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Numero do processo: 10120.005852/2007-65
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2006 a 30/09/2006
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DA NFLD - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AFERIÇÃO INDIRETA.
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, utilizando o critério proporcional à área construída para apuração dos valores devidos a título de mão de obra.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS E MULTA DE MORA - ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 - RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA - ART. 106, II, C, CTN
Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A, para disciplinar a multa de ofício.
Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica.
Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35-A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-002.740
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte.
Carlos Alberto Mees Stringari Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Marcelo Magalhães Peixoto e Daniele Souto Rodrigues.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2006 a 30/09/2006 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DA NFLD - INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AFERIÇÃO INDIRETA. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, utilizando o critério proporcional à área construída para apuração dos valores devidos a título de mão de obra. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS E MULTA DE MORA - ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 - RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA - ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35-A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2006 a 30/09/2006 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DA NFLD INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AFERIÇÃO INDIRETA. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, utilizando o critério proporcional à área construída para apuração dos valores devidos a título de mão de obra. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 58 52 /2 00 7- 65 Fl. 1671DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. 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Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Marcelo Magalhães Peixoto e Daniele Souto Rodrigues. Fl. 1672DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.005852/200765 Acórdão n.º 2403002.740 S2C4T3 Fl. 1.672 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado contra Acórdão nº 0332.792 – 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Brasília DF que julgou procedente em parte a autuação por descumprimento de obrigação principal, NFLD – Notificação Fiscal de Lançamento de Débito nº. 37.096.6503 com valor consolidado inicial de R$ 343.198,17 retificado para R$ 191.683,95. O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social correspondente às parcelas devidas pela empresa, incluindo o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho SAT/RAT, à parte dos segurados empregados e as destinadas a Terceiros outras entidades e fundos, lançado na competência 09/2006. De acordo com o Relatório Fiscal, fls. 99/110, o lançamento foi arbitrado mediante aferição indireta da área construída na obra denominada Residencial Maison Constance , matricula CEI 38.780.01590/79, correspondendo a 13.003,69 m2. Ainda o Relatório Fiscal informa que o contribuinte atua como empresa do ramo de construção civil, estabelecida em Goiânia, com empreendimentos localizados em Goiás e em outras Unidades da Federação, bem como a exploração concomitante de outras atividades empresariais, tais como: concessão para exploração de terminais rodoviários e gerenciamento e administração de shoppings centers. Na atividade de construção civil a empresa executou obras por administração, por empreitada total e por incorporação. Prestou também serviços, realizou empreitadas parciais e executou pequenas obras. O Relatório da decisão de primeira instância, às fls. 1205, relaciona os motivos da desconsideração da contabilidade que determinou então o procedimento de arbitramento: a) A empresa deixou de exibir diversos livros e documentos em sua integralidade relacionados com as contribuições previdenciárias tais como: (Livro "Diário" do exercício de 2006; folhas de pagamento relativas às obras, planilha fls. 112/116; Livros de Inspeção do Trabalho, planilha fls. 118; notas fiscais de empreiteiras e cooperativas de trabalho, planilha fls. 120/289; notas fiscais dos prestadores de serviços mediante cessão de mão de obra, contratados pela empresa; notas fiscais de serviços prestados pela empresa mediante cessão de mão de obra; b) No período abrangido pelos exercícios do ano de 2002 a 2005 (Livros Diários n° 51 a 62; 64 a 66, 69 a 78), a empresa não. escriturou sua contabilidade com a identificação por centros de custo que, no caso das construtoras, representa cada urna das obras realizadas, prejudicando a precisa apuração da real movimentação de remuneração dos trabalhadores de cada obra Fl. 1673DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 edificada. Além disso, após reconhecer a irregularidade praticada, não logrou êxito em corrigir a situação, tendo em vista não ter observado o disposto na Instrução Normativa n° 002, de 2006, do Departamento Nacional de Registro de Comércio, cópia da legislação às fls. 290/292; c) Nos exercícios de 2003 e 2004 constatouse que a empresa possui uma terceira escrituração contábil referente a uma re ratificação da retificação (Livros Diários n° 63, 67 e 68). Também nesses documentos houve escrituração em títulos impróprios (custos de uma obra registrados em outras); d) Em diversos exercícios foram identificados lançamentos incorretos em relação às rubricas que deveriam ter sido escriturados, fls. 294/307; e) Nos exercícios de 2003 e 2005 identificouse escriturações de despesas relativas a obras lançadas nas contas de despesas administrativas (5.02.42) e administração do ,terminal rodoviário de Goiânia (5.02.40), conforme planilha, fls. 307/309; f) Nos exercícios de 2004 e 2005 apurouse lançamentos de despesas com mãodeobra administrativa contratada para trabalho junto à entidade Obras Sociais do Centro Espírita Irmão Aureo (menores aprendizes), lançadas na obra de reforma e ampliação do terminal rodoviário de Goiânia, conforme planilha, fls. 311; g) No exercício de 2000 a empresa deixou de registrar em sua contabilidade as notas scais nos 2551 a 2555, emitidas pela prestação de serviços ao Consórcio Rodoviário Intermunicipal S/A — CRISA, alegando tratarse de substituição de faturamento de exercícios anteriores, em função de extravio de notas fiscais emitidas em 1998; h) Nas competências 10/2000 a 01/2001 detectouse resumos de folhas de pagamentos contendo discriminação de rubricas` não encontradas nas folhas de pagamentos ordinárias e sem os descontos previstos na legislação previdenciária. Tais documentos foram apreendidos mediante a lavratura do ÁGD i) Nos exercícios de 2000 a 2005 identificouse inúmeras folhas de pagamentos com divergência na contabilização, conforme planilha, fl. 377, tendo sido anexadas diversas cópias das folhas correspondentes, fls. 328/428; J ) Nos exercícios de 2000, 2001 e 2003, constatouse diversas obras com competências em que foram efetuados pagamentos de concreto usinado sem, entretanto, qualquer lançamento de remuneração da mãodeobra relacionada ao evento, planilha fls. 489; k) Nos exercícios de 2000 a 2006 diversas notas fiscais relativas a materiais e serviços empregados na execução de várias obras ou serviços, contudo, não foram identificados, na contabilidade, os correspondentes registros do faturamento destas obras, conforme cópias de diversos documentos, fls. 491/572; Fl. 1674DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.005852/200765 Acórdão n.º 2403002.740 S2C4T3 Fl. 1.673 5 1) Nos exercícios de 2000 a 2004 verificouse que a empresa mantém registro de pequenas obras — DPOGR. Tais controles, entretanto, apresentam incoerência, pois há competências com lançamentos de vale transporte e auxílio alimentação (PAT) se1n, contudo, registrar folhas de pagamentos, conforme planilha fls. 524/526; m) Nos exercícios 2000 a 2002 apurarseá a mesma ocorrência citada no item anterior, isto é, lançamentos de vale transporte e auxílio alimentação sem registro de folhas de pagamento em diversas obras, conforme planilha, 578/583; n) Nos exercícios 2000 a 2002 a empresa efetuou diversos lançamentos, registrando custos em obras com carta de habite se já emitida, isto é, encerradas, tendo sido observados registros de salários, vales transportes e auxílio alimentação, conforme planilha e fotocópias das cartas de habitese, fls. 585/596; O Relatório Fiscal aponta que, constatadas as irregularidades apontadas, considerandose que tais procedimentos comprometeram a avaliação da real movimentação da remuneração paga aos segurados empregados, houve a aferição da base de cálculo das contribuições de acordo com a previsão legal contida no'§ 4° do art. 33 da Lei n° 8.212, de 1991, bem como o § 3°e6°. Ainda, em relação ao critério adotado para aferição da base de cálculo, o Relatório da decisão de primeira instância aponta: Conforme já mencionado, o critério adotado para aferição da base de cálculo iç)i o cálculo proporcional à área construída da obra do "Residencial Maison Constance", matrícula CEI n" 38.780.01590/79, de acordo com os procedimentos previstos na legislação previdenciária, executada pela notificada em regime de empreitada global, correspondendo à 14.6213,97 m2 (responsabilidade da notificada igual a 88,89"/0, equivalente a 13.003,69m2), de acordo com o relalório fiscal, devidamente evidenciado pelo Aviso de Regularização de Obra — ARO, nu 598/606, tendo sido deduzidos da notificação os valores recolhidos pela empresa e identificados ene seu conta corrente na matrícula da obra, ns. 607; bem como as notas ciscais relacionadas ao uso de concreto usinado, planilha à H. 608/609; e os valores recolhidos e relacionados aos prestadores de serviços (empreiteiros e cooperativas), planilhas às nu 610/616. O período objeto da NFLD, conforme o Relatório Discriminativo Sintético de Débito DSD, é de 01/09/2006 a 30/09/2006. Conforme o Aviso para Regularização de Obra – ARO, às fls. 1143 a data de emissão do ARO é de 30/09/2006 corresponde à data de início da obra, que é de 01/01/2000, e à data de término da obra, que é de 31/01/2003. Fl. 1675DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 A Recorrente teve ciência da NFLD no dia 28.06.2007, conforme fls. 01. Contra a autuação, a Recorrente apresentou impugnação tempestiva onde alega, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: Preliminarmente 1) Questiona a exigüidade do tempo pára apresentação da impugnação, fato que prejudicou a defesa, dificultando e impedindo a agilidade da mesma; 2) Os auditoresfiscais recusaramse a entregar à impugnante os arquivos da ação fiscal em meio magnético (CD), o que tornou maior a dificuldade, impedindo que o trabalho de defesa fosse realizado com a precisão, agilidade e meios necessários; Erros de direito e de fato na desconsideração da contabilidade 3) O prazo para apresentação do Livro Diário de 2006 (um dos fundamentos para o arbitramento) tem início apenas em 31/07/2007, sendo assim, a empresa não estaria obrigada a apresentar a contabilidade do ano de 2006, tendo em vista o último TIAD expedido ter sido lavrado em 01/02/2007, evidenciando a ausência de fundamento para o arbitramento; 4) Ao contrário do que afirma a fiscalização, as folhas de pagamentos das diversas obras indicadas no item 5.1.b do relatório fiscal foram apresentadas, razão pela qual foram anexadas à presente impugnação; 5) Não compreende o conteúdo da informação prestada pela fiscalização no item 5.1.2 do Relatório Fiscal — Planilha elaborada com a relação de Notas Fiscais de Empreiteiras com o seguinte layout: notas fiscais apresentadas pela empresa, notas fiscais não Apresentadas e a diferença apurada; beira como a Relação de Notas Fiscais das Cooperativas de Trabalho, com layout idêntico; 6) Não entende os objetivos que levaram os agentes do fisco a escreverem os subitens 5.1.1 e 5.1.2 do Relatório Fiscal ora fustigado. Em um momento reclamais da falta de detalhamento na escrituração, em seguida, a empresa apura centro de custo detalhado também pelo custo líquido, sem que haja qualquer proibição para assim proceder. Evidenciando a contradição, os agentes do fisco informam que o procedimento não pode ser aceito. 7) Não concorda com a posição adotada pela fiscalização de que a contabilidade não foi escriturada por centros de custo. A empresa tem bastante tempo no mercado e i passou por diversas fiscalizações. Nessas oportunidades, sua contabilidade sempre foi considerada regular. Afirma que a decisão tomada pela autoridade lançadora baseouse em avaliação pessoal com excesso de rigor e comodismo em busca de facilidades. A prova de que a escrituração está identificada por centros de custo está no Recibo de Entrega de Arquivos Digitais e Relatório de Resumo de Validação de Arquivo, anexos ao pedido de re análise, protocolado em 05/10/2006, conforme documentos anexados à impugnação; Fl. 1676DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.005852/200765 Acórdão n.º 2403002.740 S2C4T3 Fl. 1.674 7 8) Questiona o fato de a contabilidade estar sendo desconsiderada no lançamento da presente notificação, contudo, em outros lançamentos (Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD's 37.096.6562, 37.055.3535, 37.055.3462), os registros contábeis ram utilizados corno base para cobrança pela fiscalização; 9) Em outros momentos, a contabilidade foi apresentada à fiscalização previdenciária que autorizou a emissão de Certidões Negativas de Débitos, regularizando 30, das 34 obras autuadas. Nessas oportunidades não houve argüição de que a escrituração contábil estaria em desacordo com as exigências legais. Assim, demonstrase que quase a totalidade das obras submeteramse ao crivo da fiscalização mediante exame da contabilidade e da documentação necessária para aferir a regularidade das'obras. Tal circunstância evidencia o arbítrio exagerado dos agentes fiscais ao desconsiderarem a contabilidade da impugnante, imputando débito astronômico apenas por escolher o caminho mais fácil para conduzir seus procedimentos; 10) Não procede a informação prestada pela fiscalização de que os livros 63, 67 e 68 são reratificações de escriturações anteriores. Esses documentos foram reimpressos em razão do extravio dos originais, tendo sido observados todos os preceitos contidos nas normas do DNRC. Os livros foram registrados na Junta Comercial com a mesma numeração, mas com protocolos diferentes. A nota de extravio foi devidamente publicada e registrada. O livro 63 referese ao período de 01 a 09/2003. Entretanto, por erro material, os livros 64, 65 e 66, abrangeram o mesmo período, contudo, os lançamentos feitos nestes são idênticos àqueles presentes no livro 63. O mesmo erro repetiuse nos livros 67 e 68. Além disso, essas observações combinadas com a manifestação acerca da ausência de centros de custo, demonstram que os agentes fiscais nem tocaram os livros apresentados, pois se assim tivessem feito teriam percebido que os mesmos tratavamse de reimpressão dos valores lançados nos demais; 11) Em relação à informação prestada no item 5.3 do Relatório Fiscal, a empresa afirma que a escrituração foi refeita consoante orientação da auditora Vanuza de Oliveira Leme coro o objetivo de obter a Certidão Negativa de Débito da obra CAIPE, matricula n° 39.380.01.948/78; 12) Quanto ao item 5.14, os menores aprendizes prestaram serviços na administração da obra RODEX, tendo sido efetuados lançamentos no sistema para pagamento dos encargos decorrentes de tal prestação; 13) As autuações lavradas pela Delegacia Regional do Trabalho caracterizam vínculo empregatício após o exaurimento das instâncias administrativas de julgamento. Ademais, nos casos específicos, as decisões proferidas até o momento foram favoráveis à impugnante; Fl. 1677DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 14) Referente ao item 5.6, ao contrário ,do que afirma a fiscalização, as folhas de pagamentos das obras foram exibidas e estão totalizadas de acordo com a legislação previdenciária. A existência de eventuais divergências decorre da necessidade de emissão de folhas complementares que atendem situações específicas (rescisão de contrato de trabalho, rescisão complementar, dissídios ou acordos coletivos, pendências judiciais, etc); 15) Afirma que instruções normativas não obrigam o contribuinte, tendo em vista o Princípio da Legalidade vigente no país, 16) No item 5.10 deve ser destacado que o Vale Transporte e o Programa de Alimentação do Trabalhador não são fatos geradores de contribuições previdenciárias; 17) Em relação ao item 5.9, registrese que à presunção de legitimidade do atos administrativos é limitada, relativa e a utilização de indícios apenas não produz os resultados que a fiscalização pretende ao desconsiderar a contabilidade da impugnante; 18) Ainda no item 5.9, as siglas utilizadas pela impugnante para identificação das obras são mais do que suficientes para serem utilizadas pela fiscalização; 19) Registra que houve caracterização'.de desvio de poder à medida que os agentes fiscais tinham a intenção premeditada de prejudicar a defendente. 20) A inexistência de registro de folhas d( pagamentos na conta DPOGR ocorreu por se tratar de pequenas obras, serviços de curto prazo prestados por empregados cuja atividade não completava o ciclo mensal, isto é, muitas obras de pequeno porte prestadas pelos mesmos empregados cuja remuneração era contabilizada na folha de pagamento da Administração; 21) Os registros de custos em obras encerradas, item 5.11, são justificados pelo fato de as obras executadas pelas empresas de construção serem garantidas por 5 anos após seu término, sendo naturais e necessários os pequenos reparos que surgem durante esse período, tais como: vazamentos, infiltrações, déficits de materiais, conserto de pinturas, etc; Cerceamento de defesa 22) Não foram apresentadas explicações detalhadas dos fatos que motivaram os agentes fiscais a apurarem as contribuições previdenciárias por arbitramento. Além disso, a fiscalização limitouse a afirmar que a base de cálculo foi lançada conforme determina a Instrução Normativa n° 3, de 2005, demonstrando, assim, a falta de clareza e precisão do relatório fiscal, situação que caracteriza cerceamento de defesa; 23) A obra foi executada em período; anterior (02/2002 a 07/2006), demonstrando que os auditores fundamentaram a apuração do crédito previdenciário em ato normativo que não existia à época da ocorrência dos fatos geradores; Fl. 1678DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.005852/200765 Acórdão n.º 2403002.740 S2C4T3 Fl. 1.675 9 24) A edição de diversos atos normativos durante o período de execução da obra não pode prejudicar o contribuinte, tendo em vista que o art. 146 do CTN disciplina que a mudança de critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa somente pode ser efetivada em relação a fatos ocorridos após a introdução dos novos critérios; Ausência de motivação para a aferição indireta 25) A aferição indireta somente é autorizada nas condições específicas previstas na Lei n° 8.212, de 1991, art. 33, §§ 3° e 4% isto é, quando houver recusa da exibição, sonegação e apresentação deficiente de documentos, tendo sido demonstrado que tais ocorrências não acontecerem durante a ação fiscal; 26) A notificação é nula pela falta dos elementos essenciais para o arbitramento: fundamentação legal precisa, transparência, lógica de apuração da base de cálculo, compatibilidade de valores e relatório discriminado e circunstanciado; 27) Os valores pagos a título de mãodeobra terceirizada não foram deduzidos totalmente, superestimando a contribuição apurada na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), conforme demonstrado em planilha anexa; 28) Os valores de mãodeobra de terceiros contidos nas notas fiscais com retenção e acompanhadas de guias de recolhimento não foram deduzidas, conforme demonstrado em planilha anexa; 29) Os valores lançados nas NFLD's 37.096.6562 e 37.055.345 4, referentes aos valores de cessão de mãodeobra com notas fiscais não apresentadas e com guias não apresentadas, respectivamente, considerados de responsabilidade da Administração, devem ser deduzidos nos cálculos da presente notificação; 30) Não foram aplicados os redutores de 50% ou 75%, conforme o caso, nas áreas de playground, jardim, garagem, varanda, quintais, etc; Legalidade e deveres instrumentais tributários 31) Só a lei poderia criar deveres instrumentais (obrigações acessórias) e estes não se j confundem com os tributos especificamente (obrigações principais), circunstância que não 'j • autoriza aos agentes do fisco, nas hipóteses de descumprimento de tais deveres, aumentar o pagamento dos tributos. O descumprimento da obrigação acessória tem apenas o efeito de aplicação de sanção. 32) Desta forma, em decorrência dos comprovados erros de direito e erros de fato, da não observância aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade os auditores erraram na avaliação dos fatos que motivaram a desconsideração da contabilidade, razão pela qual requer a improcedência ou a declaração de nulidade do presente lançamento. Fl. 1679DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 Concluindo, requer a declaração de invalidade do lançamento tributário ou sua retificação, tendo em vista os erros de cálculos praticados pela não dedução dos valores relativos à mãode obra terceirizada. Pleiteia, ainda, a realização de perícia na contabilidade para que seja verificada a adequação às exigências do Conselho Federal de Contabilidade e do Regulamento da Previdência Social, tendo sido indicado a HEU Assessoria contábil, na pessoa de seu dirigente, Prof. José Ubiratam Costa.: Júnior, CRCGO 11.520, bem como a análise dos documentos que comprovam os recolhimentos, fls. 734/942. Após a Impugnação, houve a impetração de Aditamento à Impugnação, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: Em 15/02/2008, a empresa protocolizou aditamento à impugnação, fls.952/957, repetindo diversas manifestações de inconformidade apresentadas na impugnação. Além disso anexou algumas cópias do projeto da obra em epígrafe (Residencial Maison Constance) procurando demonstrar o direito de serem aplicados os redutores de 50% e 70% previstos nos artigos 444 e 449 da Instrução Normativa SRP n° 2003, de 2005. Afirma, também, o seguinte: 1) Erros grosseiros foram cometidos pelas autoridades fiscais, pois lançaram valores indevidos na notificação NFLD na medida em que deixaram de descumprir o art. 449, que prevê a redução de 50% ou 75%, nas áreas de playground, pilotis, garagem, varanda, quintais etc. Circunstância que, conforme documentos anexos, fls. 790, fariam com que a área construída a ser arbitrada fosse reduzida para 10.865,66 m2, fl. 783; 2) Não é possível admitir o arbitramento como foi realizado pela fiscalização, invertendo o ônus da prova, tendo em vista o lançamento ser procedimento vinculado, afastandose dos princípios básicos do Direito; 3) O Relatório Fiscal não é claro e preciso, conforme determina a legislação ; pois omite os procedimentos, o raciocínio lógico e os dispositivos legais e a sua correlação com os fatos que ensejaram a apuração, inexistindo autorização para o procedimento de aferição indireta do crédito tributário; 4) O art. 448, inciso I, da IN 3/05, determina que será convertida em área regularizada a remuneração contida em NFLD ou. LDC relativas à obra. Dessa forma, os valores de remuneração de mãodeobra conUd,os em notas fiscais relativas desta obra, lançados em NFLD da Administração, deveãro .s er de lá expurgados ou de cá considerados como dedução, sob pena de se cobrar tributo duas vezes sobre o mesmo fato gerador (bis in idem). Apresenta a:, plantas para verificação da área construída e aplicação da redução, fls. 861/863; 5) A autoridade fiscal usou critérios diferentes para aferir indiretamente o valor da_ remuneração da mãodeobra Fl. 1680DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.005852/200765 Acórdão n.º 2403002.740 S2C4T3 Fl. 1.676 11 empregada na obra: nesta NFLD usou a área construída e aplicou tabela do CUB; nas NFLD da Administração (DEBCAD n° 37.055.3560, 37.096.655 4 e 37.096.6562) usou as notas fiscais aplicando a retenção. Houve solicitação de Diligência Fiscal, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: Em 25/09/2007, os autos do processo foram baixados em diligência, fls. 948/950, com o objetivo de a autoridade lançadora manifestarse, de forma conclusiva, acerca das alegações proferidas pela empresa, especificamente o fato de a fiscalização ter deixado de considerar as notas fiscais (mão de obra terceirizada, artigos 447 e 448 da Instrução Normativa SRP n° 3, de 2005) para efeito de dedução do valor apurado no lançamento, superestimando, assim, o valor devido pelo contribuinte (planilha às fl. 616/617, cópias de notas fiscais e guias de recolhimento, NFLD's 37.096.6562 e 37.055.3454), bem como acerca da alegação de não terem sido aplicados os percentuais de redução previstos nos artigos 444 e 449 da Instrução Normativa SRP n° 3, de 2005. Ressaltese que nó tocante aos valores relacionados na planilha à fl. 610, elaborada pela defendente, não foram apresentados quaisquer comprovantes de recolhimentos das retenções, nem as GFIP's tendo sido observado que estes valores e aqueles representados pelas cópias. de notas fiscais e guias apresentadas na impugnação não constam i dos lançamentos efetuados nas NFLD n°s 37.096.6562 e 37.055.3454. Antes da resposta da AuditoriaFiscal à Solicitação de Diligência Fiscal, a empresa protocolou um segundo Aditamento à Impugnação, apresentando mais documentos para serem analisados, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: Razões de fato e de Direito 1) Conforme já aduzido na impugnação a quantidade excessiva de impugnações e provas a se produzir o legislador fixou o prazo de 30 dias para uma autuação e não para cinqüenta e uma e com fundamento no art. 16, §§ 40, alínea V e 60, do Decreto 70.235/72, requer sejam apreciadas todas as provas carreadas aos autos. O princípio da verdade material, contemplado na Lei 9.784/99, nos artigos 3° e 38, dá o suporte legal à essa afirmação; 2) A impossibilidade de apresentação. dos documentos na impugnação se justifica pela quantidade exagerada de notificações fiscais e nas declarações dos fiscais quando justificam os oito meses de ação fiscal no estabelecimento da impugnante "nesta Capital, com empreendimentos localizados neste Estado e em outras unidades da Federação, bem como a exploração concomitante de outras atividades empresariais" (item 2 do Relatório Fiscal) "tendo em vista o volume e Fl. 1681DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 complexidade das operações realizadas pela "empresa " (subitem 5. 2 do Relatório Fiscal); 3) Mesmo demonstrada a impossibilidade de apresentação dos documentos na impugnação por motivo de força maior, ad argumentandum, a solução para a aparente antinomia entre a limitação à atividade probatória trazida pelo § 4 ° do art. 16 do Decreto 70.235/72 e o art. 38 da Lei 9.784/99 que dispõe que requerimentos probatórios possam ser feitos até a tomada da decisão, deve ser a de prevalecer o art. 38 da Lei 9.784/99, que confere uniformidade ao sistema processual administrativo federal, malgrado o caráter específico do Decreto; 4) Não se pode levar às últimas conseqüências a regra atualmente vigente no § 4o do art. 16 do Decreto 70.235/72 que está a mitigar a aplicação de um dós princípios mais caros ao processo administrativo que é o dá verdade material. É nesse sentido a jurisprudência. Excesso de exação 5) Conforme já demonstrado na impugnação, os agentes fiscais cometeram excesso de exação lançando duas vezes sobre a mesma remuneração suposto crédito tributário. Daí, não há como evitar que seja ressaltada, em todas as oportunidades, a tese de que o mesmo fato gerador foi lançado duas vezes; 6) Apresente NFLD 37.055.3519 foi apurada core base na área construída e aplicação da tabela CUB (item 6, do Relatório Fiscal), conforme consta de Aviso para Regularização de Obra expedido pelos fiscais. Assim, a Remuneração da Mãodeobra Total RMT despendida para construir o COOPERSEFE Blocos A B C D E F foi calculada' e lançada nesta notificação fiscal (IN 3, art. 443); 7) Repetindo o que já havia informado, destaca que foram lavradas em desfavor da impugnante as NFLD n° 37.096.6554, 37.096.6562 e 37.055.3454 com base na'retenção' sobre notas fiscais de serviços prestados por' terceiros, nas quais se inclui remuneração de mãodeobra relativa à execução da obra COOPERSEFE Tarumã, sem que os valores fossem aproveitados e transformados em área regularizada. No momento em que os fiscais lavraram esta NFLD, com base na área construída, todas as remunerações da mãodeobra necessárias para executar a obra foram lançadas; 8) Não aproveitar as remunerações de mãodeobra contidas nas notas fiscais emitidas por serviços prestados por terceiros nesta obra e lançadas nas NFLD n° 37.096.6554, 37.096.6562 e 37.055.3454 considerandoas como área regularizada, significa cobrar duas vezes o mesmo tributo, pois o fato gerador é o mesmo, 9) O art. 447 c/c art. 448, inciso I, da IN 3, impõe que os valores lançados nas três 4LD acima relativos às remunerações de mão deobra contida em notas fiscais de serviços prestados nesta obra sejam deduzidos da RMT "para efeito de apuração do valor da contribuição previdenciária devida"; Fl. 1682DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.005852/200765 Acórdão n.º 2403002.740 S2C4T3 Fl. 1.677 13 10) As remunerações de mãosdeobra; desta obra, lançadas em outras NFLD não foram aproveitadas, convertidas em área regularizada. Ao assim agir, os agentes do fisco praticam excesso de exação inaceitável cobrando a mesma obrigação duas vezes em NFLD distintas; 11).Todos os documentos citados acima estão em poder do fisco. À comprovação das alegações aplicase o art. 37 da Lei 9.784/99: Notas fiscais com guias de recolhimento 12) Sem prejuízo da alegação de bis in idem e conseqüente improcedência do lançamento, anexase como prova a mais do equívoco dos agentes do fisco, 'Planilha Notas Fiscais e GPS' qu relaciona as notas fiscais e respectivas guias de recolhimento que se requer sejam juntadas aos autos. A planilha, para melhor identificação da elisão do débito, foi elaborada da mesma forma que os fiscais elaboraram a planilha "Cessão de mão'deobra NFs não apresentadas" que acompanhou o Relatório Fiscal, bem como diversas guias de recolhimento e notas fiscais, fls. 959/1020, Perícia 13) Requerida na impugnação inicial, explicitase os quesitos da perícia referentes aos exames das afirmações dos fiscais quanto à desconsideração da escrituração contábil da impugnante I. Os procedimentos de escrituração contábil adotados pela empresa forma incisa todos os princípios contábeis geralmente aceitos'e praticados"? II. A escrituração contábil da empresa; identifica as obras por centros de custos?(subitem 5.2 do Relatório Fiscal). III. A empresa lança em títulos próprios os fatos geradores das contribuições, conforme determina o art. 32, inciso II, da Lei 8.212191? (subitem 5.2 do Relatório fiscal). Concluindo o aditamento, além dos pedidos já formulados na impugnação (v.g. improcedência do lançamento), requerse sejam os recolhimentos apresentados e as remunerações de mãosdeobra, desta obra, lançadas em outras NFLD, convertidos em área regularizada e excluídos os valores das competências decaídas. Segue a resposta da AuditoriaFiscal à Solicitação de Diligência Fiscal, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: Prazo de duração da ação fiscal. a) O longo prazo de duração da ação fiscal de 25 de outubro de 2006 a 28 de junho de 2007 (oito meses) deveuse, entre outros; aos seguintes motivos: a) porte da empresa (mais de 50 Fl. 1683DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 obras para serem analisadas); b) atividades empresarias diversificadas (construtora, incorporadora, prestadora de serviços, exploração de terminais rodoviários e gerenciamento e administração de shoppings centers); c) período fiscalizado extenso (01/2000 a 09/2006); complexidade da documentação; dificuldades criadas pela empresa, tendo em morosa e deficiente apresentação dos documentos solicitados; b) A empresa conhecia e participou ativamente do processo de levantamento ; apuração e constituição do crédito previdenciário. Durante o tempo em que a empresa esteve sob ação fiscal, os empregados do setor contábil, do setor de pessoal e da área administrativa, bem como a procuradora e setor jurídico da empresa, eram permanentemente informados dos procedimentos de auditoria fiscal. Sempre que solicitados, prestávamos as informações relativas aos procedimentos fiscais em andamento, Dos valores apurados C) Tendo em vista as diversas irregularidades cometidas pela empresa, não restou a esta junta fiscal senão o procedimento da desconsideração da contabilidade e a apuração das contribuições previdenciárias, tomandose por base o cálculo da mãodeobra empregada proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, conforme consta do relatório fiscal integrante à presente NFLD (fls. 99/598). No cálculo do crédito previdenciário foram considerados, para determinação dos valores devidos, os ,dispositivos contidos na Instrução Normativa n° 312005, especificamente os artigos 447 e 448; d) As notas fiscais relativas à prestação de serviços e guias da previdência social anexadas pela empresa em sua defesa fls. 735/942 e 975/1078 (aditamento à impugnação), trazem situações que devem ser observadas de acordo com os citados artigos da IN n° 3/2005, como se segue: i. As notas fiscais envolvendo período compreendido até a competência setembro de 2002, com vinculação inequívoca a obra, foram objeto de conversão em área regularizada, conforme define o art. 447, II, "c" e § 2 ° da referida IN; ii. As notas fiscais, qualquer que seja a data de sua emissão que não tragam comprovação de sua vinculação com a obra (notas fiscais sem identificação da aplicação nesta obra), não foram consideradas para efeito de retificação do débito; iii. As notas fiscais envolvendo período a partir de outubro de 2002, com vinculação inequívoca à obra, não foram consideradas para efeito de retificação do valor da notificação, tendo em vista a IN 3/2005 condicionar o aproveitamento do crédito à mãodeobra constante da GFIP específica do prestador dos serviços. e) Para melhor entendimento do procedimento fiscal adotado, foi elaborada planilha "Análise de NFS apresentadas na defesa" `integrante da presente informação, fls. 1087/1090, contendo detalhamento das notas fiscais e valores apropriados como mão deobra empregada, conforme define a legislação Fl. 1684DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.005852/200765 Acórdão n.º 2403002.740 S2C4T3 Fl. 1.678 15 previdenciária, a serem convertidos em área regularizada para retificação do débito. A mesma planilha detalha os documentos não considerados, bem como seus respectivos motivos. f) Os levantamentos representados pelas NFLD 37.096.6562 e 37.055.3454 somente poderiam ser aproveitados para reduzir o lançamento da presente notificação, mediante a comprovação do recolhimento da retenção incidente sobre os serviços prestados mediante cessão de mãodeobra, bem como 'da vinculação inequívoca com a obra executada e a remuneração constate das GFIP do.s prestadores de serviços pertinentes a cada obra, a serem comprovados nos autos; circunstâncias que não ocorreram: i. O débito constante da NFLD 37.096.6562 referese aos valores de retenção (11% sobre o valor bruto das notas fiscais) não recolhidos, que foram identificados a partir de relação fornecida pela própria empresa, devidos em função da contratação 0c serviços terceirizados mediante cessão de mão deobra. O referido processo, acompanhado das respectivas impugnações, foi devidamente analisado e retificado, sendo a empresa cientificada, via postal, mediante AR Aviso de Recebimento; ii. A NFLD 37.055.3454 referese aos valores de retenções sobre notas fiscais apresentadas (documentos físicos vistos pela fiscalização durante a ação fiscal), porém, da mesma forma;;sem recolhimentos da retenção efetuada. iii. Em ambos os casos, de acordo com a Instrução Normativa acima transcrita, para o aproveitamento dos mencionados documentos para. transformação em área regularizada dependem da. comprovação ' do recolhimento da retenção para as competências até setembro de 2002 (Art. 447, II, c) e da remuneração constante na GFIP do prestador dé serviço, referente à obra em questão, a partir de outubro de 2002 (Art. 447, III). g) Quanto à não aplicação dos percentuais de redução no cálculo da contribuição previdenciária relativa à obra, tal procedimento não foi possível à época, vez que, embora intimada à apresentação do projeto da obra, conforme o Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, cópia anexada às fls. 68/72, emitido em 19/10/2006, a empresa não apresentou este documento durante a ação fiscal. Como já foi relatado, a empresa dificultou o trabalho de auditoria fiscal deixando de apresentar boa parte da documentação solicitada pela fiscalização. h) Com a apresentação do projeto de execução, fls. 799/803, foi efetuado novo cálculo emitindo novo Aviso de Regularização de Obra — ARO, fls. 909/913, considerando as áreas redutoras nos termos do art. 449 da Instrução Normativa n" 3, de 2005. Dessa forma, foram considerados 2.592,54 m2 com redução de 50% e 2.266,86 m2 com redução de 75%, conforme tabela demonstrativa A fl. 954. A área total permaneceu em 51983,76.. Fl. 1685DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 16 i) No que pertine à consideração das notas fiscais de prestadores de serviços quando do cálculo da contribuição previdenciária, cabe salientar que a Instrução Normativa trata a matéria da seguinte forma: De fevereiro de 1999 a setembro de 2002 o valor retido com base nas notas fiscais emitidas pelas contratadas, quando não tenha sido apresentada GFIP, dividido por 0,368 para apuração da correspondente remuneração. (Art. 447, II, "c" e § 2° da IN 3/2005); A partir de outubro de 2002 somente as remunerações declaradas em GFIP referente obra, com comprovante de entrega e desde que comprovado ;o recolhimento dos valores retidos correspondentes. (Art. 447, III, da IN 3/2005) j) No decorrer da ação fiscal, por várias vezes, a empresa foi informada da necessidade de apresentação de tais documentos (Notas Fiscais, GPS e GFIP) para verificação da mãodeobra tomada de prestadores de serviços (terceirizados). Não tendo a empresa atendido as solicitações da fiscalização, não foi possível A época da ação fiscal, apurar todos os valores relativos aos créditos das obras dc construção civil. A partir dos elementos inseridos na defesa procedemos A consideração dos valores relativos as notas fiscais conforme planilha anexa. k) As conversões sobre os valores das notas fiscais de prestação de serviços com vinculação inequívoca A obra até a competência setembro de 2002, de acordo corn a IN 3/2005, foram consideradas na retificação deste débito. l) Com base nos valores constantes do novo Aviso para Regularização de Obra ARO em anexo, retificamos o débito originário de R$ 745.922,85 para R$ 602.467,83, acrescidos de multa e juros previstos na legislação. Em relação à aplicação da Súmula Vinculante STF nº 08, assim se manifesta a AuditoriaFiscal reconhecendo a decadência até a competência 04/2002: A obra matrícula CEI n° 38.780.01590/79 — MSCOB, objeto desta Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, foi executada no período de 01/2000 a 01/2003 e como o débito foi lavrado em 22/06/2007, de conformidade com o que prevê o Código Tributário Nacional, o período decadencial foi determinado até 04/2002. Em decorrência de nova determinação conforme Despacho n° 074 da 5" Turra da DRJ/BSA (fls. 1.191 a 1. 192), procedemos novamente a retificação do presente débito tendo em vista o que dispõe a Súmula Vinculante STF n° 8 de 20 de junho de 2008 Após análise dos autos, a decisão de primeira instância proferida no Acórdão nº 0332.792 – 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Brasília DF julgou procedente em parte a autuação, conforme a Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Fl. 1686DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.005852/200765 Acórdão n.º 2403002.740 S2C4T3 Fl. 1.679 17 Período de apuração: 01/09/2006 a 30/09/2006 CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA. A falta ou a deficiência da contabilidade, bem como a omissão de informações requeridas pela fiscalização, autorizam a apuração da base de cálculo do lançamento por aferição indireta, utilizando o 'critério proporcional à área construída para apuração dos valores devidos a título de mão de obra. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. NULIDADE O exercício do contraditório e da ampla defesa foi assegurado mediante intimação válida, ao sujeito passivo, do lançamento devidamente instruído com relatório fiscal contendo descrição clara e precisa dos fatos geradores, dos fundamentos legais, das contribuições devidas e do período. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Preterição do direito de defesa decorre de despachos ou decisões e não da lavratura do ato ou termo como se materializa a feitura do auto de infração sendo incabível a alegação de cerceamento de defesa se nos autos existem os elementos de provas necessários à solução do litígio e a infração está perfeitamente demonstrada e tipificada. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Afastada a hipótese de necessidade de realização de perícia quando os autos elementos de prova presentes nos autos permitem a formação de convicção do órgão julgador. RECOLHIMENTOS. SERVIÇOS TERCEIRIZADOS. APROVEITAMENTO. A partir de 02/1999, somente serão convertidos em área regularizada os recolhimentos feitos por terceirizados referentes a remunerações por serviços prestados em obra de construção civil que estejam declaradas em GFIP. PRINCÍPIO DA LEGITIMIDADE. ÔNUS DA PROVA. O ato administrativo se presume legítimo, cabendo à parte que alegar o contrário a prova correspondente, A simples alegação contrária a ato da administração, sem carrear aos autos provas documentais, não desconstitui o lançamento. VERDADE MATERIAL E TIPICIDADE A busca da verdade material pressupõe a observância, pelo sujeito passivo do seu dever de co7áboração para com a Fiscalização no sentido de lhe proporcionar condições de apurar a verdade dos fatos. O lançamento de acordo coro as normas vigentes e regentes do tributo exigido atende integralmente ) requisito da tipicidade da tributação. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ÂMBITO ADMINISTRATIVO. Fl. 1687DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 18 À autoridade administrativa é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de ato normativo em vigor. DECADÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE. ARTIGO 45 DA LEI N'8.212/91. SÚMULA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Consideramse decaídos os créditos tributários lançados com base no artigo 45 da Lei n° 8.212/91, que determinava o prazo decadencial de 10 anos para as contribuições previdenciárias, por ter sido este artigo considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, nos termos da Súmula Vinculante n° 8, publicada no DOU em 20/06/2008. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, combatendo a decisão de primeira instância e reiterando os argumentos deduzidos em sede de Impugnação, em síntese: (i) Requer a nulidade do Acórdão. A decisão de primeira instância deixou de apreciar a alegação de que o entendimento da junta fiscal contraria o entendimento . de todos os outros fiscais que fiscalizaram a recorrente. (ii) Cerceamento de defesa. (iii) Contabilização por centro de custo 2. A interpretação dos fatos que levaram os nobres auditores a desconsiderarem a contabilidade da impugnante não se consubstancia em situações materiais efetivas. 3. Uma a uma, todas as circunstâncias narradas pela junta fiscal para desconsiderar a contabilidade da recorrente ,foram" rebatidas nas impugnações. No entanto, somente os argumentos da junta fiscal foram,'acatados incondicionalmente; já os argumentos, justificativas e explicações da recorrente só foram mencionados no relatório. 4. A circunstância .da junta fiscal identificar as obras realizadas pela recorrente, assim como todos os outros fiscais que examinaramlhe a contabilidade, mostra que os fatos contábeis e todos,,os fatos geradores de contribuições previdenciárias relativos às obras são registrados; em contas individualizadas. 5. Os agentes do fisco afirmam no subitem 5.9 do relatório fiscal anexo à NFLD que "os indícios levam ao entendimento de que obras ou serviços foram executados sem os devidos registros contábeis"(sgo). Indícios, Senhores julgadores, indícios. A presunção de legitimidade dos atos do fisco é limitada, relativa, Fl. 1688DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.005852/200765 Acórdão n.º 2403002.740 S2C4T3 Fl. 1.680 19 não é absoluta. Indícios no Direito Tributário não são figuras aptas a produzir resultados. (iv) Princípio da imparcialidade 5. Resistiram, sob a complacência da DRJ/BSB, a corrigir o erro de lançar duas vezes a contribuição de terceiros com base em notas fiscais de prestação de serviços em obras cuja contribuição total foi lançada em NFLD das próprias obras e também lançadas em outras três NFLD utilizando como artifício para enganar métodos diferentes de aferição indireta. 6. Os autos de infração citados pelo relator como procedentes foram julgados apenas na primeira instância, ainda não foram avaliados por este Colendo Conselho cuja imparcialidade é reconhecida. 7. Por que o órgão julgador de ~`primeira instância administrativa não julga importante registrar os diversos erros cometidos pela junta fiscal, que fizeram com que os autos fossem baixados em diligência mais de um' a vez, e o crédito lançado retificado várias vezes? Porque o órgão julgador não observa ,o PRINCÍPIO DA IMPARCIALIDADE. 8. A junta fiscal errou quando não cumpriu o que determina o art. 449 da IN 3, não reduzindo as áreas, mas isso não e importante para a DR]/BSA registrar. Aliás, foi registrado como erro da recorrente: 10. Apenas mais um: no item 5.9.1. do relatório fiscal afirmam: "evidenciando a utilização de empregados, sem contudo, haver registro de escrituração de folhas de pagamento'. 0 registro de pequenas obras — conta DPOGR, existe exatamente para registrar, dentre outros fatos menores, quantificados em função do porte da empresa, serviços de curto prazo prestados por empregados a terceiros sem que se complete o ciclo mensal, especificamente em serviços realizados em obras e que terminam muito ante do final do mês. Em outras palavras: prestam serviços a várias obras dentro do mês. Essa mãodeobra, conforme art. 162 de IN 3, abaixo transcrito, é escriturada na folha de pagamento da Administração, pois não há como registrar estes serviços em folhas específicas, como quer entes do fisco. (v) Arquivos digitais da ação fiscal — Ausência de Motivação 1. 0 item 8 da Manifestação aos esclarecimentos "Enquanto a junta fiscal não entregar os arquivos digitais com as planilhas da ação fiscal, restará configurado inadmissível cerceamento de defesa, pois impede que as impugnações sejam realizadas com a precisão e os meios necessários'; não foi apreciado no voto. Foi somente citado no relatório, fl. 1.110, item 2. Fl. 1689DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 20 2, Esperase, sempre, que o órgão julgador exerça o controle da legalidade e legitimidade dos lançamentos e profira suas decisões motivadas de acordo com sua convicção, formada a partir da subsunção dos fatos à lei, com independência, imparcialidade e responsabilidade, sob condição de justificar a própria existência. 5. A não entrega dos arquivos digitais contendo a planilha com dados e informações sobre a apuração de valores que dizem respeito à recorrente é outra prova contundente do evidente cerceamento de defesa. 0 fisco cria normas obrigando o contribuinte a entregar arquivos digitais de seu interesse, mas esquece das normas que obrigam todos'os servidores públicos (art. 116, Lei 8.112/90) e Princípios constitucionais, dentre eles o da Moralidade. 6. Foram solicitadas as planilhas em meio digital que informam milhares de bases de cálculo, entregues impressas, com erros que resultaram nas diversas retificações do débito. E o relator, mesmo tendo mencionado o requerimento da recorrente, fl. 1.110, não apreciou, não julgou a matéria. (vi) Inversão do ônus da prova: dever da prova 4. A previsão legal de arbitrar o crédito não dispensa o dever do fisco de produzir prova e não cria presunção de onipotência. A regra, tanto no processo judicial quanto no administrativo é a de que o autor tem o ônus de provar o fato constitutivo. 7. Assim, mesmo quando. se trata de arbitramento, o fisco tem a obrigação e o dever de produzir as provas, as razões de fato e de direito que justificam o crédito lançado, assim como os cálculos, raciocínios e fundamentos legais da apuração da quantia devida. Ausentes esses pressupostos, o direito de defesa está comprometido. (vii) Princípio da ampla competência decisória apreciação de inconstitucionalidades 2. "Sobre as diversas alegações de afronta às leis e à Constituição"(acórdão, fls. 884) é sempre bom lembrar que "todo aquele que exerce função pública está subordinado a concretizar os valores jurídicos fundamentais e deve nortear seus atos segundo esse postulado". (viii) Aplicação Retroativa da Legislação Tributária Princípio da Segurança Jurídica 1. Quanto à aplicação da IN 3, a recorrente não escreveu em lugar algum que ela foi revogada. Então, porque a transcrição do art. 48 da Lei 11.457/2007? A recorrente se posiciona quanto ao âmbito de aplicação das instruções normativas e vigência. É isso, Senhores Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, à falta de argumentos jurídicos lógicos, Fl. 1690DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.005852/200765 Acórdão n.º 2403002.740 S2C4T3 Fl. 1.681 21 racionais para enfrentar de frente as questões postas a deslinde, o órgão julgador de primeira instância tergiversa. (ix) BIS IN IDEM 2. Iniciase com a importante informação de que a obra foi executada no período de 02/2004 a 03/2006. 3. Após digressões, onde se comenta que a IN 03105 tem "o intuito de reguLamentar a lei que a construção ,civil "sempre apresentou inúmeras dificuldades...'; fazse ensinamentos de como "deva submeterse ao regime de aferição indireta, citação e transcrição de dispositivos da IN 03, escrevese que "Conforme pode ser observado na legislação aplicável, no período de 0211999 a 0912002, os critérios para que o valor eventualmente recolhido a título de retenção pudesse se aproveitado e deduzido no arbitramento da são:...". (sgo) 4. A leitura do trecho de onde se extraiu as pérolas acima, fl. 886/888, e outros trechos do acórdão n0 0332.792, deixa a impressão de que se trata de mais um complemento ao Relatório Fiscal Anexo a NFLD e não de uma decisão. 9. De acordo com o órgão julgador administrativo de primeira instância (DRJ/BSA) uma instrução normativa do fisco tem o intuito de regulamentar a lei! Que lei uma instrução normativa regula? Em nosso ordenamento jurídico a competência para regulamentar lei é privativa do Presidente da Republica mediante a edição de Decreto (art. 84, IV, da CF).' 11. A primeira questão é a que configura inadmissível bis in idem quanto às contribuições de terceiros, relativas a esta, obra quê também foram lançadas nas NFLD n° 37.096.6554, 37.096.6562 e 37.055.3454. 12. A segunda questão é a do aproveitamento de recolhimentos efetuado por terceiros para a obra e seus requisitos impostos por norma infralegal (instrução normativa). 13. Em um momento o acórdão se refere à conversão em área regularizada e seus critérios (art.447 da IN3), para depois, copiando a junta fiscal, afirmar que "em relação às notificações relacionadas a retenção dos 11% destacado na emissão das notas fiscais dos prestadores NFLD 37.055.3454, 37.096.655 4, 37.096.6542, todas as notas fiscais e quaisquer documentos que puderam ser vinculados a quaisquer das obras analisadas durante o procedimento fiscal, foram deduzidas daquela notificação" (sgo). A qual notificação se refere o julgador? Quais notas fiscais? Quais documentos? De qualquer forma não foi deduzido nesta NFLD nenhum dos valores lançados nas três NFLD por retenção. 20. Vejase ainda que a legislação aplicável no período de 05/1999 a 09/2003, na interpretação da DRJ/BSA, é a IN 3 de Fl. 1691DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 22 2005, que, segundo o relator, além do poder de regulamentar uma lei, tem o poder de retroagir e ;criar obrigações acessórias e fixar critérios para que o valores lançados em dobro possam ser corrigidos (?). 22. A junta fiscal lavrou 34 NFLD relativas a contribuições referentes à aferição indireta da mãodeobra total com base na área construída e no padrão das obras realizadas sob responsabilidade da recorrente, dentre elas esta. 23. Outras três NFLD foram lavradas por suposta "existência de débito relativo às contribuições previdenciárias incidentes sobre notas fiscais de prestação de serviços mediante cessão de mão deobra" (item 5 do relatório fiscal da NFLD n° 37.096.6562); "Tratase da retenção de 11% incidente sobre o valor bruto das notas riscais relativas à prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra, contratados pela notificada" (item 5 do relatório fiscal da NFLD n° 37.055.3454); e "existência de débito relativo as contribuições previdenciárias incidentes sobre notas fiscais .. "(item 5 do relatório fiscal da NFLD n° 37.096.6554). 24. Observese que as três NFLD são relativas a contribuições previdenciárias incidentes sobre notas fiscais e que as notas fiscais são de prestação de serviços. Serviços prestados na execução das 34 obras, conforme planilhas anexadas a cada uma das três NFLD pela junta fiscal. 25. O bis in idem ocorreu porque toda a contribuição previdenciária devida, seja própria ou de terceiros, relativa a esta obra, identificada no centro de custos como CAIPE, foi lançada nesta NFLD. No entanto, ainda assim, valores de notas fiscais de serviços prestados por terceiros a esta obra também foram utilizados co base de cálculo da contribuição previdenciária lançada nas NFLD 37.055.3454, 37.096.65 e 37.096.6554. (x) Notas fiscais com guias de recolhimento 1. A DRJ/BSA também se recusa a retificar o crédito tributário até mesmo quando se apresenta guias de recolhimento que comprovam o recolhimento da retenção. “d.iii. As notas fiscais envolvendo período a partir de outubro de 2002, com vinculação inequívoca à obra, não foram consideradas para efeito de retificação do valor da notificação... ; fl. 1099. 6. Aceitar, até setembro de 2002, a conversão em área regularizada a remuneração recolhida relativa à mãodeobra terceirizada, com vinculação inequívoca à obra e depois, a partir de outubro de 2002, condicionar o aproveitamento de valores recolhidos à declaração em GFIP emitida pelo prestador de serviço, é inovação proibida, pois cria obrigação não identificada em lei de pagar a mesma contribuição de terceiros duas vezes: uma vez pelo recolhimento e outra pelo lançamento indevido que se mantém. Fl. 1692DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.005852/200765 Acórdão n.º 2403002.740 S2C4T3 Fl. 1.682 23 7. É absurdo e afrontoso à inteligência esse procedimento abusivo, inconstitucional de se manter, em lançamento, tributo que já foi recolhido, ao condicionar a regularização ao cumprimento de obrigação acessória de responsabilidade do prestador de serviço originariamente contribuinte. 15. Requerse seja dado, às competências a partir de outubro o mesmo tratamento dado às competências anteriores convertendo em área regularizada a remuneração recolhida relativa à mão deobra terceirizada, com vinculação inequívoca à obra. (xi) Não aplicação do inciso I do art. 448 da IN 3/05 1. A DRJ/BSA lê e interpreta os dispositivos legais a seu talante sem compromisso com o sentido e significado das palavras ou finalidade da norma. "Art. 448. Será, ainda, aproveitada para fins de dedução da RMT, a remuneração: I contida em NFLD ou LDC, relativos à obra, quer seja apurado com base em folha de pagamento ou resultante de eventual lançamento de débito por responsabilidade solidária", 2. A dicção do artigo acima e seu inciso não é no sentido de que somente será aproveitada remuneração contida em NFLD ou LDC com base em folha de pagamento ou por responsabilidade solidária. A expressão do inciso "quer seja apurado"não tem caráter restritivo, mas exemplificativo, não é 'numerus c/ausus: 3. A palavra somente' colocada no texto do acórdão, não existe no inciso. 'Somente' existe na forte e inabalável vontade de prestigiar o trabalho dos colegas da junta fiscal. (xii) Aplicação do art. 474 da IN 03/05 1. De novo interpretação fora do texto da norma. Em lugar algum da IN 3 está escrito "todas as notas fiscais que se submetem ao regime jurídico da retenção devem estar ...'. Não é recomendável em redação de texto legal este tipo rasteiro de generalização. 2. 0 tema em debate não é nota fiscal, não é recolhimento, É BIS IN IDEM: COBRANÇA DE TRIBUTO EM DUPLICIDADE. 3. 0 art. 474 é a síntese de tudo o quanto se discute sobre o fato concreto. 0 capítulo V da IN 3 trata dos procedimentos fiscais e no art. 474, § 2o, determina que no lançamento de "contribuições referentes à aferição da mãodeobra total', que é o caso aqui em debate, serão deduzidos os lançamentos das bases de cálculo constituídos por retenção, que é o caso das três NFLD. No entanto, independentemente desse dispositivo normativo ou qualquer restrição, há que se excluir os valores lançados em duplicidade. Fl. 1693DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 24 (xiii) Bitributação 3. Afirmações desconexas com a realidade é a moda do acórdão da DRJ/BSA. A cada tópico se depara com frase deste tipo: "não ocorreu o bis in idem, pois as notas fiscais que estavam inequivocamente vinculadas à obra (..) foram consideradas para efeito de redução do lançamento...'. 4. Repetese: o bis in idem existe porque todas as contribuições (próprias e de terceiros) relativas às obras foram lançadas por aferição indireta com base na área construída e CUB. Ainda assim, por outros métodos iníquos de aferição indireta, com base em mãodeobra de terceiros contidas em notas fiscais das obras, foram lançadas novamente as contribuições de terceiros. Nada a ver com nota fiscal vinculada à obra. 6. A junta fiscal ao contrário, atesta taxativamente que não. O relatório do acórdão reproduz, fl. 949, item f, a informação da junta fiscal, que não contesta o bis in idem, porém justifica que os levantamentos representados pelas NFLD (esqueceram de citar a NFLD 37.096.6554) não foram aproveitados porque as circunstâncias necessárias não ocorrem. 7) Os levantamentos representados pelas NFLD 37.096.6562 e 37.055.3454 somente poderiam ser aproveitados para reduzir o lançamento da presente notificação mediante a comprovação do recolhimento da retenção incidente sobre os serviços prestados mediante cessão de mãodeobra, bem como da vinculação inequívoca com a obra executada e a remuneração constante das GFIP dos prestadores de serviços a cada obra, a serem comprovados nos autos, circunstâncias que não ocorrerem'. (sgo) (xiv) Perícia A contabilidade da. empresa apor "mais de vinte anos foi considerada regular e correta por agentes fiscais dos: fiscos federal, estadual e municipal, em interpretação sem explicação plausível, foi desconsiderada. Esta situação, conforme já alegado e esmiuçado nas impugnações, impõe que peritos façam uma avaliação para dirimir com quem está a razão. (xv) Caracterização de excesso de exação 1. O excesso de exação está caracterizado nos resultados do procedimento fiscal raivoso encetado contra a recorrente. Foram lançados créditos tributários na ordem de 27 milhões de reais já retificados para 12 milhões. A junta fiscal sabia ou deveria saber que é necessário verificar a existência de áreas com percentuais de redução no cálculo do tributo. Deveria saber que quando se lança as contribuições de uma obra por aferição indireta com base na área construída, a remuneração da mão deobra total despendida é apurada, nada mais resta para se lançar. Entretanto três outros lançamentos f r m efetuados com Fl. 1694DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.005852/200765 Acórdão n.º 2403002.740 S2C4T3 Fl. 1.683 25 base em notas fiscais de serviços prestados nas obras. A desconsideração a contabilidade com base em indícios. Não há espaço aqui para continuar a enumerar as iniq id des resultantes do procedimento fiscal e inteiramente apoiadas, sustentadas pela DR)/BSA. (xvi) Competências maio e junho de 2002 devem ser excluídas. 1. 0 reconhecimento de "que parte do crédito previdenciário lançado"decaiu está incorreto porque as competências maio e junho de 2002, alcançadas pela decadência, não foram consideradas na retificação. (xvii) Retificação inaceitável 1. A alegação de que a retificação não obedeceu ao mesmo critério de apuração do tributo por deficiência do fisco que não providenciou a adaptação e atualização de seus programas quanto à determinação de súmula vinculante é estarrecedora, inaceitável, quase inacreditável. 2. As deficiências do fisco não podem prejudicar o contribuinte, nem justifica a alteração da realidade dos fatos. A obra não foi realizada em um único mês. 3. Chama a atenção o fato de o acórdão informar várias vezes que o período de execução da obra foi de 0212004 a 0312006, fl. 1.127, e está é a realidade dos fatos. 4. Contudo, já na primeira folha do acórdão, em flagrante contradição, informase: 'Período de apuração; 0110912006 a 3010912006'. O Discriminativo Analítico do Débito Retificado — DADR foi elaborado como se o fato gerador da contribuição tivesse ocorrido em uma única competência, 09 2006, como se a obra tivesse sido executada em um único mês, muito tempo depois de concluída. E qual é a justificativa jurídica e a fundamentação legal para esta transgressão? Nenhuma. 8. Daí, como se pode perceber, o método a ser utilizado para a retificação do débito, por lógica, coerência Direito e justiça, e para evitar lesão ao direito e à propriedade da impugnante, terá que ser o mesmo utilizado para a apuração, considerandose o período de execução da obra e como área regularizada aquela relativa aos meses mais antigos e alcançados pela decadência (IN 3, art. 466, VII). 9. Requerse, portanto, seja alterada a retificação do débito obedecendose as regras instituídas pelo próprio fisco (art. 466, IN 3/2005), utilizandose os mesmos critérios e métodos para a sua apuração. Fl. 1695DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 26 Posteriormente, esta Colenda Turma de Julgamento baixou os autos em Diligência Fiscal, nos seguintes termos: (i) considerandose que a decadência foi reconhecida pela autoridade fiscal até 04/2002, além de que o Aviso para Regularização de Obra – ARO, às fls. 909, a data de emissão do ARO é de 30/09/2006 corresponde à data de início da obra, que é de 01/06/1995, e à data de término da obra, que é de 31/08/2003, solicitase informar se permaneceu a necessidade de arbitramento para aferição da base de cálculo, no exercícios 2002 e 2003 e quais os elementos que ensejam tal necessidade; (ii) em relação às contribuições devidas por terceiros apuradas em notas fiscais de serviços prestados, se elabore um quadro comparativo expondo que as contribuições previdenciárias devidas lançadas na presente NFLD nº. 37.096.6627, não se referem às contribuições devidas apuradas nas NFLD 37.096.6554, 37.096.6562 e 37.055.3454. Ou seja, se demonstre que não houve duplicidade de tributação incidente em relação às notas fiscais de prestadores de serviços ou, caso haja, a fundamentação para tal ocorrência. (iii) em relação à ausência de contabilização por centro de custos, em quais períodos dos exercícios 2002 tal fato ocorreu e se tais fatos fundamentam a desconsideração da contabilidade. (iv) quais os elementos que permanecem e que ensejam a desconsideração da contabilidade. (v) a confirmação de que foi aplicado o redutor previsto no art. 449, IN 03/2005 (vi) em relação ao registro de pequenas obras – conta DPOGR, se a escrituração na folha de pagamento da Administração, conforme o alegado pela Recorrente, está correta e se impacta em algum ponto na desconsideração da contabilidade. (vii) em relação à entrega dos arquivos digitais à Recorrente contendo planilhas com dados e informações, se a entrega ocorreu no curso da ação fiscal e, em caso de não entrega, se tal falta foi suprida com a entrega de outros documentos impressos. (viii) se o contribuinte forneceu à fiscalização dados em meio digital ou se fez somente a entrega de documentos impressos. A AuditoriaFiscal, no Pronunciamento Fiscal, às fls. 1296 a 1297, informa que mantém integralmente os valores apurados em relação a esta Notificação Fiscal de Lançamento de Débito: A ação fiscal que resultou na emissão da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito Debcad 37.096.6503, foi realizada pela junta fiscal composta dos auditores João Batista Pereira — mat. 0888.165 e José Claudio Del Duqui — mat. 0953.6454. 0 auditor Joao Batista Pereira encontrase aposentado, motivo pelo qual apenas o auditor remanescente assina a presente. I. A desconsideração da contabilidade teve por base os diversos motivos relacionados no Relatório Fiscal Inicial, parte Fl. 1696DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.005852/200765 Acórdão n.º 2403002.740 S2C4T3 Fl. 1.684 27 integrante da Notificação Fiscal de Levantamento de Débito, exaustivamente demonstrados. 0 reconhecimento da decadência não ocorreu por vontade desta auditoria e sim por decisão do Supremo Tribunal Federal. No entendimento desta auditoria fiscal permanecem todas os motivos que levaram ao procedimento fiscal da aferição indireta do débito e não há elementos que justifiquem a retificação do lançamento em questão. 2. Conforme define a legislação previdenciária os créditos relativos às notas fiscais só devem ser aproveitados caso haja a vinculação inequívoca com a obra. Em todos os relatórios, sustentados por planilhas demonstrativas, foram alocados créditos decorrentes de prestação de serviços executados por terceiros, cujos documentos apresentados pela noti ficada. pertenciam a obra objeto desta notificação. Inicialmente a fiscalização considerou apenas os créditos apresentados durante a ação fiscal (que foram pouquíssimos), posteriormente, por força da impugnação manifestada pela notificada e apresentação de novos documentos, os mesmos foram considerados e o débito retificado. Foram lavradas NFLD distintas para cada obra. A apuração individual (por obra) buscou evidenciar de forma clara e precisa cada levantamento. Todos os créditos previstos na legislação previdenciária foram considerados em cada levantamento especifico. 0 valor inicialmente apurado está demonstrado no relatório inicial constante das fls. 1 a 593. A reanálise da documentação e retificação do débito, após impugnação, consta das fls. 1035 a 1031. A segunda retificação, por imposição da Súmula Vinculante do STF n. 8, está detalhada no relatório as fls. 1073 a 1074. No entendimento desta auditoria não há mais o que ser considerado para fins de retificação. 3. Muitos foram os motivos que levaram a auditoria fiscal à desconsideração da contábil (todos exaustivamente demonstrados no Relatório Fiscal Inicial) e em conseqüência apuração do crédito tributário com base na aferição indireta. Os diversos erros constatados implicaram em apuração indevida do custo da obra e principalmente no registro irreal da mãode obra. Os diversos erros cometidos pela empresa, propositais ou por simples desleixo, contaminaram a escrituração contábil de todo o período fiscalizado, motivo pelo qual mantenho o entendimento de que a aferição indireta está revestida de total correção. 4. No entendimento desta auditoria todos os motivos persistem e todo o trabalho desenvolvido pela auditoria fiscal está correto, nada tendo a retificar. 5. Os cálculos foram demonstrados inicialmente no Relatório Fiscal Inicial e posteriormente nos Relatórios Fiscais de Reti ficação, tendo em vista o fato de a empresa apresentar os Fl. 1697DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 28 documentos de acordo com sua vontade (quando lhe é conveniente). Todo o procedimento realizado pela auditoria fiscal está de acordo com o que consta da legislação previdenciária. Nada a retificar. 6. Conforme relatado no item 5.9.1 do Relatório Fiscal Inicial, a escrituração contábil desta conta possui várias incoerências, o que representa mais urna prova de erros cometidos pela empresa em relação a sua escrituração contábil e que só ratificam (reforçam) o entendimento da auditoria fiscal em desconsiderar a contabilidade e aferir o débito como foi efetivamente realizado. Nada do que foi alegado pela empresa justifica seu comportamento e agora sua pretensa alegação. 7. Não houve entrega de arquivos digitais e nem mesmo documentos básicos corno notas fiscais, folhas de pagamento e uma contabilidade clara e confidvel foram oferecidas á fiscalização. Grande parte da documentação só foi apresentada, e mesmo assim de forma totalmente desorganizada, após a lavratura da Notificação Fiscal, ou seja, na impugnação. A alegação da empresa não procede. 8. Não foram apresentados arquivos digitais, apenas algumas planilhas gravadas em CD dependentes de documentos que atestassem sua veracidade. Pela falta de prestatividade com a fiscalização e ausência de documentação comprobatória, estes arquivos não foram considerados para fins de levantamento. Somente os documentos impressos, mesmo assim incompletos e desorganizados foram trabalhados pela auditoria fiscal, pela absoluta falta de atenção com a fiscalização. Mantenho integralmente os valores apurados em relação a esta Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, nada tendo a retificar. Após intimação, o contribuinte atravessa Manifestação, conforme informado nos autos, de mesmo teor que o recurso Voluntário. Os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 1698DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.005852/200765 Acórdão n.º 2403002.740 S2C4T3 Fl. 1.685 29 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (A) Inconstitucionalidades Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 1699DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 30 II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (B) Da regularidade do lançamento. Analisemos. O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social correspondente às parcelas devidas pela empresa, incluindo o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho SAT/RAT, à parte dos segurados empregados e as destinadas a Terceiros outras entidades e fundos, lançado na competência 09/2006. De acordo com o Relatório Fiscal, fls. 99/110, o lançamento foi arbitrado mediante aferição indireta da área construída na obra denominada Residencial Maison Constance , matricula CEI 38.780.01590/79, correspondendo a 13.003,69 m2. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 37.096.6503 que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: (redação à época da lavratura da NFLD nº 37.096.6503) Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Fl. 1700DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.005852/200765 Acórdão n.º 2403002.740 S2C4T3 Fl. 1.686 31 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Não obstante a argumentação da Recorrente, não confiro razão à Recorrente pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, com a clara discriminação de cada débito apurado e dos acréscimos legais incidentes, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: · A autorização por meio da emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; · A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; · A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DAD Discriminativo Analítico do Débito (que discrimina os valores originários das contribuições devidas pelo contribuinte, abatidos os valores já recolhidos e as deduções legais); c. DSD Discriminativo Sintético do Débito (que apresenta os valores devidos em cada competência, referentes aos levantamentos indicados agrupados por estabelecimento); d. RL Relatório de Lançamentos (que relaciona os lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração dos valores devidos pelo sujeito passivo); e. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); f. REPLEG Relatório de Representantes Legais; Fl. 1701DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 32 g. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); h. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Desta forma, o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento por preterição aos direitos de defesa, pela ausência de fundamentação legal. (i) Requer a nulidade do Acórdão. A decisão de primeira instância deixou de apreciar a alegação de que o entendimento da junta fiscal contraria o entendimento . de todos os outros fiscais que fiscalizaram a recorrente. Analisemos. Não obstante o entendimento da Recorrente, não há como aderir a tal porque a AuditoriaFiscal não está vinculada a posicionamento de outra AuditoriaFiscal que tenha realizado procedimento de fiscalização anterior no contribuinte. Fl. 1702DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.005852/200765 Acórdão n.º 2403002.740 S2C4T3 Fl. 1.687 33 Ademais, o art. 6o , I, a da na Lei 10.593/2002 dispõe acerca das atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil, dentre as quais constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições: Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil: (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007)(Vigência) Ino exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo:(Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) (Vigência) a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) (Vigência) b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativofiscal, bem como em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) (Vigência) c) executar procedimentos de fiscalização ,praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados como controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) (Vigência) d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts.1.190 a 1.192 do Código Civil e observado o disposto no art.1.193 do mesmo diploma legal; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) (Vigência) e) proceder à orientação do sujeito passivo no tocante à interpretação da legislação tributária; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) (Vigência) f) supervisionar as demais atividades de orientação ao contribuinte; (Incluída pela Lei nº 11.457, de 2007)(Vigência) II em caráter geral, exercer as demais atividades inerentes à competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007)(Vigência) Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (ii) Cerceamento de defesa. Analisemos. Fl. 1703DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 34 Conforme o visto no item (B) da regularidade do lançamento, o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento por preterição aos direitos de defesa. (iii) Contabilização por centro de custo 2. A interpretação dos fatos que levaram os nobres auditores a desconsiderarem a contabilidade da impugnante não se consubstancia em situações materiais efetivas. 3. Uma a uma, todas as circunstâncias narradas pela junta fiscal para desconsiderar a contabilidade da recorrente ,foram" rebatidas nas impugnações. No entanto, somente os argumentos da junta fiscal foram,'acatados incondicionalmente; já os argumentos, justificativas e explicações da recorrente só foram mencionados no relatório. 4. A circunstância .da junta fiscal identificar as obras realizadas pela recorrente, assim como todos os outros fiscais que examinaramlhe a contabilidade, mostra que os fatos contábeis e todos,,os fatos geradores de contribuições previdenciárias relativos às obras são registrados; em contas individualizadas. 5. Os agentes do fisco afirmam no subitem 5.9 do relatório fiscal anexo à NFLD que "os indícios levam ao entendimento de que obras ou serviços foram executados sem os devidos registros contábeis"(sgo). Indícios, Senhores julgadores, indícios. A presunção de legitimidade dos atos do fisco é limitada, relativa, não é absoluta. Indícios no Direito Tributário não são figuras aptas a produzir resultados. Analisemos. Este tópico foi debatido em sede de decisão de primeira instância, às fls. 1208 a 1243, na qual se constata que embora a empresa procurasse corrigir a contabilização por centros de custo, não logrou êxito haja vista ter utilizado procedimento inadequado, em desconformidade com o ato normativo do Departamento de Contabilidade, que exige a correção no exercício em que se constatou o erro, e não a mera substituição, tal como informado pela fiscalização: Conforme relatado pela autoridade fiscal, a própria empresa procurou corrigir algumas das faltas apresentadas (ausência de contabilização por centro de custo), contudo, não logrou êxito em assim proceder, haja vista ter utilizado procedimento inadequado, em desconformidade com o ato normativo do Departamento de Contabilidade, que exige a correção no exercício em que se constatou o erro, e não a mera substituição, tal como informado pela fiscalização. Nesse ponto, foi anexada a Instrução Normativa n° 102, do Departamento Nacional de Registro do Comércio, fls. fls. 291/296, que orienta o procedimento ao ser adotado nos casos de retificação dos livros contábeis, norma desconsiderada pela impugnante. Fl. 1704DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.005852/200765 Acórdão n.º 2403002.740 S2C4T3 Fl. 1.688 35 Verificando e analisando o Relatório Fiscal da Infração (fls. 99/110) vislumbrase que o Auditor apresenta com clareza os fatos que ocorreram durante a ação fiscal, caracterizando diversas obrigações acessórias descumpridas, qual seja: escrituração contábil não identificada por centros de custo; não apresentação de documentos (folhas de pagamentos) requisitados pela autoridade, notas. fiscais não contabilizadas (Consórcio Rodoviário Intermunicipal — CRISA). Ademais, em solicitação de Diligência Fiscal, às fls. 1305 a 1306, abordouse este tópico: (v) em relação à ausência de contabilização por centro de custos, em quais períodos dos exercícios 2004 a 2006 tal fato ocorreu e se tais fatos fundamentam a desconsideração da contabilidade. O Pronunciamento Fiscal, às fls. 1296 a 1297, mantém o posicionamento do Relatório Fiscal: 5. O item 5.2 do Relatório Fiscal Inicial — fls. 100/101 do presente processo responde tal quesito. Ora, diante das provas colacionadas nos autos, mantenho o entendimento da decisão de primeira instância de forma a manter os fundamentos da autuação neste ponto. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (iv) Princípio da imparcialidade 5. Resistiram, sob a complacência da DRJ/BSB, a corrigir o erro de lançar duas vezes a contribuição de terceiros com base em notas fiscais de prestação de serviços em obras cuja contribuição total foi lançada em NFLD das próprias obras e também lançadas em outras três NFLD utilizando como artifício para enganar métodos diferentes de aferição indireta. 6. Os autos de infração citados pelo relator como procedentes foram julgados apenas na primeira instância, ainda não foram avaliados por este Colendo Conselho cuja imparcialidade é reconhecida. 7. Por que o órgão julgador de `primeira instância administrativa não julga importante registrar os diversos erros cometidos pela junta fiscal, que fizeram com que os autos fossem baixados em diligência mais de um' a vez, e o crédito lançado retificado várias vezes? Porque o órgão julgador não observa ,o PRINCÍPIO DA IMPARCIALIDADE. 8. A junta fiscal errou quando não cumpriu o que determina o art. 449 da IN 3, não reduzindo as áreas, mas isso não e importante para a DR]/BSA registrar. Aliás, foi registrado como erro da recorrente: Fl. 1705DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 36 10. Apenas mais um: no item 5.9.1. do relatório fiscal afirmam: "evidenciando a utilização de empregados, sem contudo, haver registro de escrituração de folhas de pagamento'. 0 registro de pequenas obras — conta DPOGR, existe exatamente para registrar, dentre outros fatos menores, quantificados em função do porte da empresa, serviços de curto prazo prestados por empregados a terceiros sem que se complete o ciclo mensal, especificamente em serviços realizados em obras e que terminam muito ante do final do mês. Em outras palavras: prestam serviços a várias obras dentro do mês. Essa mãodeobra, conforme art. 162 de IN 3, abaixo transcrito, é escriturada na folha de pagamento da Administração, pois não há como registrar estes serviços em folhas específicas, como quer entes do fisco. (ix) BIS IN IDEM 2. Iniciase com a importante informação de que a obra foi executada no período de 02/2004 a 03/2006. 3. Após digressões, onde se comenta que a IN 03105 tem "o intuito de reguLamentar a lei que a construção ,civil "sempre apresentou inúmeras dificuldades...'; fazse ensinamentos de como "deva submeterse ao regime de aferição indireta, citação e transcrição de dispositivos da IN 03, escrevese que "Conforme pode ser observado na legislação aplicável, no período de 0211999 a 0912002, os critérios para que o valor eventualmente recolhido a título de retenção pudesse se aproveitado e deduzido no arbitramento da são:...". (sgo) 4. A leitura do trecho de onde se extraiu as pérolas acima, fl. 1.127, e outros trechos do acórdão n0 0332.778, deixa a impressão de que se trata de mais um complemento ao Relatório Fiscal Anexo a NFLD e não de uma decisão. 9. De acordo com o órgão julgador administrativo de primeira instância (DRJ/BSA) uma instrução normativa do fisco tem o intuito de regulamentar a lei! Que lei uma instrução normativa regula? Em nosso ordenamento jurídico a competência para regulamentar lei é privativa do Presidente da Republica mediante a edição de Decreto (art. 84, IV, da CF).' 11. A primeira questão é a que configura inadmissível bis in idem quanto às contribuições de terceiros, relativas a esta, obra quê também foram lançadas nas NFLD n° 37.096.6554, 37.096.656 2 e 37.055.3454. 12. A segunda questão é a do aproveitamento de recolhimentos efetuado por terceiros para a obra e seus requisitos impostos por norma infralegal (instrução normativa). 13. Em um momento o acórdão se refere à conversão em área regularizada e seus critérios (art.447 da IN3), para depois, copiando a junta fiscal, afirmar que "em relação às notificações relacionadas a retenção dos 11% destacado na emissão das notas fiscais dos prestadores NFLD 37.055.3454, 37.096.655 4, 37.096.6542, todas as notas fiscais e quaisquer documentos que puderam ser vinculados a quaisquer das obras analisadas durante o procedimento fiscal, foram deduzidas daquela notificação" (sgo). A qual notificação se refere o julgador? Fl. 1706DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.005852/200765 Acórdão n.º 2403002.740 S2C4T3 Fl. 1.689 37 Quais notas fiscais? Quais documentos? De qualquer forma não foi deduzido nesta NFLD nenhum dos valores lançados nas três NFLD por retenção. 20. Vejase ainda que a legislação aplicável no período de 05/1999 a 09/2003, na interpretação da DRJ/BSA, é a IN 3 de 2005, que, segundo o relator, além do poder de regulamentar uma lei, tem o poder de retroagir e ;criar obrigações acessórias e fixar critérios para que o valores lançados em dobro possam ser corrigidos (?). 22. A junta fiscal lavrou 34 NFLD relativas a contribuições referentes à aferição indireta da mãodeobra total com base na área construída e no padrão das obras realizadas sob responsabilidade da recorrente, dentre elas esta. 23. Outras três NFLD foram lavradas por suposta "existência de débito relativo às contribuições previdenciárias incidentes sobre notas fiscais de prestação de serviços mediante cessão de mão deobra" (item 5 do relatório fiscal da NFLD n° 37.096.6562); "Tratase da retenção de 11% incidente sobre o valor bruto das notas riscais relativas à prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra, contratados pela notificada" (item 5 do relatório fiscal da NFLD n° 37.055.3454); e "existência de débito relativo as contribuições previdenciárias incidentes sobre notas fiscais .. "(item 5 do relatório fiscal da NFLD n° 37.096.6554). 