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Numero do processo: 10140.723157/2011-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
RECURSO VOLUNTÁRIO. PARCELAMENTO DO DÉBITO. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
A adesão ao parcelamento instituído pela MP nº 589/2012, convertida na Lei nº 12.810/2013, com a inclusão dos Créditos Tributários objeto do vertente lançamento, implica a desistência da impugnação ou do recurso interposto e, cumulativamente, renúncia a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundamentam as referidas impugnações ou recursos administrativos.
Recurso Voluntário não conhecido, em razão da perda do objeto, decorrente da renúncia tácita ao contencioso administrativo.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2401-003.993
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos, para não conhecer do Recurso Voluntário, pela perda de seu objeto, em razão da renúncia ao contencioso administrativo fiscal em decorrência da adesão ao parcelamento do crédito tributário lançado.
Maria Cleci Coti Martins Presidente-Substituta de Turma.
Arlindo da Costa e Silva Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins (Presidente-Substituta de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Henrique de Oliveira, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 RECURSO VOLUNTÁRIO. PARCELAMENTO DO DÉBITO. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. A adesão ao parcelamento instituído pela MP nº 589/2012, convertida na Lei nº 12.810/2013, com a inclusão dos Créditos Tributários objeto do vertente lançamento, implica a desistência da impugnação ou do recurso interposto e, cumulativamente, renúncia a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundamentam as referidas impugnações ou recursos administrativos. Recurso Voluntário não conhecido, em razão da perda do objeto, decorrente da renúncia tácita ao contencioso administrativo. Embargos Acolhidos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos, para não conhecer do Recurso Voluntário, pela perda de seu objeto, em razão da renúncia ao contencioso administrativo fiscal em decorrência da adesão ao parcelamento do crédito tributário lançado. Maria Cleci Coti Martins Presidente-Substituta de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins (Presidente-Substituta de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Henrique de Oliveira, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Arlindo da Costa e Silva.
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PARCELAMENTO DO DÉBITO. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. A adesão ao parcelamento instituído pela MP nº 589/2012, convertida na Lei nº 12.810/2013, com a inclusão dos Créditos Tributários objeto do vertente lançamento, implica a desistência da impugnação ou do recurso interposto e, cumulativamente, renúncia a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundamentam as referidas impugnações ou recursos administrativos. Recurso Voluntário não conhecido, em razão da perda do objeto, decorrente da renúncia tácita ao contencioso administrativo. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos, para não conhecer do Recurso Voluntário, pela perda de seu objeto, em razão da renúncia ao contencioso administrativo fiscal em decorrência da adesão ao parcelamento do crédito tributário lançado. Maria Cleci Coti Martins – PresidenteSubstituta de Turma. Arlindo da Costa e Silva – Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 31 57 /2 01 1- 27 Fl. 863DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins (PresidenteSubstituta de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Henrique de Oliveira, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 864DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10140.723157/201127 Acórdão n.º 2401003.993 S2C4T1 Fl. 854 3 Relatório Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008. Data da lavratura do AIOP: 27/12/2011. Data da ciência do AIOP: 27/12/2011. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em Campo Grande/MS, que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração nº 37.322.1053, consistente em contribuições sociais a cargo da empresa, incidentes sobre a remuneração de Segurados Contribuintes Individuais, conforme descrito no Relatório Fiscal da Infração a fls. 11/15. Devidamente intimado do lançamento tributário, porém irresignado, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 85/92. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande/MS lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0428.760 4ª Turma da DRJ/CGE, a fls. 774/778, julgando improcedente a impugnação, e mantendo o crédito tributário lançado em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 12/06/2012, conforme Aviso de Recebimento a fl. 783. Inconformado com a decisão exarada pelo Órgão Administrativo Julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 785/794, requerendo ao fim a reforma da decisão recorrida e a improcedência do lançamento. Acórdão n° 230102.569, a fls. 808/828, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª SEJUL do CARF, em 16 de julho de 2013, negou provimento à preliminar de prescrição, e, por voto de qualidade, deu provimento parcial ao recurso para que se procedesse ao recálculo da multa aplicada, tomandose em consideração as disposições do art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449/2008, na forma do voto divergente vencedor. O Delegado da Receita Federal do Brasil em Campo Grande/MS opôs Embargos de Declaração, a fls. 846/848, em face do Acórdão n° 230102.569, acima referido, ao fundamento de que o Acórdão embargado encontravase eivado de vício de omissão, na medida em que não teria levado em consideração os efeitos da adesão do Autuado ao parcelamento da MP nº 589/2012 (Lei nº 12.810/2013), circunstância que implicaria a desistência do Recurso Voluntário interposto. Despacho a fls. 850/852 acolheu os Embargos de Declaração opostos, para que a 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF apreciasse a adesão do Autuado ao parcelamento de que trata a MP nº 589/2012, convertida na Lei nº 12.810/2013, e seus efeitos. Fl. 865DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 4 Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 866DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10140.723157/201127 Acórdão n.º 2401003.993 S2C4T1 Fl. 855 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida em 12/06/2012. Havendo sido o recurso voluntário protocolizado no dia 09/07/2012, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. 1.2. DO CONHECIMENTO DO RECURSO Devidamente cientificado da decisão de 1ª Instância aviada no Acórdão nº 0428.760 4ª Turma da DRJ/CGE, a fls. 774/778, o Sujeito Passivo interpôs recurso voluntário, a fls. 785/794, em 09/07/2012, requerendo a reforma da decisão recorrida e a improcedência do lançamento. Na sequência, em 25/03/2013, o Prefeito Municipal protocolizou perante a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campo Grande/MS, Pedido de Parcelamento de Débito PEPAR, a fls. 801/803, abarcando a totalidade dos débitos em seu nome da Prefeitura Municipal e em nome de suas autarquias e fundações públicas, passíveis de inclusão na MP nº 589/2012, convertida na Lei nº 12.810/2013, com apresentação Ato Termo de Desistência de Impugnação ou Recurso Administrativo, a fl. 804, formalizando a desistência total da impugnação ou recurso interposto em todos os processos administrativos, referentes aos débitos de sua responsabilidade ou sob responsabilidade de suas autarquias e fundações, que contenham débitos passíveis de inclusão nesse parcelamento, cumprindo a exigência contida no art. 2º, 3º, da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 9/2012. De acordo com o art. 8º da Lei nº 12.810/2013 c.c. art. 12 da Lei nº 10.522/2002, o pedido de parcelamento deferido constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, podendo a exatidão dos valores parcelados ser objeto de verificação. Lei nº 12.810, de 15 de maio de 2013 Art. 8o Ao parcelamento de que trata o art. 1o desta Lei aplicase, no que couber, o disposto nos arts. 12, 13 e 14B da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002. Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002. Art. 12. O pedido de parcelamento deferido constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito Fl. 867DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 6 tributário, podendo a exatidão dos valores parcelados ser objeto de verificação. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Na sequência, a Lei nº 12.810/2013 atribuiu à RFB a competência para editar os atos necessários à execução do parcelamento de que ora se debate. Lei nº 12.810, de 15 de maio de 2013 Art. 9o A Secretaria da Receita Federal do Brasil do Ministério da Fazenda e a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, no âmbito das respectivas competências, editarão os atos necessários à execução do parcelamento de que trata o art. 1o desta Lei. Nessa esteira, a PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL e o SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, tendo em vista o disposto nos arts. 1º a 9º da Lei nº 12.810, de 15 de maio de 2013, editaram a PORTARIA CONJUNTA PGFN / RFB nº 3, de 24 de maio de 2013, DOU de 27/05/2013, cujo art. 2º expressamente dispõe que a inclusão no parcelamento de débitos objeto de discussão administrativa implica desistência da impugnação ou do recurso interposto e, cumulativamente, renúncia a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundamentam as referidas impugnações ou recursos administrativos. Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 3, de 24 de maio de 2013 Art. 2º A inclusão no parcelamento de débitos objeto de discussão administrativa implica desistência da impugnação ou do recurso interposto e, cumulativamente, renúncia a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundamentam as referidas impugnações ou recursos administrativos. Parágrafo único. Os depósitos administrativos existentes, vinculados aos débitos a serem parcelados nos termos desta Portaria, serão automaticamente transformados em pagamento definitivo em favor da União. Art. 3º Os débitos objeto de discussão judicial somente poderão integrar o parcelamento de que trata esta Portaria se o sujeito passivo desistir expressamente, de forma irretratável e irrevogável, total ou parcialmente, até a data do pedido, dos embargos à execução, de incidente processual na execução, da ação judicial proposta ou de recurso judicial e, cumulativamente, renunciar a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundamentam os referidos processos e ações judiciais. §1º Se o sujeito passivo renunciar parcialmente ao objeto da ação, somente poderão ser incluídos no parcelamento os débitos aos quais se referir a renúncia. §2º A renúncia ao direito sobre o qual se funda a ação referida no caput aplicase inclusive às ações judiciais em que o sujeito passivo requer o restabelecimento de sua opção ou a sua reinclusão em outros parcelamentos. §3º O ente político deverá comprovar perante a RFB que houve o pedido de extinção dos processos com julgamento do mérito, nos termos do inciso V do art. 269 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil (CPC), mediante apresentação da 2ª (segunda) via da petição de renúncia protocolada no respectivo Cartório Judicial, ou de certidão do Cartório que ateste o estado do Fl. 868DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10140.723157/201127 Acórdão n.º 2401003.993 S2C4T1 Fl. 856 7 processo, cuja cópia deverá ser anexada ao requerimento do parcelamento. §4º Nas ações em que constar depósito judicial, deverá ser requerida, juntamente com o pedido de renúncia previsto no caput, a conversão do depósito em renda em favor da União ou a sua transformação em pagamento definitivo. Dessarte, a desistência do Recurso Voluntário interposto e a renúncia a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundamentam as referidas impugnações ou recursos administrativos dessai automaticamente da legislação tributária de que trata o parcelamento ao qual aderiu o Autuado. Quanto à suspensão da exigibilidade do Crédito Tributário, esta decorre ex lege, nos termos do §2º do art. 7º da Lei nº 12.810/2013. Lei nº 12.810, de 15 de maio de 2013 Art. 7o Os pedidos de parcelamento de que trata o art. 1o desta Lei deverão ser formalizados até o último dia útil do terceiro mês subsequente ao da publicação desta Lei, na unidade da Receita Federal do Brasil de circunscrição do requerente, sendo vedada, a partir da adesão, qualquer retenção referente a débitos de parcelamentos anteriores incluídos no parcelamento de que trata esta Lei. §1o A existência de outras modalidades de parcelamento em curso não impede a concessão do parcelamento de que trata o art. 1o desta Lei. §2o Ao ser protocolado pelo ente federativo o pedido de parcelamento, fica suspensa a exigibilidade dos débitos incluídos no parcelamento perante a Fazenda Nacional, que emitirá certidão positiva do ente, com efeito negativo, em relação aos referidos débitos. §3o Em seguida à formalização do pedido de parcelamento e até que seja consolidado o débito e calculado o valor das parcelas a serem pagas na forma do art. 1o desta Lei, será retido o correspondente a 0,5% (cinco décimos por cento) da média mensal da receita corrente líquida do ano anterior do respectivo Fundo de Participação dos Estados FPE e Fundo de Participação dos Municípios FPM e repassadas à União, como antecipação dos pagamentos a serem efetuados no momento do início efetivo do parcelamento. §4o A adesão ao parcelamento de que trata o art. 1o desta Lei não afeta os termos e condições de abatimentos e reduções de parcelamentos concedidos anteriormente. Iluminese que o §2º do art. 78 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, estatui que o pedido de parcelamento, por qualquer de suas modalidades, tem por consequência direta a desistência tácita do recurso eventualmente interposto. Regimento Interno do CARF Fl. 869DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 8 Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. §1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. §2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. §3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. §4º Havendo desistência parcial do sujeito passivo e, ao mesmo tempo, decisão favorável a ele, total ou parcial, com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para que, depois de apartados, se for o caso, retornem ao CARF para seguimento dos trâmites processuais. §5º Se a desistência do sujeito passivo for total, ainda que haja decisão favorável a ele com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para procedimentos de cobrança, tornandose insubsistentes todas as decisões que lhe forem favoráveis. Ante o exposto, pugnamos pelo não conhecimento do Recurso Voluntário interposto, em razão da perda do objeto, tendo em vista o requerimento de parcelamento formulado pelo Recorrente, e a ele deferido, circunstância que implica a renúncia tácita ao contencioso administrativo. 2. CONCLUSÃO Nesse contexto, pugnamos pelo acolhimentos dos presentes embargos, dandolhes efeitos modificativos infringentes, para não conhecer do recurso voluntário interposto, pela perda do objeto, em razão da renúncia ao Contencioso Administrativo. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 870DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10140.723157/201127 Acórdão n.º 2401003.993 S2C4T1 Fl. 857 9 Fl. 871DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS
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Numero do processo: 10569.000104/2010-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2005 a 31/12/2009
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - RELATÓRIO DE VÍNCULOS - NÃO COMPORTA DISCUSSÃO NO ÂMBITO DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERAL
Conforme a Súmula CARF nº 88, não comporta discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal acerca do Relatório de Vínculos, se consolidando o entendimento nesta Corte Administrativa no sentido de que o Relatório de Vínculos não atribui responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, tendo finalidade meramente informativa.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AÇÃO JUDICIAL - SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE - OCORRÊNCIA DE DECADÊNCIA.
Em decorrência de ação judicial, considerando-se também a suspensão da exigibilidade do crédito nos termos do art. 151, CTN, nada obsta ao Fisco proceder ao lançamento eis que esta é atividade vinculada e obrigatória, vide art. 142, CTN, e visa impedir a ocorrência da decadência, conforme o disposto no art. 86, Decreto 7.574/2011.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-003.100
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. A Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte deverá observar, quando da execução administrativa do presente julgado, os reflexos do trânsito em julgado da Ação Popular n° 2009.85.00.000399-9.
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Márcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente convocado), José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado).
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO RELATÓRIO DE VÍNCULOS NÃO COMPORTA DISCUSSÃO NO ÂMBITO DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERAL Conforme a Súmula CARF nº 88, não comporta discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal acerca do Relatório de Vínculos, se consolidando o entendimento nesta Corte Administrativa no sentido de que o Relatório de Vínculos não atribui responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, tendo finalidade meramente informativa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 56 9. 00 01 04 /2 01 0- 22 Fl. 956DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 2 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AÇÃO JUDICIAL SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE OCORRÊNCIA DE DECADÊNCIA. Em decorrência de ação judicial, considerandose também a suspensão da exigibilidade do crédito nos termos do art. 151, CTN, nada obsta ao Fisco proceder ao lançamento eis que esta é atividade vinculada e obrigatória, vide art. 142, CTN, e visa impedir a ocorrência da decadência, conforme o disposto no art. 86, Decreto 7.574/2011. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. A Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte deverá observar, quando da execução administrativa do presente julgado, os reflexos do trânsito em julgado da Ação Popular n° 2009.85.00.0003999. Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Márcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente convocado), José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado). Fl. 957DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10569.000104/201022 Acórdão n.º 2202003.100 S2C2T2 Fl. 957 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente contra Acórdão nº 1261.175 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro I RJ I que julgou procedente o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.286.8851 , nas competências 08/2005 a 12/2009. De acordo com o Relatório Fiscal o lançamento referese as contribuições arrecadadas pela RFB e destinadas a Outras Entidades e Fundos Terceiros (SESC, SENAC, SEBRAE, INCRA e FNDE), incidentes sobre a remuneração paga a qualquer título a segurados empregados, com exigibilidade suspensa. O Relatório Fiscal mostra que a Recorrente possuía a condição de isenta antes da suspensão dos efeitos do CEBAS por decisão judicial. O sujeito passivo obteve o deferimento dos pedidos de Renovação do CEBAS, por meio da Resolução nº 3 do Conselho Nacional de Assistência Social CNAS, de 23/01/2009, sendo que tal deferimento ocorreu na forma do art. 37 da Medida Provisória nº 446, de 7 novembro de 2008, referente aos processos n. 71010.002723/200323 (01/01/2004 a 31/12/2006) e 71010.004196/200634 (01/01/2007 a 31/12/2009), legitimando sua condição de entidade isenta: 2.2. A Resolução n. 3 do Conselho Nacional de Assistência Social CNAS, de 23 de janeiro de 2009 (anexo VII), publicada no Diário Oficial da União de 26 de janeiro de 2009, trouxe os deferimentos dos pedidos de renovação de Certificados de Entidade Beneficentes de Assistência Social do IBEU na forma do art 37 da Medida Provisória n. 446, de 7 novembro de 2008, referente aos processos n. 71010.002723/200323 (01/01/2004 a 31/12/2006) e 71010.004196/200634 (01/01/2007 a 31/12/2009), legitimando a condição de isenta antes da suspensão por decisão judicial.. O Relatório Fiscal apresenta que a motivação da lavratura do AIOP foi baseada na decisão proferida am sede de medida cautelar na Ação Popular no 2009.85.00.0003999, então em trâmite na 1a Vara Federal da Seção Judiciária do Estado de Sergipe, que suspendeu os efeitos do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEBAS concedido à Recorrente no período 01/2001 a 12/2009. Essa decisão judicial também determinou à União, através da Receita Federal do Brasil RFB, que promovesse os lançamentos das contribuições para seguridade social relativas aos períodos abrangidos pelos certificados citados: 2.1. De acordo com a decisão proferida (anexo VI), em 15/12/2009, em sede de medida cautelar, 1a . Vara Federal do Estado de Sergipe, n. processo 2009.85.00.0003999 ação popular (petição inicial: anexo I e situação anexo III), em face do Instituto Brasil Estados Unidos, IBEU foi determinada a suspensão dos efeitos dos Certificados de Entidades Beneficentes Fl. 958DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 4 de Assistência Social CEBAS concedidos à instituição, relativos aos períodos de 01/01/2001 a 31/12/2003, 01/01/2004 a 31/12/2006 e 01/01/2007 a 31/12/2009, bem como, determinado à União, através da Receita Federal do Brasil RFB, que promovesse os lançamentos das contribuições para seguridade social relativas aos períodos abrangidos pelos certificados citados, observandose a decadência eventualmente incidente sobre os mesmos e mantendo suspensa a exigibilidade dos tributos até ulterior deliberação. Ainda segundo o Relatório Fiscal, a determinação judicial de suspensão do efeito dos CEBAS acarretou, portanto, a suspensão da condição de isenta do sujeito passivo de forma a reenquadrar a Recorrente no código do Fundo da Previdência e Assistência Social FPAS de 639 (entidade Beneficente de Assistência Social) para o código FPAS 515 (Curso livre de idiomas) e o código de Outras Entidades (Terceiros) 0115: 2.3. Como a empresa, em época própria, adotou para enquadramento do FPAS o código 639 que se refere à Entidade Filantrópica e Beneficente de Assistência Social (isentas), e estava amparada pelo CEBAS, não recolheu, nem considerou em suas Guia de Recolhimento dó Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social GFIP as contribuições devidas a Seguridade Social da parte de empresa, Gilrat e terceiros. 2.4. Conforme determinação judicial citada houve a suspensão do efeito dos CEBAS e, portanto, da condição de isenta do referido instituto. Conseqüentemente, a empresa está sujeita, até ulterior deliberação, a novo enquadramento: FPAS 515 e Terceiros 0115, que se refere a curso livre de idiomas. O Relatório Fiscal aponta os Códigos de Levantamento utilizados: Levantamento BG (FPAS 515, Terceiros 00115, 08/2005 a 11/2008) e Levantamento B2 (FPAS 515, Terceiros 0115, 12/2008 a 12/2009) lançamento BC: utilizados para lançar aos valores de remuneração declarados em GFIP, que são a base de cálculo para o lançamento da contribuição patronal e de terceiros, não declaradas (uma vez que a GFIP foi declarada o código FPAS 639 isenta). Os valores discriminados, por segurado, se encontram na planilha "Discriminativo de GFIP". Levantamento FN (FPAS 515, Terceiros 00115, 08/2005 a 11/2008,) e Levantamento F2 (FPAS 515, Terceiros 0115, 12/2008 a 12/2009) lançamento BC: utilizado para lançar os valores constantes da folha de pagamento não declarados em GFIP: valores constantes de folha de pagamento, referente a rescisões complementares, saldo de salário, saldo de salário sobre hora extra e diferença de férias, que não haviam sido declarados em GFIP. Os valores discriminados, por segurado, se encontram na planilha "Discriminativo de lançamentos empregados". Ainda, o Relatório Fiscal informa que não foram cobradas as multas de ofício e de mora: 7.1 Não foram cobradas as multas de ofício e de mora em atenção ao disposto na Lei 9430/96: Fl. 959DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10569.000104/201022 Acórdão n.º 2202003.100 S2C2T2 Fl. 958 5 "Ari. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória n° 2.15835, de 2001) § 1o O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2o A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição." O período objeto do auto de infração conforme o Relatório Fiscal é de 08/2005 a 12/2009. A Recorrente teve ciência do auto de infração em 20.07.2010, conforme informação nos autos. A Recorrente apresentou Impugnação, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: 1. Alega que cumpre os requisitos do art. 14 do Código Tributário Nacional – CTN e que o caráter de Instituição Educacional que presta serviços de Assistência Social, no âmbito da educação, já foi, inclusive, reconhecido pelo Poder Judiciário em sede de mandado de segurança impetrado pelo IBEU contra indeferimento irregular de CEBAS por parte do Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS). 2. Menciona o que considera provas incontestes de seu direito à imunidade. 3. Aduz que inexistiu qualquer averiguação por parte do Fisco que pusesse em dúvida a sua condição de entidade imune e que é reconhecido pelo próprio fiscal, em seu relatório (REFISC), que somente a partir da ordem judicial emanada pela magistrada da 1ª VF de Sergipe, promoveu a alteração do enquadramento do Instituto para "curso livre de idiomas", e não mais em "Entidade Filantrópica e Beneficente de Assistência Social". 4. Ainda que a constituição do crédito tributário tenha decorrido por ordem judicial e que o lançamento tenha sido efetuado para prevenir a decadência, considera irrazoável, tampouco proporcional, que a imunidade da impugnante, sempre amparada e confirmada por todas as provas ora acostadas, seja desconsiderada em época que não só a fiscalização como o próprio Poder Executivo dispensavam qualquer incerteza acerca do tema, a ensejar a retroação do período de apuração objeto deste Auto de Infração. Fl. 960DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 6 5. Requer que sejam suspensos a exigibilidade do crédito lançado, nos termos do artigo 151 do CTN, bem como os trâmites deste processo administrativo até a perda da eficácia da decisão judicial que o embasou, ou até o trânsito em julgado da Ação Popular n° 2009.85.00.0003999, em curso perante a 1ª Vara Federal da Seção Judiciária de Sergipe (doc.03), por se tratar de prejudicial de mérito. 6. Protesta pela posterior produção de todas as provas admitidas em âmbito administrativo, inclusive documental e pericial. Em um primeiro julgamento, a Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 1236.408 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro I RJ I, conforme a Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2005 a 31/12/2009 AÇÃO JUDICIAL. LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA. O lançamento tributário autorizado por sentença judicial ainda não transitada em julgado dá origem a crédito inexigível até a decisão judicial definitiva, admitindose a instauração do contencioso somente em relação à matéria distinta daquela discutida judicialmente. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DE ADMINISTRADORES. IMPUGNAÇÃO. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. Não altera a sujeição passiva do lançamento a relação de co responsáveis, que apenas lista, por período, os representantes legais da empresa autuada, que entretanto, podem ingressar na lide na qualidade de terceiros interessados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos do processo em epígrafe (AI n° 37.286.8851), ACORDAM os membros da Turma, por unanimidade de votos, negar provimento à impugnação, nos termos do relatório e voto que este decisum passam a integrar, mantendose inalterado o crédito tributário no valor principal de R$ 3.117.894,43, acrescido de juros a serem calculados na data da liquidação. À EQCDP/DICAT/DRFRJO I para cientificar o contribuinte, bem como os coresponsáveis que impugnaram parcialmente o lançamento, na qualidade de terceiros interessados, oferecendo lhes a oportunidade de interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no prazo de trinta dias, e demais providências cabíveis. Fl. 961DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10569.000104/201022 Acórdão n.º 2202003.100 S2C2T2 Fl. 959 7 Conforme o Relatório da decisão de primeira instância, o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário tempestivo: Contra tal decisão, a autuada apresentou recurso tempestivo, no qual alega que a decisão de primeira instância teria deixado de se manifestar a respeito de sua impugnação, conforme cópia anexada Anotese, conforme o Relatório da decisão de primeira instância, o sujeito passivo atravessou petição nos autos informando que a sentença de mérito prolatada na Ação Popular n° 2009.85.00.000399 9, julgou improcedente a pretensão autoral, de forma que se reconheceu o caráter de Entidade Beneficente de Assistência Social conferido ao sujeito passivo: Antes mesmo da apreciação do recurso voluntário interposto, a autuada manifestouse nos autos para informar a prolação de sentença na Ação Popular n° 2009.85.00.000399 9, em trâmite perante a lª Vara Federal da Seção Judiciária de Sergipe, que julgou improcedente a pretensão autoral para reconhecer o caráter de Entidade Beneficente de Assistência Social conferido ao IBEU. Considerando tratarse de lançamento preventivo da decadência lavrado por obediência à decisão judicial proferida em sede de cognição sumária, atualmente revogada por sentença de mérito, requer o cancelamento do presente auto de infração, com a respectiva baixa e arquivamento do feito; ou, caso assim não se entenda, sejam suspensos os trâmites deste processo administrativo, até o trânsito em julgado da Ação Popular nº 2009.85.00.0003999, em curso perante a lª Vara Federal da Seção Judiciária de Sergipe, por se tratar de prejudicial de mérito. Outrossim, o Relatório da decisão de primeira instância informa que em sessão realizada em 22/01/2013, a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara do CARF, através do acórdão nº 2402003.252, decidiu anular a decisão de 1º grau, por supressão de instância eis que não foi analisada a impugnação apresentada pelo sujeito passivo: Em sessão realizada em 22/01/2013, a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara do CARF, através do acórdão nº 2402003.253, decidiu anular a decisão de 1º grau, por supressão de instância, eis que não foi analisada a impugnação apresentada pelo sujeito passivo, que se encontrava anexada às fls. 126/139. Conforme o Relatório da decisão de primeira instância, as pessoas identificadas na Relação de Vínculos aduziram os seguintes argumentos: 1. O Relatório de Vínculos carece de motivação por parte da autoridade administrativa competente, uma vez que em nenhum Fl. 962DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 8 momento restou consignado embasamento legal ou, ao menos, justificativa plausível para sujeitar a figuração dos impugnantes nesta autuação. 