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Numero do processo: 10510.904224/2009-32
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 14/11/2003
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO ATRAVÉS DE DILIGÊNCIA .
Realizada diligência em que se demonstrou haver crédito suficiente para quitação de débitos indicados em compensação, deve ser dado provimento ao Recurso Voluntário.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-004.315
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO ATRAVÉS DE DILIGÊNCIA . Realizada diligência em que se demonstrou haver crédito suficiente para quitação de débitos indicados em compensação, deve ser dado provimento ao Recurso Voluntário. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 90 42 24 /2 00 9- 32 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ em Salvador (BA), abaixo transcrito: A interessada transmitiu em 30/11/2007 o PERDCOMP eletrônico 32951.45316.301107.1.3.040545 visando utilizar parte do DARF relativo ao tributo de código de receita 8109, período de apuração referente a outubro/2003, no valor total de R$19.714,99, na compensação de débitos declarados, totalizando R$2.833,62. A DRF/Aracaju emitiu Despacho Decisório eletrônico (fl.05) não homologando a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento fora integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte, não restando assim crédito disponível para a compensação. Irresignada, a contribuinte apresenta Manifestação de Inconformidade (fls.07/08) alegando que o débito correto do tributo recolhido indevidamente era R$1.052,88. Contudo, alega que deveria ter feito à época a DCTF retificadora para indicar o valor correto do débito do PIS, tendo efetuado a retificação da DIPJ Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica do ano calendário de 2003, entregue em 05/06/2007. E, assim, considerandose o recolhimento efetuado no vencimento, há um crédito no valor de R$19.714,99, sendo passível de utilização no PER/DCOMP, ora em litígio, o valor de R$1.784,73, devendose homologar as compensações declaradas.” Analisando o litígio, a DRJSalvador/ BA entendeu por bem indeferir a Manifestação de Inconformidade e não homologar a compensação declarada (fls. 22), conforme ementa abaixo transcrita: Assunto : Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 14/11/2003 Ementa: COMPENSAÇÃO. DISPONIBILIDADE DO CRÉDITO. Não cabe reparo a despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado para a quitação de débito confessado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Às fls. consta recurso voluntário apresentado tempestivamente, no qual a empresa traz as seguintes alegações, em síntese: Fl. 90DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10510.904224/200932 Acórdão n.º 3801004.315 S3TE01 Fl. 12 3 • Decadência do direito do fisco de cobrar os débitos objeto do pedido de compensação; • O erro de preenchimento da DCTF, que foi posteriormente retificada, não pode ensejar na ausência de reconhecimento do pagamento indevido ou maior realizado pelo contribuinte;. Em julgamento realizado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, após ter sido indeferido o pedido de diligência, bem como ter sido afastado o reconhecimento da decadência alegada pelo contribuinte, foi determinada a realização de diligência, para que, basicamente, fosse apurado se “os valores dos créditos indicados pelo Recorrente em sua compensação não foram utilizados para o pagamento de outros tributos”; tendo em vista as retificações das declarações realizadas pelo próprio contribuinte. Realizada a diligência, os autos retornaram a este Conselho para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora. Os requisitos para admissibilidade e julgamento do voluntário já foram analisados quando da seção de julgamento que determinou a realização de diligência como relatado acima. Portanto, dele conheço. Em cumprimento à determinação deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a DRJ de Aracaju realizou diligência, analisando as declarações e comprovantes de pagamentos dos tributos realizados pelo Recorrente, chegando à seguinte conclusão: Do exposto, considerando a retificação promovida pelo contribuinte em DIPJ, resultando na apuração do PIS do mês 10/2003 no valor total de R$ 1.052,88, verificase que, segundo as informações constantes dos Sistemas da RFB, o valor do crédito indicado pelo contribuinte relativo ao pagamento de PIS do mês 10/2003, no valor total de R$ 19.714,99, foi utilizado para extinção do novo débito de PIS apurado para o período e nas Declarações de Compensação nºs 02803.64142.191007.1.3.040695, 32951.45316.301107.1.3.040545 e 02476.40636.191207.1.3.049274, sendo tal valor suficiente para extinção dos débitos compensados, de acordo com o demonstrativo anexo às fls. 77/80. Assim, não há que se alongar no presente julgamento. A própria Delegacia da Receita Federal do Brasil reconheceu que os créditos do Recorrente, constituídos após as retificações das declarações por ele realizadas, são suficientes para a extinção do débito indicado no pedido de compensação. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 Por tudo, conheço do Recurso Voluntário e a ele dou provimento, para reformar o acórdão recorrido, declarando como homologada a compensação realizada pelo Recorrente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator Fl. 92DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 27 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000151/2009-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/1996 a 31/12/1998
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO
Os embargos de declaração não se prestam para a rediscussão da matéria enfrentada no acórdão embargado.
Constatada a inexistência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, rejeita-se a pretensão da embargante.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 2402-004.402
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos opostos.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reais, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/1996 a 31/12/1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Os embargos de declaração não se prestam para a rediscussão da matéria enfrentada no acórdão embargado. Constatada a inexistência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, rejeita-se a pretensão da embargante. Embargos rejeitados.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1996 a 31/12/1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Os embargos de declaração não se prestam para a rediscussão da matéria enfrentada no acórdão embargado. Constatada a inexistência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, rejeitase a pretensão da embargante. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos opostos. Julio César Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reais, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 01 51 /2 00 9- 32 Fl. 166DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/11/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos em face do acórdão que reconheceu a nulidade material do lançamento, por ausência de comprovação da ciência do resultado do julgamento que declarou a nulidade formal do lançamento anterior, assim ementado: “LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE QUE FOI REALIZADO DENTRO DO PRAZO DECADENCIAL. VÍCIO MATERIAL. Conforme previsto no art. 173, II, do CTN, o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 anos contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Não tendo o Fisco comprovado a expedição da intimação ou a data em que o sujeito passivo teve ciência da decisão que anulou o lançamento anterior, o lançamento é nulo por vício material, vez que não restou comprovado que o lançamento substituto foi realizado dentro do prazo decadencial. Recurso Voluntário Provido.” A Embargante sustenta que o acórdão foi omisso e contraditório em sua fundamentação, haja vista que: (i) é fato incontroverso que o contribuinte foi intimado em 18/02/2004 das decisões que anularam as NFLD’s por vício formal; (ii) de acordo com o próprio contribuinte, a notificação teria ocorrido em fevereiro de 2004; (iii) o contribuinte não se opôs à data da intimação, defendendo tão somente que o prazo decadencial de que trata o art. 173, inc. II do CTN deveria contar a partir da data da prolação dos acórdãos; (iv) nos termos do art. 334 do Código Civil, não depende de prova os fatos tidos no processo como incontroversos; (v) os atos administrativos estão revestidos de presunção de veracidade; e (vi) ainda que se entenda não existir prova do recebimento da intimação, devese reconhecer que o Embargado foi intimado quinze dias após a data da expedição da intimação, nos termos do Decreto nº 70.235/72, art. 23, § 2º, inciso II. É o relatório. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/11/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 14041.000151/200932 Acórdão n.º 2402004.402 S2C4T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Analisando os embargos opostos tempestivamente, constatase que os mesmos não atendem aos requisitos de admissibilidade previstos no art. 65 do Regimento Interno do CARF, conforme apreciação realizada abaixo. Como se verifica no presente caso, foi travada discussão acerca da data em que o contribuinte teria sido intimado das decisões que anularam os lançamentos paradigmas, de forma a possibilitar a correta contagem do prazo decadencial previsto no art. 173, inc. II do CTN. Diante das questões levadas à apreciação, este Conselho determinou que a fiscalização juntasse aos autos o documento que comprovasse a data em que o contribuinte foi notificado das decisões anuladas. Após a fiscalização ter informado que os documentos solicitados não foram localizados, este Conselho anulou o lançamento por vício material, sob o argumento de que a comprovação da data da intimação das decisões anuladas é condição material para o lançamento realizado sob a égide do art. 173, inc. II do CTN. Mesmo após as dúvidas levantadas no processo e a resposta dada pela fiscalização quando da realização da diligência, a Fazenda Nacional interpôs os presentes embargos sustentando que “é fato incontroverso neste feito que o Embargado foi intimado 18 de fevereiro de 2004, por via postal”. Contudo, vale reprisar que não há nos autos qualquer documento que ateste o recebimento da intimação pelo Embargado, para fins de contagem do prazo decadencial, não havendo que se falar em “fato incontroverso”. Como já exposto no v. acórdão embargado, a fiscalização não comprovou a data da intimação das decisões que anularam os lançamentos anteriores, não sendo possível realizar a contagem do prazo decadencial de que trata o art. 173, inc. II do CTN. Não é possível utilizarse de teses subjetivas para buscar suprir requisito inerente a qualquer lançamento realizado com suporte no art. 173, inc. II do CTN, qual seja, a data da intimação da decisão que anulou o lançamento anterior. Outrossim, o fato é tão controverso que a própria Embargante pontuou que, “ainda que se entenda não existir prova do recebimento da intimação”, deve ser considerado que o embargado foi intimado quinze dias após a data da expedição da intimação, nos termos do Decreto nº 70.235/72, art. 23, § 2º, inciso II, abaixo transcrito: “Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário Fl. 168DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/11/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 4 eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) § 2° Considerase feita a intimação: (...) II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)” Para a aplicação do dispositivo acima, é essencial que haja a comprovação do envio da intimação e a “prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo”, hipótese em que, sendo omitida a data do recebimento, serão considerados quinze dias após a data da expedição da intimação. Entretanto, não se verificam tais requisitos no processo, não havendo que se falar na aplicação da referida norma. Alega a Embargante também que o Embargado nunca arguiu que a intimação teria ocorrido em data diversa daquela apontada pelo Fisco, ou ainda que não teria sido intimado das referidas decisões, tornandose incontroversa a data da intimação. Contudo, independentemente de ter atacado os pontos acima, arguiu o Embargado a decadência do lançamento, a qual só pode ser devidamente analisada com a comprovação da data da intimação da decisão que anulou o lançamento anterior. Nesse sentido, caso não fosse esse o entendimento, estarseia convalidando um lançamento com fundamentação deficiente, possivelmente decaído, em patente ofensa ao art. 142 do CTN, o que não se admite. Por essas razões, concluise que não há contradição ou omissão no v. acórdão embargado, visando os presentes embargos apenas a rediscussão da matéria, o que não é possível nos termos do art. 65 do Regimento Interno do CARF. Ante o exposto, voto pela REJEIÇÃO DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO opostos pela Fazenda Nacional. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/11/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES
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Numero do processo: 10715.005049/2009-01
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 01/10/2004, 02/10/2004, 05/10/2004, 08/10/2004, 22/10/2004, 23/10/2004
MULTA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO DO EMBARQUE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas após o desembaraço da mercadoria e antes do início de qualquer atividade de fiscalização, relativamente ao dever de se informarem, no Siscomex, os dados referentes aos embarques anteriormente declarados em Declarações de Exportação. Inaplicáveis quaisquer das exceções previstas na legislação.