24. Observese que as três NFLD são relativas a contribuições previdenciárias incidentes sobre notas fiscais e que as notas fiscais são de prestação de serviços. Serviços prestados na execução das 34 obras, conforme planilhas anexadas a cada uma das três NFLD pela junta fiscal. 25. O bis in idem ocorreu porque toda a contribuição previdenciária devida, seja própria ou de terceiros, relativa a esta obra, identificada no centro de custos como CAIPE, foi lançada nesta NFLD. No entanto, ainda assim, valores de notas fiscais de serviços prestados por terceiros a esta obra também foram utilizados co base de cálculo da contribuição previdenciária lançada nas NFLD 37.055.3454, 37.096.65 e 37.096.6554. Analisemos os itens (iv) e (ix) conjuntamente. Tal argumentação da recorrente se circunscreve a valoração de prova fática, posto devese verificar se houve ou não o lançamento duplicado de contribuição de terceiros com base em notas fiscais de prestação de serviços em obras cuja contribuição total foi lançada em NFLD das próprias obras e também lançadas em outras três NFLD. Este ponto foi objeto de solicitação de Diligência Fiscal, às fls. 1305 a 1306: Fl. 1707DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 38 (ii) em relação às contribuições devidas por terceiros apuradas em notas fiscais de serviços prestados, se elabore um quadro comparativo expondo que as contribuições previdenciárias devidas lançadas na presente NFLD nº. 37.0553519, não se referem às contribuições devidas apuradas nas NFLD 37.096.6554, 37.096.6562 e 37.055.3454. Ou seja, se demonstre que não houve duplicidade de tributação incidente em relação às notas fiscais de prestadores de serviços ou, caso haja, a fundamentação para tal ocorrência O Pronunciamento Fiscal, às fls. 1296 a 1297, após reanálise dos autos, mantém o posicionamento do Relatório Fiscal demonstrando que não houve lançamento de contribuições de forma duplicada: 2. Conforme define a legislação previdenciária os créditos relativos as notas fiscais só devem ser aproveitados caso haja a vinculação inequívoca com a obra. Em todos os relatórios, sustentados por planilhas demonstrativas, foram alocados créditos decorrentes de prestação de serviços executados por terceiros, cujos documentos apresentados pela notificada. pertenciam a obra objeto desta notificação. Inicialmente a fiscalização considerou apenas os créditos apresentados durante a ação fiscal (que foram pouquíssimos), posteriormente, por força da impugnação manifestada pela notificada e apresentação de novos documentos, os mesmos foram considerados e o débito retificado. Foram lavradas NFLD distintas para cada obra. A apuração individual (por obra) buscou evidenciar de forma clara e precisa cada levantamento. Todos os créditos previstos na legislação previdenciária foram considerados em cada levantamento especifico. O valor inicialmente apurado está demonstrado no relatório inicial constante das fls. I a 594. A reanálise da documentação e retificação do débito, após impugnação, consta das lis. 1079 a 1095. No entendimento desta auditoria não ha mais o que ser considerado para fins de retificação. Ora, diante da matéria exclusivamente fática que foi objeto de Diligência Fiscal, mantenho o entendimento da AuditoriaFiscal de forma a manter os fundamentos da autuação neste ponto. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (v) Arquivos digitais da ação fiscal — Ausência de Motivação 1. 0 item 8 da Manifestação aos esclarecimentos "Enquanto a junta fiscal não entregar os arquivos digitais com as planilhas da ação fiscal, restará configurado inadmissível cerceamento de defesa, pois impede que as impugnações sejam realizadas com a precisão e os meios necessários'; não foi apreciado no voto. Foi somente citado no relatório, fl. 1.110, item 2. Fl. 1708DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.005852/200765 Acórdão n.º 2403002.740 S2C4T3 Fl. 1.690 39 2, Esperase, sempre, que o órgão julgador exerça o controle da legalidade e legitimidade dos lançamentos e profira suas decisões motivadas de acordo com sua convicção, formada a partir da subsunção dos fatos à lei, com independência, imparcialidade e responsabilidade, sob condição de justificar a própria existência. 5. A não entrega dos arquivos digitais contendo a planilha com dados e informações sobre a apuração de valores que dizem respeito à recorrente é outra prova contundente do evidente cerceamento de defesa. 0 fisco cria normas obrigando o contribuinte a entregar arquivos digitais de seu interesse, mas esquece das normas que obrigam todos'os servidores públicos (art. 116, Lei 8.112/90) e Princípios constitucionais, dentre eles o da Moralidade. 6. Foram solicitadas as planilhas em meio digital que informam milhares de bases de cálculo, entregues impressas, com erros que resultaram nas diversas retificações do débito. E o relator, mesmo tendo mencionado o requerimento da recorrente, fl. 1.110, não apreciou, não julgou a matéria. Analisemos. A controvérsia está centrada na ausência da apreciação da entrega dos arquivos digitais da Recorrente. Este ponto foi objeto de solicitação de Diligência Fiscal, às fls. 1305 a 1306: (ix) em relação à entrega dos arquivos digitais à Recorrente contendo planilhas com dados e informações, se a entrega ocorreu no curso da ação fiscal e, em caso de não entrega, se tal falta foi suprida com a entrega de outros documentos impressos. (x) se o contribuinte forneceu à fiscalização dados em meio digital ou se fez somente a entrega de documentos impressos O Pronunciamento Fiscal, às fls. 1296 a 1297, após reanálise dos autos, mantém o posicionamento do Relatório Fiscal demonstrando que não houve a entrega de arquivos digitais, de forma a não proceder a alegação da empresa: 9. Não houve entrega de arquivos digitais e nem mesmo documentos básicos como notas fiscais, folhas de pagamento e urna contabilidade clara e confiável foram oferecida'F fiscalização. Grande parte da documentação só foi apresentada, e mesmo assim de forma totalmente desorganizada, após a lavratura da Notificação Fiscal, ou seja, na impugnação. A alegação da empresa não procede. 10.Não foram apresentados arquivos digitais, apenas algumas planilhas gravadas cm CD dependentes de documentos que atestassem sua veracidade. Pela falta de prestatividade com a fiscalização e ausência de documentação comprobatória, estes arquivos não foram considerados para fins de levantamento. Somente os documentos impressos, mesmo assim incompletos e Fl. 1709DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 40 desorganizados foram trabalhados pela auditoria fiscal, pela absoluta falta de atenção corn a fiscalização. Ora, diante da matéria exclusivamente fática que foi objeto de Diligência Fiscal, mantenho o entendimento da AuditoriaFiscal de forma a manter os fundamentos da autuação neste ponto. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (vi) Inversão do ônus da prova: dever da prova 4. A previsão legal de arbitrar o crédito não dispensa o dever do fisco de produzir prova e não cria presunção de onipotência. A regra, tanto no processo judicial quanto no administrativo é a de que o autor tem o ônus de provar o fato constitutivo. 7. Assim, mesmo quando. se trata de arbitramento, o fisco tem a obrigação e o dever de produzir as provas, as razões de fato e de direito que justificam o crédito lançado, assim como os cálculos, raciocínios e fundamentos legais da apuração da quantia devida. Ausentes esses pressupostos, o direito de defesa está comprometido. Analisemos. Este ponto de inversão do ônus da prova foi debatido em sede de decisão de primeira instância, às fls. 1208 a 1243, na qual se conclui que após análise individualizada de todos as provas apresentadas pela impugnaste; os documentos que permitiram retificar o lançamento foram aproveitados: Registrese que não há dúvidas de que a legislação previdenciária, no caso sob análise, dadas as condições fáticas ocorridas durante o procedimento fiscal, autoriza a fiscalização a promover o arbitramento da base de cálculo das contribuições previdenciárias, conforme previsão, inclusive do artigo 148 do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante 'processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Assim, a conseqüência jurídica disso, portanto, nos ternos dos parágrafos 3% 4° e 6° do art. 33, é a imediata e conseqüente inversão do ônus da prova. Tal circunstância determina que a simples manifestação de contrariedade do impugnaste não tem o condão de afastar o ato administrativo dotado de presunção de legitimidade, legalidade e veracidade. Em que pese o impugnante ter apresentado inúmeras cópias de guias de recolhimento e notas fiscais, fls. 735/942 e 975/1078, Fl. 1710DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.005852/200765 Acórdão n.º 2403002.740 S2C4T3 Fl. 1.691 41 observase, conforme manifestado pela autoridade lançadora, fls. 1087/1091, muitos documentos foram repetidos, outros não possuem vinculação com a obra e outros não foram acompanhadas pelas GFIP's dos prestadores, conforme determina o art. 425 da Instrução Normativa n° 03, de 2005. Contudo, após análise individualizada de todos as provas apresentadas pela impugnaste; os documentos que permitiram retificar o lançamento foram aproveitados, conforme informação à fl. 1087/1090, bem como elaboração de novo ARO, fls. 1092/1095. Ora, conforme o visto em sede de decisão de primeira instância, após a análise individualizada em sede de Diligência Fiscal de todos as provas documentais apresentadas pelo contribuinte, os documentos que permitiram retificar o lançamento foram aproveitados. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (vii) Princípio da ampla competência decisória apreciação de inconstitucionalidades 3. Qualquer limitação à atividade jurisdicional desenvolvida pelos órgãos administrativos de julgamento, inclusive pronunciarse sobre inconstitucionalidade e ilegalidade de norma tributária é injustificável, inconstitucional. O processo administrativo está garantido e equiparado ao processo judicial pela Constituição Federal que não lhe limita a atuação. Analisemos. Este ponto já foi analisado no item (A) Inconstitucionalidades. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (viii) Aplicação Retroativa da Legislação Tributária Princípio da Segurança Jurídica 1. Quanto à aplicação da IN 3, a recorrente não escreveu em lugar algum que ela foi revogada. Então, porque a transcrição do art. 48 da Lei 11.457/2007? A recorrente se posiciona quanto ao âmbito de aplicação das instruções normativas e vigência. É isso, Senhores Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, à falta de argumentos jurídicos lógicos, racionais para enfrentar de frente as questões postas a deslinde, o órgão julgador de primeira instância tergiversa. 7. A IN 03, assim como as demais normas da SRP, é generalista "Dispõe sobre normas gerais de tributação previdenciárias .. "em flagrante conflito com os princípios do art. 7o. da Lei Fl. 1711DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 42 Complementar 95/98, trata de normas de natureza material e processual indistintamente. 8. Ora, a recorrente, quando faz alegações quanto a irretroatividade das leis, não se refere às normas de natureza processual. Analisemos. O período objeto da NFLD, conforme o Relatório Discriminativo Sintético de Débito DSD, é de 01/09/2006 a 30/09/2006. A Recorrente teve ciência da NFLD no dia 28.06.2007, conforme fls. 01. Ora, conforme já debatido em sede de decisão de primeira instância, às fls. 1208 a 1243, não se tem a aplicação retroativa da legislação posto que a Lei 8.212/1991 é vigente à época dos fatos geradores aos fatos geradores é a 8.212/91, conforme o art. 144, caput, e 144, § 1º do CTN : Quanto à afirmação da impugnante de que instruções normativas não obrigam o contribuinte, tendo em vista o Princípio da Legalidade vigente no país, aduzse o seguinte. Sendo assim, verificase que foi mantida a vigência dos atos normativos da extinta Secretaria da Receita Previdenciária, a Instrução Normativa da SRP n° 03/05, vigente à época da feitura do presente lançamento, não contendo, portanto, qualquer vicissitude em sua aplicação, razão pela qual as orientações e determinações nela contidas devem ser observadas, tendo em vista, conforme já manifestado, o lançamento ser procedimento vinculado. Nessa esteira, ressáltese o inciso I do art. 100 do Código Tributário Nacional, que determina a complementaridade dos atos normativos expedidos pelas autoridades adm nistrativas, razão pela qual, em momento algum, tanto a autoridade lançadora quanto os administrados (contribuintes e responsáveis tributários) podem deixar de obedecelos. No caso sob análise, não se tem a aplicação retroativa da legislação. Em verdade, a lei aplicável ao lançamento, em relação aos fatos geradores é a 8.212/91, plenamente vigente à época dos fatos geradores, nos moldes do art. 144, caput, do CTN. Art. 144. O lançamento Reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Contudo, conforme;, destaca o § 1° do mesmo art. 144, a administração tributária, ao instituir novos critérios tle apuração, sem contrariar, evidentemente, o texto básico presente na legislação regente: § 1' Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado òs poderes de investigação das autoridades administrativas, ou Fl. 1712DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.005852/200765 Acórdão n.º 2403002.740 S2C4T3 Fl. 1.692 43 outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros Observamos que no período objeto da autuação, a Instrução Normativa MPS/SRP 03/2005 era vigente. Outrossim, a argumentação da Recorrente é genérica, entendo que deve ser mantida a autuação fiscal neste ponto. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (x) Notas fiscais com guias de recolhimento 1. A DRJ/BSA também se recusa a retificar o crédito tributário até mesmo quando se apresenta guias de recolhimento que comprovam o recolhimento da retenção. As notas fiscais envolvendo período a partir de outubro de 2002, com vinculação inequívoca à obra, não foram consideradas para efeito de retificação do valor da notificação... ; fl. 1.117. 6. Aceitar, até setembro de 2002, a conversão em área regularizada a remuneração recolhida relativa à mãodeobra terceirizada, com vinculação inequívoca à obra e depois, a partir de outubro de 2002, condicionar o aproveitamento de valores recolhidos à declaração em GFIP emitida pelo prestador de serviço, é inovação proibida, pois cria obrigação não identificada em lei de pagar a mesma contribuição de terceiros duas vezes: uma vez pelo recolhimento e outra pelo lançamento indevido que se mantém. 7. É absurdo e afrontoso à inteligência esse procedimento abusivo, inconstitucional de se manter, em lançamento, tributo que já foi recolhido, ao condicionar a regularização ao cumprimento de obrigação acessória de responsabilidade do prestador de serviço originariamente contribuinte. 15. Requerse seja dado, às competências a partir de outubro o mesmo tratamento dado às competências anteriores convertendo em área regularizada a remuneração recolhida relativa à mão deobra terceirizada, com vinculação inequívoca à obra. (xiii) Bitributação 3. Afirmações desconexas com a realidade é a moda do acórdão da DRJ/BSA. A cada tópico se depara com frase deste tipo: "não ocorreu o bis in idem, pois as notas fiscais que estavam inequivocamente vinculadas à obra (..) foram consideradas para efeito de redução do lançamento...'. 4. Repetese: o bis in idem existe porque todas as contribuições (próprias e de terceiros) relativas às obras foram lançadas por aferição indireta com base na área construída e CUB. Fl. 1713DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 44 Ainda assim, por outros métodos iníquos de aferição indireta, com base em mãodeobra de terceiros contidas em notas fiscais das obras, foram lançadas novamente as contribuições de terceiros. Nada a ver com nota fiscal vinculada à obra. 6. A junta fiscal ao contrário, atesta taxativamente que não. O relatório do acórdão reproduz, fl. 1.117/8, item T, a informação da junta fiscal, que não contesta o bis in idem, porém justifica que os levantamentos representados pelas NFLD (esqueceram de citar a NFLD 37.096.6554) não foram aproveitados porque as circunstâncias necessárias não ocorrem. 7) Os levantamentos representados pelas NFLD 37.096.6562 e 37.055.3454 somente poderiam ser aproveitados para reduzir o lançamento da presente notificação mediante a comprovação do recolhimento da retenção incidente sobre os serviços prestados mediante cessão de mãodeobra, bem como da vinculação inequívoca com a obra executada e a remuneração constante das GFIP dos prestadores de serviços a cada obra, a serem comprovados nos autos, circunstâncias que não ocorrerem'. (sgo) Analisemos os itens (x) e (xiii) conjuntamente. Este ponto já foi debatido em sede de decisão de primeira instância, às fls. 1208 a 1243, na qual se conclui que o aproveitamento de eventuais recolhimentos e créditos em favor do sujeito passivo foram efetuados nos lançamentos mencionados, inexistindo qualquer razão no tocante à assertiva de que há tributação em dobro sobre os mesmos fatos geradores: Assim, a alegação de que a junta fiscal resiste a retificar o presente crédito tributário quanto às remunerações contidas nas notas fiscais de terceiros, lançadas nas NFLD n° 37.096.6554, 37.096.6562 e 37:055.3454, é improcedente, tendo em vista que o aproveitamento de eventuais recolhimentos e créditos em favor do sujeito passivo foram efetuados nos lançamentos mencionados, inexistindo qualquer razão no tocante à assertiva de que há tributação em dobro sobre os mesmos fatos geradores. Tal argumento oferecido pelo impugnante é totalmente insubsistente, pois o direito de ter os créditos de retenção aproveitados nas notificações arbitradas com base na área construída não é absoluto, pelo contrário, somente pode ser implementado caso sejam atendidas as condições estabelecidas pela própria legislação previdenciária. No caso, da NFLD n° 37.096.6562, cujos valores da retenção aferidos indiretamente, tendo sido utilizado como critério o relatório emitido pela própria empresa, devese ter em mente que esta notificação foi lançada por arbitramento pelo simples fato de a empresa ter se recusado a apresentar as notas fiscais para serem analisadas pela autoridade Fiscal. Ora, se os documentos originais: deixaram de ser apresentados, muito menos as GFIP's dos prestadores, verificase, facilmente, a. impossibilidade de aproveitamento de qualquer valor incluído nessa notificação. De igual modo, a NFLD n° 37.055.3454, apesar de referirse às notas fiscais apresentadas, também não foram acompanhadas Fl. 1714DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.005852/200765 Acórdão n.º 2403002.740 S2C4T3 Fl. 1.693 45 pelas GFIP's dos prestadores. Tal exigência, além de estar prevista no inciso II do art. 447 da Instrução Normativa n° 03, de 2005, também é complementada pela,.obrigação acessória a ser cumprida pelas empresas contratantes, conforme consta do 425 dá mesma IN: (...) Quanto a alegação de que houve bi tributação e bis in idem, expressões utilizadas pela defendente durante as manifestações nos autos do processo, importante destacar que em matéria tributária as diferenças entre esses termos são nítidas. Roque Antonio Carrazza descreve de modo simples que "...em matéria tributária, dáse o bis in ideie quando o mesmo fato jurídico é tributado duas ou mais vezes, péla mesma pessoa política. Já, bitributação é ó fenômeno pelo qual o mesmo fato jurídico vem a ser tributado por duas ou mais pessoas políticas". No caso sob análise, não ocorreu o bis in idem, pois todas as notas fiscais que estavam inequivocamente vinculadas à obra objeto do presente lançamento, conforme determina a Instrução Normativa SRI'. n° 03, de 2005, foram consideradas para efeito de redução do lançamento, conforme atestado pela autoridade fiscal e verificado por este órgão julgador. Dessa forma, não '.se verifica a bitributação nem tão pouco qualquer ausência de prejuízo em desfavor da impugnante no sentido de não ter sido efetuado algum crédito eventual de alguma retenção. Em verdade, todas as notas fiscais e respectivas guias de recolhimento da previdência social que puderam ser vinculadas a cada uma das obras para aproveitadas pela autoridade lançadora. O Pronunciamento Fiscal, em resposta à Diligência Fiscal, às fls. 1296 a 1297, mostra que houve uma reanálise da documentação acostada aos autos e se procedeu à retificação do débito, com o aproveitamento de guias de recolhimento: 2. Conforme define a legislação previdenciária os créditos relativos as notas fiscais só devem ser aproveitados caso haja a vinculação inequívoca com a obra. Em todos os relatórios, sustentados por planilhas demonstrativas, foram alocados créditos decorrentes de prestação de serviços executados por terceiros, cujos documentos apresentados pela noti ficada. pertenciam a obra objeto desta notificação. Inicialmente a fiscalização considerou apenas os créditos apresentados durante a ação fiscal (que foram pouquíssimos), posteriormente, por força da impugnação manifestada pela notificada e apresentação de novos documentos, os mesmos foram considerados e o débito retificado. Foram lavradas NFLD distintas para cada obra. A apuração individual (por obra) buscou evidenciar de forma clara e precisa cada levantamento. Todos os créditos previstos na legislação Fl. 1715DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 46 previdenciária foram considerados em cada levantamento especifico. O valor inicialmente apurado está demonstrado no relatório inicial constante das fls. I a 594. A reanálise da documentação e retificação do débito, após impugnação, consta das lis. 1079 a 1095. No entendimento desta auditoria não ha mais o que ser considerado para tins de retificação. Ora, conforme o visto em sede de decisão de primeira instância, após a análise individualizada em sede de Diligência Fiscal de todos as provas documentais apresentadas pelo contribuinte, os documentos que permitiram retificar o lançamento foram aproveitados, sem que tenha havido bitributação ou bis in idem. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (xi) Não aplicação do inciso I do art. 448 da IN 3/05 1. A DRJ/BSA lê e interpreta os dispositivos legais a seu talante sem compromisso com o sentido e significado das palavras ou finalidade da norma. "Art. 448. Será, ainda, aproveitada para fins de dedução da RMT, a remuneração: I contida em NFLD ou LDC, relativos à obra, quer seja apurado com base em folha de pagamento ou resultante de eventual lançamento de débito por responsabilidade solidária", 2. A dicção do artigo acima e seu inciso não é no sentido de que somente será aproveitada remuneração contida em NFLD ou LDC com base em folha de pagamento ou por responsabilidade solidária. A expressão do inciso "quer seja apurado"não tem caráter restritivo, mas exemplificativo, não é 'numerus c/ausus: 3. A palavra somente' colocada no texto do acórdão, fl. 1.129, não existe no inciso. 'Somente' existe na forte e inabalável vontade de prestigiar o trabalho dos colegas da junta fiscal. Analisemos. Vejamos o art. 448, I, IN MPS/SRP 03/2005: Art. 448. Será, ainda, convertida em área regularizada a remuneração: I contida em NFLD ou LDC, relativos à obra, quer seja apurado com base em folha de pagamento ou resultante de eventual lançamento de débito por responsabilidade solidária; Este ponto já foi debatido em sede de decisão de primeira instância, às fls. 1208 a 1243, na qual se conclui pela insubsistência do pedido do contribuinte: Por sua vez, eventuais valores contidos em Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) ou LDC, relativos à obra, de Fl. 1716DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.005852/200765 Acórdão n.º 2403002.740 S2C4T3 Fl. 1.694 47 acordo com o inciso I do art. 448 da Instrução Normativa SRP n° 3, de 2005, somente são convertidos em área regularizada, em relação aos valores apurados com base em folhas de pagamento ou resultante de eventual lançamento de débito por responsabilidade solidária. Nesse sentidos, considerando que as NFLD n° 37.096.6554, 37.096.6562 e 37.055.3454 referemse a lançamentos relacionados à retenção, isto é, obrigação principal do contratante na qualidade de responsável tributário, novamente resta demonstrada a insubsistência do pedido do contribuinte ; Ora, o contribuinte repete a mesma argumentação utilizada em sede de Impugnação sem acrescentar qualquer novo elemento de prova capaz de suportar tais alegações. Neste ponto, acompanho integralmente o posicionamento da decisão de primeira instância pelas razões expostas. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (xii) Aplicação do art. 474 da IN 03/05 1. De novo interpretação fora do texto da norma. Em lugar algum da IN 3 está escrito "todas as notas fiscais que se submetem ao regime jurídico da retenção devem estar ...'. Não é recomendável em redação de texto legal este tipo rasteiro de generalização. 2. 0 tema em debate não é nota fiscal, não é recolhimento, É BIS IN IDEM: COBRANÇA DE TRIBUTO EM DUPLICIDADE. 3. 0 art. 474 é a síntese de tudo o quanto se discute sobre o fato concreto. 0 capítulo V da IN 3 trata dos procedimentos fiscais e no art. 474, § 2o, determina que no lançamento de "contribuições referentes à aferição da mãodeobra total', que é o caso aqui em debate, serão deduzidos os lançamentos das bases de cálculo constituídos por retenção, que é o caso das três NFLD. No entanto, independentemente desse dispositivo normativo ou qualquer restrição, há que se excluir os valores lançados em duplicidade. Analisemos. Vejamos o art. 474, IN MPS/SRP 03/2005: Art. 474. Na regularização de obra de construção civil, em que a remuneração da mãodeobra utilizada foi apurada com base na área construída e no padrão da obra ou com base na prestação de serviços contida em nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços, se constatada a contratação de subempreiteiras, deverão ser constituídos os créditos das contribuições sociais Fl. 1717DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 48 correspondentes, em lançamentos distintos, conforme a sua natureza. § 1º Os créditos referidos no caput serão constituídos da seguinte forma: I contribuições referentes à aferição da mãodeobra total; II contribuições referentes à remuneração da mãodeobra própria da empresa fiscalizada; III contribuições apuradas por responsabilidade solidária; IV retenção. § 2º No lançamento da base de cálculo da aferição indireta prevista no inciso I, serão deduzidos os lançamentos das bases de cálculo previstos nos incisos II, III e IV, todos do § 1º deste artigo, competência por competência, observados os critérios de conversão previstos neste Título. § 3º No lançamento por responsabilidade solidária, de que trata o inciso III do § 1º deste artigo, não serão cobradas as contribuições devidas a outras entidades ou fundos, as quais deverão ser cobradas diretamente da empresa contratada. Este ponto já foi debatido em sede de decisão de primeira instância, às fls. 1208 a 1243, na qual se conclui pela insubsistência do pedido do contribuinte: Quanto à aplicação dos dispositivos contidos no art. 474 da IN 3, estes devem ser compreendidos em harmonia com o restante da normatização, isto é, todas as notas fiscais que se submetem ao regime jurídico da retenção devem estar inequivocamente vinculadas à obra sob análise, bem como ter a cópia da GFIP apresentada pelo prestador, condições essas que não foram atendidas durante a ação fiscal pela empresa notificada. Além disso, registrese que o art. 474 trata, especificamente da segmentação em relação aos fatos geradores, determinando que haja lançamentos distintos, conforme a sua natureza. Dessa forma, serão lavrados documentos separados para as contribuições referentes à aferição da mãodeobra total, as referentes à remuneração dei mãodeobra própria da empresa fiscalizada; as apuradas por responsabilidade solidária e retenção. De acordo com o §2° do art. 474, no lançamento da base de cálculo da aferição indireta da mãodeobra total, devem ser deduzidos os lançamentos das bases de cálculo referente às contribuições de mão de obra própria, bem como solidariedade e retenção. Ora, o contribuinte repete a mesma argumentação utilizada em sede de Impugnação sem acrescentar qualquer novo elemento de prova capaz de suportar tais alegações. Neste ponto, acompanho integralmente o posicionamento da decisão de primeira instância pelas razões expostas. Fl. 1718DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.005852/200765 Acórdão n.º 2403002.740 S2C4T3 Fl. 1.695 49 Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (xiv) Perícia A contabilidade da. empresa apor "mais de vinte anos foi considerada regular e correta por agentes fiscais dos: fiscos federal, estadual e municipal, em interpretação sem explicação plausível, foi desconsiderada. Esta situação, conforme já alegado e esmiuçado nas impugnações, impõe que peritos façam uma avaliação para dirimir com quem está a razão. Analisemos. Observo que houve Solicitação de Diligência por parte do órgão julgador de primeira instância, bem como a conversão do processo em Diligência determinado por esta Colenda Turma de Julgamento do CARF. Desta forma, não considero pertinente o pedido de Diligência pois todos os elementos de prova acostados aos autos já foram analisados no transcurso do Processo administrativotributário. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (xv) Caracterização de excesso de exação 1. O excesso de exação está caracterizado nos resultados do procedimento fiscal raivoso encetado contra a recorrente. Foram lançados créditos tributários na ordem de 27 milhões de reais já retificados para 12 milhões. A junta fiscal sabia ou deveria saber que é necessário verificar a existência de áreas com percentuais de redução no cálculo do tributo. Deveria saber que quando se lança as contribuições de uma obra por aferição indireta com base na área construída, a remuneração da mão deobra total despendida é apurada, nada mais resta para se lançar. Entretanto três outros lançamentos f r m efetuados com base em notas fiscais de serviços prestados nas obras. A desconsideração a contabilidade com base em indícios. Não há espaço aqui para continuar a enumerar as iniq id des resultantes do procedimento fiscal e inteiramente apoiadas, sustentadas pela DR)/BSA. Analisemos. Este ponto já foi debatido em sede de decisão de primeira instância, às fls. 1208 a 1243, na qual se conclui que a autoridade fiscal fez o que a Administração Tributária esperava dele, conforme prevê o art. 37 da Lei n°'8.212, de 1991, ou seja, ao constatar o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições previdenciárias, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisados fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem: Fl. 1719DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 50 Em relação ao cometimento em tese de ilícito penal pelas autoridades lançadoras e considerando o dever de oficio, verificase que a alegação de que a fiscalização cometeu excesso de exação é improcedente insubsistente, circunstância que implica em tese, o cometimento de crime de calúnia, em que pese não ser a autoridade administrativa para declarar tais circunstâncias. De acordo com o § '1° do art. 316 do Código Penal Brasileiro, o excesso de exação é caracterizado pela exigência de tributo ou contribuição social, praticada por servidor público, sendo que este sabe, ou deveria saber, que tal cobrança é indevida, ou, se devida, foi empregado, na cobrança, meio vexatório ; ou gravoso, que a lei não autoriza. A insubsistência da alegação fica demonstrada pelo fato de, conforme até o momento se pode observar pelo teor do presente acórdão (mas ao contrário do que afirma a impugnaste) a cobrança da contribuição previdenciária está amparada pelos requisitos legais que estabelecem os procedimentos da fiscalização, demonstrando, sem qualquer sombra de dúvida que os valores lançados são devidos pelo simples fato de o contribuinte ter descumprido as obrigações principais relacionadas às contribuições previdenciárias. É dizer, a autoridade fiscal fez o que a Administração Tributária esperava dele, conforme prevê o art. 37 da Lei n°'8.212, de 1991, ou seja, ao constatar o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições previdenciárias, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisados fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem. Nesse sentido, agiu com acerto a autoridade fiscal, sem qualquer sombra de dúvida que possa cogitar excesso de exação. Ora, o contribuinte repete a mesma argumentação utilizada em sede de Impugnação sem acrescentar qualquer novo elemento de prova capaz de suportar tais alegações. Ademais, no tópico (B) da regularidade do lançamento concluímos que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento por preterição aos direitos de defesa, pela ausência de fundamentação legal. Neste ponto, acompanho integralmente o posicionamento da decisão de primeira instância pelas razões expostas. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (xvi) Competências maio e junho de 2002 devem ser excluídas. 1. 0 reconhecimento de "que parte do crédito previdenciário lançado"decaiu está incorreto porque as competências maio e junho de 2002, alcançadas pela decadência, não foram consideradas na retificação. Fl. 1720DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.005852/200765 Acórdão n.º 2403002.740 S2C4T3 Fl. 1.696 51 (xvii) Retificação inaceitável 1. A alegação de que a retificação não obedeceu ao mesmo critério de apuração do tributo por deficiência do fisco que não providenciou a adaptação e atualização de seus programas quanto à determinação de súmula vinculante é estarrecedora, inaceitável, quase inacreditável. 2. As deficiências do fisco não podem prejudicar o contribuinte, nem justifica a alteração da realidade dos fatos. A obra não foi realizada em um único mês. 3. Chama a atenção o fato de o acórdão informar várias vezes que o período de execução da obra foi de 02/2004 a 03/2006, fl. 1.127, e está é a realidade dos fatos. 4. Contudo, já na primeira folha do acórdão, em flagrante contradição, informase: 'Período de apuração; 01/09/2006 a 30/09/2006. O Discriminativo Analítico do Débito Retificado — DADR foi elaborado como se o fato gerador da contribuição tivesse ocorrido em uma única competência, 09/2006, como se a obra tivesse sido executada em um único mês, muito tempo depois de concluída. E qual é a justificativa jurídica e a fundamentação legal para esta transgressão? Nenhuma. 8. Daí, como se pode perceber, o método a ser utilizado para a retificação do débito, por lógica, coerência Direito e justiça, e para evitar lesão ao direito e à propriedade da impugnante, terá que ser o mesmo utilizado para a apuração, considerandose o período de execução da obra e como área regularizada aquela relativa aos meses mais antigos e alcançados pela decadência (IN 3, art. 466, VII). 9. Requerse, portanto, seja alterada a retificação do débito obedecendose as regras instituídas pelo próprio fisco (art. 466, IN 3/2005), utilizandose os mesmos critérios e métodos para a sua apuração. Analisemos os itens (xvi) e (xvii) conjuntamente. Em relação à ocorrência de decadência, tema debatido também em sede de decisão de primeira instância, constatase a não ocorrência de decadência: Outro ponto a ser destacado pela impugnante e relacionado à decadência trata da alegação do sujeito passivo acerca da contagem do prazo decadencial, tendo em vista alguns relatórios terem sido substituídos, fato este que, no entendimento do impugnante, representou a reabertura do prazo de defesa e, por conseqüência, a alteração na data da notificação, circunstância que determinaria a exclusão de duas competências pelo f to de também terem sido alcançadas pela decadência. Nesse aspecto não assiste razão ao impugnante, pois, o fato de ter sido reaberto o prazo pela substituição dos documentos, não implica em nova notificação, sendo certo que a data inicial a ser Fl. 1721DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 52 considerada para efeito da contagem do período decadencial é a da primeira notificação regular ao sujeito passivo. Nesse sentido, a .simples substituição dos relatórios não determina a irregularidade do lançamento. Assim, a notificação feita no dia 22/06/2007 foi o último ato do procedimento de constituição formal do crédito tributário, tomandoo oponível ao contribuinte, razão pela qual as competências abrangidas pela decadência referemse ao prazo indicado à fls. 929/930, ou seja, os meses decadentes e excluídos da notificação referemse ao período abrangido pelas competências 01/1996 a 04/2002, devendo ser mantidas as competências 05 e 06/2002, haja vista a substituição dos relatórios ter tido apenas o efeito de dilatar o prazo da impugnação, subsistindo a validade da notificação efetuada no dia 22/06/2007. Da mesma forma, este ponto da retificação dos valores já foi debatido em sede de decisão de primeira instância, às fls. 1208 a 1243, na qual se conclui que as autoridades fiscais realizaram a conferência de todos os levantamentos efetuados, considerando tanto os documentos apresentados na defesa, quanto outros verificados posteriormente pela auditoria, de forma a aplicados os percentuais de redução de 50% e 75%, tendo em vista a impugnante ter apresentado os documentos que permitiram à fiscalização analisar as áreas para as quais estes percentuais deveriam ser aplicados: Conforme informação fiscal, às fls. 1079/1086, as autoridades fiscais realizaram a conferência de todos os levantamentos efetuados, considerando tanto os documentos apresentados na defesa, quanto outros verificados posteriormente pela auditoria. Além disso, não houve necessidade de aplicarse o instituto da decadência qüinqüenal, conforme determinado indevidamente na última diligência, tendo em vista nenhuma das competências relacionadas ao lançamento terem sido alcançadas pela caducidade, de acordo com a informação prestada à fl. 1102. Dessa forma, considerouse corno basedecálculo para os "salários de contribuição" informados no DISO os documentos (valores) relativos a prestadores de serviço (Planilha Levantamento Prestadores de Serviços, fls. 1087/1090), tendo sido to s os levantamentos e respectivos lançamentos instruídos de acordo com o disposto no capítulo IV da IN/SRP n° 03/2005, que regulamenta a regularização de obra por aferição indireta com base na área construída e no padrão de construção. Da leitura da Informação Fiscal prestada pela autoridade lançadora ; observase que a retificação parcial do valor do débito resultou da aplicação do principio da verdade material, tendo em vista que, durante a ação fiscal, a empresa notificada, em diversas oportunidades faltou com seu dever de colaboração, circunstância que, entre outras conseqüências, determinou o arbitramento, bem como a maior complexidade na conclusão do procedimento fiscal. Corno pode ser observado nas planilhas anexadas às fls. 1087/1090, dentre os documentos apresentados pelo contribuinte, não foram considerados, para efeito de retificação, apenas as notas fiscais sem vinculação inequívoca à obra. Alem disso, também não foram consideradas as notas fiscais, a partir Fl. 1722DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.005852/200765 Acórdão n.º 2403002.740 S2C4T3 Fl. 1.697 53 da competência 09/2002, desacompanhadas das GFIP's dos prestadores, conforme exige o inciso II do art. 447 da Instrução Normativa n° 03, de 2005. Ressaltese que no tocante aos valores relacionados na planilha à fl. 617/618, elaborada pela defendente, não foram apresentados quaisquer comprovantes de recolhimentos das retenções, nem as GFIP's tendo sido observado que estes valores e aqueles representados pelas cópias de notas fiscais e guias apresentadas na impugnação não constam dos lançamentos efetuados nas NFLD's n°s 37.096.6562 e 37.055.3454. Conforme já mencionado, foram aplicados os percentuais de redução de 50% e 75%, tendo em vista a impugnante ter apresentado os documentos que permitiram à fiscalização analisar as áreas para as quais estes percentuais deveriam ser aplicados. Ademais não há qualquer contradição em relação às datas de apuração e do período de execução da obra pois, de acordo com o Relatório Fiscal, fls. 99/110, o lançamento foi arbitrado mediante aferição indireta da área construída na obra denominada Residencial Ipê Amarelo matrícula CEI 39.380,01948/78, correspondendo a 11.713,98 m 2. Conforme se verifica no Relatório Discriminativo Sintético do Débito, o período de apuração do débito é na competência 09/2006 ou, de outra forma, 01/09/2006 a 30/09/2006. Ora, o contribuinte repete a mesma argumentação utilizada em sede de Impugnação sem acrescentar qualquer novo elemento de prova capaz de suportar tais alegações. Neste ponto, acompanho integralmente o posicionamento da decisão de primeira instância pelas razões expostas. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. DA MULTA DE MORA Analisemos. Esta Colenda Turma de Julgamento vem se posicionando reiteradamente, por maioria, em relação ao recálculo dos acréscimos legais, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte: A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas Fl. 1723DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 54 nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ressalvase a posição do Relator, posição vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Fl. 1724DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.005852/200765 Acórdão n.º 2403002.740 S2C4T3 Fl. 1.698 55 CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 1725DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10380.729199/2012-20
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 11/09/2012
CONCOMITÂNCIA. SÚMULA 01 DO CARF.
