Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,224)
- Segunda Câmara (27,799)
- Primeira Câmara (25,084)
- Segunda Turma Ordinária d (17,395)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,074)
- Primeira Turma Ordinária (15,860)
- Primeira Turma Ordinária (15,855)
- Primeira Turma Ordinária (15,831)
- Segunda Turma Ordinária d (15,688)
- Segunda Turma Ordinária d (14,225)
- Primeira Turma Ordinária (12,958)
- Primeira Turma Ordinária (12,272)
- Segunda Turma Ordinária d (12,235)
- Quarta Câmara (11,513)
- Primeira Turma Ordinária (11,304)
- Quarta Câmara (83,955)
- Terceira Câmara (66,335)
- Segunda Câmara (54,592)
- Primeira Câmara (19,126)
- 3ª SEÇÃO (16,074)
- 2ª SEÇÃO (11,242)
- 1ª SEÇÃO (6,788)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (122,260)
- Segunda Seção de Julgamen (113,023)
- Primeira Seção de Julgame (75,502)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,910)
- Câmara Superior de Recurs (37,700)
- Terceiro Conselho de Cont (25,965)
- IPI- processos NT - ressa (5,006)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,057)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,860)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,242)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,099)
- IRPJ - restituição e comp (2,087)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,641)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,197)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,619)
- HELCIO LAFETA REIS (3,510)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,210)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,899)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,625)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,605)
- WILDERSON BOTTO (2,588)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,074)
- 2021 (35,828)
- 2019 (30,958)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,914)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,465)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,086)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,176)
- 2010 (18,058)
- 2008 (17,077)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,838)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 10283.902676/2008-20
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
PRAZO PARA COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO
O acórdão do STF, em repercussão geral, deslocou o marco inicial para aplicação do prazo de cinco anos conforme o art. 168 do CTN e o art. 3º da LC 118/05, para a data do ajuizamento de ação, diversamente ao que havia reconhecido o STJ - marco inicial na data do pagamento indevido consoante o art. 150, § 1º, do CTN. Data do declaração de compensação como data do ajuizamento da ação, para aplicação da exegese consagrada pelo STF aos feitos administrativos, sob pena de extensão ou de mutilação do prazo. Não consumação do fenômeno decadencial (ou prescritivo). Autos que devem retornar ao órgão de origem para apreciação do mérito.
Numero da decisão: 1103-000.966
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento parcial ao recurso, para afastar o fundamento adotado no despacho decisório para negativa da compensação correspondente ao alegado saldo negativo de IRPJ do 3º trimestre de 1999 e determinar a devolução dos autos à DRF de origem para exame do mérito, após o que deve ser retomado o rito processual disciplinado no Decreto 70.235/72, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva- Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Takata - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999 PRAZO PARA COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO O acórdão do STF, em repercussão geral, deslocou o marco inicial para aplicação do prazo de cinco anos conforme o art. 168 do CTN e o art. 3º da LC 118/05, para a data do ajuizamento de ação, diversamente ao que havia reconhecido o STJ - marco inicial na data do pagamento indevido consoante o art. 150, § 1º, do CTN. Data do declaração de compensação como data do ajuizamento da ação, para aplicação da exegese consagrada pelo STF aos feitos administrativos, sob pena de extensão ou de mutilação do prazo. Não consumação do fenômeno decadencial (ou prescritivo). Autos que devem retornar ao órgão de origem para apreciação do mérito.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10283.902676/2008-20
anomes_publicacao_s : 201401
conteudo_id_s : 5315819
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1103-000.966
nome_arquivo_s : Decisao_10283902676200820.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : MARCOS SHIGUEO TAKATA
nome_arquivo_pdf_s : 10283902676200820_5315819.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento parcial ao recurso, para afastar o fundamento adotado no despacho decisório para negativa da compensação correspondente ao alegado saldo negativo de IRPJ do 3º trimestre de 1999 e determinar a devolução dos autos à DRF de origem para exame do mérito, após o que deve ser retomado o rito processual disciplinado no Decreto 70.235/72, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva- Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Takata - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva.
dt_sessao_tdt : Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
id : 5242177
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:16:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046369798717440
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2181; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T3 Fl. 109 1 108 S1C1T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.902676/200820 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1103000.966 – 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 7 de novembro de 2013 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente DOUGLAS INDÚSTRIA ELETRÔNICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 PRAZO PARA COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO O acórdão do STF, em repercussão geral, deslocou o marco inicial para aplicação do prazo de cinco anos conforme o art. 168 do CTN e o art. 3º da LC 118/05, para a data do ajuizamento de ação, diversamente ao que havia reconhecido o STJ marco inicial na data do pagamento indevido consoante o art. 150, § 1º, do CTN. Data do declaração de compensação como data do ajuizamento da ação, para aplicação da exegese consagrada pelo STF aos feitos administrativos, sob pena de extensão ou de mutilação do prazo. Não consumação do fenômeno decadencial (ou prescritivo). Autos que devem retornar ao órgão de origem para apreciação do mérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento parcial ao recurso, para afastar o fundamento adotado no despacho decisório para negativa da compensação correspondente ao alegado saldo negativo de IRPJ do 3º trimestre de 1999 e determinar a devolução dos autos à DRF de origem para exame do mérito, após o que deve ser retomado o rito processual disciplinado no Decreto 70.235/72, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 26 76 /2 00 8- 20 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 23/11/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10283.902676/200820 Acórdão n.º 1103000.966 S1C1T3 Fl. 110 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 23/11/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10283.902676/200820 Acórdão n.º 1103000.966 S1C1T3 Fl. 111 3 Relatório DO INDEFERIMENTO DAS DCOMPS Tratase de processo de declaração de compensação de fls. 2 a 6 (Dcomp nº 08448.99289.141204.1.3.025343) de saldo negativo de IRPJ relativo ao terceiro trimestre do ano calendário de 1999 no valor de R$ 48.677,33, para compensar com débito de Cofins, apresentada em 14/12/2004. O despacho decisório não homologou a compensação declarada, pois entendeuse que o crédito estava extinto pelo decurso do prazo de cinco anos considerado entre a transmissão da Dcomp (14/12/2004) e a apuração do saldo negativo (30/9/1999). DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Inconformada, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade em 24/9/2008, de fls12 a 25 (eprocesso), em que aduz, em síntese, o que segue. Entende a recorrente que o IRPJ é um tributo sujeito ao lançamento por homologação e ressalta que, não havendo homologação expressa, temse por homologado o lançamento e extinto o crédito tributário após cinco anos a partir da data da ocorrência do fato gerador. Assim, entende que, o prazo decadencial para o exercício do direito de restituição de valores pagos indevidamente a título de tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de cinco anos a partir da ocorrência do fato gerador, adicionados mais cinco anos. Com relação ao artigo 3º da Lei Complementar 118/05 que trata da extinção do crédito tributário no momento do pagamento antecipado para tributo sujeito a lançamento por homologação, entende que deve ser aplicado o princípio da anterioridade tributária, visto que tal artigo não se limitou a interpretar o artigo 168, I, do CTN, mas o inovou. Portanto, não poderia ser aplicável ao caso em tela. Apresentou jurisprudência para embasar suas alegações. Por fim, requer a reforma da decisão impugnada e que as intimações sejam encaminhadas ao seu procurador. DA DECISÃO DA DRJ Em 10/2/11 acordaram os membros da 1ª Turma de Julgamento da DRJ de Belém (PA), por unanimidade de votos, negar provimento à manifestação de inconformidade, conforme o entendimento que segue. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 23/11/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10283.902676/200820 Acórdão n.º 1103000.966 S1C1T3 Fl. 112 4 Concorda a Turma julgadora da DRJ que o IRPJ é tributo sujeito a lançamento por homologação e ressalta que o artigo 168, I do CTN é expresso ao limitar em cinco anos, a partir da extinção do crédito tributário, o prazo para pleitear a restituição de indébitos. E o pagamento antecipado extingue o crédito tributário. Invocou o Parecer PGFN/CAT 408/01 quanto ao prazo prescricional e o termo a quo desse prazo. Explicitouse que a compensação do saldo negativo de IRPJ foi protocolada em 14/12/04, mas que o fato gerador se deu em 30/9/99, sendo cabível, portanto, a aplicação da Lei Complementar 118/05. Indicou a DRJ que as jurisprudências trazidas não vinculam seu julgamento, pois são inter partes e que apenas as Súmulas Vinculantes proferidas pelo STF tem aplicação obrigatória pela Administração Pública Federal. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário de fls. 57 a 75 (eprocesso), em 3/5/2011, reiterou todo o alegado em sede de manifestação de inconformidade. Ao final, requereu o provimento do presente recurso para homologação da compensação em questão. É o relatório. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 23/11/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10283.902676/200820 Acórdão n.º 1103000.966 S1C1T3 Fl. 113 5 Voto Conselheiro Marcos Shigueo Takata O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade (fls. 56 e 57 numeração do eprocesso). Dele, pois, conheço. Como se viu do relatório, a quaestio juris que fixa os limites objetivos da lide se fixa no prazo para a repetição de indébito tributário. Para mim, o prazo para repetição ou para compensação de “pagamento” indevido (em geral, recolhimento indevido) ou a maior do art. 168 do CTN é de decadência (embora a jurisprudência do STJ tenha assentado sêlo de “prescrição”). No caso, tratase de Dcomp apresentada em 14/12/04, para compensar saldo negativo de IRPJ do 3º trimestre de 1999 com débitos de Cofins de novembro de 2004. A tese da recorrente é a de que o termo inicial do prazo decadencial de seu direito creditório é a data da homologação tácita do lançamento, de modo que o termo a quo se iniciaria somente com o decurso de cinco anos contados do fato gerador. Só a partir de então se contariam os cinco anos para concreção do fenômeno decadencial, ao teor do art. 168, I, do CTN. É a tese dos cinco + cinco anos, para consumação da decadência. Em matéria de tributo sujeito a lançamento por homologação (caso de quase todos os tributos), é assente a jurisprudência do Conselho de Contribuintes, especialmente desta Turma, de que a decadência do direito de lançar o crédito tributário se opera ao cabo de cinco anos contados da data da ocorrência do fato gerador, quer tenha havido ou não algum pagamento1. Tenho para mim que o direito à repetição ou à compensação de “pagamento” indevido (em geral, recolhimento indevido) ou a maior é fulminado pela decadência com o decurso de cinco anos da data do “pagamento” indevido ou a maior. Isso porque o pagamento extingue a obrigação tributária, sob condição resolutiva. Aliás, pagamento é forma de extinção de obrigação por excelência. Embora o art. 150 do CTN use a expressão “pagamento antecipado”, o próprio § 1º reconhece que se cuida de pagamento simples, ao reconhecer que se extingue a obrigação tributária sob condição resolutiva da ulterior não homologação do pagamento (malgrado a literalidade fale em “ulterior homologação do lançamento”, evidente a erronia: o que resolve o pagamento é a ulterior não homologação). Como o CTN se aferra à indispensabilidade do lançamento, ele constrói a figura da homologação tácita do pagamento ao termo de cinco anos da ocorrência do fato gerador. Mas, se o pagamento já extingue a obrigação tributária sob condição resolutiva, o 1 E não seja caso de “fraus legis” (que, a rigor, compreende as hipóteses de dolo e simulação mencionadas no art. 150, § 4º, do CTN). Fl. 113DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 23/11/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10283.902676/200820 Acórdão n.º 1103000.966 S1C1T3 Fl. 114 6 corolário lógico e inescapável é o de que a chamada homologação tácita opera a decadência do direito de lançar. Isto é, não há mais como resolver o pagamento (que extingue a obrigação), com o decurso de certo tempo + a inércia da autoridade fiscalizadora: para não ficar sem lançamento, na construção feita pelo CTN, chamase a isso de homologação tácita. Não se poder resolver o pagamento (que extingue a obrigação) é decair do direito de lançar; decadência que tem o mesmo suporte fático da chamada homologação tácita. Podese, pois, dizer que essa tem como sua contraface a decadência. Exegese diversa corrompe a lógica e o sentido do art. 150 do CTN. O art. 168, I, do CTN dispõe que o direito de pleitear a restituição se extingue com o decurso do prazo de cinco anos contados da data da extinção do crédito tributário. Apesar de outra aparente erronia, fácil extrair o sentido correto do preceito. Se o pagamento extingue o crédito sob condição resolutiva, ao teor do art. 150 do CTN, é a partir do “pagamento” indevido que se conta o prazo decadencial para a repetição do indébito. Se é que se pode falar em dislate, este se verifica ao falar em extinção do crédito tributário. Se o chamado pagamento é indevido, nunca nasceu crédito tributário em relação ao indébito; não há como se extinguir o que não nasce. Não se extingue crédito tributário. Em geral, há recolhimento (que é diferente de pagamento – forma de extinção de obrigação) indevido. Mas, como exposto, fácil superar o aparente deslize redacional para se extrair a devida interpretação do preceito. Vale dizer, o direito de pleitear a restituição se extingue com o decurso do prazo de cinco anos contados da data do pagamento indevido ou que venha a se revelar a maior (data em que se apura saldo negativo de IRPJ ou de CSL), salvo nos casos em que há superveniente declaração de inconstitucionalidade do tributo ou de reconhecimento de não incidir o tributo. E o mesmo prazo incide, a meu ver, para a compensação do pagamento indevido. No caso em dissídio, o pedido de restituição é apresentado após o referido prazo, isto é, após cinco anos contados da data da configuração de pagamento indevido. Por outro lado, o STJ assentou a seguinte inteligência, por sua Corte Especial, no julgamento da Arguição de Inconstitucionalidade nos Embargos de Infringência no Recurso Especial (AI nos EREsp) nº 644.736/PE, de 6/6/072. O art. 3º da Lei Complementar 118/05 só pode ter eficácia prospectiva, porquanto não se trata de norma interpretativa, de modo que seu comando só é aplicável “sobre situações que venham a ocorrer a partir de sua vigência”: após 120 dias da publicação da Lei Complementar 118/05, isto é, a partir de 9/6/05. Nesses moldes, a segunda parte do art. 4º da Lei Complementar 118/05 não passa pelo teste de validade. Ou seja, conforme a interpretação assentada pelo STJ, por sua Corte Especial, no julgamento por unanimidade da AI nos EREsp nº 644.736/PE: a) sobre pagamentos indevidos antes de 9/6/05, permanece o entendimento de que o prazo “prescricional” para 2 E isso porque o STF, em recurso extraordinário em face do "decisum" prolatado nos autos dos EREsp 644.736/PE, reconheceu a ofensa ao art. 97 da CF (princípio da reserva de plenário), com a consequente inconstitucionalidade daquele acórdão. Daí a 1ª Seção do STJ impor o processamento, perante a Corte Especial do STJ, de incidente de inconstitucionalidade do art. 4º da Lei Complementar 118/05. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 23/11/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10283.902676/200820 Acórdão n.º 1103000.966 S1C1T3 Fl. 115 7 repetição de indébito tributário é de cinco anos mais cinco anos, contados da data do fato gerador, limitado, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da nova lei; b) sobre pagamentos indevidos a partir de 9/6/05, o referido prazo “prescricional” é de cinco anos contados da data do pagamento indevido. E a inconstitucionalidade foi declarada pelo órgão especial do STJ, em conformidade com o art. 97 da CF3, e em consonância com a Súmula Vinculante nº 10 do Supremo Tribunal Federal4. Mais. A 1ª Seção do STJ julgou, em sede de procedimento de recurso especial repetitivo, nos termos do art. 543C do CPC, o REsp nº 1.002.932SP, em 25 de novembro de 2009. No julgamento desse REsp afetado em procedimento de recurso repetitivo, havia sido consagrado derradeiramente a interpretação dada no julgamento da AI nos EREsp nº 644.736/PE: a) sobre os pagamentos indevidos antes de 9/6/05, o prazo “prescricional” para repetição de indébito tributário é de cinco mais cinco, limitado ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da nova lei; b) sobre pagamento indevidos a partir de 9/6/05, o prazo “prescricional” é de cinco anos contados da data do pagamento indevido. Entretanto, posteriormente, sobreveio decisório do STF sobre a matéria. A decisão da Corte Suprema se deu sob repercussão geral, nos termos do art. 543B do CPC. Cuidase do julgamento do RE nº 566.621/RS, apreciado pelo Pleno do STF, tendo como Relatora a Ministra Ellen Gracie. O referido feito transitou em julgado em 17/11/11, conforme acesso ao site do STF. Também, no acórdão do REsp nº 1.269.570/MG, sob procedimento repetitivo, o voto do Relator, Ministro Mauro Campbell Marques, expressamente reconhece o trânsito em julgado do acórdão supra do STF. No julgamento do recurso afetado sob repercussão geral, e que se deu por maioria, o STF conferiu entendimento diverso ao deduzido pelo STJ em sede de repetitivo, ao consagrar que o prazo reduzido é aplicável em relação às ações ajuizadas após a vacatio legis de 120 dias da publicação da Lei Complementar (LC) 118/05, portanto, às ações ajuizadas a partir de 9/6/05. O acórdão é assim ementado: DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. 3 Art. 97. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. 4 Súmula nº 10. Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de Tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 23/11/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10283.902676/200820 Acórdão n.º 1103000.966 S1C1T3 Fl. 116 8 Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardando se, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido (RE nº 566.621/RS, Tribunal Pleno, Rel. Min. Ellen Gracie, julgado em 4.08.2011) grifamos Como se vê, o acórdão do STF, em sede de repercussão geral, deslocou o pressuposto de fato do marco inicial para aplicação do prazo de cinco anos conforme o art. 168 do CTN e o art. 3º da LC 118/05, para a data do ajuizamento de ação, ao invés de se identificar o pressuposto fático do marco inicial na data do pagamento indevido consoante o art. 150, § 1º, do CTN, como havia reconhecido o STJ. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 23/11/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10283.902676/200820 Acórdão n.º 1103000.966 S1C1T3 Fl. 117 9 Por curioso que seja a fixação do marco inicial na ação ajuizada, para aplicação do prazo de cinco anos conforme o art. 3º da LC 118/05, ao invés da fixação no evento que dá causa à repetição do indébito (e, pois, ao curso do prazo de repetição), é de rigor o reconhecimento da interpretação final, que é da Suprema Corte. E, nos termos do art. 62A, caput, do Regimento Interno do CARF, é imperioso este órgão julgador se curvar ao entendimento chancelado em julgamento do STF e do STJ, em sede de repercussão geral e de repetitivo, conforme os arts. 543B e 543C, do CPC. Diante disso, a meu ver, cabe interpretar o acórdão do STF no sentido de se considerar como data do ajuizamento da ação a data do pedido administrativo da repetição ou a data da apresentação da Dcomp, para aplicação da exegese consagrada pelo STF aos feitos administrativos. Sucede que, do contrário, ou estenderemos indiretamente o prazo “maior” para repetição ou compensação de indébito tributário, conforme fixado pelo STF, ou simplesmente o mutilaremos, por o contribuinte exercer seu direito administrativamente, nos expressos termos do art. 168 c/c o art. 169, do CTN. Na mesma linha, cito o julgamento pela 2ª Turma do STJ, de 2/8/12, do REsp nº 1.089.356PR, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques. TRIBUTÁRIO. RECURSOS ESPECIAIS. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. ART. 543B, § 3º, DO CPC. MANDADO DE SEGURANÇA QUE ATACA INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE SALDOS NEGATIVOS DA CSLL REFERENTES AO EXERCÍCIO DE 1996. PEDIDO ADMINISTRATIVO PROTOCOLADO ANTES DE 09.06.2005. INAPLICABILIDADE DA LEI COMPLEMENTAR N. 118/2005 E DO ART. 16 DA LEI N. 9.065/95. 1. Tanto o STF quanto o STJ entendem que, para as ações de repetição de indébito relativas a tributos sujeitos a lançamento por homologação ajuizadas de 09.06.2005 em diante, deve ser aplicado o prazo prescricional quinquenal previsto no art. 3º da Lei Complementar n. 118/2005, ou seja, prazo de cinco anos com termo inicial na data do pagamento. Já para as ações ajuizadas antes de 09.06.2005, deve ser aplicado o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, §4º com o do art. 168, I, do CTN (tese do 5+5). Precedente do STJ: recurso representativo da controvérsia REsp n. 1.269.570MG, 1ª Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 23.05.2012. Precedente do STF (repercussão geral): recurso representativo da controvérsia RE n. 566.621/RS, Plenário, Rel. Min. Ellen Gracie, julgado em 04.08.2011. 2. No caso, embora se trate de mandado de segurança ajuizado no ano de 2007, houve observância do prazo do art. 18 da Lei n. 1.533/51 e a impetrante impugna o ato administrativo que decretou a prescrição do seu direito de pleitear a restituição dos saldos negativos da CSLL referentes ao anocalendário de 1995, exercício de 1996, cujo pedido de restituição foi protocolado Fl. 117DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 23/11/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10283.902676/200820 Acórdão n.º 1103000.966 S1C1T3 Fl. 118 10 administrativamente em 05.07.2002, antes, portanto, da Lei Complementar n. 118/2005. Diante das peculiaridades dos autos, o Tribunal de origem decidiu que o prazo prescricional deve ser contado da data de protocolo do pedido administrativo de restituição. Em assim decidindo, a Turma Regional não negou vigência ao art. 168, I, do CTN; muito pelo contrário, observou entendimento já endossado pela Primeira Turma do STJ (REsp 963.352/PR, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 13.11.2008). 3. No tocante ao recurso da impetrante, deve ser mantido o acórdão do Tribunal de origem, embora por outro fundamento, pois, ainda que o art. 16 da Lei n. 9.065/95 não se aplique nas hipóteses de restituição, via compensação, de saldos negativos da CSLL, no caso a impetrante formulou administrativamente simples pedido de restituição. Na espécie, ao adotar a data de homologação do lançamento como termo inicial do prazo prescricional quinquenal para se pleitear a restituição do tributo supostamente pago a maior, o Tribunal de origem considerou tempestivo o pedido de restituição, o qual, por conseguinte, deverá ter curso regular na instância administrativa. Mesmo que a decisão emanada do Poder Judiciário não contemple a possibilidade de compensação dos saldos negativos da CSLL com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, nada obsta que a impetrante efetue a compensação sob a regência da legislação tributária posteriormente concebida. 4. Recurso especial da Fazenda Nacional parcialmente conhecido e, nessa parte,não provido, e recurso especial da impetrante não provido, em juízo de retratação. (grifos do original) No caso vertente, como já se viu, a Dcomp fora apresentada em 14/12/04, antes, pois, de esgotada a vacatio legis da LC 118/05 (i.e., antes de 9/6/05). Logo, impõese reconhecer a aplicação do prazo decadencial (ou prescricional, conforme o STJ) de cinco mais cinco anos para o pedido administrativo de restituição, pelas razões que expus, e que se põe sob a inteligência do entendimento da Corte Máxima. Como o suposto indébito se deu em 30/9/1999, e a Dcomp fora remetida em 14/12/04, não houve a consumação do referido prazo. Por outro lado, o mérito do pedido não fora apreciado pela DRF/Manaus. Sob essa ordem de considerações e juízo, dou provimento parcial do recurso, para reconhecer a não consumação da decadência do saldo negativo de IRPJ do 3º trimestre de 1999, devendo os autos retornar à DRF de origem para apreciação do mérito do pedido, após o que deve ser retomado o rito processual disciplinado no Decreto 70.235/72. É o meu voto. Sala das Sessões, em 7 de novembro de 2013 (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Fl. 118DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 23/11/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10283.902676/200820 Acórdão n.º 1103000.966 S1C1T3 Fl. 119 11 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 23/11/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10120.902813/2008-99
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/01/2003
Ementa:
DCOMP. CRÉDITO PREVIAMENTE ALOCADO EM DCTF NÃO-RETIFICADA. PRODUÇÃO DE PROVA APÓS O INDEFERIMENTO PELA DRF. POSSIBILIDADE. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. ART. 16 DO DECRETO Nº 70.235/72.
