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Numero do processo: 13896.723534/2015-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010, 2011 RECURSO DE OFÍCIO. CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. O recurso de ofício interposto não deve ser conhecido, quando o valor exonerado está aquém do limite fixado pelo Ministro da Fazenda, nos termos da Súmula CARF nº 103. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Tendo o acórdão recorrido enfrentado, ainda que de forma concisa, um a um, todos os argumentos da recorrente, inexiste o cerceamento ou prejuízo à defesa, que pode contrapor em seu recurso todas as objeções em face dos fundamentos adotados na decisão., devendo ser rejeitada a arguição de nulidade. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO OU ADMINISTRADOR. ART. 135, INC. III DO CTN. NATUREZA PESSOAL X SOLIDARIEDADE. EXCLUSÃO DA PESSOA JURÍDICA DO POLO PASSIVO. IMPOSSIBILIDADE. De acordo com a jurisprudência do STJ, "a prática de ato ilícito imputável a um terceiro, posterior à ocorrência do fato gerador, não afasta a inadimplência (que é imputável à pessoa jurídica, e não ao respectivo sócio-gerente) nem anula ou invalida o surgimento da obrigação tributária e a constituição do respectivo crédito, o qual, portanto, subsiste normalmente". "Os diretores não respondem pessoalmente pelas obrigações contraídas em nome da sociedade, mas respondem para com esta e para com terceiros solidária e ilimitadamente pelo excesso de mandato e pelos atos praticados com violação do estatuto ou lei". A atribuição de responsabilidade aos sócios-gerentes, nos termos do art. 135, inc. III, não exclui sujeição passiva da pessoa jurídica. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO. DIRETOR. ART. 135, III DO CTN. CARACTERIZAÇÃO. Restando comprovado que o sócio era também diretor da pessoa jurídica autuada, e que tinha participação direta ou indireta em diversas empresas envolvidas nas fraudes apuradas pela fiscalização, caracterizando a infração a lei e/ou contratos, revela-se correta a atribuição da responsabilidade solidária. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Tendo os lançamentos sido efetuados dentro dos prazos estabelecidos no CTN, não se caracteriza a decadência alegada. IRRF. PAGAMENTOS SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. EXIGÊNCIA CUMULADA COM IRPJ E CSSL APURADOS EM FACE DA GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS CONSIDERADAS INIDÔNEAS. CABIMENTO. O art. 61 da Lei nº 8.981/1995, alcança todos os pagamentos efetuados a beneficiários não identificados ou cuja operação ou causa não é comprovada, independente de quem seja o real beneficiário dele (sócios/acionistas ou terceiros, contabilizados ou não), elegendo a pessoa jurídica responsável pelo pagamento efetivamente comprovado com responsável pelo recolhimento do imposto de renda devido pelo beneficiário, presumindo-se que assumiu o ônus pelo referido pagamento. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APRESENTAÇÃO DE CONFISSÃO EM TERMO DE COLABORAÇÃO PREMIADA OU ACORDO DE LENIÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART. 138 DO CTN. AUSÊNCIA DE PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS. O instituto da denúncia espontânea, como o próprio nome revela, depende exclusivamente da ação do sujeito passivo, tanto no que se refere à confissão do tributo quanto ao seu pagamento ou depósito, quando este dependa de apuração. Cabe ao contribuinte retificar suas declarações de rendimentos, refazer suas apurações e efetuar o pagamento dos tributos devidos, ou o seu depósito, caso haja dúvida quanto ao montante total devido. Verificando-se, tão somente, a confissão dos crimes praticados ao Ministério Público Federal e à Justiça Federal que, posteriormente, ensejaram apurações por parte do Fisco Federal dos tributos devidos em face das irregularidades a ele comunicadas pelos órgão de investigação e da Justiça, sem que o contribuinte tenha se antecipado a qualquer procedimento fiscal e adotado as medidas necessárias para a denúncia espontânea das obrigações tributárias perante o Fisco, esta não se configura. IRPJ/CSLL. GLOSA DE DESPESAS DECORRENTES DE ILÍCITO PENAL. PAGAMENTOS DE VANTAGENS INDEVIDAS. REPARAÇÃO DE DANOS OU RESSARCIMENTOS EM FACE DE ACORDOS DE COLABORAÇÃO PREMIADA OU DE LENIÊNCIA. EXCLUSÃO DA BASE TRIBUTÁVEL GLOSADA RELATIVA A FATOS GERADORES OCORRIDOS EM PERÍODOS ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE. Ainda que as despesas glosadas sejam derivadas de desvios de recursos da empresa autuada para pagamentos de vantagens indevidas a terceiros, a sua indedutibilidade decorre essencialmente do fato de que não se enquadram como despesas efetivamente realizadas que reduziram indevidamente o resultado tributável dos exercícios fiscais sob apuração. Assim, a reparação de danos causados em decorrência dos ilícitos confessados ou a devolução de valores fixados em Termos de Colaboração Premiada ou em Acordos de Leniência, tem natureza completamente distinta das despesas originalmente deduzidas e não podem impactar a apuração de tributos de períodos já encerrados. Os fatos geradores complexivos do IRPJ e CSLL dos períodos em que ocorreram as infrações devem ser escoimados dos valores que afetaram indevidamente a base de cálculo dos tributos devidos, não podendo ser afetados retroativamente por quaisquer fatos, voluntários ou não que tenham sido praticados em momento posterior, visando a purgar total ou parcialmente os ilícitos penais cometidos e a atenuar a imposição de penalidades, seja na esfera administrativa ou judicial. IRRF. PAGAMENTOS SEM CAUSA. RECURSOS DESVIADOS MEDIANTE INTERPOSIÇÃO DE TERCEIROS COM FINALIDADE ILÍCITA DE PAGAMENTO DE VANTAGENS INDEVIDAS. Os pagamentos a diversas empresas por serviços que não foram efetivamente prestados, efetuados como meios preparatórios para o desvio dos recursos que seriam posteriormente empregados nos pagamentos de vantagens indevidas a terceiros, embora identifique sua finalidade não validam sua causa primária. Estes pagamentos não tem causa (no sentido econômico), pois não correspondem a serviços efetivamente prestados. Além disso, os reais beneficiários de tais recursos não são identificados nestas operações, pois estão encobertos por documentos que apontavam outros beneficiários (as emitentes das notas fiscais) dos pagamentos. IRPJ/CSLL. DESPESAS GLOSADAS. PAGAMENTOS DE SUBORNOS OU PROPINAS. VIOLAÇÃO À ORDEM ECONÔMICA E OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA FUNÇÃO SOCIAL DA EMPRESA E DA LIVRE CONCORRÊNCIA. INDEDUTIBILIDADE. Inadmissível a pretensão da recorrente de equiparar pagamentos com vistas ao cometimento de atos de corrupção à despesas necessárias e decorrentes das atividade normais e usuais da empresa, como comissões sobre vendas. o pagamento de subornos a agentes públicos ou privados atenta contra a função social da empresa consagrada no direito brasileiro e ofende os princípios constitucionais voltados para assegurar a ordem econômica fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa. Os atos concernentes ao pagamentos de propinas a agentes públicos e privados, atentam diretamente contra a função social da empresa e à liberdade concorrencial e, por óbvio, é inadmissível que os efeitos econômicos de tais infrações, por mera liberalidade do administrador da companhia, sejam compreendidos como necessários ao desenvolvimento das atividades normais e usuais da empresa. CSLL. BASE DE CÁLCULO. GLOSA DE DESPESAS. INEXISTÊNCIA DE FATO DA DESPESA. CABIMENTO. A base de cálculo da CSLL tem como ponto de partida o resultado líquido apurado na contabilidade. Assim, as despesas comprovadamente inexistentes não podem compor o resultado líquido do exercício, do qual parte a apuração tanto do IRPJ quanto da CSLL. Os atos ilícitos não podem produzir quaisquer efeitos tributários na apuração do resultado dos exercícios fiscalizados. É remansosa a jurisprudência administrativa no sentido de dar o mesmo efeito à CSLL na glosa de despesas fictícias da base de cálculo do IRPJ . IRPJ/CSLL. GLOSA DE DESPESAS NÃO COMPROVADAS. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. Constatado que os pagamentos feitos, em face de contratos firmados com empresas do mesmo grupo familiar, que não apresentam nenhuma estrutura administrativa, técnica ou operacional, estão dissociados de qualquer prova de efetiva prestação dos serviços, resta caracterizada a natureza fictícia das despesas contabilizadas, impondo-se sua glosa.
Numero da decisão: 1302-002.788
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e de decadência suscitadas, e, no mérito, por unanimidade, em manter a responsabilidade solidária dos sujeitos passivos arrolados; em manter as exigência do IRPJ e CSLL; e, por maioria, em negar provimento ao recurso quanto à exigência concomitante de IRRF com IRPJ e CSLL, vencidos os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Flávio Machado Vilhena Dias; por maioria, em manter a exigência de multa isolada, vencidos os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Gustavo Guimarães Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias; por voto de qualidade, em cancelar o lançamento do IRRF sobre pagamento sem causa feito a empresa DFS Participações e Consultoria Empresarial, vencidos os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Carmen Ferreira Saraiva (Suplente convocada), Maria Lucia Miceli e Gustavo Guimarães Fonseca; e, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Flávio Machado Vilhena Dias. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Carmen Ferreira Saraiva (suplente convocada), Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO

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De acordo com a jurisprudência do STJ, "a prática de ato ilícito imputável a um terceiro, posterior à ocorrência do fato gerador, não afasta a inadimplência (que é imputável à pessoa jurídica, e não ao respectivo sócio-gerente) nem anula ou invalida o surgimento da obrigação tributária e a constituição do respectivo crédito, o qual, portanto, subsiste normalmente". "Os diretores não respondem pessoalmente pelas obrigações contraídas em nome da sociedade, mas respondem para com esta e para com terceiros solidária e ilimitadamente pelo excesso de mandato e pelos atos praticados com violação do estatuto ou lei". A atribuição de responsabilidade aos sócios-gerentes, nos termos do art. 135, inc. III, não exclui sujeição passiva da pessoa jurídica. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO. DIRETOR. ART. 135, III DO CTN. CARACTERIZAÇÃO. Restando comprovado que o sócio era também diretor da pessoa jurídica autuada, e que tinha participação direta ou indireta em diversas empresas envolvidas nas fraudes apuradas pela fiscalização, caracterizando a infração a lei e/ou contratos, revela-se correta a atribuição da responsabilidade solidária. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Tendo os lançamentos sido efetuados dentro dos prazos estabelecidos no CTN, não se caracteriza a decadência alegada. IRRF. PAGAMENTOS SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. EXIGÊNCIA CUMULADA COM IRPJ E CSSL APURADOS EM FACE DA GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS CONSIDERADAS INIDÔNEAS. CABIMENTO. O art. 61 da Lei nº 8.981/1995, alcança todos os pagamentos efetuados a beneficiários não identificados ou cuja operação ou causa não é comprovada, independente de quem seja o real beneficiário dele (sócios/acionistas ou terceiros, contabilizados ou não), elegendo a pessoa jurídica responsável pelo pagamento efetivamente comprovado com responsável pelo recolhimento do imposto de renda devido pelo beneficiário, presumindo-se que assumiu o ônus pelo referido pagamento. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APRESENTAÇÃO DE CONFISSÃO EM TERMO DE COLABORAÇÃO PREMIADA OU ACORDO DE LENIÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART. 138 DO CTN. AUSÊNCIA DE PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS. O instituto da denúncia espontânea, como o próprio nome revela, depende exclusivamente da ação do sujeito passivo, tanto no que se refere à confissão do tributo quanto ao seu pagamento ou depósito, quando este dependa de apuração. Cabe ao contribuinte retificar suas declarações de rendimentos, refazer suas apurações e efetuar o pagamento dos tributos devidos, ou o seu depósito, caso haja dúvida quanto ao montante total devido. Verificando-se, tão somente, a confissão dos crimes praticados ao Ministério Público Federal e à Justiça Federal que, posteriormente, ensejaram apurações por parte do Fisco Federal dos tributos devidos em face das irregularidades a ele comunicadas pelos órgão de investigação e da Justiça, sem que o contribuinte tenha se antecipado a qualquer procedimento fiscal e adotado as medidas necessárias para a denúncia espontânea das obrigações tributárias perante o Fisco, esta não se configura. IRPJ/CSLL. GLOSA DE DESPESAS DECORRENTES DE ILÍCITO PENAL. PAGAMENTOS DE VANTAGENS INDEVIDAS. REPARAÇÃO DE DANOS OU RESSARCIMENTOS EM FACE DE ACORDOS DE COLABORAÇÃO PREMIADA OU DE LENIÊNCIA. EXCLUSÃO DA BASE TRIBUTÁVEL GLOSADA RELATIVA A FATOS GERADORES OCORRIDOS EM PERÍODOS ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE. Ainda que as despesas glosadas sejam derivadas de desvios de recursos da empresa autuada para pagamentos de vantagens indevidas a terceiros, a sua indedutibilidade decorre essencialmente do fato de que não se enquadram como despesas efetivamente realizadas que reduziram indevidamente o resultado tributável dos exercícios fiscais sob apuração. Assim, a reparação de danos causados em decorrência dos ilícitos confessados ou a devolução de valores fixados em Termos de Colaboração Premiada ou em Acordos de Leniência, tem natureza completamente distinta das despesas originalmente deduzidas e não podem impactar a apuração de tributos de períodos já encerrados. Os fatos geradores complexivos do IRPJ e CSLL dos períodos em que ocorreram as infrações devem ser escoimados dos valores que afetaram indevidamente a base de cálculo dos tributos devidos, não podendo ser afetados retroativamente por quaisquer fatos, voluntários ou não que tenham sido praticados em momento posterior, visando a purgar total ou parcialmente os ilícitos penais cometidos e a atenuar a imposição de penalidades, seja na esfera administrativa ou judicial. IRRF. PAGAMENTOS SEM CAUSA. RECURSOS DESVIADOS MEDIANTE INTERPOSIÇÃO DE TERCEIROS COM FINALIDADE ILÍCITA DE PAGAMENTO DE VANTAGENS INDEVIDAS. Os pagamentos a diversas empresas por serviços que não foram efetivamente prestados, efetuados como meios preparatórios para o desvio dos recursos que seriam posteriormente empregados nos pagamentos de vantagens indevidas a terceiros, embora identifique sua finalidade não validam sua causa primária. Estes pagamentos não tem causa (no sentido econômico), pois não correspondem a serviços efetivamente prestados. Além disso, os reais beneficiários de tais recursos não são identificados nestas operações, pois estão encobertos por documentos que apontavam outros beneficiários (as emitentes das notas fiscais) dos pagamentos. IRPJ/CSLL. DESPESAS GLOSADAS. PAGAMENTOS DE SUBORNOS OU PROPINAS. VIOLAÇÃO À ORDEM ECONÔMICA E OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA FUNÇÃO SOCIAL DA EMPRESA E DA LIVRE CONCORRÊNCIA. INDEDUTIBILIDADE. Inadmissível a pretensão da recorrente de equiparar pagamentos com vistas ao cometimento de atos de corrupção à despesas necessárias e decorrentes das atividade normais e usuais da empresa, como comissões sobre vendas. o pagamento de subornos a agentes públicos ou privados atenta contra a função social da empresa consagrada no direito brasileiro e ofende os princípios constitucionais voltados para assegurar a ordem econômica fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa. Os atos concernentes ao pagamentos de propinas a agentes públicos e privados, atentam diretamente contra a função social da empresa e à liberdade concorrencial e, por óbvio, é inadmissível que os efeitos econômicos de tais infrações, por mera liberalidade do administrador da companhia, sejam compreendidos como necessários ao desenvolvimento das atividades normais e usuais da empresa. CSLL. BASE DE CÁLCULO. GLOSA DE DESPESAS. INEXISTÊNCIA DE FATO DA DESPESA. CABIMENTO. A base de cálculo da CSLL tem como ponto de partida o resultado líquido apurado na contabilidade. Assim, as despesas comprovadamente inexistentes não podem compor o resultado líquido do exercício, do qual parte a apuração tanto do IRPJ quanto da CSLL. Os atos ilícitos não podem produzir quaisquer efeitos tributários na apuração do resultado dos exercícios fiscalizados. É remansosa a jurisprudência administrativa no sentido de dar o mesmo efeito à CSLL na glosa de despesas fictícias da base de cálculo do IRPJ . IRPJ/CSLL. GLOSA DE DESPESAS NÃO COMPROVADAS. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. Constatado que os pagamentos feitos, em face de contratos firmados com empresas do mesmo grupo familiar, que não apresentam nenhuma estrutura administrativa, técnica ou operacional, estão dissociados de qualquer prova de efetiva prestação dos serviços, resta caracterizada a natureza fictícia das despesas contabilizadas, impondo-se sua glosa.

