoria tributária), bem como que demonstram a ocorrência de todas as transações financeiras das etapas da operação descritas pela Fiscalização; 3) os beneficiários dos pagamentos foram todos identificados, quanto a isso não se tem dúvida; 5) se tais operações ocorreram exatamente como descreveu o Fisco e que os benefícios da autuada foram exatamente os créditos do PIS/Cofins e IPI (isso sim tratase de fato incontroverso), então a operação teve causa, qual seja, obter tais ganhos, sendo que os valores pagos nada mais é do que a devolução dos recebimentos somados à parcela pela “prestação dos serviços”. Frisese que também não há dúvida quanto a receita obtida pela autuada, tanto que o fisco corretamente compensou tais valores com as despesas glosadas pelo que apurou apenas 401,94 de base de calculo do IRPJ. 4) se por outro lado, as operações forem verdadeiras e a contribuinte autuou de boa fé, então não há mesmo que se falar em pagamentos em causa. 5) nos exatos termos do art. 3o. do CTN, tributo não é sacão de ato ilícito. Fl. 2995DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000230/200943 Acórdão n.º 1402001.343 S1C4T2 Fl. 0 22 Cabe razão ao ilustre representante da contribuinte quando afirma nos memórias que: “(...) Ademais, ainda que se admitisse a duplicação das notas fiscais de exportação (ou seja, que a soja tenha sido vendida no mercado interno, por exemplo), o que se alega apenas a título de argumentação, tal fato não pode servir de prova para se inferir que as operações de industrialização (empresa Rubi) e de prestação de serviços de consultoria (empresa Master) contratados pela Recorrente não existiram. (...) Ou seja , caso a Fiscalização desejasse autuar os pagamentos efetuadas pela Recorrente à Master e à Rubi por terem sido supostamente sem causa, a Fiscalização deveria ter demonstrado e comprovado que tais pagamentos referemse à operações que não ocorreram, o que não foi feito no presente caso, pois as provas produzidas limitaramse a demonstrar a existência de incongruências nas notas fiscais de exportação.” Repita: a soja foi comprovada, processada, vendida e recebida pela contribuinte. Logo, o serviço foi prestado pelas empresas Máster e Rubi. A acusação fiscal é de que essa venda não se deu mediante exportação, fato que definitivamente não pode ensejar a exigência de IRFonte sob a acusação de pagamento sem causa. Deixo de apreciar as demais alegações da recorrente em face do cancelamento da exigência pelos fundamentos acima. Por fim registro que o auto de infração do IRPJ não foi objeto de recurso pelo contribuinte. CONCLUSÃO. Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de superar as preliminares, para no mérito, negar provimento ao recurso de oficio e dar provimento ao recurso voluntário e cancelar integralmente a exigência do IRFonte. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 2996DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 11543.001193/2008-61
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE.
A apresentação de DARF cujo número de referência e o nome da contribuinte coincidem com o número do processo e da demandante discriminados em alvará expedido por Vara Trabalhista evidencia a vinculação do imposto compensado na declaração de ajuste anual com o valor recolhido, devendo tal valor ser apropriado ao débito lavrado na data do efetivo recolhimento.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2801-002.934
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Antonio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Carlos César Quadros Pierre. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Ausente, ainda, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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A apresentação de DARF cujo número de referência e o nome da contribuinte coincidem com o número do processo e da demandante discriminados em alvará expedido por Vara Trabalhista evidencia a vinculação do imposto compensado na declaração de ajuste anual com o valor recolhido, devendo tal valor ser apropriado ao débito lavrado na data do efetivo recolhimento. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Carlos César Quadros Pierre. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Ausente, ainda, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 11 93 /2 00 8- 61 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 11543.001193/200861 Acórdão n.º 2801002.934 S2TE01 Fl. 54 2 Por bem descrever os fatos, adotase o relatório do acórdão de primeira instância (fl. 25 deste processo digital), reproduzido a seguir: Tratase de Notificação de Lançamento expedida em nome da contribuinte em epígrafe, relativa ao exercício de 2005 que reduziu o imposto a restituir de R$ 2.435,31 para R$ 0,00. O lançamento originouse da revisão da Declaração de Ajuste Anual do exercício em questão, onde foi constatada Compensação indevida de imposto de renda retido na fonte no valor de 2.435,31 por falta de comprovação do seu recolhimento por meio de DARF. Encontramse identificados nos documentos de fls. 2/6 o enquadramento legal das infrações, as alterações na base de cálculo, bem como o saldo do imposto apurado. A contribuinte tomou ciência da notificação em 01/04/2008 e, em 07/04/2008, apresentou impugnação acompanhada dos documentos de fls. 2/6 alegando resumidamente que na época em que foi intimada não possuía o DARF pago. Somente em 12/03/2008 o imposto foi efetivamente pago conforme DARF que anexa. Finalmente solicita o acolhimento da impugnação para modificar a notificação de lançamento. É o relatório. A impugnação apresentada pela contribuinte foi julgada improcedente por meio do acórdão de fls. 23/26, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2005 DEDUÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO DO RECOLHIMENTO. O imposto retido na fonte somente poderá ser deduzido na declaração de rendimentos se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora ou comprovante de recolhimento correspondente ao rendimento declarado. Cientificada da decisão em 11/03/2011 (fl. 27), a Interessada apresentou recurso em 01/04/2011, alegando, em síntese, que, como a decisão recorrida se baseou na ausência de provas, anexa ao presente recurso todos os documentos retirados dos autos do Processo Trabalhista nº 00294.2003.006.17.00 (documentos de fls. 31/51). Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Fl. 54DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 11543.001193/200861 Acórdão n.º 2801002.934 S2TE01 Fl. 55 3 Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. Os julgadores da instância de piso entenderam pela inexistência de provas de que o DARF apresentado pela Interessada, no valor de R$ 2.992,25 (fl. 8 deste processo digital), referese ao rendimento declarado, ainda que dele constasse o número do alvará expedido pela 6ª Vara do Trabalho de Vitória/ES e o número do processo que originou os rendimentos, haja vista não ter sido acostado aos autos qualquer documento que evidenciasse a vinculação do imposto compensado na declaração de ajuste anual da Recorrente com o valor recolhido. À peça recursal foram anexados, dentre outros documentos, o Alvará Judicial nº 517/2008 (fl. 50), por intermédio do qual o Juiz da 6ª Vara do Trabalho de Vitória/ES determinou fosse efetuado o pagamento à Fazenda Nacional da importância de R$ 2.983,80, acrescida de atualização monetária, correspondente ao depósito efetuado na Caixa Econômica Federal – CEF em 25/02/2008, referente ao Processo 00294.2003.006.17.006, demandante Fátima Regina da Cruz Santos Cardoso e demandado Walter Alves Noronha. O número de referência constante do DARF apresentado coincide com o número do processo discriminado no alvará expedido pela 6ª Vara do Trabalho de Vitória/ES, assim como o nome da demandante e o próprio número do alvará. Na declaração de ajuste anual da Recorrente foram lançados rendimentos pagos por Walter Alves Noronha (demandado) e o respectivo imposto glosado pela Fiscalização (R$ 2.435,31), embora indevidamente na ficha de “Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoas Jurídicas”. Assim, entendo que os documentos apresentados pela Interessada, em sede recursal, comprovam, de forma inequívoca, que o imposto de renda recolhido em 12/03/2008, no valor de R$ 2.992,25, referese ao rendimento declarado no exercício de 2005. Nesse contexto, voto por dar provimento parcial ao recurso para que seja apropriado ao débito em discussão o valor constante do DARF cuja cópia foi apresentada pela Recorrente, na data do efetivo recolhimento (12/03/2008). Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 55DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGALHAES
score : 1.0
Numero do processo: 12466.004505/2006-59
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 03/08/2001 a 03/01/2002
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE MATERIAL POR VÍCIO DE MOTIVO. PENDÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL.
Estando a matéria objeto do auto de infração sendo discutida nos autos de ação rescisória ajuizada pela Fazenda Nacional para desconstituir decisão judicial transitada em julgada que deferiu a terceiro a cessão de seus créditos à Recorrida, não cabe a lavratura de auto de infração sob motivo de não pagamento com a exigência de multa de ofício, mas tão somente caberia o lançamento sob motivo de prevenção da decadência sem a exigência de multa de ofício. Caracterizou-se, nos autos, evidente vício de motivo, o que compromete a validade material do lançamento.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-002.065
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo da Costa Pôssas, Marcos Aurélio Pereira Valadão e Otacílio Dantas Cartaxo, que davam provimento.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Nanci Gama - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: NANCI GAMA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 03/08/2001 a 03/01/2002 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE MATERIAL POR VÍCIO DE MOTIVO. PENDÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. Estando a matéria objeto do auto de infração sendo discutida nos autos de ação rescisória ajuizada pela Fazenda Nacional para desconstituir decisão judicial transitada em julgada que deferiu a terceiro a cessão de seus créditos à Recorrida, não cabe a lavratura de auto de infração sob motivo de não pagamento com a exigência de multa de ofício, mas tão somente caberia o lançamento sob motivo de prevenção da decadência sem a exigência de multa de ofício. Caracterizou-se, nos autos, evidente vício de motivo, o que compromete a validade material do lançamento. Recurso Especial do Procurador Negado.
