Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,224)
- Segunda Câmara (27,799)
- Primeira Câmara (25,084)
- Segunda Turma Ordinária d (17,395)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,074)
- Primeira Turma Ordinária (15,860)
- Primeira Turma Ordinária (15,855)
- Primeira Turma Ordinária (15,831)
- Segunda Turma Ordinária d (15,688)
- Segunda Turma Ordinária d (14,225)
- Primeira Turma Ordinária (12,958)
- Primeira Turma Ordinária (12,272)
- Segunda Turma Ordinária d (12,235)
- Quarta Câmara (11,513)
- Primeira Turma Ordinária (11,304)
- Quarta Câmara (83,955)
- Terceira Câmara (66,335)
- Segunda Câmara (54,592)
- Primeira Câmara (19,126)
- 3ª SEÇÃO (16,074)
- 2ª SEÇÃO (11,242)
- 1ª SEÇÃO (6,788)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (122,260)
- Segunda Seção de Julgamen (113,023)
- Primeira Seção de Julgame (75,502)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,910)
- Câmara Superior de Recurs (37,700)
- Terceiro Conselho de Cont (25,965)
- IPI- processos NT - ressa (5,006)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,057)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,860)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,242)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,099)
- IRPJ - restituição e comp (2,087)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,641)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,197)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,619)
- HELCIO LAFETA REIS (3,510)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,210)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,899)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,625)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,605)
- WILDERSON BOTTO (2,588)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,074)
- 2021 (35,828)
- 2019 (30,958)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,914)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,465)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,086)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,176)
- 2010 (18,058)
- 2008 (17,077)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,838)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 11060.002063/2007-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 30/04/2004 a 31/12/2005
ENGARRAFAMENTO DE CERVEJAS. INDUSTRIALIZAÇÃO.
O engarrafamento é, inquestionavelmente, uma das muitas modalidades de acondicionamento, tratando-se de uma atividade industrial na forma do art. 4º, IV, do RIPI.
NÃO CUMULATIVIDADE. PRODUTORES DE BEBIDAS. LEI N.º 10.925/2004.
A partir de 01/11/2004, as pessoas jurídicas produtoras de bebidas sujeitas ao regime da não-cumulatividade puderam descontar créditos relativos a insumos e outras despesas previstas na legislação de regência, sendo os créditos calculados com base no valor de aquisição às alíquotas padrões previstas no caput do art. 2º da Lei n.º 10.833/2003.
INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS
É do conhecimento deste colegiado que o Supremo Tribunal Federal julgou esta tese no Recurso Extraordinário n.º 574.706, em sede de repercussão geral, no sentido de que "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Contudo, diante da exigência regimental trazida pelo art. 62, §1º, II, 'b' do RICARF, necessário aplicar o entendimento firmado em sede de recurso repetitivo pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial n.º 1.144.469, transitado em julgado em 10/03/2017, pela necessidade de inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 30/04/2004 a 31/12/2005
ENGARRAFAMENTO DE CERVEJAS. INDUSTRIALIZAÇÃO.
O engarrafamento é, inquestionavelmente, uma das muitas modalidades de acondicionamento, tratando-se de uma atividade industrial na forma do art. 4º, IV, do RIPI.
NÃO CUMULATIVIDADE. PRODUTORES DE BEBIDAS. LEI N.º 10.925/2004.
A partir de 01/11/2004, as pessoas jurídicas produtoras de bebidas sujeitas ao regime da não-cumulatividade puderam descontar créditos relativos a insumos e outras despesas previstas na legislação de regência, sendo os créditos calculados com base no valor de aquisição às alíquotas padrões previstas no caput do art. 2º da Lei n.º 10.637/2002.
INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS
É do conhecimento deste colegiado que o Supremo Tribunal Federal julgou esta tese no Recurso Extraordinário n.º 574.706, em sede de repercussão geral, no sentido de que "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Contudo, diante da exigência regimental trazida pelo art. 62, §1º, II, 'b' do RICARF, necessário aplicar o entendimento firmado em sede de recurso repetitivo pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial n.º 1.144.469, transitado em julgado em 10/03/2017, pela necessidade de inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-005.301
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, por rejeitar a proposta de sobrestamento do feito até o julgamento pelo Supremo Tribunal Federal do RE 574.906. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Maysa de Sá Pittondo Deligne. No mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento parcial ao recurso quanto a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 30/04/2004 a 31/12/2005 ENGARRAFAMENTO DE CERVEJAS. INDUSTRIALIZAÇÃO. O engarrafamento é, inquestionavelmente, uma das muitas modalidades de acondicionamento, tratando-se de uma atividade industrial na forma do art. 4º, IV, do RIPI. NÃO CUMULATIVIDADE. PRODUTORES DE BEBIDAS. LEI N.º 10.925/2004. A partir de 01/11/2004, as pessoas jurídicas produtoras de bebidas sujeitas ao regime da não-cumulatividade puderam descontar créditos relativos a insumos e outras despesas previstas na legislação de regência, sendo os créditos calculados com base no valor de aquisição às alíquotas padrões previstas no caput do art. 2º da Lei n.º 10.833/2003. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS É do conhecimento deste colegiado que o Supremo Tribunal Federal julgou esta tese no Recurso Extraordinário n.º 574.706, em sede de repercussão geral, no sentido de que "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Contudo, diante da exigência regimental trazida pelo art. 62, §1º, II, 'b' do RICARF, necessário aplicar o entendimento firmado em sede de recurso repetitivo pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial n.º 1.144.469, transitado em julgado em 10/03/2017, pela necessidade de inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 30/04/2004 a 31/12/2005 ENGARRAFAMENTO DE CERVEJAS. INDUSTRIALIZAÇÃO. O engarrafamento é, inquestionavelmente, uma das muitas modalidades de acondicionamento, tratando-se de uma atividade industrial na forma do art. 4º, IV, do RIPI. NÃO CUMULATIVIDADE. PRODUTORES DE BEBIDAS. LEI N.º 10.925/2004. A partir de 01/11/2004, as pessoas jurídicas produtoras de bebidas sujeitas ao regime da não-cumulatividade puderam descontar créditos relativos a insumos e outras despesas previstas na legislação de regência, sendo os créditos calculados com base no valor de aquisição às alíquotas padrões previstas no caput do art. 2º da Lei n.º 10.637/2002. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS É do conhecimento deste colegiado que o Supremo Tribunal Federal julgou esta tese no Recurso Extraordinário n.º 574.706, em sede de repercussão geral, no sentido de que "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Contudo, diante da exigência regimental trazida pelo art. 62, §1º, II, 'b' do RICARF, necessário aplicar o entendimento firmado em sede de recurso repetitivo pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial n.º 1.144.469, transitado em julgado em 10/03/2017, pela necessidade de inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 01 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11060.002063/2007-97
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5887195
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 01 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3402-005.301
nome_arquivo_s : Decisao_11060002063200797.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
nome_arquivo_pdf_s : 11060002063200797_5887195.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, por rejeitar a proposta de sobrestamento do feito até o julgamento pelo Supremo Tribunal Federal do RE 574.906. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Maysa de Sá Pittondo Deligne. No mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento parcial ao recurso quanto a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
dt_sessao_tdt : Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
id : 7375542
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050587798437888
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1960; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 242 1 241 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11060.002063/200797 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402005.301 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de junho de 2018 Matéria PIS/COFINS Recorrente SANTAMATE INDUSTRIA E COMERCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 30/04/2004 a 31/12/2005 ENGARRAFAMENTO DE CERVEJAS. INDUSTRIALIZAÇÃO. O engarrafamento é, inquestionavelmente, uma das muitas modalidades de acondicionamento, tratandose de uma atividade industrial na forma do art. 4º, IV, do RIPI. NÃO CUMULATIVIDADE. PRODUTORES DE BEBIDAS. LEI N.º 10.925/2004. A partir de 01/11/2004, as pessoas jurídicas produtoras de bebidas sujeitas ao regime da nãocumulatividade puderam descontar créditos relativos a insumos e outras despesas previstas na legislação de regência, sendo os créditos calculados com base no valor de aquisição às alíquotas padrões previstas no caput do art. 2º da Lei n.º 10.833/2003. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS É do conhecimento deste colegiado que o Supremo Tribunal Federal julgou esta tese no Recurso Extraordinário n.º 574.706, em sede de repercussão geral, no sentido de que "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Contudo, diante da exigência regimental trazida pelo art. 62, §1º, II, 'b' do RICARF, necessário aplicar o entendimento firmado em sede de recurso repetitivo pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial n.º 1.144.469, transitado em julgado em 10/03/2017, pela necessidade de inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 30/04/2004 a 31/12/2005 ENGARRAFAMENTO DE CERVEJAS. INDUSTRIALIZAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 20 63 /2 00 7- 97 Fl. 242DF CARF MF 2 O engarrafamento é, inquestionavelmente, uma das muitas modalidades de acondicionamento, tratandose de uma atividade industrial na forma do art. 4º, IV, do RIPI. NÃO CUMULATIVIDADE. PRODUTORES DE BEBIDAS. LEI N.º 10.925/2004. A partir de 01/11/2004, as pessoas jurídicas produtoras de bebidas sujeitas ao regime da nãocumulatividade puderam descontar créditos relativos a insumos e outras despesas previstas na legislação de regência, sendo os créditos calculados com base no valor de aquisição às alíquotas padrões previstas no caput do art. 2º da Lei n.º 10.637/2002. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS É do conhecimento deste colegiado que o Supremo Tribunal Federal julgou esta tese no Recurso Extraordinário n.º 574.706, em sede de repercussão geral, no sentido de que "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Contudo, diante da exigência regimental trazida pelo art. 62, §1º, II, 'b' do RICARF, necessário aplicar o entendimento firmado em sede de recurso repetitivo pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial n.º 1.144.469, transitado em julgado em 10/03/2017, pela necessidade de inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, por rejeitar a proposta de sobrestamento do feito até o julgamento pelo Supremo Tribunal Federal do RE 574.906. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Maysa de Sá Pittondo Deligne. No mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento parcial ao recurso quanto a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado). Fl. 243DF CARF MF Processo nº 11060.002063/200797 Acórdão n.º 3402005.301 S3C4T2 Fl. 243 3 Relatório Tratase de Autos de Infração de PIS e COFINS nos regimes de apuração cumulativa e não cumulativa relativas ao período de apuração de 30/04/2004 a 31/12/2005, decorrente do cálculo indevido dos tributos e o indevido aproveitamento de créditos. A fiscalização segregou os períodos de apuração em razão das alterações legislativas incorridas no período e considerando a opção da empresa ao regime especial de recolhimento previsto no art. 52 da Lei n.º 10.833/2003, esclarecendo as razões para a lavratura da autuação da seguinte forma: "1. Abril e Maio de 2004 As receitas decorrentes da venda de cerveja estavam expressamente excluídas da não cumulatividade (lei 10833/2003, art. 56) e o contribuinte ainda não havia optado pelo regime especial do art. 52 da lei 10833/2003, logo estava sob a égide do disposto no art. 49 da lei 10833/2003. (...) Neste período somente teve direito ao crédito dos valores das contribuições pagas na aquisição no caso de operações de revenda de cerveja (art. 55). A cerveja adquirida em tanques e acondicionado posteriormente em garrafas, operação caracterizada como industrialização, não gerava direito a crédito. Observase que a entrada do produto no contribuinte se dava pelo C OP 2401 (compra para industrialização em operação com mercadoria sujeita ao regime de substituição tributária). 2. Junho a Outubro de 2004 Neste período a empresa já era optante do regime especial do art. 52 da lei 10833/2003, conforme termo apresentado a esta fiscalização. (...) Nestas condições, possuía o direito aos seguintes créditos: crédito dos valores das contribuições pagas na aquisição, no caso de operações de revenda de cerveja (art. 55, lei 10833l2003); credito previsto no art. 26 da lei 10.865/2004; créditos relativos às embalagens que adquirir (calculados na forma do art. 51 da lei 10833/2003); direito de utilizar os saldos de créditos de PIS não cumulativos que porventura ainda não tivesse aproveitado (art. 58, I); credito de 3%, a título de Coflns, sobre o seu estoque de abertura (no primeiro dia de vigência do regime especial, ou seja, 1° de junho) das matérias primas e embalagens relacionadas no Anexo Único (art. 58, ll). Fora estes, nenhum outro crédito lhe cabe (...) Novamente, a cerveja, adquirida em tanques e engarrafadas para comercialização, operação caracterizada como industrialização, não gerava direito a crédito. 3. Novembro de 2004 a Dezembro de 2005 Contribuinte continuava como optante do regime especial do art. 52 da lei 10833/2003, tendo direito aos mesmos créditos do período acima. (...) Dentro desta nova disposição, a aquisição de cerveja em tanques se configura como uma operação normal de aquisição de insumos e produtos para industrialização, seguindo o disposto no inciso 11 do art. 3° da lei 10833/2003 (COFINS) e inciso 11 do art. 3" da lei 10637/2002 (PIS). (..) Ao contrário das Fl. 244DF CARF MF 4 embalagens, não há previsão legal para a apuração do crédito na aquisição da cerveja por valor fixo por litro. No tocante às embalagens, a disposição legal continua a mesma (§ 1°, art. 52 da lei 10833/2003), ou seja, a apuração do crédito é referente ao valor fixo por unidade de PIS e COFINS, no caso da empresa, lata de alumínio (..)." (efls. 99/103 grifei) Inconformada, a empresa apresentou impugnações que foram julgadas integralmente improcedentes pelo acórdão da DRJ (efls. 193/204). Intimada desta decisão em 23/04/2010 (efl. 210), a empresa apresentou Recurso Voluntário em 20/05/2010 (efls. 213/236) reiterando os argumentos aduzidos na Impugnação, sustentando, em síntese: (i) para todos os períodos autuados, a fiscalização teria equivocadamente considerado a sua atividade de simples engarrafamento de cervejas como industrial e, por conseguinte, não lhe ter garantido os créditos no regime da não cumulatividade do PIS e da COFINS. No entender do contribuinte sua operação seria de revenda, enquadrandose na previsão do art. 55 da Lei n.º 10.833/2003, sob pena de indevida bitributação e de tornar inviável a produção; (ii) especificamente quanto aos meses de novembro/2004 a dezembro/2005, afirma que (ii.1) há uma desconformidade nos créditos considerados, vez que enquanto para o cálculos dos débitos é utilizada uma pauta fiscal (que afirma ser inconstitucional, mas sem trazer as razões de inconstitucionalidade), o valor dos créditos devem considerar o valor de aquisição das mercadorias e não sobre o número de litros; (ii.2) quanto á verificação das vendas devolvidas, o cálculo de créditos e débitos foi feito em desrespeito ao art. 63 do Decreto n° 4.524/2002; (iii) a necessidade de se excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS com fulcro no entendimento do Supremo Tribunal Federal quanto ao conceito de faturamento firmado no julgamento da inconstitucionalidade do art. 3º, da Lei n.º 9.718/98. Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne O Recurso Voluntário é tempestivo e deve ser conhecido. Primeiramente, entendo que caberia o sobrestamento do processo no presente caso por envolver a discussão em torno do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, até o julgamento final pelo Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário 574.706. Esta proposta está no mesmo sentido daquela trazida pelo Conselheiro Diego Diniz Ribeiro em distintos processos nessa Turma, dentre os quais no acórdão 3402004.699. Fl. 245DF CARF MF Processo nº 11060.002063/200797 Acórdão n.º 3402005.301 S3C4T2 Fl. 244 5 Vencida nesse pedido em sessão, adentro a seguir nas razões do Recurso Voluntário. I DO ENGARRAFAMENTO DAS CERVEJAS PELA RECORRENTE: ATIVIDADE INDUSTRIAL Sustenta a Recorrente que a atividade por ela desempenhada de engarrafamento de cervejas adquiridas para posterior venda não seria caracterizada como atividade industrial. Contudo, como apontado pela r. decisão recorrida, "se a contribuinte compra a cerveja de malte a granel e a envasa (coloca em garrafas ou latas de alumínio), aperfeiçoando o produto para consumo, está realizando operação de industrialização." (efl. 200). Com efeito, esse entendimento é depreendido da legislação do Imposto sobre produtos industrializados IPI, como se depreende do art. 4º, IV, do Regulamento do IPI, com a mesma redação nas versões aprovadas pelo Decreto n.º 4.544/2002, vigente à época dos fatos geradores autuados, e pelo Decreto n.º 7.212/2010, atualmente vigente: "Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 5.172, de 1966, art. 46, parágrafo único, e Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único): (...) IV a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); ou" (grifei) Desta forma, uma vez que a colocação da cerveja em seus recipientes usuais, as garrafas e latas, configura acondicionamento tal e qual prevê o RIPI, e como o engarrafamento é, inquestionavelmente, uma das muitas modalidades de acondicionamento, temse que a atividade de engarrafamento realizada pela Recorrente é uma atividade industrial. Esse foi o raciocínio traçado no Parecer Normativo RFB n.º 15/2013: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI. ENGARRAFAMENTO. ACONDICIONAMENTO. MODALIDADE DE INDUSTRIALIZAÇÃO. NECESSIDADE DE ENQUADRAMENTO DO PRODUTO. Ementa: O engarrafamento é modalidade de acondicionamento prevista na legislação do IPI. Portanto, os engarrafadores de vinho são, face ao Regulamento, estabelecimentos industriais contribuintes do IPI, sujeitandose a todas as obrigações previstas na legislação, entre elas a necessidade de requerer o registro especial de engarrafador, de selar seus produtos, bem como de solicitar o enquadramento destes. Caso tenha adquirido o vinho com suspensão do imposto, não poderá o estabelecimento engarrafador se creditar do IPI, em face de não ter havido recolhimento na etapa anterior, além de não haver previsão legal para tal creditamento. Dispositivos Legais: Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010, Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados RIPI/2010, arts. 4º, IV, 9º, VII, 24, II, 35, II, 44 e 339, § 3º; Decreto nº 99.066, de 8 de março de 1990, art. 124; Instrução Fl. 246DF CARF MF 6 Normativa SRF nº 504, de 3 de fevereiro de 2005; e Instrução Normativa RFB nº 866, de 6 de agosto de 2008." (DOU 09/09/2013 grifei) Desta forma, correto o entendimento perpetrado pela fiscalização no cálculo dos valores de PIS/COFINS devidos pela Recorrente, como empresa produtora das cervejas, e não como revendedora à luz do art. 55 da Lei n.º 10.833/2003, como pretendido pela Recorrente em relação a todo o período autuado. II ALEGAÇÕES ESPECÍFICAS RELATIVAS AO PERÍODO DE NOVEMBRO/2004 A DEZEMBRO/2005 DAS INCONFORMIDADES NO CÁLCULO DO CRÉDITO E DO PIS/COFINS APONTADOS COMO DEVIDOS Como relatado, a fiscalização procedeu com a identificação dos valores dos débitos e créditos cabíveis considerando as diferenças identificadas nos períodos de apuração relativas ao regime de apuração aplicável para a Recorrente (geral do art. 49 da Lei n.º 10.833/2003 ou regime especial do art. 52 da mesma lei) e as alterações legislativas incorridas no período, principalmente quanto à possibilidade de tomada de crédito no regime de produção de bebidas. Vejamos novamente os exatos termos da fiscalização: "1. Abril e Maio de 2004 As receitas decorrentes da venda de cerveja estavam expressamente excluídas da não cumulatividade (lei 10833/2003, art. 56) e o contribuinte ainda não havia optado pelo regime especial do art. 52 da lei 10833/2003, logo estava sob a égide do disposto no art. 49 da lei 10833/2003. (...) Neste período somente teve direito ao crédito dos valores das contribuições pagas na aquisição no caso de operações de revenda de cerveja (art. 55). A cerveja adquirida em tanques e acondicionado posteriormente em garrafas, operação caracterizada como industrialização, não gerava direito a crédito. Observase que a entrada do produto no contribuinte se dava pelo COP 2401 (compra para industrialização em operação com mercadoria sujeita ao regime de substituição tributária). 2. Junho a Outubro de 2004 Neste período a empresa já era optante do regime especial do art. 52 da lei 10833/2003, conforme termo apresentado a esta fiscalização. (...) Nestas condições, possuía o direito aos seguintes créditos: crédito dos valores das contribuições pagas na aquisição, no caso de operações de revenda de cerveja (art. 55, lei 10833l2003); credito previsto no art. 26 da lei 10.865/2004; créditos relativos às embalagens que adquirir (calculados na forma do art. 51 da lei 10833/2003); direito de utilizar os saldos de créditos de PIS não cumulativos que porventura ainda não tivesse aproveitado (art. 58, I); credito de 3%, a título de Cofins, sobre o seu estoque de abertura (no primeiro dia de vigência do regime especial, ou seja, 1° de junho) das matérias primas e embalagens relacionadas no Anexo Único (art. 58, ll). Fora estes, nenhum outro crédito lhe cabe (...) Novamente, a cerveja, adquirida em tanques e engarrafadas para comercialização, operação caracterizada como industrialização, não gerava direito a crédito. 3. Novembro de 2004 a Dezembro de 2005 Contribuinte continuava como optante do regime especial do art. 52 da lei 10833/2003, tendo direito aos mesmos créditos do período acima. (...) Fl. 247DF CARF MF Processo nº 11060.002063/200797 Acórdão n.º 3402005.301 S3C4T2 Fl. 245 7 Dentro desta nova disposição, a aquisição de cerveja em tanques se configura como uma operação normal de aquisição de insumos e produtos para industrialização, seguindo o disposto no inciso II do art. 3° da lei 10833/2003 (COFINS) e inciso II do art. 3º da lei 10637/2002 (PIS). (..) Ao contrário das embalagens, não há previsão legal para a apuração do crédito na aquisição da cerveja por valor fixo por litro. No tocante às embalagens, a disposição legal continua a mesma (§ 1°, art. 52 da lei 10833/2003), ou seja, a apuração do crédito é referente ao valor fixo por unidade de PIS e COFINS, no caso da empresa, lata de alumínio (..)." (efls. 99/103 grifei) Quanto aos períodos de abril/2004 a outubro/2004, a Recorrente apenas alegou a possibilidade da tomada de crédito por considerar que a atividade de engarrafamento não seria uma atividade industrial, argumento enfrentado no tópico anterior. Especificamente quanto ao período de novembro/2004 a dezembro/2005, a Recorrente ainda aponta supostas inconformidades na apuração pela fiscalização dos débitos e dos créditos de PIS/COFINS. Quanto aos débitos apurados, a Recorrente afirma genericamente que teriam sido desconsideradas valores correspondentes às devoluções de vendas. Contudo, tal como já evidenciado pela r. decisão recorrida1, observase que não foram trazidos quaisquer elementos concretos que comprovariam uma eventual inclusão de valores indevidos na base de cálculo das contribuições, sendo que, conforme as planilhas fiscais anexadas à autuação, os valores correspondentes à devolução de vendas foram devidamente deduzidos. Busca ainda a Recorrente alterar a forma de cálculo do crédito utilizada especificamente neste período no qual, após as alterações da Lei n.º 10.925/2004, a aquisição de cerveja passou a ser admitida como uma operação de aquisição de insumos passível de creditamento na forma do art. 3º, inciso II das Leis n.º 10.833/2003 e 10.637/2002. Sustenta a Recorrente que o crédito deve ser apurado com os mesmos critérios do débito, se respaldando em especial nos argumentos de coerência no valor do crédito a ser admitido (considerando o valor do débito calculado) e a impossibilidade de bitributação. Contudo, o pleito da Recorrente não encontra amparo na legislação aplicável. Ainda que seja inegável que falte coerência na legislação do PIS e da COFINS e da eventual possibilidade de um efeito cumulativo da previsão na cadeia de produção, não é viável que este colegiado proceda ao ajuste da previsão legislativa como pretendido. Com efeito, anteriormente à Lei n.º 10.925/2004 era expressamente vedado no art. 52, §2º da Lei n.º 10.833/2003 a tomada de créditos que não se referissem às embalagens adquiridas prevista §1º do mesmo dispositivo. Este crédito na aquisição de embalagens seria calculado com base nos mesmos critérios de apuração do débito para vendas de embalagens, previsto no art. 51, incisos I a III da Lei. 1 "DAS DEVOLUÇÕES DE VENDAS Conforme se depreende da análise das planilhas anexas aos Relatórios de Fiscalização, na auditoria realizada o Fisco considerou devoluções de vendas, certamente aquelas relacionadas nos registros contábeis e fiscais da contribuinte. Atentese que sobre o tema devolução de vendas, a impugnante trouxe apenas alegações genéricas, sem apontar, de forma clara e precisa, quais seriam as devoluções de vendas não consideradas pelo agente fiscal. Assim, considerandose o art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972 (com suas posteriores alterações), não há que serem consideradas as assertivas postas neste sentido." (efl. 203) Fl. 248DF CARF MF 8 Com a revogação do §2º, passouse a admitir a tomada de créditos pelas empresas industriais com base no art. 3º das Leis n.º 10.833/2003 e 10.637/2002. Contudo, foi incluída uma previsão específica no §1º deste artigo indicando que, salvo nas hipóteses expressamente previstas na lei (como o é para as embalagens previstas no art. 52, §1º da Lei), o crédito deve ser determinado pela aplicação das alíquotas gerais previstas no caput do art. 2º das Leis (1,65% de PIS e 7,6% de COFINS), e não as alíquotas específicas que foram estabelecidas pela Lei n.º 10.865/2004 como exceções no §1º do art. 2º. Vejamos os termos dos dispositivos da Lei n.º 10.833/2003 vigente à época dos fatos geradores sob análise, aos quais a Lei n.º 10.637/2002 se remetia2: "Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) VII no art. 51 desta Lei, e alterações posteriores, no caso de venda das embalagens nele previstas, destinadas ao envasamento de água, refrigerante e cerveja, classificados nos códigos 22.01, 22.02 e 22.03, todos da TIPI; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) VIII – no art. 49 desta Lei, e alterações posteriores, no caso de venda de água, refrigerante, cerveja e preparações compostas classificados nos códigos 22.01, 22.02, 22.03 e 2106.90.10 Ex 02, todos da TIPI. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) IX no art. 52 desta Lei, e alterações posteriores, no caso de venda de água, refrigerante, cerveja e preparações compostas classificados nos códigos 22.01, 22.02, 22.03 e 2106.90.10 Ex 02, todos da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.925, de 2004) (...) Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 1º Observado o disposto no § 15 deste artigo e no § 1º do art. 52 desta Lei, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Art. 52. (...) § 1º A pessoa jurídica industrial que optar pelo regime de apuração previsto neste artigo poderá creditarse dos valores das contribuições estabelecidos nos incisos I a III do art. 51, referentes às embalagens que adquirir, no período de apuração em 2 "Art. 2o Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). § 1o Excetuase do disposto no caput a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) VII no art. 51 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e alterações posteriores, no caso de venda das embalagens nele previstas, destinadas ao envasamento de água, refrigerante e cerveja classificados nos códigos 22.01, 22.02 e 22.03, todos da TIPI; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) VIII no art. 49 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e alterações posteriores, no caso de venda de água, refrigerante, cerveja e preparações compostas classificados nos códigos 22.01, 22.02, 22.03 e 2106.90.10 Ex 02, todos da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) (Vide Lei nº 10.925, de 2004) IX no art. 52 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e alterações posteriores, no caso de venda de água, refrigerante, cerveja e preparações compostas classificados nos códigos 22.01, 22.02, 22.03 e 2106.90.10 Ex 02, todos da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.925, de 2004) Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 1o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)" (grifei) Fl. 249DF CARF MF Processo nº 11060.002063/200797 Acórdão n.º 3402005.301 S3C4T2 Fl. 246 9 que registrar o respectivo documento fiscal de aquisição. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) § 2º Fica vedada qualquer outra utilização de crédito, além daquele de que trata o § 1º. (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004)" (grifei) Afastar a expressa previsão legal para aplicar uma alíquota diferente na apuração do crédito no caso concreto (aplicação das alíquotas de exceção do §1º do art. 2º das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002) seria uma verdadeira análise da inconstitucionalidade do dispositivo normativo, vedada nesta seara na forma da Súmula CARF 23. Não merece reparo, portanto, a decisão recorrida, que afirmou neste ponto: "III. NOVEMBRO DE 2004 A DEZEMBRO DE 2004 A partir da edição da Lei n° 10.925, de 2004 (art. 16, inciso II, alínea a), a vedação contida no § 2° do art. 52 da Lei n° 10.833, de 2003, foi revogada (houve, também, revogação do art. 56 e do Anexo Único daquela Lei), donde passou a ser possível a apuração de créditos sobre a aquisição de insumos para a industrialização de produtos (arts. 3°, incisos II, das Leis n°s 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003), o que era o caso da impugnante. Em relação à apuração daqueles créditos, previstos nos artigos referidos, a revogação tomou possível sua apuração. Todavia, tais créditos se encontravam restritos às pessoas jurídicas inseridas no regime da nãocumulatividade, uma vez que a utilização de créditos é critério exclusivo deste sistema de apuração do PIS e da COFINS. Já a autorização para apuração de crédito sobre embalagens, prevista para as pessoas jurídicas optantes pelo regime especial de apuração (tanto na sistemática da cumulatividade, como da nãocumulatividade § 1° do art. 52 da Lei n° 10.833, de 2003), alcança somente as embalagens, não sendo, por óbvio, extensivel aos demais créditos. Quanto às alíquotas a serem aplicadas à base de cálculo dos créditos dos arts. 3° das Leis n°s 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, de acordo com o § 1° daqueles artigos, estavam previstas no caput do art. 2° daquelas Leis (1,65% para o PIS e 7,6% para a COFINS). Dessa forma, entendese que nada há a ser alterado nos lançamentos quanto a este item." (efls. 202/203 grifei) Assim, deve ser mantida as sistemáticas de apuração dos débitos e dos créditos de PIS/COFINS trazidas pela fiscalização com fulcro na legislação vigente no período de apuração de novembro/2004 a dezembro/2005. III DA NÃO INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS Por fim, cabe analisar o argumento trazido pela Recorrente pela não inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. É do conhecimento deste colegiado que o Supremo Tribunal Federal julgou esta tese no Recurso Extraordinário n.º 574.706, em sede de repercussão geral, no sentido de que "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins"4. Em votos 3 "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." 4 "EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviável a apuração do ICMS tomandose Fl. 250DF CARF MF 10 anteriores5, me posicionei pela aplicação desse entendimento aos casos sob julgamento no CARF. Contudo, após debate com o colegiado e uma melhor reflexão quanto à exigência regimental trazida pelo art. 62, §1º, II, 'b' do RICARF, entendo que é necessário aplicar o entendimento firmado em sede de recurso repetitivo pelo Superior Tribunal de Justiça nesta oportunidade, vez que já transitado em julgado em 10/03/2017. O Recurso especial n.º 1.144.469 firmou entendimento diametralmente oposto àquele firmado dias depois pelo STF, pela necessidade de inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS: "RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adotase o sistema de apuração contábil. O montante de ICMS a recolher é apurado mês a mês, considerandose o total de créditos decorrentes de aquisições e o total de débitos gerados nas saídas de mercadorias ou serviços: análise contábil ou escritural do ICMS. 2. A análise jurídica do princípio da não cumulatividade aplicado ao ICMS há de atentar ao disposto no art. 155, § 2º, inc. I, da Constituição da República, cumprindose o princípio da não cumulatividade a cada operação. 3. O regime da não cumulatividade impõe concluir, conquanto se tenha a escrituração da parcela ainda a se compensar do ICMS, não se incluir todo ele na definição de faturamento aproveitado por este Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. 3. Se o art. 3º, § 2º, inc. I, in fine, da Lei n. 9.718/1998 excluiu da base de cálculo daquelas contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, deve ser enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento da dinâmica das operações. 4. Recurso provido para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS." (RE 574706, Relatora Ministra Cármen Lúcia, Tribunal Pleno, julgado em 15/03/2017, Acórdão eletrônico DJe223 Divulgado 29/09/2017 publicado 02/10/2017 grifei) 5 Por exemplo, no acórdão 3402004.196. Fl. 251DF CARF MF Processo nº 11060.002063/200797 Acórdão n.º 3402005.301 S3C4T2 Fl. 247 11 seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da nãocumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E Fl. 252DF CARF MF 12 COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃOAPLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL." (REsp 1144469/PR, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Rel. p/ Acórdão Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, julgado em 10/08/2016, DJe 02/12/2016 grifei) Uma vez que o julgado em sede de repercussão geral ainda não transitou em julgado, observei que por exigência regimental deve ser aplicado o entendimento vinculante veiculado pelo STJ no repetitivo acima transcrito, devendo ser negado provimento ao Recurso Voluntário nesse ponto. IV DISPOSITIVO Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne. Fl. 253DF CARF MF Processo nº 11060.002063/200797 Acórdão n.º 3402005.301 S3C4T2 Fl. 248 13 Fl. 254DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12897.000694/2009-63
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2006
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.922
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 19647.007683/2007-33, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2006 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 12897.000694/2009-63
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5888306
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9202-006.922
nome_arquivo_s : Decisao_12897000694200963.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MARIA HELENA COTTA CARDOZO
nome_arquivo_pdf_s : 12897000694200963_5888306.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 19647.007683/2007-33, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
dt_sessao_tdt : Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
id : 7382677
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050587814166528
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1842; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 12897.000694/200963 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202006.922 – 2ª Turma Sessão de 24 de maio de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado TUSSOR CONFECCOES LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2006 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 19647.007683/200733, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 7. 00 06 94 /2 00 9- 63 Fl. 281DF CARF MF Processo nº 12897.000694/200963 Acórdão n.º 9202006.922 CSRFT2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Contra o contribuinte foi lavrado o presente auto de infração para cobrança de contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social. Após o trâmite processual, a turma a quo deu provimento parcial ao recurso voluntário do Contribuinte para determinar o recálculo da multa aplicada haja vista alterações promovidas na redação da Lei nº 8.212/1991. Inconformada com o resultado do julgamento, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial cujo objeto é a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.915, de 19/04/2018, proferido no julgamento do processo 19647.007683/200733, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão, quanto à admissibilidade e quanto ao mérito (Acórdão 9202006.915): Fl. 282DF CARF MF Processo nº 12897.000694/200963 Acórdão n.º 9202006.922 CSRFT2 Fl. 4 3 "O recurso preenche os pressuposto de admissibilidade razão pela qual deve ser conhecido. A controvérsia levantada pela Fazenda Nacional é relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De início, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 283DF CARF MF Processo nº 12897.000694/200963 Acórdão n.º 9202006.922 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória nº 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5º, ambos da Lei nº 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5º, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei nº 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei nº 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos Fl. 284DF CARF MF Processo nº 12897.000694/200963 Acórdão n.º 9202006.922 CSRFT2 Fl. 6 5 previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarse á às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2º Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Fl. 285DF CARF MF Processo nº 12897.000694/200963 Acórdão n.º 9202006.922 CSRFT2 Fl. 7 6 Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte: “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;" Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Fl. 286DF CARF MF Processo nº 12897.000694/200963 Acórdão n.º 9202006.922 CSRFT2 Fl. 8 7 Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, Fl. 287DF CARF MF Processo nº 12897.000694/200963 Acórdão n.º 9202006.922 CSRFT2 Fl. 9 8 a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a Fl. 288DF CARF MF Processo nº 12897.000694/200963 Acórdão n.º 9202006.922 CSRFT2 Fl. 10 9 imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para determinar que a multa seja aplicada nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 289DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.973277/2012-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.429
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10880.973277/2012-91
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5878565
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1201-000.429
nome_arquivo_s : Decisao_10880973277201291.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 10880973277201291_5878565.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli.
dt_sessao_tdt : Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
id : 7359976
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050587820457984
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1394; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.973277/201291 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1201000.429 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 16 de maio de 2018 Assunto IRPJ Recorrente TECBENS EMPREENDIMENTOS IMOBILIARIOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 73 27 7/ 20 12 -9 1 Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10880.973277/201291 Resolução nº 1201000.429 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte deste, o relatório constante da decisão de primeira instância: “1. Trata o presente processo de Despacho Decisório (DD) de nº [...], emanado pela Autoridade Administrativa que analisou a DCOMP nº [...] e não deferiu a compensação declarada, em razão da localização de um ou mais pagamentos integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando, quanto ao DARF apresentado, crédito disponível a ser aproveitado na presente DCOMP. O referido DARF, conforme os sistemas da Receita Federal do Brasil RFB possui: período de apuração – 30/06/2010; data de arrecadação – 29/07/2010; código de receita – 2089 (IRPJ LUCRO PRESUMIDO) e valor original utilizado R$ 64.527,49. 1.1. A transmissão da DCOMP ocorreu em 24/05/2011. 2. O Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, [...] alegando, em síntese, que: (...) I DOS FATOS A empresa tem sua tributação baseada na sistemática do lucro presumido. No segundo e terceiro trimestres do ano civil de 2010, apurou receitas em duas modalidades: prestação de serviços e venda de imóveis. Na apuração do imposto de renda (IRPJ) e da contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL) dos referidos trimestres, foram consideradas as duas modalidades de receita como sendo somente de prestação de serviço. Isto posto, as receitas de vendas de imóveis tiveram suas bases de redução calculadas à alíquota de 32% ao invés de 8% para fins de IRPJ, e no caso da CSLL à alíquota de 32% ao invés de 12%. (...) Em razão desses créditos fiscais, a partir de maio de 2011 foram solicitados pedidos de compensações, através de PER/DCOMPs para quitação de PIS, COFINS, IRPJ e CSLL vincendos a partir daquela data que estão sendo objetos de questionamento de Despachos Decisórios. Lamentavelmente, quando da elaboração e apresentação da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (DIPJ), não foram configurados os referidos créditos fiscais na ficha 14A linha 07 e 18A linha 03, correspondente à apuração do IRPJ e da Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10880.973277/201291 Resolução nº 1201000.429 S1C2T1 Fl. 4 3 CSLL do segundo e terceiro trimestres de 2010, uma vez que as cifras ficaram apresentadas na linha 07 da ficha 14A (IRPJ) receita bruta sujeita ao percentual de 32% e linha 03 ficha 18A (CSLL) receita bruta sujeita ao percentual de 32%, ao invés da segregação entre as receitas sujeitas ao percentual de 32% e aquelas sujeitas ao percentual de 8%, para fins de IRPJ, e sujeitas ao percentual de 12% para fins de CSLL. Com isto, os saldos a pagar de IRPJ, bem como o da CSLL, ficaram idênticos aos valores recolhidos através de DARF não configurando a demonstração do crédito, pois se os valores apresentados na DIPJ como saldos a pagar fossem efetivamente menores do que os recolhidos, ficaria evidente o direito de crédito por recolhimento a maior. II – DO DIREITO (...) II. 2 DO MÉRITO Conforme explicado anteriormente, a empresa agiu de boa fé, utilizando os preceitos e fundamentos legais para denunciar o seu crédito e a respectiva utilização através dos instrumentos de compensação, e, em sendo assim, a empresa não pode ter o seu direito cerceado pelo equívoco que cometeu no preenchimento da sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (DIPJ), e dessa forma não ter a homologação através de Despacho Decisório de seus créditos fiscais legítimos por recolhimento a maior. III DOCUMENTOS ANEXADOS Estão anexados a esta Manifestação de Inconformidade os seguintes documentos: (...) 8. Razão contábil do segundo e terceiro trimestres de 2010 das receitas de vendas de imóveis (Contas contábeis 3.1.02.01.0004 abril/2010 e 310301001 de maio a setembro de 2010). (...) 11. Controle de utilização dos créditos fiscais. IV DO PEDIDO À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência do Despacho Decisório, espera e requer a impugnante que seja acolhida a presente Manifestação de Inconformidade para revisão da decisão e consequente cancelamento do Despacho Decisório rastreamento n° [...], consideração da existência do crédito fiscal e a homologação para compensação/quitação do débito no valor de [...]." 2. Em sessão de 26 de agosto de 2014, a 4ª Turma da DRJ/SPO, por unanimidade de votos, considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade pela ausência dos elementos de prova capazes de atestar a certeza e liquidez do crédito utilizado na compensação, conforme Acórdão nº 1660.813, cuja ementa recebeu o seguinte descritivo: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10880.973277/201291 Resolução nº 1201000.429 S1C2T1 Fl. 5 4 Anocalendário: 2010 DCOMP. CRÉDITO. NÃO COMPROVAÇÃO. A alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos cabais de prova, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória da compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” 3. A DRJ/SPO não acatou os argumentos da Recorrente, em síntese, sob os seguintes fundamentos: 3.1. Embora a Recorrente tenha juntado cópias do razão contábil e planilha própria de utilização dos créditos fiscais, ambas referentes aos segundo e terceiro trimestres de 2010, constatou que a) as cópias do Livro Razão não estão acompanhadas dos respectivos documentos de respaldo (contrato de venda e compra do imóvel; comprovante de recebimento da respectiva receita, etc); b) também não estão acompanhadas de cópias dos lançamentos correspondentes no Livro Diário, devidamente registrado na Junta Comercial. Portanto, o direito creditório pleiteado não pode ser considerado líquido e certo. 3.2. Sustenta que, a prova documental deve ser apresentada juntamente com a Manifestação de Inconformidade, sob pena de precluir o direito da Recorrente fazêlo em outro momento processual. 4 Cientificada da decisão em 15/09/2015 , a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 14/10/2015, reiterando as razões já expostas em sede de Manifestação de Inconformidade e reforçando que a prova documental produzida nos autos já seria suficiente para comprovar seu direito creditório, mas, para que não pairem dúvidas, juntou a seguinte documentação complementar: (i) escritura pública definitiva de compra e venda do imóvel (doc. 02); (ii) matrícula do imóvel de nº 179.301, do 4º Cartório de Registro de Imóveis de São Paulo (doc. 03); (iii) cópia das DCTFS retificadoras (doc. 04); (iv) cópia do livro diários correspondente aos referidos lançamentos (doc. 05); e (v) comprovante de recebimento da receita de venda do imóvel (doc. 06). 5. Ao final, requer seja acolhido o Recurso Voluntário para o fim de receber os documentos complementares anexos e converter o julgamento em diligência baixando os autos para que a autoridade preparadora examine os documentos novos juntados que complementam a prova do crédito da Recorrente utilizado nessa DCOMP, ou dignese acolher o recurso para o fim de homologar a presente declaração de compensação. É o relatório. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10880.973277/201291 Resolução nº 1201000.429 S1C2T1 Fl. 6 5 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201 000.425, de 16/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.658130/201273, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.425): " 6. O recurso é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. 7. Em primeiro lugar, há de se ressaltar a plausibilidade jurídica do pleito da Recorrente acerca da juntada de documentação complementar em sede de Recurso Voluntário. 8. Alinhome ao entendimento de que a Administração não pode ficar restrita ao que as partes demonstram no curso do processo, mas deve buscar a verdade material. 9. In casu, a douta DRJ poderia, ao invés de julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, ter baixado os autos em diligência para esclarecimentos dos fatos e análise de provas. Tal iniciativa cooperativa, inclusive, traria maior celeridade e eficiência processual, bem como teria otimizado o custo deste processo para o Estado1. 10. No mais, de acordo com a jurisprudência deste Egrégio Conselho, é possível a juntada de provas complementares para contrapor às 1 Em consonância com os seguintes dispositivos: Lei nº 13.105/2015 "Art. 5º Aquele que de qualquer forma participa do processo deve comportarse de acordo com a boafé. Art. 6º Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva. Art. 7º É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório. Art. 8º Ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins sociais e às exigências do bem comum, resguardando e promovendo a dignidade da pessoa humana e observando a proporcionalidade, a razoabilidade, a legalidade, a publicidade e a eficiência." Lei nº 9.784/1999 "Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência." "Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo." Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10880.973277/201291 Resolução nº 1201000.429 S1C2T1 Fl. 7 6 razões do julgamento de primeira instância à luz dos princípios da verdade material, ampla defesa e contraditório efetivo, verbis: " (...) PRODUÇÃO DE PROVAS NO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE PARA SE CONTRAPOR ÀS RAZÕES DO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Como regra geral, a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo do direito de fazêlo em outro momento processual.Contudo, tendo o contribuinte trazido os documentos que julgava aptos a comprovar seu direito, ao não ser bem sucedido no julgamento de 1a instância, razoável se admitir a juntada das provas no voluntário, pois é exceção à regra geral de preclusão a produção de novos documentos destinados a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Ademais, seria por demais gravoso, e contrário ao princípio da verdade material, a manutenção da glosa de deduções sem a análise das provas constantes nos autos.E ainda, sendo esta a última instância administrativa, tal postura exigiria do contribuinte a busca da tutela do seu direito no Poder Judiciário, o que exigiria do Fisco a análise das provas apresentadas em juízo, e ainda condenaria a União pelas custas do processo. (...)" (Processo nº 16327.001040/200891, Acórdão nº 1102000.940, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária / 1ª Seção, Sessão de 08.10.2013, Relator: José Evande Carvalho Araujo) 11. Notese que, cabe a autoridade julgadora verificar a necessidade e a utilidade do recebimento da prova de forma a harmonizar valores e princípios constitucionais e processuais, verbis: " PRINCÍPIOS PROCESSUAIS. PRECLUSÃO. OFICIALIDADE. VERDADE MATERIAL. APRESENTAÇÃO DAS PROVAS. CONSIDERAÇÃO. O direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação, a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade, a oficialidade, a segurança indispensável, a ampla defesa e a verdade material, para a consecução dos fins processuais. (...)" (Processo nº 10880.008207/200611), Acórdão nº 2801003.682, 1ª Turma Especial / 2ª Seção de Julgamento, Sessão de 09.09.2014, Relator: Carlos César Quadros Pierre) 12. Portanto, acolho o pedido da Recorrente no sentido de admitir as provas acostadas em sede de Recurso Voluntário por considerálas úteis e necessárias para devida apreciação do processo. 13. No mais, considero que assiste razão a contribuinte quando sustenta que meros erros no preenchimento de declarações não são suficientes para motivar o não reconhecimento do seu direito creditório. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10880.973277/201291 Resolução nº 1201000.429 S1C2T1 Fl. 8 7 14. Contudo, em linha com a jurisprudência deste E. Conselho, é imprescindível que tais erros sejam claramente demonstrados por meio de documentação hábil e idônea, em especial com base na análise de registros contábeis e fiscais e da documentação que lhe serve de suporte, a qual necessariamente deve ser mantida pelo contribuinte enquanto se pretender obter os efeitos fiscais correspondentes, nos termos do artigo 195, parágrafo único, do Código Tributário Nacional CTN e dos artigos 264 e 923 do RIR/99. 15. Reforçando essas diretrizes, transcrevo a seguinte ementa: "ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DCTF. DECLARAÇÕES RETIFICADORAS. COMPROVAÇÃO. CRÉDITO RECONHECIDO. Comprovado que o débito confessado em estava equivocado mediante apresentação de declaração retificadora, DIPJ e elementos da escrituração contábil que corroboram o valor declarado/confessado nessa declaração retificadora, reconhecese o direito de crédito homologandose as compensações pleiteadas até esse limite." (Processo nº 13971.901692/201131, Acórdão nº 1402002.379, 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária / 1ª Seção, Sessão de 26.01.2017, Relator: Fernando Brasil de Oliveira Pinto)(grifos nossos) 16. O direito creditório do contribuinte só pode ser obstado diante de três hipóteses (i) se reconhecida decadência do direito pleiteado; (ii) se os valores já tiverem sido compensados; e (iii) quando a documentação suporte é insuficiente para demonstrar a origem do crédito e/ou não esclarece de forma assertiva e sem contradições a composição dos valores discutidos. 17. Logo, somente diante da comprovação pela autoridade fiscal de uma dessas três hipóteses é que o direito creditório não deve ser reconhecido. 18. Tendo essas premissas em mente, passamos à análise do caso concreto. 19. A Recorrente exerce a atividade de compra e venda de imóveis próprios, bem como a locação de imóveis próprios. 20. Como é sabido, na venda de imóveis próprios a alíquota de presunção do lucro é de 8% (IRPJ) e 12% de CSLL, sendo que na locação, esta alíquota é de 32% 21. Entre abril de 2010 e setembro de 2010 a Recorrente vendeu um imóvel próprio e apurou IRPJ e a CSLL como locação. Portanto, tributou à alíquota de 32% ao invés de 8% (IRPJ) e 12% (CSLL), daí a origem do direito creditório em exame, pagamento a maior de IRPJ e CSLL no segundo e terceiro trimestres do anocalendário de 2010. 22. No presente caso, não há controvérsia acerca do preenchimento dos requisitos (i) e (ii) constantes do item 16, mas do (iii). A DRJ [...] considerou que as provas apresentadas em sede de Manifestação de Inconformidade [...] não foram suficientes para que o crédito pleiteado fosse considerado líquido e certo. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10880.973277/201291 Resolução nº 1201000.429 S1C2T1 Fl. 9 8 23. Ocorre que, a ora Recorrente tanto em sede de Manifestação de Inconformidade quanto, complementarmente, em seu Recurso Voluntário [...], apresentou vasta documentação probatória hábil a demonstrar a ocorrência do suposto erro na apuração da base de cálculo, tais como: (i) doze DARFs de recolhimento de IRPJ e da CSLL referente ao segundo e terceiro trimestre de 2010 [...]); (ii) fichas 14A e 18A do segundo e terceiro trimestre de 2010 da DIPJ Original [...]; (iii) fichas 14A e 18A do segundo e terceiro trimestre de 2010 da DIPJ Retificadora transmitida em 21/11/2012 e seu recibo [...]; (iv) razão contábil do segundo e terceiro trimestre de 2010 das receitas de vendas de imóveis (contas contábeis 3.1.02.01.0004 abril/2010 e 310301001 de maio a setembro de 2010,[...]); (v) escritura pública definitiva de compra e venda do imóvel (doc. 02, [...]); (vi) matrícula do imóvel de nº 179.301, do 4º Cartório de Registro de Imóveis de São Paulo (doc. 03, [...]); (vii) cópia das DCTFS retificadoras (doc. 04, [...]); (viii) cópia do livro diários correspondente aos referidos lançamentos (doc. 05, [...]); e (ix) comprovante de recebimento da receita de venda do imóvel (doc. 06, [...]). 24. A priori, a documentação fiscal e contábil trazida pela Recorrente cumpre o disposto no artigo 923 do RIR2 e é capaz de viabilizar o reconhecimento do direito creditório do contribuinte. 25.Contudo, deve ser verificada, à luz da documentação contábil, fiscal e demais provas suporte, a liquidez e certeza dos créditos constantes dos pedidos de compensação nos períodos em análise. 26. Em face do exposto, diante de toda a documentação acostada aos autos, voto pela conversão do presente julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da Receita Federal da circunscrição da contribuinte: (i) verifique as DCTFs retificadoras apresentadas, efetuando a apuração do crédito relativo aos períodos sob apreciação; (ii) faça o cotejamento desses créditos com as Dcomps relativas a pagamento a maior de IRPJ e CSLL, anocalendário 2010, procedendo à valoração para fins de verificação de suficiência destes, considerandose, inclusive, alguma Dcomp porventura já homologada. 27. Para fins dessa verificação, a contribuinte poderá ser intimada a apresentar livros e documentos. 28. Após a conclusão da diligência, a autoridade fiscal responsável deverá elaborar Relatório Conclusivo, com posterior ciência à Recorrente, para que, se assim desejar, se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias e na seqüência retornem os autos ao E. CARF para julgamento. É como voto. 2 "Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais." Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10880.973277/201291 Resolução nº 1201000.429 S1C2T1 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47 do RICARF, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 152DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10932.000206/2009-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2004 a 30/10/2006
INTEMPESTIVIDADE CARACTERIZADA. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância.