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1302­002.788  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  15 de maio de 2018  Matéria  GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS  Recorrentes  SETEC TECNOLOGIA S/A E OUTROS. e              FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2010, 2011  RECURSO DE OFÍCIO. CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA.   O  recurso  de  ofício  interposto  não  deve  ser  conhecido,  quando  o  valor  exonerado está aquém do limite fixado pelo Ministro da Fazenda, nos termos  da Súmula CARF nº 103.  DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.   Tendo o acórdão recorrido enfrentado, ainda que de forma concisa, um a um,  todos  os  argumentos  da  recorrente,  inexiste  o  cerceamento  ou  prejuízo  à  defesa,  que  pode  contrapor  em  seu  recurso  todas  as  objeções  em  face  dos  fundamentos  adotados  na  decisão.,  devendo  ser  rejeitada  a  arguição  de  nulidade.  RESPONSABILIDADE  DO  SÓCIO  OU  ADMINISTRADOR.  ART.  135,  INC.  III  DO  CTN.  NATUREZA  PESSOAL  X  SOLIDARIEDADE.  EXCLUSÃO  DA  PESSOA  JURÍDICA  DO  POLO  PASSIVO.  IMPOSSIBILIDADE.  De acordo com a jurisprudência do STJ, "a prática de ato ilícito imputável a  um  terceiro,  posterior  à  ocorrência  do  fato  gerador,  não  afasta  a  inadimplência (que é imputável à pessoa jurídica, e não ao respectivo sócio­ gerente)  nem  anula  ou  invalida  o  surgimento  da  obrigação  tributária  e  a  constituição  do  respectivo  crédito,  o  qual,  portanto,  subsiste  normalmente".  "Os  diretores  não  respondem  pessoalmente  pelas  obrigações  contraídas  em  nome  da  sociedade,  mas  respondem  para  com  esta  e  para  com  terceiros  solidária  e  ilimitadamente  pelo  excesso  de mandato  e  pelos  atos  praticados  com violação do estatuto ou lei". A atribuição de responsabilidade aos sócios­ gerentes,  nos  termos  do  art.  135,  inc.  III,  não  exclui  sujeição  passiva  da  pessoa jurídica.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 35 34 /2 01 5- 15 Fl. 5666DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.667          2 RESPONSABILIDADE DO  SÓCIO.  DIRETOR.  ART.  135,  III  DO  CTN.  CARACTERIZAÇÃO.  Restando  comprovado  que  o  sócio  era  também  diretor  da  pessoa  jurídica  autuada,  e  que  tinha  participação  direta  ou  indireta  em  diversas  empresas  envolvidas nas fraudes apuradas pela fiscalização, caracterizando a infração a  lei e/ou contratos, revela­se correta a atribuição da responsabilidade solidária.  DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.  Tendo  os  lançamentos  sido  efetuados  dentro  dos  prazos  estabelecidos  no  CTN, não se caracteriza a decadência alegada.  IRRF.  PAGAMENTOS  SEM  CAUSA  OU  A  BENEFICIÁRIOS  NÃO  IDENTIFICADOS.  EXIGÊNCIA  CUMULADA  COM  IRPJ  E  CSSL  APURADOS  EM  FACE  DA  GLOSA  DE  CUSTOS  E  DESPESAS  CONSIDERADAS INIDÔNEAS. CABIMENTO.   O  art.  61  da  Lei  nº  8.981/1995,  alcança  todos  os  pagamentos  efetuados  a  beneficiários não identificados ou cuja operação ou causa não é comprovada,  independente  de  quem  seja  o  real  beneficiário  dele  (sócios/acionistas  ou  terceiros, contabilizados ou não), elegendo a pessoa jurídica responsável pelo  pagamento efetivamente comprovado com responsável pelo recolhimento do  imposto  de  renda  devido  pelo  beneficiário,  presumindo­se  que  assumiu  o  ônus pelo referido pagamento.   DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APRESENTAÇÃO DE CONFISSÃO EM TERMO  DE  COLABORAÇÃO  PREMIADA  OU  ACORDO  DE  LENIÊNCIA.  APLICAÇÃO DO ART. 138 DO CTN. AUSÊNCIA DE PREENCHIMENTO DOS  REQUISITOS.   O  instituto  da  denúncia  espontânea,  como  o  próprio  nome  revela,  depende  exclusivamente da ação do sujeito passivo, tanto no que se refere à confissão  do  tributo  quanto  ao  seu  pagamento  ou  depósito,  quando  este  dependa  de  apuração.  Cabe  ao  contribuinte  retificar  suas  declarações  de  rendimentos,  refazer suas apurações e efetuar o pagamento dos tributos devidos, ou o seu  depósito, caso haja dúvida quanto ao montante total devido. Verificando­se,  tão somente, a confissão dos crimes praticados ao Ministério Público Federal  e  à  Justiça  Federal  que,  posteriormente,  ensejaram  apurações  por  parte  do  Fisco  Federal  dos  tributos  devidos  em  face  das  irregularidades  a  ele  comunicadas pelos órgão de investigação e da Justiça, sem que o contribuinte  tenha  se  antecipado  a  qualquer  procedimento  fiscal  e  adotado  as  medidas  necessárias para a denúncia  espontânea das obrigações  tributárias perante o  Fisco, esta não se configura.  IRPJ/CSLL.  GLOSA  DE  DESPESAS  DECORRENTES  DE  ILÍCITO  PENAL. PAGAMENTOS DE VANTAGENS INDEVIDAS. REPARAÇÃO  DE  DANOS  OU  RESSARCIMENTOS  EM  FACE  DE  ACORDOS  DE  COLABORAÇÃO  PREMIADA  OU  DE  LENIÊNCIA.  EXCLUSÃO  DA  BASE  TRIBUTÁVEL  GLOSADA  RELATIVA  A  FATOS  GERADORES  OCORRIDOS EM PERÍODOS ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE.  Ainda  que  as  despesas  glosadas  sejam derivadas  de desvios  de  recursos  da  empresa autuada para pagamentos de vantagens  indevidas a  terceiros,  a sua  indedutibilidade  decorre  essencialmente  do  fato  de  que  não  se  enquadram  Fl. 5667DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.668          3 como  despesas  efetivamente  realizadas  que  reduziram  indevidamente  o  resultado  tributável dos  exercícios  fiscais  sob  apuração. Assim,  a  reparação  de danos causados em decorrência dos ilícitos confessados ou a devolução de  valores  fixados  em  Termos  de  Colaboração  Premiada  ou  em  Acordos  de  Leniência,  tem natureza  completamente  distinta  das  despesas  originalmente  deduzidas  e  não  podem  impactar  a  apuração  de  tributos  de  períodos  já  encerrados. Os  fatos  geradores  complexivos  do  IRPJ  e CSLL  dos  períodos  em  que  ocorreram  as  infrações  devem  ser  escoimados  dos  valores  que  afetaram indevidamente a base de cálculo dos tributos devidos, não podendo  ser  afetados  retroativamente  por  quaisquer  fatos,  voluntários  ou  não  que  tenham  sido  praticados  em  momento  posterior,  visando  a  purgar  total  ou  parcialmente  os  ilícitos  penais  cometidos  e  a  atenuar  a  imposição  de  penalidades, seja na esfera administrativa ou judicial.  IRRF.  PAGAMENTOS  SEM  CAUSA.  RECURSOS  DESVIADOS  MEDIANTE  INTERPOSIÇÃO  DE  TERCEIROS  COM  FINALIDADE  ILÍCITA DE PAGAMENTO DE VANTAGENS INDEVIDAS.   Os pagamentos a diversas empresas por serviços que não foram efetivamente  prestados,  efetuados  como  meios  preparatórios  para  o  desvio  dos  recursos  que  seriam  posteriormente  empregados  nos  pagamentos  de  vantagens  indevidas  a  terceiros,  embora  identifique  sua  finalidade  não  validam  sua  causa  primária.  Estes  pagamentos  não  tem  causa  (no  sentido  econômico),  pois  não  correspondem  a  serviços  efetivamente  prestados.  Além  disso,  os  reais  beneficiários  de  tais  recursos  não  são  identificados  nestas  operações,  pois estão encobertos por documentos que apontavam outros beneficiários (as  emitentes das notas fiscais) dos pagamentos.  IRPJ/CSLL.  DESPESAS  GLOSADAS.  PAGAMENTOS  DE  SUBORNOS  OU PROPINAS. VIOLAÇÃO À ORDEM ECONÔMICA E OFENSA AOS  PRINCÍPIOS  DA  FUNÇÃO  SOCIAL  DA  EMPRESA  E  DA  LIVRE  CONCORRÊNCIA. INDEDUTIBILIDADE.  Inadmissível  a pretensão da  recorrente de  equiparar pagamentos  com vistas  ao  cometimento  de  atos  de  corrupção  à  despesas  necessárias  e  decorrentes  das atividade normais e usuais da empresa, como comissões sobre vendas. o  pagamento de subornos a agentes públicos ou privados atenta contra a função  social  da  empresa  consagrada  no  direito  brasileiro  e  ofende  os  princípios  constitucionais  voltados  para  assegurar  a  ordem  econômica  fundada  na  valorização do trabalho humano e na livre iniciativa. Os atos concernentes ao  pagamentos de propinas a agentes públicos e privados, atentam diretamente  contra a função social da empresa e à liberdade concorrencial e, por óbvio, é  inadmissível  que  os  efeitos  econômicos  de  tais  infrações,  por  mera  liberalidade  do  administrador  da  companhia,  sejam  compreendidos  como  necessários ao desenvolvimento das atividades normais e usuais da empresa.  CSLL.  BASE DE CÁLCULO.  GLOSA DE DESPESAS.  INEXISTÊNCIA  DE FATO DA DESPESA. CABIMENTO.  A base de  cálculo da CSLL  tem como ponto de partida o  resultado  líquido  apurado na contabilidade. Assim, as despesas comprovadamente inexistentes  não podem compor o resultado líquido do exercício, do qual parte a apuração  tanto  do  IRPJ  quanto  da  CSLL.  Os  atos  ilícitos  não  podem  produzir  Fl. 5668DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.669          4 quaisquer  efeitos  tributários  na  apuração  do  resultado  dos  exercícios  fiscalizados. É remansosa a jurisprudência administrativa no sentido de dar o  mesmo  efeito  à CSLL na glosa  de  despesas  fictícias  da base  de  cálculo  do  IRPJ .  IRPJ/CSLL.  GLOSA  DE  DESPESAS  NÃO  COMPROVADAS.  MULTA  QUALIFICADA. CABIMENTO.  Constatado  que  os  pagamentos  feitos,  em  face  de  contratos  firmados  com  empresas do mesmo grupo  familiar, que não apresentam nenhuma estrutura  administrativa,  técnica  ou  operacional,  estão  dissociados  de  qualquer  prova  de  efetiva prestação dos  serviços,  resta  caracterizada  a natureza  fictícia  das  despesas contabilizadas, impondo­se sua glosa.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado,   por unanimidade de votos, em rejeitar  as  preliminares  de  nulidade  e  de  decadência  suscitadas,  e,  no  mérito,  por  unanimidade,  em  manter a responsabilidade solidária dos sujeitos passivos arrolados; em manter as exigência do  IRPJ e CSLL; e, por maioria, em negar provimento ao recurso quanto à exigência concomitante  de IRRF com IRPJ e CSLL, vencidos os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e  Flávio Machado Vilhena Dias; por maioria, em manter a exigência de multa isolada, vencidos  os  conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Gustavo Guimarães Fonseca  e Flávio  Machado  Vilhena  Dias;  por  voto  de  qualidade,  em  cancelar  o  lançamento  do  IRRF  sobre  pagamento sem causa feito a empresa DFS Participações e Consultoria Empresarial, vencidos  os  conselheiros  Carlos  Cesar  Candal  Moreira  Filho,  Carmen  Ferreira  Saraiva  (Suplente  convocada), Maria Lucia Miceli e Gustavo Guimarães Fonseca; e, por unanimidade de votos,  em não conhecer do recurso de ofício. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto  os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Flávio Machado Vilhena Dias.  (assinado digitalmente)  Luiz Tadeu Matosinho Machado ­ Presidente e Relator.  Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  Carlos  César  Candal  Moreira  Filho,  Marcos  Antonio  Nepomuceno  Feitosa,  Carmen  Ferreira  Saraiva  (suplente  convocada),  Rogério  Aparecido  Gil,  Maria  Lucia  Miceli,  Gustavo  Guimarães  da  Fonseca,  Flávio  Machado  Vilhena  Dias  e  Luiz  Tadeu  Matosinho  Machado  (Presidente).  Ausente  justificadamente o conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo.    Fl. 5669DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.670          5 Relatório  Trata­se de recurso de ofício e voluntário interpostos em face do Acórdão nº  03­72.249,  de  13/01/2017,  proferido  pela  2ª  Turma  da  DRJ­Brasília/DF,  que  considerou  parcialmente  procedente  a  impugnação  apresentada  em  face  de  autos  de  infração  de  IRPJ  e  CSLL e IRRF, conforme espelhado na seguinte ementa:   ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­  IRPJ   Ano­calendário: 2010, 2011   ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO   A responsabilidade do art. 135, III, do CTN é do tipo solidária,  ou  seja,  se  o  representante/diretores  da  contribuinte  for  colocado  no  pólo  passivo,  isto  não  exclui  a  contribuinte  da  responsabilidade dos tributos e multas apurados.   DECADÊNCIA. PRAZO PARA EFETUAR O LANÇAMENTO.   Na  hipótese  de  lançamento  por  homologação,  inexistindo  disposição legal diversa à do CTN e ocorrendo a antecipação do  pagamento  sem  prévio  exame  do  Fisco,  a  decadência  de  a  Fazenda Pública efetuar o lançamento opera­se após cinco anos,  contados do fato gerador, sem que aquela tenha se pronunciado.  Inexistindo  antecipação  do  pagamento,  o  direito  de  a  Fazenda  Pública  constituir  o  crédito  tributário  extingue­se  após  cinco  anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em  que o lançamento poderia ter sido efetuado. Em caso de dolo a  decadência será regida pelo inciso I do art. 173 do CTN.   DESPESAS NÃO COMPROVADAS.   Para  se  comprovar  uma  despesa  para  o  IRPJ  ou  para  a  CSLL, de modo a torná­la dedutível, não basta comprovar que  ela  foi  assumida  e  que  houve  o  desembolso.  É  requisito  essencial para a sua dedutibilidade a comprovação da efetiva  prestação do serviço, com documentação hábil e idônea.   MULTA  ISOLADA  E  MULTA  DE  OFÍCIO  PADRÃO.  CONCOMITÂNCIA.   À autoridade administrativa não é dada opção de não aplicar  as leis vigentes. Ademais, as estimativas mensais configuram  obrigações  autônomas,  que  não  se  confundem  com  a  obrigação  tributária  decorrente  do  fato  gerador  anual.  Não  há  coincidência  de  motivação  entre  as  penalidades,  sendo  distintas  tanto  as  suas  causas,  quanto  os  seus  fundamentos  legais.   Fl. 5670DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.671          6 ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  RETIDO  NA FONTE  ­  IRRF   Ano­calendário: 2010, 2011  BENEFICIÁRIO  NÃO  IDENTIFICADO.  FALTA  DE  RECOLHIMENTO  DO  IMPOSTO  DE  RENDA  NA  FONTE  SOBRE  PAGAMENTOS  A  BENEFICIÁRIO  NÃO  IDENTIFICADO OU QUANDO REFERIR­SE A OPERAÇÃO  OU CAUSA NÃO COMPROVADA.   Se sujeita à incidência do imposto de renda exclusivamente na  fonte,  com  alíquota  de  trinta  e  cinco  por  cento,  todo  pagamento  efetuado  pelas  pessoas  jurídicas  a  beneficiário  não  identificado,  assim  como  pagamentos  efetuados  ou  recursos  entregues  a  terceiro  ou  sócios,  contabilizados  ou  não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa.  ainda  que  esse  pagamento  resultar  em  redução  do  lucro  líquido da empresa.   MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO.   Cabível a  imposição da multa qualificada de 150%, prevista  no  artigo  44,  parágrafo  1º,  da  Lei  nº  9.430/96,  restando  demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo  enquadra­se, em tese, nas hipóteses tipificadas no art. 71, 72  ou 73 da Lei nº 4.502/64.   Impugnação Procedente em Parte   Crédito Tributário Mantido  As infrações apuradas pela fiscalização foram assim identificadas no Termo  de Verificação Fiscal ­ TVF e nos auto de infração lavrados, tendo as apurações da fiscalização  sido descritas no acórdão recorrido, verbis:  Objeto Social do Sujeito Passivo   O sujeito passivo é empresa organizada sob a forma de sociedade anônima de  capital  fechado  cujo  objeto  social  abrange:  a)  execução  de  projetos  de  engenharia  industrial em geral; b) pesquisas e exploração de normas e processos de fabricação  industrial;  c)  realização  de  estudos  técnicos  e  econômicos  sobre  a  instalação  de  empreendimentos  industriais;  d)  operação  de  unidades  industriais  mediante  exploração  própria  ou  contratos  com  terceiros;  e)  engenharia,  gerenciamento  de  empreendimentos,  elaboração  de  projetos  básicos  e  detalhados,  estudos  técnico­ econômicos  de  viabilidade;  f)  compra,  inspeção,  diligenciamento,  importação,  exportação e revenda de equipamentos, máquinas e materiais em nome próprio e de  terceiros;  g)  consultoria;  h)  construção  civil,  montagem,  manutenção  e  operação  mediante exploração própria ou para terceiros de instalações industriais; i) compra e  venda  de  bens  e  serviços  relativos  às  atividades  acima  mencionadas,  locação  de  ferramentas, máquinas  e  equipamentos  de montagem,  pesquisa  e  desenvolvimento  de processos industriais; j) representação de materiais, equipamentos e de processos  industriais; k) prospecção, exploração, produção, transporte, refino e distribuição de  petróleo  e  seus  derivados,  no  País  ou  no  Exterior  e  l)  participação  em  outras  sociedades.  Fl. 5671DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.672          7 Regime Tributário   No período  sob  fiscalização  o  sujeito passivo  adotou  o  regime  tributário  do  Lucro Real, com apuração anual do IR e da CSLL.   Controle Societário   De  acordo  com  a  Ficha  60  das  DIPJs  do  sujeito  passivo,  no  período  sob  fiscalização  o  capital  social  do mesmo  era  100%  (cem por  cento)  controlado  pela  PEM Engenharia Ltda., CNPJ nº 62.458.088/0001­47.   Grupo Ribeiro de Mendonça   A PEM Engenharia Ltda., empresa controladora do sujeito passivo durante o  período sob fiscalização, é por sua vez controlada direta e indiretamente por pessoas  de um mesmo grupo familiar, integrantes da família Ribeiro de Mendonça.   De  acordo  com  a  Ficha  60  das DIPJs  da  PEM Engenharia  Ltda.  dos  anos­ calendário de 2010 a 2013, os detentores do seu capital total e votante eram:   Roberto Ribeiro de Mendonça com 56,62 %;   Augusto Ribeiro de Mendonça Neto com 43,38 %.   Registre­se  que  Roberto  Ribeiro  de  Mendonça  e  Augusto  Ribeiro  de  Mendonça Neto são irmãos.   Destacamos  no  Anexo  I  que  a  empresa  PEM  Engenharia  Ltda.  também  controlava praticamente a  totalidade do capital da Tipuana Participações doravante  denominada  simplesmente  “Tipuana”,  e  da  Projetec  Projetos  e  Tecnologia  Ltda  doravante denominada simplesmente “Projetec”.   Ressaltamos  também  no  Anexo  I  as  participações  societárias  da  família  Ribeiro  de  Mendonça  nas  empresas  SOG  Óleo  e  Gás  S.A.,  doravante  também  denominada  simplesmente  “SOG”,  Energex  Group  Representações  e  Consultoria  Ltda.,  Yellowwood  Consultoria  Ltda.,  Pataccas  Participações  e  Consultoria  Ltda.,  Sinergia  Consultoria  e  Representação  Ltda.  e MSML  Participações  e  Consultoria  Ltda.   OPERAÇÃO LAVA JATO  O  nome  do  caso,  “Lava  Jato”,  decorre  do  uso  de  uma  rede  de  postos  de  combustíveis  e  lava  a  jato  de  automóveis  para  movimentar  recursos  ilícitos  pertencentes a uma das organizações criminosas inicialmente investigadas. Embora  a  investigação  tenha avançado para outras organizações criminosas, o nome inicial  se consagrou.   No  primeiro  momento  da  investigação,  desenvolvido  a  partir  de  março  de  2014, perante a Justiça Federal em Curitiba, foram investigadas e processadas quatro  organizações  criminosas  lideradas  por  doleiros,  que  são  operadores  do  mercado  paralelo  de  câmbio.  Depois,  o Ministério  Público  Federal  recolheu  provas  de  um  imenso esquema criminoso de corrupção envolvendo a Petrobras.   Nesse  esquema,  que  dura  pelo  menos  dez  anos,  grandes  empreiteiras  organizadas  em  cartel  pagavam  propina  para  altos  executivos  da  estatal  e  outros  agentes  públicos.  O  valor  da  propina  variava  de  1%  a  5%  do  montante  total  de  contratos  bilionários  superfaturados.  Esse  suborno  era  distribuído  por  meio  de  Fl. 5672DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.673          8 operadores  financeiros  do  esquema,  incluindo  doleiros  investigados  na  primeira  etapa.   As empreiteiras ­ Em um cenário normal, empreiteiras concorreriam entre si,  em  licitações,  para  conseguir  os  contratos  da  Petrobras,  e  a  estatal  contrataria  a  empresa que aceitasse fazer a obra pelo menor preço. Neste caso, as empreiteiras se  cartelizaram  em  um  “clube” para  substituir  uma  concorrência  real  por  uma  concorrência aparente. Os preços oferecidos à Petrobras eram calculados e ajustados  em  reuniões  secretas nas quais se definia quem ganharia o  contrato e qual  seria o  preço,  inflado  em  benefício  privado  e  em  prejuízo  dos  cofres  da  estatal.  O  cartel  tinha até um regulamento, que simulava regras de um campeonato de futebol, para  definir como as obras seriam distribuídas. Para disfarçar o crime, o registro escrito  da distribuição de obras era feito, por vezes, como se fosse a distribuição de prêmios  de um bingo.   Funcionários  da  Petrobras  ­  As  empresas  precisavam  garantir  que  apenas  aquelas  do  cartel  fossem  convidadas  para  as  licitações.  Por  isso,  era  conveniente  cooptar agentes públicos. Os funcionários não só se omitiam em relação ao cartel, do  qual tinham conhecimento, mas o favoreciam, restringindo convidados e incluindo a  ganhadora  dentre  as  participantes,  em  um  jogo  de  cartas  marcadas.  Segundo  levantamentos  da  Petrobras,  eram  feitas  negociações  diretas  injustificadas,  celebravam­se  aditivos  desnecessários  e  com  preços  excessivos,  aceleravam­se  contratações com supressão de etapas  relevantes e vazavam  informações  sigilosas,  dentre outras irregularidades.   Operadores  financeiros  ­  Os  operadores  financeiros  ou  intermediários  eram  responsáveis não só por intermediar o pagamento da propina, mas especialmente por  entregar a propina disfarçada de dinheiro limpo aos beneficiários. Em um primeiro  momento, o dinheiro ia das empreiteiras até o operador financeiro. Isso acontecia em  espécie,  por  movimentação  no  exterior  e  por  meio  de  contratos  simulados  com  empresas de fachada. Num segundo momento, o dinheiro ia do operador financeiro  até o beneficiário em espécie, por transferência no exterior ou mediante pagamento  de bens.   Acesso Público às Denúncias do MPF e Compartilhamento de Documentação  Probatória com a RFB   O Ministério Público Federal  ­ MPF  tornou pública a  consulta a alguns dos  processos judiciais formalizados no âmbito da Operação Lava Jato, fornecendo para  tanto  a  respectiva  chave  de  acesso.  Desta  forma,  duas  denúncias  oferecidas  pelo  MPF contra Augusto Ribeiro de Mendonça Neto e outros  se  tornaram públicas,  permitindo consulta também a toda a documentação probatória apresentada pelo  MPF, assim como aos acordos de colaboração premiada firmados com Augusto  Ribeiro de Mendonça Neto e outros.   Além do acesso público à documentação probatória  juntada às denúncias  oferecidas  pelo  MPF  o  compartilhamento  com  a  RFB  dos  Acordos  de  Colaboração  Premiada  homologados  pela  Justiça  Federal,  entre  eles  aqueles  firmados  com  Augusto  Ribeiro  de Mendonça  Neto  e  Julio  Gerin  de  Almeida  Camargo,  foi  deferido  pelo  Juiz  da  13ª  Vara  Federal  de  Curitiba,  conforme  decisão datada de 16/06/15, e encaminhado pelo Ministério Público Federal por  meio do Ofício nº 5216/2015 ­ PRPR datado de 26/06/15.   Ainda, o acesso ao processo que controla o Acordo de Leniência celebrado  pela SOG – Óleo e Gás S.A., Setec Tecnologia S.A., e pessoas físicas vinculadas  Fl. 5673DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.674          9 a  essas  empresas,  com  o  Conselho  Administrativo  de  Defesa  Econômica  ­  CADE,  também  foi  compartilhado  com  a  RFB,  conforme  Ofício  nº  4688/2015/CADE, de 31/08/15.   Os  documentos  referidos  foram  juntados  a  este  processo  administrativo  fiscal que controla os autos de infração resultantes desta ação fiscal.   Acordo  de  Colaboração  Premiada  com  Augusto  Ribeiro  de  Mendonça  Neto   O Sr. Augusto Ribeiro  de Mendonça Neto  era  o  principal  executivo  das  empresas controladas pela família Ribeiro de Mendonça.   Quanto  ao  acordo  de  delação  premiada  do  Sr.  Augusto  Ribeiro  de  Mendonça Neto a fiscalização destacou os seguintes pontos:   Cartel, “Clube” e Pagamento de Comissões a Diretores da Petrobras   ­ Que  no  final  dos  anos  90  as  empresas  interessadas  em  participar  das  licitações para a execução de obras para a Petrobras discutiram e ajustaram uma  forma  de  proteção  entre  si.  Dentro  de  um  programa  de  obras  as  empresas  escolhiam aquelas que lhe fossem mais adequadas e, em havendo acordo entre  elas,  as  demais  não  atrapalhariam  a  empresa  escolhida  quando  se  tornasse  pública a licitação. Que, se a empresa “A” escolhesse a usina “48”, quando essa  obra  fosse  licitada  as  demais  não  competiriam  com  a  empresa  “A”  nesse  certame. Que isso não significava necessariamente que a proteção fosse efetiva,  pois  outras  empresas  que  não  integravam  o  grupo  também  participavam.  Que  esse grupo de empresas era denominado de “Clube”. Que pela regra da época a  empresa que perdesse a sua oportunidade entrava no final da fila novamente;   ­ Que  no  início  dos  anos 2000 o  grupo  empresarial  de Augusto Mendonça,  referindo­se à Setal Construções (atual Setec Tecnologia S.A.) e a PEM Engenharia,  passou por enorme crise financeira que o levou à insolvência técnica. Que qualquer  contador ou economista que olhasse os números da empresa, teria certeza de que não  haveria  saída. Que  isso os  levou a vender os ativos que  tinham valor,  entre eles a  participação  na  Fels  Setal,  dedicada  à  construção  off­shore,  dentre  outras.  Que  a  partir  de  então  o  declarante  assumiu  a  gerência  de  todas  as  companhias  que  sobraram. Que, por  consequência,  começou a participar das obras  executadas pela  Setal Construções e,  por  conta disso,  a participar do  “Clube”, no  início dos  anos  2000;   ­ Que pouco antes da participação direta do declarante no “Clube”, durante o  ano  de  2004,  o  “Clube”  estabeleceu  uma  relação  com  o  diretor  de  engenharia  da  Petrobrás  Renato  Duque,  para  que  as  empresas  convidadas  para  cada  certame  fossem  as  indicadas  pelo  “Clube”,  de  maneira  que  o  resultado  pudesse  ser  mais  efetivo. Que o “Clube”  inicialmente composto por 8  (oito) empresas, passou a ser  composto por 16 (dezesseis) empresas. Que o resultado desses acordos passou a ser  muito  mais  efetivo  durante  um  período.  Que  outras  empresas,  além  das  16  (dezesseis) vieram a participar esporadicamente de algumas  licitações,  negociando  com o “Clube”. Que posteriormente ocorreu a derrocada do “Clube”, com perda da  sua  efetividade,  pois  a  Petrobrás,  entendendo  que  os  preços  praticados  estavam  abusivos, passou a incluir novas companhias fora do “Clube”, gerando uma situação  de” concorrência dentro da concorrência”;   Fl. 5674DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.675          10 ­  Que  todas  as  obras  discutidas  pelo  “Clube”  foram  obras  “on­shore”,  em  terra, e a grande maioria delas eram da área de abastecimento, cujo diretor era Paulo  Roberto Costa. Que o processo licitatório da Petrobras é feito por uma comissão de  licitação  e  que  nela  os  principais  níveis  de  decisão  eram  tomados  pelos  representantes da Diretoria de Engenharia e da Diretoria de Abastecimento. Que era  importante  que  Renato  Duque  e  Paulo  Roberto  Costa  conhecessem  a  lista  das  empresas que seriam convidadas, preparada pelo “Clube”;   ­ Augusto Mendonça afirmou que existia um “acerto de comissões” entre as  empresas do “Clube”, vencedoras das licitações, e os diretores Paulo Roberto Costa  e Renato Duque. Que essas comissões eram discutidas por cada empresa, sendo que  no caso do declarante o acerto foi com José Janene. Que existia mais ou menos uma  idéia do percentual que os diretores gostariam de receber por cada contrato. Que no  caso  do  declarante  era  de  1%  (hum  por  cento)  sobre  o  valor  do  contrato  para  a  Diretoria de Abastecimento, de Paulo Roberto Costa, e outros 2% (dois por cento)  para a Diretoria de Engenharia e Serviços, de Renato Duque. Que, apesar disso, na  negociação que o declarante fez com José Janene, acabou pagando em torno de 0,6%  (seis  décimos  de  um  por  cento)  em  vantagem  indevida  para  a  Diretoria  de  Abastecimento,  de  Paulo  Roberto  Costa,  e  em  torno  de  1,2%  (um  inteiro  e  dois  décimos de um por cento) ou 1,3% (um inteiro e três décimos de um por cento) para  o Diretor Renato Duque;   ­ Que a participação do declarante no “Clube” resultou em dois contratos: (i)  as  interligações  da  REPAR  ­  Refinaria  em  Araucária/PR  e  (ii)  duas  plantas  de  gasolina na REPLAN ­ Refinaria de Paulínia. Que nos dois casos a participação se  deu pela SOG ­ Óleo e Gás, em consórcio com a MPE e Mendes Junior, nos anos de  2007 e 2008. Que logo após 2005 a situação financeira da empresa do declarante era  de insolvência, pois estavam sem contrato e, por isso, sem receita e sem caixa. Que  em razão disso a adesão ao sistema do “Clube” era uma questão de sobrevivência da  companhia  do  declarante. Que  o  último  contrato,  ainda  dentro  do  “Clube”,  foi  da  TECAB  ­  Terminal  de  Gás  de  Cabiúnas.  Que  o  “Clube”  passou  a  ser  ineficaz  e  também houve a saída de Renato Duque. Que isso se deu no final de 2010, início de  2011;   Insolvência  do Grupo  Empresarial  da Setal  Construções  e Constituição  da  SOG  Que  em  2004  e  2005  a  Setal  Construções  e  seu  grupo  empresarial  demonstrou­se tecnicamente insolvente. Por exemplo, houve 59 (cinquenta e nove)  pedidos de falência quase simultâneos e uma dívida tributária impagável. Que apesar  dos 40 (quarenta) anos de relacionamento que já  tinham com a Petrobras e que os  considerava  uma  das  melhores  empresas  de  engenharia  do  Brasil,  perderam  completamente  a  capacidade  de  trabalhar,  não  só  pela  situação  financeira,  mas  também cadastral;   ­ Que, a partir daí, tomaram a decisão de criar uma nova companhia, a SOG ­  Óleo  e  Gás,  com  outra  configuração  societária,  venderam  todos  os  ativos  que  tinham  valor  e  constituíram  um  pouco  de  capital  na  nova  companhia  e  iniciaram  “uma nova  vida”  com a Petrobras,  embora  numa  situação  extremamente  de  risco,  visto  que  não  tinham  contrato  e  tinham  uma  estrutura  enorme  e  custosa  para  carregar;   ­ Que com a quebra técnica da Setal Construções foi aberta a SOG ­ Óleo e  Gás (cujo nome fantasia era Setal Óleo e Gás), com outra configuração societária, e  a Setal Construções passou  a  se  chamar Setec Tecnologia S.A. Que  na  verdade  a  Fl. 5675DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.676          11 Setec Construções ficou com um acervo técnico e o vendia para a SOG para pagar  suas dívidas;   Pagamento de Propinas – Geral   Que  houve  pagamento  de  propinas  nos  seguintes  contratos  firmados  com  a  Petrobras: (1) Terminal de Cabiúnas 2, firmado pelo Consórcio TSGÁS, composto  pelas  empresas Toyo Engeneering  e SOG ­ Óleo e Gás,  no  final de 2007, não  se  recordando  o  valor;  (2)  REVAP  ­  Refinaria  Henrique  Lage,  em  São  José  dos  Campos/SP,  firmado  pelo  Consórcio  ECOVAP,  composto  pelas  empresas  Toyo  Engeneering e SOG ­ Óleo e Gás, no final de 2007, no valor aproximado de R$ 1,5  bilhões;  (3)  REPLAN  ­  Refinaria  de  Paulínia,  em  Paulínia/SP,  firmado  pelo  Consórcio CMMS, composto pelas empresas Mendes Junior, MPE e SOG ­ Óleo e  Gás, no final de 2007, no valor aproximado de R$ 1 bilhão; (4) REPAR ­ Refinaria  Presidente Getúlio Vargas, em Araucária/PR, firmado pelo Consórcio INTERPAR,  composto  pelas  empresas  Mendes  Junior,  MPE  e  SOG  ­  Óleo  e  Gás,  no  valor  aproximado  de  R$  2,4  bilhões,  no  ano  de  2008  e  (5)  Terminal  Cabiúnas  3,  em  Macaé/RJ, firmado pelo Consórcio SPS, composto pelas empresas Skanska, Promon  e SOG ­ Óleo e Gás, na faixa de R$ 1 bilhão, no ano de 2011;   Pagamento de Propinas nos Consórcios (1) TSGÁS e (2) ECOVAP: Que nos  consórcios  (1)  TSGÁS  e  (2)  ECOVAP,  a  Toyo  Engeneering  era  a  empresa  líder.  Que  esses  contratos  não  foram  negociados  dentro  do  “Clube”,  formado  pelas  empresas cartelizadas. Que nesses consórcios a SOG foi  representada de fato pelo  declarante e formalmente por José Luiz Fernandes. Que na negociação que resultou  nesses dois contratos o declarante não  teve participação. Que na época em que os  contratos  foram  firmados  o  declarante  desconhecia  que  havia  solicitação  de  vantagem indevida (propina) para a efetivação dos mesmos. Que ficou sabendo que  houve  pagamento  de  propinas  por  intermédio  de  Julio  Camargo,  por  conta  do  Acordo  de  Colaboração.  Que,  segundo  Julio  Camargo,  foi  ele  quem  negociou  o  quanto, como e para quem seria pago propina por conta dos contratos. Que  foram  firmados  contratos  de prestação  de  serviços  de  assessoria  entre  esses  consórcios  e  Julio Camargo;   Pagamento  de Propinas  ­ Consórcio CMMS  relativo  à  (3) REPLAN: Que  a  respeito  do  Consórcio  CMMS,  relativo  à  (3)  REPLAN  ­  Refinaria  de  Paulínia,  o  mesmo foi negociado dentro do “Clube”. Que a SOG foi representada de fato pelo  declarante e formalmente por José Luiz Fernandes, salvo engano. Que nesse contrato  o  declarante  foi  o  responsável  por  negociar  quanto  seria  pago  de  propina  (“comissões”)  e  por  operacionalizar  os  pagamentos. Que  o  declarante  negociou  o  pagamento das propinas com José Janene e com Renato Duque ou Pedro Barusco,  este gerente da área de engenharia da Petrobras. Que José Janene e Renato Duque  exigia  cada qual,  de  forma  independente, a  sua parte  consistente  em propina. Que  não se recorda quanto cada um deles exigiu, mas o total pago, salvo engano, foi de  R$  20  milhões.  Que  para  operacionalizar  tais  pagamentos  o  Consórcio  CMMS  firmou  contratos  simulados  com  empresas  indicadas  pelo  declarante,  não  se  recordando  o  nome  das  mesmas,  mas  se  compromete  a  fornecê­las.  Que  provavelmente se tratavam de contratos de prestação de serviços, mas sem execução  real. Que essas empresas emitiram notas fiscais no valor de aproximadamente R$ 20  milhões em favor do Consórcio CMMS e este transferiu os valores correspondentes  para  as  contas  das  mesmas.  Que  essas  empresas  após  receberem  os  recursos  do  Consórcio CMMS efetivaram diretamente os pagamentos para Renato Duque e José  Janene. Que não se  recorda do nome do responsável por  tais empresas. Que muito  provavelmente  houve  participação  de  Alberto  Youssef,  por  intermédio  de  suas  empresas,  na  operacionalização  de  tais  pagamentos.  Que  toda  a  negociação  e  o  Fl. 5676DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.677          12 pagamento  das  propinas  se  deu  sob  o  conhecimento  de Marco Aurélio  e  Alberto  Vilaça, representantes, respectivamente, da MPE e da Mendes Junior, no consórcio e  no “Clube”;   Pagamento de Propinas ­ Consórcio INTERPAR relativo à (4) REPAR: Que a  respeito  do  Consórcio  INTERPAR,  relativo  à  (4)  REPAR  ­  Refinaria  Presidente  Getúlio Vargas, o mesmo foi negociado dentro do “Clube”. Que a empresa líder do  consórcio  era  a  SOG  ­  Óleo  e  Gás,  representada  de  fato  pelo  declarante  e  formalmente  por  José Luiz  Fernandes. Que  a Mendes  Junior  era  representada  por  Alberto  Vilaça  e  a  MPE  por  Marco  Aurélio.  Que  nesse  contrato  da  REPAR  o  declarante ficou responsável, dentro do Consórcio INTERPAR, por negociar quanto  seria pago de propina  (“comissões”)  e por operacionalizar os pagamentos. Que da  mesma  forma  da  REPLAN  o  declarante  negociou  diretamente  o  pagamento  das  propinas com José Janene e com Renato Duque ou Pedro Barusco. Que a exigência  feita por José  Janene, que  também agia  em nome de Paulo Roberto Costa,  foi  em  torno  de  1%  sobre  os  contratos,  mas  acabou­se  pagando  R$  20  milhões  aproximadamente pelo contrato da REPAR após as “duras negociações”. Que todos  os  valores  consistentes  em  propinas  saíram  da  conta  corrente  do  Consórcio  INTERPAR, sendo feitas operações posteriormente conforme o destinatário. Que do  total  pago  em  propinas,  que  foi  em  torno  de  R$  70  milhões,  cada  empresa  do  Consórcio INTERPAR participou com 1/3. Que os valores eram divididos conforme  o prazo da obra e pagos em parcelas iguais, bimestrais, desprezando­se os primeiros  meses em que a obra tinha pouco faturamento. Que o contrato iniciou­se em julho de  2008  e  o  último  evento  dele  aconteceu  em  janeiro  de  2013.  Que  José  Janene  apresentou Alberto Youssef ao declarante no escritório daquele em São Paulo/SP e  disse que Youssef seria quem iria operacionalizar a cobrança das propinas. Que após  o  falecimento  de  José  Janene,  Alberto  Youssef  passou  a  agir  sozinho.  Que  os  pagamentos  de  vantagem  indevida  se  deram  entre  março  de  2009  a  fevereiro  de  2012,  sendo  todas pagas mediante  transferências, por conta e ordem da Setec, das  contas das empresas Tipuana Participações Ltda. e Projetec Tecnologia para as  empresas MO Consultoria, Empreiteira Rigidez e RCI, de Alberto Youssef. Que a  Setec  Tecnologia,  após  receber  recursos  do  Consórcio  INTERPAR,  firmou  contratos simulados com essas  três empresas, em contrapartida à emissão de notas  fiscais para a Setec e a posterior transferência de valores das contas da Tipuana e da  Projetec  à  MO,  Rigidez  e  RCI.  Que  o  declarante  apresenta  neste  momento  os  contratos firmados entre a Setec e tais empresas, as notas fiscais que elas emitiram e  os  comprovantes  de  transferência  bancária  para  as  mesmas.  Que  acerca  da  operacionalização  do  pagamento  de  propinas  para  o  Diretor  de  Engenharia  da  Petrobrás Renato Duque, o declarante negociou diretamente com o mesmo e acertou  pagar a quantia de R$ 50 a R$ 60 milhões, o que foi feito entre 2008 e 2011. Que  Renato Duque  tinha um gerente chamado Pedro Barusco que, agindo em nome de  Renato Duque, foi quem mais tratou com o declarante. Que os pagamentos se deram  de  três  formas:  (i)  parcelas  em  dinheiro  em  espécie;  (ii)  remessas  em  contas  indicadas no exterior e (iii) doações oficiais ao Partido dos Trabalhadores ­ PT. Que  para gerar a saída de recursos do consórcio, a Setec e a PEM Engenharia fizeram  contratos  simulados  com  as  seguintes  empresas:  Legend,  Soterra,  Power,  SM  Terraplenagem  e  Rockstar.  Que  os  contratos  simulados  eram  de  aluguéis  de  equipamentos  e  terraplenagem  para  obras  da  REPAR  e  apresenta  neste  momento  contratos  e  notas  fiscais  nesse  sentido.  Que  essas  empresas  eram  pagas  na  sua  maioria  por  transferências  bancárias,  por  conta  e  ordem  de  Setec,  das  contas  das  empresas Tipuana  e Projetec,  e  as  empresas  destinatárias  disponibilizavam  reais  em  espécie  ou  remetiam  os  valores  ao  exterior.  Que  na  realidade  os  pagamentos  feitos  em  nome  da  Setec  se  deram  mediante  contas  titularizadas  pelas  empresas  Tipuana  e  Projetec,  ambas  do  declarante,  uma  vez  que  a  Setec  tinha  a  conta  corrente  bloqueada  à  época.  Que  os  recursos  em  espécie  eram  entregues  no  Fl. 5677DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.678          13 escritório  do  declarante  em  São  Paulo/SP,  na  Rua  Paul  Valery,  n.  255,  bairro  Chácara  Santo Antônio,  normalmente  por  carro  forte. Que Renato Duque  remetia  então  um  emissário  ao  escritório,  conhecido  por  “Tigrão”,  o  qual  retirava  os  montantes. Que outras vezes, Pedro Barusco pediu para que fosse entregue dinheiro  em espécie em um escritório em São Paulo/SP, e representantes das empresas acima  entregavam.  Que  os  pagamentos  no  exterior  eram  destinados  a  uma  única  conta,  denominada “Marinelo”, que foi indicada por Renato Duque ao declarante que, por  sua  vez,  a  repassou  a  Dario  Teixeira,  o  qual  operacionalizava  as  notas  fiscais,  pagamentos  e  instruções  no  âmbito  das  empresas  Legend,  Soterra,  Power,  SM  Terraplenagem  e  Rockstar.  Que  o  declarante  irá  apresentar  documentos  que  permitam  identificar  a  conta  no  exterior  referida  (país,  banco  e  titular).  Que  posteriormente o declarante ficou sabendo que todas as empresas acima faziam parte  do esquema criminoso envolvendo a empresa Delta, que eram controladas por Assaf,  como  divulgado  na  mídia.  Que  indagado  se  Julio  Camargo  operacionalizou  o  pagamento de propina no âmbito da REPAR em favor de Renato Duque, afirma que  uma parte  sim. Que  foi  formalizado um contrato  entre o Consórcio  INTERPAR e  uma  das  empresas  de  Julio  Camargo,  salvo  engano  a  Piemonte,  de  prestação  de  serviços,  no  valor  de R$ 33 milhões,  sendo que  aproximadamente R$ 20 milhões  foram  transferidos  por  Julio  Camargo  no  exterior  para  conta  indicada  por  Renato  Duque,  denominada  “Marinelo”.  Que  outra  forma  utilizada  para  o  pagamento  de  propinas  a  Renato  Duque,  relacionadas  ao  contrato  da  REPAR,  foi  mediante  a  realização  de  doações  oficiais  por meio  das  empresas Setec, PEM Engenharia  e  SOG ­ Óleo e Gás ao Partido dos Trabalhadores ­ PT. Que Renato Duque solicitou  ao declarante que realizasse as doações, as quais foram feitas entre os anos de 2008  a 2011. Que se compromete a apresentar documentação nesse sentido. Que o valor  das contribuições foi de aproximadamente R$ 4 milhões ao longo dos anos de 2008  a 2011.   Pagamento  de Propinas  ­ Consórcio SPS e  (5) Terminal Cabiúnas  3: Que  a  respeito do Consórcio SPS e (5) Terminal Cabiúnas 3, o contrato foi firmado entre o  consórcio composto pela SOG ­ Óleo e Gás, representada de fato pelo declarante e  formalmente por Maurício Godoy, pela Promon Engenharia,  representada por José  Otávio,  e  pela  Skanska,  representada  por  Cláudio  Lima.  Que  a  Skanska  era  a  empresa  líder  do  consórcio.  Que  indagado  se  houve  lista  formada  pelo  “Clube”  enviada a Diretores da Petrobras, afirma que houve uma tentativa de se formar a lista  por  meio  do  “Clube”,  mas  acredita  que  isso  não  se  efetivou,  pois  como  em  tal  oportunidade já não havia mais efetividade no âmbito do “Clube”, e as tentativas de  se fazer um acordo na TECAB foram levadas até o final, apesar de o declarante não  considerar que houve uma combinação efetiva, houve uma exigência de vantagem  indevida feita por Renato Duque em receber uma “comissão” sobre tal contrato, do  valor aproximado, salvo engano, entre R$ 10 a R$ 20 milhões. Que como o assunto  não  foi  efetivo,  as  outras  consorciadas,  Promon  e  Skanska,  se  negaram  a  fazer  qualquer tipo de acerto, e como o declarante era quem tinha se comprometido com  Renato Duque em fase anterior na tentativa de que houvesse acordo, ele pressionou  muito o declarante para que houvesse pagamentos e o declarante acabou pagando R$  3 milhões, mas foi reembolsado pelo consórcio, por meio de notas fiscais faturadas  diretamente  ao  Consórcio  SPS  por  sua  empresa  Energex.  Que  dessa  forma,  o  declarante  emitiu  em  torno  de R$  3 milhões  em  notas  fiscais  da Energex  para  o  consórcio, simulando prestação de serviços do declarante. Que pagou o valor de R$  3 milhões para Renato Duque, mediante  transferência do valor correspondente em  dólares  de  sua  conta  mantida  no  banco  Safra  Panamá,  em  nome  da  companhia  Stowaway para a conta Marinelo de Renato Duque. Que o valor foi de mais de US$  1 milhão de dólares  e  este  foi  o único pagamento  feito desta  conta no  exterior do  declarante  em  favor  de  Renato  Duque.  Que  se  compromete  a  apresentar  o  comprovante da transação da quantia em dólares em favor de Renato Duque;   Fl. 5678DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.679          14 Ainda  com  suporte  na  delação  premiada  do  Sr.  Augusto  Mendonça  a  fiscalização destacou resumidamente as seguintes situações:   O  Consórcio  Interpar,  integrado  pela  Mendes  Junior  Trading  e  Engenharia  S.A., MPE Montagens e Projetos Especiais S.A. e a SOG ­ Óleo e Gás S.A.(líder),  para  viabilizar  o  pagamento  de  propinas  a  agentes  públicos,  funcionários  da  Petrobrás,  celebrou  contrato  de  prestação  de  serviços  fictícios  com  a  Setal  Engenharia  Construções  e  Perfurações  S.A.,  posteriormente  denominada  Setec  Tecnologia S.A., empresa do grupo empresarial de Augusto Mendonça, que por sua  vez  celebrou  contratos  de  prestação  de  serviços  fictícios  com  as  empresas  MO  Consultoria, Empreiteira Rigidez e RCI Software, controladas por Alberto Youssef  ou interpostas pessoas do mesmo, e Legend Engenheiros Associados Ltda., Soterra  Terraplenagem,  Power  To  Ten  Engenharia  Ltda.,  SM  Terraplenagem  Ltda.  e  Rockstar Marketing  Ltda.,  controladas  por  Adir  Assad  ou  interpostas  pessoas  do  mesmo.  Os  pagamentos  a  essas  empresas  foi  realizado  por  meio  das  empresas  Projetec  Projetos  e  Tecnologia  Ltda.  e  Tipuana  Participações  Ltda.,  também  integrantes  do  grupo  empresarial  de  Augusto  Mendonça,  por  conta  e  ordem  da  Setec. Com esse mesmo objetivo o Consórcio Interpar também celebrou contrato de  prestação  de  serviços,  parcialmente  fictícios  de  acordo  com  Augusto  Mendonça,  com  a Auguri  Empreendimentos,  empresa  controlada  por  Julio Gerin  de Almeida  Camargo.   O Consórcio SPS, integrado pela SOG ­ Óleo e Gás S.A., Promon Engenharia  S.A.  e  pela Skanska Brasil Ltda.(líder),  para  reembolsar o  pagamento  de propinas  efetuado  pessoalmente  por  Augusto  Mendonça  a  Renato  Duque,  diretor  da  Petrobrás,  celebrou  contrato  de  prestação  de  serviços  fictícios  com  a  Energex,  empresa de propriedade de Augusto Mendonça.   O Consórcio CMMS, integrado pela SOG ­ Óleo e Gás S.A., MPE Montagens  e Projetos Especiais S.A. e Mendes Junior Trading e Engenharia S.A.  (líder), para  viabilizar  o  pagamento  de  propinas  a  agentes  públicos,  funcionários  da  Petrobrás,  celebrou  contratos  de  prestação  de  serviços  fictícios  com  as  empresas  GFD,  controlada  por Alberto Youssef  ou  por  interpostas  pessoas  do mesmo, Riomarine,  empresa  de  Mario  Goes,  Credencial  Construtora  Empreendimentos  e  Representações, Gifer Consultoria e CIB Consultoria e Serviços Ambientais.   A SOG ­ Óleo e Gás S.A. e a Setec Tecnologia S.A. celebraram contratos de  prestação de  serviços  fictícios  com a Editora Gráfica Atitude Ltda.  para viabilizar  recursos  destinados  ao  Partido  dos  Trabalhadores  ­  PT,  cujos  montantes  seriam  baixados dos valores de propinas destinados aos agentes políticos,  funcionários da  Petrobrás. Os pagamentos foram realizados pela própria SOG e por intermédio das  empresas  Projetec  e  Tipuana,  integrantes  do  grupo  empresarial  de  Augusto  Mendonça, por conta e ordem da SOG e da Setec.   Acordo de Colaboração Premiada com Julio Gerin de Almeida Camargo   Julio  Gerin  de  Almeida  Camargo,  CPF  nº  416.165.708­06,  doravante  denominado  simplesmente  “Julio  Camargo”,  é  empresário  que  atuava  junto  a  Petrobrás  ora  representando  empresas  estrangeiras  que  desejavam  fazer  negócios  com a estatal, ora assessorando grupos nacionais que tinham o mesmo objetivo.   Julio  Camargo  firmou  Termo  de  Colaboração  Premiada  com  o  Ministério  Público Federal ­ MPF na data de 22/10/14, no âmbito da operação Lava Jato. Esse  documento  contém  as  bases  do  acordo  celebrado  e  as  condições  da  proposta  feita  pelo  MPF  e  aceitas  pelo  colaborador.  Esse  termo  também  é  composto  por  19  (dezenove)  anexos  que  descrevem  os  tópicos  sobre  os  quais  o  colaborador  se  Fl. 5679DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.680          15 comprometeu a prestar declarações detalhadas, fornecendo documentos e meios de  prova  que  possuísse  direta  ou  indiretamente.  Essas  declarações  detalhadas  foram  prestadas  por  meio  de  diversos  Termos  de  Colaboração  firmados  em  datas  subsequentes.  O  Acordo  de  Colaboração  Premiada,  Anexos  e  Termos  de  Colaboração foram juntados ao processo administrativo fiscal que controla os autos  de infração resultantes desta ação fiscal.   Relativamente à SOG Julio Camargo declarou, no Termo de Colaboração nº  01, página 5, datado de 31/10/14, ter assessorado o Consórcio Interpar nas tratativas  com a Petrobrás  relativas a  licitações no âmbito da REPAR  ­ Refinaria Presidente  Getúlio  Vargas.  Declarou  que  houve  a  solicitação  de  pagamento  de  propinas  por  Renato Duque e Pedro Barusco, funcionários da Petrobrás. As propinas foram pagas  a  partir  das  comissões  recebidas  do  Consórcio  Interpar  pela  empresa  de  Julio  Camargo, a Auguri Empreendimentos e Assessoria Comercial Ltda., em decorrência  de contrato de prestação de serviços de consultoria a serem prestados pela Auguri ao  consórcio. As informações a esse respeito foram reafirmadas e complementadas por  Julio Camargo no Termo de Colaboração Complementar nº 01, datado de 10/03/15,  páginas 1 a 3.   Acordos de Leniência   Além do Acordo de Colaboração Premiada celebrado por Augusto Mendonça  com  o MPF,  algumas  empresas  do  seu  grupo  empresarial  celebraram Acordos  de  Leniência  com  o MPF  e  com  o Conselho Administrativo  de Defesa  Econômica  ­  CADE.  O  Acordo  de  Leniência  com  o  CADÊ  também  foi  subscrito  por  diversas  pessoas físicas  ligadas à SOG ­ Óleo e Gás e à Setal Construções/Setec. Por meio  desses instrumentos os signatários se comprometeram a trazer ao conhecimento das  autoridades  públicas  fatos  e  provas  relevantes  e  a  auxiliá­las  na  investigação  das  atividades  ilícitas  de  formação  de  cartel  para  fraudar  licitações  públicas  da  Petrobrás, e a distribuição de vantagens ilícitas e  indevidas, em decorrência dessas  atividades, a diversos agentes públicos e privados.   Inaptidão e Baixa de Ofício de Fornecedores  Augusto  Mendonça  declarou  nos  Termos  de  Colaboração  que  para  vencer  concorrência  fraudulenta destinada  a  executar obras para a Petrobrás,  na Refinaria  Presidente  Getúlio  Vargas  ­  REPAR,  o  Consórcio  Interpar,  integrado  pela  SOG,  Mendes  Junior  Trading  e  Engenharia  S.A.,  doravante  denominada  simplesmente  “Mendes  Junior”,  e  MPE  Montagens  e  Projetos  Especiais  S.A.,  doravante  denominada  simplesmente  “MPE”,  comprometeu­se  a  pagar  propinas  para  funcionários de  alto  escalão daquela estatal,  compreendendo Paulo Roberto Costa,  Diretor  de Abastecimento,  e Renato Duque, Diretor de Serviços  e Pedro Barusco,  Gerente de Engenharia e funcionário subordinado a Renato Duque.   Com o propósito de operacionalizar o pagamento dessas propinas o Consórcio  Interpar  firmou  contrato  de  prestação  de  serviços  com  a  Setal  Engenharia  Construções e Perfurações S.A., denominação anterior da Setec Tecnologia S.A. Os  serviços  contratados,  de  consultoria,  assessoria,  etc,  nunca  foram  prestados  pela  Setec ao Consórcio  Interpar. Serviram  tão  somente para  justificar o pagamento de  valores pelo Consórcio Interpar à Setec.   As  propinas  negociadas  no  âmbito  da  Diretoria  de  Abastecimento  da  Petrobrás foram pagas pela Setec a empresas indicadas por Alberto Youssef: M.O.  Consultoria Comercial e Laudos Estatísticos Ltda.­EPP, RCI Software e Hardware  Ltda. e Empreiteira Rigidez Ltda. As propinas negociadas no âmbito da Diretoria de  Serviços  da  Petrobrás  foram  pagas  pela  Setec  a  empresas  indicadas  por  Dario  Fl. 5680DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.681          16 Teixeira  que,  segundo  declarou  Augusto  Mendonça,  o  mesmo  veio  a  saber  mais  tarde  que  pertenceriam  a  Adir  Assad  ou  interpostas  pessoas  do  mesmo:  SM  Terraplenagem  Ltda.,  Power  To  Ten  Engenharia  Ltda.,  Legend  Engenheiros  Associados Ltda., Soterra Terraplenagem e Locação de Equipamentos Ltda. e Rock  Star  Marketing  Ltda.  Os  pagamentos  da  Setec  a  essas  empresas  também  foram  amparados em contratos de prestação de serviços fictícios que a Setec celebrou com  as mesmas. Ou seja, da mesma forma que a Setec não prestou serviços ao Consórcio  Interpar, as empresas  indicadas por Alberto Youssef e Dario Teixeira  também não  prestaram qualquer serviço à Setec. Os serviços contratados, de consultoria, aluguel  de equipamentos e serviços de terraplenagem, nunca foram prestados pelas empresas  à Setec. A respeito dos pagamentos às empresas vinculadas a Adir Assad, Augusto  Mendonça  retificou  declarações  anteriores  e  afirmou  que  parte  dos  recursos,  no  valor equivalente a US$ 6 milhões não foram destinados ao pagamento de propinas  para Renato Duque, da Diretoria de Serviços, mas depositados em empresa de sua  propriedade sediada no exterior, conforme subitem 2.5.1 do TVF.   As  empresas  indicadas  por  Dario  Teixeira  já  haviam  sido  objeto  de  investigação em operações da Polícia Federal anteriores à Operação Lava Jato. As  operações  da  Polícia  Federal  denominadas  de  Operação  Saqueador  e  Operação  Monte Carlo,  que  tinham  como  foco  investigar  as  atividades  da  empreiteira Delta  Construções S.A.   Na  RFB  foram  desenvolvidas  diversas  ações  fiscais  relativas  a  empresas  envolvidas nas operações Saqueador, Monte Carlo e Lava Jato da Polícia Federal.  No que diz respeito a esta fiscalização, foram declaradas inaptas e/ou posteriormente  baixadas de oficio a inscrição no CNPJ das seguintes empresas:   Rock Star Marketing Ltda;   SM Terraplenagem Ltda;   Power to Ten Engenharia Ltda;  Soterra Terraplenagem e Locação de Equipam. Ltda – EPP;   Legend Engenheiros Associados Ltda. – EPP;   Empreiteira Rigidez Ltda;   RCI Software e Hardware Ltda.   A  fiscalização  procedeu  diligências  em  diversas  empresas  (TVF  itens  3.3  à  3.8) visando obter informações a respeito de operações realizadas com empresas do  grupo empresarial do Sr. Augusto Mendonça.   A fiscalização diligenciou (iten 3.9 do TVF) a DFS Participação e Consultoria  Empresarial Ltda visando obter informações a respeito de operações realizadas com  a Setec.   No que  concerne  à  comprovação  da  efetiva  prestação  de  serviços  à Setec  a  DFS nada apresentou.   Contratos de Administração de Recursos Financeiros de Setec com Tipuana e  Projetec   A  Setec  celebrou  em  01/01/08,  por  tempo  indeterminado,  contratos  de  administração  de  recursos  financeiros  com  suas  empresas  coligadas  Tipuana  e  Fl. 5681DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.682          17 Projetec. Cópias dos referidos contratos, juntados no processo que controla os Autos  de Infração lavrados em decorrência da presente fiscalização, foram fornecidos pelas  respectivas empresas no âmbito de ações fiscais desenvolvidas junto às mesmas.   Por  meio  dos  contratos  a  Tipuana  e  a  Projetec  prestavam  serviços  de  administração  de  recebimentos  e  pagamentos  em  nome  da  Setec,  isto  é,  o  fluxo  financeiro de determinados recebimentos destinados à Setec eram pagos à Tipuana e  ou à Projetec, assim como o fluxo de determinados pagamentos a encargo da Setec  eram efetuados pela Tipuana e ou pela Projetec. Como remuneração pelos serviços  os contratos estipulavam que a Tipuana e a Projetec fariam jus “à receita financeira  obtida no mercado financeiro com os recursos financeiros por ela administrados” em  decorrência dos contratos.   De maneira idêntica, pagamento por supostos serviços prestados à Setec por  outras  empresas,  entre  as  quais  aquelas  controladas  por  Augusto  Mendonça  e  membros  da  família  Ribeiro  de  Mendonça,  tais  como  a  Energex,  Yellowwood,  Pataccas,  Sinergia,  MSML  e  CMX,  foram  pagos  pela  Setec  por  meio  de  contas  bancárias da titularidade da Tipuana e da Projetec.   INFRAÇÕES APURADAS   Custos e Despesas Não Comprovados  Por meio  dos  itens  6,  7  e  8  do TIF  nº  01,  a  fiscalização  intimou  a  Setec  a  apresentar,  relativamente  às  empresas  listadas  naquele  termo  o  seguinte  a)  demonstrativo, extraído da sua contabilidade, contendo a totalidade dos lançamentos  contábeis  pertinentes  aos  pagamentos  efetuados  às  empresas  relacionadas,  com  identificação de datas, valores e contas contábeis utilizadas; b) informação em quais  linhas  da  ficha  04A  ­  Custo  dos  Bens  e  Serviços  Vendidos  e/ou  da  ficha  05A  ­  Despesas  Operacionais  da  DIPJ,  foram  incluídos  os  custos  e  despesas  correspondentes aos pagamentos efetuados às empresas relacionadas, para cada ano­ calendário  do  período  sob  fiscalização  e  c)  relativamente  aos  custos  e  despesas  referidos  em  “b”,  informar  se  os  mesmos  foram  considerados  como  parcelas  dedutíveis ou não dedutíveis na apuração do lucro real. Na eventualidade de terem  sido  considerados  indedutíveis  foi  solicitado demonstrar  sua  exclusão na  apuração  do lucro real de cada período sob fiscalização.   Despesas da Setec com Energex Group Representação e Consultoria Ltda   Por  meio  dos  itens  1  a  3  do  TIF  nº  01  o  sujeito  passivo  foi  intimado  a  apresentar  cópias  de  notas  fiscais,  comprovantes  de  pagamento  e  contratos  de  prestação  de  serviços  pertinentes  a  pagamentos  efetuados  a  diversas  empresas  no  período  sob  fiscalização,  entre  as  quais  a  Energex. Decorrido  o  prazo  fixado  pela  fiscalização o sujeito passivo nada apresentou, sendo objeto de reintimação por meio  dos itens 1 a 3 do TIF nº 03.   Por intermédio das correspondências datadas de 16/07/15, 31/07/15, 08/09/15  e 23/09/15 o sujeito passivo apresentou as cópias das notas fiscais de prestação de  serviços  emitidas  pela  Energex  e  comprovantes  de  pagamento  das  mesmas,  relacionados  em  planilhas  que  capeavam  esses  documentos.  Não  foi  apresentado  nenhum contrato de prestação de serviços celebrado entre a Setec e a Energex aos  quais estivessem vinculadas as notas fiscais apresentadas. Na ausência de contrato,  ambas  as  empresas  foram  intimadas  a  fornecer  declaração  detalhando  de  forma  minuciosa os  serviços prestados e nada esclareceram a  esse  respeito. Constatamos  que  todas  as  notas  fiscais  apresentadas,  emitidas  pela  Energex  para  a  Setec  no  período  sob  fiscalização,  se  referiam  à  prestação  de  serviços  de  assessoria  e  Fl. 5682DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.683          18 consultoria  em  engenharia  As  discrepâncias  de  dados  porventura  observadas  pela  fiscalização foram objeto de  intimação e de  correspondências do  sujeito passivo  a  esse respeito para saneá­las.   A  fiscalização  constatou  que  os  pagamentos  das  notas  fiscais  emitidas  pela  Energex  à  Setec  foram  realizados  a  partir  de  contas  bancárias  de  titularidade  da  Projetec e Tipuana. Questionado a esse respeito o sujeito passivo informou que esse  procedimento  foi  adotado com  suporte  em  contratos de  administração  do  contas  a  pagar e a receber celebrados com as referidas empresas.   A  fiscalização  constatou  também,  com  suporte  nos  comprovantes  de  pagamento apresentados, que os valores pertinentes a diversas notas fiscais emitidas  nos anos­calendário de 2010 e 2011 não foram pagos pela Setec à Energex, mas a  favor de Gisele Cocchiararo Fraga Ribeiro de Mendonça, CPF nº 000.011.387­58,  doravante denominada simplesmente “Gisele Fraga”. Ainda, o valor correspondente  a  uma  nota  fiscal  emitida  pela  Energex  no  ano­calendário  de  2011  foi  pago  pela  Setec  para  a  empresa  Yellowwood,  cujo  controle  societário  pertence  99,9%  a  Augusto Mendonça como informado no subitem 3.4 do  A Setec questionada informou que Gisele Fraga era sócia quotista da Energex  e  que  por  decisão  dos  sócios  da  Energex  esses  pagamentos  foram  destinados  diretamente  à  sócia  quotista.  Instada  pela  fiscalização  para  apresentar  a  correspondente  instrução  dos  sócios  da  Energex  para  que  a  Setec  efetuasse  os  pagamentos  diretamente  a  Gisele  Fraga,  a  Setec  informou  que  não  possuía  essa  documentação e que a solicitação havia sido verbal.   Conforme  consta  subitem  3.3  do  TVF,  no  período  compreendido  entre  15/04/09  a  22/11/11,  Gisele  Cocchiararo  Fraga  Ribeiro  de  Mendonça  detinha  1  (uma)  quota  do  capital  social  da  Energex  e  à  época  era  cônjuge  de  Augusto  Mendonça.   O sujeito passivo foi reiteradamente intimado a comprovar a efetiva prestação  de serviços que  lhe  teriam sido prestados no período sob  fiscalização por diversas  empresas,  incluindo­se  a  Energex,  assim  como  a  fornecer  documentação  identificando os técnicos que realizaram os trabalhos, conforme itens 4 e 5 do TIF nº  01 e itens 4 e 5 do TIF nº 03. Todavia, nada apresentou a esse respeito.   Conforme  apontado  no  subitem  3.3  do  TVF,  a  Energex  também  foi  reiteradamente intimada a comprovar a efetiva prestação de serviços à Setec, assim  como  a  identidade  e  qualificação  dos  profissionais  que  executaram  os  serviços,  contudo nada apresentou.   Em  consulta  ao  sistema  GFIP  a  fiscalização  constatou  que  a  Energex  não  informou  a  existência  de  nenhum  vínculo  empregatício  no  período  de  Janeiro  de  2010  a  Dezembro  de  2013.  Em  consulta  às  DIRFs  apresentadas  pela  empresa,  relativas  ao  período  sob  fiscalização,  a  fiscalização  constatou  que  a  Energex  declarou  ter  efetuado  pagamentos  por  serviços  profissionais prestados por pessoas  jurídicas nos anos­calendário de 2010, 2011 e 2013 a uma única empresa, a Kanaan  Assessoria  Contábil  e  Fiscal  Ltda.,  CNPJ  nº  62.279.021/0001­45,  a  qual  é  responsável  pelos  serviços  de  contabilidade  da  Energex.  Relativamente  a  pagamentos a pessoas físicas a Energex informou ter pagado em 2012 a quantia de  R$  1.000,00  (mil  reais)  a  seu  sócio  Augusto Mendonça.  Ou  seja,  a  empresa  não  informou  a  existência  de  empregados  próprios  ou  pagamentos  a  terceiros,  com  retenção de tributos na fonte, exceto o pagamento de R$ 1.000,00 em 2012, para a  execução dos serviços supostamente prestados no período em questão.   Fl. 5683DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.684          19 Considerando­se, adicionalmente, que a Energex é de propriedade de Augusto  Mendonça,  sócio  da PEM Engenharia Ltda.,  a  qual  por  sua  vez  é  controladora da  Setec,  e  que  Augusto  Mendonça  é  administrador  da  Energex  e  da  Setec,  a  fiscalização  entendeu  ficar  evidenciado  que  as  pessoas  físicas  controladoras  da  Energex  e  da  Setec  são  partes  vinculadas.  Em  decorrência,  com  maior  razão  deveriam  provar  de  forma  minuciosa,  exaustiva  e  amplamente  documentada  a  efetividade  das  operações  que  deram  origem  aos  pagamentos  feitos  pela  Setec  beneficiando a Energex, de forma análoga ao que dispõe o inciso II do art. 302 do  RIR/99 no âmbito de pagamentos a pessoa física vinculada.   Relativamente às notas fiscais relacionadas anteriormente neste subitem, cujos  pagamentos  não  foram  efetuados  a  favor  da  Energex,  mas  à  Gisele  Fraga  e  à  Yellowwood,  a  glosa  dos  respectivos  custos/despesas  se  dá  por  dupla motivação.  Além  de  a  prestação  dos  serviços  a  que  se  referem  não  ter  sido  comprovada,  o  pagamento  dos  respectivos  valores  foi  realizado  pela  Setec  a  terceiros  e  não  à  Energex.  Despesas da Setec com Yellowwood Consultoria Ltda   Por  meio  dos  itens  1  a  3  do  TIF  nº  01  o  sujeito  passivo  foi  intimado  a  apresentar  cópias  de  notas  fiscais,  comprovantes  de  pagamento  e  contratos  de  prestação  de  serviços  pertinentes  a  pagamentos  efetuados  a  diversas  empresas  no  período  sob  fiscalização,  entre  as  quais  a Yellowwood.  Decorrido  o  prazo  fixado  pela fiscalização o sujeito passivo nada apresentou, sendo objeto de reintimação por  meio dos itens 1 a 3 do TIF nº 03.   Por  intermédio  das  correspondências  datadas  de  20/07/15,  31/07/15,  e  16/09/15  o  sujeito  passivo  apresentou  as  cópias  das  notas  fiscais  de  prestação  de  serviços  emitidas  pela  Yellowwood  e  comprovantes  de  pagamento  das  mesmas,  relacionados  em  planilhas  que  capeavam  esses  documentos.  Na  ausência  de  contrato,  ambas  as  empresas  foram  intimadas  a  fornecer declaração detalhando de  forma  minuciosa  os  serviços  prestados  e  nada  esclareceram  a  esse  respeito.  A  fiscalização  constatou  que  todas  as  notas  fiscais  apresentadas,  emitidas  pela  Yellowwood  para  a  Setec  no  período  sob  fiscalização,  se  referiam  à  prestação  de  serviços  de  assessoria  e  consultoria  em  engenharia  As  discrepâncias  de  dados  porventura  observadas  pela  fiscalização  foram  objeto  de  intimação  e  de  correspondências do sujeito passivo a esse respeito para saneá­las.   A  fiscalização  constatou  que  os  pagamentos  das  notas  fiscais  emitidas  pela  Yellowwood à Setec foram realizados a partir de contas bancárias de titularidade da  Projetec e Tipuana. Questionado a esse respeito o sujeito passivo informou que esse  procedimento  foi  adotado com  suporte  em  contratos de  administração  do  contas  a  pagar e a receber celebrados com as referidas empresas.   O sujeito passivo foi reiteradamente intimado a comprovar a efetiva prestação  de serviços que  lhe  teriam sido prestados no período sob  fiscalização por diversas  empresas,  incluindo­se  a  Yellowwood,  assim  como  a  fornecer  documentação  identificando os técnicos que realizaram os trabalhos, conforme itens 4 e 5 do TIF nº  01 e itens 4 e 5 do TIF nº 03. Todavia, nada apresentou.   A  Yellowwood  também  foi  reiteradamente  intimada  a  comprovar  a  efetiva  prestação  de  serviços  à  Setec,  assim  como  a  identidade  e  qualificação  dos  profissionais que executaram os serviços, nada apresentando a esse respeito.   Em consulta ao sistema GFIP a fiscalização constatou que a Yellowwood não  informou a existência de nenhum vínculo empregatício desde a data em que emitiu a  Fl. 5684DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.685          20 primeira nota fiscal de prestação de serviços para a Setec, isto é, no mês de Agosto  de 2011, até Dezembro de 2013. Em consulta às DIRFs apresentadas pela empresa,  relativas ao período sob fiscalização, constatamos que a Yellowwood não declarou  ter  efetuado  pagamentos  por  serviços  profissionais  prestados  por  pessoas  jurídicas  nos anos­calendário de 2011, 2012 e 2013. Relativamente a pagamentos a pessoas  físicas a Yellowwood informou ter pagado em 2012 a quantia de R$ 1.000,00 (mil  reais)  a  seu  sócio  Augusto  Mendonça.  Ou  seja,  constatamos  que  a  empresa  não  informou  a  existência  de  empregados  próprios  ou  pagamentos  a  terceiros,  com  retenção de tributos na fonte, com exceção do pagamento de R$ 1.000,00 em 2012,  para a execução dos serviços supostamente prestados no período em questão.   A fiscalização constatou, adicionalmente, que a Yellowwood é de propriedade  de  Augusto  Mendonça,  sócio  da  PEM  Engenharia  Ltda.,  a  qual  por  sua  vez  é  controladora da Setec, e que Augusto Mendonça é administrador da Yellowwood e  da Setec, fica evidenciado que as pessoas físicas controladoras da Yellowwood e da  Setec são partes vinculadas.   A  fiscalização  entendeu  demonstrado  que  as  notas  fiscais  de  prestação  de  serviços de assessoria e consultoria em engenharia emitidas pela Yellowwood para a  Setec  referem­se  a  serviços  fictícios,  cuja  efetividade  não  foi  comprovada,  destinando­se  a  dar  guarida  documental  à  retirada  de  recursos  da  empresa  para  transferi­los a pessoa jurídica controlada pelo mesmo grupo familiar que controla a  Setec.  Simultaneamente,  essas  notas  fiscais  foram  utilizadas  para  dar  suporte  à  contabilização  dos  respectivos  valores  como  custo  e/ou  despesas  dedutíveis,  reduzindo dolosamente eventuais valores do IRPJ e da CSLL a pagar.   Despesas da Setec com Pataccas Participações e Consultoria Ltda   Por  meio  dos  itens  1  a  3  do  TIF  nº  01  o  sujeito  passivo  foi  intimado  a  apresentar  cópias  de  notas  fiscais,  comprovantes  de  pagamento  e  contratos  de  prestação  de  serviços  pertinentes  a  pagamentos  efetuados  a  diversas  empresas  no  período  sob  fiscalização,  entre  as  quais  a Pataccas. Decorrido  o  prazo  fixado pela  fiscalização o sujeito passivo nada apresentou, sendo objeto de reintimação por meio  dos itens 1 a 3 do TIF nº 03.   Por intermédio das correspondências datadas de 03/07/15, 31/07/15, 12/08/15,  e 02/09/15 o sujeito passivo apresentou as cópias das notas fiscais de prestação de  serviços  emitidas  pela  Pataccas  e  comprovantes  de  pagamento  das  mesmas,  relacionados  em  planilhas  que  capeavam  esses  documentos.  Na  ausência  de  contrato,  ambas  as  empresas  foram  intimadas  a  fornecer declaração detalhando de  forma  minuciosa  os  serviços  prestados  e  nada  esclareceram  a  esse  respeito.  A  fiscalização constatou que todas as notas fiscais apresentadas, emitidas pela Pataccas  para  a  Setec  no  período  sob  fiscalização,  se  referiam  à  prestação  de  serviços  de  consultoria.  As  discrepâncias  de  dados  porventura  observadas  pela  fiscalização  foram objeto de intimação e de correspondências do sujeito passivo a esse respeito  para saneá­las.   A  fiscalização  constatou  que  os  pagamentos  das  notas  fiscais  emitidas  pela  Pataccas  à  Setec  foram  realizados  a  partir  de  contas  bancárias  de  titularidade  da  Projetec e Tipuana. Questionado a esse respeito o sujeito passivo informou que esse  procedimento  foi  adotado com  suporte  em  contratos de  administração  do  contas  a  pagar e a receber celebrados com as referidas empresas.   A  fiscalização  constatou  também,  com  suporte  nos  comprovantes  de  pagamento apresentados, que o valor correspondente à uma nota fiscal emitida pela  Pataccas  no  ano­calendário  de  2010  foi  pago  pela  Setec  para  a  empresa  Sinergia,  Fl. 5685DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.686          21 cujo  controle  societário  pertence  a  Ana  Cristina  Fiuza  Funicello  e  Ricardo  Fiuza  Funicello,  respectivamente  cunhada  e  marido  de  Roberta  Ribeiro  de  Mendonça  Funicello, uma das sócias controladoras da Pataccas.   O sujeito passivo foi reiteradamente intimado a comprovar a efetiva prestação  de serviços que lhe teriam sido prestados no período sob fiscalização pela Pataccas,  assim  como  a  fornecer  documentação  identificando os  técnicos  que  realizaram  os  trabalhos, conforme  itens 4 e 5 do TIF nº 01 e  itens 4 e 5 do TIF nº 03. Todavia,  nada apresentou.   A  Pataccas  também  foi  reiteradamente  intimada  a  comprovar  a  efetiva  prestação  de  serviços  à  Setec,  assim  como  a  identidade  e  qualificação  dos  profissionais que executaram os serviços, nada apresentando a esse respeito.   Em  consulta  ao  sistema  GFIP  a  fiscalização  constatou  que  a  Pataccas  informou a existência de um único vínculo empregatício no período sob fiscalização,  isto é Janeiro de 2010 a Dezembro de 2013. Trata­se de empregado cuja ocupação  informada era  “Motorista de veículos de pequeno e médio porte”. Em consulta  às  DIRFs apresentadas pela empresa, relativas ao período sob fiscalização, a Pataccas  declarou ter efetuado um único pagamento por serviços profissionais prestados por  pessoas  jurídicas  nos  anos­calendário  de  2010  a  2013.  Declarou  ter  pagado  rendimentos no valor bruto de R$ 16.380,00 no mês de fevereiro de 2010 à empresa  Ikann Imóveis Ltda., CNPJ nº 08.879.445/0001­03. Em consulta ao sistema DIPJ da  RFB verificamos que a Ikann Imóveis Ltda. declarou exercer a atividade de gestão e  administração da propriedade imobiliária no ano­calendário de 2010.   A fiscalização constatou, adicionalmente, que a Pataccas é de propriedade de  Luciana Ribeiro de Mendonça e Roberta Ribeiro de Mendonça Funicello, filhas de  Roberto Ribeiro de Mendonça, sócio majoritário da PEM Engenharia Ltda., a qual  por  sua  vez  é  controladora  da  Setec,  fica  evidenciado  que  as  pessoas  físicas  controladoras da Pataccas e da Setec são partes vinculadas.   A  fiscalização  entendeu  demonstrado  que  as  notas  fiscais  de  prestação  de  serviços  de  consultoria  emitidas  pela  Pataccas  para  a  Setec  referem­se  a  serviços  fictícios,  cuja  efetividade  não  foi  comprovada,  destinando­se  a  dar  guarida  documental  à  retirada  de  recursos  da  empresa  para  transferi­los  a  pessoa  jurídica  controlada pelo mesmo grupo familiar que controla a Setec. Simultaneamente, essas  notas  fiscais  foram  utilizadas  para  dar  suporte  à  contabilização  dos  respectivos  valores  como  custo  e/ou  despesas  dedutíveis,  reduzindo  dolosamente  eventuais  valores do IRPJ e da CSLL a pagar.   Despesas da Setec com Sinergia Consultoria e Representação Ltda. ­ EPP   Por  meio  dos  itens  1  a  3  do  TIF  nº  01  o  sujeito  passivo  foi  intimado  a  apresentar  cópias  de  notas  fiscais,  comprovantes  de  pagamento  e  contratos  de  prestação  de  serviços  pertinentes  a  pagamentos  efetuados  a  diversas  empresas  no  período  sob  fiscalização,  entre  as  quais  a Sinergia. Decorrido  o  prazo  fixado pela  fiscalização o sujeito passivo nada apresentou, sendo objeto de reintimação por meio  dos itens 1 a 3 do TIF nº 03.   Por intermédio das correspondências datadas de 13/07/15, 07/08/15, 12/08/15  e 18/08/15 o sujeito passivo apresentou as cópias das notas fiscais de prestação de  serviços  emitidas  pela  Sinergia  e  comprovantes  de  pagamento  das  mesmas,  relacionados  em  planilhas  que  capeavam  esses  documentos.  Na  ausência  de  contrato,  ambas  as  empresas  foram  intimadas  a  fornecer declaração detalhando de  forma minuciosa os serviços prestados e nada esclareceram a esse respeito. As notas  Fl. 5686DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.687          22 fiscais emitidas pela Sinergia para a Setec no período sob fiscalização, se referiam à  prestação de serviços de consultoria ou serviços de assessoria e consultoria.   A  fiscalização  constatou  que  os  pagamentos  das  notas  fiscais  emitidas  pela  Sinergia  à  Setec  foram  realizados  a  partir  de  contas  bancárias  de  titularidade  da  Projetec e Tipuana.  O sujeito passivo foi reiteradamente intimado a comprovar a efetiva prestação  de  serviços  que  lhe  teriam  sido  prestados  pela  Sinergia,  assim  como  a  fornecer  documentação identificando os técnicos que realizaram os trabalhos, conforme itens  4 e 5 do TIF nº 01 e itens 4 e 5 do TIF nº 03. Todavia, nada apresentou.   A  Sinergia  também  foi  reiteradamente  intimada  a  comprovar  a  efetiva  prestação  de  serviços  à  Setec,  assim  como  a  identidade  e  qualificação  dos  profissionais que executaram os serviços, nada apresentando a esse respeito.   Em  consulta  ao  sistema  GFIP  a  fiscalização  constatou  que  a  Sinergia  não  informou a existência de vínculos empregatícios no período sob fiscalização, isto é  Janeiro  de  2010  a  Dezembro  de  2013.  Em  consulta  às  DIRFs  apresentadas  pela  empresa,  relativas  ao  período  sob  fiscalização,  constata­se  que  a  Sinergia  não  declarou  ter  efetuado  pagamentos  por  serviços  profissionais prestados por pessoas  jurídicas nos anos­calendário de 2010 a 2013.   A fiscalização constatou, adicionalmente, que a Sinergia é de propriedade de  Ana Cristina Fiúza Funicello  e Ricardo Fiuza Funicello,  respectivamente  esposa  e  genro  de  Roberto  Ribeiro  de  Mendonça,  sócio  majoritário  da  PEM  Engenharia  Ltda.,  empresa  controladora  da  Setec.  Ricardo  Fiuza  Funicello  é  casado  com  Roberta Ribeiro de Mendonça Funicello, filha de Roberto Ribeiro de Mendonça.   A  fiscalização  concluiu  que  as  notas  fiscais  de  prestação  de  serviços  de  consultoria emitidas pela Sinergia para a Setec referem­se a serviços fictícios, cuja  efetividade não foi comprovada, destinando­se a dar guarida documental à retirada  de recursos da empresa para  transferí­los a pessoa  jurídica controlada pelo mesmo  grupo familiar que controla a Setec. Simultaneamente, essas notas fiscais teriam sido  utilizadas para dar suporte à contabilização dos respectivos valores como custo e/ou  despesas dedutíveis, reduzindo dolosamente eventuais valores do IRPJ e da CSLL a  pagar.   Despesas da Setec com MSML Participações e Consultoria Ltda. – EPP   Após  procedimento  semelhante  ao  realizado  para  as  outras  empresas,  A  fiscalização constatou que os pagamentos das notas  fiscais emitidas pela MSML à  Setec  foram  realizados  a  partir  de  contas  bancárias  de  titularidade  da  Projetec  e  Tipuana.   O sujeito passivo foi reiteradamente intimado a comprovar a efetiva prestação  de  serviços  que  lhe  teriam  sido  prestados  pela  MSML,  assim  como  a  fornecer  documentação identificando os técnicos que realizaram os trabalhos, conforme itens  4 e 5 do TIF nº 01 e itens 4 e 5 do TIF nº 03. Todavia, nada apresentou.   Conforme subitem 3.7 do TVF, a MSML também foi reiteradamente intimada  a  comprovar  a  efetiva  prestação  de  serviços  à  Setec,  assim  como  a  identidade  e  qualificação dos profissionais que executaram os serviços, nada apresentando a esse  respeito.   Em  consulta  ao  sistema  GFIP  a  fiscalização  constatou  que  a  MSML  não  informou a existência de vínculos empregatícios no período sob fiscalização, isto é  Fl. 5687DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.688          23 Janeiro  de  2010  a  Dezembro  de  2013.  Em  consulta  às  DIRFs  apresentadas  pela  empresa  a  fiscalização  constatou  que  a  MSML  não  declarou  ter  efetuado  pagamentos  por  serviços  profissionais  prestados  por  pessoas  jurídicas  nos  anos­ calendário  de  2010  a  2013.  Ou  seja,  a  empresa  nãoinformou  a  existência  de  empregados próprios e não  informou ter realizado pagamentos a terceiros, com  retenção  de  tributos  na  fonte,  para  a  execução  dos  serviços  supostamente  prestados à Setec no período em questão.   A fiscalização constatou, adicionalmente, que a MSML é de propriedade de  Maria Stela Ribeiro de Mendonça, irmã de Roberto Ribeiro de Mendonça e Augusto  Mendonça.  Como  já  informamos,  Roberto  Ribeiro  de  Mendonça  e  Augusto  Mendonça  são  os  únicos  sócios  da  PEM  Engenharia  Ltda.,  a  qual  por  sua  vez  é  controladora da Setec. Fica evidenciado, em face do exposto, que as pessoas físicas  controladoras da MSML e da Setec são partes vinculadas.   A  fiscalização  concluiu  as  notas  fiscais  de  prestação  de  serviços  de  consultoria  emitidas pela MSML para  a Setec  referem­se  a  serviços  fictícios,  cuja  efetividade não foi comprovada, destinando­se a dar guarida documental à retirada  de recursos da empresa para  transferi­los a pessoa  jurídica controlada pelo mesmo  grupo  familiar  que  controla  a  Setec.  Simultaneamente,  essas  notas  fiscais  foram  utilizadas para dar suporte à contabilização dos respectivos valores como custo e/ou  despesas dedutíveis, reduzindo dolosamente eventuais valores do IRPJ e da CSLL a  pagar.   Despesas da Setec com CMX Participações S.A.   Por  meio  dos  itens  1  a  3  do  TIF  nº  01  o  sujeito  passivo  foi  intimado  a  apresentar  cópias  de  notas  fiscais,  comprovantes  de  pagamento  e  contratos  de  prestação  de  serviços  pertinentes  a  pagamentos  efetuados  a  diversas  empresas  no  período sob fiscalização, entre as quais a CMX.   Por  intermédio  da  correspondência  datada  de  18/06/15  o  sujeito  passivo  apresentou as cópias das notas fiscais de prestação de serviços emitidas pela CMX e  comprovantes  de  pagamento  das  mesmas,  relacionados  em  planilha  que  capeava  esses  documentos.  A  fiscalização  constatou  que  as  notas  fiscais  apresentadas,  emitidas pela CMX para a Setec no período sob fiscalização, não discriminavam os  serviços prestados. No campo código do  serviço das notas  fiscais  foi  informado o  seguinte: “03115 ­ Assessoria ou consultoria de qualquer natureza, não contida em  outros itens desta lista”.   Por  meio  da  correspondência  datada  de  12/08/15,  recebida  em  14/08/15,  a  Setec  apresentou  em  resposta  aos  questionamentos  da  fiscalização  a  informação  reproduzida a seguir e juntou, como evidência da prestação dos serviços, 16 folhas  impressas frente e verso contendo uma listagem de caixas numeradas e a descrição  do conteúdo das mesmas.   Como a própria fiscalizada informou, a listagem encaminhada foi emitida pela  empresa  responsável  pelo  arquivo  morto  e  não  em  decorrência  dos  serviços  supostamente prestados pela CMX. Adicionalmente, a  simples  leitura da descrição  dos conteúdos das caixas de arquivo revela que se referem a documentos enviados  para o arquivo morto em diversas datas, remontando aos anos de 1995/1996 e com a  data  de  envio mais  recente  em  janeiro  de  2010. Como  a  prestação  de  serviços da  CMX  teria  ocorrido  entre  dezembro  de  2010  e  janeiro  de  2011,  a  fiscalização  concluiu  ser  certo  que  a  empresa  não  esteve  envolvida  com  remessas  em  datas  anteriores ao início de seus supostos trabalhos.  Fl. 5688DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.689          24 A  fiscalização  constatou  que  os  pagamentos  das  notas  fiscais  emitidas  pela  CMX  à  Setec  foram  realizados  a  partir  de  contas  bancárias  de  titularidade  da  Projetec.   Conforme apontado no subitem 3.8 do TVF, a CMX também foi  intimada a  comprovar  a  efetiva  prestação  de  serviços  à  Setec,  assim  como  a  identidade  e  qualificação  dos  profissionais  que  executaram  os  serviços.  Por  meio  da  correspondência de 06/08/15, recebida em 07/08/15, informou que os serviços foram  executados pela sua sócia­gerente, Carolina Folegatti Ribeiro de Mendonça.   Relativamente  à  apresentação  de  documentação  comprobatória  da  efetiva  prestação dos serviços, a CMX nada forneceu.   Em  consulta  ao  sistema  GFIP  a  fiscalização  constatou  que  a  CMX  não  informou a existência de vínculos empregatícios no período em que emitiu as notas  fiscais,  isto  é,  Dezembro  de  2010  a  Janeiro  de  2011.  Em  consulta  às  DIRFs  apresentadas  pela  empresa,  relativas  aos  anos  calendário  de  2010  e  2011,  a  fiscalização  constatou  que  a  CMX  não  declarou  ter  efetuado  pagamentos  por  serviços profissionais prestados por pessoas jurídicas.   Constata­se adicionalmente, como  informado no subitem 3.8 do TVF, que a  CMX  é  de  propriedade  de Carolina  Folegatti  Ribeiro  de Mendonça,  detentora  de  99,9% das ações da empresa, e de Karin Folegatti Ribeiro de Mendonça, filhas de  Augusto  Mendonça.  Como  já  informamos,  Augusto  Mendonça  é  sócio  e  administrador da PEM Engenharia Ltda., a qual por sua vez é controladora da Setec,  também  administrada  por  Augusto  Mendonça.  Fica  evidenciado,  em  face  do  exposto,  que  as  pessoas  físicas  controladoras  da  CMX  e  da  Setec  são  partes  vinculadas.   Na ação  fiscal  em desenvolvimento na PEM Engenharia Ltda.,  com suporte  no  TDPF  nº  08.1.28.00­2014­00534­7,  também  constata­se  pagamentos  dessa  empresa  à  KMX  Participações  S.A.,  CNPJ  nº  10.454.820/0001­07,  doravante  denominada simplesmente “KMX”, em decorrência de supostos serviços prestados  pela  KMX.  A  KMX  é  de  propriedade  de  Karin  Folegatti  Ribeiro  de  Mendonça,  detentora  de  99,9%  das  ações  da  empresa,  e  de  Carolina  Folegatti  Ribeiro  de  Mendonça.  As  acionistas  da  CMX  e  da  KMX  são  as  mesmas  pessoas,  com  percentuais de participação invertidos.   Coincidentemente a KMX emitiu notas fiscais de prestação de serviços para a  PEM Engenharia nas mesmas datas e valores das notas  fiscais emitidas pela CMX  para a Setec. Coincidentemente a PEM Engenharia efetuou pagamentos à KMX nas  mesmas  datas  e  nos  mesmos  montantes  daqueles  efetuados  pela  Setec  à  CMX.  Coincidentemente  a  descrição  dos  serviços  supostamente  prestados  pela  KMX  à  PEM  Engenharia  Ltda.  são  essencialmente  os mesmos,  ou  seja,  “Levantamento  e  catalogação  das  documentações  técnicas  e  administrativas  para  envio  ao  arquivo  morto (preparatório para mudança física do escritório)”.   A  fiscalização  entendeu  ter  ficado  demonstrado  que  as  notas  fiscais  de  prestação de serviços de consultoria emitidas pela CMX para a Setec referem­se a  serviços fictícios, cuja efetividade não foi comprovada, destinando­se a dar guarida  documental  à  retirada  de  recursos  da  empresa  para  transferi­los  a  pessoa  jurídica  controlada pelo mesmo grupo familiar que controla a Setec. Simultaneamente, essas  notas  fiscais  foram  utilizadas  para  dar  suporte  à  contabilização  dos  respectivos  valores  como  custo  e/ou  despesas  dedutíveis,  reduzindo  dolosamente  eventuais  valores do IRPJ e da CSLL a pagar.  Fl. 5689DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.690          25 Despesas da Setec com DFS Participação e Consultoria Empresarial Ltda   Por  meio  dos  itens  1  a  3  do  TIF  nº  01  o  sujeito  passivo  foi  intimado  a  apresentar  cópias  de  notas  fiscais,  comprovantes  de  pagamento  e  contratos  de  prestação  de  serviços  pertinentes  a  pagamentos  efetuados  a  diversas  empresas  no  período sob fiscalização, entre as quais a DFS.   Relativamente  à  documentação  comprobatória  da  efetiva  prestação  dos  serviços  pela  DFS  à  Setec,  objeto  do  item  4  do  TIF  nº  01,  o  sujeito  passivo  apresentou um “breve histórico” relatando as razões pelas quais a diretoria do grupo,  referindo­se  nominalmente  ao  “grupo  PEM  &  SETAL”  contratou  os  serviços  da  DFS, representada pelo seu sócio Engenheiro Edson Simões. Não foi encaminhada  cópia de contrato celebrado entre a Setec e a DFS.   A  Setec  apresentou  cópia  de  diversos  documentos  vinculados  às  discussões  pertinentes  aos  contratos  em  questão,  capeados  por  uma  relação  dos  anexos  fornecidos. A fiscalização destacou que os anexos se referem a contratos celebrados  com  a  PEM Engenharia  ou mencionam  empresas  clientes, mas  em  nenhum  deles  figura  o  nome  da  Setal/Setec.  A  Setec  forneceu  também  cópia  de  e­mails  encaminhados e  recebidos por Edson Simões para/de pessoas da PEM Engenharia,  datados de 24, 25 e 26 de julho de 2007. Os e­mails abordam, entre outros assuntos,  um contrato celebrado supostamente entre a PEM Engenharia e a DFS e o atraso nos  pagamentos à DFS. Foi anexada também uma planilha  intitulada “Edson Simões  ­  contrato de serviços com pagamento de Barra Funda”, relativa aparentemente a um  plano mensal de amortização e atualização de um valor cujo saldo inicial remonta a  janeiro de 2006 e é “zerado” em junho de 2009, com amortizações a partir do mês de  maio de 2006.   Conforme subitem 3.9 do TVF a DFS também foi intimada, por meio do TIF  nº V­23, a apresentar documentação comprobatória da efetiva prestação de serviços  à Setec, cópia de contratos celebrados com a mesma e, fazendo menção aos e­mails  enviados  e  recebidos  pelo  sócio  Edson  Simões  em  julho  de  2007,  instada  a  esclarecer a qual “Contrato DFS” as mensagens se referiam, qual a relação entre o  referido contrato e as notas fiscais emitidas pela DFS à Setec e a apresentar cópia do  mesmo. Em resposta a DFS protocolizou três correspondências, datadas de 06/08/15,  31/08/15 e 16/09/15, mediante as quais apresentou, entre outros documentos, cópia  das  notas  fiscais  emitidas  para  a  Setec  e  comprovantes  de  recebimento  dos  respectivos valores. No que diz  respeito à documentação comprobatória da efetiva  prestação de serviços à Setec e esclarecimentos sobre o conteúdo dos e­mails nada  forneceu.   A  fiscalização  asseverou  que  os  documentos  fornecidos  pela Setec  relativos  ao  trabalho  de  acompanhamento  de  contratos  referem­se  a  obras  e  projetos  envolvendo  a  PEM Engenharia  e  não  a  Setec. Nenhum  documento  estabelecendo  vínculo  contratual  da  DFS  com  a  PEM  Engenharia  e/ou  a  Setec,  respaldando  ou  regulando  a  prestação  de  serviços  foi  apresentado.  Embora  mencionada  nas  mensagens  por  e­mail  e  na  planilha  fornecida  a  existência  de  um  contrato  com  a  DFS, nenhuma das empresas, Setec e DFS, apresentou esse documento.   A fiscalização entendeu ficar caracterizado que as notas  fiscais de prestação  de  serviços  de  consultoria  emitidas  pela  DFS  para  a  Setec  referem­se  a  serviços  fictícios, cuja efetividade não foi comprovada. Simultaneamente, essas notas fiscais  foram  utilizadas  para  dar  suporte  à  contabilização  dos  respectivos  valores  como  custo e/ou despesas dedutíveis, reduzindo dolosamente eventuais valores do IRPJ e  da CSLL a pagar.  Fl. 5690DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.691          26 Despesas da Setec com Editora Gráfica Atitude LTDA   Conforme  subitem 2.2.1 do TVF, por  intermédio do Termo de Colaboração  Complementar  nº  05,  prestado  em  31/03/15,  Augusto  Mendonça  relatou  ao  Ministério  Público  Federal  o  pagamento  de  cerca  de  R$  2.400.000,00  (valores  brutos)  destinados  ao Partido  dos Trabalhadores  ­  PT mediante  a  celebração,  pela  SOG e a Setec, de contratos de prestação de serviços ideologicamente falsos com a  Editora  Gráfica  Atitude  Ltda  (Gráfica  Atitude),  controlada  pelo  Sindicato  dos  Empregados  de  Estabelecimentos  Bancários  de  São  Paulo/SP  e  o  Sindicato  dos  Metalúrgicos do ABC.   O sujeito passivo foi  intimado a apresentar cópia de contratos, notas  fiscais,  comprovantes de pagamentos e a comprovar a efetiva prestação de serviços que lhe  teriam sido prestados pela Gráfica Atitude, conforme itens 1 a 4 do TIF nº 01. Por  meio  da  correspondência  datada  de  28/05/15,  recebida  na  mesma  data,  o  sujeito  passivo apresentou cópia do contrato celebrado com a Gráfica Atitude, notas fiscais  emitidas  pela  mesma  e  os  comprovantes  dos  pagamentos  efetuados,  que  foram  realizados  pelas  coligadas  Projetec  e  Tipuana.  Não  foi  apresentada  qualquer  documentação comprobatória da efetiva prestação de serviços pela Gráfica Atitude à  Setec.   A  fiscalização  entendeu  caracterizado  que  as  notas  fiscais  de  prestação  de  serviços  de  comunicação  emitidas  pela Gráfica Atitude  para  a  Setec  referem­se  a  serviços  fictícios,  cuja  efetividade  não  foi  comprovada.  Simultaneamente,  essas  notas  fiscais  foram  utilizadas  para  dar  suporte  à  contabilização  dos  respectivos  valores  como  custo  e/ou  despesas  dedutíveis,  reduzindo  dolosamente  eventuais  valores do IRPJ e da CSLL a pagar.   Exclusões Indevidas na Base de Cálculo Ajustada da CSLL   A fiscalização entendeu que o sujeito passivo efetuou exclusões indevidas da  base de cálculo ajustada da CSLL do ano­calendário de 2010.   O sujeito passivo lançou na linha 60 ­ Outras Exclusões, da Ficha 17 da DIPJ  ­ Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, o valor de R$ 6.367.757,09.  a  fiscalização Constatou  que  esse montante  corresponde  ao  somatório  dos  valores  declarados  nas  linhas  70  ­  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido,  e  72  ­  Provisão  para  o  Imposto  de  Renda,  da  Ficha  07A  da  DIPJ  ­  Demonstração  do  Resultado  ­  Critérios  em  31.12.2007  ­  PJ  em  Geral,  nos  valores  negativos  de  respectivamente ­ R$ 1.685.582,76 e  ­ R$ 4.682.174,33 [(­ R$ 1.685.582,76) + (  ­  R$ 4.682.174,33) = ( ­ R$ 6.367.757,09)].   A  fiscalização  entendeu  que  como  o  sujeito  passivo  declarou  ter  apurado  prejuízo contábil em 2010, não há que se falar em CSLL e Provisão para o IR. Muito  menos calcular referidos valores aritmeticamente negativos, como um percentual do  prejuízo  contábil  declarado.  Adicionalmente,  além  de  calculá­los,  lançou  esses  valores  a  título  de  outras  exclusões  na  apuração  da Base  de Cálculo Ajustada  da  CSLL,  na  linha  60  da  ficha  17  da  DIPJ,  aumentando  indevidamente  o  montante  apurado da base de cálculo negativa da CSLL.   A  fiscalização  glosou  os  valores  das  outras  exclusões  em  questão.  Em  decorrência o valor da Base de Cálculo da CSLL no ano­calendário de 2010 a ser  considerado,  correspondente  à  linha  68  da  Ficha  17  da  DIPJ,  é  de  ­  R$  18.898.916,88, e não de ­ R$ 25.266.673,97 como originalmente declarado pelo  sujeito passivo.   Fl. 5691DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.692          27 Deduções  Indevidas de Custos e Despesas na Apuração do Lucro Real e  Falta de Recolhimento de IRPJ / CSLL sobre Base de Cálculo Estimada   Considerando­se  que  os  custos  e  despesas  contabilizados  a  título  de  serviços prestados, objeto dos subitens 4.1.3 a 4.1.10 do TVF foram deduzidos  indevidamente na apuração, com base em balanços ou balancetes de suspensão  ou  redução,  do  Imposto  de  Renda  mensal  por  Estimativa  e  da  CSLL  ­  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido  mensal  por  Estimativa  nos  anos  calendário  de  2010  e  2011,  as  bases  de  cálculo  mensal  do  IRPJ  e  da  CSLL  estimativa  foram  recompostas,  com  as  glosas  de  custos  e  despesas  indevidas,  procedendo­se, quando cabível, ao lançamento da multa prevista na alínea “b”,  inciso  II,  do  artigo  44  da  Lei  9.430/1996,  sobre  as  parcelas  dos  pagamentos  mensais a  titulo de IRPJ e CSLL estimativa que deixaram de ser efetuados. Os  valores foram lançados nas rubricas “Falta de Recolhimento do IRPJ sobre Base  de Cálculo Estimada” e “Falta de Recolhimento da Contribuição Social sobre a  Base Estimada”.   IRRF sobre Pagamentos sem Causa ou Operação Não Comprovada   A  fiscalização  descreveu  nos  subitens  4.1.3  a  4.1.10  do  TVF,  que  os  pagamentos  efetuados  pela  Setec  à  Energex,  Yellowwood,  Pataccas,  Sinergia,  MSML, CMX, DFS e Gráfica Atitude não  tiveram a contrapartida de qualquer  prestação de serviços pelas empresas emitentes das notas fiscais.   A  fiscalização  entendeu  que  todos  os  casos  relatados  referem­se  a  operações não comprovadas  e/ou  inexistentes,  sem fruição pelo  sujeito passivo  de qualquer serviço prestado, circunstâncias que caracterizam o pagamento sem  causa.   QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO   A fiscalização qualificou a multa de ofício nos termos do art. 44, § 1º, da  Lei  nº  9.430/96,  com  a  redação  dada  pelo  art.  14,  da  Lei  nº  11.488/07,  o  percentual da multa de ofício aplicável aos tributos apurados em decorrência das  infrações  descritas  nos  subitens  4.1  e  4.3  deste,  uma  vez  que  constatamos  a  ocorrência dos casos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de  novembro de 1964.   As  condutas  descritas,  segundo  a  fiscalização,  se  enquadrariam  nas  definições legais de sonegação, fraude e conluio como dispõem os artigos 71, 72  e 73 da Lei nº 4.502/64.   O sujeito passivo teria agido, segundo a  fiscalização, de forma a  impedir  que  a  autoridade  fazendária  tivesse  conhecimento  dos  fatos  geradores  dos  tributos apurados, caracterizando a sonegação, ao intencionalmente contabilizar  como  custos  e  despesas  dedutíveis  valores  sabidamente  correspondentes  a  serviços  que  não  foram  prestados  e  ao  pagamento  de  vantagens  ilícitas  e  sem  causa.  O  sujeito  passivo,  segundo  a  fiscalização,  procurou  modificar  as  características  essenciais  dos  fatos  geradores  ao  tratar  os  custos  e  despesas  contabilizados e os pagamentos efetuados como legítimos e necessários, com causa  e  em  retribuição  a  operações  comprovadas.  Todavia,  segundo  a  fiscalização,  as  operações que originaram os pagamentos não foram comprovadas e os documentos  Fl. 5692DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.693          28 de  suporte apresentados  seriam  ideologicamente  falsos. Os  contratos se  referiam a  serviços  fictícios. O sujeito passivo contabilizou as despesas e custos associados a  esses  pagamentos  como  dedutíveis  na  apuração  do  IRPJ  e  da CSLL  a  pagar.  Em  consequência teria reduzido dolosamente o montante devido desses tributos e, dessa  forma, teria cometido fraude.   As  fraudes,  segundo a  fiscalização,  foram praticadas mediante ajuste doloso  com uma grande diversidade de contrapartes, configurando o conluio.   RESPONSABILIDADE PASSIVA SOLIDÁRIA   A fiscalização entendeu, de acordo com o art. 135. III, do CTN, colocar como  responsável  solidário  o  Sr.  Augusto  Ribeiro  De  Mendonça  Neto,  o  Sr.  Roberto  Ribeiro De Mendonça.   DO TERMO DE VERIFICAÇÃO COMPLEMENTAR   Quando  da  ciência  dos  autos  de  infração  controlados  neste  processo  ficou  faltando o auto de infração de CSLL de montante de R$ 2.176.407,39. Assim, para  dar ciência ao contribuinte do valor acima lançado foi dada ciência com AR no dia  18/01/2016.  A contribuinte principal e o responsável solidário apresentaram impugnação  tempestiva, contendo os argumentos sintetizados no acórdão recorrido desta forma:  IMPUGNAÇÃO  (peça  conjunta  da  SETEC,  do  Sr.  Roberto  Ribeiro  de  Mendonça, e do Sr. Augusto Ribeiro de Mendonça Neto)   NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO – DUPLICIDADE E AUSÊNCIA  DE LANÇAMENTO   A  impugnante  alega  não  ter  sido  notificada  do  conteúdo  do  lançamento  da  CSL no valor de R$ 2.176.407,39.   Haveria  uma  duplicidade  de  cópias  para  a  cobrança  de  CSL  sobre  as  exclusões indevidas da sua base de cálculo ajustada no período de 2010, referente à  CSL  e  ao  IRPJ  diferidos  no montante  de R$  1.277.951,55.  Entende  que  seria  um  equívoco.   Entende que a notificação e a  lavratura do auto são pressupostos de eficácia  do  ato  administrativo  do  lançamento,  a  assim,  seria  caso  de  nulidade  insanável,  devendo ser cancelada a o valor de R$ 2.176;407,39, e a exigência reflexa de IRPJ  sobre a glosa de despesas.   A duplicidade no valor de R$ 1.277.951,55 deve ser cancelada.   ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO   Os Srs. Augusto Ribeiro de Mendonça Neto e Roberto Ribeiro De Mendonça  figuram como sujeito passivo com amparo no art. 135, III, muito embora o auto da  CSL não tenha multa qualificada.   Também  haveria  erro  de  identificação  quanto  a  manutenção  da  SETEC  no  pólo  passivo,  haja  vista  que  a  responsabilidade  imposta  as  pessoas  físicas  citadas  exclui a responsabilidade da pessoa jurídica.   Fl. 5693DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.694          29 O Sr. Roberto Ribeiro  de Mendonça  não  possuía  poderes  de  gerência,  pois,  era mero diretor comercial da empresa.   A  responsabilidade  do  art.135  do  CTN  é  de  natureza  pessoal  e  implica  na  exclusão do contribuinte do pólo passivo da obrigação tributária.   É imprescindível que a fiscalização aponte a participação diretas dos referidos  diretores nos atos que redundaram na constituição do crédito tributário.   Na pior das hipóteses a responsabilidade se restringiria ao Sr. Augusto Ribeiro  de Mendonça quanto ao crédito  tributário de IRPJ, CSL e IRRF sobre as despesas  deduzidas  e  respectivos  pagamentos  entre  a  SETEC  e  a  Editora  Gráfica  Atitude  LTDA (Lava Jato).   DECADÊNCIA EM RELAÇÃO AO ANO­CALENDÁRIO DE 2010   A fiscalização não teria comprovado o dolo para os autos de infração, e assim,  o ano­calendário de 2010 já estaria decaído.   Observa­se não houve acusação de dolo, fraude ou simulação no lançamento  específico  da  CSL  incidente  sobre  as  exclusões  indevidas  da  sua  base  de  cálculo  ajustada no período de 2010 referente à CSL e ao IRPJ diferidos.   As vantagens indevidas no âmbito da lava jato não implicam dolo tributário.   Os  pagamentos  realizados  e  as  despesas  incorridas  entre  a  SETEC  e  as  empresas Energex, Sinergia, Yellowwood, Pataccas, MSML e CMX, bem como os  negócio  com  a  DFS  não  tiveram  como  finalidade  ocultar  a  ocorrência  do  fato  gerador, pois, recolheram tributos federais e municipais.   Teria se submetido, ainda, ao IRRF conforme DIPJ 2010 (Doc. 3), afastando,  assim, o art. 150, §4 º, do CTN.   DA  IMPOSSIBILIDADE  DA  COBRANÇA  DA  CSL  SOBRE  O  ATIVO  FISCAL DIFERIDO   A  impugnante  afirma  que  ao  contrário  do  que  afirma  a  autoridade  fiscal  as  rubricas excluídas não se referem à provisão para o pagamento da contribuição e do  imposto de renda, mas sim aos valores referentes à CSL e IRPJ incidente sobre os  prejuízos fiscais do ano calendário de 2010. Representariam um crédito que poderia  ser abatido dos tributos a pagar sobre os lucros futuros.   IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DO IR SOBRE PAGAMENTO SEM  CAUSA  EFETUADO  POR  TERCEIROS  –  ERRO  NA  IDENTIFICAÇÃO  DO  SUJEITO PASSIVO   Os pagamentos teriam sido efetuados por outra pessoa jurídica.   As  empresas  que  efetuaram  os  pagamentos  foram  a  PROJETEC  e  a  TIPUANA, não havendo qualquer pagamento realizado pela SETEC.   Em anexo jurisprudência administrativa.   A  impugnante  entende,  então,  tratar­se  de  erro  de  identificação  do  sujeito  passivo.   Fl. 5694DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.695          30 IMPOSSIBILIDADE DA EXIGÊNCIA CONCOMITANTE DO  IRRF POR  PAGAMENTO  SEM  CAUSA  E  IRPJ/CSLL  EM  RAZÃO  DA  GLOSA  DE  DESPESAS   Seria incompatível a glosa das despesas e o lançamento do IRRF.   Anexa decisões administrativas.   A dupla exigência seria um “bis in idem”.   IMPOSSIBILIDADE  DA  COMINAÇÃO  CONCOMITANTE  DA MULTA  DE  OFÍCIO  COM  A  MULTA  ISOLADA  POR  FALTA  DE  RECOLHIMENTO  SOBRE A BASE ESTIMADA   A impugnante alega que o recolhimento de estimativa seria etapa preparatória  para  o  ato  de  recolher  o  imposto  no  fim do  ano. Em assim,  sendo,  pela  teoria  da  absorção a conduta meio deve ser absorvida pela conduta principal.   As duas exações teria a mesma base de cálculo.   Anexa decisões administrativas.   DENÚNCIA ESPONTÂNEA DA INFRAÇÃO AO MINISTÉRIO PÚBLICO  FEDERAL E APLICAÇÃO DO REGIME DO ART. 138 DO CTN   A  requerente  e  o  Sr.  Augusto  Ribeiro  de  Mendonça  teriam  praticado  a  denúncia espontânea, pois, celebraram acordo de delação premiada com o ministério  público federal.   A  INVIABILIDADE  DE  EXIGÊNCIA  DE  IMPOSTOS  SOBRE  OS  PAGAMENTOS DEVOLVIDOS NA OPERAÇÃO “LAVA JATO”   A contribuinte alega que os pagamentos de vantagens indevidas nas licitações  da  PETROBRÁS  foram  anulados  na  medida  que  houve  o  ressarcimento  aquela  empresa conforme Doc 7.   Impõe­se um verdadeiro estorno dos pagamentos e a conseqüente reversão de  toda e qualquer exigência fiscal.   A devolução da renda retira a capacidade contributiva da contribuinte.   A  impugnante  alega  que  se  terceiros  beneficiários  da  renda  devolverem  a  mesma poderiam  excluí­la  de  sua  renda,  então  a  fonte  pagadora  também  tem  este  direito.   Em anexo decisões administrativas.   IR  SOBRE  PAGAMENTOS  SEM  CAUSA  NÃO  PODE  SER  EXIGIDO  COM AMPARO EM CAUSA MERAMENTE ILÍCITA   A causa seria  ilícita, não sem causa, assim, o art. 61 da Lei nº 8.981/95 não  contempla tal exação;   O  IRF por pagamento  sem causa  é  inexigível  se houver uma causa, mesmo  que ilícita.   Anexa decisão do CARF.   Fl. 5695DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.696          31 DIREITO  À  DEDUÇÃO  DAS  DESPESAS  ATINENTES  AOS  PAGAMENTOS  INDEVIDOS  (COMISSÕES) A TERCEIROS  INVESTIGADOS  POR CORRUPÇÃO NA OPERAÇÃO “LAVA JATO”   O  RIR/99  permite  deduzir  despesa  necessária,  não  importa  se  é  ilícita.  Ademais,  é  necessário  deduzir  as  despesas  vinculadas  as  receitas.  As  vantagens  indevidas  se  assemelham  a  comissões  sobre  as  vendas.  Sem  essas  comissões  a  requerente não teria conseguido os contratos com a PETROBRÁS, e nem as receitas  auferidas.   DISTINÇÃO  ENTRE  AS  REGRAS  DE  DEDUTIBILIDADE  DE  DESPESAS PARA FINS DE IRPJ E PARA FINS DE CSLL   Para fins de CSLL não vale analisar se a despesa é ou não necessária.   Em anexo decisões administrativas.   DEDUTIBILIDADE DAS DESPESAS DECORRENTES DO CONTRATO  FIRMADO  COM  A  DFS  ENVOLVENDO  A  PRESTAÇÃO  DE  SERVIÇOS/INVIABILIDADE DE EXIGÊNCIA DE IR POR PAGAMENTO SEM  CAUSA   A fiscalização teria aplicado indevidamente a norma antielisiva insculpida no  parágrafo único do art. 116 do CTN.   Em anexo decisão do CARF.   No  caso  do  IRRF não  é  admissível  desprezar  o  contrato  firmado para  dizer  que o pagamento não teve causa.   O dolo não teria sido comprovado.   DEDUTIBILIDADE DAS DESPESAS DECORRENTES DO CONTRATO  FIRMADO  COM  A  ENERGEX,  SINERGIA,  YELLOWWOOD,  MSML,  PATACCAS  E  CMX  /INVIABILIDADE  DE  EXIGÊNCIA  DE  IR  NA  FONTE  POR PAGAMENTO SEM CAUSA   As  acusações  seriam  lacônicas,  baseadas  em  relação  de  parentesco  entre  os  titulares das empresas.   Quanto  aos  negócios  celebrados  com  a CMX PARTICIPAÇÕES,  além  dos  comprovantes de pagamentos e notas fiscais, tanto a requerente quanto a contratada  apresentaram  declaração  discriminativa  dos  serviços  prestados,  consistentes  no  levantamento  e  catalogação  técnica  e  administrativa,  bem  como  organização  da  documentação relativa aos pleitos das obras da Fábrica de Querosene de Aviação e  Plataforma de Exploração de Gás.   O dolo não teria sido comprovado.   IMPUGNAÇÃO  DO  AUTO  DE  CSLL  (peça  conjunta  da  SETEC,  do  Sr.  Roberto Ribeiro de Mendonça, e do Sr. Augusto Ribeiro de Mendonça Neto)   Nesta  peça  impugnatória  não  há  nenhum  argumento  adicional  em  relação  à  impugnação anterior.  O  colegiado  recorrido manteve  integralmente  os montantes  das  exigências,  mas  julgou  procedente  em  parte  a  impugnação  para  tão  somente  excluir  do  pólo  passivo  em  Fl. 5696DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.697          32 relação ao auto de infração de CSLL, no valor R$1.277.951,55, o Sr. Roberto Ribeiro de Mendonça  e o Sr. Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, mantendo todo o crédito tributário exigido.   Em face da exclusão parcial da responsabilidade dos sujeitos passivos solidários,  foi apresentado recurso de ofício, nos termos do art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de  1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e Portaria MF nº 3,  de 3 de janeiro de 2008.  A contribuinte foi cientificada do acórdão recorrido em 10/02/2017, por meio  de abertura de mensagem no domicílio tributário eletrônico indicado pelo sujeito passivo (fls.  5194)  e  o  responsável  solidário,  Sr.  Augusto  Ribeiro  de  Mendonça  Neto,  por  via  postal,  conforme AR (fls. 5197), com data de recebimento em 15/02/2017. O responsável solidário Sr.  Roberto  Ribeiro  de  Mendonça,  foi  cientificado  por  meio  de  Edital  Eletrônico,  publicado  em  20/02/2017,  considerando­se  cientificado  no  15º  dia  útil  após  a  sua  publicação,  ou  seja,  em  07/03/2017.  O sujeito passivo principal apresentou recurso voluntário em 13/03/2017 (fls.  5202/5246), conforme Termo de solicitação e Juntada (fls. 5200); o  responsável solidário Sr.  Augusto  Ribeiro  de  Mendonça  Neto,  apresentou  recurso  voluntário  em  15/03/2017  (fls.  5358/5458),  e  o  responsável  solidário  Sr.  Roberto  Ribeiro  de  Mendonça  apresentou  recurso  voluntário em 24/03/2017.  Em  suas  peças  recursais  os  recorrentes,  em  linhas  gerais.  rebatem  os  fundamentos  da  decisão  recorrida  e  reiteram  os  argumentos  trazidos  na  impugnação,  protestando ao final pelo seu provimento, verbis:    158. Por todo o exposto, requer seja provido o presente Recurso Voluntário,  para anular o v. acórdão  recorrido, vez que não apreciou os argumentos de defesa  outrora apresentados, restando sem fundamento no que tange à maior parte das teses  debatidas, valendo­se por muitas vezes da “negativa geral” dos pedidos insertos na  impugnação,  ou,  para  desde  logo  julgar  o  presente  apelo  administrativo,  seja  para  anular  os  autos  de  infração  abarcados  pelo  presente  expediente,  cancelando­se  os  respectivos débitos, seja para:   (a) excluir a recorrente do polo passivo (CTN, art. 135);   (b) extinguir o crédito  tributário  relativo aos fatos geradores do ano­base de  2010, fulminado pela decadência (CTN, art. 150, § 4º e 156, V);   (c)  afastar  a  cobrança  da CSL  sobre  as  exclusões  indevidas  da  sua  base  de  cálculo  no  período  de  2010,  referente  à  CSL  e  IRPJ  diferidos,  por  não  serem  rubricas tributáveis, nos termos da Solução de Consulta DISIT/SRRF09 nº 21, de 01  de fevereiro de 2001;   (d) afastar  a cobrança da multa  exigida  isoladamente  em virtude da  falta de  recolhimento do tributo por estimativa mensal (Lei 9.430, art. 44, II, a e b);   (e) cancelar o lançamento do IRF sobre os pagamentos tidos como sem causa,  haja  vista  a  impossibilidade  de  exigência  concomitante  com  o  IRPJ  sobre  as  respectivas despesas deduzidas, bem como o erro na identificação do sujeito passivo  que efetuou os pagamentos;   Fl. 5697DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.698          33 (f)  considerar  as  demais  causas  de  redução  do  crédito  tributário  (ressarcimentos feitos no acordo de leniência firmado com o MPF, reconhecimento  de  causa  nos  pagamentos  de  vantagens  indevidas  no  âmbito  da  operação  LAVAJATO); e/ou   (g)  reduzir  as  penalidades  aplicáveis  ao  caso  (em  razão  da  denúncia  espontânea da infração, ausência de dolo a justificar as multas qualificadas).  A Procuradoria  da Fazenda Nacional  apresentou  contrarrazões  aos  recursos  (fls. 5591/5662).  É o relatório.  Fl. 5698DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.699          34 Voto             Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado ­ Relator  Trata­se de apreciar os recursos de ofício e voluntários em face da decisão da  DRJ­Brasília.  Para melhor  encadeamento  do  julgamento,  aprecio  inicialmente  as  razões  e  respectivas contrarrazões dos recursos voluntários interpostos pelos sujeitos passivos principal  e solidários.  RECURSO VOLUNTÁRIO  Os  recursos  voluntários  interpostos  por  todos  os  responsáveis  são  tempestivos e atendem aos pressupostos legais e regimentais. Assim, deles conheço.  1. Do erro na identificação dos sujeitos passivos em face da imputação e  responsabilidade dos diretores  1.1 Da alegação de erro na identificação do sujeito passivo  A  recorrente  alega  que  há  erro  na  sua  indicação  como  sujeito  pois  a  responsabilidade atribuída aos Srs. Augusto Ribeiro de Mendonça Neto e Roberto Ribeiro de  Mendonça pelos débitos aqui discutidos, com base no art. 135 do CTN é de natureza pessoal e  exclusiva, de modo que à prevalecer a manutenção daqueles responsáveis no polo passivo da  acusação fiscal, com fulcro nesse dispositivo, deve ser feita a desoneração da pessoa jurídica,  conforme jurisprudência pacífica do E. Superior Tribunal de Justiça.   A Procuradoria­Geral da Fazenda Nacional,  no Parecer PGFN/CRJ/CAT nº  55/2009, com fundamento na jurisprudência do eg. Superior Tribunal de Justiça, entende que o  dispositivo trata de responsabilidade solidária, em que pese a literalidade do comando legal.   (...)  c)  Para  efeito  de  aplicação  do  art.  135,  III,  do  CTN,  responde  também  a  pessoa  que,  de  fato,  administra  a  pessoa  jurídica,  ainda  que  não  constem seus poderes expressamente do estatuto ou contrato social;   d)  A  responsabilidade  dos  administradores,  de  acordo  com  a  jurisprudência  do  STJ,  não  pode  ser  entendida  como  exclusiva  (responsabilidade  substitutiva),  porquanto  se  admite  na Corte  Superior  que  a  ação de  execução  fiscal  seja  ajuizada,  ao mesmo  tempo,  contra  a  pessoa jurídica e o administrador;   e)  A  tese  da  responsabilidade  substitutiva  também  deve  ser  excluída  pela inexistência de norma legal de desoneração da pessoa jurídica em razão  da prática de ato ilícito por parte do administrador;   f)  A  tese  da  responsabilidade  subsidiária,  em  sentido  próprio,  dos  administradores  é  incompatível  com  a  adoção  da  tese  da  responsabilidade  subjetiva, acolhida pelo STJ, visto que não se pode conceber que o terceiro,  Fl. 5699DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.700          35 sendo sancionado pela prática de ato ilícito, condicione sua responsabilidade à  inexistência  de  bens  da  pessoa  jurídica,  suficientes  para  a  satisfação  do  crédito;   g)  A  tese  da  responsabilidade  subsidiária,  em  sentido  próprio,  dos  administradores também deve ser afastada em razão da jurisprudência do STJ  que admite que a execução fiscal seja ajuizada, desde logo, contra sociedade e  administrador;  não  se  trata  de mera  questão  de  legitimidade,  como  seria  no  processo de conhecimento, pois que, no processo de execução, não se admite  o  processamento  da  ação  sem  que  se  tenha  presente,  desde  o  início,  a  exigibilidade da pretensão em face do executado;   h) Os  acórdãos  do  STJ  que  fazem  referência  à  “responsabilidade  subsidiária”  somente  podem  ser  entendidos  no  sentido  impróprio  da  expressão,  que  exige,  além  da  existência  de  poderes  de  gerência  e  da  prática de ilicitude pelo administrador, a ausência de pagamento pontual  da obrigação tributária, e não a insolvabilidade da pessoa jurídica, o que  se aproxima, na prática, da responsabilidade solidária decorrente de ato  ilícito;   (...)   59. A  respeito da necessidade da presença de ato doloso por parte do  administrador ou da  suficiência da presença de culpa, deve­se observar que,  ao contrário do que defende parte da doutrina, a jurisprudência maciça do STJ  exige tão­só a presença de “infração de lei” (=ato ilícito), a qual, pela teoria  geral do Direito, pode ser tanto decorrente de ato culposo como de ato doloso  (não obstante alguns poucos acórdãos referirem expressamente à necessidade  de  prova  do  dolo,  em  contraposição  à  imensa maioria  que  exige  somente  a  culpa). Logo, se a lei e a jurisprudência não separam as hipóteses de culpa em  sentido  estrito  e  dolo,  tanto  um  quanto  outro  elemento  subjetivo  satisfaz  a  hipótese do  art.  135 do CTN. Em verdade, o Direito Tributário preocupa­se  com a externalização de atos e fatos, não possuindo espaço para a persecução  do dolo; basta a culpa. (d. n.)  A PGFN destaca em suas contrarrazões o entendimento do STJ acerca de tal  interpretação, conforme analisado no Parecer PGFB/CRJ/CAT acima citado, verbis:   O Superior Tribunal de Justiça possui diversos precedentes no sentido de que  a responsabilidade prevista no art. 135, III do CTN é solidária, ou sejam respondem  juntamente  com  a  sociedade  empresária  os  seus  dirigentes.  Nesse  sentido  é  oportuno  citar  o  seguinte  acórdão,  que,  além  de  reconhecer  a  natureza  da  responsabilidade  solidária  do  dispositivo  do  CTN,  também  deixa  claro  que  a  sua  aplicação não exclui a obrigação da empresa contribuinte (no caso, o ato ilícito era a  dissolução irregular):  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  VIOLAÇÃO  DO  ART.  535  DO  CPC.  DEFICIÊNCIA  NA  FUNDAMENTAÇÃO.  SÚMULA  284/STF.  EXECUÇÃO  FISCAL.  DISSOLUÇÃO  IRREGULAR. REDIRECIONAMENTO. RESPONSABILIDADE  SOLIDÁRIA  X  RESPONSABILIDADE  PESSOAL  DO  SÓCIO­GERENTE.  EXCLUSÃO DA RESPONSABILIDADE  DA  PESSOA  JURÍDICA.  CUMULAÇÃO  SUBJETIVA  DE  PEDIDOS/DEMANDAS.  Fl. 5700DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.701          36 1. Não se conhece do Recurso Especial em relação à ofensa ao  art. 535 do CPC quando a parte não aponta, de forma clara, o  vício  em  que  teria  incorrido  o  acórdão  impugnado.  Aplicação,  por analogia, da Súmula 284/STF.  2.  A  controvérsia  tem  por  objeto  a  decisão  do  Tribunal  de  origem,  que  determinou  a  exclusão  da  pessoa  jurídica  do  polo  passivo  de  Execução  Fiscal,  em  decorrência  do  redirecionamento  para  o  sócio­gerente,  motivado  pela  constatação  de  dissolução  irregular  do  estabelecimento  empresarial.  3.  Segundo  o  sucinto  acórdão  recorrido,  "a  responsabilidade  prevista no art. 135, III, do CTN, é pessoal, e não solidária nem  subsidiária", de modo que, "com o redirecionamento, a execução  fiscal  volta­se  exclusivamente  contra  o  patrimônio  do  representante  legal  da  pessoa  jurídica,  a  qual  deixa  de  responder pelos créditos tributários".  4. O decisum recorrido interpretou exclusivamente pelo método  gramatical/literal  a  norma  do  art.  135,  III,  do  CTN,  o  que,  segundo  a  boa  doutrina  especializada  na  hermenêutica,  pode  levar  a  resultados  aberrantes,  como  é  o  caso  em  análise,  insustentável por razões de ordem lógica, ética e jurídica.  5.  É  possível  afirmar,  como  fez  o  ente  público,  que,  após  alguma oscilação, o STJ consolidou o  entendimento de que a  responsabilidade do sócio­gerente, por atos de infração à lei, é  solidária. Nesse  sentido o  enunciado da Súmula 430/STJ: "O  inadimplemento  da  obrigação  tributária  pela  sociedade  não  gera, por si só, a responsabilidade solidária do sócio­gerente."  6.  O  afastamento  da  responsabilidade  tributária  decorreu  da  constatação  de  que,  em  revisão  do  antigo  entendimento  do  Superior  Tribunal  de  Justiça,  a  inadimplência  não  deve  ser  considerada  ato  ilícito  imputável  ao  representante  da  pessoa  jurídica. No que concerne diretamente à questão versada nestes  autos, porém, subjaz implícita a noção de que a prática de atos  ilícitos implica responsabilidade solidária do sócio­gerente.  7.  Merece  citação  o  posicionamento  adotado  pela  Primeira  Seção do STJ no julgamento dos Embargos de Divergência em  Recurso Especial 174.532/PR,  segundo os quais "Os diretores  não  respondem  pessoalmente  pelas  obrigações  contraídas  em  nome da sociedade, mas respondem para com esta e para com  terceiros solidária e ilimitadamente pelo excesso de mandato e  pelos atos praticados com violação do estatuto ou lei".  8. Isto, por si só, já seria suficiente para conduzir ao provimento  da pretensão recursal. Porém, há mais a ser dito.   9.  Ainda  que  se  acolha  o  posicionamento  de  que  a  responsabilidade prevista no art. 135 do CTN ­ por ser descrita  como  pessoal  ­  não  pode  ser  considerada  solidária,  é  improcedente o raciocínio derivado segundo o qual há exclusão  Fl. 5701DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.702          37 da  responsabilidade  da  pessoa  jurídica  em  caso  de dissolução  irregular.  10.  Atente­se  para  o  fato  de  que  nada  impede  que  a Execução  Fiscal  seja  promovida  contra  sujeitos  distintos,  por  cumulação  subjetiva em regime de litisconsórcio.  11.  Com  efeito,  são  distintas  as  causas  que  deram  ensejo  à  responsabilidade  tributária e, por consequência, à definição do  polo  passivo  da  demanda:  a)  no  caso  da  pessoa  jurídica,  a  responsabilidade decorre da concretização, no mundo material,  dos elementos integralmente previstos em abstrato na norma que  define  a  hipótese  de  incidência  do  tributo;  b)  em  relação  ao  sócio­gerente,  o  "fato  gerador"  de  sua  responsabilidade,  conforme  acima  demonstrado,  não  é  o  simples  inadimplemento  da obrigação tributária, mas a dissolução irregular (ato ilícito).  12.  Não  há  sentido  em  concluir  que  a  prática,  pelo  sócio­ gerente, de ato ilícito  (dissolução irregular) constitui causa de  exclusão  da  responsabilidade  tributária  da  pessoa  jurídica,  fundada em circunstância independente.  13. Em primeiro lugar, porque a legislação de Direito Material  (Código  Tributário Nacional  e  legislação  esparsa)  não  contém  previsão legal nesse sentido.  14.  Ademais,  a  prática  de  ato  ilícito  imputável  a  um  terceiro,  posterior  à  ocorrência  do  fato  gerador,  não  afasta  a  inadimplência  (que  é  imputável  à  pessoa  jurídica,  e  não  ao  respectivo  sócio­gerente) nem anula ou  invalida o surgimento  da obrigação tributária e a constituição do respectivo crédito, o  qual, portanto, subsiste normalmente.  15.  A  adoção  do  entendimento  consagrado  no  acórdão  hostilizado  conduziria  a  um  desfecho  surreal:  se  a  dissolução  irregular exclui a responsabilidade tributária da pessoa jurídica,  o  feito  deveria  ser  extinto  em  relação  a  ela,  para  prosseguir  exclusivamente  contra o  sujeito para o qual a Execução Fiscal  foi  redirecionada.  Por  consequência,  cessaria  a  causa  da  dissolução  irregular,  uma  vez  que,  com  a  exclusão  de  sua  responsabilidade  tributária,  seria lícita a obtenção de Certidão  Negativa  de  Débitos,  o  que  fatalmente  viabilizaria  a  baixa  definitiva de seus atos constitutivos na Junta Comercial!  16.  Dito  de  outro  modo,  o  ordenamento  jurídico  conteria  a  paradoxal previsão de que um ato ilícito ­ dissolução irregular ­  ,  ao  fim,  implicaria  permissão  para  a  pessoa  jurídica  (beneficiária  direta  da  aludida  dissolução)  proceder  ao  arquivamento e ao registro de sua baixa societária, uma vez que  não  mais  subsistiria  débito  tributário  a  ela  imputável,  em  detrimento  de  terceiros  de  boa­fé  (Fazenda  Pública  e  demais  credores).  17.  Recurso  Especial  parcialmente  conhecido  e,  nessa  parte,  provido.  Fl. 5702DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.703          38 (REsp  1455490/PR,  Rel.  Ministro  HERMAN  BENJAMIN,  SEGUNDA  TURMA,  julgado  em  26/08/2014,  DJe  25/09/2014)(Grifo nosso)  A  jurisprudência  deste  Conselho,  a  qual  me  alinho,  também  é  firme  no  sentido de que a responsabilidade dos sócios, gerentes ou administradores (sejam formais ou de  fato),  prevista  no  art.  135,  III  é  solidária  e  não  exclui  do  polo  passivo  a  pessoa  jurídica  administrada.  A jurisprudência recente do STJ anteriormente citada, entende que "a prática  de  ato  ilícito  imputável  a  um  terceiro,  posterior  à  ocorrência  do  fato  gerador,  não  afasta  a  inadimplência (que é imputável à pessoa jurídica, e não ao respectivo sócio­gerente) nem anula  ou invalida o surgimento da obrigação tributária e a constituição do respectivo crédito, o qual,  portanto, subsiste normalmente".   Assim,  de  acordo  com  aquela  colenda  corte,  "os  diretores  não  respondem  pessoalmente  pelas  obrigações  contraídas  em  nome  da  sociedade, mas  respondem  para  com  esta  e  para  com  terceiros  solidária  e  ilimitadamente  pelo  excesso  de  mandato  e  pelos  atos  praticados com violação do estatuto ou lei".   Portanto, a atribuição de responsabilidade aos sócios­gerentes, nos termos do  art. 135, inc. III, não exclui a sujeição passiva da pessoa jurídica.  Ante  ao  exposto,  voto  no  sentido  de  rejeitar  a  alegação  de  erro  na  identificação do sujeito passivo, para manter a sujeição passiva da contribuinte principal, ora  recorrente, tal como apontada na autuação.  1.2 Da responsabilidade atribuída ao Responsável  solidário  sr. Augusto  Ribeiro de Mendonça Neto  O  responsável  solidário  Sr.  Augusto Mendonça  não  contesta  o  vínculo  de  responsabilidade  pelas  infrações  tributárias  apuradas  a  ele  conferido,  mas  reclama  da  responsabilidade  atribuída  aos  demais  sujeitos  passivo,  destacando  que  todas  as  infrações  apuradas decorrem dos fatos apurados e confessados no âmbito da Operação Lava Jato em que  ele  próprio  deixou  clara  a  sua  responsabilidade  exclusiva  pelos  atos  praticados,  conforme  consta dos Termos de Colaboração premiada que serviram de suporte às conclusões do Termo  de Verificação Fiscal.  Sustenta  que  o  sr.  Roberto  Ribeiro  de  Mendonça  não  tem  qualquer  responsabilidade  nos  atos  praticados  e  que  no  Relatório  Fiscal  "não  se  encontra  uma  só  alegação que comprove ou indique qualquer vínculo com as operações realizada e tidas como  ilícitas".  Com relação à empresa Setec Tecnologia,  alega que a  responsabilidade a si  atribuída, com base no art. 135,  inc.  III do CTN, é de natureza pessoal e não solidário o que  impõe a exclusão da pessoa jurídica do polo passivo da demanda.  Desta  feita,  inexistindo  qualquer  questionamento  por  parte  do  responsável  solidário  acima  indicado  quanto  ao  seu  vínculo,  revela­se  despiciendo  analisar  as  suas  alegações  quanto  aos  vínculos  de  responsabilidade  atribuídos  aos  demais  sujeitos  passivos  Fl. 5703DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.704          39 arrolados, posto que lhe falta legitimidade para postular em seus nomes, o que, aliás, o próprio  recorrente reconhece em sua petição recursal.  1.3 Da responsabilidade atribuída ao Responsável  solidário  sr. Roberto  Ribeiro de Mendonça  O  recorrente  alega  flagrante  ilegalidade  na  atribuição  de  vínculo  de  solidariedade  com  a  contribuinte  Setec  Tecnologia,  na  medida  em  que  esta  somente  se  configuraria se presentes as condições estabelecidas no art. 124 do CTN.  Sustenta que o interesse comum é o interesse jurídico e não meramente fático  para  a  atribuição  de  responsabilidade  solidária  e  que  incumbia  ao  Fisco  fazer  a  prova  desse  interesse.   Aponta que inexiste nos autos qualquer alegação que justifique o vínculo de  solidariedade a si atribuído pela fiscalização e que mesmo diante da farta documentação acerca  dos fatos, motivos e operações investigadas pela Lava Jato, inexiste menção à sua participação  em qualquer  ato praticado, o que  revela  a  inexistência  sequer de  indícios para  caracterizar o  interesse comum nos fatos geradores objeto da autuação.  Com relação à imputação feita com base no art. 135, inc. III do CTN, reitera  que inexiste qualquer prova da suposta prática de atos com excesso de poder, destacando que a  autuação  é  baseada  na  colaboração  premiada  do  Sr. Augusto Ribeiro  de Mendonça Neto  ao  Ministério Público e à Justiça, o qual assume toda a responsabilidade pelos atos confessados.  Alega que o Fisco sequer demonstra que possuiria algum poder de ingerência  na gestão da empresa autuada.  Alega  que  sequer  exerceu  cargo  de  diretoria  na  maior  parte  do  período  autuado, pois fora eleito para o cargo de Diretor Comercial na assembléia de 09/06/2010, mas  em  outra  assembléia  realizada  em  30  de  setembro  do  mesmo  ano  que  alterou  os  estatutos  sociais, apenas o Sr. Augusto Ribeiro de Mendonça Neto foi reeleito. E que esteve ausente de  qualquer cargo diretivo, administrativo ou operacional da empresa desde o ano de 2005. Após  o curto período de 3 meses que exerceu o cargo de diretor comercial só retornou à direção da  empresa no ano de 2016, após o desfecho da Operação Lava Jato.  Conclui, alegando que é nula a imputação de responsabilidade a si atribuída,  requerendo seu afastamento do polo passivo.  A  imputação  de  responsabilidade  do  recorrente  foi  assim  descrita  no  TVF  (fls. 5088/5089), verbis:  8. RESPONSABILIDADE PASSIVA SOLIDÁRIA  Nos termos do art. 135, inciso III, do Código Tributário Nacional ­ CTN,  são  pessoalmente  responsáveis  pelos  créditos  correspondentes  a  obrigações  tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei,  contrato  social  ou  estatutos,  os  diretores,  gerentes  ou  representantes  de  pessoas  jurídicas de direito privado.  Desta  forma,  tendo em vista as  ações  ilícitas praticadas pelo  sujeito passivo  descritas  nos  itens  4  e  7  deste  termo,  constituímos  com  base  no  acima  referido  Fl. 5704DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.705          40 dispositivo legal a sujeição passiva solidária contra os seguintes diretores eleitos do  sujeito passivo:  a) AUGUSTO RIBEIRO DE MENDONÇA NETO, CPF nº 695.037.708­82,  eleito  para  o  cargo  de  Presidente,  conforme  Assembléia  Geral  Extraordinária  realizada  em  25/10/04.  Eleito  para  o  cargo  de  Diretor  Presidente,  conforme  Assembléia Geral  Extraordinária  realizada  em  09/06/10.  Reeleito  para  o  cargo  de  Diretor  Presidente,  conforme  Assembléia  Geral  Extraordinária  realizada  em  11/11/13;  b)  ROBERTO  RIBEIRO  DE  MENDONÇA,  CPF  nº  034.400.448­15,  eleito  para  o  cargo  de  Vice  Presidente,  conforme  Assembléia  Geral  Extraordinária  realizada  em  25/10/04.  Eleito  para  o  cargo  de  Diretor  Comercial, conforme Assembléia Geral Extraordinária realizada em 09/06/10.  Reeleito  para  o  cargo  de  Diretor  Comercial,  conforme  Assembléia  Geral  Extraordinária realizada em 11/11/13;  As  atas  constantes  dos  autos  trazidas  pela  fiscalização  (fls.  17/25)  e  pelo  recorrente  (Anexos  III  e  IV  do  recurso,  fls.  5580/5587),  não  corroboram  a  alegação  do  recorrente.  Com  efeito,  o  que  se  verifica  é  que  o mesmo  foi  eleito  para  a  diretoria  da  empresa  Setec,  para  um  mandato  de  3  anos,  na  AGE  de  09/06/2010  (fls.  5580/5581)  e  reconduzido na AGE de 11/11/2013 (fls. 24/25), para novo mandato de 3 anos.  A  alegação  de  que  a  AGE  realizada  em  30/09/2010  teria  excluído  o  recorrente  da  diretoria  não  é  identificada  na  ata  (fls.  5583/5587),  cuja  ordem  do  dia  se  restringiu à: 1. Discussão e Consolidação do Estatuto Social e 2. Eleição do Diretor Presidente.  Em nenhum momento é registrada a destituição dos diretores eleitos na AGE  anterior (09/06/2010).  Por outro lado a recondução do recorrente ao posto de Diretor Comercial na  AGE de novembro de 2013, desmente a alegação de que estaria afastado da diretoria até o ano  de 2016.  O recorrente alega que não existe nos autos a  indicação de nenhum ato por  ele praticado enquanto diretor da companhia.  De  fato,  os  documentos  trazidos  nos  autos  e  as  informações  constantes  do  Termo de Verificação Fiscal apontam o Sr. Augusto Ribeiro de Mendonça Neto como o grande  artífice do esquema criminoso que visava fraudar as licitações da Petrobrás e pagar as propinas  a  diretores  daquela  estatal  e  a  agentes  políticos,  utilizando­se  para  tanto  de  contratos  de  serviços  fraudulentos  para  a  geração  dos  recursos  utilizados  para  perpetrar  os  atos  de  corrupção.  Não obstante, o sr. Roberto Menonça, ora recorrente, era não apenas diretor  da empresa Setec, como tinha participação direta ou indireta em diversas empresas envolvidas  nas mesmas fraudes, como bem destacou o acórdão recorrido, verbis:  Quanto  ao  Sr.  Roberto  Ribeiro  De Mendonça,  que  alega  inclusive  não  ter  poderes  de  gerência na SETEC,  lembramos  que  a SETEC é  controlada  pela PEM  Engenharia LTDA (100%), e o Sr. Roberto Ribeiro De Mendonça detinha na época  Fl. 5705DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.706          41 dos fatos 56,62% de participação na PEN (o restante era do seu irmão Sr. Augusto  Ribeiro de Mendonça Neto).   No mais, no caso sob exame, a Fiscalização da Receita Federal, muito embora  de  posse  de  fartos  elementos  produzidos  pela  Polícia  Federal  e  pelo  Ministério  Público  no  âmbito  da  denominada  operação  Lava  Jato,  como  são  exemplos  os  depoimentos,  as  denúncias  e  mesmo  as  chamadas  colaborações  premiadas  dos  diversos  atores,  logrou  produzir  o  seu  próprio  conjunto  probatório,  que  indubitavelmente  deu  lastro  para  a  apuração  de  irregularidades  cometidas  pela  contribuinte SETEC no âmbito da legislação tributária federal.   Esse  mesmo  escopo  probatório  permite,  indubitavelmente,  concluir  que  os  aludidos  atos  praticados  pela  contribuinte SETEC,  o  foram  com a  participação  ou  consentimento de seus administradores (Sr. Roberto Ribeiro De Mendonça, e o Sr.  Augusto Ribeiro de Mendonça Neto).   Com efeito, não é crível que o Senhor Roberto Ribeiro De Mendonça, não  tivesse  pleno  conhecimento  que  os  supostos  prestadores  de  serviço  eram  empresas que não possuíam capacidade técnica, operacional ou expertise para  a  prestação  dos  serviços  contratados,  mormente  algumas  eram  empresas  do  mesmo núcleo familiar.  Afinal, é inadmissível cogitar que os fatos narrados no presente caso, que  retrata  pagamentos  de  inúmeras  despesas  a  diversas  pessoas  jurídicas,  envolvendo valores significativos, pudessem passar à margem do conhecimento  de seus dirigentes.   Destaca­se no Anexo I que a empresa PEM Engenharia Ltda (que o Sr.  Roberto  Ribeiro  De  Mendonça  detêm  56,62  %),  também  controlava  praticamente  a  totalidade  do  capital  da  Tipuana  Participações  Ltda  e  da  Projetec Projetos  e Tecnologia Ltda,  empresas  que  realizavam boa  parte  dos  pagamentos fraudulentos.   De  ressaltar  também,  no  Anexo  I,  as  participações  societárias  da  família  Ribeiro  de  Mendonça  nas  empresas  SOG  Óleo  e  Gás  S.A,  Energex  Group  Representações  e  Consultoria  Ltda.,  Yellowwood  Consultoria  Ltda,  Pataccas  Participações  e  Consultoria  Ltda.,  Sinergia  Consultoria  e  Representação  Ltda.  e  MSML Participações e Consultoria Ltda.   Portanto, agiu o Senhor Sr. Roberto Ribeiro De Mendonça com infração à lei,  na medida  em que  autorizava ou  concordava  com a apropriação, pela  contribuinte  SETEC, de despesas não necessárias para fins de apuração do lucro real e da base de  cálculo da CSLL e/ou despesas  sabidamente fictícias,  acobertadas por documentos  ideologicamente falsos.  Com relação à infração à lei, esta resta mais do que caracterizada, não apenas  do ponto de vista da utilização de empresas e contratos fictícios na prestação de serviços, com  vistas ao pagamento de propinas, em violação à lei penal, como pela utilização como despesas  dedutíveis os pagamento  efetuados que,  sabidamente não correspondiam  à despesas  efetivas,  infringindo a legislação tributária.   Ante  ao  exposto,  considero  correta  a  indicação  do  Sr.  Roberto  Ribeiro  de  Mendonça como responsável solidário, nos termos do art. 135, inc. III do CTN.   Assim, voto no sentido de negar provimento ao seu recurso, neste ponto.  Fl. 5706DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.707          42 2. Da decadência do lançamento relativa ao ano­calendário 2010  Os  recorrentes  suscitam  a  ocorrência  de  decadência  com  relação  ao  lançamento  dos  tributos  devidos  no  ano­calendário  2010,  tendo  em  vista  que  não  teria  sido  comprovado o  dolo  específico  no  sentido  da  supressão  ou  redução  de  tributos  por  parte  dos  recorrentes, em especial do Sr. Augusto Mendonça, responsável solidário.   Sustentam que o fato de ter havido dolo no pagamento de vantagens ilícitas a  agentes  investigados  naquela  operação, mas  que  não  há  relação  lógica  de  vinculação  com  o  dolo para efeitos fiscais.  Alegam que seria aplicável o prazo previsto no art. 150, § 4º do CTN, tendo  em vista a jurisprudência consolidada no sentido de que inexistindo dolo, fraude ou simulação  e  ocorrendo  o  pagamento  de  tributos,  ainda  que  parcial,  aplica­se  o  prazo  de  cinco  anos  contados da ocorrência do fato gerador.  Não assiste razão aos recorrentes.  Como  já  analisado  no  item  tocante  à  responsabilidade,  a  fiscalização  demonstrou cabalmente a inexistência das despesas deduzidas, formalmente reconhecidas pela  empresa,  que  não  se  constituíam  efetivamente  em  serviços  prestados  pelos  contratados, mas  mero repasse de recursos com vistas a viabilizar a transferências de recursos para empresas e  pessoas físicas do grupo familiar Ribeiro de Mendonça.  Ora,  tão  certa  era  a  consciência  dos  sujeitos  passivos  arrolados  quanto  ao  verdadeiro  objeto  dos  pagamentos  referentes  às  notas  fiscais  de  contratos  de  serviços  ou  compras fictícios, quanto era com relação à impossibilidade de sua dedução como despesas na  sua  contabilidade,  vez  que  não  representavam,  de  fato,  custos  da  atividade  exercida  pela  empresa.  Por  dedução  lógica,  assim  como  os  recorrentes  tinham  consciência  do  que  efetivamente  representavam  tais  pagamentos  (e  não  eram  de  fato  as  despesas  previstas  nos  contratos), também o tinham quanto aos efeitos fiscais, agindo conscientemente no sentido de  lançá­las na  sua contabilidade visando, ao mesmo  tempo, a dar aparência de normalidade ao  gasto e reduzir ou suprimir os tributos devidos.  E, note­se, a ingerência dos Srs. Augusto Mendonça e Roberto Mendonça na  gestão  da  empresa,  já  devidamente  demonstrada,  por  óbvio  se  estende  à  apuração  de  seus  resultados e seus efeitos fiscais, não havendo como afastá­lo dessa relação direta com os fatos  apurados, em todos os sentidos.  A autoridade fiscal aponta no TVF as ações praticadas e demonstra inclusive  o  conluio  evidente  entre  a  fiscalizada  e  as  demais  empresas  do  mesmo  grupo  empresarial  (Ribeiro de Mendonça), notadamente as empresas Energex, Yellowwood, Pataccas, Sinergia e  MSML, responsáveis pela emissão de notas fiscais de prestação de serviços inidôneas, uma vez  que tais serviços eram fictícios.   Colho do item 7 do TVF os principais fragmentos nos quais a atuação dolosa  e fraudulenta dos sujeitos passivos, ora recorrentes, é explicitada, verbis:  7. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO  Fl. 5707DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.708          43 Qualificamos, nos termos do art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/96, com a redação  dada pelo art. 14, da Lei nº 11.488/07, o percentual da multa de ofício aplicável aos  tributos apurados em decorrência das infrações descritas nos subitens 4.1 e 4.3 deste,  uma vez que constatamos a ocorrência dos casos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da  Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964.  O parágrafo 1º, do art. 44 da Lei nº 9.430/96, dispõe da seguinte forma:  [...]  Por sua vez, os arts. 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/64, tem a seguinte redação:   [...]  A presente fiscalização também é um desdobramento do enorme esforço que  está sendo desenvolvido pelo MPF, Polícia Federal, Receita Federal e outros órgãos  federais no âmbito da denominada Operação Lava Jato a qual, nas palavras do MPF,  “é a maior investigação de corrupção e lavagem de dinheiro que o Brasil já teve.” A Setec é administrada por Augusto Mendonça, seu principal executivo e do  grupo de empresas controladas por membros da família Ribeiro de Mendonça, como  demonstramos  no  subitem  2.6  deste.  Agindo  de  forma  consciente,  deliberada,  organizada, meticulosa e reiterada a empresa participou da estrutura montada para o  pagamento  de  propinas,  ou  eufemisticamente,  “vantagens  indevidas”,  a  agentes  públicos  para  assegurar  a  participação  da  empresa  líder  do  grupo  Ribeiro  de  Mendonça,  a SOG  ­ Óleo  e Gás S.A.,  em  licitações promovidas  pela Petrobrás  e,  desse modo, contribuiu para fraudá­las.  Parte  dessas  ações  fraudulentas  e  criminosas  foi  reconhecida  por  Augusto  Mendonça  nos  Termos  de  Colaboração  Premiada  firmados  perante  o MPF  e  nos  Acordos  de Leniência  celebrados  com o MPF  e  o CADE,  subscritos  por Augusto  Mendonça,  por  ex  e  atuais  executivos  de  algumas  das  empresas  de  seu  grupo  empresarial e pelas próprias empresas.  As  denúncias  oferecidas  pelo  MPF  à  Justiça  Federal  do  Paraná  contra  Augusto  Mendonça  e  outros,  pela  prática  dos  crimes  de  corrupção,  lavagem  de  capitais e quadrilha, são objeto dos processos penais nº 5012331­04.2015.4.04.7000  e  5019501­27.2015.4.04.7000,  conforme  relatamos  no  subitem  2.3  deste.  As  denúncias  foram  aceitas  pelo  juízo  competente  e  nas  manifestações  de  defesa  apresentadas  por Augusto Mendonça  em  ambos  os  processos o mesmo  confirmou  todas as acusações,  tornando­se réu confesso dos  ilícitos que  lhe foram atribuídos,  como, aliás, também já apontamos anteriormente neste termo.  As  ações  desenvolvidas  pela  SOG,  diretamente  ou  por  intermédio  dos  consórcios  dos  quais  participa,  pela  Setec  e  pela  PEM  Engenharia,  visando  operacionalizar  o  pagamento  das  propinas  foram  reconhecidas  em  juízo  pelo  seu  principal  executivo  de  fato.  Ou  seja,  as  fraudes  representadas  pela  celebração  de  contratos fictícios de prestação de serviços ou de aluguel de equipamentos, firmados  pelo  Consórcio  Interpar  com  a  Setec  e  Auguri,  pelo  Consórcio  CMMS  com  Riomarine e pela SOG e a Setec com a Editora Gráfica Atitude foram devidamente  confirmados por Augusto Mendonça nos referidos processos judiciais.  Como  informado  anteriormente  no  subitem  2.2.1  deste  termo  o  Consórcio  Interpar  celebrou  contratos  fictícios  de  prestação  de  serviços  e  locação  de  equipamentos com a Setec para possibilitar o escoamento dos recursos destinados ao  Fl. 5708DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.709          44 pagamento  das  propinas.  Com  esses  recursos  a  Setec  celebrou  outros  contratos  fictícios  de  prestação  de  serviços  e  locação  de  equipamentos  com  diversas  outras  empresas  de  fachada,  de  forma  que  os  valores  fossem  redistribuídos  aos  diversos  beneficiários.  Temos,  nesse  caso,  uma  sucessão  de  contratos  fraudulentos:  primeiramente o firmado pelo Consórcio Interpar, liderado pela SOG, com a Setec e,  na sequência, os contratos fraudulentos celebrados pela Setec com as empresas de  fachada controladas pelos “doleiros” Alberto Youssef e Adir Assad. Essas últimas  empresas, objeto de inaptidão e baixa de ofício de suas inscrições no CNPJ, foram  abordadas nos subitens 3.2.1 a 3.2.7 deste termo e são as seguintes: Rock Star, SM  Terraplenagem,  Power  To  Ten,  Soterra,  Legend,  Empreiteira  Rigidez  e  RCI  Software  e  Hardware.  Constatamos  também  que  parte  das  propinas  foi  paga  mediante  contrato  de  prestação  de  serviços  fictícios  celebrado  entre  a  PEM  Engenharia  e  a  SM  Terraplenagem,  com  recursos  providos  pela  Setec  à  PEM  Engenharia, confirmando o declarado por Augusto Mendonça na página 7 do Termo  de Colaboração nº 07.  No desenvolvimento da fiscalização da Setec nos defrontamos com outra série  de  pagamentos  efetuados  pela  empresa,  sem  aparente  vínculo  imediato  com  o  pagamento de propinas a agentes públicos, mas  também vinculados a notas  fiscais  de prestação de serviços cuja efetividade não foi comprovada. Destaca­se que todas  essas  empresas  que  receberam  os  pagamentos  realizados  pela  Setec,  exceto  uma,  pertencem a Augusto Mendonça, sócio quotista da Pem Engenharia, controladora da  Setec,  ou  a  familiares  de Augusto Mendonça  e  Roberto  Ribeiro  de Mendonça,  o  outro  sócio  da  PEM  Engenharia.  É  o  caso  dos  pagamentos  efetuados  à  Energex,  Yellowwood, Pataccas, Sinergia, MSML e CMX.   Como  ficou  fartamente  demonstrado  nos  subitens  3.3  a  3.9  e  4.1.3  a  4.1.9  deste termo, embora intimadas a comprovar a efetiva prestação dos serviços, tanto a  Setec, na condição de tomadora, como as empresas prestadoras, não lograram fazê­ lo.   Como  mencionamos  no  item  5  deste  termo,  em  ação  fiscal  na  PEM  Engenharia,  controladora  da  Setec,  constatamos  as mesmas  infrações  apuradas  na  Setec.  A  PEM  Engenharia  também  efetuou  pagamentos  por  serviços  não  comprovados  à  Energex,  Yellowwood,  Pataccas,  Sinergia  e  MSML  nos  anos  de  2010 e 2011. Aliás, constatamos que a quase totalidade das notas fiscais que essas  empresas  emitiram  no  período  foram  destinadas  à  Setec,  PEM  Engenharia  e  Projetec.  Os  fatos  relatados  comprovam  cabalmente  que  as  ações  da  Setec  foram  intencionais e deliberadas. Fruto de planejamento, organização e execução metódica  com  a  finalidade  de  drenar  recursos  da  Setec  para  transferí­los  às  empresas  de  propriedade de Augusto Mendonça e de seus familiares.  Relativamente  aos  pagamentos  efetuados  à DFS,  empresa  pertencente  a  ex­ sócio da PEM Engenharia,  também não  foi  comprovada  a prestação de  serviços  à  Setec  e  ficou  claro  para  a  fiscalização  que  o  objetivo  dos  pagamentos  era  saldar  alguma  dívida  da  PEM  Engenharia/Setec  para  com  o  referido  ex­sócio  e  simultaneamente contabilizá­los como despesas dedutíveis. As condutas descritas se  enquadram perfeitamente nas definições legais de sonegação, fraude e conluio como  dispõem os artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64.  O sujeito passivo agiu de forma a impedir que a autoridade fazendária tivesse  conhecimento  dos  fatos  geradores  dos  tributos  apurados,  caracterizando  a  sonegação,  ao  intencionalmente  contabilizar  como  custos  e  despesas  dedutíveis  Fl. 5709DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.710          45 valores  sabidamente  correspondentes  a  serviços  que  não  foram  prestados  e  ao  pagamento de vantagens ilícitas e sem causa.   O  sujeito  passivo  procurou modificar  as  características  essenciais  dos  fatos  geradores  ao  tratar os  custos e despesas  contabilizados  e os pagamentos  efetuados  como legítimos e necessários, com causa e em retribuição a operações comprovadas.  Todavia,  como  demonstramos,  as  operações  que  originaram  os  pagamentos  não  foram comprovadas e os documentos de suporte apresentados eram ideologicamente  falsos. Os contratos se referiam a serviços fictícios, fato em parte já reconhecido por  Augusto Mendonça  como  apontamos  no  caso  dos  pagamentos  da  Setec  à Gráfica  Atitude.  O  sujeito  passivo  contabilizou  as  despesas  e  custos  associados  a  esses  pagamentos  como  dedutíveis  na  apuração  do  IRPJ  e  da  CSLL  a  pagar.  Em  consequência reduziu dolosamente o montante devido desses tributos e, dessa forma,  cometeu fraude.  As  fraudes  foram  praticadas  mediante  ajuste  doloso  com  uma  grande  diversidade  de  contrapartes,  configurando  o  conluio.  Essas  contrapartes,  representadas  pelas  empresas  emitentes  das  notas  fiscais  de  prestação  de  serviços  inidôneas, pois os serviços eram fictícios e nunca foram prestados, colaboraram de  forma  consciente  com  o  sujeito  passivo  para  viabilizar  a  execução  das  fraudes  descritas.  As ações praticadas pelo  sujeito passivo  foram de natureza dolosa, uma vez  que  realizadas  de  forma  intencional  e  planejada.  As  condutas  relatadas  foram  praticadas extensivamente, envolveram valores vultosos e foram reiteradas.  Em  face  do  exposto  justifica­se  plenamente  a  imposição  da multa  de  ofício  qualificada sobre o valor de principal dos tributos apurados pela fiscalização objeto  dos subitens 4.1 e 4.4 deste termo.  Restam,  assim,  plenamente  caracterizada  a  ocorrência  de  ação  dolosa  e  fraudulenta  por  parte  dos  recorrentes,  de  sorte  que  aplica­se  ao  caso  o  prazo  decadência  previsto no  art.  173,  inc.  I  do CTN. Este  entendimento  se aplica  aos  lançamentos de  IRPJ  e  CSLL,  quanto  à  glosa  de  custos  e  despesas  e  ao  IRRF  sobre  pagamentos  sem  causa  a  beneficiários não identificados.  Com  relação  à  glosa  de  exclusões  indevidas  da  base  de  cálculo  da  CSLL,  lançada sem multa qualificada, a decadência também não ocorreu, mesmo diante da aplicação  do prazo previsto no art. 150, § 4ºdo CTN, conforme analisou o acórdão recorrido, verbis:  [...]  Primeiramente  se  analisará  a  decadência  para  a  exclusões  indevidas  da  base de cálculo da CSLL referente ao auto de infração de R$ 1.277.951,55.   Conforme já relatado, no período sob fiscalização o sujeito passivo adotou  o regime tributário do Lucro Real, com apuração anual do IRPJ e da CSLL.   Assim,  o  fato  gerador  para  a  CSLL  em  questão  ocorreu  31/12/2010,  mesmo utilizando o art. 150 §4º do CTN para tratar da decadência a fiscalização  teria até 31/12/2015 para efetuar o lançamento. A ciência deste auto se deu em  02 de dezembro de 2015, portanto dentro do prazo legal.   Por todo o exposto, voto no sentido de rejeitar a alegação de decadência.  Fl. 5710DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.711          46 3. Da impossibilidade de cobrança da CSL sobre o Ativo Fiscal Diferido  A  recorrente  contesta  a  glosa  de  exclusões  indevidas  da  base  de  cálculo  ajustada da CSL do ano­calendário 2010, aduzindo que:  44. Ao contrário do que pugnou a d. autoridade fiscal, as  rubricas excluídas  não se referem à provisão para o pagamento da contribuição e do imposto de renda  (rubrica do passivo, na contabilidade), mas sim aos valores referentes à CSL e IRPJ  incidentes sobre os prejuízos fiscais do ano calendário de 2010, representando assim  um crédito (rubrica do ativo, na contabilidade) que poderá ser abatido dos tributos a  pagar sobre os lucros futuros. Conforme estipula o Pronunciamento Técnico nº 32 de  2009 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC 32), estes valores devem ser  reconhecidos  como  ativo  –  e  a  contrapartida  contábil  é  uma  conta  de  resultado  (receita).  45.  O  ativo  fiscal  diferido,  com  efeito,  deve  ser  contabilizado  a  débito  na  conta  do  ativo  realizável  a  longo prazo  e  a  crédito  em  conta  de  resultado  (receita  que, todavia, não é tributável). Foi justamente o que fez a recorrente: contabilizou o  IRPJ  e  a  CSLL  a  débito  na  conta  patrimonial  do  ativo  realizável  a  longo  prazo  (subconta  nº  121101  –  “IR/CSLL  Diferidos”)  e  a  crédito  na  conta  de  resultado  (subcontas  nºs  “391102  –  Contribuição  Social  diferido”  e  “391101  –  Imposto  de  Renda diferido”)   46. Este crédito na conta de resultado, por óbvio, não configura uma receita  suscetível de incidência do IRPJ ou da CSLL, e daí a sua exclusão do lucro líquido  na apuração do Lucro Real. É, portanto,  incensurável o procedimento adotado pela  recorrente  que  redundou  no  aumento  do  prejuízo  fiscal  (por  força  da  referida  exclusão). Neste sentido é a jurisprudência administrativa: [...]  O  acórdão  recorrido  rejeitou  a  alegação,  com  o  seguinte  entendimento,  verbis:  Da impossibilidade da cobrança da CSL sobre o Ativo Fiscal Diferido   A  impugnante  alega que  teria  abatido dos  tributos  a pagar o chamado ativo  fiscal diferido.   Primeiramente,  observa­se  que  a  Lei  nº  6.404/1976,  lei  das  Sociedades  anônimas  (LSA), é uma  lei  societária,  e o  referido ativo  fiscal diferido nunca teve  efeitos fiscais.   Ademais,  este  ativo  fiscal  diferido  foi  revogado  pela  MP  nº  449/2008,  convertida  na  Lei  nº  11.941/2009,  pois  revogou  o  inciso V  do  art.  179  da  Lei  nº  6.404/1976  (LSA), que  tratava da composição das contas classificadas como ativo  diferido.   A  mesma  lei  introduziu  o  art.  299  A  na  LSA  permitindo  que  as  empresas  mantivessem o saldo existente em 31 de dezembro de 2008 nas contas do referido  grupo, até a sua amortização.   No  mais,  a  própria  impugnante  reconhece  que  os  valores  abatidos  são  os  valores  referentes  à  CSLL  e  IRPJ  incidentes  sobre  os  prejuízos  fiscais  do  ano­ calendário de 2010. Ou seja, o referido benefício não se aplica de forma nenhuma,  nem para efeitos societários.   Dessa forma deve­se manter a glosa.  Fl. 5711DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.712          47 A recorrente refuta as conclusões do acórdão recorrido, verbis:  47. De forma confusa, o v. acórdão recorrido alegou que o art. 179, V, da Lei  6.404/1976 (LSA), que  tratava da composição das  rubricas contabilizadas no ativo  diferido, nunca teve efeitos fiscais, bem como foi revogado pela Medida Provisória  449/2008,  convertida  na  Lei  11.941/2009.  Ponderou,  ainda,  que  “a  própria  impugnante  reconhece  que  os  valores  abatidos  são  os  valores  referentes  à  CSL  e  IPRJ  (sic)  incidentes  sobre  os  prejuízos  fiscais  do  ano­calendário  de  2010”,  para  concluir,  de  forma  obscura,  “que  o  “referido  benefício”  não  se  aplica  de  forma  nenhuma, nem para efeitos societários”.   48.  Ora,  basta  uma  análise  detida  do  balanço  da  empresa  e  dos  livros  contábeis,  acostados  com  a  impugnação,  para  se  verificar  que  o  valor  de  R$  1.685.582,76  e  R$  4.682.174,33,  se  referem,  respectivamente,  ao  ativo  fiscal  diferido de CSL e IRPJ, decorrente das bases de cálculo negativas e prejuízos fiscais  apurados no LALUR, gerados no ano­calendário de 2010 e contabilizados no ativo  realizável a longo prazo.   49.  A  nomenclatura  “ativo  fiscal  diferido”  é  utilizada  pela  própria  Receita  Federal para se referir às rubricas em discussão, e não se confunde com o grupo de  contas  denominado  “ativo  diferido”,  previsto  no  art.  179,  V,  da  LSA,  e  o  seu  reconhecimento na conta patrimonial do ativo, quando decorrente da base de  cálculo apurada no período em curso,  tem como contrapartida uma receita, a  qual deverá  ser excluída do  lucro  líquido para fins de determinação do  lucro  real:   “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ   Ementa:  O  valor  do  Ativo  Fiscal  Diferido  decorrente  dos  prejuízos fiscais apurados no Livro de Apuração do Lucro Real  ­  LALUR  ­  gerados  em  períodos  anteriores  ­  quando  reconhecidos  contabilmente  devem  ter  como  contrapartida  conta  do  patrimônio  líquido.  Esses  registros  poderão  transitar  pela  conta  de  Ajustes  de  Exercícios  Anteriores  e  não  influenciarão  na  base  de  cálculo  do  Imposto  de  Renda  das  Pessoas Jurídicas ­ IRPJ e nem da Contribuição Social sobre o  Lucro Líquido  ­ CSLL. O reconhecimento contábil desse ativo  fiscal  ­  quando  decorrente  de  base  de  cálculo  apurada  no  período  em  curso  ­  pode  ser  efetuado  no  encerramento  do  próprio  período;  tendo  porém  como  contrapartida  conta  de  receita. Essa receita, no entanto, poderá ser excluída do lucro  líquido para fins de determinação do lucro real.   Dispositivos  Legais:  Regulamento  para  a  tributação,  fiscalização,  arrecadação  e  administração  do  Imposto  sobre  a  Renda  e  Proventos  de  Qualquer  Natureza,  aprovado  pelo  Decreto  nº  3.000,  de  26  de março  de  1999  (RIR/1999),  artigo  344, parágrafo 2º; IN SRF nº 44, de 25 de abril de 2000, artigo  7º, inciso "I"; IN SRF nº 96, de 30 de novembro de 1993, art. 10,  parágrafo  único;  ADN  COSIT  nº  39,  de  08  de  dezembro  de  1993.  (Solução  de  Consulta  DISIT/SRRF09  nº  21,  de  01  de  fevereiro de 2001.)   Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido ­ CSLL   Ementa: O valor do Ativo Fiscal Diferido decorrente das bases  de  cálculo  negativa  da  Contribuição  social  sobre  o  Lucro  Líquido  ­  CSLL  ­  geradas  em  períodos  anteriores  ­  quando  Fl. 5712DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.713          48 reconhecidas  contabilmente  devem  ter  como  contrapartida  conta  do  patrimônio  líquido.  Esses  registros  poderão  transitar  pela  conta  de  Ajustes  de  Exercícios  Anteriores  e  não  influenciarão na base de cálculo da referida contribuição e nem  na  do  Imposto  de  Renda  das  Pessoas  Jurídicas  ­  IRPJ.  O  reconhecimento contábil desse ativo fiscal ­ quando decorrente  de  base  de  cálculo  apurada  no  período  em  curso  ­  pode  ser  efetuado  no  encerramento  do  próprio  período;  tendo  porém  como contrapartida conta de receita. Essa receita, no entanto,  poderá ser excluída do lucro líquido para fins de determinação  do  lucro  real.  (Dispositivos  Legais:  Lei  9.316,  de  22  de  novembro de 1996, artigo 1º e parágrafo único;  IN SRF nº 44,  de 25 de abril de 2000, artigo 7º, inciso "I"; IN SRF nº 96, de 30  de novembro de 1993, art. 10, parágrafo único; ADN COSIT nº  39,  de  08  de  dezembro  de  1993.)  (Solução  de  Consulta  DISIT/SRRF09 nº 21, de 01 de fevereiro de 2001).   50. Segundo dispõe o art. 100 do CTN, os  atos normativos  expedidos pelas  autoridades  administrativas  são  normas  complementares,  e  vinculam  a  autoridade  tributária. Assim, tendo em vista a vigência da norma em questão, a fiscalização está  sujeita às suas disposições, que por óbvio estão de acordo com a legislação federal,  porquanto as rubricas do ativo fiscal diferido não representarem renda tributável ou  acréscimo  patrimonial  da  empresa,  nos  termos  do  art.  44  do  CTN,  refletindo  tão  somente o montante dos tributos que serão reduzidos em vista da compensação dos  prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas contra o lucro futuro.   A autoridade fiscal, descreveu a infração no item 4.2 do TVF, verbis:  [...]  O sujeito passivo lançou na linha 60 ­ Outras Exclusões, da Ficha 17 da DIPJ  ­ Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, o valor de R$ 6.367.757,09.  Constatamos  que  esse montante  corresponde  ao  somatório  dos  valores  declarados  nas  linhas 70 ­ Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, e 72 ­ Provisão para o  Imposto de Renda, da Ficha 07A da DIPJ ­ Demonstração do Resultado ­ Critérios  em  31.12.2007  ­  PJ  em  Geral,  nos  valores  negativos  de  respectivamente  ­  R$  1.685.582,76 e ­ R$ 4.682.174,33 [(­ R$ 1.685.582,76) + ( ­ R$ 4.682.174,33) = ( ­  R$ 6.367.757,09)].  Considerando­se que o sujeito passivo declarou ter apurado prejuízo contábil  em 2010, não há que se falar em CSLL e Provisão para o IR. Muito menos calcular  referidos  valores  aritmeticamente  negativos,  como  um  percentual  do  prejuízo  contábil  declarado.  Adicionalmente,  além  de  calculá­los,  lançou  esses  valores  a  título  de  outras  exclusões  na  apuração  da Base  de Cálculo Ajustada  da CSLL,  na  linha  60  da  ficha  17  da DIPJ,  aumentando  indevidamente  o montante  apurado  da  base de cálculo negativa da CSLL.  Em face do exposto a fiscalização glosou os valores das outras exclusões em  questão. Em decorrência o valor da Base de Cálculo da CSLL no ano­calendário de  2010 a ser considerado, correspondente à  linha 68 da Ficha 17 da DIPJ, é de ­ R$  18.898.916,88,  como  demonstramos  resumidamente  abaixo,  e  não  de  ­  R$  25.266.673,97 como originalmente declarado pelo sujeito passivo:  [...]  Analisando  os  elementos  dos  autos,  entendo  que  não  assiste  razão  a  recorrente.  Fl. 5713DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.714          49 Registro, preliminarmente, que não encontrei nos autos o balanço da empresa  e os livros contábeis que, segundo a recorrente, teriam sido acostados junto com a impugnação  (fls. 4776/4831).  No  entanto,  é  possível  verificar  na  DIPJ  2011  ­  ano­calendário  2010  (fls.  4144/ que a contribuinte registra em sua Demonstração de Resultado ­ Fichas 06A e 07A (fls.  4150/4152), na linha 69 o Valor do Lucro Líquido Antes da CSLL ­ (na realidade um resultado  negativo) ­ de: ­ R$ 18.529.923,56. Em seguida, observa­se uma provisão de CSLL (linha 70),  de R$ 1.685.582,76 e de IRPJ (linha 72) de R$ 4.682.174,33, de que resulta um Lucro Líquido  do Período de Apuração (na realidade um resultado negativo) de: ­ R$ 12.162.166,57.  Na  Ficha  17  ­  Cálculo  da Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido  (fls.  4166/4167),  que  a  recorrente  registra  na  Linha  60  ­  Outras  Exclusões,  o  valor  de  R$  6.367.757,09, que corresponde à soma dos valores das provisões de IRPJ e CSLL registradas  nas fichas 06­A e 07­A, conforme acima indicado.  Por  outro  lado,  é  possível  identificar  na  Ficha  36­E  ­  Ativo  ­  Balanço  Patrimonial ­ Crítérios em 31/12/2007, que a contribuinte indica no grupo de contas do Ativo  Realizável a Longo Prazo, na linha 20 ­ Créditos Fiscais IRPJ ­ Difer. Temp. Prejuízos Fiscais,  uma aumento do saldo do período anterior, que era de R$ 9.375.889,31 para R$ 15.743,646,40,  ou seja uma diferença correspondente ao exatos valores da provisão de IRPJ e CSLL somadas  (R$ 6.367.757,09).  Por  fim,  na  Ficha  37­E  ­  Passivo  ­  Balanço  Patrimonial  ­  Critérios  em  31/12/2007  (fls. 4174/4175), no grupo de contas do Patrimônio Líquido,  linha 44  ­ Outras o  registro do resultado negativo do período, no valor de: ­ R$ 12.162.166,57, apontado nas fichas  06­A e 07­A.  Ora,  pelo  que  se  depreende  dos  dados  acima  transcritos,  a  contribuinte  efetuou o lançamentos do Crédito Fiscal diferido em face do prejuízo fiscal apurado no período  de apuração, tendo como contrapartida a própria conta de Resultado do Exercício. Ou seja, não  foi reconhecida em conta de resultado antes de sua transferência para a conta de apuração do  resultado do exercício, o que justificaria sua exclusão da base de cálculo da CSLL.  Assim, revela­se correto o procedimento fiscal que glosou a exclusão feita na  base de cálculo da CSLL.  Ante  ao  exposto,  voto  no  sentido  de  negar  provimento  ao  recurso,  neste  ponto.    4.  Da  impossibilidade  de  exigência  do  IR  Sobre  Pagamento  Sem  Causa efetuado por Terceiros – Erro na Identificação do Sujeito Passivo  A  recorrente  alega  que  existe  erro  na  identificação  do  sujeito  passivo,  com  relação aos pagamentos que teriam sido efetuados pelas empresas Projetec e Tipuana, em nome  da  recorrente,  tendo  em  vista  a  existência  de  um  contrato  de  administração  de  recursos  financeiros  da  empresa  Setec.  Assim,  sendo  aquelas  as  empresas  que  realizaram  os  pagamentos, seriam também elas as responsáveis pelo IRRF sobre os pagamentos considerados  sem causa, conforme excertos do recurso voluntário, verbis:  Fl. 5714DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.715          50   51.  A  recorrente  também  foi  autuada  com  a  cobrança  de  IRF  sobre  pagamentos supostamente sem causa nos anos de 2010 e 2011, com fundamento no  art.  61  da Lei  n.º  8.981/95, mas  esta  cobrança  não merece  prosperar  pelo  simples  fato de que os pagamentos foram efetuados por pessoas jurídicas distintas.   52. O dispositivo  supracitado  é  expresso  ao  afirmar  que  serão  tributados  os  pagamentos  efetuados  por  pessoa  jurídica  a  beneficiários  não  identificados  ou  quando não for identificada a causa destes pagamentos. Evidente, portanto, que o  sujeito passivo do imposto de renda retido na fonte nesta situação é a pessoa jurídica  que realiza os pagamentos.   53.  Ora,  no  presente  caso  os  pagamentos  supostamente  sem  causa  foram  efetuados  por  pessoa  jurídica  distinta  da  recorrente. Basta  uma  singela  leitura  das  páginas  92  a  103  do Termo  de Verificação  da Ação  Fiscal  para  constatar  que  as  empresas  que  efetivamente  fizeram  os  pagamentos  objeto  da  autuação  foram  a  PROJETEC e a TIPUANA, não havendo qualquer pagamento realizado diretamente  pela  recorrente  (SETEC). Esta  informação é  corroborada pela própria Fiscalização  (itens  4.4  e  seguintes  do  Termo  de  Verificação  da  Ação  Fiscal),  conforme  os  quadros  sintetizando  os  detalhes  de  cada  pagamento  entendido  como  sem  causa  (data, valor e empresa pagadora).   54. Não é possível imputar o ônus da retenção do IR sobre tais pagamentos à  requerente, ainda que efetuados por sua conta e ordem, pois o legislador optou pela  responsabilidade objetiva da pessoa jurídica que efetivamente credita os valores aos  beneficiários.   A recorrente cita ementas de jurisprudência deste Conselho e de Soluções de  Consulta que corroborariam sua tese.  O Acórdão recorrido, analisou as alegações e rejeitou­as, verbis:  A impugnante alega que as empresas que efetuaram os pagamentos foram a  PROJETEC  e  a  TIPUANA,  não  havendo  qualquer  pagamento  realizado  pela  SETEC.   A  impugnante  entende,  então,  tratar­se  de  erro  de  identificação  do  sujeito  passivo.   No  caso,  a  SETEC  é  a  verdadeira  tomadora  dos  serviços,  é  quem  operacionaliza todo o trâmite visando à contratação de serviços de seu interesse; as  notas fiscais de prestação de serviços são emitidas em seu nome; os custos são por  ela suportados, contabilizados e  levados a resultado. Por  fim, a SETEC é o sujeito  passivo responsável do art. 121 do CTN.   Nessa  relação  contratual,  os  pagamentos  aos  prestadores  de  serviços  são  efetuados  pelas  empresas  TIPUANA  e  PROJETEC.  Trata­se  de  caso  típico  de  pagamento por conta e ordem de terceiros.   A respeito da questão, providencial é a transcrição do artigo abaixo do CTN:   Art. 123. Salvo disposições de  lei em contrário, as convenções  particulares,  relativas  à  responsabilidade  pelo  pagamento  de  tributos,  não  podem  ser  opostas  à  Fazenda  Pública,  para  modificar  a  definição  legal  do  sujeito  passivo  das  obrigações  tributárias correspondentes.   Fl. 5715DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.716          51 No  caso,  se  a  intenção  da  SETEC  era  repassar  a  responsabilidade  para  a  TIPUANA  e  PROJETEC,  não  há  como  acatar  tal  pretensão,  pois  os  contratos  de  prestação de serviços de administração de contas a pagar e contas a receber com a  TIPUANA e a PROJETEC não tem o condão de modificar o substituto tributário da  obrigação tributária (no caso SETEC), conforme determina o art. 123 do CTN.   Tudo  se  passa  como  se  a  SETEC  pagasse  diretamente  aos  prestadores,  e  assim, deveria a SETEC como substituto tributário recolher o IRRF.   Conclui­se  que  o  acordo  feito  entre  a  SETEC  e  as  empresas  TIPUANA  e  PROJETEC  (que  possuem a  natureza  de  convenção particular)  não  pode  afastar  a  incidência da tributação na SETEC verdadeira responsável pela retenção dos tributos  na fonte de acordo com o art. 121 do CTN.   Dessa forma, não há erro na identificação do sujeito passivo.  Com  efeito,  não  vejo  como  transferir  a  responsabilidade  tributária  da  recorrente para terceiros com base no contrato de administração de seus recursos financeiros.  Tais  empresas  funcionaram  como  meras  responsáveis  pelo  "Caixa"  da  empresa  recorrente,  tendo  em vista que  esta  estava  com  suas  contas  bancárias  bloqueadas,  conforme  informou  à  autoridade fiscal. Portanto, agiam em seu nome para efetuar os pagamentos por ela indicados.  Imputar­lhe a responsabilidade, neste caso, seria o mesmo que considerar o  responsável pelo  departamento financeiro pelos pagamentos que realiza em nome da empresa.  Como  bem  aponta  o  acórdão  recorrido,  o  art.  123  do  CTN,  deixa  clara  a  impossibilidade de transferência da responsabilidade de pagamento de tributos a terceiros por  meio de convenções particulares.  A  recorrente  alega,  ainda,  existir  um  procedimento  contraditório  da  fiscalização, pois ao  tempo em que considerou válido o contrato de administração  financeira  para exigir o IRRF sobre os pagamentos realizados pela empresas Projetec e Tipuana, em seu  nome,  teria  desconsiderado  tais  contratos  em  outros  procedimentos  fiscais  realizados  junto  àquelas empresas, verbis:  64.  Como  se  isto  não  bastasse,  a  própria  fiscalização  desclassificou  o  negócio jurídico praticado entre a recorrente e as empresas supramencionadas  no  auto  de  infração  n.  13896­723.093/2016­24,  que  tem  como  pano  de  fundo  o  mesmo Mandado de Procedimento Fiscal (mas se refere ao período de 2012­2013),  afirmando que a “TIPUANA e a PROJETEC são empresas virtuais, meras caixas de  passagem  de  parte  do  fluxo  de  recursos  de  pagamentos  e  recebimentos  entre  empresas do grupo empresarial de Augusto Mendonça e dessas com  terceiros”, de  modo  que  tais  empresas  não  teriam  mão­de­obra  para  prestar  qualquer  tipo  de  serviço,  e  que  as  transações  efetuadas  foram  geridas  por  funcionários  da  própria  SETEC.   65. A desconsideração do contrato também se deu no âmbito do procedimento  administrativo  nº  13896.721547/2013­80,  em  que  a  PROJETEC  fora  autuada  por  omissão  de  receitas  decorrentes  de  repasses  de  empresas  coligadas,  entre  elas  a  SETEC,  a  despeito  da  celebração  de  contrato  de  administração  de  recursos  financeiros  com  a  requerente.  Naquela  ocasião,  a  fiscalização  asseverou  que  os  contratos se resumiam a simples instrumentos particulares, sem reconhecimento de  firma, e que não foram registrados no registro de títulos e documentos, não surtindo  efeitos em relação a terceiros.   Fl. 5716DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.717          52 66.  Como  se  isto  não  bastasse,  o  E.  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais ainda acrescentou que, nos “termos desses contratos, existe a determinação  de  apuração mensal  de  saldos  de  caixa,  relativamente  a  cada  uma  delas,  controle  detalhado,  com  a  discriminação  individualizada  de  todos  os  pagamentos  e  recebimentos,  e  isso  em  relação  a  cada  contratante,  ao  qual,  fica  implícito,  a  interessada  deveria  prestar  contas.”  Desta  feita,  a  validação  do  negócio  jurídico  pactuado exigiria  a  “escrituração detalhada,  relatórios,  notas  fiscais,  comprovantes  de  depósito  identificado  e/ou  de  transferências,  identificação  dos  débitos  e  correspondentes  contas  das  empresas  coligadas  pagas,  etc.,  o  que  não  ocorreu.”  (acórdão nº 1402002.143 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 5 de abril de  2016 – doc. 1).   67.  Ora,  trata­se  de  evidente  contradição  por  parte  da  fiscalização,  que  atribuiu  efeitos  diametralmente  opostos  ao  mesmo  instrumento  jurídico.  Tendo  a  fiscalização desclassificado o negócio pactuado entre as partes também no presente  relatório fiscal, não se mostra compatível a autuação da SETEC por pagamentos sem  causa efetuados pela TIPUANA e da PROJETEC.   Com relação aos argumentos acima transcritos, a recorrente não traz qualquer  elemento de comprovação quanto aos fatos que teriam sido objeto de discussão no âmbito do  processo administrativo nº 13896.723.093/2016­24, não havendo como emitir qualquer juízo a  respeito no âmbito deste processo.  No  que  concerne  ao  processo  administrativo  nº  13896.721547/2013­80,  a  recorrente cita trechos do acórdão nº 1402­002.143.   Examinando o referido acórdão, verifica­se que no procedimento  junto á  empresa  Projetec  a  fiscalização  apurou  omissão  de  receitas  com  base  em  depósitos  bancários de origem não comprovada, no ano­calendário 2009. Trata­se, portanto, de fatos  ocorridos em períodos de apuração distintos dos examinados nestes autos (2010 e 2011), o  que por si só desqualifica a alegação.  Não obstante,  o  que  se  verifica  naquele  acórdão  é  que  o  lançamento  de  omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada, realizado  pela  fiscalização  decorreu  essencialmente  da  falta  de  comprovação  de  que  os  valores  movimentados estavam vinculados de fato ao contrato de administração financeira, como  fora  alegado  naquele  processo,  e  não  da  desconsideração  de  sua  validade,  conforme  se  extrai dos excertos de voto abaixo transcritos, verbis:   [...]  No curso da ação fiscal, foi constatada a existência de diversos depósitos que  ingressaram  em  contas  de  titularidade  da  interessada,  no  ano­calendário  de  2009  (Demonstrativo  de  fl.131),  para  as  quais  a  interessada,  apesar  de  intimada,  não  apresentou justificativa considerada aceitável pela fiscalização.   [...]  Em sua defesa, a interessada afirma que os depósitos bancários em foco  têm  suporte único em contrato de administração de recursos financeiros celebrado entre  sua  controladora PEM ENGENHARIA LTDA (fls.115/116), bem como  com as empresas SETAL  ENGENHARIA,  CONSTRUÇÕES  E  PERFURAÇÕES  Fl. 5717DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.718          53 S/A (fls.117/118) sob nova denominação SETEC TECNOLOGIA S/A e TIPUANA  PARTICIPAÇÕES LTDA (fls.119/120), sem efetiva transferência de titularidade.   A interessada diz, ainda, que:   · trata­se de mera terceirização (pelas coligadas) das rotinas de contas a pagar  e  receber,  que  ficam  concentradas  no  corpo  técnico  da  PROJETEC, como é comum no mercado, inclusive fora do ambiente  dos grupos  econômicos;   ·  os  recursos  correspondentes  são  oferecidos  à  tributação  pelas  coligadas ou submetidos à retenção na fonte; e   ·  tais  rendimentos  não  se confundem com  receita da atividade propriamente  dita,  que  abrange  somente  rendimentos  das  aplicações  financeiras do numerário por sua iniciativa.    Os  contratos  apresentados  Contratos  de  Administração  de  Recursos  Financeiros (Contas a Receber e Contas a Pagar)  celebrados entre a interessada  e  as  empresas PEM, SETEC e TIPUANA são de igual teor e datados de 01/01/2008.   Destaco, a seguir, alguns tópicos desses contratos:   1. A ... autoriza a PROJETEC a administrar os recebimentos e pagamentos  em  nome  da  sociedade,  assumindo  a  PROJETEC  o  compromisso  de  ressarcir as eventuais sobras em caixa.   2.  Nas  contas  correntes mencionadas  no item  anterior,  se farão inscrever  todos  os  recebimentos e pagamentos ocorridos durante o mês, obedecendo, rigorosamente, a ordem  cronológica  desses  acontecimentos,  com  indicação  precisa  e  detalhada  dos  documentos  emitidos para tanto.   3. A  ...  poderá  solicitar  à PROJETEC eventuais  transferências  de  numerários  com  pelo menos um dia de antecedência da data que pretender dispor dos recursos.   4.  Mensalmente,  no  último  dia  de  cada  mês,  as  partes  deverão  apurar  os  saldos em caixa.   5.  A  PROJETEC  poderá  promover  a  devolução  de  seu  débito  a  qualquer  tempo, desde que dê ciência ao credor num prazo mínimo de 48 horas.    ...   8. Por remuneração dos serviços prestados, a PROJETEC fará jus à  receita  financeira obtida no mercado financeiro com os recursos financeiros por  ela administrados  em decorrência deste contrato.    ... (grifou­se).   Apesar  de tais  contratos  envolverem  empresas  coligadas  certo  é  que,  pelos  termos  desses  contratos,  existe  a  determinação  de  apuração  mensal  de  saldos  de  caixa,  relativamente a cada uma delas, tendo em vista que, ainda que  tal atividade não esteja prevista  no  seu  contrato  social,  a  interessada  estaria  administrando  recebimentos  e  pagamentos  das  referidas  empresas.  Essa  administração  exigiria  controle  detalhado,  com  a  discriminação  individualizada de todos os pagamentos e recebimentos, e isso em relação a  cada  contratante, ao qual, fica implícito, a interessada deveria prestar contas.  Fl. 5718DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.719          54 Assim, ainda que os contratos apresentados atendessem aos aspectos for mais  relacionados  pelo  autuante  (autenticação  de  assinaturas  e  registro  no  Registro  de  Títulos  e  Documentos), esses contratos não seriam  suficientes para a comprovação de que se trata. Faz­se necessário o respaldo de  diversos meios  de  prova,  tais  como:  escrituração  detalhada,  relatórios,  notas  fiscais,  comprovantes  de  depósito  identificado  e/ou  de  transferências,  identificação  dos  débitos e  correspondentes  contas  das empresas coligadas  pagas, etc., o que não ocorreu.   Ao contrário do que argumenta a defesa, não houve  desprezo  dos  contratos.  A conclusão adotada  pela  fiscalização  está  baseada, como  relatado  no Termo  de Verificação  Fiscal, nas disposições do art. 368, parágrafo único,  da Lei n° 5.869/1973 (Código do Processo Civil), invocadas subsidiariamente:   [...]  Restou,  portanto,  nesse  caso,  perfeitamente  caracterizada  a  existência  de  depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, mediante documentação hábil  e idônea, coincidente em datas e valores.    Nesse  contexto,  entendo  correto  o  estabelecimento  da  presunção  legal  de  omissão de receitas e a correspondente tributação desses valores depositados.  Esta turma inclusive se manifestou em dois processos de responsabilidade da  Projetec,  excluindo­a,  exatamente  por  reconhecer  o  contrato  de  administração  de  contas  (PAF´s.  nº  10932.000454/2010­01  e  10932.000682/2008­59),  conforme  ementa  abaixo  extraída dos referidos julgados:  IRRF  ­  PAGAMENTOS  SEM  CAUSA  ­  INTELIGÊNCIA  DO  ART.  674  DO  RIR  ­  COMPROVAÇÃO  DA  NATUREZA,  DESTINO  E  TITULARIDADE  DOS  VALORES  POR  DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA  Comprovado  pelo  titular  da  conta  bancária  a  natureza  das  operações,  ainda  que  existente  indícios  de  práticas  evasivas  pelos  destinatários  dos  recursos,  compete  a  autoridade  fiscal  proceder  o  lançamento  contra  estes  últimos  e  não  contra  a  empresa  titular  das  contas,  criada  exclusivamente  para  gerenciar os recursos financeiros dos citados destinatários.  Ante ao exposto, voto no sentido de rejeitar a alegação dos recorrentes neste  ponto.  5.  Da  impossibilidade  de  exigência  concomitante  do  IRRF  por  pagamento sem causa e do IRPJ/CSLL em razão da glosa de despesas.  A  recorrente  reclama  a  existência  de  bis  in  idem  em  face  da  exigência  concomitante  do  IRRF  por  pagamento  sem  causa  e  do  IRPJ/CSLL  em  razão  da  glosa  de  despesas, pois penalizaria duplamente a pessoa jurídica, verbis:   70. Ora, a tributação de fonte com reajuste da base de cálculo, como  prevista  no  art.  61  da  Lei  n.  8.981/95,  é  incompatível  com  a  exigência  simultânea de IRPJ e CSL pela glosa da respectiva despesa. Não é outro o  entendimento do E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais:  Fl. 5719DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.720          55 [...]  71. No presente caso, tendo o contribuinte optado pela apuração do  IRPJ e da CSL com base no lucro real, e tendo deduzido as despesas cujas  contrapartidas são os pagamentos considerados  sem causa, a  fiscalização  não poderia exigir o  IRF com fulcro no art. 61 da Lei n. 8.981/95,  se  já  formalizada a glosa das respectivas despesas.   72.  Trata­se  de  um  “bis  in  idem”  que  não  pode  ser  acolhido,  porque penaliza duplamente a pessoa jurídica: (a) uma vez, na condição de  contribuinte do IR e da CSL (posto que a glosa conduz a uma exigência  daqueles  tributos à alíquota conjunta de 34% e, no caso concreto, com a  multa majorada de 150%); e (b) outra vez, na condição de fonte pagadora  (situação em que o IRF é exigido à alíquota de 35%, com recomposição da  base de cálculo e com a multa igualmente majorada).   Entendo que não assiste razão aos recorrentes.  Trata­se de exigências distintas, conquanto derivadas dos mesmos fatos.  O  IRPJ  e  a CSLL  são  exigidos  por  decorrência  legal  da  glosa  de  despesas  inexistentes que afetam diretamente a base tributável apurada pela pessoa jurídica.  O IRRF, de outra parte, decorre da previsão legal de que não correspondendo  os pagamentos às operações indicadas nos documentos fiscais, mas a finalidade diversa, resta  afastada  a  causa  indicada  nos  documentos  que  lhe  deram  suporte,  respondendo  a  fonte  pagadora pelos tributos devidos pelos beneficiários.  A  questão  suscitada  pela  recorrente  já  foi  analisada  por  este  colegiado,  no  Acórdão nº 1302­002.087, sob minha relatoria, no qual se analisou de maneira ampla alegação  mais  bem  elaborada  quanto  aos  fundamentos  para  uma  possível  duplicidade  de  exigência,  afastando­a.  Peço  vênia  aos meus  pares,  para  reproduzir  trechos  do  voto  condutor  proferido  naquele caso, verbis:  A recorrente alega a inexistência de amparo legal para o lançamento do IRRF  sobre  pagamentos  a  beneficiários  não  identificados  ou  sem  causa  quando  tais  pagamentos  foram  objeto  de  glosa  de  custos  e  despesas  que,  no  entendimento  da  fiscalização impliquem na redução indevida do lucro líquido.  Defende  a  inaplicabilidade  do  art.  61  da  Lei  nº  8981/95,  quando  a  mesma  hipótese deu origem à tributação pelo IRPJ e CSLL, por redução indevida do lucro  real,  apontando  que  o  artigo  44  da  Lei  n°  8.541/92  previa  presunção  de  distribuição  automática  de  lucro  equivalente  à  receita  omitida  ou  à  diferença  verificada  na  determinação  dos  resultados  das  pessoas  jurídicas  por  qualquer  procedimento que implique redução indevida do lucro líquido, tributada pelo IRRF  exclusivo à alíquota de 25%, majorada para 35% pelo art. 62 da Lei nº 8.98l/1995.  Observa a  recorrente que o artigo 61 da Lei n° 8.981/95, que prevê o  IRRF  invocado pela autoridade lançadora e o artigo 62, que majorou a alíquota do IRRF  sobre a distribuição de lucros, previsto no art. 44 da Lei nº 8.541/1992, são tratados  na mesma lei , não sendo mera coincidência a circunstância de que o artigo 61 tenha  previsto a incidência de IRRF para as hipóteses que especifica, à alíquota de 35%,  Fl. 5720DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.721          56 e  o  artigo  62,  em  seguida,  tenha  atribuído  a  mesma  alíquota  (35%)  para  as  hipóteses previstas no artigo 44 da Lei n° 8.541/92.  Aponta que, se de um lado, o artigo 44 da Lei n° 8.541/92 (com a alteração  feita pelo art. 62 da Lei nº 8.981/1995) estipulava a incidência de IRRF exclusivo, à  alíquota  de  35%,  no  caso  de  receitas  omitidas  ou  diferença  verificada  na  determinação  dos  resultados  das  pessoas  jurídicas  por  qualquer  procedimento  que  implique  redução  indevida  do  lucro  líquido,  por  outro,  o  artigo  61  da  Lei  n°  8.981/95  previa  a  incidência  de  IRRF  exclusivo,  também  à  alíquota  de  35%,  aos  pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado ou aos  pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou  titular,  contabilizados  ou  não,  quando  não  for  comprovada  a  operação  ou  a  sua  causa, ressalvado o disposto em normas especiais.  Alega que, nesse contexto, o artigo 44 da Lei n° 8.541/92 era a norma especial  que prevalecia sobre o seu conteúdo, tanto que, além de não revogá­la, a mesma lei  (Lei n° 8.981/95) equiparou as alíquotas, colocando­as no patamar de 35%.  Conclui  afirmando  que  a  revogação  do  art.  44,  pela  Lei  nº  9.249/95,  que  trouxe nova sistemática à tributação dos lucros não permite que o artigo 61 da Lei n°  8.981/95  alcance  situação  antes  era  tratada  pelo  artigo  44  da  Lei  n°  8.541/92  (Presunção de distribuição automática de lucros aos sócios, tributada exclusivamente  na fonte).  Entendo, que o raciocínio empreendido pela recorrente, ainda que apoiado em  decisões administrativas dos órgãos fazendários, exige um maior aprofundamento.  Examinando as normas citadas pela recorrente, verifica­se que foram editadas  num contexto em que os lucros apurados pelas pessoas jurídicas quando distribuídos  aos  sócios  e  acionistas  eram  tributados  e  em  que  determinadas  situações  eram  consideradas como distribuição disfarçada de lucros, sujeitas à tributação exclusiva  na fonte.  É com este pano de fundo que o PN. CST nº 4/94 analisou a continuidade da  vigência  ou  não  do  art.  8º  do  DL.  nº  2065/1983,  em  face  do  art.  35  da  Lei  nº  7.713/1988, que instituiu o Imposto de Renda na Fonte sobre o Lucro Líquido.   Este  é o  objeto  do  referido  parecer que, an passant,  aborda  a  incidência  do  IRRF,  com  base  no  art.  8º  do  Decreto­Lei  nº  2.065/83  e  no  art.  44  da  Lei  nº  8.541/92, sobre a  receita omitida ou diferença verificada na determinação do lucro  líquido, em decorrência de procedimentos irregulares de distribuição de valores aos  sócios.  Também  as  decisões  colacionadas  referem­se  à  legislação  aplicada  no  contexto da  tributação  dos  lucros  distribuídos,  sejam  eles  apurados  contabilmente,  sejam  os  considerados  automaticamente  distribuídos  quando  apurados  em  lançamento de ofício.  Naquele  contexto,  me  parece  bastante  razoável  que  não  se  cogitasse  da  tributação exclusiva na fonte dos lucros considerados automaticamente distribuídos  aos sócios e ao mesmo tempo fosse aplicada, no caso de glosa de custos e despesas  consideradas  inidôneas,  a  cobrança  do  IRRF  sobre  pagamentos  sem  causa  ou  a  beneficiários cuja origem não fosse identificada, pois configuraria, claramente, uma  exigência em duplicidade.  Fl. 5721DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.722          57 A recorrente alega que o disposto no art. 44 da Lei nº 8.541/92 seria a regra  especial, prevista no artigo 61 da Lei n° 8.981/95, que atrairia a tributação na fonte  dos rendimentos (lucros) apurados em face destas glosas e que, uma vez revogada  pela  Lei  nº  8.981/1995,  não  poderia  ser  aplicada  ou  substituída  pela  tributação  prevista no art. 61 da Lei nª 8.981/95.  Entendo que se equivoca a recorrente, pois o a ressalva contida na parte final  do art. 61 da Lei nº 8981/95 visava exatamente a não tributação em duplicidade dos  mesmos  rendimentos  em  face  de  duas  legislações  distintas  que  previam  regras  similares.  De outra parte, o art. 44 da Lei nº 8.541/1992 alcançava as situações em que  restasse configurado o benefício direto dos sócios ou acionistas, conforme se extrai  do dispositivo, verbis:  Art.  44.  A  receita  omitida  ou  a  diferença  verificada  na  determinação dos resultados das pessoas jurídicas por qualquer  procedimento  que  implique  redução  indevida  do  lucro  líquido  será  considerada  automaticamente  recebida  pelos  sócios,  acionistas  ou  titular  da  empresa  individual  e  tributada  exclusivamente  na  fonte  à  alíquota  de  25%,  sem  prejuízo  da  incidência  do  imposto  sobre  a  renda  da  pessoa  jurídica. (Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995)  § 1° O fato gerador do imposto de renda na fonte considera­se  ocorrido no mês da omissão ou da redução indevida.  § 1º O fato gerador do Imposto de Renda na fonte considera­se  ocorrido no dia da omissão ou da  redução  indevida. (Redação  dada pela Medida Provisória nº 1.003, de 1995)  § 1º O fato gerador do imposto de renda na fonte considera­se  ocorrido no dia da omissão ou da  redução  indevida. (Redação  dada pela Lei nº 9.064, de 1995) (Revogado pela Lei nº 9.249,  de 1995)  § 2° O disposto neste artigo não se aplica a deduções indevidas  que,  por  sua  natureza,  não  autorizem  presunção  de  transferência  de  recursos  do  patrimônio  da  pessoa  jurídica  para o dos seus sócios.(Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995)  O art. 61 da Lei nº 8981/1995, por sua vez, é mais abrangente e alcança todos  os pagamentos efetuados a beneficiários não identificados ou cuja operação ou causa  não  é  comprovada,  independente  de  quem  seja  o  real  beneficiário  dele  (sócios/acionistas  ou  terceiros,  contabilizados  ou  não),  elegendo  a  pessoa  jurídica  responsável  pelo  pagamento  efetivamente  comprovado  com  responsável  pelo  recolhimento  do  imposto  de  renda  devido  pelo  beneficiário,  presumindo­se  que  assumiu  o  ônus  pelo  referido  pagamento.  É  o  que  se  extrai  do  dispositivo  em  questão, verbis:   Art.  61.  Fica  sujeito  à  incidência  do  Imposto  de  Renda  exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento,  todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário  não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais.   §  1º  A  incidência  prevista  no  caput  aplica­se,  também,  aos  pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou  sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não  Fl. 5722DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.723          58 for  comprovada  a  operação  ou  a  sua  causa,  bem  como  à  hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991.   § 2º Considera­se vencido o Imposto de Renda na fonte no dia  do pagamento da referida importância.   §  3º  O  rendimento  de  que  trata  este  artigo  será  considerado  líquido,  cabendo  o  reajustamento  do  respectivo  rendimento  bruto sobre o qual recairá o imposto.  No  mesmo  sentido  da  aplicabilidade  do  dispositivo,  transcrevo  o  voto  vencedor da i. Conselheira Edeli Pereira Bessa, no Acórdão nº 1101­000.825, verbis:  O presente voto expressa os fundamentos para manutenção das exigências de  IRRF, uma vez que restou vencido o I. Relator em sua proposta de exoneração de tais  créditos tributários.   Argumentou o I. Relator que os lançamentos de IRPJ e CSLL aqui veiculados  não poderiam coexistir com o lançamento de IRRF em razão dos mesmos pagamentos  glosados  na apuração  daqueles tributos,  reportando­se a julgados deste Conselho  que somente admitem a exigência de IRRF desde que  o  mesmo  fato/valor que  servir de base,  não caracterize hipótese de redução  do lucro liquido, quer por receita omitida,  quer por glosa  de  custos  e/ou  despesas,  situações  tipicamente  submetidas  ao  IRPJ  segundo  as  normas  pertinentes à tributação pelo lucro real, em razão de disposição legal  específica  aplicável nesta segunda hipótese, veiculada no art. 44 da Lei nº 8.541/92.    Isto  porque,  como  demonstrado  no  voto  do  I.  Relator,  o  art.  44  da  Lei  nº  8.541/92 determinava a exigência de IRRF à alíquota de 25% nos casos de  redução  indevida do lucro líquido,  presumindo  de  forma  absoluta  que esta diferença fora  automaticamente recebida pelos sócios.   Todavia,  a  dúvida  acerca  da  aplicabilidade  do  art.  61  da  Lei  nº  8.981/95  somente existiria,  na  forma exposta, enquanto  vigente o art.  44  da Lei  nº  8.541/92,  revogado  pela Lei nº 9.249/95. A partir daí  (como é o caso  destes autos),  ausente a presunção legal de  distribuição  daqueles  valores aos  sócios,  nenhum  impedimento existiria  para a caracterização  da  hipótese  fixada  no  art.  61  da  Lei  nº  8.981/95,  que  na  verdade  parte  do  fato  provado  de  entrega de recursos a um terceiro não identificado, ou por razões não demonstradas, e  erige a presunção, apenas, de que tais rendimentos seriam passíveis de tributação na  pessoa do beneficiário.    No presente caso, portanto, há duas incidências distintas: 1) o IRRF exigido  da autuada na condição de  responsável  (fonte pagadora de  rendimentos) que não  se  desincumbiu de seu dever de identificar o beneficiário e/ou a causa do pagamento e,  por  conseqüência, permitir ao Fisco  confirmar  a  regular  tributação  de eventual  rendimento  auferido  por este beneficiário, e 2)  o IRPJ  exigido da autuada na condição de  contribuinte  que auferiu  lucro, mas o declarou  em montante  menor que o devido, em razão da dedução de  despesas que  não  foram  regularmente provadas.   Em outras palavras, a incidência do IRPJ decorrente de uma despesa que  não  reúne os requisitos legais para sua dedutibilidade não converte esta parcela  em rendimento  da  própria  da  pessoa  jurídica,  a  dispensar  a  incidência  que  poderia existir em desfavor do beneficiário do pagamento. É certo que a base de  cálculo do IRPJ resta majorada e, por consequência, há renda tributável no seu  sentido  próprio,  qual  seja,  resultado  líquido  de  acréscimos e  decréscimos  patrimoniais  num mesmo  período  de apuração. Mas este  resultado  líquido  não  se confunde com  o conceito  de  rendimento, acréscimo individualmente auferido,  no  caso,  por outro sujeito  passivo,  em razão  de uma operação específica, que poderia sujeitar­se a tributação isolada, a qual é  Fl. 5723DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.724          59 presumida  pela lei em  razão  da  omissão  de informações  por  parte da fonte pagadora.   Considerando que, nos termos do voto do I. Relator, os beneficiários e a causa  do  pagamentos  subsistiram  incomprovados,  deve­se  NEGAR  PROVIMENTO  ao  recurso voluntário relativamente às exigências de IRRF.   [...]  Com relação ao pleito de compensação dos valores do IRRF que teriam sido  retidos  nos  pagamentos  efetuados  às  pessoas  jurídicas  apontadas  como  beneficiárias  ­  (cita  como  exemplo  os  valores  destacados  nas  notas  fiscais  de  fls.  3629/3662)­,  a  recorrente  não  trouxe aos autos qualquer prova de seu recolhimento e vinculação com os valores lançados, ora  examinados, não havendo como acolher a pretensão.  Observo  ainda  que  a  autoridade  fiscal  efetuou  o  cálculo  do  IRRF  sobre  o  valor  líquido das notas  fiscais, ou seja  sem computar os  tributos destacados nos documentos  fiscais.   Diante  do  exposto,  rejeito  a  alegação  dos  recorrentes,  por  entender  que  o  lançamento realizado encontra suporte legal no art. 61 da Lei nº 8.981/1995.  6. Da Impossibilidade da exigência concomitante de multa de ofício e da  multa isolada sobre a falta de recolhimento de estimativas mensais da CSLL e IRPJ  No  recurso  voluntário  a  recorrente  se  insurge  contra  a  exigência  da  multa  isolada. Alega que esta não pode ser exigida em concomitância com a multa de ofício aplicada  sobre o imposto devido ao final do exercício. Sustenta que a matéria encontra­se pacificada no  âmbito do CARF.  Não assiste razão à recorrente.  Inexiste qualquer conflito legal para aplicação da multa de ofício pela falta de  recolhimento  do  tributo  em  conjunto  com  a  multa  isolada  pela  falta  de  recolhimento  de  estimativas.  Desde  logo  afasto  a  aplicação  da  súmula  CARF  nº  1051,  porquanto  o  lançamento  da  multa  isolada  foi  fundamentado  no  Art.  44,  inciso  II,  alínea  b,  da  Lei  n°  9.430/96,  com  a  redação  dada  pelo  art.  14  da  Lei  n°  11.488/2007  (Auto  de  Infração  ­  fls.  4459/4866).  Com  efeito,  o  alcance  da  referida  súmula  é  limitado  às  exigências  formalizadas anteriormente às alterações  legislativas  introduzidas pela Lei nº 11/488/2007. O  enquadramento legal citado expressamente no texto da súmula (art.44, § 1º, inciso IV da Lei nº  9.430, de 1996) deixou de existir a partir de 22/01/2007.   Na mesma data,  foi  publicada no DOU  (edição  extra) e  entrou  em vigor  a  Medida  Provisória  nº  351/2007,  posteriormente  convertida  na  Lei  nº  11.488/20072.  Foram                                                              1 Súmula CARF nº 105:   A multa  isolada por falta de recolhimento de estimativas,  lançada com fundamento no art. 44 § 1º,  inciso IV da  Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e  CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício.  2 Lei nº 11488/2007:  Fl. 5724DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.725          60 alterados o percentual  aplicável  (de 75% para 50%) e também a base de incidência da multa  (antes,  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição,  após,  o  valor  do  pagamento  mensal que deixar de ser efetuado).  Assim, com relação aos fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 2007,  os Conselheiros podem votar de acordo com seu livre convencimento sobre a matéria.  Com  efeito,  a  lei  prevê  expressamente  aplicação  da  penalidade  isolada  no  caso do descumprimento da obrigação de recolher o tributo estimado mensalmente, mesmo se  apurado prejuízo ao final do exercício.  Entendeu o  legislador que  tal  infração (falta de recolhimento da estimativa)  não deve ser ignorada.   Com  vistas  à  proteção  da  arrecadação  tributária  e  prestigiando  os  contribuintes que em situação equivalente efetuaram os recolhimentos devidos por antecipação,  houve  por  bem  o  legislador  estabelecer  uma  penalidade  para  aquela  infração,  que  não  se  confunde de modo algum com a multa de ofício eventualmente devida pelo não recolhimento  do saldo de tributo apurado no final do exercício.   Assim,  se,  além das  estimativas mensais que deixaram de ser  recolhidas, a  fiscalização  constata  que  também o  saldo  de  imposto  anual  devido  em  face  da  apuração  do  resultado do exercício não foi declarado/recolhido, ou o foi à menor, impõe­se a cobrança das  diferenças de tributos devidas acrescidas da respectiva multa de ofício (75%), aplicada sobre o  saldo de tributo devido.  Ora,  é  princípio  basilar  de  hermenêutica  que  "a  lei  não  contém  palavras  inúteis".                                                                                                                                                                                            Art.  14.    O  art.  44  da  Lei  no  9.430,  de  27  de  dezembro  de  1996,  passa  a  vigorar  com  a  seguinte  redação,  transformando­se as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e III:  “Art. 44.  Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:  I  ­ de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a  totalidade ou diferença de  imposto ou contribuição nos casos de  falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;  II ­ de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal:  a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não  tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física;  b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base  de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano­calendário correspondente, no caso de  pessoa jurídica.  § 1o  O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos  arts.  71,  72  e  73  da  Lei  no  4.502,  de  30  de  novembro  de  1964,  independentemente  de  outras  penalidades  administrativas ou criminais cabíveis.  I ­ (revogado);  II ­ (revogado);  III­ (revogado);  IV ­ (revogado);  V ­ (revogado pela Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998).  § 2o   Os percentuais de multa a que se  referem o  inciso  I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de  metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para:  I ­ prestar esclarecimentos;  II ­ apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991;  III ­ apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei.  ................................................. ” (NR)  Fl. 5725DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.726          61 Ao estabelecer que é devida a multa isolada ainda que a pessoa jurídica tenha  apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da contribuição social, o legislador deixou  muito  claro  que  a  penalidade  isolada não  se  confunde  e não  pode  se  fundir  com  a multa de  ofício eventualmente devida pelo saldo de  tributo devido no ano.  Interpretação nesse sentido  implica em negar validade ao citado dispositivo.  A imposição da multa isolada visa prestigiar o contribuinte que cumpre com  suas  obrigações  e  observa  um  dos  princípios  essenciais  da  atividade  econômica,  previsto  na  Constituição  Federal  de  1988:  o  princípio  da  livre  concorrência  (vide Art.  170,  inc  IV, Art.  146­A e Art. 173, § 4°).   Ao  impor  ao  infrator  a  penalidade  isolada  a  lei  visa  desestimular  comportamentos que levem a condições desiguais, pois enquanto os contribuintes que honram  com  suas  obrigações  sacrificam  parte  de  seus  fluxos  de  caixa  para  contribuir  com  a  coisa  pública, muitas  vezes  tendo  que  recorrer  ao  pagamento  de  juros  a  terceiros,  o  infrator  (que  deixa de recolher o tributo estimado) preserva o seu "Caixa" e se coloca em situação vantajosa  economicamente perante os seus concorrentes.   É  cediço  os  efeitos  que  a  sonegação  tem  sobre  o  equilíbrio  concorrencial.  Portanto, ao se desonerar da multa isolada o contribuinte que deixa de efetuar o recolhimento  por estimativa ferir­se­ia, além da legalidade, o princípio da isonomia.  Rejeito,  também,  o  argumento,  que  tem  sido  reiteradamente utilizado  pelos  que defendem a impossibilidade de coexistência das duas penalidades, quanto a possibilidade  de estarmos diante da ocorrência de um "bis in idem": aplicação da multa isolada e da multa de  ofício sobre um mesmo fato.  Não vejo como se possa defender a existência de um mesmo fato a ensejar a  aplicação das penalidades.   A  lei  é  cristalina  ao  estabelecer  cada  uma  das  hipóteses  em  que  as  penalidades são aplicáveis, sendo certo que as infrações ocorrem em momentos absolutamente  distintos, embora possam ser detectadas num mesmo momento pela fiscalização.   Enquanto a infração pelo não recolhimento dos tributos devidos com base na  estimativa  mensal  ocorre  durante  o  ano­calendário  de  sua  apuração,  a  infração  pelo  não  recolhimento  do  tributo  anual  devido  só  pode  ocorrer  depois  de  encerrado  o  período  de  apuração respectivo. São fatos diversos que ocorrem em momentos distintos e a existência de  um deles não pressupõe necessariamente a existência do outro.  O percentual da multa  isolada que antes coincidia com o mesmo percentual  da multa de ofício  também era comumente utilizado para  justificar o alegado  "bis  in  idem!".  Porém, também não existe mais essa coincidência, em face de sua redução para 50% pela Lei  n° 11.488/2007, e que passou a ser aplicada aos casos pretéritos (inclusive neste) em face da  retroatividade benigna prevista no art. 106, II, alínea "c" do CTN.  Os prazos para cumprimento das obrigações em questão também são distintos  em cada caso.  Por fim, a definição da infração, da base de cálculo e do percentual da multa  aplicável  é matéria  exclusiva  de  lei,  nos  termos  do  art.  97,  inc.V  do CTN,  não  cabendo  ao  Fl. 5726DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.727          62 intérprete questionar se a penalidade aplicada em tal e qual caso é adequada ou se é excessiva,  a  não  ser  que  adentre  a  seara  da  sua  constitucionalidade,  o  que  é  vedado  no  âmbito  deste  colegiado.  Se  a  lei  não  prevê  a  possibilidade  de  aplicação  de  uma  penalidade  em  detrimento da outra não cabe ao intérprete afastá­la ou modular sua aplicação.  A  recorrente  cita,  ainda,  jurisprudência  que  afasta  a  aplicação  da  multa  isolada após o encerramento do período de apuração.  Entendo de modo diverso da jurisprudência citada.  A aplicação da multa isolada, prevista no art. 44, inc. II, b da Lei nº 9.430 de  1996, decorre, exclusivamente, do descumprimento da obrigação de se efetuar o recolhimento  por  estimativa  nos  prazos  e  condições  estabelecidos  na  legislação  tributária,  independentemente do resultado anual apurado pelo sujeito passivo.   Excetua­se  do  disposto  nessa  regra  a  pessoa  jurídica que  comprovar  que  a  insuficiência de pagamento decorreu do levantamento do balanço ou balancete de suspensão ou  redução na forma do art. 35 da Lei n.º 8.981, de 1995, e alterações posteriores.  O citado dispositivo não faz qualquer restrição quanto à data em que deva ser  apurada  a  falta  de  recolhimento  ou  o  recolhimento  a  menor  por  estimativa.  Daí  porque,  a  Instrução Normativa nº 93 de 1997, ao disciplinar a matéria, expressamente previu a aplicação  da multa após o ano­calendário, nos seguintes termos (grifei):  Art.  16.  Verificada  a  falta  de  pagamento  do  imposto  por  estimativa, após o  término do ano­calendário, o  lançamento de  ofício abrangerá:  I  ­  a multa  de  ofício  sobre  os  valores  devidos  por  estimativa  e  não recolhidos;  II ­ o imposto devido com base no lucro real apurado em 31 de  dezembro,  caso  não  recolhido,  acrescido  de  multa  de  ofício  e  juros  de  mora  contados  do  vencimento  da  quota  única  do  imposto.  Atualmente a aplicação da multa encontra­se disciplinada pela  IN. RFB. Nº  1700/2017, que assim dispões no seu art. 53, verbis:  Art.  53.  Verificada  a  falta  de  pagamento  do  IRPJ  ou  da CSLL  por estimativa, após o término do ano­calendário, o lançamento  de ofício abrangerá:  I ­ a multa de ofício de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor  do  pagamento  mensal  que  deixar  de  ser  efetuado,  ainda  que  tenha  sido  apurado  prejuízo  fiscal  ou  base de  cálculo  negativa  da CSLL no ano­calendário correspondente; e  II  ­  o  IRPJ  ou  a  CSLL  devido  com  base  no  lucro  real  ou  no  resultado  ajustado  apurado  em  31  de  dezembro,  caso  não  recolhido, acrescido de multa de ofício e juros de mora contados  do vencimento da quota única do tributo.  Fl. 5727DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.728          63 Desta  forma,  já  que  estava  a  empresa  obrigada  ao  recolhimento  por  estimativa,  por  ter  optado  pela  apuração  do  lucro  real  anual,  não  pairam  dúvidas  de  que  a  constatação  de  falta  ou  insuficiência  de  recolhimentos mensais,  por  estimativa,  dá  ensejo  ao  lançamento da multa de ofício isolada, prevista no inciso II, alínea b do art. 44 da Lei nº 9.430,  de 1996, incidente sobre as diferenças apuradas e perfeitamente demonstradas.  Por  tais  fundamentos,  voto  no  sentido  de  negar  provimento  ao  recurso  voluntário quanto ao ponto.  7. Da denúncia espontânea da  infração ao Ministério Público Federal e  aplicação do regime do art. 138 do CTN  Os recorrentes pleiteiam a aplicação ao presente caso do instituto da denúncia  espontânea uma vez que as  infrações apuradas pelo Fisco  foram previamente confessadas ao  Ministério Público Federal  por meio  do  instituto  da  declaração  premiada  além de  acordo  de  leniência firmado pela recorrente e homologado pela Justiça Federal. Afirma, verbis:    91. Com base nas apurações da chamada operação LAVAJATO, e em vista do  termo  de  colaboração  premiada  firmado  pelo  Sr.  Augusto  Ribeiro  de  Mendonça  Neto,  a  fiscalização  averiguou  os  negócios  celebrados  e  a  efetiva  ocorrência  dos  serviços  firmados  com  a  empresa  EDITORA  GRÁFICA  ATITUDE  LTDA,  concluindo pela ausência de comprovação dos serviços pactuados.     92.  Como  bem  reconheceu  a  fiscalização,  em  22.10.2014  –  bem  antes  da  presente autuação e do início da fiscalização – foi celebrado termo de colaboração  premiada entre o Ministério Público Federal e o Sr. Augusto Ribeiro de Mendonça  Neto,  assim  como  acordo  de  leniência,  também  firmado  pela  recorrente,  homologado pelo MM. Juízo da 13ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária do  Paraná.   93. À vista de tais considerações, duas circunstâncias devem ser consideradas  no  espectro das  autuações  fiscais: a  espontaneidade das  informações prestadas  e  a  devolução dos valores pagos a título de “comissões” exigidas pelos agentes públicos  e políticos.   94. Com efeito, e no que interessa ao presente capítulo da defesa, a recorrente  faz  parte  do  rol  de  colaboradores  de  primeira  hora  na  operação  LAVAJATO,  contribuindo para a Justiça e sobretudo para as investigações do Ministério Público  Federal, sendo certo que confiaram na palavra estatal ao firmar os acordos em tela.   95. Confiaram inclusive no que tange à apuração estatal da responsabilidade  por eventuais infrações de natureza tributária, eis que já se sabia, de antemão, que as  informações  prestadas  na  esteira  dos  acordos  de  colaboração  seriam  futuramente  compartilhadas com a fiscalização da Receita Federal do Brasil.   96. É fácil constatar, portanto, que a recorrente apresentou lealmente todas as  informações  e  documentos  já  contando  com  o  repasse  de  tais  informações  à  fiscalização  fazendária,  de modo  que  remanesceram  no  aguardo  da  apuração  (que  compete à  fiscalização – art. 142 do CTN) dos tributos eventualmente devidos em  face das operações confessadas perante a autoridade policial. Tudo de conformidade  com a parte final do “caput” do art. 138 do CTN.   Fl. 5728DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.729          64 97.  Não  há  espaço  para  dúvidas:  a  postura  da  recorrente  é  tipicamente  abarcada  no  regime  do  art.  138  do  CTN,  eis  que  aquele  comando  estimula  a  denúncia  espontânea  da  infração  com  a  eliminação  da  penalidade  potencialmente  aplicável  ao  caso  concreto,  ainda  que  –  como  no  caso  em  tela  –  o  montante  do  tributo dependa de apuração posterior (segundo a parte final do “caput” do art. 138  do CTN).       O acórdão recorrido se pronunciou sobre a questão, verbis:  A  requerente  e  o  Sr.  Augusto  Ribeiro  de Mendonça  alegam  que  teriam  praticado a denúncia espontânea do art. 138 do CTN. Contudo, aquele artigo se  presta  quando  a  contribuinte  denuncia  a  infração  do  tributo  acompanhado  do  pagamento do mesmo, e dos juros de mora, a saber:  Art.  138.  A  responsabilidade  é  excluída  pela  denúncia  espontânea  da  infração,  acompanhada,  se  for  o  caso,  do  pagamento  do  tributo  devido  e  dos  juros  de  mora,  ou  do  depósito  da  importância  arbitrada  pela  autoridade  administrativa,  quando  o  montante  do  tributo  dependa  de  apuração.  Aqui,  na  realidade,  a  requerente,  esta  contestando  os  tributos  apurados,  ou  seja, nem sequer pagou. Não tendo relação, portanto, com a denúncia espontânea do  art. 138 do CTN.   A propósito, o STJ na súmula 360 determina:   O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação  regularmente  declarados, mas pagos a destempo.   Ou seja, mesmo que se entendesse que tivesse havido a confissão dos tributos  aqui  lançados,  que  não  houve.  Eles  nem  sequer  foram  pagos,  por  isso  foram  lançados.   Dessa  forma,  não  há  como  excluir  a  responsabilidade  das  infrações,  e  por  conseqüência as multas de ofício.   Os recorrentes contestam a conclusão da decisão recorrida, alegando que ela  "não  está  em  consonância  com  a  legislação  pátria,  à  medida  que  afirma  que  a  denúncia  espontânea  somente  será  reputada  válida  quando  estiver  acompanhada  do  pagamento  do  tributo devido – desconsiderando a possibilidade do contribuinte depositar a quantia devida  após a apuração do montante pela fiscalização, hipótese que se aplica ao presente caso".   Se equivocam os recorrentes.   O  instituto  da  denúncia  espontânea,  como  o  próprio  nome  revela,  depende  exclusivamente da ação do sujeito passivo, tanto no que se refere à confissão do tributo quanto  ao seu pagamento ou depósito, quando este dependa de apuração. Cabe ao contribuinte retificar  suas  declarações  de  rendimentos,  refazer  suas  apurações  e  efetuar  o  pagamento  dos  tributos  devidos, ou o seu depósito, caso haja dúvida quanto ao montante total devido.  Fl. 5729DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.730          65 No  presente  caso,  o  que  se  verifica  é  apenas  a  confissão  dos  crimes  praticados ao Ministério Público Federal e à Justiça Federal, na atuação da recorrente junto à  Petrobrás,  que,  posteriormente,  ensejaram  apurações  por  parte  do  Fisco  Federal  dos  tributos  devidos  em  face  das  irregularidades  a  ele  comunicadas  pelos  órgão  de  investigação  e  da  Justiça.  Poderia,  se  assim  quisesse,  o  contribuinte  ter  se  antecipado  a  qualquer  procedimento  fiscal  e  adotado  as  medidas  necessárias  para  a  denúncia  espontânea  das  obrigações tributárias perante o Fisco, retificando suas declarações e pagando ou efetuando o  depósito dos tributos devidos.  Nenhuma  dessas  providências  foi  tomada  pelos  recorrentes,  de  sorte  que  é  inviável a aplicação do instituto previsto no art. 138 do CTN ao presente caso.  Assim, voto por rejeitar esta alegação.  8.  Da  inviabilidade  de  exigência  de  impostos  sobre  os  pagamento  devolvidos na Operação Lava Jato  Os  recorrentes  alegam  que  os  pagamentos  de  vantagens  indevidas  nas  licitações,  considerados  indedutíveis  nesta  autuação,  foram  anulados,  na  medida  em  que  os  valores foram ressarcidos à Petrobrás, conforme acordos de leniência, como se ocorresse uma  verdadeira  reversão  ou  estorno,  o  que  alteraria,  também  a  possibilidade  de  exigência  dos  tributos  devidos,  posto  que  a  "identificação  da  capacidade  contributiva  que  originalmente  permitia a formulação de exigências fiscais já não mais persiste".  Aduz que, verbis:  109. A devolução da renda retira do contribuinte sua capacidade contributiva,  permitindo a exclusão, da base de cálculo do IR, do valor efetivamente devolvido,  na forma do Parecer Normativo COSIT 5/95 – que, embora tenha sido editado a  propósito do imposto de renda de pessoa física, é inteiramente aplicável ao caso da  pessoa  jurídica.  De  acordo  com  aquele  ato  normativo,  “o  rendimento  acumulado,  pago  a  maior  em  exercícios  ou  meses  anteriores,  deverá  ser  diminuído  do  rendimento bruto tributável, na determinação da base de cálculo do imposto de renda  na fonte, no mês de sua devolução.”   110. E dúvida  não  há  no  sentido  de  que  a  exigência  de  IRF  formulada  nestes  autos  é  tipicamente uma  exação  junto à  fonte pagadora, que  assume o  ônus  do  imposto.  Não  tem  cabimento  manter  essa  exigência,  sobretudo  porque  onera  unicamente  a  fonte  pagadora  (que  assume  o  ônus  do  imposto  com  a  recomposição  da  respectiva  base  de  cálculo),  e  especialmente  porque  é  a  fonte  pagadora,  no  caso  concreto,  quem  comparece  à  autoridade  para  devolver  os  pagamentos de vantagens indevidas auferidas pelos terceiros.   111. Ora,  se  os  terceiros  (beneficiários  finais  das  vantagens  indevidas)  poderiam  excluir  de  sua  renda  tributável  a  parcela  porventura  devolvida,  na  forma do PN­COSIT 5/95, com muito mais razão a fonte pagadora tem direito  à exclusão, da base tributável, desse montante que é por ela mesma devolvido.   112.  Vale  dizer,  se  o  IRF  por  pagamento  sem  causa  lhe  é  exigido  com  recomposição  da  base  de  cálculo,  para  que  a  fonte  suporte  sozinha  o  ônus  do  Fl. 5730DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.731          66 imposto, é justo então que a fonte também se beneficie da redução do tributo assim  exigido, na hipótese de devolução da renda submetida a essa exação.   [...]  114. No mais, a devolução do numerário, na esteira dos acordos de leniência,  impõe  considerar  igualmente  revertida  a  possibilidade  de  exigência  de  IRPJ  e  de  CSL por suposta redução indevida do lucro líquido na apuração do lucro real – da  mesma  forma  com  que  a  devolução  opera  um  verdadeiro  estorno  do  suposto  pagamento sem causa para fins de incidência do IRF aqui combatido.   O acórdão recorrido traz o seguinte pronunciamento sobre a alegação, verbis:  A requerente alega que como devolveu as “vantagens indevidas” não restaria  nada  a  pagar  de  crédito  tributário.  Na  verdade,  o  fato  gerador  dos  tributos  aqui  lançados ocorreram, e assim, agiu corretamente a fiscalização com os lançamentos  destes autos.   Destarte,  na  esfera  administrativa  não  há  nada  a  fazer  senão  manter  os  lançamentos aqui guerreados  Os  recorrentes  questionam  esta  conclusão,  alegando  que  "a  decisão  foi  extremamente genérica  e  não  analisou  adequadamente  a  tese  desenvolvida  pelas  recorrentes,  razão pela qual deve ser reformado o v. acórdão".   A  PGFN  em  suas  contrarrazões  aponta,  preliminarmente,  que  a  alegação  é  desprovida de provas que atestem a efetiva devolução de valores na "Operação Lava­Jato", o  que, por si só, inviabilizaria a pretensão dos recorrentes. Quanto à análise da alegação, sustenta  a Fazenda Nacional, verbis:  Alegam  os  recorrentes  que,  em  razão  do  acordo  de  leniência,  seguido  de  homologação  judicial, os pagamentos de vantagens  indevidas  foram rigorosamente  anulados,  na medida  dos  valores  ressarcidos  a  quem de  direito,  conforme  se  pode  comprovar das parcelas já quitadas.  Nesse sentido, aduzem que os  julgadores  (DRJ), ao manterem o  lançamento  por  entenderem que  os  fatos  geradores  ocorreram  e que  eventuais  devoluções não  surtem  efeitos  tributários,  “se  olvidaram  de  que  a  devolução  dos  valores  implica  numa verdadeira reversão –ou estorno –dos pagamentos e a consequente reversão de  toda e qualquer exigência fiscal que possa decorrer daqueles pagamentos, porque a  identificação da capacidade contributiva que originalmente permitia a formulação de  exigências  fiscais  já não mais persiste. E sem essa capacidade contributiva não há  espaço para  incidência  tributária,  pelo menos na medida das devoluções  efetuadas  pelo contribuinte”.  Prosseguem:  “com  efeito,  a  devolução  dos  valores  conduz  à  anulação  dos  efeitos  do  ato  jurídico  que  deu  azo  aos  pagamentos,  ensejando  por  via  de  consequência  a  perda  de  capacidade  contributiva  no  que  tange  às  exigências  formuladas nesta autuação”.  Essa argumentação, no entanto, não passa de um sofisma.  O equívoco decorre da incondicionalidade dos fatos geradores ocorridos com  a obtenção dos recursos indevidos pela autuada.   Fl. 5731DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.732          67 De  fato,  os  fatos  geradores  dos  tributos  surgiram  no  momento  em  que  se  verificaram  as  situações  materiais  necessárias  a  que  produzam  os  efeitos  que  normalmente  lhe  são  próprios  (art.  116,  I,  do CTN1),  quais  sejam  a  realização de  diversos  dispêndios  que  eram  incompatíveis  com  os  rendimentos  declarados  pelo  Recorrente ou mesmo jamais declarados.   Vale  lembrar  a  lição  de  Geraldo  Ataliba,  para  quem  o  fato  gerador  "é  a  materialização da hipótese de incidência, representando o momento concreto de sua  realização, que se opõe à abstração do paradigma legal que o antecede. Ocorrendo  o  fato  gerador,  surge  a  obrigação  tributária  do  sujeito  passivo  pagar  o  imposto  devido".  Nesse  sentido,  em  relação  ao  IR,  os  fatos  ocorridos  foram  suficientes  para  atrair a presunção legal da omissão de receitas e a hipótese de incidência do referido  Imposto, tal como previsto no art. 43 do CTN, in verbis:  [...]  Ademais,  os  tributos  incidem  independentemente  de  eventual  ilicitude  dos  atos praticados pelos  recorrentes e da devolução dos bens/valores que ele  tenha se  comprometido a restituir.  O art. 118 do CTN declara que se deve abstrair a validade jurídica dos atos  efetivamente praticados, bem como a natureza do seu objeto ou dos seus efeitos, e os  efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. [...]  Ora,  se  sequer  o  perdão  criminal  é  garantido  nesses  casos,  quiçá  afastar  a  responsabilização tributária.  Além  disso,  o  acordo  celebrado  sequer  contou  com  a  participação  de  representante judicial da União (art. 1º, caput e § 4º da Lei nº 9.469/97), de modo  que a esfera patrimonial da União (no caso, seus créditos tributários) jamais poderia  ser atingida.  Ressalte­se, ainda, o que prevê o art. 26 da Lei nº 4.506/64:  “Os rendimentos derivados de atividades ou transações ilícitas, ou percebidos  com  infração  à  lei,  são  sujeitos  a  tributação,  sem  prejuízo  das  sanções  que  couberem”.  Por tudo isso, não há como se negar a regularidade da incidência dos tributos  no caso concreto, pelo que merecem desprovimento os recursos voluntários.  Entendo  que  assiste  razão  à  Fazenda  Nacional,  pois  embora  as  despesas  glosadas  sejam  derivadas  de  desvios  de  recursos  da  empresa  autuada  para  pagamentos  de  vantagens  indevidas a  terceiros, a sua indedutibilidade decorre essencialmente do fato de que  não  se  enquadram  como  despesas  efetivamente  realizadas  que  reduziram  indevidamente  o  resultado tributável dos exercícios fiscais sob apuração.  Os  fatos geradores  complexivos do  IRPJ  e CSLL daqueles períodos devem  ser escoimados dos valores que afetaram indevidamente a base de cálculo dos tributos devidos,  não podendo ser afetados retroativamente por quaisquer fatos, voluntários ou não que tenham  sido praticados em momento posterior, visando a purgar total ou parcialmente os ilícitos penais  cometidos e a atenuar a imposição de penalidades, seja na esfera administrativa ou judicial.  Fl. 5732DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.733          68 Assim,  a  reparação  de  danos  causados  em  decorrência  dos  ilícitos  confessados  ou  a devolução de valores  fixados  em Termos de Colaboração Premiada ou  em  Acordos  de  Leniência,  tem  natureza  completamente  distinta  das  despesas  originalmente  deduzidas e, se fosse o caso, poderiam afetar o resultado dos exercícios em que foram firmados  tais  acordos,  sendo  que  os  efeitos  fiscais  teriam  que  ser  melhor  examinados  nas  hipóteses  concretas, mas jamais poderiam impactar a apuração de tributos de períodos já encerrados.  Ante ao exposto, voto por rejeitar esta alegação.  9. O IR sobre pagamentos sem causa não pode ser exigido com amparo  em causa meramente ilícita   Os  recorrentes  alegam que o  art.  61 da Lei n.º  8.981/95  "não contempla a  incidência do imposto na fonte em face de pagamentos com causa ilícita – pois o fundamento  da exigência reside apenas na ausência de causa (“pagamentos sem causa”)".   Defendem que "o art. 299 do RIR não exige que a despesa esteja amparada  somente  em  atos  lícitos  para  que  seja  dedutível  da  base  de  cálculo  do  IRPJ  e  da  CSL.  A  exigência  é  de  que a  despesa  seja  necessária. Da mesma  forma,  o  IRF  por  pagamento  sem  causa é  inexigível  se houver uma causa, embora  ilícita, que conceda suporte ao desembolso  efetuado no caso concreto".   O acórdão recorrido rejeitou as alegações, verbis:  [...]  A impugnante afirma que a causa seria ilícita, não sem causa, assim, o art. 61  da Lei nº 8.981/95 não contemplaria tal exação.  Na  realidade,  o  referido  artigo  prevê  a  falta  de  causa,  e  de  fato  não  houve  causa, pois, não houve os serviços.   No mais, tem­se o princípio do “Pecunia non Olet” previsto no artigo 118 do  Código Tributário Nacional. Artigo trata da interpretação quanto a definição legal do  fato gerador, a saber:   Art.  118.  A  definição  legal  do  fato  gerador  é  interpretada  abstraindo­se:  I  ­  da  validade  jurídica dos atos  efetivamente praticados pelos  contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza  do seu objeto ou dos seus efeitos;   II ­ dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos.   Segundo esta norma geral, interessa apenas os efeitos econômicos produzidos  pelos  atos,  e  não  sua  validade,  licitude  ou  moralidade.  Por  isso,  na  interpretação  acerca da incidência (ou não) de norma jurídica tributária, deve­se abstrair aspectos  atinentes  à  validade  jurídica  dos  atos  efetivamente  praticados  pelos  contribuintes,  responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos,  bem como dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos.   Portanto, não tem razão os recorrentes.  Os recorrentes contestam a argumentação, aduzindo, verbis:  Fl. 5733DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.734          69 [...]  118. O v. acórdão recorrido insistiu na suposta ausência da efetiva prestação  de serviços a respaldar a ausência de causa nos pagamentos e a incidência do art. 61  da Lei n.º 8.981/95, suscitando ainda o princípio da “Pecúnia Non Olet” para rejeitar  os argumentos da recorrente. Afirma o v. aresto vergastado que interessam apenas os  efeitos  econômicos  produzidos  pelos  atos,  e  não  sua  validade,  licitude  ou  moralidade.     119. O referido mandamento só vem a referendar a tese de que a exigência do  IRF  não  pode  se  dar  exclusivamente  em  função  da  ilicitude  da  causa  dos  pagamentos, e que com base nesta premissa se possa glosar as respectivas despesas  (e sobre elas exigir o IRPJ e a CSL), considerando­as desnecessárias à manutenção  da atividade da empresa, afinal o fisco não desclassifica a  renda obtida a partir de  atividades ilícitas, tampouco deixa de exigir o respectivo imposto de renda.   120. O fato de não  ter havido prestação de serviços por parte da EDITORA  GRÁFICA  ATITUDE  LTDA.,  por  exemplo,  não  é  o  mesmo  que  dizer  que  não  houve causa no pagamento,  simplesmente que  a  causa  foi diversa daquela que  foi  declarada, como se verá no  tópico abaixo. Assim, o v. acórdão partiu de premissa  equivocada, devendo ser auferido o pagamento em função de sua verdadeira causa,  exposta no acordo de colaboração premiada, ainda que  ilícita, mas  sob o ponto de  vista da sua contrapartida para a recorrente, ou seja, a celebração de contratos com a  Petrobrás pela SOG, e consequentemente, da sua contratação por parte desta última  empresa.    A Fazenda Nacional, em suas contrarrazões, assevera a correção da decisão  de primeiro grau, verbis:  [...]  Não têm razão os recorrentes.   De  fato,  não  houve  causa,  pois  os  serviços  não  foram  prestados,  já  que  se  constatou  nas  apurações  que  se  tratavam  de  serviços  fictícios.O  dispositivo  legal  (art. 61, § 1º, da Lei nº 8.981/95 prevê a incidência do IRRF sobre os pagamentos  efetuados “quando não  for comprovada a operação ou sua causa”. A operação, no  caso  concreto,  refere­se  ao  negócio  jurídico  para  a  prestação  de  serviços.  Tal  operação não foi comprovada pela autuada ou pelas demais empresas intimadas no  curso do procedimento fiscal.  É  óbvio  que  a  causas  e  refere  ao  negócio  jurídico  alegado  pelo  próprio  contribuinte, ou, no caso, pelo responsável pela retenção do IRRF.  O trabalho da Fiscalização se deu a fim de se apurar a efetiva prestação dos  serviços, ou seja, a operação ou a causa. Se a tese exposta pelo contribuinte fizesse  algum sentido, para todo e qualquer pagamento sempre haveria uma causa, lícita ou  ilícita, condizente ou não com a operação declarada. Nunca existiria um pagamento  sem causa e o próprio dispositivo legal, desse modo, não teria sentido algum.  Pelo exposto,  trata­se, de fato, de tributo  incidente em razão de operação ou  causa não comprovada, pelo que hígido o lançamento, merecendo desprovimento os  recursos voluntários interpostos.  Fl. 5734DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.735          70 Entendo  que  a  recorrente  tenta  desfocar  o  objeto  da  autuação  do  IRRF,  apontando para o  fato de que existiria sim uma causa para os pagamentos efetuados, embora  ilícita, qual seja: o de pagamento de vantagens indevidas a terceiros.  Ocorre que, em verdade, do que se infere das confissões trazidas aos autos e  das apurações empreendidas pelo Fisco, tais pagamentos a diversas empresas por serviços que  não  foram efetivamente prestados eram efetuados como atos preparatórios para o desvio dos  recursos  que  seriam  posteriormente  empregados  nos  pagamentos  de  vantagens  indevidas  a  terceiros.  Ora,  é  evidente  que  estes  pagamentos  não  tinha  causa  (no  sentido  econômico),  pois não  correspondiam a  serviços  efetivamente prestados. Além disso,  os  reais  beneficiários de tais recursos não eram identificados nestas operações, pois estavam encobertos  por  documentos  que  apontavam  outros  beneficiários  (as  emitentes  das  notas  fiscais)  dos  pagamentos.  Ante ao exposto, voto por rejeitar a alegação.  10.  Do  direito  à  dedução  das  despesas  atinentes  aos  pagamentos  indevidos (comissões) a terceiros investigados por corrupção na Operação "Lava Jato".  Neste ponto, alegam os recorrentes que os valores pagos a  terceiros a  título  de  vantagens  indevidas  (propinas)  tem  a  natureza  de  despesas  dedutíveis,  tais  como  as  comissões pagas sobre vendas a terceiros, não importando a sua origem ilícita, posto que eram  necessárias à participação em licitações e à obtenção de contratos junto à Petrobrás.  A Fazenda Nacional combate os argumentos em suas contrarrazões, verbis:  [...]    As recorrentes apresentam o argumento de que as vantagens  indevidas eram  necessárias, sem as quais não se conseguiria os contratos com a PETROBRÁS.  Ora,  não  se  pode  admitir  que  as  despesas  necessárias,  mencionadas  no  art.  299,  §  1º,  do  RIR/99,  estejam  atreladas  a  um  ilícito.  O  objeto  social  de  uma  sociedade  empresária deve  ser um objeto  lícito e,  para  a  realização desse objeto a  conduta  exigida  da  pessoa  jurídica  é  a  celebração  de  negócios  jurídicos,  atos  jurídicos que têm por pressuposto, também, um objeto lícito.  A validade de um negócio jurídico pressupõe agente capaz, objeto lícito e  forma prescrita ou não defesa em lei.  Assim, tanto o objeto social da empresa quanto o objeto dos negócios por  ela celebrados devem ser lícitos.  A  falta  de  pagamento  de  ‘vantagens  indevidas’  (propina)  não  impede  sociedade  empresária  alguma  de  realizar  seu  objeto  social  e  de  celebrar  seus  negócios. Do contrário, no caso concreto, acaso fossem tidas tais despesas como  necessárias para  fins de dedução fiscal, estar­se­ia admitindo que uma empresa  de engenharia, para realizar seu objeto, necessita se corromper e praticar ilícitos,  o que seria um absurdo.Se chegarmos a algo assim será de fato a ruína do Estado  Democrático de Direito no Brasil.  Fl. 5735DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.736          71 Os pagamentos dessas vantagens indevidas são atos de pura liberalidade  do  contribuinte.  Tais  pagamentos  não  podem  ser  classificados  como  despesas  necessárias  em  hipótese  alguma.  Irrelevante  a  argumentação  de  que  se  não  fossem  efetuados  os  pagamentos  das  vantagens  indevidas  o  contribuinte  não  obteria  os  contratos  com  a  PETROBRÁS.  O  objeto  social  da  sociedade  empresária não  é  a obtenção de contratos  com a PETROBRÁS,  e  sim aqueles  previstos em seu estatuto (execução de projetos de engenharia etc), que podem  ser contratos com quaisquer outras pessoas, físicasou jurídicas.  Vantagens  indevidas  (propinas)  não  podem  ser  consideradas  despesas  usuais ou normais na atividade empresarial, seja de que ramo for.  Inadmissível  a pretensão da  recorrente de  equiparar pagamentos  com vistas  ao  cometimento  de  atos  de  corrupção  à  despesas  necessárias  e  decorrentes  das  atividade  normais e usuais da empresa, como comissões sobre vendas.  Ora, o pagamento de subornos a agentes públicos ou privados atenta contra a  função social da empresa consagrada no direito brasileiro, seja no art. 170 da CF/88, seja na lei  que rege as sociedades anônimas (Lei nº 6.404/1976).  A Constituição Federal estabelece no seu art. 170 os princípios voltados para  assegurar a ordem econômica fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa,  tem  por  fim  assegurar  a  todos  existência  digna,  conforme  os  ditames  da  justiça  social,  destacando­se  especialmente  os  princípios  da  função  social  da  propriedade  e  da  livre  concorrência.  A função social da propriedade é o princípio do qual deriva a função social  do contrato,  a natureza  social da posse,  a exigência de boa  fé aos negócios  jurídicos  e,  sem  dúvida, constitui­se também na matriz da função social da empresa.   A lei das S/A consagra o respeito por parte dos sócios e dirigentes à função  social da empresa, como se extrai dos art. 116, §único e 154, verbis:  Art. 116. Entende­se por acionista controlador a pessoa, natural  ou  jurídica,  ou  o  grupo  de  pessoas  vinculadas  por  acordo  de  voto, ou sob controle comum, que:  a)  é  titular  de  direitos  de  sócio  que  lhe  assegurem,  de  modo  permanente,  a  maioria  dos  votos  nas  deliberações  da  assembléia­geral  e  o  poder  de  eleger  a  maioria  dos  administradores da companhia; e  b) usa efetivamente seu poder para dirigir as atividades sociais e  orientar o funcionamento dos órgãos da companhia.  Parágrafo único. O acionista controlador deve usar o poder com  o fim de fazer a companhia realizar o seu objeto e cumprir sua  função  social,  e  tem  deveres  e  responsabilidades  para  com os  demais  acionistas  da  empresa,  os  que  nela  trabalham  e  para  com a comunidade em que atua, cujos direitos e interesses deve  lealmente respeitar e atender.  [...]  Fl. 5736DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.737          72 Art. 154. O administrador deve exercer as atribuições que a lei  e o estatuto lhe conferem para lograr os fins e no interesse da  companhia,  satisfeitas  as  exigências  do  bem  público  e  da  função social da empresa.  §  1º  O  administrador  eleito  por  grupo  ou  classe  de  acionistas  tem, para com a companhia, os mesmos deveres que os demais,  não  podendo,  ainda  que  para  defesa  do  interesse  dos  que  o  elegeram, faltar a esses deveres.  § 2° É vedado ao administrador:  a) praticar ato de liberalidade à custa da companhia;  b) sem prévia autorização da assembléia­geral ou do conselho  de  administração,  tomar  por  empréstimo  recursos  ou  bens  da  companhia, ou usar, em proveito próprio, de sociedade em que  tenha  interesse,  ou  de  terceiros,  os  seus  bens,  serviços  ou  crédito;  c)  receber  de  terceiros,  sem  autorização  estatutária  ou  da  assembléia­geral,  qualquer  modalidade  de  vantagem  pessoal,  direta ou indireta, em razão do exercício de seu cargo.  §  3º  As  importâncias  recebidas  com  infração  ao  disposto  na  alínea c do § 2º pertencerão à companhia.  §  4º  O  conselho  de  administração  ou  a  diretoria  podem  autorizar a prática de atos gratuitos razoáveis em benefício dos  empregados  ou  da  comunidade  de  que  participe  a  empresa,  tendo em vista suas responsabilidades sociais.  Sem  dúvida  que  os  atos  praticados  pelos  recorrentes,  concernentes  ao  pagamentos  de  propinas  a  agentes  públicos  e  privados,  atentam diretamente  contra  a  função  social  da  empresa  e  à  liberdade  concorrencial  e,  por  óbvio,  é  inadmissível  que  os  efeitos  econômicos  de  tais  infrações,  por  mera  liberalidade  do  administrador  da  companhia,  sejam  compreendidos  como  necessários  ao  desenvolvimento  das  atividades  normais  e  usuais  da  empresa.  Infelizmente,  parece  que,  não  obstante  tenham  assinado  Termos  de  Colaboração  Premiada  e  Acordos  de  Leniência,  os  recorrentes  não  tem  o  menor  grau  de  consciência  do  prejuízo  social  causado  pelos  atos  de  corrupção  praticados,  e  ainda  buscam,  cinicamente,  extrair  benefícios  fiscais  das  condutas  ilícitas,  que  tanto  prejuízo  causaram  à  sociedade brasileira.  Porém, sua pretensão não  tem guarida no nosso direito, seja ele penal, civil  ou tributário, que repudia que a má fé e a conduta antiética sejam premiadas de qualquer forma.  Pelo exposto, voto no sentido de rejeitar a alegação.  11. Da distinção entre as regras de dedutibilidade de despesas para fins  de IRPJ e CSLL  Fl. 5737DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.738          73 Os recorrentes defendem a dedutibilidade das despesas glosadas para fins de  apuração  da  CSLL,  na  medida  em  que  esta  teria  base  legal  própria,  que  não  prevê  a  indedutibilidade das despesas em face dos critérios de necessidade, usualidade e normalidade.   Citam a Lei nº 7.689/1988 que define a base de cálculo da CSLL a partir do  lucro líquido do exercício, acrescidos das adições e exclusões nelas previstas, e o art. 13 da Lei  nº 9.249/1995, que também traz um rol de despesas indedutíveis na base de cálculo do IRPJ e  CSLL, que não abrigam às despesas objeto de glosa neste feito.  Afirmam  que:  "Desde  que  as  despesas  tenham  sido  escrituradas  e  sejam  comprovadas por qualquer forma admitida pelo direito, e não estando enquadradas no art. 13  da Lei n.º 9.249/95, as despesas são perfeitamente dedutíveis para fins de CSL".   O acórdão recorrido rejeitou as alegações, nestes termos:  A requerente suscita as diferenças entre o IRPJ e a CSLL quanto as deduções  de despesas, contudo, no caso destes autos, está claro que não houve os serviços, e  assim,  não  houve  as  despesas,  dessa  forma,  a  discussão  cai  no  vazio,  não  tendo  sentido  algum  esta  linha  de  argumentação,  pois,  somente  se  pode  deduzir  ou  não  despesas que foram reais, ou seja, advindas de fatos reais, e no caso dos autos estas  despesas foram criadas (artificiais).   Outrossim, não há reparos a fazer na infração por estes argumentos.  A  Fazenda  Nacional,  em  suas  contrarrazões,  defende  que  as  normas  que  impedem a dedução das despesas desnecessárias, da base de cálculo do  IRPJ, por não serem  operacionais nos  termos do art. 47 da Lei nº 4.506/1964,  igualmente se  aplicam à CSLL, na  medida em que ambos os  tributos partem do  resultado  líquido para a sua apuração. Defende  ainda que o art. 57 da Lei nº 8.981/1995, estabelece que aplicam­se à CSLL as mesmas normas  de apuração e de pagamento estabelecidas para o IRPJ. Ressalta, verbis:  [...]  Ademais, é preciso ressaltar um ponto muito importante sobre o art. 57 da Lei  nº 8.981, de 1995. Conforme  já  explicitado acima, na  época em que  foi editado o  Decreto­Lei 1598/77, o ordenamento jurídico ainda não havia permitido que a União  instituísse  e cobrasse  a CSLL. Assim, quando  foi  autorizada pela CF/88 a  criação  desse  tributo  e  no  momento  em  que  foi  instituída,  pela  Lei  nº  7.689,  de  1988,  encontravam­se  em  vigor  inúmeras  normas  relativas  ao  IRPJ  perfeitamente  compatíveis  com  o  regime  da  CSLL.  Nesse  contexto,  o  legislador  teria  duas  opções: sair reeditando todas as normas preexistentes e que regulamentavam a  apuração  do  IRPJ;  ou  trazer,  em  uma  só  norma,  a  previsão  de  que  se  aplicariam todas as normas de apuração do IRPJ à CSLL. Dessa forma, parece  claro  que a  segunda opção mostra­se muito mais  razoável  e  condizente  com a  prática legislativa brasileira.  [...]  Entendo  que  tem  razão  o  acórdão  recorrido  ao  tratar  tais  despesas  como  inexistentes de  fato,  pois  comprovadamente não existiram, de modo que não poderiam, nem  deveriam  compor  o  resultado  líquido  do  exercício,  do  qual  parte  a  apuração  tanto  do  IRPJ  quanto da CSLL.  Fl. 5738DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.739          74 A jurisprudência deste tribunal administrativo é remansosa no sentido de dar  o mesmo efeito à CSLL da glosa de despesas fictícias da base de cálculo do IRPJ .  Aplica­se  aqui,  no  meu  entendimento  o  mesmo  raciocínio  expendido  no  tópico anterior, não podendo tais atos ilícitos produzir quaisquer efeitos tributários na apuração  do resultado dos exercícios fiscalizados.  Ante ao exposto, voto no sentido de rejeitar a alegação.  12. Da dedutibilidade  das  despesas  decorrentes  do  contrato  firmado  com  a  DFS  Participações  e  Consultoria  Empresarial  envolvendo  a  prestação  de  serviços. Inviabilidade de exigência de ir por pagamento sem causa  Os recorrentes contestam a glosa da despesas que decorreriam do contrato  firmado  com  a DFS  Participações  e  Consultoria  Empresarial  envolvendo  a  prestação  de  serviços, bem como a exigência de Imposto de Renda por pagamento sem causa.  A recorrente Setec busca justificar os pagamentos à empresa DFS, verbis:  [...]  138. A recorrente tomou serviços junto à DFS PARTICIPAÇÕES E  CONSULTORIA  EMPRESARIAL,  cujo  escopo  era  assessorar  as  empresas  do Grupo  SETAL  com  as  mais  diversas  questões  envolvendo  contratos  celebrados  em  épocas  passadas  até  o  acompanhamento  da  execução  de  obras,  haja  vista  que  o  seu  sócio,  o  Engenheiro  Edson  Simões, havia pertencido aos quadros da empresa PEM ENGENHARIA,  integrante do Grupo SETAL, desde o ano de 2005.   139. Com o passar do tempo e a redução dos quadros da requerente  (SETEC), as informações sobre os negócios celebrados pelas empresas do  grupo  perderam­se  em  parte,  e  por  isso  a  reminiscência  do  Sr.  Edson  Simões sobre tratativas diversas celebradas com clientes e fornecedores do  grupo,  inclusive  aquelas que  continuavam em  curso,  era de  fundamental  importância  para  o  êxito  nas  negociações.  Outrossim,  a  resolução  de  pendências  judiciais  da  empresa  nas  esferas  tributária  e  trabalhista  dependiam  de  conhecimentos  dos  fatos  passados,  tudo  a  justificar  a  assessoria prestada pela DFS Participações e Consultoria Empresarial.   140. A fiscalização considerou a existência de simulação no negócio  jurídico,  glosando  as  despesas  deduzidas  da  base  de  cálculo  do  IRPJ  e  (aparentemente) CSL e exigindo o IRF sobre os pagamentos relacionados.   141. Como se pode notar do relatório de fls. 82 a 87, a fiscalização  adotou critérios totalmente subjetivos, como, por exemplo, a prestação de  serviços  para  outras  empresas  do  Grupo  SETAL  que  não  a  requerente  (SETEC) e o fato de não ter sido apresentado o instrumento de contrato.  Considerando a participação do Sr. Edson Simões nos quadros da empresa  PEM, arrematou:   Fl. 5739DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.740          75 “a  fiscalização  considera  que  a DFS  e/ou o  Sr.  Edson  Simões  era(m) credor/(es) da empresa PEM Engenharia e/ou de alguém  ligado à mesma, empresa da qual o Sr. Edson Simões havia sido  sócio, e ao menos na data de  julho de 2007 ainda havia  saldo  devedor  que  iria  se  estender  até  junho  de  2009. A planilha  de  amortização  fornecida  e  as  claras  menções  a  respeito  desse  montante  do  qual  era  credor,  nos  e­mails  datados  de  julho  de  2007,  suportam  essa  conclusão.  A  realização  dos  pagamentos  da  Setec  à  DFS  em  2010  possivelmente  estejam  vinculados  à  quitação desse saldo devedor e não à prestação de serviços, os  quais não tiveram sua efetividade comprovada pelas partes.  Sustentam, ainda, os  recorrentes que a  fiscalização aplicou  indevidamente a  norma antielisiva do parágrafo único do art. 116 do CTN, cuja regulamentação por lei ordinária  ainda não foi efetuada, asseverando, verbis:  [...]  143. Os requisitos permissivos da norma antielisiva só podem ser aqueles que  determinam invalidade dos contratos, dispostos na legislação aplicável ou nas regras  estipuladas  no  ato  jurídico  celebrado  entre  as  partes  (cláusulas  contratuais).  O  contrato de prestação de serviços é antes de tudo um negócio jurídico, e, como tal,  pressupõe a conjugação dos seguintes  fatores: agente capaz, objeto lícito, possível,  determinado ou determinável e forma prescrita ou não defesa em lei (C.C., art. 104).  Não há qualquer elemento no  relatório  fiscal que desabone o pacto  sob esta ótica,  aliás, o contrato verbal é plenamente aceito no ordenamento jurídico e as tratativas e  declarações  escritas  apresentadas  à  fiscalização  comprovam  cabalmente  a  efetiva  prestação  do  serviço.  Também  não  foi  apontado  qualquer  vício  na  formação  do  contrato  (C.C.,  arts. 427 a 435);  e as  tratativas celebradas  satisfazem as condições  previstas para os contratos de prestação de serviços (C.C, arts. 593 a 609). Ademais,  ao contrário do que afirmou a fiscalização, a prestação de serviços englobou tanto a  recorrente (SETEC) quanto as demais empresas do Grupo SETAL.   [...]  Defendem que o contrato celebrado obedeceu aos requisitos legais e que não  foi apontado qualquer vício na formação do contrato e apontam a normalidade e das despesas,  nos  termos do art. 923 e 924 do RIR/1999 e, ainda, que é ônus da fiscalização demonstrar o  contrário,  do  que  não  se  desincumbiu.  Observa  que  a  fiscalização  sequer  cogitou  da  desclassificação de sua escrita contábil o que atestaria sua credibilidade.  Contestam,  ainda,  a aplicação da multa qualificada,  na medida  em que não  ficou comprovado o dolo específico de fraudar o Fisco [...]." Muito pelo contrário, todos os  tributos incidentes na fonte foram recolhidos quando dos pagamentos, e o rendimento foi  inteiramente tributado na pessoa jurídica beneficiária, revelando que não houve qualquer  intenção de lesar o fisco no procedimento adotado. "  O acórdão recorrido, assim se pronunciou sobre estas alegações, verbis:  A  requerente  alega  que  a  fiscalização  teria  se  utilizado  da  norma  antielisiva  indevidamente,  contudo,  o  que  houve  de  fato,  foi  uma  glosa,  glosa  esta baseada na absoluta falta de provas da efetiva prestação dos serviços. E olha  que a  fiscalização deu  todas as oportunidades para que a contribuinte provasse  que as despesas foram reais, contudo, nada foi provado.   Fl. 5740DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.741          76 A propósito, os custos e as despesas operacionais efetuadas pelas pessoas  jurídicas  podem  ser  dedutíveis  ou  indedutíveis  na  apuração  do  lucro  real.  O  artigo 290 do RIR/1999 determina que o custo de produção dos bens ou serviços  vendidos  compreenderá,  obrigatoriamente,  o  custo  de  aquisição  de  matérias  primas e quaisquer outros bens e serviços aplicados ou consumidos na produção.  Já o artigo 299 do RIR/1999 fixa as condições para que as despesas operacionais  sejam  dedutíveis  na  determinação  do  lucro  real,  isto  é,  “são  operacionais  as  despesas  não  computadas  nos  custos,  necessárias  à  atividade  da  empresa  e  à  manutenção da respectiva fonte produtora”, entendendo­se como necessárias as  pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela  atividade da empresa. Já o Parecer Normativo CST nº 32/1981 definiu o conceito  de  despesa  necessária  dizendo  que  o  “gasto  é  necessário  quando  essencial  a  qualquer transação ou operação exigida pela operação das atividades, principais  ou acessórias, que estejam vinculadas com as fontes produtoras de rendimentos”.   Portanto,  não  restando  provado  que  as  despesas  ocorreram,  estas  devem  ser glosadas.  Analisando  os  elementos  trazidos  aos  autos,  os  fundamentos  do  TVF  e  as  alegações da recorrente, entendo que, de fato, esta última não se desincumbiu de comprovar a  efetividade da despesa lançada em sua contabilidade.  Embora  tenha  apresentado  as  notas  fiscais  emitidas  pela  empresa DFS  e  o  efetivo pagamento, não conseguiu demonstrar a natureza e o vínculo da despesas às atividades  desenvolvidas pela Setec, limitando­se a afirmar a necessidade do trabalho do sócio da empresa  DFS,  Sr.  Edson  Simões,  em  face  dos  contratos  de  longo  prazo  firmados  pela  empresa  do  mesmo  grupo,  PEM  Engenharia,  da  qual  o  Sr.  Edson  teria  sido  sócio  e  posteriormente  empregado.  Todos  os  documentos  apresentados  pela  recorrente  (fls.  392  a  480),  com  exceção das notas fiscais e comprovantes de pagamentos, reportam­se a contratos e situações  ocorridas em anos anteriores e vinculadas à empresa PEM Engenharia.  A  empresa  DFS,  devidamente  intimada,  apenas  confirmou  a  versão  da  recorrente Setec, sem apresentar novo elementos de comprovação dos serviços que teriam sido  prestados.  A  fiscalização, por  sua vez, com base nas mensagens eletrônica e planilhas  apresentadas  pela  recorrente  (fls.  443/445),  concluiu  que  os  pagamentos  se  referiam  ao  pagamento de uma dívida anterior da empresa PEM Engenharia para com o Sr. Edson Simões e  não decorreria da prestação de serviços, conforme alegado pelos recorrentes, verbis:  Com  suporte  nos  documentos  apresentados  a  fiscalização  considera  que  a  DFS e/ou o Sr. Edson Simões era(m) credor/(es) da empresa PEM Engenharia e/ou  de alguém ligada à mesma, empresa da qual o Sr. Edson Simões havia sido sócio, e  ao menos na data de julho de 2007 ainda havia saldo devedor que iria se estender até  junho de 2009. A planilha de amortização fornecida e as claras menções a respeito  desse montante do qual era credor, nos e­mails datados de julho de 2007, suportam  essa  conclusão.  A  realização  dos  pagamentos  da  Setec  à  DFS  em  2010  possivelmente estejam vinculados à quitação desse saldo devedor e não à prestação  de serviços, os quais não tiveram sua efetividade comprovada pelas partes.   Fl. 5741DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.742          77 Os  documentos  fornecidos  pela  Setec  relativos  ao  trabalho  de  acompanhamento  de  contratos  referem­se,  sem  exceção,  a  obras  e  projetos  envolvendo  a  PEM Engenharia  e  não  a  Setec. Nenhum  documento  estabelecendo  vínculo  contratual  da  DFS  com  a  PEM  Engenharia  e/ou  a  Setec,  respaldando  ou  regulando  a  prestação  de  serviços  foi  apresentado.  Embora  mencionada  nas  mensagens  por  e­mail  e  na  planilha  fornecida  a  existência  de  um  contrato  com  a  DFS, nenhuma das empresas, Setec e DFS, apresentou esse documento. Repetimos,  a  DFS  não  apresentou  nenhuma  documentação  comprobatória  de  que  tenha  efetivamente prestado serviços à Setec.  Em face do exposto ficou caracterizado que as notas  fiscais de prestação de  serviços  de  consultoria  emitidas  pela  DFS  para  a  Setec  referem­se  a  serviços  fictícios, cuja efetividade não foi comprovada. Simultaneamente, essas notas fiscais  foram  utilizadas  para  dar  suporte  à  contabilização  dos  respectivos  valores  como  custo e/ou despesas dedutíveis, reduzindo dolosamente eventuais valores do IRPJ e  da CSLL a pagar.  Como  se  extrai  das  conclusões  da  fiscalização  não  há  qualquer  desconsideração  de  negócio  jurídico  no  fundamento  da  glosa,  mas  simples  falta  de  comprovação  da  efetividade  da  despesa,  com  o  que  é  impossível  discordar  diante  dos  elementos trazidos ao autos.  A  hipótese  apresentada  pela  fiscalização  de  que  os  pagamentos  seriam  derivados  de  saldo  de  dívida  anterior  da  empresa  PEM  Engenharia  ao  seu  ex­sócio  e  ex­ empregado Sr. Edson Simões, embora plausível, está amparada em meros  indícios. Por outro  lado, os documentos  apresentados pela  empresa  recorrente  apontam que,  caso  tenha  existido  algum serviço prestado por parte da contratada este não foi prestado para a recorrente, mas para  outras empresas do grupo.  Neste diapasão, entendo correta a glosa das despesas na apuração do IRPJ e  CSLL, mantendo­se a multa qualificada aplicada nesta infração.  No  que  concerne  à  exigência  de  IRRF  sobre  pagamento  sem  causa,  a  recorrente refuta a imputação feita, verbis:  [...]  148. Mesmo  que  se  admitisse  que  parte  dos  pagamentos  configurar­se­iam  saldo  de  dívidas  por  parte  da  recorrente  (SETEC)  contra  a DFS  ou  ao  seu  sócio,  ainda  assim  subsistiria  a  causa  lícita  e  verdadeira  no  contrato  consistente  nos  serviços  de  assessoria  efetivamente  prestados,  de  modo  que  seria  preciso  admitir  para fins fiscais, no mínimo, alguma contrapartida – o que não se compatibiliza com  a pura  e simples glosa de  todas as despesas deduzidas  e  exigência de  IR na  fonte  sobre  todos  os  pagamentos,  tidos  como  “sem  causa”.  Neste  sentido,  e  analogicamente,  a  previsão  de  distribuição  disfarçada  de  lucros  (RIR,  art.  464,  II)  por meio da prestação de assistência técnica em montante que excede notoriamente  ao valor de mercado  implica na glosa das despesas deduzidas  tão  somente no que  sobrepujarem o valor usual do serviço.   [...]  150. De todo modo, e no que se refere à exigência de IRF por pagamento sem  causa  propriamente  dito,  não  é  admissível  desprezar  o  contrato  firmado  entre  as  partes  e  todas  as  outras  evidências  que  corroboram  os  pagamentos  ainda  que  o  Fl. 5742DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.743          78 negócio  tenha  sido  pactuado  entre  a  empresa  e  seu  ex­acionista  e  ex­funcionário.  Isso  não  invalida  a  respectiva  causa,  mesmo  que  a  despesa  seja  considerada  indedutível para fins de IRPJ e de CSL.   Penso que tem razão a recorrente quanto a exigência do IRRF.   Está efetivamente comprovado o pagamento efetuado à beneficiária (DFS), o  que a fiscalização não contesta. A discussão está na natureza de tal pagamento. Se não restou  comprovada  a  efetiva  prestação  de  serviços  para  a  contribuinte  Setec,  nem  a  outra  hipótese  apresentada pela fiscalização (quitação de dívida), o certo é que a operação, neste caso, restou  tributada na fonte (retenções na nota fiscal) em face do real beneficiário.  De outra parte, se o pagamento refere­se a quitação de dívida ou de despesa  de  outra  empresa  do  grupo  para  com  o  Sr.  Edson  Simões,  esta  outra  empresa  teria  se  beneficiado diretamente dos pagamentos e poderia ter tais ganhos reconhecidos e tributados na  mesma  proporção,  fato  que  não  invalida,  nem  retira  o  real  beneficiário  dos  pagamentos,  no  caso a empresa DFS.   Desta feita, o real beneficiário dos pagamentos foi corretamente identificado  e  tributado na fonte,  situação distinta dos pagamentos efetuados a outras empresas e pessoas  ligadas  ao mesmo grupo empresarial,  nas quais  nem a  causa,  nem os  reais  beneficiários dos  pagamentos são identificados.  Pelo exposto, entendo que deva ser cancelada a exigência de IRRF sobre os  valores dos pagamentos efetuados à empresa DFS, objeto de glosa como despesas.  13. Dedutibilidade das despesas havidas nos Contratos firmados com  a Energex, Sinergia, Yellowwood, Msml, Pataccas e Cmx. Inviabilidade de exigência  de IR na Fonte por pagamento sem causa.  Os  recorrentes  questionam  a  glosa  de  despesas  pelo  Fisco,  relacionadas  à  notas  fiscais emitidas pelas empresas Energex, Sinergia, Yellowwood, Msml, Pataccas e  Cmx, pertencentes ao grupo familiar do Sr. Augusto Ribeiro de Mendonça Neto.    Sustentam os recorrentes, verbis:  153.  As  acusações  fiscais  são  lacônicas,  neste  passo,  pois  não  há  razões  de  ordem  lógica  para  que  se  reputem  ideologicamente  falsos  os  documentos  apresentados  pelo  contribuinte  com  amparo  unicamente  na  relação  de  parentesco  entre  os  titulares  das  empresas.  O  fato  de  haver  prestação de serviços entre empresas pertencentes a parentes não é, por si  só, fundamento para a acusação de que há falsidade ideológica, sobretudo  quando a receita decorrente desses serviços foi integralmente tributada na  empresa  beneficiária.  Custa  acreditar  que  tivesse  havido  falsidade  ideológica  com  o  propósito  de  pagar  impostos,  já  que  sob  a  ótica  fiscal  nenhum benefício decorreria desse procedimento.   154.  O  v.  acórdão  justifica  a  autuação  pelo  fato  de  não  haver  empregados  contratados  por  parte  das  empresas  prestadoras  de  serviço,  mas  confirma que  se  tratavam de  atividades  de  consultoria,  passíveis  de  Fl. 5743DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.744          79 serem  exercidas  pelos  próprios  sócios  das  empresas,  o  que  desnatura  a  própria premissa erigida pela d. autoridade julgadora.   155. Conforme preleciona o art. 142 do CTN, o dever de demonstrar  a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária é, privativamente, da  autoridade  fiscal.  Ausente  qualquer  materialidade  do  ilícito  praticado,  deve prevalecer a validade dos negócios com respaldo nas notas fiscais de  serviço emitidas e a comprovação dos pagamentos líquidos já descontados  os  tributos  incidentes na fonte  (PIS, COFINS,  IRF e CSL), bem como o  pagamento do imposto sobre serviços (ISS).    Refutam,  também,  a  aplicação  da  multa  qualificada,  ante  a  falta  de  comprovação de dolo na conduta descrita no auto de infração.  A decisão de primeiro grau, assim se pronunciou sobre as alegações, verbis:  O sujeito passivo foi reiteradamente intimado a comprovar a efetiva prestação  de serviços que  lhe  teriam sido prestados no período sob  fiscalização por diversas  empresas,  incluindo­se  a  Energex, Yellowwood,  Pataccas,  Sinergia, MSML  assim  como  a  fornecer  documentação  identificando  os  técnicos  que  realizaram  os  trabalhos. Todavia, nada apresentou a esse respeito.   Em  consulta  ao  sistema  GFIP,  a  fiscalização  constatou  que  a  Energex,  Pataccas,  Sinergia,  MSML  não  informaram  a  existência  de  nenhum  vínculo  empregatício no período de Janeiro de 2010 a Dezembro de 2013.   Em consulta ao sistema GFIP a fiscalização constatou que a Yellowwood não  informou a existência de nenhum vínculo empregatício desde a data em que emitiu a  primeira nota fiscal de prestação de serviços para a Setec, isto é, do mês de Agosto  de 2011 até Dezembro de 2013.  No  que  tange  ao  mérito  das  glosas,  mais  uma  vez  se  constata  a  ausência  de  qualquer comprovação por parte dos recorrentes quanto à efetiva prestação dos serviços, conforme  destacado nos  itens 4.1.3  (Energex); 4.1.4  (Yellowwood) 4.1.5  (Patacas), 4.1.6  (Sinergia) e 4.1.7  (MSML) do TVF (fls. 5044/5058).  Na  descrição  feita  pela  autoridade  fiscal,  com  relação às  despesas  escrituradas  para  as  empresas  acima  referidas,  constata­se  em  comum  que,  além  de  não  serem  apresentadas  quaisquer  provas  da  prestação  dos  serviços  supostamente  contratados,  nenhuma  das  empresas  apresentava  estrutura  técnica,  administrativa  ou  operacional  para  a  prestação  de  serviços  e  eram  todas controladas por pessoas da família Ribeiro de Mendonça que controla a empresa Setec, ora  recorrente.  Assim, entendo correta a glosa das despesas acima apontadas.  A  magnitude  dos  valores  pagos  a  estas  empresas  em  face  de  contratos  de  serviços  fictícios  firmados  com  empresas  do  grupo  familiar  e  a  constância  dos  pagamentos,  revelam  a  clara  e  reiterada  intenção,  mediante  conluio,  de  supressão  ou  redução  dos  tributos  devidos pela empresa recorrente, justificando a aplicação da multa qualificada.  No que se refere à exigência do IRRF, não há como deixar de reconhecer que  os pagamentos feitos, dissociados de qualquer prova de efetiva prestação dos serviços, revela a  Fl. 5744DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.745          80 natureza  fictícia  das  despesas  contabilizadas  e  a  ausência  de  causa,  restando  caracterizada  a  situação ensejadora da aplicação da hipótese prevista no art, 61 da Lei nº 8981/1995.   Ante ao exposto, voto no sentido de rejeitar as alegações quanto às referidas  glosas.  Especificamente com relação às glosas de despesas em face dos pagamento  efetuados à empresa CMX, a recorrente assim se manifestou:  [...]  156. No que se refere especificamente aos negócios celebrados com  a  empresa  CMX  PARTICIPAÇÕES,  além  dos  comprovantes  de  pagamento e notas fiscais, tanto a recorrente (SETEC) quanto a contratada  apresentaram  declaração  discriminativa  dos  serviços  prestados,  consistentes  no  levantamento  e  catalogação  de  documentação  técnica  e  administrativa,  bem  como  organização  da  documentação  relativa  aos  pleitos  das  obras  da  Fábrica  de  Querosene  de  Aviação  (QAV)  e  Plataforma  de  Exploração  de  Gás  (Peroá).  Em  contrapartida,  a  Fiscalização desclassificou o contrato pela singela razão de que parte dos  arquivos  listados  e  enviados  ao  arquivo  morto  eram  de  datas  remotas  (1995  e  1996),  o  que,  obviamente,  não  infirma  a  prestação  de  serviços,  sobretudo  porque  os  documentos  arquivados  eventualmente  são  requisitados  para utilização,  conferência,  etc.;  justamente por  tal  razão  é  que permanecem sob a guarda da recorrente.   O acórdão recorrido manteve as exigências decorrentes de tais glosas, verbis:  [...]  Quanto  à CMX,  o  sujeito  passivo  apresentou  as  cópias  das  notas  fiscais  de  prestação  de  serviços  emitidas  pela  CMX  e  comprovantes  de  pagamento  das  mesmas. No campo código do serviço havia assessoria ou consultoria de qualquer  natureza.   Como prova dos serviços juntou arquivos de 1996/1997, que não se prestam  para comprovar serviços de 2010/2011.   Dessa  forma,  relativamente  à  apresentação  de  documentação  comprobatória  da efetiva prestação dos serviços, a CMX nada forneceu.   Em  consulta  ao  sistema  GFIP,  a  fiscalização  constatou  que  a  CMX  não  informou a existência de vínculos empregatícios no período em que emitiu as notas  fiscais, isto é, Dezembro de 2010 a Janeiro de 2011.   Portanto as glosas aqui analisadas devem ser mantidas.  A  documentação  comprobatória  e  as  explicações  da  empresa  Setec  foram  descritas e analisadas no Termo de Verificação Fiscal, nestes termos:  Por  meio  da  correspondência  datada  de  12/08/15,  recebida  em  14/08/15,  a  Setec  apresentou  em  resposta  aos  questionamentos  da  fiscalização  a  informação  reproduzida a seguir e juntou, como evidência da prestação dos serviços, 16 folhas  Fl. 5745DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.746          81 impressas frente e verso contendo uma listagem de caixas numeradas e a descrição  do  conteúdo  das  mesmas.  As  referidas  folhas  foram  juntadas  ao  processo  administrativo  fiscal que controla os autos de  infração  lavrados em decorrência da  presente ação fiscal.  [...]  Como a própria fiscalizada informou, a listagem encaminhada foi emitida pela  empresa  responsável  pelo  arquivo  morto  e  não  em  decorrência  dos  serviços  supostamente prestados pela CMX. Adicionalmente, a  simples  leitura da descrição  dos conteúdos das caixas de arquivo revela que se referem a documentos enviados  para o arquivo morto em diversas datas, remontando aos anos de 1995/1996 e com a  data  de  envio mais  recente  em  janeiro  de  2010. Como  a  prestação  de  serviços da  CMX  teria  ocorrido  entre  dezembro  de  2010  e  janeiro  de  2011,  é  certo  que  a  empresa não esteve envolvida com remessas em datas anteriores ao  início de  seus  supostos trabalhos.  [...]  A  fiscalização  intimou  também  a  empresa  CMX,  suposta  prestadora  dos  serviços, verbis:  [...]  Conforme  apontamos  no  subitem  3.8  deste  termo,  a  CMX  também  foi  intimada  a  comprovar  a  efetiva  prestação  de  serviços  à  Setec,  assim  como  a  identidade e qualificação dos profissionais que executaram os serviços. Por meio da  correspondência de 06/08/15, recebida em 07/08/15, informou que os serviços foram  executados pela sua sócia­gerente, Carolina Folegatti Ribeiro de Mendonça, CPF nº  230.512.668­92.  Relativamente  à  descrição  dos  serviços  prestados  forneceu  a  declaração  reproduzida  a  seguir,  cujo  teor  coincide  quase  que  exatamente  com  a  declaração apresentada pela Setec em 18/06/15 e já reproduzida anteriormente:  [...]  Relativamente  à  apresentação  de  documentação  comprobatória  da  efetiva  prestação dos serviços, a CMX nada forneceu.  Em  consulta  ao  sistema  GFIP  constatamos  que  a  CMX  não  informou  a  existência de vínculos empregatícios no período em que emitiu as notas fiscais, isto  é, Dezembro de 2010 a Janeiro de 2011. Em consulta às DIRFs apresentadas pela  empresa, relativas aos anos calendário de 2010 e 2011, constatamos que a CMX não  declarou  ter  efetuado  pagamentos  por  serviços  profissionais prestados por pessoas  jurídicas.  Ou  seja,  constatamos  que  a  empresa  não  informou  a  existência  de  empregados  próprios  e  não  informou  ter  realizado  pagamentos  a  terceiros,  com  retenção de tributos na fonte, para a execução dos serviços supostamente prestados à  Setec no período em questão.  [...]  Na sequência, a autoridade fiscal relata no TVF que a empresa CMX também  é de propriedade de pessoas da família Ribeiro de Mendonça, verbis:  Constata­se adicionalmente, como informado no subitem 3.8 deste termo, que  a CMX é de propriedade de Carolina Folegatti Ribeiro de Mendonça, detentora de  99,9% das ações da empresa, e de Karin Folegatti Ribeiro de Mendonça, filhas de  Fl. 5746DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.747          82 Augusto  Mendonça.  Como  já  informamos,  Augusto  Mendonça  é  sócio  e  administrador da PEM Engenharia Ltda., a qual por sua vez é controladora da Setec,  também  administrada  por  Augusto  Mendonça.  Fica  evidenciado,  em  face  do  exposto,  que  as  pessoas  físicas  controladoras  da  CMX  e  da  Setec  são  partes  vinculadas.  Em  decorrência,  com  maior  razão  deveriam  provar  de  forma  minuciosa,  exaustiva e amplamente documentada a efetividade das operações que deram origem  aos  pagamentos  feitos  pela  Setec  beneficiando  a  CMX,  de  forma  análoga  ao  que  dispõe o  inciso  II do art. 302 do RIR/99 no âmbito de pagamentos a pessoa  física  vinculada.  Na ação  fiscal  em desenvolvimento na PEM Engenharia Ltda.,  com suporte  no  TDPF  nº  08.1.28.00­2014­00534­7,  também  constatamos  pagamentos  dessa  empresa  à  KMX  Participações  S.A.,  CNPJ  nº  10.454.820/0001­07,  doravante  denominada simplesmente “KMX”, em decorrência de supostos serviços prestados  pela  KMX.  A  KMX  é  de  propriedade  de  Karin  Folegatti  Ribeiro  de  Mendonça,  detentora  de  99,9%  das  ações  da  empresa,  e  de  Carolina  Folegatti  Ribeiro  de  Mendonça.  As  acionistas  da  CMX  e  da  KMX  são  as  mesmas  pessoas,  com  percentuais de participação invertidos.  Coincidentemente a KMX emitiu notas fiscais de prestação de serviços para a  PEM Engenharia nas mesmas datas e valores das notas  fiscais emitidas pela CMX  para a Setec.  Coincidentemente  a  PEM  Engenharia  efetuou  pagamentos  à  KMX  nas  mesmas  datas  e  nos  mesmos  montantes  daqueles  efetuados  pela  Setec  à  CMX.  Coincidentemente  a  descrição  dos  serviços  supostamente  prestados  pela  KMX  à  PEM  Engenharia  Ltda.  são  essencialmente  os  mesmos,  ou  seja,  “Levantamento  e  catalogação das  documentações  técnicas  e  administrativas  para  envio  ao arquivo  morto  (preparatório  para  mudança física do escritório)”,  conforme  declaração da KMX reproduzida a seguir:  [...]  Esse fato, aliado aos elementos já apontados relativamente à  transação entre  Setec e CMX, reforça a convicção da fiscalização de que ambas as operações não  envolveram  qualquer  prestação  real  de  serviços,  pela  CMX  e  KMX  às  supostas  tomadoras respectivamente Setec e PEM Engenharia Ltda.  Em  face do  exposto  ficou demonstrado que  as notas  fiscais de prestação de  serviços  de  consultoria  emitidas  pela  CMX  para  a  Setec  referem­se  a  serviços  fictícios,  cuja  efetividade  não  foi  comprovada,  destinando­se  a  dar  guarida  documental  à  retirada  de  recursos  da  empresa  para  transferí­los  a  pessoa  jurídica  controlada pelo mesmo grupo familiar que controla a Setec.  Simultaneamente,  essas  notas  fiscais  foram  utilizadas  para  dar  suporte  à  contabilização  dos  respectivos  valores  como  custo  e/ou  despesas  dedutíveis,  reduzindo dolosamente eventuais valores do IRPJ e da CSLL a pagar.  [..]  A análise dos elementos dos autos indica claramente a falta de comprovação  da prestação do serviço supostamente contratado pela empresa recorrente.   Fl. 5747DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.748          83 A  listagem  apresentada  em  resposta  ao  Termo  de  Intimação  nº  08  (fls.  1757/1823)  que  aparenta  ser  um  controle  eletrônico  de  movimentação  de  documentos  para  arquivo é absolutamente apócrifa, pois não contém indicação sequer da contribuinte detentora  dos  arquivos  (Setec)  e  menos  ainda  da  suposta  prestadora  dos  serviços  (CMX),  sendo  impossível concluir, a míngua de outros elementos, qualquer vínculo com a suposta prestação  dos serviços cobrados por meio das notas fiscais emitidas.  Além disso, a ausência de qualquer estrutura administrativa/operacional para  a  prestação  dos  serviços  supostamente  contratados  e  o  vínculo  familiar  entre  os  sócios  da  contratante e contratada conduzem a inevitável conclusão de que tais serviços eram fictícios.  Tais despesas seguem o mesmo padrão das outras analisadas anteriormente,  neste item, que foram pagas a empresas em face de contratos de serviços fictícios, firmados com  empresas  do grupo  familiar,  denotando a  clara e  reiterada  intenção de  supressão ou  redução  dos  tributos devidos pela empresa recorrente, o que justifica a aplicação da multa qualificada aplicada.  Do  mesmo  modo,  quanto  à  exigência  do  IRRF,  os  pagamentos  feitos,  dissociados de qualquer prova de efetiva prestação dos serviços, revelam a natureza fictícia das  despesas  contabilizadas  e  a  ausência  de  causa,  sendo  restando  caracterizada  a  situação  ensejadora da aplicação da hipótese prevista no art, 61 da Lei nº 8981/1995.   Assim,  tanto  a  glosa  das  despesas  como  a  exigência  do  IRRF  sobre  pagamentos sem causa devem ser mantidas integralmente.  Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso quanto a este  ponto.  14. Da alegação de nulidade da decisão de primeiro grau  Ao  final  do  seu  recurso  a  recorrente  pede  que  seja  anulado  o  acórdão  recorrido, "vez que não apreciou os argumentos de defesa outrora apresentados, restando sem  fundamento no que tange à maior parte das  teses debatidas, valendo­se por muitas vezes da  “negativa geral” dos pedidos insertos na impugnação".  Entendo que não existem motivos para a decretação de tal nulidade.   O acórdão recorrido enfrentou, mesmo que de forma concisa, um a um todos  os  argumentos  da  recorrente,  conforme  se  transcreveu  amplamente  neste  voto,  não  se  caracterizando qualquer cerceamento ou prejuízo à defesa, que pode contrapor em seu recurso  todas as objeções em face dos fundamentos adotados na decisão recorrida.  Assim, voto por rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeiro grau.  15. Conclusão  Por todo o exposto, voto no sentido de afastar as preliminares de nulidade por  erro indicação do sujeito passivo, de nulidade da decisão de primeiro grau e de decadência, e,  no  mérito,  de  dar  provimento  parcial  aos  recursos  voluntários  interpostos,  para  cancelar  a  exigência  de  IRRF  sobre  os  pagamentos  efetuados  à  empresa DFS  (  nos  termos  do  item  12  deste voto).  RECURSO DE OFÍCIO  Fl. 5748DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.749          84 Em  face  da  exoneração  parcial  da  responsabilidade  solidária  atribuída  aos  Srs.  AUGUSTO  RIBEIRO  DE  MENDONÇA  NETO  e  ROBERTO  RIBEIRO  DE  MENDONÇA,  pelo  acórdão  recorrido  foi  interposto  recurso  de  ofício  pelo  colegiado  a quo,  nestes termos:  Acordam os membros da 2ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos,  rejeitar  as  questões  preliminares  e  prejudiciais  suscitadas  e,  no  mérito,  julgar  a  impugnação  procedente  em  parte,  para  tão  somente  excluir  do  pólo  passivo  em  relação  ao  auto  de  infração  de  CSLL,  no  valor  R$1.277.951,55,  o  Sr.  Roberto  Ribeiro De Mendonça e o Sr. Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, mantendo todo o  crédito tributário exigido.   Submeta­se à apreciação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de  acordo  com  o  art.  34  do Decreto  nº  70.235,  de  6  de março  de  1972,  e  alterações  introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e Portaria MF nº 3, de 3  de  janeiro  de  2008,  por  força  de  recurso  necessário. A  exoneração  dos  sujeitos  passivos solidários procedida por este acórdão só será definitiva após o julgamento  em segunda instância.  O recurso de ofício interposto não deve ser conhecido, pois o valor exonerado  está  aquém  do  limite  fixado  pelo Ministro  da  Fazenda,  por meio  da  Portaria MF.  nº  63,  de  09/02/2017 (créditos de tributos e encargos de multa superior a R$ 2.500.000,00), devendo ser  observada a Súmula CARF nº 103, verbis:  Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de  ofício,  aplica­se  o  limite  de  alçada  vigente  na  data  de  sua  apreciação em segunda instância.  Pelo exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso de ofício.  CONCLUSÃO GERAL  Por todo o exposto, voto no sentido de afastar as preliminares de nulidade por  erro indicação do sujeito passivo, de nulidade da decisão de primeiro grau e de decadência, e,  no  mérito,  por  dar  provimento  parcial  aos  recursos  voluntários  interpostos,  para  cancelar  a  exigência  de  IRRF  sobre  os  pagamentos  efetuados  à  empresa  DFS  (nos  termos  do  item  12  deste voto) e, ainda, de não conhecer do recurso de ofício.   (assinado digitalmente)  Luiz Tadeu Matosinho Machado               Fl. 5749DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.750          85   Declaração de Voto  Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias  DA  RESPONSABILIDADE  TRIBUTÁRIA  DO  ARTIGO  135  III  DO  CTN.  POSIÇÃO  ADOTADA PELO PODER JUDICIÁRIO  Para  que  não  haja  dúvidas  quanto  à  coerência  dos  julgados,  em  especial,  quando há mudança de  posicionamento  quando  do  julgamento  de  determinada matéria,  pedi  para consignar declaração de voto no brilhante acórdão proferido pelo relator, no que tange ao  argumento de imputação de responsabilidade pelo artigo 135,  inciso III do Código Tributário  Nacional, invocado no Recurso Voluntário.  É que, em seu apelo, em síntese, o Recorrente, SETEC TECNOLOGIA S.A,  insurge­se  com  relação  à  imputação  de  sua  responsabilidade,  juntamente  com  a  dos  sócios  Augusto Ribeiro de Mendonça Neto e Roberto Ribeiro de Mendonça, ao argumento de que a  solidariedade  não  pode  ser  presumida  e  que  a  responsabilidade  do  artigo  135,  inciso  III  do  CTN é pessoal do  agente que cometeu  alguma das  condutas  listadas no  referido dispositivo.  Desta  forma, alega que não deveria constar no polo passivo da obrigação  tributária,  já que a  responsabilidade daqueles sócios seria pessoal e exclusiva.   Inicialmente,  deve­se  pontuar  que,  pela  leitura  dos  artigos  do  Código  Tributário  Nacional,  a  sujeição  passiva  (um  dos  critérios  que  compõe  a  Regra  Matriz  de  Incidência Tributária) pode ser divida entre o contribuinte e o responsável. Neste sentido, é a  redação do artigo 121 do CTN:  Art.  121.  Sujeito  passivo  da  obrigação  principal  é  a  pessoa  obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária.  Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz­ se:  I  ­  contribuinte,  quando  tenha  relação  pessoal  e  direta  com  a  situação que constitua o respectivo fato gerador;  II  ­  responsável,  quando,  sem  revestir  a  condição  de  contribuinte,  sua  obrigação  decorra  de  disposição  expressa  de  lei.  No  caso  do  representante  da  sociedade,  dentre  eles  os  administradores,  a  responsabilidade  pessoal  pelo  pagamento  do  crédito  tributário  se  dará  quando  houver  atos  praticados  com  excesso  de  poderes  ou  infração  de  lei,  contrato  social  ou  estatutos.  Esta  é  a  inteligência do artigo 135, inciso III do CTN. Confira­se:   Art.  135.  São  pessoalmente  responsáveis  pelos  créditos  correspondentes  a  obrigações  tributárias  resultantes  de  atos  praticados com excesso de poderes ou  infração de  lei,  contrato  social ou estatutos:  (...)  Fl. 5750DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.751          86  III  ­  os  diretores,  gerentes  ou  representantes  de  pessoas  jurídicas de direito privado.  E  este  julgador  tem  convicção  de  que,  quando  o  dispositivo  legal  fala  em  responsabilidade "pessoal" do agente, uma vez identificadas alguma das condutas elencadas no  citado  dispositivo,  a  responsabilidade  pelo  pagamento  do  tributo  passa  a  ser  apenas  daquele  agente, excluindo­se a responsabilidade da pessoa jurídica contribuinte, que, em última análise,  é lesada pela conduta dolosa de quem a representa.   Assim, como bem colocado no Recurso Voluntário apresentado, não estaria  correto em se falar em responsabilidade solidária e, sim, em responsabilidade pessoal, como a  interpretação, não só literal, mas sistemática do ordenamento jurídico impõe.  Contudo,  em que  pese  a  posição  pessoal  deste  conselheiro,  o  entendimento  que  prevalece  nas  decisões  do  Poder  Judiciário,  é  no  sentido  de  que,  uma  vez  identificadas  condutas  dos  agentes  elencados  no  artigo  135,  III  do  CTN,  é  válida  a  indicação  destes,  juntamente  com  a  pessoa  jurídica  que  representam,  no  pólo  passivo  da  obrigação  tributária.  Neste sentido, veja­se decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça:  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  VIOLAÇÃO  DO  ART.  535  DO  CPC.  DEFICIÊNCIA  NA  FUNDAMENTAÇÃO.  SÚMULA  284/STF.  EXECUÇÃO  FISCAL.  DISSOLUÇÃO  IRREGULAR.  REDIRECIONAMENTO.  RESPONSABILIDADE  SOLIDÁRIA  X  RESPONSABILIDADE  PESSOAL  DO  SÓCIO­ GERENTE.  EXCLUSÃO  DA  RESPONSABILIDADE  DA  PESSOA  JURÍDICA.  CUMULAÇÃO  SUBJETIVA  DE  PEDIDOS/DEMANDAS.  1. Não se conhece do Recurso Especial em relação à ofensa ao  art. 535 do CPC quando a parte não aponta, de forma clara, o  vício  em  que  teria  incorrido  o  acórdão  impugnado.  Aplicação,  por analogia, da Súmula 284/STF.  2.  A  controvérsia  tem  por  objeto  a  decisão  do  Tribunal  de  origem,  que  determinou  a  exclusão  da  pessoa  jurídica  do  polo  passivo  de  Execução  Fiscal,  em  decorrência  do  redirecionamento  para  o  sócio­gerente,  motivado  pela  constatação  de  dissolução  irregular  do  estabelecimento  empresarial.  3.  Segundo  o  sucinto  acórdão  recorrido,  "a  responsabilidade  prevista no art. 135, III, do CTN, é pessoal, e não solidária nem  subsidiária", de modo que, "com o redirecionamento, a execução  fiscal  volta­se  exclusivamente  contra  o  patrimônio  do  representante  legal  da  pessoa  jurídica,  a  qual  deixa  de  responder pelos créditos tributários".  4. O decisum recorrido  interpretou exclusivamente pelo método  gramatical/literal  a  norma  do  art.  135,  III,  do  CTN,  o  que,  segundo  a  boa  doutrina  especializada  na  hermenêutica,  pode  levar  a  resultados  aberrantes,  como  é  o  caso  em  análise,  insustentável por razões de ordem lógica, ética e jurídica.  5.  É  possível  afirmar,  como  fez  o  ente  público,  que,  após  alguma oscilação, o STJ consolidou o  entendimento de que a  Fl. 5751DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.752          87 responsabilidade do sócio­gerente, por atos de infração à lei, é  solidária.  Nesse  sentido  o  enunciado  da  Súmula  430/STJ:  "O  inadimplemento  da  obrigação  tributária  pela  sociedade  não  gera, por si só, a responsabilidade solidária do sócio­gerente."   6.  O  afastamento  da  responsabilidade  tributária  decorreu  da  constatação  de  que,  em  revisão  do  antigo  entendimento  do  Superior  Tribunal  de  Justiça,  a  inadimplência  não  deve  ser  considerada  ato  ilícito  imputável  ao  representante  da  pessoa  jurídica. No que concerne diretamente à questão versada nestes  autos, porém, subjaz implícita a noção de que a prática de atos  ilícitos implica responsabilidade solidária do sócio­gerente.  7.  Merece  citação  o  posicionamento  adotado  pela  Primeira  Seção do STJ no  julgamento dos Embargos de Divergência  em  Recurso  Especial  174.532/PR,  segundo  os  quais  "Os  diretores  não  respondem  pessoalmente  pelas  obrigações  contraídas  em  nome da  sociedade, mas respondem para com esta  e para  com  terceiros  solidária  e  ilimitadamente  pelo  excesso  de mandato  e  pelos atos praticados com violação do estatuto ou lei".  8. Isto, por si só, já seria suficiente para conduzir ao provimento  da pretensão recursal. Porém, há mais a ser dito.  9.  Ainda  que  se  acolha  o  posicionamento  de  que  a  responsabilidade prevista no art. 135 do CTN ­ por ser descrita  como  pessoal  ­  não  pode  ser  considerada  solidária,  é  improcedente o raciocínio derivado segundo o qual há exclusão  da  responsabilidade  da  pessoa  jurídica  em  caso  de  dissolução  irregular.  10.  Atente­se  para  o  fato  de  que  nada  impede  que  a Execução  Fiscal  seja  promovida  contra  sujeitos  distintos,  por  cumulação  subjetiva em regime de litisconsórcio.  11.  Com  efeito,  são  distintas  as  causas  que  deram  ensejo  à  responsabilidade  tributária e, por consequência, à definição do  polo  passivo  da  demanda:  a)  no  caso  da  pessoa  jurídica,  a  responsabilidade decorre da concretização, no mundo material,  dos elementos integralmente previstos em abstrato na norma que  define  a  hipótese  de  incidência  do  tributo;  b)  em  relação  ao  sócio­gerente,  o  "fato  gerador"  de  sua  responsabilidade,  conforme  acima  demonstrado,  não  é  o  simples  inadimplemento  da obrigação tributária, mas a dissolução irregular (ato ilícito).  12.  Não  há  sentido  em  concluir  que  a  prática,  pelo  sócio­ gerente,  de  ato  ilícito  (dissolução  irregular)  constitui  causa  de  exclusão  da  responsabilidade  tributária  da  pessoa  jurídica,  fundada em circunstância independente.  13. Em primeiro lugar, porque a legislação de Direito Material  (Código  Tributário Nacional  e  legislação  esparsa)  não  contém  previsão legal nesse sentido.  14.  Ademais,  a  prática  de  ato  ilícito  imputável  a  um  terceiro,  posterior  à  ocorrência  do  fato  gerador,  não  afasta  a  Fl. 5752DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.753          88 inadimplência  (que  é  imputável  à  pessoa  jurídica,  e  não  ao  respectivo sócio­gerente) nem anula ou invalida o surgimento da  obrigação  tributária  e  a  constituição  do  respectivo  crédito,  o  qual, portanto, subsiste normalmente.  15.  A  adoção  do  entendimento  consagrado  no  acórdão  hostilizado  conduziria  a  um  desfecho  surreal:  se  a  dissolução  irregular exclui a responsabilidade tributária da pessoa jurídica,  o  feito  deveria  ser  extinto  em  relação  a  ela,  para  prosseguir  exclusivamente  contra o  sujeito para o qual a Execução Fiscal  foi  redirecionada.  Por  consequência,  cessaria  a  causa  da  dissolução  irregular,  uma  vez  que,  com  a  exclusão  de  sua  responsabilidade  tributária,  seria lícita a obtenção de Certidão  Negativa  de  Débitos,  o  que  fatalmente  viabilizaria  a  baixa  definitiva de seus atos constitutivos na Junta Comercial! 16. Dito  de  outro  modo,  o  ordenamento  jurídico  conteria  a  paradoxal  previsão de que um ato ilícito  ­ dissolução  irregular  ­  , ao  fim,  implicaria permissão para a pessoa jurídica (beneficiária direta  da aludida dissolução) proceder ao arquivamento e ao registro  de sua baixa societária, uma vez que não mais subsistiria débito  tributário a ela imputável, em detrimento de terceiros de boa­fé  (Fazenda Pública e demais credores).  17.  Recurso  Especial  parcialmente  conhecido  e,  nessa  parte,  provido.  (REsp  1455490/PR,  Rel.  Ministro  HERMAN  BENJAMIN,  SEGUNDA  TURMA,  julgado  em  26/08/2014,  DJe  25/09/2014)  Portanto, para que as discussões não se eternizem em âmbito administrativo,  é salutar o acatamento das decisões proferidas no âmbito do Poder Judiciário, principalmente  daqueles proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça e pelo Supremo Tribunal Federal, mesmo  que haja a convicção do equívoco interpretativo na posição tomada pelo órgão judicante.   Por  isso,  acompanho  o  entendimento  da  turma,  que  manteve  a  responsabilidade da pessoa  jurídica, mesmo tendo sido constatada e comprovada a prática de  condutas dos seus representantes, que levariam à responsabilização pessoal e exclusiva destes  pelo pagamento do crédito tributário.  (assinado digitalmente)  Flávio Machado Vilhena Dias     Declaração de Voto    Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa.    Apesar  do  brilhante  voto  do  Conselheiro  Relator,  peço  permissão  para  discordar  do  seu  entendimento  em  relação  à  exigência  do  IR/Fonte  sobre  pagamentos  a  beneficiários  não  identificados  ou  sem  causa,  quando  já  houve  a  glosa  dos  custos/despesas,  devidamente tributadas pelo IRPJ e CSLL.  Fl. 5753DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.754          89 No  meu  entendimento,  quando  existir  Glosa  de  Custos  e  Despesas  na  apuração do IRPJ e CSLL por notas fiscais inidôneas, mostra­se contraditória a tributação do  Imposto de Renda em virtude de pagamentos  sem causa,  pois o  registro  contábil  de despesa  amparado  em  nota  fiscal  inidônea  não  autoriza,  por  si  só,  além  da  exigência  do  IRPJ  e  da  CSLL (em face da glosa da despesa inexistente ou não comprovada), a cobrança do IRRF por  pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado.  A aplicação do art. 61, da Lei nº 8.981, de 1.995, está reservada para aquelas  situações em que o fisco prova a existência de um pagamento sem causa ou a beneficiário não  identificado, desde que a mesma hipótese não enseje tributação por glosa de custos e despesas,  como foi o caso concreto, onde houve a incidência do IRPJ e CSLL.  Com  a  edição  da  Lei  nº  9.249/96,  surge  clara  a  opção  do  legislador  pela  adoção da tributação segredada, ou seja, se o rendimento foi  tributado na pessoa jurídica não  será  mais  tributado,  não  só  na  pessoa  física  como  em  outra  pessoa  jurídica,  eventual  e  presumidamente beneficiárias.  Nesse novo quadro,  temos o desaparecimento do  art.  44,  que  tinha por  fim  tributar as situações em que, por presunção de que a receita omitida e/ou a  redução do  lucro  líquido era distribuída a sócios que, repetindo, não comportavam a utilização do art. 61, da Lei  nº  8.981/95.  Em  outras  palavras,  significa  dizer  que  o  art.  61,  da  Lei  nº  8.981/95,  evidentemente, não pode ser aplicado às situações que anteriormente eram acobertadas pelo art.  44, da Lei nº 8.541/95.  Em sendo assim, a aplicação do art. 61 está reservada para aquelas situações  em  que  o  fisco  prova  a  existência  de  um  pagamento  sem  causa  ou  a  beneficiário  não  identificado e, o que é mais importante, desde que o mesmo fato/valor que serve de base, não  caracterize hipótese de  redução do  lucro  líquido, quer por  receita omitida,  quer por glosa de  custos e/ou despesas, situações tipicamente submetidas ao IRPJ segundo as normas pertinentes  à tributação pelo lucro real ou presumido.  Dispunha o art. 44 da Lei nº 8.541/92, na redação que lhe foi dada pelo art. 3º  da Medida Provisória nº 492/94, convertida na Lei nº 9.064/95:  “Art. 44 ­ A receita omitida ou a diferença verificada na determinação dos  resultados  das  pessoas  jurídicas  por  qualquer  procedimento  que  implique  redução  indevida  do  lucro  líquido  será  considerada  automaticamente  recebida pelos sócios, acionistas ou titular da empresa individual e tributada  exclusivamente  na  fonte  à  alíquota  de 25%,  sem prejuízo  da  incidência  do  imposto sobre a renda da pessoa jurídica.  § 1º ­ O fato gerador do imposto de renda na fonte considera­se ocorrido no  dia da omissão ou da redução indevida.  § 2º  ­ O disposto neste artigo não se aplica a deduções  indevidas que, por  sua  natureza,  não  autorizem  presunção  de  transferência  de  recursos  do  patrimônio da pessoa jurídica para o dos seus sócios.”    Fl. 5754DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.755          90 Por  outro  lado,  temos  o  preceito  legal  trazido  no  enquadramento  legal  do  Auto de Infração, em relação ao imposto de renda retido na fonte, mais precisamente o art. 61  da lei nº 8.981/95:  “Art.  61. Fica  sujeito  à  incidência  do  imposto  de  renda  exclusivamente na  fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a  beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais.    §  1º  ­  A  incidência  prevista  no  caput  aplica­se,  também,  aos  pagamentos  efetuados  ou  aos  recursos  entregues  a  terceiros  ou  sócios,  acionistas  ou  titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a  sua  causa,  bem  como à  hipótese  de que  trata  o §  2º,  do  art.  74,  da Lei nº  8.383, de 1991.  §  2º  ­  Considera­se  vencido  o  imposto  de  renda  na  fonte  no  dia  do  pagamento da referida importância.  §  3º  ­  O  rendimento  de  que  trata  este  artigo  será  considerado  líquido,  cabendo  o  reajustamento  do  respectivo  rendimento  bruto  sobre  o  qual  recairá o imposto.”  Da  leitura  desses  dispositivos,  há  de  se  concluir  que  o  art.  61  da  Lei  nº  8.981/95 não convivia com o art. 44 da Lei nº. 8.541/92, significando dizer que, quando, ainda  que por presunção, o rendimento era distribuído aos sócios tinha aplicação o art. 44, nunca o  art. 61.  Confirmando  essa  afirmação,  temos  a  disposição  expressa  no  art.  62  da  mesma Lei nº 8.981/95, nos seguintes termos:  Art. 62 ­ A partir de 1º de janeiro de 1995, a alíquota do imposto de renda na  fonte de que trata o art. 44, da Lei nº 8.541, de 1992, será de 35%.   Houve, portanto, uma clara distinção, ou seja, o art. 61 também comportava  uma  presunção  de  distribuição  de  recursos  a  sócios,  desde  que  não  pela  via  da  omissão  de  receitas,  mas  sempre  pela  subtração  de  resultados  ainda  não  tributados,  mesmo  porque  não  faria  sentido  algum  tributar  a  presunção  da  distribuição  na  omissão  de  receita  a  25%  e  a  presunção de distribuição por outros meios a 35%.  Ficava,  então,  o  art.  61,  reservado  para  aquelas  situações  em  que  o  fisco  provava a existência de um pagamento, cujo beneficiário ou causa não restasse comprovada.  Vamos, agora, ao que  ficou estabelecido após a edição do art. 24 da Lei nº  9.249/96, que revogou o art. 44 da Lei nº 8.541/92.  Art.  24  ­  Verificada  a  omissão  de  receita,  a  autoridade  tributária  determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo  com  o  regime  de  tributação  a  que  estiver  submetida  à  pessoa  jurídica  no  período­base a que corresponder a omissão.  Fl. 5755DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.756          91   §  1º  ­ No  caso  de  pessoa  jurídica  com atividades  diversificadas  tributadas  com  base  no  lucro  presumido  ou  arbitrado,  não  sendo  possível  a  identificação  da  atividade  a  que  se  refere  à  receita  omitida,  esta  será  adicionada àquela a que corresponder o percentual mais elevado.  § 2º ­ O valor da receita omitida será considerado na determinação da base  de cálculo para o  lançamento da contribuição social  sobre o  lucro  líquido,  da contribuição para a seguridade social ­ COFINS e da contribuição para  os  Programas  de  Integração  Social  e  de  Formação  do  Patrimônio  do  Servidor Público ­ PIS/PASEP.  (...)  Art. 36 ­ Ficam revogadas as disposições em contrário, especialmente”:    (...).    IV ­ os art. 43 e 44 da Lei nº. 8.541, de 23 de dezembro de 1992;    (...)”.  Portanto, com a edição da Lei nº 9.249/96, surge clara a opção do legislador  pela adoção da tributação segregada, ou seja, se o rendimento foi tributado na pessoa jurídica  não  será mais  tributado,  não  só  na  pessoa  física  como  em  outra  pessoa  jurídica,  eventual  e  presumidamente beneficiárias.  Nesse  novo  quadro,  temos  o  desaparecimento  do  art.  44  que  tinha  por  fim  tributar as situações em que, por presunção de que a receita omitida e/ou a  redução do  lucro  líquido era distribuída a sócios que, repetindo, não comportavam a utilização do art. 61 da Lei  nº  8.981/95.  Em  outras  palavras,  significa  dizer  que  o  art.  61  da  Lei  nº  8.981/95,  evidentemente, não pode ser aplicado às situações que anteriormente eram acobertadas pelo art.  44 da Lei nº 8.541/95.  Em sendo assim, a aplicação do art. 61 está reservada para aquelas situações  em  que  o  fisco  prova  a  existência  de  um  pagamento  sem  causa  ou  a  beneficiário  não  identificado e, o que é mais importante, desde que o mesmo fato/valor que servir de base, não  caracterize hipótese de  redução do  lucro  líquido, quer por  receita omitida,  quer por glosa de  custos e/ou despesas, situações tipicamente submetidas ao IRPJ segundo as normas pertinentes  à tributação pelo lucro real e ao lucro presumido.  Não é outra, ainda que por outro enfoque e por via de raciocínio diverso, a  conclusão a que chegou o  ilustre professor José Antonio Minatel em seu artigo publicado na  Revista Dialética, o qual reproduzimos parte, litteris:   Fl. 5756DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.757          92 “Só  depois  de  esgotadas  essas  verificações  elementares,  será  possível  promover  o  adequado  enquadramento  da  situação  fática  à  hipótese  normativa  que  lhe  corresponda.  Essa  cautela  é  recomendada  para  que  se  evitem  os  excessos  costumeiramente  praticados  pelos  agentes  do  Fisco,  mormente  quando  deparam  com  pagamentos  registrados  como  custo  ou  despesa  na  escrituração  contábil  da  empresa  fiscalizada,  em  que  os  reais  beneficiários  não  se  encontram  identificados  a  contento.  Nessa  específica  hipótese, estando a empresa na sistemática do lucro real para tributação de  seus resultados pelo Imposto de Renda, o procedimento fiscal culmina, via de  regra, com a lavratura de autos de infração para exigência de IRPJ e CSLL,  acrescidos de  juros moratórios e multa aplicada de ofício  (75% ou 150%),  sob  o  fundamento  de  glosa  da  dedutibilidade  de  despesas/custos  não  comprovados.  Concomitantemente,  lavra­se  outro  auto  de  infração  fundamentado  no  art.  61  da  Lei  nº  8.981/95,  com  exigência  do  malfadado  IR­Fonte  de  35%,  acrescido, também, de juros e nova multa aplicada de ofício (75% ou 150%),  agora  sob  o  fundamento  de  que  os  mesmos  gastos,  contabilizados  como  custos/despesas, estão acobertando pagamentos sem causa ou a beneficiário  não identificado.  Evidente que há exageros e não se pode compactuar com a sobreposição e  penalidades sancionando a mesma conduta.  Com  efeito,  ante  a  não­comprovação  dos  gastos  contabilizados  como  custos/despesas,  está  legitimada a  formalização de exigência do  IRPJ  e da  CSLL  indevidamente  reduzidos,  sendo  pertinente  que  essa  conduta  que  ocasionou indevida redução de tributos seja sancionada com a imposição de  multa  de  ofício  (75%  ou  150%).  No  entanto,  não  cabe  outra  penalidade  sobre  a  mesma  constatação  fática,  sendo  indevida  a  exigência  de  35%  a  título de IR­Fonte sob o pressuposto de falta de identificação do beneficiário  do  pagamento  da mesma  operação  que  teve  a  dedutibilidade  negada,  pois  essa exigência tem nítido caráter de penalidade, como já demonstrado.  Mais  grave  ainda  é  ver  essa  penalidade  pecuniária  de  35%  travestida  de  tributo  ser  gravada  com  nova  penalidade,  uma  vez  que  sobre  o  valor  do  IRFonte exigido no auto de infração é calculada nova multa de ofício (75%  ou 150%).  Lamentavelmente,  lançamentos  contaminados  com  essa  grave  deformação  têm  sido  confirmados,  sem  mais  reflexão,  pelos  órgãos  encarregados  de  solucionar  os  conflitos  entre  Fisco  e  contribuinte,  como  se  vê  do  pronunciamento da 4.ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, aqui  reproduzido na parte atinente à matéria em estudo, verbis:  ‘PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO  IDENTIFICADO – PAGAMENTO  EFETUADO  A  BENEFICIÁRIO  SEM  CAUSA  ­  PAGAMENTOS  EFETUADO  SEM  COMPROVAÇÃO  OU  CAUSA  ­  NOTAS  FISCAIS  INIDÔNEAS  ­  ARTIGO  61  DA  LEI  nº  8.981,  DE  1995  ­  CARACTERIZAÇÃO.  A  pessoa  jurídica  que  efetuar  pagamento  a  beneficiário não identificado ou não comprovar a operação ou a causa dos  Fl. 5757DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.758          93 pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas  ou titular, contabilizados ou não, bem como não comprovar o pagamento do  preço  respectivo  e  o  recebimento  dos  bens,  direitos  ou  mercadorias  ou  a  utilização  dos  serviços,  referidos  em  documentos  emitidos  por  pessoa  jurídica  considerada  ou  declarada  inapta,  sujeitar­se­á  à  incidência  do  imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento a  beneficiário  não  identificado  e/ou  pagamento  a  beneficiário  sem  causa.  O  ato  de  realizar  o  pagamento  é  pressuposto  material  para  a  ocorrência  da  incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, conforme o disposto  no art. 61 da Lei nº. 8.981, de 1995’.    Agride a estrutura da regra jurídica do Imposto sobre a Renda a afirmação  final contida na ementa de que “o ato de realizar pagamento é pressuposto  material  para  a  ocorrência  da  incidência  do  imposto  de  renda  exclusivamente  na  fonte”.  A  afirmação  estará  a  salvo  se  vista  a  referida  incidência  com  caráter  de  penalidade,  para  a  qual  o  ato  de  realizar  pagamento a beneficiário não identificado é que lhe dá tipicidade.  Portanto, é imperioso admitir que há limites e condições para a aplicação da  penalidade  prevista  no  art.  61  da Lei  nº  8.981/95,  a  qual,  quando  cabível,  deve  ser  vista  com a mesma natureza  da  chamada “multa  isolada”,  sendo  certo que sua aplicação por meio de lançamento de ofício (auto de infração)  não  comporta  novo  cálculo  de  multa  sobre  multa,  sendo  totalmente  inadequada à imposição de multa de ofício de 75% ou 150% sobre o valor  da penalidade quantificada em 35% do valor do pagamento sem causa, ou a  beneficiário não identificado.  O  grifo  em  quando  cabível  é  para  deixar  registrado,  pedindo  vênia  pela  ênfase em discurso repetitivo, que essa penalidade de 35% do art. 61 da Lei  nº  8.981/95  somente  pode  ser  aplicada  quando  não  houver  exigência  concomitante de tributo (IRPJ e CSLL) sobre a mesma operação, pois, nessa  hipótese, a  formalização de exigência de cunho  tributário com a  imposição  da  penalidade  correspondente,  que  é  o  objetivo  primeiro  da  administração  tributária, absorve a multa isolada prevista para idêntica conduta.  Em  conclusão,  a  imposição  da multa  isolada  de  35%  só  é  adequada  para  sancionar condutas que impeçam a identificação da causa ou do beneficiário  de pagamento, praticada por pessoas jurídicas não submetidas à tributação  pelo lucro real ou presumido.”  (Grifei)  Desse  ensaio,  dentre  outras  lições,  podemos  extrair  que  é  absolutamente  vedada  à  possibilidade  de  escolha,  ou  seja,  se  cabível  a  tributação  pelo  IRPJ  e  CSLL  por  redução  do  lucro  líquido,  não  pode  a  autoridade  lançadora  simplesmente  abandonar  essa  tributação para eleger a mais gravosa contida no art. 61 em comento e, muito menos e pelos  mesmos  motivos,  lançar  as  duas  exações.  Isto  porque  e,  por  óbvio,  a  Lei  nº  8.981/95  não  revogou as normas que regem a tributação pelo lucro real e lucro presumido.  Fl. 5758DF CARF MF Processo nº 13896.723534/2015­15  Acórdão n.º 1302­002.788  S1­C3T2  Fl. 5.759          94 Com  essa  ordem  de  ideias,  manifesta­se  inarredável  a  conclusão  de  que  o  lançamento de ofício ora vergastado deve  ser  anulado quanto  ao  IRRF,  em  face da  evidente  impossibilidade  jurídica  de  concomitância  com  a  tributação  decorrente  da  glosa  de  custos  e  despesas por parte da fiscalização.  Por  todo  o  exposto,  voto  por  dar  PROVIMENTO  ao  Recurso  Voluntário  relativamente à "exigência do IR/Fonte sobre pagamentos sem causa quando já houve a glosa  dos custos/despesas”.  É como voto.         (assinado digitalmente)  Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa       Fl. 5759DF CARF MF

