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Numero do processo: 19740.720002/2010-63
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
BOLSAS DE VALORES CONSTITUÍDAS SOB A FORMA DE ASSOCIAÇÕES CIVIS. DESMUTUALIZAÇÃO. POSSIBILIDADE DE CISÃO.
Os acréscimos de valor dos títulos patrimoniais decorrentes de valorização do patrimônio social das bolsas de valores constituídas sob a forma de associações civis sem fins lucrativos não constituem receita nem ganho de capital das sociedades corretoras associadas, autorizando-se a sua exclusão na apuração do lucro real desde que não sejam distribuídos e formem reserva para oportuna e compulsória incorporação ao capital. As associações civis são passíveis de cisão, não se limitando tal instituto apenas às pessoas jurídicas reguladas especificamente pela Lei Societária (Lei 6.404/1976). A desmutualização das bolsas de valores - processo de reorganização da sua estrutura societária, alterando-as de associações civis sem fins lucrativos para sociedades anônimas - não resulta em receita tributável sujeita à incidência de IRPJ e CSLL nas corretoras decorrente da valorização dos títulos patrimoniais (avaliados pelo valor contábil atualizado pelo patrimônio líquido das bolsas) permutados por ações. Descabida a alegação do Fisco de devolução de patrimônio das bolsas às corretoras associadas.
Numero da decisão: 1103-001.047
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado negar provimento ao recurso de ofício, por maioria, vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro e André Mendes de Moura, que deram provimento e apresentarão declarações de voto.
Aloysio José Percínio da Silva Presidente e Relator
(assinatura digital)
Participaram do julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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DESMUTUALIZAÇÃO. POSSIBILIDADE DE CISÃO. Os acréscimos de valor dos títulos patrimoniais decorrentes de valorização do patrimônio social das bolsas de valores constituídas sob a forma de associações civis sem fins lucrativos não constituem receita nem ganho de capital das sociedades corretoras associadas, autorizandose a sua exclusão na apuração do lucro real desde que não sejam distribuídos e formem reserva para oportuna e compulsória incorporação ao capital. As associações civis são passíveis de cisão, não se limitando tal instituto apenas às pessoas jurídicas reguladas especificamente pela Lei Societária (Lei 6.404/1976). A desmutualização das bolsas de valores processo de reorganização da sua estrutura societária, alterandoas de associações civis sem fins lucrativos para sociedades anônimas não resulta em receita tributável sujeita à incidência de IRPJ e CSLL nas corretoras decorrente da valorização dos títulos patrimoniais (avaliados pelo valor contábil atualizado pelo patrimônio líquido das bolsas) permutados por ações. Descabida a alegação do Fisco de devolução de patrimônio das bolsas às corretoras associadas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 72 00 02 /2 01 0- 63 Fl. 280DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 1103001.047 S1C1T3 Fl. 281 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado negar provimento ao recurso de ofício, por maioria, vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro e André Mendes de Moura, que deram provimento e apresentarão declarações de voto. Aloysio José Percínio da Silva – Presidente e Relator (assinatura digital) Participaram do julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório Tratase de recurso de ofício contra o Acórdão nº 1233.427/2010, da 6ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro IRJ (fls. 252)1. O detalhado relatório da decisão recorrida apresenta a seguinte descrição dos fatos: "1. No dia 12.01.2010, foram lavrados dois autos de infração contra a interessada: um para lhe exigir imposto sobre a renda (IRPJ) no valor de R$ 2.585.202,55 e o outro, contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL) de R$ 938.592,92. Ambos lhe exigem também a multa proporcional de 75% (setenta e cinco por cento) e os juros de mora sob a acusação: 1.1. de ela ter deixado de escriturar, no anocalendário de 2007, o ganho de capital de R$ 4.959.805,03 auferido na alienação de bem classificado no ativo permanente, o que causou a redução indevida do respectivo lucro real (enquadramento legal: art. 3º, § 2º, IV, da Lei nº 9.718, de 1998; e artigos 247, 248, 251 e seu parágrafo único e 418 do Regulamento do Imposto sobre a Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000, de1999 – RIR/1999); e 1.2. de ter omitido o ganho não operacional de R$ 5.469.005,21 auferido no recebimento da sua participação no patrimônio social de entidade isenta, que lhe foi devolvida naquele anocalendário (enq. legal: art. 17, caput e §§ 1º, 3º e 4º da Lei nº 9.532, de 1997, e art. 239 do RIR/1999). 2. Os autos de infração exigem também da interessada a multa isolada prevista no art. 44, § 1º, IV, da Lei nº 9.430, de 1996, modificado pelo art. 14 da Lei 1 As folhas dos autos estão indicadas conforme a numeração atribuída pelo sistema "eprocesso". Fl. 281DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 1103001.047 S1C1T3 Fl. 282 3 nº 11.488, de 2007, em razão da falta do pagamento do imposto estimado sobre a totalidade da receita bruta e dos acréscimos. 3. Encontrase nos autos um termo de constatação no qual a autuante expôs inicialmente as características do processo de 'desmutualização' da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), assim entendido o processo pelo qual aquelas bolsas, que se constituíam em sociedades civis sem fins lucrativos, transformaramse em uma sociedade anônima de capital aberto, para, em seguida, explicar as razões da autuação. 4. Sobre a 'desmutualização' da Bovespa, disse ela, em síntese: 4.1. que as associadas àquela bolsa – as corretoras de câmbio e valores mobiliários – detinham seus títulos patrimoniais, condição exigida para a intermediação dos negócios que se desenrolavam no seu recinto; 4.2. que, na data da sua 'desmutualização' (28.08.2007), o seu patrimônio social era de R$ 1.106.827.066,15, representado por 758 títulos patrimoniais no valor de R$ 1.460.194,02 cada um; 4.3. que a primeira etapa da 'desmutualização' compreendeu a sua cisão parcial, na qual se verteu grande parte do seu patrimônio para a Bovespa Serviços e Participações e para a Bovespa Holding, e a alteração da sua denominação social, que passou a ser Associação Bovespa; 4.4. que, com a cisão, reduziuse o patrimônio da Associação Bovespa para R$ 3.232.956,15; os seus associados, porém, entre estes a interessada, foram compensados com o recebimento de ações da Bovespa Serviços, cuja denominação foi alterada para Bolsa de Valores de São Paulo S/A – BVSP, e da Bovespa Holding; 4.5. que o valor patrimonial de cada um dos títulos da Associação Bovespa passou a ser então de R$ 4.265,11; o valor unitário da ação ordinária da Bovespa Serviços era de R$ 4,35 e cada 64.661 ações correspondia a um título patrimonial da Associação Bovespa; e o valor unitário da ação ordinária da Bovespa Holding era de R$ 2,06 e cada 570.535 ações correspondia a um título da Associação; 4.6. que a segunda etapa da 'desmutualização' compreendeu a 'incorporação de ações', por meio da qual a Bovespa Holding adquiriu a totalidade das ações emitidas pela Bovespa Serviços e pela Câmara Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC), as quais passaram a ser suas subsidiárias; 4.7. que, em decorrência desta operação, as proprietárias das ações da Bovespa Serviços e da CBLC, entre elas a interessada, receberam, em troca, mais ações da Bovespa Holding; 4.8. que a 'incorporação das ações' da Bovespa Serviços aumentou o capital da Bovespa Holding em R$ 212.715.581,41, a qual emitiu 103.260.066 ações em favor das corretoras, à razão de 136.227 ações para cada lote de 64.661 ações da Bovespa Serviços em poder destas; e 4.9. que a 'incorporação das ações' da CBLC aumentou o capital da Bovespa Holding em R$ 349.293.688,77, a qual emitiu 169.549.662 ações em nome das acionistas da incorporada – as corretoras – à razão de 46.223 ações da Bovespa para cada lote de 25 ações da incorporada em poder das suas acionistas. 5. A 'desmutualização' da BM&F, semelhante à da Bovespa, desta se diferenciou apenas em razão da quantidade de títulos e ações e das quantias Fl. 282DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 1103001.047 S1C1T3 Fl. 283 4 envolvidas, além do fato de a interessada ter alienado os seus títulos da BM&F antes da conclusão do processo. Por esta razão, disse a autuante que a alienação dos títulos da BM&F teve tratamento fiscal diverso do dispensado à 'desmutualização' dos títulos da Bovespa. 6. Ela passou então a descrever os aspectos tributários do processo de 'desmutualização' dos títulos das bolsas. Disse, em resumo: 6.1. que, anteriormente à desmutualização, as bolsas, constituídas na forma de associações civis sem fins lucrativos, eram regidas pela Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil) e, por isso, gozavam da isenção prevista no art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997 ('Art. 15. Consideramse isentas ... as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos'); 6.2. que o custo dos seus títulos patrimoniais assim como as importâncias correspondentes à valorização deles, ocorrida em função das alterações positivas do patrimônio das bolsas, eram então registrados pelas suas proprietárias, as corretoras, no seu ativo permanente; 6.3. que a valorização dos títulos computada no ativo permanente era, em contrapartida, levada a crédito de conta especial de reserva de capital e, portanto, não sofria tributação desde que não fosse distribuída e permanecesse em conta de reserva para futuro aumento de capital, de acordo a Portaria MF nº 785, de 1977 ('O ministro de Estado da Fazenda ..., com fundamento no que dispõe o art. 223, 'm' , do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 76.186/75, resolve: I. O acréscimo do valor nominal dos títulos patrimoniais das Bolsas de Valores, em decorrência de alteração do seu patrimônio social, não constitui receita nem ganho de capital das sociedades corretoras associadas e, por isso, pode ser excluído do lucro real destas desde que não seja distribuído e constitua reserva para oportuna e compulsória incorporação ao capital; II. Aos aumentos de capital assim procedidos aplicase o disposto no Decretolei nº 1.109/70, art. 3º, § 3º RIR, art. 237'); 6.4. que a referida portaria se fundamenta na alínea 'm' do art. 223 do RIR/1975, a qual autoriza que seja excluído do lucro real, para efeitos de tributação, o valor das ações, quotas ou quinhões de capital recebidos em decorrência dos aumentos de capital efetuados nos termos e condições dos artigos 197, §§ 6º e 9º, 223, alínea 'I' e § 31, 236, 243, alínea 'd', 250, 254 § 3º, 283, 297, 577, 578 e 583; 6.5. que, embora fundamentada na alínea “m” do art. 223 do RIR/1975, a qual se refere a ações, quotas ou quinhões de capital recebidos pela investidora em decorrência de aumentos de capital da investida, a Portaria MF 785, de 1977, afasta da tributação a valorização dos títulos patrimoniais decorrente das variações do patrimônio das bolsas; 6.6. que a portaria, apesar de admitir que o aumento de capital mediante a incorporação de reservas ou lucros em suspenso não sofrerá a tributação do imposto de renda, adverte que, ocorrendo a redução do capital ou a extinção da pessoa jurídica nos cinco anos subsequentes, considerará distribuído o valor incorporado ao capital, o qual será tributado na pessoa jurídica como lucro distribuído e, como rendimentos dos sócios, acionistas ou titular, na declaração de rendimentos ou na fonte, no ano em que ocorrer a redução ou a extinção; 6.7. que a Solução de Consulta COSIT nº 10, de 26.10.2007, ao se pronunciar sobre a consulta formulada pela Comissão Nacional de Bolsa de Valores, lembrou lhe que o § 3º do art. 17 da Lei nº 9.532, de 1997, diz que será computada na Fl. 283DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 1103001.047 S1C1T3 Fl. 284 5 determinação do lucro real ou adicionada ao lucro presumido ou arbitrado a diferença entre o valor em dinheiro ou o dos bens e direitos recebidos de instituição isenta a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o dos bens e direitos que houver entregado para a formação do referido patrimônio; 6.8. que a solução de consulta ressaltou que a hipótese de desmutualização descrita pela consulente prevê a transferência de bens das bolsas de valores para outras pessoas jurídicas. Tal transferência não tornará, evidentemente, as primeiras sócias das segundas; em verdade, 'as corretoras associadas é que se tornariam titulares de ações das novas companhias com fins lucrativos, restando caracterizada a devolução de capital aos associados', matéria disciplinada pelo art. 17 da Lei nº 9.532, de 1997; 6.9. que a solução de consulta ressaltou também que a valorização periódica dos títulos patrimoniais das bolsas, ocorrida anteriormente à desmutualização, configurava resultados não tributados, por terem sido auferidos por entidades isentas, constituídas na forma de associações sem fins lucrativos; 6.10. que, para as corretoras associadas, os títulos das bolsas de valores constituíam ativos necessários ao exercício das suas atividades, razão pela qual eram mantidos no seu ativo permanente; houve casos, contudo, em que essas circunstâncias se alteraram e, assim, transformaram a valorização dos títulos em ganhos tributáveis para as suas proprietárias, como, por exemplo, na sua alienação; 6.11. que outro exemplo é o caso da desmutualização, em que houve ganho: a) na devolução de capital às corretoras associadas, quando da redução do capital da entidade isenta, a bolsa; b) na versão do patrimônio dela para companhias com fins lucrativos; e c) na substituição dos seus títulos patrimoniais por ações da companhia em que ela se transformou; e 6.12. que a conclusão da solução de consulta é a de que, na hipótese descrita pela consulente, aplicase o art. 17 da Lei nº 9.532, de 1997, sujeitandose ao imposto a diferença entre o valor nominal das ações recebidas pelas corretoras e o custo de aquisição dos títulos patrimoniais das bolsas. 7. Depois de descrever os aspectos tributários do processo de 'desmutualização' dos títulos da Bovespa e da BM&F, houve por bem a autuante atacar a Portaria MF nº 785, de 1977. Assim, afirmou, em suma: 7.1. que ela exorbitou dos seus limites ao excluir, do conceito de ganho de capital para efeito da tributação do imposto de renda, o acréscimo do valor nominal dos títulos patrimoniais das bolsas de valores decorrente da alteração do seu patrimônio social; 7.2. que essa exclusão tem natureza jurídica de isenção, e esta, de acordo com o art. 176 do Código Tributário Nacional (CTN), decorre exclusivamente de lei, razão pela qual não pode ser concedida por meio de ato administrativo; 7.3. que, ao enunciar situações não previstas na lei para a concessão da isenção, a portaria burlou o dispositivo legal e invadiu a competência do legislador; 7.4. que, ao ato administrativo, cabe tãosomente reconhecer o cumprimento das condições e requisitos previstos em lei para a concessão da isenção quando ela não for concedida em caráter geral; 7.5. que, desta forma, é óbvio que a portaria está em evidente conflito com o ordenamento jurídicotributário e que fere o princípio da estrita legalidade, 'já que a Fl. 284DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 1103001.047 S1C1T3 Fl. 285 6 mesma assume natureza constitutiva, reservada à lei, enunciando a isenção sem dispositivo legal algum que lhe dê embasamento' (sic); e 7.6. que, assim, não procede o entendimento segundo o qual o acréscimo do valor nominal dos títulos patrimoniais das bolsas de valores, apurado quando da alienação dos títulos patrimoniais da BM&F, deve ser excluído do lucro real do alienante. 8. A autuante concluiu então que, diante do exposto, o lucro obtido com a alienação dos títulos patrimoniais da BM&F deve ser tributado da mesma maneira como são tributados os resultados produzidos pela alienação dos demais ativos permanentes. 9. No que tange à autuação, disse ela basicamente: 9.1. que, no momento da desmutualização da Bovespa, a interessada detinha seis dos seus títulos patrimoniais, razão pela qual recebeu 4.240.572 ações da Bovespa Holding no valor de R$ 9.412.822,38, fato que traduz a devolução da sua participação no patrimônio de uma entidade isenta, a bolsa; 9.2. que, assim, na 1ª hipótese de incidência – a devolução do patrimônio de entidade isenta – a diferença entre o valor devolvido, o correspondente ao montante das ações (R$ 9.412.822,38), e o originalmente entregue para a formação do patrimônio da bolsa, o custo original dos títulos patrimoniais (R$ 3.943.817,17), constitui ganho tributável (R$ 5.469.005,21), na forma do art. 17 da Lei nº 9.532, de 1997; 9.3. que, na 2ª hipótese de incidência – o ganho na alienação das ações – não apurou ganho tributável, em virtude de o valor da alienação ser igual ao custo das ações recebidas em função do processo de desmutualização; 9.4. que, no entanto, a interessada não adicionou o ganho de R$ 5.469.005,21 ao lucro real e nem recolheu nenhum tributo sobre ele; 9.5. que, além disso, deixou de computálo no cálculo da estimativa de setembro de 2007, mês em que recebeu as ações, o da devolução do capital, portanto; 9.6. que, no que toca à BM&F, a interessada não mais possuía seus títulos patrimoniais quando do término do respectivo processo de desmutualização, pois já os havia alienado, assim considerada a operação de integralização do aumento de capital da Prosper Gestão de Recursos Ltda que montou a R$ 4.966.430,23 (conforme alteração contratual da Prosper Gestão de Recursos); 9.7. que, como tais títulos foram adquiridos por R$ 6.625,20 (valor reajustado até 1º de janeiro de 1996), a sua alienação implicou um ganho tributável de R$ 4.959.805,23; e 9.8. que, em razão de não ter reconhecido os ganhos de capital obtidos, a interessada não somente apurou a menor o imposto de renda e a contribuição social, mas também as estimativas desses tributos do mês de setembro de 2007; ficou sujeita, desse modo, à multa isolada prevista no art. 44, § 1º, IV, da Lei nº 9.430, de 1996, modificado pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007, haja vista que se verificou a insuficiência do pagamento somente após o encerramento do anocalendário de competência." Fl. 285DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 1103001.047 S1C1T3 Fl. 286 7 Em tempestiva impugnação (fls. 191), a autuada alegou que o acréscimo do valor nominal dos títulos patrimoniais das bolsas de valores em decorrência da alteração do seu patrimônio social não constitui receita nem ganho de capital das corretoras e, por isso, não se sujeita à incidência de tributos desde que não seja distribuído e constitua reserva para oportuna incorporação ao capital, conforme a Portaria MF 785/1977 e a interpretação da Cosit contida na Solução de Consulta 13/1997. A conferência dos títulos patrimoniais da BM&F em integralização do aumento de capital da Prosper Gestão, por si realizada (e não pelos seus sócios) pelo valor contábil atualizado pela Portaria MF 785/1977, não constaria das hipóteses da Portaria para "suspensão do valor da isenção" da atualização do valor dos títulos das bolsas de valores. Teria ocorrido mera substituição do investimento em títulos patrimoniais da BM&F por quotas da Prosper Gestão ao valor contábil, mantendose no seu patrimônio líquido a reserva de atualização dos títulos patrimoniais e permanecendo os seus sócios. A desmutualização das bolsas de valores não teria resultado em restituição de patrimônio aos associados mas apenas a substituição (subrogação) no plano das corretoras associadas dos títulos patrimoniais da Bovespa e da BM&F por ações da Bovespa Holding e da BM&F S/A, pelo valor contábil dos títulos, atualizados pela Portaria MF 785/1977, não se aplicando ao caso o art. 17 da Lei 9.532/1997, que trata da devolução do patrimônio de instituição isenta. As normas sobre reorganizações societárias da Lei 6.404/1976 seriam aplicáveis às associações desde a época da vigência do DL 2.627/1940. O atual CC – Código Civil, de 2002, teria determinado expressamente no art. 2.033 a aplicação das normas sobre transformação, inorporação, cisão e fusão às associações. A suposta e "altamente discutível" violação do art. 61 CC deveria ser questionada no plano das bolsas de valores e não no dos seus associados além de nada alterar a improcedência do lançamento realizado. A autoridade fiscal teria excedido a sua competência funcional ao arguir vício de portaria ministerial. Ainda que fossem procedentes as restrições à portaria, haveria que se observar as determinações dos art. 100 e 105 do CTN. A imposição conjunta de multa de ofício de 75% e de multa isolada, ambas "com caráter punitivo sobre uma mesma materialidade", caracterizaria evidente bis in idem, o que seria inadmissível no "direito administrativo sancionador." A turma de primeira instância acolheu as razões de impugnação e julgou o lançamento improcedente, assim resumindo o acórdão: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007 LUCRO REAL. TÍTULOS PATRIMONIAIS DA BM&F. VALORIZAÇÃO NÃO DISTRIBUÍDA. NÃO CONSTITUIÇÃO DE GANHO DE CAPITAL. O acréscimo do valor nominal dos títulos patrimoniais das bolsas de valores, em decorrência de alteração do seu Fl. 286DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 1103001.047 S1C1T3 Fl. 287 8 patrimônio social, não constitui receita nem ganho de capital das sociedades corretoras associadas e, por isso, pode ser excluído do lucro real destas desde que não seja distribuído e constitua reserva para oportuna e compulsória incorporação ao capital. LUCRO REAL. PATRIMÔNIO SOCIAL DE ENTIDADE ISENTA. DEVOLUÇÃO NÃO EFETUADA. GANHO NÃO OPERACIONAL INEXISTENTE. O patrimônio de uma sociedade é constituído pelos seus bens e direitos e entre estes não se encontram os títulos de sua emissão, os quais integram o ativo dos seus proprietários. Portanto, a substituição dos títulos patrimoniais de sociedades civis as bolsas de valores por ações da sociedade anônima na qual elas se transformaram não representa devolução alguma do patrimônio delas aos seus proprietários, razão pela qual não há de se cogitar de ganho não operacional nessa operação. LUCRO REAL. MULTA ISOLADA. IMPOSTO ESTIMADO. FALTA DE ANTECIPAÇÃO. A improcedência da ação fiscal que adiciona ganhos de capital e não operacional apurados de ofício à base de cálculo da estimativa de tributo prejudica a imposição da multa isolada prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, modificado pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2007 DECORRÊNCIA. Ressalvados os casos especiais, aplicase ao decorrente a decisão proferida relativamente ao lançamento principal, em razão da relação de causa e efeito que os une." É o relatório. Voto Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva – Relator. O recurso de ofício reúne os pressupostos de admissibilidade. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 1103001.047 S1C1T3 Fl. 288 9 Segundo indicado no auto de infração principal (IRPJ – fls. 156) e no TVF – termo de verificação fiscal (fls. 128), o lançamento decorreu da falta de oferecimento à tributação (i) de ganho de capital no valor de R$ 4.959.805,03 na alienação de 2 (dois) títulos patrimoniais da BM&F ocorrida antes do processo de desmutualização (item 001 do AI/IRPJ) e (ii) da diferença R$ 5.469.005,21 entre o valor devolvido, na forma de ações da Bovespa Holding, e o valor entregue para a formação do patrimônio da associação Bovespa, na forma de aquisição de 6 (seis) títulos patrimoniais da referida entidade (item 002 do AI/IRPJ). Não se discute neste processo o efeito tributário da desmutualização nas próprias bolsas de valores, mas sim as conseqüências em uma corretora detentora de títulos da Bovespa. Não foi aplicada multa qualificada e inexiste qualquer referência a ato simulado na descrição dos fatos dada pela fiscalização. Conforme a Resolução CMN 2.690/2000, que alterou e consolidou "as normas que disciplinam a constituição, a organização e o funcionamento das bolsas de valores", só pode ser admitida como membro das bolsas de valores a sociedade que adquirir ao menos 1 (um) dos títulos patrimoniais ou número mínimo de ações de sua emissão estabelecido no estatuto social, permitindose unicamente ao representante da sociedade membro a participação nos pregões e sistemas, como regra geral. Assim dispõem os art. 24 e 30. A alienação dos títulos patrimoniais da BM&F teria ocorrido na integralização do aumento de capital da Prosper Gestão de Recursos Ltda (doravante "Prosper Gestão"), em 21/09/2007, realizada pela contribuinte autuada com os referidos títulos ao valor contábil antes da desmutualização concluída em 1º/10/2009. Entendese por "desmutualização" o processo de reorganização da estrutura societária das bolsas, alterandoas de associações civis sem fins lucrativos para sociedades anônimas. Discutese a incidência de IRPJ e CSLL sobre as operações decorrentes da desmutualização da Bovespa, entidade extinta em decorrência do processo de reorganização, segundo a interpretação do Fisco, acarretando devolução de patrimônio aos associados, entre eles a autuada, na forma de ações de pessoas jurídicas com fins lucrativos, resultantes da desmutualização. Segundo a descrição no TVF com base nas atas de assembléias, a desmutualização teve início com a cisão parcial da da Bovespa e versão de parte do patrimônio para a Bovespa Serviços e Participações S/A (Bovespa Serviços) e para a Bovespa Holding S/A (Bovespa Holding). A denominação social da Bovespa foi alterada para Associação Bovespa. A Bovespa Serviços absorveu as atividades desempenhadas pela Associação Bovespa e teve a sua denominação mudada para Bolsa de Valores de São Paulo S/A (BVSP), reservandose à Associação atribuições "acessórias", tais como estímulo a atividades do mercado mobiliário, promoção do contato e do intercâmbio entre associados, etc. A Bovespa Serviços (BVSP) e a Bovespa Holding emitiram ações ON em favor dos detentores de títulos patrimoniais da Associação Bovespa. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 1103001.047 S1C1T3 Fl. 289 10 A segunda etapa foi chamada de "incorporação de ações", na qual a Bovespa Holding adquiriu a totalidade das ações emitidas pela Bovespa Serviços e pela Câmara Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC). Em seguida, as antigas titulares das ações da Bovespa Serviços e da CBLC receberam em troca mais ações da Bovespa Holding. A incorporação das ações da Bovespa Serviços aumentou o capital da Bovespa Holding. Em contrapartida, Bovespa Holding emitiu ações em favor das corretoras acionistas da Bovespa Serviços, à razão de 136.227 ações da Bovespa Holding para cada lote de 64.661 da Bovespa Serviços em poder das corretoras. Operação do mesmo tipo ocorreu no caso das ações da CBLC. O processo da BM&F aconteceu de maneira semelhante. Entretanto, não será detalhado neste voto dada a sua irrelevância para o julgamento do item 001 do AI/IRPJ, cuja infração é relativa a alienação de títulos patrimoniais realizada antes da desmutualização. A Portaria MF n° 785/1977, considerando que os acréscimos de valor dos títulos patrimoniais decorrentes de valorização do patrimônio social das associações não constituem receita nem ganho de capital das sociedades corretoras associadas, autorizou a exclusão desses acréscimos na apuração do lucro real desde que não sejam distribuídos e formem reserva para oportuna e compulsória incorporação ao capital. No entendimento da fiscalização, a autorização dada pela Portaria seria apenas para postergar o oferecimento à tributação, incidindo o IRPJ nos casos de extinção da associação ou de devolução do patrimônio aos associados. O lançamento teve por fundamentação legal o art. 17, §3º, da Lei nº 9.532/1997, matriz legal do art. 239 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto 3.000/1999 (RIR/1999), que assim dispõe: "Art. 17. Sujeitase à incidência do imposto de renda à alíquota de quinze por cento a diferença entre o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, por pessoa física, a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver entregue para a formação do referido patrimônio. § 1º. Aos valores entregues até o final do ano de 1995 aplicamse as normas doinciso I do art. 17 da Lei nº 9.249, de 1995. § 2º. O imposto de que trata este artigo será: a) considerado tributação exclusiva; b) pago pelo beneficiário até o último dia útil do mês subseqüente ao recebimento dos valores. § 3º. Quando a destinatária dos valores em dinheiro ou dos bens e direitos devolvidos for pessoa jurídica, a diferença a que se refere o caput será computada na determinação do lucro real ou adicionada ao lucro presumido ou arbitrado, conforme seja a forma de tributação a que estiver sujeita. § 4º. Na hipótese do parágrafo anterior, para a determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido a pessoa jurídica deverá computar: Fl. 289DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 1103001.047 S1C1T3 Fl. 290 11 a) a diferença a que se refere o caput, se sujeita ao pagamento do imposto de renda com base no lucro real; b) o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos, se tributada com base no lucro presumido ou arbitrado." (destaque acrescido) Aspectos relevantes da matéria foram examinados por ocasião de consulta formulada pela Comissão Nacional de Bolsa de Valores no Processo nº 10768.002443/2007 00, no qual foi expedida a Solução de Consulta nº 10/2007 (SC 10/2007), pela Cosit – Coordenação de Tributação, órgão interno da Receita Federal encarregado de interpretar a legislação tributária federal. A SC 10/2007 tomou por ponto de partida as conclusões expostas na SC 13/1997, assim indicadas: "7. Inicialmente, analisemos o teor da SC 13/97, cuja parte dispositiva trazia três conclusões: a) primeiro, que não constituem fatos capazes de excluir a BOVESPA do gozo do benefício da isenção do imposto de renda de que é titular: a.1) a destinação de parte de seu patrimônio para a integralização do capital social de empresa comercial que desempenhará atividades auxiliares (informática e telefonia) ; e a.2) a sua cisão, com destinação parcial de seu patrimônio para a constituição da empresa comercial que terá atividade correlata (câmara de compensação e custódia de títulos – CLEARING); e b) por último, que, na apuração de ganho ou perda de capital na alienação, pelas corretorasmembros, das ações que receberem em substituição à parte do valor do título patrimonial da associação, considerarseá como custo de aquisição das referidas ações o seu valor contábil, que deverá ser proporcional à parcela do valor contábil do título patrimonial que for por elas substituída." Após detalhado arrazoado, no qual se procurou destacar o "desacerto" da SC 13/1997, concluiu a Cosit: "i) a operação de 'desmutualização' das bolsas de valores, conforme descrita pela consulente, encontra obstáculo insuperável na norma do art. 61 do Código Civil (Lei nº 10.406, de 2002), a qual veda a destinação de qualquer parcela do patrimônio de associações a entes com finalidade lucrativa, dessa forma prejudicadas as indagações da consulente dos itens 'i' e 'ii'; ii) o art. 16 da Lei nº 9.532, de 1997, não se aplica à operação de 'desmutualização', pois, nessa, a transferência de bens das bolsas de valores para outras pessoas jurídicas não tornará aquelas sócias dessas, mas, sim, os seus associados (as sociedades corretoras), o que configura uma devolução de capital, ao qual se aplica o art. 17 do mesmo diploma legal; iii) ao contrário do que sugere a consulente no item 'iii', os títulos patrimoniais das bolsas de valores devem ser avaliados por seu custo de aquisição, pois nunca estiveram as sociedades corretoras autorizadas a avaliar tais cotas ou frações ideais pelo MEP, mas, sim, autorizadas pela Portaria nº 785, de 1977, a postergar a tributação sobre o valor dos acréscimos efetuados ao valor nominal das cotas ou frações ideais recebidos em virtude de aumento do capital social das bolsas de Fl. 290DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 1103001.047 S1C1T3 Fl. 291 12 valores para o momento em que houvesse a redução do capital ou até mesmo a extinção dessas associações; iv) o fato de a operação de 'desmutualização' de associações não encontrar amparo no ordenamento jurídico não obsta a incidência do imposto de renda sobre a diferença entre o valor nominal das ações (da sociedade) recebidas pelos associados (sociedades corretoras) e o custo de aquisição das cotas ou frações ideais representativo do patrimônio segregado das bolsas de valores, logo improcedentes as conclusões da consulente nos itens 'iv' e 'v'." A autoridade fiscal adotou as conclusões da SC 10/2007 para fundamentar o lançamento ora examinado. A matéria discutida nestes autos não é nova neste Conselho. A jurisprudência administrativa tem seguido orientação favorável à tributação das referidas operações, ratificando a interpretação da Receita Federal na SC 10/2007, como demonstram os acórdãos adiante indicados, de turmas desta Primeira Seção de Julgamento (1ªSJ): "IRPJ e CSLL. PROCESSO DE DESMUTUALIZAÇÃO DA BMF E BOVESPA. O processo de desmutualização da BMF e da Bovespa redundou na devolução do capital e conseqüente tributação nos termos do art. 17 da Lei 9.532. Método de Equivalência Patrimonial. O MEP só se aplica aos investimentos em sociedades não sendo aplicável às associações civis sem fins lucrativos, não reguladas pela Lei 6.404. (Acórdão nº 1302000.879/2012) DESMUTUALIZAÇÃO DA BM&F. CISÃO DE ASSOCIAÇÃO CIVIL SEM FINS LUCRATIVOS. IMPOSSIBILIDADE. HIPÓTESE DE DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO AOS ASSOCIADOS. INCIDÊNCIA. Inexistindo a possibilidade de cisão de associação civil, ou mesmo de destinação de seu patrimônio a entidade de fins econômicos, o fato jurídico que converteu títulos patrimoniais da BM&F em ações somente pode ser caracterizado como dissolução parcial daquela associação, com devolução de patrimônio ao associado, que utiliza este valor para aporte de capital na sociedade anônima constituída. Em tais circunstâncias, há ganho de capital se o valor das ações recebidas é superior ao valor originalmente entregue à associação civil. (Acórdão nº 1101000.833/2012) DESMUTUALIZAÇÃO DE BOLSAS DE VALORES E DE MERCADORIAS. ASSOCIAÇÕES ISENTAS. DEVOLUÇÃO DE TÍTULO PATRIMONIAL E SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES DAS NOVAS EMPRESAS. SUJEIÇÃO À TRIBUTAÇÃO. Sujeitase à incidência do imposto de renda, computandose na determinação do lucro real do exercício, a diferença entre o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, por pessoa jurídica, a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver sido entregue para a formação do referido patrimônio. (Acórdão nº 1301 001.111/2012) Fl. 291DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 1103001.047 S1C1T3 Fl. 292 13 INCIDÊNCIA DE IRPJ E CSLL NO PROCESSO DE DESMUTUALIZAÇÃO DA BM&F E DA BOVESPA. Incide o artigo 17 da Lei nº 9.532/97 no processo de desmutualização das bolsas, uma vez que os fatos ocorridos correspondem a uma devolução de patrimônio com posterior aquisição de ações de nova sociedade constituída. (Acórdão nº 1402001.502/2013) DESMUTUALIZAÇÃO DE BOLSAS DE VALORES. DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO DE ASSOCIAÇÃO. SUJEIÇÃO À TRIBUTAÇÃO. AVALIAÇÃO PELO CUSTO DE AQUISIÇÃO. A operação de desmutualização das bolsas de valores, sob a forma de cisão parcial seguida de incorporação, não se faz possível, em razão do disposto no art. 61 do Código Civil de 2002, que veda a destinação de qualquer parcela do patrimônio de associações a entes com finalidade lucrativa. A inoponibilidade ao Fisco da operação de desmutualização das bolsas de valores atrai a incidência do IRPJ calculado sobre a diferença entre o valor nominal das ações das sociedades (Bovespa Holdings e da BM&F S.A.) recebidas pelas corretoras associadas e o custo de aquisição das cotas ou frações ideais representativo do patrimônio segregado das associações (Bovespa e BM&F). Aplicase o art. 17 da Lei nº 9.532/97, e não o art. 16 da mesma lei, à operação de desmutualização, visto que a transferência de bens das bolsas de valores para outras pessoas jurídicas configura uma devolução de capital em razão da transferência dos títulos representativos do seu capital aos seus associados (sociedades corretoras), sem que as novas sociedades (Bovespa Holdings e da BM&F S.A) passem a integrar seu quadro social. Os títulos patrimoniais das bolsas de valores (associações) devem ser avaliados por seu custo de aquisição, e não pelo Método de Equivalência Patrimonial (MEP), estando apenas autorizadas pela Portaria nº 785/77, a postergar a tributação sobre o valor dos acréscimos efetuados ao valor nominal das cotas ou frações ideais recebidos em virtude de aumento do capital social das associações para o momento da redução do capital ou extinção das mesmas. (Acórdão nº 1202 000.745/2012) AUTO DE INFRAÇÃO. DESMUTUALIZAÇÃO. ASSOCIAÇÃO ISENTA. DESMUTUALIZAÇÃO DE BOLSAS DE VALORES. DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO DE ASSOCIAÇÃO. SUJEIÇÃO À TRIBUTAÇÃO. AVALIAÇÃO PELO CUSTO DE AQUISIÇÃO. A operação de desmutualização das bolsas de valores, sob a forma de cisão parcial seguida de incorporação, não se faz possível, em razão do disposto no art. 61 do Código Civil de 2002, que veda a destinação de qualquer parcela do patrimônio de associações a entes com finalidade lucrativa. A inoponibilidade ao Fisco da operação de desmutualização das bolsas de valores atrai a incidência do IRPJ calculado sobre a diferença entre o Fl. 292DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 1103001.047 S1C1T3 Fl. 293 14 valor nominal das ações das sociedades (Bovespa Holdings e da BM&F S.A.) recebidas pelas corretoras associadas e o custo de aquisição das cotas ou frações ideais representativo do patrimônio segregado das associações (Bovespa e BM&F). Aplicase o art. 17 da Lei nº 9.532/97, e não o art. 16 da mesma lei, à operação de desmutualização, visto que a transferência de bens das bolsas de valores para outras pessoas jurídicas configura uma devolução de capital em razão da transferência dos títulos representativos do seu capital aos seus associados (sociedades corretoras), sem que as novas sociedades (Bovespa Holdings e da BM&F S.A) passem a integrar seu quadro social. Os títulos patrimoniais das bolsas de valores (associações) devem ser avaliados por seu custo de aquisição, e não pelo Método de Equivalência Patrimonial (MEP), estando apenas autorizadas pela Portaria nº 785/77, a postergar a tributação sobre o valor dos acréscimos efetuados ao valor nominal das cotas ou frações ideais recebidos em virtude de aumento do capital social das associações para o momento da redução do capital ou extinção das mesmas. (Acórdão nº 1402 001.214/2012)" As associações são pessoas jurídicas de direito privado constituídas pela união de pessoas que se organizem para fins não econômicos, segundo dispõem os art. 44 e 53 do CC – Código Civil (Lei 10.406/2002). O art. 2.033 do CC remete para as disposições do próprio Código a regência das modificações das associações: "Art. 2.033. Salvo o disposto em lei especial, as modificações dos atos constitutivos das pessoas jurídicas referidas no art. 44, bem como a sua transformação, incorporação, cisão ou fusão, regemse desde logo por este Código." (destaque acrescido) O art. 44 classifica as associações entre as pessoas jurídicas de direito privado. Vêse, portanto, que a figura da cisão também é própria das associações, tratada expressamente no vigente Código Civil, o que afasta a conclusão da fiscalização de instituto exclusivo das pessoas jurídicas reguladas especificamente pela Lei Societária. A Resolução CMN 2.690/2000 tratou expressamente da possibilidade de constituição das bolsas como associações civis ou sociedades anônimas e das hipóteses de incorporação, fusão e cisão. O regulamento anexo à Resolução assim dispôs nos art. 1º e 5º, VII: "Art. 1º. As bolsas de valores poderão ser constituídas como associações civis ou sociedades anônimas, tendo por objeto social: (...) Parágrafo único. As bolsas de valores que se constituírem como associações civis, sem finalidade lucrativa, não podem distribuir a sociedades membros parcela Fl. 293DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 