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Numero do processo: 10120.911217/2011-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO / DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
ERRO DE FATO.
O erro de fato, via de regra, é facilmente perceptível, e fica caracterizado quando se verifica que o interessado preencheu o documento em desconformidade com a sua intenção original, hipótese inocorrente no caso.
PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO.
O regramento estabelecido pelo artigo 3o da Lei Complementar no 118/2005 aplica-se somente aos pedidos de restituição formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005 (STF/RE 566.621/RS, sessão de 04/08/2011, DJ 11/10/2011). No caso de pedidos de restituição formalizados antes daquela data, aplica-se o prazo de dez anos com termo inicial na data do fato gerador do indébito, conforme entendimento consolidado no STJ e na Súmula CARF nº 91.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ANTECEDENTE.
A DCOMP - Declaração de Compensação não veicula pedido de restituição de indébito. No limite, consubstancia pedido de repetição (indireto) apenas no tocante ao valor do débito fiscal indicado no encontro de contas. Se inexistente o antecedente pedido de restituição, a apresentação da DCOMP deve observar o prazo de cinco anos a que alude o artigo 168, I, do CTN, sob pena de não homologação do encontro de contas por inexistência do direito crédito, ante a sua caducidade.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 1201-001.370
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Documento assinado digitalmente.
Marcelo Cuba Netto - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO / DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. ERRO DE FATO. O erro de fato, via de regra, é facilmente perceptível, e fica caracterizado quando se verifica que o interessado preencheu o documento em desconformidade com a sua intenção original, hipótese inocorrente no caso. PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O regramento estabelecido pelo artigo 3o da Lei Complementar no 118/2005 aplica-se somente aos pedidos de restituição formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005 (STF/RE 566.621/RS, sessão de 04/08/2011, DJ 11/10/2011). No caso de pedidos de restituição formalizados antes daquela data, aplica-se o prazo de dez anos com termo inicial na data do fato gerador do indébito, conforme entendimento consolidado no STJ e na Súmula CARF nº 91. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ANTECEDENTE. A DCOMP - Declaração de Compensação não veicula pedido de restituição de indébito. No limite, consubstancia pedido de repetição (indireto) apenas no tocante ao valor do débito fiscal indicado no encontro de contas. Se inexistente o antecedente pedido de restituição, a apresentação da DCOMP deve observar o prazo de cinco anos a que alude o artigo 168, I, do CTN, sob pena de não homologação do encontro de contas por inexistência do direito crédito, ante a sua caducidade. Recurso voluntário negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Documento assinado digitalmente. Marcelo Cuba Netto - Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa.
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SALDO NEGATIVO DE CSLL. Recorrente NAVESA NACIONAL DE VEÍCULOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 PERÍCIA. SOLICITAÇÃO INDEFERIDA. Perícias e diligências são instrumentos postos à disposição do julgador para auxiliálo na formação do seu livre convencimento, se entendêlas necessárias ou imprescindíveis para a elucidação de pontos duvidosos. O pressuposto para realização de perícia é a insuficiência de conhecimento técnico do julgador a respeito de algum elemento que compõe o litígio, o que não ocorre no caso concreto. DESPACHO DECISÓRIO. INTIMAÇÃO PRÉVIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se a repartição já dispõe de todos os elementos necessários para decidir sobre a homologação ou não da compensação, nenhum óbice há para que a autoridade fiscal profira a sua decisão. Não há na lei comando que obrigue a autoridade fiscal a efetuar prévia intimação do contribuinte antes da prolação do despacho decisório. Não é nulo o despacho do qual constem claramente as razões da não homologação da compensação pretendida. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO / DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. ERRO DE FATO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 91 12 17 /2 01 1- 03 Fl. 442DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10120.911217/201103 Acórdão n.º 1201001.370 S1C2T1 Fl. 3 2 O erro de fato, via de regra, é facilmente perceptível, e fica caracterizado quando se verifica que o interessado preencheu o documento em desconformidade com a sua intenção original, hipótese inocorrente no caso. PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O regramento estabelecido pelo artigo 3o da Lei Complementar no 118/2005 aplicase somente aos pedidos de restituição formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005 (STF/RE 566.621/RS, sessão de 04/08/2011, DJ 11/10/2011). No caso de pedidos de restituição formalizados antes daquela data, aplicase o prazo de dez anos com termo inicial na data do fato gerador do indébito, conforme entendimento consolidado no STJ e na Súmula CARF nº 91. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ANTECEDENTE. A DCOMP Declaração de Compensação não veicula pedido de restituição de indébito. No limite, consubstancia pedido de repetição (indireto) apenas no tocante ao valor do débito fiscal indicado no encontro de contas. Se inexistente o antecedente pedido de restituição, a apresentação da DCOMP deve observar o prazo de cinco anos a que alude o artigo 168, I, do CTN, sob pena de não homologação do encontro de contas por inexistência do direito crédito, ante a sua caducidade. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Documento assinado digitalmente. Marcelo Cuba Netto Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa. Relatório Fl. 443DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10120.911217/201103 Acórdão n.º 1201001.370 S1C2T1 Fl. 4 3 Tratase de recurso voluntário interposto por NAVESA NACIONAL DE VEÍCULOS LTDA, contra acórdão proferido pela 4ª Turma de Julgamento da DRJ/Brasília DF, cuja ementa a seguir se transcreve: “Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL Anocalendário: 2002 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido.” O caso foi assim relatado pela autoridade julgadora a quo: “Tratam os autos de Declarações de Compensação transmitidas eletronicamente com base em créditos decorrentes de saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (exercício 2003 01/ 01/2002 a 31/12/2002). Analisadas as informações prestadas e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação do imposto devido e a apuração do saldo negativo, não ficou demonstrada a existência de crédito suficiente para ser utilizado na compensação integral dos débitos confessados na Declaração de Compensação. Assim, em 01/11/2011, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 394), cuja decisão homologou o PER/DCOMP no 37868.93372.311007.1.3.039907 e não homologou o PER/DCOMP nos 31215.73053.010908.1.3.030616, em razão da não comprovação das parcelas de retenções na fonte e das estimativas compensadas com saldo negativo de períodos anteriores. O valor do principal correspondente aos débitos informados é de R$ 385.728,92. A Informação Fiscal emitida pela Delegacia de Goiânia, parte do processo nº 10120.726779/201145, apensado aos presentes autos, esclarece que a análise do PER/DCOMP nº 37868.93372.311007.1.3.039907 foi iniciada eletronicamente, porém, a validação de parte do crédito pleiteado foi direcionada pelo Sistema de Controle de Crédito – SCC para análise do usuário, tendo sido detectadas inconsistências referentes às antecipações das “retenções na fonte, pagamentos e débitos de estimativas compensadas. A análise feita chegou às seguinte conclusões: Fl. 444DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10120.911217/201103 Acórdão n.º 1201001.370 S1C2T1 Fl. 5 4 • retenções na fonte: a retenção na fonte de R$ 573,40 não foi confirmada em razão da inexistência de tal informação na DIRF da fonte pagadora; • pagamentos: foram confirmados parcialmente, tendo sido sendo identificados pagamentos no montante, em valores principais, de R$ 34.020,00; • débito de estimativa compensada: a análise dos valores de demais estimativas compensadas sem processo foi realizada mediante pesquisa no sistema Sief–Fiscalização Eletrônica, sendo localizados valores de estimativas de CSLL confessadas em DCTF relativas aos meses de Janeiro/2002 a Abril/2002, mediante utilização do Saldo Negativo da CSLL do Anocalendário 2001, cujo montante, em valores principais, é de R$ 150.824,20. Tais estimativas são distintas daquela informada na DCOMP (CSLL – Dezembro/2002 – R$ 451.643,24), no entanto, foram consideradas para fins de cálculo do saldo Negativo de CSLL – Ano calendário 2002, com a observação de que remanesceu o valor de R$ 300.809,04, que não foi confirmado em razão da inexistência de tal valor em DCTF ou em DCOMP, que são documentos legais para confissão de dívida de tributos e contribuições federais. Cientificado, via postal, dessa decisão em 24/11/2011 (fl. 405), bem como da cobrança dos débitos declarados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 26/12/2011, manifestação de inconformidade às fls. 2 a 18, acrescida de documentação anexa. Em síntese, a contribuinte alega: a) Nulidade do Despacho Decisório. Ausência de Fundamentação. Afronta ao art. 93, inciso IX da Constituição Federal. Cerceamento do direito de Defesa. Alega que a autoridade fiscal teria deixado de justificar, de modo preciso e livre de qualquer margem de dúvidas, o motivo pelo qual a compensação não foi homologada. Desse modo, a interessada não teria condições mínimas de expor sua contrariedade contra o ato, o que implicaria cerceamento do seu direito de defesa, circunstância passível de nulidade. Para ilustrar sua argumentação, apresenta jurisprudência administrativa, cita doutrinadores e a fundamentação legal que entende pertinente; b) Nulidade do Despacho Decisório. Vício Formal. Necessidade de Intimação Prévia. Alega que a autoridade preferiu não homologar a compensação, ao invés de intimar a interessada para esclarecer ocorrido, nos termos do art. 65 da IN RFB nº 900, de 2008. Cita princípios constitucionais, doutrinadores e jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes. c) Mérito. Faz considerações sobre a sistemática de apuração saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL e esclarece que, no caso específico, o crédito teria sido constituído a partir do ano calendário 2002. Apresenta quadro demonstrativo da constituição do crédito. Enfatiza que, de fato, o crédito existe, e que eventual erro formal não pode prejudicálo na fruição de seu direito. Cita jurisprudência administrativa para ilustrar sua argumentação. Trata, ainda, da aplicação da “tese dos 5+5”, no caso de ser alegada a decadência do direito de pleitear administrativamente a compensação de crédito auferido neste período. Ressalta que o Fisco dispõe do prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, para homologar o pagamento antecipado pelo sujeito passivo. Desse modo, à falta de homologação, a decadência do direito de repetir o indébito tributário ocorreria somente depois de 5 anos, desde a ocorrência do fato gerador, acrescido de Fl. 445DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10120.911217/201103 Acórdão n.º 1201001.370 S1C2T1 Fl. 6 5 outros cinco anos, contados do termo final do prazo deferido ao Fisco para apuração do tributo devido – homologação. d) Pedido de Perícia. Requer que seja realizada perícia contábil a fim de se confirmar a existência e liquidez dos créditos em questão. Propõe que sejam respondidos os seguintes questionamentos: 1) Qual o valor do saldo negativo de CSLL detido pela contribuinte nos seguintes anoscalendários: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 e 2007; 2) Do saldo negativo apurado, qual o montante já utilizado? O que sobejou?; 3) Qual do valor atual do saldo negativo de CSLL detido pela contribuinte?; 4) A forma de apuração e aproveitamento utilizada pela contribuinte condiz com a legislação relativa à matéria? Caso negativo, tal circunstância tem o condão de descaracterizar a existência do crédito? Indica o Sr. José Elias da Silva, inscrito no CRC/GO sob o nº 0075558/0, estabelecido profissionalmente na Avenida Pires Fernandes, nº 655, Setor Aeroporto, Goiânia – GO, para acompanhamento dos trabalhos periciais. Ao final, requer: a) preliminarmente, a declaração de nulidade do Despacho Decisório questionado, em virtude da ausência de fundamentação (art. 93, IX da CF e 59 do Decreto nº 70.235/1972), por cerceamento do direito de defesa; b) preliminarmente, a declaração de insubsistência do Despacho Decisório, conforme fundamentado nos autos; c) no mérito, o julgamento da improcedência do Despacho Decisório questionado, a fim de que seja reconhecida e homologada a compensação declarada pela contribuinte, levandose, ainda, em consideração, a tese explicitada dos “cinco mais cinco”; d) alternativamente, a análise da documentação acostada, a fim de que sejam comprovadas as informações declaradas em PER/DCOMP, DIPJ e DCTF, etc. além da realização de perícia técnica, a fim de que seja comprovada a existência e liquidez do saldo negativo da contribuinte, com a consequente homologação da compensação declarada.” A DRJ afastou as preliminares, indeferiu o pedido de perícia, e, no mérito, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, pelos fundamentos sinteticamente expostos na ementa ao norte transcrita. Em síntese, consignou que, por não ter sido a decadência do direito de pleitear administrativamente a compensação de crédito o motivo do indeferimento da compensação, não se manifestaria sobre esta questão nos autos, e que, de resto, não foi produzida qualquer prova para infirmar as parcelas do crédito que foram reputadas não comprovadas, em especial a parcela da estimativa de CSLL de dezembro de 2002, no valor de R$ 300.809,04. Em sede de recurso, o contribuinte renova seus argumentos com vistas à obtenção da homologação da compensação pretendida, aduzindo em síntese, o seguinte: (i) nulidade do despacho decisório por vício formal, em razão da falta de intimação prévia da recorrente para prestar esclarecimentos sobre o crédito detido que se pretendia compensar; (ii) efetiva existência do crédito (saldo negativo de CSLL do ano calendário 2002), plenamente demonstrada nos documentos apresentados, vez que fruto de acúmulos de saldos negativos de períodos anteriores, que com este foi somado para fins de apuração do saldo credor; (iii) mesmo que se entenda que tenha havido erro na transmissão das informações relativas ao crédito em questão, este não pode ser óbice ao reconhecimento do crédito e do direito da Fl. 446DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10120.911217/201103 Acórdão n.º 1201001.370 S1C2T1 Fl. 7 6 recorrente à sua fruição; (iv) no caso de superação de todos os argumentos acima discorridos, que seja realizada perícia técnica contábil a fim de se confirmar a existência e liquidez dos créditos em questão, para cujos fins indica perito e quesitos a serem respondidos. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Nulidade do despacho decisório A recorrente requer a declaração de nulidade do despacho decisório, tendo em vista a falta de intimação prévia da recorrente para prestar esclarecimentos sobre o crédito que pretendia compensar. Noutro giro, sustenta que a autoridade fiscal competente, antes de se manifestar sobre a compensação materializada através das Per/Dcomps constantes do Despacho Decisório atacado, proceda à necessária investigação do débito e crédito apresentados pela recorrente. Sem razão a recorrente. Não há na lei comando que obrigue a autoridade fiscal a efetuar prévia intimação do contribuinte antes de proferir o seu despacho decisório. A própria recorrente transcreve na sua peça recursal apenas um artigo de ato normativo do órgão fazendário (art. 65 da Instrução Normativa RFB no 900/2008), o qual apenas menciona a possibilidade de a fiscalização empreender diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo, ou então de intimar o sujeito passivo para que apresente documentos comprobatórios do referido direito, antes de decidir. Se a repartição já dispõe de todos os elementos necessários, nenhum óbice há para que a autoridade fiscal profira sua decisão. Ademais, as razões da não homologação da compensação pretendida estão perfeitamente delineadas no despacho decisório exarado, que não padece, portanto, de qualquer vício. Perícia técnica contábil A recorrente requer a realização de perícia técnica contábil para que se confirme a existência e liquidez dos créditos em questão, indicando perito e formulando os quesitos que pretende ver respondidos. Fl. 447DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10120.911217/201103 Acórdão n.º 1201001.370 S1C2T1 Fl. 8 7 A realização de perícia é desnecessária. O pressuposto para realização de perícia é a insuficiência de conhecimento técnico do julgador a respeito de algum elemento que compõe o litígio. Tal não ocorre no caso concreto. Perícias e diligências são instrumentos postos à disposição do julgador para auxiliálo na formação do seu livre convencimento, se entendêlas necessárias ou imprescindíveis para a elucidação de pontos duvidosos. Conforme se verá a seguir, os autos estão devidamente consubstanciados com todos os documentos necessários para embasar o convencimento do julgador. Indefiro, portanto, o pedido. Saldo negativo de CSLL. Alega a recorrente que os créditos estão devidamente contabilizados, em contas do ativo circulante, e que podem ser comprovados através do razão contábil e folhas específicas do livro diário, assim como podem ser extraídos do balanço ou dos balancetes mensais. Sustenta que o saldo negativo reclamado seria “fruto de acúmulos de saldos negativos de períodos anteriores, que com este foi somado para fins de apuração do saldo credor TOTAL”, tudo facilmente identificado pelos documentos em anexo bem como mediante consulta ao banco de dados da Receita Federal. Os documentos juntados aos autos pelo contribuinte, ainda em sede de impugnação, são apenas cópias de DCTF’s e DIPJ’s apresentadas, as quais já são todas do conhecimento da autoridade fiscal, e que em nada fazem prova para demonstrar a eventual impropriedade das glosas na composição do crédito que foram feitas, a saber: a) a glosa da retenção na fonte, não confirmada, de R$573,40; b) a glosa do pagamento de estimativa não confirmado, no valor de R$10,00 (o contribuinte informou R$34.030,00 de pagamentos, e somente R$34.020,00 foram confirmados); c) a glosa de compensação de estimativa não confirmada, no valor de R$300.809,04 (na verdade, não restou comprovada a compensação da estimativa informada pela contribuinte na DCOMP, relativa ao mês de dezembro/2002 e no valor de R$451.643,24, contudo, em benefício do contribuinte, a fiscalização reconheceu, em substituição àquela informada na DCOMP, a efetividade de outras compensações que identificou como confessadas em pesquisa aos sistemas internos da Receita Federal, a saber, as estimativas de janeiro a abril de 2002, totalizando R$150.824,20 — daí a diferença, não comprovada, de R$300.809,04). Cediço que o regime jurídico da compensação tributária, em vigor a partir da Lei nº 10.637, de 2002, e Lei nº 10.833, de 2003, as quais introduziram alterações no artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, requisita a iniciativa do contribuinte, que, mediante a apresentação da Declaração de Compensação, informa ao Fisco que efetuou o encontro de contas entre seus débitos e créditos. Este encontro de contas formalizado no PERDCOMP possui o efeito de extinção dos débitos fiscais ali indicados, desde o momento de sua apresentação, ficando, a partir daí, incumbido o sujeito ativo de, no prazo de cinco anos, homologar ou não o ato Fl. 448DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10120.911217/201103 Acórdão n.º 1201001.370 S1C2T1 Fl. 9 8 compensatório praticado, findo o qual, se não efetivada qualquer apreciação, a referida compensação se resolve pelo evento da sua homologação tácita. A partir destes diplomas legais, não há mais a possibilidade de se efetuar compensações de tributos apenas em registros internos ao próprio contribuinte, sem que sejam formalizados em PERDCOMP. E isto se aplica, no caso, à compensação que supostamente teria sido feita no mês de dezembro/2002, e que, conforme visto, em nenhum momento restou comprovada. Não há dúvidas de que as informações prestadas no PERDCOMP situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, a quem cabe demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões, o que não logrou fazer. Da mesma forma, o eventual erro de fato praticado há de ser adequadamente demonstrado. O erro de fato, via de regra, é facilmente perceptível, e fica caracterizado quando se verifica que o interessado preencheu o documento em desconformidade com a sua intenção original, mas não quando o contribuinte simplesmente formula pedido ou declaração em total desconformidade com as normas de regência. No caso, a defesa apresentada, no sentido de que o saldo negativo reclamado seria “fruto de acúmulos de saldos negativos de períodos anteriores, que com este foi somado para fins de apuração do saldo credor TOTAL”, revela ou o completo desconhecimento, ou então um total descompromisso para com as normas que regem a compensação tributária, o que, em qualquer caso, não pode ser aceito. Em linha com o aqui exposto, os seguintes precedentes: CSLL. FINSOCIAL. TÍTULO JUDICIAL TRANSITADO EM JULGADO. AUSÊNCIA DE REGISTRO DO PROCEDIMENTO COMPENSATÓRIO. A existência de incontroverso direito creditório decorrente do recolhimento indevido a título de FINSOCIAL não é suficiente para comprovar a realização de procedimentos compensatórios, haja vista a necessidade de prévia declaração com a individualização dos períodos de competência abrangidos. (Acórdão 1102000.464, sessão de 30 de junho de 2011, relatora Silvana Rescigno Guerra Barretto) ERRO MATERIAL. Ocorre erro material suscetível de retificação quando há divergência facilmente perceptível entre o que foi escrito e aquilo que se queria ter escrito, normalmente revelada no próprio contexto da declaração ou através das circunstâncias em que a declaração é feita. Hipótese inocorrente nesses autos. (Acórdão 1102000.970, sessão de 07 de novembro de 2013, relator João Carlos de Figueiredo Neto) ÔNUS DA PROVA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. É ônus do sujeito passivo, na condição de autor do feito, provar o direito creditório que alega possuir nos processos que envolvem restituição ou compensação de tributos. (Acórdão 1102001.109, sessão de 08 de maio de 2014, relator Ricardo Marozzi Gregorio) Há contudo, na decisão recorrida, uma impropriedade, a qual não posso furtarme de mencionar. Encontrase precisamente no seguinte trecho do voto daquela autoridade julgadora: Fl. 449DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10120.911217/201103 Acórdão n.º 1201001.370 S1C2T1 Fl. 10 9 “Em sua manifestação, a contribuinte aborda, também, a aplicação da “tese dos 5+5”, para o caso de ser alegada a decadência do direito de pleitear administrativamente a compensação de crédito auferido neste período. Como este não foi o motivo do indeferimento da homologação das compensações declaradas, esta questão não será abordada nos presentes autos.” Na verdade, o motivo da não homologação da compensação contida na DCOMP 31215.73053.010908.1.3.030616 foi sim a decadência do direito de pleitear administrativamente a compensação. A DRJ, ao ampararse mais na Informação Fiscal emitida pela Delegacia de Goiânia (que é parte do processo nº 10120.726779/201145, apensado aos presentes autos) para proferir a sua decisão, não atentou para o fato de que aquela informação efetivamente se preocupara apenas em analisar o crédito a partir dos valores declarados, identificando as parcelas comprovadas e as não comprovadas. Contudo, ao serem processadas todas as informações no sistema de controle das compensações (SCC), foi detectada a ocorrência da perda do prazo legal para o aproveitamento daquele crédito, com relação à DCOMP 31215.73053.010908.1.3.030616, posto que apresentada em 01/09/2008, mas não com relação à DCOMP 37868.93372.311007.1.3.039907, esta apresentada em 31/10/2007, sendo que ambas tratavam do mesmo crédito (saldo negativo de CSLL de 2002). E isto está claramente demonstrado no Despacho Decisório (fls. 394 e seguintes), pelo que, de pronto, afastese qualquer alegação de eventual alteração de fundamentação ou de critério jurídico para negar a compensação. De fato, consta no Despacho Decisório precisamente o seguinte, sic: “Valor do saldo negativo disponível: R$ 128.155,67 Valor não utilizado no prazo legal: R$ 127.592,70” Aliás, o contribuinte demonstrou ter plena consciência deste fato, tanto que assim argumentou em sua impugnação: “Através do Despacho Decisório o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil não reconheceu a existência de crédito no valor de R$ 127.592,70 (cento e vinte e sete mil quinhentos e noventa e dois reais e setenta centavos), sob o frágil argumento de que tal não foi utilizado dentro do prazo legal. Data vénia, a luz das reiteradas interpretações levadas a efeito pelo SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA e demais Tribunais Federais, nada mais absurdo. Como dito em linhas volvidas o saldo negativo da contribuinte foi constituído a partir do ano calendário de 2002. Este saldo negativo pode e deve ser integralmente aproveitado, vez que acobertado pela tese prevalente na jurisprudência pátria em relação aos tributos sujeito ao lançamento por homologação, intitulada ‘cinco mais cinco (5 + 5)’.” Portanto, o erro encontrase apenas da decisão recorrida, não tendo o contribuinte tampouco trazido a questão para o recurso. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10120.911217/201103 Acórdão n.º 1201001.370 S1C2T1 Fl. 11 10 Neste ponto, alguém poderia suscitar preliminar de nulidade da decisão recorrida. Com a devida vênia, em vista do que exponho a seguir, entendo não ser o caso. Em primeiro lugar, registrese que as matérias de prescrição e decadência são de ordem pública, cujo conhecimento pode ser feito de ofício pelos órgãos julgadores, independente de provocação das partes, o que, aliás, tem sido ordinariamente feito por este Colegiado. Em segundo lugar, registrese que, ainda que a DRJ não se tenha manifestado sobre a “tese dos cinco mais cinco” no presente caso, o fato é que se manifestou sobre ela em diversos outros processos desta mesma empresa, alguns dos quais encontramse inclusive na pauta de julgamento desta Turma nesta mesma sessão de julgamento. A título exemplificativo, refiro o processo 10120.900045/201134, julgado pelo mesmo colegiado recorrido (4a Turma da DRJ/BrasíliaDF), na sessão de 11 de abril de 2013 (o presente processo foi julgado em 8 de agosto de 2013), tendo a mesma relatora, a mesma Presidente de Turma, e a mesma composição do colegiado, no qual foi julgado o crédito de saldo negativo de IRPJ de 2002 (o presente processo é de saldo negativo de CSLL de 2002) desta mesma empresa ora recorrente, tendo sido oposto naquele processo fundamentalmente os mesmos argumentos aqui opostos, no que toca à “tese dos cinco mais cinco”. Transcrevo a seguir apenas alguns excertos do voto lá proferido por aquela mesma turma julgadora, suficientes para a compreensão da abordagem relativa ao ponto em questão: “Sobre a repetição do indébito, o art. 168 do CTN determina que o sujeito passivo tem cinco anos para pleitear seu direito. (...) A contribuinte questiona a aplicação do prazo de 5 anos, previsto no art. 168 do CTN. Argumenta que, no caso em questão, deveria ter sido aplicada a regra de transição prevista na Lei Complementar nº 118, de 2005, que dispõe que para recolhimentos efetuados entre 09/06/2000 a 08/06/2005 a prescrição ocorreu em 08/06/2010 (cinco anos a contar da vigência desta lei complementar). (...) No caso em análise, o direito creditório pleiteado tem origem no saldo negativo de IRPJ, referente ao anocalendário de 2002. Pela sistemática da apuração do imposto de renda pelo lucro real, considerase que o direito creditório foi apurado em 31/12/2002, de forma que o termo final do prazo prescricional para a contribuinte pleitear a repetição do indébito se deu 31/12/2007. Verificase que o PER/DCOMP nº 10057.25846.010908.1.3.028815, não homologado, foi transmitido em 01/09/2008 e que, conforme já registrado, a apuração do saldo negativo se deu em 31/12/2002. Desse modo, passaramse mais de 5 anos entre a apuração do direito creditório e a transmissão da declaração de compensação. Fl. 451DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10120.911217/201103 Acórdão n.º 1201001.370 S1C2T1 Fl. 12 11 Dessa forma, em conformidade com a motivação da decisão proferida no Despacho Decisório, constante da fl. 53 dos autos, já se encontrava prescrito o direito da contribuinte utilizar saldo negativo no valor de R$ 4.354,31, que não foi objeto de compensação ou pedido de restituição no prazo estabelecido no art. 168 do CTN.” O caso dos autos é precisamente o mesmo. Aqui também houve a apresentação da DCOMP precisamente na mesma data que naquele caso (01/09/2008), sendo o crédito alegado referente também ao mesmo período (31/12/2002). Portanto, absolutamente nenhum motivo há para que se possa imaginar que a solução a ser dada ao presente caso, no tocante à “tese dos cinco mais cinco”, seria distinto daquele dado no caso acima citado e transcrito, ou nos diversos outros processos desta empresa que ora se encontram na presente pauta de julgamento. Em terceiro (e derradeiro) lugar, porque o entendimento esposado pelo recorrente, de que, no caso concreto, a extinção do crédito tributário estaria condicionada à homologação expressa ou tácita do pagamento, e não ao próprio pagamento, se em algum momento encontrou guarida, hoje encontrase definitivamente superado. A jurisprudência do CARF consolidouse no sentido de que o prazo de dez anos somente é aplicável aos pedidos administrativos de repetição de indébito apresentados antes de 9 de junho de 2005. Neste sentido, o seguinte precedente: PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O regramento estabelecido pelo artigo 3o da Lei Complementar no 118/2005 aplicase somente aos pedidos de restituição formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005 (STF/RE 566.621/RS, sessão de 04/08/2011, DJ 11/10/2011). No caso de pedidos de restituição formalizados antes daquela data, aplicase o prazo de dez anos com termo inicial na data do fato gerador do indébito, conforme entendimento consolidado no STJ. (Acórdão 1102001.028, sessão de 13 de fevereiro de 2014) Mais recentemente, este entendimento restou definitivamente assentado na esfera administrativa, por meio da Súmula CARF nº 91: “Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.” No caso concreto, a DCOMP foi apresentada em 01/09/2008, logo, a ela não se aplica o prazo decenal. Irrelevante o fato de o saldo negativo reclamado ser de período anterior a 9 de junho de 2005. É verdade que a DCOMP em questão faz referência à DCOMP anterior (aquela apresentada em 31/10/2007), nos seguintes campos da declaração que abaixo transcrevo: Fl. 452DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10120.911217/201103 Acórdão n.º 1201001.370 S1C2T1 Fl. 13 12 “Crédito Saldo Negativo de CSLL Informado em Outro PER/DCOMP: SIM N° do PER/DCOMP Inicial: 37868.93372.311007.1.3.039907” Alguém poderia questionar, então, se o fato de o pedido anterior (tempestivamente apresentado em 31/10/2007) não seria suficiente para afastar de vez a hipótese de prescrição, uma vez que se trata do mesmo crédito. Para responder a esta questão, é necessário responder a outra: se a declaração de compensação (ou o pedido de compensação nela transformado por força do artigo 49 da Lei nº 10.637/2002) encerra ou não pretensão repetitória. E para responder a esta segunda questão, sirvome dos ensinamentos do ilustre conselheiro José Sérgio Gomes, contidos no voto proferido na sessão de 07 de abril de 2010, no acórdão 110200.175: “Não pairam dúvidas que a Dcomp consubstancia pedido de repetição (indireto) no que diz respeito ao valor, melhor dizendo, até o valor, do débito fiscal indicado no encontro de contas. Todavia, tenho que o mesmo não ocorre no tocante à parcela que a este excede. É que o regime jurídico da compensação tributária em vigor a partir da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, as quais introduziram alterações no artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, requisita iniciativa do contribuinte que, mediante o instrumento da Dcomp, diz ao Fisco que já efetuou o encontro de contas, inclusive com o efeito de extinção do débito fiscal nela indicado, incumbido ao sujeito ativo, no prazo de cinco anos, homologar o ato compensatório por ele praticado, findo o qual, não efetivada qualquer apreciação, a compensação se resolve pelo evento da homologação tácita, a ver: (...) Como visto, a Dcomp sequer veicula pedido de compensação, nem muito menos pedido de restituição, mas sim formaliza a utilização de direito creditório na compensação com débitos próprios. Noutras palavras: nada se pede; declarase que o encontro de contas já foi feito. (...) Portanto, inexistindo anterior pedido de restituição temse que eventual Dcomp há de observar, em relação ao pretendido crédito nela indicado, o prazo decadencial de cinco anos, sob pena de não homologação do encontro de contas por inexistência do crédito, fulminado pela decadência a que alude o artigo 168, I, do CTN.” Portanto, extinto estava, em 01/09/2008, o direito de a recorrente repetir o indébito relativo ao saldo negativo de IRPJ de 2002. Neste mesmo sentido, transcrevo o seguinte precedente do CARF, de cujo julgamento também participei: Fl. 453DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10120.911217/201103 Acórdão n.º 1201001.370 S1C2T1 Fl. 14 13 COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO APÓS EXTINTO O DIREITO DE PLEITEAR A RESTITUIÇÃO. UTILIZAÇÃO DO EXCESSO DE CRÉDITO EM DCOMP ANTERIOR. IMPOSSIBILIDADE. O contribuinte só pode se utilizar, em declarações de compensação, de créditos relativos a pagamentos indevidos realizados há menos de cinco anos. Caso deseje aproveitar o indébito por prazo superior, deve apresentar pedido de restituição dentro do prazo quinquenal, e realizar as compensações a partir desse pedido. O excesso de crédito apresentado em declaração de compensação tempestiva não converte o documento em pedido de restituição, e não pode ser utilizado em compensação posterior, enviada após o prazo de cinco anos do pagamento indevido. (Acórdão 1102001.097, sessão de 10 de abril de 2014, relator José Evande Carvalho Araujo) Neste contexto, portanto, que, reprisese, é o contexto exposto no próprio despacho decisório contestado, tornase de fato irrelevante discutir qual seria o montante do crédito eventualmente remanescente relativo ao ano de 2002. Conclusão Pelo exposto, rejeito a preliminar de nulidade do despacho decisório, indefiro o pedido de perícia, e, no mérito, nego provimento ao recurso voluntário. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 454DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 10886.720989/2011-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE.