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Numero do processo: 13839.909930/2012-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. Transitou em julgado decisão do STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática de recurso repetitivo, que deu pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, de observância obrigatória por este Conselho, nos termos do seu Regimento Interno. Já o STF, entendeu pela não inclusão, no Recurso Extraordinário nº 574.706, que tramita sob a sistemática da repercussão geral, mas de caráter não definitivo, pois pende de decisão embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional, elemento necessário à vinculação deste CARF. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.435
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria qualificada de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. O Conselheiro Ari Vendramini votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1627; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T1  Fl. 2          1 1  S3­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13839.909930/2012­61  Recurso nº  1   Voluntário  Acórdão nº  3301­004.435  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  22 de março de 2018  Matéria  PIS/COFINS. ICMS NA BASE DE CÁLCULO.  Recorrente  QUÍMICA AMPARO LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003   PIS.  BASE  DE  CÁLCULO.  INCLUSÃO  DO  ICMS.  RECURSO  REPETITIVO. STJ.   Transitou em julgado decisão do STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR,  sob  a  sistemática  de  recurso  repetitivo,  que deu  pela  inclusão  do  ICMS  na  base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, de observância obrigatória por este  Conselho, nos termos do seu Regimento Interno.   Já o STF, entendeu pela não inclusão, no Recurso Extraordinário nº 574.706,  que  tramita  sob  a  sistemática  da  repercussão  geral,  mas  de  caráter  não  definitivo, pois pende de decisão embargos de declaração protocolados pela  Fazenda Nacional, elemento necessário à vinculação deste CARF.  Recurso Voluntário Negado      Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  qualificada  de  votos,  em  negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente  julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Maria Eduarda Alencar  Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. O Conselheiro Ari Vendramini  votou pelas conclusões.    (assinado digitalmente)  José Henrique Mauri ­ Presidente e Relator.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 99 30 /2 01 2- 61 Fl. 116DF CARF MF Processo nº 13839.909930/2012­61  Acórdão n.º 3301­004.435  S3­C3T1  Fl. 3          2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri  (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio  Carlos  da  Costa  Cavalcanti  Filho,  Maria  Eduarda  Alencar  Câmara  Simões  (Suplente  convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.    Relatório    Trata­se  de  recurso  voluntário  interposto  contra  o  Acórdão  nº  06­051.752,  proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba.   Por meio de Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal de Jundiaí  foi  indeferido o pleito constante do Pedido Eletrônico de Restituição – PER transmitido pela  contribuinte, em razão da realização de pagamento a maior.  Em  referido  ato  administrativo,  a  autoridade  fiscal  indeferiu  o  pleito  da  interessada  tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava  integralmente utilizado  para quitação do débito de PIS cumulativa/o, não restando saldo de crédito disponível para o  reconhecimento do crédito solicitado.   A  contribuinte  foi  cientificada  do  citado  despacho  decisório  e  apresentou,  tempestivamente, a Manifestação de Inconformidade cujo conteúdo é resumido a seguir.   A  interessada  defende,  em  apertada  síntese,  o  direito  ao  crédito  solicitado com a alegação de ter incluído de forma indevida o ICMS na base  de  cálculo  da  contribuição  recolhida.  Diz  que  o  ato  administrativo  foi  proferido  de  forma  precipitada  e  com  flagrante  desrespeito  à  legislação  tributária,  notadamente  a  que  trata da  necessidade  de  lançamento  tributário  (art. 142 do Código Tributário Nacional). Sustenta a legitimidade do indébito  tributário informado no pedido de restituição alegando que no presente caso  não existe óbice à restituição, nos  termos do art. 165, do Código Tributário  Nacional, uma vez que houve um erro na composição da base de cálculo da  contribuição e que a vinculação do DARF, pago indevidamente, a um débito  declarado em DCTF, constitui­se em uma mera informação. Relata que está  juntando ao processo planilha por meio da qual se pode constatar a existência  do  pagamento  a maior  do  que  o  devido  e  que  este  documento  faz  a  prova  necessária  para  confirmar  o  indébito  alegado.  Acrescenta  que  em  caso  de  dúvida  quanto  ao  crédito  o  julgamento  pode  ser  convertido  em  diligência  para  que  a  interessada  seja  intimada  a  demonstrar,  através  de  outros  elementos,  o  crédito vindicado. Defende  a  tese  relativa  a  improcedência  da  inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição alegando que referido  tributo não integra o conceito de faturamento (receita bruta), pois trata­se de  mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e  que  o  Supremo  Tribunal  Federal  –  STF,  consoante  o  voto  proferido  pelo  Ministro Marco Aurélio no Recurso Extraordinário nº 240.785/MG, entendeu  que o valor do  ICMS não pode compor a base de cálculo das contribuições  Fl. 117DF CARF MF Processo nº 13839.909930/2012­61  Acórdão n.º 3301­004.435  S3­C3T1  Fl. 4          3 (PIS  e  Cofins).  Sustenta  que  a  interpretação  da  autoridade  tributária  relacionada com a questão da inclusão do ICMS nas receitas dos contribuinte  (interpretação  do  art.  3º  da  Lei  9.718,  de  1988)  é  contrária  ao  art.  110  do  CTN, uma vez que não  se  caracteriza  como  juízo de  inconstitucionalidade,  mas  sim  como  controle  administrativo  interno  dos  atos  administrativos.  Aduz, por fim, que a declaração de inconstitucionalidade (exclusão do ICMS  da  base  de  cálculo  da  contribuição)  em  referido  RE  é  iminente  e  que  o  proferimento  dela  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  tornará  sua  observância  obrigatória pela Administração Tributária.   Diante  do  exposto,  requer  a  interessada  o  acolhimento  da  manifestação  para  o  fim  de  afastar  o  Despacho  Decisório  questionado  e  deferir integralmente o pedido de restituição.  O  citado  acórdão  decidiu  pela  improcedência  da  manifestação  de  inconformidade, sob o fundamento, em síntese, que falece ao julgador da esfera administrativa  competência  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade  de  lei  tributária  e  pela  impossibilidade  de  exclusão  do  valor  devido  a  título  de  ICMS  da  base  de  cálculo  da  contribuição.  Inconformada  com  a  improcedência  da  manifestação  de  inconformidade,  a  contribuinte  interpôs  recurso  voluntário,  basicamente,  repetindo  os  argumentos  trazidos  em  sede de manifestação. Ao final, pugna pela reforma do acórdão recorrido.   É o relatório.  Fl. 118DF CARF MF Processo nº 13839.909930/2012­61  Acórdão n.º 3301­004.435  S3­C3T1  Fl. 5          4   Voto             Conselheiro José Henrique Mauri, Relator.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo  II do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343,  de  09  de  junho  de  2015.  Portanto,  ao  presente  litígio  aplica­se  o  decidido  no Acórdão  3301­004.397,  de  22  de  março  de  2018,  proferido  no  julgamento  do  processo  13839.900183/2012­04, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301­004.397):  "O  recurso  voluntário  apresentado  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  pressupostos de admissibilidade1.  O núcleo da discussão em pauta é a inclusão ou não do ICMS na base  de cálculo da Cofins.  O acórdão recorrido enumera diplomas legais de regência, concluindo  não  haver  previsão  legal  para  a  exclusão  do  ICMS  da  base  de  cálculo  da  Cofins:  Pelas  argumentações  trazidas  em  sua  manifestação  de  inconformidade,  vê­se,  de  pronto,  que  a  pretensão  da  contribuinte  implica  negar  efeito  a  disposição  expressa  de  lei.  Nesse  contexto,  cumpre  registrar  que  não  há  na  legislação  de  regência previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases  de  cálculo  do  PIS  e  da  Cofins,  na  forma  aduzida  pela  interessada,  já  que  esse  valor  é  parte  integrante  do  preço  das  mercadorias  e  serviços  vendidos,  exceção  feita  para  o  ICMS  recolhido  mediante  substituição  tributária,  pelo  contribuinte  substituto tributário.   De fato. A Lei Complementar nº 7, de 1970, a Lei Complementar  nº  70,  de  1991,  a  Lei  nº  9.715,  de  1998  (que  resultou  da  conversão  da  Medida  Provisória  nº  1.212,  de  1995  e  suas  reedições), a Lei nº 9.718, de 1998, e, mais recentemente, as Leis  10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro  de  2003,  ao  longo  de  seus  dispositivos,  definem  expressamente  todos os aspectos das hipóteses de incidência vinculadas ao PIS  e  à  Cofins.  As  citadas  normas  definem  os  sujeitos  passivos  da  relação tributária, os casos de não­incidência, a alíquota, a base  de  cálculo,  o  prazo  de  recolhimento,  etc.,  e  submetem  as  contribuições às normas do processo administrativo fiscal, além  do que, para os casos de atraso de pagamento e penalidades, as                                                              1  Ressalte­se  ser  desnecessário  responder  todos  as  questões  levantadas  pelas  partes,  em  já  havendo  motivo  suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o  , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315­DF, julgado de  8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi).  Fl. 119DF CARF MF Processo nº 13839.909930/2012­61  Acórdão n.º 3301­004.435  S3­C3T1  Fl. 6          5 subordina,  de  forma  subsidiária,  à  legislação  do  imposto  de  renda.   Como se percebe, nada resta a definir. Os atos legais descrevem  expressamente  todas  as  feições  das  exações  instituídas,  nada  deixando ao alvedrio do intérprete. Quando remetem atribuições  a normas de outro tributo, o fazem estabelecendo com precisão  os  limites  da  remissão;  limites  estes,  aliás,  que,  in  concreto,  jamais  se  estendem sobre a definição das bases de cálculo das  contribuições.   O  conceito  de  faturamento  tem  sua  extensão  perfeitamente  delimitada  pela  explicitação  de  seu  conteúdo  e  pela  expressa  enumeração  das  exclusões  passíveis  de  serem  efetuadas,  não  havendo dentre essas, como se vê, qualquer referência ao ICMS  devido  pela  venda  de  mercadorias.  Caso  pretendesse  o  legislador excluir o ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins,  estaria  a  hipótese  expressamente  prevista  como  uma  das  exclusões da receita bruta.  Sobre o  tema, o STJ decidiu,  em  recurso  especial  sob a  sistemática de  recurso repetitivo, pela inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições,  já  com  trânsito  em  julgado.  Já  o  STF  entendeu  pela  sua  não  inclusão,  em  recurso extraordinário sob a sistemática da repercussão geral, mas em caráter  não  definitivo,  pois  pende  de  decisão  sobre  embargos  de  declaração  protocolados  pela  Fazenda  Nacional.  É  o  que  detalha  decisão  recente  deste  Conselho:  PIS/COFINS.  BASE  DE  CÁLCULO.  INCLUSÃO  DO  ICMS.  RECURSO  REPETITIVO.  STJ.  TRÂNSITO  EM  JULGADO.  CARF. REGIMENTO INTERNO.  Decisão  STJ,  no  Recurso  Especial  nº  1144469/PR,  sob  a  sistemática  do  recurso  repetitivo,  art.  543­C  do  CPC/73,  que  firmou  a  seguinte  tese:  "O  valor  do  ICMS,  destacado  na  nota,  devido  e  recolhido  pela  empresa  compõe  seu  faturamento,  submetendo­se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e  COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita  bruta,  base  de  cálculo  das  referidas  exações",  a  qual  deve  ser  reproduzida nos julgamentos do CARF a teor do seu Regimento  Interno.  Em  que  pese  o  Supremo  Tribunal  Federal  ter  decidido  em  sentido  contrário  no  Recurso  Extraordinário  nº  574.706  com  repercussão  geral,  publicado  no  DJE  em  02.10.2017,  como  ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se refere o art.  62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso  de aplicação obrigatória desse precedente ao caso concreto.  Recurso Voluntário Negado  (CARF,  3º  Seção,  4º  Câmara,  2º  Turma  Ordinária,  Ac.  3402­ 004.742,  de  24/10/2017,  rel.  Conselheiro  Jorge  Olmiro  Lock  Freire).  Fl. 120DF CARF MF Processo nº 13839.909930/2012­61  Acórdão n.º 3301­004.435  S3­C3T1  Fl. 7          6 Assim, transitada em julgado decisão do STJ, em recurso especial, sob a  sistemática de recurso repetitivo, pela inclusão do ICMS na base de cálculo da  PIS/Pasep  e  da  Cofins,  deve  este  Conselho  observá­la,  nos  termos  do  seu  Regimento Interno, descabendo analisar argumentos trazidos aos autos sobre o  tema.  A  decisão  do  STF,  em  sentido  contrário,  em  recurso  extraordinário  de  repercussão geral, mas de caráter não definitivo, não tem o mesmo efeito.  Nos ditos embargos, a Fazenda Nacional requer a modulação dos efeitos  da  decisão  embargada,  para  que  produza  efeitos  ex  nunc,  apenas  após  o  julgamento dos embargos. Ora, se há pedido de modulação dos efeitos, trata­se  de atividade  satisfativa,  incluíndo­se na  solução de mérito nos  termos do art.  487 do atual CPC. E se assim é, pode­se afirmar que não houve ainda decisão  definitiva de mérito, independentemente do transito em julgado.  A embargante ainda suscita, entre outras questões, haver erro material  ou omissão, por ter a corrente vencedora prestado ao art. 187 da Lei 6.404/76  efeito que ele não possui: estabelecer conceito de receita bruta:  7. Observe­se que, no caso dos autos, alguns votos da corrente  vencedora2  [...]  concederam  grande  relevância  ao  fundamento  de  que  “receita  bruta”,  expressão  a  que  a  jurisprudência  do  Supremo  Tribunal  Federal,  ao  longo  de  inúmeros  julgados,  equiparou  ao  vocábulo  “faturamento”  (art.  195,  I,  b,  da  Constituição),  possui  um  sentido  próprio  no  direito  privado,  definido no art. 187, I, da Lei 6.404/76.   8. No entanto, cumpre destacar que há um equívoco evidente em  tal  linha de argumentação: o mencionado dispositivo  legal não  estabelece  qualquer  conceito  para  receita  bruta.  Apenas  disciplina  que,  na  demonstração  do  resultado  do  exercício,  deverá estar descrita a “receita bruta das vendas e serviços, as  deduções  das  vendas,  os  abatimentos  e  os  impostos”.  A  assertiva, simplesmente, permite concluir que tais expressões se  referem  a  grandezas  diferentes,  mas  não  afirma  que  uma  não  esteja contida na outra.  Levanta também, na mesma toada que os votos vencedores "deixaram de  considerar  o  disposto  no  art.  12  do  Decreto­Lei  1.598/77,  reiteradamente  citado pelos votos vencidos", que dá pela inclusão dos tributos na receita bruta:   art. 12. A receita bruta compreende:   I ­ o produto da venda de bens nas operações de conta própria;   II ­ o preço da prestação de serviços em geral;   III ­ o resultado auferido nas operações de conta alheia; e   IV  ­  as  receitas  da  atividade  ou  objeto  principal  da  pessoa  jurídica não compreendidas nos incisos I a III.   § 1o A receita líquida será a receita bruta diminuída de:   (...)   III ­ tributos sobre ela incidentes; e   Fl. 121DF CARF MF Processo nº 13839.909930/2012­61  Acórdão n.º 3301­004.435  S3­C3T1  Fl. 8          7 (...)   § 4o Na receita bruta não se incluem os tributos não cumulativos  cobrados,  destacadamente,  do  comprador  ou  contratante  pelo  vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição  de mero depositário.   §  5o  Na  receita  bruta  incluem­se  os  tributos  sobre  ela  incidentes e os valores decorrentes do ajuste a valor presente, de  que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei nº 6.404, de  15  de  dezembro  de  1976,  das  operações  previstas  no  caput,  observado o disposto no § 4o.  (Grifos do original).  Ainda que sejam três os pilares da argumentação da corrente vencedora,  apenas  um  deles  tratando  do  conceito  de  receita,  trata­se  evidentemente  de  questão meritória.  A recorrente traz aos autos planilha na qual recalcula a base de cálculo  da  Cofins  "sem  o  ICMS",  com  a  qual,  juntamente  como  os  documentos  mencionados  na  seqüência,  pretende  provar  o  seu  direito  ao  crédito  em  discussão:   (...)  Instrui  o  recurso  voluntário  com  relatórios  "NOVA  GIA"  a  demonstrarem  a  apuração  do  ICMS,  referente  apenas  a  novembro  de  2011,  como também o balancete referente apenas a este período.  O  acordão  recorrido  assim  se manifestou  quando  lhe  fora  levada  dita  planilha:  "não  sendo  hábil  para  a  comprovação  do  direito  à  repetição  do  indébito,  uma simples planilha, desacompanhada de documentação contábil  e  fiscal que lhe conceda suporte e validade.A planilha segue abaixo".  Tais elementos não demonstram o direito ao crédito sem que a questão  de  direito  que  defende,  de  não  inclusão  do  ICMS  na  base  de  cálculo  da  contribuição, prospere. A planilha mencionada também não se fez acompanhar  de documentos que lhe fizessem prova, para todos os períodos. Assim, também,  a diligência que requer, para, eventualmente, "atestar in loco a regularidade da  escrituração  e  do  crédito",  somente  mereceria  provimento,  em  caso  de  demonstração da exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins.   Insurge­se a recorrente contra a afirmação do acórdão de piso de que "o  débito de Cofins cumulativa, do período de apuração de nov/2002 (para o qual  consta alocado o pagamento objeto do pedido de  restituição),  foi  constituído,  nos  termos  do  art.  142  do  CTN,  através  de  [...]  DCTF  apresentada  pela  interessada,  posto  que  essa  declaração  constituí  confissão  de  dívida  e  instrumento hábil  e  suficiente para a  exigência do  referido  crédito  tributário,  conforme  prevê  o  §  1º  do  art.  5º  do Decreto­lei  nº  2.124,  de  13  de  junho  de  1984".  Ainda que se apliquem tais normas, há decisões deste Conselho que têm  entendido  pela  relativização  de  tal  meio  de  prova,  com  as  quais  concordo,  privilegiando­se o princípio da verdade material:  Fl. 122DF CARF MF Processo nº 13839.909930/2012­61  Acórdão n.º 3301­004.435  S3­C3T1  Fl. 9          8 COMPROVAÇÃO  DO  DIREITO  CREDITÓRIO.  INFORMAÇÕES  CONSTANTES  DA  DOCUMENTAÇÃO  SUPORTE.  LIQUIDEZ  E  CERTEZA.  PRINCÍPIO  DA  VERDADE MATERIAL. O direito creditório pleiteado não pode  ser vinculado a requisitos meramente formais, nos termos do art.  165 do Código Tributário Nacional. Assim, ainda que a DCTF  seja  instrumento  de  confissão  de  dívida,  a  comprovação  por  meio  de  outros  elementos  contábeis  e  fiscais  que  denotem  erro  na  informação  constante  da  obrigação  acessória,  acoberta  a  declaração de compensação, em apreço ao princípio da verdade  material  Recurso Voluntário Provido  (CARF,  3º  Seção,  3º  Câmara,  1º  Turma  Ordinária,  Ac.  3301­ 002.678, de 08/12/2015, rel. Conselheiro Luiz Augusto do Couto  Chagas).  O  acórdão  de  piso  entendeu  não  ter  se  configurado  qualquer  das  hipóteses do art. 165 do CTN, aquele que estabelece o direito à restituição de  tributo,  especialmente  por  que  "não  existe  a  comprovação  de  que  tenha  ocorrido, em face da legislação aplicável, pagamento da contribuição em valor  a  maior  do  que  o  devido";  como  também  porque  "não  foi  demonstrada  a  existência de decisão judicial transitada em julgado reconhecendo a existência  de  indébito  tributário  (relativamente  ao  pagamento  apontado  no  pedido  de  restituição – PER) que diga respeito à inclusão indevida do ICMS na base de  cálculo da contribuição. não havendo decisão".  Argumenta  a  recorrente  ter  havido  erro  na  composição  da  base  de  cálculo  da  Cofins,  visto  que  "a  Recorrente  considerou  inadvertidamente  o  ICMS como componente de sua receita bruta", nos termos do inciso II, do dito  artigo. Mais uma vez, somente com a demonstração do direito ao crédito, o que  não ocorre, poder­se­ia falar no dito erro.  Assim,  pelo  exposto  voto  por  negar  provimento  ao  recurso  voluntário."  Importa  registrar  que  nos  autos  ora  em  apreço,  a  situação  fática  e  jurídica  encontra correspondência com a verificada no paradigma, de  tal  sorte que o entendimento  lá  esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo  II do RICARF, o Colegiado decidiu  negar provimento ao recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  José Henrique Mauri                  Fl. 123DF CARF MF Processo nº 13839.909930/2012­61  Acórdão n.º 3301­004.435  S3­C3T1  Fl. 10          9               Fl. 124DF CARF MF