Não deve ser reconhecido o recurso voluntário na parte que trata de mesma matéria discutida no judiciário.
SOLICITAÇÃO DE PERÍCIA. DESNECESSIDADE.INDEFERIMENTO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA
Quando a prova documental é abundante e da sua análise extrai-se argumento necessário para o deslinde da questão, o pedido de produção de prova pericial afigura-se meramente procrastinatório e deve ser indeferido.
JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. PEDIDO. INDEFERIMENTO.
No Processo Administrativo Fiscal, a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de a impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que haja motivo de força maior, ocorrência de fato ou direito superveniente ou necessidade de contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos.
COMPENSAÇÃO. PEDIDO JUDICIAL. APLICAÇÃO DO ART. 170-A DO CTN.
Ao contribuinte que recorre ao judiciário é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.
MULTA. ART.32-A, § 3º., DA LEI 8.212(91.
O valor mínimo estipulado no art. 32-A, §3o., da Lei n. 8.212(91 refere-se a cada competência em que a GFIP deve ser entregue, pois essa é a periodicidade de entrega determinada na legislação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-003.767
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, para na parte conhecida, por voto de qualidade em negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto vencedor redator designado Conselheiro Eduardo de Oliveira. Vencidos os Conselheiros Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior e Gustavo Vettorato que votaram pelo provimento parcial.
(assinatura digital)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente
(assinatura digital)
Ricardo Magaldi Messetti Relator
(assinatura digital)
Eduardo de Oliveira Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: RICARDO MAGALDI MESSETTI
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 11/09/2012 CONCOMITÂNCIA. SÚMULA 01 DO CARF. Não deve ser reconhecido o recurso voluntário na parte que trata de mesma matéria discutida no judiciário. SOLICITAÇÃO DE PERÍCIA. DESNECESSIDADE.INDEFERIMENTO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA Quando a prova documental é abundante e da sua análise extrai-se argumento necessário para o deslinde da questão, o pedido de produção de prova pericial afigura-se meramente procrastinatório e deve ser indeferido. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. PEDIDO. INDEFERIMENTO. No Processo Administrativo Fiscal, a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de a impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que haja motivo de força maior, ocorrência de fato ou direito superveniente ou necessidade de contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. COMPENSAÇÃO. PEDIDO JUDICIAL. APLICAÇÃO DO ART. 170-A DO CTN. Ao contribuinte que recorre ao judiciário é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. MULTA. ART.32-A, § 3º., DA LEI 8.212(91. O valor mínimo estipulado no art. 32-A, §3o., da Lei n. 8.212(91 refere-se a cada competência em que a GFIP deve ser entregue, pois essa é a periodicidade de entrega determinada na legislação. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, para na parte conhecida, por voto de qualidade em negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto vencedor redator designado Conselheiro Eduardo de Oliveira. Vencidos os Conselheiros Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior e Gustavo Vettorato que votaram pelo provimento parcial. (assinatura digital) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente (assinatura digital) Ricardo Magaldi Messetti Relator (assinatura digital) Eduardo de Oliveira Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira.
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SÚMULA 01 DO CARF. Não deve ser reconhecido o recurso voluntário na parte que trata de mesma matéria discutida no judiciário. SOLICITAÇÃO DE PERÍCIA. DESNECESSIDADE.INDEFERIMENTO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA Quando a prova documental é abundante e da sua análise extraise argumento necessário para o deslinde da questão, o pedido de produção de prova pericial afigurase meramente procrastinatório e deve ser indeferido. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. PEDIDO. INDEFERIMENTO. No Processo Administrativo Fiscal, a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de a impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que haja motivo de força maior, ocorrência de fato ou direito superveniente ou necessidade de contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. COMPENSAÇÃO. PEDIDO JUDICIAL. APLICAÇÃO DO ART. 170A DO CTN. Ao contribuinte que recorre ao judiciário é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. MULTA. ART.32A, § 3º., DA LEI 8.212/91. O valor mínimo estipulado no art. 32A, §3o., da Lei n. 8.212/91 referese a cada competência em que a GFIP deve ser entregue, pois essa é a periodicidade de entrega determinada na legislação. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 91 99 /2 01 2- 20 Fl. 680DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA, Assinado digitalmente em 11/01/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA Processo nº 10380.729199/201220 Acórdão n.º 2803003.767 S2TE03 Fl. 681 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, para na parte conhecida, por voto de qualidade em negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto vencedor redator designado Conselheiro Eduardo de Oliveira. Vencidos os Conselheiros Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior e Gustavo Vettorato que votaram pelo provimento parcial. (assinatura digital) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (assinatura digital) Ricardo Magaldi Messetti – Relator (assinatura digital) Eduardo de Oliveira – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira. Fl. 681DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA, Assinado digitalmente em 11/01/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA Processo nº 10380.729199/201220 Acórdão n.º 2803003.767 S2TE03 Fl. 682 3 Relatório Tratase o presente de recurso voluntário interposto pela contribuinte Sellene Comércio e Representações Ltda em face de acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Recife, assim ementado (fls. 439): ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSOŔIAS Período de apuração: 01/02/2010 a 30/06/2011 OBRIGAÇÃO ACESSOŔIA. GFIP. DESCUMPRIMENTO. MULTA. Apresentar GFIP com erros constitui infração a ̀legislação previdenciária que enseja aplicação de penalidade. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2010 a 30/06/2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO. PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA. A busca pela tutela do Poder Judiciário acarreta a renúncia ao litígio na esfera administrativa, impedindo a apreciação da matéria objeto de ação judicial. PERÍCIA. PEDIDO. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento da impugnante, a realização de perícia, quando entendêla necessária, indeferindo a que naõ atenda aos requisitos previstos em lei e que considerar sem motivação ou prescindível. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. PEDIDO. INDEFERIMENTO. No Processo Administrativo Fiscal, a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de a impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que haja motivo de força maior, ocorrência de fato ou direito superveniente ou necessidade de contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTAŔIO Período de apuração: 01/02/2010 a 30/06/2011 COMPENSAÇÃO. CONTESTAÇÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. Fl. 682DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA, Assinado digitalmente em 11/01/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA Processo nº 10380.729199/201220 Acórdão n.º 2803003.767 S2TE03 Fl. 683 4 É vedada a compensação objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Suspensa está a exigibilidade do crédito enquanto o lançamento estiver sendo discutido na esfera administrativa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. No relatório fiscal (fls. 33/44), constou que após análise das GFIPs da recorrente e dos processos judiciais dos quais ela é autora, observouse que esta realizou compensação de valores, no período de 02/2010 a 06/2011, nos estabelecimentos com CNPJs 05.329.222/00017, 05.329.222/000338, 05.329.222/000419 e 05.329.222/000680, com fundamentando no Mandado de Segurança n. 101444 CE (2006.81.00.0137787) cuja petição inicial pleiteia a não incidência de contribuições previdenciárias, do período de 01/1996 a 08/2010, sobre as remunerações dos empregados pagas nos primeiros quinze dias de afastamento em virtude de auxíliodoença e sobre o terço de férias constitucional, além de requerer o direito de a empresa realizar compensação sobre os recolhimentos efetuados nos últimos 10 anos, a incidência de correção monetária, e juros de 1% ao mês a partir de cada recolhimento indevido, e a taxa SELIC a partir de 01/01/1996 ou, subsidiariamente, a aplicação os mesmos índices de correção monetária e juros utilizados pela impetrada quando da cobrança de seus créditos. A Fiscalização, exercendo seu múnus público, emitiu o Termo de Intimação Fiscal n. 1 (fls. 8/9), para a contribuinte apresentar as folhas de pagamento e as Guias da Previdência Social GPS relativamente ao período de 01/1996 a 08/2010, no qual foram supostamente recolhidas as contribuições objeto da compensação. A recorrente apresentou folhas de pagamento digital e em meio papel, (fls. 148/181), e GPS de 01/1996 a 13/1998, (fls. 209/229). O Termo de Intimação Fiscal n. 2, (fls. 11/12), foi emitido para que a contribuinte justificasse e apresentasse suporte probatório em relação as̀ divergências verificadas entre os valores de férias e do 1/3 de férias discriminados nas folhas de pagamento disponibilizadas e os montantes informados na planilha por ela elaborada para subsidiar o referido Mandado de Segurança. A recorrente, entretanto, mantevese inerte. Em seguida, foi emitido o Termo de Intimação Fiscal n. 3, (fls. 13/14), para a contribuinte discriminar, por competência e por estabelecimento, as bases de cálculo por ela usadas para calcular o valor da compensação e demonstrar, inequivocamente, o valor compensado. Em resposta, a recorrente apresentou os esclarecimentos e as planilhas as̀ fls. 95/97, 98/102 e 103, respectivamente. Assim, o auditor fiscal procedeu à glosa dos valores, por considerar indevida a compensação realizada, em virtude de a contribuinte: a) não ter aguardado o trânsito em julgado do MS, consoante determina acórdão do TRF 5a Região; Fl. 683DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA, Assinado digitalmente em 11/01/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA Processo nº 10380.729199/201220 Acórdão n.º 2803003.767 S2TE03 Fl. 684 5 b) ter compensado contribuição incidente sobre verba salarial cujo direito não foi reconhecido judicialmente (caso das férias) e, ainda que tivesse sido reconhecido o direito de a contribuinte se compensar, esta calculou erroneamente os salários de contribuição sobre os quais incidiram as contribuições objeto da compensação; c) ter utilizado a taxa de juros SELIC e a UFIR para atualização do crédito; d) apresentou a memória de cálculo com os seguintes problemas: d.i) não foram discriminados por estabelecimento, os valores de férias e do respectivo terço constitucional e a origem das compensações efetuadas; d.ii) não demonstrou, de forma inequívoca, o cálculo da atualização do valor compensado o que dificultou verificar se estas contribuições foram de fato recolhidas e a veracidade do valor informado como, por exemplo, a base de cálculo. e) ter compensado valor relativo a terceiros; f) não ter respeitado o limite máximo de compensação de 30% do valor devido por mês; g) naõ ter discriminado o valor a ser compensado por estabelecimento e o período a que se refere a planilha anexada ao MS. Em relação ao descumprimento de obrigação acessória, a empresa infringiu o art. 32, inciso IV, da Lei 8.212/1991, redação dada pela MP no 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, por informar GFIPs dos estabelecimentos nos quais foram realizadas compensações, no período de 02/2010, 09/2010 a 13/2010 e de 03/2011 a 06/2011, com erros. A multa foi aplicada com base no art. 32A, inciso I, § 3o, da Lei 8.212/1991, acrescentado pela MP n° 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. Devidamente cientificada das autuações, a recorrente apresentou impugnações específicas para cada auto, fls. 233/240, 278/296, 336/343 e 381/402, todas protocoladas em 26/09/2012, arguindo, em síntese que: Em relação ao AI 51.024.6540: a) o AI por descumprimento de obrigação acessória – AIOA é nulo porque o auditor foi incoerente e impreciso ao alegar apenas que a empresa apresentou GFIPs dos estabelecimentos com erro em alguns campos sem esclarecer quais seriam as informações corretas a constar nesses campos o que, por si só, impossibilita a defesa da impugnante; b) o fiscal errou no cálculo do AIOA. Se, caso o contribuinte tenha mesmo incorrido em erro, para cada grupo de 10 informações incorretas ou omissas o valor da multa e ́ de R$ 20,00 reais e, como o número de informações consideradas incorretas pelo Fisco foi de 5, em 5 competências diferentes (02/2010, 09/2010 a 13/2010 e de 03/2011 a 06/2011), a multa lançada de R$ 5 mil está errada. E, mesmo que o contribuinte tivesse incorrido, em cada uma das 5 competências, em 10 grupos de informações erradas, a multa seria de R$ 1.000,00 (um mil reais); Fl. 684DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA, Assinado digitalmente em 11/01/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA Processo nº 10380.729199/201220 Acórdão n.º 2803003.767 S2TE03 Fl. 685 6 c) a contribuinte tem decisão judicial favorável à compensação e não deveria sofrer fiscalização e nem ser submetido ao pagamento de suposta infração, uma vez que tal decisão vincula o Fisco; d) os procedimentos realizados e declarados pela contribuinte foram lastreados em decisões dos Tribunais Superiores, cuja permissão legal à compensação dos valores recolhidos indevidamente continuam em vigor, naõ havendo razão para naõ homologação das declarações feitas pela recorrente. Quanto ao AI 51.024.6532: a) contrariando as decisões judiciais, foi lavrado o AI numa tentativa de o Fisco compelir a contribuinte ao pagamento de tributo inexigível, como se a recorrente não tivesse nenhuma base legal e judicial para suas declarações, o que naõ ocorreu; b) a contribuinte tem decisão judicial favorável à compensação e não deveria sofrer fiscalização e nem ser submetido ao pagamento de suposta infração, uma vez que tal decisão vincula o Fisco; c) o contribuinte recolheu contribuição previdenciária patronal incidente sobre férias e 1/3 de férias indevidamente, portanto, faz jus a ̀compensação desses valores com débitos próprios vencidos e vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, nos termos do art. 66, da Lei 8.383/91, c/c o art. 74, da Lei 9.430/96; d) a suspensão dos créditos em questão está prevista no art. 151, do CTN; e) não deve haver a cobrança da contribuição previdenciária patronal sobre as férias porque, neste período, não ha ́ prestação de serviços por parte dos trabalhadores e, em relação ao 1/3 de férias, este naõ é hipótese de incidência da contribuição previdenciária; f) a contribuinte tem o direito de efetuar a compensação, independentemente de autorização ou processo administrativo, de acordo com o art. 66, da Lei 8.383/91; g) naõ se pode condicionar a compensação ao trânsito em julgado da ação, afastandose a aplicação do art. 170A, do CTN, e as Instruções Normativas nesse sentido. Portanto, não se aplica, também, o art.170, do CTN; h) com fulcro no art. 66, da Lei 8.383/91, c/c o art. 74, da Lei 9.430/96, o contribuinte pode se compensar, independentemente de autorização administrativa ou judicial, dos valores recolhidos nos últimos dez anos, com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições administrados pela RFB. Encaminhados os autos à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife, os membros da 7a. Turma de Julgamento, por unanimidade, entendeu desnecessária o pedido de perícia solicitado pela contribuinte e julgou improcedente a impugnação apresentada, mantendo na integra o crédito tributário lançado (fls. 439/451). Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 458/492), reiterando o quanto já sustentado em sua impugnação, salientando, no entanto, a inexistência de concomitância entre o Processo administrativo Fiscal e o Processo Judicial, por versarem Fl. 685DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA, Assinado digitalmente em 11/01/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA Processo nº 10380.729199/201220 Acórdão n.º 2803003.767 S2TE03 Fl. 686 7 sobre matérias distintas. No entender da contribuinte, na instância judicial buscase a declaração de inexistência de relação jurídicotributário com a consequente declaração ao direito de compensar os valores pagos indevidamente. Na instância administrativa, por outro lado, discutese o momento no qual foi efetuada a compensação dos valores recolhidos indevidamente e cobrando um valor específico, o qual foi impugnada pela contribuinte apenas na via administrativa. Esclareceu, contudo, que o procedimento em questão envolve a discussão judicial através dos processos n.s 001377898.2006.4.05.8100 e 0016088 21.2009.4.01.3400 em trâmite perante à 2a. Vara Federal em FortalezaCE e a 6a. Vara Federal de BrasíliaDF. Sem contrarrazões por parte da fiscalização, os autos foram encaminhados para este Conselho, sorteada a mim a relatoria. É o relatório. Fl. 686DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA, Assinado digitalmente em 11/01/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA Processo nº 10380.729199/201220 Acórdão n.º 2803003.767 S2TE03 Fl. 687 8 Voto Vencido EM PARTE. Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti Da Admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo, todavia há a necessidade de melhor análise em relação aos demais requisitos para a sua admissibilidade. O acórdão recorrido considerou a existência de concomitância entre o presente processo administrativo e o processo judicial, aplicando a Súmula 01 deste Conselho, não apreciando a incidência das contribuições previdenciárias sobre os 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do empregado por auxílio doença. A recorrente, em suas extensas razões recursais, aduz a inexistência de concomitância entre o Processo Administrativo Fiscal e o Processo Judicial, por versarem sobre matérias distintas. No entender da contribuinte, na instância judicial buscase a declaração de inexistência de relação jurídicotributário com a consequente declaração ao direito de compensar os valores pagos indevidamente. Na instância administrativa, por outro lado, discutese o momento no qual foi efetuada a compensação dos valores recolhidos indevidamente e cobrando um valor específico, o qual foi impugnada pela contribuinte apenas na via administrativa. Posteriormente, na mesma peça processual “esclarece, por oportuno, que o procedimento em questão envolve a discussão judicial através dos processos n.s 0013778 98.2006.4.05.8100 e 001608821.2009.4.01.3400 em trâmite perante à 2a. Vara Federal em FortalezaCE e a 6a. Vara Federal de BrasíliaDF, onde a recorrente possui decisões favorável (sic) com o fim de assegurar o direito do contribuinte, previsto na própria lei, razão pelo qual, além de tudo, os débitos em discussão encontramse com exigibilidade suspensa..” (fl. 470). Observase, assim, que a peça recursal da recorrente é contraditória, pois afirma não existir semelhança entre o processo administrativo ora analisado e os processos judiciais mencionados pela fiscalização, para posteriormente exigir a suspensão da exigibilidade do crédito justamente porque as matérias tratadas no PAF são tratadas no judiciário. Verificase, portanto, que o próprio recorrente suscita a concomitância de processos judiciais com o presente apelo administrativo. Tratase, portanto, da chamada dupla impugnação, vedada pelo art. 38, parágrafo único da Lei n. 6.830/80: Art. 38 [...] Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. Fl. 687DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA, Assinado digitalmente em 11/01/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA Processo nº 10380.729199/201220 Acórdão n.º 2803003.767 S2TE03 Fl. 688 9 3. No mesmo sentido é o teor da Súmula n. 1 do Carf: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. A concomitância de processos em esferas de impugnação distintas constitui ato incompatível com o exercício do direito de recorrer administrativamente, ante a prevalência da função judicante pelo Poder Judiciário (art. 2º da CF). O Conselho tem precedentes em uníssono: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. EXERCÍCIO: 2005. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL.A PROPOSITURA PELA RECORRENTE, CONTRA A FAZENDA NACIONAL, DE AÇÃO JUDICIAL COM O MESMO OBJETO, IMPORTA A DESISTÊNCIA DO RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO.VISTOS, RELATADOS E DISCUTIDOS OS PRESENTES AUTOS.ACORDAM OS MEMBROS DO COLEGIADO, POR UNANIMIDADE DE VOTOS, NÃO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO POR APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 01 (CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO), NOS TERMOS DO VOTO DA RELATORA.” (CARF. 1ª Seção de Julgamento. 1ª Turma Especial. Acórdão nº 180100539. Processo 11610003705200700. Data 30/03/2011,Relatora Conselheira Carmen Ferreira Saraiva). “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PERÍODO DE APURAÇÃO: 26/06/1995 A 30/08/1996 AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO, RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA CARF N° 1.IMPORTA RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS A PROPOSITURA PELO SUJEITO PASSIVO DE AÇÃO JUDICIAL POR QUALQUER MODALIDADE PROCESSUAL, ANTES OU DEPOIS DO LANÇAMENTO DE OFICIO, COM O MESMO OBJETO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO.RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. VISTOS, RELATADOS E DISCUTIDOS OS PRESENTES AUTOS. ACORDAM OS MEMBROS DO COLEGIADO, POR MAIORIA DE VOTOS, EM NÃO CONHECER DO RECURSO EM FACE DA CARACTERIZAÇÃO DA CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. VENCIDO O CONSELHEIRO DALTON CÉSAR. CORDEIRO DE MIRANDA QUE NÃO RECONHECERA A CONCOMITÂNCIA E, POR CONTA DISSO, APRESENTARÁ DECLARAÇÃO DE VOTO” (CARF 3ª Seção de Julgamento. 4ª Câmara. 1ª Turma Ordinária Acórdão nº 340100913 do Processo 10920003412200413 Data28/07/2010. Rel. Cons. Odassi Guerzoni Filho) Dessa forma, no caso, se trata de não conhecimento pela concomitância (art. 38, p. ún. da LEF) das matérias discutidas no judiciário (incidência de contribuições sociais sobre os quinze primeiros dias de afastamento de auxílio doença e auxílio acidente, adicional de 1/3 de férias). Nesse sentido, merece conhecimento parcial o recurso voluntário. Da Desnecessidade de Perícia Como é cediço, o processo administrativo é corolário do dever do Estado de cumprir a lei. A maior parte das vezes,é instaurado com o intuito de solucionar conflitos Fl. 688DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA, Assinado digitalmente em 11/01/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA Processo nº 10380.729199/201220 Acórdão n.º 2803003.767 S2TE03 Fl. 689 10 internos à própria Administração Pública, tendo como principal papel o autocontrole da legalidade dos atos administrativos, sendo indispensável para o exercício da função administrativa. Assim, enquanto meio hábil para a solução de conflitos, o processo administrativo foi consagrado em plano constitucional, estando, inclusive, entre os direitos e garantias fundamentais, que assegura aos litigantes o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes (CF/88, art. 5o, inciso LV). O processo administrativo, assim como o processo judicial, deve respeito ao devido processo legal, o qual assegura às partes envolvidas, a ciência bilateral dos atos processuais, bem como a oportunidade de defesa e manifestação em paridade de armas, e aos seus corolários, como a ampla defesa, o contraditório, a prévia determinação de competência (juízo natural) e o direito a uma decisão fundamentada, que ponha termo ao processo. A Constituição Federal em seu artigo 5º, incisos LV e LXXVIII assegura ao cidadão litigante, quer em processo judicial quer em processo administrativo, o contraditório e a ampla defesa e a razoável duração do processo. Assim, percebese que a Carta Magna quis assegurar aos litigantes garantias semelhantes tanto no processo judicial quanto no administrativo. Apesar disso, não se pode dizer que não existam diferenças entre eles, um dos mais expressivos elementos diferenciadores resulta da jurisdição. Apesar disso, não se pode afastar, no processo administrativo fiscal, os diversos princípios informadores do processo judicial e garantias constitucionais do cidadão, entre eles os princípios da verdade material e do livre convencimento motivado do julgador. Ora, o processo administrativo é regido pelo princípio da verdade material, segundo o qual a autoridade julgadora deverá buscar a realidade dos fatos, conforme ocorrida, e para tal, ao formar sua livre convicção na apreciação dos fatos, poderá julgar conveniente a realização de diligência que considere necessárias à complementação da prova ou ao esclarecimento de dúvida relativa aos fatos trazidos no processo. Neste ponto, cumpre observar que o artigo 18 do Decreto 70.235/72 se coloca em consonância com o princípio da verdade material, in verbis: “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine.” Resta claro, que o Decreto 70.235/72, norma de regência do Processo Administrativo Fiscal, teve o intuito de fazer com que o julgador buscasse a verdade material dos fatos, podendo este, inclusive, diligenciar de ofício para tanto, caso seja necessário. A valoração das provas neste sistema, que, conforme já exposto, é inspirado pela busca da verdade material, deve se dar conforme o princípio do livre convencimento motivado do julgador. Fl. 689DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA, Assinado digitalmente em 11/01/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA Processo nº 10380.729199/201220 Acórdão n.º 2803003.767 S2TE03 Fl. 690 11 De acordo com este princípio, o julgador deverá valorar as provas a ele apresentadas livremente, sempre buscando a verdade material dos fatos. Todavia, em homenagem aos princípios constitucionais da publicidade, impessoalidade e da motivação, é exigido do julgador a fundamentação de sua decisão, como forma de controle desse ato. A fundamentação da decisão que valorou as provas apresentadas é, ainda, meio de convencimento das partes e do público, de maneira geral, e possibilita o controle de tal decisão pelo órgão recursal. Assim, estando a decisão a quo devidamente fundamentada nas provas já constituídas no presente PAF, devese ter em mente que no processo administrativo tributário (art. 17 do Decreto 70.235/72), tal como no processo judicial o pedido de perícia não é vinculante e o julgador só mandará procedêla caso a considere imprescindível ao esclarecimento dos fatos. Destarte, quando a prova documental é abundante e da sua análise extraise argumento necessário para o deslinde da questão, o pedido de produção de prova pericial afigurase meramente procrastinatório e deve ser indeferido, não merecendo guarida o argumento da recorrente neste tópico. Da Juntada de Novos Documentos No tocante à juntada de novos documentos, nada há a reparar no acórdão da DRJ, visto que, nos termos do § 4o. do art. 16 do Decreto no 70.235, de 06/03/1972, introduzido pelo art. 67 da Lei no 9.532/1997, é cristalino que “a prova documental deve ser apresentada na impugnação”, exceto se restarem demonstradas com fundamentos algumas das hipóteses listadas nas alíneas do § 4o: impossibilidade de apresentação por força maior, ocorrência de fato ou direito superveniente, ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Art. 16. A impugnação mencionara:́ III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei no 8.748, de 1993) § 4o A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Parágrafo acrescentado pela Lei no 9.532, de 10/12/97) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (acrescentado pela Lei no 9.532, de 10/12/97) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (acrescentado pela Lei no 9.532, de 10/12/97) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(acrescentado pela Lei no 9.532, de 10/12/97) Destarte, se a recorrente não trouxe aos autos qualquer indício plausível de quaisquer das hipóteses previstas no § 4o. do art. 16, do Decreto no 70.235/72, indeferese o pedido de juntada posterior de documentos. Das Contribuições sobre Férias Gozadas Fl. 690DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA, Assinado digitalmente em 11/01/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA Processo nº 10380.729199/201220 Acórdão n.º 2803003.767 S2TE03 Fl. 691 12 A discussão sobre a incidência de contribuições previdenciárias incidentes sobre férias gozadas há muito vem sendo tratada neste conselho e no judiciário. Hodiernamente, adoto a decisão proferida pelo Augusto Superior Tribunal de Justiça ao analisar o Recurso Especial n. 1.322.945, de relatoria do Eminente Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, com a seguinte ementa: RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIOMATERNIDADE E FÉRIAS USUFRUÍDAS. AUSÊNCIA DE EFETIVA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO PELO EMPREGADO. NATUREZA JURÍDICA DA VERBA QUE NÃO PODE SER ALTERADA POR PRECEITO NORMATIVO. AUSÊNCIA DE CARÁTER RETRIBUTIVO. AUSÊNCIA DE INCORPORAÇÃO AO SALÁRIO DO TRABALHADOR. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARECER DO MPF PELO PARCIAL PROVIMENTO DO RECURSO. RECURSO ESPECIAL PROVIDO PARA AFASTAR A INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE O SALÁRIOMATERNIDADE E AS FÉRIAS USUFRUÍDAS. 1. Conforme iterativa jurisprudência das Cortes Superiores, considerase ilegítima a incidência de Contribuição Previdenciária sobre verbas indenizatórias ou que naõ se incorporem à remuneração do Trabalhador. 2. O saláriomaternidade é um pagamento realizado no período em que a segurada encontrase afastada do trabalho para a fruição de licença maternidade, possuindo clara natureza de benefício, a cargo e ônus da Previdência Social (arts. 71 e 72 da Lei 8.213/91), não se enquadrando, portanto, no conceito de remuneração de que trata o art. 22 da Lei 8.212/91. 3. Afirmar a legitimidade da cobrança da Contribuição Previdenciária sobre o saláriomaternidade seria um estímulo à combatida prática discriminatória, uma vez que a opção pela contratação de um Trabalhador masculino será sobremaneira mais barata do que a de uma Trabalhadora mulher. 4. A questão deve ser vista dentro da singularidade do trabalho feminino e da proteção da maternidade e do recém nascido; assim, no caso, a relevância do benefício, na verdade, deve reforçar ainda mais a necessidade de sua exclusão da base de cálculo da Contribuição Previdenciária, não havendo razoabilidade para a exceção estabelecida no art. 28, § 9o., a da Lei 8.212/91. 5. O Pretório Excelso, quando do julgamento do AgRg no AI 727.958/MG, de relatoria do eminente Ministro EROS GRAU, DJe 27.02.2009, firmou o entendimento de que o terço constitucional de férias tem natureza indenizatória. O terço constitucional constitui verba acessória à remuneração de férias e também não se questiona que a prestação acessória segue a sorte das respectivas prestações principais. Assim, naõ se pode entender que seja ilegítima a cobrança de Contribuição Previdenciária sobre o terço constitucional, de caráter acessório, e legítima sobre a remuneração de férias, prestação principal, pervertendo a regra áurea acima apontada. 6. O preceito normativo não pode transmudar a natureza jurídica de uma verba. Tanto no saláriomaternidade quanto nas fé́rias usufruídas, independentemente do título que lhes é conferido legalmente, naõ há efetiva prestação de serviço pelo Trabalhador, razão pela qual, não há como entender que o pagamento de tais parcelas possuem carat́er retributivo. Fl. 691DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA, Assinado digitalmente em 11/01/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA Processo nº 10380.729199/201220 Acórdão n.º 2803003.767 S2TE03 Fl. 692 13 Consequentemente, também não é devida a Contribuição Previdenciária sobre férias usufruídas. 7. Da mesma forma que só se obtém o direito a um benefício previdenciário mediante a prévia contribuição, a contribuição também só se justifica ante a perspectiva da sua retribuição futura em forma de benefício (ADIMC 2.010, Rel. Min. CELSO DE MELLO); destarte, naõ há de incidir a Contribuição Previdenciária sobre tais verbas. 8. Parecer do MPF pelo parcial provimento do Recurso para afastar a incidência de Contribuição Previdenciária sobre o saláriomaternidade. 9. Recurso Especial provido para afastar a incidência de Contribuição Previdenciária sobre o salaŕiomaternidade e as férias usufruídas. Contudo, ainda que este relator compartilhe do entendimento alhures exarado pelo Tribunal da Cidadania, o caso aqui apresentado não se refere à incidência de contribuições sobre os valores referentes a férias gozadas, mas sim se tais valores, sem qualquer alteração administrativa ou judicial, poderiam ser compensados, o que, salvo melhor juízo, entendo que não, mormente porque o Recurso Especial em questão ainda não transitou em julgado, bem como por não apresentar a recorrente qualquer decisão hábil a lhe garantir a compensação. Da Necessidade de Trânsito em Julgado da Decisão que Autorizou a Compensação A regulamentação da compensação, prevista no art. 170 do Código Tributário Nacional, apenas ocorreu com a edição da Lei 8.383/91 (art. 66), que introduziu a chamada compensação sponte própria, autocompensação ou compensação no âmbito do lançamento por homologação. É esta modalidade de compensação que a recorrente embasa suas razões recursais. A compensação sponte própria foi lançada para apreciação da Câmara dos Deputados através do Projeto de Lei 2.159/1991, enviado pelo Poder Executivo, a época dirigido pelo Senhor Presidente Fernando Collor, tendo como tema principal a criação da UFIR e outras proposições, dentre as quais estava presente a compensação. Após a aprovação, o projeto de Lei se transformou na Lei 8.383/91, instrumento valiosíssimo na relação entre Fisco contribuinte. Sua proposição mais importante, o artigo 66, constitui verdadeira vitória do contribuinte buscando a máxima equidade e isonomia no trato com o Fisco Público. É um instrumento que possui o contribuinte para buscar a recomposição do seu patrimônio que foi lesado "a força" pela exigência de tributos sabidamente indevidos. A referida lei trouxe em seu bojo verdadeiro direito do contribuinte a autocompensação, conforme de depreende de seu artigo. Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente § 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. Fl. 692DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA, Assinado digitalmente em 11/01/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA Processo nº 10380.729199/201220 Acórdão n.