Não estando aposentado nem havendo sido reconhecida a condição de portador de moléstia grave no ano examinado, não faz jus o contribuinte à isenção do imposto de renda regrada nos incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei 7.713/1988.
DECLARAÇÃO RETIFICADORA. RESTABELECIMENTO DA ORIGINAL. IMPOSSIBILIDADE..
Não é possível o restabelecimento de declaração originalmente transmitida com vistas a atender pleito do contribuinte, quando este exerceu espontaneamente a faculdade de entregar declaração retificadora, a qual possui a mesma natureza e substitui integralmente as informações prestadas naquela entregue anteriormente.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.141
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Ronnie Soares Anderson - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
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MOLÉSTIA GRAVE. Não estando aposentado nem havendo sido reconhecida a condição de portador de moléstia grave no ano examinado, não faz jus o contribuinte à isenção do imposto de renda regrada nos incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei 7.713/1988. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. RESTABELECIMENTO DA ORIGINAL. IMPOSSIBILIDADE.. Não é possível o restabelecimento de declaração originalmente transmitida com vistas a atender pleito do contribuinte, quando este exerceu espontaneamente a faculdade de entregar declaração retificadora, a qual possui a mesma natureza e substitui integralmente as informações prestadas naquela entregue anteriormente. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 6. 72 09 89 /2 01 1- 78 Fl. 44DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10886.720989/201178 Acórdão n.º 2402005.141 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) DRJ/RJ1, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) alterando o saldo de imposto de renda a restituir do anocalendário 2008 de R$ 1.428,61 para o montante de R$ 3.810,07 de imposto suplementar a pagar (fls. 8/13). O lançamento deuse face à constatação de que rendimentos foram indevidamente considerados como isentos por moléstia grave, tendo em vista que o laudo médico oficial apresentado constatou a incapacidade somente em 2010. Na impugnação de fl. 2, o contribuinte alegou que seus rendimentos são isentos do imposto de renda pessoa física porque correspondem a rendimentos de aposentadoria e visto ser ele portador de moléstia grave, de acordo com documentação comprobatória. Informou que, após cirurgia em 28/2/2003, permaneceu 30 meses e 23 dias em auxíliodoença. Acrescentou que está aguardando laudo pericial do INSS, requerido em 29/11/2011. A exigência foi mantida pela primeira instância (fls. 27/30), havendo o contribuinte interposto recurso voluntário em 16/11/2012 (fls. 36/40), pedindo seja considerada insubsistente a ação fiscal. Nesse sentido afirma que diante do acórdão exarado, entende que não tem o direito de pleitear a restituição do imposto de renda apurado em sua Declaração retificadora, e demanda seja restabelecida a validade de sua Declaração original. É o relatório. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 4 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A isenção do imposto de renda para os portadores de moléstia grave tem de como base legal os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelas Leis nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, e nº 11.052, de 29 de dezembro de 2004, abaixo transcritos: Art. 6o Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Pagel (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. Por sua vez, o art. 30 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, passou a veicular a exigência de que a moléstia fosse comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, nos termos a seguir: Art. 30. A partir de Io de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6° da Lei n" 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelo art. 47 da Lei n°8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, Fl. 47DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10886.720989/201178 Acórdão n.º 2402005.141 S2C4T2 Fl. 4 5 da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. § 2º Na relação das moléstias a que se refere o inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, fica incluída a fibrose cística (mucoviscidose). Então, é necessário o cumprimento cumulativo de dois requisitos para que o beneficiário faça jus à isenção em foco, a saber: que ele seja portador de uma das doenças mencionadas no texto legal, e que os rendimentos auferidos sejam provenientes de aposentadoria, reforma ou pensão. Na espécie, resta claro que o contribuinte não atende a nenhum desses requisitos, pois o laudo médico oficial de fl. 4 diagnosticou a moléstia grave tãosomente em 7/7/2010, tendo sido concedida sua aposentadoria por invalidez apenas em 27/10/2010, ver fls. 5/6. Quanto ao seu intento de que seja "desconsiderada" a declaração retificadora, deve ser explicado que tal pleito encontra óbice nos termos do art. 18 da Medida Provisória nº 2.15849, de 23 de agosto 2001: Art.18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único.A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração. Assim, a entrega espontânea de retificadora constituise em faculdade do contribuinte, possuindo ela a mesma natureza e substituindo integralmente as informações prestadas na originalmente transmitida, sem possibilidade de restabelecimento desta. Em consonância com tais disposições, temse o regramento da art. 54 da Instrução Normativa SRF nº 15, de 6 de fevereiro de 2001 Art. 54. O declarante obrigado à apresentação da Declaração de Ajuste Anual pode retificar a declaração anteriormente entregue mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A declaração retificadora referida neste artigo: I tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente; Fl. 48DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON 6 II será processada, inclusive para fins de restituição, em função da data de sua entrega. Sem fundamento, portanto, a postulação do recorrente. Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Ronnie Soares Anderson. Fl. 49DF CARF MF Impresso em 05/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 01/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 31/03/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON
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Numero do processo: 19647.008040/2008-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1102-000.223
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, determinar o encaminhamento deste processo administrativo à Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF para julgamento em conjunto com o recurso interposto nos autos do processo relativo ao IRPJ (processo nº 19647.007078/2007-62).
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, determinar o encaminhamento deste processo administrativo à Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF para julgamento em conjunto com o recurso interposto nos autos do processo relativo ao IRPJ (processo nº 19647.007078/2007-62). Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé - Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto.
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Decadência. Diferenças entre os valores escriturados e os declarados. Recorrentes CENTRAL DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS LTDA FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, determinar o encaminhamento deste processo administrativo à Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF para julgamento em conjunto com o recurso interposto nos autos do processo relativo ao IRPJ (processo nº 19647.007078/200762). Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 96 47 .0 08 04 0/ 20 08 -9 8 Fl. 940DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 19647.008040/200898 Resolução nº 1102000.223 S1C1T2 Fl. 940 2 Tratase de recurso voluntário interposto por CENTRAL DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS LTDA contra acórdão proferido pela 2ª Turma da DRJ/Recife que concluiu pela procedência parcial dos lançamentos efetuados. No mesmo acórdão, recorreuse de ofício por ter exonerado crédito tributário que superou o limite previsto na Portaria MF nº 03/ 2008. Os créditos tributários lançados, referentes à COFINS, devidos em períodos de apuração correspondentes aos anoscalendário de 2002 a 2005, totalizaram o valor de R$ 41.976.770,75. Tal autuação foi fundamentada na diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado. Em sua impugnação, a empresa autuada alegou nulidade do feito por decadência dos períodos compreendidos entre abril e junho de 2002 e por cerceamento de defesa. No mérito, aduziu que: foi alvo de enchente que destruiu seus documentos fiscais; valores retidos na fonte não foram considerados; seus débitos podem ser incluídos no PAEX; há inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98 no que se refere à equiparação do faturamento à totalidade das receitas e à alíquota de 3%; a multa de ofício é confiscatória; a SELIC é ilegal e inconstitucional; não poderia haver arbitramento da multa (sic) devido à enchente; e é de se aplicar o artigo 112 do CTN. Solicitou também a realização de diligência para comprovação das retenções na fonte. A já mencionada 2ª Turma da DRJ/Recife proferiu o Acórdão nº 1126.873, de 06 de julho de 2009, por meio do qual decidiu pela procedência parcial dos lançamentos efetivados, para excluir os créditos tributários alcançados pela decadência e compensar valores do PIS retidos por órgão público. Assim figurou a ementa do referido julgado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/04/2002 a 31/12/2005 Ementa: INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS A falta ou insuficiência de recolhimento da Cofins constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. COMPENSAÇÃO DO PIS RETIDO PELA FONTE PAGADORA DAS RECEITAS No auto de infração, deverão ser compensadas as retenções efetivadas pelas fontes pagadoras das contribuições do PIS e da Cofins, devidamente declaradas em DIRF. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2002 a 31/12/2005 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Afastado o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições destinadas à Seguridade Social, por inconstitucional, o prazo decadencial regese pelo disposto no art.150 § 4º do Código Tributário Nacional. Havendo pagamento do imposto e/ou contribuição, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador. Fl. 941DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 19647.008040/200898 Resolução nº 1102000.223 S1C1T2 Fl. 941 3 ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. Não se encontra abrangida pela competência da autoridade tributária administrativa a apreciação da inconstitucionalidade das leis, uma vez que neste juÍzo os dispositivos legais se presumem revestidos do caráter de validade e eficácia, não cabendo, pois, na hipótese, negarlhe execução. TRIBUTOS E MULTA CONFISCO. A vedação constitucional quanto instituição de exação de caráter confiscatório dos tributos, se refere aos tributos e não as multas e se dirige ao legislador, e não ao aplicador da lei. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. LEGALIDADE. TAXA SELIC. Legitima a aplicação da taxa Selic, para a cobrança dos juros de mora, a partir de 1 ° de abril de 1995 (art. 13, da Lei n° 9.065/95). DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. A extensão dos efeitos das decisões judiciais, no âmbito da Secretaria da Receita Federal, possui como pressuposto a existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal acerca da inconstitucionalidade da lei que esteja em litígio e, ainda assim, desde que seja editado ato especifico do Sr. Secretário da Receita Federal nesse sentido. Não estando enquadradas nesta hipótese, as sentenças judiciais so produzem efeitos para as partes entre as quais são dadas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2002 a 31/12/2005 PEDIDO DE PERÍCIA. Deve ser indeferido o pedido de perícia, quando este deixar de atender aos requisitos legais e for prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada, mormente quando a peça fiscal contenha todos os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. PRELIMINAR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E AO CONTRADITÓRIO DESCRIÇÃO DOS FATOS. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa e ao contraditório, quando o contribuinte tem acesso à detalhada descrição dos fatos e a todos os elementos e provas que embasaram o Auto de Infração. AUTO DE INFRAÇÃO ERRO NA DISPOSIÇÃO LEGAL INFRINGIDA. O possível erro no enquadramento legal da infração cometida não acarreta a nulidade do auto de infração, quando evidenciadas na descrição dos fatos nele contida todas as razões da autuação permitindo ao contribuinte a apresentação da impugnação contra as imputações que lhe foram feitas. PEDIDO DE PERÍCIA. Fl. 942DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 19647.008040/200898 Resolução nº 1102000.223 S1C1T2 Fl. 942 4 Deve ser indeferido o pedido de perícia, quando este deixar de conter os requisitos estabelecidos pelo art.16, inciso IV, do decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972 e quando o processo contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase como não impugnada matéria não expressamente contestada pelo impugnante, nos termos do art. 17 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. Lançamento Procedente em Parte Em seu recurso voluntário, a empresa autuada basicamente repete os argumentos apresentados na impugnação, com destaque para a inconformidade de que apenas parte das retenções na fonte foram consideradas pela decisão recorrida. Exclui, por outro lado, a alegação da decadência já reconhecida. A 3ª Seção do CARF declinou sua competência para o julgamento do feito amparada no seguinte voto: Compulsando os autos, verificase que a autuação foi resultado de procedimento de fiscalização que culminou na lavratura de lançamentos tributários relativos a COFINS, à Contribuição ao PIS (fl. 578), à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSSL (fl. 579) e Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ (fl. 581), todos lavrados em 10/07/2007. Embora tenha sido determinado o desmembramento dos processos de PIS e COFINS, os créditos tributários constituídos o foram, ao menos com relação aos períodos de apuração dos anos de 2004 e 2005, fruto de receita que foi fixada pelo procedimento de arbitramento do Lucro. É o que se extrai da fl. 12, quando menciona que: “Não tendo o autuado atendido a intimação para apresentar a escrituração, e na falta de justificativa para esta ausência, tivemos que arbitrar o lucro dos períodos 2004 e 2005. O arbitramento do lucro desenquadra a empresa como contribuinte de Cofins nãocumulativa, tanto mais que os dados para apuração dessa contribuição não foram fornecidos, já que não houve apresentação de DACON (fl. 586) nem preenchimento da ficha de Cofins (da DIPJ 2005). Por analogia com os exercícios 2002 a 2004, também foram adotados como verdadeiros os valores informados nas DIPJ 2005 e 2006.” (...) Assim sendo, não conheço do recurso por incompetência desta Turma Julgadora, e proponho a remessa do processo à Primeira Seção para julgamento conjunto, se for o caso, com a exigência relativa a Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (Processo/Auto de Infração nº 19647.007078/200762 numeração extraída do Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte, passível de confirmação pela Autoridade competente). (grifei) Fl. 943DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 19647.008040/200898 Resolução nº 1102000.223 S1C1T2 Fl. 943 5 O processo mencionado encontrase aguardando relato para julgamento na 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara desta 1ª Seção de Julgamento, sob a responsabilidade do Conselheiro Paulo Roberto Cortez. É a síntese do necessário. Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregório, Relator Considerando sua pertinência para a análise do caso, transcrevo o conteúdo do que dispõem os artigos 2º, inciso IV, e 49, § 7º, do Anexo II do RICARF: Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: (...) IV demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; (grifamos) Art. 49 (...) § 7° Os processos que retornarem de diligência, os com embargos de declaração opostos e os conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc..(grifamos) Como se vê, o artigo 2º, IV, declara que o julgamento dos processos que contém procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, apesar de versarem sobre a aplicação de tributos distintos do IRPJ e da CSLL, cabe a esta 1ª Seção porque suas exigências estão Fl. 944DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 19647.008040/200898 Resolução nº 1102000.223 S1C1T2 Fl. 944 6 “lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ”. Além disso, o artigo 49, § 7º, dispõe que os processos conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio. Portanto, proponho o encaminhamento do presente processo à 2a Turma Ordinária da 3a Câmara desta 1a Seção de Julgamento para que seja julgado em conjunto com o processo nº 19647.007078/200762. É como voto. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 945DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME
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Numero do processo: 10425.720713/2013-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2009, 2010
ACEITAÇÃO DAS PROVAS. MOMENTO PROCESSUAL DA APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO. ATENUAÇÃO. VERDADE MATERIAL. NÃO COMPROVAÇÃO DAS ALEGAÇÕES POR PARTE DO RECORRENTE. AUSÊNCIA DE DOCUMENTOS.
O direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação, a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade, a oficialidade, a segurança indispensável, a ampla defesa e a verdade material, para a consecução dos fins processuais, afastando-se a preclusão em alguns casos excepcionais, como aqueles que se referem a fatos notórios ou incontroversos, no tocante a documentos que permitem o fácil e rápido convencimento do julgador. Não é, entretanto, o caso destes autos.
NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Não padece de nulidade o Auto de Infração que seja lavrado por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 10 e 59, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, com lógica e nos prazos devidos, o seu direito de defesa, na fase litigiosa do procedimento.
Ademais, verifica-se na fase que antecedeu à autuação, que o contribuinte, comprovadamente, foi intimado e reintimado a apresentar esclarecimentos específicos sobre o objeto do lançamento.
DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
Conforme tese fixada no Recurso Especial nº 973.733/SC, (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Conta-se na forma do § 4º do artigo 150 do CTN, ou seja, a partir da data da ocorrência do fato gerador quando, prevendo a lei a obrigação de antecipação do pagamento do tributo, o mesmo ocorre. Hipótese da existência de declaração e vinculação dos pagamentos.
IRF. PAGAMENTO SEM CAUSA. COMPROVAÇÃO.
A exigência do imposto de renda na fonte com fundamento no art. 61, da Lei nº 8.981/1995, se sustenta quando houver indiscutível comprovação de que o sujeito passivo efetuou pagamento sem causa justificada ou a beneficiário não identificado. Tendo sido comprovada, em parte, a causa dos pagamentos por meio de documentação hábil e idônea, bem como identificados os beneficiários, não há como subsistir a exigência do imposto, nessa parte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2202-003.454
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência relativamente aos fatos geradores ocorridos até 27 de março de 2008. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para considerar comprovado o valor de R$ 872.927,72, do total lançado como pagamento sem causa ou operação não comprovada e não decaído, vencido o Conselheiro Martin da Silva Gesto, que votou pela conversão do julgamento em diligência.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto (Suplente Convocada), Martin da Silva Gesto e Márcio Henrique Sales Parada.