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NULIDADE MATERIAL POR VÍCIO DE MOTIVO. PENDÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. Estando a matéria objeto do auto de infração sendo discutida nos autos de ação rescisória ajuizada pela Fazenda Nacional para desconstituir decisão judicial transitada em julgada que deferiu a terceiro a cessão de seus créditos à Recorrida, não cabe a lavratura de auto de infração sob motivo de “não pagamento” com a exigência de multa de ofício, mas tão somente caberia o lançamento sob motivo de “prevenção da decadência” sem a exigência de multa de ofício. Caracterizouse, nos autos, evidente vício de motivo, o que compromete a validade material do lançamento. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo da Costa Pôssas, Marcos Aurélio Pereira Valadão e Otacílio Dantas Cartaxo, que davam provimento. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Nanci Gama Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 45 05 /2 00 6- 59 Fl. 2403DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional com fulcro no artigo 56, inciso II do antigo Regimento Interno do Conselho de Contribuintes, bem como no artigo 7º, incisos I e II do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, ambos os regimentos aprovados pela Portaria nº 147/2007, em face ao acórdão de nº 302 39.443, proferido em 19/05/2008, o qual, por maioria de votos, acolheu a preliminar de nulidade do auto de infração por vício material, tendo, entretanto, rejeitado as demais preliminares, conforme ementa a seguir: “DA COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE FISCAL PARA LAVRAR O AUTO DE INFRAÇÃO É competente para lançamento de tributos a autoridade fiscal do domicílio do contribuinte, forte no Regimento Interno da Receita Federal do Brasil e, ainda, no caso, com base no art. 9º do PAF. DA COMPETÊNCIA PARA DESCONSTITUIR A APROVAÇÃO DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO Não sendo os autos caso de desconstituição de pedido de compensação de crédito, mas mera obediência à decisão judicial e administrativa determinando o lançamento de tributos, não há que se tratar de competência para desconstituição de pedido de compensação. NORMAS PROCESSUAIS – NULIDADE. Afora as hipóteses de expressa dispensa do MPF, é inválido o lançamento de crédito tributário formalizado por agente do Fisco sem aquele documento. NULIDADE. VÍCIO FORMAL. Ultrapassadas as preliminares quanto à competência do agente fiscal, os requisitos formais do auto de infração são aqueles que estão listados no art. 10 do Decreto 70.235/72, os quais estão presentes no caso em exame. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. O vício material de motivo ocorre quando a matéria, de fato ou de direito, em que se fundamenta o auto de infração, é materialmente inexistente ou juridicamente inadequada ao resultado obtido, ou seja, quando o fato narrado pela autoridade fiscal não ocorreu ou ocorreu de maneira distinta daquela lançada. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.” O acórdão recorrido entendeu, em síntese, que a fiscalização não poderia ter lavrado auto de infração para constituir crédito tributário de II e de IPI pela falta de pagamento com exigência simultânea de multa de ofício, mas tão somente poderia têlo feito para prevenir a decadência sem multa de ofício em conformidade ao disposto no artigo 63 da Lei 9.430/96, Fl. 2404DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 12466.004505/200659 Acórdão n.º 9303002.065 CSRFT3 Fl. 2.309 3 tendo em vista que o crédito tributário objeto do presente auto de infração estaria com a exigibilidade suspensa. Com efeito, fundamentou que a exigibilidade do crédito tributário estaria suspensa pelo fato de a Fazenda Nacional ter obtido medida cautelar de ação rescisória que teria suspendido os efeitos da decisão judicial transitada em julgado que autorizou a cessão de créditos da SAB COMPANY EXPORTADORA para a autuada, que, por sua vez, teria os utilizado para compensar os débitos de II e de IPI objeto do presente lançamento. Assim, entendeu o acórdão recorrido que o auto de infração teria incorrido em vício de motivo, o que acarretaria na sua nulidade material. Inconformada, a Fazenda Nacional, em 05/06/2009, interpôs recurso especial por contrariedade à lei e à evidência das provas, aduzindo, em síntese, que o acórdão recorrido teria sido proferido em contrariedade aos artigos 10, 59 e 60 do Decreto 70.235/72, bem como aos artigos 63 da Lei 9.430/96 e 151 do CTN e, ainda, teria contrariado as provas colacionadas aos autos às fls. 04/06 e 141/194, nas quais restarseia comprovado que a decisão judicial transitada em julgado, a qual haveria o cunho suspensivo, teria sido proferida em favor de terceiro estranho ao presente processo administrativo, quem seja, a SAB COMPANY EXPORTADORA, não havendo que se falar em suspensão da exigibilidade dos débitos objeto do presente auto de infração, o qual não teria sido lavrado apenas para prevenir a decadência. Além disso, a Recorrente alegou que independentemente do fato de o auto de infração ter sido ou não lavrado para prevenir a decadência, isso não constituiria o seu motivo, mas sim a sua finalidade, que, por sua vez, é efeito automático de todo e qualquer lançamento, não cabendo a decretação da nulidade material do lançamento por essa razão. Em exame de admissibilidade de fls. 2.187/2.189, o i. Presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF deu seguimento ao recurso especial por contrariedade à lei e à evidência das provas interposto pela Fazenda Nacional com fulcro no artigo 4º do atual Regimento Interno do CARF, o qual prevê a possibilidade de interposição de recurso por contrariedade à lei ou à evidência das provas contra os acórdãos proferidos na época da vigência da Portaria MF nº 147/2007. Regularmente intimado, o contribuinte apresentou suas contrarrazões às fls. 2.202/2.232, requerendo não fosse conhecido o recurso especial por contrariedade à lei ou à evidência das provas, ou que, caso assim não se entendesse, lhe fosse negado integral provimento para manutenção do acórdão a quo. É o relatório. Voto Conselheira Nanci Gama, Relatora O recurso especial por contrariedade à lei ou à evidência das provas interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, razão pela qual passo a analisar sua admissibilidade. Fl. 2405DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Como é cediço, o recurso especial por contrariedade à lei ou à evidência das provas não mais é cabível de ser interposto em face de decisões proferidas após a vigência do atual Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF 256/2009. No entanto, tendo o acórdão recorrido sido proferido em 19/05/2008, época que ainda vigia o antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais que, em seu artigo 7º, I previa que “compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão nãounânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova”, mister se faz a aplicação desse antigo Regimento. E, para corroborar esse entendimento, o atual Regimento Interno do CARF, prevendo exatamente essa hipótese, previu, em seu artigo 4º, que “os recursos com base no inciso I do art. 7º, no art. 8º e no art. 9º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, interpostos contra os acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior à vigência do Anexo II desta Portaria, serão processados de acordo com o rito previsto nos arts. 15 e 16, no art. 18 e nos arts. 43 e 44 daquele Regimento”. Dessa forma, conheço do recurso especial por contrariedade à lei e à evidência das provas interposto pela Fazenda Nacional, tendo em vista que os demais requisitos de admissibilidade previstos no antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais foram atendidos. Passo ao exame do mérito. Conforme se depreende do relatório, cingese a controvérsia em dirimir se o auto de infração em epígrafe restou eivado de vício material de motivo. Primeiramente, mister se faz mencionar que o próprio auto de infração, no campo relativo à descrição dos fatos, previu que “a empresa SAB TRADING COMERCIAL EXPORTADORA S/A, CNPJ 42.354.274/000129, através de decisões proferidas no Mandado de Segurança preventivo n° 1999.61.00.0509823/SP, no Agravo de Instrumento n° 1999.03.00.0607404/SP, na Medida Cautelar n° 2002.03.000527070/SP, no Mandado de Segurança preventivo n° 99.00166582/RJ, no Agravo n° 99.02.294464/RJ e na Apelação em Mandado de Segurança n° 2001.02.01.0470300/RJ, tudo conforme explicitado na Informação Fiscal n° 77/2004 da SAORT da Alfândega do Porto de Vitória, (cujas cópias encontramse anexas ao presente auto), obteve o direito a utilização dos créditosprêmio de IPI para compensação com débito de terceiros.” Dentro desse trecho “débito de terceiros”, estava inserido o débito de II e de IPI da autuada SAB SP TRADING COMPANY S.A. (atualmente denominada de SERVER COMPANY COMÉRCIO INTERNACIONAL S.A.), o qual foi constituído no presente lançamento juntamente à multa de ofício, sob motivo afeto à “falta de recolhimento”. A autuada (SAB SP TRADING COMPANY S.A.), com base em decisão judicial transitada em julgado em favor da SAB TRADING COMERCIAL EXPORTADORA S.A., se utilizou do crédito que lhe foi cedido por esta para compensar os débitos ora exigidos, e, confiando na segurança jurídica que a coisa julgada lhe proporcionara, acreditou ter extinto o crédito tributário objeto do presente auto de infração por força de aludida decisão judicial transitada em julgado bem como do disposto no artigo 156, II do CTN que prevê que “extinguem o crédito tributário: a compensação”. Fl. 2406DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 12466.004505/200659 Acórdão n.º 9303002.065 CSRFT3 Fl. 2.310 5 No entanto, para a surpresa da Recorrida, a Fazenda Nacional ajuizou ação rescisória visando desconstituir a decisão judicial transitada em julgado que deferiu à SAB TRADING COMERCIAL EXPORTADORA S.A a cessão dos seus créditos a terceiros. E, para maior surpresa ainda, a Fazenda Nacional obteve medida cautelar que suspendeu os efeitos de aludida decisão judicial transitada em julgado, o que fez com que os débitos, anteriormente entendidos como extintos por compensação, passassem a ter suas exigibilidades suspensas até o julgamento final da ação rescisória por força do artigo 151, V do CTN. E foi observando isso que, conforme descrição dos fatos do auto de infração, “o Sr. Inspetor da Alfândega do Porto de Vitória – ES, conforme despacho exarado às fls. 217 do processo n° 12466.002362/0020 (cópia anexa), determinou a lavratura do competente auto de infração visando prevenir a decadência dos créditos tributários em tela, acatando parecer do SECAT às fls. 204 e 205 do mesmo processo (cópia anexa)”. No entanto, em que pese a própria descrição dos fatos prever aludida determinação para lavratura de auto de infração para prevenir a decadência, a conclusão de aludida descrição fática surpreendentemente se deu nos seguintes termos: “Por fim, lavramos este auto de infração para constituição do crédito tributário correspondente aos valores do II que deixaram e ser recolhidos nas Declarações de Importação objeto do presente auto, acrescido dos juros e multa de ofício pelo não pagamento”. Ora, como é possível manter a validade material de um auto de infração que ao mesmo tempo que descreve a existência de uma série de ações judiciais que resultaram na suspensão dos efeitos da decisão judicial que autorizava o contribuinte a se utilizar de créditos da SAB TRADING COMERCIAL EXPORTADORA S.A para compensar seus débitos, aplica multa de ofício e conclui por lavrar um auto de infração sob motivo de “não pagamento”? Restase notória a contradição da descrição fática do lançamento, bem como das conclusões práticas do mesmo. E foi tentando sanar referida contradição que o julgador de primeira instância excluiu a aplicação da multa de ofício sob a justificativa de que “se trata de matéria cuja apreciação depende de decisão a ser proferida pelo poder judiciário em sede de Ação Rescisória impetrada contra o acórdão que, transitado em julgado, reconheceu o direito ao créditoprêmio do IPI requerido pela cedente desse direito”. Exatamente pelo fato de a matéria objeto do presente auto de infração estar sendo discutida nos autos da ação rescisória é que o mesmo deveria ter sido lavrado para prevenir a decadência e não para constituir o crédito tributário pelo “não pagamento”. Considerar o auto de infração em tela como sendo um ato materialmente válido seria desconsiderar que a compensação dos débitos objeto do presente auto de infração está sendo discutida judicialmente em sede de ação rescisória, bem como seria uma afronta ao princípio da segurança jurídica que a decisão judicial transitada em julgado proporcionou em um dado momento tanto para o cedente do crédito quanto para o cessionário do mesmo. Em face do exposto, considerando que o motivo invocado pelo fiscal, qual seja, o “não pagamento”, não coincide com o motivo de fato pelo qual o auto de infração deveria ter sido lavrado, qual seja, a prevenção da decadência, voto no sentido de conhecer o Fl. 2407DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 recurso especial interposto pela Fazenda Nacional para, no mérito, negarlhe provimento no sentido de manter a nulidade material do auto de infração. Nanci Gama Fl. 2408DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 10880.955758/2008-38
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1998 RESTITUIÇÃO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. [...]. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considera-se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. (STF Repercussão Geral).
Numero da decisão: 1803-001.295
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a tempestividade da declaração de compensação, devendo os autos retornarem à unidade de origem a fim de ser analisado o mérito do pedido.