Se o contribuinte não retifica DCTF na qual equivocadamente vinculara crédito posteriormente lançado em DComp, nem por isso a compensação deverá ser não-homologada. Caberá ao contribuinte, entretanto, aproveitar o processo administrativo para produzir prova contábil que demonstre o desacerto das informações prestadas na DCTF, sob pena de não-homologação da DComp.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3403-002.638
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Tranchesi Ortiz Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim.
Nome do relator: MARCOS TRANCHESI ORTIZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/01/2003 Ementa: DCOMP. CRÉDITO PREVIAMENTE ALOCADO EM DCTF NÃO-RETIFICADA. PRODUÇÃO DE PROVA APÓS O INDEFERIMENTO PELA DRF. POSSIBILIDADE. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. ART. 16 DO DECRETO Nº 70.235/72. Se o contribuinte não retifica DCTF na qual equivocadamente vinculara crédito posteriormente lançado em DComp, nem por isso a compensação deverá ser não-homologada. Caberá ao contribuinte, entretanto, aproveitar o processo administrativo para produzir prova contábil que demonstre o desacerto das informações prestadas na DCTF, sob pena de não-homologação da DComp. Recurso negado.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10120.902813/2008-99
anomes_publicacao_s : 201401
conteudo_id_s : 5315826
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3403-002.638
nome_arquivo_s : Decisao_10120902813200899.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : MARCOS TRANCHESI ORTIZ
nome_arquivo_pdf_s : 10120902813200899_5315826.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
id : 5242184
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:16:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046369803960320
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1641; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 6 1 5 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.902813/200899 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403002.638 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 27 de novembro de 2013 Matéria DCOMP Recorrente SEMENTES SELECTA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2003 Ementa: DCOMP. CRÉDITO PREVIAMENTE ALOCADO EM DCTF NÃO RETIFICADA. PRODUÇÃO DE PROVA APÓS O INDEFERIMENTO PELA DRF. POSSIBILIDADE. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. ART. 16 DO DECRETO Nº 70.235/72. Se o contribuinte não retifica DCTF na qual equivocadamente vinculara crédito posteriormente lançado em DComp, nem por isso a compensação deverá ser nãohomologada. Caberá ao contribuinte, entretanto, aproveitar o processo administrativo para produzir prova contábil que demonstre o desacerto das informações prestadas na DCTF, sob pena de nãohomologação da DComp. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 28 13 /2 00 8- 99 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 04/01/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 2 (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim. Relatório Tratase de DComp transmitida em 30.08.2004, por meio da qual se pretende compensar suposto indébito da COFINS relativa à competência 01/2003, com débito da mesma exação apurado em 02/2003 (fls. 16/20). Destinatária da declaração, a DRFGoiânia/GO recusou a homologação por meio de despacho eletrônico (fls. 04). Segundo dele se lê, a negativa se deu em razão de a interessada ter transmitido a DComp sem prévia retificação da DCTF pertinente ao período de apuração do suposto indébito. É dizer: tendo apurado o montante da exação a pagar naquela competência e efetuado espontaneamente o respectivo recolhimento, o sujeito passivo refez o cálculo do montante devido e verificou ter supostamente promovido pagamento a maior. Transmitiu, então, a declaração de compensação indicando, como crédito, o pretenso excesso, sem, todavia, corrigir a DCTF já entregue, a fim de reduzir o débito confessado aos novos valores. Foi no que se apegou a DRF para recusar a homologação, ao argumento de que, sem retificação, a quantia recolhida permanecia integralmente alocada para quitação da própria COFINS de janeiro de 2003. Irresignada, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade na qual afirma que teria declarado incorretamente, em DCTF, o montante de COFINS apurado em janeiro de 2003, donde resultaria o alegado direito de crédito aproveitado para a compensação objeto destes autos (fls. 1/3). Com a peça, vieram aos autos (i) planilha ilustrativa do alegado indébito, além de cópias (ii) da DIPJ correspondente ao anocalendário de 2003, (iii) da DCOMP não homologada, e (iv) da guia DARF comprobatória do pagamento realizado. Em 5 de janeiro de 2012, a DRJBrasília/DF proferiu acórdão desprovendo a inconformidade ao principal argumento de que “a DIPJ, declaração de caráter informativo, não tem o condão de retificar o valor declarado em DCTF, cujo caráter é de confissão de dívida (fls. 81/84). Devidamente cientificada, a recorrente interpôs recurso voluntário reafirmando os fundamentos da anterior irresignação (fls. 93/99). Este, em síntese, o relatório. Voto Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz Tempestivamente interposto, o recurso atende também às demais formalidades aplicáveis, razão pela qual dele se conhece. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 04/01/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10120.902813/200899 Acórdão n.º 3403002.638 S3C4T3 Fl. 7 3 O objeto central dos processos administrativofiscais formados de pedidos de restituição e de declarações de compensação está, justamente, na investigação da existência e dimensão do crédito tributário pretendido pelo sujeito passivo. E o crédito restituendo constitui, nesta espécie de procedimento, fato constitutivo do direito do contribuinte e, portanto, ocorrência cuja prova em princípio cabe a ele, contribuinte, realizar (CPC, art. 333, I). Por isso mesmo, é com certa reserva que observo a prolação do despacho decisório, em compensações declaradas em via eletrônica, sem que a negativa seja precedida de oportunidade para a produção da prova, via intimação do contribuinte. Por ocasião do despacho decisório, com efeito, vigorava a IN SRF no. 600/05, cujos artigos 3o e 4o estabeleciam: “Art. 3o (...). §1o A restituição de que trata o inciso I do caput será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante o formulário Pedido de Restituição constante do Anexo I, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório.” “Art. 4. A autoridade da SRF competente para decidir sobre a restituição poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, bem como determinar a realização de diligência fiscal no estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas”. De ordinário, portanto, a declaração de compensação era (e ainda é) transmitida eletronicamente. Somente nas hipóteses em que o programa PER/DCOMP não é aplicável, seja por limitação normativa, seja por limitação técnica, é que o contribuinte tem permissão para formalizar o ato via formulário físico. E apenas neste último caso, isto é, na declaração de compensação em formulário físico, o contribuinte tem o ônus de, desde logo, produzir a prova documental do direito creditório (art. 3o, §1o). Nas hipóteses em que estivesse compelido a usar o formulário eletrônico, competia ao sujeito passivo simplesmente formalizar a declaração e aguardar que a unidade processadora lhe oportunizasse o momento para a produção da prova (art. 4o). Daí porque o indeferimento da restituição eletrônica sem prévia intimação do contribuinte lhe subtrai uma oportunidade para a documentação do direito alegado, o que, a meu ver, é especialmente relevante se a recusa vem depois fundada na suposta inexistência ou insuficiência do crédito. A rejeição do pleito amparada apenas na omissão do sujeito passivo em retificar, para baixo, o débito confessado em DCTF, além de inconsistente, é excessivamente formal. Distanciase do princípio da verdade material e ignora que “o processo fiscal tem por finalidade primeira garantir a legalidade da apuração do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, Fl. 134DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 04/01/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 4 independente do alegado e provado” (NEDER, Marcos Vinicius. LÓPEZ, Maria Teresa Martínez. Processo administrativo fiscal federal comentado. 3a ed., 2010, p. 305). Digo que é inconsistente porque a retificação prévia da DCTF não é condição necessária ou suficiente para se reconhecer ao sujeito passivo o crédito vindicado. Não é – e não era – condição necessária porque a IN SRF no. 255/02 e as que se lhe seguiram não a exigiam como pressuposto da válida formalização da compensação. Não é condição suficiente porque, para convencer da existência e do montante do crédito, é preciso que o interessado o comprove por elementos aos quais a legislação atribua força probatória. E, decididamente, a retificação da DCTF não detém o atributo. Este defeito da decisão de origem, contudo, não é, a meu ver, drástico o bastante para nulificála. Penso assim porque o processo administrativo prestase justamente para que o contribuinte possa provar o seu direito com vistas a alcançarse a tão almejada verdade material aludida acima. A teor dos artigos 74, §11 da Lei no. 9.430/96 e 14 do Decreto no. 70.235/72, é a manifestação de inconformidade que deflagra a fase contenciosa do processo administrativo decorrente de compensação, a partir do que os princípios do contraditório e da ampla defesa fazemse mandatórios. Antes da manifestação de inconformidade, vivese a fase inquisitiva do procedimento, na qual preponderam atos de impulso da própria Administração. Nesse sentido, James Marins: “Na etapa fiscalizatória, não há, porém, processo, exceto quando já se chegou à etapa litigiosa, após o ato de lançamento (...). A fiscalização levada a efeito como etapa preparatória do ato de lançamento tem caráter meramente procedimental. Disso decorre que as discussões que trazem à etapa anterior ao lançamento questões concernentes a elementos tipicamente processuais, em especial das garantias do due process of Law, confundem momentos logicamente distintos.” (in Direito processual tributário brasileiro. São Paulo: Dialética, 2001, p. 222). Chamando a etapa inquisitória de “procedimento” administrativo, conclui o doutrinador: “O procedimento administrativo fiscalizador interessa apenas ao Fisco e tem finalidade instrutória, estando fora da possibilidade, ao menos enquanto mera fiscalização, dos questionamentos processuais do contribuinte”. É dizer, por mais que a oportunidade para a produção da prova quanto ao direito de crédito do contribuinte seja desejável – e até sugerida pelo artigo 4o da IN SRF no. 600/05 – a sua inocorrência não vicia o procedimento haja vista que somente com a prolação do despacho decisório inaugurase o contencioso e, a partir de então, estão garantidos pelo Decreto no. 70.235/72 a ampla defesa e o contraditório. Noutro giro, se a DRF peca ao recusar a homologação sem investigar o fato gerador, peca ainda mais o contribuinte que desperdiça a oportunidade de, com amparo no artigo 16 do PAF produzir, a partir da sua manifestação de inconformidade, prova idônea a seu favor. Em situações análogas a esta, havendo um bom início de prova trazido pelo recorrente, já propus a realização de diligências a fim de que o órgão preparador – que se Fl. 135DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 04/01/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10120.902813/200899 Acórdão n.º 3403002.638 S3C4T3 Fl. 8 5 furtara da investigação – se debruçasse sobre a existência efetiva do direito de crédito (v.g., PA no. 10240.900466/200984, j. 28.10.10). Refletindo melhor sobre o tema, inclinome, agora, por somente adotar semelhante solução nas situações em que a prova coligida aos autos com a manifestação de inconformidade ou com o recurso voluntário requeira o exame técnico e minucioso não compatível com as atribuições deste Conselho. Fora desta hipótese residual, será o caso de, desde logo, se decidir o recurso voluntário, aplicandose a regra de distribuição do ônus probatório. Portanto, de duas, uma: ou o sujeito passivo tributário se desincumbe do encargo, produzindo elementos documentais consistentes do direito alegado ou, ao contrário, fica aquém do necessário, caso em que a realização de uma diligência estaria, em verdade, suprindolhe a deficiência. No caso concreto, o suposto indébito resultaria da errônea apuração da COFINS para a competência 01/2003. A recorrente trouxe aos autos, além da guia DARF que documenta o suposto pagamento a maior, a DIPJ correspondente ao anocalendário em questão e uma planilha ilustrativa do alegado excesso de recolhimento. Quando o contribuinte afirma ter apurado erroneamente a base de cálculo de um tributo, de tal forma que recolhe – a maior ou indevidamente – a exação, deve ser capaz de demonstrar a existência do suposto erro na apuração. Em outras palavras, a recorrente deveria ter documentado a origem do crédito. O crédito restituendo constitui fato constitutivo do seu direito e, portanto, ocorrência cuja prova em princípio lhe compete (CPC, art. 333, I). Nenhum outro documento foi trazido aos autos, além daqueles já mencionados, os quais são insuficientes para demonstrar a liquidez e certeza do direito creditório. Poderia a recorrente, se quisesse, ter dado conhecimento a este Colegiado dos seus LivrosDiário, Razão, notas fiscais de saída, bem como quaisquer outros elementos que pudessem, minimamente, comprovar seu suposto crédito. Daí porque, a meu sentir, a recorrente não se desincumbiu do dever de provar o fato por ela alegado, motivo pelo qual os autos não comprovam satisfatoriamente os pressupostos de que dependeria o aproveitamento do direito creditório. Em conclusão, dada a insuficiência de elementos convincentes a respeito da existência do alegado direito creditório, voto por desprover o recurso voluntário, forte nos argumentos expostos acima. (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 136DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 04/01/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 6 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 04/01/20 14 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ
score : 1.0
Numero do processo: 10166.720810/2011-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
MATÉRIA NÃO SUSCITADA EM SEDE DE DEFESA. PRECLUSÃO PROCESSUAL.
Não devem ser conhecidas as razões/alegações constantes do recurso voluntário que não tenham sido suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual.
LANÇAMENTO QUE CONTEMPLA A DESCRIÇÃO DOS FATOS APURADOS NA AÇÃO FISCAL, DOS DISPOSITIVOS LEGAIS INFRINGIDOS E DA CAPITULAÇÃO LEGAL DA MULTA APLICADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA OU DE FALTA DE MOTIVAÇÃO.
O fisco ao narrar os fatos verificados, a norma violada e a base legal para aplicação da multa, fornece ao sujeito passivo todos os elementos necessários ao exercício do seu direito de defesa, não havendo o que se falar em prejuízo ao direito de defesa ou falta de motivação do ato.
CRÉDITO EM DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. INCLUSÃO EM PARCELAMENTO. NECESSIDADE DESISTÊNCIA EXPRESSA DO CONTENCIOSO.
Estado o crédito em discussão administrativa, a sua inclusão em parcelamento depende de desistência expressa do contencioso pelo sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.223
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201309
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 MATÉRIA NÃO SUSCITADA EM SEDE DE DEFESA. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Não devem ser conhecidas as razões/alegações constantes do recurso voluntário que não tenham sido suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual. LANÇAMENTO QUE CONTEMPLA A DESCRIÇÃO DOS FATOS APURADOS NA AÇÃO FISCAL, DOS DISPOSITIVOS LEGAIS INFRINGIDOS E DA CAPITULAÇÃO LEGAL DA MULTA APLICADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA OU DE FALTA DE MOTIVAÇÃO. O fisco ao narrar os fatos verificados, a norma violada e a base legal para aplicação da multa, fornece ao sujeito passivo todos os elementos necessários ao exercício do seu direito de defesa, não havendo o que se falar em prejuízo ao direito de defesa ou falta de motivação do ato. CRÉDITO EM DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. INCLUSÃO EM PARCELAMENTO. NECESSIDADE DESISTÊNCIA EXPRESSA DO CONTENCIOSO. Estado o crédito em discussão administrativa, a sua inclusão em parcelamento depende de desistência expressa do contencioso pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 11 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10166.720810/2011-16
anomes_publicacao_s : 201311
conteudo_id_s : 5305832
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 11 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2401-003.223
nome_arquivo_s : Decisao_10166720810201116.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 10166720810201116_5305832.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento. Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2013
id : 5163409
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:15:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046369812348928
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2161; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 1.495 1 1.494 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.720810/201116 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401003.223 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de setembro de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente VESTCON EDITORA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 PAGAMENTOS DE PRÊMIOS MEDIANTE CARTÕES ELETRÔNICOS DE BÔNUS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Os valores pagos a titulo de prêmio de incentivo à produtividade integram o saláriodecontribuição, pois não se incluem nas hipóteses de isenção contempladas no §9° do art. 28 da Lei 8.212/91. INCLUSÃO DA EMPRESA DE MARKETING PROMOCIONAL NO POLO PASSIVO. IMPOSSIBILIDADE. Por ser mera prestadora de serviços, cuja responsabilidade limitase à operacionalização do plano de incentivo, a empresa de marketing promocional não pode ser incluída na condição de devedora solidária pela satisfação do crédito tributário por não ter relação com o fato gerador que possa acarretar na aplicação do inciso I do art. 124 do CTN. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 MATÉRIA NÃO SUSCITADA EM SEDE DE DEFESA. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Não devem ser conhecidas as razões/alegações constantes do recurso voluntário que não tenham sido suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual. LANÇAMENTO QUE CONTEMPLA A DESCRIÇÃO DOS FATOS APURADOS NA AÇÃO FISCAL, DOS DISPOSITIVOS LEGAIS INFRINGIDOS E DA CAPITULAÇÃO LEGAL DA MULTA APLICADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA OU DE FALTA DE MOTIVAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 08 10 /2 01 1- 16 Fl. 1495DF CARF MF Impresso em 11/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/11 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 O fisco ao narrar os fatos verificados, a norma violada e a base legal para aplicação da multa, fornece ao sujeito passivo todos os elementos necessários ao exercício do seu direito de defesa, não havendo o que se falar em prejuízo ao direito de defesa ou falta de motivação do ato. CRÉDITO EM DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. INCLUSÃO EM PARCELAMENTO. NECESSIDADE DESISTÊNCIA EXPRESSA DO CONTENCIOSO. Estado o crédito em discussão administrativa, a sua inclusão em parcelamento depende de desistência expressa do contencioso pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1496DF CARF MF Impresso em 11/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/11 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.720810/201116 Acórdão n.º 2401003.223 S2C4T1 Fl. 1.496 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 03 47.381 de lavra da 5.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Brasília (DF), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir os Autos de Infração – AI abaixo discriminados. Para exigência da obrigação principal constam: a) AI n.º 37.313.9888 – contribuições patronais para a Seguridade Social, inclusive aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT; b) AI n.º 37.313.9896 – contribuições dos segurados; e c) AI n.º 37.313.9900 – contribuições para outras entidades e fundos. Os fatos geradores que deram ensejo aos lançamentos foram: a) valetransporte pago em pecúnia; b) auxílioalimentação pago em pecúnia; c) gratificação; d) pagamentos de “diárias de viagem” em valores que excederam a 50% da remuneração dos segurados; e) custeio de curso de graduação não enquadrado como educação profissional tecnológica; f) pagamentos efetuados mediante bônus de premiação; g) pagamentos a empregados constantes da conta contábil “Despesas Diversas Indedutíveis”; h) pagamentos a contribuintes individuais constantes das contas contábeis “Autônomos” e “Honorários Advocatícios”. i) glosas de compensação, cujos créditos não foram comprovados. Em razão da suposta existência de grupo econômico “de fato” foram arroladas como devedoras solidárias pelos créditos as empresas: Casa dos Concursos Ltda.; Bluepoint Viagens e Turismo Ltda.; Pimvale Comércio Representações Ltda.; Bluepoint Administradora de Empreendimentos Turísticos e Imobiliários Ltda.; Nossa Empreendimentos Educacionais e Comerciais Ltda.; Bluepoint Administradora de Condomínios Ltda.; BSB Tour Ltda.; EADEZ – Centro Brasileiro de Ensino à Distância; Bluepoint Administradora Fl. 1497DF CARF MF Impresso em 11/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/11 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Imobiliária Ltda.; Bluepoint Administração Condominial Ltda. e Bluepoint Administração de Hotéis Ltda. Afirmase que a multa foi aplicada conforme as alterações introduzidas na Lei n.º 8.212/1991 pela Medida Provisória – MP n.º 449/2008, posteriormente convertida na Lei n.º 11.941/2009, optandose pelo valor mais benéfico ao sujeito passivo, quando se comparou o cálculo efetuado com base na legislação da época dos fatos geradores com aquele obtido com base na legislação atualmente em vigor. Além das contribuições lançadas, foram lavrados os seguintes AI em razão do descumprimento de obrigação acessória: a) AI n.º 37.313.9829: falta de declaração da totalidade dos fatos geradores na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP; b) AI n.º 37.313.9870: apresentação de GFIP com informações incorretas em relação ao campo compensação; c) AI n.º 37.313.9837: falta de contabilização em títulos próprios dos fatos geradores de contribuições previdenciárias; do montante das quantias descontadas; das contribuições da empresa e dos totais recolhidos; d) AI n.º 37.313.9918: falta de prestação de informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da administração tributária, além dos esclarecimentos por esta solicitados; e) AI n.º 37.313.9845: falta de preparação da folha de pagamento nos padrões estabelecidos na legislação; f) AI n.º 37.313.9853: falta de arrecadação ou arrecadação a menor das contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais. A empresa ofertou impugnação, na qual alegou que as supostas contribuições incidentes sobre os prêmios pagos a título de incentivo, mediante cartão, são de responsabilidade da empresa que efetuava os pagamentos. Asseverou a ainda que as parcelas em questão não têm natureza salarial, uma vez que não foram pagas em razão do trabalho, mas pelo desempenho excepcional alcançado pelos segurados em determinado período, o que lhes dá o caráter da eventualidade. Sustenta que parcelou parte das contribuições lançadas, as quais devem ser excluídas do crédito, além de que abriu mão da compensação com títulos da dívida pública, conforme exige a norma instituidora do parcelamento. Afirma que os AI relativos à aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória são nulos, posto que prejudicaram o seu direito de defesa, haja vista o Fisco não haver detalhado com precisão a infração cometida. O julgamento foi convertido em diligência, para que se informasse acerca da existência de parcelamento não considerado na apuração. A informação prestada na diligência indica a existência de pedido de parcelamento incluindo as competências 09/2006 a 02/2008, exceto 02/2007, 08/2007 e 11/2007. Fl. 1498DF CARF MF Impresso em 11/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/11 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.720810/201116 Acórdão n.