Fez sustentação oral, pelo Contribuinte, o advogado Carlos André Rodrigues Pereira Lima, OAB/PE nº 22.633.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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MOMENTO PROCESSUAL DA APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO. ATENUAÇÃO. VERDADE MATERIAL. NÃO COMPROVAÇÃO DAS ALEGAÇÕES POR PARTE DO RECORRENTE. AUSÊNCIA DE DOCUMENTOS. O direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação, a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade, a oficialidade, a segurança indispensável, a ampla defesa e a verdade material, para a consecução dos fins processuais, afastandose a preclusão em alguns casos excepcionais, como aqueles que se referem a fatos notórios ou incontroversos, no tocante a documentos que permitem o fácil e rápido convencimento do julgador. Não é, entretanto, o caso destes autos. NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não padece de nulidade o Auto de Infração que seja lavrado por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 10 e 59, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, com lógica e nos prazos devidos, o seu direito de defesa, na fase litigiosa do procedimento. Ademais, verificase na fase que antecedeu à autuação, que o contribuinte, comprovadamente, foi intimado e reintimado a apresentar esclarecimentos específicos sobre o objeto do lançamento. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 42 5. 72 07 13 /2 01 3- 89 Fl. 4774DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10425.720713/201389 Acórdão n.º 2202003.454 S2C2T2 Fl. 4.775 2 Conforme tese fixada no Recurso Especial nº 973.733/SC, (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Contase na forma do § 4º do artigo 150 do CTN, ou seja, a partir da data da ocorrência do fato gerador quando, prevendo a lei a obrigação de antecipação do pagamento do tributo, o mesmo ocorre. Hipótese da existência de declaração e vinculação dos pagamentos. IRF. PAGAMENTO SEM CAUSA. COMPROVAÇÃO. A exigência do imposto de renda na fonte com fundamento no art. 61, da Lei nº 8.981/1995, se sustenta quando houver indiscutível comprovação de que o sujeito passivo efetuou pagamento sem causa justificada ou a beneficiário não identificado. Tendo sido comprovada, em parte, a causa dos pagamentos por meio de documentação hábil e idônea, bem como identificados os beneficiários, não há como subsistir a exigência do imposto, nessa parte. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência relativamente aos fatos geradores ocorridos até 27 de março de 2008. 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Fl. 4775DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10425.720713/201389 Acórdão n.º 2202003.454 S2C2T2 Fl. 4.776 3 Relatório Em desfavor do contribuinte em epígrafe foi lavrado Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Retido na Fonte, dos anos calendário de 2008 e 2009, exercícios de 2009 e 2010, respectivamente, no total de R$ 7.717.359,90, acrescido de multa proporcional de 75% e mais juros de mora com base na taxa Selic. A ciência foi dada pessoalmente ao contribuinte em 27 de março de 2013. Em resumo, descrevem as autoridades fiscais responsáveis pelo feito que constataram a ocorrência de pagamentos sem causa ou operações não comprovadas, contabilizadas ou não, no período compreendido entre 01/2008 e 12/2009. Sobre a base de cálculo desses pagamentos ou operações foi aplicada a alíquota de 35%, mensalmente. No Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal (fl. 11), podese verificar que foi realizado um amplo procedimento fiscal na empresa, envolvendo vários tributos. Houve um aprofundamento na questão envolvendo as contas contábeis CAIXA e Banco do Brasil Movimento, onde se apurou "saldos irreais". Segundo a Auditoria, para regularizar esses saldos, ao final de cada período eram realizados lançamentos a débito da conta Banco do Brasil e a crédito da conta Saldos a Regularizar. Concluiu a fiscalização que tal procedimento evitava que fossem apresentados saldos credores na conta Caixa. Lavrouse autos de infração específicos de IRPJ/CSLL/PIS/COFINS considerando que esses saldos credores na conta Caixa, a partir da recomposição da escrita, conforme acima resumidamente narrado, constituemse em presunção relativa da existência de Omissão de Receita. Neste processo administrativo de exigência fiscal, especificamente, a infração parte dos lançamentos contábeis na conta 1.1.2.14.0001 Saldos a Regularizar. Segundo narra a Auditoria, o contribuinte explicoulhe que essa conta era "uma conta transitória e abriga, por exemplo, ICMS sobre as transferências de produtos entre os estabelecimentos" (fl. 17). A Fiscalização intimou o contribuinte a justificar as contrapartidas nessa conta transitória provenientes da conta 1.1.1.02.0025 Banco do Brasil Movimento. A Auditoria narra que as respostas foram insuficientes ou inexistentes, o que a levou a concluir que "fica caracterizada a existência de pagamentos ou entrega de recursos efetuados pela empresa sem a devida comprovação da operação ou sua causa, incorrendo pois na infração prevista no § 1º do artigo 674 do RIR/1999 (Decreto nº 3000, de 26/03/1999); sujeitandoa a incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte IRRF, á alíquota de 35%, considerando tais pagamentos já líquidos do imposto". O lançamento é escudado no artigo 61 da Lei nº 8.981, de 1995 e no artigo 674 do RIR/1999. Na folha 653 a 701, encontrase o "demonstrativo de pagamentos ou entrega de recursos sem comprovação da operação ou sua causa". São milhares de lançamentos a crédito na conta Banco do Brasil movimento. Fl. 4776DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10425.720713/201389 Acórdão n.º 2202003.454 S2C2T2 Fl. 4.777 4 O contribuinte apresentou impugnação ao lançamento em 26 de abril de 2013 (fl. 854). Alega ofensa à ampla defesa e contraditório; decadência dos meses de janeiro a março de 2008; e inaplicabilidade do artigo 61 da Lei nº 8.891/95 ao caso. Ao analisar a questão, a 4ª Turma da DRJ em Recife/PE, assim dispôs: a) A defesa do impugnante se alicerça no fato de que a fiscalização somente o intimou a comprovar um número menor dos pagamentos que, no final, constaram na autuação, como se tinha visto nas três últimas intimações, o que teria cerceado o seu direito de defesa. Ora, primeiro a fiscalização o intimou a comprovar todos os lançamentos na conta contábil 1.1.2.14.0001Saldos a Regularizar e somente depois restringiu a um conjunto menor de pagamentos. As quatro intimações indicaram claramente que o sujeito passivo não tinha a documentação de suporte dos registros contábeis ou não queria desnudar sua causa e beneficiários. Não se pode alegar qualquer cerceamento do direito de defesa, quando a fiscalização, repisese, o intimou a comprovar todos os lançamentos contábeis na conta em debate (na primeira intimação). b) Em relação à decadência, verificou que o contribuinte não havia feito qualquer pagamento a título de IRPJ ou IRRF no ano de 2008, a partir do apresentado em DIPJ. Explicou então que a regra do § 4º do artigo 150 do CTN só se aplica quando há antecipação do pagamento do tributo. Não se verificando pagamento antecipado, aplicase a regra do artigo 173, I, do CTN e, dessa forma, não há períodos decaídos, no lançamento em questão. c) O art. 61 da Lei nº 8.981/95 continua vigente e não se tem notícia da declaração de sua inconstitucionalidade. Qualquer alteração nessa modalidade de tributação dependeria de pronunciamento do Supremo Tribunal Federal ou de lege ferenda, sendo inviável na via administrativa afastar uma lei vigente, pois se estaria decretando a inconstitucionalidade, de maneira incidental, das normas do art. 61 da Lei n 8.981/95, o que, é cediço, é vedado ao julgador administrativo. Cientificado dessa decisão em 29 de julho de 2013 (AR na folha 921), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 27 de agosto de 2013, com protocolo na folha 922. Em sede de recurso, alega que: a) Através do Termo de Intimação Fiscal lavrado em 12/07/2012 a Fiscalização a intimou, dentre outras coisas, a apresentar os elementos comprobatórios dos lançamentos relacionados no anexo III, que se referem a débitos na conta Saldos a Regularizar e créditos na Conta Banco do Brasil Movimento. Constavam apenas 23 lançamentos. Posteriormente foi surpreendida com uma autuação que envolvia 1.800 lançamentos. Assim, não foi previamente intimada a se pronunciar sobre 1.777 desses lançamentos. Em sede de recurso, junta tabelas que listam os beneficiários e os comprovantes de pagamentos dos meses entre setembro de 2008 a julho de 2009. b) Ocorreu a decadência do período compreendido entre janeiro e março de 2008, contandose o prazo na forma do § 4º do artigo 150, do CTN. Diz que o IRRF é indiscutivelmente tributo sujeito a lançamento por homologação. Diz que apresenta cópia das DCTF de janeiro, fevereiro e março de 2008, para comprovar que houve antecipação do pagamento de IRRF naqueles períodos. Fl. 4777DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10425.720713/201389 Acórdão n.º 2202003.454 S2C2T2 Fl. 4.778 5 c) O artigo 61 da Lei nº 8.981/1995 não pode ser aplicado como fundamento legal para o lançamento em debate, só podendo ser aplicado naquelas situações em que o Fisco prova a existência de um pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, não podendo ser aplicado nas situações que eram acobertadas pelo artigo 44 da Lei nº 8.541, de 1995. PEDE o provimento total de seu recurso para cancelar a exigência tributária. Em 15 de abril de 2014, mediante Resolução 2202 000.580, decidiu a 2º Turma Ordinária da 2ª Câmara pela conversão do Julgamento em diligência a fim de que a fiscalização apreciasse os argumentos/provas particularmente no que toca a comprovação da causa dos pagamentos efetuados e se manifestasse em relatório circunstanciado sobre os documentos e esclarecimentos prestados, dandose vista ao contribuinte para, querendo, manifestarse. A Fiscalizada foi intimada a apresentar a documentação comprobatória da causa e da operação dos pagamentos relacionados pela Fiscalização. (fl. 1488). Foi apresentada uma listagem acompanhada de grande volume de documentos. (fl. 1547) A Auditoria elaborou um Relatório de Diligência Fiscal, onde conclui que "a empresa veio a comprovar um montante de R$ 788.209,32", ou seja, parcialmente o montante lançado. Cientificado do resultado dessa diligência, o contribuinte apresenta manifestação nas fls. 4207 e seguintes, criticando a apuração feita na diligência. Apresenta uma cópia de Livro contendo a relação de trabalhadores. Assim, o processo retornou para prosseguimento do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais disposições legais, dele tomo conhecimento. Segundo Marcos Vinicius NEDER e Maria Teresa Martinez LOPÉZ: “Para a solução do litígio tributário deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Esses limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro, pela resistência do contribuinte, expressos respectivamente pelo ato de lançamento e pela impugnação. A lei processual estabelece regras que deverão presidir as relações entre os intervenientes na discussão tributária. A atuação dos órgãos administrativos de julgamento pressupõe a Fl. 4778DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10425.720713/201389 Acórdão n.º 2202003.454 S2C2T2 Fl. 4.779 6 existência de interesses opostos, expressos de forma dialética....Na lição de Calamandrei, “o processo se desenvolve como uma luta de ações e reações, de ataques e defesas, na qual cada um dos sujeitos provoca, com a própria atividade, o movimento dos outros sujeitos, e espera,depois, deles um novo impulso....” (NEDER, Marcos Vinícius e LOPEZ, Maria Teresa Martinez. Processo Administrativo Fiscal Comentado. 2ª ed,. Dialética, São Paulo, 2004, p. 265/266) À luz da melhor doutrina pátria, o processo civil, na linha do qual se encontra o processo administrativo fiscal, é um método de composição dos litígios, usado pelo Estado para cumprir sua função jurisdicional, com o objetivo imediato de aplicar a lei ao caso concreto e mediato de pacificação e paz social. Em razão de vários fatores, a forma como o processo se desenvolve assume feições diferentes. No dizer de Humberto Theodoro Júnior, “enquanto processo é uma unidade, como relação processual em busca da prestação jurisdicional, o procedimento é a exteriorização dessa relação e, por isso, pode assumir diversas feições ou modos de ser.” Ensina o renomado autor que “procedimento é, destarte, sinônimo de ‘rito’ do processo, ou seja, o modo e a forma por que se movem os atos do processo” (Theodoro Junior, Humberto in Curso de Direito Processual Civil, vol. I, 41 ed. Forense, Rio de Janeiro, 2004, p.303) Pois bem, o procedimento está estruturado segundo fases lógicas, que tornam efetivos os seus princípios fundamentais, como o da iniciativa da parte, o do contraditório e o do livre convencimento do julgador. Conforme os artigos 14 e 15 do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, é a impugnação da exigência, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, que instaura a fase litigiosa do procedimento. (grifei) A norma do PAF, Decreto nº 70.235/1972, art. 16, § 4º, estabelece que as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. O sistema da oficialidade, adotado no processo administrativo, e a necessidade da marcha para frente, a fim de que o mesmo possa atingir seus objetivos de solução de conflitos e pacificação social, impõem que existam prazos e o estabelecimento da preclusão. A análise fria da norma chocase, prima facie, com os princípios da verdade material, sempre considerado nos julgamentos administrativos, e com a ampla defesa, homenageada no texto constitucional. A Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo em geral, no art. 3º, possibilita a apresentação de alegações e documentos antes da decisão e, no art. 38, permite que documentos probatórios possam ser juntados até a tomada da decisão administrativa. Entende abalizada doutrina, contudo, que, apesar disso, a lei específica, no caso o Decreto nº 70.235/1972, aplicarseia ao processo administrativo fiscal, em detrimento da lei geral. Fl. 4779DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10425.720713/201389 Acórdão n.º 2202003.454 S2C2T2 Fl. 4.780 7 Entretanto, como concluem ressalvando correntes em contrário , Maria Teresa Martínez Lopez e Marcela Cheffer Bianchini, sobre o momento da apresentação da prova no processo administrativo fiscal, verificase a tendência de atenuar os rigores da norma, afastando a preclusão em alguns casos excepcionais, que indicam trataremse daqueles que se referem a fatos “notórios ou incontroversos”, no tocante a documentos que permitem o fácil e rápido convencimento do julgador. Assim, o direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação, a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade, a oficialidade, a segurança indispensável, a ampla defesa e a verdade material, para a consecução dos fins processuais. (A Prova no Processo Tributário, Coord. NEDER, Marcos Vinícius e outros – São Paulo : Dialética, 2010, p. 34 a 51) A Auditoria Fiscal constatou a existência de uma conta com a rubrica "Saldos a Regularizar" e em 12/07/2012 intimou o contribuinte a apresentar documentos comprobatórios de "todos" os lançamentos nessa conta. Conforme descreve em seu Termo de Intimação Fiscal, na folha 1.486. O contribuinte não apresentou resposta esclarecedora, aliás, até a fase recursal, não apresentara documento algum que pudesse justificar porque efetuava pagamentos, com lançamentos a crédito na conta Banco do Brasil Movimento e a débito nessa conta Saldos a Regularizar. Vejo mesmo ser difícil justificar tais pagamentos. Juntamente com seu recurso, apresenta o anexo I (fl. 960), uma enorme lista com "identificação dos beneficiários" dos pagamentos. Entretanto, muitas e muitas linhas da planilha não identificam o documento bancário de pagamento, apenas contém um nome, CPF/CNPJ valor e uma finalidade. Além disso, há uma justificativas como "pagamento de salário" a empregado, no valor de R$ 4,84 (?). No anexo II (fl. 1200) vem uma grande quantidade de documentos como "comprovantes de pagamentos". Juntase pagamento de plano de saúde de empregados e suas famílias e contas de energia elétrica de suas casas (fl. 1207 e 1210, por exemplo) ou condomínios e contas de telefone (fl. 1250) ou seguro de automóvel (fl. 1279). Na folha 1215, consta uma tabela com o título: "comprovantes dos pagamentos de beneficiários que não foram levados a despesas", com pagamentos de energia elétrica, água e condomínio. Na sua manifestação após a Diligência, o contribuinte apresenta a empresa como fabricante e comerciante de produtos e gêneros alimentícios em geral, torrefação e moagem de café, rações animais, compra e venda de cereais e distribuição, importação, exportação de produtos acabados e outras atividades, com atuação em todo o Nordeste brasileiro. Mas, em sua contabilidade, existia uma conta "transitória", que não foi explicada à fiscalização, para pagamento de despesas que não eram contabilizadas ("não foram levadas a despesas"), incluindo pagamentos de despesas pessoais de empregados e administradores, a partir de saldos que, segundo a fiscalização, seriam "irreais" em seu 'Caixa' e 'Bancos'. E por que não foram levados a "despesas"? Imagino como ficaria a contabilidade de uma empresa ao lançar como despesa o pagamento do condomínio ou da conta de luz de um de seus empregados? Qual seria a contrapartida? Fl. 4780DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10425.720713/201389 Acórdão n.º 2202003.454 S2C2T2 Fl. 4.781 8 Aqui é preciso fazer um parêntese. Conforme relatado, a Auditoria não se limitou a verificar o IRRF sobre os pagamentos aqui em causa. Houve outros lançamentos. No processo 10425.720712/201334, julgado neste CARF em 26/08/2014, assim fixou a turma Julgadora, da 1ª Seção de Julgamento, Acórdão 1301001.610: OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. Em conformidade com o parágrafo 2º do art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77, o fato de a escrituração indicar saldo credor de caixa autoriza a presunção de omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção. No caso vertente, inexiste reparo a ser feito a aplicação da presunção em referência, vez que, não obstante reiteradas intimações, a contribuinte não comprovou, por meio de documentos hábeis e idôneos, ingressos registrados na referida conta, autorizando, assim, a recomposição do seu saldo. Primeiramente, destaco que lá também, após "reiteradas intimações", o contribuinte não apresentou documentação comprobatória da regularidade sua contabilidade, segundo observo que se constatou a existência de saldo credor de caixa, o que demonstra que havia mais dinheiro na empresa que aquele contabilizado. Até a impugnação, inclusive, a empresa não apresentou qualquer documentação comprobatória da regularidade dos pagamentos que foram registrados nessa conta contábil em debate. Vejamos, conforme Acórdão DRJ (fl. 911/913): Antes de tudo, devese evidenciar que a fiscalização considerou como pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado lançamentos a débito da conta 1.1.2.14.0001 SALDOS A REGULARIZAR, com contrapartida da conta 1.1.1.02.0025 – BANCO DO BRASIL – MOVIMENTO (vide listagem de todos esses registros contábeis nas fls. 617 a 650, nos montantes de R$ 12.116.643,49 (AC2008) e R$ 12.618.038,31 (AC2009) – fl. 17), nos valores globais de pagamento de R$ 7.396.435,84 (AC2008) e R$ 6.935.803,98 (AC2009), como se vê nos pagamentos listados (sem comprovação de causa da operação ou a beneficiário não identificado) nas fls. 652 a 701. Em intimação notificada ao contribuinte em 12/07/2012, o fiscalizado foi intimado a justificar e apresentar os elementos comprobatórios de todos os lançamentos efetuados na conta contábil: 1.1.2.14.0001 Saldos a Regularizar (fls. 223 e 224). (...) No relatório de encerramento da ação fiscal, a fiscalização alegou que, tendo em vista que a empresa não apresentou justificativa quanto às contrapartidas nessa conta transitória, foi lavrado Termo de Intimação Fiscal 002, reintimando o fiscalizado a apresentar elementos comprobatórios de lançamentos e cópias de cheques referentes a pagamentos efetuados a crédito da conta 1.1.1.02.0025 – Banco do Brasil – Movimento e a débito da conta 1.1.2.14.0001 – Saldos a Regularizar (fl. 17). O Termo de Intimação Fiscal 002 se encontra nas fls. 438 e 439, com os lançamentos a esclarecer nos Fl. 4781DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10425.720713/201389 Acórdão n.º 2202003.454 S2C2T2 Fl. 4.782 9 anexos III e IV deste Termo. No anexo III, há 23 registros contábeis (fl. 444), e no anexo IV, 107 registros. Em resposta a intimação acima, a empresa respondeu (fl. 465): Finalmente, quanto aos valores constantes dos itens 3 e 4, o ora suplicante verificou que, mesmo passados algum tempo, os mesmos continuam sem classificação adequada, por isto não foram considerados como despesas dedutíveis no período em questão. (...) ... compulsando as planilhas que comprovariam a causa e os beneficiários dos pagamentos controvertidos (fls. 879 a 899), vê se que o impugnante apenas juntou uma planilha, sem qualquer documentação de suporte. Alega, por exemplo, que os pagamentos controvertidos em 18/06/2009, no importe total de R$ 17.639,59 (fl. 685 c/c 637 – lançamentos contábeis de R$ 10.933,75 e R$ 6.705,84), com diversos cheques e avisos de débito, serviram para pagamento de prestação de serviços, salários, FGTS, telefonia e plano de saúde do Diretor, porém não traz qualquer documentação que demonstre que os beneficiários receberam os valores (recibos, créditos em contas, cópias dos cheques com indicação do favorecido, notas fiscais de prestação de serviços etc.) ou que, no caso dos assalariados, que são empregados da autuada. O mesmo pode se dizer das demais tentativas de comprovação da causa e beneficiários das operações das planilhas trazidas na impugnação. Se o contribuinte confessou que as despesas de tais pagamentos sequer foram contabilizadas como despesas, se não fez qualquer prova documental da causa e dos beneficiários dessas operações, não se pode agora acatar uma mera planilha, sem documentação de suporte, para afastar a tributação sobre tais pagamentos. Entendo que documentos apresentados após a impugnação, sendo que a Fiscalização lhe exigiu exatamente esses mesmos documentos por mais de uma vez, ferem o disposto no artigo 16, § 4º do Decreto Nº 70.235, de 1972. Não são documentos "novos" porque deveriam estar na empresa e ser registrados paulatinamente em sua contabilidade e tampouco são "notórios e incontroversos" e de fácil convencimento, porque o Julgador não conseguiu analisálos, uma vez que entendeuse necessário o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal de origem, para que o Auditor Fiscal refizesse o trabalho. Chamo a atenção, por exemplo, que o CARF é instância recursal onde se deve recorrer daquilo que foi disposto pela DRJ, em 1ª instância. E qual foi a manifestação da DRJ sobre essas planilhas e documentos? Não houve, porque, ferindo o disposto no citado § 4º, os documentos não foram apresentados juntamente com a impugnação. Ferese a ordem processual e sua marcha. Cito o Acórdão 2102003.272 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 10 de março de 2015: Fl. 4782DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10425.720713/201389 Acórdão n.º 2202003.454 S2C2T2 Fl. 4.783 10 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVAS. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, exceto quanto às exceções previstas no art. 16, §4º, do Decreto 70.235, de 1972. Aceitase a prova juntada por ocasião do recurso voluntário que se destine a contrapor fatos ou razões trazidas aos autos por ocasião do julgamento em 1º instância. Mas a Resolução anterior determinou o retorno dos autos. Foi realizada a diligência e os Auditores Fiscais apresentam o resultado do trabalho no Relatório de folhas 3996 e seguintes. Dizem que: "No seu recurso voluntário, a empresa alega que não foi intimada a apresentar todos os pagamentos efetuados na conta contábil 1.1.2.14.0001 Saldos a regularizar. Desde já, vale aqui salientar que tal alegação não procede, pois, conforme está demonstrado nos autos deste processo, a mesma foi expressamente intimada, através do item B do Termo de Intimação e Reintimação Fiscal, cientificado em 12/07/2012 (fls. 223 a 224)" (...) Também, em atendimento ao solicitado na Resolução nº 2202 000.580, da 2ª Câmara, 2ª Turma do CARF, intimamos a empresa a apresentar a documentação comprobatória referente á infração Pagamentos sem Causa ou Operação não comprovada, exceto a já apresentada no seu recurso voluntário. Finalmente, apresentados os documentos pela empresa, esses foram analisados de forma individualizada por esta fiscalização e os resultados se encontram detalhados no demonstrativo "análise dos documentos apresentados em diligência". Elaborouse então planilhas dizendo quais documentos teriam sido acatados e quais não. Para justificar o não acatamento, os Auditores dizem que: a. não houve apresentação do documento; e b. os documentos apresentados não comprovam a realização da operação, sua causa e efetividade do recebimento de pagamentos pelos beneficiários. A título de exemplo, destacamos alguns motivos que nos levaram a não considerar o documento apresentado como elemento hábil e idôneo na comprovação dos pagamentos: a) existência de meras listagens, relacionando funcionários sem a devida comprovação do efetivo recebimento e ainda do efetivo vínculo funcional; b) documentos apresentados sem constituir prova do efetivo recebimento pelo beneficiário; c) documentos sem a assinatura dos beneficiários; e Fl. 4783DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10425.720713/201389 Acórdão n.º 2202003.454 S2C2T2 Fl. 4.784 11 d) documentos desacompanhados das respectivas causas, ou seja, que não comprovam a efetividade dos serviços prestados (contratos, notas fiscais, faturas, etc). Na sua manifestação, após ser cientificada do resultado da diligência, a empresa diz que a negativa da autoridade fiscal foi genérica, não lhe permitindo a ampla defesa. Afirma que constam "causa e beneficiário de todos os pagamentos realizados". Entretanto, se a negativa foi "genérica", a manifestação do contribuinte foi muito mais. Pegouse partes das planilhas elaboradas pelos Fiscais, dividindose mês a mês e escreveuse em todas elas o mesmo título (fl. 4228): "Em relação à competência 01/2008, conforme planilha anexa elaborada pela autoridade fiscal, estão tributados como sem causa ou a beneficiários não identificados, com fundamento no artigo 61 da Lei nº 8.981/95 e no artigo 74 da Lei nº 8.383/91 pagamentos realizados a tais títulos: a) salários de empregados, que constaram nos SEFIP, com beneficiários e causa identificados; b)Remuneração de 4 (quatro) diretores eleitos em assembléia geral ordinária, com beneficiários e causas identificados; c) Comissão sobre representação comercial, com beneficiários e causa identificados; d) Prestação de serviços de transporte, de segurança de bens e valores, com beneficiários e causas especificados; e) Outras despesas de menor monta, com beneficiários e causas especificadas." E aí, repito, simplesmente se copia as planilhas do Auditor Fiscal. Depois, na folha 4452 e seguintes, se apresenta cópias da "relação dos trabalhadores constantes no arquivo SEFIP", sem que seja feita qualquer vinculação entre essa relação, de mais de 200 folhas, e os pagamentos que foram listados e aqui debatidos. Assim, todos esses documentos nada esclarecem ou demonstram, enfim, nada agregam à solução do litígio ou contradizem especificamente as planilhas elaboradas pela Auditoria. Depois de todas essas considerações, enfim, se pode passar à análise dos elementos do recurso. CERCEAMENTO DE DEFESA Não verifico cerceamento de defesa, pelas razões expostas pela DRJ, em sua decisão, ratificadas pela Fiscalização, no termo de diligência. O contribuinte diz que teve sua defesa cerceada porque foi intimado a comprovar apenas 23 registros e depois surpreendeuse com uma listagem de 1800 registros. Diz que, se tivesse sido regularmente intimado, teria comprovado todos eles. Não é o que se constata da realidade destes autos. Primeiro porque, com já se transcreveu acima, ele foi originalmente intimado a justificar "todos" os registros e não o fez. Depois é que a Fiscalização, ante a sua não resposta, limitou o número de registros. Mas fato é Fl. 4784DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10425.720713/201389 Acórdão n.º 2202003.454 S2C2T2 Fl. 4.785 12 que houve oportunidade de justificar os registros contábeis observo o termo de intimação e reintimação na folha 223, item B tanto na fase que precedeu o lançamento, quanto na fase litigiosa. Rejeito essa preliminar. DECADÊNCIA O contribuinte alega decadência parcial do lançamento, em relação aos períodos 01, 02 e 03 de 2008. A ciência do Auto de Infração deuse, pessoalmente, em 27 de março de 2013. Conforme tese fixada no Recurso Especial nº 973.733/SC, (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Contase na forma do § 4º do artigo 150 do CTN, ou seja, a partir da data da ocorrência do fato gerador quando, prevendo a lei a obrigação de antecipação do pagamento do tributo, o mesmo ocorre. Entendo que no caso, mesmo considerando a justificativa da DRJ para não reconhecer a decadência parcial do lançamento e a pretensão do contribuinte, a questão se resume a verificar a "antecipação do pagamento" ou não do tributo, nos períodos em questão. A DRJ copiou a DIPJ e disse que não havia pagamento de IRPJ. Porém, o contribuinte anexa cópias da DCTF onde se vê a declaração e a vinculação de pagamentos, conforme folhas 1466 a 1471. Entendo que a DCTF constitui uma declaração do débito e do crédito e que a autoridade fiscal possui então, todos os elementos necessários à atividade de homologação. Portanto, o prazo decadencial deve ser contado na forma do § 4º do artigo 150 do CTN. Conforme o § 2º do artigo 674 do RIR/1999, que foi usado com fundamento no lançamento: "considerase vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância (Lei nº 8.981, de 1995, artigo 61, § 2º)". Assim, entendo que de fato ocorreu a decadência dos tributos cujos fatos geradores ocorreram antes de 27 de março de 2008. Vejase a solução de divergência nº 26 da COSIT, de 31 de outubro de 2013: FATO GERADOR. MOMENTO DE OCORRÊNCIA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. DE NATUREZA PROFISSIONAL. IMPORTÂNCIAS CREDITADAS Considerase ocorrido o fato gerador do imposto de renda na fonte, no caso de importâncias creditadas, na data do lançamento contábil efetuado por pessoa jurídica, nominal ao fornecedor do serviço, a débito de despesas em contrapartida Fl. 4785DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10425.720713/201389 Acórdão n.º 2202003.454 S2C2T2 Fl. 4.786 13 com o crédito de conta do passivo, à vista da nota fiscal ou fatura emitida pela contratada e aceita pela contratante. A retenção do imposto de renda na fonte, incidente sobre as importâncias creditadas por pessoa jurídica a outra pessoa jurídica pela prestação de serviços caracterizadamente de natureza profissional, se dará na data da contabilização do valor dos serviços prestados, considerandose a partir desta data o prazo para o recolhimento. MÉRITO COMPROVAÇÃO DOS PAGAMENTOS Os pagamentos que foram considerados “sem causa” e ensejaram a presente autuação decorrem da seguinte constatação, conforme Relatório Fiscal (fl. 16 a 18): “Na análise dos lançamentos contábeis da empresa, ..., identificamos registros a débito da conta 1.1.2.14.0001 – Saldos a Regularizar, nos montantes de R$ 12.116.643,49 (2008) e R$ 12.618.038,31 (2009). ...o contribuinte foi intimado a justificar e apresentar os elementos comprobatórios de todos os lançamentos efetuados... (sublinhei) Tendo em vista que a empresa não apresentou justificativa quanto às contrapartidas nessa conta transitória ... lavramos o Termo de Intimação Fiscal 002, reintimandoo a apresentar elementos comprobatórios de lançamentos e cópias de cheques referentes a pagamentos efetuados a crédito da conta ... (sublinhei) Do exposto, fica caracterizada a existência de pagamentos ou entrega de recursos efetuados pela empresa sem a devida comprovação da operação ou da causa, incorrendo pois na infração prevista no § 1º do artigo 674, do RIR/1999...” Na folha 618 e seguintes, existe planilha com indicação de data, crédito/débito, histórico e valor de cada um dos pagamentos que foram considerados como “sem causa”, nos termos acima transcritos. Na folha 580 e seguintes, existe transcrição do Razão Analítico da Conta Caixa com contrapartida na Conta Bancos, indicando, em relação a tais pagamentos, a data, a instituição bancária, D/C, valor e histórico de cada pagamento. Ora, se esses pagamentos que se reputa sem causa estão assim tão bem identificados e o foram a partir de escrituração da própria empresa, em sua contabilidade, entendo que está presente a indiscutível comprovação, uma vez que caberia, no caso, que a empresa mostrasse que seu livro razão não espelha a verdade. O Auditor Fiscal não “presumiu” pagamentos, mas os constatou a partir da contabilidade da empresa e registros em livros obrigatórios. Fl. 4786DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10425.720713/201389 Acórdão n.º 2202003.454 S2C2T2 Fl. 4.787 14 Que houve o pagamento, houve, pois o numerário saiu da conta corrente da empresa, em instituições financeiras (conta Bancos). APLICAÇÃO DO DISPOSITIVO LEGAL O Recorrente diz que o artigo 61 da Lei nº 8.981/1995 não pode ser aplicado como fundamento legal para o lançamento em debate, só podendo ser aplicado naquelas situações em que o Fisco prova a existência de um pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, não podendo ser aplicado nas situações que eram acobertadas pelo artigo 44 da Lei nº 8.541, de 1995. Valhome do disposto no Acórdão 2201002.756, 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, sessão de 26 de janeiro de 2016: IRF. PAGAMENTO SEM CAUSA. COMPROVAÇÃO. A exigência do imposto de renda na fonte com fundamento no art. 61, da Lei nº 8.981/1995, somente se sustenta quando houver indiscutível comprovação de que o sujeito passivo efetuou pagamento sem causa justificada ou a beneficiário não identificado. Tendo sido comprovada, em parte, a causa dos pagamentos por meio de documentação hábil e idônea, bem como identificados os beneficiários, não há como subsistir a exigência do imposto, nessa parte. Ocorre que como fartamente debatido aqui, durante a fase de apuração do crédito tributário o contribuinte foi intimado e reintimado a identificar os beneficiários dos pagamentos e as causas. Não o fez. Lavrado o Auto de Infração, apresenta listagens com indicações dos beneficiários, que foram rejeitadas pela DRJ, porque não estavam acompanhadas de nenhuma documentação que as subsidiasse. Em sede recursal apresenta alguns documentos e, durante diligência determinada pelo CARF, apresenta outros mais. Além disso, diz que identificou grande parte dos beneficiários dos pagamentos. Analogamente, recordome do previsto no artigo 42, da Lei nº 9.430, de 1996, que estabelece a presunção legal de que depósitos bancários consideramse omissão de rendimentos quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. Vejamos que se o contribuinte nada responde ao Auditor Fiscal, o mesmo tem autorização legal para considerar os depósitos como omissão. Aqui neste caso, não tendo respondido ao Auditor Fiscal o mesmo, aplicando a lei, considerou os pagamentos, a partir dos extratos da conta Banco do Brasil Movimento, como pagamentos sem causa. Em sede de impugnação, o contribuinte apresenta apenas uma listagem. Em sede recursal vem documentos e identificação dos beneficiários e a alegação de que não se pode aplicar o dispositivo que foi aplicado na autuação porque, enfim, ele está apontando que foi o beneficiário dos pagamentos. Fl. 4787DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10425.720713/201389 Acórdão n.º 2202003.454 S2C2T2 Fl. 4.788 15 Ora, basta manterse inerte à fiscalização para tornar sem efetividade qualquer atuação, quando não possua explicações plausíveis ou documentação de suporte para pagamentos efetuados? É o caso dos depósitos sem origem comprovada quando mantendose inerte durante a fiscalização, em sede recursal identifica os depositantes. Entendo que neste caso não está ilidida a aplicação do dispositivo legal. E, como disse a DRJ, em sede administrativa não se pode deixar de aplicar a lei, sob alegação de inconstitucionalidade ou outra impropriedade qualquer, como a alegação do recorrente de que estaria o dispositivo tacitamente revogado com a entrada em vigor de outra lei. Lembro da Súmula CARF nº 02. Assim, para a solução deste litígio, pelo todo acima exposto, concluo da mesma forma que o Acórdão 2201002.756, acima citado: Entretanto, na sessão plenária realizada em 18 de setembro de 2012, os membros da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em razão da possibilidade de haver outros valores passíveis de exclusão da base de cálculo, decidiram converter o julgamento em diligência para intimar a contribuinte apresentar planilha relacionando todos os créditos que pretende comprovar, com a correspondente documentação probatória legível. Finalizada à diligência, a autoridade fiscal elaborou “Despacho de Diligência de fls. 14205/14208, do qual se extrai os seguintes trechos: (...) Pelo que se vê, a autoridade fiscal cotejou a gigantesca quantidade de documentos apresentados pela contribuinte, fls. 3371/14203, com os valores da exação e, ato continuo, elaborou planilha denominada "Comparativo Valor do Débito (cheque) x Desembolso Líquido", relativamente aos anos calendário de 2003, 2004 e 2005, fls. 14209/14391. O exaustivo trabalho elaborado pela autoridade lançadora identificou um colossal número de pagamentos cuja causa foi comprovada, sendo identificado na planilha de fls. 14209/14391 com expressão "Sim" na coluna do título "Pagamento Comprovado", além da informação na coluna "Observação" dos números dos cheques emitidos para compra dos créditos. (...) Portanto, como a análise da autoridade fiscal foi bastante criteriosa, só resta concordar com o procedimento efetuado e, dessa feita, excluir da base de cálculo os valores de R$ 111.236,93, R$ 3.126.664,94 e R$ 2.055.683,11, relativos aos anos calendário de 2003, 2004 e 2005, respectivamente, conforme planilhas juntadas na parte final deste voto. Em suma, entendo que cabia ao contribuinte, juntamente com a impugnação, apresentar seus argumentos, com a documentação de suporte, como estabelece o PAF. Entretanto, como foi determinada a diligência, seu resultado deve ser acatado, conforme Fl. 4788DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10425.720713/201389 Acórdão n.º 2202003.454 S2C2T2 Fl. 4.789 16 concluído pela Autoridade Fiscal. Não dou razão à recorrente quanto a cerceamento de defesa uma vez que teve várias oportunidades de demonstrar seu direito e não o fez, de forma individualizada e comprovada. CONCLUSÃO Na folha 4.201 o Auditor Fiscal disse que "pagamento com causa comprovada e operação comprovada recurso voluntário" igual a R$ 291.000,26. "Pagamento com Causa e Operação Comprovada Análise da Diligência Fiscal" igual aR$ 788.209,32. Somando os dois valores obtém um total de pagamentos com causa ou operação comprovada de R$ 1.079.209,58. Considerando que desse total, R$ 206.281,86 (relativos aos meses de janeiro e fevereiro) serão excluídos porque se consideram relativos a períodos decaídos, restam a excluir R$ 872.927,72. Face ao todo acima exposto, VOTO por dar provimento parcial ao recurso para: a) reconhecer a decadência dos fatos geradores ocorridos até 27 de março de 2008; b) alterar o lançamento conforme planilha elaborada pelo Auditor Fiscal, constante da folha 4201, ou seja, do total lançado como pagamento sem causa ou operação não comprovada e não decaído, considerar comprovados o valor de R$ 872.927,72. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 4789DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /07/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 12782.000014/2010-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Aug 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 01/02/2007 a 30/06/2007
Ementa:
NULIDADE. DRJ. AUSÊNCIA DE MANIFESTAÇÃO SOBRE O VALOR ADITADO DA AUTUAÇÃO.
