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Numero do processo: 10410.720085/2011-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do Fato Gerador: 07/10/2013
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado.
À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação.
Numero da decisão: 3401-004.990
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ÔNUS DA PROVA. Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 00 85 /2 01 1- 39 Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10410.720085/201139 Acórdão n.º 3401004.990 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra decisão da DRJ/CTA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte contra Despacho Decisório que indeferiu totalmente o Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER, relativo a contribuições não cumulativas, face a ausência de comprovação dos créditos pleiteados. O Despacho Decisório adotou as razões exaradas em Parecer Fiscal resultante de diligência havida em cumprimento ao provimento judicial contido no Mandado de Segurança nº 000020560.210.4.05.8000, da 1ª Vara da Justiça Federal de Alagoas e ao MPF – Mandado de Procedimento Fiscal nº 0440100 004622010. Cientificada desta decisão, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade em que sustenta a legitimidade de seus créditos, pugna pela aplicação do princípio da verdade material, afirma que atendeu as solicitações do Fisco no curso da fiscalização e solicita que os autos sejam novamente baixados em diligência para apurar o valor que a autoridade administrativa entende ser devido. Por unanimidade de votos, a DRJ/CTA indeferiu o pedido de diligência e julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade. Entendeu este colegiado que é ônus do contribuinte a comprovação da existência de seu direito creditório e que há de se indeferir solicitação que objetive transferir esta obrigação à autoridade administrativa. Irresignada, a recorrente interpôs seu recurso voluntário tempestivo, requerendo em preliminar a nulidade do presente processo, pois tanto o despacho decisório, quanto o acórdão da DRJ/CTA, não poderiam ser emitidos antes da decisão final administrativa do auto de infração 10410.006237/201014, vez que este auto discute justamente a legitimidade dos créditos pleiteados e que foram objeto de glosa tanto no despacho decisório quanto no acórdão. No mérito, basicamente ratifica os argumentos expendidos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10410.720085/201139 Acórdão n.º 3401004.990 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.972, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10410.720043/201106, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.972): "O recurso voluntário é tempestivo, vez que a Recorrente tomou ciência da decisão recorrida em 11/05/2015 (efl. 59.145), interpondo seu voluntário em 09/06/2015 (efls. 59.146/59.147), logo, dele tomo conhecimento. O ponto nodal diz respeito ao reconhecimento de créditos fiscais do PIS e da COFINS nãocumulativas, no ramo de laticínios leite e seus derivados , acumulados mensalmente, decorrentes das aquisições de matériasprimas, embalagens, materiais intermediários, dentre outros, os quais restaram indeferidos totalmente pela autoridade fiscal, por meio de despacho decisório em sede de Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso PER. Notese que a questão cingese à formação, instrução, cognição da prova, e esta, quando se trata de PER/DCOMP um pedido de iniciativa do sujeito passivo , a ele cabe tal ônus. Por mais longínquo e penoso tenha sido o percurso judicial e administrativo percorrido pela Recorrente no caso concreto, a conclusão é de que o contribuinte há de fazer esta prova. Antes de adentrar neste assunto de mérito, necessário tratar da preliminar de nulidade. Entende a Recorrente que tanto o despacho decisório, quanto o acórdão da DRJ/CTA, não poderiam ser emitidos antes da decisão final administrativa do auto de infração 10410.006237/201014, vez que este auto discute justamente a legitimidade dos créditos pleiteados e que foram objeto de glosa tanto no despacho decisório quanto no acórdão, asseverando que este teve como nascedouro o mesmo mandado de procedimento fiscal. A lógica é respeitável, porém, como se trata de Pedido de Restituição, a prova dos créditos diz respeito a cada um dos PER, para os quais, dependendo de sua instrução e prova cabal, logrará ou não êxito o Pleiteante. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10410.720085/201139 Acórdão n.º 3401004.990 S3C4T1 Fl. 5 4 Portanto, afasto a nulidade arguida. Volvendo a questão meritória, destacamse trechos do Termo de Encerramento de Diligência 0001 (efl. 9 e ss.): No dia 18/02/2010, o contribuinte entregou basicamente os livros contábeis e fiscais e alguns arquivos magnéticos contendo memórias de cálculo. Constatamos após examinar os primeiros arquivos entregues, que os mesmo possuíam erros formais e tivemos que solicitar que os arquivos fossem refeitos. Este fato demonstrou que o contribuinte não possuía memória de cálculo dos valores informados na DACON e conseqüentemente dos PER/DCOMP. A partir desta data começou um processo inverso. A Receita Federal que estava com o prazo fixado para apreciar os PER/DCOMP, teve que pedir prorrogações de prazo ao Judiciário, não para fazer o trabalho, mas para que o contribuinte pudesse apresentar os documentos e elementos necessários ao exame dos PER/DCOMP. Foram solicitadas e concedidas duas prorrogações de prazo. Uma de 250 dias em 10/05/2010 e outra de 180 em 02/08/2010. Desde a data da entrega dos primeiros arquivos, até 27/10/2010, data do último arquivo entregue, diversos contatos telefônicos, 02 reintimações fiscais e cerca de 30 e mails foram enviados e recebidos, cobrando as informações e recebendo arquivos magnéticos. Em 18/06/2010, através da Reintimação Fiscal nº0001, foi feito um resumo do que havia sido entregue e o que estava pendente. Podese verificar que passados quase 5 meses do termo de diligência fiscal/solicitação de documentos, apenas 4 itens haviam sido entregues, faltavam 12 itens. Mais uma vez o contribuinte apresentou pedido de prorrogação para entrega dos documentos. Em 08/07/2010 o contribuinte entregou a maior parte das informações restantes. Faltando ainda o arquivo do almoxarifado e da depreciação. (...) Estes mesmos arquivos de saída de mercadorias, no campo "tributação", onde informa se o produto vendido é tributado a alíquota zero ou é tributado a alíquota positiva, foram fornecidos com essa informação totalmente equivocada. Produtos que na época da emissão da nota fiscal eram tributados, foram considerados como alíquota zero e vice versa. Assim, tivemos que refazer esta informação, produto a produto, nota fiscal a nota fiscal obedecendo à legislação vigente, no intuito de aproveitar o arquivo para confronto com a DACON. Após finalizar, formatar e totalizar mensalmente os arquivos. Fomos fazer o confronto com os valores Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10410.720085/201139 Acórdão n.º 3401004.990 S3C4T1 Fl. 6 5 informados na DACON, para então passar para a segunda etapa do trabalho que é a auditoria propriamente dita, ou seja, fazer os devidos ajustes na ótica da Receita Federal, apurar os créditos devidos e confrontar com os respectivos PER/DCOMP. (...) Constatamos uma total divergência de valores. Nas rubricas acima relacionada, não houve um mês em que houvesse coincidência de valores entre os constantes na DACON e os valores constantes nos arquivos fornecidos. Elaboramos as planilhas denominadas: Demonstrativo das diferenças entre os valores constantes da DACON e arquivos magnéticos fornecidos como memória de cálculo I, II e III, os quais evidenciam as divergências encontradas. (...) CONCLUSÃO O ônus da prova dos créditos pleiteados é do contribuinte, assim deve haver uma correspondência entre os valores constantes no documentário fiscal, esses com os arquivos magnéticos, esses com a DACON, que é base de apuração dos créditos, e por final, a DACON com os PER/DCOMP, para que então possamos examinar, fazer os ajustes necessários de acordo com a legislação e deferir os eventuais créditos que o contribuinte esteja pleiteando. O fato de entregar uma série de arquivos magnéticos, livros fiscais e documentos, não fazem prova dos créditos. É preciso que os mesmos guardem estrita correlação com o valor exato do crédito pedido. Não se pode pedir um crédito de um determinado valor e tentar comprovar outro. No caso em tela, ao longo de 10 meses e muito esforço envidado para obtenção das informações e execução do trabalho, restou demonstrado que o contribuinte não possuía memória de cálculu dos créditos solicitados, foi fazendo durante a execução do trabalho e os elementos e documentos fornecidos, não guardam nenhuma correlação com os valores dos créditos pleiteados nos PED/COMP. Desta forma, face à falta de comprovação, não se revela possível deferir os créditos solicitados pelos motivos acima expostos. A partir de sua manifestação de inconformidade, juntou a Recorrente mais de 5.000 documentos, a partir da efl. 66 e seguintes, num total de 49 (quarenta e nove) Anexos, na realidade, planilhas, informando, em síntese, número das notas fiscais, CFOP, tipo de tributação (alíquota zero, isento e tributado), descrição do material, montante, etc. Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10410.720085/201139 Acórdão n.º 3401004.990 S3C4T1 Fl. 7 6 Enfatiza a decisão da DRJ/CTA (efl. 59.137) que o direito creditório deve estar lastreado em documentação comprobatória (artigo 1.179 do CC c/c artigos 3°, 34 e 65, todos da IN/RFB 900/2008), asseverando ainda (efl. 59.138): Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio. No presente processo, salientase que a unidade de origem não indeferiu o pleito com base na falta da escrituração contábil, pois, como bem acentuou a interessada, a fiscalização não encontrou nenhuma anormalidade formal nos arquivos da contabilidade. O crédito não foi concedido, simplesmente, porque a interessada, mesmo diante dos inúmeros demonstrativos e documentos apresentados, não logrou êxito em comprovar a origem dos valores solicitados. Ao que se viu, durante muitos meses fora oportunizado o direito de a Recorrente fazer prova de seus hipotéticos créditos, porém, embora juntando muitos documentos, faltou comprovação da origem de seus valores, e por conseguinte, o quantum respectivo para fins de restituição. Noutro falar, há se ter uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros, não bastando os apresentar, mas também indicar, de forma específica que os documentos estão associados aos respectivos registros; natureza da operação escriturada/documentada, a fim de caracterizar ou não o direito ao crédito. Dispõe o artigo 373, I do CPC/2015, aplicado subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal PAF (Decreto 70.235/72): "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito;" A propósito, neste sentido entende o CARF: DCOMP. CRÉDITOS. HOMOLOGAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação eficaz desses atributos Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10410.720085/201139 Acórdão n.º 3401004.990 S3C4T1 Fl. 8 7 impossibilita à homologação. (Acórdão 3802003.395, v.u., para negar provimento ao recurso voluntário). RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS. Nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido. (Acórdão 3301003.192, v. u. para negar provimento ao recurso voluntário). Ante o exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 154DF CARF MF
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Numero do processo: 16306.000053/2010-14
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ANÁLISE DO DÉBITO DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. ESTIMATIVA MENSAL ANTECIPAÇÃO DO IRPJ E DA CSLL. SÚMULA CARF 82.
O ato de homologação de uma declaração de compensação abrange a análise do débito confessado pelo contribuinte, inclusive de fatos supervenientes que modifiquem a sua existência.
A extinção do IRPJ devido ao final do exercício impede a exigência da estimativa mensal. Aplicação da Súmula CARF 82: "Após o encerramento do ano-calendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas."
Numero da decisão: 9101-003.493
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de conversão do julgamento em diligência suscitada pela conselheira Cristiane Silva Costa, vencidos também os conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que votaram pela conversão em diligência. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Adriana Gomes Rêgo (relatora), André Mendes de Moura e Rafael Vidal de Araújo, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cristiane Silva Costa. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro André Mendes de Moura.
Julgamento iniciado na reunião de 03/2018.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente e Relatora
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ANÁLISE DO DÉBITO DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. ESTIMATIVA MENSAL ANTECIPAÇÃO DO IRPJ E DA CSLL. SÚMULA CARF 82. O ato de homologação de uma declaração de compensação abrange a análise do débito confessado pelo contribuinte, inclusive de fatos supervenientes que modifiquem a sua existência. A extinção do IRPJ devido ao final do exercício impede a exigência da estimativa mensal. Aplicação da Súmula CARF 82: "Após o encerramento do ano-calendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas."
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de conversão do julgamento em diligência suscitada pela conselheira Cristiane Silva Costa, vencidos também os conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que votaram pela conversão em diligência. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Adriana Gomes Rêgo (relatora), André Mendes de Moura e Rafael Vidal de Araújo, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cristiane Silva Costa. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro André Mendes de Moura. Julgamento iniciado na reunião de 03/2018. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente e Relatora (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa - Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
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ANÁLISE DO DÉBITO DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. ESTIMATIVA MENSAL ANTECIPAÇÃO DO IRPJ E DA CSLL. SÚMULA CARF 82. O ato de homologação de uma declaração de compensação abrange a análise do débito confessado pelo contribuinte, inclusive de fatos supervenientes que modifiquem a sua existência. A extinção do IRPJ devido ao final do exercício impede a exigência da estimativa mensal. Aplicação da Súmula CARF 82: "Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas." Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de conversão do julgamento em diligência suscitada pela conselheira Cristiane Silva Costa, vencidos também os conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que votaram pela conversão em diligência. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Adriana Gomes Rêgo (relatora), André Mendes de Moura e Rafael Vidal de Araújo, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cristiane Silva Costa. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro André Mendes de Moura. Julgamento iniciado na reunião de 03/2018. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 30 6. 00 00 53 /2 01 0- 14 Fl. 787DF CARF MF Processo nº 16306.000053/201014 Acórdão n.º 9101003.493 CSRFT1 Fl. 788 2 (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente e Relatora (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório CLARO S/A recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial de efls. 558 e ss., contra o Acórdão nº 1101000.971 (efls. 503 e ss.), de 09/10/2013, por meio do qual foi negado provimento ao seu recurso voluntário. Transcrevese a ementa do acórdão recorrido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITOS INDICADOS DE ESTIMATIVAS DE IRPJ (ANOCALENDÁRIO 2008) E CSLL (ANOSCALENDÁRIOS 2008 E 2009). LUCRO REAL NEGATIVO EM 2008. INEXISTÊNCIA DE CSLL DEVIDA AO FINAL DO MESMO PERÍODO E DIMINUTO RESULTADO TRIBUTÁVEL EM 2009. CANCELAMENTO DA COBRANÇA DO DÉBITO CONFESSADO. LINDES DO PROCESSO ADMINISTRATIVO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O contribuinte argumenta que, a despeito do não reconhecimento do direito creditório, deveria a cobrança dos débitos de estimativa de IRPJ e CSLL de 2008 e 2009 ser cancelada, eis que não se apurou qualquer tributo devido ao final de 2008 (lucro real negativo e CSLL recolhida, via DARF. em valor muito superior à contribuição devida ao final do período) e que a jurisprudência administrativa se consolidou no sentido da impossibilidade de cobrança de estimativas após o término do respectivo anocalendário. A questão atinente a cobrança dos débitos confessados por alegadamente serem indevidos não integra os estritos limites do Processo Administrativo Fiscal de compensação, cujo objeto cingese à análise da higidez dos créditos apontados e da sua suficiência para a amortização dos débitos indicados espontaneamente pelo contribuinte. Existência de instrumentos Fl. 788DF CARF MF Processo nº 16306.000053/201014 Acórdão n.º 9101003.493 CSRFT1 Fl. 789 3 eficazes para ilidir cobrança indevida, a despeito de confessada, mas em sede própria. A contribuinte apresentou à Receita Federal do Brasil nove declarações de compensação (fls. 2), todas apontando, como crédito, alegado saldo negativo de IRPJ no ano 2007, composto de: (i) Programa de Alimentação do Trabalhador (R$ 536.711,12); (ii) imposto pago no ext. s/ lucros, rend. e ganhos de capital (R$ 8.876.472,45); (iii) Imposto de Renda Retido na Fonte (R$ 3.990.070,68); (iv) IRRF por órgãos, aut. e fund. fed. Lei n° 9.430/1996 (R$ 224.449,23) e (v) Imposto de renda mensal pago por estimativa (R$ 80.681.332,50). A Administração Tributária reconheceu o crédito relativo ao item (i); não reconheceu o crédito relativo ao item (ii) e reconheceu parcialmente os créditos relativos aos itens: (iii) 3.916.535,64; (iv) 14.310,28 e (v) 27.916.188,49, levando à homologação parcial das declarações de compensação, nos termos do despacho decisório de efls. 119 e ss. Instaurado o contencioso administrativo, a DRJ em São Paulo considerou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 1626.830 (efls. 215 e ss.). A contribuinte apresentou recurso voluntário em que requereu que fosse reconhecido todo o crédito demonstrado e, subsidiariamente, ainda que esse crédito não fosse reconhecido, requereu o cancelamento dos débitos relativos a estimativas dos anos 2008 e 2009, considerando que não havia imposto a pagar naqueles anos (efls. 247 e ss.). Antes do julgamento desse recurso, a contribuinte apresentou sua desistência parcial, efetuando o parcelamento dos débitos que pretendia extinguir por compensação, à exceção dos débitos de estimativa. Assim, o objeto da lide passou a ser, exclusivamente, o cancelamento desses débitos, conforme solicitado na petição do recurso. O Acórdão nº 1101000.971, ora recorrido, negou provimento ao recurso voluntário, adotando o entendimento de que o pedido extrapola os limites do processo administrativo fiscal de compensação, cujo objeto prendese à análise da higidez do crédito apontado e da sua suficiência para a amortização dos débitos indicados, nos seguintes termos (efls. 506): Consoante narrado acima, a controvérsia vertente limitase ao pedido do contribuinte, no sentido de que. a despeito de ter aberto mão da discussão sobre a pertinência do crédito que indicara, devem ser canceladas as cobranças atinentes às estimativas de IRPJ e CSLL dos anoscalendários 2008 e 2009, que foram compensadas com o pretenso Saldo Negativo de IRPJ de 2007, ante a inexistência de IRPJ ou CSLL devidos ao final de 2008 e a jurisprudência no sentido da impossibilidade de cobrança de estimativas após o término do respectivo exercício, temse que igualmente não deve ser o pleito acatado. De fato, os lindes do processo administrativo derivado de não homologação de Declaração de Compensação não comportam tal análise: aqui, cabe aos julgadores unicamente se pronunciar sobre a higidez dos créditos e sobre a sua suficiência para a amortização dos débitos confessados. Em seguida, a contribuinte apresentou o presente recurso especial de divergência (efls. 558 e ss.), por entender que a decisão recorrida diverge da interpretação da Fl. 789DF CARF MF Processo nº 16306.000053/201014 Acórdão n.º 9101003.493 CSRFT1 Fl. 790 4 legislação tributária adotada nos acórdãos paradigmas nº 180300.664 e nº 180300.530, cujas ementas seguem transcritas, respectivamente: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITOS DECLARADOS. Dado o caráter de confissão de dívida, sujeitamse à apreciação de liquidez e certeza os débitos declarados em DCOMP, pois não se admite a exigência de tributo indevido, rechaçada a teoria do solve et repete. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DCOMP. ERRO DE FATO. Dado o caráter de confissão de dívida dos débitos constantes da DCOMP, deve a autoridade julgadora apreciar as alegações pertinentes aos créditos e débitos compensados, cancelandose eventual exigência indevida por erro de fato contido na Declaração de Compensação. O recurso foi admitido por meio do despacho de efls. 716 e ss. Em contrarrazões (efls. 721 e ss.), a Fazenda Nacional questiona a admissão do recurso, afirmando que o contribuinte não demonstrou, de forma analítica, o dissenso entre o acórdãos contrapostos, buscando apenas o revolvimento do conjunto fáticoprobatório, nos seguintes termos (efls. 721 e ss.): Todavia, o recorrente não pretende a uniformização de teses jurídicas, objetivo primordial do recurso especial interposto com base na configuração da divergência, mas sim o revolvimento do conjunto fáticoprobatório. [...] A decisão recorrida, deixa claro, portanto, que o contribuinte, ao pleitear a desistência parcial da discussão administrativa, reconheceu como indevido crédito, e, em não havendo crédito, pretendeu rediscutir débito já confessado. A Fazenda Nacional ainda reclama que não foi possível verificar em pesquisa no sítio do CARF a existência de decisão válida quanto ao acórdão paradigma nº 180300.664 e que o acórdão paradigma nº 180300.530 possui quadro fático distinto do acórdão recorrido, o que impossibilitaria o estabelecimento da divergência pretendida pelo recorrente. Quanto ao mérito, a Fazenda Nacional repisa os argumentos expostos na declaração de voto da exConselheira Edeli Pereira Bessa, que acompanhou o voto condutor apenas em suas conclusões. Deve ser salientado que o presente processo está sendo julgado em conjunto com os processos de compensação nº 16306.000058/201039 e nº 16306.000037/201013, em razão de conexão. O saldo negativo utilizado como crédito no presente processo é composto, em parte, por estimativas quitadas por compensação em apreço no processo nº 16306.000037/201013. O mesmo ocorrendo com o processo nº 16306.000058/201039. Fl. 790DF CARF MF Processo nº 16306.000053/201014 Acórdão n.º 9101003.493 CSRFT1 Fl. 791 5 É o relatório. Voto Vencido Conselheira Adriana Gomes Rêgo Relatora O recurso é tempestivo, foi apresentado por pessoa hábil a representar a parte e os demais requisitos de admissibilidade foram atendidos, conforme apontado no despacho de admissibilidade de efls. 716 e ss. Todavia, a Fazenda Nacional propugna pela não admissão do recurso, afirmando que o recorrente pretende revolver o conjunto fáticoprobatório. Entendo que essa afirmação não possui suporte, uma vez que a questão trazida pelo recurso é, em princípio, de natureza jurídica, qual seja, a possibilidade de o débito ser incluído na analise da declaração de compensação para que se proceda o seu cancelamento. Com esse foco, verificase que também não procede a outra resistência oferecida pela Fazenda Nacional para a admissão do recurso, qual seja, a falta de similitude fática entre os acórdãos contrapostos. Tanto no acórdão recorrido, quanto nos dois acórdãos paradigmas, as decisões recaíram sobre declaração de compensação, sendo que a decisão paradigma analisou apenas o crédito da compensação e negou a análise do débito, por entender extravagante ao processo. Por outro lado, as decisões paradigmas analisaram tanto o crédito quanto o débito da compensação, afirmando expressamente a necessidade da análise do débito. Com isso, entendo que há similitude fática suficiente para estabelecer a divergência, ainda que nos processos paradigmas não exista o mesmo pedido de cancelamento do débito presente no processo em julgamento. Diante do exposto, voto por conhecer do recurso do contribuinte. Uma única questão é trazida para o conhecimento deste Colegiado, atinente à possibilidade de a autoridade julgadora do processo administrativo de compensação apreciar o débito e determinar o cancelamento daquele débito referente a estimativas, o qual se pretendia, inicialmente, extinguir por compensação. Em outras palavras, a contribuinte, no tempo correto, liquidou obrigação de estimativa mensal mediante a apresentação de declaração de compensação. Em seguida, parcelou alguns débitos que não foram reconhecidos pelas decisões anteriores, e agora pleiteia tão somente o cancelamento dos débitos relativos às estimativas, ao argumento de que o imposto a pagar ao término no anocalendário foi zero. A decisão recorrida negou o pedido de cancelamento do débito de estimativa, adotando o entendimento que este extrapola os limites da lide, uma vez que a análise da compensação, no âmbito do contencioso administrativo, deve se limitar à análise da higidez do crédito apontado e da sua suficiência para a amortização dos débitos indicados. Todavia, a recorrente apontou decisões de outra Turma de Julgamento do CARF que adotou entendimento diverso, franqueando a análise de débito declarado. Ora, a atividade de homologação de uma declaração de compensação exige a análise tanto do crédito (pagamento indevido ou a maior), quanto do débito (obrigação Fl. 791DF CARF MF Processo nº 16306.000053/201014 Acórdão n.º 9101003.493 CSRFT1 Fl. 792 6 tributária), nos termos do artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, de onde destacase os seguintes trechos: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no §1o: I omissis II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e É que essa Lei exige, expressamente, certas características do débito a ser compensado: que seja próprio do declarante (caput), que seja administrado pela RFB (caput), que não seja devido em razão de importação (§3º, II); que não esteja inscrito em Dívida Ativa da União (§3º, III); que não esteja incluído em programa de parcelamento (§3º, IV) e que não tenha sido objeto de outra compensação não homologada (§3º, V). Com isso, a atividade de homologação de uma declaração de compensação deve incluir a apreciação do débito, pelo menos nos aspectos acima apontados, em razão de comando legal. Aliás, a verificação do débito é ainda mais ampla, em razão da necessidade de se concretizar o princípio da verdade material frente às alegações do contribuinte quando argumenta, por exemplo: que o débito não existe, que o débito foi declarado em duplicidade, que o débito foi declarado a maior, que o débito já foi extinto etc.. Assim, o presente dissídio jurisprudencial deve ser resolvido nos termos dos paradigmas, os quais apontam para a possibilidade de análise do débito declarado, para que seja afastado o entendimento adotado na decisão recorrida, pelo qual o deslinde do processo estaria adstrito à análise do crédito declarado. Fl. 792DF CARF MF Processo nº 16306.000053/201014 Acórdão n.º 9101003.493 CSRFT1 Fl. 793 7 Todavia, o resultado dessa atividade não comporta o cancelamento de uma obrigação tributária devida, ainda que tenha se tornado inexigível em razão de fato superveniente, conforme os seguintes fundamentos. É que a contribuinte não alega qualquer erro na sua declaração ou vício na constituição do crédito tributário. Apresenta argumentos em torno da natureza dos débitos de estimativas, que não poderiam ser exigidas após o término do anocalendário dada a sua natureza, motivo pelo qual defende a aplicação da lógica da Súmula CARF nº 82, conforme o seguinte excerto ( (efls. 584): Ou seja, após o término do anocalendário, as estimativas porventura não pagas já não poderão ser cobradas. A jurisprudência do E. CARF pacificou este entendimento através da aprovação da Súmula n° 82: "Súmula CARF n° 82: Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas." O conteúdo do enunciado sumular é, neste sentido, claríssimo no sentido de corroborar todo o exposto. Em virtude de já se encontrarem encerrados os anoscalendários de 2008 e 2009, improcede a cobrança das estimativas de IRPJ relativa aos meses de janeiro e fevereiro de 2008, bem como das estimativas de CSLL relativa aos meses de janeiro, maio e junho de 2008 e fevereiro, junho e julho de 2009. Srs. Conselheiros, destaquese que este entendimento não deve ser aplicado apenas às hipóteses em que as estimativas são cobradas mediante lançamento de ofício, mas, igualmente, nos casos envolvendo compensação tributária de débitos de estimativas mensais regularmente confessadas pelo contribuinte em DCTF e PER/DCOMP. Isto porque, tanto na compensação tributaria quanto no lançamento de oficio o que não se admite, nos termos da jurisprudência do E. CARF, é a exigência de estimativas não recolhidas após o encerramento do ano calendário, já que elas não poderão representar logicamente qualquer "antecipação" de imposto ou contribuição a ser futuramente apurada. Todavia, os débitos objetos de análise no presente processo, no estado em que se encontram, têm origem em obrigações tributárias de antecipar tributo devido (estimativas). Assim, não há qualquer dúvida sobre a existência do débito e da possibilidade de sua compensação na época em que foi apresentada a correspondente declaração. A lógica da contribuinte para aplicação da Súmula CARF 82, aliás, decorre de um fato superveniente, qual seja, a apuração do tributo no final do correspondente exercício, resultando em valor zero, o que tornaria inexigíveis as supracitadas antecipações mensais, conforme o seguinte excerto (efls. 587 e ss.): Não bastasse a clareza do enunciado sumular, da jurisprudência do E. CARF e do entendimento da PGFN sobre o tema, importa ressaltar consoante já foi amplamente demonstrado nos autos do presente processo administrativo e, inclusive, reconhecido Fl. 793DF CARF MF Processo nº 16306.000053/201014 Acórdão n.º 9101003.493 CSRFT1 Fl. 794 8 pelo acórdão recorrido que a Recorrente não apurou IRPJ e CSLL a pagar no anocalendário de 2008, consoante evidenciado na petição protocolada em 24/01/2013. Quanto à apuração de IRPJ relativo ao anocalendário de 2008, a Recorrente demonstrou ter apurado lucro real negativo. No tocante à CSLL, restou demonstrado que, conquanto tenha sido apurada contribuição a pagar no valor de R$ 397.655,42, os pagamentos efetuados ao longo do referido ano superaram o referido valor, razão pela qual tampouco há qualquer valor complementar de contribuição a recolher. Em relação às estimativas de CSLL do anocalendário de 2009, a situação descrita em relação ao ano de 2008 se repetiu. A Requerente apurou a contribuição devida no montante de R$ 21.624.716,77, e estimativas pagas e compensadas no montante total de R$ 38.352.542,11, conforme se depreende da petição protocolada em 24/01/2013, resultando em saldo negativo, o que significa que nenhum valor haveria de ser pago no ajuste anual. Desse modo, concluise que qualquer recolhimento que venha a ser feito, no presente momento, pela Recorrente, a título de estimativa mensal de IRPJ e CSLL dos anoscalendários de 2008 e 2009 se transformará inexoravelmente em saldo negativo, ou seja, em um crédito. Ora, não faz sentido algum exigir que a Recorrente efetue o recolhimento da estimativa para que depois lhe seja devolvida. Tal procedimento implicaria custos tanto à Recorrente quanto à Administração Pública. Ocorre que, como muito bem fundamentado na declaração de voto da ex Conselheira Edeli Pereira Bessa, o caso em apreço, não é de simples aplicação da Súmula CARF nº 82, porque sequer de lançamento de ofício estamos tratando. Aliás, como ela bem enfatizou, todos os paradigmas dessa súmula tratavam de atos de constituição do crédito tributário promovidos de ofício, nos casos de estimativas não recolhidas. Nesses casos, a própria Instrução Normativa da Receita Federal nº 93, de 1997, vigente ao tempo dos fatos, já estabelecia que findo o anocalendário, cobrase multa pela falta de recolhimento da estimativa, e o imposto devido na apuração anual, verbis: Art. 15. O lançamento de ofício, caso a pessoa jurídica tenha optado pelo pagamento do imposto por estimativa, restringirse á à multa de ofício sobre os valores não recolhidos. § 1º As infrações relativas às regras de determinação do lucro real, verificadas nos procedimentos de redução ou suspensão do imposto devido em determinado mês, ensejarão a aplicação da multa de que trata o "caput" sobre o valor indevidamente reduzido ou suspenso. § 2º Na falta de atendimento à intimação de que trata o § 2o do artigo anterior, no prazo nela consignado, o AuditorFiscal do Tesouro Nacional procederá à aplicação da multa de que trata o "caput" sobre o valor apurado com base nas regras dos arts. 3º a 6º, ressalvado o disposto no § 3º do artigo anterior. Fl. 794DF CARF MF Processo nº 16306.000053/201014 Acórdão n.