Efetiva-se a ciência do contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, o que ocorrer primeiro.
Numero da decisão: 2202-004.407
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2004 a 30/10/2006 INTEMPESTIVIDADE CARACTERIZADA. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Efetiva-se a ciência do contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, o que ocorrer primeiro.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10932.000206/2009-19
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5892995
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2202-004.407
nome_arquivo_s : Decisao_10932000206200919.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RONNIE SOARES ANDERSON
nome_arquivo_pdf_s : 10932000206200919_5892995.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho.
dt_sessao_tdt : Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
id : 7395399
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050587825700864
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1588; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 2 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10932.000206/200919 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 2202004.407 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 08 de maio de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente EMPARSANCO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2004 a 30/10/2006 INTEMPESTIVIDADE CARACTERIZADA. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Efetivase a ciência do contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, o que ocorrer primeiro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 02 06 /2 00 9- 19 Fl. 1223DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018, proferido no âmbito do processo n° 10932.000179/200984, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que julgou a impugnação improcedente. Conforme Relatório Fiscal, a fiscalização foi comandada para fins de verificação da regularidade do recolhimento das contribuições previdenciárias e devidas a outras entidades e fundos. Após intimada e reintimada a apresentar a Contabilidade por Centro de Custo/individualizada por obra, a empresa não a apresentou, o que levou a auditoria a efetuar o lançamento por aferição indireta nos termos do art. 33, §6º, da Lei nº 8.212/91 e do art. 473 da IN 03/2005 e alterações posteriores. Os autos de Infração lavrados no procedimento fiscal foram discriminados pela fiscalização na seguinte planilha: DEBCAD N° LEVANTAMENTO REFERENTE REF. AO ESTABELECIMENTO 37.227.3645 Auto de Infração por falta de Matrícula CEI 56.473.317/000108 37.227.3653 Auto de Infração por Deixar de contabilizar em Títulos próprios 56.473.317/000108 37.227.3661 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 186 70.000.52148/71 37.227.367 0 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 186 70.000.52148/71 37.227.3688 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 186 70.000.52148/71 37.227.3696 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 220 50.022.27566/71 37.227.3700 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 220 50.022.27566/71 37.227.3718 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 220 50.022.27566/71 37.227.3726 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 232 50.022.27644/77 37.227.3734 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 232 50.022.27644/77 37.227.3742 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Oora 232 50.022.27644/77 37.227.3750 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 233 50.022.27538/76 37.227.3769 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 233 50.022.27538/76 37.227.3777 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 233 50.022.27538/76 37.227.3785 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 234 50.025.43828/73 37.227.3793 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 240 50.022.27455/79 37.227.3807 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 240 50.022.27455/79 37.227.3815 Auto de Infração de Emp/RAT reforente a Obra 240 50.022.27455/79 37.227.3823 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 243 50.011.88359/75 37.227.3831 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 243 50.011.88359/75 37.227.3840 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 243 50.011.88359/75 37.227.3858 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 244 70.000.52155/71 37.227.3866 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 244 70.000.52155/71 37.227.3874 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 244 70.000.52155/71 37.227.388 2 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 251 G 50.022.22636/70 Fl. 1224DF CARF MF Processo nº 10932.000206/200919 Acórdão n.º 2202004.407 S2C2T2 Fl. 3 3 37.227.3890 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 251 G 50.022.22636/70 37.227.3904 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 251G 50.022.22636/70 37.227.3912 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 252 70.000.52167/72 37.227.3920 Auto de Infração tíc Terceiros referente a Obra 252 70.000.52167/72 37.227.3939 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 252 70.000.52167/72 37.231.6220 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 254 50.024.17099/73 37.231.6239 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 254 50.024.17099/73 37.231.621/ Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 254 50.024.17099/73 37.231.6255 Auto de Infração dc Segurados referente a Obra 255 50.024.19184/76 37.231.6263 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 255 50.024.19184/76 37.231.6271 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 255 50.024.19184/76 37.231.6280 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 256 50.025.43742/79 37.231.6298 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 900.34 70.000.52152/74 37.231.6301 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 900.34 70.000.52152/74 37.231.6310 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 900.34 70.000.52152/74 37.231.6328 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 250.01 70.000.52150/79 3/.231.6336 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 250.01 70.000.52150/79 37.231.6344 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 250.01 70.000.52150/79 37.231.6352 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 250.03 G 70.000.52161/78 37.231.6360 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 250.03 G 70.000.52161/78 37.231.6379 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 250.03 G 70.000.52161/78 37.231.6387 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 231 G 70.000.52163/73 37.231.6395 Auto de In'ração de Terceiros referente a Obra 231 G 70.000.52163/73 37.231.6409 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 231 G 70.000.52163/73 37.231.6417 Auto de Infração de Segurados referente a Serviços da Emparsanco 56.473.317/000108 37.231.6425 Auto de Infração de Terceiros referente a Serviços da Emparsanco 56.473.317/000108 3/.231.6433 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Serviços da Emparsanco 56.473.317/000108 37.231.6441 Auto de Infração de Terceiros referente a Serviços da Giagui 56.473.317/000108 37.231.6450 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Serviços da Giagui 56.473.317/000108 Cientificado da autuação a recorrente apresentou impugnação alegando, em síntese, a improcedência e incorreção da aferição indireta. Diante das alegações da recorrente a autoridade julgadora de primeira instância, converteu o julgamento em diligência, a fim de que a fiscalização se pronunciasse sobre os argumentos levantados pela defesa. No resultado da diligência a fiscalização se manifestou sobre todos os processos gerados no procedimento fiscal, listando os seguintes: 10932.000171/200918 10932.000187/200921 10932.000205/200974 10932.000172/200962 10932.000190/200944 10932.000206/200919 10932.000173/200915 10932.000192/200933 10932.000207/200963 10932.000174/200951 10932.000189/200910 10932.000208/200916 10932.000175/200904 10932.000191/200999 10932.000209/200952 10932.000177/200995 10932.000193/200988 10932.000210/200987 10932.000176/200941 10932.000194/200922 10932.000211/200921 10932.000178/200930 10932.000197/200966 10932.000212/200976 Fl. 1225DF CARF MF 4 10932.000180/200917 10932.000200/200941 10932.000213/200911 10932.000179/200984 10932.000195/200977 10932.000214/200965 10932.000181/200953 10932.000196/200911 10932.000215/200918 10932.000183/200942 10932.000198/200919 10932.000217/200907 10932.000182/200906 10932.000199/200955 10932.000218/200943 10932.000184/200997 10932.000202/200931 10932.000219/200998 10932.000186/200986 10932.000204/200920 10932.000220/200912 10932.000185/200931 10932.000201/200996 10932.000221/200967 10932.000188/200975 10932.000203/200985 10932.000222/200910 10932.000223/200956 A auditoria reafirmou a procedência do lançamento por aferição indireta, de cujo Termo de Constatação extraio os seguintes trechos: “Ora, se a empresa possui controles analíticos de salários, se possui controles contábeis para identificação individual dos lançamentos dos encargos previdenciários, isto não foi demonstrado nem no momento da fiscalização e muito menos na documentação anexada como meio de prova, nesta fase de defesa administrativa, Todos os documentos apresentados nesta fase se referem a VALORES GLOBAIS, como o resumo da folha de pagamento GERAL e os tais relatórios de composição contábil, como detalharemos mais abaixo. Portanto, em nenhum momento desta defesa, o contribuinte conseguiu provar a contabilização em títulos próprios, por obra de construção civil, dos fatos geradores previdenciários, conforme prega o art. 32 da lei 8.212/91.” A recorrente apresentou contrarrazões ao resultado da diligência, reafirmando a improcedência do lançamento. A impugnação foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil, cujo resultado foi levado à ciência da recorrente por meio da disponibilização na Caixa Postal, Módulo eCAC do Site da Receita Federal. Após ciência por meio da abertura dos arquivos disponibilizados, via Termo de Abertura de Documento, não houve manifestação dentro do prazo que teria para apresentação de Recurso Voluntário. Diante disso, lavrouse o respectivo Termo de Perempção e o processo foi encaminhado à PGFN. Nessa fase, passados mais de 100 (cem) dias desde a data da ciência do Acórdão da DRJ, pelo contribuinte, este protocolizou recurso voluntário em face da Decisão de 1ª Instância Administrativa. O processo, então, retornou à fase administrativa para apreciação do recurso interposto, no qual se alega, em síntese: · Tempestividade. Admissibilidade do recurso. · Alteração da forma de intimação de meio papel para digital sem autorização do recorrente. · Falta de comprovação da intimação do resultado do julgamento de primeira instância. · Vícios do procedimento fiscal e vícios da autuação. Fl. 1226DF CARF MF Processo nº 10932.000206/200919 Acórdão n.º 2202004.407 S2C2T2 Fl. 4 5 Por fim, requereu o Recorrente o cancelamento da inscrição em dívida ativa e o retorno ao trâmite administrativo, para declaração de nulidade do auto de infração. É o relatório." Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson – Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo n° 10932.000179/200984, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pela Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, digna relatora da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018: Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "O Recurso Voluntário é intempestivo, o que prejudica sua admissibilidade. Primeiramente, informo que a matéria tratada nos autos é a mesma discutida nos processos nº 10932.000187/200921, 10932.000190/200944, 10932.000192/200933, originados do mesmo procedimento fiscal, conforme relatado anteriormente, e que já foram julgados pelo CARF em 08/03/2016, tendo sido exarados os acórdãos nº 2201002.966, 2201002.965, 2201 002.964, respectivamente. Conforme relatórios constantes nos acórdãos citados, os processos foram baixados em diligência, a fim de que fosse comprovada a opção do recorrente pelo Domicílio Tributário Eletrônico (DTE), conforme trecho extraído do Acórdão nº 2201 002.966 (processo 10932.000187/200921): “O processo baixou em diligência para comprovar a opção do contribuinte pelo Domicílio Tributário Eletrônico DTE, apresentar as normas e condições de sua utilização e confirmar a data de entrada do Recurso Voluntário na Receita Federal. A DERAT/SP informou que a empresa realizou a opção pelo DTE em 13/01/2012 e em 27/08/2012, anexou tela com as orientações sobre o funcionamento do DTE na Caixa Postal do eCAC e confirmou o de recebimento do Recurso Voluntário pela Receita Federal em 05/08/2013. Fl. 1227DF CARF MF 6 Conforme fl. 1368 foi solicitada Apuração Especial pelo SERPRO, cujo resultado encontrase nas fls. 13691373 e comprova que o contribuinte de CNPJ 56.473.317/00001 08 (NI logado e NI papel) realizou a opção pelo DTE no dia 13/01/2012 e no dia 27/08/2012. De acordo com o despacho do SETEC, fl. 1366, foi anexada a tela na fl. 1365 com as orientações sobre o funcionamento do DTE na Caixa Postal do eCAC Considerandose na fl. 1336 (última do Recurso Voluntário) a menção ao recebimento dos documentos naquela data, cujo carimbo está na fl. 1262 (primeira do Recurso Voluntário), além da Tela do Histórico de eventos no SICOB, na JL1374 (campo data do Evento Recurso Voluntário), compreendese que a data de recebimento do Recurso Voluntário pela Receita Federal foi em 05/08/2013.” Restou comprovado, por meio de diligência naqueles processos, que a recorrente fez opção pelo DTE, o que levou o Colegiado de segunda instância a não conhecer dos recursos, conforme dispositivos dos acórdãos citados: "ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo.". Diante da informação exarada nos acórdãos citados, a qual aproveito para análise do presente processo, entendo que a ciência do resultado do julgamento de primeira instância se deu pela Abertura dos Arquivos correspondentes no link Processo Digital, disponibilizados no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC), por meio da opção Consulta Comunicados/Intimações, conforme Termo de Abertura de Documentos, nos termos da alínea "b" do inciso III do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto 70.235/72 (PAF): “Art. 23. Farseá a intimação: [...] III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] § 2° Considerase feita a intimação: [...] III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) (Grifei).” Registrese, por relevante, que, mesmo que se adotasse o critério de ciência do contribuinte por decurso de prazo, previsto na Fl. 1228DF CARF MF Processo nº 10932.000206/200919 Acórdão n.º 2202004.407 S2C2T2 Fl. 5 7 alínea "a" do inciso III do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto nº 70.235/72, ainda assim o recurso voluntário interposto pelo Sujeito Passivo permaneceria infectado pelo vício da intempestividade, eis que, na data de sua interposição, o prazo recursal já se haveria exaurido há, pelo menos, dois meses. Portanto, como o Recurso Voluntário foi apresentado após o limite estabelecido pelo Decreto nº 70.235/72, ele é extemporâneo. Conclusão Por todo o exposto, voto por não conhecer do recurso, por intempestividade. (assinado digitalmente) Ana Maria Bandeira." Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário, em razão de sua apresentação intempestiva. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson. Fl. 1229DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.977123/2016-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2013
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL.
O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal.
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza.
Numero da decisão: 1401-002.607
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2013 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL. O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10880.977123/2016-00
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5874025
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1401-002.607
nome_arquivo_s : Decisao_10880977123201600.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
nome_arquivo_pdf_s : 10880977123201600_5874025.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
dt_sessao_tdt : Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
id : 7350030
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:21:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050587829895168
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1430; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.977123/201600 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1401002.607 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de maio de 2018 Matéria SALDO NEGATIVO IRPJ Recorrente NOVA UNIAO ADMINISTRADORA E INCORPORADORA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2013 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL. O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 71 23 /2 01 6- 00 Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10880.977123/201600 Acórdão n.º 1401002.607 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Iniciemos com o relatório da Decisão de Piso. Trata o presente processo de Declaração de Compensação de crédito de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração 31/03/2013, no valor de R$ 171.831,75, transmitida através do PER/Dcomp nº [...]. A Derat São Paulo não homologou a compensação, por meio do despacho decisório eletrônico de fl. [...], pois o pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido integralmente utilizado para quitar débito do contribuinte. Cientificado do despacho em [...], o recorrente apresentou a manifestação de inconformidade [...], para alegar que os créditos decorrentes do pagamento a maior já teriam sido “disponibilizados em razão da desvinculação dos mesmos das DCTFs daquele período”. Concluiu, para requerer a homologação do PER/Dcomp. Analisando a manifestação de inconformidade a Delegacia de Julgamento proferiu decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2013 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL. O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Referida decisão baseouse no fato de a empresa não ter retificado a DCTF antes da decisão do indeferimento da compensação e, ainda, por não ter apresentado comprovação de que não existiria saldo de IRPJ a pagar no período. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário. No entanto, neste recurso, o único objeto de alegação é o pedido de prazo para realizar todas as retificações das declarações de maneira a demonstrar a existência do crédito solicitado. É o brevíssimo relatório. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10880.977123/201600 Acórdão n.º 1401002.607 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.603, de 17/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.977128/2016 24, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.603): "O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, por isso dele tomo conhecimento. O crédito solicitado pela empresa trata de pagamento a maior ou indevido de IRPJ/CSLL. Inobstante a decisão eletrônica do PER/DCOMP e da Delegacia de Julgamento observo que sequer a DIPJ da empresa do referido período foi juntada a processo para fins de análise. Para o deslinde do caso realizei consultas à DIPJ apresentada referente ao período de apuração do pagamento, assim como sobre a disponibilidade do pagamento realizado. Analisando as informações constantes da DIPJ e da DCTF da empresa verificamos que, efetivamente, a empresa apurou na DIPJ e confessou como devido em sua DCTF o valor de IRPJ/CSLL do período de apuração do DARF. Restando configurado serem devidos os débitos aos quais o pagamento foi alocado. marTendo apurado este valor e pesquisando os pagamentos realizados durante todo o exercício, verificamos que a empresa realizou o pagamento e que este foi o mesmo pagamento objeto de PER/DCOMP analisado no presente processo. Assim, à vista do exposto, demonstrase que foi correta a decisão da delegacia de origem quando não homologou a compensação em face da inexistência de crédito, considerando que o pagamento a cujo crédito fora pleiteado já estava integralmente utilizado na quitação do débito confessado em DCTF, inexistindo saldo de crédito a ser reconhecido. Desta forma, não havendo crédito a ser reconhecido por este CARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10880.977123/201600 Acórdão n.º 1401002.607 S1C4T1 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 67DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10740.720068/2014-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012
NULIDADE. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Tendo sido os interessados regularmente cientificados dos Autos de Infração e dos Despachos Decisórios, lavrados com observância das formalidades legais de tal modo a lhes ser assegurado o direito de questionar as exigências e os atos de não homologação de compensação e de atribuição de responsabilidade solidária, nos termos das normas que regulam o processo administrativo fiscal, não se configura o cerceamento de defesa.
Não se vislumbrando nos autos ofensa ao art. 142 do CTN e ao art. 10 do Decreto nº 70.235/72 nem quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do mesmo Decreto, improcedente se mostra a argüição de nulidade.
FASE PROCEDIMENTAL. CARÁTER INQUISITÓRIO.
No processo administrativo fiscal, é a impugnação que instaura a fase propriamente litigiosa ou processual, não encontrando amparo jurídico questionamentos acerca de intimações formalizadas durante o procedimento administrativo de fiscalização, o qual tem caráter meramente inquisitório.
ARROLAMENTO DE BENS.
Não se insere no âmbito de competência das Delegacias de Julgamento, nem do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a apreciação do procedimento de arrolamento de bens efetivado pela autoridade lançadora.
OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS.
A apreciação de questionamentos relacionados a ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da esfera administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ. FALTA DE RECOLHIMENTO E DE DECLARAÇÃO EM DCTF.
A falta de recolhimento de débitos decorrentes de receitas contabilizadas e informadas em DIPJ, cumulada com a ausência de declaração do crédito tributário (mediante retificação de DCTF para zerar débitos), não permite a mera cobrança do crédito tributário e impõe ao Fisco o dever de previamente constituí-lo por meio do lançamento de ofício, com a aplicação da penalidade cabível.
INFORMAÇÃO DOS DÉBITOS EM DIPJ.
A informação dos valores devidos em DIPJ não dispensa o lançamento, na medida em que esta declaração é apenas informativa e não se presta a constituir o crédito tributário.
INFORMAÇÃO DOS DÉBITOS EM DACON.
O DACON não é declaração, mas sim demonstrativo de apuração, e os valores nele expressos não configuram confissão de dívida, por expressa inexistência de disposição legal.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA.
A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ALEGAÇÃO DE DEVOLUÇÃO DE RECEITAS. DISTRATOS.
A alegação de cancelamento de receitas, decorrente de distratos e devolução de recursos a clientes, não é hábil a afastar o lançamento e justificar a exclusão de débitos da DCTF nem a diferença entre créditos em conta bancária e receitas contabilizadas/informadas em DIPJ, se, no curso do procedimento fiscal, tal alegação já foi detalhadamente analisada e acatada em parte pela autoridade fiscal, como refletido no Termo de Verificação, e se, em sede de impugnação, os interessados nada refutam quanto à análise procedida pela Fiscalização nem trazem prova documental alguma para demonstrar a eventual existência, na base tributável autuada, de outros valores de receitas canceladas além daqueles já admitidos na autuação.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS.
Em se tratando de exigências reflexas de tributos e contribuições que têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão dos decorrentes.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. IMPUTAÇÃO DE FRAUDE.
Não afastadas as constatações fiscais que ensejaram imputação de intuito de fraude, não há como reduzir a multa aplicada no percentual de 150%
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. RETENÇÕES NA FONTE. INEXISTÊNCIA. DESPACHO DECISÓRIO DE NÃO HOMOLOGAÇÃO.
A não comprovação do crédito indicado em Declaração de Compensação impõe a não homologação da compensação.
MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. INFORMAÇÃO FALSA.
A constatação fiscal de inserção, em declaração de compensação, de informação falsa acerca do crédito e sua formação justifica a aplicação da multa no percentual de 150%.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIOS ADMINISTRADORES.
São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, os mandatários, prepostos, diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.
INTERESSE COMUM. PESSOA JURÍDICA SEM VÍNCULO SOCIETÁRIO.
Evidenciado o vínculo de fato entre pessoa jurídica não integrante do quadro societário e a sociedade autuada, regular é a atribuição de responsabilidade solidária, por interesse comum nas situações que se constituíram em fatos geradores das obrigações autuadas.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Numero da decisão: 1201-002.075
Decisão: (assinado digitalmente)
ESTER MARQUES LINS DE SOUSA - Presidente
(assinado digitalmente)
RAFAEL GASPARELLO LIMA - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente da turma), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Angelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa. Ausentes justificadamente os conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Luis Fabiano Alves Penteado e Eva Maria Los.
Nome do relator: RAFAEL GASPARELLO LIMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10740.720068/2014-11
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5885638
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1201-002.075
nome_arquivo_s : Decisao_10740720068201411.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RAFAEL GASPARELLO LIMA
nome_arquivo_pdf_s : 10740720068201411_5885638.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : (assinado digitalmente) ESTER MARQUES LINS DE SOUSA - Presidente (assinado digitalmente) RAFAEL GASPARELLO LIMA - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente da turma), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Angelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa. Ausentes justificadamente os conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Luis Fabiano Alves Penteado e Eva Maria Los.
dt_sessao_tdt : Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2018
id : 7372859
ano_sessao_s : 2018
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2010, 2011, 2012 NULIDADE. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Tendo sido os interessados regularmente cientificados dos Autos de Infração e dos Despachos Decisórios, lavrados com observância das formalidades legais de tal modo a lhes ser assegurado o direito de questionar as exigências e os atos de não homologação de compensação e de atribuição de responsabilidade solidária, nos termos das normas que regulam o processo administrativo fiscal, não se configura o cerceamento de defesa. Não se vislumbrando nos autos ofensa ao art. 142 do CTN e ao art. 10 do Decreto nº 70.235/72 nem quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do mesmo Decreto, improcedente se mostra a argüição de nulidade. FASE PROCEDIMENTAL. CARÁTER INQUISITÓRIO. No processo administrativo fiscal, é a impugnação que instaura a fase propriamente litigiosa ou processual, não encontrando amparo jurídico questionamentos acerca de intimações formalizadas durante o procedimento administrativo de fiscalização, o qual tem caráter meramente inquisitório. ARROLAMENTO DE BENS. Não se insere no âmbito de competência das Delegacias de Julgamento, nem do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a apreciação do procedimento de arrolamento de bens efetivado pela autoridade lançadora. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. A apreciação de questionamentos relacionados a ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da esfera administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ. FALTA DE RECOLHIMENTO E DE DECLARAÇÃO EM DCTF. A falta de recolhimento de débitos decorrentes de receitas contabilizadas e informadas em DIPJ, cumulada com a ausência de declaração do crédito tributário (mediante retificação de DCTF para zerar débitos), não permite a mera cobrança do crédito tributário e impõe ao Fisco o dever de previamente constituí-lo por meio do lançamento de ofício, com a aplicação da penalidade cabível. INFORMAÇÃO DOS DÉBITOS EM DIPJ. A informação dos valores devidos em DIPJ não dispensa o lançamento, na medida em que esta declaração é apenas informativa e não se presta a constituir o crédito tributário. INFORMAÇÃO DOS DÉBITOS EM DACON. O DACON não é declaração, mas sim demonstrativo de apuração, e os valores nele expressos não configuram confissão de dívida, por expressa inexistência de disposição legal. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ALEGAÇÃO DE DEVOLUÇÃO DE RECEITAS. DISTRATOS. A alegação de cancelamento de receitas, decorrente de distratos e devolução de recursos a clientes, não é hábil a afastar o lançamento e justificar a exclusão de débitos da DCTF nem a diferença entre créditos em conta bancária e receitas contabilizadas/informadas em DIPJ, se, no curso do procedimento fiscal, tal alegação já foi detalhadamente analisada e acatada em parte pela autoridade fiscal, como refletido no Termo de Verificação, e se, em sede de impugnação, os interessados nada refutam quanto à análise procedida pela Fiscalização nem trazem prova documental alguma para demonstrar a eventual existência, na base tributável autuada, de outros valores de receitas canceladas além daqueles já admitidos na autuação. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Em se tratando de exigências reflexas de tributos e contribuições que têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão dos decorrentes. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. IMPUTAÇÃO DE FRAUDE. Não afastadas as constatações fiscais que ensejaram imputação de intuito de fraude, não há como reduzir a multa aplicada no percentual de 150% ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. RETENÇÕES NA FONTE. INEXISTÊNCIA. DESPACHO DECISÓRIO DE NÃO HOMOLOGAÇÃO. A não comprovação do crédito indicado em Declaração de Compensação impõe a não homologação da compensação. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. INFORMAÇÃO FALSA. A constatação fiscal de inserção, em declaração de compensação, de informação falsa acerca do crédito e sua formação justifica a aplicação da multa no percentual de 150%. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIOS ADMINISTRADORES. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, os mandatários, prepostos, diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. INTERESSE COMUM. PESSOA JURÍDICA SEM VÍNCULO SOCIETÁRIO. Evidenciado o vínculo de fato entre pessoa jurídica não integrante do quadro societário e a sociedade autuada, regular é a atribuição de responsabilidade solidária, por interesse comum nas situações que se constituíram em fatos geradores das obrigações autuadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050587851915264
conteudo_txt : Metadados => date: 2018-07-20T18:36:04Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; Last-Modified: 2018-07-20T18:36:04Z; dcterms:modified: 2018-07-20T18:36:04Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; Last-Save-Date: 2018-07-20T18:36:04Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-07-20T18:36:04Z; meta:save-date: 2018-07-20T18:36:04Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-07-20T18:36:04Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 114; pdf:charsPerPage: 2064; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2.031 1 2.030 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10740.720068/201411 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201002.075 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de março de 2018 Matéria IRPJ DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Recorrente COSTA JUCÁ CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA. EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010, 2011, 2012 NULIDADE. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Tendo sido os interessados regularmente cientificados dos Autos de Infração e dos Despachos Decisórios, lavrados com observância das formalidades legais de tal modo a lhes ser assegurado o direito de questionar as exigências e os atos de não homologação de compensação e de atribuição de responsabilidade solidária, nos termos das normas que regulam o processo administrativo fiscal, não se configura o cerceamento de defesa. Não se vislumbrando nos autos ofensa ao art. 142 do CTN e ao art. 10 do Decreto nº 70.235/72 nem quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do mesmo Decreto, improcedente se mostra a argüição de nulidade. FASE PROCEDIMENTAL. CARÁTER INQUISITÓRIO. No processo administrativo fiscal, é a impugnação que instaura a fase propriamente litigiosa ou processual, não encontrando amparo jurídico questionamentos acerca de intimações formalizadas durante o procedimento administrativo de fiscalização, o qual tem caráter meramente inquisitório. ARROLAMENTO DE BENS. Não se insere no âmbito de competência das Delegacias de Julgamento, nem do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a apreciação do procedimento de arrolamento de bens efetivado pela autoridade lançadora. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. A apreciação de questionamentos relacionados a ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da esfera administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 0. 72 00 68 /2 01 4- 11 Fl. 2031DF CARF MF 2 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. FALTA DE RECOLHIMENTO E DE DECLARAÇÃO EM DCTF. A falta de recolhimento de débitos decorrentes de receitas contabilizadas e informadas em DIPJ, cumulada com a ausência de declaração do crédito tributário (mediante retificação de DCTF para zerar débitos), não permite a mera cobrança do crédito tributário e impõe ao Fisco o dever de previamente constituílo por meio do lançamento de ofício, com a aplicação da penalidade cabível. INFORMAÇÃO DOS DÉBITOS EM DIPJ. A informação dos valores devidos em DIPJ não dispensa o lançamento, na medida em que esta declaração é apenas informativa e não se presta a constituir o crédito tributário. INFORMAÇÃO DOS DÉBITOS EM DACON. O DACON não é declaração, mas sim demonstrativo de apuração, e os valores nele expressos não configuram confissão de dívida, por expressa inexistência de disposição legal. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ALEGAÇÃO DE DEVOLUÇÃO DE RECEITAS. DISTRATOS. A alegação de cancelamento de receitas, decorrente de distratos e devolução de recursos a clientes, não é hábil a afastar o lançamento e justificar a exclusão de débitos da DCTF nem a diferença entre créditos em conta bancária e receitas contabilizadas/informadas em DIPJ, se, no curso do procedimento fiscal, tal alegação já foi detalhadamente analisada e acatada em parte pela autoridade fiscal, como refletido no Termo de Verificação, e se, em sede de impugnação, os interessados nada refutam quanto à análise procedida pela Fiscalização nem trazem prova documental alguma para demonstrar a eventual existência, na base tributável autuada, de outros valores de receitas canceladas além daqueles já admitidos na autuação. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Em se tratando de exigências reflexas de tributos e contribuições que têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão dos decorrentes. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. IMPUTAÇÃO DE FRAUDE. Não afastadas as constatações fiscais que ensejaram imputação de intuito de fraude, não há como reduzir a multa aplicada no percentual de 150% ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. RETENÇÕES NA FONTE. INEXISTÊNCIA. DESPACHO DECISÓRIO DE NÃO HOMOLOGAÇÃO. Fl. 2032DF CARF MF Processo nº 10740.720068/201411 Acórdão n.º 1201002.075 S1C2T1 Fl. 2.032 3 A não comprovação do crédito indicado em Declaração de Compensação impõe a não homologação da compensação. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. INFORMAÇÃO FALSA. A constatação fiscal de inserção, em declaração de compensação, de informação falsa acerca do crédito e sua formação justifica a aplicação da multa no percentual de 150%. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIOS ADMINISTRADORES. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, os mandatários, prepostos, diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. INTERESSE COMUM. PESSOA JURÍDICA SEM VÍNCULO SOCIETÁRIO. Evidenciado o vínculo de fato entre pessoa jurídica não integrante do quadro societário e a sociedade autuada, regular é a atribuição de responsabilidade solidária, por interesse comum nas situações que se constituíram em fatos geradores das obrigações autuadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Presidente (assinado digitalmente) RAFAEL GASPARELLO LIMA Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente da turma), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Angelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa. Ausentes justificadamente os conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Luis Fabiano Alves Penteado e Eva Maria Los. Relatório O acórdão nº 1459.770, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto/SP (DRJ/RPO), negando provimento à Manifestação de Inconformidade, formalizada pelo contribuinte, relatou com exatidão os fatos, conforme a seguir reproduzido: Tratase de: Autos de Infração (fls. 02/103) à legislação do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), da Contribuição Social sobre Fl. 2033DF CARF MF 4 o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), objeto do processo nº 10740.720068/201411, abrangendo os anoscalendário de 2010 a 2012 e lavrados na sistemática do Lucro Presumido e no âmbito da DRF Vitória – ES, formalizando crédito tributário no valor total de R$ 15.097.563,35, aí incluídos principal, multa de 150% e juros de mora (estes últimos calculados até outubro/2014), com imputação de: (i) omissão de receitas apurada com base em depósitos bancários de origem não comprovada e (ii) receita da atividade escriturada e não declarada; Despacho Decisório exarado no processo nº 10740.720024/201482, apenso ao presente, de não homologação da DCOMP 31798.32047.23092013.1.3.035781, em que indicada utilização de crédito de Saldo Negativo de CSLL do 1º trimestre de 2012 formado por retenção na fonte de código 5952 – Retenção de contribuições sobre pagamentos de pessoa jurídica a pessoa jurídica de direito privado – CSLL, apurada, segundo indicado, no 1º trimestre de 2012, no valor de R$ 1.700.000,00 (fls. 15/16 e 179/193 daqueles autos); Despacho Decisório exarado no processo nº 10740.720025/201427,apenso ao presente, de não homologação da DCOMP 36084.01841.10102013.1.3.039068, em que indicada utilização de crédito de Saldo Negativo de CSLL do 1º trimestre de 2013 formado por CSLL Retida na Fonte no código 5952 – Retenção de contribuições sobre pagamentos de pessoa jurídica a pessoa jurídica de direito privado – CSLL, apurado, segundo indicado, no 1º trimestre de 2013, no valor de R$ 100.000,00 (fls. 29/30 e 178/197 daqueles autos); Despacho Decisório exarado no processo nº 10783.720248/201498, apenso ao presente, de não homologação da DCOMP 18187.18093.230913.1.3.038998, em que indicada utilização de crédito de Saldo Negativo de CSLL do 4º trimestre de 2011 formado por CSLL Retida na Fonte no código 5952 –Retenção de contribuições sobre pagamentos de pessoa jurídica a pessoa jurídica de direito privado – CSLL,COFINS e PIS/PASEP, apurado, segundo indicado, no 4º trimestre de 2011, no valor de R$ 1.700.000,00 (fls. 03/04 e 179/199 daqueles autos) Auto de Infração com aplicação de multa isolada por compensação indevida, objeto do processo nº 10740.720069/201457, apenso ao presente, formalizando crédito tributário no valor total de R$ 1.768.668,25 (fls. 02/07 daqueles autos); Além dos processos acima mencionados, também estão juntados ao processo principal nº 10740.720068/201411, os seguintes processos nºs: 10740.720071/201426 no qual foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais; 10740.720073/201415 referente a arrolamento de bens. Fl. 2034DF CARF MF Processo nº 10740.720068/201411 Acórdão n.º 1201002.075 S1C2T1 Fl. 2.033 5 Os processos em que foram formalizados os Autos de Infração e Despachos Decisórios acima relacionados serão aqui relatados e apreciados em conjunto, tendo em conta que decorrem de fatos que se relacionam entre si, contextualizados no Termo de Verificação nº 091513/2013 de fls. 105/202 do processo nº 10740.720068/201411, Termo este que também instrui o processo 10740.720069/2014 57 (às fls. 09/105), bem como os processos 10740.720024/2014 82 (às fls. 57/153), 10740.720025/201427 (às fls. 56/152) e 10783.720248/201498 (às fls. 57/153). Os números das folhas mencionadas a seguir, quando não especificado o processo a que se referem, são relativos ao processo nº 10740.720068/201411. No referido Termo de Verificação (fls. 105/201), inicia a Fiscalização esclarecendo que a auditoria teve como escopo a verificação das operações de cessão de créditos representados por Títulos da Dívida Pública e descreve seu procedimento, de forma detalhada, mediante os seguintes tópicos constantes de fls. 106/133: 2.1 TERMO DE INÍCIO DE PROCEDIMENTO FISCAL Nº 01 1513/2013:....................................................................................2 2.2 RESPOSTA AO TERMO DE INÍCIO DE PROCEDIMENTO FISCAL Nº 011513/2013:............................................................3 2.3 TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL Nº 02 1513/2013:....................................................................................4 2.4 RESPOSTA AO TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL Nº 02 1513/2013:....................................................................................4 2.5 TERMO DE CONSTATAÇÃO E INTIMAÇÃO FISCAL Nº 031513/2013:...............................................................................8 2.6 RESPOSTA AO TERMO DE CONSTATAÇÃO E INTIMAÇÃO FISCAL Nº 03 1513/2013:..................................................................................13 2.7 TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL Nº 04 1513/2013:..................................................................................13 2.8 RESPOSTA AO TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL Nº 04 1513/2013:.................................................................................14 2.9 TERMO DE CONSTATAÇÃO E INTIMAÇÃO FISCAL Nº 051513/2013:............................................................................14 2.10 RESPOSTA AO TERMO DE CONSTATAÇÃO E INTIMAÇÃO FISCAL Nº 051513/2013:....................................16 2.11 TERMO DE CONSTATAÇÃO E INTIMAÇÃO FISCAL Nº 061513/2013:............................................................................ 16 Fl. 2035DF CARF MF 6 2.12 RESPOSTA AO TERMO DE CONSTATAÇÃO E INTIMAÇÃO FISCAL Nº 061513/2013:....................................19 2.13 TERMO DE CONSTATAÇÃO E INTIMAÇÃO FISCAL Nº 071513/2013:.............................................................................22 2.14 RESPOSTA AO TERMO DE CONSTATAÇÃO E INTIMAÇÃO FISCAL Nº 071513/2013:....................................24 2.15 TERMO DE DEPOIMENTO DE CLAUDIO ASSIS COSTA Nº 081513/2013:........................................................................25 2.16 TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL Nº 091513/2013 A ROGÉRIO ALVES LOUREIRO:................................................................................27 Na sequência, assevera a Fiscalização o MODUS OPERANDI DA COSTA JUCA NA “COMPENSAÇÃO” DE TRIBUTOS, como segue: (fls. 133/137) Da análise dos documentos apresentados e das demais informações resultantes deste procedimento fiscal identificamos que o seguinte modus operandi da contribuinte para obtenção de suas receitas: a) A COSTA JUCA procurava empresas para a elas “vender” sua proposta denominada “Alternativas & Sucesso”, que formalmente consistia da cessão de créditos originários de títulos públicos (Letras do Tesouro Nacional ou Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional, por exemplo) para compensação de débitos de tributos federais. Materialmente, como veremos a seguir, a prática era bem mais simples: a COSTA JUCA promovia a retificação das DCTF originalmente apresentadas pelos contribuintes, com vistas a eliminar ou diminuir o valor dos tributos declarados sem, em momento algum, lançar mão de qualquer pedido de compensação utilizando os supostos créditos representados pelos títulos públicos. b) No depoimento prestado à fiscalização, o sócio oculto e administrador da COSTA JUCA, CLAUDIO ASSIS COSTA, admitiu que a retificação das DCTF promovendo a redução e até a exclusão de tributos devidos eram realizadas por procuradores indicados pela própria COSTA JUCA. c) Com vistas a dar confiabilidade a sua proposta, a COSTA JUCA apresentava a seus futuros clientes documentos que comprovariam a veracidade e o valor atualizado dos títulos públicos, bem como promovia a cessão dos créditos por eles representados por meio de escritura pública registrada em Cartório de Registro de Títulos. Tais documentos foram apresentados a essa fiscalização, em resposta ao Termo de Início de Procedimento Fiscal nº 011513/2013 e ao Termo de Intimação Fiscal nº 021513/2013. d) Em sua negociação a COSTA JUCA utilizavase de três tipos de contrato: Instrumento Particular de Compra e Venda, Instrumento Particular de Prestação de Serviço e Contrato de Fl. 2036DF CARF MF Processo nº 10740.720068/201411 Acórdão n.º 1201002.075 S1C2T1 Fl. 2.034 7 Prestação de Serviços de Consultoria Tributária e Venda de Ativos. e) Os dois primeiros contratos definiam como remuneração devida 60% do valor “compensado”, em relação aos tributos vencidos e 70% em relação aos tributos vincendos, como cláusula de sucesso, a ser paga quando da “utilização do crédito”. A obrigação do pagamento do valor devido à contratada se concretizava tão logo fosse apresentado o documento comprobatório emitido pelo órgão credor, declarando a devida liquidação por compensação dos débitos. f) Além disso, a contratante se compromete a fornecer instrumento procuratório diretamente à contratada (COSTA JUCA) com plenos poderes para representála perante “todo e qualquer órgão da União, Estado e Município”. g) Já no Contrato de Prestação de Serviços de Consultoria Tributária e Venda de Ativos, a COSTA JUCA contrata a pessoa jurídica MIRANDA & SOUZA CONSULTORIA EM TI LTDA ME, para a prestação de serviços de análise e regularização dos tributos federais vincendos, da terceira pessoa interessada na compensação de suposto crédito decorrente do DecretoLei nº 6.019, de 1943 – CRÉDITO DA DÍVIDA PÚBLICA EXTERNA do Governo Brasileiro, para quitação de tributos federais vincendos. h) Neste contrato a remuneração prevista é 11% do valor do débito original já declarados ou daqueles que venham a ser declarados em DCTF mensalmente. Tal valor seria pago “de acordo com a utilização dos créditos para pagamento dos débitos”. i) Além disso, o contrato previa que a contratada se obriga a entregar, ao término do trabalho, “extrato de emissão de certidão ausente de pendências junto ao sistema de cobrança SIEF”. j) No curso deste procedimento de fiscalização e de outros realizados em pessoas jurídicas que teriam “adquirido” o crédito, restou verificado que todo esse documental tinha por objetivo, única e exclusivamente, o convencimento da pessoa jurídica a ser contratada, quanto à licitude do procedimento. Não houve, como não há, qualquer procedimento administrativo em que tais documentos tenham sido apresentados à Secretaria da Receita Federal do Brasil com vistas ao reconhecimento do crédito, seja ele decorrente dos títulos públicos ou os decorrentes do DL nº 6.019, de 1943. k) Na verdade, o modus operandi da “consultoria” COSTA JUCA era bem mais grosseiro e podia se dar de uma das duas formas a seguir descritas: k.1 Por via da retificação das DCTF originalmente apresentadas: Fl. 2037DF CARF MF 8 • A empresa detentora dos débitos a serem compensados apresentava normalmente sua DCTF mensal, informando os valores dos tributos devidos e para os quais não havia a conseqüente quitação; • A COSTA JUCA, por intermédio de procuradores por ela indicados, promovia a apresentação de DCTF retificadora em que reduzia/zerava as informações originalmente apresentadas pela contratante; • Para fazer prova da “compensação” a COSTA JUCA apresentava à contratante cópia das DCTF zeradas. k.2 Por via da apresentação de Pedidos de Compensação, formalizados por meio de processo administrativo que tinha como único objetivo capturar um número de processo a ser utilizado como referência nos pedidos futuros: • A COSTA JUCA, utilizandose de procuração lavrada pela contratante, protocolava um Pedido de Compensação em processo administrativo fiscal, sem identificação de débito ou dos créditos a serem compensados. • Quando era intimado a apresentar esclarecimentos e documentos que embasassem o pedido, nada respondia. O processo administrativo era arquivado por falta de objeto. • Ato contínuo, a COSTA JUCA promovia a apresentação de DCTF retificadora em que reduzia substancialmente o valor do débito declarado originalmente. • Para “provar” à contratante que havia promovido a compensação dos débitos declarados, apresentava cópia dos pedidos de compensação em que indicava o número daquele processo administrativo e extrato das DCTF zeradas. Assim, ratificase que os instrumentos contratuais e escrituras públicas apresentadas pela COSTA JUCA serviam apenas como subterfúgios para atrair a atenção dos potenciais clientes. Nenhum procedimento efetivo de reconhecimento de tais créditos compunha seu modus operandi. O que ocorria na verdade era um procedimento ardiloso, fraudulento, que consistia na exclusão/redução de débitos, mediante a retificação de DCTF, sem qualquer referência ou relação a supostos créditos oriundos de Títulos Públicos ou qualquer outro fundamento jurídico. Importante salientar que a COSTA JUCA utilizouse do seu próprio modus operandi, promovendo a retificação de suas DCTF, para zerar ou diminuir os valores de tributos federais anteriormente declarados. Tendo sido flagrada, utilizandose do seu próprio esquema fraudulento, a COSTA JUCA foi intimada por meio do Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº 031513/2013 a justificar de forma pormenorizada, apresentando documentos comprobatórios hábeis e idôneos, a diferença entre os valores informados na DIPJ/Contabilidade e os valores indicados nas DCTF retificadoras apresentadas. Fl. 2038DF CARF MF Processo nº 10740.720068/201411 Acórdão n.