2. Observa que a Lei 8.620/93 foi revogada pelo art. 79 da Lei 11.941/09, não estando mais vigente o dispositivo que atribuía responsabilidade solidária aos administradores. 3. O pólo passivo da Ação Popular que ensejou a lavratura do auto de infração é composto apenas pelo IBEU e pela União, e os efeitos da decisão nela proferida só podem atingir as partes a ela vinculadas. 4. Ademais, a referida decisão é clara no sentido de determinar à União que promova os lançamentos em face única e exclusivamente do IBEU. Todavia, o auto de infração vincula diretamente os impugnantes com o cunho de embasar a atribuição de corresponsabilidade em eventual certidão de dívida ativa. 5. Cumpre ressaltar, ainda, a inexistência de ao menos uma das hipóteses do art. 135 do CTN. 6. Conforme demonstrado no Relatório de Vínculos, os impugnantes sempre compuseram a Presidência ou Vice Presidência, aos quais o Estatuto Social, cópia anexa, jamais conferiu qualquer responsabilidade de administração concernente às áreas contábil e fiscal do Instituto. 7. É cediço que o mero inadimplemento da obrigação de pagar tributos não constitui infração legal capaz de ensejar a responsabilidade prevista no artigo 135, III do CTN. No caso, não há nem que se falar em inadimplemento, já que durante todo o período autuado inexistia obrigação tributária diante da imunidade inerente à atividade do IBEU. 8. Finaliza requerendo a desvinculação dos impugnantes ao crédito, ou sua exclusão da lide, por não comprovação de qualquer das hipóteses do art. 135 do CTN, além da manutenção da exigibilidade do tributo nos termos do art. 151 do CTN e dos trâmites processuais até o trânsito em julgado da Ação Popular que determinou a autuação, por se tratar de prejudicial de mérito. Protesta pela apresentação posterior de provas. 9. Finaliza requerendo a desvinculação dos impugnantes ao crédito, ou sua exclusão da lide, por não comprovação de qualquer das hipóteses do art. 135 do CTN, além da manutenção da exigibilidade do tributo nos termos do art. 151 do CTN e dos trâmites processuais até o trânsito em julgado da Ação Popular que determinou a autuação, por se tratar de prejudicial de mérito. Protesta pela apresentação posterior de provas. Após, a Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 1261.175 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro I RJ I , conforme a Ementa a seguir: Fl. 963DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10569.000104/201022 Acórdão n.º 2202003.100 S2C2T2 Fl. 960 9 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2005 a 31/12/2009 AÇÃO JUDICIAL. LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA. O lançamento tributário autorizado por sentença judicial ainda não transitada em julgado dá origem a crédito inexigível até a decisão judicial definitiva, admitindose a instauração do contencioso somente em relação à matéria distinta daquela discutida judicialmente. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. NATUREZA JURÍDICA. O Relatório de Vínculos não atribui responsabilidade tributária às pessoas nele identificadas, tratandose de peça meramente informativa. PRODUÇÃO DE PROVAS. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. A prova documental será apresentada na impugnação, ressalvados os casos previstos no art. 15, § 4º, do Decreto 70.235/72, sob pena de preclusão. PEDIDO DE PERÍCIA. NÃO CONHECIMENTO. Considerase não formulado o pedido de perícia destituído dos motivos que lhe servem de supedâneo, da formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, e do nome, endereço e qualificação profissional do profissional indicado pelo interessado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos do processo em epígrafe (AI nº 37.286.8851), ACORDAM os membros da Turma, por unanimidade de votos, negar provimento à impugnação, nos termos do relatório e voto que este decisum passam a integrar, para considerar devido o crédito tributário no valor principal de R$ 3.117.894,43, acrescido de juros a serem calculados na data da liquidação. À DRFRJOI/DICAT, para cientificar o contribuinte, bem como os dirigentes que impugnaram o lançamento, na qualidade de terceiros interessados, oferecendolhes a oportunidade de interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no prazo de trinta dias. Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, onde combate fundamentadamente a decisão de primeira instância e reitera as argumentações deduzidas em sede de Impugnação, em apertada síntese: Fl. 964DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 10 (i) A inequívoca condição de imune do IBEU A Recorrente alega que cumpre os requisitos do art. 195, § 1º, CRFB/1988, do art. 14, CTN, com o Estatuto Social estando de acordo com tais requisitos constitucionais e legais. O caráter de Instituição Educacional que presta serviços de Assistência Social, no âmbito da educação, já foi, inclusive, reconhecido pelo Poder Judiciário em sede de mandado de segurança impetrado pelo IBEU contra indeferimento irregular de CEBAS por parte do Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS). (ii). Menciona o que considera provas incontestes de seu direito à imunidade. Importa notar, aqui, a impossibilidade da instituição de outros requisitos além daqueles previstos na lei complementar da Constituição (art. 14 do CTN) , que a todos vincula. O imune, uma vez enquadrado na hipótese constitucional, e desde que observados os requisitos, possui,desde logo, o direito. Desnecessária, portanto, autorização,licença ou alvará do ente político para fruição de sua imunidade. O ato de o imune comunicar e requerer ao ente tributante o respectivo titulo de sua condição é, no mínimo facultativo. Relaciona Declaração de utilidade Pública federal, estadual etc. (iii) Inexiste qualquer averiguação por parte do Fisco que pusesse em dúvida a imunidade da Recorrente. Tal fato, inclusive, é reconhecido pelo próprio fiscal em seu relatório (REFISC), que somente a partir da ordem judicial emanada pela magistrada da Ia VF de Sergipe, promoveu a alteração do enquadramento do Instituto para "curso livre de idiomas", e não mais em "Entidade Filantrópica e Beneficente de Assistência Social". Ainda que a constituição do crédito tributário tenha decorrido de ordem judicial, ainda que o lançamento tenha sido efetuado para se prevenir decadência, não é razoável, tampouco proporcional, que a imunidade do Recorrente, sempre amparada e confirmada por todas as provas já acostadas ao presente processo, seja desconsiderada em época que não só a fiscalização, como o próprio Poder Executivo dispensavam qualquer incerteza acerca do tema, a ensejar a retroação do período de apuração objeto deste auto de infração. (iv) Perda da eficácia da decisão judicial que determinou o lançamento Por fim, em que pese todo o exposto, importa frisar ainda que, conforme já noticiado no presente processo administrativo (através de petição protocolada em 23/10/2012), a decisão judicial que determinou o lançamento ora guerreado encontrase revogada pela sentença, a qual julgou improcedente a pretensão autoral para reconhecer o caráter de Entidade Beneficente de Assistência Social conferido ao IBEU, quanto ao período demandado. Fl. 965DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10569.000104/201022 Acórdão n.º 2202003.100 S2C2T2 Fl. 961 11 Assim, considerando que a sentença favorável ao IBEU é o pronunciamento mais recente do judiciário, tendo em vista que o recurso de apelação interposto pela parte autora está pendente de julgamento pelo E. Tribunal Regional Federal da 5a Região (doe.03), restam reforçadas as razões pelas quais o presente recurso merece provimento. (v) requer a suspensão dos trâmites deste processo administrativo até o trânsito em julgado da Ação Popular n° 2009.85.00.0003999, atualmente em curso perante a Ia Turma do E. TRF da 5a Região. Um segundo Recurso Voluntário foi interposto, em conjunto, pelas pessoas físicas identificadas na Relação de Vínculos, inconformadas com a decisão de primeira instância, combatem fundamentadamente tal decisão e reiteram as argumentações deduzidas em sede de Impugnação, em apertada síntese: (i) A utilização do Relatório de Vínculos como subsídio à Ação de Execução Fiscal; (ii) Princípio da motivação: ausência de fundamentação legal para vinculação das pessoas físicas no Auto de Infração ; (iii) Os limites da ordem judicial motivadora da autuação a autoridade fiscal ultrapassou os limites da ordem judicial ao lavrar o auto de infração e vincular pessoas físicas absolutamente alheias ao caso pois o pólo passivo é composto apenas pelo IBEU e pela União Federal; (iv) Inocorrência de qualquer das hipóteses do art. 135, CTN; (v) Perda da eficácia da decisão judicial que determinou o lançamento; Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 966DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 12 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Os Recursos Voluntários foram interpostos tempestivamente, conforme informação prestada nos autos em Despacho de encaminhamento. às fls. 952: Ref.: Proc. Adm. 10569.000104/201022 (AIOP 37.286.8851) Int.: INSTITUTO BRASIL ESTADOS UNIDOS CNPJ 33.641.788/000174 Ass.: RECURSO VOLUNTÁRIO 1) O contribuinte protocolou recurso em 22/04/2014, o qual foi considerado TEMPESTIVO, tendo em vista a ciência do Acórdão expedido pela DRJ/RJOI darse em 25/03/2014, com prazo de expiração em 24/04/2014; 2) Informamos, outrossim, que foi protocolado recurso em nome dos sócios, em 24/04/2014, o qual se encontra às fls. 914/929; 3) Sugerimos a remessa dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, para prosseguimento do pleito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (A) Da regularidade da lavratura do AIOP. Analisemos. Não obstante a argumentação do Recorrente, não confiro razão ao mesmo pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente contra Acórdão nº 1261.175 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro I RJ I que julgou procedente o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.286.8851 , nas competências 08/2005 a 12/2009. De acordo com o Relatório Fiscal o lançamento referese as contribuições arrecadadas pela RFB e destinadas a Outras Entidades e Fundos Terceiros (SESC, SENAC, Fl. 967DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10569.000104/201022 Acórdão n.º 2202003.100 S2C2T2 Fl. 962 13 SEBRAE, INCRA e FNDE), incidentes sobre a remuneração paga a qualquer título a segurados empregados, com exigibilidade suspensa. O Relatório Fiscal apresenta que a motivação da lavratura do AIOP foi baseada na decisão proferida em sede de medida cautelar na Ação Popular no 2009.85.00.0003999, então em trâmite na 1a Vara Federal da Seção Judiciária do Estado de Sergipe, que suspendeu os efeitos do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEBAS concedido à Recorrente no período 01/2001 a 12/2009. Essa decisão judicial também determinou à União, através da Receita Federal do Brasil RFB, que promovesse os lançamentos das contribuições para seguridade social relativas aos períodos abrangidos pelos certificados citados. Portanto, o Auto de Infração preventivo da decadência foi lavrado tendo como motivação a determinação judicial que suspendeu os efeitos do CEBAS concedido à Recorrente, em sede de medida cautelar na Ação Popular no 2009.85.00.0003999, de forma que a lavratura do AIOP obedeceu os ditames do art. 86, Decreto 7.574/2011: Decreto 7.574/2011 Art.86. O lançamento para prevenir a decadência deverá ser efetuado nos casos em que existir a concessão de medida liminar em mandado de segurança ou de concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial (Lei no 5.172, de 1966Código Tributário Nacional, arts. 142, parágrafo único, e 151, incisos IV e V; Lei no 9.430, de 1996, art. 63, com a redação dada pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001, art. 70). §1oO lançamento de que trata o caput deve ser regularmente notificado ao sujeito passivo com o esclarecimento de que a exigibilidade do crédito tributário permanece suspensa, em face da medida liminar concedida (Lei nº 5.172, de 1966Código Tributário Nacional, arts. 145 e 151; Decreto no 70.235, de 1972, art. 7o). §2oO lançamento para prevenir a decadência deve seguir seu curso normal, com a prática dos atos administrativos que lhe são próprios, exceto quanto aos atos executórios, que aguardarão a sentença judicial, ou, se for o caso, a perda da eficácia da medida liminar concedida. Neste sentido, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrado AIOP nº 37.286.8851 que, conforme definido no inciso III do artigo 460 da IN RFB n° 971/2009, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: (redação à época da lavratura do AIOP nº 37.286.8851) Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará Fl. 968DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 14 notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN RFB n° 971/2009 Art. 460. São documentos de constituição do crédito tributário relativo às contribuições de que trata esta Instrução Normativa: I Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), é o documento declaratório da obrigação, caracterizado como instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário; II Lançamento do Débito Confessado (LDC), é o documento por meio do qual o sujeito passivo confessa os débitos que verifica; III Auto de Infração (AI), é o documento constitutivo de crédito, inclusive relativo à multa aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, lavrado por AFRFB e apurado mediante procedimento de fiscalização; IV – Notificação de Lançamento (NL), é o documento constitutivo de crédito expedido pelo órgão da Administração Tributária; V Débito Confessado em GFIP (DCG), é o documento que registra o débito decorrente de divergência entre os valores recolhidos em documento de arrecadação previdenciária e os declarados em GFIP; e Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: · A autorização por meio da emissão de TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; · A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; · A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DD Discriminativo do Débito Fl. 969DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10569.000104/201022 Acórdão n.º 2202003.100 S2C2T2 Fl. 963 15 c. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); d. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); e. TIPF – Termo de Início do Procedimento Fiscal; h. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Analisandose o AIOP nº 37.286.8851, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Diante do exposto, não prospera a alegação da Recorrente. Fl. 970DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 16 (B) Das alegações acerca de inconstitucionalidade Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Ainda, o art. 59, caput, Decreto 7.574/2011; Art.59. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade (Decreto no 70.235, de 1972, art. 26A, com a redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, art. 25). Parágrafo único.O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo (Decreto no 70.235, de 1972, art. 26A, § 6o, incluído pela Lei no 11.941, de 2009, art. 25): Ique já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou IIque fundamente crédito tributário objeto de: a)dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de junho de 2002; b)súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c)pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 1993. Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. Fl. 971DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10569.000104/201022 Acórdão n.º 2202003.100 S2C2T2 Fl. 964 17 DO MÉRITO. DO RECURSO VOLUNTÁRIO PESSOAS FÍSICAS IDENTIFICADAS NO RELATÓRIO DE VÍNCULOS (i) A utilização do Relatório de Vínculos como subsídio à Ação de Execução Fiscal; (ii) Princípio da motivação: ausência de fundamentação legal para vinculação das pessoas físicas no Auto de Infração ; (iii) Os limites da ordem judicial motivadora da autuação a autoridade fiscal ultrapassou os limites da ordem judicial ao lavrar o auto de infração e vincular pessoas físicas absolutamente alheias ao caso pois o pólo passivo é composto apenas pelo IBEU e pela União Federal; (iv) Inocorrência de qualquer das hipóteses do art. 135, CTN; (v) Perda da eficácia da decisão judicial que determinou o lançamento; Analisemos conjuntamente os itens (i) a (v). De início, em que pese as pessoas físicas relacionadas no Relatório Fiscal de Vínculos não constarem do pólo passivo no lançamento tributário, consideroas legitimadas como interessadas no Processo Administrativo, com fundamento no art. 9o,, II, Lei 9.784/1999: Lei 9.784/1999 CAPÍTULO V DOS INTERESSADOS Art. 9o São legitimados como interessados no processo administrativo: I pessoas físicas ou jurídicas que o iniciem como titulares de direitos ou interesses individuais ou no exercício do direito de representação; II aqueles que, sem terem iniciado o processo, têm direitos ou interesses que possam ser afetados pela decisão a ser adotada; III as organizações e associações representativas, no tocante a direitos e interesses coletivos; IV as pessoas ou as associações legalmente constituídas quanto a direitos ou interesses difusos. Fl. 972DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 18 Portanto, conheço do Recurso Voluntário interposto. Nos itens (i) a (iv), a questão de fundo está centrada na controvérsia veiculada pelo Relatório Fiscal de Vínculos e seus efeitos. Os Recorrentes aduzem, por um lado, que o Relatório de Vínculos serve como subsídio à Ação de Execução Fiscal, a ausência de fundamentação legal para vinculação e a extrapolação dos limites da ordem judicial, e, por outro lado, aduzem também a inocorrência de qualquer das hipóteses do art. 135, CTN. Não obstante tais argumentações dos Recorrentes, não concordo pelos motivos a seguir expostos. Vejamos. O Relatório de Vínculos lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período. Outrossim, o CARF, na Súmula CARF nº 88, já se posicionou expressamente no sentido de não comportar a discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal acerca do Relatório de Vínculos. Conforme a Súmula CARF nº 88, não comporta discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal acerca do relatório de Vínculos, se consolidando o entendimento nesta Corte Administrativa no sentido de que o Relatório de Vínculos não atribui responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, tendo finalidade meramente informativa: Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Por outro lado, no tópico (v), os Recorrentes aduzem que houve a perda da eficácia da decisão judicial que determinou o lançamento. Ora, conforme já visto no tópico (A) acima, o Auto de Infração preventivo da decadência foi lavrado tendo como motivação a determinação judicial que suspendeu os efeitos do CEBAS concedido à Recorrente, em sede de medida cautelar na Ação Popular no 2009.85.00.0003999, de forma que a lavratura do AIOP obedeceu os ditames do art. 86, Decreto 7.574/2011: Decreto 7.574/2011 Art.86. O lançamento para prevenir a decadência deverá ser efetuado nos casos em que existir a concessão de medida liminar em mandado de segurança ou de concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial (Lei Fl. 973DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10569.000104/201022 Acórdão n.º 2202003.100 S2C2T2 Fl. 965 19 no 5.172, de 1966Código Tributário Nacional, arts. 142, parágrafo único, e 151, incisos IV e V; Lei no 9.430, de 1996, art. 63, com a redação dada pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001, art. 70). §1o O lançamento de que trata o caput deve ser regularmente notificado ao sujeito passivo com o esclarecimento de que a exigibilidade do crédito tributário permanece suspensa, em face da medida liminar concedida (Lei nº 5.172, de 1966Código Tributário Nacional, arts. 145 e 151; Decreto no 70.235, de 1972, art. 7o). §2o O lançamento para prevenir a decadência deve seguir seu curso normal, com a prática dos atos administrativos que lhe são próprios, exceto quanto aos atos executórios, que aguardarão a sentença judicial, ou, se for o caso, a perda da eficácia da medida liminar concedida. Então, nos termos do art. 86, §2o, Decreto 7.574/2011, resta claro que o presente processo administrativo deve seguir seu trâmite normal, observandose que os seus atos executórios aguardarão o trânsito em julgado da Ação Popular no 2009.85.00.0003999. Logo, diante do exposto, não prospera a argumentação dos Recorrentes. DO RECURSO VOLUNTÁRIO DA RECORRENTE (i) A inequívoca condição de imune do IBEU (ii). Menciona o que considera provas incontestes de seu direito à imunidade. (iii) Inexiste qualquer averiguação por parte do Fisco que pusesse em dúvida a imunidade da Recorrente. (iv) Perda da eficácia da decisão judicial que determinou o lançamento (v) requer a suspensão dos trâmites deste processo administrativo até o trânsito em julgado da Ação Popular n° 2009.85.00.0003999, atualmente em curso perante a Ia Turma do E. TRF da 5a Região. Analisemos. Vejamos os tópicos (iv) e (v). Em relação ao tópico (v), a Recorrente requer a suspensão do presente processo administrativo até o trânsito em julgado da Ação Popular e no tópico (iv) o Recorrente aduz que houve a perda da eficácia da decisão judicial que determinou o lançamento. Fl. 974DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 20 Ora, conforme já visto no tópico (A) acima, o Auto de Infração preventivo da decadência foi lavrado tendo como motivação a determinação judicial que suspendeu os efeitos do CEBAS concedido à Recorrente, em sede de medida cautelar na Ação Popular no 2009.85.00.0003999, de forma que a lavratura do AIOP obedeceu os ditames do art. 86, Decreto 7.574/2011: Decreto 7.574/2011 Art.86. O lançamento para prevenir a decadência deverá ser efetuado nos casos em que existir a concessão de medida liminar em mandado de segurança ou de concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial (Lei no 5.172, de 1966Código Tributário Nacional, arts. 142, parágrafo único, e 151, incisos IV e V; Lei no 9.430, de 1996, art. 63, com a redação dada pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001, art. 70). §1o O lançamento de que trata o caput deve ser regularmente notificado ao sujeito passivo com o esclarecimento de que a exigibilidade do crédito tributário permanece suspensa, em face da medida liminar concedida (Lei nº 5.172, de 1966Código Tributário Nacional, arts. 145 e 151; Decreto no 70.235, de 1972, art. 7o). §2o O lançamento para prevenir a decadência deve seguir seu curso normal, com a prática dos atos administrativos que lhe são próprios, exceto quanto aos atos executórios, que aguardarão a sentença judicial, ou, se for o caso, a perda da eficácia da medida liminar concedida. Então, nos termos do art. 86, §2o, Decreto 7.574/2011, resta claro que o presente processo administrativo deve seguir seu trâmite normal, sem que seja suspenso, observandose que os seus atos executórios aguardarão o trânsito em julgado da Ação Popular no 2009.85.00.0003999. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. Analisemos, por fim, os tópicos (i) a (iii). Segue uma breve introdução. De acordo com o Relatório Fiscal o lançamento referese as contribuições arrecadadas pela RFB e destinadas a Outras Entidades e Fundos Terceiros (SESC, SENAC, SEBRAE, INCRA e FNDE), incidentes sobre a remuneração paga a qualquer título a segurados empregados, com exigibilidade suspensa. O Relatório Fiscal mostra que a Recorrente possuía a condição de isenta antes da suspensão dos efeitos do CEBAS por decisão judicial. O sujeito passivo obteve o deferimento dos pedidos de Renovação do CEBAS, por meio da Resolução nº 3 do Conselho Nacional de Assistência Social CNAS, de 23/01/2009, sendo que tal deferimento ocorreu na forma do art. 37 da Medida Provisória nº 446, de 7 novembro de 2008, referente aos processos n. 71010.002723/200323 (01/01/2004 a 31/12/2006) e 71010.004196/200634 (01/01/2007 a 31/12/2009), legitimando sua condição de entidade isenta: Fl. 975DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10569.000104/201022 Acórdão n.º 2202003.100 S2C2T2 Fl. 966 21 2.2. A Resolução n. 3 do Conselho Nacional de Assistência Social CNAS, de 23 de janeiro de 2009 (anexo VII), publicada no Diário Oficial da União de 26 de janeiro de 2009, trouxe os deferimentos dos pedidos de renovação de Certificados de Entidade Beneficentes de Assistência Social do IBEU na forma do art 37 da Medida Provisória n. 446, de 7 novembro de 2008, referente aos processos n. 71010.002723/200323 (01/01/2004 a 31/12/2006) e 71010.004196/200634 (01/01/2007 a 31/12/2009), legitimando a condição de isenta antes da suspensão por decisão judicial.. O Relatório Fiscal apresenta que a motivação da lavratura do AIOP foi baseada na decisão proferida am sede de medida cautelar na Ação Popular no 2009.85.00.0003999, então em trâmite na 1a Vara Federal da Seção Judiciária do Estado de Sergipe, que suspendeu os efeitos do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEBAS concedido à Recorrente no período 01/2001 a 12/2009. Essa decisão judicial também determinou à União, através da Receita Federal do Brasil RFB, que promovesse os lançamentos das contribuições para seguridade social relativas aos períodos abrangidos pelos certificados citados: 2.1. De acordo com a decisão proferida (anexo VI), em 15/12/2009, em sede de medida cautelar, 1a . Vara Federal do Estado de Sergipe, n. processo 2009.85.00.0003999 ação popular (petição inicial: anexo I e situação anexo III), em face do Instituto Brasil Estados Unidos, IBEU foi determinada a suspensão dos efeitos dos Certificados de Entidades Beneficentes de Assistência Social CEBAS concedidos à instituição, relativos aos períodos de 01/01/2001 a 31/12/2003, 01/01/2004 a 31/12/2006 e 01/01/2007 a 31/12/2009, bem como, determinado à União, através da Receita Federal do Brasil RFB, que promovesse os lançamentos das contribuições para seguridade social relativas aos períodos abrangidos pelos certificados citados, observandose a decadência eventualmente incidente sobre os mesmos e mantendo suspensa a exigibilidade dos tributos até ulterior deliberação. Ainda segundo o Relatório Fiscal, a determinação judicial de suspensão do efeito dos CEBAS acarretou, portanto, a suspensão da condição de isenta do sujeito passivo de forma a reenquadrar a Recorrente no código do Fundo da Previdência e Assistência Social FPAS de 639 (entidade Beneficente de Assistência Social) para o código FPAS 515 (Curso livre de idiomas) e o código de Outras Entidades (Terceiros) 0115: 2.3. Como a empresa, em época própria, adotou para enquadramento do FPAS o código 639 que se refere à Entidade Filantrópica e Beneficente de Assistência Social (isentas), e estava amparada pelo CEBAS, não recolheu, nem considerou em suas Guia de Recolhimento dó Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social GFIP as contribuições devidas a Seguridade Social da parte de empresa, Gilrat e terceiros. 2.4. Conforme determinação judicial citada houve a suspensão do efeito dos CEBAS e, portanto, da condição de isenta do referido instituto. Conseqüentemente, a empresa está sujeita, até Fl. 976DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 22 ulterior deliberação, a novo enquadramento: FPAS 515 e Terceiros 0115, que se refere a curso livre de idiomas. Em relação ao tópico (i), a Recorrente aduz a condição de imune do IBEU e, em relação ao tópico (ii), a Recorrente menciona o que considera provas incontestes de seu direito à imunidade. Ora, a motivação da lavratura do AIOP foi baseada na decisão proferida am sede de medida cautelar na Ação Popular no 2009.85.00.0003999, que suspendeu os efeitos do CEBAS concedido à Recorrente no período 01/2001 a 12/2009. Neste ponto, observase que o CEBAS constitui um dos pressupostos legais necessários ao gozo da imunidade de que trata o art. 195, §7º da CRF/88, por força do disposto no art. 55, II da Lei nº 8.212/91 e art. 29 da Lei nº 12.101/09: Essa decisão judicial também determinou à União que promovesse os lançamentos das contribuições para seguridade social relativas aos períodos abrangidos pelos certificados citados. Desta forma, temse que a determinação judicial de suspensão do efeito dos CEBAS acarretou, portanto, a suspensão da condição de isenta do sujeito passivo. Portanto, no presente processo administrativo não cabe a discussão acerca da imunidade da Recorrente por ser matéria estranha ao objeto do lançamento. No tópico (iii), a Recorrente aduz que inexiste qualquer averiguação por parte do Fisco que pusesse em dúvida a imunidade da Recorrente. Em que pese tal argumento da Recorrente, temse que a motivação da lavratura do AIOP foi baseada na decisão proferida em sede de medida cautelar na Ação Popular no 2009.85.00.0003999, que suspendeu os efeitos do CEBAS concedido à Recorrente. Portanto, em função da decisão proferida em sede de medida cautelar na Ação Popular, no presente processo administrativo não cabe a discussão acerca de instauração de procedimento de fiscalização para averiguar a imunidade da Recorrente. Diante do exposto, não prosperam as argumentações da Recorrente. Fl. 977DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10569.000104/201022 Acórdão n.º 2202003.100 S2C2T2 Fl. 967 23 CONCLUSÃO Voto pelo CONHECIMENTO do Recurso, para, no MÉRITO, NEGARLHE PROVIMENTO. A Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte deverá observar, quando da execução administrativa do presente julgado, os reflexos do trânsito em julgado da Ação Popular n° 2009.85.00.0003999. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 978DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/02/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 13982.001166/2010-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Sep 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2009
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA QUALIFICADA. PREVISÃO LEGAL.
No lançamento de ofício das contribuições previdenciárias, a partir da competência 12/2008, é devida a multa de no mínimo 75% calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago, recolhido ou declarado.