1103001.047 S1C1T3 Fl. 294 15 de patrimônio ou resultado, exceto se houver expressa autorização da Comissão de Valores Mobiliários. (...) Art. 5º. O estatuto social das bolsas de valores deve estabelecer, além do que for exigido pela legislação aplicável, regras básicas relativas à adoção de estrutura administrativa e operacional que permitam assegurar o pleno atendimento do seu objeto social e dos requisitos inerentes à sua condição de instituição auxiliar da Comissão de Valores Mobiliários enquanto entidade reguladora e fiscalizadora do mercado, dispondo, ainda, sobre: (...) VII incorporação, fusão, cisão e dissolução da bolsa de valores;" (destaque acrescido) Na Parte Especial, Livro II, Título II, Subtítulo II, Capítulo X, nos art. 1.113 a 1.122, o CC trata da "Transformação, da Incorporação, da Fusão e da Cisão das Sociedades", disposições aplicáveis às associações por disposição expressa do art. 2.033, já comentado neste voto. Muito embora o capítulo mencionado contenha no seu título referência expressa a cisão, nenhum dos artigos que o integram trata do tema, o que remete a regulação da matéria para a Lei Societária, disciplinadora do instituto. O art. 229 da Lei 6.404/19762 define a cisão como "a operação pela qual a companhia transfere parcelas do seu patrimônio para uma ou mais sociedades, constituídas para esse fim ou já existentes, extinguindose a companhia cindida, se houver versão de todo o seu patrimônio, ou dividindose o seu capital, se parcial a versão". As ações integralizadas com parcelas de patrimônio da companhia cindida serão atribuídas a seus titulares, em substituição às extintas, na proporção das que possuíam, segundo o texto do §5º. A fiscalização alegou violação do art. 61 do CC, que impõe, no caput, a destinação do patrimônio líquido da associação, no caso de dissolução, para "entidade de fins não econômicos designada no estatuto, ou, omisso este, por deliberação dos associados, à instituição municipal, estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes." Não se trata de dissolução no caso concreto. Viuse acima que ocorreu efetivamente cisão parcial. Ademais, no âmbito tributário, houve revogação pelo art. 18, IV, da Lei 9.718/1999, do §4º do art. 15 da Lei 9.532/1997, que determinava às entidades isentas, como condição para o gozo da isenção, a destinação de seu patrimônio a outra instituição que atendesse às condições para gozo de imunidade ou isenção, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a órgão público. A própria referência expressa à hipótese de cisão no texto da Lei 9.532/1997 vem extirpar qualquer dúvida acerca da sua aplicabilidade às associações, ratificando o que já fora afirmado neste voto. 2 Com a redação dada pela Lei 9.457/1997 Fl. 294DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 1103001.047 S1C1T3 Fl. 295 16 Sendo, então, caso de cisão parcial, há de se examinar o efeito tributário sob tal enfoque, afastandose as hipóteses de extinção da associação e de devolução de participação às corretoras associadas. Nessa linha, os títulos patrimoniais são substituídos por outros da entidade surgida com o evento, proporcionalmente ao patrimônio vertido, pelo valor contábil com base no patrimônio líquido (PL). Nas duas situações indicadas no auto de infração, alienação e substituição por ações, a fiscalização considerou como custo o valor de aquisição dos títulos patrimoniais enquanto a contribuinte computou na apuração o valor contábil. Segundo o art. 1.275 do CC, alienação é forma de perda da propriedade. É o ato pelo qual o titular transfere sua propriedade a outrem, o que efetivamente ocorreu por ocasião da entrega dos títulos patrimoniais dados em integralização pelo aumento de capital na Prosper Gestão, quando deixaram de integrar o ativo permanente da autuada e passaram a compor o patrimônio da sociedade capitalizada. A contribuinte atualizava os valores dos seus títulos patrimoniais da Bovespa e da BM&F e excluía os acréscimos de valor na determinação do lucro real, procedimento expressamene autorizado pela Portaria MF n° 785/1977. Por ocasião da integralização do aumento de capital na Prosper Gestão, considerou os títulos patrimoniais pelo valor contábil atualizado pelo PL da bolsa, inexistindo, dessa forma, ganho a tributar. A autoridade fiscal, com suporte na interpretação dada pela SC Cosit 10/2007, concluiu que os títulos deveriam ser considerados pelo custo de aquisição (valor histórico) e não não pelo valor contábil determinado à semelhança do método da equivalência patrimonial (MEP), tendo em vista constar da Portaria autorização apenas para postergação da tributação sobre o valor dos acréscimos efetuados ao valor nominal das cotas ou frações ideais recebidos em virtude de aumento do capital social das bolsas de valores para o momento em que houvesse a redução do capital ou até mesmo a extinção dessas associações. A turma recorrida adotou entendimento contrário ao da fiscalização: "Na apuração do ganho de capital, a autuante computou, como custo de aquisição, somente o valor pago pelos títulos da BM&F corrigido monetariamente até o início de 1996; deixou de computar na apuração, portanto, a sua valorização, que, segundo o entendimento exposto pela COSIT na Solução de Consulta nº 13, de 1997 ('Processo de Consulta – Decisão Cosit 13, de 10.11.1997: Na apuração de ganho ou perda de capital na alienação pelas corretorasmembros, das ações [da 'clearing'], por receberem em substituição a parte do valor do título patrimonial da Bovespa, considerarseá como custo de aquisição das referidas ações o seu valor contábil, que deverá ser proporcional à parcela do valor contábil do título patrimonial que for por ela substituída.'), poderia ser considerada no seu custo de aquisição. Esse entendimento brotou, sem dúvida, da norma fixada na Portaria MF nº 785, de 1977, segundo a qual o acréscimo do valor nominal dos títulos patrimoniais das bolsas de valores, em decorrência de alteração do seu patrimônio social, não constitui receita nem ganho de capital das sociedades corretoras associadas e, por isso, pode ser excluído do lucro real destas desde que não seja distribuído e constitua reserva para oportuna e compulsória incorporação ao capital. É evidente, portanto, que, sem a comprovação de que a valorização dos títulos foi distribuída e que, assim, não se teria constituído em reserva para incorporação ao capital, não é possível a sua tributação. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 1103001.047 S1C1T3 Fl. 296 17 A autuante, ao exigir da interessada tributos sobre a valorização dos títulos patrimoniais das bolsas de valores mesmo sem acusála de distribuir a valorização ou de deixar de constituir, com ela, reserva para oportuna e compulsória incorporação ao capital, fez tábula rasa da referida portaria, procedimento inconcebível, pois não se pode admitir que a própria Administração Pública descumpra ato administrativo que estabeleça direito do administrado sob a alegação de ele ser infundado; tal conduta, além de afrontar o art. 100 do CTN, induziria o administrado a erro. Diante disso, na operação descrita, somente se alguma importância excedesse o valor contábil do título patrimonial da BM&F poderia ela ser considerada ganho de capital da interessada e, por conseguinte, tributada. Portanto, somente se houvesse, nos autos, comprovação de que os R$ 4.959.805,03 excederam tal valor é que eu poderia admitir a sua tributação a título de ganho de capital. À míngua dessa comprovação, fazse mister rejeição da autuação." (destaque em negrito consta do original). Prescreve a Portaria MF n° 785/1977: "O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, e, com fundamento no que dispõe o art. 223, "m" do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 76.186/75, RESOLVE I. O acréscimo do valor nominal dos títulos patrimoniais das Bolsas de Valores, em decorrência de alteração do seu patrimônio social, não constitui receita nem ganho de capital das sociedades corretoras associadas e, por isso, pode ser excluído do lucro real destas desde que não seja distribuído e constitua reserva para oportuna e compulsória incorporação ao capital. II. Aos aumentos de capital assim procedidos aplicase o disposto no Decreto lei nº 1.109/70, art. 3º , § 3º (RIR, art. 237. )." Com efeito, constatase clara semelhança entre o procedimento autorizado pela Portaria e o MEP, muito embora inexista no ato ministerial qualquer referência expressa ao método. O MEP, tratado no art. 248 da Lei 6.404/1976, é definido no Pronunciamento Técnico CPC 18 como método de contabilização por meio do qual o investimento é inicialmente registrado pelo custo de aquisição e posteriormente ajustado pelo reconhecimento da participação atribuída ao investidor nas alterações dos ativos líquidos da investida. No âmbito tributário, o art. 22 do DL 1.598/1977 determina o registro contábil do ajuste decorrente da aplicação do MEP diretamente na conta de investimento, a débito ou a crédito conforme o caso, e o art. 23 prescreve que a sua contrapartida, aumento ou redução, não será computada na determinação do lucro real (art. 388 e 389 do RIR/1999). Os lucros ou dividendos distribuídos pela coligada ou controlada são registrados pelo contribuinte como diminuição do valor de patrimônio líquido do investimento, sem influenciar o resultado do período (art. 22). O valor contábil para fins de apuração de ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento avaliado com base no patrimônio líquido da investida Fl. 296DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 1103001.047 S1C1T3 Fl. 297 18 deverá considerar o valor do patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade da contribuinte, segundo determinação do art. 33 do DL 1.598/1977 (art. 426 do RIR/1999). Alegouse na impugnação que a norma do art. 223, "m" do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 76.186/1975 (RIR/1975), utilizada pelo Excelentíssimo Ministro da Fazenda como fundamento legal para expedição da Portaria 785/1977, estaria baseada em princípio constante de vários dispositivos legais reveladores de isenção de imposto de renda quando os acréscimos de valor das participações societárias não sejam distribuídos aos seus titulares, mas sim mantidos no patrimônio líquido. A Portaria teria aplicado o referido princípio sem alterar o alcance e a inteligência da norma legal, o art. 223, "m" do RIR/1975. Prescreve o art. 223, "m", do RIR/19753 aprovado pelo Decreto 76.186/1975, tomado por fundamento para expedição da Portaria MF 785/1977: "Art. 223 Serão excluídos do lucro real para os efeitos de tributação: (...) m) valor das ações, quotas ou quinhões de capital, recebido em decorrência dos aumentos de capital efetuados nos termos e condições dos artigos 197, §§ 6º e 9º, 223, alínea I, 223, § 31, 236, 243, alínea d, 250, 254, § 3º, 283, 297, 577, 578, e 583 (Decretolei nº 1.096/70, art. 1º, §§ 6º e 7º, Lei nº 4.862/65, art. 49, Decretolei nº 1.260/73, art. 4º, Decretolei número 1.109/70, art. 3º e § 1º, Lei nº 4.357/64, art. 3º, § 6º, Decretolei nº 756/69, art. 25, Decretolei nº 1.338/74, art. 15, § 4º, Decreto lei nº 1.191/71, art. 9º, § único, Decretolei nº 221/67, art. 80, § 4º, Lei nº 5.508/68, art. 36, Decretolei nº 756/69, art. 24, § 4º, Decretolei nº 1.346/74, arts. 6º, § 3º, e 11, e Decretolei nº 1.370/74, art. 2º, § 3º); (...)" Segundo afirmação da autoridade fiscal no TVF, a Portaria teria ultrapassado o seu limite na condição de ato administrativo, concedendo isenção não prevista em lei, o que teria violado o art. 176 do CTN – Código Tributário Nacional (Lei 5.176/1966): "Sendo a isenção sempre decorrente de lei, é inegável que a mesma não pode ser concedida por meio de atos administrativos. Enunciando situações não previstas na lei para concessão da isenção, o ato administrativo na verdade burla o dispositivo legal, invadindo a competência do legislador." A Portaria não concede isenção, ela fixa critério de avaliação do investimento das corretoras, representado pelos títulos patrimoniais, com base no PL das bolsas de valores, matéria perfeitamente cabível no âmbito de competência da Administração, e dá interpretação para tratamento contábil e fiscal adequado nas corretoras dos acréscimos dos títulos patrimoniais das bolsas de valores organizadas sob a forma de associações, cujos PL devem ser obrigatoriamente atualizados segundo as normas do Conselho Monetário Nacional (CMN), da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e do Banco Central do Brasil (Bacen), garantindo neutralidade tributária. 3 Obtido no endereço eletrônico https://www.legisweb.com.br/legislacao/?id=32835 Fl. 297DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 1103001.047 S1C1T3 Fl. 298 19 Como exemplo, tomese novamente o regulamento anexo à Resolução CMN 2.690/2000: "Art. 9º. Ao término de cada exercício social, o valor do patrimônio social deve ser apurado com base nas demonstrações financeiras correspondentes, feitas de acordo com os procedimentos e critérios adotados pelas sociedades anônimas." O exercício social das bolsas de valores compreende o período de 1º de janeiro a 31 de dezembro de cada ano, segundo o art. 10 do regulamento citado. Nas corretoras associadas, as atualizações de títulos patrimoniais informadas pelas bolsas são valorizadas em cada levantamento de balanço de exercício para efeito de registro de ajustes, de acordo com o Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional (Cosif)4 anexo à Circular do Banco Central nº 1.273/1987, criado para unificar os diversos planos contábeis existentes à época e uniformizar os procedimentos de registro e elaboração de demonstrações financeiras das instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional. Não se deve esquecer que o valor contábil de um investimento integrante do ativo permanente pode ser expressado, a depender da situação específica, tanto pelo custo de aquisição quanto pela sua correspondência no PL da investida. No caso das corretoras associadas das bolsas de valores, optouse pela avaliação com base no PL também para fins fiscais, nos termos da tão citada Portaria MF n° 785/1977, incorporando ao âmbito tributário o modelo da Cosif. O art. 233, "m", do RIR/1975 disciplina o tratamento tributário no caso de participações societárias recebidas – de exclusão no lucro real da recebedora – em decorrência de incorporações ao capital da emitente consideradas isentas. O dispositivo legal equipara o tratamento nas duas pessoas jurídicas, emitente e recebedora, isentando as participações societárias recebidas como conseqüência de emissão resultante de incorporação de reserva ao capital isenta, a exemplo daquela formada sob aprovação da Cofie – Comissão de Fusão e Incorporação de Empresas, do art. 577 do mesmo regulamento e indicada no citado art. 223, "m". A Portaria reconhece o mesmo tratamento na corretora associada da reserva resultante do ajuste obrigatório decorrente da valorização do PL das bolsas constituídas sob a forma de associação. Como a valorização do PL das bolsas é isento para elas, também o é a contrapartida nas corretoras, representada pelos acréscimos dos títulos patrimoniais nos termos da Portaria. Descabe falarse em isenção concedida pela Portaria na existência de eventual ganho na alienação dos títulos patrimoniais. Consideramse especificamente para fins da apuração as disposições do art. 33 do DL 1.598/1977 (art. 426 do RIR/1999), computando se como custo de aquisição o valor contábil dos títulos avaliados segundo o PL das bolsas. Na hipótese de alienação por valor acima do contábil atualizado, incidirão IRPJ e CSLL nos termos do art. 31 do DL 1.598/1977 (art. 418 do RIR/1999). Observese o texto do art. 426 do RIR/1999: 4 1.11.3 – normas básicas/ativo permanente/outros investimentos Fl. 298DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 1103001.047 S1C1T3 Fl. 299 20 "Art. 426. O valor contábil para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido (art. 384), será a soma algébrica dos seguintes valores (DecretoLei nº1.598, de 1977, art. 33, e DecretoLei nº1.730, de 1979, art. 1º, inciso V): Ivalor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; IIágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte, excluídos os computados nos exercícios financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real; IIIprovisão para perdas que tiver sido computada, como dedução, na determinação do lucro real, observado o disposto no parágrafo único do artigo anterior." No caso concreto, não há isenção. Tratase de inexistência de ganho na alienação. Concluise, pois, que as associações podem sim, legalmente, ser objeto de cisão e que os títulos patrimoniais das bolsas de valores constituídas como associações devem ser avaliados para fins de registro contábil nas corretoras associadas pelo valor do patrimônio líquido das bolsas, da mesma forma que o são os investimentos avaliados segundo o método da equivalência patrimonial (MEP), conforme critério determinado por disposição expressa da Portaria MF 785/1977. Sendo certo que ocorreu cisão na etapa inicial do processo de desmutualização, afastase a aplicação do art. 239 do RIR/1999, que trata de hipótese de devolução de patrimônio, distinta do fato examinado nestes autos. Ainda que se cogitasse atribuir a natureza de reserva de reavaliação à diferença entre o custo de aquisição e o valor com base no PL, tal montante permaneceria livre de tributação ao menos no momento da cisão, por disposição expressa do art. 37 do DL 1.598/1977, matriz legal do art. 440 do RIR/1999. Quanto à alienação de títulos patrimoniais anterior ao referido processo na BM&F, na forma de integralização de aumento de capital realizado pela autuada na Prosper Gestão, não ocorreu qualquer ganho, tendo em vista a entrega dos títulos pelo valor contábil com base no PL da bolsa, tal qual determinam a Portaria MF 785/1977 e o art. 426 do RIR/1999. Deve, portanto, ser prestigiada a decisão recorrida, adotada com fundamento na interpretação da SC Cosit 13/1997. Pedese permissão para repetir a observação mencionada no início deste voto, de inexistência de qualificação da multa e de qualquer referência a ato simulado no relatório dos fatos da fiscalização, além de não se tratar de exigência tributária contra bolsas de valores, entidades que passaram pelo processo de desmutualização. O processo também inclui lançamento tributário do tipo conexo, decorrente ou reflexo, aplicandose a decisão relativa ao auto de infração matriz (IRPJ) igualmente ao julgamento do auto de infração conexo, decorrente ou reflexo (CSLL), conforme entendimento Fl. 299DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 1103001.047 S1C1T3 Fl. 300 21 amplamente consolidado na jurisprudência deste colegiado, uma vez que ambos os lançamentos, matriz e reflexo, estão apoiados nos mesmos elementos de convicção. A multa isolada deve ser excluída como conseqüência do afastamento das infrações, conforme exposto neste voto. Conclusão: Pelo exposto, nego provimento ao recurso de ofício. Aloysio José Percínio da Silva (assinatura digital) Declaração de Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro. Com esta declaração de voto apresentamse alguns contrapontos à tese majoritária, derivados essencialmente de fundamentos amplamente albergados pelos colegiados do CARF sobre o tema “desmutualização”, bem como por órgãos judiciais. Em razão do não provimento do recurso de ofício, deixouse de apreciar as autuações relativas às multas isoladas. Vejamos. A Bovespa era uma associação civil sem fins lucrativos, sendo que suas associadas (corretoras membros) detinham ao menos um título patrimonial, cujo valor de aquisição representava a contribuição ao capital da Bolsa. O termo “desmutualização”, em essência, representa a transferência das atividades da associação para uma companhia de capital aberto (sociedade anônima). Como afirmado por quem diz ter sido o responsável por fazer “todo o processo societário das Bolsas no Brasil” 5, Dr. Roberto Quiroga Mosquera, “...essas associações, as Bolsas, elas passaram por um processo mundial em que se denominou desmutualização, que nada mais é justamente isso, deixar de ser uma entidade sem fins lucrativos e passar a ser uma entidade com fins lucrativos”. Em certa medida, já se revela que a materialidade da operação revela uma transformação societária em que pese o véu da “cisão parcial”, como se verá adiante, tendo como consequência a caracterização de devolução dos títulos sob a forma de ações. 5 Transcrições da Mesa de Debates do IBDT, realizada em 26/9/13. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 1103001.047 S1C1T3 Fl. 301 22 Verseá no decorrer deste voto, que a transformação, embora típica de sociedades, foi realizada à margem do Código Civil. Não houve a dissolução do patrimônio e posterior devolução ou destinação pública na forma da lei, o que obrigatoriamente implica questionar a sua licitude. O processo iniciouse com o que se denominou “cisão parcial” e versão de grande parte do patrimônio cindido a duas sociedades: a Bovespa Serviços e Participações S/A (Bovespa Serviços), a quem foi destinado o valor de R$ 212.715.581,41; e a Bovespa Holding S/A (Bovespa Holding), que passou a deter R$ 890.878.528,59. Com a dita “cisão parcial”, o patrimônio da Associação Bovespa reduziuse para R$3.232.956,15, que representa apenas 0,29% do seu patrimônio anterior, e, por conseguinte, o valor de cada título patrimonial detido pelas corretoras. O objeto social da associação limitouse, então, a atividades acessórias, de estímulo a atividades do mercado imobiliário, promoção do contato e do intercâmbio entre os associados, desportivas etc., sendo que as atividades operacionais passaram a ser desempenhadas pela Bovespa Serviços, que alterou sua denominação para Bolsa de Valores de São Paulo S/A – BVSP. A Bovespa Serviços (BVSP) e a Bovespa Holding emitiram ações em favor dos detentores dos títulos patrimoniais, aos preços unitários de R$4,35 e R$2,06, respectivamente. Dentre os beneficiados encontravase a o autuado, Prosper S/A Corretora de Valores e Câmbios (Prosper S/A). Posteriormente, a Bovespa Holding adquire a totalidade da ações emitidas pela Bovespa Serviços e pela Câmara Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC), passando a ser controladora destas duas últimas. As corretoras de valores, anteriores titulares, recebem mais ações da Bovespa Holding. No caso da BM&F, cuja denominação foi posteriormente alterada para BM&F Associação, houve a versão do patrimônio cindido à BM&F S/A, que absorveu as atividades antes desempenhadas pela BM&F, restando a esta atividades acessórias, de cunho assistencial, educacional, desportivo etc. É importante destacar que anteriormente ao processo de desmutualização das Bolsas de Valores, os títulos patrimoniais eram registrados pelas corretoras em contas de Ativo Permanente, inicialmente pelo custo de aquisição, registrando, com o passar do tempo, variação decorrente das alterações dos patrimônios das próprias Bolsas. De pronto, é importante fixar que tal regime não se confunde com o Método de Equivalência Patrimonial (MEP), previsto na Lei nº 6.404, de 15/12/76, por este voltado às sociedades mercantis para a avaliação de investimentos (participações societárias). Ao contrário, a tese que prevaleceu por maioria neste julgamento foi a possibilidade de avaliação dos títulos patrimoniais “da mesma forma” que as avaliações procedidas segundo o MEP, mas sem aplicálo. Em essência, curiosamente foram prestigiados os fundamentos do MEP, como se fosse o MEP, mas que não era o MEP! Com a devida vênia, a jurisprudência do CARF é firme em tal sentido: Acórdãos nº 1301000.11, de 4/12/12, Redator Designado Cons. Paulo Jakson da Silva Lucas; nºs 1301001.225, de 12/6/13 e Fl. 301DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 1103001.047 S1C1T3 Fl. 302 23 1301001.341, de 3/12/13, Rel. Cons. Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior “[...] os títulos patrimoniais das bolsas de valores devem ser avaliados por seu custo de aquisição, pois nunca estiveram as sociedades corretoras autorizadas a avaliar tais cotas ou frações ideais pelo Método de Equivalência Patrimonial, mas, sim, autorizados pela Portaria nº 785/1977, a postergar a tributação sobre o valor dos acréscimos efetuados ao valor nominal das cotas ou frações ideais recebidos em virtude de aumento do capital social das bolsas de valores para o momento em que houvesse a redução do capital ou até mesmo a extinção dessas associações. Como bem reconheceu a decisão recorrida, o embate que se trava nestes autos coincide com o que tratado no âmbito da Receita Federal do Brasil, pela Coordenação Geral de Tributação por meio da Decisão Cosit nº 13/1997, que, numa primeira interpretação, reconheceu a aplicação do Método de Equivalência Patrimonial – MEP para avaliar os títulos patrimoniais representativos da participação das corretoras no capital das Bolsas, que eram instituições isentas, admitindo a neutralidade dos seus efeitos quanto à tributação, o que, segundo a recorrente acolheria sua tese e seria aplicável ao presente caso. Mas, como referido acima, a despeito do posicionamento da COSIT supramencionado, o que se imputa à recorrente é que, em momento posterior à Decisão 13/97, foi promulgada, em 10/12/1997, a Lei 9.532 que, em seu artigo 17, afastou a eficácia daquele entendimento porque previu, no caso de devolução de patrimônio, a tributação do valor de atualização do investimento no patrimônio de instituição isenta, representado pelo montante que excede o custo histórico do investimento, situação que esvazia o argumento de que se teria mudado o entendimento fiscal sem alteração do critério jurídico. Importante também salientar que os títulos representativos do patrimônio das Bolsas eram contabilizados na conta de ativo permanente das corretoras, ficando sujeitos às atualizações periódicas de acordo com as informações fornecidas pela BM&F e pela Bovespa, decorrentes do engrandecimento do patrimônio das Bolsas. Essas atualizações eram contabilizadas como acréscimos ao valor dos citados ativos, em contrapartida à subconta ‘reserva de atualização dos títulos patrimoniais’, dentro da conta ‘reserva de capital’, que compõe o patrimônio liquido das corretoras de acordo com as orientações contidas no COSIF — Plano Contábil das Instituições Financeiras, Capitulo 1, item 11, sub item 3, § 3º. A Portaria MF n° 785/1977 conferiu neutralidade tributária aos referidos acréscimos do valor desses títulos, enquanto mantidos no ativo de seus detentores.” Acórdão nº 1101000.833, de 8/11/12, Redatora Designada Cons. Edeli Pereira Bessa. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 1103001.047 S1C1T3 Fl. 303 24 “[...] De fato, como aventa a recorrente, há, aqui, semelhanças procedimentais com o Método de Equivalência Patrimonial, que pode resultar em acréscimos periódicos não tributáveis (art. 389 do RIR/99), e ainda assim representativos do valor contábil do investimento, para fins de apuração do ganho de capital em eventual alienação. Mas o cenário que autoriza este entendimento é totalmente distinto daquele no qual a contribuinte busca sua aplicação. Inicialmente devese observar que o Método da Equivalência Patrimonial é critério contábil de avaliação de ativos, reconhecido pela Lei nº 6.404/76 e pela doutrina contábil, diversamente da atualização determinada pelas referidas Resoluções do Banco Central. Na seqüência, há que se considerar que este acréscimo não é tributável porque resulta de operações de uma sociedade controlada ou coligada cujo acréscimo patrimonial está sujeito à tributação, diversamente da atualização em referência, que tem por lastro os superávits de uma associação civil sem fins lucrativos. Por fim, a investidora que é obrigada a atualizar o valor contábil de seu investimento pelo Método da Equivalência Patrimonial tem poderes para influenciar nas decisões da investida, em razão da relevância do investimento, diversamente da sociedade corretora, que só pode cogitar da realização dos resultados auferidos por intermédio do título patrimonial representativo de sua participação na BOVESPA em caso de sua alienação.” Acórdão nº 1402001.214, de 3/10/12, Rel. Cons. Antônio José Praga de Souza. “[...] Os títulos patrimoniais das bolsas de valores (associações) devem ser avaliados por seu custo de aquisição, e não pelo Método de Equivalência Patrimonial (MEP), estando apenas autorizadas pela Portaria nº 785/77, a postergar a tributação sobre o valor dos acréscimos efetuados ao valor nominal das cotas ou frações ideais recebidos em virtude de aumento do capital social das associações para o momento da redução do capital ou extinção das mesmas.” Acórdão nº 1202000.813, de 12/6/12, Redatora Designada Cons. Viviane Vidal Wagner “[...] Também não procede o argumento de que os ajustes realizados na apuração do custo do patrimônio vertido teriam natureza de mera equivalência patrimonial, e que, de acordo com os art. 225, §1º e 389 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), em caso de avaliação por este método eventual elevação do investimento não acarreta incidência do IRPJ e da CSLL, conforme já havia sido definido pelas autoridades fiscais nos termos da Solução de Consulta COSIT nº 13/97. Quanto a isso, basta referir que o Método da Equivalência Patrimonial (MEP), previsto no art. 248 da Lei nº 6.404/76, como método de avaliação de investimento, destinase única e exclusivamente aos investimentos realizados em sociedades comerciais. Como a hipótese tratada nos autos referese a valores oriundos do patrimônio de associações sem fins Fl. 303DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 1103001.047 S1C1T3 Fl. 304 25 lucrativos, é incabível a utilização desse método, e a única forma de contabilizálos é através do seu custo de aquisição. Nesse sentido, nenhuma norma infralegal emitida pela CVM como parte de seu poder regulamentar sobre as companhias abertas, o qual foi conferido pela própria Lei nº 6.404/76 (art. 4º), poderia se estender às bolsas de valores constituídas sob a forma de associação civil. Ademais, a referida Portaria nº 785, de 1977, apenas autorizava a postergação da tributação sobre o valor dos acréscimos efetuados ao valor nominal das cotas ou frações ideais recebidos em virtude de aumento do capital social das bolsas de valores para o momento em que houvesse a redução do capital ou até mesmo a extinção dessas associações.” Acórdão nº 130200.880, de 11/4/12, Rel. Cons. Marcos Rodrigues de Mello. “[...] os títulos patrimoniais das bolsas de valores devem ser avaliados por seu custo de aquisição, pois nunca estiveram as sociedades corretoras autorizadas a avaliar tais cotas ou frações ideais pelo MEP, mas, sim, autorizados pela Portaria nº 785, de 1977, a postergar a tributação sobre o valor dos acréscimos efetuados ao valor nominal das cotas ou frações ideais recebidos em virtude de aumento do capital social das bolsas de valores para o momento em que houvesse a redução do capital ou até mesmo a extinção dessas associações.” Na jurisprudência consolidada no âmbito do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, o entendimento é o mesmo, como se verá ao final deste voto. Acrescentemse ainda alguns fundamentos tecidos pela I. ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional em memoriais distribuídos aos Conselheiros, quando pugnou pela inaplicabilidade do MEP na avaliação do patrimônio das associações, com grifos que constam do original: “[...] a legislação aplicável às sociedades não pode ser estendida às associações em razão das próprias características que diferenciam um e outro tipo de pessoa jurídica. Portanto, resta inviabilizada a pretensão de estender à Bovespa e à BM&F a legislação de regência das sociedades empresárias. .... Ora, o MEP foi introduzido no ordenamento jurídico brasileiro pela Lei nº 6.404, de 1976, e deve ser aplicado de acordo com os preceitos firmados por este diploma legal. Assim, o primeiro aspecto que deve ser ressaltado é que a Lei nº 6.404, de 1976, tem como destinatárias as sociedades por ações, que possuem natureza jurídica totalmente diversa das associações. Com efeito, basta lembrar que a BOVESPA e a BMF foram instituídas como associações sem fins lucrativos, enquanto as sociedades por ações servem para o desenvolvimento de atividades empresariais – cujo objetivo é proporcionar lucro aos seus sócios. Desse modo, fica evidente a incompatibilidade da Lei nº 6.404, de 1976, com o regime jurídico das associações. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 1103001.047 S1C1T3 Fl. 305 26 ..... Com efeito, inferese da leitura do art.248 da Lei nº 6.404, de 1976, que o MEP só se aplica aos investimentos em sociedades controladas ou coligadas. Diante disso, não se pode admitir que o Poder Regulamentar conferido à CVM, pela Lei nº 6.404 de 1976, possa servir para autorizar a extensão do MEP para as Bolsas de Valores constituídas sob a forma de associação civil. Isso porque o art.4º da referida lei evidencia que as normas expedidas pela CVM sujeitam apenas as companhias abertas. Por outro lado, se o Ofício Circular CVM nº 325/1979, e a Circular do Banco Central do Brasil nº 1.273/1987 conferiram tal prerrogativa às corretoras, o fizeram desrespeitando o art.248 da Lei nº 6.404, de 1976. Isso porque o citado dispositivo legal restringe a aplicação do MEP para avaliação de investimentos em sociedades coligadas ou controladas. Ora, Srs. Conselheiros, é possível conceber que as corretoras eram coligadas ou controladoras das Bolsas de Valores? Se prevalecer o entendimento de que as corretoras poderiam avaliar seus títulos patrimoniais nas Bolsas de Valores pelo MEP, restaria desconfigurada ou simplesmente ignorada a natureza jurídica das próprias Bolsas de Valores. Significa dizer que o MEP serviria para associados avaliarem sua participação no patrimônio da associação – o que é totalmente incompatível com a finalidade e a estrutura de uma associação sem fins lucrativos. Acrescentese ainda que a Circular do Banco Central do Brasil nº 1.273/1987 determina apenas que as sociedades corretoras observem normas consubstanciadas no COSIF, mas de forma alguma autorizou que se avaliassem investimentos em associações pelo MEP. Vale a pena transcrever as disposições da referida Circular: Às Instituições Financeiras e demais Entidades Autorizadas a Funcionar pelo Banco Central do Brasil, Comunicamos que a Diretoria do Banco Central do Brasil, em sessão realizada em 16.12.87, com fundamento no art.4., inciso XII, da Lei n. 4.565, de 31.12.64, por competência delegada pelo Conselho Monetário Nacional, decidiu instituir, para adoção obrigatória a partir do Balanço de 30.06.88, o anexo PLANO CONTÁBIL DAS INSTITUIÇÕES DO SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL – COSIF. 2. As normas consubstanciadas no COSIF aplicamse aos bancos comerciais, bancos de desenvolvimento, bancos de investimento, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de arrendamento mercantil, sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários, sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários, sociedades de crédito imobiliário, associações de poupança e empréstimo, caixas econômicas e cooperativas de crédito. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 1103001.047 S1C1T3 Fl. 306 27 3. O período compreendido entre janeiro e junho de 1998 é considerado como de implantação, devendo as instituições financeiras tomar as providências necessárias para que a sua escrituração esteja em condições de fornecer, em 30.06.88, os dados indispensáveis ao levantamento das demonstrações financeiras exigidas. 4. Observarseá também o seguinte: a) considerada a database de 30.06.88, remeterseá ao Banco Central o Balancete Geral Analítico (Doc. n.01), confeccionado de acordo com os planos contábeis vigentes, ou na forma usual, no caso de instituições que não possuam, ainda, demonstrações padronizadas pelo Banco Central; b) juntarseão ao Balancete Geral Analítico, indicado no item 4.1, as demonstrações financeiras previstas no COSIF, dispensada a Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos – DOAR (Doc. n.12); c) a Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos – DOAR, relativa ao Balanço de 31.12.88, será elaborada segundo as variações patrimoniais que afetarem o disponível no período de 01.07 a 31.12.88; d) dispensarseá, em 30.06 e 31.12.88, a publicação das demonstrações financeiras de forma comparada com as de outros períodos. (destaques não constam do original). Como se vê, o que tais dispositivos determinam não se confunde com a equivalência patrimonial, pois o MEP é método de avaliação de investimento e não, método de apuração de patrimônio social. Os que os aludidos dispositivos tratam é da apuração do próprio patrimônio das bolsas de valores, de como ele deve ser repartido pelo número de títulos patrimoniais e da emissão de novos títulos. [...] não havia autorização para que as corretoras avaliassem seus títulos patrimoniais da BOVESPA e da BMF utilizando o MEP. Esse entendimento apenas confirma que o regime jurídico das Bolsas de Valores era distinto das sociedades por ações – e não poderia ser diferente, visto que a BOVESPA e a BMF eram entidades sem fins lucrativos, ao contrário das sociedades empresárias. Assim, resta evidenciado que nenhuma lei ou DecretoLei fundamentou a pretensão do contribuinte de avaliar seus títulos patrimoniais das Bolsas de Valores pelo MEP.” Assim, não há se falar em aplicação da metodologia de avaliação inerente ao MEP. Não é demasiado lembrar que o ganho decorrente das atualizações dos títulos patrimoniais das antigas Bolsas de Valores não foi tributado. No caso das sociedades por ações, o fato de não se computar, na determinação do lucro real, a contrapartida do ajuste do valor do investimento registrada nas contas de resultado, decorre do princípio da legislação tributária de tributar o lucro da pessoa jurídica uma única vez, naquele que o produz (Pedreira, Bulhões. Imposto sobre a renda – pessoas jurídicas. V. I, Rio de Janeiro: Justec, 1979, pp. 531532) A dessemelhança das situações fáticas não autoriza a aplicação do MEP. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 1103001.047 S1C1T3 Fl. 307 28 Como visto, com a desmutualização, as corretoras de valores, dentre as quais a autuada, tornaramse titulares de ações das novas companhias, com ganho na devolução do capital antes destinado às associações isentas. Em termos tributários, tal situação reclama a incidência do art.17 da Lei nº 9.532, de 10/12/97: Art. 17. Sujeitase à incidência do imposto de renda à alíquota de quinze por cento a diferença entre o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, por pessoa física, a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver entregue para a formação do referido patrimônio. §1º Aos valores entregues até o final do ano de 1995 aplicamse as normas do inciso I do art. 17 da Lei nº 9.249, de 1995. §2º O imposto de que trata este artigo será: a) considerado tributação exclusiva; b) pago pelo beneficiário até o último dia útil do mês subseqüente ao recebimento dos valores. §3º Quando a destinatária dos valores em dinheiro ou dos bens e direitos devolvidos for pessoa jurídica, a diferença a que se refere o caput será computada na determinação do lucro real ou adicionada ao lucro presumido ou arbitrado, conforme seja a forma de tributação a que estiver sujeita. §4º Na hipótese do parágrafo anterior, para a determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido a pessoa jurídica deverá computar: a) a diferença a que se refere o caput, se sujeita ao pagamento do imposto de renda com base no lucro real; b) o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos, se tributada com base no lucro presumido ou arbitrado. A propósito, a exposição de motivos da MP nº 1.602, de 14/11/97, posteriormente convertida na Lei nº 9.532/97, referente ao art.17 expôs o objetivo de “...aplicação, às referidas entidades, dos mesmos critérios estabelecidos para as demais pessoas jurídicas quanto a entrega de dinheiro, bens ou direitos para a formação do patrimônio, bem quanto à devolução de referidos valores, tributandose a diferença de valores entre as duas operações, quando dela resultar ganho para a pessoa física ou jurídica que receber a devolução”. Quanto ao acréscimo do valor nominal dos títulos patrimoniais, a I. Cons. Edeli Pereira Bessa, no voto vencedor do Acórdão nº 1101000.833, de 8/11/12, fez uma precisa análise à vista da Portaria MF nº 785/77, evidenciando a repercussão tributária do processo de desmutualização, cujas razões de decidir aqui são adotadas, verbis: “[...] A Portaria MF nº 785/77 declarou que o acréscimo do valor nominal dos títulos patrimoniais das Bolsas de Valores, em decorrência de alteração de seu patrimônio social não constitui receita nem ganho de capital, desde que mantido em reserva, providência, inclusive, determinada pelo BACEN. Nestes termos, enquanto não alienado ou baixado o investimento que gerou aquele rendimento, não há incidência de IRPJ e CSLL como Fl. 307DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 1103001.047 S1C1T3 Fl. 308 29 extensamente justificado no início deste voto. A devolução de patrimônio pela associação isenta nada mais é do que a baixa deste investimento, e a apuração do ganho de capital deve observar o diz a legislação, consoante já expresso neste voto, integrando a hipótese de incidência expressa no art. 17 da Lei nº 9.532/97, que expressamente alcança todo o acréscimo auferido entre o aporte inicial e a devolução do patrimônio. Em suma, inexiste tributação se o patrimônio da associação isenta com ela permanece ou é destinado a outra entidade sem fins econômicos, consoante permite o Código Civil. Se o patrimônio é destinado a entidade com fins econômicos, o que pressupõe, necessariamente, a sua devolução aos associados, há realização dos resultados segundo a determinação legal e, por conseqüência, incidência de IRPJ e CSLL quando o beneficiário deste ganho é pessoa jurídica” A respeito do que se denominou formalmente de “cisão parcial”, até mesmo a efetivação desta não se mostra tranquila no caso das associações. A norma que se extrai do art.20336 das Disposições Finais e Transitórias do Código Civil, em que pese a menção ao seu art.447, não alcança, por exemplo, a cisão de associações. Tal artigo não pode ser lido isoladamente, não podendo o intérprete descuidarse das demais normas do sistema jurídico. Ao tratar de tal instituto, o mesmo codex, nos arts. 1.113 a 1.222 (“Da Transformação, da Incorporação, da Fusão e da Cisão das Sociedades”) especificamente sempre faz referência ao termo “sociedade” ou “sócios”. Com o art.2.033, considerando que a cisão das sociedades anônimas está prevista na Lei nº 6.404/76, o estatuto civil codificado buscou deixar claro que incide sobre as demais “sociedades” a sua regulamentação sobre o instituto, ou seja, sobre as Sociedades em Conta de Participação; Sociedades em Nome Coletivo; Sociedades Simples; Sociedades em Comandita Simples; Sociedade Limitada, no que lhes for aplicável. O regime jurídico conferido às associações é explicitamente apartado do das sociedades, conforme arts. 53 a 61 do Código Civil, com regras próprias, mormente quanto à sua dissolução. Quando o legislador ordinário do Código Civil quis aplicar às demais pessoas jurídicas as normas inerentes às sociedades fez de forma expressa nas disposições gerais, a exemplo do art.51, §2º (“As disposições para a liquidação das sociedades aplicamse, no que couber, às demais pessoas jurídicas de direito privado”). 6 Salvo o disposto em lei especial, as modificações dos atos constitutivos das pessoas jurídicas referidas no art. 44, bem como a sua transformação, incorporação, cisão ou fusão, regemse desde logo por este Código. 7 Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: I as associações; II as sociedades; III as fundações; IV as organizações religiosas; V os partidos políticos; VI as empresas individuais de responsabilidade limitada. §1º São livres a criação, a organização, a estruturação interna e o funcionamento das organizações religiosas, sendo vedado ao poder público negarlhes reconhecimento ou registro dos atos constitutivos e necessários ao seu funcionamento. §2º As disposições concernentes às associações aplicamse subsidiariamente às sociedades que são objeto do Livro II da Parte Especial deste Código. §3º Os partidos políticos serão organizados e funcionarão conforme o disposto em lei específica. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 1103001.047 S1C1T3 Fl. 309 30 Nessa discussão é importante ter em mente que o art.2.033 do Código Civil tratase de uma norma transitória, como muito bem percebido pelo Dr. Luís Eduardo Schoueri, ao afirmar 8: “Quer me parecer que o 2.033, em norma transitória, é para dizer a partir de quando eu aplico. Não me parece que o 2.033 seja argumento suficiente para ser invocado para dizer que o Código se aplica a situações não reguladas ou coisa parecida. Ou seja, eu prefiro a autonomia do direito privado, eu prefiro o argumento de autonomia do que o 2.033 para isso. Na minha leitura, o 2.033 é uma regra temporal, ou seja, regra intertemporal a partir de quando se aplica o novo Código Civil.” Da análise das operações envolvidas no processo que culminou com a desmutualização das Bolsas, vêse com facilidade que restou como cisão apenas o nome da operação. No caso das associações, o Código Civil, ao estabelecer o seu regime jurídico, prevê a destinação de seu patrimônio no caso de dissolução, para beneficiar entidade de fins não econômicos ou associados que contribuíram para a sua formação. Vejamos: Art. 53. Constituemse as associações pela união de pessoas que se organizem para fins não econômicos. Parágrafo único. Não há, entre os associados, direitos e obrigações recíprocos. Art. 54. Sob pena de nulidade, o estatuto das associações conterá: ..... VI as condições para a alteração das disposições estatutárias e para a dissolução. ..... Art. 61. Dissolvida a associação, o remanescente do seu patrimônio líquido, depois de deduzidas, se for o caso, as quotas ou frações ideais referidas no parágrafo único do art. 56, será destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto, ou, omisso este, por deliberação dos associados, à instituição municipal, estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes. §1o Por cláusula do estatuto ou, no seu silêncio, por deliberação dos associados, podem estes, antes da destinação do remanescente referida neste artigo, receber em restituição, atualizado o respectivo valor, as contribuições que tiverem prestado ao patrimônio da associação. § 2o Não existindo no Município, no Estado, no Distrito Federal ou no Território, em que a associação tiver sede, instituição nas condições indicadas neste artigo, o que remanescer do seu patrimônio se devolverá à Fazenda do Estado, do Distrito Federal ou da União. 8 Transcrições da Mesa de Debates do IBDT, realizada em 26/9/13. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 1103001.047 S1C1T3 Fl. 310 31 No caso concreto, como se falar, por exemplo, materialmente em cisão da Bovespa, quando o patrimônio da atual Associação, após o rearranjo da pessoa jurídica implicou na redução do seu patrimônio para apenas 0,29% do anterior, somadose ao fato de que com tal entidade restou o exercício de atividades acessórias, com as atividades operacionais passando a ser desempenhadas pela Bovespa Serviços, posteriormente denominada de Bolsa de Valores de São Paulo S/A – BVSP? A I. Cons. Edeli Pereira Bessa, redatora do voto vencedor do Acórdão nº 1101000.833, de 8/11/12, valendose, inclusive de decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, bem equaciona a controvérsia em igual sentido, verbis: “[...] Neste cenário jurídico, a dissolução da associação civil sem fins lucrativos deve resultar na destinação de seu patrimônio a entidade de fins não econômicos, idênticos ou semelhantes aos seus, ou favorecer os associados que contribuíram para a formação de seu patrimônio. E, caso bens e direitos sejam devolvidos a pessoa que contribuiu para formação do patrimônio da associação civil, haverá a incidência tributária prevista no art. 17 da Lei nº 9.532/97. Estas regras aplicamse, inclusive, em caso de dissolução parcial da associação civil, devendo o parágrafo único do art. 16 da Lei nº 9.532/97 ser interpretado à luz do Código Civil de 2002, que somente permite a transferência de bens e direitos do patrimônio das entidades isentas para o patrimônio de outra pessoa jurídica de fins não econômicos. Inexistindo a possibilidade de cisão da associação civil, ou mesmo de destinação de seu patrimônio a entidade de fins econômicos, o fato jurídico que converteu os títulos patrimoniais que a recorrente possuía em Bolsa de Valores em ações de Bolsa de Valores somente pode ser caracterizado como dissolução parcial da associação sem fins lucrativos, com devolução de patrimônio a associado, que utiliza este valor para aporte de capital na sociedade anônima referida. Em tais circunstâncias, a diferença entre o valor recebido e o valor antes entregue à associação deverá ser adicionada à base de cálculo do IRPJ e da CSLL (art. 17, caput c/c §§ 3o e 4o da Lei nº 9.532/97) Aliás, recente decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região orientase neste mesmo sentido: PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO MANDAMENTAL. IRPJ. CSLL. BM&F BOLSA DE MERCADORIAS E FUTURO DE SÃO PAULO. OPERAÇÃO DE DESMUTUALIZAÇÃO. TÍTULOS CONVERTIDOS EM AÇÕES DE S/A. LEI 9.532/97, ART. 17. INCIDÊNCIA NA ESPÉCIE. 1. O processo de desmutualização trouxe ganhos patrimoniais à impetrante que passou de simples associada da BM&F à detentora de ações na nova holding, acrescendo ao seu patrimônio as novas ações adquiridas com os valores que havia despendido para a formação da associação e que lhe fora devolvido. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 1103001.047 S1C1T3 Fl. 311 32 2. A devolução implicou em aplicação de parte dos valores que compunha o patrimônio da associação em ações de empresa com fins lucrativos, o que desnatura o processo de sucessão legal das associações e autoriza a incidência de tributos em razão do acréscimo patrimonial experimentado pela impetrante. 3. Não há que se falar em avaliação pelo método de equivalência patrimonial porquanto o Decreto 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda), autoriza a utilização de tal método apenas na hipótese de investimentos em controladas e coligadas, não sendo este o caso dos autos. 4. Também não socorre a impetrante a Solução de Consulta nº 13 de 10/11/97, proferida antes da vigência da Lei 9.532/97. O mesmo vale para a aplicação da Portaria nº MF nº 785/77, já que esta cuidava de ‘constituição de reserva com os acréscimos no valor nominal dos títulos’ e a exclusão de tais acréscimos ao lucro real, não sendo este o caso dos autos. 5. O processo de desmutualização autoriza a incidência do imposto de renda e da CSLL, como pretendido pelo Fisco, nos exatos termos do quanto disposto no artigo 17 da Lei nº 9.532/97. 6. Apelação que se nega provimento. (Apelação Cível nº 003517962.2007.4.03.6100/ SP, processo nº 2007.61.00.0351795/ SP, Relator Desembargador Federal Márcio Moraes, sessão de 19 de julho de 2012).” O fato é que as corretoras de valores, dentre as quais o contribuinte autuado, detinham partes do patrimônio de entidades isentas, no caso as Bolsas de Valores, sendo que passaram a deter cotas do capital social decorrentes da devolução do patrimônio inicialmente investido, sendo o ganho naturalmente tributável à luz do art. 17 da Lei nº 9.532/97. No âmbito judicial, a jurisprudência confirma firmemente a tributação. Vejamos, exemplificativamente: “TRIBUTÁRIO IRPJ CSLL BOLSA DE VALORES DE SÃO PAULOBOVESPA E BOLSA DE MERCANTIL E FUTUROS BM&F DESMUTUALIZAÇÃO SUBSTITUIÇÃO DE TÍTULOS PATRIMONIAIS DAS ASSOCIADAS POR AÇÕES DA BOVESPA HOLDING S.A. E DA BM&F S.A. RESOLUÇÃO CMN 2.690/2000 PORTARIA MF 785/77 E SOLUÇÃO DE CONSULTA SRF13/97 LEI Nº 9.532/97 E SOLUÇÃO DE CONSULTA SRF10/2007 MÉTODO DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL (ART. 248, DA LEI 6.404/76) INAPLICABILIDADE VALORIZAÇÃO DOS TÍTULOS PATRIMONIAIS ACRÉSCIMO PATRIMONIAL INCIDÊNCIA DOS TRIBUTOS DEPÓSITOS JUDICIAIS À ORDEM DO JUÍZO A QUO REALIZADOS SPONTE PROPRIA DELIBERAÇÃO AGRAVO RETIDO. 1. Não se conhece do agravo se a parte não requerer expressamente, nas razões ou na resposta da apelação, sua apreciação pelo Tribunal, nos exatos Fl. 311DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 1103001.047 S1C1T3 Fl. 312 33 termos do artigo 523, § 1º, do Código de Processo Civil. 2. Com fulcro na Resolução do Conselho Monetário Nacional nº 2.690/2000, optou a Bolsa de Valores de São PauloBOVESPA e a Bolsa de Mercantil e FuturosBM&F pelo processo de desmutualização, passando de associações civis sem fins lucrativos, para o regime das sociedades anônimas, regido pela Lei nº 6.404/76, sendo as sociedades a elas associadas, caso das impetrantes, obrigadas a substituírem os títulos patrimoniais de que eram detentoras, por ações da Bovespa Holding S.A. e da BM&F S.A. 3. Inicialmente, a Portaria do Ministério da Fazenda MF 785/77 e a Solução de Consulta da Secretaria da Receita Federal nº 13/97 não previram fosse a substituição hipótese de incidência do IRPJ e da CSLL. Entretanto, tal entendimento foi superado pelo disposto no art. 17, da Lei nº 9.532/97, seguindo o a Solução de Consulta da Secretaria da Receita Federal nº 10/2007, não deixando dúvidas quanto à incidência dos tributos na espécie. Com efeito, assim dispôs o preceito legal mencionado: [...] 4. De outra parte, como se observa do entendimento jurisprudencial colacionado, também não socorrem as contribuintes as disposições insertas no art. 248, da Lei nº 6.404/76 e, ainda, na Portaria MF nº 785/77 e na Solução de Consulta nº 13/97, no sentido de que receberiam tais participações (aquisição de títulos das Bolsas mencionadas) o mesmo tratamento tributário reservado à equivalência patrimonial. Isso porque o citado preceito legal, como outros, está inserto em capítulo da Lei das Sociedades Anônimas no qual sobressaem normas voltadas à prestação de informações no relatório anual e nas demonstrações financeiras da companhia relativas aos investimentos por ela detidos em sociedades coligadas e controladas, que, nos termos da Lei, devem ser feitas segundo o método da equivalência patrimonial. Não cuida, portanto, do caso tratado nos autos. Com efeito, é bastante claro o art. 248 da Lei nº 6.404/76 ao dispor que, ‘no balanço patrimonial da companhia, os investimentos em coligadas ou em controladas e em outras sociedades que façam parte de um mesmo grupo ou estejam sob controle comum serão avaliados pelo método da equivalência patrimonial [...]’. Em suma, o método da equivalência patrimonial serve para a avaliação de investimentos em controladas e coligadas, o que não é o caso, uma vez que o ganho auferido referese a uma única operação específica, relativa à troca de títulos patrimoniais por ações. 5. Destarte, pacífico que o processo de desmutualização da BOVESPA e da BM&F, do qual decorreu a substituição dos títulos patrimoniais das apelantes por ações da Bovespa Holding S.A. e da BM&F S.A., gerou acréscimo patrimonial, sendo caso de incidência da tributação, nos termos da legislação pertinente aplicável. Nesse sentido, os seguintes precedentes desta e de outras Cortes Regionais Federais: Processo: AI 01051154420074030000 AI AGRAVO DE INSTRUMENTO 322814 Relatora: Des. Fed. SALETTE NASCIMENTO Sigla do órgão: TRF3 Órgão julgador: Quarta Turma Fonte: DJF3 Data: 19/08/2008; Processo: AMS 00087060520084036100 AMS APELAÇÃO CÍVEL 313991 Fl. 312DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 1103001.047 S1C1T3 Fl. 313 34 Relator: Juiz Fed. Conv. RUBENS CALIXTO Sigla do órgão: TRF3 Órgão julgador: Terceira Turma Fonte: eDJF3 Judicial 1 Data: 20/07/2012; Processo: AC 200851010065590 AC APELAÇÃO CIVEL 432856 Relator: Des. Fed. THEOPHILO MIGUEL Sigla do órgão: TRF2 Órgão julgador: Terceira Turma Especializada Fonte: EDJF2R Data:16/10/2012 p. 77. [...]” (AMS 00349527220074036100, APELAÇÃO CÍVEL – 321569, TRF 3ª Região, Sexta Turma, de 23/10/14, eDJF3 31/10/14, Rel. Des. Mairan Maia) “DIREITO PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PARCIAL OMISSÃO. JUNTA COMERCIAL E CVM. AUSÊNCIA DE ATRIBUIÇÃO. MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. NÃO APLICAÇÃO. DECADÊNCIA AFASTADA. REDISCUSSÃO DA MATÉRIA. IMPOSSIBILIDADE. EMBARGOS PARCIALMENTE ACOLHIDOS. [...] O método da equivalência patrimonial não se aplica na operação de ‘desmutualização’, visto que a participação das Corretoras nas Bolsas ocorre como associadas e não como Coligadas ou Controladas. Neste sentido, os seguintes arestos desta Corte. Também não prospera a alegação de parcial decadência do direito do Fisco exigir as exações discutidas nos autos, eis que o fato gerador do IRPJ e CSLL motivado pela devolução dos títulos no momento da operação de desmutualização, ocorreu somente na transformação da BOVESPA e BM&F em sociedades anônimas, que se deu em 28 de agosto e 20 de setembro de 2007, respectivamente, ou seja, menos de um ano antes da impetração do presente mandado de segurança, protocolado em 24/01/2008, para, justamente, discutir a exação [...]” (AMS 00023838120084036100, APELAÇÃO CÍVEL – 319038, TRF 3ª Região, 4ª Turma, de 29/5/14, eDJF 22/7/14, Rel. Des. Mônica Nobre) “MANDADO DE SEGURANÇA. INCIDÊNCIA DE IRPJ E CSSL. BOVESPA E BM&F. OPERAÇÃO DE "DESMUTUALIZAÇÃO". TÍTULOS PATRIMONIAIS CONVERTIDOS EM AÇÕES DE S/A. PORTARIA MF 785/77. DECRETOLEI 1.109/70. CTN: ART. 111. LEI 9.532/97, ART. 17. 1. Com a operação de ‘desmutualização’ das Bolsas, ocorrida no ano de 2007 em que as mesmas deixaram de ser associações civis sem fins lucrativos e passaram a se constituir em sociedades anônimas, ocorreu a substituição dos títulos patrimoniais dos associados, detidos pelos impetrantes por ações da Bovespa Holding S/A e BM&F S/A, alterando a situação jurídicotributária então existente. 2. De fato, superando o biênio inicial de vigência do NCC não mais se viabilizaria a transformação de entidades associativas em sociedades, ante o silêncio do seu art. 1.113, quanto àquelas, destinadas a extinção, nos casos da espécie, facultado o retorno das contribuições vertidas ao patrimônio associativo (NCC: art. 61, §§ 1º e 2º), o que se operou através da substituição dos títulos patrimoniais dos associados pelas ações das novas sociedades, estas com e aquelas sem finalidade lucrativa. 3. Hipótese em que opera efeitos a previsão do art. 177 e § 2º da Fl. 313DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 1103001.047 S1C1T3 Fl. 314 35 Lei nº 6.404, de 1976, desde sua redação original, exsurgindo as conseqüências tributárias advindas dos novos lineamentos civis, sem que necessário perquirir acerca da validade das deliberações sociais tomadas em prol da ‘desmutualização’ operada. 4. Daí porque remanesce integra a Solução de Consulta nº 10/2007, incidindo na espécie, tanto o IRPJ com a CSL, a teor da Lei 9.532 de 10/12/97, art. 17, §§ 3º e 4º. 5. Não tem lugar a utilização do Método de Equivalência Patrimonial, já que o mesmo somente é viável nas hipóteses de investimentos em controladas e coligadas, nos termos do que dispõe os arts. 384, 387, 388, do Decreto 3000/99. 6. Precedente desta Corte: AG 2007.03.00.1051159. De minha relatoria: AMS 0008121 50.2008.4.03.6100/SP 7. Tampouco incide a Portaria MF 785/77, restrita ao acréscimo do valor nominal dos títulos patrimoniais não distribuídos e segregados contabilmente para compulsória incorporação ao capital associativo (CTN: art. 111). 8. Improsperam, pelas mesmas razões, os pedidos subsidiários, na medida em que assentada a incidência das exações no momento da conversão dos títulos patrimoniais em ações, verificado com a desmutualização em 28/08/2007, sobre a diferença entre o valor de aquisição dos primeiros e o valor de devolução em ações. 9. Não há decadência, portanto, para excluir da base de cálculo atualizações levadas a efeito até 2002, nem como excluir da tributação aquelas procedidas até o advento da Solução de Consulta COSIT nº 10/07, máxime porque apenas espelha entendimento da União, não detendo qualquer força legal. Por fim, como já ressaltado, em caso de posterior alienação de ações, poderá ocorrer nova incidência, se verificado ganho de capital, o que não inviabiliza a cobrança ora hostilizada. 10. Precedentes desta E. Corte (Terceira Turma: AMS 000852215.2009.4.03.6100, AMS 0002384 66.2008.4.03.6100 e AMS 000870605.2008.4.03.6100, todos de relatoria do Juiz convocado Rubens Calixto; AMS 0008121 50.2008.4.03.6100, de minha relatoria). 11. Apelo da impetrante a que se nega provimento.” (AMS 00045437920084036100, APELAÇÃO CÍVEL – 336488, TRF 3ª Região, 3ª Turma, de 8/5/14, eDJF3 16/5/14, Rel. Juiz Convocado Roberto Jeuken) “MANDADO DE SEGURANÇA. BOVESPA E BM&F. OPERAÇÃO DE "DESMUTUALIZAÇÃO". DEVOLUÇÃO DE VALORES, NA PRÁTICA, LUCRATIVA, É TRIBUTÁVEL. GANHO PATRIMONIAL EXISTENTE. INCIDÊNCIA DE IRPJ E CSLL. APELAÇÃO IMPROVIDA. 1. Da leitura do artigo 61 do Código Civil, concluise que, em caso de dissolução, não poderia o patrimônio de uma associação passar para uma sociedade com fins econômicos, como foi o caso dos presentes autos, em que o patrimônio da Bovespa (associação) foi incorporado pela Bovespa Holding S/A (sociedade empresária). 2. Há uma devolução de patrimônio, e a diferença entre o valor entregue e o devolvido deve ser tributada, sendo o objetivo do mencionado artigo 61, exatamente, o de evitar o aproveitamento da isenção, por anos a fio, por parte da associação, que pura e simplesmente se converte em entidade econômica e pretende a equivalência (que somente poderia existir no plano meramente contábil) dos valores que antes sofreram valorização e foram, Fl. 314DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 1103001.047 S1C1T3 Fl. 315 36 repitase, majorados indiretamente em razão da isenção fiscal de que gozavam. 3. Com tal operação, os associados das referidas associações tiveram mesmo ganho patrimonial, já que passaram a ser acionistas de sociedades anônimas, com finalidade de lucro, sendo o montante a ser oferecido à tributação a diferença entre o valor nominal das ações recebidas a título de devolução e o custo de aquisição dos títulos patrimoniais das extintas associações, nos termos do que estabelece o citado art. 17, §§ 3º e 4º, da Lei nº 9.532/97, dispositivo que, digase de passagem, não exigiria nem mesmo a transferência efetiva de numerário, bastando, para que se realizasse a incidência, a transferência valorativa dos direitos da associação até então isenta. 4. A venda posterior de tais ações poderá ser fato gerador dos tributos combatidos, havendo neste caso uma nova incidência tributária, distinta daquela que ocorreu no momento da devolução do patrimônio, uma devolução lucrativa, na forma de ações. 5. Constatada a legalidade da cobrança de IRPJ e CSLL sobre os acréscimos patrimoniais decorrentes da operação de ‘desmutualização’ da Bovespa. Precedentes desta Corte. 6. Apelação a que se nega provimento. (AMS 00345898520074036100, APELAÇÃO CÍVEL – 314788, TRF 3ª Região, Quarta Turma, de 14/11/13, eDJF3 3/12/13, Rel. Des. Alda Basto) “AGRAVO INOMINADO. TRIBUTÁRIO. BOVESPA. OPERAÇÃO DE DESMUTUALIZAÇÃO. TÍTULOS CONVERTIDOS EM AÇÕES DE S/A. LEI 9.532/97. ART. 17. IRPJ. CSLL. INCIDÊNCIA. DIREITO LÍQUIDO E CERTO. AUSÊNCIA. 1 A associação BOVESPA foi transformada em sociedade por ações processo conhecido como desmutualização com a devolução do patrimônio entregue pelos associados pelo valor de mercado e novo investimento na aquisição de ações da Bovespa Holding S/A. Por tal processo, a impetrante passou de simples associada da BOVESPA à detentora de ações na nova holding, acrescendo ao seu patrimônio as novas ações adquiridas com os valores que havia despendido para a formação da associação e que lhe fora devolvido devidamente corrigido, frisese em razão da desmutualização. Assim, tal devolução implicou em aplicação de parte dos valores que compunha o patrimônio da associação em ações de empresa com fins lucrativos, não se tratando o aludido processo de mera substituição de títulos, a não autorizar a incidência de tributos, conforme aduziu a impetrante, ora recorrente. Ademais, não há que se falar em avaliação pelo método de equivalência patrimonial, porquanto o Decreto nº 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda) autoriza a utilização de tal método apenas na hipótese de investimentos em ‘controladas e coligadas’, consoante disposições constantes de seus artigos 384, 387 e 388, não se aplicando ao caso dos autos. Também não socorre a impetrante a Solução de Consulta nº 13, de 10 de novembro de 1997, posto que proferida em data anterior à entrada em vigor da Lei 9.532/97 (DOU de 11.12.97), resultante da conversão da Medida Provisória nº 1.602, de 14/11/97, e que regula as relações ora em análise. Tampouco se aplica ao caso em discussão a Portaria do Ministério da Fl. 315DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 1103001.047 S1C1T3 Fl. 316 37 Fazenda MF nº 785/77, que cuidava de constituição de reserva com os acréscimos no valor nominal dos títulos e a exclusão de tais acréscimos ao lucro real. 2 Com efeito, trata o caso em tela de situação distinta e passível de tributação, alusiva ao ganho obtido pela impetrante com a devolução dos valores que havia despendido para a formação do patrimônio da associação, o qual foi convertido em ações com o processo de desmutualização, não ficando a incidência da exação condicionada a eventual e futura venda das ações pela impetrante. Outrossim, a Lei n. 9.532, de 10 de dezembro de 1997, que altera a legislação tributária federal e dá outras providências, já previa a incidência do IRPJ e da CSLL na hipótese em comento, conforme disposto em seu artigo 17 e §§. 3 Verificase que o aludido processo de ‘desmutualização’ autorizou a incidência do IRPJ e da CSLL, tal como pretendido pelo Fisco, e nos exatos termos do que dispõe o aludido diploma legal. 4 Desse modo, não assiste razão ao inconformismo da recorrente, a qual não logrou êxito em comprovar o alegado direito líquido e certo, apto a amparar a pretensão objetivada no presente mandamus. 5 Agravo inominado não provido. (AMS 00008664120084036100, APELAÇÃO CÍVEL – 310788, TRF 3ª Região, Terceira Turma, de 19/9/13, eDJF3 6/11/13, Rel. Des. Nery Júnior) “TRIBUTÁRIO IRPJ CSLL BOLSA DE VALORES DE SÃO PAULOBOVESPA DESMUTUALIZAÇÃO SUBSTITUIÇÃO DE TÍTULOS PATRIMONIAIS DAS ASSOCIADAS POR AÇÕES DA BOVESPA HOLDING S.A. RESOLUÇÃO CMN 2.690/2000 PORTARIA MF 785/77 E SOLUÇÃO DE CONSULTA SRF 13/97 LEI Nº 9.532/97 E SOLUÇÃO DE CONSULTA SRF 10/2007 MÉTODO DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL (ART. 248, DA LEI 6.404/76) INAPLICABILIDADE VALORIZAÇÃO DOS TÍTULOS PATRIMONIAIS ACRÉSCIMO PATRIMONIAL INCIDÊNCIA DOS TRIBUTOS DEPÓSITOS JUDICIAIS À ORDEM DO JUÍZO A QUO REALIZADOS SPONTE PROPRIA DELIBERAÇÃO. 1. Com fulcro na Resolução do Conselho Monetário Nacional nº 2.690/2000, optou a Bolsa de Valores de São PauloBOVESPA pelo processo de desmutualização, passando de associação civil sem fins lucrativos, para o regime das sociedades anônimas, regido pela Lei nº 6.404/76, sendo as sociedades a ela associadas, caso da impetrante, obrigadas a substituir os títulos patrimoniais de que eram detentoras, por ações da Bovespa Holding S.A. 2. Inicialmente, a Portaria do Ministério da Fazenda MF 785/77 e a Solução de Consulta da Secretaria da Receita Federal nº 13/97 não previram fosse a substituição hipótese de incidência do IRPJ e da CSLL. Entretanto, tal entendimento foi superado pelo disposto no art. 17, da Lei nº 9.532/97, seguindoo a Solução de Consulta da Secretaria da Receita Federal nº 10/2007, não deixando dúvidas quanto à incidência dos tributos na espécie. Com efeito, assim dispôs o preceito legal mencionado [...] 3. Não socorre a contribuinte a disposição inserta no art. 248, da Lei nº 6.404/76, ao entendimento de que ‘os títulos patrimoniais passaram a ter o mesmo tratamento tributário dispensado às participações Fl. 316DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 1103001.047 S1C1T3 Fl. 317 38 societárias avaliadas pelo método de equivalência patrimonial’. (fl. 514). O mencionado preceito legal está inserido em capítulo da Lei das Sociedades Anônimas, voltado à elaboração do relatório anual da companhia, em relação aos investimentos nas sociedades coligadas, controladoras e controladas, pelo método da equivalência patrimonial, não cuidando, portanto, do caso de que tratam estes autos. 4. Destarte, pacífico que o processo de desmutualização da BOVESPA, do qual decorreu a substituição dos títulos patrimoniais da apelante por ações da Bovespa Holding S.A., gerou acréscimo patrimonial, sendo caso de incidência da tributação, nos termos da legislação pertinente aplicável. Nesse sentido, os seguintes precedentes desta e de outras Cortes Regionais Federais: Processo: AI 01051154420074030000 AI AGRAVO DE INSTRUMENTO 322814 Relatora: Des. Fed. SALETTE NASCIMENTO Sigla do órgão: TRF3 Órgão julgador: Quarta Turma Fonte: DJF3 Data: 19/08/2008; Processo: AMS 00087060520084036100 AMS APELAÇÃO CÍVEL 313991 Relator: Juiz Fed. Conv. RUBENS CALIXTO Sigla do órgão: TRF3 Órgão julgador: Terceira Turma Fonte: eDJF3 Judicial 1 Data: 20/07/2012; Processo: AC 200851010065590 AC APELAÇÃO CIVEL 432856 Relator: Des. Fed. THEOPHILO MIGUEL Sigla do órgão: TRF2 Órgão julgador: Terceira Turma Especializada Fonte: EDJF2R Data:16/10/2012 p. 77. [...]” (AMS 00351674820074036100, APELAÇÃO CÍVEL – 310652, TRF 3ª Região, Sexta Turma, de 22/8/13, eDJF3 30/8/13, Rel. Juiz Convocado Herbert de Bruyn) “TRIBUTÁRIO. IRPJ. CSSL. BOVESPA OPERAÇÃO DE DESMUTUALIZAÇÃO. TÍTULOS CONVERTIDOS EM AÇÕES DE S/A. LEI 9.532/97, ART. 17, INCIDÊNCIA. A Bovespa, em reestruturação societária datada de 28.08.2007, iniciou a ‘desmutualização’, deixando de ser uma sociedade civil e convertendose em sociedade anônima, a Bovespa Holding S/A. Nesse processo de transformação societária, os títulos patrimoniais da impetrante foram substituídos por ações da Bovespa e da BM&F. Tal processo de desmutualização trouxe, efetivamente, ganhos patrimoniais à impetrante que passou de simples associada da Bovespa à detentora de ações na nova holding, acrescendo ao seu patrimônio as novas ações adquiridas com os valores que havia dispendido para a formação da associação e que lhe fora devolvido devidamente corrigido, repisase em razão da desmutualização. O fato apto a desencadear a incidência dos tributos, nesse caso, é o ganho obtido pela impetrante com a devolução de valores, ou seja, com a própria operação de desmutualização, na forma como foi efetuada. O artigo 17 da Lei 9.532/97 constitui supedâneo legal para a inclusão da diferença entre o que foi investido para a formação do capital social de entidade isenta e a devolução do que foi aportado na determinação do lucro da pessoa jurídica, uma vez que constitui, indubitavelmente, acréscimo patrimonial, sujeitandose à incidência do imposto de renda, nos termos dos artigos 43 e 44 do Código Tributário Nacional. Não prospera a tese da apelante de que a avaliação dos ativos em questão se dá pela equivalência patrimonial, Fl. 317DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 1103001.047 S1C1T3 Fl. 318 39 sistemática que estima o valor do investimento de uma sociedade em outra de acordo com as oscilações do patrimônio da empresa investida e cujos resultados positivos, de acordo com o artigo 225 do Regulamento do Imposto de Renda, não acarretam incidência dos tributos. A avaliação pela equivalência patrimonial, consoante previsto no art. 248 da Lei 6.404/1976 (Lei das Sociedades Anônimas), aplicase exclusivamente aos casos de coligadas sobre cuja administração [a empresa] tenha influência significativa, ou de que participe com 20% (vinte por cento) ou mais do capital votante, em controladas em outras sociedades que façam parte de um mesmo grupo ou estejam sob controle comum (redação dada pela Lei nº 11.638/2007), não sendo este o caso dos autos que trata, na verdade, de avaliação de títulos patrimoniais que a impetrante detém nas bolsas de valores. Também não socorre a impetrante a Solução de Consulta nº 13 de 10/11/97, o Parecer CST nº 2.254/81 e a Portaria MF 785/77, porquanto a referida Portaria, assim como os atos administrativos mencionados são anteriores à entrada em vigor da Lei 9.532/97, de 10/12/97, originária da conversão da Medida Provisória nº 1.602, de 14/11/97, sendo esta quem regula as relações ora em análise. Recurso desprovido.” (AC 200851010065590, APELAÇÃO CÍVEL – 432856, TRF 2ª Região, Terceira Turma Especializada, de 9/10/12, eDJF2R 16/10/12, Rel. Des. Theophilo Miguel) “PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO MANDAMENTAL. ARTIGO 14, II, DO REGIMENTO INTERNO. NÃO CABIMENTO. INEXISTÊNCIA DE CONEXÃO. IRPJ. CSLL. BOVESPA BOLSA DE VALORES DE SÃO PAULO. OPERAÇÃO DE DESMUTUALIZAÇÃO. TÍTULOS CONVERTIDOS EM AÇÕES DE S/A. LEI 9.532/97, ART. 17, INCIDÊNCIA NA ESPÉCIE. [...] 3. O processo de desmutualização trouxe ganhos patrimoniais à impetrante que passou de simples associada da BOVESPA à detentora de ações na nova holding, acrescendo ao seu patrimônio as novas ações adquiridas com os valores que havia dispendido para a formação da associação e que lhe fora devolvido. 4. A devolução implicou em aplicação de parte dos valores que compunha o patrimônio da associação em ações de empresa com fins lucrativos, o que desnatura o processo de sucessão legal das associações e autoriza a incidência de tributos em razão do acréscimo patrimonial experimentado pela impetrante. 5. Não há que se falar em avaliação pelo método de equivalência patrimonial porquanto o Decreto 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda), autoriza a utilização de tal método apenas na hipótese de investimentos em controladas e coligadas, não sendo este o caso dos autos. 6. Também não socorre a impetrante a Solução de Consulta nº 13 de 10/11/97, proferida antes da vigência da Lei 9.532/97. O mesmo vale para a aplicação da Portaria nº MF nº 785/77, já que esta cuidava de ‘constituição de reserva com os acréscimos no valor nominal dos títulos’ e a exclusão de tais acréscimos ao lucro real, não sendo este o caso dos autos. 7. O processo de desmutualização autoriza a incidência do imposto de renda e da CSLL, como pretendido pelo Fisco, nos exatos termos do quanto disposto no artigo 17 da Lei nº 9.532/97. 8. Apelação da União e remessa Fl. 318DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 1103001.047 S1C1T3 Fl. 319 40 oficial que se julga procedentes. 9. Preliminares afastadas. Sentença reformada. Apelação e remessa oficial providas. Ordem denegada. Agravo retido prejudicado. (AMS 00085221520094036100 , APELAÇÃO CÍVEL – 325631, TRF 3ª Região, Terceira Turma, de 19/7/12, eDJF3 3/8/12, Rel. Des. Juiz Convocado Rubens Calixto) “PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO OBJETIVANDO IMPRIMIR SUSPENSIVIDADE AO RECURSO DE APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. EXCEPCIONALIDADE. IRPJ. CSSL. OPERAÇÃO DE DESMUTUALIZAÇÃO. TÍTULOS CONVERTIDOS EM AÇÕES DE S/A. LEI 9.532/97, ART. 17, INCIDÊNCIA NA ESPÉCIE. PRECEDENTES. AGRAVO A QUE SE DÁ PROVIMENTO.” (AI 00247000620094030000, AGRAVO DE INSTRUMENTO – 378550, TRF 3ª Região, Quarta Turma, de 15/9/11, eDJF3 de 13/10/11, Rel. Des. Salette Nascimento) Em suma, considerando a devolução de ações aos associados, após a versão do patrimônio às companhias, em substituição aos títulos patrimoniais, com valores superiores às respectivas contribuições originais, incide a hipótese do art.17 da Lei nº 9.532/97. Da forma como realizado, a desmutualização não pode ser oponível ao Fisco federal, sob pena de os ganhos das corretoras, decorrentes daquela operação, deixarem de ser tributados, em frontal ofensa à lei. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 319DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 1103001.047 S1C1T3 Fl. 320 41 Declaração de Voto Conselheiro André Mendes de Moura. Não obstante as considerações do I. Relator, tão bem expostas ao Colegiado para negar provimento ao recurso de ofício, peço vênia para divergir da interpretação conferida ao caso concreto. A autuação fiscal do IRPJ e da CSLL (apuração anual e multa isolada de estimativa mensal) deuse no contexto da operação de “desmutualização” dos títulos da BOVESPA e da BM&F. Em se tratando da BOVESPA, em 28/08/2007, a Assembléia Geral da entidade aprovou o processo de desmutualização. A associação civil sem fins lucrativos, com patrimônio social de R$1.106.827.066,17, era representado por 758 títulos patrimoniais no valor unitário de R$1.460.194,02 (a recorrente detinha seis títulos). A BOVESPA (associação civil sem fins lucrativos isenta, nos termos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997) foi cindida em favor de duas sociedades, BOVESPA SERVIÇOS e BOVESPA HOLDING. A BOVESPA alterou sua denominação para BOVESPA ASSOCIAÇÃO. Com a cisão, o valor dos títulos patrimoniais da associação sofreu decréscimo de valor. Em contrapartida, a BOVESPA SERVIÇOS e a BOVESPA HOLDING emitiram ações em favor dos detentores dos títulos patrimoniais (dentre eles, a recorrente). Em seguida, a BOVESPA HOLDING adquiriu a totalidade das ações emitidas pela BOVESPA SERVIÇOS e pela CBLC (Câmara Brasileira de Liquidação e Custódia). Assim, a BOVESPA HOLDING passa a ser a controladora. Nesse contexto, os anteriores titulares das ações da BOVESPA SERVIÇOS e da CBLC recebem, em troca, mais ações da BOVESPA HOLDING (dentre eles, a recorrente). Ao final da desmutualização, a recorrente recebeu, como contrapartida dos títulos patrimoniais que detinha da associação civil sem fins lucrativos BOVESPA avaliados pelo custo de aquisição no valor de R$3.943.817,17, as ações da BOVESPA HOLDING, cujo valor era de R$9.412.822,38. A autoridade fiscal entendeu que a diferença apurada (R$5.469.005,21) a título de devolução de capital de entidade isenta tratarseia de receita tributável, conforme art. 239 do RIR/99, tendo tipificado a infração 002 “Outros Resultados Operacionais – Ganhos Auferidos em Devolução do Patrimônio Social de Entidades Isentas”, e por isso efetuou o lançamento de ofício. Esclareceu a autoridade autuante que os títulos patrimoniais da associação sem fins lucrativos eram contabilizados em conta de ativo permanente, originariamente registrados pelo seu custo de aquisição. Posteriormente, as variações do valor patrimonial dos títulos eram registradas a débito na conta de ativo permanente da conta representativa dos títulos, e a crédito em conta de reserva de capital. Tais variações não sofriam tributação (eram excluídas do lucro real) desde que não fossem distribuídas aos sócios e permanecessem em conta de reserva para aumento de capital, conforme orientação da Portaria nº 785, de 1977, do Ministério da Fazenda. Contudo, a partir do momento em que os resultados da associação sem fins lucrativos (antes isentos) fossem devolvidos aos associados em valor superior ao original, a diferença deveria ser oferecida à tributação. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 1103001.047 S1C1T3 Fl. 321 42 No caso da BM&F, ocorreu processo semelhante, no qual, com a cisão parcial da BM&F Associação, o patrimônio foi vertido para a BM&F S/A., e, em contrapartida ao patrimônio recebido, a BM&F S/A emitiu ações em favor dos detentores dos títulos patrimoniais da BM&F (dentre eles, a recorrente). Contudo, como os títulos patrimoniais de propriedade da recorrente foram alienados antes da conclusão do processo de desmutualização, foi apurada como base de cálculo do lançamento de ofício a diferença de R$4.959.805,03, tipificada como ganho de capital (art. 418 do RIR/99) na infração 001, “Ganhos e Perdas de Capital – Alienação/Baixa de Bens do Ativo Permanente”, diferença entre o valor do custo de aquisição de R$6.625,20 e o valor de alienação dos títulos antes da desmutualização de R$4.966.430,23. Ainda, foi lançada a multa isolada incidente sobre a diferença de estimativa mensal do mês de setembro de 2007. A recorrente não ofereceu os valores à tributação, por entender que o caso em debate trata de cisão parcial de entidades isentas (Bovespa Associação e BM&F Associação), autorizada pelo art. 2033 c/c o art. 44 do Código Civil. E, nesse contexto, não haveria que se falar em extinção da associação e, por consequência, de devolução de participação patrimonial aos seus associados (dentre eles, a recorrente), mas sim, aplicarseia a atualização dos títulos patrimoniais prevista na Portaria MF nº 785, de 1977, em procedimento semelhante ao Método de Equivalência Patrimonial (MEP). Assim, não havia diferença entre o valor atualizado dos títulos patrimoniais e o das ações recebidas pelos antigos associados decorrente do processo de desmutualização, e, por consequência, não foi apurada base de cálculo tributável. São os fatos. Entendo que a interpretação dada pela recorrente não merece acolhida. Na realidade, pretende a recorrente que a legislação empresarial destinada às sociedades com fins lucrativos seja estendida para as associações sem fins lucrativos nas situações em que lhe parecer mais conveniente. Há que se respeitar a premissa de que a operação de uma empresa com fins lucrativos é completamente diversa de uma entidade sem fins lucrativos, no caso concreto uma associação que gozava de isenção tributária. Os efeitos de metamorfose societária ocorrem no escopo de uma sociedade empresária, no qual se incluem a transformação (a sociedade muda o seu tipo societário), a incorporação, a fusão e a cisão. Verificase que mesmo em um caso extremo, o de transformação, quando, por exemplo, quando uma sociedade por quotas se transforma em uma sociedade anônima com capital aberto, percebese que a finalidade essencial da empresa não foi modificada, qual seja, auferir lucro. Portanto, resta evidenciada situação completamente desvirtuada ao se admitir que, em uma cisão, parcela de uma associação sem fins lucrativos pudesse ser transformada em uma sociedade empresária, cuja finalidade essencial seria o lucro. Por isso, a previsão para que, no caso de associação, caso tenha sua atividade descontinuada, que seja dada baixa de seus atos no Registro Civil de Pessoas Jurídicas. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 1103001.047 S1C1T3 Fl. 322 43 O caso concreto ilustra, com clareza, as razões pelas quais as operações de metamorfose societária devem se restringir a entidades com mesma finalidade existencial. Ora, na “cisão” parcial promovida pelas associações civis sem fins lucrativos em análise, mais de 99% do patrimônio “cindido” foi vertido para novas sociedades com fins lucrativos, tudo para ocultar o que efetivamente ocorreu, a extinção da associação sem fins lucrativos e a consequente entrega dos ativos aos associados a título de devolução do patrimônio, operação tributável caso constatada diferença entre o custo de aquisição e o valor de mercado dos títulos patrimoniais. Não por acaso, o Código Civil, ao discorrer sobre a transformação, incorporação, fusão e cisão, nos artigos 1113 a 1122, referese expressamente às sociedades, previstas no inciso II do art. 44. E mais, para as sociedades anônimas de capital aberto ou fechado, tais institutos de metamorfose societária são regulados pela Lei nº 6.404, de 1976. Não se fala, em nenhum momento, em associações, ou demais entes relacionados no art. 44 do Código Civil, como fundações, organizações religiosas, partidos políticos ou empresas individuais de sociedade limitada. Portanto, considerando que o caso concreto trata, na realidade, de uma extinção de associações sem fins lucrativos, e a criação de outras pessoas jurídicas com fins lucrativos, aplicase o disposto no art. 17 da Lei nº 9.532, de 1997, vez que se consumou a devolução do patrimônio de entidade isenta à recorrente por meio de ações de sociedades empresárias, em valor superior ao do seu custo de aquisição. Mostrase, nesse contexto, fragilizada a alegação da recorrente de que a atualização dos títulos patrimoniais prevista na Portaria MF nº 785, de 1977 seria procedimento inspirado no Método de Equivalência Patrimonial (MEP). O MEP é instituto previsto na mencionada Lei nº 6.404, de 1976, que não trata de associações, mas sim de sociedade por ações que visam o lucro. É método de reavaliação de investimentos da controladora em controladas e coligadas. Ou seja, a investidora reflete, no seu patrimônio líquido, as variações positivas ou negativas do patrimônio líquido de suas investidas. Eventual variação positiva no investimento da investidora não é submetida à tributação, porque se trata de reflexo dos lucros das investidas destinados ao aumento do seu capital social, que já foram tributados nas próprias investidas (coligadas ou controladas). Por outro lado, as associações civis, enquanto se mantiverem nessa condição, e a quem pretende a recorrente equiparar às controladas ou coligadas, são isentas de tributação. Ou seja, não se tributa nem a investida (associação sem fins lucrativos), nem o investidor (detentor do título patrimonial). Por isso, o contexto em que insere a Portaria MF nº 785, de 1977 é o de conferir transparência à evolução patrimonial das bolsas, que eram associações sem fins lucrativos, precisamente porque trata da postergação da tributação incidente sobre a variação positiva dos seus ativos. Resta evidente, portanto, a distorção ao se pretender equiparar a variação de investimento prevista por meio do MEP à atualização de títulos patrimoniais decorrentes de variações no patrimônio das bolsas de valores prevista na mencionada portaria ministerial. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 19740.720002/201063 Acórdão n.º 1103001.047 S1C1T3 Fl. 323 44 Ademais, analisandose como a lei societária conceitua as sociedades controladas e coligadas (art. 243 da Lei nº 6.404, de 1976), tornase ainda mais improvável compreender que os detentores dos títulos patrimoniais de uma associação sem fins lucrativos possam ser assemelhados a investidores com poder de decisão sobre a administração da investida, vez que não são detentores de um investimento relevante e tampouco exercem influência significativa. A equiparação entre os proprietários de títulos patrimoniais de associação sem fins lucrativos a controladoras de uma sociedade empresária por ações, com fins lucrativos (controlada ou coligada) não encontra nenhuma sustentação jurídica. São situações que não se comunicam, sob qualquer enfoque que se analise a questão, tanto no direito empresarial (Código Civil), quanto no direito contábil (Lei nº 6.404, de 1976) ou no direito tributário. Enfim, a Solução de Consulta Cosit nº 10, de 26/10/2007, formulada pela Comissão Nacional de Bolsa de Valores, e respondida pela Receita Federal antes de se consumar a desmutualização, discorreu que a cisão é instituto aplicável apenas às pessoas jurídicas de direito privado constituídas sob a forma de sociedade, e que as bolsas de valores, na condição de associações, sujeitamse ao regime jurídico estatuído pelos arts. 53 a 61 do Código Civil. Ainda, esclareceu que as corretoras nunca estiveram autorizadas a avaliar as cotas ou frações ideais dos seus títulos patrimoniais pelo MEP, mas, sim a postergar a tributação sobre o valor dos acréscimos efetuados ao valor nominal das cotas ou frações ideais recebidos, que se consumaria, dentre outras situações, a partir da extinção das associações sem fins lucrativos. Vale registrar também a ampla jurisprudência no CARF, devidamente registrada pelo I. relator do voto vencedor, no sentido de que caberia a tributação do IRPJ e da CSLL no caso em análise, em consonância com a interpretação conferida pela Receita Federal na referida Solução de Consulta Cosit nº 10, de 2007. Assim, pelas razões expostas, com a devida vênia ao relator, meu voto é no sentido de dar provimento ao recurso de ofício, e manter na integralidade a exigência fiscal. Assinado Digitalmente André Mendes de Moura Fl. 323DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA
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Numero do processo: 16327.917924/2009-41
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/2007 a 31/05/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. A alegação de omissão e obscuridade de ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma, confere ao recurso de embargos de declaração sua admissibilidade.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E OBSCURIDADE. ACOLHIMENTO. COLMATAÇÃO SEM ALTERAÇÃO DO RESULTADO DO JULGAMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
A alegação de não apreciação de documentos referente ao provimento jurisdicional concedido nos autos do Mandado de Segurança nº 1999.61.00.0427983, devem ser acolhidos para colmatação da lacuna, sem alteração do resultado do julgamento do recurso voluntário.
ÔNUS DA PROVA.
É do Recorrente o ônus de comprovar documentalmente nos autos o direito creditório informado em declaração de compensação.
Embargos Acolhidos parcialmente.
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3802-003.951
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração, nos termos do relatório e voto que integram os autos, sem alteração do resultado do julgamento do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Efetuou sustentação oral pela recorrente a Dra. Marise Ferreira de Oliveira, OAB nº 225.008 (SP).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/2007 a 31/05/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. A alegação de omissão e obscuridade de ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma, confere ao recurso de embargos de declaração sua admissibilidade. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E OBSCURIDADE. ACOLHIMENTO. COLMATAÇÃO SEM ALTERAÇÃO DO RESULTADO DO JULGAMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. A alegação de não apreciação de documentos referente ao provimento jurisdicional concedido nos autos do Mandado de Segurança nº 1999.61.00.0427983, devem ser acolhidos para colmatação da lacuna, sem alteração do resultado do julgamento do recurso voluntário. ÔNUS DA PROVA. É do Recorrente o ônus de comprovar documentalmente nos autos o direito creditório informado em declaração de compensação. Embargos Acolhidos parcialmente. Crédito Tributário Mantido
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A alegação de omissão e obscuridade de ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma, confere ao recurso de embargos de declaração sua admissibilidade. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E OBSCURIDADE. ACOLHIMENTO. COLMATAÇÃO SEM ALTERAÇÃO DO RESULTADO DO JULGAMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. A alegação de não apreciação de documentos referente ao provimento jurisdicional concedido nos autos do Mandado de Segurança nº 1999.61.00.0427983, devem ser acolhidos para colmatação da lacuna, sem alteração do resultado do julgamento do recurso voluntário. ÔNUS DA PROVA. É do Recorrente o ônus de comprovar documentalmente nos autos o direito creditório informado em declaração de compensação. Embargos Acolhidos parcialmente. Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração, nos termos do relatório e voto que integram os autos, sem alteração do resultado do julgamento do recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 79 24 /2 00 9- 41 Fl. 153DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Efetuou sustentação oral pela recorrente a Dra. Marise Ferreira de Oliveira, OAB nº 225.008 (SP). Relatório Tratase de Embargos declaratórios tempestivamente opostos por ITAU SEGUROS S/A., com fundamento no art. 65, Anexo II, do RICARF, em face do Acórdão nº 3802003.430 (fls. 107/112), assim ementado: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2007 a 31/05/2007 PER/DCOMP. PIS. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. PROVA. INEXISTÊNCIA O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. É do recorrente o ônus de comprovar documentalmente nos autos o direito creditório informado em declaração de compensação. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Alega a Embargante que, apesar de expressamente suscitada nas razões recursais, os julgadores incorreram em omissão na análise de elementos fáticos que obrigatoriamente deveriam se manifestar, razão pela qual, o acórdão deve ser aclarado, conforme alegações nos termos do seu recurso, abaixo sintetizados: (...) Da leitura do acórdão embargado, verificase que o fundamento da decisão se pautou na alegação de que o Embargante não logrou êxito em provar, por meio da documentação juntada, que tinha direito a exclusão das Receitas Financeiras da base de cálculo do PIS e, consequentemente, o direito ao crédito pleiteado. (...) Todavia, quedouse inerte o Relator quanto ao teor dos documentos apresentados, os quais demonstraram a existência da ação judicial mencionada que, conforme andamento processual juntado, encontravase com baixa definitiva ao arquivo desde Fl. 154DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.917924/200941 Acórdão n.º 3802003.951 S3TE02 Fl. 153 3 18/09/2013, bem como a ultima decisão proferida na lide, ocorrida nos autos do agravo de instrumento nº 002319135.2012.4.03.0000, na qual inclusive restou expressamente asseverado pela Exma. Desembargadora Federal Regina Costa, a ocorrência do TRÂNSITO EM JULGADO no STF, autorizando a exclusão das receitas financeiras da base cálculo do PIS, conforme trechos destacados (...). Desta forma, verificase que o ilustre julgador não esclareceu os motivos pelos quais a documentação apresentada não teria demonstrado: 1) a existência da ação judicial que discutia a exclusão das receitas financeiras da base do PIS e 2) a existência do trânsito em julgado favorável à Embargante de modo a concluir que o crédito pleiteado não gozava de certeza e liquidez. Ao final, requer o conhecimento e o provimento dos presentes Embargos de Declaração, para que a Turma expressamente se manifeste sobre a omissão e a obscuridade alegada no acórdão embargado. Esse seria, portanto, em breve relatório, o motivo dos presentes aclaratórios solicitados. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator Assim, com esteio em alegada omissão e obscuridade, passo à análise do mérito dos embargos. Os embargos declaratórios foram conhecidos por decisão da Presidente da Turma (fl. 151), na forma do art. 65, caput, Anexo II, do Regimento Interno. Foi determinada, assim, a inclusão do processo em pauta para julgamento deste Colegiado. A ciência do acórdão ocorreu em 24/09/2014 (fl. 118), tendo a oposição dos embargos ocorrido em 29/09/2014 (fl. 120). Tratase, assim, de embargos declaratórios opostos tempestivamente e que atendem aos demais pressupostos para o seu cabimento. Vejase a seguir, os argumentos da Embargante, que alega estar obscura a motivação de pontos no Acórdão, explicitando a razão pela qual a documentação apresentada não conferiria suporte tanto à “a existência da ação judicial que discutia a exclusão das receitas financeiras da base do PIS” quanto à “a existência do trânsito em julgado favorável à Embargante de modo a concluir que o crédito pleiteado não gozava de certeza e liquidez”. Para tanto, objetivando esclarecer os fatos, destacamos os excertos do Acórdão embargado que versaram sobre o referido tema: (fl. 111): No entanto, a recorrente em seu item “9” do recurso voluntário (fl. 62), informa o principal motivo de seu pleito, “ (...) Ressalte se que a ação judicial mencionada, transitou em julgado favoravelmente à Recorrente, determinando, assim a exclusão definitiva das receitas financeiras da base de cálculo do PIS, conforme andamento processual anexo (doc.03)”. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Ao analisarmos toda a documentação referenciada em seu recurso (documentação contábil, demonstrativos de cálculos, etc), de fato encontramos cópia do andamento processual da referida ação judicial informado no sitio da Justiça Federal de São Paulo (fls. 76/77), bem como cópia do Agravo de Instrumento nº 002319135.2012.4.03.0000/ TRFSP (fls. 78/90), no entanto, não houve a comprovação junto aos autos, do referido Mandado de Segurança nº 1999.61.00.0427983, como informado, que foi transitado em julgado e que determinou a exclusão de tais receitas na tributação pelo PIS e COFINS, favoravelmente a Recorrente (grifamos). Prosseguindo, o colegiado conclui que : “(...) não há como atender à pretensão da Recorrente, em razão da não apresentação de documentos autos do Mandado de Segurança nº 1999.61.00.0427983, transitado em julgado favoravelmente a Recorrente, que determinou a exclusão de tais receitas na tributação pelo PIS, comprobatória do alegado direito de crédito” (grifamos). Embora esteja clara a conclusão, acolhese os presentes embargos para melhor explicitar os motivos que conduziram o voto vencedor a concluir pelo não provimento do recurso voluntário, nesse ponto, em razão de insuficiência probatória acerca da alegada decisão transitada em julgado nos Autos de Mandado de Segurança nº 199.61.00.0427983. Por expressa disposição da lei complementar tributária nacional, artigo 170A do CTN, a compensação de indébitos tributários somente se torna possível após o trânsito em julgado da decisão favorável ao contribuinte. Quer isso significar, ciente de que o ônus da prova incumbe ao requerente da compensação, que cabe ao contribuinte provar à Fazenda Pública tanto que possui o direito creditório (indébito), quanto que o título que lhe dá suporte (decisão judicial) possui o status de trânsito em julgado. Trânsito em julgado, por sua vez, é uma adjetivo dado a uma decisão (sentença ou acórdão) judicial da qual não se pode mais recorrer. Dito de outro modo, o trânsito em julgado é um marco processual que indica que a parte dispositiva da sentença, prolatada em um determinado processo foi alcançada pelo instituto da ‘Coisa Julgada’. Embora seja livre o meio para provar a existência de uma ação e do seu trânsito em julgado, a forma mais usual referese a uma certidão judicial certificando o objeto da ação e o seu trânsito em julgado. Ausente este documento, é dado à parte meios alternativos de provar a existência de decisão favorável transitada em julgado, no entanto, nenhum caminho a desincumbe de apresentar a decisão que transitou em julgado (sentença ou acórdão) – para que seja revelado o conteúdo do dispositivo – assim como o movimento processual indicando a fluência (sem movimento) do prazo recursal. Dito de outro modo: é dever da parte que pretende promover compensação de débitos com créditos provenientes de decisão judicial, provar (i) a existência de ação e o objeto da lide; (ii) expor a decisão definitiva (sentença ou acórdão); e (iii) certificar, direta ou indiretamente, que referida decisão transitou em julgado. Ao se compulsar os presentes autos, verificarse que a Embargante apresentou tão somente uma cópia (extrato via internet da JFSP) do andamento processual do Fl. 156DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.917924/200941 Acórdão n.º 3802003.951 S3TE02 Fl. 154 5 referido mandado de segurança que se encontrava com baixa definitiva e no arquivo, conforme documentos de fls. 76/77. Embora seja possível o objeto da ação, a decisão trazida aos presentes autos (Acórdão em Agravo de Instrumento ao TRF3) não representa uma sentença ou decisão equivalente. Aliás, agravo de instrumento é um mecanismo recursal que se apresenta contra decisão interlocutória, a qual não possui conteúdo de sentença, por expressa disposição do Código de Processo Civil: Art. 162. Os atos do juiz consistirão em sentenças, decisões interlocutórias e despachos. § 1º Sentença é o ato do juiz que implica alguma das situações previstas nos arts. 267 e 269 desta Lei. (Redação dada pelo Lei nº 11.232, de 2005) § 2o Decisão interlocutória é o ato pelo qual o juiz, no curso do processo, resolve questão incidente. § 3o São despachos todos os demais atos do juiz praticados no processo, de ofício ou a requerimento da parte, a cujo respeito a lei não estabelece outra forma. § 4o Os atos meramente ordinatórios, como a juntada e a vista obrigatória, independem de despacho, devendo ser praticados de ofício pelo servidor e revistos pelo juiz quando necessários Ou seja, ainda que se pretendesse reconhecer o trânsito em julgado do Agravo de Instrumento apresentado nos presentes autos, este Colegiado somente poderia concluir que o Tribunal manteve uma decisão interlocutória (não a sentença) prolatada em primeira instância. Isto posto, diante da ausência de qualquer outro documento acerca Mandado de Segurança nº 1999.61.00.0427983, que permita averiguar o objeto da lide, o conteúdo da decisão (sentença ou acórdão) e certificar o trânsito em julgado, tornase impraticável a compensação pretendida pela Embargante. Desta forma, conforme previstos no artigo 16III e § 4º do Decreto nº 70.235/72, as provas comprobatórias das alegações do sujeito passivo devem ser apresentadas na impugnação, ou na manifestação de inconformidade. Conclusão Votase, assim, pelo acolhimento em parte dos embargos declaratórios, apenas para fins de colmatação da alegada omissão e obscuridade no acórdão deste colegiado, nos alegados motivos pelos quais a documentação apresentada não foi aceita, uma vez que a motivação do acórdão embargado está bem definida, qual seja, a não apresentação dos documentos do Mandado de Segurança nº 1999.61.00.0427983 nos autos, sem alteração do resultado do julgamento do recurso voluntário. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Relator De acordo. Diante da argumentação supra, e com fundamento no § 3° do artigo 65, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF (Portaria MF no 256, de 22/06/2009)1, acolho em parte os embargos, nos termos do relatório e voto, mantendo, contudo, o resultado do julgamento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mercia Helena Trajano Damorim Presidente 1 Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. [...] § 3° O despacho do presidente será definitivo se declarar improcedentes as alegações suscitadas, sendo submetido à deliberação da turma em caso contrário. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10830.912957/2012-23
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 08 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1802-000.612
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o processo em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Correa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel. Ausente justificadamente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Relatório
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o processo em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Correa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel. Ausente justificadamente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 12 95 7/ 20 12 -2 3 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.912957/201223 Resolução nº 1802000.612 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DF), que por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente, não reconhecendo o dirito creditório da Recorrente. Por economia processual passo a adotar o suscinto relatório elaborado pela DRJ, in verbis: “Trata o presente processo de despacho decisório eletrônico (fl. 34), no qual a compensação realizada no Per/Dcomp nº 00666.01293.130910.1.2.047082, pela empresa acima identificada, não foi homologada por inexistência/insuficiência do crédito compensado, haja vista o pagamento relativo ao DARF ali discriminado, foi integralmente utilizado para quitar débito do CSLL, PA 30/09/2005, não restando saldo disponível. A contribuinte tomou ciência do despacho decisório em 18/12/2012 (AR fl. 54). Inconformada, por intermédio de seu procurador (Gustavo Froner Minatel), apresentou manifestação de inconformidade (fls. 2 a 16) em 16/01/2013, na qual transcreve os fatos, dispositivos da legislação tributária e, em síntese, argumenta o seguinte: inicialmente no trimestre em análise apurou débito de CSLL, quitado da seguinte forma: (i) parte por retenções sofridas; e (ii) parte com DARF; revendo a apuração da CSLL, constatou que estava aplicando o percentual incorreto de presunção do lucro (32%), tendo em vista sua atividade ser enquadrada como serviços hospitalares, previsto no art. 15, §1°, III, combinado com o art. 20 da Lei n° 9.249/95. Diante do equívoco, aplicou o percentual correto (12%), e apurou CSLL devida de no trimestre, resultando pagamento a maior, e retificou a DIPJ do período para demonstrar o valor correto da CSLL; do valor pago, parte foi utilizada para liquidar a CSLL devida no trimestre e o restante pago a maior, pediu a restituição. No entanto, a DRF/Campinas indeferiu o pedido de restituição no despacho decisório, em flagrante desrespeito à legislação tributária, especialmente a que trata de necessidade de lançamento e de restituição (Arts. 142 e 165 do CTN) devendo ser reformado, porque não foi Fl. 110DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.912957/201223 Resolução nº 1802000.612 S1TE02 Fl. 4 3 considerado a DIPJ retificadora apresentada antes da emissão do despacho decisório; a autoridade fiscal não pode, a seu critério, efetuar lançamento ou deixar de fazêlo, porque sua atividade é vinculada e obrigatória. Com efeito, o artigo 15, parágrafo 1º, Inciso III, alínea "a" da Lei n° 9.249/951, vigente à época dos fatos, determinava que os prestadores de serviços hospitalares poderiam utilizar na apuração da CSLL na sistemática do lucro presumido percentual de 12% sobre a receita bruta (art. 20 da Lei 9.249/95); apesar da clareza na redação no que concerne à aplicação do percentual de 12% sobre a receita bruta na prestação de serviços hospitalares, o legislador não definiu o que seriam considerados serviços hospitalares para fins de aplicação do aludido percentual, questão essa central para o deslinde da controvérsia ora analisada; na busca de uma interpretação do alcance da norma, foram editados pela Receita Federal do Brasil uma série de atos normativos para regulamentar a questão e tentar definir o que seriam "serviços hospitalares", sendo o primeiro deles a IN SRF n° 306/2003 que em seu artigo 23 conceituou "serviços hospitalares" para fins do disposto no artigo 15, § 1º, inciso III, alínea "a", da Lei nº 9.249/95; a sua atividade estava expressamente listada no artigo 23, inciso V, alíneas "i" e "k", da IN SRF n° 306/2003, vigente à época dos fatos, e atendia a todos os requisitos mencionados no referido dispositivo, vez que os serviços eram prestados por pessoa jurídica que possuía estrutura física condizente para a execução e desenvolvimento das atividades de radioterapia e quimioterapia, tanto que autorizado seu funcionamento pela ANV1SA, o que confirma a aplicação do percentual de 12% na apuração da base de cálculo da CSLL apurado no anocalendário de 2004; assim, com base no artigo 15, § 1o, inciso III, alínea "a", da Lei n° 9.249/95 (redação original), confirmada pela IN SRF n° 306/03, refez o cálculo da CSLL de 2004, aplicando o percentual de 12% e constatou recolhimento a maior, devendo assim o crédito ser reconhecido e o pedido de restituição integralmente deferido; Fl. 111DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.912957/201223 Resolução nº 1802000.612 S1TE02 Fl. 5 4 diante de apuração, não desconstituída pelo Fisco, os valores de CSLL recolhidos a maior caracterizam se indébitos tributários, pois extrapolam o critério quantitativo da sua base de cálculo. Nesse sentido, são esclarecedoras as palavras do ilustre professor Paulo de Barros Carvalho. No PEDIDO, requer seja conhecida a Manifestação de Inconformidade, declarandose a ineficácia da decisão, a fim de que seja reconhecido integralmente o direito creditório com a consequ ente restituição do valor pleiteado, acrescido de juros SELIC, nos termos da legislação de regência. É o breve relatório.” A DRJ de Brasília (DF) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 PRESTADOR DE SERVIÇOS HOSPITALARES. PERCENTUAL DE LUCRO PRESUMIDO. REQUISITOS. Para serem considerados serviços hospitalares, as atividades dos contribuintes que desejem usufruir do benefício legal de redução de alíquota, em face da legislação tributária de regência e orientação traçada pela Administração tributária, devem atender cumulativamente todas às exigências e/ou requisitos previstos nos normativos, devidamente comprovada mediante documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Dessa decisão da qual tomou ciência em 05/11/2013, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário em 04/12/2013. No Recurso faz extenso arrazoado sobre os motivos pelo qual o acórdão exerado pela DRJ não deve prosperar, reiterando em seguida as alegações feitas por ocasião da sua manifestação de inconformidade e, no fim, pugnando pelo provimento do seu Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.912957/201223 Resolução nº 1802000.612 S1TE02 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O Recurso é tempestivo, portanto dele tomo conhecimento. A presente lide consiste na interpretação da Delegacia da Receita Federal em Brasília que entendeu que a contribuinte, optante pelo lucro presumido, deveria utilizar o percentual de lucro de 32% sobre sua receita bruta de prestação de serviços hospitalares, portanto divergente do percentual de 12%, o qual a contribuinte utilizou entendendo ser pertinente às suas atividades. De acordo com o entendimento da fiscalização, a Lei nº 10.684/2003 criou a alíquota de 32% para a apuração da CSLL para as pessoas jurídicas optantes pelo Lucro Presumido, enquadradas na mesma situação da contribuinte, embora a mesma tenha continuado a utilizar a alíquota de 12%. Vejamos o diploma legal em questionamento: “Art. 22. O art. 20 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do ano calendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. Parágrafo único. A pessoa jurídica submetida ao lucro presumido poderá, excepcionalmente, em relação ao quarto trimestrecalendário de 2003, optar pelo lucro real, sendo definitiva a tributação pelo lucro presumido relativa aos três primeiros trimestres." (NR) Passo portanto a análise do mérito. Para tanto colaciono o dispositivo questionado, constante da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995: “Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do ano calendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. (Redação dada Lei nº 10.684, de 2003) (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) (Vide Lei nº 11.119, de 205) (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013) (Vigência)” Fl. 113DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.912957/201223 Resolução nº 1802000.612 S1TE02 Fl. 7 6 Reproduzindo também o dispositivo referente ao IRPJ, o qual ampara a CSLL: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: [...] III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) [...] Como de plano se observa, a Lei n° 11.727, de 23 de junho de 2008, promoveu alteração no sentido de adicionar atividades específicas no rol de exceções à aplicação da alíquota de 32%, sem adicionar contudo, os serviços radiológicos. Ocorre que tal alteração não afeta o caso em tela em virtude de: (I) não servir de caráter expressamente interpretativo para o termo “serviços hospitalares”, fato que poderia ensejar a retroatividade nos termos do art. 106, I, do Código Tributário Nacional; e (II) vir após a ocorrência dos fatos geradores que lhe deram causa (anos calendário de 2003, 2004, 2005 e 2006). Portanto, da análise devese verificar o texto legal vigente à época dos fatos geradores, que era “prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares”. Neste prisma, a Recorrente entende prestar serviços hospitalares e, nesta condição, entende que nos fatos geradores supra estaria na regra de exceção à aplicação da alíquota de presunção de lucro a 32%. Confrontada com idêntica situação, o STJ através do REsp n° 859.574, de relatoria do Ministro Castro Meira, julgado em 23/06/2009 se pronunciou no sentido de se interpretar o termo “serviços hospitalares” objetivamente. No voto do Ilustre Ministro, que também citou precedente do decidido no REsp 951.251/PR, concluiuse o seguinte: ... a Seção decidiu que o benefício fiscal de redução de base de cálculo foi concedido de modo objetivo, pois leva em consideração o serviço prestado e não a natureza ou estrutura do prestador. Nesses termos, Fl. 114DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.912957/201223 Resolução nº 1802000.612 S1TE02 Fl. 8 7 definiuse que a alíquota reduzida beneficia todos os prestadores de serviços tipicamente hospitalares – que são aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde , independentemente da complexidade ou da estrutura para internação de pacientes. A mens legis da norma em debate busca, através de um objetivo extrafiscal, minorar os custos tributários de serviços que são essenciais à população, não vinculando a prestação desses a determinada qualidade do prestador capacidade de realizar internação de pacientes , mas, sim, à natureza da atividade desempenhada. No julgamento citado, excetuaramse, apenas, as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. Na oportunidade foram fixadas duas situações que convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por instituição que, no desenvolvimento de sua atividade, possuía custos diferenciados do simples atendimento médico, sem, contudo, decorrerem estes necessariamente da internação de pacientes. No caso, tratase de entidade que presta serviços de radiologia, ultrassonografia e diagnóstico por imagens dentro do Hospital Geral pertencente à Associação de Caridade Santa Casa do Rio Grande, que não possui esses serviços e, portanto, os terceiriza à recorrente. Não se trata de simples consulta médica, mas de atividade que se insere, indubitavelmente, no conceito de “serviços hospitalares, já que demanda maquinário específico, geralmente adquirido por hospitais ou clínicas de grande porte.” É importante deixar consignado – por sugestão do Min. Teori Zavascki no julgamento do REsp 951.251/PR – que a redução da base de cálculo somente deve favorecer a atividade tipicamente hospitalar desempenhada pela recorrente – especificamente a prestação de serviços de radiologia, ultrassonografia e diagnóstico de imagens – excluídas as simples consultas e outras atividades de cunho administrativo. [...] (Grifouse) Retornando a matéria ao pleito do STJ, decidiu este pacificar seu entendimento no julgamento do REsp n° 1.116.399/BA, quando aplicou o regime do art. 543C do Código de Processo Civil, representativo da controvérsia, assim ementado: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.912957/201223 Resolução nº 1802000.612 S1TE02 Fl. 9 8 DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl.. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo Fl. 116DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.912957/201223 Resolução nº 1802000.612 S1TE02 Fl. 10 9 pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. (REsp 1116399/BA, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/10/2009, DJe 24/02/2010) Tal decisão ainda foi consolidada pelo julgamento de Embargos Declaratórios, cuja ementa também transcrevo a seguir, por adicionar elementos interessantes, em especial, a inaplicação do conceito de “serviços hospitalares” para “consultas médicas”, vejamos: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. 1. Os embargos de declaração são cabíveis quando o provimento jurisdicional padece de omissão, contradição ou obscuridade nos ditames do art. 535, I e II, do CPC, bem como para sanar a ocorrência de erro material. 2. A parte embargante aduz que há no acórdão embargado, basicamente, três questões a serem esclarecidas, quais sejam: (i) a atividade de consulta médica realizada no interior dos hospitais por profissionais com vínculo com a instituição deve ser conceituada como serviços hospitalares para efeito de beneficiarse da redução da base de cálculo?; (ii) estão (ou não) abrangidas pelo benefício fiscal as consultas médicas prestadas em consultório médico não localizado no interior do hospital, mas com prestação de serviços que não a simples consulta médica?; e (iii) as consultas médicas prestadas em consultório médico de forma exclusiva se incluem no benefício? 3. No caso dos autos, o Colegiado foi claro e preciso ao afirmar que são excluídas dos benefícios tendentes à redução das alíquotas ora pleiteadas as atividades destinadas unicamente à realização de consultas médicas, de sorte que a conclusão ora buscada pela embargante decorre da simples leitura do acórdão embargado. 4. Não obstante, a fim de dirimir quaisquer dúvidas sobre o que foi efetivamente decidido pelo colegiado, prevenir interpretações errôneas do julgado, bem como o manejo de novos aclaratórios, devese esclarecer que a redução da base de cálculo de IRPJ na hipótese de prestação de serviços hospitalares prevista no artigo 15, § 1º, III, "a", da Lei 9.249/95, efetivamente, não abrange as simples atividades de consulta médica realizada por profissional liberal, ainda que no Fl. 117DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.912957/201223 Resolução nº 1802000.612 S1TE02 Fl. 11 10 interior do estabelecimento hospitalar. Por conseguinte, também é certo que o benefício em questão não se aplica aos consultórios médicos situados dentro dos hospitais que só prestem consultas médicas. 5. Ademais, por ocasião do julgamento dos embargos declaratórios opostos pela Fazenda Nacional em face do acórdão proferido no REsp 951.251PR, o eminente Ministro Relator afirmou que: "Não há que se estender o benefício aos consultórios médicos somente pelo fato de estarem localizados dentro de um hospital, onde apenas sejam realizadas consultas médicas que não envolvam qualquer outro procedimento médico." 6. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no REsp 1116399/BA, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/09/2010, DJe 29/09/2010) Como se observa, o entendimento jurisprudencial de “serviços hospitalares” ficou consolidado em sentido amplo, relacionandose ao serviço prestado, e não à natureza ou a estrutura do prestador. A interpretação do dispositivo, portanto, é objetiva. Ressaltese que o CARF se sujeita ao definido nos termos do art. 543C do Código de Processo Civil, nos termos da Portaria CARF n° 256, de 22 de junho de 2009: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. A contrario sensu, a DRJ havia entendido pela aplicação temporã dos fatos geradores, à luz das Instruções Normativas vigentes a cada tempo, que vinham restringindo o conceito de serviços hospitalares. “Seguindo este raciocínio, pacificouse no âmbito da administração tributária federal o entendimento de que serviços hospitalares são aqueles prestados em decorrência da internação e tratamento de doentes ou aqueles que necessitam de intervenções cirúrgicas em hospitais. Não se consideram como tais, para os fins específicos da tributação pelo imposto de renda e CSLL das pessoas jurídicas, mormente no regime do lucro presumido, os serviços ambulatoriais, os meros serviços de clínica médica, de exames clínicos, de análises clínicas (laboratoriais, radiológicas, ecográficas, de ressonância magnética, de tomografia computadorizada, etc.), de clínica odontológica que não necessitam de um complexo hospitalar, ou seja, dos recursos materiais e humanos próprios de um hospital, inclusive para promover a internação dos pacientes. Não bastassem estes argumentos, outra justificativa que aponta a intenção do legislador em distinguir, para fins tributários, os serviços profissionais de médico dos serviços hospitalares encontrase no custo suportado pelas pessoas jurídicas que atuam no ramo da saúde. Com efeito, os custos e despesas operacionais dos hospitais são bem superiores aos de outros serviços médicos/odontológicos/psicológicos Fl. 118DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.912957/201223 Resolução nº 1802000.612 S1TE02 Fl. 12 11 prestados em clínicas, consultórios médicos e laboratórios, o que fundamenta a diferenciação de percentual adotada pela lei para fixação do lucro presumido da pessoa jurídica. De fato, aos custos dos serviços prestados por hospitais, além dos gastos dos profissionais especializados e dos materiais empregados no atendimento, somamse, permanentemente, os custos de hotelaria, alimentação, enfermagem, lavanderia e pesquisa, além do que devem abranger o estado de prontidão para o atendimento a possíveis situações de emergência (atendimento 24 horas). Este, pois, é o sentido teleológico da norma: considerar como base de cálculo do imposto de renda uma porcentagem menor da receita bruta para quem atua no ramo de serviços hospitalares em relação aos serviços médicos ou odontológicos em geral, uma vez que seus custos são bem superiores aos serviços prestados em clínicas, ambulatórios, consultórios médicos ou laboratórios. Claro está, mais uma vez, a especificidade do conceito de serviços hospitalares para fins do artigo 15, III, a, in fine, da Lei nº 9.249/95. A INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF Nº 306/2003 E A PORTARIA GM Nº 1.884/1994 À época dos fatos, a CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal do Brasil solicitou parecer ao Ministério da Saúde a respeito do conceito de “serviços hospitalares” com o desiderato de esclarecer caso concreto em solução de consulta a ela formulada, cuja resposta consubstanciada na Nota Técnica CGPI/DP/SIS/MS nº 020, de 18 de fevereiro de 2002, assim concluiu a questão: Conforme exposto acima podemos concluir que as definições sobre serviços hospitalares e serviços préhospitalares devem ser elaboradas a partir da normatização atualmente vigente, podendose resumir da seguinte forma: SERVIÇOS HOSPITALARES: para a verificação de serviços hospitalares, devese avaliar se no caso concreto a pessoa jurídica exerce uma das seguintes atribuições: i) promoção, prevenção e vigilância à saúde da comunidade; atendimento eletivo de assistência à saúde em regime ambulatorial; ii) atendimento imediato de assistência à saúde: prestação de atendimento de assistência à saúde em regime de internação por período superior a 24 horas; iii) atendimento a pacientes internos e externos em ações de apoio direto ao reconhecimento e recuperação do estado da saúde. Em face dessas conclusões, a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Instrução Normativa SRF nº 306/2003, acolheu o posicionamento externado na Nota Técnica CGPI/DP/SIS/MS nº 020/2002, ao estabelecer em seu art. 23, as hipóteses em que os serviços prestados por determinadas pessoas jurídicas poderão ser considerados como serviços hospitalares, para os fins previstos no art. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.912957/201223 Resolução nº 1802000.612 S1TE02 Fl. 13 12 15, § 1º, inciso III, alínea "a", da Lei nº 9.249/95. Eis o teor do dispositivo: Art. 23. Para os fins previstos no art. 15, § 1º inciso III, alínea "a", da Lei nº 9.249, de 1995, poderão ser considerados serviços hospitalares aqueles prestados por pessoas jurídicas, diretamente ligadas à atenção e assistência à saúde, que possuam estrutura física condizente para a execução de uma das atividades ou a combinação de uma ou mais das atribuições de que trata a Parte II, Capítulo 2, da Portaria GM nº 1.884, de 11 de novembro de 1994, do Ministério da Saúde, relacionadas nos incisos seguintes: I – realização de ações básicas de saúde, compreendendo as seguintes atividades: (...) II – prestação de atendimento eletivo de assistência à saúde em regime ambulatorial, compreendendo as seguintes atividades: (...) III – prestação de atendimento imediato de assistência à saúde, compreendendo as seguintes atividades: (...) IV – prestação de atendimento de assistência a saúde em regime de internação, compreendendo as seguintes atividades: (...) V – prestação de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia, compreendendo as seguintes atividades: (...) Frise se: para que sejam considerados hospitalares, exigese que os serviços descritos nos incisos do art. 23 da IN SRF 306/2003 sejam prestados por estabelecimentos que possuam estrutura física condizente com as atividades que desempenha. Para que se verifique isso, fazse necessária a apresentação de provas que demonstrem que os estabelecimentos cumprem as condições exigidas em lei para ser considerado como estabelecimento assistencial de saúde (EAS). Neste ponto, a Portaria GM nº 1.884/94 disciplinou sobre a organização físicofuncional dos estabelecimentos assistenciais de saúde, determinando quais as condições necessárias exigidas para que um estabelecimento possa prestar serviço hospitalar. Lembrese, ainda, que o caput do art. 23 da IN SRF nº 306/2003, exige que o estabelecimento assistencial de saúde possua estrutura física condizente com as atividades que desempenha, sendo obrigatório, portanto, oferecer os seus serviços de maneira plena e integral. Além Fl. 120DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.912957/201223 Resolução nº 1802000.612 S1TE02 Fl. 14 13 disso, é imprescindível a pessoa jurídica contar com todas as instalações e os equipamentos adequados para a prestação do serviço hospitalar equiparado, devendo estar apta a prestar os serviços necessários para os quais foi criada e executálos em local onde se encontram seus equipamentos, materiais, mãodeobra especializada, etc., os quais justificam os custos assemelhados à atividade hospitalar. Se, porventura, o contribuinte tãosomente dispensa atendimentos superficiais, sendo incapaz de propiciar o efetivo diagnóstico e tratamento de seus pacientes, concluise que ela não possui uma estrutura capaz de usufruir os proveitos fiscais em análise. Aduziu, portanto, que a definição de empresário e sociedade empresária não se coaduna como elemento de empresa pela simples prestação de serviços profissionais na área médica, afastando pelas características estruturais o contribuinte da condição de estabelecimento hospitalar de que trata a lei. Ora, como já abordado, o STJ decidiu que o termo “serviços hospitalares” deve ser analisado objetivamente. No caso, houve uma interpretação subjetiva, levandose em conta outros fatores que não se relacionam à prestação do serviço, mas à estrutura e outras condições do estabelecimento, restringindo sua aplicação ao caso. Neste estigma, é oportuno ressaltar que este Conselho não se submete aos atos da Secretaria da Receita Federal, que é parte interessada na arrecadação, mas deve atenção ao conteúdo estabelecido por leis, decretos, tratados ou acordos internacionais, nos termos da Portaria CARF n° 256, de 22 de junho de 2009: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: [...] Assim, é de se afastar a interpretação restritiva emanada através do Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF n° 18, de 23 de outubro de 2003, bem como, as Instruções Normativas SRF n° 306, de 12 de março de 2003, n° 480, de 15 de dezembro de 2004 e n° 539, de 25 de abril de 2005, que não se coadunam ao conceito objetivo de “serviços hospitalares” e se apegar ao precedente jurisprudencial representativo da controvérsia emanado pelo STJ supracitado. Por derradeiro, ainda que possam haver discussões, vale colacionar decisões deste Conselho já levadas a efeito nesta matéria que consolidam a interpretação esposada: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 SERVIÇOS HOSPITALARES. ESPÉCIE DE SOCIEDADE. HIPÓTESE NÃO PREVISTA EM LEI. PERCENTUAL DE APURAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.912957/201223 Resolução nº 1802000.612 S1TE02 Fl. 15 14 A expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva, ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte, porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Para a empresa que presta “serviços hospitalares”, o percentual de apuração do lucro presumido sobre as receitas da atividade, para os anos de 2002 a 2005, é de 8% para o IRPJ e de 12% para a CSLL, consoante arts. 15 e 20 da Lei nº 9.249/95. (Acórdão n° 1202000.584, Relator Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Segunda Câmara, Primeira Seção, julgado em 04/10/2011) IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 LUCRO PRESUMIDO. CLÍNICA DE DIAGNÓSTICOS. DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COEFICIENTE No julgamento do Recurso Especial nº 1.116.399BA (2009/00064810), havido na sistemática dos recursos especiais repetitivos, o STJ decidiu, com a ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727 de 2008 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, que a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde), excluindose, contudo, as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004, 2005, 2006 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Subsistindo o lançamento principal, na seara do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica, igual sorte colhe o lançamento que tenha sido formalizado em legislação que toma por empréstimo a sistemática de apuração daquele. (Acórdão n° 1103000.552, Relator Conselheiro Jose Sergio Gomes, Primeira Câmara, Primeira Seção, julgado em 04/10/2011) Assim a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei nº 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva, ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte, porquanto a lei, ao conceder o menor percentual estimado de lucro, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Para a empresa Fl. 122DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.912957/201223 Resolução nº 1802000.612 S1TE02 Fl. 16 15 que presta “serviços hospitalares”, o percentual de apuração do lucro presumido sobre as receitas da atividade é de 12% para a CSLL, consoante o art. 20 do mesmo diploma legal. Apesar de tudo o que foi dito o julgamento do presente processo necessita de uma instrução complementar para que se verifique a natureza do serviço prestados no período em que os créditos foram apurados. Isto posto, voto pela conversão do presente processo em diligência para que a Delegacia de origem verifique: a) através das notas fiscais de saída a natureza dos serviços que estão sendo faturados; b) a existência de ativos, próprios ou alugados de terceiros, condizentes com a prestação de serviços que tenham custos diferenciados em relação à simples consultas; c) demais elementos julgados pertinentes que possam esclarecer a natureza das receitas auferidas pera ora Recorrente, bem como o coeficiente para presunção do lucro. Concluída a diligência fiscal, a DRF deverá intimar a Recorrente para, querendo, se manifestar e lavrar relatório circunstanciado, pormenorizado e conclusivo dos resultados apurados. (documento assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 123DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA
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Numero do processo: 10935.722412/2012-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração:01/01/2007 a 31/10/2008
ADESÃO AO PARCELAMENTO. CONFISSÃO. DESISTÊNCIA DA DISCUSSÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA.
A adesão ao parcelamento importa confissão irrevogável e irretratável dos débito sem nome do sujeito passivo.
Não há matéria a ser apreciada por esta Corte, quando o objeto do recurso interposto pelo contribuinte é a adesão ao parcelamento de que trata a Lei nº 11.941/09.
Numero da decisão: 2301-004.219
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR-Relator.
EDITADO EM: 17/01/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração:01/01/2007 a 31/10/2008 ADESÃO AO PARCELAMENTO. CONFISSÃO. DESISTÊNCIA DA DISCUSSÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A adesão ao parcelamento importa confissão irrevogável e irretratável dos débito sem nome do sujeito passivo. Não há matéria a ser apreciada por esta Corte, quando o objeto do recurso interposto pelo contribuinte é a adesão ao parcelamento de que trata a Lei nº 11.941/09.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. MARCELO OLIVEIRA - Presidente. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR-Relator. EDITADO EM: 17/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR.
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CONFISSÃO. DESISTÊNCIA DA DISCUSSÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A adesão ao parcelamento importa confissão irrevogável e irretratável dos débito sem nome do sujeito passivo. Não há matéria a ser apreciada por esta Corte, quando o objeto do recurso interposto pelo contribuinte é a adesão ao parcelamento de que trata a Lei nº 11.941/09. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. MARCELO OLIVEIRA Presidente. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIORRelator. EDITADO EM: 17/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, DANIEL MELO AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 72 24 12 /2 01 2- 59 Fl. 2649DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 2 MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR. Relatório Adoto o relatório do Acórdão n. 0640.050: Tratase de Auto de Infração lavrado em virtude de o contribuinte em epígrafe ter deixado de informar em GFIP e de recolher as contribuições sociais incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural adquiridas de produtores rurais pessoas físicas, conforme descriminado nos DEBCAD abaixo resumidos: 1 DEBCAD n° 37.328.1315: Contribuições sociais devidas pela empresa na condição de adquirente (subrogada) incidentes sobre o valor da comercialização da produção rural de produtores rurais pessoas físicas. a) 2,0% destinadas ao FPASFundo de Previdência e Assistência Social. b) 0,1% destinadas ao financiado da aposentadoria especial e das prestações decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (RAT). 2 DEBCAD nº 37.388.3986: Contribuições sociais destinadas ao SENAR. 3 DEBCAD n° 37.328.1307: Multa aplicada em virtude de o contribuinte ter deixado de declarar nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social GFIP as informações relativas à “aquisição da reprodução rural” de pessoas físicas. O crédito tributário perfaz o montante de R$ 15.340.262,84, conforme consta do anexo“Demonstrativo Consolidado”. Intimado, o contribuinte apresentou defesa tempestiva contra o lançamento materializado nos DEBCAD acima citados, alegando que por se encontrar em “recuperação judicial”, conforme Autos do Processo 002494635.2012.0021 1 º Vara Cível de Cascavel, a cobrança do crédito tributário deverá ser suspensa, devendo ser concedido ao contribuinte o direito ao parcelamento posterior caso persista o débito tributário. Informa que o presente débito foi incluído no parcelamento da lei 11.941/2009, estando, deste modo suspenso a exigibilidade do crédito nos termos do art.150,VI do CTN. Destaca que os créditos tributários, outrossim, estariam com sua exigibilidade suspensa haja vista que o contribuinte ingressou com medida judicial contra a exação, por meio do Mandado de Segurança, (Autos nº 5002087.89.2010.404.7000 4 º Vara Federal de Cascavel). Fl. 2650DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10935.722412/201259 Acórdão n.º 2301004.219 S2C3T1 Fl. 2.650 3 Aduz que os créditos tributários correspondente ao período de 01/2007 a 10/2008, encontrase extintos pela decadência qüinqüenal prevista no art. 150, §4º do CTN. Aponta que o lançamento apresenta o valor do tributo e seu acréscimos legais, sem constar, no entanto, a forma analítica como seu chegou ao cálculo total do crédito, viloando, assim, o direito a ampla defesa. No mérito, alega que impetrou mandado de Segurança contra a Receita Federal do Brasil (Autos do Processoº 500208789.2010.404.700PR 4 º Vara Federal de Cascavel) para se ver desobrigado de promover a retenção e o recolhimento da contribuição social devida por subrogação sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural de produtores rurais pessoas físicas. Segundo o contribuinte, o TRF4 naqueles autos, acompanhando o entendimento adotado pelo no STF Recurso Extraordinário 363.852MG, declarou inconstitucional o art. 25 da Lei 8212/91 com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.540/92 que fundamenta a presente cobrança. Deste modo, conclui que não incorreu em qualquer ilegalidade ao deixar de recolher a contribuição social discutida, haja vista que sua conduta está respaldada em decisão judicial que lhe foi favorável. Destaca que a Constituição Federal somente autoriza fonte de custeio diversa das previstas no seu art. 195 (folha de salários, faturamento e lucro), por meio de Lei Complementar. Deste modo, a Lei 8212/91, cuja natureza é ordinária, ao estabelecer como base de cálculo “receita bruta sobre a comercialização rural” afronta a Constituição Federal, visto que se trata de nova fonte de custeio estabelecida por norma de hierarquia inferior à Lei Complementar. Aduz que somente a partir da EC 20/98 a receita bruta da empresa passou a ser objeto de incidência de contribuição social, desde que veiculada por legislação posterior, o que não é o presente caso, pois a Lei aqui discutida é anterior a emenda constitucional. Especificamente, em relação a contribuição social destinada ao Senar (DEBCAD nº37.388.3986), destaca que uma vez declarada inconstitucional a cobrança do Funrural, inconstitucional também será a cobrança do Senar, pois tem a mesma base de cálculo que aquele. Aduz, por outro lado, que a Lei 8.540/91 não mencionava os produtores rurais pessoas jurídicas e físicas no rol dos sujeitos passivos da referida contribuição. A partir da Lei 8.870/94 (art. 25) a cobrança foi estendia aos produtores rurais pessoas físicas e jurídicas sobre o “valor da comercialização da produção rural”, base de cálculo diversa da ressalvada no art. 240 da CF (folha de salários). Deste modo, o lançamento do Senar deve ser, igualmente, julgado improcedente em face da inconstitucionalidade manifesta. Fl. 2651DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 4 Destaca que a multa aplicada no levantamento contido no DEBCAD 37.328.1307 fere o princípio do nãoconfisco e da razoabilidade, sendo, portanto, inconstitucional a sua cobrança. Insurge contra a taxa Selic, alegando que esta não pode ser utilizada como juros moratórios incidentes sobre os débitos de natureza fiscal, visto não existir lei que institua para este fim, conforme exigência prevista no art. 161, §º da CF. Destaca que ainda que se admitisse como válida a instituição da Selic, seus percentuais ultrapassam o limite estabelecido de 1% pelo CTN, norma hierarquicamente superior a lei ordinária que instituiu a selic (Lei 9.065/95). Por fim, destaca que a Selic tem natureza remuneratória (que é o pagamento pelo uso do dinheiro) contrariando, portanto, o CTN que estabelece que os juros aplicados devem ser de mora (penalidade pelo inadimplemento da obrigação em época própria). A Delegacia da Receita Federal em Curitiba proferiu Acórdão acima numerado, por meio do qual entendeu pela procedência da autuação: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/10/2008 FORMALIDADES DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Inexiste cerceamento de defesa, quando presentes no lançamento todas as informações que possibilitem ao sujeito passivo compreender a sua exata extensão. AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO LITÍGIO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A existência ou propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência ao litígio nas instâncias administrativas DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. VEDAÇÃO. É vedado a autoridade julgadora administrativa afastar a aplicação, por inconstitucionalidade de tratado,acordo, tratado internacional, lei decreto ou ato normativo. SELIC. INCIDÊNCIA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Afeiçoase legítima a utilização da Taxa Selic como juros de mora a ser aplicado sobre o lançamento de crédito tributário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Ato contínuo, o Sujeito Passivo interpôs Recurso Voluntário tendo alegado, em síntese, “buscando saldar seu passivo tributário, aderiu ao parcelamento da Lei n. 11.941/2009”. É o relatório. Fl. 2652DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10935.722412/201259 Acórdão n.º 2301004.219 S2C3T1 Fl. 2.651 5 Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior Consta do Recurso Voluntário que o Sujeito Passivo aderiu ao Parcelamento Especial instituído pela Lei n. 11.941/2009. Como restam incontroversos os fatos geradores e tendo em vista que a confissão [adesão ao parcelamento] ocorreu antes do julgamento do Recurso Voluntário, entendo que afastado o decisum recorrido, pois a adesão ao REFIS implica na renúncia do direito de discutir administrativamente o débito confessado. Tratandose de parcelamento com confissão irretratável e irrevogável de dívida, aplicase ao caso o disposto no art. 78 do Regimento Interno do CARF (Anexo II à PortariaMF n. 256, de 2009, com as alterações da Portaria MF n. 446, de 2009, e 586, de 2011),que dispõe o seguinte,com os destaques cabíveis: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. Dessa forma, houve desistência do recurso antes de seu julgamento. DISPOSITIVO Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO interposto. É como voto. Manoel Coelho Arruda Júnior Relator Fl. 2653DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 6 Fl. 2654DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 11829.720041/2013-21
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 28/05/2012
REGIME ADUANEIRO ESPECIAL DE DEPÓSITO AFIANÇADO (DAF). PENA DE PERDIMENTO. AUSÊNCIA DE TIPO LEGAL.
A pena de perdimento aplica-se na hipótese de importação irregular e quando a mercadoria estrangeira tenha sido exposta à venda, depositada ou em circulação no país, situações que não se verificaram no presente caso, em que houve o ingresso da turbina no DAF, posteriormente descumprido, com a sua instalação em aeronave e saída física efetiva do país.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3403-003.459
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do Relatório e do Voto que fazem parte integrante do presente. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Alexandre Kern.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luiz Rogério Sawaya Batista - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator).
Nome do relator: LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 28/05/2012 REGIME ADUANEIRO ESPECIAL DE DEPÓSITO AFIANÇADO (DAF). PENA DE PERDIMENTO. AUSÊNCIA DE TIPO LEGAL. A pena de perdimento aplicase na hipótese de importação irregular e quando a mercadoria estrangeira tenha sido exposta à venda, depositada ou em circulação no país, situações que não se verificaram no presente caso, em que houve o ingresso da turbina no DAF, posteriormente descumprido, com a sua instalação em aeronave e saída física efetiva do país. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do Relatório e do Voto que fazem parte integrante do presente. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Alexandre Kern. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 82 9. 72 00 41 /2 01 3- 21 Fl. 409DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator). Relatório Tratase de auto de infração e imposição de multa lavrado em face da empresa Cielos Del Peru S.A., ora Recorrente, no valor de R$ 7.134.400,00, em razão da não efetivação de Regime Aduaneiro Especial (DAF), referente à uma turbina de aeronave importada pelo regime da DAF, em 28/05/2012. O crédito lançado referese à multa de conversão de pena de perdimento por não efetivação de Regime Aduaneiro Especial, DAF (Depósito Afiançado). Apurouse importação em Regime Aduaneiro Especial de Depósito Afiançado (DAF) regime este de NATUREZA SUSPENSIVA, nos termos do art. 93 do Decretolei n.° 37, de 18 de novembro de 1966, do art. 14, caput, da Lei n.° 10.865, de 30 de abril de 2004, e da Instrução Normativa SRF n.° 409, de 19 de março de 2004 SEM A DEVIDA COMPROVAÇÃO DO RETORNO ao exterior da mercadoria estrangeira TURBINA DE AERONAVE N.° DE SÉRIE P723921CN. Que, conforme a legislação aplicável, tal fato caracteriza, em principio, IMPORTAÇÃO IRREGULAR, nos termos do art. 179, §§, da Lei n.° 5.172, de 25 de outubro de 1966, ensejando a aplicação de penalidade prevista no art. 105 do Decretolei n.° 37 de 18 de novembro 1966 e no art. 23, caput, §§ 1° e 3°, do Decretolei n.° 1.455 de 7 de abril de 1976. Adoto, desde já, integralmente o Relatório constante no Acórdão 1659.210 da DRJ em São Paulo, que ora resumo. Basicamente, a Recorrente foi habilitada a operar, em CARÁTER PRECÁRIO, no Regime Aduaneiro Especial de Depósito Afiançado DAF , habilitação esta concedida através do Ato Declaratório Executivo (ADE) n° 08, de 30 de agosto de 2005 (DOU de 01/09/2005), sob a égide da Instrução Normativa SRF n° 409, de 19 de março de 2004. A Recorrente, por meio de DI de Admissão (DA), em sua adição 001, declara como mercadoria a importar a turbina "PW44603 TURBINA DE AERONAVE, NUMERO DE SERIE: P723921CN"; a adição 002 da mesma DA declara "SUPORTE DE MOTOR, NUMERO DE SERIE: 123 TOP, 102 BOTTOM"; e a DA de n° 12/09646295 declara um "KIT DE FERRAMENTAS PARA TROCA DE TURBINA DE AVIAO", solicitando expressamente a liberação das mercadorias para manutenção e raparo de aeronva, fazendo referência ao ADE n 08/2005. Que consultandose o Sistema Integrado de Comércio Exterior Siscomex Exportação, constatouse que a turbina "PW44603 TURBINA DE AERONAVE, NUMERO DE SERIE: P723921CN" não apresentou averbação de sua exportação. O RE de no 12/5682659.001, anexo 7 (sete), data de registro 06/06/12, encontrase com sua "situação" VENCIDA, sem data de averbação dentro do prazo de permanência da mercadoria admitida em Regime Aduaneiro Especial DAF (art. 17 da IN SRF no 409/2004), ou seja, sem data de embarque e envio ao exterior, não cumprindo o rito exigido pela IN SRF no 409/2004 para a extinção do próprio. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 11829.720041/201321 Acórdão n.º 3403003.459 S3C4T3 Fl. 11 3 A Recorrente foi reintimada a comprovar que a turbina havia sido exportada, tendo ela respondido que a aeronave que apresentou a turbina avariada era a de matrícula N951AR, e que teve a mesma substituída pela importada sob Regime DAF. A Fiscalização relata que a aeronave avariada, N951AR, pertence à empresa aérea SKY LEASE CARGO; que a habilitação no Regime Aduaneiro Especial DAF é de caráter PRECÁRIO e PERSONALÍSSIMO (art. 7° da IN SRF 409/2004); que a CIELOS, CNPJ 05.4566.747/000172, apenas poderia aplicar as peças, motores e outras mercadorias estrangeiras importadas para a manutenção e troca nas suas próprias aeronaves. E concluiu a Fiscalização que não se efetivando as exigências do Regime Aduaneiro Especial de Depósito Afiançado, elencadas na IN SRF no 409/2004, caracterizase IMPORTAÇÃO IRREGULAR, sendo aplicável o art. 20 da IN SRF 409/2004 c/c art. 689, X, do RA/2009, cuja matriz legal encontrase no art. 105 do Decretolei no 37/1966 e no art. 23, caput,§§ 1° e 3°, do Decretolei n° 1.455/1976. A Recorrente apresentou Impugnação em que alega o seguinte: 1. Que seria nulo o auto de infração por ausência de prova, pois a Fiscalização não teria demonstrado que a turbina não teria deixado o território nacional; 2. Que a Fiscalização nada prova que a turbina teria permanecido em território nacional, utilizandose de presunções e que o ônus cabe à Fiscalização; 3. No mérito, que teria cometido um equívoco quando da eleição do regime aduaneiro especial para a admissão das mercadorias importadas; que o regime aduaneiro especial de depósito afiançado operado por empresa de transporte aéreo destinase, especificamente, à estocagem de materiais importados com a suspensão de impostos destinados à utilização em reparos de aeronaves, o que não seria o caso da turbina importada, trazida em DAF em decorrência de um erro da Recorrente; 4. Que tanto sob o regime DAF, quanto sob a Admissão Temporária, os bens são importados com suspensão total dos tributos incidentes sobre o ingresso dos bens estrangeiros no território nacional, pelo que não houve qualquer dano ao erário, apesar do erro cometido, uma vez que, ao fim, não haveria tributos devidos; 5. Sustenta o cabimento da transferência de regimes, regida pela Instrução Normativa SRF n° 121, de 11 de Janeiro de 2002, que não veda a transferência de uma mercadoria erroneamente admitida por meio do DAF para o Regime de Admissão Temporária; 6. Que em razão de ser possível a transferência de regime do DAF para Admissão Temporária requer seja considerado, inclusive para fins de aplicação de penalidade; Fl. 411DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 4 7. Que toda a autuação ora combatida se escora na suposta ausência de reexportação regular da própria turbina, com número de série P723921CN, admitida por meio da DA n° 12109639760, mas a turbina deixou o território nacional juntamente com a aeronave no dia seguinte à substituição do turbopropulsor, qual seja, o dia 05 de junho de 2012, no voo CWC420. E que ao ser instalada na aeronave N951AR, a turbina P723921CN passou a fazer parte de um todo, este também submetido a controle aduaneiro específico; 8. Que não é cabível a aplicação da pena de perdimento ou sua conversão em multa, pois ainda que não houvesse ocorrido a reexportação regular da mercadoria, a admissão da mercadoria no território nacional merece ser avalida com base nas regras aplicáveis à Adminissão Temporária, de modo que apenas os tributos suspensos poderiam ser cobrados; 9. Alega ser a multa excessiva e desproporcional. A DRJ manteve integralmente o Auto de Infração, afastando alegações preliminares da Recorrente, sob o fundamento de que o ônus de provar a reexportação da turbina, no DAF, pertence a Recorrente. Ressalta ainda que como se tal não bastasse a Recorrente ainda foi intimada a demonstrar a exportação regular da turbina, não tendo apresentado, e que consta no próprio Siscomex a situação da não exportação. Quanto a alegação de erro cometido pela própria Recorrente e transferência entre regimes, a DRJ afasta tais argumentos. Primeiramente porque a legislação que regula o DAF prevê a sua aplicabildiade também para turbinas (motores de aeronaves) e para tal é normalmente utilizada. Vejase a letra dos arts. 2° e 17 da IN SRF 409/2004: Art. 2° O regime aduaneiro especial de depósito afiançado (DAF) permite a estocagem, com suspensão do pagamento de impostos, de materiais importados sem cobertura cambial, destinados à manutenção e ao reparo de aeronave pertencente a empresa autorizada a operar no transporte comercial internacional, e utilizada nessa atividade. § 1° Para os efeitos deste artigo, entendese por materiais: os equipamentos, suprimentos e peças de reposição das aeronaves; os equipamentos de reparo, manutenção e serviço: a) materiais de reparo e manutenção para estruturas aéreas, motores e instrumentos; jogos de ferramentas especiais para o reparo de aeronaves; baterias de arranque e carros de bateria; escadas e plataformas de manutenção; equipamentos de teste para aeronaves, motores e instrumentos de aeronaves; (... ) Fl. 412DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 11829.720041/201321 Acórdão n.º 3403003.459 S3C4T3 Fl. 12 5 Art. 17. A aplicação do regime será extinta com a adoção, dentro do prazo de permanência das mercadorias, de uma das seguintes providências: I reexportação, inclusive nos casos em que: a) equipamentos, suprimentos e peças forem empregados em aeronaves; (...). Afirma a DRJ que não é plausível a afirmação da Recorrente de que desconhecia as características do regime que ela próprio requereu, obteve a habilitação, e operava. Ademais, prossegue no seu raciocínio, tal alegação não produz nenhum efeito, pois se se tratasse de um erro, tal haveria que ser, em tese, corrigido por iniciativa do próprio beneficiário do regime, não após a constatação do descumprimento do regime por parte da Autoridade Aduaneira, mas ao longo do prazo de que dispunha. E aduz que não seria possível a transferência de regime, pois a IN SRF n° 121, de 11 de janeiro de 2002 (IN SRF n° 121/2002), que é vigente, e regula o assunto, não prevê a possibilidade de transferência do regime DAF para a admissão temporária. Quanto a alegação de dano ao Erário, a DRJ assim decidiu: O conceito de dano ao Erário, que é fornecido pela Lei (Decretolei n° 1.455, de 1976) é muito mais amplo do que o "dano" decorrente do não pagamento dos tributos devidos. Para a correta compreensão do instituto, é de se observar os excertos abaixo, colhidos do art. 23 do referido Decretolei n° 1.455, de 1976, bem como, mais adiante, do art. 105 do Decretolei n° 37, de 1966, o que é, pelo primeiro, expressamente referido: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: I importadas, ao desamparo de guia de importação ou documento de efeito equivalente, quando a sua emissão estiver vedada ou suspensa na forma da legislação específica em vigor; II importadas e que forem consideradas abandonadas pelo decurso do prazo de permanência em recintos alfandegados nas seguintes condições: III trazidas do exterior como bagagem, acompanhada ou desacompanhada e que permanecerem nos recintos alfandegados por prazo superior a 45 (quarenta e cinco) dias, Fl. 413DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 6 sem que o passageiro inicie a promoção, do seu desembaraço; enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas " a " e " b " do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei número 37, de 18 de novembro de 1966. estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.íIncluído pela Lei n° 10.637, de 30.12.2002) § 1° O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei n° 10.637, de 30.12.2002) § 2° Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei n° 10.637, de 30.12.2002) § 3° As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei n° 12.350, de 2010) § 4o O disposto no § 3o não impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território nacional. (Incluído pela Lei n° 10.637, de 30.12.2002 Quanto a alegação de não cabimento da pena de perdimento, a DRJ aduz que além da Recorrente não ter solicitado a transferência de regime, tal não seria possível, e que o fato de a turbina haver sido importada, colocada numa aeronave em substituição à avariada que não pertence ao beneficiário do regime de DAF e, ainda, enviada novamente ao exterior, juntamente com a aeronave, e sem o devido registro, é justamente o que constitui a infração aduaneira em pauta, aplicandose o disposto no artigo 20 da IN SRF n 409/2004: Art. 20. Expirado o prazo de permanência das mercadorias no regime, e não tendo sido adotada nenhuma das providências indicadas nos arts. 17 ou 18, as mercadorias estarão sujeitas à aplicação da pena de perdimento referida no art. 618, inciso X, do Decreto no 4.543, de 26 de dezembro de 2002 (grifos acrescidos E conclui a DRJ afirmando que no caso contreto, o prazo foi obviamente marcado pela saída do bem (turbina) do território nacional. O inciso X do art. 618 do Fl. 414DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 11829.720041/201321 Acórdão n.º 3403003.459 S3C4T3 Fl. 13 7 Regulamento Aduaneiro de 2002 (Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002) corresponde ao atual inciso X do art. 689 do Regulamento Aduaneiro de 2009 (Decreto nº 6.759/2009), e estatui Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (DecretoLei n o 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei n o 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1 o , este com a redação dada pela Lei n o 10.637, de 2002, art. 59): (...) X estrangeira, exposta à venda, depositada ou em circulação comercial no País, se não for feita prova de sua importação regular; Inconformada a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, em que reitera os seus argumentos trazidos em Impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista O Recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. De início, afasto a preliminar de nulidade suscitada pela Recorrente, uma vez que a Recorrente foi intimada e reintimada a comprovar a reexportação da turbina importada sob o regime de Depósito Afiançado, cabendolhe, pois, o ônus de demonstrar que os registros do Siscomex estavam equivocados, ou seja, evidenciar a exportação regular da turbina. A Recorrente não fez tal prova! Por outro lado, pertine observar que as mercadorias importadas sob o regime do DAF ingressam no território nacional com suspensão de tributos, suspensão esta que se efetiva, adquirindo caráter de definitividade, convertendose em verdadeira isenção, se e somente se forem regularmente reexportadas. Fl. 415DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 8 Isso significa dizer que, no regime de DAF, em que o importador requer inclusive prévia habilitação para exercêlo, a reexportação é de sua exclusiva responsabilidade, motivo pelo qual não há que se falar em suposta nulidade por ausência de prova por parte da Fiscalização quanto a permanência da turbina no país. Aliás, antes de ingressar no mérito, não posso deixar de observar que a Recorrente incorre em gritante contradição ao levantar esse tipo de preliminar, pois além da exportação não constar no Siscomex e ela ter sido intimada e reintimada a provar a regular exportação, ela afirma categoricamente que a turbina foi instalada em aeronave que deixou fisicamente o país no dia seguinte! Quanto ao mérito, a multa aplicada deve ser afastada! Isso porque, em meu pensar o inciso X, do artigo 105 do Decretolei n 37, de 18 de novembro de 1966, abaixo reproduzido, não se presta a enquadrar a situação fática discutida nos presentes autos: Art.105 Aplicase a pena de perda da mercadoria: .... X estrangeira, exposta à venda, depositada ou em circulação comercial no país, se não for feita prova de sua importação regular; Ora, de início não posso deixar de ressaltar o frágil raciocínio em que incorreu a Autoridade Fazendária, pois enquadrou uma situação de aplicação de pena de perdimento, constante no inciso X, do artigo 105 do DL n 37/1966, que seria um consequente, em uma situação de dano ao erário, prevista nos parágrafos 1 e 3 , do artigo 23 do Decretolei n 1.455, de 07 de abril de 1976, abaixo transcritos, que tem como pressuposto a própria pena de perdimento!? Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: ... IV enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas " a " e " b " do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei número 37, de 18 de novembro de 1966. § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de Fl. 416DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 11829.720041/201321 Acórdão n.º 3403003.459 S3C4T3 Fl. 14 9 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) E nesse raciocínio circular não fundamentou de forma apropriada o enquadramento realizado da situação fática à hipótese legal. Ora, dispõe o inciso X, do artigo 105 que aplicase a pena de perdimento a mercadoria estrangeira, se não for feita prova de sua importação irregular, exposta à venda, depositada ou em circulação comercial no país. Contudo, no presente caso, a mercadoria ingressou sob regime de depósito afiançado, portanto, regularmente no país, regime este que foi descumprido pela Recorrente ao não registrar formalmente a declaração de exportação da turbina no SISCOMEX, deixando tal item pendente. Dessa forma, sob esse prisma inicial, discutível o enquadramento da Autoridade Fazendária, visto que houve o ingresso regular da mercadoria no país e a Autoridade Fazendária, em face do descumprimento do regime, simplesmente olvidou o ingresso no DAF e retroagiu os efeitos do descumprimento para caracterizálo como uma importação irregular, circunstância bem distante dos autos. Ademais, o que considero decisivo é que a mercadoria não foi exposta à venda, nem depositada e muito menos em circulação no país, conforme admite a própria Autoridade Fazendária, visto que há prova efetiva nos autos, reconhecida pela Autoridade Fazendária, que a turbina foi instalada em um avião, que, ato contínuo, saiu do país, tornando, portanto, impossível, a ocorrência de qualquer das condições para a aplicação da pena de perdimento. No campo do Direito Tributário, sobretudo em hipótese de aplicação de penalidade, há que se ter perfeitamente clara a subsunção de um determinado fato ao tipo legal (tipicidade), de tal forma que a união lógica resulte, pois, na consequência prevista pela norma legal. Os fatos não se enquadram no tipo escolhido pela Autoridade Fazendária, não se podendo, portanto, aplicar pena de perdimento, e muito menos substituir a aplicação da pena de perdimento por multa equivalente ao valor aduaneiro. Embora a Recorrente não tenha alegado o flagrante equívoco de tipicidade não vejo como não reconhecêlo, não apenas por se tratar de matéria própria de preliminar, relacionada à constituição de direito da pretensão fiscal, cuja ausência de tipo macula todo o auto de infração. Mas também porque no processo administrativo analisamse provas e a correta aplicação do Direito sobre os fatos, de maneira que o ilícito praticado pela Recorrente ao ter descumprido o DAF, na presente situação, não autoriza a Autoridade Fazendária a aplicar a pena de perdimento que, como visto, exige a ocorrência de duas situação específicas, Fl. 417DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 10 não constantes no presente processo, quais sejam: importação irregular e mercadoria estrangeira exposta à venda, depositada ou em circulação no país. Ante o exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Relator Fl. 418DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 02/ 02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA
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Numero do processo: 10640.003187/2010-00
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2006
Omissão de Receitas. Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada.