Tendo sido alterado o valor da autuação (para maior) em função de incorreção em planilha, e reaberto prazo para manifestação dos sujeitos passivos, e tendo diversos deles questionado especificamente a matéria, é nula a decisão da DRJ que deixa de apreciar o tema, tomando em conta os valores originais da autuação.
Numero da decisão: 3401-003.186
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (presidente), Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Período de apuração: 01/02/2007 a 30/06/2007 Ementa: NULIDADE. DRJ. AUSÊNCIA DE MANIFESTAÇÃO SOBRE O VALOR ADITADO DA AUTUAÇÃO. Tendo sido alterado o valor da autuação (para maior) em função de incorreção em planilha, e reaberto prazo para manifestação dos sujeitos passivos, e tendo diversos deles questionado especificamente a matéria, é nula a decisão da DRJ que deixa de apreciar o tema, tomando em conta os valores originais da autuação.
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DRJ. AUSÊNCIA DE MANIFESTAÇÃO SOBRE O VALOR ADITADO DA AUTUAÇÃO. Tendo sido alterado o valor da autuação (para maior) em função de incorreção em planilha, e reaberto prazo para manifestação dos sujeitos passivos, e tendo diversos deles questionado especificamente a matéria, é nula a decisão da DRJ que deixa de apreciar o tema, tomando em conta os valores originais da autuação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (presidente), Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 78 2. 00 00 14 /2 01 0- 32 Fl. 8932DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório Versa o presente sobre autos de infração lavrados em 29/01/2010 (fls. 3 a 6, 7 a 10, 11 a 14 e 15 a 18, com ciência pessoal à empresa “WAYTEC” em 14/03/2013 fl. 85031), para exigência de: (a) Imposto de Importação (no valor de R$ 719.350,56) acrescido de juros de mora (R$ 208.556,01), multa de ofício de 150% em relação ao imposto (R$ 1.079.025,84) e de multa pela diferença entre o preço declarado e o arbitrado (R$ 5.940.257,14); (b) Imposto sobre Produtos Industrializados (no valor de R$ 954.962,00) acrescido de juros de mora (R$ 274.665,23), multa de ofício de 150% em relação ao imposto (R$ 1.432.443,00); (c) Contribuição para o PIS/PASEPimportação (no valor de R$ 118.425,40) acrescido de juros de mora (R$ 34.236,10), multa de ofício de 150% em relação à contribuição (R$ 177.638,09); e (d) COFINSimportação (no valor de R$ 115.979,76) acrescido de juros de mora (R$ 35.094,62), multa de ofício de 150% em relação à contribuição (R$ 173.969,63). A fiscalização conclui que restou apurada a ocultação/simulação da real adquirente da mercadoria (“MUDE” Comércio e Serviços LTDA) pela importadora (“WAYTEC” Tecnologia em Comunicação LTDA), e que foi comprovado subfaturamento nas importações relacionadas no Anexo 19 (99 das 159 importações) do Relatório de Auditoria Fiscal (RAF), sendo os preços das mercadorias efetivamente praticados aqueles encontrados nas faturas da Fabricante Cisco System INC., cf. art. 88 da Medida Provisória no 2.158 35/2001. No RAF (fls. 23 a 288), narrase que: (a) o objeto da fiscalização é a verificação do comprimento de obrigações fiscais da empresa “WAYTEC”, em especial o subfaturamento em importações formalmente registradas em seu nome, mas realizadas por conta e ordem da empresa “MUDE” (Grupo “MUDE/CISCO”), de fevereiro a junho de 2007; (b) a ação fiscal tem origem em procedimento criminal, no qual os servidores da RFB foram chamados a atuar como assistentes técnicos, tendo sido obtida autorização judicial para flexibilização de sigilo telefônico e de dados, franqueandose os resultados ao fisco; (c) com base em documentos e arquivos magnéticos apreendidos em 16/10/2007, na “operação PERSONA”, e em laudo pericial elaborado pela Polícia Federal, a fiscalização verificou que os equipamentos de telecomunicações (hardware) importados eram devidamente acompanhados dos respectivos softwares, embora esse fato não fosse declarado à RFB, objetivando reduzir indevidamente a base de cálculo dos tributos incidentes na importação; (d) os preços efetivamente praticados foram apurados a partir das faturas comerciais emitidas pela fabricante “CISCO SYSTEMS INC”, situada nos Estados Unidos da América (“CISCO EUA”), relacionandoos às Declarações de Importação (DI); 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 8933DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 12782.000014/201032 Acórdão n.º 3401003.186 S3C4T1 Fl. 8.933 3 (e) o esquema de interposição já foi relatado e comprovado em vários processos administrativos fiscais (autos de infração lavrados) como o de no 12782.000004/200963 (AI lavrado contra a empresa “MUDE”), e envolvia várias empresas interpostas, incluindo exportadoras situadas nos EUA, importadoras e distribuidoras brasileiras, empresas de despacho e assessoria, transportadores e o distribuidor americano da marca “CISCO”; (f) a “CISCO SYSTEMS INC” (“CISCO EUA”) é a matriz e principal estabelecimento empresarial do “grupo CISCO”, líder mundial na fabricação de roteadores, detentora de mais de 70% do mercado de tais equipamentos no Brasil, embora não exerça aqui atividades industriais, sendo sua subsidiária, a “CISCO” Brasil, um escritório de vendas; (g) o modelo de interposição está representado na figura de fl. 34, e sinteticamente é o seguinte: (1) após o pedido do comprador brasileiro, a “CISCO” indicava um revendedor de seus produtos (“MUDE”), que fazia o pedido junto à “CISCO EUA”, sendo que a “CISCO” não realizava as importações diretamente de sua matriz, mas “terceirizava” as operações via “MUDE”; (2) a “CISCO EUA” também não vendia diretamente para o Brasil, mas a um distribuidor (“MUDE USA”), que revendia a um exportador interposto (v.g. LOGCIS, GSD, LATAM, 3TECH, ROMFORD), que por sua vez exportava a uma empresa no Brasil (no presente processo, a “WAYTEC”, uma das várias empresas interpostas empregadas no esquema fraudulento de importações, que incluía o subfaturamento), sempre sob o controle da “MUDE”; (3) a documentação era emitida em nome do importador interposto (“WAYTEC”), que nacionalizava a mercadoria como se fosse seu real adquirente; (4) após a importação, a importadora interposta (“WAYTEC”) simulava venda transferindo à distribuidora interposta (v.g. TECNOSUL), que, no mesmo dia, simulava uma venda para o real adquirente (“MUDE”), seguindo as mercadorias diretamente do local de desembaraço aduaneiro para o real adquirente (“MUDE”); (5) os recursos para liquidação do contrato de câmbio e pagamento de tributos eram repassados da real adquirente (“MUDE”) para a distribuidora, que, por sua vez, os repassava à importadora interposta, sendo que estas duas últimas não possuíam capacidade econômicofinanceira para realização das importações; (6) no exterior, os recursos enviados ao exportador interposto seguiam ao distribuidor, chegando ao real exportador/fabricante; (7) assim, em síntese, o que ocorria de fato era um exportação da “CISCO EUA” para a “MUDE”, real adquirente e detentora dos recursos financeiros, mediante “duplo grau de blindagem” duas interpostas, tanto na importação quanto na exportação; (h) as empresas participantes do esquema formavam organização sob comando único (Grupo “MUDE/CISCO”), interagindo em uma série de operações simuladas, que permitiam o abastecimento do mercado nacional com os produtos CISCO gozando de indevida redução de tributos; Fl. 8934DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 (i) tais empresas, que movimentaram milhões de reais, normalmente tinham em seus quadros societários empresas offshore (sediadas em “paraísos fiscais”) ou pessoas desprovidas de recursos (“laranjas”), como pedreiros, ambulantes, operadores de “telemarketing”, auxiliares de escritório e ferramenteiros, tendo sido efetuados aprimoramentos ao esquema ao longo dos anos; (j) a “PRIME”, constituída em 05/08/2003, com capital de R$ 300.000,00 e três funcionários, e habilitada a operar no comércio exterior em 05/02/2004, importou em 16 meses aproximadamente US$ 84,5 milhões (90% proveniente da empresa “3 TECHEUA”), vendendo as mercadorias importadas à distribuidora interposta “TECNOSUL”, por R$ 293.057.623,52, e iniciou distribuição de lucros com apenas três meses de operação, à “SOFTWARE LINKS”, sócio com sede às Ilhas Bahamas, por meio de uma conta no Uruguai (no montante de R$ 42.045.571,40) valores de venda e distribuição extraídos do livro Razão Analítico da empresa; (k) a empresa “WAYTEC”, que importava produtos fabricados pela CISCO USA de 2001 a 2003, ano em que foi criada a empresa “PRIME”, que passou a operar como importadora até 2005, quando teve a habilitação cancelada por detecção de interposição fraudulenta, sendo seguida pela empresa “BRASTEC”, que atuou até 2006, tendo sido evidenciadas irregularidades em sua habilitação, o que fez com que, em 2007, fossem retomadas as importações com a empresa “WAYTEC”, que operou até meados de 2007 (quando a “PRIME” volta a operar, por força de decisão que reverte a inaptidão inicialmente declarada; (l) às fls. 46 a 125 do RAF são apresentadas as empresas participantes do esquema: “CISCO SYSTEMS” (EUA) e “CISCO” Brasil (beneficiária do esquema, e definidora do cliente final e das condições de venda, repassando o cliente à “MUDE”); “MUDE USA” (gerenciada por Luiz SCARPELLI Filho, que até 2006 era sócio da “MUDE”), exportadores interpostos (“GSD”, “3 TECH”, “ROMFORD”); distribuidoras interpostas (“TECNOSUL”, com quadro societário formado por um ferramenteiro e por uma operadora de “telemaketing”, com capacidade econômica incompatível vide resumo de patrimônio declarado/IRPF, fls. 83 e 84 para compor uma empresa que movimentou, em três anos, mais de R$ 1 bilhão faturamento declarado IRPJ); empresas de logística (como a “WHAT’S UP” cf. documentos de fls. 123 a 13/ Anexo 10 do RAF, que controlava os processos de importação em andamento, e tinha no quadro societário as duas filhas de Reinaldo de Paiva GRILLO, gerente da área de importação da “MUDE”); e real adquirente (“MUDE”), que comanda todas as operações, não só financeiramente, mas operacionalmente, sendo controladora (100%) da “MUDE USA”; (m) a “WAYTEC” foi constituída em 1992, em Ilhéus/BA tem como atividade principal a fabricação de periféricos para equipamentos de informática, possuindo capital subscrito e integralizado de R$ 150.000,00, tendo importado, em 2006, produtos no valor de US$ 27.474.221,00, e, em 2007, de janeiro a maio, no montante de US$ 47.501.644,00; Fl. 8935DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 12782.000014/201032 Acórdão n.º 3401003.186 S3C4T1 Fl. 8.934 5 (n) tendo parque fabril para fabricação de monitores de vídeo, em Ilhéus, e diversas empresas conectadas (WAYLOG Sistemas LTDA, WAYTEC Agropecuária LTDA, WAYTEC Minas Eletroeletrônicos LTDA, WAYTEC Comercial LTDA, WAYTEC Manufatura LTDA), a “WAYTEC” operou no esquema cedendo o nome para o grupo MUDE/CISCO realizar importações, registrandoas como diretas, em troca de comissão que ficava em torno de 3,5% do valor das importações; (o) a decisão de optar pela “WAYTEC” em 2007 (face a procedimento especial na BRASTEC) pode ser encontrada em anotações na agenda da funcionária Patrícia Saviolli, da “MUDE” (fl. 49), tendo a “WAYTEC” sido usada em 159 importações da “MUDE”, de devereiro a junho de 2007; (p) a “WAYTEC” obteve empréstimo em 12/02/2007 junto ao Banco do Brasil S.A., no valor de R$ 4.000.000,00, avalizado pela empresa “MUDE”, conforme documento apreendido por ordem judicial na “WAYTEC”, tendo sido tal montante utilizado para recolhimento de tributos aduaneiros em DI registradas pela “WAYTEC” vinculadas a operações da “MUDE”; (q) em 16/05/2007 a “WAYTEC” recebe da “MUDE”, via “TECNOSUL”, R$ 3.435.119,10, transferindoo para a conta referente ao empréstimo, quitando o saldo devedor; (r) para facilitar a visualização do esquema de ocultação, a fiscalização elaborou três planilhas, referentes a origem dos recursos, a fluxo das mercadorias, e a pagamento das importações da “WAYTEC”, com explicações às fls. 53 a 56, sendo ainda a insuficiência de recursos para realizar as importações endossada na transcrição de áudio de fl. 57, e pelos documentos de fls. 58 a 65; (s) a “MUDE”, constituída em 15/01/2002, sofreu diversas alterações societárias, sendo seus sócios no momento da autuação Fernando Machado GRECCO (75%) e Hélio Benetti PEDREIRA (25%), tendo sido anteriormente sócios José Roberto Pernomian RODRIGUES, Marcílio Palhares LEMOS, Luiz SCARPELLI Filho; e as empresas estrangeiras “FULFILL” (com sede nas Ilhas Virgens Britânicas, cujo responsável perante a RFB é a própria “MUDE”, tendo como procurador o gerente financeiro da “MUDE”, Marcílio Palhares LEMOS), e “NORDSTROM” (com sede no Panamá, cujo procurador é o responsável pelo setor administrativo da “MUDE”, Gustavo Henrique Castellari PROCÓPIO); (t) as documentações judicialmente apreendidas (v.g. agenda da funcionária da “MUDE” Patrícia Saviolli Anexo 4 do RAF; e estudo de escritório de advocacia sobre possíveis fragilidades do esquema e eventuais penalidades que seriam aplicadas pelo fisco em caso de detecção de interposição Anexo 16 do RAF) revelam que a empresa era efetiva controladora financeira e operacional das atividades do esquema; Fl. 8936DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 (u) no email transcrito às fls. 91/92, percebese que Marcílio Palhares LEMOS (gerente financeiro e exadministrador da “MUDE”) destaca que a empresa estaria com problemas de fluxo de caixa por ter que antecipar impostos e taxas para liberação de cargas (endossando a operacionalidade descrita para o esquema fraudulento); (v) o controle financeiro, na “MUDE”, é exercido por Marcílio Palhares LEMOS, gerente financeiro, que controlava o fluxo financeiro da empresa e das interpostas, o que se comprova por documentos apreendidos em sua residência (excertos às fls. 96 a 102); (w) o controle operacional era efetuado por Reinaldo de Paiva GRILLO, efetivo gerente da “WHAT’S UP”, procurador da “FULFILL” (exsócia majoritária da “MUDE”), representante da “RAYWELL” (com sede nas Ilhas Virgens Britânicas, sócia majoritária da “FULFILL”, que tinha como sócios também dois panamenhos, que também eram sócios da “NORDSTROM”, que foi sócia da “MUDE”), exfuncionário da “PHASE2” (com quadro societário também permeado por pessoas repetidamente referidas neste autos), e efetivo “gerente de importação” da “MUDE” (como comprovam documentos, v.g. os de fls. 105 a 117 e os Anexos 18D e 18E do RAF), sendo que foi possível em transcrições de áudio confirmar que GRILLO estabelecia o conteúdo das faturas (invoices) de exportação fl. 125, e que havia nos computadores da “WHAT’S UP”/ “MUDE” arquivos magnéticos apreendidos contendo faturas do ano de 2007 da “MUDE USA” e da “FULFILL” para os exportadores interpostos, e destes para os importadores interpostos fl. 113/Anexo 18B do RAF; (x) os benefícios das fraudes são relacionados às fls. 126 a 156 do RAF (ausência ou pagamento a menor de ICMS na importação; quebra da cadeia do IPI; e subfaturamento, pela não inclusão do “software” no valor aduaneiro das mercadorias importadas exemplos concretos às fls. 139 a 156); (y) presentes a fraude, a sonegação e o conluio, como demonstrado, não restou dúvida de que o “preço efetivamente praticado na importação” era aquele consignado na invoice emitida pela “CISCO EUA” (sendo possível identificar as mercadorias ao longo das operações realizadas com as interpostas por meio de um código “referência brasoft#”, que as acompanha em todo o percurso); (z) a redução da base de cálculo ocorria mediante duas formas de “SPLIT”: (1) embora a “CISCO EUA” vendesse os roteadores com fatura contendo valor único, na distribuidora “MUDE USA” o grupo separava (documental, e não fisicamente) o software (programa dos roteadores) do hardware (roteador), efetuando venda separada às exportadoras interpostas; e (2) a separação entre software e hardware já aparecia nas faturas da a “CISCO EUA” (também de forma meramente documental), passando dali para diante a figurarem nas importações somente os valores de hardware; Fl. 8937DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 12782.000014/201032 Acórdão n.º 3401003.186 S3C4T1 Fl. 8.935 7 (aa) o roteador é composto pelo hardware, que abrange os componentes físicos, e pelo software, responsável pelo gerenciamento das funcionalidades do equipamento; (bb) a “CISCO EUA” classifica os softwares em oito grupos, sendo o primeiro obrigatório (IP BASE) localizado dentro do roteador, acompanhandoo desde a saída da fábrica, e os outros sete opcionais (avançados); (cc) além de importações de roteadores, eram realizadas importações de software, em CD, o que reforça o dolo na obtenção de documentação comprobatória de importação regular do software, pois o software também já estava dentro dos roteadores importados (cf. se destaca às fls. 173 a 203, sendo alguns softwares embarcados no mesmo pallet do hardware, e cf. perícia técnica realizada em roteador retido durante despacho de importação, antes do desembaraço, por ordem da Justiça Federal, na Operação “PERSONA” fls. 204 a 208); (dd) a partir dos documentos apreendidos, foi possível reconstituir com precisão a base de cálculo das importações registradas e das já desembaraçadas (no RAF são relacionadas as provas colhidas às fls. 212 a 216); (ee) de 13/02/2007 a 25/06/2007, é comprovado o subfaturamento em 99 Declarações de Importação registradas pela “WAYTEC” (listadas na planilha do Anexo 19 do RAF, que detalha o tipo de fraude, sendo seguida pelos documentos comprobatórios exemplos dos dois tipos de fraude às fls. 217 a 226, e 227 a 229); (ff) são ainda, ao final do RAF, apontados outros elementos comprobatórios: (1) Roteiro intitulado “processos de compra e venda de softwares”, distribuído pelos dirigentes da “MUDE” a seus funcionários (no qual chegase a descrever que a importação do software seria “fictícia”, e que no caso de o software já estar integrado no hardware, o software é “jogado fora”); (2) anotação feita por funcionária da “MUDE” apontando riscos no split, tendo em vista o módulo ser “faturado splitado” e “físico integrado”); e (3) arquivo apreendido na residência de Marcelo Naoki IKEDA, com slides de apresentação informando que para importação, a “MUDE” precisa de fatura se part number separados, e qual a economia com isso; (gg) ao tratar da participação dos dirigentes, o RAF traz conversas que revelam explicitamente a ciência por diretores de que a “MUDE”, na expressão por eles usada, faz a separação software/hardware “na cara dura”, com proposta de “fazer uma simulação bem mais agressiva em software”, e frases como “ele vinha com um produto só, era mais cara de pau para a MUDE importar separado”; e (hh) solidariamente à “WAYTEC” se apresentam, além das pessoas físicas destacadas (termos individualizados indicados na tabela a seguir Anexo 20 do RAF) as empresas “CISCO” e “MUDE”, pelo interesse comum, Fl. 8938DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 sendo a última também responsável solidária por expressa determinação legal (art. 32, parágrafo único, “c” do DecretoLei no 37/1966); (ii) são, assim, em síntese, relacionados no polo passivo como solidárias as seguintes pessoas: Pessoa Razões (síntese) Termo às folhas MUDE Comércio e Serviços LTDA Ocultada pela “WAYTEC”, é a real adquirente das mercadorias (com composição já descrita no RAF), e controladora da “MUDE LATAM LLC” USA (100%). Não apresenta recolhimentos de IPI. Possui estreita vinculação com a “CISCO”, capitaneada por Carlos Roberto CARNEVALI. Organograma às fls. 6317/6318. 6293 a 6341 CISCO do Brasil LTDA A “CISCO”, conforme documentado no RAF, define o preço e as condições do negócio em relação aos compradores finais (“end user”) dos roteadores. Participação ativa no esquema caracterizada em documentos e transcrições de áudio como as de fls. 6400 a 6402 e 6407 a 6415. Toda a cadeia do esquema é acionada a partir da negociação da “CISCO” com o cliente final. 6383 a 6440 Fernando Machado GRECCO Sócio e exsócio de diversas empresas do grupo (“MUDE”75%; “MUDE EUA”Presidente; “UNIÃO DIGITAL”3,50%; “FULFILL”3,55%, empresa com débitos de R$ 42 milhões inscrito em dívida ativa; “PHASE2”3,55% utilizada pelo grupo para ocultar mediante offshore os verdadeiros proprietários; e “ORPHEUS” 99,98%). Atua efetivamente na “MUDE”, onde ocupou o cargo de diretor de marketing, à época dos fatos. É um dos grandes beneficiários do esquema, e procurador da offshore “CANSONS”, sócia da “PHASE2” (na “MUDE” foi encontrada planilha intitulada “QUADROS SOCIETÁRIOS GRUPO” relacionando a “PHASE2”, que ocupava o mesmo endereço da “FULFILL”, que antecedeu a “MUDE” no esquema). Vários documentos apreendidos em sua residência indicam a participação ativa no esquema. Documentos comprovam o evento denominado venda de 75% da “MUDE” pelo grupo JDTC. Após a venda, IKEDA, SCARPELLI e GRECCO (Grupo LIG) teriam 75% e o Grupo JDTC teria 25% da “MUDE”. 3495 a 3540 Marcelo Naoki IKEDA Faz parte do grupo desde a “UNIÃO DIGITAL”, tendo vinculação com a “FULFILL”. Os organogramas encontrados nas diversas apreensões dão conta de sua posição de diretor comercial da “MUDE” e do conhecimento do esquema. Assinou como responsável pela offshore “CASPIAN OVERSEAS”, que passou a deter ações da “FULFILL”. Após a Operação PERSONA, retificou suas declarações de IRPF para reconhecer ser proprietário da offshore “CORDELL”. Documentos comprovam o evento denominado venda de 75% da “MUDE” pelo 4106 a 4144 Fl. 8939DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 12782.000014/201032 Acórdão n.º 3401003.186 S3C4T1 Fl. 8.936 9 grupo JDTC. Após a venda, IKEDA, SCARPELLI e GRECCO (Grupo LIG) teriam 75% e o Grupo JDTC teria 25% da “MUDE”. Marcílio Palhares LEMOS É sócio ou possui vínculo com as seguintes empresas do grupo: “PLCON” (90%); “CBFM” (56%); “MUDE” (exadministrador) e “PHASE2” (exadministrador). À época dos fatos era diretor financeiro da “MUDE”, e o mentor financeiro do grupo e de todo o fluxo financeiro do esquema, inclusive estrangeiras e offshore, cf. documentos referidos às fls. 4979 a 5037. 4975 a 5040 Moacyr Álvaro SAMPAIO Sócio e exsócio de diversas empresas do grupo, como “UNIÃO DIGITAL” e “JDTC”. Ocupava, à época dos fatos, o cargo mais elevado (CEO) na “MUDE”. Apesar de não constar formalmente do quadro societário da “MUDE”, documentos relacionados às fls. 5094 a 5144 comprovam que é um dos grandes mentores do esquema. Participa ainda do quadro societário da “MUDE EUA” e de uma exportadora interposta, a “LOGCIS”. Também retificou suas declarações IRPF após a Operação PERSONA, diversas vezes, para reconhecer participação em diversas empresas offshore, por meio das quais recebia distribuição disfarçada de lucros no negócio. 5091 a 5164 Hélio Benetti PEDREIRA Sócio e exsócio de diversas empresas do grupo, como “UNIÃO DIGITAL” e “JDTC”. Participando explicitamente do quadro societário da “MUDE” (25%), compõe os quadros hierárquicos superiores do grupo, ao lado de SAMPAIO, CARNEVALI, COSTA, GRECCO, IKEDA, SCARPELLI e RODRIGUES. Documentos relacionados às fls. 5749 a 5783 comprovam que tem pleno conhecimento, pratica atos de gestão e se beneficia do esquema. Também retificou suas declarações de IRPF após a Operação PERSONA para reconhecer participações em offshores do esquema. 5743 a 5799 Gustavo Henrique Castellari PROCÓPIO É advogado, e pertence ao grupo desde o início (“UNIÃO DIGITAL”), tendo participação em offshores como a “CORDELL” e a “NORDSTROM”. Na “MUDE”, foi promovido a gerente de operações por RODRIGUES (diretor de operações), reportandose diretamente a ele, cf. organograma de fl. 5584. Seus conhecimentos são importantes da manutenção das simulações do grupo sob investigação, e, atuando com respaldo em procuração que lhe dão plenos poderes de gestão sobre empresas do grupo, participa efetivamente do esquema, conforme documentos relacionados às fls. 5585 a 5611. 5582 a 5614 José Roberto Pernomian RODRIGUES Sócio e exsócio de diversas empresas do grupo, como “DBRO” e “MUDE”, e responsável por empresas estrangeiras. Diretor Operacional do 4309 a 4344 Fl. 8940DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 10 grupo “MUDE”, é um dos mentores do esquema de interposição fraudulenta e subfaturamento. Entre os diretores, é o mais atuante, cf. organogramas e documentos obtidos. Sua jurisdição se estende a outras empresas do grupo, além da “MUDE”. Sócio oculto da JDTC, que tem na “MUDE” um de seus investimentos no país. Luiz SCARPELLI Filho Apresentou declaração de saída definitiva do país em 25/02/2007, constando agora como residente nos EUA. Era sócio da “MUDE” (diretor de operações, sucedido por RODRIGUES) e mentor do esquema, ao lado de outros diretores. Até 2006, o quadro societário da “MUDE” tinha somente SCARPELLI (0,16%) e a offshore “NORDSTROM” (99,84%), cujos sócios são “laranjas” vinculados a escritório de advocacia especializado em criar offshores. Após o crescimento da estrutura fraudulenta, o grupo optou por enviálo aos EUA para defender os interesses negociais lá. Nos EUA, passou a constar formalmente como controlador das empresas utilizadas na fraude (“MUDE EUA” e “LOGCIS”). Sua participação ativa é endossada pelos documentos relacionados às fls. 4711 a 4719. 4680 a 4723 Pedro Luis Alves COSTA É sócio ou foi administrador de diversas empresas do grupo, como “UNIÃO DIGITAL”, “PHASE2”, “JDTC” e “DBRO”. Assina pela empresa offshore “CANSONS”, uma das principais do esquema (entre outras, como a “ZENROSS”, e “SINBOLD”), e compõe os altos quadros hierárquicos do grupo “JDTC”. A planilha de fl. 6066 representa a participação de cada membro na venda da “MUDE”, inclusive de COSTA. A participação ativa é demonstrada ainda nos documentos de fls. 6067 a 6090. 6055 a 6093 Reinaldo de Paiva GRILLO Era procurador da offshore “FULFILL HOLDING”, exsócia majoritária da “MUDE”, e representante da offshore “RAYWELL OVERSEAS”. Foi funcionário da “PHASE2” e, à época dos fatos, chefiava a “WHAT’S UP”, formalmente em nome de suas filhas, que prestava assessoria de comércio exterior ao grupo (em verdade, tal empresa era o setor de importação da “MUDE”, que controlava os trâmites desde a compra nos EUA até a chegada nos depósitos da “MUDE”). Tinha efetiva participação no esquema, conforme documentos relacionados às fls. 6245 a 6268. 6243 a 6271 Carlos Roberto CARNEVALI Era vicepresidente da “CISCO” para a América Latina até ser demitido, após a deflagração da Operação PERSONA. Possui antiga relação com Hélio Benetti PEDREIRA, com quem montou, ao lado da “CISCO”, a “UNIÃO DIGITAL”, que em pouco tempo se tornou a maior revendedora “CISCO” para a América Latina. Assina pelas offshores “HARBORSIDE” e “PULLMANN” (que recebeu pagamentos da “CANSONS”). 3712 a 3755 Fl. 8941DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 12782.000014/201032 Acórdão n.º 3401003.186 S3C4T1 Fl. 8.937 11 Mesmo após a lavratura de Auto de Infração referente a ICMS de R$ 81 milhões contra a “UNIÃO DIGITAL”, a sociedade entre eles permaneceu, na atual “MUDE”. Os principais líderes do grupo “MUDE” se reuniam com CARNEVALI, tratando explicitamente sobre as operações do esquema, e sua gestão, havendo fortes indícios de que seja sócio oculto da “JDTC”. Havia preocupação do grupo “MUDE” em não mencionar seu nome, pois era sócio da “CISCO”. A empresa “WAYTEC” não é originalmente cientificada da autuação. Apenas após advertida da omissão pela DRJ (em 04/03/2013 fl. 8499), a unidade local cientifica a autuada, em 14/03/2013 (fl. 8503), ainda assim sem fornecer cópia de toda a documentação anexa à autuação, o que motiva novo envio da DRJ para a unidade, para reabrir prazo de impugnação, em 26/04/2013 (fl. 8528). A “WAYTEC” já havia apresentado impugnação em 12/04/2013 (fls. 8509 a 8522 não aditada em função da reabertura de prazo), sustentando que: (a) há referências na autuação a documentos anexos que somente foram disponibilizados posteriormente à empresa, impedindo a plena defesa (em que pese ter sido aberto prazo para complementação da defesa, que não foi empreendida); (b) há ausência de prova efetiva de subfaturamento, existindo simples comparação com outros produtos similares vendidos no mercado, e ausência de prova da ocultação fraudulenta do real importador, ou da antecipação de recursos, existindo simples presunção; e (c) o desembaraço das declarações de importação homologou expressamente o lançamento feito pelo contribuinte, não podendo haver revisão de critério jurídico, em ofensa ao art. 149 do CTN. As impugnações apresentadas pelos responsáveis solidários trazem argumentos comuns aos apresentados pela “WAYTEC” (que serão no quadro abaixo designados apenas pelas letras correspondentes aos itens da impugnação da “WAYTEC”, adotadas acima) e argumentos diversos (a serem relacionados sinteticamente no mesmo quadro): Pessoa Razões/argumentos da Impugnação síntese (no caso de repetição, relacionase somente a letra correspondente, entre aspas) Folhas (data) MUDE Comércio e Serviços LTDA “(b)”, no que se refere a presunções, afirmando que não há nos autos um único documento de conhecimento da impugnante que demonstre subfaturamento; e “(c)”, no que se refere à alteração de critério jurídico; (d) a autuação é nula porque foi pessoal, visto que os autuantes foram assistentes técnicos no processo criminal; 7112 a 7248 (28/06/2010) Fl. 8942DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 12 (e) diante da extensão da autuação, o prazo para impugnação foi insuficiente, configurando ofensa ao contraditório e à ampla defesa (destacandose que o que se deseja não é a prorrogação do prazo, mas a decretação da nulidade); (f) o auto é nulo, pois o material probatório obtido prestase somente à instrução da ação penal, não podendo ser utilizado no processo administrativo, por violar os incisos X (intimidade, honra, vida privada...), XI (casa) e XII (correspondência e comunicações telefônicas) do art. 5o da Constituição Federal, e o disposto na Lei no 9.296/1996; (g) vários documentos e provas sequer correspondem aos períodos objeto da autuação, não podendo embasar a exigência fiscal; (h) há impossibilidade de utilização de a provas emprestadas (do processo judicial, sem aprofundamento administrativo); (i) há nulidade na autuação, por cerceamento de defesa, por não terem sido transcritas integralmente as provas judicialmente obtidas (sobretudo interceptações telefônicas, que às vezes sequer eram parcialmente transcritas, existindo apenas “resumos” elaborados pelo próprio fisco), e por não ter sido colacionada a totalidade dos documentos que embasam a autuação; (j) há nulidade na autuação por existirem contradições e equívocos; (k) houve erro na conversão cambial, ao tomarse a data de registro das declarações de importação, mas utilizarse taxa diferente da oficial (fornecida pelo BACEN); (l) não houve individualização dos fatos geradores dos tributos e das multas, ou dos juros/ das classificações fiscais, tendo havido detalhamento dos fatos geradores somente em planilha anexa; (m) o modelo de negócio adotado pela empresa requer a existência da figura do integrador (empresa que contata a “MUDE” para que forneça produtos “CISCO” vendidos no país a usuários finais, que sabiam que o produto seria importado da CISCO ou de suas terceirizadas no exterior), o que dava celeridade ao processo, mais eficiente e adaptado ao modelo just in time, com alavancagem da cadeia de negócios (apoio de recursos de terceiros, fabricantes ou consumidores finais), sendo decisiva a interdependência entre os agentes, embora cada um tivesse seu papel (detalhado às fls. 7169/7170), tendo sido o modelo reconhecido como lícito por renomado tributarista brasileiro (Paulo de Barros Carvalho); (n) não houve caracterização de hipótese de responsabilidade solidária, em afronta ao contraditório e à ampla defesa, sendo que a responsabilidade a que se refere o art. 124, I é somente aplicável ao contribuinte (aquele que efetivamente pratica o verbo do critério material da hipótese de incidência tributária ou da multa), e a “MUDE” nunca teve interesse na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, e não há previsão de solidariedade para Fl. 8943DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 12782.000014/201032 Acórdão n.