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Numero do processo: 13064.720104/2015-26
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2015
DESISTÊNCIA. RECURSO.
Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação.
Numero da decisão: 1001-000.678
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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score : 1.0
Numero do processo: 10880.900594/2006-40
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3002-000.011
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para intimar a contribuinte a apresentar os livros e documentos necessários, visando a elaboração de relatório conclusivo e justificado sobre: a) as receitas mensais auferidas no 1º trimestre de 2003; b) as respectivas exclusões mensais pertinentes; c) as corretas bases de cálculo mensais da Cofins e d) os efetivos recolhimentos realizados.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR PIS Recorrente SANTA VERÔNICA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA. (INCORPORADA POR SAINTGOBAIN DO BRASIL PRODUTOS INDUSTRIAIS E PARA CONSTRUÇÃO LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para intimar a contribuinte a apresentar os livros e documentos necessários, visando a elaboração de relatório conclusivo e justificado sobre: a) as receitas mensais auferidas no 1º trimestre de 2003; b) as respectivas exclusões mensais pertinentes; c) as corretas bases de cálculo mensais da Cofins e d) os efetivos recolhimentos realizados. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 00 59 4/ 20 06 -4 0 Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10880.900594/200640 Resolução nº 3002000.011 S3C0T2 Fl. 167 2 Relatório O processo administrativo ora em análise trata do PER/DCOMP 31992.90110.080703.1.7.045783 (fl. 02/06), transmitido em 08/07/2003, cujo crédito teria origem em recolhimento do PIS efetuado a maior. A compensação declarada não foi homologada, conforme Despacho Decisório (fl. 07), pelos seguintes motivos: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP." Após ser intimada dessa decisão em 04/03/2008, a ora recorrente apresentou tempestivamente Manifestação de Inconformidade em 28/03/2008 (fl. 12/15), na qual alegou que recolheu errado a contribuição para o PIS eferente a março/2003, R$ 4.502,35, assim como informou este valor incorreto na DCTF original. Contudo, o valor realmente devido, R$ 784,22, foi declarado corretamente na DIPJ 2004. A ora recorrente continuou suas alegações, informando que, após ter verificado a inconsistência por meio do Despacho Decisório, transmitiu DCTF retificadora regularizando a situação em 18/03/2008. Ademais, o Sujeito passivo segue discorrendo sobre a legislação aplicável ao caso e apresenta tabela explicativa dos valores realmente devidos, dos valores efetivamente pagos e dos créditos utilizados em compensações. Para comprovar o seu suposto crédito, a recorrente juntou cópia do DARF e cópias parciais das DCTF´s, original e retificadora, da Dacon e da DIPJ 2004. Em seqüência, analisando as argumentações da contribuinte e os documentos juntados, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003 DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA Incumbe ao sujeito passivo, na forma da legislação em vigor, demonstrar por meio de documentação contábil idônea a existência do direito creditório informado em declaração de compensação. DCTF. RETIFICAÇÃO A retificação da declaração por iniciativa do próprio sujeito passivo com o fito de reduzir tributo — mormente quando feita após a ciência de despacho decisório fundado na informação que se pretende alterar — só é admissível mediante comprovação documental. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA Não havendo provas da existência do crédito utilizado, devese negar homologação à compensação declarada. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10880.900594/200640 Resolução nº 3002000.011 S3C0T2 Fl. 168 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 78/89), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, repisando fatos e argumentos já apresentados e acrescentando que o DARF apresentado já seria documento hábil e idôneo para garantir o direito creditório, devendo ser analisado em conjunto com a ficha 21 da DIPJ, com a Dacon e com a DCTF retificadora. Além disso, a recorrente informou que a movimentação das contas de receitas financeiras, no montante de R$ 47.528,25, deu origem a base de cálculo da contribuição no mês de março. Por outro lado, a contribuinte alegou que não possuía todos os documentos necessários, quando da apresentação de sua Manifestação de Inconformidade, devido ao tempo decorrido e por estarem guardados em arquivo externo. Por fim, a recorrente alegou que, para corroborar o seu direito, anexou ao Recurso Voluntário planilha com a base de cálculo do PIS utilizada durante o anocalendário de 2003 e o balanço patrimonial datado de 30/04/2004. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Entendo que a questão fundamental a ser decidida no presente julgamento se refere ao direito probatório em processos administrativos fiscais. O art. 173 do Código de Processo Civil (CPC) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao autor, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Ou seja, em regra, incumbe à parte fornecer os elementos de prova das alegações que fizer, visando prover o julgador com os meios necessários para o seu convencimento, quanto à veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão. Seguindo essa mesma linha, o art. 36 da Lei nº 9.784, de 1999, que regula os processos administrativos federais, dispõe que cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Quanto ao processo administrativo fiscal, o art. 16 do Decreto 70.235/72 assim estabelece: Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10880.900594/200640 Resolução nº 3002000.011 S3C0T2 Fl. 169 4 Art. 16. A impugnação mencionará: I omissis ......................................................................................................... III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Inciso com redação dada pela Lei nº 8.748, de 9/12/1993) ......................................................................................................... § 1° omissis ......................................................................................................... § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluíndo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira se a fato ou a direito superveniente; c) destine se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Parágrafo acrescido pela Lei nº 9.532, de 10/12/1997) ................................................................................................................... Como se percebe dos dispositivos transcritos, o dever de provar incumbe a quem alega. Assim, creio que o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário e processos decorrentes de pedido de restituição, ressarcimento e compensação. Nestes, cabe ao contribuinte provar a liquidez e a certeza do seu crédito, naqueles, cabe ao fisco provar a ocorrência do fato gerador. Por certo, não se pode olvidar do Princípio da Verdade Material, que norteia o processo administrativo, devendo o julgador buscar o esclarecimento dos fatos, adotando as providências necessárias no sentido de firmar sua convicção quanto a verdade real. Contudo, a atuação do julgador somente pode ocorrer de forma subsidiária à atividade probatória, que deve ser desempenhada pelas partes. Assim, não pode o julgador usurpar a competência da autoridade fiscal e intentar produzir provas, que validem um lançamento fiscal fracamente instruído, assim como, lhe é vedado desincumbir, pela sua atuação ativa no processo, o sujeito passivo de trazer aos autos o conjunto probatório mínimo necessário para comprovar o seu direito creditório. Dessa forma, a busca pela verdade material não pode ser entendida como ilimitada. Em realidade, nenhum Princípio é soberano e outros também regem o processo administrativo, tais como: os Princípios da Celeridade, Imparcialidade, Eficiência, Moralidade, Legalidade, Segurança Jurídica, dentre outros. Por conseguinte, será lastreado nas circunstâncias fáticas do caso concreto, que o julgador deverá ponderar e sopesar a influência de cada um dos diversos Princípios, visando a maior justeza em seu julgamento. Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10880.900594/200640 Resolução nº 3002000.011 S3C0T2 Fl. 170 5 Ainda sobre o mesmo tema, devese tecer alguns comentários sobre o valor probatório do material eventualmente apresentado. Não basta a juntada de documentos, estes devem possuir valor probatório, mínimo que seja, considerandose as vicissitude do caso concreto posto em análise. Assim, determinado documento pode guardar conteúdo probatório das alegações em um processo e, em outro, não se configurar prova. Por certo, em regra, as declarações fiscais transmitidas pelo contribuinte, assim como, seus registros contábeis, fazem prova em seu favor. Contudo, esses elementos, para possuírem algum valor probatório, devem ter sido elaborados segundo os ditames legais e em época apropriada. Vejamos, por exemplo, a DCTF retificadora. Como vem se manifestando, reiteradamente, este Conselho, a apresentação da DCTF retificadora antes da transmissão do pedido de compensação, em casos de pagamento indevido ou a maior, ou mesmo antes da ciência do Despacho Decisório, não é condição para a homologação da compensação pleiteada, pois o direito creditório não surge com a declaração, mas com o efetivo pagamento indevido ou a maior. Entretanto, a mera apresentação da DCTF retificadora não tem o condão de, por si só, comproválo. Nessa linha, outras declarações prestadas à RFB, tais como DIPJ e Dacon, poderiam fazer prova da veracidade dos dados registrados na DCTF retificadora, desde que transmitidas antes do Despacho Decisório e possuíssem informações compatíveis com o conteúdo da retificadora. Então, nesse caso, a juntada de outras declarações ao processo se constituiria num conjunto com força probatória, ainda que relativa e, por isso mesmo, não afastaria a necessidade de apresentação de outros elementos, visando a comprovação das alegações. De forma diversa, deveriam ser consideradas essas mesmas declarações se fossem transmitidas extemporaneamente, pois não passariam de documentos sem nenhum valor probatório. Nesse ponto, creio ser oportuno discorrer sobre o momento para a apresentação de provas. Como é cediço, a autoridade fiscal tem como limite temporal para a juntada de provas, usualmente, a lavratura do Auto de Infração. Em contrapartida, o sujeito passivo está limitado, em regra, ao momento de instauração da fase litigiosa do processo, isto é, quando da apresentação de sua Impugnação/Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, conforme o § 4º do art. 16 do Decreto 70.235/72. Entretanto, o próprio dispositivo citado enumera três circunstâncias , as quais permitiriam ao contribuinte carrear provas aos autos em outro momento processual: a) fique demonstrado a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente e c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Considerandose os Princípios da Igualdade, Moralidade, Imparcialidade e o da Verdade Material, entendo, data venia, que as exceções dispostas só podem ser validamente consideradas se estendidas a ambas as partes. A jurisprudência desse Conselho mostra que, em várias ocasiões, temse admitido a juntada de provas em fase posterior àquela definida na legislação e em circunstâncias diversas daquelas exceções legais, que afastam a preclusão. Tudo em nome do Princípio da Verdade Material. Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10880.900594/200640 Resolução nº 3002000.011 S3C0T2 Fl. 171 6 Creio que isso é possível, legal, justo e desejável. Entretanto, somente em condições bastante específicas. Entendo que somente devese admitir tais provas, quando no momento oportuno, o sujeito passivo já tenha carreado aos autos provas mínimas do que alega. Importante frisar que não basta ter apresentado documentos, que não guardam nenhum valor probatório no caso concreto analisado, há que ter sido juntado na Impugnação/Manifestação de Inconformidade um conjunto probatório mínimo. Assim, as provas excepcionalmente juntadas de forma extemporâneas são aceitáveis, quando apenas reforçam o valor probatório do material já anteriormente apresentado. Agir de forma diversa, aceitando qualquer tipo de prova, em qualquer circunstância, sem que tenha sido apresentado um conjunto probatório no momento fatal definido em lei, a fim de privilegiar a verdade material, significaria, data venia, se emprestar uma força absoluta e soberana a um Princípio em detrimento aniquilar dos outros. Ademais, estariase diante de uma verdadeira derrogação do § 4º do art. 16 do Decreto 70.235, realizada pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, o seu disposto não seria aplicado em hipótese alguma, excluindoo do ordenamento jurídico, fato que somente poderia ser realizado por lei. No presente caso em análise, a ora recorrente restringiuse apenas a fazer alegações sobre seu suposto crédito e a juntar cópias parciais das DCTF's, original e retificadora, da Dacon e da DIPJ 2004. Se, por um lado, é certo que a Dacon e a DIPJ fazem prova em favor da contribuinte, por outro, seu valor probatório é tênue e, por isso mesmo, não afasta a necessidade de apresentação de outros documentos contábeis e fiscais, que também comprovem o crédito de forma mais robusta. Então, considerandose todo o raciocínio lógicojurídico sobre o direito probatório desenvolvido ao longo do presente voto e nas circunstâncias do caso concreto, isto é, já ter sido apresentada uma prova mínima, Dacon, transmitida em 31/03/2004, e DIPJ, transmitida em 28/06/2004, entendo que é admissível a apresentação de novas provas juntamente com o Recurso Voluntário. Assim, analisando os novos documentos apresentados, constatase que, a princípio, os lançamentos contábeis confirmam as afirmações da contribuinte. Entretanto, entendo que tais documentos ainda não são suficientes para comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado, tendo em vista que não foram juntados os documentos fiscais que embasaram os lançamentos contábeis. Porém, por outro lado, compulsando os autos, percebese que o voto condutor do Acórdão recorrido mencionou a necessidade de juntada apenas de livros contábeis. Dessa forma, embora fosse ônus da recorrente comprovar seu crédito de forma inequívoca, entendo que o teor do Acórdão recorrido pode têla induzido a considerar suficientes os documentos contábeis. Dessa forma, a fim de privilegiar o Direito à Ampla Defesa, voto por converter o julgamento em diligência para a unidade de origem intimar a contribuinte a apresentar os livros e documentos necessários, visando a elaboração de relatório conclusivo e justificado sobre: a) as receitas mensais auferidas no 1º trimestre de 2003; b) as respectivas exclusões mensais pertinentes; c) as corretas bases de cálculo mensais do PIS e d) os efetivos recolhimentos realizados. Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10880.900594/200640 Resolução nº 3002000.011 S3C0T2 Fl. 172 7 Por fim, deverá ser dada ciência à contribuinte do teor do relatório de diligência e oportunizado prazo de 30 dias para, querendo, manifestarse. Após, os autos deverão retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 172DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.001902/2007-17
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2007, 2008
CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. SIMILITUDE FÁTICA. SIMPLES FEDERAL. SIMPLES NACIONAL. LEI 9.317/1996. LC 123/2006.
Não há similitude fática e divergência na interpretação da lei tributária entre acórdão recorrido que analisa requisitos da Lei Complementar nº 123/06 com acórdãos paradigmas que avaliam requisitos da Lei nº 9.317/1996.
Tampouco há similitude se considerado que os acórdãos paradigmas tratam de processos nos quais inexistiu comprovação da regularidade fiscal, ao contrário do recorrido.
Numero da decisão: 9101-003.669
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio Franco Corrêa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes Moura, substituído pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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EPP ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2007, 2008 CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. SIMILITUDE FÁTICA. SIMPLES FEDERAL. SIMPLES NACIONAL. LEI 9.317/1996. LC 123/2006. Não há similitude fática e divergência na interpretação da lei tributária entre acórdão recorrido que analisa requisitos da Lei Complementar nº 123/06 com acórdãos paradigmas que avaliam requisitos da Lei nº 9.317/1996. Tampouco há similitude se considerado que os acórdãos paradigmas tratam de processos nos quais inexistiu comprovação da regularidade fiscal, ao contrário do recorrido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 00 19 02 /2 00 7- 17 Fl. 139DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio Franco Corrêa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes Moura, substituído pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório O processo originouse por pedido de inclusão no Simples Nacional, apresentado em 09/11/2007, requerendose atribuição de efeitos retroativos desde 01/07/2007 (fls. 2). Este pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório da DRF / MRA Sacat nº 135 (fls. 43/44): Em atendimento a intimação SACAT n° 212/2007, a contribuinte apresentou certidões de débitos e cadastrais emitidas pela prefeitura e estado. Analisando a certidão de débitos expedida pela Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, verificase que a interessada possui débitos oriundos do ICMS que se encontram inscritos na dívida ativa (fls. 29 e 30). Em consulta aos sistemas da RFB também foram localizados débitos previdenciários, oriundos de divergência GFIP, cuja exigibilidade não está suspensa, motivo pelo qual está impedida de ser optante do Simples Nacional. I Assim, foi emitido Termo de Indeferimento da Opção do SIMPLES NACIONAL (fls. 45): Com fundamento no parágrafo 62 do artigo 16 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, e no artigo 82 da Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007, fica a pessoa jurídica acima identificada impedida de optar pelo Simples Nacional por incorrer na(s) seguinte(s) situação(ões) Estabelecimento CNPJ: 52.039.575/000111 Débito com a Secretaria da Receita Federal do Brasil oriundo da então Secretaria da Receita Previdencária, cuja exigibilidade não está suspensa. Fundamentação legal: inciso V do artigo 17 da Lei Complementar n º 123, de 14/12/2006. O Parecer pelo indeferimento da opção do Simples foi proferido em 08/05/2008 (fls. 43/44). O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade contra a exclusão do Simples (fls. 49/51), que foi indeferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, conforme acórdão ementado da forma seguinte (fls. 68): Assunto: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2007, 2008 Fl. 140DF CARF MF Processo nº 13830.001902/200717 Acórdão n.º 9101003.669 CSRFT1 Fl. 140 3 DÉBITO SEM SUSPENSÕA DA EXIGIBILIDADE. PENDÊNCIA IMPEDITIVA. REGULARIZAÇÃO. INCLUSÃO. INÍCIO DOS EFEITOS. Representa óbice à inclusão no SIMPLES NACIONAL a existência de débito sem a suspensão de sua exigibilidade, permitindose o ingresso do sujeito passivo quando regularizada a pendência impeditiva antes de esgotado o prazo para opção relativo ao anocalendário em questão ou, se posterior a regularização, apenas a partir do anocalendário seguinte, quando faça nova opção. O contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 74), ao qual a 3ª Turma Especial da 1ª Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais deu provimento (fls 86), conforme acórdão cuja ementa é a seguir colacionada: Assunto: Simples Nacional Anoscalendários: 2007 e 2008 Ementa: SIMPLES NACIONAL. OPÇÃO. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS INSOLVIDOS E EXIGÍVEIS. CERTIDÃO NEGATIVA DO TITULAR. O Termo de Divulgação do Resultado Final do Processo de Adesão ao Simples Nacional, lavrado positivamente pela SEFAZSP, de um lado, e as CNDs emitidas conjuntamente pela RFB, pela PGFN e pelo INSS, de outro, comprovam a regularidade fiscal da empresa, para todos os fins de direito, descaracterizando a vedação contida no artigo 17, inciso V, da Lei Complementar nº 123/06. Os autos foram remetidos à Procuradoria em 05/01/2012 (fls. 94), que interpôs recurso especial em 12/01/2012, sustentando divergência jurisprudencial com o entendimento manifestado pelos seguintes acórdãos paradigmas: (i) nº 30331916, no qual consta que "É cabível a opção pelo SIMPLES somente após a comprovação da quitação dos débitos junto à PGFN, estbá impedida a opção enquanto perdurarem os débitos junto ao referido órgão". (ii) 30236012, do qual se extrai: “Confirmada, na data da exclusão da empresa no SIMPLES, a existência de débito inscrito na Dívida Ativa da União, cuja exigibilidade não esteja suspensa, é de se manter o ato administrativo atacado” O recurso especial foi admitido pelo então Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção (Conselheiro Rafael Vidal de Araújo), conforme trechos a seguir reproduzidos (fls. 111): Para fins de análise, tem cabimento transcrever excertos dos acórdãos apresentados como paradigmas: Acórdão nº 30331.916, de 16.03.2005(...) Acórdão nº 30236.012, de 13.04.2004: (...) Examinando os acórdãos paradigmas verificase que trazem o entendimento de que "é cabível a opção pelo SIMPLES somente após a comprovação da quitação dos débitos junto à PGFN; está Fl. 141DF CARF MF 4 impedida a opção enquanto perdurarem os débitos junto ao referido órgão." O acórdão recorrido, por seu turno, vem considerar que "o Termo de Divulgação do Resultado Final do Processo de Adesão ao Simples Nacional, lavrado positivamente pela SEFAZSP, de um lado, e as CNDs emitidas conjuntamente pela RFB, pela PGFN e pelo INSS, de outro, comprovam a regularidade fiscal da empresa, para todos os fins de direito, descaracterizando a vedação contida no artigo 17, inciso V, da Lei Complementar nº 123/06." (...) Examinando os acórdãos paradigmas verificase que trazem o entendimento de que "é cabível a opção pelo SIMPLES somente após a comprovação da quitação dos débitos junto à PGFN; está impedida a opção enquanto perdurarem os débitos junto ao referido órgão." O acórdão recorrido, por seu turno, vem considerar que "o Termo de Divulgação do Resultado Final do Processo de Adesão ao Simples Nacional, lavrado positivamente pela SEFAZSP, de um lado, e as CNDs emitidas conjuntamente pela RFB, pela PGFN e pelo INSS, de outro, comprovam a regularidade fiscal da empresa, para todos os fins de direito, descaracterizando a vedação contida no artigo 17, inciso V, da Lei Complementar nº 123/06." O contribuinte foi intimado em 08/06/2016 a respeito da decisão que conheceu do recurso especial e para apresentar contrarrazões a tal recurso (fls. 119). Diante disso, o contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso em 23/06/2016, alegando, em síntese: (i) Ausência de similitude fática dos acórdãos paradigmas com o recorrido, pois os paradigmas tratariam de exclusão do Simples Federal, enquanto o caso dos autos é de pedido de inclusão no Simples Nacional; (ii) No mérito, sustenta a manutenção da decisão recorrida, mencionando a juntada aos autos de Certidões de Regularidade Fiscal (fls. 49 e 50). É o relatório. Voto Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora O recurso especial da Fazenda Nacional é tempestivo. O contribuinte questiona o conhecimento do recurso especial, sustentando ausência de similitude fática. Lembro que, em seu recurso especial, a Procuradoria identifica dois acórdãos paradigmas, nº 30331.916 e 30236.012. O contexto fático do primeiro acórdão paradigma (30331.916) é o seguinte, conforme relatório e voto: Retoma a este Conselho o presente processo após diligência que pretendia esclarecimentos quanto às inscrições em Dívida Ativa da União, que motivaram a exclusão do Recorrente do SIMPLES. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 13830.001902/200717 Acórdão n.º 9101003.669 CSRFT1 Fl. 141 5 Cumprida a diligência, observase que as inscrições que motivaram a exclusão do contribuinte do SIMPLES são inclusive anteriores ao Ato Declaratório n° 236.508, objeto de discussão neste processo, tendo sido as referidas inscrições extintas somente em 2002, conforme demonstrado nos documentos de folhas 79/86. Diante do exposto, voto pela exclusão da Recorrente do SIMPLES — Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições Das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte, para o período em que permaneceram pendentes de liquidação os débitos inscritos em Dívida Ativa da União, podendo retornar ao referido sistema a partir do exercício financeiro posterior àquele em que o débito fora liquidado. Percebese que o contexto fático é totalmente distinto do presente caso, primeiramente porque analisada exclusão do Simples Federal (Lei nº 9.317/1996), quando os autos tratam de inclusão no Simples Nacional (Lei Complementar nº 123). Além disso, os casos são manifestamente distintos faticamente porque naquele caso consta a existência de débitos pendentes desde antes do ato de exclusão do Simples Federal até o curso do processo administrativo, enquanto nos presentes autos a decisão recorrida reconhece que inexistiam débitos no momento da opção pelo Simples Nacional. Nesse sentido, destaco trecho do acórdão recorrido: Ora, ditos documentos servem ao fim de comprovar a regularidade fiscal da peticionária, para todos os fins de direito. Conquanto existissem débitos que obstassem a opção pelo Simples Nacional, desde 01/07/2007, é de se notar que tal circunstância não se refletiu nas certidões obtidas – segundo as quais inexistiam prévios débitos insolvidos de ICMS e de contribuições previdenciárias, capazes de proibir o gozo da sistemática simplificada. Portanto, não conheço do recurso especial quanto ao primeiro paradigma (30331.916). O segundo paradigma (30236.012) descreve os fatos julgados da forma seguinte: A interessada foi excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples, sob a alegação de "Pendências da Empresa e/ou Sócios junto a PGFN", conforme Ato Declaratório n° 235.646, de 02 de outubro de 2000 (fls. 06). (...) Às fls. 05 encontrase o formulário de Solicitação de Revisão da Vedação/Exclusão à Opção pelo Simples — SRS, considerada improcedente pela Delegacia da Receita Federal em Varginha/ MG, O uma vez que "O contribuinte não regularizou a pendência junto à PGFN, conforme certidão positiva em anexo, mandada em resposta à intimação SASIT n° 113/2001 (...) Fl. 143DF CARF MF 6 Pelo relatório já se perceber que o caso é de Simples Federal, que se submete a regramento distinto do analisado nestes autos, distinção que impede o conhecimento do recurso especial também quanto ao segundo paradigma (30236.012). Ademais, extraise do voto condutor do segundo acórdão paradigma (302 36.012) que não existiria causa de suspensão da exigibilidade do crédito tributário no momento da emissão do Ato Declaratório de Exclusão: As respostas dadas pela Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Varginha/MG são claras ao informar, ao contrário do aduzido pela Recorrente, que, na data da emissão do Ato Declaratório de Exclusão, a exigibilidade do crédito tributário inscrito em Divida Ativa não estava suspensa na esfera judicial. Ademais, o fato de a Interessada haver ou não interposto os eventuais embargos, os mesmos não constituem hipótese de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, por não se encontrarem abrigados nas hipóteses descritas no art. 151 do Código Tributário Nacional. Assim, não há que se falar em manter a empresa como optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples, face à vedação contida no inciso XV, do art. 9°, da Lei n°9.317/1996. Mesmo se fosse superada a distinção de regramento (Simples Federal / Simples Nacional), o acórdão paradigma trata de situação distinta, não constando informação sobre a apresentação de certidões de regularidade fiscal ou outro documento que atestasse esta regularidade. Portanto, não conheço do recurso especial da Procuradoria também quanto ao segundo acórdão paradigma. Diante destas razões, voto por não conhecer o recurso especial da Procuradoria. Conclusão Por tais razões, voto por não conhecer o recurso especial da Procuradoria. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 144DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.916647/2008-14
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO.
