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Numero do processo: 10380.010074/2004-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 02 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3201-000.160
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos propostos pela relatora.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos propostos pela relatora. Judith do Amaral Marcondes Armando Presidente Mércia Helena Trajano D´Amorim Relator Editado Em: 02 de fevereiro de 2011. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Judith do Amaral Marcondes Armando, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Luiz Eduardo Garrossino Barbieri e Daniel Mariz Gudino Fl. 524DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 30/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10380.010074/200412 Resolução n.º 3201000.160 S3C2T1 Fl. 488 2 Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “Contra o Sujeito Passivo acima identificado foi lavrado Auto de Infração da Contribuição para o PIS/PASEP, fls. 07/21, para formalização e cobrança do crédito tributário nele estipulado no valor total de R$ 1.912.354,06, inclusive encargos legais. A infração apurada pela Fiscalização e relatada na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 09/12, foi a seguinte: “PIS Faturamento. Diferença Apurada Entre o Valor Escriturado e o Declarado/Pago (Verificações Obrigatórias): Durante o procedimento de verificações obrigatórias foram constatadas divergências entre os valores devidos referentes à Contribuição ao Programa de Integração Social PIS e os valores declarados pela fiscalizada nas DCTF’s apresentadas referentes aos anoscalendário 1998 a 2003 e/ou recolhidos mediante DARF’s, conforme os demonstrativos Apuração de Débito e Demonstrativo da Situação Fiscal Apurada (cópias anexas). As bases de cálculo utilizadas para apuração das diferenças infradiscriminadas foram as constantes das fichas correspondentes ao "Cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep” das Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ’s) apresentadas pelo contribuinte referentes aos suprareferidos anoscalendário. Salientese que foram considerados como valores declarados pela fiscalizada, relativamente a cada período de apuração compreendido entre nov/1998 a dez/2001 e jan/2003 a mar/2003 (DCTF’s correspondentes às do 4º Trim/1998 até o 4º Trim/2001 e ao 1º Trim/2003), os valores constantes das DCTF’s originais juntamente com aqueles das DCTF’s complementares apresentadas (conforme demonstrativo anexo); não foram considerados, portanto, para apuração das diferenças infradiscriminadas os valores declarados nas DCTF’s retificadoras apresentadas, em 23/11/2003, relativas aos períodos supracitados, uma vez que tais DCTF’s retificadoras foram entregues já no curso da presente ação fiscal. Em relação ao período compreendido entre jan/2003 a dez/2003, as bases de cálculo são aquelas informadas pelo contribuinte para cada um daqueles meses, correspondentes as receitas auferidas sujeitas à incidência cumulativa e constantes da linha 29, da ficha 21 (Cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep) da DIPJ referente ao anocalendário 2003. Fl. 525DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 30/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10380.010074/200412 Resolução n.º 3201000.160 S3C2T1 Fl. 489 3 Enquadramento Legal: Artigo 77, inciso III, do Decretolei nº 5.844/43; art. 149 da Lei nº 5.172/66; Arts. 1º e 3º, alínea “b”, da Lei Complementar nº 07/70, art. 1º, parágrafo único, da Lei Complementar nº 17/73; Título 5, capítulo 1, seção 1, alínea “b”, itens I e II, do Regulamento do PIS/PASEP, aprovado pela Portaria MF nº 142/82; Arts. 2º, inciso I, 3º, 8º, inciso I, e 9º, da Lei nº 9.715/98; Arts. 2º e 3º, da Lei nº 9.718/98; Arts. 2º, inciso I, alínea "a”, e parágrafo único, 3º, 10, 26 e 51 do Decreto nº 4.524/02. PIS Faturamento – Incidência NãoCumulativa. Diferença Apurada Entre o Valor Escriturado e o Declarado/Pago (Verificações Obrigatórias): Durante o procedimento de verificações obrigatórias foram constatadas divergências entre os valores devidos referentes à Contribuição ao Programa de Integração Social PIS e os valores declarados pela fiscalizada nas DCTF’s apresentadas referentes aos anoscalendário 2002 e 2003 e/ou recolhidos mediante DARF’s, conforme os demonstrativos Apuração de Débito e Demonstrativo da Situação Fiscal Apurada (cópias anexas). As bases de cálculo utilizadas para apuração das diferenças infradiscriminadas foram as constantes das fichas correspondentes ao "Cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep” das Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ’s) apresentadas pelo contribuinte referentes aos suprareferidos anoscalendário. Em relação ao anocalendário 2003, as bases de cálculo correspondem às receitas auferidas sujeitas à incidência nãocumulativa, informadas mensalmente na linha 25, da ficha 21 da DIPJ apresentada. Salientese que foram considerados como valores declarados pela fiscalizada, relativamente aos períodos de apuração dez/2002 a mar/2003 (DCTF’s correspondentes ao 4º Trim/2002 e ao lº Trim/2003), os valores constantes das DCTFs originais juntamente com aqueles das DCTF’s complementares apresentadas (conforme demonstrativo anexo); não foram considerados, portanto, para apuração das diferenças infradiscriminadas os valores declarados nas DCTF’s retificadoras apresentadas, em 23/11/2003, relativas aos períodos supracitados, uma vez que tais DCTF’s retificadoras foram entregues já no curso da presente ação fiscal. Enquadramento Legal: Artigos 2º, inciso I, alínea "a" e parágrafo único, 3º, 10, 23, 59 e 63 do Decreto nº 4.524/02.” Inconformado com a autuação, da qual tomou ciência em 29/10/2004 (fls. 86/87), o contribuinte, através de seu procurador (instrumento às fls. 100), em 24/11/2004, apresenta impugnação (fls. 95/99), alegando o seguinte: “(...) 1. Tratase de auto de infração no qual é exigido o pagamento de diferenças da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, com base em Fl. 526DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 30/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10380.010074/200412 Resolução n.º 3201000.160 S3C2T1 Fl. 490 4 uma alegada divergência entre os valores indicados nas DCTF's e aqueles constantes nas DIPJ's, correspondentes aos anos de 1998 a 2003. 2. A exigência fiscal em causa, todavia, resta em boa parte alcançada pela decadência e, no mérito, é no todo improcedente, como se passa a demonstrar. 3. DA DECADÊNCIA 3.1. A contribuição para o PIS é tributo cujo lançamento se dá por homologação, com fato gerador mensal, cabendo ao contribuinte apurar o montante devido e antecipar o respectivo pagamento, na forma do art. 150 do Código Tributário Nacional. 3.2. Sendo assim, o prazo decadencial para Fazenda Nacional proceder ao respectivo lançamento se esgota em cinco anos contados da ocorrência do respectivo fato gerador (§ 4º do art. 150 do CTN). 3.3. No caso, o auto de infração data de 27.10.2004 e exige o pagamento da contribuição para o PIS relativa a uma alegada diferença a menor nos valores recolhidos pela Autuada no período de 30.11.1998 a 31.12.2003. Ocorre que findou em 30.09.2004 o prazo para realizar o lançamento dessa contribuição incidente sobre fatos ocorridos até 30.09.1999. 3.4. Realmente, caso o fisco não concordasse com o valor das receitas apresentado ou com o não pagamento da alegada diferença de PIS, deveria ter feito o lançamento respectivo no prazo acima referido. Como não o fez, agora não mais pode fazêlo, uma vez que o crédito tributário está definitivamente extinto, nos termos do § 4º do art. 150, do CTN. 3.5. Nesse sentido é o entendimento do Segundo Conselho de Contribuintes, a saber: "NORMAS PROCESSUAIS. PRELIMINAR. DECADÊNCIA. Segundo o Código Tributário Nacional, o prazo para o exercício do direito de lançar é de cinco anos. Para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, esse prazo é contado, nos termos do §40, do art. 150 do CTN, da data do fato gerador do tributo respectivo. Preliminar acolhida". (2º CC. – 3ª C. ac. mv. Rec. 117014 julg. em 20.06.2002) 3.6. Resta evidenciado, portanto, que o lançamento que é objeto da ação fiscal de que se cuida está, em parte, atingido pela decadência. 4. Do Mérito 4.1. O auto de infração aqui impugnado exige o pagamento da contribuição para o PIS, relativa a supostas diferenças no valor da base de cálculo informada nas DCTF's e nas DIPJ's, no período de 30.11.1998 a 31.12.2003, envolvendo a sistemática anterior cumulativa e a nova forma não cumulativa Fl. 527DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 30/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10380.010074/200412 Resolução n.º 3201000.160 S3C2T1 Fl. 491 5 da contribuição. Essa cobrança, todavia, é no todo insubsistente, como se passa a demonstrar. 4.2. De início é importante destacar que o fiscal autuante não solicitou esclarecimentos com relação à real situação da Impugnante no que diz respeito aos pagamentos da contribuição para o PIS, nem sobre os valores efetivamente devidos. Tivesse adotado essa cautela elementar certamente teria evitado a lavratura do presente auto de infração. 4.3. Realmente, a Impugnante aderiu ao PAES Parcelamento Especial Lei 10.684/03 e todos os valores por ela devidos a título de contribuição para o PIS foram informados na sua Declaração PAES, cuja conta ainda está em processo de consolidação (docs. 03, 04 e 05). 4.4. Assim, não pode ser exigido da Impugnante o pagamento da contribuição em causa de maneira distinta daquela prevista na Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003. 4.5. Além disso, o valor da contribuição para o PIS apurado e declarado na sua DIPJ de 2004, anocalendário 2003, é de R$ 550.697,71 (doc. 06). O valor da contribuição paga no referido período, entretanto, foi de R$ 827.004,11, conforme indica a cópia dos DARF's anexos (doc. 07). 4.6. Na verdade, existem graves equívocos em toda a apuração da contribuição em causa procedida pelo fiscal autuante, que, uma vez corrigidos, se chegará à conclusão de que nenhum valor pode ser exigido da Impugnante a título de contribuição para o PIS. 4.7. A Impugnante destaca que a contribuição para o PIS sofreu importantes alterações com a instituição da não cumulatividade, que tornaram a sua apuração muito mais complexa e cuja legislação naquele período sofreu e ainda sofre muitos aperfeiçoamentos. Esse clima de novidade e incerteza gerou e gera dúvidas e dificuldades não só para a Impugnante e para os contribuintes em geral, como em especial para os próprios agentes fiscais. 4.8. O que importa saber é que o tributo não pode incidir sobre eventuais equívocos cometidos no cumprimento de obrigações acessórias e sim sobre os valores da sua real base de cálculo, apurada com relação aos fatos efetivamente ocorridos no período fiscalizado. O princípio da legalidade assim o exige. 4.9. Destaquese, por fim, que o processo administrativo fiscal é regido pelo princípio da verdade material, que torna obrigatória a verificação dos valores realmente devidos pela Impugnante a título de contribuição para o PIS, que seguramente não são aqueles indicados no auto de infração aqui impugnado. Essa apuração pode ser facilmente realizada através de uma perícia contábil, desde logo requerida. 5. Dos pedidos Fl. 528DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 30/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10380.010074/200412 Resolução n.º 3201000.160 S3C2T1 Fl. 492 6 5.1. Protesta por todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente pela juntada posterior de documentos e pela realização de perícia contábil, para o que apresenta os seguintes quesitos: a) Partindose dos elementos extraídos da contabilidade da Impugnante, qual o valor da base de cálculo da contribuição para o PIS, na modalidade cumulativa, no período de 01.1998 a 12.2003 ? E qual o valor dessa mesma contribuição na modalidade não cumulativa ? b) Qual o valor pago pela Impugnante a título de contribuição para o PIS no período em causa ? c) Qual o período e o valor dessa mesma contribuição que a Impugnante declarou como débito na modalidade do PAES ? Indica para funcionar como sua assistente técnica a Sra. Editinete André da Rocha Garcia, brasileira, casada, contadora, CRCCE nº 92730, que pode ser intimada no mesmo endereço da Autuada. 5.2. Face ao exposto, pede a V.Sa. que acolha as razões de defesa, para julgar improcedente a ação fiscal de que se cuida, determinando o arquivamento do respectivo processo administrativo.” Diante dos argumentos apresentados na peça impugnatória, a Autoridade Julgadora de primeira instância resolveu, através do Pedido de Diligência DRJ/FOR nº 08703 (fls. 178/179), de 10/10/2006, retornar os autos à unidade de origem para que fossem adotadas as providências a seguir elencadas: 1 . Intimar o contribuinte a comprovar, em face de sua adesão ao PAES, a desistência expressa em todos os processos judiciais em matéria tributária; 2. Anexar cópia de todos os termos elaborados entre o início e o término da ação fiscal; 3. Verificar se os valores discriminados na Declaração PAES abrangem, em sua totalidade, a contribuição ora exigida através de auto de infração. Existindo valores remanescentes, elaborar demonstrativo discriminando a base de cálculo e valor da contribuição ora em exame; 4. Ao final, elaborar relatório sucinto sobre o solicitado, acrescentando quaisquer outras informações que sejam de interesse para o deslinde da questão. Em resposta, em 01/07/2009 foi apresentado às fls. 192/193 o RELATÓRIO CONCLUSIVO DE DILIGÊNCIA FISCAL, elaborado pela Autoridade Lançadora, cujo teor é a seguir transcrito. “(...) II) DOS ELEMENTOS COLETADOS NA DILIGÊNCIA Fl. 529DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 30/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10380.010074/200412 Resolução n.º 3201000.160 S3C2T1 Fl. 493 7 II.1) A desistência da ação (processo judicial nº 98.00.105786, que tramitou na 9a Vara da Justiça Federal do Ceará) informada pela contribuinte na sua Declaração PAES se verifica em consulta ao endereço eletrônico do Tribunal Regional Federal da 5a Região (www.trf5.jus.br), bem como pelo teor dos Acórdãos relativos tanto ao Agravo em Apelação em Mandado de Segurança, quanto aos Embargos de Declaração em Apelação em Mandado de Segurança (cópias anexas). II.2) As fotocópias de todos os termos elaborados entre o inicio e o término do procedimento de fiscalização foram anexados aos presentes autos. II.3) Relativamente, aos valores informados pela contribuinte na sua declaração PAES elaboramos demonstrativos em que se comparam, para cada período de apuração, os valores objeto de lançamento de ofício e os incluídos pela contribuinte no PAES. III) CONCLUSÕES A partir dos levantamentos efetuados podese verificar, conforme demonstrativos anexos ao presente relatório, que: III.1) Relativamente à Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), os valores objeto de lançamento de ofício, dos períodos compreendidos entre nov/1998 a dez/2001, coincidem com os valores incluídos no PAES. Por outro lado, verificase que os valores objeto de lançamento de ofício, relativos aos períodos de apuração compreendidos entre dez/2002 a fev/2003, não foram integralmente incluídos no PAES. Além destes, existem, ainda, valores objeto de lançamento de ofício dos períodos de apuração compreendidos entre mar/2003 a dez/2003. III.2) Relativamente à Contribuição para o Financiamento para a Seguridade Social (PIS) verificase que dos valores objeto de lançamento de ofício somente os dos períodos de apuração jan/1999 a set/1999 foram incluídos no PAES, restando divergências em relação aos períodos de apuração nov/1998 e dez/1998; e out/1999 a jan/2003. Além destes existem, ainda, valores objeto de lançamento de oficio compreendidos entre mai/2003 a nov/2003. (...)” Ao Contribuinte foi dada ciência do RELATÓRIO CONCLUSIVO DE DILIGÊNCIA FISCAL em 08/07/2009, conforme faz prova o aviso de recebimento de fls. 278. Em 07/08/2009 o Contribuinte apresenta complemento à sua impugnação (fls. 280/282) alegando o que se segue. “(...) 3. No periodo de janeiro de 2003 o agente fiscal alega que somente o valor de R$ 238.608,93 estaria incluído nos PAES, devendo permanecer a exigência sobre o valor de R$ 41.447,49. Fl. 530DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 30/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10380.010074/200412 Resolução n.º 3201000.160 S3C2T1 Fl. 494 8 4. Tal diferença não existe. Todo o valor de R$ 280.056.42, exigido no auto de infração de que se cuida foi devidamente incluído no PAES através da Solicitação de Revisão dos Débitos Consolidados no PAES protocolada em 24.02.2005 (doc. 01). 5. Em relação ao período de 31.12.2002, vale ressaltar que o valor de R$ 53.620,54, apurado pela fiscalização, não está no PAES simplesmente porque tal valor não é devido. Não passa de mero equívoco cometido pela fiscalização. 6. A Autuada recolhe PIS através do sistema de diferimento. Assim, em dezembro de 2002 realizou o recolhimento do PIS referente a períodos de fevereiro a dezembro de 2002. O agente fiscal autuante, todavia, em sua apuração, em vez de aplicar a alíquota de 0,65% (PIS cumulativo), em relação a períodos anteriores a dezembro de 2002, aplicou a alíquota de 1,65% em relação a todos os períodos, dando origem a diferença apurada (doc. 02). 7. Por fim, vale ressaltar que os valores referentes aos períodos de fevereiro a dezembro de 2003 também não foram incluídos no PAES simplesmente porque não são devidos. 8. De fato, em todos os períodos acima referidos, a Autuada realizou o devido recolhimento dos valores de PIS apurados. Não houve qualquer diferença nos recolhimentos (doc. 03). 9. Assim, após a correção dos equívocos mencionados, que deverão ser integralmente considerados, tendo em vista os princípios da Verdade Material e da Legalidade que regem a Administração Pública, restará definitivamente comprovado a total improcedência do lançamento fiscal de que se cuida. (...)” É o relatório.” O pleito foi deferido parcialmente, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/FOR no 0816.603, de 24/11/2009, proferida pelos membros da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE, cuja ementa dispõe, verbis: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/1998 a 31/12/2003 DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO. Mantémse a exigência decorrente da diferença verificada entre os valores de PIS demonstrados nas Declarações DIPJ’s e os valores recolhidos e/ou declarados em DCTF’s, quando os elementos de fato ou de direito Fl. 531DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 30/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10380.010074/200412 Resolução n.º 3201000.160 S3C2T1 Fl. 495 9 apresentados pelo contribuinte não forem suficientes para infirmar os valores lançados pela Fiscalização. INCLUSÃO NO PAES. INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. É cabível o lançamento de multa de ofício, correspondente a créditos tributários objeto de procedimento fiscal relativo a sujeito passivo optante pelo parcelamento especial Paes instituído pela Lei nº 10.684, 2003, quando tal procedimento tenha sido iniciado antes da data da entrega tempestiva da Declaração Paes, mas não concluído até essa data. É irrelevante o fato de o procedimento fiscal ter sido iniciado anterior ou posteriormente à data da formalização da opção pelo Paes. RECOLHIMENTOS APÓS A LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. Os recolhimentos efetuados pelo contribuinte após o início da ação fiscal não têm relevância para a análise da procedência do lançamento de ofício, devendo apenas serem considerados no momento de sua cobrança. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/1998 a 30/09/1999 DECADÊNCIA. Acolhese parcialmente a prejudicial de decadência para fatos geradores ocorridos até set/1999, quando a ciência do lançamento se deu em 29/10/2004. No caso dos autos, os tributos/contribuições se submetiam à modalidade de lançamento por homologação, tendo havido pagamentos concernentes aos períodos compreendidos pela decadência. IMPUGNAÇÃO PROCEDENTE EM PARTE.” O julgamento foi no sentido de deferir em parte, tendo em vista que foi acatada a preliminar quanto à decadência do direito de a Fazenda Nacional efetuar o lançamento de PIS para os períodos de apuração referentes aos fatos geradores ocorridos até 30/09/1999, logo considerando EXTINTO o crédito tributário correspondente a esse período e manter o crédito tributário dos demais períodos de apuração objetos da autuação. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Ressalta que se reconheça a nulidade da decisão anterior por não realização de prova pericial. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o relatório. Fl. 532DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 30/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10380.010074/200412 Resolução n.º 3201000.160 S3C2T1 Fl. 496 10 Voto O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente processo de Auto de Infração da Contribuição para o PIS/PASEP, cuja infração apurada pela fiscalização e relatada na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal foi sobre PIS Faturamento. Diferença Apurada Entre o Valor Escriturado e o Declarado/Pago. Como relatado, tendo em vista que a recorrente foi cientificada da exigência em 29/10/2004,a decisão recorrida já reconheceu o alcance do instituto da decadência, no caso em apreço, para os fatos geradores ocorridos até 30/09/1999. Observei em sede de argumento, no âmbito de recurso voluntário que a empresa ainda persiste e rebate, não obstante realização de diligência DRJ/FOR nº 08703 (fls. 178/179), de 10/10/2006,nos seguintes termos, que me chamaram atenção: “....Por outro lado, ainda que entendendo correto o entendimento proferido pela DRJ/FOR, no sentido de que não teria ocorrido a denúncia espontânea, a exigência de valores incluídos no PAES não pode prosperar.Isso porque não se pode admitir que um mesmo tributo seja exigido duas vezes. No periodo de janeiro de 2003 o agente fiscal alega que somente o valor de R$ 238.608,93 estaria incluído nos PAES, devendo permanecer a exigência sobre o valor de R$ 41.447,49. Tal diferença não existe. Todo o valor de R$ 280.056.42, exigido no auto de infração de que se cuida foi devidamente incluído no PAES através da Solicitação de Revisão dos Débitos Consolidados no PAES protocolada em 24.02.2005. Ainda que assim não fosse, a decisão recorrida não poderia ter desconsiderado o valor de R$ 238.608,93 inicialmente incluído no PAES. Isso porque tal valor já havia sido declarado em momento de adesão ao PAES, anterior ao inicio da ação fiscal. Em relação ao período de 31.12.2002, vale ressaltar que o valor de R$ 53.620,54, apurado pela fiscalização, não está no PAES simplesmente porque tal valor não é devido. Não passa de mero equívoco cometido pela fiscalização (entende que houve aplicação errônea de alíquota, quando ainda vigorava a alíquota de 0,65%, fl. 294). A Autuada recolhe PIS através do sistema de diferimento. Assim, em dezembro de 2002 realizou o recolhimento do PIS referente a períodos de fevereiro a dezembro de 2002. O agente fiscal autuante, todavia, em sua apuração, em vez de aplicar a alíquota de 0,65% (PIS cumulativo), em relação a períodos anteriores a dezembro de 2002, aplicou a alíquota de 1,65% em relação a todos os períodos, dando origem a diferença apurada Que os valores referentes aos períodos de fevereiro a dezembro de 2003 também não foram incluídos no PAES simplesmente porque não são devidos. Fl. 533DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 30/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10380.010074/200412 Resolução n.º 3201000.160 S3C2T1 Fl. 497 11 Exigência do PIS de fev a março/2003 foi quitada através de DARF’s (fls. 166) Os valores de PIS relativos ao período de abril a dezembro de 2003, por sua vez, foram quitados através da compensação realizada pelas PER/DCOMP's n.° 39785.01787.141204.1.3.046447, n.° 23989.58433.141204.1.3.040570, n.° 39298.74337.141204.1.3.047709, n.° 09220.96626.141204.1.3.040502, n.° 24070.79365.141204.1.3.043746, n.° 05588.08706.141204.1.3.040251 e n.° 19480.08533.141204.1.7.044737. Todas devidamente homologadas pela própria Secretaria da Receita Federal (doc. 01).” Pelo exposto, a empresa argumenta que há divergência do cálculo do PIS para o período de dezembro de 2002, da inclusão do PIS de janeiro/2003 no PAES e enfim, das liquidações ocorridas do PIS relativo ao período de fevereiro a dezembro de 2003 Diante dos fatos relevantes e contraditórios e para minha convicção, VOTO PELA CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA À REPARTIÇÃO DE ORIGEM, para que sejam esclarecidas os fatos/as dúvidas acima. Realizada a diligência, deve ser dado vista ao contribuinte, posteriormente, encaminhados os autos para prosseguimento no julgamento. Mércia Helena Trajano D’amorim Fl. 534DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 30/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 16682.901842/2010-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2008
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. AFERIÇÃO DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO.