Sempre que restar configurado pelo menos um dos casos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, o percentual da multa de que trata o inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996 deverá ser duplicado, passando a ser de 150%.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2302-003.732
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e na parte conhecida negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
André Luís Mársico Lombardi, Relator
EDITADO EM: 28/07/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Luciana Matos Pereira Barbosa e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2009 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA QUALIFICADA. PREVISÃO LEGAL. No lançamento de ofício das contribuições previdenciárias, a partir da competência 12/2008, é devida a multa de no mínimo 75% calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago, recolhido ou declarado. Sempre que restar configurado pelo menos um dos casos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, o percentual da multa de que trata o inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996 deverá ser duplicado, passando a ser de 150%. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e na parte conhecida negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Presidente em exercício (Assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi, Relator EDITADO EM: 28/07/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Luciana Matos Pereira Barbosa e André Luís Mársico Lombardi.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2009 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA QUALIFICADA. PREVISÃO LEGAL. No lançamento de ofício das contribuições previdenciárias, a partir da competência 12/2008, é devida a multa de no mínimo 75% calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago, recolhido ou declarado. Sempre que restar configurado pelo menos um dos casos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, o percentual da multa de que trata o inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996 deverá ser duplicado, passando a ser de 150%. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e na parte conhecida negarlhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 00 11 66 /2 01 0- 69 Fl. 456DF CARF MF Impresso em 28/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 2 (Assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi, Relator EDITADO EM: 28/07/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Luciana Matos Pereira Barbosa e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 457DF CARF MF Impresso em 28/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 13982.001166/201069 Acórdão n.º 2302003.732 S2C3T2 Fl. 457 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação da recorrente, mantendo o crédito tributário lançado. Adotamos trechos do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 423 e seguintes), que bem resumem o quanto consta dos autos: DA AUTUAÇÃO Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra o contribuinte acima identificado, através do Auto de Infração nº 37.222.2650, referente às contribuições devidas à Seguridade Social relativas à parte da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais, no período de 12/2008 a 12/2009, inclusive os 13º salários, no montante de 1.081.553,20 (um milhão e oitenta e um mil e quinhentos e cinqüenta e três reais e vinte centavos), incluindo juros e multa, consolidado em 21/10//2010. O Relatório Fiscal, de fls. 367 a 375, informa que: Os créditos apurados contra o contribuinte decorrem de sua exclusão do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições Devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES NACIONAL, instituído pela Lei Complementar 123/2006. Essa exclusão é objeto do Processo Administrativo n° 13982.000735/201059 (Ato Declaratório Executivo DRF/JOA nº 081, de 09 de setembro de 2010, fls. 87). (...) A empresa sendo excluída do SIMPLES NACIONAL passaram a ser devidas à Seguridade Social, a partir da competência de 07/2007, as contribuições destinadas as terceiras entidades e fundos: FNDE (SalárioEducação) 2,5% (dois inteiros e cinco décimos por cento), INCRA 0,2% (dois décimos por cento), SENAI 1,0 (um inteiro por cento), SESI 1,5 (um inteiro e cinco décimos por cento) e SEBRAE 0,6% (seis décimos por cento), incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados. (...) Foi aplicada a multa de 150% de acordo com o Art. 35A da Lei 8.212 (combinado com o art. 44, parágrafo 1° da Lei n° 9.430, Fl. 458DF CARF MF Impresso em 28/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 4 de 27/12/96), com redação da MP n° 449 de 04/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009. A fiscalização descreve, no item 4.1, a ocorrência de simulação/dissimulação, nos seguintes termos: De acordo com as informações colhidas junto ao contrato social da empresa LUCRECIA (estabelecimento matriz) esta está situada na Avenida Irineu Bornhausen n° 239E no Bairro Palmital em Chapecó — SC, (Fls.183verso), sendo este também o endereço constante dos cadastros da RFB, o qual foi confirmado por esta autoridade fiscal (Fls. 73). A empresa LUCRECIA iniciou suas atividades em 01/10/2003. A partir de 26/10/2009, o quadro societário da empresa LUCRECIA passou a ser formado pelos senhores Juliano Sfoggia Rigon e Edson Leandro Hochamann. Até aquela data o quadro societário era composto pelos senhores Juliano Sfoggia Rigon e Alexandre Sfoggia Rigon, conforme documento a Fls. 179 a 183. (cessão onerosa de cotas). E a partir de 20/07/2010, ou seja, a partir da 5° alteração contratual, o quadro societário da empresa ficou composto pelos senhores Alexandre e Juliano Rigon (Fls.183 verso a 186 verso). Perante o cadastro da RFB (Fls. 251) o quadro societário da empresa LUCRECIA ainda é composto pelos senhores: Juliano Sfoggia Rigon e Alexandre Sfoggia Rigon. É de se ressaltar que todas as intimações e respostas carreadas pela empresa LUCRÉCIA foram subscritas pelo senhor Alexandre Sfoggia Rigon, conforme documentos as Fls. 26,27, 36, 39 e 48, o qual se apresentou perante esta fiscalização como administrador da empresa LUCRECIA, fato este que se comprova por meio da procuração de Fls. 188. Em 30/11/2006 foi constituída a empresa BREAD KING ALIMENTOS LTDA, doravante denominada de BREAD KING, CNPJ n° 08.474.768/000109, a qual tem seu quadro societário formado pelos senhores Ernani de Magalhães Rigon e Nelcir Zuqui (Fls. 253). O senhor Ernani de Magalhães Rigon vem a ser o PAI do senhor Alexandre Sfoggia Rigon e do senhor Juliano Sfoggia Rigon. A empresa BREAD KING tem como ramo de atividade, conforme documentos às Fls. 252 (verso), o comércio atacadista de pães, bolos, biscoitos e similares, e de acordo com a procuração de Fls. 187 é administrada pelo senhor ALEXANDRE SFOGGIA RIGON. Considerando que até 26/10/2009, o senhor Alexandre Sfoggia Rigon era sócio da empresa LUCRECIA e desde janeiro de 2007 (Fls. 187) o mesmo também administra a empresa BREAD KING é de ressaltar que houve infração ao disposto no § 4º do artigo 3º da Lei Complementar 123/2006, in verbis: Art. 3º Para os efeitos desta Lei Complementar, consideramse microempresas ou empresas de pequeno porte a sociedade empresária, a sociedade simples e o empresário a que se refere o art. 966 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, devidamente Fl. 459DF CARF MF Impresso em 28/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 13982.001166/201069 Acórdão n.º 2302003.732 S2C3T2 Fl. 458 5 registrados no Registro de Empresas Mercantis ou no Registro Civil de Pessoas Jurídicas, conforme o caso, desde que: II no caso das empresas de pequeno porte, o empresário, a pessoa jurídica, ou a ela equiparada, aufira, em cada ano calendário, receita bruta superior a R$ 240.000,00 (duzentos e quarenta mil reais) e igual ou inferior a R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais). § 4º Não poderá se beneficiar do tratamento jurídico diferenciado previsto nesta Lei Complementar, incluído o regime de que trata o art. 12 desta Lei Complementar, para nenhum efeito legal, a pessoa jurídica: V cujo sócio ou titular seja administrador ou equiparado de outra pessoa jurídica com fins lucrativos, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do caput deste artigo; (grifei). Ademais, o fato de a empresa BREAD KING ser efetivamente administrada pelo senhor Alexandre Sfoggia Rigon e o quadro societário ser composto por pessoas estranhas ao seu regular funcionamento, (o senhor Emani de Magalhães Rigon e Nelcir Zuqui) caracteriza a interposição de pessoas de que trata o artigo 14 da lei 9.319/96, (SIMPLES FEDERAL), que assim assevera: Art. 14. A exclusão darseá de oficio quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: IV constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios ou acionistas, ou o titular, no caso de firma individual; Da mesma forma assevera o artigo 29 da Lei Complementar 123/2006, (SIMPLES NACIONAL), in verbis: Art. 29. A exclusão de oficio das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: IV a sua constituição ocorrer por interpostas pessoas; Por sua vez, o endereço da empresa BREAD KING vem a ser a Rua Irineu Bornhausen n° 239 — E, sala 01. Ou seja, o endereço 6 o mesmo da empresa LUCRÉCIA acrescido do termo "sala 01". Em verificação física ao citado endereço, e como adiante ficará demonstrado, constatouse que não ha separação física entre a empresa LUCRÉCIA e a empresa BREAD KING, sendo que o complemento "sala 01" é mais uma demonstração da tentativa de fraudar o fisco. O imóvel onde funciona a empresa LUCRÉCIA e a empresa BREAD KING objeto de um único contrato de locação (Fls. 277 a 280) o qual foi celebrado tendo como locatária a senhora JUSSARA SFOGGIA RIGON que vem a ser MÃE do senhor Juliano Sfoggia Rigon e Alexandre Sfoggia Rigon (sócios da Fl. 460DF CARF MF Impresso em 28/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 6 empresa LUCRÉCIA e administrador da empresa BREAD KING). No endereço sito a Rua lrineu Bornhausen n º 239 — E não consta nenhum indicativo externo a respeito da empresa LUCRÉCIA. Conforme fotografias as Fls. 281 a 284, neste endereço, ao público externo, somente aparece a marca BREAD KING. Não há separação entre os funcionários da empresa LUCRÉCIA e da empresa BREAD KING visto que todos os funcionários se apresentam com vestimentas com a logomarca BREAD KING, conforme fotografias as Fls. 285 a 289 e 302. A empresa LUCRÉCIA utiliza a expressão BREAD KING como marca ou expressão comercial, conforme fotografias as Fls. 290, 291 e 294 a 300. Não há separação física entre a empresa LUCRÉCIA e a empresa BREAD KING conforme fotografias as Fls. 289, 301 e 302. Inclusive a máquina de cartão ponto e a escala dos funcionários, conforme fotografias as Fls. 303 a 307, não indicam distinção entre as empresas. Neste sentido também corrobora o Laudo emitido pela Saúde Pública de Fls. 308, onde a empresa LUCRÉCIA e a empresa BREAD KING se confundem em uma só entidade. O mesmo se infere das fotografias de Fls. 290 e 291. Identificamos ainda, (a titulo de exemplo), conforme documentos as Fls. 328/329 e 330/331, que notas fiscais emitidas pela empresa BREAD KING são recebidas via banco tendo como cedente a empresa LUCRÉCIA. A empresa BREAD KING não possui contas contábeis referentes a instituições financeiras, (conforme balanços de Fls. 310, 312, 314, 317,319,321,323,325 e 327) por sua vez a empresa LUCRÉCIA apresenta movimentação bancária muito superior ao seu faturamento, ou seja, a empresa BREAD KING utiliza as contas bancárias da empresa LUCRÉCIA. Outro ponto que há de se salientar, e que serve para demonstrar que a empresa BREAD KING se trata de uma simulação com o fim de permitir que a empresa LUCRECIA permaneça no SIMPLES FEDERAL e no SIMPLES NACIONAL, é a sua falta de capacidade operacional a qual fica demonstrada no quadro abaixo: Dados da empresa Lucrécia Pelos dados acima, em especial o número de empregados, verificase que a empresa BREAD KING não dispõe de patrimônio e capacidade operacional necessários realização de seu objeto. A existência somente no papel da empresa BREAD KING se caracteriza, a juízo desta autoridade fiscal, uma simulação, onde se procura aparentar algo que não existe (no caso duas empresas) ou de dissimulação, (também denominada de Fl. 461DF CARF MF Impresso em 28/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 13982.001166/201069 Acórdão n.º 2302003.732 S2C3T2 Fl. 459 7 simulação relativa) qual seja, esconder algo que existe (uma empresa só). (..) No caso em comento, o ato de constituição da empresa BREAD KING encontrase maculado pela simulação, visto que existe somente no papel. Destarte, desaparecendo o ato simulado, prevalecerá o ato dissimulado. Verdadeiro é que a empresa BREAD KING e a empresa LUCRÉCIA tratamse de uma entidade só e o objetivo desta suposta separação é manter a empresa LUCRÉCIA no SIMPLES (FEDERAL e NACIONAL), com o desiderato de, em especial, escusarse do pagamento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a sua folha de salários. A aparente separação faz com que o faturamento da empresa LUCRÉCIA se mantenha dentro dos limites permitidos aos optantes por aqueles regimes de tributação. (...) Acontece que em 26/09/2007, (relativamente ao ano calendário de 2006) e em 22/10/2007 (relativamente ao ano calendário de 2007) foram entregues/transmitidas Declarações Simplificadas da Pessoa Jurídica — SIMPLES RETIFICADORAS zeradas, conforme Fls. 209 a 226 e 239 a 250, ou seja, o contribuinte se valendo da possibilidade de retificar as suas declarações apresentou outra com informações FALSAS (as informações das declarações retificadoras não guardam relação com a escrituração do contribuinte) a fim de impedir que o fisco lhe exigisse os valores efetivamente devidos a titulo de SIMPLES FEDERAL. Assevera o artigo 17 da Lei Complementar 123/2006 (SIMPLES NACIONAL) que: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal,Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; Fica evidente que o contribuinte somente retificou as declarações dos anos calendários de 2006 e 2007, como forma de burlar a vedação à opção do SIMPLES NACIONAL mencionada no dispositivo adrede mencionado. Ou seja, o contribuinte não atendia as condições para optar pelo SIMPLES NACIONAL. Não podemos olvidar, que é por meio das declarações acima mencionadas é que a Administração Tributária se instrumentaliza a fim de cobrar coercitivamente (judicialmente) Fl. 462DF CARF MF Impresso em 28/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 8 os tributos sujeitos a lançamento por homologação que lhes são devidos. A falsidade do contribuinte fez com que o Estado tivesse de movimentar sua máquina de fiscalização a fim de detectar tais omissões sob pena de ver perecer o seu direito. E na prestação de informações falsas que reside a fraude, visto que, por meio desta conduta, o contribuinte se esconde na esperança de que o Fisco nada descubra, e assim não possa exercer o seu direito (constituir o crédito tributário) no prazo decadencial, acarretando assim prejuízos aos cofres públicos. Por tudo o exposto, concluise que o autuado incorreu no disposto no artigo 71 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, os quais definem a conduta de sonegação: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstancias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Ao incorrer na prática de sonegação e fraude, o contribuinte se sujeita à multa prevista no § 1º do artigo 44 da Lei n°. 9.430/96, com redação dada pela Medida Provisória n° 351/2007, que assim assevera: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: I de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; §1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput será duplicado nos casos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (grifo nosso). A multa de oficio considerada na presente autuação foi de 150%, pelos fundamentos apresentados (Itens 4.1 e 4.2). Nesta ação fiscal foram lavrados os seguintes Autos de Infração: PAF 13982.001054/201016 AI Debcad 37.222.2781; PAF 13982.001055/201052 – AI DEBCAD 37.222.2790; PAF 13982.001166/201069 – AI DEBCAD 37.222.2650 e PAF 13982.001167/201011– AI DEBCAD 37.222.2668. Foram emitidas duas Representações Fiscais para Fins Penais – RFFP pelo cometimento, em tese, de crime contra a ordem tributária (RFFP nº 13982.001053/201063 PAF nº 13982.001054/201016 e nº 13982.001167/201011; e RFFP nº Fl. 463DF CARF MF Impresso em 28/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 13982.001166/201069 Acórdão n.º 2302003.732 S2C3T2 Fl. 460 9 13982.001052/201019 PAF nº 13982.001055/201052 e nº 13982.001166/201069). O crédito previdenciário lançado encontrase fundamentado na legislação constante do anexo de Fundamentos Legais do Débito – FLD. DA IMPUGNAÇÃO A empresa apresentou, tempestivamente, a impugnação de fls. 391 a 395 (...) (...) Como afirmado, a impugnação apresentada pela recorrente foi julgada improcedente. Cientificada do julgamento, a recorrente apresentou o recurso de fls. 443 e seguintes, aduzindo, em síntese: * indevida exclusão do Simples e do Simples Nacional; * impossibilidade de retroação dos efeitos da exclusão do Simples e do Simples Nacional; * não cabimento da multa de ofício qualificada. É o relatório. Fl. 464DF CARF MF Impresso em 28/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 10 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Exclusão e Retroação de Efeitos. Simples. Simples Nacional. Relativamente à argumentação de indevida exclusão do Simples e do Simples Nacional e de impossibilidade de retroação dos efeitos das referidas exclusões, temos que são questões prejudiciais já discutidas nos autos do processo 13982.00735/201059 e decididas de forma definitiva pelo Acórdão n° 1101001158, de 31 de julho de 2014, da 1ª Turma Ordinária/1ª Câmara/1ª Seção. Assim, estando acobertadas as questões pelo manto da coisa julgada administrativa, não compete mais a este órgão julgador rediscutilas. Noto que naqueles autos restou negouse provimento ao Recurso Voluntário, por unanimidade de votos, tanto em relação à exclusão do SIMPLES Federal, quanto à exclusão do SIMPLES Nacional. Portanto, do Recurso Voluntário, analisaremos tão somente a questão relativa ao não cabimento da multa de ofício qualificada. Multa Qualificada. Da análise dos autos, verifico que a qualificação da multa decorreu da verificação da simulação da existência de duas pessoas jurídicas distintas (Lucrecia Almentos e Bread King) e da sonegação perpetrada pela recorrente quando, em 26/09/2007 (relativamente ao ano calendário de 2006) e em 22/10/2007 (relativamente ao ano calendário de 2007), a recorrente entregou Declarações Simplificadas Retificadoras zeradas, ou seja, com informações falsas (as informações das declarações retificadoras não guardam relação com a escrituração do contribuinte), a fim de impedir que o fisco lhe exigisse os valores efetivamente devidos a titulo de SIMPLES FEDERAL. Amoldandose tais condutas às descrições contidas nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, tem ensejo a multa qualificada descrita no art. 44, § 1°, da Lei n° 9.430/96. Com efeito, restou comprovado que a constituição da Bread King ocorreu única e exclusivamente para fracionar o faturamento da Lucrecia Alimentos e, assim, impedir a incidência da norma jurídica em que previsto o limite legal de receita bruta para adesão ao regime simplificado. Outrossim, demonstrouse de forma clara e inequívoca que a apresentação de declarações retificadoras única e exclusivamente para desconstituir o crédito tributário devido e apurado na escrituração comercial apresentada. É robusta a construção probatória levantada pela autoridade fiscal acerca da ausência de autonomia e independência das atividades empresariais das duas pessoas jurídicas, com prova inclusive de confusão patrimonial entre elas. Ficou suficientemente demonstrado que, por detrás da pessoa jurídica da Bread King, não há uma atividade empresarial distinta da atividade empreendida pela Lucrecia Alimentos, inclusive com a utilização de recursos humanos e patrimoniais pertencentes a esta última. De outro lado, a retificação das declarações apresentadas para desconstituir o crédito tributário devido e apurado na escrituração pela própria contribuinte, denota a conduta dolosa ou fraudulenta descrita no art. 71 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Fl. 465DF CARF MF Impresso em 28/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI Processo nº 13982.001166/201069 Acórdão n.º 2302003.732 S2C3T2 Fl. 461 11 É certo que, com a retificação das declarações, providência adotada para novamente simular a regularidade fiscal requerida para adesão ao regime simplificado, a pessoa jurídica teve a intenção (dolo) de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, fato a caracterizar a fraude fiscal ou sonegação. Notese ainda que em relação aos períodos em que não apresentada retificadora, observou a fiscalização que a pessoa jurídica informou receita bruta muito inferior, não apenas à apurada de ofício pela fiscalização, mas à receita bruta escriturada em seus livros, o que confirma o intuito de reduzir indevida e fraudulentamente a base de cálculo dos tributos devidos. Inaplicável ao caso a Súmula 14 do CARF, porque não apurada “simples” omissão de receitas, decorrente de mero erro na escrituração, mas comprovadas: (i) a simulação da constituição de empresa, única e exclusivamente, para fracionar o faturamento da autuada e assim garantir a sua manutenção no regime simplificado de tributação; e (ii) a existência de contas correntes mantidas à margem da escrituração, de depósitos não contabilizados e de depósitos contabilizados, mas cuja contabilização está em descompasso com o histórico contido no extratos, e desprovida de documentação de suporte. Definitivamente, não se trata de “simples” omissão de receitas. Registrese que não afeta a aplicação da multa qualificada o fato de a fiscalização ter tido acesso a todas as informações necessárias para determinação da base tributável, mediante a documentação apresentada pela própria Impugnante, e pelas informações prestadas pelas instituições financeiras. Na verdade, tais pressupostos fáticos teriam a ver com o agravamento da penalidade, e não com a qualificação por conta da conduta dolosa. Ou seja, não se deve confundir a multa de ofício qualificada (art. 44, inciso I, §1º) com a multa de ofício agravada (art. 44, inciso I, §2º). Não procede também a aplicação do art. 112 do CTN, porque não há qualquer dúvida quanto à capitulação legal do fato; à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; e à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Pelos motivos expendidos, CONHEÇO PARCIALMENTE do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi, Relator Fl. 466DF CARF MF Impresso em 28/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI 12 Fl. 467DF CARF MF Impresso em 28/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/ 09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/07/2015 por ANDRE LUIS MARS ICO LOMBARDI
score : 1.0
Numero do processo: 15374.916357/2008-04
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3803-000.640
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência para que a Repartição de origem apure o crédito a que faz jus a Recorrente, à luz dos registros contábeis anexados. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente da Câmara.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator ad hoc.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa (Relator), Demes Brito e Paulo Renato Mothes de Moraes.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência para que a Repartição de origem apure o crédito a que faz jus a Recorrente, à luz dos registros contábeis anexados. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente da Câmara. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa (Relator), Demes Brito e Paulo Renato Mothes de Moraes. RELATÓRIO Tendo sido designado relator ad hoc neste processo, reproduzo a seguir o relatório e o voto elaborados pelo relator, em conformidade com o resultado constante da ata de julgamento: Tratase de Declaração de Compensação de débito de Cofins cumulativa, no valor de R$ 18.845,00 (principal), do período de apuração de janeiro/02, com crédito oriundo de pagamento considerado indevido de PIS não cumulativo, do período de maio/03, no valor de R$27.382,88. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 16 35 7/ 20 08 -0 4 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 26/11/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 15374.916357/200804 Resolução nº 3803000.640 S3TE03 Fl. 140 2 Despacho decisório da Derat/Rio de Janeiro não homologou a compensação efetuada, em virtude do DARF indicado estar integralmente utilizado, não restando saldo credor. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Interessada alegou, em resumo, que: a) quando da apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, a interessada incorreu em erro, pois apresentou débito apurado de PIS no período em análise, no entanto, no referido mês não houve débito; b) através da DCTF Retificadora a interessada corrigiu o erro; c) se não existia débito e houve pagamento, resta evidente a existência de crédito; d) não há que se falar que o DARF apresentado pela interessada está sob código errado, eis que a interessada verificando o erro que cometeu no preenchimento do DARF, promoveu sua correção através de REDARF. Em julgamento da lide, a DRJ/Rio de Janeiro indeferiu a solicitação de reforma do despacho decisório por falta de comprovação, pela Contribuinte, do alegado direito. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 13/06/2003 Prova. Momento. Preclusão. A prova do crédito, que suporta Declaração de Compensação, cabe à contribuinte, devendo ser apresentada até o momento da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, salvo em casos excepcionais legalmente previstos. Cientificada da decisão em 06 de março de 2013, irresignada, apresentou recurso voluntário em 21 de março de 2013, em que reitera a afirmação da manifestação de inconformidade, segundo a qual não houve débito no aludido mês, introduziu demonstrativo (memória de cálculo) da apuração e anexou escrita contábil, visando à comprovação do alegado direito à repetição do indébito. É o relatório. VOTO Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Conforme consta do relatório supra, tendo sido designado relator ad hoc neste processo, reproduzo a seguir o voto elaborado pelo relator, em conformidade com o resultado constante da ata de julgamento: O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Temse nos autos que o despacho decisório de não homologação é eletrônico, emitido via sistema com base nos dados internos da RFB fornecidos pelo próprio contribuinte. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 26/11/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 15374.916357/200804 Resolução nº 3803000.640 S3TE03 Fl. 141 3 Este formato sintético de decidir, a despeito de informar com clareza o resultado do encontro de contas eletrônico, não oferta ao contribuinte, no seu campo "Ciência e Intimação", informação suficiente quanto à prova necessária a prover a eficácia da defesa que venha a ser apresentada. Somente na decisão de primeira instância, quando, por vezes, é oposto ao pleito da Manifestante o motivo do indeferimento fundado na ausência de provas do alegado crédito é que lhe é suprida esta informação. A apresentação de provas no recurso voluntário, enquadrase, então, na ressalva prevista no art. 16 do Decreto nº 70.235/72, a permitir não considerar preclusa este ônus da Recorrente e tornála objeto de apreciação. No presente caso, além da memória de cálculo apresentada no corpo da defesa, com indicação das folhas do Razão onde se encontram escrituradas as despesas e custos de créditos, a Recorrente anexou cópias dos Livros Diário (com respectivo termo de abertura e encerramento) e Razão. O art. 18 do Decreto n° 70.235/1972 confere o poderdever ao julgador administrativo de determinar de ofício a realização de diligências ou perícias que julgar necessárias. Tendo em vista que os elementos presentes nos autos impossibilitam uma análise conclusiva do objeto deste processo, voto por converter o julgamento em diligência, para que a Repartição de origem apure o crédito a que faz jus a Recorrente, à luz dos registros contábeis anexados. Dêse, em seguida, ciência à Contribuinte e concedalhe o prazo de 30 dias para que se manifeste sobre o resultado da apuração, após o quê devolvase os autos a este CARF para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Fl. 142DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 26/11/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10314.001192/2009-38
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Nov 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 02/12/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL TRIBUTÁRIO. INOVAÇÃO ARGUMENTATIVA. NÃO CONHECIMENTO.
Com base nos arts. 16, III, e 17, do Decreto 70.235/72, não devem ser conhecidos argumentos trazidos somente em sede de Recurso Voluntário.
MANDADO DE SEGURANÇA. IDENTIDADE DE OBJETO E CAUSA DE PEDIR. EFEITOS. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA.
Diante do que dispõe o parágrafo único do art. 38 da Lei de Execuções Fiscais, o contribuinte que busca a via judicial para discutir determinada matéria renuncia à instância administrativa, não merecendo ser conhecido o recurso nesse aspecto. Incidência da Súmula CARF nº 01.
DECISÃO DA DRJ QUE RECONHECE CONCOMITÂNCIA. AUSÊNCIA DE NULIDADE. ACERTO DA DECISÃO.
Não é nula a decisão que, diante da prova dos autos, reconhece nulidade por identidade de objetos entre a matéria de mérito trazida em sede impugnatória e o mandado de segurança, e não conhece da defesa do sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-004.121
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente e negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 02/12/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL TRIBUTÁRIO. INOVAÇÃO ARGUMENTATIVA. NÃO CONHECIMENTO. Com base nos arts. 16, III, e 17, do Decreto 70.235/72, não devem ser conhecidos argumentos trazidos somente em sede de Recurso Voluntário. MANDADO DE SEGURANÇA. IDENTIDADE DE OBJETO E CAUSA DE PEDIR. EFEITOS. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Diante do que dispõe o parágrafo único do art. 38 da Lei de Execuções Fiscais, o contribuinte que busca a via judicial para discutir determinada matéria renuncia à instância administrativa, não merecendo ser conhecido o recurso nesse aspecto. Incidência da Súmula CARF nº 01. DECISÃO DA DRJ QUE RECONHECE CONCOMITÂNCIA. AUSÊNCIA DE NULIDADE. ACERTO DA DECISÃO. Não é nula a decisão que, diante da prova dos autos, reconhece nulidade por identidade de objetos entre a matéria de mérito trazida em sede impugnatória e o mandado de segurança, e não conhece da defesa do sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado.