A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72.
Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazê-lo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1001-000.601
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência suscitada pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. Acordam, ainda, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazê-lo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência suscitada pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. Acordam, ainda, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
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POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência suscitada pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. Acordam, ainda, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 66 47 /2 00 8- 14 Fl. 251DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de Declaração de Compensação 33171.25110.310304.1.3.041882 (efl. 07/10) através da qual o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade (estimativa janeiro e fevereiro de 2004) com créditos decorrentes de pagamentos indevidos de IRPJ (ano calendário 2001). O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório 783802868, de 26/08/2008 (efl. 02), que analisou as informações e não reconheceu o direito creditório. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (efl. 12), a qual foi analisada pela Delegacia de Julgamento (Acórdão 1449.535 5ª Turma da DRJ/RPO, efl. 139/144). Assim dispôs a decisão recorrida em relatório: A contribuinte registra que se trata de recolhimento indevido ou a maior, objeto de compensação, conforme PERDCOMP de fls. 68, transmitida em 31/03/2004 que se refere ao recolhimento do IRPJ relativo ao período de apuração de dezembro/2001 no valor de R$ 23.079,42. Consoante despacho decisórios da DRF de Origem, fl. 1, proferido em 26/8/2008, o pleito foi indeferido em face da apuração da inexistência de crédito disponível , ou seja, o pagamento que se alega foi realizado a maior já se encontrava alocado a débito declarado e confessado pelo próprio contribuinte nesse mesmo valor e período de apuração. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, à fl. 1519, alegando que: “(...) II DIREITO O direito a este crédito se faz devido de acordo com o PER/DCOMP de número 33171.25110.310304.1.3.04 1882, o qual demonstrou o pagamento maior do Imposto de Renda Pessoa Jurídica no período de apuração de 31/12/2001 e recolhido em 31/01/2002. A não homologação da compensação desde PER/DCOMP por parte do Sr. Fiscal, não se faz procedente, visto que em 31 de março de 2004, foi entregue a receita federal a Declaração de Informações EconomicoFiscais da Pessoa Jurídica retificadora, conforme recibo de numero 13.19.41.31.06 referente ao período de 01/01/2001 a 31/12/2001, onde se expôs a base de cálculo e o valor correto do Imposto de Renda Pessoa Jurídica que deveria ser recolhido, no período acima citado. III DOCUMENTAÇÃO Anexo a este seguem cópia autenticada do Despacho decisório acima citado, cópia da Declaração de Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10880.916647/200814 Acórdão n.º 1001000.601 S1C0T1 Fl. 252 3 Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica do Período de 01/01/2001 a 31/12/2001 e respectiva cópia autenticada do recibo de entrega da mesma, ref. situação Normal, cópia da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica do Período de 01/01/2001 a 31/12/2001 e respectiva cópia autenticada do recibo de entrega, ref. situação RETIFICADORA, cópia autenticada do DARE no valor de R$23.079,42, recolhido em 31/01/2002 sob código, cópia do Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação e respectiva cópia autenticada do recibo de entrega do mesmo, datado de 31/03/2004 contendo número 05.97.66.26.02. IV A CONCLUSÃO A vista de todo exposta, demonstrada a insubsistência e improcedência do despacho decisório, espera e requer que seja acolhida a presente 'impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado." (...) É o relatório. A decisão de primeira instância julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que o contribuinte apresentou os Perdcomp sem retificar a DCTF para aflorar o direito creditório que pleiteava. Entendeu a DRJ que o presente caso não se tratava de simples erro no preenchimento do Perdcomp passível de retificação, mas sim de vicio insuperável até por conta do decurso de prazo de 5 anos para pleitear a restituição. Cientificada da decisão de primeira instância em 29/07/2015 (efl. 147) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 28/08/2015 (efl. 247), em que alega, em resumo, que não procede o indeferimento e anexa cópias de DCTF e DIPJ correlatas ao litígio, aduzindo: (...) a existência de erro de fato está plausível nos autos do processo administrativo, conforme se abstrai da analise da DIPJ Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica de 2002 (fls. 29/77) e da respectiva Retificadora (fls. 78/126), sendo possível averiguar a existência de indébito tributário apto a fazer frente à PERD/COMP em questão (fls. 129/134). (...) a recorrente apesar de não ter promovido a retificação da DCTF do 4o Trimestre do AnoCalendário de 2002, apresentou junto a defesa administrativa as respectivas DIJP's, retificadora e original, as quais demonstram, efetivamente, a origem da escrituração contábil da recorrente, conforme se observa do confronto da DIPJ Original de 2002 (fls. 29/77) com a da DIPJ Retificadora de 2002 (fls. 78/126). (...) Fl. 253DF CARF MF 4 Ademais, apesar de não ter sido apresentado pela recorrente em sua impugnação, vez que naquele momento considerava como desnecessária em razão da apresentação da DIPJ de 2002, Original e Retificadora, fazse agora necessário trazer aos autos a cópia autenticada dos livros fiscais onde demonstra a origem da retificação procedida na DIPJ de 2002, quais sejam: i) Livro de Registro de Apuração do Lucro Real n° . 03 (Documento 06 anexo); e ii) Livro Diário Contábil Geral n° . 16 (Documento 07 anexo). Ainda sob está ótica, cabe registrar que a recorrente também deixou de apresentar naquele momento a DCTF Original do 4o Trimestre de 2001, a qual foi objeto de posterior retificação, consoante pedido formalizado perante a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Jundiai em 01.08.2012 (Documento 05 anexo). (...) Registrese que tal aptidão conferida resulta do principio basilar da verdade material que rege o Processo Administrativo Tributário, pois se torna irrelevante o aceite pelas partes como veridico algo que não o é, ou o inverso disso, ante o dever de buscar a verdade substancial dos fatos em contenda pela Administração Pública. (...) o equivoco no preenchimento da declaração (DCTF) não ocasionou qualquer prejuízo ao Erário. O prejuízo restou sofrido pela impugnante, pois não teve homologado a compensação que teria direito, já que o crédito existe e somente não foi possivel a averiguação em razão do erro formal apontado. Ademais, não pode este dever instrumental se sobrepor aquele dever principal, sob pena de ofensa ao artigo 113, do Código Tributário Nacional. (...) Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo (art. 74 da lei 9.430/96), fazendose necessário verificar a exatidão das informações referentes ao crédito alegado e confrontar com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o tributo devido no período de apuração e comparálo ao pagamento declarado e comprovado. Nesse sentido o pedido de restituição de crédito não foi acompanhado (nem quando da apresentação manifestação de inconformidade, efl. 12, nem quando da apresentação do recurso voluntário ao CARF, efl. 247) dos atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10880.916647/200814 Acórdão n.º 1001000.601 S1C0T1 Fl. 253 5 à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Neste sentido, com base no artigo art. 170 do CTN e art. 74 da lei 9.430/96 o pedido de restituição/compensação cujo crédito não foi comprovado deve ser indeferido. Observo que no caso em apreciação nesta segunda instância o recorrente pretende trazer documentos que comprovariam seu crédito. Conforme disposto nos artigos 16 e 17 do Decreto nº 70.235/1972, não se pode apreciar as provas que no processo administrativo o contribuinte se absteve de apresentar na impugnação/manifestação de inconformidade, pois operase o fenômeno da preclusão. O texto legal está assim redigido: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Fl. 255DF CARF MF 6 § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Assim, no caso em tela, o efeito legal da omissão do Sujeito Passivo em trazer na manifestação de inconformidade e/ou antes da decisão de primeiro grau todos os argumentos contra a não homologação do pedido de compensação e juntar os documentos hábeis a comprovar a liquidez e certeza do crédito pretendido compensar, é a preclusão, impossibilidade de o fazer em outro momento. Por fim devese considerar, também, no presente caso, que o contribuinte não retificou a DCTF referente ao 4o Trimestre de 2001. Neste sentido, quando da apresentação da manifestação de inconformidade à DRJ (18/09/2008, efl. 12) já havia operado a decadência do direito do contribuinte de modificar as informações prestadas por intermédio de DCTF correlata ao 4o Trimestre de 2001. Isto porque o prazo para o contribuinte retificar sua DCTF (que é a declaração que tem caráter de confissão de dívida) coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinalase o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN. No mesmo sentido, assim ficou consolidado no Parecer COSIT n. 2/2015: As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário.(Destaquei) (...) 10.1. A questão preliminar a ser analisada é a necessidade de retificação da DCTF para o sujeito passivo ter direito a um crédito que ele confessou na DCTF. Isso porque os débitos tributários confessados na DCTF decorrem do lançamento por homologação dos tributos federais citados no art. 6º da IN RFB nº 1.110, de 2010. O lançamento por homologação, nos termos do art. 150 do CTN, decorre do “dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa” e “operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa”. 10.2. Nesse diapasão, a DCTF é a forma com que o sujeito passivo dá conhecimento à autoridade administrativa da ocorrência do fato jurídicotributário e informa o pagamento do Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10880.916647/200814 Acórdão n.º 1001000.601 S1C0T1 Fl. 254 7 valor correspondente ao tributo. Como se depreende da sua própria denominação, é uma declaração contendo débitos e créditos tributários federais. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Declaração de Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues Na sessão de julgamento do processo em epígrafe, o D. Relator rejeitou em seu voto os documentos apresentados pela Contribuinte por ocasião de seu Recurso Voluntário sob o argumento de que o direito à produção probatória estaria precluído, em estrita aplicação do art. 16, §4º e §5º, do Decreto 70.235/72. Com a devida vênia, discordo do Voto do Relator. Razão pela qual, entendi por bem declarar meu voto, especificando as razões que me levaram a divergir do posicionamento do ilustre Relator. Pois bem, conforme cediço, em nosso sistema jurídico pátrio nenhuma norma paira sozinha no universo, mas, sim, se concilia com todas as demais perfazendo um ordenamento uno, coeso e harmônico. Quer isto dizer que nenhuma norma pode ser interpretada apenas de forma isolada, devendo o hermeneuta, em seu trabalho, extrair de todas as acepções possíveis de determinado texto legal aquelas que permitam aplicação harmoniosa com as demais disposições pertinentes à mesma matéria. Em outras palavras, dentre as várias interpretações possíveis de um dispositivo legal, devese buscar aquela que não entre em conflito com outra norma igualmente válida, sob pena de subversão da ordem jurídica. Fixada essas premissas, cabe voltar a análise as normas vigentes relacionadas à questão da produção probatória. O permissivo legal que fundamentou o Voto do Relator, art. 16 do Decreto 70.235/72, possui a seguinte redação: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; Fl. 257DF CARF MF 8 II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (grifouse) Uma analise literal e isolada deste dispositivo permitiria concluir rigidamente que haveria a preclusão do direito à produção probatória após a apresentação da Impugnação, salvo nas hipóteses taxativas do §5º. Contudo, tal interpretação não deve ocorrer desta forma, vez que há outros elementos normativos atinentes a matéria que também devem ser considerados. Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10880.916647/200814 Acórdão n.º 1001000.601 S1C0T1 Fl. 255 9 A Constituição Federal, norma de maior hierarquia em nosso ordenamento, estabelece no inciso LV de ser art. 5º os princípios do contraditório e da ampla defesa, nos seguintes termos: LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Ao incluir o direito ao contraditório e a ampla defesa "com os meios e recursos a ela inerentes" no rol de direitos e garantias fundamentais, o legislador constituinte elevaos ao mais alto grau de importância dentro de nosso ordenamento, restando claro a preponderância que tais direitos devem ter. E, assim, devem ser observados e operacionalizados pelas demais normas infraconstitucionais. Não por acaso, tais princípios foram observados pela Lei 9.784/99, responsável por regular o Processo Administrativo Federal, que trouxe no bojo de seu art. 2º as seguintes disposições: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I atuação conforme a lei e o Direito; (...) VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, e à produção de provas à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (...)(grifouse) Conforme se extrai, o legislador infraconstitucional não só incorporou expressamente os princípios constitucionais da legalidade, ampla defesa, contraditório e ouros, como elencou uma série de critérios a serem observados na regulamentação e condução dos processos administrativos. Fl. 259DF CARF MF 10 Desses critérios expressos acima, temse de forma bastante clara que as formalidades e restrições devem ser limitados ao estrito necessário para garantir a efetividade do processo em atender a finalidade pública. Ora, as regras processuais formais visam dar ordem ao processo, permitindo que este cumpra com seus objetivos de forma eficiente, isto é, dentro da moralidade e proporcionando segurança jurídica no cumprimento do interesse público. Contudo, a norma processual não pode se sobrepor ao próprio objetivo do processo, qual seja, a promoção da legalidade. Por oportuno esclarecese que não se está a sugerir que as regras formais postas sejam mitigadas, mas sim que a interpretação do texto legal seja feita de forma a considerar a finalidade maior do processo, as regras formais não devem ser interpretadas de forma rigorosa a ponto de prejudicar o cumprimento de seu escopo. Ainda, cumpre trazer a colação os termos do art. 38 da mesma Lei 9.784/99, que trata especificamente da produção probatória nos Processos Administrativos Federais: Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1o Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2o Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Notese que o texto legal diz expressamente que é permitido ao interessado apresentar ou requerer a produção de material probatório não só na fase instrutória, mas também antes da tomada da decisão. Outrossim estabelece taxativamente que a prova só poderá ser recusadas quando ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Pois bem, retornando a ideia inicialmente tratada neste Voto de que as normas jurídicas devem ser interpretadas da forma mais harmônica possível, me parece que a interpretação restritiva do art. 16 do Decreto 70.235/72, para recusar de plano toda e qualquer prova apresentada pelo contribuinte após o protocolo da Impugnação/Manifestação de Inconformidade não se coaduna com as demais normativas já expostas. Em verdade, a aplicação tão restrita assim da norma, não só implica na frontal negativa de vigência aos disposto da mais moderna Lei 9.784/99, como destoa até mesmo dos objetivos maiores do Processo Administrativo Federal que é a revisão do ato administrativo fiscal e a garantia de que este se encontra dentro da legalidade. Alias, fazse oportuno lembrar que o Processo Administrativo Fiscal também se rege pelo princípio da busca pela verdade material, ou seja, a preponderância no interesse público é a solução jurídica mais adequada ao caso, independente dos excessos de formalidade. Assim, ao meu ver, a melhor interpretação extraída da conjugação dos disposto quanto ao tema na Constituição Federal, Lei. 9.784/99 e Decreto 70.235/702 é aquela que não impõe óbice na apresentação de provas junto ao Recurso Voluntário, ou até mesmo em Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10880.916647/200814 Acórdão n.º 1001000.601 S1C0T1 Fl. 256 11 momento posterior prévio ao julgamento, desde que as provas não sejam ilícitas ou manejadas de má fé. De forma semelhante tem decidido a 1ª Câmara Superior de Recursos Fiscais, em recentes julgados, conforme se colaciona: PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRESENTAÇÃO. POSSIBILIDADE. SEM INOVAÇÃO E DENTRO DO PRAZO LEGAL. Da interpretação sistêmica da legislação relativa ao contencioso administrativo tributário, art. 5º, inciso LV da Lei Maior, art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo federal, e arts. 15 e 16 do PAF, evidenciase que não há óbice para apresentação de provas em sede de recurso voluntário, desde que sejam documentos probatórios que estejam no contexto da discussão de matéria em litígio, sem trazer inovação, e dentro do prazo temporal de trinta dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. (Processo: 10880.004637/9929. Rel. ANDRE MENDES DE MOURA. Data da Sessão: 14/09/2017) PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRESENTAÇÃO. POSSIBILIDADE. SEM INOVAÇÃO E DENTRO DO PRAZO LEGAL. Da interpretação sistêmica da legislação relativa ao contencioso administrativo tributário, art. 5º, inciso LV da Lei Maior, art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo federal, e arts. 15 e 16 do PAF, evidenciase que não há óbice para apresentação de provas em sede de recurso voluntário, desde que sejam documentos probatórios que estejam no contexto da discussão de matéria em litígio, sem trazer inovação, e dentro do prazo temporal de trinta dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. (Processo: 16327.001227/200542. Rel. ADRIANA GOMES REGO. Data da Sessão: 08/08/2017) RECURSO VOLUNTÁRIO. JUNTADA DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º. LEI 9.784/1999, ART. 38. É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa, em observância ao princípio da formalidade moderada e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/1999. (Processo: 14098.000308/200974. Rel. GERSON MACEDO GUERRA. Data da Sessão: 19/06/2017 ) Fl. 261DF CARF MF 12 Para melhor ilustrar, peço vênia para transcrever a parte final da fundamentação do Voto deste último julgado colacionado, de autoria da ilustre Conselheira Cristiane Silva Costa, designada Redatora para o Voto Vencedor: "Os processos administrativos, portanto, devem atender a formalidade moderada, com a adequação entre meios e fins, assegurandose aos contribuintes a produção de provas e, principalmente, resguardandose o cumprimento à estrita legalidade, para que só sejam mantidos lançamentos tributários que efetivamente atendam à exigência legal. (...) Ao tratar do artigo 16, §4º, do Decreto nº 70.235/1972, são as pertinentes considerações de Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martínez López: Ao se levar às últimas consequências, as regras atualmente vigentes para o Decreto nº 70.235/72, estarseia mitigando a aplicação de um dos princípios mais caros ao processo administrativo que é o da verdade material. (...) Assim, revela destacar que a depender da situação é possível flexibilizar a norma, desde que evidentemente, a prova apresentada seja inconteste e nesse sentido independa da análise de uma instância inferior, eis que a preclusão ligase ao princípio do impulso processual. (...) Na prática, quer nos parecer que, o direito à parte à produção de provas comporta graduação a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade desejável e a segurança indispensável na realização da justiça. (Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 3ª edição, Dialética, 2010, fls. 305 e 306.) Diante de tais razões, voto por dar provimento ao recurso especial do contribuinte, determinando a baixa dos autos para que a Turma a quo aprecie os documentos apresentados pelo contribuinte." Destarte, diante de todos os argumentos expedindos, entendo que as provas apresentadas em momento posterior ao da Impugnação/Manifestação de Inconformidade, podem, e devem, ser conhecidas, desde que não acarretem qualquer prejuízo processual as partes ou ao bom trâmite processual. Ressalvase que o Julgador ao analisar o recebimento de provas que eventualmente entenda serem ilícitas, meramente protelatórias, ou que sejam manejadas com o intuito de lesar a parte adversa tem o poder e o dever de recusálas. Ou, ainda que não vislumbre qualquer má fé, mas tema por eventual supressão de instância ou direito ao contraditório, sempre pode recorrer a prerrogativa de baixar os autos em diligência para que seja oportunizada as providências necessárias para o resguardo do direito. Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10880.916647/200814 Acórdão n.º 1001000.601 S1C0T1 Fl. 257 13 Nesta linha, considerando que no caso em tela as provas oferecidas pela Recorrente por ocasião do Recurso Voluntário não foram sequer analisadas pelo digno Relator, tampouco pela DRJ de origem, entendo por bem que seja os autos baixados em diligência para que a d. Autoridade Fiscal se pronuncie a respeito. Superada esta questão, cumpre tratar de um segundo ponto que entendo igualmente relevante. No Voto do i. Relator ficou consignado que a consequência da não aceitação de novos documentos seria a presunção de verdade das alegações, o que supostamente impediria o julgador de adentrar nas discussões de mérito. Com a devida vênia, entendo que não cabe esta presunção no presente caso, vez que não está se tratando de matéria não contestada. Neste ponto é bom estabelecer que existe grande diferença entre matéria não impugnada e não comprovação das alegações feitas. Quanto a matéria impugnada o Decreto 70.235, responsável por regular o Processo Administrativo Fiscal, estabelece o seguinte: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Notese que conforme disposto acima, é a apenas ausência de contestação que leva a matéria a ser considerada não impugnada e, portanto, fora dos limites do processo, prejudicando o seu conhecimento e apreciação. Por sua vez a comprovação da veracidade e procedência das alegações é justamente o que será verificado pela autoridade julgadora competente no desenvolvimento de sua função judicante. Ou seja, ainda que o resultado do julgamento seja por entender que as alegações feitas pela Recorrente não foram devidamente comprovadas e, portanto, não devem ser acolhidas, ainda assim elas foram apresentadas, houve efetiva impugnação da matéria. Desta forma, quando determinada prova é recusada o único efeito processual cabível é o não conhecimento do próprio elemento probatório, jamais podendo descaracterizar todas as demais alegações, impugnações e provas já regularmente apresentadas até então no processo. Percebase que mesmo sem considerar as provas recusadas por conta de eventual preclusão, ainda assim é possível que se decida pela revisão da decisão de piso apenas analisando as razões constantes do Recurso Voluntário, os fundamentos da própria decisão e os demais elementos já constantes dos autos. Fl. 263DF CARF MF 14 Apenas para ilustrar, é oportuno observar que, conforme ampla jurisprudência não só desta 1ª Turma Extraordinária, mas de todas as demais desta 1ª Seção, quando são realizadas alegações sem apresentação de qualquer comprovação, o resultado típico é a análise e indeferimento por falta de comprovação. Ora, tal situação não é diferente do caso em que as mesmas alegações são feitas, porém o documento comprobatório que se pretendeu juntar foi recusado, restando apenas as alegações. Assim, não vejo razão para que neste segundo caso as próprias alegações sejam igualmente desconsideradas e o julgamento se realize por "presunção". Destarte, com o máximo respeito ao entendimento do i. Relator, entendo que no caso em tela, mesmo com o indeferimento das novas provas apresentadas, as razões apresentadas pela Recorrente deveriam ser diretamente enfrentadas, não cabendo a "presunção de veracidade" da decisão de primeira instância conforme foi proposta. Desta feita, diante de tudo o que foi exposto, peço vênia ao Ilustre Conselheiro Relator para discordar de suas razões e encaminhar o meu VOTO no sentido de converter o presente julgamento em DILIGÊNCIA para que a unidade de origem proceda ao exame dos argumentos e da documentação apresentada junto com o Recurso Voluntário, confrontandoa com os demais já constante dos autos e, ainda, com outros dados disponíveis. Para efetividade desse exame, a contribuinte poderá ser intimada a apresentar livros e documentos, sem prejuízo de outras providências, a juízo da autoridade diligenciante, assim como consultas a dados e sistemas disponíveis à fiscalização. Ao final, deverá ser elaborado relatório circunstanciado explicitando suas conclusões a respeito da matéria em litígio, do qual se dará ciência à contribuinte para que no prazo de trinta dias, querendo, se manifeste. Decorrido o prazo, com ou sem manifestação da contribuinte, os autos devem retornar ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues. Fl. 264DF CARF MF
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Numero do processo: 10813.000665/2010-92
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2010
EXCLUSÃO DE OFÍCIO. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO.