Trazidos aos autos elementos capazes de possibilitar a aferição, da liquidez e certeza do direito creditório indicado para fins de compensação tributária, há de se reconhecer o referido crédito, determinando-se a homologação das compensações pleiteadas até o limite do direito reconhecido.
Numero da decisão: 1301-001.658
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junor e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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AFERIÇÃO DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Trazidos aos autos elementos capazes de possibilitar a aferição, da liquidez e certeza do direito creditório indicado para fins de compensação tributária, há de se reconhecer o referido crédito, determinandose a homologação das compensações pleiteadas até o limite do direito reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junor e Carlos Augusto de Andrade Jenier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 18 42 /2 01 0- 79 Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 2 Relatório Trata o presente processo de compensação materializada pela declaração (Per/DComp) n.º 24398.92768.270309.1.3.033050, transmitida à base de dados da Receita Federal em 27/03/2009 e que empregou pretenso crédito fruto do pedido de restituição aposto no Per/DComp n.º 24132.75490.181110.1.6.036104, no valor de R$ 7.541.040,44, oriundo de saldo negativo de CSLL referente ao ano calendário 2008. A compensação declarada não foi homologada porque, nos termos do despacho decisório proferido eletronicamente (fls. 21): “considerando que a soma das parcelas de crédito demonstradas no PER/DCOMP é insuficiente para comprovar sequer a quitação da contribuição social devida, não há direito creditório a ser reconhecido”. Fundamentouse a decisão nos seguintes dispositivos legais: arts. 6º, § 1º, e 74 da Lei n.º 9.430/96 e art. 4º da IN RFB n.º 900/08. Inconformada com a denegação de seu intento a interessada interpôs a manifestação de inconformidade de fls. 27/34, alegando, em síntese: • que, sem prévia intimação, e, portanto, contrariando o art. 65 da IN RFB n.º 900/08, a autoridade fiscal não reconheceu o direito creditório; • que, na forma dos acórdãos cujas ementas transcreveu, “lançamentos efetuados sem o devido aprofundamento da investigação dos fatos (...) não são válidos e devem ser cancelados”; • que, encerrado o ano calendário 2008, “verificou que o valor das retenções na fonte de CSL que sofrera ao longo daquele período havia superado o montante da contribuição apurada por ocasião do ajuste anual” em razão do que “apresentou, em 27.3.2009, PER/DCOMP no valor de R$ 4.437.004,62 (...), referente ao saldo negativo da CSL do ano calendário 2008, composto, justamente, pelas retenções na fonte sofridas pela requerente”; • que, em 16/10/2009, apresentou DIPJ/2009 referente ao período de setembro a dezembro de 2008 (sofrera cisão parcial em 31/08/2008), apurando saldo negativo de CSL igual a R$ 7.541.040,44, e não R$ 4.437.004,62, como constava da declaração anterior, informação que fora corrigida, para fins de compensação, pela transmissão de novo Per/DComp, em 29/10/2010; • que “os R$ 7.541.040,44, a título de retenções da CSL na fonte, derivam da soma das seguintes retenções: (...) – R$ 1.495.531,91 (CSL retida por órgãos, autarquias e fundações federais); R$ 4.561.594,39 (CSL retida na fonte por demais entidades da Administração Pública Federal); e – R$ 1.483.914,14 (CSL retida por pessoas jurídicas de direito privado)”; • que, “recentemente, (...) efetuou significativas modificações em sua DIPJ do período de setembro a dezembro de 2008, assim como em sua DCTF de dezembro de 2008, modificações essas que, embora não tenham afetado o valor do saldo negativo a cuja restituição a requerente faz jus, devem ser esclarecidas e comprovadas”; Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16682.901842/201079 Acórdão n.º 1301001.658 S1C3T1 Fl. 12 3 • que, em 29/10/2010, retificou a DIPJ 2009, para fazer refletir a “apuração de débito de estimativa de CSL no valor de R$ 55.862.994,24”, sendo que “na DIPJ original, a requerente nada havia apurado a pagar a título de estimativa de CSL de dezembro”; • que “a apuração do débito de R$ 55.862.994,24 decorreu da cassação de decisão que havia antecipado os efeitos da tutela pleiteada pela requerente na ação ordinária n. 2008.34.00.0212164”, que “havia autorizado a requerente a excluir da base de cálculo da CSL as receitas oriundas de exportação”; • que, “destes R$ 55.862.994,24 a título de estimativa, a requerente efetuou o pagamento, via documento de arrecadação, de R$ 20.656.708,48 (doc. 11), conforme declarado em DCTF retificadora (doc. 12). Os R$ 35.206.285,76 restantes referemse a imposto de renda pago no exterior, passível de dedução da CSL devida, nos termos do artigo 21, parágrafo único, da Medida Provisória n. 215835, de 28.4.2001, conforme comprova a Ficha 16 – pg. 12 da DIPJ (doc. 7)”; • que, “além das modificações em sua DIPJ, (...) também retificou seu PER/DCOMP, em 18.11.2010 (...), não alterando o valor do saldo negativo, que continuou a ser de R$ 7.541.040,44, tampouco modificando o montante das retenções na fonte a título de CSL, tendo, apenas, informado o pagamento de imposto de renda no exterior, passível de dedução com a CSL devida, num total de R$ 35.206.285,76”; • que, em função de tais “ajustes”, “o valor total devido a título de CSL foi quitado pela requerente. Por essa razão, os valores retidos na fonte no curso do ano, que somavam R$ 7.541.040,44, restaram passíveis de restituição, a título de saldo negativo da CSL”. Culmina a peça recursal com pedidos: • para que se reconheça a nulidade do despacho decisório, “por manifesta ausência de investigação dos fatos pela fiscalização e conseqüente ofensa ao princípio da verdade material”; • para que se julgue procedente a manifestação de inconformidade, reconhecendose o direito creditório e homologandose as compensações defendidas; • para que se admita a prova do alegado “por todos os meios de prova em direito admitidos, inclusive pela juntada de documentos e pela realização de diligências”. A DRJ/RIO DE JANEIRO I decidiu a matéria por meio do Acórdão 12 39.445, de 12/08/2011 (fls. 184), julgando improcedente a manifestação de inconformidade, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano calendário: 2008 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Fazse mister que os créditos empregados em compensação de tributos gozem de liquidez e certeza. É o relatório. Passo ao voto. Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 4 Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16682.901842/201079 Acórdão n.º 1301001.658 S1C3T1 Fl. 13 5 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Na peça recursal as alegações é que “o acórdão recorrido desconsiderou o recolhimento de R$ 20.656.708,48, cujo DARF comprobatório foi acostado à defesa, sob a frágil alegação de que este pagamento não teria sido informado no pedido de restituição.” Aduz mais: Também desconsiderou os tributos recolhidos no exterior, os quais geram direito de compensação com os tributos devidos no país, em razão de supostamente não ter sido comprovado o seu recolhimento, fato que também contraria as provas trazidas com a defesa apresentada, notadamente a DIPJ do ano calendário de 2008. Confirase a parte final do acórdão 1239.445, onde, após reconhecer os demais elementos componentes do saldo negativo que se pretende restituir, a decisão apontou como causa determinante da negativa de crédito os fatos acima apontados: “Ocorre, no entanto, que o Darf de R$ 20.656.708,48 não foi levado ao Per/DComp que contém o pedido de restituição, sendo certo que considerálo agora, em sede de julgamento, equivale a retificar a declaração prestada pelo sujeito passivo, procedimento que não incumbe a esta instância julgadora, mas, antes, à própria interessada, mesmo porque, nessas condições, não é possível afirmar que tal pagamento não tenha sido utilizado como fonte de crédito para a extinção de outro(s) débito(s), dúvida que subtrai do pretenso crédito os indispensáveis atributos de liquidez e certeza exigidos pelo CTN, art. 170, para que se proceda uma compensação. Não bastasse, o motivo acima, que, por si só, já impede o reconhecimento do direito creditório alegado, não se pode olvidar que a interessada não trouxe aos autos nenhuma prova do imposto que alega ter pago no exterior, sendo certo que alegar sem provar é o mesmo que não alegar.” A seguir repete as argumentações da inicial (impugnação). Passemos a análise. A preliminar de cerceamento do direito de defesa, levantada pela recorrente, e afeta à decisão recorrida, não deve ser acolhida. Para melhor compreensão da matéria transcrevese os fundamentos do voto recorrido que nortearam a não homologação da compensação pleiteada. 1. Em 27/03/2009, a interessada transmitiu o Per/DComp n.º 15685.79438.270309.1.2.034205 (fls. 64/69), com emprego de crédito de R$ 4.437.004,62 oriundo de saldo negativo de CSLL, fruto das retenções na fonte sofridas; Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 6 2. Em 16/10/2009, transmitiu DIPJ/2009 (fls. 70/87) apurando saldo negativo de CSLL de R$ 7.541.040,44, portanto diverso daquele que fez constar no Per/DComp acima mencionado; 3. Em 29/10/2009, transmitiu o Per/DComp retificador do anterior, sob o n.º 09185.18253.291010.1.6.039404 (fls. 88/93), em que alterava o crédito, para refletir o novo saldo negativo de CSLL, apurado na DIPJ/2009 mencionada acima; 4. Em 29/10/2010, retificou a DIPJ/2009 (fls. 132/149) para incluir estimativa de CSLL devida no valor de R$ 55.586.994,24, fruto de reversão de tutela antecipada antes obtida nos autos da ação judicial ordinária de n.º 2008.34.00.0212164, sendo que tal valor teria sido quitado em parte com recolhimento via Darf (fls. 173), em parte com imposto pago no exterior; 5. Em 18/11/2010, retificou o Per/DComp, transmitindo o de n.º 24132.75490.181110.1.6.036104 (fls. 176/181), não para alterar o valor do crédito, mas para informar o aludido pagamento de imposto de renda no exterior. O que a interessada parece não ter atentado é que é justamente a seqüência narrada ao norte que dá base à não homologação que combate. Em seu último Per/DComp (o de final 6104, item 5 acima) com pedido de restituição do valor empregado como crédito é informado um total de pagamentos igual a R$ 42.747.326,20, sendo R$ 35.206.285,76 a título de IR pago no exterior e R$ 7.541.040,44 como CSLL retida na fonte. De outro bordo, sua última DIPJ do período transmitida antes da ciência do despacho decisório (a mencionada no item 4 acima) revela uma CSLL devida no montante R$ 55.586.994,24. A diferença entre um valor e outro, ou seja, entre a CSLL devida e o total de pagamentos é R$ 12.839.668,04 (= R$ 55.586.994,24 R$ 42.747.326,20), valor, em tese, que revela dívida relativa à contribuição em tela. Contudo, se confrontados o saldo devedor apurado e o pagamento de R$ 20.656.708,48 materializado no Darf (doc. 11 anexo à manifestação de inconformidade), terseia um saldo negativo de CSLL de R$ 7.817.040,44 (= R$ 20.656.708,48 R$ 12.839.668,04), valor muito próximo dos R$ 7.541.040,44 pleiteados a título de restituição. É o que se extrai ao estender o novelo construído na peça recursal. Ocorre, no entanto, que o Darf de R$ 20.656.708,48 não foi levado ao Per/DComp que contém o pedido de restituição, sendo certo que considerálo agora, em sede de julgamento, equivale a retificar a declaração prestada pelo sujeito passivo, procedimento que não incumbe a esta instância julgadora, mas, antes, à própria interessada, mesmo porque, nessas condições, não é possível afirmar que tal pagamento não tenha sido utilizado como fonte de crédito para a extinção de outro(s) débito(s), dúvida que subtrai do pretenso crédito os indispensáveis atributos de liquidez e certeza exigidos pelo CTN, art. 170, para que se proceda uma compensação. Não bastasse, o motivo acima, que, por si só, já impede o reconhecimento do direito creditório alegado, não se pode olvidar que a interessada não trouxe aos autos nenhuma prova do imposto que alega ter pago no exterior, sendo certo que alegar sem provar é o mesmo que não alegar. Pois bem. Resumese que a lide diz respeito ao pedido de restituição cumulado com pedidos de compensação, tendo como crédito declarado o Saldo Negativo da CSLL no valor de R$ 7.541.040,44 (total do IRFonte/CSLL, Ficha 17 da DIPJ/2009). Cumpre destacar que embora o saldo negativo da CSLL do ano calendário de 2008 apurado pela contribuinte tenha sido o acima informado (R$ 7.541.040,44), nos termos do registro feito na decisão recorrida, a controvérsia a ser enfrentada no presente processo Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16682.901842/201079 Acórdão n.º 1301001.658 S1C3T1 Fl. 14 7 limitase à aceitação do pagamento representado pelo DARF trazido aos autos no valor de R$ 20.656.708,48 e do imposto de renda pago no exterior no valor de R$ 35.206.285,76 (Ficha 16 da DIPJ), totalizando R$ 55.862.994,24, valor objeto da reversão de tutela antecipada antes obtida nos autos da ação judicial ordinária de nº 2008.34.00.0212164 referente a receita de exportação, e que compõe o referido saldo negativo. Cediço que o regime jurídico da compensação tributária, em vigor a partir da Lei nº 10.637, de 2002, e Lei nº 10.833, de 2003, as quais introduziram alterações no artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, requisita a iniciativa do contribuinte, que, mediante a apresentação da Declaração de Compensação, informa ao Fisco que efetuou o encontro de contas entre seus débitos e créditos. Este encontro de contas formalizado no PERDCOMP possui o efeito de extinção dos débitos fiscais ali indicados, desde o momento de sua apresentação, ficando, a partir daí, incumbido o sujeito ativo de, no prazo de cinco anos, homologar ou não o ato compensatório praticado, findo o qual, se não efetivada qualquer apreciação, a referida compensação se resolve pelo evento da sua homologação tácita. Assim, é certo que as informações prestadas no PERDCOMP situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, e que a este cabe demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. No caso em exame a contribuinte informa em PerDcomp (retificadora: 24132.75490.181110.1.6.03.6104), apresentada em 29/10/2010 (antes do Despacho Decisório), os seguintes valores: Soma das retenções (CSLL).............R$ 7.541.040,44 Valor imposto pago no exterior.......R$35.206.285,76 =Total pagamentos...........................R$42.747.326,20 Informa na DIPJ/2009, ano calendário 2008, o valor da CSLL apurada e devida de R$ 55.862.994,24. A diferença encontrada no valor de R$ 13.115.668,04 (=R$ 55.862.994,24R$ 42.747.326,20) abatendose o valor pago em DARF (após a cassação da medida judicial) no valor de R$ 20.656.708,48 chegase exatamente ao valor declarado como saldo negativo da CSLL (R$ 7.541.040,44 o qual referese à soma da retenções). Portanto, assiste razão à recorrente quanto ao valor pleiteado do Saldo Negativo da CSLL do ano calendário de 2008 de R$ 7.541.040,44, e não reconhecido pela decisão recorrida, pois, entendo, que os documentos anexados aos autos confirmam o recolhimento da parcela via DARF (veja o comprovante de arrecadação), bem como os comprovantes dos pagamentos no exterior carreados aos autos e declarados em DIPJ e PerDcomp. Da mesma forma, encontramse nos autos os informes de rendimentos das pessoas jurídicas que retiveram na fonte a CSLL pleiteada como saldo negativo. De sorte que o total dos pagamentos da CSLL no ano de 2008 é de fato R$ 63.404.034,68 (R$ 42.747.326,20 acima demonstrado, acrescido dos R$ 20.656.708,48), valor total a ser levado para o confronto com a CSLL devida no mesmo período de R$.55.862.994,24. Pelo exposto, dou provimento ao recurso voluntário. Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 8 É como voto. Documento assinado digitalmente. Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 11080.723126/2009-76
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
SOCIEDADE COOPERATIVA. TRIBUTAÇÃO POR AUFERIMENTO DE JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO E OUTRAS RECEITAS EVENTUAIS. POSSIBILIDADE DE CONFRONTAÇÃO COM CUSTOS INDIRETOS E DESPESAS GERAIS, MEDIANTE RATEIO PROPORCIONAL.