A presunção estabelecida pelo artigo 42 da Lei no. 9.430, de 1996, foi regularmente introduzida no sistema normativo e determina que o contribuinte deva ser regularmente intimado a comprovar, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em contas de depósito ou de investimentos. Tratando-se de presunção relativa, o sujeito passivo fica incumbido de afastá-la, mediante a apresentação de provas que afastem os indícios. Não logrando fazê-lo, fica caracterizada a omissão de receitas.
Tributam-se como omissão de receita os valores creditados em contas correntes em instituições financeiras, em relação aos quais, o titular, regularmente intimado, não comprove a origem mediante documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 1801-002.248
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2006 Omissão de Receitas. Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada. A presunção estabelecida pelo artigo 42 da Lei no. 9.430, de 1996, foi regularmente introduzida no sistema normativo e determina que o contribuinte deva ser regularmente intimado a comprovar, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em contas de depósito ou de investimentos. Tratando-se de presunção relativa, o sujeito passivo fica incumbido de afastá-la, mediante a apresentação de provas que afastem os indícios. Não logrando fazê-lo, fica caracterizada a omissão de receitas. Tributam-se como omissão de receita os valores creditados em contas correntes em instituições financeiras, em relação aos quais, o titular, regularmente intimado, não comprove a origem mediante documentação hábil e idônea.
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A presunção estabelecida pelo artigo 42 da Lei no. 9.430, de 1996, foi regularmente introduzida no sistema normativo e determina que o contribuinte deva ser regularmente intimado a comprovar, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em contas de depósito ou de investimentos. Tratandose de presunção relativa, o sujeito passivo fica incumbido de afastála, mediante a apresentação de provas que afastem os indícios. Não logrando fazêlo, fica caracterizada a omissão de receitas. Tributamse como omissão de receita os valores creditados em contas correntes em instituições financeiras, em relação aos quais, o titular, regularmente intimado, não comprove a origem mediante documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 31 87 /2 01 0- 00 Fl. 274DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 10/02/ 2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório Supervarejão Túlio Ltda. EPP, recorre a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de acórdão proferido pela 2a. Turma da DRJ em Florianópolis/SC que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada contra as exigências formalizadas nos autos. Contra a empresa acima identificada foram lavrados autos de infração para exigir IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, e INSS pelo Simples Federal, no valor total de R$ 412. 819,75, eis que constatadas, em procedimento de auditoria, infrações a legislação tributária praticadas no anocalendário 2006, relativas a omissão de receitas apurada a partir da existência de depósitos bancários de origem não comprovada e insuficiência de recolhimento de tributos. De acordo com o relato da auditoria fiscal a empresa apresentou, espontaneamente, extratos de contas bancárias mantidas junto aos Bancos Santander, Unibanco e Caixa Econômica Federal, através dos quais detectouse uma movimentação financeira total no ano de 2006, de R$ 2.593.762,45, muito acima da receita bruta total declarada para o mesmo período, de R$ 441.106,85. A empresa foi intimada a esclarecer a origem dos valores movimentados e, depois solicitar prorrogação de prazo, informou atuaria como uma “espécie de central de compras de produtos hortigranjeiros para algumas empresas, recebendo desses depósitos de valores em contas correntes bancárias para proceder aos respectivos pagamentos junto aos diversos pequenos produtores rurais fornecedores." Em vista da falta de comprovação da origem dos montantes depositados, foram lavrados os autos de infração para exigir os tributos, na modalidade do Simples, incidentes sobre a receita omitida. Em impugnação tempestivamente apresentada alegou, a empresa, que depósitos bancários, por si só, não representariam disponibilidade econômica de renda e que a Súmula 182 do antigo TFR determinou que seria ilegítimo o lançamento arbitrado apenas com base em depósitos bancários. Aduziu que os valores apenas transitaram por suas contas bancárias, mas que a titularidade seria de terceiros, que teriam confiado os valores à empresa para prover os pagamentos de fornecedores produtores rurais de produtos hortifrutigranjeiros. Nesse sentido afirmou que teria solicitado às instituições financeiras comprovantes das transações com identificação da origem do numerário, o que permitiria definir, com precisão, quais valores foram destinados a empresa e quais foram destinados aos fornecedores. Defendeu, ainda, a inconstitucionalidade da violação de seus dados bancários. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 10/02/ 2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10640.003187/201000 Acórdão n.º 1801002.248 S1TE01 Fl. 3 3 A Turma Julgadora de 1a. Instância justificou o acesso aos dados bancários pelas disposições da LC n º 105, de 2001, mas salientou que no presente caso, a empresa teria espontaneamente fornecido as informações. A tributação dos depósitos bancários de origem não comprovada foi validada como presunção de omissão de receitas permitida pelo art. 42 da Lei n º 9.430, de 1996. O pedido de perícia foi negado por ter sido considerado prescindível ao caso. Cientificada da decisão em 30/07/2013 (AR efl. 263), apresentou a interessada, em 06/08/2013, recurso voluntário. Nas razões de defesa defende, unicamente, que houve violação ilegal de seu sigilo bancário e que a Súmula 182 do antigo TFR veda lançamentos efetuados apenas com base em depósitos bancários. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Quanto a alegação de que houve ilegal violação do sigilo bancário cumpre reconhecer que a própria recorrente forneceu os dados bancários à auditoria fiscal não se caracterizando, nessas condições, quebra de sigilo de dados. A partir dos extratos bancários fornecidos espontaneamente pela recorrente, a fiscalização verificou que a movimentação financeira total, no ano de 2006, de R$ 2.593.762,45, mostrouse muito além do valor da receita bruta total declarada para o mesmo período, de R$ 441.106,85. Intimada a esclarecer a origem dos recursos, limitouse a alegar que os valores depositados em suas contas correntes bancárias seriam de propriedade de terceiros, fornecedores rurais de frutas, hortaliças e produtos granjeiros. Contudo, nem um único documento – notas fiscais, faturas, duplicatas, contratos, conhecimentos de frete e/ou transportes – absolutamente nada foi apresentado pela recorrente para comprovar suas alegações. E, para o Direito Pátrio, aquele que não tem como comprovar o direito que alega possuir, se coloca na posição daquele que não o tem. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 10/02/ 2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Quanto à inconformidade da defesa quanto à autuação com base em depósitos bancários, cumpre reconhecer que o Direito Tributário admite a utilização das presunções na construção da norma individual e concreta de constituição, de ofício, do crédito tributário. Algumas dessas presunções estão previstas e discriminadas na própria legislação. De fato, presunções legais são meios indiretos de prova da ocorrência do evento descrito no fato jurídico. A presunção pautase numa relação jurídica de probabilidade fática que é composta por um ou mais fatos indiciários, dos quais se tem conhecimento, que implicam, juridicamente, na existência de um outro fato, indiciado, que se pretende provar. A prova indiciária é uma espécie de prova indireta que visa demonstrar, a partir da comprovação de fatos secundários indiciários, a existência do fato principal. Importa consignar que, na data da ocorrência dos fatos geradores, a legislação em vigor permitia a presunção de omissão de receitas, formulada a partir da verificação de depósitos bancários de origem não identificada, independentemente do estabelecimento de “liame” entre os depósitos e os fatos geradores dos tributos. É a seguinte a redação do art. 42, caput, da Lei no. 9.4.30 de 27 de dezembro de 1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira,em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Diante das expressas disposições legais, a autoridade fiscal está autorizada a presumir a ocorrência de omissão de receitas, quando o titular de conta de depósito ou de investimento, apesar de regularmente intimado, não conseguir comprovar a origem dos recursos depositados/creditados, mediante documentação hábil e idônea. Assim, é do sujeito passivo o ônus de provar que os valores depositados/creditados nas contas correntes não são receitas, ou que foram devidamente oferecidos à tributação. Tal preceito legal veio, justamente, dispensar o Fisco de produzir a prova do nexo de causalidade ou do liame entre os valores depositados/creditados e as receitas auferidas pela empresa. Basta o Fisco intimar a empresa a comprovar a origem dos recursos depositados/creditados e, diante da falta de comprovação, tornase juridicamente válida a imputação de omissão de recitas. No anocalendário 2006 a omissão de receitas é inquestionável, verificada no simples confronto entre a declaração da pessoa jurídica apresentada pelo Simples DPJS do anocalendário 2006 e a comprovada e expressiva movimentação financeira no mesmo período, nos valores de R$ 2.593.762,45 No caso concreto, verificada a existência de depósitos bancários de origem não identificada pelo titular das contascorrentes e de investimento, deve ser a tributação de tais valores como receitas omitidas da atividade, e não há exceção admitida à aplicação da norma. Para a refutação dos fatos indiciários, que levaram ao conhecimento jurídico do fato qualificador da norma de incidência tributária, in casu, a omissão de receitas, caberia à recorrente, provar que os indícios são falsos ou que não haveria nexo de implicação entre os fatos diretamente provados – depósitos bancários não comprovados e indiretamente provados – omissão de receitas. Entretanto, a recorrente não ofereceu nenhuma contraprova capaz de afastar os indícios. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 10/02/ 2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10640.003187/201000 Acórdão n.º 1801002.248 S1TE01 Fl. 4 5 Mantida, pois, a imputação de omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Fl. 278DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 10/02/ 2015 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10730.720227/2010-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 16 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2101-000.162
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, para esclarecimento de questões de fato, relativas à localização do imóvel no Parque Estadual e à apresentação de Ato Declaratório Ambiental. Vencida a Conselheira Maria Cleci Coti Martins, que negava provimento ao recurso. Designado para redigir a Resolução o Conselheiro Eduardo de Souza Leão.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
MARIA CLECI COTI MARTINS - Relatora.
EDUARDO DE SOUZA LEÃO - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS, EIVANICE CANARIO DA SILVA, EDUARDO DE SOUZA LEAO.
Relatório
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Vencida a Conselheira Maria Cleci Coti Martins, que negava provimento ao recurso. Designado para redigir a Resolução o Conselheiro Eduardo de Souza Leão. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. MARIA CLECI COTI MARTINS Relatora. EDUARDO DE SOUZA LEÃO Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS, EIVANICE CANARIO DA SILVA, EDUARDO DE SOUZA LEAO. Relatório O contribuinte apresentou recurso voluntário contra o acórdão 0348.747 da 1a. Turma da DRJ/BSB que manteve o auto de infração de ITR para o exercício 2005, relativamente ao imóvel rural FAZENDA REUNIDA SAO JOAQUIM E PIEDADE, com área total declarada de 1.839,2ha, localizado no município de Cachoeiras de Macacu RJ. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 30 .7 20 22 7/ 20 10 -6 4 Fl. 118DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/11/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO Processo nº 10730.720227/201064 Resolução nº 2101000.162 S2C1T1 Fl. 3 2 O referido acórdão manteve o crédito tributário tendo em vista que o contribuinte não apresentou documentação comprobatória relativa à reserva legal e área de preservação permanente. Conforme informação à fls. 26, o Parque Estadual dos Três Picos possui dois terços da área dentro do município de Cachoeiras de Macacu e o restante dividese entre os municípios de Nova Friburgo, Teresópolis, Silva Jardim e Guapimirim. O documento à fls. 60 – Termo de Transferência de Crédito Tributário – informa que em 18/03/2011 foram transferidos créditos deste processo para o processo 10730 720.585/201158. No recurso voluntário o recorrente repisa os mesmos argumentos apresentados na impugnação. Anexa aos autos documentos já existentes no processo e que foram considerados insuficientes para o fim de isenção de ITR. Informa que declarou o ADA para o exercício 2005 em nome da pessoa física Arthur de Britto Jordão, CPF 028.343.91734. O referido documento não foi juntado aos autos. No processo foram anexados os documentos a seguir. ADA exercício 2008 (fls. 46) para o imóvel Fazenda Reunidas São Joaquim e Piedade, protocolo do IBAMA n. 10833330009215, transmitido em 01/08/2008; Este imóvel foi declarado com 18.372,00 ha, definidos como APP e reserva legal. ADA exercício 2009 (fls. 45), número do recibo 1093333244481, transmitido em 28/12/2009, imóvel registrado na RFB sob n. 34156283. O imóvel foi declarado com 1820ha de área de preservação permanente, 6,50ha de reserva legal e 12,70ha de área com demais benfeitorias. ADA exercício 2010 (fls. 44) –número do recibo 11033330504057, imóvel registrado na RFB sob n. 23156283. O imóvel foi declarado com 1820ha de área de preservação permanente, 6,50ha de reserva legal e 12,70ha de área com demais benfeitorias. Também neste documento foi informada a localização geográfica da sede, sendo Latitude 22o26’ 57 8’ ‘S, e Longitude 42o 36’ 45,6 ‘ W. Cópias de diário oficial do Estado Rio de Janeiro que cria o Parque Estadual dos Três picos(fls. 41). Laudo agronômico para fins de recadastramento de propriedade rural junto ao INCRA(fls. 33) abrangendo as duas propriedades contíguas do contribuinte, indistintamente. Cadastro técnico federal – certificado de regularidade – IBAMA – permitindo o uso de Recursos Naturais para atividade agrícola e pecuária. Declaração da Prefeitura Municipal de Cachoeiras de Macacu de que as fazendas Reunidas Joaquim e Piedade e Fazenda Brasil encontrase em área de preservação permanente, datado de 2003.(fls. 32) Apesar de ter sido tratado no acórdão recorrido, o contribuinte insurgese novamente contra a aplicação da multa de 75%, por ser improcedente o lançamento. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/11/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO Processo nº 10730.720227/201064 Resolução nº 2101000.162 S2C1T1 Fl. 4 3 Menciona os dispositivos legais que garantiriam a isenção do ITR na propriedade sob análise, a saber, art. 104 da lei 8171/91, par. 1o. art. 10 da lei 9393/96, decreto 4382/02. Argumenta com decisões do Conselho de Contribuintes sobre a desnecessidade do ADA para o reconhecimento da exoneração. Cita também decisões das Cortes superiores que corroborariam o entendimento da desnecessidade de ADA para isenção de ITR nas áreas de preservação permanente. Embasa o pedido no Decreto Estadual do Estado do Rio de Janeiro n. 31343/2002 que criou o Parque Estadual dos Três Picos. O recurso voluntário, no item I, 8, possui informação de que “o Inea pormeio do processo em anexo, atestou que a área em questão está dentro do Parque dos três Picos..”, entretanto, esses documentos não foram trazidos aos autos. Solicita que seja declarado insubsistente o crédito tributário e que seja cancelada a Notificação de Lançamento n.07102/00002/2010, tendo em vista que a área declarada em sua declaração de ITR é de preservação permanente, sendo esta isenta de ITR. É o relatório. Voto Vencido Conforme legislação vigente, já amplamente mencionada no acórdão recorrido, o reconhecimento de isenção de ITR tanto de área de preservação permanente quanto de área de reserva legal depende de documentos bastante comprobatórios de que o imóvel realmente está inserido no contexto que alega. O legislador, para garantir o direito do proprietário do imóvel junto à Receita Federal, previu documentos que não poderiam ser refutados pela Receita Federal para conceder a isenção, quais sejam: Ato Declaratório Ambiental Lei 6938/81 Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere ocaputdeste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA.(Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1oA utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) Averbação da área de Reserva Legal Decreto 4382/2002 Art.12. São áreas de reserva legal aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro Fl. 120DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/11/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO Processo nº 10730.720227/201064 Resolução nº 2101000.162 S2C1T1 Fl. 5 4 de imóveis competente, nas quais é vedada a supressão da cobertura vegetal, admitindose apenas sua utilização sob regime de manejo florestal sustentável(Lei nº4.771, de 1965, art. 16,com a redação dada pelaMedida Provisória nº2.16667, de 2001). §1ºPara efeito da legislação do ITR, as áreas a que se refere ocaputdeste artigo devem estar averbadas na data de ocorrência do respectivo fato gerador. Como já repisado no acórdão de impugnação, a documentação acostada aos autos não comprova a quantidade de área da propriedade que estaria comprometida com reserva legal ou com preservação permanente. Os documentos comprovam a existência do Parque Estadual dos Três Picos, que abrange municípios onde a propriedade está inserida, e que áreas da a propriedade teriam sido objeto de preservação permanente/reserva legal. Um laudo anexado aos autos para fins de recadastramento da propriedade junto ao INCRA informa que a propriedade estaria dentro do referido parque. Contudo, não existe qualquer documento legal hábil que comprove tal afirmação. Mais ainda, não há nos autos, documentação que comprove a quantidade de área de reserva legal ou de preservação permanente na propriedade, no exercício 2005. O contribuinte faz referência à apresentação de ADA no ano 2005, entretanto, não juntou o documento aos autos em nenhum momento. O art. 150 do Código Tributário Nacional (lei 5172/1966) define o lançamento por homologação como “aquele em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa e operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa”. Contudo, caso seja intimado para prestar esclarecimentos em procedimento de fiscalização, o contribuinte deverá apresentar os documentos comprobatórios dos dados utilizados para o cálculo do tributo. A aplicação das multas é uma imposição legal e está determinada no art. 14 da lei 9363/1996 e definidas no art. 44, inc I da lei 9430/1996. As decisões em processos tanto administrativos quanto judiciais são aplicáveis às partes nos respectivos processos, i.e., no contexto em que foram proferidas. Dado o exposto, negase provimento ao recurso. Maria Cleci Coti Martins Relatora Voto Vencedor Conselheiro EDUARDO DE SOUZA LEÃO, Redator Designado Não obstante as lúcidas informações trazidas no Relatório e no bem fundamentado Voto da Ilustre Conselheira Relatora, entendo que o feito em julgamento carece de esclarecimentos quanto a questões de fato, objetivando realizar a melhor justiça fiscal administrativa. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/11/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO Processo nº 10730.720227/201064 Resolução nº 2101000.162 S2C1T1 Fl. 6 5 Ora, conforme identificado pela Ilustre Conselheira Relatora, foram trazidos aos autos documentos que comprovam a existência do Parque Estadual dos Três Picos, que abrange municípios onde a propriedade do imóvel em análise, estaria inserida. Do mesmo modo se observou a existência de um laudo realizado para fins de recadastramento do imóvel junto ao INCRA, contendo informação que a propriedade estaria dentro do referido parque. Portanto, percebemse fortes indícios de que áreas do imóvel referente à “FAZENDA REUNIDA SÃO JOAQUIM E PIEDADE”, com NIRF nº 3.415.6283, sejam objeto de preservação permanente e/ou de reserva legal. Nesse sentido, para evitar qualquer injustiça, em respeito ao princípio da verdade material, que predomina no processo administrativo, onde se busca descobrir a ocorrência ou não do fato gerador, assim como a real base de cálculo do imposto, pois o que está em jogo é a legitimidade da tributação, voto no sentido de converter o julgado em diligência a ser realizada pela Repartição de origem, para que: sejam intimados os Cartórios de Registro de Imóvel porventura existentes no Município de Cachoeiras de Macacu, no Estado do Rio de Janeiro, para que informem, por meio de certidão, todos os registros ocorridos relativamente ao imóvel denominado “FAZENDA REUNIDA SÃO JOAQUIM E PIEDADE”, com NIRF nº3.415.6283, em especial quanto a averbação de áreas de reserva legal e de preservação permanente; seja oficiado o INCRA, por meio da sua Superintendência Regional no Estado do Rio de Janeiro, para que informe os dados contidos referente ao imóvel denominado “FAZENDA REUNIDA SÃO JOAQUIM E PIEDADE”, com NIRF nº3.415.6283, em especial quanto à sua localização no Parque Estadual dos Três Picos; seja oficiado o IBAMA, por meio da sua Superintendência no Estado do Rio de Janeiro, para que informe os dados contidos referente ao imóvel denominado “FAZENDA REUNIDA SÃO JOAQUIM E PIEDADE”, com NIRF nº 3.415.6283, relativo à sua localização no Parque Estadual dos Três Picos, quanto à apresentação de Ato Declaratório Ambiental no ano de 2005, e em especial sobre as áreas identificadas como de preservação permanente e de reserva legal, existentes no referido imóvel. Após a obtenção das respostas, a Recorrente deverá ser cientificada e informada de que poderá se manifestar sobre o resultado da diligência dentro do prazo de 30 dias. É como voto. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 27/11/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO
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Numero do processo: 19515.005658/2009-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
DECADÊNCIA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS.
Sujeitam-se ao regime referido no art. 173 do CTN os procedimentos administrativos de constituição de créditos tributários decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias, uma vez que tais créditos tributários decorrem sempre de lançamento de ofício, jamais de lançamento por homologação, circunstância que afasta, peremptoriamente, a incidência do preceito tatuado no § 4º do art. 150 do CTN.
INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO.
Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 26-A do Decreto nº 70.235/72, e art. 62 do Regimento Interno (Portaria MF nº 256/2009).
RELEVAÇÃO DA MULTA
Em virtude da revogação do dispositivo regulamentar que a previa, a partir de 13/01/2009, não mais é possível a relevação da multas aplicadas a titulo de penalidade por descumprimento das obrigações acessórias estabelecidas na legislação previdenciária.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.524
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário do Auto de Infração de Obrigação Acessória lavrado no Código de Fundamento Legal 21, porque o contribuinte deixou de atender à forma estabelecida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil de apresentação de arquivos com informações em meio digital correspondentes aos registros de seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, livros ou documentos de natureza contábil e fiscal. Vencida na votação a Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz, que entendeu aplicar-se ao caso as disposições da Lei n.º 8.212/91.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DECADÊNCIA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. Sujeitamse ao regime referido no art. 173 do CTN os procedimentos administrativos de constituição de créditos tributários decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias, uma vez que tais créditos tributários decorrem sempre de lançamento de ofício, jamais de lançamento por homologação, circunstância que afasta, peremptoriamente, a incidência do preceito tatuado no § 4º do art. 150 do CTN. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 26A do Decreto nº 70.235/72, e art. 62 do Regimento Interno (Portaria MF nº 256/2009). RELEVAÇÃO DA MULTA Em virtude da revogação do dispositivo regulamentar que a previa, a partir de 13/01/2009, não mais é possível a relevação da multas aplicadas a titulo de penalidade por descumprimento das obrigações acessórias estabelecidas na legislação previdenciária. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 56 58 /2 00 9- 82 Fl. 220DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário do Auto de Infração de Obrigação Acessória lavrado no Código de Fundamento Legal 21, porque o contribuinte deixou de atender à forma estabelecida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil de apresentação de arquivos com informações em meio digital correspondentes aos registros de seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, livros ou documentos de natureza contábil e fiscal. Vencida na votação a Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz, que entendeu aplicarse ao caso as disposições da Lei n.º 8.212/91. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.005658/200982 Acórdão n.º 2302003.524 S2C3T2 Fl. 221 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedentes as impugnações da recorrente, mantendo o crédito tributário lançado. Adotamos trecho do relatório do acórdão do órgão a quo, que bem resume o quanto consta dos autos: 1. Tratase de Auto de Infração Debcad n° 37.180.0676, lançado pela fiscalização contra a empresa em epígrafe, procedimento fiscal instaurado pelo Mandato Procedimento Fiscal MPF n° 0819000.2008.00965, no valor total de R$ 130.849,97 (cento e trinta mil e oitocentos e quarenta e nove reais e noventa e sete centavos), lavrado em 07/12/2009, por deixar a empresa de atender a forma estabelecida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil de apresentação de arquivos com informações em meio digital correspondentes aos registros de seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, livros ou documentos de natureza contábil e fiscal, conforme previsto na Lei n. 8.218/91, art. 11, parágrafos 3o e 4o, com redação da MP n° 2.158, de 24/08/01. 2. Consoante o Relatório Fiscal da Infração, fls. 5, a empresa deixou de apresentar as Informações contábeis e folha de pagamento em meio digital (de acordo com o leiaute previsto no Manual Normativo de Arquivos digitais da SRP IM MPS/SRP 12 de 20/06/2006, ou leiaute previsto na Portaria INSS/DIREP n° 42, de 24/06/2003, com as alterações da Portaria INSS/DIREP n° 07, de 20/01/2004. Salienta o Auditor fiscal que as informações relativas à folha de pagamentos foram entregues no formato .txt 2.1. As informações haviam sido solicitadas por meio de Termo de Início da Ação Fiscal TIAF, recebido pela empresa em 20/02/2008 e, TIAD enviado por via postal (AR n° RC 17711200 6 BR) recebido em 13/06/2008. (...) DA IMPUGNAÇÃO 3. Dentro do prazo legal, a Notificada contestou o lançamento através do instrumento de fls. 28/58 e 101/129 e, documentos de fls. 59/90 e 130/137, onde alega: (...) (destaques nossos) É de se considerar que a recorrente, no prazo de impugnação, apresentou requerimento de prorrogação de prazo de impugnação, justificando o pleito pelo fato de os documentos entregues à fiscalização não terem sido devolvidos. Após cerca de um ano do trâmite dos autos, em análise, à solicitação referida, a DRJ, Fl. 222DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 deferiu a solicitação, reabrindo o prazo de defesa por mais trinta dias, tendo sido apresentada nova impugnação. Após referido procedimento, como afirmado, as impugnações apresentadas pela recorrente foram julgadas improcedentes, tendo a recorrente apresentado, tempestivamente, recurso voluntário, no qual alega, em apertada síntese, que: * decadência de todos os fatos geradores ocorridos até 10 de dezembro de 2004 (art. 150, § 4°, do CTN); * nulidade por cerceamento de defesa, na medida em que os documentos indispensáveis à elaboração das peças de defesa permaneceram com a fiscalização quando já havia decorrido praticamente todo o prazo de impugnação. Durante a defesa, também não teve acesso ao processo administrativo; * multa confiscatória de 0.5% da receita bruta apurada. Da receita, deveriam ter sido excluídos os custos e despesas; * foram entregues os sistemas e arquivos contendo as informações contábeis, mas não no leiaute que foi introduzido apenas em 2006. A forma ou formato do arquivo não compromete ou altera o seu conteúdo, restando descaracterizada a infração; * que as multas sejam relevadas, nos termos do artigo 291 do Decreto n° 3.048/99; * ilegalidade e inconstitucionalidade da aplicação da Taxa Selic. É o relatório. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.005658/200982 Acórdão n.º 2302003.524 S2C3T2 Fl. 222 5 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Cerceamento de defesa. Assevera a recorrente que deve ser reconhecida a nulidade por cerceamento de defesa, na medida em que os documentos indispensáveis à elaboração das peças de defesa permaneceram com a fiscalização quando já havia decorrido praticamente todo o prazo de impugnação. Durante a defesa, também não teve acesso ao processo administrativo. Como destacado no relatório supra, a recorrente, no prazo de impugnação, apresentou requerimento de prorrogação de prazo de impugnação, justificando o pleito pelo fato de os documentos entregues à fiscalização não terem sido devolvidos. Após cerca de um ano do trâmite dos autos, em análise, à solicitação referida, a DRJ, deferiu a solicitação, reabrindo o prazo de defesa por mais trinta dias, tendo sido apresentada nova impugnação. Portanto, concluise que, com a reabertura do prazo de defesa, não se consolidou qualquer prejuízo à recorrente, razão pela qual a sua argumentação não merece prosperar. Decadência. Alega a recorrente a decadência parcial do lançamento, com base no artigo 173, I, do CTN, sendo que deveriam ser desconsiderados os fatos geradores ocorridos até 10 de dezembro de 2004 (art. 150, § 4°, do CTN). É sabido que se sujeitamse ao regime referido no art. 173 do CTN os procedimentos administrativos de constituição de créditos tributários decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias, uma vez que tais créditos tributários originamse sempre de lançamento de ofício, jamais de lançamento por homologação, circunstância que afasta, peremptoriamente, a incidência do preceito tatuado no § 4º do art. 150 do CTN. Portanto, não assiste razão à recorrente quanto à contagem do prazo decadencial. Confisco. Capacidade Contributiva. A recorrente alega que é confiscatória a multa de 0,5% da receita bruta apurada. Da receita, deveriam ter sido excluídos os custos e despesas. Quanto ao aspecto da inconstitucionalidade da multa, temse que, sendo o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais órgão do Poder Executivo, não lhe compete apreciar a conformidade de lei validamente editada segundo o processo legislativo constitucionalmente previsto, com preceitos emanados da própria Constituição Federal, a ponto Fl. 224DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 de declararlhe a nulidade ou inaplicabilidade ao caso, haja vista tratarse de matéria reservada, por força de determinação constitucional, ao Poder Judiciário. Ademais, o Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, dispõe expressamente em seu art. 26A que é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo nas hipóteses em que os citados diplomas legislativos tenham sido declarados inconstitucionais por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal. Tal disposição é repetida em termos semelhantes no art 62 do Regimento Interno deste Colegiado, Portaria MF nº 256/2009. Outro fundamento para a impossibilidade de deferimento dos pleitos da recorrente é que a Súmula CARF n° 2 estabelece que o “CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”, sendo que o art. 72 da Portaria MF 256/2006 tornou obrigatória a observância por parte dos membros do CARF das súmulas do colegiado. Quanto à base de cálculo da multa, o dispositivo aplicável é de clareza solar quanto ao cálculo da multa (obrigação acessória), não havendo que se cogitar de qualquer dedução ou exclusão específica da normatização das contribuições para o PIS/COFINS (obrigação principal), pleiteadas pela recorrente. Portanto, não há qualquer viabilidade jurídica para o acatamento, por esta instância recursal, dos pleitos da recorrente. Arquivos apresentados. Aduz a recorrente que foram entregues os sistemas e arquivos contendo as informações contábeis, mas não no leiaute que foi introduzido apenas em 2006. A forma ou formato do arquivo não compromete ou altera o seu conteúdo, restando descaracterizada a infração. Não é verdade, pois a infração é especifica para a hipótese de equívoco quanto à forma (art. 12, I, da Lei n° 8.218/91). Se a infração se relacionase ao conteúdo da informação, estaríamos em outra hipótese legal (art. 12, II, da Lei n° 8.218/91). Como visto, a recorrente foi autuada por deixar a empresa de atender à forma estabelecida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil de apresentação de arquivos com informações em meio digital correspondentes aos registros de seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, livros ou documentos de natureza contábil e fiscal, conforme previsto na Lei n. 8.218/91, art. 11, parágrafos 3o e 4o, com redação da MP n° 2.158, de 24/08/01. E, consoante o Relatório Fiscal da Infração, fls. 5, a empresa deixou de apresentar as Informações contábeis e folha de pagamento em meio digital (de acordo com o leiaute previsto no Manual Normativo de Arquivos digitais da SRP IM MPS/SRP 12 de 20/06/2006, ou leiaute previsto na Portaria INSS/DIREP n° 42, de 24/06/2003, com as alterações da Portaria INSS/DIREP n° 07, de 20/01/2004. Salienta o Auditor fiscal que as informações relativas à folha de pagamentos foram entregues no formato .txt. Assim, não assiste razão à recorrente em afirmar que a forma somente foi estabelecida em 2006. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 19515.005658/200982 Acórdão n.º 2302003.524 S2C3T2 Fl. 223 7 Relevação da Multa. A recorrente requer sejam as multas relevadas, nos termos do artigo 291 do Decreto n° 3.048/99. Dispunha o revogado art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99: Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. (Redação dada pelo Decreto n° 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto n° 6.72 7, de 2009) § 1 ° A multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstancia agravante. (Redação dada pelo Decreto n° 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto n° 6.727, de 2009) § 2° O disposto no parágrafo anterior não se aplica à multa prevista no art. 286 e nos casos em que a multa decorrer de falta ou insuficiência de recolhimento tempestivo de contribuições ou outras importâncias devidas nos termos deste Regulamento. (Revogado pelo Decreto n° 6.727, de 2009) § 3°Da decisão que atenuar ou relevar multa cabe recurso de oficio, de acordo com o disposto no art. 366. (Redação dada pelo Decreto n° 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto n° 6.727, de 2009) O dispositivo referese exclusivamente às multas decorrentes do descumprimento de obrigação acessória, sendo de se considerar que não houve o preenchimento de seus requisitos por parte da recorrente. Ademais, em virtude da revogação de tal dispositivo, a partir da data publicação do Decreto 6.727/2009, ocorrida em 13/01/2009, não mais é possível a relevação da multas aplicadas a titulo de penalidade por descumprimento das obrigações acessórias estabelecidas na legislação previdenciária, como é o caso do presente lançamento. Taxa Selic. Aduz a recorrente a ilegalidade e inconstitucionalidade da aplicação da Taxa Selic Especificamente quanto à aplicação da Taxa Selic como juros moratórios temse a Súmula CARF n° 4: Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 Portanto, não há qualquer viabilidade jurídica para o acatamento, por esta instância recursal, do pleito da recorrente. Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 227DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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Numero do processo: 10880.677987/2009-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3302-000.481
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Walber José da Silva
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Gileno Gurjão Barreto, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède e Antonio Mário de Abreu Pinto.