Numero da decisão: 3803-006.285
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para cancelar o auto de infração. O conselheiro Corintho Oliveira Machado votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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FUNDAMENTAÇÃO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. INOVAÇÃO NO JULGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. No Processo Administrativo Fiscal (PAF), apreciase a legalidade ou não do lançamento de ofício, sendo vedado ao órgão julgador modificar a fundamentação legal da exigência inicial. Devese anular o auto de infração fundamentado em dispositivo normativo não vigente à época dos fatos. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 01/10/2004, 02/10/2004, 05/10/2004, 08/10/2004, 22/10/2004, 23/10/2004 MULTA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO DO EMBARQUE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas após o desembaraço da mercadoria e antes do início de qualquer atividade de fiscalização, relativamente ao dever de se informarem, no Siscomex, os dados referentes aos embarques anteriormente declarados em Declarações de Exportação. Inaplicáveis quaisquer das exceções previstas na legislação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para cancelar o auto de infração. O conselheiro Corintho Oliveira Machado votou pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 50 49 /2 00 9- 01 Fl. 149DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10715.005049/200901 Acórdão n.º 3803006.285 S3TE03 Fl. 150 2 (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em contraposição à decisão da DRJ Florianópolis/SC que julgou improcedente a Impugnação apresentada pelo contribuinte, esta manejada em oposição ao auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário referente à multa regulamentar no valor de R$ 35.000,00, decorrente da prestação intempestiva de informações relativas a sete embarques aéreos realizados no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro. Consta do auto de infração que o contribuinte registrara no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) os dados de embarques de exportação fora do prazo legal de 2 (dois) dias, infração essa sujeita a multa, nos termos do art. 107, inciso IV, alínea "e", do Decretolei n ° 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n ° 10.833, de 2003. De acordo com o autuante, a obrigação do transportador encontrase estabelecida no art. 37 do mesmo Decretolei, com observância do prazo estipulado no art. 39, inciso II, da Instrução Normativa SRF nº 28, de 1994. Ainda de acordo com o agente fiscal, o referido prazo deveria ser observado pelo transportador por veículo, cada um identificado pelo respectivo voo, em que se transportaram as cargas amparadas pelas Declarações de Exportação (DE). Cientificado do auto de infração, o contribuinte apresentou Impugnação e requereu o cancelamento do auto de infração, alegando (i) erro na tipificação do auto de infração, (ii) ausência de prova da intempestividade, (iii) prova imperfeita em razão de indisponibilidades do Siscomex, (iv) inexistência de embaraço à fiscalização, (v) violação da finalidade do ato administrativo e (vi) violação à proporcionalidade e à razoabilidade. A DRJ Florianópolis/SC julgou improcedente a Impugnação, tendo o acórdão sido ementado nos seguintes termos: Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2004 Ementa: Registro dos dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação. Realização. Intempestiva. Infração. Penalidade. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10715.005049/200901 Acórdão n.º 3803006.285 S3TE03 Fl. 151 3 O registro dos dados de embarque, no Siscomex, relativo à mercadoria destinada à exportação realizado fora do prazo fixado constitui infração pelo descumprimento da obrigação acessória prevista no art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 1994 sujeitando o transportador à multa prevista na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Decretolei n° 37, de 18 de novembro de 1966. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Destacou o julgador administrativo que “a norma do art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 1994, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 510, de 2005, aumentou o prazo para o transportador registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria”, aplicandose retroativamente com base no disposto no art. 106, II, do CTN. Quanto às demais alegações do contribuinte, a Delegacia de Julgamento afastouas, ora por falta de comprovação, ora em razão da necessária observância do princípio da legalidade por parte da Administração Pública, cuja atividade é vinculada e obrigatória. Cientificado da decisão em 18/11/2010, o contribuinte interpôs, no dia 16 de dezembro do mesmo ano, Recurso Voluntário e reiterou seu pedido de cancelamento total do auto de infração, repisando os argumentos de defesa apresentados na Impugnação, sendo acrescentadas as seguintes alegações: (i) caráter confiscatório da multa e (ii) impossibilidade de retroação da IN n° 510, de 2005. O Recorrente arguiu, também, a ocorrência de direito superveniente, autorizando a aplicação do instituto da denúncia espontânea às multas administrativas. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, controvertese nos autos sobre o auto de infração lavrado em decorrência da prestação intempestiva de informações relativas a embarques de mercadorias para o exterior, transportadas por via aérea, durante o mês de outubro de 2004. Em relação às alegações do Recorrente que coincidem com aquelas formuladas na primeira instância, reafirmo o que foi dito pelo julgador de piso quanto à ausência de comprovação dos fatos apontados e à necessidade de observância, pela Administração Pública, cuja atividade é vinculada, do princípio da legalidade em matéria tributária. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10715.005049/200901 Acórdão n.º 3803006.285 S3TE03 Fl. 152 4 Contudo, dois dos argumentos trazidos pelo Recorrente na segunda instância mostramse cabíveis no presente julgamento. O auto de infração sob comento encontrase fundamentado no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decretolei nº 37, de 1966, com redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003, e no art. 37 da Instrução Normativa SRF nº 28, de 1994, alterado pela Instrução Normativa SRF nº 510, de 2005, verbis: Decretolei nº 37, de 1966 Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; Instrução Normativa SRF nº 28, de 1994 Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. Parágrafo único. Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no SISCOMEX, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos à unidade da SRF de despacho. Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. (Redação dada pela IN 510, de 2005) Considerando o teor dos excertos supra e o fato de que a autuação se refere a embarques ocorridos no mês de outubro de 2004, é possível constatar que, no momento da ocorrência das infrações apontadas pela Fiscalização, vigia a redação original do art. 37 da Instrução Noramtiva SRF nº 28, de 1994, que não fixava um prazo específico para a prestação das informações no Siscomex, havendo apenas o advérbio “imediatamente” informando o momento em que os dados deveriam ser alimentados no sistema. Ressaltese que se trata de um conceito aberto ou indeterminado, não se podendo, a meu ver, imputarse uma penalidade ao administrado com base nesse dispositivo, pois que passível de inúmeras interpretações. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10715.005049/200901 Acórdão n.º 3803006.285 S3TE03 Fl. 153 5 De acordo com o art. 112 do Código Tributário Nacional (CTN), na dúvida quanto à capitulação legal do fato, devese interpretar a lei tributária que define infrações de forma mais benéfica ao acusado. O julgador de piso sustenta que o significado da expressão “imediatamente”, constante no art. 37 supra reproduzido, foi esclarecido pela Notícia Siscomex n° 105, de 27 de julho de 1994, em que se informou tratarse de até 24 horas da data do efetivo embarque da mercadoria. De pronto, informo que não se conseguiu acesso à referida Notícia Siscomex nº 105, de 1994, nem no sítio da Receita Federal, nem em consulta a outros sites na internet, tendo sido localizadas outras notícias emitidas no mesmo ano de 1994, mas não a referida pelo julgador de piso. Não há no auto de infração qualquer referência à Notícia Siscomex n° 105, de 27/07/1994, em que, segundo o julgador a quo, haveria definição do prazo de até vinte e quatro horas como equivalente ao termo “imediatamente” presente na redação original do art. 37 da IN SRF nº 28, de 1994, prazo esse modificado pela Instrução Normativa SRF nº 510, de 14 de fevereiro de 2005, aplicável ao presente caso por força da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN. Contudo, para se exigir do sujeito passivo, nos casos da espécie ora analisado, um crédito tributário consistente em multa (obrigação tributária principal), há que se ter por configurado o descumprimento de uma obrigação de fazer prevista na legislação aplicável (obrigação acessória). Uma vez que a referida Notícia Siscomex não tem o condão de produzir efeitos jurídicos, em razão da incompetência da autoridade expedidora1, não se pode exigir do administrado o cumprimento de uma obrigação não prevista na legislação tributária, nem mesmo penalizálo, por não se tratar de nenhuma das hipóteses obrigacionais previstas na legislação cujo descumprimento enseja a exigência da multa administrativa sob comento. Ao se tentar manter o lançamento da multa com base em outros argumentos e outros atos normativos que não aqueles descritos no auto de infração, estáse a inovar, em sede de julgamento administrativo, a fundamentação legal, procedimento esse incompatível com a competência daquele Colegiado, pois que consistente em uma nova feitura do auto de infração. Nos termos do § 3º do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Processo Administrativo Fiscal – PAF), para se sanear ou complementar um lançamento de ofício já formalizado, com inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, devese lavrar um novo auto de infração, de caráter complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação da matéria modificada, não cabendo ao órgão julgador essa providência, pois que da competência privativa, na esfera federal, do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da função de fiscalização. Não se sustenta, portanto, a fundamentação do auto de infração arguida pelo julgador de piso. 1 De acordo com o art. 209, inciso III, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, compete ao Secretário da Receita Federal a expedição de atos administrativos de caráter normativo sobre assuntos de sua competência. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10715.005049/200901 Acórdão n.º 3803006.285 S3TE03 Fl. 154 6 Portanto, para os fatos ocorridos em 2004, por força do contido no art. 105 do CTN2, deverseia aplicar a redação original do art. 37 da Instrução Normativa SRF nº 28, de 1994, em que se estipulava que as informações deveriam ser prestadas “imediatamente”, e não a redação alterada pela Instrução Normativa SRF nº 510, de 2005, cuja vigência se iniciou em 15/02/2005. Logo, o auto de infração encontrase fundamentado em dispositivo normativo não vigente à época dos fatos, devendo, portanto, ser anulado, dada a violação do contido no inciso IV do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 19723. Ainda que alguns artigos do Regulamento Aduaneiro tenham constado da fundamentação legal do auto de infração, a obrigação de fazer prevista nos referidos dispositivos não se referem à matéria sobre a qual ora se controverte, não suprindo, por conseguinte, o vício ocorrida no lançamento de ofício. Além de tudo acima abordado, há que se considerar, ainda, a normatividade do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, que trata da aplicação da denúncia espontânea na exclusão de penalidades de natureza administrativa. Eis o teor do art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472 , de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472 , de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472 , de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472 , de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento." (grifei) Constatase do § 2º supra que a denúncia espontânea regida pelo DecretoLei nº 37, de 1966, exclui a aplicação de penalidades tanto de natureza tributária quanto de natureza administrativa, havendo exceção em relação à penalidade aplicada na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento, o que não corresponde ao elemento fático deste processo, qual seja, atraso do registro no Siscomex de informações relativas a embarques de mercadorias informadas em Declarações de Exportação (DE). 2 Art. 105. A legislação tributária aplicase imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes, assim entendidos aqueles cuja ocorrência tenha tido início mas não esteja completa nos termos do artigo 116. 3 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente:(...) IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; Fl. 154DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10715.005049/200901 Acórdão n.º 3803006.285 S3TE03 Fl. 155 7 A denúncia espontânea encontrase disciplinada no art. 138 do CTN da seguinte forma: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Com base no art. 138 do CTN, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem decidido4 que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, uma vez que os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. Nesse mesmo sentido, temse a súmula nº 49 do CARF que estipula que “[a] denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração”. Os acórdãos paradigmas que ensejaram a aprovação da súmula referemse às declarações do imposto de renda (DIRPF e DIPJ), de retenção na fonte (DIRF) e DCTF. Consoante tais entendimentos, a denúncia espontânea do art. 138 do CTN alcança apenas as obrigações principais e não as acessórias. Contudo, no presente caso, temse uma regra expressa específica determinando que a denúncia espontânea abrange as multas administrativas (§ 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966), disposição legal essa válida e vigente a reclamar por sua observância por parte da Administração Pública. Tal regra encontrase inserida no corpo da mesma lei (DecretoLei nº 37, de 1966) que estipula a multa administrativa sob comento, o que corrobora com a conclusão de que se aplica à inobservância da obrigação acessória destes autos. Conforme consta da descrição dos fatos no auto de infração, a ação fiscal iniciarase após as datas dos voos, ou seja, após o desembaraço das mercadorias e, também, após o registro no Siscomex dos dados de embarque pelo transportador, registro esse efetuado, portanto, antes de qualquer procedimento da fiscalização tendente a apurar a infração, o que torna, a princípio, o fato sob exame consentâneo com a previsão normativa supra reproduzida. Registrese que o referido § 2º inexistia originariamente no art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, vindo a ser incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 1988, para abranger apenas as penalidades de natureza tributária. Com o advento da Medida Provisória nº 497, de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 2010 (art. 40, que alterou o art. 32, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966), passouse a prever a aplicação da denúncia espontânea às multas administrativas decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias. 4 AgRg no REsp 1279038, 2ª T., j. 2/2/2012; AgRg no AREsp 11340, 2ª T., j. 13/9/2011; REsp 1129202, 2ª T., j. 17/6/2010; etc. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10715.005049/200901 Acórdão n.º 3803006.285 S3TE03 Fl. 156 8 Mostrase evidente a intenção do legislador de estimular o cumprimento espontâneo da obrigação acessória por parte do contribuinte ou responsável, adotando o entendimento que vem sendo difundido nos tribunais inferiores e na doutrina de que o instituto da denúncia espontânea alcança, sim, as obrigações acessórias. Por se tratar de matéria relativa a responsabilidade infracional, a inovação promovida em 2010 pela Medida Provisória nº 497 aplicase a fatos pretéritos, por força do contido no art. 106, inciso II, alínea “b”, do CTN, em que se estipula que a lei se aplica retroativamente ao ato não definitivamente julgado, quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo. Não se pode perder de vista que a atuação da Administração Pública é vinculada e obrigatória, sob pensa de responsabilidade funcional do agente, não podendo ela agir em desconformidade com o sistema jurídico. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região entende que “a exclusão da multa fiscal aplicase tanto ao descumprimento de obrigação principal como de obrigação acessória, visto que o art. 138 do CTN não faz qualquer alusão à natureza da infração” 5. Conforme apontou o Relator Desembargador na aludida decisão, o descumprimento de obrigação acessória constitui infração à legislação tributária, podendo ensejar a aplicação de multa prevista em lei, sendo do interesse da Administração tributária o seu cumprimento por parte dos contribuintes e responsáveis. De acordo com a ressalva do mesmo art. 138 do CTN, ao destacar a expressão “se for o caso”, a denúncia espontânea não se restringe às obrigações principais, pois a referida expressão evidencia que nem sempre o cumprimento da obrigação tributária acarreta o pagamento de tributo. A expressão “se for o caso” explicase em face de que algumas infrações, por implicarem desrespeito a obrigações acessórias, não acarretam, diretamente, nenhuma falta de pagamento de tributo, embora sejam também puníveis, porque a responsabilidade não pressupõe, necessariamente, dano (art. 136). 6 A súmula CARF nº 49, no meu entendimento, não estará sendo inobservada com a adoção desse entendimento, pois, tendo em vista o teor dos acórdãos paradigmas que a orientaram, a sua disciplina abrange as declarações periódicas a que os contribuintes se encontram obrigados a apresentar, seja em razão de sua condição de sujeito passivo ou de responsável, para repassar à Administração tributária as informações necessárias à análise do cumprimento da obrigação tributária principal. Além disso, a previsão legal específica (§ 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966) diferencia este caso dos demais, não se vislumbrando possibilidade de inobservância do imperativo legal. 5 AC 2001.70.00.0268477/PR, 1ª T., excerto do voto do Rel. Des. Fed. Wellington Mendes de Almeira, j. 17/10/2002. 6 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 12. ed. São Paulo: Saraiva, 2006, p. 451. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10715.005049/200901 Acórdão n.º 3803006.285 S3TE03 Fl. 157 9 Contudo, necessário se torna analisar, uma por uma, as exceções impostas pela legislação tributária relativamente à aplicação da denúncia espontânea, a saber: a) não se considera espontânea a denúncia apresentada no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria (§ 1º, alínea “a”, do art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966); b) não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração (§ 1º, alínea “b”, do art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966); c) não se considera espontânea a denúncia relativamente a penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento (§ 2º do art. 102 do Decreto lei nº 37, de 1966); d) não se considera espontânea a denúncia depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior (§ 3º do art. 612 do Decreto nº 4.543, de 2002 – Regulamento Aduaneiro). Considerando que as informações foram prestadas intempestivamente pelo Recorrente mas antes de qualquer atividade da fiscalização e alguns dias depois das datas dos voos em que as mercadorias exportadas foram transportadas, temse que nenhuma das exceções acima referenciadas se aplica ao presente caso. No caso sob análise, no momento da prestação de informações pelo transportador, as Declarações de Exportação já haviam sido apresentadas, restringindose a obrigação acessória aos registros dos embarques no Siscomex, medida essa de controle meramente administrativo, o que em nada afeta o cumprimento das obrigações tributárias principais. Nesse contexto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso, para anular o auto de infração, por se fundamentar em dispositivo normativo não vigente à época dos fatos. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 157DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 15771.720324/2013-37
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 28/11/2012
CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. LEGALIDADE.
É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial.
JUROS DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. LEGALIDADE.
Os juros de mora acrescidos ao principal objeto de lançamento para prevenir decadência declaram a mora e o dies a quo da sua contagem para fins da incidência no ato da sua cobrança, se e quando se erguer a eficácia do lançamento com o desprovimento da ação judicial.
Numero da decisão: 3803-006.504
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração; em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário; e em negar provimento quanto aos juros.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 28/11/2012 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. LEGALIDADE. É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. JUROS DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. LEGALIDADE. Os juros de mora acrescidos ao principal objeto de lançamento para prevenir decadência declaram a mora e o dies a quo da sua contagem para fins da incidência no ato da sua cobrança, se e quando se erguer a eficácia do lançamento com o desprovimento da ação judicial.