Nome do relator: SELENE FERREIRA DE MORAES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 RESTITUIÇÃO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. [...]. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerase válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. (STF Repercussão Geral). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a tempestividade da declaração de compensação, devendo os autos retornarem à unidade de origem a fim de ser analisado o mérito do pedido. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 23/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10880.955758/200838 Acórdão n.º 180301.295 S1TE03 Fl. 2 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: “1.Tratase de manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório eletrônico (Rastreamento n° 808262715), que não reconheceu o crédito de 194.322,00 (cento e noventa e quatro mil, trezentos e vinte e dois reais), referente ao saldo negativo de IRPJ, do anocalendário 1998, demonstrado na declaração de compensação, PER/DCOMP n° 13001.29493.041004.1.3.022110, sob o fundamento de que o direito à compensação estava extinto, por decurso do prazo de cinco anos entre a data de transmissão (04/10/2004) e a data de apuração do saldo negativo (31/12/1998), assim como não homologou os débitos compensados na referida declaração e na de n° 26939.46207.291004.1.3.025024. 1.1. De acordo com o Despacho Decisório impugnado, o valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 28/11/2008, tem a seguinte composição: (...) 1.2. As citadas declarações de compensação (cópias) constam às fls. 06/17 e 18/27. 2. Por meio do instrumento, às fls. 28/47, acompanhado dos documentos, às fls. 49/372, a Manifestante alega, em síntese, que: 2.1.0 crédito (saldo negativo de IRPJ do ano calendário 1998) em favor da Impugnante é inconteste tendo sido apurado no momento da elaboração e transmissão da DIPJ 1999 (original e retificadora) sendo que sua origem decorre de pagamentos de estimativa mensais (DCTF e guias de recolhimentos) em face de prejuízo fiscal; 2.2. não há qualquer causa extintiva, impeditiva ou modificativa do direito da Requerente à restituição/compensação do indébito tributário discutido, devendo ser homologada a compensação efetuada; 2.3. nos termos do art. 168, I, c/c 156, V I I , ambos do CTN, o prazo para pleitear a restituição começa a fluir a partir da homologação do lançamento, ou seja, não havendo homologação expressa, homologase automaticamente o lançamento após 05 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, Fl. 421DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 23/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10880.955758/200838 Acórdão n.º 180301.295 S1TE03 Fl. 3 3 acrescentandose mais 05 (cinco) anos para a Requerente repetir/compensar o indébito tributário; 2.4. no caso, a homologação tácita ocorreu somente em 31/12/2003, momento em que se iniciou o prazo decadencial de cinco anos para pedir a restituição/compensação do indébito; 2.5. nestes termos, e, segundo a jurisprudência consolidada do STJ e do Conselho de Contribuinte do Ministério da Fazenda, somente em 01/01/2009, estaria extinto o direito de utilização do indébito; 2.6. a decisão recorrida é nula e deve ser reformada, haja vista a regularidade da utilização dos créditos; 2.7. a legislação acerca da decadência e da prescrição do indébito tributário prevista na Lei Complementar n° 118/05 não se aplica ao presente caso visto que inovou na ordem jurídica apenas após o ano de 2005; 2.8 o art. 3° da LC n° 118/05, não apenas trouxe nova interpretação mas inovou na ordem jurídica ao alterar o termo inicial, que não mais será o momento da extinção do crédito, mas o do pagamento antecipado sujeito anda à homologação; 2.9. o art. 4° da LC 118/05, ao tentar retroagir seus efeitos, acabou por incorrer em absoluta inconstitucionalidade e ilegalidade, principalmente, pelo fato que o objetivo da norma foi o de alterar o entendimento consolidado em nossos tribunais; 2.10. Anexa textos da doutrina e da jurisprudência; 2.11. a decisão deve ser reformada para reconhecer o entendimento consolidado do STJ sobre o prazo de 10 anos (05+05); 2.12. ainda que se considere o prazo de cinco anos, o indébito não foi atingido pela decadência, uma vez que somente no momento da apuração do prejuízo fiscal é que se pode aferir se os pagamentos por estimativa mensal, que são meras antecipações, foram maior que o devido, assim, a contagem do prazo decadencial se inicia com a elaboração e transmissão da declaração. 2.13. a declaração anual deve ser considerada para se constituir, efetiva e completamente, a ocorrência do fato gerador do tributo devido ou do crédito tributário (anexa julgados do Conselho de Contribuintes); 2.14. no caso, a DIPJ/99 foi transmitida em 29/10/1999 e as PER/DCOMP, em 04/102004 e 29/10/2004, não se verificando a decadência; 2.15. nos termos da legislação tributária (IN 600/05, art. 114, da Lei 11.196/2005 e Portaria Interministerial SRF), há determinação expressa para que a RFB, antes de autorizar qualquer restituição e/ou compensação, com débitos vincendos, Fl. 422DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 23/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10880.955758/200838 Acórdão n.º 180301.295 S1TE03 Fl. 4 4 deverá realizar a compensação de ofício do crédito do contribuinte com débitos vincendos. 2.16. o art. 163, do CTN, determina a competência da autoridade administrativa para proceder à imputação/alocação de pagamentos conforme os critérios previstos nessa legislação o que também se aplica à compensação de ofício; 2.17. a compensação de ofício nada mais é do que a aplicação do princípio constitucional da celeridade processual, consagrado expressamente pelo inciso L X X V I I I , da C F ; 2.18. ainda que não sejam homologadas as compensações requeridas, deve ser reconhecida a obrigatoriedade da compensação de ofício, pois na data da ocorrência dos respectivos fatos geradores (débitos compensados), já existia crédito suficiente para realizar a compensação. 2.19. nesse raciocínio, uma vez existente crédito suficiente para compensação de ofício dos débitos declarados nas Dcomp, nas datas de ocorrência dos fatos geradores, e considerando que a Requerente inclui equivocadamente a multa nos débitos, devem os valores incluídos indevidamente ser reconhecidos como saldo credor remanescente em favor da Requerente; 2.20. a Requerente já era titular de saldo negativo de IRPJ, em valores muito superiores ao dos débitos, nas respectivas datas dos fatos imponíveis; 2.21 a multa deve ser excluída e realizada a compensação ; 2.22. tendo em vista o princípio da verdade material, que informa o processo administrativo e sob pena de cerceamento de defesa rogase pela análise dos documentos, bem como de outros, que desde já protestase pela posterior juntada e ainda pela sustentação oral;” A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação, com base nos seguintes fundamentos: a) A entrega da primeira DCOMP, que contém o demonstrativo crédito, ocorreu em 04/10/2004, e, a segunda, em 29/10/2004, ou seja, ambas foram entregues depois de decorrido o prazo de cinco anos, contados a partir de 31/12/1998, data em que já se poderia apurar o saldo negativo de IRPJ, no valor de R$ 194.322,00. b) A compensação de ofício não é um direito do contribuinte, mas dever da administração de não restituir valores a contribuinte que é devedor da União. Fica, portanto, indeferida a compensação de ofício, nos moldes requeridos pela Manifestante. c) Não há que se afastar a multa de mora sob alegação de que, quando da ocorrência dos fatos geradores dos débitos declarados no PER/DCOMP, havia saldo suficiente de CSLL para realizar a compensação. No caso dos autos a Impugnante incluiu débitos Fl. 423DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 23/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10880.955758/200838 Acórdão n.º 180301.295 S1TE03 Fl. 5 5 que já estavam vencidos quando da entrega do PER/DCOMP e, atendendo à legislação tributária, informou valores a título de juros e multa de mora. d) Há de se indeferir o pedido de sustentação oral das razões de defesa, uma vez que as normas que regem o processo administrativo não prevêem tal possibilidade no julgamento em primeira instância administrativa. Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que, tece as seguintes considerações: a) É comprovada a existência do direito creditório. b) O prazo para pleitear a restituição começa a fluir a partir da homologação do lançamento, após cinco anos da ocorrência do fato gerador, acrescentandose mais 5 anos para a recorrente repetir/compensar o indébito tributário. c) O pedido de compensação foi formalizado dentro do prazo de cinco anos contados entre a data da entrega da DIPJ e a data da transmissão das PER/Dcomp’s, não ocorrendo a decadência do direito da recorrente. d) É indevida a incidência de multa nos débitos compensados. É o relatório. Voto Conselheira Selene Ferreira de Moraes A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 31/01/2011 (AR de fls. 385). O recurso foi protocolado em 25/02/2011, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. O direito creditório pleiteado no presente processo é o saldo negativo de IRPJ apurado no ano calendário de 1998. Não houve análise da liquidez e certeza do saldo negativo pleiteado pela recorrente, uma vez que, a não homologação fundamentouse na extinção do direito de utilização do crédito. Nos termos do despacho o termo inicial é a data da ocorrência do fato gerador. A declaração foi entregue em 04/10/2004, ou seja, após o decurso do prazo de cinco anos a contar do fato gerador. Quanto ao prazo para repetição ou compensação de indébitos, deve ser trazido à colação –se no acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática art. 543B do Código de Processo Civil: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA Fl. 424DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 23/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10880.955758/200838 Acórdão n.º 180301.295 S1TE03 Fl. 6 6 VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 23/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10880.955758/200838 Acórdão n.º 180301.295 S1TE03 Fl. 7 7 Recurso extraordinário desprovido.”(RE 566.621/RS, DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011) Nos termos da decisão do STF, o prazo de cinco anos após o pagamento indevido apenas aplicase às ações ajuizadas a partir de 9 de junho de 2005. Por sua vez, o art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria n° 256, de 22 de junho de 2009, assim dispõe: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” No presente caso a declaração de compensação do saldo negativo de 1998 foi transmitida em 04/10/2004, ou seja, antes da inovação legislativa trazida pela Lei Complementar n° 118/2005, de acordo com o entendimento do Supremo Tribunal Federal. Como a autoridade administrativa não verificou a liquidez e certeza do saldos negativo de IRPJ relativo ao ano de 1998, não é possível apreciar o mérito da compensação. Ante todo o exposto, dou provimento parcial ao recurso para afastar a preliminar de prescrição do prazo para repetição ou compensação de indébito, devendo os autos retornarem à unidade de origem a fim de ser analisado o mérito do pedido, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 426DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 23/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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Numero do processo: 11080.001461/2008-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 28/02/2003, 10/03/2003, 31/03/2003, 10/04/2003, 20/04/2003, 30/04/2003, 10/05/2003, 20/05/2003, 31/05/2003
IPI. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO.
Tendo sido o auto de infração lavrado com a exigibilidade suspensa, prevalece tal suspensão até cessarem as causas que a determinaram.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DUPLICIDADE.
Não há duplicidade de lançamento quando o Auto de Infração formaliza a exigência de tributo declarado em DCTF, cuja compensação informada tenha sido cancelada a pedido do contribuinte.
MULTA APLICÁVEL NA COBRANÇA DE DÉBITOS DECLARADOS. Os débitos declarados em DCTF e não pagos no vencimento devem ser exigidos com juros e multa de mora.
MULTA DE OFÍCIO
Cabível a multa de ofício, por falta de recolhimento de débito não confessado na DCTF, mas que tenha sido informado em Dcomp, que posteriormente foi objeto de pedido de desistência deferido pela DRJ.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-002.011
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termo do voto do relator. O conselheiro Jonathan Barros Vita acompanhou o relator pelas conclusões.