º 1201002.075 S1C2T1 Fl. 2.035 9 Em resposta, datada de 25/03/2014, a COSTA JUCA informou que as retificações de DCTF se deram em “razão de acordos contratuais e devolução dos valores recebidos como honorários já apresentados a essa fiscalização em momento anterior”. Não convencidos da resposta apresentada, pois divorciada do conteúdo dos documentos analisados, em 02/04/2014 a contribuinte foi reintimada, por meio do Termo de Constatação e ReIntimação Fiscal nº 051513/2013, a explicar s retificações dos valores informados nas DCTF, relativamente ao IRPJ, à CSLL, ao PIS e à Cofins, tendo em vista que os valores originalmente informados coincidiam com os valores de receita escriturados nos Livros Diário e Razão dos anoscalendário de 2010 a 2012, nas respectivas DIPJ e com exceção do valor constante do Dacon do mês de dezembro de 2011, com os declarados nos Dacon dos demais meses dos três anos calendário analisados. Em 14/04/2013 o contribuinte apresentou resposta parcial ao Termo de Constatação e ReIntimação Fiscal nº 051513/2013, em que consignou, em relação aos valores retificados nas DCTF “favor manter os valores declarados na DIPJ e lançados na contabilidade”, ou seja, esqueçam as retificações que fiz nos valores informados nas DCTF dos períodos de apuração de 2010 a 2012, em relação ao IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, comprovando assim seu intuito fraudulento. No tópico 4, a Fiscalização apresenta o resultado de dois procedimentos fiscais realizados em pessoas jurídicas clientes da COSTA JUCA, com o fito de agregar informações obtidas pela fiscalização da Receita Federal para elucidar o modus operandi descrito no item 3 deste relatório. Esclarece que nestes procedimentos, em regra, a autuação se deu a partir da apuração de “compensações” de tributos federais devidos por aquelas pessoas jurídicas, contratantes dos serviços da COSTA JUCA ou contratantes dos supostos créditos. E destaca que a descrição exposta não implica em quebra de sigilo fiscal das operações, tendo em vista que a COSTA JUCA foi parte das operações apresentadas. Expõe, então, informações acerca da auditoria fiscal realizada na CBA Transportes e Comércio Ltda (tópico 4.1, fls. 138/142) e na Transfenix (tópico 4.2, fls. 142/145), bem como aborda a motivação do Distrato da ora autuada com a P. Peixoto Pena Comércio e Transportes Ltda. (item 4.3, fls. 145/148). No tópico 5 do Termo de Verificação (fls. 148) a Fiscalização descreve a Identificação das Receitas Auferidas, expondo, em síntese: no item 5.1, fls. 148/152, a constatação de Receitas Registradas na Contabilidade Sem Individualização, com descrição no sentido de que a contabilidade apresentada pelo contribuinte em relação aos fatos ocorridos nos anos de 2010 a 2012, foi escriturada de forma resumida e consolidada por mês, Fl. 2039DF CARF MF 10 inclusive no que tange às receitas auferidas. O histórico contido no lançamento padrão utilizado no Livro Diário para registrar a receita auferida pelos serviços prestados não possibilita a identificação dos clientes, nem do documento contábil ou fiscal que pudesse amparar tal registro contábil; [...] Ressaltese que também não houve, para os anos de 2010 e 2011, o registro da movimentação bancária na contabilidade apresentada pelo contribuinte, conforme se pode verificar nos registros constantes dos Livros Razão correspondentes. ... [...] No Razão Analítico relativo a 2012 houve a escrituração consolidada de alguns lançamentos na conta de Bancos Movimento, mas insuficientes para identificação dos clientes e da individualização das receitas auferidas. no item 5.2, fls. 152/ 155, a análise dos Extratos Bancários, como segue: Para suprir a falta de apresentação, pela COSTA JUCA, da comprovação da origem das receitas auferidas e tendo em vista a falta de informações nos registros contábeis, em 27/05/2014 a contribuinte foi intimada por meio do Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº 061513/2014 a apresentar cópia dos extratos bancários das contascorrente de sua titularidade, relativamente às movimentações bancárias dos anoscalendário de 2010 a 2012. Em 18/06/2014, a COSTA JUCA compareceu perante essa fiscalização e entregou extratos bancários, do período de 01/2010 a 12/2012, de contacorrente de sua titularidade nº 308.4, da Agência 0168, mantida junto à Caixa Econômica Federal. Em 15/07/2014, a contribuinte entregou à fiscalização uma planilha com a indicação de alguns beneficiários e provedores de recursos relacionandoos aos lançamentos contidos nos extratos bancários. De posse daquelas informações, procedemos à conferência e correção das operações indicadas na planilha original comparandoos com os dos extratos bancários entregues, o que resultou na inclusão de operações não informadas na planilha original e exclusão de operações inexistentes nos extratos bancários. Com o fito de identificarmos os créditos efetuados na citada contacorrente que não representariam receitas a serem tributadas, excluímos os seguintes lançamentos: ABERTCRED Abertura de Crédito, APLIC AUT Aplicação Automática, Cad – Cadastro, CUSTOD TIT – Custódia de Título, DEVOL TED – Devolução de TED, RESG AUTOM –Resgate Automático. Em 06/08/2014, por meio do Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº 071513/2013, foi apresentada à COSTA JUCA planilha contendo cada lançamento a crédito de sua conta corrente, com as exclusões supra citadas, para que identificasse a natureza jurídica daquelas operações constantes dos extratos Fl. 2040DF CARF MF Processo nº 10740.720068/201411 Acórdão n.º 1201002.075 S1C2T1 Fl. 2.036 11 bancários, comprovando cada uma delas com documentos hábeis e idôneos. Foi também apresentada à COSTA JUCA uma planilha consolidando os valores mensais, trimestrais e anuais dos créditos que ingressaram na contacorrente de sua titularidade, comparandoos aos valores escriturados e informados na DIPJ, sendo solicitada a justificar as diferenças apontadas entre os créditos ingressados em sua contacorrente e os valores registrados na contabilidade e informados na DIPJ, conforme se reproduz abaixo: Em 21/08/2014, a COSTA JUCA informou, por meio de resposta ao Termo 071513/2013, não ser possível identificar as fontes pagadoras e credoras que deram origem aos lançamentos constantes da planilha apresentada, que representou sua movimentação bancária, reafirmando “que todos os valores recebidos pela empresa foram realizados em contacorrente conforme extrato bancário”. Justificou a diferença apontada pela fiscalização entre os valores da movimentação a crédito em sua contacorrente e a informação registrada na contabilidade e na DIPJ "em função Fl. 2041DF CARF MF 12 dos distratos ocorridos nas negociações realizadas com as seguintes pessoas jurídicas”, conforme informação sintetizada abaixo: Na oportunidade, a COSTA JUCA informou mais treze lançamentos a débito de sua contacorrente, como sendo devoluções de recursos em conseqüência dos distratos informados. Procede a Fiscalização, no tópico 5.3 (fls. 155 a 167) em 12 subitens, a análise dos Distratos Apresentados, a exemplo dos sub itens 5.3.1 a 5.3.3 a seguir reproduzidos : 5.3.1 Comercial Bahiano • Valor originalmente contratado: R$3.200,000,00 • Valor informado no distrato: R$1.800.000,00 (Valor incorrido até a data do distrato) + R$385.000,00, “referentes a 50% do correspondente aos juros e multas oriundos do atraso no pagamento dos tributos federais devidos pela credora à União, objeto de parcelamento junto à Receita Federal do Brasil.” • Data do distrato: 10/12/2013 • Montante de crédito identificado na contacorrente da COSTA JUCA: R$442.108,00 • Forma de pagamento (devolução): pagamentos efetuados conforme TED, nas datas e valores abaixo: Restou comprovada a transferência de R$ 840.000,00 da COSTA JUCA para a Comercial Bahiano, por meio de três documentos de transferência bancária (TED). No entanto, a partir da planilha apresentada à fiscalização, por meio da qual a COSTA Fl. 2042DF CARF MF Processo nº 10740.720068/201411 Acórdão n.º 1201002.075 S1C2T1 Fl. 2.037 13 JUCA indicou os depositantes e beneficiários dos lançamentos constantes de seus extratos bancários, a Comercial Bahiano realizou aportes de recursos na contacorrente da COSTA JUCA no valor de R$ 442.108,00, apurados conforme tabela abaixo: CONCLUSÃO: Como a própria COSTA JUCA afirmou que “todos os valores recebidos pela empresa foram realizados em contacorrente conforme extrato bancário”, não pode haver devolução de recursos, em razão de distrato, superior ao valor anteriormente recebido. Assim, no período ora analisado, o valor comprovado a ser considerado como devolução à Comercial Bahiano fica limitado ao valor comprovado de ingressos por ela realizados na conta corrente da COSTA JUCA: R$ 442.108,00. 5.3.2 Aços Vitória – Comercial De Aços • Valor originalmente contratado: R$1.000.000,00 • Não foi apresentado instrumento de distrato. • Montante de crédito identificado na contacorrente da COSTA JUCA:R$ 307.317,00 • Forma de pagamento (devolução): para comprovar o pagamento de valor que teria sido devolvido à contratante, a Costa Juca apresentou um conjunto de Documentos de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), efetuados no âmbito do Processo de Parcelamento 10783.909427/201120. Ocorre que os DARF foram recolhidos em nome da Aços Vitória e NÃO HÁ QUALQUER COMPROVAÇÃO DE ASSUNÇÃO DO ÔNUS de tais pagamentos pela COSTA JUCA. CONCLUSÃO: não restou comprovado que o pagamento dos DARF em nome da pessoa jurídica Aços Vitória, tenha se dado com ônus da COSTA JUCA. 5.3.3 LC Marcon Advogados Associados • Valor originalmente contratado: R$ 2.100,000,00 • Não foi apresentado instrumento de distrato. • Montante de crédito identificado na contacorrente da COSTA JUCA: R$946.810,00 • Forma de pagamento (devolução): TED nas datas e valores abaixo: Fl. 2043DF CARF MF 14 Restou comprovada a transferência de R$1.303.816,14 da COSTA JUCA para a LC Marcon, por meio de dezesseis documentos de transferência bancária (TED). No entanto, a partir da planilha apresentada à fiscalização, por meio da qual a COSTA JUCA indicou os depositantes e beneficiários dos lançamentos constantes de seus extratos bancários, no período de 2010 a 2012, a LC Marcon realizou aportes de recursos na contacorrente da COSTA JUCA no valor de R$946.810,00, apurados conforme tabela abaixo: 5.3.4 Brascobra Center ... E, no subitem 5.3.13, resume como segue: 5.3.13 Resumo da Análise dos Distratos Resumindo, os valores que serão considerados como devolvidos pela COSTA JUCA, a partir da análise realizada nos documentos apresentados para justificar a diferença apontada entre os valores de crédito constante dos extratos bancários apresentados e os registrados em sua contabilidade e informados na DIPJ, são os seguintes: Fl. 2044DF CARF MF Processo nº 10740.720068/201411 Acórdão n.º 1201002.075 S1C2T1 Fl. 2.038 15 No tópico 6 do Termo de Verificação (fls. 167 a 176) aborda a Fiscalização as declarações de compensação apresentadas contendo crédito de Saldo Negativo de CSLL de períodos trimestrais de 2011 e 2013, como segue: Conforme visto, a COSTA JUCA apresentou dois PER/DCOMP eletrônicos, de nº 18187.18093.230913.1.3.038998 e 36084.01841.10102013.1.3.039068, que teriam por base crédito relativo ao Saldo Negativo de CSLL, cuja origem teria sido a retenção de contribuições sobre pagamentos de pessoa jurídica a pessoa jurídica de direito privado código 5952, apurados, respectivamente, no 4º trimestre de 2011, no valor de R$ 1.700.000,00 e no 1º trimestre de 2013, no valor de R$ 100.000,00. Abaixo relação de débitos apontados para compensação nos referidos PER/DCOMP: Um terceiro PER/DCOMP foi localizado (nº 31798.32047.23092013.1.3.035781, com crédito relativo ao 1º trimestre de 2012, no valor de R$ 1.700.000,00), mas os débitos apontados para compensação eram do anocalendário de 2013. A partir destas constatações, em 14/03/2014, por meio do Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº 031513/2013, procedemos à intimação do contribuinte para “identificar, comprovando com documentos hábeis e idôneos, a origem dos créditos indicados para compensação nos PER/DCOMP nº 18187.18093.230913.1.3.038998 e 36084.01841.10102013.1.3.039068, respectivamente, nos valores de R$ 1.700.000,00 e R$ 100.000,00”. Em 25/03/2014, em resposta ao TCIF nº 031513/2013, a COSTA JUCA informa que “houve erros nos procedimentos dos Per/Dcomp nº 18187.18093.230913.1.3.038998 e 36084.01841.10102013.1.3.039068, nos quais deveriam ter sido informados os 2º e 3º Trimestre de 2013 como períodos de apuração do crédito e não o 4º Trimestre de 2011 e 1º Trimestre de 2013, como equivocadamente informado.” Fl. 2045DF CARF MF 16 Consultada a DIPJ do anocalendário de 2011 verificamos que o contribuinte apurou CSLL A PAGAR de R$ 46.893,00 no 4º trimestre de 2011, não informou no item 32 da Ficha 18A qualquer valor de retenção na fonte de CSLL por pessoa jurídica de direito privado a ser compensado. (vide figura abaixo). De mesma forma, consultada a DIPJ do anocalendário de 2013 verificamos que o contribuinte apurou CSLL A PAGAR de R$ 46.893,00 no 1º trimestre de 2013, não informou no item 32 da Ficha 18A qualquer valor de retenção na fonte de CSLL por pessoa jurídica de direito privado a ser compensado. (vide figura abaixo) O contribuinte informou que teria errado na indicação dos períodos de apuração dos créditos, sendo correto os 2º e 3º Trimestre de 2013 e não o 4º Trimestre de 2011 e 1º Trimestre de 2013, no entanto, a COSTA JUCA não apresentou documentação comprobatória relativa à retenção na fonte de contribuições sobre pagamentos de pessoa jurídica a pessoa jurídica de direito privado, no código 5952, que teria resultado em Saldo Negativo de CSLL pleiteado nos PER/DCOMP apresentados. Na DIPJ relativa ao anocalendário de 2013, a COSTA JUCA não informou dentre as deduções da CSLL qualquer valor relativo à CSLL retida na fonte por pessoa jurídica de direito privado (item 32 da Ficha 18A), relativamente aos 2º e 3º Fl. 2046DF CARF MF Processo nº 10740.720068/201411 Acórdão n.º 1201002.075 S1C2T1 Fl. 2.039 17 trimestres, não existindo, também nestes trimestres, os alegados saldos negativos de CSLL a compensar. Vejamos. Isso por si só já aponta para indícios fortes da origem duvidosa desses créditos aventados para compensação. No entanto, existem outros indícios que apontam para a inexistência do crédito: por exemplo, a retenção na fonte de contribuições (CSLL, PIS e COFINS) sobre pagamentos de pessoa jurídica a pessoa jurídica de direito privado, conforme previsto no art. 30 da Lei n° 10.833, de 2003, pode totalizar 4,65% do valor da receita, distribuídos por tributo nos seguintes percentuais: • 1% CSLL; • 3% COFINS; • 0,65% PIS. Ocorre que a CSLL apurada no trimestre pela COSTA JUCA corresponde a 3% de sua receita de prestação de serviços (32% * 9% = 3%). Considerando que a empresa apurou lucro presumido, em hipótese alguma, poderia apurar saldo negativo de CSLL, ainda que toda sua receita houvesse sofrido retenção na fonte daquela contribuição. Isso porque se na retenção o percentual é de 1%, na apuração trimestral o percentual é de 3% da receita. Reforçando esses indícios que apontam na direção de um esquema destinado apenas à criação de créditos para fraudar a compensação de tributos administrados pela Receita Federal, as fontes pagadoras responsáveis pela retenção, informadas nas Fl. 2047DF CARF MF 18 próprias PER/DCOMP apresentadas pela COSTA JUCA, foram as pessoas jurídicas: ELITE RIO DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA, CNPJ nº 14.234.988/0001 68, e CONSTRUTORA APTA LTDA, CNPJ nº 35.793.397/0001 09. A ELITE RIO DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA consta das PER/DCOMP n° 18187.18093.230913.1.3.038998 (crédito informado no 4° trimestre de 2011) e 31798.32047.230913.1.3.035781 (crédito informado no 1° trimestre de 2012) e teria efetuado pagamentos à COSTA JUCA que resultaram na retenção na fonte das citadas contribuições no valor de R$ 1.700.000,00 para cada trimestre, totalizando R$ 3.400.000,00. De outro modo, se o pagamento estava sujeito à retenção de 4,65%, o valor do serviço prestado pela COSTA JUCA equivaleria a R$ 73.118.279,57. Isso é mais do que todas as receitas apuradas pela COSTA JUCA nos anos de 2010 a 2012, conforme pode ser confirmado na análise dos extratos de sua movimentação bancária. A ELITE RIO DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA foi inscrita no CNPJ em 19/08/2011 e possui domicílio tributário na Rua Frederico Méier, 15, sala 502, Méier – Rio de Janeiro/RJ. Apresentou DIPJ somente para os anos de 2011 e 2012, na condição de INATIVA, vindo, depois, retificar a DIPJ do ano de 2012 para apuração pelo lucro presumido, mesmo assim a declaração está com valores zerados. No entanto, a surpresa ficou por conta das DIRF apresentadas pela ELITE RIO DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA. Em 2012, constam da DIRF 03 (três) beneficiários de retenção na fonte totalizando rendimentos de R$ 32.922.086,27 e retenções de contribuições sobre pagamentos de PJ a PJ de direito privado – CSLL, COFINS e PIS (código de receita 5952) no montante de R$ 15.682.972,29. Em 2013, a DIRF informa 02 (dois) beneficiários com rendimentos de R$ 64.057.310,51 e retenção de contribuições de R$ 42.311.465,90. Vide tabelas abaixo: A operação é tão grosseira que a retenção na fonte está muito além dos 4,65% previstos em lei. Há caso em que a suposta retenção alcança 72,5% do rendimento hipoteticamente pago. Isso tudo sem que a ELITE RIO DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA tenha recolhido um único centavo aos cofres públicos a título de tributos federais. Detalhe: embora a COSTA JUCA tenha informado na PER/DCOMP que havia recebido recursos da ELITE RIO Fl. 2048DF CARF MF Processo nº 10740.720068/201411 Acórdão n.º 1201002.075 S1C2T1 Fl. 2.040 19 DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA, sujeitos à retenção na fonte no valor de R$ 3.400.000,00, conforme especificado acima, a ELITE sequer a incluiu no rol de beneficiários na DIRF apresentada. A CONSTRUTORA APTA LTDA foi inscrita no CNPJ em 13/11/1989. Apresentou DIRPJ para os anos de 1989, 1990 e 1992. Em 14/09/1999 foi declarada INAPTA por ser omissa e não ter sido localizada. Em 22/09/2006 passou à condição de ativa em razão da entrega, em 21/09/2006, de DIPJ – INATIVA dos últimos cinco anos: 2001 a 2005. Antes, porém, em 13/09/2006, a CONSTRUTORA APTA providenciou a alteração no CNPJ do quadro societário e do domicílio fiscal, que passou a ser a Rua Frederico Méier,15, 3, 4 e 5 andares, Méier – RJ/RJ. Talvez por mera coincidência, uma das salas passou a ser o endereço da então, em 2011, criada ELITE RIO DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA. Mas, as coincidências não param por aqui. Muito embora a última DIPJ tenha sido apresentada em 10/11/2013, relativa ao anocalendário de 2009, a CONTRUTORA APTA LTDA apresentou DIRF para os anos de 2009, 2010, 2012 e 2013, nas quais constam vários beneficiários informados com valores vultosos de rendimentos e de retenção na fonte das contribuições CSLL, Cofins e PIS. Uma repetição do esquema adotado a partir das DIRF da pessoa jurídica ELITE. Novamente não há qualquer correlação entre o percentual determinado pela legislação (4,65% sobre pagamento efetuado) e o valor supostamente retido na fonte. Além de alguns beneficiários informados na DIRF da ELITE RIO DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA aparecerem também na DIRF da CONSTRUTORA APTA LTDA, o que chama atenção é que alguns clientes que haviam “adquirido título público” da COSTA JUCA também despontam na DIRF da CONSTRUTORA APTA LTDA, por exemplo: ZP CONSERVAÇÃO E LIMPEZA LTDA, CUNHA LOPES CONSTRUTORA LTDA, MADEIRAS ALBA LTDA, REYLE INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CORREIAS LTDA, COMERCIAL AUTOMOTIVA CBA LTDA, AÇOS VITÓRIA COMERCIAL DE AÇOS LTDA, P. PEIXOTO PENA COMÉRCIO E TRANSPORTES LTDA, NATURAÇO INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE AÇO LTDA, AEP CONSTRUCÕES E URBANIZAÇÕES LTDA, MINAS CALOR COMÉRCIO E TRANSPORTES LTDA e, inclusive, a própria COSTA JUCA. No período mencionado, em ambas DIRF (da ELITE e da CONSTRUTORA APTA) foram informados rendimentos no montante total de R$ 259.618.787,07 e retenção na fonte, pasmem, de R$ 111.940.763,28. Não obstante isso, a consulta realizada ao sistema da Receita Federal revelou a inexistência de recolhimento de qualquer tributo. Aliás, o único recolhimento Fl. 2049DF CARF MF 20 efetuado pela CONSTRUTORA APTA LTDA é de 16/08/1995 e referese à multa por atraso na entrega de DIRPJ no valor de R$ 73,75. Repetimos: único recolhimento efetuado pela empresa. Para a COSTA JUCA, a CONSTRUTORA APTA informou nas DIRF de 2011 e 2013 rendimentos de R$ 1.200.000,00 e R$ 687.032,65 e retenções na fonte de contribuições de R$ 900.000,00 e R$ 98.003,65, respectivamente, assim distribuídos mensalmente: Como se vê, em 2011 a COSTA JUCA teria recebido mensalmente R$ 100.000,00, com suposta retenção na fonte de R$ 75.000,00, o que equivale a 75% dos recursos supostamente recebidos. Nesse ponto, a COSTA JUCA e a CONSTRUTORA APTA não se entenderam, pois para esse período aquela lançou mão de hipotéticos créditos da ELITE RIO DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA, e, não, da CONSTRUTORA APTA. Por mais que se esforce é difícil de acreditar na veracidade dessas operações. Fl. 2050DF CARF MF Processo nº 10740.720068/201411 Acórdão n.º 1201002.075 S1C2T1 Fl. 2.041 21 Pela sucessão de indícios, não é crível que tudo seja uma mera coincidência. E não é. Em depoimento prestado na sede da Delegacia da Receita Federal em Vitória, em 16/09/2014, o sóciooculto da COSTA JUCÁ, e um de seus administradores CLÁUDIO ASSIS COSTA, indagado acerca da origem dos créditos constantes nas citadas PER/DCOMP, cuja origem informada eram as pessoas jurídicas ELITE e CONSTRUTORA APTA, informou que: • não tinha conhecimento dos fatos; • não ter feito operação com aqueles valores indicados na PER/DCOMP com as empresas” (ELITE e CONSTRUTORA APTA); • que a COSTA JUCA não tem contrato de prestação de serviço firmados com ELITE e CONSTRUTORA APTA, bem como não tem comprovante de valores recebidos, nem documentos de retenção na fonte, “pois não reconhece a prestação de tais serviços, tampouco a retenção na fonte daqueles valores”. • Que “não conhece nada sobre as empresas ELITE e CONSTRUTORA APTA e que o elo de ligação da COSTA JUCA com aquelas empresas era o procurador da COSTA JUCA ROGÉRIO (ALVES) LOUREIRO”. • que não tem qualquer contato direto com a ELITE e CONSTRUTORA APTA. Assim, os Pedidos de Compensação constantes dos PER/DCOMP nº 18187.18093.230913.1.3.038998 e 36084.01841.10102013.1.3.039068, devem ser indeferidos pela INEXISTÊNCIA do crédito indicado para compensação. Note que dos valores de débitos a serem compensados indicados nos PER/DCOMP supra referidos, apenas o relativo ao IRPJ do 2º trimestre de 2012, no montante de R$19.261,36, informado no PER/DCOMP de nº 18187.18093.230912.1.3.038998, se encontra entre os que estão sendo constituídos de ofício neste procedimento fiscal, os demais débitos indicados à compensação não são objeto destes autos, por serem débitos confessados pela COSTA JUCA. No tópico 7 de seu Termo, a Fiscalização (fls. 176) relaciona as INFRAÇÕES APURADAS NO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. 7.1 FALTA DE DECLARAÇÃO (DCTF) E/OU RECOLHIMENTO DOS TRIBUTOS A COSTA JUCA confirmou a essa fiscalização que os valores constantes de seus registros contábeis, informados na DIPJ e originalmente nas DCTF apresentadas são representativos das receitas auferidas nas transações cujo objeto era a “compensação” de tributos federais de responsabilidade de suas clientes pessoas jurídicas. Fl. 2051DF CARF MF 22 Em respostas datadas de 09/01 e 13/02/2014 houve a apresentação de planilhas referentes aos períodos de apuração do anocalendário de 2012, em que restaram confirmados tais valores. Além disso, em resposta datada de 14/04/2013 a COSTA JUCA apresentou resposta parcial ao Termo de Constatação e Re Intimação Fiscal nº 051513/2013, em que informou que deveriam ser mantidos os valores declarados na DIPJ e lançados na contabilidade e desconsiderada a retificação para menor dos valores constantes das DCTF retificadoras por ela apresentadas. Conforme visto, a COSTA JUCA apresentou DCTF retificando os valores originalmente declarados como devidos de PIS, Cofins, CSLL e IRPJ dos anoscalendário de 2010 e 2011 e dos meses de fevereiro, março, abril e junho de 2012. Assim deverão ser constituídos por falta de declaração e recolhimento os seguintes valores mensais de PIS e Cofins. De mesmo modo, deverão ser constituídos por falta de declaração e recolhimento os seguintes valores trimestrais de CSLL e IRPJ, conforme originalmente contabilizados e informados na DIPJ e DCTF, descontados os valores residuais informados nas DCTF retificadoras e o valor relativo ao IRPJ do 2º trimestre de 2012, no montante de R$19.261,36, que foi informado no PER/DCOMP de nº 18187.18093.230912.1.3.03 8998 caracterizando, portanto, confissão de dívida pelo contribuinte, conforme planilha abaixo: Fl. 2052DF CARF MF Processo nº 10740.720068/201411 Acórdão n.º 1201002.075 S1C2T1 Fl. 2.042 23 No tópico 7.2 (fl. 179), com fundamento no art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 c/c arts. 287, 288 e 537 do RIR, de 1999 a Fiscalização descreve a constatação de OMISSÃO DE RECEITAS APURADA COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA: Conforme visto, em 18/06/2014, a COSTA JUCA compareceu perante essa fiscalização e entregou extratos bancários, do período de 01/2010 a 12/2012, de contacorrente de sua titularidade nº 308.4, da Agência 0168, mantida junto à Caixa Econômica Federal e em 15/07/2014, entregou à fiscalização uma planilha com a indicação de alguns beneficiários e provedores de recursos relacionandoos aos lançamentos contidos nos extratos bancários. Conforme descrito no Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº 071513/2013, datado de 06/08/2014, foi apresentada à COSTA JUCA planilha contendo os lançamentos a crédito de sua contacorrente para que procedesse a identificação da natureza jurídica daquelas operações constantes dos extratos bancários, comprovando cada uma delas com documentos hábeis e idôneos. Fl. 2053DF CARF MF 24 Em 21/08/2014, a COSTA JUCA informou não ser possível identificar as fontes pagadoras e credoras que deram origem aos lançamentos constantes da planilha apresentada, que representou sua movimentação bancária, reafirmando “que todos os valores recebidos pela empresa foram realizados em contacorrente conforme extrato bancário”. Justificou a diferença apontada pela fiscalização entre os valores da movimentação a crédito em sua contacorrente e a informação registrada na contabilidade e na DIPJ ”em função dos distratos ocorridos nas negociações realizadas”. Procedemos também à consolidação dos valores mensais, trimestrais e anuais dos créditos que ingressaram na conta corrente de sua titularidade, comparadoos aos valores escriturados e informados na DIPJ. Em função de tais diferenças, foram apurados os valores dos depósitos ocorridos na conta corrente de titularidade da COSTA JUCA para os quais não houve a comprovação da origem dos recursos, reduzindo destes os valores registrados na contabilidade e informados na DIPJ. Fl. 2054DF CARF MF Processo nº 10740.720068/201411 Acórdão n.º 1201002.075 S1C2T1 Fl. 2.043 25 A Fiscalização identifica a base de cálculo mensal do valor do crédito tributário a ser constituído como aquele apurado na coluna VALOR A SER CONSTITUÍDO, destacando que: nos meses de janeiro a abril e junho de 2010 os valores mensais movimentados a crédito na contacorrente de titularidade da COSTA JUCA foram inferiores aos valores confirmados pela contribuinte como sendo a totalização de suas receitas para aqueles meses, conforme constam da DIPJ, da escrituração fiscal e das DCTF posteriormente retificadas. Assim, para estes períodos não haverá lançamento complementar com base nos valores da movimentação financeira; Nos meses de dezembro de 2011, julho, agosto e dezembro de 2012, o valor mensal dos lançamentos a crédito constantes dos extratos bancários da COSTA JUCA foram superiores aos valores de receita mensal informados pela contribuinte, no entanto, quando excluídos os valores comprovadamente devolvidos às pessoas jurídicas que efetuaram distrato, não resta lançamento complementar a ser efetuado; De mesmo modo, nos meses de maio e novembro de 2012 não será efetuado lançamento complementar em relação aos valores de receita mensal declarados pela COSTA JUCA, tendo em vista que o valor da movimentação mensal a crédito na conta corrente foi inferior ao valor da receita mensal declarada. Esclarece que a coluna DISTRATO CONSOLIDAÇÃO, constante da planilha supra, representa a exclusão dos valores comprovadamente devolvidos às pessoas jurídicas, no período sob fiscalização (01/2010 a 12/2012), a partir de débitos na contacorrente em questão, em função dos distratos analisados no presente item deste relatório, conforme a seguinte consolidação: Fl. 2055DF CARF MF 26 No tópico 7.3 (fl. 182) a Fiscalização aborda a infração por DÉBITO COMPENSADO INDEVIDAMENTE, como segue: Para análise dos PER/DCOMP transmitidos pela COSTA JUCÁ, foram gerados processos eletrônicos individualizados para os seguintes trimestres: 4°T/2011, 1°T/2012 e 1°T/2013. Após o Despacho Decisório do Delegado da Receita Federal do Brasil em VitóriaES que NÃO reconheceu o crédito decorrente de saldo negativo de CSLL, conforme anotado no Item 6 deste Termo, sobre os débitos indevidamente compensados (NÃO HOMOLOGADOS) a fiscalização aplicou a multa isolada de 150% (art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003), no caso de não homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo, nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 1964. O art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, dispõe que: ... Como visto, COSTA JUCA utilizouse de artifício fraudulento para “criar” crédito de saldo negativo de CSLL na tentativa de liquidar débitos apurados pela empresa decorrente de sua atividade operacional por meio de PER/DCOMP apresentadas à Receita Federal. Fl. 2056DF CARF MF Processo nº 10740.720068/201411 Acórdão n.º 1201002.075 S1C2T1 Fl. 2.044 27 Considerando o exposto, foram apurados os seguintes valores de multa isolada: No Auto de Infração, a multa isolada calculada sobre as compensações não homologadas é lançada de forma consolidada por data de referência que é o momento da apresentação da compensação indevida, melhor dizendo: data da emissão da PER/DCOMP – que consta no próprio número de identificação do documento, por exemplo: a DCOMP nº 18187.18093.230913.1.3.038998 foi apresentada pela COSTA JUCA no dia 23/09/2013. Abaixo, o valor da multa consolidado por data de referência. No tópico 8 (fls. 186/191), a Fiscalização justifica a aplicação da MULTA QUALIFICADA de 150% sobre os valores do PIS, Cofins, CSLL e IRPJ lançados de ofício em decorrência das infrações apuradas nos itens 7.1 Falta de Declaração e/ou Recolhimento de Tributos, 7.2 Omissão de Receitas Apurada com Base em Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada e 7.3 Débito Compensado Indevidamente, invocando os fatos narrados e considerando a atitude dolosa da fiscalizada de reduzir o montante devido dos tributos federais, ora constituídos de ofício,e fundandose: nas disposições do art. 44 a Lei n° 9.430, de 27/12/1996, com nova redação dada pelo art. 14, da Lei nº 11.488, de 15/06/2007; nas disposições dos artigos 71 e 72 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, que definem sonegação e fraude fiscal, no conceito de dolo, para fins de tipificação dos delitos em apreço, que se encontra no inciso I, do art. 18 do Código Penal: crime doloso é aquele em que o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo. nas disposições dos incisos I e II, do artigo 1º, da Lei n° 8.137, de 27/12/1990, que define os crimes contra a ordem tributária, Fl. 2057DF CARF MF 28 no art. 2º da mesma Lei nº 8.137, de 1990, que estabelece que “fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo”, também constitui crime contra a ordem tributária. E explica: Em razão da convicção firmada pela fiscalização quanto à intenção da fiscalizada em se eximir dos tributos devidos por meios defesos em lei contra a ordem tributária, arts. 1º e 2º da Lei n° 8.137, de 1990, de forma inequívoca, evidencia que a prestação de declaração falsa às autoridades fazendárias, a inserção de elementos inexatos em documentos públicos (DCTF), bem como a omissão de receitas à margem de sua contabilidade e sua não informação ao Fisco, em três anoscalendário seguidos, além de empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo inseremse no contexto de fraude à fiscalização tributária, configurando o dolo necessário para a qualificação da multa de ofício. Fato é que o contribuinte procedeu à redução dos valores dos tributos devidos declarados em DCTF, por meio de declarações retificadoras, inserindo informação que sabia ser inverídica, com único objetivo de evitar o pagamento do tributo devido. De mesma forma que a COSTA JUCA procedia em relação às pessoas jurídicas a quem prestava seus “serviços”, descrita no item 3 deste relatório, ela operou em proveito próprio. Conforme se pode verificar em sua contabilidade ela indicou a compensação de tributos federais sem, no entanto, realizar qualquer procedimento administrativo ou judicial que lhe desse amparo em sua pretensão. Veja exemplo de registro em sua contabilidade: Em 2010: [fls. 189] .... Em 2011: [fls. 189] .... Em 2012: [fls. 190] Assim como procedeu em relação às suas clientes, a COSTA JUCA utilizouse do subterfúgio fraudulento de retificar as DCTF reduzindo ou eliminado o saldo de tributos devidos, na tentativa de ludibriar sua cobrança da Receita Federal. A planilha abaixo resume o quadro das retificações dos valores devidos de tributos informados nas DCTF. [fls. 190] Fl. 2058DF CARF MF Processo nº 10740.720068/201411 Acórdão n.º 1201002.075 S1C2T1 Fl. 2.045 29 Além disso, a COSTA JUCA omitiu ao longo dos anos calendário sob análise, 2010, 2011 e 2012, à margem da contabilidade e das informações prestadas ao Fisco, montantes expressivos de receitas, apurados com base em parcela da movimentação financeira em sua contacorrente. Com a omissão de informações dessas receitas, que deveriam constar das DIPJ e DCTF apresentadas nos períodos, outra não foi a intenção da COSTA JUCA senão impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. Além disso, a COSTA JUCA lançou mão de créditos fictícios informados em PER/DCOMP que resultaram em pedidos fraudulentos de compensações de tributos, com vistas a eximirse do recolhimento dos tributos por ela devidos. Considerando, em tese, a presença de crime contra ordem tributária e ainda as figuras da fraude e sonegação fiscal, está demonstrado o intuito fraudulento do contribuinte em ocultar a ocorrência do fato gerador dos tributos devidos ou de se eximir do recolhimento tributário cabível, o que enseja a qualificação da multa. No tópico 9 (fls. 191), descreve a Fiscalização a constatação de BLINDAGEM PATRIMONIAL DA COSTA JUCA COM UTILIZAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA AG COSTA, cujas sócias são as irmãs Gabriela de Alcantara Almeida Costa e Amanda de Alcântara Almeida Costa, filhas de Cláudio de Assis Costa (sócio oculto e administrador da COSTA JUCA), por meio de transferência de recursos da COSTA JUCA para a AG COSTA, ambas com mesmo domicílio fiscal, mediante concessão de empréstimos da primeira para a segunda, de 2010 a 2012, no total de R$ 9.440.000,00, para devolução em 06 (seis) anos a partir de 15/07/2014, sem cobrança de juros. E continua a Fiscalização: Fl. 2059DF CARF MF 30 Qual a destinação dos recursos recebidos pela A G COSTA EMPREENDIMENTOS S/A? Foram empregados nas aquisições de imóveis (apartamentos, por exemplo, um na Barra da Tijuca/RJ e outro na Enseada Azul/Guarapari/ES, além de propriedades rurais) e veículos (Kia Cerato e Porche Cayenne) de uso particular, que compõem o Ativo imobilizado de R$ 10.245.755,99, conforme balanço patrimonial constante da DIPJ. A aquisição de bens em nome da A G COSTA EMPREENDIMENTOS S/A com recursos transferidos da COSTA JUCA a título de empréstimo tem como único objetivo manter ileso o patrimônio pessoal dos sócios da COSTA JUCA em eventual execução de dívidas desta. Portanto, a criação da AG COSTA EMPREENDIMENTOS S/A foi um subterfúgio usado pelos sócios da COSTA JUCA para efetuar a blindagem patrimonial dos bens adquiridos com recursos advindos de procedimentos fraudulentos de compensação de débitos tributários junto a Receita Federal. Ainda que, por hipótese, A G COSTA EMPREENDIMENTOS S/A tivesse a intenção de quitar o empréstimo contraído junto a COSTA JUCA isso só seria possível mediante alienação dos imóveis comprados em seu nome. Diante dos fatos narrados, restou comprovado, portanto, que A G COSTA EMPREENDIMENTOS S/A integra o mesmo grupo empresarial de fato junto à COSTA JUCA, com o objetivo exclusivo de blindar o patrimônio do grupo em eventual execução fiscal. No tópico 10 (fls. 193), a Fiscalização noticia e justifica a formalização de REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS e, no tópico 11, aborda a atribuição de RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA, apontando, de início no item 11.1 (fls. 193), seu significado como sendo a submissão de determinada pessoa, contribuinte ou não, ao direito de o Fisco exigir a prestação da obrigação tributária. Em sentido restrito, significa a submissão ao direito de o Fisco exigir a prestação, em decorrência de expressa disposição legal, de determinada pessoa que não é contribuinte, mas está vinculada ao fato gerador da obrigação tributária. Transcreve: disposições do art. 121, caput, art. 124, I, art. 128 e art. 135, III, todos do CTN, entendimento doutrinário e jurisprudência do STJ e expõe: Nos casos em que o Fisco constatar a ocorrência de ato ilícito, deve, por dever de ofício, atribuir a responsabilidade tributária aos diretores, gerentes ou representantes da empresa comercial, é o que se demonstrará no próximo tópico. 10.2 (sic) RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA DOS SÓCIOS DIMITRI CEREWUTA JUCÁ E GABRIELA DE ALCÂNTARA ALMEIDA COSTA, DO SÓCIO OCULTO CLAUDIO ASSIS COSTA E DA PESSOA JURÍDICA AG COSTA EMPREENDIMENTOS S/A, cujas qualificações individualizadas identifica no tópico 10.2.1 (sic), em função dos fatos descritos no tópico 10.2.2. (sic) [Os fatos apontados neste Fl. 2060DF CARF MF Processo nº 10740.720068/201411 Acórdão n.º 1201002.075 S1C2T1 Fl. 2.046 31 tópico em relação a cada um dos interessados pessoas física e pessoa jurídica serão abordados no voto quando da análise das respectivas razões de defesa.] Concluiu então a Fiscalização pelo encerramento da ação fiscal (tópico 12 do Termo). Do processo nº 10740.720069/201457, consta Auto de Infração (fls. 02/07) com lançamento da multa isolada por compensação indevida e está instruído com cópia do Termo de Verificação acima mencionado. Do referido Auto de Infração extraise: [fl. 6] Nos processos 10740.720024/201482, 10740.720025/201427 e 10783.720248/201498, também apensados ao presente, foram exarados Pareceres (respectivamente nas fls. 179/190, 178/194 e 179/196 daqueles autos) com as informações contidas no tópico 6 do Termo de Verificação acima mencionado e, em conseqüência, foram exarados Despachos Decisórios de não homologação das Compensações indicadas nas DCOMP ali mencionadas (respectivamente nas fls. 193, 197 e 199 daqueles autos). Por meio de Termos de Ciência e Entrega de Documentos (fls. 1583, do presente processo nº 10740.720068/201411) foi dada ciência das autuações e da apreciação de Declarações de Compensação assim relacionadas: A ciência postal a cada um dos responsáveis ocorreu nas datas relacionadas abaixo: Fl. 2061DF CARF MF 32 Em oposição aos lançamentos e aos Despachos Decisórios foram apresentadas as seguintes peças de defesa: Fl. 2062DF CARF MF Processo nº 10740.720068/201411 Acórdão n.º 1201002.075 S1C2T1 Fl. 2.047 33 Na peça de defesa apresentada em nome de Costa Juca Consultoria Empresarial Ltda e Dimitry Cerewuta Jucá (fls. 1595/1614) são apresentados, em síntese: questionamentos acerca de arrolamento de bens, com alegação de ilegalidade do art. 64 da Lei nº 9.532, de 1997, relação de bens arrolados e argumento de impenhorabilidade de bens de família; alegação de ilegitimidade passiva do réu Dimitry Cerewuta Jucá argumentando que: não cabe ao REQUERIDO responder aos autos em vista de ser parte ilegítima, conforme preceituam os termos dos artigos 267, VI e 295, II e III, ambos do CPC, uma vez que não participou das relações jurídicas entre os envolvidos no negócio. O REQUERIDO na condição de advogado apenas atua no âmbito processual e administrativo. Também acerca da alegação acima de ilegitimidade são citados ementa de decisão judicial e excerto doutrinário que entende cabível e argumenta: Dessa forma, o REQUERIDO eximese de qualquer responsabilidade, motivos pelos quais requer sua exclusão da relação processual, com a extinção do auto,sua responsabilidade deve ser eximida. ... [...] ... aquele que age sem o consentimento escrito dos sócios em proveito próprio ou de terceiros terá de restituílos à sociedade, pois segundo o art. 1.017 e parágrafo único do Código Civil, se respalda a boafé do sócio, no caso, o REQUERIDO, pelo princípio da boafé, ao impor ao administrador probidade na gestão empresarial. O REQUERIDO não agiu, nem sequer participou das decisões tomadas entre os mandatários, que sobre este fato não tem qualquer possibilidade de manifestarse ou dar qualquer contribuição. Fl. 2063DF CARF MF 34 Sob o título Desconsideração da personalidade jurídica, invoca, por respeito ao debate, o art. 50 do Código Civil que prescreve a existência de dois requisitos para tal desconsideração: abuso de personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade ou a confusão patrimonial, assim, somente estas situações justificariam a desconsideração que deve ser reconhecida por decisão judicial. Cita decisão do STJ e conclui que os presentes requisitos não foram cumpridos pela REQUERENTE, não demonstrando documentalmente a necessidade de tal medida, de arrolar seus bens pessoais. Sob o título serviços advocatícios, aduz a indispensabilidade do advogado à administração da justiça, sendo inviolável seus atos e manifestações no exercício da profissão, nos limites da lei, e alega que: os serviços prestados estavam na esteira da pretensão das REQUERENTES, inclusive a natureza desses serviços consistem numa obrigação de meio, o que pertine à cláusula ad exitum; ao exercer a atividade, o contratado não se obriga à ocorrência do resultado apenas age na intenção de que ele aconteça, sem se comprometer com a obtenção de um certo resultado. Aborda, a seguir, o princípio do não confisco e ofensa ao direito de propriedade, bem como a necessidade de o Auto de Infração, como ato administrativo, observar requisitos para sua validade, sob pena de nulidade. Nesse compasso, questiona a ausência de indicação do Fato Gerador, expondo: Arguise em preliminar, a ausência de elementos fundamentais ao contribuinte no tocante a indicação das rubricas sobre as quais visualizou o recolhimento a menor, pela não demonstração dos meses em que este fato se verificou, indicados e apenas os exercícios fiscalizados o que é absolutamente insuficiente. Pela omissão da origem dos valores constantes no Auto de Infração que deveria conter informações detalhadas, mês a mês, de cada rubrica do Plano de Contas Interno da Instituição Financeira, que entendeu a autoridade fiscal ter o contribuinte recolhido a menor. Cita doutrina acerca de cerceamento de defesa e conclui pretender a Fazenda Municipal (sic) exigir do contribuinte o recolhimento do crédito tributário, porém, sem demonstrar a ocorrência do fato gerador e sobre quais itens exigese o diferencial, inviabilizando os meios de defesa. Requer o cancelamento da autuação por nulidade absoluta por preterição do direito de defesa, conforme art. 59, II, do Decreto 70.235, ou, caso se entenda ser o ato suscetível de correção, uma vez consumada esta, pede seja restituído integralmente o prazo de defesa. Sob o título Da Nulidade Da Decisão discorre delongadamente acerca da necessidade de fundamentação de uma decisão Fl. 2064DF CARF MF Processo nº 10740.720068/201411 Acórdão n.º 1201002.075 S1C2T1 Fl. 2.048 35 mencionando o art. 93, IX, da Constituição Federal e excertos de doutrina. Aponta, a seguir, a inexigibilidade do débito tributário, questionando a inscrição da dívida ativa e alegando que: não foi intimada de qualquer decisão definitiva referente ao Pedido de Compensação, sendo, por outro lado, surpreendida pelo recebimento da citação em Execução Fiscal referente à mesma competência; o lançamento do órgão fazendário pode ser alterado em caso de impugnação/recurso administrativo. No caso em tela, na medida em que o contribuinte pleiteou regularmente a compensação dos débitos tributária, ainda não apreciada pela Administração Pública Federal inexistem certeza e liquidez na Inscrição da Dívida Ativa executada. Cita o art. 145, I e II do CTN e ementas de decisões judiciais acerca de execução fiscal em caso de pendência de julgamento de processo administrativo. Sob o título Da inexigibilidade da Intimação em Razão da Presença de Causa Suspensiva do Crédito Tributário, invoca o art. 151, III, do CTN e expõe: Menciona os arts. 202 e 203 do CTN alegando nulidade da inscrição e argumenta: Alega irregularidade da multa de mora, expondo: Invoca Princípio da Moralidade Administrativa, discorre acerca do Direito de Petição, para alegar que: Fl. 2065DF CARF MF 36 Aborda o instituto da compensação, mencionando art. 156, II, e 170 do CTN, Lei nº 8.383, de 1991, apontando as seguintes conclusões: Aborda a penalidade prevista na Lei n° 12.249, de 2010, alegando ter mudado o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, e estipulando multa isolada sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido, dispositivos considerados inconstitucionais pelo TRF4, por conflito com o direito de petição. Sob o título Multa para pedido indevido de crédito tributário é revogada, transcreve matéria que teria sido veiculada em 20/10/2014 pela Revista Valor Econômico, tratando da revogação, pela Medida Provisória 656, do parágrafo 15 do artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, e alteração do parágrafo 17 do mesmo artigo e expondo questionamento acerca da constitucionalidade da multa. Transcreve excerto doutrinário acerca de ampla defesa para concluir: Finaliza formulando os seguintes pedidos: Fl. 2066DF CARF MF Processo nº 10740.720068/201411 Acórdão n.º 1201002.075 S1C2T1 Fl. 2.049 37 Na peça de defesa de fls. 1618/1683, em nome de Costa Juca Consultoria Empresarial Ltda EPP, são apresentados os argumentos a seguir sintetizados. Inicia destacando a colaboração da Impugnante no curso do procedimento fiscal, ao fornecer de forma espontânea todos os documentos de interesse da fiscalização, inclusive sua movimentação bancária, sem a necessidade de RMF. Aponta, na sequência, irregularidade da conduta da autoridade fiscal que fere preceitos constitucionais, como se vê no Termo de Intimação Fiscal nº 041513/2013, onde se exige a presença da sócia, disfarçada de um pedido de esclarecimento, alegando que tal exigência ignora o fato de que naquele momento o procedimento fiscal já havia sido instruído com o documento de procuração relatado no item 2.2 do Termo de Verificação Fiscal que descreve indicação, como representante, o Sr. Rogério Alves Loureiro. Entende como atitude intimidadora e injustificável a exigência da presença da sócia Gabriela, visto que não houve em nenhum outro momento, em todo o auto de infração, a coleta de depoimento da sócia ou o envio de perguntas ou quesitos por via postal. Informa que questões acerca das compensações realizadas pela Impugnante serão respondidas e rebatidas dentro da Manifestação de Inconformidade nos processos correspondentes. Ao expor os fatos assevera que, tendo recebido, em 16/12/2013, o Termo de Início de Fiscalização, a Impugnante, no dia 23/12/2013 se apresentou perante a autoridade fiscal, através de seu procurador, solicitando melhores informações e prazo para entregar toda a documentação solicitada, de modo que a afirmação de que o representante da Impugnante só respondeu a fiscalização, em 09/01/2013, diverge da realidade e mostra intuito de macular a imagem da impugnante. Questiona o fato de que a primeira intimação exigia que a Impugnante fizesse uma planilha, apresentando as negociações, apenas com a cessão de LTN, na qual deveriam constar determinadas informações – o que alega não ser ônus do contribuinte que está obrigado por lei a guardar e apresentar os documentos fiscais e aqueles que fazem parte da respectiva comprovação destes, e não a elaborar planilhas a cargo da Fiscalização para cumprimento do art. 142 do CTN. Acrescenta que, apesar disso, apresentou em 09/01/2014 os documentos solicitados inclusive planilha objetivando atender com total presteza a fiscalização. Relaciona documentos apresentados em atendimento à intimação e noticia que, convocada por telefone, compareceu à repartição sendo atendida pelo Chefe da Fiscalização porque o Auditor responsável pela Fiscalização estaria licenciado por motivo de doença e continua: Fl. 2067DF CARF MF 38 Alega que, considerando tais fatos, evidenciada está a espontaneidade, conforme exemplifica § 2º do Decreto 70.235/72, podendo realizar até uma denúncia espontânea, escapando de qualquer penalidade. Sob o título “Quanto as DCTFs Zeradas, as Compensações e as Informações Prestadas nos termos nº 03, 04 e 05” a Impugnante transcreve excertos do termo de Verificação (tópicos 2.5.1 a 2.5.4, 2.5.6 e 2.9), classifica de confusas e tendenciosas as análises feitas pela Fiscalização e alega que: todos os documentos e justificativas foram apresentadas, principalmente aqueles documentos que tratavam e especificavam os contratos de prestação de serviços e da devolução e compromissos de devolução de receitas recebidas; toda a vida da empresa foi aberta como em uma “caixa preta”, mostrando os insucessos e a obrigatoriedade de devolução dos valores recebidos a título de honorários. Tece comentários acerca da funcionalidade da DIPJ, DCTF e DACON e, logo a seguir, argumenta que: no caso da Impugnante, desde o início, foi demonstrado para a fiscalização que diversos valores recebidos pela empresa foram devolvidos em virtude dos distratos; por esse motivo, algumas das DCTFs, foram substituídas, informando que não havia movimento ou valores a pagar; originalmente as DCTF’s foram entregues com valores equivalentes aos informados no DACON e na DIPJ. Porém, com as rescisões ou distratos, houve a necessidade de revisar as declarações. Defende, então, que a DCTF não é o único instrumento hábil para confissão de dívida, e que, como exemplo, diante de valores informados na DIRF e não confessados em DCTF, ... é lícito ao Fisco exigir, por meio de lançamento de ofício, as diferenças apuradas por insuficiência de recolhimentos, porém, no caso em análise limitase ao mês de dezembro de 2011, uma vez que os valores constantes da escrituração contábil e os informados ao FISCO via DACON são os mesmos, verificando apenas uma diferença para o mês de dezembro de 2011. Reportase a documentos entregues no curso do procedimento fiscal acerca de distratos e devoluções de quantias recebidas a título de prestação de serviços com os quais alega ter demonstrado a quantia de 19.477.570,00 (...) em devoluções aos seus clientes, não havendo que se falar em irregularidade nas DCTF’s zeradas ou nas informações prestadas em respostas aos termos de intimação. Fl. 2068DF CARF MF Processo nº 10740.720068/201411 Acórdão n.