A exclusão de ofício da pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional dá-se quando houver comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho com efeitos a partir do mês seguinte da ocorrência da situação impeditiva.
Numero da decisão: 1003-000.126
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO. A exclusão de ofício da pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional dáse quando houver comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho com efeitos a partir do mês seguinte da ocorrência da situação impeditiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório A Recorrente optante pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional foi excluída de ofício pelo Ato Declaratório Executivo DRF/RPO/SP nº 334, de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 81 3. 00 06 65 /2 01 0- 92 Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10813.000665/201092 Acórdão n.º 1003000.126 S1C0T3 Fl. 52 2 29.09.2010, fl. 18, com efeitos a partir de 01.02.2010, com base nos fundamentos de fato e de direito indicados: O Delegado da Receita Federal do Brasil de Ribeirão PretoSP, no uso das suas atribuições e tendo em vista o disposto no inciso VII do art. 29 da Lei Complementar n° 123 de 14 de dezembro de 2006 e no § I o do art. 4 o da Resolução CGSN n° 15, de 23 de julho de 2007 e do que consta no Processo Administrativo n° 10813.000665/201092, determina: 1 A exclusão da empresa LEOMAR RAMOS SANTOS ME, CNPJ n° 03.132.870/0001 02, situada na Rua Jorge João, n° 120, Parque Cristo Redentor, Porto Ferreira/SP, do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional, tendo em vista a constatação de comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho. 2 A exclusão surtirá efeito a partir de 01/02/2010. 3 Poderá a empresa, no prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência deste ADE, manifestarse por escrito, sua inconformidade relativamente ao procedimento acima, ao Delegado da Receita Federal do Brasil de Julgamento, protocolada na unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil de sua jurisdição, nos termos do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972. (grifos do original) Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação. Está registrado nos excertos da ementa e do voto condutor do Acórdão da 9ª Turma/DRJ/RPO/SP nº 1437.592, de 16.05.2012, efls. 3638: SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIA OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO. A comercialização de mercadoria objeto de contrabando ou descaminho constitui motivo para exclusão de ofício da empresa do Simples Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Notificada em 05.06.2012, efl. 48, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 13.06.2012, efls. 4246, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. A respeito do motivo do ato de exclusão esclarece que: Ressalto a este Respeitável Conselho, que estamos na égide e na plenitude do direito em reconhecer que todo sistema de Arrecadação Nacional esta sendo direcionado para a sustentação das empresas que são micro empreendedores, inclusive as microempresas, e é daí que vertem as ofertas de empregos e que estimulam o empreendedor a arriscar tudo o que tem em uma atividade comercial, industrial ou de prestação de serviços. Até mesmo, esta inserido na Lei Complementar 123/2006, que a fiscalização seria à princípio uma orientação ao contribuinte, pois bem, como definir que por conta de 12 maços de cigarros, supostamente encontrados dentro de um estabelecimento comercial, pelo simples fato de ali se encontrarem, representariam uma punição exemplar para o contribuinte, ceifando dele todo o tratamento diferenciado conquistado até então. Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10813.000665/201092 Acórdão n.º 1003000.126 S1C0T3 Fl. 53 3 Podese atribuir a uma ME uma quantidade insignificante de cigarros por contrabando, num país que tem por exemplo o desvio de milhões de valores, arrecadados por milhões de consumidores. Por este motivo recorro a este Respeitável Conselho, para que possam dar uma nova conotação do que realmente é passível de uma punição exemplar. Parece que estamos ao avesso da ordem econômica e tributária, nossos legisladores sabem diferenciar nos códigos de Trânsito, penal as penas cabíveis as infrações cometidas, más dentro do sistema tributário, as cominações estão ausentes, cerceando assim os direitos de defesa dos contribuintes. Concernente ao pedido expõe que: Com todo respeito, peço que este conselho possa julgar com os argumentos aqui. arguidos, levando em consideração o estado de direito que a sociedade plena necessita, pois que, com os efeitos da exclusão do SIMPLES NACIONAL, o tratamento tributário de minha empresa passa à exigir todas as obrigações de uma grande empresa, onde não suportarei os encargos tributários exigíveis, obrigandome a sucumbir as atividades comerciais. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, observado o disposto no § 3A do art. 4º da Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007, em relação aos efeitos da exclusão de ofício. A Recorrente discorda do procedimento fiscal. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido pertinente ao cumprimento das obrigações tributárias, principal e acessória, aplicável às microempresas e às empresas de pequeno porte relativo aos impostos e às contribuições estabelecido em cumprimento ao que determina no inciso X do art. 170 e no art. 179 da Constituição Federal de 1988 pode ser usufruído desde que as condições legais sejam preenchidas. Com o escopo de implementar esses princípios constitucionais foi editada a Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, que instituiu o Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional. O Simples Nacional está regulamentado pelo Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN). A opção do sujeito passivo deve ser manifestada por meio da internet até o último dia útil do janeiro sendo irretratável para todo anocalendário oportunidade em que Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10813.000665/201092 Acórdão n.º 1003000.126 S1C0T3 Fl. 54 4 presta declaração quanto ao nãoenquadramento nas vedações legais. A exclusão por comunicação decorrente de opção ou de obrigatoriedade é feita pela internet. Atinente à questão está literalmente firmado na Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006: Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: [...] VII comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho; [...] Art. 30. A exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação das microempresas ou das empresas de pequeno porte, darseá: [...] II obrigatoriamente, quando elas incorrerem em qualquer das situações de vedação previstas nesta Lei Complementar; ou [...] Art. 31. A exclusão das microempresas ou das empresas de pequeno porte do Simples Nacional produzirá efeitos: [...] II na hipótese do inciso II do caput do art. 30 desta Lei Complementar, a partir do mês seguinte da ocorrência da situação impeditiva; [...] Art. 32. As microempresas ou as empresas de pequeno porte excluídas do Simples Nacional sujeitarseão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Cabe esclarecer que a opção pelo Simples é um direito da pessoa jurídica que preenche todos os requisitos legais. Porém a optante deve comunicar obrigatoriamente a sua exclusão à RFB, por meio do Portal do Simples Nacional na internet, quando incorrer em hipótese legal de vedação. Verificada a falta de informação espontânea, há exclusão de ofício mediante emissão do termo de exclusão do Simples Nacional pela autoridade competente, sob pena de responsabilidade funcional, devendo ser observadas as determinações do processo administrativo fiscal1. A exclusão de ofício da pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional dáse quando houver comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho com efeitos a partir do mês seguinte da ocorrência da situação impeditiva (inciso VII do art. 29 e inciso II do art. 30 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006). Podese entender que a prática de contrabando consiste na importação ou exportação de mercadoria proibida, atentando contra a saúde pública e administração pública. Por sua vez, a prática de descaminho é a ilusão do pagamento do tributo de mercadoria permitida, ofendendo a ordem tributária2. Porém, está pacificado no Supremo Tribunal Federal que "Não há razão para 1 Fundamentação legal: art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 29, art. 33 e art. 39 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, Resolução CGSN nº 15 de 23 de julho de 2007 e art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990. 2 BALTAZAR JUNIOR, José Paulo. Crimes Federais. 9. ed. São Paulo: Saraiva, 2014. p.386. Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10813.000665/201092 Acórdão n.º 1003000.126 S1C0T3 Fl. 55 5 discriminação entre contrabando e descaminho, [...], quando o art. 334 do C.P. os considera sinônimas". 3 As manifestações unilaterais da RFB foram formalizadas por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos que lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais4. O princípio da legalidade estabelece que a atuação administrativa que decorre da aplicação da lei de ofício, de modo que deve ser feito o que a lei determina, pois sua atividade é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (art. 37 da Constituição Federal e art. 142 do Código Tributário Nacional). A legislação de regência da matéria determina as consequências da exclusão do Simples Nacional, no sentido de que a pessoa jurídica sujeitase a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas e art. 32 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006). Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Consta na Representação Fiscal para Exclusão do Simples Nacional, fl. 01 02, cujos fundamentos são adotadas nessa segunda instância de julgamento: Introdução Sr. Delegado da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto, Lavrado o Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal (AITAGF) n° EFA000028/2010, constante do processo administrativo n° 10813 000663/201001, ficou demonstrada a ocorrência de fatos que configuram infração punível com a exclusão do Simples Nacional, nos termos do inciso VII do art. 29 da Lei Complementar n° 123, de 14/12/2006. [...] Descrição Dos Fatos Caracterizadores Do Ilícito Conforme descrito no AITAGF supramencionado, houve apreensão, efetuada pela Polícia Civil do Estado de São Paulo, de cigarros estrangeiros, objeto de 3 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Acórdão em HC nº 35341/DF. Órgão Julgador: Tribunal Pleno. Relator: Ministro Antônio Martins Vilas Boas. Julgado em: 18 out. 1957. Publicado no DJ em: 12 dez.1957. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28CONTRABANDO+E+DESCAMIN HO%29&pagina=10&base=baseAcordaos&url=http://tinyurl.com/zg2uqbk>. Acesso em 05 jul. 2018. 4 Fundamentação legal: art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10813.000665/201092 Acórdão n.º 1003000.126 S1C0T3 Fl. 56 6 contrabando, no estabelecimento comercial da interessada, no endereço e na data constante do boletim de ocorrência anexo. (grifos do original) O conjunto probatório produzido nos autos corroboram a conduta da Recorrente de comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho, quais sejam, cigarros de procedência estrangeira, conforme Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal n° EFA000028/2010, Ofício n° 856/2010 DP/AQA/SP cart, Boletim de Ocorrência n° 289/2010 e Auto de Exibição e Apreensão, fls. 0308. Especificamente no que se refere ao Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal n° N° EFA000028/2010 temse que houve "Apreensão de cigarros, ou charutos ou fumo de procedência estrangeira por encontrarse desprovida de documentação comprobatória de sua introdução regular no País." Assim, este procedimento foi formalizado no processo 10813.000663/201001 e segue rito próprio e especial previsto no DecretoLei nº 1.455, de 07 de abril de 1976, DecretoLei nº 399, de 30 de dezembro de 1968, Decreto nº 6.759, de 05 de fevereiro de 2009 e DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966. Restou comprovado que houve apreensão, efetuada pela Polícia Civil do Estado de São Paulo, de cigarros estrangeiros, objeto de contrabando ou descaminho, no estabelecimento comercial da Recorrente, fato que conformase com atividade mercantil destes produtos. Demonstrado que a mercadoria foi apreendida no estabelecimento comercial da Recorrente ressai nítida a sua condição de sujeito passivo da obrigação tributária e evidencia o caráter comercial da atividade, independentemente da quantidade de itens e o modo como estão expostos à venda. Ademais, a instância judiciária penal é independente da instância administrativa. 5 Por conseguinte, há autonomia entre o trânsito em julgado da decisão judicial relativa ao crime de contrabando ou descaminho e a verificação de circunstância legal de exclusão do Simples Nacional na esfera administrativatributária. Especificamente sobre o princípio da insignificância, temse que deve ser analisado em conexão com os postulados da fragmentariedade e da intervenção mínima do Estado em matéria penal – tem o sentido de excluir ou de afastar a própria tipicidade penal, examinada esta na perspectiva de seu caráter material 6. Vale transcrever excertos de ementas de orientações firmadas no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Superior Tribunal de Justiça (STJ) que firmaram o entendimento no sentido de que a importação não autorizada de cigarros constitui o crime de contrabando ou descaminho, insuscetível de aplicação do princípio da insignificância: 2. Este Superior Tribunal de Justiça firmou o entendimento de que a introdução clandestina de cigarros, em território nacional, em desconformidade com as normas de regência, configura o delito de contrabando, ao qual não se aplica o princípio da 5 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Acórdão em RHC nº 33136/PR. Órgão Julgador: Tribunal Pleno. Relator: Ministro Nelson Hungria. Julgado em: 09 jun 1954. Publicado no DJ em: 19 set. 1954. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28CONTRABANDO+E+DESCAMIN HO%29&pagina=11&base=baseAcordaos&url=http://tinyurl.com/zg2uqbk>. Acesso em 05 jul. 2018. 6 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Acórdão em Habeas Corpus nº 98.152/MG. Órgão Julgador: Segunda Turma. Relator: Ministro Celso de Mello. Julgado em 19 mai.2009. Publicado no DJe em 05 jun. 2009. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%2898152%29&pagina=5&base=baseAc ordaos&url=http://tinyurl.com/ybhv4wnta>. Acesso em 05 jun. 2018. Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10813.000665/201092 Acórdão n.º 1003000.126 S1C0T3 Fl. 57 7 insignificância, por tutelar interesses que transbordam a mera elisão fiscal. 7 2. Esta Corte de Justiça vem entendendo, em regra, que a importação de mercadorias de proibição relativa, como cigarros ou medicamentos, configura crime de contrabando. 8 4. Nos termos da jurisprudência desta Corte Superior, o crime de contrabando de cigarros não comporta aplicação do princípio da insignificância, haja vista o elevado grau de reprovabilidade da conduta, que ofende a saúde e a segurança públicas. 9 1. Nos termos da pacífica orientação da Terceira Seção desta Corte, a importação não autorizada de cigarros constitui o crime de contrabando, insuscetível de aplicação do princípio da insignificância. 10 2. Consoante entendimento do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, não se aplica o princípio da insignificância ao contrabando de cigarros. Tal entendimento decorre do fato de a conduta não apenas implicar lesão ao erário e à atividade arrecadatória do Estado, como na hipótese de descaminho. De fato, outros bens jurídicos são tutelados pela norma penal, notadamente a saúde pública, a moralidade administrativa e a ordem pública. 11 É assente na jurisprudência desta Corte que o trancamento de ação penal ou de inquérito policial, em sede de habeas corpus, constitui medida excepcional, somente admitida quando restar demonstrado, sem a necessidade de exame do conjunto fático 7 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão em AgRg no AREsp nº 1116451/MT. Órgão Julgador: Sexta Turma. Relator: Ministro Nefi Cordeiro. Julgado em: 19 abr. 2018. Publicado no DJe em: 02 mai. 2018. Disponível em: <http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=contrabando+e+insignific%E2ncia+e+cigarro&&b=AC OR&thesaurus=JURIDICO&p=true>. Acesso em 05 jul. 2018. 8 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão em AgRg no AREsp nº 1706471/PR. Órgão Julgador: Quinta Turma. Relator: Ministro Joem Ilan Paciornik. Julgado em: 20.mar. 2018. Publicado no DJe em: 04.abr. 2018. Disponível em: <http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=contrabando+e+insignific%E2ncia+e+cigarro&&b=AC OR&thesaurus=JURIDICO&p=true>. Acesso em 05 jul. 2018. 9 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão em AgRg no AREsp nº 1226987?RJ. Órgão Julgador: Quinta Turma. Relator: Ministro Reynaldo Soares da Fonseca. Julgado em: 20.mar. 2018. Publicado no DJe em: 02 abr. 2018. Disponível em: <http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=contrabando+e+insignific%E2ncia+e+cigarro&&b=AC OR&thesaurus=JURIDICO&p=true>. Acesso em 05 jul. 2018. 10 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão em AgRg no AREsp nº 1706397/RS. Órgão Julgador: Quinta Turma. Relator: Ministro Reynaldo Soares da Fonseca. Julgado em: 20.fev. 2018. Publicado no DJe em: 28.fev. 2018. Disponível em: <http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=contrabando+e+insignific%E2ncia+e+cigarro&&b=AC OR&thesaurus=JURIDICO&p=true>. Acesso em 05 jul. 2018. 11 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão em RHCnº 89755/RS. Órgão Julgador: Quinta Turma. Relator: Ministro Ribeiro Dantas. Julgado em: 05 out.2017. Publicado no DJe em: 11.out. 2017. Disponível em: <http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=contrabando+e+insignific%E2ncia+e+cigarro&&b=AC OR&thesaurus=JURIDICO&p=true>. Acesso em 05 jul. 2018. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10813.000665/201092 Acórdão n.º 1003000.126 S1C0T3 Fl. 58 8 probatório, a atipicidade da conduta, a ocorrência de causa extintiva da punibilidade ou a ausência de indícios suficientes da autoria ou prova da materialidade. Precedentes. Consoante já assentado pelo Supremo Tribunal Federal, o princípio da insignificância deve ser analisado em correlação com os postulados da fragmentariedade e da intervenção mínima do Direito Penal, no sentido de excluir ou afastar a própria tipicidade da conduta, examinada em seu caráter material, observandose, ainda, a presença dos seguintes vetores: (I) mínima ofensividade da conduta do agente; (II) ausência total de periculosidade social da ação; (III) ínfimo grau de reprovabilidade do comportamento e (IV) inexpressividade da lesão jurídica ocasionada (HC n. 84.412/SP, de relatoria do Ministro Celso de Mello, DJU 19/4/2004). Na espécie, inferese que o acórdão recorrido encontrase alinhado à jurisprudência desta Corte, no sentido de que a introdução de cigarros em território nacional é sujeita a proibição relativa, sendo que a sua prática, fora dos moldes expressamente previstos em lei, constitui o delito de contrabando, o qual inviabiliza a incidência do princípio da insignificância. Isto porque o bem juridicamente tutelado vai além do mero valor pecuniário do imposto elidido, pois visa a proteger o interesse estatal de impedir a entrada e a comercialização de produtos proibidos em território nacional, bem como resguardar a saúde pública. 12 1. A tipicidade penal não pode ser percebida como exame formal de subsunção de fato concreto à norma abstrata. Além da correspondência formal, para a configuração da tipicidade é necessária análise materialmente valorativa das circunstâncias do caso, para verificação da ocorrência de lesão grave e penalmente relevante do bem jurídico tutelado. 2. Impossibilidade de incidência, no contrabando ou descaminho de cigarros, do princípio da insignificância. 13 1. O princípio da insignificância não incide na hipótese de contrabando de cigarros, tendo em vista que, além do valor material, os bens jurídicos que o ordenamento jurídico busca tutelar são os valores éticosjurídicos e a saúde pública. Precedentes: HC 120550, Primeira Turma, Relator Min. Roberto Barroso, DJe 13/02/2014; ARE 924.284 AgR, Segunda Turma, Relator Min. Gilmar Mendes, DJe 25/11/2015, HC 125847 AgR, Primeira Turma, Relator Min. Rosa Weber, DJe 26/05/2015, HC 12 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão em RHC nº 82276/RS. Órgão Julgador: Quinta Turma. Relator: Ministro Reynaldo Soares da Fonseca. Julgado em: 20 jun. 2017. Publicado no DJe em: 30 jun.2017. Disponível em: <http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=contrabando+e+insignific%E2ncia+e+cigarro&&b=AC OR&thesaurus=JURIDICO&p=true>. Acesso em 05 jul. 2018. 13 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Acórdão em RHC nº 131205/MG. Órgão Julgador: Segunda Turma. Relator: Ministra Cármen Lúcia. Julgado em: 06 set. 2016. Publicado no DJe em: 22 set. 2016. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28CONTRABANDO+E+DESCAMIN HO%29&base=baseAcordaos&url=http://tinyurl.com/zg2uqbk>. Acesso em 05 jul. 2018. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10813.000665/201092 Acórdão n.º 1003000.126 S1C0T3 Fl. 59 9 119.596, Segunda Turma, Relator: Min. Cármen Lúcia, DJe 26/03/2014. 14 O ato declaratório executivo foi lavrado por servidor competente que verificando a ocorrência da causa de vedação emitiu o ato revestido das formalidades legais com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilo ou impugnálo no prazo legal. A notificação do ato administrativo, em regra, pode ser efetivada pessoalmente, por via postal ou por meio eletrônico (art. 23 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Assim a intimação do ato administrativo está regular, pois foi efetivada observando as determinações legais. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. Consta no Acórdão da 9ª Turma/DRJ/RPO/SP nº 1437.592, de 16.05.2012, efls. 3638, cujos fundamentos de fato e direito são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999): Procedendo à análise dos argumentos apresentados pela defesa, observase a inexistência de elementos aptos a alterar a exclusão procedida pelo Ato Declaratório Executivo DRF/RPO/SP nº 334, de 29 de setembro de 2010, emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto. A representação fiscal para exclusão do Simples (fls. 01), juntamente com a cópia do Boletim de Ocorrência nº 289/2010 (fls. 10), informa ter sido localizada e apreendida no estabelecimento comercial acima identificado 10 maços de cigarros da marca Eight. Assim, com fundamento na disposição contida no artigo 29, VII da Lei Complementar nº 123/06 foi à empresa excluída do Simples Nacional. A fim de demonstrar a improcedência do ato que determinou a sua exclusão do Simples Nacional, alega, a empresa, que os produtos apreendidos pertenciam a terceiros. Não obstante, observase que a efetiva propriedade dos produtos já ficou caracterizada no momento da apreensão efetuada pela Polícia Civil, consignada em boletim de ocorrência, o qual identifica o endereço da empresa como local dos fatos, revelando a improcedência dos argumentos expostos pela defesa. A apreensão das mercadorias em estabelecimento destinado ao comércio, fato não contestado pelo contribuinte, constitui situação suficiente à demonstração da efetiva propriedade das mesmas, não merecendo acolhimento as alegações apresentadas pela defesa desprovidas de qualquer elemento probatório em sentido contrário. Constatada, dessa forma, a efetiva incidência do contribuinte na situação prevista no inciso VII do artigo 29 da Lei Complementar nº 123/06, deve ser mantida a exclusão do Simples Nacional. 14 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Acórdão em HC nº 129382/PR. Órgão Julgador: Primeira Turma. Relator: Ministro Luiz Fux. Julgado em: 23 ago. 2016. Publicado no DJe em: 16 set. 2016. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28CONTRABANDO+E+DESCAMIN HO%29&base=baseAcordaos&url=http://tinyurl.com/zg2uqbk>. Acesso em 05 jul. 2018. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10813.000665/201092 Acórdão n.º 1003000.126 S1C0T3 Fl. 60 10 As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas. Ademais os atos administrativos estão motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos decidam recursos administrativos, nos termos legais. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado pela autoridade de primeira instância. Ademais, a decisão administrativa não precisa enfrentar todos os argumentos trazidos na peça recursal sobre a mesma matéria, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são suficientes para afastar a pretensão da Recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas 15. O enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca s demonstrar de quaisquer inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo constantes nos dados informados à RFB ou ainda quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência (149 do Código Tributário Nacional). Por essa razão a Recorrente foi corretamente excluída de ofício pelo Ato Declaratório Executivo DRF/RPO/SP nº 334, de 29.09.2010, fl. 18, com efeitos a partir de 01.02.2010. A ilação designada na peça recursal destacase como improcedente. As circunstâncias de caráter privado não podem ser consideradas, pois "a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato", salvo disposição de lei em contrário (art. 136 do Código Tributário Nacional). No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso, nos termos do art. 100 do Código Tributário Nacional. Atinente aos princípios constitucionais, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade16. 15 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007, art 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2001, art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 16 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF e Súmula CARF nº 2. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10813.000665/201092 Acórdão n.º 1003000.126 S1C0T3 Fl. 61 11 Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Em assim sucedendo, voto em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 61DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.660411/2012-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.812
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 04 11 /2 01 2- 96 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10880.660411/201296 Acórdão n.º 3401004.812 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660411/201296 Acórdão n.º 3401004.812 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660411/201296 Acórdão n.º 3401004.812 S3C4T1 Fl. 5 4 que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660411/201296 Acórdão n.º 3401004.812 S3C4T1 Fl. 6 5 contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660411/201296 Acórdão n.º 3401004.812 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660411/201296 Acórdão n.º 3401004.812 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 80DF CARF MF
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Numero do processo: 10932.000171/2009-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2006 a 30/11/2006
INTEMPESTIVIDADE CARACTERIZADA. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância.