(Assinado digitalmente)
Walber José da Silva - Presidente
(Assinado digitalmente)
José Antonio Francisco - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Jonathan Barros Vita.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 28/02/2003, 10/03/2003, 31/03/2003, 10/04/2003, 20/04/2003, 30/04/2003, 10/05/2003, 20/05/2003, 31/05/2003 IPI. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. Tendo sido o auto de infração lavrado com a exigibilidade suspensa, prevalece tal suspensão até cessarem as causas que a determinaram. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DUPLICIDADE. Não há duplicidade de lançamento quando o Auto de Infração formaliza a exigência de tributo declarado em DCTF, cuja compensação informada tenha sido cancelada a pedido do contribuinte. MULTA APLICÁVEL NA COBRANÇA DE DÉBITOS DECLARADOS. Os débitos declarados em DCTF e não pagos no vencimento devem ser exigidos com juros e multa de mora. MULTA DE OFÍCIO Cabível a multa de ofício, por falta de recolhimento de débito não confessado na DCTF, mas que tenha sido informado em Dcomp, que posteriormente foi objeto de pedido de desistência deferido pela DRJ. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termo do voto do relator. O conselheiro Jonathan Barros Vita acompanhou o relator pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 14 61 /2 00 8- 39 Fl. 429DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 2 (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Jonathan Barros Vita. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 400 a 421) apresentado em 06 de outubro de 2011 contra o Acórdão no 1528.063, 16 de agosto de 2011, da 4ª Turma da DRJ/SDR (fls. 376 a 390), cientificado em 09 de setembro de 2011, que, relativamente a auto de infração de IPI dos períodos de fevereiro a maio de 2003, considerou a impugnação procedente em parte, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 28/02/2003 a 31/05/2003 SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. A concessão de medida liminar em Mandado de Segurança que determina a abstenção de decidir/homologar o processo administrativo de restituição cumulado com declaração de compensação de débitos de IPI, em que ocorreu desistência do pedido de compensação, não suspende a exigibilidade do crédito lançado de ofício. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DUPLICIDADE. Não há duplicidade de lançamento quando o Auto de Infração formaliza a exigência de tributo declarado em DCTF, cuja compensação informada tenha sido cancelada a pedido do contribuinte, pois o lançamento de ofício é atividade privativa da autoridade fiscal. MULTA APLICÁVEL NA COBRANÇA DE DÉBITOS DECLARADOS. Os débitos declarados em DCTF e não pagos no vencimento devem ser exigidos com juros e multa de mora. MULTA DE OFÍCIO Cabível a multa de ofício, por falta de recolhimento de débito não confessado na DCTF, mas que tenha sido informado em Dcomp, que posteriormente foi objeto de pedido de desistência deferido pela DRJ. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11080.001461/200839 Acórdão n.º 3302002.011 S3C3T2 Fl. 430 3 Impugnação Procedente em Parte O auto de infração foi lavrado em 12 de fevereiro de 2008, de acordo com o temo de fls. 13 a 16. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Tratase de Auto de Infração (fls. 04/07) e Demonstrativos (fls.08/11), lavrado contra a contribuinte acima identificada, que pretende a cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, no valor do principal de R$1.161.493,45, acrescido da multa de ofício e dos juros de mora, totalizando o crédito tributário no valor de R$2.871.612,41, com a exigibilidade suspensa por força de Medida Judicial concedida nos autos do processo n°2003.71.00.0301832/RS do TRF da 4 a Região (art. 151, incisos II e IV do CTN), em razão de ter sido constatado pela fiscalização que o estabelecimento industrial apresentou inconsistências nas informações prestadas à RFB, quanto aos débitos de IPI apurados pelo estabelecimento filial Araucária, no período compreendido entre o 3º decêndio de fevereiro/2003 e o 3º decêndio de maio/2003, conforme descrito no Relatório de Auditoria Fiscal e descrição dos fatos constante do auto de infração de fl.06. Consta no Relatório de Auditoria Fiscal de fls.12/15, que os débitos de IPI, informados nas DCOMPs (fls. 54 a 65) e nas DCTFs (fls. 48 a 53) anexas, nos períodos informados no Quadro I, estariam com saldo zero de IPI a pagar, extintos por compensação sem DARF, mediante utilização de créditos de terceiros, oriundos de decisão judicial. As referidas compensações, entretanto, ainda estão pendentes de apreciação por parte da Receita Federal, conforme decidido pela DRJ de Florianópolis no processo administrativo 13003.000439/200224 (fls. 23/32) e tendo em vista uma decisão judicial provisória que obstaculiza eventual não homologação do procedimento (Embargos de Declaração em AMS n° 2003.71.00.0301832/RS fls. 33 a 47). Portanto, conclui a fiscalização, na hipótese de uma futura não homologação da compensação, farseá necessária a interposição de ação de cobrança dos débitos em tela, o que poderia ser obstaculizado tendo em vista a ineficácia do lançamento baseado nas declarações de compensação em formulário de papel e eletrônicas formalizadas no processo n° 13003.000439/200224, quanto ao período de 10/03/03 a 15/10/03, uma vez que conforme entendimento jurisprudencial sintetizado no Acórdão da DRJ de Florianópolis nº 6.703, de 07/10/2005, prolatado no processo 13003.000314/200113, de fls. 165/175, de interesse da própria Synteko, apenas as declarações de compensação apresentadas à Receita Federal do Brasil após 31/10/2003, na vigência da MP nº135, de 2003, constituem confissão de dívida. Por esta razão, efetuouse o lançamento de ofício dos débitos envolvidos na compensação em tela, mantendose suspensa sua Fl. 431DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 4 exigibilidade, até a solução definitiva da discussão no processo n°13003.000439/200224, fls.23/32, uma vez que a ação judicial mencionada, que impede o tratamento das DCOMP's, sem contudo vedar a constituição do crédito tributário, conforme despacho de fl.20, encontrase no STJ, com decisão em Recurso Especial, favorável à União, com sua aplicação suspensa em virtude da interposição de embargos de declaração por ambas as partes (fls.71/85). O enquadramento legal prevê infração aos artigos 34, inciso II, 122, 124, 125, incisos I e III, 127, 130, 199, 200, inc.IV, e 207, § 2º, todos do Decreto n°4.544, de 2002 (RIPI/02), art. 17, da MP 135, de 30.10.2003, convertida na Lei n° 10.833/2003. Regularmente cientificada, em 12/02/2008, fl.06, a autuada apresentou impugnação, fls.72/95, subscrita por procuradores devidamente habilitados alegando que: os débitos objeto do auto de infração ora impugnados já foram constituídos pelas DCTF e DCOMP, assim impõese o cancelamento do lançamento deste auto de infração; os débitos ora exigidos foram extintos mediante formalização dos pedidos de compensação com os créditos adquiridos da Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé Ltda – COOXUPÉ, nos termos do inciso II, do art.156, do CTN, no Processo Administrativo nº 13003000.439/200224 (doc. Nº 12), em 11/11/2002, portanto, até que sobrevenha decisão administrativa decidindo sobre a homologação das respectivas compensações dos débitos de IPI e COFINS, o que não ocorreu até o momento, não há como exigir os débitos no auto de infração, sendo este improcedente; ainda que se entenda que os referidos créditos tributários não foram extintos mediante compensação, os mesmos encontramse com a sua exigibilidade suspensa, por força de decisão judicial proferida nos autos do Agravo de Instrumento n° 2003.04.01.0319221, a qual determinou o sobrestamento da análise do pedido de restituição e respectivas compensações realizadas nos autos do Processo Administrativo n° 13003 000.439/2002 24, pela DRF Porto Alegre; o direito creditório é decorrente de decisão judicial transitada em julgado nos autos da Ação de Repetição de Indébito nº 91.00079642, a qual julgou indevidos os recolhimentos efetuados a título de Quota de Contribuição sobre Exportação de Café, em função da declaração de inconstitucionalidade desta exação pelo Supremo Tribunal Federal (docs. nºs 13 a 19); tais créditos lhe foram cedidos através de escritura pública, da qual a União Federal foi devidamente cientificada, além disso foi realizada a transferência do pólo ativo da referida ação, por decisão judicial também já transitada em julgado; está suspenso o prazo prescricional para exigência dos créditos tributários pelo fisco, os créditos tributários em questão não podem ser objeto de cobrança, uma vez que sua exigibilidade encontrase suspensa por força de decisão judicial; Fl. 432DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11080.001461/200839 Acórdão n.º 3302002.011 S3C3T2 Fl. 431 5 impetrou Mandado de Segurança nº 2003.71.00.0301832, objetivando que os expurgos relativos a janeiro de 1989, fevereiro de 1989, março de 1990, abril de 1990, maio de 1990 e fevereiro de 1991, nos percentuais de 42,72%, 6,31%, 30,46%, 44,90%, 2,36% e 13,89%, fossem incluídos na apuração do referido indébito, e, discorrendo sobre o andamento da ação, conclui que o lançamento só poderia ter sido feito quando do trânsito em julgado da decisão final da referida ação; em 05.08.2003, foi proferida decisão através do Agravo de Instrumento n° 2003.04.01.0319221, interposto contra decisão liminar proferida nos autos do acima mencionado mandado de segurança, determinando que a Delegacia da Receita Federal de Porto Alegre se abstivesse de analisar o pedido de restituição e, consequentemente, as compensações formuladas nos autos do Processo Administrativo n° 13003000.439/200224, até que fosse proferida decisão final no referido mandado de segurança, o qual encontrase pendente de julgamento perante o Superior Tribunal de Justiça, conforme se constata do andamento processual daquela Corte (docs. n°s 27 a 29); não obstante, em 14.07.2004, a Delegacia da Receita Federal de Porto Alegre DRF/POA, em manifesta desobediência à supramencionada decisão, proferiu o Parecer DRF/POA/SEORT n°481 e o Despacho Decisório de fls. 2.819 (docs. n°s 30 e 31), no qual não reconheceu o referido direito creditório, deixando, por conseqüência, de homologar as respectivas compensações; irresignada, a Impugnante apresentou manifestação de inconformidade em 23/02/2006 (doc. n° 32), tendo sido proferido o Acórdão n° 5.574, pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis, julgando nulo o Parecer DRF/POA/SEORT n° 481 e o Despacho Decisório de fls. 2.819, em função de ter desacatado a acima mencionada decisão judicial, constante às fls. 22/32, destes autos (doc. n° 33); tendo sido proferida decisão proibindo a Delegacia da Receita Federal de analisar os pedidos de compensação formulados nos autos do Processo Administrativo n° 13003000.439/200224 restou suspenso o prazo para homologação das referidas compensações, previsto no §5°, da Lei n° 9.430/96, ficando consequentemente suspensa a exigibilidade dos referidos créditos tributários; a autuação em questão tratase da cobrança de débitos de IPI, apurado mediante informação do contribuinte ao Fisco, através da DCTF, na qual apura o quantum debeatur e informa ao Fisco por meio de DCTF's, juntamente com as respectivas vinculações de pagamentos, que é modalidade de constituição do crédito tributário, sendo, portanto, dispensável a lavratura de auto de infração; a cobrança da multa de ofício é indevida porque fundamentada em dispositivo legal que não mais se encontra em vigor em nosso ordenamento jurídico, sustentando a aplicação do art. 106, II, “a”, do CTN. Cita ainda o § 2º do art. 5º do Decreto nº Fl. 433DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 6 2.124/84, que determina, no caso de não pagamento de débitos declarados em DCTF, o que diz não ter ocorrido no caso em tela, ser cabível somente correção monetária, juros de mora e multa de 20% (vinte por cento) sobre o valor do débito. Ao final, requer a desconstituição do lançamento. Tendo em vista a determinação contida na Portaria RFB/Sutri nº2.977, de 21 de junho de 2011, o processo foi transferido em 22/06/2006, para esta DRJ, para julgamento, conforme despacho de encaminhamento de fl.375. No recurso, alegou a Interessada ser improcedente o lançamento por estar suspensa a exigibilidade do crédito tributário e haver sido efetuado o lançamento com base em declaração do próprio contribuinte em DCTF. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Descabe razão à Interessada. Conforme jurisprudência pacífica do Carf, a apresentação de ação judicial, ainda que haja suspensão da exigibilidade do crédito, não é obstáculo à constituição do crédito tributário. Pelo contrário, o art. 63 da Lei n. 9.430, de 1996, exige tal lançamento. Ademais, os débitos declarados em DCTF e vinculados a hipótese de extinção, suspensão ou exclusão de crédito tributário não representam confissão de dívida. Não haveria, ainda, o que temer em relação ao presente auto de infração, uma vez que os valores não seriam exigidos em duplicidade e somente seriam eventualmente exigidos se houvesse alteração da decisão que impediu a não homologação das compensações. Ademais, também não haveria cobrança se, eventualmente, a Interessada obtivesse algum sucesso com o seguimento das manifestações de inconformidade apresentadas nos processos de compensação (o que, efetivamente, não se verificou posteriormente). Em relação ao estado do atual processo à época do julgamento de primeira instância, a DRJ esclareceu que a Interessada obteve, em agravo de instrumento em processo de mandado de segurança, a vedação à não homologação das compensações, o que levou à lavratura do auto de infração. Meses após as compensações, a Interessada apresentou pedidos de cancelamento das declarações para incluir os débitos no Paes, tendo sido o pedido de parcelamento inicialmente indeferido. A DRJ não conheceu da manifestação de inconformidade relativa ao parcelamento. Posteriormente, a DRF/POA indeferiu as compensações, considerandoos não declaradas, negado seguimento à manifestação de inconformidade. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11080.001461/200839 Acórdão n.º 3302002.011 S3C3T2 Fl. 432 7 Tendo apresentado mandado de segurança contra o não recebimento da manifestação de inconformidade, a DRJ /FLS decidiu declarar a nulidade parcial do despacho decisório, deferindo a desistência das compensações e abstendose de se manifestar a respeito do Paes, ressaltando que, caso não fossem os débitos incluídos no parcelamento, deveria a DRF providenciar a sua cobrança. A DRJ verificou não haver impedimento a que a Interessada desistisse das compensações. A seguir, de forma correta, a primeira instância concluiu que não se haveria que falar em extinção de crédito tributário por meio das referidas compensações. Não só a falta de previsão sobre a compensação de créditos apurados por terceiros implica a não extinção dos referidos créditos, como também o fato de que o não reconhecimento da possibilidade de extinção era, à época, impedido por decisão judicial. Vale dizer, havia verdadeiro litígio judicial em relação à matéria, o que, por si só, impediria a extinção dos créditos. Em relação à multa de ofício, também cabe razão à Primeira Instância, uma vez que o disposto no art. 90 da MP n. 2.15835, de 2001, referese à hipótese de débito declarado em DCTF. Somente nesses casos é que a multa de ofício não seria aplicável, conforme decidiu a DRJ. Quando se trata de débitos não declarados em DCTF, não há que se falar em aplicação do referido dispositivo. Devese, entretanto, ressaltar que o processo encontrase na seguinte situação: 1 O processo não poder ser cobrado enquanto não houver decisão definitiva no processo n. 13003.000439/200224. 2 O auto de infração foi lavrado com a exigibilidade suspensa até que seja decidido definitivamente o processo administrativo acima mencionado, o que poderá ocorrer com a decisão administrativa definitiva nele exarado ou, se assim concluir a referida decisão, com o trânsito em julgado do mandado de segurança. 3 As compensações e a eventual cobrança devem ser efetuadas com os débitos lançados no presente processo, pois os débitos tributários devidos são os lançados aqui; os débitos lançados no presente processo devem ser controlados aqui e não no processo de compensação, pois, segundo o que a própria fiscalização afirmou, não poderiam ser compensados ou cobrados lá por falta de confissão de dívida; excepcionase do caso a eventual transferência dos débitos do auto de infração para outo processo, com o fim de efetuar eventual compensação total ou parcial, conforme decidir a autoridade fiscal. Esclareçase, por fim, para não se alegar que a decisão contida no presente acórdão seria condicional, que as três situações acima referidas são preexistentes ao presente auto de infração, cuja lavratura foi efetuada apenas para constituir o crédito tributário. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 8 Assim, o que foi decidido no presente acórdão restringiuse a ser ou não cabível o lançamento nessa situação, para constituir o crédito tributário e possibilitar eventual cobrança dos débitos lançados, depois de resolvidas as questões pertinentes à compensação. Dessa forma, adotando os fundamentos do acórdão de primeira instância, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei n. 9.874, de 1999, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 436DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 26/03/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10680.916356/2009-55
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003
PROVA. SEGUNDA INSTÂNCIA. NECESSÁRIA. SUFICIENTE. VERDADE MATERIAL. IDENTIFICÁVEL EM ATO DE SIMPLES VERIFICAÇÃO.
A prova trazida apenas no recurso voluntário em descumprimento ao que dispõe a regra do Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, precisa estar consubstanciada na escrituração contábil/fiscal e ressalte a verdade material em ato de simples verificação, para que tenha a sorte suplantar a preclusão do direito do recorrente de tê-la apresentado a destempo.
Numero da decisão: 3803-003.918
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Presidente substituto e Relator
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Jorge Victor Rodrigues e o suplente José Luiz Feistauer de Oliveira.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 PROVA. SEGUNDA INSTÂNCIA. NECESSÁRIA. SUFICIENTE. VERDADE MATERIAL. IDENTIFICÁVEL EM ATO DE SIMPLES VERIFICAÇÃO. A prova trazida apenas no recurso voluntário em descumprimento ao que dispõe a regra do Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, precisa estar consubstanciada na escrituração contábil/fiscal e ressalte a verdade material em ato de simples verificação, para que tenha a sorte suplantar a preclusão do direito do recorrente de têla apresentado a destempo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Presidente substituto e Relator Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Jorge Victor Rodrigues e o suplente José Luiz Feistauer de Oliveira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 63 56 /2 00 9- 55 Fl. 35DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA 2 Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de nº 0231.923, da DRJ/Belo Horizonte, de 18 de abril de 2011, fls. 16/18 (da imagem digitalizada), que considerou improcedente a manifestação de inconformidade. O processo foi constituído a partir da DComp transmitida em por meio da qual a Contribuinte acima identificada compensou os débitos nela declarados, com crédito proveniente de pagamento a maior de PIS, relativo ao fato gerador encerrado em 31 de agosto de 2003. A Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte/MG emitiu Despacho Decisório eletrônico, fl. 2, mediante o qual não homologou a compensação pleiteada, fundada no fato de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débitos do contribuinte, não restando saldo creditório disponível. Em manifestação de inconformidade apresentada, de fl. 1, alegou possuir créditos referentes ao PIS e à Cofins recolhidos a maior no período de novembro 2002 a setembro 2005, e que, após a constatação da existência de tais créditos, em dezembro de 2005 procedeu à sua compensação com impostos federais, por meio de PER/Dcomp, conforme legislação em vigor. Ressaltou que, por conta do equívoco incorrido quanto às informações que figuraram na DCTF entregue em 14 de novembro de 2003, esta foi retificada em 20 de maio de 2009, demonstrando a existência do crédito. Em julgamento da lide a DRJ/Belo Horizonte constatou que a DCTF foi retificada após cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Pela intempestividade da retificação e na ausência de prova que demonstrasse a existência do direito creditório, declarou a improcedência da manifestação de inconformidade. Cientificada da decisão em 13 de janeiro de 2012, irresignada, apresentou recurso voluntário em 02 de fevereiro de 2012, em que indica o valor das receitas do mês de agosto de 2003 com peças tributadas à alíquota zero e anexa relatórios, sintético e analítico, em que lista os clientes a quem efetuara as vendas, notas fiscais correspondentes e respectivos valores. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Como se vê do relatório, o desprovimento da manifestação de inconformidade centrouse na retificação da DCTF que extrapolou o prazo de cinco anos da ocorrência do fato gerador e ma falta de prova da alegação da existência do crédito utilizado na DComp. Na pretensão de estar suprindo a falha da defesa na primeira instância a Recorrente anexa os documentos acima referidos. Fl. 36DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 10680.916356/200955 Acórdão n.º 3803003.918 S3TE03 Fl. !Configuração não válida de caractere 3 Consignese, antes do mais, que as provas do direto alegado devem vir acompanhadas da manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o impugnante fazê lo em outro momento processual, por força do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, ressalvadas as hipóteses das letras “a”a “c”, deste parágrafo. A Recorrente não alega nenhuma das impossibilidades para a anexação dos elementos na manifestação de inconformidade, ou após a entrega desta, a requerimento perante a autoridade julgadora de primeira instância, documentos com que a Recorrente pretende provar sua alegação de legitimidade do crédito. Portanto, está, em tese, precluso o direito de fazêlo nesta instância, a menos que a prova trazida aos autos seja singela, de simples, direta e pontual verificação, em virtude do que sobrelevaria privilegiar o princípio da verdade material, que deve informar o processo administrativo fiscal. Contudo, no presente caso, a defesa não cuidou de apresentar o direito em que se funda a sua alegação, segundo os fundamentos jurídicos. Ademais, apreciando os documentos eles nada dizem com a escrituração contábil/fiscal, não são documentos contábeis, são anexos de algo não identificado, não são assinados, indicam clientes, não peças, portanto, não trazem qualquer comprovação do direito alegado. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 26 de fevereiro de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 37DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA
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Numero do processo: 10860.720058/2008-62
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2801-000.086
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Assinado digitalmente
Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente
Assinado digitalmente
Sandro Machado dos Reis Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Sandro Machado dos Reis, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: SANDRO MACHADO DOS REIS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Sandro Machado dos Reis Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Sandro Machado dos Reis, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente Assinado digitalmente Sandro Machado dos Reis – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Sandro Machado dos Reis, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: “Contra o interessado supra foi lavrada a Notificação de Lançamento e respectivos demonstrativos de fls. 01 a 06, por meio do qual se exigiu o pagamento do ITR do Exercício 2006, acrescido de juros moratórios e multa de ofício, totalizando o crédito tributário de R$ 218.701,33, relativo ao imóvel rural denominado "Fazenda Herança Divina", com RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 60 .7 20 05 8/ 20 08 -6 2 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHAES Processo nº 10860.720058/200862 Resolução nº 2801000.086 S2TE01 Fl. 125 2 área de 930,5 ha, NIRF 0.795.2740, localizado no município de Ubatuba/SP. Constou da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal a citação da fundamentação legal que amparou o lançamento e as seguintes informações, em suma: que, a declaração de ITR do interessado incidiu em malha fiscal nos parâmetros áreas não tributáveis e cálculo do valor da terra nua; após regularmente intimado e transcorrido o prazo fixado, o interessado não apresentou os documentos solicitados que comprovassem as informações contidas em sua declaração, objeto de análise pelo Grupo de Malha Fiscal. O sujeito passivo informou que o imóvel serve como local de subsistência dele, de sua família e empregados. Solicitou, ainda, dispensa dos documentos solicitados. Pela ausência de Laudo Técnico e Ato Declaratório Ambiental, a área declarada como de preservação permanente foi glosada bem como não foi apresentado o Laudo de Avaliação do Imóvel Rural, o VTN declarado foi modificado com base nas informações constantes do Sistema de Preços de Terras SIPT, mantido pela Receita Federal do Brasil. Cientificado do lançamento, por via postal, em 05/11/2008, conforme fl. 79, o interessado apresentou a impugnação de fls. 51 a 54, em 01/12/2008, alegando, em síntese, que: • Em 20 de agosto de 2008, protocolou na Receita Federal os documentos necessários para comprovar que o imóvel rural encontra se em área considerada de preservação permanente; • Os documentos apresentados foram expedidos pelo governo federal, de total credibilidade, não restando quaisquer dúvidas de que o imóvel está inserido em sua quase totalidade em área de preservação permanente, sendo corroborado pelo Ato Declaratório Ambiental ADA, emitido em 28/09/2009; • Só tomou conhecimento da necessidade de elaborar o ADA, ao receber o Termo de Intimação Fiscal; • Anexa aos autos, Certidões expedidas pelo Instituto de Terras e do Governo do Estado de São Paulo, Planta, Relatório de Vistoria Técnica, do Instituto Florestal Núcleo Picinguaba, Boletim de Ocorrência Ambiental, entre outros, que comprovam que a propriedade está inserida no Parque Estadual da Serra do Mar; • Está sem explorar o imóvel desde 1999, embora estando na posse da propriedade, pois ainda não recebeu indenização, motivo pelo qual, não possui condições para arcar com o pagamento do imposto, juros e multa de ofício; • Não deve o valor do imposto suplementar, porque os imóveis de sua propriedade são totalmente inexploráveis por estarem inseridos dentro do Parque Estadual da Serra do Mar; • Requer cancelamento da Notificação de Lançamento, em virtude de erro no preenchimento da declaração e, em sendo o caso, da Fl. 133DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHAES Processo nº 10860.720058/200862 Resolução nº 2801000.086 S2TE01 Fl. 126 3 autorização do órgão para providenciar junto ao Ibama o ADA dos exercícios anteriores, por medida de justiça. Instruíram a impugnação os documentos de fls. 59 a 78.” Doravante, a Primeira Instância de Julgamento rejeitou a Impugnação do contribuinte, em decisão que restou assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2006 Área de Preservação Permanente APP em Área de Proteção Ambiental APA São consideradas áreas de preservação permanente, além das previstas no art. 2o da lei n° 4.771/1965, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas a, entre outros, proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico e asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção, conforme disposto nas alíneas "e" e "f' da Lei n° 9.393/1996, quando assim declaradas pelo Poder Público em caráter específico para determinada área da propriedade e desde que cumpridas as demais exigências legais. Para exclusão dessas áreas da incidência do ITR, além do ADA tempestivo, é necessária sua comprovação, mediante Laudo Técnico, emitido por Engenheiro Agrônomo ou Florestal, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica ART, que as discrimine, quantifique e identifique seu enquadramento legal, acompanhado de Memorial Descritivo e Carta Planialtimétrica do imóvel contendo a representação gráfica da hidrografia, da vegetação e das curvas de nível. Valor da Terra Nua VTN. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, conforme legislação processual. Aplicabilidade da Multa de Ofício e Taxa Selic. São cabíveis as cobranças da multa de ofício, por falta de recolhimento do tributo, apurada em procedimento de fiscalização, e de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, por expressa previsão legal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido”. Irresignado, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário, reiterando os argumentos de sua impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Sandro Machado dos Reis, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, razão pela qual conheço do mesmo. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHAES Processo nº 10860.720058/200862 Resolução nº 2801000.086 S2TE01 Fl. 127 4 A princípio, cingese a discussão, pois, em saber: (i) se o fato de determinado imóvel localizado integralmente em Área de Proteção Ambiental APA, declarada por ente da federação, isenta de ITR; e (ii) se a apresentação do ADA é elemento essencial e indispensável para que as áreas de preservação permanente e utilização limitada possam ser isentas de tributação. Entretanto, para a escorreita aplicação do direito em tela e para que não restem dúvidas de que as áreas declaradas pela Recorrente efetivamente configuramse como de Preservação Permanente, prestigiandose o princípio da verdade material que rege os procedimentos administrativos, é imperioso que o presente processo seja baixado em diligência para que o órgão ambiental em questão informe se a área do imóvel objeto do lançamento se encontra dentro do Parque Estadual da Serra do Mar. Assinado digitalmente Sandro Machado dos Reis Fl. 135DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHAES
score : 1.0
Numero do processo: 10510.005834/2008-71
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Data do Fato Gerador: 10/04/2003, 20/04/2003, 30/04/2003, 10/05/2003, 20/05/2003, 31/05/2003, 10/06/2003, 20/06/2003 e 30/06/2003. Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE DA MULTA DE OFÍCIO Aplicação da Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” COMPENSAÇÃO EFETUADA COM BASE EM CRÉDITO ORIUNDO DE AÇÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. Somente pode ser declarada a compensação após o trânsito em julgado da decisão judicial da qual decorrem os créditos, nos termos do artigo 170-A do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3403-001.634
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Antonio Carlos Atulim – Presidente Raquel Motta Brandão Minatel – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Antonio Carlos Atulim (Presidente), Raquel Motta Brandao Minatel, Marcos Tranchesi Ortiz, Domingos De Sa Filho, Robson Jose Bayerl e Rosaldo Trevisan.
Matéria: IPI- ação fiscal- insuf. na apuração/recolhimento (outros)
Nome do relator: RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do Fato Gerador: 10/04/2003, 20/04/2003, 30/04/2003, 10/05/2003, 20/05/2003, 31/05/2003, 10/06/2003, 20/06/2003 e 30/06/2003. Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE DA MULTA DE OFÍCIO Aplicação da Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” COMPENSAÇÃO EFETUADA COM BASE EM CRÉDITO ORIUNDO DE AÇÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. Somente pode ser declarada a compensação após o trânsito em julgado da decisão judicial da qual decorrem os créditos, nos termos do artigo 170A do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Antonio Carlos Atulim – Presidente Raquel Motta Brandão Minatel – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Antonio Carlos Atulim (Presidente), Raquel Motta Brandao Minatel, Marcos Tranchesi Ortiz, Domingos De Sa Filho, Robson Jose Bayerl e Rosaldo Trevisan. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 01 /10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MIN ATEL 2 Relatório Tratase de Auto de Infração eletrônico (fls. 48/51), lavrado em 15/10/2008, referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), em virtude da suposta falta de recolhimento desse tributo, relativo aos decêndios compreendidos nos meses de abril, maio e junho de 2003, bem como pela não declaração desses valores na DCTF relativa ao 2º trimestre de 2003, nos prazos estabelecidos pela legislação, no qual foi apurado um crédito tributário no importe de R$ 1.188.765,70, sendo a obrigação principal no valor de R$ 470.788,81 e R$ 717.976,89, referentes a juros moratórios e à multa de ofício. A Recorrente tomou ciência do Auto de Infração em 21/10/2008 (fls. 57) e apresentou Impugnação (fls. 59/65), remetida por via postal em 19/11/2008, tida como tempestiva, conforme Termo de Juntada de Impugnação de fls. 71, no qual, em suma, alega apenas matéria de direito, afirmando tratar a imposição de multa no percentual de 75% indevida, tendo em vista que ela não teria praticado qualquer ilícito fiscal, afirmando que tal fator é “verdadeiro confisco”, o que afrontaria os princípios da moralidade, da proporcionalidade e, principalmente do não confisco. Alegou não existir qualquer tipo de material probatório nos autos que permitisse caracterizar a prática de ilícito e, por isso, a multa seria aplicada com base em mera presunção. Em conclusão, postulou pelo provimento da Impugnação, com fito de se excluir do lançamento o valor da multa ou, subsidiariamente, a reduzir a penalidade ao percentual mínimo aplicável ao caso. A Impugnação foi julgada improcedente, conforme se constata no acórdão n.º 1518.196, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Salvador/BA, de fls. 72/75, em 22 /01/2009. O acordão supracitado considerou procedente o lançamento e manteve o crédito tributário. Restou consignado na decisão que o Despacho Decisório DRF/Aracaju n.º 484, de 03 de junho de 2008 (fls. 04/08), não homologou as Declarações de Compensação informadas pela Recorrente por força da vedação introduzida no Código Tributário Nacional (CTN) pela Lei Complemente 104/01 – Artigo 170A, CTN. Ademais, justificou o lançamento dos débitos tributários, em tese compensados indevidamente, asseverando que as Decomp’s eram anteriores a edição da Medida Provisória n.º 135, de 2003, ou seja, tais declarações não constituíam confissão de dívida, tendo sido a fiscalização representada (fls. 02/03) para proceder com o devido lançamento. Consta, ainda, no voto que os créditos pleiteados pela Recorrente seriam ilíquidos e incertos, tendo vista que eram provenientes de ação judicial com decisão não transitada em julgado, mas que, no entanto, “a interessada informou nas declarações de compensação apresentadas que a ação judicial já tinha transitado em julgado desde 18/03/2002 (fl. 10)”. Ressaltando, em remate, que “não é apenas através da omissão que ocorre o ilícito, mas também de ações, como a praticada pela contribuinte ao informar como ocorrido o inexistente. Eis aí a caracterização da infração, justificando o lançamento de ofício e a aplicação da multa de ofício” (destaques originais). Fl. 99DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 01 /10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MIN ATEL Processo nº 10510.005834/200871 Acórdão n.º 340301.634 S3C4T3 Fl. 2 3 No tocante à impossibilidade de compensação de créditos tributários objeto de ação judicial, na forma efetuada pela Recorrente, a autoridade fazendária discorreu sobre o art. 170A, CTN e citou excerto do REsp n.º 352.859, julgado pela 2ª Turma do STJ, relatado pela Min. Eliana Calmon, DJ 06/05/02, asseverando tal impossibilidade. Colacionou, ainda, parte do Parecer PGFN/CRJ n.º 679, de 2001, que discorre acerca do alcance do artigo 170A, CTN, frisando, com veemência, a impossibilidade de compensação de créditos tributários por medida cautelar. Já no que concerne à multa de ofício de 75%, restou declinado no acórdão de primeira instância que a aplicação desse percentual é obrigatória, além do que tal importe visa desestimular o inadimplemento das obrigações tributárias. No que tange à alegação de inconstitucionalidade da aplicação da multa de ofício, o julgador de primeira instância consignou que não cabe à autoridade administrativa tal apreciação, vez que tal análise é privativa do Poder Judiciário. Quanto ao caráter confiscatório da multa, afirmou o julgador que tal vedação é dirigida ao legislador e que o princípio do não confisco orienta o processo de elaboração da lei e que “uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála, sem perquirir acerca da justiça ou injustiça dos efeitos que gerou”. Desse modo, foi julgada improcedente a impugnação e mantido o crédito tributário lançado em desfavor da Recorrente, nos moldes do Auto de Infração. A Recorrente, por sua vez, tomou ciência do referido acórdão em 18/02/2009 (fls. 79) e, irresignada, interpôs Recurso Voluntário (fls. 80/83) em 19/03/2009. Em suas razões de recurso voluntário, argumentou a Recorrente sobre a possibilidade de compensação de créditos por medida liminar, ressaltando que apenas procedeu com as compensações “por força da autorização obtida nessas medidas, devidamente concedidas pelos juízos processantes, o que afastaria a suposta ilicitude das compensações”. Além disso, a Requerente repisou os argumentos já tecidos em sua Impugnação (fls. 59/65), ressaltando ser juridicamente insubsistente a fixação a título de multa de ofício no importe de 75%, por se tratar de “verdadeiro confisco”, o que afrontaria os princípios do não confisco, da moralidade e da proporcionalidade. Ratificou que em tal patamar a multa “desapropria o patrimônio do manifestante, em prol do locupletamento ilícito do Estado”, o que agrediria o preceito estatuído pelo artigo 5º, inciso XII e 170, incisos II e III, ambos da Constituição da República. Frisou ainda, que a edição da Lei 11.488/07, “fez cessar a possibilidade de imposição do percentual de 75% nos casos em espécie”, afirmando que “o máximo legalmente possível seria a multa de mora, já que se trata de imposto não recolhido no vencimento”. Arrematou, em conclusão, que a multa de ofício só seria cabida em casos de evidente fraude atentatória à Fazenda Nacional, o que não teria ocorrido. Em seus pedidos, postulou pelo provimento do Recurso Voluntário apresentado, com fito de se excluir o lançamento do crédito apurado, e ainda o valor da multa ou, subsidiariamente, a redução da penalidade ao percentual mínimo aplicável ao caso. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 01 /10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MIN ATEL 4 Em suma, é o relatório. Voto Conselheira Raquel Motta Brandão Minatel, Relatora. Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Mérito Conforme se depreende do relatório, tratase de auto de infração para lançamento de tributo não declarado pelo contribuinte em DCTF, mas apenas informado em DIPJ e em Declarações de Compensação que foram consideradas não homologadas pelo Despacho Decisório DRF/AJU n° 0484, de 03 de junho de 2008, em virtude dos créditos nelas apontados serem decorrentes de ação judicial não transitada em julgado. A Recorrente alegou, tanto na impugnação como no recurso, unicamente: (i) a ilegalidade da aplicação da multa de 75% pelo fato de não ter praticado nenhum ilícito, e que tal multa caracterizaria confisco, o que feriria os princípios constitucionais da razoabilidade e proporcionalidade, e (ii) que as compensações teriam sido efetuadas com base em determinação judicial, contudo não juntou aos autos qualquer peça ou certidão do aludido processo judicial que comprovasse o trânsito em julgado. No tocante à aplicação da multa, é importante esclarecer que como as declarações de compensação apresentadas pela ora Recorrente foram anteriores a edição da MP n°135, de 2003, sua apresentação não constitui confissão de dívida, tendo sido a fiscalização representada (fls.02/03) justamente para efetuar o lançamento dos débitos compensados indevidamente que não tinham sido declarados espontaneamente pela contribuinte nas DCTF´s por ele entregue e tampouco pagos. No presente caso ainda há uma agravante, pois se verifica que a contribuinte informou nas declarações de compensação apresentadas que a ação judicial já havia transitado em julgado desde 18/03/2002 (fl.10). Alega a Recorrente que não praticou ilícito fiscal, não havendo no processo prova disso, decorrendo a pena de mera presunção, o que não seria possível. No entanto, a apresentação da declaração inexata de trânsito em julgado da ação na DCOMP teve como implicação direta o fato de permitir à contribuinte a transmissão da declaração de compensação eletrônica via Internet. Se tivesse informado na DCOMP que não ocorrera o trânsito em julgado na ação judicial, certamente o programa gerador da declaração impediria a sua transmissão eletrônica, o que a obrigaria a apresentar a declaração em formulário, evidenciando de imediato que os créditos não eram passíveis de compensação. Assim, estaria justificada a aplicação da multa de oficio no caso em análise, tanto pelo fato de que os débitos não foram informados em DCTF, como pelo fato de o contribuinte ter apresentado declaração inexata, ao informar na Decomp que teria ocorrido o Fl. 101DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 01 /10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MIN ATEL Processo nº 10510.005834/200871 Acórdão n.