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RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 28/11/2012 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. LEGALIDADE. É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontravase suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. JUROS DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. LEGALIDADE. Os juros de mora acrescidos ao principal objeto de lançamento para prevenir decadência declaram a mora e o dies a quo da sua contagem para fins da incidência no ato da sua cobrança, se e quando se erguer a eficácia do lançamento com o desprovimento da ação judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 77 1. 72 03 24 /2 01 3- 37 Fl. 499DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração; em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário; e em negar provimento quanto aos juros. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma. Relatório O presente processo é constituído de autos de infração, lavrado para exigência de crédito tributário referente a Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, CofinsImportação e PISImportação, incidentes sobre a importação de equipamentos de procedência estrangeira destinados, conforme declarado pela Interessada, à utilização nas atividades essenciais da entidade. Conforme a descrição dos fatos, os desembaraços das Declarações de Importação (DIs), foram efetuados sem o recolhimento dos tributos incidentes na importação, em cumprimento da decisão nos autos do processo judicial 2004.61.00.0289717, aviado na 22ª Vara Federal de São Paulo, em que foi determinado que se procedesse ao desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas por esta pessoa jurídica. O objeto da ação judicial é a declaração da inexistência da relação jurídico tributária que a obrigue a recolher impostos e contribuições sociais federais devidos na importação, tendo como fundamento a imunidade de que goza em relação aos impostos e isenção às contribuições. Houve decisão favorável ao deferimento de tutela antecipada, e, posteriormente, a confirmação por meio de sentença, sem decisão definitiva transitada em julgado até a data das autuações. Ante este provimento, os autos de infração foram lavrados com o fito de prevenir a decadência, sendo informando que a exigibilidade estava suspensa até a decisão final. Em impugnação apresentada, a Autuada arrazoou, em síntese, que: a) o Auto de Infração é meio que se configura inadequado à constituição do crédito tributário, nas circunstâncias do caso. Se não houve prática de infrações por parte do contribuinte, não se trata o caso de aplicação de penalidade, decorrendo disso que o instrumento jurídico correto é a Notificação de Lançamento; b) os juros moratórios devem ser afastados, pois inexistem os pressupostos de fato que autorizariam a sua imposição; Fl. 500DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15771.720324/201337 Acórdão n.º 3803006.504 S3TE03 Fl. 500 3 c) é uma entidade de assistência social, que atua na área da saúde, tendo sido declarada de utilidade pública federal, fazendo jus, portanto, à imunidade prevista na Constituição Federal; d) o Ato Declaratório n° 9/06 do Procurador Geral da Fazenda Nacional reconhece a imunidade de entidades como a da Impugnante, encerrando qualquer discussão; Em julgamento da lide, a DRJ/Florianópolis assentou, em síntese, que: a) a interessada indicou na declaração de importação não haver valor de crédito tributário a ser recolhido. O benefício que pleiteou não foi reconhecido pela Autoridade Aduaneira; b) a lavratura de Auto de Infração não pode ser considerada inadequada, visto que sob a ótica da Fazenda a interessada deixou de recolher, por ocasião do registro da declaração de importação, os tributos em questão; c) dos dispositivos do art. 9º e 10º do Decreto n° 70.235/72 tanto a exigência do crédito tributário quanto a aplicação de penalidade isolada podem ser formalizados por Auto de Infração ou Notificação de Lançamento; visto que a redação do dispositivo legal não permite estabelecer limites ao alcance de cada espécie de instrumento para formalização; d) a formalização do presente crédito tributário mediante a lavratura de Auto de Infração assegura maior benefício ao exercício do direito de defesa e do contraditório à Interessada, pois este instrumento possui não apenas a Disposição Legal Infringida, mas a Descrição do Fato; Quanto ao mérito: a) da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade não conheceu do recurso, por ter sido a matéria levada à apreciação do Judiciário, o que implica em renúncia às instâncias administrativas. b) da incidência dos juros de mora no lançamento sustentou que mesmo inexigível o crédito tributário, o prazo de pagamento do tributo não é alterado, prevalecendo tal prazo para fins de sua incidência no caso de decisão judicial final desfavorável ao contribuinte. Considerou que, a rigor, os juros de mora não precisam ser indicados na autuação para serem exigidos, porque, como acessório, seguem o principal. O destaque dos juros de mora incidentes até a data da lavratura da autuação é apenas demonstrativo. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 28/11/2012 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. LANÇAMENTO DESTINADO A PREVENIR DECADÊNCIA. FORMALIZAÇÃO CABÍVEL. A discussão da matéria tributável na esfera judicial não elide o dever da autoridade administrativa de constituir o crédito tributário. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo Fl. 501DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 objeto da autuação, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa, porém a matéria divergente terá prosseguimento normal. Cientificada da decisão em 15/10/2013, irresignada, a Interessada apresentou recurso voluntário, em 29/10/2013, em que reitera os termos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, dele conheço. Preliminar de Nulidade Auto de Infração como meio inadequado à constituição do crédito tributário A Recorrente apela para a nulidade da constituição do crédito tributário, em virtude de ter sido formalizada por meio de Auto de Infração e não Notificação de Lançamento, uma vez que o crédito constituído encontrase com a exigibilidade suspensa, não tendo cometido qualquer infração à legislação. Vista unicamente sob o seu ângulo, tem razão a Defendente quando afirma não ter cometido infração, considerando que se encontra amparada pelo provimento judicial provisório antecipatório da tutela, obtido em 29//11/2004. Sob o olhar do Fisco, porém, a subsistência da lide, o mérito da controvérsia em aberto e a possibilidade (não importa em que medida) de resultado favorável à Fazenda, são os eventos que motivaram a constituição do crédito tributário. Neste prisma, o campo Descrição dos Fatos do Auto de Infração consigna o registro tanto do fato jurídico tributário como do fato jurídico da ocorrência da infração consistente na falta de recolhimento, ao desamparo da imunidade invocada. 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE II 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE IPI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS IMPORTAÇÃO DI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS/PASEP IMPORTAÇÃO DI 0 importador submeteu a despacho aduaneiro de importação, pleiteando IMUNIDADE TRIBUTARIA para o Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e para as contribuições sociais (PIS e COFINS) incidentes na importação das mercadorias descritas e amparadas pelas declarações de importação no 09/02330394 e 10/12642404 (anexo I). Cumpre observar que a alegada imunidade abrange apenas os impostos sobre patrimônio, renda e serviços das entidades previstas na alínea "c", do inciso VI do art. 150 da Constituição Fl. 502DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15771.720324/201337 Acórdão n.º 3803006.504 S3TE03 Fl. 501 5 Federal. Este entendimento tem como fundamento o disposto na alínea "a" do inciso III do art. 146 da Constituição Federal, que remete a Lei Complementar a definição das diversas espécies de tributos. Esta definição, por sua vez, é tratada pelo Código Tributário Nacional (aprovado pela Lei no 5.172/66 e recepcionado pelo atual texto constitucional) em seu Titulo III. [...] Além de todo o exposto acerca da não extensão da imunidade constitucional, o importador ao pleitear a imunidade dos tributos não apresentou, no curso do despacho, documentação que atestasse o cumprimento dos requisitos necessários para obtenção da renuncia fiscal dos tributos bem como Certificado de Entidade de Assistência Social válido, documento que atesta seu caráter de assistência social, pleiteando a liberação das mercadorias com base na ação judicial preventiva supracitada. Portanto, entende esta fiscalização que o beneficio fiscal da imunidade não pode ser concedido à autuada. [...] A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei no 9.430/96 não foi aplicada em cumprimento ao disposto no § 1º do artigo 63 do mesmo dispositivo Legal (a Decisão Judicial suspendeu a exigibilidade do crédito tributário em 29/11/2004, anterior ao registro das DI's). O registro do fato jurídico tributário implicou no lançamento, que corresponde ao valor dos tributos que deveriam ter sido recolhidos no desembaraço aduaneiro. O registro do fato jurídico da ocorrência da infração, traz na esteira a sustação do seu efeito que corresponderia à imposição da multa de ofício, em face da tutela antecipada obtida na ação judicial aviada sob o nº 2004.61.00.0289717[1]. Assim, não obstante descrita a infração, o Auto de Infração deixa de fixar apenas a relação jurídica quanto à imposição da penalidade. Dado o contorno sob o qual se lavra Auto de Infração para prevenção de decadência quando sua materialidade encontrase em discussão na esfera judicial e presente a infração, ante o não reconhecimento do direito pleiteado, pela Autoridade aduaneira , podese sustentar que este instrumento não é impróprio para a constituição do crédito tributário, pelo fato de seu conteúdo estar adstrito unicamente ao lançamento. Este entendimento encontrase bem ajustado ao que dispõe o art. 9º do Decreto nº 70.235/72, que não distingue os usos do Auto de Infração e da Notificação de Lançamento seja para tributo ou penalidade, verbis: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. (Grifos acrescidos) 1 Em cumprimento ao art. 63, § 1º, da Lei nº 9.430/96. Fl. 503DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Entre os requisitos obrigatórios do Auto de Infração está a descrição do fato, ausente das exigências para a Notificação de Lançamento, ao tempo em que o seu inciso III aponta para a necessidade de indicação da disposição legal infringida (ainda que na condição de "se for o caso"), denotando que este instrumento pode veicular também penalidade: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. A doutrina, por sua vez, apenas identifica o uso indistinto de um ou outro instrumento de que as Administrações Tributárias tem se servido para introduzir suas imposições, tanto tributárias como sancionatórias. Assim, esclarece James Marins: "O auto de infração, no âmbito da Receita Federal e a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), utilizada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), são espécies de documentos fiscais elaborados pela Administração para corporificar atos de imposição. O auto de infração ou a NFLD frequentemente engloba no mesmo suporte físico vários atos impositivos referentes a diversas relações jurídicas, ora não sancionatórias, como o lançamento, ou relações jurídicas sancionatórias, como aplicação de multa por Paulo de Barros Carvalho, na mesma vertente, noticia o uso do auto de infração como peça portadora não só do ato de imposição de penalidade: Em súmula, dois atos administrativos, ambos introdutores de norma individual e concreta no ordenamento positivo: um, de Fl. 504DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15771.720324/201337 Acórdão n.º 3803006.504 S3TE03 Fl. 502 7 lançamento, produzindo regra cujo antecedente é fato lícito e o consequente uma relação jurídica de tributo; outro, o auto de infração, veiculando u'a norma que tem, no suposto, a descrição de um delito e, no consequente, a instituição de liame jurídico sancionatório, cujo conteúdo da prestação tanto pode ser um valor pecuniário (multa) como uma conduta de fazer ou não fazer. Tudo seria simples, realmente, se o auto de infração apenas conduzisse para o ordenamento a mencionada regra individual e concreta que mencionei. Nem sempre é assim. Que, de vezes, sob a epígrafe "auto de infração", deparamonos com dois atos: um de lançamento, exigindo o tributo devido; outro, de aplicação de penalidade, pela circunstância de o sujeito passivo não ter recolhido, em tempo hábil, a quantia pretendida pela Fazenda. Dáse a conjunção, num único instrumento material, sugerindo até possibilidades híbridas. Mera aparência. Não deixam de ser normas jurídicas distintas postas por expedientes que, por motivos de comodidade administrativa estão reunidas no mesmo suporte físico. Pela frequência com que ocorrem essas conjunções, falam alguns, em "auto de infração" em sentido largo (dois atos no mesmo instante) e "auto de infração"stricto sensu", para denotar a peça portadora de norma individual e concreta de aplicação de penalidade a quem cometeu ilícito tributário. A lição acima destaca a natureza distinta dos atos administrativos do lançamento e da imposição sancionatória e a decorrente autonomia destes. Uma vez autônomos e, via de regra, postos no mesmo instrumento de constituição das exigências, o Auto de Infração, não se deve ver inadequação se vier veicular apenas um desses atos: a formalização da relação jurídica tributária tendente a prevenir decadência, mesmo que inexista a penalidade. Pelo exposto, rejeito a preliminar. Mérito Da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade Travase no processo judicial nº 2004.61.00.0289717 discussão sobre a in/existência de relação jurídica tributária que obrigue a Recorrente ao pagamento de tributos tais como os lançados no presente Auto de Infração , que não estejam classificados no rol dos impostos obre o patrimônio, na acepção restrita que dá a Fazenda a esta classe de tributos. Corroboro o entendimento já assentado na decisão recorrida, segundo o que este debate não pode ser travado no âmbito deste processo administrativo. O provimento que aqui se der ou negar tornarseá sem efeito ante decisão superveniente em rumo diverso no aludido processo. Logo, de raso, devese aplicar a Súmula CARF nº 1, eis que presente a conexão de matérias[2]. 2 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, Fl. 505DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Da incidência dos juros de mora no lançamento Cabe lembrar que o presente processo é dependente da ação nº 2004.61.00.0289717. O provimento judicial definitivo, a seu tempo, deitará por terra este processo. Alternativamente, o desprovimento referenderá a incidência prevenida, suscitará a mora e ensejará a cobrança dos tributos aqui lançados com a inclusão dos juros de mora, com amparo do art. 61, § 3º, cujo lapso de tempo de sua aplicação estenderseá até o mês do pagamento. Uma vez que é vedada a incidência somente da multa de ofício no lançamento para prevenir decadência, os juros podem ser incluídos no lançamento, sem o caráter de ser valor fixo, como o são o principal e a multa. Demais disso, considero que os juros não estão constituídos na data e na linguagem normativa do lançamento, distintamente do que se dá com o principal. Concebo que ao estarem presentes em todo e qualquer lançamento representam o conteúdo declaratório da mora até o momento em que não haja impugnação, para fins da incidência futura, na conformidade com o art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96, quando se tornar eficaz o lançamento, seja com o trânsito em julgado do desprovimento do pedido em ação judicial ou com a definitividade da decisão em processo administrativo. Os juros não estão a incidir (no que entendo ser o melhor sentido jurídico deste verbo), na composição do crédito tributário pelo lançamento, porquanto seu valor não é definitivo, na hipótese de suspensão de exigibilidade, vindo a sêlo somente quando, em tempo futuro, a então Contribuinte vier a ser chamada a efetuar a quitação do crédito lançado. Nesse diapasão, os juros no lançamento são mero indicativo de sua aderência ao principal e do dies a quo do intervalo de tempo até o mês do pagamento, na ocasião da cobrança. Se se pudesse dizer que os juros têm sua constituição efetivada no lançamento, como admitir a sua fluência protraindose no tempo até a quitação do crédito tributário? Por fim, mesmo não estando configurada a mora no momento do lançamento, em face da suspensão da exigibilidade, a presença dos juros no lançamento, pela razão supra, não representa prejuízo algum à Recorrente. Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração; por não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Judiciário; e por negar provimento quanto à incidência dos juros no lançamento. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 506DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15771.720324/201337 Acórdão n.º 3803006.504 S3TE03 Fl. 503 9 Fl. 507DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 13637.000842/2007-10
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2000 a 31/01/2006
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO.
O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (Art. 62-A do anexo II).
O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC definiu que o dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação (Recurso Especial nº 973.733).
O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º).