º 3401003.186 S3C4T1 Fl. 8.938 13 a multa; (o) há nulidade do auto de infração porque não houve procedimento fiscalizatório em face da “MUDE”; (p) o art. 81, § 2o do RA e a Decisão 4.1 do Comitê de Valoração Aduaneira tratam do softwarebase física e não do softwarelicença de uso; assim, não houve subfaturamento (em verdade, subvaloração), mas má compreensão da legislação referente ao software, que distingue a base física (que pode até acompanhar o hardware ou estar em CD) do direito de uso (seja por encomenda ou “de prateleira”), que não compõe o valor aduaneiro, pelo que os softwares contidos em alguns hardwares não tinham valor sem a licença de uso, e as licenças poderiam amparar mais de um software base física; (q) a Portaria MF no 181/1989 ampara o entendimento da recorrente; (r) a perícia foi conduzida de forma parcial, sendo analisados somente 14 modelos de equipamento da “CISCO” (restando 3 sem análise, conforme reconhece a perícia), estendendose a presunção aos demais, sendo que nenhum deles era de declaração de importação da “WAYTEC”; (s) não houve importação por conta e ordem ou interposição fraudulenta, pois não houve prova individualizada das supostas antecipações de recursos, não há ativos contábeis que possam ser atrelados à aludida antecipação (fazendo a escrituração prova a favor da empresa), e a operação descrita pela fiscalização (revenda) corresponde à importação por encomenda, sendo que a empresa não é nem a vendedora nem a destinatária final do produto; (t) não houve simulação, mas ainda que houvesse, isso não bastaria para configuração das situações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 6.404/1964, que duplicam o percentual da multa de ofício, pois não houve prova de dolo por parte da empresa; (u) não há possibilidade de cumulação das multas previstas no art. 44, II da Lei no 9.430/1996 (150% sobre a diferença de tributos) e no art. 88, parágrafo único da Medida Provisória no 2.15835/2001 (100% sobre a diferença entre o preço declarado e o efetivamente praticado), e estas são desproporcionais e confiscatórias; (v) deve haver aproveitamento dos créditos de IR/Fonte e CIDE, surgidos de eventual pagamento a maior decorrente da linha dotada pelo fisco; (w) não há previsão legal para a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício agravada e sobre a multa equivalente ao valor das mercadorias; (x) a utilização da Taxa SELIC para cálculo dos juros de mora é ilegal. Fl. 8944DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 14 CISCO do Brasil LTDA “(f)” e “(h)”, no que se refere a prova emprestada do procedimento judicial, com violação ao contraditório e à ampla defesa, e à ilicitude da violação de sigilo de comunicações; “(m)”, no que se refere à incompreensão, pelo fisco, do modelo de negócios adotado (“canais de distribuição” / Doc. 11 fl. 7775); “(n)”, no que se refere a ausência de interesse comum, destacando que a enorme maioria das provas coligidas (abstraindose de sua validade) referese à “WAYTEC” e à “MUDE”, e que a impugnante não importou mercadoria nem adiantou recursos a outra empresa para que o fizesse, não havendo ainda motivo para responsabilizála pela multa devida por prática de ato ilícito (não tributário, mas administrativo) por terceiro; (y) cabia à “MUDE” no Brasil proceder à importação para o Brasil e a distribuição dos produtos fabricados pela “CISCO EUA”, conforme modelo de negócios do grupo “CISCO”, usado em mais de 80 países e também pela maioria de seus concorrentes (não tendo a “CISCO EUA” vendido mercadorias a terceiros nos EUA, mas apenas entregue a freight forwarders da “MUDE” e da “FULFILL”, sua antecedente); (z) em investigação efetuada pela “CISCO EUA” sobre a “MUDE”, ao receber denúncia de que o Sr. CARNEVALI (presidente da “CISCO” no Brasil) estaria por trás de offshore controladora da “MUDE”, indagouse sobre a detalhada composição da offshore, que só foi obtida depois de celebrar “acordo de não revelação de informação”, o que não constitui violação à legislação (nem conhecimento do “esquema”), mas apuração de violação ao Código de Ética da “CISCO”; (aa) não havia elementos documentais que pudessem indicar à “CISCO” (EUA ou Brasil) que empresas alegadamente sem capacidade econômica estariam sendo fraudulentamente interpostas na cadeia de importação de seus produtos, sendo que as conversas telefônicas e as negociações de preço estão em consonância com o modelo de negócios adotado; (bb) em relação à alegação específica acerca da separação do valor relativo a software e hardware, a política da “CISCO” sempre foi a de que o software embutido no hardware deve ser tratado como hardware, de modo que o preço cobrado na venda de produtos pela “CISCO EUA” inclui o valor do software, e, em todas as faturas classificadas pela fiscalização como “split pelo segundo método”, o que ocorre é mero detalhamento do preço do hardware e do respectivo software ou outro subitem nas faturas, sendo que em todas elas o preço total (hardware + software) é faturado pela “CISCO EUA” contra a “MUDE EUA” em um único documento (e não em duas faturas), e se houve faturamento em separado, este foi realizado pelo adquirente dos seus produtos, sem gerência da “CISCO”; e (cc) a “CISCO” efetivamente concedia linhas de crédito à “MUDE”, o que era comum inclusive com outros parceiros, o que não se reveste de nenhuma ilegalidade, ou comprova qualquer dependência/gestão, ou adiantamento. 7759 a 7830 (29/06/2010) Fernando Machado GRECCO “(b)”; “(c)”; “(d)”; “(e)”; “(f)”; “(g)”; “(h)”; “(i)”; “(j)”; “(k)”; “(l)”; “(m)”; “(n)”, em relação à pessoa física impugnante; 7708 a 7755 (28/06/2010) Fl. 8945DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 12782.000014/201032 Acórdão n.º 3401003.186 S3C4T1 Fl. 8.939 15 “(p)”; “(q)”; “(r)”; “(s)”; “(t)”; “(u)”; “(v)”; “(w)”; e “(x)”. Marcelo Naoki IKEDA “(b)”; “(c)”; “(d)”; “(e)”; “(f)”; “(g)”; “(h)”; “(i)”; “(j)”; “(k)”; “(l)”; “(m)”; “(n)”, em relação à pessoa física impugnante; “(p)”; “(q)”; “(r)”; “(s)”; “(t)”; “(u)”; “(v)”; “(w)”; e “(x)”. 7601 a 7651 (28/06/2010) Marcílio Palhares LEMOS “(b)”; “(c)”; “(d)”; “(e)”; “(f)”; “(g)”; “(h)”; “(i)”; “(j)”; “(k)”; “(l)”; “(m)”; “(n)”, em relação à pessoa física impugnante; “(p)”; “(q)”; “(r)”; “(s)”; “(t)”; “(u)”; “(v)”; “(w)”; e “(x)”. 7446 a 7494 (28/06/2010) Moacyr Álvaro SAMPAIO “(b)”; “(c)”; “(d)”; “(e)”; “(f)”; “(g)”; “(h)”; “(i)”; “(j)”; “(k)”; “(l)”; “(m)”; “(n)”, em relação à pessoa física impugnante; “(p)”; “(q)”; “(r)”; “(s)”; “(t)”; “(u)”; “(v)”; “(w)”; e “(x)”. 7498 a 7545 (28/06/2010) Hélio Benetti PEDREIRA “(b)”; “(c)”; “(d)”; “(e)”; “(f)”; “(g)”; “(h)”; “(i)”; “(j)”; “(k)”; “(l)”; “(m)”; “(n)”, em relação à pessoa física impugnante; “(p)”; “(q)”; “(r)”; “(s)”; “(t)”; “(u)”; “(v)”; “(w)”; e “(x)”. 7656 a 7703 (28/06/2010) Gustavo Henrique Castellari PROCÓPIO “(b)”; “(c)”; “(d)”; “(e)”; “(f)”; “(g)”; “(h)”; “(i)”; “(j)”; “(k)”; “(l)”; “(m)”; “(n)”, em relação à pessoa física impugnante; “(p)”; “(q)”; “(r)”; “(s)”; “(t)”; “(u)”; “(v)”; “(w)”; e “(x)”. 7395 a 7442 (28/06/2010) José Roberto Pernomian RODRIGUES “(b)”; “(c)”; “(d)”; “(e)”; “(f)”; “(g)”; “(h)”; “(i)”; “(j)”; “(k)”; “(l)”; “(m)”; “(n)”, em relação à pessoa física impugnante; “(p)”; “(q)”; “(r)”; “(s)”; “(t)”; “(u)”; “(v)”; “(w)”; e “(x)”. 7550 a 7597 (28/06/2010) Luiz SCARPELLI Filho “(f)”, “(g)” e “(h)”, em relação a provas emprestadas e elementos do procedimento criminal; “(l)”, visto que “a multa regulamentar versa sobre o valor comercial da mercadoria, o que não se admite na figura do arbitramento”; e “(n)”, destacando que não teve participação em qualquer fraude, que atuava como diretor na empresa “MANUS”, que prestava serviços à “MUDE”, da qual passou a ser sócio minoritário a título de bonificação, não havendo evidências de excesso de poder, e que sequer consta como denunciado no processo criminal. No mérito, se reporta aos argumentos de defesa da “WAYTEC”. 7948 a 7961 (13/07/2010) Pedro Luis Alves COSTA “(g)”, em relação ao período das provas obtidas (2003); “(n)” em relação à caracterização de responsabilidade tributária tão somente com base no art. 124, I do CTN, sem que a pessoa tenha praticado atos de gerência (art. 135, III do CTN), e sobre a responsabilidade por infrações, que é pessoal, e sem prova de sua atuação nas condutas apontadas; “(o)”, em relação à pessoa física impugnante, destacando que se configurou, na hipótese, cerceamento de defesa; e (dd) não há provas de que nas transcrições, a expressão “PC” se refira a “Pedro COSTA”, quando poderia se referir, v.g., a “para a contabilidade ou “por contrato”, ou prova de que a ele pertença a offshore “ZENROSS”. 6566 a 6602 (09/06/2010) Reinaldo de Paiva GRILLO “(f)”, no que se refere à prova derivada do processo judicial e à ilicitude da violação de sigilo de comunicações; e “(n)”, no que se refere à responsabilidade solidária e ao interesse comum, tendo o próprio fisco concluído que o impugnante “possivelmente” teria relação com o fato (destacandose que é mero prestador de serviços em logística, jamais foi funcionário da “MUDE” ou equiparouse a participante sob o 6629 a 6653 (28/06/2010) Fl. 8946DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 16 aspecto societário, jamais se comprovou má gestão de sua parte, e a “WHAT’S UP” não tinha qualquer vínculo com a “MUDE”, não podendo provas obtidas com terceiros operarem em seu desfavor), restando cerceado seu direito de defesa, pois desconhece os fatos e não tem acesso aos respectivos documentos e provas. Carlos Roberto CARNEVALI “(b)” e “(i)”, no que se refere a presunções e transcrições de conversas; “(m)”; “(n)”, no que se refere à responsabilidade solidária e ao interesse comum (art. 124, I do CTN), porque não existe qualquer prova de que foi ou é sócio da “WAYTEC” nem que se beneficiou de sas importações, e nem tampouco de que exerceu a administração / gerência (art. 135 do CTN) de qualquer empresa importadora, distribuidora ou comerciante dos produtos, tendo, no máximo, havido interesse coincidente, com convergência de vontades para um mesmo fim, sendo as provas pretensamente carreadas aos autos resultado de análise superficial efetuada pelo fisco (v.g. em relação à participação na “UNIÃO DIGITAL” inexistente, em relação à autuação de tal empresa por falta de recolhimento de ICMS – que foi cancelada, e em relação a e mail trocados, que só comprovam a amizade entre os gerentes das empresas); “(o)”, em relação à pessoa física impugnante, em ofensa à verdade material, e por não ter como avaliar as operações realizadas pela autuada, mormente pelo distanciamento operacional que existiu entre a “CISCO” e todas as empresas importadoras, distribuidoras e comerciantes; (ee) a “CISCO” (empresa que presidia) figurava como mera representante comercial da “CISCO EUA”, para divulgar projetos/produtos, sendo que no momento de operacionalizar a venda não havia qualquer interferência da “CISCO”; (ff) tinha carreira de sucesso na “CISCO” nacional e internacional, e estava afastado das atividades diárias da “CISCO” Brasil (em função de representação da “CISCO” internacional, pela qual viajava constantemente ao exterior) quando, em novembro de 2007, foi surpreendido com a comunicação de que fora dispensado da empresa por justa causa; (gg) o aporte que o fisco afirma que o impugnante fez na JDTC via fundo da empresa americana “STORM VENTURES”, na verdade, foi um aporte à própria “STORM VENTURES”, da qual ele é sócio; e (hh) apenas prestou consultoria à “MUDE”, objetivando possível venda ou abertura de capital, após o afastamento da “CISCO”, tendo a “MUDE” inclusive lhe enviado um organograma já com seu nome no Conselho de Administração (uma das propostas de emprego que analisava). 6659 a 6721 (28/06/2010) No expediente de fl. 8081, narrase que foi constatado erro na planilha de cálculo da COFINS, que ocasionou lançamento a menor. Corrigida a planilha (fls. 8083 a 8086), comunicase que foi enviada ao autuado e aos responsáveis solidários para ciência, reabrindose prazo para manifestação. Os valores totais de COFINS lançados passaram daqueles indicados ao início deste relatório para R$ 545.474,53 (principal), R$ 157.692,53 (juros) e R$ 818.211,80 (multa). Os documentos que atestam as ciências dos sujeitos passivos Fl. 8947DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 12782.000014/201032 Acórdão n.º 3401003.186 S3C4T1 Fl. 8.940 17 estão às fls. 8087 a 8123, tendo sido dois deles cientificados por edital, por residirem no exterior (SCARPELLI e COSTA, respectivamente às fls. 8110 e 8117). Sobre o erro de cálculo, manifestaramse: (a) Marcelo Naoki IKEDA (fls. 8128 a 8139, no sentido da nulidade da revisão do lançamento por ofensa ao art. 142 do CTN, e pela ausência de lavratura de auto de infração complementar, com reabertura de prazo para impugnação, mencionando ainda a existência de repercussão geral em matéria relacionada a responsabilidade solidária de sócios); (b) José Roberto Pernomian RODRIGUES (fls. 8170 a 8181, com idênticos argumentos); (c) Fernando Machado GRECCO (idem, fls. 8215 a 8226); (d) Hélio Benetti PEDREIRA (idem, fls. 8256 a 8267); (e) Moacyr Álvaro SAMPAIO (idem, fls. 8298 a 8309); (f) Marcílio Palhares LEMOS (idem, fls. 8343 a 8354); (g) Gustavo Henrique Castellari PROCÓPIO (idem, fls. 8392 a 8403); e (h) MUDE Comércio e Serviços LTDA (idem, fls. 8448 a 8458). Após dois envios do processo da DRJ à unidade local, para regularização de ciência da “WAYTEC” (já referidos no tópico referente à impugnação da empresa), é proferida a decisão de primeira instância, em 28/08/2013 (fls. 8532 a 8645), no sentido de que: (a) sendo a prova fruto de quebra de sigilo telefônico ou de dados e tendo esta sido obtida originalmente para fins de investigação criminal ou instrução processual penal, não há impedimento para sua posterior utilização em processo administrativo fiscal, ainda mais quando expressa em manifestação do magistrado no processo judicial (excerto transcrito à fl. 8562), conforme vem decidindo o CARF; (b) os documentos anexados à autuação (v.g. Anexo 19) possuem relação específica com o período e o tema referidos no lançamento, e os que não possuem relação direta se prestam tão somente a exemplificar o modus operandi utilizado pelo grupo; (c) não se aplica ao caso narrado nos autos o ADI SRF no 07/2002, dada a falsidade ideológica das faturas comerciais, tendo em conta que o real adquirente era a empresa “MUDE”; (d) a ausência de Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) específico para cada pessoa não nulifica o lançamento efetuado; (e) em sede de processo fiscal tributário, são nulos somente os atos e termos lavrados por agente incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; (f) merecem reforma os lançamentos que contenham vícios formais relevantes à matéria deduzida na autuação, mas referidas hipóteses, todavia, não estão presentes nos Fl. 8948DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 18 autos (sendo os equívocos apontados inexistentes ou irrelevantes, conforme destacado às fls. 8582 a 8585); (g) a ilegalidade e a inconstitucionalidade da legislação tributária (v.g. no que se refere à vedação ao confisco) não são oponíveis na esfera administrativa; (h) o aproveitamento de créditos é operação diversa da objetivada na autuação, por se referir à saída de mercadorias do estabelecimento da empresa (ou de situação diversa, no caso de licença de uso de software / CIDE); (i) não há negligência da fiscalização no fato de não ter intimado as responsáveis solidárias durante o procedimento de fiscalização, tendo sido assegurados a ampla defesa e o contraditório na fase contenciosa; (j) a transcrição não integral das escutas telefônicas não nulifica a autuação, sendo ônus da autuada contrapor o material probatório trazido aos autos pela fiscalização; (k) as operações de comércio exterior realizadas pela autuada por conta e ordem de terceiros, sem atender às condições da legislação de regência, caracterizam a ocultação do real adquirente das mercadorias e tipificam a figura da interposição fraudulenta (o que, no caso, é endossado pelo modelo negocial apontado, pelos quadros societários das empresas, com presença invariável de offshores controladas por pessoas vinculadas ao grupo, e de “laranjas”, e pelos elementos probatórios descritos exemplificativamente às fls. 8588/8593); (l) no caso de equipamentos eletrônicos (hardwares) importados com os respectivos softwares já instalados, inexiste previsão legal para exclusão do valor aduaneiro do custo ou valor de softwares contidos em circuitos integrados, semicondutores e dispositivos similares, ainda que este valor ou custo encontrese destacado no documento de aquisição; (m) constatado que os preços das mercadorias consignados nas Declarações de Importação e correspondentes faturas comerciais que instruíram os despachos para consumo não correspondiam à realidade das transações efetuadas, na medida em que o valor correspondente aos softwares era ocultado, mediante a simulação documental de uma separação (split) entre hardware e software que de fato nunca ocorreu, resta caracterizado o subfaturamento; Fl. 8949DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 12782.000014/201032 Acórdão n.º 3401003.186 S3C4T1 Fl. 8.941 19 (n) a prova de que os equipamentos importados traziam dentro de si softwares é efetuada a partir de informações técnicas (predominantemente do próprio sítio da “CISCO”) e documentos apreendidos (fls. 8597 a 8599), o que se comprova no laudo técnico da Polícia Federal (sendo os impedimentos opostos ao laudo incabíveis, ou resultantes de equívoco da defesa); (o) o Acordo de Valoração Aduaneira do GATT prevê a tributação dos direito de licença, sendo excepcionada a exigência somente nas hipóteses descritas na Decisão CVA 4.1 (trazida para o art. 81 do Regulamento Aduaneiro), entre as quais não se encontra a tratada nestes autos, o que em nada se opõe às normas e à jurisprudência indicadas na defesa, como endossa o Parecer COSIT no 22/1999; (p) caracterizado o subfaturamento, são exigíveis os tributos aduaneiros incidentes nas operações de comércio exterior, acrescidos da multa de ofício qualificada e dos juros de mora, bem assim a multa calculada sobre a diferença entre o valor real e o declarado; (q) não houve alteração de critério jurídico, pois a ocultação não detectada antes do desembaraço aduaneiro das mercadorias foi só agora comprovada em ato de revisão aduaneira; (r) não há que se falar na impossibilidade da cumulação das multas por subfaturamento (parágrafo único do art. 88 da MP 2.15835/2001) e de ofício (art. 44 da Lei 9.430/96), posto que autorizada por expressa disposição legal; (s) as pessoas que tenham interesse comum (não só econômico, mas jurídico, agindo de forma a operacionalizar o esquema fraudulento) na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal são solidariamente obrigadas em relação ao crédito tributário (detalhamentos por pessoa ao longo da decisão); (t) a pessoa, física ou jurídica, que concorra, de alguma forma, para a prática de atos fraudulentos ou deles se beneficie responde solidariamente pelo crédito tributário decorrente; (u) os juros de mora são calculados à Taxa SELIC, conforme disposição legal, e incidem inclusive sobre o valor das multas. Fl. 8950DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 20 Cientificada da decisão de piso em 16/09/2013 (cf. AR de fl. 8658), a empresa “WAYTEC” apresenta recurso voluntário em 15/10/2013 (fls. 8660 a 8672), basicamente reiterando os argumentos expressos em sua impugnação sobre ausência de elementos probatórios “(b)” e alteração de critério jurídico “(c)”, acrescentando que à fl. 25 do Auto de Infração se narra que a empresa ainda sofrerá autuação para aplicação da penalidade prevista no art. 33 da Lei no 11.488/2007 (que se entende não cumulável com a multa substitutiva do perdimento). A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional apresenta suas contrarrazões em 09/12/2013 (fls. 8679 a 8693), basicamente alegando que: (a) apenas a empresa “WAYTEC” apresentou recurso voluntário, questionando três pontos: existência de revisão do lançamento, impossibilidade de cumulação das multas e ausência de prova efetiva da imputação; (b) a revisão aduaneira é expressamente prevista no Regulamento Aduaneiro; (c) diversas provas da ocultação e do subfaturamento são apresentadas na autuação, e não refutadas pela recorrente (v.g. as indicadas às fls. 8686 a 8689); e (d) não há conflito entre as multas aplicáveis. Às fls. 8695 a 8766 agregase Recurso Voluntário interposto em 11/11/2013 por Carlos Roberto CARNEVALI (que havia obtido vista do processo em 21/10/2013, cf. documento de fl. 8790). Na peça recursal, reiterase a argumentação da impugnação, acrescentandose que o recorrente foi absolvido (por ausência de comprovação da autoria) das denúncias efetuadas (ser sócio oculto da “MUDE”) no processo judicial no 0005827 49.2003.403.6181 (o mesmo processo do qual são retiradas as provas utilizadas pelo fisco), por sentença proferida pela 4a Vara Criminal Federal/SP. Em 23/07/2014, a PGFN pede adiamento do julgamento (fl. 8797), obtendo deferimento. Em 11/08/2014 (fls. 8830 a 8832), a PGFN vem manifestar, diante da alegação de suspeição do presidente da turma de julgamento, durante a sessão de julho/2014, que discorda da designação do vicepresidente para presidir o julgamento, entendendo que a presidência deve recair sobre conselheiro representante da Fazenda, solicitando seja a questão, diante da omissão regimental, remetida ao Presidente do CARF, para solução. Em 22/08/2014, o presidente de turma se manifesta (fls. 8855/8856) pela inexistência de omissão regimental, também submetendo a questão ao Presidente do CARF. Em 10/12/2014, a recorrente “CISCO” se manifesta (fls. 8868 a 8872) no sentido da insubsistência da demanda efetuada pela PGFN, solicitando a determinação, pelo presidente do CARF, da continuidade do julgamento. Em 23/12/2015, o recorrente Carlos Roberto "CARNEVALI" agrega aos autos (fls. 8887 a 8895) notícia de prolação do acórdão pela Primeira Turma do TRF da 3a Região, nos autos da Apelação Criminal no 000582749.2003.4.03.618, que manteve a sua Fl. 8951DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 12782.000014/201032 Acórdão n.º 3401003.186 S3C4T1 Fl. 8.942 21 absolvição na esfera penal. O mesmo recorrente traz aos autos, em 02/10/2015 (fls. 8887 a 8895), comunicação de que ocorreu o trânsito em julgado da ação penal, com sua absolvição. Em 28/12/2015, a recorrente “CISCO” reitera (fls. 8920/8921) a solicitação para que seja dada solução à questão submetida ao presidente do CARF. O Presidente do CARF se manifesta no despacho de fls. 8928/8929, em 19/01/2016, afirmando que a questão anteriormente posta agora encontra solução expressa no Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09/06/2015, precisamente no § 1o do artigo 17 do Anexo II. Assim, a controvérsia levantada pela PGFN perde seu objeto, dado que o novo julgamento será realizado sob a nova orientação regimental. Em 05/05/2016 o processo retorna a este relator, para prosseguimento (fl. 8931). É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Os recursos voluntários apresentados preenchem os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, deles se toma conhecimento. Cabe destacar, contudo, que somente consta nos autos ter havido ciência da decisão da DRJ à empresa “WAYTEC”, não existindo nenhum documento que comprove ter a unidade local tentado cientificar qualquer dos 13 responsáveis solidários. O único dos responsáveis solidários que interpõe recurso voluntário o faz porque solicitou cópias do processo. Assim, novamente peca a unidade local, que já havia sido informada pela DRJ em duas ocasiões sobre a importância da correta ciência para o contraditório e a ampla defesa. Fosse somente esse o problema detectado nos autos, bastaria a conversão em diligência, para que os 12 responsáveis solidários restantes fossem devidamente cientificados da decisão de primeira instância (ou para que fosse carreada aos autos prova de que efetivamente tomaram ciência e deixaram transcorrer in albis o prazo para interposição de recurso voluntário). Mas há obstáculo ainda maior à apreciação do processo no estágio em que se encontra: a DRJ parece ter ignorado a alteração efetuada nos montantes lançados. Recordese que os valores exigidos a título de COFINSImportação eram originalmente R$ 115.979,76 (principal), R$ 35.094,62 (juros de mora) e R$ 173.969,63 (multa de ofício). Fl. 8952DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 22 Contudo, como relatado, no expediente comunicase que foi constatado erro na planilha de cálculo da COFINS, que ocasionou lançamento a menor, e que, corrigida a planilha (fls. 8083 a 8086), foram os interessados cientificados, reabrindo prazo para manifestação (fls. 8087 a 8123). Os valores de COFINSImportação passaram, após a correção, a R$ 545.474,53 (principal), R$ 157.692,53 (juros) e R$ 818.211,80 (multa). No julgamento efetuado pela DRJ, em 28/08/2013 (fls. 8532 a 8646) a decisão sequer menciona a alteração de valores para maior, inclusive relatando o processo com os montantes originalmente lançados a título de COFINSImportação (fl. 8535). Ocorre que oito dos responsáveis solidários expressamente questionaram a majoração do montante lançado, em manifestações que não foram analisadas pelo julgador de piso: (a) Marcelo Naoki IKEDA (fls. 8128 a 8139); (b) José Roberto Pernomian RODRIGUES (fls. 8170 a 8181); (c) Fernando Machado GRECCO (fls. 8215 a 8226); (d) Hélio Benetti PEDREIRA (fls. 8256 a 8267); (e) Moacyr Álvaro SAMPAIO (fls. 8298 a 8309); (f) Marcílio Palhares LEMOS (fls. 8343 a 8354); (g) Gustavo Henrique Castellari PROCÓPIO (fls. 8392 a 8403); e (h) MUDE Comércio e Serviços LTDA (fls. 8448 a 8458). Assim, temos que restou prejudicado o direito de defesa de tais pessoas pela decisão da DRJ, nos moldes ensejadores da nulidade estampada no art. 59, II do Decreto no 70.235/1972, e que a análise de tal matéria por este CARF ocasionaria incontornável supressão de instância. Deve, então, o processo ser submetido a novo julgamento de primeira instância, no qual se tome em conta a argumentação expressa pelos oito sujeito passivos em relação à majoração efetuada em decorrência de detecção de erro na planilha. Acrescentese recomendação para que a DRJ, antes de proferir a nova decisão, certifiquese (se necessário, mediante diligência) da motivação externada pela unidade local para intimar, à época, dois sujeitos passivos por edital (SCARPELLI e COSTA, respectivamente às fls. 8110 e 8117), destacandose que ambos já haviam apresentado impugnação à autuação, nos montantes originalmente lançados. Pelo exposto, voto no sentido de anular a decisão de primeira instância proferida nestes autos. Rosaldo Trevisan Fl. 8953DF CARF MF Impresso em 01/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 10830.724374/2012-47
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 01/11/2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. NATUREZA DO VÍCIO.