º 2803003.767 S2TE03 Fl. 693 14 § 2º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. § 3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. § 4º As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. Esta modalidade de compensação é realizada no âmbito do lançamento por homologação. Este tipo de lançamento é aquele no qual o contribuinte apura, calcula, verifica e paga o tributo. Contudo a extinção do crédito tributário somente será efetivada com a homologação por parte do Fisco. Este poderá homologar de ofício ou então deixar transcorrer o prazo de cinco anos para que ocorra a homologação tácita. Assim, da mesma forma que para o pagamento de tributos no âmbito do lançamento por homologação, o Fisco repassa para o contribuinte o dever de calcular, apurar, verificar, pagar, ficando resguardo seu direito de verificar se tal procedimento é correto e lançar as diferenças, nada mais justo, e em homenagem ao princípio da isonomia, que o contribuinte que apurar crédito decorrente de pagamento indevido possa, por conta própria, efetuar a compensação, ficando, resguardado ao Fisco o prazo de cinco anos para verificar a regularidade da compensação. Corroborando tal assertiva, afirma Alexandre Macedo Tavares (A Superveniência do novo art. 170A do CTN e a duvidosa questão acerca da revogabilidade do direito subjetivo à autocompensação do indébito tributário. In Revista Dialética de Direito Tributário, São Paulo: Dialética, nº 68, maio, 2001, p. 10/11): "... se o CTN admite que a lei tributária atribua ao sujeito passivo a obrigação de pagar antecipadamente o tributo pelo regime do lançamento por homologação, também conhecido por autolançamento, nenhuma razão sistemática existe para obstar que, diante dessa mesma realidade jurídica, o contribuinte possa vir a extinguir a sua obrigação através do regime de autocompensação, nos termos como contemplado pelo art. 66 da Lei nº 8.383/91". O direito de efetuar a compensação pelo autolançamento de acordo com o artigo 66 da Lei nº 8.383/91 já foi pacificado pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento dos Embargos de Divergência em Recurso Especial nº 78.301BA (1ª Seção, Relator Ministro Ari Pargendler, DJ de 28.04.1997). Após essa histórica decisão, ficou assentado que os tributos sujeitos ao regime de lançamento por homologação podem e devem ser compensados pelo contribuinte independentemente de autorização administrativa ou de decisão judicial, pela simples aplicação do art. 66, da Lei nº. 8.383/91, afastadas as regras infralegais editadas em sentido contrário. Contudo, apesar desta previsão, é importante ressaltar que a modalidade de compensação prevista no art. 66 da Lei 8.383/91, por si só não tem o condão de extinguir o crédito tributário. Como afirmado anteriormente, o crédito tributário somente será extinto quando o Fisco verificar a regularidade da compensação e aceitalá ou manterse inerte, o que gera uma presunção de aceite. Fl. 693DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA, Assinado digitalmente em 11/01/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA Processo nº 10380.729199/201220 Acórdão n.º 2803003.767 S2TE03 Fl. 694 15 Neste cenário, desde a edição da Lei 8.383/91, o tema compensação vem sendo debatido e estudado, tanto pelos nossos doutrinadores como pela jurisprudência. Neste passo, surgiram divergências e especificidades acerca da compensação sponte propria, como exemplos, existem autores que defendem que esta modalidade de compensação é diferente daquela prevista no artigo 170 do Código Tributário Nacional, posição que parece ser a mais acertada. A jurisprudência não caminhou de maneira uniforme na conceituação do instituto, contudo, existia uma tendência na aplicação da compensação como sendo norma diferenciada daquela prevista no artigo 170 do Código Tributário Nacional. Alguns tribunais, inclusive, avançaram na aplicação ao afastar desta modalidade de compensação o artigo 170A do Código Tributário Nacional. Há julgados no qual também afastam a aplicação do mesmo artigo quando há precedentes declarando a inconstitucionalidade de lei. Recentemente o Superior Tribunal de Justiça, por meio de decisão na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, decidiu, de maneira simples, sem debates, acerca da aplicação do instituto e ao que se percebe, colocando uma "pá de cal" nas discussões acerca da compensação sponte própria e toda suas particularidades, estudos e debates. Na análise do Recurso Especial 1.167.039 do Distrito Federal, o Superior Tribunal de Justiça STJ julgou, em sede de recurso repetitivo, artigo 543C do Código de Processo Civil, a questão da compensação e sua aplicabilidade no direito tributário. TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. ART. 170A DO CTN. REQUISITO DO TRÂNSITO EM JULGADO. APLICABILIDADE A HIPÓTESES DE INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO RECOLHIDO. 1. Nos termos do art. 170A do CTN, "é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", vedação que se aplica inclusive às hipóteses de reconhecida inconstitucionalidade do tributo indevidamente recolhido. 2. Recurso especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (REsp 1167039/DF, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Seção, julgado em 25/08/2010, DJe 02/09/2010) O pano de fundo da discussão do referido recurso especial foi à possibilidade de compensação de créditos tributários oriundos de tributos pagos indevidamente com base nos DecretosLeis 2445 e 2449, ambos do ano de 1988. Ambos os Decretos foram considerados inconstitucionais e houve resolução do Senado no sentido de afastar a sua incidência. A empresa recorrente pleiteou em juízo a compensação, com base no artigo 66 da Lei 8.383/91, dos valores pagos indevidamente com base nos decretos. Ou seja, a discussão principal do recurso era a possibilidade de compensação sem as restrições do artigo 170A do Código Tributário Nacional. Fl. 694DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA, Assinado digitalmente em 11/01/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA Processo nº 10380.729199/201220 Acórdão n.º 2803003.767 S2TE03 Fl. 695 16 O relator do recurso foi mais além, definindo que a compensação prevista no artigo 170 e 170A do Código Tributário Nacional não se diferenciam da compensação prevista no artigo 66 da Lei 8.383/91, devendo esta se sujeitar aos ditames da primeira. De fato, o contribuinte, em se tratando de tributo lançado por homologação, pode proceder à compensação por sua própria conta e risco. Então, questiono, por que assim não procedeu a recorrente? Obviamente que preferiu recorrer ao Judiciário para obter a declaração de que recolheu tributo declarado inconstitucional/ilegal e, conseqüentemente, obrigar a Administração a aceitar a compensação pretendida, sem as restrições impostas por instruções normativas tidas por inconstitucionais pela autora e sem a limitação de 30% do montante compensável. Sendo assim, nada mais natural que se submetesse ela às regras processuais e tributárias pertinentes. Não se pode dizer que o contribuinte que recorreu ao Judiciário para proceder à compensação está na mesma situação que outro, que compensou tributos de moto proprio porque o segundo, sim, deverá submeterse sem ressalvas às regras aplicadas pela Administração. Inexiste, outrossim, incompatibilidade entre o art. 170A do CTN e o art. 66 da Lei 8.383∕91, uma vez que a compensação somente pode ser feita pelo contribuinte com autorização legal e, portanto, pode ser limitada pelo legislador. Assim, nego seguimento ao recurso neste ponto. Da Multa No tocante à multa aplicada, vislumbro que razão assiste à recorrente. Ora, como restou amplamente demonstrado no Relatório, o auditor verificou que a recorrente informou nas GFIPs dos estabelecimentos, nas quais foram realizadas compensações, os seguintes campos com erros: valor solicitado, valor compensado, valor a compensar, competência inicial da compensação e competência final da compensação. Mencionados erros correspondem às competências 02/2010, 09/2010 a 13/2010 e de 03/2011 a 06/2011. Logo, o total de competências com erro é 10 (dez). Assim, com fulcro no art. 32A, inciso I, da Lei 8.212/91, e, considerando que a recorrente informou 5 (cinco) campos com erros em 10 (dez) GFIPs, a multa seria de R$ 20,00 em cada competência para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas. Entretanto, o §3o, inciso II, deste mesmo artigo, informa que o valor mínimo da multa é de R$ 500,00. A multa tem valor de R$ 20,00 por cada competência e, como os erros foram observados em dez competências, a multa totalizaria R$ 200,00 (10 competências x R$ 20,00). O auditor fiscal observou que quando o mesmo campo e ́informado erradamente em diferentes estabelecimentos na mesma competência, considerase que ocorreu apenas uma informação incorreta. Assim, com o escopo de respeitarse o §3o., II, do art. 32A, da Lei n. 8.212/91, reformo o acórdão neste ponto específico, fixando a multa imposta em R$ 500,00 (quinhentos reais). Conclusão Fl. 695DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA, Assinado digitalmente em 11/01/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA Processo nº 10380.729199/201220 Acórdão n.º 2803003.767 S2TE03 Fl. 696 17 Pelo exposto, voto no sentido de conhecer parcialmente do recurso voluntário, para na parte conhecida dar parcial provimento somente no que concerne à multa aplicada, para fixála em R$ 500,00 (quinhentos reais). É como voto. (assinado digitalmente) Ricardo Magaldi Messetti Relator Voto Vencedor EM PARTE. Conselheiro Eduardo de Oliveira – Redator designado. Peço vênia ao I. Conselheiro Relator, mas discordo de sua posição quanto à fixação da multa no valor que ele consignou em seu volto e o motivo é muito simples, o que a seguir será exposto. A multa por apresentação de GFIP com informações omissas ou incorretas é, em regra, de R$ 20,00 para cada grupo de dez informações incorretas ou omissas, inciso I, do artigo 32A, da Lei 8.212/91. Todavia, o inciso II, do parágrafo 3º, do artigo 32A, da Lei 8.212/91 determina que a multa mínima é de R$ 500,00. Assim sendo, para que a multa por infrações atinja o valor mínimo de R$ 500,00 deverá ocorrer no mínimo vinte e cinco grupos de dez omissões ou inexatidões, isto é, duzentos e cinquenta informações inexatas ou omissas, nesta condição a multa por inexatidões e omissões se igualaria a multa mínima. No entanto, isso é irrelevante no presente caso o agente lançador deixou claro que a recorrente informou cinco campos com inexatidões, observese a transcrição. A empresa informou nas GFIP dos estabelecimentos nos quais foram realizadas compensações no período de 02/2010, 09/2010 a 13/2010 e de 03/2011 a 06/2011 os seguintes campos com erros: valor solicitado, valor compensado, valor a compensar, competência inicial da compensação e competência final da compensação. Assim, a empresa informou 5 campos com erros nas GFIP entre 09/2010 a 06/2011, ocasionando uma multa de R$ 20,00 em cada competência, nos termos do art. 32 – A, I da Lei 8.212/91. Entretanto, o §3º, II deste mesmo artigo informa que o valor mínimo da multa é de R$ 500,00. Desta forma, o valor da multa deve ser o valor mínimo fixado em lei, pois a multiplicação de um grupo de dez informações incorretas levaria multa para um patamar de R$ Fl. 696DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA, Assinado digitalmente em 11/01/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA Processo nº 10380.729199/201220 Acórdão n.º 2803003.767 S2TE03 Fl. 697 18 20,00, mas a lei diz que o valor mínimo é de R$ 500,00 e assim esse é o valor a ser considerado. A declaração em GFIP é um obrigação mensal e assim a infração e a multa são aplicadas em cada competência que constata a irregularidade e infração a lei é isso que prescreve o inciso IV, do artigo 32, da Lei 8.212/91 c/c o inciso IV, do artigo 225, do Regulamento da Previdência Social – RPS apenso ao Decreto 3.048/99, aliás, o agente lançador, assim, manifestouse a esse respeito. Desta forma, a multa tem valor de R$ 500,00 por cada competência, como os erros foram observados em dez competências, a multa totalizou R$ 5.000,00. Advertese que quando o mesmo campo é informado erradamente em diferentes estabelecimentos na mesma competência, considerase que ocorreu apenas uma informação incorreta. Desta forma, acompanho o I. Relator quanto as demais matérias, mas em relação a multa do AI 51.024.6540, entendo correta a aplicada pelo lançador na forma que lançada e nos termos acima expostos. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário para, no mérito, da parte conhecida negarlhe provimento, pois, a aplicação da multa está dentro do que determinado em lei. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo de Oliveira – Redator designado. Fl. 697DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA, Assinado digitalmente em 11/01/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 13808.000310/2002-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1996, 1997, 1998, 1999, 2000
SUSPENSÃO DA ISENÇÃO. NULIDADE DO ATO.
LANÇAMENTO DECORRENTE. Correta a decisão de 1a instância que, em face da nulidade do Ato Declaratório que suspendeu a isenção da entidade, conclui pela existência de vício insanável que contamina os autos de infração decorrentes daquele ato. NATUREZA DO VÍCIO. Tem natureza formal a anulação do ato declaratório em razão da falta de exposição dos motivos para rejeição da defesa apresentada pela entidade em face das razões para suspensão de sua isenção declaradas em Notificação Fiscal, e enseja a nulidade dos lançamentos decorrentes também por vício formal.
Numero da decisão: 1101-001.187
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício por vício formal no lançamento, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Marcelo de Assis Guerra que negavam provimento ao recurso de ofício por vício material no lançamento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Paulo Mateus Ciccone, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Marcelo de Assis Guerra.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 1996, 1997, 1998, 1999, 2000 SUSPENSÃO DA ISENÇÃO. NULIDADE DO ATO. LANÇAMENTO DECORRENTE. Correta a decisão de 1a instância que, em face da nulidade do Ato Declaratório que suspendeu a isenção da entidade, conclui pela existência de vício insanável que contamina os autos de infração decorrentes daquele ato. NATUREZA DO VÍCIO. Tem natureza formal a anulação do ato declaratório em razão da falta de exposição dos motivos para rejeição da defesa apresentada pela entidade em face das razões para suspensão de sua isenção declaradas em Notificação Fiscal, e enseja a nulidade dos lançamentos decorrentes também por vício formal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício por vício formal no lançamento, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Marcelo de Assis Guerra que negavam provimento ao recurso de ofício por vício material no lançamento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Paulo Mateus Ciccone, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Marcelo de Assis Guerra.
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NULIDADE DO ATO. LANÇAMENTO DECORRENTE. Correta a decisão de 1a instância que, em face da nulidade do Ato Declaratório que suspendeu a isenção da entidade, conclui pela existência de vício insanável que contamina os autos de infração decorrentes daquele ato. NATUREZA DO VÍCIO. Tem natureza formal a anulação do ato declaratório em razão da falta de exposição dos motivos para rejeição da defesa apresentada pela entidade em face das razões para suspensão de sua isenção declaradas em Notificação Fiscal, e enseja a nulidade dos lançamentos decorrentes também por vício formal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício por vício formal no lançamento, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Marcelo de Assis Guerra que negavam provimento ao recurso de ofício por vício material no lançamento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 03 10 /2 00 2- 51 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13808.000310/200251 Acórdão n.º 1101001.187 S1C1T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Paulo Mateus Ciccone, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Marcelo de Assis Guerra. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13808.000310/200251 Acórdão n.º 1101001.187 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório A 5a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campinas/SP submete a reexame necessário decisão que declarou nulo lançamento formalizado em 15/03/2002, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 1.023.193,76. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Trata o presente processo de auto de infração, fls. 28/43, lavrado contra a contribuinte por falta de recolhimento da Contribuição para Programa de Integração Social – PIS, no período de janeiro/1996 a dezembro/2000, no montante apurado de R$ 1.023.193,76. 2. No Termo de Verificação Fiscal (PIS), às fls. 23/27, o auditor fiscal assim descreve as razões da lavratura do auto de infração: Verificamos que a Associação das Famílias para a Unificação e Paz Mundial, sob a sigla AFUPM, é uma entidade sem fins lucrativos de caráter educacional e religioso, gozando de isenção do imposto de renda de pessoa jurídica e da contribuição social sobre o lucro. Apuramos que a AFUPM, aplicou recursos nos anos de 1996, 1997, 1998, 1999 e 2000, em objetivos totalmente diversos de seus objetivos sociais, infringindo ao inciso II, do artigo 159 do RIR/94; parágrafo 5º do artigo 174; combinado com o artigo 172, todos do RIR/99. Por tais motivos foi lavrada em 31 de julho de 2001 Notificação Fiscal, para perda da isenção, dando prazo de 30 dias da ciência da mencionada Notificação para apresentar as alegações e provas que entendesse necessárias de acordo com o artigo 32 parágrafo 2º da Lei 9.430/96. Dentro do prazo, em 29 de agosto de 2001, o contribuinte acima epigrafado apresentou impugnação. Encaminhamos o feito para o Sr. Delegado da Receita Federal de Fiscalização em São Paulo, para exame da procedência das mesmas de acordo com o artigo 32 parágrafo 3º da Lei 9.430/96; O Sr. Delegado da Receita Federal de Fiscalização em São Paulo, tendo em vista as irregularidades que constam no Processo Administrativo número 13808.005490/2001 86, na Notificação fiscal, datada de 31/07/2001 e da impugnação datada de 29/08/2001, declarou suspensa a isenção tributária, de que trata o artigo 30 da Lei 4506 de 64, artigos 15 e 18 da Lei 9.532/97, da pessoa jurídica Associação das Famílias para a Unificação e Paz Mundial, CNPJ 48.053.789/000175, no período de janeiro de 1996 a dezembro de 2000, anoscalendário de 1996 a 2000, por infração ao disposto no parágrafo 1º, artigo 30 da Lei 4.506/64 e na letra “b”, parágrafo 2º do artigo 12 da Lei 9.532/97, tendo sido expedido para tanto o Ato Declaratório Executivo de Número 01, de 25 de outubro de 2001 (xerox em anexo). Por tudo o que acima foi exposto a associação fica sujeita ao lançamento do PIS, no período em que foi suspensa a isenção tributária, ou seja de janeiro de 1996 a dezembro de 2000. 3. Regularmente cientificada do auto de infração, em 15/03/2002, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 48/63, em 15/04/2002, alegando, em síntese e fundamentalmente, que: 3.1. contra o Ato Declaratório Executivo que fundamentou o auto de infração, a impugnante apresentou simultaneamente impugnação, a fim de demonstrar a total Fl. 143DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13808.000310/200251 Acórdão n.º 1101001.187 S1C1T1 Fl. 5 4 improcedência do ato do sr. Delegado da Receita Federal de Fiscalização em São Paulo; 3.2. apesar dos esclarecimentos da existência de todas as documentações e escriturações legalmente exigidas para as entidades sem finalidades lucrativas, não houve nenhuma espécie de exame pela fiscalização nesse sentido; 3.3. o auditor fiscal incluiu indevidamente na base de cálculo valores originários do exterior; 3.4. o PIS somente incide sobre a parcela que se enquadra no conceito de receita bruta. As subvenções para financiar a implantação de empreendimentos, além do mais provenientes do exterior, não configuram receita, não podendo compor a base de cálculo do PIS, na forma da legislação; 3.5. a aplicação da taxa Selic é inconstitucional; 3.6. é imune nos termos do art. 150, inciso VI, alínea “c”, da Constituição Federal. 4. Devese fazer o registro de que o presente feito encontravase aguardando julgamento na Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP I, e foi remetido a esta unidade em face do disposto na Portaria SRF nº 1.515, de 23 de outubro de 2003, que cuidou da transferência de competência para julgamento de processos administrativofiscais entre as DRJs. O voto condutor da decisão sob reexame está assim redigido: Sendo a impugnação tempestiva e preenchendo os demais pressupostos de admissibilidade, dela se conhece. 6. O auto de infração foi lavrado exclusivamente com base na suspensão da isenção tributária ocasionada pelo Ato Declaratório Executivo nº 1, de 25 de outubro de 2001, emitido pelo Delegado da Receita Federal de Fiscalização em São Paulo (fl. 22). Apesar de tal ato se referir tãosomente à isenção tributária de que trata o art. 30 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964, e os arts. 15 e 18 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, o autuante, sem especificar suas razões, entendeu que, por conseqüência dessa suspensão, a contribuinte ficaria sujeita ao lançamento do PIS. 7. Outrossim, como se infere pela análise dos autos, tem razão a impugnante ao afirmar que não houve nenhum exame da fiscalização no tocante às suas condições de imunidade especificamente em relação ao PIS. 8. Dessa forma, o presente auto de infração é simplesmente decorrente do citado Ato Declaratório Executivo nº 1, de 2001, constante do processo de nº 13808.000311/200203, o qual já foi apreciado pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ São Paulo, resultando no Acórdão nº 3.807 , de 14 de agosto de 2003, cuja ementa se transcreve: NORMAS PROCESSUAIS. SUSPENSÃO DA ISENÇÃO DE ENTIDADE CIVIL SEM FINS LUCRATIVOS. INOBSERVÂNCIA DO ARTIGO 32, § 3º, DA LEI Nº 9.430/1996. NULIDADE. A não observância, por parte do fisco, do artigo 32, § 3º, da Lei nº 9.430/1996, que determina que o Delegado deve decidir sobre as alegações e provas apresentadas pela entidade, dá ensejo à nulidade do Ato Declaratório Executivo emitido, por descumprimento de formalidade essencial e preterição de direito de defesa. LANÇAMENTOS DECORRENTES DA SUSPENSÃO DA ISENÇÃO. NULIDADE. A anulação do Ato Declaratório que suspendeu a isenção da entidade é vício insanável que contamina os autos de infração lavrados. 9. Transcrevese, ainda, o trecho final do voto do relator: Fl. 144DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13808.000310/200251 Acórdão n.º 1101001.187 S1C1T1 Fl. 6 5 91. Ante todo o exposto, voto no sentido de declarar nulos o Ato Declaratório Executivo nº 01, de 25.10.2001, e os autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS/Repique e Contribuição Social sobre o Lucro presentes nos autos. 92. Em decorrência do reconhecimento da nulidade do Ato Declaratório e dos autos de infração, cumpre ao titular da Defic/SPO proferir decisão sobre as alegações e provas apresentadas pela entidade e, na hipótese de julgálas improcedentes, expedir novos Ato Declaratório e autos de infração. 10. Por conseguinte, da anulação do Ato Declaratório Executivo nº 1, de 25/10/2001, deflui a nulidade do presente auto de infração dele decorrente. 11. Diante do exposto, voto pela nulidade do auto de infração. Na medida em que o crédito tributário lançado superou o limite estipulado na Portaria MF nº 375/2001, os autos foram remetidos a este Conselho para reexame necessário, inicialmente aportando no Segundo Conselho de Contribuintes, cuja 2a Câmara não conheceu o recurso nos termos do Acórdão nº 20219.134, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/1996 a 31/12/2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE SUSPENSÃO DE ISENÇÃO. COMPETÊNCIA A apreciação de recurso apresentado contra Ato Declaratório de Suspensão de Isenção, da qual resulte lançamento de IRPJ, cabe ao Primeiro Conselho de Contribuintes, a quem também compete o julgamento de todos os lançamentos que têm como motivação a referida suspensão. Autos que se encaminham ao Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes. Recurso de oficio não conhecido Os autos, porém, retornaram à DERAT/SP, que observando os termos da decisão anterior devolveu os autos ao Primeiro Conselho de Contribuintes. Todavia, o processo administrativo ingressou na 3a Seção de Julgamento, sendo distribuído ao Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, que invocou o disposto no art. 2o, inciso IV do Anexo II do RICARF para reafirmar a competência desta 1a Seção de Julgamento para apreciação do recurso de ofício. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13808.000310/200251 Acórdão n.º 1101001.187 S1C1T1 Fl. 7 6 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Como bem observado na decisão sob reexame, a presente exigência decorre, exclusivamente, da suspensão de isenção promovida por meio do Ato Declaratório Executivo DEFIS/SP nº 1/2001 (fl. 22/27). Por sua vez, referido ato foi declarado nulo pela DRJ/São Paulo, em decisão também submetida a reexame necessário porque correspondente às exigências de IRPJ e CSLL decorrentes daquela suspensão. Referido recurso de ofício foi apreciado neste Conselho nos termos do Acórdão nº 10708.251, e do relatório deste julgado extraise que houve diligência antes do julgamento de 1a instância, na qual se requereu esclarecimentos acerca da ausência de decisão em face das alegações apresentadas pela entidade em resposta à Notificação Fiscal para suspensão de sua isenção, informando a DEFIS/SP o que assim reproduzido na decisão de 1a instância proferida naqueles autos: "Segundo a AFUPM, o Ato Declaratório estaria eivado de nulidade devido ao não cumprimento integral da norma adjetiva contida no art.32, § 3 da Lei 9.430/96, que, conforme transcrito acima, dispõe que o Delegado da Receita Federal decidirá sobre a procedência das alegações do notificado, expedindo ato declaratório suspensivo do benefício, no caso de improcedência, dando, de sua decisão, ciência à entidade. O que se depreende deste dispositivo legal é que o sr. Delegado ao expedir o Ato Declaratório foi motivado pela notificação fiscal que descreveu os fatos e constatou o não cumprimento dos requisitos legais para o beneficio. A motivação do Ato declaratório é a constatação pelo Auditor Fiscal, de que entidade beneficiária do benefício não está observando requisito ou condição previsto (sic) na lei, e está contida na notificação fiscal, na qual o Auditor relatou os fatos que determinam a suspensão do beneficio, indicando inclusive a data da ocorrência da infração. Portanto o Ato Declaratório está motivado. A par de analisar os fatos contidos na notificação, o sr. Delegado considerou as alegações e provas que a AFUPM julgou necessárias apresentar e convicção no sentido de decidir sobre a procedência das alegações da notificação, e assim, expediu o Ato Declaratório. A Lei 9.430/96 no seu art.32, § 3º descreve exatamente este procedimento. A ciência à entidade, mencionada neste dispositivo legal, diz respeito à ciência do Ato Declara tório, resultado da decisão do sr. Delegado. Esta ciência do Ato Declara tório foi dada ao contribuinte em 15/03/2002 e consta do presente processo à folha 403. Portanto, ao contrário do que afirma a AFUPM, não há na lei qualquer menção à formalização de decisão acerca das alegações feitas pela entidade interessada em resposta à Notificação Fiscal, além da expedição devidamente cientificada do ato Declaratório. Isto posto, não há o que se falar em cerceamento de defesa, uma vez que, conforme o § 6o do art. 32 da mesma Lei 9.430/96, aprendemos (sic) que, efetivada a suspensão da imunidade, a entidade interessada poderá, no prazo de trinta dias da Fl. 146DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13808.000310/200251 Acórdão n.º 1101001.187 S1C1T1 Fl. 8 7 ciência, apresentar impugnação ao ato declara tório, a qual será objeto de decisão pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento competente, como de fato o fez." Frente a este contexto, a decisão de 1a instância foi mantida no que tange à declaração de nulidade do Ato Declaratório de suspensão da isenção, nos termos do voto condutor do Acórdão nº 10708.251, de lavra do Conselheiro Nilton Pêss: Como visto no relatório, o recurso de ofício referese a declaração de nulidade do Ato Declaratório Executivo nº 01, de 01, de 25 de outubro de 2001. Caso acatada a preliminar de nulidade do ATO DECLARATÓRIO, por conseqüência, é também declarada a nulidade dos lançamentos dele decorrentes. Vamos a apreciação da preliminar de nulidade do ATO DECLARATÓRIO. Realmente andou muito bem a turma julgadora, por sua maioria, em acatar o voto do relator. Ante as alegações apresentadas pela interessada, contrariamente a Notificação Fiscal que lhe foi imposta, por força do art. 32, §º3 da Lei nº 9.430/1996, não é permitido a autoridade nominada (Delegado ou Inspetor da Receita Federal), simplesmente, antes de decidir sobre a procedência das alegações, expedir o ato declaratório suspensivo do beneficio. Portanto, antes da expedição do ato declaratório suspensivo do benefício, necessário se faz, por força de lei, a manifestação da autoridade acerca da procedência ou não da defesa apresentada. Por bem elaborado, adoto e transcrevo (em parte), o voto vencedor proferido no Acórdão recorrido: 45. Inicialmente, a preliminar de nulidade. O processo de suspensão da imunidade ou da isenção encontrase regulado pelo artigo 32 da Lei n 9 9.430/1996, transcrito abaixo: (..) 46. Conforme visto, entende a entidade que tanto a Notificação Fiscal quanto o Ato Declaratório Executivo seriam nulos, por não terem respeitado o artigo suso transcrito. 47. Quanto à Notificação Fiscal, não assiste razão à impugnante. Com efeito, o § 1o, do artigo 32, da Lei nº 9.430/1996, dispõe que, na notificação, a fiscalização relatará os fatos que determinam a suspensão do benefício, indicando inclusive a data da ocorrência da infração. 48. O dispositivo em tela não determina que o autor da notificação expeça juízo de valor acerca dos fatos ou justifique eventual conclusão a que tenha chegado. Seria desejável que a Notificação Fiscal tivesse se debruçado mais sobre as questões de fato e suas implicações, até mesmo para que o Delegado incumbido da decisão pudesse melhor analisar a observância dos requisitos legais à manutenção da isenção. Entretanto, a laconicidade da Notificação Fiscal não é motivo para a sua anulação, mormente por não se tratar de ato decisório. 49. Já em relação ao Ato Declaratório Executivo nº 01/2001, o deslinde da questão passa, necessariamente, pela análise do § 3º, do artigo 32, da Lei nº 9.430/1996. 50. Conforme transcrição acima, tendo a entidade apresentado as alegações e provas que julgava necessárias, "o Delegado ou Inspetor da Receita Federal decidirá sobre a procedência das alegações, expedindo o ato declara tório suspensivo do beneficio, no caso de improcedência, dando, de sua decisão, ciência à entidade". 51. Apesar de a redação do dispositivo em exame ser capaz de induzir o intérprete a leituras equivocadas, o procedimento nele previsto é composto da decisão acerca da procedência ou não das alegações da entidade, seguida da ciência da decisão à entidade e da expedição do ato declara tório suspensivo do beneficio, no caso de a decisão ser desfavorável à entidade. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13808.000310/200251 Acórdão n.º 1101001.187 S1C1T1 Fl. 9 8 52. É nessa decisão que o Delegado analisa os fatos que determinariam a suspensão do benefício, trazidos na Notificação Fiscal, em face das alegações e provas trazidas pela entidade. Decidindo pela improcedência das alegações da entidade, dáse ciência à entidade e expedese o ato declara tório suspensivo do benefício, que aperfeiçoa o procedimento. 53. A resposta da fiscalização à primeira questão formulada no pedido de diligência confirmou a inexistência da decisão a que alude o dispositivo legal. Cumpre perquirir, portanto, quais seriam os efeitos de tal ausência. 54. Sobre o procedimento em questão, o então Ministro da Fazenda, na Exposição de Motivos da Lei n g 9.430/1996, assim se manifestou: “18. Os arts. 32 a 46 melhor instrumentalizam a fiscalização tributária, atribuindolhe competências que possibilitarão maior eficiência no combate aos ilícitos tributários, oferecendo, ainda, maior transparência às suas atividades e maiores garantias aos contribuintes. Nesse contexto, temse: a) o estabelecimento de regras claras para a suspensão do gozo dos benefícios da imunidade ou da isenção, inclusive quanto ao processo de impugnação e recurso na esfera administrativa (art. 32);” (grifos meus) 55. Vêse, claramente, que o estabelecimento de um procedimento administrativo especial para a suspensão da imunidade ou da isenção objetivava, além de definir competências, dar maior transparência aos atos administrativos e garantias aos contribuintes. 56. A transparência, corolário dos princípios insculpidos no artigo 37 da Constituição Federal, seria implementada através da produção de atos préestabelecidos e plenamente motivados. E as garantias aos contribuintes viriam sob a forma de um contraditório anterior à decisão e outro posterior a esta, configurandose assim o devido processo legal aplicável ao caso vertente. 57. Nesse contexto, a ausência de decisão revelase um desrespeito a formalidade essencial, garantidora do contraditório e ampla defesa administrativos, sem a qual o ato não atinge plenamente a sua finalidade, a ensejar, portanto, a nulidade do ato praticado. Terse ia, portanto, um vício de forma, o que conforme definido pelo artigo 29, § único, "b", da Lei n 4.717/1965, "consiste na omissão ou na observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato". 58. Não obstante, penderseia argumentar que a decisão poderia ser materializada no próprio ato declara tório, ao invés de ser elaborada na forma de um parecer, despacho decisório etc. Entretanto, a concisão inerente aos atos declara tórios executivos, bem como o fato de o ato declara tório ser o último ato do procedimento fiscal de suspensão da isenção, visando apenas aperfeiçoálo, fazem com que seja essencial a prolação de um despacho decisório. 59. De toda sorte, independentemente da forma utilizada, decisão material deve existir. Resta saber, portanto, quais as características de tal decisão, bem como se o ato declaratório em exame as observa. 60. A existência de contraditório durante o procedimento fiscal e a própria exigência de prolação de uma decisão nos levam a concluir que o processo já existe por ocasião da decisão. Dessa forma, devem ser respeitadas as regras contidas na legislação que rege o processo administrativo fiscal, bem como as normas de aplicação subsidiária. As regras do PAF aplicáveis à espécie são aquelas insertas nos artigos 29 e 31 do Decreto ng 70.235/1972, que assim dispõem: "Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." “Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação devendo referirse. expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pelo art. 1º da Lei n.º 8.748/1993)" (grifos meus) Fl. 148DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13808.000310/200251 Acórdão n.º 1101001.187 S1C1T1 Fl. 10 9 61. Como se vê, deve a decisão administrativa referirse, expressamente, às razões de defesa do reclamante. No caso vertente, às alegações e provas apresentadas em resposta à Notificação Fiscal. 62. À míngua de maiores detalhes acerca dos requisitos das decisões e atos administrativos, o próximo diploma legal a ser examinado é a Lei ng 9.784/1999, que assim dispõe em seu artigo 29: "Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: 1 atuação conforme a lei e o Direito; II atendimento a fins de interesse geral, vedada a renúncia total ou parcial de poderes ou competências, salvo autorização em lei; (...) VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrador" (grifos meus) 63. O mesmo diploma legal trata especificamente da motivação dos atos administrativos, conforme artigo 50: “DA MOTIVAÇÃO Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: 1 neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; § 1º A motivação deve ser explícita. clara e congruente podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato."(grifos meus) 64. As decisões devem, portanto, indicar os fatos e os fundamentos jurídicos que a tenham determinado, ou seja, demonstrar como se deu a formação da convicção do prolator da decisão. 65. Não existe, por óbvio, uma regra única de como deve ser prolatada uma decisão fundamentada. O que existe, efetivamente, é a obrigatoriedade de justificar a conclusão mediante a apreciação expressa das provas trazidas aos autos. 66. Basicamente, são três os sistemas de apreciação da prova passíveis de serem adotados pelos ordenamentos jurídicos. 67. O primeiro é o da prova legal, introduzido por Beccaria, segundo o qual o juiz seria obrigado a decidir de acordo com pesos probatórios fixados em lei. Tal sistema, outrora muito utilizado, especialmente em matéria penal, é aplicado atualmente apenas em casos excepcionais previstos em lei. 68. O segundo sistema á o da convicção íntima (secundum conscientiam), no qual o juiz é autorizado a decidir livremente, sem a obrigatoriedade de justificar a sua decisão. Tal sistema se apresenta, em nosso ordenamento processual, apenas nas decisões do júri. 69. Por derradeiro, temse o sistema da persuasão racional, ou livre convencimento, no qual "o juiz forma livremente o seu convencimento, porém dentro de critérios racionais que devem ser indicados” (Teoria Geral do Processo, Antônio Carlos de Araújo Cintra, Ada Pellegrini Grinover e Cândido Rangel Dinamarca, 19ª ed., São Paulo, Malheiros, 2003, p. 352). Fl. 149DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13808.000310/200251 Acórdão n.