Efetiva-se a ciência do contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, o que ocorrer primeiro.
Numero da decisão: 2202-004.424
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Efetivase a ciência do contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, o que ocorrer primeiro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 01 71 /2 00 9- 18 Fl. 1547DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018, proferido no âmbito do processo n° 10932.000179/200984, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que julgou a impugnação improcedente. Conforme Relatório Fiscal, a fiscalização foi comandada para fins de verificação da regularidade do recolhimento das contribuições previdenciárias e devidas a outras entidades e fundos. Após intimada e reintimada a apresentar a Contabilidade por Centro de Custo/individualizada por obra, a empresa não a apresentou, o que levou a auditoria a efetuar o lançamento por aferição indireta nos termos do art. 33, §6º, da Lei nº 8.212/91 e do art. 473 da IN 03/2005 e alterações posteriores. Os autos de Infração lavrados no procedimento fiscal foram discriminados pela fiscalização na seguinte planilha: DEBCAD N° LEVANTAMENTO REFERENTE REF. AO ESTABELECIMENTO 37.227.3645 Auto de Infração por falta de Matrícula CEI 56.473.317/000108 37.227.3653 Auto de Infração por Deixar de contabilizar em Títulos próprios 56.473.317/000108 37.227.3661 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 186 70.000.52148/71 37.227.367 0 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 186 70.000.52148/71 37.227.3688 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 186 70.000.52148/71 37.227.3696 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 220 50.022.27566/71 37.227.3700 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 220 50.022.27566/71 37.227.3718 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 220 50.022.27566/71 37.227.3726 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 232 50.022.27644/77 37.227.3734 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 232 50.022.27644/77 37.227.3742 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Oora 232 50.022.27644/77 37.227.3750 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 233 50.022.27538/76 37.227.3769 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 233 50.022.27538/76 37.227.3777 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 233 50.022.27538/76 37.227.3785 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 234 50.025.43828/73 37.227.3793 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 240 50.022.27455/79 37.227.3807 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 240 50.022.27455/79 37.227.3815 Auto de Infração de Emp/RAT reforente a Obra 240 50.022.27455/79 37.227.3823 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 243 50.011.88359/75 37.227.3831 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 243 50.011.88359/75 37.227.3840 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 243 50.011.88359/75 37.227.3858 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 244 70.000.52155/71 37.227.3866 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 244 70.000.52155/71 37.227.3874 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 244 70.000.52155/71 37.227.388 2 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 251 G 50.022.22636/70 Fl. 1548DF CARF MF Processo nº 10932.000171/200918 Acórdão n.º 2202004.424 S2C2T2 Fl. 3 3 37.227.3890 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 251 G 50.022.22636/70 37.227.3904 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 251G 50.022.22636/70 37.227.3912 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 252 70.000.52167/72 37.227.3920 Auto de Infração tíc Terceiros referente a Obra 252 70.000.52167/72 37.227.3939 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 252 70.000.52167/72 37.231.6220 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 254 50.024.17099/73 37.231.6239 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 254 50.024.17099/73 37.231.621/ Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 254 50.024.17099/73 37.231.6255 Auto de Infração dc Segurados referente a Obra 255 50.024.19184/76 37.231.6263 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 255 50.024.19184/76 37.231.6271 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 255 50.024.19184/76 37.231.6280 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 256 50.025.43742/79 37.231.6298 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 900.34 70.000.52152/74 37.231.6301 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 900.34 70.000.52152/74 37.231.6310 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 900.34 70.000.52152/74 37.231.6328 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 250.01 70.000.52150/79 3/.231.6336 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 250.01 70.000.52150/79 37.231.6344 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 250.01 70.000.52150/79 37.231.6352 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 250.03 G 70.000.52161/78 37.231.6360 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 250.03 G 70.000.52161/78 37.231.6379 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 250.03 G 70.000.52161/78 37.231.6387 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 231 G 70.000.52163/73 37.231.6395 Auto de In'ração de Terceiros referente a Obra 231 G 70.000.52163/73 37.231.6409 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 231 G 70.000.52163/73 37.231.6417 Auto de Infração de Segurados referente a Serviços da Emparsanco 56.473.317/000108 37.231.6425 Auto de Infração de Terceiros referente a Serviços da Emparsanco 56.473.317/000108 3/.231.6433 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Serviços da Emparsanco 56.473.317/000108 37.231.6441 Auto de Infração de Terceiros referente a Serviços da Giagui 56.473.317/000108 37.231.6450 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Serviços da Giagui 56.473.317/000108 Cientificado da autuação a recorrente apresentou impugnação alegando, em síntese, a improcedência e incorreção da aferição indireta. Diante das alegações da recorrente a autoridade julgadora de primeira instância, converteu o julgamento em diligência, a fim de que a fiscalização se pronunciasse sobre os argumentos levantados pela defesa. No resultado da diligência a fiscalização se manifestou sobre todos os processos gerados no procedimento fiscal, listando os seguintes: 10932.000171/200918 10932.000187/200921 10932.000205/200974 10932.000172/200962 10932.000190/200944 10932.000206/200919 10932.000173/200915 10932.000192/200933 10932.000207/200963 10932.000174/200951 10932.000189/200910 10932.000208/200916 10932.000175/200904 10932.000191/200999 10932.000209/200952 10932.000177/200995 10932.000193/200988 10932.000210/200987 10932.000176/200941 10932.000194/200922 10932.000211/200921 10932.000178/200930 10932.000197/200966 10932.000212/200976 Fl. 1549DF CARF MF 4 10932.000180/200917 10932.000200/200941 10932.000213/200911 10932.000179/200984 10932.000195/200977 10932.000214/200965 10932.000181/200953 10932.000196/200911 10932.000215/200918 10932.000183/200942 10932.000198/200919 10932.000217/200907 10932.000182/200906 10932.000199/200955 10932.000218/200943 10932.000184/200997 10932.000202/200931 10932.000219/200998 10932.000186/200986 10932.000204/200920 10932.000220/200912 10932.000185/200931 10932.000201/200996 10932.000221/200967 10932.000188/200975 10932.000203/200985 10932.000222/200910 10932.000223/200956 A auditoria reafirmou a procedência do lançamento por aferição indireta, de cujo Termo de Constatação extraio os seguintes trechos: “Ora, se a empresa possui controles analíticos de salários, se possui controles contábeis para identificação individual dos lançamentos dos encargos previdenciários, isto não foi demonstrado nem no momento da fiscalização e muito menos na documentação anexada como meio de prova, nesta fase de defesa administrativa, Todos os documentos apresentados nesta fase se referem a VALORES GLOBAIS, como o resumo da folha de pagamento GERAL e os tais relatórios de composição contábil, como detalharemos mais abaixo. Portanto, em nenhum momento desta defesa, o contribuinte conseguiu provar a contabilização em títulos próprios, por obra de construção civil, dos fatos geradores previdenciários, conforme prega o art. 32 da lei 8.212/91.” A recorrente apresentou contrarrazões ao resultado da diligência, reafirmando a improcedência do lançamento. A impugnação foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil, cujo resultado foi levado à ciência da recorrente por meio da disponibilização na Caixa Postal, Módulo eCAC do Site da Receita Federal. Após ciência por meio da abertura dos arquivos disponibilizados, via Termo de Abertura de Documento, não houve manifestação dentro do prazo que teria para apresentação de Recurso Voluntário. Diante disso, lavrouse o respectivo Termo de Perempção e o processo foi encaminhado à PGFN. Nessa fase, passados mais de 100 (cem) dias desde a data da ciência do Acórdão da DRJ, pelo contribuinte, este protocolizou recurso voluntário em face da Decisão de 1ª Instância Administrativa. O processo, então, retornou à fase administrativa para apreciação do recurso interposto, no qual se alega, em síntese: · Tempestividade. Admissibilidade do recurso. · Alteração da forma de intimação de meio papel para digital sem autorização do recorrente. · Falta de comprovação da intimação do resultado do julgamento de primeira instância. · Vícios do procedimento fiscal e vícios da autuação. Fl. 1550DF CARF MF Processo nº 10932.000171/200918 Acórdão n.º 2202004.424 S2C2T2 Fl. 4 5 Por fim, requereu o Recorrente o cancelamento da inscrição em dívida ativa e o retorno ao trâmite administrativo, para declaração de nulidade do auto de infração. É o relatório." Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson – Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo n° 10932.000179/200984, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pela Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, digna relatora da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018: Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "O Recurso Voluntário é intempestivo, o que prejudica sua admissibilidade. Primeiramente, informo que a matéria tratada nos autos é a mesma discutida nos processos nº 10932.000187/200921, 10932.000190/200944, 10932.000192/200933, originados do mesmo procedimento fiscal, conforme relatado anteriormente, e que já foram julgados pelo CARF em 08/03/2016, tendo sido exarados os acórdãos nº 2201002.966, 2201002.965, 2201 002.964, respectivamente. Conforme relatórios constantes nos acórdãos citados, os processos foram baixados em diligência, a fim de que fosse comprovada a opção do recorrente pelo Domicílio Tributário Eletrônico (DTE), conforme trecho extraído do Acórdão nº 2201 002.966 (processo 10932.000187/200921): “O processo baixou em diligência para comprovar a opção do contribuinte pelo Domicílio Tributário Eletrônico DTE, apresentar as normas e condições de sua utilização e confirmar a data de entrada do Recurso Voluntário na Receita Federal. A DERAT/SP informou que a empresa realizou a opção pelo DTE em 13/01/2012 e em 27/08/2012, anexou tela com as orientações sobre o funcionamento do DTE na Caixa Postal do eCAC e confirmou o de recebimento do Recurso Voluntário pela Receita Federal em 05/08/2013. Fl. 1551DF CARF MF 6 Conforme fl. 1368 foi solicitada Apuração Especial pelo SERPRO, cujo resultado encontrase nas fls. 13691373 e comprova que o contribuinte de CNPJ 56.473.317/00001 08 (NI logado e NI papel) realizou a opção pelo DTE no dia 13/01/2012 e no dia 27/08/2012. De acordo com o despacho do SETEC, fl. 1366, foi anexada a tela na fl. 1365 com as orientações sobre o funcionamento do DTE na Caixa Postal do eCAC Considerandose na fl. 1336 (última do Recurso Voluntário) a menção ao recebimento dos documentos naquela data, cujo carimbo está na fl. 1262 (primeira do Recurso Voluntário), além da Tela do Histórico de eventos no SICOB, na JL1374 (campo data do Evento Recurso Voluntário), compreendese que a data de recebimento do Recurso Voluntário pela Receita Federal foi em 05/08/2013.” Restou comprovado, por meio de diligência naqueles processos, que a recorrente fez opção pelo DTE, o que levou o Colegiado de segunda instância a não conhecer dos recursos, conforme dispositivos dos acórdãos citados: "ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo.". Diante da informação exarada nos acórdãos citados, a qual aproveito para análise do presente processo, entendo que a ciência do resultado do julgamento de primeira instância se deu pela Abertura dos Arquivos correspondentes no link Processo Digital, disponibilizados no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC), por meio da opção Consulta Comunicados/Intimações, conforme Termo de Abertura de Documentos, nos termos da alínea "b" do inciso III do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto 70.235/72 (PAF): “Art. 23. Farseá a intimação: [...] III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] § 2° Considerase feita a intimação: [...] III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) (Grifei).” Registrese, por relevante, que, mesmo que se adotasse o critério de ciência do contribuinte por decurso de prazo, previsto na Fl. 1552DF CARF MF Processo nº 10932.000171/200918 Acórdão n.º 2202004.424 S2C2T2 Fl. 5 7 alínea "a" do inciso III do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto nº 70.235/72, ainda assim o recurso voluntário interposto pelo Sujeito Passivo permaneceria infectado pelo vício da intempestividade, eis que, na data de sua interposição, o prazo recursal já se haveria exaurido há, pelo menos, dois meses. Portanto, como o Recurso Voluntário foi apresentado após o limite estabelecido pelo Decreto nº 70.235/72, ele é extemporâneo. Conclusão Por todo o exposto, voto por não conhecer do recurso, por intempestividade. (assinado digitalmente) Ana Maria Bandeira." Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário, em razão de sua apresentação intempestiva. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson. Fl. 1553DF CARF MF
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Numero do processo: 10711.005837/2010-62
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 17/06/2008
PRELIMINAR DE SUJEIÇÃO PASSIVA. EQUIPARAÇÃO.
Há equiparação do agente de cargas e dos agentes consolidadores e desconsolidadores, no caso prático, última figura, ao transportador, consoante a leitura do artigo 2.º, parágrafo 1.º, IV, da IN 800/2007.
CONHECIMENTO PARCIAL. MATÉRIA TRAZIDA APENAS EM SEDE DE RECURSO. INOVAÇÃO.
Não deve ser conhecida o argumento de que houvera atraso, por parte do embarcador, no envio das informações, e que, por este motivo, ficou impossibilitado o agente desconsolidador em prestar as informações em tempo hábil.
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFORMAÇÃO DE DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. INTEMPESTIVIDADE.
Deixar de prestar informação de desconsolidação de carga nos termos do artigo 22 e 50 da Instrução Normativa RFB 800 de 27.12.2007 enseja a multa prescrita na alínea e do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei 37 de 1966.
Numero da decisão: 3001-000.361
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente o Recurso Voluntário, para declarar precluso o argumento referente ao atraso na prestação das informações por culpa do embarcador, nos termos do Relator, vencido o conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante, que o conheceu integralmente, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro Renato Vieira de Avila (Relator), que lhe deu provimento parcial, para acatar o argumento relativo a não incidência da multa, por haver norma postergando o início do termo inicial de sua exigibilidade, e o conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante, que lhe deu provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Orlando Rutigliani Berri.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Redator Designado
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães, Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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LOGISTICS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 17/06/2008 PRELIMINAR DE SUJEIÇÃO PASSIVA. EQUIPARAÇÃO. Há equiparação do agente de cargas e dos agentes consolidadores e desconsolidadores, no caso prático, última figura, ao transportador, consoante a leitura do artigo 2.º, parágrafo 1.º, IV, da IN 800/2007. CONHECIMENTO PARCIAL. MATÉRIA TRAZIDA APENAS EM SEDE DE RECURSO. INOVAÇÃO. Não deve ser conhecida o argumento de que houvera atraso, por parte do embarcador, no envio das informações, e que, por este motivo, ficou impossibilitado o agente desconsolidador em prestar as informações em tempo hábil. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFORMAÇÃO DE DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. INTEMPESTIVIDADE. Deixar de prestar informação de desconsolidação de carga nos termos do artigo 22 e 50 da Instrução Normativa RFB 800 de 27.12.2007 enseja a multa prescrita na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 1966. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente o Recurso Voluntário, para declarar precluso o argumento referente ao atraso na prestação das informações por culpa do embarcador, nos termos do Relator, vencido o conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante, que o conheceu integralmente, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencido o conselheiro Renato Vieira de Avila (Relator), que lhe deu provimento parcial, para acatar o argumento relativo a não incidência da multa, por haver AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 00 58 37 /2 01 0- 62 Fl. 135DF CARF MF 2 norma postergando o início do termo inicial de sua exigibilidade, e o conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante, que lhe deu provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Orlando Rutigliani Berri. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães, Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Tratase de Recurso Voluntário que pretende combater a aplicação da multa prevista no artigo 107, IV, e do Decreto Lei 37/66 com a nova redação estabelecida no artigo 77 da Lei 10.833/03. Alegou, preliminarmente, a ilegitimidade passiva, sob o argumento no qual agentes de carga e transportadores não se confundem, havendo, no caso, responsabilização solidária sem expressa previsão legal. No mérito, aponta a impossibilidade de aplicação do teor textual previsto no inciso IV, e, pelos motivos a seguir descritos, Auto de Infração Inicia sua síntese narrativa definindo as principais partes envolvidas nos relacionamentos, jurídicos e negociais, do comércio internacional marítimo. Destaca, o comprador importador e vendedor exportador. Definidas as condições do negócio, contratase a armação do navio. Ressaltando, a existência de representantes diretos ou por agências de navegação. Acrescenta, ainda, a figura do NVOCC, empresas consolidadoras de carga, responsáveis pelo transporte e, em chegando no destino, a desconsolidação da carga mediante seus representantes, as agências de cargas. Poderá haver, a consolidação de carga já consolidada, havendo duas ou mais empresas de agenciamento de carga. Por este motivo, é necessário a prestação de informações em tempo hábil, caso contrário, o poder de polícia aduaneiro teria prejuízo na sua capacidade de controle. O conhecimento de carga ((bill of landing BL) é o documento emitido pelo transportador ou consolidador, que representa os termos do contrato de transporte marítimo e prova a posse da carga. Ainda, identifica proprietário, consignatário, último endossatário ou o portador do título, em via de consequencia, o titular do despacho aduaneiro. O transportador procedente do exterior, tem o dever de prestar informações à Receita Federal do Brasil, sobre a chegada de veículo e as cargas transportadas. Conjugado o Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10711.005837/201062 Acórdão n.º 3001000.361 S3C0T1 Fl. 135 3 artigo 37 do Decreto Lei 37 / 66, com seu parágrafo primeiro, conclui a autoridade fazendária pela responsabilidade do agente de cargas Controle Aduaneiro Informatizado Os dados transmitidos eletronicamente, obedecem a forma e prazos estabelecidos pela RFB, e os atos detém validade, fiscal e aduaneira, em razão das disposições legais expressas no artigo 64 da Lei 10.833/03, atinentes sobre a certificação digital. Neste ambiente, o Siscomex Carga é sistema informatizado para o controle de movimentação de embarcações e cargas nos portos alfandegados. Os dados ali são inseridos pelos transportadores, agentes de carga ou seus representantes, e submetidos ao controle aduaneiro relatam as escalas, com dados dos Manifestos e Conhecimentos de carga, nos parâmetros do Sistema de Conhecimento Eletrônico (CE Mercante) Da Equiparação a Transportador A indicação prevista no artigo 5.º, combinado com o artigo 2.º, parágrafo 1.º, IV, da IN 800/2007, equipara, para efeitos fiscais, empresas de navegação, desconsolidadores e agentes de carga Informações a ser prestadas. o artigo 6.º da IN 800/2007 impele ao transportador, o dever de prestar informações sobre veículo e cargas para cada escala em porto alfandegado. Dentre as informações, o veículo e escalas, e a carga. Sobre a carga, informações sobre o manifesto, a vinculação à escala, conhecimentos de transportes, informações sobre a desconsolidação e a associação do Conhecimento de Carga ao novo manifesto, em caso de transbordo ou baledeação. Prazos dado às prestações de informações São os artigos 22 e 50 da IN 800/2007, com alteração dada pela IN 899/2008, os prazos mínimos para a prestação de informações, sendo que após a leitura de seus dispositivos, verificase a ocorrência de dois períodos distintos: de 31/03/08 a 31/03/09; e a partir de 1.º de abril de 2009. No período inicial (31/03/08 a 31/03/2009), foram estipulados prazos de menor antecedência, e, aplicando a norma mais benéfica, presente no artigo 50, os prazos mínimos para as prestações de informações são os presentes no artigo I e II: I as relativas ao veiculo e suas escalas, cinco horas antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, b em como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala a) antes da salda da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, guando o item de carga for granel; b) antes da salda da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, para os demais itens de carga; C) antes da salda da embarcação, para os manifestos CAB, BCN e ITR e respectivos CE; Fl. 137DF CARF MF 4 d) antes da chegada da embarcação no primeiro Porto Nacional, para os manifestos e respectivos CE a descarregar em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e III as relativas a conclusão da desconsolidação, antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. Ausência de Denúncia Espontânea Requer a aplicação do artigo 683, parágrafo 3.