º 9101003.493 CSRFT1 Fl. 795 9 § 3º A não escrituração do livro Diário e do LALUR, até a data fixada para pagamento do imposto do respectivo mês, implicará a desconsideração do balanço ou balancete para efeito da suspensão ou redução de que trata o art. 10, aplicandose o disposto no § 1º. Art. 16. Verificada a falta de pagamento do imposto por estimativa, após o término do anocalendário, o lançamento de ofício abrangerá: I a multa de ofício sobre os valores devidos por estimativa e não recolhidos; II o imposto devido com base no lucro real apurado em 31 de dezembro, caso não recolhido, acrescido de multa de ofício e juros de mora contados do vencimento da quota única do imposto. No entanto, ao teor do art. 6º da Lei nº 9.430, de 1996, se o imposto a pagar ao final do anocalendário for negativo, o sujeito passivo pode requerer a restituição do indébito. Por oportuno, transcrevese a redação vigente na época dos fatos: Art. 6º O imposto devido, apurado na forma do art. 2º, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir. § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. E transcrevese, também, a redação atual: § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro receberá o seguinte tratamento: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) I se positivo, será pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subsequente, observado o disposto no § 2º; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) II se negativo, poderá ser objeto de restituição ou de compensação nos termos do art. 74. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) Logo, não pode esta CSRF cancelar um débito que é devido, no âmbito de um processo de homologação de compensação desse débito, ao argumento de que um fato superveniente ensejaria um indébito tributário. Em razão do exposto, devese indeferir o pedido do sujeito passivo de cancelamento das estimativas declaradas relativas ao AC 2008 e 2009. Fl. 795DF CARF MF Processo nº 16306.000053/201014 Acórdão n.º 9101003.493 CSRFT1 Fl. 796 10 Com isso, votase por conhecer do recurso especial do contribuinte e negar o seu provimento. Diante dos fundamentos expostos, entendo desnecessária a realização da diligência suscitada durante a sessão de julgamento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Voto Vencedor Conselheira Cristiane Silva Costa Redatora Designada Com a devida vênia à Ilustre Relatora, formalizo o presente voto vencedor por divergir com relação aos efeitos de fato superveniente com relação à compensação apresentada pelo contribuinte, tendo sido acompanhada pela maioria do Colegiado. Pondero que estou plenamente de acordo com a D. Relatora a respeito da possibilidade de apreciação do débito confessado em PER/DCOMP, adotando suas razões neste ponto, conforme trecho a seguir colacionado: Ora, a atividade de homologação de uma declaração de compensação exige a análise tanto do crédito (pagamento indevido ou a maior), quanto do débito (obrigação tributária), nos termos do artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, de onde destacase os seguintes trechos: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no §1o: I omissis II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; Fl. 796DF CARF MF Processo nº 16306.000053/201014 Acórdão n.º 9101003.493 CSRFT1 Fl. 797 11 IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e É que essa Lei exige, expressamente, certas características do débito a ser compensado: que seja próprio do declarante (caput), que seja administrado pela RFB (caput), que não seja devido em razão de importação (§3º, II); que não esteja inscrito em Dívida Ativa da União (§3º, III); que não esteja incluído em programa de parcelamento (§3º, IV) e que não tenha sido objeto de outra compensação não homologada (§3º, V). Com isso, a atividade de homologação de uma declaração de compensação deve incluir a apreciação do débito, pelo menos nos aspectos acima apontados, em razão de comando legal. A despeito de concordar com a possibilidade de apreciação do débito confessado, divirjo quanto à possibilidade de apreciação de fatos supervenientes que modifiquem o débito originalmente declarado. Vale lembrar que as estimativas mensais de IRPJ e de CSLL como as declaradas pelo contribuinte nestes autos não configuram obrigação tributária autônoma, mas mera técnica de arrecadação. A respeito das estimativas mensais, destaquese artigo 231, do RIR/1999 (Decreto 3.000/1999), que estabelece a compensação dos valores antecipados a título de estimativa mensal ao final do ano: Art. 231. Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor (Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º, § 4º): (...) IV do imposto pago na forma dos arts. 222 a 230. (grifamos) De acordo com o dispositivo do Regulamento do Imposto de Renda, a pessoa jurídica que tenha recolhido estimativas poderá, ao final do anocalendário, deduzilas do saldo a pagar do IRPJ. Tal mecanismo demonstra a relação inafastável entre as estimativas mensais e a apuração ao final do período, confirmando que não se tratam de relações jurídicas tributárias autônomas, mas apenas uma técnica de arrecadação. Considerando a natureza de mera antecipação da estimativa, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais consolidou entendimento sobre a impossibilidade de sua cobrança após o encerramento do ano calendário, conforme Enunciado n. 82 de sua Súmula: Súmula CARF 82: Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas. Fl. 797DF CARF MF Processo nº 16306.000053/201014 Acórdão n.º 9101003.493 CSRFT1 Fl. 798 12 O E. Superior Tribunal de Justiça também decidiu que as estimativas mensais são meras antecipações do fato gerador, que ocorre ao final do período de apuração, verbis: É firme o entendimento deste Tribunal no sentido de que o regime de antecipação mensal é opção do contribuinte, que pode apurar o lucro real, base de calculo do IRPJ e da CSLL, por estimativa, e antecipar o pagamento dos tributos, segundo a faculdade prevista no art. 2º da Lei nº 9.430/96. (Superior Tribunal de Justiça, AgRg no Resp 694.278, Rel. Min. Humberto Martins, DJ de 03/08/2006) São precisas as considerações de Paulo de Barros Carvalho tratando da relação indissociável entre o tributo pago ao final do ano e a estimativa mensal: Prescreve o art. 2º da Lei n. 9.430/969 que a pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento dos tributos, em cada mês, determinados sobre base de cálculo estimada. Feita essa opção, temse recolhimento do IRPJ e da CSLL por estimativa, em que os valores devidos a título de imposto e de contribuição são determinados mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais previstos em lei. Essa opção não exclui, contudo, a obrigação de calcular a renda e o lucro líquido no final do anocalendário, e de efetuar o pagamento dos tributos sobre ele incidentes. O §3º do dispositivo acima transcrito não deixa dúvidas a respeito do assunto (...). E o §4º segue a mesma linha de raciocínio, ao estipular que o tributo pago no regime de estimativa deve ser deduzido para fins de determinação do saldo de tributo a pagar. Em sentido semelhante, também, é a disposição do art. 6º da Lei n. 9.430/96, a qual permite entrever a indissociabilidade do tributo pago no regime de estimativa e aquele devido ao final do anocalendário. (...) Os referidos preceitos legais nos levam a concluir que o regime de estimativa não veicula tributos distintos do IRPJ e da CSLL anuais. Tratase de técnica de tributação que implica antecipação do recolhimento de valores presumidamente devidos em 31 de dezembro de cada ano. Por isso, na apuração dos tributos no último dia do anocalendário (critério temporal do IRPJ e da CSLL) devem ser consideradas as quantias antecipadas e, ainda, se estas forem superiores ao débito efetivo, cabe sua restituição. (Derivação e Positivação no Direito Tributário, Volume 1, 2ª edição, São Paulo, Noeses, 2014, fl. 289/290) O caso dos autos trata de débitos (do contribuinte) de estimativa mensal de IRPJ e CSLL, declarados em PER/DCOMP, para fins de compensação com créditos então identificados pelo contribuinte. Alega o contribuinte que os débitos (de estimativa mensal) teriam sido extinto pelo pagamento (REFIS IV) do IRPJ devido ao final do anocalendário. O contribuinte tem razão em seu pedido, tanto por reconhecimento do pagamento do tributo ao final do anocalendário inclusive no Programa REFIS IV , que é Fl. 798DF CARF MF Processo nº 16306.000053/201014 Acórdão n.º 9101003.493 CSRFT1 Fl. 799 13 forma de extinção do crédito tributário (IRPJ e CSLL devidos ao final do período e, por consequência, os débitos de estimativas mensais indicados pelo contribuinte em suas PER/DCOMPs), nos termos do artigo 156, do Código Tributário Nacional; como pela natureza antecipatória da estimativa mensal, como tratado anteriormente. Diante disso, voto por dar provimento ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Declaração de Voto Conselheiro André Mendes de Moura A declaração de voto é para registrar, com a devida vênia ao substancioso voto da I. Relatora, discordância sobre entendimento de que no processo administrativo fiscal (normatizado pelo PAF) de reconhecimento de direito creditório, teria o presente Colegiado atribuição para apreciar tanto o crédito informado quanto o débito confessado na declaração. Isso porque entendo que a competência do julgador na fase contenciosa do processo administrativo fiscal, relativo à declaração de compensação, encontrase adstrita ao exame do crédito informado. Observase que o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 (com redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) conferiu aos débitos informados na declaração de compensação efeito de confissão de dívida: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Grifei) Há que se segregar, na declaração de compensação, dois elementos: (1) o crédito pleiteado, e (2) o débito (ou os débitos) sobre o qual se pretende a extinção, com fulcro no art. 156, inciso II do CTN. Fl. 799DF CARF MF Processo nº 16306.000053/201014 Acórdão n.º 9101003.493 CSRFT1 Fl. 800 14 Fato é que, a partir do momento em que se confere ao débito objeto de declaração de compensação o efeito de confissão de dívida, escapa da fase contenciosa administrativa tributária a competência para eventual apreciação. A confissão de dívida implica na superação da fase de conhecimento do processo, e passa a ser objeto de fase de execução. A execução do débito já não é mais discutida no âmbito do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF). Uma vez confessado, o débito é inicialmente objeto de cobrança amigável pela Receita Federal. Caso a obrigação não seja adimplida, o débito é inscrito na Dívida Ativa da União, sob competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. A partir desse momento, em fase de execução, a discussão passa a ser de competência do Poder Judiciário. Não existem expressões inúteis na lei: declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Entender ao contrário esvazia, por completo, o efeito de confissão de dívida conferido pela legislação tributária. O que se abre para discussão na fase contenciosa é o crédito pleiteado na declaração de compensação. Verificase a liquidez e certeza do direito creditório. Atendidas as condições, o débito é extinto nos termos do art. 156, inciso II do CTN. Caso o Fisco não efetue a verificação no prazo previsto pela legislação, consumase a homologação tácita, ou seja, perdese o direito de se verificar a liquidez e certeza do direito creditório e, por consequência, o débito resta extinto. Por outro lado, em relação ao débito, tendo a declaração de compensação efeito de confissão de dívida, tratase de apreciação consumada no presente momento processual. Tanto que, caso o crédito não tenha os atributos de liquidez e certeza, ou seja, a declaração não seja homologada, ainda assim não há óbices para a cobrança do débito, vez que se trata de confissão de dívida, precisamente norma prevista no § 6º, art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Enfim, as condições estabelecidas no § 3º, art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, devem ser entendidas como requisitos para a admissibilidade de declaração de compensação. Ora, determinar que determinadas espécies de débito não podem ser objeto de declaração de compensação não tem como desdobramento ampliar o escopo da apreciação do mérito de uma declaração de compensação: o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Primeiro, iniciase exame de admissibilidade da declaração de compensação, mediante verificação de requisitos específicos, inclusive os dispostos no § 3º, art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Por exemplo, não resta admitida declaração de compensação cujos débitos já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União (débitos já em fase de execução), ou que já restem consolidados em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF (débitos objeto de parcelamento tem efeito de confissão de dívida), ou que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa (se já foi objeto de outra compensação, são débitos confessados). O que se observa é que a declaração de compensação não é admitida por perda de objeto, vez que versa sobre débitos previamente confessados. Fl. 800DF CARF MF Processo nº 16306.000053/201014 Acórdão n.º 9101003.493 CSRFT1 Fl. 801 15 Superado o exame de admissibilidade, passase para a segunda etapa, a apreciação do mérito da declaração de compensação, momento em que se verifica apenas o crédito pleiteado, já que o débito, como já dito, encontrase confessado. Nesse sentido, tenho firme convicção que a discussão do débito em processo de compensação não é de competência da fase contenciosa administrativa tributária normatizada pelo PAF. Assim, não há como se acatar a pretensão da recorrente em discutir o débito nos presentes autos. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Contribuinte. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 801DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.906945/2009-97
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005
DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO APÓS O DESPACHO DECISÓRIO.
A apresentação de DCTF retificadora, ainda que após a prolação de despacho decisório, desde que em hipótese não vedada pela legislação, substitui a original, constituindo-se em indício da certeza e liquidez do crédito tributário.
COFINS. PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DE ERRO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Em pedido de compensação, é dever do contribuinte demonstrar, pormenorizadamente, a origem do crédito pleiteado. Ao se constatar a ocorrência de erro material, deve ser disponibilizado todos os documentos probatórios, para que a autoridade fiscal competente, ao examiná-los, lhe conferem liquidez e certeza do crédito pleiteado.
Numero da decisão: 3001-000.433
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a unidade de origem aprecie a DCTF retificadora, juntamente com os documentos trazidos nestes autos a fim de lhe conferir liquidez e certeza à compensação requerida. Votou pelas conclusões o conselheiro Orlando Rutigliani Berri.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Renato de Avila Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães, Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. A apresentação de DCTF retificadora, ainda que após a prolação de despacho decisório, desde que em hipótese não vedada pela legislação, substitui a original, constituindose em indício da certeza e liquidez do crédito tributário. COFINS. PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DE ERRO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Em pedido de compensação, é dever do contribuinte demonstrar, pormenorizadamente, a origem do crédito pleiteado. Ao se constatar a ocorrência de erro material, deve ser disponibilizado todos os documentos probatórios, para que a autoridade fiscal competente, ao examinálos, lhe conferem liquidez e certeza do crédito pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a unidade de origem aprecie a DCTF retificadora, juntamente com os documentos trazidos nestes autos a fim de lhe conferir liquidez e certeza à compensação requerida. Votou pelas conclusões o conselheiro Orlando Rutigliani Berri. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 69 45 /2 00 9- 97 Fl. 120DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Renato de Avila Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães, Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Despacho Decisório Tratase de Dcomp apresentada com o fim de ver legitimada a compensação de crédito decorrente de pagamento a maior. Ao ser analisado, verificouse que os pagamentos localizados serviram de quitação para débitos regularmente constituídos pelo contribuinte. Desta forma, a compensação não foi homologada, cientificandose a contribuinte, que apresentou suas razões de inconformidade. Manifestação de Inconformidade Em sua defesa, a recorrente reconstruiu os eventos ocorridos, dentre os quais, merecem destaque, a origem do crédito posto em compensação e os meios de sua comprovação. Sinteticamente, houve a narrativa no sentido de configurar pagamento em duplicidade, no que se refere às retenções das contribuições (Pis, Cofins e Csl). Em que pese não ter realizado o destaque das retenções no momento da emissão da nota fiscal, a tomadora dos serviços efetivou as retenções devidas. Elaborou planilha explicativa da evolução do saldo credor a seu favor, demonstrando o pagamento em duplicidade dos valores devidos a título de retenção. Argumenta que retificou DCTF e DACON. Em preliminar, argumentou pela nulidade do Despacho Decisório, em face da ausência de motivação na denegação da compensação. Esta falta de fundamentação teria acarretado, segundo consta, restrição ao seu direito de defesa. No mérito, argumenta pela legalidade da compensação levada a efeito, em especial no artigo 170 do CTN. DRJ/BHE A defesa apresentada pela recorrente foi recebida pela mencionada Turma de Julgamento a qual procedeu à análise do caso conforme a ementa a seguir transcrita: Acórdão 0253.440 2 ª Turma ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 121DF CARF MF Processo nº 13888.906945/200997 Acórdão n.º 3001000.433 S3C0T1 Fl. 121 3 Data do fato gerador: 30/09/2005 DESPACHO DECISÓRIO. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA. Deve ser rejeitada a preliminar de nulidade, quando o Despacho Decisório contém a fundamentação legal e as informações e orientações necessárias ao exercício da plena defesa do contribuinte, em observância estrita ao rito do processo administrativo fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/09/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O relatório do mencionado acórdão, por bem retratar as fases ocorridas até o momento deste processo administrativo, é transcrito abaixo: DESPACHO DECISÓRIO O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório nº rastreamento 842069964 emitido eletronicamente em 09/06/2009, referente ao PER/DCOMP nº 39839.23813.130406.1.3.048731. A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP com crédito de COFINS, Código de Receita 2172, no valor original na data de transmissão de R$195,00, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 11/10/2005. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), Fl. 122DF CARF MF 4 art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório por meio de edital, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade em 11/09/2009, alegando que, no exercício fiscal de 2005, houve duplicidade de recolhimentos do PIS, Cofins e CSLL, uma vez que teria emitido nota fiscal sem destacar a retenção dos 4,65 % de impostos sobre prestação de serviços e o tomador de serviço – IPEF Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais – efetuou a retenção dos 4,65% referentes aos mencionados tributos. Após perceber o ocorrido, procedeu à regularização de acordo com o informe de rendimentos em anexo da IPEF e com a entrega da DCTF e PER/DCOMP. Alega que, segundo orientação do plantão fiscal, não mais poderia retificar o PER/DCOMP, e toda e qualquer alteração poderia ser feita mediante retificação da DCTF para alocação dos valores efetivamente corretos, líquidos e certos recolhidos aos cofres públicos em duplicidade. Assevera que foi elaborada planilha detalhando os pagamentos de PIS, Cofins e CSLL, tendo sido feita a inserção dos valores na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) referente ao anocalendário de 2005. O Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais Dacon do período foi retificado, o que corrobora com a assertiva do manifestante em ressaltar que esta quite com suas obrigações fiscais. Em preliminar, fazendo referência ao princípio da ampla defesa, salienta que, baseada na imposição da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) ao proceder ao Despacho Decisório impondo ao contribuinte cobrança de impostos sem expor o fundamento de seu débito, ou a não adequação ao PER/DCOMP em virtude de não haver em sua conta corrente saldo a ser compensado, tornouse nulo o ato administrativo praticado pelo Auditor Fiscal. No mérito, cita legislação pertinente à compensação de tributos. Ao final, requer total provimento da impugnação apresentada, para o fim de cancelar o despacho decisório e o débito fiscal reclamado. Requer ainda lhe seja fornecido o extrato da conta corrente da empresa para fins de elucidar possíveis créditos em sua conta corrente. Após o resumo fático, extraise, do corpo do voto, trechos que demonstram a fundamentação da improcedência da defesa em primeira instância administrativa, consubstanciada, resumidamente, em deficiência probatória por parte da defesa da contribuinte. A seguir: o direito ao aproveitamento do valor retido na fonte depende da comprovação de que a receita correspondente integrou a base de cálculo do tributo. Nesse ponto, a planilha elaborada pelo contribuinte e as retificações da DCTF e do Dacon não são suficientes para atestar que na base de cálculo declarada foi incluída a receita auferida pelo contribuinte pela prestação de serviços ao IPEF Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 13888.906945/200997 Acórdão n.º 3001000.433 S3C0T1 Fl. 122 5 Recurso Voluntário Em sua defesa, a recorrente repisou o histórico apresentado na sua manifestação de inconformidade, em especial, o fato de ter realizado pagamento em duplicidade referente aos valores retidos a título de Pis, Cofins e CSL. Isto porque, não destacou, na emissão de suas notas fiscais, os valores a serem retidos por sua tomadora de serviços e, mesmo assim, esta reteve, corretamente, os valores a seu encargo. Provas Sob a alegação de insuficiência probante da documentação acostadas neste processo administrativo, alega que as notas fiscais foram juntadas no momento da apresentação de sua manifestação de inconformidade, mas que, não foram localizadas. Por este motivo, atribuído à Administração Pública requer a juntada da documentação. É o relatório. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator O presente recurso voluntário insurgese em face da não homologação da compensação. Em sua defesa, trouxe o argumento da ocorrência de pagamento a maior, em função do recolhimento em duplicidade dos valores devidos a título de retenções do Pis e Cofins. Argumentos de Defesa no Recurso Voluntário Em breve síntese, foram apresentados, em sede de recurso, os seguintes argumentos: pagamento em duplicidade das retenções. Admissibilidade do Recurso O recurso é tempestivo. Sobre os argumentos trazidos no recurso, tomo conhecimento total. Declaro parte não contestada da decisão guerreada, os trechos referente à nulidade do despacho decisório por deficiência na fundamentação do ato administrativo, excluindo da análise, portanto, o argumento do cerceamento ao direito defesa. Fundamentos Legais Invocados IN 482/04 Dispõe sobre a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Fl. 124DF CARF MF 6 Art. 9º Todos os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna Da Retificação da DCTF Art. 10. Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF mencionada no caput deste artigo terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já inscrito em Dívida Ativa da União, somente poderá ser efetuada pela SRF nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração DOS FATOS O crédito decorre, segundo argumenta, do pagamento em duplicidade dos valores devidos a título de retenção, pelo tomador de serviços, de suas prestadora, no caso, a recorrente. Isto porque, a contribuinte declara não ter havido, em suas notas fiscais, as devidas retenções dos tributos aqui discutidos. Desta forma, ao apurar os tributos daquela competência, incluiu o valor total de emissão de nota fiscal, sem considerar as retenções que, de fato, reduziu sua receita. Isto pelo fato de, ao mesmo tempo, a tomadora dos serviços, em que pese a ausência de destaque das retenções, no momento de emissão da documentação fiscal, efetivou, corretamente, o pagamento dos préstimos com o desconto das devidas retenções. Desta forma, extinguiu a obrigação tributária sobre o valor retido. Em tendo a contribuinte, inadvertidamente, incluído em sua base de cálculo, a totalidade das receitas, conforme as notas fiscais emitidas, incorre, sem dúvidas, no pagamento em duplicidade. Temse dos autos, que o fato gerador, conforme informações constante na Dcomp fls. 20, cuja data de ocorrência é maio de 2005 Na ocorrida seqüência fática, a contribuinte relata ter reavaliado apuração dos tributos, verificando a indevida inclusão na base de cálculo, dos valores anteriormente retidos. Mister salientar ser incontroverso o recolhimento da parte retida à autoridade fazendária, conforme extrato retirado do corpo do acórdão prolatado em primeira instância (fls. 31) Fl. 125DF CARF MF Processo nº 13888.906945/200997 Acórdão n.º 3001000.433 S3C0T1 Fl. 123 7 Certo da indevida inclusão dos valores recolhidos, em 2006, efetivou a mencionada Dcomp. Consoante relatado, houve emissão de despacho decisório eletrônico cujo conteúdo houve por bem indeferir o pedido de compensação efetivado. O motivo, foi a constatação, através da verificação de seus controles internos, a existência e vinculação de débito devidamente informado pela própria contribunte em DCTF originária. Isto posto, conforme se denota da relação de DCTF´s ativas, canceladas, originais e retificadoras, constante em fls. 17 destes autos, a recorrente, logo após a ciência do Despacho Decisório, emitiu a DCTF retificadora. Neste diapasão, não custa relembrar a decisão ora guerreada, fundamentada na ausência de comprovação, vez que julgou pela ausência de capacidade probatória, a planilha acostada em fls. 14, cujo motivo de existência, é demonstrar a evolução dos saldos a seu favor, em decorrência do já mencionado pagamento indevido. Por este motivo, a recorrente trouxe aos autos conjunto de notas fiscais sem o destaque das retenções realmente efetivadas, indicando forte indício da ocorrência do erro material alegado. DA NULIDADE DO JULGAMENTO EM PRIMEIRA INSTÂNCIA Encontrase assente nesta turma extraordinária, o entendimento no qual a DCTF retificadora, e seus correspondentes fundamentos documentais, sob força do princípio da busca pela verdade material, devem ser analisados por força do artigo 9.º da IN 482/04, que dispõe sobre as regras aplicáveis à DCTF. Fl. 126DF CARF MF 8 Ao indicar o comando regulatório que prevê a necessidade de auditoria interna, nos dados constantes em DCTF, expressamente determina a vinculação da entidade fazendária, a verificar os dados transmitidos da DCTF retificadora de forma minuciosa, a fim de verificar a efetiva ocorrência do erro. Ao que se denota, do acórdão em primeira instância, limitase o colegiado a repudiar a capacidade comprobatória da DCTF retificadora,vez que sua tarefa, seria verificar tal planilha a fim de lhe conferir liquidez. A orientação trazida com o julgamento nesta Turma Extraordinária cujo resultado foi o acórdão 3001000.209, com ementa a seguir transcrita, indica a possibilidade de apresentação de DCTF após a prolação do competente despacho decisório, sendo que, uma vez constatado o erro material, develhe ser oportunizado o exames de todos os documentos comprobatórios. Seguese: DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. A apresentação de DCTF retificadora, ainda que após a prolação de despacho decisório, desde que em hipótese não vedada pela legislação, substitui a original, constituindose em indício da certeza e liquidez do crédito tributário. COFINS. PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DE ERRO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Em pedido de compensação, é dever do contribuinte demonstrar, pormenorizadamente, a origem do crédito pleiteado. Ao se constatar a ocorrência de erro material, deve ser disponibilizado todos os documentos probatórios, para que a autoridade fiscal competente, ao examinálos, lhe conferem liquidez e certeza do crédito pleiteado. É salutar trazer a tona, trechos do voto vencedor do Conselheiro Cássio Schappo, que, em caso análogo, demonstra a necessidade das informações prestadas em sede de DCTF retificara passarem pelo crivo de autoridade competente: Me parece, apesar de dupla retificação de DCTF, diante de todos os argumentos e provas carreadas aos autos, que não foram objeto de análise pela unidade de origem, por prudência serem auditados por autoridade fiscal competente. Na seqüência, conclui o voto vencedor, cuja didática e precisão, ao argumentar pela essencialidade de apreciação das informações prestadas em DCTF, sob pena de indevida supressão de instância, torna obrigatória a transcrição: o princípio constitucional do contraditório e da ampla defesa, na busca da verdade real no processo administrativo tributário, é cabível oportunizar à Recorrente uma melhor análise pela unidade de origem quanto ao crédito pleiteado. Ademais, não pode o CARF suprir deficiência instrutória ainda que em sede de compensação, pois à luz do art. 10 da IN RFB nº 903/2008: "Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna". De se observar que procedimento algum fora realizado em relação à apuração dos valores da compensação, sejam débitos ou créditos. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 13888.906945/200997 Acórdão n.º 3001000.433 S3C0T1 Fl. 124 9 Não podem as autoridades administrativas omitirse de analisar a materialidade dos débitos e créditos em compensação, eis que do contrário comprometem a regularidade do processo administrativo de restituição e compensação de tributos, cuja implicação é a manifesta nulidade nos termos do art. 59, II do PAF. Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para que a unidade de origem aprecie as DCTFs retificadoras, juntamente com os demais documentos e provas carreadas aos autos e lhe confira liquidez e certeza para a realização da compensação requerida. Salientase, ainda, a existência do precedente CSRF no acórdão nº 9303005.396, DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. A apresentação de DCTF retificadora, ainda que após a prolação de despacho decisório, desde que em hipótese não vedada pela legislação, substitui a original, constituindose em indício da certeza e liquidez do crédito tributário. Tendo sido o único motivo de indeferimento da compensação e ignorados os seus efeitos pela decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, há de ser acolhida e determinado novo exame da compensação pela Autoridade Fiscal. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer totalmente do recurso, e no mérito dar lhe parcial provimento, para que a unidade de origem aprecie a DCTF retificadora, juntamente com os documentos trazidos nestes autos a fim de lhe conferir liquidez e certeza à compensação requerida. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 128DF CARF MF
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Numero do processo: 13116.720037/2007-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 18 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2003
ITR - AREAS ALAGADAS PARA CONSTITUIÇÃO DE RESERVATÓRIO DE USINAS HIDROELÉTRICAS.