º 1101001.187 S1C1T1 Fl. 11 10 70. Na doutrina de Cândido Rangel Dinamarco, colhemos que "o convencimento do juiz deve ser motivado, porque sem o dever de motivar as decisões de nada valeriam as exigências de racionalidade e atenção ao que consta dos autos. Aos leitores de suas decisões (partes, órgãos judiciários superiores, opinião pública) o juiz é devedor da explicação dos porquês de suas conclusões, inclusive quanto aos fatos (supra, n. 93). Ele tem o dever de desenvolver, na motivação das decisões, o iter do raciocínio que, à luz dos autos, o leva a concluir que tal fato aconteceu ou não, que tal situação existe ou deixa de existir, que os fatos se deram de determinado modo e não de outro, que dado bem, serviço ou dano tem tal valor e não mais nem menos etc" (Instituições de Direito Processual Civil, vol. III, 2° ed., São Paulo, Malhe iros, 2002, p. 107). 71. Nesse ponto, vejamos o que dispõe o artigo 131 do Código de Processo Civil: "Art. 131. O juiz apreciará livremente a prova, atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos, ainda que não alegados pelas partes; mas deverá indicar, na sentença, os motivos que lhe formaram o convencimento. (Redação dada pela Lei n2 5.925, de 12.10.1973)" 70. É o da persuasão racional, portanto, o sistema adotado pelo Código de Processo Civil, que na lição de Vicente Greco Filho, "admite a livre apreciação da prova, mas vincula essa apreciação aos fatos e circunstâncias constantes dos autos, mesmo que não alegados pela parte, e, ademais, exige a indicação na sentença dos motivos racionais que formaram o convencimento do juiz. Daí o nome de sistema da persuasão racional. Esta fórmula de apreciação probatória apresenta a dupla vantagem de permitir que o juiz extraia as sutilezas dos meios probantes apresentados, com liberdade de interpretação, e, ao mesmo tempo, o obriga, justificando o seu convencimento, a apresentar uma solução lógica para o problema probatório, evitando, assim, o arbítrio ou uma solução potestativa." (Direito Processual Civil Brasileiro, 1 2 vol., 124 ed., São Paulo, Saraiva, 1996, p. 228/229) 71. E é esse o sistema adotado pelo Decreto n 2 70.235/1972, como se observa no já transcrito artigo 29, que é mitigado apenas pela obrigatoriedade de serem apreciados todas as alegações e provas, o que não ocorre no sistema do Código de Processo Civil. 72. Tecidas essas considerações, resta verificar se o Ato Declaratório respeita os requisitos materiais de uma decisão. Para tanto, entendo conveniente transcrevêlo: “O DELEGADO DA RECEITA FEDERAL DE FISCALIZAÇÃO EM SÃO PAULO, no uso das atribuições, que lhe confere o inciso XXI, do artigo 227, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal — SRF, aprovado pela Portaria MF nº 259, de 24 de agosto de 2001, em conformidade com o parágrafo 3º., do artigo 32, da Lei 9.430 e tendo em vista as irregularidades que constam no Processo Administrativo no. 13808.0054901200186, na Notificação Fiscal datada de 31/07/2001 e da impugnarão do contribuinte datada de 29/08/2001, declara: Suspensa a isenção tributária de que trata o artigo 30, da Lei 4.506/64 e os artigos 15 e 18, da Lei 9.532/97, da pessoa jurídica ASSOCIAÇÃO DAS FAMÍLIAS PARA A UNIFICAÇÃO DA PAZ MUNDIAL, CNPJ 48.053.789/000175, no período de Janeiro de 1996 a Dezembro de 2000, anoscalendário de 1996 a 2000, por infração ao disposto no Parágrafo artigo 30, da Lei 4.506/64 e na letra "b", parágrafo 2º do artigo 12, da Lei 9.532/97. Em conseqüência, fica a pessoa jurídica mencionada sujeita aos lançamentos de oficio para a constituição dos créditos tributários relativos aos tributos e contribuições devidos e administrados pela Secretaria da Receita Federal cujos fatos geradores ocorreram no período abrangido pela suspensão da isenção tributária." (grifos meus) 73. Os trechos grifados são os únicos que possuem alguma carga valora Uva. No primeiro, fazse remissão genérica às "irregularidades" que constam do processo administrativo, da Notificação Fiscal e da manifestação da entidade. E no segundo tem se apenas a tipificação legal da infração. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13808.000310/200251 Acórdão n.º 1101001.187 S1C1T1 Fl. 12 11 74. Inexiste, portanto, qualquer menção expressa às alegações e provas trazidas aos autos pela entidade e aos critérios racionais, ao raciocínio lógico que teriam sido utilizados pela autoridade. E inexiste, portanto, decisão. 75. Tampouco poderíamos considerar o Ato Declaratório uma decisão "concisa". Com efeito, decisão concisa não se confunde com decisão sem fundamentação, conforme lições extraídas das ementas abaixo transcritas: "PROCESSUAL CIVIL SENTENÇA AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO — NULIDADE DE PLENO DIREITO INTELIGÊNCIA DOS ARTS. 267, 282 283, 284 E 295 DO CPC. I A petição inicial que possibilita a correta compreensão de seu alcance, permite o integral exercício da ampla defesa pelo réu e preenche todos os requisitos dos artigos 282 e 283, do CPC, afasta a pertinência da determinação de sua emenda nos termos do art. 284 ou de seu indeferimento, nos termos do art. 295, ambos do CPC. II Concisão de motivação não significa ou justifica a completa ausência de fundamentação do decisório, o que arrosta, em última análise, o comando imperativo do artigo 93. IX da Constituição Federal. III Defeituosa e inválida é a sentença terminativa que busca genericamente fundamento legal para extinção do processo na combinação do art. 267, I, com art. 295, ambos do CPC, pois que, como consabido, o artigo 295 encerra várias circunstâncias ensejadores de indeferimento da inicial, enunciadas em seus incisos de I a VI. IV Recurso provido para desconstituir a sentença e determinar o retorno dos autos à Vara de origem, a fim de que o MM. Juiz a quo profira outra, em estrita observância ao disposto nos arts. 458, 459 e 460 do CPC, à vista do comando imperativo do art. 93, IX, da Constituição Federal. "(Primeira Turma do TRF Região, Apelação Cível 174208, Processo 9802247090RJ, Data da decisão: 11/05/1999, DJU: 25/05/2000) (grifos meus) "PROCESSO CIVIL. AÇÃO DE RESPONSABILIDADE CIVIL POR IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. PEDIDO LIMINAR DE INDISPONIBILIDADE DE BENS INDEFERIDO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. AINDA QUE CONCISA. NULIDADE DO ACÓRDÃO. PROVIMENTO MONOCRÁTICO PELO RELATOR. ART. 542, § 3°, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. INAPLICABILIDADE. TEMPUS REGIT ACTUM. RECURSO ESPECIAL PROCESSADO ANTES DA EDIÇÃO DA LEI N.º 9.756/98, ESGOTADA A JURISDIÇÃO DO TRIBUNAL DE ORIGEM. I É desnecessária a reiteração de pedido de apreciação de recurso especial, cujo destrancamento havia sido requerido em agravo de instrumento processado antes do advento da Lei n.9 9.756/98 (tempus regit actum), inexistindo afronta ao art. 542, § 3°, do Código de Processo Civil. II A fundamentação das decisões judiciais veiculando conteúdo decisório. sejam sentenças ou interlocutória decorre do art. 165 do Código de Processo Civil. não se confundindo decisão concisa e breve com a decisão destituída de fundamentação. ao tempo em que deixa de apreciar ponto de alta indagação e lastreado em prova documental. III Esse pressuposto de validade da decisão judicial —adequada fundamentação tem sede legal e na consciência da coletividade. Porque deve ser motivada toda a atuação estatal que impinja a aceitação de tese contrária à convicção daquele que está submetido ao poder de império da Administração Pública. do Estado. Também, por isso, seu berço constitucional está no art. 93. inciso IX, o qual não distingue o tipo de provimento decisória IV Agravo a que se nega provimento.” (2a Turma do STJ AGRESP 251049, Processo: 200000238783SP, Data da decisão: 13/06/2000, DJ: 01/08/2000, p. 246) (grifos meus) 76. Ainda mais emblemática é a ementa que transcrevo abaixo: Fl. 151DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13808.000310/200251 Acórdão n.º 1101001.187 S1C1T1 Fl. 13 12 "DIREITO PROCESSUAL. DECISÃO JUDICIAL QUE INATENDE O DISPOSTO NO ARTIGO 458 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. NULIDADE. DE ACORDO COM O COMANDO PRECONIZADO NO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL (ARTIGO 458), A DECISÃO JUDICIAL DE MÉRITO PODE SER CONCISA. MAS NÃO DESMOTIVADA, EIS QUE, O FUNDAMENTO DA SENTENÇA É A GARANTIA DO JUIZ CONTRA DUAS PECHAS QUE SE LHE POSSAM ATRIBUIR: O ARBÍTRIO E A PARCIALIDADE. CARECE DE FUNDAMENTAÇÃO ADEQUADA O ARESTO QUE, AO INVÉS DE DISCUTIR E DIRIMIR AS QUESTÕES FÁTICAS E JURÍDICAS AJUSTADAS PELAS PARTES. NO PROCESSO. LIMITASE A FAZER REMISSÃO A UM PARECER JURÍDICO. O QUAL NÃO SE DETÉM NA APRECIAÇÃO E DESATE DOS ARGUMENTOS DE UMA DAS PARTES (A RECORRENTE). IN CASU, O ACÓRDÃO RECORRIDO, EM LEITURA ISOLADA DO PARECER, TORNASE DE IMPOSSÍVEL COMPREENSÃO, COMPROMETENDO O PRECEITO DO ARTIGO 458 DA LEI DE PROCESSO CIVIL. RECURSO PROVIDO PARA ANULAR A DECISÃO RECORRIDA. DECISÃO UNÂNIME." (1g Turma do STJ, RESP 15188, Processo 199100200999SP, Data da decisão: 10/02/1993, DJ: 15/03/1993, p. 3784) (grifos meus) 71 Dessarte, não podemos confundir o Ato Declaratório atacado com uma decisão concisa. 78. Vale repisar, com o devido respeito ao entendimento externado no Relatório Fiscal presente à s. 453 e 454 do processo administrativo n9 13808.005490/200186, que a "decisão" proferida não possui conteúdo material de decisão. 79. Relembrando, a responsável pela elaboração da resposta à diligência requerida afirmou que "o sr. Delegado ao expedir o Ato Declara tório foi motivado pela notificação fiscal que descreveu os fatos e constatou o não cumprimento dos requisitos legais para o benefício. A motivação do Ato declaratório é a constatação pelo Auditor Fiscal, de que entidade beneficiária do beneficio não está observando requisito ou condição previsto na lei, e está contida na notificação fiscal, na qual o Auditor relatou os fatos que determinam a suspensão do benefício, indicando inclusive a data da ocorrência da infração. Portanto o Ato Declara tório está motivado". 80. Ora, se a motivação exsurgiria do sopesamento dos fatos trazidos na Notificação Fiscal com as alegações e provas presentes na manifestação da entidade, e sendo esta posterior àquela, a motivação não poderia estar na própria Notificação. 81. O Relatório Fiscal prossegue afirmando que "a par de analisar os fatos contidos na notificação, o sr. Delegado considerou as alegações e provas que a AFUPM julgou necessárias apresentar e firmou a sua convicção no sentido de decidir sobre a procedência das alegações da notificação, e assim, expediu o Ato Declaratório (grifei). Temse aqui a revelação de que houve formação de uma convicção do prolator da decisão. Entretanto, esta não foi explicitada e nem mesmo consistiu em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que tenham por sua vez abordado de forma expressa as alegações e provas da entidade, equiparandose, portanto, a uma convicção íntima. 82. Na seqüência, afirmase de forma equivocada que "a Lei 9.430/96 no seu art. 32, § 3º descreve exatamente este procedimento", e que "a ciência à entidade, mencionada neste dispositivo legal, diz respeito à ciência do Ato Declaratório, resultado da decisão do sr. Delegado. Esta ciência do Ato declaratório foi dada contribuinte em 15/03/2002 e consta do presente processo à folha 403". Conforme explanado anteriormente, a ciência que deve ser dada à entidade é da decisão na qual baseiase o Ato Declara tório, e não do próprio Ato. Por óbvio, inexistindo decisão escrita, fezse o melhor possível. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13808.000310/200251 Acórdão n.º 1101001.187 S1C1T1 Fl. 14 13 83. Consta ainda a afirmação de que "ao contrário do que afirma a AFUPM, não há na lei qualquer menção à formalização de decisão acerca das alegações feitas pela entidade interessada em resposta à Notificação Fiscal, além da expedição devidamente cientificada do ato Declaratório". Na exaustiva análise empreendida verificouse que não há uma forma específica para a decisão, mas há sim a obrigatoriedade de sua existência material, e presença nos autos. 84. Tal obrigatoriedade pode ser ainda demonstrada por um raciocínio que nos leva a um absurdo: caso inexistisse a obrigatoriedade de proferir decisão de improcedência das alegações, sendo possível a singela emissão do Ato Declaratório, um mínimo de coerência levarianos a concluir que, na hipótese de a autoridade considerar as alegações procedentes, ou seja, firmar convicção no sentido de não suspender a isenção da entidade, não seja também necessário proferir decisão que seguisse as características já descritas, bastando um solitário "Arquivese" para encerrar os trabalhos, dandose ciência à entidade do arquivamento dos autos. A quantidade e envergadura de princípios da administração pública que restariam violados seriam impensáveis. 85. Por derradeiro, afirmase que "não há o que se falar em cerceamento de defesa, uma vez que, conforme o § 6º do art. 32 da mesma Lei 9.430/96, aprendemos (sic) que, efetivada a suspensão da imunidade, a entidade interessada poderá, no prazo de trinta dias da ciência, apresentar impugnação ao ato declaratório, a qual será objeto de decisão pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento competente, como de fato o fez". Como é cediço, o cerceamento de defesa não é caracterizado pelo não oferecimento de oportunidade para a defesa, e sim pela impossibilidade de saber contra qual acusação se defender. A ausência de uma decisão na qual seriam apreciadas as alegações e provas apresentadas resulta numa situação em que a defesa deve ser baseada em suposições, e não em acusações, restando caracterizada a preterição do direito de defesa, a ensejar a nulidade do ato. 86. De se considerar, ainda, que o procedimento defendido pela Defic/SPO não vem sendo por ela própria adotado. Com efeito, o procedimento escorreito foi adotado por aquela Delegacia de Fiscalização por ocasião da emissão do Ato Declaratório Executivo nº 1.650, de 16.12.2002, publicado no DOU de 17.12.2002, Seção 1, p. 106, o qual possui a mesma estrutura do Ato Declaratório ora atacado, mas foi precedido de minudente decisão composta de cinco laudas, da qual foi dada ciência pessoal ao representante da entidade cuja isenção foi suspensa — processo administrativo nº 19515.001589/200261, distribuído a esta 1a Turma de Julgamento, bem como nos demais casos de que tivemos notícia. 87. A nulidade encontrada no feito é de tal ordem que impossibilita, até mesmo, a eventual aplicação a norma contida no artigo 59, § 3º, do Decreto n g 70.235/1972, segundo o qual "quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitada a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta", vez que a própria análise do mérito é prejudicada pelo vicio na acusação veiculada no ato de suspensão da isenção. Exemplificando, de nada adiantada concluirmos que a aquisição de bens, por si só, não caracterizada a perda da imunidade ou isenção, se não sabemos se foi esse o motivo considerado na formação de convicção da autoridade. 88. Deve ser declarado nulo, portanto, o Ato Declaratório Executivo n°01, de 25 de outubro de 2001. 89. Conseqüência direta da anulação do Ato Declaratório é a decretação de nulidade dos lançamentos dele decorrentes. Vejase, por oportuno, julgado do E. Primeiro Conselho de Contribuintes sobre a matéria: "NORMAS PROCESSUAIS INSTITUIÇÃO IMUNE LANÇAMENTO INOBSERVÂNCIA DO ARTIGO 32 DA LEI N.° 9.430/96 NULIDADE A não observância, por parte do fisco, do artigo 32 da Lei n.º 9.430/96, que condiciona a atividade de lançamento ao prévio e regular processo de suspensão da imunidade é vício insanável que contamina o auto de infração. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13808.000310/200251 Acórdão n.º 1101001.187 S1C1T1 Fl. 15 14 Por unanimidade de votos, declarar nulo o lançamento (não expedido ato declaratório da imunidade)." (Acórdão n8 10193.762, de 19.03.2002, publicado no DOU em 12.06.2002) 90. No caso analisado pela 1a Câmara do 1o Conselho, inexistia ato declaratório, hipótese equiparada ao ato declaratório nulo. 91. Ante todo o exposto, voto no sentido de declarar nulos o Ato Declaratório Executivo n°01, de 25.10.2001, e os autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS/Repique e Contribuição Social sobre o Lucro presentes nos autos. 92. Em decorrência do reconhecimento da nulidade do Ato Declaratório e dos autos de infração, cumpre ao titular da Defic/SPO proferir decisão sobre as alegações e provas apresentadas pela entidade e, na hipótese de julgálas improcedentes, expedir novos Ato Declaratório e autos de infração." Resumindo e concluindo, pelas conclusões, não vejo como alterar as razões de decidir postas no acórdão, que acatou os argumentos da impugnação. É o meu voto. A decisão de nulidade do Ato Declaratório DEFIS/SP nº 01/2001 tornouse definitiva no âmbito administrativo e, consoante se extrai dos autos do processo administrativo nº 13808.000311/200203, em procedimento em apartado (processo administrativo nº 13808.005490/200186) foi expedido novo Ato Declaratório para suspensão da isenção nos períodos de 1996 a 2000, de nº 43, em 06/03/2008, bem como lavrados novos autos de infração em substituição aos antes anulados. A manutenção destas exigências, e o indeferimento da impugnação interposta contra a suspensão da isenção, ensejaram recurso voluntário a este Conselho, já apreciado e desprovido nos termos da ementa do Acórdão nº 1402001.365: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1996, 1997, 1998, 1999, 2000 DECADÊNCIA. PRIMEIRO LANÇAMENTO ANULADO POR VÍCIO FORMAL. O direito de a Fazenda constituir o crédito tributário extinguese em cinco anos, contados da data em que se tornou definitiva a decisão que anulou, por vício formal, o lançamento anterior, hipótese que não se amolda ao presente caso. ASSOCIAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS. DESENVOLVIMENTO DE ATIVIDADE ECONÔMICA. MANUTENÇÃO DA IMUNIDADE E ISENÇÃO. POSSIBILIDADE. SUPERÁVIT NÃO REVERTIDO INTEGRALMENTE À MANUTENÇÃO DOS OBJETIVOS INSTITUCIONAIS. SUSPENSÃO DA IMUNIDADE. O gozo de beneficio fiscal (imunidade ou isenção) não é elidido pela obtenção de receitas (desenvolvimento de atividade econômica), desde que a renda seja destinada à consecução das finalidades essenciais da entidade. Verificado no caso concreto que o superávit não foi destinado em sua integralidade à manutenção dos objetivos institucionais, deve ser mantida a suspensão do benefício e os autos de infração correlatos. Conseqüência da definitividade da decisão que anulou o Ato Declaratório DEFIS/SP nº 01/2001 é a impossibilidade da rediscussão deste tema no âmbito administrativo. Em conseqüência, deve ser anulado, também, o presente lançamento de Contribuição ao PIS, dependente da suspensão de isenção promovida por meio daquele ato anulado. Esta anulação, por sua vez, se faz por vício formal, como bem observado pelo Conselheiro Carlos Pelá, ao enfrentar a argüição de decadência oposta contra os lançamentos de IRPJ, CSLL e PIS/Repique renovados no procedimento fiscal de 2008: Fl. 154DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13808.000310/200251 Acórdão n.º 1101001.187 S1C1T1 Fl. 16 15 Afirma a decisão recorrida que não houve decadência do direito do Fisco à constituição do crédito tributário pelo lançamento, uma vez que, por não ter havido qualquer pagamento antecipado, seria aplicável ao caso a regra do artigo 173, I do CTN. Além disso, a decisão recorrida sustenta que se aplica ao caso o disposto no art. 173, inciso II, do CTN, uma vez que o lançamento anterior foi anulado por vício formal. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Acrescenta que, no presente caso, a decisão que anulou o lançamento tornouse definitiva com a prolação do acórdão pela 7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, em face do recurso de ofício interposto pela DRJ. Assim, considerando que a sessão de julgamento foi realizada em 12/09/2005 (fls. 243/268), tendo sido a Recorrente cientificada do acórdão em 28/08/06 (fl. 28 verso), o novo lançamento, em 30/05/2008 (fl. 520), teria sido efetuado antes do transcurso do prazo decadencial. Merece razão o julgador a quo. Muito embora no caso em exame os valores exigidos sejam referentes a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 1996 a 2000, o Auto de Infração lavrado em 15/03/2002 foi anulado em virtude de vício formal, decisão confirmada pela 7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, em sessão de julgamento realizada em 12/09/2005, da qual a Recorrente foi intimada em 28/08/2006. Portanto, nesta data iniciouse a contagem do prazo de decadência. Com efeito, considerando que a Recorrente foi intimada da lavratura do novo Auto de Infração em 30/05/2008, afastada está a hipótese de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário pelo lançamento. Por fim, vale esclarecer que não prosperam as afirmações da Recorrente no sentido de que só o ADE 01/2001 teria sido anulado por vício formal, pois o vício formal no ADE 01/2001 contaminou o lançamento anterior, que, por sua vez, também foi anulado em virtude de vício formal. Nesse ponto, a decisão da 7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes é clara ao frisar que o reconhecimento de nulidade alcançou tanto o ADE 01/2001 como os autos de infração a ele relacionados. Como exposto, o Ato Declaratório DEFIS nº 01/2001 restou anulado porque a autoridade nominada por lei promoveu a suspensão da isenção com fundamento nos fatos consignados na Notificação Fiscal dirigida à entidade, sem antes exteriorizar, em decisão motivada, as razões para repudiar as alegações opostas pela entidade contra aquela acusação. Não há dúvida que todo o procedimento investigatório para suspensão da isenção foi desenvolvido, inexistindo qualquer questionamento de cunho material, mas apenas se verificando o vício formal resultante do entendimento de que a entidade teria a sua defesa apreciada no curso do contencioso administrativo especializado. Tanto o é que, corrigida aquela falha, os lançamentos podem ser novamente cientificados ao sujeito passivo sem qualquer alteração em seu conteúdo. Portanto, presente aquele vício formal em um dos pressupostos do lançamento, pertinente é a declaração de nulidade, também por vício formal, do auto de infração aqui em debate, facultandose à autoridade competente renoválo no prazo previsto no art. 173, inciso II do CTN. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13808.000310/200251 Acórdão n.º 1101001.187 S1C1T1 Fl. 17 16 Por tais razões, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, e manter a nulidade do lançamento, esclarecendose que assim se faz em razão de vício formal na sua constituição. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 156DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 18186.000100/2007-55
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2006
AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Constitui infração, punível na forma da Lei, a falta de apresentação de documentos solicitados pela fiscalização
DECADÊNCIA
Está pacificada a decadência qüinqüenal estabelecida pelo CTN.
Para esta autuação basta 1 evento em período não decadente para afastar a tese da decadência.
AGRAVAMENTO DA MULTA. TRANSITO EM JULGADO DE DECISÕES ANTERIORES.
O agravamento da multa se funda na existência de autuações anteriores com decisão administrativa transitada em julgado.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2403-002.876
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado. por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração, punível na forma da Lei, a falta de apresentação de documentos solicitados pela fiscalização DECADÊNCIA Está pacificada a decadência qüinqüenal estabelecida pelo CTN. Para esta autuação basta 1 evento em período não decadente para afastar a tese da decadência. AGRAVAMENTO DA MULTA. TRANSITO EM JULGADO DE DECISÕES ANTERIORES. O agravamento da multa se funda na existência de autuações anteriores com decisão administrativa transitada em julgado. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado. por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 6. 00 01 00 /2 00 7- 55 Fl. 396DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues. Fl. 397DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 18186.000100/200755 Acórdão n.º 2403002.876 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I, Acórdão 1614.921 da 11ª Turma, que julgou o lançamento procedente. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: DA AUTUAÇÃO Tratase de Auto de Infração (AI) lavrado pela fiscalização, contra a empresa em epígrafe, por infração ao disposto no artigo 33, parágrafos 2° e 3° da Lei n.° 8.212, de 24/07/1991, e nos artigos 232 e 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n.° 3.048, de 06/05/1999, tendo em vista que, de acordo com o Relatório Fiscal da Infração, ela deixou de apresentar os seguintes documentos, solicitados através de Termos de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD's): Livros Diário e Razão referentes ao período de 01/1997 a 12/2001, e 01/2004 a 12/2006; Folhas de Pagamento de todos os segurados do período de 01/1997 a 12/2006; e, Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP's) do período de 01/1999 a 12/2006. O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, por sua vez, informa: • que a multa, para a infração objeto deste AI, está prevista nos artigos 92 e 102 da Lei n.° 8.212/91, e nos artigos 283, II, "j" e 373 do RPS aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99, sendo que, em seu valor mínimo, corresponde a R$ 11.951,21 (onze mil e novecentos e cinqüenta e um reais e vinte e um centavos), conforme atualização feita pela Portaria MPS n.° 142, de 11/04/2007; • que, considerando que consta para a empresa lavratura anterior de Autos de Infração com fundamento no artigo 33, § 2° da Lei n.° 8.212/91, conforme Termo de Antecedentes em anexo, ficaram caracterizadas reincidências especificas, devendo a multa em seu valor mínimo ser elevada em vinte e sete vezes, conforme o artigo 292, inciso IV do RPS; • que, tendo em vista o exposto, a multa, no caso, foi aplicada no valor máximo previsto no artigo 283, caput do RPS, correspondente a R$ 119.512,33 (cento e dezenove mil e quinhentos e doze reais e trinta e três centavos). DA IMPUGNAÇÃO Fl. 398DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Inconformada com a autuação, da qual foi cientificada em 04/05/2007 (fls. 15), a empresa apresentou, em 21/05/2007, a impugnação de fls. 18 a 26, com documentos anexos As fls. 27 a 48 (Procuração, e cópias de comprovante de inscrição e de situação cadastral no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica, da 47 Alteração de Contrato Social de 13/04/2006, do AI e seus anexos, do Relatório Fiscal da NFLD 37.083.4364, e de carteira de identidade de advogado dos subscritores da impugnação), sob PT 35464.002354/200709, na qual faz um breve relato dos fatos, e deduz as alegações a seguir sintetizadas. Da improcedência do auto de infração: Informa a empresa que o presente Auto de Infração (AI) foi lavrado após procedimento fiscal realizado junto a ela para constatar eventuais débitos de contribuições previdenciárias diante de contrato firmado com a empresa Spirit Incentivo e Fidelização Ltda. Afirma: que o objetivo primordial do procedimento fiscal era a análise de eventuais débitos de contribuições previdenciárias decorrente dos pagamentos efetuados por intermédio de cartão de premiação; que, para tanto, forneceu todos os documentos exigidos, necessários e suficientes para a fiscalização averiguar eventual débito; e, que a não apresentação dos documentos objeto deste AI não ocasionou nenhum prejuízo à Fiscalização. Entende que, ao ter apresentado os documentos hábeis para o cumprimento da finalidade do mandado de procedimento fiscal, contendo informações que reproduzem a veracidade dos fatos, fica afastada a possibilidade de punição, por ausência de infração, sendo o presente AI totalmente improcedente. Da extinção do direito de constituir o crédito tributário até abril de 2002 —desnecessidade de apresentação de documentos: Relata que o presente AI foi lavrado para a cobrança de valores em face da não apresentação de documentos referentes ao período de 1997 a 2006, mas que parte deste período já foi atingido pela decadência, tendo em vista o disposto no art. 150, parágrafo 4° do Código Tributário Nacional (CTN), segundo o qual se opera a homologação tácita após 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador Segundo ela, o direito de reaver eventuais débitos de 1997 a abril de 2002, de acordo com a Legislação Tributária vigente já teria decaído, visto que o presente AI lhe foi enviado apenas em 04 de maio de 2007 e, portanto, poderia dele constar apenas valores referentes aos meses de abril de 2002 em diante. Sustenta que, tendo em vista que foi cientificada do presente AI em 04/05/2007, por intermédio dele só poderiam ser exigidos documentos referentes ao período de abril de 2002 em diante, sendo o único intuito da obrigação acessória, na realidade, a fiscalização e arrecadação da obrigação principal. Afirma que, no presente caso, não havendo que se falar em obrigação principal nas competências anteriores a abril de Fl. 399DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 18186.000100/200755 Acórdão n.º 2403002.876 S2C4T3 Fl. 4 5 2002; também não há que se falar em exigência do cumprimento das obrigações acessórias (apresentação de livros, folha de pagamentos e GFIP's). Da impossibilidade de aplicação de multa agravada: Destaca a impugnante que a aplicação de multa agravada, aqui, não deve prosperar, devendo ser afastada, na medida em que ainda encontrase pendente de decisão administrativa final recurso interposto por ela combatendo a imposição de multa em outro AI, podendo este ser julgado de maneira favorável a ela. Dos pedidos: Requer, então, a impugnante: (i) a improcedência do presente auto de infração, tendo em vista que foram apresentados os documentos hábeis para o cumprimento da finalidade do mandado de procedimento fiscal que originou o presente auto de infração; (ii) subsidiariamente, a improcedência de parte do presente auto de infração, tendo em vista serem inexigíveis as obrigações acessórias, em face da decadência do direito de lançar da respectiva obrigação principal; (iii) e, caso não seja este o entendimento, ao menos que seja afastada a aplicação de multa agravada, em face da pendência de transito em julgado de recurso interposto por ela contra outro auto de infração que versa sobre aplicação de multa sobre o fundamento do presente auto de infração. Protesta, ainda, pela produção de provas por todos os meios em direito admitidos, e requer que todas as intimações e avisos sejam feitos no endereço de seus procuradores. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · O presente auto de infração foi lavrado após procedimento fiscal do INSS junto A. recorrente para constatar eventuais débitos de contribuições previdenciárias e terceiros diante do contrato firmado' com a empresa Spirit Incentivo e Fidelização Ltda. que permitia' a concessão de prêmios para funcionários/beneficiários que participaram das campanhas de divulgação 'por ela desenvolvidas. · A recorrente forneceu todos os documentos exigidos, necessários e suficientes para douta Agente Fiscal averiguar eventual débito · Como pode a douta autoridade afirmar ao lavrar l este Auto de Infração que os documentos não foram apresentados e, concomitantemente, na NFLD n° 37.083.4356 e auto de infração n° 37.083.4372, serem lavrados com relação ao mesmo período, apurar Fl. 400DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 o montante supostamente devido pela recorrente a titulo de contribuições previdenciárias e terceiros? • · Decadência. · Multa agravada. Sem a, ocorrência do trânsito em julgado de forma improcedente de todos os recursos interpostos pela recorrente, não há que se falar em aplicação de multa agravada. É o relatório. Fl. 401DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 18186.000100/200755 Acórdão n.º 2403002.876 S2C4T3 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. Segundo o fisco, a empresa, no caso, incorreu em infração ao artigo 33, parágrafos 2° e 3° da Lei n.° 8.212, de 24/07/1991 por deixar de apresentar os seguintes documentos, solicitados através de Termos de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD's),de acordo com o Relatório Fiscal da Infração: • Livros Diário e Razão referentes ao período de 01/1997 a 12/2001 e 01/2004 a 12/2006; • Folhas de pagamento de todos os segurados do período de 01/1997 a 12/2006 • Guias de Recolhimento do FGTS e Informações 6 Previdência Social GFIP do período de 01/1999 a 12/2006 DECADÊNCIA A questão da decadência qüinqüenal está pacificada. A recorrente foi cientificada do lançamento em 04/05/2007. Este lançamento caracterizase por 1 único evento em período não decadente. Vários documentos, referentes a período não decadente, não foram apresentados. Não dou provimento à tese da decadência. APRESENTAÇÃO DOS DOCUMENTOS Fl. 402DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 A recorrente alega que forneceu todos os documentos exigidos, necessários e suficientes para douta Agente Fiscal averiguar eventual débito e questiona “como pode a douta autoridade afirmar ao lavrar este Auto de Infração que os documentos não foram apresentados e, concomitantemente, na NFLD n° 37.083.4356 e auto de infração n° 37.083.4372, serem lavrados com relação ao mesmo período, apurar o montante supostamente devido pela recorrente a titulo de contribuições previdenciárias e terceiros? “ Entendo que a resposta já foi dada no voto condutor da decisão de primeira instância. Houve aferição no lançamento da obrigação principal visto que a não exibição de suas Folhas de Pagamentos e GFIP's impossibilitou a apuração real das contribuições. Quanto à afirmação da impugnante de que sua conduta, de não apresentação dos documentos retro mencionados, não teria trazido qualquer prejuízo, no que tange à apuração das contribuições por ela devidas, permitindo a lavratura da NFLD 37.083.4356, cabe observar, no caso, que, conforme consta no Relatório Fiscal desta última, a não exibição de suas Folhas de Pagamentos e GFIP's impossibilitou a apuração real, pela fiscalização, das contribuições dos segurados, tendo sido estas "aferidas pela aplicação da alíquota mínima sobre a mesma base de cálculo considerada nos cálculos das contribuições patronais", por "não conhecer os saláriosdecontribuição dos segurados que auferiram os rendimentos via cartão Entendo que a recorrente não entregou todos os documentos solicitados. AGRAVAMENTO DA MULTA A recorrente questiona o agravamento da multa alegando que sem a, ocorrência do trânsito em julgado de forma improcedente de todos os recursos interpostos pela recorrente, não há que se falar em aplicação de multa agravada. Não concordo com a recorrente. A autuação registrou a existência de autuações anteriores com a mesma fundamentação legal e anexou “termo de Antecedentes” especificando as citadas autuações. 2. Contudo, considerando que consta para a empresa lavratura anterior de Autos de Infração com fundamento no artigo 33, § 2° da Lei 8.212/91, conforme Termo de Antecedentes em anexo, Fl. 403DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 18186.000100/200755 Acórdão n.º 2403002.876 S2C4T3 Fl. 6 9 ficaram caracterizadas reincidências especificas. Assim, a multa deverá ser elevada em vinte e sete vezes do valor mínimo citado acima, conforme prescreve o artigo 292, inciso IV do Regulamento da Previdência Social —RPS, in verbis: ... Entendo que no julgamento de primeira instância, também esse questionamento foi bem respondido. Foram especificados os processos que motivaram o agravamento especificando a fase em que se encontravam. Todos já haviam transitado em julgado na esfera administrativa. Em consulta ao sistema informatizado da Previdência Social, mais especificamente Aquele denominado SICOB, foi verificado que: • o AI 35.132.4445 encontrase atualmente na situação "baixado por D.N.", tendo sido homologada reforma de decisão de autuação procedente com extinção do crédito pelo pagamento da multa com redução em 13/08/2002, com seu arquivamento em 18/11/2002; • o AI 35.744.9576 encontrase atualmente na situação "em cobrança pela Procuradoria", tendo sido emitido acórdão de não provimento do recurso em 26/05/2006, com a cientificação do contribuinte em 16/10/2006; e, • o AI 35.669.4534 encontrase atualmente na situação "ag.reg.após exp.prazo recurso", tendo havido a expiração do prazo para recurso em 08/09/2006, com o comando do evento "dispensa guia recursal/liminar" em 27/04/2007. CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 404DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Fl. 405DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10882.003744/2002-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 1997
NORMAS PROCESSUAIS. COMPENSAÇÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO (CTN, art. 156, II). DISCORDÂNCIA DA FAZENDA PÚBLICA. INEXISTÊNCIA DE REGULAR ATO DE LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA DA COBRANÇA.