º do Regulamento Aduaneiro. Dos Danos Causados à Fiscalização Explica que as ações de fiscalização são planejadas a partir das informações do Siscomex Cargas. O gerenciamento de risco é a ferramenta para dar celeridade ao despacho de mercadorias com a consequente redução do custo incidente sobre o comércio exterior. Tal análise dos dados, devem ocorrer previamente às operações de comércio exterior, com o conhecimento dos dados que nortearão os atos da RFB. Por este motivo, a falta de prestação de informações, ou sua ocorrência fora de prazo, inviabiliza a análise prévia, causando entrave no exercício do controle aduaneiro. Da Infração pela não prestação das informações na forma, prazo e condições estabelecidos Foi aplicado o disposto no artigo 107, IV, e, do Decreto Lei 37/66, com novel redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/03. Dos Fatos A embarcação chegou ao Brasil, RJ, e proveniente de Valencia, Espanha, em 17 de junho de 2008, atracando às 08:15, conforme detalhado em extrato de escala constante destes autos. A data, 17 de junho de 2008, e a hora, 08:15, relativas à atracação, estabelecem o limite para a agência de navegação prestar as informações do veiculo de carga, conforme inteligência do artigo 22 e 50, da IN 800. A agencia de navegação MSC Mediterranean, após ter informado o manifesto de sua compentencia, e efetuado as devidas vinculações às escalas, informou tempestivamente o Conhecimento eletrônico, no dia 13 de junho de 2008. Consta como consignatário da CE, a empresa NEWS Logistics, ora recorrente, Haja vista ser o porto do Rio de Janeiro, o primeiro de atracação e o destino da carga, a data e hora limite para que a NEWS, ora recorrente, prestasse as informações de sua responsabilidade, nos termos dos artigos 22 e 50 da IN 800/07, é a da atracação da embarcação, ou seja, 17 de junho de 2008, as 80hrs15. Conforme consta, a NEWS procedeu a desconsolidação da carga somente no dia 17/06/08, as 10hrs17min41. Desta forma, intempestiva. tendo sido gerado inclusive pelo sistema Carga um bloqueio automático com o status de "INCLUSÃO DE CARGA AP6S 0 PRAZO OU ATRACAÇÃO" de forma imediata, conforme extrato do C.E. Mercante As fls. 20 a 21. Sujeição à Multa Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10711.005837/201062 Acórdão n.º 3001000.361 S3C0T1 Fl. 136 5 Por fim, a informação no sistema Carga, no momento do desbloqueio, sujeita a aplicação da multa prevista na alínea e, IV do artigo 107 do DL 37/66, com a data de referência em 17 de abril de 2008. Documentos anexados · Extrato da Escala; · Extrato do Manifesto; · Consulta de agencia de navegação / Desconsolidador; · Extrato do Conhecimento Eletrônico. Impugnação Em sua narração de defesa, a recorrente relata ter sido alvo de auto de infração por não ter prestado informações sobre as cargas transportadas em momento tempestivo, motivo pelo qual lhe foi aplicada a multa prevista no artigo 107, IV, e do decreto lei 37/66, nos seguintes termos: a multa será aplicada ao prestador de serviços internacionais quandoa informação não for prestada na forma e prazo Inocorrência de infração ou extemporaneidade na prestação de informações Alega que as informações foram prestadas no prazo. Clama a aplicação do artigos 105 e 116 do CTN, e o argumento da irretroativdade da lei tributária, merecendo ser transcrito os seguintes trechos da impugnação. Ora, tendo em vista que a embarcação transportando a carga cujo CE é objeto da presente autuação atracou em porto nacional em 17/06/2008 (CE 130.805.119.701.397), constatase que não havia obrigatoriedade de observação do prazo de antecedência estipulado para a prestação de informações pela IMPUGNANTE, dado que o prazo determinado pelo artigo 22, nos termos do artigo 50 da IN 800/07, somente seria cogente após 1 0 de janeiro de 2009. a obrigação de prestação de informações no prazo previsto no artigo 22 era até o dia 01 de abril de 2009. Dessa forma, a legislação vigente no momento de ocorrência do "fato gerador', qual seja, no instante em que as informações deveriam ser prestadas, é a legislação que deve ser aplicada ao caso concreto para determinação do prazo para cumprimento da obrigação de prestação de informações por sua vez, que de acordo com o artigo 22 da IN RFB n° 800/2007, as informações deveriam ser prestadas quarenta e oito horas antes da chegada das embarcações a descarregarem em porto nacional. Todavia, referido dispositivo tomarseia de observação obrigatória somente a partir de 10 de Janeiro de 2009, nos termos do artigo 50 da IN RFB n° 800/2007 a •seguir transcrito: Art. 50 Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1 de janeiro de 2009. Fl. 139DF CARF MF 6 Parágrafo único. 0 disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar, informações sobre: I a escala, com antecedência minima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no Pais. Nem se. alegue que o parágrafo único do artigo 50 da IN RFB n° 800/2007 levaria a entendimento diverso, uma vez que trata da responsabilidade do transportador de prestar informações, figura que difere do NVOCC— empresa consolidadora de cargas ou, ainda, das agências de carga (desconsolidadoras da carga). Ilegitimidade do Agente desconsolidador Classificase, conforme encontrase assentado, como agente desconsolidador, não podendo ser equiparada a agente de navegação. Mais tarde, assegura que a figura da autuada equiparase a do agente de navegação marítima. Cita a súmula 192 do extinto TFR: o agente marítimo, quando no exercício exclusivo das atribuições próprias, não é considerado responsável tributário, nem se equipara ao transportador. Por fim, evidencia as impropriedades do auto de infração, atribuindo a necessidade de respeitar as características da relação tributária, o arquétipo do contrato mandato. Irretroatividade e aplicação da multa a partir de 2009 A carga cujo CE é objeto da presente autuação atracou em 17/06/2008, alegando, como visto, não haver a obrigatoriedade de observação do prazo de antecedencia. Levanta a utilização do artigo 105 do CTN irretroatividade da lei que as informações deveriam ser prestadas 48 horas antes da chegada das embarcações , conforme artigo 22, inciso II, da IN 800/2007 Acrescenta, porém, os termos do artigo 50 da IN 800/2007, cujo mandamento impende a obrigação para somente a partir de 1 de janeiro de 2009 Pondera, também, pela alteração trazida pela IN 899/2008, a qual postergou ainda mais a obrigatoriedade, desta vez, para abril de 2009 Ausência de prejuízo ao Erário Merecem ser transcritos os seguintes trechos da impugnação: 24. De fato, segundo consta da autuação, a atracação da embarcação ocorreu no dia 17/06/2008, As 8:15:00, e a inclusão do CEMercante Agregado (HBL) 130805119701397 foi procedida na mesma data As 10:17:41, ou seja, pouco mais de duas horas após a efetiva atracação. 25. Ressaltase que a informação foi prestada na data da atracação e de forma espontânea pela IMPUGNANTE, sendo certo que a inclusão da informação no sistema decorridas duas Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10711.005837/201062 Acórdão n.º 3001000.361 S3C0T1 Fl. 137 7 horas da atracação não causou qualquer impedimento ao exercício do controle aduaneiro'ou bo erário público. Proporcionalidade e razoabilidade Requer a aplicação do artigo 2 da lei 9784/99, no sentido de conferir efeitos concretos aos comando da proporcionalidade e reazoabilidade na aplicação de sanções administrativas. A seguir, trechos que delineiam o raciocínio empreendido: Com efeito, a sanção pecuniária imposta, multa regulamentar de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), não observa a proporcionalidade e razoabilidade, que deve permear os atos administrativos, haj a. vista i) a ausência de lesão ao erário, ii) o pleno . exercicio do controle aduaneiro e iii) a boafé da IMPUGNANTE que, duas horas após a atracação da embarcação, Promoveu a inclusão do CEMercante no sistema. Conversão da multa em pena de Advertência Requereu a conversão da multa em pena de advertência, prevista no artigo 76, I, j, da Lei 10.833/03, cominada com o artigo 45 da IN 800/07. DRJ/RJ O acórdão emanado pela referenciada DRJ, encontrase dispensado da formação de ementa, motivo pelo qual, deixase de transcrevêla, seguindose à transcrição do relatório. Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado para exigência tributária no valor de 5.000,00, referente a multa do artigo 107, inciso IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37 de 18/11/1966, aplicada a agente de carga por deixar de prestar informação sobre carga transportada, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Depreendese da descrição dos fatos e enquadramento legal do Auto de Infração que a interessada, na condição de agente desconsolidador de carga, informou operação de desconsolidação de carga depois da atracação do navio que a transportava. A irregularidade foi cometida em relação ao Conhecimento de Embarque (CE) Mercante Máster nº 130.805.118.396.876 (CE – House nº 130.805.119.701.397), configurando a situação prevista no artigo 45 da Instrução Normativa RFB nº 800 de 27 de dezembro de 2007, a qual impõe a penalidade prevista na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003, com multa de R$ 5.000,00 por informar desconsolidação de CE Mercante fora do prazo estabelecido pela legislação. Fl. 141DF CARF MF 8 Cientificada por Auto de Infração, a interessada apresentou a impugnação tempestiva de folhas 29 a 41. Pondera a Impugnante que não é parte legitima para figurar no pólo passivo da autuação, tendo em vista que a imposição do parágrafo único do artigo 50 da IN RFB n° 800/2007 não poderia ser lhe aplicada, uma vez que trata da responsabilidade do transportador de prestar informações, figura que difere do NVOCC empresa consolidadora de cargas ou das agências de carga (desconsolidadoras da carga). Alega a impugnante que o auto de infração em questão fundamentase em norma que não produzia efeitos à época do fato gerador, citando o artigo 105 do CTN, ipis litteris: Art. 105. A legislação tributária aplicase imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes, assim entendidos aqueles cuja ocorrência tenha tido início mas não esteja completa nos termos do artigo 116. Entende que na época dos fatos, a prestação de informações não precisava observar o prazo do artigo 22 da Instrução Normativa n° 800/2007, uma vez que no momento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária acessória, o referido artigo não tinha aplicação cogente, sendo válido apenas a partir de janeiro de 2009. No mesmo sentido afirma que com a IN RFB n° 899/2008, que modificou a redação do artigo 50 da IN n° 800/2007, houve ainda maior postergação dos prazos de antecedência, tornado a obrigatoriedade de prestar informações no prazo previsto no artigo 22 inexigível até o dia 1º de abril de 2009. Observa ainda a ausência de prejuízo ao erário, bem como que pela observância dos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, pois que a atracação não causou qualquer impedimento ao exercício do controle aduaneiro ou ao erário público. A imposição de multa por mero atraso no cumprimento de uma obrigação de prestação de informações, que não ensejou qualquer embaraço ao pleno exercício do controle aduaneiro (bem jurídico que a obrigação acessória pretende resguardar), mostrase desproporcional à finalidade da norma. Verificada a diminuta ou inexistente lesividade da conduta da impugnante, já que realizou de forma espontânea a prestação das informações sobre o CEMercante pouco tempo depois da atracação da embarcação, possibilitando o efetivo controle da entrada, saída e movimentação das cargas transportadas em território nacional, não se justifica a aplicação da penalidade de multa. Com vistas a observar os princípios legais atinentes à graduação e aplicação de penalidades, notadamente os princípios da proporcionalidade e razoabilidade, deveria ser aplicada a penalidade de advertência, prevista no artigo 76, I, "j" da Lei n° 10.833/03 c/c o artigo 45 da IN n° 800/2007. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10711.005837/201062 Acórdão n.º 3001000.361 S3C0T1 Fl. 138 9 Requer que seja anulado o Auto de Infração, promovendo a declaração de insubsistência do presente AI com a anulação/cancelamento da cobrança e exigibilidade da multa. Do voto, merecem transcrições os seguintes trechos, relativo à aplicabidade da multa em decorrência da análise de direito intertemporal travada nestes autos: Como a norma transcrita esclarece, os prazos previstos em seu artigo 22 somente serão exigidos a partir de 1º de abril de 2009. Todavia, seu parágrafo único estabelece expressamente que, a despeito dos prazos passarem a viger na data determinada, isso não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Portanto, a intempestividade da informação de carga após a atracação da embarcação, quando se trata de carga de estrangeira, enseja a aplicação da penalidade. Sendo assim, no momento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária acessória a determinação de cumprimento dos prazos de informação da carga já se encontrava em vigor. Desta forma, não se pode recorrer a alegação de que não se esteja cumprindo a regra geral de aplicação da lei tributário, ou seja, sua aplicação prospectiva e imediata prevista no artigo 105 do CTN. Sobre a ilegitimidade passiva, extraise do voto condutor: Relativamente ao argumento de tratarse de mero NVOCC empresa consolidadora de cargas, sem poder ficar sujeito às exigências dos mandamentos da Instrução Normativa nº 800/07, especificamente o dispositivo do artigo 50, informo que estão sujeitos à multa em tela a empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou o mero desconsolidador de carga, equiparandose ao transportador marítimo. Sobre os fatos: A fiscalização relata que a atracação da embarcação ocorreu no dia 17/06/2008, às 08:15hs, sendo esta a data/hora limite para que a empresa prestasse as informações de sua responsabilidade, nos termos dos arts. 22 e 50 da Instrução Normativa RFB n° 800, de 27/12/2007, com redação alterada pela IN RFB n° 899, de 29/12/2008. No entanto, a empresa NEWS LOGISTICS LTDA, procedeu a desconsolidação da carga informando o CE. Mercante Agregado (HBL) n° 130.805.119.701.397, somente no dia 17/06/2008, às 10:17:41hs, restando, portanto, INTEMPESTIVA a informação, tendo sido gerado inclusive pelo sistema Carga um bloqueio automático com o status de "INCLUSÃO DA CARGA APÓS O PRAZO OU ATRACAÇÃO" de forma imediata. Fl. 143DF CARF MF 10 Sobre a denúncia espontânea: Cabe observar que o bloqueio da carga no Sistema se deu antes de qualquer pedido de retificação da informação, portanto iniciado procedimento fiscal para apurar a irregularidade, antes mesmo de qualquer solicitação do contribuinte. Alegação de falta de prejuízo ao erário público: Com relação à alegação de falta de prejuízo ao Erário e da falta de conduta lesiva, por conta do admitido registro intempestivo da desconsolidação da carga, é suficiente salientar que, em se tratando de direito tributário, a responsabilidade do infrator não tem a mesma natureza da responsabilidade penal e/ou cível, não cabendo falar, portanto, em modalidade culposa ou dolosa, uma vez que “a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato” (art. 94, § 2º, do DL 37/1966 e art. 136 do CTN). Conversão da pena, conforme artigo 45 da IN 800/2007 a expressão “e quando for o caso” não confere possibilidade de escolha sobre a aplicação de pena, mas sim sua cumulatividade quando couber. Recurso Voluntário O recurso apresentado insurgese em face da decisão de primeira instância que manteve a cobrança da multa imposta com fundamento no artigo 107, IV, e do DL 37/66 Ilegitimidade Passiva Alega a não sujeição passiva por parte da recorrente, mencionando a seção II da IN 800/2007, mais especificamente o consolidador estrangeiro (NVOCC) e o agente de carga. Deste modo, pelo artigo 4.º da mencionada IN, a empresa de navegação seria representada pelo agência marítima. Ainda, em seu artigo 6.º, indica a existência da obrigatoriedade do transportador pela prestação de informações. Desobrigatoriedade de Agente Desconsolidador em prestar informações Outro ponto abordado, a recorrente não se confunde com as figuras dos agentes arrolados, não se enquadrando como empresa de transporte, prestadora de serviço de transporte porta a porta e agente de carga. A recorrente é agente desconsolidador, e, por analogia, poderia ser comporada a agente de navegação. Por isso, relata que a recorrente, seria mero agente de cargas apontado pelo agente emissor do HBLS, conforme telas do SISCARGA, e neste sentido, a empresa MSC Meditarranean Shipping deveria ser responsabilizada pela prestação de informações. Junta jurisprudência relativo ao cancelamento de auto de infração com fundamento no item c, do inciso IV do artigo 107 do DL 37/66. Atraso no envio das informações por parte do embarcador Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10711.005837/201062 Acórdão n.º 3001000.361 S3C0T1 Fl. 139 11 Alega que as informações prestadas foram as corretas e, para prestar as informações, depende das informações prestadas por embarcadores e a confirmação das informações pelo consignatário, exatidão e tempestividade na prestação de informações dos armadores, e, por isso, houve o apontado atraso. Por ser mero agente de cargas, não possui a gestão náutica, e para saber od andamento, dependfe da comunicação oficial do armador Ausência de prejuízo As informações foram prestadas de forma correta, e não houve liberação de carga o envio das informações à autoridade aduaneira, havendo, portanto ciência e a anuência da fiscalização. Denúncia espontânea Traz o artigo 138 do CTN, pois a requerente, sem nenhuma provocação da autoridade, imputou, espontaneamente, as informações logo após ter recebido as informações alega ainda que haja afastamento do instituto pelo DLs 4.543/2002 e 6.759/2009, o CTN fora recepcionado com força de lei complementar. entregue em momento anterior a lavratura do auto, tendo o procedimento fiscal iniciado após a retificação, em conformidade com o artigo 102, parágrafo 2.º do DL 37/66, introduzida pela lei 12.530/2010. Retroação da Lei 12.530/2010 Por fim, a norma, veiculada no ordenamento jurídico no ano de 2010, retroagiria beneficamente ao fato aqui imputado. Ausência de Obrigação Legal período de contingencia 31/03/2009 nas disposições finais transitórias foi estabelecida a data de vigência de aplicação do prazo de 48 horas antes da chegada da embarcação para a prestação de informações, com o objetivo de oportunizar a devida preparação dos operadores do sistema Tal oportunização ocorreu com o diferimento do prazo incial, em 1 de janeiro de 2009, postergado para 1 de abril de 2009, tornando incabível o argumento da aplicação do artigo 50. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Tratase de recurso voluntário interposto pela recorrente a fim de verse livre da imposição de multa, mediante lavratura de auto de infração, cujo antecedente normativo Fl. 145DF CARF MF 12 prevê, em caso de ocorrência de atraso na prestação de informações ao Siscomex, a aplicação de multa. Tempestividade Analisando os autos temse que o Recurso Voluntário é tempestivo. Conhecimento Parcial A fim de analisar sua admissibilidade, temse que deve sêlo apenas parcialmente, excluindose, do conhecimento, a parte atinente ao argumento no qual o atraso na prestação das informações deveuse ao atraso no envio das informações por parte do embarcador, vez que, tal argumento veio à tona apenas em sede recursal. Preliminar de Sujeição passiva Alega a recorrente a ocorrência de sujeição passiva inadequada aos fatos apresentados nas narrativas e versões descritas. Em especial, destacase argumentos da recorrente: Sendo descabida a pretensão do administrador de atingir os agentes marítimos, desconsolidador ou agente de carga. Isto por que, não há previsão legal para a aplicação da responsabilidade solidária pretendida pela autoridade fazendária. Entretanto, há equiparação do agente de cargas e dos agentes consolidadores e desconsolidadores, no caso prático, última figura, ao transportador, consoante a leitura do artigo 2.º, parágrafo 1.º, IV, da IN 800/2007: artigo 2.º Para os efeitos desta Instrução Normativa definese como IV o transportador classificase em: a) empresa de navegação operadora, quando se tratar do armador da embarcação; b) empresa de navegação parceira, quando o transportador não for o operador da embarcação; c) consolidador, tratandose de transportador não enquadrado nas alíenas "a" e "b" , responsável pela consolidação da carga na origem; c) consolidador, tratandose de transportador não enquadrado nas alíneas “a” e “b”, responsável pela consolidação da carga na origem; d) desconsolidador, no caso de transportador não enquadrado nas alíenas "a" e "b" , responsável pela desconsolidação da carga no destino; e d) desconsolidador, no caso de transportador não enquadrado nas alíneas “a” e “b”, responsável pela desconsolidação da carga no destino; Neste ponto, não assiste razão à recorrente, sendo negado provimento. MÉRITO Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10711.005837/201062 Acórdão n.º 3001000.361 S3C0T1 Fl. 140 13 Termo Inicial da aplicação de multa aplicável à prestação em atraso das informações exigidas pelo artigo 22 e 50 da IN 800/2007, alterada pela IN 899/2008 A multa combatida encontrase prevista no artigo transcrito a seguir: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; A legislação tributária que merece atenção, é o mencionado artigo 50 da IN 800 modificado pela IN 899. IN 800/2007, modificada pela IN 899/2008 Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. E, por fim, mister transcrever o artigo 22 da mencionada IN. Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos de cargas estrangeiras com descarregamento em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; Em que pese a existência de precedentes deste Conselho, favoráveis à aplicação da multa em comento, no caso de atraso prestação de informações consubstanciadas na declaração, entendo que: 1. há previsão normativa de postergação do prazo para a incidência Fl. 147DF CARF MF 14 da multa cujo fato gerador é a envio de comunicação, por parte do consignante, em momento posterior à atracação da embarcação. IN 800, de 27 de dezembro de 2007 Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. § 1o Os prazos estabelecidos neste artigo poderão ser reduzidos para rotas e prazos de exceção. Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Ainda, em segundo momento, houve norma posterior, abrandando a aplicação da penalidade, postergando o início de sua obrigatoriedade para somente após de 01 de abril de 2009, devendo ser obedecido o artigo neste sentido. Por este motivo, se socorre da aplicação do artigo seguinte do CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Em caso semelhante, tal raciocínio fora empreendido. O caso do precedente acostado abaixo, relacionase com a extensão do prazo, de 05 para 07 dias, como necessário à prestação de informações. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10711.005837/201062 Acórdão n.º 3001000.361 S3C0T1 Fl. 141 15 Como é sabido, no caso presente, tratase de legislação que determinava a ocorrência de multa, IN 800, posteriormente revogada pela IN 899, a qual concedeu o prazo para início da obrigatoriedade apenas em 01 de abril de 2009. IN 899, de 29 de dezembro de 2008 Art. 1º O art. 50 da Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009 Deste modo, devese aplicar o entendimento da legislação mais benéfica ao contribuinte. Acórdão nº 3302004.717 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/03/2008 a 22/03/2008 REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. MULTA DO ART. 107, IV, E, DO DECRETOLEI 37/1966 (IN SRF 28/1994, 510/2005 E 1.096/2010). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em se tratando de descumprimento do prazo de registro dos dados de embarque na exportação estabelecido pelo art. 37 da IN SRF 28/1994, a multa instituída pelo artigo 107, IV, e do DL 37/1966, deve ser mitigada diante do novo prazo imposto pela IN SRF 1.096/2010, em decorrência da retroatividade benigna. Após a lavratura do auto de infração foi publicada a Instrução Normativa RFB n. 1.096, de 13/13/2010, que ampliou o prazo para registro dos dados pertinentes no SISCOMEX para 7 dias2. Afirma que o art. 106 do CTN permite que a dilação do prazo pela publicação da recente norma deve gerar benefícios a seu favor, já que não é mais considerada infração o não fornecimento de informações no prazo de 2 dias. Considerando que não poderão ser objeto de deliberação por este Colegiado as matérias abordadas no recurso voluntário e que já foram objeto de deliberação, nos resta apreciar, unicamente, o argumento sobre o fato superveniente, que é a publicação da IN RFB n.1.096/2010 e se seus efeitos retroagem à data dos fatos descritos no auto de infração. E, sobre esse tópico, filiome à vasta jurisprudência deste Conselho, que reconhece que os efeitos benignos da IN RFB n. 1.096/2010 devem surtir efeitos em hipóteses análogas à dos autos. Fl. 149DF CARF MF 16 Isso porque estamos diante de uma sanção (ainda que na seara tributária) e a melhor interpretação sobre o texto contido no inciso XL do artigo 5º da Constituição Federal 1988 impõe o reconhecimento que a lei penal deverá retroagir, sempre que for para beneficiar o réu (no caso, o contribuinte apenado pela multa). A propósito, e ilustrativamente, segue a ementa de julgado deste Conselho, o qual adoto como fundamento: TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO / 2ª CÂMARA / 2ª TURMA ORDINÁRIA / ACÓRDÃO 3202000.486 em 25/04/2012 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. MULTA. Data do fato gerador: 04/07/2006, 06/07/2006, 10/07/2006, 11/07/2006, 13/07/2006, 15/07/2006, 23/07/2006 e 29/07/2006 REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. MULTA DO ART. 107, IV, 'E' DO DL 37/1966 (INs SRF 28/1994, 510/2005 E 1.096/2010). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em se tratando do descumprimento do prazo de registro dos dados de embarque na exportação estabelecido pelo art. 37 da IN SRF no 28/1994, a multa instituída no art. 107, IV, 'e' do Decretolei no 37/1966, na redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003, somente começou a ser passível de aplicação a partir de fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF no 510/2005 entrou em vigor e fixou prazo de dois dias para o registro desses dados no Siscomex. Uma vez que a IN SRF no 1.096/2010 fixou o prazo de sete dias para o registro dos dados no Siscomex, deve ser aplicada, com fulcro no princípio da retroatividade benigna, a norma mais benéfica ao contribuinte. CONTAGEM DE PRAZO. DIA ÚTIL. A contagem dos prazos estipulados na legislação tributária deve seguir os ditames do artigo 210 do Código Tributário Nacional. Os prazos iniciam e terminam apenas em dias úteis. SISCOMEX. INDISPONIBILIDADE. PROVA. A parte que alega a indisponibilidade do sistema SISCOMEX deve apresentar prova irrefutável sobre tal situação. A mera alegação, sem comprovação do alegado, não é capaz de influir no entendimento do julgador. MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA N. 02 DO CARF. De acordo com a Súmula n. 02 do CARF, o órgão não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. Recurso voluntário conhecido em parte. Na parte conhecida, preliminar de nulidade do auto de infração não acolhida e, no mérito, recurso voluntário provido em parte. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10711.005837/201062 Acórdão n.º 3001000.361 S3C0T1 Fl. 142 17 (grifos adicionados) Assim, entendo que o recurso voluntário deve ser provido para que as multas impostas em decorrência das informações prestadas dentro do prazo de 7 dias (IN SRF n.1.096/2010) sejam canceladas. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Argumentos prejudicados Os argumentos trazidos a respeito da Denúncia espontânea, Retroação da Lei 12.530/2010 e Ausência de Obrigação Legal período de contingência 31/03/2009, ficam prejudicados, tendo em vista o provimento do pedido relativo à não aplicação da multa por haver norma mais benéfica que alterou o termo inicial do início da incidência da multa. Conclusão. Diante do exposto, Conheço parcialmente do recurso, para excluir da apreciação o argumento atinente ao motivo do atraso na prestação de informações, que teria ocorrido pelo envio tardio por parte do embarcador. Em sede de preliminares, rejeito o pedido de reconhecimento de ilegitimidade passiva. No mérito, aceito a argumentação relativa a não incidência da multa por haver norma postergando o início do termo inicial de sua exigibilidade, dando, neste ponto DOU PROVIMENTO ao recurso. Sobre os temas da Denúncia espontânea, Retroação da Lei 12.530/2010 e Ausência de Obrigação Legal em prestar as informações, consideroos prejudicados, não sendo necessária sua análise. Assim, conheço parcialmente do recurso para lhe dar parcial provimento, excluindo o dever recolhimento da multa. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Voto Vencedor Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Redator Designado Preâmbulo 1 Em que pese o elogiável argumento que fundamentou o Voto Vencido, peço vênia para submeter a este Colegiado entendimento diferente do esposado pelo Ilustre Conselheiro Renato Vieira de Avila, que lhe deu provimento parcial, para acatar o argumento relativo a não incidência da multa, por haver norma postergando o início do termo inicial de sua exigibilidade, acompanhado pelo Ilustre Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante, que lhe deu provimento, em seu bem fundamentado voto como Relator. Procurarei, em breves linhas, expor por que entendo que se deve negar provimento ao recurso voluntário quanto à exoneração da exigência da multa em debate, posição diametralmente oposta à do ilustre relator, que proveu o recurso voluntário. Fl. 151DF CARF MF 18 Neste passo, alerto que o desencontro de entendimento restringese tão somente ao fundamento jurídico adotado, segundo o qual há "norma postergando o início do termo inicial de sua exigibilidade". Preâmbulo 2 Atentese, o julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelos parágrafos 1º e 2º do artigo 47 do Anexo II do Ricarf, aprovado pela Portaria MF 343 de 09.06.2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no julgamento do processo 10711.005630/201098, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3001000.354): "Da divergência do entendimento jurídico A questão pareceme bastante simples. A fiscalização foi bastante clara e correta ao exigir a observância dos prazos de antecedência de prestação de informações, na forma do parágrafo único do artigo 50 da IN RFB 800 de 2007, cuja redação mais adiante reproduzse. Vejase que tanto o transportador quanto o próprio agente de cargas, qualidade que se insere o ora recorrente, por força do caput e § 1º do artigo 37 do Decretolei 37 de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833 de 2003, têm o dever de prestar informações à Receita Federal do Brasil, na forma e prazos estabelecidos pela própria Administração, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Ora, não me parece razoável supor que mesmo não estando em vigor o artigo 22 da IN RFB 800 de 2007, deixarseia de aplicar a regra prevista no caput do artigo 50 da mesma Instrução Normativa. Tal dispositivo, conforme transcreverseá, mais adiante, diz textualmente que o tempo de vacância do artigo 22 da IN RFB 800 de 2007 “não exime o transportador da obrigação de prestar informações”. Tendo em vista que o recorrente somente procedeu a desconsolidação da carga após a atracação das embarcações, é patente que houve desrespeito aos prazos de antecedência previstos na legislação normativa em questão. Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10711.005837/201062 Acórdão n.º 3001000.361 S3C0T1 Fl. 143 19 Então, uma vez descumprida a obrigação acessória, cuja finalidade me parece bastante razoável para fins de efetivo controle aduaneiro, impõese sim a aplicação da correspondente multa. E em relação à multa, não há como eximir o recorrente, pois esta decorre de lei específica, na forma da alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 18.11.1966, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833 de 29.12.2003, in verbis: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; (...) Explicito melhor o tema em debate. Atendendo ao determinado no dispositivo legal supratranscrito, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) publicou a Instrução Normativa RFB 800 de 27.12.2007, que “dispõe sobre o controle aduaneiro informatizado da movimentação de embarcações, cargas e unidades de carga nos portos alfandegados”. Relativamente aos prazos mínimos para a prestação das informações à Secretaria da Receita Federal do Brasil a referida Instrução Normativa estabeleceu no artigo 22 da seguinte forma, in verbis: Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: a) cinco horas antes da saída da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, quando o item de carga for granel; b) dezoito horas antes da saída da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, para os demais itens de carga; Fl. 153DF CARF MF 20 c) cinco horas antes da saída da embarcação, para os manifestos CAB, BCN e ITR e respectivos CE; d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a descarregar em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. § 1º Os prazos estabelecidos neste artigo poderão ser reduzidos para rotas e prazos de exceção. § 2º As rotas de exceção e os correspondentes prazos para a prestação das informações sobre o veículo e suas cargas serão registrados no sistema pela Coordenação Especial de Vigilância e Repressão (Corep), a pedido da unidade da RFB com jurisdição sobre o porto de atracação, de forma a garantir a proporcionalidade do prazo em relação à proximidade do porto de procedência. § 3º Os prazos e rotas de exceção em cada porto nacional poderão ser consultados pelo transportador. § 4º O prazo previsto no inciso I do caput, se reduz a cinco horas, no caso de embarcação que não esteja transportando mercadoria sujeita a manifesto. Todavia, o artigo 50 da IN RFB 800 de 2007 previa, desde sua publicação, a data a partir da qual referidos prazos seriam implementados e, depois da alteração promovida pela IN RFB 899 de 29.12.2008, ficou com a seguinte redação, in verbis: Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. (destaquei) Como a norma transcrita esclarece, os prazos previstos em seu artigo 22 somente serão exigidos a partir de 1º de abril de 2009. Todavia, seu parágrafo único estabelece expressamente que, a despeito dos prazos passarem a viger na data determinada, isso não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Portanto, reforço, a intempestividade da informação de carga após a atracação da embarcação, quando se trata de carga de estrangeira, enseja a aplicação da penalidade. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10711.005837/201062 Acórdão n.º 3001000.361 S3C0T1 Fl. 144 21 Desta forma, está preservado o princípio da legalidade pela combinação da alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 1966, com os dispositivos 22 e 50 da Instrução Normativa nº 800 de 2007. Salientese, o princípio da irretroatividade não se macula quando a lei vigente coaduna com a época do fato gerador como se esclareceu no presente caso. Da conclusão Pelas razões que expus acima, entendo que o Colegiado a quo agiu consoante os princípios constitucionais e legais, a lei processual administrativa e as leis que motivam o lançamento e a exigência em discussão, uma vez que resta sobejamente evidenciado que o recorrente procedeu a desconsolidação da carga informando o CE. Mercante Agregado (HBL) somente depois de a embarcação ter atracado no porto do Rio de Janeiro, ou seja, prestando a informação INTEMPESTIVAMENTE, tanto que gerouse de forma imediata, pelo sistema Carga, um bloqueio automático com o status de "INCLUSÃO DA CARGA APÓS O PRAZO OU ATRACAÇÃO"." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos parágrafos 1º e 2º do artigo 47 do Anexo II do Ricarf (Portaria MF 343 de 09.06.2015), proponho a este Colegiado, especificamente quanto a este item, seja negado provimento ao recurso de voluntário, mantendose a exigência fiscal, nos termos em que lavrado o auto de infração. É como penso e voto. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 155DF CARF MF
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Numero do processo: 10840.905699/2012-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2012
PROCESSUAL - ADMINISTRATIVO - NULIDADE RECONHECÍVEL DE OFÍCIO
Falece, à DRJ, competência para considerar "não-declarada" compensação analisada e não homologada pela Delegacia da Receita Federal, impondo-se, neste passo, o reconhecimento de sua nulidade de ofício, nos termos do art. 59, II, do Decreto 70.235/72
Numero da decisão: 1302-002.875
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para acolher a preliminar de nulidade do acórdão recorrido, suscitada de ofício pelo Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca, determinando o retorno dos autos à DRJ para que seja proferida nova decisão, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2012 PROCESSUAL - ADMINISTRATIVO - NULIDADE RECONHECÍVEL DE OFÍCIO Falece, à DRJ, competência para considerar "não-declarada" compensação analisada e não homologada pela Delegacia da Receita Federal, impondo-se, neste passo, o reconhecimento de sua nulidade de ofício, nos termos do art. 59, II, do Decreto 70.235/72
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para acolher a preliminar de nulidade do acórdão recorrido, suscitada de ofício pelo Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca, determinando o retorno dos autos à DRJ para que seja proferida nova decisão, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2012 PROCESSUAL ADMINISTRATIVO NULIDADE RECONHECÍVEL DE OFÍCIO Falece, à DRJ, competência para considerar "nãodeclarada" compensação analisada e não homologada pela Delegacia da Receita Federal, impondose, neste passo, o reconhecimento de sua nulidade de ofício, nos termos do art. 59, II, do Decreto 70.235/72 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para acolher a preliminar de nulidade do acórdão recorrido, suscitada de ofício pelo Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca, determinando o retorno dos autos à DRJ para que seja proferida nova decisão, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 56 99 /2 01 2- 18 Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10840.905699/201218 Acórdão n.º 1302002.875 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Cuida o feito de pedido de compensação de crédito resultante de pretenso indébito concernente à CSLL trimestral recolhida no ano de 2012, para quitação do mesmo tributo devido no mesmo ano calendário. Este pedido não foi homologado pela Unidade de Origem, cujo despacho decisório consignou a seguinte motivação fática: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O contribuinte opôs a sua manifestação de inconformidade para deduzir alegações de nulidade de praxe, comumente apresentadas em processos como o ora analisado, afirmando ser desmotivado o despacho decisório e, mais, ter ocorrido cerceamento de defesa por não ter sido franqueado, à empresa, a produção de provas concernentes ao crédito cuja compensação se postulava. No mérito, afirmou que o crédito teria origem numa genérica assertiva de que a empresa teria incluído na base de cálculo receitas que, a teor de "algumas teses tributárias já julgadas pelo Suprem Tribunal Federal de favorável aos contribuinte, a exemplo (!?) a ampliação da base de cálculo por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de cálculo de determinas despesas, etc (?!?). Pediu, ao fim, a produção de prova pericial, sem, inclusive, declinar os quesitos necessários à análise de validade do pedido, a teor dos preceitos do art. 16, IV, do Decreto 70.235/72. Instada a analisar as razões de insurgência do contribuinte, a DRJ de Ribeirão Preto, inovando o despacho decisório, houve por bem considerar não declarada a compensação deixando, consequentemente, de conhecer da aludida manifestação. Cientificado do conteúdo do acórdão em 04/02/2014, a empresa interpôs seu recurso voluntário em 28/02/2014, por meio do qual, a par de uma "preliminar" de tempestividade totalmente estranha ao feito, basicamente reiterou os argumentos deduzidos em sua manifestação de inconformidade. Este é o relatório. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10840.905699/201218 Acórdão n.º 1302002.875 S1C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.872, de 14/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10840.905696/2012 76, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.872): Aos meus pares, vale o destaque: este processo é, virtualmente, idêntico ao PA de nº 3851.903041/201222, cujo acórdão de nº 1302002.642 já foi, inclusive, objeto de publicação. Assim, peço vênia, antes mesmo de me pronunciar sobre a tempestividade e os requisitos de cabimento do RV, para reproduzir todas as razões que lá expus, já que integralmente aplicável ao caso em análise: I Da análise do cabimento do RV e de questão de ordem pública prejudicial. Antes mesmo de me pronunciar sobre o cabimento do recurso, é necessário dirimir questão de relevo surgida apenas com o advento da decisão de primeira instância. Tal como descrito no relatório, a DRJRPO não conheceu da manifestação de inconformidade por entender que o crédito, cuja compensação se postulava, decorreria, a seu ver, de discussão judicial, o que, em tese, atrairia, ao caso, a aplicação da regra encartada no artigo 74, § 12, II, “f”, da Lei n.º 9.430, de 1996. Como a decisão primerva considerou como "não declarada" a compensação, entendeu descabida a manifestação de inconformidade já que, nesta hipótese, caberia tão só o recurso hierárquico a que alude o art. 56 da Lei 9.784/96 (por força da determinação constante do art. 39, § 2º, da IN 900/08, vigente à época da transmissão da declaração de compensação). O grande problema, todavia, é que, a teor do art. 74, § 10, da citada Lei 9.430, só caberia recurso a este Conselho para o caso de improcedência da manifestação inconformidade: § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10840.905699/201218 Acórdão n.º 1302002.875 S1C3T2 Fl. 5 4 Demais disso, reprisese, que, uma vez considerada como "nãodeclarada" a compensação, como já dito, descabe manifestação de inconformidade e, por conseguinte, recurso voluntário; o rito que se segue, neste passo, é, e apenas, aquele descrito na anteriormente citada Lei 9.784. Ou seja, em tese, não nos seria cabível conhecer do recurso voluntário. Todavia, entendo, particularmente, que a DRJ incorreu, no caso, em dois erros, data venia... Primeiramente, o crédito postulado pelo contribuinte não advinha de decisão judicial ou de alegação de inconstitucionalidade, já que, da DECOMP de nº (...), que efetivamente descreve o crédito, a sua origem e natureza, informa, explicitamente, que a pretensão deduzida pelo recorrente não estava fundada em discussão judicial. Insistase, a alegação, por demais genérica, de que haveria ocorrido um indébito em decorrência de eventual discussão judicial ou alegação de inconstitucionalidade de norma adveio, apenas, na manifestação de inconformidade. Por isso, inclusive, que a Unidade de Origem apenas deixou de homologar o pedido da empresa. Como não o fez, à DRJ competia, tão só, se pronunciar sobre a existência ou não do crédito, pena de, inclusive, incorrer em reformatio in pejus (como de fato o fez, já que ao considerar como nãodeclarada a compensação, o órgão Colegiado a quo tornou muito mais gravosa a situação do contribuinte). Vejam bem, a DRF não reconheceu o direito creditório pleiteado porque o contribuinte não cuidou de informálo! Não há, nos autos, notícias de que o recorrente tenha retificado eventuais declarações (DCTF) a fim de permitir à Unidade de Origem inferir a existência de um indébito restituível; tivesse a parte tomado tal providência a DRF cuidaria de intimálo para explicar tal retificação e, apresentadas as considerações constantes da manifestação de inconformidade, aí sim, considerar a aplicação dos preceitos do art. 74, § 12, da Lei 9.430/96. Como tais procedimentos não foram adotados, a DRF, corretamente, deixou de homologar a compensação pela razão já apontada no relatório acima: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10840.905699/201218 Acórdão n.º 1302002.875 S1C3T2 Fl. 6 5 Este o limite da atuação da DRJ; este o limite do objeto da manifestação de inconformidade que deveria ter sido observado pela instância a quo. Uma vez que não homologado o pedido de compensação, o cabimento da citada manifestação de inconformidade é decorrência estrita e lógica da Lei 9.430 (art. 74, § 7º,) e cabia à DRJ dela conhecer para, se assim entendesse cabível, julgála improcedente. No entanto, vale o destaque, o recurso voluntário não atacou o fundamento específico da DRJ; o contribuinte, digase, não se insurgiu, por seu apelo, contra o não conhecimento da sua manifestação de inconformidade nem tampouco questionou as razões que levaram ao colegiado de primeira instância a considerar não declarada a sua compensação. O recorrente, pois, não devolveu à este Conselho a matéria (que, na minha concepção, não encerra, neste ponto, o conhecimento de ofício), tendo, pois, se operado a preclusão neste particular (inteligência do art. 33 do Decreto 70.235/72). Resta a análise do segundo equívoco incorrido pela DRJ. E aqui, a discussão ganha um realce bastante diferente. Ainda que não disponha de artigo específico para determinar a competência para a análise das Declarações de Compensação transmitidas à DRF, a Lei 9.430 a todo momento deixa, quando menos, implícita tal competência (vejase, por exemplo, os preceitos do § 4º do art. 74). Nada obstante, a IN 1.300 (que revogou a IN 900, vigente à época da transmissão da DECOMP objeto deste feito), é suficientemente clara ao dispor, em seu art. 46, caput¸ "a autoridade competente da RFB considerará não declarada a compensação nas hipóteses previstas no § 3º do art. 41". O § 8º, deste mesmo preceito, põe um pedra de toque sobre o assunto: O lançamento de ofício da multa isolada de que tratam os §§ 6º e 7º será efetuado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB) da unidade da RFB que considerou não declarada a compensação. A competência, portanto, para considerar não declarada eventual compensação é exclusiva da DRF, cabendo ao Auditor Fiscal o mister de efetuar o lançamento da multa isolada preconizada pelos §§ 6º e 7º. Em linhas gerais, a DRJ não detém competência para considerar não declarada eventual compensação por ventura transmitida pelo contribuinte (até mesmo pelos motivos já suscitados anteriormente, já que as situações descritas no § 12 do art. 74 devem ser apuradas pela Auditoria Fiscal no curso da análise das DECOMP). Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10840.905699/201218 Acórdão n.º 1302002.875 S1C3T2 Fl. 7 6 Atentem, agora, para os preceitos do art. 59, II, do Decreto 70.235/72: Art. 59. São nulos: (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. A luz de tais premissas, temse no caso, hipótese clara e inegável de nulidade do acórdão da DRJ que, inadvertidamente, proferiu decisão sobre matéria que não lhe competia analisar. E a nulidade descrita no art. 59, supra, é, esta sim, matéria de ordem pública conhecível em qualquer grau ou instância, conforme art. 64, §1º, do CPC, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo por força dos preceitos do art. 15 do mesmo digesto processual civil. Dito isto, a anulação do acórdão ora recorrido é medida que se impõe. II Conclusão. Diante disto, voto por conhecer do recurso voluntário (porque tempestivo) e declarar a nulidade da decisão de primeiro grau pelas razões expostas anteriormente, determinandose o retorno dos autos à DRJRPO a fim de que proceda à análise do mérito do pedido de compensação objeto desta demanda." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, para acolher a preliminar de nulidade do acórdão recorrido, suscitada de ofício pelo Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca, determinando o retorno dos autos à DRJ para que seja proferida nova decisão, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 89DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.002569/2007-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
IRPF. GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL RURAL. ALIENAÇÃO APÓS 01.01.1997. IN 84/2001. COMPATIBILIDADE LEGAL SISTÊMICA.
A análise sistêmica das Leis 9.393/96, 7.713/88 e 8.023/90 conduze à conclusão da compatibilidade da IN 84/2001 com a lei que pretendeu complementar (Lei 9.393/96).
Assim, havendo o DIAT, a Fiscalização PODE dele se utilizar; por outro lado, caso não haja ou se identifique patente subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a fiscalização PODE se valer das informações do SIPT; Contudo, caso tenha disponível os documentos negociais, que retratem, concretamente, a operação, deles DEVE se valer.