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Aplica-se ao lançamento a legislação em vigor à data da ocorrência do fato gerador. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-003.325
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para confirmar a decadência declinada no acórdão recorrido e aplicar a multa lançada limitada ao percentual de 75%. Vencidos os Conselheiros Pedro Anan Junior (suplente convocado) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira que negavam provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira e Maria Helena Cotta Cardozo.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Gustavo Lian Haddad Relator
EDITADO EM: 01/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase ao lançamento a legislação em vigor à data da ocorrência do fato gerador. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 63 7. 00 08 42 /2 00 7- 10 Fl. 448DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 2 basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para confirmar a decadência declinada no acórdão recorrido e aplicar a multa lançada limitada ao percentual de 75%. Vencidos os Conselheiros Pedro Anan Junior (suplente convocado) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira que negavam provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira e Maria Helena Cotta Cardozo. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – Relator EDITADO EM: 01/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Centro Educacional CEA de Barbacena, foi lavrada a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito de fls. 01/148, para cobrança de contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social pela parte dos segurados, a patronal, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e as contribuições destinadas a Terceiros (Salário Educação, INCRA, SESC e SEBRAE). A Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, ao apreciar o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, exarou o acórdão n° 2403000.236, que se encontra às fls. 260/264 e cuja ementa é a seguinte: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Fl. 449DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 13637.000842/200710 Acórdão n.º 9202003.325 CSRFT2 Fl. 15 3 Período de apuração: 01/02/2000 a 31/01/2006 DECADÊNCIA APLICAÇÃO DA SÚMULA VINCULANTE N° 8 DO STF. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA POR SUCESSÃO APLICAÇÃO DOS ARTS. 129 A 133 DO CTN Por inteligência da Súmula Vinculante n.º 08 do STF que declarou inconstitucional os arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, o prazo de decadência das contribuições sociais previdenciárias é de 05 (cinco) anos contados da data do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, independentemente de haver ou não antecipação de pagamento, portanto, reconhecida a decadência do débito tributário do período de 02/2000 a 11/2002. Empresa com mesmo objeto social, espaço físico, mobiliário e alunos da Empresa anterior. Reconhecida a responsabilidade por sucessão tributária nos termos dos arts. 129 e 133 do CTN. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.” A anotação do resultado do julgamento indica que a Turma, por unanimidade de votos, acolheu a preliminar de decadência, declarando, a impossibilidade de cobrança das contribuições apuradas até a competência de 11/2002, aplicando a regra decadencial expressa no § 4º, art. 150 do CTN por tratarse de tributo sujeito a lançamento por homologação. No mérito, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso, para determinar o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35, caput, da Lei 8.212/91, com prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Intimada do acórdão em 14/03/2011 (fls. 265), a Fazenda Nacional interpôs recurso especial (fls. 267/312), sustentando divergência entre o acórdão recorrido e os acórdãos n.º CSRF/0203.270 e 20501.078, no tocante à decadência das contribuições sociais em razão da não antecipação do pagamento sobre as rubricas lançadas pela fiscalização e, sustentando a divergência entre o acórdão recorrido e os acórdãos n.° 230100.283 e 240100.120, no tocante à aplicação da multa requerendo seja determinada a aplicação da penalidade prevista no art. 35 A da Lei 8.212/91, com a redação que lhe foi dada pela lei 11.941/09, para fins da retroatividade benigna prevista no artigo 106, II do CTN. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 2400 164/2011, de 21/03/2011 (fls. 314/319). Intimado sobre a admissão do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, o contribuinte deixou de apresentar suas contrarrazões. É o Relatório. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 4 Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator Analiso a admissibilidade do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. O recurso foi interposto em razão da divergência entre o acórdão recorrido e os acórdãos nº CSRF/0203.270 e 20501.078. Os acórdãos paradigmas encontramse assim ementados: Acórdão n.º CSRF/0203.270 “DECADÊNCIA. O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à contribuição para o Programa de Integração Social – PIS é de 05 anos, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia haver sido efetuado, na hipótese de inexistência de antecipação de pagamento do tributo devido.” Acórdão n.º 20501.078 “CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização.” No presente caso, o acórdão recorrido determinou, para fins de cômputo do prazo decadencial, a aplicação o §4º do art. 150 do CTN, tendo em vista tratarse de tributo sujeito a lançamento por homologação, sendo irrelevante a existência ou não do pagamento antecipado do tributo. Os paradigmas colacionados, no entanto, manifestam o entendimento de que o início do prazo decadencial está intrinsecamente relacionado à existência ou não do pagamento antecipado pelo sujeito passivo sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, entendendo que, nas hipóteses de inexistência de pagamento a homologar sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, deveria ser aplicado o art. 173, inciso I, do CTN. Entendo, portanto, comprovada a divergência. Adicionalmente, em relação à aplicação da multa prevista no art. 35 da Lei 8.212/91, com a redação que lhe foi dada pela lei 11.941/09, para fins da retroatividade benigna prevista no artigo 106, II do CTN, foram apresentados como paradigmas os acórdãos n.º 230100.283 e 240100.120, a seguir transcritos: Fl. 451DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 13637.000842/200710 Acórdão n.º 9202003.325 CSRFT2 Fl. 16 5 Acórdão nº 230100.283 “(...)CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n ° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n 08.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, ha que se observar o disposto no art. 173, inciso Ido CTN. Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. (...)" Acórdão nº 240100.120 “SALÁRIO INDIRETO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. JUROS SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. DECLARAÇÃO. VEDAÇÃO. DECADÊNCIA 1 De acordo com o artigo 34 da Lei nº 8212/91, as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas elo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal e lançamento, pagas com atraso ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. 2 A teor do disposto no art. 49 do Regimento Interno deste Conselho é vedado ao Conselho afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto sob o fundamento de inconstitucionalidade, sem que tenham sido assim declaradas pelos órgãos competentes. A matéria encontrase sumulada, de acordo com a Súmula nº 2 do 2º Conselho de Contribuintes. 3 Tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. Termo inicial: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). No caso, tratase de tributo sujeito a lançamento por homologação e houve antecipação de pagamento. Aplicável, portanto, a regra do art. 150, § 4 º do CTN” Verifico, ainda, constar dos respectivos votos que integram os acórdãos paradigmas: Acórdão n° 230100.283 "Quanto à possibilidade de retroatividade da multa prevista na Medida Provisória n ° 449 de 2008 entendo que a mesma não se aplica. Fl. 452DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 6 A retroatividade benigna terá aplicação nas hipóteses de a situação gerada pelo ordenamento novel ser mais benéfica que a anterior. In casu, para lançamento de oficio a situação gerada por meio da Medida Provisória n°449 impõe a aplicação da multa prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, ou seja a multa seria de 75%. A multa moratória prevista no art. 61 da Lei n° 9.430 somente se aplica para casos de recolhimento não incluídos em lançamento de oficio, o que não é o caso. O fato de ser classificada como multa moratória ou de oficio é irrelevante, o que importa é o comparativo entre situações tendo como referência a nova legislação.” Acórdão nº 240100.120 “Nesse sentido, devida a contribuição e não sendo recolhida até a data do vencimento, fica sujeita aos acréscimos legais na forma da legislação de regência. Portanto, correta a aplicação da taxa SELIC, com fulcro no artigo 34, da Lei n°8.212/91, e bem assim da multa moratória, nos termos do artigo 35, do mesmo Diploma Legal. (...) Com relação à solicitação da recorrente, para a aplicação do disposto na Medida Provisória 449, relativamente à multa de mora, importa salientar que a referida MP, além de alterar o art. 35 da Lei n° 8.212/1991, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte: "Art.. 35A Nos casos de lançamento de oficio relativos as contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996". O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serio aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata". Entretanto, se ocorreu o lançamento de ofício que é o presente caso, a multa devida seria de 75%, superior ao índice previsto na antiga redação do art. 35 da Lei n.º 8.212/1991, correspondente ao percentual devido após ciência do acórdão da segunda instância.” No presente caso, o acórdão recorrido determinou, para fins de cálculo de multa a ser aplicada em decorrência da retroatividade benigna, a comparação entre a multa aplicada no lançamento e a atual multa prevista no artigo 35, caput da Lei nº 8.212/1991 (conforme redação da Lei nº 11.941/2009), no percentual de 20%. Os paradigmas colacionados, no entanto, determinaram que para fins de aplicação da retroatividade benigna fosse comparada a multa lançada com aquela prevista no novel artigo 35A da Lei nº 8.212/191, que, ao fazer remissão ao art. 44, da Lei nº 9.430/96, resulta na aplicação de penalidade de 75% do valor do tributo lançado. Fl. 453DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 13637.000842/200710 Acórdão n.º 9202003.325 CSRFT2 Fl. 17 7 Destarte, patente a divergência, razão pela qual conheço do recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional. Decadência – Aplicação do artigo 173, I ou 150, §4º do CTN No tocante à decadência, já manifestei entendimento em diversas oportunidades segundo o qual para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o prazo decadencial para efetuar o lançamento de tal tributo seria, em regra, o do art.150, §4º do CTN. Dessa forma, o prazo decadencial para o lançamento seria de cinco anos a contar do fato gerador, independentemente da existência de pagamento antecipado. Ocorre que o Regimento Interno deste E. Conselho, a partir de alteração promovida pela Portaria MF n.º 586, de 22 de dezembro de 2010, introduziu no artigo 62A do Anexo II dispositivo que determina, in verbis: “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” E o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar em 18/09/2009 o RESP nº 973.733 na sistemática de recursos repetitivos, nos termos do artigo 543C do CPC, consolidou entendimento diverso no que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação, considerando relevante a existência de antecipação do pagamento para a aplicação do art. 150, parágrafo 4º do CTN. O acórdão em questão encontrase assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). Fl. 454DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 8 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Com o advento da decisão acima referida, temse que nos casos em que não houve antecipação de pagamento deve este Colegiado aplicar a regra do art. 173, I, do CTN, ou seja, contarse o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, sendo este entendido, segundo a ementa acima, como o primeiro dia seguinte à ocorrência do fato imponível. Nos casos em que há recolhimento, ainda que parcial, aplicase a regra do art. 150, § 4º do CTN, ou seja, o prazo iniciase na data do fato gerador. De fato, tenho entendido que o deslocamento da regra de contagem do prazo de decadência do artigo 150, §4º, para o artigo 173, I, ambos do CTN, requer a total ausência de recolhimento de contribuições previdenciárias pelo contribuinte relativamente aos fatos geradores questionados. Fl. 455DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 13637.000842/200710 Acórdão n.º 9202003.325 CSRFT2 Fl. 18 9 No presente caso, da análise do Relatório de Documentos Apresentados (fls. 43/44) e das planilhas de levantamento dos débitos denominadas “Demonstrativo – Remuneração GFIP x Grade Curricular” (fls. 73/147) é possível inferir que houve o recolhimento, ainda que parcial, das contribuições devidas pelo sujeito passivo (fls. 43/44), valor que foi inclusive deduzido da apuração do valor do crédito tributário lançado na autuação. Com base no referido raciocínio aplicase ao presente caso o disposto no artigo 150, §4º, do CTN, sendo que o início da contagem do prazo de decadência dáse com a ocorrência do fato gerador. Assim, considerando que o contribuinte foi cientificado do lançamento em 12/12/2007 (fls. 219), deve ser mantida a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos até 11/2002. Multa – Retroatividade benigna Discutese, ainda, a multa a ser aplicada no presente caso em decorrência do advento da Lei nº 11.941/2009, que alterou os dispositivos da Lei nº 8.212/1991 que tratavam da matéria. O acórdão recorrido, ao analisar as razões de recurso do contribuinte, houve por bem manter o lançamento em relação ao principal, determinando o cálculo da multa nos termos do artigo 35 da Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela lei 11.941/2009, caso mais favorável ao contribuinte. A Fazenda Nacional insurgese contra tal conclusão. Tratase de tema bastante debatido no âmbito deste egrégio colegiado. Para fins de clareza transcrevo, a seguir, a redação dos dispositivos relevantes vigentes à época dos fatos geradores. Lei no 8.212/1991: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; III prestar ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e ao Departamento da Receita FederalDRF todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em Fl. 456DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 10 regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; III – para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) setenta por cento, se houver parcelamento; c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; Fl. 457DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 13637.000842/200710 Acórdão n.º 9202003.325 CSRFT2 Fl. 19 11 d) cem por cento, após o ajuizamento da execução, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento.” Esse dispositivo era aplicado às contribuições previdenciárias, administradas pelo INSS, enquanto que aos demais tributos e contribuições federais aplicavamse as penalidades dos artigos 44 e 61 da Lei nº 9.430/1996, in verbis: “Multas de Lançamento de Ofício Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Lei nº 9.430/1996: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.” Verificase, desde logo, que existia distinção na aplicação de penalidades para os casos de não apuração e recolhimento de contribuições previdenciárias e para os casos de não apuração e recolhimento de outros tributos. De fato, o artigo 35 da Lei nº 8.212/1991 estabelecia que na hipótese de não apuração e recolhimento de contribuições previdenciárias a multa aplicável era sempre uma dita “de mora” (independentemente do pagamento ser espontâneo ou em decorrência de lançamento de ofício), enquanto que a ausência de apuração e recolhimento tempestivo dos demais tributos e contribuições federais, nos termo da Lei nº 9.430/1996, era apenado com (i) multa de mora, em caso de recolhimento intempestivo de tributo autolançado ou (ii) multa de ofício, em caso de lançamento pela autoridade fiscal. Fl. 458DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 12 Assim, a distinção entre multa de mora e multa de ofício não era relevante no âmbito das contribuições previdenciárias na medida em que a legislação aplicável a tais contribuições previa a mesma penalidade em qualquer caso. Tal sistemática, no entanto, com o advento da Lei nº 11.941/2009, sofreu profundas alterações em decorrência da unificação da arrecadação dos tributos federais no âmbito da Receita Federal do Brasil. De fato, uma vez unificada a arrecadação não fazia sentido a existência de sistemáticas de aplicação de penalidade diferentes, razão pela qual a Lei nº 11.941/2009 alterou tais dispositivos. A Lei nº 8.212/1991, após o advento da Lei nº 11.941/2009, passou a tratar das penalidades nos artigos 32A, 35 e 35A, in verbis: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (...) Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de Fl. 459DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 13637.000842/200710 Acórdão n.º 9202003.325 CSRFT2 Fl. 20 13 substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996.” No presente caso, considerando que o lançamento decorreu da não apuração e recolhimento das contribuições previdenciárias devidas, verifico que pela sistemática anterior à MP 449/2008 (convertida na lei nº 11.491/2009), o lançamento estaria sujeito à multa prevista no artigo 35 da Lei 8.212/1991 que, em sua redação à época dos fatos geradores, determinava a aplicação de uma multa de 8% até 100% da contribuição devida em função da fase em que se encontrava a cobrança do débito. Embora o artigo 35 da Lei 8.212/1991 denominasse tal penalidade de mora, ela tem, quando lançada em procedimento de ofício para apuração dos tributos não lançados, sua correspondência no atual artigo 35A da Lei nº 8.212/1991, que rege as hipóteses de lançamento de ofício pela autoridade fiscal, e não no artigo 35 da Lei n. 8.212/1991, que rege as hipóteses de recolhimento espontâneo pelo contribuinte de tributo autolançado. Assim, para aplicação do comando de retroatividade benigna previsto no artigo 106, II, do CTN devese comparar a penalidade prevista na antiga redação do artigo 35 da Lei nº 8.212/1991 com aquela prevista no artigo 35A da Lei n. 8.212/1991, que remete ao artigo 44 da Lei n. 9.430/1996, ficando limitada ao percentual de 75% prevista neste último dispositivo. Esta conclusão também é a mesma para aqueles que acompanham meu voto neste julgamento pelas conclusões. No entendimento deles a multa pelo descumprimento da obrigação principal deve ser acrescida à multa por descumprimento da obrigação acessória eventualmente lançada em outros autos para fins de comparação com o limite de 75% previsto na Lei n. 11.941. Ante o exposto, conheço do recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para que seja aplicada a multa prevista na antiga redação do artigo 35 da Lei nº 8.212/1991, limitada ao percentual de 75%. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 460DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 14 Fl. 461DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD
score : 1.0
Numero do processo: 10283.900996/2009-26
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. REEXAME.
O pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante.
Numero da decisão: 1803-001.706
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos., DAR provimento PARCIAL ao recurso, para que o direito creditório pleiteado seja apreciado pela DRF de origem, como saldo negativo de IRPJ, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Carmem Ferreira Saraiva - Presidente
(assinado digitalmente)
Victor Humberto da Silva Maizman - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente à época do julgamento), Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman e Roberto Armond Ferreira da Silva (Suplente Convocado).