º 2401003.223 S2C4T1 Fl. 1.497 5 Ressaltase que não foi localizado pedido formal de desistência das impugnações apresentadas, de acordo com o previsto na Lei n. 11.941/09 e, quando da apresentação do formulário de adesão, a empresa não fez opção pela totalidade dos débitos previdenciários administrados pela RFB. Informase que não havia até aquele momento a consolidação do parcelamento. Cientificada do resultado da diligência, a empresa não se manifestou. A Delegacia de Julgamento DRJ em Brasília declarou procedentes, por não terem sido impugnadas, as contribuições incidentes sobre auxílio transporte, auxílio alimentação, gratificação, diárias de viagem, despesas com curso superior; remuneração paga aos segurados contribuintes individuais, despesas indedutíveis (remuneração paga fora da folha de pagamento), além das glosas de compensação. Acerca da rubrica “premiação”, entendeu a DRJ que se trata de contraprestação pelo esforço dos empregados para atingir as metas estipulas pela empresa, sendo evidente o seu caráter salarial. Afirmouse ainda que, malgrado os pagamentos tenham sido efetuados por empresa interposta, a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições é da autuada, posto que esta é a empregadora dos segurados que fizeram jus ao recebimento dos prêmios. Quanto ao alegado parcelamento, o órgão de primeira instância asseverou que somente caberia a exclusão dos valores supostamente confessados, caso a empresa tivesse desistido das impugnações apresentadas, posto que esta providência era uma das exigências legais para consolidação de créditos no parcelamento instituído pela Lei n.º 11.941/2009. O alegado cerceamento do direito de defesa do sujeito passivo em razão da deficiência na descrição das infrações cometidas foi afastado, sustentando a DRJ que o Fisco relatou com precisão os motivos que levaram às autuações. Por fim, asseverou o órgão a quo que, no momento do pagamento, parcelamento ou inscrição em dívida ativa dos créditos, devese verificar a possibilidade de se aplicar as disposições da Medida Provisória – MP n.º 449/2008, caso esta preveja multas mais benéficas ao sujeito passivo. A empresa interpôs recurso voluntário, no qual inicialmente nega a existência de grupo econômico entre a Autuada e qualquer das empresas do Grupo Bluepoint, sob o argumento de que: a) o que existe entre a Vestcon e as empresas Bluepoint é um relacionamento comercial, com pequeno compartilhamento de espaço físico, mediante locação de espaços das empresas Bluepoint no edifício da Vestcon, por conseguinte, divisão proporcional de despesas de limpeza; b) não há qualquer confusão patrimonial, posto que as empresas atuam em ramos distintos, não complementares, tem a contabilidade preparada por empresas diferentes e não há contas bancárias conjuntas; c) das quatro menções do relato do fisco tratando das empresas Bluepoint, nenhuma autoriza a conclusão pela existência de grupo econômico; Fl. 1499DF CARF MF Impresso em 11/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/11 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 d) não encontra respaldo a afirmação de que houve pagamento de IPTU da empresa Bluepoint Administradora de Empreendimentos Turísticos e Imobiliários pela Vestcon. É que nenhuma da empresas Bluepoint possuía imóveis no período. A Bluepoint é que pagou rateio de IPTU à Vestcon, nos meses de maio a julho de 2007; e) por ocuparem o mesmo espaço, a Vestcon e a Bluepoint Administradora de Empreendimentos Turísticos e Imobiliários acordaram em utilizar conjuntamente motorista, telefone, plano de saúde, secretária, combustível, motoboy, energia elétrica, internet, estrutura de informática e serviços gerais. Em razão desse compartilhamento, foram emitidas cobranças de rateio contra a Bluepoint, nos meses de fevereiro a abril de 2008; f) a utilização compartilhada se dá apenas no espaço físico, equipamentos e serviços acessórios, não se verificando qualquer confusão ou ingerência relativas à administração, contabilidade ou finanças entre as empresas; g) as operações das empresas são totalmente independentes e, mesmo quando havia compartilhamento de mão de obra, a relação era entre a Bluepoint e o funcionário, não havendo interferência da Autuada; h) a contabilidade das empresas Bluepoint é de responsabilidade da contabilista Francisca Roque até os dias atuais, enquanto que a Vestcon teve a sua escrita contábil confiada às empresas CECONTÁBIL – Centro de Contabilidades S/S Ltda. (até março de 2007) e a VECTOR Contadores Associados Ltda. (de abril de 2007 a 03/2011); i) não houve nenhum relacionamento comercial entre a Vestcon e as empresas a) Bluepoint Administração de Hotéis Ltda. (criada em 2005 e sem movimento até junho de 2011); b) Bluepoint Administradora de Condomínios (sede em Caldas Novas – GO); c) Bluepoint Administração Condominial Ltda. (criada em 2005 e sem movimento até junho de 2011) e d) Bluepoint Viagens e Turismo (inativa desde 2007); j) a única empresa do Grupo Bluepoint que mantinha relação comercial com a Autuada era a Bluepoint Administradora de Empreendimentos Turísticos e Imobiliários, de quem eram adquiridas diárias no Hotel Bonaparte, conforme notas fiscais mencionadas; k) apresenta quadro para demonstrar que a Bluepoint Administradora de Empreendimentos Turísticos e Imobiliários também fornecia o mesmo serviço a outros clientes; l) na área de vendas de livros ou serviço de ensino não há relação entre as empresas, sendo que os lançamentos apontados às fls. 318/319 são referentes à aquisição de livros ou apostilas pelo sócio da Bluepoint, Josemar Borges Jordão, que nunca participou do quadro societário da Vestcon; m) as menções constantes no anexo XIX do AI, fl. 307, dizem respeito ao valor de R$ 53,86 (cinquenta e três reais e oitenta e seis centavos) relativo à despesa cartorária que foi rateada entre a Vestcon e a Bluepoint; n) a reclamatória trabalhista citada no item 18 do relatório fiscal ajuizada contra as empresas Bluepoint Administradora de Empreendimentos Turísticos e Imobiliários, Bluepoint Administradora de Condomínios e outras, em que a autora foi parcialmente exitosa, efetivamente foi assumida pela Autuada, mediante penhora em conta bancária, todavia a própria Magistrada, que prolatou a sentença, deixou claro que a configuração de grupo econômico prevista na Consolidação das Leis do Trabalho CLT não é aplicável ao Direito Fl. 1500DF CARF MF Impresso em 11/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/11 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.720810/201116 Acórdão n.º 2401003.223 S2C4T1 Fl. 1.498 7 Comercial. Por outro lado, inexistem outras ações reclamando a existência de grupo econômico; o) não é qualquer relação que caracteriza a existência de solidariedade para o Direito Tributário, conforme o art. 124, I do Código Tributário Nacional – CTN, mormente quando as empresas envolvidas são totalmente independentes; p) mesmo que fossem integrantes de grupo econômico, as empresas não estariam necessariamente vinculadas pela solidariedade, conforme tem decidido o Superior Tribunal de Justiça, como se pode ver das decisões acostadas; q) é de se notar, na mesma linha de raciocínio, que o fato de haver sócio comum em várias empresas não configura grupo econômico, nem autoriza a vinculação por solidariedade, mesmo que o controlador atue com poderes de gerência em mais de uma empresa. É esse também o entendimento do STJ, conforme decisão transcrita; r) como não havia interesse das empresas do Grupo Bluepoint no programa de incentivo executado pela Incentive House, não podem as mesmas assumir o polo passivo da relação tributária na condição de devedoras solidárias. Na sequência a Autuada tenta justificar a procedência de seu pedido para inclusão da empresa Incentive House no polo passivo dos AI para exigência da contribuição principal, sob os seguintes argumentos: a) o acórdão recorrido sequer se pronuncia sobre a inclusão da Incentive House como devedora solidária pelas contribuições supostamente devidas; b) por força de contrato firmado, cabia à Recorrente repassar a Incentive House os valores de “prêmios de incentivo” a serem pagos aos colaboradores daquela, acrescido de taxa de administração, no patamar de 5% a 7%; c) por outro lado, era obrigação da Incentive House entregar os cartões aos segurados a serviço da Vestcon e creditar os valores dos prêmios e indicar os terminais onde os cartões poderiam ser utilizados; d) resta claro que era da empresa de marketing promocional a responsabilidade por gerir o plano de premiação, desde a definição dos beneficiários até o repasse dos valores; e) tendo se estabelecido entre as empresas uma relação de consumo, cabe a Incentive House reparar os danos causados à Vestcon, esta hipossuficiente, pela execução do contrato, nos termos do que preconiza o Código de Defesa do Consumidor – CDC, em seu arts. 14 e 25; f) o fato da empresa de marketing não haver alertado a Autuada acerca dos encargos tributários envolvidos na distribuição dos prêmios, causou prejuízo à contratante e, por esse motivo deve a contratada ser responsabilizada pelos tributos devidos; g) por ter interesse comum no pagamento dos prêmios, situação que constitui o fato gerador dos tributos lançados, a Incentive House deve ser chamada como devedora solidária, nos termos do Código Tributário Nacional, art. 124, I; Fl. 1501DF CARF MF Impresso em 11/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/11 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 h) outro fato que deve ser considerado é a boa fé da Recorrente que, em momento algum, recusouse a disponibilizar ao Fisco toda a documentação concernente ao pagamento dos prêmios de incentivo, posto que estava ciente de que a sistemática adotada não lhe traria qualquer encargo tributário. Depois, a Autuada se volta contra a incidência de contribuições previdenciárias sobre as parcelas pagas a título de prêmio, por entender que: a) os prêmios não tinham natureza salarial, mas de abono, posto que eram parcelas variáveis que poderiam ou não ser percebidas, uma vez que dependiam da produtividade do empregado; b) a própria Lei n.º 8.212/1991 exclui do conceito de saláriodecontribuição os ganhos eventuais e os abonos desvinculados do salário; c) os pagamentos eram eventuais; d) o STJ corrobora o entendimento de que não incidem contribuições sobre abonos de natureza não salarial, conforme decisão mencionada; e) se cabível, é de se aplicar apenas multa por descumprimento de obrigações acessórias, afastandose a exigência das contribuições e dos acréscimos legais. Afirma, ainda, que devem ser excluídas da apuração as contribuições que tenham sido objeto de parcelamento, devendo a Receita Federal do Brasil, determinar com precisão quais os valores que foram confessados pelo sujeito passivo. Ao final, pede: a) que seja afastada a exigência de contribuições sobre prêmios, posto que esses não têm natureza de salário; b) que a Incentive House seja incluída como responsável solidária pelo pagamento dos tributos lançados; c) que sejam consideradas na apuração as quantias que foram incluídas em pedido de parcelamento. Submetida a contenda a essa Turma, decidiuse por maioria de votos determinar a conversão do julgamento em diligência, para sanear defeito processual da falta de cientificação da decisão de primeira instância por parte das empresas arroladas como devedoras solidárias. Cientificadas do lançamento, as empresas não se manifestaram. É o relatório. Fl. 1502DF CARF MF Impresso em 11/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/11 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.720810/201116 Acórdão n.º 2401003.223 S2C4T1 Fl. 1.499 9 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Todavia, em razão da ocorrência da preclusão processual, que será tratada em pormenores no tópico seguinte, não serão as alegações recursais conhecidas na sua totalidade. Preclusão Inicialmente há de se ter em conta que na impugnação a empresa não contesta a existência da responsabilidade solidária das empresas que o fisco arrolou no polo passivo como devedoras solidárias. Nas impugnações, individualizadas por AI, foram suscitadas questões de nulidade nas lavraturas por descumprimento de obrigação acessória; inclusão da empresa de marketing de incentivo no polo passivo, não incidência de contribuições sobre os pagamentos efetuados mediante bônus de premiação e exclusão das contribuições que teriam sido parceladas. No recurso, o sujeito passivo inova ao apresentar também o argumento da não configuração de grupo econômico entre si e as empresas do “Grupo Bluepoint”, buscando afastar a responsabilização das referidas codevedoras. Nos termos da legislação processual tributária, esse argumento recursal se encontra fulminado pela preclusão, uma vez que não foi suscitado por ocasião da apresentação da defesa, conforme preceitua o artigo 17 do Decreto n. 70.235/72, senão vejamos: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Nessa toada, não merece conhecimento a matéria suscitada em sede de recurso voluntário, que não tenha sido objeto de contestação na impugnação. Não poderia deixar de ressaltar que a decisão recorrida enfrentou todos os pontos trazidos na impugnação, assim, não há de se falar em omissão do órgão a quo. Deixo, então, em razão da ocorrência da preclusão, de analisar a questão atinente à exclusão das empresas do Grupo Bleupoint do polo passivo das autuações. Nulidade dos AI decorrentes do descumprimento de obrigação acessória O sujeito passivo suscitou a nulidade das multas aplicadas em razão do descumprimento de obrigações acessórias, sob o argumento de que o fisco não descrevera com Fl. 1503DF CARF MF Impresso em 11/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/11 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 precisão as condutas que configuraram as infrações. Esse fato, por caracterizar cerceamento ao seu direito de defesa, conduzia inexoravelmente à nulidade das lavraturas. A princípio cabe verificar se as lavraturas em questão foram confeccionadas em consonância com as normas que regem a matéria. Iniciemos pela análise do art. 142 do CTN, in verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Do dispositivo transcrito verificase que um dos requisitos indispensáveis ao lançamento é a verificação da ocorrência do fato gerador. De fato, tem razão a recorrente ao mencionar que, se o fisco não se desincumbir do ônus de demonstrar as infrações praticadas pelo sujeito passivo, o lançamento para aplicação de multa é imprestável. Todavia, não é essa situação que os autos revelam. Compulsando o relatório de trabalho de auditoria, percebi que o seu “Item 11” trata especificamente das lavraturas para aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Neste item do relato a Autoridade Lançadora cuidou de demonstrar inicialmente o dispositivo legal infringido e a capitulação da multa. Na sequência, fez a subsunção da conduta à norma infringida e indicou os documentos em que se baseou para concluir pela sua ocorrência. Por fim, apresentou os critérios utilizados para fixação da penalidade. Nesse sentido, vejo que os elementos trazidos pelo fisco demonstram a contento a situação fática que deu ensejo à imposição fiscal, inclusive os elementos que foram analisados para se chegar a reconstituição das infrações praticadas pela empresa. Por outro lado, o sujeito passivo, embora alegue o defeito material, não especifica qual o ponto que, por não ter a clareza e precisão suficientes, veio a acarretar prejuízo ao seu direito de defesa. Assim, por entender que o fisco demonstrou a contento os elementos essenciais dos lançamentos, possibilitando à empresa o exercício do seu amplo direito de defesa e que a alegação de nulidade não se funda em dados e fatos, afasto essa preliminar. Incidência de contribuições sobre os valores pagos mediante cartões de premiação Sobre a questão principal da lide, que diz respeito à incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores repassados aos empregados da recorrente mediante cartão de premiação, iniciamos a fundamentação lançando comentários sobre a legislação que regula a cobrança de contribuições para financiamento da Seguridade Social. As contribuições incidentes sobre as remunerações pagas às pessoas físicas com e sem vínculo empregatício encontram fundamento máximo de validade no art. 195, alínea “a” do inciso I da Constituição Federal de 1988 (redação dada pela EC n.º 20/1998): Fl. 1504DF CARF MF Impresso em 11/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/11 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.720810/201116 Acórdão n.º 2401003.223 S2C4T1 Fl. 1.500 11 Art.195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (...) Observese que a Lei Maior, a princípio permite a exação para a Seguridade Social sobre pagamentos efetuados pelo empregador a qualquer título a pessoa que lhe preste serviço, sendo irrelevante o fato da quantia ter sido paga ou creditada ao obreiro. A Lei n.º 8.212/1991 confere eficácia à citada determinação constitucional, tratando da contribuição patronal sobre as remunerações disponibilizadas aos empregados nos seguintes termos: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26/11/1999). (...) Temos que o conceito previdenciário de remuneração, o chamado saláriode contribuição, é bastante amplo, o qual também é cuidado no inciso I do art. 28 da Lei n.º 8.121/1991, nestes termos: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo Fl. 1505DF CARF MF Impresso em 11/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/11 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/1997). Como se pode observar, a princípio, qualquer rendimento pago em retribuição ao trabalho, qualquer que seja a forma de pagamento, enquadrase como base de cálculo das contribuições previdenciárias. Todavia, tendose em conta a abrangência do conceito de saláriode contribuição, o legislador achou por bem excluir determinadas parcelas da incidência previdenciária, enumerando em lista exaustiva as verbas que estariam fora deste campo de tributação. Essa relação encontrase presente no § 9.º do artigo acima citado. A tese da recorrente é de que esses ganhos seriam eventuais e por isso estariam livres da tributação em razão da norma inserta no item 7 da alínea “e” do § 9. do art. 28 da Lei n. 8.212/1991. A meu ver esse entendimento não se coaduna com a melhor exegese da legislação. Eis a norma citada: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) e) as importâncias: (...) 7.recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (...) A interpretação do dispositivo acima não pode ser dissociada daquele inserto no “caput” do mesmo artigo, acima transcrito, mas que não custa apresentar mais uma vez: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (...) À luz da legislação citada, o melhor entendimento é o de que somente não incidem contribuições sobre os ganhos eventuais, se esses forem pagos como mera liberalidade do empregador, sem que possuam qualquer caráter de retributividade. O que, tenho certeza, não se aplica a situação de pagamento de bônus de incentivo. Não há dúvida de que, no caso concreto sob cuidado, as premiações efetuadas mediante créditos em cartões eram disponibilizadas em razão do vínculo contratual estabelecido entre empresa e os trabalhadores. Fl. 1506DF CARF MF Impresso em 11/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/11 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.720810/201116 Acórdão n.º 2401003.223 S2C4T1 Fl. 1.501 13 Na verdade, esses pagamentos, malgrado sejam concedidos em razão do alcance de determinadas metas fixadas pelo empregador, como demonstrado pela documentação colacionada, não podem ser considerados eventuais, uma vez que o segurado, sabe a priori que, uma vez obtido o resultado fixado no regulamento, fará jus ao bônus. Independe, para fins de tributação, que a verba seja paga diretamente pelo empregador, ou se esse repassa a verba ao empregado mediante a interposição de terceira empresa. Os autos revelam que os valores passaram ao patrimônio dos segurados em razão do contrato de trabalho que têm com a recorrente, a qual incontestavelmente fez o repasse dos valores correspondentes, ainda que os mesmos tenham se dado via empresa prestadora de serviços de marketing promocional. Portanto, afasto a alegada natureza de ganhos eventuais da verba sob comento, até porque a mesma foi disponibilizada aos empregados da recorrente, em razão produtividade dos mesmos, no período de 2007 a 2008, o que dá a verba caráter de habitualidade. Inclusão da empresa de marketing de incentivo do polo passivo Conforme já ponderei no item anterior o papel da empresa de marketing promocional na configuração dos fatos geradores foi meramente o de intermediar a premiação fornecida pela recorrida aos empregados desta. Vale a pena trazer a colação cláusulas contratuais que estabeleciam as obrigações da empresa contratada para a prestação de serviços de marketing promocional: 2 – OBRIGAÇÕES A INCENTIVE HOUSE 2.1 – Zelar pela qualidade dos serviços prestados durante a vigência desta contrato; 2.1.2 – Colocar à disposição do CLIENTE, por meio próprio ou de terceiros, os cartões PREMIUM CARD no prazo de cinco dias úteis, contados da data do recebimento do pedido, salvo motivo de caso fortuito ou força maior, alheio à vontade da INCENTIVE HOUSE. 2.1.3 Disponibilizar os recursos alocados pelo CLIENTE, para pagamento dos prêmios por ele concedidos quando da utilização dos cartões PREMIUM CARD, bem como entregar nas regiões da Grande São Paulo e Grande Rio os bônus TOP PREMIUM CARD e TOP PREMIUM TRAVEL, no prazo de 2 dias úteis contados da data da comprovação do pagamento pelo CLIENTE, desses recursos, bônus e comissão da INCENTIVE HOUSE. A entrega dos bônus TOP PREMIUM CARD e TOP PREMIUM TRAVEL fora das regiões da Grande São Paulo e Grande Rio será feita no prazo de 3 dias úteis. 2.1.4 Oferecer: (i) por meio de instituições financeiras credenciadas pela INCENTIVE HOUSE, terminais eletrônicos que possibilitem a utilização dos cartões PREMIUM CARD; (ii) estabelecimentos credenciados à “Rede Shop”, para utilização dos cartões PREMIUM CARD; e (iii) estabelecimentos Fl. 1507DF CARF MF Impresso em 11/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/11 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 credenciados pela INCENTIVE HOUSE para utilização dos bônus TOP PREMIUM CARD e TOP PREMIUM TRAVEL; 2.1.5 Reembolsar os estabelecimentos credenciados pelo valor dos bônus TOP PREMIUM CARD e TOP PREMIUM TRAVEL utilizados, respeitando as condições expressamente ajustadas entre eles e a INCENTIVE HOUSE; 2.1.6 Responsabilizarse pelo pagamento de todos os encargos fiscais, trabalhistas e previdenciários do seu próprio pessoal utilizado na prestação de serviços objeto deste contrato; e 2.1.7 Orientar o CLIENTE para correta utilização dos bônus e/ou cartões eletrônicos junto à rede bancária, o qual por sua vez deverá repassar as orientações aos seus premiados”. Das estipulações acima não resta dúvida que, independente do porte da Incentive House, o seu contato de prestação de serviços limitavase a fornecer os cartões de premiação aos empregados da contratante e inserir os bônus de premiação fornecidos por este conforme as regras do programa de incentivo. Não assiste razão à recorrente quando invoca o inciso II do art. 124 do CTN, para requerer a inclusão da empresa prestadora na condição de devedora solidária pelas contribuições lançadas. A alegação de que esta teria relação pessoal e direta com os fatos geradores é falaciosa. O fato gerador da contribuição previdenciária é o recebimento de remuneração em decorrência da prestação de um serviço. Sendo indiscutível que os serviços eram prestados à autuada e os pagamentos eram feitos por esta, não há como querer forçar a colocação na relação jurídicotributária de empresa que simplesmente operacionalizou os pagamentos. Se essa relação representar interesse para fins de alteração do polo passivo da relação jurídicotributária então deveriam ser arrolados como responsáveis outros prestadores de serviços, a exemplo dos restaurantes que serviram a alimentação aos empregados da recorrente e as universidades onde o sujeito passivo custeava os cursos para os seus funcionários. Isso é um disparate. Afasto, por carecer de fundamentos jurídicos válidos, a inclusão da Incentive House no polo passivo das autuações. Parcelamento O alegado parcelamento de parte das contribuições lançadas na moratória prevista pela Lei n. 11.941/2009 não se efetivou, conforme informações prestadas em sede de diligência fiscal antes da prolação da decisão recorrida. Naquela ocasião, informouse que para incluir os valores no parcelamento a empresa deveria desistir de forma expressa e irrevogável das impugnações apresentadas, o que não se confirmou nos autos. Também na atual fase processual, não localizei nenhum requerimento específico nesse sentido. Por outro lado, não cabe a esse Colegiado determinar a regularização de processos de parcelamento, mas apenas dizer se os créditos fiscais estão em consonância com as normas aplicáveis. Fl. 1508DF CARF MF Impresso em 11/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/11 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.720810/201116 Acórdão n.º 2401003.223 S2C4T1 Fl. 1.502 15 Percebese que a falta de comprovação de pedido expresso impediu que o órgão responsável pelo controle do crédito tributário promovesse o desmembramento dos créditos de modo a incluir os valores incontroversos em parcelamento. Conclusão Voto por conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, por afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, por lhe negar provimento. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 1509DF CARF MF Impresso em 11/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/11 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001201/2002-22
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 1998
CSLL. ATIVIDADE RURAL. COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. LIMITE DE 30%. INAPLICABILIDADE.