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Numero do processo: 10630.720367/2007-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 NULIDADES NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRAZO DO MPF. Estando presentes todos os requisitos do lançamento e não se verificando quaisquer das causas do artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há falar em nulidade. O MPF é instrumento administrativo que não modifica o prazo para a constituição do crédito tributário previsto na legislação. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. COMPROVAÇÃO. ALEGAÇÕES DESPROVIDAS DE DOCUMENTOS. DINHEIRO EM CAIXA. A comprovação hábil a elidir a presunção legal de omissão de receita em face de depósitos de origem não comprovada se dá com a apresentação de documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, com os créditos bancários. Alegações desprovidas de provas não afastam a presunção da lei. A existência de saldo de dinheiro em espécie no início do ano-calendário não é suficiente para a comprovação da origem dos créditos bancários. Sendo, a presunção, relativa, cabe ao contribuinte, e não ao Fisco, fazer prova da regularidade dos depósitos. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO EXTEMPORÂNEA. ESPONTANEIDADE. O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo. A retificação de declaração extemporânea, sob vigência da ação fiscal, não surte qualquer efeito no lançamento de ofício. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCIEIRA (RMF). NECESSIDADE DE PRÉVIA INTIMAÇÃO. INEXIGÊNCIA DE ATENDIMENTO A PRÉVIA INTIMAÇÃO. POSSIBILIDADE DE EMISSÃO DE RMF MESMO SEM A RECUSA DE ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. A emissão de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) requer prévia intimação do contribuinte. A lei não condiciona a emissão de RMF à falta de atendimento da intimação previamente ocorrida. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. SONEGAÇÃO. LANÇAMENTO. ATIVIDADE VINCULADA. Configurada a hipótese de sonegação prevista na lei, deve-se qualificar a multa, em razão de ser o lançamento atividade plenamente vinculada. Ocultar a conta bancária na declaração de ajuste anual, omitir os rendimentos que nela transitaram e a não revelar os reais depositantes constituem ações para impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento, pela Autoridade-Fiscal, dos fatos geradores de tributos. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. CONTA CONJUNTA. COTITULARES. Se conjunta a conta bancária em que foram realizados depósitos de origem não comprovada, deverão ser feitos os lançamentos tributários em desfavor de cada cotitular, em proporções iguais, quando apresentem declaração de ajuste em separado. A alegação de que os recursos pertenciam a apenas um dos titulares não afasta a obrigação de constituir os créditos tributários na forma da lei.
Numero da decisão: 2301-005.310
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior - Presidente. (assinado digitalmente) João Maurício Vital - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Antonio Sávio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Junior (Presidente).
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL

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2301­005.310  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  5 de junho de 2018  Matéria  IRPF ­ OMISSÃO DE RENDIMENTOS  Recorrente  EDYR CORDEIRO DE PAULA SILVA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2003  NULIDADES NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRAZO DO  MPF.  Estando  presentes  todos  os  requisitos  do  lançamento  e  não  se  verificando  quaisquer das causas do artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há falar  em nulidade. O MPF é instrumento administrativo que não modifica o prazo  para a constituição do crédito tributário previsto na legislação.  OMISSÃO  DE  RECEITA.  DEPÓSITOS  DE  ORIGEM  NÃO  COMPROVADA.  COMPROVAÇÃO. ALEGAÇÕES DESPROVIDAS DE  DOCUMENTOS. DINHEIRO EM CAIXA.   A comprovação hábil a elidir a presunção legal de omissão de receita em face  de  depósitos  de  origem  não  comprovada  se  dá  com  a  apresentação  de  documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, com os créditos  bancários. Alegações desprovidas de provas não afastam a presunção da lei.  A existência de saldo de dinheiro em espécie no início do ano­calendário não  é suficiente para a comprovação da origem dos créditos bancários. Sendo, a  presunção,  relativa,  cabe  ao  contribuinte,  e  não  ao  Fisco,  fazer  prova  da  regularidade dos depósitos.  RETIFICAÇÃO  DE  DECLARAÇÃO  EXTEMPORÂNEA.  ESPONTANEIDADE.  O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo. A  retificação de declaração extemporânea, sob vigência da ação fiscal, não surte  qualquer efeito no lançamento de ofício.  REQUISIÇÃO  DE  INFORMAÇÕES  SOBRE  MOVIMENTAÇÃO  FINANCIEIRA  (RMF).  NECESSIDADE  DE  PRÉVIA  INTIMAÇÃO.  INEXIGÊNCIA  DE  ATENDIMENTO  A  PRÉVIA  INTIMAÇÃO.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 72 03 67 /2 00 7- 65 Fl. 660DF CARF MF     2 POSSIBILIDADE DE EMISSÃO DE RMF MESMO SEM A RECUSA DE  ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO.  A  emissão  de  Requisição  de  Informações  sobre  Movimentação  Financeira  (RMF)  requer  prévia  intimação  do  contribuinte.  A  lei  não  condiciona  a  emissão de RMF à falta de atendimento da intimação previamente ocorrida.  QUALIFICAÇÃO  DA  MULTA  DE  OFÍCIO.  SONEGAÇÃO.  LANÇAMENTO. ATIVIDADE VINCULADA.  Configurada  a  hipótese  de  sonegação  prevista  na  lei,  deve­se  qualificar  a  multa, em razão de ser o lançamento atividade plenamente vinculada. Ocultar  a  conta  bancária  na  declaração  de  ajuste  anual,  omitir  os  rendimentos  que  nela transitaram e a não revelar os  reais depositantes constituem ações para  impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento, pela Autoridade­ Fiscal, dos fatos geradores de tributos.  OMISSÃO  DE  RECEITA.  DEPÓSITOS  DE  ORIGEM  NÃO  COMPROVADA. CONTA CONJUNTA. COTITULARES.  Se  conjunta  a  conta bancária  em que  foram  realizados depósitos de origem  não comprovada, deverão  ser  feitos os  lançamentos  tributários  em desfavor  de  cada  cotitular,  em  proporções  iguais,  quando  apresentem  declaração  de  ajuste em separado. A alegação de que os recursos pertenciam a apenas um  dos  titulares  não  afasta  a  obrigação  de  constituir  os  créditos  tributários  na  forma da lei.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  rejeitar  a  preliminar,  e,  no  mérito,  negar  provimento  ao  recurso  voluntário,  nos  termos  do  voto  do  relator.  (assinado digitalmente)  João Bellini Júnior ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  João Maurício Vital ­ Relator.  Participaram da sessão de  julgamento os conselheiros:  João Mauricio Vital,  Wesley  Rocha,  Antonio  Sávio  Nastureles,  Juliana  Marteli  Fais  Feriato,  Marcelo  Freitas  de  Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Junior (Presidente).  Relatório  Trata­se de auto de infração (e­fls. 8 a 15), cuja ciência se deu em 24/12/2007  (e­fl.  478),  para  constituição  de  crédito  tributário  de  IRPF,  relativo  ao  exercício  de  2003,  resultante  de  omissão  de  receita  caracterizada  por  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada. Os fatos que motivaram o lançamento estão explicados no Termo de Verificação  Fiscal (e­fls. 16 a 37).  Fl. 661DF CARF MF Processo nº 10630.720367/2007­65  Acórdão n.º 2301­005.310  S2­C3T1  Fl. 661          3 O Recorrente apresentou impugnação (e­fls. 481 a 506), em que alegou, em  síntese:  a)  a  nulidade  do  auto  de  infração  por  excesso  de  prazo  para  execução  da  fiscalização;  b)  que foram comprovadas as origem dos  recursos movimentados, que não  houve  comprovação  da  omissão  da  renda  tributável  e  que  não  teriam  ocorrido os fatos geradores;  c)   que a retificação da declaração corrigiu erro de fato e, portanto, elidiu o  lançamento;  d)  a ilegalidade da quebra do sigilo bancário, pois não teria havido recusa do  contribuinte em prestar as informações, e irregularidade na Requisição de  Movimentação Financeira (RMF), por falta de assinatura do banco;  f)  que  os  Auditores­Fiscais  deveriam  provar  que  a  escrita  fiscal  do  contribuinte  e da  empresa Koisas Geladas não correspondia  à  realidade,  razão pela qual se deveria anular o lançamento ou, pelo menos, aplicar­se  o inc. II do art. 112 do CTN, que estabelece a interpretação da legislação  tributária de modo mais favorável ao contribuinte;  h)  que  o  Fisco  teria  deixado  de  intimar  o  contribuinte  para  esclarecer  as  divergências em sua declaração;  i)  que não haveria justificativa para a qualificação da multa de ofício;  j)  que  os  recursos  movimentados  na  conta  eram  exclusivamente  do  Recorrente  e,  portanto,  não  caberia  a  repartição  do  lançamento,  sendo  50% para cada cotitular.  A DRJ de origem apreciou o apelo e, por meio do Acórdão 09­19.410 (e­fls.  593 a 612), manteve o lançamento.   Foi  interposto  recurso voluntário  (e­fls. 616 a 631) em que as alegações da  impugnação foram repisadas.  Este  colegiado  baixou  o  processo  em  diligência  para  se  certificar  se  a  cotitular da conta conjunta  também havia  sido  regularmente  intimada. O processo  retornou a  julgamento com a providência cumprida, nos termos da informação fiscal juntada pela unidade  preparadora (e­fl. 646)  É o relatório.  Voto             Conselheiro João Maurício Vital ­ Relator  O recurso é tempestivo e dele conheço.  Fl. 662DF CARF MF     4 1  Do resultado da diligência  Inicialmente,  ressalta  esclarecer  que,  em  razão  da  diligência  solicitada  por  esta  turma, a unidade preparadora  juntou  informação fiscal  (e­fl. 646) na qual afirmou que a  intimação  da  cotitular  ocorreu  e  está  nos  autos  do Processo  nº  10630.720366/2007­11,  onde  também se encontra o lançamento em desfavor da cotitular, à razão de cinquenta por cento dos  depósitos não justificados.   De fato, compulsando este processo e o processo da cotitular, constata­se que  o Recorrente foi regularmente intimado (e­fls. 84 a 86) a comprovar, mediante documentação  hábil  e  idônea,  coincidente  em  datas  e  valores,  a  origem  dos  recursos  depositados  na  conta  corrente nº 83.062­3 da agência nº 0166­X do Banco do Brasil S/A. Intimação com o mesmo  teor foi encaminhada à cotitular e consta do Processo nº 10630.720366/2007­11 (e­fl. 29 e 30  daquele  processo).  Em  ambas  as  intimações,  a  conta  bancária  e  a  relação  de  depósitos  a  justificar são idênticas.  Superada  a  questão  imposta  pela  Súmula  Carf  nº  29,  que  motivou  a  diligência, resta a análise do recurso voluntário.  2  Da preliminar de nulidade   2.1  DO EXCESSO DE PRAZO PARA A CONCLUSÃO DA FISCALIZAÇÃO  Alega,  o  Recorrente,  que  por  excesso  de  prazo  para  conclusão  da  fiscalização, o lançamento seria nulo.  As nulidades no processo administrativo fiscal são as que contam do art. 59  do Decreto n 70.235, de 6 de março de 1972, e se resumem a apenas duas hipóteses: 1) termos  e  atos  lavrados  por  autoridade  incompetente  e  2)  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.  O Recorrente limitou­se a alegar que o prazo previsto para vigência do MPF  teria se expirado, mas não demonstrou a pratica de ato por pessoa incompetente ou a preterição  do direito de defesa. Não vejo, pois, qualquer das hipóteses de nulidade que  tenha viciado o  lançamento.  Ademais, como já decidido por esta turma inúmeras vezes, o MPF é apenas  um  instrumento  de  controle  administrativo,  que  também  permite  ao  contribuinte  fiscalizado  certificar­se  se  a  ação  fiscal  em  curso  foi  regularmente  instaurada,  bem  como  identificar  as  Autoridades Fiscais responsáveis pela condução do inquérito fiscal. Eventuais  irregularidades  no MPF, que no caso sequer foram demonstradas, não maculariam o lançamento.  O  lançamento,  enquanto  atividade  plenamente  vinculada,  não  decorre  do  MPF, mas da lei. Invoco o Acórdão nº 9303­003.876, da Câmara Superior de Recursos Fiscais,  que bem ilustra o entendimento predominante no Carf sobre a matéria:  PROCEDIMENTO  FISCAL.  FALTA  DE  MANDADO  DE  PROCEDIMENTO  FISCAL.  INEXISTÊNCIA  DE  NULIDADE  DO LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal visa o  controle administrativo das ações  fiscais da RFB, não podendo  afastar a  vinculação da autoridade  tributária à Lei,  nos  exatos  termos  do  art.  142  do  CTN,  sob  pena  de  responsabilização  funcional.  O  Auditor  Fiscal  da  Receita  Federal  do  Brasil,  no  pleno gozo de suas funções, detém competência exclusiva para o  Fl. 663DF CARF MF Processo nº 10630.720367/2007­65  Acórdão n.º 2301­005.310  S2­C3T1  Fl. 662          5 lançamento,  não  podendo  se  esquivar  do  cumprimento  do  seu  dever  funcional  em  função  de  portaria  administrativa  e  em  detrimento das determinações superiores estabelecidas no CTN,  por  isso  que  a  inexistência  de  MPF  não  implica  nulidade  do  lançamento.  Por  fim,  o  prazo  para  a  constituição  do  crédito  tributário  está  definido  nos  arts.  150,  §4º,  e  173  do  CTN,  e  não  na  legislação  que  regula  o Mandado  de  Procedimento  Fiscal.  Denego, pois, o pedido de nulidade por excesso de prazo.  3  Do mérito  3.1  DA  COMPROVAÇÃO  DA  ORIGEM  DOS  RECURSOS  MOVIMENTADOS, DA  COMPROVAÇÃO  DA  OMISSÃO DA RENDA TRIBUTÁVEL E DA OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES  O  Recorrente  alega  haver  comprovado  os  recursos  movimentados  em  sua  conta corrente. Porém, não se vê nos autos qualquer comprovação idônea, consistente em datas  e valores, dos depósitos considerados no lançamento. Destaca­se o seguinte trecho do acórdão  recorrido:  Note­se  que,  durante  todo  o  procedimento  de  fiscalização,  solicitou­se  comprovação  da  origem  dos  recursos  depositados  nas contas bancárias do  interessado. Porém, o  interessado não  apresentou  qualquer  documentação  comprobatória  capaz  de  afastar a autuação, a despeito de ter sido intimado varias vezes e  afirmar que efetuava compra e venda de veículos e de que houve  distribuição  de  lucros  da  empresa  Koisas  Geladas.  (Grifo  do  original.)  Quando intimado (e­fl. 85), em 15/12/2005, a justificar os depósitos em sua  conta corrente, o Recorrente apenas alegou (e­fls. 95 e 96) que os recursos depositados teriam  sido  oriundos  de  negócios  de  compra  e  venda  de  veículos,  mas  não  apresentou  qualquer  documento  a  sustentar  suas  alegações.  Disse  também  que  os  créditos  eram  resultantes  de  depósitos que ele próprio fazia em suas contas para ostentar elevado saldo bancário, a fim de  lastrear  suas  transações  comerciais. Para  isso,  teria,  em 2001, valores  em caixa provenientes  majoritariamente da distribuição de lucros da empresa Koisas Geladas Ltda.  Intimado,  então,  a  apresentar  os  documentos  das  operações  comerciais  de  compra e venda de veículos e a relação dos compradores e vendedores, o Recorrente disse não  possuir tais informações e documentos (e­fls. 456).   Destaque­se  que  a  Autoridade  Fiscal  identificou,  a  partir  das  informações  fornecidas  pelo  banco,  que  a maior  parte  dos  créditos  na  conta  do Recorrente  provieram  de  poucos  remetentes,  situados  fora  da  praça  do  Recorrente,  e  foram  feitos  por  transferência  bancária. Esse fato contradiz a alegação de que os créditos seriam resultantes de seus negócios  de compra e venda de veículos e de que teriam sido oriundos de depósitos próprios em dinheiro  para robustecer o saldo bancário.  Fl. 664DF CARF MF     6 Em  casos  como  o  dos  autos,  a  Lei1  determina  que  os  depósitos  não  justificados  sejam  considerados  omissão  de  rendimentos  e,  portanto,  devem  ser  tributados.  Caberia ao contribuinte afastar a presunção legal, mediante a apresentação de provas idôneas,  comprovando a origem dos depósitos, mas isso não sucedeu. Aplica­se, pois, o teor da Súmula  Carf  nº  26,  que  dispensa  o  Fisco  de  comprovar  o  consumo  da  renda  representada  pelos  depósitos bancários sem origem comprovada.  Segundo o  §1º  do  art.  42  da Lei  nº  9.430,  de  27  de dezembro  de  1996,  os  fatos geradores presumidos ocorrem no mês do crédito efetuado pela instituição financeira.  Portanto, não podem prosperar as alegações de existência de comprovação da  origem dos  recursos, pois esta providência não caberia ao Fisco, bem como não se admite a  alegação  de  inocorrência  dos  fatos  geradores  e  de  inexistência  de  omissão  de  rendimentos,  porque decorrem de presunção legal.  3.2  DA RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO  O Recorrente alega que não houve omissão de receita, mas apenas um erro de  preenchimento  de  declaração  e  que,  com  a  retificação  do  documento,  estaria  sanada  a  irregularidade.  Preliminarmente,  destaca­se  que  a  ação  fiscal  teve  início  em 25/08/2005(e­ fls. 43 e 44) e a apresentação da declaração retificadora ocorreu somente em 13/02/2006 (e­fl.  103),  quando  o  contribuinte  já  não  poderia  mais  alterar  espontaneamente  as  informações  prestadas, por força do que estabelece o §1º do art. 7º do Decreto nº 70.235, de 1972.  O  fato  de  a  retificadora  ser  apresentada  eletronicamente  e  seguir  seu  processamento  usual  não  modifica  o  resultado  do  lançamento  de  ofício  porquanto  são  modalidades totalmente distintas de constituição do crédito tributário. Ao retificar a declaração,  os  valores  informados  pelo  contribuinte  dão  azo  à  constituição  de  créditos  tributários  por  homologação.   A  declaração  retificadora,  pois,  não  tem  qualquer  efeito  para  afastar  o  lançamento de ofício, se apresentada após o início da ação fiscal.  3.3  DA ILEGALIDADE DA QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO E DA IRREGULARIDADE NA RMF  O Recorrente alega que a requisição de informações diretamente à instituição  financeira, mediante Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), teria  sido irregular, pois não teria havido recusa do contribuinte em prestá­las, quando intimado.  Ele sustenta que a melhor interpretação do §2º do art. 3º e 4º do Decreto nº  3.724, de 10 de janeiro de 2001, induz a necessidade da recusa do sujeito passivo para motivar  o requerimento, pela Autoridade Fiscal, diretamente ao banco:  De pronto  já  se verifica que o Recorrente parte  da  equivocada premissa de  que  a  requisição  diretamente  à  instituição  financeira  somente  poderia  ocorrer  se  não  fossem                                                              1 Lei 9.430/96:  Art. 42. Caracterizam­se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito  ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica,  regularmente  intimado, não comprove, mediante documentação hábil e  idônea, a origem dos recursos utilizados  nessas operações.    Fl. 665DF CARF MF Processo nº 10630.720367/2007­65  Acórdão n.º 2301­005.310  S2­C3T1  Fl. 663          7 atendidas as intimações feitas ao contribuinte. Não é essa a interpretação correta do dispositivo  regulamentar, como se vê:  Art. 2º .............................................................................................  §5oA Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio de  servidor  ocupante  do  cargo  de  Auditor­Fiscal  da  Receita  Federal  do  Brasil,  somente  poderá  examinar  informações  relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros  de  instituições  financeiras  e  de  entidades  a  elas  equiparadas,  inclusive  os  referentes  a  contas  de  depósitos  e  de  aplicações  financeiras,  quando  houver  procedimento  de  fiscalização  em  curso  e  tais  exames  forem  considerados  indispensáveis.  (Redação dada pelo Decreto nº 6.104, de 2007).  .........................................................................................................  Art.3oOs  exames  referidos  no  §  5o  do  art.  2o  somente  serão  considerados indispensáveis nas seguintes hipóteses:  .........................................................................................................  XI­presença  de  indício  de  que  o  titular  de  direito  é  interposta  pessoa do titular de fato.  §2oConsidera­se indício de  interposição de pessoa, para os fins  do inciso XI deste artigo, quando:   I­as  informações  disponíveis,  relativas  ao  sujeito  passivo,  indicarem movimentação financeira superior a dez vezes a renda  disponível  declarada  ou,  na  ausência  de Declaração  de  Ajuste  Anual do Imposto de Renda, o montante anual da movimentação  for superior ao estabelecido no inciso II do §3o do art. 42 da Lei  no 9.430, de 1996;  .........................................................................................................  Art.  4º Poderão  requisitar  as  informações  referidas no  §  5º do  art.  2º  as  autoridades  competentes  para  expedir  o  TDPF.  (Redação dada pelo Decreto nº 8.303, de 2014)   §1oA requisição referida neste artigo será formalizada mediante  documento  denominado  Requisição  de  Informações  sobre  Movimentação  Financeira  (RMF)  e  será  dirigida,  conforme  o  caso, ao:  Analisando  as  regras  regulamentares  para  obtenção  de  informações  financeiras, percebe­se que não é cabível a tese sustentada pelo Recorrente. É certo que, antes  da emissão da RMF, o contribuinte deve ser intimado, sob pena de nulidade do procedimento.  Mas isso não vale dizer que a emissão da RMF só se justifica quando e se o contribuinte não  atender  integralmente  a  intimação,  senão  não  teria  finalidade  o  disposto  §4º  do  citado  regulamento, que prevê o cotejo das informações prestadas pelo contribuinte e aquelas obtidas  das instituições financeiras:  §4oAs  informações  prestadas  pelo  sujeito  passivo  poderão  ser  objeto  de  verificação  nas  instituições  de  que  trata  o  art.  1o,  Fl. 666DF CARF MF     8 inclusive  por  intermédio  do  Banco  Central  do  Brasil  ou  da  Comissão  de  Valores  Mobiliários,  bem  assim  de  cotejo  com  outras  informações  disponíveis  na  Secretaria  da  Receita  Federal.  No  presente  caso,  o  Recorrente  foi  intimado,  em  15/12/2005  (e­fl.  85),  apresentou resposta à intimação em 13/02/2006 (e­fl. 95) e a RMF foi expedida em 24/02/2006  (e­fl.  171).  Portanto,  o  requisito  regulamentar  de  prévia  intimação  do  contribuinte  foi  cumprido.  A propósito, ainda convém citar a justificativa da Autoridade Lançadora para  obter as informações diretamente da instituição financeira:  15.  Decorrido  o  prazo  de  4  (quatro)  meses  sem  que  o  contribuinte  providenciasse  a  entrega  do  restante  da  documentação  exigida  pela  fiscalização,  relativamente  à  apresentação  de  documentação  hábil  e  idônea,  sobre  a  origem  dos recursos depositados na conta bancária, e, também, de parte  significativa  de  cópias  frente  e  verso  dos  cheques  de  sua  titularidade  emitidos  durante  o  ano  de  2002,  foi  solicitada  a  Emissão  de  Requisição  de  Informação  sobre  a  Movimentação  Financeira (RMF) para aprofundamento da ação fiscal.  26.  Desta  forma,  a  recusa  da  contribuinte  sob  fiscalização  em  atender de  forma completa ao Termo de  Inicio de Fiscalização  reiterado  nas  intimações,  com  relação  ao  fornecimento  de  documentos bancários e comprovação da origem dos recursos,  ficou  devidamente  enquadrada  dentro  das  hipóteses  previstas  pelo  art.  33  da  Lei  9.430/96,  satisfazendo  a  condição  de  indispensabilidade prevista no art. 3° do Decreto n° 3.724/2001,  razão pela qual o fisco federal emitiu 24/02/2006, a Requisição  de  Informações  sobre  Movimentação  Financeira  ­  RMF  n°  06103.00­2006­00006­6 para o Banco do Brasil S/A, solicitando  a apresentação de diversos documentos (fls. 152 a 157).  A  condição  prevista  no  regulamento  para  a  emissão  da RMF  foi  satisfeita,  qual seja, a recusa do contribuinte em apresentar a documentação bancária de forma integral.  Tanto o é que, ao se confrontar os documentos juntados pelo contribuinte (e­fls. 104 a 159) e  os  que  foram  obtidos  por  RMF  (e­fls.  177  a  384),  facilmente  se  constata  que  muitos  deles  foram  omitidos  pelo  sujeito  passivo.  Aliás,  somente  a  partir  das  informações  encaminhadas  pelo banco é que se pode identificar a maior parte dos depositantes.   Assim como apontado pela Autoridade Lançadora,  também vejo presente o  requisito do inc. VII do art. 3º do Decreto nº 6.724, de 1996, que justifica a emissão da RMS.  Mas enxergo, ainda, a hipótese do inc. XI, combinado com o inc. I do §2º do art. 3º do mesmo  regulamento,  que  aponta  para  a  existência  de  indício  de  interposição  de  pessoas,  igualmente  justificador  de  RMF,  pois  o  contribuinte  havia  declarado  rendimentos  tributáveis  de  R$  18.500,00 enquanto ostentou movimentação financeira de mais de um milhão de reais.  Registre­se  que  a  falta  de  assinatura  da  instituição  financeira  na RMF  não  invalida a requisição, até porque normalmente o documento é encaminhado por via postal. O  mesmo  se diz da comprovação do envio das  informações pela  instituição  requerida. A única  finalidade  dessas  comprovações  é  estabelecer  o  termo  em  caso  de  descumprimento  da  obrigação  acessória  pelo  requerido.  Não  consigo  vislumbrar  qualquer  prejuízo  à  defesa  porquanto  os  documentos  acostados  aos  autos  sempre  estiveram  à  disposição  para  serem  contestados.  Fl. 667DF CARF MF Processo nº 10630.720367/2007­65  Acórdão n.º 2301­005.310  S2­C3T1  Fl. 664          9 3.4  DA COMPROVAÇÃO DE LUCROS RECEBIDOS DA EMPRESA KOISAS GELADAS   O Recorrente sustentou que possuía R$ 350.000,00 em espécie em 2001 (e­fl.  95), dos quais R$ 316.051,00 provieram da empresa Koisas Geladas Ltda (e­fl. 50), sendo R$  306.000,00 de lucros distribuídos e R$ 10.051,00 de rendimentos tributáveis. Para comprovar,  apresentou Informe de Rendimentos (e­fl. 80) e DAS ­ Simples, ano­calendário de 2001, (e­fls.  460  a  464).  Alegou  também  que  a  origem  dos  depósitos  em  sua  conta  corrente  seriam  as  sucessiva entradas e saídas desse recurso que ele mesmo promovia, de forma a exibir vultoso  saldo bancário e, com isso, obter credibilidade em suas transações comerciais com veículos.   Intimado a comprovar o efetivo recebimento dos valores da empresa . Koisas  Geladas  Ltda.,  o  Recorrente  limitou­se  a  dizer  que  a  contabilidade  da  empresa  é  prova  suficiente  (e­fls.  472  e  473)  e  que  caberia  à Autoridade Lançadora  comprovar  que  a  escrita  fiscal  da  empresa  Koisas  Geladas  Ltda  não  correspondia  à  verdade  e,  não  o  tendo  feito,  o  lançamento deveria ser julgado improcedente.  Porém, consta dos autos observação (e­fl. 473) lavrada de próprio punho por  Auditor­Fiscal,  Matrícula  nº  10.996,  que  foi  apresentado  apenas  o  livro  Caixa,  no  qual  há  lançamentos mensais de antecipação de lucros para o Recorrente, mas não foram apresentados  documentos que indicassem a transferência dos valores.  Ainda  que  houvesse  comprovado  o  efetivo  recebimento  dos  valores  da  Koisas  Geladas  Ltda,  e  com  isso  a  existência  do  saldo  final  em  caixa  no  valor  de  R$  350.000,00,  isso não  seria  suficiente para  sustentar  a  tese de que os depósitos  realizados  em  2002 teriam tido origem nesses recursos. Para isso, teria que comprovar ter sido ele próprio o  depositante, mediante documentação hábil e idônea coincidente em datas e valores, como um  simples  recibo de depósito em dinheiro. Ao contrário,  a Fiscalização provou que os  recursos  tiveram origem em diferentes  fontes  (e­fls.  26  e  27),  com destaque para  a  empresa Systems  News Comercial Ltda2.  Portanto,  não merece  acolhida  a  alegação  de  que  o  lançamento  deveria  ser  julgado improcedente porque não admitiu os valores recebidos de Koisas Geladas como fonte  dos recursos. Também não se aplica, em razão disso, o disposto no inc. II do art. 112 do CTN  porque não há dúvidas de que os valores recebidos, em tese, daquela empresa, em 2001, por si  só não justificariam os depósitos em conta corrente acontecidos em 2002.   3.5  O  FISCO  TERIA  DEIXADO  DE  INTIMAR  O  CONTRIBUINTE  PARA  ESCLARECER  AS  DIVERGÊNCIAS EM SUA DECLARAÇÃO   O Recorrente alega que, consoante o art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril  de 2002, o Auditor­Fiscal estaria obrigado a intimar, previamente, o contribuinte para explicar  o  erro  ou  omissão  em  sua  Declaração  de  Ajuste  Anual  de  Pessoa  Física.  Ao  descumprir  o  comando legal, o lançamento seria nulo.  Primeiramente, o dispositivo legal citado não se aplica ao caso porque não se  refere  à  Declaração  de  Ajuste  Anual  de  Pessoa  Física,  mas  a  Declaração  de  Informações  Econômico­Fiscais  da  Pessoa  Jurídica  ­ DIPJ, Declaração  de Débitos  e Créditos  Tributários                                                              2  Nos  procedimentos  de  circularização,  obteve­se  resposta  apenas  de  André  Medrado  Aroeira  e  Rubi  S/A  Comércio,  Indústria  e  Agricultura.  As  intimações  aos  demais  depositantes,  inclusive  aos  seus  sócios,  foram  devolvidas pelo serviço postal (e­fl. 28).   Fl. 668DF CARF MF     10 Federais  ­  DCTF,  Declaração  Simplificada  da  Pessoa  Jurídica,  Declaração  de  Imposto  de  Renda  Retido  na  Fonte  ­  DIRF  e  Demonstrativo  de  Apuração  de  Contribuições  Sociais  ­  Dacon.  Ademais,  aquela  norma  trata  do  lançamento  de  multas  pelo  descumprimento  de  obrigação acessória, o que não é o caso dos autos.  Destaque­se que o procedimento fiscal é  inquisitório,  inaugurando­se a  fase  contraditória após a conclusão do lançamento, por ocasião da impugnação (art. 14 do Decreto  nº  70.235,  de  19723).  No  caso,  o  auto  de  infração  observou  todos  os  requisitos  processuais  exigidos (arts. 7º, inc. I, e 10 do Decreto nº 70.235, de 19724).  Não assiste, pois, qualquer razão ao Recorrente nesta matéria.  3.6  DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO  A  Autoridade  Lançadora  justificou  a  qualificação  da  multa  de  ofício  por  entender  estar  presente  a  sonegação  fiscal,  nos  termos  do  art.  71  da  Lei  nº  4.502,  de  30  de  novembro de 19645, o que atrairia o disposto no §1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 19966.  A DRJ manteve a qualificação da multa pelos seguintes fundamentos:  Indubitavelmente, a prática do contribuinte de omitir rendas teve  o  propósito  deliberado  de  impedir  ou  retardar,  total  ou  parcialmente,  o  conhecimento,  por  parte  da  autoridade  fazendária, da ocorrência do fato gerador do imposto de renda,  assim como das suas condições pessoais, suscetíveis de afetar a  obrigação  tributária  principal  ou  o  crédito  tributário  correspondente.   Observando o caso em concreto, como bem decidido pela DRJ de origem, eu  também percebo a deliberada intenção de ocultar ou retardar o conhecimento, pelo Fisco, dos  rendimentos tributáveis auferidos em 2002.  Observe­se  que  o  Recorrente  apresentou,  naquele  exercício,  declaração  na  modalidade simplificada, oferecendo à tributação apenas R$ 18.500,00 (e­fls. 47 a 49), mas em                                                              3 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento.  4 Art. 7º O procedimento fiscal tem início com:  I ­ o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação  tributária ou seu preposto;  Art.  10.  O  auto  de  infração  será  lavrado  por  servidor  competente,  no  local  da  verificação  da  falta,  e  conterá  obrigatoriamente:  I ­ a qualificação do autuado;  II ­ o local, a data e a hora da lavratura;  III ­ a descrição do fato;  IV ­ a disposição legal infringida e a penalidade aplicável;  V ­ a determinação da exigência e a intimação para cumpri­la ou impugná­la no prazo de trinta dias;  VI ­ a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.  5  Art  .  71.  Sonegação  é  tôda  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir  ou  retardar,  total  ou  parcialmente,  o  conhecimento por parte da autoridade fazendária:   I ­ da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais;  II  ­  das  condições  pessoais  de  contribuinte,  suscetíveis  de  afetar  a  obrigação  tributária  principal  ou  o  crédito  tributário correspondente.  6 Art. 44.  Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:   I  ­ de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a  totalidade ou diferença de  imposto ou contribuição nos casos de  falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;  § 1o  O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos  arts.  71,  72  e  73  da  Lei  no  4.502,  de  30  de  novembro  de  1964,  independentemente  de  outras  penalidades  administrativas ou criminais cabíveis.     Fl. 669DF CARF MF Processo nº 10630.720367/2007­65  Acórdão n.º 2301­005.310  S2­C3T1  Fl. 665          11 sua  conta  bancária  conjunta  haviam  circulado  R$  1.828.158,72  (e­fl.  26).  O  indício  mais  relevante da intenção de ocultar os fatos geradores, ao meu ver, está no fato de o Recorrente  não ter informado, na Declaração de Bens e Direitos (e­fl. 48), a existência da conta bancária,  que só foi descoberta pelo Fisco em razão do cruzamento de informações com dados da CPMF.   E  mais!  Confrontado  com  a  movimentação  financeira  na  conta  conjunta  mantida com Vera Lúcia de Oliveira, o Recorrente informou que o recurso era todo seu, mas  que teria tido origem em negócios com veículos. Intimado, não apresentou nenhum documento  ou evidência de que, de fato, era comerciante de veículos.   Também  alegou  que  os  créditos  em  sua  conta  teriam  tido  origem  em  na  alternância  entre  depósitos  e  saques  em  dinheiro  dos  valores  que  mantinha  em  espécie,  provenientes majoritariamente da distribuição de lucros da empresa Koisas Geladas Ltda. Mas  as informações obtidas da instituição financeira provam que os créditos na conta provieram de  transferências de diversas pessoas e empresas, e não de depósitos em dinheiro.  Em  resumo,  o  Recorrente  dificultou  o  conhecimento  dos  fatos  geradores  porque  omitiu  a  existência  da  conta  bancária  em  sua  declaração  e,  ainda,  ocultou  os  rendimentos que por ela  transitaram no ano­calendário. Ora, parece­me  inconteste a  intenção  de esconder os fatos geradores relacionados àquela conta.   Presente a hipótese do 71 da Lei nº 4.502, de 1964, forçosa é a aplicação do  §1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que determina a qualificação da multa, em razão de ser  o lançamento atividade plenamente vinculada.  3.7  DO LANÇAMENTO REPARTIDO ENTRE OS COTITULARES  A despeito da alegação do Recorrente de que os recursos transitados na conta  bancária lhe pertenciam integralmente, aplicou­se, ao caso, o §6º do art. 42 da Lei nº 9.430, de  1996:  §  6oNa  hipótese  de  contas  de  depósito  ou  de  investimento  mantidas  em  conjunto,  cuja  declaração  de  rendimentos  ou  de  informações  dos  titulares  tenham  sido  apresentadas  em  separado, e não havendo comprovação da origem dos  recursos  nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será  imputado  a  cada  titular  mediante  divisão  entre  o  total  dos  rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.  Portanto,  havendo  dois  cotitulares,  o  lançamento  considerou  a  metade  dos  rendimentos ocultados para cada um, sendo que o débito da outra cotitular consta do Processo  nº 10630.720366/2007­11.  Conclusões  Voto  por  conhecer  do  recurso,  afastar  a  preliminar  arguida  e,  no  mérito,  NEGAR­LHE PROVIMENTO.  (assinado digitalmente)  João Maurício Vital ­ Relator  Fl. 670DF CARF MF     12                               Fl. 671DF CARF MF