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INOVAÇÃO ARGUMENTATIVA. NÃO CONHECIMENTO. Com base nos arts. 16, III, e 17, do Decreto 70.235/72, não devem ser conhecidos argumentos trazidos somente em sede de Recurso Voluntário. MANDADO DE SEGURANÇA. IDENTIDADE DE OBJETO E CAUSA DE PEDIR. EFEITOS. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Diante do que dispõe o parágrafo único do art. 38 da Lei de Execuções Fiscais, o contribuinte que busca a via judicial para discutir determinada matéria renuncia à instância administrativa, não merecendo ser conhecido o recurso nesse aspecto. Incidência da Súmula CARF nº 01. DECISÃO DA DRJ QUE RECONHECE CONCOMITÂNCIA. AUSÊNCIA DE NULIDADE. ACERTO DA DECISÃO. Não é nula a decisão que, diante da prova dos autos, reconhece nulidade por identidade de objetos entre a matéria de mérito trazida em sede impugnatória e o mandado de segurança, e não conhece da defesa do sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 11 92 /2 00 9- 38 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 140), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. A Recorrente SOCIEDADE BENEFICENTE ISRAELITA BRASILEIRA "HOSPITAL ALBERT EINSTEIN", interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0732.539, proferido em primeira instância pela 2ª Turma da DRJ em Florianópolis/SC, que não conheceu a impugnação quanto à matéria de mérito objeto de enfrentamento concomitante na instância administrativa e na esfera judicial. Também, que conheceu e rejeitou os protestos da impugnante quanto à exigência das multas de ofício aplicadas no percentual de 75% do imposto de importação e das contribuições PISImportação e COFINSImportação. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: Versa o presente processo sobre a lavratura do Auto de Infração de fls. 05 a 10, cientificado em 17.02.2009, em que se cobram as multas de ofício de 75%, exigidas isoladamente, referentes ao imposto de importação e às contribuições pisimportação e cofinsimportação, constituindo um crédito tributário no valor de R$ 15.303,77. Através da declaração de importação (DI) nº 08/19299728, registrada em 02.12.2008, a empresa epigrafada importou mercadorias sem proceder ao recolhimento dos tributos incidentes sobre a respectiva operação por força do deferimento da antecipação dos efeitos da tutela recursal pleiteada nos autos do Agravo de Instrumento nº 2008.03.00.0335523 apresentado perante o TRF da 3ª Região contra a denegação da medida liminar pedida no Mandado de Segurança nº 2008.61.00.0203671, impetrado perante a 8ª Vara Cível de São Paulo, para alegar seu direito à imunidade tributária fulcrada no artigo 150, inciso VI, alínea “c” e à isenção insculpida no artigo 195, parágrafo 7º, ambos da Constituição Federal. A autoridade lançadora informa que as mercadorias em apreço foram liberadas em atenção ao despacho exarado no mandado Fl. 142DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10314.001192/200938 Acórdão n.º 3802004.121 S3TE02 Fl. 142 3 de segurança supracitado e atendendo o disposto no Memorando nº 478/2008 (fls. 11). No item 1 do referido expediente, a autoridade competente, expõe o que segue: “1. Através do processo nº 2008.61.00.0203671 a SOCIEDADE BENEFICENTE ISRAELITA BRASILEIRA – HOSPITAL ALBERT EINSTEIN, com o fito de desembaraçar mercadorias sem o pagamento dos impostos II e IPI e da contribuições PIS e COFINS, o Juízo da 8ª Vara Civil de São Paulo indeferiu Medida Liminar. Inconformada com tal indeferimento, a interessada recorreu através do processo 2008.03.00.0335523, tendo o Juízo, em grau de recurso, assim manifestado: Por esses fundamentos, defiro a antecipação dos efeitos da tutela recursal pleiteada, para determinar o desembaraço das mercadorias constantes (...), sem o recolhimento do imposto de importação, IPI, PISimportação e COFINSimportação.” A autoridade lançadora salienta também que: “Em 11/11/2008, através do Ofício nº 008.2008.02596, a IRF/SPO foi intimada que o M. Juiz prolatou sentença nos autos do PAJ supracitado, não reconhecendo o direito à imunidade pleiteada, denegando a segurança, fato que a fiscalização deste Porto Seco foi notificada somente em 26.01.01.2009. Diante o exposto, este auto de infração está sendo lavrado para a exigência da multa prevista no artigo 645 do Decreto nº 4.543/02, que, embora devida, haja vista que quando do registro da DI em questão a segurança pleiteada no PAJ nº 2008.61.00.0203671 já tinha sido denegada, deixou de ser exigida no Auto de Infração nº 0815500/00249/09.” Em 06.11.2008 a Secretaria da 8ª Vara Cível da 1ª Subseção Judiciária em São Paulo expediu notificação para dar a conhecer à autoridade coatora da sentença proferida nos autos do processo judicial nº 2008.61.00.0203671, referente ao mandado de segurança em questão (fls. 21 a 23v), cujo dispositivo reproduzo: “Resolvo o mérito nos termos do artigo 269, inciso I, do Código de Processo Civil, para denegar a segurança. Condeno a impetrante a arcar com as custas processuais que despendeu. Incabível a condenação ao pagamento de honorários advocatícios, a teor da Súmula 512, do Supremo Tribunal Federal, e da Súmula 105, do Superior Tribunal de Justiça. Enviese esta sentença por meio de correio eletrônico ao(a) Excelentíssimo(a) Desembargador(a) Federal relator(a) do agravo de instrumento interposto nos autos, nos termos do artigo 149, III, do Provimento nº 64, de 28.4.2005, da Corregedoria Geral da Justiça Federal da Terceira Região, para as Fl. 143DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 providências que julgar cabíveis quanto ao julgamento desse recurso. Certificado o trânsito em julgado, arquivemse os presentes autos. Registrese.Publiquese.Intimese.Oficiese.” Irresignada com o lançamento, a importadora autuada ofereceu, em 18.03.2009, defesa administrativa às fls. 30 a 45, para, de início, alertar que o crédito tributário em tela é objeto do Mandado de Segurança nº 2008.61.00.0203671, originário da 8ª Vara Cível da Secção Judiciária de São Paulo, e reafirmar as considerações aduzidas na respectiva inicial, alegando, por conseguinte, o direito à imunidade tributária do artigo 150, inciso VI, alínea “c” e à isenção do artigo 195, parágrafo 7º, da Constituição Federal, por entender que preenche todos os requisitos para fruição dos benefícios fiscais que faz jus as instituições de assistência social, em arrimo à sua pretensão. Quanto à multa de ofício aplicada, aduz que se tratar de punição abusiva, desproporcional e confiscatória, pois não guarda qualquer relação de razoabilidade com a pretensa infração ocorrida, ocasionando enriquecimento sem causa por parte do fisco. Para os temas em debate, cita a seu favor doutrinas e jurisprudências. Este é o Relatório.” Indeferida a impugnação apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a procedência do crédito tributário na forma da ementa que segue: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 02/12/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO E PROCESSO JUDICIAL TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. IDENTIDADE DE OBJETO E CAUSA DE PEDIR. EFEITOS. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial em que se discute idêntico objeto da impugnação apresentada em face de autuação fiscal importa em renúncia do contribuinte em contestála na instância administrativa, devendo, por conseguinte, declarar a definitividade da respectiva exigência tributária, haja vista a prevalência da decisão judicial sobre a administrativa e em cumprimento do princípio constitucional da unicidade de jurisdição. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 02/12/2008 MULTA. FALTA DE PAGAMENTO. PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10314.001192/200938 Acórdão n.º 3802004.121 S3TE02 Fl. 143 5 Legítima a aplicação da multa exigida no percentual de 75% sobre a diferença de tributos apurada em procedimento de ofício, porquanto em conformidade com a legislação de regência. MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ARGÜIÇÃO DE EFEITO CONFISCATÓRIO. Em se tratando de penalidade e não de tributo, referida exigência não tem caráter confiscatório, sua aplicação constitui antes em instrumento de desestímulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, atingindo, por via de consequência, apenas o contribuinte infrator, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas obrigações fiscais. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Cientificada acerca da decisão exarada pela 2ª Turma da DRJ de Florianópolis – DRJ/FNS, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual pede: (i) o sobrestamento do processo administrativo até julgamento final do mandado de segurança; (ii) ausência de fluência de juros diante da antecipação de tutela; (iii) nulidade da decisão recorrida por ausência de renúncia à instância administrativa; e, por fim, (iv) a insubsistência do referido auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fl. 140), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado e que a respectiva Turma Especial foi extinta, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa situação tratamento diverso. Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço parcialmente do Recurso e passo à análise de apenas parte das razões recursais. O presente Recurso Voluntário, como indicado ao final do relatório, dividese em quatro itens: (i) O sobrestamento do processo administrativo até julgamento final do mandado de segurança; (ii) A ausência de fluência de juros diante da antecipação de tutela; Fl. 145DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 (iii) A nulidade da decisão recorrida por ausência de renúncia à instância administrativa; e, por fim, (iv) A insubsistência do referido auto de infração. Ocorre que os itens (i) e (ii) foram trazidos somente em sede recursal, revelandose inovações argumentativas. Restam aplicáveis, portanto, os arts. 16, III, e 17, do Decreto 70.235/72, de modo que inviável conhecer tais alegações sob pena de supressão de instância. Ao seu turno, o item (iv) também não merece ser conhecido, dado que efetivamente há identidade de objetos entre o mérito do recurso e o mandado de segurança. Apesar de não haver sido feita a juntada aos autos da petição inicial do writ (o que, por si, já seria razão para não conhecer desse item, conforme art. 16, V, do Decreto 70.235/72), a sentença denegatória da segurança (MS nº 002036778.2008.4.03.6100), foi integralmente anexada aos autos em fls. 25 e seguintes do processo digital, permite tal constatação. Segue transcrito abaixo um excerto do relatório da decisão judicial, que já elucida a matéria: "(...) Tratase de mandado de segurança, com pedido de medida liminar, em que a impetrante pede a concessão de segurança para determinar à autoridade impetrada que proceda ao desembaraço aduaneiro dos bens descritos na petição inicial, sem o recolhimento dos tributos, a saber: o imposto de importação II, o imposto sobre produtos industrializados IPI, a contribuição do programa de integração social PIS e a contribuição para a seguridade social COFINS, estas incidentes sobre a importação. Afirma ser entidade devidamente reconhecida por seus fins filantrópicos e de assistência social, de utilidade pública federal, estadual e municipal, motivo pelo qual é beneficiada pela regra de imunidade, nos termos dos artigos 150, inciso VI, alínea "c", 9º, inciso IV, alínea "c" da Constituição Federal CF c/c/ artigo 14 do Código Tributário Nacional CTN". De toda sorte, resta clara a identidade de objetos (que inclusive levaram o Recorrente a pedir o sobrestamento do processo até decisão final do mandado de segurança), o que torna inviável o conhecimento do Recurso nesse aspecto. Assim, cabível o conhecimento e julgamento do item (iii) do Recurso Voluntário, relativo ao pleito de nulidade da decisão recorrida por haver reconhecido a renúncia à esfera administrativa diante da impetração do mandado de segurança pelo contribuinte. Ora, compulsando os autos fica claro que sua demanda judicial está restrita ao direito à imunidade tributária com base no artigo 150, inciso VI, alínea “c” e à isenção declarada no artigo 195, parágrafo 7º, ambos da Constituição Federal, guerreado no Mandado de Segurança nº 2008.61.00.0203671 (MS nº 002036778.2008.4.03.6100), impetrado perante a 8ª Vara Cível de São Paulo. Naquela demanda, após ter indeferido seu pedido de antecipação de tutela, o contribuinte interpôs Agravo de Instrumento nº 2008.03.00.0335523, perante o TRF da 3ª Região, no qual foi deferida a antecipação dos efeitos da tutela recursal. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10314.001192/200938 Acórdão n.º 3802004.121 S3TE02 Fl. 144 7 Diante disso, todas as suas alegações na esfera administrativa quanto ao tema deixam de ser passíveis de análise, conforme inteligência do art. 1º e 2º do DecretoLei nº 1.737/1979 e o artigo 38, parágrafo único da Lei nº 6.830/1980, dada a absoluta identidade de discussão com a matéria tratada na via judicial. Acertada, portanto, a decisão recorrida ao reconhecer a renúncia à esfera administrativa. Apenas aproveito o ensejo para transcrever o art. 38 e seu parágrafo único, da Lei de Execuções Fiscais, por serem de clareza hialina: Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. (grifei) Não por outro motivo o CARF editou a Súmula nº 01, na qual restou consignado que: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Assim, não há nulidade a ser reconhecida sobre a decisão originária que, acertadamente, reconheceu a existência de concomitância entre o argumento de mérito da impugnação e o mandado de segurança impetrado pelo sujeito passivo. Conclusão Ante todo o exposto, conheço parcialmente do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 17/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 17/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 10280.720400/2009-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO - HOMOLOGAÇÃO PARCIAL - ENCARGOS MORATÓRIOS DO DÉBITO - DATA DE VALORAÇÃO.
Com a edição da Lei nº 10.637/2002 que alterou a Lei nº 9.430/96, a partir de 1º de outubro de 2002, os procedimentos para a compensação tributária perante a Receita Federal devem seguir as regras introduzidas no artigo 74 da Lei 9.430/1996, especialmente, a regra prevista em seu § 1º, segundo o qual, a compensação deverá ser efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. Enquanto não apresentada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP), não há falar em compensação dos tributos. A data de transmissão do PER/DCOMP corresponde à data da utilização do crédito e também à data da quitação do débito. É nessa data que se dá o encontro de contas (crédito e débito). Encontrando-se o débito vencido, sobre ele deverão incidir os acréscimos moratórios previstos em lei, da mesma forma que incidirão juros selic sobre o crédito até a mesma data.
Enfim, na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios com base na taxa SELIC, e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos (juros selic e multa moratória), na forma da legislação regente, até a data da entrega da Declaração de Compensação.
DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF E PER/DCOMP X LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
Tratando-se de débitos declarados em DCTF e PER/DCOMP tem-se como desnecessário o lançamento de ofício, conforme se depreende da Súmula CARF nº 52: Os tributos objeto de compensação indevida formalizada em Pedido de Compensação ou Declaração de Compensação apresentada até 31/10/2003, quando não exigíveis a partir de DCTF, ensejam o lançamento de ofício.
CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA
Apresentada a manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, em sede de primeira instância e, o recurso voluntário tempestivamente apresentado pela interessada, denota inocorrência de ofensa ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, relativamente ao débito não compensado, porque plenamente assegurada a possibilidade de defesa da empresa contra a homologação parcial da compensação.
Numero da decisão: 1201-001.343
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente substituto
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Roberto Caparroz de Almeida, Paulo Mateus Ciccone, Gilberto Baptista, João Carlos de Figueiredo Neto. Ausentes, por motivo justificado, o Conselheiro Ronaldo Apelbaum e Marcelo Cuba Netto. Ausente, temporariamente, o Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2006 COMPENSAÇÃO - HOMOLOGAÇÃO PARCIAL - ENCARGOS MORATÓRIOS DO DÉBITO - DATA DE VALORAÇÃO. Com a edição da Lei nº 10.637/2002 que alterou a Lei nº 9.430/96, a partir de 1º de outubro de 2002, os procedimentos para a compensação tributária perante a Receita Federal devem seguir as regras introduzidas no artigo 74 da Lei 9.430/1996, especialmente, a regra prevista em seu § 1º, segundo o qual, a compensação deverá ser efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. Enquanto não apresentada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP), não há falar em compensação dos tributos. A data de transmissão do PER/DCOMP corresponde à data da utilização do crédito e também à data da quitação do débito. É nessa data que se dá o encontro de contas (crédito e débito). Encontrando-se o débito vencido, sobre ele deverão incidir os acréscimos moratórios previstos em lei, da mesma forma que incidirão juros selic sobre o crédito até a mesma data. Enfim, na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios com base na taxa SELIC, e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos (juros selic e multa moratória), na forma da legislação regente, até a data da entrega da Declaração de Compensação. DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF E PER/DCOMP X LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Tratando-se de débitos declarados em DCTF e PER/DCOMP tem-se como desnecessário o lançamento de ofício, conforme se depreende da Súmula CARF nº 52: Os tributos objeto de compensação indevida formalizada em Pedido de Compensação ou Declaração de Compensação apresentada até 31/10/2003, quando não exigíveis a partir de DCTF, ensejam o lançamento de ofício. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA Apresentada a manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, em sede de primeira instância e, o recurso voluntário tempestivamente apresentado pela interessada, denota inocorrência de ofensa ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, relativamente ao débito não compensado, porque plenamente assegurada a possibilidade de defesa da empresa contra a homologação parcial da compensação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida - Presidente substituto (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Roberto Caparroz de Almeida, Paulo Mateus Ciccone, Gilberto Baptista, João Carlos de Figueiredo Neto. Ausentes, por motivo justificado, o Conselheiro Ronaldo Apelbaum e Marcelo Cuba Netto. Ausente, temporariamente, o Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
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Com a edição da Lei nº 10.637/2002 que alterou a Lei nº 9.430/96, a partir de 1º de outubro de 2002, os procedimentos para a compensação tributária perante a Receita Federal devem seguir as regras introduzidas no artigo 74 da Lei 9.430/1996, especialmente, a regra prevista em seu § 1º, segundo o qual, a compensação “deverá ser efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados”. Enquanto não apresentada a Declaração de Compensação ( PER /DCOMP) , não há falar em compensação dos tributos. A data de transmissão do PER/DCOMP corresponde à data da utilização do crédito e também à data da quitação do débito. É nessa data que se dá o encontro de contas (crédito e débito). Encontrandose o débito vencido, sobre ele deverão incidir os acréscimos moratórios previstos em lei, da mesma forma que incidirão juros selic sobre o crédito até a mesma data. Enfim, na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios com base na taxa SELIC, e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos (juros selic e multa moratória), na forma da legislação regente, até a data da entrega da Declaração de Compensação. DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF E PER/DCOMP X LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Tratandose de débitos declarados em DCTF e PER/DCOMP temse como desnecessário o lançamento de ofício, conforme se depreende da Súmula CARF nº 52: Os tributos objeto de compensação indevida formalizada em Pedido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 04 00 /2 00 9- 36 Fl. 118DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA 2 de Compensação ou Declaração de Compensação apresentada até 31/10/2003, quando não exigíveis a partir de DCTF, ensejam o lançamento de ofício. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA Apresentada a manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, em sede de primeira instância e, o recurso voluntário tempestivamente apresentado pela interessada, denota inocorrência de ofensa ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, relativamente ao débito não compensado, porque plenamente assegurada a possibilidade de defesa da empresa contra a homologação parcial da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente substituto (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Roberto Caparroz de Almeida, Paulo Mateus Ciccone, Gilberto Baptista, João Carlos de Figueiredo Neto. Ausentes, por motivo justificado, o Conselheiro Ronaldo Apelbaum e Marcelo Cuba Netto. Ausente, temporariamente, o Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Tratase do Pedido de Restituição/Declaração de Compensação – PER/DCOMP nº 40691.20774.270706.1.3.044374 (fls. 01/05), transmitido em 27/07/2006, com base em suposto crédito de Simples, código: 6106, oriundo de pagamento indevido ou a maior (reconhecido no processo nº10280900.547/200916) para quitar débitos de CSLL do 1° Trimestre 2006, vencimento: 28/04/2006 e Cofins de 02/2006: vencimento 10/03/2006. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório eletrônico nº: 821010760 em 18/02/2009, de homologação parcial da compensação, fundamentando (fl.06): Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão do PER/DCOMP::13.470,77 . Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado constatouse a procedência do crédito original informado no PERDCOMP, reconhecendose o valor do crédito pretendido. CARACTERÍSTICAS DO DARF Fl. 119DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10280.720400/200936 Acórdão n.º 1201001.343 S1C2T1 Fl. 3 3 PERÍODO DE APURAÇÃO: 28/02/2006 CÓDIGO DE RECEITA: 6106 VALOR TOTAL DO DARF: 13.470,77 DATA DE ARRECADAÇÃO: 28/02/2006 Entretanto considerando que o crédito reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PERDCOMP, HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada. Valor devedor consolidado correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 27/02/2009. PRINCIPAL: 1.992,10 MULTA: 398,42 JUROS: 702,21 (...) Cientificada do citado despacho decisório, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/BELÉM/PA), conforme decisão proferida mediante o Acórdão nº 0118.604 de 02 de agosto de 2010. A decisão recorrida possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 EMENTA JUROS TAXA SELIC. Tendo a cobrança dos juros com base na taxa SELIC previsão legal, não compete aos órgãos julgadores administrativos apreciar arguição de sua inconstitucionalidade. Cientificada da mencionada decisão em 29/09/2010, conforme o Aviso de Recebimento – AR, fl.60, a pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 28/10/2010, no qual alega, essencialmente, que: resta evidente o equívoco da cobrança, pois o Plenário do Supremo Tribunal Federal, em 9 de novembro de 2005, ao julgar os RE's 346.084/PR, 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, declarou a inconstitucionalidade do parágrafo 1 ° do artigo 3° da Lei nº. 9.718/98, que trata exatamente da base de cálculo do PIS e da COFINS; a Peticionante recolheu tributos indevidamente a título de PIS e COFINS, e faz jus à suspensão declarada em suas DCTF's pertinentes aos débitos e períodos em questão, bem como à compensação desses valores com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Fl. 120DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA 4 Federal do Brasil, nos termos do artigo 66 da Lei nº 8.383/91, combinado com o artigo 74 da Lei nº 9.430/96. é a FAZENDA NACIONAL quem deve à Recorrente, em razão de ter exigido da mesma o recolhimento indevido de tributos; não foi aberto qualquer procedimento administrativo, com possibilidade de defesa da empresa, apenas limitandose, o Fisco, a enviar cobrança, acompanhada dos DARFs para pagamento, já incluindo juros e multas extorsivas; a cobrança de débitos se dá com aplicação de juros e atualizações esdrúxulas, qual seja, a incidência da Taxa SELIC que também foi declarada ilegal em face do enriquecimento injustificado que proporciona ao Fisco, transformando o Sistema Tributário Nacional em verdadeiro "altar de sacrifício dos mais fracos"; o direito de se efetuar a AUTOCOMPENSAÇÃO de acordo com o artigo 66 da Lei nº 8.383/91 já foi pacificado pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento dos Embargos de Divergência em Recurso Especial nº 78.301 BA; os tributos sujeitos ao regime de lançamento por homologação como é o caso do PIS e da COFINS podem e devem ser objeto de compensação pelo contribuinte independentemente de autorização administrativa ou de decisão judicial, pela simples aplicação do art. 66, da Lei n. 8.383/91, afastadas as regras infralegais editadas em sentido contrário; nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional, o lançamento é atividade privativa da autoridade administrativa, cujo efeito é o de constituir o crédito tributário; a conduta de informar em DCTF ao órgão da administração pública nada mais é do que uma obrigação acessória do contribuinte, não sendo apta a substituir o lançamento tributário, função primordialmente atribuída ao Fisco; caso o Fisco constate quaisquer irregularidades no procedimento compensatório realizado pela Peticionante o que, frisese, no caso concreto inexistiu, pois declarações ocorreram nos mais exatos limites legais, com fundamento na Lei 8383/91, aquele deve proceder ao lançamento de ofício dos valores a que acha que tem direito, notificando o contribuinte e conferindo prazo para que este exerça seu direito constitucional de ampla defesa com fulcro no Decreto 70.235/72; o fato de a suspensão ou compensação ter sido declarada em DCTF, além de não poder ser visto como confissão de dívidas sobre créditos não exime o Fisco de proceder ao lançamento próprio e posterior instauração de eventual procedimento administrativo a fim de verificar a existência de supostas divergências e lançar o tributo, se for o caso, observandose, no entanto, os princípios processuais do devido processo legal, ampla defesa e contraditório; segundo a Receita Federal do Brasil, o valor da multa e juros aplicados até aqui são equivalentes a cerca de 50% do valor principal considerado devido pela mesma, antes da aplicação da multa. No entanto, a Receita Federal do Brasil não indicou a base legal utilizada para a aplicação da multa e seu percentual; a cobrança e a multa ora combatidas são injustas, indevidas, excessivas e escorchantes, padecendo de vícios de inconstitucionalidade, pois ofendem magnos princípios da razoabilidade, proporcionalidade, vedação ao confisco, capacidade contributiva e segurança Fl. 121DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10280.720400/200936 Acórdão n.º 1201001.343 S1C2T1 Fl. 4 5 jurídica. E ainda, não há que se falar na aplicação da malfadada multa, uma vez que não se comprovou a ocorrência do fato que a originou. Finalmente requer: seja o RECURSO recebido nos termos do artigo 74, §§ 10º e 11 da Lei nº. 9.430/96, e artigo 151, inciso III, do Código Tributário Nacional; suspendendose a exigibilidade dos supostos débitos aqui discutidos, devendo a autoridade competente tomar as medidas cabíveis para que os débitos tenham a exigibilidade suspensa, e, não constem como restrição à expedição de Certidão Negativa de Débitos ou outra com o mesmo efeito, assim como para que não sejam inscritos no CADIN; seja o RECURSO acolhido em todos seus termos, anulandose a decisão proferida em sede Manifestação de Inconformidade; seja o suposto crédito lançado de forma devida, dando início à fase administrativa através da notificação do contribuinte para ofertar defesa no prazo legal, e todos os recursos inerentes a ampla defesa, observandose o disposto no artigo 74, parágrafos 9º, 10 e 11 da Lei nº 9.430/96, e no artigo 14 do Decreto nº 70.235/72; caso se entenda pela subsistência do débito objeto da cobrança, subsidiariamente, seja concedida ao recorrente a possibilidade de efetuar o devido pagamento, parceladamente. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo. Dele conheço. O litígio do presente processo configurouse com a Manifestação de Inconformidade (fls.11/31), interposta em face do Despacho Decisório eletrônico 821010760 (fl.06) vinculado ao processo nº 10280.900547/200916 no qual se constatou a procedência do crédito pretendido pela Recorrente no valor de R$ 13.470,77, informado no PER/DCOMP nº 40691.20774.270706.1.3.044374 (fls. 01/05). Entretanto, considerando que o crédito reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos da CSLL e da Cofins, informados no PER/DCOMP sem o acréscimo de multa e juros, a autoridade administrativa após computar os acréscimos moratórios (Juros e Multa de mora), conforme demonstrativo (fl.07) do Despacho Decisório, HOMOLOGOU PARCIALMENTE a compensação declarada, restando um saldo devedor na ordem de R$ 1.992,10. A contribuinte contesta a cobrança do débito e requer o lançamento de ofício nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, dando início à fase administrativa através da notificação do contribuinte para ofertar defesa no prazo legal, e todos os recursos inerentes a ampla defesa, observandose o disposto no artigo 74, parágrafos 9º, 10 e 11 da Lei nº 9.430/96, e no artigo 14 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA 6 A Instrução Normativa RFB nº 900/2008 ao disciplinar a restituição e a compensação de quantias recolhidas a título de tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, assim dispõe: (...) Art. 37. O sujeito passivo será cientificado da nãohomologação da compensação e intimado a efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados no prazo de 30 (trinta) dias, contados da ciência do despacho de nãohomologação. § 1º Não ocorrendo o pagamento ou o parcelamento no prazo previsto no caput, o débito deverá ser encaminhado à PGFN, para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvada a apresentação de manifestação de inconformidade prevista no art. 66. (...) Art. 38 . O tributo objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais ... Art. 55. Homologada a compensação declarada, expressa ou tacitamente, ou consentida a compensação de ofício, a unidade da RFB adotará os seguintes procedimentos: I debitará o valor bruto da restituição, acrescido de juros, se cabíveis, ou do ressarcimento, à conta do tributo respectivo; II creditará o montante utilizado para a quitação dos débitos à conta do respectivo tributo e dos respectivos acréscimos e encargos legais, quando devidos; III registrará a compensação nos sistemas de informação da RFB que contenham informações relativas a pagamentos e compensações. IV certificará, se for o caso: a) no pedido de restituição ou de ressarcimento, qual o valor utilizado na quitação de débitos e, se for o caso, o saldo a ser restituído ou ressarcido; b) no processo de cobrança, qual o montante do crédito tributário extinto pela compensação e, sendo o caso, o saldo remanescente do débito; e V expedirá aviso de cobrança, na hipótese de saldo remanescente de débito, ou ordem bancária, na hipótese de remanescer saldo a restituir ou a ressarcir depois de efetuada a compensação de ofício. (...) Art. 66. É facultado ao sujeito passivo, no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da ciência da decisão que indeferiu seu pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso ou, ainda, da data da ciência do despacho que não homologou a compensação Fl. 123DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10280.720400/200936 Acórdão n.º 1201001.343 S1C2T1 Fl. 5 7 por ele efetuada, apresentar manifestação de inconformidade contra o não reconhecimento do direito creditório ou a não homologação da compensação. § 1º O disposto neste artigo não se aplica à compensação de contribuição previdenciária. § 2º A competência para julgar manifestação de inconformidade é da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em cuja circunscrição territorial se inclua a unidade da RFB que indeferiu o pedido de restituição ou ressarcimento ou não homologou a compensação, observada a competência material em razão da natureza do direito creditório em litígio. § 3º Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. § 4º A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam o caput e o § 3º obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. § 5º A manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação, bem como o recurso contra a decisão que julgou improcedente essa manifestação de inconformidade, enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 do CTN relativamente ao débito objeto da compensação. (...) (G.N) Com efeito, apresentada a manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/BELÉM/PA), conforme decisão proferida mediante o Acórdão nº 0118.604 de 02 de agosto de 2010, e, o recurso voluntário tempestivamente apresentado pela interessada, que ora se analisa, denota que a argumentação da Recorrente no sentido de que houve ofensa ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, relativamente ao débito não compensado, resta improcedente porque plenamente assegurada a possibilidade de defesa da empresa contra a homologação parcial da compensação. Sobre a necessidade do lançamento de ofício como alegado pela Recorrente, conforme se depreende da Súmula CARF nº 52, expedida por esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, os tributos objeto de compensação indevida formalizada em Pedido de Compensação ou Declaração de Compensação, ensejam o lançamento de ofício, quando não exigíveis a partir de DCTF, vejamos: Súmula CARF nº 52: Os tributos objeto de compensação indevida formalizada em Pedido de Compensação ou Declaração de Compensação apresentada até 31/10/2003, quando não exigíveis a partir de DCTF, ensejam o lançamento de ofício. Da defesa da Recorrente verificase que os débitos declarados no PER/DCOMP foram declarados em DCTF, logo, não há falar em lançamento de ofício. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA 8 Quanto ao débito da Cofins, a Recorrente alega que recolheu tributos indevidamente a título de PIS e COFINS, e faz jus à suspensão declarada em suas DCTF's pertinentes aos débitos e períodos em questão, bem como à compensação desses valores com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, nos termos do artigo 66 da Lei nº 8.383/91, combinado com o artigo 74 da Lei nº 9.430/96. Diz que é a FAZENDA NACIONAL quem deve à Recorrente, em razão de ter exigido da mesma o recolhimento indevido de tributos. Afirma que resta evidente o equívoco da cobrança, pois o Plenário do Supremo Tribunal Federal, em 9 de novembro de 2005, ao julgar os RE's 346.084/PR, 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, declarou a inconstitucionalidade do parágrafo 1 ° do artigo 3° da Lei nº. 9.718/98, que trata exatamente da base de cálculo do PIS e da COFINS. A argumentação acima não merece qualquer exame nesta instância recursal, a uma porque o débito declarado no PER/DCOMP em comento referese a pagamento a maior com base em suposto crédito de Simples, código 6106, e não a crédito a titulo de PIS e Cofins, a duas porque na manifestação de inconformidade em sede de primeira instância, dessa alteração do crédito e redução do débito declarado, a interessada não tratou, portanto matéria preclusa e não questionada. Com efeito, no presente processo administrativo, a essência é exclusivamente a cobrança dos acréscimos moratórios do débito, de tributo declarado em DCTF e compensado no PER/DCOMP decorrente de crédito julgado insuficiente para sua compensação e extinção, eis que a matéria (Pedido de Restituição e Declaração de Compensação – PER/DCOMP) fora analisada: reconhecido o crédito declarado e a compensação homologada parcialmente. Registrese que a Lei nº 10.637/2002, introduziu profunda alteração nos procedimentos de compensação a ser realizada a partir de 1º de outubro de 2002, como é o caso dos presentes autos. As novas regras foram inseridas no artigo 74 da Lei n° 9.430/96, vejamos: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) (Vide Lei nº 12.838, de 2013) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) ... Fl. 125DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10280.720400/200936 Acórdão n.º 1201001.343 S1C2T1 Fl. 6 9 § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) ... § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) ... § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) ( ...) Indubitavelmente, até setembro de 2002, com base no art. 66 da Lei 8.383/1991, os contribuintes podiam realizar, contabilmente, compensações entre tributos de mesma espécie autocompensação independentemente de apresentação de pedido de compensação. Contudo, a partir de 1º de outubro de 2002, os procedimentos de compensação tributária perante a Receita Federal devem seguir as regras introduzidas no artigo 74 da Lei 9.430/1996, especialmente, a regra prevista em seu § 1º, segundo o qual, a compensação “deverá ser efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados”. Portanto, a compensação dos débitos da CSLL (1º trimestre de 2006), vencimento: 28/04/2006, e da Cofins (período de apuração: Fevereiro/2006; vencimento: 10/03/2006) somente ocorreu com o envio da declaração PER/DCOMP em 20/07/2006. Com as modificações introduzidas na Lei 9.430/1996, a Declaração de Compensação DCOMP configurouse em instrumento com o efeito de extinguir o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação (§2º do art. 74 da Lei 9.430/1996). Nesse contexto, enquanto não apresentada a Declaração de Compensação ( PER /DCOMP) , não há falar em compensação dos tributos. Com efeito, temse que, é na data da transmissão da DCOMP que se dá o encontro de contas, e, encontrandose o débito vencido, sobre ele deverão incidir os Fl. 126DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA 10 acréscimos moratórios previstos em lei, da mesma forma que incidirão juros selic sobre o crédito até esta mesma data. Portanto, a data de transmissão da DCOMP corresponde à data da utilização do crédito e também à data da quitação do débito. Se os débitos informados na DCOMP (CSLL e Cofins) venceram em 28/04/2006 e 10/03/2006, respectivamente, e sua quitação somente ocorreu em 20/07/2006, é cabível a exigência dos acréscimos moratórios previstos no artigo 61 da Lei 9.430/1996 (multa de mora e juros selic). A exigência dos juros com base na taxa Selic é assunto pacificado do qual não cabe discussão no âmbito desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, sendo inclusive matéria sumulada, vejamos: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. O crédito compensado também foi acrescido dos juros Selic, conforme indica o Demonstrativo de Compensação às fls. 07, passando de R$ 13.470,77 (valor original arrecadado) para R$ 14.082,34 (crédito valorado em 20/07/2006). No caso, tanto o débito quanto o crédito foram acrescidos com os juros Selic, mas o débito também ficou sujeito à incidência da multa de mora, por força do referido artigo 61 da Lei 9.430/1996. Eis a razão do saldo devedor, após o encontro de contas, ser exigido do Contribuinte. Enfim, na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios com base na taxa SELIC, e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos (juros selic e multa moratória), na forma da legislação regente, até a data da entrega da Declaração de Compensação. No tocante a possibilidade de efetuar o devido pagamento, parceladamente, como pleiteado pela Recorrente, refoge à competência desse órgão administrativo de recursos fiscais, manifestarse sobre o assunto, cabendo, pois, a autoridade administrativa da Receita Federal o controle do crédito tributário. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 10280.720400/200936 Acórdão n.º 1201001.343 S1C2T1 Fl. 7 11 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
score : 1.0
Numero do processo: 10245.003783/2008-20
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Dec 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2006, 2007
PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. CARACTERIZAÇÃO.