Súmula CARF nº 53: Não se aplica ao resultado decorrente da exploração de atividade rural o limite de 30% do lucro líquido ajustado, relativamente à compensação da base de cálculo negativa de CSLL, mesmo para os fatos ocorridos antes da vigência do art. 42 da Medida Provisória n° 1991-15, de 10 de março de 2000.
Numero da decisão: 9101-001.772
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, NÃO CONHECER do recurso. Vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, que conhecia do recurso e negava provimento. Ausente, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hffmann.
(assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior.
Nome do relator: FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201310
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 1998 CSLL. ATIVIDADE RURAL. COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. LIMITE DE 30%. INAPLICABILIDADE. Súmula CARF nº 53: Não se aplica ao resultado decorrente da exploração de atividade rural o limite de 30% do lucro líquido ajustado, relativamente à compensação da base de cálculo negativa de CSLL, mesmo para os fatos ocorridos antes da vigência do art. 42 da Medida Provisória n° 1991-15, de 10 de março de 2000.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 20 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 19515.001201/2002-22
anomes_publicacao_s : 201401
conteudo_id_s : 5320736
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 31 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 9101-001.772
nome_arquivo_s : Decisao_19515001201200222.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ
nome_arquivo_pdf_s : 19515001201200222_5320736.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, NÃO CONHECER do recurso. Vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, que conhecia do recurso e negava provimento. Ausente, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hffmann. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
id : 5275914
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:17:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046369832271872
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2048; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 3 1 2 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 19515.001201/200222 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101001.772 – 1ª Turma Sessão de 16 de outubro de 2013 Matéria CSLL/BASES NEGATIVAS/LIMITE 30% Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado AGROPECUÁRIA E REFLORESTADORA SÃO LUIZ LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1998 CSLL. ATIVIDADE RURAL. COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. LIMITE DE 30%. INAPLICABILIDADE. Súmula CARF nº 53: Não se aplica ao resultado decorrente da exploração de atividade rural o limite de 30% do lucro líquido ajustado, relativamente à compensação da base de cálculo negativa de CSLL, mesmo para os fatos ocorridos antes da vigência do art. 42 da Medida Provisória n° 199115, de 10 de março de 2000. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, NÃO CONHECER do recurso. Vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, que conhecia do recurso e negava provimento. Ausente, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hffmann. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 12 01 /2 00 2- 22 Fl. 378DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 25/11/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN, em 25/06/2010, contra o Acórdão nº 140100.025 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 12/03/2009, com espeque no art. 7º, inciso I, do então vigente Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, Anexo II, de 25 de junho de 2007, dispondo que cabe recurso especial à PFN de decisão não unânime da Câmara quando "for contrária à lei ou à evidência de prova". O aresto guerreado está assim ementado (fls. 307): Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Exercício: 1998 Ementa: CSLL. COMPENSAÇÃO. BASE NEGATIVA. ATIVIDADE RURAL LIMITAÇÃO. INAPLICABILIDADE. As restrições para compensação de base negativa da CSLL não se aplicam a contribuintes que exercem atividade rural. Extraise do Despacho nº 140000.172 – 4ª Câmara / 1ª Turma, de 30/08/2010 (fls. 1.706) os seguintes fundamentos: Embora não previsto no atual Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, o recurso especial por contrariedade à lei ou à evidência da prova, referente a acórdão prolatado em sessão de julgamento ocorrida até 30/06/2009, é, nos termos do artigo 4º do RICARF, processado de acordo com o rito previsto no antigo Regimento Interno da CSRF aprovado pela Portaria n° 147, de 25/06/2007. Aduz a recorrente que ao não aplicar o limite de 30% para efeito de compensação de bases negativas da CSLL, previsto na Lei nº 9.065/1995, mesmo antes da vigência da Medida Provisória nº 199114/2000, a Câmara a quo teria contrariado os artigos 42 e 58 da Lei nª 8.891/1995, o art. 106 do CTN e também o art. 42 da referida MP, porquanto a dispensa da limitação de 30% sobreviera somente com a edição da MP nº 199115/2000, não podendo a mesma ser aplicada retroativamente. Cientificada, a recorrida apresentou contrarrazões, em 14/04/2011 (fls. 341/347), pugnando pela manutenção do quanto foi decidido pelo acórdão recorrido, aduzindo que a matéria já teria sido pacificada através da Súmula CARF nº 53, conforme segue: Súmula CARF nº 53: Não se aplica ao resultado decorrente da exploração de atividade rural o limite de 30% do lucro líquido ajustado, relativamente à compensação da base de cálculo negativa de CSLL, mesmo para os fatos ocorridos antes da vigência do art. 42 da Medida Provisória n° 199115, de 10 de março de 2000. É o relatório. Voto Fl. 379DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 25/11/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 19515.001201/200222 Acórdão n.º 9101001.772 CSRFT1 Fl. 4 3 Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, relator. Conforme relatado, tratase de matéria que não mais comporta discussões no âmbito do contencioso administrativo, em face da Súmula CARF nº 53, a seguir transcrita: Súmula CARF nº 53: Não se aplica ao resultado decorrente da exploração de atividade rural o limite de 30% do lucro líquido ajustado, relativamente à compensação da base de cálculo negativa de CSLL, mesmo para os fatos ocorridos antes da vigência do art. 42 da Medida Provisória n° 199115, de 10 de março de 2000. Da leitura do relatório, verificase que o caso sob análise ajustase perfeitamente à situação fática que a Súmula pretendeu alcançar. Por essas razões, não conheço do recurso fazendário. É como voto. (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Fl. 380DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 25/11/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 11070.001499/2007-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jun 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
CRÉDITO PRESUMIDO DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS NÃO CUMULATIVO SOBRE AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. CEREALISTA.
Na vigência do texto original do §10º do art. 3º, da Lei nº 10.637/2002, a pessoa jurídica que produzisse bens de origem animal ou vegetal destinados à alimentação humana ou animal, faria jus a crédito presumido da contribuição ao PIS nãocumulativo, observada a restrição para abatimento da própria
contribuição devida no período de apuração respectivo, sobre o valor dos bens e serviços adquiridos de pessoas físicas.
As atividades de secagem, limpeza, padronização, armazenamento e
comercialização, exercidas por pessoas jurídicas a quem a lei denominou-as de cerealistas, apenas passou a fruir do mesmo crédito presumido a partir de 1º/08/2004, devido à inserção do §1º ao art. 8º, da Lei nº 10.925/2004, que atualmente rege a matéria.
CRÉDITO PRESUMIDO DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS NÃO-CUMULATIVO
SOBRE AS AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO.
Antes da vigência do art. 36 da Lei nº 12.058, de 13/10/2009, que
textualmente introduziu a hipótese de utilização, via compensação com outros tributos administrados pela SRFB ou mediante ressarcimento em espécie, havia na legislação expressa restrição ao uso dos créditos apurados em cada período de apuração com os débitos do próprio interstício.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-001.079
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negarem provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201106
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 CRÉDITO PRESUMIDO DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS NÃO CUMULATIVO SOBRE AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. CEREALISTA. Na vigência do texto original do §10º do art. 3º, da Lei nº 10.637/2002, a pessoa jurídica que produzisse bens de origem animal ou vegetal destinados à alimentação humana ou animal, faria jus a crédito presumido da contribuição ao PIS nãocumulativo, observada a restrição para abatimento da própria contribuição devida no período de apuração respectivo, sobre o valor dos bens e serviços adquiridos de pessoas físicas. As atividades de secagem, limpeza, padronização, armazenamento e comercialização, exercidas por pessoas jurídicas a quem a lei denominou-as de cerealistas, apenas passou a fruir do mesmo crédito presumido a partir de 1º/08/2004, devido à inserção do §1º ao art. 8º, da Lei nº 10.925/2004, que atualmente rege a matéria. CRÉDITO PRESUMIDO DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS NÃO-CUMULATIVO SOBRE AS AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. Antes da vigência do art. 36 da Lei nº 12.058, de 13/10/2009, que textualmente introduziu a hipótese de utilização, via compensação com outros tributos administrados pela SRFB ou mediante ressarcimento em espécie, havia na legislação expressa restrição ao uso dos créditos apurados em cada período de apuração com os débitos do próprio interstício. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
numero_processo_s : 11070.001499/2007-40
conteudo_id_s : 5308404
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3102-001.079
nome_arquivo_s : Decisao_11070001499200740.pdf
nome_relator_s : LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES
nome_arquivo_pdf_s : 11070001499200740_5308404.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negarem provimento ao recurso voluntário.
dt_sessao_tdt : Fri Jun 03 00:00:00 UTC 2011
id : 5184674
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:16:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046369835417600
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2229; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 77 1 76 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11070.001499/200740 Recurso nº 876.502 Voluntário Acórdão nº 310201.079 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 03 de junho de 2011 Matéria Compensação Recorrente Elio Starlick & Filhos Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 CRÉDITO PRESUMIDO DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS NÃO CUMULATIVO SOBRE AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. CEREALISTA. Na vigência do texto original do §10o do art. 3o, da Lei n º 10.637/2002, a pessoa jurídica que produzisse bens de origem animal ou vegetal destinados à alimentação humana ou animal, faria jus a crédito presumido da contribuição ao PIS nãocumulativo, observada a restrição para abatimento da própria contribuição devida no período de apuração respectivo, sobre o valor dos bens e serviços adquiridos de pessoas físicas. As atividades de secagem, limpeza, padronização, armazenamento e comercialização, exercidas por pessoas jurídicas a quem a lei denominouas de cerealistas, apenas passou a fruir do mesmo crédito presumido a partir de 1o/08/2004, devido à inserção do §1o ao art. 8o, da Lei n º 10.925/2004, que atualmente rege a matéria. CRÉDITO PRESUMIDO DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS NÃO CUMULATIVO SOBRE AS AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. Antes da vigência do art. 36 da Lei n º 12.058, de 13/10/2009, que textualmente introduziu a hipótese de utilização, via compensação com outros tributos administrados pela SRFB ou mediante ressarcimento em espécie, havia na legislação expressa restrição ao uso dos créditos apurados em cada período de apuração com os débitos do próprio interstício. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório não reconhecido. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2012 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 19 /11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/01/2012 por LUCIANO PONTES D E MAYA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negarem provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Presidente. (assinado digitalmente) LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro (Presidente), Ricardo Rosas, Luciano Pontes de Maya Gomes (Relator), Paulo Sérgio Celani, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Relatório Tratase de recurso voluntário que se insurge contra o Acórdão n º 1811.976, de 19/03/2010, da 2a. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Santa Maria/RS, que concluiu pela manutenção do despacho decisório que havia indeferido o pedido de ressarcimento de crédito presumido da contribuição ao PIS nãocumulativo mediante PER/DCOMP, relativo ao segundo trimestre de 2004, totalizando o valor de R$ 149.562,18, conforme cópia de declaração presente nos autos. Em procedimento de conferência quanto a legitimidade do crédito pleiteado, fora lavrado o Termo de Verificação Fiscal que serviu de base ao indeferimento, conforme Despacho Decisório DRF/PFO de 30/04/2008, do pedido de ressarcimento da requerente. Segundo a fiscalização, as empresas cerealistas – condição a que enquadra a requerente, inclusive pelo seu código de atividade (46320) – somente fariam jus ao crédito presumido, na esteira da Lei n º 10.637/2002, sobre insumos de origem vegetal adquiridos de pessoa física quando promovessem ulterior vendas dos seus produtos à empresas agroindustriais que fizessem destes como insumo em produtos destinados à alimentação humana ou animal. E continua a autoridade encarregada das comentadas verificações que “(..) se os cerealistas, em lugar de venderem os seus produtos in natura (soja, trigo, milho) depois de seco, limpo e padronizado para os agroindustriais, DECIDEM EXPORTÁLO, diretamente ou através de empresas comercial exportadoras, NÃO terão direito ao Crédito Presumido, relativamente a estas exportações. A contribuinte, Empresa Cerealista, não poderia calcular crédito presumido sobre aquisição de soja realizada de pessoas físicas, cujos produtos foram posteriormente revendidos com o fim especifico de exportação à empresa comercial exportadora. Por outro lado, na atividade da interessada, não há qualquer indicativo de que ele modifique, aperfeiçoe ou, de qualquer forma, altere o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência de seus produtos, não se configurando, em conseqüência, a hipótese prevista no Inciso II do art. 40 do Decreto n° 4.544/2002, como alega.”. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2012 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 19 /11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/01/2012 por LUCIANO PONTES D E MAYA GOMES Processo nº 11070.001499/200740 Acórdão n.º 310201.079 S3C1T2 Fl. 78 3 Cientificada do despacho decisório já citado, o contribuinte apresentou sua irresignação através de competente manifestação de inconformidade, cujas motivações e pretensões restaram bem resumidas pela DRJ, conforme reproduzimos: DOS FATOS • é empresa optante pelo Lucro Real, razão pela qual se subsume ao regime nãocumulativo do PIS e da COFINS, instituídos pelas Leis n°s 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, respectivamente. Em face daquela opção, passou a ser legítima detentora do direito de créditos, nos termos da legislação específica; • conforme atestado, ao adquirir cereais de seus fornecedores realiza as operações industriais de secagem, padronização, limpeza, armazenamento e, posteriormente, comercialização; • consoante o disposto nos arts. 3° e 4° do RIPI, aprovado pelo Decreto n° 4.544, de 2002, a empresa é produtora de alimentos para consumo cuja matéria prima são os cereais adquiridos de seus fornecedores, razão pela qual faz jus aos créditos de PIS quando da aquisição de cereais, forte no que determina o § 10 do art. 3° da Lei n° 10.637, de 2002, na redação dada pelo art. 25 da Lei n° 10.684, de 2003; • pelo entendimento da autoridade fiscalizadora, a empresa não teria direito ao crédito, eis que não haveria atendimento às condições contidas no art. 3°, caput, §§ 10 e 11, e no art. 5° da Lei n° 10.637, de 2002, com a redação dada pela Lei n° 10.684, de 2003; • não há como concordar com o entendimento fiscal, razão pela qual merece reforma a decisão proferida nos autos deste processo administrativo. 3 Processo 11070.001499/200740 Acórdão n.° 1811.976 DRJ/STM Fls. 52 DA DECISÃO PROFERIDA • a autoridade fiscalizadora entendeu por indeferir o pleito da empresa com referência ao direito aos créditos presumidos, pois no período de apuração constante do pedido de ressarcimento não havia previsão legal para concessão do benefício fiscal; • a decisão deve ser reformada, atentandose aos fatos originários do direito da empresa, qual seja, a realização de atividade de industrialização dos cereais adquiridos. DOS FUNDAMENTOS JURÍDICOS — RAZÕES DE REFORMA • a autoridade fiscalizadora, ao fundamentar sua decisão, partiu da premissa de que a empresa apenas realizava atividade de comercialização dos cereais adquiridos dos fornecedores pessoas fisicas; • a interpretação meramente literal levou a autoridade fiscal a concluir que o pleito e o direito da empresa estariam amparados no § 11 do art. 30 da Lei n° 10.833, de 2003, sendo que a Fl. 80DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2012 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 19 /11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/01/2012 por LUCIANO PONTES D E MAYA GOMES 4 conclusão errônea dos fatos prejudicou a correta aplicação do direito; • a empresa, ao adquirir cereais, em especial o soja, realiza as atividades industriais de secagem, padronização, limpeza e armazenamento, para posterior comercialização. Ao assim proceder, não restam dúvidas de que a empresa realiza a industrialização dos cereais que adquire de seus fornecedores pessoas fisicas; • registra os arts. 30 e 4° do RIPI e entende que os processos de secagem, padronização e limpeza caracterizamse atividades que implicam industrialização dos cereais, na modalidade de beneficiamento, consoante determinação contida no RIPI; • não há como negar que a empresa efetua a produção (industrialização por beneficiamento) dos cereais que adquire. Cita entendimento do STJ no pertinente a industrialização de cereal na modalidade beneficiamento; • a empresa é produtora de mercadorias de origem vegetal destinadas à alimentação, vez que realiza industrialização (beneficiamento), sendo inexorável o seu direito ao crédito presumido do PIS, consoante o que dispõe o § 10 do art. 3° da Lei n° 10.637, de 2002; • registra o art. 25 da Lei n° 10.684, de 2003 (acrescentou o § 10 ao art. 3° da Lei n° 10.637, de 2002) , entendendo que o mesmo teve vigência a partir de 10 de fevereiro de 2003 (art. 29, inciso II, da Lei n° 10.684, de 2003); • refere a informações constantes da DACON; • não se deve alegar que a empresa não detém o direito ao crédito em face de que exporta seus produtos, tendo em vista que, aplicandose a norma às empresas cerealistas, essas, exportando os cereais adquiridos diretamente de pessoas fisicas têm o direito de utilizar o crédito do PIS. Isso porque o direito ao crédito é decorrente da exportação, e não de cerealista. Cita o art. 5° da Lei n° 10.637, de 2002; 4 Processo 11070.001499/200740 DRJ/STM Acórdão n.° 1811.976 Fls. 53 • aquele artigo versa sobre uma especificidade da norma, ao prever hipóteses de não incidência da contribuição em tela, que é o caso das receitas decorrentes de exportações diretas e indiretas, bem como da prestação de serviços para pessoa fisica ou jurídica residente ou domiciliada no exterior. Cita o § 1 0 do art. 50 da Lei n° 10.637, de 2002, entendendo que aquela norma especificou apenas quem poderá utilizar o crédito: pessoa jurídica vendedora. Em momento algum determinou que ela fosse comercial ou industrial, ou ainda, de determinado ramo ou setor, industrial ou comercial; • toda pessoa jurídica, seja ela cerealista ou não, seja ela comercial ou industrial, que vender mercadorias para o exterior, direta (inciso I) ou indiretamente (inciso III), poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3'; Fl. 81DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2012 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 19 /11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/01/2012 por LUCIANO PONTES D E MAYA GOMES Processo nº 11070.001499/200740 Acórdão n.º 310201.079 S3C1T2 Fl. 79 5 • não restam dúvidas acerca do direito da empresa ao crédito presumido do PIS, consoante as razões aduzidas. Do REQUERIMENTO FINAL • ao finalizar, requer: 1. o recebimento e processamento de sua manifestação, com os documentos que a acompanham; 2. seja dado provimento a sua impugnação para o fim de, reformandose o Despacho Decisório: a) sejam homologados os dados inseridos pela empresa e apurados nas DACONs que comprovam o direito ao crédito; b) por conseqüência, seja reformada a decisão proferida, reconhecendose o direito creditório em favor da empresa. • pede e deferimento. Junto à manifestação a contribuinte apresentou os documentos de fls. 39/47. A repartição de origem despachou na fl. 48. Conforme já mencionado outrora, ao ter sido o feito submetido à análise e julgamento da DRJ de Santa Maria/RS, esta rechaçou pelas razões bem demonstradas na seguinte passagem do acórdão respectivo: I. ao que se infere da manifestação apresentada, a contribuinte entende ser agroindústria e não cerealista. Tal entendimento não pode ser aceito porquanto a empresa, ainda que de seu contrato social constasse a produção de sementes (fl. 49), não trouxe aos autos qualquer documento que comprovasse tal situação, ou seja, não há qualquer indicativo de que a interessada modifique, aperfeiçoe ou, de qualquer forma, altere o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência dos produtos que adquiriu (beneficiamento), não se encontrando configurada a hipótese prevista no inciso II do art. 40 do Decreto n° 4.544, de 2002. No caso, permanece válida a afirmação da Fiscalização assentada à fl. 16: Destacase que o contribuinte tem como Atividade Econômica o Código 46320 — Comércio Atacadista de Cereais (Cerealista), com compra e venda principalmente de soja, trigo e milho, adquirindo as mercadorias somente de produtores rurais pessoas físicas. Realiza, também, venda principalmente de Soja à Granel, indicando nas notas fiscais como "Soja Industrial", com fim específico de exportação, à empresa comercial exportadora. Estas mercadorias revendidas à comercial exportadora para serem comercializadas, passam apenas por processo de secagem, limpeza e padronização dentro do estabelecimento do contribuinte. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2012 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 19 /11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/01/2012 por LUCIANO PONTES D E MAYA GOMES 6 Isso observado, verificase que a vigente IN SRF n° 660, de 17/07/2006 (art. 30, §. , inciso I), de observação obrigatória pelas Delegacias de Julgamento (DRJs) conforme as determinações contidas no art. 70 da Portaria MF n° 58, de 17/03/2006 (dispõe que o julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei n° 8.112, de 1990, bem assim o entendimento da SRF expresso em atos normativos), define que cerealista é a pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal, donde se pode inferir que a contribuinte não se enquadra no conceito de agroindústria, como pretende. De ver, ainda, que tal definição já constava do art. 8°, § 1 0, inciso I, da Lei n° 10.925, de 2004 (com a redação que lhe deu a Lei n° 11.196, de 2005). II. para o período de apuração em questão (3 0 trimestre de 2003), não havia fundamentação legal para que as cerealistas apurassem crédito presumido decorrente da aquisição de produtos agrícolas diretamente de pessoas fisicas. Verificase que a legislação de regência somente permitiu tal apuração a partir de fevereiro de 2004 (até julho de 2004), quando, para as empresas com natureza jurídica de cerealistas, somente era possível a utilização de créditos advindos de compras de produtos de origem vegetal in natura, se as vendas se dessem às chamadas agroindústrias, como bem determinava o § 11 do art. 3° da Lei n° 10.833, de 2003, a seguir transcrito: § 11. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que adquiram diretamente de pessoas físicas residentes no País produtos in natura de origem vegetal, classificados nas posições 10.01 a 10.08 e 12.01, todos da NCM, que exerçam cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar tais produtos, poderão deduzir da COFINS devida, relativamente às vendas realizadas às pessoas jurídicas a que se refere o § 5 0, em cada período de apuração, crédito presumido calculado à alíquota correspondente a 80% (oitenta por cento) daquela prevista no art. 2° sobre o valor de aquisição dos referidos produtos in natura. (esse artigo foi posteriormente revogado pela Lei n° 10.925, de 2004) No caso em tela, tal artigo deve ser conjugado com o art. 15 da mesma Lei, mostrandose correto, portanto, o entendimento da fiscalização, no sentido de que os mencionados créditos presumidos não podiam ser calculados sobre aquisições realizadas antes de fevereiro de 2004. Atentese, ainda, que o crédito presumido decorrente da aquisição de produtos agrícolas de origem vegetal, adquiridos diretamente de pessoas físicas residentes no País, teve vigência no período de 1°/02/2004 a 31/07/2004, visto que os §§ 5° e 6° do art. 3° da Lei n° 10.833, de 2003, foram revogados pela MP n° 183, de 2004, posteriormente convertida na Lei n° 10.925, de 2004. Assim, a partir de 1°/08/2004, o crédito presumido decorrente da aquisição produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de mercadorias de origem animal ou vegetal destinadas à alimentação humana ou animal, passou a Fl. 83DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2012 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 19 /11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/01/2012 por LUCIANO PONTES D E MAYA GOMES Processo nº 11070.001499/200740 Acórdão n.º 310201.079 S3C1T2 Fl. 80 7 ser tratado pelo art. 8° da Lei n° 10.925, de 2004 (com a redação dada pelo art. 29 da Lei n° 11.051, de 2004 e art. 63 da Lei n° 11.196, de 2005). III. observada a legislação tida pela contribuinte como embasadora de seu pedido (§ 10 da Lei n° 10.637, de 2002, com a redação dada pelo art. 25 da Lei n° 10.684, de 2003 — fl. 35) e confirmado o entendimento de que essa se referia somente às agroindústrias (... as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal...), ainda que a empresa possuísse os créditos que entende ter, não poderia utilizálos em compensação ou fazer pedido de ressarcimento, eis que se tratariam de créditos presumidos e não de créditos básicos. Para tanto, basta verificar a redação daquele parágrafo, que apenas refere à dedução dos créditos, e não a sua compensação ou ressarcimento. Do exposto, entendese correta a glosa efetivada pela Fiscalização relativamente aos créditos presumidos apurados relativamente às compras de produtos agrícolas de origem vegetal, adquiridos diretamente de pessoas fisicas residentes no País, atentandose que o caso em questão não trata de créditos básicos, estes passíveis de apuração em relação a bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País ou a custos e despesas incorridos, pagos ou creditados à pessoa jurídica domiciliada no País (ao que se infere da manifestação apresentada, a contribuinte confunde os chamados créditos básicos com créditos presumidos, esses objeto do presente litígio). Regularmente intimado, a contribuinte se insurge contra as conclusões lançadas no acórdão da instância de origem, através de recurso voluntário pelo qual são repisados os argumentos já apresentados por ocasião da manifestação de inconformidade. São esses os fatos, no que entendemos interessar ao julgamento. Voto Conselheiro Relator, Luciano Pontes de Maya Gomes: Verificado o preenchimento dos pressupostos de admissibilidade recursal no caso sob análise, tomo conhecimento do recurso respectivo, passando ao exame respectivo. Pois bem. Como bem visto do relato empreendido logo acima, a avaliação a ser promovida remete ao acerto, ou não, quanto à negativa empreendida pela instância de origem ao indeferir o ressarcimento, e as respectivas homologações das compensações propostas, motivando este agir por entender não fazer a recorrente jus ao crédito presumido do PIS nãocumulativo em suas aquisições de insumos empreendidos à pessoas físicas. De início, devese observar que o crédito sobre as aquisições de pessoas físicas não se incluem entre aqueles ditos por créditos básicos do regime nãocumulativo do PIS, estes dispostos nos incisos I ao X, do art. 3o, da Lei n º 10.637/2002. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2012 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 19 /11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/01/2012 por LUCIANO PONTES D E MAYA GOMES 8 O crédito de que ora se cuida fora introduzido na lei de regência do PIS não cumulativo posteriormente, pela Medida Provisória n º 107 de 10/02/2003, com vigência a partir da sua publicação (convertida na Lei n º 10.684, de 30/05/2003), e que inseriu o §10o ao já citado art. 3o da Lei n º 10.637/2002, cuja redação reproduzimos: Art. 3o. (...). §10. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificados nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706, 10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 1514, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul, destinados à alimentação humana ou animal poderão deduzir da contribuição para o PIS/Pasep, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. (incluído pela Lei n º 10.684, de 30.05.2003) O texto em referência vigorou até a superveniência da Lei n º 10.925/2004, que veio a regular o crédito presumido em questão a partir de 1o/08/2004, conforme a vacatio legis estabelecida pelo art. 16, I, ‘a’, do citado diploma legislativo. Enfim, à época das aquisições de insumos de pessoas físicas (no curso do 3o trimestre de 2003) cuja aptidão para gerarem créditos ora é analisada, vigia a redação original estabelecida pela MP n º 107, de 10/02/2003. Do enunciado proposto pelo dispositivo em comento, por sua vez, extraise que o crédito presumido sobre as aquisições de pessoas físicas seria assegurado às pessoas jurídicas produtoras de mercadorias de origem animal ou vegetal classificadas nos códigos especificados, destinadas à alimentação humana ou animal. Bem. Não restando dúvidas quanto à origem ou destino das mercadorias negociadas pela recorrente, o cerne da questão reside em saber se esta efetivamente produz, ou não, tais bens. Neste particular, nos filiamos às conclusões já alcançadas pela instância de origem. A uma, pela própria atividade declarada pela recorrente à repartição fazendária (Código 46320) ser a de comércio atacadista de cereais (denominada cerealista), não existindo nos autos, de fato, qualquer prova em sentido diverso de maneira a ilidir tamanha presunção (pela declaração da própria contribuinte); A duas, porque a lei assegurou o crédito ao produtor dos bens, não cabendo estendêlo àquele que simplesmente o beneficie (a despeito de não enxergarmos na secagem, limpeza e armazenagem atividade produtiva); e, a três, porque a legislação superveniente pôs uma pá de cal na discussão ao claramente diferenciar a atividade produtiva daquela que promova apenas a secagem, limpeza e armazenagem (a que denominou de cerealista), merecendo esta tratamento específico no § 1o, do art. 8o, da Lei n º 10.925/2004, que passou a reger o comentado crédito presumido a partir de agosto de 2004. Atentese para a redação do dispositivo: § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: Fl. 85DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2012 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 19 /11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/01/2012 por LUCIANO PONTES D E MAYA GOMES Processo nº 11070.001499/200740 Acórdão n.º 310201.079 S3C1T2 Fl. 81 9 I – cerealista que exerça cumulativamente as atividade de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 a 1006.30, 12.01 a 18.01, todos da NCM; Por outro lado, ainda que admitíssemos que a recorrente preenchesse a hipótese fática do §10o do art. 3o acima reproduzido, não teríamos como acatar a sua pretensão de ressarcimento. É que a legislação vigente, seja na época das aquisições sobre as quais a recorrente calculou o crédito respectivo, seja a do protocolo do pedido de ressarcimento, não assegurava tal pretensão (ressarcimento) fora do próprio período de apuração. E não é só pela letra do art. 5o da IN SRF n º 660/2006, mas pelo próprio texto do citado §10o, do art. 3o, da Lei n º 10.637/2002, que se de uma lado inaugura a autorização para a dedução do crédito apurado com o crédito devido (débito) “em cada período de apuração”, do outro, ou melhor, no §2o está textualmente anotado que o crédito, para fins, é aquele calculado sobre os bens e serviços adquiridos, no mesmo período de apuração. Enfim, a restrição é textual. O art. 17 da Lei n º 11.033/2004, c/c o art. 16 da Lei n º 11.116/2005 não tem aplicação ao crédito presumido de que versa o art. 8 da Lei n º 9.925/2004. Aqueles regulam a manutenção creditória relacionadas às saídas à alíquota zero, isenção e imunidade. O último institui crédito presumido, em lei especial que veda o pretenso aproveitamento. Já o art. 36 da Lei n º 12.058, de 13/10/2009, por sua vez, efetivamente introduziu no mundo jurídico outras hipótese para a utilização dos saldos credores de créditos apurados na forma do art. 8o da Lei n º 10.925/2004, relativos aos bens nele mencionados, especificamente a compensação com quaisquer outros tributos, vencidos ou vincendos, administrados pela RFB, ou ainda o ressarcimento em espécie. Confirase: Art. 36. O saldo de créditos presumidos apurados na forma do § 3o do art. 8o da Lei no 10.925, de 23 de julho de 2004, relativo aos bens classificados nos códigos 01.02, 02.01, 02.02, 02.06.10.00, 02.06.20, 02.06.21, 02.06.29 da NCM, existentes na data de publicação desta Lei, poderá: (Produção de efeito) I ser compensado com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria; II ser ressarcido em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 1o O pedido de ressarcimento ou de compensação dos créditos presumidos de que trata o caput deste artigo somente poderá ser efetuado: I relativamente aos créditos apurados nos anoscalendário de 2004 a 2007, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao de publicação desta Lei; Fl. 86DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2012 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 19 /11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/01/2012 por LUCIANO PONTES D E MAYA GOMES 10 II relativamente aos créditos apurados no anocalendário de 2008 e no período compreendido entre janeiro de 2009 e o mês de publicação desta Lei, a partir de 1o de janeiro de 2010. § 2o O disposto neste artigo aplicase aos créditos presumidos que tenham sido apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. A publicação superveniente do citado diploma legislativo, aliado ao texto do §1o, II, que condiciona o exercício da faculdade em testilha a que o protocolo do pleito se dê a partir de 1o/01/2010 para os créditos apurados no curso do exercício de 2009, afasta qualquer dúvida quanto a inviabilidade do pleito da recorrente em pretender o ressarcimento em momento anterior. Isto posto, conheço do recurso voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES Relator Fl. 87DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2012 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 19 /11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/01/2012 por LUCIANO PONTES D E MAYA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10850.906252/2011-58
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3803-000.395
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem junte a este processo os resultados da diligência determinada em outro processo, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Dec 16 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10850.906252/2011-58
anomes_publicacao_s : 201312
conteudo_id_s : 5313838
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Dec 16 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3803-000.395
nome_arquivo_s : Decisao_10850906252201158.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : HELCIO LAFETA REIS
nome_arquivo_pdf_s : 10850906252201158_5313838.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem junte a este processo os resultados da diligência determinada em outro processo, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
id : 5224144
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:16:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046369839611904
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1849; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 304 1 303 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10850.906252/201158 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3803000.395 – 3ª Turma Especial Data 26 de novembro de 2013 Assunto PIS COMPENSAÇÃO Recorrente GV HOLDING S/A (Sucessora de ITABENS EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A) Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem junte a este processo os resultados da diligência determinada em outro processo, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência da emissão de despacho decisório que não homologara a compensação declarada, pelo fato de que o pagamento informado já havia sido utilizado integralmente na quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 06 25 2/ 20 11 -5 8 Fl. 377DF CARF MF Impresso em 16/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.906252/201158 Resolução nº 3803000.395 S3TE03 Fl. 305 2 O crédito que se pretende compensar na declaração de compensação destes autos encontrase em discussão no processo administrativo nº 10850.907653/201125, que se encontra pautado para julgamento na mesma sessão deste processo. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu a homologação da compensação, assim como a reunião dos processos ali identificados para julgamento em conjunto, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) no despacho decisório, a autoridade administrativa não homologara a compensação declarada, informando que não havia sido constatado valor algum a ser restituído, sem que fossem tecidas quaisquer outras considerações para embasar o indeferimento do crédito pleiteado; b) o indébito decorreria da inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, dispositivo esse que promovera o alargamento da base de cálculo da contribuição para além do faturamento, este consistente no resultado das vendas de mercadorias e da prestação de serviços; c) o CARF tem reconhecido o direito pleiteado, por força do contido na Lei nº 11.941, de 2009, que revogou o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, assim como do disposto no Decreto nº 7.574, de 2011, no art. 26A, § 6º, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 1972, e no art. 62A do Regimento Interno do CARF; d) o despacho decisório fora emitido em desacordo com a legislação e a jurisprudência pacificada sobre o tema, não tendo a autoridade administrativa aprofundado na investigação dos fatos, dada a falta de intimação prévia para prestar esclarecimentos acerca da higidez do crédito, o que contrariaria o art. 65 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários, do despacho decisório, de DARFs, de planilha de cálculo da contribuição e de partes do Livro Diário e do Balancete, acompanhadas dos termos de abertura e de encerramento. A DRJ Ribeirão Preto/SP rejeitou a reunião dos processos para julgamento conjunto, por se referirem a fatos e provas distintos, e não reconheceu o direito creditório, considerando que a autoridade administrativa teria procedido corretamente ao indeferir o pleito do contribuinte, em razão do fato de que o débito confessado em DCTF seria do mesmo valor do montante recolhido, o que evidenciaria a inexistência de saldo credor, conclusão essa reforçada pela inocorrência de retificação da DCTF. Aduziu o relator do voto condutor da decisão recorrida que, no tocante à inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da contribuição, no presente caso, não se discutiria o entendimento do STF, tampouco se questionaria a vinculação do CARF à decisão proferida no Recurso Extraordinário (RE) julgado na sistemática da repercussão geral, e que a revogação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, pela Lei nº 11.941, de 2009, não alcançaria este processo por não se aplicar retroativamente. Destacou, ainda, o julgador de piso, que o caput do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, vedaria o afastamento da aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade, ressalvadas as exceções previstas no § 6º, incisos I e II, do mesmo artigo, exceções essas não aplicáveis ao presente caso. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 16/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.906252/201158 Resolução nº 3803000.395 S3TE03 Fl. 306 3 Segundo o relator, amparandose no Parecer PGFN/CDA nº 2.025, de 2011, as condições previstas no inciso II do § 6º do 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, não se verificariam em relação à inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da contribuição, sendo inaplicáveis ao presente caso; e, no que se refere ao inciso I do mesmo dispositivo, ele não abrangeria decisão proferida em controle difuso de constitucionalidade, a qual produziria efeitos somente em relação às partes da relação processual, mesmo que proferida em processo julgado pela sistemática da repercussão geral. Destacou, também, o julgador de primeira instância, que, ainda que os óbices à utilização integral do recolhimento não existissem, o contribuinte não teria se desincumbido de demonstrar e provar o suposto recolhimento a maior, tendo requerido a restituição de todo o valor da contribuição recolhido no período, o que só seria possível se não tivesse auferido nenhum faturamento, apenas receitas financeiras, o que não ficou comprovado. Finalmente, ressaltou o relator de piso, que a cópia parcial do livro Diário apresentada, constando apenas algumas folhas de lançamentos e parte do balancete do período em exame, permitiria vislumbrar tão somente as receitas financeiras do período, mas não o faturamento da empresa, em razão do que não haveria como se apurar o total da base de cálculo da contribuição devida, para comparála com o recolhimento efetuado e concluirse acerca de eventual existência de recolhimento a maior, e em que montante. Cientificado da decisão em 27 de junho de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 26 de julho do mesmo ano, reiterou o pedido de julgamento em conjunto dos processos ali identificados e requereu o reconhecimento do direito à plena restituição da contribuição calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, bem como a homologação da compensação declarada, repisando os mesmos argumentos de defesa apresentados na primeira instância, sendo acrescentadas as seguintes alegações: a) a DCTF não seria o único meio de prova da existência de crédito passível de restituição, devendose elucidar que nem o art. 165 do CTN nem o art. 74 da Lei n. 9.430, de 1996, condicionam o reconhecimento do crédito à retificação de declarações, tratandose de formalidade, a qual não pode se sobrepor ao direito substantivo; b) “[a] exigência de retificação de declarações é medida que, além de não constar da lei, tampouco das normas infralegais, decorre de excesso de formalismo, que restringe o direito à repetição de indébito, em detrimento do princípio da legalidade, que deve nortear não apenas a apuração de tributos, como sua restituição, além de também se distanciar do alcance do interesse público”; c) “a afirmação do acórdão recorrido está em total desconformidade com o princípio da verdade material, que rege o processo administrativo fiscal, e pelo qual o julgador deve buscar a verdade dos fatos, desconsiderando as formalidades, cabendolhe analisar todos os vieses da situação fática antes de lançar mão do ato administrativo, notadamente em casos em que a interpretação do contexto fático dependa, exclusivamente, da devida análise probatória”; d) “[o] princípio de que a contabilidade, lastreada em documentação idônea, faz prova a favor do contribuinte não é estranho ao direito tributário, estando expressamente previsto no Decretolei nº 1.598/77, fundamento legal do artigo 923 do RIR/99”, sendo de “manifesta obviedade que as autoridades administrativas almejam negar o reconhecimento ao crédito a todo custo, o que não tem mínimas condições de prevalecer, haja vista que, além dos Fl. 379DF CARF MF Impresso em 16/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.906252/201158 Resolução nº 3803000.395 S3TE03 Fl. 307 4 argumentos expostos, a jurisprudência administrativa já se manifestou no sentido de que, quando em boa ordem, a escrituração contábil faz prova em favor do contribuinte”; e) a Planilha de cálculo, o DARF, o livro Diário,o balancete e os respectivos termos de abertura e encerramento apresentados, referentes ao período sob análise, foram considerados insuficientes na decisão recorrida, o que denotaria a ocorrência de uma análise superficial dos documentos acostados; f) o fato de ter alegado na Manifestação de Inconformidade apenas a ocorrência de receitas financeiras não pode suplantar os fatos devidamente demonstrados de que o direito creditório se refere ao somatório das receitas financeiras e dos valores de créditos recuperados, não tendo havido no período receita tributável pela contribuição; g) “ainda que a documentação juntada não fosse suficiente para comprovar o crédito, o que se admite apenas em caráter argumentativo, a DRJ deveria ter convertido o julgamento em diligência, conforme previsão do art. 18 do Decreto nº 70.235”; h) ao invocar a preclusão do direito de apresentação de novas provas após a manifestação de inconformidade, a autoridade julgadora não se dera conta de que “uma das hipóteses que autoriza a apresentação posterior de prova documental se configura no momento em que se faz necessário contrapor fatos ou razões que, porventura, foram trazidos posteriormente aos autos”, conforme disciplina do art. 16, § 4o, "c", do Decreto nº 70.235, de 1972; i) no acórdão recorrido, afirmouse que os órgãos administrativos não estariam vinculados a decisões de inconstitucionalidade exaradas na esfera judicial em controle difuso de constitucionalidade, sendo que tal afirmação encontrarseia “em total desconformidade com o que vem decidindo a jurisprudência administrativa, que já se manifestou favoravelmente à aplicação, pelo fisco, das decisões que declararam a inconstitucionalidade do parágrafo 1o, do art. 3o, da Lei 9.718/98, em razão de terem sido proferidas em sessão plenária do Supremo Tribunal Federal e demonstrarem o entendimento pacífico e inequívoco daquela Corte sobre a matéria”; j) “um dispositivo de lei declarado inconstitucional é uma norma absolutamente nula, impossibilitada de produzir efeitos jurídicos válidos, em razão do seu desacordo com o texto constitucional, a quem deve irrestrita obediência. Ora, seria ilógico que a administração fazendária continuasse a reconhecer a validade de um artigo de lei já declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal”; l) “o inciso I, do parágrafo 6o, do art. 26A, incluído no Decreto n. 70.235, de 6.3.1972, pela Lei n. 11.941, de 27.5.2009, "in verbis", determina que, nos casos de lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal, os órgãos de julgamento da administração fiscal federal devem afastar sua aplicação consoante o entendimento exarado na decisão:” Junto ao Recurso Voluntário, o contribuinte trouxe aos autos cópia integral do livro Diário e dos balancetes relativos ao anocalendário 2000 e da Demonstração de Lucros e Prejuízos Acumulados. É o relatório. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 16/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.906252/201158 Resolução nº 3803000.395 S3TE03 Fl. 308 5 Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, a repartição de origem, por meio de despacho decisório eletrônico, não homologara a compensação declarada, pelo fato de que o pagamento informado já havia sido utilizado integralmente na quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte. Consta da Declaração de Compensação o nº do Pedido de Restituição (PER) em que o crédito fora pleiteado, pedido esse em discussão no processo administrativo nº 10850.907653/201125, que se encontra pautado para julgamento na mesma sessão. Como o encaminhamento dado ao processo nº 10850.907653/201125 foi de conversão do julgamento em diligência à repartição de origem para se confirmar o direito creditório pleiteado, a este processo deve ser dada a mesma destinação, pois que dependente do resultado que se apurar naqueles autos. Nesse contexto, voto por converter o julgamento em diligência à repartição de origem, para que a este processo sejam juntados os resultados da diligência determinada no processo nº 10850.907653/201125, devendo ambos os autos serem reunidos para julgamento em conjunto. Após as providências ora requeridas, o Recorrente deverá ser cientificado dos seus resultados, franqueandolhe o prazo de 30 (trinta) para se pronunciar, devendo, ao final, os autos, devidamente reunidos, retornarem a esta 3a Turma Especial da 3ª Seção do CARF para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 381DF CARF MF Impresso em 16/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 10882.910062/2011-68
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000
PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA IMPOSSIBILIDADE. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO.