O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas (Sumula CARF n. 45).
Recurso provido.
Numero da decisão: 2202-000.673
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
Nome do relator: Gustavo Lian Haddad
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2003 ITR - AREAS ALAGADAS PARA CONSTITUIÇÃO DE RESERVATÓRIO DE USINAS HIDROELÉTRICAS. O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas (Sumula CARF n. 45). Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. NEL A - AVO LIA HADDAD - Relator EDITADO EM: Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Júnior, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, João Carlos Cassulli Júnior (Suplente convocado), Gustavo Lian Haddad e Nelson Mallmann (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Erro! Nome de propriedade do documento desconhecido. Relatório Contra a contribuinte acima qualificada foi lavrada, em 14/03/2007, a Notificação de Lançamento de fls. 01/02, relativa ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, exercício 2003, por intermédio do qual lhe é exigido crédito tributário no Montante de R$11.908.697,05, dos quais R$5.197.353,93 correspondem a imposto, R$3.898.015,44 a multa de oficio, e R$2.813.327,68, a juros de mora calculados até 31/07/2006. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais (fis. 02), a autoridade fiscal apurou a seguinte infração: Valor da Terra Nua declarado não comprovado Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou por meio de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR '14.653 da ABNT o valor da terra nua declarado No Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT), o valor da terra nua foi arbitrado, tendo como base as informações do Sistema de Preços de Terra — SIFT da SRF. Os valores do DIAT encontram-se no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. Enquadramento Legal ART 10 PAR 1 E INC I E ART 14 L 9393/96 Complemento da Descrição dos Fatos: El71 atendimento à intimação fiscal de no 01301/00019/2006 o contribuinte, em síntese, alega: 1. Que a area do imóvel rural registrado na Secretaria da Receita Federal sob n° 1.089.756-9 foi adquirida através de desapropriação para o fim exclusivo de instalação do parque gerador, ensejando a formação do reservatório de água; 2. Que 0 art. 20 da Constituição Federal atribui como propriedader da União os lagos, rios e quaisquer correntes de água em terrenos de seu dcmínio, ou que banhem mais de um Estado, sirvam de limites a outros países, ou se estendam a território estrangeiro ou dele provenham, bem como OS terrenos marginais e as praias fluviais; 3. Que os imóveis não possuem valor de mercado porque são bens públicos, afetados ao patrimônio da pessoa política da união e, portanto ¡ fora do comércio; 4. Que por defender a tese supramencionada adota o VTN igual ar zero. Das alegações apresentadas pelo contribuinte necessário se ' faz um 2 sPA- Processo n° 13116.720037/2007-87 S2-C2T2 AcOrchio n.° 2202-00.673 Fl. 2 esclarecimento acerca dos entendimentos equivocados que levaram o mesmo a considerar o VTN igual a zero: 1. Quanto â desapropriação dos imóveis pela empresa concessionária de serviço público, o beneficiário direto dessa expropriação é a empresa prestadora de serviço público, pois o bem (imóvel rural, nesses casos), concluída a desapropriação, é incorporado ao seu patrimônio (empresa estatal expropriante); 2. A empresa FURNAS CENTRAIS ELÉTRICAS S.A é pessoa jurídica de direito privado, possui patrimônio próprio; em suas relações jurídicas, age em nome próprio, atuando por sua conta e risco. Logo, é inquestionável que os bens adquiridos por desapropriação, nesses casos, não são da União (Administração Direta), mas sim da empresa estatal expropriante, sujeitos incidência de tributos, em função das atividades econômicas remuneradas que exercem; 3. Os imóveis submersos pelas águas do reservatório da usina hidrelétrica foram adquiridos pela empresa e são bens da empresa estatal exploradora das atividades de eletricidade (para produção ou geração de energia elétrica). Portanto, esses imóveis desempenham função econômica da maior relevância para a empresa (servem de reservatório de água para geração de energia elétrica). Por isso, constituem patrimônio exclusivo da empresa, pois estão destinados ou afetados as suas atividades essências; 4. As áreas do reservatório, descontadas as areas do rio - leito original — e pequena faixa marginal (terrenos reservados - bens da União), são, portanto, bens da empresa, afetados as suas atividades essenciais. Incabível a confusão feita em relação aos reservatórios da barragem como sendo potenciais de energia de hidráulica - bens da União (CF, art. 20, VIII) ou que o lago formado pelas águias da barragem (reservatório) seriam igualmente bens da União (CF, art. 20, III). Reservatório de cigua da barragem e potenciais de energia hidráulica de que trata o texto constitucional não significam a mesma coisa. A expressão potencial de energia hidráulica da Lex Legum quer dizer tão-somente quedas d cigula ou cachoeiras. Já o reservatório (áreas submersas), no caso, decorre do represamento das águas dessas quedas d águia ou cachoeiras (de rio ou não) pela construção de barragens, com fins de exploração econômica. Por fim, resta dizer ainda que as áreas do reservatório (áreas dos imóveis submersos) não estão suibsuunidas na expressão lagos do texto constitucional; pois aí há alusão a lagos da União em areas de seu domínio ou propriedade (CT, art. 20, III). Na situação em tela, o lago formado pela represa (reservatório) não está situado em área de domínio da Unido, mas sim em areas de domínio da empresa estatal (imóveis particulares da empresa submersos - adquiridos por desapropriação); Erro! Nome de propriedade do documento desconhecido. 5" 3 5. A empresa estatal não perde, em hipótese alguma, a propriedade ou domínio dos imóveis de sua titularidade pelo mero fato de estarel in cobertos pelas águas do reservatório (imóveis adquiridos justamente para esse fini). Pelo contrário, os imóveis, apenas nessa condição, é que passam a ter, verdadeiramente, função econômica para a empresa. Constitui 'um contra- senso a alegação de que esses imóveis não seriam mais da empresa pelo alagamento. O alagamento dos imóveis não modifica, em absoluto, o regime jurídico dominial desses imóveis que, obviamente, são e continually sendo de titularidade da empresa. Se havia alguma dúvida ate agora, elo regime jurídico das águas instituído pela Lei n° 9.433, de 8 de janeiro de 1997, que regulamentou o inciso XIX do art. 21 da Carta Magna, ao instittiir a Política Nacional de Recursos Hídricos e o Sistema Nacional de gerencliamento dc Recursos Hídricos, ela foi dissipada, pois nem a União nem l Os Estados possuem domínio privado sobre essas águas; elas são de domínio' público. Poder Público é apenas o gestor dessas águas; A Coordenação-Geral do Sistema de Tributação da Receita Federal se posicionou a respeito da tributação de imóveis rurais que; abriguem reservatórios, subestações e usinas hidrelétricas, por meio do Parecer COSIT n. 15, de 24 de março de 2000, considerando que estão sujeitos a incidência do ITR os imóveis rurais de pessoas físicas oz jurídicas, concessionárias ou delegatárias de serviços públicos de eletricidade, que abrigam os reservatórios, subestações e usinas hidrelétricas, con finalidade de produção, transforma cão, transmissão ou distribuição de energia elétrica, inclusive os adquiridos por desapropria cão para essas atividades. 0 contribuinte considerou o VTN igual a zero, fazendo com que o VTN considerado por esta fiscalização para o imóvel em apreço fosse Obtido coin base no prego da terra constante do Sistema de Pregos da Tel-ra (SIPT), fidcrado no artigo 14 da Lei n° 9393/96. Cientificada do Auto de Infração em 11/06/2007 (extrato do AR de fls. 12), a contribuinte apresentou, em 06/07/2007, a impugnação de fls. 17/80 cujas alegações foram assim sintetizadas pela autoridade julgadora de primeira instância: "- de inicio, discorre sobre o objeto social da empresa, o modos operandi na declaração do ITR e o procedimento da autoridade fiscal no lançamento, do qual discorda e que deveria ser revisto de oficio; - consta do auto de infração o astronômico débito de R$ 11.908.697,05, 1 referente ao período de 2003, mais juros e multa, pois a autoridade fiscal arbitrou o VTN, nos termos da Lei n° 9.393/1996, sobre a área total do imóvel Usina Serra da Mesa, classificado como imóvel rural; - as empresas constituídas sob a forma de sociedade de economia mista, como a impugnante, podem ser divididas em duas espécies: as que explorain atividade econômica e as que prestam serviço público; nesse últitno caso, as sums atividades recebem forte influência das regras de direito público; - a produção, a transmissão e a distribuição de energia elétrica são serviços essencialmente públicos, sejam eles prestados diretamente pelo Poder Público, por órgãos da administração indireta ou por particulares, nos 4 Processo n° 13116.720037/2007-87 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.673 Fl. 3 moldes do que dispõe a Constituição Federal, em seu art. 21, inciso XII, alínea "b" (transcrito); - por força do texto constitucional, tais serviços são qualificados como públicos, privativos da União; portanto, a sua exploração por entes privados, ou até por outros entes públicos, somente é possível por "autorização, concessão ou permissão"; de tão restrita a competência para o exercício dessa atividade, cita o disposto no ,sç I° do art. 20 da Constituição Federal, que trata da participação no seu resultado; - as empresas prestadoras dc serviço tão qualificado não podem receber o mesmo tratamento jurídico dispensado its sociedades anônimas em geral, pois sobre aquelas incide particular controle estatal, justificado pelo interesse do Estado em sua atividade, que provoca a -imposição de deveres legais especificos; - apesar de sujeitas ao pagamento de tributos, nos termos do ssS' 30 do art. 150 da Constituição, essas empresas podem gozar de benefícios fiscais outorgados pelo Poder Público; - ainda que a isenção que vigorava para o setor não tenha sido convalidada pela Constituição vigente, ficando expressamente rejeitada por força do ,sç I° do art. 41 do ADCT, cabe questionar se as empresas geradoras de energia elétrica estão sujeitas à incidência do ITR; - analisam, nesse sentido, aspectos jurídicos e doutrinários da hipótese de incidência tributária, a partir do exame da regra-matriz dos tributos, previsto no inciso VI do art. 153 da Constituição Federal de 1988, e a aplicação de seu esquema lógico ao ITR; - transcreve entendimento de Geraldo Ataliba, que afirma situar-se o ITR na in subclasse dos "reais"; - os imóveis da empresa impugnante estão, em grande parte, cobertos de água, prestando-se apenas para reservar cigua, potencializando a força hidráulica para a geração de energia. As margens dos reservatórios também não se prestam a qualquer outro objetivo, funcionando apenas como faixas de segurança para as variações sazonais do nível d'água; - para fins de aplicação do disposto no art. 20 da Constituição Federal, (transcrito), os reservatórios de água encaixam-se em qualquer um dos conceitos nele previstos. Seriam "lagos", na sua definição mais simples, se entendidos como uma grande extensão de água cercada de terra, inserindo- se nessa classe os lagos de barragem, formados em áreas represadas por aluviões pluviais, restingas, detritos de origem vulcânica c morainas; esses reservatórios poderão, também, integrar o conceito de "rio", se considerados como resultantes do represamento de curso de água pluvial; - enfatiza que esse mesmo art. 20, em seu inciso VIII, inclui também no patrimônio da União "os potenciais de energia hidráulica", de tal modo que, escapando os reservatórios dos subdominios dos "rios" ou dos "lagos", Erro! Nome de propriedade do documento desconhecido. 5 ficaria muito dificil deixar de reconhecê-los no âmbito dos "pO tenciais de energia"; - esse entendimento está em consonância com a Lei n° 9.433/1997, ao instituir a Política Nacional de Recursos Hídricos, com fundamento de validade no inciso XIX do art. 21 da Constituição Federal, estabelecendo no art. 1° , inciso I, que: "a água é um bem de domínio público"; - esse texto legal também convive em perfeita harmonia con o Código Florestal (transcrito em parte), com destaque para o disposto no ,sç 6° do seu art. 1° e para o art. 2'; - a conclusão é simples: argumentar que os reservatórios são lagos situados em "propriedade" privada e por ela cercados, é desconsideraicomandos legais de relevante interesse para a própria preservação do bem público e de sua fonte produtora; - ademais, esses reservatórios são lagos alimentados por correntes públicas (rios), o que reforça sua qualidade de bem público (sÇ 3° do art. 2 do Código da Águas); - portanto, as áreas destinadas aos reservatórios de água não podem sofrer a incidência do ITR, por serem unidades integrantes do patrimônio público da União, assim como as áreas destinadas as suas margens também estarão livres do impacto do tributo, na condição de áreas de preservação permanente, que devem ser excluídas da base de cálculo do imposto, nos termos do art. 10, ,s-ç I°, inciso II, alínea "a", da Lei n° 9.393/1996, além do Código Florestal; - reafirma que a prestação do serviço público de fornecimento d energia é incumbência privativa da União, ao mesmo tempo em que os rios, lagos (naturais e artificiais) os terrenos marginais e as praias fluviais e os potenciais de energia integram, também, o patrimônio dessa pessoa política de direito interno; as águas são de domínio público, poSsuindo as prerrogativas de inalienabilidade, impenhorabilidade e imprescritibilidade; - a porção de terra coberta pelo lago artificial das usinas hidroelétricas e a área situada a seu redor, mesmo que de propriedade da empresa, 'mantendo- se a distinção corn referência a propriedade do hem público, ainda assim encontra-se com absoluta restrição de uso por seus "proprietáriOs". A área está afetada ao uso especial da União, o que impede a seus titulares o exercício de qualquer dos direitos inerentes ao seu domínio; - a União detém o verdadeiro domínio útil das áreas necessárias ,et geração, distribuição e transmissão de energia elétrica, nos termos' legais c constitucionais; portanto, fica afastada, também por esse prisma, a possibilidade jurídica de onerar essas áreas pelo ITR, pois é sujeito passivo da obrigação quem tiver o domínio útil sobre o imóvel; - por outro ângulo, conclui-se pela não incidência do imposto, no caso presente, porque: (i) as áreas estão, em sua maioria, cobertas de água e (ii) afetadas ao uso especial, tendo em vista a prestação de serviçoS públicos, pelo que se caracterizam como comprovadamente imprestáveis c qualquer 6 Processo n° 13116.720037/2007-87 S2-C2T2 Acórdilo n.° 2202-00.673 Fl. 4 tipo de exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqiiicola ou florestal. Isso já basta para não serem consideradas áreas tributáveis para fins do ITR, nos termos da alínea c, do inciso II, §1°, do art. 10 da Lei n° 9.393/1996; - a legislação ordinária está sintonizada com os ditames constitucionais, afastando qualquer possibilidade de cobrança de imposto sobre as áreas destinadas aos reservatórios de água das empresas representadas pela impugnante, em sentido inverso ao que pretende a fiscalização federal; - a apuração da base de cálculo do imposto - valor fundiário, nos termos do art. 30 do CTN e Valor da Terra Nua tributável VTNt, nos termos da legislação especifica — oferece algumas dificuldades, como exclusão de valores (art. 10, § I°, I e IV), subtração de áreas (art. 10, ssç II) e multiplicação (art. 10, § 1°, II); no entanto, a regra-matriz, como metodologia, é instrumento redutor de complexidades; - no caso presente nenhuma dessas operações se torna possível ao aplicador da lei, porque não há valor de mercado para a apuração do VT1V, por onde começam os cálculos, pois se trata de um bem do domínio público, afetado ao patrimônio da pessoa política União, fora do comércio, impedindo qualquer pretensão impositiva sobre as áreas desapropriadas para a construção das obras necessárias ao represamento dos rios e lagos, para a manutenção dos reservatórios destinados a produção de energia elétrica; - para corroborar a improcedência do auto de infração, reporta-se Constituição Federal, ao CTN e a Lei no 9.393/1996, dessa transcrevendo, parcialmente, os dispositivos que tratam da apuração e do valor do ITR, artigos 10 e 11, respectivamente; - destaca que a autoridade fiscal, abandonando esses comandos legais, não poderia adotar circa "produtiva de energia elétrica" como não produtiva e apontar GU "0" quando a utilização é integral, presumiu que o valor fundiário está subavaliado, arbitrando um VTN de R$ 25.986.819,69 e aplicando a aliquota máxima (20 °A), equiparando o imóvel aos latifiindios improdutivos; não é crível que a "terra" submersa por represa para a geração de energia elétrica possa ter o mesmo valor da terra destinada ao cultivo de primeira, visto que aquela está, no mínimo, fora do âmbito de incidência do ITR; - considerar como improdutiva a produção, geração e transmissão de energia elétrica, na imensa área abrangida por Furnas, é uma falácia incompatível com o sistema jurídico e a lógica que deve preceder os julgamentos válidos e produtores de resultados; - é flagrante a ofensa aos princípios da legalidade e da igualdade que norteiam rigidamente a atividade impositiva do Estado, no que concerne cobrança do imposto; para a Usina Hidrelétrica em questão, tomou-se o valor da terra apontado no SIPT, considerando-o para as terras submersas e aplicando-se nele o GU, sem qualquer exclusão; 53' Erro! Nome de propriedade do documento desconhecido. 7 - a legislação que cuida do ITR sempre leva em conta o grau de utilização (GU) na exploração rural, seja agrícola, pecuária, granjeira, 'aqiiicola ou florestal, nos termos da Lei n° 9.393/1996, em consonância C01110 Estatuto da Terra, o que permite concluir ser relevante para fins doITR não a produtividade em geral, mas na exploração daquele setor, enquanto as atividades desenvolvidas pelas usinas hidrelétricas estão fora d l tal campo de abrangência; • - em momento algum a lei do ITR se refere à exploração energética, talvez impulsionada pelo Decreto-Lei n° 2.281/1940, que concedia isenção a tal atividade e perdeu sua eficácia em outubro de 1990 com o advento do novo texto constitucional, deixando ao aplicador da lei e aos operadores do direito a interpretação sistemática, que ao permite incluir na hipótese de incidência do ITR aquela que ao estiver ali explicita, por força do principio da tipicidade da tributação, além dos outros já mencionados; - por tudo isso, indaga: há meios jurídicos hábeis para manter-se a exigência apontada no auto de infração? Como aceitar a incidência do ITR sobre as áreas de reservatórios das usinas hidrelétricas, suas margens e construções, se não há compatibilidade com a hipótese de incidência normativa? Como admitir que empresa produtora, transmissora e distribuidora de energia elétrica — industrial, portanto — possa ser alcançada pelo ITR 'como se de area "rural" se tratasse? Como manter auto de infração que indica base de cálculo em total descompasso com a legislação vigente? como "valor de mercado" se a porção de terra encontra-se alagada, imprestável para uso comum, ou em condições de utilização reduzidas, enquanto "valor de mercado" pode ser entendido como o preço médio que l o imóvel alcançaria em condições normais de mercado, para a compra e venda a vista? - também, como fugir da proibição constitucional de se cobrar tributos com efeito de confisco (inciso IV do art. 150 da CF)? Enfim, como manter auto de infração em que o imposto foi apurado em total desconformidade com os comandos dados como infringidos pela fiscalização (arts. 10 e 14 da Lei n° 9.393/1996 e Parecer COS1T n° 15/2000)? - ainda, corno manter a pretensão fazendária sem qualquer diligência? Registre-se que o valor do imóvel indicado pela requerente é o valor escriturado como 'Patrimônio liquido"; transcreve ensinamentos de Celso Antonio Bandeira de Mello sobre 'justa indenização"; - portanto, não pode prevalecer a exigência de pagamento do ITR, com amparo no Parecer COS1T n° 15/2000, visto que esse dispositivo não alarga a hipótese de incidência estatuida em lei; transcreve ementa da CSRF e cita entendimento do Conselho de Contribuintes, para convalidar suas teses; - no caso presente, a Lei n° 9.393/1996 não ampara a pretensão fazendária, pois não 176 fato jurídico que enseje a obrigação tributária, além de a base de cálculo adotada descaracterizar a hipótese de incidência prevista na legislação pertinente; transcreve entendimento de Sacha CalmonNavarro Coelho e Misabel Abreu Machado Derzi, para referendar seus arginnentos; 8 Processo n° 13116.720037/2007-87 S2-C2T2 Acórdzio n.° 2202-00.673 Fl. 5 - o art. 20 da Constituição Federal estabelece como propriedade da União "os lagos, rios e quaisquer correntes de água em. terreno -de seu domínio"; assim, os reservatórios de água podem integrar o conceito de "rio", se considerados como resultantes do represamento de curso de cigua pluvial; o inciso VIII desse artigo inclui também no patrimônio da União "os potenciais de energia hidráulica", de tal modo que, escapando os reservatórios dos subdomínios dos "rios" ou dos "lagos", é impossível deixar do reconhecê-los no âmbito dos "potenciais de energia"; - apresenta as seguintes conclusões: a) a autoridade fiscal presumiu a ocorrência do fato jurídico tributário, sem mensurar a verdadeira base de cálculo nem efetuar os cálculos ditados pela Lei 9.393/1996 (com exclusão de valores, subtração de áreas e as multiplicações necessárias ao cálculo do imposto), apurando, por "média aritmética" e por amostragem, o valor da terra nua do imóvel onde está construída a Usina Hidrelétrica Serra da Mesa, no Estado de Goiás; b) foi aplicada a multa de 75,0 % sobre base de calculo incompativel - inexistente como já demonstrado; c) a fiscalização desconsiderou as áreas de exclusão indiscutível: margens, áreas de preservação permanente pela só determinação legal; d) as áreas de reservatórios das usinas hidrelétricas e suas margens são bens de domínio público da União, não podendo ser abrangidas pelo critério material da hipótese de incidência de qualquer tributo, quanto mais do ITR, de sua competência privativa e exclusiva; e) a base de cálculo simplesmente inexiste, a partir do exame da regra- matriz e das funções mensuradora, objetiva e comparativa; ademais, a legislação não previu a exclusão de qualquer valor de instalações, benfeitorias e construções do valor total do imóvel, por parte das hidrelétricas. Por fim, a impugnante requer seja decretada a improCedência do auto de infração e arquivado o feito fiscal ou, então, seja determinada diligência nos termos legais, para apuração dos quesitos relacionados." A la Turma da DRJ de Brasilia, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento, em decisão assim ementada: "Assumo: IMPOSTO SOBRE A PROPRI EDADE TERRITORIAL RUTAL - ITR Exercício: 2003 DA INCIDÊNCIA DO IMPOSTO — ÁREAS SUBMERSAS / RESERVATÓRIOS. s" Erro! Nome de propriedade do documento desconhecido. A ices rurais de empresa concessionária de serviços públicos de e letricidade, destinadas a reservatórios de usina hidrelétrica, integram o lpatrimónio dessa empresa e submetem-se its regras tributárias aplicadas aos demais imóveis rurais. Reservatórios de água de barragem não se conifimdem com pOtenciais de energia hidráulica, bens da União previstos na Constituição Federal. DO VALOR DA TERRA NUA — VTN. Caracterizada a subavaliaçã o do Valor da Terra Nua - VTN declarado ou a prestação de informa cães inexatas na DITR/2003, o respectivo VTN/ha poderá ser arbitrado pela autoridade fiscal, nos termos da Lei n° 9.393/1996. Para a possível revisão desse VTN, seria necessário laudo técnico de avaliação corn ART/CREA, emitido por profissional habilitado ou empresa de reconhecida capacita cão técnica, atendidos os re' uisitos da norma NBR n°14.653-3 da ABNT DA MULTA PROPORCIONAL LANÇADA. Apurado imposto suplementar em procedimento fiscal, no caso de informação incorreta na declaração do ITR/2003, cabe exigi-lo juntamente coin a multa proporcional aplicada aos demais tributos. Lançamento Procedente" Cientificada da decisão de primeira instáncia em 04/03/2008, conforme AR de fls. 164, e com ela não se conformando, a recorrente interpôs, em 20/03/2008 o recurso voluntário de fls. 133/162, por meio do qual reitera suas razões apresentadas na impugnação. o relatório 1 0 90- Processo n° 13 116.720037/2007-S7 S2-C2T2 AcOrdao n.° 2202-00.673 Fl. 6 Voto Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade. Dele conheço. O lançamento decorre de arbitramento efetuado pela fiscalização do VTN de áreas alagadas para constituição de reservatório a ser utilizado por usina hidroelétrica. A incidência de ITR sobre tais áreas foi considerada ilegítima pela Sumula CARP n. 45, vinculante para este órgão julgador nos termos regimentais, in verbis: "0 Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas." Dessa forma, conheço do recurso para, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO para cancelar o lançamento. GUSTAVO LIAN HADDAD Erro! Nome de propriedade do documento desconhecido. 11 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2 CAMARA/2' SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n°: 13116.720037/2007-87 Recurso n°: 342.617 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3° do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Camara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2202-00.673. Brasilia/DF, 25 de agosto de 2011 EVELINTE COELHO DE MELO HOMAR Chefe da Secretaria da Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador(a) da Fazenda Nacional
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Numero do processo: 10909.003131/2004-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO.
Comprovados nos autos que a atividade desempenhada pela recorrente trata-se de exportação de prestação se serviços, nos termos do art. 5º, II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 6º, II, da Lei nº 10.833/2003, o direito a restituição, compensação ou ressarcimento dos créditos verificados em face da exportação deve ser garantido ao contribuinte.