º 340301.634 S3C4T3 Fl. 3 5 trânsito em julgado da ação judicial da qual decorreria o crédito, quando na realidade o trânsito não ocorrera até a data da análise do pedido pela DRF de origem. No tocante à alegação de inconstitucionalidade da multa de 75%, prevista na Lei 9.430/96, aplico a Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Já no que se refere à alegação apresentada no Recurso Voluntário de que as compensações foram efetuadas com base em autorização judicial, é de se registrar que Recorrente não logrou comprovar que as compensações teriam sido declaradas somente após o trânsito em julgado da ação judicial, e de acordo com o Despacho Decisório DRF/Aracaju n.º 484, de 03 de junho de 2008 (fls. 04/08), o aludido processo judicial estaria ainda pendente de julgamento de Recurso Extraordinário no Supremo Tribunal Federal, despacho esse que não foi contestado pela Recorrente. Assim, tendo em vista que as referidas compensações foram declaradas no ano de 2003, e antes do trânsito em julgado da ação judicial a elas vinculada, entendo que deve ser aplicada a Lei Complementar 104, de 10.01.2001, que introduziu no Código Tributário Nacional o artigo 170A a seguir transcrito: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Raquel Motta Brandão Minatel Fl. 102DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MINATEL, Assinado digitalmente em 01 /10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por RAQUEL MOTTA BRANDAO MIN ATEL
score : 1.0
Numero do processo: 11444.001800/2008-19
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2007
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL. INDEFERIMENTO. LANÇAMENTO. CORREÇÃO.
De acordo com informações contidas nestes autos, durante o procedimento administrativo que resultou no lançamento, o contribuinte não estava contemplado pelo regime tributário diferenciado previsto pelo SIMPLES NACIONAL.
Se no período apurado a empresa não estava respaldada pela legislação especial, correto o procedimento fiscalizatório que deu ensejo ao lançamento.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-002.122
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a).
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL. INDEFERIMENTO. LANÇAMENTO. CORREÇÃO. 1. De acordo com informações contidas nestes autos, durante o procedimento administrativo que resultou no lançamento, o contribuinte não estava contemplado pelo regime tributário diferenciado previsto pelo SIMPLES NACIONAL. 2. Se no período apurado a empresa não estava respaldada pela legislação especial, correto o procedimento fiscalizatório que deu ensejo ao lançamento. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 44 4. 00 18 00 /2 00 8- 19 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/02/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11444.001800/200819 Acórdão n.º 2803002.122 S2TE03 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/02/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11444.001800/200819 Acórdão n.º 2803002.122 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte destinada aos Terceiros (INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE), nas competências de 07/2007 a 12/2007. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 13 de janeiro de 2011 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2007 INDEFERIMENTO DE OPÇÃO AO SIMPLES. DISCUSSÃO INOPORTUNA EM PROCESSO DE LANÇAMENTO FISCAL PREVIDENCIÁRIO. O foro adequado para discussão acerca do indeferimento da opção da empresa pelo Simples é o respectivo processo instaurado para esse fim. Descabe em sede de processo de lançamento fiscal de crédito tributário previdenciário discussão acerca dos motivos que conduziram ao indeferimento da opção. PRODUÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. O momento para a produção de provas, no processo administrativo, é juntamente com a impugnação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: O litígio foi instaurado em decorrência de autuação formalizada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para exigência de contribuições pretensamente devidas à Seguridade Social, no período de 07/2007 a 12/2007, correspondente à parte destinada aos Terceiros (INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE). Fl. 72DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/02/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11444.001800/200819 Acórdão n.º 2803002.122 S2TE03 Fl. 5 4 A Recorrente apresentou impugnação tempestiva comprovando ter formalizado opção ao regime do SIMPLES NACIONAL em 25/07/2007, deixando de recolher as contribuições relativas à parte patronal (da empresa e terceiros). Acrescentou que o resultado de sua opção apontou pendência cadastral/fiscal junto à Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, fato confirmado pela Receita Federal do Brasil ao declararse impedida de realizar o enquadramento, sendo o pedido indeferido e encaminhado para solução da SEFAZ através do Posto fiscal de Marília/SP. Tendo ingressado com pedido de revisão fiscal junta à SEFAZ, obteve do Chefe do Posto Fiscal/10 – Marília o deferimento de seu pleito e a alteração do regime na base cadastral para SIMPLES NACIONAL a partir de 01/07/2007. Os termos da impugnação apresentada detalham a regularidade dos procedimentos legais tomados pela contribuinte objetivando sua inclusão no SIMPLES NACIONAL instituído pela Lei Complementar nº 123/2006. Sua exposição, corroborada por documentos contemporâneos aos fatos ocorridos, demonstram sobejamente que a empresa atendia todos os requisitos exigidos nos artigos 3ª a 17 da Lei Complementar nº 123/2006, inexistindo qualquer restrição inibidora a sua opção e enquadramento no SIMPLES NACIONAL. A Recorrente não foi cientificada de qualquer Termo de Indeferimento. A decisão prolatada pela 10ª Turma Julgadora da DRJ/RJ1, após considerar tempestiva a Impugnação informa que o Auto de Infração ora litigado é julgado conjuntamente com o de nº 37.188.0019 (Empresa), por estarem reciprocamente vinculados aos créditos apurados. Após verificar a argumentação expendida e as provas colacionadas conclui que a discussão sobre deferimento/indeferimento da opção ao SIMPLES deve ser abordada exclusivamente no âmbito do respectivo processo, de onde decorreria a confirmação dos atos e sua eventual revogação. Com amparo nesse pretexto, abstém de apreciar as razões e provas apresentadas pela Recorrente, cujo conteúdo revela exatamente o restabelecimento pela Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, da opção formalizada em 25/07/2007, cujos efeitos passaram a vigorar a partir de 01/07/2007. Nos termos da Resolução CGSN nº 4/2007 e alterações posteriores, na hipótese de a opção ser indeferida, será expedido Termo de Indeferimento pela Opção pelo SIMPLES NACIONAL por autoridade fiscal integrante da estrutura administrativa do respectivo ente federado que decidiu o indeferimento, inclusive na hipótese de existência de débitos tributários. Será dado ciência do Termo de Indeferimento à ME ou à EPP pelo ente federativo que tenha indeferido sua opção, segundo a sua respectiva legislação. O contencioso administrativo relativo ao indeferimento será de competência do ente federativo que decidir o indeferimento, observados os dispositivos legais atinentes aos processos administrativos fiscais desse ente (artigo 39, da LC nº 123/2006). Fl. 73DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/02/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11444.001800/200819 Acórdão n.º 2803002.122 S2TE03 Fl. 6 5 No caso de decisão administrativa ou judicial deferindo a opção pelo Simples Nacional com efeitos retroativos, os tributos e contribuições devidos pelo Simples Nacional poderão ser recolhidos sem a cobrança de multa de mora, tão somente com incidência com juros de mora. A Recorrente não foi cientificada de qualquer Termo de Indeferimento da opção efetuada em 25/07/2007, capaz de propiciar a instauração de contraditório em processo específico. Sua iniciativa partiu da constatação efetuada mediante consulta ao Resultado da Solicitação de Opção, cujo relatório determinara pendência cadastral/fiscal junto a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo. Sendo este o ente federativo competente para deferir ou não a opção, fato confirmado pela própria Receita Federal quando se declarou impedida para promover o enquadramento, a Recorrente iniciou o processo de revisão do ato, obtendo julgamento procedente e inclusão no SIMPES NACIONAL a partir de 01/07/2007. Como se verifica, o pressuposto arguido pela decisão recorrida – falta de discussão e revisão do indeferimento – não se materializou. O deferimento da opção com efeitos retroativos a 01/07/2007 foi formalizado por escrito e notificado à Recorrente, que não pode ser penalizada pela falha de comunicação entre os órgãos integrantes da estrutura do Simples Nacional. Evidentemente restam destruídos de motivação os lançamentos perpetrados para exigência das contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa e às destinadas ao RAT, assim como aquelas destinadas aos terceiros, nos períodos de 07/2007 a 12/2007. Expostas as razões determinantes do cancelamento da exigência, a Recorrente postula seu acolhimento por constituir medida de homenagem ao direito e à justiça. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/02/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11444.001800/200819 Acórdão n.º 2803002.122 S2TE03 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. O lançamento ora em discussão foi realizado de forma correta e dentro dos parâmetros estabelecidos pela legislação tributária, notadamente o art. 142 do CTN e o art. 10 do Decreto nº 70.235/72. Ao contribuinte foi assegurado a ampla defesa e o contraditório, nos exatos termos do inciso LV do art. 5º da Constituição da República. A constituição do crédito tributário se deu em virtude de o contribuinte ter deixado de recolher (corretamente) as contribuições devidas à Seguridade Social, nas competências de 07/2007 a 12/2007, correspondente à parte destinada aos Terceiros (INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE). De acordo com informações contidas nestes autos, durante o procedimento administrativo que resultou no lançamento, o contribuinte não estava contemplado pelo regime tributário diferenciado previsto pelo SIMPLES NACIONAL. Ora, se no período apurado a empresa não estava respaldada pela legislação especial, correto o procedimento fiscalizatório que deu ensejo ao lançamento. Em seu recurso, o contribuinte continua afirmando que solicitou sua inclusão no SIMPLES NACIONAL e que, somente depois da revisão fiscal promovida pela SEFAZ de São Paulo (MaríliaSP), obteve o deferimento do seu pleito e a alteração do regime na base cadastral para o SIMPLES NACIONAL, a partir de 01/07/2007. Acontece, porém, que tal informação não está em conformidade com a consulta realizada pelos julgadores a quo, constante do item 12 (fls.89) do acórdão recorrido, in verbis: 12. Cabe esclarecer que a discussão a respeito do deferimento/indeferimento da opção ao SIMPLES, deve ser abordada exclusivamente no âmbito do respectivo processo, de onde decorreria a confirmação dos atos ou a sua eventual revogação, todavia consta dos sistemas da RFB que a impugnante é optante pelo Simples Nacional somente a partir de 01/01/2008. Com efeito, não paira qualquer dúvida de que a discussão sobre deferimento/indeferimento da opção ao SIMPLES não é matéria afeta a este processo administrativo fiscal, como insiste o contribuinte. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/02/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11444.001800/200819 Acórdão n.º 2803002.122 S2TE03 Fl. 8 7 Ademais, consta na consulta aos sistemas da RFB, formulada pelos julgadores de primeira instância administrativa que o contribuinte é optante pelo Simples Nacional somente a partir de 01/01/2008. Portanto, em período posterior ao discutido nestes autos. Como se pode observar, não há como efetuar reparos nos procedimentos levados a efeito pela autoridade administrativa lançadora, bem como na decisão recorrida, devendo o lançamento ser mantido pelos seus próprios fundamentos. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/02/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10675.903123/2009-61
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2006
Restituição. Compensação. Admissibilidade.