A pessoa jurídica que efetuar a entrega de recursos a terceiros ou sócios, acionistas ou titulares, contabilizados ou não, cuja operação ou causa não comprove mediante documentos hábeis e idôneos, sujeitar-se-á à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento sem causa, nos termos do art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995.
Recurso especial conhecido e negado.
Numero da decisão: 9202-003.680
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso. Vencida a Conselheira Ana Paula Fernandes. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator
EDITADO EM: 14/12/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso. Vencida a Conselheira Ana Paula Fernandes. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator EDITADO EM: 14/12/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2006, 2007 PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. CARACTERIZAÇÃO. A pessoa jurídica que efetuar a entrega de recursos a terceiros ou sócios, acionistas ou titulares, contabilizados ou não, cuja operação ou causa não comprove mediante documentos hábeis e idôneos, sujeitarseá à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento sem causa, nos termos do art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995. Recurso especial conhecido e negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso. Vencida a Conselheira Ana Paula Fernandes. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator EDITADO EM: 14/12/2015 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 5. 00 37 83 /2 00 8- 20 Fl. 1355DF CARF MF Impresso em 28/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório O Acórdão nº 210202.078, da 2a Turma Ordinária da 1a Câmara da 2a Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (efls. 1.259 a 1.273), julgado na sessão plenária de 19 de junho de 2012, por unanimidade de votos, decidiu rejeitar as preliminares suscitadas para, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário do autuado. Transcrevese a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário:2006, 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVOFISCAL. INTIMAÇÃO POR EDITAL. VALIDADE. NECESSIDADE DE EXAURIMENTO DAS DEMAIS FORMAS DE INTIMAÇÃO PREVISTAS NO ART. 23 DO DECRETO Nº 70.235/72. É nula a intimação por edital quando há prova nos autos de que a intimação postal sequer foi entregue no endereço de correspondência do contribuinte. Para legitimar a intimação editalícia é necessário que sejam esgotadas as demais formas de intimação previstas em lei. PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. CARACTERIZAÇÃO. A pessoa jurídica que efetuar a entrega de recursos a terceiros ou sócios, acionistas ou titulares, contabilizados ou não, cuja operação ou causa não comprove mediante documentos hábeis e idôneos, sujeitarseá à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento sem causa, nos termos do art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. APLICAÇÃO AO CASO CONCRETO. UTILIZAÇÃO DE DOCUMENTOS INIDÔNEOS. É justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº. 4.502, de 1964, e conforme minuciosamente apurado pela autoridade fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares suscitadas para, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Antonio Correa Junior, OABDF nº 16.286, patrono do recorrente. Fl. 1356DF CARF MF Impresso em 28/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10245.003783/200820 Acórdão n.º 9202003.680 CSRFT2 Fl. 1.356 3 Cientificado dessa decisão, o autuado manejou recurso especial de divergência (efls. 1.280 a 1.287), onde: a) Inicialmente, alega que, contrariamente ao decidido no recorrido, a nota fiscal inidônea deveria produzir efeitos tributários em relação ao terceiro adquirente de boafé, alegando divergência do vergastado não em relação a decisão oriunda deste CARF, mas sim em relação ao decidido judicialmente pelo STJ, no âmbito do REsp 1.148.444/MG, este último adotado como paradigma. Ressalta ter sido esta (aquisição de boafé) a hipótese da compra de gado efetuada junto à Ouro Verde Agropastoril Ltda, objeto de tributação com multa qualificada. b) Alega divergência em relação ao decidido no Acórdão 120100.761, proferido pela Segunda Turma da 1a. Câmara da 1a. Seção do CARF, em 07 de novembro de 2012, onde, no entendimento da recorrente, se estabelece que a aplicação da multa qualificada, decorrente da utilização da nota fiscal inidônea da compra de gado, objeto de tributação, dependeria de prova adicional, pela autoridade fiscal, do evidente intuito de fraude. O Acórdãoparadigma mencionado se encontra assim ementado: Acórdão 1.20100.761 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 MULTA QUALIFICADA. Para que a multa de ofício seja qualificada, a fiscalização deverá comprovar o evidente intuito de fraude. Não é possível aplicação de multa qualificada nos casos em que a autuação deriva de presunção. c) Finalmente, questiona a recorrente a utilização da presunção do art. 61 da Lei no. 8.981, de 20 de janeiro de 1995, no caso específico da infração da redução do saldo credor de caixa de causa não comprovada, a qual contrariaria, segundo a recorrente, o decidido no Acórdão 140200.820, proferido pela Segunda Turma Ordinária da 4a. Câmara da 1a. Seção do CARF em 22 de novembro de 2011, adotado como paradigma e onde se interpretou que quando “não se tem qualquer informação relativa aos pagamentos”, é incabível a utilização da presunção legal do art. 61 da Lei no. 8.981, de 1995. Reproduzse abaixo a ementa do referido Acórdão. Acórdão 1.40200.820 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. FALTA DA COMPROVAÇÃO DA ENTREGA E DA ORIGEM DOS RECURSOS. MATÉRIA NÃO DISCUTIDA. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Não tendo sido questionada, especificamente, no recurso voluntário, a infração de omissão de receitas, caracterizada por suprimento de numerário não comprovado, não se aprecia Fl. 1357DF CARF MF Impresso em 28/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO 4 referida matéria, e em conseqüência, devem ser mantidos os lançamentos do IRPJ e também os dele decorrentes (CSLL, PIS e COFINS). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2007 PRELIMINAR DE NULIDADE. DESCONSIDERAÇÃO DE NEGÓCIOS JURÍDICOS. PRESUNÇÕES LEGAIS. Rejeitase a preliminar de nulidade de desconsideração indevida de negócios jurídicos, uma vez que os lançamentos foram fundamentados em presunções legais, cujo ônus da prova é do sujeito passivo. PRELIMINAR DE NULIDADE. DOCUMENTOS INIDÔNEOS. Do disposto no caput do art. 217 do RIR/99, se depreende que existem outras hipóteses de inidoneidade de documentos, ou seja, não são apenas considerados inidôneos os documentos emitidos por pessoas jurídicas cuja inscrição no CNPJ seja considerada inapta, pois podem existir outras hipóteses de inidoneidade, mesmo em relação a empresas que estejam com a inscrição no CNPJ ativa. Preliminar de nulidade rejeitada. LANÇAMENTO. IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA. De acordo com o § 1º do art. 61 da Lei 8.981/95, a incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. LANÇAMENTO. IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA. REDUÇÃO DE SALDO DE CAIXA. Não se pode manter o lançamento relativo ao imposto de renda retido na fonte, por pagamento sem causa ou operação não comprovada, caracterizado pela diferença de saldo de caixa ocorrida entre o período de 01.01.2006 a 31.07.2007, por não se ter qualquer informação relativa aos pagamentos, não sendo cabível a aplicação da presunção legal do art. 61 da Lei 8.981/95. PENALIDADE. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Tendo o sujeito passivo se utilizado de notas fiscais que não correspondem à realidade dos fatos, certo é que o dolo está caracterizado. Consequentemente, a multa de 150% que incidiu sobre a infração relativa à não comprovação da prestação de serviços escriturados e do efetivo repasse dos valores, deve ser mantida. O pleito recursal foi admitido apenas quanto à parte da decisão que manteve a tributação decorrente da redução de saldo de caixa (item “c” supra), na forma de despachos de efls. 1.338 a 1.343. Cientificado do recurso especial do contribuinte, a Fazenda Nacional ofertou contrarrazões ao Especial, de efls. 1.345 a 1.347, onde pugna pela manutenção do recurso com fulcro em precedentes deste CARF, alegando ainda se tratar de reexame de matéria fática. É o relatório. Fl. 1358DF CARF MF Impresso em 28/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10245.003783/200820 Acórdão n.º 9202003.680 CSRFT2 Fl. 1.357 5 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. A discussão cingese à possibilidade de aplicação da presunção estabelecida no §1o. do art. 61 da Lei no 8.981, de 1995, matriz legal do art. 674, §1o. do RIR/99, quando não se possui nos autos informação acerca dos pagamentos efetuados. A existência do pagamento é afirmada inicialmente pelo próprio autuado, em seus registros contábeis. Portanto, não há aqui que se falar em necessidade de a fiscalização provar a existência do pagamento. Cediço, a propósito, em meu entendimento que o dispositivo em questão estabelece a prerrogativa da autoridade fiscal perquirir, através de intimações (a exemplo da aquela realizada às efls. 98 e 99), a causa de pagamentos efetuados pelo contribuinte, sendo nesta hipótese ônus do contribuinte produzir documentação hábil e idônea que comprove a(s) causa(s) de eventuais saídas de caixa registradas nos livros Diário e Razão (sendo tais registros, em meu entendimento, prova suficiente da realização de pagamentos pela Pessoa Jurídica intimada), salvo comprovação de equívoco em seus registros a ser feita pelo interessado. Assim, uma vez não tendo sido carreadas aos autos pela autuada qualquer comprovação acerca da causa de tais operações de saída de caixa (nem mesmo indiciária, como bem observado pelo vergastado), certo é que poderia a autoridade fiscal se utilizar, como fez, da presunção constante do referido §1o. do art. 61 da Lei no 8.981, de 1995. Despicienda, nesta hipótese, a busca de novas informações por parte daquela autoridade lançadora, uma vez que, repitase, o dispositivo, em meu entendimento, estabelece para a autuada o ônus de prova quanto à causa das operações, uma vez que esta tenha sido regularmente intimada. Assim, escorreito o procedimento da autoridade fiscal quando do lançamento, bem como o posicionamento do recorrido. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, negar provimento ao recurso especial do contribuinte. É como voto. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 1359DF CARF MF Impresso em 28/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO 6 Fl. 1360DF CARF MF Impresso em 28/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO
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Numero do processo: 10630.720364/2008-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Sep 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. LARANJAS, TESTAS-DE-FERRO OU INTERPOSTAS PESSOAS. SOCIEDADE DE FATO. SOLIDARIEDADE. CTN, ART. 124, I. Comprovada a utilização de pessoa jurídica de modo fraudulento, por pessoas físicas e outra pessoa jurídica que dela se utilizaram como meio de fugirem da tributação, cabe responsabilizar, de modo solidário e sem benefício de ordem, todos os proprietários de fato, nos termos do art. 124, I, do CTN. Em sentido contrário, não caracterizada a responsabilidade de pessoa física indicada pelo Fisco, impõe-se excluí-la do pólo passivo.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE.
Comprovado o evidente intuito de fraude o prazo decadencial desloca-se da regra do parágrafo 4° do artigo 150 para a do inciso I do artigo 173, ambos do CTN.
MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.
A apreciação de questionamentos relacionados a ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário.
Numero da decisão: 1103-000.449
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso, para excluir do pólo passivo o Sr. Ademilton Medeiros de Oliveira, vencidos os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso (relator) e José Sérgio Gomes. O Conselheiro Hugo Correia Sotero foi designado para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Aloisio José Percinio da Silva - Presidente
(assinado digitalmente)
Mário Sérgio Fernandes Barroso - Relator
Hugo Correia Sotero - Redator designado
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Redator ad hoc, designado para formalizar o Acórdão
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes, Eric Moraes de Castro e Silva, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva.
Tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o redator designado, Hugo Correia Sotero, não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado foi designado ad hoc como o responsável pela formalização do presente Acórdão, o que se deu na data de 14/08/2015.
Nome do relator: MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. LARANJAS, TESTAS-DE-FERRO OU INTERPOSTAS PESSOAS. SOCIEDADE DE FATO. SOLIDARIEDADE. CTN, ART. 124, I. Comprovada a utilização de pessoa jurídica de modo fraudulento, por pessoas físicas e outra pessoa jurídica que dela se utilizaram como meio de fugirem da tributação, cabe responsabilizar, de modo solidário e sem benefício de ordem, todos os proprietários de fato, nos termos do art. 124, I, do CTN. Em sentido contrário, não caracterizada a responsabilidade de pessoa física indicada pelo Fisco, impõe-se excluí-la do pólo passivo. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE. Comprovado o evidente intuito de fraude o prazo decadencial desloca-se da regra do parágrafo 4° do artigo 150 para a do inciso I do artigo 173, ambos do CTN. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de questionamentos relacionados a ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso, para excluir do pólo passivo o Sr. Ademilton Medeiros de Oliveira, vencidos os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso (relator) e José Sérgio Gomes. O Conselheiro Hugo Correia Sotero foi designado para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Aloisio José Percinio da Silva - Presidente (assinado digitalmente) Mário Sérgio Fernandes Barroso - Relator Hugo Correia Sotero - Redator designado (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Redator ad hoc, designado para formalizar o Acórdão Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes, Eric Moraes de Castro e Silva, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. Tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o redator designado, Hugo Correia Sotero, não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado foi designado ad hoc como o responsável pela formalização do presente Acórdão, o que se deu na data de 14/08/2015.
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LARANJAS, TESTASDEFERRO OU INTERPOSTAS PESSOAS. SOCIEDADE DE FATO. SOLIDARIEDADE. CTN, ART. 124, I. Comprovada a utilização de pessoa jurídica de modo fraudulento, por pessoas físicas e outra pessoa jurídica que dela se utilizaram como meio de fugirem da tributação, cabe responsabilizar, de modo solidário e sem benefício de ordem, todos os proprietários de fato, nos termos do art. 124, I, do CTN. Em sentido contrário, não caracterizada a responsabilidade de pessoa física indicada pelo Fisco, impõese excluíla do pólo passivo. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE. Comprovado o evidente intuito de fraude o prazo decadencial deslocase da regra do parágrafo 4° do artigo 150 para a do inciso I do artigo 173, ambos do CTN. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de questionamentos relacionados a ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso, para excluir do pólo passivo o Sr. Ademilton Medeiros de Oliveira, vencidos os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso (relator) e José Sérgio Gomes. O Conselheiro Hugo Correia Sotero foi designado para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Aloisio José Percinio da Silva Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 72 03 64 /2 00 8- 11 Fl. 1764DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 11 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por MARIO SERGIO FE RNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10630.720364/200811 Acórdão n.º 1103000.449 S1C1T3 Fl. 1.764 2 (assinado digitalmente) Mário Sérgio Fernandes Barroso Relator Hugo Correia Sotero Redator designado (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Redator ad hoc, designado para formalizar o Acórdão Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes, Eric Moraes de Castro e Silva, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. Tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o redator designado, Hugo Correia Sotero, não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado foi designado ad hoc como o responsável pela formalização do presente Acórdão, o que se deu na data de 14/08/2015. Fl. 1765DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 11 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por MARIO SERGIO FE RNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10630.720364/200811 Acórdão n.º 1103000.449 S1C1T3 Fl. 1.765 3 Relatório Tratase de recurso voluntário, a respeito da decisão da DRJ de Juiz de Fora que julgou procedente o lançamento. Foi lavrado o auto de infração para exigência do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), apurado pelo lucro arbitrado em razão do contribuinte ter deixado de apresentar os livros e documentos de sua escrituração, períodos de apuração dos anos calendário de 2003 e 2004, e os consectários PIS, CSLL e COFINS, totalizando o valor exigido R$46.680.970,49, incluídos o principal, a multa de ofício e os juros de mora devidos até a data da lavratura (fls. 01/46). As irregularidades encontramse assim descritas nos respectivos autos de infração lavrados e no Relatório de Auditoria Fiscal (RAF) de fls. 47/74, parte integrante da peça acusatória: (...) 13. A empresa COMERCIAL AGRÍCOLA CARVALHO, CNPJ 01.755.600/000122, apresentou declarações optando pelo Lucro Presumido para os anoscalendário 2003 e 2004, onde inseriu R$ 0,00 (zero) de receitas. Neste período a fiscalizada teve um elevadíssimo movimento de mercadorias e também um elevadíssimo movimento financeiro conforme descrito nos próximos parágrafos. 14. A referida empresa declarou para Secretaria de Estado da Fazenda de Minas Gerais (SEFMG) ter realizado R$ 207.304.761,43 (duzentos e sete milhões, trezentos e quatro mil, setecentos e sessenta e um reais e quarenta e três centavos) em operações de saída de café para Minas Gerais e outros estados, em 2003 e 2004, conforme descrito nas tabelas abaixo: Saídas para o estado Saídas para outros estados 2003 Comércio Indústria Exportação Indústria Exportação Janeiro 1.474.970.00 367.130,00 1.960.457,60 Fevereiro 8.499.069,57 1.639.351,46 Março 3.598.350,00 162.250,00 2.297.249,00 Abril 4.557.645,00 436.115,50 912.187,57 Maio 9.263.871,90 914.000,00 120.964,50 Junho 7.191.684,00 151.158,33 217.867,00 Julho 12.521.681,33 366.775,00 505.126,00 Agosto 13.542.308,02 599.295,00 368.706,29 Setembro 12.727.594,82 413.579,60 701.178,00 Outubro 8.985.362,62 26.000,00 1.627.100,00 Novembro 8.456.081,54 421.347,02 Dezembro 10.615.119,20 952.500,50 101.433.738,00 3.436.303,43 11.724.034,94 Fl. 1766DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 11 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por MARIO SERGIO FE RNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10630.720364/200811 Acórdão n.º 1103000.449 S1C1T3 Fl. 1.766 4 Saídas para o estado Saídas para outros estados 2004 Comércio Indústria Exportação Indústria Exportação Janeiro 4.176.376,00 208.500,00 1.350.776,00 501.140,00 Fevereiro 4.062.132,00 506.814,30 345.600,00 Março 5.780.747,00 489.551,00 796.320,00 Abril 2.990.222,00 406.015,00 Maio 6.244.597,25 414.770,00 Junho 17.923.355,11 Julho 18.703.907,55 448.269,00 Agosto 11.603.260,00 135.486,00 2.692.160,00 Setembro 4.019.120,00 708.269,15 2.439.040,00 Outubro 1.583.527,50 288.918,00 Novembro 324.868,20 Dezembro 77.087.244,41 208.500,00 1.350.776,00 4.224.100,65 6.273.120,00 15. Os arquivos da SRF apontam que a referida empresa teve movimentação financeira de R$89.998.572,98 em 2003 e R$ 96.425.083,80 em 2004, sem nenhum tributo declarado ou recolhido aos cofres da União. ARBITRAMENTO DO LUCRO 55. A empresa COMERCIAL AGRÍCOLA CARVALHO, CNPJ 01.755.600/000122, apresentou declarações optando pelo Lucro Presumido para os anoscalendário 2003 e 2004, porém sem nenhuma receita. 56. A auditada foi intimada, através de seu suposto sócio gerente, em 24/04/2007 a apresentar os documentos descritos abaixo: a) Livros Fiscais (Registro de Entradas, Registro de Saídas, Apuração do ICMS, Apuração do Lucro Real, Registro de Utilização de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrência); b) Livros Contábeis (Diário e Razão, ou Caixa); c) Contrato/ Estatuto Social e suas alterações; d)Extratos de contas bancárias e de aplicações financeiras, bem como documentos da movimentação financeira; e) Originais, ou cópias autenticadas, das Notas Fiscais de Entrada e Saída. 57. O Sr. SEBASTIÃO, suposto sóciogerente, se declarou “laranja” e não estar com a documentação. 58. O Sr. ADEMILTON MEDEIROS DE OLIVEIRA, procurador da fiscalizada, foi intimado a apresentar os mesmos documentos, porém informou que não é mais o representante legal da mesma. 59. O responsável pelo preenchimento das declarações da fiscalizada nos anoscalendário 2003 e 2004, o Sr. HENRIQUE Fl. 1767DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 11 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por MARIO SERGIO FE RNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10630.720364/200811 Acórdão n.º 1103000.449 S1C1T3 Fl. 1.767 5 CESAR DE OLIVEIRA, declarou que não sabe onde estão os livros e documentos da fiscalizada, presumindo que estão com o Sr. SEBASTIAO FERANDES BARBOSA. 60. Esta fiscalização esteve com a Sra. MÁRCIA MOREIRA PACHECO, apontada como uma das pessoas responsáveis pela contabilidade da fiscalizada, e esta informou não estar com os livros fiscais da COMERCIAL AGRICOLA CARVALHO e prestou os seguintes esclarecimentos sobre a abertura e o funcionamento da empresa: “(..) foi a declarante quem legalizou a abertura da empresa COMERCIAL AGRÍCOLA CARVALHO, tudo a mando de seu cunhado HERACLITO PACHECO, de quem recebeu os honorários para fazêlo; QUE a declarante não conheceu nenhuma das pessoas que constou como sócias da empresa, sendo tudo feito por intermédio de HERACLITO PACHECO, QUE, para a depoente, o dono da empresa era o Sr. HERACLITO PACHECO, inclusive lhe pagando os honorários em dinheiro (..) QUE o Sr. HERACLITO PACHECO atua no ramo de café, na área de MATIPÓ, tendo como o relacionamento o GRUPO GARDINGO QUE não sabe de outros relacionamentos do Sr. Heráclito com outros grupos além do Grupo Gardingo; (..) QUE atribui a movimentação de compra e venda de café da COMERCIAL PONTO FORTE e COMERCIAL AGRÍCOLA CARVALHO ao Sr. HERACLITO, não sabendo se outras pessoas utilizaram os talonárioS de notas fiscais das empresas citadas; QUE as notas fiscais de venda eram emitidas em Matipó, e que lhe eram entregues pelo Sr. Heráclito, que nunca lhe disse sobre outras pessoas que pudessem estar por trás das vendas de café em nome das empresas”. (...) 62. Com base nos esclarecimentos da Sra. MÁRCIA PACHECO, esta fiscalização esteve com o Sr. CLEYDSON MENDES BAIA em busca da documentação da fiscalizada. Este aparentando bastante cautela para não identificar pessoas ligada à fiscalizada prestou esclarecimentos que indicam o envolvimento do GRUPO GARDINGO com a mesma, conforme abaixo: (...) “Declara sob as penas da lei que não está consigo nem em seu escritório nem com seu sócio Roberto a documentação das empresas citadas, nem tem idéia de onde esteja” “Questionado se veio a seu escritório pessoas ligadas ao Grupo Gardingo trazer ou levar papéis da PONTO FORTE ou da COMERCIAL AGRÍCOLA CARVALHO, informa que SIM, identificando supostamente caminhoneiros da GARDINGO que tenha feito isso, mas informa também que muitos emissários tiveram essa incumbência” 63. Tendo em vista os esclarecimentos da Sra. MÁRCIA PACHECO, esta fiscalização também esteve com o Sr. JOÃO Fl. 1768DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 11 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por MARIO SERGIO FE RNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10630.720364/200811 Acórdão n.º 1103000.449 S1C1T3 Fl. 1.768 6 KLEINPAUL em busca da documentação da fiscalizada, porém este também informou não estar com a mesma. 64. A contínua falta de apresentação de documentos por parte da fiscalizada configurase de forma inequívoca, a hipótese prevista no art. 47 da Lei 8.981/95, a qual transcrevese abaixo: “Art. 47 O lucro da pessoa jurídica será arbitrado, quando: (..) III — o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa, na hipótese de que trata o art. 45, parágrafo único.” 65. O art. 845, inciso III, do R1R/99, ao tratar das bases para o “Lançamento de Oficio” a ser efetuado pela autoridade competente, assim determina: “Art. 845. Farseá o lançamento de oficio, inclusive: (..) III computandose as importâncias não declaradas, ou arbitrando o rendimento tributável de acordo com os elementos de que se dispuser, nos casos de declaração inexata.” 66. Tendo em vista que a Receita Bruta dos anoscalendário 2003 e 2004 deste contribuinte é conhecida, estes valores serão utilizados para arbitramento do lucro nos termos dos artigos 16 da Lei 9.249/95 e 1° da Lei 9.430/96. Estes valores foram apurados conforme descrito anteriormente. DO DOLO 67. A COMERCIAL AGRÍCOLA CARVALHO tem em seu quadro societário pessoas com a condição financeira e padrão de vida totalmente incompatíveis com a propriedade de fato de uma empresa com a movimentação financeira superior a R$ 185.000.000,00 (cento e oitenta e cinco milhões de reais) entre 2003 e 2004. Os supostos sócios também não possuem conhecimento e experiência compatíveis com a propriedade de fato da empresa. Estes sócios admitiram ser “laranjas” e que a empresa funciona para encobrir negócios ligados ao Sr. HERACLITO PACHECO e ao GRUPO GARDINGO. 68. A fiscalizada, através dos responsabilizados neste lançamento, omitiu significantes receitas tributáveis. Está claro que, ao ocultar tamanha renda tributável à Administração Tributária Federal, tinha os responsabilizados a consciência de que a conduta levaria ao resultado ilícito. Não são pequenos valores que pudessem ser atribuídos a falhas de controle. Foi apurada uma receita bruta de R$ 207.304.761,43 em 2003 e 2004 que pode ser atribuída às operações da auditada, feitas sob a direção dos responsabilizados 69. A fiscalizada comprava café de produtores rurais e vendia para exportadoras. A legislação tributária permite que as Fl. 1769DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 11 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por MARIO SERGIO FE RNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10630.720364/200811 Acórdão n.