Nos casos de PER/Dcomp transmitida visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-002.200
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS - Presidente, em exercício.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Jose Barroso Rios (Presidente em exercício), Mara Cristina Sifuentes, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Claudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA IMPOSSIBILIDADE. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. Nos casos de PER/Dcomp transmitida visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10882.910062/2011-68
anomes_publicacao_s : 201402
conteudo_id_s : 5326136
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3802-002.200
nome_arquivo_s : Decisao_10882910062201168.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : SOLON SEHN
nome_arquivo_pdf_s : 10882910062201168_5326136.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS - Presidente, em exercício. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Jose Barroso Rios (Presidente em exercício), Mara Cristina Sifuentes, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Claudio Augusto Gonçalves Pereira.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
id : 5307949
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:18:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046369854291968
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1762; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 44 1 43 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10882.910062/201168 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802002.200 – 2ª Turma Especial Sessão de 26 de novembro de 2013 Matéria COFINSCOMPENSAÇÃO Recorrente FERTIBRÁS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA IMPOSSIBILIDADE. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. Nos casos de PER/Dcomp transmitida visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Presidente, em exercício. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 91 00 62 /2 01 1- 68 Fl. 44DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Jose Barroso Rios (Presidente em exercício), Mara Cristina Sifuentes, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Claudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, com base nos fundamentos resumidos na ementa seguinte (fls. 19): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de Apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 Ementa: RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Sendo diferentes os regimes pelos quais a restituição e a compensação podem ou não ser viabilizadas, e por falta de previsão legal, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Por sua vez, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade alegando ter ocorrido a homologação tácita do pedido, devido ao decurso de cinco anos entre a apresentação do PER/Dcomp e a prolação do despacho decisório. A DRJ entendeu que o prazo estipulado no §5º, do art. 74, não seria aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição, em decorrência da diversidade do regime jurídico da restituição e da compensação, bem como por ausência de previsão legal. O Recorrente, nas razões recursais de fls. 28, reitera a alegação de homologação tácita, requerendo o provimento do recurso voluntário e a consequente reforma da decisão recorrida. É o Relatório. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10882.910062/201168 Acórdão n.º 3802002.200 S3TE02 Fl. 45 3 Voto Conselheiro Solon Sehn O Recorrente teve ciência da decisão no dia 23/05/2013 (fls. 26), interpondo recurso tempestivo em 17/06/2013 (fls. 28). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido. A Lei nº 10.637/2002, ao alterar o art. 74 da Lei nº 9.430/1996, teve por objetivo unificar o regime de compensação, extinguindo a compensação realizada na Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), na escrituração contábil ou condicionada ao deferimento de pedido administrativo. Todas essas modalidades foram substituídas pelo regime de autocompensação, que ressaltadas as contribuições previdenciárias compensadas na Gfip (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) é aplicável aos tributos administrados pela Receita Federal. No regime da autocompensação, como se sabe, a extinção do crédito tributário é considerada tacitamente homologada após o decurso do prazo de cinco anos, nos termos do § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002). § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003). Notase, portanto, que o prazo do §5º do art. 74 não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. O fato destes serem transmitidos pelo mesmo instrumento da declaração de compensação (o PER/Dcomp) não autoriza nem mesmo por analogia, como sustentou a Recorrente a aplicação do prazo de cinco anos para a homologação tácita, até porque, ao contrário do que ocorre na compensação, não haveria uma extinção do crédito tributário prévia a ser homologada. Votase, assim, pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 4 (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 47DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
score : 1.0
Numero do processo: 10480.721553/2009-44
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004, 2005
Tributação Reflexa.
O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar as autuações reflexas de PIS, COFINS e CSLL.
Exploração De Jogo De Azar. Contribuinte. Conflito Entre Lei Municipal/Contrato Poder Público E O Ctn.
Carece de eficácia a lei municipal/estadual que legisla sobre matéria que foge à sua competência material, fixada pela Constituição Federal, , ou o contrato celebrado com ente público, que define quem é o contribuinte de tributos federais, ao arrepio do disposto no Código Tributário Nacional (CTN). A pessoa jurídica que explora a atividade de jogo de azar, sem a devida autorização legal e sem estar vinculada à entidade esportiva regularmente credenciada, não pode eximir-se da sujeição passiva da obrigação tributária e nem opor benefício de ordem, com respaldo em ajuste firmado com ente público municipal/estadual por este não possuir competência para legislar sobre matéria federal e tributária federal.
Exploração de Jogo De Azar. Competência Da União Para Legislar. Súmula Vinculante STF Nº 02.
É inconstitucional a lei ou ato normativo estadual ou distrital que disponha sobre sistemas de consórcios e sorteios, inclusive bingos e loterias.
Numero da decisão: 1801-001.839
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Leonardo Mendonça Marques que dava provimento parcial ao recurso por considerar que a receita auferida pela recorrente não é toda receita própria.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201402
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004, 2005 Tributação Reflexa. O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar as autuações reflexas de PIS, COFINS e CSLL. Exploração De Jogo De Azar. Contribuinte. Conflito Entre Lei Municipal/Contrato Poder Público E O Ctn. Carece de eficácia a lei municipal/estadual que legisla sobre matéria que foge à sua competência material, fixada pela Constituição Federal, , ou o contrato celebrado com ente público, que define quem é o contribuinte de tributos federais, ao arrepio do disposto no Código Tributário Nacional (CTN). A pessoa jurídica que explora a atividade de jogo de azar, sem a devida autorização legal e sem estar vinculada à entidade esportiva regularmente credenciada, não pode eximir-se da sujeição passiva da obrigação tributária e nem opor benefício de ordem, com respaldo em ajuste firmado com ente público municipal/estadual por este não possuir competência para legislar sobre matéria federal e tributária federal. Exploração de Jogo De Azar. Competência Da União Para Legislar. Súmula Vinculante STF Nº 02. É inconstitucional a lei ou ato normativo estadual ou distrital que disponha sobre sistemas de consórcios e sorteios, inclusive bingos e loterias.
turma_s : Primeira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10480.721553/2009-44
anomes_publicacao_s : 201402
conteudo_id_s : 5326110
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1801-001.839
nome_arquivo_s : Decisao_10480721553200944.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ANA DE BARROS FERNANDES
nome_arquivo_pdf_s : 10480721553200944_5326110.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Leonardo Mendonça Marques que dava provimento parcial ao recurso por considerar que a receita auferida pela recorrente não é toda receita própria. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
id : 5307923
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:18:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046369872117760
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2525; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 2 1 1 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.721553/200944 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1801001.839 – 1ª Turma Especial Sessão de 12 de fevereiro de 2014 Matéria Lucro Presumido Jogos de Azar IRPJ e tributação reflexa Recorrente SERVIÇOS E ADMINISTRAÇÃO CAMPINA DA SORTE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005 LUCRO PRESUMIDO. JOGOS DE AZAR. RECEITA BRUTA. APOSTAS A empresa é responsável pela opção ao regime de tributação quanto aos seus efeitos. Optado pela apuração do lucro na forma presumida, sujeitase à submeterse às regras para recolher os tributos de acordo com a presunção legal de obtenção do lucro, e não consoante cálculo do lucro efetivo. A receita bruta consiste no valor total das apostas recebidas e as deduções permitidas são somente aquelas permitidas na legislação tributária, não sendo passível de dedução o valor dos prêmios pagos. EXPLORAÇÃO DE JOGO DE AZAR. CONTRIBUINTE. CONFLITO ENTRE LEI MUNICIPAL/CONTRATO PODER PÚBLICO E O CTN. Carece de eficácia a lei municipal/estadual que legisla sobre matéria que foge à sua competência material, fixada pela Constituição Federal, , ou o contrato celebrado com ente público, que define quem é o contribuinte de tributos federais, ao arrepio do disposto no Código Tributário Nacional (CTN). A pessoa jurídica que explora a atividade de jogo de azar, sem a devida autorização legal e sem estar vinculada à entidade esportiva regularmente credenciada, não pode eximirse da sujeição passiva da obrigação tributária e nem opor benefício de ordem, com respaldo em ajuste firmado com ente público municipal/estadual por este não possuir competência para legislar sobre matéria federal e tributária federal. EXPLORAÇÃO DE JOGO DE AZAR. COMPETÊNCIA DA UNIÃO PARA LEGISLAR. SÚMULA VINCULANTE STF Nº 02. É inconstitucional a lei ou ato normativo estadual ou distrital que disponha sobre sistemas de consórcios e sorteios, inclusive bingos e loterias. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2005 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 15 53 /2 00 9- 44 Fl. 353DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/02/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar as autuações reflexas de PIS, COFINS e CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Leonardo Mendonça Marques que dava provimento parcial ao recurso por considerar que a receita auferida pela recorrente não é toda receita própria. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes. Relatório A empresa recorre do Acórdão nº 1131.826/10 exarado pela Terceira Turma de Julgamento da DRJ em Recife/PE, fls. 286 a 291, que decidiu julgar procedentes os lançamentos tributários consubstanciados nos Autos de Infração lavrados para a exigência de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, relativos aos anoscalendários de 2004 e 2005. Assim restou ementado o acórdão: LUCRO PRESUMIDO. JOGO. BASE DA PRESUNÇÃO. RESPONSABILIDADE. ADMINISTRADORA. Na hipótese de a administração do jogo ser entregue a empresa comercial, é de exclusiva responsabilidade desta o pagamento de todos os tributos e encargos da seguridade social incidentes sobre as respectivas receitas obtidas com essa atividade. A base que se deve adotar para efeito de cálculo do lucro corresponde à totalidade das receitas decorrentes da atividade, não havendo previsão legal para que se excluam pagamentos efetuados a terceiros. Aproveito trechos do relatório e voto do aresto vergastado para historiar os fatos: “Tratase de autos de infração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ (fls. 03 a 05), do Programa de Integração Social PIS (fls. 09 a 11), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins (fls. 14 a 16), e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (fls. 19 a 21), lavrados para formalização e exigência de crédito tributário no montante de R$ 363.894,47 (valores principais, multas e juros). Fl. 354DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/02/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10480.721553/200944 Acórdão n.º 1801001.839 S1TE01 Fl. 3 3 De acordo com o Relatório de Fiscalização (fls. 25 a 30), o lançamento decorreu de omissão de receita. Constatouse, à vista do livro caixa, a receita oferecida à tributação (lucro presumido) era inferior à que se auferiu. Apresentouse impugnação, às fls. 178 a 193, contrapondose, em síntese, que: o art. 4° da Lei n° 9.981, de 2000, em que se fundamentou a autuação, não se aplicaria à situação descrita no lançamento; a receita tributável da empresa consistiria apenas na parcela pecuniária resultante da diferença entre a arrecadação (venda de bilhetes) e os encargos enunciados no contrato firmado com a Lotep (Loteria do Estado da Paraíba), de modo que não teria havido omissão; os ingressos financeiros registrados como operações em conta de terceiros não poderiam servir de esteio à incidência do PIS e da Cofins. [...] Consoante a defesa, o art. 4° da Lei n° 9.981, de 2000, destinarse ia, exclusivamente, a disciplinar jogos de bingo administrados direta ou indiretamente pela Caixa Econômica Federal, nos termos dos art. 59 e seguintes da Lei n° 9.615, de 1998, pelo que seria inaplicável à situação descrita no lançamento, vez que o jogo lotérico denominado "21 da felicidade" não se enquadraria no conceito de "jogo de Bingo” tampouco fora autorizada a sua exploração pela Caixa Econômica Federal — o jogo teria sido instituído pela Loteria do Estado da Paraíba (LOTEP), e sua exploração efetuada sob regime de permissão, mediante contrato firmado com esse órgão. A responsabilidade pelo pagamento dos tributos, portanto, restringirseia apenas à parcela correspondente à remuneração pela prestação dos serviços. Os ingressos financeiros decorrentes da venda de bilhetes deveriam ter sido classificados pela autoridade lançadora de acordo com as estipulações constantes do contrato, segregandose, para efeito de apuração da "receita própria", os valores que apenas transitaram pela conta, "obrigatoriamente aplicados para a remuneração da LOTEP, do MOVIMENTO DE AJUDA FRATERNA, e para custeio da premiação", por não terem repercussão no patrimônio — discorreuse sobre o fato gerador do IRPJ e da CSLL. Ante a declaração de inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, pelo Supremo Tribunal Federal, também não haveria incidência do PIS e da Cofins em ingressos registrados como operações em conta alheia, que corresponderiam in casu à totalidade da arrecadação com a venda bilhetes, salvo a parte reservada à remuneração pela prestação dos serviços. Os argumentos não se sustentam. As disposições contratuais firmadas com a Lotep revelamse inoperantes, pois ancoradas em lei declarada inconstitucional pelo STF. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/02/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 O STF, com efeito, declarou inconstitucional, com fundamento no inciso XX do art. 22 da Constituição Federal de 19881, em face de diversas ADINs, os complexos normativos estaduais que autorizavam/regulavam jogos lotéricos, motivo por que inclusive se editou a Súmula vinculante n° 02, que assim determina: [...] De outra banda, o DecretoLeí n° 204, de 27 de fevereiro de 1967, em seus arts. 1° e 332, tornou as loterias serviços exclusivos, não suscetíveis de concessão, tendo extinguido a possibilidade, em seu art. 32, de criação de novas loterias estaduais, e vedado, em relação às já existentes, a alteração e ou criação de novas séries. A criação de novas modalidades de loteria, portanto, somente se tornou possível, após a promulgação do referido decreto, por meio de lei ordinária federal. Nesse contexto, resta claro, as concessões para exploração do Jogo, a nível estadual, foram efetuadas ao arrepio da Constituição e do sobredito Decreto lei. Não obstante, fato é que a atividade foi desenvolvida em diversos estados, o que implica, de forma necessária, a observação das normas federais sobre a matéria. Com a edição da Lei n° 9.615, de 24 de março de 1998 (Lei Pelé), permitiuse a exploração de bingos por entidades desportivas, que poderiam contratar empresa comercial para administrar o jogo, sendo de sua responsabilidade contudo o pagamento dos impostos incidentes sobre as receitas advindas da atividade. Por meio do art. 4° da Lei n° 9.981, de 20 003, transferiuse essa responsabilidade à empresa administradora, decerto ante o desvirtuamento do sentido da Lei n° 9.615, de 1998, que objetivava grosso modo incentivar a atividade desportiva, o que também aconteceu mutatis mutandis a nível estadual. Assim, independentemente de o jogo tratarse de bingo, ou de loteria, tampouco ter sido autorizado pela Caixa Econômica Federal, como se afirmou, devia ter sido observado o disposto no art. 4° da Lei n° 9.981, de 2000. Nos anos objeto da autuação, optouse pela sistemática do lucro presumido, por meio da qual se apura o lucro tributável aplicandose índices4 à Receita Bruta definida pelo art. 31 da Lei n° 8.981, de 19951, não se cogitando da dedução de custos ou de despesas, que são implicitamente considerados. Nessa esteira, não traz qualquer reflexo para o caso em questão a declaração de inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, pois que, repisese, incumbe a empresa administradora o pagamento de todos os tributos e encargos da seguridade social incidentes sobre as receitas obtidas com a atividade. [...]” 1 Art. 31. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/02/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10480.721553/200944 Acórdão n.º 1801001.839 S1TE01 Fl. 4 5 A empresa interpôs tempestivamente2 o Recurso de efls. 303 a 322, reiterando os termos da defesa exordial. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. 2 AR – 28/11/11, efls. 295; Recurso – 27/12/11, efls. 303 Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. I) Da Consideração da Receita Bruta A fiscalização considerou a título de receita bruta, base de cálculo para apurarse o lucro de forma presumida, a totalidade dos ingressos financeiros relativos à arrecadação para os sorteios escriturados no Livro Caixa da recorrente. A recorrente insurgese veemente contra este procedimento pois entende que presta serviços por conta alheia, em virtude de contrato de concessão celebrado com o Estado da Paraíba para explorar loteria estadual Lotep. O raciocínio da recorrente está equivocado. O artigo 519 do Regulamento do Imposto de Renda vigente – RIR/99 (Decreto nº 3.000/99) estabelece a base de cálculo para as pessoas jurídicas que optam pela apuração do lucro na forma presumida, remetendo ao art. 224 do mesmo diploma legal: Art. 224. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31). [...] Art. 519. Para efeitos do disposto no artigo anterior, considera se receita bruta a definida no art. 224 e seu parágrafo único. Os resultados, por conseguinte, das operações realizadas pelo optante ao regime de tributação do Lucro Presumido não é relevante, ainda que resultem em prejuízo à pessoa jurídica. Esta forma de opção para a apuração do lucro é vantajosa para as pessoas jurídicas que não possuem muitos custos (a serem deduzidos quando a apuração é realizada pelo Lucro Real) e evita a aplicação da alíquota do tributo diretamente sobre o lucro real, porém incide sobre o resultado da aplicação de determinado percentual, dependendo da atividade, da receita bruta. Daí decorre a presunção do lucro. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/02/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 E as deduções admitidas pela norma tributária são somente aquelas que o próprio art. 224 do RIR/99, em seu § único, determina: Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31, parágrafo único). Assim, pois, é vedado aos contribuintes pretenderem usar como base de cálculo para a aplicação do coeficiente (que já estima, presume, a receita líquida) sobre uma receita líquida calculada e não a bruta efetivamente auferida, ou faturamento, no caso em concreto, o valor total arrecadado. Há que se lembrar, ainda, que a opção pela forma de apuração do lucro na forma presumida é irretratável para o anocalendário – art. 516, § 1ª do RIR/99: Art. 516. A pessoa jurídica cuja receita bruta total, no ano calendário anterior, tenha sido igual ou inferior a vinte e quatro milhões de reais, ou a dois milhões de reais multiplicado pelo número de meses de atividade no anocalendário anterior, quando inferior a doze meses, poderá optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido (Lei nº 9.718, de 1998, art. 13). § 1º A opção pela tributação com base no lucro presumido será definitiva em relação a todo o anocalendário (Lei nº 9.718, de 1998, art. 13, § 1º ). A jurisprudência administrativa tem se manifestado neste sentido. Colaciono a ementa do Acórdão nº 10707.7933, de 20/10/2004, ao julgado: IRPJ LUCRO PRESUMIDO O ingresso livre e espontâneo na sistemática do lucro presumido faz supor que o contribuinte conhece de antemão suas regras e que está disposto a abrir mão da apuração contábil em prol da simplicidade de presumir o lucro com base num percentual fixo da receita bruta, acrescido do resultado positivo das demais receitas e negócios. Não há previsão legal para dedução do lucro presumido dos resultados negativos em operações. Não se pode considerar que as atividades da recorrente são prestadas por conta alheia, pois quem praticou os fatos geradores da obrigação tributária, ou seja, promoveu e explorou os jogos de azar, foi, efetivamente, a recorrente em estabelecimento seu, o que lhe iça à condição, sim, de contribuinte, sujeito passivo da obrigação de pagar os tributos decorrentes da prática destes fatos. Semelhantemente, ocorre com as agências de viagens, que ao prestarem os serviços de venda de passagens aéreas, auferem estas receitas e as oferecem à tributação, apesar dos valores das passagens serem repassados às companhias aéreas. No acórdão combatido, restou esclarecido que, independente de se tratar de jogo de bingo, ou outro jogo de azar, com autorização para funcionamento pela Caixa Econômica Federal, ou não, o Supremo Tribunal Federal decidiu que os atos administrativos, normativos, estaduais, ou ainda legislação editada por estes entes públicos, são ineficazes por 3 https://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/listaJurisprudenciaCarf.jsf Fl. 358DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/02/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10480.721553/200944 Acórdão n.º 1801001.839 S1TE01 Fl. 5 7 ferirem a competência constitucional privativa da União em legislar sobre a matéria – Súmula Vinculante STF nº 024. Bem colocado, ainda, as considerações sobre o Decretolei nº 204, de 27 de fevereiro de 1967, arts 1º e 33, que tornaram as loterias serviços exclusivos, não suscetíveis de concessão, e extinguindo a possibilidade de criação de novas loterias estaduais (art. 33): Dispõe sôbre a exploração de loterias e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA , usando das atribuições que lhe confere o parágrafo 2º, do artigo 9º, do Ato Institucional nº 4, de 7 de dezembro de 1966, e CONSIDERANDO que é dever do Estado, para salvaguarda da integridade da vida social, impedir o surgimento e proliferação de jogos proibidos que são suscetíveis de atingir a segurança nacional; CONSIDERANDO que a exploração de loteria constitui uma exceção às normas de direito penal, só sendo admitida com o sentido de redistribuir os seus lucros com finalidade social em têrmos nacionais; CONSIDERANDO o princípio de que todo indivíduo tem direito à saúde e que é dever do Estado assegurar êsse direito; CONSIDERANDO que os Problemas de Saúde e de Assistência MédicoHospitalar constituem matéria de segurança nacional; CONSIDERANDO a grave situação financeira que enfrentam as Santas Casas de Misericórdia e outras instituições hospitalares, parahospitalares e médicocientíficas; CONSIDERANDO, enfim, a competência, da União para legislar sôbre o assunto, DECRETA: Art 1º A exploração de loteria, como derrogação excepcional das normas do Direito Penal, constitui serviço público exclusivo da União não suscetível de concessão e só será permitida nos termos do presente Decretolei. (...) Art 2º A Loteria Federal, de circulação, em todo o território nacional, constitui um serviço da União, executado pelo Conselho Superior das Caixas Econômicas Federais, através da Administração do Serviço de Loteria Federal, com a colaboração das Caixas Econômicas Federais. (...) 4 É inconstitucional a lei ou ato normativo estadual ou distrital que disponha sobre sistemas de consórcio, sorteios, inclusive bingos e loterias. Fl. 359DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/02/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 Art 32. Mantida a situação atual, na forma do disposto no presente Decretolei, não mais será permitida a criação de loterias estaduais. § 1º As loterias estaduais atualmente existentes não poderão aumentar as suas emissões ficando limitadas às quantidades de bilhetes e séries em vigor na data da publicação dêste Decreto lei. Temse, pois, que o referido contrato celebrado entre a recorrente e o Estado da Paraíba de concessão de “serviço de exploração de jogo de azar”, no caso loteria, foi firmado em completa desarmonia com as normas federais e com a Constituição Federal. Salientese, ainda, que restou esclarecido que as disposições do artigo 4º da Lei 9.981/00 são aplicáveis, por analogia, aos demais jogos de azar: Art. 4o Na hipótese de a administração do jogo de bingo ser entregue a empresa comercial, é de exclusiva responsabilidade desta o pagamento de todos os tributos e encargos da seguridade social incidentes sobre as respectivas receitas obtidas com essa atividade. Destarte, a contribuinte dos tributos federais incidentes sobre a atividade de jogos de azar é a recorrente e, por ter optado pela apuração do lucro na forma presumida, correta está a autuação fiscal que calculou o lucro sobre toda a receita auferida. Dispõe também o artigo 123 do CTN, para o repúdio do contrato celebrado sob o qual se alberga a recorrente: Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Os referidos atos administrativos estaduais editados desprovidos de absoluta competência material assemelhamse a meras convenções particulares em seus efeitos tributários. No mais, faço coro com as bem esposadas razões de decidir da turma julgadora de primeira instância sobre as conseqüências tributárias sofridas pela recorrente ao explorar a atividade de jogo de azar. Concluise que a autuação foi estabelecida em estrita conformidade com as normas tributárias vigentes, nada havendo a reparar nos lançamentos tributários neste concernente. II) Da tributação reflexa – CSLL, PIS e Cofins As tributações realizadas de ofício para as exigências de CSLL, PIS e Cofins são decorrentes do lançamento tributário de IRPJ. Por conseguinte, o decidido em relação à exigência de IRPJ, deve ser estendido ao termo das autuações reflexas, dada a íntima causalidade das obrigações tributárias. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/02/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10480.721553/200944 Acórdão n.º 1801001.839 S1TE01 Fl. 6 9 Voto em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 361DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/02/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10855.001230/2006-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
NULIDADE DO PROCESSO FISCAL. REJEIÇÃO.