RELATÓRIO
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Gileno Gurjão Barreto, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède e Antonio Mário de Abreu Pinto. RELATÓRIO Trata o presente de declaração de compensação, relativa a crédito de julho/2004 indeferida pela autoridade administrativa sob o fundamento de que o DARF informado como origem do crédito fora utilizado para quitação de outros débitos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 77 98 7/ 20 09 -9 7 Fl. 295DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677987/200997 Resolução nº 3302000.481 S3C3T2 Fl. 296 2 A recorrente apresentou manifestação de inconformidade, alegando que: 1. A maior parte das receitas decorrem da prestação do serviço de transmissão de energia elétrica de acordo com contrato firmado em 13/09/1999 (CONTRATO CPST Nº 006/1999), firmado com o Operador Nacional do Sistema Elétrico ONS; 2. Estas receitas estariam sujeitas à incidência cumulativa da Lei nº 9.718/98, por decorrerem de contratos de longo prazo, a preço predeterminado e firmado anteriormente a 31/10/2003, por disposição prevista no inciso XI, alíneas "b" e "c", do art. 10 da Lei nº 10.833/2003; 3. A Nota Técnica nº 224/2006, expedida pela SFF/ANEEL, apresentou entendimento sobre o tema, concluindo que as receitas decorrentes dos Contratos de Prestação de Serviço de Trasmissão CPST, firmados anteriormente a 31/10/2003, e reajustados anualmente pelo IGPM, se sujeitam à incidência cumulativa das contribuições prevista na Lei nº 9718/98; 4. Recolheu, equivocadamente, as contribuições para o PIS e Cofins no regime nãocumulativo, não separando as sujeitas ao regime cumulativo, e, posteriormente, transmitiu várias DCOMPs para aproveitar o crédito originado do pagamento indevido; 5. Estava providenciando a retificação das DCTF e Dacons, quando foi surpreendida com a ciência dos despachos decisórios, não homologando as compensações; 6. Foi necessária a retificação dos Dacons e das DCTF, após a ciência dos despachos decisórios, para corrigir o erro de fato cometido e que as DCOMPs não foram retificadas em razão da intimação para ciência dos despachos decisórios, de acordo com a vedação constante nos artigos 77 e 95 da IN RFB nº 900/2008; 7. Os erros cometidos no preenchimento dos DARFs, DCTFs, Dacons e DCOMP não causaram prejuízo ao erário e devem ser reconhecidos pela Administração Tributária, nos termos do art. 147 do CTN e em atendimento ao princípio da verdade material; 8. Poderá disponibilizar os documentos como Diário, Razão, Faturas, Balancetes, Contratos, normas da ANEEL para realização de diligência, caso seja necessária; A Terceira Turma da DRJ/BEL em Belém proferiu decisão nos termos da ementa que abaixo transcrevese: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2004 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Considerase não homologada a declaração de compensação quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Em sede de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. DCTF E DACON RETIFICADORES. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677987/200997 Resolução nº 3302000.481 S3C3T2 Fl. 297 3 A DCTF e o DACON Retificadores, na condição de documentos confeccionados pelo próprio interessado, não exprimem nem materializam, por si só, o indébito fiscal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A recorrente interpôs tempestivamente recurso voluntário, alegando resumidamente que: 1. O IGPM deve ser considerado índice que reflete a variação ponderada dos custos e, portanto, enquadrado no art. 109 da Lei nº 11.196/2005; 2. Ainda que se negue a inclusão do IGPM no art. 109 da Lei n 11.196/2005, tal índice é mero reajuste do preço contratado, e não modificação deste preço, e que se o art. 109 da Lei nº 11.196/2005 estipulou que a variação dos custos não descaracteriza o preço predeterminado, com maior razão, um índice geral de correção não deveria descaracterizálo; 3. As IN SRF 468/2004 e 658/2006 consistem em flagrante ofensa ao princípio da legalidade insculpido no art. 150, inciso I da Constituição Federal; 4. O indébito decorre de erro na aplicação da alíquota; 5. Não disponibilizou toda a documentação, como Diário, Razão, Faturas, Balancetes, normas da ANEEL em razão do grande volume, vez que foram apresentadas 51 defesas administrativas; 6. Em momento algum, afirmou que a retificação do DACON e da DCTF constituem o direito creditório líquido e oponível à RFB, mas que pretendeu apenas cumprir os deveres instrumentais quanto ao erro alegado e que tais informações estão consubstanciadas em sua escrituração contábil; Cita, ainda, jurisprudência deste Conselho e do STJ e apresenta cópia do balancete, demonstrativos das receitas, indicação da conta contábil, de modo a corroborar suas alegações. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. VOTO Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A autoridade administrativa indeferiu a homologação pelo fato de o DARF apontado como origem do crédito pleiteado estava alocado a débitos em DCTF. Após a ciência do despacho, a recorrente providenciou a retificação do Dacon e da DCTF, demonstrando os valores alegados como corretos. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677987/200997 Resolução nº 3302000.481 S3C3T2 Fl. 298 4 A DRJ considerou a manifestação de inconformidade improcedente, sob os argumentos de que o contrato CPST 006/1999, apresentado pela recorrente, não era apto a demonstrar que não houve após 31/10/2003 a implementação de quaisquer das ocorrências que descaracterizassem o preço predeterminado; que a Cláusula 53 assegurava às partes a prerrogativa de solicitar a revisão das cláusulas e condições avençadas; que a competência da ANEEL não alcança a interpretação da legislação tributária; que o IGPM não constitui índice que reflete a variação dos custos de produção nem reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; que a desconstituição dos créditos confessados não se efetiva com a apresentação da DCTF e Dacon retificadores, mas com a apresentação da escrita fiscal e contábil e respectiva documentação de suporte. Por sua vez, a recorrente, em recurso voluntário, alega que o reajuste pelo IGP M não descaracteriza o preço determinado, e apresenta cópias dos balancetes e demonstrativos de forma a comprovar seu direito. Vêse que a lide se refere ao alcance da expressão "preço predeterminado", e, consequentemente, da sujeição das receitas auferidas à incidência nãocumulativa ou cumulativa das contribuições. Passase, assim, à análise dos requisitos para exclusão das receitas em questão da incidência nãocumulativa das contribuições e da definição de preço predeterminado. As receitas decorrentes de determinados contratos firmados antes de 31/10/2003 foram excluídas da incidência nãocumulativa das contribuições, a partir da vigência do inciso XI do artigo 10 da Lei nº 10.833/2003, aplicado ao PIS/Pasep pelo art. 15 da referida lei: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: (Produção de efeito) [...]XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: a) com prazo superior a 1 (um) ano, de administradoras de planos de consórcios de bens móveis e imóveis, regularmente autorizadas a funcionar pelo Banco Central; b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; c) de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem como os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas, em processo licitatório, até aquela data; [...]Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...]V no art. 10, incisos VI, IX e XI a XXI desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 298DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677987/200997 Resolução nº 3302000.481 S3C3T2 Fl. 299 5 V nos incisos VI, IX a XXV do caput e no § 2o do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1o e 2o do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Regulamentando o dispositivo, a RFB editou a IN SRF 468/2004, que, em seu art.2º, estipulou que a implementação do primeiro reajuste ou a revisão para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro dos contratos, após 31/10/2003, descaracterizariam o preço predeterminado, nos seguintes termos: Art. 2o Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1 o Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2 o Se estipulada no contrato cláusula de aplicação de reajuste, periódico ou não, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços verificada após a data mencionada no art. 1 o . § 3 º Se o contrato estiver sujeito a regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei n º 8.666, de 21 de junho de 1993, o caráter predeterminado do preço subsiste até a eventual implementação da primeira alteração nela fundada após a data mencionada no art. 1 º . Posteriormente, a Lei nº 11.196/2005, em seu art. 109, dispôs que o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos não será considerado para fins de descaracterização do preço determinado: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1o de novembro de 2003. Novamente, regulamentando a matéria, a RFB editou a IN SRF nº 658/2006, revogando a IN SRF nº 468/2004 e incorporando as disposições do art. 109 acima mencionado, nos seguintes termos: Do Preço Predeterminado Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677987/200997 Resolução nº 3302000.481 S3C3T2 Fl. 300 6 § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º1, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado.(grifo não original) Art. 4º Na hipótese de pactuada, a qualquer título, a prorrogação do contrato, as receitas auferidas depois de vencido o prazo contratual vigente em 31 de outubro de 2003 sujeitarseão à incidência não cumulativa das contribuições. Verificase que a Receita Federal considerou que as hipóteses de reajuste e de revisão dos contratos administrativos, destinados à manutenção do equilíbrio econômico financeiro, expressos no art. 55, inciso III, 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666/93, descaracterizariam o preço predeterminado, excetuando o reajuste não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. A revisão contratual decorre de fatos imprevisíveis, ou previsíveis, porém de conseqüências incalculáveis, retardadores ou impeditivos da execução do ajustado, ou, ainda, em caso de força maior, caso fortuito ou fato do príncipe, configurando álea econômica extraordinária e extracontratual2. Já o reajuste é cláusula necessária nos contratos administrativos3 e "objetiva reconstituir os preços praticados no contrato em razão de fatos previsíveis, é dizer, álea econômica ordinária, no momento da contratação, ante a realidade existente, como a variação inflacionária. Por decorrência, o reajuste deve retratar a alteração dos custos de produção a fim de manter as condições efetivas da proposta contratual, embora muitas vezes não alcance este desiderato relativamente a certo segmento ou agente econômicos". A legislação distingue as duas figuras, como se observa na Lei nº 8.987/95, que, dispondo sobre o regime de concessão de serviços públicos, especifica em seu art. 9º, §3º4, a 1 A data é 31/10/2003. 2 Art. 65, inciso II, alínea "d" da Lei nº 8.666/93 3 Art. 55, inciso III da Lei nº 8.666/93 4 Lei 8.987/95: Art. 9o A tarifa do serviço público concedido será fixada pelo preço da proposta vencedora da licitação e preservada pelas regras de revisão previstas nesta Lei, no edital e no contrato. [..~] § 2o Os contratos poderão prever mecanismos de revisão das tarifas, a fim de manterse o equilíbrio econômicofinanceiro. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677987/200997 Resolução nº 3302000.481 S3C3T2 Fl. 301 7 possibilidade de revisão da tarifa decorrente da criação ou alteração de tributos. Já o artigo 18 da referida lei dispõe que o edital de licitação deverá prever os critérios de reajuste e revisão da tarifa, também ocorrendo a referida distinção nos artigos 23 e 29. A situação aqui tratada referese a reajuste e não a revisão contratual e se o procedimento altera o preço predeterminado. A definição desta expressão adotada pela RFB era a disposta na IN SRF nº 21/79: 3 Produção em Longo Prazo O contrato de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens e serviços a serem produzidos, com prazo de execução física superior a 12 (doze) meses, terá seu resultado apurado, em cada períodobase, segundo o progresso dessa execução: 3.1 Preço predeterminado é aquele fixado contratualmente, sujeito ou não a reajustamento, para execução global; no caso de construções, bens ou serviços divisíveis, o preço predeterminado é o fixado contratualmente para cada unidade. A instrução normativa acima foi utilizada como fundamento em diversas soluções de consulta da RFB, após a edição do inciso XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003. O entendimento era pacífico neste sentido até a edição da IN SRF 468/2004. Porém a RFB editou a referida instrução, modificando o entendimento sobre a definição de preço predeterminado, sem que qualquer lei tenha sido publicada alterando tal definição. Foi meramente nova interpretação normativa que suscitou rebates por parte dos contribuintes, tendo o STJ se pronunciado sobre a ilegalidade da IN SRF 468/2004: AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.310.284 PR (2012/00355487) EMENTA TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 557 DO CPC. INEXISTÊNCIA. ALEGAÇÃO GENÉRICA. SÚMULA 284/STF. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. A eventual nulidade da decisão monocrática calcada no art. 557 do CPC fica superada com a reapreciação do recurso pelo órgão colegiado, na via de agravo regimental, como bem analisado no REsp 824.406/RS de Relatoria do Min. Teori Albino Zavascki, em 18.5.2006. § 3o Ressalvados os impostos sobre a renda, a criação, alteração ou extinção de quaisquer tributos ou encargos legais, após a apresentação da proposta, quando comprovado seu impacto, implicará a revisão da tarifa, para mais ou para menos, conforme o caso. [...] Art. 23. São cláusulas essenciais do contrato de concessão as relativas: [...] IV ao preço do serviço e aos critérios e procedimentos para o reajuste e a revisão das tarifas; Art. 29. Incumbe ao poder concedente: [...] V homologar reajustes e proceder à revisão das tarifas na forma desta Lei, das normas pertinentes e do contrato; Fl. 301DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677987/200997 Resolução nº 3302000.481 S3C3T2 Fl. 302 8 2. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços" e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 3. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. Precedentes: REsp 1.089.998RJ, DJe 30/11/2011; REsp 1.109.034 PR, DJe 6/5/2009; e REsp 872.169RS, Dje 13/5/2009. RECURSO ESPECIAL Nº 1.169.088 MT (2009/02357184) EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ART. 535, II, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. INTIMAÇÃO PESSOAL DA FAZENDA. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL. MANDADO DE SEGURANÇA. NATUREZA PREVENTIVA. SÚMULA 7/STJ. ART. 10, XI, "B' DA LEI 10.833/03. CONCEITO DE PREÇO PREDETERMINADO. IN SRF 468/04. ILEGALIDADE. PRECEDENTE. ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. MULTA. AFASTAMENTO. SÚMULA 98/STJ. [...]4. O preço predeterminado em contrato, previsto no art. 10, XI, "b", da Lei 10.833/03, não perde sua natureza simplesmente por conter cláusula de reajuste decorrente da correção monetária. Ilegalidade da IN n.º 468/04. Precedente. 5. A multa fixada com base no art. 538, parágrafo único, do CPC, deve ser afastada quando notório o propósito de prequestionamento dos embargos de declaração. Incidência da Súmula 98/STJ. 6. Recurso especial conhecido em parte e provido também em parte. RECURSO ESPECIAL Nº 1.089.998 RJ (2008/02056082) EMENTA TRIBUTÁRIO. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA N. 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. Cuidase de recurso especial interposto pelo contribuinte, questionando o poder regulamentar da Secretaria da Receita Federal, na edição da Instrução Normativa n. 468/04, que regulamentou o art. 10 da Lei n. 10.833/03. 2. O art. 10, inciso XI, da Lei n. 10.833/03 determina que os contratos de prestação de serviço firmados a preço determinado antes de 31.10.2003, e com prazo superior a 1 (um) ano, permanecem sujeitos ao regime tributário da cumulatividade para a incidência da COFINS. (Grifo meu.) 3. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa n. 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a Fl. 302DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677987/200997 Resolução nº 3302000.481 S3C3T2 Fl. 303 9 implementação da primeira alteração de preços " e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 4. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. 5. No mesmo sentido do voto que eu proferi, o Ministério Público Federal entendeu que houve ilegalidade na regulamentação da lei pela Secretaria da Receita Federal, pois "a simples aplicação da cláusula de reajuste prevista em contrato firmado anteriormente a 31.10.2003 não configura, por si só, causa de indeterminação de preço, uma vez que não muda a natureza do valor inicialmente fixado, mas tão somente repõe, com fim na preservação do equilíbrio econômico financeiro entre as partes, a desvalorização da moeda frente à inflação ." (Fls. 335, grifo meu.) Mantenho o voto apresentado, no sentido de dar provimento ao recurso especial. De fato, a IN SRF nº 468/2004 extrapolou a legislação vigente ao estipular que o reajuste implicaria em descaracterização do preço predeterminado. Entretanto, o advento do art. 109 da Lei nº 11.196/2005 alterou a configuração legislativa sobre a matéria. O art. 109 mencionou expressamente que "o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069/95, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado". Se a intenção da modificação era permitir que o reajuste não descaracterizasse o preço predeterminado, não foi o que restou publicado. O art. 109 faz referência à Lei 9.069/95, conversão das MPs que criaram o Plano Real, na qual estipulava que a correção monetária, em virtude de estipulação legal ou em negócio jurídico, deveria darse pelo Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr, de acordo com o art. 27 da Lei nº 9.069/95, mas ressalvadas as hipóteses de seu parágrafo primeiro: § 1º O disposto neste artigo não se aplica: I às operações e contratos de que tratam o Decretolei nº 857, de 11 de setembro de 1969, e o art. 6º da Lei nº 8.880, de 27 de maio de 1994; II aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; III às hipóteses tratadas em lei especial. Foi justamente sobre o inciso II do §1º que o art. 109 fez a ressalva quanto ao reajuste não descaracterizar o preço predeterminado e não sobre o IPCr. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677987/200997 Resolução nº 3302000.481 S3C3T2 Fl. 304 10 Salientase que a Lei nº 10.192/2001, conversão de MPs que se originaram da MP nº 1.503/95, extinguiu o IPCr em seu art. 8º: Art. 8o A partir de 1o de julho de 1995, a Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE deixará de calcular e divulgar o IPCr. § 1o Nas obrigações e contratos em que haja estipulação de reajuste pelo IPCr, este será substituído, a partir de 1o de julho de 1995, pelo índice previsto contratualmente para este fim. § 2o Na hipótese de não existir previsão de índice de preços substituto, e caso não haja acordo entre as partes, deverá ser utilizada média de índices de preços de abrangência nacional, na forma de regulamentação a ser baixada pelo Poder Executivo. A mesma lei, em seu artigo 2º, dispôs que: Art. 1o As estipulações de pagamento de obrigações pecuniárias exeqüíveis no território nacional deverão ser feitas em Real, pelo seu valor nominal. Parágrafo único. São vedadas, sob pena de nulidade, quaisquer estipulações de: I pagamento expressas em, ou vinculadas a ouro ou moeda estrangeira, ressalvado o disposto nos arts. 2o e 3o do DecretoLei no 857, de 11 de setembro de 1969, e na parte final do art. 6o da Lei no 8.880, de 27 de maio de 1994; II reajuste ou correção monetária expressas em, ou vinculadas a unidade monetária de conta de qualquer natureza; III correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados, ressalvado o disposto no artigo seguinte. Art. 2o É admitida estipulação de correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano. § 1o É nula de pleno direito qualquer estipulação de reajuste ou correção monetária de periodicidade inferior a um ano. § 2o Em caso de revisão contratual, o termo inicial do período de correção monetária ou reajuste, ou de nova revisão, será a data em que a anterior revisão tiver ocorrido. § 3o Ressalvado o disposto no § 7o do art. 28 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, e no parágrafo seguinte, são nulos de pleno direito quaisquer expedientes que, na apuração do índice de reajuste, produzam efeitos financeiros equivalentes aos de reajuste de periodicidade inferior à anual. O Decreto nº 1.544/95 estipulou que, na hipótese de não existir previsão de índice para substituir o IPCr e na falta de acordo entre as partes, deveria ser utilizada a média Fl. 304DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677987/200997 Resolução nº 3302000.481 S3C3T2 Fl. 305 11 aritmética entre o Índice Nacional de Preços ao Consumidor INPC do IBGE e o Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna IGPDI da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Art. 1º Na hipótese de não existir previsão de índice de preços substituto, e caso não haja acordo entre as partes, a média de índices de preços de abrangência nacional a ser utilizada nas obrigações e contratos anteriormente estipulados com reajustamentos pelo IPCr, a partir de 1º de julho de 1995, será a média aritmética simples dos seguintes índices: I Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); II Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna (IGPDI), da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Observase que a própria legislação, já em 1995, cuidou de diferenciar o reajuste em função de índices gerais ou setoriais do reajuste em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, inicialmente no art. 27 da Lei 9.069/95 e posteriormente nos artigos 1º e 2º da Lei nº 10.192/2001 (na realidade, a diferença temporal entre as disposições é de apenas 10 dias). O art. 109, ao se referir apenas ao reajuste em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, acabou inovando a definição de preço predeterminado, estabelecendo uma distinção até então inexistente. Quisesse apenas referirse a reajuste em geral, bastaria têlo feito nos termos do art. 2º da Lei nº 10.192/2001. Reforçam este entendimento, as emendas feitas à MP 252/2005, citadas na Nota Técnica 224/2006 SFFANEEL: Emendas n° 224 (Dep. Eduardo Gomes), 225 (Dep. Eduardo Sciarra), e 353 (Dep. Max Rosenmann): EMENDA ART. 44A. O art. 10, inciso XI,da Lei nº 10.833, de 2003, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 10........................................................................... ........................................................................................ XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, independentemente de a eles serem aplicados reajustamentos previstos em cláusulas contratuais." JUSTIFICATIVA: a redação proposta , com adição da locução "independentemente de a eles serem aplicados reajustamentos previstos em cláusulas contratuais" fazse necessária, visto que o Poder Executivo através da Instrução Normativa nº 468/2004, da SRF, mudou a interpretação do conceito de "preço predeterminado" passando a impedir que os contratos abrigados pela Lei nº 10.833/2003, deixem de usufruir o direito de permanecer sob o regime da cumulatividade. A IN em questão entende que o simples reajuste de preço por índices oficiais já caracteriza uma mudança da base do preço e desta forma afasta a eficácia do dispositivo legal. No fundo o que a IN faz é, na prática, Fl. 305DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677987/200997 Resolução nº 3302000.481 S3C3T2 Fl. 306 12 equiparar o conceito de preço predeterminado " ao conceito de preço fixo, uma vez que praticamente não existe contrato com prazo superior a um ano sem previsão de reajustamento. Tivesse sido assim publicado o artigo 109, a interpretação forçosamente retornaria ao texto da IN SRF nº 21/79, mas não foi o ocorrido. Todavia, a redação da IN SRF 658/2006 modificou, sutilmente, a redação do art. 109, ao dispor no §3º do art. 3º: § 3 º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1 º do art. 27 da Lei n º 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. A redação da lei que era "reajuste de preços em função do" foi regulamentada como "reajuste de preços em percentual não superior". Esta redação não exclui, a priori, a utilização de qualquer índice, desde que ele não ultrapasse o acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Assim, se a fórmula de reajuste utilizada não ultrapassar aqueles limites, deve tal fórmula de reajuste não descaracterizar o preço predeterminado. Ressaltase que o art. 109 está em consonância com o fundamento econômico para o reajuste que é a variação dos custos, como dispõe o inciso XI do art. 40 da Lei nº 8.666/93 e o inciso XVIII do art. 3º da Lei nº 9.427/96, que instituiu a Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL: Lei nº 8.666/93: Art. 40. O edital conterá no preâmbulo o número de ordem em série anual, o nome da repartição interessada e de seu setor, a modalidade, o regime de execução e o tipo da licitação, a menção de que será regida por esta Lei, o local, dia e hora para recebimento da documentação e proposta, bem como para início da abertura dos envelopes, e indicará, obrigatoriamente, o seguinte: [...]XI critério de reajuste, que deverá retratar a variação efetiva do custo de produção, admitida a adoção de índices específicos ou setoriais, desde a data prevista para apresentação da proposta, ou do orçamento a que essa proposta se referir, até a data do adimplemento de cada parcela; (Redação dada pela Lei nº 8.883, de 1994) Lei nº 9.427/96: Art. 3o Além das atribuições previstas nos incisos II, III, V, VI, VII, X, XI e XII do art. 29 e no art. 30 da Lei no 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, de outras incumbências expressamente previstas em lei e observado o disposto no § 1o, compete à ANEEL: (Redação dada pela Lei nº 10.848, de 2004) (Vide Decreto nº 6.802, de 2009). [...]XVIII definir as tarifas de uso dos sistemas de transmissão e distribuição, sendo que as de transmissão devem ser baseadas nas seguintes diretrizes: (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) Fl. 306DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677987/200997 Resolução nº 3302000.481 S3C3T2 Fl. 307 13 a) assegurar arrecadação de recursos suficientes para cobertura dos custos dos sistemas de transmissão; e (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) a) assegurar arrecadação de recursos suficientes para a cobertura dos custos dos sistemas de transmissão, inclusive das interligações internacionais conectadas à rede básica; (Redação dada pela Lei nº 12.111, de 2009) b) utilizar sinal locacional visando a assegurar maiores encargos para os agentes que mais onerem o sistema de transmissão; (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) Estabelecidas as condições para a definição de preço predeterminado, passase à análise do contrato apresentado. A recorrente auferiu receitas decorrentes da prestação de serviço de transmissão de energia elétrica, regulado pela Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL instituída pela Lei nº 9.427/1996, e pelo contrato firmado com o Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS em 13/09/1999, intitulado Contrato de Prestação de Serviço de Transmissão de Energia Elétrica (CONTRATO CPST Nº 006/1999). O ONS é entidade de direito privado sem fins lucrativos, cabendolhe, dentre outras atribuições, a de contratar e administrar os serviços de transmissão de energia elétrica e respectivas condições de acesso, bem como dos serviços ancilares, nos termos do art. 13, parágrafo único, alínea “d” da Lei nº 9.648/98, sob fiscalização e regulação da ANEEL (Resolução nº 351/98 e Decreto nº 2.655/98). O contrato celebrado denominase CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE TRANSMISSÃO e tem por objeto regular as condições de administração e coordenação por parte da ONS, da prestação de serviço de transmissão pela Transmissora (recorrente). Seu prazo de vigência é a partir de 13/09/1999 e permanece até a extinção da concessão da transmissora. A claúsula 36º dispõe que a recorrente teria direito a receber dos usuários, mediante os Contratos de Uso do Sistema de Transmissão, um duodécimo da receita anual permitida, e seu parágrafo 1º dispôs que os serviços de operação de rede básica, serviços de telecomunicações e serviços ancilares seriam remunerados pela RAP até a assinatura de contratos específicos, a serem assinados até 30/06/2000 e 31/12/2002. A cláusula 37º menciona ainda a existência de Contrato de Concessão de Serviço Público de Transmissão de Energia Elétrica. A cláusula 40º estipula que o pagamento mensal à transmissora será realizado de acordo com as datas e condições definidas nos Contratos de Uso do Sistema de Transmissão. Cláusula 40º O pagamento mensal, definido na Cláusula 36*, devido pelos USUÁRIOS à TRANSMISSORA pela Prestação dos Serviços de Transmissão, será realizado em 3 (três) vencimentos, cada um equivalente a 1/3 (um terço) do valor global devido, nas datas e condições definidas nos CONTRATOS DE USO DO SISTEMA DE TRANSMISSÃO. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677987/200997 Resolução nº 3302000.481 S3C3T2 Fl. 308 14 Verificase que o contrato apresentado é entre o ONS e a recorrente e destinase a regular as condições de administração e coordenação por parte da ONS, da prestação de serviço de transmissão, mas não corresponde aos contratos dos quais decorrem as receitas auferidas. Assim, nestes contratos é que estão previstos as condições que permitem aferir sua caracterização como de longo prazo e do preço predeterminado, como: data de assinatura, prazo de vigência, data em que ocorreu o primeiro reajuste, fórmula estabelecida para cálculo do reajuste, e outros. Por outro lado, a Nota Técnica nº 224/2006, elaborada pela Superintendência de Fiscalização Econômica e Financeira – SFF/ANEEL, apresenta os modelos de contratos utilizados na concessão do serviço público de transmissão, contratos de prestação de serviços de transmissão CPST e contratos de uso do sistema de transmissão CUST. Da análise das cláusulas dos modelos apresentados, são necessários alguns esclarecimentos por parte da recorrente para melhor compreendêlos, bem como detalhar a receita auferida, vinculando cada parcela ao contrato que lhe deu origem. Diante do exposto, voto para converter o presente julgamento em resolução para que a autoridade administrativa intime a recorrente a: 1. Relacionar as receitas auferidas ao contrato do qual decorrem; 2. Apresentar o Contrato de Concessão do Serviço Público de Transmissão, especificando a data de assinatura, o prazo de vigência, as condições contratadas para o reajustamento fórmula e datas de reajuste; 3. Identificar o primeiro reajustamento ocorrido após 31/10/2003, relativamente às receitas auferidas; 4. Esclarecer se houve alguma revisão do contrato visando a manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro; 5. Apresentar as resoluções da ANEEL relativas a novos acréscimos ao preço originalmente contrato Receita Anual Permitida identificando a origem destes acréscimos; 6. Esclarecer se na receita auferida constam revisões de que trata a cláusula abaixo reproduzida: Oitava Subcláusula A ANEEL procederá, anualmente, à revisão da RECEITA ANUAL PERMITIDA do SERVIÇO PÚBLICO DE TRANSMISSÃO, pela execução de modificações, reforços e ampliações nas INSTALAÇÕES DE TRANSMISSÃO, inclusive as decorrentes de novos padrões de desempenho técnico determinados peia ANEEL, conforme procedimentos definidos na Oitava Subcláusula da Cláusula Quarta deste CONTRA TO DE CONCESSÃO 7. Esclarecer se na receita auferida há parcela recebida devida à ultrapassagem do sistema de transmissão e da sobrecarga; 8. Informar a existência de Contratos de Conexão à Transmissão firmados após 31/10/2003, de acordo com a Resolução nº 489/2002; Fl. 308DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677987/200997 Resolução nº 3302000.481 S3C3T2 Fl. 309 15 9. Se houve parcela de ajuste na Receita Anual Permitida, relacionada com a majoração das alíquotas de PIS e Cofins, nos termos do disposto no item 69 da Nota Técnica 224/2006: PA (PIS/COFINS) = parcela a ser adicionada a PA de cada concessionária de serviço público de transmissão de energia elétrica, resultante do impacto financeiro decorrente da majoração das alíquotas do PIS/PASEP e da COFINS 10. Esclarecer se consta receita auferida de novas instalações de transmissão, de acordo com o item 70 da Nota Técnica 224/2006 e a data em que foram autorizadas pela ANEEL: Dessa forma, é possível, e freqüentemente ocorre, a necessidade da realização de obras visando a implantação de novas instalações de transmissão de energia elétrica integrantes da Rede Básica do Sistema Interligado Nacional SIN. Tais obras são então autorizadas por esta ANEEL, mediante a publicação de Resoluções Autorizativas, nas quais é fixada respectiva receita.. 11. Esclarecer se existe algum índice setorial que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; 12. Elaborar comparativo entre a evolução dos custos da prestação do serviço e da variação do índice mencionado no item anterior e o reajuste adotado, relativo ao período correspondente ao reajuste ocorrido imediatamente anterior a 31/10/2003 e os ocorridos até a competência do crédito objeto da DCOMP. Após concluída a resposta à intimação, elaborar relatório fiscal, separando as receitas que entender sujeitas à incidência nãocumulativa das sujeitas à incidência cumulativa, a partir das premissas contidas nesta resolução, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre as conclusões obtidas, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574, de 2011. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 309DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Numero do processo: 10680.013031/2007-57
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/1997 a 31/08/2006
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DA NFLD - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - CONTRIBUIÇÃO PARA O SAT/RAT - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO.
O art. 22, II, Lei n° 8.212/1991,define todos os elementos capazes de fazer nascer obrigação tributária válida.
Os conceitos de atividade preponderante e grau risco de acidente de trabalho não precisam estar definidos em lei, pois o Regulamento é ato normativo suficiente para definição de tais conceitos, uma vez que são complementares e não essenciais na definição da exação.
A aplicação da alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) deve ser aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS E MULTA DE MORA - ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 - RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA - ART. 106, II, C, CTN
Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A, para disciplinar a multa de ofício.
Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica.
Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35-A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 2403-002.832
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado: (i) por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Oficio; (ii) por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao art. 35 da Lei 8.212/91, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte
Carlos Alberto Mees Stringari Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Marcelo Magalhães Peixoto e Jhonatas Ribeiro da Silva.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO CONTRIBUIÇÃO PARA O SAT/RAT INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O art. 22, II, Lei n° 8.212/1991,define todos os elementos capazes de fazer nascer obrigação tributária válida. Os conceitos de atividade preponderante e grau risco de acidente de trabalho não precisam estar definidos em lei, pois o Regulamento é ato normativo suficiente para definição de tais conceitos, uma vez que são complementares e não essenciais na definição da exação. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 30 31 /2 00 7- 57 Fl. 1373DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 A aplicação da alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) deve ser aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalvase a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1374DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.013031/200757 Acórdão n.º 2403002.832 S2C4T3 Fl. 1.374 3 ACORDAM os membros do Colegiado: (i) por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Oficio; (ii) por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao art. 35 da Lei 8.212/91, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Marcelo Magalhães Peixoto e Jhonatas Ribeiro da Silva. Fl. 1375DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 Relatório Tratase de Recurso de Ofício, às fls. 506, e de Recurso Voluntário, às fls. 578 a 607, com Anexo às fls. 608 a 612, apresentado contra Acórdão nº 0224.042 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte MG, fls. 505 a 517, que julgou procedente em parte a autuação por descumprimento de obrigação principal, NFLD – Notificação Fiscal de Lançamento de Débito nº. 37.044.4957, com ciência da Recorrente em 28.06.2007, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 1.837.007,95 (um milhão, oitocentos e trinta e sete mil, sete reais e noventa e cinco centavos) que foi reduzido após o julgamento de primeira instância para R$ 684.190,88 (seiscentos e oitenta e quatro mil, cento e noventa reais e oitenta e oito centavos). O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social correspondente à contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (RAT), no período 07/1997 a 08/2006. O Relatório Fiscal, às fls. 376 a 378, com Anexo às fls. 379 a 400, observa que a constituição do crédito previdenciário ocorreu com o fato da Empresa utilizar alíquota de 2% (dois por cento) para a parte da gráfica (FPAS 507) e para os demais setores (FPAS 566) a aliquota de 1% (um por cento). Ademais, a fiscalização acrescenta, ainda, que a atividade fim da empresa é a edição de jornais e que os outros setores são atividades meio para o alcance da atividadefim, sendo assim, só se pode ter um único enquadramento. O Anexo do Relatório Fiscal, às fls. 379 a 400, apresenta uma planilha demonstrativa das bases de cálculo por CNPJ, com os seguintes campos: ANO/MÊS; BASE CALCULO; RAT DEVIDO; RAT RECOLHIDO; DIFERENÇA; CNPJ O período de apuração, de acordo com o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 09332538F00, além do Demonstrativo de Emissão e Prorrogação do MPF, foi de 01/1996 a 08/2006, fls. 360 a 365. O período objeto da NFLD, conforme o Relatório Discriminativo Sintético de Débito DSD, às fls. 148, é de 07/1997 a 08/2006. A Recorrente teve ciência do Auto de Infração no dia 28.06.2007, conforme fls. 01. Contra a autuação, a Recorrente apresentou impugnação tempestiva, de fls. 403 a 426, com Anexo às fls. 427 a 450, alegando, em apertada síntese: (i) decadência dos débitos e multas aplicadas anteriores agosto de 2002, em face da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212, de 1991, por afrontar o artigo 146 da CF/88; (ii) não ser possível fazer um único enquadramento das atividades desenvolvidas pela empresa pois possui diversos estabelecimentos com endereços distintos e atividades diferentes; Fl. 1376DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.013031/200757 Acórdão n.º 2403002.832 S2C4T3 Fl. 1.375 5 (iii) o código FPAS 507 é para as Atividades de oficina gráfica de empresa jornalística e o código FPAS 566 é para as atividades de escritórios, comunicações e empresa jornalística. (iv) Que a aliquota de contribuição do SAT deve corresponder ao grau de risco aferido em cada estabelecimento identificado por seu CNPJ, e não em relação à. empresa como um todo. Colaciona jurisprudência dominante do STJ para respaldar seu entendimento. (v) A necessidade de realização de perícia para comprovar as atividades exercidas em cada estabelecimento, indicando assistente e apresentando quesitos; (vi) Que inexiste possibilidade da cobrança da multa de mora por seu efeito confiscatório, caracterizando desvio de finalidade, o que é vedado pelo inciso IV do art. 150 da CF/88, conforme jurisprudências colacionadas e doutrinas relativas à matéria. (vii) Que deve ser aplicada uma única sanção, por se tratar de infração de natureza continuada, sendo esse o entendimento da SRFB, inclusive havendo tal previsão no Regulamento do IPI e em consonância com a jurisprudência administrativa; Foram os autos baixados em Diligência Fiscal, às fls. 454 a 457, a fim de que a AuditoriaFiscal se manifestasse a respeito das alegações da Recorrente, além de apresentar: Em face do exposto, os autos deverão ser encaminhados a Auditoria Fiscal para que a mesma manifeste, exclusivamente, quanto ao enquadramento da notificada no correspondente grau de risco, apresentado planilha discriminativa, por competência e por estabelecimento, constando a indicação da atividade exercida em cada estabelecimento, a quantidade de segurados e a definição da atividade preponderante naquele mês. Ressalte se que tal diligência visa demonstrar o cumprimento dos dispositivos previstos no art. 86 da Instrução Normativa SRP n° 03, de 14 de julho de 2005, cm especial, os seguintes comandos: alínea c do inciso I do §º , bem como o inciso II, e estando cm consonância da determinação prevista no caput do art. 37 da Lei n°8.212, de 1991. A Informação Fiscal prestada pela Auditoria, às fls. 470 a 472, com Anexo às fls. 459 a 469, após a análise das alegações da Recorrente, manteve integralmente o lançamento fiscal efetuado, à exceção da decadência que entendeu ocorrer até a competência 04/2002 em função da Súmula Vinculante 8, STF. Ademais, a Informação Fiscal, às fls. 470 a 472, assim se apresenta: 1 Atendendo despacho de lis 456, estamos anexando planilha demonstrativa com a quantidade de empregados de cada estabelecimento e em cada competência, às folhas 459 a 469. Anexamos, também, a planilha 2, folhas 470 a 472 referente a última competência auditada, 08/2006, com demonstrativo de todas as funções exercidas e quantitativo de empregados em todos os estabelecimentos da empresa, para uma visão detalhada Fl. 1377DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 das atividades exercidas. Esclarecemos que em todas as outras competências as funções são praticamente as mesmas com poucas alterações. 2 0 período de 07/1997 a 04/2002 foi abrangido pela decadência em virtude da Súmula Vinculante 08 do STF, publicada em 20/06/2008. 3 Na análise da planilha 2, podemos constatar que quase todas as atividades exercidas são em função de edição e impressão de jornais com os serviços administrativos necessários ao desenvolvimento e alcance do objetivo social da empresa. Esclarecemos que o setor da gráfica não consta das planilhas, devido estar utilizando a alíquota correta. 4 Ressaltamos que o objeto social da empresa, conforme o artigo 2° do Estatuto Social, às pág. 428, é a exploração de atividades gráficoindustriais, edição de livros, revistas e jornais. 5 As atividades acima enquadram a empresa no CNAE — Classificação Nacional de Atividade Econômica no grau de risco 2. Tanto na edição, quanto na impressão o grau de risco é o mesmo, conforme Anexo I do ROCCS aprovado pelo Decreto 2.173/97 e Anexo V do RPS aprovado pelo Decreto 3048/99, cujos códigos discriminamos abaixo : CNAE ATIVIDADES GRAUS DE RISCO 22.110 — Edição; edição e impressão de jornais 2 22.128 — Edição; edição e impressão de revistas 2 22.136— Edição; edição e impressão de livros 2 22.195 — Edição;edição e impressão de outros Produtos gráficos 2 22.217 — Impressão de jornais, revistas e livros 6 A vista do exposto, concluise, portanto, que não há previsão de grau de risco 1 para nenhuma das atividades incluídas no Estatuto Social, assim como as exercidas pela empresa no período do levantamento. O Anexo da Informação Fiscal prestada pela Auditoria, às fls. 459 a 462, a 469, apresenta: uma planilha demonstrativa das bases de cálculo por CNPJ, com os seguintes campos: ANO/MÊS; BASE CALCULO; RAT DEVIDO; RAT RECOLHIDO; DIFERENÇA;SEGURADOS; CNPJ uma planilha, em relação à competência 08/2006, contendo os campos: SEÇÃO; CNPJ; FUNÇÃO; QTDE FUNCIONÁRIOS. O Contribuinte cientificado da Informação Fiscal, se manifestou às fls. 476 a 483, com Anexo às fls. 484 a 501, em síntese: (i) Quo não pode alterar a alíquota de 1% para 2% pois estaria confessando e aceitando a aliquota que entende incorreta. (ii) Apesar do período de 07/1997 a 04/2002, ter sido excluído do débito , em face da decadência, ainda há períodos a serem decotados da exigência fiscal. Como a apuração fiscal é datada de junho de 2007, só poderia ela alcançar créditos posteriores à competência de junho de 2002. Assim, requer a exclusão das Fl. 1378DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.013031/200757 Acórdão n.º 2403002.832 S2C4T3 Fl. 1.376 7 competências anteriores a julho de 2002, ou seja, 05/2002 a 06/2002; (iii) A atividade da autuada é de risco mínimo, ou seja, 1%, excetuando o parque gráfico que é risco 2 — que foi recolhido corretamente conforme constatou a própria fiscalização; (iv) Transcreve doutrina e decisões judiciais, sobre o principio da material, e conclui que cabe a Administração Pública pesquisar, diligenciar, averiguar para buscar a verdade material dos fatos; Após análise dos autos, a 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte MG, emitiu o Acórdão nº 0616.670, às fls. 505 a 517, julgando procedente em parte a autuação, conforme a Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1997 a 31/08/2006 ENQUADRAMENTO NO GRAU DE RISCO PARA CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO RAT. 0 enquadramento de empresa no grau de risco leve, médio ou grave, devese levar em consideração a atividade econômica preponderante da empresa e não a de cada estabelecimento, conforme dispõe a legislação previdenciária. DECADÊNCIA A decadência das contribuições previdenciárias devese operar em cinco anos, nos termos do Código Tributário Nacional, em decorrência da Súmula Vinculante n° 08 do Supremo Tribunal Federal. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Não é necessário a realização de perícia para comprovar as atividades exercidas em cada um dos estabelecimentos da empresa, para efeito do enquadramento no grau de risco, visto que nos termos da legislação previdenciária, devese levar em consideração a atividade econômica preponderante da empresa, assim considerada a que ocupa, na empresa, o maior número de segurados e trabalhadores avulsos e não de cada estabelecimento. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI VIGENTE. Não compete à esfera administrativa apreciar argüição de inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei vigente. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. MOMENTO DO CALCULO. A lei aplicase a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A comparação para determinação da multa mais benéfica deverá ser feita por ocasião da extinção do crédito tributário, nas modalidades previstas no artigo 156 do CTN ou na fase de execução fiscal da divida. Fl. 1379DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Acórdão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros da 7' Turma de julgamento, por unanimidade de votos, considerar procedente em parte a impugnação, mantendo em parte o crédito tributário exigido pela Notificação Fiscal de Lançamento de Débito n° 37.044.495 7, nos termos do relatório e voto do relator que integram o presente julgado, conforme Discriminativo Analítico do Débito Retificado, em anexo. Recorrese de oficio ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, previsto no artigo 34 do Decreto n° 70.235, de 1972, na redação dada pela Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, pois o valor exonerado encontrase acima do limite de R$1.000.000,00 (um milhão de reais), estabelecido na Portaria n°03, de 03 de janeiro de 2008 — DOU de 07 de janeiro de 2008. Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo, conforme facultado pelo artigo 33 do Decreto n.° 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo artigo 1° da Lei n.° 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo artigo 32 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002. Encaminhese a Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem , para cientificar o contribuinte do inteiro teor deste Acórdão e demais providências, observando o requerido na defesa, para que sejam cientificado3 e comunicados aos procuradores da impugnante, domiciliados nesta capital, na Rua São Paulo, 1.781, 9 0 andar, Bairro Lourdes. CEP 30.170.132, (fls.425/426). Sala de Sessões, em 13 de outubro de 2009. Ademais, o Acórdão da decisão de primeira instância, às fls. 505 a 517, decidiu: pela aplicação da decadência até a competência 05/2002, inclusive, com base no art. 150, § 4º, CTN; em relação ao recálculo da multa de mora, decidiu que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte deverá efetivar o recálculo da multa de mora se for mais benéfico ao contribuinte, nos seguintes termos: Assim, a partir da publicação da MP 449, de 03/12/2008, para os fatos geradores de contribuições previdenciárias anteriores a esta data, deverá ser avaliado o caso concreto e a norma atual deverá retroagir, se mais benéfica, pois em matéria de penalidades deve ser observado o disposto no CTN, artigo 106, inciso TI, alínea "c". Desta feita, devem ser vinculados os processos de contribuições não declaradas em GFIP, somandose as multas aplicadas aos lançamentos de obrigação principal com as multas pelo descumprimento de obrigação acessória, e comparando com a nova multa de oficio prevista no artigo 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 1380DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.013031/200757 Acórdão n.º 2403002.832 S2C4T3 Fl. 1.377 9 Contra o contribuinte foram lançados os seguintes créditos previdenciários, na mesma ação fiscal, conforme Termo de Encerramento da Ação Fiscal — TEAF, às fls.372: NFLD n° 37.044.4957, de obrigação principal, relativa diferença de RAT. Auto de Infração n° 37.044.4922 (processo n° 10680.13033/200746), relativo à infringência do artigo 32, IV, § 5 0, Lei n° 8.212 de 1991, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 1997,. descumprimento de obrigação acessória — omissão de fato gerador em GFIP. Auto de Infração n° 37.044.4965 (processo n° 10680.013032/2007 00),relativo à infringência do artigo 32, inciso IV, §6. 3, da Lei n.° 8.212, de 1991, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10 de dezembro de 1997, descumprimento de obrigação acessória — informações inexatas, incompletas ou omissas nos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias em GFIP; LDC Lançamento de Débito Confessado n° 37.044.4949; Auto de Infração n° 37.044.4930 confeccionar folhasde pagamento em desacordo com os padrões e normas estabelecidos pela legislação previdenciária. Ocorre, contudo, que os percentuais da multa tanto do artigo 35 da Lei 8.212, de 1991, quanto do artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1997, sofrem variação de acordo com o prazo do pagamento do crédito. Logo, temse que a comparação entre uma e outra modalidade somente pode ser feita por ocasião da extinção do crédito tributário, nas modalidades previstas no artigo 156 do CTN ou na fase de execução fiscal da divida. Diante das alterações da legislação previdenciária, caberá a Delegacia da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte, por ocasião da extinção do crédito tributário, nas modalidades previstas no artigo 156 do CTN ou na fase de execução fiscal da divida, efetuar a comparação das multas aplicadas, de acordo com as normas vigentes à época. Sendo assim, caso se conclua que a legislação atual seja mais benéfica ao contribuinte, ela deve retroagir, devendo o valor da multa ser revisto e, se for o caso, eventuais retificações serão processadas nos autos de infração por descumprimento de obrigações acessórias correlatos. Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 578 a 607, com Anexo às fls. 608 a 612, na qual alega em síntese que: (i) decadência dos débitos e multas aplicadas entre 05/2002 e 06/2002; Fl. 1381DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 (ii) não ser possível fazer um único enquadramento das atividades desenvolvidas pela empresa pois possui diversos estabelecimentos com endereços distintos e atividades diferentes. (iii) O CNAE referente à Edição de jornais é o 58123/00 com grau de risco 1%, conforme o Decreto 6.042/12.02.2007; (iv) o código FPAS 507 é para as Atividades de oficina gráfica de empresa jornalística e o código FPAS 566 é para as atividades de escritórios, comunicações e empresa jornalística. (v) Que a alíquota de contribuição do SAT deve corresponder ao grau de risco aferido em cada estabelecimento identificado por seu CNPJ, e não em relação à. empresa como um todo. Colaciona jurisprudência dominante do STJ para respaldar seu entendimento. (vi) A decisão manteve o entendimento de enquadrar as atividades do estabelecimento principal MATRIZ (REDAÇÃO DO JORNAL HOJE EM DIA) no grau de risco 2. Insta esclarecer que a impressão de jornais é efetuada no parque gráfico estabelecido na Av. Nossa Senhora de Fátima, 1945 BH/MG com CNPJ n. 19.207.588/000349 todos os demais estabelecimentos dedicamse a atividade de REDAÇÃO DO JORNAL HOJE EM DIA, escritórios de contatos e serviços administrativos. Ora, sabese que a edição de jornais enquadrase na Classificação Nacional de Atividades Econômicas, na (Decreto 6.042/07): CNAE 58123/00 Edição de jornais = 1% CNAE 58221/00 Edição integrada à impressão de jornais = 1% Repetindo as atividades exercidas no principal estabelecimento da autuada MATRIZ é a REDAÇÃO DO JORNAL HOJE EM DIA. O único estabelecimento que tinha o risco 2 é o parque gráfico gráfico estabelecido na Av. Nossa Senhora de Fátima, 1945 BH/MG com CNPJ n. 19.207.588/000349 todos os demais estabelecimentos do grau de risco é 1. (Com a edição do Decreto 6.042/07 o parque gráfico ficou com grau de risco 1). (vii) A par disso, o STJ editou a SÚMULA 351, com o seguinte teor: A aliquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. (viii) Nulidade porque foi indeferida a perícia na decisão de primeira instância. (ix) A necessidade de realização de perícia para comprovar as atividades exercidas em cada estabelecimento, indicando assistente técnico e apresentando quesitos; (x) Que inexiste possibilidade da cobrança da multa de mora por seu efeito confiscatório, caracterizando desvio de finalidade, o Fl. 1382DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.013031/200757 Acórdão n.º 2403002.832 S2C4T3 Fl. 1.378 11 que é vedado pelo inciso IV do art. 150 da CF/88, conforme jurisprudências colacionadas e doutrinas relativas à matéria. (xi) Que deve ser aplicada uma única sanção, por se tratar de infração de natureza continuada, sendo esse o entendimento da SRFB, inclusive havendo tal previsão no Regulamento do IPI e em consonância com a jurisprudência administrativa; Posteriormente, esta Colenda Turma de Julgamento baixou os autos em Diligência Fiscal, pois observou restar fixada nos autos uma controvérsia a respeito de que, em que pese a Informação Fiscal emitida e a decisão de primeira instância terem mantido integralmente o lançamento fiscal, à exceção da decadência até a competência 05/2002 inclusive, ainda restam alguns pontos a serem esclarecidos em relação à atividade preponderante da Recorrente a fim de que se possa efetivar o julgamento deste processo. A Diligência Fiscal foi determinada nos seguintes termos: CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA, para fins de saneamento, de modo que a autoridade fiscal competente pelo lançamento desta NFLD disponibilize, em um Relatório Fiscal Complementar, o qual após deverá ser dada ciência à Recorrente do resultado da diligência como exigência jurídico procedimental, com vistas ao direito do contraditório e da ampla defesa.: (a) Em cada competência, a definição de qual é a atividade preponderante da Empresa e quais as funções exercidas se adequam à atividade preponderante, considerandose todos os estabelecimentos da Empresa, inclusive o estabelecimento relacionado ao parque gráfico que a AuditoriaFiscal considerou estar recolhendo a alíquota de SAT/RAT correta de 2%, com FPAS 507. (b) A necessidade de planilha única discriminativa contendo todos os estabelecimentos da Recorrente, inclusive o estabelecimento relacionado ao parque gráfico que a Auditoria Fiscal considerou estar recolhendo a alíquota de SAT/RAT correta de 2%, com FPAS 507. Esta planilha única discriminativa deve apresentar: (1) em cada competência, (2) o estabelecimento, (3) a atividade exercida, (4) a quantidade de segurados naquela atividade exercida; no total de cada competência: (5) a definição da atividade preponderante, considerandose todos os estabelecimentos, naquela competência. (c) Se a AuditoriaFiscal considerou que o estabelecimento dedicado ao parque gráfico, FPAS 507, é o estabelecimento de CNPJ 19.207.588/000349, conforme o alegado pela Recorrente, em sede de Recurso Voluntário, às fls. 583. (d) A quantidade total de empregados em cada estabelecimento, entre as competências 06/2002 até 08/2006. Fl. 1383DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 A AuditoriaFiscal, no Termo de Informação Fiscal, às fls. 720 a 722, informa que foi elaborado o Relatório Fiscal Complementar, atendidas as requisições de informação da Diligência Fiscal e mantido o lançamento fiscal: 1 Em atendimento à diligência solicitada conforme Resolução n° 2403000.047 4a Câmara / 3a Turma Ordinária, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF/MF de 18/01/2012, temos a pronunciar o que segue. 2 Foi solicitado ao Contribuinte através do Termo de Início de Procedimento Fiscal datado em 31/05/2012(cópia anexa), dentre outros documentos, a apresentação das Folhas de Pagamento de todos os segurados e de uma Planilha, em exceli, contemplando as seguintes informações, compreendendo o período de 06/2002 a 08/2006: CNPJ, nome do segurado, função exercida, atividade fim do estabelecimento e o número de segurados na atividade fim do estabelecimento. Com efeito, os documentos acima citados foram apresentados, tendo sido devidamente validados e autenticados através do Sistema de Autenticação e Validação de Arquivos Digitais S.V.A, conforme Recibos de Entrega de Arquivos Digitais datados em 15/10/2012, todos anexados a este processo. Ressaltese que, a informação relativa ao "número de segurados na atividade fim do estabelecimento" não foi contemplada na referida planilha apresentada à Auditoria. 3 A partir da documentação apresentada procedeuse ao confronto, por amostragem, da Planilha elaborada com as Folhas de Pagamento, tendo sido as informações nela Contidas consideradas consistentes pela Auditoria. 4 Posteriormente foi elaborada pela Auditoria e anexada a este processo, a planilha constante do "Anexo I do Relatório Fiscal Complementar", onde constam: Competência, Nome do Segurado, "Cargo, CNPJ e o enquadramento, na atividade fim ou não, de cada segurado de acordo com seu cargo, sendo que para os segurados enquadrados na atividade fim adotouse o número "1" e para os segurados enquadrados em outras atividades adotouse o número "0". Esta planilha contempla também o número total de empregados em cada competência. 5 A partir da planilha citada no item "4" anterior, foi elaborada pela Auditoria e também anexada a este processo, a planilha constante do "Anexo II do Relatório Fiscal do Relatório Fiscal Complementar", onde constam: Competência, CNPJ, a Atividade Exercida, a Quantidade de Segurados na Atividade Exercida e Quantidade Total de Empregados. Ressaltase que para a definição da atividade preponderante a Auditoria utilizou como fundamento o teor do PARECER PGFN/CRJ/N° 2120 /2011, o qual, em suma, determina que a cobrança do SAT /RAT deve ser feita levandose em consideração o grau de risco da atividade de cada estabelecimento da pessoa jurídica, desde que individualizado por CNPJ próprio. 6 Quanto ao questionamento sobre se a Auditoria Fiscal considerou que o estabelecimento dedicado ao parque gráfico cumpre esclarecer o seguinte: Fl. 1384DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.013031/200757 Acórdão n.º 2403002.832 S2C4T3 Fl. 1.379 13 6.1 De fato, o estabelecimento dedicado áo parque gráfico é o que possui o CNPJ n° 19.207.588/000349. 6.2 Pela análise das peças constantes deste processo não foi possível identificar qual estabelecimento foi considerado pela Auditora Fiscal responsável pelo lançamento do débito como parque gráfico, tendo em vista que em seu Relatório Fiscal há a menção apenas ao FPAS da parte gráfica sem identificação de seu CNPJ. Porém, o que se constatou foi que foram contemplados todos os estabelecimentos da empresa, sem nenhuma exceção, no que tange ao lançamento relativo à diferença de RAT efetuado. 6Para melhor comprovação estão sendo anexadas ao presente processo, as cópias dos documentos abaixo relacionados: Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF; Recibos de Entrega de Arquivos Digitais; Anexo I do Relatório Fiscal Complementar Anexo II do Relatório Fiscal Complementar O contribuinte devidamente intimado, não apresentou Manifestação. Os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 1385DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (A) Inconstitucionalidades Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 1386DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.013031/200757 Acórdão n.º 2403002.832 S2C4T3 Fl. 1.380 15 a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (B) Da regularidade do lançamento. Analisemos. Não obstante a argumentação da Recorrente, não confiro razão à Recorrente pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Foi realizada auditoriafiscal que resultou no lançamento da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD, de contribuições destinadas à Seguridade Social correspondente a parte patronal e a Terceiros. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 37.044.4957que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: (redação à época da lavratura da NFLD nº 37.044.4957) Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Fl. 1387DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 16 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Não obstante a argumentação da Recorrente, não confiro razão à Recorrente pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, com a clara discriminação de cada débito apurado e dos acréscimos legais incidentes, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: · A autorização por meio da emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; · A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; · A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DAD Discriminativo Analítico do Débito (que discrimina os valores originários das contribuições devidas pelo contribuinte, abatidos os valores já recolhidos e as deduções legais); c. DSD Discriminativo Sintético do Débito (que apresenta os valores devidos em cada competência, referentes aos levantamentos indicados agrupados por estabelecimento); d. RL Relatório de Lançamentos (que relaciona os lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração dos valores devidos pelo sujeito passivo); e. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); f. CORESP Relatório de Coresponsáveis do Débito; Fl. 1388DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.013031/200757 Acórdão n.º 2403002.832 S2C4T3 Fl. 1.381 17 g. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); h. MPF – Mandado de Procedimento Fiscal; i. TIAD – Termo de Intimação para Apresentação de Documentos;. j. TEAF Termo de Encerramento da Ação Fiscal;. k. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Analisandose a NFLD nº 37.044.4957, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. (C) DA DECADÊNCIA Recurso Voluntário (i) decadência dos débitos e multas aplicadas entre 05/2002 e 06/2002; Fl. 1389DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 18 Recurso de Ofício decadência reconhecida até a competência 05/2002 inclusive com base no art. 150, § 4º, CTN. Analisemos. O Supremo Tribunal Federal STF, conforme o Informativo STF nº 510 de 19 de junho de 2008, por entender que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, b, da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nºs 556664/RS, 559882/RS, 559.943 e 560626/RS, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8.212/91, atribuindose, à decisão, eficácia ex nunc apenas em relação aos recolhimentos efetuados antes de 11.6.2008 e não impugnados até a mesma data, seja pela via judicial, seja pela administrativa. Após, o STF aprovou o Enunciado da Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nestes termos: Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Publicada no DOU de 20/6/2008, Seção 1, p.1. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Portanto, da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Fl. 1390DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.013031/200757 Acórdão n.º 2403002.832 S2C4T3 Fl. 1.382 19 Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, deve adequar a decisão administrativa ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de 22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, nos termos dos artigos 150, § 4o, e 173 do Código Tributário Nacional. O meu posicionamento se identifica com o direcionamento do Superior Tribunal de Justiça – STJ no sentido de no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento e não se configure os casos de dolo, fraude ou simulação, se aplica a regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN, conforme se depreende do REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF. Na hipótese dos autos, às fls. 518, a decisão de primeira instância mostra que o contribuinte informou em GFIP a alíquota de um por cento para a contribuição do RAT e efetuou o recolhimento com essa alíquota: Para o crédito relativo ao período de janeiro de 2002 a agosto de 2006, por se tratar de diferença de contribuição para o RAT, Fl. 1391DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 20 ou seja, o contribuinte informou em GFIP a alíquota de um por cento e efetuou o pagamento com essa alíquota quando o correto era 2%, em face do reenquadramento procedido na auditoria fiscal, o dispositivo legal a ser considerado para contagem do prazo de decadência há de ser o artigo 150, §4° do CTN. Assim, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito relativo ao período de janeiro de 2002 a maio de 2002, restou decaído, haja vista que o contribuinte tomou ciência do lançamento somente em 28 de junho de 2007 (fls.01). Portanto, estes recolhimentos feitos pelo contribuinte, via Guias da Previdência Social GPS, no meu posicionamento, é o suficiente para considerar os recolhimentos antecipados feitos pelo contribuinte a serem considerados para todo o período objeto da autuação ensejando a aplicação do art. 150, § 4º, CTN, com fulcro no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF, bem como na Súmula CARF 99: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Temos que a ciência do Auto de Infração ocorreu em 28.06.2007 e as competências objeto do lançamento são 07/1997 a 08/2006. Constatase então que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos lançados até a competência 05/2002, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN. Portanto, neste ponto, nego provimento ao Recurso de Ofício e ao Recurso Voluntário, de forma a reconhecer a decadência até a competência 05/2002, inclusive, com base no art. 150, § 4º, CTN NO MÉRITO. (ii) não ser possível fazer um único enquadramento das atividades desenvolvidas pela empresa pois possui diversos estabelecimentos com endereços distintos e atividades diferentes. (iii) O CNAE referente à Edição de jornais é o 58123/00 com grau de risco 1%, conforme o Decreto 6.042/12.02.2007; (iv) o código FPAS 507 é para as Atividades de oficina gráfica de empresa jornalística e o código FPAS 566 é para as atividades de escritórios, comunicações e empresa jornalística. Fl. 1392DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.013031/200757 Acórdão n.º 2403002.832 S2C4T3 Fl. 1.383 21 (v) Que a alíquota de contribuição do SAT deve corresponder ao grau de risco aferido em cada estabelecimento identificado por seu CNPJ, e não em relação à. empresa como um todo. Colaciona jurisprudência dominante do STJ para respaldar seu entendimento. (vi) A decisão manteve o entendimento de enquadrar as atividades do estabelecimento principal MATRIZ (REDAÇÃO DO JORNAL HOJE EM DIA) no grau de risco 2. (vii) A par disso, o STJ editou a SÚMULA 351, com o seguinte teor: A aliquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. Analisemos conjuntamente os itens (ii) a (vii). Esta Colenda Turma de Julgamento baixou os autos em Diligência Fiscal, pois observou restar fixada nos autos uma controvérsia a respeito de que, em que pese a Informação Fiscal emitida e a decisão de primeira instância terem mantido integralmente o lançamento fiscal, à exceção da decadência até a competência 05/2002 inclusive, ainda restavam alguns pontos a serem esclarecidos em relação à atividade preponderante da Recorrente a fim de que se possa efetivar o julgamento deste processo. A Diligência Fiscal foi determinada nos seguintes termos: CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA, para fins de saneamento, de modo que a autoridade fiscal competente pelo lançamento desta NFLD disponibilize, em um Relatório Fiscal Complementar, o qual após deverá ser dada ciência à Recorrente do resultado da diligência como exigência jurídico procedimental, com vistas ao direito do contraditório e da ampla defesa.: (a) Em cada competência, a definição de qual é a atividade preponderante da Empresa e quais as funções exercidas se adequam à atividade preponderante, considerandose todos os estabelecimentos da Empresa, inclusive o estabelecimento relacionado ao parque gráfico que a AuditoriaFiscal considerou estar recolhendo a alíquota de SAT/RAT correta de 2%, com FPAS 507. (b) A necessidade de planilha única discriminativa contendo todos os estabelecimentos da Recorrente, inclusive o estabelecimento relacionado ao parque gráfico que a Auditoria Fiscal considerou estar recolhendo a alíquota de SAT/RAT correta de 2%, com FPAS 507. Esta planilha única discriminativa deve apresentar: (1) em cada competência, (2) o estabelecimento, (3) a atividade exercida, (4) a quantidade de segurados naquela atividade exercida; Fl. 1393DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 22 no total de cada competência: (5) a definição da atividade preponderante, considerandose todos os estabelecimentos, naquela competência. (c) Se a AuditoriaFiscal considerou que o estabelecimento dedicado ao parque gráfico, FPAS 507, é o estabelecimento de CNPJ 19.207.588/000349, conforme o alegado pela Recorrente, em sede de Recurso Voluntário, às fls. 583. (d) A quantidade total de empregados em cada estabelecimento, entre as competências 06/2002 até 08/2006. A AuditoriaFiscal, no Termo de Informação Fiscal, às fls. 720 a 722, informa que foi elaborado o Relatório Fiscal Complementar, atendidas as requisições de informação da Diligência Fiscal e mantido o lançamento fiscal: 1 Em atendimento à diligência solicitada conforme Resolução n° 2403000.047 4a Câmara / 3a Turma Ordinária, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF/MF de 18/01/2012, temos a pronunciar o que segue. 2 Foi solicitado ao Contribuinte através do Termo de Início de Procedimento Fiscal datado em 31/05/2012(cópia anexa), dentre outros documentos, a apresentação das Folhas de Pagamento de todos os segurados e de uma Planilha, em exceli, contemplando as seguintes informações, compreendendo o período de 06/2002 a 08/2006: CNPJ, nome do segurado, função exercida, atividade fim do estabelecimento e o número de segurados na atividade fim do estabelecimento. Com efeito, os documentos acima citados foram apresentados, tendo sido devidamente validados e autenticados através do Sistema de Autenticação e Validação de Arquivos Digitais S.V.A, conforme Recibos de Entrega de Arquivos Digitais datados em 15/10/2012, todos anexados a este processo. Ressaltese que, a informação relativa ao "número de segurados na atividade fim do estabelecimento" não foi contemplada na referida planilha apresentada à Auditoria. 3 A partir da documentação apresentada procedeuse ao confronto, por amostragem, da Planilha elaborada com as Folhas de Pagamento, tendo sido as informações nela Contidas consideradas consistentes pela Auditoria. 4 Posteriormente foi elaborada pela Auditoria e anexada a este processo, a planilha constante do "Anexo I do Relatório Fiscal Complementar", onde constam: Competência, Nome do Segurado, "Cargo, CNPJ e o enquadramento, na atividade fim ou não, de cada segurado de acordo com seu cargo, sendo que para os segurados enquadrados na atividade fim adotouse o número "1" e para os segurados enquadrados em outras atividades adotouse o número "0". Esta planilha contempla também o número total de empregados em cada competência. 5 A partir da planilha citada no item "4" anterior, foi elaborada pela Auditoria e também anexada a este processo, a planilha constante do "Anexo II do Relatório Fiscal do Relatório Fiscal Complementar", onde constam: Competência, CNPJ, a Atividade Fl. 1394DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.013031/200757 Acórdão n.º 2403002.832 S2C4T3 Fl. 1.384 23 Exercida, a Quantidade de Segurados na Atividade Exercida e Quantidade Total de Empregados. Ressaltase que para a definição da atividade preponderante a Auditoria utilizou como fundamento o teor do PARECER PGFN/CRJ/N° 2120 /2011, o qual, em suma, determina que a cobrança do SAT /RAT deve ser feita levandose em consideração o grau de risco da atividade de cada estabelecimento da pessoa jurídica, desde que individualizado por CNPJ próprio. 6 Quanto ao questionamento sobre se a Auditoria Fiscal considerou que o estabelecimento dedicado ao parque gráfico cumpre esclarecer o seguinte: 6.1 De fato, o estabelecimento dedicado áo parque gráfico é o que possui o CNPJ n° 19.207.588/000349. 6.2 Pela análise das peças constantes deste processo não foi possível identificar qual estabelecimento foi considerado pela Auditora Fiscal responsável pelo lançamento do débito como parque gráfico, tendo em vista que em seu Relatório Fiscal há a menção apenas ao FPAS da parte gráfica sem identificação de seu CNPJ. Porém, o que se constatou foi que foram contemplados todos os estabelecimentos da empresa, sem nenhuma exceção, no que tange ao lançamento relativo à diferença de RAT efetuado. 6Para melhor comprovação estão sendo anexadas ao presente processo, as cópias dos documentos abaixo relacionados: Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF; Recibos de Entrega de Arquivos Digitais; Anexo I do Relatório Fiscal Complementar Anexo II do Relatório Fiscal Complementar Portanto, a AuditoriaFiscal, no Relatório Fiscal Complementar e em seus Anexos, determinou em cada competência, por estabelecimento distinto: os segurados, a atividade exercida, a quantidade de segurados naquela atividade exercida e a atividade preponderante correspondente. Com isso, o Relatório Fiscal Complementar ao efetivar a discriminação da aplicação da alíquota de contribuição ao SAT em cada estabelecimento da Recorrente, atendeu ao disposto na Súmula STJ 351, bem como ao Ato Declaratório PGFN 11/2011: STJ Súmula 351 A alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. PGFN ATO DECLARATÓRIO Nº 11 /2011: A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso Fl. 1395DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 24 II do art. 19, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2120 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 15/12/2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que discutam a aplicação da alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT), aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro.” Por outro lado, observase que nos itens (ii) a (vii) a Recorrente repete a mesma linha de argumentação utilizada em Sede de Impugnação, de modo a que não apresenta argumento novo em sede de Recurso Voluntário. Ainda assim, temse que considerar que os itens (ii) a (vii) da linha de argumentação da Recorrente, relativos ao enquadramento na atividade preponderante e à conseqüente aferição da alíquota da contribuição ao SAT, se referem à matérias de fato e de direito que foram amplamente analisadas e debatidas em sede de julgamento de primeira instância, com a Requisição de Diligência Fiscal, bem como na nova solicitação de Diligência Fiscal feita por esta Colenda Turma de Julgamento do CARF. Cabe observar que a presente autuação NFLD n º 37.044.4957 se refere exclusivamente à cobrança de diferenças de alíquotas SAT/RAT, enquanto que, por outro lado, não constante desta autuação, as entidades ou fundos Terceiros para os quais a Recorrente contribui são definidas em função de sua atividade econômica, sendo que as alíquotas são identificadas mediante o enquadramento desta na Tabela de Alíquotas de acordo com o Fundo de Previdência e Assistência Social FPAS. Neste sentido, às fls. 474, na Informação Fiscal elaborada a partir da Requisição de Diligência Fiscal em sede de julgamento de primeira instância observase que a AuditoriaFiscal mantém o enquadramento de FPAS e da alíquota de contribuição ao SAT em 2%, com exceção do setor de gráfica que não entrou no levantamento realizado: 3 Na análise da planilha 2, podemos constatar que quase todas as atividades exercidas são em função de edição e impressão de jornais com os serviços administrativos necessários ao desenvolvimento e alcance do objetivo social da empresa. Esclarecemos que o setor da gráfica não consta das planilhas, devido estar utilizando a alíquota correta 4 Ressaltamos que o objeto social da empresa, conforme o artigo 2° do Estatuto Social, As págs 428, é a exploração de atividades gráfico industriais, edição de livros, revistas e jornais. 5 As atividades acima enquadram a empresa no CNAE — Classificação Nacional de Atividade Econômica no grau de risco 2. Tanto na edição, quanto na impressão o grau de risco é o mesmo, conforme Anexo I do ROCCS aprovado pelo Decreto 2.173/97 e Anexo V do RPS aprovado pelo Decreto 3048/99, cujos códigos discriminamos abaixo : Fl. 1396DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.013031/200757 Acórdão n.º 2403002.832 S2C4T3 Fl. 1.385 25 CNAE ATIVIDADES GRAUS DE RISCO 22.110 — Edição; edição e impressão de jornais 2 22.128 — Edição; edição e impressão de revistas 2 22.136— Edição; edição e impressão de livros 2 22.195 — Edição;edição e impressão de outros Produtos gráficos 2 22.217 — Impressão de jornais, revistas e livros 2 Igualmente, às fls. 721, no Relatório Fiscal Complementar elaborado a partir da Requisição de Diligência Fiscal feita por esta Colenda Turma de Julgamento do CARF, observase que a AuditoriaFiscal mantém o enquadramento de FPAS e da alíquota de contribuição ao SAT em 2% para todos os estabelecimentos da Recorrente que constaram no levantamento: 5 A partir da planilha citada no item "4" anterior, foi elaborada pela Auditoria e também anexada a este processo, a planilha constante do "Anexo II do Relatório Fiscal do Relatório Fiscal Complementar", onde constam: Competência, CNPJ, a Atividade Exercida, a Quantidade de Segurados na Atividade Exercida e Quantidade Total de Empregados. Ressaltase que para a definição da atividade preponderante a Auditoria utilizou como fundamento o teor do PARECER PGFN/CRJ/N° 2120 /2011, o qual, em suma, determina que a cobrança do SAT /RAT deve ser feita levandose em consideração o grau de risco da atividade de cada estabelecimento da pessoa jurídica, desde que individualizado por CNPJ próprio. (...)6.1 De fato, o estabelecimento dedicado ao parque gráfico é o que possui o CNPJ n° 19.207.588/000349. 6.2 Pela análise das peças constantes deste processo não foi possível identificar qual estabelecimento foi considerado pela Auditora Fiscal responsável pelo lançamento do débito como parque gráfico, tendo em vista que em seu Relatório Fiscal há a menção apenas ao FPAS da parte gráfica sem identificação de seu CNPJ. Porém, o que se constatou foi que foram contemplados todos os estabelecimentos da empresa, sem nenhuma exceção, no que tange ao lançamento relativo à diferença de RAT efetuado. Desta forma, em função dos argumentos (ii) a (vii) da Recorrente terem sido debatidos tanto em sede de decisão de primeira instância quanto em sede de Diligência Fiscal requerida por esta Colenda Turma de Julgamento do CARF, concordo com a decisão do julgamento de primeira instância no sentido de se manter a tributação. (viii) Nulidade porque foi indeferida a perícia na decisão de primeira instância. (ix) A necessidade de realização de perícia para comprovar as atividades exercidas em cada estabelecimento, indicando assistente técnico e apresentando quesitos; Analisemos os itens (viii) e (ix) conjuntamente. Fl. 1397DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 26 Observo que houve Solicitação de Diligência por parte do órgão julgador de primeira instância, bem como a conversão do processo em Diligência determinado por esta Colenda Turma de Julgamento do CARF. Desta forma, não considero pertinente o pedido de Perícia pois todos os elementos de prova acostados aos autos já foram analisados no transcurso do Processo administrativotributário, conforme o disposto no art. 18, Decreto 70.235/1972: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (x) Que inexiste possibilidade da cobrança da multa de mora por seu efeito confiscatório, caracterizando desvio de finalidade, o que é vedado pelo inciso IV do art. 150 da CF/88, conforme jurisprudências colacionadas e doutrinas relativas à matéria. (xi) Que deve ser aplicada uma única sanção, por se tratar de infração de natureza continuada, sendo esse o entendimento da SRFB, inclusive havendo tal previsão no Regulamento do IPI e em consonância com a jurisprudência administrativa; Analisemos. Este ponto já foi debatido em sede de decisão de primeira instância, às fls. 515, na qual se conclui que a autoridade fiscal fez o que a Administração Tributária esperava dele, conforme prevê o art. 37 da Lei n°'8.212, de 1991, ou seja, ao constatar o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições previdenciárias, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisados fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem: Lei 8.212/1991: Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Decisão de primeira instância, às fls. 515: No que tange A multa aplicada na presente notificação fiscal, cabe ressaltar que esta se deu nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212, de 1991, na redação vigente A época dos fatos geradores. Portanto, não pode ser acolhido os argumentos aduzidos pela impugnante de que a mesma é confiscatória, pois não cabe à autoridade administrativa dispensar ou reduzir pagamentos de contribuições previdenciárias e os acréscimos legais pertinentes, uma vez que o seu ato é vinculado, cabendo tão somente cumprir e exigir o cumprimento da Lei. Fl. 1398DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10680.013031/200757 Acórdão n.º 2403002.832 S2C4T3 Fl. 1.386 27 Ademais, no tópico (B) da regularidade do lançamento concluímos que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento por preterição aos direitos de defesa, pela ausência de fundamentação legal. Neste ponto, acompanho integralmente o posicionamento da decisão de primeira instância pelas razões expostas. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. DA MULTA DE MORA Analisemos. Esta Colenda Turma de Julgamento vem se posicionando reiteradamente, por maioria, em relação ao recálculo dos acréscimos legais, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte: A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Fl. 1399DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 28 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ressalvase a posição do Relator, posição vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Do Recurso De Ofício. Este ponto, referente à decisão de primeira instância no sentido de reconhecimento da decadência parcial até a competência 05/2002, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN já foi analisado no tópico (C) acima. Diante do exposto, nego provimento ao Recurso de Ofício. CONCLUSÃO Voto no sentido de: (i) negar provimento ao Recurso de Ofício; (ii) dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para determinar o recálculo da multa de mora de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 1400DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/12/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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