º 1201002.075 S1C2T1 Fl. 2.050 39 Discorre acerca do regime de competência e do auferimento de receitas de prestação de serviço, asseverando que: Na tributação por esse regime o pagamento não é elemento essencial para ocorrência do fato gerador, uma vez prestado o serviço, com a anuência do tomador e o compromisso contratual (seja escrito ou verbal) deste de pagar o preço acertado, aperfeiçoase o negócio jurídico e o prestador passa a ter o direito de receber o seu pagamento. Situação diferente dessa (contratante inadimplente) ocorre quando o contratante não paga o valor cobrado pelo contratado porque não aceita o serviço (seja porque o serviço não foi contratado, seja porque o serviço não foi executado conforme previsão contratual) Nesse caso a contratada não é detentora do direito de receber pagamento (seja no todo, seja em parte) pelos serviços prestados. Consequentemente, ainda que ela registre esses valores como receita, eles não passam a assumir tal condição, já que não podem ser considerados como receitas realizadas. Reportase à Instrução Normativa SRF nº 51, de 1978, IN SRF nº 247, de 2002, Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 01, de 2004, e argumenta que de acordo com a alínea “a” do inciso V do § 3º do art. 1º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, não integram a base de cálculo a Contribuição ao PIS/PASEP as receitas referentes a vendas canceladas. Destaca que não há qualquer menção na legislação brasileira distinguindo o tratamento aplicável à mercadorias e serviços, de modo que mesmo tratandose de receitas relativas à prestação de serviços, existe o direito à exclusão da base de cálculo sobre os valores referentes a vendas canceladas, na apuração da contribuição para o PIS/PASEP. Aborda as DCTF retificadas, alegando ter sido obrigada a devolver e assumir compromissos de devolução de muitos clientes, essas devoluções afetaram diretamente toda a receita bruta dos anos de 2010, 2011 e 2013, conforme comprovado com toda a documentação apresentada. E continua: As retificadoras, não tinham como objeto sonegar informações ao Fisco, até porque os valores de PIS, COFINS, IRPJ e CSLL foram detectados no relatório fiscal com tamanha facilidade, até porque a impugnante contribuiu com o trabalho da autoridade fiscal que a todo momento solicitava uma planilha diferente, logicamente economizando tempo e mão de obra. o uso da declaração sem movimento foi apenas equacionar os problemas internos da IMPUGNANTE, com as devoluções já anteriormente explicadas, pois a dispensa da constituição do crédito tributário mediante lançamento de ofício somente se aplica aos débitos declarados no campo saldo a pagar de DCTF, tendo assim, natureza de confissão de dívida, passível de encaminhamento para inscrição em Dívida Ativa da União e execução Judicial, em caso de seu inadimplemento. Fl. 2069DF CARF MF 40 Independente da confissão de valores em DCTF, a informação prestada através do DACON funciona como medida preventiva da decadência, afastando assim prejuízos aos cofres públicos; Porém, o débito confessado em DCTF e encaminhado à PGFN para inscrição em Dívida Ativa da União, não mais há a possibilidade de retificar e, em tais situações, houve a mudança do fato gerador da obrigação tributária e a redução comprovada da receita bruta auferida, a manutenção de valores anteriormente propiciariam um enriquecimento sem causa aos cofres públicos. Cita doutrina e ementa de decisão judicial acerca de enriquecimento sem causa, reportase à equidade e ao princípio da razoabilidade e retoma as objeções ao procedimento fiscal, alegando que: com o Termo de Constatação de Intimação Fiscal nº 05 1513/2013 verificase que a autoridade fiscal deixou de ser técnica em suas análises e começou um modo rudimentar de fiscalizar, em contradição com o art. 142 do CTN; apesar de toda a documentação e explicações apresentadas e ... abrindo a “caixa preta”, mais uma vez, a douta fiscalização, diz que as respostas apresentadas são parciais, sem a possibilidade de verificação de elementos probatórios e solicita nova planilha. Questiona o fato de a Fiscalização ter considerado que as intimações foram atendidas de forma apenas parcial e que as respostas apresentadas não seriam suficientes, formalizando novas intimações e alega que todas foram atendidas. Afirma que as diferenças apuradas entre os créditos ingressados em contacorrente e os valores registrados na contabilidade e informados na DIPJ, objeto do Termo nº 7, exprimem a devolução de honorários devolvidos pela Impugnante, tanto que exaustivamente em 21/08/2014, foi apresentada a resposta ao referido Termo, com a reapresentação dessa informação. Acrescenta ter sido reapresentada a planilha das movimentações bancárias, onde a Impugnante conseguiu identificar outros recebimentos, sempre no intuito de melhor atender a fiscalização, conforme consta inclusive do Termo de Verificação. Aborda os termos de intimação fiscal nºs 4 e 8, alegando que demonstram uma atitude abusiva e tendenciosa da autoridade fiscal e não podem representar o interesse da administração pública. Sobre o Termo nº 4, com intimação para comparecimento da sócia Gabriela de Alcântara Almeida Costa, reportase à resposta de impossibilidade de atendimento relatada no Termo de Verificação e o comparecimento de seu pai Cláudio Assis Costa, questionando o tratamento que teria ele recebido: Fl. 2070DF CARF MF Processo nº 10740.720068/201411 Acórdão n.º 1201002.075 S1C2T1 Fl. 2.051 41 Menciona a Portaria RFB nº 2.439, de 2010, que trata da formalização de Representação Fiscal para fins penais, e alega que essa portaria não tem o poder de obrigar o Contribuinte a depor, visto que são inúmeras as legislações que concedem o direito de permanecer calado. E continua: Invoca a possibilidade de a autoridade fiscal examinar livros e documentos contida no art. 195 do CTN , e alega que tais regras não se sobrepõem ao direito de não autoincriminação. Cita disposições acerca do silêncio no Código Penal e do Código de Processo Civil. Reclama que respostas e esclarecimentos apresentados em um primeiro comparecimento do Sr. Cláudio Assis Costa à repartição, em atendimento ao Termo nº 4, não foram mencionados no Termo de Verificação, o qual alega conter descrição apenas acerca do Termo de Depoimento nº 8 referente a um segundo comparecimento em atendimento a solicitação por telefone. E continua: Fl. 2071DF CARF MF 42 Assevera que com o intuito de denegrir a imagem do Sr. Cláudio Assis Costa, a Fiscalização o indagou fazendo acusações quanto a utilização do CPF 728.989.921 00, afirmando que o mesmo estaria fazendo uso de outro Cadastro de Pessoa Física. Consigna que o procedimento fiscal em face da Impugnante teve como objeto a cessão de Títulos Públicos e não a vida do Sr. Claudio Assis Costa, mas a autoridade administrativa buscou juntar elementos que pudessem dar uma conotação negativa e agravar uma condição para Impugnante. Assevera ter o Sr. Cláudio explicado que, ao solicitar a 2ª via do documento de seu CPF, recebeu um segundo número por erro da própria Secretaria da Receita Federal e que já tinha tomado as medidas cabíveis e tal fato foi objeto de ação transitada e julgada. Argumenta ser sabida a ocorrência de casos de CPF em duplicidade por erro da própria Secretaria da Receita Federal, causando prejuízos para muitos contribuintes. Cita decisão judicial sobre a matéria. Conclui que: o dever de ofício pelo cancelamento do CPF é da autoridade fiscal, conforme expressa a IN RFB 1042, de 2010, mas até a presente data a inscrição encontrase suspensa e não cancelada. No sistema comprot, não se verifica nenhum processo para cancelamento, o que denota que as autoridades fiscais envolvidas no procedimento fiscal tinham apenas o objetivo de denegrir a imagem do Sr. Claudio Assis Costa na tentativa de imputação de crime contra a ordem tributária. Acerca do Modus Operandi da Costa Juca na compensação de tributos, reitera a Impugnante ter realizado a compra e venda de alguns títulos públicos no mercado, não só para a prática de compensações junto a Secretaria da Receita Federal. Destaca que nem todas as empresas que compraram esses títulos contrataram a Impugnante para prestar assessoria junto aos órgãos da administração fiscal, transcrevendo excerto do Termo de Verificação em que descritos os tipos de contrato que utilizava: Instrumento Particular de Compra e Venda, Instrumento Particular de Prestação de Serviço e Contrato de Prestação de Serviço de Consultoria tributária e Venda de Ativos – o que, entende, afasta a ideia de que a impugnante praticava atos fraudulentos e contínuos, ...pois em grande maioria, os próprios clientes eram responsáveis por apresentar suas declarações perante o fisco. Reprisa seu entendimento de que, no Termo de nº 08, teria a Fiscalização utilizado de um artifício ardil para colher o depoimento do Sr. Cláudio Assis Costa, que apenas cuidava da parte comercial da Impugnante e não possui capacidade técnica para responder dos procedimentos que eram utilizados. Entende que a autoridade fiscal, desde o início do procedimento fiscal até o encerramento, utilizouse da dissimulação e atos tendenciosos para justificar a sua autuação. Transcreve excertos do item 3, alíneas a, b, k1 e k2, do Termo de Verificação para alegar que: Fl. 2072DF CARF MF Processo nº 10740.720068/201411 Acórdão n.º 1201002.075 S1C2T1 Fl. 2.052 43 o comentário da autoridade fiscal beira o devaneio, pois nos últimos cinco anos, o sistema de informações da Secretaria da Receita Federal do Brasil está altamente informatizado. Ardiloso e fraudulento são os comentários que tentam induzir a ideia de alguém não vai verificar se as compensações e alterações foram realizadas e informadas na DCTF; diante de retificação de DCTF, a pessoa jurídica recebe a mensagem que sua informação junto ao fisco foi alterada e não iria se certificar dessas alterações, parece ser meio absurda a ideia de que em pleno século 21, alguém daria cheque em branco para o outro; o pior que a autoridade fiscal, insiste em afirmar que a Impugnante valeuse do mesmo modus operandi para diminuir os tributos anteriormente declarados, ou seja, uma estelionatária que pratica o estelionato quanto si mesmo; A verdade que a autoridade fiscal, insiste nessa tese para não convalidar de que com a devolução de honorários recebidos, a Impugnante não seria devedora dos valores anteriormente declarados. Até os processos administrativos são digitalizados e suas informações podem ser vistas através da certificação digital de cada empresa no campo processo digital; Em sua maioria as decisões que acarretam o indeferimento dos pedidos de compensação dos clientes da Impugnante se deram com base no art. 34, I, c, da Instrução Normativa nº 900/2008, ou então com base no § 1º do mesmo artigo, já que eram abertos processos administrativos para efetuar a compensação – sujeitandose a apenas Recurso Hierárquico sem o direito da Manifestação de Inconformidade, tornando os valores anteriormente compensados em imediatamente exigíveis e por sua vez acarretando a obrigatoriedade de devolução dos honorários e encerramento dos contratos; Destarte, que todo o trabalho da autoridade fiscal foi maliciosamente pensado e encaminhado para justificar a aplicação de multa qualificada – no percentual de 150%, para o que há necessidade de demonstração e comprovação cabais do evidente intuito de fraude por parte do sujeito passivo, definido nos art. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, condição que entende não comprovada no presente caso. Reportase à multa de ofício e sua majoração por situação qualificadora, mencionando as condutas dos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 1964, e a exigência da prática de dolo, alegando equívoco na autuação pois das diversas intimações e respostas encaminhadas pelo fiscal ao contribuinte, em conjunto com documento contábil e contratos por este juntados, são elementos mais do que suficientes para revelar que não houve o ânimo da Impugnante em reduzir tributo devido, nem de seus clientes e nem os seus. Fl. 2073DF CARF MF 44 Opõese à utilização de presunção e alega que todas as provas apresentadas pela Impugnante derrubam a utilização da presunção como elemento de prova, não podendo prosperar a multa qualificada, frente à prova de devolução dos honorários. Transcreve excertos doutrinários destacando a necessidade de existência de motivo para a simulação e concluindo não haver motivação para prática de fraude, dolo, simulação, no caso da retificadoras da DCTF, frente às devoluções realizadas pela Impugnante. Discorda do Indeferimento do PER/DCOMP apresentado por meio eletrônico, alegando que: foi contratado consultoria de fora para analisar as contas e as escriturações fiscais da Impugnante, a qual não possui conhecimento dos clientes da Impugnante e objetivavam apenas a análise de dados; todas as operações com base nas compensações são baseadas no art. 74 da Lei 9.430/96, de modo que a consultoria contratada utilizase da contabilidade e da certificação digital para apurar a possibilidade de crédito ou até mesmo irregularidades de cobranças; o art. 74 da Lei 9.430 autoriza o contribuinte que apurar qualquer crédito, compensar com qualquer tributo que lhe seja devido, sem a obrigatoriedade de compensar com tributos semelhantes, portanto, não há irregularidade na prática adotada pela sociedade Impugnante. Aborda a questão da retenção indevida de tributos na fonte e expõe caber ao beneficiário do pagamento ou crédito o direito de pleitear a restituição do indébito, podendo a fonte pagadora pedir a restituição desde que comprove a devolução da quantia retida ao beneficiário. Invoca o art. 30 da Lei nº 10.833, de 2003, que prevê a obrigatoriedade de retenção na fonte de CSLL, Cofins e PIS, nos pagamentos efetuados por pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços que menciona. Transcreve excerto do Termo de Verificação para alegar que: a Fiscalização diz que para o código 5956, a retenção deve ser de 4,65%, com o que concorda, o que não se pode concordar é que havendo uma retenção maior que esse percentual, caracterizase uma fraude ou qualquer indício de ilícito – tese que vai de encontro ao que se chama de retenção indevida ou a maior e segundo a qual nenhum contribuinte fará apuração de crédito, pois quando ocorrer um pagamento a maior, a autoridade fiscal aumentará hipoteticamente o faturamento da empresa para extinguir o crédito. Valese da Solução de Consulta nº 22 da Cosit, que transcreve em parte (fls. 1673), para alegar que: Fl. 2074DF CARF MF Processo nº 10740.720068/201411 Acórdão n.º 1201002.075 S1C2T1 Fl. 2.053 45 tal parecer emite a possibilidade de uma empresa enquadrada no simples, solicitar a restituição desse tributo indevidamente retido; diante disso, a eventual retenção (e recolhimento) de tributos nos pagamentos feitos a pessoas jurídicas, nos moldes do art. 34 da Lei nº 10.833, de 2003, configura hipótese de pagamento indevido de tributos, o que garante ao sujeito passivo o direito à restituição da importância indevidamente retida, com fundamento no art. 165, I, do CTN; na hipótese de retenção indevida na fonte, o direito de reclamar a restituição, em princípio, cabe ao beneficiário do rendimento (pagamento), o contribuinte que suportou o encargo financeiro do tributo, consoante reiterados pronunciamentos da Administração Tributária, que menciona; a par disso, a Administração desde há muito admite, por analogia com o art. 166 do CTN, que o responsável pela retenção na fonte (fonte pagadora) venha postular a restituição do indébito, desde que prove haver assumido o ônus do tributo, o que se dá, usualmente, mediante a exibição de comprovante de reembolso da quantia retida ao beneficiário do pagamento ou crédito. Expõe que os procedimentos para que o "sujeito passivo que promoveu a retenção indevida ou a maior de tributo administrado pela RFB" pleiteie a restituição do indébito estão disciplinados no art. 8º da IN RFB 1300, de 2012, que transcreve e que alega constituir, do ponto de vista da Impugnante, o modo ideal de reaver os tributos que lhe foram descontados indevidamente na fonte. Mas ressalva: todavia, as normas não obrigam a fonte pagadora a seguir o prescrito naquele dispositivo, apenas facultam que ela o adote. E continua: Transcreve o art. 112 do CTN e conclui: assim que se cumpra a Lei, desconsiderando o alegado pela autoridade fiscal quanto as compensações para qualificação de multas, já que não houve a apresentação de nenhuma prova de fraude, apenas presunções quanto as empresas, pois não se verificou nenhuma diligência ou mera intimação para as citadas empresas, apenas presunção. Fl. 2075DF CARF MF 46 Sob o título “Da ausência de requisitos para Aplicação da Multa por Arbitramento” expõe que a legislação tributária relaciona, de forma taxativa, as hipóteses de desconsideração do Lucro apurado pelo contribuinte e passe a mensurar este mesmo lucro pelo método de arbitramento com valores diferentes do apontado pelo contribuinte. Transcreve o art. 530, inciso II, do RIR/99, e continua: Cita ementas de acórdãos acerca do arbitramento do lucro, alegando que este deve ocorrer somente em casos extremos, e mediante observância de quatro mandamentos de ordem material, que relaciona (fls. 1678/1679). Apresenta, também, excertos doutrinários para concluir que na presente investigação fiscal não caberia o arbitramento do lucro pois os livros permitem facilmente identificar a movimentação financeira da impugnante e da ausência dos quatro requisitos formais firmados pelo Conselho de Contribuintes. Sob o título “Da Representação Fiscal para Fins Penais” reitera a alegação de inexistência de fraude visto que as receitas anteriormente declaradas foram modificadas tendo em vista que houve alteração no fato gerador e obrigatoriamente resultou na devolução dos valores que faziam parte da receita apurada pela impugnante. Expõe que as desconsiderações de tais devoluções só comprovam o intuito malicioso e tendencioso de fazer a representação fiscal para fins penais, revelada desde o Termo de Verificação Fiscal nº 01, que independente da documentação a ser apresentada pela Impugnante, não teriam a força de reverter tal intuito. Noticia ser a fiscalização fruto de uma denúncia descabida realizada pela empresa TRANSFENIX LOCADORA DE VEÍCULOS, a qual alega ter sido ressarcida integralmente dos honorários pagos. Acrescenta que a autoridade fiscal apenas transcreveu a denúncia, sem realizar a devida perícia técnica. Quanto a compensações de uma forma geral, reprisa corresponderem ao direito constitucional de petição, onde o Contribuinte faz sua solicitação enviando para posterior apreciação. Transcreve dispositivo legal no qual destaca a extinção do crédito tributário sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento de compensação e expõe: Não pode a autoridade fiscal, esquivar do seu direito de ofício em apreciar as compensações, nem alegar que isso de alguma forma tende a acarretar prejuízos aos cofres públicos, pois todas as compensações são analisadas para posterior homologação ou Fl. 2076DF CARF MF Processo nº 10740.720068/201411 Acórdão n.º 1201002.075 S1C2T1 Fl. 2.054 47 indeferimento através de despacho decisório, até porque no momento da entrega fica o contribuinte cientificado de que a Declaração de Compensação apresentada à Secretaria da Receita Federal do Brasil constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, nos termos do § 6º do art. 74 da lei nº 9.430 de 1996, com a redação determinada pelo art. 17 da Lei nº 10.833, de 2003. não se cogita de intuito de sonegação nem de prejuízo aos cofres públicos pois em todos os casos de indeferimentos, são acrescidos ao valor principal a multa de atraso e os juros correspondentes. Cita r transcreve os art. 44, I e II, da Lei nº 9.430, de 1996, e arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, e alegando que em toda a documentação apresentada não se vislumbra a presença dos requisitos essenciais dos artigos acima citados. Finaliza formulando pedido nos seguintes termos: Por sua vez, as Manifestações de Inconformidade (em face dos Despachos Decisórios de não homologação das compensações apresentadas) de fls. 227/292 do processo 10740.720024/2014 82, de fls. 229/294 do processo 10740.720025/201427 e de fls. 252/317 do processo 10783.720248/201498, apresentadas em nome da pessoa jurídica Costa Juca Consultoria Empresarial Ltda, e de teor semelhante à sua Impugnação acima relatada, são encerradas com pedidos nos seguintes termos: Prosseguindo, na peça de defesa de fls. 1698/1705 do processo nº 10740.720068/201411, apresentada em nome de Cláudio Assis Costa é questionada a atribuição de responsabilidade solidária mediante os argumentos a seguir sintetizados. Alega que o art. 124, II do CTN não autoriza a responsabilização de terceiros sem vinculação ao fato gerador e interpretação contrária a tal previsão e ao art. 128 do CTN implicaria flagrante violação legal. Transcreve disposições dos arts. 124 e 125 do CTN e excertos de doutrina destacando que: • a solidariedade não é forma de eleição de responsável tributário; Fl. 2077DF CARF MF 48 • interesses econômicos no fato gerador ou interesses nas consequências advindas da realização do fato gerador são irrelevantes para a configuração da solidariedade; • é ilegal a imputação de responsabilidade solidária à terceiros que não tiveram qualquer concorrência para a realização do fato gerador da obrigação tributária. Aborda especificamente a responsabilidade solidária do Impugnante Cláudio Assis Costa, alegando a necessidade de interesse jurídico na situação que constituiu o fato gerador, ou na hipótese do art. 135, o qual transcreve, de responsabilidade em virtude de atuação com excesso de poderes. Transcreve excerto do Termo de Verificação e alega que restou a autoridade fiscal, ... comprovar os atos praticados com excesso de poder ou infração legal, para concluir: Na sequência, sob o titulo “Da Representação Fiscal para Fins Penais”, são expostas, as mesmas alegações apresentadas, sob o mesmo título, na peça de defesa da pessoa jurídica Costa Juca Consultoria Empresarial Ltda relatada acima. E, ao final, é formulado pedido reproduzido baixo: Na peça de defesa em nome da pessoa jurídica AG Costa Empreendimentos Imobiliários S/A. , de fls. 1709/1718 do processo nº 10740.720068/201411, (repetida às fls. 1739/1748), nega a Impugnante a ocorrência de blindagem patrimonial e de que sua criação teria finalidade de manter ileso o patrimônio pessoal dos sócios da Costa Juca. Considera tratarse de mera especulação, ou seja, uma pressuposição sem nenhuma comprovação e fácil de ser rebatida. Transcreve excerto do Termo de Verificação e destaca que uma das sócias da empresa AG Costa (Gabriela de Alcântara Almeida Costa) também é sócia da Impugnante (A G Costa) e alega que se houvesse esse suposto objetivo de manter o patrimônio pessoal ileso, de forma premeditada, a empresa AG COSTA poderia ter sido formada por CLAUDIO DE ASSIS COSTA e sua filha AMANDA DE ALCANTARA ALMEIDA COSTA, ou ainda por terceiros sem qualquer vinculação direta às atividades da autuada COSTA JUCÁ CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA. Expõe ser sabido que a sociedade holding patrimonial tem por finalidade a redução da carga tributária da pessoa física, o planejamento sucessório e o retorno de capital sob a forma de lucros e dividendos, com redução de tributação em favor da Fl. 2078DF CARF MF Processo nº 10740.720068/201411 Acórdão n.º 1201002.075 S1C2T1 Fl. 2.055 49 pessoa jurídica, razão pela qual empresários utilizam esse tipo de sociedade para imobilizar capital e obter renda com o seu acervo patrimonial. Assim, ao invés das pessoas físicas manterem bens em seus próprios nomes, os mantém através de uma pessoa jurídica a controladora patrimonial. Continua apontando vantagens na constituição de pessoa jurídica para controle do patrimônio de pessoa física e alega inexistir qualquer abusividade no controle do patrimônio da sócia GABRIELA DE ALCÂNTARA ALMEIDA COSTA pela sociedade empresarial patrimonial AG COSTA EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS S/A, mas tão somente vantagens concretas para os titulares das ações, que passam a ter a tributação diferenciada, facilitação na transmissão de bens e maior poder de negociação na obtenção de recursos financeiros e nos negócios com terceiros. Reitera a alegação de que a sociedade ostenta siglas do nome da sócia Gabriela o que afastaria a tese de pretensão de ocultar patrimônio e que a finalidade da criação da AG COSTA foi a facilidade na realização no planejamento sucessório que seria um fato concreto na vida de todos e a obtenção de renda através de um acervo patrimonial. Acrescenta que: • Essa renda é a mesma utilizada para quitar os empréstimos efetuados junto a Impugnante, sem a necessidade de alienação dos imóveis, conforme insinua maldosamente a autoridade fiscal; • todos os prejudicados com os trabalhos realizados pela Impugnante foram indenizados, se realmente houvesse uma “blindagem patrimonial” estariam todos na enorme fila do judiciário. Na sequência, sob o título “Da Responsabilidade Solidária” são expostos argumentos idênticos aos já apresentados na peça de defesa de fls. 1698/1705, em nome de Claudio Assis Costa, sendo acrescentadas as seguintes alegações: Conclui do mesmo modo no sentido de que não merece prosperar o auto de infração ao imputar responsabilidade Fl. 2079DF CARF MF 50 solidária a terceiro sem que evidencie a sua efetiva participação para a ocorrência do fato gerador. Ainda, sob o titulo “Da Representação Fiscal para Fins Penais”, são expostas as mesmas alegações já apresentadas, sob o mesmo título, na peça de defesa da pessoa jurídica Costa Juca Consultoria Empresarial Ltda relatada acima. E, ao final, é formulado pedido reproduzido baixo: Na peça de defesa em nome de Gabriela de Alcântara Almeida Costa, de fls. 1769/1773, é questionada a atribuição de responsabilidade solidária, alegando ser necessário interesse jurídico da situação que constitui o fato gerador, ou na hipótese do art. 135 do CTN, a responsabilidade decorre de atuação com excesso de poderes. Afirma inexistir ato que implique em violação do contrato social a fim de ensejar a responsabilidade solidária da sócia GABRIELA, conforme imputado no auto de infração. Transcreve excerto do Termo de Verificação (na parte que se refere a Cláudio Assis Costa), e alega não ter a Fiscalização comprovado a ocorrência de ato com excesso de poder ou infração legal e expõe: Na verdade os únicos atos apontados como ilícitos pela IMPUGNANTE são aqueles inerentes à própria administração da sociedade empresária, o que por sua vez não se confunde com atos que violam o contrato social. Conclui: Também nesta impugnação, sob o titulo “Da Representação Fiscal para Fins Penais”, são expostas as mesmas alegações já apresentadas, sob o mesmo título, na peça de defesa da pessoa jurídica Costa Jucá Consultoria Empresarial Ltda, relatada acima. E, ao final, é formulado pedido reproduzido abaixo: De fls. 1.785/1.788 constam Termos e Apensação dos processos mencionados no início deste Relatório. As peças de impugnação acima relatadas foram apresentadas pelos interessados nos dois processos de Autos de Infração: 10740.720068/201411 e 10740.720069/201457. Fl. 2080DF CARF MF Processo nº 10740.720068/201411 Acórdão n.º 1201002.075 S1C2T1 Fl. 2.056 51 Nos processos 10740.720024/201482, 10740.720025/201427 e 10783.720248/201498 foram apresentadas peças de defesa em nome de Costa Juca e Dimitry e Manifestação de Inconformidade em nome de Costa Juca contendo razões de defesa no mesmo sentido daquelas apresentadas no processo de auto de Infração 10740.720068/201411 e já relatadas acima. O acórdão recorrido foi proferido, negando a Manifestação de Inconformidade da Recorrente, resultando na seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010, 2011, 2012 NULIDADE. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Tendo sido os interessados regularmente cientificados dos Autos de Infração e dos Despachos Decisórios, lavrados com observância das formalidades legais de tal modo a lhes ser assegurado o direito de questionar as exigências e os atos de não homologação de compensação e de atribuição de responsabilidade solidária, nos termos das normas que regulam o processo administrativo fiscal, não se configura o cerceamento de defesa. Não se vislumbrando nos autos ofensa ao art. 142 do CTN e ao art. 10 do Decreto nº 70.235/72 nem quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do mesmo Decreto, improcedente se mostra a argüição de nulidade. FASE PROCEDIMENTAL. CARÁTER INQUISITÓRIO. No processo administrativo fiscal, é a impugnação que instaura a fase propriamente litigiosa ou processual, não encontrando amparo jurídico questionamentos acerca de intimações formalizadas durante o procedimento administrativo de fiscalização, o qual tem caráter meramente inquisitório. ARROLAMENTO DE BENS. Não se insere no âmbito de competência das Delegacias de Julgamento, apreciação do procedimento de arrolamento de bens efetivado pela autoridade lançadora. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. A apreciação de questionamentos relacionados a ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da esfera administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011, 2012 Fl. 2081DF CARF MF 52 FALTA DE RECOLHIMENTO E DE DECLARAÇÃO EM DCTF. A falta de recolhimento de débitos decorrentes de receitas contabilizadas e informadas em DIPJ, cumulada com a ausência de declaração do crédito tributário (mediante retificação de DCTF para zerar débitos), não permite a mera cobrança do crédito tributário e impõe ao Fisco o dever de previamente constituílo por meio do lançamento de ofício, com a aplicação da penalidade cabível. INFORMAÇÃO DOS DÉBITOS EM DIPJ. A informação dos valores devidos em DIPJ não dispensa o lançamento, na medida em que esta declaração é apenas informativa e não se presta a constituir o crédito tributário. INFORMAÇÃO DOS DÉBITOS EM DACON. O DACON não é declaração, mas sim demonstrativo de apuração, e os valores nele expressos não configuram confissão de dívida, por expressa inexistência de disposição legal. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ALEGAÇÃO DE DEVOLUÇÃO DE RECEITAS. DISTRATOS. A alegação de cancelamento de receitas, decorrente de distratos e devolução de recursos a clientes, não é hábil a afastar o lançamento e justificar a exclusão de débitos da DCTF nem a diferença entre créditos em conta bancária e receitas contabilizadas/informadas em DIPJ, se, no curso do procedimento fiscal, tal alegação já foi detalhadamente analisada e acatada em parte pela autoridade fiscal, como refletido no Termo de Verificação, e se, em sede de impugnação, os interessados nada refutam quanto à análise procedida pela Fiscalização nem trazem prova documental alguma para demonstrar a eventual existência, na base tributável autuada, de outros valores de receitas canceladas além daqueles já admitidos na autuação. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Em se tratando de exigências reflexas de tributos e contribuições que têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão dos decorrentes. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. IMPUTAÇÃO DE FRAUDE. Fl. 2082DF CARF MF Processo nº 10740.720068/201411 Acórdão n.º 1201002.075 S1C2T1 Fl. 2.057 53 Não afastadas as constatações fiscais que ensejaram imputação de intuito de fraude, não há como reduzir a multa aplicada no percentual de 150% ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010, 2011, 2012 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. RETENÇÕES NA FONTE. INEXISTÊNCIA. DESPACHO DECISÓRIO DE NÃO HOMOLOGAÇÃO. A não comprovação do crédito indicado em Declaração de Compensação impõe a não homologação da compensação. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. INFORMAÇÃO FALSA. A constatação fiscal de inserção, em declaração de compensação, de informação falsa acerca do crédito e sua formação justifica a aplicação da multa no percentual de 150%. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIOS ADMINISTRADORES. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, os mandatários, prepostos, diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. INTERESSE COMUM. PESSOA JURÍDICA SEM VÍNCULO SOCIETÁRIO. Evidenciado o vínculo de fato entre pessoa jurídica não integrante do quadro societário e a sociedade autuada, regular é a atribuição de responsabilidade solidária, por interesse comum nas situações que se constituíram em fatos geradores das obrigações autuadas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Os recursos voluntários não expuseram qualquer argumento novo, repisando os mesmos fundamentos da Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rafael Gasparello Lima, Relator. Os recursos voluntários são tempestivos, havendo os demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deles tomo conhecimento. Fl. 2083DF CARF MF 54 Concordando com o voto proferido, com fulcro no artigo 57, parágrafo terceiro, Anexo II, do RICARF, transcrevo sua fundamentação: Do mesmo modo como indicado no relatório, os números das folhas mencionadas a seguir, quando não especificado o processo a que se referem, são relativos ao processo nº 10740.720068/201411. Acerca da tempestividade das defesas, comparamse a seguir as datas de apresentação das diversas peças com as datas de ciência dos respectivos requerentes: Registrese que: em nome da pessoa Jurídica Costa Juca Consultoria Empresarial Ltda foram apresentadas duas peças de defesa: (i) uma (fls. 1595/1614) em conjunto com a pessoa física Dimitry Cerewuta Jucá e por ele subscrita (peça que é tempestiva apenas em relação à ciência de Dimitry Cerewuta Jucá) e (ii) outra peça (fls. 1618/1683) apenas em nome da própria da pessoa jurídica (contendo contestação de mérito e subscrita pelo procurador Cláudio com procuração às fls. 1695/1697), a qual é tempestiva; em nome da pessoa física Cláudio Assis Costa foi apresentada peça de defesa (fls. 1698/1705) onde não se encontra a data de protocolização, todavia fora ela juntada aos autos entre outras duas peças de defesa (fls. 1618 / 1683 e fls. 1709/1718), ambas protocolizadas em 25/11/2014, de modo que, se considerada tal data, é tempestiva a defesa de Cláudio de Assis Costa e acerca da tempestividade nada ressalva ou opõe a autoridade preparadora que encaminhou os autos para julgamento; além disso, peça de mesmo teor, em nome de Claudio de Assis Costa e com data de recepção 25/11/2014, encontrase juntada às fls. 1.182/ 1.189 do processo 10740.720069/201457; Fl. 2084DF CARF MF Processo nº 10740.720068/201411 Acórdão n.º 1201002.075 S1C2T1 Fl. 2.058 55 em nome dos demais interessados foram apresentadas peças também tempestivas. os procedimentos a serem adotados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil quando da constatação de pluralidade de sujeitos passivos de uma mesma obrigação tributária, estão disciplinas na Portaria RFB nº 2.284, de 29 de novembro de 2010, da qual se extrai: ... Art. 3º Todos os autuados deverão ser cientificados do auto de infração, com abertura de prazo para que cada um deles apresente impugnação. Parágrafo único. Na hipótese do caput, o prazo para impugnação é contado, para cada sujeito passivo, a partir da data em que tiver sido cientificado do lançamento. ... Art. 7º A impugnação tempestiva apresentada por um dos autuados suspende a exigibilidade do crédito tributário em relação aos demais. § 1º O disposto neste artigo não se aplica na hipótese em que a impugnação versar exclusivamente sobre o vínculo de responsabilidade, caso em que só produzirá efeitos em relação ao impugnante. § 2º Os autos somente serão encaminhados para julgamento depois de transcorrido o prazo para apresentação de impugnação ou recurso para todos os autuados ou impugnantes, conforme o caso. § 3º No caso de impugnação quanto ao crédito tributário e quanto ao vínculo da responsabilidade e, posteriormente, recurso voluntário apenas no tocante ao vínculo, a exigência quanto ao crédito tributário tornase definitiva para os demais autuados que não recorreram. § 4º A desistência de impugnação ou recurso não prejudica os demais autuados que também impugnaram ou recorreram. § 5º A decisão definitiva que afasta o vínculo de responsabilidade opera efeitos imediatos. § 6º Se um dos autuados pedir parcelamento ou compensação do crédito tributário lançado, aplicase o disposto no art. 5º ou no art. 6º, respectivamente. No presente caso, apresentadas: (i) peças de defesa contendo, entre outros, questionamentos sobre o vínculo de responsabilidade (em nome das pessoas físicas e da pessoa jurídica AG Costa Empreendimentos Imobiliários S/A. e (ii) peça de defesa quanto ao crédito tributário e à não homologação de compensações (em nome da pessoa jurídica Costa Juca Fl. 2085DF CARF MF 56 Consultoria Empresarial Ltda), com as observações supra acerca da tempestividade e preenchendo os demais pressupostos de admissibilidade, delas se toma conhecimento. Arrolamento de Bens Acerca da matéria observese tratarse de medida de preservação do crédito tributário lançado de ofício, prevista nos arts. 64 e 64A da Lei nº 9.532, de 1997. Os procedimentos para fins de arrolamento de bens e direitos, à época em que formalizado, estavam disciplinados na Instrução Normativa RFB n.º 1.171, de 07/07/2011, com as alterações promovidas pelas Instruções Normativas RFB n.º 1.197, de 30/09/2011, e n.º 1.206, de 01/11/2011 e, recentemente, encontrase em vigor a Instrução Normativa RFB 1565, de 11/05/2015. Todavia, o arrolamento é formulado em apartado e não compõe os presentes processos de exigência de crédito tributário e não homologação de compensações,não se inserindo no âmbito de competência deste colegiado, definida no art. 233 da Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012, o pronunciamento acerca de questionamento relativo a procedimento de arrolamento efetivado pela autoridade lançadora, a quem devem ser dirigidos os pedidos relacionados à matéria, em processo próprio, e aqui indevidamente apresentados. Nesse sentido já decidiu o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a exemplo dos Acórdãos assim ementados: ARROLAMENTO DE BENS E DIREITOS. PEDIDO DE CANCELAMENTO. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA DO CARF. Não é competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) a apreciação de pedido de cancelamento de Arrolamento de Bens e Direitos. (Acórdão 1803002.466 Sessão de 26/11/2014) ARROLAMENTO DE BENS. Não cabe ao CARF manifestarse acerca do procedimento administrativo de arrolamento de bens, eis que não se circunscrevem ao delimitado no Decreto nº 70.235, de 1972, isto é, não dizem respeito à determinação e exigência de créditos tributários. (Acórdão 1202001.211 Sessão de 25/11/2014) E, se o órgão de julgamento administrativo de instância superior não detém competência para apreciar questionamentos relativos a arrolamento de bens, igual conclusão se impõe em relação ao julgamento em primeira instância. Representação Fiscal para Fins Penais Com relação a questionamentos acerca da formalização de Representação Fiscal para Fins Penais relativa a crimes contra a ordem tributária, definidos nos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137, de 1990, esclareçase que o correspondente processo, de nº 10740.720071/2014 26, não é objeto do presente julgado, pois a questão também não se insere na esfera de competência deste órgão julgador. Tanto é que, neste caso, já há até súmula do CARF a respeito: Fl. 2086DF CARF MF Processo nº 10740.720068/201411 Acórdão n.º 1201002.075 S1C2T1 Fl. 2.059 57 Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Além disso, consoante disposto no “caput” do art. 83 da Lei n.º 9.430, de 1996, a mencionada representação somente será encaminhada ao Ministério Público após proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário em discussão nos processos em tela. Em suma, o julgado limitase à esfera de competência da autoridade julgadora administrativa, relativamente ao crédito tributário constituído de ofício, tempestivamente impugnado, e à nãohomologação de compensações, matérias estas tempestivamente questionadas, não comportando análise de questões que tratam de arrolamento de bens, nem de representação fiscal para fins penais. Alegação de nulidade – Cerceamento de defesa A nulidade da autuação foi arguida na peça em nome de Dimitry Cerewuta Jucá, sob a alegação de ausência de elementos fundamentais ao contribuinte no tocante a indicação das rubricas sobre as quais visualizou o recolhimento a menor, pela não demonstração dos meses em que este fato se verificou, indicados e apenas os exercícios fiscalização o que é absolutamente insuficiente, impossibilitando o exercício de defesa. Distintamente do que alegado, os Autos de Infração foram formalizados com observância dos requisitos do art. 142 do CTN e atendem o disposto no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF). Com efeito, os Autos de Infração contêm expressamente a descrição dos fatos, a identificação dos motivos que embasaram a autuação, a indicação das disposições legais consideradas infringidas, a identificação do montante tributável, do sujeito passivo e responsáveis solidários e dos critérios para sua apuração. Não se vislumbra, portanto, ausência de requisitos nem vício de formatação que pudesse comprometer o lançamento ou o direito dos interessados constitucionalmente garantido. Especificamente acerca dos períodos a que se referem as exigências, registrese que os fatos foram descritos de forma detalhada e minuciosa pela Fiscalização em seu Termo de Verificação Fiscal nº 091513/2013, de fls. 105/202, o qual contém detalhada e discriminadamente os períodos e valores autuados, além da ressalva, ao final, de que o mesmo é parte integrante e indissociável dos autos de infração. Para maior clareza reproduzse excertos das planilhas que integram o tópico 7.1 do citado Termo de Verificação: 7. DAS INFRAÇÕES APURADAS NO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO Fl. 2087DF CARF MF 58 7.1 FALTA DE DECLARAÇÃO (DCTF) E/OU RECOLHIMENTO DOS TRIBUTOS ... Os períodos e valores das planilhas acima também estão indicados nos Autos de Infração, a exemplo do item 002 do Auto de IRPJ (fl. 07): Quanto à infração por omissão de receitas, registrese que foi fundamentada, entre outros dispositivos, no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, o qual prevê, no parágrafo 1º, que o valor das receitas ou rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. E, no caso, a Fiscalização identificou individualizadamente todos os créditos bancários questionados, conforme planilha de fls.1.437/ 1457, que integra intimação Fiscal nº 071513/2013, datada de 05/08/2014, para comprovação da origem de recursos (fls. 1433) e da qual se reproduz, a título de exemplo, o excerto a Fl. 2088DF CARF MF Processo nº 10740.720068/201411 Acórdão n.º 1201002.075 S1C2T1 Fl. 2.060 59 seguir, referente ao mês de julho/2010, em que detectados créditos cuja soma perfaz R$ 918.999,99: Por sua vez, na planilha integrante do tópico 7.2 do Termo de Verificação (fls. 179 e seguintes), foram identificados os fatos geradores autuados por omissão de receitas, como se vê no excerto a seguir reproduzido, no qual, para o período exemplificado (julho/2010), foi apurada, a título de valor a ser constituído, a diferença de R$ 213.674,76 ( R$ 918.999,99 R$ 705.325,23) em comparação ao quantum contabilizado e informado em DIPJ: Ainda, nos Autos de Infração de cada tributo, também foram indicadas as datas dos fatos geradores e respectivos valores, como se verifica, no exemplo abaixo, reproduzido do Auto de IRPJ de fls. 06/07: Fl. 2089DF CARF MF 60 O mesmo se verifica em relação ao Auto de Infração do processo 10740.720069/201457, também instruído com cópia do mesmo Termo de Verificação Fiscal, conforme excerto de fls. 06 e 09/105 daqueles autos: Diante dos fatos descritos, mostrase injustificável a alegação de que a Fiscalização não teria identificado os períodos autuados ou a ocorrência do fato gerador. Pelo contrário, como se vê dos Autos de Infração e do minucioso Termo de Verificação Fiscal que os instrui, os fatos geradores foram identificados em todos os seus aspectos, quer aqueles decorrentes da própria contabilidade do contribuinte e de sua DCTF que veio a ser indevidamente retificada, quer aqueles apurados em função dos créditos em sua conta bancária e, também, aqueles que ensejaram a penalidade por compensação indevida. Os Despachos Decisórios, por sua vez, foram fundados nos Pareceres emitidos pela Fiscalização contendo os fatos e a motivação do não reconhecimento de direito creditório utilizado em Declarações de Compensação, os quais também constam do Termo de Verificação Fiscal, não se cogitando da alegada falta de fundamentação. Por outro lado, todos os interessados foram regularmente cientificados dos fatos apurados, das infrações que lhes foram imputadas e das exigências e dos Despachos Decisórios formalizados, recebendo, inclusive, cópia de inteiro teor dos processos digitais correspondentes conforme fls. 1583, com concessão de prazo regulamentar para pagamento ou apresentação de defesa. E, as oportunidades de oposição aos lançamentos e aos Despachos Decisórios foram devidamente aproveitadas mediante apresentação de competentes peças de defesa em todos os processos e por todos os interessados, em que demonstram ter conhecimentos dos fatos e ter compreendido perfeitamente as infrações que lhes foram imputadas. Não se configura, portanto, o cerceamento de defesa. Deve, assim, ser rejeitada a arguição de nulidade, pois a hipótese de ilegitimidade dos atos processuais, entre os quais se incluem os autos de infração e despachos decisórios, está perfeitamente definida no Decreto nº 70.235, de 1972, em seu artigo 59, incisos I e II, que se referem a lavratura por pessoa incompetente e preterição de direito de defesa, situações que não se verificam no presente caso. Deve ser, portanto, rejeitada a arguição de nulidade. Fl. 2090DF CARF MF Processo nº 10740.720068/201411 Acórdão n.