Tratando-se de omissão no Relatório Fiscal, no sentido de que o lançamento visava prevenir a decadência, e sendo tal omissão plenamente suprida na decisão de primeira instância, não há que se falar em nulidade por vício material, eis que não mais restou dúvida acerca da suspensão da exigibilidade do crédito tributário.
Recurso Especial do Procurador provido
Numero da decisão: 9202-003.868
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Realizou sustentação oral a patrona da recorrida, Dra. Carina Elaine de Oliveira, OAB/SP 197.618.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora.
EDITADO EM: 21/03/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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NULIDADE. NATUREZA DO VÍCIO. Tratandose de omissão no Relatório Fiscal, no sentido de que o lançamento visava prevenir a decadência, e sendo tal omissão plenamente suprida na decisão de primeira instância, não há que se falar em nulidade por vício material, eis que não mais restou dúvida acerca da suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Recurso Especial do Procurador provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Realizou sustentação oral a patrona da recorrida, Dra. Carina Elaine de Oliveira, OAB/SP 197.618. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora. EDITADO EM: 21/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 43 74 /2 01 2- 47 Fl. 1070DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 2 Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Em 22/11/2012, a Contribuinte foi cientificada de dois autos de infração por descumprimento de obrigações principais (contribuição patronal e terceiros) e de um por descumprimento de obrigações acessórias (fls. 52). O procedimento fiscal abrangeu os períodos de apuração de 01/2008 a 11/2009. Os períodos de 2009 foram tratados no processo nº 10830.724375/201291, apenso ao presente processo. Para o período de 01/2008 a 11/2008 foram comparadas as multas impostas pela legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e as impostas pela legislação superveniente, aplicandose as penalidades menos severas para o contribuinte, conforme demonstrativo no anexo “Safis – Comparação de Multas". Em sede de impugnação (fls. 797 a 804), a Contribuinte comunicou a existência do processo judicial nº 0000017.15.2012.403.6105 (fls. 811 a 923), com sentença proferida em 15/06/2012, exonerando a matriz e determinando que o fisco refizesse os lançamentos em face da filial, conforme a seguir: "JULGO PARCIALMENTE PROCEDENTE O PEDIDO, razão pela qual cancelo em parte as exigências fiscais relativas às contribuições previdenciárias, quota patronal, decorrente do Ato Cancelatório no. 21.424.1/001/2004, uma vez que os documentos coligidos aos autos atestam o expresso reconhecimento dos entes federados (União, Estado e Município), quanto à autora, da sua condição de entidade beneficente assistencial. De outro lado, diante da impossibilidade de se estender automaticamente o benefício fiscal constante do art. 195, 7º., da Constituição Federal, à filial da autora, que, por sua vez, deve abranger unicamente as rendas destinadas à entidade beneficente matriz para o desenvolvimento das suas atividades estatutárias, determino que a parte ré promova a revisão do lançamento, mediante a devida apuração das contribuições previdenciárias e dos benefícios legais gozados indevidamente pela filial, conforme motivação, nos termos da legislação vigente, e que, em sendo o caso, constitua o crédito tributário e adote as medidas administrativas pertinentes em face desta, resolvendo o mérito nos termos do artigo 269, inciso I, do Código de Processo Civil" A decisão de Primeira Instância foi no sentido de não se conhecer da Impugnação, na parte em que tratava da validade do Ato Cancelatório de Isenção, tendo em vista a renúncia ao contencioso administrativo, em razão de propositura de ação judicial com objeto idêntico ao veiculado no processo administrativo (fls. 927 a 943). Quanto aos Autos de Infração, estes foram mantidos, inclusive com as penalidades. O lançamento fiscal compreende exigências contra a matriz e contra a filial. Os Discriminativos de Débito indicam especificamente os créditos tributários lançados contra cada um dos estabelecimentos (fls. 60 a 68 e 77 a 81). Em sessão plenária de 21/01/2014, foi julgado o Recurso Voluntário s/n, prolatandose o Acórdão nº 2403002.392 (fls. 1.018 a 1.036), assim ementado: Fl. 1071DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 10830.724374/201247 Acórdão n.º 9202003.868 CSRFT2 Fl. 1.071 3 "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 30/11/2008 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP OCORRÊNCIA INOBSERVÂNCIA DE PROVIMENTO JUDICIAL AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO VÍCIO MATERIAL Tendo o fiscal autuante não demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, há que se falar em nulidade do lançamento. A lavratura das autuações deve observar sentença judicial anteriormente prolatada, de forma a refletila na fundamentação sob pena de se violar os princípios da ampla defesa e da segurança jurídica. Recurso Voluntário Provido" A decisão foi assim resumida: “ACORDAM os membros do Colegiado, em preliminares, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para anular por vício material os AIOP nº 37.366.6136, AIOP nº 37.366.6144 e AIOA nº 37.366.6128. Fez sustentação oral a Dra. Carina Elaine de Oliveira OAB nº 19.7618/SP." O processo foi encaminhado à PGFN em 03/07/2014 (Despacho de Encaminhamento de fls. 1.037). Assim, conforme o art. 7º, da Portaria MF nº 527, de 2010, a Fazenda Nacional poderia interpor Recurso Especial até 17/08/2014, o que foi feito em 05/08/2014 (fls. 1.038 a 1.048), conforme o Despacho de Encaminhamento de fls. 1.049. O Recurso Especial está fundamentado nos artigos 64 e 67, do Anexo II, do RICARF, e visa rediscutir a declaração de nulidade do lançamento natureza do vício. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 04/08/2015 (fls. 319 a 325). Em seu apelo, a Fazenda Nacional apresenta os seguintes argumentos, em síntese: a decisão ora recorrida determinou a anulação por vício material do lançamento por ausência de descrição clara e detalhada do fato gerador do Imposto de Renda Pessoa Física; sabese que o Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, estabelece os requisitos que devem fazer parte do auto de infração e da notificação de lançamento nos arts. 10 e 11, nos seguintes termos: “Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I – a qualificação do autuado; Fl. 1072DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 4 II – o local, a data e a hora da lavratura; III – a descrição do fato; IV – a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V – a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI – a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I – a qualificação do notificado; II – o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III – a disposição legal infringida, se for o caso; IV – a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico.” pela leitura dos dispositivos dantes transcritos, percebese que os requisitos neles elencados possuem natureza formal, ou seja, determinam como o ato administrativo, in casu, o lançamento, deve exteriorizarse; com efeito, tal disciplina tem por objetivo uniformizar o procedimento de autuação da fiscalização, de maneira a conferir garantias ao contribuinte, em especial da ampla defesa e do contraditório; acerca da distinção entre vício formal e material, cabe colacionar a lição de Leandro Paulsen (Direito Tributário – Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2008, 10ª ed., p. 1.164), verbis: “Vício formal x vício material. Os vícios formais são aqueles atinentes ao procedimento e ao documento que tenha formalizado a existência do crédito tributário. Vícios materiais são os relacionados à validade e à incidência da lei.” Lídia Maria Lopes Rodrigues Ribas (Processo Administrativo Tributário. Editora Malheiros. 2ª Ed. 2003. p. 70), por outro lado, esclarece que o elemento da formalidade, componente do ato administrativo, é “o revestimento exteriorizador do ato, previsto no ordenamento jurídico e deve ser integrada pela motivação, isto é, a exteriorização das razões de fato e de direito que levam à edição do ato”. trilhando na mesma direção, leciona Marcelo Caetano (Manual de Direito Administrativo. Tomo 1, 10ª Ed., Lisboa, 1973, p. 56) que “O vício de forma existe sempre que na formação ou na declaração da vontade traduzida no ato administrativo foi preterida alguma formalidade essencial ou que o ato não reveste a forma legal”. Esclarece, ainda, que: “Formalidade é, pois, todo ato ou fato, ainda que meramente ritual, exigido por lei para segurança da formação ou da expressão da vontade de um órgão de uma pessoa coletiva”. Fl. 1073DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 10830.724374/201247 Acórdão n.º 9202003.868 CSRFT2 Fl. 1.072 5 e ainda, Luiz Henrique Barros de Arruda (Processo Administrativo Fiscal. Editora Resenha Tributária Ltda, 2ª Ed., 1994, p. 81), se manifesta a respeito do vício formal da seguinte maneira: “Vício Formal A expressão vício formal, por seu turno, compreende as incorreções e omissões de forma do ato (artigos 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72), assim como as falhas ou omissões quanto a Formalidades que devem ser respeitadas na feitura do lançamento. Para as finalidades do artigo 173, inciso II do CTN, essas formalidades necessitam ser essenciais à legalidade do ato, pois, somente essas ensejam a revisão de ofício do lançamento e autorizam a realização de um novo, em consonância com o artigo 149, inciso IX, “in fine”, do CTN, que estatui: ‘Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I a VIII – omitidos; IX – quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade essencial.’” à luz desses ensinamentos, temse que um lançamento tributário é anulado por vício formal quando não se obedece às formalidades necessárias ou indispensáveis à existência do ato, isto é, às disposições de ordem legal para a sua feitura. na hipótese em apreço, a descrição deficiente do fato gerador, vício apontado pelo colegiado como causa nulidade do lançamento por vício material, a toda vista, não pode ser considerado como de tal natureza e intensidade a ponto de determinar a exclusão dos valores do lançamento, pois se assim fosse estarseia afirmando que o motivo (fato) nunca existiu; com efeito, não há que se confundir falta de motivo com falta ou deficiência de fundamentação/motivação; a primeira representa a exposição dos motivos, ou seja, a demonstração, por escrito, de que os pressupostos de fato que justificam o ato realmente existiram; já a motivação diz respeito às formalidades que ensejam a formação do ato. No caso em debate, o voto condutor é claro ao afirmar que a descrição fática é deficiente; tratase, portanto, de motivação deficiente do ato administrativo. Portanto, vício de forma; a propósito, a jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes é farta em decisões que, ao determinarem o cancelamento do lançamento por falta de preenchimento de alguns de seus requisitos, como a descrição dos fatos geradores, consideraram que se tratava de nulidade por vício de forma (cita jurisprudência do CARF); por tudo, concluise que o acórdão recorrido mostrase equivocado ao afirmar que a deficiência na descrição dos fatos originários do lançamento constitui causa pura Fl. 1074DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 6 e simples para a anulação do lançamento por vício material, eis que se vício existe no lançamento, este é de natureza formal, visto que relacionado a elemento de exteriorização do ato administrativo devendo ensejar, portanto, a nulidade do lançamento nesses termos (por vício formal). desse modo, a reforma parcial do acórdão recorrido é medida que se impõe. Ao final, a Fazenda Nacional pede que o recurso seja conhecido e provido para reformar o acórdão atacado e declarar a natureza meramente formal do vício que maculou o lançamento tributário, facultando ao Fisco efetuar novo lançamento, obedecido o prazo decadencial. Cientificada em 27/10/2014 (AR Aviso de Recebimento de fls. 1.056/1.057), a Contribuinte ofereceu, em 11/11/2014, as Contrarrazões de fls. 1.060 a 1.067, contendo os seguintes argumentos, em resumo: preliminarmente, os paradigmas não guardam semelhança com o acórdão recorrido; no que tange ao paradigma representado pelo Acórdão nº 230200.386, este não se refere a falta de observância de decisão judicial, que traz consequências ao lançamento, alterando sua materialidade; quanto ao paradigma representado pelo Acórdão nº 240100.018, este não guarda relação com o recorrido, uma vez que a inobservância a decisão judicial não é mera "descrição deficiente no relatório fiscal de modo a efetivamente demonstrar a ocorrência do fato gerador dos créditos tributários lançados", mas sim de vício material, ou seja, proveniente de preceitos legais; no mérito, o recurso não deve ser provido, pelo evidente vício material reconhecido no acórdão recorrido; a falta de observância do processo judicial não representa mera exteriorização dos fundamentos da constituição do crédito tributário; a decisão judicial, no âmbito material e não de mera formalidade, determinou o cancelamento dos lançamentos relativos à matriz e a revisão dos lançamentos possivelmente incidentes sobre a filial; a inobservância das duas determinações acima configuram erro de direito, por descumprimento de imposição substancial, material, determinante para o lançamento, e não mera formalidade, uma vez que deveria ter sido feito meramente para prevenir a decadência inclusive sem qualquer multa; entendimento contrário acarretaria a reanálise dos fatos, incabível neste momento. Ao final, a Contribuinte pede que seja negado provimento ao recurso, mantendose integralmente o acórdão recorrido. Voto Fl. 1075DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 10830.724374/201247 Acórdão n.º 9202003.868 CSRFT2 Fl. 1.073 7 Conselheira MARIA HELENA COTTA CARDOZO O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir acerca do atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade. No caso do acórdão recorrido, foi declarada a nulidade do lançamento por vício material. A Fazenda Nacional, por sua vez, pugna pela declaração de vício formal. Em sede de Contrarrazões, a Contribuinte alega que os paradigmas não guardariam semelhança com o acórdão recorrido, já que não tratariam de vício substancial. Em face de tal alegação, e tratandose de discussão acerca da natureza de vício verificado em lançamento de tributo, é imprescindível que se verifique a motivação da declaração de nulidade em cada um dos julgados em confronto, a ver se haveria similitude entre elas. No caso do acórdão recorrido, o vício apontado seria a ausência de menção, na fundamentação da autuação, de que o lançamento estaria sendo realizado para prevenir a decadência. Confirase o voto condutor do julgado guerreado: "(5) Da autuação fiscal em relação à Matriz do sujeito passivo Cumpre esclarecer que o lançamento fiscal deve ser elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. (...) Por outro lado, as autuações fiscais em relação à Matriz, CNPJ nº 46.043.980/000100, quais sejam, AIOP nº 37.366.6136, AIOP nº 37.366.6144 e AIOA nº 37.366.6128, deveriam ter sido lavradas com a fundamentação de que o lançamento fiscal estaria sendo realizado para se prevenir a decadência, com referência expressa à sentença prolatada no Processo Judicial nº 000001715.2012.4.03.6105, porquanto este processo judicial, conforme consulta ao site do TRF 3ª região (http://www.trf3.jus.br) em 17.01.2014, ainda não transitou em julgado. Logo, as autuações lavradas em relação à Matriz do sujeito passivo, CNPJ nº 46.043.980/000100, devem ser anuladas por vício material pela falta de fundamentação, violando portanto o art. 142, CTN, por não refletir o prolatado na sentença decorrente do Processo Judicial nº 000001715.2012.4.03.6105, o que, ademais, claramente também implicou em violação aos princípios constitucionais da ampla defesa e da segurança jurídica posto que o contribuinte teve o provimento judicial a seu favor descumprido pela AuditoriaFiscal, mesmo que momentâneo pois ainda não tinha ocorrido o trânsito em julgado. (6) Da autuação fiscal em relação à Filial do sujeito passivo Fl. 1076DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 8 Em relação à filial do sujeito passivo, CNPJ nº 46.043.980/000291, temos que a sentença judicial decidiu que se faça a revisão dos lançamentos para constituir eventual crédito tributário relativo às contribuições previdenciárias incidentes sobre a Filial da Recorrente CNPJ n° 46.043.980/000291. No entanto, conforme o já exposto, compulsandose o Relatório Fiscal, às fls. 722 a 730, não se encontra qualquer referência à decisão judicial prolatada, em 14.06.2012, no Processo Judicial nº 000001715.2012.4.03.6105, restandose óbvio que o procedimento fiscal na fase de lavratura dos Autos de Infração, quais sejam, AIOP nº 37.366.6136, AIOP nº 37.366.6144 e AIOA nº 37.366.6128, não considerou a decisão judicial anteriormente veiculada no Processo Judicial nº 000001715.2012.4.03.6105. Nesta ponto, devemos observar o que a sentença judicial expressamente determinou em relação à filial do sujeito passivo: "determino que a parte ré promova a revisão do lançamento, mediante a devida apuração das contribuições previdenciárias e dos benefícios legais gozados indevidamente pela filial (...) e que, em sendo o caso, constitua o crédito tributário (...)". (gn). Logo, as autuações lavradas em relação à Filial do sujeito passivo, CNPJ nº 46.043.980/000291, devem ser anuladas por vício material pela falta de fundamentação, violando portanto o art. 142, CTN, por não refletir o prolatado na sentença decorrente do Processo Judicial nº 000001715.2012.4.03.6105, o que, ademais, claramente também implicou em violação aos princípios constitucionais da ampla defesa e da segurança jurídica posto que o contribuinte teve o provimento judicial a seu favor descumprido pela Auditoria Fiscal, mesmo que momentâneo pois aindapois ainda não tinha ocorrido o trânsito em julgado." (destaques no original) Destarte, resta claro que no acórdão recorrido o entendimento não foi contrário à lavratura do Auto de Infração, em si, mas sim ao fato de não haver constado do Relatório Fiscal qualquer referência à decisão no processo judicial nº 000001715.2012.4.03.6105, com a ressalva de que o lançamento se prestaria apenas para prevenir a decadência. Constatouse, assim, que a fundamentação do lançamento restou incompleta, considerandose que o vício seria material. Quanto ao primeiro paradigma indicado pela Fazenda Nacional Acórdão nº 230200.386 foram colacionados os seguintes trechos: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. Data do fato gerador: 29/12/2006. RETENÇÃO 11%. FALTA CARACTERIZAÇÃO DA CESSÃO DE MÃODEOBRA. RELATÓRIO INCOMPLETO. NULIDADE. O instituto da retenção de 11% está previsto no art. 31 da Lei n 8.212/1991, com redação conferida pela Lei nº 9.711/1998. Fl. 1077DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 10830.724374/201247 Acórdão n.º 9202003.868 CSRFT2 Fl. 1.074 9 O órgão previdenciário aponta que a recorrente deveria ter efetuado a retenção, entretanto não indicou no relatório fiscal, nem na complementação do relatório, os fundamentos para enquadrar os serviços prestados como sujeitos à retenção de 11%. Não foi realizado o cotejamento pelos AuditoresFiscais entre a documentação analisada e a legislação que dispõe acerca da cessão de mãodeobra. A formalização do auto de infração tem como elementos os previstos no art. 10 do Decreto n ° 70.235. O erro, a depender do grau, em qualquer dos elementos pode acarretar a nulidade do ato por vício formal. Entre os elementos obrigatórios no auto de infração consta a descrição do fato (art. 10, inciso III do Decreto n° 70.235). A descrição implica a exposição circunstanciada e minuciosa do fato gerador, devendo ter os elementos suficientes para demonstração, de pelo menos, da verossimilhança das alegações do Fisco. De acordo com o princípio da persuasão racional do julgador, o que deve ser buscado com a prova produzida no processo é a verdade possível, isto é, aquela suficiente para o convencimento do juízo. Pelo exposto, in casu, não se tratou de simples erro material, mas de vício na formalização por desobediência ao disposto no art. 10, inciso III do Decreto n° 70.235. Processo Anulado.” (destaques da Recorrente) A leitura do trecho acima negritado permite concluir que, tal como ocorreu no acórdão recorrido, o vício apontado consistiu na deficiência do relatório fiscal, que nesse caso deixou de explicitar os fundamentos para enquadrar os serviços prestados como sujeitos à retenção de 11%. Não obstante, o vício apontado foi qualificado como formal. Assim, em casos similares, em que foram apontadas falhas no relatório fiscal, no acórdão recorrido o vício foi tido como material, enquanto que no paradigma ele foi classificado como formal, caracterizandose assim a alegada divergência. Relativamente ao segundo paradigma indicado Acórdão nº 240100.018 a Fazenda Nacional colaciona a respectiva ementa, conforme a seguir: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/1999 a 30/07/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nos 556664, Fl. 1078DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 10 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, houve antecipação de pagamento, fato relevante para aqueles que entendem ser determinante à aplicação do instituto. NORMAS PROCEDIMENTAIS. ARBITRAMENTO. AUSÊNCIA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL NO ANEXO FLD. VÍCIO INSANÁVEL. NULIDADE. A indicação dos dispositivos legais que amparam a Notificação Fiscal de Lançamento de DébitoNFLD é requisito essencial à sua validade, e a sua ausência ou fundamentação genérica, especialmente no relatório Fundamentos Legais do DébitoFLD, determina a nulidade do lançamento, por caracterizarse como vício formal insanável, nos termos do artigo 37 da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 11, inciso III, do Decreto nº 70.235/72. RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO. OMISSÕES. O Relatório Fiscal tem por finalidade demonstrar/explicitar, de forma clara e precisa, todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito previdenciário, possibilitando ao contribuinte o pleno direito da ampla defesa e contraditório. Omissões ou incorreções no Relatório Fiscal, relativamente aos critérios de apuração do crédito tributário levados a efeito por ocasião do lançamento fiscal, que impossibilitem o exercício pleno do direito de defesa e contraditório do contribuinte, enseja a nulidade da notificação. Processo anulado.” (destaques da Recorrente) A leitura da ementa acima já permite constatar a semelhança com o acórdão recorrido, já que ambos tratam de omissões verificadas no Relatório Fiscal. A Fazenda Nacional ainda elabora o seguinte cotejo entre os votos condutores dos julgados em confronto: Acórdão recorrido “Por outro lado, as autuações fiscais em relação à Matriz, CNPJ nº 46.043.980/000100, quais sejam, AIOP nº 37.366.6136, AIOP nº 37.366.6144 e AIOA nº 37.366.6128, deveriam ter sido lavradas com a fundamentação de que o lançamento fiscal estaria sendo realizado para se prevenir a decadência, com referência expressa à sentença prolatada no Processo Judicial nº 000001715.2012.4.03.6105, porquanto este processo judicial, conforme consulta ao site do TRF 3ª região (http://www.trf3.jus.br) em 17.01.2014, ainda não transitou em julgado. Logo, as autuações lavradas em relação à Matriz do sujeito passivo, CNPJ nº 46.043.980/000100, devem ser anuladas por vício material pela falta de fundamentação, violando portanto o art. 142, CTN, por não refletir o prolatado na sentença decorrente do Processo Judicial nº 000001715.2012.4.03.6105, o que, ademais, claramente também implicou em violação aos princípios constitucionais da ampla defesa e da segurança Fl. 1079DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 10830.724374/201247 Acórdão n.º 9202003.868 CSRFT2 Fl. 1.075 11 jurídica posto que o contribuinte teve o provimento judicial a seu favor descumprido pela AuditoriaFiscal, mesmo que momentâneo pois ainda não tinha ocorrido o trânsito em julgado. (...) No entanto, conforme o já exposto, compulsandose o Relatório Fiscal, às fls. 722 a 730, não se encontra qualquer referência à decisão judicial prolatada, em 14.06.2012, no Processo Judicial nº 000001715.2012.4.03.6105, restandose óbvio que o procedimento fiscal na fase de lavratura dos Autos de Infração, quais sejam, AIOP nº 37.366.6136, AIOP nº 37.366.6144 e AIOA nº 37.366.6128, não considerou a decisão judicial anteriormente veiculada no Processo Judicial nº 000001715.2012.4.03.6105.” (destaques da Recorrente) Acórdão paradigma “Em suas razões recursais, pretende a recorrente seja declarada a nulidade da do feito, sob o argumento de que a autoridade lançadora não logrou motivar/fundamentar o ato administrativo do lançamento, de forma a explicitar clara e precisamente os motivos e dispositivos legais que embasaram a notificação, contrariando a legislação de regência, notadamente o artigo 142 do CTN e, bem assim, os princípios da ampla defesa e do contraditório. Não obstante as razões de fato e de direito ofertadas pela autoridade julgadora de primeira instância em defesa da manutenção do crédito previdenciário em comento, o inconformismo da contribuinte merece acolhimento, como restará demonstrado ao longo deste arrazoado, senão vejamos. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que o presente lançamento encontrase eivado de inúmeros vícios formais, a começar pelo impreciso Relatório Fiscal da Notificação, deixando de informar o procedimento (arbitramento) utilizado na constituição do crédito previdenciário, bem como de inscrever no anexo ‘Fundamentos Legais do Débito – FLD’ o dispositivo legal que o contempla. De fato, com a devida vênia ao fiscal notificante, o lançamento levado a efeito contra a recorrente apresentase insustentável, por ser uma absoluta demonstração de como não se deve proceder em uma ação fiscal. (...) A fazer prevalecer a nulidade do lançamento, como já explicitado, o fiscal autuante foi omisso, igualmente, no Relatório Fiscal, deixando de demonstrar de forma clara e precisa os critérios utilizados por ocasião da lavratura da NFLD em relação ao arbitramento promovido. Aliás, sequer fez menção tratarse de aferição indireta. Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 12 Observese, por fim, que o Relatório Fiscal tem por finalidade, demonstrar/explicar, resumidamente, como procedeu a autoridade lançadora na constituição do crédito previdenciário, devendo, dessa forma, ser claro e preciso relativamente aos procedimentos adotados pela fiscalização ao promover o lançamento, concedendo ao contribuinte conhecimento pleno dos motivos ensejadores da notificação, possibilitandolhe o amplo direito de defesa e contraditório, sobretudo tratandose de lançamento por arbitramento. Nesse contexto, deve ser declarada a nulidade do feito, em observância a legislação de regência, mais precisamente dos artigos do CTN, das Leis 8.212/91 e 9.784 encimados, uma vez que essas omissões contaminam a exigência fiscal, tornandoa precária, não lhe oferecendo certeza ou liquidez, principalmente pelo fato de se mostrar insanável e por cercear o direito de defesa da recorrente. Por todo o exposto, estando a NFLD sob examine em desacordo com os dispositivos legais que regulam a matéria, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário, acolher a preliminar de decadência em relação ao período de 09/1999 a 03/2002 e anular a notificação fiscal por erro/vício formal insanável, pelas razões de fato e de direito acima esposadas.” Como se pode constatar, tal como no acórdão recorrido, neste paradigma considerouse que houve ofensa ao art. 142, do CTN, bem como cerceamento de defesa, relatandose vício, no entender desta Conselheira, infinitamente mais grave que o relatado no recorrido. Confirase: "(...) a autoridade lançadora não logrou motivar/fundamentar o ato administrativo do lançamento, de forma a explicitar clara e precisamente os motivos e dispositivos legais que embasaram a notificação, contrariando a legislação de regência, notadamente o artigo 142 do CTN e, bem assim, os princípios da ampla defesa e do contraditório. (...) Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que o presente lançamento encontrase eivado de inúmeros vícios formais, a começar pelo impreciso Relatório Fiscal da Notificação, deixando de informar o procedimento (arbitramento) utilizado na constituição do crédito previdenciário, bem como de inscrever no anexo ‘Fundamentos Legais do Débito – FLD’ o dispositivo legal que o contempla. De fato, com a devida vênia ao fiscal notificante, o lançamento levado a efeito contra a recorrente apresentase insustentável, por ser uma absoluta demonstração de como não se deve proceder em uma ação fiscal." (grifei) Com efeito, as falhas acima relatadas, embora muito mais prejudiciais que a relatada no acórdão recorrido, foram consideradas como vícios formais, restando mais uma vez demonstrada a alegada divergência jurisprudencial, no que tange à interpretação do art. 142, do CTN, de sorte que o Recurso Especial deve ser conhecido. Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 10830.724374/201247 Acórdão n.º 9202003.868 CSRFT2 Fl. 1.076 13 Quanto ao mérito do Recurso Especial, esta Conselheira tem convicção de que o lançamento objeto do presente processo não padece de vício algum. Com efeito, se a própria Sumula CARF nº 1 determina o não conhecimento do recurso do Contribuinte, sendo a ação judicial anterior ou posterior ao lançamento, é óbvio que em alguns casos não há como constar da autuação a existência de ação judicial, simplesmente porque ela poderia nem existir à época: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Entretanto, o Recurso da Fazenda Nacional é limitado à conversão do vício material em vício formal, que é o mínimo que se pode fazer em relação ao acórdão recorrido. Nesse passo, a menção de que o lançamento estaria sendo levado a cabo apenas para prevenir a decadência, além de desnecessária, não poderia ser exigida da Fiscalização, já que a ação fiscal foi iniciada antes do ajuizamento da ação judicial, e a sentença somente foi trazida aos autos com a impugnação, ou seja, quando já formalizado o lançamento. Ademais, a decisão de Primeira Instância já deixou bem assentada a questão da concomitância, tanto assim que sequer conheceu da matéria comum discutida nos processos administrativo e judicial, de sorte que não mais havia dúvida acerca da suspensão da exigibilidade até o trânsito em julgado da decisão judicial. A despeito de todas estas considerações, atenhome ao limite do pedido da Fazenda Nacional, formalizado no Recurso Especial, que é no sentido de que o vício verificado foi de natureza formal, o que comporta lançamento substitutivo. Diante do exposto, conheço e dou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 04/0 4/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO
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Numero do processo: 13841.000220/2004-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 10/04/2004 a 03/06/2004
CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. Os créditos presumidos da não-cumulatividade, referentes às aquisições de bens e serviços de pessoas físicas, são passíveis de apuração apenas pelas pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas em determinados capítulos e códigos da NCM, e que sejam destinados à alimentação humana ou animal.