º 1103000.449 S1C1T3 Fl. 1.769 7 exportadoras ou comercial tradings pleiteiem ressarcimento de PIS e COFINS das compras para exportação. Desse modo, os milhões de reais em vendas com a utilização das NFs da COMERCIAL AGRICOLA CARVALHO gerarão grandes restituições de PIS e COFINS para seus clientes, o que causa duplo prejuízo ao erário: Perdese com a sonegação e com a restituição de créditos que nem mesmo foram recolhidos. A grande beneficiária com os créditos gerados pelas vendas da fiscalizada é a empresa GARDINGO TRADE. 70. O Sr. SEBASTIÃO FERNANDES BARBOSA forneceu procuração para que o Sr. ADEMILTON MEDEIROS DE OLIVEIRA pudesse administrar e representar a empresa, realizando a movimentação financeira e todos os atos de gestão. O Sr. ADEMILTON é funcionário de confiança do GRUPO GARDINGO. Ele fazia serviços bancários para o ARMAZENS GERAIS SÃO JOAO, e os donos desta empresa, os Srs. JOÃO GARDINGO, ANTONIO GARDINGO e SEBASTIAO GARDINGO foram apontados como os reais detentores dos recursos transitados pela conta bancária. Além de todas as informações bancárias apontarem para o GRUPO GARDINGO como responsável pela fiscalizada, o relacionamento estreito da COMERCIAL AGRICOLA CARVALHO com empresas do grupo e as declarações dos supostos sócios e pessoas envolvidas com a empresa reforçam esta tese. 71. Os Srs. JOÃO BATISTA GARDINGO, ANTÔNIO FÁBIO GARDINGO, SEBASTIÃO GARD1NGO e CARLOS HENRIQUE GARDINGO foram beneficiários de várias transferências bancárias feitas pela fiscalizada. 72. Sem a participação do GRUPO GARDINGO, a fiscalizada e seus suposto sócios não teriam condições de garantir o pagamento aos produtores de café e nem de realizar a grande quantidade operações de compra e venda de café. Os supostos sócios não tinham o mínimo conhecimento das operações da empresa, mas mesmo assim a empresa em seu nome faturou mais de R$ 200.000.000,00 (duzentos milhões de reais) em 2003 e 2004. DA MULTA DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO 73. Assim determina a Lei 9430/96 em seu art. 44, inciso 1 e § 1°: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (..) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso 1 do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n°~ Fl. 1770DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 11 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por MARIO SERGIO FE RNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10630.720364/200811 Acórdão n.º 1103000.449 S1C1T3 Fl. 1.770 8 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. 74. A Lei 4.502/64, por sua vez, assim estabelece nos artigos supracitados “Art. 71 Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72 Fraude é toda a ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo areduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73 Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos no art. 71 e 72.” 75. Quis o legislador estabelecer a atitude dolosa como pressuposto dos tipos penais definidos nos arts. 71, 72 e 73, anteriormente transcritos, os quais, uma vez caracterizados, implicam a majoração da multa de oficio prevista na legislação tributária. O conceito de dolo, para fins de tipificação dos delitos em apreço, encontrase no inciso 1, do art. 18 do Código Penal, ou seja, crime doloso é aquele em que o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA 1. SEBASTIÃO FERNANDES BARBOSA, CPF 001.694.076 83, residente à Rua Mendes Faria, 104, Distrito de Realeza, ManhuaçulMG Pessoalmente Responsável ( Art. 135, III etc Art. 124, 1 da Lei 5.172/66 CTN); 2. JOSÉ ALVES, CPF 596.579.52700, residente à Av. Vitória Minas, n° 121, Distrito de Realeza, Manhuaçu/MG Pessoalmente Responsável ( Art. 135, III c/c Art. 124, 1 da Lei 5.172/66 CTN); 3. ADEMILTON MEDEIROS DE OLIVEIRA, CPF 036.178.44650, com endereço profissional à Av. São João, 106, Centro, Matipó/MG Pessoalmente Responsável ( Art. 135, III etc Art. 124, 1 da Lei 5.172/66 CTN); 4. JOÃO BATISTA GARDINGO, CPF 202.461.96653, com endereço à Av. São João, 106, Ap. 202, Centro, Matipó/MG — Pessoalmente Responsável ( Art. 135, III c/c Art. 124, 1 e 137, 1 da Lei 5.172/66 CTN); 5. ANTÔNIO FÁBIO GARDINGO, CPF 200.665.03604, com endereço à Av. São João, 106, Centro, Matipó/MG Pessoalmente Responsável ( Art. 135, III etc Art. 124, 1 e 137,1 da Lei 5.172/66 CTN); Fl. 1771DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 11 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por MARIO SERGIO FE RNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10630.720364/200811 Acórdão n.º 1103000.449 S1C1T3 Fl. 1.771 9 6. SEBASTIÃO GARD1NGO, CPF 153.207.90600, com endereço à Av. São João, 106, Ap.101, Centro, Matipó/MG.Pessoalmente Responsável ( Art. 135, III etc Art. 124, 1 e 137, 1 da Lei 5.172/66 CTN); 7. HERACLITO PACHECO, CPF 072.717.36697, com endereço à Rua Afonso Senna,395, Bairro Vale Verde, Ponte Nova/MG . Pessoalmente Responsável ( Art. 135, III e/e Art. 124, 1 e 137, 1 da Lei 5.172/66 CTN); 8. CARLOS HENRIQUE GARDINGO, CPF 215.365.62653, com endereço à Av. São João, 106, Centro, Matipó/MG Pessoalmente Responsável — (Art. 135, III e/e Art. 124, 1 e 137, 1 da Lei 5.172/66 — CTN); 9. ARMAZÉNS GERAIS SÃO JOÃO LTDA, CNPJ22.394.696/000110, localizada à Rodovia Fernão Dias, KM 700, Três Corações/MG Responsável Solidário ( Art. 124, 1 e/e 134, III da Lei 5.172/66 CTN); 10. GARDINGO TRADE IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, CNPJ 00.681.184/000100, localizada à Av. São João, 106, Sala 05, Centro, Matipó/MG Responsável Solidário ( Art. 124, 1 etc 134, III da Lei 5.172/66 CTN); 11. CAFEEIRA SÃO JOÃO LTDA, CNPJ 16.812.331/000166, localizada à Rua João Moreira Bastos, 148, Loja A, Centro, Matipó/MG Responsável Solidário (Art. 124, 1 e/e Art 134, III da Lei 5.172/66 CTN). O índice de documentos que compõe o presente processo encontrase à fl. 75. A ação fiscal gerou o processo de representação para fins penais n° 10630.720365/200857, tramitando separadamente, conforme Termo de Desapensação de fls. 1136. À fl. 1137, constam as informações processuais quanto às datas das ciências dos autos de infração e das respectivas defesas apresentadas pelos arrolados como responsáveis pelo crédito tributário. Dada a identidade de algumas das peças impugnatórias apresentadas, serão reunidas, a seguir, as coincidentes. As empresas, Gardingo Trade Importação e Exportação Ltda., Armazéns Gerais São João Ltda. e Cafeeira São João Ltda., arroladas como responsáveis solidárias pelo crédito tributário, nos termos do artigo 124, I c/c 134, III da Lei 5.172/66 CTN, e as pessoas físicas, João Batista Gardingo, Antônio Fábio Gardingo, Sebastião Gardingo e Carlos Henrique Gardingo, arroladas como pessoalmente responsáveis (art. 135, III c/c 124, I e 137, I da Lei 5.172/66 CTN), nas defesas de fls. 795/807, 857/869, 916/928, 974/986, 1033/1045 alegam, em síntese, que: no tocante responsabilização imputada às empresas impugnantes, que "os negócios firmados entre as empresas impugnantes e o contribuinte autuado eram lícitos e previstos no objeto social das impugnantes. Desta forma, não caberia às Fl. 1772DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 11 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por MARIO SERGIO FE RNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10630.720364/200811 Acórdão n.º 1103000.449 S1C1T3 Fl. 1.772 10 impugnantes fiscalizar a empresa Comercial Agrícola Carvalho quanto ao cumprimento de suas obrigações tributárias. Mesmo porque lhes faltariam_prerrogativas e instrumentos_para tal_fiscalização."(sic); nenhuma das meras alegações, contidas no Relatório em questão, podem comprovar que as impugnantes têm algum vínculo com o contribuinte autuado além das relações comerciais; a responsabilização dos ora impugnantes foi feita com base somente em alegações e depoimentos pessoais dos sócios da empresa autuada, sendo que em momento algum foram intimados a prestar informações os ora impugnantes. afirma que a responsabilização de terceiros por créditos tributários somente pode ser feita mediante comprovação inequívoca do fato, através do devido processo legal que comprove o dolo necessário para caracterização das situações previstas nos arts. 134 e 135, do CTN, suscitados pela Fiscalização, sendo que, no caso presente, inferese que não restou comprovada nenhuma atitude desta natureza; o IRPJ, PIS, COFINS e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, são tributos sujeitos à homologação do pagamento, razão pela qual o lançamento é regido pela disposição prevista no artigo 150, parágrafo 4° do CTN. Assim, no caso sob exame, tendo em vista que as impugnantes foram intimadas do lançamento em questão em dezembro, os geradores ocorridos no ano de 2003 encontramse decaídos; a autuação sob crivo revelase nula, tendo em vista que a exigência formalizada depois do transcurso do prazo decadencial de parte do Auto de Infração autoriza a declaração de nulidade do feito fiscal, conforme as notas explicativas do art. 59, § 3° do Decreto n° 70.235/2002; a multa lançada afirmando é indevida, não só por conta dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, do Código do Consumidor, que não admite multa superior a 10% do valor da obrigação, nos termos de seu parágrafo 1°, do seu artigo 52, mas também porque possui um caráter manifestamente confiscatório; a utilização da taxa SELIC, para determinação dos juros moratórios, é inconstitucional e ilegal consoante interpretação do Superior Tribunal de Justiça. Diante das razões apresentadas as impugnantes requerem: 50. Pelo exposto, confiam e esperam os impugnantes seja acolhida a presente defesa para, reconhecendo os argumentos ora aduzidos, declarar a inexistência de responsabilidade par com o crédito tributário exigido no Auto de Infração impugnando. 51. Ad argumentandum, ainda que não se entenda pela procedência da presente impugnação, o que se admite apenas em atenção ao princípio da eventualidade, requerem os impugnantes o cancelamento do Auto de Infração ora impugnado, tendo em vista a decadência do crédito tributário exigido. 52. Requerem também os impugnantes, em razão do princípio da eventualidade, seja reduzida a multa isolada aplicada em pelo menos 50% de seu valor, posto que a mesma afigurase Fl. 1773DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 11 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por MARIO SERGIO FE RNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10630.720364/200811 Acórdão n.º 1103000.449 S1C1T3 Fl. 1.773 11 confiscatória, bem como a substituição da Taxa Selic, posto que inadequada à atualização de débitos tributários. 53. Protesta pela produção de prova documental, bem como apresentação de novos documentos, nos termos do art. 6°, § 1° da Portaria MPAS n° 357, de 17 de abril de 2002. O procurador da empresa autuada, Ademilton Medeiros de Oliveira, devidamente notificado na condição de pessoalmente pelos créditos tributários, não se conformando com o procedimento fiscal, apresentou, tempestivamente, as suas razões de defesa, às fls. 1097/1099, nas quais requer o cancelamento do Auto de infração ora impugnado, alegando em síntese o seguinte: A decadência dos débitos exigidos nos Autos de Infração nos termos do artigo 173 do CTN, que dispõe que o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (anos), isso porque o impugnante somente foi intimado dos autos de infração pela Fiscalização em novembro de 2008 e esses autos estão exigindo tributos referentes ao ano de 2003; Não tem nenhuma responsabilidade pelos débitos em questão, sendo apenas mero prestador de serviços do contribuinte autuado; A multa de 150% revelase extremamente onerosa, nos termos do Código do Consumidor, que impossibilita a multa superior a 10% do valor da obrigação, os termos de seu parágrafo 1°, do seu artigo 52; Por fim, requer o afastamento da aplicação da taxa SELIC sobre esses débitos, uma vez que esta não é índice juridicamente válido para ser aplicado a título de juros moratórios. Em 31/12/2008, a Comercial Agrícola Carvalho Ltda., autuada, apresentou a impugnação de fls.1102/1104, pugnando pelo cancelamento da exigência tendo em vista a decadência de parte do lançamento, relativamente a fatos geradores ocorridos em 2003. Da mesma forma, em 31/12/2008, José Alves e Sebastião Fernandes Barbosa, na qualidade de pessoalmente responsáveis pelo crédito tributário, apresentaram a sua defesa de fls. 1116/1123. A DRJ decidiu (ementa): "DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE. Comprovado o evidente intuito de fraude o prazo decadencial desloca se da regra do parágrafo 4° do artigo 150 para a do inciso I do artigo 173, ambos do CTN. RESPONSABILIDADE PELO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador são solidariamente responsáveis pelo crédito tributário apurado. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Fl. 1774DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 11 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por MARIO SERGIO FE RNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10630.720364/200811 Acórdão n.º 1103000.449 S1C1T3 Fl. 1.774 12 MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de questionamentos relacionados a ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Nos termos da legislação em vigor, os juros serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. Aplicase às exigências, ditas reflexas, o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas." Segue Recurso Voluntário no processo administrativo em referência. das seguintes pessoas jurídicas e físicas: Gardingo Trade Importação,e Exportação Ltda; Armazéns Gerais São João Ltda; Cafeeira, São João Ltda; 'João Batista Gardingo; Antônio Fábio, Gardingo; Sebastião Gardingo, Ademilton Medeiros de Oliveira e Carlos Henrique Gardingo: DA AUSÊNCIA DE DOCUMENTOS, ESSENCIAIS NO PROCESSO Não obstante, as supostas declarações prestadas à SEFMG sequer, foram trazidas aos autos do PTA. Não constam tais declarações do, procedimento fiscal, pelo que os valores apontados pela Fazenda não passam de meras alegações desprovidas de comprovação. Verifiquese, nesse sentido, o sumário do Relatório citado, em que não há qualquer menção às declarações invocadas. Com isso, além de se impedira comprovação de que os valores suscitados como receitas da devedora são realmente aqueles constantes das declarações, tornou se impossível a eventual verificação de seu teor, impedindo os recorrentes de impugnar tais valores, em mais uma violação frontal ao seus direitos fundamentais à ampla defesa e contraditório; DA RESPONSABILIDADE PELO CRÉDITO TRIBUTÁRIO A empresa Comercial Agrícola Carvalho Ltda, devedora do débito em comento, é sociedade completamente distinta das empresas ora Recorrentes, com quadro societário também inteiramente diverso, conforme comprovado pela própria Fiscalização. A empresa Comercial Agrícola Carvalho Ltda e as Recorrentes apenas realizavam negociações no mercado de café, sendo essas últimas meras prestadoras de serviços do contribuinte autuado. Ora, os negócios firmados entre as empresas Recorrentes e o contribuinte autuado eram lícitos e previstos no objeto social das Recorrentes. Desta forma, não caberia a essas fiscalizar a empresa Comercial Agrícola Carvalho Ltda quanto ao cumprimento de suas obrigações tributárias. Mesmo porque lhes faltariam prerrogativas e instrumentos para tal fiscalização. A responsabilização dos ora recorrentes foi feita com base somente em alegações e depoimentos pessoais dos sócios da empresa autuada, sendo que em momento algum foram intimados a prestar informações os ora Recorrente. Fl. 1775DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 11 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por MARIO SERGIO FE RNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10630.720364/200811 Acórdão n.º 1103000.449 S1C1T3 Fl. 1.775 13 Passandose ao, cotejamento de cada uma das hipóteses de responsabilização previstas no CTN, em especial os arts. 134, 135 e 137, pretensos fundamentos da Fazenda pára responsabilização.dos recorrentes in casu, temse quanto ao art.134, que o caso dos autos não se subsume à qualquer das hipóteses descritas no artigo, mormente ao inciso "III", que trata dos administradores de bens de terceiros, quanto ao art. 135, a ausência de subsunção é ainda mais clara, visto que nenhum dos recorrentes é mandatário, gerente, preposto, empregado, sócio ou repre entante da Comercial Agrícola Carvalho Ltda. Por fim, quanto ao art. 137, temse que tal dispositivo determina que a imputação da responsabilidade da conduta a ensejar a autuação seja pessoal. Nesta esteira, restringese sua aplicação somente aos protagonistas das infrações. O artigo sob comento, portanto, dispõe em sentido diametralmente oposto ao, levado a cabo pela i, fiscalização, não podendo ser aplicado ao caso sub examine. Resta patente, portanto, a ilegitimidade passiva dos recorrentes para figurarem como coobrigados pela infração ora combatida, e assim responder pelo débito existente em nome da empresa Comercial Agrícola Carvalho Ltda, uma vez que esta é empresa completamente distinta dos Recorrentes, com quem estes, mantinham mera relação comercial. DO LANÇAMENTO BASEADO EM PRESUNÇÃO Para fins de lavratura do auto de infração ora discutido, percebese que foi utilizada mera presunção baseada somente nos depoimentos pessoais dos procuradores e sócios da empresa autuada DA IMPOSSIBILIDADE DE EXTENSÃO DA RESPONSABILIDADE POR MULTAS AOS DEMAIS COOBRIGADOS PRINCÍPIO DA PESSOALIDADE Em atenção. ao princípio da pessoalidade, sanções somente podem ser impingidas em razão da conduta pessoal de determinado agente, devendo, ainda, ser graduadas considerandose esta mesma conduta. O dolo, pois, l integra a culpabilidade, enquanto elemento subjetivo do injusto. Considerandose que a imposição da multa, ora questionada considera tão somente a conduta dos Recorrentes, mostrase impossível estenderse a sanção aplicada a terceiros que não o próprio agente, o que configuraria responsabilidade objetiva, instituto este abominado no ordenamento pátrio. Forçoso concluir, pois, que, na eventualidade de apurarse valores efetivamente devidos, não e possível que multas aplicadas sejam cobradas dos pretensos responsáveis, posto inexistir dolo ou culpa a justificar a imposição da sanção. DA DECADÊNCIA Ressaltese que os tributos apontados estão sujeitos a homologação do pagamento. Assim, o termo inicial para lançamento do crédito tributário, nos termos do art 150, parágrafo 4° do CTN, ocorre no momento da ocorrência do fato gerador. Cumpre salientar que os recorrentes somente foram intimados da existência de ação fiscal quando da intimação do Auto de Infração ora recorrido. Assim, no caso sob exame, tendo em vista que os Recorrentes só foram intimados do lançamento em questão em novembro de 2008, encontrase decaído os Fl. 1776DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 11 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por MARIO SERGIO FE RNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10630.720364/200811 Acórdão n.º 1103000.449 S1C1T3 Fl. 1.776 14 créditos exigidos cujo vencimento ocorreu até novembro de I2003, bem como os demais consectários legais. DA ABUSIVIDADE DA MULTA APLICADA — INCORRETA APLICAÇÃO DO ART. 44, II DA LEI 9.430/96 DESCONFORMIDADE COM OS PRINCÍPIOS DA DOSIMETRIA DA PENA, DA PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE Apesar do dispositivo legal indicado prever a aplicação de multa de no importe de 50%, a multa aplicada na espécie foi de 150%, à revelia da o prescrição legal: Neste passo, a multa aplicada deve ser reduzida ao menos ao patamar de 50%, posto que a autuação não pode extrapolar os limites legais que a alicerçam, sendo certo que qualquer atuação que ultrapasse este percentual revelase, como ilegal, já que carece que fundamentação legal, sendo, portanto, imotivada. D'outra margem, ainda que se reduza a penalidade aplicada à razão de 50%, a ;sanção ainda se mostra exacerbada, desrespeitando Princípios constitucionais de garanta do contribuinte. É o relatório. Fl. 1777DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 11 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por MARIO SERGIO FE RNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10630.720364/200811 Acórdão n.º 1103000.449 S1C1T3 Fl. 1.777 15 Voto Vencido Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso Relator1 Quanto a tempestividade transcrevo o ADN COSIT: "TEMPESTIVIDADE REMESSA DE ÍMPUGNAÇÃO PELOS CORREIOS ATO DECLARATÓRIO (NORMATIVO) N.° I9, de 26/05/I997: Processo Administrativo Fiscal. Remessa da impugnação pelos Correios. Para os efeitos da tempestividade, considerase como data da entrega a da postagem da petição, devidamente comprovada (AR). O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso de suas atribuições, e tendo em vista o disposto nos arts. 15 e 21 do Decreto n.° 70.235, de 06 de março de 1972, com a redação do art. 1.° da Lei n.° 8.748, de 09 de dezembro de 1993, no Decreto de 15 de abril de 1991 e na Portaria n.° 12, de 12 de abril de 1982, do Ministério Extraordinário para a Desburocratização, DECLARA, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados que, quando o contribuinte efetivar a remessa da impugnação através dos Correios: a) será considerada como data da entrega, no exame da tempestividade do pedido, a data da respectiva postagem constante do aviso de recebimento, devendo ser .gualmente indicados neste último, nessa hipótese, o destinatário da remessa e o número de protocolo referente ao processo, caso existente;" Assim, de acordo com o despacho de fl. 1.527: "...sendo que a última data de ciência se deu em 12/01/2010, conforme AR de fls. 1426. O recurso, via postal, ao Conselho de Contribuintes, foi postado em 10/02/2010, conforme envelope de fls. 1444,..." Portanto, considerando a data da postagem, o recurso é tempestivo. DA AUSÊNCIA DE DOCUMENTOS, ESSENCIAIS NO PROCESSO/ DO LANÇAMENTO BASEADO EM PRESUNÇÃO Neste item a recorrente se insurge quanto ao arbitramento, contudo, conforme acórdão da DRJ esta matéria não faz parte da lide, haja vista não ter sido impugnada. A seguir transcrevo parte do acórdão a respeito do tema: 1 Relatório e voto vencido, proferidos pelo relator, extraídos da minuta do acórdão, que se encontrava anexada à fls. 1721/1744 (eprocesso), desentranhada, com vistas a anexação do acórdão que ora se formaliza. Fl. 1778DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 11 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por MARIO SERGIO FE RNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10630.720364/200811 Acórdão n.º 1103000.449 S1C1T3 Fl. 1.778 16 "A fiscalização utilizou como receita conhecida para o arbitramento do lucro e apuração das contribuições para o PIS e COFINS devidos os valores das vendas dos anos calendário 2003 e 2004, declarados para a Secretaria da Fazenda do Estado de Minas Gerais (SEFMG), consolidados no Relatório de Auditoria Fiscal (fls. 72), discriminados nas planilhas de fls. 48. A impugnante não se insurgiu acerca do procedimento e dos citados valores, portanto, a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela autuada, considerar seá não impugnada, conforme prevê o art 17 do Decreto n° 70.235/72, com as alterações da Lei n° 8.748/93, transcrito a seguir: "Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, admitindose a juntada de prova documental durante a tramitação do processo, até a fase de interposição de recurso voluntário." " Assim, esta claro que a matéria está preclusa, não tendo reparos a fazer neste item. DA DECADÊNCIA/MULTA QUALIFICADA Dos fatos geradores ocorridos nos anocalendário de 2003, as impugnantes alegam que o Auto de Infração só foi lavrado depois de transcorrido o prazo de 5(cinco) anos, revisto no artigo 150, § 4°, do CTN. Entretanto, para os fatos geradores de IRPJ em que há a prática dolosa, a contagem do prazo de decadência é deslocada do § 4° do art. 150 (lançamento por homologação) para a regra geral contida no art. 173, inciso I, do CTN (lançamento de ofício), por observância ao disposto no supracitado § 4°, que excepciona os casos de fixação de outro prazo em lei e de comprovada ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Dessa forma, o marco inicial para o início da referida contagem passa a ser o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado'". No presente caso, resta caracterizada a sonegação, conforme definida no art. 71 da Lei n° 4.502/64, onde a omissão de informação ou prestação de declaração falsa se insere no contexto de fraude, sendo o tipo doloso, conforme se vê a seguir. Constam dos autos que a empresa autuada COMERCIAL AGRÍCOLA CARVALHO efetuou durante os anoscalendário 2003 e 2004, operações comerciais, conforme cópias de Notas Fiscais de Venda de fls. 612/765. Também declarou para Secretaria de Estado de Fazenda de Minas Gerais (SEFMG) ter realizado R$ 207.304.761,43 em operações de saída de café no mesmo período, fls. 48 e 157/312. Entretanto, a autuada apresentou declaração optando pelo Lucro Presumido para os anoscalendário 2003 e 2004 informando receita zerada (fls. 85/156), apesar do elevadíssimo movimento de vendas. Além disso, informam os fiscais autuantes que constam dos arquivos da Receita Federal do Brasil RFB, elevada movimentação financeira de R$89.998.572,98 em 2003 e R$96.425.083,80, em 2004, sem nenhum tributo declarado ou recolhido aos cofres da União. A apresentação reiterada e intencional de Declaração Anual como inativa, sem qualquer justificativa, mesmo tendo auferido elevado faturamento conforme explicitado acima, ocultando o conhecimento, pela autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador, bem como a não entrega dos livros contábeis, caracterizou evidente intuito de fraude. Fl. 1779DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 11 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por MARIO SERGIO FE RNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10630.720364/200811 Acórdão n.º 1103000.449 S1C1T3 Fl. 1.779 17 Analisarseá para o fato gerador mais antigo ocorrido em 31/03/2003. Em se tratando de fato gerador trimestral, o IRPJ relativo a este período poderia ter sido lançado já no mês de maio de 2003, portanto, aplicando a regra do art. 173, I do CTN temse que, o termo inicial da contagem do prazo decadencial, isto é, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, seria 01/01/2004, portanto, o prazo final para a Fazenda Nacional exercer a sua atividade de lançamento seria o dia 01/01/2009. Tendo em vista que a ciência dos Autos de Infração em lide ocorreu em novembro de 2008 estes não se encontravam decadentes. Da mesma forma, com relação à CSLL, vale o disposto para o IRPJ, e, relativamente às contribuições para o PIS e a COFINS, com fato gerador mensal e novamente sem qualquer pagamentos, a data de início do prazo decadencial é de 01/01/2004, encerrando se em 01/01/2009 para os meses de janeiro a novembro de 2003. Nenhum período foi alcançado pela decadência. Assim, resta claro que não ocorrera a decadência Quanto ao percentual de 150% ter caráter confiscatório temos a súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a constitucionalidade de lei tributária." Esclareçase que a penalidade aplicada tem respaldo no previsto na Lei n° 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da lei n.