º 1201002.075 S1C2T1 Fl. 2.061 61 Questionamentos acerca do procedimento fiscal No contexto acima descrito, acentuese a impropriedade da defesa ao apresentar questionamentos relacionados ao desenrolar do procedimento fiscal e ao pretender discutir a formalização, o teor e o endereçamento de intimações ocorridas na fase anterior à autuação. Consignese que a constituição do crédito tributário de ofício observa o estabelecido no art. 142 do CTN que estipula, como etapas do procedimento de lançamento, a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido, a identificação do sujeito passivo e a aplicação da penalidade, quando cabível – o que foi observado no presente caso. Cumpre à Autoridade Administrativa competente a identificação de tais elementos visando a subsunção dos fatos à norma aplicável, levantando dados no procedimento investigatório de fiscalização, durante o qual não se configura o contraditório nem a ampla defesa, vez que a ação fiscal se desenvolve mediante aplicação do direito tributário material, da qual poderá redundar a formalização da exigência. Assim, a relação jurídica processual somente se concretiza com a apresentação da impugnação (ou manifestação de inconformidade) ao correspondente ato de lançamento (ou de não homologação de compensação), impugnação esta que deve vir acompanhada de todos os elementos de prova indispensáveis a infirmar o ilícito caracterizado nos autos. A teor do disposto no art. 14 do referido Decreto nº 70.235, de 1972, “a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento”, momento em que o procedimento se torna processo, estabelecendose o conflito de interesses: de um lado o Fisco, que acusa a existência de débito tributário, fundando sua pretensão de recebêlo e, de outro, o contribuinte, que opõe resistência por meio da apresentação de impugnação. O procedimento fiscal é inquisitório e aos particulares cabe colaborar e respeitar os poderes legais dos quais a autoridade administrativa está investida. Não se formou, ainda, a relação jurídica processual, o que somente se concretiza com o ato de lançamento e/ou com o ato de formalização do Despacho Decisório e a apresentação das correspondentes impugnação e manifestação de inconformidade. A esse respeito, assim leciona James Marins, em sua obra Direito Processual Tributário Brasileiro: Administrativo e Judicial, Ed. Dialética, São Paulo, 2001, págs. 222/223: "O procedimento administrativo fiscalizador interessa apenas ao Fisco e tem finalidade instrutória, estando fora da possibilidade, ao menos enquanto mera fiscalização, dos questionamentos processuais do contribuinte. É justamente a presença, ou não, de Fl. 2091DF CARF MF 62 uma pretensão deduzida ante ao contribuinte, o que separa o procedimento, atinente exclusivamente ao interesse do Estado, do processo, que vincula além do Estado, o contribuinte. Só quando houver vinculação do contribuinte se fará lícito aludir a processo, antes não. Corroborando tal assertiva, basta se atinar para que nem todo procedimento fiscalizatório irá conduzir necessariamente a uma exação, havendo clara separação entre os dois momentos." É a partir da apresentação da impugnação que, iniciada a fase processual, passa a vigorar, na esfera administrativa, o princípio constitucional da garantia ao devido processo legal, no qual está compreendido o respeito à ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes, nos termos do art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal. Nesse contexto, imprópria é a pretensão de discutir, no âmbito de impugnação ao lançamento, questões relacionadas a intimações formalizadas no curso do procedimento. Cabível, entretanto, destacar, no que se refere à obrigatoriedade de prestar informações ao Fisco, os seguintes dispositivos legais do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26/03/1999 RIR/1999 [destaques acrescidos]: Art. 927. Todas as pessoas físicas ou jurídicas, contribuintes ou não, são obrigadas a prestar as informações e os esclarecimentos exigidos pelos AuditoresFiscais do Tesouro Nacional no exercício de suas funções, sendo as declarações tomadas por termo e assinadas pelo declarante (Lei nº 2.354, de 1954, art. 7º). Art. 928. Nenhuma pessoa física ou jurídica, contribuinte ou não, poderá eximirse de fornecer, nos prazos marcados, as informações ou esclarecimentos solicitados pelos órgãos da Secretaria da Receita Federal (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 123, DecretoLei nº 1.718, de 27 de novembro de 1979, art. 2º, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 197). §1º O disposto neste artigo aplicase, também, aos Tabeliães e Oficiais de Registro, às empresas corretoras, ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial, às Juntas Comerciais ou repartições e autoridades que as substituírem, às caixas de assistência, às associações e organizações sindicais, às companhias de seguros e às demais pessoas, entidades ou empresas que possam, por qualquer forma, esclarecer situações de interesse para a fiscalização do imposto (DecretoLei nº 1.718, de 1979, art. 2º). §2º Se as exigências não forem atendidas, a autoridade fiscal competente cientificará desde logo o infrator da multa que lhe foi imposta (art. 968), fixando novo prazo para o cumprimento da exigência (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 123, §1º). §3º Se as exigências forem novamente desatendidas, o infrator ficará sujeito à penalidade máxima, além de outras medidas legais (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 123, §2º). (...) Fl. 2092DF CARF MF Processo nº 10740.720068/201411 Acórdão n.º 1201002.075 S1C2T1 Fl. 2.062 63 Art. 929. As pessoas físicas ou jurídicas são obrigadas a prestar aos órgãos da Secretaria da Receita Federal, no prazo legal, informações sobre os rendimentos que pagaram ou creditaram no anocalendário anterior, por si ou como representantes de terceiros, com indicação da natureza das respectivas importâncias, do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ, das pessoas que o receberam, bem como o imposto de renda retido da fonte (DecretoLei nº 1.968, de 1982, art. 11, e DecretoLei nº 2.065, de 1983, art. 10). (...) Art. 931. Sem prejuízo do disposto na legislação em vigor, as instituições financeiras, as sociedades corretoras e distribuidoras de títulos e valores mobiliários, as sociedades de investimento e as de arrendamento mercantil, os agentes do Sistema Financeiro da Habitação, as bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e instituições assemelhadas e seus associados, e as empresas administradoras de cartões de crédito fornecerão à Secretaria da Receita Federal, nos termos estabelecidos pelo Ministro de Estado da Fazenda, informações cadastrais sobre os usuários dos respectivos serviços, relativas ao nome, à filiação, ao endereço e ao número de inscrição do cliente no CPF ou no CNPJ (Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, art. 12). (...) § 3º A não observância do disposto neste artigo sujeitará o infrator, independentemente de outras penalidades administrativas, à multa prevista no art. 978, por usuário omitido (Lei Complementar nº 70, de 1991, art. 12, §3º). Portanto, a autoridade fiscal está autorizada a requerer informações relativas à apuração de tributos de todas as pessoas jurídicas e físicas diretamente ligadas ao fato investigado. Se informações foram solicitadas na forma de planilhas ou mediante comparecimento pessoal, não há impedimento legal para tanto. Eventual impossibilidade de atendimento de intimações é avaliada pelas autoridades fiscais que a ela dá as repercussões cabíveis e, se motivar formalização de exigência (lançamento), os interessados têm oportunidade de defesa contra tais exigências. Também não é capaz de invalidar o lançamento a alegação de que respostas e esclarecimentos apresentados em um primeiro comparecimento de um dos interessados (Sr. Cláudio) à repartição, em atendimento ao Termo nº 4, não teriam sido mencionados no Termo de Verificação Fiscal, o qual contém descrição acerca do Termo de Depoimento nº 8 referente a um segundo comparecimento em atendimento à solicitação por telefone. Fl. 2093DF CARF MF 64 Informações e esclarecimentos dos interessados que fossem por eles considerados relevantes e tivessem sido omitidos pela Fiscalização no Termo de Verificação poderiam ter sido apresentados nas peças de defesa e apreciados neste julgamento como se faz neste Acórdão. Do mesmo modo, eventuais fatos questionados pela Fiscalização no curso do procedimento fiscal e que os interessados entendem irrelevantes para o lançamento (a exemplo da alegada menção à utilização de dois CPF pelo Sr. Cláudio) não invalidam o lançamento, cujos fundamentos legal e fático puderam ser por eles refutados ou esclarecidos em sede das peças de defesa. Aliás, observese, quanto à alegada menção à duplicidade de CPF de um dos interessados, que tal circunstância sequer foi apontada entre os motivos, analisados adiante, da formalização das exigências nem da atribuição de responsabilidade solidária. Não se vislumbra, assim, qualquer óbice ou falha que comprometa a validade dos lançamentos e dos atos de não homologação de compensação. Alegação de espontaneidade Alega a contribuinte que teria readquirido a espontaneidade no curso do procedimento, após a primeira intimação, em razão do decurso de prazo, entre as primeiras intimações, superior a 60 dias – limite de validade dos atos previsto no § 2º do art. 7º do Decreto nº 70.235, de 1972. Neste aspecto, esclareçase que da descrição do procedimento fiscal contida no Termo de Verificação consta: Fl. 2094DF CARF MF Processo nº 10740.720068/201411 Acórdão n.º 1201002.075 S1C2T1 Fl. 2.063 65 Da simples análise das datas e documentos acima citados constatase que entre as intimações iniciais, invocadas pela defesa, não se identifica decurso de prazo superior a 60 dias que pudesse suscitar reaquisição de espontaneidade. De todo modo, ainda que se confirmasse o decurso do prazo de 60 dias, cumpre consignar que a exclusão da espontaneidade do sujeito passivo está também regida no art. 138 do Código Tributário Nacional de cujo caput consta: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. (Destaques acrescidos). Como se vê, a denúncia espontânea requer, para sua configuração, a confirmação da efetivação de pagamento do tributo devido ou seu depósito, o que não comprovam os Impugnantes terem realizado, mesmo porque apresentadas razões de discordância com a autuação. Neste contexto, a alegação de espontaneidade em nada afeta o lançamento e não permite afastar as exigências. Mérito Compensação indevida – Não homologação Multa isolada Em oposição a não homologação de compensações, é invocado o direito de petição e feita menção ao Modus Operandi da Costa Juca na compensação de tributos, mediante realização de compra e venda de alguns títulos públicos no mercado, não só para a prática de compensações junto a Secretaria da Receita Federal, com discordância da obtenção de informações por meio de depoimento do Sr. Cláudio Assis Costa, alegandose que apenas cuidava da parte comercial da Impugnante e não possui capacidade técnica para responder dos procedimentos que eram utilizados. As alegações apresentadas, contudo, não são hábeis a justificar as compensações analisadas pela Fiscalização, abordadas no item 6 do Termo de Verificação (fls. 167 a 176). A compensação de tributos na esfera federal é um direito do contribuinte desde que observados os requisitos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Com efeito, a compensação tributária por iniciativa do contribuinte, criada pelo art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, com fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional, e ampliada pelo art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 e pelo Decreto nº 2.138, de 1997, sempre teve por pressuposto a existência de créditos decorrentes de tributos e contribuições, para fazer frente a débitos de mesma natureza. E tal circunstância já havia sido ainda mais detalhada, relativamente aos tributos Fl. 2095DF CARF MF 66 administrados pela Secretaria da Receita Federal, desde meados de 2002, por meio da Medida Provisória nº 66 (posteriormente convertida na Lei nº 10.637, de 2002), que expressamente limitou a compensação a crédito relativo a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal passível de restituição ou ressarcimento. Além disso, com a nova sistemática de compensação por meio da apresentação de declaração de compensação (DCOMP), foi a ela atribuído o efeito de extinção dos débitos compensados sob condição resolutória de sua ulterior homologação, para o que a autoridade administrativa dispõe de prazo de 05 anos. Assim, não confirmada a existência e/ou diante da impossibilidade da utilização dos créditos informados em DCOMP quando da compensação de débitos, impõese sua não homologação. Por sua vez, a penalidade aplicada tem por pressuposto o mencionado efeito extintivo das Declarações de Compensação – DCOMP, atribuído a este documento desde a sua criação com a Medida Provisória nº 66, de 2002, in verbis: Art. 49. O art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. [...]” Descumprindo as regras impostas para as compensações – ao indicar crédito para o qual verificada a inexistência de qualquer materialidade fática, como descrito no Termo de Verificação e analisado a seguir , o contribuinte buscou implementar a extinção dos débitos por meio das DCOMP apresentadas. Quanto à menção à revogação da Multa para pedido indevido de crédito tributário conforme refletido em notícia publicada pela imprensa e invocada pela defesa, tratase de casos de pedido de ressarcimento previsto em dispositivo legal distinto daquele que fundamenta a exigência em questão. A multa aplicada no caso em tela encontrase capitulada no art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, cujo texto original previa: Fl. 2096DF CARF MF Processo nº 10740.720068/201411 Acórdão n.º 1201002.075 S1C2T1 Fl. 2.064 67 “Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitar seá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. (...).” Com a edição da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, o referido artigo 18 passou a ter a seguinte redação: “Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitar seá à imposição de multa isolada em razão da não homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. (...). § 4º A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (...)” [Destaques acrescidos] Posteriormente, a redação do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, passou a ter o seguinte teor, atualmente em vigor, dado pela Lei nº 11.488, de 2007: “Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitar seá à imposição de multa isolada em razão de não homologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. § 1º Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6º a 11 do art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996.. § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (...) § 5º Aplicase o disposto no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas nos §§ 2º e 4º deste artigo .” [Destaques acrescidos] Fl. 2097DF CARF MF 68 O citado art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, prevê no inciso I do caput a multa de 75% que, aplicada em dobro, resulta no percentual de 150% utilizado pela Fiscalização. Ainda, quanto à menção à revogação de dispositivos que previam a aplicação de multa isolada, observese que a Lei nº 12.249, de 2010, inseriu no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, os parágrafos 15 a 17, e a Lei nº 12.844, de 2013, incluiu no mesmo artigo, o parágrafo 18, ficando o texto do ato, como segue: “Art. 74 (...) § 15. Será aplicada multa isolada de 50% (cinqüenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. § 16. O percentual da multa de que trata o § 15 será de 100% (cem por cento) na hipótese de ressarcimento obtido com falsidade no pedido apresentado pelo sujeito passivo. § 17. Aplicase a multa prevista no § 15, também, sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. § 18. No caso de apresentação de manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação, fica suspensa a exigibilidade da multa de ofício de que trata o § 17, ainda que não impugnada essa exigência, enquadrandose no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional.” [Destaques acrescidos] Atualmente, em função das Medidas Provisórias nº 656, de 2014, e nº 668 de 2015 e Leis nº 13.097 e nº 13.137, ambas de 2015, foram revogados os parágrafos 15 e 16 e alterada a redação do parágrafo 17, o qual passou a refletir o seguinte teor: “§ 17. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo.(Redação dada pela Lei nº 13097, de 2015, conversão da MP 656, de 2014)” [Destaques acrescidos] Dessa forma, quando apurada falsidade na declaração apresentada permanece aplicável a penalidade de 150% nos termos do art. 18, § 2º, da Lei nº 10.833, de 2003, com redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007. Observese que o percentual da multa é fixado em Lei, não se cogitando de arbitramento por parte da autoridade fiscal, como aventado em impugnação. No caso, a Fiscalização demonstra que os créditos indicados nas 03 (três) DCOMP em questão (saldo negativo de CSLL formado por retenções na fonte de código 5952 (retenção contribuições pagt de PJ a PJ dir privado – CSLL/COFINS/PIS) não existiam, pois não confirmada a ocorrência de retenção de contribuições na fonte e sequer a existência de operações entre a pessoa jurídica autuada e as fontes pagadoras por ela indicadas. Fl. 2098DF CARF MF Processo nº 10740.720068/201411 Acórdão n.º 1201002.075 S1C2T1 Fl. 2.065 69 De fato, nas DCOMP analisadas no presente caso a contribuinte indicou créditos de Saldos Negativos de CSLL de períodos trimestrais, originados de retenções na fonte que teriam sido efetuadas sob os códigos 5952 pelas fontes pagadoras ELITE RIO DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA, CNPJ nº 14.234.988/000168, e CONSTRUTORA APTA LTDA, CNPJ nº 35.793.397/000109. O código 5952 contempla retenções efetuadas por pessoas jurídicas em pagamentos a outras pessoas jurídicas, no percentual total de 4,65%, do qual 1% corresponde a CSLL. E, em relação a tais compensações, descreveu a Fiscalização que: questionada acerca dos créditos utilizados em valores de R$ 1.700.000,00 e R$ 100.000,00, a contribuinte alegou erro na informação do período do crédito (que deveriam ter sido informados os 2º e 3º Trimestre de 2013 como períodos de apuração do crédito e não o 4º Trimestre de 2011 e 1º Trimestre de 2013, como equivocadamente informado); a verificação das DIPJ de 2011 e 2012 não aponta apuração de saldos negativos de CSLL em nenhum dos períodos mencionados (nem de 2011, nem de 2013); não foram informados no item 32 da Ficha 18A das DIPJ envolvidas qualquer valor de retenção na fonte de CSLL por pessoa jurídica de direito privado a ser compensado; optante pelo lucro presumido, a CSLL apurada no trimestre pela COSTA JUCA corresponde a 3% de sua receita de prestação de serviços (32%*9% = 3%), de modo que, em hipótese alguma, poderia apurar saldo negativo de CSLL, ainda que toda sua receita houvesse sofrido retenção na fonte daquela contribuição. Isso porque se na retenção o percentual é de 1%, na apuração trimestral o percentual é de 3% da receita. Acerca das fontes pagadoras indicadas pela Costa Juca em suas DCOMP ELITE RIO DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA e CONTRUTORA APTA LTDA descreveu a Fiscalização, às fls. 171 e seguintes, evidentes distorções e inconsistências, entre as quais: a fonte pagadora ELITE RIO DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA apresentou DIPJ somente para os anos de 2011 e 2012, na condição de INATIVA, vindo, depois, retificar a DIPJ do ano de 2012 para apuração pelo lucro presumido, mesmo assim a declaração está com valores zerados. Apesar disso, de acordo com a DCOMP da Costa Juca, a pessoa jurídica Elite teria efetuado pagamentos à COSTA JUCA que resultaram na retenção na fonte das citadas contribuições (CSLL, PIS, Cofins) no valor de R$ 1.700.000,00 para cada trimestre, totalizando R$ 3.400.000,00. De outro modo, se o Fl. 2099DF CARF MF 70 pagamento estava sujeito à retenção de 4,65%, o valor do serviço prestado pela COSTA JUCA equivaleria a R$ 73.118.279,57. Isso é mais do que todas as receitas apuradas pela COSTA JUCA nos anos de 2010 a 2012, conforme pode ser confirmado na análise dos extratos de sua movimentação bancária. por outro lado, mesmo com DIPJ inativa ou zerada, foram encontradas DIRF apresentadas pela ELITE RIO DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA, em relação às quais foi constatado que: Em 2012, constam da DIRF 03 (três) beneficiários de retenção na fonte (sequer indica a Costa Juca) totalizando rendimentos de R$ 32.922.086,27 e retenções de contribuições sobre pagamentos de PJ a PJ de direito privado – CSLL, COFINS e PIS (código de receita 5952) no montante de R$ 15.682.972,29 (em que sequer é observado o percentual de 4,65%). Em 2013, a DIRF informa 02 (dois) beneficiários (também não contemplando a Costa Juca) com rendimentos de R$ 64.057.310,51 e retenção de contribuições de R$ 42.311.465,90 (percentual de retenção sem qualquer previsão). a CONSTRUTORA APTA foi declarada INAPTA em 1999 por ser omissa e não ter sido localizada. Em 22/09/2006 passou à condição de ativa em razão da entrega, em 21/09/2006, de DIPJ – INATIVA dos últimos cinco anos: 2001 a 2005. Antes, porém, em 13/09/2006, a CONSTRUTORA APTA providenciou a alteração no CNPJ do quadro societário e do domicílio fiscal, que passou a ser a Rua Frederico Méier,15, 3, 4 e 5 andares, Méier – RJ/RJ. Talvez por mera coincidência, uma das salas passou a ser o endereço da então, em 2011, criada ELITE RIO DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA. Muito embora a última DIPJ tenha sido apresentada em 10/11/2013, relativa ao anocalendário de 2009, a CONTRUTORA APTA LTDA apresentou DIRF para os anos de 2009, 2010, 2012 e 2013, nas quais constam vários beneficiários informados com valores vultosos de rendimentos e de retenção na fonte das contribuições CSLL, Cofins e PIS. Uma repetição do esquema adotado a partir das DIRF da pessoa jurídica ELITE. Novamente não há qualquer correlação entre o percentual determinado pela legislação (4,65% sobre pagamento efetuado) e o valor supostamente retido na fonte. Além de alguns beneficiários informados na DIRF da ELITE RIO DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA aparecerem também na DIRF da CONSTRUTORA APTA LTDA, o que chama atenção é que alguns clientes que haviam “adquirido título público” da COSTA JUCA também despontam na DIRF da CONSTRUTORA APTA LTDA, por exemplo: ... e, inclusive, a própria COSTA JUCA. No período mencionado, em ambas DIRF (da ELITE e da CONSTRUTORA APTA) foram informados rendimentos no montante total de R$ 259.618.787,07 e retenção na fonte, Fl. 2100DF CARF MF Processo nº 10740.720068/201411 Acórdão n.º 1201002.075 S1C2T1 Fl. 2.066 71 pasmem, de R$ 111.940.763,28. Não obstante isso, a consulta realizada ao sistema da Receita Federal revelou a inexistência de recolhimento de qualquer tributo. Aliás, o único recolhimento efetuado pela CONSTRUTORA APTA LTDA é de 16/08/1995 e referese à multa por atraso na entrega de DIRPJ no valor de R$73,75. Repetimos: único recolhimento efetuado pela empresa. Confirmando a inexistência do crédito indicado nas DCOMP analisadas transmitidas pela contribuinte com dados inverídicos, a Fiscalização expõe as seguintes informações fornecidas, em depoimento, pelo o Senhor CLÁUDIO ASSIS COSTA, administrador da COSTA JUCA : era Procurador da COSTA JUCA e representante de sua filha GABRIELA DE ALCÂNTARA ALMEIDA COSTA na Sociedade, administrando a empresa em conjunto com o outro sócio DIMITRI CEREWUTA JUCÁ; que é contador de formação; perguntado sobre a origem dos créditos informados nos três PER/DCOM apresentados pela COSTA JUCA (nº 31798.32047.23092013.1.3.035781, 18187.18093.230913.1.3.038998 e 36084.01841.10102013.1.3.039068) informou: não tinha conhecimento dos fatos; “não ter feito operação com aqueles valores indicados na PER/DCOMP com as empresas” (ELITE e CONSTRUTORA APTA); que a COSTA JUCA não tem contrato de prestação de serviço firmados com ELITE e CONSTRUTORA APTA, bem como não tem comprovante de valores recebidos, nem documentos de retenção na fonte, “pois não reconhece a prestação de tais serviços, tampouco a retenção na fonte daqueles valores”; que “não conhece nada sobre as empresas ELITE e CONSTRUTORA APTA e que o elo de ligação da COSTA JUCA com aquelas empresas era o procurador da COSTA JUCA ROGÉRIO (ALVES) LOUREIRO”. que não tem qualquer contato direto com a ELITE e CONSTRUTORA APTA. Ainda que, como alegado pela defesa, o Sr. Cláudio Assis Costa, apenas cuidasse da parte comercial da Impugnante e não possuísse capacidade técnica para responder dos procedimentos que eram utilizados, vêse que a Fiscalização reuniu um conjunto de evidências que demonstram que os créditos utilizados nas DCOMP analisadas não existiam, mas sim que foram criados mediante indicação de retenções por fontes pagadoras de forma totalmente incompatível com as declarações por elas prestadas. A Impugnante, mencionando disposições legais como o art. 30 da Lei nº 10.833, de 2003, e a IN RFB 1300, de 2012, bem como Fl. 2101DF CARF MF 72 invocando solução de consulta acerca de retenção na fonte, defende a possibilidade de existência de crédito compensável decorrente de retenções indevidas ou a maior. Cumpre esclarecer, contudo, que a Fiscalização não negou, em seu Termo de Verificação, a possibilidade de ocorrência de retenções indevidas ou a maior em pagamentos de pessoa jurídica para pessoa jurídica, sujeitos a retenção sob código 5952 de contribuições (CSLL, PIS e Cofins). Também não negou, a Fiscalização (quer no Termo de Verificação quer no Despacho Decisório e Parecer que o embasa), a possibilidade de que, ocorridas retenções efetivas, fossem elas consideradas antecipações e utilizadas, nas DIPJ correspondentes, como dedução na apuração do valor devido ao final do período (quando comprovado o oferecimento à tributação dos rendimentos correspondentes e apresentados os respectivos Comprovantes de Rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras, sendo este último requisito passível de ser suprido pela confirmação em DIRF). O que a autoridade fiscal detectou como irregular, ensejando a não homologação da compensação e a aplicação da penalidade no percentual de 150%, foi a utilização pela contribuinte de crédito formado por retenções em operações cuja existência sequer pode ser comprovada pelas declarações prestadas pelas pessoas jurídicas envolvidas, prestando assim a contribuinte autuada declaração falsa ao indicar crédito decorrente de retenções originadas das fontes pagadoras acima mencionadas. Para reverter a decisão de não homologação e a aplicação da penalidade por compensação indevida bastaria à interessada apresentar provas documentais evidenciando a efetiva ocorrência de operações com as empresas que indicou como fontes pagadoras (ELITE e CONSTRUTORA APTA), bem como comprovando as retenções que teriam ocorrido em tais operações e apresentando os correspondentes comprovantes de retenção. Todavia, nas peças de defesa apresentadas, nada é trazido neste sentido. Limitamse a questionar o procedimento fiscal, a defender o direito de apresentação de DCOMP e a negar a ocorrência de fraude. Em suma, a Interessada não comprovou o direito ao crédito de Saldo Negativo de CSLL. Ademais, como já mencionado, a Fiscalização apontou um conjunto de circunstâncias que demonstram a inexistência de retenções que a interessada aponta em suas DCOMP como formadoras do crédito utilizado e, consequentemente, a opção da contribuinte de inserir nos documentos de compensação informação falsa. Subsiste, pois, válida a conclusão da autoridade fiscal de que débitos foram indevidamente extintos por meio de declarações de compensações, com evidente intenção de fraude aos sistemas de cobrança da Receita Federal mediante a inserção de elementos falsos nas Declarações de Compensação. Fl. 2102DF CARF MF Processo nº 10740.720068/201411 Acórdão n.º 1201002.075 S1C2T1 Fl. 2.067 73 Importante lembrar que, nos termos da legislação processual em vigor, o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333 do Código de Processo Civil). A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que, no caso, teria sofrido a retenção do imposto. Decorre, daí, que formulado o pedido de restituição e/ou declaração de compensação deve o interessado dispor das provas hábeis do indébito tributário no qual se fundamenta, e apresentálas quando requeridas, sob pena de pronto indeferimento. Argumenta ainda a Impugnante que não houve a apresentação de nenhuma prova de fraude, apenas presunções quanto as empresas, pois não se verificou nenhuma diligência ou mera intimação para as citadas empresas, apenas presunções. Contudo, o Despacho Decisório de não homologação da compensação e a aplicação da multa de 150% por compensação indevida não foram fundados em presunção, como quis crer a interessada, mas em constatações concretas quanto à apresentação de DCOMP pela contribuinte autuada com crédito que sabidamente inexistia já que formado por retenções na fonte decorrentes de operações que sequer poderiam ter ocorrido, em face das constatações relativas a declarações das alegadas fontes pagadoras, sendo, ainda, a inexistência de tais operações confirmada por representante da própria pessoa jurídica. E, diante da apresentação de Declaração de Compensação, com efeito de extinção dos débitos, mediante utilização de crédito nas circunstâncias descritas, não há como afastar as decisões de não homologação das compensações e a imputação de ocorrência de fraude justificada pela utilização de artifício fraudulento para “criar” crédito de saldo negativo de CSLL na tentativa de liquidar débitos apurados pela empresa decorrente de sua atividade operacional por meio de PER/DCOMP apresentadas à Receita Federal. Devem ser mantidos, portanto, os Despachos Decisórios exarados nos processos 10740.720024/201482, 10740.720025/201427 e 10783.720248/201498 e o Auto de Infração com imposição de penalidade objeto do processo 10740.720069/201457. Mérito – DCTF retificadoras zeradas – diferença entre créditos bancários e valores contabilizados Quanto ao mérito, recordese que no processo 10740.720068/201411 foram lançados: Fl. 2103DF CARF MF 74 (i) valores contabilizados, informados em DIPJ e não declarados em DCTF (vale dizer, dela excluídos mediante retificação da declaração tópico 7.1 do Termo de Verificação) e (ii) valores decorrentes de depósitos (créditos) bancários cuja origem não foi comprovada, apesar de a contribuinte ter sido regularmente intimada para tanto (tópico 7.2). Quanto à retificação de DCTF zerando valores de débitos antes confessados e contabilizados, a interessada, na impugnação, atribui tal procedimento a distratos decorrentes de seus insucessos e a obrigatoriedade de devolução dos valores recebidos a título de honorários. Igual justificativa é mencionada em relação às diferenças apuradas entre os créditos ingressados em contacorrente e os valores registrados na contabilidade e informados na DIPJ, objeto do Termo de Intimação e Constatação nº 7. Em suas palavras, tais diferenças exprimem a devolução de honorários devolvidos pela Impugnante, tanto que exaustivamente em 21/08/2014, foi apresentada a resposta ao referido Termo, com a reapresentação dessa informação. Ocorre que na autuação a Fiscalização já excluiu as parcelas relativas aos distratos cuja devolução dos recursos aos clientes (dentre aqueles comprovadamente contemplados na base tributável) pôde confirmar. Como descrito no Termo de Verificação, no curso do procedimento fiscal, a Interessada afirmou a prevalência de valores da DIPJ (em detrimento daqueles da DCTF retificada) e já atribuía as diferenças questionadas entre extratos e contabilidade/DIPJ a cancelamentos de receitas (distratos), sendo essa última alegação repetida na Impugnação. Para melhor análise, registrese que, como descrito no Termo de Verificação, acerca da retificação de DCTF, a interessada Costa Juca foi reintimada, no curso do procedimento fiscal (fls. 119), a: justificar de forma pormenorizada, apresentando documentos comprobatórios hábeis e idôneos, a diferença entre os valores informados na DIPJ/Contabilidade e os valores indicados nas DCTF retificadoras apresentadas. apresentar planilha relacionando os valores de receitas informados na DIPJ/Contabilidade e os documentos que lhes deram origem, em face da impossibilidade de identificação dos mesmos com base nos históricos constantes nos lançamentos contábeis. Respondeu, conforme consta de fl. 1383: Fl. 2104DF CARF MF Processo nº 10740.720068/201411 Acórdão n.º 1201002.075 S1C2T1 Fl. 2.068 75 Refletindo tal ocorrência, descreveu a Fiscalização em seu Termo de Verificação item 2.10 (fl. 120): Relativamente à diferença entre: (i) receitas contabilizadas e informadas em DIPJ e (ii) receitas decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada, foi a contribuinte intimada a: (fls. 126/128): a) tomar ciência de planilha, produzida a partir de tabela por ele apresentada elaborada com base nos extratos bancários apresentados, em que foram efetuados os seguintes procedimentos, relativamente aos créditos: conferência e correção das operações indicadas na planilha original, que resultou na inclusão de operações constantes dos extratos bancários e não informadas na planilha original e exclusão de duas operações inexistentes nos extratos bancários; desconsideração das operações que não representariam receitas a serem tributadas (ABERT CRED Abertura de Crédito, APLIC AUT – Aplicação Automática, Cad – Cadastro, CUSTOD TIT – Custódia de Título, DEVOL TED – Devolução de TED, RESG AUTOM – Resgate Automático). b) tomar ciência dos valores dos créditos que ingressaram na contacorrente de titularidade da contribuinte, conforme tabela anexa, em que os somatórios mensais, trimestrais e anuais se encontram comparados aos valores escriturados e informados na DIPJ: Fl. 2105DF CARF MF 76 c) identificar a natureza jurídica e comprovar com documentos hábeis e idôneos, as operações de créditos constantes dos extratos bancários de sua contacorrente. d) justificar as diferenças apontadas entre os créditos ingressados em sua contacorrente e os valores registrados na contabilidade e informados na DIPJ. Em resposta, conforme fls. 128 e 1.460, a contribuinte consignou que: a) “não foi possível identificar as fontes pagadoras e credoras presentes na planilha anteriormente apresentada, com base em toda a movimentação bancária realizada pela empresa; tendo em vista a insuficiência de informação do próprio extrato bancário, que se encontra em poder desta fiscalização. Ressaltase que todos os valores recebidos pela empresa foram realizados em contacorrente conforme extrato bancário”; b) “a diferença apontada pela fiscalização entre a DIPJ e Movimentação bancária justificase em função dos distratos já apresentados em 14/04/2014 (Recibos em anexo) das seguintes empresas: c) “com base nas devoluções acima enumeradas, a empresa preparouse desde o ano de 2010 para os possíveis distratos; os quais ocorreram, conforme demonstrados nos anexos, por isso, a divergência na contabilização dos mesmos que não integralizaram a base de lucro da empresa”. E, como expressamente constou do Termo de Verificação, todas as informações e documentos apresentados no curso do procedimento fiscal acerca de distratos formalizados com clientes e acerca de devolução de valores recebidos foram individualizadamente analisados pela Fiscalização, conforme detalhadamente descrito nos tópicos 5.3.1 (fls. 155) a 5.3.13 (fls. 167), sendo admitidas exclusões da base de cálculo referentes a valores de “receitas canceladas” para os quais fora apresentada a documentação comprobatória. Vejase, a título de exemplo, o tópico 5.3.4 (fls. 158) Fl. 2106DF CARF MF Processo nº 10740.720068/201411 Acórdão n.º 1201002.075 S1C2T1 Fl. 2.069 77 Assim, diante das análises e constatações da Fiscalização, os valores acatados foram resumidos no tópico 5.3.13 (fl. 167), como segue: Observese que cancelamentos de receitas antes auferidas somente puderam ser acatados pela Fiscalização em relação a valores dessas receitas que comprovadamente estivessem computadas na base de cálculo dos tributos. Fl. 2107DF CARF MF 78 Também a planilha de fl. 180 contida no tópico 7.2, a seguir reproduzida parcialmente, evidencia que, ao apurar os valores a serem constituídos de ofício, a Fiscalização abateu os alegados “valores devolvidos aos clientes decorrentes de distratos”, para os quais foram apresentadas provas consistentes analisadas nos tópicos 5.3.1 (fl. 155) a 5.3.13 (fl. 167): Discriminando, a título de exemplo, os valores de receitas referentes a novembro 2011, temse: depósitos bancários.................................................1.516.351,54 receita contabilizada e informada em DIPJ (cujo débito foi excluído de DCTF) .......................................................582.351,30 distratos (valores restituídos aos clientes pela PJ Costa Juca)............................................................................. 264.090,56 total da receita que ensejou lançamento : 1.516.351,54 264.090,56 = 1.252.260,98 = 582.351,30 + (1.516.351,54 582.351,30 264.090,56) = 582.351,30 + 669.909,68 (valores indicados para o fato gerador 30/11/2011respectivamente no item 2 (fls. 08) e item 1 (fls. 06) do Auto de Infração de IRPJ). Nesse contexto, todas as alegações relativas a reconhecimento de receitas e à possibilidade legal de serem excluídos, da base de cálculo dos tributos (IRPJ, CSLL, PIS e Cofins), os valores atribuídos a vendas canceladas (quer de mercadorias quer de prestação de serviços) não afetam o lançamento. Isto porque a Fiscalização expressamente admitiu a exclusão dos valores cancelados (receitas restituídas aos clientes que comprovadamente estivessem incluídas na base tributável) para os quais foi possível confirmar sua ocorrência. E, em relação às parcelas alegadas como distratos e não admitidas na autuação como redutoras das receitas tributáveis, discriminadas individualizadamente no Termo de Verificação Fiscal, nada esclarecem ou refutam expressamente os Impugnantes. Limitase a defesa a alegar que a quantia de 19.477.570,00 (...) corresponderia a devoluções aos seus clientes, mas nada opõe expressamente à apuração e às análises e constatações fiscais de que as devoluções comprovadas, passíveis de reduzirem os valores a lançar, atingem o montante de R$ 1.824.985,35, reprisese, detalhadamente demonstrado nos tópicos 5.3.1 (fls. 155) a 5.3.13 (fls. 167), como mencionado acima. Fl. 2108DF CARF MF Processo nº 10740.720068/201411 Acórdão n.º 1201002.075 S1C2T1 Fl. 2.070 79 Diante do exposto, não há como afastar nem reduzir os valores lançados no processo nº 10740.720068/201411 pois não foram apresentadas, nas peças de defesa, provas documentais de que, no universo de receitas apuradas (qual seja: valores contabilizados/informados em DIPJ e os valores creditados em conta corrente que excedem os contabilizados/informados em DIPJ), haja outros montantes que teriam sido objeto de distratos e de consequente devoluções de receitas, além daqueles já admitidos pela Fiscalização. Neste contexto, também injustificáveis se mostram os questionamentos quanto à descrição pela Fiscalização do modus operandi da autuada e à alegação de que todo o trabalho da autoridade fiscal foi maliciosamente pensado e encaminhado para justificar a aplicação de multa qualificada. Com efeito, como visto, as constatações da Fiscalização relacionamse a receitas auferidas pela autuada (omitidas ou não) e a extinção de débitos decorrentes de receitas reconhecidas na contabilidade e DIPJ (débitos esses confessados e excluídos de DCTF e/ou débitos incluídos em DCOMP com crédito irregular). Em face de respostas da contribuinte a intimações formalizadas no curso do procedimento, para averiguar a efetividade dos alegados cancelamentos (devolução aos clientes) de receitas auferidas, a Fiscalização necessitou analisar os Distratos alegados e apresentados (tópico 5.3 do Termo de Verificação, fls. 155, já citado acima), os Contratos que teriam sido revertidos (distratados) e os respectivos objetos e motivação (tópicos 3 e 4 do Termo de Verificação, fls. 133/148). E, uma vez apurado crédito tributário a ser constituído, impôsse descrever todas as constatações para justificar a exigência formalizada e a imputação da penalidade. Assim, embora o crédito tributário tenha sido apurado em função de débitos indevidamente zerados em DCTF, de depósitos bancários de origem não comprovada e de débitos confessados em declarações de compensação irregulares, não poderia a Fiscalização se furtar de contextualizar as circunstâncias em que receitas foram auferidas (receitas sem origem comprovada ou receitas de atividades contratualmente previstas, inclusive mediante procedimentos da autuada de cessão de créditos de títulos públicos e oferecimento de serviços de extinção de débitos dos clientes) e os motivos da aceitação de apenas parte das alegações de cancelamento de receitas (distratos). Questionamentos acerca da menção, pela Fiscalização, das atividades da contribuinte para obtenção de receitas e da forma de atuação perante seus clientes (modus operandi), não são hábeis a afastar a exigência. Para tanto, como já mencionado, caberia à Impugnante apresentar esclarecimentos acompanhados de provas documentais que permitissem identificar outras devoluções de receitas comprovadamente integrantes da base tributável, além daquelas já acatadas pela Fl. 2109DF CARF MF 80 Fiscalização, bem como comprovar a origem, e o oferecimento à tributação, de valores creditados em suas contas bancária que excederam os valores informados em DIPJ. Mas, nada nesse sentido é apresentado, impondose a manutenção dos valores lançados. Acrescentese, ainda, a improcedência da alegação de que as desconsiderações de tais devoluções só comprovam o intuito malicioso e tendencioso de fazer a representação fiscal para fins penais, revelada desde o Termo de Verificação Fiscal nº 01, que independente da documentação a ser apresentada pela Impugnante, não teriam a força de reverter tal intuito. Tanto não é assim que toda a documentação referente aos Distratos e às devoluções de receitas aos clientes foi analisada pela Fiscalização, como refletido no Termo de Verificação mediante detalhada descrição e justificativa dos motivos da aceitação parcial, ou não, dos distratos como redutores de receitas. E, reiterese, em relação à parte dos alegados valores de distratos motivadamente não acatada pela Fiscalização, nada esclarecem nem acrescentam os interessados nas Impugnações apresentadas. Quanto a argumentos relacionados à apresentação de DIPJ e DACON e à alegação de que DCTF não é o único instrumento hábil para confissão de dívida, observase que os valores objeto do tópico 7.1 do Termo de Verificação (fls. 176), além de não recolhidos, foram apenas informados em DIPJ ou em DACON. Com referência à DIPJ, desde o anocalendário de 1999 tal declaração deixou de figurar dentre os veículos de confissão de débitos, passando a ser meramente informativa. Isto porque o Secretário da Receita Federal, no uso da competência que lhe foi atribuída pelo art. 16 da Medida Provisória 1.788/98 (posteriormente convertida na Lei nº 9.779/99), expediu a Instrução Normativa nº 127 de 30 de outubro de 1998, extinguindo em seu art. 6o, inciso I, a DIRPJ – Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica e instituindo, em seu art. 1o, a DIPJ – Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica. Assim, a partir do anocalendário de 1999, a DIPJ deixou de trazer a confissão dos tributos a pagar. Tal informação passou a estar contida apenas na DCTF – Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais. Coerentemente, o art. 1o da Instrução Normativa SRF nº 77/98, que antes mencionava a possibilidade de inscrição em Dívida Ativa da União dos saldos a pagar constantes, dentre outras, das declarações de rendimentos das pessoas jurídicas, deixou de contemplar esta referência, a partir da alteração introduzida pela Instrução Normativa SRF nº 014 de 14 de fevereiro de 2000: Art. 1º. O art. 1o. da Instrução Normativa SRF nº 077, de 24 de julho de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 1º. Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas físicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos Fl. 2110DF CARF MF Processo nº 10740.720068/201411 Acórdão n.º 1201002.075 S1C2T1 Fl. 2.071 81 estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União.” [...] Já com referência ao DACON, importa observar que se trata de demonstrativo, e não de declaração. De fato, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 387/2004, foi ele instituído como Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais, com objetivos semelhantes ao Livro de Apuração do Lucro Real Lalur, para fins do imposto de renda da pessoa jurídica tributada com base no lucro real. É o que se infere dos controles que são exigidos na Instrução Normativa referida: Art. 3º O sujeito passivo deverá manter controle de todas operações que influenciem a apuração do valor devido das contribuições referidas no art. 2º e dos respectivos créditos a serem descontados, deduzidos, compensados ou ressarcidos, na forma dos arts. 2º, 3º, 5º, 5ºA, 7º e 11 da Lei nº 10.637, de 2002, dos arts. 2º, 3º, 4º, 6º, 9º e 12 da Lei nº 10.833, de 2003, especialmente quanto: I às receitas sujeitas à apuração da contribuição em conformidade com o art 2º da Lei nº 10.637, de 2002, e com o art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003; II às aquisições e aos pagamentos efetuados a pessoas jurídicas domiciliadas no País; III aos custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no inciso I; IV aos custos, despesas e encargos vinculados às receitas de exportação e de vendas a empresas comerciais exportadoras com fim especifico de exportação, que estariam sujeitas à apuração das contribuições em conformidade com o art. 2º da Lei nº 10.637, de 2002, e com o art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003, caso as vendas fossem destinadas ao mercado interno; e V ao estoque de abertura, nas hipóteses previstas no art. 11 da Lei nº 10.637, de 2002, e no art. 12 da Lei nº 10.833, de 2003. Parágrafo único. O controle a que se refere o caput deverá abranger as informações necessárias para a segregação de receitas referida no § 8º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no § 8º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, observado o disposto no art. 100 da Instrução Normativa nº 247, de 21 de novembro de 2002. Tanto o é que sua apresentação não dispensa a informação dos valores correspondentes em DCTF, como evidenciado a partir da Instrução Normativa SRF nº 583/2005, que passou a impor a retificação do DACON, nos casos em que a retificação da DCTF acarretasse a alteração de valores também informados naquele demonstrativo: Fl. 2111DF CARF MF 82 Art. 12. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores. [...] § 6º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. § 7º Verificandose a existência de imposto de renda postergado, deverão ser apresentadas DCTF retificadoras referentes ao período em que o imposto era devido, caso as DCTF originais do mesmo período já tenham sido apresentadas. § 8º A retificação de DCTF não será admitida quando resultar em alteração da periodicidade, mensal ou semestral, de declaração anteriormente apresentada. Previsão no mesmo sentido consta da Instrução Normativa RFB nº 974 de 2009, e Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 2010, esta última atualmente em vigor. Registrese, ainda, que a citada Instrução Normativa SRF nº 77/98 permanece em vigor, e seu art. 1o não foi alterado para contemplar o DACON como instrumento de comunicação dos débitos correspondentes à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição em Dívida Ativa da União. Concluise daí que, ao contrário da DCTF, o DACON não é uma declaração, e os valores nele expressos, assim como aqueles indicados em DIPJ, não configuram confissão de dívida, por expressa inexistência de disposição legal. Neste contexto, a falta de recolhimento, cumulada com a ausência de declaração do crédito tributário, não permite a mera cobrança, com acréscimos moratórios, e impõe ao Fisco o dever de previamente constituílo por meio do lançamento de ofício, circunstância na qual a Lei nº 9.430, de 1996 determina a aplicação de multa de ofício. Não se confirma, assim, a alegação de que independente da confissão de valores em DCTF, a informação prestada através do DACON funciona como medida preventiva da decadência, afastando assim prejuízos aos cofres públicos. Do exposto, concluise que, tendo sido excluídos débitos da DCTF, a informação em DIPJ e em DACON não permite a Fl. 2112DF CARF MF Processo nº 10740.720068/201411 Acórdão n.º 1201002.075 S1C2T1 Fl. 2.072 83 cobrança dos valores, causando, em consequência, prejuízos aos cofres públicos, impondo a formalização do lançamento de ofício. No tocante à infração de omissão de receitas por depósitos bancários de origem não comprovada, a Impugnante limitase a invocar novamente a existência de distratos , aspecto já analisado acima e que, como visto, desacompanhado de outros esclarecimentos e provas, além daqueles já apreciados no curso do procedimento fiscal, não é hábil a afastar a exigência. Observese que, regularmente intimado, no curso do procedimento fiscal, a comprovar a origem de recursos creditados em contas de sua titularidade, como ocorreu no presente caso, é ônus do contribuinte tal comprovação, sob pena da caracterização de omissão de receita, conforme previsto no art. 42 da Lei nº 9.430 de 1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; E, nas peças de defesa apresentadas, também não se encontra identificação, acompanhada das correspondentes provas documentais, da origem dos recursos creditados em conta bancária e questionados pela Fiscalização, objeto do item 001 do Auto de IRPJ (fls. 06/07) e do tópico 7.2 do Termo de Verificação (fls. 179/182). Cabível acrescentar que a imputação de omissão de receitas apuradas em função de depósitos bancários cuja origem (apesar da intimação para tanto) não restou comprovada, decorre de expressa previsão legal contida no citado art. 42 – dispositivo que contém critério de mensuração de receita e não se confunde com forma de tributação (lucro real, presumido ou arbitrado) para apuração do IRPJ e CSLL. Fl. 2113DF CARF MF 84 Assim, imprópria se mostra a alegação de que o Auto de Infração teria imposto pagamento apurado sob a forma de arbitramento através dos extratos bancários da Requerida. Ainda, sob o título Da ausência de requisitos para Aplicação da Multa por Arbitramento, são invocadas pela defesa disposições do art. 530, II, do RIR/99 e alegado que a legislação tributária relaciona, de forma taxativa, as hipóteses de desconsideração do Lucro apurado pelo contribuinte e passe a mensurar esse mesmo lucro pelo método de arbitramento com valores diferentes do apontado pelo contribuinte. Tais alegações, contudo, não são pertinentes ao presente caso. Com efeito, a Fiscalização, ao constituir o crédito tributário relativo ao IRPJ e a CSLL, observou a forma de tributação pelo Lucro Presumido, adotada pelo contribuinte em suas DIPJ dos anoscalendário de 2010, 2011 e 2012, conforme se vê nos demonstrativos de fls. 09/43 e 52/75 e nas cópias de fls. 1062, 1076 e 1100, excertos a seguir reproduzidos: Improcedentes, assim, alegações no sentido de que na presente investigação fiscal não caberia o arbitramento do lucro, pois não foi esse o procedimento adotado pela Fiscalização. Concluise, assim, que as alegações apresentadas não permitem afastar as constatações fiscais de: (i) receita escriturada, informada nas DIPJ, cujos débitos foram excluídos de DCTF e (ii) omissão de receitas decorrentes de depósitos bancários sem comprovação da origem. Impõese, pois, manter o lançamento dos valores principais referentes ao IRPJ. Em relação aos lançamentos das Contribuições CSLL, Contribuição ao PIS e à Cofins , não foram apresentadas razões de defesa específicas distintas daquelas já apreciadas e afastadas acima. Assim, tratandose de exigências reflexas, Fl. 2114DF CARF MF Processo nº 10740.720068/201411 Acórdão n.