Numero da decisão: 3302-005.555
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães e Jorge Lima Abud que davam provimento parcial acompanhando o resultado da diligência. O Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède votou pela conclusões entendendo pela necessidade de novo despacho decisório acerca do indeferimento do direito creditório, o que implicaria a homologação tácita das compensações.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. Comprovados nos autos que a atividade desempenhada pela recorrente trata se de exportação de prestação se serviços, nos termos do art. 5º, II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 6º, II, da Lei nº 10.833/2003, o direito a restituição, compensação ou ressarcimento dos créditos verificados em face da exportação deve ser garantido ao contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães e Jorge Lima Abud que davam provimento parcial acompanhando o resultado da diligência. O Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède votou pela conclusões entendendo pela necessidade de novo despacho decisório acerca do indeferimento do direito creditório, o que implicaria a homologação tácita das compensações. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 31 31 /2 00 4- 19 Fl. 2463DF CARF MF Processo nº 10909.003131/200419 Acórdão n.º 3302005.555 S3C3T2 Fl. 3 2 (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório Por bem retratar os fatos, reproduzse o relatório do acórdão nº 0715.760, da 4ª Turma da DRJ/FNS, de 17 de abril de 2009, vejamos: Trata o presente processo de Declarações de Compensação DCOMP, apresentadas pela contribuinte com o fim de ver compensados débitos seus com créditos relativos à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins (apuradas no regime nãocumulativo), relativos ao segundo trimestre de 2004. Tais créditos referemse, pretensamente, a operações de exportação realizadas nos respectivos períodos de apuração. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal em Itajaí/SC pela não homologação das compensações (Parecer SARAC/DRF/ITJ n.° 049/2008, às folhas 1308 a 1313, e Despacho Decisório, à folha 1314), fazendoo com base na alegação de que em todas as notas fiscais de prestação de serviços apresentadas pela contribuinte para embasar a existência de seus créditos aparecem como tomadores dos serviços empresas residentes e domiciliadas no Brasil. Assim, como o inciso II do artigo 5.° da Lei n.° 10.637/2002 e o inciso II do artigo 6.° da Lei n.° 10.833/2003 exigiriam, para a caracterização da exportação de serviços, que o tomador fosse residente e domiciliado no exterior, não estaria configurada a hipótese de exportação de serviços, o que prejudicaria a pretensão da contribuinte. Irresignada com a não homologação de suas compensações, encaminhou a contribuinte a manifestação de inconformidade às folhas 1317 a 1337, na qual explicita seu modus operandi e destaca o equívoco em que teria incorrido a DRF/Itajaí/SC ao deixar de considerar entendimento já pacificado mesmo em sede administrativa, de que "a intermediação de agente ou responsável, no Brasil, de empresa estrangeira tomadora de serviços portuários, por si só, não é suficiente para descaracterizar a operação como de exportação de serviços". Alega que a autoridade fiscal deixou de considerar "a forma pela qual se processam as prestações de serviços aos 'armadores' residentes e domiciliados no exterior (contratantes), representados no Brasil por outras pessoas jurídicas residentes e domiciliadas no Brasil (agentes/representantes), em perfeita consonância com regramento específico do Bacen Banco Central do Brasil". Afirma que na qualidade de operadora portuária, presta serviços de movimentação de cargas importadas e exportadas, ora a tomadores residentes e domiciliados no Brasil e ora a tomadores Fl. 2464DF CARF MF Processo nº 10909.003131/200419 Acórdão n.º 3302005.555 S3C3T2 Fl. 4 3 residentes e domiciliados no exterior (transportador/armador internacional), sendo que os pagamentos relacionados a estes últimos contratantes são, em regra, realizados pelos agentes/representantes formalmente designados/constituídos do transportador estrangeiro, em moeda corrente nacional, conforme normas específicas do Bacen. Assim, defende a contribuinte que o ônus pelo serviço prestado recai sobre a pessoa jurídica domiciliada no exterior, e não sobre a pessoa jurídica que meramente a representa no país. Na seqüência, a contribuinte discorre sobre as regulamentações do Bacen acerca da matéria, com o fim de deixar enfatizados não apenas a regularidade das operações realizadas por agentes marítimos representantes de pessoas jurídicas estrangeiras no país, como também ofato de que tais operações não se descaracterizariam como "operações de comércio exterior",inclusive para fins tributários. Prossegue a contribuinte, analisando a legislação específica do PIS e da Cofins (artigo 5.° da Lei n.° 10.637/2002 e artigo 6.° da Lei n.° 10.833/2003, com as redações dadas pela Lei n.° 10.865/2004), para fins de demonstrar que as operações vinculadas ao crédito ora pleiteado atendem aos requisitos legais, quais sejam: representam serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior e os pagamentos que lhes são respectivos representam ingressos de divisas. Faz referência a contribuinte, ainda, a entendimentos da própria Receita Federal do Brasil, expressos em soluções de consulta, no sentido que a mera intermediação de agente ou representante, no Brasil, de empresa estrangeira tomadora de serviços portuários, por si só não é suficiente para descaracterizar a operação de exportação. Por fim, traz a contribuinte relatórios de "Serviços de Conferência de Capatazia", emitidos pelo "Sindicato de Conferentes de Itajaí", referentes à atracação de navio estrangeiro, com fins de evidenciar, por tais documentos, a efetiva prestação dos serviços de descarga, embarque e remoção de conteineres vazios e cheios, a pessoas jurídicas residentes e domiciliadas no exterior, por meio de representantes residentes e domiciliados no Brasil. O acórdão do qual foi extraído o relatório acima transcrito recebeu a seguinte ementa: A s s u n t o : P r o c e s s o A d m i n i s t r a t i v o F i s c a l Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE Fl. 2465DF CARF MF Processo nº 10909.003131/200419 Acórdão n.º 3302005.555 S3C3T2 Fl. 5 4 No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. Compensação não Homologada Inconformada com a decisão acima a contribuinte interpôs o recurso voluntário, onde, em apertada síntese, detalha suas operações, que se enquadrariam como exportação de serviços e, portanto, fora do campo de incidência do PIS e da COFINS, discorre sobre a regulamentação específica editada pelo Banco Central do Brasil BACEN, pois por ser o contratante estrangeiro que fica com o ônus pelo serviço prestado, ha necessariamente o ingresso de divisas no país, trazendo a fundamentação que dispões sobre a isenção das contribuições mencionadas quando a exportação de bens e serviços, transcreve diversas soluções de consulta que no seu entendimento, dizem respeito as mesmas operações que desempenha, requerendo ao final a total procedência de sua manifestação, revertendose o despacho decisório, deferindo o pedido de ressarcimento e, homologando as declarações de compensação vinculadas ao pedido de ressarcimento. Em sessão realizada em 08 de dezembro de 2010, a 3ª Turma Especial, da Terceira Seção de Julgamento, na resolução nº 3803000.079, restou observado que as notas fiscais trazidas aos autos demonstravam que os tomadores dos serviços teriam domicílio no exterior e, que tal fato comprovariam a entrada de dividas no país caracterizando a exportação de prestação se serviços. Resolveuse por tais razões, converter o processo em diligência para que a Delegacia de Receita Federal em Itajai procedesse da seguinte forma: a) intime a TECONVI para que apresente: a.l.) lista indicando o navio e o tomador correspondente a cada nota fiscal que a recorrente reputa estar vinculada a serviço prestado a residente e domiciliado no exterior; a.2) a documentação da viagem do navio correspondente a cada nota fiscal, especialmente os Bills of Landing, por meio da qual fique demonstrada a saída dos containeres, b) proceda à apuração do crédito da contribuinte, não importando se as saídas dos contenieres se deram cheios ou vazios (porquanto não se está a tratar aqui de exportação de mercadorias), dando ciência do resultado da diligência à contribuinte, na forma da legislação em vigor e, após, retornem os autos a este Conselho. Como decidido na resolução acima mencionada, o processo baixou em diligência, seguindose diversas intimações endereçadas à contribuinte recorrente que atendendoas, carreou aos autos diversos documentos e planilhas que teriam o condão de comprovar suas alegações. A conclusão da diligência nas folhas 2381 e seguintes do eprocesso foi no seguinte sentido: 6 Conclusão Fl. 2466DF CARF MF Processo nº 10909.003131/200419 Acórdão n.º 3302005.555 S3C3T2 Fl. 6 5 1) Confirmase que, no período sob diligência do 4º trimestre de 2002 até o 4º trimestre de 2005, com base na verificação por amostragem do confronto de notas fiscais com a documentação apresentada, como sites na Internet dos clientes, relatórios de conferência de capatazia, relatório de movimentação de navios do porto de Itajaí, houve efetiva prestação de serviços pelo interessado para tomadores com domicílio no exterior, consistentes com as respectivas notas fiscais. 2) Inexiste saldo credor de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep vinculado à receita de exportação nos meses do período para compensar com as declarações de compensação de fls. 386/387 (R$ 18.893,23 – crédito de abril), 396/397 (R$ 14.985,25 crédito de maio) e 406/407 (R$ 3.357.36 crédito de junho) protocoladas em 12/11/2004. Cientificada da conclusão da diligência a contribuinte recorrente insurgiuse contra as novas conclusões, trazendo em sua manifestação razões já anteriormente expostas em peças de defesa outrora juntadas aos autos, trouxe novos argumentos como a suposta existência de vícios no processo administrativo, tendo em vista (i) o cumprimento o efetivo cumprimento das obrigações determinadas na resolução que resolveu pela diligência, ao contrário do alegado nas conclusões, (ii) impossibilidade de revisão de ofício do lançamento, (iv) decadência dos lançamentos dos anoscalendário 2002 a 2005, (iii) impossibilidade de alteração de critério jurídico de lançamento, e no mérito (v) pugnou pela legitimidade dos créditos de PIS e COFINS glosados pela fiscalização. Juntado ao processo a manifestação acima mencionada, os autos foram distribuídos a esse Conselheiro para relatar. É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus Relator. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. I PRELIMINAR I.1 Do efetivo cumprimento das obrigações determinadas na resolução que resolveu pela diligência Alega a recorrente, indicando que tal digressão confundese com o cerne e mérito do processo, o seguinte: 30. Em suma, demonstrou a Requerente que efetivamente prestou serviços para pessoa jurídica residente e domiciliada no exterior, e, ainda, comprovou que o fato de existir um intermediador na nas operações realizadas com a linha marítima jamais desnaturaria prestação de serviços no exterior. Tanto foi feita essa prova que o próprio Sr. AuditorFiscal concluiu pela Fl. 2467DF CARF MF Processo nº 10909.003131/200419 Acórdão n.º 3302005.555 S3C3T2 Fl. 7 6 comprovação da prestação de serviços pela Requerente para tomadores com domicílio no exterior. 31. Pois bem. Cumpridas as determinações do E. CARF e comprovado que o serviço foi efetivamente prestado à pessoa jurídica residente e domiciliada no exterior o que legitima a apropriação dos créditos de PIS/COFINS , não há razão para qualquer outra análise ou justificativa de glosa de créditos por parte da fiscalização, tal como o fez o Sr. AuditorFiscal na sua conclusão. 32. Se a Requerente cumpriu à diligência determinada pelo CARF, não cabe, nessa fase processual administrativa, qualquer outra análise ou determinação por parte da Fiscalização. 33. Diante disso, é de rigor a manutenção dos créditos de PIS/COFINS apropriados pela Requerente. Em que pese a matéria tratada nesse momento se confundir com a questão meritória apresentada, tanto na manifestação de inconformidade, quanto no recurso voluntário, podemos observar dos documentos juntados desde o início da fiscalização, que a questão relacionada à exportação ou não da prestação de serviços, já poderia ter sido solucionada, uma vez que, mesmo em parte, os documentos juntados pela contribuinte na época já demonstravam que se tratava de exportação de prestação de serviços. Dessa forma, analisados os documentos acostados aos autos, entendo que a contribuinte recorrente logrou êxito na comprovação dos serviços prestados no exterior e, por consequência, deve ser atendido o seu pleito. As demais "preliminares", apresentadas quando da manifestação da recorrente em face da informação fiscal que trouxe o resultado da diligência requerida pelo E. CARF, deixo de apreciálas, pois entendo que não dizem respeito ao recorrido acórdão da DRJ, que, apreciou tão somente a comprovação por parte da recorrente da efetiva exportação dos serviços. Ao analisar as demais questões apresentadas como preliminares, no sentir desse conselheiro, estarseia a suprimir instâncias, pois não foram matérias analisadas na decisão de piso, fato esse que poderia levar à anulação de decisão prolatada por essa Turma. Pois bem. Passase à análise do mérito. II Do Mérito Exportação de serviços Pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior Segundo o entendimento da recorrente, exercendo a atividade de operadora portuária, presta serviços de movimentação de cargas importadas e exportadas, tanto para tomadores residente e domiciliados no Brasil como no exterior, sendo que os pagamentos relacionados a estes últimos contratantes são realizados em moeda corrente nacional, pelos agentes/representantes formalmente designados/constituídos do transportador estrangeiro, conforme normas específicas do Bacen, e que "a intermediação de agente ou responsável, no Brasil, de empresa estrangeira tomadora de serviços portuários, por si só, não é suficiente para descaracterizar a operação como de exportação de serviços". Fl. 2468DF CARF MF Processo nº 10909.003131/200419 Acórdão n.º 3302005.555 S3C3T2 Fl. 8 7 Nesse sentido, as atividades relacionadas a exportação de serviços lhe dariam o direito de restituir ou compensar créditos oriundos de tal operação, nos termos disciplinados pela Lei nº 10.637/2002, art. 5º, II, e pela Lei nº 10.833/2003, art. 6º, II, a seguir transcritos: Lei nº 10.637/2002 Art. 5o A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (...) II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Lei nº 10.833/2003 Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (...) II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Pois bem. É certo que na hipótese de pedido formulado pelo contribuinte, alegando direito a ressarcimento/compensação de crédito que lhe é garantido por lei, cabe a ele, contribuinte, a prova de seu alegado direito, trazendo os documentos necessários para tanto. No caso em tela, a DRJ, analisando a manifestação de inconformidade da contribuinte recorrente, em que pese entender que a atividade desempenhada pode ser considerada como exportação de serviços e ser perfeitamente possível a existência de créditos na forma pleiteada, considerou que os documentos trazidos aos autos não teriam o condão de comprovar as condições exigidas por lei para tanto, notadamente no que diz respeito à comprovação de entrada de divisas no território nacional. Como bem demonstrado na Resolução nº 3803000.075 pelo I. Conselheiro relator, a atividade desempenhada pela recorrente, operação de terminal de cargas portuárias, usualmente se materializa da seguinte forma: É usual a existência de contrato do armador estrangeiro com certas empresas movimentadoras de contêineres, com preços previamente dessa forma pactuados. Não havendo tal contrato, o armador servese de seu representante no Brasil, um agente portuário, para contratar serviço a serviço, além de cuidar de outros trâmites administrativos pertinentes ao embarque ou desembarque de cargas. Nesta última hipótese, o armador consulta o seu agente acerca do preço da movimentação de certa quantidade de contêineres. Orçada a despesa, o armador efetua a transferência do valor desta e das demais despesas referentes à Fl. 2469DF CARF MF Processo nº 10909.003131/200419 Acórdão n.º 3302005.555 S3C3T2 Fl. 9 8 operação. O contrato de câmbio é feito em nome do agente, sem especificações em seu conteúdo quanto ao destino específico de cada parte dos recursos. Da descrição acima, concluise uma vez configurado que as despesas efetuadas pelo agente são feitas em nome do tomador do serviço, o armador estrangeiro que haverá ingresso de divisas para o Brasil. A própria DRJ, no acórdão recorrido, reconhece a legitimidade da intermediação de agente agindo em nome do tomador de serviços residente e domiciliado no exterior, bem como a possibilidade de o pagamento ser feito em reais, relatando ainda a possível existência dos créditos utilizados na compensação realizada pela recorrente, contudo concluindo pela sua impossibilidade, uma vez não comprovado o ingresso de divisas no País. Segundo o I. Relator da resolução já mencionada, os documentos trazidos aos autos pela recorrente, ainda que em amostra aleatória, demonstrariam a entrada de dicisas no País, observese: Em visão sobre amostra aleatória de notas fiscais, é possível observar que na maioria delas os tomadores tem domicílio no exterior. Notese, também, que no campo ''observações" destas consta o nome do navio receptor/entregador da carga. Ao nome do navio, tendo em mira a data da nota fiscal, são regularmente vinculados conhecimento de transporte, número da viagem e Bills of Landing (BL) a indicar o destino da mercadoria embarcada, documento este que, uma vez assinado pelo comandante do navio, tornase atestado a confirmar a saída da carga do País. E cópias destes documentos ficam em poder do agente representante dos armadores estrangeiros. Há, inequivocamente, entrada de divisas não só na hipótese acima, sendo indiferente se os containeres encontramse cheios ou vazios (de regresso para o país estrangeiro), mas também nos serviços prestados no desembarque de cargas, no caso de importação de produtos.(grifos não originais) Seguindo o entendimento acima transcrito, o julgamento foi convertido em diligência para que a DRF de Itajaí, tomasse as seguintes providências: a) intime a TECONVI para que apresente: a.l.) lista indicando o navio e o tomador correspondente a cada nota fiscal que a recorrente reputa estar vinculada a serviço prestado a residente e domiciliado no exterior; a.2) a documentação da viagem do navio correspondente a cada nota fiscal, especialmente os Bills ofLanding, por meio da qual fique demonstrada a saída dos containeres, b) proceda à apuração do crédito da contribuinte, não importando se as saídas dos contenieres se deram cheios ou vazios (porquanto não se está a tratar aqui de exportação de mercadorias), dando ciência do resultado da diligência à contribuinte, na forma da legislação em vigor e, após, retornem os autos a este Conselho. Fl. 2470DF CARF MF Processo nº 10909.003131/200419 Acórdão n.º 3302005.555 S3C3T2 Fl. 10 9 A diligência foi realizada, sendo precedida de várias intimações endereçadas à recorrente, com o fito de serem apresentados os documentos solicitados na resolução. Conforme dito no tópico relacionado à preliminar, referidas intimações foram atendidas e os documentos solicitados entregues, não sendo possível a apresentação daqueles que são de uso exclusivo das empresas responsáveis pelas viagens dos navios, os quais não ficam na sua posse, e por tal razão não foram apresentados. A informação fiscal que trouxe as conclusões sobre a matéria debatida os presentes autos, após o cumprimento da diligência determinada na resolução nº 3803000.075, apontou em primeiro lugar que: 6 Conclusão 1) Confirmase que, no período sob diligência do 4º trimestre de 2002 até o 4º trimestre de 2005, com base na verificação por amostragem do confronto de notas fiscais com a documentação apresentada, como sites na Internet dos clientes, relatórios de conferência de capatazia, relatório de movimentação de navios do porto de Itajaí, houve efetiva prestação de serviços pelo interessado para tomadores com domicílio no exterior, consistentes com as respectivas notas fiscais. Desta forma, esta convalidada toda a tese esposada pela recorrente desde suas primeira intervenções realizadas no presente feito, bem como os apontamentos feitos pelo I. Relator da resolução que determinou a diligência a que se chegou à conclusão de que a atividade representada pelas notas fiscais trazidas aos autos, que geraram os créditos que se pretende compensar, caracterizamse como exportação de serviços. Noutro giro, a segunda parte da conclusão da informação fiscal, resposta da diligência, trouxe a seguinte informação: 2) Inexiste saldo credor de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep vinculado à receita de exportação nos meses do período para compensar com as declarações de compensação de fls. 272/273 (R$ 13.026,60 crédito de abril), 252/253 (R$ 19.446,50 crédito de maio) e 262/263 (R$ 17.613,76 crédito de junho) protocoladas em 12/11/2004. Pois bem. Em que pese a conclusão apontar para a inexistência de suposto crédito ter sido tomada com base em documentos trazidos pela recorrente, atendendo as intimações ocorridas durante a diligência determinada em resolução proferida pelo E. CARF, referida questão somente foi trazida aos autos quando da referida decisão, vale dizer, em nenhum momento do processo, até então, a recorrente se defendeu ou trouxe informações sobre os créditos. Observese: desde o parecer que culminou com o despacho decisório indeferindo o ressarcimento do crédito e não homologação das compensações apresentadas pela recorrente, até o r. acórdão da DRJ que chancelou as razões desses, a acusação seria de que as atividades representadas pelas notas fiscais apresentadas não se caracterizariam como exportação de serviços e, portanto, impossível a obtenção do crédito pretendido. Fl. 2471DF CARF MF Processo nº 10909.003131/200419 Acórdão n.º 3302005.555 S3C3T2 Fl. 11 10 E dessa acusação a recorrente se defendeu, trazendo aos autos documentos e apontamento de legislação e normas do Bacen, que demonstraram de forma satisfatória ser sua atividade caracterizada como exportação de serviços e, como tal, passível de gerar os créditos pleiteados e garantir as compensações informadas. Em nenhum momento, frisase, até a chegada da decisão prolatada em resolução, foi discutida a apuração do crédito requerido e sim, simplesmente, a sua existência e a possibilidade de ser compensado e desses fatos e apontamentos é que se insurgiu a recorrente. A persistir o entendimento esposado na segunda parte das conclusões trazidas pela informação fiscal, resultado da diligência determinada em resolução, no entender desse conselheiro, estarseia suprimindo instâncias, acolhendo decisão que não foi objeto de deliberação na decisão de piso, muito menos do despacho decisório que indeferiu o ressarcimento e não homologou a compensação informada pela recorrente, por essa razão, dessa parte da diligência não se toma conhecimento. Caso, hipoteticamente, fosse mantida a conclusão da diligência, poderíamos falar até em mudança do critério jurídico, pois num primeiro momento temos a glosa dos créditos por não ter a contribuinte comprovado a existência efetiva da exportação de prestação de serviços. No momento seguinte, afirmase comprovada a exportação, contudo, a modificação do fundamento do despacho decisório perpetrado pela Delegacia de Julgamento. Realmente, em que pese, supostamente, haver fundamentos válidos para a glosas dos créditos, a troca deste por aquele, no meu sentir, demonstra a modificação dos critérios jurídicos para a manutenção da cobrança. Assim, começa a contribuinte defendendose de uma cobrança de crédito porque não teria efetivamente comprovado a existência da operação que daria sustentação aos créditos, logo após, entende a Delegacia de julgamento pela existência da exportação dos serviços, contudo, mantém a cobrança por falta de comprovação da entrada de divisas, no terceiro momento, a cobrança já não é mais mantida em sua totalidade, pois verificouse, de uma vez por todas, a existência da exportação de serviços que ensejariam o crédito, no entanto, mantendo a glosa de outros créditos, dos quais não se defendeu a contribuinte. Por tais razões, acolho as razões trazidas no recurso voluntário e não tomo conhecimento da segunda parte da conclusão da diligência determinada em resolução. II Conclusão Por todo o acima exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, dandolhe integral provimento. É como voto. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator Fl. 2472DF CARF MF Processo nº 10909.003131/200419 Acórdão n.º 3302005.555 S3C3T2 Fl. 12 11 Fl. 2473DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.720869/2016-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 30/12/2014 a 22/04/2015
PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia.
CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. REGRAS GERAIS DE INTERPRETAÇÃO SH. ARTIGO DESMONTADO OU POR MONTAR. REGRA GERAL DE INTERPRETAÇÃO 2.
O Acordo Internacional estabelece que as regras de interpretação do Sistema Harmonizado devem ser utilizadas sucessivamente. Ou seja, somente se utiliza uma regra após esgotadas as possibilidades de aplicação da regra imediatamente anterior.
Mercadorias importadas que se apresentem por montar (ou desmontadas), devem ser consideradas, para efeitos legais de classificação, como o artigo completo ou acabado, nos moldes da Regra Geral de Interpretação (RGI) n. 2 do Sistema Harmonizado, sem permissão, portanto, que se utilize a RGI n. 3 para sua classificação fiscal.
MULTA. CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA. APLICABILIDADE
Aplica-se a multa proporcional de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada incorretamente na NCM/TEC, de acordo com o art. 636, I, do Decreto nº 4.543, de 2002 (artigo 84 da Medida Provisória n. 2.158-35, de 2001).
MULTA AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO COSIT Nº 12/97. DESCRIÇÃO SUFICIENTE PARA IDENTIFICAÇÃO E CLASSIFICAÇÃO. INAPLICABILIDADE.
Não se aplica a multa ao controle administrativo das importações, quando, embora a classificação tarifária errônea exija novo licenciamento de importação, o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má-fé por parte do declarante. Esse o teor do Ato Declaratório Normativo Cosit nº 12/97.
DRAWBACK. TRIBUTOS DEVIDOS NA IMPORTAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS. INOCORRÊNCIA.
O erro na classificação fiscal das mercadorias importadas não implica necessariamente no dever de pagar os tributos suspensos pelo drawback, no caso de haver prova de que o regime especial de importação fora respeitado.
Numero da decisão: 3402-005.376
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 30/12/2014 a 22/04/2015 PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. REGRAS GERAIS DE INTERPRETAÇÃO SH. ARTIGO DESMONTADO OU POR MONTAR. REGRA GERAL DE INTERPRETAÇÃO 2. O Acordo Internacional estabelece que as regras de interpretação do Sistema Harmonizado devem ser utilizadas sucessivamente. Ou seja, somente se utiliza uma regra após esgotadas as possibilidades de aplicação da regra imediatamente anterior. Mercadorias importadas que se apresentem por montar (ou desmontadas), devem ser consideradas, para efeitos legais de classificação, como o artigo completo ou acabado, nos moldes da Regra Geral de Interpretação (RGI) n. 2 do Sistema Harmonizado, sem permissão, portanto, que se utilize a RGI n. 3 para sua classificação fiscal. MULTA. CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA. APLICABILIDADE Aplica-se a multa proporcional de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada incorretamente na NCM/TEC, de acordo com o art. 636, I, do Decreto nº 4.543, de 2002 (artigo 84 da Medida Provisória n. 2.158-35, de 2001). MULTA AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO COSIT Nº 12/97. DESCRIÇÃO SUFICIENTE PARA IDENTIFICAÇÃO E CLASSIFICAÇÃO. INAPLICABILIDADE. Não se aplica a multa ao controle administrativo das importações, quando, embora a classificação tarifária errônea exija novo licenciamento de importação, o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má-fé por parte do declarante. Esse o teor do Ato Declaratório Normativo Cosit nº 12/97. DRAWBACK. TRIBUTOS DEVIDOS NA IMPORTAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS. INOCORRÊNCIA. O erro na classificação fiscal das mercadorias importadas não implica necessariamente no dever de pagar os tributos suspensos pelo drawback, no caso de haver prova de que o regime especial de importação fora respeitado.