Nome do relator: VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN
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ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. REEXAME. O pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos., DAR provimento PARCIAL ao recurso, para que o direito creditório pleiteado seja apreciado pela DRF de origem, como saldo negativo de IRPJ, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Carmem Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Victor Humberto da Silva Maizman Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente à época do julgamento), Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman e Roberto Armond Ferreira da Silva (Suplente Convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 09 96 /2 00 9- 26 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CARMEN FE RREIRA SARAIVA Processo nº 10283.900996/200926 Acórdão n.º 1803001.706 S1TE03 Fl. 3 2 Relatório Tratase de declaração de compensação transmitida em 29/07/2005 pela contribuinte acima identificada, na qual indicou crédito de R$ 455.958,38 resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo à receita de código 2362, do período de apuração de 31/08/2004, no valor originário de R$ 683.206,38. A Delegacia de origem, em análise datada de 18/02/2009 (fl. 05), asseverou que "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Assim, não homologou a compensação declarada. Inconformada com a aludida decisão, a empresa apresentou impugnação sustentando em síntese que: a) O equívoco decorre do fato de que a Manifestante apurou erroneamente o valor do tributo a pagar, o que será corrigido através desta manifestação com a disponibilidade dos documentos comprobatórios do crédito; b) Após têlo apurado e efetuado o pagamento, foi detectado pelo setor de contabilidade do contribuinte o pagamento a maior, bem como saldo credor decorrente de saldo negativo da CSLL, que resultara no pedido de compensação, na forma prevista na legislação que trata do assunto; c) Inadvertidamente não houve a retificação da DCTF na qual deveria constar o valor do crédito a ser compensado e o efetivo valor do imposto apurado pela Manifestante. (Demonstrativo Anexo). Pelo demonstrativo que segue anexo a manifestação de inconformidade constatase o valor do tributo pago a maior, conforme DARF, sendo o crédito objeto de compensação decorrente de saldo negativo da contribuição social sobre o lucro líquido; d) Além do saldo credor da CSLL, a manifestante possui ainda crédito originário de benefício fiscal amparado no Ato Declaratório n° 58, de 04 de abril de 2005 e no DecretoLei n° 756/69, o primeiro expedido pelo Sr. Delegado da Receita Federal, com efeito retroativo ao ano de 2004; e) Enquanto aguardava a expedição do ato declaratório, a requerente apurou e efetuou o pagamento do imposto, o que gerou crédito passível de compensação após a publicação do documento; f) Para aferição do crédito e até mesmo do débito, é indispensável que a autoridade administrativa autorize a realização de diligência nos livros fiscais e contábeis do contribuinte. Todos os valores objeto do pedido de ressarcimento/restituição e compensação dizem respeito ao exercício de 2005 ano calendário de 2004, abrangendo todo o ano de 2004 e, por esse motivo, fica inviável anexar a esta manifestação todos os livros e documentos que comprovam a apuração do crédito. Em sede de cognição ampla a DRJ manteve o lançamento impugnado, sob o fundamento em síntese que o recolhimento de estimativas mensais, exatamente nos valores calculados segundo os critérios determinados pela Lei n° 9.430/1996, não pode ser considerado, a priori, como pagamento indevido ou a maior, mesmo quando haja apuração de prejuízo fiscal ao final do exercício (este sim passível de repetição). Inconformada com a r. decisão, a autuada interpôs Recurso Voluntário sustentando os mesmos argumentos que respaldaram a impugnação. É o simples relatório. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CARMEN FE RREIRA SARAIVA Processo nº 10283.900996/200926 Acórdão n.º 1803001.706 S1TE03 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman Relator Admito o Recurso Voluntário por observar os requisitos legais, mormente quanto a sua tempestividade. Preliminarmente rejeito a nulidade invocada sob o argumento de que houve cerceamento de defesa quanto o indeferimento do pedido de diligência, uma vez que apesar de ser facultado ao sujeito passivo o direito de pleitear a realização de diligências e perícias, em conformidade com o artigo 16, inciso IV do Decreto n° 70.235/1972, compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo ser indeferidas aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis, nos termos do art. 18, caput, do mesmo Decreto. A realização de diligência e perícia pressupõe que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado e/ou esclarecimento de fatos considerados obscuros no processo. No presente caso, tais motivos são inexistentes, uma vez que nos autos constam todas as informações necessárias e suficientes para o deslinde da questão. Preliminarmente é irrelevante toda a discussão encetada pela Recorrente com relação ao Ato Declaratório nº 58, de 4 de abril de 2005 [redução de 75% do imposto de renda das pessoas jurídicas e adicionais não restituíveis, incidente sobre o lucro da exploração, relativo ao projeto de modernização de empreendimento da empresa, na área da atuação da extinta SUDAM, pelo prazo de 9 (nove) anos a partir do anocalendário de 2004], como também a referência feita pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) acerca desse ato. No presente caso, admite a própria Recorrente que deveria ter indicado o pagamento de estimativa mensal na dedução do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) devido ao final do período de apuração, compondo o saldo negativo correspondente. Assim, aquele pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório na correspondente Per/DComp, compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante, em conjunto com outras Per/DComp que porventura tenham a mesma origem de crédito. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CARMEN FE RREIRA SARAIVA Processo nº 10283.900996/200926 Acórdão n.º 1803001.706 S1TE03 Fl. 5 4 Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para que o direito creditório pleiteado seja apreciado, pela DRF de origem, como saldo negativo de IRPJ. É como voto. (assinatura digital) Victor Humberto da Silva Maizman Fl. 114DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CARMEN FE RREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10380.727157/2012-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1301-000.217
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
documento assinado digitalmente
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. “documento assinado digitalmente” Valmar Fonseca de Menezes Presidente. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .7 27 15 7/ 20 12 -5 4 Fl. 509DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10380.727157/201254 Resolução nº 1301000.217 S1C3T1 Fl. 510 2 Relatório Trata o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS, relativas aos anoscalendário de 2008 e 2009. Transcrevo, a seguir, relato feito em primeira instância acerca dos fatos apurados e das razões trazidas pela fiscalizada em sede de impugnação. [...] Contra o sujeito passivo de que trata o presente processo foram lavrados os autos de infração a seguir indicados: Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, fls. 03/13, no valor total de R$ 13.169.704,60, incluídos encargos legais. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, fls. 14/23, no valor total de R$ 4.931.989,93, incluindo encargos legais. Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins, fls. 24/42, no valor total de R$ 7.650.371,95, incluindo encargos legais. Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, fls. 43/63, no valor total de R$ 1.660.936,05, incluindo encargos legais. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 05/06, e o Termo de Verificação Fiscal, fls. 64/72, foram apuradas as seguintes infrações: 1 – Omissão de Receitas (Saldo Credor de Caixa) Conforme Termo de Intimação Fiscal N° 3, a empresa foi intimada a comprovar, através de documentos hábeis e idôneos, o suprimento de caixa registrado na contabilidade em 15/02/08, em dinheiro, no valor de R$ 7.918.488,22, lançado em contrapartida da conta DUPLICATAS A RECEBER. Foi anexado a este processo o Razão da conta DUPLICATAS A RECEBER referente ao mês de fevereiro de 2008, no qual consta o referido lançamento. Ressaltese que na conta DUPLICATAS A RECEBER não havia saldo suficiente para comportar o suprimento de caixa mencionado. Também foi intimada a comprovar os direitos registrados junto à empresa RECICLAR RECICLADORA DE PLÁSTICO LTDA conta do Ativo 121010006, em relação ao ano de 2008, cujo saldo ao final do referido exercício era de R$ 4.217.531,34, e o suprimento de caixa, em dinheiro, no mesmo valor de R$ 4.217.531,34, registrado na contabilidade em 02/01/2009. A empresa não apresentou quaisquer esclarecimentos, conforme Termo de Constatação Fiscal de 10/05/2012. Não tendo a empresa apresentado documentação comprobatória dos elevados ingressos na conta CAIXA 111010001, nem das contrapartidas dos referidos Fl. 510DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10380.727157/201254 Resolução nº 1301000.217 S1C3T1 Fl. 511 3 lançamentos, a conta caixa foi recomposta desconsiderandose o ingresso dos referidos valores, R$ 7.918.488,22 (lançamento efetuado no dia 15/02/2008) e R$ 4.217.531,34 (lançamento efetuado no dia 02/01/2009). Com a recomposição da conta CAIXA, por meio do estorno dos referidos lançamentos contábeis, constatouse a existência de saldo credor de caixa, caracterizando a prática de omissão de receitas por parte da empresa, conforme previsto no inciso I do art. 281 do Decreto 3.000 de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda) c/c DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 2º e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40. Conforme Termo de Intimação Fiscal 04 de 05/06/2012, recebido pelo Procurador e Contador da empresa no dia 13/06/2012, o contribuinte foi cientificado da constatação da prática de omissão de receitas, diante da existência de saldo credor de caixa, e do DEMONSTRATIVO DA RECONSTITUIÇÃO DA CONTA CAIXA (em anexo ao Termo), também tendo sido intimado a discriminar a quais produtos a receita omitida se refere. Decorrido o prazo de 05 (cinco) dias, a empresa não apresentou quaisquer esclarecimentos adicionais. Caracterizada a omissão de receitas, além do lançamento correspondente ao IRPJ, foram efetuados os lançamentos reflexos de CSLL, COFINS E PIS. As bases de cálculo utilizadas foram os maiores saldos credores da conta CAIXA, apurados em cada mês, abatendose os valores acumulados já utilizados como base de cálculo nos meses anteriores. Enquadramento Legal: art. 3º da Lei nº 9.249/95; arts. 247, 248, 249, inciso II, 251, 277, 279, 280, 281, inciso I, e 288 do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto nº 3.000/99 RIR/99. 2 – Omissão de Receitas (Passivo Fictício) Conforme Termo de Intimação Fiscal N° 3, a empresa foi intimada a comprovar, através de documentos hábeis e idôneos, os lançamentos relacionados no demonstrativo LANÇAMENTOS CONTÁBEIS CUJOS DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS DEVEM SER APRESENTADOS, em anexo ao Termo, e o registro das obrigações para com as empresas MULTIUNIÃO COMÉRCIO DE USINAGEM LTDA conta contábil do Passivo 211010499 e PREMIX MULTIOLEFINAS COMERCIAL LTDA conta contábil do Passivo 211010570, referentes aos anos de 2008 e 2009, bem como a liquidação das referidas obrigações. Conforme Termo de Intimação Fiscal 04 de 05/06/2012, recebido pelo Procurador e Contador da empresa no dia 13/06/2012, a empresa foi reintimada e cientificada de que a não apresentação da documentação comprobatória das obrigações listadas no item 06 caracterizaria a omissão de receitas nos termos do art. 40 da Lei 9.430/96. Tratamse de lançamentos referentes a empréstimos contraídos junto a instituições financeiras, sem a devida comprovação. Também foi reintimada e cientificada de que a não comprovação das obrigações registradas na contabilidade junto às empresas MULTIUNIÃO COMÉRCIO DE USINAGEM e PREMIX MULTIOLEFINAS COMERCIAL LTDA também caracterizaria a omissão de receitas, tendo sido anexados os razões das duas contas. Decorrido o prazo de 05 (cinco) dias, a empresa não apresentou quaisquer esclarecimentos adicionais, o que caracteriza a existência de passivo fictício em sua escrituração contábil, conforme previsto no inciso III do art. 281 do Decreto 3.000 de Fl. 511DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10380.727157/201254 Resolução nº 1301000.217 S1C3T1 Fl. 512 4 1999 (Regulamento do Imposto de Renda) c/c DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 12, § 2° e Lei n° 9.430, de 1996, art. 40. Caracterizada a omissão de receitas, além do lançamento correspondente ao IRPJ, foram efetuados os lançamentos reflexos de CSLL, COFINS E PIS. As bases de cálculo utilizadas são os valores mensais das obrigações não comprovadas. Enquadramento Legal: art. 3º da Lei nº 9.249/95; arts. 247, 248, 249, inciso II, 251, 277, 279, 280, 281, inciso III, e 288 do RIR/99. 3 – Omissão de Receitas (Depósitos Bancários de Origem não Comprovada) Conforme Termo de Intimação Fiscal N° 3, a empresa foi intimada a comprovar, através de documentos hábeis e idôneos, os lançamentos relacionados no demonstrativo LANÇAMENTOS CONTÁBEIS CUJOS DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS DEVEM SER APRESENTADOS, em anexo ao Termo. Entre os lançamentos relacionados está o correspondente ao depósito efetuado no dia 28/03/2008, na conta 111020017 – UNIBANCO S/A AG.0373 CTA 2197359, no valor de R$ 1.344.000,00. Conforme Termo de Intimação Fiscal 04 de 05/06/2012, recebido pelo Procurador e Contador da empresa no dia 13/06/2012, a empresa foi reintimada a comprovar a origem dos recursos referentes ao referido depósito, com a documentação hábil e idônea. Também foi informada de que a não comprovação da origem dos recursos seria enquadrada como omissão de receitas nos termos do art. 42 da Lei 9430/96. Decorrido o prazo, a empresa não apresentou a referida documentação, caracterizando a existência de depósitos bancários de origem não comprovada, conforme previsto no art. 287 do Regulamento do Imposto de Renda, c/c art. 42 da Lei 9.430/96. Caracterizada a omissão de receitas, além do lançamento correspondente ao IRPJ, foram efetuados os lançamentos reflexos de CSLL, COFINS E PIS. A base de cálculo utilizada foi o valor de R$ 1.344.000,00, referente ao depósito não comprovado, conforme lançamento contábil efetuado no dia 28/03/2008, na conta 111020017 – UNIBANCO S/A AG.0373 CTA 2197359. Enquadramento Legal: art. 3º da Lei nº 9.249/95; arts. 247, 248, 249, inciso II, 251, 277, 279, 280, 287 e 288 do RIR/99. 4 – Incidência NãoCumulativa Padrão – Insuficiência de Recolhimento da Cofins Conforme Termo de Intimação Fiscal N° 3, a empresa foi intimada a justificar as diferenças apuradas quanto à COFINS, no DEMONSTRATIVO DE DIFERENÇAS APURADAS CONTRIBUIÇÕES, em anexo ao Termo. As bases de cálculo consideradas na apuração da COFINS, bem como os créditos apurados foram demonstrados no batimento em anexo ao Termo (EVIDENCIAÇÃO DA COFINS DEVIDA EM CADA COMPETÊNCIA). Fl. 512DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10380.727157/201254 Resolução nº 1301000.217 S1C3T1 Fl. 513 5 As bases de cálculo referemse a receitas escrituradas na contabilidade da empresa e os créditos referemse a notas fiscais apresentadas pela empresa à fiscalização. Os valores das contribuições que foram lançadas, são os relacionados no DEMONSTRATIVO DE DIFERENÇAS APURADAS CONTRIBUIÇÕES (em anexo ao Termo), obtidos com base na conta contábil 21301006 – COFINS A RECOLHER. Foram abatidos os valores declarados em DCTF. A empresa não apresentou quaisquer esclarecimentos sobre as diferenças apuradas. Para esta infração foi aplicada a multa de 75% (setenta e cinco por cento). O enquadramento legal encontrase discriminado na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 26/35. 