Numero da decisão: 2402-006.206
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator), Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL RURAL. ALIENAÇÃO APÓS 01.01.1997. IN 84/2001. COMPATIBILIDADE LEGAL SISTÊMICA. A análise sistêmica das Leis 9.393/96, 7.713/88 e 8.023/90 conduze à conclusão da compatibilidade da IN 84/2001 com a lei que pretendeu complementar (Lei 9.393/96). Assim, havendo o DIAT, a Fiscalização PODE dele se utilizar; por outro lado, caso não haja ou se identifique patente subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a fiscalização PODE se valer das informações do SIPT; Contudo, caso tenha disponível os documentos negociais, que retratem, concretamente, a operação, deles DEVE se valer. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator), Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 25 69 /2 00 7- 36 Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10680.002569/200736 Acórdão n.º 2402006.206 S2C4T2 Fl. 150 2 (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho. Relatório Temse Recurso Voluntário de fls. 132 a 145, voltado contra Acórdão de fls. 119/126, proferido pela 9ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário exigido. Assim restou lançado o relatório da r. decisão recorrida: Contra o contribuinte em epígrafe foi emitido o auto de infração do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF (fls. 04/58), exercício 2005, anocalendário 2004. O autuado teve ciência do lançamento em 23/04/2007, e o valor do crédito tributário apurado está assim constituído (fl. 03): (em Reais) Imposto 37.081,50 Juros de Mora (cálculo até 28/02/2007) 15.164,09 Multa Proporcional 27.811,12 Total do Crédito Tributário 80.056,71 A autoridade fiscal relata que o referido lançamento teve origem na constatação da seguinte infração (fls. 06/08): Omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos adquiridos em reais – Em cumprimento ao mandado de procedimento fiscal, foi o contribuinte intimado a comprovar: movimentação financeira nos exercícios 2004 e 2005; apresentar, em relação à operação imobiliária referente área de terras com 1.452,00 ha localizada no município de São Valério TO, declarada no quadro 9 do IRPF dos exercícios 2004, item 10 e 2005, item 06, os títulos de aquisição e alienação comprovando os efetivos desembolsos e ingressos de receitas, respectivamente; comprovar o declarado no quadro 5, item 12 do IRPF/2005 a título de "dif. valor de venda e valor DIAT”. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10680.002569/200736 Acórdão n.º 2402006.206 S2C4T2 Fl. 151 3 Em 13/02/2007, o contribuinte protocolizou resposta à intimação com apresentação de documentos cuja conclusão da auditoria é descrita a seguir: movimentação financeira nos exercícios 2004 e 2005 integralmente comprovada; operação imobiliária integralmente comprovada quanto à aquisição por R$240.000,00 e alienação por R$ 500.000,00 conforme segunda parte operação imobiliária e documentos anexados a este processo; quanto a "Dif. valor de venda e valor Diat", o valor de R$247.210,00 foi justificado pelo contribuinte como rendimento isento referente à venda de imóvel rural. O contribuinte anexou o Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT do exercício 2003 sendo o número de registro do imóvel na Receita Federal 6.654.3487 valor da terra nua (VTN) declarado de R$140.000,00. Faz também menção à Lei 9.393/96 que estabelece que, a partir de 01/01/1997, o ganho de capital será efetuado com base no VTN declarado, e considerando que não houve alteração do VTN entre a compra e a venda, então o valor de R$ 247.210,00 foi informado como rendimento isento. A autoridade lançadora considera que o artigo 19° da citada Lei 9.393/96 textualmente diz que "a partir do dia 1° de janeiro de 1997, para fins de apuração de ganho de capital, nos termos da legislação do imposto de renda, considerase como custo de aquisição e valor de venda do imóvel rural o VTN declarado, na forma do art. 8 °, observado o disposto no art. 14°, respectivamente, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação". Ressalta que o contribuinte não apresentou o DIAT do ano de alienação (2004) e, consequentemente, não comprova a sua alegação de que "não houve alteração do VTN entre a compra e a venda". Portanto, com base nos valores reais da transação foi apurado o seguinte: Custo de aquisição R$ 252.790,00; Valor de alienação R$ 500.000,00; Ganho de Capital R$ 500.000,00 R$ 252.790,00 = R$ 247.210,00. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10680.002569/200736 Acórdão n.º 2402006.206 S2C4T2 Fl. 152 4 Como a alienação deuse por R$300.000,00 recebidos em 05/2004 e R$200.000,00 em 06/2004, o ganho apurado subdividese em 60% x R$247.210,00 = R$ 148.326,00 em 05/2004 e 40% x R$ 247.210,00 = R$ 98.884,00 em 06/2004. Os valores tributáveis são: 31/05/2004 – R$148.326,00 30/06/2004 – R$98.884,00. O enquadramento legal é o seguinte: arts. 1º e 2º da Lei n° 8.134/90, arts. 7º, 21 e 22 da Lei 8981/95, art. 17°, 23° e §§ da Lei n°9.249/95; Arts. 22° a 24°, da Lei n° 9.250/95; Art. 19° da Lei n°9.393/96; Arts. 16°, 17 ° e §§, da Lei n°9.532/97; Arts. 123° a 125°, 128°, 129 ° , 131°, 132°, 138 ° e 142° do RIR/99; Arts. 9° e 10° da Instrução Normativa SRF n°84/2001; Perguntas e Respostas Pessoa Física 2005 AnoCalendário 2004 n°s 572 item 2 e 574. Em 23/05/2007, o autuado impugnou o lançamento em petição de fls. 62/76, acompanhada da documentação de fls. 77/111, alegando, em síntese o que se segue. Depois de sintetizar a autuação e seus motivos, aduz que a Lei 9.393/96, em seu artigo 19 estabeleceu que, para fins de apuração do ganho de capital na alienação de imóvel rural, a partir de 01 de janeiro de 1997, será considerado custo de aquisição e valor de venda do imóvel rural o VTN declarado na forma do artigo 8°, observado o disposto no art. 14, respectivamente, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação. Destaca que o parágrafo único ressalva que na apuração de ganho de capital correspondente a imóvel rural adquirido anteriormente a 01 de janeiro de 1997, será considerado custo de aquisição, o valor constante da escritura pública, observado o disposto no art. 17 da Lei 9.249/95. Conclui que da leitura do artigo 19 da Lei 9.393/96 e seu parágrafo único, criou o legislador mais uma presunção de ganho ou lucro na operação, como tantas outras existentes em nosso direito tributário, ou seja, o ganho de capital deve ser apurado com base no VTN e não nos valores reais da operação. É de se entender que mesmo no caso de imóvel adquirido anteriormente a 01 de janeiro de 1997 o valor da alienação deve ser o VTN declarado, pois a ressalva do parágrafo .único é somente em relação ao custo de aquisição, que deve ser o constante do "titulo de aquisição”. Assim, afirma que para todos os contribuintes que alienaram imóvel rural a partir de 01 de janeiro de 1997, o valor de alienação é o VTN do imóvel. O custo de aquisição é que difere, pois se o imóvel foi adquirido anteriormente àquela data, o custo é valor de titulo; se depois, o VTN do imóvel. Transcreve trechos da citada legislação e da IN SRF nº 84/2001. Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10680.002569/200736 Acórdão n.º 2402006.206 S2C4T2 Fl. 153 5 Conclui que as instruções infralegais criaram duas formas de apuração do ganho de capital na venda imóvel rural, aquele que vai apurar com base no VTN e aquele que vai apurar com base nos preços reais dos documentos de compra e de venda, quando na verdade, como dito anteriormente, a Lei 9.393/96 estabeleceu somente um critério, ou seja o VTN. Dessa forma, fica claro que a IN 84/2001, estabeleceu critérios não previstos na lei, inovandoa, criando tratamento diferenciado em relação a contribuintes que se encontram em situações iguais (comprar e vender imóvel rural a partir de 01 de janeiro de 1997) na forma de apuração do ganho. Isso porque há um descompasso entre o período de apuração do ganho de capital, que é o ano calendário e o período de apresentação da Declaração do ITR (DITR), cujo fato gerador ocorre em 10 de janeiro, mas a DITR somente pode ser apresentada entre meados de agosto e o último dia útil de setembro do ano de apuração. Aduz a título de exemplo que a IN poderia estabelecer que aquele que comprar ou alienar imóvel rural, antes ou depois da entrega da DIAT, deverá entregar a respectiva declaração do ITR no momento da compra ou da venda, para fins de se apurar a Base de Cálculo do ganho de capital. Ainda, poderia estabelecer que na falta de uma ou das duas DIAT deveria o contribuinte apresentar laudo técnico, assinado por profissional habilitado, acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica — ART, tendente a comprovar o VTN de aquisição e/ou de alienação. Sustenta que tivesse a IN 84 operado conforme uma das formas descritas anteriormente, teria regulamentado o assunto dentro dos limites da Lei. Entende que o auto de infração é nulo devido às ilegalidades apontadas e no intuito de auxiliar o julgamento anexa laudo técnico para demonstrar os valores da terra nua em 1º de janeiro de 2003 e 2004. Ressalta que o VTN apurado pelo profissional, relativo a janeiro de 2003 no valor de R$130.000,00 está muito próximo ao valor declarado pelo contribuinte, de modo mais empírico do que o técnico utilizado pelo engenheiro agrônomo e assim deve prevalecer o declarado pois se trata de autoavaliação nos termos da lei. Destaca que efetuou a entrega da DIAT tempestivamente, de acordo com o estabelecido pela RFB e que, portanto, a Receita não necessita proceder à determinação de valores e nem ao lançamento de ofício do imposto, aceitando o VTN declarado pelo contribuinte. Ressaltese que tomou por base, para chegar ao VTN, pesquisa de mercado e levou em consideração também a capacidade de uso das terras, a situação do imóvel em relação à sua Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10680.002569/200736 Acórdão n.º 2402006.206 S2C4T2 Fl. 154 6 localização e acesso, suas condições físicas e de aproveitamento, bem como parâmetro de valores os de outros imóveis em semelhante situação situados na mesma região Aduz que o lançamento afronta o princípio da legalidade e da isonomia. Cita doutrina. Assevera que não se pode dizer que houve ganho de capital porque o VTN de compra e o de venda são coincidentes, eis que o imóvel foi adquirido antes da entrega da DIAT e vendido após a sua entrega, porém na vigência da declaração entregue em 2003, não tendo havido, portanto, variação no VTN. E se não houve variação no VTN de venda e de aquisição, não há que se falar em ganho de capital. Requer que seja declarado nulo de pleno direito o auto de infração, por erro no enquadramento legal ainda porque a base de cálculo utilizada não está prevista em lei. Se os pedidos anteriores forem refutados, requer que o lançamento seja reformado para se apurar o ganho de capital, e o respectivo imposto, adequando a base de cálculo de acordo com a Lei, ou seja o VTN. Assim, o custo de aquisição é de R$ 140.000,00, valor constante da DIAT e valor de venda o VTN em 10 de janeiro de 2004, determinado por profissional legalmente habilitado e demonstrado em laudo técnico anexo no valor de R$ 170.000,00. Em seu recurso, alega, de pronto que, de acordo com os arts. 17 e 19 da Lei nº 9.249/95, bem como art. 19 a Lei nº 9393/96, o ganho de capital relacionado a imóveis rurais seria apurado de acordo com o Valor da Terra Nua (VTN) e não sobre os valores reais da operação. De tal modo, haveriam duas bases de cálculo para apurar o ganho de capital na alienação de imóveis rurais, a saber: aqueles adquiridos anteriormente à Lei 393/97, que teriam como base os valores constantes dos documentos de compra e venda, e os posteriores à Lei, que teriam como base de cálculo o Valor da Terra Nua. Transcreve a legislação citada, bem como os artigos 9º e 10 da Instrução Normativa 84/2001, que, a seu ver, confirmam o argumento apresentado. Segue aduzindo: "A evidencia, a IN 84/2001, ao arrepio da Lei, definiu duas base de cálculos, a ficta com base no VTN e a apurada com base nos documentos de compra e venda, quando, na verdade, a base de cálculo prevista na Lei 9.393/96 é a primeira, a presumida, apurada conforme o VTN e, na falta deste, o valor a ser considerado é o previsto no artigo 14 da mesma lei." (sic, fls. 137) Assevera que a IN ultrapassou os limites impostos e reservados à Lei quando tentou implementar nova base de cálculo ao imposto, sendo que deveria limitarse ao modo de Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10680.002569/200736 Acórdão n.º 2402006.206 S2C4T2 Fl. 155 7 apuração do VTN do ano de compra e venda, nos exatos termos dos arts. 19, 8º e 14 da Lei 9393/96. Por tal motivo, seria o auto de infração nulo de pleno direito, devendo ser "extirpado" (fls 138) do mundo jurídico, à conta de suas ilegalidades. Acentua que o valor de R$130.000,00 apurado pelo i. Fiscal estaria muito próximo do que fora declarado pelo recorrente, de modo que, não havendo grande diferença entre os valores, deveria prevalecer o valor declarado, eis que "tal valor não foi contestado pela fiscalização, nem se encontra eivado de vícios". Transcreve doutrina advinda do Tribunal Regional Federal da 4ª Região que coadunaria com o ponto de vista apresentado. Em seguida, advoga no sentido de que não houve falta de entrega da DIAT, muito menos prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, no que se refere à declaração no Documento de Informação e Apuração do ITRDIAT correspondente ao imóvel em 2004. E que seria, na verdade, dever de ofício do julgador, buscar os valores dos preços médios de terras no Município de São Valério TO, para certificarse de que as informações foram corretas e se houve, com certeza, ganho de capital. Assenta que tomou por base, para chegar ao VTN, pesquisa de mercado e também a capacidade de uso da terra, a situação do imóvel e sua localização e acesso. Logo após, afiança que devido ao princípio da estrita legalidade tributária, não poderia haver cobrança de tributo que não esteja definido em Lei. Cita o inc. II do art. 5º da Constituição da República, ao asserto de que, segundo ele, a obrigação tributária vem da expressa disposição da lei, não podendo haver lançamento de tributo (ou sua criação) por parte das autoridades administrativas. Afia que não houve ganho de capital, uma vez que o VTN de compra seria o mesmo da alienação do imóvel rural e, por isso, o julgador teria o "dever de ofício" de apurar os valores nos exatos termos do art. 14 da Lei 9393/96. Registra, por derradeiro, o princípio da isonomia tributária, pelo qual, de acordo com o inc. II do art. 150 da Carta Republicana Central, seria vedado à Fazenda instituir tratamento desigual entre os contribuintes que estejam em situação equivalente e, desse modo, não poderia ser o VTN ser calculado de forma diferente no presente caso, devendo ser tomado por base para o ganho de capital o Valor da Terra Nua declarado. Requer, portanto, seja declarado nulo o presente lançamento, por erro no enquadramento legal ou, seja declarado insubsistente pois a base de cálculo utilizada não está prevista em lei. Sucessivamente, propugna pelo cancelamento do auto por inexistência de valor a tributar, uma vez que o VTN declarado não teria sido contestado pela fiscalização, nem apurado de ofício, como determinado pelo art. 14 da Lei 9393/96. Demanda no sentido de que, se houver qualquer dúvida quanto ao valor, que seja o processo baixado em diligência para sua verificação. Sem contrarrazões. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10680.002569/200736 Acórdão n.º 2402006.206 S2C4T2 Fl. 156 8 É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator 1. ADMISSIBILIDADE. O Recurso é tempestivo e, em conformidade com o disposto no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e alterações, atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual voto por dele conhecer. 2. MÉRITO. O ponto central de discórdia a ser clarificado na presente lide, consiste na fixação adequada da base de calculo para apuração de ganhos de capital decorrente da alienação de imóveis rurais pelo Recorrente no ano de 2004, com recebimento em duas parcelas 31/05/2004 e 30/06/2004, quando não há, no ano da alienação, entrega a DIAT. O lançamento realizado julgou como adequado tomar o valor total da operação registrado em escritura de compra e venda como base de calculo, fundamentando tal proceder nos artigos 9º, Art. 10 e Art. 19 da Instrução Normativa nº 84/01: "Art. 9º Na apuração do ganho de capital de imóvel rural é considerado custo de aquisição o valor relativo à terra nua. §1º Considerase valor da terra nua (VTN) o valor do imóvel rural, nele incluído o da respectiva mata nativa, não computados os custos das benfeitorias (construções, instalações e melhoramentos), das culturas permanentes e temporárias, das árvores e florestas plantadas e das pastagens cultivadas ou melhoradas. §2º Os custos a que se refere o § 1o, quando não tiverem sido deduzidos como despesa de custeio, na apuração do resultado da atividade rural, podem ser computados para efeito de apuração de ganho de capital. Art. 10. Tratandose de imóvel rural adquirido a partir de 1997, considerase custo de aquisição o valor da terra nua declarado pelo alienante, no Documento de Informação e Apuração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (Diat) do ano da aquisição, observado o disposto nos arts. 8º e 14 da Lei No 9.393, de 1996. §1º No caso de o contribuinte adquirir: I e vender o imóvel rural antes da entrega do Diat, o ganho de capital é igual à diferença entre o valor de alienação e o custo de aquisição; Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10680.002569/200736 Acórdão n.º 2402006.206 S2C4T2 Fl. 157 9 II o imóvel rural antes da entrega do Diat e alienálo, no mesmo ano, após sua entrega, não ocorre ganho de capital, por se tratar de VTN de aquisição e de alienação de mesmo valor. §2º Caso não tenha sido apresentado o Diat relativamente ao ano de aquisição ou de alienação, ou a ambos, considerase como custo e como valor de alienação o valor constante nos respectivos documentos de aquisição e de alienação. §3º O disposto no §2º aplicase também no caso de contribuinte sujeito à apresentação apenas do Documento de Informação e Atualização Cadastral (Diac). [...]Art. 19. Considerase valor de alienação: [...]VI no caso de imóvel rural com benfeitorias, o valor correspondente: a) exclusivamente à terra nua, quando o valor das benfeitorias houver sido deduzido como custo ou despesa da atividade rural; b) a todo o imóvel alienado, quando as benfeitorias não houverem sido deduzidas como custo ou despesa da atividade rural. §1º Tratandose de imóvel rural adquirido a partir de 1997, considerase valor de alienação da terra nua: I o valor declarado no Diat do ano da alienação, quando houverem sido entregues os Diat relativos aos anos de aquisição e alienação; II o valor efetivamente recebido, nos demais casos. §2º Na alienação dos imóveis rurais, a parcela do preço correspondente às benfeitorias é computada: I como receita da atividade rural, quando o seu valor de aquisição houver sido deduzido como custo ou despesa da atividade rural; II como valor da alienação, nos demais casos." O Recorrente, ainda em sua impugnação, advogava no sentido de que o procedimento aplicável seria exclusivamente aquele previsto na Lei nº 9.393/96, eis que a Instrução Normativa nº 84/01, segundo sua tese, ampliou os critérios de terminação da base de calculo incidente no presente caso, de modo a majorálo e permitir o lançamento em situações não previstas na lei de regência atinente a estas situações. Mesmo antes da apresentação da impugnação, o Agente fiscal já sustentava, que com base no texto da própria Lei 9393/96, para adoção do VTN base de cálculo do ganho de capital, em detrimento do valor constante nas escrituras de aquisição e alienação, o Recorrente deveria ter apresentado a DIAT no ano da alienação. Vejamos sua fundamentação: "A lei 9.393/96 que estabelece que, a partir de 01/01/1997, o ganho de capital será efetuado com base no VTN declarado, e Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10680.002569/200736 Acórdão n.º 2402006.206 S2C4T2 Fl. 158 10 considerando que não houve alteração do VTN entre a compra e a venda, então o valor de R$ 247.210,00 foi informado como rendimento isento. Porém, e neste ponto é a análise deste auditor, o artigo 19° da citada Lei 9.393/96 textualmente diz que " a partir do dia 1° de janeiro de 1997, para fins de apuração de ganho de capital, nos termos da legislação do imposto de renda, considerase como custo de aquisição e valor de venda do imóvel rural o VTN declarado, na forma do art. 8 ° , observado o disposto no art. 14°, respectivamente, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação". O contribuinte não apresentou o DIAT do ano de alienação (2004) e, consequentemente, não comprova a sua alegação de que "não houve alteração do VTN entre a compra e a venda". A decisão de piso se filiou ao entendimento da autoridade fiscal apresentando fundamentação de mesma natureza para indeferir os pedidos contidos na impugnação. A inconformidade recursal foi articulada nas mesmas bases já articuladas na peça inicial de resistência ao lançamento. A discussão em lide, não é temática nova nesta turma tendo sido objeto de decisão proferida no Acordão nº 402005.934, em sessão datada de 08 de agosto de 2017, composta pelos Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho (presidente), Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti, Fernanda Melo Leal e Jamed Abdul Nasser Feitoza. O Conselheiro Aldinucci foi acompanhado pela maioria da turma, divergindo apenas os Conselheiros Mauricio Nogueira Righetti e Mário Pereira de Pinho Filho (presidente). A tese vencedora na ocasião estava calcada no entendimento de prevalência da aplicação do VTN sobre o valor total da operação, mesmo não havendo declaração em Diat. Para o conselheiro Aldinucci, posição que julgamos acertada, quando imóveis rurais são vendidos, o cálculo de Imposto de Renda com o ganho de capital deve seguir o valor de terra nua (VTN, sem contar construções, instalações e melhoramentos), mesmo quando o contribuinte não apresenta documentos específicos. Nesse sentido votou por afastar a aplicação dessa norma, considerando “cristalina” a regra sobre o assunto, nos termos fixados pela Lei 9.393/96, que trata do ITR, eis que a prática definida pela Receita “não se compatibiliza com as normas legais (...), pois se apresenta em verdadeira situação de antinomia”. Para que o colegiado rememore o contexto discutido na ocasião, colacionaremos excertos do voto proferido pelo Conselheiro João Victor Ribeiro Aldnucci: "A incidência do IRPF sobre ganhos de capital na alienação de bens ou direitos está fundamentada nos arts. 117 e seguintes do RIR/1999, com a redação da Lei 7.713/88. Basicamente, o ganho de capital será determinado pela diferença positiva entre o valor de alienação e o custo de aquisição (art. 138) e estará sujeito ao pagamento do imposto à alíquota de quinze por cento (art. 142). Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10680.002569/200736 Acórdão n.º 2402006.206 S2C4T2 Fl. 159 11 O art. 40 da Lei 11196/05 ainda estabelece fatores de redução do ganho de capital por ocasião da alienação, a qualquer título, de bens imóveis realizada por pessoa física residente no País (FR1 e FR2), ao passo que, em relação aos imóveis adquiridos até 31 de dezembro de 1988, o Regulamento, em seu art. 139, estabelece um percentual fixo de redução sobre o ganho de capital, segundo o ano de aquisição ou incorporação do bem. A IN SRF 84/2001 regulamenta, no plano infralegal, a apuração e a tributação dos ganhos auferidos por pessoas físicas. Quanto aos imóveis rurais, a Lei 9393/96, que dispõe sobre o ITR, também regulamenta a apuração do ganho de capital a partir de 1º de janeiro de 1997, estipulando que se considera custo de aquisição e valor de venda do imóvel rural o VTN declarado, na forma do art. 8º, observado o disposto no art. 14, respectivamente, nos anos de sua aquisição e de sua alienação. Para que não pairem dúvidas, eis a redação do dispositivo: Art. 19. A partir do dia 1º de janeiro de 1997, para fins de apuração de ganho de capital, nos termos da legislação do imposto de renda, considerase custo de aquisição e valor da venda do imóvel rural o VTN declarado, na forma do art. 8º, observado o disposto no art. 14, respectivamente, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação. Parágrafo único. Na apuração de ganho de capital correspondente a imóvel rural adquirido anteriormente à data a que se refere este artigo, será considerado custo de aquisição o valor constante da escritura pública, observado o disposto no art. 17 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Com clareza cristalina, vêse que a regra legal acima expressamente determina que deve ser observado o disposto no art. 14. Tal artigo, por sua vez, cuida dos procedimentos de ofício aplicáveis nas hipóteses de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, casos em que a Receita Federal deverá proceder à determinação do VTN com base nas informações sobre preços de terras, constantes de sistema por ela instituído. Vejase: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. Logo, é indubitável que o art. 19 tem um regime especial para a apuração do ganho de capital na alienação de imóveis rurais a Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10680.002569/200736 Acórdão n.º 2402006.206 S2C4T2 Fl. 160 12 partir de 1º de janeiro de 1997, devendo serem considerados os VTNs declarados nos anos de sua aquisição e de sua alienação, e que, por força do próprio art. 19, é aplicável o art. 14, segundo o qual a falta de declaração dos VTNs implicará o seu arbitramento de conformidade com o sistema de preço de terras. Seguese, pois, que o § 2º do art. 10 da IN SRF 84/2001, ao prever como custo e valor de alienação os constantes nos respectivos documentos de aquisição e alienação, não se compatibiliza com as normas legais retro mencionadas, pois se apresenta em verdadeira situação de antinomia. Por força do princípio da legalidade, expresso no art. 37, caput , da CF, e considerandose que a Instrução Normativa, neste ponto, extrapolou seu mero caráter regulamentar, deveria o lançamento ter sido efetuado de acordo com a lei, que tem um regime próprio de apuração do ganho de capital na hipótese de não terem sido declarados os VTNs nos anos de aquisição e/ou alienação. Não se pode conceber que o art. 19 da Lei tenha determinado a aplicação do seu art. 14 sem qualquer razão para tanto, senão para viabilizar que a autoridade fazendária possa proceder ao lançamento de ofício na hipótese sob comento, sob pena de se admitir que a lei possa conter palavras ou expressões inúteis. [...]Vejase, aliás, que não se está declarando a inconstitucionalidade do § 2º do art. 10 da IN SRF 84/2001, mas sim, diante do conflito de normas, utilizandose a norma legal em detrimento da norma infralegal, por aplicação do próprio princípio da legalidade. [...]No âmbito do órgão do Judiciário, deve ser destacado o seguinte precedente: TRIBUTÁRIO. GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL RURAL. LEI N.