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PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. REGRAS GERAIS DE INTERPRETAÇÃO SH. ARTIGO DESMONTADO OU POR MONTAR. REGRA GERAL DE INTERPRETAÇÃO 2. O Acordo Internacional estabelece que as regras de interpretação do Sistema Harmonizado devem ser utilizadas sucessivamente. Ou seja, somente se utiliza uma regra após esgotadas as possibilidades de aplicação da regra imediatamente anterior. Mercadorias importadas que se apresentem por montar (ou desmontadas), devem ser consideradas, para efeitos legais de classificação, como o artigo completo ou acabado, nos moldes da Regra Geral de Interpretação (RGI) n. 2 do Sistema Harmonizado, sem permissão, portanto, que se utilize a RGI n. 3 para sua classificação fiscal. MULTA. CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA. APLICABILIDADE Aplicase a multa proporcional de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada incorretamente na NCM/TEC, de acordo com o art. 636, I, do Decreto nº 4.543, de 2002 (artigo 84 da Medida Provisória n. 2.15835, de 2001). MULTA AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO COSIT Nº 12/97. DESCRIÇÃO SUFICIENTE PARA IDENTIFICAÇÃO E CLASSIFICAÇÃO. INAPLICABILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 08 69 /2 01 6- 28 Fl. 674DF CARF MF 2 Não se aplica a multa ao controle administrativo das importações, quando, embora a classificação tarifária errônea exija novo licenciamento de importação, o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou máfé por parte do declarante. Esse o teor do Ato Declaratório Normativo Cosit nº 12/97. DRAWBACK. TRIBUTOS DEVIDOS NA IMPORTAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS. INOCORRÊNCIA. O erro na classificação fiscal das mercadorias importadas não implica necessariamente no dever de pagar os tributos suspensos pelo drawback, no caso de haver prova de que o regime especial de importação fora respeitado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Florianópolis, que julgou improcedente a impugnação apresentada pela Contribuinte sobre a cobrança de tributos (IPI; II; Contribuição ao PISimportação e COFINSimportação) e multas (multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada incorretamente; multa de 30% sobre o valor da mercadoria importada sem licença de importação; e multa de ofício de 75%), consubstanciados no auto de infração em questão. Tal autuação versa, em apertada síntese, sobre divergência na classificação fiscal de mercadorias, que culminou no lançamento dos tributos e multas. Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, com riqueza de detalhes, colaciono o relatório do Acórdão recorrido in verbis: Trata o presente processo de lançamentos decorrentes do entendimento fiscal de classificação incorreta de mercadorias importadas ao amparo das Declarações de Importação (DI) nº 14/24891738, 15/04574674 e 15/07262860, conforme segue (fl. 2): (...) Fl. 675DF CARF MF Processo nº 11020.720869/201628 Acórdão n.º 3402005.376 S3C4T2 Fl. 334 3 Extraio dos autos que à Fundifar, por meio do Ato Concessório (AC) nº 201440018000, foi deferida a fruição do regime aduaneiro especial de Drawback, não genérico, modalidade suspensão. Em suma, a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) concedeu o benefício de suspensão dos tributos na importação de partes de motores elétricos e de bombas para líquidos (NCM1 8503.00.90 e 8413.90.90, respectivamente) a serem utilizados em motores elétricos e bombas centrífugas para líquidos a serem exportados (NCM 8501.51.10 / 8501.52.10 e 8413.70.80 / 8413.70.90, respectivamente). A Fundifar registrou as três DI já referenciadas nas quais promoveu a importação das mercadorias sob regime de Drawback. No curso do despacho aduaneiro, o AuditorFiscal solicitou perícia técnica e, com base nas considerações apresentadas no laudo de fls. 137143, concluiu que as importações não eram de partes, mas sim dos próprios motores e bombas por montar, o que, conforme as Regras Gerais Interpretativas (RGI) para o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (SH), implica em classificação das mercadorias no código do artigo completo para a adição 002 da DI nº 14/24891738, das adições 001 e 002 da DI nº 15/04574674 e das adições 001, 004 e 005 da DI nº 15/07262860. Haja vista, terem sido os despachos aduaneiros das três DI interrompidos com exigência fiscal, a Fundifar impetrou em cada situação mandado de segurança (MS) postulando provimento jurisdicional que determinasse à Receita Federal que concluísse o despacho aduaneiro e liberasse as mercadorias importadas (MS nº 500082683.2015.4.04.7107, 5003687 42.2015.4.04.7107 e 500640172.2015.4.04.7107, respectivamente). Importante ressaltar que nos três casos, a peça inicial é textual em afirmar que não pretende discutir a classificação fiscal, mas tãosomente pleitear a liberação das mercadorias. O deslinde judicial das três ações foi idêntico: o pedido liminar foi indeferido; a decisão foi agravada e houve parcial provimento para liberação das mercadorias mediante caução; a sentença denegou a segurança, não autorizando a liberação das mercadorias; houve recurso e o acórdão reformou parcialmente a sentença a quo com o reconhecimento do direito à liberação das mercadorias importadas mediante caução já prestada diante do desembaraço aduaneiro já perfectibilizado e da possível exportação; houve o trânsito em julgado. O AuditorFiscal assim concluiu (fl. 41): “(...) as mercadorias consubstanciadas nas DI nºs 14/24891738, 15/04574674 e DI nº 15/07262860 incorreram em erro de classificação fiscal; como consequência, em face de não estarem amparadas no ato concessório de regime aduaneiro de drawback suspensão, concluise pela exigibilidade da integralidade dos tributos indevidamente suspensos; e, considerando o erro de classificação fiscal e descrição incorreta e imprecisa das mercadorias, concluise que houve a importação de mercadorias Fl. 676DF CARF MF 4 sem licença de importação, observado o tratamento administrativo aplicável às respectivas NCM e seus destaques.” Como consequência, foi efetuada a lavratura dos autos de infração para cobrança dos tributos já apresentados com multa de ofício de 75%. Além disto, foram também lançadas as multas de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada incorretamente na NCM e de 30% sobre o valor da mercadoria importada sem licença de importação. Foi apresentada peça impugnatória tempestivamente, na qual defende a correta classificação das mercadorias adotandose para tanto a RGI 3.a (posição específica prevalece sobre a mais genérica) em detrimento da 2.a. Como consequência, além de entender indevida a cobrança dos tributos, pugna pela inaplicabilidade da multa por falta de licença de importação com base no Ato Declaratório Normativo (ADN) Cosit nº 12, de 21 de janeiro de 1997. Ressaltou, ainda, que a multa de 30% sobre o valor aduaneiro da mercadoria prevista no art. 706, I, do Decreto nº 6.759, de 5 de fevereiro de 2009 (Regulamento Aduaneiro RA) passou a ser indevida após a instituição de penalidade específica prevista no art. 84 da Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Defendese, também, da aplicação da multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria, prevista no art. 711, I, do RA, por entender ter fornecido todos os elementos necessários à identificação dos produtos, ou seja, ter fornecido a descrição completa das mercadorias, situação trazida pelo art. 69 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Por fim, pleiteou realização de perícia. Sobreveio então o Acórdão 0739.018, da 2ª Turma da DRJ/FNS, negando, por maioria de votos, provimento à impugnação da Contribuinte, cuja ementa foi lavrada nos seguintes termos: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 30/12/2014 a 22/04/2015 MERCADORIAS POR MONTAR OU DESMONTADAS. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. MULTA. Mercadorias importadas que se apresentem por montar (ou desmontadas), devem ser consideradas, para efeitos legais de classificação, como o artigo completo ou acabado. O erro de classificação fiscal apurado implica na autuação da penalidade cabível à espécie, ou seja, multa por classificação incorreta das mercadorias. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 30/12/2014 a 22/04/2015 FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. PENALIDADE. Aplicase a multa por falta de licença para importação quando resta demonstrado, nos autos, que a mercadoria efetivamente importada estava sujeita a licença, e que referida licença não foi obtida, pelo importador, junto ao Fl. 677DF CARF MF Processo nº 11020.720869/201628 Acórdão n.º 3402005.376 S3C4T2 Fl. 335 5 órgão competente para apresentação tempestiva por ocasião do despacho aduaneiro. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 30/12/2014 a 22/04/2015 DRAWBACK. MERCADORIA IMPORTADA NÃO CONTEMPLADA NO ATO CONCESSÓRIO. O importador possuía autorização para importar, com amparo no regime aduaneiro especial de Drawback, partes e peças, contudo no plano fático acabou por importar motores elétricos e bombas para líquidos, ambos desmontados ou por montar, mercadorias diversas daquelas contempladas no ato concessório correspondente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls 662/672) a este Conselho, em que repisa os argumentos apresentados em sua impugnação. Insiste ser descabido o entendimento da autoridade fiscal, convalidado pela maioria dos prolatores do acórdão Recorrido, de que a importação não se deu em conformidade com o Ato Concessório, por ter como objeto produtos prontos. Isto porque os produtos tanto são montados e passam por processo de industrialização para posterior exportação, que, mesmo se a Recorrente pretendesse vendêlos no mercado interno, não poderia, haja vista que são projetados e construídos para serem aplicados em redes elétricas de 50HZ, sendo que no Brasil toda a malha de rede elétrica trabalha em 60HZ. Assim, afirma estar comprovado nos autos que a Recorrente realiza processo industrial complexo, que se não resume a um simples processo de encaixe de peças. É o relatório. Voto Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, Relatora. A Contribuinte teve ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 23/01/2017, conforme informação de fls. 652 e apresentou em 20/02/2017 o recurso voluntário de fls. 662/672, conforme o artigo 33 do Decreto 70.235/72. Assim, o recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Pelo relato acima, de pronto constatase que o tema fulcral da controvérsia cingese à correta classificação fiscal das mercadorias importadas. Em síntese, a Recorrente e a Autoridade Fiscal divergem sobre a correta posição NCM/SH em que se enquadram os produtos objeto de importação mediante as DIs n. nº 14/24891738, 15/04574674 e 15/07262860, quais sejam motores e bombas ou suas partes e peças. Fl. 678DF CARF MF 6 Haja vista que a discussão dos presentes autos versa sobre a classificação fiscal de mercadorias, é válido tecer um breve esclarecimento a respeito da sistemática de classificação dos códigos na Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM) para que, em seguida, seja possível a aplicação das regras estabelecidas pelas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (“NESH”) acerca da forma utilizada para a classificação de mercadorias. Pois bem. A sistemática de classificação dos códigos na Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM) obedece à seguinte estrutura: 00 00 00 0 0 No presente caso, a classificação no NCM/SH (Sistema Harmonizado) pretendida pela Recorrente é de partes de motores elétricos e de bombas para líquidos (NCM 8503.00.901, 8413.91.902 e 8501.4019,3 respectivamente) a serem utilizados em motores elétricos e bombas centrífugas para líquidos a serem exportados (NCM 8501.51.10 / 8501.52.10 e 8413.70.80 / 8413.70.90, respectivamente), tudo conforme a concessão ao regime de Drawback pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), com suspensão dos tributos na importação. Enquanto isso, a posição sustentada pela Fiscalização no auto de infração e ratificada pela DRJ é de que as importações não eram de partes, mas sim os próprios motores e bombas por montar, o que implica na classificação das mercadorias no código do artigo completo. Dessa forma, fazse imperioso debruçarnos sobre as regras de interpretação do Sistema Harmonizado, para dirimir a questão, já que o importador amparou a classificação na Regra Geral de Interpretação (RGIs) n. 3 "a" , enquanto a fiscalização se baseou na RGI n. 2 "a". São elas: REGRAS GERAIS PARA INTERPRETAÇÃO DO SISTEMA HARMONIZADO A classificação das mercadorias na nomenclatura regese pelas seguintes regras: 1 8503.00 Partes reconhecíveis como exclusiva ou principalmente destinadas às máquinas das posições 85.01 ou 85.02. 8503.00.10 De motores ou geradores das subposições 8501.10, 8501.20, 8501.31, 8501.32 ou do item 8501.40.1 8503.00.90 Outras 2 84.13 Bombas para líquidos, mesmo com dispositivo medidor; elevadores de líquidos. (...) 8413.9 Partes: 8413.91 De bombas 8413.91.10 Hastes de bombeamento, dos tipos utilizados para extração de petróleo 8413.91.90 Outras 3 85.01 Motores e geradores, elétricos, exceto os grupos eletrogêneos (...). 8501.40 Outros motores de corrente alternada, monofásicos 8501.40.1 De potência inferior ou igual a 15kW 8501.40.11 Síncronos 8501.40.19 Outros Fl. 679DF CARF MF Processo nº 11020.720869/201628 Acórdão n.º 3402005.376 S3C4T2 Fl. 336 7 REGRA 1 Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: REGRA 2 a) Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. Abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar. b) Qualquer referência a uma matéria em determinada posição diz respeito a essa matéria, quer em estado puro, quer misturada ou associada a outras matérias. Da mesma forma, qualquer referência a obras de uma matéria determinada abrange as obras constituídas inteira ou parcialmente por essa matéria. A classificação destes produtos misturados ou artigos compostos efetuase conforme os princípios enunciados na Regra 3. REGRA 3 Quando pareça que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2 b) ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuarse da forma seguinte: a) A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerarse, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. b) Os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3 a), classificamse pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. c) Nos casos em que as Regras 3 a) e 3 b) não permitam efetuar a classificação, a mercadoria classificase na posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração. REGRA 4 Fl. 680DF CARF MF 8 As mercadorias que não possam ser classificadas por aplicação das Regras acima enunciadas classificamse na posição correspondente aos artigos mais semelhantes. REGRA 5 Além das disposições precedentes, as mercadorias abaixo mencionadas estão sujeitas às Regras seguintes: a) Os estojos para aparelhos fotográficos, para instrumentos musicais, para armas, para instrumentos de desenho, para jóias e receptáculos semelhantes, especialmente fabricados para conterem um artigo determinado ou um sortido, e suscetíveis de um uso prolongado, quando apresentados com os artigos a que se destinam, classificamse com estes últimos, desde que sejam do tipo normalmente vendido com tais artigos. Esta regra, todavia, não diz respeito aos receptáculos que confiram ao conjunto a sua característica essencial. b) Sem prejuízo do disposto na Regra 5 a), as embalagens contendo mercadorias classificamse com estas últimas quando sejam do tipo normalmente utilizado para o seu acondicionamento. Todavia, esta disposição não é obrigatória quando as embalagens sejam claramente suscetíveis de utilização repetida. REGRA 6 A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de subposição respectivas, assim como, mutatis mutandis, pelas Regras precedentes, entendendose que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Para os fins da presente Regra, as Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário. (grifei) No caso ora sob análise, a importação realizada através das DIs n. 14/24891738, 15/04574674 e 15/07262860, conforme documentação constante dos autos, especialmente o laudo técnico de fls 137 a 151, acoberta efetivamente motores elétricos e bombas para líquidos completos, porém desmontados. Destaco os seguintes trechos do laudo técnico que confirmam tal fato: (...) Fl. 681DF CARF MF Processo nº 11020.720869/201628 Acórdão n.º 3402005.376 S3C4T2 Fl. 337 9 Ressalto que a Recorrente não trouxe nada aos autos para infirmar as conclusões do laudo técnico. Somente descreveu seu processo industrial de montagem (fls 434 e seguintes), no bojo da impugnação, sem dar a devida atenção à mercadoria em si. O que faz, na realidade, é argumentar que a montagem dos motores e bombas é processo industrial, abarcado pela disciplina do drawback, e, portanto, as mercadorias estariam abrangidas pela suspensão dos tributos. Assim, insiste que no Brasil é efetivamente feita a montagem do produto, em diversas e complexas etapas, com as partes importadas, para posterior exportação. Pois bem. O fato de a Recorrente proceder a montagem das máquinas e bombas no Brasil somente confirma que a classificação fiscal adotada (partes e peças) não é a correta, a teor do que dispõe a RGI n. 2, b acima citada, confirmada pelas notas explicativas da RGI 2.a, in verbis: REGRA 2 a) (Artigos incompletos ou inacabados) I) A primeira parte da Regra 2 a) amplia o alcance das posições que mencionam um artigo determinado, de maneira a englobar não apenas o artigo completo mas também o artigo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. II) As disposições desta Regra aplicamse aos esboços de artigos, exceto no caso em que estes são expressamente especificados em determinada posição. Consideramse “esboços” os artigos não utilizáveis no estado em que se apresentam e que tenham aproximadamente a forma ou o perfil da peça ou do objeto acabado, não podendo ser utilizados, salvo em casos excepcionais, para outros fins que não sejam os de fabricação dessa peça ou desse objeto (por exemplo, os esboços de garrafas de plástico, que são produtos intermediários de forma tubular, fechados em uma extremidade e com a outra aberta e munida de uma rosca sobre a qual irá adaptarse uma tampa roscada, devendo a parte abaixo da rosca ser transformada, posteriormente, para se obter a dimensão e forma desejadas). Os produtos semimanufaturados que ainda não apresentam a forma essencial dos artigos acabados (como é, geralmente, o caso das barras, discos, tubos, etc.) não são considerados esboços. Fl. 682DF CARF MF 10 III) Tendo em vista o alcance das posições das Seções I a VI, a presente parte da Regra não se aplica, normalmente, aos produtos dessas Seções. IV) Vários casos de aplicação desta Regra são indicados nas Considerações Gerais de Seções ou de Capítulos (Seção XVI, Capítulos 61, 62, 86, 87 e 90, por exemplo). REGRA 2 a) (Artigos apresentados desmontados ou por montar) V) A segunda parte da Regra 2 a) classifica na mesma posição do artigo montado o artigo completo ou acabado que se apresente desmontado ou por montar; apresentamse desta forma principalmente por necessidade ou por conveniência de embalagem, manipulação ou de transporte. VI) Esta Regra de classificação aplicase, também, ao artigo incompleto ou inacabado apresentado desmontado ou por montar, desde que seja considerado como completo ou acabado em virtude das disposições da primeira parte desta Regra. VII) Deve considerarse como artigo apresentado no estado desmontado ou por montar, para a aplicação da presente Regra, o artigo cujos diferentes elementos destinamse a ser montados, quer por meios de parafusos, cavilhas, porcas, etc., quer por rebitagem ou soldagem, por exemplo, desde que se trate de simples operações de montagem. Para este efeito, não se deve ter em conta a complexidade do método da montagem. Todavia, os diferentes elementos não podem receber qualquer trabalho adicional para complementar a sua condição de produto acabado Disto já é possível confirmar o equívoco da classificação fiscal por parte da Recorrente, que deveria ter classificado as mercadorias importadas de acordo com a RGI n. 2 a), clara ao resolver casos como o presente, em que se importou um artigo completo (motores e bombas) para montar, não permitindo que se passe para a aplicação da RGI n. 3. Nesse ponto, cumpre lembrar que o Acordo Internacional estabelece que as regras de interpretação devem ser utilizadas sucessivamente. Ou seja, somente se utiliza uma regra, após esgotadas as possibilidades de aplicação da regra imediatamente anterior. Efetivamente, com base nas características dos produtos importado, estamos diante de motores e bombas desmontados. Assim, aplicando a RGI n. 6 e a RGC n. 1, considerando as características técnicas constantes no laudo técnico – motores elétricos de corrente alternada, trifásicos, com rotor de gaiola , as mercadorias que compõem motores elétricos cujos modelos são de potência não superior a 750 W classificamse no item 8501.51.10 da NCM, enquanto que os de potência superior a 750 W, mas não superior a 75 KW, classificamse no item 8501.52.10 da NCM. Com relação às bombas, utilizando igualmente a RGI n. 6 e a RGC 1, considerando as características expostas no laudo técnico – bombas para líquidos, centrífugas, de vazão entre 90 e 180 l/min , as mercadorias classificam se no item 8413.70.80 da NCM. Tudo nos exatos termos que motivaram a autuação fiscal (fls. 32) Considero, dessa forma, incorreta a classificação fiscal adotada pela Recorrente, no código NCM 8503.00.90, 8413.91.90 e 8501.4019. Fl. 683DF CARF MF Processo nº 11020.720869/201628 Acórdão n.º 3402005.376 S3C4T2 Fl. 338 11 2. Multa pela classificação fiscal incorreta Indiscutivelmente cabível, então, a aplicação da multa proporcional de 1% sobre o valor aduaneiro das mercadorias, objeto do presente lançamento, consoante o artigo 84, inciso I, da Medida Provisória nº 2.158, de 24.08.2001, em razão da sua classificação incorreta na NCM vigente à época da importação. O caso subsumese com perfeição à penalidade imposta, independentemente de dolo, uma vez que se trata de infração de caráter objetivo. Há de ser mantida, dessarte, a multa de 1% sobre a classificação incorreta das mercadorias. 3. Multa de 30% sobre o valor da mercadoria importada sem licença de importação A autuação fiscal também impôs a multa de 30% sobre o valor da mercadoria importada sem licença de importação. Tratase de multa referente à falta de licenciamento no momento do despacho aduaneiro, tratada pela legislação como infração administrativa ao controle das importações, nos termos do art. 706, inciso I, alínea “a”, do Decreto nº 6.759, de 2009 (equivalente ao artigo 526, inciso II do Decreto 91.030/85): Art. 706. Aplicamse, na ocorrência das hipóteses abaixo tipificadas, por constituírem infrações administrativas ao controle das importações, as seguintes multas (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 169, caput e § 6º, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 1978, art. 2o): I de trinta por cento sobre o valor aduaneiro: a) pela importação de mercadoria sem licença de importação ou documento de efeito equivalente, inclusive no caso de remessa postal internacional e de bens conduzidos por viajante, desembaraçados no regime comum de importação (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 169, inciso I, alínea “b”, e § 6º, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 1978, art. 2o); (grifei) Com efeito, enquanto para às classificações fiscais (NCM) incorretas o tratamento administrativo era pelo licenciamento automático, em decorrência do regime aduaneiro especial adotado (vinculação ao Ato Concessório de Drawback e autorizar a fruição do regime); os códigos NCM corretos implicariam em diferente tratamento administrativo: o licenciamento não automático. Ocorre que, segundo a disciplina normativa exarada pela própria Receita Federal, precisamente o Ato Declaratório Normativo Cosit nº 12/97, caso as mercadorias estejam corretamente descritas, não se caracteriza a infração administrativa ao controle de importações. Destaco a seguir o seu conteúdo: Ato Declaratório Normativo Cosit nº 12, de 21 de janeiro de 1997 (Publicado(a) no DOU de 22/01/1997, seção 1, pág. 1301) "Declara que o embarque de mercadoria antes da obtenção do licenciamento não automático no SISCOMEX não constitui infração administrativa ao controle das importações." O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o item II da Instrução Fl. 684DF CARF MF 12 Normativa nº 34, de 18 de setembro de 1974, e tendo em vista o disposto no inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 5 de março de 1985, e no art. 112, inciso IV, do Código Tributário Nacional Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação de mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. (grifei) Sobre esse ponto, tanto a Fiscalização como a DRJ afirmam que as mercadorias não estavam devidamente descritas nas DIs. Todavia, esse posicionamento não se coaduna com a jurisprudência desse Colegiado. Vejamos primeiramente como foram descritas as mercadorias, de acordo com o quadro que vem sendo utilizado como exemplo pelas autoridades lançadora e julgadora de primeira instância: Pela sua análise, é bastante claro que foi feita uma completa descrição das mercadorias importas, só que a descrição foi feita conforme o NCM que a Recorrente entendia correta quando efetuou as importações, como não poderia deixar de ser. De fato, todas as características necessárias à classificação fiscal (espécie, marca comercial, modelo, nome comercial ou científico e outros atributos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, que confiram sua identidade comercial), foram devidamente descritas e informadas pela Recorrente. Por conseguinte, estando corretas as informações e a classificação das mercadorias, não há que se falar em aplicação da penalidade de 30% sobre o valor aduaneiro das mercadorias (multa previstas nos artigos 706, I, Regulamento Aduaneiro). É nesse sentido que vem decidindo esse Colegiado, conforme se depreende do Acórdão nº 3402004.617, de lavra da Conselheira Maria Aparecida de Paula: Dessa forma, entendo que a importadora apresentou descrição suficiente na Declaração de Importação para a sua perfeita identificação e classificação pela fiscalização no curso do despacho, eis que apresentou: o nome comum do ingrediente ativo ("Fludioxonil"), a marca comercial do produto ("Maxim Fl. 685DF CARF MF Processo nº 11020.720869/201628 Acórdão n.º 3402005.376 S3C4T2 Fl. 339 13 Técnico"), bem como o registro do produto ("produto técnico registrado no MAPA sob o nr. 0587"), os quais não são discrepantes da descrição do laudo técnico oficial e dos certificados do produto e do ingrediente ativo. Assim, deve ser exonerada a multa ao controle administrativo das importações, com fundamento do Ato Declaratório Normativo Cosit nº 12/97,(...) Assim, nos termos supra mencionados, inexiste in casu infração administrativa ao controle de importações, devendo ser exonerada a multa de 30% do valor aduaneiro. 4. Tributos incidentes na importação Muito embora esteja de fato incorreta a classificação fiscal adotada pela Recorrente em suas DIs, conforme exposto alhures (tópico 1), assistelhe o direito de não pagar os tributos suspensos pelo regime especial de drawback. Explico. Apesar de efetivamente ter ocorrido erro na classificação fiscal das mercadorias, infração que deve ser normalmente penalizada nos termos do artigo 84, inciso I, da Medida Provisória nº 2.158, de 24.08.2001 (vide tópico 2), isso não significa necessariamente que o regime especial de importação fora desrespeitado e, por conseguinte, sejam devidos os tributos anteriormente suspeitos. Como bem observou o relator do processo na instância a quo, no caso concreto, as mercadorias importadas foram as mesmas que foram levadas ao conhecimento da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) órgão responsável por aferir as condições para a concessão do regime especial de importação , tendo sido avaliadas e gerando o Ato Concessório (AC) nº 201440018000 (fls. 162201), formalizando o drawback suspensão. Igualmente não há dúvidas de que as mercadorias compuseram os motores e bombas que, uma vez montados, foram posteriormente exportados, como determinada o regime. Nesses termos, não se pode dizer que o regime drawback, cujo objetivo é justamente fomentar as exportações, foi descumprido, mesmo com a ocorrência do erro da classificação fiscal das mercadorias. Consequentemente, não há disposição jurídica que fundamente a cobrança de tributos pretendida no auto de infração sub judice. Destaco a seguir as palavras do Relator do caso na DRJ sobre o ponto em comento: A fiscalização ao constatar que a correta classificação fiscal não se encontrava entre as relacionadas no Ato Concessório (AC) nº 201440018000 (fls. 162201), entendeu que a importação destas mercadorias não estava amparada pelo regime de Drawback, não gozando da suspensão de tributos. O regime de Drawback é um incentivo à exportação e compete à Secretaria de Comércio Exterior, unidade do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, concedêlo na modalidade suspensão, ao interessado que atender as exigências estabelecidas por esse órgão. Fl. 686DF CARF MF 14 Desta forma, a análise das mercadorias a serem importadas bem como das posteriormente exportadas com vistas ao atendimento da finalidade requerida é da estrita competência daquele órgão que emite ato concessório para que a empresa fique autorizada a importação com suspensão de tributos. (...) No entanto há que se apurar com maior profundidade se esta reclassificação, de fato, implica em perda do benefício do Drawback já concedido pela Secex. Às fls. 162201 é possível verificar os produtos para os quais foi concedida a suspensão de tributos. Verifico que são as mesmas descrições utilizadas pela importadora nas DI. Então não há dúvida que os produtos estão amparados pelo ato concessório e, portanto, mesmo que esteja indicada a NCM errada, eles podem ser importados, nos termos da concessão, com suspensão de tributos. É indevida, por esta razão, a exigência dos tributos e seus acréscimos legais na importação a que se refere a presente autuação. (grifei) Tal situação já foi enfrentada por esse Conselho em algumas oportunidades, tendo sido o resultado, em casos análogos ao presente, em favor do contribuinte, tanto nas turmas ordinárias como na Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF). Colacionado abaixo as ementas dos casos em questão, bem como trecho do voto do Conselheiro Relator Nilton Luiz Bartoli no Acórdão 0304.064, julgado pela CSRF: Ementa(s) "DRAWBACK" SUSPENSÃO ERRO DE CLASSIFICAÇÃO Comprovada a exportação, erro de classificação não é fundamento para perda do regime especial aduaneiro. Recurso negado. (CSRF/0304.064) Trecho do voto do Relator: Tratase, em resumo, de ato de revisão aduaneira que entendeu ter o contribuinte classificado erroneamente a mercadoria importada, razão pela qual desconsiderou o regime aduaneiro de drawbacksuspensão e lavrou o auto de infração, exigindo o II, o IPI, as multas do artigo 4°, inciso I, da Lei 8.218/91, do artigo 364, inciso II, do IPI, além da multa administrativa de 30% sobre o valor da mercadoria, de que trata o artigo 526, inciso II do Regulamento Aduaneiro, por importação sem GI, e juros de mora. A questão principal é a descaracterização ou não do regime de drawback em razão da reclassificação da mercadoria importada. Ressaltese desde logo que, conforme exsurge da documentação acostada, o regime especial aduaneiro foi cumprido com a efetivação das exportações de produtos industrializados com os insumos importados objeto do presente processo. Fl. 687DF CARF MF Processo nº 11020.720869/201628 Acórdão n.º 3402005.376 S3C4T2 Fl. 340 15 Aliás, sobre isso se manifestou a DRJ, às fls.65, quando afirma: "o regime de drawback suspensão é incabível no caso concreto, sendo irrelevante se os laminados de poliéster importados foram utilizados no processo produtivo da interessada e integraram produtos destinados à exportação". Tal entendimento, todavia, não encontra eco nessa C. Câmara Superior de Recursos Fiscais nem tampouco no E. Terceiro Conselho de Contribuintes. Isso porque, como se sabe, o regime especial aduaneiro de drawback tem como escopo incentivar as exportações e, em conseqüência, trazer divisas e incrementar o parque industrial brasileiro. Muito embora a expressão drawback seja de uso internacional cuja conotação genérica é o de reembolso de direitos alfandegários, no Brasil esta expressão tem um significado distinto, qual seja, regime aduaneiro especial que beneficia com incentivos fiscais a importação de produtos vinculados à fabricação de mercadorias destinadas à exportação. Em outras palavras, em que pese a desoneração expressa de tributos na importação, o objetivo colimado é a exportação. Aliás, não é por outra razão que o Regulamento Aduaneiro, repetindo o anterior, diz expressamente que o drawback "é considerado incentivo à exportação" (art. 335). O caso sob exame da Corte é daqueles em que o julgador tem de se utilizar de sua capacidade cognoscitiva e hermenêutica para elaborar e concluir que, tendo sido utilizado o insumo importado em sua totalidade no produto efetivamente exportado, irrelevante a sua correta classificação se adimplido o compromisso do ato concessório. Assim, não vejo fundamento legal para exigir os tributos lançados sem, no entanto, desconsiderar o cumprimento do regime de drawback. Mas, na hipótese, segundo exsurge da documentação acostada, o insumo importado foi incorporado ao produto exportado, adimplindose o compromisso de exportar. Querer negálo por via de sofisma é atentar contra o instituto do regime especial aduaneiro de drawback. Exatamente a este respeito há o Acórdão n° 30328.085 da 3ª Câmara que assim decidiu: "Normas de Controle Administrativo das Importações. Multa dos arts. 524, 526, II do Regulamento Aduaneiro e do art. 364, II do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados. Em se tratando de divergência quanto à descrição da mercadoria nos documentos de importação e a análise do exame laboratorial, não é adequada a capitulação da infração como declaração indevida e ausência de Guia de Importação quando constatada que a mercadoria importada foi efetivamente utilizada no processo de industrialização de mercadoria exportada com beneficio do regime do "drawback". Recurso provido." Igualmente vem decidindo essa C. Turma, através dos Acórdãos n°s CSRF/0303.800; CSRF/0303.006; CSRF/032.428; CSRF/0303.007; CSRF/0302.608; CSRF/0303.023 e CSRF/032.427, todos da lavra do Conselheiro João Holanda da Costa, assim ementados: "ADUANEIRO. "DRAWBACK". Recurso de Divergência e da Fazenda Nacional. 1 — A Fl. 688DF CARF MF 16 mercadoria divergente quanto à fauna de apresentação, mas coincidente como matéria para o produto de exportação sob o regime de "drawback", já comprovado perante a CACEX. 2 — Multas dos arts. 524 e 526, II do RA. Inexistência de fundamento para a sua cobrança, uma vez reconhecido e adimplemento do regime especial. Provido o Recurso de Divergência e Desprovido o Recurso Especial da Fazenda Nacional." (grifei) Ementa(s) Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 26/03/2002 DRAWBACK SUSPENSÃO. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. Comprovada a exportação, erro de classificação fiscal não é fundamento para perda do regime especial aduaneiro. INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA AO CONTROLE DE IMPORTAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA ERRÔNEA. INAPLICABILIDADE ARTIGO 633, II, ‘a’, do REGULAMENTO ADUANEIRO/02 (artigo 526, inciso II, do RA/85). Não se subsume a multa prevista no art. 633, II, ‘a’, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto 4.543, de 26/12/02 (art. 526, inciso II do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n.º 91.030, de 05/03/1985), quando o fato não está devidamente tipificado, uma vez que segundo o que dispõe o Ato Declaratório Cosit nº 12, de 21/01/1997, não constitui infração administrativa ao controle das importações classificação tarifária errônea. MULTA POR CLASSIFICAÇÃO INCORRETA NA NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL. Devida a multa por classificação incorreta da mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul, nos termos do art. 636, I, do RA. Recurso Voluntário Provido em Parte. (Acórdão 303 34.859. (grifei) Ementa(s) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do Fato Gerador: 04/06/93, 06/08/93 e 08/12/93 PRELIMINARES ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO CONFIGURAÇÃO DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Simples incorreções contidas na descrição dos fatos, cujas características não têm o condão de influírem na solução do litígio, não importam em nulidade do auto de infração, visto não ficar configurado o cerceamento do direito de defesa. DRAWBACK. COMPETÊNCIA PARA FISCALIZAR. Compete à Secretaria da Receita Federal a aplicação do regime drawback e fiscalização dos tributos, compreendendo o lançamento do crédito tributário e a verificação do regular Fl. 689DF CARF MF Processo nº 11020.720869/201628 Acórdão n.º 3402005.376 S3C4T2 Fl. 341 17 cumprimento, pelo importador, dos requisitos e condições fixados pela legislação de regência. Preliminares Rejeitadas MÉRITO DRAWBACK. SUSPENSÃO. VINCULAÇÃO DE REGISTRO DE EXPORTAÇÃO A ATO CONCESSÓRIO DIVERSO, REGISTROS VENCIDOS, NÃO ENCONTRADOS E NÃO VINCULADOS AO ATO CONCESSÓRIO. Registros de Exportação nas condições acima descritas ensejam a cobrança de tributos relativos às mercadorias importadas no regime aduaneiro especial de “drawback”, acrescidos de juros de mora e multas de oficio. EXPORTAÇÃO REALIZADA POR ESTABELECIMENTO DA EMPRESA BENEFICIÁRIA DISTINTO DO CONSTANTE NO ATO CONCESSÓRIO. A realização de exportação através de estabelecimento diverso do identificado no Ato Concessório, mas pertencente à mesma empresa, não caracteriza o descumprimento de requisito previsto em lei para a concessão do beneficio fiscal. DIVERGÊNCIA DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL DO PRODUTO FINAL CONSTANTE NO ATO CONCESSÓRIO E NOS REGISTROS DE EXPORTAÇÃO. Comprovado que a mercadoria exportada referese ao produto final objeto da utilização dos insumos importados, e que a discordância de classificações fiscais devese a simples erro quando da elaboração do ato concessório, considerase adimplido o compromisso de exportação estabelecido no Ato Concessório. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE E DE OFÍCIO NEGADO (Acórdão 30237805). (grifei) Não fosse o bastante, a Portaria SECEX n.º 23, de 14 de julho de 2011, em seu artigo 72, expressamente confere tratamento indiferente às partes e peças (como equivocadamente constava nos NMCs) em relação às máquinas ou equipamentos já prontos (NCMs corretos), para fins de concessão do regime. E mais. Em seu artigo 71, inciso III, coloca que o drawback poderá ser concedido para operações nacionais de montagem (exatamente o caso desses autos) "na reunião de produto" dando origem à novo produto final, "ainda que sob a mesma classificação fiscal" (também é justamente o presente caso, no qual a Recorrente deveria ter informado no mesmo código NCM tanto os motores e bombas desmontados que importou, como nos motores e bombas já montados que exportou). Vejamos: Art. 71. O regime de drawback poderá ser concedido a operação que se caracterize como: I transformação – a que, exercida sobre matériaprima ou produto intermediário, importe na obtenção de espécie nova; II beneficiamento – a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto; I Fl. 690DF CARF MF 18 II montagem – a que consista na reunião de produto, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal; Art. 72. O regime de drawback poderá ser, ainda, concedido a: I mercadoria para beneficiamento no País e posterior exportação; II matériaprima, produto semielaborado ou acabado, utilizados na fabricação de mercadoria exportada, ou a exportar; III peça, parte, aparelho e máquina complementar de aparelho, de máquina, de veículo ou de equipamento exportado ou a exportar; (...) (grifei) Assim, concluímos que: i) o regime jurídico do drawback suspensão, estabelecido na Portaria Secex n. 23/2011 para os casos de processo industrial por montagem, trata indistintamente das "partes e peças" das "máquinas e equipamentos montados" para fins de concessão do regime especial de importação; ii) o erro de classificação fiscal não impediu o citado cumprimento, à medida que a Secex anuiu com a concessão do regime às mercadorias importadas (motores e bombas), que são precisamente as partes e peças dos mesmos produtos que montados possuem a mesma classificação fiscal; iii) portanto não se pode dizer que o regime de drawback foi descumprido, de acordo com o que estabelece o Ato Concessório (AC) nº 201440018000 (fls. 162201), não havendo respaldo legal para a cobrança dos tributos incidentes sobre as importações. Dessarte, deve ser cancelada a cobrança dos tributos (IPI; II; Contribuição ao PISimportação e COFINSimportação) perpetrada no presente auto de infração. 5. Perícia Com relação ao pedido de produção de provas, o artigo 16, §4º do Decreto 70.235 expressamente coloca que a produção de prova documental deve ocorrer no momento da impugnação ao lançamento tributário. Diligências e perícias somente terão lugar no processo administrativo para sanar eventuais dúvidas das autoridades julgadoras, mas não para suprir a o trabalho o contribuinte de trazer prova aos autos do direito que alega ter. Conforme acima destacado, a Recorrente não trouxe nenhum elemento aos autos que pudesse infirmar a conclusão alcançada pelo laudo técnico (fls. 137143) e seus anexos (fls. 144161). Nem mesmo qualquer elementos capaz de causa dúvida no espírito dessa julgadora, o que permitiria a abertura da possibilidade para incrementar a prova por meio de diligência ou perícia. Dessarte, a decisão recorrida deve ser mantida nesse ponto, sendo a providência requerida pela Recorrente prescindível para o deslinde do presente litígio, de modo que a indefiro, conforme autorização dada pelo artigo 18 do Decreto 70.235/72. 6. Dispositivo Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para cancelar o lançamento dos tributos (IPI; II; Contribuição ao PISimportação e COFINSimportação) e da multa de 30% do valor aduaneiro das mercadorias. Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 691DF CARF MF Processo nº 11020.720869/201628 Acórdão n.º 3402005.376 S3C4T2 Fl. 342 19 Fl. 692DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11891.000342/2007-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/06/2005
PIS E COFINS IMPORTAÇÃO. DISCUSSÃO JUDICIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DESTINADO À PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. DEPÓSITO PARCIAL. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA E DA MULTA DE OFÍCIO SOBRE O SALDO DEVIDO.