5 – Incidência NãoCumulativa Padrão – Insuficiência de Recolhimento da Contribuição para o PIS/PASEP Conforme Termo de Intimação Fiscal N° 3, a empresa foi intimada a justificar as diferenças apuradas quanto ao PIS, no DEMONSTRATIVO DE DIFERENÇAS APURADAS CONTRIBUIÇÕES, em anexo ao Termo. As bases de cálculo consideradas na apuração do PIS, bem como os créditos apurados, estão demonstrados no batimento em anexo ao Termo (EVIDENCIAÇÃO DO PIS DEVIDO EM CADA COMPETÊNCIA). As bases de cálculo referemse a receitas escrituradas na contabilidade da empresa e os créditos referemse a notas fiscais apresentadas pela empresa à fiscalização. Os valores das contribuições que foram lançadas, são os relacionados no DEMONSTRATIVO DE DIFERENÇAS APURADAS CONTRIBUIÇÕES (em anexo ao Termo), obtidos com base na conta contábil 21301005 – PIS A RECOLHER. Foram abatidos os valores declarados em DCTF. A empresa não apresentou quaisquer esclarecimentos sobre as diferenças apuradas. Para esta infração foi aplicada a multa de 75% (setenta e cinco por cento). O enquadramento legal encontrase discriminado na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 26/35. Ao final do Termo de Verificação Fiscal, fls. 64/72, os autuantes “fazem” a seguinte conclusão: Tendo sido constada a existência de contribuições sociais a recolher (COFINS e PIS) e a prática, por parte da empresa fiscalizada, de omissão no registro de receitas foi efetuado o presente lançamento referente ao IRPJ, CSLL COFINS e PIS. As alíquotas utilizadas foram evidenciadas nos demonstrativos em anexo ao presente auto de infração. Quanto às infrações correspondentes à omissão de receita (saldo credor de caixa, passivo fictício e depósitos bancários de origem não comprovada), a multa aplicada foi de 150% (cento e cinqüenta por cento), qualificada nos termos do art. 44, Fl. 513DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10380.727157/201254 Resolução nº 1301000.217 S1C3T1 Fl. 514 6 inciso I e § 1º da Lei 9.430/96, com redação dada pela Lei 11.488/2007, c/c art. 71 da Lei 4.502/64. Como ficou demonstrado, a empresa utilizou diversos artifícios para omitir o registro de suas vendas. É de se estranhar que a empresa não tenha se manifestado sobre o depósito milionário (R$ 1.344.000,00) na sua conta bancária junto ao Unibanco, realizado em 28/03/08. Também não se manifestou sobre os empréstimos junto ao Banco Guanabara (R$ 1.000.000,00) e BANRISUL (R$ 1.438.969,72). A empresa também não apresentou os documentos comprobatórios de seus direitos de credor junto à empresa RECICLAR RECICLADORA DE PLÁSTICO LTDA no valor, também milionário, de R$ 4.217.531,34. É importante ressaltar o pagamento desse elevado valor em um único dia, em dinheiro, por parte da RECICLAR RECICLADORA DE PLÁSTICO LTDA para a IBAP. A prova cabal de que todas essas práticas visavam omitir o ingresso de receitas da empresa é a baixa da conta DUPLICATAS A RECEBER, no valor de R$ 7.918.488,22, em contra partida da conta CAIXA no dia 15/02/08, conforme evidenciado no razão da conta DUPLICATAS A RECEBER referente ao mês de fevereiro de 2008 (em anexo). Para que isso acontecesse, todos os clientes da empresa deveriam ter pago suas duplicatas, em dinheiro, ao mesmo tempo. Mais grave do que isso é o fato de que não havia saldo para comportar esse valor. O saldo da conta DUPLICATAS A RECEBER, antes deste lançamento, era de R$ 4.862.209,04. A empresa adotou as práticas contábeis anteriormente mencionadas para ocultar a ocorrência dos fatos geradores de tributos decorrentes das receitas omitidas, tendo deixado de declarar os tributos devidos em DCTF e efetuar os recolhimentos respectivos. Por tudo que foi exposto restou clara a ação e/ou omissão do contribuinte acarretando a qualificação da multa ora imposta. Tais condutas do contribuinte também configuram, em tese, crime contra a ordem tributária nos termos dos artigos 1º e 2º da Lei 8.137/90. Inconformado com as exigências, das quais tomou ciência em 20/06/2012, fls. 04, 15, 24 e 44, o contribuinte apresentou impugnação em 20/07/2012, fls. 146/166, contrapondose aos lançamentos com base nos argumentos a seguir sintetizados. DO PASSIVO FICTÍCIO E DO SALDO CREDOR DE CAIXA. QUADRO HISTÓRICO Alega a defesa que, independentemente do mérito, a recomposição de Caixa manejou apenas a coluna de "entradas não comprovadas", que a autoridade lançadora chama "estornos realizados" (fls. 117/138 do arquivo pdf, de numeração não imprimível). Afirma que, se o saldo credor de caixa somente veio à tona porque a impugnante teria pago fornecedores com recursos que estavam efetivamente em seu caixa físico, tais recursos de caixa, ainda que oriundos de operações supostamente não contabilizadas, giravam DENTRO da empresa, de modo que, pago o tributo sobre o mais antigo valor acaso desvendado, esse mesmo valor há de ser transposto do "caixa físico" para o Caixa Contábil, sob pena de a tributação vir a incidir várias vezes sobre a mesma operação. Fl. 514DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10380.727157/201254 Resolução nº 1301000.217 S1C3T1 Fl. 515 7 Considera fundamental trazer algumas explicações sobre o estouro de caixa (saldo credor), bem como sobre o passivo fictício que, a rigor se confundem na formação do lucro presumidamente omitido. Nesse sentido, a defesa faz um análise histórica das duas presunções legais – saldo credor de caixa e passivo fictício – com a transcrição da legislação pertinente e da jurisprudência administrativa, para, ao final, concluir que, fosse nos primórdios, antes do Decretolei 1.598/77; fosse sob a sua vigência, seja agora sob a Lei n° 9.430/96, o passivo fictício tem sido, e é – e sempre o será – , uma presunção, na medida em que outros ingressos podem lastrear os pagamentos não contabilizados. Outros ingressos? Sim, vejamolos: (i) dinheiro com problema no Direito de Família, da mulher, do pai, do filho, do sogro, de um parente, em que a conveniência familiar de não aparecer é maior do que o risco fiscal de ocultar; (ii) dinheiro de empréstimos de particulares. Deveras, quantas empresas não se socorrem dos agiotas quando perdem o crédito na rede bancária? Como contabilizar? Evidente que não há como. (iii) Também os dinheiros sob preconceitos: fiéis, religião, amantes, companheiro (a), em que o impedimento de aparecer, para alguns, é absoluto, armários, seitas e quejandos. (iv) Configurações outras, assustadoras, com origem no ilícito penal propriamente dito: quantas empresas foram abertas ou supridas de Caixa com o produto do roubo do Banco Central?! Evidente que não se trata de omissão de receitas, nem o assaltante confessará que o dinheiro suprido viajou no túnel do banco. E dos políticos, dizem os jornais. Entende a defesa que, em qualquer desses ingressos, nenhuma omissão de receitas, muitos menos a incidência de PIS e Cofins, mas real a omissão negocial, a grande diferença entre a presunção (possibilidade, probabilidade) e a verdade material cabalmente comprovada, o fato real. Em sendo o passivo fictício apenas uma presunção, há de se lhe aplicar o tipo nãopenal, na forma do art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430, matéria a ser demonstrada mais adiante, uma vez que a autoridade do lançamento aplicou a multa de 150%, que corresponde, não à presunção da omissão, mas à certeza da fraude, da sonegação ou do conluio. DO TIPO FISCAL DO PASSIVO FICTÍCIO: MANUTENÇÃO A defesa faz uma breve análise sobre qual seria o tipofiscal do Passivo Fictício, com transcrição de doutrina e dispositivos legais que tratam da referida presunção legal. Considera que, tanto pelo disposto no art. 12, § 2º, do DecretoLei nº 1.598/77 quanto pelo estabelecido pelo art. 40 da Lei nº 9.430/96, o tipofiscal é a manutenção. A partir da definição do que venha a ser manutenção «fazer perdurar em determinado estado» indaga: Perdurar por quanto tempo? Quando, o corte, no tempo? A lei específica nada diz. Dilo a Ciência Contábil: manutenção, em contabilidade, é a posição contábil levada ao encerramento do exercício, quando todas as contas transitórias são encerradas; e algumas, as contas mantidas, são transpassadas para o exercício seguinte. Em conclusão, uma situação passiva em janeiro e encerrada em janeiro não é conta mantida no balanço da empresa, porque transitoriamente encerrada. Uma posição contábil é transitória quando criada depois do balanço de abertura e encerrada no balanço final; é conta mantida quando vem a ultrapassar o balanço final Fl. 515DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10380.727157/201254 Resolução nº 1301000.217 S1C3T1 Fl. 516 8 para ser restaurada no balanço seguinte. O Parecer Normativo CST n° 108/78 é muito objetivo em esclarecer que transitórias são as contas abertas e encerradas até o balanço em curso; e permanentes (mantidas), as contas que ultrapassam o exercício seguinte. Na ausência de outro critério, a expressão legal «manutenção no passivo» há de ser tomada no sentido léxicológicocontábil, de conta que permaneceu (mantida), mas nada a ver com ativo permanente. Afinal, a lei tributária não pode subverter a linguagem (art. 110 do CTN). Considera que, se o suposto passivo fictício não representasse recursos de caixa entregues pelo proprietário ou controlador da companhia, e utilizados no efetivo pagamento de títulos da empresa, o tal passivo fictício jamais viria a ser encontrado, tudo por uma razão muito simples: encontrado foi pelo Fisco justamente porque DENTRO da empresa, no giro da empresa, ainda que não tenha hipótese que se diz apenas em prol do direito de argumentar , ingressado pela via contábil ao Caixa contábil da empresa. Na gaveta, sim; no Caixafiscocontábil, não. Em suma, a distribuição, ainda que presumida, do passivo fictício, situase no campo da impossibilidade contábil. Continuando a defesa faz os seguintes questionamentos e manifesta o seu entendimento. Impossibilidade contábil? Sim, isto mesmo, assim o vejamos. Admitase esteja a empresa a venderereceber, sem todavia fazer o registro de parte ou da totalidade dessa vendarecebimento. Obviamente, o dinheiro físico é desviado da empresa para o seu proprietário ou controlador. O proprietário ou controlador pode dar diversos destinos ao recurso que embolsou, digamos, viagens, mansões, fazendas, etc. Pode também devolver à empresa os recursos de caixa que dela desviou. E o faz por uma razão fundamental: a empresa necessita dos recursos justamente para pagar as duplicatas aos seus fornecedores. Recursos de caixa? Sim, os recursos de caixa, expressão fundamental da configuração do passivo fictício, assim o registro expresso do Decretolei n° 1.598/77. Vale mencionar que, anteriormente ao Decretolei 1.598/77, ainda em 1970, a CST – Coordenação do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal baixara o Parecer Normativo n° 214 (30.07.1970), explicitando que a «Importância tributada em poder da pessoa jurídica como "passivo fictício", em virtude de ação fiscal, pode ser considerada reserva livre para fins de aumento de capital», o que afasta de imediato o entendimento de que o valor presumidamente omitido fora também presumidamente distribuído. Evidente que um recurso de caixa encontrado DENTRO da empresa, justo porque a biópsia das suas entranhas demonstrara a existência da reserva de lucros formada por obrigações inexistentes, não pode ser considerado distribuído, exatamente porque encontrado dentro da empresa, ali mesmo, na empresa (pleonástico), girando dentro da empresa, sem qualquer distribuição; pelo contrário, em vez de distribuição, o aporte do seu valor pelo proprietário. Logo, repercutir o IRFonte sobre fato materialmente inexistente, inclusive do ponto de vista teórico, impossível de acontecer, porque os recursos foram utilizados no pagamento aos fornecedores equivale a cobrar tributo sob o formato do enriquecimento ilícito. Em seguida, a defesa passa a fazer uma análise do disposto no art. 12, § 3º, do DecretoLei nº 1.598/77, que trata da presunção legal de Suprimentos de Caixa efetuados por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia. Fl. 516DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10380.727157/201254 Resolução nº 1301000.217 S1C3T1 Fl. 517 9 Nesse sentido, conclui que, apenas para argumentar, seja dada a hipótese de, configurado o passivo fictício e/ou saldo credor de caixa, o contribuinte tem o direito ao arbitramento do lucro tributável da referida operação, na forma do § 3º do art. 12 do Decretolei n° 1.598/77. Sob que critérios? A legislação do Imposto de Renda dispõe de amplos critérios para segregar resultados, sem desprezar a escrita contábil. Exemplo: lucro da exploração, por atividades. Não seria, evidente, o caso de arbitrar todo o lucro, desprezando a escrita da empresa; mas apenas de segregar os «recursos de caixa fornecidos à empresa». Por que não o critério de 9,6% da empresa comercial/industrial, do critério geral de arbitramento, a incidir tãosó sobre os tais recursos de caixa fornecidos à empresa? DA COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL DO PASSIVO Afirma a impugnante que inexistiu qualquer passivo nãocomprovado. Existiu, sim, a efetiva dificuldade de administrar o fluxo de papéis à equipe fiscal. Considera que não é fácil levar papéis à autoridade lançamento em atividade externa, noutras empresas, noutros municípios, quando da intimação para comparecer à sede do Fisco. Tanto mais difícil ante a dificuldade de qualquer contato, seja pelo minguado expediente ao público (somente pela manhã, não antes das 09h nem depois das ll:30h); seja por conta das barreiras instransponíveis, crachás, senhas e agendamentos. Para evitar tais contratempos é que a lei estabelece a proibição de fiscalizar pela via postal. Alega que jamais recusou a apresentação de qualquer documento. Houve apenas o desencontro provocado pela infração, cometida pelo Fisco, da regra do art. 904 do RIR/99. Com estes esclarecimentos, eis a documentação das contas, comprovandoas: • Multiunião Comércio de Usinagem Ltda, anexo n° 1; • Premix Multiolefinas Comercial Ltda, anexo n° 2; • Banco Banrisul S. A., Banco Guanabara S. A. e Unibanco S. A., anexo n° 3. A discussão resumese, ante as comprovações, à recomposição do Caixa, valores antecipados (Duplicatas a Receber) e da conta Reciclar Recicladora de Plástico Ltda. A autoridade do lançamento agiu com absoluta correção na recomposição do saldo de Caixa; excluindo o valor dado como recebido, alocandoos de volta à medida do recebimento. O erro deuse apenas quando somou todos os saldos do mês, passando por cima da evidência de que se determinada parcela foi omitida como receita, mas tributada pelo Fisco, há de ser chamada ao Caixa, justamente porque permaneceu no giro da empresa, dentro da empresa, quitando os títulos da empresa. Mês/Ano Maior Saldo Parcela do Mês Saldo do Ano Jan/08 708.869,44 708.869,44 Fev/08 Mar/08 Abr/08 Mai/08 920.489,05 211.619,61 Jun/08 1.072.069,34 151.580,29 Jul/08 Fl. 517DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10380.727157/201254 Resolução nº 1301000.217 S1C3T1 Fl. 518 10 Ago/08 Set/08 Out/08 Nov/08 Dez/08 1.072.069,34 Jan/09 Fev Mar Abr Mai 1.840.130,12 768.060,78 Jun Jul Ago Set Out Nov Dez 768.060,78 Os valores acima, R$ 1.072.069,34 e R$ 768.060,78, para 2008 e 2009, constituem o resultado do "desprovimento de caixa", isto é, o efetivo saldocredor, na forma do art. 12, § 2º, do Decretolei n° 1.598/77, para o cálculo do IRPJ e da CSL, termo referencial de juros, jan/2009 e jan/2010, respectivamente. Quanto aos reflexos de PIS e Cofins, sim; os valores acima, base mensal, jan/08, R$ 708.869,44; mai/08, R$ fev/211.619,61; jun/08, R$ 151.580,29; mai/09, R$ 768.070,78. Para o IPI, não. Comprovarseá, no processo respectivo, inexiste previsão legal para levar a presunção do passivo fictício para o IPI. DO AGRAVAMENTO DA PENALIDADE Após mais uma vez fazer referência ao fato de que o lançamento estaria embasado em presunções, a defesa cita manifestação do STF no sentido de que não dá para levar alguém ao cárcere sob a presunção de que matou se não há sequer a certeza certa de que o "defunto" morreu. Por igual, na presunção da receita omitida com base na figura do passivo fictício, a lei elege uma presunção, que não pode ser tomada em sentido absoluto, posto que recursos outros podem ser oriundos de outras hipóteses, algumas até mais graves como o sequestro, o assalto, o roubo; ou, o mais comum e mais benigno, o socorro de amigos e familiares ou o tradicional empréstimo de agiotas. A lei exige para enquadrar o procedimento como tipo fiscal sujeito à penalidade agravada que o fato se enquadre numa destas três hipóteses, ou nas três, respectivamente artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Fl. 518DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10380.727157/201254 Resolução nº 1301000.217 S1C3T1 Fl. 519 11 Qualquer das hipóteses há de ficar cabalmente provada e comprovada. Nos autos, genericamente, apenas (fl. 23 do arquivo pdf): “Quanto às infrações correspondentes