O Auto de Infração e demais termos do processo fiscal só são nulos nos casos previstos no Processo Administrativo Fiscal. Rejeita-se a argüição de nulidade do lançamento, tendo em vista que a exigência foi formalizada com observância das normas processuais e materiais aplicáveis ao fato em exame.
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. SÚMULA CARF Nº 11
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.
DECADÊNCIA.
Conforme precedente do Superior Tribunal de Justiça, para a hipótese de inocorrência de dolo, fraude ou simulação, a existência de pagamento antecipado leva a regra para as balizas do art. 150, § 4º, do CTN; já a inexistência do pagamento antecipado, para o art. 173, I, do CTN.
RECEITAS E DESPESAS DA ATIVIDADE RURAL. COMPROVAÇÃO.
Por gozar de uma forma de tributação mais benéfica, as receitas e despesas da atividade rural devem ser escrituradas no Livro Caixa e comprovadas por meio de documentação hábil e idônea que identifique o adquirente ou beneficiário, bem como o valor e a data da operação, devendo o contribuinte mantê-la à disposição da fiscalização.
TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. CONFISCO.
Cabível a aplicação da multa de ofício sobre diferenças do imposto lançados de ofício. A vedação constitucional quanto à instituição de exação de caráter confiscatório dos tributos, se refere aos tributos e não às multas e dirige-se ao legislador, e não ao aplicador da lei.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-002.805
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para considerar a despesa de custeio de R$3.100,00, reduzindo a diferença apurada a tributar de R$1.134.565,83 para R$1.131.465,83.
Assinado digitalmente.
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho Relator.
EDITADO EM: 28/01/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jose Raimundo Tosta Santos (Presidente), Alice Grecchi, Núbia Matos Moura, Rubens Mauricio Carvalho e Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201401
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002 NULIDADE DO PROCESSO FISCAL. REJEIÇÃO. O Auto de Infração e demais termos do processo fiscal só são nulos nos casos previstos no Processo Administrativo Fiscal. Rejeita-se a argüição de nulidade do lançamento, tendo em vista que a exigência foi formalizada com observância das normas processuais e materiais aplicáveis ao fato em exame. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. SÚMULA CARF Nº 11 Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. DECADÊNCIA. Conforme precedente do Superior Tribunal de Justiça, para a hipótese de inocorrência de dolo, fraude ou simulação, a existência de pagamento antecipado leva a regra para as balizas do art. 150, § 4º, do CTN; já a inexistência do pagamento antecipado, para o art. 173, I, do CTN. RECEITAS E DESPESAS DA ATIVIDADE RURAL. COMPROVAÇÃO. Por gozar de uma forma de tributação mais benéfica, as receitas e despesas da atividade rural devem ser escrituradas no Livro Caixa e comprovadas por meio de documentação hábil e idônea que identifique o adquirente ou beneficiário, bem como o valor e a data da operação, devendo o contribuinte mantê-la à disposição da fiscalização. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. CONFISCO. Cabível a aplicação da multa de ofício sobre diferenças do imposto lançados de ofício. A vedação constitucional quanto à instituição de exação de caráter confiscatório dos tributos, se refere aos tributos e não às multas e dirige-se ao legislador, e não ao aplicador da lei. Recurso Voluntário Provido em Parte
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10855.001230/2006-92
anomes_publicacao_s : 201402
conteudo_id_s : 5324653
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2102-002.805
nome_arquivo_s : Decisao_10855001230200692.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : RUBENS MAURICIO CARVALHO
nome_arquivo_pdf_s : 10855001230200692_5324653.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para considerar a despesa de custeio de R$3.100,00, reduzindo a diferença apurada a tributar de R$1.134.565,83 para R$1.131.465,83. Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 28/01/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jose Raimundo Tosta Santos (Presidente), Alice Grecchi, Núbia Matos Moura, Rubens Mauricio Carvalho e Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
id : 5295463
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:18:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046369893089280
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2378; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 10 1 9 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10855.001230/200692 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2102002.805 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de janeiro de 2014 Matéria Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Recorrente CLAUDETE DE FÁTIMA FERRAZ ROSO Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 NULIDADE DO PROCESSO FISCAL. REJEIÇÃO. O Auto de Infração e demais termos do processo fiscal só são nulos nos casos previstos no Processo Administrativo Fiscal. Rejeitase a argüição de nulidade do lançamento, tendo em vista que a exigência foi formalizada com observância das normas processuais e materiais aplicáveis ao fato em exame. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. SÚMULA CARF Nº 11 Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. DECADÊNCIA. Conforme precedente do Superior Tribunal de Justiça, para a hipótese de inocorrência de dolo, fraude ou simulação, a existência de pagamento antecipado leva a regra para as balizas do art. 150, § 4º, do CTN; já a inexistência do pagamento antecipado, para o art. 173, I, do CTN. RECEITAS E DESPESAS DA ATIVIDADE RURAL. COMPROVAÇÃO. Por gozar de uma forma de tributação mais benéfica, as receitas e despesas da atividade rural devem ser escrituradas no Livro Caixa e comprovadas por meio de documentação hábil e idônea que identifique o adquirente ou beneficiário, bem como o valor e a data da operação, devendo o contribuinte mantêla à disposição da fiscalização. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. CONFISCO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 12 30 /2 00 6- 92 Fl. 1585DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10855.001230/200692 Acórdão n.º 2102002.805 S2C1T2 Fl. 11 2 Cabível a aplicação da multa de ofício sobre diferenças do imposto lançados de ofício. A vedação constitucional quanto à instituição de exação de caráter confiscatório dos tributos, se refere aos tributos e não às multas e dirigese ao legislador, e não ao aplicador da lei. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para considerar a despesa de custeio de R$3.100,00, reduzindo a diferença apurada a tributar de R$1.134.565,83 para R$1.131.465,83. Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho – Relator. EDITADO EM: 28/01/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jose Raimundo Tosta Santos (Presidente), Alice Grecchi, Núbia Matos Moura, Rubens Mauricio Carvalho e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 1.381 a 1.401: Trata o presente de impugnação contra Auto de Infração de fls. 410/412, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2001, que apurou crédito tributário no valor de R$ 1.226.591,70, sendo R$ 498.675,33 referente ao imposto, R$ 353.909,88 referente aos juros de mora calculados até 28/04/2006 e R$ 374.006,49 referente à multa de ofício. Todos os procedimentos fiscais adotados, bem como as verificações/análises/conclusões, encontramse detalhadamente relatados no Termo de Constatação (fls. 405/407). Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 411/412), foram apuradas as seguintes infrações: a) Omissão de Rendimentos da Atividade Rural Fato Gerador Valor Tributável Multa (%) 31/01/2001 R$ 29.196,39 75,00 Fl. 1586DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10855.001230/200692 Acórdão n.º 2102002.805 S2C1T2 Fl. 12 3 28/02/2001 R$ 3.015,00 75,00 30/06/2001 R$ 4.023,00 75,00 30/09/2001 R$ 1.587,75 75,00 30/11/2001 R$ 11.092,75 75,00 31/12/2001 R$ 8.508,00 7 5,00 Enquadramento Legal: Arts. 1º a 22 da Lei nº 8.023/1990; Arts. 9 e 17 da Lei nº 9.250/1995; Art. 57 do RIR/1999; Art. 1º da Lei nº 9.887/1999. b) Glosa de Despesas da Atividade Rural Fato Gerador Valor Tributável Multa (%) 31/01/2001 R$ 89.349,27 75,00 28/02/2001 R$ 44.554,54 75,00 31/03/2001 R$ 118.827,07 75,00 30/04/2001 R$ 142.836,60 75,00 31/05/2001 R$ 277.666,84 75,00 30/06/2001 R$ 252.333,88 75,00 31/07/2001 R$ 98.874,64 75,00 31/08/2001 R$ 121.689,83 75,00 30/09/2001 R$ 139.309,67 75,00 31/10/2001 R$ 199.833,05 75,00 30/11/2001 R$ 98.737,76 75,00 31/12/2001 R$ 171.928,81 75,00 Enquadramento Legal: Arts. 1º a 22 da Lei nº 8.023/1990; Arts. 9 e 18 da Lei nº 9.250/1995; Art. 62 do RIR/1999; Art. 1º da Lei nº 9.887/1999. Cientificada do lançamento em foco, em 12/05/2006 (fl. 420), a interessada apresentou, em 12/06/2006, a impugnação de fls. 422/440, aduzindo o que se segue Fl. 1587DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10855.001230/200692 Acórdão n.º 2102002.805 S2C1T2 Fl. 13 4 1) O Auto de Infração foi lavrado em 05/05/2006, quando já havia transcorrido cinco anos dos fatos geradores de 31/01/2001 e 28/02/2001 em relação à omissão de rendimentos da atividade rural, bem como dos fatos geradores de 31/01/2001, 28/02/2001, 31/03/2001 e 30/04/2001 em relação à glosa de despesas da atividade rural, o que caracteriza caducidade do lançamento com relação a esses períodos, conforme disposto no § 4º, do artigo 150 do CTN. Nesse sentido há respaldo na jurisprudência firmada pelo 1º CC. 2) Na realização de sua atividade rural, o autuado efetuou os correspondentes lançamentos no Livro Caixa respectivo, em relação ao anocalendário de 2001, em atendimento ao disposto no art. 60 e § 1º, do RIR, com comprovação do resultado mediante a escrituração no Livro Caixa abrangendo as receitas, as despesas de custeio, os investimentos, parcerias e demais valores que compõem a atividade, através dos devidos comprovantes, tais como nota fiscal, fatura, recibo, depósitos, comprovantes de pagamento, boletos bancários, etc. 3) O ônus da prova recai sobre quem acusa, e no caso presente esse essencial requisito está ausente, devendo ser declarado nulo o auto de infração, pela inadequação e imperfeição da peça de acusação fiscal. 4) A mera indicação de que parte dos documentos comprobatórios de despesas e receitas não podem ser aceitos, sem qualquer respaldo fático ou legal para tanto, não é suficiente para a caracterização de infração e muito menos de exigência de imposto, acrescido de multa e juros de mora. 5) Na situação presente aplicamse as disposições contidas nos artigos 923 e 924 do RIR. 6) Conforme “Demonstrativo das Despesas de Custeio/Investimento” e “Demonstrativo de Receitas Omitidas no Livro Caixa e nas Declarações” anexos ao Auto de Infração podese demonstrar a ausência de qualquer critério para que alguns documentos fossem aceitos e outros não. 7) Não houve por parte do Sr. Fiscal a leitura e análise de todos os documentos que lhe foram entregues, apesar do longo tempo que durou a fiscalização. 8) Faz juntada com a presente impugnação das oitocentas e oitenta e quatro (884) cópias de todos os comprovantes das operações que foram apontadas como “NÃO” aceitas. 9) A título de exemplo, o autuado aponta algumas operações realizadas, na mesma data e com o mesmo destinatário, em que uma foi aceita e outra não, com a mesma espécie de documento comprobatório Exemplo 01: 29/05/2001 – NF 1634 – Santa Fé Agropecuária Ltda. – R$ 6.200,00 – Não 29/05/2001 – NF 1638 – Santa Fé Agropecuária Ltda. – R$ 6.200,00 – Sim Exemplo 02: 06/08/2001 – NF 9.121 – Coop. Cafeic. Média Sorocabana – R$ 3.517,00 – Não 06/08/2001 – NF 9.122 – Coop. Cafeic. Média Sorocabana – R$ 3.517,00 – Sim Fl. 1588DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10855.001230/200692 Acórdão n.º 2102002.805 S2C1T2 Fl. 14 5 Exemplo 03: 03/10/2001 – Boleto 274622 – M Cassab Com. Ind. Ltda. – R$ 4.176,00 – Não 11/10/2001 – Boleto 275612 – M Cassab Com. Ind. Ltda. – R$ 4.646,00 – Sim Exemplo 04: 07/11/2001 – NF 6336 – FrigoCharque Serra Negra Ltda. – R$ 4.485,00 – Não 24/11/2001 – NF 6373 – FrigoCharque Serra Negra Ltda. – R$ 3.834,00 – Sim 10) No “Demonstrativo de Receitas omitidas no Livro Caixa e nas Declarações” existem apontamentos que não consideram situações comprovadas, sem observância da natureza e finalidade da emissão do respectivo documento fiscal, como ocorre com as Notas Fiscais de nº 041 e 042 emitidas pelo autuado em 27/12/2001 acompanhadas das correspondentes guias do ICMS em substituição às NF nº 37, 39 e 40 que foram canceladas. 11) Os vícios contidos em peça de acusação fiscal tem jurisprudência consolidada pelo Conselho dos Contribuintes. 12) A autuação desatende os princípios e preceitos legais, tais como as disposições dos artigos 43 e 142 do CTN, visto que primeiramente deve ser identificado o fato gerador do imposto, o que não ocorreu, já que não há descrição de ausência de operações e conseqüente falta de pagamento de imposto, mas apenas rejeição de documentos comprobatórios da atividade rural do autuado. Também nesse aspecto temse jurisprudência consolidada do CC. 13) A autuação não tem como prosperar pois é inadmissível a tentativa de exigência de imposto sem a comprovação da ocorrência do fato gerador e sem a devida mensuração de valores, base de cálculo e alíquota correspondentes. 14) O Auto de Infração está marcado pela iliquidez e incerteza em seu conteúdo, qual seja, a indevida aplicação da taxa Selic para o cômputo da correção dos valores exigidos. 15) A taxa Selic não é índice de correção monetária e sua aplicação na exigência do IR resulta em aumento de tributo sem lei específica a respeito, flagrante violação do art. 150, inciso I, da Constituição Federal. 16) A taxa Selic não foi criada por lei, mas por mero ato do Banco Central, e jamais poderia ser aplicada para fins tributários, aspectos esses já reconhecidos pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Entendimentos esses adotados anteriormente pelo Ministro Franciulli Netto. 17) A taxa Selic é uma taxa média das operações com títulos públicos federais calculados com base na diferença entre o valor nominal e o pago quando do resgate desses títulos. 18) O artigo 161, parágrafo primeiro, do CTN estabelece em 1% a taxa dos juros de mora, salvo se lei não dispuser em contrário. 19) É indevida a aplicação da multa, pois não houve infração praticada pelo autuado e a multa aplicada no percentual de 75 % caracteriza efeito confiscatório, violando o preceito contido no art. 150, inciso IV, da Constituição. Fl. 1589DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10855.001230/200692 Acórdão n.º 2102002.805 S2C1T2 Fl. 15 6 20) Cita análise do tema contido in DIREITOS FUNDAMENTAIS DO CONTRIBUINTE , Pesquisas Tributárias Nova Série 6 Edição páginas 583/586. 21) E mesmo que se pudesse superar os insanáveis vícios de nulidade do presente feito, não é lícito admitir que seja imputado o pagamento de multa sobre valores aleatórios sem a respectiva comprovação de sua existência, além de sempre ter agido de boa fé em sua conduta e nas operações que pratica. 22) A multa deve ser revogada ou ao menos reduzida, isto porque a suposta infração não foi praticada com dolo, fraude ou simulação. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, afastou as preliminares argüidas e no mérito julgou procedente em parte o lançamento, considerando como comprovados parte das despesas provenientes de atividade rural. Resultando nos seguintes valores: Na parte remanescente, manteve o crédito consignado no auto de infração, considerando que os argumentos da recorrente não foram acompanhadas de provas suficientes e fundamentos legais, para desconstituir os fatos postos nos autos que embasaram o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001 PRELIMINAR. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. DECADÊNCIA. Tratandose de lançamento ex officio, a regra aplicável na contagem do prazo decadencial é a estatuída pelo art. 173, I, do Código Tributário Nacional, iniciandose o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Fl. 1590DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10855.001230/200692 Acórdão n.º 2102002.805 S2C1T2 Fl. 16 7 RENDIMENTOS PROVENIENTES DA ATIVIDADE RURAL. Tributamse os rendimentos provenientes da atividade rural omitidos na declaração de rendimentos, apurados pelo Fisco, com base nos documentos apresentados e não escriturados no Livro Caixa. DESPESAS DE CUSTEIO E INVESTIMENTOS. ATIVIDADE RURAL. As despesas que se autoriza excluir das receitas para apuração do resultado tributável, além de necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, devem estar devidamente comprovadas por meio de documentação hábil e idônea. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. APLICABILIDADE. A multa de ofício é prevista em disposição legal específica e tem como suporte fático a revisão de lançamento, pela autoridade administrativa competente, que implique imposto ou diferença de imposto a pagar. JUROS DE MORA. Devidos os juros de mora calculados com base na taxa SELIC na forma da legislação vigente. Eventual inconstitucionalidade e/ou ilegalidade da norma legal deve ser apreciada pelo Poder Judiciário. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 1.407 a 1.438, requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, alegando em síntese: a) PRELIMINAR DA PEREMPÇÃO E PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. , O caso presente está marcado por vicio na constituição do crédito tributário objeto do lançamento efetuado e que deu início ao presente processo, pois houve flagrante desatendimento da disposição de natureza peremptória contida no art. 24. da Lei n° 11.457. de 16/03/2007. Tal dispositivo legal traz norma impositiva, no sentido de que seja prolatada decisão em processo administrativo tributário no prazo máximo de trezentos e sessenta (360) dias contados do protocolo de petições, defesas e recursos do contribuinte, e que no caso presente não foi observado, pois a Impugnação do Recorrente foi protocolizada em 12 de junho de 2006 e o julgamento da referida Impugnação pela C. 7a Turma da DRJ/SP2 foi realizado somente em 08 de setembro de 2011, portanto após mais de cinco (5) anos e dois (2) meses, o que conduz o caso presente para a respectiva extinção do crédito tributário objeto da autuação. Caracterizase também, a aplicação da prescrição intercorrente, visto que não foram praticados atos processuais no presente feito por mais de cinco (5) anos. tal como demonstrado acima, pois transcorreram mais de cinco (5) anos e dois (2) meses entre o protocolo da Impugnação e o seu respectivo julgamento. b) PRELIMINAR – DA DECADÊNCIA. O Auto de Infração foi lavrado em 05/05/2006, quando já haviam transcorridos cinco (5) anos dos fatos geradores de 31/01/2001 e 28/02/2001 em relação à "omissão de rendimentos da atividade rural", bem como dos fatos geradores de 31/01/2001, 28/02/2001, 31/03/2001 e 30/04/2001 em relação à "glosa de despesas da atividade rural", o que caracteriza a caducidade do lançamento com relação a estes períodos, conforme disposto no § 4°, do artigo 150 do CTN, combinado com o disposto no artigo 899, do RIR, que dispõem que nos casos de lançamento do imposto por Fl. 1591DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10855.001230/200692 Acórdão n.º 2102002.805 S2C1T2 Fl. 17 8 homologação, o direito ao lançamento do crédito tributário extinguese após cinco anos do fato gerador, tal como ocorre com o IR, principalmente após o advento da Lei n° 8.383. de 30/12/1991. c) A AUSÊNCIA DE PROVA, DA INSUBSISTÊNCIA DOS APONTAMENTOS E DA ILIQUIDEZ DA ACUSAÇÃO FISCAL. Para demonstrar o indevido procedimento realizado pelo Sr. Auditor Fiscal autuante, basta observar o "Demonstrativo das Despesas de Custeio/Investimento" e o "Demonstrativo de Receitas Omitidas no Livro Caixa e nas Declarações" anexos ao AI, sendo que no primeiro Demonstrativo há descrição por cada período mensal de 2001 indicando os documentos que foram aceitos pelo Sr. Auditor através da aposição ao lado de cada lançamento da expressão "SIM" e os que não foram aceitos através de "NÃO". Porém através de simples confronto de situações em que figura o "SIM" e o "NÃO", podese demonstrar a ausência de qualquer critério para tal conclusão, além do que permitese afirmar que não houve por parte do Sr. Fiscal autuante a leitura e análise de todos os documentos que lhe foram entregues pelo Recorrente, apesar do longo tempo que durou a fiscalização. Com a finalidade de refutar a acusação contida no Al e para corroborar o que acima afirmado, o Recorrente fez a juntada com a Impugnação de OITOCENTAS E OITENTA E QUATRO (884) cópias dos comprovantes das operações que foram apontadas como "NÃO" aceitas pelo Sr. Fiscal autuante, e para demonstrar a contradição contida no Al e conseqüentemente para a inafastável improcedência da autuação. O Recorrente também trouxe na Impugnação alguns exemplos das contradições contidas na autuação, e apontou operações realizadas, em alguns casos na mesma data e com o mesmo destinatário, em que em umas o Sr. Fiscal aceita e outras não, com a mesma espécie de documento comprobatório, na seguinte forma: Exemplo 01 29/05/2001 NF 1634 Santa Fé Agropecuária Ltda. 6.200,00 – Não 29/05/2001 NF 1638 Santa Fé Agropecuária Ltda. 6.200,00 Sim; Exemplo 02 06/08/2001 NF 9.121 Coop. Cafeic. Média Sorocabana 3.517,00 – Não 06/08/2001 NF 9.122 Coop. Cafeic. Média Sorocabana 661,50 Sim; Exemplo 03 03/10/2001 Boleto 274622 M Cassab Com. Ind. Ltda. – 4.176,00 Não 11/10/2001 Boleto 275612 M Cassab Com. Ind. Ltda. – 4.646,40 Sim; Exemplo 04 07/11/?0ö1 NF 6336 FrigoCharque Serra Negra Ltda. 4.485,00 Não 24/11/2001 NF 6373 FrigoCharque Serra Negra Ltda. 3.834,00 Sim. Nesta oportunidade, através do presente Recurso, e em complementação da documentação já juntada com a Impugnação, o Recorrente faz a juntada das anexas cópias de cento seis (106) documentos de comprovação de pagamentos efetuados ,correspondentes às respectivas despesas realizadas, extraídas dos originais que estão em poder do Recorrente, e com isso fulmina de vez com qualquer possibilidade de manutenção do Auto de Infração na parte que ainda permaneceu na exigência do crédito tributário, por força da decisão ora recorrida, que acolheu em parte a Impugnação do Recorrente. O lançamento é ilíquido, visto que os valores anotados e que deram suporte para as exigências do Al são indevidos e não correspondem às situações devidamente comprovadas pelo Recorrente, o que conduz o ato administrativo para a decretação de sua nulidade, pois eivado dos vícios demonstrados nas razões já expostas, com a conseqüente reforma parcial da decisão recorrida. Fl. 1592DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10855.001230/200692 Acórdão n.º 2102002.805 S2C1T2 Fl. 18 9 d) DA AUSÊNCIA DO FATO GERADOR DESCRITO NO AUTO DE INFRAÇÃO. Como já mencionado, a autuação desatende princípios e preceitos legais, tais como as disposições dos artigos 43 e 142 do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172/66), que trazem a definição do fato gerador do imposto sobre a renda e do lançamento tributário. É inadmissível a tentativa de exigência de imposto sem a comprovação da ocorrência do fato gerador e sem a devida mensuração de valores, base de cálculo e alíquota correspondentes. e) DA ILEGALIDADE DA APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. A Taxa SELIC não foi criada por LEI, mas por mero ato do BANCO CENTRAL, caracterizandose, assim, como ILEGAL a pretensão Fazendária de utilizála para fins de taxa de "juros de mora". f) DO EFEITO CONFISCATÓRIO DA MULTA. A multa aplicada no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) caracteriza efeito confiscatório, violando o preceito contido no art. 150, inciso IV, do Texto Constitucional vigente. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. PRELIMINAR DA PEREMPÇÃO E PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. , A matéria trazida com o presente recurso não mais suscita dissídio jurisprudencial, tratada em súmula deste Conselho: SÚMULA CARF Nº 11 Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Dessa forma, não há como prosperar nesse julgamento as referidas preliminares argüidas.. PRELIMINAR – DA DECADÊNCIA. Aprecio o pleito decadencial no tocante ao crédito tributário do ano calendário 2001. Para tal análise, considerando a reprodução nos julgamentos do Carf, conforme art. 62a, do anexo II, do Ricarf, o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, utilizome de entendimento pacífico dessa Turma de julgamento, expresso no Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos), assim ementado: Fl. 1593DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10855.001230/200692 Acórdão n.