º 1201002.075 S1C2T1 Fl. 2.073 85 decorrentes dos mesmos fatos que ensejaram o lançamento principal de IRPJ, deve ser adotada igual orientação decisória. Multa de ofício proporcional fls. 186 Ao tratar da penalidade imposta, a Fiscalização indicou como fundamento legal: disposições do art. 44 a Lei n° 9.430, de 27/12/1996, com nova redação dada pelo art. 14, da Lei no 11.488, de 15/06/2007; disposições dos artigos 71 e 72 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, que definem sonegação e fraude fiscal, conceito de dolo, para fins de tipificação dos delitos em apreço, que se encontra no inciso I, do art. 18 do Código Penal: crime doloso é aquele em que o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo. disposições dos incisos I e II, do artigo 1º, da Lei n° 8.137, de 27/12/1990, que define os crimes contra a ordem tributária, art. 2º da mesma Lei nº 8.137, de 1990, que estabelece que “fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo”, também constitui crime contra a ordem tributária. E a autoridade fiscal justificou a imputação da multa proporcional no percentual de 150% em razão da atitude dolosa da fiscalizada de reduzir o montante devido dos tributos federais, ora constituídos de ofício, assim explicando: Em razão da convicção firmada pela fiscalização quanto à intenção da fiscalizada em se eximir dos tributos devidos por meios defesos em lei contra a ordem tributária, arts. 1º e 2º da Lei n° 8.137, de 1990, de forma inequívoca, evidencia que a prestação de declaração falsa às autoridades fazendárias, a inserção de elementos inexatos em documentos públicos (DCTF), bem como a omissão de receitas à margem de sua contabilidade e sua não informação ao Fisco, em três anoscalendário seguidos, além de empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo inseremse no contexto de fraude à fiscalização tributária, configurando o dolo necessário para a qualificação da multa de ofício. Fato é que o contribuinte procedeu à redução dos valores dos tributos devidos declarados em DCTF, por meio de declarações retificadoras, inserindo informação que sabia ser inverídica, com único objetivo de evitar o pagamento do tributo devido. De mesma forma que a COSTA JUCA procedia em relação às pessoas jurídicas a quem prestava seus “serviços”, descrita no item 3 deste relatório, ela operou em proveito próprio. Conforme se pode verificar em sua contabilidade ela indicou a compensação de tributos federais sem, no entanto, realizar Fl. 2115DF CARF MF 86 qualquer procedimento administrativo ou judicial que lhe desse amparo em sua pretensão. Veja exemplo de registro em sua contabilidade: Em 2010: Em 2011: Em 2012: Assim como procedeu em relação às suas clientes, a COSTA JUCA utilizouse do subterfúgio fraudulento de retificar as DCTF reduzindo ou eliminado o saldo de tributos devidos, na tentativa de ludibriar sua cobrança da Receita Federal. A planilha abaixo resume o quadro das retificações dos valores devidos de tributos informados nas DCTF. Fl. 2116DF CARF MF Processo nº 10740.720068/201411 Acórdão n.º 1201002.075 S1C2T1 Fl. 2.074 87 Além disso a COSTA JUCA omitiu ao longo dos anoscalendário sob análise, 2010, 2011 e 2012, à margem da contabilidade e das informações prestadas ao Fisco, montantes expressivos de receitas, apurados com base em parcela da movimentação financeira em sua contacorrente. Com a omissão de informações dessas receitas, que deveriam constar das DIPJ e DCTF apresentadas nos períodos, outra não foi a intenção da COSTA JUCA senão impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. Além disso, a COSTA JUCA lançou mão de créditos fictícios informados em PER/DCOMP que resultaram em pedidos fraudulentos de compensações de tributos, com vistas a eximirse do recolhimento dos tributos por ela devidos. Considerando, em tese, a presença de crime contra ordem tributária e ainda as figuras da fraude e sonegação fiscal, está demonstrado o intuito fraudulento do contribuinte em ocultar a ocorrência do fato gerador dos tributos devidos ou de se eximir do recolhimento tributário cabível, o que enseja a qualificação da multa. De forma resumida, vêse que a Fiscalização imputa à pessoa jurídica Costa Juca: prestação de declaração falsa às autoridades fazendárias, com a inserção de elementos inexatos em documentos públicos (DCTF),de forma a retificar tais DCTF reduzindo ou eliminado o saldo de tributos devidos; Fl. 2117DF CARF MF 88 omissão de receitas (em “montantes expressivos”) à margem da contabilidade e sua não informação ao Fisco, em três anos calendário seguidos (2010, 2011 e 2012), além de empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo: em sua contabilidade ela indicou a compensação de tributos federais sem, no entanto, realizar qualquer procedimento administrativo ou judicial que lhe desse amparo em sua pretensão; lançou mão de créditos fictícios informados em PER/DCOMP que resultaram em pedidos fraudulentos de compensações. Em sua defesa, alega a interessada equívoco na autuação, pois das diversas intimações e respostas encaminhadas ao fiscal pelo contribuinte, em conjunto com documento contábil e contratos por este juntados são elementos mais do que suficientes para revelar que não houve o ânimo da Impugnante em reduzir tributo devido, nem de seus clientes e nem os seus. De plano, registrese que, no presente caso, foi aplicada penalidade qualificada, no percentual de 150%, nada tendo sido imputado pela Fiscalização no sentido de agravamento por falta de atendimento, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos, o que ensejaria multa de 225%. Assim, inócuas são as alegações no sentido de que houve colaboração do contribuinte no procedimento fiscal. Das razões de oposição à qualificação da penalidade, vêse que a interessada, assim como o fez em relação ao mérito, se vale de respostas a intimações e de apresentação de documentos no curso do procedimento fiscal. Ocorre que as respostas e documentos apresentados foram analisados pela Fiscalização que descreveu detalhadamente as informações prestadas e os motivos da confirmação de apenas parte das devoluções de receitas alegadas, devoluções estas que já foram contempladas na apuração do crédito tributário lançado. Para grande parte dos valores contabilizados e informados em DIPJ e que foram zerados em DCTF não foi possível confirmar a justificativa de que decorreriam de receitas canceladas e devolvidas aos clientes, ensejando a conclusão de que o contribuinte procedeu à redução dos valores dos tributos devidos declarados em DCTF, por meio de declarações retificadoras, inserindo informação que sabia ser inverídica, com único objetivo de evitar o pagamento do tributo devido. Quanto à constatação de que em sua contabilidade foi efetuada indicação de compensação de tributos federais sem, no entanto, realizar qualquer procedimento administrativo ou judicial que lhe desse amparo em sua pretensão, a Impugnante nada refuta nem esclarece especificamente. E, ainda, quanto ao reiterado procedimento de manter à margem da contabilidade e das informações prestadas ao Fisco, montantes expressivos de receitas, apurados com base em parcela da movimentação financeira em sua contacorrente, a Fl. 2118DF CARF MF Processo nº 10740.720068/201411 Acórdão n.º 1201002.075 S1C2T1 Fl. 2.075 89 Impugnante apenas alega que a diferença entre movimentação financeira e contabilidade decorre de distratos e receitas canceladas. Ocorre que todas as devoluções de receitas que puderam ser confirmadas documentalmente foram acatadas pela Fiscalização e, mesmo assim, grande parte da movimentação financeira permaneceu sem origem identificada configurando omissão de receitas a teor do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Opõese a interessada à utilização de presunção e alega que todas as provas apresentadas pela Impugnante derrubam a utilização da presunção como elemento de prova, não podendo prosperar a multa qualificada, frente à prova de devolução dos honorários. Todavia, as alegadas provas de devolução dos honorários (receitas) foram analisadas e confirmadas apenas em parte e esta análise, discriminada no Termo de Verificação, não foi expressamente refutada e contraditada, pelas defesas, com apresentação de novos esclarecimentos e provas documentais. Por outro lado, os fatos imputados pela Fiscalização e não afastados pela defesa (i) retificação de DCTF para zerar valores de débitos, (ii) existência de créditos em contas bancárias em valores muito superiores àqueles das receitas contabilizadas em três anos consecutivos, (iii) indicação na contabilidade de compensação de tributos federais sem, no entanto, realizar qualquer procedimento administrativo ou judicial que lhe desse amparo em sua pretensão, e, ainda, (iv) a utilização de créditos fictícios informados em PER/DCOMP – constituem ocorrências concretas e não presunções. Há presunção apenas no fato de se considerar como receita omitida os valores de créditos em conta bancária cuja origem, apesar de intimada, a contribuinte não logrou comprovar. Mas tal presunção decorre de expressa previsão legal contida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, como visto na análise do mérito. A penalidade aplicada, por sua vez, tem fundamento no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que, com a alteração da Lei nº 11.488/2007, dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de tributo, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de cinqüenta por cento, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; Fl. 2119DF CARF MF 90 b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º, serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38. [...] (Destaques acrescidos) E os arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, a que se reporta o art. 44 acima, estabelecem: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. (Destaques acrescidos) Observese que enunciados de Súmulas aprovadas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, relacionados a presunção de qualificação de multa, bem refletem o direcionamento da jurisprudência administrativa acerca do tema: Súmula CARF nº 14 A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Fl. 2120DF CARF MF Processo nº 10740.720068/201411 Acórdão n.º 1201002.075 S1C2T1 Fl. 2.076 91 Súmula CARF nº 25 A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Disto se vê que não há qualquer vedação à aplicação de multa qualificada de 150% até mesmo nas hipóteses em que a infração decorre de presunção legal de omissão de receitas (como é o caso de uma das infrações imputadas no processo nº 10740.720068/2014 11). Apenas exigese que a este fato esteja atrelada a devida caracterização de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/64. E, no caso em analise, a Fiscalização identificou a motivação fática da multa qualificada por meio de um conjunto de constatações concretas , repitase: (i) retificação de DCTF para zerar valores de débitos devidos decorrentes de receitas contabilizadas e informadas em DIPJ, (ii) reiterada omissão de receitas decorrente da existência de créditos em contas bancárias em valores muito superiores àqueles das receitas contabilizadas em três anos consecutivos, (iii) indicação na contabilidade de compensação de tributos federais sem, no entanto, realizar qualquer procedimento administrativo ou judicial que lhe desse amparo em sua pretensão, e, ainda, (iv) a utilização de créditos fictícios informados em PER/DCOMP – as quais não permitem afastar a imputação fiscal de intuito fraudulento do contribuinte em ocultar a ocorrência do fato gerador dos tributos devidos ou de se eximir do recolhimento tributário cabível. Cabível, ainda, consignar que o percentual da multa é determinado em lei, como visto nos dispositivos acima transcritos, não se cogitando da alegada aplicação da multa por arbitramento. Impõese, pois, a manutenção da multa proporcional aplicada no percentual de 150%. Responsabilidade Solidária A Fiscalização, com fundamento no art. 135 do CTN (fls. 05), atribuiu responsabilidade solidária por Excesso de Poderes, Infração de Lei, Contrato Social ou Estatuto a: (i) Gabriela de Alcântara Almeida Costa, (ii) Dimitry Cerewuta Jucá e (iii) Cláudio de Assis Costa (tendo em vista sua condição de sócio oculto e administrador da COSTA JUCA). Ainda, com fundamento no art. 124, inciso I, do CTN (fls. 05), atribuiu Responsabilidade tributária de fato imputada à A G Costa Empreendimentos Imobiliários S A, tendo em vista sua utilização para blindagem patrimonial. Acerca da primeira motivação Excesso de Poderes, Infração de Lei, Contrato Social ou Estatuto – tendo a Fiscalização constatado a retificação de DCTF zerando débitos antes confessados, bem como a contabilização e apresentação de DIPJ Fl. 2121DF CARF MF 92 com omissão de receitas apuradas por meio de depósitos bancários de origem não comprovada e, ainda, a transmissão de Declarações de Compensação com indicação de créditos de saldo negativo inexistentes, formados por retenção na fonte em operações cuja efetividade sequer foi confirmada – ocorrências que as defesas apresentadas não lograram êxito em afastar , resta caracterizada a prática de atos com infração a lei. E, nessas circunstâncias, o Código Tributário Nacional, no art. 135, prevê a atribuição de responsabilidade solidária, como segue: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. [Destaques acrescidos] Na defesa em nome de Dimitry Cerewuta Jucá, é alegada sua ilegitimidade passiva sob o argumento de que: não cabe ao requerido responder aos autos em vista de ser parte ilegítima, conforme preceituam os termos dos artigos 265, VI e 295, II e III, ambos do CPC, uma vez que não participou das relações jurídicas entre os envolvidos no negócio. O Requerido na condição de advogado apenas atua no âmbito processual e administrativo, inclusive. Todavia, distintamente do que alegado, a Fiscalização constatou, como descrito e demonstrado em seu Termo de Verificação (fls. 196 dos autos), que o sócio DIMITRI, que detém 50% da participação societária da COSTA JUCA, participou efetivamente das operações que deram origem ao lançamento de ofício do crédito tributário, conforme se pode comprovar com a cópia da procuração emitida pela pessoa jurídica CBA Transportes e Comércio, nos autos do PAF nº 10768.003528/200969 utilizado, conforme descrito no item 3 deste termo, como parte da ação fraudulenta no subterfúgio de “compensação” de tributos federais. DIMITRI firmou, na condição de Procurador da CBA o pedido inicial de compensação protocolizado na Receita Federal sob o nº 10768.003528/200969: Fl. 2122DF CARF MF Processo nº 10740.720068/201411 Acórdão n.º 1201002.075 S1C2T1 Fl. 2.077 93 Além disto,o sócio DIMITRI representou a COSTA JUCA nas operações de “cessão de crédito”, conforme fazem prova as escrituras públicas juntadas aos autos, bem como firmou os contratos representativos de tais “operações” em nome da COSTA JUCA. Recordese que, como consta dos tópicos 2 (fl. 110), 4.1 (fl. 138) e 5.3. 11 (fl. 165), as pessoas jurídicas CBA Transportes e Comércio Ltda e Dimensão Montagens Promocionais Ltda, mencionadas dos documentos reproduzidos acima, tiveram relações comerciais com a autuada Costa Juca, ou seja, eram “clientes” da Costa Juca. De acordo com a Consolidação do Contrato Social da Costa Juca de fl. 1691, esta tem o seguinte objeto social: E figuram como sócios, ambos com poderes e administração (fl. 1692): Fl. 2123DF CARF MF 94 Vêse, pois, que a Fiscalização traz evidências concretas de que a atividade fim da sociedade, relacionada à área tributária, foi diretamente exercida pelo sócio Dimitry Cerewuta Jucá, o qual, portanto, não pode se furtar de responder, pessoalmente, na qualidade de responsável, pelo crédito tributário apurado por infração à lei relativamente a receitas auferidas (declaradas, contabilizadas e não informadas em DCTF ou omitidas da contabilidade e de origem não comprovada), bem como pelo crédito tributário decorrente de compensação indevida mediante declarações prestadas. Destaquese, inclusive, que na Escritura Pública de Cessão de Créditos (acima reproduzida a título de exemplo), o sócio Dimitry Cerewuta Jucá, não é somente qualificado como advogado, mas é identificado como administrador da pessoa jurídica Costa Juca a qual figura como: cedente dos créditos, cessão essa que ensejou auferimento de receitas objeto de análise do procedimento fiscal, o qual veio a redundar na autuação formalizada no processo nº 10740.720068/201411; detentora do crédito e beneficiária da compensação indevida veiculada em DCOMP, que suscitou a aplicação de penalidade isolada no processo nº 10740.720069/201457. Nesse contexto, não há como acatar a alegação de que o Requerido (Dimitry Cerewuta Jucá) não agiu, nem sequer participou das decisões tomadas entre os mandatários, que sobre este fato não tem qualquer possibilidade de manifestarse ou dar qualquer contribuição. Como visto, o Requerido (Dimitry Cerewuta Jucá), além de qualificado com titulação de advogado e de ter atuado como representante da pessoa jurídica autuada e de clientes dela no âmbito processual e administrativo, também figura como seu sócio administrador participando diretamente dos atos praticados em nome da pessoa jurídica como refletido nos documentos acima reproduzidos. E, nessas condições, quer na condição de procurador, quer na condição de sócio administrador, a pessoa física, na qualidade de sócio administrador, responde pessoalmente pelo crédito tributário decorrente de infração a lei a teor dos incisos II e III do art. 135 do CTN. Ainda quanto à alegação de desconsideração da personalidade jurídica, não foi esse o procedimento adotado pela Fiscalização e nem seria ele necessário, equivocandose a Impugnante ao Fl. 2124DF CARF MF Processo nº 10740.720068/201411 Acórdão n.º 1201002.075 S1C2T1 Fl. 2.078 95 invocálo. Referido instituto encontra fundamento no artigo 50 do Novo Código Civil em casos de abuso da personalidade jurídica caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial, estendendo, nesta hipótese, a responsabilidade pelas obrigações da sociedade aos bens particulares dos administradores ou sócios. A solidariedade no processo em questão, definida nos arts. 264 e 265 também do Novo Código Civil para os casos em que na mesma obrigação concorre mais de um credor, ou mais de um devedor, cada um com direito, ou obrigado, à divida toda, resultando da lei ou da vontade das partes, independe da desconsideração da pessoa jurídica autuada e não a exonera da responsabilidade. No presente caso, a responsabilidade conjunta e solidária foi atribuída pela Fiscalização com fundamento nos arts. 124 e 135 do CTN, de modo que respondem pelo crédito tributário não apenas o Impugnante Dimitry Cerewuta Jucá, mas também a pessoa jurídica atuada Costa Juca e as demais pessoas físicas (Gabriela de Alcântara Almeida Costa e Cláudio Assis Costa) e pessoa jurídica (A G Costa) às quais também foi atribuída responsabilidade. Na defesa em nome de Cláudio Assis Costa são invocadas disposições dos arts. 124, 125 e 135 do CTN e alegada a ilegalidade da imputação de responsabilidade solidária a terceiros que não tiveram qualquer concorrência para a realização do fato gerador da obrigação tributária e necessidade de interesse jurídico na situação que constituiu o fato gerador, ou na hipótese do art. 135, de responsabilidade em virtude de atuação com excesso de poderes. Inicialmente registrese ser imprópria a menção ao art. 124 do CTN nesta peça de defesa, pois tal dispositivo não foi o fundamento apontado pela Fiscalização para atribuir responsabilidade à pessoa física Cláudio Assis Costa, mas sim, conforme fls. 05, o art. 135, tendo em vista sua condição de sócio oculto e administrador da COSTA JUCA. E, para justificar a responsabilidade do ora Impugnante Cláudio de Assis Costa, descreveu a Fiscalização: Em relação ao sócio oculto CLAUDIO ASSIS COSTA: (fls. 199) Por meio do Termo de Depoimento nº 081513/2013, Cláudio afirmou ser “Procurador da COSTA JUCA e representante de sua filha GABRIELA DE ALCÂNTARA ALMEIDA COSTA na Sociedade, administrando a empresa em conjunto com o outro sócio DIMITRI CEREWUTA JUCA”. Tal situação já havia ficado patente para esta fiscalização quando sua filha GABRIELA, sócia da COSTA JUCA, foi intimada a comparecer perante a fiscalização da Receita Federal, ela expressamente se manifestou no sentido de que quem cuidava dos negócios da empresa era seu pai, CLAUDIO, Fl. 2125DF CARF MF 96 que quando foi contactato, compareceu à Delegacia da Receita Federal e tratou com propriedade, em mais de um momento, dos assuntos pertinentes à COSTA JUCA. Além disso, CLAUDIO aparece como embargante, ao lado da COSTA JUCA, da pessoa jurídica AG COSTA EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS SA e de sua filha AMANDA DE ALCANTARA ALMEIDA COSTA, nos autos do processo judicial de Embargos à Execução nº 0017915 40.2013.8.08.0024, em tramitação na 2ª Vara Civil da Comarca da Capital em Vitória (ES), em execução impetrada pela pessoa jurídica TRANSFENIX LOCADORA DE VEÍCULOS E TRANSPORTES LTDA, em decorrência de distrato das operações tratadas nestes autos. CLAUDIO, ainda, firmou na condição de fiador da COSTA JUCA, o Instrumento Particular de Confissão e Assunção de Dívida com a COMERCIAL BAHIANO, em razão de “não ter tido êxito no procedimento contratado” com a COSTA JUCA. Demonstrase à exaustão, portanto, que CLAUDIO atuava como administrador e sócio oculto da COSTA JUCA, inclusive garantindo com seu patrimônio particular as dívidas resultantes do desfazimento dos contratos de que se trata no presente Termo. Ora, se, no curso do procedimento fiscal, o próprio interessado (Cláudio Assis Costa) afirma ser Procurador da pessoa jurídica autuada COSTA JUCA, representante da sócia GABRIELA DE ALCÂNTARA ALMEIDA COSTA na Sociedade, e administrar a empresa em conjunto com o outro sócio DIMITRI CEREWUTA JUCA, incoerente se mostra a pretensão de, em sede de impugnação, eximirse da responsabilidade pelo crédito tributário o qual fora constituído justamente em razão de infração à lei, nas seguintes situações: (i) ao deixar a pessoa jurídica de contabilizar e declarar receitas apuradas em função de depósitos bancários de origem não comprovada, (ii) de retificar DCTF excluindo débitos decorrentes de receitas reconhecidamente existentes já que contabilizadas e informadas em DIPJ e (iii) de extinguir débitos mediante transmissão de declarações de compensação com indicação de crédito sem fundamento fático. Recordese que os atos em nome da pessoa jurídica, inclusive no âmbito das obrigações tributárias, são materializados por meio de seus representantes e administradores, quer diretamente quer mediante eleição ou designação de profissionais para tanto. E se tais atos foram efetuados com infração a lei ou excesso de poderes em relação ao contrato social caracterizada está a hipótese legal prevista no art. 135, II e III do CTN. Além disso, evidenciando a participação direta nos atos que redundaram na autuação, vêse que, conforme citado pela Fiscalização e como refletido no documento de fls. 259 e seguintes (parcialmente reproduzidos a seguir), Cláudio Assis Costa figurou como um dos Embargantes, ao lado das pessoas jurídicas Costa Juca e A G Costa e da pessoa física Amanda de Alcântara de Almeida Costa, em Embargos à Execução Judicial Fl. 2126DF CARF MF Processo nº 10740.720068/201411 Acórdão n.º 1201002.075 S1C2T1 Fl. 2.079 97 proposta por Transfenix uma das clientes da autuada com a qual foi formalizado Distrato objeto de análise no procedimento fiscal que redundou na constituição do crédito tributário em litígio. Também, como descrito pela Fiscalização e não refutado pela defesa, Cláudio Assis Costa firmou, na condição de fiador da COSTA JUCA, Instrumento Particular de Confissão e Assunção de Dívida (fls. 408 e 411) com a COMERCIAL BAHIANO, em razão de “não ter tido êxito no procedimento contratado” com a COSTA JUCA. Ressaltese que o Distrato com a Comercial Bahiano de Alimentos Ltda. foi um daqueles analisados no procedimento fiscal do qual redundou a autuação com formalização do crédito tributário. Fl. 2127DF CARF MF 98 Desse modo improcedente se mostra a alegação de que a Fiscalização não teria demonstrado a participação de Cláudio Assis Costa em atos que redundaram na apuração do crédito tributário decorrente de infração à lei. Na defesa em nome de Gabriela de Alcântara Almeida Costa também é questionada a atribuição de responsabilidade com alegação de que inexiste ato que implique em violação do contrato social a fim de ensejar a responsabilidade solidária da sócia Gabriela conforme imputado no auto de infração, mas que na verdade os únicos atos apontados como ilícitos pela Impugnante são aqueles inerentes à própria administração da sociedade empresária, o que por sua vez não se confunde com atos que violam o contrato social. Todavia, em relação à sócia Gabriela de Alcântara Almeida Costa descreveu a Fiscalização: A sócia Gabriela detém 50% da participação societária da COSTA JUCA e participou efetivamente das operações que deram origem ao lançamento de ofício do crédito tributário, conforme comprova a cópia do Instrumento Particular de Transação Extrajudicial, datado de 21 de fevereiro de 2014, em que constam como transigentes a COSTA JUCA, a própria GABRIELA e a pessoa jurídica P. PEIXOTO. Por aquele instrumento a COSTA JUCA se obriga a devolver à P. PEIXOTO o valor de R$ 5.800.000,00 e o fez por meio de transferência direta de domínio de bem imóvel, “que se encontrava pendente de escrituração em seu nome junto ao referido Cartório, do antigo proprietário para a terceira transigente (GABRIELA)”, conforme descrito em escritura pública de compra e venda entregue pela COSTA JUCA, como forma de salvaguardar o crédito tributário que fora constituído pela Receita Federal em desfavor da pessoa jurídica P. PEIXOTO, em razão da desconsideração das “compensações” intermediadas pela COSTA JUCA. Não resta dúvida de que a sócia GABRIELA conhecia e participou dos fatos que deram base à presente autuação, tanto Fl. 2128DF CARF MF Processo nº 10740.720068/201411 Acórdão n.º 1201002.075 S1C2T1 Fl. 2.080 99 assim que autorizou a transferência do imóvel para quitação de débito da COSTA JUCA, em função de autuação pela Receita Federal da pessoa jurídica P. PEIXOTO pela descoberta do subterfúgio da “compensação” intermediada pela COSTA JUCA. Recordese que operações da pessoa jurídica autuada com a P. Peixoto suscitaram distrato que, entre outros, foi objeto de análise no curso do procedimento fiscal do qual redundou a formalização do lançamento e a não homologação de compensações. E, quanto à evidência apresentada pela Fiscalização acerca da ciência e participação de Gabriela de Alcântara Almeida Costa em fatos ensejadores da autuação, nada refuta expressamente a defesa. Acrescentese que, do Contrato Social (fl. 267) , consta que a sociedade será regida pelo Código Civil e, subsidiariamente, pela Lei das Sociedades Anônimas: E constatações da Fiscalização, decorrentes inclusive da análise de distrato em que foi evidenciada a ciência e participação da sócia Gabriela de Alcântara Almeida Costa, e que ensejaram imputação de omissão de receitas (depósitos bancários de origem não comprovada, portanto, sem identificação da origem pela contribuinte em sua contabilidade), de registro contábil de cancelamento de débitos por compensação não materializada ou por compensação objeto de declaração com informação de crédito falso (inclusive ensejando retificação de declarações prestadas ao Fisco para zerar débitos), caracterizamse não apenas infração à legislação fiscal e tributária, mas também inobservância da legislação comercial e contábil, com consequente violação do Contrato Social. Ademais, ainda que a observância das leis comerciais e contábeis não estivesse expressamente prevista no Contrato Social, impõese registrar que a necessidade de cumprimento das normas civis, comerciais e tributárias é inerente a toda Entidade, de modo que constatações que redundaram na imputação de infrações tributárias, sobretudo com aplicação de penalidade agravada – não afastadas pela defesa , não podem ser consideradas decorrentes de atos inerentes à própria administração praticados em conformidade com o Contrato Social, mas sim atos que violam também o Contrato Social. Acrescentese que, em DCOMPs transmitidas em nome da Costa Juca com compensações indevidas, a sócia Gabriela de Alcântara Almeida Costa figura, inclusive, como responsável da Pessoa Jurídica e responsável pelo preenchimento da declaração, com se vê às fls. 02, 14 e 28 do processo Fl. 2129DF CARF MF 100 10740.720024/201482, conforme excerto reproduzido a seguir, a título de exemplo: Neste contexto, não há como afastar a imputação fiscal de responsabilidade solidária à sócia Gabriela de Alcântara Almeida Costa. Em relação à pessoa jurídica AG Costa Empreendimentos Imobiliários S.A., a imputação da responsabilidade solidária foi formalizada pela Fiscalização, com fundamento no art. 124, I, do CTN, em razão da constatação de ocorrência de blindagem patrimonial da COSTA JUCA descrita no tópico 9 do Termo de Verificação como segue: A G COSTA EMPREENDIMENTOS S/A, CNPJ n° 12.048.507/000102, foi inscrita no cadastro da Receita Federal em 01/06/2010 na atividade de incorporação de empreendimentos imobiliários (CNAE: 4110700). O quadro societário é composto de GABRIELA DE ALCANTARA ALMEIDA COSTA, sócia da própria COSTA JUCA, e AMANDA DE ALCANTARA ALMEIDA COSTA. Ambas filhas de CLÁUDIO ASSIS COSTA, sócio oculto e administrador da COSTA JUCA. A primeira é médica e a segunda estudante de medicina. Além disso, o domicílio fiscal da A G COSTA EMPREENDIMENTOS S/A é o mesmo da COSTA JUCA, qual seja: Av. Baptista Parra, 673, sala 402 – B. A contabilidade da empresa COSTA JUCA, de 2010 a 2012, aponta empréstimos de R$ 9.440.000,00 para a pessoa jurídica A G COSTA EMPREENDIMENTOS S/A. Foram os seguintes valores transferidos anualmente: Fl. 2130DF CARF MF Processo nº 10740.720068/201411 Acórdão n.º 1201002.075 S1C2T1 Fl. 2.081 101 As DIPJ apresentadas pela A G COSTA EMPREENDIMENTOS S/A refletem tais valores. Indagada acerca desses empréstimos, COSTA JUCA apresentou cópia dos contratos particulares de mútuo financeiro firmados com a A G COSTA EMPREENDIMENTOS S/A. Detalhe: nele está escrito com todas as letras que “o pagamento da quantia tomada em mútuo será efetivado em 06 (seis) anos a contar do vencimento da primeira parcela, não havendo cobrança de juros por liberalidade do MUTUANTE, vencendo a primeira parcela em 15/07/2014 e assim sucessivamente todo dia 15 de cada mês” (grifo nosso). Qual a destinação dos recursos recebidos pela A G COSTA EMPREENDIMENTOS S/A? Foram empregados nas aquisições de imóveis (apartamentos, por exemplo, um na Barra da Tijuca/RJ e outro na Enseada Azul/Guarapari/ES, além de propriedades rurais) e veículos (Kia Cerato e Porsche Cayenne) de uso particular, que compõem o Ativo imobilizado de R$ 10.245.755,99, conforme balanço patrimonial constante da DIPJ. A aquisição de bens em nome da A G COSTA EMPREENDIMENTOS S/A com recursos transferidos da COSTA JUCA a título de empréstimo tem como único objetivo manter ileso o patrimônio pessoal dos sócios da COSTA JUCA em eventual execução de dívidas desta. Portanto, a criação da A G COSTA EMPREENDIMENTOS S/A foi um subterfúgio usado pelos sócios da COSTA JUCA para efetuar a blindagem patrimonial dos bens adquiridos com recursos advindos de procedimentos fraudulentos de compensação de débitos tributários junto a Receita Federal. Ainda que, por hipótese, A G COSTA EMPREENDIMENTOS S/A tivesse a intenção de quitar o empréstimo contraído junto a COSTA JUCA isso só seria possível mediante alienação dos imóveis comprados em seu nome. Diante dos fatos narrados, restou comprovado, portanto, que A G COSTA EMPREENDIMENTOS S/A integra o mesmo grupo empresarial de fato junto à COSTA JUCA, com o objetivo exclusivo de blindar o patrimônio do grupo em eventual execução fiscal. Na defesa apresentada em nome de AG COSTA EMPREENDIMENTOS S/A., é negada a ocorrência de blindagem patrimonial, sob alegação de que Gabriela de Alcântara Almeida Costa é sócia de ambas as empresas (da AG Costa, juntamente com sua irmã Amanda de Alcântara Almeida Costa, e da Costa Juca, juntamente com o sócio Dimitry) e que Fl. 2131DF CARF MF 102 se houvesse objetivo de manter o patrimônio pessoal ileso outras pessoas seriam indicadas como sócias. Justifica a criação da AG COSTA EMPREENDIMENTOS S/A como sociedade holding familiar para fins de redução da carga tributária da pessoa física, mediante planejamento sucessório e com retorno de capital sob a forma de lucros e dividendos, com redução de tributação em favor da pessoa jurídica. Todavia, a existência de sócia comum a ambas as pessoas jurídicas vem apenas confirmar tratarse de um mesmo grupo societário. Além disso, tanto a pessoa jurídica AG COSTA EMPREENDIMENTOS S/A como a pessoa jurídica Costa Juca, com sede no mesmo endereço, são geridas por Cláudio de Assis Costa, como refletem as procurações outorgadas a ele e a Josenan de Alcântara Almeida Costa (outra pessoa física): procuração outorgada pelas sócias da AG Costa (Amanda e Gabriela), conforme excerto abaixo reproduzidos, para Claudio Assis Costa gerir a firma: (fl. 1736): procuração outorgada pela Costa Juca, representada pela sócia administradora Gabriela, para Claudio Assis Costa gerir a empresa (fl. 1695): Fl. 2132DF CARF MF Processo nº 10740.720068/201411 Acórdão n.º 1201002.075 S1C2T1 Fl. 2.082 103 E, quanto à criação de holding familiar para tributação como pessoa jurídica de forma menos onerosa do que como pessoa física, tal alegação não justifica a transferência de recursos, sem qualquer ônus, entre duas pessoas jurídicas. Vejase que tal transferência, apontada pela Fiscalização, não foi feita de pessoas físicas para a pessoa jurídica AG Costa (com o alegado objetivo de que as pessoas físicas pagassem menos tributos), mas sim da pessoa jurídica autuada (Costa Jucá) para outra pessoa jurídica (AG Costa) e foi realizada de forma não onerosa. Como descreve a Fiscalização, a transferência de recursos se deu por meio de empréstimo da Costa Juca em favor da AG Costa nos anos de 2010 a 2012 a ser pago em parcelas a partir de 2014 sem qualquer previsão de acréscimos (juros) – fato não refutado pelas defesas e que não se confunde com a alegada intenção de criação de holding para tributar, de forma menos onerosa, patrimônio pessoal de pessoa física. Ainda assevera que a sociedade A G Costa ostenta siglas do nome da sócia Gabriela o que afastaria a tese de pretensão de ocultar patrimônio, reiterando o objetivo de planejamento sucessório e obtenção de renda através de um acervo patrimonial, renda essa utilizada para quitar os empréstimos efetuados junto a Impugnante, sem a necessidade de alienação dos imóveis, e alegando que todos os prejudicados com os trabalhos realizados pela Impugnante foram indenizados, se realmente houvesse uma “blindagem patrimonial” estariam todos na enorme fila do judiciário. Esses argumentos, contudo, apenas denotam concordância com a atribuição de responsabilidade solidária a AG COSTA EMPREENDIMENTOS S/A por interesse comum. De fato, se, como assevera a Impugnante, os recursos da AG COSTA EMPREENDIMENTOS S/A são utilizados para indenização dos prejudicados pelos procedimentos da Costa Juca, fica evidenciado o reconhecimento, pela própria Impugnante, de efetiva ligação e interesse comum entre as Fl. 2133DF CARF MF 104 pessoas jurídicas citadas e injustificável se mostra a objeção de que a AG Costa também responda pela quitação do crédito tributário decorrente de procedimentos da mesma Costa Juca, já que a Fazenda Pública também foi prejudicada por atos em nome da Costa Juca. Ainda alega a Impugnante que as empresas têm atividades distintas e a AG COSTA EMPREENDIMENTOS S/A não está vinculada ao fato gerador da obrigação tributária da Impugnante. Neste ponto, recordese que o art. 124 do CTN assim dispõe: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Observase que o referido art. 124 reflete, em seu inciso I, a responsabilidade solidária “de fato”, quando há interesse comum, em paralelo àquela “de direito”, disposta no inciso II, que não exige a presença do interesse comum, mas precisa estar prevista em lei específica. Como se vê, o texto do art. 124 é expresso ao vincular apenas os casos de responsabilidade solidária “de direito”, objeto do inciso II, à necessidade de designação por lei, o que afasta eventual pretensão da defesa de que o conceito de interesse comum estivesse previsto em lei. Caso fosse essa a intenção do legislador, dispensável seria a previsão de duas hipóteses de obrigação solidária no art. 124. Ao distinguir as pessoas solidariamente obrigadas em duas espécies, e apenas no caso do inciso II fazer referência à previsão em lei, restou evidenciada no CTN (Lei Complementar) a existência de responsabilidade solidária de fato decorrente do interesse comum – termo que, independentemente de definição diversa do significado expresso pela linguagem, foi considerado suficiente pelo legislador para definição do vínculo da solidariedade. Assim, apesar da alegação de atividades distintas, não se vislumbra impossibilidade de existência de interesse comum entre as pessoas jurídicas, sobretudo se os recursos de uma foram transferidos para outra mediante empréstimos, sem previsão de ônus para a beneficiária, nas condições descritas pela Fiscalização. Acerca do alcance da expressão “interesse comum”, já se manifestou o Superior Tribunal de Justiça, em acórdão de cuja ementa extraise: O instituto está previsto no art. 124 do CTN, em que o inciso I determina a solidariedade quando os sujeitos estão na mesma relação obrigacional. Deve ocorrer interesse comum das Fl. 2134DF CARF MF Processo nº 10740.720068/201411 Acórdão n.º 1201002.075 S1C2T1 Fl. 2.083 105 pessoas que participam da situação que origina o fato gerador. Conseqüentemente, passam à condição de devedores solidários. (AgRg nos Edcl Resp n. 375.769/RS, Rel. Min. Humberto Martins, 2ª Turma, j. 04/12/2007, DJ 14/12/2007). Destaques incluídos. Também abordando a matéria, decidiu o Tribunal Regional Federal da 4ª Região, no sentido de que: São solidariamente obrigadas pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, segundo prevê o art. 124, I, do CTN. O interesse comum das pessoas não é revelado pelo interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas pelo interesse jurídico, que diz respeito à realização comum ou conjunta da situação que constitui o fato gerador. É solidária a pessoa que realiza conjuntamente com outra, ou outras pessoas, esteja em relação com o ato, fato ou negócio que dá origem à tributação; por outras palavras, (...) pessoa que tira uma vantagem econômica do ato, fato ou negócio tributado (Rubens Gomes de Sousa, Compêndio de Legislação Tributária, 3. ed., Rio de Janeiro, Edições Financeiras, 1964, p. 37). A sociedade que participa de outra, ainda que de forma relevante, não é solidariamente obrigada pela dívida tributária, referente ao imposto de renda desta última, pois, embora tenha interesse econômico no lucro, não tem o necessário interesse comum, na acepção que lhe dá o art. 124 do CTN, que pressupõe a participação comum na realização do lucro. Na configuração da solidariedade é relevante que haja participação comum na realização do lucro, e não a mera participação nos resultados representados pelo lucro” TRF da 4ª Região, A M S n. 9404550469, Rel. Des. Zuudi Sakakihara, DJ 27/10/1999. (destaques incluídos) No presente caso, o interesse comum, caracterizador da responsabilidade solidária da pessoa jurídica AG COSTA EMPREENDIMENTOS S/A foi evidenciado pela Fiscalização mediante constatação das circunstâncias descritas no item 9 do Termo de Verificação especialmente a existência de sócia comum, de mesmo domicílio e de transferência de recursos da autuada para a AG COSTA EMPREENDIMENTOS S/A, recursos esses que a própria Impugnante admite serem utilizados para quitação de compromissos da Costa Juca. Ademais, como visto, ambas as pessoas jurídicas, representadas por seus sócios administradores, outorgaram procuração à mesma pessoa física Claudio de Assis Costa para gerir ambas as sociedades. Neste contexto, não há como negar a participação e o interesse comum da AG COSTA EMPREENDIMENTOS S/A nas ocorrências em nome de Costa Juca que ensejaram os fatos geradores autuados. Exigibilidade e Inscrição de débitos em dívida ativa Fl. 2135DF CARF MF 106 Acerca de alegações relacionadas a inexigibilidade de débitos e questionamentos quanto à inscrição em dívida ativa, cumpre esclarecer aos interessados que os presentes processos têm por objeto 1) a constituição de crédito tributário por meio de lançamentos e 2) a não homologação de declarações de compensações transmitidas pelo contribuinte e, neste julgamento, são apreciadas as razões de defesa em face destes atos. Especificamente quanto à suspensão da exigibilidade dos débitos, tratandose de matéria não inserida nos atos de lançamento e de nãohomologação questionados, mas sim decorrente das Impugnações e Manifestações de Inconformidade posteriormente apresentadas, não compete a este órgão julgador qualquer manifestação a respeito. O mesmo se diga em relação à inscrição em dívida ativa e à ação de execução – procedimentos de competência da Procuradoria da Fazenda Nacional e que dependem de prévio encaminhamento pela autoridade da DRF jurisdicionante do contribuinte, não passível de questionamento em sede de contencioso administrativo regido pelo Decreto nº 70.235, de 1972. De todo modo, registrese que, das intimações cientificadas ao contribuinte em razão da constituição do crédito tributário e da não homologação da compensação constou expressamente a concessão de prazo para pagamento ou apresentação de defesa. É o que se constata da intimação de fls. 1583 do processo nº 10740.720068/201411, que também instrui os demais processos nela mencionados e da qual se extrai o excerto a seguir reproduzido: Também das intimações integrantes dos Autos de Infração constou expressa menção de concessão de prazo para extinção do crédito tributário (por pagamento ou outra forma prevista em lei) ou para impugnálo, como se vê, a título de exemplo, no excerto a seguir, extraído do Auto de IRPJ (fl. 04): Fl. 2136DF CARF MF Processo nº 10740.720068/201411 Acórdão n.º 1201002.075 S1C2T1 Fl. 2.084 107 Nos Despachos Decisórios de não reconhecimento de direito creditório e não homologação de compensações, também foi feita menção expressa à possibilidade de apresentação de manifestação de inconformidade, como se vê, a título de exemplo, à fl. 193 do processo 10740.720024/201482: Ainda, da Intimação com cobrança dos débitos indevidamente compensados, consta menção a encaminhamento dos débitos para inscrição em Dívida Ativa da União em caso de não haver pagamento ou apresentação de manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório, conforme se extrai, a título de exemplo, de fl. 198 do processo 10740.720024/201482: E consultas aos sistemas informatizados indicam a situação de suspensão por julgamento da impugnação dos processos de Autos de Infração nºs 10740.720068/201411 e 10740.720069/201457 e a situação de devedor, mas em julgamento de manifestação de inconformidade dos processos de cobrança vinculados aos processos de análise de compensação nºs 10740.720024/201482, 10740.720025/201427 e 10783.720.248/201498, como refletem as pesquisas abaixo reproduzidas: Fl. 2137DF CARF MF 108 processo de cobrança nº 10783.721252/201473, vinculado ao processo nº 10740.720 024/201482 (fls. 195 deste último): processo de cobrança nº 10783.721.254/201462, vinculado ao processo nº 10740.720025/201427 (fls. 199 deste último) Fl. 2138DF CARF MF Processo nº 10740.720068/201411 Acórdão n.º 1201002.075 S1C2T1 Fl. 2.085 109 processo de cobrança nº 10783.721.255/201415, vinculado ao processo nº 10783.720.248/201498 (fls. 201 deste último) Concluise pela impropriedade de pretender discutir, em sede de impugnação/manifestação de inconformidade regida pelo Decreto nº 70.235, de 1972, a inexigibilidade de débitos, a sua inscrição em Dívida Ativa da União ou a sua Execução Judicial – questionamentos inerentes a atos da autoridade da unidade da Receita Federal jurisdicionante do domicílio do contribuinte. Ofensa a princípios constitucionais Tendo em vista que em pontos das peças de defesa apresentadas é alegada ofensa a princípios constitucionais, como razoabilidade, não confisco e direito de propriedade, cumpre observar que, na formalização das exigências e na não Fl. 2139DF CARF MF 110 homologação de compensações, a autoridade fiscal indicou os respectivos fundamentos legais. Desse modo, as ofensas alegadas refletem inconformismo com a legislação posta, o que não é passível de discussão em sede de julgamento administrativo. Com efeito, é preciso fixar que o controle da constitucionalidade das leis é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instância revisional no Supremo Tribunal Federal art. 102, I, “a”, III da CF/88 , sendo defeso aos órgãos administrativos, de forma original, reconhecer vícios na legislação regularmente editada, estando fora de seu alcance o debate sobre aspectos da validade, constitucionalidade ou da legalidade da legislação. Enquanto a norma não é declarada inconstitucional pelos órgãos competentes do Poder Judiciário e não é expungida do sistema normativo, tem presunção de validade, presunção esta que é vinculante para a administração pública. Também o dever de observância das normas complementares editadas no âmbito da Receita Federal, expressas em atos tributários e aduaneiros, está previsto na Portaria MF nº 341, de 12 de julho de 2011. Consignese que atualmente se encontra em vigor o artigo 26A do Decreto nº 70.235, de 06/03/1972, que disciplina o Processo Administrativo Fiscal PAF, introduzido pela Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27/05/2009, que dispõe: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de junho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. Fl. 2140DF CARF MF Processo nº 10740.720068/201411 Acórdão n.º 1201002.075 S1C2T1 Fl. 2.086 111 Não se identificando nenhuma das hipóteses acima em relação a dispositivo legal que fundamente os lançamentos em litígio, impõese a manutenção da exigência. Confirmando este posicionamento, já foi editada, inclusive, Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. E se o órgão de julgamento administrativo de instância superior não detém competência para apreciar questionamentos relativos a constitucionalidade de lei, igual conclusão se impõe em relação ao julgamento em primeira instância. Acrescentese, relativamente à Ação Direta de Inconstitucionalidade de nº 4905 (mencionada na peça de defesa em nome de Dimitry), ainda em trâmite no Supremo Tribunal Federal, que os dispositivos legais nela questionados são os parágrafos 15 e 17 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação da Lei nº 12.449, de 2010 e, por arrastamento, os arts. 36, caput e 45, § 1º, I da Instrução Normativa RFB nº 1300 de 2012 dispositivos que não constituem o fundamento para os lançamentos e despachos decisórios em questão. Especificamente quanto à multa isolada por compensação indevida, foi aplicada, como já mencionado, com fundamento no art. 18, caput e § 2º, da Lei nº 10.833/03, com redação dada pela Lei nº 11.488/07, conforme fls. 06 do processo nº 10740.720069/201457. Juntada de documentos Por fim, quanto ao requerimento genérico de provar o alegado e de juntada de documentos, observese que a questão do Contencioso Administrativo Fiscal está disciplinada no Decreto nº 70.235, de 1972, aplicável não só aos litígios acerca de Autos de Infração, mas também àqueles acerca dos Despachos Decisórios de não homologação de Compensação, por força do art. 74, § 11, da Lei nº 9.430, de 1996. Referido diploma legal, a respeito dos temas “prova” e “juntada de documentos”, dispõe em seu art. 16 o seguinte: “Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação Fl. 2141DF CARF MF 112 profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)” [Destaques acrescidos] Como visto, a legislação transcrita determina a apresentação da prova no momento da impugnação, admitida a dilação do prazo para formação de prova documental apenas quando: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou direito superveniente; e c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Nos processos ora em análise, não há notícia de apresentação de elemento de prova após o prazo de impugnação ou de Fl. 2142DF CARF MF Processo nº 10740.720068/201411 Acórdão n.º 1201002.075 S1C2T1 Fl. 2.087 113 manifestação de inconformidade que suscitasse análise de sua admissibilidade. Os recorrentes não aduziram qualquer argumento jurídico que infirmasse a constituição do crédito tributário, ocasionando sua preservação integral, consoante o acórdão recorrido. As considerações acima são bastante para meu convencimento, prescindindo de qualquer perícia ou outra diligência, como preconizado no artigo 18 do Decreto nº 70.235/1972. A análise jurídica dos fatos e dos demais documentos nos autos endossam a procedência do crédito tributário, exaustivamente, impugnado pelos recorrentes no exercício do contraditório e da ampla defesa. Não há mera divergência entre a escrita contábil, DIPJ, DACON e DTFCs. Diversamente, vislumbrase o interesse reprovável do contribuinte em compensar insubsistente crédito. Por sua vez, a omissão de receita, assim como a inexistência de qualquer documento que invalidasse a conclusão da unidade de origem, viabilizando a presunção do artigo 42 da Lei nº 9.430/1996. Os distratos contratuais e as restituições dos recursos aos clientes, não descaracteriza a receita tributável, nem justifica a exclusão em DCTF, tampouco as divergências entre a movimentação financeira e a escrituração contábil. Em 14/04/2014, a contribuinte, ora Recorrente, respondeu ao Termo de Constatação e Reintimação Fiscal n° 051513/2013, no entanto, parcialmente: O contribuinte não apresentou informação que possibilitasse a identificação dos valores de receitas informados na DIPJ/Contabilidade e os documentos que lhes deram origem, suprimindo a deficiência constante dos históricos dos lançamentos contábeis, conforme intimado. Estas considerações são extensíveis à CSLL, PIS e a COFINS, eis que consiste na tributação reflexa sobre a receita identificada pela autoridade fiscal. Por fim, comprovada a existência de interesse comum, atrai a responsabilidade solidária dos sócios, tal como decidido em acórdão recorrido. Isto posto, voto pelo conhecimento dos recursos voluntários, rejeitando a nulidade arguida e, no mérito, NEGOSLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Rafael Gasparello Lima Relator Fl. 2143DF CARF MF 114 Fl. 2144DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13977.000180/2008-08
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2008
SIMPLES NACIONAL. INÍCIO DE ATIVIDADE. INCLUSÃO RETROATIVA. PRAZO.
O prazo para efetuar opção pelo Simples Nacional era de 10 dias contados do último deferimento de inscrição estadual ou municipal, respeitado o prazo de 180 dias da data de abertura constante do CNPJ, nos moldes do §§3º e 6º do art. 7º da Resolução CGSN nº 4/2007.