AQUISIÇÕES DE EMPRESAS "DE FACHADA". CRÉDITOS. BOA-FÉ.
As aquisições de mercadorias de pessoas jurídicas que não disponham de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto, que se reputam inexistentes de fato, só geram direito a crédito quando comprovada a boa-fé do adquirente. O direito a creditamento previsto nas Leis 10.637/2002 e n. 10.833/2003 tem como pressuposto que as operações que lhe poderia dar origem devem estar sendo realizadas por pessoas jurídicas existentes de fato e de direito, e não por pessoas inexistentes de fato.
Numero da decisão: 3401-003.046
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, afastar, por unanimidade, a preliminar de intempestividade do recurso, levantada de ofício em julgamento; acordam, eles, indeferir por maioria de votos o conhecimento de documentos apresentados pela contribuinte extemporaneamente, vencido o Conselheiro Waltamir Barreiros. No mérito, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso.
Robson José Bayerl - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 10/04/2004 a 03/06/2004 CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. Os créditos presumidos da nãocumulatividade, referentes às aquisições de bens e serviços de pessoas físicas, são passíveis de apuração apenas pelas pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas em determinados capítulos e códigos da NCM, e que sejam destinados à alimentação humana ou animal. AQUISIÇÕES DE EMPRESAS "DE FACHADA". CRÉDITOS. BOAFÉ. As aquisições de mercadorias de pessoas jurídicas que não disponham de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto, que se reputam inexistentes de fato, só geram direito a crédito quando comprovada a boafé do adquirente. O direito a creditamento previsto nas Leis 10.637/2002 e n. 10.833/2003 tem como pressuposto que as operações que lhe poderia dar origem devem estar sendo realizadas por pessoas jurídicas existentes de fato e de direito, e não por pessoas inexistentes de fato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, afastar, por unanimidade, a preliminar de intempestividade do recurso, levantada de ofício em julgamento; acordam, eles, indeferir por maioria de votos o conhecimento de documentos apresentados pela contribuinte extemporaneamente, vencido o Conselheiro Waltamir Barreiros. No mérito, por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso. Robson José Bayerl Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 84 1. 00 02 20 /2 00 4- 15 Fl. 2841DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 2 Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Este processo se refere a pedido de ressarcimento/declaração de compensação de créditos da Contribuição para o PIS do período de apuração 2° trimestre de 2004, no valor de R$ 407.090,06. A contribuinte atua como comercial exportadora de café. A unidade administrativa de jurisdição indeferiu o pedido e não homologou eventuais compensações declaradas com entendimento de que se lhe imporia o disposto no art. 6°, § 4°, da Lei n° 10.833/2003 (aplicável à Contribuição para o PIS/Pasep por determinação do art. 15, III desta lei) e 10.637/2002., qual seja, a vedação de apuração de créditos vinculados à receita de exportação por empresa comercial exportadora. Os julgadores a quo antes de apreciarem a manifestação de inconformidade, requereram diligência, para que a autoridade administrativa "se manifestasse quanto às aquisições promovidas pela interessada, relatando se de fato eram todas compras para comercialização, ou se haviam também compras com fins específicos de exportação, detalhando os valores". Da diligência, desdobrada em auditoria e fiscalização, resultou a constatação "que a requerente apropriouse de créditos "fictos decorrentes da compra de café beneficiado de empresas com o mesmo padrão das investigadas no Espírito Santo e região de Manhuaçu MG (Operação Broca), ou seja, com os seguintes indícios de inexistência de fato: (...)" A autoridade fiscal e a administrativa relatam que a contribuinte operou através "da interposição de empresas fictícias para geração de créditos da nãocumulatividade, que consistia em simular uma aquisição de pessoa jurídica (que gera crédito), quando na realidade tratavase de aquisição de pessoa física (que não gera crédito)." E que constataram que os créditos pretendidos foram gerados a partir de aquisições junto 38 fornecedores com situação de inscrição cadastral no CNPJ incompatível (baixada, inapta ou suspensa por inexistência de fato). Ao final e em síntese, a unidade administrativa de jurisdição recalculou os valores informados pela contribuinte, após glosar os valores creditados relativos às aquisições de produtores rurais e empresas inexistentes de fato (art. 43, § 1°, III, da Instrução Normativa RFB n° 1.183/2011), listadas no item 5 da informação fiscal, demonstrando os valores não aceitos no Anexo I Glosa de crédito. Como resultado, propôs a existência de um crédito passível de ressarcimento no valor de R$ 221.448,41. Fl. 2842DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 13841.000220/200415 Acórdão n.º 3401003.046 S3C4T1 Fl. 3 3 Cientificada dessa decisão, a contribuinte contestou apresentando as razões por que pediu a reversão das glosas e das decisões, resumidas a seguir, cujo texto aproveito do relatório do acórdão de 1ª instância pela sua clareza e objetividade: Em sua peça, alegou que o trabalho fiscal concluiu, em claro juízo de valor e com suposições díspares das provas documentais produzidas e reconhecidas pela fiscalização, pela impossibilidade da boafé da contribuinte, e conseqüente glosa de créditos. No entanto, não pode prevalecer o simples entendimento do Auditor Fiscal, baseado em presunções e suposições, sem previsão legal e indevidas. Argumentou nunca ter sido intimada a manifestarse sobre as operações "Broca e Robusta", não podendo agora, dez anos após os pedidos que remontam a 2002, imputar a ela qualquer responsabilidade pela regularidade de empresas alvo dessas operações. Tal procedimento representaria claro cerceamento de defesa. Acrescentou que suas operações com fornecedores foram regulares, amparadas por documentação fiscal hábil, "existem consultas SINTEGRA para uma grande maioria dessas empresas, até porque as declarações de inaptidão desses fornecedores da Costa Café, como relatado nos autos, são, na grande maioria, através de processos dos anos de 2008 e 2009, demonstrando que à época dos negócios com a Requerente, tais empresas encontravamse em situação de regularidade perante o Fisco." O trabalho fiscal teria ainda constatado a existência física das operações, tanto pela remessa e recebimento do café, como pela sua efetiva exportação comprovada por informações do SISCOMEX. Também os comprovantes de pagamento (TED) dariam sustentação às operações. Reclamou estar sendo imensamente prejudicada, por se tratar de adquirente de boa fé, requerendo a aplicação, por analogia, de decisão do STJ em matéria de credito do ICMS, na qual entendeuse que "não pode o contribuinte, adquirente de boafé, de empresa posteriormente declarada inidônea, ser prejudicado com a glosa ou estorno dos créditos". Transcreveu ementa do julgado, submetido à sistemática dos recursos repetitivos. Aduziu que sua ausência de dolo e desconhecimento da situação dos fornecedores pode ser comprovada, ainda, pelo fato de não ter havido "nenhum benefício financeiro à Recorrente", pois os cafés "sempre foram adquiridos com equivalência de preços"; se houvesse conluio seu, "certamente haveria que existir algum tipo de benefício, como por exemplo, um preço mais vantajoso em relação aos demais e isso não ocorreu." No tocante à aplicação do disposto no art. 43 da Instrução Normativa RFB n° 1.183/2011, a fiscalização teria deixado de observar as disposições de seu § 3°, que autoriza a glosa apenas em relação a documentos fiscais emitidos a partir da data do Ato Declaratório Executivo de inaptidão, e veda a glosa no caso de comprovação do pagamento do preço e do recebimento das mercadorias, o que se deu no seu caso. Ao final, requereu o acolhimento de seus argumentos e o cancelamento das glosas, reiterando as alegações de sua manifestação de inconformidade original, inclusive quanto à correção de seus créditos pela taxa Selic. Solicitou ainda que a Fl. 2843DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 4 homologação das compensações seja realizada considerando suas datas, caso os créditos não sejam atualizados, e não com atualização dos débitos até a data de conclusão do processo. Os julgadores de primeiro piso não acolheram as preliminares postas pela contribuinte pelas seguintes razões: 1. cerceamento de defesa pela falta de clareza na motivação entenderam os julgadores que não procedem as alegações de nulidade, pois: (1º) o texto do despacho decisório não prejudicou, muito menos inviabilizou o direito de defesa da interessada, tanto que ela apresentou seu recurso atacando a motivação do indeferimento de seu pleito. (2º) a descrição dos fatos pela fiscalização foi extremamente minuciosa, e a contestação da contribuinte demonstra que ela compreendeu plenamente as razões das glosas. 2. cerceamento de defesa pela imputação de responsabilidade por irregularidades de outras empresas que a contribuinte não teve oportunidade de conhecer e se manifestar entenderam os julgadores que não houve tal imputação, mas, sim a constatação de que a contribuinte apurou crédito em operações com tais empresas, e que ela estaria tendo oportunidade de se manifestar, tendo em vista que ela procurou utilizar esses créditos. 3. mudança da decisão da autoridade administrativa entenderam que não constitui ilegalidade a mudança apontada: a autoridade com competência delegada para apreciar o pleito teve entendimento distinto das decisões de outra DRF e de seu antecessor no cargo, uma vez que "decisões anteriores de outro órgão da Receita Federal, ou ainda do mesmo órgão, terem sido em sentido diverso à presente, não vinculam decisões subseqüentes, mormente quando se passa a adotar novo entendimento em relação em determinado assunto". No mérito, o colegiado de 1º piso, concluiu que ficou caracterizado e demonstrado que: 1. as aquisições de produtos a que se refere o § 5° do art. 3° da Lei n° 10.833 e § 10 do art. 3° da Lei n° 10.637, adquiridos de pessoas físicas, não dão direito a crédito para a interessada, na medida em que a contribuinte não produz mercadorias, condição necessária para tal creditamento. Glosa esta que a contribuinte não logrou afastar e que acabou por não contestar em seu recurso dirigido à DRJ, passando a ser matéria não impugnada, ou seja, incontroversa. 2. "a contribuinte tentou se beneficiar de um esquema fraudulento de aquisição de café de produtores rurais (pessoas físicas), com a intermediação de empresas de fachada, inexistentes de fato, que teriam servido apenas para fornecer as notas fiscais que dariam suporte ao creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em operações que, na realidade, não gerariam crédito." 3. há "farto conjunto probatório carreado aos autos demonstra claramente a existência de uma rede de empresas de fachada, cuja única razão de ser era fornecer notas fiscais para amparar tais vendas como se de pessoas jurídicas fossem, num esquema de triangulação perfeitamente demonstrado na informação fiscal. Cabe aqui frisar o que observou a fiscalização, que "neste período não houve nenhum recolhimento de Tributos ou Contribuições efetuados à Receita Federal por parte destas empresas". Assim, os mecanismos da nãocumulatividade das contribuições, que deveriam servir, entre outros, para desonerar as exportações, acabam por se Fl. 2844DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 13841.000220/200415 Acórdão n.º 3401003.046 S3C4T1 Fl. 4 5 converter em fonte de receitas ilícitas de contribuintes (créditos passíveis de ressarcimento); isto porque, não havendo recolhimento das contribuições, seja pelas pessoas físicas que se utilizaram das empresas de fachada, seja por essas próprias empresas, não haveria tributo a ser desonerado." 4. insustentável a alegação de boa fé pela inexistência de benefício para a contribuinte de tal procedimento por que, na visão dos julgadores, maior benefício não poderia a contribuinte querer "do que um crédito de PIS e Cofins no montante de mais de R$ 9 milhões em dois anos, referentes a tais aquisições". 5. ficou comprovada a inexistência de fato das empresas listadas pela autoridade fiscal em suas glosas, a teor do disposto no art. 41 da mesma Instrução Normativa; 6. "restou comprovado que as aquisições originalmente não foram realizadas das empresas de fachada, por absoluta incapacidade operacional das mesmas, nem sequer é necessário provar que tais compras foram, de fato, de pessoas físicas. Por se tratar de crédito reclamado pela contribuinte, caberia a ela fazer a prova da aquisição junto a pessoas jurídicas." 7. a procedência da decisão administrativa que considerou ilegítimas as notas fiscais emitidas pelas empresas em datas anteriores à de sua decretação como inexistentes de fato, pois, a condição desses "documentos referentes aos créditos do presente processo serem anteriores à expedição dos ADEs, não os tornam legítimos. Isso significa que o contrário à restrição imposta ao § 1°, III desse artigo (impossibilidade de utilização dos documentos considerados inidôneos para apuração de créditos) não é verdadeiro; isto é, não é porque os documentos fiscais não se enquadram no § 3°, I, nem porque houve a comprovação prevista no § 5°, que os créditos devam ser aceitos obrigatoriamente." Entendeu, ainda, o colegiado de 1º piso que não caberia a aplicação dos julgados do STJ indicados pela contribuinte por que suas conclusões não infirmam o entendimento aqui esposado, porquanto têm sempre como premissa a boa fé do adquirente, o que não restou configurada no presente. Negaram, por falta de previsão legal, o pedido de correção do valor passível de ressarcimento. Ao final, consideraram corretas as glosas feitas pelas autoridades fiscais e administrativas e parcialmente procedente a manifestação de inconformidade, para reconhecer o direito creditório passível de ressarcimento no valor de R$ 221.448,41 e homologar as eventuais compensações declaradas até o limite desse crédito. O Acórdão n.º 1441.161 proferido em 28/03/2013 pela respeitável 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto ficou assim ementado: Acórdão 1441.161 4a Turma da DRJ/RPO Sessão de 28 de março de 2013 Interessado Costa Café Comércio Exp Imp Ltda. Fl. 2845DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 6 CNPJ/CPF 54.122.775/000169 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS Período de apuração: CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. Os créditos presumidos da nãocumulatividade, referentes às aquisições de bens e serviços de pessoas físicas, são passíveis de apuração apenas pelas pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas em determinados capítulos e códigos da NCM, e que sejam destinados à alimentação humana ou animal. AQUISIÇÕES DE EMPRESAS "DE FACHADA". CRÉDITOS. BOA FÉ. As aquisições de mercadorias de pessoas jurídicas que não disponham de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto, que se reputam inexistentes de fato, só geram direito a crédito quando comprovada a boafé do adquirente. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual repisou cada um dos argumentos referentes ao mérito da lide constante da manifestação de inconformidade, já resumidos anteriormente neste voto. E acrescenta ela, neste recurso voluntário, razão que contesta o entendimento firmado pelo colegiado a quo, in verbis: Vejase que a Fiscalização deixou de observar dois dispositivos [do artigo 43 da IN RFB n. 1.183, de 2011] que, por si só, autorizam a procedência da presente Manifestação de Inconformidade [sic], com a improcedência da "glosa" e a manutenção dos créditos. O § 3° do referido artigo dispõe que os efeitos do caput somente se aplicam a partir da data da publicação do ADE, ou seja, no caso do presente processo, somente poderá ser observada tal disposição, caso seja comprovada a publicação do processo de ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO ADE em relação aos fornecedores cujos créditos foram glosados, se os mesmos tiverem sido publicados anteriormente ao 1° trimestre de 2005, período de apuração dos créditos, o que realmente não aconteceu, os ADE's são de 2009 e 2010. Por outro lado, ainda que houvesse tal declaração, o disposto no § 5° ampara totalmente a manutenção dos créditos em relação a tais fornecedores, uma vez que restou comprovado pela própria Fiscalização, através de provas materiais (documentos solicitados e encaminhados), o pagamento do preço e o recebimento dos bens, não podendo surtir efeitos em relação à Recorrente, a disposição do caput do mencionado Art. 43 da IN 1.183/2011. Fl. 2846DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 13841.000220/200415 Acórdão n.º 3401003.046 S3C4T1 Fl. 5 7 Neste ponto, argumenta o V. Acórdão, em entendimento equivocado, que o § 4° simplesmente anula os efeitos do mandamento do § 3°, já que diz não legitimar os documentos inidôneos emitidos anteriormente às datas do § 3°. Com efeito, é equivocado o entendimento do N. Julgador, pois o teor do mencionado § 4° diz respeito à legitimidade dos documentos do próprio contribuinte declarado inapto e, não, dos efeitos desses documentos em relação ao terceiro interessado, cujo direito vem resguardado pelo § 3°, que delimita a data (da publicação do ADE), para a validade do Caput do Art. 43. A corroborar a intenção do legislador, resguardando a boafé do contribuinte, vem o § 5°, que não deixa dúvidas quanto à não incidência dos efeitos do § 1°, do mesmo art. 43 da IN 1.183/2011, em relação à Recorrente, diante da prova, confirmada pela própria fiscalização, do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens. Quanto a tal dispositivo, não ousou o Nobre Julgador a fundamentar seu entendimento sobre sua não aplicação, como fez com o disposto no § 3°, I, do Art. 43, da IN 1.183/2011 que disse ter sido afastado pela disposição do § 4°, já que não há como afastar a aplicação do contido no § 5°, diante da comprovação pela própria fiscalização dos seus requisitos. Assim, não devem prevalecer as glosas levadas a efeito pela fiscalização, devendo ser reformado o Acórdão no sentido de afastálas, reconhecendo à recorrente a manutenção do direito de crédito. A contribuinte retoma a solicitação de correção do valor a ser ressarcido, sublinhando que já se passaram mais de 8 anos desde o período de apuração do crédito e que o valor deve ser corrigido para superar tal demora. Aponta jurisprudência. Adiciona pedido ao CARF para que seja disciplinado o conjunto de reflexos da eventual decisão de manutenção das glosas, nos seguintes termos: Por fim, na eventual possibilidade de improcedência do presente Recurso, com a consequente manutenção das "glosas" dos créditos lançadas na manifestação fiscal, imperioso que seus reflexos sejam excluídos dos resultados dos períodos de apuração respectivos. É que tais créditos foram incluídos na apuração do resultado, certamente influenciando no lucro do período e na consequente incidência dos tributos decorrentes dessas receitas, especialmente o IRPJ e CSLL, cujos valores foram objeto de compensação neste mesmo PERDCOMP, sendo que, deverá ser determinada, na apuração de eventual saldo devedor não compensado, por insuficiência de créditos, a exclusão dos reflexos desses créditos glosados na apuração de tais tributos. Fl. 2847DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 8 Este processo ingressou para a apreciação desta turma na sessão de 09 de dezembro de 2015, tendo o relator pronunciado seu voto, mas não houve o julgamento por força de pedido de vistas. Em 22 de dezembro de 2015 a contribuinte trouxe aos autos nova manifestação de informações, para a qual pede que seja conhecida pelos Julgadores deste Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Tempestivo o recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade (há uma procuração, assinada em 30/09/2008 pelo sócio administrador outorgando poderes para o signatário do recurso representar a contribuinte junto à Delegacia da Receita Federal em Limeira SP, às fls. 207, o que considero suprir a instrução deste recurso voluntário). Preliminares A contribuinte não protesta preliminares em seu recurso voluntário. Percorri com vagar as manifestações da contribuinte e não encontrei, da sua parte, contestação com relação à glosa das aquisições de produtos junto a pessoas físicas que a contribuinte pretendia se enquadrar na hipótese do § 5° do art. 3° da Lei n° 10.833 e § 10 do art. 3° da Lei n° 10.637. Pareceme correto o entendimento esposado pelas autoridades fiscal e administrativa e pelos julgadores de 1ª instância que as operações em tela não dão direito a crédito para a interessada, na medida em que a contribuinte não produz mercadorias, ela é apenas intermediária para comercializar (confirmado por seu objeto social). Ser produtora é condição necessária para o creditamento previsto nesses dispositivos legais. Concluo que essa glosa, além de procedente, é matéria incontroversa nesses autos. Mérito A informação fiscal que dá os fundamentos das decisões recorridas demonstra que a contribuinte, entre janeiro de 2004 e dezembro de 2005, teve mais de 50% das suas aquisições de cafe proveniente de 38 empresas inexistentes de fato, das quais 29 têm sede na cidade de Munhuaçu (MG) e foram coincidentemente criadas a partir de 2002 (depois da entrada em vigor das Leis de PIS e Cofins Lei 10637/2002 e 10.833/2003). Que, nesses 24 meses, delas teria comprado mais de 34.000.000 kg de café, e despendido mais de R$ 99.000.000,00 (noventa e nove milhões de reais), que justificariam a geração de créditos superior a R$ 9.000.000,00 (nove milhões de reais). Ainda de acordo com esse Termo Fiscal, os dados demonstrariam que as operações desse período implicaram em movimentação financeira superior a R$ 1.400.000.000,00 (um bilhão e quatrocentos milhões de reais). Fl. 2848DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 13841.000220/200415 Acórdão n.º 3401003.046 S3C4T1 Fl. 6 9 Apoiandome nos dados que constam deste processo, pareceme que os montantes sublinhados por esses números superlativos vêm acompanhado do fato que a contribuinte não manteve com essas empresas um ou outro contato eventual, casual, mas uma relação continuada, recorrente, sustentada em uma confiança recíproca e de encontro de interesses. Não se trata, ademais, da história de uma ou outra empresa inexistente de fato, mas de 38 empresas que se tornam importantes fornecedoras basicamente no mesmo período, das quais, a maior parte criada justamente a partir de 2002. Ainda com base nessas informações, podemos ver que essas 38 empresas atuam com as mesmas práticas suspeitas, mas elas não estão acidentalmente localizadas na mesma região, no mesmo período. Elas estão relacionadas entre si também por um elo comum: são todas fornecedoras da mesma empresa, no caso a contribuinte. As práticas dessas empresas inexistentes de fato se articulam e se encontram na contribuinte. Esse quadro recebe substância de dados documentais e de constatações obtidas em diligências. Ele reúne evidências e provas para que se caracterize que houve um modo de agir ao longo de todo esse período, dotado de uma racionalidade e capaz de proporcionar benefício à contribuinte, no caso, o creditamento de PIS e COFINS exportação. E a contribuinte efetivamente solicitou esse benefício, confirmando a materialidade do empreendimento desenhado por esse quadro. O conjunto da descrição desse cenário fragiliza completamente os argumentos da contribuinte ter sido uma compradora que agiu em boa fé. E as argumentações da contribuinte não lograram afirmar a sua boa fé no caso. A meu ver, correto foi entendimento dos julgadores de 1º piso de que a jurisprudência citada pela contribuinte não se aplica ao caso. Essas empresas inexistentes de fato nada recolheram de tributos federais, ou recolheram um parcelas mínima, face os valores movimentados com suas supostas comercializações. Essas empresas não comprovaram capacidade e instalações para as operações e a movimentação das quantidades de café. Não tinham efetivamente um estabelecimento ou uma sede para dar lastro e referência à confiança normalmente encontrada nesse nível de negociação continuada. O café negociado provinha, de fato, de produtores rurais pessoas físicas. A contribuinte não conseguiu desconstituir as evidências e as provas levantadas pela fiscalização, e também não conseguiu desconstituir a conclusão das autoridades fiscal e administrativa, e dos julgadores de primeiro piso, de que a contribuinte "tentou se beneficiar de um esquema fraudulento de aquisição de café de produtores rurais (pessoas físicas), com a intermediação de empresas de fachada, inexistentes de fato", e que elas "teriam servido para fornecer as notas fiscais que dariam suporte ao creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins." A meu sentir, o direito a creditamento previsto nas Leis 10.637/2002 e n. 10.833/2003 tem como pressuposto que as operações que lhe poderia dar origem devem estar sendo realizadas por pessoas jurídicas existentes de fato e de direito, e não por pessoas inexistentes de fato. Fl. 2849DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 10 A recorrente alega que é equivocado o entendimento dos julgadores que não consideraram capazes de provar a efetividade as notas fiscais emitidas pelas empresas fornecedoras para operações anteriores à declaração de sua inaptidão ou inexistência de fato. No ponto de vista da recorrente, o § 4° do artigo 43 da IN RFB n. 1.183/2011 diz respeito à legitimidade dos documentos do próprio contribuinte declarado inapto e, não, dos efeitos desses documentos em relação ao terceiro interessado, cujo direito vem resguardado pelo § 3°, que delimita a data (da publicação do ADE), para a validade do Caput do Art. 43. E que o § 5° desse artigo define que a não incidência dos efeitos do § 1°, diante da prova do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens. Art. 43 da IN 1.183/2011: "Art. 43. É considerado inidôneo, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiro interessado, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ tenha sido declarada inapta. § 1° Os valores constantes do documento de que trata o caput não podem ser: I deduzidos como custo ou despesa, na determinação da base de cálculo do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); II deduzidos na determinação da base de cálculo do Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas (IRPF); III utilizados como crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), e da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) não cumulativos; IV utilizados para justificar qualquer outra dedução, abatimento, redução, compensação ou exclusão relativa aos tributos administrados pela RFB. § 2° Considerase terceiro interessado, para fins deste artigo, a pessoa física ou a entidade beneficiária do documento. § 3° O disposto neste artigo aplicase em relação aos documentos emitidos: I a partir da data de publicação do ADE a que se refere: a) o art. 38, no caso de pessoa jurídica omissa de declarações e demonstrativos; e b) o art. 39, no caso de pessoa jurídica não localizada; II desde a data de ocorrência do fato, no caso de pessoa jurídica com irregularidade em operações de comércio exterior, a que se refere o art. 40. § 4° A inidoneidade de documentos em virtude de inscrição declarada inapta não exclui as demais formas de inidoneidade de documentos previstas na legislação, nem legitima os emitidos anteriormente às datas referidas no § 3°. § 5° O disposto no § 1° não se aplica aos casos em que o terceiro interessado, adquirente de bens, direitos e mercadorias, ou o tomador de serviços, comprovar o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços. § 6° A entidade que não efetuar a comprovação de que trata o § 5° sujeitase ao pagamento do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), na forma do art. 61 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, calculado sobre o valor pago constante dos documentos." (grifamos). Contudo, não esposo o entendimento proposto pela recorrente. Minha leitura desses dispositivos normativos é que o § 4º citado explica que a declaração de inaptidão não Fl. 2850DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 13841.000220/200415 Acórdão n.º 3401003.046 S3C4T1 Fl. 7 11 implica em legitimidade dos documentos emitidos anteriormente. E esse é o caso em discussão neste processo: as empresas tiveram sua inaptidão declarada em certa data, mas os dados indicam que sua inexistência de fato era anterior a essa declaração de inaptidão. De fato, elas não compareceram à Receita Federal para provar em contrário, nem contestaram o ato declaratório. Diante do quadro conhecido pelas evidências e provas trazidas pela auditoria fiscal, carecem de legitimidade as notas fiscais emitidas em seu nome. A contribuinte não provou que de fato realizou as operações com as empresas glosadas. As notas fiscais e as comprovações de pagamento e de transporte, a meu ver, não conseguem superar as evidências e provas que (a) subtraem totalmente a legitimidade desses documentos e (b) demonstram a centralidade da contribuinte no modo de operação desse grupo de empresas de fachada e não testemunham sua boa fé. Sendo essas empresas inexistentes de fato, as operações não foram realizadas efetivamente com elas. E uma constatação como essa afasta o § 5º deste artigo 43, que beneficiaria o terceiro interessado. Por isso, concluo propondo que seja mantida decisão do colegiado de 1ª instância nesse ponto. Proponho ainda que seja negado, por força do proibitivo legal, o pedido de correção do valor passível de ressarcimento. Registro ainda, consoante decisão firmada pelos Conselheiros, que: (a) não cabe a este órgão colegiado se manifestar sobre o pedido da contribuinte que consta do seu recurso voluntário quanto aos reflexos do IRPJ e do CSLL; (b) não tomar conhecimento da manifestação da contribuinte apresentada em 22/12/2015. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 2851DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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Numero do processo: 17613.720981/2012-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
AJUSTE. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. MOLÉSTIA GRAVE. RENDIMENTOS. ISENÇÃO. REQUISITOS.
A declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindo-a integralmente.
Para o gozo da isenção do imposto sobre a renda pelo portador de moléstia grave é requisito a comprovação que os rendimentos são provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-004.339
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para, no mérito, negar-lhe provimento.
Maria Cleci Coti Martins - Presidente Substituta
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho, Miriam Denise Xavier Lazarini e Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PJ. Recorrente LAUDIO KLIPEL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 AJUSTE. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. MOLÉSTIA GRAVE. RENDIMENTOS. ISENÇÃO. REQUISITOS. A declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente. Para o gozo da isenção do imposto sobre a renda pelo portador de moléstia grave é requisito a comprovação que os rendimentos são provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 61 3. 72 09 81 /2 01 2- 41 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/06/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 17613.720981/201241 Acórdão n.º 2401004.339 S2C4T1 Fl. 66 2 Maria Cleci Coti Martins Presidente Substituta Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho, Miriam Denise Xavier Lazarini e Rosemary Figueiroa Augusto. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/06/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 17613.720981/201241 Acórdão n.º 2401004.339 S2C4T1 Fl. 67 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE), cujo dispositivo considerou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 0259.883 (fls. 34/37): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 MOLÉSTIA GRAVE São isentos de tributação somente os rendimentos relativos a aposentadoria, reforma ou pensão, recebidos por portador de doença grave devidamente comprovada em laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados e do Distrito Federal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 2. Tratase de Notificação de Lançamento nº 2011/427639807856670, relativa ao anocalendário 2010, decorrente de procedimento de revisão de Declaração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF), em que foi apurada a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, relativamente à seguinte fonte pagadora: Poder Judiciário do Estado do Espírito Santo, CNPJ 27.476.100/000145 (fls. 5/7). 3. Cientificado da notificação por via postal em 26/4/2012, às fls. 17, o contribuinte impugnou a exigência fiscal (fls. 2). 4. Intimado em 21/10/2014, por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 38/42, o recorrente apresentou recurso voluntário no dia 22/10/2014 (fls. 44/47). 4.1 De início, reafirma que é portador de moléstia grave desde 16/6/2006, conforme demonstra o laudo médico pericial juntado aos autos, ficando, por consequência, isento do pagamento do imposto sobre a renda (fls. 8). 4.2 Acresce que apresentou DIRPF relativa ao período do débito, em que apurou um saldo de imposto a restituir no importe de R$ 3.773,86 (três mil, setecentos e setenta e três mil, oitenta e seis centavos), montante que foi creditado na sua conta corrente no mês de junho de 2011 (fls. 51/57 e 59/60). Fl. 67DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/06/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 17613.720981/201241 Acórdão n.º 2401004.339 S2C4T1 Fl. 68 4 4.3 Posteriormente à restituição, apresentou declaração "suplementar", sem contudo haver alteração do valor dos seus rendimentos. 4.4 Não obstante, mesmo que não alterado qualquer valor dos rendimentos tributáveis, estão lhe exigindo o recolhimento de imposto no mesmo valor da restituição recebida, o que entende tratarse possivelmente de um equívoco por parte dos sistemas informatizados da Receita Federal. É o relatório. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/06/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 17613.720981/201241 Acórdão n.º 2401004.339 S2C4T1 Fl. 69 5 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess, Relator Juízo de admissibilidade 5. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Mérito 6. A respeito do gozo da isenção do imposto sobre a renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, dispõe o art. 39 do Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/99), veiculado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, "in verbis": Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXI os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XXI, e Lei nº 8.541, de 1992, art. 47); (...) XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); (...) Fl. 69DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/06/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 17613.720981/201241 Acórdão n.º 2401004.339 S2C4T1 Fl. 70 6 § 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º). § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. § 6º As isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII também se aplicam à complementação de aposentadoria, reforma ou pensão. (...) 6.1 Da leitura da legislação, percebese que a fruição da isenção, concernente a determinado anocalendário, exige o preenchimento cumulativo de 3 (três) requisitos: i) rendimentos provenientes de aposentadoria, reforma ou pensão1; ii) rendimentos percebidos por portador de moléstia grave, relacionada de forma exaustiva em lei; e iii) moléstia comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. 7. Há prova que o autuado é portador de cardiopatia grave, desde 16/6/2006, atestado por laudo médico emitido por serviço oficial. A cardiopatia grave (CID: I 25) está incluída no rol de patologias que dão direito à isenção. 8. Todavia, inexiste nos autos a comprovação que os rendimentos omitidos recebidos de pessoa jurídica, relativos ao anocalendário de 2010, são provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão. 8.1 Embora ciente do conteúdo da decisão de primeira instância, a qual manteve a exigência do crédito tributário sob esse fundamento, o contribuinte mantevese inerte e nada adicionou em seu recurso voluntário, em linguagem de prova, para demonstrar que os 1 Acrescento, nessa lista, os rendimentos provenientes de reserva remunerada, tendo em vista o enunciado da Súmula Carf nº 63. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/06/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 17613.720981/201241 Acórdão n.º 2401004.339 S2C4T1 Fl. 71 7 rendimentos auferidos no ano de 2010 são decorrentes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão. 9. Por outro lado, diferentemente do ponto de vista do recorrente, os documentos acostados aos autos não confirmam que a retificação da declaração manteve inalterado o montante dos rendimentos tributáveis. 9.1 Com efeito, a DIRPF original, relativa ao anocalendário de 2010, transmitida em 16/4/2011, recepcionada sob o nº 07.79.40.79.6755, informou como rendimentos tributáveis recebidos do Poder Judiciário do Estado do Espírito Santo, CNPJ 27.476.100/0001 45, o montante de R$ 274.085,11 (duzentos e setenta e quatro mil, oitenta e cinco reais, onze centavos), conforme cópia às fls. 51/57. 9.2 Em 2/4/2012, contudo, o recorrente apresentou DIRPF retificadora, com exclusão dos rendimentos tributáveis e inclusão do valor de R$ 274.085,11 na parte correspondente aos rendimentos isentos e não tributáveis, campo " Pensão, proventos de aposentadoria ou reforma por moléstia grave ou aposentadoria ou reforma por acidente em serviço" (fls. 11/16). 9.3 Ao excluir os mencionados rendimentos da tributação, a DIRPF retificadora apontou uma saldo de imposto a restituir de R$ 58.768,87 (cinquenta e oito mil, setecentos e sessenta e oito reais, oitenta e sete centavos), equivalente exatamente ao imposto retido na fonte (fls. 12 e 16). 9.4 Além disso, o contribuinte não incluiu na DIRPF retificadora as deduções relativas a dependentes e despesas médicas, inicialmente registradas em campo próprio da DIRPF original (fls. 16 e 55). 10. Segundo estabelece o art. 18 da Medida Provisória nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001, ainda em vigor por força do art. 2º da Emenda Constitucional nº 32, de 11 de setembro de 2001, a declaração retificadora apresentada tem a mesma natureza da declaração original: Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração. 10.1 Ao possuir a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, a DIRPF retificadora acaba por substituir integralmente o documento original, devendo conter, portanto, todas as informações antes declaradas, com as alterações e exclusões necessárias, bem como as informações adicionais, se for o caso. 11. De modo tal que foi objeto de revisão pela fiscalização a DIRPF retificadora, entregue em 2/4/2012, o que explica a exigência de recolhimento de imposto suplementar, ante a falta de inclusão pelo contribuinte das deduções previstas na legislação dependentes e Fl. 71DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/06/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 17613.720981/201241 Acórdão n.º 2401004.339 S2C4T1 Fl. 72 8 despesas médicas para a determinação da base de cálculo do tributo, anteriormente informadas na declaração original (fls. 7). 12. Logo, concluo pela procedência da Notificação de Lançamento nº 2011/427639807856670, relativa ao anocalendário de 2010, lavrada pela fiscalização em 9/4/2012. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Cleberson Alex Friess Fl. 72DF CARF MF Impresso em 23/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 13/06/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 13/06/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS
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Numero do processo: 13794.720290/2015-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. GLOSA. COMPROVAÇÃO.
A base de cálculo do IRPF devido no ano-calendário será a diferença entre as somas de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva e das deduções.
Entre as deduções encontra-se as relativas às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código de Processo Civil.
Pagamentos realizados sem determinação judicial, como é o caso, não estão contemplados para as deduções, motivo da negativa de provimento ao recurso.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.078
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Marcelo Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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GLOSA. COMPROVAÇÃO. A base de cálculo do IRPF devido no anocalendário será a diferença entre as somas de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva e das deduções. Entre as deduções encontrase as relativas às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil. Pagamentos realizados sem determinação judicial, como é o caso, não estão contemplados para as deduções, motivo da negativa de provimento ao recurso. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 79 4. 72 02 90 /2 01 5- 59 Fl. 47DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 48DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13794.720290/201559 Acórdão n.º 2402005.078 S2C4T2 Fl. 48 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), que julgou impugnação improcedente, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2014 PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Para fins de dedução na Declaração de Ajuste Anual de importâncias pagas a título de alimentos ou pensões, o contribuinte deve apresentar cópia da decisão judicial ou acordo homologado judicialmente bem como os respectivos comprovantes de pagamento. Impugnação Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Acórdão Acordam os membros da 8ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar improcedente a impugnação e por não reconhecer o direito creditório, na forma do voto do Relator. Segundo a fiscalização, de acordo com a Notificação de Lançamento (NL), o motivo da glosa da dedução com a pensão alimentícia foi: "De acordo com a informação prestada fiscalização às fls. 06, foi procedida a glosa de despesas com pensão alimentícia, paga ao beneficiário(a) cadastrado com o CPF 279.945.11791, no valor de R$ 37.800,00, por não ficar definido na sentença que a pensão reverteria para a genitora quando os filhos fossem maiores, e para o beneficiário (a) cadastrado com o cpf 774.117.57772, no valor de R$ 2.000,00, por falta de comprovação." Os motivos que ensejaram o lançamento estão descritos na NL e nos demais anexos que o configuram. Em 10/04/2015 foi dada ciência ao recorrente do lançamento, conforme aviso de recebimento (AR). Contra o lançamento, o recorrente apresentou impugnação, em 28/04/2015, acompanhada de anexos, argumentando, como muito bem demonstra a decisão a quo, em síntese, que: Fl. 49DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 O contribuinte apresentou impugnação de fls. 02/03, alegando que a pensão alimentícia foi paga por decorrência das ”normas do Direito de Família, em virtude de sentença judicial, de acordo homologado judicialmente ou escritura pública em divórcio consensual”. Acrescentou que “apesar de não constar na sentença que a pensão alimentícia se reverteria para a genitora, a pensão em questão é paga regularmente a Maria Helena Aguiar Portella, CPF 279.945.11791, conforme atestado em recibo específico”. A Delegacia analisou o lançamento e a impugnação, julgando improcedente a impugnação. Em 24/07/2015, sextafeira, o recorrente foi cientificado do lançamento. Inconformado com a decisão, o recorrente apresentou recurso voluntário, em 25/08/2015, acompanhado de anexos, onde alega, em síntese, que: 1. Efetuou pagamentos para sua ex esposa; 2. Os pagamentos decorreram de determinação judicial, anexa; 3. Reverteu pagamentos para filhos que eram menores para a ex esposa; 4. A ex esposa prestou essa informação em sua DIRPF e apresentou recibo para comprovar os pagamentos. 5. Solicita o acolhimento e o provimento de suas razões recursais. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o relatório. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13794.720290/201559 Acórdão n.º 2402005.078 S2C4T2 Fl. 49 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame de seus argumentos. DO MÉRITO Quanto ao mérito, o cerne da questão é o pagamento a ex esposa de pensão originária de direito aos filhos, sem previsão judicial. A legislação determina as condições para a isenção, em caso de pagamento de pensão. Lei 9.250/1995: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no ano calendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva;... II das deduções relativas: ... f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; Como está claríssimo na decisão judicial anexa, a pensão era depositada no nome da ex esposa, mas seus beneficiários eram seus filhos. Assim, o pagamento a ex esposa não foi determinado por decisão judicial, em desacordo com a decisão. Por esse motivo, deve ser negado provimento ao recurso, já que a legislação determina que só poderão usufruir da benesse tributária os pagamentos decorrente de determinação judicial, que não é o caso. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 CONCLUSÃO Em razão do exposto, Voto por negar provimento ao recurso, nos termos do voto. Marcelo Oliveira. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 13851.720042/2012-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jul 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
AJUSTE. GLOSA. DESPESAS MÉDICAS. ERRO DE FATO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO INTERESSADO.
São dedutíveis na apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda os valores pagos a título de despesas médicas, do próprio contribuinte ou do seus dependentes, desde que especificados e comprovados mediante documentação hábil e idônea.
Na hipótese de alegação de erro no preenchimento da declaração de ajuste, cuja correção das informações implica alterar os dados do prestador do serviço e do valor pago, o ônus da prova dos fatos que invoca como fundamento à sua pretensão desloca-se para o contribuinte, devendo comprovar a prestação do serviço e o efetivo pagamento correlato ao prestador.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-004.384
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para, no mérito, negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões o Conselheiro Rayd Santana Ferreira.
Maria Cleci Coti Martins - Presidente Substituta
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Arlindo da Costa e Silva, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Miriam Denise Xavier Lazarini.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS Recorrente LUIZ FERNANDO LOFFREDO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 AJUSTE. GLOSA. DESPESAS MÉDICAS. ERRO DE FATO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO INTERESSADO. São dedutíveis na apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda os valores pagos a título de despesas médicas, do próprio contribuinte ou do seus dependentes, desde que especificados e comprovados mediante documentação hábil e idônea. Na hipótese de alegação de erro no preenchimento da declaração de ajuste, cuja correção das informações implica alterar os dados do prestador do serviço e do valor pago, o ônus da prova dos fatos que invoca como fundamento à sua pretensão deslocase para o contribuinte, devendo comprovar a prestação do serviço e o efetivo pagamento correlato ao prestador. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. Votou pelas conclusões o Conselheiro Rayd Santana Ferreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 72 00 42 /2 01 2- 33 Fl. 74DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13851.720042/201233 Acórdão n.º 2401004.384 S2C4T1 Fl. 75 2 Maria Cleci Coti Martins Presidente Substituta Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Arlindo da Costa e Silva, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Miriam Denise Xavier Lazarini. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13851.720042/201233 Acórdão n.º 2401004.384 S2C4T1 Fl. 76 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 21ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (DRJ/SP1), cujo dispositivo tratou de considerar improcedente a impugnação, mantendo o ajuste na declaração do contribuinte. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 1641.097 (fls. 47/51): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. O direito a dedução é condicionado a comprovação dos requisitos exigidos na legislação. Impugnação Improcedente 2. Em face do contribuinte foi emitida a Notificação de Lançamento nº 2009/294591455732317, relativa ao anocalendário 2008, decorrente de procedimento de revisão de Declaração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF), em que foram apuradas deduções indevidas de despesas médicas no valor de R$ 20.960,00 (fls. 11/16). 2.1 A Notificação de Lançamento alterou o resultado de sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), reduzindo o valor do imposto a restituir. 3. Cientificado da notificação por via postal em 5/11/2011, às fls. 17, o contribuinte impugnou a exigência fiscal (fls. 2). 4. Intimado em 13/11/2012, por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 54/55, o recorrente apresentou recurso voluntário no dia 10/12/2012 (fls. 57/65 e 71). 4.1 Cingese a petição recursal exclusivamente às despesas declaradas em nome de Wagner Paula Ferreira, no valor de R$ 5.500,00, em que alega ter ocorrido erro de fato no preenchimento da sua declaração. 4.2 Segundo o recorrente, as despesas referemse, na verdade, a procedimentos médicos e despesas hospitalares realizados em sua dependente, conforme atestam as Notas Fiscais nº 6645 e 6646, datadas de 22/7/2008, emitidas por Cardiovascular Associados S/S Ltda. 4.3 Na época do preenchimento da DAA não localizou o documento fiscal e, diante disso, lançou o valor de R$ 5.500,00 em nome do profissional pessoa física, em vez de indicar o nome da empresa pessoa jurídica. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13851.720042/201233 Acórdão n.º 2401004.384 S2C4T1 Fl. 77 4 4.4 Não se trata de qualquer tipo de fraude, pois o valor deduzido é inferior ao montante pago pelos serviços médicos e hospitalares. 4.5 Quanto à comprovação dos pagamentos pelo serviços, como exigido pela fiscalização, argumenta a sua desnecessidade, tendo em vista o recibos e as notas fiscais apresentadas, que fazem prova suficiente nos termos da legislação tributária. 4.6 Ao final, requer o restabelecimento das deduções médicas e alteração do valor de R$ 5.500,00 para R$ 6.500,95. É o relatório. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13851.720042/201233 Acórdão n.º 2401004.384 S2C4T1 Fl. 78 5 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess, Relator Juízo de admissibilidade 5. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Mérito 6. A respeito das deduções de despesas médicas, prescreve o Regulamento do Imposto sobre a Renda, veiculado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99): Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). § 2º As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrível na esfera administrativa (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 5º). (...) Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; Fl. 78DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13851.720042/201233 Acórdão n.º 2401004.384 S2C4T1 Fl. 79 6 II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (...) 7. De verse que o direito à dedução das despesas médicas restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, e estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. 8. Ao sustentar que incorreu em erro de fato no preenchimento da declaração, o encargo de provar os fatos que invoca como fundamento à sua pretensão deslocase para o contribuinte. 9. Em sua DAA, relativa ao anocalendário de 2008, o contribuinte deduziu como despesas médicas o importe de R$ 5.500,00, indicando o prestador Wagner Paula Ferreira, CPF 206.354.94868 (fls. 19). 10. Por sua vez, as notas fiscais em nome de Cardiovascular Associados S/S Ltda, CNPJ 60.250.396/000157, foram emitidas no valor de R$ 5.000,00 (nº 6645) e de R$ 1.500,95 (nº 6646), respectivamente, referentes a honorários ao cirurgião e aos auxiliares e a despesas hospitalares (fls. 6). 10.1 Esses documentos fiscais contêm os requisitos formais previstos no inciso III do § 1º do art. 80 do RIR/99, tais como a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). 10.2 Além disso, consta uma declaração da pessoa jurídica confirmando o recebimento dos valores correspondentes às duas notas fiscais, pagos pelo Sr. Luiz Fernando Loffredo, ora recorrente. Ao final desse documento, quase no rodapé, estão impressos os nomes dos médicos que compõem o corpo clínico da empresa, entre eles, Wagner Paula Ferreira (fls. 5). 10.3 Em que pese assinada, a declaração não indica, todavia, a pessoa física responsável pelas informações fornecidas em nome da pessoa jurídica. 11. Pois bem. Pautado nas provas articuladas pelo recorrente, confrontadas entre si, com identificação dos aspectos convergentes e divergentes, entendo que o conjunto de elementos probatórios como um todo é insuficiente para comprovar, em grau bastante, o direito ao gozo do abatimento pleiteado com base na despesa médica. 12. Segundo afirma o recorrente, ao lembrar do gasto médico do anocalendário de 2008 e não localizar o documento fiscal relativo ao dispêndio realizado, preencheu a ficha destinada aos "pagamentos efetuados" com indicação da despesa em nome da pessoa física do médico, quando na realidade deveria ser da pessoa jurídica. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13851.720042/201233 Acórdão n.º 2401004.384 S2C4T1 Fl. 80 7 13. Mesmo não dispondo dos dados necessários naquele momento, nem dos respectivos documentos fiscais aptos a comprovar a prestação dos serviços, optou em declarar a despesa médica, relacionandoa ao número de inscrição da pessoa física no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF), que lhe era conhecido. 14. Chamame a atenção, de início, a falta de uma identidade esperada entre o valor declarado e as quantias das notas fiscais emitidas pela pessoa jurídica. Mesmo o só valor da nota fiscal nº 6645, a qual diz respeito a honorários médicos, é diferente do montante declarado em nome do médico pessoa física. 14.1 O preenchimento da despesa médica na declaração de ajuste em montante inferior ao total das notas fiscais apresentadas constituise em fato de menor relevância para o direito à dedução, pois o elemento de destaque fica por conta da existência de divergência entre os valores. 15. De uma forma geral, na declaração tributária entregue anualmente o contribuinte não dá conhecimento apenas de matéria de fato, mas também exerce atividade interpretativa (matéria de direito). 15.1 No tocante às despesas médicas, o declarante deve relacionálas (matéria de fato); entretanto, deve igualmente verificar se a dedução é cabível em face da legislação tributária e/ou das orientações administrativas (matéria de direito), ou mesmo se dispõe dos documentos exigidos na hipótese de ser demandado pelas autoridades fiscais a comproválas ou justificálas, preenchendo, quando for o caso, o campo "parcela não dedutível". 16. Quero dizer, assim, que a situação apontada pelo recorrente pode significar tanto erro no conhecimento dos fatos quanto das normas aplicáveis às deduções de despesas médicas. Porém, pode evidenciar também que o pagamento pelos serviços, por algum motivo, foi realizado diretamente ao médico, e não à pessoa jurídica a quem está vinculado. 17. Ressalto ainda que a declaração unilateral não constitui prova plena, possuindo papel subsidiário na comprovação do pagamento das despesas médicas, devendo ser avaliada em conjunto com os demais elementos de convicção disponíveis nos autos. 18. Diante dos aspectos fáticos e jurídicos destacados, o ônus da prova implica adicionar elementos que não deixem margem a dúvidas para o julgador administrativo quanto ao alegado erro de fato na feitura da declaração e ao direito à dedução das despesas vinculadas, tendo em vista a previsão contida na legislação tributária da efetividade do pagamento a quem prestou os serviços médicos. 19. Em sua peça recursal, o contribuinte defende que os recibos de pagamento e as notas fiscais de prestação dos serviços são documentos suficientes para a comprovação das despesas médicas, refutando a necessidade de demonstração do efetivo pagamento pelos meios admitidos no direito. 20. A lucidez desse raciocínio pode encaixarse perfeitamente à hipótese de comprovação de despesas médicas previamente declaradas pelo contribuinte em que há coincidência entre as informações preenchidas e os dados constantes de recibos/notas fiscais comprobatórios. Todavia, não é essa a situação em apreço. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 13851.720042/201233 Acórdão n.º 2401004.384 S2C4T1 Fl. 81 8 21. Há o pleito de dedução de despesa médica paga a pessoa jurídica correlacionada a uma alegação de erro de fato no preenchimento da declaração de ajuste, cujo ônus da prova direcionase logicamente ao interessado na comprovação dos fatos jurídicos, a quem compete efetuar todos os esforços necessários para carrear aos autos os elementos imprescindíveis ao convencimento do julgador. 22. Por isso, nesse contexto próprio, a prova definitiva e incontestável da despesa médica, de forma a atender a legislação tributária, é produzida não só com a apresentação de documentos que comprovem a prestação do serviço, mas conjuntamente com a demonstração do efetivo pagamento do preço ajustado à pessoa jurídica contratada (Cardiovascular Associados S/S Ltda). 22.1 Tal comprovação se dá mediante cópia de cheque compensado, transferência eletrônica, fatura de cartão de crédito, saque em espécie, entre outras formas possíveis, em que se permita atrelar valor, data e modo utilizado com os dados constantes das notas fiscais anexadas pelo contribuinte. 23. Logo, diante da resistência em demonstrar o efetivo pagamento dos valores ao prestador do serviço, mesmo intimado pela fiscalização, o contribuinte não se desincumbiu do ônus probatório, devendose manter a imputação das irregularidades apontadas pela autoridade lançadora. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Cleberson Alex Friess Fl. 81DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 10/07/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 10/07/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS
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