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Numero do processo: 10580.911850/2009-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 DCOMP. PAGAMENTO DE ESTIMATIVA MENSAL. ERRO DE FATO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O ônus probatório do fato constitutivo do direito creditório pleiteado em DCOMP contra a Fazenda Nacional é do autor do pedido. Não restando comprovado pela contribuinte, nesta instância recursal ordinária, o alegado erro de fato, - que teria implicado equívoco na apuração da base de cálculo, pagamento e confissão de débito a maior ou indevido em DCTF -, resta afastada a aplicação da Súmula CARF nº 84 pela preclusão da faculdade processual de produção de prova nesse sentido. Entretanto, em face da alegação nas razões do recurso de existência de saldo negativo, cabe afastar o óbice do pedido na DCOMP de restituição de estimativa mensal, e determinar a devolução do autos à unidade de origem da RFB para analisar a formação do crédito a título de saldo negativo do respectivo ano-calendário quanto à exação fiscal indicada como supostamente recolhida a maior; que se apure, se na data de transmissão da DCOMP, havia saldo negativo e se atendia aos requisitos de certeza, liquidez e caso ainda disponível.
Numero da decisão: 1301-002.991
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o óbice (pedido de devolução de estimativa mensal na DCOMP) e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o pedido do direito creditório da contribuinte a título de saldo negativo levando em consideração todas as estimativas pagas no respectivo ano-calendário, retomando a partir daí o rito processual habitual, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Roberto Silva Junior que votou por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Junior, Angelo Abrantes Nunes (Suplente Convocado), Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Nelso Kichel, Jose Eduardo Dornelas Souza e Leonam Rocha de Medeiros (Suplente Convocado). Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO

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1301­002.991  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  12 de abril de 2018  Matéria  COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. PER/DCOMP  Recorrente  MEDYCAMENTHA PRODUTOS ONCOLÓGICOS E HOSPITALARES  LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2006  DCOMP. PAGAMENTO DE ESTIMATIVA MENSAL. ERRO DE FATO.  FALTA DE COMPROVAÇÃO.   O  ônus  probatório  do  fato  constitutivo  do  direito  creditório  pleiteado  em  DCOMP contra a Fazenda Nacional é do autor do pedido.  Não  restando  comprovado  pela  contribuinte,  nesta  instância  recursal  ordinária, o alegado erro de fato, ­ que teria implicado equívoco na apuração  da base de cálculo, pagamento e confissão de débito a maior ou indevido em  DCTF ­, resta afastada a aplicação da Súmula CARF nº 84 pela preclusão da  faculdade processual de produção de prova nesse sentido. Entretanto, em face  da  alegação  nas  razões  do  recurso  de  existência  de  saldo  negativo,  cabe  afastar o óbice do pedido na DCOMP de restituição de estimativa mensal, e  determinar a devolução do autos à unidade de origem da RFB para analisar a  formação do crédito a  título de saldo negativo do respectivo ano­calendário  quanto à exação fiscal indicada como supostamente recolhida a maior; que se  apure,  se  na  data  de  transmissão  da  DCOMP,  havia  saldo  negativo  e  se  atendia aos requisitos de certeza, liquidez e caso ainda disponível.        Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os membros  do  colegiado,  por maioria  de  votos,  dar  provimento  parcial ao recurso voluntário para afastar o óbice (pedido de devolução de estimativa mensal na  DCOMP) e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o pedido do  direito creditório da contribuinte a  título de saldo negativo levando em consideração todas as  estimativas  pagas  no  respectivo  ano­calendário,  retomando  a  partir  daí  o  rito  processual     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 91 18 50 /2 00 9- 51 Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10580.911850/2009­51  Acórdão n.º 1301­002.991  S1­C3T1  Fl. 3          2 habitual, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Roberto Silva Junior que votou  por negar provimento ao recurso voluntário.     (assinado digitalmente)  Fernando Brasil de Oliveira Pinto ­ Presidente e Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros:  Fernando  Brasil  de  Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Junior, Angelo Abrantes Nunes (Suplente Convocado),  Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos  Paulo  Leme Brisola Caseiro, Nelso Kichel,  Jose  Eduardo  Dornelas  Souza  e  Leonam  Rocha  de  Medeiros  (Suplente  Convocado).  Ausente  justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.    Relatório  Nesta  instância  recursal  ordinária,  a  contribuinte  apresentou  Recurso  Voluntário em face do Acórdão da DRJ/São Paulo I (4ª Turma) que julgara a Manifestação de  Inconformidade  improcedente,  ao manter  o Despacho Decisório  eletrônico  da DRF/Salvador  que não homologara a compensação tributária por inexistência do direito creditório pleiteado.  Quanto aos fatos:  ­ a contribuinte informou em PER/DCOMP débito (s) para compensação com  crédito de pagamento indevido ou maior de estimativa mensal do IRPJ ou CSLL;  ­ o Despacho Decisório da DRF/Salvador denegou o crédito demandado, por  estar  inteiramente  consumido,  alocado  ao débito de  estimativa mensal  confessado na DCTF,  relativo ao respectivo período de apuração; que não há crédito disponível para ser utilizado na  compensação tributária informada.  Na  manifestação  de  inconformidade  apresentada  na  instância  a  quo,  a  contribuinte alegou:  ­ que cometera erro de fato quando da apuração da exação fiscal, efetuando  recolhimento a maior ou indevido;  ­ que, ainda, confessara o débito de estimativa, assim apurado, na DCTF do  respectivo período de apuração.  ­ que o crédito utilizado existe, decorreu de pagamento indevido ou a maior;  ­ que, portanto, efetuou corretamente a compensação tributária informada ao  fisco.  A  DRJ//São  Paulo  I  (4ª  Turma),  enfrentando  as  questões  suscitadas  pela  contribuinte, julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconheceu o direito  creditório demandado, pois:  Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10580.911850/2009­51  Acórdão n.º 1301­002.991  S1­C3T1  Fl. 4          3 a) os débitos informados pelo contribuinte em DCTF constituem confissão de  dívida;  b)  a  contribuinte  não  comprovou  nos  autos,  com  documentação  hábil  e  idônea, o alegado erro de fato na apuração do débito de estimativa mensal que teria implicado  pagamento indevido ou a maior e que, ainda, teria implicado confissão indevida ou a maior do  débito na DCTF;  c)  inexistência  de  direito  creditório  disponível,  totalmente  alocado,  consumido, pelo débito de estimativa confessado na DCTF do respectivo período de apuração.  Ciente  desse  decisum  e  irresignada,  a  contribuinte  apresentou  Recurso  Voluntário, argumentando:  ­ que o crédito pleiteado é flagrantemente legítimo e suficiente para lastrear a  compensação declarada;  ­ que o débito do imposto/contribuição foi recolhido e confessado na DCTF,  apurado por estimativa mensal;   ­  que,  entretanto,  encerrado  o  ano­calendário  em  tela,  restou  apurado  saldo  negativo do imposto e da CSLL com base em balancete de suspensão/redução, conforme DIPJ;  ­ que, portanto, faz jus ao crédito pleiteado e à homologação da compensação  declarada.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão nº  1301­002.990,  de  12/04/2018,  proferido  no  julgamento  do Processo nº  10580.911851/2009­ 04, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301­002.990):  "O  Recurso  Voluntário  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  pressupostos de admissibilidade; portanto, dele conheço.  Inexistindo  preliminar  a  ser  enfrentada,  passo  a  analisar  o  mérito da lide.  Conforme  relatado,  a  contribuinte  pleiteou  na DCOMP,  nestes  autos, o direito creditório que teria pago a maior ou indevido de  Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10580.911850/2009­51  Acórdão n.º 1301­002.991  S1­C3T1  Fl. 5          4 estimativa mensal  do  IRPJ  ou  CSLL,  porém  não  comprovou  o  alegado erro de fato para que:  a)  pudesse  justificar  o  reconhecimento  do  crédito  como  pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal, nos termos  da Súmula CARF nº 84;  b)  pudesse  justificar  a  revisão  do  débito  confessado na DCTF,  nos termos do art. 147,§§ 1º e 2º, do CTN.  Por isso, as decisões anteriores nestes autos denegaram o direito  creditório pleiteado, por estar alocado,  inteiramente consumido  pelo  débito  de  estimativa  mensal  confessado  na  DCTF  do  respectivo período de apuração.  Nesta  instância  recursal,  nas  razões  do  recurso  a  contribuinte  voltou a reiterar os mesmos argumentos deduzidos na instância a  quo e, novamente, não produziu prova do alegado erro de fato.  Porém,  alegou  nas  razões  do  recurso  a  existência  de  saldo  negativo.  Ora,  no  processo  de  compensação  tributária  a  contribuinte  é  autora do pedido de aproveitamento de suposto direito creditório  para encontro de contas com débitos confessados na DCOMP.  Como autora do pedido de crédito contra a Fazenda Nacional, a  contribuinte tem o ônus de provar, demonstrar nos autos, o fato  constitutivo do alegado direito de crédito.  Nesse sentido, transcrevo o disposto no art. 373, I, do novo CPC  (Lei  nº  13.105,  de  2015),  de  aplicação  subsidiária  nas  lides  tributárias federais, in verbis:  (...)  Art. 373. O ônus da prova incumbe:  I ­ ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito;  (...)  O  momento  para  produção  da  prova  é  por  ocasião  da  apresentação da manifestação de inconformidade na instância a  quo, conforme art. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72.  Ainda,  a  contribuinte  tem  que  comprovar  que  na  data  da  transmissão  da  DCOMP  o  crédito  utilizado  na  compensação,  sob  condição  resolutória,  atendia  ao  requisitos  de  liquidez  e  certeza (CTN, art. 170) e disponíbilidade.  Porém, tanto na instância a quo, quanto nesta instância recursal,  a  recorrente não se desincumbiu­se do seu ônus probatório, ou  seja, deixou de comprovar o alegado erro de fato.  Não  obstante,  em  face  do  princípio  da  verdade  material  e  do  formalismo  moderado  e  tendo  alegado  na  razões  do  recurso  existência de saldo negativo, entendo cabível se afastar o óbice  Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10580.911850/2009­51  Acórdão n.º 1301­002.991  S1­C3T1  Fl. 6          5 do  pedido  na  DCOMP  de  restituição  de  estimativa  mensal,  e  determinar a devolução do autos à unidade de origem da RFB  par analisar a formação do crédito a título de saldo negativo do  respectivo  ano­calendário,  para  que  se  apure,  se  na  data  de  transmissão da DCOMP, o saldo negativo atendia aos requisitos  de certeza, liquidez e caso ainda disponível.  Quanto  à  aplicação  da  Súmula  CARF  nº  84,  houve  preclusão  nestes autos da faculdade processual de fazer prova do alegado  erro  de  fato  que  pudesse  justificar  sua  aplicação  e  revisão  da  DCTF,  pois  a  contribuinte  não  se  desincumbiu  do  seu  ônus  probatório  de  provar  o  fato  constitutivo  do  direito alegado,  ou  seja, o alegado erro de fato.  Para repetição do saldo negativo não há que se falar em erro de  fato e/ou pagamento indevido e/ou confissão a maior ou indevida  em DCTF, mas apenas analisar a  formação do  saldo negativo,  ou seja, se o crédito preenchia os requisitos de liquidez e certeza  nos  termos  do  art.  170  do  CTN,  na  data  de  transmissão  da  DCOMP e ainda disponível.  Como  o  processo  demanda  instrução  complementar,  a  contribuinte  não  juntou  aos  autos  sequer  cópia  completa  da  DIPJ  respectiva,  pois  juntou  apenas  fragmento  da  Ficha  11  e  cópias  dos DARF  de  pagamentos,  não  juntou  os  balancetes  de  suspensão/redução  (Lei  8.981,  art.  35),  não  juntou aos  autos a  sua escrituração contábil e fiscal, entendo que:  ­  se  deve  afastar  o  óbice  (pedido  de  devolução  de  estimativa  mensal,  falta  de  comprovação  do  alegado  erro  de  fato),  pois  para restituição de saldo negativo não há que se falar em erro de  fato na apuração da base de cálculo, pagamento  indevido e ou  confissão  de  débito  a  maior  ou  indevido  em  DCTF,  basta  tão  somente  analisar  a  formação  do  saldo  negativo  do  ano­ calendário respectivo, se atendia  ­ doravante, nestes autos, faça ­se a análise do direito creditório  pleiteado como pedido de saldo negativo.  Diante do exposto, voto para dar provimento parcial ao recurso  para afastar o óbice (pedido de devolução de estimativa mensal  na  DCOMP)  e  determinar  o  retorno  dos  autos  à  unidade  de  origem  da  RFB,  no  caso  a  DRF/Salvador,  para  que  analise,  doravante, o pedido do direito creditório da contribuinte a título  de  saldo  negativo  (se  atendia,  na  data  de  transmissão  da  DCOMP,  os  requisitos  de  certeza  e  liquidez  e  se  ainda  disponível) e para tanto que proceda a intimação da contribuinte  a  fim  de  que  produza  as  provas  do  fato  constitutivo  do  direito  creditório  a  título  de  saldo  negativo  do  respectivo  ano­ calendário  quanto  à  exação  fiscal  indicada  como  recolhida  a  maior  (Decreto  nº  70.235,  arts.  15  e  16  e  CPC  ­  Lei  nº  13.105/2015, art. 373,I).  É como voto."  Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10580.911850/2009­51  Acórdão n.º 1301­002.991  S1­C3T1  Fl. 7          6 Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo  II, do RICARF, dou provimento  parcial ao recurso voluntário para afastar o óbice (pedido de devolução de estimativa mensal na  DCOMP) e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o pedido do  direito creditório da contribuinte a  título de saldo negativo levando em consideração todas as  estimativas  pagas  no  respectivo  ano­calendário,  retomando  a  partir  daí  o  rito  processual  habitual, nos termos do voto acima transcrito.  (assinado digitalmente)  Fernando Brasil de Oliveira Pinto                                Fl. 89DF CARF MF

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7335092 #
Numero do processo: 10675.901949/2014-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 25 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.471
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimaraes, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA

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1201­000.471  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  17 de maio de 2018  Assunto  Compensação  Recorrente  MÁRCIO MARIA MACEDO ADVOGADOS ­ ME  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento do recurso em diligência.  (assinado digitalmente)  Ester Marques Lins de Sousa ­ Presidente e Relatora   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Eva Maria  Los, Gisele  Barra  Bossa,  José  Carlos  de  Assis  Guimaraes,  Leonam  Rocha  de  Medeiros  (suplente  convocado),  Breno  do  Carmo  Moreira  Vieira  (suplente  convocado),  Eduardo  Morgado  Rodrigues  (suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de  Sousa.  Ausentes,  justificadamente,  os  conselheiros  Luis  Fabiano  Alves  Penteado,  Rafael  Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli.      Relatório   Trata o presente processo de Pedido de Restituição cujo crédito é decorrente de  pagamento a maior que o devido.  No  despacho  decisório  o  direito  creditório  não  foi  reconhecido  porque  o  pagamento  em  questão  fora  integralmente  utilizado  na  quitação  de  débito  devidamente  declarado.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 75 .9 01 94 9/ 20 14 -5 3 Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10675.901949/2014­53  Resolução nº  1201­000.471  S1­C2T1  Fl. 3          2 Foi protocolada manifestação de inconformidade em que foi alegado tratar­se de  pagamento de tributo já retido pela fonte pagadora.  A manifestação foi considerada improcedente uma vez que, pelos elementos de  prova carreados  aos  autos,  não  se observa  ter ocorrido pagamento  em duplicidade de  tributo  sujeito à  retenção na fonte. O pagamento refere­se a  tributo devido pela sistemática do  lucro  presumido, regularmente apurado e declarado.  No Recurso Voluntário foi alegado:  a) que houve prestação de serviços da recorrente e a  fonte pagadora efetuou a  retenção do imposto;  b)  a  recorrente  também  recolheu  imposto  do  período,  ocasionando  o  recolhimento em duplicidade;  c) foram produzidas provas que comprovam o recolhimento em duplicidade.  É o relatório.  Voto   Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora   O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09  de  junho  de  2015.  Portanto,  ao  presente  litígio  aplica­se  o  decidido  na Resolução  nº  1201­ 000.457,  de  17/05/2018,  proferido  no  julgamento  do  Processo  nº  10675.901644/2014­41,  paradigma ao qual o presente processo fica vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201­000.457):  "Admissibilidade.  O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de  admissibilidade, dele devendo­se conhecer.  Mérito.  Segundo  o  recorrente,  houve  pagamento  em  duplicidade,  uma  vez  a  retenção  na  fonte  relativamente  aos  serviços  por  ele  prestados  e,  posteriormente, pagamento do imposto desse mesmo período.  Ocorre  que  o  valor  pago  refere­se  ao  imposto  apurado  no  período  trimestral pela  sistemática do Lucro Presumido e,  conforme pode ser  visto  desde  o  Despacho  Decisório,  esse  pagamento  corresponde  ao  valor  apurado  e  devidamente  declarado.  Esse  o  motivo  do  indeferimento do pleito.  Contudo, não consta dos autos a DIPJ do período correspondente, pelo  que  não  é  possível  verificar  se  houve  ou  não  a  dedução  do  IRRF  na  apuração do imposto e, ainda, o resultado dessa apuração.  Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10675.901949/2014­53  Resolução nº  1201­000.471  S1­C2T1  Fl. 4          3 Faz­se  pois  necessária  a  juntada  aos  autos  da DIPJ  do  período  e  a  demonstração do imposto a pagar apurado.  Conclusão.  Em  face  do  exposto,  voto  por  converter  o  presente  julgamento  em  diligência para:  a) juntadas das cópias da DIPJ e da DCTF (e eventuais retificadoras)  do período correspondente;  b) confirmação das retenções do IRRF;  c) verificação quanto à dedução do imposto retido;  d)  que  se  apure  eventual  pagamento  a  maior  (crédito  passível  de  utilização).  O contribuinte poderá ser intimado a prestar esclarecimentos, a  juízo  da autoridade diligenciante.  A  conclusão  deverá  constar  de  relatório  circunstanciado  do  qual  se  dará ciência ao interessado para que, querendo, se manifeste no prazo  de trinta dias.  Com ou sem a manifestação do interessado, os autos deverão retornar  a este colegiado para julgamento.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47 do RICARF, voto por converter o julgamento  do recurso em diligência.   (assinado digitalmente)  Ester Marques Lins de Sousa    Fl. 48DF CARF MF

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7341262 #
Numero do processo: 13971.722963/2012-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 AUTO DE INFRAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EXCLUSÃO DO SIMPLES. INCOMPETÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos do art. 3º, IV, do Anexo II do RICARF, os recursos interpostos em processos que versem sobre aplicação da legislação relativa a Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, são da competência da Segunda Seção e, não, desta Primeira.
Numero da decisão: 1301-003.077
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência à Segunda Seção de Julgamento. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA

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1301­003.077  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  17 de maio de 2018  Matéria  DECLINAR COMPETÊNCIA  Recorrente  MESH COMÉRCIO E CONFECÇÕES DE ROUPAS LTDA.  ­ EPP  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011  AUTO  DE  INFRAÇÃO  DE  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  EXCLUSÃO DO SIMPLES.  INCOMPETÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO  DE JULGAMENTO. NÃO CONHECIMENTO.   Nos termos do art. 3º,  IV, do Anexo II do RICARF, os recursos interpostos  em  processos  que  versem  sobre  aplicação  da  legislação  relativa  a  Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição  e as devidas a terceiros, são da competência da Segunda Seção e, não, desta  Primeira.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar  da competência à Segunda Seção de Julgamento.    (assinado digitalmente)  Fernando Brasil de Oliveira Pinto ­ Presidente    (assinado digitalmente)  José Eduardo Dornelas Souza ­ Relator  Participaram do presente  julgamento os Conselheiros, Roberto Silva Junior,  Jose  Eduardo  Dornelas  Souza,  Nelso  Kichel,  Marcos  Paulo  Leme  Brisola  Caseiro,  Amelia     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 29 63 /2 01 2- 74 Fl. 697DF CARF MF Processo nº 13971.722963/2012­74  Acórdão n.º 1301­003.077  S1­C3T1  Fl. 698          2 Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a  Conselheira Bianca Felícia Rothschild.    Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte contra o acórdão  12­61.465, proferido pela 11ª Turma da DRJ/RJ1, na sessão de 19 de novembro de 2013, que,  ao  apreciar  a  impugnação apresentada pelo  contribuinte,  por unanimidade de votos,  julgou­a  improcedente.  Por bem descrever o ocorrido, valho­me do  relatório  elaborado por ocasião  do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito:  Trata o presente processo de Auto de  Infração n° 51.002.3355,  lavrado  em  14/11/2012,  no  valor  de  R$  184.452,68  (cento  e  oitenta  e  quatro  mil  quatrocentos  e  cinqüenta  e  dois  reais  e  sessenta  e  oito  centavos)  que  acrescido  de  multa  e  juros  corresponde ao valor consolidado de R$ 500.053,60 (quinhentos  mil e cinqüenta e três reais e sessenta centavos).  2. De acordo com o Relatório Fiscal, de  fls. 37/43 do processo  digital,  o  crédito  abrange  o  período  de  01/2009  a  12/2011,  inclusive  os  décimos  terceiros  salários  e  se  refere  às  contribuições  a  cargo  da  empresa  correspondentes  a  parte  destinada  a  outras  Entidade  e  Fundos  –  Terceiros  (FNDE,  INCRA,  SESI,  SENAI  e  SEBRAE),  incidentes  sobre  a  remuneração paga aos segurados empregados.  3.  A  autuada  foi  excluída  do  Simples  Nacional,  conforme  Ato  Declaratório Executivo – ADE nº 49, de 01/11/2012, decorrente  do processo de Representação Administrativa para Exclusão do  SIMPLES,  processo  nº  13971.722923/2012­22.  Em  função  da  exclusão do SIMPLES, com efeito retroativo a 01/01/2008, foram  lançadas as  contribuições para  outras Entidades  e Fundos que  deixaram de ser recolhidas.  4.  Os  fatos  geradores  foram  as  contribuições  omitidas  nas  GFIPs,  devido  à  informação  incorreta  referente  à  opção  pelo  SIMPLES e não recolhidas, constantes das folhas de pagamento.  O  crédito  foi  lançado  através  do  levantamento  T2  no  qual  foi  aplicada  a  multa  qualificada  (2  x  75%),  por  ser  posterior  à  edição  da  Medida  Provisória  nº  449,  de  04/12/2008,  que  estipulou a nova multa, e por ter restado caracterizada a prática  de  sonegação  e  conluio  previstas  nos  arts.  71  e  73  da  Lei  4.502/64.  5.  “Numa  análise  objetiva  dos  fatos  relatados,  constantes  nos  processos  de  Representações  Administrativas  para  Exclusão  do  SIMPLES, mencionados no item 4, frente aos dispositivos legais  em  comento,  não  há  como  deixar  de  enquadrar  a  ação  dolosa,  intencional  e  consciente  de  simular  a  existência  de  empresas,  Fl. 698DF CARF MF Processo nº 13971.722963/2012­74  Acórdão n.º 1301­003.077  S1­C3T1  Fl. 699          3 formalmente  distintas  (MESH,  COISAS  DE  BEBÊ  e  WRCP),  porém formando um GRUPO ECONÔMICO DE FATO, com o  evidente  intuito  de  impedir  o  conhecimento  do  Fisco  da  incidência  da  Contribuição  Previdenciária  Patronal  sobre  as  remunerações dos segurados das empresas MESH e COISAS DE  BEBÊ (optantes, indevidamente, pelo SIMPLES), nas definições  de  sonegação  e  conluio,  contidas  nos  arts.  72  e  73  da  Lei  4.502/64, já transcritos.”  IMPUGNAÇÃO  6. O contribuinte foi cientificado do lançamento em 26/11/2012,  conforme AR de fls. 47 e apresentou impugnação em 26/12/2012,  fls.50/107, alegando, em síntese:  6.1 Não é possível que o  lançamento seja objeto de emissão de  Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP), antes mesmo do  fim do processo administrativo tributário.  6.2 Faz­se necessário o julgamento em conjunto dos processos nº  13971.722951/2012­40,  13971.722950/2012­03,  13971.722959/2012­14, 13971.722963/2012­74, por envolverem  os mesmos fatos geradores e identidade dos elementos de prova.  Preliminar:  6.3 O Auto de Infração tem como fundamento básico a exclusão  da Impugnante do Simples Nacional, que se deu através do Ato  Declaratório  Executivo  nº  49/2012,  processo  administrativo  nº  13971.722923/2012­22.  Porém,  a  empresa  apresentou  Manifestação de Inconformidade contra a sua exclusão, que por  sua vez ainda não foi julgada.  6.4 Conforme art. 4º, § 3ºA da Resolução CGSN nº 15/07 e art.  75,  §  3º  da  Resolução  nº  94/2011,  o  termo  de  exclusão  do  Simples  só  se  tornará  efetivo  após  decisão  irrecorrível  desfavorável  ao  contribuinte.  Dessa  forma,  somente  após  o  julgamento  definitivo,  desfavorável  à  empresa,  do  processo  de  exclusão  do  Simples  é  que  ela  poderia  ser  notificada  para  o  pagamento das contribuições em questão.  Mérito  Insubsistência da exclusão do Simples  6.5 Alega a insubsistência da exclusão do Simples e reproduz os  mesmos  argumentos  apresentados  na  manifestação  de  inconformidade  apresentada  contra  a  ADE  que  aexcluiu,  processo nº 13971.722923/2012­22, apenso ao presente.  Insubsistência do Auto de Infração  6.6  Independente  dos  argumentos  relativos  à  exclusão  do  Simples, há outros motivos que impedem a manutenção do Auto  de Infração.  Fl. 699DF CARF MF Processo nº 13971.722963/2012­74  Acórdão n.º 1301­003.077  S1­C3T1  Fl. 700          4 6.7  Questiona  a  exigência  do  salário­educação,  pois  o  mesmo  deveria ter sido instituído por lei complementar.  6.8 Questiona a contribuição ao INCRA, alegando que a mesma  foi  extinta  e que  não  poderia  ser  exigida  de  empresas  que não  exercem atividade voltada à produção rural.  6.9 Argumenta que as contribuições para o SESI e para o SENAI  só  podem  ser  cobradas  da  categoria  econômica  que  tiver  interesse no seu pagamento.  6.10 Também se insurge sobre a cobrança para o SEBRAE, pois  a mesma teria que ter sido instituída por lei complementar.  6.11  A  exigência  de  contribuições  sobre  verbas  não  remuneratórias,  que  não  possuem  natureza  de  salário/remuneração.  Para  que  possam  ser  consideradas  como  salário  ou  remuneração  é  indispensável  que  elas  apresentem  duas  características:  contraprestação  pelo  trabalho  e  habitualidade.  6.12  Dentre  as  rubricas  indevidamente  incluídas  na  base  de  cálculo  das  contribuições  está  o  Salário  Maternidade,  que  sempre se constituiu em um benefício de natureza previdenciária  e  de  responsabilidade  da  Previdência  Social.  As  empresas  apenas são chamadas a adiantar os valores devidos pelo INSS a  esse  título,  tanto  é  assim  que  tais  importâncias  desembolsadas  são  prontamente  compensadas  com  os  valores  devidos  pela  empresa ao INSS. Cita decisão do STF e do STJ nesse sentido.  6.13  Outra  verba  que  também  não  se  constitui  em  salário  ou  remuneração é o chamado Auxílio­doença nos primeiros 15 dias  de afastamento do segurado. Tal verba não é compatível com os  conceitos  jurídicos  de  salário  e  de  remuneração,  pois  não  representam  contraprestação  aos  serviços  prestados  e  nem  é  dotada da característica da habitualidade. Cita decisão do STJ e  do TRF da 4ª Região.  6.14  O  1/3  de  férias  e  respectivos  reflexos  também  não  tem  natureza jurídica de salário ou remuneração, o que impede que  ele  seja  considerado  salário  de  contribuição.  Ele  se  configura  um abono pago ao funcionário que tira férias. Cita entendimento  do STJ para respaldar o seu posicionamento.  6.15 O mesmo  se  dá  em  relação  aos  valores  pagos  a  título  de  férias.  Tais  valores  não  poderiam  ser  considerados  como  salário/remuneração,  porque  pagos  enquanto  os  funcionários  não  prestam  serviços  para  a  empresa.  Transcreve  decisão  do  STJ.  6.16 “Há, ainda, diversas outras verbas que, muito embora sejam  pagas pela Impugnante às pessoas que lhe prestem serviços, não  poderiam ser  incorporadas à base de cálculo das contribuições.”  Podem ser citadas, entre outras,  importâncias pagas a título de  horas­extras, gratificações e outras verbas delas decorrentes.  Fl. 700DF CARF MF Processo nº 13971.722963/2012­74  Acórdão n.º 1301­003.077  S1­C3T1  Fl. 701          5 6.17 O Supremo Tribunal Federal  pacificou  o  entendimento  de  que as contribuições não podem incidir sobre abonos ou demais  verbas trabalhistas de natureza indenizatória.  6.18 “Dessa forma, caso seja mantido o Auto de Infração (o que  se  admite  somente  por  hipótese),  as  verbas  que  não  correspondem  a  salário  e  demais  rendimentos  do  trabalho  precisam  ser  excluídas  da  base  de  cálculo  adotada  pela  fiscalização.”  6.19  Mantido  o  lançamento,  não  poderia  prevalecer  a  multa  aplicada.  6.20  No  caso  concreto,  não  é  possível  a  aplicação  da  multa  qualificada no percentual de 150% da exigência, uma vez que o  intuito  de  fraude,  consubstanciado  em  ação/omissão  dolosa  tendente  a  impedir  o  conhecimento  da  ocorrência  de  fato  gerador  das  contribuições,  tem  que  estar  materialmente  comprovado e não meramente presumido.  6.21 A multa é desproporcional à falta hipoteticamente cometida  pela  contribuinte,  contrariando  os  princípios  da  proporcionalidade, da razoabilidade e do devido processo legal  material. Além de possuírem caráter confiscatório.  7. Requer seja julgada procedente a Impugnação para que:  a)  não  seja  formalizada  qualquer  representação  para  fins  penais;  b) sejam julgados em conjunto os processos citados;  c) o Auto de Infração seja cancelado em virtude da ausência de  julgamento  da  Manifestação  de  Inconformidade  apresentada  contra o ato de exclusão do Simples;  d) o Auto de  Infração  seja  cancelado diante da  inexistência de  qualquer valor devido; ou na pior das hipóteses,  e) sejam excluídas: as parcelas relativas às contribuições para o  Salário Educação, INCRA, SESI, SENAI e SEBRAE e às verbas  não­remuneratórias; à multa aplicada; e à multa qualificada de  150%, reduzindo­a para, no máximo, 75%.  8. É o relatório.  Na  seqüência,  foi  proferido  o  Acórdão  recorrido,  julgando  improcedente  a  impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário exigido.  Após  intimada,  a  interessada  apresenta  seu  respectivo  Recurso,  pugnando  pelo provimento, onde apresenta argumentos que serão posteriormente analisados.  É o Relatório.  Voto             Fl. 701DF CARF MF Processo nº 13971.722963/2012­74  Acórdão n.º 1301­003.077  S1­C3T1  Fl. 702          6 Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator  Antes  de  qualquer  outra  verificação  do  recurso  interposto,  um  questão  preliminar requer averiguação;  I. DA INCOMPETÊNCIA DESTA 1ª SEJUL  Analisando  os  autos,  verifico  que  ao  cabo  de  uma  única  auditoria,  a  autoridade encarregada formalizou seis processos administrativos.  No caso dos autos,  trata­se de  lançamento, onde é exigido crédito  tributário  de contribuições previdenciárias a cargo da empresa correspondentes a parte destinada a outras  Entidade e Fundos – Terceiros (FNDE, INCRA, SESI, SENAI e SEBRAE), incidentes sobre a  remuneração paga aos segurados empregados.  Assim,  embora  o  presente  processo  seja  decorrente  do Ato  da  exclusão  do  Simples  da  recorrente,  a  exigência  aqui  reclamada  baseia­se  em  remunerações  de  seus  empregados.  Sobre  a  competência  desta  Seção  de  Julgamento,  transcrevo  o  inciso  IV,  artigo 2º do Anexo II, com a redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016:  Art.  2º À 1ª  (primeira) Seção cabe  processar  e  julgar  recursos  de ofício e voluntário de decisão de 1ª  (primeira) instância que  versem sobre aplicação da legislação relativa a:  (...)  IV  ­  CSLL,  IRRF,  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  ou  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  (Cofins),  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  (IPI),  Contribuição  Previdenciária  sobre  a  Receita  Bruta  (CPRB),  quando  reflexos  do  IRPJ,  formalizados  com  base  nos mesmos  elementos de prova; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de  2016)  (G.N)  De  acordo  com  tal  norma,  no  que  aqui  nos  interessa,  apenas  recursos  que  versem  sobre  aplicação  da  legislação  relativa  à  Contribuição  Previdenciária  sobre  a  Receita  Bruta  atrairiam  a  competência  para  esta  Seção  de  Julgamento,  e  só  se  a  exigência  fosse  formalizada  com  base  nos  mesmos  elementos  de  provas  de  eventual  lançamento  de  IRPJ/CSLL. No caso, não se trata nem mesmo de Contribuição Previdenciária sobre a Receita  Bruta.  Dispõe ainda o mesmo diploma no art. 3º, IV, que:  Art. 3º À 2ª (segunda) Seção cabe processar e julgar recursos de  ofício  e  voluntário  de  decisão  de  1ª  (primeira)  instância  que  versem sobre aplicação da legislação relativa a:   (...)  Fl. 702DF CARF MF Processo nº 13971.722963/2012­74  Acórdão n.º 1301­003.077  S1­C3T1  Fl. 703          7 IV  ­  Contribuições  Previdenciárias,  inclusive  as  instituídas  a  título de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3º  da Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007;   (G.N)  A distribuição de competência entre as três Seções de Julgamento do CARF  consiste em repartição jurisdicional em razão funcional, para atender o interesse público. Como  tal, não é passível de modificação, devendo eventual incompetência ser conhecida de ofício  Assim, tendo em vista que o presente caso trata de exigência de contribuições  previdenciárias incidentes sobre as remunerações de segurados empregados, resta claro que ele  está fora do âmbito de competência de julgamento desta 1ª Seção, devendo ser remetido à 2ª  Seção, que tem a efetiva competência para o julgamento.  Conclusão   Diante  do  exposto,  voto  por  declinar  da  competência  para  julgamento  do  recurso em favor da Segunda Seção de Julgamento.   (assinado digitalmente)  José Eduardo Dornelas Souza                              Fl. 703DF CARF MF

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Numero do processo: 13629.002812/2010-34
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2006, 2008, 2009 MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. Nos casos de falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ posteriores à Lei nº 11.488/2007, quando não justificados em balanço de suspensão ou redução, é cabível a cobrança da multa isolada, que pode e deve ser exigida, de forma cumulativa, com a multa de ofício aplicável aos casos de falta de pagamento do mesmo tributo, apurado de forma incorreta, ao final do período-base de incidência. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA CONCOMITANTE. CONSUNÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Repele-se o argumento que pretende escorar-se na tese da consunção para afastar a aplicação simultânea das multas comentadas. Não há como se reduzir o campo de aplicação da multa isolada com lastro no suposto concurso de normas sobre o mesmo fato, seja porque os fatos ora descritos não são os mesmos, seja porque quaisquer dos fatos relacionados no inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007, não absorvem o fato relacionado no inciso II do mesmo artigo. Não há, pois, dúvida alguma sobre a possibilidade de aplicação concomitante da multa de ofício e da multa isolada.
Numero da decisão: 9101-003.598
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, (i) por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial em relação ao fato gerador do ano-calendário de 2006; e (ii) por maioria de votos, em conhecer em relação aos fatos geradores dos anos-calendário de 2008 e 2009, vencido o conselheiro Luís Flávio Neto, que não conheceu do recurso. No mérito, na parte conhecida, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa e Luís Flávio Neto, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Re^go - Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente, momentaneamente, a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio.
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2006, 2008, 2009 MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. Nos casos de falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ posteriores à Lei nº 11.488/2007, quando não justificados em balanço de suspensão ou redução, é cabível a cobrança da multa isolada, que pode e deve ser exigida, de forma cumulativa, com a multa de ofício aplicável aos casos de falta de pagamento do mesmo tributo, apurado de forma incorreta, ao final do período-base de incidência. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA CONCOMITANTE. CONSUNÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Repele-se o argumento que pretende escorar-se na tese da consunção para afastar a aplicação simultânea das multas comentadas. Não há como se reduzir o campo de aplicação da multa isolada com lastro no suposto concurso de normas sobre o mesmo fato, seja porque os fatos ora descritos não são os mesmos, seja porque quaisquer dos fatos relacionados no inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007, não absorvem o fato relacionado no inciso II do mesmo artigo. Não há, pois, dúvida alguma sobre a possibilidade de aplicação concomitante da multa de ofício e da multa isolada.

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posteriores  à  Lei  nº  11.488/2007,  quando  não  justificados  em  balanço  de  suspensão ou redução, é cabível a cobrança da multa isolada, que pode e deve  ser exigida, de forma cumulativa, com a multa de ofício aplicável aos casos  de falta de pagamento do mesmo tributo, apurado de forma incorreta, ao final  do período­base de incidência.  MULTA  ISOLADA  E  MULTA  DE  OFÍCIO.  INCIDÊNCIA  CONCOMITANTE. CONSUNÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.  Repele­se  o  argumento  que  pretende  escorar­se  na  tese  da  consunção  para  afastar  a  aplicação  simultânea  das  multas  comentadas.  Não  há  como  se  reduzir  o  campo  de  aplicação  da  multa  isolada  com  lastro  no  suposto  concurso de normas sobre o mesmo fato,  seja porque os  fatos ora descritos  não são os mesmos, seja porque quaisquer dos fatos relacionados no inciso I  do  artigo  44  da  Lei  nº  9.430/1996,  com  a  redação  dada  pela  Lei  nº  11.488/2007, não absorvem o fato relacionado no inciso II do mesmo artigo.  Não há, pois, dúvida alguma sobre a possibilidade de aplicação concomitante  da multa de ofício e da multa isolada.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  (i)  por  unanimidade  de  votos,  em  não  conhecer  do Recurso Especial  em  relação  ao  fato  gerador  do  ano­calendário  de  2006;  e  (ii)  por  maioria de votos, em conhecer em relação aos fatos geradores dos anos­calendário de 2008 e 2009,  vencido  o  conselheiro  Luís  Flávio  Neto,  que  não  conheceu  do  recurso.  No  mérito,  na  parte     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 00 28 12 /2 01 0- 34 Fl. 2190DF CARF MF Processo nº 13629.002812/2010­34  Acórdão n.º 9101­003.598  CSRF­T1  Fl. 2.191          2 conhecida,  por  maioria  de  votos,  acordam  em  dar­lhe  provimento,  vencidos  os  conselheiros  Cristiane Silva Costa e Luís Flávio Neto, que lhe negaram provimento.  (assinado digitalmente)  Adriana Gomes Rêgo ­ Presidente.  (assinado digitalmente)  Flávio Franco Corrêa ­ Relator.  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo,  Cristiane  Silva  Costa,  Flávio  Franco  Corrêa,  Luis  Flávio  Neto,  Viviane  Vidal  Wagner,  Gerson  Macedo  Guerra,  Adriana  Gomes  Rêgo  (Presidente).  Ausente,  momentaneamente,  a  conselheira  Daniele Souto Rodrigues Amadio.  Relatório  Trata­se  de  Recurso  Especial  interposto  pela  Fazenda  Nacional  contra  o  acórdão nº 1401­001.299, assim ementado:  "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ  Ano­calendário: 2006, 2008, 2009  ÁGIO DE SI MESMO. USO DE EMPRESA VEICULO. AMORTIZAÇÃO.  IMPOSSIBILIDADE.  Não produz o  efeito  tributário  almejado pelo contribuinte  a  incorporação de  pessoa jurídica, em cujo patrimônio constava registro de ágio com fundamento em  expectativa de rentabilidade futura, sem qualquer finalidade negocial ou societária.  Neste  caso,  restou  caracterizada  a  utilização  da  incorporada  como mera  "empresa  veiculo" para transferência do ágio à incorporadora, com a subseqüente amortização  de ágio de si mesma.  ÁGIO  DE  SI  MESMO.  CUSTO.  FUNDAMENTOS  CONTÁBEIS.  INCONSISTÊNCIA.  O ágio somente é admitido pela teoria contábil quando surgido em transações  envolvendo partes  independentes, condição necessária  formação de um preço justo  para os ativos envolvidos. Nos casos em que seu aparecimento acontece no bojo de  transações entre entidades sob o mesmo controle, sem fluxo financeiro, o ágio não  tem consistência econômica ou contábil, configurando geração artificial de resultado  cujo registro contábil é inadmissível.  MULTA ISOLADA FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA.  O  artigo  44  da  Lei  n°  9.430/96  precisa  que  a  multa  de  ofício  deve  ser  calculada  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  tributo,  materialidade  que  não  se  confunde  com  o  valor  calculado  sob  base  estimada  ao  longo  do  ano.  O  tributo  devido pelo contribuinte surge quando é o lucro real apurado em 31 de dezembro de  cada  ano.  Improcede  a  aplicação  de  penalidade  isolada  quando  há  concomitância  com a multa de oficio sobre o ajuste anual.  Fl. 2191DF CARF MF Processo nº 13629.002812/2010­34  Acórdão n.º 9101­003.598  CSRF­T1  Fl. 2.192          3 LANÇAMENTOS REFLEXOS.  A  decisão  proferida  em  relação  ao  lançamento  de  IRPJ  se  aplica,  no  que  couber, às exigências dele decorrentes.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2006, 2008, 2009  DECADÊNCIA.  AMORTIZAÇÃO  DE  ÁGIO.  FATOS  GERADORES  DISTINTOS.  O  reconhecimento  do  ágio  não  representa  manifestação  de  fato  imponível  tributário,  pelo  que  o  prazo  decadencial  para  a  constituição  do  crédito  tributário  decorrente  da  redução  indevida  do  resultado  do  exercício  inicia­se  a  cada  amortização anual, e não com o seu registro original.  CISÃO  PARCIAL.  RESPONSABILIDADE  TRIBUTÁRIA.  SOLIDARIEDADE  Na  cisão  parcial  a  companhia  sucessora  e  a  empresa  cindida  respondem  solidariamente pelas obrigações desta última.  MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA  A multa de oficio que não for recolhida até o vencimento sujeita­se, a partir  do  mês  seguinte,  à  incidência  de  juros  de  mora  equivalentes  à  taxa  SELIC,  acumulada mensalmente até o último dia do mês anterior ao do efetivo pagamento,  mais um por cento no mês do pagamento."  De acordo com o voto vencedor do acórdão recorrido, uma vez encerrado a  ano­calendário,  torna­se  impossível  aplicar  a  multa  isolada  por  falta  ou  insuficiência  de  estimativas, pois essas ficam absorvidas pelo tributo incidente sobre o resultado anual, já que,  após o encerramento do ano­calendário, desaparece a base de cálculo para exigência da multa  isolada,  porquanto,  com  o  deslocamento  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  para  31  de  dezembro, para as empresas que optem por recolher o imposto de renda e a contribuição social  sobre  o  lucro  real  anual,  desaparece  o  bem  tutelado  pela  norma  jurídica,  no  caso  as  antecipações  que  deveriam  ter  sido  recolhidas,  surgindo,  com  a  apuração  do  lucro  real,  o  imposto efetivamente devido, única base imponível.  Despacho  de  encaminhamento  à  PGFN  do  dia  04/09/2015,  à  efl.  1.841.  Recurso  Especial  da  PGFN  interposto  no  dia  10/09/2015,  à  efl.  1.863.  Nessa  oportunidade,  alegou­se que o acórdão recorrido adotou entendimento divergente daquele que prevaleceu nos  acórdãos nº 1202­000.964 e 1302­001.080, no que concerne à possibilidade de cumulação da  multa  de ofício  com a multa  por  falta  de  recolhimento  das  estimativas  a  partir  de  2007. No  mérito, assinalou­se o seguinte:  1)  restou  comprovado que a  recorrida optou por  recolher o  IRPJ  e  a CSLL  com base no lucro real anual, com pagamento de estimativas mensais, mas que, em razão da  infração apurada nos presentes autos, que alterou o resultado fiscal, não recolheu as estimativas  no valor devido.;   2)  a  teor  do  artigo  44,  inciso  I,  da  Lei  9430/96,  a  multa  de  ofício,  no  percentual de 75%, é devida sempre que o contribuinte deixar de pagar ou recolher o  tributo  devido e, ainda, nos casos de falta de declaração ou declaração inexata. Já o inciso II, alínea b,  Fl. 2192DF CARF MF Processo nº 13629.002812/2010­34  Acórdão n.º 9101­003.598  CSRF­T1  Fl. 2.193          4 do mesmo dispositivo legal prevê, por sua vez, que a multa isolada é devida em função da falta  ou  insuficiência  de  pagamento  do  imposto  devido  pelo  regime  de  estimativa,  ainda  que  o  contribuinte tenha apurado, ao final do período, prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa;  3)  a multa  isolada e  a multa de ofício não  incidem sobre  a mesma base de  cálculo. Com efeito, a multa de ofício deve incidir sobre o tributo efetivamente devido, que, no  caso, tendo em vista a opção pelo regime de estimativa, é apurado ao final do ano­calendário.  Já a multa isolada incide sobre o valor do pagamento mensal. As estimativas, como o próprio  nome  diz,  não  equivalem  ao  tributo  efetivamente  devido,  mas,  consoante  a  jurisprudência  pacificada no CARF, são meros adiantamentos do tributo calculado ao final do ano;  4) em suma, as multas de ofício e isolada não decorrem da mesma infração e  não  incidem  sobre  a  mesma  base  de  cálculo.  São  multas  inteiramente  diversas  e  não  configuram bis in idem;  5) se não há nenhuma dúvida de que o contribuinte cometeu o ilícito acusado  pela Fiscalização, não há que se falar em dispensa da punição apenas porque ao sujeito passivo  se exige outra multa, em decorrência de outro ilícito;  6) caso seja cancelada a multa isolada, estar­se­á diante de uma nova hipótese  de dispensa da multa não prevista na legislação, a ser adotada com base em equidade, o que  não se admite no ordenamento jurídico pátrio.  Em  face  do  exposto,  requer  a  Fazenda  Nacional  seja  admitido  o  presente  recurso, dando­se­lhe provimento, no mérito, para reformar o acórdão ora recorrido, mantendo  as multas isoladas por falta de pagamento com base em estimativas mensais.  Recorrida cientificada do Recurso Especial fazendário em 20/11/2015, à efl.  1.874. Prazo transcorrido in albis.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator.  O  presente Recurso  Especial  é  tempestivo  e  reúne  os  demais  requisitos  de  recorribilidade, conforme o Despacho de Admissibilidade às efls. 1.865/1.867, exceto quanto  ao  ano­calendário  de  2006,  em  razão  da  incidência  da  Súmula  CARF  nº  105,  consoante  a  previsão do artigo 67, § 3º, do vigente RICARF ­ Anexo II.  De  início,  é  preciso  assinalar  que  o  pagamento  do  imposto  por  estimativa,  instituído pela Lei nº 9.430/1996, é uma alternativa à apuração trimestral, prevista na mesma  lei.  Feita  a  opção  pelo  recolhimento  do  tributo  por  estimativa,  o  Estado  aguarda  a  entrada  desses  recursos.  O  contribuinte,  por  outro  lado,  pode  ser  autuado  com  a  imposição  de  uma  multa isolada, caso deixe de efetuar o recolhimento das estimativa sem o amparo de balanço de  suspensão ou redução previsto no artigo 35 da Lei nº 8.981/1995. Entretanto, para o julgamento  da  questão  aqui  articulada,  mostra­se  indispensável  retornar  à  redação  original  da  Lei  nº  9.430/1996 para confronto com o texto atual, daí entrecortando com a jurisprudência antiga até  a exegese que ressai da disposição normativa hoje em vigor.  Fl. 2193DF CARF MF Processo nº 13629.002812/2010­34  Acórdão n.º 9101­003.598  CSRF­T1  Fl. 2.194          5 Repare­se  a  redação  original  do  inciso  IV,  §  1º,  do  artigo  44  da  Lei  nº  9.430/1996, verbis:  "Art.44.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício,  serão  aplicadas  as  seguintes  multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição:  I ­ de  setenta  e  cinco  por  cento,  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  pagamento  ou  recolhimento  após  o  vencimento  do  prazo,  sem  o  acréscimo de multa moratória, de  falta de declaração e nos de declaração  inexata,  excetuada a hipótese do inciso seguinte;  [...]  § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas:   [...]  IV  ­ isoladamente,  no  caso  de  pessoa  jurídica  sujeita  ao  pagamento  do  imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º,  que  deixar  de  fazê­lo,  ainda  que  tenha  apurado  prejuízo  fiscal  ou  base  de  cálculo  negativa  para  a  contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido,  no  ano­calendário  correspondente; "  Uma  posição  majoritária  defendia  que  tal  disposição  prescritiva  era  compatível com a  interpretação de que, sendo o recolhimento por estimativas antecipação do  tributo apurado na declaração de ajustes, não poderia ser aplicada a multa  isolada em exame  depois de encerrado o período­base de apuração, porque, desde então, já  teria ocorrido o fato  gerador do IRPJ e da CSLL, sendo conhecido o tributo definitivo a ser recolhido.   Para  essa  corrente,  o  disposto  no  inciso  IV,  §  1º,  do  artigo  44,  da  Lei  9.430/1996  tinha  como  propósito  obrigar  o  sujeito  passivo  da  obrigação  tributária  ao  recolhimento mensal de antecipações de um provável  IRPJ e CSLL devidos ao final do ano­ calendário, a denotar o inerente dever de antecipar o cumprimento de uma obrigação futura. De  acordo  com  essa  linha,  a  partir  do  encerramento  do  ano­calendário,  desaparecia  o  dever  de  efetuar  a  antecipação  e,  com  isso,  a  penalidade  perdia  sua  razão  de  ser,  pela  ausência  da  necessária ofensa a um bem juridicamente tutelado.   A posição doutrinária e jurisprudencial então prevalecente desprezava que o  inciso IV, § 1º, do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996 estabelecia, em sua redação original, que a  multa  isolada  decorrente  da  falta  ou  insuficiência  do  recolhimento  de  estimativas  também  deveria ser aplicada, ainda que a pessoa jurídica viesse a apurar prejuízo fiscal ou base negativa  de CSLL. Isso, por si só, já revelava que a multa isolada em apreço poderia ser aplicada mesmo  depois  de  levantado  o  balanço  de  encerramento  do  ano­calendário,  pois  sua  incidência  não  dependia do resultado fiscal apurado nesse mesmo balanço.  Acontece que, em 2007,  foi editada a Lei nº 11.488 (MP nº 351/2007), que  alterou o texto do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, que passou a ter a seguinte redação:  “Art.  44.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício,  serão  aplicadas  as  seguintes  multas:  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta  de declaração e nos de declaração inexata;  Fl. 2194DF CARF MF Processo nº 13629.002812/2010­34  Acórdão n.º 9101­003.598  CSRF­T1  Fl. 2.195          6 II  ­  de  50%  (cinqüenta  por  cento),  exigida  isoladamente,  sobre  o  valor  do  pagamento mensal:  a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar  de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de  ajuste, no caso de pessoa física;  b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha  sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social  sobre o lucro líquido, no ano­calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica."  Já em primeiro plano se verifica que a multa isolada, antes incidente sobre a  totalidade ou diferença de tributo ou contribuição estimada, conforme a prescrição original do  artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, passou a  incidir sobre o valor do pagamento mensal que, na  forma do artigo 2º da mesma lei, deixar de ser efetuado, caso a falta de pagamento não esteja  justificada  em  balanços  de  suspensão  ou  redução,  estabelecidos  pelo  artigo  35  da  Lei  nº  8.981/95.  A  alteração  legislativa  decorreu  do  claro  propósito  de  contornar  a  jurisprudência  dominante, ao trazer ao mundo jurídico que a multa isolada não mais incidirá sobre um tributo  antecipado, como o próprio caput do artigo 44 sugeria, em sua redação original, ao estabelecer  que, “nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  tributo  ou  contribuição”.  Com  a  Lei  nº  11.488/2007,  a  multa  isolada é  aplicada  sempre que o  contribuinte não  efetuar o pagamento  integral  da  estimativa  que compõe o esperado fluxo de caixa da União, embora não mais incidente sobre a totalidade  ou  diferença  da  antecipação  de  tributo  não  recolhida,  mas  incidente  sobre  o  valor  do  pagamento mensal que deixar de ser efetuado, ainda que o contribuinte apure prejuízo fiscal ou  base de cálculo negativa de CSLL, ao final do ano­calendário, caso lhe falte o devido suporte  em balanço de suspensão ou redução.  A nova disposição  do  artigo  44  da Lei  nº  9.430/1996,  com a  redação  dada  pela Lei nº 11.488/2007, não deixa dúvida a respeito de duas multas distintas: a primeira, no  inciso I, de 75%, sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição (multa de ofício),  aplicável nos  casos de  falta de pagamento ou  recolhimento,  falta de declaração e declaração  inexata; a segunda, no inciso II, de 50% (multa isolada), calculada sobre o valor do pagamento  de  estimativa  que  deixar  de  ser  efetuado,  devida  sempre  que  o  contribuinte  não  efetuar  o  pagamento da totalidade da estimativa apurada na forma do artigo 2º, sem o apoio de balanço  de suspensão ou redução.   A  ressalva  constante  da  redação  atual  do  inciso  II  do  artigo  44  da  Lei  nº  9.430/1996, no sentido de que a multa é exigida  isoladamente do  tributo devido ao  final do  ano­calendário, já traduz, por outro lado, que a multa do inciso I sempre é exigida em conjunto  com  o  tributo  devido.  Tanto  é  assim  que  a  multa  do  inciso  I  não  é  aplicada  em  caso  de  apuração, no balanço do encerramento do ano­calendário, de prejuízo fiscal ou base de cálculo  negativa  de  CSLL,  ao  passo  que  a  multa  do  inciso  II  independe  da  apuração  de  lucro  ou  prejuízo  fiscal,  ou  de  base  de  cálculo  positiva  ou  negativa  de  CSLL.  Esta  última  deve  ser  exigida se o contribuinte deixar de efetuar o pagamento integral da estimativa sem a cobertura  de um balanço de suspensão ou redução, ainda que, ao  final do ano­calendário, seja apurado  prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa de CSLL.  Pode­se ver que os fatos geradores dessas multas são distintos: para o inciso I  do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, falta de pagamento ou recolhimento do tributo apurado em  declaração  de  ajuste,  falta  de  declaração  e  declaração  inexata;  para  o  inciso  II,  falta  de  Fl. 2195DF CARF MF Processo nº 13629.002812/2010­34  Acórdão n.º 9101­003.598  CSRF­T1  Fl. 2.196          7 pagamento,  ou  pagamento  insuficiente,  das  estimativas  apuradas,  desprovida  de  lastro  em  balanço de suspensão ou redução.  Portanto,  são  infrações  distintas,  com  graduações  distintas  e decorrentes  de  fatos geradores distintos. Não há, por conseguinte, bis in idem.  Se  o  contribuinte  opta  pela  apuração  anual,  o  que  implica  submissão  às  normas determinantes do recolhimento por estimativa, não poderá alegar que, sem o amparo de  balanço de  suspensão ou  redução, não estará sujeito à multa  isolada após o encerramento do  ano­calendário,  tendo  em  conta  que  dessa  proposição  resultaria  inegável  desestímulo  à  realização de recolhimentos mensais apurados sobre bases de cálculo estimadas, colocando em  risco  o  fluxo  de  caixa  da  União,  que  é  dependente  tanto  da  efetivação  da  antecipação  de  tributos como da efetivação de recolhimentos definitivos de tributos federais.   Complemente­se  o  exposto  com  a  orientação  extraída  do  acórdão  nº  9101­ 002.438 da CSRF, 1ª Turma, relatora Conselheira Adriana Gomes Rego, sessão de 20/09/2016,  no sentido de que, “sob essa ótica, o recolhimento de estimativas melhor se alinha ao conceito  de obrigação acessória que à definição de obrigação principal, até porque a antecipação do  recolhimento é, em verdade, um ônus imposto aos que voluntariamente optam pela apuração  anual  do  lucro  tributável,  e a  obrigação acessória,  nos  termos  do  art.  113,  §  2º  do CTN,  é  medida  prevista  não  só  no  interesse  da  fiscalização,  mas  também  da  arrecadação  dos  tributos.”  Contudo, para os fatos anteriores à vigência da Lei nº 11.488/2007, deve­se  aplicar  a  Súmula CARF  nº  105. Vale  dizer  que  o Recurso  Especial  da  PGFN  não  pode  ser  conhecido  em  relação  aos  fatos  referentes  ao  ano­calendário  de  2006.  Remanesce,  pois,  até  aqui,  o  crédito  tributário  constituído  de  ofício,  decorrente  das  infrações  alusivas  aos  anos­ calendário de 2008 e 2009.  Por outro  lado, há quem sustente que  a  infração que motiva  a aplicação  da  multa  isolada  é  absorvida,  por  consunção,  pela  infração  que  dá  causa  à  multa  de  ofício.  Contudo, essa tese não pode prosperar, por sua própria fraqueza. De acordo com o magistério  de  Luiz  Regis  Prado1,  na  consunção,  “determinado  crime  (norma  consumida)  é  fase  de  realização de outro (norma consuntiva) ou em uma forma regular de transição para o último –  delito  progressivo”.  Destaquem­se,  pois,  as  infrações  do  caput  do  artigo  44  da  Lei  nº  9.430/1996  que  dizem  respeito  à  lide,  com  a  redação  dada  pela  Lei  nº  11.488/2007,  para  a  devida análise:   a)  no  inciso  I,  falta  de  pagamento  do  tributo,  falta  de  recolhimento  do  tributo,  falta  de  declaração  ou  apresentação de declaração inexata;   b)  no  inciso  II,  alínea  “b”,  deixar  de  efetuar  o  pagamento  de estimativas.   De  modo  algum  é  possível  asselar  que  deixar  de  efetuar  o  pagamento  de  estimativa constitui fase de realização da falta de pagamento de tributo apurado na declaração  de ajuste. Em outras palavras, não se pode dizer que, aquele não pagou o  tributo apurado na  declaração de ajuste, anteriormente deixou de efetuar o pagamento de estimativas.                                                               1 Curso de direito penal brasileiro, volume I ­ parte geral, arts. 1º a 1º a 120, 3ª ed. São Paulo: Editora Revista dos  Tribunais, 2002, p. 190.   Fl. 2196DF CARF MF Processo nº 13629.002812/2010­34  Acórdão n.º 9101­003.598  CSRF­T1  Fl. 2.197          8 Em outro sentido, deixar de efetuar o pagamento de estimativas também não  constitui  regular  transição  para  a  falta  de  pagamento  do  tributo  apurado  na  declaração  de  ajuste. Deixar de  efetuar o pagamento de  estimativa não é uma etapa antecedente necessária  pela qual o agente antes atravessa para deixar de realizar o pagamento do  tributo apurado na  declaração.   De  igual modo, é  impossível afirmar que deixar de efetuar o pagamento de  estimativas é fase de realização da entrega de declaração inexata ou da omissão da entrega da  declaração de ajuste, tanto quanto é impossível sustentar que deixar de efetuar o pagamento de  estimativas é uma forma regular de transição para a apresentação de declaração inexata ou para  a omissão de declaração de ajuste.   Inequivocamente, não há interligação por necessariedade entre quaisquer das  modalidades de  infração do  inciso  I do caput do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, na  redação  atual, e a infração do inciso II, alínea “b”, do mesmo artigo. A pessoa jurídica pode ser omissa  em  relação  à  entrega  de  declaração  de  ajuste,  ou  pode  ter  apresentado  declaração  de  ajuste  inexata, e ter efetuado corretamente os pagamentos de estimativas.   Também não  há  necessariedade  entre  deixar  de  pagar  o  tributo  apurado  na  declaração  de  ajuste  e  deixar  de  pagar  a  estimativa,  ou  seja,  uma  pessoa  jurídica  pode  ser  omissa em relação ao pagamento do tributo apurado na declaração de ajuste sem ter deixado de  efetuar os pagamentos devidos de estimativa.  À vista do exposto, repele­se o argumento que pretende escorar­se na tese da  consunção para afastar a aplicação simultânea das multas comentadas. Não há como se reduzir  o  campo  de  aplicação  da multa  isolada  com  lastro  no  suposto  concurso  de  normas  sobre  o  mesmo fato, seja porque os fatos ora descritos não são os mesmos, seja porque quaisquer dos  fatos relacionados no inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei  nº 11.488/2007, não absorvem o fato relacionado no inciso II do mesmo artigo. Não há, pois,  dúvida alguma sobre a possibilidade de aplicação concomitante da multa de ofício e da multa  isolada, após o ano­calendário de 2007.  CONCLUSÃO: deve­se conhecer do Recurso Especial da PGFN apenas para  os fatos geradores de 2008 e 2009, dando­lhe provimento, no mérito.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Flávio Franco Corrêa.                                Fl. 2197DF CARF MF