Discordando a Fazenda Pública do procedimento de compensação levado a efeito pelo contribuinte, é mister proceder-se à lavratura do ato de lançamento de ofício visto que o crédito tributário anteriormente declarado pelo contribuinte, por força do direito que a lei lhe outorgou, foi por este liquidado.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA DO ANO DE 1997. ESTIMATIVAS DO ANO DE 1997 COMPENSADAS COM SALDO NEGATIVO DE IRPJ DE PERÍODO ANTERIOR (ANO DE 1996). COMPENSAÇÃO CONTÁBIL. INEXISTÊNCIA DE REGULAR ATO DE LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE.
Na inexistência de regular ato de lançamento alterando o saldo negativo apurado pelo contribuinte, incabível a glosa das estimativas compensadas com saldo negativo de IRPJ de período anterior, principalmente na hipótese de já houver transcorrido o prazo decadencial do direito de lançar as irregularidades apuradas na determinação do lucro líquido e do real.
COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZOS FISCAIS ACIMA DO LIMITE DE 30%. GLOSA. PROCESSO JUDICIAL TRANSITADO EM JULGADO. DECISÃO DESFAVORÁVEL A CONTRIBUINTE. PROCEDÊNCIA DA GLOSA. CORRETO O AJUSTE DO SALDO NEGATIVO DO IRPJ.
Na hipótese de a decisão final confirmar como indevido a compensação de prejuízos fiscais acima do limite de 30%, correto o ajuste do saldo negativo do IRPJ.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO ATÉ O LIMITE DE CRÉDITO RECONHECIDO.
Reconhecido em parte o direito creditório em litígio, devem ser homologadas as compensações até o limite do crédito reconhecido.
Recurso Voluntário em Parte.
Numero da decisão: 1402-001.736
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito creditório no montante de R$ 8.637.280,88, incluído aí o valor reconhecido pela decisão recorrida, e homologar as compensações até o limite do crédito ora reconhecido, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Paulo Roberto Cortez - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: PAULO ROBERTO CORTEZ
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COMPENSAÇÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO (CTN, art. 156, II). DISCORDÂNCIA DA FAZENDA PÚBLICA. INEXISTÊNCIA DE REGULAR ATO DE LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA DA COBRANÇA. Discordando a Fazenda Pública do procedimento de compensação levado a efeito pelo contribuinte, é mister procederse à lavratura do ato de lançamento de ofício visto que o crédito tributário anteriormente declarado pelo contribuinte, por força do direito que a lei lhe outorgou, foi por este liquidado. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA DO ANO DE 1997. ESTIMATIVAS DO ANO DE 1997 COMPENSADAS COM SALDO NEGATIVO DE IRPJ DE PERÍODO ANTERIOR (ANO DE 1996). COMPENSAÇÃO CONTÁBIL. INEXISTÊNCIA DE REGULAR ATO DE LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. Na inexistência de regular ato de lançamento alterando o saldo negativo apurado pelo contribuinte, incabível a glosa das estimativas compensadas com saldo negativo de IRPJ de período anterior, principalmente na hipótese de já houver transcorrido o prazo decadencial do direito de lançar as irregularidades apuradas na determinação do lucro líquido e do real. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZOS FISCAIS ACIMA DO LIMITE DE 30%. GLOSA. PROCESSO JUDICIAL TRANSITADO EM JULGADO. DECISÃO DESFAVORÁVEL A CONTRIBUINTE. PROCEDÊNCIA DA GLOSA. CORRETO O AJUSTE DO SALDO NEGATIVO DO IRPJ. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 37 44 /2 00 2- 21 Fl. 2266DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 2 Na hipótese de a decisão final confirmar como indevido a compensação de prejuízos fiscais acima do limite de 30%, correto o ajuste do saldo negativo do IRPJ. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO ATÉ O LIMITE DE CRÉDITO RECONHECIDO. Reconhecido em parte o direito creditório em litígio, devem ser homologadas as compensações até o limite do crédito reconhecido. Recurso Voluntário em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito creditório no montante de R$ 8.637.280,88, incluído aí o valor reconhecido pela decisão recorrida, e homologar as compensações até o limite do crédito ora reconhecido, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez. Fl. 2267DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10882.003744/200221 Acórdão n.º 1402001.736 S1C4T2 Fl. 3 3 Relatório CIDADE DE DEUS COMPANHIA COMERCIAL DE PARTICIPAÇÕES contribuinte inscrita no CNPJ/MF 61.529.343/000132, com domicílio fiscal na cidade do Osasco, Estado de São Paulo, na Rua Cidade de Deus, Bairro Vila Yara, jurisdicionada a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Osasco SP, inconformada com a decisão de Primeira Instância (fls.1978/2191), prolatada pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Campinas SP recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 1999/2033. A requerente protocolizou, em 03/12/2002, o Pedido de Restituição de fls. 01/02, cujo crédito referese a saldo negativo de IRPJ, relativo ao anocalendário de 1997, no valor corrigido pela taxa Selic de R$ 20.886.626,65, referente ao pagamento de estimativas mensais e Imposto de Renda na Fonte. Às fls. 352/353, a requerente complementa as informações solicitadas no Termo de Intimação n° 388/2007, ratificando as informações sobre os rendimentos recebidos e as retenções correspondentes do anocalendário 1997, ainda acrescenta o seguinte demonstrativo: Descrição Valor R$ IRPJ devido anobase 1997 (419.597,31) IR Estorno s/saldo negativo 6.622.835,32 Total IRRF s/Receitas 21.400.995,73 Total IRRF s/Receitas (13.537.925,97) DARF 292,27 Saldo Negativo IRPJ Base 1997 14.066.600,04 IRRF lançado a menor na F08 da DIPJ (280.940,61) Saldo Negativo Declarado na DIPJ 13.785.659,43 Compensações efetuadas contabilmente (3.142.792,34) Saldo Original – Pedido de Restituição 10.642.867,09 Esclarece ainda que do IRRF retido no anocalendário de 1997 teria assim utilizado: (i) R$ 1.252.466,59 com a dedução do IR Mensal por Estimativa; (ii) R$ 13.537.925,97, com a compensação do IRRF a pagar incidente sobre o pagamento de juros sobre o capital próprio; (iii) R$ 6.329.662,56, na dedução do IRPJ a pagar no ajuste anual. E mais: que parte das estimativas devidas no anocalendário de 1997, no valor de R$ 6.622.835,28 teriam sido compensadas com saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1996. Fl. 2268DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 4 Consta ainda dos autos, cópia do Acórdão DRJ/CPS n° 796 de 27 de março de 2002 (fls. 361/363), prolatado pela 1ª Turma desta Delegacia de Julgamento, no âmbito do processo administrativo n° 10882.001598/200119, no qual não foi conhecida a impugnação contra o auto de infração, lavrado em 05/09/2001, em virtude da compensação, no ano calendário de 1996, de prejuízo fiscal acima do limite de trinta por cento, ensejando à recomposição do saldo negativo de IRPJ de R$ 6.241.030,56 para R$ 3.797.408,85, decisão da qual não cabe mais recurso na esfera administrativa. É de se observar que estão apensos ao presente processo as Declarações de Compensação que deram origem aos processos administrativos n°s 10882.003419/200209, 10882.003707/2002—13, 10882.004065/200270; 10882.001395/2003949 10882.001394/200340; 10882.001707/200360~ 10882.001957/200308. 10882.002504/2003 91; 10882.002878/200314; 10882.003219/200397, e 10882.0035171200387, bem como as PERDCOMPs de fls. 377/380, retificada às fls. 447/450, 385/388, 389/392, 393/396, 397/400, 401/404 retificada às fls. 31/384, 405/408, retificada às fls. 431/434; 409/412, retificada às fls. 435/438; 413/416; retificadas fls. 443/446, 417/422, 423/426, retificada às fls. 455/458, 427/430, 459/462, 463/466, 467/470, 471/474, retificada às fls. 451/454, 475/478, retificada às fls. 439/442, tendo por objeto o valor ainda não utilizado daquele saldo negativo, acrescido do valor de R$ 826.744,10, correspondente a parte do saldo negativo de CSLL referente ao ano base de 2001 (processo no 10882.003419/200269, fls. 01). De acordo com o art. 168 da Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional) e inciso II do § 1° do art. 6° e 74, da Lei nº 9.430, de 1996, combinado com a Portaria SRF n°. 4.980, de 1994, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Osasco, através do Despacho Decisório (fls. 479/488), apreciou e concluiu, em 27/09/2007, que o presente pedido de restituição é improcedente, com base, em síntese, nas seguintes argumentações: que, tratase de pedido de restituição de IRPJ lastreado em lucro real estimado mediante apuração anual do exercício de 1998, ano calendário 1997, no montante de R$ 20.886.626,65 (vinte milhões, oitocentos e oitenta e seis mil, seiscentos e vinte e seis reais e sessenta e cinco centavos), cf. fls. 01; que o contribuinte requereu inicialmente a restituição do saldo negativo de IRPJ do exercício 1998, ano calendário de 1997, no valor de R$ 20.886.626,65, cf. fls. 01, decorrente de apuração de saldo negativo do imposto de renda pessoa jurídica no ano calendário de 1997, todavia, tal pedido de restituição fora alterado mediante o pedido espontâneo de fls. 353 para R$ 13.785.659,43, a título de saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 1997, cf. DIPJ/1998 A.C. 1997; que do montante de estimativas mensais informadas como pagas, no valor de R$ 7.875.594,18, na verdade foram efetivamente pagos mediante DARF, apenas o importe de R$ 292,27, constante da ficha 08, linha 17, da DIPJ/19981997, (fls. 332), cf. comprovante de fls. 314; que o saldo residual, ou seja, R$ 7.875.301,91, na realidade não foram pagos, todavia, conforme consta foram compensados com o saldo negativo de IRPJ do A.C. 1996, no montante atualizado de R$ 6.622.835,28; que, desta forma, tornase necessário estender a análise sobre a ORIGEM do saldo negativo de fls. 359, no valor original de R$ 6.241.030,56, referente ao ano calendário de 1996, o qual revelou ausência de ORIGEM do saldo negativo de IRPJ de 1996; Fl. 2269DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10882.003744/200221 Acórdão n.º 1402001.736 S1C4T2 Fl. 4 5 que, quanto à origem do saldo negativo do ano calendário de 1996, é de se dizer que o saldo negativo de fls. 359, fora alterado mediante procedimento fiscal instaurado em 2001, através do processo n° 10.882.001598/200119, que reduziu o saldo negativo do ano de 1996 de R$ 6.241.030,56 para R$ 3.797.408,85, cf. fls. 360/363, decorrente de compensação indevida de prejuízos fiscais acima do limite de 30%, nos termos da legislação vigente, de cuja decisão exarada através do Acórdão n° 796/2002 da DRJ/CAMPINASSP (fls. 361/63), não cabe mais recurso em virtude do seu transito em julgado na esfera administrativa; que com relação ainda, ao ano calendário de 1996, consta às fls. 365, ficha 06, linha 06, o valor de R$ 115.074.132,99, a título de receitas de JCP Juros de Capital Próprio e na mesma ficha 06, linha 16, de fls. 366, consta R$ 107.237.500,00, a título de despesas de JCP Juros de Capital Próprio, no entanto, tais valores, tanto a receita como a despesa de JCP, foram s.m.j. sonegados da DIRF/1996, cf. fls. 364, (tela beneficiário) ano calendário 1996, bem como, na DIRF/1996, cf. fls. 370/71, (tela declarante), impossibilitando e inviabilizando a SRFB na identificação dos beneficiários dos rendimentos auferidos de JCP e do correspondente IRRF sobre despesas de JCP juros de capital próprio, gerando no mínimo, uma diferença do excesso de receita sobre a despesa de JCP de R$ 7.836.632,99, cujo imposto devido na fonte seria de R$ 1.175.494,95, portanto, o imposto deveria ter sido recolhido pela fonte pagadora, todavia, não consta da DIRF/1996 (tela beneficiário), tal recolhimento, bem como, não consta da tela declarante, sob o código 5706, cf. tela SINAL 08 de fls. 372; que, face a esses 3 (três) motivos, o saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 1996 é indevido e sua apuração está matematicamente incorreta, motivo pelo qual há que ser estornado não servindo para fins de compensação, pois, há indícios veementes de saldo de IRPJ a pagar; que, quanto à origem do saldo negativo do ano calendário de 1997, é de se dizer que com relação às retenções de imposto de renda na fonte sobre aplicações financeiras estão corretas, tendo em vista que o contribuinte apresentou comprovantes de rendimentos pagos e creditados referente a 2 (duas) fontes pagadoras, que perfazem a somatória de R$ 8.347.755,30 e R$ 1.252.162,62, a título de rendimentos auferidos e de imposto de renda retido na fonte, respectivamente, em relação ao ano calendário de 1997, cf. fls. 299 e 302, confirmado pela pesquisa no sistema informatizado da SRFB de fls. 316; que o contribuinte alega que já compensou contabilmente entre abril/1998 a setembro/2002, o valor de R$ 3.142.792,34, todavia, não anexou e negouse a apresentar listagem de débitos compensados, inviabilizando a verificação fiscal no presente processo, motivo pelo qual, há que ser estornada, indeferida e não homologada a compensação; que, portanto, deduzse que em principio haveria um saldo negativo de IRPJ na DIPJ/1998 do ano calendário 1997, no valor global de R$ 10.786.187,67; que, no entanto, verificase que o contribuinte deixou de reter IRRF sobre as despesas de JCP Juros de Capital Próprio, decorrentes de pagamentos efetuados a todos os seus acionistas; que, portanto, deduzindose o IRRF sobre despesas de JCP juros de capital próprio, que deveria ter sido retido no valor de R$ 6.309.130,69 (+) o estorno do Saldo Negativo de período anterior (A.C. 1996) de R$ 6.622.835,28 () o estorno das compensações contábeis do período de abril de 1998 a setembro de 2002, no valor de R$ 3.142.792,34, verificase que o saldo negativo residual apurado é de R$ 997.014,00; Fl. 2270DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 6 que face ao saldo negativo ora apurado, há que se estornar todas as compensações efetivadas contabilmente no período de abril/1998 a setembro de 2002; que conforme extrato do processo sincorprofisc, considerase para efeito de compensação que não há débitos compensados mediante DCOMPs, vinculados diretamente ao presente processo administrativo principal em epígrafe, cf. fls. 310; que finalmente, s.m.j., o pedido de restituição/compensações de saldo negativo de IRPJ não é devido e não tem amparo legal; que o contribuinte não comprovou a assunção do ônus financeiro decorrente da não retenção de IRRF sobre despesas de juros de capital próprio pagos a todos os seus acionistas, tendo o contribuinte em epigrafe, dispensado a retenção sem amparo legal; que o contribuinte em comento carece de legitimidade Ativa ou Passiva para pleitear restituição de IRRF sobre juros de capital próprio devidos em razão da não retenção de IRRF sobre pagamentos efetuados a título de despesas de JCP — Juros de Capital Próprio, devidos aos seus acionistas, em virtude de ser mera fonte pagadora; que o IRRF sobre receitas de JCP Juros de Capital Próprio retido decorrente de todas as suas participações societárias podem ser descontados ou abatidos do IRRF devido sobre todas as despesas havidas a título de JCP Juros de Capital Próprio retidos de todos os seus acionistas, todavia, apenas o excesso de IRRF retido, (receita maior que despesa), pode compor o eventual saldo negativo de IRPJ do período relativo ao ano calendário de 1997, em caso de insuficiência de IRRF retido, (despesa maior que receita), o contribuinte deve sempre efetuar o pagamento do residual do imposto retido na fonte mediante DARF sob o código 5706 a SRFB; que somente as acionistas pessoas jurídicas têm, em tese, a legitimidade ativa para pleitear eventual restituição de IRRF sobre juros de capital próprio, ainda assim, após submeter os referidos rendimentos à tributação do IRPJ e CSLL na DIPJ de ajuste anual; que o pleito do contribuinte em epigrafe não prosperará face às preliminares ora argüidas, destarte, quanto ao mérito, o pleito é inviável, visto que o contribuinte não tem direito à restituição do presente saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 1997, em virtude da adoção de procedimentos equivocados e irregulares, consistente no fato de não proceder à retenção do IRRF sobre a totalidade das despesas JCP juros de capital próprio, gerando artificialmente um valor irreal para integrar a composição do saldo negativo de IRPJ, infringindo a legislação vigente; que o valor de R$ 6.622.835,32, correspondente às estimativas compensadas com saldo negativo do ano calendário anterior (1996) pago mediante compensação com o ano calendário de 1996, não podem ser aceitas, visto que as receitas financeiras declaradas na fls. 365, ficha 06, linha 07, de R$ 15.444.240,75, são inferiores às receitas financeiras constantes da DIRF/1996, de fls. 364 no valor de R$ 50.083.626,84, gerando "s.m.j." sonegação de IRPJ e CSLL; que não cabe reconhecer o saldo negativo parcial de R$ 997.014,00 (novecentos e noventa e sete mil e quatorze reais), face às inúmeras omissões, irregularidades e inconsistências técnicas apontadas na apuração dos saldos negativos de IRPJ dos anos calendários de 1996 e 1997, além do não atendimento integral à intimação fiscal, finalmente, há indícios veementes da existência de saldo positivo de IRPJ nos anos calendários de 1996 e Fl. 2271DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10882.003744/200221 Acórdão n.º 1402001.736 S1C4T2 Fl. 5 7 1997, ou seja, de saldo de IRPJ e CSLL a pagar, além de eventual IRRF sobre J.C.P. Juros de Capital Próprio no código 5706. O Despacho Decisório esta consubstanciado nas seguintes ementas: Assunto: Pedido de Restituição de Saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ Exercício 1998 Ano Calendário 1997. RESTITUIÇÃO INDEFERIDA COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Saldo Negativo de IRPJ Regime de Estimativa – Não é passível de restituição, o 'saldo negativo de IRPJ" decorrente da não observância da legislação em relação à retenção de IRRF sobre) CP Juros de Capital Próprio devidos aos seus acionistas. Eventuais restituições só seriam devidas se fossem descontadas todas as retenções de IRRF incidentes sobre as Despesas de JCP Juros de Capital Próprio, se após o desconto, o resultado for negativo, este resultado pode compor a apuração do 'saldo negativo de IRPJ". Portanto, a apuração matematicamente incorreta do "saldo negativo de IRPJ" do ano calendário em epigrafe, implica automaticamente no indeferimento da restituição pleiteada a título de saldo negativo de IRPJ. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Compensação Improcedente O saldo negativo de IRPJ apurado incorretamente e irregularmente, não se constitui em crédito do contribuinte, portanto não pode ser utilizado na compensação com débitos próprios decorrentes de tributos e contribuições administrados pela RFB. Dispositivos Legais: Artigo 222 e § único, inciso III do artigo 250 e 858 e §§ 1º a 3º, todos do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99 Decreto 3000/99. (art. 2º da Lei nº 9430/96; art. 15 § único da Lei nº 9065/95 e artigo 6º da Lei nº 9430/96). Cientificado da decisão da Autoridade Administrativa, em 02/10/2002, conforme Termo constante à fl. 504, e, com ela não se conformando, a contribuinte interpôs, em tempo hábil (01/11/2007), a sua Manifestação de Inconformidade de fls. 506/547, no qual demonstra irresignação contra a decisão, baseado, em síntese, nas seguintes considerações: que, em 31/12/1997, a impugnante apurou saldo de IRPJ a restituir no valor de R$ 13.785.659,43, conforme consta de sua DIPJ/98, que foi objeto de compensação primeiramente com débitos de estimativas do próprio IRPJ no período de abril/98 a setembro/2002 (fls. 3 e 4 dos autos), no valor de R$ 3.142.792,34, conforme lhe autoriza o art. 905, inciso II do RIR/94, art. 858, parágrafo 1º, inciso II do RIR/99 e art. 6º, parágrafo 1º, inciso II da lei nº 9.430/96, compensação esta que à época independia de requerimento à Secretaria da Receita Federal (exceto quanto à competência de setembro/2002, que já foi objeto da competente declaração de compensação no processo nº 10882.003419/200269, fls. 06); Fl. 2272DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 8 que remanescendo saldo negativo de IRPJ relativo ao anocalendário de 1997, em 03/12/2002 a Impugnante apresentou Pedido de Restituição, tendo indicado inicialmente como crédito o valor de R$ 20.886.626,65, correspondente ao saldo de R$ 10.642.867,09 (R$ 13.785.659,43 (saldo negativo de IRPJ constante da DIPJ/98) deduzidas as compensações no valor de R$ 3.142.792,34), devidamente atualizado; que, posteriormente, contudo, requereu a retificação de ofício do Pedido formulado apenas para que passasse a constar aquele mesmo crédito, mas no seu valor original de R$ 10.642.867,09 (fls. 352/353 dos autos), como seria de rigor; que, de fato, por r. despacho de fls. a d. Autoridade Administrativa reconheceu que o valor indicado na DIPJ do anobase de 1997 como saldo negativo de IRPJ corresponderia a R$ 13.785.659,43 (fls. 353 dos autos), tendo por origem os seguintes valores: (i) estimativas pagas por compensação com saldo negativo de período anterior relativo ao ano calendário de 1996; (ii) estimativa paga por DARF; (iii) IRRF sobre receitas financeiras; e (iv) IRRF sobre receitas de juros de capital próprio, descontandose o IRRF sobre despesas de juros de capital próprio; que, no que diz respeito a parcela do saldo negativo de 1997 oriundo de compensação com saldo negativo de 1996 nulidade do despacho e impossibilidade de revisão da DIPJ/97 (anobase 1996) – decadência, é de se dizer que a Impugnante pleiteia no presente processo a restituição de Saldo Negativo de IRPJ referente ao anocalendário de 1997; que ao analisar a legitimidade do crédito pleiteado, constatou a d. Autoridade Administrativa que parte do valor que deu origem ao saldo negativo cuja restituição se pleiteia decorrente de pagamento efetuados a título de antecipação ao longo do anobase; que a dúvida não remanesce quanto ao fato de que eventual obrigação tributária relativa ao anocalendário de 1996 que a d. Autoridade Administrativa entendesse devida já estaria extinta em razão da decadência, assim como em razão da decadência impossibilitada também está a alteração do saldo negativo apurado no ano de 1996, de modo que não pode a d. Autoridade Administrativa, a pretexto de que "há indícios veementes de saldo de IRPJ a pagar", glosar a parcela do saldo negativo do anobase de 1997 correspondente às estimativas pagas com aquele saldo de 1996; que a existência de efetivo saldo negativo em 1996, portanto, admitindose, apenas para argumentar, que se entenda possível nos presentes autos a revisão do saldo negativo relativo ao anobase de 1996, cumpre demonstrar também pelo mérito a manifesta improcedência dos argumentos invocados pelo r. despacho decisório ora impugnado; que houvesse a obrigação de declarar em valores, certo é que a suposta falta de declaração e mero descumprimento de obrigação acessória, que não pode levar ao indeferimento do próprio direito pleiteado; que a dúvida não resta, assim, quanto à existência do saldo negativo de IRPJ relativo ao anocalendário de 1996; que quanto ao IR Fonte sobre juros sobre capital próprio do anobase de 1997, preliminarmente a nulidade do despacho e necessidade do lançamento da decadência, com efeito, em se tratando de pedidos de restituição/compensação de saldo negativo de IRPJ e CSL, compete à d. Autoridade Administrativa verificar apenas se as estimativas declaradas Fl. 2273DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10882.003744/200221 Acórdão n.º 1402001.736 S1C4T2 Fl. 6 9 como devidas pelo contribuinte foram efetivamente pagas, bem como se foram submetidas à tributação as receitas informadas na declaração de rendimentos; que como conseqüência, a eventual exigência decorrente das modificações pretendidas no caso concreto pela d. Autoridade Administrativa é manifestamente indevida, porque desatende a regra que torna imutáveis os fatos espelhados nos registros contábeis mantidos pela Impugnante; que só por este motivo, portanto, já se mostra absolutamente improcedente a glosa do saldo negativo do ano de 1997 no valor de R$ 6.309.130,69; que a d. Autoridade Administrativa, como se viu, entendeu que a Impugnante "deixou de reter IRRF sobre as despesas de JCP Juros de Capital Próprio, decorrentes de pagamentos efetuados a todos os seus acionistas”; que o fato de supostamente não ter sido retido o imposto de renda em causa não justifica a glosa do valor do saldo negativo indicado na DIPJ, que em última análise equivale a exigir da Impugnante o suposto IRF devido, por dois motivos distintos; que eventual IRF não retido pela fonte não pode dela ser cobrado após o encerramento do anobase; que, não há qualquer responsabilidade por parte da Impugnante quanto à eventual retenção e recolhimento do imposto supostamente devido, tendo em vista o encerramento do período de apuração. De fato, nos termos da legislação e jurisprudência acima, se algum IRF fosse devido por conta de juros sobre capital próprio pago aos acionistas da Impugnante relativamente a períodos de apuração já encerrados, somente dos beneficiários contribuintes poderia o Fisco exigir o imposto; que a inexistência de obrigação de IR Fonte nos pagamentos a pessoa jurídica imune, ainda que assim não fosse, o que se admite para argumentar, no caso não há de se falar em retenção de IR Fonte, posto que a Fundação Bradesco, beneficiária das receitas de Juros sobre Capital Próprio, goza de imunidade, nos termos do artigo 150, VI, "c" da Constituição Federal; que, portanto, o equívoco em que incorreu a d. Autoridade Administrativa ao entender que no caso houve suposta sonegação de retenção de IRRF , posto que , conforme demonstrado acima , por ser a beneficiária das receitas entidade imune não estava sujeita à retenção , nos termos do artigo 150, VI, "c" da Constituição Federal; que, quanto à legitimidade, neste sentido, à legitimidade ativa para a restituição pleiteada, enquadrase a Impugnante exatamente na situação descrita pela IN 600/2005, posto que sofreu a tributação na fonte de imposto de renda sobre os valores recebidos a título de JCP em montante superior ao IRRF devido sobre os valores pagos a este título; que, aliás, a própria Autoridade Administrativa, mesmo considerando o IRRF relativo a despesas de JCP no valor de R$ 19.984.687,54, quando o correto como visto seria apenas R$ 13.675.556,85, ainda assim apura um saldo excedente já que o valor do IRRF incidente sobre as receitas de JCP foi de R$ 20.148.843,96, como expressamente indicado às Fl. 2274DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 10 fls. 08 do despacho, de modo que dúvida não remanesce quanto à legitimidade ativa da Impugnante para a restituição/compensação pleiteada; que a compensações efetuadas contabilmente, sendo assim, o r. despacho decisório indeferiu ainda as compensações efetuadas contabilmente, sob fundamento de que a impugnante "não anexou e negouse a apresentar listagem dos débitos compensados, inviabilizando a verificação fiscal no presente processo”; que se entenda cabível a apreciação das referidas compensações, de se ressaltar que diversamente do que sustenta o r. despacho decisório a Impugnante em momento algum se negou a apresentar a listagem dos débitos compensados; que demonstrase, portanto, que inexiste o motivo indicado pela d. Autoridade Administrativa para não homologação das referidas compensações, fazendose necessária a reforma do r. despacho também nessa parte; que o indeferimento do saldo residual, igualmente não procede o indeferimento do saldo negativo residual apurado pelo próprio despacho decisório ora impugnado, no valor de R$ 997.014,00, posto que, como restou provado acima, não há omissões, irregularidades e inconsistência técnicas na apuração do saldo negativo de IRPJ pleiteado, sendo certo que a Impugnante atendeu integralmente à intimação fiscal realizada nos autos, apresentando os documentos solicitados; que, por outro lado, se a d. Autoridade Administrativa Impugnante não atendeu satisfatoriamente à intimação, deveria então ter intimado mais uma vez a Impugnante a apresentar os novos documentos, e não sob tal pretexto indeferir a restituição do saldo residual por ela expressamente reconhecido; que a CSLL, do crédito não questionado Finalmente, é de se salientar que muito embora o r. despacho impugnado tenha indeferido tanto a restituição pleiteada como também todas as compensações realizadas, não aponta um motivo sequer para a desconsideração do saldo negativo de CSLL relativo ao anobase de 2001 expressamente indicado ás fls. 01 do processo administrativo n° 10882 .003419/200269, razão pela qual também nesta parte merece reforma aquele despacho decisório , reconhecendose o crédito em questão e homologandose as compensações pertinentes. Após resumir os fatos constantes do Pedido de Restituição/Declarações de Compensações e as razões apresentadas pela impugnante em sua Manifestação de Inconformidade, em 04/12/2008, a 2ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas – SP autoridade julgadora revisora resolveu julgar como sendo procedente em parte à manifestação de inconformidade apresentada, com base, em síntese, nas seguintes considerações (fls. 1978/1996): QUANTO AS PRELIMINARES: que cumpre esclarecer a defesa que, com transferência, para outro processo, das compensações, formalizadas nas declarações de compensação de fls. 742 e 865, vinculadas ao saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2001, conforme acima relatado, nos presentes autos permanecem apenas as compensações vinculadas ao direito creditório objeto de apreciação pela DRF; que a demais, também foi acatada a argumentação da defesa em relação à duplicidade de compensação dos débitos de estimativa mensal de IRPJ e CSLL de setembro de 2002, tendo sido cancelada a cobrança para regularizar o procedimento; Fl. 2275DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10882.003744/200221 Acórdão n.º 1402001.736 S1C4T2 Fl. 7 11 que, desta forma, não há reparos a fazer à decisão da DRF quanto às compensações vinculadas ao direito creditório apreciado, qual seja: o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1997; que, que quanto à nulidade parcial e a falta adequada da fundamentação, é de se dizer que preliminarmente, deveria ser reconhecida a nulidade do despacho decisório em relação ao nãoreconhecimento do direito creditório relativo ao saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 1997, apurado na decisão, no valor de R$ 997.014,00, tendo em conta que as razões adotadas não seriam suficientes para afetar a determinação do referido saldo negativo; que no que tange à apresentação dos informes de rendimentos pagos, importante salientar que tal fato já teria afetado a determinação do saldo negativo de IRPJ de R$ 997.014,00, na medida em que se verifica expressamente a glosa no valor de R$ 6.309.130, 69, valor correspondente ao IRRF devido sobre o pagamento de JSCP de R$ 42.060.869,68 (diferença entre as despesas de JSCP informadas na DIPJ de R$ 133.231.250,25 e as despesas de JSCP informadas nas DIRF de R$ 91.170.380,57); que quanto às compensações efetuadas sem processo das estimativas devidas de 1998 a 2002, cumpre reconhecer a impropriedade do Despacho Decisório no tocante ao ato de não homologação das compensações. Conforme bem anotado pela defesa, tais, compensações não estão sujeitas aos procedimentos da sistemática da declaração de compensação, instituída pela Medida Provisória n° 66, de 29 de agosto de 2002, que alterou a redação do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996; que acaso o Fisco não concordasse com as compensações entre tributos de mesma espécie e destinação constitucional, efetuadas antes da vigência das alterações da Medida Provisória n° 66 de 2002 (vigentes a partir de 1° de outubro de 2002), independentemente de autorização administrativa, deveria providenciar a constituição do crédito tributário (débito) compensado e/ou a sua cobrança, se já constituído pelo próprio sujeito passivo. In casu, completamente dispensável a emissão de ato de nãohomologação da compensação. Na verdade, a não concordância do Fisco com tais compensações deve ser formalizada, mediante lançamento ou simplesmente pela cobrança dos débitos declarados como compensados em DCTF; que, primeiramente, não pode a DRF referirse genericamente a "omissões, irregularidades e inconsistências técnicas". Deve descrevêlas e mensurálas para explicitar de que forma afetam a determinação do saldo negativo de IRPJ; que, outro ponto relevante, é que não caberia ao órgão local inserir, no dispositivo da decisão, matéria diferente do crédito e dos débitos envolvidos nas compensações sob apreciação, devendo ser considerada sem efeito a decisão no que tange ao indeferimento do pedido de restituição referente ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1996. Não há nos autos pedido de restituição ou compensação fundamentada em referido direito creditório. O que há, é a necessária validação da compensação das estimativas mensais de IRPJ devidas em 1997 com o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1996, mas tal verificação, apesar de relevante para a determinação do direito creditório objeto das compensações em apreço, com ele não se confunde; que, assim, a determinação do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1996 somente serve de fundamento à validação, ou não, da compensação das estimativas de Fl. 2276DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 12 IRPJ devidas em 1997, não podendo afetar de qualquer outra forma a determinação do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1997; que, em resumo, a afirmada falta de atendimento à intimação não serve de fundamento ao nãoreconhecimento do direito creditório apurado na decisão de R$ 997.014,00, relativo ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1997. Equivocouse o órgão local ao afirmar que não caberia a recomposição do saldo negativo. Na verdade, a verificação fiscal deve ser efetuada justamente para determinar o saldo negativo passível de restituição ou compensação. Conseqüentemente deveria ser declarada a nulidade do despacho decisório em relação ao nãoreconhecimento do direito creditório relativo ao saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 997.014,00, apurado pelo próprio órgão local; que, em resumo, quanto à falta de atendimento às intimações, referese a autoridade administrativa à falta de apresentação dos Informes de Rendimentos pagos ou creditados, no anocalendário de 1997, a título de Juros sobre o Capital Próprio — JSCP aos seus acionistas, e em outro momento, à falta de apresentação de listagem dos débitos compensados sem processo; que, todavia, nos termos do §3° do art. 59 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, acrescentado pelo art. 1.° da Lei n.° 8.748, de 9 de dezembro de 1993, a autoridade julgadora não deve pronunciar a nulidade, nem mandar repetir o ato ou suprirlhe a falta, quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade. É o que se verificará, in caso, tendo em conta que o direito creditório a ser reconhecido é superior aquele que foi indeferido sem a adequada fundamentação na decisão da DRF; que, por oportuno, relevante assinalar que a nulidade do ato praticado seria apenas parcial — em relação ao nãoreconhecimento do direito creditório correspondente ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1997, apurado na decisão recorrida, no valor de R$ 997.014,00 —, não podendo afetar o indeferimento do direito creditório devidamente motivado; que, no que diz respeito à nulidade da determinação da liquidez e a certeza do indébito tributário e também os limites, é de se dizer que deve ser afastada a tese da defesa de que, na apreciação do direito creditório relativo ao saldo credor do IRPJ, deveria o órgão competente se limitar à verificação dos recolhimentos das antecipações efetuadas no curso do anocalendário (IRRF e estimativas), não sendo cabível qualquer apreciação relativa aos elementos que integraram a determinação da base de cálculo do imposto, que somente poderia ser alterada mediante lançamento exofficio; que, nos termos da legislação, o lançamento é ato administrativo de constituição de crédito tributário, sujeito aprazo decadencial, de acordo com as normas aplicáveis previstas no CTN (arts. 150, § 4° e 173, I); que, por seu turno, no contexto do procedimento de homologação das declarações de compensação, no qual deve ser atestada a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação do Fisco é a que diz respeito ao prazo de cinco anos da data da protocolização ou apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência dos créditos (art. 74, §5° da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996); Fl. 2277DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10882.003744/200221 Acórdão n.