Numero da decisão: 1003-000.004
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2008 SIMPLES NACIONAL. INÍCIO DE ATIVIDADE. INCLUSÃO RETROATIVA. PRAZO. O prazo para efetuar opção pelo Simples Nacional era de 10 dias contados do último deferimento de inscrição estadual ou municipal, respeitado o prazo de 180 dias da data de abertura constante do CNPJ, nos moldes do §§3º e 6º do art. 7º da Resolução CGSN nº 4/2007.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13977.000180/2008-08
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5879244
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1003-000.004
nome_arquivo_s : Decisao_13977000180200808.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : BARBARA SANTOS GUEDES
nome_arquivo_pdf_s : 13977000180200808_5879244.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
id : 7362391
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050587907489792
conteudo_txt : Metadados => date: 2018-07-01T12:20:01Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-07-01T12:20:01Z; Last-Modified: 2018-07-01T12:20:01Z; dcterms:modified: 2018-07-01T12:20:01Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2018-07-01T12:20:01Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-07-01T12:20:01Z; meta:save-date: 2018-07-01T12:20:01Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-07-01T12:20:01Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-07-01T12:20:01Z; created: 2018-07-01T12:20:01Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2018-07-01T12:20:01Z; pdf:charsPerPage: 1278; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-07-01T12:20:01Z | Conteúdo => S1C0T3 Fl. 2 1 1 S1C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13977.000180/200808 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1003000.004 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 05 de junho de 2018 Matéria SIMPLES NACIONAL Recorrente SWM TRANSPORTES E SERVIÇOS LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2008 SIMPLES NACIONAL. INÍCIO DE ATIVIDADE. INCLUSÃO RETROATIVA. PRAZO. O prazo para efetuar opção pelo Simples Nacional era de 10 dias contados do último deferimento de inscrição estadual ou municipal, respeitado o prazo de 180 dias da data de abertura constante do CNPJ, nos moldes do §§3º e 6º do art. 7º da Resolução CGSN nº 4/2007. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 7. 00 01 80 /2 00 8- 08 Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13977.000180/200808 Acórdão n.º 1003000.004 S1C0T3 Fl. 3 2 Tratase o presente processo de recurso voluntário contra acórdão de nº 07 27.623 da 4ª Turma da DRJ/FNS que manteve o indeferimento do pedido de inclusão retroativa ao Simples Nacional, em razão de perda de prazo. A Recorrente entrou com pedido de inclusão no Simples Nacional, aos 22/04/2008, alegando ter ocorrido equívoco na interpretação dos 180 dias (art 7º, parágrafo 6º da Resolução CGSN nº 04 de 30/05/2007). A Autoridade fiscal, através do Despacho Decisório SACAT DRF/BLU nº 490/2008, indeferiu o pedido de inclusão no Simples Nacional, com efeitos a contar de 27/02/2008. Na manifestação de inconformidade, a Recorrente informa que, em 20/04/2008, requereu a inclusão no Simples Nacional com efeitos a partir de 27/02/2008, data do registro do contrato social. Declara que não possui atividade vedada. Colacionou inscrição municipal, com início de atividade em 01/03/2008 e inscrição estadual em 15/03/2008. Afirmou que a opção pelo Simples Nacional foi indeferida em razão de ter sido apresentada fora do prazo constante no §3º, do art. 7º da Resolução CGSN nº 04 de 30/05/2007. Defende que, por se tratar de poucos dias de atraso, deve ser analisado o espírito da lei, visto que, em 01/09/2008 a Resolução foi alterada aumentado o prazo para realização da opção. Requereu, por fim, que a impugnação fosse acolhida. O acórdão recorrido considerou improcedente a manifestação de inconformidade sob o seguinte fundamento: (...) Consta do presente processo que a contribuinte procedeu com a inscrição municipal em 01/03/2008, com a inscrição estadual em 15/03/2008 e com inscrição nacional em 27/02/2008. Desta forma, o último deferimento de inscrição à requerente ocorreu em 15/03/2008, constituindose no marco temporal a partir do qual começou a fluir o prazo de dez dias para a solicitação de opção. Esta foi levada a efeito pelo contribuinte somente em 20/04/2008, logo extemporânea. Observase que, em que pese a atual redação do inciso I do § 3° do art. 7° da Resolução CGSN n° 4/2007 estabelecer prazo de 30 dias contados do Ultimo deferimento de inscrição para efetuar a opção pelo Simples Nacional, o artigo 2° da Resolução CGSN n° 41/2008 determina que esta alteração produz efeitos apenas a partir de 1° de janeiro de 2009, não abrangendo a situação da contribuinte. Desta forma, em não tendo a interessada procedido com o pedido de inclusão no Simples Nacional dentro do prazo estabelecido pelo Comitê Gestor do Simples Nacional, está correta a decisão em negar o pedido de inclusão. (...) Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13977.000180/200808 Acórdão n.º 1003000.004 S1C0T3 Fl. 4 3 Inconformada com o acórdão, a Recorrente apresentou recurso voluntário alegando com os mesmos fatos e fundamentos da manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo, visto que atende o prazo regulamentar estabelecido pelo Decreto 70.235/1972, art. 33. O acórdão recorrido destacou que a Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, revogou a Lei nº 9.317/96 (Simples Federal), e instituiu o Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional, assim dispondo em seu artigo 16, caput: Art. 16. A opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e empresa de pequeno porte darseá na forma a ser estabelecida em ato do Comitê Gestor, sendo irretratável para todo o ano calendário Na época da solicitação do pedido de inclusão no Simples vigorava a Resolução CGSN nº 4, de 30/05/2007, que, em seu art. 7º, estabelecia o seguinte: Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 3º No caso de início de atividade da ME ou EPP no ano calendário da opção, deverá ser observado o seguinte: I a ME ou a EPP, após efetuar a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), bem como obter a sua inscrição municipal e estadual, caso exigíveis, terá o prazo de até 10 (dez) dias, contados do último deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo Simples Nacional. § 6° A ME ou a EPP não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ, observados os demais requisitos previstos no inciso I do § 3° deste artigo. Segundo se depreende do artigo acima transcrito, a opção pelo Simples Nacional deverá ser realizada até o último dia do mês de janeiro, contudo, para empresas em início de atividade, para não ser aplicada essa limitação temporal, a legislação determina que elas terão 10 (dez) dias, contados do último deferimento para realizar sua inscrição, a qual terá efeitos a partir do cadastro no CNPJ , desde que observado o prazo de 180 (cento e oitenta) dias da data da abertura. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 13977.000180/200808 Acórdão n.º 1003000.004 S1C0T3 Fl. 5 4 Conforme alegações da Recorrente, seu pedido de opção pelo Simples Nacional, realizado no dia 20/04/2008, foi considerado inválido por decurso de prazo. Às fls. 09 e 10, verificase que a inscrição municipal do contribuinte ocorreu no dia 01/03/2008 e a inscrição estadual no dia 15/03/2008. A Recorrente destaca que deve ser utilizado o espírito da lei, visto se tratar de um pequeno atraso e, ademais, a Resolução nº 41, de 01/09/2008, alterou o inciso I do § 3º do art. 7º da Resolução acima destacada, aumentando o prazo de 10 (dez) para 30 (trinta) dias. Em que pese a alteração ocorrida através da Resolução nº 41, essa só produziu efeitos a partir de 01/01/2009. Ou seja, anteriormente a essa data, prevalecia a legislação anterior, cujo prazo era de 10 (dez) dias. O fato que deu permissão à realização de opção pelo Simples Nacional se deu, por estar em início de atividade, no dia 15/03/2008, visto ter sido essa a data da última inscrição. Nesta data, sequer existia a Resolução nº 41, que foi publicada apenas em 01/09/2008. Em razão disso, e em razão da necessidade de tratamento igualitário a todos os contribuintes, não há como considerar outra data para início da contagem. A Resolução nova, salvo expressa disposição que lhe confira retroatividade, não afetará a constituição ou a extinção da situação jurídica operadas pela lei antiga, isso porque a lei nova não pode atingir situações processuais já constituídas ou extintas sob a vigência de legislação anterior. Esse é exatamente o caso dos presentes autos, visto que a Resolução nº 41, de 01/09/2008, em seu artigo 2ª esclarece que as determinações e alterações na nova Resolução terá efeitos unicamente a partir de 01º de janeiro de 2009. Assim, no período do requerimento, o art. 7º, da Resolução CGSN nº 004/2007, acima citada, determinava que a opção pelo Simples Nacional deveria se operar no prazo de 10 (dez) dias contados da data do último deferimento de inscrição municipal e estadual, caso exigíveis, sendo que deverá restar observado o prazo de 180 (cento e oitenta) dias decorrido a partir da data de abertura constante do CNPJ. Desta forma, uma vez que o contribuinte não efetuou o pedido de inclusão no Simples Nacional dentro do prazo estabelecido no inciso I do § 3° do art. 7 da Resolução CGSN n° 4/2007, está correta a decisão em negar o pedido de inclusão no Simples Nacional de forma retroativa. Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário e, no mérito, NEGO PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 67DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.726474/2015-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/07/2012
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. VALE TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. PRECLUSÃO.
Quando o autuado deixa de impugnar expressamente determinada parcela incluída na base de cálculo do lançamento fiscal configura-se a preclusão da matéria, impossibilitando a sua apreciação pelo órgão julgador de segunda instância.
TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO.
O adicional do terço constitucional de férias possui natureza de retribuição pelo trabalho, integrando a remuneração e o salário-de-contribuição para fins de incidência da contribuição previdenciária.
MULTA QUALIFICADA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. NÃO COMPROVADOS. IMPOSSIBILIDADE QUALIFICAÇÃO.
De conformidade com a legislação tributária, especialmente artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c/c Sumula nº 14 do CARF, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), condiciona-se à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude da contribuinte. Assim não o tendo feito, não prospera a qualificação da penalidade, sobretudo quando a autoridade lançadora baseou-se em meras suposições sobre o tema no Relatório Fiscal.
MULTA DE OFÍCIO. CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF N° 02.
A argumentação sobre o caráter confiscatório da multa aplicada no lançamento tributário não escapa de uma necessária aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SOCIEDADE DE FATO.
As pessoas físicas que integram uma sociedade de fato respondem solidariamente pelo crédito tributário lavrado em nome do contribuinte, restando configurado o interesse comum no fato gerador da obrigação tributária.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INFRAÇÃO À LEI. ART. 135 DO CTN.
Caracteriza hipótese de infração à lei, nos termos do art. 135 do Código Tributário Nacional, a dissolução irregular da empresa em razão da constatação da sua inexistência no local indicado como endereço na base de dados do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica, legitimando a atribuição pela fiscalização do vínculo de responsabilidade solidária aos sócios que participam da gestão empresarial.
Numero da decisão: 2401-005.554
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso de ofício. No mérito, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer a responsabilidade solidária do sócio Renato Siqueira Caprini. Vencidos os conselheiros Rayd Santana Ferreira (relator), Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite, que negavam provimento ao recurso de ofício. Por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário. No mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Rayd Santana Ferreira (relator), Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite, que davam provimento parcial para excluir do lançamento os levantamentos CF - complemento de férias e VT - vale transporte, e a responsabilidade solidária do Sr. Roberto Siqueira Caprini. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess. - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2011 a 31/07/2012 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. VALE TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. PRECLUSÃO. Quando o autuado deixa de impugnar expressamente determinada parcela incluída na base de cálculo do lançamento fiscal configura-se a preclusão da matéria, impossibilitando a sua apreciação pelo órgão julgador de segunda instância. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. O adicional do terço constitucional de férias possui natureza de retribuição pelo trabalho, integrando a remuneração e o salário-de-contribuição para fins de incidência da contribuição previdenciária. MULTA QUALIFICADA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. NÃO COMPROVADOS. IMPOSSIBILIDADE QUALIFICAÇÃO. De conformidade com a legislação tributária, especialmente artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c/c Sumula nº 14 do CARF, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), condiciona-se à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude da contribuinte. Assim não o tendo feito, não prospera a qualificação da penalidade, sobretudo quando a autoridade lançadora baseou-se em meras suposições sobre o tema no Relatório Fiscal. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF N° 02. A argumentação sobre o caráter confiscatório da multa aplicada no lançamento tributário não escapa de uma necessária aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SOCIEDADE DE FATO. As pessoas físicas que integram uma sociedade de fato respondem solidariamente pelo crédito tributário lavrado em nome do contribuinte, restando configurado o interesse comum no fato gerador da obrigação tributária. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INFRAÇÃO À LEI. ART. 135 DO CTN. Caracteriza hipótese de infração à lei, nos termos do art. 135 do Código Tributário Nacional, a dissolução irregular da empresa em razão da constatação da sua inexistência no local indicado como endereço na base de dados do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica, legitimando a atribuição pela fiscalização do vínculo de responsabilidade solidária aos sócios que participam da gestão empresarial.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10830.726474/2015-51
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5894237
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2401-005.554
nome_arquivo_s : Decisao_10830726474201551.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RAYD SANTANA FERREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10830726474201551_5894237.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso de ofício. No mérito, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer a responsabilidade solidária do sócio Renato Siqueira Caprini. Vencidos os conselheiros Rayd Santana Ferreira (relator), Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite, que negavam provimento ao recurso de ofício. Por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário. No mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Rayd Santana Ferreira (relator), Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite, que davam provimento parcial para excluir do lançamento os levantamentos CF - complemento de férias e VT - vale transporte, e a responsabilidade solidária do Sr. Roberto Siqueira Caprini. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess. - Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
id : 7402511
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:25:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050587911684096
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 34; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2018; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.726474/201551 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 2401005.554 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 05 de junho de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrentes RAFAEL SIQUEIRA CAPRINI GRAFICOS EPP FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/07/2012 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. VALE TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. PRECLUSÃO. Quando o autuado deixa de impugnar expressamente determinada parcela incluída na base de cálculo do lançamento fiscal configurase a preclusão da matéria, impossibilitando a sua apreciação pelo órgão julgador de segunda instância. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. O adicional do terço constitucional de férias possui natureza de retribuição pelo trabalho, integrando a remuneração e o saláriodecontribuição para fins de incidência da contribuição previdenciária. MULTA QUALIFICADA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. NÃO COMPROVADOS. IMPOSSIBILIDADE QUALIFICAÇÃO. De conformidade com a legislação tributária, especialmente artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c/c Sumula nº 14 do CARF, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), condicionase à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude da contribuinte. Assim não o tendo feito, não prospera a qualificação da penalidade, sobretudo quando a autoridade lançadora baseou se em meras suposições sobre o tema no Relatório Fiscal. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF N° 02. A argumentação sobre o caráter confiscatório da multa aplicada no lançamento tributário não escapa de uma necessária aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 64 74 /2 01 5- 51 Fl. 723DF CARF MF Processo nº 10830.726474/201551 Acórdão n.º 2401005.554 S2C4T1 Fl. 3 2 penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SOCIEDADE DE FATO. As pessoas físicas que integram uma sociedade de fato respondem solidariamente pelo crédito tributário lavrado em nome do contribuinte, restando configurado o interesse comum no fato gerador da obrigação tributária. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INFRAÇÃO À LEI. ART. 135 DO CTN. Caracteriza hipótese de infração à lei, nos termos do art. 135 do Código Tributário Nacional, a dissolução irregular da empresa em razão da constatação da sua inexistência no local indicado como endereço na base de dados do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica, legitimando a atribuição pela fiscalização do vínculo de responsabilidade solidária aos sócios que participam da gestão empresarial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso de ofício. No mérito, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer a responsabilidade solidária do sócio Renato Siqueira Caprini. Vencidos os conselheiros Rayd Santana Ferreira (relator), Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite, que negavam provimento ao recurso de ofício. Por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário. No mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Rayd Santana Ferreira (relator), Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite, que davam provimento parcial para excluir do lançamento os levantamentos CF complemento de férias e VT vale transporte, e a responsabilidade solidária do Sr. Roberto Siqueira Caprini. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Fl. 724DF CARF MF Processo nº 10830.726474/201551 Acórdão n.º 2401005.554 S2C4T1 Fl. 4 3 (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess. Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier. Relatório RAFAEL SIQUEIRA CAPRINI GRAFICOS EPP, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 5a Turma da DRJ em Florianópolis/SC, Acórdão nº 0738.536/2016, às efls. 603/637, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal, concernente às contribuições previdenciárias devidas ao INSS, referente aos valores pagos aos trabalhadores empregados e contribuinte individual, em relação ao período de 01/2011 a 07/2012, conforme Relatório Fiscal, às fls. 116/135 e demais documentos que instruem o processo. De acordo com o Relatório Fiscal (REFISC), fls. 118135, tratase de procedimento iniciado em decorrência de informações encaminhadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil pelo Ministério Público Federal, em face do Procedimento Preparatório n° 001748.2010.15.000/205, da Procuradoria Regional do Trabalho da 15º Região – Campinas (anexo fls. 47115). A autoridade fiscal registra que em 15/04/2014 também emitiu o Termo de Início de Procedimento Fiscal junto a empresa J. CAPRINI GRÁFICA E EDITORA LTDA EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL, CNPJ nº 45.995.388/000146, com sede na Rua Manoel Marques Fernandes, 650, JD do Lago, Campinas/SP. A intimação foi atendida pelo procurador Sr. Antônio Gomes Pereira Filho, CPF 268.923.40849, que se apresentou também como procurador da empresa RAFAEL SIQUEIRA CAPRINI GRÁFICOS EPP. De acordo com a narrativa do REFISC, analisadas as informações contidas em documentos e arquivos apresentados pelo contribuinte, especialmente os arquivos magnéticos da folha de pagamento no formato do Manual de Arquivos Digitais – MANAD, corroborados com as informações registradas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (GFIP WEB, DIRF, GPS, DCG e RAIS), a fiscalização apurou divergências entre as remunerações declaradas na GFIP e aquelas registradas na folhas de pagamento, referentes aos seguintes fatos geradores: 1. Valores pagos, devidos ou creditados aos trabalhadores empregados que não foram declarados na GFIP nas competências 01/2011 a 12/2011 e 01/2012 a 07/2012. As remunerações apuradas estão discriminadas no ANEXO I. Fl. 725DF CARF MF Processo nº 10830.726474/201551 Acórdão n.º 2401005.554 S2C4T1 Fl. 5 4 2. A remuneração paga ou creditada ao contribuinte individual RAFAEL SIQUEIRA CAPRINI a título de pro labore, na qualidade de administrador, identificada nos arquivos digitais MANAD, que não foram declaradas na GFIP nas competências 01/2011 a 12/2011 e 01/2012 a 07/2012. Essas remunerações estão discriminadas no anexo II. 3. Valores pagos em pecúnia aos segurados empregados que foram identificados em rubricas da folha de pagamento, mas que não foram considerados como salário de contribuição: 0002 Abono STIG Campinas no período abrangido pelas competências 03/2011, 09/2011, 03/2012 a 07/2012; 0030 Prêmio por Tempo de Serviço no período abrangido pelas competências 01/2011 a 05/2012; 0031 Abono PLR STIG Proporcional no período abrangido pelas competências 01/2011 a 07/2012; 4908 Complemento de Férias no período abrangido pelas competências 01/2011, 05/2011, 08/2011 a 11/2011, 02/2012, 05/2012 e 07/2012. 4. Valores pagos em pecúnia, e, portanto, em desacordo com a legislação, a título de vale transporte, no período de 01/2011 a 04/2012. A autoridade lançadora esclareceu ainda que as importâncias pagas na conformidade da Lei a título de "Salário Família" e “Salário Maternidade" foram deduzidas das contribuições apuradas. Também foi deduzida da base de cálculo da Rubrica "1780 Vale transporte provento", a rubrica "5780 Vale transporte" descontado dos empregados conforme demonstrado no Anexo IV. Como resultado da ação fiscal foram formalizadas no presente processo administrativo fiscal as seguintes autuações: 1. Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) DEBCAD 51.075.5755, fls. 2346, consolidado em 11/11/2015, referente às contribuições devidas pela empresa à Seguridade Social, bem como aquelas destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), incidentes sobre a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados que prestaram serviços ao Autuado, nas competências 01/2011 a 07/2012, apurados nos seguintes levantamentos: AB – RUB ABONO STGI 002 CF RUBRICA COMPLEM FÉRIAS 4908 FP – BASE CALÇ FOLHA PAGTO PATRONAL PL – FP PRO LABORA PATRONAL PP – RUBR ABONO PLR STIG PROP 0031 PR – RUB PREMIO POR TEMP SERV 0030 VT – RUBRICA VALE TRANSP 1780 0580 2. Auto de Infração de Obrigação Principal (AI) DEBCAD 51.075.5739, fls. 0310, consolidado em 11/11/2015, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, que foram descontadas dos segurados, todavia não repassadas à Seguridade Social, e as devidas pelos segurados contribuintes individuais, que deixaram de ser retidas pela empresa. Referidas contribuições foram apuradas nos seguintes levantamentos: Fl. 726DF CARF MF Processo nº 10830.726474/201551 Acórdão n.º 2401005.554 S2C4T1 Fl. 6 5 FS – BC FOLHA DE PAGAMENTO SEGURADOS OS – FP PRO LABORE CONT SEGURADO, apuradas nas competências 01/2011 a 07/2012. 3. Auto de Infração de Obrigação Principal (AI) DEBCAD 51.075.5747, fls. 1422, consolidado em 11/11/2015, referente às contribuições previdenciárias dos segurados que não foram descontadas pela empresa, apuradas no levantamento AS – DIV RUBRICAS CONT SEG CALÇ, nas competências 01/2011 a 07/2012. Foi aplicada multa de ofício na forma qualificada (150%), porquanto a autoridade fiscal constatou, a partir de fatos apurados em depoimentos na Procuradoria do Trabalho, que a conduta praticada pela empresa se enquadra no conceito de fraude ou sonegação. Por derradeiro, com base nos depoimentos prestados na Procuradoria do Trabalho, a fiscalização atribuiu a responsabilidade tributária para as seguintes pessoas físicas e jurídicas: a) J. CAPRINI GRÁFICA E EDITORA LTDA (CNPJ nº 45.995.388/00014 46), por força do previsto no inciso I do art. 124 do CTN; b) RAFAEL SIQUEIRA CAPRINI (CPF 158.493.35854), sócio de fato da RAFAEL SIQUEIRA CAPRINI – EPP, fulcro no inciso III do art. 135 do CTN; c) ROBERTO SIQUEIRA CAPRINI (CPF 961.723.39834), sócio de fato da RAFAEL SIQUEIRA CAPRINI – EPP, fulcro no inciso III do art. 135 do CTN; d) RENATO SIQUEIRA CAPRINI (CPF 077.316.95808), fulcro no inciso III do art. 135 do CTN. Cita, ainda, que o simples fato de ser cominada multa qualificada já seria suficiente para acarretar a responsabilidade tributária aos administradores, fulcro no art. 135 do CTN. O contribuinte e os responsáveis solidários J. CAPRINI GRÁFICA E EDITORA LTDA, RAFAEL SIQUEIRA CAPRINI, RENATO SIQUEIRA CAPRINI E ROBERTO SIQUEIRA CAPRINI, regularmente intimados, apresentaram impugnação requerendo a decretação da improcedência do feito. Por sua vez, a 5ª Turma da DRJ em Florianópolis/SC entendeu por bem julgar procedente em parte o lançamento, exonerando parte do crédito tributário, por entender que não há elementos suficientes para a qualificação da multa de ofício, a reduzindo ao patamar base de 75%, bem como afastou a responsabilidade solidária da J. CAPRINI GRÁFICA E EDITORA LTDA. e RENATO SIQUEIRA CAPRINI, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão já citado, sintetizados na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/07/2012 SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. Fl. 727DF CARF MF Processo nº 10830.726474/201551 Acórdão n.º 2401005.554 S2C4T1 Fl. 7 6 Os pagamentos legalmente considerados como saláriode contribuição para fins previdenciários compõem a base de cálculo das contribuições devidas à Seguridade Social. DIVERGÊNCIAS. BASE DE CÁLCULO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. O registro de remuneração a maior na folha de pagamento que a declarada na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) evidencia a sonegação de contribuições previdenciárias, ensejando o lançamento das contribuições não recolhidas. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. IMPROCEDÊNCIA. As contribuições não recolhidas no prazo legal ficam sujeitas à multa de ofício de 75% e a taxa de juros SELIC conforme determina a legislação em vigor. A qualificação da multa de ofício para 150% somente pode ocorrer quando a autoridade fiscal provar de modo inconteste, por meio de documentação acostada aos autos, o dolo por parte do contribuinte, condição imposta pela lei. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2011 a 31/07/2012 RECURSO ESPECIAL REPETITIVO. VINCULAÇÃO DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. A Secretaria da Receita Federal do Brasil não constituirá os créditos tributários relativos às matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, com exceção daquelas que ainda possam ser objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. ENDEREÇO PARA CIÊNCIA POSTAL. PREVISÃO LEGAL. A legislação vigente determina que as intimações devem ser endereçadas ao domicílio eleito pelo sujeito passivo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2011 a 31/07/2012 RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA. DIRETORES E MANDATÁRIOS DA PESSOA JURÍDICA. PROVAS DE ATO PRATICADO COM INFRAÇÃO A LEI. Deve ser afastada a responsabilidade pessoal dos mandatários, prepostos, empregados, diretores, gerentes ou representantes de Fl. 728DF CARF MF Processo nº 10830.726474/201551 Acórdão n.º 2401005.554 S2C4T1 Fl. 8 7 pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias, quando não restar comprovado que são resultantes de atos praticados com infração a lei, nos termos do art. 135 do Código Tributário Nacional. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. AUSÊNCIA DE CARACTERIZAÇÃO. Deve ser afastada a responsabilidade solidária quando não restarem comprovado o interesse comum (Art. 124, I, do CTN) ou a existência do grupo econômico de fato (inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991). Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em observância ao disposto no artigo 34 do Decreto nº 70.235/72 e alterações introduzidas pelas Leis nºs 8.748/1993 e 9.532/97, c/c a Portaria MF nº 03/2008, a autoridade julgadora de primeira instância recorreu de ofício da decisão encimada, que declarou improcedente o lançamento fiscal. Regularmente intimado e inconformado com a Decisão recorrida, o autuado e RAFAEL SIQUEIRA CAPRINI e ROBERTO SIQUEIRA CAPRINI, apresentaram Recurso Voluntário em conjunto, às efls. 655/671, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, repisa as alegações da impugnação, insurgindo pela ausência de responsabilidade das pessoas físicas, destacando que a simples condição de sócio não implica na sua responsabilização pelas obrigações tributárias da empresa, assim como, não basta ter poderes de gestão, sendo necessário que a obrigação tributária resulte de ato praticado com excesso de poderes. Afirma que em momento algum a autoridade fazendária apontou quais fatos foram praticados e muito menos as pessoas que os praticaram, devendo ser afastada a responsabilidade. Ademais, com relação ao Sr. Roberto Siqueira Caprini alega que a decisão de piso afastou a responsabilidade solidária da pessoa jurídica J. CAPRINI GRÁFICA E EDITORA LTDA. em recuperação judicial, empresa da qual o Sr. Roberto é integrante do quadro societário, assim, uma vez afastada a responsabilidade da pessoa jurídica, deve ser afastada também a responsabilidade da pessoa física, citando a Súmula 430 do STJ. Argumentam que é absurda a imposição da multa de ofício em 150%, ainda que reduzida ao patamar de 75%, devido a suposta prática de fraude e sonegação fiscal, uma vez que a autoridade fiscal tomou por base simples depoimento do antigo contador da empresa perante a Procuradoria Regional do Trabalho da 15ª Região, defendendo que tal instrumento probatório não pode, por si só, embasar uma medita tão extrema. Discorrem, ainda, com fundamento no art. 150, V, da Constituição Federal, que a multa aplicada possui caráter confiscatório. Fl. 729DF CARF MF Processo nº 10830.726474/201551 Acórdão n.º 2401005.554 S2C4T1 Fl. 9 8 Insurgese quando a inclusão indevida de verbas indenizatórias na base de cálculo das contribuições previdenciárias, discorrendo quanto o aspecto material da regra matriz de incidência da contribuições previdenciária, concluindo que é ilegal a inclusão das seguintes verbas de natureza indenizatória em sua base de cálculo: Terço constitucional de férias; Aviso prévio indenizado; Auxílio doença/acidente 15 (quinze) primeiros dias. Tratam sobre cada uma dessas verbas, alegando que não são alcançadas pela contribuição previdenciária, citando que esse é o entendimento fixado pelo Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do Resp 1.230.957RS, sob o regime do artigo 543C do Código de Processo Civil. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar os Autos de Infração, tornandoos sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator RECURSO DE OFÍCIO Presente o pressuposto de admissibilidade, em razão do crédito desonerado se encontrar sob o manto do limite de alçada, conheço do recurso de ofício e passo a análise da matéria posta nos autos. Os Autos de Infração em epígrafe tem como origem divergências apuradas no cotejo entre a folha de pagamento apresentada no meio digital pelo contribuinte fiscalizado (padrão MANAD) e as remunerações que foram informadas na GFIP. As divergências apuradas, que se serviram de base de cálculo das contribuições lançadas, encontrase discriminadas nos anexos I, II, III e IV, fls. 157431. Como se infere da impugnação, os impugnantes se insurgem contra a aplicação da multa qualificada em 150%, a atribuição de responsabilidade solidária da J. Caprini Gráfica e Editora Ltda. e a responsabilidade pessoal do titular Rafael Siqueira Caprini, e dos sócios da J. Caprini Gráfica e Editora Ltda., os Srs. Renato Siqueira Caprini e Roberto Siqueira Caprini pelo crédito lançado. Por sua vez, a 5ª Turma da DRJ em Florianópolis/SC entendeu por bem julgar procedente em parte o lançamento, exonerando parte do crédito tributário, por entender que não há elementos suficientes para a qualificação da multa de ofício, a reduzindo ao patamar base de 75%, bem como afastou a responsabilidade solidária da J. CAPRINI GRÁFICA E EDITORA LTDA. e RENATO SIQUEIRA CAPRINI. Fl. 730DF CARF MF Processo nº 10830.726474/201551 Acórdão n.º 2401005.554 S2C4T1 Fl. 10 9 Feita as considerações acima, passamos a analise dos pontos específicos: DA MULTA QUALIFICADA Preambularmente, cumpre transcrever a legislação que fundamentou a exigência da multa no presente lançamento de ofício: Lei nº 9.430, de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Como se vê, a multa de 75%, prevista no inciso I, acima transcrito, é objetiva e independe da culpa ou dolo do agente. O artigo 136 do Código Tributário Nacional assim diz: Art. 136 Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Contudo, a multa qualificada de 150%, em atendimento ao que disciplina o §1º, art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, poderá ser aplicada somente nos casos previstos nos art. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, 1964, que têm a seguinte redação: Art. 71 Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72 Fraude é toda ação ou omissão, dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou deferir o seu pagamento. Fl. 731DF CARF MF Processo nº 10830.726474/201551 Acórdão n.º 2401005.554 S2C4T1 Fl. 11 10 Art. 73 – Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos no art. 71 e 72. A sonegação pode se dar em razão de uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe sempre a intenção de causar dano à fazenda pública, um propósito deliberado de se subtrair, no todo ou em parte, a uma obrigação tributária. Na sonegação sempre existe o dolo, um comportamento intencional, específico, de causar dano à fazenda pública. Para ser enquadrado neste conceito, basta o contribuinte agir com dolo na desobediência da lei fiscal. A sonegação impede a apuração da obrigação tributária principal diante da ocultação de bens ou de fatos jurídicos à incidência fiscal (fato gerador já realizado) enquanto na figura da fraude a ação ou omissão visa escamotear o pagamento do imposto devido reduzilo, evitálo ou retardálo. Depreendese dos dispositivos acima transcritos que para aplicação da multa qualificada deve existir o elemento fundamental de caracterização que é o evidente intuito de fraudar ou de sonegar. Ainda de acordo com os dispositivos legais acima transcritos, impõese à autoridade lançadora a observância dos parâmetros e condições básicas previstas na legislação de regência em casos de imputação da multa qualificada, que somente poderá ser levada a efeito quando àquela estiver convencida do cometimento do crime (dolo, fraude ou sonegação), devendo, ainda, relatar todos os fatos de forma pormenorizada, possibilitando ao contribuinte a devida análise da conduta que lhe está sendo atribuída e, bem assim, ao procurador de que o delito efetivamente praticado. Em outras palavras, não basta a indicação da conduta dolosa, fraudulenta, a partir de meras presunções e/ou subjetividades, impondo a devida comprovação por parte da autoridade fiscal da intenção prédeterminada do contribuinte, demonstrada de modo concreto, sem deixar margem a qualquer dúvida, visando impedir/retardar o recolhimento do tributo devido. Este entendimento, aliás, encontrase sedimentado no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, conforme se extrai dos julgados com suas ementas abaixo transcritas: MULTA AGRAVADA – Fraude – Não pode ser presumida ou alicerçada em indícios. A penalidade qualificada somente é admissível quando factualmente constatada as hipóteses de fraude, dolo ou simulação. (8ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes – Acórdão n° 10807.561, Sessão de 16/10/2003) (grifamos) MULTA QUALIFICADA – NÃO CARACTERIZAÇÃO – Não tendo sido comprovada de forma objetiva o resultado do dolo, da fraude ou da simulação, descabe a qualificação da penalidade de ofício agravada. (2ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes – Acórdão n° 10245.625, Sessão de 21/08/2002) MULTA DE OFÍCIO – AGRAVAMENTO – APLICABILIDADE – REDUÇÃO DO PERCENTUAL – Somente deve ser aplicada a Fl. 732DF CARF MF Processo nº 10830.726474/201551 Acórdão n.º 2401005.554 S2C4T1 Fl. 12 11 multa agravada quando presentes os fatos caracterizadores de evidente intuito de fraude, como definido nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, fazendose a sua redução ao percentual normal de 75%, para os demais casos, especialmente quando se referem à infrações apuradas por presunção. (8ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes – Acórdão n° 10807.356, Sessão de 16/04/2003) (grifamos) Na esteira desse raciocínio, ratificando posicionamento pacífico do então 1º Conselho de Contribuintes, o CARF consagrou de uma vez por todas o entendimento acima alinhavado, editando a Súmula nº 14, determinando que: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a QUALIFICAÇÃO da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo Pois bem. Com mais especificidade, a DRJ competente, ora guerreada, em síntese, achou por bem rechaçar a pretensão fiscal, afastando a qualificação da multa por não considerar comprovada a fraude ou concluiu, adotando os seguintes fundamentos, in verbis: Verificase, portanto, que a única possibilidade de enquadramento do caso nas hipóteses previstas na Lei nº 9.430, de 1996, art. 44, §1º, é a sua subsunção à descrição legal de sonegação. Entretanto, não há nos autos prova material de que o contribuinte tenha intentado dolosamente impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. Do mesmo modo, não restou comprovada a fraude ou o conluio, de forma a atrair a incidência da qualificadora. De plano, ressalto minha total aquiescência com os fundamentos e argumentos da 6° Turma da DRJ de Florianópolis, pois, ao meu ver, para aplicar a multa qualificada é necessária a prova da evidente intenção de sonegar ou fraudar, condição imposta pela lei. A prova deve ser material, pois o evidente intuito de sonegação não pode ser presumido. Não basta a prova da falta de recolhimento da contribuição devida, tampouco meros indícios; é necessária que estejam perfeitamente identificadas e comprovadas a circunstância material do fato, com vistas a configurar o evidente intuito de sonegar, relativamente a cada fato gerador do imposto. No caso em concreto, a autoridade lançadora fundamentou a exigência da multa de ofício no patamar de 150% nos seguintes termos: 17No curso da presente fiscalização, restou inequivocamente demonstrado que a fiscalizada: a) Deixou de incluir em GFIP as remunerações pagas, devidas ou creditadas a todos os trabalhadores empregados e à sócia administradora, conforme especificado no item "8"; 18 Depoimentos na Procuradoria do Trabalho Os procedimentos adotados pelas empresas fiscalizadas são inequivocamente identificados a partir da leitura dos depoimentos prestados pelo Sr. Antônio Gomes Pereira Filho, CPF 268.923.40849 contador da empresa, e pelo Sr. Roberto Siqueira Caprini, CPF 961.723.39834, sócio Fl. 733DF CARF MF Processo nº 10830.726474/201551 Acórdão n.º 2401005.554 S2C4T1 Fl. 13 12 administrador da JCAPRINI GRAFICA E EDITORA LTDA EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL, no dia 17/02/2011 na Procuradoria Regional do Trabalho da 15a Região em Campinas, anexados ao presente processo no arquivo denominado "processo 001748 2010 15 000 2 05", que não deixam qualquer dúvida quanto ao intuito das ações realizadas, caracterizadas pelo evidente intuito de fraude, mediante ação dolosa tendente a impedir a ocorrência do fato gerador de obrigações tributárias principais. Salientase que todo procedimento descrito pelo contador da empresa foi confirmado pelo sócio administrador, tendo este inclusive acrescentado outros fatos. 19 Tais fatos nos fazem concluir que a conduta praticada pela empresa fiscalizada se enquadra no conceito de fraude e de sonegação, na medida em que revela todo o percurso que resulta na falta de recolhimento de tributos e de contribuições previdenciárias mediante omissão de informações. Desta forma demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo se enquadra nas hipóteses definidas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4502, de 1964, o lançamento de ofício será efetuado com qualificação da multa, correspondente ao percentual de 75% duplicado em decorrência do previsto nos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4502, de 30 de novembro de 1964, independente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. 20 No presente caso, o dolo, elemento subjetivo do tipo qualificado tributário ou do tipo penal, está presente quando a consciência e a vontade do agente para prática da conduta (positiva ou omissiva) exsurgem da omissão de informações e cometimentos de fraudes que tiveram por escopo, iniludivelmente, impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador e de suas circunstâncias materiais, necessárias a sua mensuração. 21 Diante do exposto, a multa de oficio foi duplicada, resultando em uma multa qualificada de "150%", conforme previsto no parágrafo 1o do artigo 44, inciso. I da Lei n° 9.430/96, com as alterações promovidas pela Lei n° 11.488/07. Como se observa, a fundamentação para a qualificação da multa de ofício foi colhida exclusivamente dos fatos apurados pelo Ministério Público do Trabalho – Procuradoria Regional do Trabalho da 15º Região, no Procedimento Preparatório nº 001748.2010.15.000/205, cuja cópia integra o presente processo administrativo fiscal, às fls. 47115. O procedimento preparatório foi autuado em 27/10/2010 e nele constam como investigados J Caprini Gráfica e Editora Ltda e Rafael Siqueira Caprini Gráficos EPP. O procedimento teve como origem a denúncia dos seguintes fatos em relação ao denunciado J Caprini Gráfica e Editora (Editora Ideal): a) jornada de trabalho de 12 horas diárias, de segunda a sábado, com uma hora de intervalo para almoço; b) que os salários são pagos com atraso; c) que não são registrados, pelo fato da empresa alegar que prestam serviços como free lance; d) que recebem salário inferior a outros funcionários da empresa e e) que prestam serviços por determinado período depois são dispensados. Fl. 734DF CARF MF Processo nº 10830.726474/201551 Acórdão n.º 2401005.554 S2C4T1 Fl. 14 13 Na audiência realizada em 17/02/2011, compareceu o Sr. Roberto Siqueira Caprini, na condição de procurador da empresas João Batista Santos Fernandes Campinas EPP e Rafael Siqueira Caprini Gráficos EPP. Inicialmente, foi determinada pela autoridade condutora do procedimento a correção da autuação para constar o nome das empresas Rafael Siqueira Caprini Ltda. EPP, e deferido prazo para que o Sr. Roberto Siqueira Caprini anexasse aos autos cópia de procuração das empresas João Batista Santos Fernandes Campinas EPP e Rafael Siqueira Caprini Gráficos EPP. Consta que referidas procurações foram apresentadas por força de nova intimação do MPT, conforme se vê às fls. 107 a 109. Na seqüência da audiência, prestou depoimento o Sr. Antonio Gomes Pereira Filho, contador, que relatou, dentre outros, fatos que indicam que a empresa João Batista dos Santos Fernandes EPP teria sido constituída no ano de 1999 com o objetivo de registrar uma parte dos funcionários da J Caprini na nova empresa, objetivando, dessa forma, a redução de pagamentos de impostos, notadamente de contribuições previdenciárias, já que na modalidade de EPP a empresa é isenta do pagamento da previdência patronal. O depoente afirmou, ainda, que este fato ocorria até aquela data, ou seja, que a J Caprini continuava a registrar seus segurados na empresa João Batista dos Santos Fernandes EPP. Com efeito, o contador relatou diversos fatos que mostram que a empresa João Batista dos Santos Fernandes EPP, na realidade, é gerenciada pela J Caprini, e, além disso, fatos relacionados aos trabalhadores vinculados à J Caprini (remuneração, jornada, contrato, etc), os quais não se fazem necessários pormenorizar no presente voto. O Sr. Paulo Roberto Siqueira Caprini, sócio proprietário da J Caprini, também prestou depoimento, onde confirmou os fatos narrados pelo contador Antonio Gomes Pereira Filho, além de esclarecer ao Ministério Público do Trabalho que: (...) o depoente é sócio dos irmãos RENATO e RAFAEL SIQUEIRA na empresa intitulada RAFAEL SIQUEIRA CAPRINI GRÁFICOS EPP; que referida empresa mantém 300 empregados contratados; que o depoente é detentor de 45% desta empresa, que seu irmão RENATO possui 45% e seu irmão RAFAEL possui apenas 10%, ressaltando que todo o empreendimento encontrase apenas em nome de RAFAEL SIQUEIRA CAPRINI; que a J CAPRINI pertence ao depoente, seu irmão RENATO e seu pai ALDOINO, na forma do contrato social; que todos os rendimentos da empresa do Sr. JOÃO BATISTA é destinado à J CAPRINI; que a J CAPRINI remunera todos os empregados da empresa do sr. João Batista; que a J CAPRINI não paga os valores descritos na nota emitida mensalmente emitida pelo Sr. João Batista; que o Sr. João Batista recebe R$ 3.000,00 por mês para que sejam feitas essas transações, independentemente do salário contratado. Vale ressaltar que o inquérito civil é uma investigação administrativa prévia, presidida pelo Ministério Público, que se destina basicamente a colher elementos de convicção para que o próprio órgão ministerial possa identificar se ocorreu lesão ou ameaça de lesão a interesses e direitos metaindividuais, com vistas à propositura de ação civil, nos termos dos 8º e 9º da Lei nº 7.347/85. O inquérito civil contém peças e informações colhidas por agente Fl. 735DF CARF MF Processo nº 10830.726474/201551 Acórdão n.º 2401005.554 S2C4T1 Fl. 15 14 público, no exercício de munus público. Logo, os fatos apurados têm força probante, nos termos do art. 405 do novo CPC1: Art. 405. O documento público faz prova não só da sua formação, mas também dos fatos que o escrivão, o chefe de secretaria, o tabelião ou o servidor declarar que ocorreram em sua presença. Há que se assinalar, ainda, que os denunciados na referida investigação têm conhecimento de todas as provas contidas naquele procedimento. Os fatos que foram registrados nos depoimentos colhidos dos Termos acima transcritos indicam que as empresas J Caprini Gráfica e Editora Ltda. e João Batista Santos Fernandes Campinas EPP, na época da apuração daqueles fatos, compunham um grupo econômico de fato. O sócio Roberto Siqueira Caprini figura, aparentemente, como o responsável por toda a organização do grupo, inclusive por meio de procurações obtidas dos demais integrantes. Também há indícios fortes de simulação na contratação de empregados pela empresa João Batista Santos Fernandes Campinas EPP, que, na realidade, tratamse de empregados da J Caprini Gráfica e Editora Ltda. O único liame estabelecido entre as referidas empresas com a empresa ora autuada, foi a afirmação por parte de Roberto Siqueira Caprini, de que seria sócio de fato da ora autuada, Rafael Siqueira Caprini Gráficos EPP. Todavia, em que pese a validade de tais provas, os presente autos tratam do lançamento de contribuições sociais previdenciárias devidas pela empresa Rafael Siqueira Caprini Gráficos EPP, cujos fatos geradores consistem em divergências constantes na remuneração registrada nas folhas de pagamento apresentadas pelo contribuinte à fiscalização, e as remunerações por ele declaradas na GFIP. Tratase, como se vê, de omissão de fatos geradores na GFIP, todavia, não restou comprovado, como a requer a legislação, as situações ao art. 71 ou 73, relativamente aos fatos geradores lançados, para justificar a aplicação da multa qualificada. Os fatos relatados no procedimento junto ao Ministério Público Tributário não repercutiram em sonegação das contribuições previdenciárias, mediante sonegação ou fraude, especificamente com relação aos fatos geradores apurados nos lançamentos em epígrafe, junto a empresa Rafael Siqueira Caprini Gráficos EPP, que decorrem de verificação de divergências entre a folha de pagamento/contabilidade e a remuneração dos trabalhadores a serviço da empresa, declarada na GFIP, ou seja, de omissão de contribuições. Assim, embora não se discuta que as provas citadas pela fiscalização, colhidas em outro processo de natureza administrativa, possam servir de indícios para a caracterização de fraude, dolo ou simulação, por si sós, não fazem provas de que tais circunstâncias se verificaram em relação aos fatos geradores ora em apreço. A fiscalização, em momento algum, refere que os segurados alcançados pelos lançamentos em epígrafe, não estavam registrados no próprio sujeito passivo ou que houve fraude na sua contratação, como se verificava com os trabalhadores contratados pela empresa Fl. 736DF CARF MF Processo nº 10830.726474/201551 Acórdão n.º 2401005.554 S2C4T1 Fl. 16 15 de João Batista Santos Fernandes Campinas EPP, que na realidade estavam subordinados à J Caprini Gráfica e Editora Ltda., para se valer de uma tributação simplificada. Em caso como esse, de qualificação da multa, é necessário que se traga aos autos elementos fáticos e prova documental que tornem indubitáveis a existência dolo em relação aos fatos geradores alcançados pelo lançamento. É imprescindível a análise da questão e o correto enquadramento jurídico dos fatos, com submissão à previsão abstrata da legislação, ou seja, se a presente situação se aplica o disposto no art. 44, I, parágrafo primeiro, da Lei nº 9.430, de 1996. Nesse sentido, o Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que disciplina o processo administrativo fiscal, e dá outras providências, assim dispõe: Art. 9º A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Notese que o legislador ordinário exige que o crédito tributário seja instruído com todos os elementos de provas admitidos à comprovação do ilícito, o que, como dito alhures, restou prejudicado no presente caso. Por amor a clareza, reitero a multa exigida nos Autos de Infração DEBCAD 51.075.5755, 51.075.5739 e 51.075.5747, deve ser reduzida ao patamar de 75%. DO GRUPO ECONÔMICO DE FATO Como é de conhecimento daqueles que lidam com o direito tributário, a solidariedade previdenciária/tributária é legal e obriga os sujeitos passivos do fato gerador da contribuição da seguridade social, desde que suas regras sejam corretamente aplicadas e o procedimento fiscal regularmente conduzido. Nesse sentido, os artigos 121, 124 e 128 do Código Tributário Nacional, assim prescrevem: Art. 121 Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo Único O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direita com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Art.124 São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; Fl. 737DF CARF MF Processo nº 10830.726474/201551 Acórdão n.º 2401005.554 S2C4T1 Fl. 17 16 II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo Único A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Art.128 Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. Por sua vez, a Lei nº 6.404/76, igualmente, oferece proteção ao entendimento da autoridade fiscal, ao conceituar Grupo Econômico em seus artigos 265 e 267, nos seguintes termos: Art. 265 A sociedade controladora e suas controladas podem constituir, nos termos deste Capítulo, grupo de sociedades, mediante convenção pela qual se obriguem a combinar recursos ou esforços para a realização dos respectivos objetos, ou a participar de atividades ou empreendimentos comuns. § 1º A sociedade controladora, ou de comando do grupo, deve ser brasileira, e exercer, direta ou indiretamente, e de modo permanente, o controle das sociedades filiadas, como titular de direitos de sócio ou acionista, ou mediante acordo com outros sócios ou acionistas. § 2º A participação recíproca das sociedades do grupo obedecerá ao disposto no artigo 244. Art. 267 O grupo de sociedades terá designação de que constarão as palavras "grupo de sociedades" ou "grupo". Parágrafo Único Somente os grupos organizados de acordo com este Capítulo poderão usar designação com as palavras "grupo" ou "grupo de sociedade". Em outra via, o § 2º, do artigo 2º da CLT, ao tratar da matéria, estabelece o seguinte: Art. 2º Considerase empregador a empresa individual ou coletiva, que, assumindo os riscos de atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviços. § 1º [...] § 2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. Com mais especificidade, em relação aos procedimentos a serem observados pelos Auditores fiscais da RFB ao promoverem o lançamento, notadamente quando tratarse de Fl. 738DF CARF MF Processo nº 10830.726474/201551 Acórdão n.º 2401005.554 S2C4T1 Fl. 18 17 caracterização de Grupo Econômico, o artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91, não deixa dúvida quanto a matéria posta nos autos, recomendando a manutenção do feito, in verbis: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: [...] IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta lei; Por seu turno, especialmente na esfera trabalhista, a doutrina contempla alguns limites e requisitos/pressupostos para a caracterização do grupo econômico de fato, estabelecendo características basilares de maneira a nortear os trabalhos desenvolvidos neste sentido, como se extrai do excerto de uma dessas obras abaixo transcrita, objetivando melhor estudo do caso, in verbis: o grupo de empresas deve ser inicialmente caracterizado como fenômeno de concentração, incompatível com o individualismo, mas perfeitamente consentâneo com a sociedade pluralista, a que corresponde o capitalismo moderno. Ao contrário da fusão e da incorporação que constituem a concentração na unidade, o grupo exterioriza a concentração na pluralidade. Particulariza se, entre os demais de sua espécie, por ser composto de entidades autônomas, submetido o conjunto à unidade de direção. (In Magano. Otávio Bueno – “Os Grupos de Empresas no Direito do Trabalho” – São Paulo. Ed. Revista dos Tribunais, 1979, pag. 305’) (grifamos) No presente caso, não se pode negar que nos Autos de Informação junto ao Ministério Público do Trabalho, levantaramse fatos que corroboram com a tese da fiscalização, de que existe grupo econômico de fato integrado pela ora autuada e a empresa J CAPRINI GRÁFICA E EDITORA LTDA. Também poderia ter sido incluído no mesmo grupo a empresa JOÃO BATISTA SANTOS FERNANDES CAMPINAS EPP. Destarte, grande parte dos fatos narrados pelo depoente, que poderiam servir a caracterização do grupo econômico, tais como localização, dependência econômica, dizem respeito à J Caprini e João Batista dos Santos. O único fato levantado, respeitante à ora autuada, consta do depoimento de Roberto Siqueira Caprini, que reconheceu ser sócio de fato da Rafael Siqueira Caprini Gráficos EPP. Em que pese se tratar de indício da configuração do grupo econômico, tal fato por si só, é insuficiente para a apuração da responsabilidade solidária. Não restou demonstrado nos autos, para fins de caracterização da responsabilidade solidária com relação aos fatos geradores apurados nos lançamentos em exame, a existência de um liame inequívoco entre a atividades desempenhada pelos integrantes do grupo econômico, ou seja, que as empresas tem apenas aparência de unidades autônomas, enquanto que a atuação, na realidade, é complementar. Também não restou evidenciada a Fl. 739DF CARF MF Processo nº 10830.726474/201551 Acórdão n.