à omissão de receita (saldo credor de caixa, passivo fictício e depósitos bancários de origem não comprovada), a multa aplicada foi de 150% (cento e cinqüenta por cento), qualificada nos termos do art. 44, inciso I e § 19 da Lei 9.430/96, com redação dada pela Lei 11.488/2007, c/c art. 71 da Lei 4.502/64. Como ficou demonstrado, a empresa utilizou diversos artifícios para omitir o registro de suas vendas”. A impugnante chama a atenção para o detalhe de que a autoridade do lançamento não tipifica o procedimento em qualquer dos artigos (71, 72 ou 73); nem num, nem no outro, tanto assim que não se refere especificamente a nenhum deles, optando pela capitulação a granel, no que apenas repete a dicção do art. 40, I, § 1º, da Lei n° 9.430/96. E, como se assim fosse suficiente, maneja representação criminal, sem tipificar o crime. O art. 73, a complicar, tipifica o conluio. Não há nos autos qualquer notícia. A lei exige o tipopenal; melhor dizendo, exige, não apenas a suposição (presunção legal), mas a comprovação mesma do tipo, assim o vejamos: Súmula CARF n° 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Súmula CARF n° 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Atentese que até mesmo na hipótese de movimentação bancária estranha ao movimento da empresa (hipótese inexistente nos autos), o CARF só autoriza a multa agravada se houver a interposta pessoa, que não é o caso dos autos: Súmula CARF n° 34: Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. DAS DIFERENÇAS, VALORES LANÇADOS À vista da escrita fiscocontábil da empresa, a autoridade do lançamento encontrou diferenças a recolher. A objeção é apenas no sentido de que a impugnante tinha (e tem!) o direito aos vinte dias previstos no art. 47 da Lei n° 9.430/96 para quitar com multa de mora. Realmente, todos os dados apurados, foramno a partir da escrituração fisco contábil; mais exatamente, a partir dos livros fiscais da impugnante. Se o benefício alcançasse apenas os débitos lançados em DCTF, o dispositivo legal deixaria de ter qualquer sentido, posto que os débitos depois de lançados em DCTF saem do campo da multa de oficio. DOS PEDIDOS A impugnante pede que esta impugnação seja recebida em seu efeito suspensivo: (i) sejam aceitas as comprovações com base nos documentos anexados aos autos; Fl. 519DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10380.727157/201254 Resolução nº 1301000.217 S1C3T1 Fl. 520 12 (ii) seja recomposto o saldo de Caixa, como indicado em demonstrado específico; (iii) seja, nos termos do art. 12, parágrafo 3º, do Decretolei n° 1.598/77, arbitrado o lucro da presumida omissão de receitas, com manutenção porém da escrita da empresa e do seu regime de lucro real; (iv) seja desclassificada a penalidade típica de fraude, sonegação ou conluio, de 150% para 75%, com o consequente arquivamento da Representação para Fins Penais, processo n° 10380.727161/201212; (v) seja reaberto prazo para pagar as diferenças dos valores lançados na escrita fiscocontábil com o benefício do art. 47 da Lei n° 9.430/96; (vi) Pede, enfim, a insubsistência do auto de infração. Analisando a matéria, esta turma de julgamento decidiu pela conversão do julgamento em diligência, Resolução nº 2.427, de 21/11/2012, fls. 404/416, para que: a) verifique a idoneidade dos documentos às fls. 170/401; b) caso sejam idôneos, apure os reflexos que tais dados terão na apuração das infrações de que trata o presente litígio Em atenção, foi anexado ao presente o Relatório Fiscal – Diligência, fls. 418/420. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza, Ceará, apreciando as razões trazidas pela defesa inaugural e a informação produzida pela diligência fiscal realizada, decidiu, por meio do acórdão nº 0826.075, de 02 de agosto de 2013, pela procedência parcial dos lançamentos tributários. O referido julgado restou assim ementado: PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante provas hábeis e idôneas. PASSIVO FICTÍCIO. No caso de presunção de omissão de receita com base em passivo fictício, relevante é perquirir a origem, fonte ou procedência dos recursos utilizados para cumprimento das obrigações. Tendo o contribuinte comprovado parte das obrigações no seu passivo, deve ser cancelada a cobrança correspondente. OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. O fato de a escrituração indicar saldo credor de caixa autoriza presunção de omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os depósitos em contacorrente da empresa cujas operações que lhes deram origem restem incomprovadas presumemse advindos de transações realizadas à margem da contabilidade. ARBITRAMENTO DO LUCRO. DESCABIMENTO. Fl. 520DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10380.727157/201254 Resolução nº 1301000.217 S1C3T1 Fl. 521 13 Descabida a solicitação para o arbitramento da receita omitida, quando não verificadas as situações configuradoras previstas na legislação vigente. MULTA QUALIFICADA. Aplicável a multa de ofício qualificada quando constatada a intenção deliberada do contribuinte em obter benefícios em matéria tributária mediante uma série de práticas contábeis com o objetivo específico de ocultar a ocorrência dos fatos geradores de tributos. LANÇAMENTO. FALTA DE COMUNICAÇÃO DO DIREITO AO PRAZO PREVISTO NO ART. 47 DA LEI Nº 9.430/1996. O permissivo legal para pagamento até o vigésimo dia subseqüente à data de recebimento do termo de início de fiscalização, com acréscimos legais aplicáveis aos casos de procedimento espontâneo, é auto aplicável e abrange somente os tributos já declarados pelo contribuinte. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase às exigências ditas reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. Diante da exoneração de parte do crédito tributário constituído, eis que acolheu a conclusão trazida por meio da diligência fiscal no sentido de que alguns passivos restaram comprovados, a autoridade julgadora de primeira instância recorreu de ofício. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 2.108/2.140, em que, renovando a argumentação expendida na peça impugnatória, adita que houve violação ao princípio da unidade processual, eis que o presente processo foi julgado por unidade distinta da que julgou o de nº 10830.727160/201278, que trata da mesma matéria. Alega que documentos entregues à unidade administrativa responsável pelo lançamento não foram juntados aos autos, e, atacando a numeração das folhas do processo, tece considerações acerca de uma denominada NÃO INTEGRIDADE PROCESSUAL. É o Relatório. Fl. 521DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10380.727157/201254 Resolução nº 1301000.217 S1C3T1 Fl. 522 14 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço dos apelos. Cuida o presente de exigência de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS, relativas aos anoscalendário de 2008 e 2009. À contribuinte fiscalizada foram imputadas as seguintes infrações: i) omissão de receitas, caracterizada por saldo credor de Caixa; ii) omissão de receitas, caracterizada por passivo fictício; iii) omissão de receitas decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada; e iv) insuficiência de recolhimento de PIS e de COFINS. Os lançamentos tributários relativos ao PIS e à COFINS alcançaram os valores devidos em decorrência das omissões de receita apuradas (REFLEXOS) e as insuficiências de recolhimento detectadas. Para fins de determinação das referidas insuficiências de recolhimento das contribuições (PIS e COFINS), a autoridade fiscal apurou os valores devidos com base na contabilidade (receitas escrituradas) e nas notas fiscais apresentadas (créditos), e os confrontou com o declarado em DCTF. Observo, pois, que as infrações indicadas como INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA PADRÃO – INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO, apontadas como infração 1 nas peças acusatórias de fls. 24/63, têm natureza autônoma, isto é, não estão lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ. Assim, tratandose de infrações de natureza autônoma, escapa à competência desta Turma Ordinária processar e julgar o recurso voluntário da decisão de primeira instância, eis que não alcançadas pelo disposto inciso IV do art. 2º do Regimento Interno (ANEXO II). Diante do exposto, conduzo meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a unidade administrativa de origem aparte dos autos a infração identificada como INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA PADRÃO – INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO (infração 1 das peças acusatórias de fls. 24/63), encaminhando as peças pertinentes em processo próprio à Terceira Seção deste Colegiado, e, posteriormente, retorne os presentes autos a esta Turma Ordinária para prosseguimento da apreciação da lide. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 522DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES
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Numero do processo: 10768.032569/95-32
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1994
ITR. ÁREA EFETIVAMENTE UTILIZADA.
Comprovado nos autos a área efetivamente utilizada pelo contribuinte, há que se acatar a pretensão do recorrente, devendo esta ser considerada no relatório que serviu de base para a emissão da notificação de lançamento, para fins de apuração do ITR e contribuições devidos na DITR/1994.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2802-003.202
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Vinicius Magni Verçosa, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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ÁREA EFETIVAMENTE UTILIZADA. Comprovado nos autos a área efetivamente utilizada pelo contribuinte, há que se acatar a pretensão do recorrente, devendo esta ser considerada no relatório que serviu de base para a emissão da notificação de lançamento, para fins de apuração do ITR e contribuições devidos na DITR/1994. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Vinicius Magni Verçosa, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 03 25 69 /9 5- 32 Fl. 184DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Tratase de recurso voluntário interposto, em 08/10/2012, contra a decisão proferida pelo Acórdão nº 2.785, de 31/10/2002, fls. 145 a 149, cuja ciência foi dada ao contribuinte em 11/09/2012, diante do fato de o julgamento ter considerado procedente o lançamento consubstanciado na Notificação de Lançamento, fls. 29 (fls. 31 do processo digitalizado), a qual que exige o recolhimento do Imposto sobre a Propriedade Rural – ITR e contribuições, relativo ao exercício de 1994. A questão discutida pelo recorrente envolve a inclusão da área de 592 ha, referentes a dois projetos, aprovados pelo IBAMA em 10/05/1991 e que alega estariam em execução à época. O efeito de tal inclusão interferiria diretamente o sobre o cálculo do grau de utilização da terra – GUT que de 21,1% passaria para 85,0%, com consequente redução da alíquota do imposto aplicada (1,9%) para 1,2%. Aduz o recorrente, ainda, que o formulário padrão do INCRA deveria ter sido devidamente analisado pela decisão recorrida, por ser mais detalhado que o do ITR e expressar a realidade da área utilizada que serviu de base para a apuração do GUT. É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Pretende o recorrente que seja revisto o grau de utilização da terra alterando seu cálculo de 21,1% para 85,07%, uma vez que entende que à área então considerada (195,1 ha) deveria ser acrescida a parte que alega ter sido utilizada à época para a extração de madeira, equivalente 592 ha. Ou seja, pretende o recorrente que a área efetivamente utilizada seja equivalente a 787,1 ha. O assunto encontrase regulamentado à época pela Lei nº 9.393, de 1996, nos seguintes termos. Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou Fl. 185DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10768.032569/9532 Acórdão n.º 2802003.202 S2TE02 Fl. 185 3 estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; III VTNt, o valor da terra nua tributável, obtido pela multiplicação do VTN pelo quociente entre a área tributável e a área total; IV área aproveitável, a que for passível de exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, excluídas as áreas: a) ocupadas por benfeitorias úteis e necessárias; b) de que tratam as alíneas "a", "b" e "c" do inciso II; V área efetivamente utilizada, a porção do imóvel que no ano anterior tenha: a) sido plantada com produtos vegetais; b) servido de pastagem, nativa ou plantada, observados índices de lotação por zona de pecuária; c) sido objeto de exploração extrativa, observados os índices de rendimento por produto e a legislação ambiental; d) servido para exploração de atividades granjeira e aqüícola; e) sido o objeto de implantação de projeto técnico, nos termos do art. 7º da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993; VI Grau de Utilização GU, a relação percentual entre a área efetivamente utilizada e a área aproveitável. § 2º As informações que permitam determinar o GU deverão constar do DIAT. (...) § 5º Na hipótese de que trata a alínea "c" do inciso V do § 1º, será considerada a área total objeto de plano de manejo sustentado, desde que aprovado pelo órgão competente, e cujo cronograma esteja sendo cumprido pelo contribuinte. (...) Valor do Imposto Art. 11. O valor do imposto será apurado aplicandose sobre o Valor da Terra Nua Tributável VTNt a alíquota correspondente, prevista no Anexo desta Lei, considerados a área total do imóvel e o Grau de Utilização GU. (...)” Fl. 186DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Examinado a impugnação, a decisão recorrida concluiu que: O cálculo do grau de utilização da terra GUT, constante da notificação de lançamento do ITR/94, de fl. 29, e do "elementos de cálculo", de fl. 128, foram efetuados de acordo com os dados apresentados pelo Contribuinte, em sua declaração do ITR/94, de fl. 68 e, ainda, as normas contidas na Instrução Especial INCRA n° 19, de 28 de maio de 1980. Do exame da citada declaração de ITR/94 (DITR/1994), fls. 68 (fls. 74 do processo digitalizado), constatase que as áreas de pecuária e de cultura vegetal foram consignadas pelo contribuinte em valores equivalentes a 170,1 ha e 749 ha, respectivamente. Por sua vez, verificase do relatório “ELEMENTOS DE CÁLCULO”, mencionado pela decisão recorrida, fls. 128 (fls. 143 do processo digitalizado), que tais áreas constam registradas nos valores de 170,1 ha e 25,0 ha, respectivamente, totalizando como área efetivamente utilizada o montante de 195,1 ha. Diante destas constatações concluise que, diversamente do informado pela decisão recorrida, o Grau de Utilização da Terra GUT, constante da notificação de lançamento do ITR/94, fls. 29 (fls. 31 do processo digitalizado) não foi apurado tendo por base os dados apresentados pelo contribuinte em sua DITR/1994, haja vista que a área declarada como representativa da cultura vegetal restou inferior à declarada. O contribuinte durante o trâmite processual trouxe aos autos diversos documentos com o intuito de respaldar sua alegação de que faltou ao lançamento considerar a área de 592 ha correspondente a dois projetos aprovados pelo IBAMA em 26/02/91 (Manejo Sustentado em 300 ha N. 1893/91 e Exploração em 292 ha N. 1847/91, conforme certidões que anexa). Portanto, comprovado nos autos a área efetivamente utilizada pelo contribuinte, há que se acatar a pretensão do recorrente, devendo ser considerados no relatório denominado “ELEMENTOS DE CÁLCULO”, fls. 143/144 do processo digitalizado, os seguintes dados pleiteados pelo recorrente para fins de apuração do ITR e contribuições devidos na DITR/1994: a) área utilizada de 787,1 ha (setecentos e oitenta e sete vírgula um hectares); b) alíquota calculada 1,2% (um vírgula dois por cento), e; c) GUT equivalente a 85,07% (oitenta e cinco vírgula sete por cento). Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 187DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 23034.034087/2004-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/12/1995 a 30/06/2004
RECURSO INTEMPESTIVO
Recurso voluntário não conhecido por falta de requisitos de admissibilidade, já que interposto intempestivamente.Art. 126, da Lei n(8.213/91, combinado com artigo 305, parágrafo 1( do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.(3048/99.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2302-003.408