° 4.505, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabiveis. Assim, não cabe a este órgão reparar o percentual da multa. Em relação aos lançamentos decorrentes, de CSLL, PIS e COFINS, foram apresentadas alegações de igual teor, já rebatidas, e assim sendo, persistem as autuações. DA RESPONSABILIDADE PELO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Quanto a este item, oportuno a transcrição de parte do acórdão da DRJ: "O crédito tributário foi constituído em relação à empresa COMERCIAL AGRÍCOLA CARVALHO LTDA, na condição de contribuinte, conforme definido Fl. 1780DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 11 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por MARIO SERGIO FE RNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10630.720364/200811 Acórdão n.º 1103000.449 S1C1T3 Fl. 1.780 18 no parágrafo único do art. 121, inciso I, do CTN. Entretanto, tendo em vista as circunstâncias em que ocorreram as infrações constatadas e a finalidade do lançamento, que visa não só a constituição do crédito tributário, mas em última análise o seu recolhimento ao Tesouro Nacional, o Relatório de Auditoria Fiscal arrolou outras pessoas (responsáveis e solidárias), sobre as quais incide a responsabilização para fins de execução do crédito constituído, segundo as disposições e trâmites da Lei n. ° 6.830/80. Determina o art. 202, inciso I, do CTN que o termo de inscrição da dívida ativa deve indicar obrigatoriamente o nome do devedor e, sendo caso, o dos co responsáveis. Assim, para a execução atingir terceiros que não a autuada, mormente no caso de utilização de interpostas pessoas para ocultar os verdadeiros beneficiários de receitas auferidas, é importante que esses sejam indicados no procedimento fiscal, subsidiando o trabalho da Procuradoria da Fazenda Nacional quando da execução. Nunca é demais lembrar que a atividade do lançamento é vinculada, conforme determina o CTN: "Art. I42. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional." (Grifei). "Art. I2I. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: 1 contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei." Nesse contexto, as autoridades lançadoras, sob o fulcro dos artigos I24, inciso I e I35, incisos II e III, c/c I34, III, e I37, inciso I, da Lei n.° 5.I72/66 apontaram as pessoas físicas e jurídicas arroladas no Relatório de Auditoria Fiscal como responsáveis pelo crédito tributário lançado, todas regularmente cientificadas, visando os princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa. O aprofundamento da fiscalização mostrou que as pessoas responsabilizadas que ora apresentaram as presentes defesas, embora não constem do contrato social da autuada, foram beneficiárias das receitas auferidas pela Comercial Agrícola Carvalho Ltda. No que concerne à responsabilidade tributária atribuída às Impugnantes as defesas refutam tal procedimento, alegando que as hipóteses levantadas pela fiscalização, pelos artigos 124, 134, 135 e 137 do CTN, não se aplicam ao caso em Fl. 1781DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 11 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por MARIO SERGIO FE RNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10630.720364/200811 Acórdão n.º 1103000.449 S1C1T3 Fl. 1.781 19 questão. Alegam também que a responsabilização dos ora impugnantes foi feita com base somente em alegações e depoimentos pessoais dos sócios da empresa autuada.” (...) Relativamente à solidariedade e responsabilidade de terceiros e pessoal dos praticantes de atos ilícitos, os arts. 124, I, 134, III, 135 e 137, I, da Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário Nacional) dispõem, in verbis: Art.124 São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; Art. 134. Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis: III – os administradores de bens de terceiros, pelos tributos devidos por estes; Art.135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Art. 137. A responsabilidade é pessoal ao agente: I – quanto às infrações conceituadas por lei como crimes ou contravenções, salvo quando praticadas no exercício regular de administração, mandato, função, cargo ou emprego, ou no cumprimento de ordem expressa emitida por quem de direito. Os defendentes João Batista Gardingo, Antônio Fábio Gardingo, Sebastião Gardingo e Carlos Henrique Gardingo, arrolados como pessoalmente responsáveis pelo crédito tributário constituído de ofício, nos termos dos artigos 135, III, 124, I e 137, I, do CTN, alegam, nas respectivas defesas apresentadas, que “pela simples leitura destes artigos e do Relatório Fiscal do qual resultou o Auto de Infração ora impugnado, verificase que não se pode falar em responsabilidade dos ora Impugnantes pelo crédito tributário exigido”. É certo que não se pode presumir o dolo daqueles elencados no art. 135 do Código Tributário Nacional. Nesse contexto, destacase que há no processo elementos probantes da responsabilidade dos impugnantes. Tanto que a fiscalização entendeu que as condutas do responsável caracterizam, em tese, crime contra a ordem tributária, nos termos dos artigos 1º e 2º da Lei 8.137/1990. Em diversos itens do Relatório de Auditoria Fiscal é comprovada a participação dos defendentes (sócios das empresas: Armazéns Gerais São João, Fl. 1782DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 11 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por MARIO SERGIO FE RNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10630.720364/200811 Acórdão n.º 1103000.449 S1C1T3 Fl. 1.782 20 Gardingo Trade Importação e Exportação Ltda. e Cafeeira São João Ltda.) nos negócios desenvolvidos pela Comercial Agrícola Carvalho, como reais donos dos recursos financeiros transitados na conta da fiscalizada perante as instituições bancárias (Bradesco/Agência Realeza e Banco do Brasil), durante o período fiscalizado. O procurador da autuada, detentor de plenos poderes de administração, era pessoa de confiança do Grupo Gardingo, realizando serviços bancários para a empresa Armazéns Gerais São João, e seus donos. Além disso, os responsabilizados, João Batista Gardingo, Antônio Fábio Gardingo, Sebastião Gardingo e Carlos Henrique Gardingo foram beneficiários de várias transferências bancárias feitas pela fiscalizada, para suas contas pessoais. Destacamse, abaixo, os itens daquele Relatório: 43. O Sr. JOÃO BATISTA GARDINGO endossou um cheque da COMERCIAL AGRÍCOLA CARVALHO mesmo sem ter procuração, pois, conforme esclarecimentos do funcionário do Bradesco era do conhecimento da agencia bancária que ele era um dos reais donos dos recursos transitados na conta da fiscalizada, juntamente com os Srs. ANTONIO FABIO e SEBASTIAO. Os esclarecimentos do primeiro suposto sócio gerente da COMERCIAL AGRICOLA CARVALHO apontam o Sr. JOÃO BATISTA GARDINGO como o responsável por negociar com os produtores rurais a compra de café. Os esclarecimentos do atual suposto sóciogerente da fiscalizada indicam que o Sr. JOAO GARDINGO tinha um forte relacionamento com o Sr. HERACLITO PACHECO, que foi a pessoa que o convidou para ser sócio da empresa. O procurador da fiscalizada informou que o Sr. JOAO GARDINGO é a pessoa que lhe empregou nas empresas do GRUPO GARDINGO. 44. Além de todos os documentos, esclarecimentos e evidências, merece destaque o fato da COMERCIAL AGRÍCOLA CARVALHO ter transferido R$ 150.587,00 para a conta pessoal do Sr. JOAO BATISTA GARDINGO entre 2002 e 2004. Estas transferências que se encontram descritas no quadro abaixo, geralmente eram feitas nos mesmos dias em que eram transferidos valores para as contas pessoais dos Srs. ANTONIO FABIO GARDINGO, SEBASTIAO GARDINGO e CARLOS HENRIQUE GARDINGO Acerca da participação dos responsabilizados ANTÔNIO FÁBIO GARDINGO e SEBASTIÃO GARDINGO, consta do Relatório Fiscal: 52. Eles foram apontados como os reais donos dos recursos transitados na conta da COMERCIAL AGRICOLA CARVALHO pelo Sr. RICARDO FERNANDES HOTT. Eles também são sócios das empresas ARMAZÉNS GERAIS SÃO JOÃO e CAFEEIRA SÃO JOÃO que têm relação estreita e se beneficiaram do funcionamento da COMERCIAL AGRICOLA CARVALHO. Eles também são sócios dos SUPERMERCADOS SAO JOAO que tem participação ativa na manutenção de interpostas pessoas no quadro societário da COMERCIAL AGRICOLA CARVALHO. 53. Além de todos os documentos, esclarecimentos e evidências, merece destaque o fato da COMERCIAL AGRICOLA Fl. 1783DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 11 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por MARIO SERGIO FE RNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10630.720364/200811 Acórdão n.º 1103000.449 S1C1T3 Fl. 1.783 21 CARVALHO ter transferido R$ 130.550,00 e R$ 804.765,14 para as contas pessoais dos Srs. ANTONIO FABIO e SEBASTIAO GARDINGO respectivamente entre 2002 e 2004 (...) Quanto ao Carlos Henrique Gardingo, ficou consignado o seguinte: 54. Embora não tenha sido apontado como um dos reais donos dos recursos transitados na conta da COMERCIAL AGRICOLA CARVALHO, ficou evidenciada no curso deste procedimento o beneficio do Sr. CARLOS HENRIQUE GARDINGO. Ele se beneficiou através dos ganhos da GARDINGO TRADE, empresa da qual ele é sócio (no ano de 2003 ele declarou ter recebido R$ 174.000,00 desta empresa através do aumento de capital). O Sr. CARLOS HENRIQUE GARDINGO também foi beneficiário de R$ 170.955,61 em transferências da COMERCIAL AGRICOLA CARVALHO para a sua conta pessoal entre 2002 e 2004,(...) As robustas provas dos autos comprovam que os impugnantes valeramse de um expediente conhecido na linguagem coloquial como “utilização de laranjas” ou interposição de pessoas. Nas folhas 48/69 consta o relato da fiscalização, bem como a indicação das provas coletadas pela fiscalização. O objetivo deste tipo de expediente é sempre o de excluir a figura do responsável no caso de sistemática sonegação fiscal. O expediente de sonegação fiscal está comprovado por se tratarem de ocultação de receita recebida, combinada com a falta de recolhimento dos tributos devidos, no que não se admite a forma culposa, mas, sim, a presença do dolo. Ressaltese que não é verdadeira a afirmação dos impugnantes de que “a responsabilização dos ora impugnantes foi feita com base somente em alegações e depoimentos pessoais dos sócios da empresa autuada, sendo que em momento algum foram intimados a prestar informações”, haja vista que o próprio funcionário do BRADESCO, agência Realeza/MG, onde a empresa autuada tinha movimentação financeira, Sr. Ricardo Fernandes Hott, através do Termo de Esclarecimento Fiscal de fls. 56/59, afirma que: “(...) QUE é funcionário do Bradesco, agência Realeza/MG, estando afastado atualmente por motivo de saúde; (...) QUE exerceu naquela agencia bancária as funções de escriturário, caixa e atualmente chefe de expediente; QUE nessas funções conhece perfeitamente sobre a abertura e movimentação financeira na conta bancária número 11.182, pois era caixa naquela época – 2002 a 2004, e esteve sempre em contato como os responsáveis pela movimentação financeira naquela conta. (...) QUE sabe que a conta foi aberta pelo gerente à época, SR. MANUEL ANTONIO ANDRADE, através do procurador da COMERCIAL AGRÍCOLA CARVALHO LTDA, Sr. ADEMILTON MEDEIROS DE OLIVEIRA; QUE o referido procurador era uma espécie de contínuo, que fazia os serviços bancários para o ARMAZÉNS GERAIS SÃO JOÃO LTDA; QUE o procurador Fl. 1784DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 11 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por MARIO SERGIO FE RNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10630.720364/200811 Acórdão n.º 1103000.449 S1C1T3 Fl. 1.784 22 assinava os cheques e ia à sua agencia bancaria, mas notadamente não era o real detentor dos recursos transitados pela conta bancária; QUE os reais detentores de tais recursos eram os donos dos ARMAZÉNS GERAIS SÃO JOÃO, Srs. JOÃO GARDINGO, ANTONIO GARDINGO E SEBASTIÃO GARDINGO; QUE, na qualidade de caixa, confirmou por telefone – número 3873454, do próprio ARMAZÉNS GERAIS SÃO JOÃO – a emissão e o pagamento de inúmeros cheques emitidos pelo SR. ADEMILTON da conta citada, de titularidade da COMERCIAL AGRÍCOLA CARVALHO; que confirmava os cheques com KÁTIA MARIA GARDINGO, filha do Sr. SEBASTIÃO GARDINGO (atual Prefeito de Matipó) e sobrinha do Sr. JOÃO GARDINGO; (...) QUE era do conhecimento da agência bancária e de seus gerentes que os recursos transitados pela conta bancária pertenciam aos GARDINGO; QUE conhece a assinatura do verso do cheque 4737, que lhe foi apresentada neste ato, como sendo do Sr. JOÃO GARDINGO; QUE o Sr. JOÃO GARDINGO endossou o cheque mesmo sem ter procuração da COMERCIAL AGRÍCOLA CARVALHO porque era do conhecimento da agência bancária que ele era quem detinha os recursos transitados pela conta. (....) QUE era do conhecimento dos servidores e gerentes da agência bancária que as pessoas que constam como sócios da COMERCIAL AGRÍCOLA CARVALHO na verdade não tinham nenhum poder de mando na empresa; QUE nunca contatou nenhum deles para nenhum assunto relacionado à movimentação financeira da empresa; QUE as únicas pessoas contatadas era o pessoal da GARDINGO, no telefone deles; QUE não conhece o sócio da COMERCIAL AGRÍCOLA CARVALHO, Sr. Sebastião Fernandes Barbosa; QUE desconfia que o Sr. JOSÉ ALVES seja um senhor moreno e calvo que trabalha no churrasquinho a uns 20 metros do Posto Itaúna, mas não teve nenhum contato com ele;” Devese lembrar que a prova testemunhal é legítima e pode ser considerada no processo, desde que seja dado ao acusado o direito de contrapor. Esse direito foi dado aos impugnantes, mas nada foi apresentado em suas defesas para afastar a legitimidade das referidas provas. Para elucidar a questão é oportuno transcrever texto da lavra de Antônio da Silva Cabral, em Processo Administrativo Fiscal, Ed. Saraiva, 1993, pág. 305: '2. As provas admissíveis. Vale para o processo fiscal a mesma regra do art. 332 do CPC: "Todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos, em que se funde a ação ou a defesa". Se os fatos são múltiplos e se a própria lei não consegue abranger a multiplicidade das hipóteses fáticas, a prova destes também há de ser feita por qualquer meio, desde que não ofenda a lei ou a moral.' Mais à frente continuou o ilustre autor (pág. 311): Fl. 1785DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 11 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por MARIO SERGIO FE RNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10630.720364/200811 Acórdão n.º 1103000.449 S1C1T3 Fl. 1.785 23 '2. As provas admissíveis. Vale para o processo fiscal a mesma regra do art. 332 do CPC: "Todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos, em que se funde a ação ou a defesa". Se os fatos são múltiplos e se a própria lei não consegue abranger a multiplicidade das hipóteses fáticas, a prova destes também há de ser feita por qualquer meio, desde que não ofenda a lei ou a moral.' Mais à frente continuou o ilustre autor (pág. 311): '8. Valor da prova indireta. Em direito fiscal conta muito a chamada prova indireta. Conforme consta do Ac. CSRF / 010.004, de 26101979,"A prova indireta é feita a partir de indícios que se transformam em presunções. Constitui o resultado de um processo lógico, em cuja base está um fato conhecido (indício), prova que provoca atividade mental, em persecução do fato conhecido, o qual será causa ou efeito daquele. O resultado desse raciocínio, quando positivo, constitui a presunção". O fisco se utiliza da prova indireta, mediante indícios e presunções, sobretudo para descobrir omissões de rendimentos ou de receitas.' Assim, não há limitações referentes às provas que podem ser produzidas no processo administrativo, devendo admitirse, em princípio, qualquer classe de prova das que se aceitam na legislação processual vigente em matéria civil e do trabalho. Por fim, ressaltase que, no caso, além de estar configurada a dissolução irregular da empresa no sentido “latu sensu”, em razão da utilização de pessoas interpostas (“sócioslaranja”), está também caracterizada a dissolução irregular no sentido estrito, pois a COMERCIAL AGRÍCOLA CARVALHO LTDA não teve movimentação financeira e nem registro de funcionamento a partir de 2006 e que funcionou, sem nenhum funcionário registrado, em uma pequena sala de um imóvel em Matipó/MG (fls. 49). Somente como solidariamente obrigados pelo crédito tributário, nos termos dos arts. 124, I e 134, III, do CTN, foram arroladas as defendentes Gardingo Trade Importação e Exportação Ltda., Armazéns Gerais São João Ltda. e Cafeeira São João Ltda. Todas as defesas refutam a responsabilidade solidária apontada nos autos, nos mesmos termos dos responsabilizados acima. Transcrevese, inicialmente, relativamente à solidariedade, trecho de comentário constante também do livro “Direito Tributário”, do Juiz Federal Leandro Paulsen, 2ª edição, pág. 124, in verbis: Presunção de solidariedade. "No direito tributário toda divida será solidária, desde que alcance duas ou mais pessoas, como conseqüência do pressuposto de fato que dá origem à respectiva obrigação. Isto resulta da própria natureza ex lege da obrigação tributária. Esta solidariedade se estabelece sem necessidade de que a lei o diga expressamente. (...) Assim, no direito tributário Fl. 1786DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 11 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por MARIO SERGIO FE RNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10630.720364/200811 Acórdão n.º 1103000.449 S1C1T3 Fl. 1.786 24 não vige a regra de que a solidariedade não se presume. No direito tributário toda dívida que alcança duas ou mais pessoas é solidária, salvo disposição de lei em contrário. A regra que predomina na obrigação tributária, em relação à solidariedade, é inversa: presumese a solidariedade, caso a lei silencie." (Bernardo Ribeiro de Moraes, Compêndio de Direito Tributário, segundo volume, 3a edição, 1995, pp. 303/304). (grifos acrescidos). A documentação juntada aos autos evidencia que a situação que constituiu o fato gerador dos tributos lançados consubstanciouse nos negócios realizados pela Comercial Agricola Carvalho Ltda., com a participação direta ou indireta dos defendentes arrolados como contribuintes solidários. Conforme bem observado pelos fiscais autuantes: "sem a participação do GRUPO GARDINGO, a fiscalizada e seus suposto sócios não teriam condições de garantir o pagamento aos produtores de café e nem de realizar a grande quantidade operações de compra e venda de café. Os supostos sócios não tinham o mínimo conhecimento das operações da empresa, mas mesmo assim a empresa em seu nome faturou mais de R$ 200.000.000,00 (duzentos milhões de reais) em 2003 e 2004." A constituição e o uso da COMERCIAL AGRÍCOLA CARVALHO LTDA, com a utilização de pessoas interpostas, como empresa para ocultar valores tributáveis do Fisco, denota a inequivoca participação dos impugnantes nesse ilicito, para auferir beneficios. Essas pessoas utilizaramse de uma situação aparentemente regular empresa regularmente constituida , porém em nome de terceiros, para a realização de operações mercantis, com a finalidade de lucro, sem o recolhimento dos tributos devidos. Corrobora esse entendimento a lição de Hugo de Brito Machado, em Curso de Direito Tributário, Editora Malheiros, 12a edição, 1997, pág. 101: "As pessoas com interesse comum na situação que constitui fato gerador da obrigação de pagar um tributo são solidariamente obrigadas a esse pagamento, mesmo que lei especifica do tributo em questão não o diga. É uma norma geral, aplicável a todos os tributos." Ademilton Medeiros de Oliveira, arrolado na condição de pessoalmente responsável pelos créditos tributários, nos termos dos artigos 135, III, 124, I , refuta a responsabilização sob argumento de que é mero prestador de serviços da fiscalizada. Na condição de pessoa de confiança do Grupo Gardingo, como afirma o próprio Ademilton Medeiros de Oliveira, ele trabalha para o Grupo Gardingo desde 1999 fls. 55). Recebeu procuração, cópia às fls. 380 e 380v, de Sebastião Fernandes Barbosa para administrar e representar a fiscalizada, realizando a movimentação financeira e todos os atos de gestão. Para assinar como procurador da autuada recebia um salário mínimo de Heráclito Pacheco, que conforme consta dos autos era mediador entre os sócios da COMERCIAL AGRÍCOLA CARVALHO e o GRUPO GARDINGO (fls. 49/52). Conforme seu depoimento de fls. 55, Ademilton representava a empresa perante bancos assinando em seu nome os cheques trazidos pelo Heráclito Pacheco. Por fim, era de seu conhecimento que os sócios da fiscalizada não eram os donos de fato da empresa, restando configurada a condição de pessoalmente responsável pelos créditos ora exigidos. Fl. 1787DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 11 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por MARIO SERGIO FE RNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10630.720364/200811 Acórdão n.º 1103000.449 S1C1T3 Fl. 1.787 25 Ao ensejo, citamse manifestações da jurisprudência administrativa que se amoldam ao presente caso: "RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. LARANJAS, TESTAS DEFERRO OU INTERPOSTAS PESSOAS. SOCIEDADE DE FATO. SOLIDARIEDADE. CTN, ART. 124, I. Comprovada autilização de pessoa jurídica de modo fraudulento, por pessoas físicas e outra pessoa jurídica que dela se utilizaram como meio de fugirem da tributação, cabe responsabilizar, de modo solidário e sem benefício de ordem, todos os proprietários de fato, nos termos do art. 124, I, do CTN." (Acórdãos do 2° Conselho de Contribuintes: 20311329 e 20311.330, sessão de 20/09/2006, relator: conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis). "RESPONSABILIDADE PESSOAL São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. A dissolução irregular da empresa acarreta a responsabilidade pessoal de que trata o art. 135 do CTN. Respondem pelo crédito tributário os verdadeiros sócios da pessoa jurídica, pessoas físicas, acobertados por terceiras pessoas ("laranjas") que apenas emprestavam o nome para que eles realizassem operações em nome da pessoa jurídica, da qual tinham ampla procuração para gerir seus negócios e suas contas correntes bancárias." (Acórdão do 1° Conselho de Contribuintes: 10196.145, sessão de 23/05/2007, relator: conselheira Sandra Maria Faroni). RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA ATOS PRATICADOS COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI De acordo com o contido no artigo 135 do Código Tributário Nacional, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos Tributários resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de física do sócio ou diretor da beneficiada. (Acórdão do 1° Conselho de Contribuintes 10807601, sessão de 05/11/2003, Relator: Nelson Lósso Filho) RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA A regra geral da sujeição passiva é do contribuinte, aquele que tem relação direta com a situação que constitui o fato imponível da obrigação Tributária. A utilização de interpostas pessoas não exime o autor da responsabilidade Tributária e penal, mormente quando tal fato é silenciado nas razões oferecidas. (Acórdão do 1° Conselho de Contribuintes 10808490, sessão de 13/09/2005, Relator: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro)." Assim, não resta dúvida que a responsabilidade pelo total dos créditos tributários é devida pelos responsáveis apontados, haja vista, que a empresa em questão era constituída por "laranjas" e os verdadeiros donos eram as pessoas (físicas e jurídicas) apontadas pela fiscalização. Fl. 1788DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 11 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por MARIO SERGIO FE RNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10630.720364/200811 Acórdão n.º 1103000.449 S1C1T3 Fl. 1.788 26 Em face do exposto, VOTO por negar provimento ao recurso, e por RATIFICAR as responsabilidades de todos os arrolados pelos créditos tributários apurados. Sala das Sessões, em 24 de maio de 2011 Mário Sérgio Fernandes Barroso Relator Fl. 1789DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 11 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por MARIO SERGIO FE RNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10630.720364/200811 Acórdão n.º 1103000.449 S1C1T3 Fl. 1.789 27 Voto Vencedor Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Redator ad hoc, designado para formalizar o Acórdão Formalizo este voto vencedor por designação do presidente da 1ª Seção de Julgamento, tendo em vista que o redator designado, Conselheiro Hugo Correia Sotero, não formalizou o voto vencedor e não pertence mais aos colegiados do CARF. Assim, até esta data não havia sido concluída a formalização da decisão proferida em 24/05/2011, pela 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF. Ressalto, por oportuno, que não integrava o colegiado que proferiu o acórdão e, portanto, não participei do julgamento. Assim, o entendimento consubstanciado neste voto vencedor, que se restringe à exclusão da responsabilidade tributária do recorrente Sr. Ademilton Medeiros de Oliveira, tem por base os elementos constantes da ata da Sessão de Julgamento, realizada pela 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF, em 24/05/2011, à partir das quatorze horas e trinta minutos, e não exprime qualquer juízo de valor deste redator. Em que pese o bem elaborado e fundamentado voto do ilustre Relator, durante as discussões ocorridas por ocasião do julgamento do presente litígio surgiu divergência que levou a conclusão diversa com relação à responsabilidade tributária imputada, em caráter pessoal ao recorrente Sr. Ademilton Medeiros de Oliveira. Desta feita, entendeu o colegiado que não restou configurada a responsabilidade tributária do referido recorrente. Pelo exposto, a decisão do colegiado foi no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo Sr. Ademilton Medeiros de Oliveira, para excluílo do pólo passivo da obrigação constituída mediante o lançamento formalizado no presente processo. Acórdão formalizado em, 14 de Agosto de 2015. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Redator ad hoc, designado para formalização do Acórdão Fl. 1790DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 11 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por MARIO SERGIO FE RNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 01/09/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Numero do processo: 10183.003238/2004-81
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2000, 2001
RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL EM FACE DE ACÓRDÃO QUE NEGA SEGUIMENTO A RECURSO DE OFÍCIO. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO REGIMENTAL ANTES DA EDIÇÃO DA PORTARIA MF. Nº 147/2007.
O recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional em face de acórdão, não unânime, que nega provimento a Recurso de Oficio, somente passou a ser admitido a partir da vigência do art. 7º, § 4º Portaria MF n° 147, de 25/06/2007. Mantém-se a decisão que não conheceu do recurso especial interposto com base nas normas regimentais anteriores.