A lei não prevê qualquer hipótese de receita/rendimento que deva ser tributada integralmente, de forma apartada dos demais valores envolvidos no resultado do período em que se apura lucro real. Tal procedimento caracteriza uma indedutibilidade às avessas, que está justificada não por uma característica da despesa, mas pela espécie da receita auferida. Não há determinação legal para que uma dada receita seja submetida à tributação exclusiva (apartada) na própria apuração do resultado do período, sem a confrontação de despesas consideradas dedutíveis, e que foram custeadas por essa mesma receita. O rateio dos custos indiretos e das despesas e encargos comuns também devem levar em conta as receitas a título de JCP e outras receitas eventuais.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA - CSLL
Estende-se ao lançamento decorrente, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1802-002.359
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Ester Marques Lins de Sousa e Nelso Kichel.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente justificadamente o conselheiro Marciel Eder Costa.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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TRIBUTAÇÃO POR AUFERIMENTO DE JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO E OUTRAS RECEITAS EVENTUAIS. POSSIBILIDADE DE CONFRONTAÇÃO COM CUSTOS INDIRETOS E DESPESAS GERAIS, MEDIANTE RATEIO PROPORCIONAL. A lei não prevê qualquer hipótese de receita/rendimento que deva ser tributada integralmente, de forma apartada dos demais valores envolvidos no resultado do período em que se apura lucro real. Tal procedimento caracteriza uma indedutibilidade às avessas, que está justificada não por uma característica da despesa, mas pela espécie da receita auferida. Não há determinação legal para que uma dada receita seja submetida à tributação exclusiva (apartada) na própria apuração do resultado do período, sem a confrontação de despesas consideradas dedutíveis, e que foram custeadas por essa mesma receita. O rateio dos custos indiretos e das despesas e encargos comuns também devem levar em conta as receitas a título de JCP e outras receitas eventuais. TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSLL Estendese ao lançamento decorrente, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Ester Marques Lins de Sousa e Nelso Kichel. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 31 26 /2 00 9- 76 Fl. 1495DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11080.723126/200976 Acórdão n.º 1802002.359 S1TE02 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente justificadamente o conselheiro Marciel Eder Costa. Fl. 1496DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11080.723126/200976 Acórdão n.º 1802002.359 S1TE02 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, que manteve o lançamento realizado para a constituição de crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa da Jurídica IRPJ e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, conforme autos de infração de fls. 1.124 a 1.162, nos valores de R$ 67.496,63 e R$ 277.781,51, respectivamente, incluindose nesses montantes a multa de ofício de 75% e os juros moratórios. Os fatos que antecederam o presente recurso estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1035.589, às fls. 1.334 a 1.342: Tratase de auto de infração no valor de R$345.278,14, que formaliza lançamentos concernentes ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativos aos anoscalendário de 2004 a 2007 (fls. 11241162). A infração encontrada é a apuração incorreta do resultado tributável originado de ato não cooperativo. No Relatório da Ação Fiscal (fls. 11631174) estão descritos, em síntese, os seguintes fatos: A autuada repassa às cooperativas filiadas todo o rendimento obtido no mercado financeiro, líquido da taxa de administração cobrada pela instituição financeira. Os demais ingressos provenientes das filiadas, chamados de “recuperação de despesas e encargos”, cobrem os custos operacionais da Central e as despesas administrativas pagas em nome dos filiados. Em ambos os casos o resultado apurado é zero. Os valores de juros sobre o capital próprio recebidos pela impugnante são provenientes de sua participação societária no Banco Cooperativo SICREDI S/A, que é instituição financeira tributada como as demais pessoas jurídicas. Tais receitas incluemse no campo de incidência tributária (Lei nº 5.764/71, arts. 88 e 111), tendo a autuada sempre classificado tais atos como não cooperativos (fls. 21119). Os resultados positivos e negativos da equivalência patrimonial também se enquadram nas disposições dos arts. 88 e 111 da Lei nº 5.764/71, devem ser tratados como atos não cooperativos, e não possuem efeito fiscal, visto que serão excluídos ou adicionados da base de cálculo do IRPJ e da CSLL (RIR/99, art. 389 e Lei nº 7.689/88, art. 2º, § 1º, alínea “c”, itens 1 e 4). A infração centrase na questão dos custos e despesas que podem ser deduzidos das receitas sobre o capital próprio recebidas e dos resultados de equivalência patrimonial. A autuada: (a) no 4º trimestre e no 2º trimestre de 2005, deduziu das receitas de atos não cooperativos uma fração das despesas Fl. 1497DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11080.723126/200976 Acórdão n.º 1802002.359 S1TE02 Fl. 5 4 com depósitos intercooperativos (remuneração de recursos financeiros locados pelas cooperativas filiadas); (b) no 2º e 4º trimestres de 2006 e no 2º e 4º trimestres de 2007 deduziu das receitas de atos não cooperativos uma fração apenas das despesas gerais e administrativas, calculada com base na proporção entre receitas e despesas de atos não cooperativos e receitas totais; no 4º trimestre de 2006 e no 4º trimestres de 2007 classificou como ato não cooperativo e computou no cálculo do percentual de despesas a serem rateadas os juros sobre o capital próprio e os resultados de equivalência patrimonial. Das receitas provenientes de atos não cooperativos podem ser deduzidos seus custos diretos, mais o rateio das despesas gerais e administrativas. Não há custos diretos a serem apropriados às receitas patrimoniais citadas. Duas situações impedem o rateio das despesas gerais e administrativas das receitas de atos não cooperativos: (a) a obrigação estatutária de todas as filiadas contribuir com as taxas de serviços e encargos operacionais que forem estabelecidos para a cobertura das despesas da Central Sicredi (art. 9º, I); estas receitas devem ser suficientes para cobrir todos os custos dos serviços por ela demandados (art. 80 da Lei 5.764/71); as receitas de atos não cooperativos não devem ser utilizadas para reduzir a contribuição das filiadas para cobertura dos custos dos serviços por estas tomados, sob pena de tornar sem efeito a separação de receitas e despesas de atos cooperativos e não cooperativos; (b) as receitas de atos não cooperativos auferidas são rendimentos de participações societárias em empresas comerciais, com fins lucrativos, cuja obtenção não demandou acréscimo de qualquer despesa geral ou administrativa. O Parecer Normativo CST 73/75 especifica que (a) o resultado líquido das operações eventuais, assim como os derivados de participações societárias devem ser oferecidos à tributação integralmente (item 4), (b) quanto aos ingressos provenientes de operações com associados e com não associados, deve haver a separação dos custos diretos e, para os custos indiretos, apropriação proporcional (itens 5 e 6) e (c) ao resultado operacional tributável serão acrescidos os resultados líquidos de transações eventuais (item 6). Concluiu a Fiscalização que das receitas de atos não cooperativos, representadas pelos resultados de participações societárias e outras receitas eventuais, somente podem ser deduzidos os valores de PIS e COFINS apurados sobre estas receitas. Com base nessas premissas, a Fiscalização apurou diferenças de IRPJ e de CSLL nos trimestres em que houve recebimentos de juros sobre o capital próprio (2º e 4º de cada ano fiscalizado). Em sua impugnação, a autuada asseverou, em síntese (fls. 1185 1209): Fl. 1498DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11080.723126/200976 Acórdão n.º 1802002.359 S1TE02 Fl. 6 5 1. ser sociedades cooperativa, afeita ao princípio da dupla qualidade; dissertou sobre os atos cooperativos e não cooperativos; não possuir receitas ou despesas próprias, mas apenas adiantamentos de contribuições pelos associados; havendo erro de cálculo na antecipação, fazse a complementação (art. 80 da Lei nº 5.764/71) ou a devolução (art. 4, VII, da Lei nº 5.71/71), proporcionalmente aos serviços utilizados; não serem banco as cooperativas de crédito; 2. enquanto as cooperativas operarem só com associados ou em prol destes não existe receita, resultado ou faturamento ou qualquer base imponível no campo tributário, pois a cooperativa é a simples soma das atividades dos sócios, pessoas físicas; as sobras – sobre as quais o Fisco possa a vir exigir COFINS, PIS FATURAMENTO e CSLL não pertencem à sociedade, devem ser devolvidas aos associados na razão direta da fruição dos serviços, como estipulam o art. 4º, VIII e 44, II da Lei nº 5.764/71; por isto a cooperativa, quando não faz operações com terceiros não paga tributos que tenham como base o resultado, a receita, a renda ou o faturamento das sociedades; isto porque as cooperativas não visam ao lucro (art. 3º da Lei nº 5.764/71); 3. quando a cooperativa pratica operações estranhas à sua finalidade social, se sujeita às regras tributárias em geral, pois apura resultado próprio; 4. ao resultado auferido por cooperativa de crédito em razão de sua participação em sociedades mercantis, se aplicam as regras concernentes aos contribuintes que recebem lucros e dividendos em decorrência de deterem participação acionária em sociedades de capital, aplicandose a regra do art. 10 da Lei nº 9.249/95; determinadas participações societárias (incluído os juros sobre o capital próprio) se inserem dentre as atividades econômicas, de proveito comum, sem objetivo de lucro, e não podem ser tributados; 5. as operações estranhas à sua finalidade cooperativa consistem no fornecimento de bens ou serviços a não associados e a participação em sociedades não cooperativas, para atendimentos de objetivos acessórios ou complementares; 6. sua participação no capital de outras sociedades é inerente ao seu objetivo social, não sendo, portanto, caracterizadas como atividade eventual; sua participação no Banco Cooperativo SICREDI foi autorizada pelo Banco Central, nos termos previstos nas Resoluções CMN 2.193/95 e 2.788/00; tal participação não visa a fins especulativos, e sim a propiciar o acesso das cooperativas de crédito e dos seus associados ao mercado financeiro e de capitais em melhores condições do que as que individualmente alcançariam, inserindose dentre as atividades típicas e de proveito comum destas sociedades, de forma que os resultados decorrentes desta participação – inclusive os juros sobre o capital próprio – não podem se sujeitar à tributação, nos termos do Resp. 591.298/MG; Fl. 1499DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11080.723126/200976 Acórdão n.º 1802002.359 S1TE02 Fl. 7 6 7. é preciso distinguir, como fez o STJ, entre participações societárias que visam ao atendimento dos objetivos sociais da cooperativa das participações de caráter especulativo, sendo que somente estas são tributáveis; 8. os juros sobre o capital próprio não podem ser considerados como uma transação eventual, uma vez que, como a própria fiscalização reconheceu no relatório de Ação Fiscal, a impugnante recebeu JCP do Banco Cooperativo SICREDI SA no 2º e 4º trimestres de todo o período fiscalizado, com incidência de imposto na fonte, de forma que já resta descaracterizada a eventualidade; ademais, no período anterior à fiscalização a impugnante já recebia JCP sobre o capital próprio do Banco Cooperativo SICREDI S/A; 9. tal participação se faz necessária e imprescindível para que as cooperativas de crédito integrantes do SICREDI possam atingir suas finalidades sociais e propiciar aos seus associados o acesso a produtos e serviços mais competitivos e a um menor custo, bem como lhes permitir, por exemplo, o acesso a instrumentos financeiros e ao repasse de recursos oficiais e privados a que individualmente não teriam acesso, ou se o tivessem seria em condições mais onerosas; 10. não é possível considerar tal participação como fato isolado, e sim é preciso levar em conta todo o contexto em que inserida, inclusive o papel e as atividades desempenhadas pelo Banco em prol das cooperativas de crédito, as circunstâncias em que se deu tal participação, para só a partir disso concluir se se trata ou não de operação eventual; 11. tratase de operação não eventual e intrinsecamente necessária e relacionada aos propósitos sociais das cooperativas de crédito; 12. a partir da edição da Lei nº 9.249/95 não há mais como considerar o recebimento dos JCP como uma transação eventual e nem lhes aplicar as disposições do Parecer CST 73/75, uma vez que para seu recebimento basta que se participe do capital de outra pessoa e que esta opte pelo seu pagamento, observadas as disposições do art. 9º da Lei nº 9.249/95; 13. tal operação poderia ser considerada como ato não cooperativo e, em assim sendo, a apuração do resultado tributável deveria seguir a mesma lógica aplicável à apuração do resultado tributável dos demais atos nãocooperativos, qual seja, a segregação destes e dos atos cooperativos, deduzidos os custos diretos e indiretos calculados de modo proporcional sobre o tal de receitas operacionais; 14. o § 3º do art. 9º da Lei nº 9.249/95 considera o imposto retido na fonte por quem paga os JCP como antecipação do devido por ocasião da declaração de rendimentos, no caso da beneficiária ser pessoa jurídica tributada pelo lucro real; os JCP devem integrar o resultado tributável da pessoa jurídica beneficiária, a qual deve acrescentálos ao resultado tributável, Fl. 1500DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11080.723126/200976 Acórdão n.º 1802002.359 S1TE02 Fl. 8 7 do qual devem ser excluídos, no caso das cooperativas, os custos diretos e indiretos calculados de modo proporcional sobre o total de receitas operacionais, e, ao final devem ser ajustadas as adições, exclusões e compensações, conforme a legislação vigente; 15. tanto é assim que a RFB homologou as compensações e a apuração do IRPJ e da CSLL realizadas na sistemática descrita, relativamente aos 4º trimestre de 2002 e ao 4º trimestre de 2000, época em que recebeu JCP do Banco cooperativo SICREDI S/A e solicitou a compensação do imposto incidente sobre outros débitos. Pediu que se anule o lançamento fiscal e se reconheça: 1. que sua participação no capital social do Banco Cooperativo SICREDI S/A se insere dentre seus propósitos sociais, de proveito comum, sem objetivo de lucro, de forma que os resultados auferidos, inclusive os JCP recebidos não se sujeitam à tributação, devendo os tributos indevidamente recolhidos sobre JCP lhe serem restituídos, ou caso isto não seja acolhido, 2. que se reconheça que os JCP recebidos não se constituem em operação eventual e sejam integrados ao seu resultado tributável, calculado na forma retroexplicitada, nos termos das homologações já feitas pela RFB, considerandose válidas as apurações de tributos realizadas no período fiscalizado, e, por conseqüência, anulandose o auto de infração. Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS manteve integralmente o lançamento, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 NULIDADES POR VÍCIO FORMAL E POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não provada violação às regras dos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235/1972, não há falar em nulidade do lançamento. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. REGRAS GERAIS. São deveres do julgador observar o disposto no inciso III do art. 116 da Lei nº 8.112, de 1990, bem como o entendimento da RFB expresso em atos normativos. COOPERATIVAS. TRIBUTAÇÃO DOS RESULTADOS DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. O lucro operacional a ser considerado para efeitos de tributação corresponderá ao resultado da receita derivada das operações efetuadas com terceiros, diminuída dos custos diretos pertinentes, e, ainda, do valor dos custos e encargos indiretos Fl. 1501DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11080.723126/200976 Acórdão n.º 1802002.359 S1TE02 Fl. 9 8 proporcionalmente relacionado com o percentual que as receitas oriundas das operações com terceiros representam sobre o total das receitas operacionais. Feitos os cálculos nos termos descritos, ao lucro operacional que resultar sujeito à tributação serão acrescidos os resultados líquidos das operações eventuais e com terceiros. Os resultados líquidos das participações societárias “devem ser oferecidos à tributação, integralmente” (PN CST 73/73). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 21/12/2011, a Contribuinte apresentou em 29/12/2011 o recurso voluntário de fls. 1349 a 1380, questionando novamente o lançamento fiscal com os mesmos argumentos de sua impugnação, conforme descrito nos parágrafos anteriores. A esses argumentos, acrescenta o entendimento de que houve equívoco na decisão recorrida, relativamente à possibilidade de rateio das despesas gerais e administrativas para fins de confronto com as receitas auferidas a título de juros sobre capital próprio. Segundo a Recorrente, a decisão de primeira instância administrativa alegou duas situações que impediriam o rateio das despesas gerais e administrativas para confronto com as receitas de atos não cooperativos: A primeira alegação se refere à hipótese de que as receitas dos atos não cooperativos não devem ser utilizadas para reduzir a contribuição das filiadas para cobertura dos custos dos serviços por estas tomados. Ocorre que tal afirmativa não levou em consideração o disposto nas Normas Brasileiras de Contabilidade NBC TE, a qual excetua em relação a destinação legal dos saldos de sobras do exercício (resultado líquido), decorrente de investimento em sociedades não cooperativas, sendo este aplicado para melhor atendimento dos próprios objetivos e de outros de caráter acessório ou complementar, consoante o item 21 da referida norma transcrito a seguir. “21. Findo o exercício social, após as destinações legais e estatutárias, o saldo de sobras do exercício deve ser transferido para contas passivas à disposição da Assembléia Geral para deliberação quanto à sua capitalização ou forma e prazo de pagamento. O resultado líquido positivo decorrente do ato nãocooperativo (lucro), exceto aquele decorrente de investimento em sociedades não cooperativas aplicado para melhor atendimento dos próprios objetivos e de outros de caráter acessório ou complementar, deve ser destinado para a Reserva de Assistência Técnica, Educacional e Social, não podendo ser objeto de rateio entre os associados.” Como podemos verificar, a Receita Federal não é prejudicada em nada com tal exceção, vez que o resultado líquido do JCP Fl. 1502DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11080.723126/200976 Acórdão n.º 1802002.359 S1TE02 Fl. 10 9 não é destinado a Reserva de Assistência Técnica, Educacional e Social, só possui outra destinação após a apuração do valor do imposto, ou seja, depois de findo o exercício social e o devido recolhimento do tributo. O segundo motivo que se baseia a argumentação, é referente a afirmativa de que as receitas de atos não cooperativos auferidos em rendimentos de participações societárias em empresas comerciais, com fins lucrativos, não demandam acréscimo de qualquer despesa geral ou administrativa. Todavia, há sim acréscimo de despesas administrativas vinculadas aos JCP, visto que existem atividades operacionais referentes a controles e registros da operação, por exemplo, vinculadas às áreas Administrativas/Financeiras e Contábil da Recorrente, se faz necessário apurar o rateio proporcional para alocação adequada da despesa na apuração dos tributos. Nesse sentido, se contradiz a douta decisão quando alega que não há acréscimo de despesas nas receitas auferidas pelos atos não cooperativos, tendo em vista que a própria Receita Federal, no RIR/1999 (Doc. n° 02) informa que apuramse as receitas das atividades das cooperativas e as receitas derivadas das operações com nãoassociados, separadamente e apropriamse os custos indiretos e as despesas e encargos comuns às duas espécies de receitas, proporcionalmente ao valor de cada uma, desde que seja impossível separar objetivamente, o que pertence a cada espécie de receita, exatamente como o presente caso. Ainda em relação ao rateio das despesas gerais e administrativas para confronto com as receitas de atos não cooperativos, a Contribuinte alega estar havendo uma inadequada inversão do ônus da prova: No presente caso, a Regra do Ônus da Prova encontrase inobservada, tendo em vista que o Auto de Infração e Lançamento lavrado é baseado em um frágil conjunto probatório, que não tem condições de provar a inexistência de despesas indiretas para este tipo de receita. A presunção de veracidade do ato administrativo, nesse caso, tem como conseqüência uma inversão do ônus da prova. Essa interpretação, na qual o contribuinte estaria incumbido de provar a não ocorrência do fato gerador responsável pelo Auto de Infração, não deve prosperar. [...] Portanto, diante do exposto acima, inferese que para estabelecer a inexistência de despesas relacionadas à receita oriunda de participações societárias em outras empresas, o Fisco deveria ter provas. Não tendo as apresentado, como ocorre no presente caso, não pode ser considerada verdadeira essa suposição. Em verdade, são de suma importância os gastos relacionados a essa receita, sendo estes os gastos de pessoal das áreas Administrativa/ Financeira e Contábil da entidade, por exemplo. Fl. 1503DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11080.723126/200976 Acórdão n.º 1802002.359 S1TE02 Fl. 11 10 Estes gastos são devidamente computados na apuração dos tributos, conforme metodologia de rateio proporcional prevista no PN 73/75, bem como disciplinados pela própria Receita Federal, consoante demonstra a pergunta n° 18, do “Perguntas e respostas DIPJ 2011”, transcrito abaixo (Doc. n°. 02): [...] Ao final do recurso voluntário, a Contribuinte pleiteia que: a) seja conhecido o presente Recurso Voluntário haja vista a sua tempestividade e pertinência; b) seja reconhecida a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, enquanto estiver em discussão administrativa o presente Auto de Infração, conforme dispõe o Art. 151, III, do CTN; c) seja provido o recurso a fim de reformar a decisão de folhas 1.334/1.342, no sentido de cancelar o Auto de Infração n.° 1010100/00763/9, visto que a participação da Recorrente no capital social do Banco Cooperativo SICREDI S/A. se insere dentre os seus propósitos sociais, de proveito comum, sem objetivo de lucro, nos termos previstos no art. 3º do seu estatuto social, art. 88 da Lei n°. 5.764/71 (não se trata de uma operação alheia ao objeto social da Recorrente) e no art. 38 da Res. CMN n°. 3.442/07, de forma que os resultados auferidos, inclusive os Juros sobre o Capital Próprio JCP recebidos, não se sujeitam a tributação OU d) caso não acolhido o disposto no item anterior, conforme o princípio da eventualidade, que se reconheça que os JCP recebidos pela Recorrente não se constituem numa operação eventual e, em razão disso, sejam integrados ao resultado tributável da Impugnante decorrente de outros atos não cooperativos porventura praticados, resultado este apurado a partir do somatório das receitas de atos não cooperativos, inclusive dos JCP, deduzidos as despesas e os custos indiretos calculados de modo proporcional sobre o total das receitas operacionais, ajustado ainda pelas adições, exclusões e compensações permitidas pela legislação, nos termos, inclusive, das homologações já feitas pela própria Receita Federal do Brasil RFB, considerandose válidas as apurações de tributos feitas pela Recorrente no período objeto da fiscalização e, por conseqüência, anulandose o auto de infração lavrado e ora recorrido. Este é o Relatório. Fl. 1504DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11080.723126/200976 Acórdão n.º 1802002.359 S1TE02 Fl. 12 11 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Contribuinte questiona lançamento a título de IRPJ e CSLL para os anos calendário 2004, 2005, 2006 e 2007, conforme as regras do lucro real trimestral. Os tributos foram apurados a partir de receitas auferidas a título de Juros sobre o Capital Próprio JCP, provenientes da participação societária da Recorrente no Banco Cooperativo SICREDI S/A. A Lei nº 5.764/1971, que trata do regime jurídico das sociedades cooperativas, com as alterações introduzidas pela Medida Provisória 2.16840, de 24/08/2001, não deixa dúvidas de que são tributáveis os rendimentos auferidos em decorrência de participação em outras sociedades (não cooperativas), seja essa participação voltada para o melhor atendimento dos próprios objetivos da cooperativa, ou voltada para outros objetivos de caráter acessório ou complementar: Art. 88. Poderão as cooperativas participar de sociedades não cooperativas para melhor atendimento dos próprios objetivos e de outros de caráter acessório ou complementar.(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16840, de 24 de agosto de 2001) [...] Art. 111. Serão considerados como renda tributável os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de que tratam os artigos 85, 86 e 88 desta Lei. Também é importante esclarecer que os Juros sobre o Capital Próprio não se confundem com os lucros ou dividendos previstos no art. 10 da Lei 9.249/1995, que são pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas a seus cotistas/acionistas. Esses lucros ou dividendos são distribuídos sem tributação na fonte, e também sem integrar a base de cálculo do imposto de renda de seu beneficiário, porque já foram tributados pela sociedade que os está distribuindo. Os JCP, por sua vez, são dedutíveis do resultado da sociedade que os está pagando, e, justamente por isso, sofrem tributação na fonte, como também integram a base de cálculo do IR do beneficiário quando este é pessoa jurídica tributada com base no lucro real (art. 9º da mesma Lei 9.249/1995). Tratandose de beneficiário pessoa física ou pessoa jurídica não tributada com base no lucro real, a tributação na fonte é considerada definitiva. Nesse contexto, o art. 10 da Lei 9.249/1995 também não tem o condão de afastar a tributação sobre os JCP recebidos pela Recorrente. Fl. 1505DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11080.723126/200976 Acórdão n.