Comprovada a insuficiência do depósito judicial, porque realizado após o vencimento dos tributos e sem o acréscimo dos encargos pelo atraso, incidem juros de mora e multa de ofício sobre a fração do crédito tributário não depositada.
Numero da decisão: 3302-005.546
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Weis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Déroulède (Presidente).
Nome do relator: DIEGO WEIS JUNIOR
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DISCUSSÃO JUDICIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DESTINADO À PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. DEPÓSITO PARCIAL. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA E DA MULTA DE OFÍCIO SOBRE O SALDO DEVIDO. Comprovada a insuficiência do depósito judicial, porque realizado após o vencimento dos tributos e sem o acréscimo dos encargos pelo atraso, incidem juros de mora e multa de ofício sobre a fração do crédito tributário não depositada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Déroulède (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 89 1. 00 03 42 /2 00 7- 33 Fl. 155DF CARF MF Processo nº 11891.000342/200733 Acórdão n.º 3302005.546 S3C3T2 Fl. 156 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (fls. 140 a 145) interposto contra decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife (PE) (fls. 120 a 134) assim ementado. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do Fato Gerador: 30/06/2005 AÇÃO JUDICIAL EM CURSO. NÃO HÁ CONCOMITÂNCIA DE OBJETOS. IMPUGNAÇÃO CONHECIDA. A ação judicial em curso visa a afastar a exigência das contribuições sociais incidentes na importação. Este é o objeto sub judice, e obviamente dele aqui nada será conhecido. O pedido neste processo administrativo é diverso e distinto daquele apresentado à autoridade judicial, não havendo coincidência de objetos, sendo por isso legítima a sua apresentação perante a autoridade julgadora administrativa para apreciação e julgamento. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO. LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA. DEPÓSITO JUDICIAL PARCIAL. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL. SALDO DEVEDOR REMANESCENTE. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. Conforme o Parecer PGFN/CAT nº 74, de 17/01/2013, com a nova redação do art.44 da Lei 9.430/96, por força do art.14 da Lei 11.488/2007, revogado o antigo inciso II do §1º do referido art.44, o recolhimento de tributo em data posterior ao vencimento sem recolhimento da multa de mora deixou de ensejar apenas o lançamento isolado da multa de ofício de 75%. No novo regime vigente deve ser realizada a imputação proporcional do valor parcial depositado depois da data de vencimento dos tributos, para que se aproprie do valor depositado uma parcela representativa da garantia de parte do principal, outra parcela como quitação da multa de mora que era devida na data do depósito parcial e, ainda, outra parcela a título de juros de mora incorridos entre a data de vencimento de cada contribuição e a data do depósito parcial realizado. Sobre as remanescentes diferenças devidas dos valores das contribuições após a imputação proporcional cabe exigir a multa de ofício de 75% prevista no inciso I do art.44 da Lei 9.430/96, com a redação dada pela Lei 11.488/2007, e com relação aos juros de mora, cabe exigir sobre a base formada pela soma do saldo remanescente de cada contribuição com a respectiva multa de ofício explicitada neste acórdão, mediante as taxas definidas no § 3º do art. 5º da Lei 9.430/96 c/c o §3º do art.61 da mesma Lei. Impugnação Procedente em Parte Fl. 156DF CARF MF Processo nº 11891.000342/200733 Acórdão n.º 3302005.546 S3C3T2 Fl. 157 3 Crédito Tributário Mantido em Parte Na origem a recorrente realizou operação de importação acobertada pela DI nº 05/06809778, registrada em 30.06.2005, informando que as contribuições ao PIS e à COFINS Importação foram depositadas em juízo, nos autos do Mandado de Segurança nº 2005.38.00.0231905, impetrado pelo contribuinte em desfavor do Inspetor da Receita Federal em Belo Horizonte/Aeroporto de Confins/MG. Em 29.05.2005 foi indeferido pedido liminar e em 14.11.2005 foi denegada a segurança. Em 06.07.2005 foram realizados depósitos judiciais de R$3.309,84 a título de PIS Importação (fl. 55), e de R$15.245,31 a título de COFINS Importação (fl.56). Tanto a DI (fls. 15 a 19), quanto o demonstrativo de fls. 57, evidenciam que as contribuições devidas pela importação eram de R$3.309,84 para o PISImportação e de R$15.245,31 para a COFINSImportação. Em 02.08.2007 foi lavrado auto de infração (fls. 2 a 14), constituindo os créditos tributários de PIS e COFINSImportação, relativos à DI nº 05/06809778, em razão da falta/insuficiência de recolhimento da COFINS e PIS/PASEP Importação. A AFRFB consignou que por ter sido excluída a espontaneidade do importador em conseqüência do início do despacho aduaneiro e não havendo liminar deferida ou depósito do montante integral do crédito tributário, lavrou o Auto de Infração para cobrança dos referidos tributos e seus acréscimos devidos (juros de mora e multa de ofício). Na impugnação a Lifecenter alegou a insubsistência do auto de infração em razão da suspensão da exigibilidade pelo depósito do montante integral, nos termos do art. 151, II, do CTN, bem como se insurgiu contra multa e os juros lançados, pugnando, ao final, pela improcedência e arquivamento do Auto de Infração. Sobreveio a decisão da 6ª Turma da DRJ/REC, que conheceu da impugnação e, no mérito, deulhe parcial provimento, reduzindo a multa de ofício e os juros de mora ao saldo remanescente do crédito tributário não depositado, encontrado pelo método da imputação proporcional do depósito intempestivo, efetuado 6 (seis) dias após o prazo de vencimento das contribuições. Cientificada da decisão em 21.08.2014, a recorrente apresentou Recurso Voluntário tempestivo em 15.09.2014, argumentando em sua defesa que a pendência de decisão judicial quanto ao principal caracteriza a inexigibilidade dos acessórios (juros e multa). Aduziu ainda a recorrente que o depósito integral tem os mesmo efeitos de pagamento, vez que o art. 1º da Lei nº 9.703/1998 possibilita à União o imediato acesso aos recursos depositados em juízo, e, portanto, deveria ser julgado improcedente o auto de infração e reconhecida a inexigibilidade dos juros de mora e da multa de ofício, já que o não pagamento do tributo em questão se deu em razão da realização de depósito judicial nos autos do citado Mandado de Segurança. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 11891.000342/200733 Acórdão n.º 3302005.546 S3C3T2 Fl. 158 4 Por fim, alegou também o caráter confiscatório e inconstitucional da multa proporcional de 75%, pugnando pela reforma do acórdão recorrido, julgando improcedente o auto de infração e determinando o seu arquivamento. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Weis Junor, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. 1 Da Renúncia às Instâncias Administrativas Antes de qualquer análise, cumpre esclarecer que não cabe este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais decidir sobre matérias também submetidas ao crivo do poder judiciário. Nesse sentido é a Sumula CARF nº 1. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. A exigência das contribuições ao PIS e a COFINS Importação estava sendo discutida pela recorrente em processo judicial de nº 2005.38.00231905, que tramitou na 13ª Vara Federal Cível da Seção Judiciária de Minas Gerais, tendo o contribuinte obtido, em sede recursal, decisão favorável para excluir da base de cálculo dos aludidos tributos o valor do ICMS, bem como o valor das próprias contribuições. Numeração Única: 002298908.2005.4.01.3800 APELAÇÃO CÍVEL N. 2005.38.00.0231905/MG RELATORA: DESEMBARGADORA FEDERAL ÂNGELA CATÃO APELANTE: LIFECENTER SISTEMA DE SAÚDE S/A ADVOGADO: MG00068432 FERNANDO PIERI LEONARDO E OUTROS(AS) APELADO: FAZENDA NACIONAL PROCURADOR: RS00031531 LUIZ FERNANDO JUCA FILHO EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. JUÍZO DE ADEQUAÇÃO. REJULGAMENTO. PIS/COFINS IMPORTAÇÃO. LEI 10.865/2004 (INCISO I, DO ART. 7º). BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE (RE 559.937/RS, C/C ART. 543B, CPC). EXCLUSÃO DO ICMS Fl. 158DF CARF MF Processo nº 11891.000342/200733 Acórdão n.º 3302005.546 S3C3T2 Fl. 159 5 E DAS PRÓPRIAS CONTRIBUIÇÕES. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. O Supremo Tribunal Federal, ao apreciar o Recurso Extraordinário nº 559.937/RS (DJe 16/10/2013), pela sistemática do art. 543B do CPC de 1973, declarou a inconstitucionalidade da inclusão dos valores do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços – ICMS, da contribuição ao PIS e da COFINS nas bases de cálculos dessas mesmas contribuições sociais quando incidentes na importação de bens e serviços, como havia sido disposto na redação originária do inciso I do art. 7º da Lei nº 10.865/04. Honorários advocatícios incabíveis na espécie (art. 25, da Lei n. 12.016/2009). Custas ex lege. Em rejulgamento, dou provimento à apelação. ACÓRDÃO Decide a Turma, por unanimidade, em rejulgamento, dar provimento à apelação. Sétima Turma do TRF da 1ª Região, 4 de outubro de 2016. Assim, não cabe a este colegiado adentrar em discussões sobre a incidência e o montante das aludidas contribuições, razão pela qual, somente serão analisadas as questões relativas à exigência de encargos de mora e da multa de ofício por meio do auto de infração combatido. 2 Dos Juros de Mora. O recorrente insurgese contra o lançamento dos juros de mora, alegando que o depósito judicial teve o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário, configurandose como um verdadeiro pagamento, vez que o art. 1º da Lei nº 9.703/1998 permite o repasse de todo o valor depositado à União. Não assiste razão ao recorrente. O acórdão combatido é intocável no que diz respeito à imputação proporcional dos depósitos efetuados em 06.07.2005, seis dias depois do vencimento, que é o dia de registro da DI (30.06.2005). Consoante bem explanou a decisão de piso, o depósito efetuado fora do prazo e sem os acréscimos dos encargos moratórios não teve o condão de cobrir a integralidade do crédito tributário, haja vista que segundo a técnica da imputação proporcional, parte do valor depositado deve ser utilizada para amortizar os encargos de mora pelo atraso, e a parte remanescente utilizada para abater o saldo devedor dos tributos lançados. Em contraste, apenas para esclarecer, é justamente apenas sobre o saldo de Principal remanescente devido, para cada Contribuição, que caberá aplicar acréscimos legais incidentes desde a data de vencimento de cada exação (multa de ofício e juros de mora). Neste ponto se explicita o equívoco da Fl. 159DF CARF MF Processo nº 11891.000342/200733 Acórdão n.º 3302005.546 S3C3T2 Fl. 160 6 autoridade lançadora, pois não cabe aplicar multa de ofício e juros de mora sobre o valor originário total, mas tão somente sobre o saldo de Principal que remanesce devido de cada Contribuição, em aberto, desde 30/06/2005. Por essas razões é que se torna imprescindível identificar, após a devida imputação dos valores dos depósitos parciais efetuados, a parte do Principal de cada Contribuição que remanesce devida desde o vencimento, e que representará para cada exação ora considerada o valorbase a ser submetido à aplicação da multa de ofício de 75% e dos juros de mora (desde a data de vencimento até o efetivo pagamento deste saldo de Principal devido remanescente).(Grifos do original) Nas folhas de nº 131 a 133 do acórdão recorrido encontramse detalhados os cálculos da imputação proporcional do depósito efetuado e da apuração dos saldos devedores das contribuições aos PIS e a COFINS, não cobertas pelo depósito judicial efetuado fora do vencimento e sem os acréscimos moratórios. O relator a quo demonstrou, de modo suficientemente claro, que remanesce saldo devido de PIS Importação e de COFINS Importação, nos montantes respectivos de R$98,63 e R$456,92, e que tais valores servem de base para o cálculo da multa de ofício e dos encargos moratórios. Saldo de COFINSImp que remanesce devido = R$ 456,92 Este é o valorbase (R$ 456,92) sobre o qual cabe exigir Multa de Ofício de 75%, desde a data de vencimento da COFINS Importação. Sobre a mesma base incidirão os juros de mora desde a data de vencimento da exação (30/06/2005). O Saldo do PIS/PASEPImp que remanesce devido = R$ 98,63. Este é o valorbase (R$ 98,63) sobre o qual cabe exigir Multa de Ofício de 75%, desde a data de vencimento do PIS/PASEP Importação. Sobre a mesma base incidirão os juros de mora desde a data de vencimento da exação (30/06/2005) Na seqüência, o relator detalha também os cálculos da multa de ofício sobre as bases de cálculo descritas nos excertos acima, e entende que os juros de mora serão devidos sobre o saldo remanescente das contribuições, acrescido da multa de ofício. A taxa de juros legalmente prevista deverá ser aplicada sobre o saldo devido remanescente da Contribuição acrescido da multa de ofício. Ocorre que o contribuinte não se insurgiu contra a incidência dos juros sobre a multa de ofício, tendo se limitado a refutar a exigibilidade dos juros e da multa sob o fundamento de que era inexigível o principal, porque depositado integralmente, e que, portanto, também seriam inexigíveis os acessórios. Assim, não instaurado litígio sobre a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício, é definitiva neste ponto a decisão recorrida. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 11891.000342/200733 Acórdão n.º 3302005.546 S3C3T2 Fl. 161 7 No que concerne à insurgência do recorrente, conforme já exposto, restou suficientemente claro no voto condutor do acórdão combatido, que o depósito realizado em 06.07.2005 não se mostrou suficiente para cobrir a integralidade do crédito tributário devido, tendo remanescido saldo devedor em razão da incidência de encargos moratórios pela realização do depósito após a data de vencimento. Destarte, sobre os saldos da contribuição ao PISImportação e da COFINS Importação que remanescem devidos, e cuja exigibilidade não foi suspensa por depósito ou por medida judicial, incidem juros de mora, em plena consonância com a Súmula Carf nº 5. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Diante do exposto, não merece reparos, para o caso em tela, a decisão da DRJ/REC no que tange à incidência de juros de mora. 3. Da Multa de Ofício Da mesma forma, intocável o acórdão combatido no que diz respeito à multa de ofício. A perfeita demonstração da existência de saldo devedor das contribuições ao PIS Importação e COFINS Importação (fls 131 a 133), cuja exigibilidade não foi suspensa nem por medida judicial e nem por depósito judicial, já que este último não foi considerado integral porque efetuado fora do prazo e sem os acréscimos moratórios, atrai à aplicação o disposto no art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996, com redação dada pela Lei n° 11.488/2007. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (sem grifos no original) Destarte, têmse a diferença não depositada como ausente de pagamento ou recolhimento, sujeitandoa a incidência da multa de ofício de 75%. Nestes termos, correta a decisão combatida quando deu provimento parcial à impugnação, reduzindo o valor da multa de ofício para montante equivalente à aplicação da penalidade somente sobre a parcela do crédito tributário não depositada em juízo. Pelo exposto, voto pela procedência parcial da impugnação e, portanto, pela procedência em parte do lançamento objeto deste processo, para assim: ... d) reduzir a multa de ofício lançada quanto à Cofins Importação, de R$ 11.433,98 para R$ 342,69; e reduzir a multa de ofício lançada quanto ao Pis/Pasep – Importação, de R$ 2.482,38 para R$ 73,97 Fl. 161DF CARF MF Processo nº 11891.000342/200733 Acórdão n.º 3302005.546 S3C3T2 Fl. 162 8 Por fim, alega o contribuinte que a multa de ofício tem percentual exorbitante, com caráter nitidamente confiscatório, o que é vedado pelo ordenamento jurídico brasileiro. Cita doutrina, ventilando suposta inconstitucionalidade. Sobre tal ponto, cumpre esclarecer que há expressa previsão legal para a incidência e aplicação da referida multa, não cabendo a este tribunal administrativo afastar a aplicação de lei sob o fundamento de inconstitucionalidade, conforme dispõe, com efeito, o art. 62 do Regimento Interno do Carf. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Ainda nesse sentido, a Súmula CARF nº 2. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, por todo o exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento, mantendo na íntegra a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator Fl. 162DF CARF MF
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Numero do processo: 10860.902967/2012-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1301-000.613
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel Neto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Relatório
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel Neto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Bianca Felícia Rothschild. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 60 .9 02 96 7/ 20 12 -0 1 Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10860.902967/201201 Resolução nº 1301000.613 S1C3T1 Fl. 239 2 Relatório Tratase do Recurso Voluntário de efls. 32/36 em face do acórdão proferido pela 1ª Turma da DRJ/Juiz de Fora de efls. 25/29 que, ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, não reconheceu o direito creditório pleiteado e não homologou a compensação tributária informada. Quanto aos fatos, consta do autos: que, em 20/01/2012, a contribuinte transmitiu pela internet o PER/DCOMP nº 27317.92374.200112.1.3.049660 (efls.02/06), informando compensação tributária: a) débito informado (confessado): Cofins, código de receita 2172, período de apuração dezembro 2011, data de vencimento 25/01/2013, R$ 112.536,08; b) crédito utilizado (valor original na data da transmissão): R$ 98.906,73; que o direito creditório R$ 98.906,73 decorreu de pagamento, em parte, indevido ou a maior da CSLL Lucro Presumido, do PA 30/09/2010, código de receita 2372, data de arrecadação 29/10/2010, valor do recolhimento R$ 600.045,40. Extrato do pagamento (efl. 184). Em 05/12/2012, houve emissão do Despacho Decisório (eletrônico) pela DRF/Taubaté (efl. 07), denegando o direito creditório pleiteado. O valor do citado recolhimento, muito tempo antes da transmissão da DCOMP, já havia sido consumido ou utilizado, integralmente, para quitação de débito da contribuinte, confessado em DCTF do próprio PA. Não restando crédito disponível. A propósito, transcrevo a fundamentação constante do citado despacho decisório de 05/12/2012 (efl. 07), in verbis: (...) 3 FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO A análise do direito creditório está limitada ao "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, no valor de 98.906,73. Valor do crédito original reconhecido: 0,06 . A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10860.902967/201201 Resolução nº 1301000.613 S1C3T1 Fl. 240 3 (...) Diante do exposto, HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada. (...) Ciente desse despacho decisório em 04/01/2013 (efl. 08), a contribuinte, em 10/01/2013 apresentou Manifestação de Inconformidade (efl. 09), pedindo sua reforma, in verbis: (...) HYDROSTEC TECNOLOGIA E EQUIPAMENTOS LTDA., estabelecida no Município de Taubaté, Estado de São Paulo, na Avenida do Pinhão ng 2.220, Bairro do Barranco, inscrita no CNPJ sob ne 08.874.534/000159, vem respeitosamente apresentar a presente Manifestação de Inconformidade pelos fatos e razões a seguir expostos: O contribuinte apurou e recolheu valor a maior do CSLL relativo ao período de apuração set/2010. Constatado isso, procedeu ao PER/DCOMP, que, de acordo com o Despacho Decisório em questão, considerou inexistente o crédito para essa finalidade. De fato, a constatação da inexistência de crédito apurada deveuse a que a DCTF do período correspondente ao recolhimento efetuado a maior continha erro no seu preenchimento, de sorte que foi agora devidamente retificada (cópia anexa), pelo que se pode verificar a existência do crédito postulado na PER/DCOMP, decorrente da diferença apurada entre a DCTF original e a retificada. Diante do exposto, requer seja homologado o PER/DCOMP, como medida de Direito e de Justiça. (...) A contribuinte juntou o Recibo da DCTF Retificadora, transmitida em 03/12/2012, débito da CSLL do PA junho 2010 R$ 501.138,67 (efl. 10). A DRJ/Juiz de Fora, em 21/11/2013, conforme Acórdão de efls. 25/28, julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado pela falta de comprovação de certeza e liquidez, cuja ementa e dispositivo transcrevo: (...) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 29/10/2010 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10860.902967/201201 Resolução nº 1301000.613 S1C3T1 Fl. 241 4 A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Acordam os membros da 1ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade. (...) Voto (...) Consoante o § 1º do art. 74 da Lei n.º 9.430/96, a compensação é realizada mediante entrega da DCOMP. Assim, o crédito informado deve existir já na data da transmissão dessa Declaração. No caso, é inconteste que, segundo as informações constantes da DCTF apresentada pelo contribuinte até a data entrega do PER/DCOMP, não havia pagamento a maior ou indevido que respaldasse o crédito utilizado na compensação. Portanto, cabe ao interessado a prova de que cometeu erro de preenchimento na DCTF original e que o valor efetivamente devido é aquele declarado na DCTF retificadora (entregue após a transmissão do PER/DCOMP). Entretanto, o contribuinte limitouse a apresentar a DCTF retificadora e a informar que o crédito decorre da retificação da DCTF. Nada mais foi trazido, como, por exemplo, escrituração contábil, documentos fiscais e controles internos. Em situações tais como a analisada, somente a apresentação de documentos integrantes da escrituração contábil e fiscal da empresa poderia comprovar que inexistia tributo devido no período, e que, desta forma, o pagamento efetuado em DARF daria ao interessado crédito passível de ser compensado com outros débitos. São os livros fiscais e contábeis mantidos pelo contribuinte, os elementos capazes de fornecer à Fazenda Nacional conteúdo substancial válido juridicamente para a busca da verdade material dos fatos. (...) Com efeito, elucido ainda que, nos moldes do art. 214, do Código Civil, para a desconsideração da confissão de dívida por erro de fato, o equívoco deve ser devidamente comprovado, sendo do sujeito passivo Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10860.902967/201201 Resolução nº 1301000.613 S1C3T1 Fl. 242 5 (assim como ocorre em relação à comprovação do indébito) o encargo probante da circunstância, por aplicação do já comentado art. 333, I, do CPC (atual art. 373, I, do novo CPC). E isto deve ser feito por intermédio de documentos robustos, especialmente dos assentamentos contábeis/fiscais do contribuinte, não sendo suficiente, por si só, como prova a mera apresentação de DCTF retificadora (ainda mais quando enviada após a expedição do Despacho Decisório que não homologa a compensação). É assente na doutrina que direito líquido e certo é aquele cujos aspectos de fato possam comprovarse documentalmente. (...) Deste modo, considerando que a DCTF retificadora foi entregue somente após a transmissão do PER/DCOMP e que não foram aduzidos aos autos quaisquer elementos comprobatórios do crédito pleiteado, concluise que não há qualquer reparo a ser feito no Despacho Decisório sob análise. (...) Ciente dessa decisão em 13/12/2013 sextafeira (efls. 30), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 14/01/2014 (efls.32/36), cujas razões, em síntese, são as seguintes: que, por erro de fato no preenchimento da DCTF original, foi declarado um valor de Imposto de Renda e Contribuição sobre o Lucro Líquido a pagar incorretamente; que a retificadora da DCTF foi entregue após a transmissão do PER/DCOMP: que foi recolhido valor a maior do que o devido: PERD/COMP Processo Adm. Valor real devido Valor recolhido 24091.97549.200112.1.3.048030 10860.902336/201284 i.456.959,i2' 1.640.119,72 27317.92374.200112.1.3.049660 10860.902967/201201 501.138,67 600.045,40 32348.32480.200112.1.3.040160 10860.902970/201217 233.010,04 323.233,54 34131.43522.200112.1.3.044161 10860.902971/201261 66.129,38 114.850,06 que juntou aos autos demonstrativo do valor do tributo efetivamente devido e também os documentos hábeis para suportar esse demonstrativo, ou seja: cópia do Livro de Saídas com seu resumo por CFOP ao final de cada mês, o Razão das contas do período envolvido, a DIPJ do anocalendário de 2010, o DARF do recolhimento do valor a maior que o devido e DIPJ retificadora (efls. 45/150); que quanto à DCTF a Súmula 436 STJ tem como verbete: "A entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do fisco"; que requer o reconhecimento do crédito pleiteado e a homologação da compensação informada na DCOMP objeto dos autos. Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10860.902967/201201 Resolução nº 1301000.613 S1C3T1 Fl. 243 6 Na sessão de 06/04/2016, o CARF está 1ª Turma, com outra composição, converteu o julgamento em diligência, conforme Resolução nº 1301000.326– 3ª Câmara /1ª Turma Ordinária (efls. 156/159), cujo voto condutor transcrevo, no que pertinente, in verbis: (...) Após a apresentação do Recurso Voluntário novos documentos foram apresentados, com os quais busca a Recorrente confirmar as alegações recursais, demonstrando os equívocos perpetrados – memória de cálculo da CSLL devida, Livros de Saídas, Razão de contas, DIPJ e DARF gerador do suposto recolhimento indevido. Pois bem. Apesar do minucioso exame do caso já realizado pelas autoridades fiscais, que reconheceram o que se podia reconhecer, no tocante a créditos da Recorrente para serem compensados, há que se buscar sempre a verdade material. O contribuinte recorrente, em seu recurso –efls. 45, faz quadro resumo de débitos e de recolhimentos a maior e aponta, para o presente caso, excesso no recolhimento da PER/DCOMP n. 27317.92374.200112.1.3.049660, processo administrativo n. 10860.902967/201201 (devido R$ 501.138,67 e recolhido R$ 600.045,40). E, em função dos documentos apresentados, mesmo após o oferecimento do Recurso Voluntário, pode haver elementos suplementares, que devem ser considerados em análise do crédito pleiteado a qual deve ser final e definitiva. Bem por isso, e em busca da verdade material, é que voto por converter o julgamento em diligência para, à luz da documentação juntada, ser feita análise última do crédito da contribuinte. Pedese à autoridade fiscal que examine, à luz da citada nova documentação, se o indicado recolhimento efetuado foi, efetivamente, a maior e reavalie a existência do crédito. Caso necessário, deve ser intimado o contribuinte para apresentar outros documentos que possam comprovar a existência do crédito por força do suposto recolhimento a maior. (...) Na sequência, os autos retornaram com Relatório de diligência incompleta (efl. 186). Então, o CARF novamente converteu o julgamento em diligência, conforme Resolução nº 1301000.462– 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 21/09/2017 (efls. 195/199), cujo voto condutor transcrevo, no que pertinente, in verbis: (...) Importante observar que a Resolução havia determinado à autoridade fiscal que examinasse, "à luz da citada nova documentação, se o indicado recolhimento efetuado foi, efetivamente, a maior e reavalie a existência do crédito". Todavia, no relatório da diligência realizada, a Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10860.902967/201201 Resolução nº 1301000.613 S1C3T1 Fl. 244 7 autoridade fiscal não faz qualquer referência à análise dos documentos anexados ao recurso voluntário, quais sejam: (i) demonstrativo do valor do tributo efetivamente devido, (ii) Livros de Saída com resumo por CFOP ao final de cada mês, (iii) Razão das contas do período envolvido, (iv) DIPJ do exercício base de 2010. Ao contrário, conclui a fiscalização que, de acordo com as declarações retificadoras apresentadas pelo sujeito passivo, houve recolhimento a maior, o que consubstancia crédito passível de restituição ou compensação ao valor original de R$ 98.906,67 (noventa e oito mil, novecentos e seis reais, sessenta e sete centavos). Dessa forma, proponho, a conversão do julgamento, novamente, em nova diligência, para que, após a análise dos documentos acostados aos autos às fls. 45 a 149, bem assim, a outros que entenda necessário, a autoridade fiscal elabore relatório fiscal conclusivo sobre da existência ou não de valor recolhido a maior e informe o valor disponível para compensação. Conclusão Em conclusão, por todo o exposto, voto por converter o julgamento em diligência . (...) Realizada a diligência, cujo resultado consta do Relatório de Diligência quanto à CSLL (efls. 207/208). Intimada a contribuinte para se manifestar do resultado da diligência em 19/03/2018 (efl . 211), apresentou contrarrazões e juntou documentos em 17/04/2018 (efls. 214/226). É o relatório. Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10860.902967/201201 Resolução nº 1301000.613 S1C3T1 Fl. 245 8 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. A tempestividade do Recurso Voluntário já foi analisada, na sessão de 07/04/2016, quando do conversão do julgamento em diligência, conforme Resolução nº 1301 000.331– 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária (efls. 167/170) que, nessa parte, transcrevo, in verbis: (...) Da Tempestividade A ciência do Acórdão deuse em 13/12/2013 e o Recurso Voluntário foi apresentado em 13/01/2014. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento (...) Objeto da lide: crédito da CSLL pago a maior ou indevidamente de R$ 98.906,73 do PA 3º trimestre/2010. A contribuinte protocolizou, em 20/01/2012, PER/DCOMP informando compensação tributária: a) débito da COFINS, relativos ao PA dezembro/2011, vencimento 25/01/2013, no valor de R$ 112.536,08; b) crédito de CSLL pago a maior ou indevidamente de R$ 98.906,73 (saldo original) do PA 3º trimestre/2010 (apuração setembro/2010), relativo ao DARF pago em 29/10/2010, no valor de R$ 600.045,40, no regime do Lucro Presumido. Que o crédito, sua origem, seria a diferença R$ 98.906,73 = pagamento CSLL PA 3º trimestre/2010 R$ 600.045,40 () débito da CSLL do PA 3º trimestre/2010 R$ 501.138,67. O despacho decisório deferiu, parcialmente, o crédito pleiteado, no valor de R$ 0,06, sob o fundamento de que não havia crédito disponível, pois o valor fora utilizado, integralmente, para pagamento do débito da CSLL do próprio PA 3º trimestre/2010 de R$ 600.045,40, débito confessado na DCTF. A DRJ/Juiz de Fora, também, não reconheceu o crédito pleiteado; julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade por entender que o crédito informado deveria existir já na data da transmissão da DCOMP, porém a DCTF retificadora teria sido entregue somente após a transmissão do PER/DCOMP e que não foram juntados aos autos quaisquer Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10860.902967/201201 Resolução nº 1301000.613 S1C3T1 Fl. 246 9 elementos comprobatórios do direito creditório. Não houve a comprovação do erro de fato que justificaria a apresentação da DCTF retificadora (redução do débito confessado na DCTF inicial) e revisão do despacho decisório. Não houve a comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Quanto ao mérito: Nesta instância recursal ordinária, a contribuinte pediu a revisão da decisão a quo, juntou elementos probatórios (efls. 45/149); porém, essas provas não seriam suficientes para comprovação do alegado erro de fato e para comprovar a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Por isso, na sessão de 06/04/2016, o CARF converteu o julgamento em diligência, conforme Resolução nº 1301000.326– 3ª Câmara /1ª Turma Ordinária (efls. 156/159). A diligência fiscal foi realizada de forma incompleta. Logo, na sessão de 21/09/2017 novamente o CARF converteu o julgamento em diligência, conforme Resolução nº 1301000.462– 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária (efls. 195/199). Efetuada a diligência fiscal (a mais recente), os autos retornaram para julgamento da lide. Porém, a diligência fiscal, outra vez, é insuficiente para formar convicção do julgador. Inclusive, a contribuinte contesta o resultado da diligência. Vejamos. O resultado da diligência fiscal, conforme Relatório (efls. 207/208), apurou direito creditório de R$ 82.846,52, valor menor do que o pleiteado no PER/DCOMP. Na declaração de compensação tributária a contribuinte pleiteou/utilizou crédito da CSLL (3º trimestre/2010) no valor de R$ 98.906,73. Nas razões do Recurso Voluntário a contribuinte informou a origem do crédito pleiteado no PER/DCOMP nº 27317.92374.200112.1.3.049660 como sendo pagamento indevido ou a maior: PERD/COMP Processo Adm. Valor real devido Valor recolhido 24091.97549.200112.1.3.048030 10860.902336/201284 i.456.959,i2' 1.640.119,72 27317.92374.200112.1.3.049660 10860.902967/201201 501.138,67 600.045,40 32348.32480.200112.1.3.040160 10860.902970/201217 233.010,04 323.233,54 34131.43522.200112.1.3.044161 10860.902971/201261 66.129,38 114.850,06 Como dito, no relatório de diligência fiscal consta que, relativo ao 3º trimestre/2010, o valor do direito creditório da CSLL perfaz R$ 82.846,52 (valor original), conforme demonstrativo que transcrevo a seguir: Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10860.902967/201201 Resolução nº 1301000.613 S1C3T1 Fl. 247 10 (...) Os documentos acostados aos autos a que faz referência a Resolução são: demonstrativo do cálculo da CSLL devido do 3º trimestre de 2010 (fl. 45); Livro Registro de Saídas (fls. 46/105); Livro Razão (fls. 106/118); DIPJ retificadora de 2011, anocalendário 2010 (fls. 119/148) e; DARF, período de apuração 30/09/2010, código de receita 2372, valor total de R$ 600.045,40 (fl. 149). O demonstrativo do cálculo indica os saldos mensais das contas contábeis que compõem o total das receitas de vendas do período, conforme dados dos Livros Registro de Saída e Razão. A base de cálculo da contribuição, o lucro presumido calculado e a apuração da CSLL devida correspondem aos valores declarados na DIPJ retificadora. Por fim, o DARF apresentado possui os mesmos dados do extrato de pagamento registrado no sistema de arrecadação (fl. 184). Foram coletados do Sistema SPED NFe os arquivos relativos às notas fiscais eletrônicas emitidas no período. Após análise, constatou se que sua contabilização está consistente com o Livro Registro de Saídas e o Demonstrativo, exceto quanto ao item 2 da Nota Fiscal nº 502, valor de R$ 91.500,00, que foi tratado como receita de vendas de bens, mas sua descrição remete a serviços prestados (vide fls. 201 a 204). Também foi cotejado o valor da Contribuição Social Retida na Fonte (CSRF) informada pelo interessado (DIPJ e Demonstrativo) e o montante declarado pelas fontes pagadoras em DIRF (fls. 205 e 206). Verificouse divergência, a qual foi considerada para efeito de cálculo da Contribuição Social. Os valores declarados estão dispostos na Tabela I a seguir: Destarte, efetuouse nova apuração de imposto devido com as citadas modificações (Receita Bruta de Serviços e CSRF). O comparativo entre as duas apurações está demonstrado à Tabela I a seguir: Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10860.902967/201201 Resolução nº 1301000.613 S1C3T1 Fl. 248 11 Portanto, de acordo com: os documentos apresentados pelo sujeito passivo às fls. 45 a 149; os arquivos SPED de notas fiscais do período; e as DIRF transmitidas pelas fontes pagadoras do contribuinte; houve recolhimento a maior com crédito passível de compensação ao valor original de R$ 82.846,52 (oitenta e dois mil, oitocentos e quarenta e seis reais, e cinquenta e dois centavos). (...) Entretanto, intimada do resultado da diligência fiscal, a recorrente apresentou contrarrazões: que o Auditor Fiscal constatou uma diferença de R$ 91.150,00 nos valores de receita de atividade geral (venda de mercadorias) e receita de prestação de serviços em geral, base de cálculo da CSLL: Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10860.902967/201201 Resolução nº 1301000.613 S1C3T1 Fl. 249 12 que, em 29/07/2010, a contribuinte emitiu erroneamente a NF eletrônica nº 502, contra a empresa Petróleo Brasileiro PETROBRÁS, para formalização de retorno de mercadoria recebida para conserto, utilizando CFOP 6916 retorno devolução de mercadoria recebida para conserto ou reparo R$ 70.000,00, e prestação de serviço de industrialização CFOP 6124, valor R$ 91.150,00. Total da Nota Fiscal eletrônica R$ 161.150,00 (efls 215); que, referente à prestação do serviço industrialização, o valor deveria constar de nota fiscal específica de prestação de serviço, e não de movimentação de mercadoria; que fez acordo com a Petrobrás: que, para corrigir esse erro, a Petróleo Brasileiro PETROBRÁS emitiu a Nota Fiscal eletrônica nº 17006, de 20/09/2010, devolução parcial, o Valor de R$ 91.150,00 (efl. 216) (fez constar tal observação no rodapé da nota fiscal que se refere a devolução parcial referente à NF 502); que o valor da devolução de R$ 91.150,00 foi excluído da receita de venda de mercadorias, juntamente com a devolução de vendas da NF 022, de 27/09/2010, valor 2.500,00 (efl.220). Assim, conforme Tabela II (acima), foi excluído do valor das receitas de vendas o valor de R$ 93.650,00; que relativo ao valor da prestação de serviço de industrialização R$ 91.150,00 foi emitida a Nota Fiscal de Serviços nº 0017, de 08/10/2010, contra a Petróleo Brasileiro S/A PETROBRAS (efl. 217), e que a operação foi devidamente tributada, receita oferecida à tributação no 4º trimestre/2010; que, portanto, o ajuste efetuado pelo AuditorFiscal na receia bruta de vendas de mercadoria e na receita de prestação de serviços seria incorreto (não haveria ajuste a fazer). Identificado o citado ponto controvertido, cabe observar que a insuficiência da Diligência não se resume apenas essa questão. Primeiro, essa irresignação da contribuinte, em relação aos resultado da diligência, remete a várias questões outras que o procedimento de diligência fiscal não resolveu: 1) desde o início a contribuinte alega nos autos que cometeu erro de fato na apuração da CSLL do 3º trimestre/2010: Entretanto, a fiscalização não intimou a contribuinte a demonstrar, comprovar, à luz da escrituração contábil/fiscal (livros Razão, Diário e Lalur) onde estaria o alegado erro de fato na apuração da CSLL do 3º trimestre/2010. A contribuinte frisa que: a) entrega da DIPJ com CSLL apurada a maior; b) pagamento a maior da CSLL; e c) confissão a maior da CSLL (DCTF). Ora, tornase necessário a contribuinte comprovar com sua escrituração contábil (livros Razão e Diário), e fiscal (livro LALUR), e documentos de suporte dos registros contábeis o alegado erro de fato na escrituração contábil para justificar a retificação da Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10860.902967/201201 Resolução nº 1301000.613 S1C3T1 Fl. 250 13 DCTF original (efls. 161), da DIPJ (efls. 1119/148 e 162/183) e comprovar a origem do crédito pleiteado. Não basta apenas verificar, pontualmente, o somatório de notas fiscais. E necessário analisar a escrituração contábil anterior (contendo o alegado erro de fato) e a escrituração contábil posterior (sem o erro), para conhecer, buscar a origem do alegado erro, sua plausibilidade, sua comprovação, de forma cabal, para que possa justificar a redução de débito confessado na DCTF original. Ou seja: o que gerou o erro de fato na apuração dos resultados tributáveis do 3º trimestre/2010? Estabelece o art. 147, § 1º, CT, in verbis: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (...) Art. 170 do CTN estatui que a contribuinte comprove a liquidez e certeza do crédito pleiteado em processo de compensação tributária: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) O art. 373, I, do novo Código de Processo Civil (Lei 13.105, de 2015), de aplicação subsidiária no processo administrativo tributário, estabelece que a contribuinte como autora do pedido de crédito contra a Fazenda Nacional tem o ônus probatório do fato constitutivo do seu alegado direito creditório, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; (...) 2) Qual o regime de escrituração das receitas da contribuinte: competência ou caixa? Escrituração de notas fiscais sem observância do regime de competência? A contribuinte argumentou nas contrarrazões da diligencia fiscal que em relação à apuração da CSLL do 3º trimestre/2010: Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10860.902967/201201 Resolução nº 1301000.613 S1C3T1 Fl. 251 14 que, em 29/07/2010, a contribuinte emitiu erroneamente a NF eletrônica nº 502, contra a empresa Petróleo Brasileiro PETROBRÁS, para formalização de retorno de mercadoria recebida para conserto, utilizando CFOP 6916 retorno devolução de mercadoria recebida para conserto ou reparo R$ 70.000,00, e prestação de serviço de industrialização CFOP 6124, valor R$ 91.150,00. Total da Nota Fiscal eletrônica R$ 161.150,00 (efls 215); que, referente à prestação do serviço industrialização, o valor deveria constar de nota fiscal específica de prestação de serviço e não de movimentação de mercadoria; que fez acordo com a Petrobrás: que, para corrigir esse erro, a Petróleo Brasileiro PETROBRÁS emitiu a Nota Fiscal eletrônica nº 17006, de 20/09/2010, devolução parcial, o Valor de R$ 91.150,00 (efl. 216) (fez constar tal observação no rodapé da nota fiscal que se refere a devolução parcial referente à NF 502); que o valor da devolução de R$ 91.150,00 foi excluído da receita de venda de mercadorias, juntamente com a devolução de vendas da NF 022, de 27/09/2010, valor 2.500,00 (efl.220). Assim, conforme Tabela II (acima), foi excluído do valor das receitas de vendas o valor de R$ 93.650,00; que relativo ao valor da prestação de serviço de industrialização R$ 91.150,00 foi emitida a Nota Fiscal de Serviços nº 0017, de 08/10/2010, contra a Petróleo Brasileiro S/A PETROBRAS (efl. 217), e que a operação foi devidamente tributada, receita oferecida à tributação no 4º trimestre/2010; que, portanto, o ajuste efetuado pelo AuditorFiscal na receia bruta de vendas de mercadoria e na receita de prestação de serviços seria incorreto (não haveria ajuste a fazer). Ora, ajuste, acordo entre particulares, não podem ser objetados contra o fisco federal, conforme art. 126 do CTN, in verbis: Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Neste caso, se a prestação do serviço ocorreu em 27/07/2010, conforme NFe 502, PA 3º trimestre/2010, a recorrente não pode oferecer à tributação apenas no 4º trimestre/2010). Além disso, não juntou aos autos cópia do livro Razão e Diário de que o valor foi oferecido à tributação no 4º trimestre/2010. Em face dessas questões, tornase necessário, mais uma vez, converter o julgamento em diligência fiscal, para retorno dos autos à unidade de origem da RFB, no caso DRF/Taubaté para: a) intimar a contribuinte a comprovar o alegado erro de fato na escrituração contábil e fiscal (Livros Razão, Diário e Lalur) do 3º trimestre/2010 (cotejar os dados da escrituração anterior e posterior). Existe, está identificado e comprovado o alegado erro de fato? e, se existe/comprovado o erro de fato, o que o gerou? b) quanto às notas fiscais 502, 17006 e 0017 (efls. 215, 216 e 217): Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10860.902967/201201 Resolução nº 1301000.613 S1C3T1 Fl. 252 15 a receita de prestação de serviço de conserto, reparo, industrialização, de R$ 91.150,00 ocorreu em que data e foi oferecida à tributação em que PA? Qual o regime de escrituração das receitas da contribuinte: competência ou caixa?. c) o crédito pleiteado da CSLL do 3º trimestre/2010 na DCOMP objeto dos autos existe? Se existe, qual o valor? Está disponível? d) realizada a diligência fiscal, a fiscalização da DRF deverá fazer relatório circunstanciado, conclusivo, demonstrando os resultados e do qual dará ciência à contribuinte, abrindo prazo de trinta dias para, se quiser, apresentar manifestação nos autos. Transcorrido referido prazo, com ou sem manifestação da contribuinte, devolver os autos do processo ao CARF para julgamento da lide. Por tudo que foi exposto, voto para converter o julgamento em diligência, conforme determinado acima. É como voto. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 252DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.000655/2009-56
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
PIS E COFINS. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE.
De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS.
PIS E COFINS. DIREITO Á CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS NÃO CUMULATIVAS NA AQUISIÇÃO DE PEÇAS E SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO EM MÁQUINAS UTILIZADAS NO PROCESSO PRODUTIVO. POSSIBILIDADE.
De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS.
PIS E COFINS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. IMPOSSIBILIDADE
A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição das embalagens de transporte.
Numero da decisão: 9303-007.131
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para restabelecer a glosa quanto à embalagem utilizada para transportes, vencidos os conselheiros Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 PIS E COFINS. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS. PIS E COFINS. DIREITO Á CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS NÃO CUMULATIVAS NA AQUISIÇÃO DE PEÇAS E SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO EM MÁQUINAS UTILIZADAS NO PROCESSO PRODUTIVO. POSSIBILIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS. PIS E COFINS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. IMPOSSIBILIDADE A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição das embalagens de transporte.
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DIREITO DE CRÉDITO. PEÇAS E SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SINCOL S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 PIS E COFINS. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS. PIS E COFINS. DIREITO Á CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS NÃO CUMULATIVAS NA AQUISIÇÃO DE PEÇAS E SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO EM MÁQUINAS UTILIZADAS NO PROCESSO PRODUTIVO. POSSIBILIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS. PIS E COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. IMPOSSIBILIDADE A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição das embalagens de transporte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 06 55 /2 00 9- 56 Fl. 760DF CARF MF Processo nº 10925.000655/200956 Acórdão n.º 9303007.131 CSRFT3 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial, para restabelecer a glosa quanto à embalagem utilizada para transportes, vencidos os conselheiros Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto, tempestivamente, pela Fazenda Nacional, com fundamento nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra o acórdão nº 380303.227, que deu parcial provimento ao Recurso Voluntário. Na parte de interesse ao presente julgamento, a decisão do colegiado a quo pode ser resumida pela transcrição dos seguintes fragmentos de sua ementa: (...) NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. INSUMOS. Na não cumulatividade das contribuições sociais, o elemento de valoração é o total das receitas auferidas, o que engloba todo o resultado das atividades que constituem o objeto social da pessoa jurídica, e o direito ao creditamento alcança todos os bens e serviços, úteis ou necessários, utilizados como insumos diretamente na produção, e desde que efetivamente absorvidos no processo produtivo que constitui o objeto da sociedade empresária. MATERIAL DE EMBALAGEM. DIREITO AO CRÉDITO. No regime da não cumulatividade da contribuição para o PIS e da Cofins, há direito à apuração de créditos sobre as aquisições de bens utilizados na embalagem para transporte, cujo objetivo é a preservação das características do produto vendido. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. DIREITO A CRÉDITO. Os valores referentes a serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, para manutenção das máquinas e equipamentos empregados na produção de bens destinados à venda, abarcando as pequenas peças de reposição, podem compor a Fl. 761DF CARF MF Processo nº 10925.000655/200956 Acórdão n.º 9303007.131 CSRFT3 Fl. 4 3 base de cálculo dos créditos a serem descontados da contribuição não cumulativa, desde que respeitados todos os demais requisitos legais atinentes à espécie. BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. DEPRECIAÇÃO. DIREITO A CRÉDITO. Em relação aos bens do ativo imobilizado, com expectativa de utilização no processo produtivo por mais de um ano, os créditos serão calculados com base no valor do encargo de depreciação incorrido no período, observados os demais requisitos exigidos pela lei. CREDITAMENTO. BENS CONSUMIDOS DURANTE O PROCESSO PRODUTIVO. INSUMOS. Dão direito a crédito as aquisições de insumos consumidos durante o processo produtivo na marcação das matériasprimas e dos produtos finais fabricados, bem como na proteção das máquinas utilizadas no setor produtivo. FRETES. TRANSPORTE DE INSUMOS. TRANSFERÊNCIA ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA PESSOA JURÍDICA. CREDITAMENTO. Dá direito a crédito o valor dispendido a título de frete prestado por pessoa jurídica domiciliada no País, tributado pela contribuição, mas não adicionado ao valor de aquisição dos bens utilizados como insumos, ainda que se refiram à transferência de mercadorias entre estabelecimentos do mesmo contribuinte. Não conformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso Especial, aduzindo divergência às seguintes matérias: a) conceito de insumo para fins de creditamento na sistemática de apuração não cumulativa da contribuição; b) direito a crédito na aquisição de produtos utilizados como embalagem de transporte; c) direito a crédito na aquisição de peças de reposição e serviços de manutenção em máquinas utilizadas no processo produtivo; d) direito a crédito na depreciação de bens do ativo imobilizado; e) direito a crédito no transporte de insumos entre filiais, cobrados separadamente dos insumos quando de sua aquisição. Para comprovar a divergência, aponta como paradigma o acórdão nº 203.12.448. Em seguida, mediante despacho de admissibilidade o Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, deu seguimento ao recurso em relação à: a) conceito de insumo para fins de creditamento na sistemática de apuração não cumulativa da contribuição; b) direito a crédito na aquisição de produtos utilizados como embalagem de transporte; c) direito a crédito na aquisição de peças de reposição e serviços de manutenção em máquinas utilizadas no processo produtivo. Devidamente cientificada, a Contribuinte apresentou contrarrazões pugnando pelo não conhecimento do Recurso interposto e, caso o Colegiado entenda em conhecer do Recurso, no mérito requer que lhe seja negado provimento. No essencial é o Relatório. Fl. 762DF CARF MF Processo nº 10925.000655/200956 Acórdão n.º 9303007.131 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.108, de 11/07/2018, proferido no julgamento do processo 10925.000459/200981, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303007.108): "O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. In caso, trata o presente processo de pedido de ressarcimento de créditos de contribuições não‑ cumulativas para o PIS, no valor de R$ 21.832,17, cumulado com Declarações de Compensações (PER/DCOMP). A Terceira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do CARF, decidiu, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, por entender que “a não cumulatividade aplicada às contribuições sociais para o PIS e Cofins não se confunde com a não cumulatividade dos impostos do IPI e ICMS. Nesta, além da origem constitucional, diferentemente da não cumulatividade das contribuições de origem legal, a sistemática do encontro de contas entre débitos e créditos refere‑ se ao ciclo de produção ou de comercialização de um produto ou mercadoria”. E, assim, terminou por adotar conceito de insumo diverso daquele aplicado para o IPI. Com efeito, alega a Fazenda Nacional que a decisão recorrida, ao alargar o conceito de insumos dado pelo art. 3º da Lei nº 10.637/2002 c/c o disposto na IN SRF nº 247/2002, em razão de uma interpretação equivocada, acabou criando dispensa de pagamento de tributo não prevista em lei. Por este motivo, deve ser mantida a decisão de primeira instância a qual analisou a questão sob o prisma correto, mantendose todas as glosas ali ratificadas. Analisando a quaestio, já consignei meu entendimento intermediário sobre o conceito de insumos no Sistema de Apuração NãoCumulativo das Contribuições, penso que o conceito adotado não pode ser restritivo quanto o determinado pela Fazenda, mas também não tão amplo como aquele freqüentemente defendido pelos Contribuintes. Sem embargo, a jurisprudência Administrativa e dos Tribunais Superiores vem admitindo o aproveitamento de crédito calculado com base nos gastos incorridos pela sociedade empresária e com produtos ou serviços aplicados na produção ou a ela diretamente vinculados, mesmo que, ao contrario de como alguns pretendem limitar por meio de Instruções Normativas. Fl. 763DF CARF MF Processo nº 10925.000655/200956 Acórdão n.º 9303007.131 CSRFT3 Fl. 6 5 De fato, salvo melhor juízo, não se vê razão para que conceito de insumo seja determinado pelos mesmos critérios utilizados na apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, contudo, respeito posicionamentos contrários. A legislação que introduziu o Sistema NãoCumulativo de apuração das Contribuições define sua base de cálculo como sendo o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, compreendendo a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Feitas as exclusões expressamente relacionadas nas Leis, tudo o mais deve ser incluído na base imponível. Levandose em consideração a incumulatividade tributária traz em si a idéia de que a incidência não ocorra ao longo das diversas etapas de um determinado processo sem que o contribuinte possa reduzir de seu encargo aquilo do que foi onerado no momento anterior, ainda que considerássemos todas as particularidades e atipicidades do Sistema não cumulativo próprio das Contribuições, terminaríamos por concluir que, a um débito tributário calculado sobre o total das receitas, haveria de fazer frente um crédito calculado sobre o totaldas despesas. Contudo, ainda que a interpretação teleológica conduza nessa direção, o fato é que os critérios de apuração das Contribuições não foram dessa forma definidos em Lei. Tal como consta no texto legal, o direito ao crédito, em definição genérica, admite apenas que se considerem as despesas com bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, jamais referindose à integralidade dos gastos da pessoa jurídica. Prova disso é que os gastos que não se incluem nesse conceito e dão direito ao crédito são listados um a um nos itens seguintes, de forma exaustiva. Neste quadro, para corroborar com minha interpretação, invoco as lições do Prof. Lenio Streck (p.242) que bem esclarece os limites de uma correta interpretação jurídica: “Então, ao contrário do que se diz na dogmática jurídica, não interpretamos para, só depois, compreender. Na verdade, compreendemos para interpretar, sendo a interpretação a explicitação de compreendido, para usar as palavras de Gadamer, em seu Wahrheit und Method. Essa explicitação (justificação do compreendido) necessita sempre de uma estruturação no plano 1argumentativo (é o que se pode denominar de o “como apofântico”). A explicitação da resposta de cada caso deverá estar sustentada em consistente justificação, contendo a reconstrução do direito, doutrinária e jurisprudencialmente, confrontando tradições, enfim, colocando a lume a fundamentação jurídica que, ao fim e ao cabo, legitimará a decisão no plano do que se entende por responsabilidade política do interprete no paradigma do Estado Democrático de Direito2”. Outrossim, se admitíssemos a tese de que insumo denota conceito amplo, abrangendo todos os gastos destinados à obtenção do resultado da pessoa jurídica, nos depararíamos com uma flagrante distorção promovida no amplo reconhecimento ao direito de crédito para o setor industrial ou prestador de serviços, em detrimento ao setor comercial, para o qual o direito teria ficado restrito apenas aos gastos com bens adquiridos para revenda. 1 2 STRECK, Lenio Luiz. Hermenêutica, Estado e Política: uma visão do papel da Constituição em países periféricos. In CADEMARTORI, Daniela Mesquita Leutchuk e GARCIA, Marcos Leite (org.). Reflexões sobre Política e Direito – Homenagem aos Professores Osvaldo Ferreira de Melo e Cesar Luiz Pasold. Florianópolis: Conceito Editorial, 2008; p. 242. Fl. 764DF CARF MF Processo nº 10925.000655/200956 Acórdão n.º 9303007.131 CSRFT3 Fl. 7 6 Insumos, tal como definido e para os fins a que se propõe o artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, são apenas as mercadorias, bens e serviços que, assim como no comércio, estejam diretamente vinculados à operação na qual se realiza o negócio da empresa. Na atividade comercial, sendo o negócio a venda dos bens no mesmo estado em que foram comprados, o direito ao crédito restringese ao gasto na aquisição para revenda. Na indústria, uma vez que a transformação é intrínseca à atividade, o conceito abrange tudo aquilo que é diretamente essencial a produção do produto final, conceito igualmente válido para as empresas que atuam na prestação de serviços. Somente a partir desta lógica é que os créditos admitidos na indústria e na prestação de serviços observarão o mesmo nível de restrição determinado para os créditos admitidos no comércio. Em que pese esta E. Câmara Superior já ter definido o conceito de insumos, a matéria foi levada ao poder judiciário e, em recente decisão o Superior Tribunal de Justiça – STJ sob julgamento no rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), estabeleceu conceito de insumo tomando como diretrizes os critérios da essencialidade e/ou relevância. Senão vejamos: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Fl. 765DF CARF MF Processo nº 10925.000655/200956 Acórdão n.º 9303007.131 CSRFT3 Fl. 8 7 Contribuinte. (Resp n.º Nº 1.221.170 PR (2010/02091150), Relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho). Como visto, a Relatora Ministra Regina Helena Costa, reiterou os conceitos do que já vínhamos decidindo, definiu como conceito a essencialidade e relevância. Vejamos: Essencialidade considerase o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; Relevância considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Deste modo, inferese do voto da Ministra Regina Costa que o conceito de insumo deve “ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância, considerandose a imprescindibilidade ou ainda a importância de determinado item, bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”, ou seja, caracterizase insumos, para fins das contribuições do PIS e da COFINS, todos os bens e serviços, empregados direta ou indiretamente na prestação de serviços, na produção ou fabricação de bens ou produtos e que se caracterizem como essenciais e/ou relevantes à atividade econômica da empresa. Sem embargo, restou ainda decidido ilegais as IN´s nºs 247/2002 e 404/2004, que tratam de conceito de muito restritivo de insumo para as contribuições em pauta, uma vez que somente se enquadrariam os bens e serviços “aplicados ou consumidos” diretamente no processo produtivo. Desta forma, o STJ adotou conceito intermediário de insumo para fins da apropriação de créditos de PIS e COFINS, o qual não é tão restrito como definido na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados, nem tão amplo como estabelecido no Regulamento do Imposto de Renda, mas que privilegia a essencialidade e/ou relevância de determinado bem ou serviço no contexto das especificidades da atividade empresarial de forma particularizada. Neste aspecto, observase que se trata de matéria essencialmente de prova de ônus do contribuinte. Compulsando aos autos, verifico que a atividade empresária da Contribuinte destina se a produção de portas de madeira. Quanto aos produtos utilizados em embalagens para transporte (fita adesiva, filme película, película de polietileno, fita Uniflec, papel, chapa de papelão ondulada, tiras de papelão, folha plástica, embalagem para parquet, sacos plásticos, fita gomada perfurada, embalagem plástica.) entendo essencial a atividade empresária desenvolvida pela Contribuinte, passível de creditamento do Pis e da Cofins. No que tange o direito a crédito na aquisição de peças de reposição e serviços de manutenção em máquinas, verifico que também são essenciais ao processo de produção da Contribuinte, as citadas peças de reposição e serviços de manutenção industrial são adquiridas para conservação das máquinas e equipamentos utilizados na fabricação dos produtos, com objetivo de garantir a qualidade dos produtos industrializados pela Contribuinte. Fl. 766DF CARF MF Processo nº 10925.000655/200956 Acórdão n.