Numero da decisão: 9900-000.927
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso extraordinário, vencidos os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Rafael Vidal de Araújo, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Joel Miyasaki, Rodrigo da Costa Possas, Julio Cesar Alves Ramos e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: Adriana Gomes Rêgo - Redatora ad hoc
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2000, 2001 RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL EM FACE DE ACÓRDÃO QUE NEGA SEGUIMENTO A RECURSO DE OFÍCIO. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO REGIMENTAL ANTES DA EDIÇÃO DA PORTARIA MF. Nº 147/2007. O recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional em face de acórdão, não unânime, que nega provimento a Recurso de Oficio, somente passou a ser admitido a partir da vigência do art. 7º, § 4º Portaria MF n° 147, de 25/06/2007. Mantém-se a decisão que não conheceu do recurso especial interposto com base nas normas regimentais anteriores. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso extraordinário, vencidos os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Rafael Vidal de Araújo, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Joel Miyasaki, Rodrigo da Costa Possas, Julio Cesar Alves Ramos e Otacílio Dantas Cartaxo. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Redatora ad hoc, designada para formalizar o acórdão. Fl. 1454DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 18/11/2015 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 18/11/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 18/11/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10183.003238/2004-81 Acórdão n.º 9900-000.927 CSRF-PL Fl. 1.455 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Joel Miyazaki, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Karem Jureidini Dias, Gustavo Lian Haddad, Alexandre Naoki Nishioka, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Antonio Carlos Guidoni Filho, Julio César Alves Ramos, João Carlos Lima Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Elias Sampaio Freire (Relator), Valmir Sandri, Maria Helena Cotta Cardozo, Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Cardozo, Miranda, Antonio Lisboa Cardoso, Rafael Vidal de Araújo, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rodrigo da Costa Possas e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Considerando que o Presidente à época do Julgamento não mais compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, a presente decisão é assinada pelo Presidente do CARF nesta data, Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, que o faz meramente para a formalização do Acórdão. Da mesma maneira, tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator Conselheiro Elias Sampaio Freire não integra o quadro de Conselheiros do CARF, a Conselheira Adriana Gomes Rêgo foi designada ad hoc como a responsável pela formalização do presente Acórdão, o que se deu na data de 06/10/2015. Fl. 1455DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 18/11/2015 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 18/11/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 18/11/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10183.003238/2004-81 Acórdão n.º 9900-000.927 CSRF-PL Fl. 1.456 3 Relatório A FAZENDA NACIONAL recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Extraordinário (e-fls. 1366/1382), interposto em 14 de setembro de 2009, contra Acórdão nº 9101-00.013, de 09 de março de 2009 (e-fls. 1348/1362), proferido pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF que, por maioria de votos, não conheceu do recurso especial da Fazenda Nacional, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL EM FACE DE ACÓRDÃO QUE NEGOU SEGUIMENTO A RECURSO DE OFICIO - ADMISSIBILIDADE - A decisão de primeira instância favorável ao sujeito passivo, acima do limite de alçada, constitui o primeiro momento de um ato complexo, cujo aperfeiçoamento requer manifestação do Conselho de Contribuintes quando aprecia recurso de oficio. A decisão de primeira instância que exonera crédito tributário abaixo do limite de alçada é definitiva, enquanto a decisão em valor acima do limite deve ser confirmada pelo Conselho de Contribuintes para se tomar definitiva (art. 42 do Decreto n° 70.235/72). Recurso Especial interposto pela Procuradoria é impróprio para desafiar acórdão não unânime proferido em remessa ex offi cio. Apenas é admitido Recurso Especial em face de acórdão que nega provimento a Recurso de Oficio a partir da vigência da Portaria MF n° 147, de 25/06/2007. O recurso foi interposto com fundamento no art. 9º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007, alegando que o acórdão recorrido diverge da jurisprudência da Terceira Turma da CSRF, ao deixar de conhecer do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, em face de acórdão de recurso voluntário proferido, que havia negado provimento a recurso de ofício, sob o fundamento de que inexistia previsão regimental para sua admissibilidade antes da vigência do regimento interno da CSRF aprovado pela Portaria MF nº 147 de 25/06/2007. Em síntese, a Fazenda Nacional sustenta que: a) a Primeira Turma julgou, equivocadamente, que o acórdão que nega provimento ao recurso de ofício seria decisão de primeira instância e, portanto, inimpugnável por recurso à CSRF; b) o julgamento de recurso de ofício se assemelha ao "reexame necessário previsto no art. 475 do CPC; c) que o reexame necessário compõe-se de atos de autoridades distintas; d) que mesmo que a decisão possua a natureza de "ato complexo", conforme definido no acórdão recorrido, tal qualidade não afasta, mas sim pressupõe a necessidade do proferimento de decisões diversas, por autoridades diferentes que, juntas, emitirão juízo acerca de determinada matéria; Fl. 1456DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 18/11/2015 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 18/11/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 18/11/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10183.003238/2004-81 Acórdão n.º 9900-000.927 CSRF-PL Fl. 1.457 4 e) que no ato complexo não há uma absorção de um ato administrativo ou judicial por outro; ambos remanescem autônomos, pois é necessária tal junção para que a vontade da administração seja manifestada; f) que o STJ confirmou o entendimento de que o ato complexo significa reunião de atos autônomos de várias autoridades, de modo que, nestas hipótese, todas elas devem ser classificadas como autoridades coatoras, para fins de impetração de mandado de segurança; g) que a Primeira Turma da CSRF reconheceu que o ato complexo é resultante de atos de autoridades distintas, porém concluiu que, no reexame necessário, o julgado da instância superior seria apenas uma confirmação da sentença, de forma que a decisão final permaneceria sendo de primeira instância, apenas integrada ou confirmada pelo acórdão; h) que tal conclusão é equivocada e incompatível com as premissas conhecidas acerca da questão, pois tratando-se de ato complexo, a decisão final decorre da reunião de duas sentenças, de primeira e de segunda instâncias; i) que no âmbito judicial a decisão em reexame necessário é considerada como decisão de segunda instância, tanto que autoriza a interposição de recurso especial perante o STJ; j) que a Primeira Turma da CSRF julgou, equivocadamente, que o Decreto nº 70.235/72 garantiria o duplo grau de jurisdição apenas aos particulares e não à Fazenda Nacional; k) que não pode haver dúvida de que o interesse da Fazenda Nacional em recorrer de qualquer decisão proferida pelos conselhos de contribuintes existirá sempre que for desfavorável aos seus interesses, que não são elididos pelo fato de os julgadores de primeira instância estarem circunstancialmente vinculados a entendimentos da Receita Federal ou pela possibilidade de edição de ato interpretativo; l) que o Decreto nº 70.235/72 prevê que cabe recurso voluntário à CSRF de decisão que der provimento ao recurso de ofício, não havendo razão para que, na hipótese inversa, a Fazenda não possa recorrer à CSRF; m) que não há prejuízo ao duplo grau de jurisdição a que tem direito o contribuinte, pois em todas as hipóteses, seja como recorrente ou recorrido, este sempre poderá suas razões à CSRF; n) que a decisão recorrida, ao limitar a possibilidade de recurso da Fazenda Nacional, é prejudicial ao processo administrativo de discussão do crédito tributário, pois impede que esta recorra de possíveis equívocos nas decisões de primeira e segunda instâncias; o) que é correta a interpretação de que o legislador disse menos do que deveria e estender à Fazenda Nacional o recurso garantido ao contribuinte; e p) que o atual Regimento Interno da CSRF veio sanar esta antiga omissão ao prever expressamente em seu artigo 7º a possibilidade de recurso especial de decisão que negar provimento ao recurso de ofício. Fl. 1457DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 18/11/2015 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 18/11/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 18/11/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10183.003238/2004-81 Acórdão n.º 9900-000.927 CSRF-PL Fl. 1.458 5 Ao final do recurso, pleiteia a reforma do acórdão recorrido com a consequente devolução à Primeira Turma da CSRF para que analise o mérito do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. A recorrente indicou como paradigma da divergência alegada, o Acórdão CSRF/03-04.252, de 21/02/2005, de cuja ementa se extrai, verbis: RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL — CABIMENTO EM FACE DE DECISÃO DE CÂMARA DE CONSELHOS DE CONTRIBUINTES QUE NEGA PROVIMENTO A RECURSO DE OFÍCIO - A Procuradoria da Fazenda Nacional somente é parte no processo administrativo tributário da União quando o mesmo tramitar nos Conselhos de Contribuinte. A Fazenda Nacional tem interesse em interpor recurso de qualquer decisão de Câmara de. Conselhos de Contribuinte que lhe seja desfavoravel. Não há na lei processual administrativa (Decreto n° 70.235/72) nem nos regimentos internos dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais qualquer dispositivo que vede a interposição de recurso especial em face de decisão de Câmara de Conselhos de Contribuintes que negue provimento a recurso de oficio. Ao contrário, os referidos atos legal e administrativo autorizam o processamento do recurso em tela. O recurso foi admitido por meio do Despacho nº 9100-00.569, de 14/01/2011, fls. 1432/1433. Devidamente intimado (e-fls. 1447) da admissibilidade do recurso extraordinário e do seu teor, o interessado não apresentou contrarrazões, conforme despacho de encaminhamento da unidade de origem (e-fls. 1448). É o relatório. Fl. 1458DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 18/11/2015 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 18/11/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 18/11/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10183.003238/2004-81 Acórdão n.º 9900-000.927 CSRF-PL Fl. 1.459 6 Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo - Redatora ad hoc, para fins de formalização do Acórdão. Formalizo este acórdão por designação do presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais efetuada por meio do despacho de e-folha 1.453, tendo em vista que o relator, Conselheiro Elias Sampaio Freire, não formalizou a decisão, proferida em 08/12/2014, pelo Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF e não pertence mais aos colegiados do CARF. Ressalto, por oportuno, que não integrava o colegiado que proferiu o acórdão e, portanto, não participei do julgamento. Assim, o entendimento consubstanciado neste voto tem por base os elementos do processo e os dados constantes da ata da Sessão de Julgamento, realizada pelo Pleno da CSRF, a partir das dezesseis horas do dia 08 de dezembro de 2014 e não exprime qualquer juízo de valor por parte desta redatora ad hoc sobre as matérias decididas. O recurso foi apresentado tempestivamente e preencheu os requisitos para a sua admissibilidade, haja vista que a recorrente se desincumbiu comprovar a dissidência jurisprudencial entre as turmas da CSRF. Com efeito, enquanto o acórdão recorrido trouxe o entendimento de que a possibilidade da Fazenda Nacional interpor recurso especial em face de recurso voluntário que nega provimento a recurso de ofício, somente passou a ser admitida a partir da vigência da Portaria MF nº 147/2007 e, em consequência, não conheceu do recurso especial, o acórdão paradigma acolheu o entendimento de que não há na lei processual administrativa ou nos regimentos internos dos Conselhos de Contribuintes qualquer dispositivo que vede a interposição de recurso especial em face de decisão de Câmara de Conselho de Contribuintes que negue provimento ao recurso de ofício e, por sua vez, conheceu do recurso especial. Os demais pressupostos de admissibilidade previstos nos artigos 9º e 43 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, o qual é aplicado por força do artigo 4º do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, também foram atendidos, razão pela qual conheceu-se do recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional. No mérito, a controvérsia cinge-se à possibilidade da Fazenda Nacional apresentar recurso especial em face de decisão de câmara de Conselho de Contribuintes que nega provimento ao recurso de ofício. A decisão recorrida entendeu que tal possibilidade não existia antes da introdução do dispositivo no regimento interno da CSRF, por meio da Portaria MF. nº 147/2007, de sorte que, os recursos interpostos antes de sua vigência não poderiam ser conhecidos. Fl. 1459DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 18/11/2015 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 18/11/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 18/11/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10183.003238/2004-81 Acórdão n.º 9900-000.927 CSRF-PL Fl. 1.460 7 A maioria do colegiado acolheu a tese trazida no acórdão recorrido, verbis: O entendimento [...] é no sentido de que a sistemática prevista pelo Decreto- lei 70.235/72 e pelo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, até a edição da Portaria MF n° 147, de 25/06/2007, é que a decisão de primeira instância é definitiva quando contrária a Fazenda Nacional, sendo certo que quando o lançamento é considerado improcedente pela 1ª Instância de julgamento, há remessa de oficio ao Conselho de Contribuintes para que a decisão do Conselho se tome definitiva, visando, assim, dar maior segurança ao sistema, quando o valor exonerado ultrapassar um limite de alçada estabelecido em lei. Conclui-se, assim, que o direito ao duplo grau de jurisdição é apenas concedido ao contribuinte, não havendo direito da Fazenda de recorrer de decisão de primeira instância, servindo o recurso de oficio, como dito, tão somente para dar definitividade à decisão de primeira instância. Tanto é assim, que quando é dado provimento ao recurso de oficio, é dado ao contribuinte o direito de interpor recurso voluntário, de modo a exigir uma decisão de segunda instância acerca do tema. No caso concreto, o recurso especial da Fazenda Nacional foi interposto com base no art. 32 do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF. nº 55, de 16/03/1998, antes, portanto, da introdução no regimento interno da CSRF, aprovado |pela Portaria MF. nº 147/2007, de dispositivo específico prevendo a interposição deste recurso pela Fazenda Nacional contra decisão que nega seguimento a recurso de ofício, verbis: Art. 7º Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra: I - decisão não-unânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova; e II - decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. § 1º No caso do inciso I, o recurso é privativo do Procurador da Fazenda Nacional; no caso do inciso II, sua interposição é facultada também ao sujeito passivo. § 2º Para efeito da aplicação do inciso II, entende-se como outra Câmara as que integram a atual estrutura dos Conselhos de Contribuintes ou as que vierem a integrá-la. § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das Câmaras que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes ou da Câmara Superior de Recursos Fiscais, ou que na apreciação de matéria preliminar decida pela anulação da decisão de primeira instância. § 4º É cabível a interposição de recurso especial contra decisão que negar provimento a recurso de ofício. (grifei) § 5º O recurso especial interposto pelo sujeito passivo somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação das peças processuais. Fl. 1460DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 18/11/2015 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 18/11/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 18/11/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 10183.003238/2004-81 Acórdão n.º 9900-000.927 CSRF-PL Fl. 1.461 8 Assim, entendeu-se correta a decisão recorrida que não conheceu do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional antes da vigência do regimento interno da CSRF aprovado pela Portaria MF. nº 147/2007. Pelo exposto, o colegiado negou provimento ao recurso extraordinário da Fazenda Nacional. Acórdão formalizado em 18/11/2015. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Redatora ad hoc, designada para formalizar o Acórdão. Fl. 1461DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 18/11/2015 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 18/11/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 18/11/2015 por ADRIANA GOMES REGO
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Numero do processo: 16682.901580/2013-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
IRRF. JSCP.
O imposto retido na fonte sobre JSCP será considerado ou antecipação do devido na declaração de rendimentos, facultado a sua dedução para compor o saldo negativo, ou poderá ainda ser compensado com o retido por ocasião do pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas.
Numero da decisão: 1402-002.085
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito ao crédito complementar no montante de R$ 19.257.478,08; homologando-se as compensações pleiteadas até esse limite.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES e DEMETRIUS NICHELE MACEI.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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JSCP. O imposto retido na fonte sobre JSCP será considerado ou antecipação do devido na declaração de rendimentos, facultado a sua dedução para compor o saldo negativo, ou poderá ainda ser compensado com o retido por ocasião do pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito ao crédito complementar no montante de R$ 19.257.478,08; homologandose as compensações pleiteadas até esse limite. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES e DEMETRIUS NICHELE MACEI. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 15 80 /2 01 3- 95 Fl. 295DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16682.901580/201395 Acórdão n.º 1402002.085 S1C4T2 Fl. 296 2 Relatório BNDES PARTICIPACOES S/A BNDESPAR recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 2ª Turma da DRJ São Paulo 01/SP, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Em 31/08/2009 (fl.92), a interessada transmitiu DCOMP, objetivando o aproveitamento de SALDO NEGATIVO de IRPJ, relativo ao anocalendário de 2008, com vistas à quitação de débitos diversos. Em 19/01/2009, a DEMAC/RJO exarou DESPACHO DECISÓRIO (fl. 92), HOMOLOGANDO EM PARTE as compensações em DCOMP no valor de R$ 109.212.080,43 de um total de R$ 134.194.461,29 informado em DIPJ. O deferimento parcial do direito creditório deuse pelos motivos a seguir expostos: · Comprovação parcial das retenções na fonte no montante de R$ 271.129.683,21 de um total informado de R$ 276.854.585,99 e glosa de estimativas compensadas com saldos negativos de exercícios anteriores no montante de R$ 19.257.478,08. A contribuinte inconformada com a decisão da DEMAC/RJO e, tendo, tomado ciência em 15/07/2013 (fl.102), recorreu a esta DRJ em 14/08/2013 (fls.03/20), alegando, o seguinte: · Caracterizase a impossibilidade de desconsideração de estimativas pagas mediante compensações pendentes de análise, na formação do saldo negativo de IRPJ; · A contribuinte terminaria pagando duas vezes o mesmo débito: (i) mediante a redução do saldo negativo e (ii) pela via da execução fiscal (cobrança do débito de estimativa objeto da compensação não homologada); · Portanto, as estimativas cujo adimplemento se deu por compensação devem ser consideradas como pagas em qualquer hipótese, visto que, caso ao final das vias administrativas não sejam homologadas, nenhum prejuízo advirá ao Fisco; · O STJ afastou a aplicação do regime de competência disposto na Instrução Normativa n° 11/96 da Receita Federal do Brasil, norma que vinha sendo utilizada pelo fisco para sustentar que as sociedades apenas poderiam usar os JCP como despesa dedutível no ano calendário em que os lucros fossem gerados; · Conforme art. 4º da IN SRF n° 41/98, mister se faz necessário que antes seja informado pela fonte pagadora de suas intenções de creditar ou pagar juros sobre o capital próprio, conforme estipulado no art. 2º Fl. 296DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16682.901580/201395 Acórdão n.º 1402002.085 S1C4T2 Fl. 297 3 da IN SRF 41/98, fato sem o qual a contribuinte não tem informação e nem fundamento para tal registro; · Logo, a receita de JSCP é contabilizada e tributada por competência, mediante a recepção do comprovante de rendimentos emitido em tempo hábil; · Pugnase pela realização de diligência as fontes pagadoras para confirmação das alegações quanto não envio em tempo hábil do comprovante de rendimentos, que ocasiona à indisponibilidade de informações para efetuar o reconhecimento do ativo; · Item 2 CNPJ: 00.000.000/0001–91; Item 10 CNPJ: 00.609.634/000146; Item 13 CNPJ: 01.371.925/000101; Item 21 CNPJ: 02. 474.103/000119; Item 31 CNPJ: 03.853.896/0001 40; Item 48 CNPJ: 13.552.070/000102; Item 50 CNPJ: 16.404.287/0001 55; Item 58 CNPJ: 29.950.060/000157; Item 72 CNPJ: 33.938.119/000169: Anexados Informe de Rendimentos referentes ao anocalendário 2007 que comprovam a retenção do Imposto de Renda glosado. Tais valores foram incluídos na composição do saldo negativo do IRPJ em 2008, devendo ser homologados a fim de não se constituírem verdadeira tributação em duplicidade ou bitributação; · Item 117 CNPJ: 76.483.817/000120: Comprova a retenção do Imposto de Renda, onde se identifica que o valor glosado é uma parcela adicional decorrente de valor pago a maior em relação a informação utilizada para provisão. A retenção adicional foi realizada e contabilizada, pela Ficha de Lançamento n°Y 0018 de 27/05/2008, na efetivação do pagamento pela fonte pagadora em 2008, visto que a deliberação dessa parcela adicional em relação ao que se havia provisionado no balanço fechado em 2007 decorre de deliberação da AGO da fonte pagadora ocorrida em 17/04/2008; · O Superior Tribunal de Justiça tem assegurado a devida proteção jurídica aos contribuintes de boafé, excluindo a multa de contribuintes que descumpriram obrigações tributárias de boafé; · Em caso de dúvida, portanto, em matéria de infrações e de penalidades, a regra é a da interpretação mais benigna, sendo evidente que a BNDESPAR agiu de boafé, devendo ser excluída a imposição de penalidades, juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo, na forma do parágrafo único do artigo 100 do CTN.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 16 53.434 (fls. 109119) de 05/12/2013, por unanimidade de votos, considerou improcedente a manifestação de inconformidade. A decisão foi assim ementada. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2008 IRRF. JSCP. O imposto retido na fonte sobre JSCP será considerado ou antecipação do devido na declaração de rendimentos, facultado a sua dedução para compor o saldo Fl. 297DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16682.901580/201395 Acórdão n.º 1402002.085 S1C4T2 Fl. 298 4 negativo, ou poderá ainda ser compensado com o retido por ocasião do pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO. Constituem crédito a compensar ou restituir os saldos negativos de IRPJ apurados em declaração de rendimentos, desde que ainda não tenham sido compensados ou restituídos. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do crédito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 12/02/2014 (termo de fl. 127) a interessada interpôs recurso voluntário em 06/03/2014 (solicitação de juntada, fl. 128; recurso voluntário, fls. 130150) onde repisa os argumentos apresentados em sua impugnação, acrescentando o seguinte. O valor de R$ 19.257.478,08, representa 77% do total de créditos não confirmados e corresponde a pagamento de estimativa de IRPJ mediante DCOMP n° 20408.56863.290808.1.3.023805 de Saldo Negativo de Período Anterior, glosado pelo preparador, vide pág. 96, devido ao suposto estágio de não homologação desse valor em outra DCOMP, examinada no processo n° 16682.901010/201214. Todavia, é incabível que neste processo se queira julgar outras DCOMPs que estão sendo discutidas em processo próprio e específico. Com efeito, o preparador não levou em conta, nas razões de decidir, a orientação da Coordenação Geral de Tributação (Cosit), externada na Solução de Consulta Interna n° 18, de 13/10/2006, que tem por objetivo uniformizar o procedimento a ser adotado pelas DRF, nos casos em que o contribuinte apresenta declaração de compensação pretendendo compensar estimativas de IRPJ e CSLL. A orientação dada deixa claro que, no ajuste anual do IRPJ, para efeitos de apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo na DIPJ, não cabe efetuar a glosa dessas estimativas, objeto de compensação não homologada. Ademais, na Manifestação de Inconformidade, seguiu anexo, vide pág. 42, o Acórdão n° 1257.826, de 17/07/2013, da 2a Turma da DRJ/RJ1, que ora se anexa na integra (vide Doe. 1), o qual já homologou integralmente a referida DCOMP n° 20408.56863.290808.1.3.023805, no montante de R$ 17.933.952,39, que atualizado pela Selic, tornouse o valor de R$ 19.257.478,08, utilizado para pagamento da estimativa de IRPJ de JUL/2008 que compõe o Saldo Negativo de IRPJ do AC 2008, objeto parcial deste recurso. Surpreendentemente, o acórdão ora guerreado, exarado em 05/12/2013, negou o reconhecimento dessa parcela substancial do crédito total glosado, sem manifestar nenhum juízo. Embora, de acordo com os artigos 37 e 38 da Lei n° 9.784/99, seja dever da autoridade incumbida da decisão buscar as informações disponíveis na própria Administração e considerálas em sua decisão, o contribuinte se antecipou e anexou o acórdão que assegurava a certeza e liquidez do crédito, mas, inexplicavelmente o julgador a quo deixou de apreciar essa parte do objeto o que, além de cercear o direito de defesa, suprimindo instância, caracterizou ofensa à Lei n° 9.784/99, cujo artigo 2o impõe, como requisito das decisões proferidas, a Fl. 298DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16682.901580/201395 Acórdão n.º 1402002.085 S1C4T2 Fl. 299 5 indicação dos pressupostos de fato e de direito que as determinaram, e cujo artigo 50 estabelece que os atos administrativos deverão conter motivação, explícita e congruente, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando neguem ou limitem direitos ou interesses. É o relatório. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16682.901580/201395 Acórdão n.º 1402002.085 S1C4T2 Fl. 300 6 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. O direito creditório pleiteado foi inicialmente deferido parcialmente em razão de comprovação das retenções na fonte no montante de R$ 271.129.683,21, de um total informado de R$ 276.854.585,99 e glosa de estimativas compensadas com saldos negativos de exercícios anteriores no montante de R$ 19.257.478,08. A glosa de estimativas compensadas com saldos negativos de exercícios anteriores, no valor de R$ 19.257.478,08, como destaca a recorrente, corresponde a pagamento de estimativa de IRPJ mediante DCOMP n° 20408.56863.290808.1.3.023805 de saldo negativo de período anterior, glosado devido ao estágio de não homologação desse valor em outra DCOMP, examinada no processo n° 16682.901010/201214. Consultando o processo citado, constatase que a DCOMP n° 20408.56863.290808.1.3.023805 foi integralmente homologada tendo em vista o deferimento do direito creditório, analisado pelo Acórdão 1257.826 2 ª Turma da DRJ/RJ1 ( fl. 288/293 daquele processo). Há que se dar razão a recorrente nesse ponto. Quanto às retenções das fontes não comprovadas, no valor de R$5.724.902,78 (= total pleiteada, R$276.854.585,99 menos total confirmado, R$271.129.683,21), entendo que não assiste razão à recorrente. Nesse sentido, a decisão recorrida se mantém por seus próprios fundamentos, que reproduzo a seguir. ... Outra possibilidade de aproveitamento da retenção de JSCP, no caso de beneficiária pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o imposto poderá ainda ser compensado com o retido por ocasião do pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas, de acordo com a Lei nº 9.249, de 1995, art. 9º, § 6º. Ademais, ao montante de juros e outros encargos pagos ou creditados pela pessoa jurídica a seus sócios ou acionistas, calculados sobre os juros remuneratórios do capital próprio e sobre os lucros e dividendos por ela distribuídos, aplicamse as normas referentes aos rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa, inclusive quanto ao informe de rendimentos a ser fornecido pela pessoa jurídica. A prova das retenções deve ser feita por meio da apresentação de comprovante de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras dos rendimentos, segundo determina o § 2º do art. 979 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n.º 1.041, de 11 de janeiro de 1994, assim dispõe: Fl. 300DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16682.901580/201395 Acórdão n.º 1402002.085 S1C4T2 Fl. 301 7 “O imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, quando for o caso, se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora (Lei 7.450/85, art. 55).”(grifouse) Já os ganhos de capital, rendimentos em aplicações financeiras e outros deverão ser adicionados para apuração do imposto de renda, conforme determina o art.770 do RIR/99 a seguir transcrito: “Art. 770. Os rendimentos auferidos em qualquer aplicação ou operação financeira de renda fixa ou de renda variável sujeitamse à incidência do imposto na fonte, mesmo no caso das operações de cobertura hedge, realizadas por meio de operações de swap e outras, nos mercados de derivativos (Lei nº 9.779, de 1999, art. 5º). ............................................................................................... ................................. § 2º Os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável e os ganhos líquidos (Lei nº 8.981, de 1995, art. 76, § 2º, Lei nº 9.317, de 1996, art. 3º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 51): I integrarão o lucro real, presumido ou arbitrado;” Apenas, com a tributação dos rendimentos de capital ou aplicações financeiras poderá a contribuinte deduzir o IRRF na DIPJ, segundo prescreve o art.773 do RIR/99: “Art. 773. O imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável ou pago sobre os ganhos líquidos mensais será (Lei nº 8.981, de 1995, art. 76, incisos I e II, Lei nº 9.317, de 1996, art. 3º, § 3º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 51): I deduzido do devido no encerramento de cada período de apuração ou na data da extinção, no caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro real, presumido ou arbitrado;” A autoridade fiscal não pode reconhecer à pleiteante a dedução do IRRF sem a comprovação de que as receitas correspondentes foram oferecidas à tributação, cabendo à reclamante comprovála. No presente caso, as compensações pendentes de análise não podem ser consideradas na formação do saldo negativo de IRPJ, pois lhe falta o requisito da liquidez e certeza do crédito, conforme já mencionado. Dessa forma, o saldo negativo deve ser ajustado de forma a refletir a veracidade dos fatos bem como se efetuar a cobrança das parcelas não compensadas, conforme discriminado no presente Despacho Decisório. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16682.901580/201395 Acórdão n.º 1402002.085 S1C4T2 Fl. 302 8 Quanto ao IRRF, aplicase o regime de competência, disposto na Instrução Normativa n° 11/96 da Receita Federal do Brasil, para os JSCP como despesa dedutível no anocalendário em que os lucros foram gerados. “Art. 29. Para efeito de apuração do lucro real, observado o regime de competência, poderão ser deduzidos os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. “(g.n) Conforme o art. 4º da IN SRF n° 41/98, mister se faz necessário que antes seja informado pela fonte pagadora de suas intenções de creditar ou pagar juros sobre o capital próprio, conforme estipulado no art. 2º da IN SRF 41/98, fato sem o qual a contribuinte não tem informação e nem fundamento para tal registro. “Art. 2º O valor dos juros a que se refere o artigo anterior, creditado ou pago, deve ser informado ao beneficiário. ............................................................................................... .................................... II pessoa jurídica até o dia 10 do mês subseqüente ao do crédito ou pagamento, por meio do Comprovante de Pagamento ou Crédito a Pessoa Jurídica de Juros sobre o Capital Próprio a que se refere o Anexo Único a esta Instrução Normativa. ............................................................................................... .................................. Art. 4º Na hipótese de beneficiário pessoa jurídica o valor dos juros creditados ou pagos deve ser escriturado como receita, observado o regime de competência dos exercícios. “ A receita de JSCP, conforme exposto, é contabilizada e tributada por competência, mediante a recepção do comprovante de rendimentos emitido em tempo hábil. A interessada apresenta comprovantes de rendimentos, os quais, segundo seu entendimento, comprovariam a retenção do Imposto de Renda glosado. Tais valores foram incluídos na composição do saldo negativo do IRPJ em 2008, mesmo sendo referentes ao anocalendário de 2007. Para que o IRRF dos JSCP possam ser deduzidos no anocalendário de 2008, mesmo pertencendo ao exercício anterior, é imprescindível a prova de que as respectivas receitas de JSCP tenham sido oferecidas à tributação naquele período. Também, deve ser comprovado que houve dedução a menor de IRRF no ano calendário de 2007, ou seja, o correspondente ao montante adicional deduzido no anocalendário de 2008. Referidos fatos não estão comprovados, razão pela qual não pode ser reconhecido a dedução a maior efetuada pela interessada. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16682.901580/201395 Acórdão n.º 1402002.085 S1C4T2 Fl. 303 9 Apesar de a contribuinte defender a aplicação de interpretação mais benigna, não se vislumbra essa necessidade, pois a aplicação da legislação não comporta dúvidas quanto a sua aplicabilidade no presente caso. Portanto, não cabe a exclusão de imposição de penalidades, juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo, na forma do parágrafo único do artigo 100 do CTN. Do exposto, não há de ser reconhecido de direito creditório de IRPJ para o anocalendário de 2008. Assim, voto por dar parcial provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório relativo às estimativas compensadas com saldos negativos de exercícios anteriores, no montante de R$ 19.257.478,08, homologando a compensação até o limite do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator Fl. 303DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
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