º 1802002.359 S1TE02 Fl. 13 12 No caso concreto, a apuração da base de cálculo para fins do lançamento de IRPJ e CSLL orientouse por alguns critérios e informações. A Fiscalização registrou: que de acordo com as respostas aos itens “1” e “6” do termo de folhas 10 e 11, a Central SICREDI RS repassa às filiadas todo o rendimento obtido no mercado financeiro, líquido da taxa de administração cobrada pela instituição financeira, e que, portanto, o resultado em relação a essas operações é zero; que os demais ingressos provenientes das filiadas, intitulados “recuperação de despesas e encargos”, conforme resposta ao item “2” do termo de folha 10 e 11, e por disposição do art 9º, inciso I, do estatuto social (folha 196), cobrem os custos operacionais da Central e as despesas administrativas pagas em nome das filiadas, e que também neste caso o resultado apurado é zero; que a questão cingese ao tratamento dado aos juros sobre o capital próprio (JCP) recebidos e aos resultados positivos e negativos de equivalência patrimonial; que por disposição dos artigos 88 e 111 da Lei n° 5.764/1971, tais receitas incluemse no campo da incidência tributária, sendo tratadas como provenientes de ato não cooperativo; que os resultados positivos e negativos de equivalência patrimonial, embora sejam tratados como atos não cooperativos, não têm efeito fiscal, visto que são excluídos ou adicionados na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por disposição do art. 389 do RIR/99 e do art. 2º, § 1º, alínea "c", itens "1" e "4", da Lei n° 7.689/1988; que a exigência fiscal em pauta está relacionada aos custos ou despesas que podem ser deduzidos das receitas recebidas a título de JCP e dos resultados de equivalência patrimonial; que não há custos diretos a serem apropriados para tais receitas; que as despesas gerais e administrativas não podem ser rateadas para fins de dedução das receitas a título de JCP e de equivalência patrimonial; que há duas situações específicas que impedem esse rateio: 1º) É uma obrigação estatutária de todas as filiadas (art. 9º, inciso I) “contribuir com as taxas de serviços e encargos operacionais que forem estabelecidos para a cobertura das despesas da Central Sicredi – RS. Portanto, estas receitas devem ser suficientes para cobrir todos os custos dos serviços por elas demandados, nos termos do art. 80 da Lei 5.764/71. As receitas provenientes de atos não cooperativos não devem ser utilizadas para reduzir a contribuição das filiadas para cobertura dos custos dos serviços por elas tomados, sob pena de tornar sem efeito a separação de receitas e despesas de atos cooperativos e não cooperativos. 2º) As receitas de atos não cooperativos auferidas são rendimentos de participações societárias (juros sobre capital Fl. 1506DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11080.723126/200976 Acórdão n.º 1802002.359 S1TE02 Fl. 14 13 próprio e resultados positivos de equivalência patrimonial) em empresas comerciais, com fins lucrativos, cuja obtenção não demandou acréscimo de qualquer despesa geral ou administrativa. que de acordo com a Parecer Normativo CST 73/75, o resultado líquido das operações eventuais, assim como os derivados de participações societárias, devem ser oferecidos à tributação integralmente; que o Parecer Normativo CST n° 73/75 deixa claro que o rateio de custos indiretos somente deve ocorrer quando há receitas operacionais não eventuais da cooperativa com terceiros. Seria o caso, em uma cooperativa de crédito, dos juros auferidos em empréstimos a terceiros não associados; e que das receitas dos atos não cooperativos em pauta, representadas pelos resultados de participações societárias e outras receitas eventuais (apenas no 2º trimestre/2007 – atualização de tributos pagos a maior), somente podem ser deduzidos os valores de PIS e COFINS apurados sobre estas receitas. Em síntese, a conclusão da Fiscalização foi de que, relativamente à tributação das receitas a título de JCP e outras receitas eventuais, não caberia a dedução de qualquer despesa direta ou indireta (mediante rateio), com exceção das despesas a título de PIS/COFINS incidentes sobre tais receitas. Conforme o demonstrativo de fls. 1123, na apuração da base de cálculo a ser tributada, a Fiscalização realizou a compensação de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL de períodos anteriores, observando para tanto o limite de 30%. Além disso, deduziu do IRPJ apurado o IRFonte retido quando do pagamento do JCP, e também o IRPJ já confessado pela Recorrente em DCTF. Da CSLL apurada, também foram deduzidos os valores já confessados em DCTF. A análise dos demonstrativos apresentados pela Contribuinte à Fiscalização e das DIPJ referentes aos períodos autuados revela que os JCP e outras receitas eventuais (apenas no 2º trimestre/2007 – atualização de tributos pagos a maior) foram incluídos nos cálculos para apuração do IRPJ e da CSLL. Não houve omissão dessas receitas. Os resultados dos demonstrativos elaborados pela Contribuinte coincidem com os resultados constantes das DIPJ. A grande questão é que a Contribuinte, para o rateio dos custos indiretos e das despesas e encargos comuns, proporcionalmente às receitas dos atos cooperativos e não cooperativos, computou nessa proporcionalização os JCP e as outras receitas eventuais. No entender da Fiscalização, esse procedimento majorou indevidamente a parte dos custos indiretos e das despesas e encargos comuns que foi deduzida na apuração do resultado dos atos não cooperativos. De acordo com a Fiscalização, os JCP e as outras receitas eventuais teriam que ser integralmente oferecidos à tributação, com a dedução apenas dos valores referentes às contribuições PIS e COFINS que incidiram sobre o JCP. Nenhum outro custo, despesa ou encargo poderia ser encampado por esse tipo de receita. Fl. 1507DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11080.723126/200976 Acórdão n.º 1802002.359 S1TE02 Fl. 15 14 Os valores da autuação fiscal foram apurados a partir dessa premissa, e ela caracteriza precisamente a questão a ser dirimida neste processo. A Fiscalização não apresentou demonstrativos globais de apuração de resultado dos períodos auditados, em que levasse em conta as várias espécies de receitas e despesas envolvidas, com a devida apartação dos resultados dos atos cooperativos e não cooperativos. A Fiscalização, considerando abstratamente que tanto os ingressos decorrentes das aplicações no mercado financeiro, quanto os ingressos provenientes das filiadas, intitulados “recuperação de despesas e encargos”, produziam resultado zero, partiu diretamente das receitas a título de JCP e outras receitas eventuais (apuradas apenas no 2º trimestre/2007) para apurar as bases de cálculo de IRPJ e CSLL, sem alocar quaisquer despesas (diretas ou indiretas) para essas receitas (com exceção do PIS/COFINS incidente sobre elas). E para fundamentar a autuação, apontou situações que impediriam o rateio das despesas e encargos comuns proporcionalmente aos JCP e outras receitas eventuais. Quanto a essas situações, é preciso registrar que a atual redação do art. 88 da Lei 5764/1971, dada pela Medida Provisória 2.16840, de 24/08/2001, não mais determina a destinação obrigatória dos resultados positivos aqui em debate (JCP) para o “Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social”, como ainda ocorre com os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionadas nos artigos 85 e 86 da mesma Lei. Desse modo, nada impede que os JCP sejam utilizados para cobrir despesas gerais e administrativas da cooperativa, e até mesmo que sejam incorporados às sobras a serem distribuídas/retornadas aos associados. Além disso, a atual redação do art. 88 da Lei 5764/1971 trouxe modificações no contexto das participações societárias que geram as receitas em questão, modificações que, a meu ver, não estão contempladas no Parecer CST 73/1975. O referido Parecer CST 73/1975 (fls. 1116) realmente não aplica a regra da proporcionalização de custos indiretos e despesas comuns, para fins de apropriação às receitas derivadas de participações em outras sociedades: 4. [...] Não oferece dificuldades o cômputo, em separado, dos resultados líquidos das transações eventuais, assim considerados, inclusive, os derivados de participações societárias. Tais resultados devem ser oferecidos à tributação, integralmente. O rateio de custos indiretos e despesas comuns somente era feito para as receitas operacionais não eventuais decorrentes de operações da cooperativa com terceiros. E ao lucro decorrente dessas receitas operacionais de operações com terceiros, era somado os resultados líquidos das transações eventuais, para fins de tributação. Ocorre que o referido parecer estava baseado na redação antiga do art. 88 da Lei 5764/71, que falava em participação societária apenas em caráter excepcional, e para atendimento de objetivos acessórios e complementares, que implicava na idéia de resultados líquidos eventuais. Fl. 1508DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11080.723126/200976 Acórdão n.º 1802002.359 S1TE02 Fl. 16 15 Mas a atual redação do referido dispositivo prevê que as cooperativas poderão participar de sociedades não cooperativas para melhor atendimento dos próprios objetivos, o que modifica bastante essa característica da excepcionalidade e eventualidade. A implicação entre os objetivos sociais da cooperativa de crédito e do banco de crédito do qual ela participa afasta a idéia de excepcionalidade e eventualidade nessa relação, de modo que, também por esse motivo, não deveria haver óbice para que os JCP façam frente aos custos indiretos e às despesas comuns, e, no sentido inverso, para que esses custos/despesas sejam proporcionalmente apropriados àquelas receitas. Há ainda um outro aspecto relevante para a análise da matéria sob exame. Já restou esclarecido que os JCP recebidos podem ser utilizados para a quitação de despesas da cooperativa. Também é importante registrar que não há nenhuma situação nestes autos que envolva glosa de despesas, despesa indedutível, desnecessária, ou algo semelhante. Podemos pensar então que se a Cooperativa, em um determinado período trimestral, não auferisse receita decorrente de atos cooperativos, e custeasse a sua estrutura administrativa com as tais receitas eventuais (entre elas o JCP), o critério defendido pela Fiscalização implicaria em um “prejuízo” no resultado da apuração dos atos cooperativos (só despesa) e em um “lucro” no resultado dos atos não cooperativos (só receita), “lucro” que, segundo a Fiscalização, deveria ser submetido integralmente à tributação. Nessa situação hipotética, em que a Cooperativa deveria estar equipara às demais pessoas jurídicas (por só estar auferindo receitas de atos não cooperativos), sua condição tributária seria bem pior do que a de uma empresa comum. Com efeito, uma empresa comum, ao mesmo tempo em que ofereceria tais receitas à tributação, certamente poderia deduzir as despesas gerais de sua manutenção, despesas administrativas, etc., incorridas no período. Mas a Cooperativa, no entendimento da Fiscalização, deveria apurar um “prejuízo” com os atos cooperativos (só despesa), e um “lucro” com os atos não cooperativos (só receita), “lucro” que deveria ser submetido integralmente à tributação. A meu ver, isso representa uma indedutibilidade às avessas, que está justificada não por uma característica da despesa, e sim pela espécie da receita auferida. Nesse passo, ainda que as despesas sejam necessárias à manutenção da entidade, etc., a receita auferida e utilizada na quitação dessas despesas, por se tratar de uma receita eventual, deveria ser integralmente tributada como lucro, como se fosse uma tributação exclusiva, mas não na fonte, uma tributação exclusiva (apartada) na própria apuração do resultado do período, sem a confrontação de despesas consideradas dedutíveis, e que foram custeadas por essa mesma receita. A situação fica mais estranha se pensarmos, em continuação ao mesmo exemplo, que a Cooperativa poderia ter auferido, além das receitas eventuais (JCP), também receita decorrente de sua atividade operacional normal, mas com não associados (terceiros). Fl. 1509DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11080.723126/200976 Acórdão n.º 1802002.359 S1TE02 Fl. 17 16 Nesse caso, um único ato não cooperativo com terceiro, abrangendo a atividade operacional normal da entidade, daria azo a uma receita que, por menor que fosse (quando comparada às receitas eventuais), atrairia todas as despesas gerais e administrativas para a apuração do resultado não cooperativo. Na ausência de receitas operacionais normais com associados, uma única receita operacional com um não associado resultaria no percentual de 100% pra a finalidade de rateio das despesas gerais e administrativas, como se toda a despesa estivesse sendo custeada por essa receita da atividade operacional, ainda que ela seja significativamente menor que as receitas eventuais. O fato é que deixar de computar os JCP no rateio das despesas comuns, quando esses contribuem para o custeio da manutenção da entidade, gera distorções tanto na apropriação das despesas quanto na apuração do resultado (tributável e não tributável) que não encontram justificativa razoável. Vale ainda registrar que as próprias orientações e exemplo matemático sobre a apuração da base de cálculo do IRPJ das sociedades cooperativas contidos no manual “DIPJ 2014 – Perguntas e Respostas”, conforme consulta à página eletrônica da Secretaria da Receita Federal do Brasil, não menciona qualquer hipótese de receita/rendimento que deva ser tributado integralmente, de forma apartada dos demais valores envolvidos no resultado do período em que se apura lucro real. Tais orientações fazem referência apenas a duas espécies de receitas: receitas das atividades das cooperativas e receitas derivadas das operações com nãoassociados, e empregam a técnica de rateio dos custos indiretos e das despesas e encargos comuns proporcionalmente a essas receitas. Não há menção de uma terceira espécie de receita, e também não há indicação de qualquer ordem/seqüência para a apropriação dessas despesas gerais, que levasse em conta o tipo de receita auferida (determinando, p/ ex., o confronto das despesas gerais primeiramente com tais receitas, depois com tais receitas, e depois com tais receitas). Há simplesmente o mencionado rateio, técnica que, inclusive, evita as distorções já exemplificadas acima. Finalmente, registro que o valor das outras receitas eventuais, que consistem na atualização de tributos pagos a maior, abrangendo apenas o 2º trimestre/2007, não resultaria, por si só, em valor de tributo a pagar (seja IRPJ, seja CSLL). De qualquer modo, as considerações feitas para o JCP também valem para essa receita a título de variação monetária ativa computada na autuação referente ao 2º trimestre de 2007, eis que elas configuram receitas (financeiras) que também podem perfeitamente fazer frente aos custos e despesas correntes da entidade. Meu entendimento é que o rateio dos custos indiretos e das despesas e encargos comuns, para fins de apuração do resultado não cooperativo (resultado tributável) também deve levar em conta as receitas em questão, e dessa forma não há como manter o lançamento, porque ele partiu de uma premissa totalmente contrária a isso. Fl. 1510DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11080.723126/200976 Acórdão n.º 1802002.359 S1TE02 Fl. 18 17 Diante de todas as considerações acima, não há como subsistir o lançamento realizado sobre uma receita de forma isolada, apartada dos demais valores envolvidos no resultado do período em que se apura o lucro real. Desse modo, voto no sentido de dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 1511DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Numero do processo: 10920.903632/2009-45
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005
COFINS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO DE TRIBUTO. POSSIBILIDADE.
Caracterizado o pagamento a maior ou indevido da contribuição, o contribuinte tem direito à repetição do indébito, segundo o disposto no art. 165, I, do Código Tributário Nacional (CTN).
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-004.279
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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COMPENSAÇÃO. Recorrente MINANCORA E CIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005 COFINS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO DE TRIBUTO. POSSIBILIDADE. Caracterizado o pagamento a maior ou indevido da contribuição, o contribuinte tem direito à repetição do indébito, segundo o disposto no art. 165, I, do Código Tributário Nacional (CTN). Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 36 32 /2 00 9- 45 Fl. 243DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 24/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.903632/200945 Acórdão n.º 3801004.279 S3TE01 Fl. 244 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Trata o presente processo de Declaração de Compensação — Dcomp, transmitida em 06/01/2006.. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinville/SC pela homologação parcial da compensação (por meio de Despacho Decisório emitido eletronicamente, juntado aos autos), fazendoo com base na constatação de que o valor do Darf informado no PER/DCOMP já havia sido parcialmente utilizado para quitar outro débito da contribuinte, restando, portanto, saldo disponível em valor inferior ao crédito pretendido, insuficiente para quitar integralmente o débito indicado. Irresignada com a homologação parcial de sua compensação, a contribuinte encaminhou Manifestação de Inconformidade, onde, preliminarmente, defende a suspensão da exigibilidade do débito tido como não compensado. No mérito, afirma que o valor do crédito de que dispõe é o por ela informado no PER/DCOMP e não o que consta do Despacho Decisório, considerando que o valor devido a titulo de Cofins, referente a março de 2005, é R$ 85.435,73, conforme consta do Dacon, e não R$ 86.857,35, como declarado em DCTF. Esclarece que a insuficiência de crédito apurada se deu em razão desta divergência de informações e informa que já efetuou a retificação da DCTF, conforme "doc. 03", no caso, cópia da DCTF retificadora, transmitida em 27/05/2009. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade baseandose na inexistência de créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional na data da apresentação da Dcomp. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual repisa as razões apresentadas por ocasião da impugnação, alegando, em síntese, que · a Receita Federal do Brasil não contestou a existência do crédito no valor original de R$ 23.045,66. Entendese, portanto que houve a concordância por parte deste Órgão quanto a esse valor apontado na Declaração de Compensação e, portanto, administrativamente se operou a consolidação dessa questão; · O direito ao indébito tributário ocorre a partir do pagamento indevido do tributo, a teor do disposto no art. 165 do Código Tributário Nacional; Fl. 244DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 24/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.903632/200945 Acórdão n.º 3801004.279 S3TE01 Fl. 245 3 · a informação contida na Dacon estava correta e a DCTF foi retificada dentro do prazo do prazo de cinco anos da ocorrência do fato gerador do tributo e antes de ser analisada a Declaração de Compensação. Portanto, ao proferir o Despacho Decisório a Receita Federal do Brasil já possuía elementos para apurar o valor correto do crédito, não existindo qualquer justificativa fática ou legal para o indeferimento. Em face do bom direito da recorrente, o processo, em julgamento unânime, foi convertido em diligência para que a Delegacia de origem apurasse o valor devido a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), período de apuração de março/2005, com base nos documentos acostados aos autos e na escrituração fiscal e contábil. A DRF de origem atendeu o solicitado na Resolução, sendo exarada a INFORMAÇÃO FISCAL EQAUC 021/2014, ás fls. 238/239, na qual concluiu que, afastando se a DCTF original, e aceitandose o Dacon como expressão da contabilidade da empresa no que concerne à apuração da Cofins, haveria um crédito de R$ 23.045,66, oriundo de pagamento a maior realizado em 15/04/2005, a título de Cofins. A contribuinte foi devidamente cientificada do teor da diligência pessoalmente, não se manifestando. Assim, os autos administrativos retornaram a esse colegiado para julgamento. É o relatório. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 24/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.903632/200945 Acórdão n.º 3801004.279 S3TE01 Fl. 246 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração da COFINS, referente ao mês de março/2005, que teria sido paga a maior. Alega ainda que ao descobrir o erro procedeu a retificação da DCTF do 1° semestre/05, em 27/05/2009. Compulsando os autos, para embasar seu direito, verificamos que a recorrente anexou ao recurso cópia da DCTF retificadora do 1° semestre/05, planilha demonstrativa dos débitos e DACON original do 1° trimestre/05. O direito creditório não existiria, segundo o acórdão de primeira instância e o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam parcialmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Conforme se verifica no despacho decisório, a maior parte do direito creditório pleiteado foi reconhecido, no montante de R$ R$ 21.624,04, razão pela qual considerase incontroverso. A parcela restante, que resultou na homologação parcial da compensação, decorre da desconsideração da DCTF apresentada posteriormente. Segundo a recorrente, houve um pagamento a maior de COFINS, período de apuração de março/2005, recolhido em 15/04/2005, no montante de R$ 108.402,89, complementado por um DARF no montante de R$ 78,50, quando o valor devido seria de R$ 85.435,73, gerando um crédito de R$ 23.045,66. O valor efetivamente devido e apurado da COFINS teria sido declarado na DACON original do 1° trimestre/05, transmitida em 29/09/2005, conforme consta na Ficha 17B, à fl. 179 e na DCTF retificadora do 1° semestre/05, transmitida em 27/05/2009, conforme consta à fl. 124. Do exame do despacho decisório que indeferiu a compensação, verificase que essa matéria não foi apreciada. A autoridade fiscal, em síntese, apenas considerou os dados apresentados na DCTF original. Por certo, a análise automática do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior pleiteado em restituição ou utilizado em declaração de compensação é realizada considerando o saldo disponível do pagamento nos sistemas de cobrança, não se verificando efetivamente o mérito da questão, o que será viável somente a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. O entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, devendo ser considerada como elemento de prova a DCTF retificadora mesmo apresentada a destempo, aliada aos demais documentos comprobatórios. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 24/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.903632/200945 Acórdão n.º 3801004.279 S3TE01 Fl. 247 5 Neste sentido, os dados da DCTF retificadora e os documentos colacionados são indícios de prova dos créditos e, em tese, ratificam os argumentos apresentados. Conforme relatado, o presente processo foi convertido em diligência para que a Delegacia de origem apurasse o valor devido a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), período de apuração de março/2005, com base nos documentos acostados aos autos e na escrituração fiscal e contábil. A DRF de origem em cumprimento ao solicitado na Resolução exarou a INFORMAÇÃO FISCAL EQAUC 021/2014, ás fls. 238/239, na qual, após intimar a empresa a comprovar, por meio hábil, o valor devido de Cofins, concluiu que haveria um crédito de R$ 23.045,66, oriundo de pagamento a maior realizado em 15/04/2005. Assim sendo, pelos documentos comprobatórios colacionados aos autos, e em especial a diligência fiscal realizada pela Delegacia de origem, reconhecesse como legítimo o valor do crédito pleiteado no total de R$ 23.045,66. Isto posto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório pleiteado e homologar a compensação declarada, até o limite do valor apurado pela RFB. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 247DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 24/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10746.904249/2012-78
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3803-000.622