Somente são dedutíveis da CSLL apurada no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº. 900/2008.
Reconhecimento do Direito Creditório. Análise Interrompida.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
Numero da decisão: 1801-001.304
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente, para análise do mérito do litígio, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes, Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2006 Restituição. Compensação. Admissibilidade. Somente são dedutíveis da CSLL apurada no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº. 900/2008. Reconhecimento do Direito Creditório. Análise Interrompida. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente, para análise do mérito do litígio, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes, Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis da CSLL apurada no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº. 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente, para análise do mérito do litígio, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes, Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 31 23 /2 00 9- 61 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 25/02/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente transmitiu a Dcomp nº 00566.66919.210706.1.3.040108, para a compensação de débitos nela declarados, com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior ao IRPJ, período de apuração correspondente ao mês de fevereiro de 2006. A DRFUBE/MG emitiu Despacho Decisório eletrônico de não– homologação da compensação pleiteada, por se tratar de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, portanto o recolhimento somente poderia ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela 2ª Turma da DRJ/JFA, no Acórdão 0938.530, corroborando o entendimento da DRF no sentido de que pagamento efetuado a título de estimativa de IRPJ não poderia ser objeto de compensação, devendo ser usado para dedução da contribuição anual devida ou na composição do saldo negativo respectivo, em decisão assim ementada: Anocalendário:2006 ESTIMATIVA IRPJ. COMPENSAÇÃO. Pagamento efetuado a título de estimativa de IRPJ não pode ser objeto de compensação, devendo ser usado para dedução da contribuição anual devida ou na composição do saldo negativo respectivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em 23.02.2012 a Recorrente apresentou recurso voluntário em que alega que por erro de apuração nos balancetes de suspensão/redução, apesar de estar obrigada ao recolhimento da parcela no valor de R$ 2.832,31, correspondente ao mês de fevereiro de 2006, por engano, recolheu a importância de R$3.605,38 (três mil, seiscentos e cinco reais e trinta e oito centavos) no dia 31.03.2006. Não se trataria os autos, portanto, de compensação de saldo negativo, mas, sim, de pagamento a maior ou indevido. Juntou, a respectiva DIPJ e o DARF referente ao pagamento indevido. É o relatório. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 25/02/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10675.903123/200961 Acórdão n.º 1801001.304 S1TE01 Fl. 4 3 Voto Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade e por essa razão, dele tomo conhecimento. A Recorrente alega a existência de direito creditório oriundo de pagamento indevido de estimativa, pois em fevereiro de 2006, apesar de estar obrigada ao recolhimento da parcela no valor de R$ 2.832,31, correspondente ao mês de fevereiro de 2006, por engano, recolheu a importância de R$3.605,38 (três mil, seiscentos e cinco reais e trinta e oito centavos) no dia 31.03.2006. A DRJ em Juiz de Fora não se pronunciou sobre o mérito do direito creditório, porém, com fundamento no art. 10 da IN SRF 600/2005, a Recorrente apenas deveria utilizar tal pagamento quando da apuração do IRPJ anual, seja para dedução do IRPJ devido ou na composição do respectivo saldo negativo. Observese que esse tema já é pacificado nessa Turma Especial, citandose o Acórdão n° 180100.490, de 22/02/2011, em que foi Relatora a Conselheira Maria de Lourdes Ramirez , no qual se fixou o entendimento segundo o qual à Administração Tributária não é permitido definir qual momento é possível pleitear a restituição ou compensar um recolhimento indevido decorrente de erro na determinação ou recolhimento de estimativas. Nesse sentido, pedese vênia para a transcrição do referido voto, que expõe mais detalhadamente o entendimento deste Colegiado sobre o tema: “[...] Relativamente aos indébitos de estimativas, não há como tratar a restrição inserta a partir da Instrução Normativa SRF nº. 460/2004 como procedimental. Não se vislumbra espaço para a Administração Tributária definir, para além das normas que estabelecem a incidência do IRPJ ou da CSLL, em qual momento é possível pleitear a restituição ou compensar um recolhimento indevido decorrente de erro na determinação ou recolhimento de estimativas. Poderia se cogitar de tal possibilidade em razão destes recolhimentos não se constituírem, propriamente, em pagamentos, na medida em que não extinguem uma obrigação tributária principal, aproximandose, mais, de obrigações acessórias impostas aos contribuintes que optam pela apuração anual do lucro real e da base de cálculo da CSLL, para não se sujeitar à regra geral de apuração trimestral destas bases de cálculo. Esta interpretação, porém, exigiria que a Administração Tributária se posicionasse contrariamente à formação de indébitos de estimativas a qualquer tempo, e não apenas na vigência das Instruções Normativas que veicularam a dita proibição. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 25/02/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 4 Neste aspecto, relevante notar que durante a vigência das Instruções Normativas SRF nº. 460/2004 e 600/2005, ou seja, no período de 29/10/2004 a 30/12/2008 (até ser publicada a Instrução Normativa RFB nº 900/2008), a Receita Federal buscou coibir a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior, assim dispondo: [...] Assim, as antecipações recolhidas deveriam ser, primeiro, confrontadas com o tributo determinado na apuração anual, e só então, se evidenciada a existência de saldo negativo, seria possível a utilização do indébito. E este crédito, na forma da interpretação veiculada no Ato Declaratório Normativo SRF nº. 03/2000, seria atualizado com juros à taxa SELIC a partir do mês subseqüente ao do encerramento do ano calendário: [...] Entretanto, a própria Receita Federal mudou seu entendimento, ao suprimir parte da redação do dispositivo, quando da edição da IN RFB nº. 900, de 2009, como se verifica a seguir: [...] Não é por demais relembrar que o artigo 74 da Lei nº. 9.430, de 1996, já previu, expressamente os casos em que é vedada a compensação: [...] É verdade que, pela Medida Provisória n° 449, de 3 de dezembro de 2008, se procurou acrescentar novas restrições à compensação, por meio da inserção dos incisos VII a IX, ao § 3° do artigo 74 da Lei n° 9.430, de 1996, dentre elas a compensação de indébitos de estimativas. Entretanto, na conversão da referida MP 449, de 2008, na Lei no. 11.941, de 2009, não se manteve a alteração acima: [...] Portanto, não foi da vontade do legislador vedar a compensação de indébitos de estimativas de IRPJ e de CSLL. Diante deste contexto, temse que as estimativas recolhidas a maior não poderiam ser deduzidas na apuração anual do IRPJ – já que o recolhimento efetuado a maior não observou o regramento acima, posto que feito a maior que o devido e o crédito daí decorrente, poderia ser utilizado em compensação, mediante apresentação de DCOMP, evidentemente sem a dedução das parcelas excedentes. Eventualmente a contribuinte pode, por facilidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas este procedimento em nada prejudica o Fisco, na medida em que desloca para momento futuro a data de formação do indébito e assim reduz os juros de mora sobre ele aplicáveis. Por outro lado, se a contribuinte erra ao calcular ou recolher a estimativa mensal, não se vislumbra, ante o contexto exposto, obstáculo legal ao pedido de restituição ou à compensação deste indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do anocalendário. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 25/02/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10675.903123/200961 Acórdão n.º 1801001.304 S1TE01 Fl. 5 5 Comprovado o erro e, por conseqüência, o indébito, o pedido de restituição ou a declaração de compensação já podem ser apresentados, incorrendo juros de mora contra a Fazenda a partir do mês subseqüente ao do pagamento a maior, na forma do art. 39, § 4o da Lei nº. 9.250/95 c/c art. 73 da Lei nº. 9.532/97. Em conseqüência, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Ainda, interpretandose que somente as estimativas devidas na forma da Lei nº. 9.430/96 são passíveis de dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL, concluise que, mesmo após o encerramento do ano calendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito na data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Esta interpretação, frisese, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa. Não está aqui abarcada a mudança de opção quanto à sistemática de cálculo das estimativas, formalizada definitivamente quando o contribuinte determina o valor inicialmente recolhido com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão/redução. Em face do exposto, uma vez que a Recorrente não teve apreciado o mérito de seu direito creditório, pois a instâncias administrativas a quo estabeleceram como prejudicial ao exame, a impossibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, deve ser o retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. Ainda, deve se ressaltar, conforme a linha de entendimento adotada, que enquanto a Recorrente não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos, abrindose inclusive, novos prazos para o exercício do contraditório e ampla defesa, sobre o entendimento meritório acerca do direito de crédito. Assim sendo, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 97DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 25/02/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 6 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 25/02/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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