º 2102002.805 S2C1T2 Fl. 19 10 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Fl. 1594DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10855.001230/200692 Acórdão n.º 2102002.805 S2C1T2 Fl. 20 11 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Feitas estas considerações, nos presentes autos, para o anocalendário 2001, considerando que houve declaração contudo, sem pagamento, fl. 07, e que não se verificou a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, devese, portanto, aplicar a regra decadencial do art. 173, I, DO CTN, ou seja, como o fato gerador desse exercício se aperfeiçoou em 31/12/2001, a contagem do prazo decadencial iniciou em 01/01/2003 e a Fazenda Nacional poderia concretizar o lançamento até 31/12/2007. A ciência do contribuinte acerca da autuação, se deu na datas de 12/05/2006 (fl. 415), implicando que não houve a alegada decadência. Dessa forma, sigo na análise das demais matérias recursais. A AUSÊNCIA DE PROVA, DA INSUBSISTÊNCIA DOS APONTAMENTOS E DA ILIQUIDEZ DA ACUSAÇÃO FISCAL E DA AUSÊNCIA DO FATO GERADOR DESCRITO NO AUTO DE INFRAÇÃO. Na autuação, adotouse o critério legal e normativo de apuração do tributo e não é crível que a contribuinte possa não ter entendido os procedimentos adotados e as provas que deveriam ser produzidas por ele. Da análise dos autos, verificase que o interessado foi intimado em diversas vezes a apresentar documentação comprobatória das despesas e das receitas da atividade rural. E com base nos documentos e provas trazidos aos autos fezse o lançamento. Ainda, ao contribuinte foi dado oportunidade em todas as fases processuais de julgamento administrativo, de primeira e segunda instância, condições necessárias para apresentar provas das suas alegações. Sendo assim, tendo sido facultado ao interessado o pleno exercício do contraditório e ampla defesa, que lhes são assegurados pelo art. 5.º, inciso LVI, da Constituição, inexiste qualquer cerceamento, muito menos de se requerer qualquer nulidade pela iliquidez ou ausência do fato gerador descrito no auto de infração. Convém lembrar que o resultado da atividade rural é apurado pelo confronto entre as receitas e despesas inerentes a essa atividade, mediante escrituração do Livro Caixa, nos termos do art. 18 da Lei no 9.250, de 26 de dezembro de 1995, sendo oportuno transcrever o §1o do referido artigo: Fl. 1595DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10855.001230/200692 Acórdão n.º 2102002.805 S2C1T2 Fl. 21 12 § 1º O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas escrituradas no Livro Caixa, mediante documentação idônea que identifique o adquirente ou beneficiário, o valor e a data da operação, a qual será mantida em seu poder à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a decadência ou prescrição. De acordo com a legislação de regência, anteriormente transcreve, o ônus de comprovar as receitas e despesas da atividade rural escrituradas no Livro Caixa é do contribuinte que deve estar respaldada em documentação hábil e idônea. Assim sendo, não tendo o interessado cautela em documentar adequadamente as operações que, segundo ele teriam ocorrido, ficam por sua conta e risco as conseqüências de tal negligência. De outro lado, o acórdão recorrido, foi minucioso ao analisar novamente tanto os documentos trazidos durante a fiscalização como os juntados coma impugnação toda a documentação, conforme se vê no julgado de primeira instância às fls. 1.378 a 1.383, consubstanciando na retificação do lançamento da seguinte forma, verbis: Assim, na apuração do resultado da Atividade Rural, referente ao ano calendário de 2001, incluindose os valores de despesas comprovadas na impugnação como decorrentes da Atividade Rural e mantendo os valores de receitas incluídas no lançamento, verificase o resultado a ser tributado conforme abaixo demonstrado: Considerando que o contribuinte e seu cônjuge, Claudete de Fátima Ferraz Roso, são parceiros da atividade rural e apresentaram declaração em separado, declarando cada um 50% da receita da atividade rural, o resultado tributável, após análise dos documentos apresentados, para cada parceiro é de R$ 1.248.347,81. Portanto, verificase o resultado a ser tributado para cada cônjuge conforme abaixo demonstrado: Assim, deve ser alterado o valor das receitas e das despesas conforme acima demonstrado, que totaliza o valor de R$ 1.134.565,83 como o resultado da Atividade Rural a tributar. Fl. 1596DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10855.001230/200692 Acórdão n.º 2102002.805 S2C1T2 Fl. 22 13 Tanto na Impugnação quanto no recurso Voluntário, é imprescindível que as provas e argumentos sejam carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, se revistam de toda força probante capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. O julgamento da DRJ corrigiu o lançamento na medida que as provas foram apresentadas. Em sede de Recurso Voluntário, de forma específica o contribuinte indicou os valores abaixo que teriam sido equivocadamente considerados fora do custeio agrícola. 1. 29/05/2001 NF 1634 Santa Fé Agropecuária Ltda. 6.200,00 – Não – 2. 06/08/2001 NF 9.121 Coop. Cafeic. Média Sorocabana 3.517,00 – Não 3. 03/10/2001 Boleto 274622 M Cassab Com. Ind. Ltda. – 4.176,00 Não 4. 07/11/?0ö1 NF 6336 FrigoCharque Serra Negra Ltda. 4.485,00 Não Infelizmente, embora a contribuinte tenha apontado estas inconsistências não trouxe documentos específicos com o recurso e tampouco indicou onde eles se encontrariam no processo, o que seria fundamental para o deslinde da questão, considerando o extenso volume de documentos que compõem os presentes autos. De qualquer forma, compulsandose os autos encontrei apenas o documento do item 1 acima, fl. 568 e acato a alegação do recorrente para que a respectiva despesa de R$6.200,00, NF 1634, Santa Fé Agropecuária Ltda., seja considerada despesa de custeio e investimento, contudo, no valor de R$3.100,00 uma vez que nesse processo foi lançado apenas 50% da omissão de receitas e os demais 50% lançados em nome do cônjuge. É imperioso ressaltar que, no que diz respeito ao ônus da prova na relação processual tributária, a idéia de onus probandi não significa, propriamente, a obrigação, no sentido da existência de dever jurídico de provar, tratandose antes de uma necessidade ou risco da prova, sem a qual não é possível se obter o êxito na causa. Sob esta perspectiva, a pretensão da Fazenda deve estar fundada na ocorrência do fato gerador, cujos elementos configuradores se supõem presentes e comprovados, atestando a identidade de sua matéria fática com o tipo legal. Se um desses elementos se ressentir de certeza, ante o contraste da impugnação, incumbe à Fazenda, o ônus de comprovar a sua existência. Da mesma forma, o sujeito passivo, não tem a obrigação de produzir as provas, tão só incumbelhe o ônus. Contudo, à medida que ele se omite na produção de provas contrárias às que ampararam a exigência fiscal, compromete suas possibilidades de defesa. Ou seja, uma vez efetivado o lançamento com base nas informações prestadas pelo contribuinte, em se tratando de matéria de prova, o sujeito passivo deve, nas oportunidades da impugnação e recurso voluntário, apontar de forma minunciosa os erros, mostrando valores e apontando para os documentos específicos que sustentam suas alegações. Concluo assim que a impugnante apresentou alegações acerca de vícios que estariam presentes na autuação, contudo, da análise dessas alegações, verificase que nada de concreto foi realmente apontado e comprovado além do demonstrado acima. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MULTA E JUROS DE MORA. Fl. 1597DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10855.001230/200692 Acórdão n.º 2102002.805 S2C1T2 Fl. 23 14 Da análise dos documentos constantes nestes autos, verifico que a contribuinte na data do lançamento não contava com alguma medida judicial com força suficiente para suspender a exigibilidade do tributo evitando o lançamento da multa de ofício. Salientamos que uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála. A base legal para a multa e juros aplicados está indicada no anexo do auto de infração. Assim enganase a impugnante ao reclamar da multa e juros aplicados, pois são conseqüências pelo não recolhimento do tributo, apurado em procedimento de fiscalização, conforme mandamento legal vigente. Ademais, cumpre esclarecer que a atividade da autoridade fiscal está condicionada ao Princípio da Estrita Legalidade, ou seja, detectado o fato gerador do imposto é obrigatório o lançamento na forma prevista na lei e sem previsão legal não há como afastálo posteriormente sem provas da sua insubsistência. De outro lado, a vedação ao confisco, expressamente contida no art. 150, IV, da Constituição da República, restringese aos tributos, não é extensiva às multas. Sobre o tema, ensina objetivamente Hugo de Brito Machado1: “Em síntese, qualquer que seja o elemento de interpretação ao qual se dê ênfase, a conclusão será contrária à aplicação do princípio do nãoconfisco às multas fiscais. Se prestigiarmos o elemento literal, temos que o art.150, inciso IV, referese apenas aos tributos. O elemento teleológico não nos permite interpretar o dispositivo constitucional de outro modo, posto que a finalidade das multas é exatamente desestimular as práticas ilícitas. O elemento lógicosistêmico, a seu turno, não leva a conclusão diversa, posto que a nãoconfiscatoriedade dos tributos é garantida para preservar a garantia do livre exercício da atividade econômica, e não é razoável invocarse qualquer garantia jurídica para o exercício da ilicitude.” Já o cálculo dos juros de mora com base na taxa Selic é matéria que não mais suscita dissídio jurisprudencial, tratada em súmula deste Conselho: SÚMULA CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Concluise, com fundamento no exposto, que não há possibilidade legal para se considerar a exclusão da multa e juros no lançamento impugnado. Pelo exposto, voto pelo provimento PARCIAL do recurso, rejeitar as preliminares argüidas, para considerar a despesa de R$3.100,00, (50%) da NF 1634, Santa Fé Agropecuária Ltda., como despesa de custeio e investimento, reduzindo a diferença apurada a tributar de R$1.134.565,83 para R$1.131.465,83. 1 “Os Princípios Jurídicos da Tributação na Constituição de 1988”, Dialética, 4ª edição, página 107. Fl. 1598DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10855.001230/200692 Acórdão n.º 2102002.805 S2C1T2 Fl. 24 15 Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 1599DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
score : 1.0
Numero do processo: 17883.000008/2006-84
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2001
ITR - DECADÊNCIA - PAGAMENTO ANTECIPADO - ARTIGO 62-A DO RICARF.
O imposto sobre a propriedade territorial rural é, a partir do ano-calendário 1997, tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que ocorre em 01 de janeiro de cada ano-calendário. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN.
Contudo, por força do artigo 62-A do RICARF, este Colegiado deve reproduzir a decisão proferida pelo Egrégio STJ nos autos do REsp n° 973.733/SC, ou seja, O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.
No caso, o contribuinte efetuou recolhimento de ITR, conforme indicado pela própria autoridade lançadora, sendo que o auto de infração envolve apenas um diferencial e não o valor integral eventualmente devido.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.932
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Gonçalo Bonet Allage Relator
EDITADO EM: 13/11/2013
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: GONCALO BONET ALLAGE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2001 ITR - DECADÊNCIA - PAGAMENTO ANTECIPADO - ARTIGO 62-A DO RICARF. O imposto sobre a propriedade territorial rural é, a partir do ano-calendário 1997, tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que ocorre em 01 de janeiro de cada ano-calendário. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. Contudo, por força do artigo 62-A do RICARF, este Colegiado deve reproduzir a decisão proferida pelo Egrégio STJ nos autos do REsp n° 973.733/SC, ou seja, O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. No caso, o contribuinte efetuou recolhimento de ITR, conforme indicado pela própria autoridade lançadora, sendo que o auto de infração envolve apenas um diferencial e não o valor integral eventualmente devido. Recurso especial negado.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Dec 11 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 17883.000008/2006-84
anomes_publicacao_s : 201312
conteudo_id_s : 5313433
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Dec 12 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 9202-002.932
nome_arquivo_s : Decisao_17883000008200684.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : GONCALO BONET ALLAGE
nome_arquivo_pdf_s : 17883000008200684_5313433.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Relator EDITADO EM: 13/11/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
id : 5220440
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:16:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046369915109376
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2372; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 119 1 118 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 17883.000008/200684 Recurso nº 344.767 Especial do Procurador Acórdão nº 9202002.932 – 2ª Turma Sessão de 05 de novembro de 2013 Matéria ITR Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SIMAB SOCIEDADE ANÔNIMA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 ITR DECADÊNCIA PAGAMENTO ANTECIPADO ARTIGO 62A DO RICARF. O imposto sobre a propriedade territorial rural é, a partir do anocalendário 1997, tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que ocorre em 01 de janeiro de cada anocalendário. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. Contudo, por força do artigo 62A do RICARF, este Colegiado deve reproduzir a decisão proferida pelo Egrégio STJ nos autos do REsp n° 973.733/SC, ou seja, “O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.” No caso, o contribuinte efetuou recolhimento de ITR, conforme indicado pela própria autoridade lançadora, sendo que o auto de infração envolve apenas um diferencial e não o valor integral eventualmente devido. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 88 3. 00 00 08 /2 00 6- 84 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage – Relator EDITADO EM: 13/11/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Simab Sociedade Anônima, CNPJ n° 33.044.058/003101, foi lavrado o auto de infração de fls. 0410, para a exigência de imposto sobre a propriedade territorial rural, exercício 2001, em razão da glosa de áreas declaradas como sendo de preservação permanente e de utilização limitada, relativamente ao imóvel denominado Fazenda Santa Marta, situado no município de Piraí (RJ). A ciência do lançamento ocorreu em 07/02/2006 (fls. 16). A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife (PE) considerou o lançamento procedente (fls. 4751). Por sua vez, apreciando o recurso voluntário interposto pela empresa, a Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF proferiu o acórdão n° 220100.732, que se encontra às fls. 8485, cuja ementa é a seguinte: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2001 Ementa: ITR. DECADÊNCIA. O imposto sobre a propriedade territorial rural é, a partir do anocalendário 1997, tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que ocorre em 01 de janeiro de cada anocalendário. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, operase a Fl. 2DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 17883.000008/200684 Acórdão n.º 9202002.932 CSRFT2 Fl. 120 3 decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. Preliminar Acolhida. Recurso Voluntário Provido. A decisão recorrida, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário para reconhecer a decadência, vencidos os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa e Francisco Assis de Oliveira Júnior. Intimada do acórdão em 24/08/2011 (fls. 86), a Fazenda Nacional interpôs recurso especial às fls. 8893, acompanhado dos documentos de fls. 94105, cujas razões podem ser assim sintetizadas: a) Insurgese a União (Fazenda Nacional) em face do acórdão proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF, que declarou a decadência para o ITR apurado em 2001; b) O Colegiado a quo assim decidiu com base no art. 150, parágrafo 4° do CTN; c) Esta decisão, no entanto, não merecer prosperar; d) Para satisfazer a exigência de comprovação de dissídio jurisprudencial, invocase precedente (acórdão n° 230101.568) que, quanto aos tributos submetidos a lançamento por homologação, entende pela aplicação do art. 150, § 4°, do CTN de forma completamente distinta da determinada pela decisão vergastada; e) No paradigma, a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF, ao analisar a contagem do prazo decadencial de tributo sujeito a lançamento por homologação, firmou o entendimento de que, segundo a literalidade do art. 150, parágrafo 4°, a fiscalização tem o prazo de 5 cinco para se pronunciar sobre o pagamento antecipado, a partir da ocorrência do fato gerador. Sob tal perspectiva, o aludido órgão julgador deixa clara sua posição de que o pronunciamento em questão ocorre quando a administração tributária inicia a fiscalização, ou seja, uma vez iniciado o procedimento fiscal em face do contribuinte antes do prazo legal de cinco anos, não se opera a decadência; f) Diante da tese firmada na decisão paradigma, fica patente a divergência sobre a aplicação do art. 150, parágrafo 4°, do CTN, porquanto o acórdão recorrido considera a ciência do lançamento como o pronunciamento tratado na norma referida, de modo que declara a decadência relativa ao ITR apurado em 01/01/2001, período de apuração anterior a 07/02/2006, quando se completou a contagem retroativa do prazo qüinqüenal a partir de 07/02/2006, data da ciência do lançamento fiscal ao contribuinte; Fl. 3DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 g) No caso, não se discute a aplicação do art. 150, §4° do CTN, mas a forma pela qual foi aplicada a norma; h) O prazo decadencial é contado do fato gerador, operandose a homologação tácita pela ausência de pronunciamento da Fazenda Pública. Na acepção do termo, segundo a inteligência da norma em tela, qualquer manifestação da fiscalização, como o início da ação fiscal pela ciência do Termo de Intimação Fiscal ao sujeito passivo, é suficiente para se evitar a homologação tácita. Nessa ordem de idéias, a decadência somente alcança os fatos geradores anteriores ao qüinqüênio contado a partir da data em que o contribuinte é cientificado do aludido termo; i) No presente caso, como o sujeito passivo tomou ciência do Termo de Intimação Fiscal em 06/09/2005, conforme consta às fls. 03, o ITR apurado em 01 de janeiro de 2001, não foi alcançado pelo instituto da decadência, uma vez que em relação a ele não se operou a homologação tácita prevista no art. 150, § 4° do CTN; j) Sendo assim, o acórdão recorrido merece ser reformado no sentido de aplicar o entendimento firmado no paradigma, que empreendeu melhor interpretação à regra consubstanciada no art. 150, § 4° do CTN, na contagem do prazo decadencial dos tributos sujeitos a lançamento por homologação; k) Diante do exposto, requer a União (Fazenda Nacional) seja admitido o presente recurso, em razão da divergência apontada, e, no mérito, que lhe seja dado provimento para reformar o r. acórdão recorrido, afastandose a decadência nestes autos. Admitido o recurso através do despacho n° 220000.574 (fls. 106111), o contribuinte foi intimado e deixou de se manifestar, conforme informou a repartição de origem às fls. 118. É o Relatório. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 17883.000008/200684 Acórdão n.º 9202002.932 CSRFT2 Fl. 121 5 Voto Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator O Recurso Especial da Fazenda Nacional cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Reitero que o acórdão proferido pela Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário para reconhecer a decadência do lançamento. Segundo a recorrente, aplicase ao caso a regra do artigo 150, § 4°, do CTN, mas a decadência somente alcança os fatos geradores anteriores ao qüinqüênio contado a partir da data em que o contribuinte é cientificado do termo de início da ação fiscal. Indicou como paradigma o acórdão n° 230101.568. Eis a matéria em litígio. Pois bem, a Lei n° 9.393/96 trouxe significativas alterações para o ITR, sendo que em seus artigos 1° e 10 está previsto o seguinte: Art. 1°. O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1° de janeiro de cada ano. Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. Portanto, o fato gerador do imposto sobre a propriedade territorial rural tem seu marco temporal no dia 01 de janeiro de cada anocalendário, sendo que, a partir do ano calendário 1997, com a vigência da Lei n° 9.393/96, ele passou a ser tributo sujeito ao regime do chamado lançamento por homologação, já que cabe aos contribuintes a apuração da base de cálculo do imposto e o recolhimento do montante devido, submetendo, posteriormente, esse procedimento à autoridade administrativa, que deverá, homologar ou não, expressa ou tacitamente, a atividade exercida pelo obrigado. A homologação expressa, para os tributos sujeitos ao regime do lançamento por homologação, deve se dar no prazo de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, que ocorre em cada competência. Ultrapassado esse prazo, sem ter sido lavrado lançamento de ofício pela autoridade administrativa, considerase homologada tacitamente a atividade exercida pelo contribuinte e extinto o crédito tributário, nos termos do artigo 150, § 4°, do CTN, que prevê: Fl. 5DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4°. Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. O decurso do prazo de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, implica na homologação tácita da atividade exercida pelo contribuinte e, em razão do instituto da decadência, previsto no artigo 156, inciso V, do CTN, extingue o crédito tributário. Considerando que, no caso em apreço, o fato gerador do ITR ocorreu em 01/01/2001 e diante do fato de que o sujeito passivo da obrigação tributária tomou ciência do auto de infração em 07/02/2006 (fls. 16), concluo que a decadência impede a manutenção do lançamento. Na visão deste julgador, como a penalidade aplicada foi de 75% e não se está diante de dolo, fraude ou simulação, inexiste fundamento legal que justifique a contagem do prazo decadencial da forma prevista no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Contudo, por força do que determina o artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, não posso deixar de reproduzir aqui o julgamento proferido pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça – STJ nos autos do REsp n° 973.733/SC, cuja ementa tem o seguinte teor: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). Fl. 6DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 17883.000008/200684 Acórdão n.º 9202002.932 CSRFT2 Fl. 122 7 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ, Primeira Seção, REsp n° 973.733/SC, Relator Ministro Luiz Fux, DJE de 18/09/2009) Portanto, segundo o Egrégio STJ, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quando inexistir pagamento antecipado o prazo decadencial qüinqüenal contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, sendo que “O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o ‘primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado’ corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia Fl. 7DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, ...”. Dessa forma, tornase importante analisar a comprovação quanto à existência ou não de pagamento do ITR no caso em apreço. A existência de pagamento antecipado é inquestionável, devendose ressaltar que no próprio auto de infração a autoridade lançadora considerou como pago a título de imposto o valor de R$ 708,23 (fls. 04). Ademais, às fls. 45 está juntado o comprovante do referido recolhimento. Assim, com relação aos fatos ocorridos no exercício 2001 o prazo decadencial de cinco anos expirou em 31/12/2005, de modo que a decisão recorrida merece ser confirmada, pois a ciência da exigência se deu em 07/02/2006. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Fl. 8DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