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por maioria de voto, converteu-se o julgamento em diligência, para que a repartição de origem analise os documentos juntados aos autos e se pronuncie acerca da satisfação dos débitos da recorrente, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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Por maioria de voto, converteuse o julgamento em diligência, para que a repartição de origem analise os documentos juntados aos autos e se pronuncie acerca da satisfação dos débitos da recorrente, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, e Jorge Victor Rodrigues. RELATÓRIO Por meio de Despacho Decisório foi indeferido o pleito constante do Per/DComp transmitido pela contribuinte, em razão da realização de pagamento a maior. A fiscalização contrapondose ao alegado pela parte interessada, constatou a existência de um ou mais débitos, havendo o crédito declarado sido integralmente utilizado para a liquidação desses débitos, resultando na insuficiência de saldo credor o suficiente para a realização da compensação pretendida. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 46 .9 04 24 9/ 20 12 -7 8 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904249/201278 Resolução nº 3803000.622 S3TE03 Fl. 9 2 Manifestando a sua inconformidade, consubstanciada no art. 165, I, do CTN, a contribuinte deduziu a sua discordância ao despacho decisório, de acordo com as seguintes razões de defesa: (a) o despacho decisório foi emitido antes da retificação da DCTF e da DACON; (b) a partir da retificação desses documentos tornouse possível a Receita localizar o crédito alegado; e (c) demonstrado a existência do crédito aludido nos moldes de planilha contida na exordial, restou o direito à restituição correspondente. A título de comprovação de direito alegado fez colação aos autos das DCTF e DACON, bem assim de suas respectivas retificadoras e da cópia do DARF pago a maior, para postular pelo acolhimento de sua manifestação e pela insubsistência do aludido despacho. Concluso foram os autos para pronunciamento pela 4ª Turma da DRJ/BSB, que por meio do Acórdão nº 0352.897, em 27/06/2013, julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, nos termos da ementa transcrita a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano Calendário: 2010 APRESENTAÇÃO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A restituição de créditos tributários só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Em apertada síntese, a título de esclarecimento, menciona o relator que o direito à isenção alegado pela contribuinte na comercialização de seus produtos (sucos) e não aproveitado do benefício quando da apuração das contribuições, o que levaria ao recolhimento a maior que o devido, se referiu à tributação monofásica, que reduz a 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos especificados nos arts. 58A e 58B, da Lei nº 10.833/03. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904249/201278 Resolução nº 3803000.622 S3TE03 Fl. 10 3 Assim o direito creditório que a contribuinte alegou possuir seria proveniente de apuração de valor devido a menor, apurado em data posterior à época da entrega das declarações originais. Concluiu o voto condutor que a simples entrega de declarações retificadoras, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento efetuado a maior, que teria originado o crédito pleiteado pela contribuinte em seu pedido de restituição; que tais retificações deveriam ter ocorrido anteriormente a qualquer procedimento administrativo ou notificação de lançamento, conforme dispõem o parágrafo único do art. 39 e o § 1º do art. 147, ambos do CTN; e que não comprovada a liquidez e certeza de direito creditório contra a Fazenda Nacional passível de restituição, não há o que ser reconsiderado na decisão contida no despacho decisório. Após ser cientificado do decidido no Acórdão nº, por meio de AR, conforme subscrição em 11/11/13, contra o mesmo se insurgindo a contribuinte protocolou o seu recurso voluntário na repartição preparadora em 20/12/13, aduzindo sucintamente: Verificou que um de seus produtos vendidos (bebida: refresco e energético) pertenciam à sistemática monofásica de PIS e Cofins, enquadradas no sistema NBH/SH 22.02, e na NCM 2202.10.00 e NCM 22012.90.00, como também que recolheu a maior valores atinentes a essas contribuições, razão pela qual transmitiu a Per/DComp em 30/12/10, pleiteando a restituição que entendeu lhe era devida (PAF 10746.904200/201215) Em razão do indeferimento de sua manifestação de inconformidade e, para demonstrar o seu direito ao direito alegado, colacionou aos autos prova documental qual seja: Livri Diário anos 2007 a 2010, Livro Razão anos 2007 a 2010, Livros Fiscais ( Entrada, Saída e Apuração de ICMS dos anos de 2007 a 2010), Notas Fiscais de entrada dos anos 2007 a 2010, Blocos fiscais dos anos 2007 a 2010, Livro de Registros de Inventário correspondente aos anos de 2007 a 2010 e Notas Fiscais Eletrônicas de Saída dos anos 2007 a 2010. No que atine ao mérito reiterou os termos expendidos na exordial para requerer pelo provimento do seu recurso. Consta dos autos despacho proferido por autoridade administrativa da SAORT/DRFB em Palmas/TO, mencionando que a contribuinte apresentou o recurso voluntário acompanhado dos documentos acima descritos em 05/12/2013 e que ante a impossibilidade de juntar aos autos digitais os originais dos documentos entregues, foi o mesmo intimado TIF SAORT nº 180/2013 para apresentação dos itens discriminados no TIF em mídia eletrônica (arquivo digital), ou alternativamente, juntamente com os originais, cópia de cada um dos documentos a serem protocolados. Consta ainda desse despacho as seguintes informações: Em 17/01/2014, em resposta ao termo de intimação, o interessado apresentou um DVDR contendo vários arquivos, os quais não possuem as características necessárias ao processamento no ambiente do Sistema do Processo Digital da RFB (alguns arquivos de tamanho superior a 15 megabytes). Além disso, não foram entregues os relatórios/recibos do Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais, conforme orientação constante do Anexo I do termo de Intimação Fiscal SAORT nº Fl. 100DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904249/201278 Resolução nº 3803000.622 S3TE03 Fl. 11 4 108/2013. Portanto, em princípio, os arquivos não foram gerados com o auxílio do SVA o que torna impossível a validação e a autenticação dos mesmos. Assim, não obstante ter sido devidamente orientado, o interessado não atendeu os termos da intimação. Dessa forma, proponho que os autos sejam encaminhados ao CARF sem os elementos apresentados em mídia digital (arquivos constantes do DVDR) para análise do recurso. É o relatório. VOTO Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos necessários à sua admissibilidade, dele conheço. A recorrente fez colação aos autos em sede de recurso voluntário de documentos contábeis e fiscais já elencados no relatório, complementarmente, aos oferecidos como elementos materiais de prova na manifestação de inconformidade. O acórdão recorrido versa sobre o pedido de restituição/compensação, formalizado pela Recorrente perante a repartição preparadora em 30/12/10, quando arguiu possuir crédito tributário proveniente de pagamento realizado a maior que o devido (vide processo 10746.904200/201215) para compensar com débitos tributários próprios. Alegou a recorrente que a origem do crédito remete à sistemática de tributação monofásica, que reduz a 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos especificados nos arts 58A e 58bB, da lei nº 10833/03, notadamente aquelas classificadas no sistema NBH/SH 22.02, e na NCM 2202.10.00 e NCM 2202.90.00. Desde logo cumpre esclarecer, que sob à ótica do direito material, o tema " direito à restituição/compensação de indébito, oriundo de alíquota 0%, com fulcro nos arts. 58 A e 58B, da lei nº 10833/03", não foi enfrentado efetivamente pelo juízo a quo, eis que o mesmo se pronunciou exclusivamente acerca da ausência de comprovação da liquidez e da certeza do crédito alegado, em razão da insuficiência de documentos probantes, bem assim por entender que o ônus da prova cabe a quem alega o direito de. Portanto, inferese que a demanda sob este aspecto resta superada, cabendo ao Tribunal ad quem o pronunciamento exclusivamente acerca das provas colacionadas aos autos, complementarmente, mesmo a destempo, e da sua eficácia probante. DA APRESENTAÇÃO DE PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO Fl. 101DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904249/201278 Resolução nº 3803000.622 S3TE03 Fl. 12 5 A regra geral contida no art. 16 do Dec. nº 70.235/72 informa que o momento de apresentação das provas atinentes ao direito alegado é o mesmo da formalização da manifestação de inconformidade/impugnação. Destarte o dispositivo no § 4º deste mandamus, c/c o art. 38 e §§, da Lei nº 9+784/99, veio a propiciar à modulação dos efeitos dessa regra, sinalizando com a possibilidade da apresentação de prova noutro momento processual. Este também é o entendimento pacífico cristalizado por meio da jurisprudência administrativa emanada do CARF, notadamente quando a prova, mesmo que juntada a destempo é imprescindível para o deslinde da querela, consoante demonstram os extratos de julgados colacionados adiante na forma de ementa, confirase: Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999 VERDADE MATERIAL. PROVA INCONTESTE. A juntada de prova cuja simples leitura, em documento de uma só folha, permite constatar as alegações sustentadas pela recorrente, e cuja inadmissibilidade motivada pela preclusão perenizaria situação de injustiça evidente, deve ser considerada, ainda que em sede de embargos, em atendimento ao princípio da verdade material e à instrumentalidade do processo. (Acórdão 1302001.493, sessão de 27/08/2014 13840.000215/0018, Rel. Eduardo de Andrade). ____________________________________________________ (...). PRODUÇÃO DE PROVAS NO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE PARA SE CONTRAPOR ÀS RAZÕES DO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Como regra geral, a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo do direito de fazêlo em outro momento processual. Contudo, tendo o contribuinte trazido os documentos que julgava aptos a comprovar seu direito, ao não ser bem sucedido no julgamento de 1ª instância, razoável se admitir a juntada das provas no voluntário, pois é exceção à regra geral de preclusão a produção de novos documentos destinados a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Ademais, seria por demais gravoso, e contrário ao princípio da verdade material, a manutenção da glosa de deduções sem a análise das provas constantes nos autos. E ainda, sendo esta a última instância administrativa, tal postura exigiria do contribuinte a busca da tutela do seu direito no Poder Judiciário, o que exigiria do Fisco a análise das provas apresentadas em juízo, e ainda condenaria a União pelas custas do processo (Acórdão nº 1102.000940, sessão de 08/10/2013, PAF 16327.001040/200891, Rel. José Evande carvalho Araújo). ____________________________________________________ Fl. 102DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904249/201278 Resolução nº 3803000.622 S3TE03 Fl. 13 6 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DO CONTRIBUINTE. CONFERÊNCIA ELETRÔNICA. RETIFICAÇÃO DA DCTF A DESTEMPO. OBSTÁCULO. INEXISTÊNCIA. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. INOCORRÊNCIA. Deve ser verificada a procedência do pedido de compensação fundado em direito de crédito recusado exclusivamente com base em cotejo eletrônico das informações prestadas pelo contribuinte na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, desde que essa tenha sido retificada, ainda que extemporaneamente. Não há que se falar em preclusão do direito de apresentação de provas em fase recursal quando tenha sido dada ciência ao requerente da necessidade de instrução do processo apenas por ocasião da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Provido em Parte (Acórdão nº 3102001.959, sessão de 25/07/2013 10166.911735/200978, Rel. Ricardo Paulo Rosa). ___________________________________________________ O entendimento profligado por meio da jurisprudência acima transcrita tem a finalidade precípua de consolidação do princípio da verdade material, pressuposto basilar do Direito Processual Administrativo Tributário, bem assim da tese que defende que a produção probatória no processo administrativo tributário compete concorrentemente às partes e ao Juiz, quando apresentadas após a impugnação. A conselheira Andréa Medrado Darzé, em "Preclusão no Processo Adm. Tributário: Um Falso Problema", in "VII Congresso Nacional de Estudos Tributários, Derivação e Positivação no Direito Tributário" (2011, p. 7879) com apoio na jurisprudência dos tribunais administrativos, traz a contribuição significativa à questão posta: " A regra de preclusão do direito de o impugnante produzir provas no processo administrativo tributário, prescrita no art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, é cogente, de aplicação obrigatória, apenas podendo ser excepcionada nas hipóteses relacionadas neste mesmo dispositivo legal. Isso não significa, todavia, impossibilidade de a prova vir a ser apreciada pelo julgador, mesmo quando apresentada após a impugnação. A razão desta assertiva é singela, mas decisiva: a produção probatória no processo administrativo tributário compete concorrentemente às partes e ao Juiz. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904249/201278 Resolução nº 3803000.622 S3TE03 Fl. 14 7 Assim, mesmo na hipótese de a prova ser trazida aos autos quando já precluso o direito de ao particular fazêlo, o julgador pode e deve analisála, desde que se trate de prova necessária para a apreciação da matéria litigada. Afinal, diferentemente do que se verifica em relação ao impugnante, o legislador não estabeleceu limite temporal para a iniciativa probatória da autoridade julgadora." Como visto, resta demonstrada a efetiva possibilidade de apresentação de prova após a impugnação, seja pela aplicação da legislação tributária, ou mediante a jurisprudência administrativa, ou ainda pela doutrina hodierna. Portanto não há se falar em preclusão temporal neste caso. Ao contrário, os exemplos mencionados servem para demonstrar a possibilidade de se imprimir maior celeridade ao julgamento do feito, com a oportunidade criada a partir da colação desses documentos aos autos, a permitir que dúvidas por ventura existentes possam ser sanadas, sem a necessidade de remessa dos autos à repartição preparadora. Até mesmo por ser a opção pelo acolhimento da prova apresentada a destempo, uma discricionariedade do julgador, notadamente o relator dos autos, como auxílio para firmar a sua convicção pessoal ao caso sob análise. No caso vertente a recorrente trouxe aos autos na fase recursal novos elementos materiais de prova, dando conhecimento à autoridade administrativa de sua iniciativa. Essa autoridade limitouse a alegar a impossibilidade de juntar aos autos digitais os originais dos documentos que lhe foram entregues, intimando a Recorrente a reapresentar os documentos, desta feita na forma de arquivo digital, por meio de mídia eletrônica, concedendo lhe o prazo de 20 dias para o cumprimento do desiderato. Em atenção à intimação que lhe fora endereçada a contribuinte em 17/01/2014 apresentou um DVDR contendo vários arquivos, que segundo a fiscalização, não possuem as características necessárias ao processamento no ambiente do sistema de Processo Digital da RFB, além de não haver sido entregue os relatórios/recibos do Sistema de Validação e /autenticação de Arquivos Digitais, conforme orientação constante do Anexo I do Termo de Intimação Fiscal SAORT nº 180/2013, endereçado à ora Recorrente. Conclui a autoridade administrativa que os arquivos não foram gerados com o auxílio do SVA o que torna impossível a validação e a autenticação dos mesmos. Mister esclarecer que a Recorrente não se furtou de reapresentar os documentos em meio magnético, entretanto em plataforma diversa daquela orientada pela fiscalização. Igualmente ao apresentar na repartição preparadora os documentos originais para protocolo (cópia de cada documento), a recorrente o fez sob amparo da regra contida no § 7º do art. 2º e art. 8º da Portaria MF nº 527/2010, que autoriza a formalização de recursos mediante a apresentação de documentos em papel, como sendo uma opção do contribuinte. A persecução da verdade material no âmbito do processo administrativo tributário, como dito, deve funcionar para ambos os lados, portanto, pugno pela conversão deste julgamento em diligência à repartição de origem, para que sejam analisados todos os documentos indicados pela Recorrente no recurso voluntário, com vistas à apuração e Fl. 104DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904249/201278 Resolução nº 3803000.622 S3TE03 Fl. 15 8 pronunciamento acerca da existência de direito creditório, e se o mesmo é o bastante suficiente para a liquidação dos débitos indicados no Per/DComp transmitido para, posteriormente facultarlhe a oportunidade , mediante a concessão de tempo razoável, para comparecer aos autos se assim lhe aprouver. Cumprido com o desiderato devem os autos retornarem do órgão preparador para a retomada do julgamento suspenso circunstancialmente. É como voto Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 105DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 11543.001599/2008-43
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.
É passível de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda a despesa médica declarada e devidamente comprovada por documentação hábil e idônea.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-003.772
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer dedução com despesas médicas no valor de R$7.000,00, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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DESPESAS MÉDICAS. É passível de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda a despesa médica declarada e devidamente comprovada por documentação hábil e idônea. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer dedução com despesas médicas no valor de R$7.000,00, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 15 99 /2 00 8- 43 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 14/ 10/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11543.001599/200843 Acórdão n.º 2801003.772 S2TE01 Fl. 66 2 Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 6a Turma da DRJ/BSB (Fls. 201), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Contra a contribuinte acima identificada foi emitida por auditor fiscal da Delegacia da Receita Federal em Vitoria, notificação de lançamento referente ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2007, anocalendário 2006, resultando em redução do imposto a restituir para R$ 161,27, conforme Demonstrativo do Valor a Restituir (fl. 11). A contribuinte foi cientificada do lançamento em 1/4/2008, conforme Aviso de Recebimento (fl. 39). Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pela contribuinte supracitada, foi efetuado lançamento de oficio, tendo em vista que foi apurada a seguinte infração: DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS Dedução indevida de despesas médicas, sendo glosadas as seguintes despesas: Jonas Leandro Giacomin Junior e Marcos Vanetti Prado de Albuquerque, pois não constam dos recibos o nome do beneficiário e o endereço do prestador do serviço R$ 1.272,00; E K Clínica e Cirugias Ltda, pois não está comprovado que o recibo apresentado está relacionado a cirurgia reparadora, não há identificação do profissional que realizou o procedimento e nem o endereço R$ 7.000,00. Valor glosado: R$ 8.272,00. O Enquadramento Legal encontrase nos autos. Em 2/5/2008, no pedido de impugnação (fl. 1/5), acompanhado dos documentos de fls. 6/33, a contribuinte alega que: possui documentação comprobatória das despesas médicas glosadas; a Receita Federal desprezou os recibos sem provar que são inservíveis como fator probatório; apresenta, novamente, os recibos médicos com declaração assinada pelos profissionais; junta pesquisa obtida no site da Receita Federal, no qual consta que o Dr. Marcos Albuquerque encontrase regular perante este órgão; do Dr. Jonas Leandro Giacomin Junior, junta declaração atestando o serviço prestado; a E. K. Clínica se recusou a emitir a nota fiscal do serviços prestados; efetuou todos os pagamentos com cheques; Fl. 66DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 14/ 10/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11543.001599/200843 Acórdão n.º 2801003.772 S2TE01 Fl. 67 3 errado está o prestador do serviço ao não emitir o documento legalmente exigido; Requer prazo adicional para apresentar as cópias dos cheques dos pagamentos efetuados a E. K. Clínica e que sejam aceitas as deduções pleiteadas. Passo adiante, a 6ª Turma da DRJ/BSB entendeu por bem julgar a impugnação procedente em parte, em decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO PARCIAL. DESPESAS MÉDICAS. Comprovada, parcialmente, de forma hábil e idônea, a realização da despesa, restabelecese o valor correspondente na Declaração de Ajuste Anual. Em 26/12/2011 a DRF de VITÓRIA/ES enviou o processo para a ES VILA VELHA ARF; que devolveu o processo com o seguinte despacho: DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Favor digitalizar a intimação e o AR e devolver para que possamos dar prosseguimento ao recurso apresentado Em 26/01/2012 a DRF de VITÓRIA/ES enviou resposta na forma do seguinte despacho: Não encontrado registro de intimação e "ar" nesta seção referente ao processo, à ARF Vila Velha para prosseguimento. Verificase no entanto, que a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 27/10/2011 (fls. 55 a 58), elegando ter sido Cientificada, através de sua procuradora, em 28/09/2011 (Fls. 56); onde reforça os argumentos apresentados quando da impugnação. Anexo em conjunto: 1 – Procuração; 2 – Documentos da Procuradora; 3 – Declaração da Empresa Prestadora de Serviços Médicos; 4 – “Comprovante de Inscrição e Situação Cadastral” emitido no Site da Receita Federal. É o Relatório. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 14/ 10/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11543.001599/200843 Acórdão n.º 2801003.772 S2TE01 Fl. 68 4 Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. De início cumpre verificar que permanece em litígio apenas a glosa referente à despesas médicas no valor de R$7.000,00 de serviços prestados pela pessoa jurídica E. K. Clínica e Cirurgias LTDA Tal despesa médica foi inicialmente glosada pela fiscalização por entender não constar do documento apresentado que se tratava de cirurgia reparadora, o nome do prestador do serviço e o respectivo endereço. Porém, dos requisitos elencados acima, apenas o endereço é verdadeiramente exigível e ensejador da glosa, como bem asseverou a DRJ em seu acórdão às fls.48: O caput do art. 80, do RIR/99, acima transcrito, não restringe a despesa com cirurgia plástica a cirurgia reparadora, não podendo, este, ser motivo da glosa. Quanto ao nome do prestador do serviço, no caso de pessoa jurídica, é a própria pessoa jurídica a prestadora do serviço, não sendo necessária a indicação do profissional, pessoa física, que realizou o procedimento médico. Entretanto, o endereço é um dos requisitos que deve constar nos documentos emitidos pelo prestador do serviço, seja ele pessoa física ou pessoa jurídica, podendo ser causa para não se aceitar a despesa médica. Para suprir a falta de endereço, a impugnante poderia trazer uma declaração emitida pela prestadora do serviço. Ocorre que, por ocasião do Recurso Voluntário a recorrente fez juntar aos autos declaração emitida por E. K. Clínica e Cirurgias LTDA que afirma ter prestado o referido serviço de cirurgia plástica para a contribuinte, indicando inclusive seu endereço, e na qual informa que a já citada empresa teve sua razão social alterada para Millenium Centro de Medicina e Cirurgias LTDA sem, no entanto, ter havido modificação em seu CNPJ (fls. 61dos autos). Assim, entendo que, questionada acerca da validade do recibo emitido por E. K. Clínica e Cirurgias LTDA por faltar requisito essencial, qual seja, o endereço do prestador do serviço, a contribuinte trouxe aos autos documento que supria tal defeituação. Ante o acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento ao recurso, para restabelecer a dedução com despesas médicas no valor de R$7.000,00. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 14/ 10/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11543.001599/200843 Acórdão n.º 2801003.772 S2TE01 Fl. 69 5 Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 69DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 14/ 10/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN
score : 1.0
Numero do processo: 10935.902454/2012-71
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/03/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-002.609