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7326521 #
Numero do processo: 11065.002243/2005-67
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Verificada a existência de omissão no julgado, acolhem-se os embargos de declaração a fim sanar o vício. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa disposição legal, é vedada a correção monetária ou o abono de juros sobre os valores de PIS e de Cofins aproveitados mediante ressarcimento. Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 9303-006.304
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer os Embargos de Declaração e, no mérito, por maioria de votos, em acolhê-los para, rerratificando o Acórdão nº 9303-005.314, de 25 de julho de 2017, sanar a omissão apontada, com efeitos infringentes, para negar provimento ao recurso especial quanto à correção do ressarcimento pela taxa Selic. Vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram e deram provimento ao recurso especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: Relator

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9303­006.304  –  3ª Turma   Sessão de  26 de janeiro de 2018  Matéria  PIS/COFINS ­ NÃO CUMULATIVIDADE ­ RESSARCIMENTO  Embargante  CONSELHEIRO RODRIGO DA COSTA PÔSSAS  Interessado  TECNOEVA TECNOLOGIA EM EVA LTDA.    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005  EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.  Verificada  a  existência  de omissão  no  julgado,  acolhem­se  os  embargos  de  declaração a fim sanar o vício.  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  NÃO  CUMULATIVA.  RESSARCIMENTO.  ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE.  Por expressa disposição legal, é vedada a correção monetária ou o abono de  juros  sobre  os  valores  de  PIS  e  de  Cofins  aproveitados  mediante  ressarcimento.   Embargos Acolhidos.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  os  Embargos  de  Declaração  e,  no  mérito,  por  maioria  de  votos,  em  acolhê­los  para,  rerratificando o Acórdão nº 9303­005.314, de 25 de julho de 2017, sanar a omissão apontada,  com  efeitos  infringentes,  para  negar  provimento  ao  recurso  especial  quanto  à  correção  do  ressarcimento pela taxa Selic. Vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa  Camargos  Autran  e  Vanessa  Marini  Cecconello,  que  conheceram  e  deram  provimento  ao  recurso especial.  (assinado digitalmente)  Rodrigo da Costa Pôssas ­ Presidente em exercício e Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Andrada  Márcio  Canuto  Natal,  Tatiana  Midori  Migiyama,  Charles  Mayer  de  Castro  Souza  (Suplente     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 22 43 /2 00 5- 67 Fl. 255DF CARF MF Processo nº 11065.002243/2005­67  Acórdão n.º 9303­006.304  CSRF­T3  Fl. 256          2 convocado),  Demes  Brito,  Jorge  Olmiro  Lock  Freire  (Suplente  convocado),  Érika  Costa  Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.    Relatório  Trata­se de  embargos  de  declaração  interpostos  em  face do Acórdão  9303­ 005.314, com base no pressuposto regimental da omissão (art. 65, § 1º, I, do RICARF).  Conforme se verifica no despacho de admissibilidade, o recurso especial do  contribuinte foi  integralmente admitido. Isso significa que a CSRF deveria ter se manifestado  sobre as seguintes questões: a)  incidência da contribuição sobre os valores  relativos à cessão  onerosa de créditos do ICMS; e b) correção monetária do ressarcimento da contribuição pela  taxa Selic.  Ocorre  que  o  acórdão  recorrido  só  se  manifestou  sobre  a  questão  da  incidência da contribuição sobre os valores resultantes da cessão onerosa de créditos do ICMS,  omitindo­se quanto à correção pela taxa Selic.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator  O  recurso  preenche  os  requisitos  formais  para  sua  admissibilidade  e,  portanto, merece ser conhecido pelo colegiado.  Conforme se verifica no despacho de admissão dos embargos, no momento  da formalização do acórdão foi constada a omissão quanto à apreciação da questão da correção  do ressarcimento pela taxa Selic.  Essa  divergência  jurisprudencial  é  de  rápido  deslinde.  É  que  há  expressa  disposição legal sobre a matéria no art. 13 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003:  Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º,  do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º, inciso II  do § 4ºe § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou  incidência de juros sobre os respectivos valores.  O  art.  15,  inc.  VI,  da  lei  acima  citada  estendeu  a  vedação  de  atualização  monetária aos valores ressarcidos a título de PIS.  Assim,  em  estrita  observância  do  princípio  da  legalidade,  regente  da  atividade administrativa, é de se ratificar a decisão recorrida, que manteve o indeferimento ao  pedido de atualização monetária do ressarcimento, e negar provimento ao recurso especial do  contribuinte nesta parte.  Fl. 256DF CARF MF Processo nº 11065.002243/2005­67  Acórdão n.º 9303­006.304  CSRF­T3  Fl. 257          3 Com  esses  fundamentos,  acolho  os  embargos  de  declaração  para  sanar  a  omissão apontada e, no mérito, por negar provimento ao recurso especial quanto à correção do  ressarcimento pela taxa Selic.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Rodrigo da Costa Pôssas                                Fl. 257DF CARF MF

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7309027 #
Numero do processo: 10183.003873/2006-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2002 RECURSO ESPECIAL. LEGITIMIDADE PASSIVA. PROPRIEDADE RURAL INVADIDA POR TERCEIROS. O proprietário de imóvel rural invadido por trabalhadores sem-terra possui legitimidade passiva em face do ITR, até que a propriedade seja declarada de interesse social para fins de reforma agrária, com imissão prévia do Poder Público na posse. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). AUSÊNCIA. O MPF não será exigido na hipótese de procedimento de fiscalização relativo à revisão interna das declarações. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA A alegação de cerceamento do direito de defesa na fase do lançamento do crédito tributário é incabível, pois somente quando da impugnação da autuação se instaura a fase litigiosa do processo. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA (RESERVA LEGAL). ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. NÃO EXIGÊNCIA. ORIENTAÇÃO DA PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL. PARECER PGFN/CRJ Nº 1.329/2016. Para fins de exclusão da tributação relativamente à área de reserva legal, é dispensável a protocolização do Ato Declaratório Ambiental (ADA) junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), ou órgão estadual conveniado. Tal entendimento alinha-se com a orientação da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para atuação dos seus membros em Juízo, conforme Parecer PGFN/CRJ nº 1.329/2016, tendo em vista a jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça, desfavorável à Fazenda Nacional. ÁREA DE RESERVA LEGAL. FALTA DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL RURAL. A averbação à margem da inscrição da matrícula do imóvel é requisito formal constitutivo da existência da área de reserva legal. Para fins de exclusão da base de cálculo, a área de reserva legal deverá estar averbada até a data de ocorrência do fato gerador do imposto.
Numero da decisão: 2401-005.438
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário. No mérito, por maioria, dar-lhe provimento parcial para reconhecer uma área de utilização limitada (reserva legal) de 4.574,9 ha. Vencido o relator. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho - Relator (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Cleberson Alex Friess.
Nome do relator: FRANCISCO RICARDO GOUVEIA COUTINHO

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2401­005.438  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  5 de abril de 2018  Matéria  MALHA FISCAL ­ ITR  Recorrente  ZUER SOARES LEMOS  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ­ ITR  Exercício: 2002  RECURSO  ESPECIAL.  LEGITIMIDADE  PASSIVA.  PROPRIEDADE  RURAL INVADIDA POR TERCEIROS.   O  proprietário  de  imóvel  rural  invadido  por  trabalhadores  sem­terra  possui  legitimidade passiva em face do ITR, até que a propriedade seja declarada de  interesse  social  para  fins  de  reforma  agrária,  com  imissão  prévia  do  Poder  Público na posse.  MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). AUSÊNCIA.   O MPF não será exigido na hipótese de procedimento de fiscalização relativo  à revisão interna das declarações.  CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA   A  alegação  de  cerceamento  do  direito  de  defesa  na  fase  do  lançamento  do  crédito  tributário  é  incabível,  pois  somente  quando  da  impugnação  da  autuação se instaura a fase litigiosa do processo.  ÁREA  DE  UTILIZAÇÃO  LIMITADA  (RESERVA  LEGAL).  ATO  DECLARATÓRIO AMBIENTAL. NÃO EXIGÊNCIA. ORIENTAÇÃO DA  PROCURADORIA­GERAL  DA  FAZENDA  NACIONAL.  PARECER  PGFN/CRJ Nº 1.329/2016.  Para  fins  de  exclusão  da  tributação  relativamente  à  área  de  reserva  legal,  é  dispensável a protocolização do Ato Declaratório Ambiental (ADA) junto ao  Instituto Brasileiro do Meio Ambiente  e dos Recursos Naturais Renováveis  (IBAMA), ou órgão estadual conveniado. Tal entendimento alinha­se com a  orientação da Procuradoria­Geral da Fazenda Nacional para atuação dos seus     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 38 73 /2 00 6- 21 Fl. 711DF CARF MF Processo nº 10183.003873/2006­21  Acórdão n.º 2401­005.438  S2­C4T1  Fl. 712          2 membros  em  Juízo,  conforme Parecer PGFN/CRJ  nº  1.329/2016,  tendo  em  vista  a  jurisprudência  consolidada  no  Superior  Tribunal  de  Justiça,  desfavorável à Fazenda Nacional.  ÁREA  DE  RESERVA  LEGAL.  FALTA  DE  AVERBAÇÃO  NA  MATRÍCULA DO IMÓVEL RURAL.  A averbação à margem da inscrição da matrícula do imóvel é requisito formal  constitutivo da existência da área de reserva  legal. Para  fins de exclusão da  base de  cálculo,  a área de reserva  legal deverá estar averbada até a data de  ocorrência do fato gerador do imposto.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.                                      Fl. 712DF CARF MF Processo nº 10183.003873/2006­21  Acórdão n.º 2401­005.438  S2­C4T1  Fl. 713          3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do recurso voluntário. No mérito, por maioria, dar­lhe provimento parcial para reconhecer uma  área  de  utilização  limitada  (reserva  legal)  de  4.574,9  ha. Vencido  o  relator. Designado  para  redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess.    (assinado digitalmente)  Miriam Denise Xavier ­ Presidente    (assinado digitalmente)  Francisco Ricardo Gouveia Coutinho ­ Relator    (assinado digitalmente)  Cleberson Alex Friess ­ Redator Designado    Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier,  Rayd  Santana  Ferreira,  Francisco  Ricardo  Gouveia  Coutinho,  Andrea  Viana  Arrais  Egypto,  Luciana Matos Pereira Barbosa e Cleberson Alex Friess.      Fl. 713DF CARF MF Processo nº 10183.003873/2006­21  Acórdão n.º 2401­005.438  S2­C4T1  Fl. 714          4   Relatório  Cuida­se de Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional em face  do  Acórdão  nº  2801­002.771  (fls.  513/523)  da  1ª  Turma  Especial  da  Segunda  Seção  de  Julgamento, que restou assim ementado:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  PROPRIEDADE  TERRITORIAL RURAL ­ ITR  Exercício: 2002   MANDADO  DE  PROCEDIMENTO  FISCAL  (MPF).  AUSÊNCIA.  O  MPF  não  será  exigido  na  hipótese  de  procedimento  de  fiscalização  relativo  à  revisão  interna  das  declarações.  CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA   A  alegação  de  cerceamento  do  direito  de  defesa  na  fase  do  lançamento  do  crédito  tributário  é  incabível,  pois  somente  quando da impugnação da autuação se instaura a fase litigiosa  do processo.  ITR. CONTRIBUINTE. ÁREA INVADIDA.   Estando devidamente comprovado nos autos que, em virtude do  seu  imóvel  ter  sido  invadido  por  terceiros,  o  recorrente  não  detinha, quando da ocorrência do fato gerador do ITR, a posse  ou  o  domínio  útil  do  bem,  e  não  podia  exercer  quaisquer  dos  direitos  inerentes  à  condição  de  proprietário,  não  se  pode  considerá­lo  contribuinte  do  ITR  em  relação  ao  respectivo  imóvel.  No  Recurso  Especial,  a  Fazenda  Nacional  alegou  como  questão  central  a  sujeição passiva, no caso de imóvel invadido por terceiros.  Os membros  da Câmara Superior de Recursos Fiscais,  por unanimidade  de  votos, resolvem em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto  de qualidade, em dar­lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado a quo para análise  das demais questões postas no recurso voluntário. A ementa do Acórdão nº 9202­004.584 (fls.  639/653) está assim redigida:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  PROPRIEDADE  TERRITORIAL RURAL­ ITR   Exercício: 2002   LEGITIMIDADE  PASSIVA.  PROPRIEDADE  RURAL  INVADIDA POR TERCEIROS.  O proprietário de imóvel rural invadido por trabalhadores sem­ terra  possui  legitimidade  passiva  em  face  do  ITR,  até  que  a  Fl. 714DF CARF MF Processo nº 10183.003873/2006­21  Acórdão n.º 2401­005.438  S2­C4T1  Fl. 715          5 propriedade  seja  declarada  de  interesse  social  para  fins  de  reforma agrária, com imissão prévia do Poder Público na posse.   Por bem relatar os fatos até julgamento do Recurso Voluntário, transcreve­se  do Acórdão nº 2801­002.771 o relatório, conforme a seguir:  AUTUAÇÃO   Contra o  contribuinte acima  identificado  foi  lavrado o Auto de  Infração de  fls. 2 a 8, relativo ao Imposto sobre a Propriedade  Territorial  Rural  (ITR)  do  exercício  2002,  formalizando  a  exigência  de  imposto  suplementar  no  valor  de  R$  532.106,29,  acrescido de multa de ofício e juros de mora, referente ao imóvel  denominado “Fazenda Nossa Senhora da Medalha Milagrosa”,  localizado no município de Aripuanã MT, Número do Imóvel na  Receita Federal (NIRF) 0.752.9902.  O  lançamento  foi  decorrente  das  seguintes  infrações,  conforme  descrição dos fatos de fls. 6 e 7:  a)  glosa  da  área  de  utilização  limitada,  por  não  ter  sido  comprovada  a  averbação  dessa  área  no  Registro  de  Imóveis  competente,  e  pela  ausência  de  Ato  Declaratório  Ambiental  (ADA),  protocolado  junto  ao  IBAMA  no  prazo  de  seis  meses,  contado do término do prazo para entrega da DITR;   b)  glosa  da  área  de  exploração  extrativa,  pela  falta  de  comprovação do Plano de Manejo Florestal Sustentado;   IMPUGNAÇÃO   Cientificado  do  auto  de  infração,  o  contribuinte  apresentou,  tempestivamente, impugnação (fls. 124/189),  juntamente com os  documentos  de  fls.  195/257,  alegando,  em  síntese,  conforme  relatório do acórdão de primeira instância, que:  3.1 Os créditos tributários relativos aos exercícios de 2002  a 2005 são nulos porque foram formalizados por autoridade  incompetente  e  também  pelo  cerceamento  ao  direito  de  defesa;   3.2 O fiscal autuante para agir na condição de AFRF deve  apoiar­se em mandado de procedimento fiscal;   3.3 Não pode  ser  considerado  sujeito  passivo,  porque  não  possui mais a posse do imóvel, pois o mesmo fora invadido  pelos sem terras em 1998;   3.4  A  invasão  e  a  instauração  do  processo  pelo  Incra  ocorreram  apesar  de  existir  no  imóvel  um  projeto  de  manejo  florestal  sustentado  aprovado  pelo  Ibama  desde  fevereiro de 1987;  3.5 Vem apresentando as declarações do  ITR desde 1998,  efetuando o pagamento do  imposto como se devido  fosse,  para não ter seu nome incluído no CADIN e SERASA;   Fl. 715DF CARF MF Processo nº 10183.003873/2006­21  Acórdão n.º 2401­005.438  S2­C4T1  Fl. 716          6 3.6 A área de reserva legal existente no imóvel corresponde  a  80%,  devidamente  averbada  no  registro  imobiliário  e  reconhecida  pelo  Incra  conforme  Termo  de  Responsabilidade de Averbação Legal  expedido em 26 de  outubro de 1998;   3.7 O Valor da Terra Nua foi rejeitado porque o Laudo de  Avaliação de  imóvel  rural é de 1998, desacompanhado de  ART  do  engenheiro  responsável  pela  elaboração  do  documento;   3.8  A  avaliação  do  imóvel  foi  extremamente  baixa  em  virtude  da  pobreza  do  solo,  servindo  apenas  à  exploração  pecuária e extrativismo;   3.9 A exigência do ADA é descabida,  uma vez que o  art.  17­O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, dispensou a  sua  apresentação  para  comprovar  a  isenção  da  área  de  reserva legal;   3.10 Transcreveu ementa do Acórdão do Egrégio Tribunal  de  Justiça  para  justificar  seu  entendimento  relativo  à  exigência do Ato Declaratório Ambiental – ADA;   3.11 Se não  forem  aceitos  os  argumentos  da  impugnação,  seja  determinando  diligências/perícias.  Caso  não  sejam  aceitas  alegações  apresentadas,  sejam  determinadas  diligências  no  imóvel  a  fim  de  que  fique  comprovada  a  ocupação dos sem terras na propriedade;   3.12 Por último, requer a anulação do auto de infração por  cerceamento ao direito de defesa e por ter sido lavrado por  instrumento inadequado.”  ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA  A  DRJ/Campo  Grande  –  MS  julgou  o  lançamento  procedente  (fls. 271/285), nos termos da ementa a seguir transcrita:  Assunto:  Imposto  sobre  a  Propriedade  Territorial  Rural  ITR  Exercício: 2002   ARGUIÇÃO  DE  NULIDADE  PELA  AUSÊNCIA  DE  PROCEDIMENTO FISCAL MPF   A  ausência  de  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  na  revisão  sistemática  das  declarações  apresentadas  pelos  contribuintes,  relativas  a  tributos  ou  contribuições  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  não  acarreta  a  nulidade  do  lançamento. Somente serão nulos os atos e termos lavrados por  pessoa  incompetente  e  os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.  CERCEAMENTO DE DEFESA  A  alegação  de  cerceamento  do  direito  de  defesa  na  fase  do  lançamento  do  crédito  tributário  é  incabível,  pois,  o  direito  do  Fl. 716DF CARF MF Processo nº 10183.003873/2006­21  Acórdão n.º 2401­005.438  S2­C4T1  Fl. 717          7 contraditório  é  exercido  quando  da  impugnação  da  autuação,  momento este em que, de fato, se instaura a fase litigiosa.  PEDIDO DE PERÍCIA.  Há  de  ser  indeferido  o  pedido  de  perícia  que  visa  unicamente,  levantar provas a  favor do  contribuinte,  as quais  poderiam ser  produzidas por ele, por outros meios.  CONSTITUCIONALIDADE/LEGALIDADE.  Durante todo o curso do processo fiscal, onde o lançamento está  em discussão, os atos praticados pela administração obedecerão  aos  estritos  ditames  da  lei,  com  o  fito  de  assegurar­lhe  a  adequada  aplicação,  sendo­lhe  defeso  apreciar  argüições  de  aspectos da constitucionalidade da lei.  ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. ADA   Não reconhecidas como de interesse ambiental nem comprovada  a  protocolização  tempestiva  do  requerimento  do  Ato  Declaratório  junto  ao  IBAMA  ou  órgão  conveniado,  incide  o  imposto sobre a área declarada a título de reserva legal.  EXPLORAÇÃO EXTRATIVA.  Para  aceitação  da  área  utilizada  com  exploração  extrativa  declarada na DITR  é necessário  que  o  contribuinte  faça  prova  com o plano de manejo sustentado devidamente autorizado pelo  órgão  competente  e  que  o  cronograma  físico  financeiro  esteja  sendo cumprido no período a que se referir.  Lançamento Procedente.”  RECURSO VOLUNTÁRIO   Cientificado  do  acórdão  de  primeira  instância  em  13/1/2009  (Aviso  de  Recepção  de  fls.  290),  o  interessado  interpôs,  em  11/2/2009  (protocolo  de  fls.  293),  o  recurso  de  fls.  293/363,  juntamente  com  os  documentos  de  fls.  364/400,  expondo,  em  suma, os mesmos argumentos da impugnação, além de refutar as  razões de decidir adotadas no acórdão recorrido.  Ao final, requer que:  [...]  dirigindo­se  em  primeiro  lugar  ao  Douto  Relator,  que  determine  a  distribuição  aos  demais  Ilustres  Conselheiros  das anexas cópias da parte da petição de recurso denominada  "Medidas  confiscatórias  contra  o  impugnante"  (docs.  2/8),  para que todos formem juízo sobre o  tamanho do ônus que  está sendo injustamente imposto ao recorrente;   dirigindo­se  agora  a  todos  os  Doutos  Conselheiros,  que  profiram nova decisão, em que:  Fl. 717DF CARF MF Processo nº 10183.003873/2006­21  Acórdão n.º 2401­005.438  S2­C4T1  Fl. 718          8 extingam  o  processo  por  decisão  de  mérito,  se  de  plano  entenderem que podem fazê­lo;  caso contrário, decretem a nulidade do processo com base na  preliminar  de  nulidade  por  instrumento  inadequado  ou  na  preliminar por cerceamento do direito de defesa;   não  atendido  qualquer  dos  pedidos  anteriores,  decretem  a  nulidade da decisão recorrida, pelos defeitos relatados nesta  petição.  [...]  É o relatório.          Fl. 718DF CARF MF Processo nº 10183.003873/2006­21  Acórdão n.º 2401­005.438  S2­C4T1  Fl. 719          9   Voto Vencido  Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho ­ Relator  Retornam­se  os  autos  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais,  após  julgamento  do  Recurso  Especial  da  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  que  reconheceu,  no  caso,  a  legitimidade  passiva  do  recorrente,  para  apreciação  por  este  colegiado  das  demais  questões postas no recurso voluntário.  Questões Preliminares ­ Apreciadas no Acórdão nº 2801­002.771   Estando  superada  a questão  da  sujeição  passiva,  resta  como delimitação  da  lide  as demais questões  de mérito ventiladas na  peça  recursal,  considerando que  as questões  preliminares, cujo fundamentos do voto abaixo são reproduzidos, foram apreciadas no Acórdão  nº 2801­002.771 (fls. 517/520).  Voto   Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima, Relator   O  recurso  é  tempestivo  e  atende  as  demais  condições  de  admissibilidade, portanto merece ser conhecido.  Cumpre informar,  inicialmente, que não há previsão legal para  que o Relator do recurso voluntário determine a distribuição de  peças  do  processo  aos  demais  Conselheiros,  como  requer  o  recorrente. Por conseguinte esse pedido não será atendido.  Acerca  da  alegação  de  nulidade  do  lançamento,  sob  a  justificativa  de  não  ter  havido  perfeita  subsunção  do  fato  à  norma  que  fulcrou  o  lançamento  de  ofício,  não  há  qualquer  reparo  a  ser  feito  no  acórdão  recorrido,  que  esclareceu  perfeitamente  a  inexistência  de  vícios  ou  defeitos  que  possam  macular  o  lançamento.  Por  conseguinte  adoto  como  razões  de  decidir,  em  relação  a  esta  matéria,  os  fundamentos  exposto  naquele aresto, que reproduzo a seguir:  7. Preliminarmente o impugnante alega que “na espécie não  houve  a  perfeita  subsunção  do  fato  à  norma  que  fulcrou  o  lançamento de ofício”.  8.  No  Auto  de  Infração,  Descrição  dos  Fatos  e  Enquadramento Legal, fls. 26/27, consta a base legal, sendo  citada, para cada glosa, o dispositivo específico.  9. Apesar  de  não  ser  o  caso,  registre­se  que  o  lançamento,  como ato administrativo que é, pode, por deixar de conter os  elementos  formais  a  que  a  lei  obriga,  conter  vícios  ou  defeitos  . Nesta hipótese, a possibilidade de superar o vício  existente  é  limitada  pelo  fato  de  o  mesmo  haver  ou  não  Fl. 719DF CARF MF Processo nº 10183.003873/2006­21  Acórdão n.º 2401­005.438  S2­C4T1  Fl. 720          10 prejudicado,  de  alguma  forma,  alguns  dos  direitos  do  administrado, em especial o da ampla defesa.  10.  No  presente  caso,  além  de  não  conter  falha  no  enquadramento  legal,  a descrição de  fatos  realizada através  do  termo  de  fls.  26/27  foi  detalhada  e  completa,  não  deixando  dúvidas  acerca  da  imputação.  Ademais,  o  impugnante  revelou pleno conhecimento das acusações que  lhe foram imputadas, rebatendo­as em alentada defesa.  [...]  O  recorrente  requer,  também,  a  nulidade  do  lançamento,  por  entender ter sido formalizado por instrumento inadequado e por  autoridade  incompetente,  além  de  ter  havido  cerceamento  do  direito  de  defesa,  embora  não  tenha  demonstrado  com  clareza  esta última alegação.  O  presente  lançamento  foi  decorrente  de  um  procedimento  de  fiscalização  relativo  à  revisão  interna  da  DITR/2002  do  contribuinte, como pode ser constatado no Termo de Intimação  Fiscal de  fls. 16,  que deu  início ao  citado procedimento. Nesse  caso,  não  é  exigido  o  Mandado  de  Procedimento  Fiscal,  nos  termos  do  art.  11  da  Portaria  SRF  nº  6.087,  de  21/11/2005,  vigente  à  época  da  data  da  citada  Intimação,  a  seguir  reproduzido.  Art.  11.  O  MPF  não  será  exigido  nas  hipóteses  de  procedimento de fiscalização:  [...]  IV relativo à revisão interna das declarações, inclusive para  aplicação  de  penalidade  pela  falta  ou  atraso  na  sua  apresentação (malhas fiscais).  [...]  Cumpre assinalar que, no caso em apreço, não havia óbice legal  para  a  constituição  do  crédito  tributário  mediante  auto  de  infração,  haja  vista  o  disposto  no  art.  9º  do  Decreto  nº  70.235/72, cuja redação, à época, assim estabelecia:  [...]  O auto  de  infração  em  questão  obedeceu  a  todos  os  requisitos  previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, abaixo transcrito,  razão pela qual não se encontra eivado de nulidade.  Art. 10. [...]  Também  não  se  encontra  presente  qualquer  cerceamento  do  direito de defesa, como bem demonstrado no acórdão recorrido,  razão  pela  qual  adoto  como  razões  de  decidir  os  fundamentos  expostos  naquele  aresto  acerca  da  matéria,  que  reproduzo  a  seguir.  Fl. 720DF CARF MF Processo nº 10183.003873/2006­21  Acórdão n.º 2401­005.438  S2­C4T1  Fl. 721          11 “[...]  Alega ainda o impugnante que houve cerceamento ao direito  de  defesa,  por  esse  motivo,  o  lançamento  é  nulo.  Com  relação a esse argumento,  temos a salientar que o Princípio  do  Contraditório  e  da  Ampla  Defesa  transparece  na  Constituição Federal de 1988, em seu art. 5º, inciso LV, que  dita  que  “aos  litigantes,  em  processo  judicial  ou  administrativo,  e  aos  acusados  em  geral  são  assegurados  o  contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela  inerentes”.  A fase  litigiosa, na esfera administrativa,  se  instaura com a  impugnação contra o lançamento e, ainda, com o duplo grau  de jurisdição na apreciação das provas e dos argumentos de  defesa.  A  tramitação  de  um processo  administrativo  fiscal  envolve  dois procedimentos distintos: o oficioso e o contencioso.  A  primeira  fase  do  procedimento,  a  fase  oficiosa,  é  de  atuação  exclusiva  da  autoridade  tributária,  que  busca  obter  elementos visando demonstrar a ocorrência do fato gerador e  as demais circunstâncias relativas à exigência. O destinatário  desses  elementos  de  convencimento  é  o  contribuinte  que  pode  reconhecer  o  seu  débito,  recolhendo­o,  ou  o  julgador  administrativo,  no  caso  de  ser  apresentada  impugnação  ao  lançamento.  Na  fase  oficiosa,  portanto,  a  fiscalização  atua  com poderes  amplos  de  investigação,  tendo  liberdade  para  interpretar  os  elementos  de  que  dispõe  para  efetuar  o  lançamento.  Na  realidade,  nessa  fase  o  fisco  submete­se  à  regra  geral  do  ônus da prova prevista no Processo Civil – que serve como  fonte subsidiária ao processo administrativo fiscal. Incumbe  ao fisco, como autor, o ônus de provar os fatos constitutivos  do seu direito. Ou seja, como já ressaltado, cabe à autoridade  fazendária provar a ocorrência do  fato gerador  e as demais  circunstâncias  necessárias  à  constituição  do  crédito  tributário.  Se a fiscalização não se desincumbe a contento de sua tarefa,  não  se  extrai  daí  qualquer  problema  de  ordem  processual,  mas apenas insuficiência de provas contra o sujeito passivo.  E a suficiência ou não das provas, desde que estas não sejam  obtidas  de  forma  ilícita,  é  questão  relacionada  ao  próprio  mérito do lançamento.  A  fase  processual  –  contenciosa  –  da  relação  fisco  contribuinte  inicia­se  com  a  impugnação  tempestiva  do  lançamento  (art.  14  do  Decreto  nº  70.235,  de  1972)  e  se  caracteriza  pelo  conflito  de  interesses  submetido  à  Administração.  À  litigância  e  conseqüente  solução  desse  conflito  é  que  se  aplicam  as  garantias  constitucionais  da  observância do contraditório e da ampla defesa.  Fl. 721DF CARF MF Processo nº 10183.003873/2006­21  Acórdão n.º 2401­005.438  S2­C4T1  Fl. 722          12 Não  há  qualquer  deficiência  quanto  à  descrição  dos  fatos  constante  do  Auto  de  Infração,  de  fls.  01  a  10,  pois  o  autuado  revela  conhecer  as  acusações  que  lhe  foram  imputadas,  rebatendo­as  de  forma  meticulosa,  com  impugnação  que  abrange  questões  preliminares  como  também razões de mérito, por isso, não cabe a proposição de  cerceamento do direito de defesa. Esse é o entendimento de  Antonio  da  Silva  Cabral,  in  "Processo  Administrativo  Fiscal" (Ed. Saraiva, 1993, pág. 223):  "(...)  Por  outro  lado,  o  erro  na menção  da  norma  aplicável  não invalida, de imediato, o auto de infração, caso a infração  realmente  exista,  apesar  do  erro  na  citação  da  norma  aplicável.  (...)  " Referentemente  ao  pedido  de  diligências/perícias  in  loco, temos a salientar que o art. 18 do Decreto nº 70.235/72,  que regula o processo administrativo fiscal, in verbis:  “Art.  18  –  A  autoridade  julgadora  de  primeira  instância  determinará,  de ofício ou  a  requerimento do  impugnante,  a  realização  de  diligências  ou  perícias,  quando  entendê­las  necessárias,  indeferindo  as  que  considerar  prescindíveis  ou  impraticáveis.  Observado  o  disposto  no  art.  28,  in  fine.  (Redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/1993).”  Art. 28 – Na decisão em que for julgada questão preliminar,  será também julgado o mérito, salvo, quando incompatíveis,  e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de  diligência ou perícia, se for o caso. (Redação dada pelo art.  1º da Lei nº 8.748/1993).”  No  caso  em  exame,  considero  desnecessária  a  diligência  proposta pelo impugnante, por entendê­la dispensável para o  deslinde  do  presente  julgamento.  A  realização  de  perícia  pressupõe  que  o  fato  a  ser  provado  necessite  de  conhecimento  técnico  especializado e,  para o presente  caso  tal conhecimento não se torna necessário, por isso, indefiro o  pedido  de  diligências/perícias,  nos  termos  dos  artigos  ora  mencionados.  [...]”  Convém  ressaltar  que  o  pedido  de  diligência  somente  será  deferido  se  a  autoridade  julgadora  entender  ser  necessária  a  realização  desse  procedimento,  conforme  dispõe  o  art.  18  do  Decreto nº 70.235/72. Neste caso, aquela autoridade considerou  desnecessária  a  diligência,  tendo  explicado  as  razões  que  a  levaram  a  essa  conclusão,  as  quais  ratifico. Por  conseguinte  o  não atendimento da solicitação do contribuinte, neste caso, não  constitui cerceamento do direito de defesa.  Por tais razões rejeito as preliminares suscitadas.  Fl. 722DF CARF MF Processo nº 10183.003873/2006­21  Acórdão n.º 2401­005.438  S2­C4T1  Fl. 723          13 Pois  bem.  A  matéria  de  mérito  a  ser  apreciada  no  presente  julgamento  envolve basicamente a glosa das áreas de Utilização Limitada e da utilizada com a Exploração  Extrativa, nos termos dos demonstrativo de apuração do ITR/2002 (fls. 3/15).  Mérito   Área de Utilização Limitada (Reserva Legal)  Referente  à  área  de  Utilização  Limitada  (Reserva  Legal),  informa  o  recorrente que não conseguiu as matrículas atualizadas (onze glebas rurais) do imóvel com as  devidas averbações, em tempo hábil, estando apresentando agora com a presente petição. Diz  ainda que os Termos de Responsabilidade de Averbação Legal expedidos pelo  INCRA estão  nos autos do processo de desapropriação nº INCRA/54540.000448/99­89.  Questiona a exigência do Ato Declaratório Ambiental  ­ ADA, entende que,  no  caso,  é  incabível  essa  exigência,  visto  que  o  disposto  no  caput  do  art.  17­O  da  Lei  nº  6.938/81  deve  ser  entendido  como  está  escrito,  ou  seja,  aplicável  aos  proprietários  que  se  beneficiarem com redução do valor do ITR com base em ADA.   Prossegue afirmando que a exclusão da área de reserva legal é permitida pelo  disposto  no  art.  10,  §§  1º  e  7º,  da  Lei  nº  9.393/96. Aduz  ainda  que  o Decreto  nº  4.382/02,  Regulamento do ITR, destoou da Lei, ao estabelecer no seu art. 10 a obrigatoriedade de ADA  para a área de reserva legal.  Pois bem. Tem­se como primeiro ponto a ser esclarecido o disposto no art. 10  da Lei nº 9.393/96, que está assim redigido:   Lei n° 9.393/96  Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo  contribuinte,  independentemente  de  prévio  procedimento  da  administração  tributária,  nos  prazos  e  condições  estabelecidos  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  sujeitando­se  a  homologação posterior.  [...]  II ­ área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas:  a)  de  preservação  permanente  e  de  reserva  legal,  previstas  na  Lei nº 4.771, de 15 de  setembro de 1965,  com a  redação dada  pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989;  a)  de  preservação  permanente  e  de  reserva  legal,  previstas  na  Lei no 12.651, de 25 de maio de 2012; (Redação dada pela Lei nº  12.844, de 2013) (Vide art. 25 da Lei nº 12.844, de 2013)  b)  de  interesse  ecológico  para  a  proteção  dos  ecossistemas,  assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou  estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea  anterior;  c)  comprovadamente  imprestáveis  para  qualquer  exploração  agrícola,  pecuária,  granjeira,  aqüícola  ou  florestal,  declaradas  Fl. 723DF CARF MF Processo nº 10183.003873/2006­21  Acórdão n.º 2401­005.438  S2­C4T1  Fl. 724          14 de  interesse  ecológico  mediante  ato  do  órgão  competente,  federal ou estadual;   d)  as  áreas  sob  regime  de  servidão  florestal.(Incluído  pela  Medida Provisória nº 2.166­67, de 2001)  d) sob regime de servidão florestal ou ambiental;(Redação dada  pela Lei nº 11.428, de 2006)  d) sob regime de servidão ambiental; (Redação dada pela Lei nº  12.651, de 2012).  e)  cobertas  por  florestas  nativas,  primárias  ou  secundárias  em  estágio médio ou avançado de regeneração;(Incluído pela Lei nº  11.428, de 2006)  f)  alagadas  para  fins  de  constituição  de  reservatório  de  usinas  hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluído pela Lei nº  11.727, de 2008)  [...]  §7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de  que  tratam as alíneas "a" e "d" do  inciso II, § 1o, deste artigo,  não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante,  ficando  o  mesmo  responsável  pelo  pagamento  do  imposto  correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique  comprovado  que  a  sua  declaração  não  é  verdadeira,  sem  prejuízo  de  outras  sanções  aplicáveis.  (Incluído  pela  Medida  Provisória nº 2.166­67, de 2001) (Revogada pela Lei nº 12.651,  de 2012).  Infere­se do caput do dispositivo em referência que cabe ao sujeito passivo  apurar o imposto sobre a propriedade territorial rural e efetuar o seu recolhimento, sem prévio  exame da autoridade administrativa. Esse é o típico lançamento por homologação, previsto no  art. 150 do Código Tributário Nacional, in verbis:   Lei n° 5.172/66  Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos  tributos  cuja  legislação  atribua  ao  sujeito  passivo  o  dever  de  antecipar  o  pagamento  sem  prévio  exame  da  autoridade  administrativa, opera­se pelo ato em que a referida autoridade,  tomando  conhecimento  da  atividade  assim  exercida  pelo  obrigado, expressamente a homologa.  Este  colegiado  tem  entendido,  no  bojo  de  seus  julgados,  que  a  dispensa  de  comprovação relativa à área de utilização limitada (Reserva Legal), nos termos do § 7°, do art.  10, da Lei n° 9.363 e suas as alterações, ocorre quando da entrega da declaração do ITR, o que  não  dispensa  o  contribuinte  de,  uma  vez  sob  procedimento  de  ofício,  comprovar  as  informações  contidas  em  sua  declaração  por  meio  dos  documentos  hábeis  previstos  na  legislação de regência da matéria.   Feitos  estas  considerações,  entendo  que,  em  relação  ao  caso  em  apreço,  Lançamento de Ofício do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, exercício 2002, para  Fl. 724DF CARF MF Processo nº 10183.003873/2006­21  Acórdão n.º 2401­005.438  S2­C4T1  Fl. 725          15 que  a  área  declarada  como  de  utilização  limitada  (Reserva  Legal)  seja  excluída  da  área  tributável, o sujeito passivo deve comprovar a averbação da área junto ao Cartório de Registro  competente e apresentar Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado junto ao IBAMA.  O § 1º, inciso II, alínea “a”, do artigo 10 da Lei n. 9.393/96, ao definir a base  de  cálculo  do  ITR,  remete  expressamente  à  Lei  nº  4.771/65,  e  alterações,  para  fins  de  reconhecimento da base de cálculo do imposto, considerando que a área de reserva legal, por se  tratar de limites mínimos de conservação previstos em lei (art. 16 e incisos da Lei nº 4.771/65),  somente  opera  efeitos  redutores  do  critério  quantitativo  do  ITR,  se  e  somente  se  averbada  à  margem da inscrição de matrícula do imóvel.  Registre­se que, consoante cópias de matrículas dos registros dos  imóveis e  termos  de  responsabilidade  de  averbação  (fls.  205/239),  constam  averbadas  apenas  parte  do  área do imóvel.   Ainda em relação ao argumento de que a reserva legal corresponde a 80% da  totalidade  do  imóvel,  necessário  esclarecer  que  o  art.  16  do  Código  Florestal  permite  a  supressão  da  área  como  de  reserva  legal  desde  que,  também,  o  contribuinte  promova  a  averbação de referida área à margem da inscrição da matrícula do imóvel e seja informada em  ADA.  No tocante à exigência do Ato Declaratório Ambiental ­ ADA, considero que,  com o advento no ordenamento jurídico do art. 1º da Lei nº 10.165, de 2000, que incluiu o art.  17­O, § 1º na Lei nº 6.938, de 1981, a obrigatoriedade de apresentação do ADA, para fins de  exclusão das áreas de preservação permanente e de utilização limitada (reserva legal) da base  de cálculo do ITR, é requisito obrigatório a partir do exercício 2001, in verbis:  Art.  17­O  Os  proprietários  rurais  que  se  beneficiarem  com  redução  do  valor  do  Imposto  sobre  a  Propriedade  Territorial  Rural  –  ITR,  com  base  em  Ato  Declaratório  Ambiental  ADA,  deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11  do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título  de Taxa de Vistoria." (NR)  [...]  §  1o  A  utilização  do  ADA  para  efeito  de  redução  do  valor  a  pagar do ITR é obrigatória.  Compulsando os autos, verifica­se que não consta apresentação do ADA, nos  termos  em  que  dispõe  o  §1º  do  art.  17­O  da  Lei  nº  6.938/81.  Em  que  pese  os  argumentos  apresentados pelo recorrente, no sentido de que a lei dispensa a entrega do ADA relativo a área  de Reserva Legal, entendo que, no caso, não está satisfeita uma das condições para o gozo do  benefício fiscal.  Registre­se também que foi essa conclusão da decisão a quo: " Analisando a  documentação apresentada aos autos, confirma­se a não apresentação do Ato Declaratório Ambiental  — ADA do Ibama para o reconhecimento da área declarada a título de reserva legal como de interesse  ambiental como determina a lei e que permite a sua exclusão da incidência do ITR".  Portanto,  sem  razão  o  recorrente.  Mantém­se  a  glosa  da  área  de  Reserva  Legal.  Fl. 725DF CARF MF Processo nº 10183.003873/2006­21  Acórdão n.º 2401­005.438  S2­C4T1  Fl. 726          16 Área de Utilizada com Exploração Extrativa   Analisando o Recurso Voluntário, verifica­se que não houve defesa em face  do  v.  acórdão  recorrido  relativa  à  área declarada  com  exploração  extrativa.  Portanto,  resta o  decidido pela DRJ de origem, que assim concluiu:  56.  Assim  sendo,  considerando­se  que  não  foi  cumprida  a  exigência anteriormente fundamentada, para fins de exclusão da  área declarada como sendo de utilização  limitada/reserva legal  da  incidência do  ITR, bem como não  ficou comprovada a área  declarada como utilizada com exploração extrativa, entendo que  as  glosas  efetuadas  pela  fiscalização  devem  ser  mantidas.  (grifou­se)  Tributação não admitida pelo STJ  Em  relação  a  jurisprudência  do  STJ,  citada  pelo  recorrente,  necessário  esclarecer  que,  em  regra,  o  julgado  aplica­se  ao  caso  concreto.  As  decisões  com  força  vinculante aplica­se aos demais órgãos da administração pública, no caso do CARF, por força  do art. 62 do seu Regimento Interno, que assim dispõe:  62. [...]  § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo  Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  dos  arts.  543­B  e  543­C  da  Lei  nº  5.869,  de  1973,  ou  dos  arts.  1.036  a  1.041  da  Lei  nº  13.105,  de  2015  ­  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas pelos conselheiros no  julgamento dos recursos no  âmbito do CARF.  (Redação dada pela Portaria MF nº  152,  de  2016).  Conclusão  Em vista do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso, para rejeitar as  preliminares,  conforme  voto  no  Acórdão  nº  2801­002.771  (fls.  517/520),  e  no  mérito,  de  acordo  decisão  da  CSRF  no  Acórdão  nº  9202­004.584  (fls.  639/653),  que  reconheceu  a  legitimidade passiva do recorrente, NEGAR­LHE provimento.    (assinado digitalmente)  Francisco Ricardo Gouveia Coutinho      Fl. 726DF CARF MF Processo nº 10183.003873/2006­21  Acórdão n.º 2401­005.438  S2­C4T1  Fl. 727          17   Voto Vencedor  Conselheiro Cleberson Alex Friess ­ Redator Designado  Peço  vênia  ao  I.  Relator  para  divergir  do  seu  voto  quanto  à  Área  de  Utilização Limitada (Reserva Legal).  A  autoridade  fiscal  efetivou  a  glosa  da  área  declarada  pelo  contribuinte  a  título de utilização limitada, equivalente a 21.971,6 ha (fls. 02/11). Nessa matéria, o recorrente  assevera que a apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) não é condição necessária  e obrigatória para a fruição da redução do valor a pagar do imposto.  Pois bem. De início, esclareço que a decisão nos autos mantém congruência  com  os  julgamentos  dos  recursos  voluntários  nos  Processos  nº  10820.720005/2006­56,  exercício  de  2003,  e  10820.720007/2006­45,  exercício  de  2005,  relativos  ao mesmo  imóvel  rural e contribuinte, os quais foram distribuídos para minha relatoria e apreciados nesta mesma  sessão do colegiado.  Concordo  com  o  I.  Relator  que  a  apresentação  do  ADA  para  efeito  de  redução da área  tributável,  antes opcional,  passou a  ser obrigatória  com  o advento da Lei nº  10.165, de 27 de dezembro de 2000, que alterou a redação do § 1º do art. 17­O da Lei nº 6.938,  de 31 de agosto de 1981.  Por sua vez, o § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996,  revogado pela Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012, que aprovou o novo Código Florestal, não  quis tornar inexigível a apresentação do ADA para o reconhecimento das áreas não tributáveis,  em detrimento ao conteúdo do § 1º do art. 17­O da Lei nº 6.938, de 1981:   Art. 10 (...)  §  7º  A  declaração  para  fim  de  isenção  do  ITR  relativa  às  áreas  de  que  tratam as  alíneas  "a"  e  "d"  do  inciso  II,  §  1º,  deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte  do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento  do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta  Lei,  caso  fique  comprovado  que  a  sua  declaração  não  é  verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis  A meu ver,  o  texto do § 7º do  art.  10 da Lei nº  9.393, de 1996,  cuidou  de  explicitar  apenas  que  o  Imposto  sobre  a  Propriedade  Territorial  Rural  (ITR)  é  um  tributo  sujeito ao lançamento por homologação, ficando dispensada a comprovação da informação da  área em ADA no momento da entrega da declaração.  Nesse sentido, como argumento de reforço, sublinho que a  interpretação do  dispositivo  de  lei  está  alinhada  com  o  entendimento  dado  pelo  Poder  Executivo  quando  da  regulamentação da matéria, por meio do inciso I do § 3º do art. 10 do Decreto nº 4.382, de 19  de setembro de 2002:  Fl. 727DF CARF MF Processo nº 10183.003873/2006­21  Acórdão n.º 2401­005.438  S2­C4T1  Fl. 728          18 Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as  áreas (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, inciso II):  I  ­  de  preservação  permanente  (Lei  nº  4.771,  de  15  de  setembro  de  1965  ­  Código  Florestal,  arts.  2º  e  3º,  com  a  redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989, art.  1º);  II  ­  de  reserva  legal  (Lei  nº  4.771,  de  1965,  art.  16,  com  a  redação dada pela Medida Provisória nº 2.166­67, de 24 de  agosto de 2001, art. 1º);  (...)  §  3º  Para  fins  de  exclusão  da  área  tributável,  as  áreas  do  imóvel rural a que se refere o caput deverão:  I  ­  ser  obrigatoriamente  informadas  em  Ato  Declaratório  Ambiental  ­  ADA,  protocolado  pelo  sujeito  passivo  no  Instituto  Brasileiro  do  Meio  Ambiente  e  dos  Recursos  Naturais  Renováveis  ­  IBAMA,  nos  prazos  e  condições  fixados  em ato normativo  (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de  1981, art. 17­O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei  nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000); e  II ­ estar enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos I a  VI em 1º de janeiro do ano de ocorrência do fato gerador do  ITR.  (...)  (GRIFEI)  Nada  obstante,  a  despeito  de  tal  opinião,  o  Poder  Judiciário  tem  inúmeros  precedentes,  aplicáveis  a  fatos  geradores  anteriores  à  Lei  nº  12.651,  de  2012,  no  sentido  da  dispensa da apresentação do ADA para  reconhecimento da  isenção das  áreas de preservação  permanente  e  de  reserva  legal,  com  vistas  a  afastá­las  da  tributação  do  ITR,  a  partir  de  um  determinado viés interpretativo para o § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996.  Com  essa  finalidade,  inclusive,  a  Procuradoria­Geral  da  Fazenda  Nacional  (PGFN),  órgão  responsável  pela  defesa  em  juízo  do  crédito  tributário  da União,  elaborou  o  Parecer  PGFN/CRJ  nº  1.329/2016,  em  que  dispensa  o  Procurador  da  Fazenda  Nacional,  relativamente a fatos geradores anteriores à Lei nº 12.651, de 2012, de contestar e recorrer nas  demandas  judiciais  que  versem  sobre  a  necessidade  de  apresentação  do  ADA  para  fins  do  reconhecimento do direito à isenção do ITR em área de preservação permanente e de reserva  legal.  Tal  orientação  foi  incluída  no  item  1.25,  "a",  da  Lista  de  dispensa  de  contestar  e  recorrer,  tendo  em  vista  a  jurisprudência  consolidada  no  Superior  Tribunal  de  Justiça, desfavorável à Fazenda Nacional (art. 2º, incisos V, VII e §§3º a 8º, da Portaria PGFN  nº 502/2016).  Fl. 728DF CARF MF Processo nº 10183.003873/2006­21  Acórdão n.º 2401­005.438  S2­C4T1  Fl. 729          19 À vista disso, embora o entendimento não tenha caráter vinculante no âmbito  deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a falta de ADA não deve ser considerada  impeditiva à exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, mantendo, desse  modo, coerência com a conduta que seria adotada pela Procuradoria da Fazenda Nacional caso  a questão controvertida fosse levada à apreciação do Poder Judiciário.  Conquanto prescindível o ADA, com respeito à área de reserva legal há um  requisito adicional para considerá­la alheia à tributação do imposto lançado. É que a alínea "a"  do  inciso  II  do  §  1º  do  art.  10  da  Lei  nº  9.393,  de  1996,  reporta­se  expressamente  às  disposições da Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, à época o Código Florestal brasileiro.  Por sua vez, o art. 16 do Código Florestal disciplinava características da área de reserva legal.  Transcrevo o § 8º desse artigo:  Art.  16.  As  florestas  e  outras  formas  de  vegetação  nativa,  ressalvadas  as  situadas  em  área  de  preservação  permanente,  assim  como  aquelas  não  sujeitas  ao  regime  de  utilização  limitada  ou  objeto  de  legislação  específica,  são  suscetíveis  de  supressão, desde que sejam mantidas, a  título de  reserva  legal,  no mínimo:   (...)  §  8º  A  área  de  reserva  legal  deve  ser  averbada  à margem  da  inscrição  de  matrícula  do  imóvel,  no  registro  de  imóveis  competente,  sendo  vedada  a  alteração  de  sua  destinação,  nos  casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou  de retificação da área, com as exceções previstas neste Código.  (...)  (GRIFEI)  Do  texto  em  destaque  percebe­se  que  a  legislação  federal  traz  a  obrigatoriedade  da  averbação  da  área  de  reserva  legal  na  matrícula  do  imóvel,  a  fim  de  comprovar formalmente a área preservada destinada à reserva legal.  O ato de averbação é dotado de eficácia constitutiva, condicionante do direito  de  usufruir  a  isenção  fiscal.  Para  escapar  à  incidência  tributária  é  indispensável  a  prévia  averbação da área de reserva legal à margem da inscrição da matrícula do imóvel. Em outros  dizeres, a averbação deverá ocorrer até a data da ocorrência do fato gerador do imposto como  prova da existência da área de reserva  legal. Senão vejamos, o § 1º do art. 12 do Decreto nº  4.382, de 2002:  Art. 12. São áreas de reserva legal aquelas averbadas à margem  da  inscrição  de  matrícula  do  imóvel,  no  registro  de  imóveis  competente,  nas  quais  é  vedada  a  supressão  da  cobertura  vegetal,  admitindo­se  apenas  sua  utilização  sob  regime  de  manejo florestal sustentável (Lei nº 4.771, de 1965, art. 16, com  a redação dada pela Medida Provisória nº 2.166­67, de 2001).  § 1º Para efeito da legislação do ITR, as áreas a que se refere o  caput deste artigo devem estar averbadas na data de ocorrência  do respectivo fato gerador.    (...)  Fl. 729DF CARF MF Processo nº 10183.003873/2006­21  Acórdão n.º 2401­005.438  S2­C4T1  Fl. 730          20 Segundo  os  documentos  que  instruem  os  autos,  o  imóvel  rural  é  composto  por 11 (onze) glebas contíguas com as seguintes matrículas constantes do 6º Serviço Notarial e  Registro de Imóveis de Cuiabá (MT): nº 23.377, de 27/12/1985; nº 22.748, de 23/10/1985; nº  16.823,  de  24/10/1983;  nº  16.822,  de  24/10/1983;  nº  16.820,  de  24/10/1983;  nº  16.821,  de  24/10/1983; nº 24.868, de 05/06/1986; nº 15.660, de 29/04/1983; nº 15.656, de 29/04/1983; nº  15.657, em 29/04/1983; e nº 21.867, de 15/08/1985 (fls. 205/232).  Contudo,  referente  à  área  de  reserva  legal,  encontrava­se  averbada  tão  somente em 4 matrículas, a saber: AV­3/15.660 (1.242,9 ha), AV­3/16.821 (1.250,0 ha), AV­ 3/21.867  (832,0  ha)  e  AV­3/24.868  (1.250/0  ha),  totalizando  uma  área  de  4.574,9  ha  (fls.  220/221, 223/224, 226/227 e 232).  Em todos os casos, a área de reserva legal foi anotada à margem da inscrição  da matrícula do imóvel rural antes da ocorrência do fato gerador do lançamento fiscal, ou seja,  antes de 01/01/2002.  Logo,  independentemente  da  apresentação  do  ADA,  cabe  reconhecer  uma  Área de Utilização Limitada (Reserva Legal) igual a 4.574,9 ha.  Por  outro  lado,  é  irrelevante  para  a  redução  da  base  de  cálculo  a  argumentação de que o reclamante só não ultimou a averbação das demais áreas em razão do  seu  desapossamento,  na medida  em que  já  haviam  sido  objeto  de  levantamento  topográfico,  realizado  por  técnico  habilitado,  bem  como  providenciada  a  assinatura  de  Termos  de  Responsabilidade  de Averbação Legal  junto  ao  Instituto Brasileiro  do Meio Ambiente  e dos  Recursos Naturais Renováveis (Ibama), expedidos em 26/10/1998 (fls. 233/239).  Como  acima  justificado,  a  averbação  no  registro  de  imóveis  da  área  eleita  pelo proprietário e/ou possuidor como reserva legal é ato constitutivo do direito à exclusão da  tributação. Somente após a realização do ato de averbação à margem da inscrição da matrícula  do  imóvel,  no  registro  de  imóveis  competente,  é  que  o  sujeito  passivo  poderá  suprimi­la  da  base de cálculo para apuração do ITR.  Conclusão  Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso  voluntário para reconhecer uma Área de Utilização Limitada (Reserva Legal) de 4.574,9 ha.  É como voto.    (assinado digitalmente)  Cleberson Alex Friess                Fl. 730DF CARF MF

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Numero do processo: 12448.725355/2011-04
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 RECURSO ESPECIAL. CONTEXTOS FÁTICOS DIFERENTES. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados. Hipótese em que o acórdão recorrido se fundamenta em situação jurídica não existente quando do julgamento do acórdão paradigma.
Numero da decisão: 9202-006.844
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Votaram pelas conclusões os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Pedro Paulo Pereira Barbosa. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI

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9202­006.844  –  2ª Turma   Sessão de  22 de maio de 2018  Matéria  IRPF  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  CONSUELO MAGALHAES COUTINHO    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2009  RECURSO  ESPECIAL.  CONTEXTOS  FÁTICOS  DIFERENTES.  COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE.  O  Recurso  Especial  da  Divergência  somente  deve  ser  conhecido  se  restar  comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência  tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados.  Hipótese em que o acórdão recorrido se fundamenta em situação jurídica não  existente quando do julgamento do acórdão paradigma.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  não  conhecer  do  Recurso  Especial.  Votaram  pelas  conclusões  os  conselheiros  Elaine  Cristina  Monteiro e Silva Vieira e Pedro Paulo Pereira Barbosa.    (assinado digitalmente)  Maria Helena Cotta Cardozo ­ Presidente em exercício    (assinado digitalmente)  Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri ­ Relatora  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Elaine  Cristina  Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes,     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 53 55 /2 01 1- 04 Fl. 108DF CARF MF   2 Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri,  Maria Helena Cotta Cardozo.    Relatório  Trata­se  de  Recurso  Especial  de  Divergência  interposto  pela  Fazenda  Nacional  contra  acórdão  que  deu  provimento  ao  recurso  voluntário  do  contribuinte  para  determinar o cancelamento do lançamento por meio do qual exige­se IRPF sobre rendimentos  recebidos acumuladamente em razão de decisão proferida em ação judicial.  O acórdão recorrido recebeu a seguinte ementa:  ASSUNTO:  IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA  IRPF  Exercício: 2005  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS  RECEBIDOS  ACUMULADAMENTE.  FORMA  DE  TRIBUTAÇÃO.  JURISPRUDÊNCIA DO STJ E STF. ART. 62, §2º DO ANEXO II  AO REGIMENTO INTERNO DO CARF.  No  caso  de  rendimentos  pagos  acumuladamente  em  cumprimento de decisão judicial, a incidência do imposto ocorre  no  mês  de  recebimento,  mas  o  cálculo  do  imposto  deverá  considerar  os  períodos  a  que  se  referirem  os  rendimentos,  evitando­se, assim, ônus tributário ao contribuinte maior do que  o  devido,  caso  a  fonte  pagadora  tivesse  procedido  tempestivamente  ao  pagamento  dos  valores  reconhecidos  em  juízo.  Jurisprudência  do  STJ  e  do  STF,  com  aplicação  da  sistemática dos Arts. 543 B e 543 C do CPC/1973. Art. 62, §2º  do RICARF determinando a reprodução do entendimento.  Inconformada  com  a  decisão,  a  Fazenda  Nacional  apresentou  o  presente  recurso.  A  recorrente  requer  a  aplicação  ao  caso  do  entendimento  externado  no  acórdão  paradigma o  qual  encaminhou pela manutenção  do  auto  de  infração,  apenas  determinando  a  retificação do montante do crédito tributário com a aplicação das tabelas progressiva vigentes à  época da aquisição dos rendimentos ­ regime de competência.  Intimado  o  contribuinte  apresentou  contrarrazões.  pugnando  pelo  não  conhecimento  do  recurso  sob  o  argumento  de  que  os  acórdãos  recorrido  e  paradigma  são  convergentes,  pois  ambos  defendem  a  aplicação  do  regime  de  competência  aos  rendimentos  recebidos  acumuladamente;  no  mérito  requer  a  manutenção  da  decisão  por  seus  próprios  fundamentos.  É o relatório.    Voto             Fl. 109DF CARF MF Processo nº 12448.725355/2011­04  Acórdão n.º 9202­006.844  CSRF­T2  Fl. 109          3 Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri ­ Relatora    Do Conhecimento:  Antes  de  analisarmos  o  mérito,  pertinente  também  tecer  algumas  considerações acerca do conhecimento do recurso.  Conforme  exposto  no  relatório,  por  meio  do  Recurso  Especial  a  Fazenda  Nacional devolve a este Colegiado a discussão  acerca do  critério utilizado para o cálculo do  IRPF  incidente  sobre  rendimento  recebidos  acumuladamente,  mais  especificamente  sobre  a  possibilidade de retificação de lançamento que na origem utilizou­se do critério de caixa para o  cálculo  do  imposto.  Discute­se  sobre  a  possibilidade  ou  não  do  órgão  julgador  refazer  o  lançamento na tentativa de corrigir o equívoco perpetrado pela autoridade lançadora.  Lembramos  que  o  recurso  é  baseado  no  art.  67,  do  Regimento  Interno  (RICARF),  o  qual  define  que  caberá  Recurso  Especial  de  decisão  que  der  à  lei  tributária  interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial  ou  a  própria Câmara  Superior  de Recursos  Fiscais. Assim  trata­se  de  recurso  com  cognição  restrita,  não  podendo  a  CSRF  ser  entendida  como  uma  terceira  instância,  ela  é  instância  especial,  responsável  pela  pacificação  de  conflitos  interpretativos  e,  conseqüentemente,  pela  garantia da segurança jurídica.  Assim,  para  caracterização  de  divergência  interpretativa  exige­se  como  requisito  formal  que  os  acórdãos  recorrido  e  aqueles  indicados  como  paradigmas  sejam  suficientemente  semelhantes  para  permitir  o  'teste  de  aderência',  ou  seja,  deve  ser  possível  avaliar que o entendimento fixado pelo Colegiado paradigmático seja perfeitamente aplicável  ao caso sob análise, assegurando assim o provimento do recurso interposto.  No presente caso entendo que este requisito não foi cumprido.  Embora  a  tese  enfrentada  nos  acórdãos  envolva  o  critério  de  apuração  do  IRPF sobre rendimentos recebidos acumuladamente, discutindo­se pela aplicação do regime de  caixa ou de competência e divergindo sobre a possibilidade de se manter o lançamento com o  mero recálculo dos valores, entendo que a fundamentação das decisões são diversas.  Me refiro ao fato de o acórdão recorrido ter aplicado para solução da lide o  art.  62­A  do  RICARF  em  razão  da  decisão  do  Supremo  Tribunal  Federal  no  Recurso  Extraordinário  nº  614.406,  julgado  sob  a  sistemática  da  Repercussão  Geral,  cujo  acórdão  transitou em julgado em 09.12.2014.  O acórdão  indicado como paradigma foi proferido em contexto diverso. Na  ocasião ainda não tínhamos a decisão vinculante do STF sobre o tema, razão pela qual aquele  Colegiado  não  fez  qualquer  consideração  sobre  sua  aplicação  ao  caso.  O  Colegiado  paradigmático,  embora  tenha  entendido  pela  possibilidade  de  refazimento  do  lançamento  do  IRPF sob o regime de competência o fez exclusivamente com base no entendimento externado  pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.118.429.  Assim, considerando que o Colegiado paradigmático não analisou a matéria  sob  o  mesmo  prisma  da  turma  a  quo  pela  completa  impossibilidade  de  se  debruçar  sobre  Fl. 110DF CARF MF   4 decisão ainda não existente no mundo jurídico, entendo que estamos diante de situações fáticas  distintas o que impede o conhecimento do presente recurso especial.  Diante  de  todo  o  exposto,  deixo  de  conhecer  do  recurso  interposto  pela  Fazenda Nacional.    (assinado digitalmente)  Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri                            Fl. 111DF CARF MF

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