º 9303007.131 CSRFT3 Fl. 9 8 Ademais, a utilização de peças e serviços não geram aumento de vida útil do bem, apenas mantém as máquinas e equipamentos em condições aptas de funcionamento. São bens consumidos no processo de industrialização, que se desgastam e perdem propriedades físicas e químicas sem integrar o produto final. Destarte, o conceito de "insumo" utilizado pelo legislador para fins de creditamento do Pis e da COFINS, apresenta um campo maior do que o MP, PI e ME, relacionados ao IPI, tal abrangência não é tão flexível como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e despesas necessárias à atividade da empresa. Por outro lado, para que se mantenha equilíbrio, os insumos devem estar relacionados diretamente com a produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este produto não entre em contato direto com os bens produzidos. Neste sentido, o inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.833/03, permite a utilização do crédito de PIS/COFINS no regime não cumulativo nas seguintes hipóteses: “I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2o desta Lei; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2 da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X vale transporte, vale refeição ou vale alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção". Fl. 767DF CARF MF Processo nº 10925.000655/200956 Acórdão n.º 9303007.131 CSRFT3 Fl. 10 9 Como se vê, o conteúdo do inciso II supra, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS, referente aos produtos utilizados como embalagem de transporte e na aquisição de peças de reposição e serviços de manutenção em máquinas utilizadas no processo produtivo da Contribuinte." (...) Entendimento que prevaleceu quanto ao direito de crédito sobre as embalagens de transporte. "Com todo respeito ao voto do ilustre relator, porém discordo de suas conclusões a respeito da possibilidade de apuração de créditos da não cumulatividade do PIS sobre as embalagens utilizadas somente para o transporte do produto industrializado. A discussão gira em torno do conceito de insumos para fins do creditamento do PIS no regime da nãocumulatividade previsto na Lei 10.637/2002. Como visto a relatora aplicou o entendimento, bastante comum no âmbito do CARF, de que para dar direito ao crédito basta que o bem ou o serviço adquirido seja essencial para o exercício da atividade produtiva por parte do contribuinte. É uma interpretação bastante tentadora do ponto de vista lógico, porém, na minha opinião não tem respaldo na legislação que trata do assunto. Confesso que já compartilhei em parte deste entendimento, adotando uma posição intermediária quanto ao conceito de insumos. Porém, refleti melhor, e hoje entendo que a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. O objeto de discussão no recurso especial da Fazenda Nacional é quanto a possibilidade de manutenção de créditos da não cumulatividade do PIS e da Cofins sobre as embalagens destinadas precipuamente ao transporte de seu produto final. No presente caso a discussão é sobre os gastos utilizados pelo contribuinte para embalar o seu produto acabado (portas de madeira) para fins de seu transporte. Não se trata da embalagem normal relativa a encerramento do processo produtivo e dele integrante, mas referentes ao gasto com o transporte do produto após o encerramento do processo produtivo do bem destinado a venda. O acórdão recorrido entendeu pela possibilidade de tal creditamento, afirmando que não faz diferença o fato de ser embalagem para o transporte do produto com as demais embalagens, como as de apresentação. Portanto ele entendeu que o uso da embalagem é essencial para a preservação das características dos seus produtos, durante o transporte até os pontos de venda. A Fazenda Nacional insurgese contra esta possibilidade argumentando em apertada síntese pela falta de previsão legal para a concessão dos créditos nesta hipótese. Como já dito, adoto um conceito de insumos bem mais restritivo do que o conceito da essencialidade, adotados pelo acórdão recorrido e pelo relator do voto vencido. Nesse sentido, importante transcrever o art. 3º da Lei nº 10.637/2002, que trata das possibilidades de creditamento do PIS: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Fl. 768DF CARF MF Processo nº 10925.000655/200956 Acórdão n.º 9303007.131 CSRFT3 Fl. 11 10 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; Fl. 769DF CARF MF Processo nº 10925.000655/200956 Acórdão n.º 9303007.131 CSRFT3 Fl. 12 11 II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...) Ora, segundo este dispositivo legal, somente geram créditos da contribuição custos com bens e serviços utilizados como insumo na fabricação dos bens destinados a venda. Note que o dispositivo legal descreve de forma exaustiva todas as possibilidades de creditamento. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita não necessitaria ter sido elaborado desta forma, bastava um único artigo ou inciso. Não necessitaria ter descido a tantos detalhes. No presente caso é incontroverso que as embalagens que se discute são as destinadas precipuamente para o transporte dos produtos. Não discordo da conclusão do acórdão recorrido de que o uso da embalagem é essencial para a preservação das características dos seus produtos, durante o transporte até os pontos de venda. Penso inclusive, que em maior ou menor grau, a depender do produto final, esta é a finalidade mesmo da embalagem de transporte. Mas o legislador restringiu a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Portanto após o encerramento do processo produtivo não é possível tal creditamento, a não ser nas hipóteses expressamente previstas na legislação, a exemplo do aproveitamento do crédito do frete na operação de venda (situação excepcionada expressamente pela Lei). Assim, por se tratar de gastos efetuados após o encerramento do processo produtivo em relação aos quais não há previsão na legislação de regência, voto por dar provimento parcial ao recurso especial da Fazenda Nacional, no sentido de restabelecer as glosas de créditos em relação aos gastos com embalagens destinadas ao transporte do produto final." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento parcial, para restabelecer as glosas de créditos em relação aos gastos com embalagens destinadas ao transporte do produto final. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 770DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.907203/2008-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.496
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Relatório
1. Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte deste, o relatório constante da decisão de primeira instância:
O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório [...] referente ao PER/DCOMP n° 42344.67685.140904.1.3.04-2831[...].
A Declaração de Compensação foi gerada pelo programa PER/DCOMP transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório, correspondente a Pagamento Indevido ou a Maior de IRPJ, recolhido em 30/09/2003 [...] e de compensar os débitos discriminados no referido PER/DCOMP [...].
Das análises processadas foi constatado que a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA.
Como enquadramento legal citou-se: arts. 165 e 170, da Lei n° 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN), art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996.
DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE
Cientificado do Despacho Decisório [...], o interessado apresenta manifestação de inconformidade [...], argumentando que:
- detectou erro quanto à especificação do tipo de crédito tributário na DCOMP.
- o crédito tributário se refere a saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e não pagamento indevido ou maior.
- de fato o DARF estava comprometido com o IRPJ Estimativa devida na competência de agosto de 2003, vinculação na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF do débito.
- quando da apuração do Lucro Real Anual em dezembro de 2003, os valores recolhidos a título de estimativa foram superiores ao devido no período de apuração, restando saldo negativo do Lucro Real.
- no ano de 2003 recolheu a título de estimativa de IRPJ o valor de R$ 227.538,27[...], em dezembro do mesmo ano apurou prejuízo fiscal. Não havendo IRPJ devido [...], resultando em recolhimento a maior no valor de R$ 227.538,27.
- a Lei n° 9.430, de 1996 em seu art. 6°, §1°, item II, estabelece que o saldo do imposto a ser pago recolhido por estimativa será compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subsequente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos a restituição do montante pago a maior.
- o erro no preenchimento da declaração PER/DCOMP não elimina a existência do crédito tributário.
A vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer que seja acolhida a presente Manifestação de inconformidade para o fim de assim ser decidido, homologando a compensação declarada.
2. Em sessão de 19 de janeiro de 2010, a 2ª Turma da DRJ/BHE, por unanimidade de votos, considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade para não reconhecer o direito creditório, nos termos do voto relator, Acórdão nº 02-25.176, cuja ementa recebeu o seguinte descritivo:
ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2004
Retificação da Declaração de Compensação.
A retificação da DCOMP somente é possível na hipótese de inexatidões materiais cometidas no seu preenchimento, da forma prescrita na legislação tributária vigente e somente para as declarações ainda pendentes de decisão administrativa na data da sua apresentação.
Manifestação de inconformidade improcedente.
Direito creditório não reconhecido.
3. A DRJ/BHE não acatou os argumentos da Recorrente, em síntese, sob os seguintes fundamentos:
3.1. Apesar de constar nos documentos juntados que a Recorrente recolheu IRPJ por estimativa, não há que se falar em saldo negativo de IRPJ em razão da Interessada não ter optado por exercer a faculdade de deduzir o IRPJ pago por estimativa, prevista no artigo 2º, §4º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, visto que a linha 17 da Ficha 09A da DIPJ 2004 está zerada. Portanto, não há saldo negativo de IRPJ oriundo de pagamento por estimativa.
3.2. A opção pela dedução do IRPJ pago por estimativa deve ser exercida na DIPJ dentro do prazo legal, não devendo ser reconhecida a dedução efetuada extemporaneamente. No mais, a retificação de ofício da declaração de rendimentos para modificar a dedução de IRPJ é incabível, visto que o não exercício dessa opção não se caracteriza como erro de fato.
3.3. Quanto ao pedido de compensação, a própria Recorrente afirma que errou no preenchimento da DCOMP quanto à especificação do tipo de crédito tributário, pois o crédito se refere a saldo negativo de IRPJ apurado no ano-calendário de 2003 e não pagamento indevido ou a maior de IRPJ. Sustenta que o contribuinte tem a obrigação de indicar corretamente qual a origem do crédito para exercer o direito à restituição e que o referido erro é insanável.
4. Cientificada da decisão (AR de 17/05/2010), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 14/06/2010, reiterando as razões já expostas em sede de Manifestação de Inconformidade e reforçando que: (i) a Recorrente comprovou que efetuou recolhimentos de IRPJ por estimativa ao longo do ano de 2003 e ao final do exercício apurou prejuízo fiscal, resultando em saldo negativo de IRPJ; (ii) o crédito existia, fato este que não foi negado pelo acórdão da DRJ/BHE; e (iii) o impedimento do exercício do direito à restituição se deu sob alegação de descumprimento de mera formalidade no preenchimento de formulário e ignora a realidade fática.
5. Ao final, requer seja acolhido o Recurso Voluntário para o fim de reconhecer a existência do seu crédito e para homologar as declarações de compensação apresentadas.
É o relatório.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte deste, o relatório constante da decisão de primeira instância: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório [...] referente ao PER/DCOMP n° 42344.67685.140904.1.3.04-2831[...]. A Declaração de Compensação foi gerada pelo programa PER/DCOMP transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório, correspondente a Pagamento Indevido ou a Maior de IRPJ, recolhido em 30/09/2003 [...] e de compensar os débitos discriminados no referido PER/DCOMP [...]. Das análises processadas foi constatado que a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citou-se: arts. 165 e 170, da Lei n° 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN), art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório [...], o interessado apresenta manifestação de inconformidade [...], argumentando que: - detectou erro quanto à especificação do tipo de crédito tributário na DCOMP. - o crédito tributário se refere a saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e não pagamento indevido ou maior. - de fato o DARF estava comprometido com o IRPJ Estimativa devida na competência de agosto de 2003, vinculação na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF do débito. - quando da apuração do Lucro Real Anual em dezembro de 2003, os valores recolhidos a título de estimativa foram superiores ao devido no período de apuração, restando saldo negativo do Lucro Real. - no ano de 2003 recolheu a título de estimativa de IRPJ o valor de R$ 227.538,27[...], em dezembro do mesmo ano apurou prejuízo fiscal. Não havendo IRPJ devido [...], resultando em recolhimento a maior no valor de R$ 227.538,27. - a Lei n° 9.430, de 1996 em seu art. 6°, §1°, item II, estabelece que o saldo do imposto a ser pago recolhido por estimativa será compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subsequente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos a restituição do montante pago a maior. - o erro no preenchimento da declaração PER/DCOMP não elimina a existência do crédito tributário. A vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer que seja acolhida a presente Manifestação de inconformidade para o fim de assim ser decidido, homologando a compensação declarada. 2. Em sessão de 19 de janeiro de 2010, a 2ª Turma da DRJ/BHE, por unanimidade de votos, considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade para não reconhecer o direito creditório, nos termos do voto relator, Acórdão nº 02-25.176, cuja ementa recebeu o seguinte descritivo: ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2004 Retificação da Declaração de Compensação. A retificação da DCOMP somente é possível na hipótese de inexatidões materiais cometidas no seu preenchimento, da forma prescrita na legislação tributária vigente e somente para as declarações ainda pendentes de decisão administrativa na data da sua apresentação. Manifestação de inconformidade improcedente. Direito creditório não reconhecido. 3. A DRJ/BHE não acatou os argumentos da Recorrente, em síntese, sob os seguintes fundamentos: 3.1. Apesar de constar nos documentos juntados que a Recorrente recolheu IRPJ por estimativa, não há que se falar em saldo negativo de IRPJ em razão da Interessada não ter optado por exercer a faculdade de deduzir o IRPJ pago por estimativa, prevista no artigo 2º, §4º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, visto que a linha 17 da Ficha 09A da DIPJ 2004 está zerada. Portanto, não há saldo negativo de IRPJ oriundo de pagamento por estimativa. 3.2. A opção pela dedução do IRPJ pago por estimativa deve ser exercida na DIPJ dentro do prazo legal, não devendo ser reconhecida a dedução efetuada extemporaneamente. No mais, a retificação de ofício da declaração de rendimentos para modificar a dedução de IRPJ é incabível, visto que o não exercício dessa opção não se caracteriza como erro de fato. 3.3. Quanto ao pedido de compensação, a própria Recorrente afirma que errou no preenchimento da DCOMP quanto à especificação do tipo de crédito tributário, pois o crédito se refere a saldo negativo de IRPJ apurado no ano-calendário de 2003 e não pagamento indevido ou a maior de IRPJ. Sustenta que o contribuinte tem a obrigação de indicar corretamente qual a origem do crédito para exercer o direito à restituição e que o referido erro é insanável. 4. Cientificada da decisão (AR de 17/05/2010), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 14/06/2010, reiterando as razões já expostas em sede de Manifestação de Inconformidade e reforçando que: (i) a Recorrente comprovou que efetuou recolhimentos de IRPJ por estimativa ao longo do ano de 2003 e ao final do exercício apurou prejuízo fiscal, resultando em saldo negativo de IRPJ; (ii) o crédito existia, fato este que não foi negado pelo acórdão da DRJ/BHE; e (iii) o impedimento do exercício do direito à restituição se deu sob alegação de descumprimento de mera formalidade no preenchimento de formulário e ignora a realidade fática. 5. Ao final, requer seja acolhido o Recurso Voluntário para o fim de reconhecer a existência do seu crédito e para homologar as declarações de compensação apresentadas. É o relatório.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 07 20 3/ 20 08 -3 6 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10680.907203/200836 Resolução nº 1201000.496 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório 1. Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte deste, o relatório constante da decisão de primeira instância: “O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório [...] referente ao PER/DCOMP n° 42344.67685.140904.1.3.042831[...]. A Declaração de Compensação foi gerada pelo programa PER/DCOMP transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório, correspondente a Pagamento Indevido ou a Maior de IRPJ, recolhido em 30/09/2003 [...] e de compensar os débitos discriminados no referido PER/DCOMP [...]. Das análises processadas foi constatado que a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei n° 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório [...], o interessado apresenta manifestação de inconformidade [...], argumentando que: detectou erro quanto à especificação do tipo de crédito tributário na DCOMP. o crédito tributário se refere a saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e não pagamento indevido ou maior. de fato o DARF estava comprometido com o IRPJ Estimativa devida na competência de agosto de 2003, vinculação na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF do débito. quando da apuração do Lucro Real Anual em dezembro de 2003, os valores recolhidos a título de estimativa foram superiores ao devido no período de apuração, restando saldo negativo do Lucro Real. no ano de 2003 recolheu a título de estimativa de IRPJ o valor de R$ 227.538,27[...], em dezembro do mesmo ano apurou prejuízo fiscal. Não havendo IRPJ devido [...], resultando em recolhimento a maior no valor de R$ 227.538,27. a Lei n° 9.430, de 1996 em seu art. 6°, §1°, item II, estabelece que o saldo do imposto a ser pago recolhido por estimativa será compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subsequente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos a restituição do montante pago a maior. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10680.907203/200836 Resolução nº 1201000.496 S1C2T1 Fl. 4 3 o erro no preenchimento da declaração PER/DCOMP não elimina a existência do crédito tributário. A vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer que seja acolhida a presente Manifestação de inconformidade para o fim de assim ser decidido, homologando a compensação declarada.” 2. Em sessão de 19 de janeiro de 2010, a 2ª Turma da DRJ/BHE, por unanimidade de votos, considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade para não reconhecer o direito creditório, nos termos do voto relator, Acórdão nº 0225.176, cuja ementa recebeu o seguinte descritivo: “ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2004 Retificação da Declaração de Compensação. A retificação da DCOMP somente é possível na hipótese de inexatidões materiais cometidas no seu preenchimento, da forma prescrita na legislação tributária vigente e somente para as declarações ainda pendentes de decisão administrativa na data da sua apresentação. Manifestação de inconformidade improcedente. Direito creditório não reconhecido”. 3. A DRJ/BHE não acatou os argumentos da Recorrente, em síntese, sob os seguintes fundamentos: 3.1. Apesar de constar nos documentos juntados que a Recorrente recolheu IRPJ por estimativa, não há que se falar em saldo negativo de IRPJ em razão da Interessada não ter optado por exercer a faculdade de deduzir o IRPJ pago por estimativa, prevista no artigo 2º, §4º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, visto que a linha 17 da Ficha 09A da DIPJ 2004 está zerada. Portanto, não há saldo negativo de IRPJ oriundo de pagamento por estimativa. 3.2. A opção pela dedução do IRPJ pago por estimativa deve ser exercida na DIPJ dentro do prazo legal, não devendo ser reconhecida a dedução efetuada extemporaneamente. No mais, a retificação de ofício da declaração de rendimentos para modificar a dedução de IRPJ é incabível, visto que o não exercício dessa opção não se caracteriza como erro de fato. 3.3. Quanto ao pedido de compensação, a própria Recorrente afirma que errou no preenchimento da DCOMP quanto à especificação do tipo de crédito tributário, pois o crédito se refere a saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2003 e não pagamento indevido ou a maior de IRPJ. Sustenta que o contribuinte tem a obrigação de indicar corretamente qual a origem do crédito para exercer o direito à restituição e que o referido erro é insanável. 4. Cientificada da decisão (AR de 17/05/2010), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 14/06/2010, reiterando as razões já expostas em sede de Manifestação de Inconformidade e reforçando que: (i) a Recorrente comprovou que efetuou recolhimentos de IRPJ por estimativa ao longo do ano de 2003 e ao final do exercício apurou prejuízo fiscal, Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10680.907203/200836 Resolução nº 1201000.496 S1C2T1 Fl. 5 4 resultando em saldo negativo de IRPJ; (ii) o crédito existia, fato este que não foi negado pelo acórdão da DRJ/BHE; e (iii) o impedimento do exercício do direito à restituição se deu sob alegação de descumprimento de mera formalidade no preenchimento de formulário e ignora a realidade fática. 5. Ao final, requer seja acolhido o Recurso Voluntário para o fim de reconhecer a existência do seu crédito e para homologar as declarações de compensação apresentadas. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.483, de 11/06/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10680.903455/200896, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. No processo paradigma o contribuinte solicitou a compensação de débitos com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ, recolhido em 30/05/2003 e, nos presentes autos, o contribuinte solicita a compensação de débitos com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior que o devido de IRPJ recohido em 30/09/2003. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.483): "6. O recurso é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. 7. Alinhome ao entendimento de que a Administração não pode ficar restrita ao que as partes demonstram no curso do processo, mas deve buscar a verdade material. 8. In casu, a douta DRJ poderia, ao invés de julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, ter baixado os autos em diligência para esclarecimentos dos fatos e análise de provas. Tal iniciativa cooperativa, inclusive, traria maior celeridade e eficiência processual, bem como teria otimizado o custo deste processo para o Estado1. 1 Em consonância com os seguintes dispositivos: Lei nº 13.105/2015 "Art. 5º Aquele que de qualquer forma participa do processo deve comportarse de acordo com a boafé. Art. 6º Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva. Art. 7º É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10680.907203/200836 Resolução nº 1201000.496 S1C2T1 Fl. 6 5 9. No mais, em homenagem ao princípio da verdade material, considero que assiste razão a contribuinte quando sustenta que meros erros no preenchimento de declarações não são suficientes para motivar o não reconhecimento do seu direito creditório. 10. Contudo, em linha com a jurisprudência deste E. Conselho, é imprescindível que tais erros sejam claramente demonstrados por meio de documentação hábil e idônea, em especial com base na análise de registros contábeis e fiscais e da documentação que lhe serve de suporte, a qual necessariamente deve ser mantida pelo contribuinte enquanto se pretender obter os efeitos fiscais correspondentes, nos termos do artigo 195, parágrafo único, do Código Tributário Nacional CTN e dos artigos 264 e 923 do RIR/99. 11. Reforçando essas diretrizes, transcrevo a seguinte ementa: "ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DCTF. DECLARAÇÕES RETIFICADORAS. COMPROVAÇÃO. CRÉDITO RECONHECIDO. Comprovado que o débito confessado em estava equivocado mediante apresentação de declaração retificadora, DIPJ e elementos da escrituração contábil que corroboram o valor declarado/confessado nessa declaração retificadora, reconhecese o direito de crédito homologandose as compensações pleiteadas até esse limite." (Processo nº 13971.901692/201131, Acórdão nº 1402002.379, 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária / 1ª Seção, Sessão de 26.01.2017, Relator: Fernando Brasil de Oliveira Pinto) (grifos nossos). 12. O direito creditório do contribuinte só pode ser obstado diante de três hipóteses (i) se reconhecida decadência do direito pleiteado; (ii) se os valores já tiverem sido compensados; e (iii) quando a documentação suporte é insuficiente para demonstrar a origem do crédito e/ou não esclarece de forma assertiva e sem contradições a composição dos valores discutidos. 13. Logo, somente diante da comprovação pela autoridade fiscal de uma dessas três hipóteses é que o direito creditório não deve ser reconhecido. 14. Considero que não há, no presente caso, controvérsia acerca do preenchimento do requisito (i) constante do item 12, mas do (ii) e (iii). 15. No mais, é incontroverso que entre maio de 2003 e novembro de 2003 a Recorrente recolheu o IRPJ por Estimativa relativo às Art. 8º Ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins sociais e às exigências do bem comum, resguardando e promovendo a dignidade da pessoa humana e observando a proporcionalidade, a razoabilidade, a legalidade, a publicidade e a eficiência." Lei nº 9.784/1999 "Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência." "Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo." Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10680.907203/200836 Resolução nº 1201000.496 S1C2T1 Fl. 7 6 competências de abril a outubro de 2003 no total de R$277.538,27, conforme demonstrado nas guias de fls. 18/20. 16. Em dezembro de 2003, apurouse prejuízo fiscal e constatouse que não era devido IRPJ para o ano de 2003, daí a origem do direito creditório em exame, pagamento a maior de IRPJ no anocalendário de 2003. 17. Ocorre que, a DRJ (fls. 29/32) considerou que o despacho decisório (fl. 4) não merece reformas porque o erro cometido pelo contribuinte é material e, portanto, tratase de vício insanável. 18. Por outro lado, a Recorrente, tanto em sede de Manifestação de Inconformidade quanto em seu Recurso Voluntário, afirma que, apesar de ter errado no preenchimento do formulário de compensação sobre a origem do crédito ao preencher como “pagamento indevido ou a maior” ao invés de “saldo negativo de IRPJ” o crédito decorrente do recolhimento de IRPJ estimativa não deixou de existir. 19. Para comprovar suas alegações, a Recorrente apresenta documentação probatória hábil, tais como: (i) seis DARFs de recolhimento de IRPJ referente ao segundo e terceiro trimestres de 2003 (fls.18/20); (ii) fichas 09A e 17 do ano calendário de 2003 da DIPJ original (fls.13/14); e (iii) a totalização por tributo e contribuição no segundo, terceiro e quarto trimestre de 2003 da DCTF. 20. A priori, a documentação trazida pela Recorrente cumpre o disposto no artigo 923 do RIR2 e é capaz de viabilizar o reconhecimento do direito creditório do contribuinte. 21. Contudo, deve ser verificada, à luz da documentação contábil, fiscal e demais provas suporte, a liquidez e certeza dos créditos constantes dos pedidos de compensação nos períodos em análise. 22. Em face do exposto, voto pela conversão do presente julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da Receita Federal da circunscrição da contribuinte: (i) providencie a juntada aos autos cópia integral da DIPJ 2004, ano calendário de 2003; (iii) verifique as DCTFs apresentadas, efetuando a apuração do crédito relativo a cada um dos meses para fins de verificação de recolhimentos a maior de estimativa mensal, observandose, no que couber, as disposições da IN RFB nº 1.110/2010; (iii) faça o cotejamento desses créditos com as Dcomps relativas ao saldo negativo de IRPJ no anocalendário 2003, procedendo à valoração para fins de verificação de suficiência destes, considerando se, inclusive, alguma Dcomp porventura já homologada. 23. Para fins dessa verificação, a contribuinte poderá ser intimada a apresentar livros e documentos. 2 "Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais." Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10680.907203/200836 Resolução nº 1201000.496 S1C2T1 Fl. 8 7 24. Após a conclusão da diligência, a autoridade fiscal responsável deverá elaborar Relatório Conclusivo, com posterior ciência à Recorrente, para que, se assim desejar, se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias e na seqüência retornem os autos ao E. CARF para julgamento. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, converto o julgamento em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 62DF CARF MF
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