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/03/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/03/2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. DESCABIMENTO. Diante das regras vigentes, não é cabível pedido de restituição de PIS/PASEP que tenha por base a alegação de recolhimento a maior por inclusão do ICMS na base de cálculo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/03/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 24 54 /2 01 2- 71 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarouse impedido. Relatório O contribuinte JUMBO ALIMENTOS LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0642.759, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo em sede de manifestação de inconformidade, rejeitandoa. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: “Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, em 01/08/2012, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp nº 09634.80167.161107.1.2.043106, rastreamento nº 029225067, devido à inexistência de crédito pleiteado de R$ 4.156,71, uma vez que o pagamento de PIS/PASEP (Código 6912), do período de 28/02/2006, efetuado em 15/03/2006, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão em 13/08/2012, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório.” Indeferida a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório na forma da ementa que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 61DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902454/201271 Acórdão n.º 3802002.609 S3TE02 Fl. 122 3 Data do fato gerador: 15/03/2006 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS A Recorrente alega que possui direito de crédito amparada no fato de que incluiu, quando de sua apuração do PIS e da COFINS, o ICMS em sua base de cálculo; e que tal inclusão seria indevida, de modo que merece ser proporcionalmente restituída do montante decorrente desse procedimento. De início vale destacar que, ao invés de questionar a constitucionalidade da regra (o que levaria ao não conhecimento do presente Recurso), o contribuinte cerra sua discussão na extensão do conceito de faturamento – o que, na esteira da decisão proferida pelo STF no RE 346084, no qual se afastou a tributação sobre a receita bruta e se limitou ao Fl. 62DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 faturamento, assim entendido como as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e prestações de serviços. Desse modo, o recurso é passível de conhecimento. Além disso, por mais que esteja sujeita ao regime não cumulativo do PIS e da COFINS, por entender que o conceito de faturamento deve ser apenas um (pois, independente do regime de tributação, temse em verdade dois únicos tributos, PIS e COFINS), comungo com o pressuposto de que o conceito de faturamento adotado com relação à lei 9.718 deve ser o mesmo válido também para os regimes das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. A Recorrente fundamenta seu pleito defendendo que o ICMS não seria receita própria do sujeito passivo, o que implicaria na seguinte situação: Para tanto, espelhase em doutrina e em julgados que entendem que o ICMS não se enquadra no conceito de faturamento, por não representar vantagem do sujeito passivo, mas apenas receitas de terceiros. A DRJ, todavia, não acolheu o entendimento da Recorrente, pelo singelo fato de que as normas vigentes – às quais o julgador administrativo está adstrito – impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Assim dispôs a decisão recorrida: “Pela manifestação de inconformidade apresentada, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência revisão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998: (...)” Entendo que a DRJ está correta em suas considerações, apesar de uma pequena impropriedade ao se referir à lei 9.718/98 – pois o direito creditório decorre de PIS e COFINS recolhidos pela sistemática não cumulativa. As normas de direito vigentes, às quais o CARF está vinculado, impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nesse sentido, vejase o que dispõem as leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que em matéria de ICMS autorizam a dedução somente no caso de exportação: Lei 10.637/2002 “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902454/201271 Acórdão n.º 3802002.609 S3TE02 Fl. 123 5 § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Lei 10.833/2003 “Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Logo, do ponto de vista normativo a Recorrente já não merece acolhida em seu pleito, ao menos no âmbito administrativo. E nem se diga que o conceito simples de faturamento, indicado no parágrafo 2o do artigo 1o das leis 10.637/2002 e10.833/2003, permitiria inferir que o ICMS incidente sobre as operações do próprio sujeito passivo, seria incompatível com a base de cálculo. Trata se de afastamento legal da base de cálculo, apenas para o caso excepcional do ICMS da exportação. E mesmo isso possui uma razão de ser, qual seja a desoneração das exportações. De todo modo, mesmo que se abstraia da letra fria das normas vigentes, ou se entenda que a dicção do inciso VI do § 3o do art. 1o das leis de regência da sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, entendo que não é cabível a exclusão do ICMS da base de cálculo dessas contribuições. E isso pela própria essência do ICMS. Desde que o STF entendeu, no RE 212209, que o ICMS compõe a própria base de cálculo, não restam dúvidas de que esse imposto integra o valor da operação. E não há, com a devida vênia a todos os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais trazidos pela Recorrente, condições de se decompor o valor da operação entre itens que integrariam sua receita, e outros (em especial, o ICMS) que implicariam receitas de terceiros. É o que se verifica, inclusive, do julgado do RE em tela, no qual o Ministro Marco Aurélio, relator, confrontou o Min. Nelson Jobim, redator para o Acórdão. Abaixo segue o questionamento e a resposta: Fl. 64DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Esse raciocínio foi acompanhado pelo STJ, o qual, nos Edcl no REsp no 1.413.129SP, firmou tal entendimento, conforme se verifica do aresto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. FUNGIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. CONTRADIÇÃO E AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. MATÉRIA EXCLUSIVAMENTE CONSTITUCIONAL. AFASTAMENTO. "Não procede ainda a afirmação de que a matéria de fundo é exclusivamente constitucional, pois o STJ conhece reiteradamente da questão e possui firme orientação de que a parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins (Súmulas 68 e 94/STJ). Precedentes atuais: AgRg no REsp 1.106.638/RO, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 15/5/2013; REsp 1.336.985/MS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013; AgRg no REsp 1.122.519/SC, Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 11/12/2012" (AgRg no Ag 1301160/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 12/6/2013). A propósito, valhome do Acórdão proferido no RESP 8.541, o qual serviu como paradigma para as Súmulas 68 (que consagra a inclusão do antigo ICM na base de cálculo do PIS) e também 94 (que consagra a inclusão do ICMS na base de cálculo do antigo Finsocial) do STJ. Nele o Min. Ilmar Galvão, Relator, aponta as seguintes razões: Fl. 65DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902454/201271 Acórdão n.º 3802002.609 S3TE02 Fl. 124 7 Apesar de se referir ao antigo ICM, a discussão travada (assim como o raciocínio espelhado) remanesce atual, pelo que me valho dessas razões de decidir. Sem embargo, o fato de o ICMS ser tributo de repercussão jurídica não me parece promover diferenças relevantes para o deslinde da causa. A não cumulatividade é, ao fundo, uma sistemática de tributação, destinada a atender a um propósito particular de política econômica, com o fito de evitar a verticalização da cadeia produtiva. Assim leciona Alcides Jorge Costa em O ICM na Constituição e na Lei Complementar (Ed. Resenha Tributária, São Paulo, 1978). Entender que o ICMS, por ser de repercussão jurídica, não significa receita própria, implica conseqüências tão graves no âmbito daquele tributo, que é mesmo incogitável admitir isso para o PIS e a COFINS. Apenas à guisa de ilustração, trago outro exemplo, além da inclusão do ICMS na própria base de cálculo (que teria que ser revista, pois perderia sua Fl. 66DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 razão de ser), que a inadimplência teria reflexos diametralmente opostos no ICMS se ele fosse considerado receita de terceiros. Esses reflexos, que podem ser suscitados como marginais ao PIS e à COFINS, em verdade guardam íntima relação com essas contribuições. Basta ver que, se o contribuinte considera que o ICMS é receita de terceiros, teria que observar todos os reflexos contábeis decorrentes disso – inclusive lançando a parcela de ICMS do seu preço em conta contábil própria, de receita de terceiros. De um modo ou de outro, seja do ponto de vista legal, de finalidade das normas, ou mesmo contábil, as próprias raízes do ICMS impedem que ele seja considerado receita de terceiros. E isso, em sede de PIS e COFINS, não pode ser considerado distinto, sob pena de instabilidade e insegurança jurídica absoluta. Os conceitos devem ser trabalhados de maneira uniforme. Por isso mesmo, no que toca os fundamentos do seu pedido de restituição, nego provimento ao Recurso Voluntário. Da ausência de comprovação da materialidade do crédito Ultrapassada a questão acima, o exame da materialidade do crédito do sujeito passivo também não resiste a uma análise mais acurada. Apesar de o despacho decisório afirmar que o crédito argüido pelo sujeito passivo foi integralmente utilizado para pagamento de outros débitos, a Recorrente não demonstrou, por meio de documentos hábeis, que o montante pleiteado referese ao ICMS incluído de modo (a seu ver) indevido na base de cálculo do PIS e da COFINS. Isso se verificou na manifestação de inconformidade e também no presente Recurso Voluntário. Ora, o processo administrativo tributário em si é regido pelo princípio da verdade material, que busca, mais do que qualquer formalismo, a essência do que é levado a revisão administrativa. Assim é que, no que tange ao pedido de restituição, é de responsabilidade do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas (i) sua legitimidade e (ii) a materialidade do seu crédito, para os fins do art. 165 do CTN. Neste espeque, a Recorrente, mesmo instada a tanto pela DRJ, não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que efetivamente o crédito pleiteado se refere à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Reiterese aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de restituição, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. Vale repisar que, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Assim sendo, não há nos autos fundamentos que legitimem a restituição pleiteada pela Recorrente, de modo que deve ser negado provimento ao presente Recurso Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902454/201271 Acórdão n.º 3802002.609 S3TE02 Fl. 125 9 Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 68DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 18471.001812/2008-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1998 a 30/08/1998
LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. RELATÓRIO FISCAL QUE NÃO CUMPRIU DETERMINAÇÃO EXPRESSA DO JULGADO QUE ANULOU O LANÇAMENTO ORIGINAL. IMPROCEDÊNCIA. Tendo em vista que o lançamento substitutivo fora realizado em desconformidade ao que dispôs o julgado que anulou o lançamento original, outra conclusão não há, senão pelo reconhecimento de sua imprestabilidade a justificar o novo lançamento efetuado, em clara ofensa à coisa julgada administrativa.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.260
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Os conselheiros acompanharam o relator pelas conclusões.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Spindola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.Ausente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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RELATÓRIO FISCAL QUE NÃO CUMPRIU DETERMINAÇÃO EXPRESSA DO JULGADO QUE ANULOU O LANÇAMENTO ORIGINAL. IMPROCEDÊNCIA. Tendo em vista que o lançamento substitutivo fora realizado em desconformidade ao que dispôs o julgado que anulou o lançamento original, outra conclusão não há, senão pelo reconhecimento de sua imprestabilidade a justificar o novo lançamento efetuado, em clara ofensa à coisa julgada administrativa. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 18 12 /2 00 8- 57 Fl. 737DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Os conselheiros acompanharam o relator pelas conclusões. Júlio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Spindola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.Ausente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 738DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18471.001812/200857 Acórdão n.º 2401004.260 S2C4T1 Fl. 1.175 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRAS, em face do acórdão que manteve integralmente a NFLD n. 35.699.7090, lavrado para a cobrança de contribuições previdenciárias parte dos segurados, da empresa e as destinadas ao financiamento do SAT, até 06/1997, e ao GILRAT a partir de então, na qualidade de responsável tributária solidária em decorrência da contratação de serviços da empresa ENGINEERING SERVIÇOS DE ENGENHARIA LTDA. Consta do relatório fiscal que a recorrente contratou com a empresa ENGINEERING, “a construção civil e montagem eletromecânica para o REVAMP, DA FAFEN/SE.” Também fora informado pelo auditor que a empresa não comprovou o cumprimento das obrigações da construtora para com a Seguridade Social, ou seja, não houve a devida comprovação, através de guias de recolhimento especificas para a obra contratada, nem a apresentação de folhas de pagamentos especificas dos segurados empregados alocados na obra contratada, comprovando recolhimentos não inferiores aos calculados de acordo com as normas de aferição indireta da remuneração em obra ou serviço de construção civil, previstas nos atos normativos pertinentes, conforme explicado nos itens 16 e 17 do relatório fiscal. Em continuidade o fiscal esclarece que quando da análise da defesa formulada pela empresa contratada, a 2ª. Câmara de Julgamento, do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS considerou que a razão apresentada no Relatório Fiscal, que acompanhara a notificação, qual seja, a ausência de "Declaração de Contabilidade Regular", não era suficiente para justificar o lançamento. Por este motivo, aquele órgão determinou, a anulação da citada NFLD e que a fiscalização verificasse a oportunidade de efetuar novo lançamento, desde que conseguisse demonstrar a inidoneidade da documentação apresentada. Assim sendo, a presente NFLD tem por finalidade substituir o lançamento antes efetuado (NFLD 35.371.8939), haja vista ter a empresa contratante deixado de apresentar, ao contrário do afirmado anteriormente, os seguintes documentos: Guias de Recolhimento da Previdência Social — GETS e folhas de pagamento especificas para a obra realizada sem a comprovação de que a contratada possui contabilidade regular referente ao período da obra, caso os valores de saláriodecontribuição sejam inferiores aos aferidos conforme explicado nos itens 16 e 17 do relatório fiscal, que indicam a forma de apuração dos valores lançados. O lançamento fora efetuado por aferição indireta considerando o percentual de 40 % (quarenta por cento) sobre a parte considerada como mãodeobra constante nas notas fiscais de prestação de serviço. Por fim, consta que quando do lançamento foram consideradas como responsáveis solidárias as empresas PETROBRAS GÀS S/A – GASPETRO, PETROBRAS TRANSPORTE S/A – TRANSPETRO e PETROBRAS QUÍMICA S.A. – PETROQUISA, com fundamento no art. 30, IX da Lei 8.212/91. Fl. 739DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 O lançamento compreende, as competências de 01/1998 a 08/1998, tendo sido o contribuinte cientificado em 29/07/2005 (fls. 01) Apresentadas as impugnações, fora proferido o julgamento em primeira instância, sendo que dele, a recorrente e as demais responsáveis solidárias interpuseram os competentes recursos voluntários, através do qual sustentam, em síntese PETROBRÁS DISTRIBUIDORA S/A 1. o cerceamento de seu direito de defesa, na medida em que a Recorrente não recebeu cópia da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) e dos documentos que a instruem, mas tão somente oficio informando diversos lançamentos. 2. na contratação de serviços, empresas que eventualmente componham grupo econômico com a contratante não têm qualquer ligação com o fato gerador da contribuição previdenciária — folha de salários de contratada — bem como não têm absolutamente nenhuma possibilidade de efetuar a retenção e assim elidir sua responsabilidade; 3. que as empresas do grupo econômico, com exceção da contratante, por não terem relação com a contratada não podem efetuar retenção nem exigir daquela a apresentação de documentos comprobatórios da quitação do tributo, motivo pelo qual não lhe pode ser atribuída a responsabilidade solidária. PETROBRÁS GÁS S/A – GASPETRO 4. Além das alegações supra, acrescenta que todas as empresas apontadas como componentes do grupo econômico são pessoas jurídicas distintas uma das outras; possuem quadro próprio de empregados, admitidos por processo seletivo público, bem como suas Gerências, Diretorias Executivas, Conselhos Fiscal e de Administração e, principalmente, não estão sujeitas a qualquer tipo de orientação, emanada diretamente da Petrobrás S/A; PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRÁS 5. que o Acórdão que determinou a anulação da NFLD, também determinou que a fiscalização verificasse a oportunidade de efetuar um novo lançamento, desde que demonstrasse "a inidoneidade da documentação apresentada", o que não ocorreu na presente notificação, lavrada apenas com base nos dados obtidos pela análise do Relatório de Fatos Geradores da NFLD 35.371.8939, não atendendo, dessa forma, a determinação daquele julgado; Fl. 740DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18471.001812/200857 Acórdão n.º 2401004.260 S2C4T1 Fl. 1.176 5 6. a decadência do lançamento com arrimo no art. 150, §4o do CTN; 7. que a fiscalização não obedeceu o disposto no Parecer CJ/MPAS no 2.376, que determinava o prévio cruzamento de dados entre as empresas tidas como solidárias para que então se formalizasse o lançamento; 8. a inexistência da cessão de mãodeobra, que justifique a lavratura do lançamento, pois não houve um serviço contínuo, com a colocação de empregados / segurados à disposição da Recorrente, de modo a configurar uma cessão de mãodeobra, e, por via de conseqüência, ensejar a responsabilidade tributária, já que o contrato versou sobre uma prestação de serviços específica, com direção e coordenação exclusivas da contratada e dentro dos limites de seu objeto, com a execução do serviço como um todo, não existindo qualquer previsão contratual que deixe à disposição do contratante o pessoal que participou da prestação dos serviços; 9. que a imputação da solidariedade enseja a necessidade de prévia constituição da dívida ou da obrigação, afim de que o credor possa imputálas aos demais responsáveis. Assim é mister que a fiscalização faça a verificação prévia junto a empresa prestadora dos serviços. 10. que o agente fiscal, equivocadamente, considerou o valor bruto das notas fiscais como a base de cálculo da contribuição, quando deveria fazêlo somente sobre o montante relativo ao pessoal empregado, isso porque outras verbas também integram a NF (materiais, insumos etc PETROBRÁS QUÍMICA S/A PETROQUISA 11. que que todas as empresas apontadas como componentes do grupo econômico são pessoas jurídicas distintas uma das outras; possuem quadro próprio de empregados, admitidos por processo seletivo público, bem como suas Gerências, Diretorias Executivas, Conselhos Fiscal e de Administração e, principalmente, não estão sujeitas a qualquer tipo de orientação, emanada diretamente da Petrobrás S/A; 12. que deve ser reconhecida como parte ilegítima ao lançamento; Após a interposição dos recursos, às fls. 412, o Serviço de Contencioso Administrativo da DRP RJ/ determinou o retorno dos autos à Junta Notificante para que esta Fl. 741DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 se manifestasse sobre os termos do recurso da empresa recorrente (PETROBRÁS S/A), especialmente no que se refere a indicação de que não fora caracterizado no lançamento substitutivo a inidoneidade dos documentos apresentados. Sobreveio resposta às fls. 424, através de novo relatório fiscal do lançamento, cuja conclusão fora a seguinte: “Ao chefe da equipe fiscal 07, para conhecimento e o devido encaminhamento desta A DERAT/ RJO/ EQCDP — Equipe de Controle de Débitos Previdenciários para que esta dê ciência do teor deste despacho A empresa tomadora, bem como as demais integrantes do Grupo Econômico, reabrindo o prazo recursal, reiniciando, dessa forma, o contencioso administrativo.” Após, todos os envolvidos foram intimados, tendo alguns apresentado petição em forma de recurso voluntário e outro em forma de impugnação administrativa diante de referido novo relatório fiscal. Após, sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 742DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18471.001812/200857 Acórdão n.º 2401004.260 S2C4T1 Fl. 1.177 7 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. PRELIMINARES Analiso, primeiramente, a preliminar de nulidade do lançamento, tendo em vista que o lançamento ora sob combate, substitutivo do lançamento original, não fora levrado em conformidade com o que veio a decidir o CRPS no acórdão 002210/2002. Vejamos, então, o que decidiu o CRPS (fls. 161) ao analisar a NFLD 35.371.8939 (Anulada): “Considerando que pelo que consta do Relatório Fiscal temos que deixou de ser apresentado apenas a "Declaração de Contabilidade Regular" da empresa prestadora, não me parecendo que somente tala alegação seja suficiente para alicerçar o lançamento; Considerando que a exigência acima registrada não está contemplada no Art. 31, da Lei 8.212/91, não sendo razoável a exigência de documentos além daqueles estabelecidos em lei, sendo oportuna uma analogia com o Parecer CJ/MPAS 1.830/99; Considerando que o INSS deixou de apresentar qualquer elemento de convencimento que aponte a improcedência da documentação verificada; e, Considerando tudo o mais que dos autos consta. CONCLUSÃO Face ao exposto, voto no sentido de ANULAR A NFLD em pauta, cabendo ao INSS a verificação da oportunidade de efetuar novo lançamento, caso consiga "comprovar" que a documentação apresentada é inidõnea ou não reflete a realidade do serviço contratado.” Ou seja, depreendo do julgado proferido pelo CRPS que quando do lançamento original a recorrente fora intimada a apresentar documentação relativa ao contrato com a empresa ENGINEERING, o tendo feito, mas não de forma plena, tendo deixado de apresentar apenas a “declaração de contabilidade regular” da empresa prestadora. Assim, diante de tal motivo, entendeu aquele órgão, que tal motivação seria insuficiente, por si só, para justificar o lançamento, pois, da análise do relatório fiscal não restou demonstrado que o restante da documentação apresentada era inidônea ou mesmo não refletia a realidade do serviço contratado. Fl. 743DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Vejamos em contrapartida o que dispôs o relatório fiscal da NFLD 35.371.8939 (Anulada) sobre a documentação apresentada naquela oportunidade: “[...] 11 A empresa contratante deixou de apresentar os seguintes documentos: Declaração de Contabilidade Regular e Contrato. 12 Os dados para o presente levantamento foram obtidos pela análise dos seguintes elementos: Guias de Recolhimento não específicas FP.s; Boletins de Medição.” Há de se concluir, pois, que na oportunidade do lançamento original, fora apresentada documentação, que não a Declaração de Contabilidade Regular e Contrato, no sentido de demonstrar o cumprimento das obrigações previdenciárias relativas ao contrato, conforme restou reconhecido, a meu ver, pelo próprio CRPS. E tal documentação apresentada foram as guias de recolhimento não específicas para a obra, Folhas de Pagamento juntadas e Boletins de Medição da Obra, que serviram, inclusive, de base ao lançamento original. Pois bem, à vista de tais colocações, entendo que a ordem emanada pelo CRPS em seu acórdão que anulou a NFLD original foi a de permitir um novo lançamento desde que a fiscalização comprovasse que a documentação anteriormente apresentada era “inidônea ou não refletia a realidade do serviço contratado.” Portanto, ao efetuar o novo lançamento, no caso aquele que ora se analisa, deveria a fiscalização, em meu sentir, ter analisado a documentação apresentada e constante nos autos da NFLD original, apontando quais seriam os motivos pelo que as entendeu como inidôneas ou incapazes de demonstrar a realidade do serviço contratado e o cumprimento das obrigações previdenciárias correspondentes. Na mesma conclusão chegou o ilustre fiscal que respondeu à diligência solicitada após a impetração dos recursos voluntários, que em sua resposta ao seguinte questionamento respondeu (fls. 428): “QUESTIONAMENTO: 0 entendimento do insigne CRPS acerca do motivo apresentado no relatório fiscal da NFLD n° 35.371.8939/2001 restringirseia à inexistência da comprovação de contabilidade regular, que, segundo ele, não justificaria o Lançamento, segundo consta o relatório fiscal da lavratura da presente NFLD; ou se, além disso, conforme alega a Notificada, impunha a condição de no novo lançamento ser demonstrada a "inidoneidade da documentação apresentada"? RESPOSTAS: 0 entendimento do CRPS no Acórdão de n° 02210, de 18/10/2002, em que seus membros decidiram por ANULAR A NFLD, estabeleceu a necessidade de se "comprovar" que a documentação apresentada é inidônea ou não reflete a realidade do serviço prestado.” Da análise dos motivos adotados para o novo e presente lançamento (substitutivo) vislumbro que de fato não houve a análise de referida documentação antes apresentada, nem que fosse para desconsiderála por parte do auditor notificante. Vejamos o que pontuou sobre a documentação o auditor: Fl. 744DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18471.001812/200857 Acórdão n.º 2401004.260 S2C4T1 Fl. 1.178 9 “8 Assim sendo, o presente lançamento tem por finalidade substituir o lançamento efetuado anteriormente, haja vista ter a empresa contratante deixado de apresentar, ao contrário do afirmado anteriormente, os seguintes documentos: Guias de Recolhimento da Previdência Social — GETS e folhas de pagamento especificas para a obra realizada comprovação de que a contratada possui contabilidade regular referente ao período da obra, caso os valores de salário de contribuição sejam inferiores aos aferidos conforme explicado nos itens 16 e 17 do presente relatório.” Ou seja, verificase que quando do presente lançamento, sequer chegouse a avaliar os documentos acostados aos autos do processo administrativo referente à NFLD n. 35.371.8939 (Anulada), tendo simplesmente o fiscal reintimado a empresa a apresentar documentação, alegando que esta deixou de apresentar guias de pagamento e folhas de pagamento específicas para a obra, e, mais uma vez, comprovação de contabilidade regular. Não vislumbro, pois, que da forma como fora efetuado o lançamento, restou devidamente cumprido o que determinado pelo CRPS, motivo pelo qual entendo deva ser anulada a NFLD, pois não restou expressamente demonstrada a inidoneidade da documentação apresentada nos autos do processo administrativo relativo à NFLD n. 35.371.8939 (anulada). Ante todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 745DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 11516.002448/2005-97
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Oct 27 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2801-000.158
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§ 1º e 2º do Regimento do CARF.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin
Presidente do Colegiado na data de formalização da decisão (23/10/2014), em substituição ao Presidente Antônio de Pádua Athayde Magalhães, e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (23/10/2014), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antônio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis.