º 2401005.554 S2C4T1 Fl. 19 18 confusão patrimonial, a vinculação gerencial, a coincidência de sócios e administradores, enfim, o abuso da forma entre as empresas integrantes do agrupamento. Portanto, em que pese o início de prova material colhido pela fiscalização, entendo que não restou devidamente caracterizada a responsabilidade solidária capitulada no art. 124, I, do CTN, quando há interesse comum. Do mesmo modo, não vieram aos autos provas concludentes para atrair a aplicação do art. 30, IX, da Lei nº 8.212/91a Lei nº 8.212, de 1991. Neste diapasão, deve ser mantida incólume a decisão recorrida, que afastou a responsabilidade solidária da J.CAPRINI GRÁFICA E EDITORA LTDA. RESPONSABILIDADE DO SR. RENATO SIQUEIRA CAPRINI A responsabilidade de terceiro pressupõe duas normas autônomas, a regra matriz de incidência tributária e a regra matriz de responsabilidade tributária, cada um com seu pressuposto de fato e seu sujeitos próprios, e, nos casos de responsabilidade tributária por atos ilícitos, o auto de lançamento deve descrever, de forma direta e objetiva, a conduta do agente e a norma de incidência. No que tange a regra da limitação da responsabilidade dos sócios da pessoa jurídica, trazse a coleção a doutrina de Hugo de Brito Machado: É importante notarse que a responsabilidade dos sócios gerentes, diretores e administradores de sociedades, nos termos do art. 135, III do CTN, é por obrigações resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Poderseia, assim, sustentar que a obrigação, pela qual respondem, há de ser resultante de atos irregularmente praticados. O próprio nascimento da obrigação tributária já teria de ser em decorrência de atos irregulares. (MACHADO, Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário, 22ª ed. Malheiros, São Paulo, 2003. Pois bem! Com relação a Renato Siqueira Caprini, tratase de sócios da J. Caprini Gráfica e Editora Ltda., e a responsabilidade solidária a ele atribuída têm por base o art. 124, I, do CTN, porque os sócios e administradores que podem vir a ser incluídos no pólo passivo da relação jurídico tributária, com fundamento no art. 135, III, do CTN, são aqueles constantes ou designados, no caso do administrador, no contrato social ou nos estatutos da sociedade. Dito isto, ao analisar os autos, inexiste qualquer elemento que vincule referida pessoa à autuada, não servindo como prova cabal o depoimento prestado por Roberto Siqueira Caprini. Ou seja, o Sr. Renato Assim, de acordo com o estabelecido pelo art. 142 do CTN, de que o crédito tributário deve ser constituído em face do sujeito passivo da obrigação, logo, para imputálo também a outras pessoas, que não o sujeito passivo, é preciso comprovar, de forma Fl. 740DF CARF MF Processo nº 10830.726474/201551 Acórdão n.º 2401005.554 S2C4T1 Fl. 20 19 contundente, os elementos necessários à formação do grupo econômico. Nesse sentido, manifestase o Conselheiro Igor Araújo Soares, em artigo que analisa o tema. A necessidade de autuação clara e precisa da fiscalização encontra fundamento, ainda, no próprio Código de Processo Civil, no art. 333, I, que impõe ao autor o ônus em comprovar fato constitutivo de seu direito, no caso, o direito de crédito, bem como da condição de responsável solidário de qualquer pessoa física ou jurídica que venha a ser considerada como devedora dos cofres públicos. [...]O que há de se concluir, dessa forma, é a necessidade de constarem dos autos – especialmente do relatório fiscal, onde se deve pormenorizar toda a fundamentação de fato e de direito que irá sustentar a imposição da solidariedade pelo Fisco – a precisa demonstração das provas consideradas como aptas a determinar a unidade de comando estratégico. Na esteira desse entendimento, não se pode cogitar em irregularidade na decisão levada a efeito pelo julgador de primeira instância, porquanto agiu da melhor forma, com estrita observância da legislação de regência, reconhecendo a improcedência do crédito tributário nos termos encimados. Por todo o exposto, estando à decisão de primeira instância em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO DE OFÍCIO E NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo o decisum recorrido em sua integralidade, pelas razões de fato e de direito acima ofertadas. RECURSO VOLUNTÁRIO Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DAS PESSOAS FÍSICAS A fiscalização imputou responsabilidade pelos créditos tributários ora exigidos para as seguintes pessoas físicas: Rafael Siqueira Caprini, Renato Siqueira Caprini e Roberto Siqueira Caprini. De acordo com o REFISC, a responsabilidade foi imputada com base nos seguintes motivos: 26.8 O inciso III do art. 135 do CTN estabelece que os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Já no Termo de Sujeição Passiva Solidária (fls. 476477, 486487 e 492493), os fatos apontados para a responsabilidade das referidas pessoas são os mesmos registrados para a caracterização do interesse comum entre a empresa Rafael Siqueira Caprini Gráficos e a J. Caprini Gráfica Ltda. em recuperação judicial, bem como indicou os como fundamentos legais, o art. 124, do CTN e o art. 30, Inciso IX, da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 741DF CARF MF Processo nº 10830.726474/201551 Acórdão n.º 2401005.554 S2C4T1 Fl. 21 20 A responsabilidade de terceiro pressupõe duas normas autônomas, a regra matriz de incidência tributária e a regra matriz de responsabilidade tributária, cada um com seu pressuposto de fato e seu sujeitos próprios, e, nos casos de responsabilidade tributária por atos ilícitos, o auto de lançamento deve descrever, de forma direta e objetiva, a conduta do agente e a norma de incidência. No que tange a regra da limitação da responsabilidade dos sócios da pessoa jurídica, trazse a coleção a doutrina de Hugo de Brito Machado: É importante notarse que a responsabilidade dos sócios gerentes, diretores e administradores de sociedades, nos termos do art. 135, III do CTN, é por obrigações resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Poderseia, assim, sustentar que a obrigação, pela qual respondem, há de ser resultante de atos irregularmente praticados. O próprio nascimento da obrigação tributária já teria de ser em decorrência de atos irregulares. (MACHADO, Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário, 22ª ed. Malheiros, São Paulo, 2003. Pois bem! Com relação a Roberto Siqueira Caprini, tratase de sócio da J. Caprini Gráfica e Editora Ltda., e a responsabilidade solidária a ele atribuída têm por base o art. 124, I, do CTN, porque os sócios e administradores que podem vir a ser incluídos no pólo passivo da relação jurídico tributária, com fundamento no art. 135, III, do CTN, são aqueles constantes ou designados, no caso do administrador, no contrato social ou nos estatutos da sociedade. O Sr. Roberto Siqueira Caprini admitiu no Processo junto ao MPT que é sócio de fato da ora autuada. Seus interesses se alinham com os do contribuinte fiscalizado, ao confessar ser sócio de fato da Rafael Siqueira Gráficos EPP. Assim, estabeleceuse o liame entre referida pessoa física e os fatos geradores ocorridos na pessoa jurídica da qual é sócio de fato. Podese dizer que possui um interesse jurídico com os fatos geradores, porque os lucros auferidos na empresa da qual é sócio de fato, que são aumentados na medida em que se verificou a omissão no recolhimento de contribuições previdenciárias, são direta ou indiretamente imputados ao sócio de fato. Ademais disso, a procuração constante dos autos do inquérito civil, outorgou poderes específicos ao Sr. Roberto Siqueira Caprini para representar a ora Autuada no procedimento junto ao Ministério Público do Trabalho, tratandose de mais um indício da participação da referida pessoa, como sócio de fato, da Autuada Rafael Siqueira Caprini Gráficos EPP. Assim, é evidente o interesse do sócio de fato nos resultados da Rafael Siqueira Caprini, e, portanto, encontrase alcançado pela responsabilidade prevista no inciso I do art. 124 do CTN. Ao que se percebe a fundamentação para inclusão do sócio no pólo passivo do presente lançamento deuse, sobretudo, pela indicação do mesmo possuir interesse comum Fl. 742DF CARF MF Processo nº 10830.726474/201551 Acórdão n.º 2401005.554 S2C4T1 Fl. 22 21 na ocorrência do fato gerador, de modo que deveria o ilustre fiscal autuante, sob pena, inclusive do cerceamento de defesa, ter demonstrado a contento quais os motivos que o levaram a concluir, in casu, pela ocorrência de interesse comum, nos termos da legislação. Ocorre que, ao meu ver, não restou caracterizado a ocorrência do interesse comum, senão vejamos: A autoridade julgadora de primeira instância usou dos seguintes fundamentos, in verbis: (...) Já com relação ao Sr. Roberto Siqueira Caprini, também deve ser mantida a responsabilidade tributária, porquanto o imputado admitiu no Processo junto ao MPT que é sócio de fato da ora autuada. Seus interesses se alinham com os do contribuinte fiscalizado, ao confessar ser sócio de fato da Rafael Siqueira Gráficos EPP. Assim, estabeleceuse o liame entre referida pessoa física e os fatos geradores ocorridos na pessoa jurídica da qual é sócio de fato. Podese dizer que possui um interesse jurídico com os fatos geradores, porque os lucros auferidos na empresa da qual é sócio de fato, que são aumentados na medida em que se verificou a omissão no recolhimento de contribuições previdenciárias, são direta ou indiretamente imputados ao sócio de fato. Ademais disso, a procuração constante dos autos do inquérito civil, outorgou poderes específicos ao Sr. Roberto Siqueira Caprini para representar a ora Autuada no procedimento junto ao Ministério Público do Trabalho, tratandose de mais um indício da participação da referida pessoa, como sócio de fato, da Autuada Rafael Siqueira Caprini Gráficos EPP. Assim, é evidente o interesse do sócio de fato nos resultados da Rafael Siqueira Caprini, e, portanto, encontrase alcançado pela responsabilidade prevista no inciso I do art. 124 do CTN.(...) Primeiramente cabe esclarecer que o simples fato de ter o Sr. Roberto admitido ao MPT ser sócio da autuada, não é suficiente para demonstrar o interesse comum com o fato gerador. Da mesma forma, não se sustenta o argumento de que como sócio estabeleceuse um liame com os fatos geradores, uma vez que os lucros, aumentados na medida que verificouse a omissão, são direta ou indiretamente imputados aos sócios, pois o lucro é interesse inerente ao negócio da empresa e não ao fato gerador, em especialmente se tratando da responsabilidade solidária. Quanto a procuração com poderes especificos ao Sr. Roberto para representar a autuada no procedimento junto ao MPT, tratase apenas de um indicio da participação da pessoa como sócio na empresa, em nada caracterizando o interesse comum na situação que constituiu o fato gerador. Fl. 743DF CARF MF Processo nº 10830.726474/201551 Acórdão n.º 2401005.554 S2C4T1 Fl. 23 22 Portanto, por não restar comprovado o interesse comum ao fato gerador, de fato a inclusão do sócio de fato no pólo passivo da presente autuação, carece de fundamento jurídico de validade, a teor do disposto no art. 142 do CTN. No que pertine ao Sr. Rafael Siqueira Caprini, melhor sorte não o acompanha, pois a fiscalização relata a ocorrência de infração a lei, nos seguintes termos: Com efeito, Rafael Siqueira Caprini é o titular da ora autuada, e a fiscalização apurou que tal empresa inexiste no local indicado como endereço na base de dados do CNPJ, procedendo a representação para a inaptidão do CNPJ da referida pessoa jurídica Observase ter sido a empresa dissolvida irregularmente, fato que atrai a responsabilidade pessoal do titular da empresa. Corroborando com este entendimento, citese a Súmula 435 do Superior Tribunal de Justiça: Presumese dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sóciogerente Assim, restando caracterizado o interesse quanto ao fato gerador do tributo, estando evidente o interesse do sócio de fato nos resultados da Rafael Siqueira Caprini, portanto, encontrandose alcançado pela responsabilidade prevista no inciso I do art. 124 do CTN. DAS VERBAS INDENIZATÓRIAS De acordo com a narrativa do Auditor Fiscal, analisadas as informações contidas em documentos e arquivos apresentados pelo contribuinte, especialmente os arquivos magnéticos da folha de pagamento no formato do Manual de Arquivos Digitais – MANAD, corroborados com as informações registradas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (GFIP WEB, DIRF, GPS, DCG e RAIS), a fiscalização apurou divergências entre as remunerações declaradas na GFIP e aquelas registradas na folhas de pagamento, referentes aos seguintes fatos geradores: Valores pagos em pecúnia aos segurados empregados que foram identificados em rubricas da folha de pagamento, mas que não foram considerados como salário de contribuição: 0002 Abono STIG Campinas no período abrangido pelas competências 03/2011, 09/2011, 03/2012 a 07/2012; 0030 Prêmio por Tempo de Serviço no período abrangido pelas competências 01/2011 a 05/2012; 0031 Abono PLR STIG Proporcional no período abrangido pelas competências 01/2011 a 07/2012; 4908 Complemento de Férias no período abrangido pelas competências 01/2011, 05/2011, 08/2011 a 11/2011, 02/2012, 05/2012 e 07/2012. Valores pagos em pecúnia, e, portanto, em desacordo com a legislação, a título de vale transporte, no período de 01/2011 a 04/2012. Fl. 744DF CARF MF Processo nº 10830.726474/201551 Acórdão n.º 2401005.554 S2C4T1 Fl. 24 23 Por sua vez o contribuinte, insurgese quando a inclusão indevida de verbas indenizatórias na base de cálculo das contribuições previdenciárias, discorrendo quanto o aspecto material da regra matriz de incidência da contribuições previdenciária, concluindo que é ilegal a inclusão das seguintes verbas de natureza indenizatória em sua base de cálculo: Terço constitucional de férias; Aviso prévio indenizado; Auxílio doença/acidente 15 (quinze) primeiros dias. Tratam sobre cada uma dessas verbas, alegando que não são alcançadas pela contribuição previdenciária, citando que esse é o entendimento fixado pelo Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do Resp 1.230.957RS, sob o regime do artigo 543C do Código de Processo Civil. Pois bem! O artigo 28, inciso I, da Lei nº 8.212, de 1991, define o saláriode contribuição, base de cálculo da contribuição previdenciária para o empregado e trabalhador avulso, como sendo o total da remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, da convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. Já o inciso III, define o salário de contribuição para o segurado contribuinte individual, como sendo a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo do salário de contribuição. A mesma lei define expressamente no §9º do art. 28 quais pagamentos não integram o salário de contribuição. Conseqüentemente, a contribuição previdenciária sobre os pagamentos não excepcionados no citado parágrafo tem respaldo na legislação em vigor e deve ser regularmente recolhida pelo sujeito passivo dessa exação. Feita essas considerações, para uma melhor didática, iremos analisar cada um dos levantamentos: Levantamento CF Complemento de férias Consoante se infere da alínea “d” do parágrafo 9º do art. 28, da Lei nº 8.212, de 1991, as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT não se sujeitam a incidência de contribuição previdenciária. Fl. 745DF CARF MF Processo nº 10830.726474/201551 Acórdão n.º 2401005.554 S2C4T1 Fl. 25 24 § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente:(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). No entanto, a rubrica gratificação adicional de férias alcançada pelo lançamento constituiu base de cálculo da contribuição previdenciária. A jurisprudência majoritária deste Eg. CARF, dos Tribunais Superiores e a melhor doutrina sobre a matéria comungam do mesmo entendimento de que o pagamento de adicional constitucional de férias pela empresa (ou gratificação compulsória), ainda que o contrato de trabalho esteja em vigor, possui finalidade de permitir um reforço financeiro neste período (férias), sendo concedidas para o trabalho, e não, pelo trabalho. Sobre a finalidade do adicional de férias e a sua natureza, importantes são as lições extraídas do voto do I. Ministro Eros Grau no Agravo Regimental no Recurso Extraordinário nº 389.903: Quanto à questão relativa à percepção do abono de férias e à incidência da contribuição previdenciária, a jurisprudência deste Tribunal afirmou que a garantia de recebimento de, pelo menos, um terço a mais do que o salário normal no gozo das férias anuais (CB, artigo 7º, XVII) tem por finalidade permitir ao trabalhador “reforço financeiro neste período (férias)” [RE n. 345.458, Relatora a Ministra Ellen Gracie, DJ de 11.3.05], o que significa dizer que a sua natureza é compensatória/indenizatória. Como se vê, o Eg. Supremo Tribunal Federal já decidiu que o adicional de 1/3 de férias, previsto no art. 7º, inciso XVII, da CF/88, possui natureza indenizatória, por se constituir como um reforço financeiro ao trabalhador que se encontra em férias e, conforme o entendimento daquele E. Tribunal, não é possível a incidência da contribuição previdenciária sobre este adicional por não se incorporar ao salário do empregado. Nesse sentido, vejase a ementa do seguinte julgado: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL INCIDENTE SOBRE O TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. IMPOSSIBILIDADE. Somente as parcelas incorporáveis ao salário do servidor sofrem a incidência da contribuição previdenciária. Agravo regimental a que se nega provimento (AIAgR nº 603.537, 2ª Turma, Relator Min. Eros Grau, DJ 30/03/2007) No julgamento do Recurso Especial nº 1.230.957/RS, relatado pelo Min. Mauro Campbell Marques, sob a sistemática de recurso repetitivo prevista no art. 543C, do Fl. 746DF CARF MF Processo nº 10830.726474/201551 Acórdão n.º 2401005.554 S2C4T1 Fl. 26 25 CPC, o Eg. STJ, em harmonia com o entendimento do Eg. STF, assentou o entendimento de que: Em relação ao adicional de férias concernentes às férias gozadas, tal importância possui natureza indenizatória/compensatória, e não constitui ganho habitual do empregado, razão pela qual sobre ela não é possível a incidência de contribuição previdenciária (a cargo da empresa). A Primeira Seção/STJ, no julgamento do AgRg nos EREsp 957.719/SC (Rel. Min. Cesar Asfor Rocha, DJe de 16.11.2010), ratificando entendimento das Turmas de Direito Público deste Tribunal., adotou a seguinte orientação: ‘Jurisprudência das Turmas que compõem a Primeira Seção desta Corte consolidada no sentido de afastar a contribuição previdenciária do terço de férias também de empregados celetistas contratados por empresas privadas (grifamos) O julgamento do Recurso Especial nº 1.230.957/RS, acima destacado, define entendimento no sentido de que o adicional de férias possui a natureza indenizatória e não se incorpora ao salário do trabalhador; a verba relativa ao adicional de férias não se presta a remunerar um serviço prestado ou do tempo é efetuado sem habitualidade, já que realizado somente por ocasião do gozo das férias pelo empregado, e não mensalmente, o que afasta a incidência da contribuição previdenciária prevista no art. 195, inc. I, alínea “a”, da CF/88. Desde modo, deve ser afastada a contribuição previdenciária sobre a rubrica em questão. Levantamento VT Vale transporte pago em pecúnia Ao promover o lançamento, o ilustre fiscal autuante constatou que a empresa concede vale transporte em pecúnia aos segurados empregados, o que malfere a legislação de regência, caracterizando, portanto, como remuneração (salário indireto), no entendimento da fiscalização. Em suas razões recursais, apesar de não se manifestar especificamente quanto a rubrica, ao questionar a natureza indenizatória dos levantamentos levados afeitos nos DEBCADs em questão, abarcou referido tema. Não sendo o bastante para se considerar impugnado o referido tema, é imprescindível observar o princípio economia processual, haja vista o julgado pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do Recurso Extraordinário n° 478.410/2010 sobre a matéria. Afora a vasta discussão a propósito da matéria, deixaremos de abordar a legislação de regência ou mesmo adentrar a questão da natureza/conceituação de aludida verba, uma vez que o Supremo Tribunal Federal afastou qualquer dúvida quanto ao tema, reconhecendo a sua natureza indenizatória, ainda que pago em pecúnia, nos autos do Recurso Extraordinário n° 478.410/SP, consoante se positiva do Acórdão assim ementado: EMENTA: RECURSO EXTRORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO Fl. 747DF CARF MF Processo nº 10830.726474/201551 Acórdão n.º 2401005.554 S2C4T1 Fl. 27 26 TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido é padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de vales transporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento. Por sua vez, é cediço que aludida decisão transitou em julgado desde 02/03/2012, fazendo incidir, por conseguinte, o permissivo regimental constante do artigo 62, parágrafo único, inciso I, do RICARF, nos seguintes termos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993(g.n) Fl. 748DF CARF MF Processo nº 10830.726474/201551 Acórdão n.º 2401005.554 S2C4T1 Fl. 28 27 Assim, tornase plenamente viável o acolhimento da pretensão da contribuinte, reconhecendo a natureza indenizatória do ValeTransporte, na forma que o STF decidiu, diante da definitividade de tal decisão. Encampando o entendimento acima, o Pleno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais entendeu por bem aprovar a Súmula CARF n° 89, afastando qualquer dúvida quanto a matéria, reconhecendo a natureza indenizatória das verbas pagas a título de Vale Transporte, mesmo em pecúnia, in verbis: Súmula CARF nº 89: A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia. Partindo dessas premissas, diante da definitividade da decisão do STF a propósito do tema, c/c a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, que já vem acolhendo o entendimento do Pretório Excelso, corroborada definitivamente pela Súmula CARF n° 89, impõese a esta Corte Administrativa adotar a jurisprudência mansa e pacífica dos nossos Tribunais Superiores, provendo o pleito da contribuinte no sentido de reconhecer a natureza indenizatória da verba em comento, ainda que paga em pecúnia, em observância, inclusive, aos artigos 62, inciso I, e 72, e parágrafos, do RICARF, sobretudo em face da economia processual, evitando demandas despiciendas no âmbito Judicial. Demais levantamentos Consoante se infere dos dispositivos legais e fundamentos constantes do REFISC, não resta dúvida que os valores pagos ou creditados devem integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias, uma vez que considerados salário de contribuição, na forma descrita pelo Sr. Fiscal, se enquadrando perfeitamente no conceito de salário de contribuição, inscrito nos artigos 22, inciso I, c/c artigo 28, inciso I, da Lei nº 8.212/91, que assim prescrevem: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo Fl. 749DF CARF MF Processo nº 10830.726474/201551 Acórdão n.º 2401005.554 S2C4T1 Fl. 29 28 tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; Nessa toada, tendo o contribuinte concedido a seus segurados empregados e contribuintes individuais gratificação ajustada, não há que se falar em não incidência de contribuições previdenciárias sobre referidas verbas, por se caracterizarem como salário de contribuição, impondo a manutenção do feito. No que tange a jurisprudência trazida à colação pelo recorrente, mister elucidar, com relação às decisões exaradas pelo Judiciário, que os entendimentos nelas expresso sobre a matéria ficam restritos às partes do processo judicial, não cabendo a extensão dos efeitos jurídicos de eventual decisão ao presente caso, até que nossa Suprema Corte tenha se manifestado em definitivo a respeito do tema. Em relação a manifestação do contribuinte quanto ao aviso prévio indenizado e auxílio doença, é de se ter em mente que não foram lançados, no presente auto de infração, contribuições incidentes sobre as referidas verbas. Destarte, o contribuinte poderá pleitear a restituição/compensação das contribuições que aduz se tratar de recolhimentos indevidos, mediante pleito próprio de restituição ou compensação, onde deverá comprovar a existência de créditos decorrentes de recolhimento indevido. Quanto às demais alegações do contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, uma vez não serem capazes de ensejar a reforma da decisão recorrida, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente rechaçadas pelo julgador de primeira instância. Assim, escorreita a decisão recorrida devendo nesse sentido ser mantido o lançamento, uma vez que a contribuinte não logrou infirmar os elementos colhidos pela Fiscalização que serviram de base para constituição do crédito previdenciário, atraindo pra si o ônus probandi dos fatos alegados. Não o fazendo razoavelmente, não há como se acolher a sua pretensão. DA MULTA DE OFÍCIO ABUSIVA/CONFISCATÓRIA Argumentam que é absurda a imposição da multa de ofício em 150%, ainda que reduzida ao patamar de 75%, devido a suposta prática de fraude e sonegação fiscal, uma vez que a autoridade fiscal tomou por base simples depoimento do antigo contador da empresa perante a Procuradoria Regional do Trabalho da 15ª Região, defendendo que tal instrumento probatório não pode, por si só, embasar uma medita tão extrema. Discorrem, ainda, com fundamento no art. 150, V, da Constituição Federal, que a multa aplicada possui caráter confiscatório. Na análise dessa razão, não se pode perder de vista que o lançamento da multa por descumprimento de obrigação de pagar o tributo é operação vinculada, que não comporta emissão de juízo de valor quanto à agressão da medida ao patrimônio do sujeito passivo, haja vista que uma vez definido o patamar da sua quantificação pelo legislador, fica vedado ao aplicador da lei ponderar quanto a sua justeza, restandolhe apenas aplicar a multa no quantum previsto pela legislação. Cumprindo essa determinação a autoridade fiscal, diante da ocorrência da falta de pagamento do tributo, fato incontestável, aplicou a multa no patamar fixado na Fl. 750DF CARF MF Processo nº 10830.726474/201551 Acórdão n.º 2401005.554 S2C4T1 Fl. 30 29 legislação, conforme muito bem demonstrado no Discriminativo do Débito, em que são expressos os valores originários a multa e os juros aplicados no lançamento. Além do mais, salvo casos excepcionais, é vedado a órgão administrativo declarar inconstitucionalidade de norma vigente e eficaz. Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria CARF n.º 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre a alegação de inconstitucionalidade da multa aplicada, uma vez que o fisco tão somente utilizou os instrumentos legais de que dispunha para efetuar o lançamento. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração, sub examine, em consonância parcial com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE: a) CONHECER DO RECURSO DE OFÍCIO e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO; b) CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO para: NO MÉRITO, DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO, para: excluir do lançamento os levantamentos CF Complemento de férias e VT Vale transporte; bem como a responsabilidade solidária do Sr. Roberto Siqueira Caprini, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira. Voto Vencedor Conselheiro Cleberson Alex Friess Redator Designado Peço vênia ao I. Relator para discordar de seu voto, especificamente nas matérias a seguir detalhadas. a) Vínculo de responsabilidade: Renato Siqueira Caprini e Roberto Siqueira Caprini De acordo com os Termos de Sujeição Passiva, a fiscalização atribuiu a responsabilidade tributária solidária às pessoas físicas com fundamento no inciso I do art. 124 e inciso III do art. 135, ambos do Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 751DF CARF MF Processo nº 10830.726474/201551 Acórdão n.º 2401005.554 S2C4T1 Fl. 31 30 Os documentos que instruem o processo administrativo fiscal contêm uma cópia do depoimento prestado pelo Sr. Roberto Siqueira Caprini ao Ministério Público do Trabalho, no curso do Procedimento Preparatório nº 001748.2010.15.000/205, em que afirmou os seguintes fatos (fls. 62/63): (...) o depoente é sócio dos irmãos RENATO e RAFAEL SIQUEIRA na empresa intitulada RAFAEL SIQUEIRA CAPRINI GRÁFICOS EPP; que referida empresa mantém 300 empregados contratados; que o depoente é detentor de 45% desta empresa, que seu irmão RENATO possui 45% e seu irmão RAFAEL possui apenas 10%, ressaltando que todo o empreendimento encontrase apenas em nome de RAFAEL SIQUEIRA CAPRINI; que a J CAPRINI pertence ao depoente, seu irmão RENATO e seu pai ALDOINO, na forma do contrato social; que todos os rendimentos da empresa do Sr. JOÃO BATISTA é destinado à J CAPRINI; que a J CAPRINI remunera todos os empregados da empresa do sr. João Batista; que a J CAPRINI não paga os valores descritos na nota emitida mensalmente emitida pelo Sr. João Batista; que o Sr. João Batista recebe R$ 3.000,00 por mês para que sejam feitas essas transações, independentemente do salário contratado. Em meu ponto de vista o depoimento prestado pelo Sr. Roberto Siqueira Caprini é prova da existência de uma sociedade de fato, desde o seu nascimento, constituída pelos irmãos Renato Siqueira Caprini, Roberto Siqueira Caprini e Rafael Siqueira Caprini, cuja atividade empresarial, perante os órgãos de controle, era declarada intencionalmente como exercida unicamente pelo último irmão em nome próprio, na condição de empresário individual, com a denominação de Rafael Siqueira Caprini Gráficos EPP, ora autuada (fls. 535/536). Cuidase de declaração de livre vontade, ausente qualquer vício de consentimento, não havendo razão para duvidar que representa a pura verdade sobre a sociedade familiar, produzindo efeitos por si só. Na verdade, Renato Siqueira Caprini e Roberto Siqueira Caprini já mantinham outros laços societários para o desempenho de atividades empresariais semelhantes, com gestão e composição por membros da mesma família. No mesmo termo de depoimento antes reproduzido, a pessoa física também ressaltou a constituição da pessoa jurídica denominada de J Caprini Gráfica e Editora Ltda, na qual os dois irmãos, juntamente com o pai, integravam a sociedade empresária na forma do contrato social. Muito embora o sócio Roberto Siqueira Caprini figure, aparentemente, como o responsável pela organização da sociedade de fato, inclusive recebendo procuração, as circunstâncias são indicativas de uma gestão empresarial conjunta com o irmão Renato Siqueira Caprini, ambos possuindo 45% de participação na sociedade, restando 10% para o terceiro irmão, Rafael Siqueira Caprini, que é o titular da Rafael Siqueira Caprini Gráficos EPP. Na sociedade em comum não personificada, como é a hipótese em apreço, as pessoas físicas que compõem a empresa são responsáveis solidária e ilimitadamente pelas Fl. 752DF CARF MF Processo nº 10830.726474/201551 Acórdão n.º 2401005.554 S2C4T1 Fl. 32 31 obrigações sociais (art. 990 do Código Civil, veiculado pela Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002). No âmbito tributário, a pessoa física sócia de fato que exerce a gestão empresarial responde solidariamente com a pessoa jurídica, posto que fica evidenciada uma confusão patrimonial, que justifica a existência de interesse comum alinhado com a empresa na situação que configura o fato gerador das contribuições previdenciárias (art. 124, inciso I, do CTN). De mais a mais, a dissolução irregular configura uma hipótese da responsabilidade de que trata o art. 135 do CTN, conforme enunciado da Súmula nº 435 do Superior Tribunal de Justiça (STJ): Presumese dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sóciogerente. Segundo alerta a decisão de piso, a fiscalização comunicou a ocorrência de infração à lei, porquanto apurou que a autuada deixou de existir no local indicado como endereço na base de dados do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), sem a devida comunicação aos órgãos competentes, tendo a autoridade fiscal, por tais motivos, procedido à representação para a declaração de inaptidão da inscrição fiscal. No caso concreto, a conduta equivalente à dissolução irregular não pode ser imputada tão somente ao titular da ora autuada, Rafael Siqueira Caprini, mas também aos demais componentes da sociedade não personificada, Renato Siqueira Caprini e Roberto Siqueira Caprini, os quais não podem ser considerados alheios à participação na gestão empresarial. Desse modo, cabe manter o vínculo de responsabilidade solidária atribuído pelo agente lançador a Renato Siqueira Caprini, Roberto Siqueira Caprini e Rafael Siqueira Caprini. b) VT Valetransporte De acordo com os autos, os devedores protocolaram impugnação conjunta no dia 29/01/2016 (fls. 508/526). Ao discorrer sobre a ilegalidade da inclusão de verbas de natureza indenizatória na base de cálculo do lançamento fiscal, a petição inicial limitouse ao terço constitucional de férias, aviso prévio indenizado e auxíliodoença nos primeiros quinze dias de afastamento. De tal maneira que não houve contestação ao valetransporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba, razão pela qual o acórdão de primeira instância deixou de enfrentar a matéria. A interposição do recurso voluntário transfere ao órgão de segunda instância o reexame da matéria decidida pelo acórdão de primeira instância. Destarte, salvo questão de Fl. 753DF CARF MF Processo nº 10830.726474/201551 Acórdão n.º 2401005.554 S2C4T1 Fl. 33 32 ordem pública, o recurso não remete à instância recursal o conhecimento de matéria não contestada expressamente quando da impugnação do lançamento. Nesse sentido, confirase o art. 17 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Ainda que objeto de súmula deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tratase de matéria preclusa, considerada não impugnada e, portanto, não apreciável pela segunda instância. Nada obstante, a falta de apreciação no processo administrativo fiscal, tendo em vista a preclusão da matéria, não impede que a unidade da RFB responsável pela liquidação e execução do acórdão adote as providências para a regularização do crédito tributário relativo a valores pagos em dinheiro a título de valetransporte, consoante Ato Declaratório PGFN nº 4, de 31/03/2016. c) CF Complemento de férias Assim como o pagamento do período de férias usufruídas pelo trabalhador, o respectivo acréscimo de um terço no montante devido, com base no inciso XVII do art. 7º da Carta Política de 1988, é destinado a retribuir o trabalho, integrando a remuneração e o salário decontribuição para fins de incidência da contribuição previdenciária. A respeito da base de cálculo da contribuição previdenciária do segurado empregado, prescreve a Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (...) § 2º Não integram a remuneração as parcelas de que trata o § 9º do art. 28. (...) Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a Fl. 754DF CARF MF Processo nº 10830.726474/201551 Acórdão n.º 2401005.554 S2C4T1 Fl. 34 33 qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (...) Não há dúvidas que a definição da base imponível pela lei ordinária é abrangente, não ficando limitada aos valores pagos em decorrência do trabalho efetivamente prestado (contraprestação), mas sim ao conceito de remuneração como retribuição pelo trabalho, que justifica a incidência da tributação, inclusive, nas hipóteses de parcelas recebidas quando do afastamento por férias, descanso semanal, enfim, nas hipóteses de interrupção do contrato do trabalho. Por sua vez, o § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, não incluiu no rol das exclusões do saláriodecontribuição a parcela recebida pelo trabalhador a título do adicional do terço de férias. Tanto é assim que o § 4º do art. 214 do Regulamento da Previdência Social (RPS), veiculado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, faz expressa alusão à incidência da contribuição previdenciária. Confirase: Art. 214. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 4º A remuneração adicional de férias de que trata o inciso XVII do art. 7º da Constituição Federal integra o saláriode contribuição. (...) É certo, por outro lado, que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) possui jurisprudência consolidada no sentido da não incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração do terço constitucional de férias gozadas, dada a sua natureza indenizatória/compensatória, segundo o que foi decidido no Recurso Especial (REsp) nº 1.230.957/RS, julgado na sistemática dos recursos repetitivos. Ocorre que houve o sobrestamento dos efeitos da decisão, devido ao reconhecimento de repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal (STF), cujo paradigma é o Recurso Extraordinário (RE) nº 593.068/SC, o qual trata da contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias, a gratificação natalina, os serviços extraordinários, o adicional noturno e o adicional de insalubridade. Com efeito, o REsp nº 1.230.957/RS foi sobrestado pelo Tema 163/STF, conforme decisão da VicePresidência do STJ, em 25/07/2015 (Tema/Repetitivo 479). Além disso, a natureza jurídica do terço constitucional de férias, indenizadas e gozadas, para fins de incidência da contribuição previdenciária patronal, foi reputada Fl. 755DF CARF MF Processo nº 10830.726474/201551 Acórdão n.º 2401005.554 S2C4T1 Fl. 35 34 constitucional, reconhecida a existência de repercussão geral no RE nº 1.072.485/PR, que está pendente de julgamento (Tema 985/STF). Como se observa, a questão em apreço foi elevada ao nível constitucional, não havendo decisão definitiva, devendose aguardar a deliberação da mais alta Corte deste país, de maneira que não se impõe a vinculação dos conselheiros ao decidido no REsp nº 1.230.957/RS, tendo em conta a redação do § 2º do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, e suas alterações posteriores: Art. 62 (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (destaquei) Dessa feita, ao integrar os conceitos de remuneração e o saláriode contribuição do trabalhador, cabe manter na base de cálculo do lançamento fiscal o pagamento a título de adicional do terço constitucional de férias. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer a responsabilidade solidária do sócio Renato Siqueira Caprini. Quanto ao recurso voluntário dos devedores, negolhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 756DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.904414/2012-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 14/12/2007
ATO ADMINISTRATIVO. MOTIVAÇÃO SUCINTA. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO E DO DIREITO DE DEFESA.
Decisão sucinta não é sinônimo de decisão imotivada, como já decidido pelo STF em sede de repercussão geral (AI 791.292). Inexistência de nulidade do despacho decisório que negou a compensação realizada pelo contribuinte. Inexistência de cerceamento de defesa.
Numero da decisão: 3402-005.486
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 14/12/2007 ATO ADMINISTRATIVO. MOTIVAÇÃO SUCINTA. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO E DO DIREITO DE DEFESA. Decisão sucinta não é sinônimo de decisão imotivada, como já decidido pelo STF em sede de repercussão geral (AI 791.292). Inexistência de nulidade do despacho decisório que negou a compensação realizada pelo contribuinte. Inexistência de cerceamento de defesa.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10875.904414/2012-16
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5890397
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3402-005.486
nome_arquivo_s : Decisao_10875904414201216.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : DIEGO DINIZ RIBEIRO
nome_arquivo_pdf_s : 10875904414201216_5890397.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
dt_sessao_tdt : Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
id : 7388153
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050587926364160
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1441; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 61 1 60 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10875.904414/201216 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402005.486 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2018 Matéria IPI Recorrente ITALBRONZE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 14/12/2007 ATO ADMINISTRATIVO. MOTIVAÇÃO SUCINTA. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO E DO DIREITO DE DEFESA. Decisão sucinta não é sinônimo de decisão imotivada, como já decidido pelo STF em sede de repercussão geral (AI 791.292). Inexistência de nulidade do despacho decisório que negou a compensação realizada pelo contribuinte. Inexistência de cerceamento de defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 44 14 /2 01 2- 16 Fl. 58DF CARF MF 2 1. Por bem retratar os fatos aqui debatidos, utilizo como meu o relatório desenvolvido pela DRJ de Ribeirão Preto (acórdão n. 1444.371 fls. 45/47), o que faço nos seguintes termos: Trata o presente de manifestação de inconformidade contra o Despacho decisório que não homologou a compensação do débito declarado, por falta de direito creditório contra a Fazenda Nacional, em razão de constar nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, que o alegado recolhimento indevido já tinha sido utilizado integralmente para quitação de outros débitos do contribuinte. Tempestivamente o interessado manifestou sua inconformidade tecendo várias alegações de nulidade, na medida que o Despacho denegatório não teria fundamentação, teria se desviado de sua finalidade e cerceado sua defesa No mérito, afirma que foi desrespeitado o princípio da verdade material e que seu direito creditório estaria amparado em declaração de inconstitucionalidade, cuja ação teria transitado em julgado. (...). 2. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo sobredito acórdão, o qual restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 14/12/2007 NULIDADES. As causas de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal são somente aquelas elencadas na legislação de regência. O Despacho Decisório devidamente fundamentado é regularmente válido. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. 3. Devidamente intimado, o contribuinte interpôs recurso voluntário de fls. 53/55, oportunidade em que continuou alegando que despacho decisório seria nulo, porque carente de motivação, o que, por seu turno, implicaria em cerceamento de defesa por parte do recorrente. 4. É o relatório. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10875.904414/201216 Acórdão n.º 3402005.486 S3C4T2 Fl. 62 3 Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 5. O Recurso Voluntário interposto preenche os pressupostos formais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. I. Da pretensa ausência de motivação do despacho decisório e suposta ofensa ao direito de defesa do contribuinte 6. Como visto ao longo do recurso voluntário interposto, o contribuinte se apega ao pretenso fundamento de que o despacho decisório que redundou na não homologação da compensação por ele perpetrada seria carente de motivação. Assim, mister se faz neste instante destacar a motivação do aludido despacho, a qual segue abaixo transcrita: 7. Embora sucinto, o despacho é claro em apontar o motivo para não homologar o crédito do contribuinte: o pretenso crédito apontado pelo contribuinte teria sido utilizado para a quitação de outros débitos para com a Receita Federal do Brasil. Aliás, precisando tal assertiva, o citado despacho aponta que tal crédito teria sido utilizado para o pagamento de n. 4273445081, com código n. 5123, referente a processo administrativo apresentado em 31/11/2007. Tais informações são suficientes para identificar o débito para o qual o "crédito" indicado neste processo administrativo foi previamente utilizado. 8. Apesar da objetividade do referido despacho, resta claro que ele atende a exigência da motivação de todo e qualquer ato administrativo, na medida em justifica em concreto a recusa da compensação perpetrada pelo contribuinte no presente caso. O fato de ser sucinta não implica, per si, a nulidade da decisão por carência de motivação, como aliás já decidiu o Supremo Tribunal Federal em sede de recurso julgado sob repercussão geral, in verbis: 1. Questão de ordem. Agravo de Instrumento. Conversão em recurso extraordinário (CPC, art. 544, §§ 3° e 4°). Fl. 60DF CARF MF 4 2. Alegação de ofensa aos incisos XXXV e LX do art. 5º e ao inciso IX do art. 93 da Constituição Federal. Inocorrência. 3. O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão. 4. Questão de ordem acolhida para reconhecer a repercussão geral, reafirmar a jurisprudência do Tribunal, negar provimento ao recurso e autorizar a adoção dos procedimentos relacionados à repercussão geral. (STF; AI 791.292 QORG, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, julgado em 23/06/2010, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe149 DIVULG 12082010 PUBLIC 13082010 EMENT VOL0241006 PP01289 RDECTRAB v. 18, n. 203, 2011, p. 113118 ) (grifos nosso). 9. É também neste diapasão o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, bem como deste Tribunal administrativo, conforme se observa das ementas exemplarmente colacionadas abaixo: AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. ART. 620 DO CPC/1973. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS N. 282 E 356 DO STF. REEXAME DE PROVAS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7 DO STJ. ALEGAÇÃO DE NULIDADE DA DECISÃO. MOTIVAÇÃO SUCINTA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. 1. A ausência de prequestionamento de dispositivo legal tido por violado impede o conhecimento do recurso especial. Incidem as Súmulas n. 282 e 356 do STF. 2. Não cabe, em recurso especial, reexaminar matéria fático probatória (Súmula n. 7/STJ). 3. A decisão que se mostra fundamentada, ainda que de forma sucinta, não dá ensejo ao decreto de nulidade. 4. Agravo interno a que se nega provimento. (STJ; AgInt no AREsp 1.004.066/SP, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 22/05/2018, DJe 01/06/2018) (g.n.). Ementa(s) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2001, 2002 NULIDADE. ACÓRDÃO DA DRJ. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Não é nulo acórdão da DRJ fundamentado, ainda que de forma sucinta. A fundamentação breve não caracteriza ausência de motivação. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10875.904414/201216 Acórdão n.º 3402005.486 S3C4T2 Fl. 63 5 IRPF. COMPROVAÇÃO. DEPÓSITO EM CONTA DE PESSOA FÍSICA. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. O depósito em conta bancária de pessoa física, sócia de empresa prestadora de serviço, caracteriza a pessoa física como beneficiária da renda, sendo devido IRPF sobre os valores recebidos. Registros contábeis e contratos não são capazes de elidir a natureza fática do depósito bancário. IRPF. REMUNERAÇÃO INDIRETA. DESPESAS COM VIAGEM, ESTADIA E ALIMENTAÇÃO. CUSTEADAS PELA CONTRATANTE. AUSÊNCIA DE FATO GERADOR. Despesas de locomoção, hospedagem e alimentação quando incorridas pelo contratante dos serviços em benefício do prestador do serviço para viabilizar a prestação do serviço não caracterizam remuneração indireta. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS PAGOS. O CARF não é órgão competente para promover de ofício compensação do crédito tributário mantido em sede de processo administrativo em face de eventuais valores que o contribuinte detenha a seu favor junto a autoridade tributária. (CARF; Processo n. 11080.011496/200614; acórdão n. 2201 002.349; Data da sessão: 19/03/2014) (g.n.). 10. Ressaltese, por fim, que nem sede de manifestação de inconformidade nem no âmbito do recurso voluntário, o contribuinte trouxe qualquer contraprova no sentido de refutar a motivação do ato administrativo, limitandose a aduzir, genericamente, que tal despacho seria carente de motivação. 11. Convém lembrar que o presente caso é um pedido de compensação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar o fato constitutivo do seu direito, i.e., seu crédito, exatamente como estipulado no art. 373, inciso I do CPC1. 12. Nesse sentido, não há que se falar em nulidade do despacho decisório proferido no presente caso, muito menos em ofensa ao direito de defesa do contribuinte, devendo o r. acórdão recorrido ser mantido em sua íntegra. Dispositivo 13. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte. 14. É como voto. 1 "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Fl. 62DF CARF MF 6 (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Fl. 63DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.736175/2012-74
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2002-000.026
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem, os membros do colegiado, por voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência para que a unidade preparadora junte aos autos a Dirf e intime a contribuinte a apresentar laudo médico correto contendo o nome da moléstia e as demais informações necessárias, vencidos os conselheiros Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil (relator), que votaram contra a realização da diligência, dando provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
(Assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(Assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator
(Assinado digitalmente)
Fábia Marcília Ferreira Campêlo - Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11080.736175/2012-74
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5886254
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2002-000.026
nome_arquivo_s : Decisao_11080736175201274.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : VIRGILIO CANSINO GIL
nome_arquivo_pdf_s : 11080736175201274_5886254.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem, os membros do colegiado, por voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência para que a unidade preparadora junte aos autos a Dirf e intime a contribuinte a apresentar laudo médico correto contendo o nome da moléstia e as demais informações necessárias, vencidos os conselheiros Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil (relator), que votaram contra a realização da diligência, dando provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo. (Assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (Assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator (Assinado digitalmente) Fábia Marcília Ferreira Campêlo - Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
id : 7374370
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:23 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050587931607040
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1463; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 2 1 1 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.736175/201274 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2002000.026 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Ordinária Data 21 de junho de 2018 Assunto CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA Recorrente RACHEL DA CUNHA TUBINO Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem, os membros do colegiado, por voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência para que a unidade preparadora junte aos autos a Dirf e intime a contribuinte a apresentar laudo médico correto contendo o nome da moléstia e as demais informações necessárias, vencidos os conselheiros Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil (relator), que votaram contra a realização da diligência, dando provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo. (ASSINADO DIGITALMENTE) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Virgílio Cansino Gil Relator (ASSINADO DIGITALMENTE) Fábia Marcília Ferreira Campêlo Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .7 36 17 5/ 20 12 -7 4 Fl. 117DF CARF MF Processo nº 11080.736175/201274 Resolução nº 2002000.026 S2C0T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls.80/89), contra decisão de primeira instância (fls.70/74) que negou provimento a impugnação do sujeito passivo. Foi lavrado auto de infração por Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica. Inconformada com o auto de infração, a contribuinte apresentou impugnação (fls.2/6), requerendo a insubsistência e a improcedência da autuação fiscal, pelos seguintes fundamentos: a) que os rendimentos percebidos como proventos de aposentadoria; b) que a isenção foi lastreada em perícia médica; c) que a contribuinte percebe seus rendimentos de aposentadoria através de duas matrículas diversas, sendo certo que uma considerou como rendimentos tributáveis, e a outra matrícula, considerou como rendimentos isentos. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou improcedente a impugnação, mantendo a exigência fiscal com os consectários legais. Inconformada a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação e trazendo novos documentos. É o relatório. Passo ao voto. Voto Vencido Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário, aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. Contribuinte representada por procurador (fl.7), notificada em 03/11/2016, Recurso Voluntário recebido em 02/12/2016. Rejeito a proposta de realização de diligência, pois a documentação dos autos é suficiente para formação do convencimento deste Conselheiro, estando o processo maduro para seu julgamento. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Voto Vencedor Conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo Redatora designada. Peço vênia para divergir do entendimento do Conselheiro relator quanto à necessidade da diligência. Como se demonstrará a seguir, a questão carece ser aclarada antes do julgamento do mérito. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 11080.736175/201274 Resolução nº 2002000.026 S2C0T2 Fl. 4 3 De acordo com a Súmula Carf nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Assim, a prova da moléstia se dá por meio de laudo oficial, não se podendo aceitar outros meios de prova neste caso, em razão do disposto na referida súmula, no art. 39, § 4º do Decreto 3.000/99 e no art. 6º, II da IN RFB 1.500/2014. De acordo com o art. 6º, § 5º da IN RFB 1.500/2014: § 5º O laudo pericial a que se refere o § 4º deve conter, no mínimo, as seguintes informações: I o órgão emissor; II a qualificação da pessoa física com moléstia grave; III o diagnóstico da moléstia (descrição; CID10; elementos que o fundamentaram; a data em que a pessoa física é considerada com moléstia grave, nos casos de constatação da existência da doença em período anterior à emissão do laudo); IV caso a moléstia seja passível de controle, o prazo de validade do laudo pericial ao fim do qual a pessoa física com moléstia grave provavelmente esteja assintomática; e V o nome completo, a assinatura, o nº de inscrição no Conselho Regional de Medicina (CRM), o nº de registro no órgão público e a qualificação do(s) profissional(is) do serviço médico oficial responsável(is) pela emissão do laudo pericial. O documento da fl. 20, contém qualificação incompleta, haja vista não conter número de documento de identidade ou CPF da portadora da moléstia. O referido documento também não contém o diagnóstico da moléstia nem os CRMs dos médicos, conforme dispõe a norma acima. Dessa forma, verificase que o documento em questão não preenche os requisitos mínimos exigidos pela norma. A declaração da fl. 19 e 49 também não preenche os requisitos da norma acima. O documento de fl. 51 sequer foi emitido por órgão oficial. Nesse contexto, o art. 16, § 4º, c do Decreto 70.235/72 prevê que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito da impugnante de fazêlo em outro momento processual. Contudo, considerando que a contribuinte apresentou alguns documentos que, ainda que deficitários, apontam indício de verossimilhança de suas alegações, entendo que o formalismo da norma deve ser mitigado em prol do princípio da verdade material, oportunizandose uma nova chance no âmbito administrativo de a contribuinte apresentar a documentação estabelecida pela norma. Ante o exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora junte aos autos a Dirf e intime a contribuinte a apresentar o laudo pericial oficial contendo, no mínimo, os requisitos exigidos no art. 6º, § 5º da IN RFB 1.500/2014, conforme modelo da fl. 116 e para, querendo, a contribuinte manifestarse sobre a diligência, Fl. 119DF CARF MF Processo nº 11080.736175/201274 Resolução nº 2002000.026 S2C0T2 Fl. 5 4 no prazo máximo de 30 dias1. Em seguida, retornemse os autos ao Carf para prosseguimento do feito. (ASSINADO DIGITALMENTE) Fábia Marcília Ferreira Campêlo 1 Art. 35, parágrafo único do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. Fl. 120DF CARF MF
score : 1.0