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso voluntário, pela intempestividade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Fábio Pallaretti Calcini, André Luís Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Wilson Antonio de Souza Correa.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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Recurso Voluntário Não Conhecido Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso voluntário, pela intempestividade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Fábio Pallaretti Calcini, André Luís Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Wilson Antonio de Souza Correa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 23 03 4. 03 40 87 /2 00 4- 69 Fl. 301DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Relatório O presente processo referese à Notificação para Recolhimento de Débito – NRD n.º 215/2005, lavrada pelo Ministério da Educação em 20/12/2005 e cientificada ao sujeito passivo em 29/12/2005, através de registro postal, fls.135, referente às contribuições devidas ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. De acordo com o constante da Informação n.º 404/2005 – COARC, fls. 121/123 dos autos, o contribuinte sofreu inspeção dos técnicos da Coordenação Geral de Arrecadação de Cobrança e Inspeção – CGAGI, fls. 02/114, onde foi apurado débito de salário educação nas competências 12/1995 a 06/2004, por irregularidade nos recolhimentos e/ou na aplicação de recursos do Sistema de Manutenção do Ensino Fundamental. A entidade apresentou defesa tempestiva alegando a nulidade Notificação devido à falta de cumprimento de requisitos formais para a constituição do crédito, a decadência até 12/2000 e a correção dos recolhimentos efetuados. Com e edição da Lei n.º 11.457, de 16/03/2007, o FNDE transferiu o processo para a Secretaria da Receita Federal do Brasil, o qual foi julgado em primeira instância pela DRJ/RFB de Salvador/BA, que pugnou pela procedência em parte do lançamento, para aplicar o artigo 150,§ 4º do Código Tributário Nacional e excluir da notificação as competências até 11/2000, inclusive. A ciência do Acórdão se deu através de email endereçado ao contribuinte que optou pelo Domicílio Tributário Eletrônico (DTE). A adesão ao DTE permite que sua Caixa Postal no eCAC também seja considerada seu Domicílio Tributário perante a Administração Tributária Federal. Assim, conforme consta dos autos, fls. 277, o Acórdão foi disponibilizado na Caixa Postal em 24/10/2012. Como o contribuinte não procedeu a abertura dos documentos, conforme as regras estabelecidas quando da opção pelo DTE, temse que a ciência lhe foi dada por decurso de prazo de 15 dias a contar da disponibilização, ou seja, em 08/11/2012. Inconformado com a decisão, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese: a) a tempestividade do recurso, porque tomou ciência do Acórdão em 20/11/2012; b) a nulidade da NRD porque não foi cumprido o artigo 293, do Decreto n.º 3.048/1999, já que não houve a determinação específica dos dispositivos legais tidos como violados, impossibilitando a ampla defesa da recorrente; c) que não consta a matrícula do coordenador geral de arrecadação, de cobrança e de inspeção o que importa em flagrante nulidade; Fl. 302DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 23034.034087/200469 Acórdão n.º 2302003.408 S2C3T2 Fl. 305 3 d) que os valores apresentados pela fiscalização são desconexos em relação ao montante recolhido. Requer a nulidade do auto de infração, devendo ser julgado insubsistente, ou reconhecida a correção dos recolhimentos, conforme os documentos anexados aos autos. É o relatório. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora DA ADMISSIBILIDADE O recurso é INTEMPESTIVO, razão pela qual dele não se deve tomar conhecimento. Cientificado o sujeito passivo do Acórdão de fls. 263/273, em 08/11/2012, fls.277, através da disponibilização dos documentos na Caixa Postal, Modulo eCAC do Site da Receita Federal.o prazo para interposição de recurso, que é de 30 (trinta) dias, conforme o art. 126, caput, da Lei n.º 8.213/91, combinado com o art. 305, § 1º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, iniciou em 09/11/2012, fruindo até 10/12/2012. Entretanto, o recurso foi interposto apenas em 19/12/2012, conforme protocolo de fls.287, configurandose sua intempestividade. Lei n° 8213/91 Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) Regulamento da Previdência Social/ Decreto n° 3.048/99 Art.305. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social e da Secretaria da Receita Previdenciária nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social, respectivamente, caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), conforme o disposto neste Regulamento e no Regimento do CRPS. (Alterado pelo Decreto nº 6.032 de 1º/2/2007 DOU DE 2/2/2007) § 1º É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 9/06/2003) A recorrente alega que o recurso é tempestivo porque tomou ciência do Acórdão de primeira instância em 20/11/2012. Todavia, é de se ver que em tal data o contribuinte abriu os arquivos que lhe foram enviados para o Domicílio Tributário Eletrônico DTE, mas tal procedimento não significa que a ciência dos documentos pela abertura dos arquivos se deu no prazo legal concedido. A adesão do contribuinte ao DTE permite que sua Caixa Postal no eCAC também seja considerada seu Domicílio Tributário perante a Administração Tributária Federal. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 23034.034087/200469 Acórdão n.º 2302003.408 S2C3T2 Fl. 306 5 É considerado domicilio tributário do sujeito passivo o endereço postal do seu cadastro junto à administração tributária ou o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, autorizado pelo sujeito passivo, na forma do artigo 23, §4º, do Decreto 70.235/72: § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Conforme consta das fls. 277, o Acórdão foi disponibilizado na Caixa Postal do contribuinte em 24/10/2012. Como o contribuinte não procedeu a abertura dos documentos, conforme as regras estabelecidas quando da opção pelo DTE, temse que a ciência lhe foi dada por decurso de prazo de 15 dias a contar da disponibilização, ou seja, em 08/11/2012. A Portaria nº 259 de 13 de março de 2006, que dispõe sobre a prática de atos e termos processuais de forma eletrônica, no âmbito da Secretaria da Receita Federal, com as alterações promovidas pela Portaria RFB n.º 574, de 10 de fevereiro de 2009, traz no seu artigo 4º, inciso I, que a intimação por meio eletrônico será efetuada pela Receita Federal do Brasil mediante o envio ao domicílio tributário do sujeito passivo. E, o parágrafo 1º do mesmo artigo 4º, diz que considerase domicilio tributário do sujeito passivo a Caixa Postal a ele atribuída pela administração tributária e disponibilizada no eCAC, desde que o sujeito passivo o autorize. A autorização se dá mediante envio pelo sujeito passivo à Receita Federal do Brasil de Termo de Opção, por meio do eCAC, e neste momento lhe são informadas as normas e condições de utilização e manutenção do seu endereço eletrônico (parágrafo 2º, do artigo 4º, da Portaria RFB n.º 259/2006, com a redação da Portaria n.º 574/2009). Seguem as transcrições: Portaria RFB n.º 259/2006 Art. 4° A intimação por meio eletrônico, com prova de recebimento, será efetuada pela RFB mediante: ( Redação dada pela Portaria RFB n° 574, de 10 de fevereiro de 2009 ) I envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou II registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § 1º Para efeito do disposto no inciso I, considerase domicílio tributário do sujeito passivo a Caixa Postal a ele atribuída pela administração tributária e disponibilizada no eCAC, desde que o sujeito passivo expressamente o autorize. § 2° A autorização a que se refere o § 1° darseá mediante envio pelo sujeito passivo à RFB de Termo de Opção, por meio do eCAC, sendolhe informadas as normas e condições de Fl. 305DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 utilização e manutenção de seu endereço eletrônico. (Redação dada pela Portaria RFB n° 574, de 10 de fevereiro de 2009 ) Desta forma, o Acórdão de 1ª Instância foi disponibilizado na Caixa Postal do contribuinte, em 24/10/2012. O endereço foi por ele autorizado e lhe foi cientificado no ato, ou seja, quando do envio do Termo de Opção, de todas as normas e condições de utilização e manutenção do seu endereço eletrônico. Ao optar pelo “DTE”, o contribuinte se sujeita às regras estabelecidas pela Receita Federal do Brasil quanto às condições de uso do ambiente virtual que permite as intimações processuais. O artigo 6º, inciso I da Portaria RFB n.º 259/2006, traz que considerase feita a intimação por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo Art. 6º Considerase feita a intimação por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data: I registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo, no caso do inciso I do art. 4º; II registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo, no caso do inciso II do art. 4º; ou III de publicação do edital, se este for o meio utilizado. Como o contribuinte não procedeu a abertura dos documentos, conforme as regras estabelecidas quando da opção pelo DTE, temse que a ciência lhe foi dada por decurso de prazo de 15 dias a contar da disponibilização, em 24/10/2012, ou seja, em 08/11/2012. Entretanto, o recurso foi interposto apenas em 19/12/2012, conforme protocolo de fls.287, configurandose sua intempestividade. Por todo o exposto e considerando o artigo 35, do Decreto n°70.235/72, que dispõe: “Art. 35. O recurso , mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção.” Voto por não conhecer o recurso, por falta de requisito para sua admissibilidade, mantendo a decisão de primeira instância proferida. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 306DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 23034.034087/200469 Acórdão n.º 2302003.408 S2C3T2 Fl. 307 7 Fl. 307DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 11516.720693/2011-28
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 01/01/2009
O CONTRIBUINTE PEDIU A DESISTÊNCIA DO RECURSO VOLUNTÁRIO APRESENTADO. INFORMOU TER QUITADO PARTE DO CRÉDITO E PARCELADO O RESTANTE.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2803-003.580
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão da desistência do recorrente.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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Recorrente COOPERATIVA AEROTÁXI DOS MOTORISTA PROFISSIONAIS PROPIETÁRIOS DE TÁXI AEROPORTO INTERNACIONAL HERCÍLO LUZ. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 01/01/2009 O CONTRIBUINTE PEDIU A DESISTÊNCIA DO RECURSO VOLUNTÁRIO APRESENTADO. INFORMOU TER QUITADO PARTE DO CRÉDITO E PARCELADO O RESTANTE. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão da desistência do recorrente. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 06 93 /2 01 1- 28 Fl. 1078DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11516.720693/201128 Acórdão n.º 2803003.580 S2TE03 Fl. 1.079 2 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP DEBCAD 37.308.8450, que objetiva o lançamento da contribuição social previdenciária, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da categoria de contribuintes individuais, bem como o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP DEBCAD 37.308.8469, que objetiva o lançamento da contribuição para outras entidades e fundos terceiros, e, ainda, o Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA DEBCAD 37.325.0363, deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, I, combinado com o art. 225, I e parágrafo 9º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. Para órgão gestor de mãodeobra, referente ao trabalhador portuário avulso: Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, I, combinado com o art. 225, I e parágrafos 10, 11 e 12, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, bem assim o Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA DEBCAD 37.325.0371, deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, II, combinado com o art. 225, II, e parágrafos 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, como também, o Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA DEBCAD 37.325.0380, deixar a empresa, o segurado da previdência social, o serventuário da justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o síndico ou seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei n. 8.212, de 24.07.91, ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira, conforme previsto no art. 33, parágrafos 2. e 3. da referida Lei, com a redação da MP 449, de 03.12/2008, combinado com o artigo 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, assim como, o Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA DEBCAD 37.325.0398, deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 30, inciso I, alínea "a", e/ou dos segurados contribuintes individuais, conforme o disposto na Lei n. 10.666, de 08.05.03, art. 4., "caput" e no Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 216, inciso I, alínea "a", conforme Relatório Fiscal do Processo Administrativo Fiscal – PAF, de fls. 67 a 85, com período de apuração de 01/2007 a 12/2008, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 58 e 59. O sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 29/06/2011, conforme Folha de Rosto dos Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, de fls. 05; 13, bem como da Folha de Rosto dos Autos de Infração de Obrigação Acessória – AIOA, de fls. 21; 22; 23 e 24. Fl. 1079DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11516.720693/201128 Acórdão n.º 2803003.580 S2TE03 Fl. 1.080 3 O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, petição com razões impugnatórias, acostada, as fls. 182 a 202; 322 a 336; 456 a 473; 583 a 603; 713 a 723 e 881 a 891, recebidas, em 28/07/2011, estando acompanhada dos documentos, de fls. 203 a 321; 337 a 455; 474 a 582; 604 a 712; 724 a 880 e 892 a 1.000. As impugnações foram consideradas tempestivas, fls. 1.001 e 1.008. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0127.474 5ª, Turma da DRJ/BEL, em 17/10/2013, fls. 1.010 a 1.24. As impugnações foram consideradas improcedentes. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 25/11/2013, conforme AR, de fls. 1.027. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição com razões recursais, as fls. 1.029 a 1.057, recebida, em 23/12/2013, conforme carimbo, de fls. 1.029, acompanhada dos documentos, de fls. 1.058 a 1.074. As razões recursais não serão sumariadas, o que se explicará no voto. A autoridade preparadora reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 1.076. Os autos foram remetidos ao CARF, despacho de fls. 1.076. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 20/03/2014, fls. 1.077, Lote 01. Consta dos autos no eprocesso pedido de apensação de petição de desistência do recurso, recebida pelo CAC – DRFFNS, em 22/01/2014. Contudo, não promovi a aceitação da petição no sistema por falta de autenticação do referido documento. Todavia, a citada petição informa que o contribuinte quitou os débitos relativos aos DEBCAD’s 37.308.8469; 37.325.0363; 37.325.0371; 37.325.0380; 37.325.0398, bem como informa que parcelou o débito referente ao DEBCAD 37.308.8450, é inequívoca nos autos a manifestação do contribuinte em pedir a desistência do recurso. É o Relatório. Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11516.720693/201128 Acórdão n.º 2803003.580 S2TE03 Fl. 1.081 4 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele mereceria ser apreciado. Ocorre, entretanto, que como esclarecido no relatório a empresa pediu desistência do recurso voluntário, informando que quitou cinco dos débitos e pediu a inclusão do último remanescente no parcelamento da Lei 11.941/2009, reaberto pela Lei 12.856/2013, dessa forma com supedâneo no artigo 78, parágrafos 1º, 2º e 3º, da Portaria MF 256/2009 Regimento Interno do CARF o recurso não comporta julgamento. Assim com esses esclarecimentos e em razão do pedido de desistência, devido ao pagamento de parte do crédito e do parcelamento do restante, não há razão para conhecer do recurso. Não cabe a esse órgão julgador colegiado pronunciarse sobre pedido de declaração de extinção de crédito pelo pagamento e de determinação da suspensão da exigibilidade em razão de parcelamento, pois tais situações não se incluem na competência dessa instância. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo não conhecimento do recurso, tendo em vista ter havido pedido de desistência, que informa o pagamento de parte do crédito e do parcelamento da parte sobejante. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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