Nome do relator: LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§ 1º e 2º do Regimento do CARF. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente do Colegiado na data de formalização da decisão (23/10/2014), em substituição ao Presidente Antônio de Pádua Athayde Magalhães, e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (23/10/2014), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antônio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§ 1º e 2º do Regimento do CARF. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente do Colegiado na data de formalização da decisão (23/10/2014), em substituição ao Presidente Antônio de Pádua Athayde Magalhães, e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (23/10/2014), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antônio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 5ª Turma da DRJ/FNS (Fls. 52/57), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .0 02 44 8/ 20 05 -9 7 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/10/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11516.002448/200597 Resolução nº 2801000.158 S2TE01 Fl. 84 2 Tratase de auto de infração resultante da revisão da declaração de ajuste anual do Interessado relativa ao anocalendário 2001, onde se exige Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar no valor de R$ 34.701,16, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora. Da leitura do "Demonstrativo das Infrações" (fl. 10), observase que a presente autuação decorre da apuração de omissão de rendimentos tributáveis recebidos em decorrência do "processo trabalhista 971/89 da 2a Vara do Trabalho de Florianópolis ". Por ser de direito, o valor do imposto de renda retido na fonte foi alterado em razão da inclusão de valores devidamente comprovados, correspondentes aos rendimentos tributáveis omitidos. Inconformado, o Interessado apresentou a impugnação de fls. 01 a 03, na qual expõe suas razões de contestação. Aduz que por força de decisão judicial (Acórdão 7649/98 da 2a Turma do TRT da 12a Região) o cálculo do imposto de renda foi efetuado com observância do regime de competência. Afirma que a presente autuação desrespeitou ordem judicial, pois observou o regime de caixa. Alega que a Receita Federal, ao lavrar a presente autuação, "estabeleceu para o requerido um regime distinto da contribuição para o fisco, em relação aos demais autores do processo trabalhista n" 971/89, que tramitou perante a 2a Vara do Trabalho de Florianópolis/SC, contribuintes que dispõem da mesma capacidade contributiva e, sujeitos ao regime de competência, consoante o comando judicial, que ora está sendo desrespeitado, e atuando em desacordo com os preceitos constitucionais vigentes ". Ressalta que "teve gastos com advogado, a título de honorários advocatícios, no importe de R$ 57.415,33". Tendo em vista as alegações apresentadas, o Interessado requereu a "sustação do auto de infração" e, sucessivamente, requereu "a desconsideração da multa de oficio e dos juros de mora, eis que não houve máfé". E o relatório.” Passo adiante, a 5ª Turma da DRJ/FNS entendeu por bem julgar o Lançamento procedente, em decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2001 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Os rendimentos recebidos acumuladamente, em decorrência de sentença judicial, relativos a trabalho assalariado, estão sujeitos à incidência do Imposto de Renda na Fonte e na Declaração de Ajuste Anual. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/10/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11516.002448/200597 Resolução nº 2801000.158 S2TE01 Fl. 85 3 MULTA DE OFÍCIO DE 75%. ARTIGO 44, INCISO I, DA LEI N° 9.430/1996. A exigência no lançamento de ofício da multa de 75% prevista no artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/1996, não está condicionada a caracterização de máfé. JUROS. ARTIGO 61, § 3 o , DA LEI N° 9.430/1996. A cobrança de juros na forma prevista no artigo 61, § 3o , da Lei n° 9.430/1996, não está condicionada a caracterização de máfé. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado em 14/02/2011 (Fl. 57), o recorrente interpôs Recurso Voluntário em 15/03/2011 (Fls. 60 à 67), reforçando os argumentos apresentados quando da impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. No presente caso, temse que o auto de infração objeto deste processo versa sobre rendimentos recebidos acumuladamente pelo contribuinte. Ocorre que a constitucionalidade da regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, foi levada à apreciação, em caráter difuso, por parte do Supremo Tribunal Federal, o qual reconheceu a repercussão geral do tema e determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, em decisão assim ementada, in verbis: “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida Fl. 85DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/10/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 11516.002448/200597 Resolução nº 2801000.158 S2TE01 Fl. 86 4 para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” (STF, RE 614406 AgRQORG, Relatora: Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03/03/2011). Ante o reconhecimento da repercussão geral do tema, pelo Supremo Tribunal Federal, e a determinação do sobrestamento dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, verifica se que as questões concernentes ao artigo 12 da Lei nº 7.713, de 1988, não podem ser apreciadas por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais até que ocorra o julgamento final do Recurso Extraordinário pelo Supremo Tribunal Federal. É que foi alterado (Portaria MF n.º 586, de 2010) o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), editado pela Portaria MF n.º 256, de 2009, determinando o sobrestamento ex officio dos recursos nas hipóteses em que reconhecida a repercussão geral do tema e determinado o sobrestamento dos julgamentos sobre a matéria pelo Supremo Tribunal Federal, a teor do art. 62A, §§1º e 2º, do Regimento Interno do CARF, que, a seguir transcrevese, ipsis litteris: “Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.” Esses os motivos pelos quais entendo por bem sobrestar a apreciação do presente recurso voluntário, até que ocorra decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE nº 614.406, nos termos do disposto nos artigos 62A, §§1º e 2º, do RICARF. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Redatora ad hoc, em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/10/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 10830.006194/2004-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/01/1998, 28/02/1998, 31/03/1998, 30/04/1998, 31/05/1998, 30/06/1998, 31/07/1998, 31/08/1998, 31/10/1998, 30/11/1998, 31/12/1998, 31/01/1999, 31/08/1999, 30/09/1999, 31/10/1999, 30/11/1999, 31/12/2000
Cofins. Falta de Recolhimento/Compensação.
Tratando-se de causas de extinção da obrigação tributária, compete ao sujeito passivo comprovar, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, o efetivo pagamento ou sua compensação com créditos oriundos de outros tributos.
Ausentes tais elementos, impõe-se a manutenção do lançamento lavrado no intuito de formalizar a exigência
Multa de Oficio e Juros à Taxa Selic. Inconstitucionalidade. Instâncias Administrativas. Incompetência.
Pela Súmula nº. 2 do CARF, este Conselho é incompetente para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade da lei tributária, o que se reserva para o Poder Judiciário, não podendo conhecer, portanto, conhecer as argumentações do recorrente.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-001.434
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro.
Nome do relator: LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES
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INOCORRÊNCIA Restando observadas as normas procedimentais e expostos os fatos que ensejaram a lavratura do auto de infração, a matéria jurídica pertinente e a forma pela qual foi apurado o quantum, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, que pôde ser exercido em sua plenitude. FORMALIZAÇÃO DA EXIGÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO. AUTO DE INFRAÇÃO. HIGIDEZ A imposição de multa de 75% quando da lavratura do auto de infração está em perfeita consonância com os diplomas que regem o processo administrativo fiscal e a aplicação de penalidades. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/1998, 28/02/1998, 31/03/1998, 30/04/1998, 31/05/1998, 30/06/1998, 31/07/1998, 31/08/1998, 31/10/1998, 30/11/1998, 31/12/1998, 31/01/1999, 31/08/1999, 30/09/1999, 31/10/1999, 30/11/1999, 31/12/2000 COFINS. FALTA DE RECOLHIMENTO/COMPENSAÇÃO. Tratandose de causas de extinção da obrigação tributária, compete ao sujeito passivo comprovar, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, o efetivo pagamento ou sua compensação com créditos oriundos de outros tributos. Ausentes tais elementos, impõese a manutenção do lançamento lavrado no intuito de formalizar a exigência AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 61 94 /2 00 4- 70 Fl. 470DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.006194/200470 Acórdão n.º 3102001.434 S3C1T2 Fl. 940 2 MULTA DE OFICIO E JUROS À TAXA SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. INCOMPETÊNCIA. Pela Súmula nº. 2 do CARF, este Conselho é incompetente para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade da lei tributária, o que se reserva para o Poder Judiciário, não podendo conhecer, portanto, conhecer as argumentações do recorrente. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Relatório Tratase de Recurso Voluntário que chega para exame deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF em razão da insurgência do contribuinte epigrafado ao Acórdão nº. 0518.493 (fls. 411416), da 4ª. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campinas/SP. Em instante prévio à apreciação da manifestação recursal, convém que sejam revisitados os atos e fases processuais já vencidas. Pois bem. Conforme bem descrito no relato empreendido pela autoridade julgadora de origem: “Tratase do Auto de Infração relativo à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins , lavrado em 26/10/2004, que formalizou o crédito tributário contra a contribuinte em epígrafe no valor total de R$ 375.916,56, incluindo multa de ofício e juros de mora calculados até 30/09/2004, devido às irregularidades assim discriminadas na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 07/08: 001 —COFINS DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO — COFINS ANO 1998 VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS Fl. 471DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.006194/200470 Acórdão n.º 3102001.434 S3C1T2 Fl. 941 3 Conforme Termo de Verificação e Planilhas anexos. [demonstrativo com Val. Tributável ou Contribuição e Multa (75%), para os fatos geradores: 31/01/1998 a 31/08/1998 e 31/10/1998 a 31/12/1998]. Enquadramento legal: Arts. 1° e 2° da Lei Complementar n° 70/91. Lei n°8.212/91. 002 — COFINS FATURAMENTO DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO — COFINS ANOS 1999 E 2000 — (VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS) Conforme Termo de Verificação e Planilhas anexos. [demonstrativo com Val. Tributável ou Contribuição e Multa (75%), para os fatos geradores: 31/01/1999, 31/08/1999 a 30/11/1999 e 31/12/2000]. Enquadramento legal: Art. 2° da Lei Complementar n° 70/91, Art. 77, inciso III do DecretoLei n° 5.844143; art. 149 da Lei n°. 5.172/66; art. 1° da Lei Complementar n°. 70/91; arts. 2°, 3° e 8°, da Lei n°. 9.718/98, com as alterações da Medida Provisória n° 1.807/99 e suas reedições, com as alterações da Medida Provisória n° L858199 e suas reedições." O citado Termo de Verificação Fiscal, constante de fls. 13/21, assim detalha a infração: "DO CONTEXTO Esta ação fiscal foi iniciada em decorrência da diligência autorizada pelo MPF 08104002003.009530, e teve inicio em 30/12/2003, com a Lavratura de Auto de Infração referente à omissão de rendimentos. O presente trabalho restringiuse aos procedimentos de Verificações Obrigatórias, com a finalidade de apurar se as bases de cálculos e os recolhimentos efetuados pelo contribuinte, com relação aos tributos declarados não alcançados pela decadência, estão corretos. Em 30/12/20030 contribuinte foi intimado a: (…) 3) Fornecer relação contendo o número dos processos judiciais e a matéria discutida, em relação às ações judiciais, porventura existentes, impetradas contra a Fazenda Pública Federal (tributos administrados pela Receita Federal); 4) Digitar os dados constantes do programa fornecido em meio magnético juntamente com a intimação, imprimir e assinar o Questionário de Informações Gerais Prestadas pelo Contribuinte e a Planilha do Contribuinte (devolvendo a fiscalização os disquetes, após salvar as informações). Atentandose que os valores correspondentes ao PIS/COFINS diziam respeito Fl. 472DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.006194/200470 Acórdão n.º 3102001.434 S3C1T2 Fl. 942 4 inclusive aos das filiais, caso não houvesse centralização do recolhimento. Em 05/03/2004, novamente foi reintimado nos mesmos termos da intimação anterior. Em 05/03/2004 apresentou posição processual das ações judiciais Impetradas contra a Fazenda Pública Federal, referente ao PIS, ao COFINS e ao FINSOCIAL, bem como apresentou o Questionário de Informações Gerais Prestadas pelo Contribuinte, a Planilha do Contribuinte e os dados digitados no programa fornecido por esta fiscalização. Em 21/05/20040 contribuinte foi intimado a apresentar: 1. Livro Diário e Razão referente ao período compreendido entre janeiro de 1999 a novembro de 2003; 2. Livro Registro de Apuração ICMS referente ao período compreendido entre janeiro de 1999 a novembro de 2003; 3. Livro Registro de Apurado IPI referente ao período compreendido entre janeiro de 1999 e novembro de 2003; (…) 6. Demonstrativo das Compensações referente aos processos judiciais de FINSOCIAL; Em 14/06/2004, através de correio eletrônico, o contribuinte solicitou prorrogação de prazo, pois alguns livros encontravam se com a Fazenda Estadual. Em 04/08/2004 foi efetuada a retenção dos livros solicitados, bem como de Relatórios de Planejamento Tributário do IPI. Em 09/08/2004 o contribuinte foi intimado a apresentar: 2. Demonstrativo das Compensações referente aos processos judiciais contendo as bases de cálculo; 3. Teor da decisão judicial proferida em junho/2004, referente ao processo n°. 95.6088195 de FINSOCIAL Em 12/08/2004 foi efetuada a retenção dos livros solicitados, bem como foi recebido o teor da decisão judicial proferida em junho/2004, referente ao processo n°. 95.6088195 de FINSOCIAL. Em 26/08/2004 foram devolvidos os Livros de Registro de Apuração de ICMS referentes a filial 50.612.738/000420. Em 20/09/2004 o contribuinte foi novamente intimado a apresentar, por tributo, os itens a seguir: TRIBUTO: PIS (…) Fl. 473DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.006194/200470 Acórdão n.º 3102001.434 S3C1T2 Fl. 943 5 TRIBUTO: COFINS 1. Apresentar justificativas, bem como a documentação comprobatória, para a falta de recolhimento/compensação da COFINS no período de 01/98 a 08/98 e 10/98 a 12/98 tanto para a matriz como para as filiais; 2. Apresentar justificativas, bem como a documentação comprobatória, para as diferenças apuradas na base de cálculo da COFINS, conforme planilha "Demonstrativo da Situação Fiscal Apurada COF1NS" constante no Anexo 2 daquele Termo; 3.Apresentar justificativas, bem como a documentação comprobatória, por não constarem das DCTF entregues a partir de fevereiro de 1999, os valores do COFINS que tenham por base de cálculo os valores referentes às receitas financeiras, conforme planilha "Demonstrativo da Situação Fiscal Apurada – COFINS" constante no Anexo 2 daquele Termo. "(negrejouse) TRIBUTO: IPI 1 – Apresentar justificativas, bem como a documentação comprobatória, para a utilização de créditos de IPI, relacionados abaixo, decorrentes da aquisição de matérias primas, produtos intermediários e/ou materiais de embalagem, isentos, nãotributados e/ou tributados à alíquota zero; Período Valor 30/11/1999 – R$ 49.927,98 20/04/2000 R$ 18.742,16 20/10/2001 R$ 81.129,49 02/02/2002 R$ 23.763,42 2 – Apresentar justificativas, bem como a documentação comprobatória, caso discordasse da escrituração do IPI que foi refeita por esta fiscalização de acordo com a planilha "Demonstrativo de Reconstituição da Escrita” constante no Anexo 3 daquele Termo: Período Valor 30/11/1999 R$ 49.927,98 20/04/2000 R$ 18.742,16 20/10/2001 R$ 81.129,49 02/02/2002 R$ 23.763,42 3 – Apresentar justificativas, bem como a documentação comprobatória, para o fato do estabelecimento corrigir monetariamente, ou acrescer de juros, créditos extemporâneos, ainda que esses créditos fossem legítimos. Fl. 474DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.006194/200470 Acórdão n.º 3102001.434 S3C1T2 Fl. 944 6 Em 22/09/2004 foi solicitada prorrogação de prazo através de correio eletrônico. Em 04/10/2004 esta fiscalização solicitou a inclusão das Operações FiscaisInsuficiência de Recolhimento e COFINS Insuficiência de Recolhimento para o anocalendário 1998. Em 06/10/2004 o contribuinte apresentou informações sobre os diversos itens da intimação, bem como apresentou os balancetes de verificação do anocalendário 1998, que foram retidos por esta fiscalização. DAS VERIFICAÇÕES No decorrer dos trabalhos fiscais FORAM VERIFICADOS os fatos abaixo discriminados quanto ao tributo COFINS: 1. Para o período de 01/98 a 08/98 e 10/98 a 12/98, não foram localizados nos Sistemas da Secretaria da Receita Federal, pagamentos referentes à COFINS. Na planilha de compensação apresentada, também não constam valores compensados para este período. Este fato se verifica tanto para a matriz como para as filiais. 2. O contribuinte apresentou os faturamentos, do anocalendário 1998, da matriz e das filiais, mas como a empresa encontrase em fase de encerramento das atividades, inclusive com algumas filiais já canceladas na base de dados cadastrais da Secretaria da Receita Federal, esta fiscalização somou todos as bases de cálculo e está efetuando a constituição do crédito tributário na matriz. 3. Foram apuradas diferenças na base de cálculo da COFINS, conforme planilha "Demonstrativo da Situação Fiscal Apurada — COFINS", constante no Anexo I do presente Termo, e planilha "Apuração da Base de Cálculo Pis/Cofins", constante no Anexo 2 do presente Termo. (…)" A contribuinte foi cientificada dos autos em 26/10/2004 (fls. 06). Inconformada, a interessada apresentou, por intermédio de seu representante legal, em 25/11/2004, impugnação de fls. 311/355, acompanhada de documentos de fls. 356/406. Após breve resumo abrangendo todos os fatos verificados na ação fiscal, protesta, preliminarmente, pelo cerceamento do direito de defesa, ante a relação genérica do enquadramento legal da infração. Diz que a fiscalização não indica de forma clara e objetiva qual seria o dispositivo legal que supostamente veda a compensação efetuada de forma legítima pela autuada. Fundamentase nas disposições do art. 5°, inciso LV, da Constituição Federal de 1988 (CF/88). Também, julga nulo o lançamento, face inobservância dos seguintes princípios: da reserva legal, da legalidade, da motivação e da segurança jurídica. Fl. 475DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.006194/200470 Acórdão n.º 3102001.434 S3C1T2 Fl. 945 7 Antes de adentrar no mérito da questão, passa a examinar os conceitos básicos da ação fiscalizadora. Afirma que possui a Administração poder discricionário para decidir e atuar em conformidade com as disposições legais, sempre da melhor forma, a fim de beneficiar os indivíduos por ela administrados, aos quais deve a obrigação de bem estar e cidadania. Ainda nesse diapasão, aponta que a "notificação de lançamento" questionada possui erro latente, vez que não é o competente meio para efetivação da cobrança. Fundamentase nas disposições constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional — CTN para concluir que "notificação de lançamento" é um lançamento de oficio e acusa que a autoridade fiscal pretende transformála em uma espécie de auto de infração e imposição de multa. Julga que a fiscalização pode propor, mas não impor a multa, "vez que a notificação de lançamento é meramente declaratória e não ato constitutivo, angariando a personalidade de um lançamento de oficio que deverá descrever a subsunção do conceito do fato ao conceito da norma, deixando a valoração ou cognição do conteúdo para o órgão judicante que realmente tem competência para apreciar e rever, não só os aspectos de direito COMO os de fato e deduzir se ocorreram ou não os efeitos". E que caso não se entenda pela nulidade do auto de infração, o que admite apenas por argumentação, protesta pela sua retificação e regularização com a disposição legal pertinente ao caso vertente. No mérito, inicia falando da compensação. Diz possuir credito de Pis passível de compensação com parcelas vincendas da própria contribuição, nos termos do art. 66 da Lei n° 8.383, de 1991. E que está convencida do acerto do procedimento e da possibilidade dos abatimentos no âmbito de seu lançamento por homologação. E continua: "Ocorre que, se assim o fizer, respaldadas apenas e tão somente na sua convicção a respeito da matéria, as DCTFs futuras revelarão seu encontro de contas unilateral. Desta forma, a impugnante ajuizou uma ação judicial autuada sob o n°. 97.6010700, visando a declaração, como base de cálculo do PIS, o faturamento auferido no sexto mês anterior ao do recolhimento, em seu valor nominal, não incidindo qualquer índice de correção monetária, desde a edição dos Decretosleis n°. 