º 9.393/96. CUSTO DE AQUISIÇÃO E ALIENAÇÃO. SISTEMÁTICA DE APURAÇÃO. ART. 10, § 2.º, DA IN SRF N.º 84/01. ILEGALIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. MINORAÇÃO. 1. O parágrafo segundo, do art. 10 da Instrução Normativa n.º 84/2001, segundo a qual, na falta do DIAT, os custos de aquisição e alienação do imóvel rural devem ser equiparados ao valor constante dos respectivos instrumentos negociais, está em nítido descompasso com a legislação que lhe serve de sustentáculo. 2. Os custos de aquisição e de alienação de imóvel rural, estimados para fins de apuração de ganho de capital, deverão se pautar por aqueles valores da terra nua declarados pelo contribuinte, no DIAT apresentado nos respectivos anos. 3. No caso de não terem sido entregues tais documentos informativos, o art. 14 da Lei n.º 9.393/96 especifica os critérios que deverão ser levados em conta pela Receita Federal para apurar o imposto, entre eles o sistema de preço de terras. No caso dos autos, o antigo proprietário que efetivou a entrega da Declaração, não obstando a apuração do ganho de capital. 4. O valor da escritura pública considerado como custo de aquisição, conforme previsto na lei anterior, somente persiste Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10680.002569/200736 Acórdão n.º 2402006.206 S2C4T2 Fl. 161 13 quanto aos imóveis adquiridos antes de 1997, o que não é a hipótese dos autos. 5. Honorários advocatícios fixados no valor de R$ 1.000,00, nos termos do art. 20, §§ 3° e 4°, do CPC. (TRF4, APELREEX 2007.71.16.0005140, SEGUNDA TURMA, Relatora VÂNIA HACK DE ALMEIDA, D.E. 20/01/2010) Vale lembrar, nesse contexto, que a modificação nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento, seja de ofício ou em consequência de decisão administrativa ou judicial, impede a revisão de um lançamento já efetuado, ex vi do art. 146 do CTN." Para concluir a avaliação, em tudo alinhada ao precedente colacionado, destaco questão de fato que importaria na impossibilidade de prevalência do presente lançamento, mesmo adotando os critérios pretendidos pela Autoridade Fiscal. Devido ao parcelamento dos pagamentos, a operação foi considerada ocorrida em 31/05/2004 e 30/06/2004. Neste data, a normativa instrucional vigente com aplicável a caso (Instrução Normativa SRF nº 344, de 23 de julho de 2003) relacionava em seu artigo primeiro, quem estava obrigado a entregar a DITR: "Art. 1º Está obrigado a apresentar a Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR) relativa ao exercício de 2003: I a pessoa física ou jurídica, inclusive imune ou isenta, que em relação ao imóvel rural a ser declarado seja, na data da entrega: a) proprietária; b) titular do domínio útil; c) possuidora a qualquer título; II um dos condôminos, quando na data da entrega da declaração, o imóvel pertencer simultaneamente: a) a várias pessoas, em decorrência de contrato; b) a vários donatários, em função de doação recebida em comum; c) a várias pessoas a título de posse; III a pessoa física ou jurídica que perdeu, entre 1º de janeiro de 2003 e a data da efetiva entrega da declaração: a) a posse, pela imissão prévia do expropriante, em processo de desapropriação por necessidade ou utilidade pública ou interesse social, inclusive para fins de reforma agrária; b) o direito de propriedade pela transferência ou incorporação do imóvel rural ao patrimônio do expropriante, em decorrência de desapropriação por necessidade ou utilidade pública ou interesse social, inclusive para fins de reforma agrária; Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10680.002569/200736 Acórdão n.º 2402006.206 S2C4T2 Fl. 162 14 c) a posse ou a propriedade, em função de alienação ao Poder Público, inclusive às suas autarquias e fundações, e às instituições de educação e de assistência social imunes do imposto; IV a pessoa jurídica que recebeu o imóvel rural na hipótese prevista no inciso III; V o inventariante, enquanto não ultimada a partilha ou, se este não tiver sido nomeado, o cônjuge meeiro, o companheiro ou o sucessor a qualquer título, nos casos em que o imóvel rural pertencer a espólio. § 1º A DITR correspondente a cada imóvel rural será composta pelos seguintes documentos: I Documento de Informação e Atualização Cadastral do ITR (Diac), mediante o qual devem ser prestadas à Secretaria da Receita Federal (SRF) as informações cadastrais correspondentes a cada imóvel rural e a seu titular; II Documento de Informação e Apuração do ITR (Diat), mediante o qual devem ser prestadas à SRF as informações necessárias ao cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) e apurado o valor do imposto correspondente a cada imóvel rural. § 2º As informações constantes no Diac integrarão o Cafir, cuja administração cabe à SRF, que pode, a qualquer tempo, solicitar informações visando à sua atualização. § 3º As pessoas isentas ou imunes do ITR estão dispensadas de preencher o Diat." Sem maiores dificuldades é possível verificar que não consta da relação de pessoas obrigadas a apresentar DIAT ou DIRT aquele que, no exercício corrente e antes do prazo de apresentação da declaração, seja proprietário ou possuidor a qualquer titulo de imóvel rural ou que tenha alienado o imóvel. Tal obrigação se aplica apenas aqueles que, na data da declaração, tenham posse ou propriedade de imóvel rural. O Prazo para apresentação está definido no Art. 3º do mesmo normativo instrucional, devendo ocorrer entre 11 de agosto e 30 de setembro. "Art. 3º A DITR deverá ser apresentada no período de 11 de agosto a 30 de setembro de 2003: I pela Internet, com a utilização do programa de transmissão Receitanet, versão 2003.08 ou posterior, disponível na página da SRF na Internet, no endereço (http://www.receita.fazenda.gov.br); II em disquete, nas agências do Banco do Brasil S.A. e da Caixa Econômica Federal; Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10680.002569/200736 Acórdão n.º 2402006.206 S2C4T2 Fl. 163 15 III em formulário, nas agências e nas lojas franqueadas da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), observado o disposto no art. 5º. Parágrafo único. O serviço de recepção de declarações transmitidas pela Internet será encerrado às 20 horas (horário de Brasília) do dia 30 de setembro de 2003." Verificase então, que no presente caso, o Recorrente, no ano de alienação, não estava obrigado a apresentar a Declaração exigida pelo Agente fiscal para tomada do VTN como valor de aquisição e alienação. Não é razoável impor ao contribuinte tributo constituído com base em ausência de declaração a qual, legalmente, não estava obrigado a apresentação. Tal situação de fato corrobora a tese quanto a exacerbação dos limites legais incorridos pela interpretação positivada nos dispositivos da IN SRF nº 84/01, ferindo o principio da legalidade e ainda da razoabilidade. Conclusão À conta do acima exposto, voto no sentido de conhecer do recurso e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Voto Vencedor Mauricio Nogueira Righetti Redator designado. Não obstante o muito bem fundamentado e consistente voto condutor, peço venia para dele dissentir. A controvérsia aqui posta, consoante delimitada pelo relator, reside quanto à utilização do valor de alienação constante em instrumento negocial, em função da inexistência de DIAT no ano da alienação do imóvel (2004). Assevera o voto condutor, que o recorrente não estaria obrigado a apresentar sua DITR/DIAT no ano da alienação, em função de o prazo previsto em norma para o cumprimento dessa obrigação instrumental terse dado posteriormente à alienação do imóvel, sem, contudo, consignar qual o valor que deveria ter sido utilizado pelo Fisco. O VTN do DIAT do ano anterior ? Não vejo como acertada referida solução. A uma, porque o valor do VTN eventualmente declarado no ano anterior pode não exprimir o real valor da operação; a duas, por que o § 2º do inciso II do artigo 10 da IN SRF nº 84/2001 apresenta, textualmente, a solução para o caso. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10680.002569/200736 Acórdão n.º 2402006.206 S2C4T2 Fl. 164 16 Não obstante, o voto condutor acabou por afastar a aplicação do normativo encimado, verdadeira norma complementar da lei, consoante estabelece o artigo 100 do CTN, ao fundamento de que haveria uma antinomia entre elas IN SRF nº 84/2001 e a lei que se pretende complementar (Lei 9.393/96). Não compartilho desse posicionamento. Por mais de uma vez, tive a oportunidade de expor meu entendimento neste colegiado, acerca da perfeita compatibilidade entre aqueles normativos. Os fundamentos dos quais me valho, estão adiante expostos. Vejamos: Passemos, assim, a análise sistêmica dos dispositivos, inseridos no arcabouço normativo que trata da matéria. O artigo 153 da nossa Constituição Federal estabelece competir à União instituir impostos sobre a renda e proventos de qualquer natureza. Por sua vez, o artigo 43 do CTN define que renda é o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, ao passo que proventos, os acréscimos patrimoniais não compreendidos no conceito de renda. Nessa linha, o artigo 3º da Lei 7.713/88, em especial seu parágrafo 2º, como regra matriz para incidência do IR sobre o ganho de capital (GCAP), prescreve que integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de BENS OU DIREITOS DE QUALQUER NATUREZA. E mais, o § 3º, ao dispor sobre a alienação, é claro ao mencionar que serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos. Ou seja, o diploma legal acima, que não trata especificamente do imóvel rural, tampouco o excetua da sistemática, traz a regra geral para a exação. É dizer: todo a acréscimo patrimonial, seja sobre qual for o patrimônio, apurado quando de sua alienação, deve ser oferecido à tributação. E não se deve perder isto de vista. Por obvio, devem ser observadas as circunstâncias legais que autorizam a dedução ou soma dos valores, respectivamente, de alienação e do custo de aquisição, bem com aquelas que, à luz do artigo 97 do CTN, estabeleçam a isenção do imposto na operação. Tratemos, adiante, do GCAP na alienação de imóvel. Na concepção da Lei Civil, BEM IMÓVEL é o solo e tudo quanto se lhe incorporar natural (Imóvel por Natureza) ou artificialmente (Imóvel por Acessão Física) (art 79) Ainda assim, não perdem o caráter de imóveis: as edificações que, separadas do solo, mas conservando a sua unidade, forem removidas para outro local e os materiais provisoriamente separados de um prédio, para nele se reempregarem. Ou seja, pela Lei civil, tanto o solo quanto às construções e benfeitorias nele incorporadas, fazem parte do IMÓVEL. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10680.002569/200736 Acórdão n.º 2402006.206 S2C4T2 Fl. 165 17 A lei 8.023/90, que trata da Atividade Rural e da apuração do seu ganho, tributável pelo IR no ajuste anual na DIRPF, não define o que vem a ser IMÓVEL RURAL, mas tão somente a atividade rural. Aquele diploma define a sistemática para a apuração do resultado da atividade rural, vale dizer, quando se pratica a atividade tal como prevista em seu artigo 2º. Em síntese: os investimentos pagos, dentre eles os que agregarão valor ao imóvel por acessão física, serão considerados despesas na apuração do resultado; e, quando de sua alienação, receita da mesma atividade. Note que o legislador possibilitou àquele que exercesse a atividade rural valerse dos investimentos em benfeitorias como despesa da atividade rural, sendo que, quando da venda do IMÓVEL, o valor a elas relacionado seria reconhecido como receita. Assim, caso houvesse algum ganho imobiliário nessas benfeitorias (imóvel por acessão), seria tratado no âmbito do ajuste anual, com as prerrogativas daquela sistemática de tributação favorecida, se fosse o caso (opção pelos 20% da receita como resultado). Em ouras palavras: quem exerce a atividade rural pode se valer dos gastos com benfeitorias como custo para essa atividade e quando vender o imóvel, reconhece a venda dessa parcela como receita. É uma oportunidade para quem exerce a atividade rural ter seu resultado afetado, imediatamente, pelos seus investimentos na produção, e não adicionado ao custo do seu imóvel para um futuro e eventual aproveitamento na redução de seu ganho de capital. E por força do artigo 14: O prejuízo apurado pela pessoa física e pela pessoa jurídica poderá ser compensado com o resultado positivo obtido nos anosbase posteriores. Perceba que a tributação dos investimentos em benfeitorias (despesas/custo), bem assim o produto de sua alienação (receita) no âmbito da atividade rural é substancialmente menor do que caso optasse por apurar o ganho de capital em sua alienação. A depender dos valores envolvidos, da forma de pagamento, da opção pela tributação de apenas 20% da receita e das deduções na apuração do ajuste, pode ser que não resulte IR devido ao final do período, ainda que a alienação tenha se dado com expressivo ganho patrimonial. É um favor fiscal, em função da política tributária, àqueles que exercem a atividade rural e reconhecem, ambos, os investimos e alienações relacionados às benfeitorias na apuração do resultado daquela atividade. Nessa linha, não é dada ao contribuinte, extrapolando a benesse fiscal, a opção por adicionar as despesas com os investimentos em benfeitorias ao custo de aquisição do imóvel, reduzindo, ao final, o ganho de capital na alienação do imóvel; e reconhecer o produto da venda como receita da atividade rural, levando ao ajuste apenas 20% desse valor, sobre o qual ainda serão deduzidas as despesas lá permitidas (ou deduzir em 20%, a título de desconto simplificado, observado o limite legal). Definitivamente, tenho que esta não foi a intenção do legislador. Por sua vez, fez questão de esclarecer que o valor da terra nua, quando da alienação do imóvel, não integraria a apuração do resultado da atividade rural, mas sim, por meio da apuração de GCAP prevista no artigo 3º daquela regra matriz (L. 7.713/88). Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10680.002569/200736 Acórdão n.º 2402006.206 S2C4T2 Fl. 166 18 Assim, a pelo menos desde 04/1990, o valor das benfeitorias, seja como investimento pago (despesa), seja na venda como bem da produção (imóvel rural), é considerado na apuração do resultado da atividade rural e, a rigor, não integram os valores de aquisição e de alienação para fins de apuração do GCAP. Posta acima a sistemática legal para apuração do resultado da atividade rural, passemos, em consonância com a análise empreendida, aplicar a metodologia legal para a apuração do ganho de capital na alienação de imóvel rural (por natureza e por acessão). Sob a égide da Instrução Normativa SRF nº 39/1993, revogada pela de nº 84/2001, tínhamos: Art. 18. No caso de imóvel rural será considerado custo de aquisição o valor, em UFIR, relativo à terra nua. Parágrafo único. Considerase terra nua o imóvel rural despojado das construções, instalações e melhoramentos, das culturas permanentes, das árvores de florestas plantadas e das pastagens cultivadas ou melhoradas, que se classificam como investimentos (benfeitorias) da atividade rural. Art. 22. Considerase valor de alienação: § 4º Na alienação de imóvel rural com benfeitorias, será considerado apenas o valor da terra nua. Veja que os dispositivos acima tratavam, apenas, no valor da terra nua. Assim, considerado o normativo revogado, tínhamos a seguinte questão a responder: Na alienação do imóvel rural com benfeitorias, como tratar aqueles casos em que não se exerce a atividade rural ou, se a exerce, não levou tais valores para a apuração do resultado da atividade rural, uma vez que, em função da matriz legal, integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de BENS OU DIREITOS DE QUALQUER NATUREZA ? Note que a norma matriz instituiu a incidência tributária nos ganhos de capital de maneira suficientemente abrangente, de formar que, eventual tratamento que tendesse a excluir determinada operação, como por exemplo, a alienação das benfeitorias, deveria constar expressamente de norma isentiva, na forma do artigo 111, II, do CTN. Assim, a par dessa problemática, a IN 84/2001, ao reconhecer a inexistência de norma isentiva em face da regra geral (art 3º da Lei 7.713/88) e, por outro lado, ao reconhecer o permissivo legal para o aproveitamento dos gastos com benfeitorias na apuração do resultado da atividade rural, regulamentou, com fulcro no artigo 100 da CTN: Custo de aquisição = VTN Se as benfeitorias não tiverem sido computadas como investimentos na apuração do resultado da atividade rural, poderão integrar o valor do custo de aquisição e, quando da alienação do imóvel, também integrarão o valor de alienação. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10680.002569/200736 Acórdão n.º 2402006.206 S2C4T2 Fl. 167 19 Se, por outro lado, tiverem sido computadas como custo/investimento na apuração do resultado da atividade rural, deverão ser reconhecidas como receita dessa atividade rural, quando da alienação do imóvel; caso não tenham sido reconhecidas como receita, o valor comporá o de alienação. Caso não exerça ou não tenha se valido da sistemática acima e por força da regra matriz (lei 7.713/88), essa tributação se dará no âmbito da apuração do GCAP, adicionandose, tanto ao custo, quanto no valor de alienação, a parcela identificada como sendo investimento em benfeitorias. Assim, a IN SRF 84/2001 procurou dar efetividade ao benefício instituído pela lei 8.023/90, em confronto com a previsão na lei 7.713/88. Com o advento da Lei 9.393/96, que em nada modificou a sistemática então delineada, surgiu a controvérsia com relação ao aproveitamento daquele valor de terra nua, por força do que constou em seu artigo 19. A Lei 9.393/96, de 19.12.1996 dispõe sobre o ITR e, para fins de sua apuração, estabeleceu o IMÓVEL RURAL como o IMÓVEL POR NATUREZA. Apenas solo, matas e florestas nativas. É o que se costuma chamar de Terra Nua. Em um único artigo que trata do GCAP, definiu que o ganho de capital, para os IMÓVEIS RURAIS, deveria considerar o Valor daquela Terra Nua como custo de aquisição e valor da venda. Art. 19. A partir do dia 1º de janeiro de 1997, para fins de apuração de ganho de capital, nos termos da legislação do imposto de renda, considerase custo de aquisição e valor da venda do imóvel rural o VTN declarado, na forma do art. 8º, observado o disposto no art. 14, respectivamente, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação. Note que o dispositivo acima não inovou quanto a considerar o VTN como custo de aquisição e como valor da venda do imóvel rural, eis que assim já tratava a legislação tributária antes de sua edição (IN SRF 39/1993). Consoante se extrai da exposição de motivos da Medida Provisória 1.528/96, convertida na Lei 9.393/96, pretendeu o legislador que, quando da alienação da terra nua, fosse adotado o valor declarado pelo contribuinte como base de cálculo do ITR. Não quis a lei, no entender deste Relator ao tratar da apuração do ganho de capital resumir todo o imóvel rural ao valor da terra nua, mas, sim, estabelecer que para a determinação do valor do imóvel por natureza, seria observado, tanto na aquisição, quanto na alienação, o valor da terra nua VTN, declarado pelo próprio contribuinte à RFB. A novidade foi que, com relação aos imóveis adquiridos após 01.01.1997, esse VTN seria extraído do DIAT apresentado pelo próprio contribuinte, quando da apuração do seu ITR, sendo certo que referido VTN decorreria de autoavaliação a preço de mercado no primeiro dia do ano. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10680.002569/200736 Acórdão n.º 2402006.206 S2C4T2 Fl. 168 20 Tal disposição teve como razão de ser, a necessidade de legalmente instrumentalizar a administração tributária à obtenção daquele VTN, sobretudo nas situações em que o contribuinte tenha levado os valores relacionados às benfeitorias para a apuração do resultado da atividade rural (como custo e receita) e não disponha desses valores (VTN/benfeitorias) discriminados no instrumento da transação. Assim, se por um lado, o contribuinte precise demonstrar que "trabalhou" com as benfeitorias no âmbito da apuração do resultado da atividade rural, por outro, caso provado, o Fisco não pode mais se valer do instrumento da transação, quando não se especificou o que era VTN e o que eram benfeitorias. Usualmente o ônus dessa especificação era atribuído ao sujeito passivo. Nesse rumo, mais do que uma obrigação a que o fisco utilizasse daquele documento (DIAT), foi uma autorização para que a fiscalização se sentisse legalmente segura ao se valer de uma informação prestada pelo próprio sujeito passivo, sem que houvesse, a rigor, a necessidade de contraditála. Tanto o é, que na hipótese de o valor tiver sido subavaliado ou não houver a apresentação desse DIAT, a Fiscalização estará autorizada a valerse das informações que constam nos sistemas de preços de terras. Ou seja, aproveitarse de outra informação que, com alguma freqüência, pode não retratar o preço real praticado na operação em questão. Vejamos, novamente, o que diz a exposição de motivos, nesse ponto: Perceba que a intenção do legislador, ao mencionar a utilização do sistema de informação sobre preços de terras, foi a de que ele servisse de norte para a Fiscalização, não a de impor, a qualquer custo, sua utilização. Voltemos ao texto da lei, desta feita o do artigo 14: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10680.002569/200736 Acórdão n.º 2402006.206 S2C4T2 Fl. 169 21 realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Não é difícil notar que o dispositivo tem sua redação voltada, primordialmente, para a apuração do ITR, quando estabelece que o lançamento de ofício considerará a informações sobre preços de terras constantes dos sistemas da RFB. Em outras palavras, o lançamento de ofício lá previsto é aquele por meio do qual se constituirá o ITR. Diferentemente da apuração do GCAP, quando a determinação dos valores de alienação e custo de aquisição são, ou ao menos deveriam ser, fielmente retratados em um documento que consubstancia o negócio jurídico entabulado; na apuração do ITR não se tem um documento que, com periodicidade anual, estabeleça o valor da terra nua que servirá de base para sua determinação. Razoável, nesse contexto, que se autorize, legalmente, a utilização do valor constante naquele sistema de preços de terras, sob pena de se engessar a fiscalização daquele tributo. No que toca ao precitado sistemas de preços de terras SIPT instituído pela Portaria SRF 447/2002, de 04/2002 cumpre ressaltar que o mesmo é alimentado com os valores de terras e demais dados recebidos das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, e com os valores de terra nua da base de declarações do ITR. Tais informações sobre preços de terra deverão observar os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. O dispositivo acima, da Lei 8.629/93, que regulamente a reforma agrária, foi alterado em 2001. A redação original impunha os seguintes critérios para o SIPT: o VTN segundo a: 1 localização do imóvel; 2 capacidade potencial da terra; e 3 dimensão do imóvel. Todavia, a atual redação impõe os seguintes critérios: 1 localização do imóvel; 2 aptidão agrícola; 3 dimensão do imóvel; 4 área ocupada e ancianidade das posses; 5 funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. Percebese aqui nova autorização ao Fisco, que, em não havendo a apresentação do DIAT ou verificando a subavaliação do VTN, pode se nortear pelo valor de VTN no SIPT, como se aquele valor estimado correspondesse ao preço efetivamente praticado na operação, como numa espécie de "arbitramento". Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10680.002569/200736 Acórdão n.º 2402006.206 S2C4T2 Fl. 170 22 Note que tal documento, que traz valor do VTN proveniente de uma auto avaliação, não tem sua aplicação de forma absoluta, inconteste, conforme vimos acima (hipótese de subavaliação). Veja que esse dispositivo como dito acima visou, primordialmente, a que o Fisco contasse com certa instrumentalidade para a célere aferição da base de cálculo do ganho de capital, ainda que, num primeiro momento, ao valerse de uma informação prestada pelo próprio contribuinte, pudesse não corresponder a verdade dos fatos. Prestigiouse, nesse sentido, a celeridade e o incremento da presença fiscal. Indubitavelmente, por outro lado, trata de um dispositivo que ao agilizar o procedimento fiscal, pode, a depender do caso, não refletir a justa tributação. Podese chegar a um valor estimado, que pode ser que se aproxime ao do caso concreto, ou pode ser que não. Diferentemente da utilização dos instrumentos do negócio (escrituras e contratos, por exemplo), que, além de no mínimo obrigarem as partes envolvidas, devem observar, conforme o caso, as formalidades legais. Pois bem, esse é o cenário: Se há o DIAT, a Fiscalização PODE dele se utilizar; por outro lado, caso não haja ou se identifique patente subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a fiscalização PODE se valer das informações do SIPT; Contudo, caso tenha disponível os documentos negociais, que retratem, concretamente, a operação, deles DEVEM se valer. Destarte, observados os critérios acima e após a análise sistêmica dos artigos 14 e 19 da Lei 9.393/96, 3º da Lei 7.713/88 e do que dispõe a Lei 8.023/90, não vislumbro qualquer impropriedade na utilização dos valores que constaram dos instrumentos negociais. Não há que se falar, desta feita, em se criar tributo, base de cálculo ou mesmo alíquota por meio de Instrução Normativa, na medida em que norma infra legal nada mais fez do que conciliar a tributação privilegiada prevista na Lei 8.023/90, para aqueles que exercem atividade rural, com a norma matriz para a apuração e cobrança do ganho de capital na alienação de bens e direitos de qualquer natureza, além de propiciar ao contribuinte fosse utilizado o valor efetivo (documentos), em detrimento de um estimado (SIPT). Supor o contrário, seria admitir apurar o ganho de capital tributável levando se em conta valores estimados que poderiam, ao final, conduzir a um valor de ganho inferior ao que efetivamente se teve como acréscimo patrimonial, implicando o reconhecimento de isenção, à margem da lei, da parcela não contemplada no DIAT/SIPT. Forte nas considerações acima, VOTO no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10680.002569/200736 Acórdão n.º 2402006.206 S2C4T2 Fl. 171 23 Fl. 171DF CARF MF
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