2.445 e 2.449 ambos de 1988, até março de 1996 (…), bem como declarado como compensável todo o montante de créditos de PIS, resultante da diferença entre o pagamento da contribuição sobre o faturamento auferido no mês anterior (Decretosleis n° 2.445/88 e 2.449/88) e o que deveria ter sido recolhido com base no faturamento cru do sexto mês anterior (art.,6°, § único, da Lei Complementar n° 7/70) com o próprio PIS vincendo conforme entendimento pacifico dos tribunais". Fl. 476DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.006194/200470 Acórdão n.º 3102001.434 S3C1T2 Fl. 946 8 Informa que também compensou a Cofins no período de 01/98 a 08/99 a 11/99 e 12/00, com crédito de Finsocial que fora recolhido à alíquota superior a 0,5%, tudo mediante permissivo do art. 66 da Lei n°8 383 de 1991. Acrescenta que o direito de pleitear a restituição dáse após expirado,o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos a partir da homologação tácita, conforme tese do STJ. E que, a despeito de já ter implementado a compensação, pleiteou em juízo autorização para tal procedimento, obtendo sentenças de 1ª e 2ª instâncias favoráveis. Diante de tais pressupostos, conclui que o procedimento fiscal revestiuse de patente ilegalidade. Passa a abordar a compensação com quaisquer tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. Discorre da possibilidade da compensação do crédito de PIS com outros tributos, independentemente de requerimento, com fulcro no art. 74 da Lei n°. 9.430, de 1996, com as alterações da Lei n° 10.637, de 2002. Cita jurisprudência e diz que se aplica ao caso o art. 106, inciso II, "a", do CTN, onde é admitida a retroatividade da lei mais benigna a favor do contribuinte, nos casos não definitivamente julgados. Assim, conclui, mais uma vez, que a compensação efetuada pela impugnante obedeceu aos requisitos legais, devendo, portanto, ser anulado o auto de infração. Prossegue tratando da utilização dos créditos de IPI na aquisição de bens isentos, não tributados ou com alíquota zero, destinados ao ativo imobilizado e ao uso e consumo do estabelecimento. Alega que a legislação infraconstitucional contraria o princípio da nãocumulatividade quando não admite que as empresas aproveitem o crédito de IPI na aquisição de insumos, produtos intermediários e matériasprimas, utilizados no processo industrial, sob os regimes de isenção e alíquota zero. Contrapõese ao entendimento de que, por não ter sido cobrado o IPI na operação anterior, inexistiria direito ao crédito, porque levaria à supressão dos incentivos fiscais, que restariam convertidos em mero diferimento de incidência. Argumenta que tal procedimento desvirtua o disposto na Constituição e gera concorrência desleal, pois quem vende produto isento ou com alíquota zero, para concorrer em pé de igualdade, deverá conceder descontos nunca inferiores ao valor do IPI. Cita jurisprudência. Conclui o tópico dizendo que tendo o STF decidido pelo direito de crédito de IPI na aquisição de insumos isentos, não resta mais dúvida de que as empresas têm o direito de proceder ao creditamento do IPI incidente sobre aqueles produtos, diretamente na sua escrita fiscal, crédito esse que deverá ser Fl. 477DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.006194/200470 Acórdão n.º 3102001.434 S3C1T2 Fl. 947 9 corrigido e compensado com os demais tributos arrecadados e administrados pela SRF. A seguir, aborda a questão da extinção do crédito tributário. Alega que, face o crédito oponível contra a Fazenda, efetuou compensação dos valores recolhidos indevidamente, com amparo na declaração de inconstitucionalidade dos valores pagos a maior a título de Pis e Cofins e que, portanto, extinto está o respectivo crédito tributário, nos termos do art. 156, II, do CTN. Cita doutrina e protesta seja anulado o auto de infração. Na sequência, argúi a impossibilidade de aplicação de taxa Selic como juros moratórios, por afronta ao art. 9°, inciso I, e art. 161, § 1°, ambos do CTN, devendo o auto de infração ser tomado nulo, posto que se tomou ilíquido ao trazer valores incorretos acerca do cálculo do suposto débito. Faz extenso arrazoado para concluir que a Selic tem características • remuneratórias, sendo ilegal e inconstitucional sua utilização para fins tributários. Cita doutrina e jurisprudência. Passando à multa, julga que o percentual aplicado é absurdo e inaceitável, denotando abuso do poder fiscal. Além do mais, diz que a penalidade não respeita o princípio da proporcionalidade e do nãoconfisco, presentes na Constituição. Faz remissão ao art. 113 do CTN para concluir que também as penalidades podem ser consideradas confiscatórias, pois a obrigação tributária é composta de tributo e penalidade. Cita mais doutrina e jurisprudência. Contrapõese, também, à cobrança concomitante de multa moratória e juros de mora, por caracterizar bis in idem, já que ambos possuem a mesma natureza jurídica de sanções ressarcitórias, entendendo que apenas uma deverá ser aplicada e, certamente, aquela que menos onere o devedor. Encerra com o seguinte pedido: "a) sejam acolhidas as preliminares argüidas, declarandose a nulidade do auto de infração MPF n o 08104002003.009530, ou, no mérito, seja julgada totalmente procedente a presente impugnação para desconstituir a autuação em razão de serem inexigíveis os valores lançados como débito da autuada, bem como a respectiva multa e os juros, tendo em vista os argumentos acima expendidos; ou b) caso não seja este o entendimento de V.Sª o que se admite apenas para argumentar, seja julgada indevida ou reduzida a multa aplicada, seja em razão do confisco afrontando o artigo 150, inciso IV da Constituição Federal de 1988, ou, que seja aplicada a pena de MULTA ou de JUROS moratórias sob pena de incorrermos num bis in idem’.” Após delimitar a matéria impugnada, a 4a. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Campinas/SP, através do acórdão já referenciado, manteve a exigência fiscal, o que se colhe da ementa clara e precisa do julgado guerreado: Fl. 478DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.006194/200470 Acórdão n.º 3102001.434 S3C1T2 Fl. 948 10 “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/1998, 28/02/1998, 31/03/1998, 30/04/1998, 31/05/1998, 30/06/1998, 31/07/1998, 31/08/1998, 31/10/1998, 30/11/1998, 31/12/1998, 31/01/1999, 31/08/1999, 30/09/1999, 31/10/1999; 30/11/1999, 31/12/2000 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Tendo sido perfeitamente descrito o fato e juridicamente qualificado pelas normas no enquadramento legal pertinente à contribuição, com a elaboração de um conjunto de demonstrativos e planilhas, o qual, combinado com os termos e a descrição dos fatos no auto de infração, demonstra cabalmente a forma como foi apurada e calculada a Cofins devida, caracterizando plenamente todos os elementos do fato jurídico tributário, não se vislumbra qualquer prejuízo à contribuinte para a perfeita inteligência acerca da matéria autuada. LANÇAMENTO. FORMALIZAÇÃO DA EXIGÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. A formalização da exigência por meio de Auto de Infração com imposição de multa atende ao principio da vinculação do ato administrativo, não contrariando a dispositivo legal ou a ordem judicial. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n°70.235, de 1972. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/1998, 28/02/1998, 31/03/1998, 30/04/1998, 31/05/1998, 30/06/1998, 31/07/1998, 31/08/1998, 31/10/1998, 30/11/1998, 31/12/1998, 31/01/1999, 31/08/1999, 30/09/1999, 31/10/1999, 30/11/1999,31/12/2000 COFINS. DIFERENÇA APURADA NA BASE DE CÁLCULO. Constatadas irregularidades na apuração da base de cálculo da COFINS, não infirmadas pela contribuinte, correta é a exigência da diferença da contribuição correspondente. COFINS. FALTA DE RECOLHIMENTO/COMPENSAÇÃO. Mantémse a exigência para a qual não se logrou comprovar, mediante documentação hábil e idônea, o efetivo pagamento ou compensação. MULTA DE OFICIO E JUROS À TAXA SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. Fl. 479DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.006194/200470 Acórdão n.º 3102001.434 S3C1T2 Fl. 949 11 As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no Pais, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do fisco. Lançamento Procedente.” Regularmente intimado, o contribuinte manejou o Recurso Voluntário em análise, pelo qual basicamente reitera os argumentos já deduzidos em sua manifestação de inconformidade, continuando sua defesa quanto: (i) ao cerceamento do seu direito de defesa pelo Auto de Infração não elencar claramente a fundamentação legal da dívida tributária; (ii) à impossibilidade da Notificação de Lançamento em Auto de Infração constituirse em lançamento de ofício, bem como que a este somente caberia propor a sanção e não a aplicar, defendendo, pois, a consequente nulidade deste Auto; (iii) à existência de compensação de créditos oriundos de inconstitucionalidade do aumento de alíquota do FINSOCIAL; (iv) à existência de direito de crédito de IPI incidente na aquisição de insumos isentos; (v) à impossibilidade de aplicação da taxa SELIC como taxa de juros moratórios; (vi) ao caráter confiscatório da multa de 75% aplicada no Auto de Infração; e, por fim, (vii) à violação do princípio do ne bis in idem pela cobrança cumulativa de multa de mora e juros de mora. Em face do encerramento do mandato do conselheiro relator e de que não foi formalizado o acórdão, me autodesignei para tal tarefa. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Redator Reproduzo o voto lido em sessão, que representa os fundamentos do Acórdão e foi referendado pela unanimidade dos presentes. Verificado o preenchimento dos pressupostos de admissibilidade recursal, dele tomo conhecimento. No que diz respeito às preliminares arguidas pelo recorrente, quais sejam a de nulidade do Auto de Infração em face do cerceamento do seu direito de defesa; tal como a nulidade deste pela inobservância dos procedimentos corretos para a realização de lançamento de ofício pela autoridade fiscalizadora; e sua nulidade pela imposição de multa, a qual, todavia, só poderia ser proposta, há de se discorrer o que se segue. Em primeiro lugar cabe esclarecer o que se entende por lançamento tributário. Nesse sentido, o Código Tributário Nacional, em seu artigo 142, fornece a este uma definição legal, qual seja o procedimento administrativo vinculado “o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, Fl. 480DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.006194/200470 Acórdão n.º 3102001.434 S3C1T2 Fl. 950 12 identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” Nesse contexto, os lançamentos podem ser classificados em três categorias: os lançamentos por declaração, os por homologação e os lançamentos de ofício. O lançamento de ofício, a seu turno, pode ser conceituado como aquele que “é feito por iniciativa da autoridade administrativa, independentemente de qualquer colaboração do sujeito passivo. Qualquer tributo pode ser lançado de ofício, desde que não tenha sido lançado regularmente na outra modalidade”. (MACHADO, Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário. 19. ed. São Paulo: Malheiros, 2001. p. 146.) O lançamento de ofício, logo, dentre outras, tem lugar naquelas hipóteses em que o contribuinte o sujeito passivo não faça a apuração ou o pagamento dos tributos aos quais esteja obrigado a realizar, bem como naquelas em que os faz incorretamente. Ou seja, na falta da realização do lançamento por outra modalidade, tem, a Administração Tributária, o dever de proceder ao lançamento de ofício para que possa exigir o pagamento do tributo ou a diferença do tributo devido. O Auto de Infração, desta forma, constituise no meio pelo qual se procede à formalização de lançamento efetuado de ofício pela Administração Tributária, cuja característica principal é sua lavratura pelo agente competente no local da infração. Outrossim, no que se refere ao caso em tela, cabe destacar que o Auto de Infração foi lavrado em conformidade com toda a legislação tributária, constitucional e administrativa pertinente, observando sua natureza de ato administrativo vinculado, de forma a estar patente sua legalidade, que, inclusive, não foi comprovadamente afastada pelo recorrente. Imperioso, portanto, reiterar o que escreveu o Eminente Relator da 4a. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Campinas/SP ao afirmar que: “Ainda quanto ao procedimento fiscal, da análise dos autos, depreendese que os fatos foram perfeitamente descritos e juridicamente qualificados pelas normas no enquadramento legal pertinente à contribuição em estudo (COFINS). Consubstanciamse no entendimento da Autoridade Fiscal acerca da infração apontada, resumida no início do relatório. Além disso, a fiscalização elaborou um conjunto de demonstrativos e planilhas, o qual, combinado com os termos e a descrição dos fatos no auto de infração, demonstra cabalmente a forma como foi apurada e calculada a contribuição devida, caracterizando plenamente todos os elementos do fato jurídico tributário, pelo que não se vislumbra qualquer prejuízo à contribuinte para a perfeita inteligência acerca da matéria autuada.” Fl. 481DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.006194/200470 Acórdão n.º 3102001.434 S3C1T2 Fl. 951 13 Ainda no que toca às preliminares alegadas, fazse mister apontar que constatada irregularidade ou o não pagamento de determinado tributo, procederseá ao seu lançamento de ofício, que, “para que gere efeitos, deve ser objeto de notificação ao sujeito passivo. O efeito principal dessa notificação é formalizar o dever do sujeito passivo de proceder ao recolhimento do tributo, que antes, era inexigível por falta de condição de exigibilidade”. (AMARO, Luciano da Silva. Direito Tributário Brasileiro. 15. ed. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 347.) Desse modo, uma vez realizada a notificação, o contribuinte, ciente do lançamento, possuirá prazo de trinta dias para vistas do inteiro teor do processo no Órgão Preparador, bem como para apresentar impugnação escrita, exercitando seu direito ao contraditório e à ampla defesa, tal como ocorreu pela observância dos documentos presentes nesses autos. Por fim, quanto à suposta impossibilidade de aplicação de multas junto ao lançamento de ofício, observase que verificadas as condições para a imposição de penalidade, a multa, que também é visualizada como uma obrigação tributária principal, deve ser indicada no corpo do Auto de Infração conforme determina o artigo 10 do Decreto n° 70.235 de 1972, o que não viola qualquer princípio tributário, tal como se lê abaixo: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula”. Assim, é imperativo negar reconhecimento às pretensões do recorrente no que toca às preliminares alegadas, haja vista a observância dos preceitos legais pelo procedimento de lançamento de oficio realizado. Quanto ao mérito, o recorrente produz sua argumentação no tocante à existência de direito de crédito de IPI na aquisição de bens isentos, não tributados ou com alíquota zero, quando destinados ao ativo imobilizado e ao uso e consumo do estabelecimento, e que, portanto, estaria legislação infraconstitucional marcada por vício de inconstitucionalidade pois contrariaria o principio da nãocumulatividade previsto na Constituição de 1988. Fl. 482DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.006194/200470 Acórdão n.º 3102001.434 S3C1T2 Fl. 952 14 Busca deduzir, ainda, que os créditos tributários em cobrança estariam extintos por compensação com créditos oriundos da declaração de inconstitucionalidade de aumento da alíquota do FINSOCIAL, que teria sido obtida em ações judiciais cuja cópia apresenta. Além disso, contrapõese à multa e aos juros de mora aplicados, por entender que seriam inconstitucionais, bem como amparado na concepção de que a cobrança cumulativa destes caracterizaria uma violação ao ne bis in idem. Seu primeiro argumento reside na alegação de que a legislação infraconstitucional que regulamenta o IPI padeceria de vício de inconstitucionalidade, dada a não observação do princípio da nãocumulatividade por não admitir que as empresas aproveitem o crédito de IPI na aquisição de insumos, produtos intermediários e matériasprimas, utilizados no processo industrial, sob os regimes de isenção e alíquota zero. Com relação a este, há de se destacar que este Conselho não é competente para conhecer ou afastar normas jurídicas tributárias em face da alegação de inconstitucionalidade. Nesse sentido, manifestase a súmula CARF número 2: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Nesse sentido, o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em seu artigo 72 prescreve que: “Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. § 1° Compete ao Pleno da CSRF a edição (apreciar proposta) de enunciado de súmula quando se tratar de matéria que, por sua natureza, for submetida a duas ou mais turmas da CSRF. § 2° As turmas da CSRF poderão aprovar enunciado de súmula que trate de matéria concernente à sua atribuição. § 3° As súmulas serão aprovadas por 2/3 (dois terços) da totalidade dos conselheiros do respectivo colegiado. § 4° As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF.” (grifos nossos) Impossibilitase, portanto, por violação direta de súmula deste Conselho, o conhecimento do presente argumento da inconstitucionalidade da legislação infraconstitucional do IPI. Corroborando o exposto, tornase importante reprisar a narrativa oferecida pelo Eminente Relator da 4a. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Campinas/SP, “Quanto aos questionamentos que se voltam à validade da lei, na qual se baseia o procedimento levado a efeito pela fiscalização, esclareçase que, por estar devidamente Fl. 483DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.006194/200470 Acórdão n.º 3102001.434 S3C1T2 Fl. 953 15 fundamentada a exigência em norma inserida no ordenamento jurídico, não cabe a este órgão administrativo perquirir de sua constitucionalidade, dado este controle não ser da alçada dos órgãos administrativos, mas sim, exclusivamente, do Poder Judiciário, nos termos do art. 102, incisos I, "a" e III, "h" e § V' da Constituição Federal. Enquanto a norma não é declarada inconstitucional pelos órgãos competentes do Poder Judiciário e não é eliminada do sistema normativo, tem presunção de validade vinculante para a Administração Pública.” Já em relação à alegação da ocorrência de compensação pelo contribuinte de créditos oriundos de declarações de inconstitucionalidade de aumentos de alíquotas do FINSOCIAL para com os créditos em cobrança e da consequente nulidade do Auto de Infração em face dessa, há de se analisar que não obstante o contribuinte faça prova do ajuizamento dessas ações e dos direitos delas decorrentes, não veio a comprovar satisfatoriamente a realização dessas compensações. Tais provas poderiam ter sido produzidas através da apresentação de cópia dos registros contábeis e fiscais que denotasse a efetivação do referido procedimento no encontro das contas de crédito com os débitos aqui correspondentes, ou mesmo, através da exibição destes quando solicitado pela Administração Tributária nas diversas fiscalizações que efetuou. Assim, no que diz respeito a esta argumentação, em face da inexistência de provas concretas, e sim, de uma mera arguição retórica, tornase impossível reconhecer a pretensão do recorrente. Quanto à aplicação da taxa SELIC como taxa de juros moratórios, o recorrente defende sua inconstitucionalidade, o que, como já exposto anteriormente, não pode ser analisado por este Conselho, já que aduz a controle de alçada exclusiva do Poder Judiciário. Contudo, somente a título explicativo, fazse mister apontar que esta utilização já é patente neste Tribunal, estando consubstanciada na Súmula CARF nº. 4, a qual é de adoção obrigatória este Conselho: “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” No pertinente, ao caráter confiscatório da multa de 75% lançada de ofício, observase que seu lançamento se deu em conformidade com o previsto no artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em face da constatação de infração à legislação tributária. Dessa forma, a aplicação desta encontrase revestida de legalidade, e sua análise, à luz da vedação constitucional ao confisco, apenas para reprisar o que Fl. 484DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.006194/200470 Acórdão n.º 3102001.434 S3C1T2 Fl. 954 16 cansativamente já foi exposto, não pode ser realizada sob pena de afronta à Súmula nº. 2 do CARF. Por fim, o recorrente deduz argumentação no sentido de que a multa de mora e os juros de mora teriam a mesma finalidade remuneratória, e que, por logo, seriam vedados pelo princípio do ne bis in idem. Nesses termos, frisase que a multa tributária é uma obrigação tributária principal ex lege, por força do artigo 113, §1º do Código Tributário Nacional, e cujo fato gerador é a infração à legislação tributária. No presente caso, foi aplicada multa, amparada no artigo 44, inciso I da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em face do não pagamento ou recolhimento de tributos, ou seja, pela infração à obrigações impostas por lei, como se obserca abaixo: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Os juros de mora, por sua vez, são devidos, ainda que não haja prejuízo, sempre que ocorrer atraso no cumprimento de qualquer obrigação. Desta forma, quando do atraso no pagamento de obrigações tributárias, passase a dever juros de mora. Consolidando esse entendimento postase a Súmula nº. 5 do CARF: “Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.” Improcedente é, mais uma vez, a pretensão do recorrente. Ante ao exposto, voto no sentido de conhecer do presente recurso voluntário para lhe negar provimento. Sala das Sessões, em 24 de abril de 2012 Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 485DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.006194/200470 Acórdão n.º 3102001.434 S3C1T2 Fl. 955 17 Fl. 486DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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