º 1402001.736 S1C4T2 Fl. 8 13 que, oportuno, esclarecer que desde a instituição da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ, pela Instrução Normativa SRF n° 127, de 30 de outubro de 1998, a declaração apresentada à SRF tem caráter meramente informativo, constituindose apenas num demonstrativo da apuração da base de cálculo, do imposto devido, e dos saldos a pagar ou a restituir de imposto, passível de verificação: (i) nos prazos decadenciais previstos no CTN, para a constituição de crédito tributário; ou (H) no prazo da homologação tácita das compensações, para fins de restaurar a exigibilidade dos débitos fiscais indevidamente compensados; que outro problema a ser apreciado é se o lançamento de ofício, para retificação da base de cálculo do imposto, seria necessário para conferir fundamento de validade ao ato de nãohomologação da compensação declarada; que é indubitável que, somente é dedutível do Imposto de Renda devido ao final do período de apuração, o Imposto Retido Fonte, no curso do anocalendário, incidente sobre as receitas computadas na determinação do lucro real. Decorre, daí, que para a determinação do saldo negativo do IRPJ, passível de ser restituído ou compensado, quando composto apenas de imposto retido no curso do anocalendário, não basta a prova da regular retenção do imposto. É imprescindível a comprovação de que as receitas sobre as quais incidiram as retenções foram devidamente computadas na determinação do lucro real; que. em síntese, concluise que o ato de verificação da certeza e liquidez do indébito tributário, relativo ao saldo negativo do IRPJ, em sede de análise de declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo, não está limitado aos valores das antecipações recolhidas no curso do ano calendário, devendo atingir, também, a verificação da regularidade da determinação da base de cálculo apurada pelo contribuinte; que, consequentemente, ainda que a retificação de base de cálculo do tributo somente seja cabível mediante lançamento de ofício, a verificação também deve ser efetuada no âmbito da análise de declarações de compensação vinculadas ao saldo negativo de IRPJ, para efeito de determinação da certeza e liquidez do crédito invocado pelo sujeito passivo para extinção de outros débitos fiscais; QUANTO AO MÉRITO: que no caso em apreço, o indeferimento do direito creditório do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1997 fundamentouse na verificação de dois fatos: (1) irregularidade praticada pela contribuinte no recolhimento de IRRF devido no pagamento dos Juros sobre Capital Próprio — JSCP aos seus acionistas, no mesmo período, que teria redundado na glosa no valor de R$ 6.309.130,69. Aduz ainda o órgão local que a empresa não teria comprovado a assunção do ônus financeiro decorrente da não retenção do imposto sobre as despesas de juros sobre o capital próprio, sem amparo legal; e (2) glosa do valor das estimativas mensais de IRPJ devidas no anocalendário de 1997, compensadas com o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1996, que teria sido invalidado pela autoridade fiscal, no valor de R$ 6.622.835,32; que, no que diz respeito a compensação do IRRF retido no recebimento dos JSCP com o IRRF devido no pagamento dos JSCP, é de se dizer que, inicialmente, é importante ressaltar que o direito creditório em discussão é o saldo negativo de IRPJ e não o IRRF incidente sobre o recebimento dos Juros sobre o Capital Próprio — JSCP. Quanto ao IRRF devido sobre o pagamento dos JSCP aos seus sócios/acionistas, apenas devem ser Fl. 2278DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 14 verificadas as argüidas compensações, para fins de determinação do IRRF sobre o recebimento dos JSCP disponível para ser utilizado como dedução do IRPJ devido no ajuste anual e, conseqüentemente, no saldo negativo, se for o caso. Não há que se aventar quanto à necessidade de comprovação de assunção do ônus financeiro do IRRF que é devido pela empresa, sobre o pagamento dos JSCP, apenas na qualidade de responsável tributário pela retenção e recolhimento do imposto; que, no caso de beneficiário, pessoa jurídica, tributada com base no lucro real, o imposto de renda retido na fonte sobre recebimento de juros sobre o capital próprio, em regra, deve ser considerado antecipação do devido na declaração de rendimentos, conforme expressamente consignado no art. 9°, § 3°, I da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995; que, todavia, no § 6° do mesmo art. 9° da Lei n° 9.249, de 1995, foi definida, excepcionalmente, a possibilidade de o beneficiário, pessoa jurídica tributada com base no lucro real, compensar o imposto retido no recebimento dos juros, com o imposto a ser recolhido, por ocasião do pagamento ou crédito dos juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas; que, no caso em apreço, para a determinação do IRRF dedutível do IRPJ devido no ajuste anual e, conseqüentemente, do saldo negativo do IRPJ, impõese verificar se a contribuinte não havia efetuado tais compensações das retenções sofridas no recebimento dos JSCP no valor de R$ 20.148.833,11 com o IRRF devido no pagamento dos JSCP; que, nesse contexto, importante salientar que não se trata, como pretendeu fazer crer a defesa, de exigência de tributo já decaído por intermédio de nãohomologação de compensação, mas de verificação do IRRF dedutível do IRPJ devido pela pessoa jurídica ao final do período de apuração ou, se for o caso, do IRRF hábil a compor o saldo negativo do IRPJ do período em que a retenção foi efetuada. Repitase: tratase de determinação do direito creditório informado pela contribuinte no pedido de restituição e nas DCOMP sob apreciação; que na manifestação de inconformidade, a contribuinte esclarece que a falta de retenção e de recolhimento de IRRF sobre o pagamento de JSCP devese ao fato de parte dos pagamentos, no valor de R$ 43.449.555,78, terem sido feitos à Fundação Bradesco (CNPJ n° 60.701.521/000106), entidade imune, dedicada à assistência social; que diante das provas apresentadas e na ausência de procedimento específico de suspensão da imunidade tributária da Fundação Bradesco, conforme previsto no art. 14, §1° do CTN e no art. 32 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, cumpre reconhecer a regularidade do IRRF devido pela contribuinte e incidente no pagamento dos JSCP; que decorre daí que das retenções sofridas pela empresa no recebimento do JSCP, no valor de R$ 20.148.833,11, apenas R$ 13.675.556,85 teriam sido utilizados na compensação do IRRF devido no pagamento dos JSCP aos seus acionistas, remanescendo R$ 6.473.287,11 para serem utilizados como dedução do IRPJ devido ao final do período de apuração; que, além das retenções incidentes sobre o recebimento de JSCP, a empresa teria ainda retenções sobre aplicações financeiras no valor de R$1.252.162,62, conforme comprovado pelo Informe de Rendimentos de fls. 299 e DIRF de fls. 316, totalizando de retenções disponíveis o valor de R$ 7.725.449, 73; Fl. 2279DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10882.003744/200221 Acórdão n.º 1402001.736 S1C4T2 Fl. 9 15 que parte destas retenções foram utilizadas na dedução das estimativas devidas no curso do anocalendário de 1997, no valor de R$1.252.466,59, remanescendo ainda valor a ser computado na dedução do IRPJ devido na apuração anual de R$6.472.983,14; que, no que diz respeito da compensação das estimativas devidas em 1997, com o saldo negativo de IRPJ no anocalendário de 1996, é de se dizer que no que tange às estimativas devidas no anocalendário de 1997, além do valor do IRRF utilizado na dedução das estimativas de R$ 1.252.466,59, a parte paga de R$ 292,28, foi confirmada pelo comprovante de arrecadação de fls.307; que quanto às compensações das estimativas devidas em 1997, no valor de R$ 6.622.835,02 com saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 1996, verificase na cópia da DIRPJ 1997 do anocalendário 1996 (fls. 578/588) a apuração de um saldo negativo de IRPJ de R$ 6.241.030,56, formado a partir do IRRF de R$ 6.200.498,15 e do Imposto Mensal pago por estimativa de R$ 40.532,41. Todavia, na mesma DIRPJ, verificase que a contribuinte não teria observado, na determinação do lucro real, a limitação de compensação de prejuízos fiscais, tendo sido lavrado auto de infração, em 05/09/2001, para retificação do IRPJ a restituir/compensar para R$ 3.797.408,85; que cumpre esclarecer que até que sobrevenha tal decisão judicial favorável ao intento do contribuinte de proceder à compensação de prejuízo fiscal, sem a limitação imposta por Lei, é válida e eficaz a retificação do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1996, materializada no auto de infração; que pelas informações disponíveis no cite do Tribunal (fls. 1946/1952), os Embargos de Declaração, interpostos contra o Acórdão da 3ª Turma do TRF da 3' Região, prolatado no âmbito da Apelação no Mandado de Segurança n° 2001.03.99.0061038 (na origem n° 97.00116450), ainda não foram apreciados. Entretanto, desde a publicação da sentença de primeira instância, em 16/09/1999, não dispõe mais a contribuinte de respaldo judicial para a compensação de prejuízos fiscais sem a limitação imposta por Lei, sentença esta confirmada no Tribunal; que consta que o órgão local não teria reconhecido o saldo negativo de IRPJ retificado pelo auto de infração de R$ 3.797.408,85, sob três fundamentos: (1) omissão de receitas financeiras na DIRPJ 1997 (anocalendário de 1996) da ordem de R$ 34.639.386,09, tendo em conta que nas DIRF foram informados rendimentos de R$ 50.083.626,84, e na DIRPJ o rendimento oferecido à tributação seria de apenas R$ 15.444.240,75; (2) os valores informados na DIRPJ de receitas e despesas de JSCP, nos valores respectivamente de R$ 115.074.132,99 e R$ 107.237.500,00, não teriam respaldo nas DIRF, o que teria inviabilizado a identificação dos beneficiários dos rendimentos e do IRRF; e (3) . o excesso de receita sobre a despesa de JSCP, no valor de R$ 7.836.632,99 deveria ter gerado uma retenção de R$ 1.175.494,95, que não consta de DIRF e em relação a qual não foi localizado qualquer pagamento; que inicialmente, deve ser afastada a alegação de que após a lavratura do auto de infração, não poderia a Administração Tributária proceder à nova alteração na mesma base de cálculo, sem a observância dos devidos procedimentos previstos na legislação. Para fins de determinação de direito creditório do sujeito passivo, tal alteração é plenamente cabível. Apenas para proceder a lançamento de ofício de crédito tributário em relação ao fato gerador ocorrido no anocalendário de 1996, é que deveria ter sido providenciada a autorização para reexame da escrituração comercial e fiscal, o que não ocorreu no caso em questão; Fl. 2280DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 16 que da omissão de receitas financeiras no anocalendário 1996 A divergência entre as informações da DIRPJ 1997 (anocalendário 1996) e das Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte — Dirf apresentadas pelas fontes pagadoras de fato existe, e cumpriria à contribuinte fazer a prova de que as receitas financeiras, que teriam gerado as retenções, foram oferecidas à tributação, segundo o regime de competência, nos anos calendário anteriores; que diante dos elementos acima, não sustenta a imputação do Fisco de omissão de receitas, no anocalendário de 1996, para invalidar o saldo negativo de IRPJ utilizado na compensação das estimativas devidas em 1997; que da falta de informação nas DIRF das receitas e despesas de Juros sobre o Capital Próprio – JSCP. No que diz respeito à falta de informação nas DIRF dos rendimentos recebidos e pagos a título de Juros sobre o Capital Próprio JSCP, defendese a empresa afirmando que não teria recebido e nem pago os JSCP informados na DIRPJ 1997 (ano calendário 1996), mas tais valores teriam sido mantidos em conta de reserva destinada a aumento de capital; que reputase suficiente a documentação apresentada para corroborar que os valores acima referidos a serem recebidos e pagos de JSCP no ano calendário de 1996 teriam sido mantidos em conta de reserva destinada a aumento de capital; que o valor do IR Mensal por Estimativa representa a soma dos seguintes valores; (i) IRRF comprovadamente retido e deduzido de R$1.252.466,59; (ii) a parte paga de R$292,28; (iii) as estimativas de fevereiro a junho de 1997 (no valor total de R$ 125.057, 86) e, em parte, a estimativa de julho de 1997 (no valor de R$ 1.388.594, 71), regularmente compensadas com o saldo negativo de IRPJ apurado em 1996; que definido o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1997, no valor de R$8.819.797,26, e procedida à operacionalização das compensações sem processo com as estimativas devidas de abril de 1998 a setembro de 2002 no valor de R$ 3.142.792,34, remanesce um saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1997 de R$5.682.690,78, conforme demonstrativos de fls. 1969/1977. A decisão de Primeira Instância está consubstanciada nas seguintes ementas: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1997 Nulidade. Decisão de Mérito Favorável. Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará, nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1997 Pedido de Restituição. Saldo Negativo de IRPJ. Homologação Tácita. Impossibilidade. Com o transcurso do prazo decadencial, apenas o dever/poder de constituir o crédito tributário estaria obstado, Fl. 2281DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10882.003744/200221 Acórdão n.º 1402001.736 S1C4T2 Fl. 10 17 tendo em conta que a decadência é uma das modalidades de extinção do crédito tributário. Não se submetem à homologação tácita os saldos negativos de IRPJ apurados nas declarações apresentadas, a serem regularmente comprovados, quando objeto de pedido de restituição ou compensação. Verificação da Base de Cálculo do IRPJ. Lançamento versos Reconhecimento de Indébito Tributário. A verificação da base de cálculo do tributo não é cabível apenas para fundamentar lançamento de ofício, mas deve ser feita, também, no âmbito da análise das declarações de compensação, para efeito de determinação da certeza e liquidez do crédito, invocado pelo sujeito passivo, para extinção de outros débitos fiscais. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997 Pedido de Restituirão/Compensação. Saldo Negativo de IRPJ. IRRF Dedutível. Juros sobre Capital Próprio. Prova. Para a determinação do saldo negativo do IRPJ, passível de ser restituído ou compensado, não basta a prova da regular retenção do imposto. No caso das retenções decorrentes do recebimento de Juros sobre o Capital Próprio, impõese provar que tais valores não teriam sido compensados, no curso do ano calendário, com o IRRF devido sobre o pagamento aos sócios ou acionistas de Juros sobre o Capital Próprio. IRRF. Pagamento de Juros sobre Capital Próprio. A incidência do imposto de renda na fonte sobre os juros remuneratórios do capital próprio não se aplica à parcela correspondente a pessoa jurídica imune. Estimativas. Compensação com Saldo Negativo de IRPJ de Período Anterior. Cabível a glosa das estimativas compensadas com saldo negativo de IRPJ de período anterior, no qual foi apurada irregularidade na determinação do lucro líquido e do real. Glosa de Despesas. Juros sobre o Capital Próprio, Mantidos na Conta de Reserva Destinada a Aumento de Capital. Ano calendário 1996. No anocalendário de 1996, à opção da pessoa jurídica, o valor dos juros pagos ou creditados aos sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, podiam ser incorporados ao capital social ou mantidos em conta de reserva destinada a Fl. 2282DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 18 aumento de capital, mantida a sua dedutibilidade para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ. A pessoa jurídica que exercesse a opção assumia o ônus do imposto incidente na fonte sobre os juros. O valor do imposto era determinado sem o reajuste da respectiva base de cálculo e não era dedutível para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro. Impõese a glosa da despesa de juros sobre o capital próprio contabilizada no valor correspondente ao Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF. Verificação da Disponibilidade do Direito Creditório. Para fins de verificar a disponibilidade do direito creditório invocado no pedido de restituição e nas declarações de compensação, formalizadas no âmbito dos presentes autos, devem ser operacionalizadas as compensações, entre tributos de mesma espécie, efetuadas sem processo. Declaração de Compensação. Reconhecido em parte o direito creditório em litígio, devem ser homologadas as compensações até o limite do crédito reconhecido. Solicitação Deferida em Parte Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 07/01/2009, conforme Termo constante à fl. 1998, e, com ela não se conformando, a contribuinte interpôs, em tempo hábil (06/02/2009), o recurso voluntário de fls. 1999/2033, instruído pelos documentos de fls. 2034/2039, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: ERROS MATERIAIS INCORRIDOS NA DECISÃO RECORRIDA: que ocorre, porém, data máxima vênia, que não pode a Recorrente concordar coro a glosa da parcela do saldo negativo de 1997, oriunda de estimativas pagas por compensação com saldo negativo de 1996, sendo inconteste o seu direito à restituição integral do crédito pleiteado e à homologação das compensações formuladas; que, no que diz respeito aos erros materiais contidos na decisão, é de se dizer que fazse necessária a correção de evidentes erros materiais constantes da r. decisão ora recorrida, para que não pairem dúvidas quanto ao direito pleiteado e à extensão e alcance da decisão proferida; que como se demonstra, portanto, a r. decisão ora recorrida incorreu em evidente erro material ao afirmar que do saldo negativo de R$ 13.785.659,43 estaria reconhecendo como saldo remanescente o valor de R$ 5.682.690,78, posto que o correto seria afirmar que do saldo negativo em 31/12/97 de R$ 13.785.659,43 foi reconhecido um saldo de R$ 8.819.797,26, e do saldo negativo cuja restituição se pleiteia no presente processo, de R$ 10.642.867,09 (R$ 13.785.659,43 deduzidas as compensações no valor de R$ 3.142.792,34), foi reconhecido como saldo remanescente o valor de R$5.682.690,78. que nessas condições, pede e espera a Recorrente preliminarmente que a r. decisão seja corrigida nos pontos indicados para que fique inequívoco que do saldo negativo Fl. 2283DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10882.003744/200221 Acórdão n.º 1402001.736 S1C4T2 Fl. 11 19 em 31/12/97 de R$ 13.785.659,43 foi reconhecido um saldo de R$ 8.957.417,29, e do saldo negativo cuja restituição se pleiteia no presente processo, de R$ R$ 10.642.867,09 (R$ 13.785.659,43 deduzidas as compensações no valor de R$ 3.142.792,34), foi reconhecido como saldo remanescente o valor de R$ 5.814.624,95; DISCUSSÃO DE MATÉRIA DE MÉRITO – GLOSA DO VALOR DAS ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ DEVIDAS NO ANO CALENDÁRIO DE 1997, COMPENSADAS COM SALDO NEGATIVO DE IRPJ DO ANOCALENDÁRIO DE 1996: que quanto à suposta irregularidade relativa à “compensação das estimativas devidas em 1997, com o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1996", a Delegacia da Receita Federal de Osasco havia invocado três motivos que a levaram a considerar "matematicamente incorreta" a apuração do saldo negativo de IRPJ relativo ao ano calendário de 1996: (a) redução do saldo negativo de IRPJ de R$ 6.241.030,56 para R$ 3.797.408,85, por força de procedimento fiscal (Processo Administrativo n° 10882.001598/200119), do qual não cabe mais recurso na esfera administrativa; (b) suposta não submissão à tributação dos rendimentos de aplicações financeiras no importe de R$ 34.639.386,09; e (c) suposto "excesso de receita sobre a despesa de JCP de R$ 7.836.632, 99, cujo imposto devido na fonte seria de R$ 1.175.494, 95”; que a r. decisão reconheceu expressamente a procedência dos argumentos da ora Recorrente no tocante à suposta não submissão à tributação dos rendimentos de aplicações financeiras no importe de R$ 34.639.386,09 (item (b)), tendo constatado que "diante dos elementos acima, não sustenta a imputação do Fisco de omissão de receitas, no ano calendário de 1996, para invalidar o saldo negativo de IRPJ utilizado na compensação das estimativas devidas em 1997”; que, contudo, em relação aos demais argumentos manteve o indeferimento inicial sob fundamento de que: Quanto ao item (a): "até que sobrevenha tal decisão judicial favorável ao intento do contribuinte de proceder à compensação de prejuízo fiscal, sem a limitação imposta por Lei, é valida e eficaz a retificação do saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 1996, materializada no auto de infração”; Quanto ao item (c): (c. l) "deve ser afastada a alegação de que após a lavratura do auto de infração não poderia a Administração Tributária proceder à nova alteração na mesma base de cálculo, sem a observância dos devidos procedimentos previstos na legislação. Para fins de determinação de direito creditório do sujeito passivo, tal alteração é plenamente cabível. Apenas para proceder a lançamento de oficio de crédito tributário em relação ao fato gerador ocorrido no anocalendário de 1996 é que deveria ter sido providenciada a autorização para reexame da escrituração comercial e fiscal, o que não ocorreu no caso concreto”; (c.2) efetivamente "reputase suficiente a documentação apresentada para corroborar que os valores acima referidos a serem recebidos e pagos de JSCP no anocalendário de 1996 teriam sido mantidos em conta de reserva destinada a aumento de capital"; (c.3) contudo, "a empresa deixou de observar as determinações normativas ao contabilizar a título de despesa de juros sobre o capital próprio não apenas o valor mantido em conta de reserva destinada a aumento de capital de R$ 93.250.000, 00, mas também o IRRF devido no valor de R$ 13.987.500, 00, totalizando uma despesa de JSCP de R$ 107.237.500, 00. (.) Dessa forma, para regularizar a apuração efetuada pela empresa no anocalendário de 1996, cumpre adicionar à base de cálculo a despesa indedutível de IRRF incidente sobre o pagamento dos JSCP, mantidos em conta de Fl. 2284DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 20 reserva destinada a aumento de capital em favor dos acionistas, conforme demonstrativo abaixo”; que, portanto, a parcela do saldo negativo não reconhecido da r. decisão ora recorrida referese apenas à parcela do saldo negativo de 1997 oriundo de estimativas pagas mediante compensação com saldo negativo de 1996. que com tal decisão não pode concordar a ora Recorrente, por diversos motivos; que, no que diz respeito à decadência – necessidade de lançamento para desconsideração de compensações realizadas contabilmente, é de se dizer que, inicialmente, é de se ponderar que as compensações das estimativas do ano de 1997 realizadas com o saldo negativo de 1996 foram realizadas à época, em consonância à legislação então em vigor independentemente de requerimento à Secretaria da Receita Federal, apenas contabilmente; que a jurisprudência tanto deste E. Conselho de Contribuintes como também do Superior Tribunal de Justiça já consolidou o entendimento de que a discordância por parte da Receita Federal quanto às compensações realizadas deve necessariamente se expressar mediante lançamento específico para esta finalidade; que nessas condições, à falta de lançamento para esta finalidade no caso concreto consideramse homologadas as compensações relativas às estimativas do ano de 1997, de modo que só por este motivo, independentemente de qualquer outra consideração, merece reforma a r. decisão recorrida para que seja integralmente deferida a restituição pleiteada e homologadas as compensações ainda pendentes; que assim não se entenda, cumpre demonstrar que a Recorrente no caso efetivamente possuía saldo negativo no ano de 1996 que dava amparo integral às compensações realizadas com as estimativas de 1997; que, quanto aos juros sobre o capital próprio capitalizados, é de se dizer que conforme constou da Manifestação de Inconformidade apresentada, a d. Autoridade Administrativa expressamente reconheceu que a Recorrente indicou na DIPJ, na linha respectiva, o valor de R$ 115.074.132,99 a título de receitas de Juros sobre Capital Próprio (doe. 04 da Manifestação), tendo reconhecido ainda que a Recorrente indicou na DIPJ, na linha própria, o valor de R$ 107.237.500,00, a título de despesas de Juros sobre Capital Próprio (doc. 04 da Manifestação); que, contudo, sob a justificativa de que tanto o valor da receita como o valor da despesa de Juros sobre Capital Próprio não constaram das DIRFs apresentadas pelas fontes pagadoras (no caso, o Banco Bradesco S/A e a própria Recorrente), e entendendo que o imposto respectivo deveria ter sido recolhido, entendeu devido no presente processo IR Fonte sobre a diferença entre os valores de receita e de despesa de Juros sobre o Capital Próprio constantes da DIPJ da Recorrente , glosando créditos no mesmo montante; que demonstrou a Recorrente, porém, que no ano de 1996 tanto o Banco Bradesco S/A, da qual a Recorrente é acionista, como a própria Recorrente, em relação às sociedades investidoras, não distribuíram aos seus acionistas Juros sobre Capital Próprio, mantendo os respectivos valores em conta de reserva destinada a aumento de capital, tal como facultava o artigo 9°, parágrafo 9º da Lei n° 9.249/95; que conforme comprovado pelo documento 06 da Manifestação, emitido pelo Banco Bradesco S/A, em 31/12/96 os Juros sobre Capital Próprio que seriam distribuídos Fl. 2285DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10882.003744/200221 Acórdão n.º 1402001.736 S1C4T2 Fl. 12 21 à Recorrente foram mantidos em conta de reserva destinada a aumento de capital, como facultava o disposto no artigo 9°, parágrafo 9° da Lei n° 9.249/95, fazendo a Recorrente a mesma opção em relação aos seus acionistas (doc. 07 da Manifestação); que a Recorrente demonstrou, portanto, que no caso concreto não haveria de se falar em falta de recolhimento do imposto sobre as receitas e as despesas de Juros sobre Capital Próprio, posto que diversamente do que entendeu o r. despacho decisório, tais valores já foram devidamente submetidos à tributação pelo imposto de renda na fonte, na forma da legislação então aplicável aos casos de opção pela capitalização dos juros, conforme se comprovou (docs. 06 e 07 da Manifestação); que a r. decisão ora recorrida reconheceu expressamente que de fato "reputase suficiente a documentação apresentada para corroborar que os valores acima referidos a serem recebidos e pagos de JSCP no anocalendário de 1996 teriam sido mantidos em conta de reserva destinada a aumento de capital"; que, não obstante, ainda assim manteve a glosa de parte do saldo negativo de 1997 decorrente das estimativas pagas mediante compensação com o saldo negativo de 1996, com base agora em justificativas outras absolutamente improcedentes; que, no que diz respeito a suposta falta de adição de despesa indedutível de IRRF incidente sobre o pagamento de JCP, mantidos em conta de reserva destinada a aumento de capital, é de se dizer que sem prejuízo da nulidade da decisão fundada em argumento jamais antes invocado nos autos, de qualquer modo a Recorrente já efetuou à época própria a adição reclamada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento; que, se assim é, não pode a Recorrente concordar com o procedimento adotado pela r. decisão recorrida, de adicionar para fins de apuração do lucro real do ano de 1996 o valor de R$ 13.987.500,00 (página 35 da decisão), posto que a Recorrente já efetuou tal adição exatamente no mesmo valor, como comprovado, sob pena de duplicidade; que, no que diz respeito à decadência — necessidade de lançamento para exigir adição relativa ao ano de 1996, é de se dizer que admitindose, apenas para argumentar, que a Recorrente já não houvesse efetuado a adição reclamada, de qualquer modo a falta de tal adição no ano de 1996 jamais poderia ser agora invocada para se negar o saldo negativo pleiteado; que, de fato, a Recorrente já sofreu processo de fiscalização que verificou especificamente o saldo negativo do ano de 1996 e inclusive o reduziu no montante que entendeu necessário (em face da compensação de prejuízos acima do limite de 30%), sendo que o artigo 906 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000/99, republicado em 17/06/99, é expresso no sentido de que não é possível o reexame de exercício já fiscalizado, salvo se amparado por ordem escrita nesse sentido expedida pelo Superintendente ou Delegado ou ainda Inspetor da Receita Federal, o que no caso não ocorreu; que, por outro lado, ainda que autorizado um segundo exame daquele ano base, o que se admite para argumentar, certo é que passados mais de cinco anos já não é mais possível à d. Autoridade Administrativa reduzir o saldo negativo apurado no anocalendário de 1996 em razão de adição que a seu ver não teria sido efetuada, em razão da decadência; Fl. 2286DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 22 que tal linha de argumentação já foi refutada pela jurisprudência atualmente pacífica do E. Conselho de Contribuintes, no sentido de que a atividade de lançamento está diretamente relacionada à apuração da base de cálculo do imposto devido em cada ano, aí incluída portanto a verificação da exatidão dos valores apurados a título de prejuízo fiscal, imposto devido ou imposto a restituir (saldo negativo), de modo que o prazo decadencial para retificação destes valores é contado a partir do término do respectivo períodobase, e não de sua utilização como sustenta a r. decisão recorrida; que tanto é verdade que pode e deve ser efetuado lançamento com vistas à retificação de saldo negativo apurado ao final de um determinado anobase, antes de sua utilização, que no caso concreto a Recorrente já sofreu lançamento do gênero especificamente quanto ao saldo negativo apurado no anobase de 1996. De fato, no processo n° 10882.001598/200119 expressamente invocado pelo r. despacho decisório de 1ª instância e pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, a fiscalização já examinou o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1996 e o reduziu de R$ 6.241.030,56 para R$ 3.797.408,85, de modo que este último valor não pode agora, em 2008, ser novamente revisto, seja em face da ausência de lançamento específico para este fim, seja em face da decadência que se operou; que é de se salientar que no caso concreto a razão da discordância da Delegacia da Receita Federal de Julgamento quanto ao saldo negativo de 1996, utilizado para compensar estimativas de 1997, sequer tem qualquer relação com os créditos de IRF ou estimativas pagas naquele ano, mas sim decorre exclusivamente da suposta falta de adição de uma despesa indedutível; que é absolutamente descabido o indeferimento de restituição de saldo negativo sob tal fundamento, posto que em realidade o que a Delegacia da Receita Federal de Julgamento está fazendo é efetivamente cobrar por vias transversas o suposto valor de IRPJ que entende devido relativamente ao anobase de 1996 (uma vez que só está negando a existência do saldo negativo declarado naquele ano porque está utilizando aquele valor para fazer face ao débito que entende existir em 1996), sem realizar o necessário lançamento. É o relatório. Fl. 2287DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10882.003744/200221 Acórdão n.º 1402001.736 S1C4T2 Fl. 13 23 Voto Conselheiro Paulo Roberto Cortez, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Da análise dos autos do processo observase que a recorrente requereu inicialmente a restituição do saldo negativo de IRPJ do exercício 1998, ano calendário de 1997, no valor de R$ 20.886.626,65, conforme se constata às fls. 01/02, decorrente de apuração de Saldo Negativo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica no anocalendário de 1997, todavia, tal pedido de restituição fora alterado mediante o pedido espontâneo de fls. 353 para R$ 13.785.659,43, a título de saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 1997, conforme consta da DIPJ/1998. Resta observar, ainda, que a própria DIPJ/1998 A.C. 1997, indica que o saldo negativo de IRPJ é de R$ 13.785.659,43 e decorre basicamente de IRRF sobre receitas financeiras, IRRF sobre receitas de juros de capital próprio descontandose o IRRF sobre despesas de juros de capital próprio, DARF de estimativa paga e saldo negativo de período anterior relativo ao anocalendário de 1996. Como visto, remanescendo saldo negativo de IRPJ relativo ao anocalendário de 1997, em 03/12/2002 a recorrente apresentou Pedido de Restituição, tendo indicado inicialmente como crédito o valor de R$ 20.886.626,65, correspondente ao saldo de R$ 10.642.867,09 (R$ 13.785.659,43 (saldo negativo de IRPJ constante da DIPJ/98) deduzidas as compensações no valor de R$ 3.142.792,34), devidamente atualizado. Posteriormente, contudo, requereu a retificação de ofício do Pedido formulado apenas para que passasse a constar aquele mesmo crédito, entretanto, no seu valor original de R$ 10.642.867,09 (fls. 352/353 dos autos), conforme previsão na legislação de regência. Paralelamente a isso, tendo em vista o advento da Instrução Normativa n° 210/2002, que passou a exigir Declarações de Compensação, a recorrente apresentou ainda as Declarações de Compensação que deram origem aos processos administrativos n°s 10882.003419/200209, 10882.003707/2002—13, 10882.004065/200270; 10882.001395/2003949 10882.001394/200340; 10882.001707/200360~ 10882.001957/200308. 10882.002504/200391; 10882.002878/200314; 10882.003219/2003 97, e 10882.0035171200387, apensos ao presente processo bem como as PERDCOMPs de fls. 377/380, retificada às fls. 447/450, 385/388, 389/392, 393/396, 397/400, 401/404 retificada às fls. 31/384, 405/408, retificada às fls. 431/434; 409/412, retificada às fls. 435/438; 413/416; retificadas fls. 443/446, 417/422, 423/426, retificada às fls. 455/458, 427/430, 459/462, 463/466, 467/470, 471/474, retificada às fls. 451/454, 475/478, retificada às fls. 439/442, tendo por objeto o valor ainda não utilizado daquele saldo negativo, acrescido do valor de R$ 826.744,10, correspondente a parte do saldo negativo de CSLL referente ao anobase de 2001 (processo no 10882.003419/200269, fls. 01). Fl. 2288DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 24 A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Osasco, através do Despacho Decisório (fls. 479/488), apreciou e concluiu que o presente pedido de restituição é improcedente, amparado no entendimento de que não é passível de restituição, o saldo negativo de IRPJ decorrente da não observância da legislação em relação à retenção de IRRF sobre JCP Juros de Capital Próprio devidos aos seus acionistas. Eventuais restituições só seriam devidas se fossem descontadas todas as retenções de IRRF incidentes sobre as Despesas de JCP Juros de Capital Próprio, se após o desconto, o resultado for negativo, este resultado pode compor a apuração do saldo negativo de IRPJ, bem como saldo negativo de IRPJ apurado incorretamente e irregularmente, não se constitui em crédito do contribuinte, portanto não pode ser utilizado na compensação com débitos próprios decorrentes de tributos e contribuições administrados pela RFB. Em resumo a autoridade administrativa fundamentou o seu indeferimento do direito creditório do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1997 na verificação de dois fatos: 1. irregularidade praticada pela contribuinte no recolhimento de IRRF devido no pagamento dos Juros sobre Capital Próprio — JSCP aos seus acionistas, no mesmo período, que teria redundado na glosa no valor de R$ 6.309.130,69. Aduz ainda o órgão local que a empresa não teria comprovado a assunção do ônus financeiro decorrente da não retenção do imposto sobre as despesas de juros sobre o capital próprio, sem amparo legal; 2. glosa do valor das estimativas mensais de IRPJ devidas no anocalendário de 1997, compensadas com o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1996, que teria sido invalidado pela autoridade fiscal, no valor de R$ 6.622.835,32. Inconformada com a decisão da Autoridade Administrativa jurisdicionada a contribuinte apresenta a sua Manifestação de Inconformidade para a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas SP a qual decide em acolher, em parte, a manifestação para reconhecer o direito creditório, no valor de R$ 5.682.690,78, relativo ao valor disponível do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1997, e homologar as compensações até o limite do crédito reconhecido, sob o argumento de que as retenções sofridas pela empresa no recebimento do JSCP, no valor de R$ 20.148.833,11, apenas R$ 13.675.556,85 teriam sidos utilizados na compensação do IRRF devido no pagamento dos JSCP aos seus acionistas, remanescendo R$ 6.473.287,11 para serem utilizados como dedução do IRPJ devido ao final do período de apuração. Além das retenções incidentes sobre o recebimento de JSCP, a empresa teria ainda retenções sobre aplicações financeiras no valor de R$ 1.252.162,62, conforme comprovado pelo Informe de Rendimentos de fls. 299 e DIRF de fls. 316, totalizando de retenções disponíveis o valor de R$ 7.725.449, 73. Parte destas retenções foram utilizadas na dedução das estimativas devidas no curso do anocalendário de 1997, no valor de R$ 1.252.466,59, remanescendo ainda valor a ser computado na dedução do IRPJ devido na apuração anual de R$ 6.472.983,14. Quanto à glosa do valor das estimativas mensais de IRPJ devidas no ano calendário de 1997, compensadas com o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1996, que teria sido invalidado pela autoridade fiscal, no valor de R$ 6.622.835,32 a decisão recorrida validou o entendimento da autoridade administrativa, além disso, reduziu o valor de R$ 3.797.408,84 para R$ 1.349.596,34, julgando improcedente o pedido da contribuinte, sob o argumento de que para regularizar a apuração efetuada pela empresa no anocalendário de 1996, cumpre adicionar à base de cálculo a despesa indedutível de IRRF incidente sobre o pagamento dos JSCP, mantidos em conta de reserva destinada a aumento de capital em favor dos acionistas, conforme demonstrativo abaixo: Fl. 2289DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10882.003744/200221 Acórdão n.º 1402001.736 S1C4T2 Fl. 14 25 DIPJ 1997 AC 1996 DRPJ 1997 DRFAUTO INFRAÇÃO JULGAMENTO DRJ Lucro Real antes da compensação de prejuízos 16.877.326,93 16.877.326,93 16.877.326,93 Glosa de Despesa de JSCP 13.987.500,00 Lucro Real antes da Compensação de Prejuízos 16.877.326,93 16.877.326,93 30.864.826,93 Compensação de Prejuízos 6.877.326,93 5.063.198,08 9.259.448,08 Lucro Real após Compensação de Prejuízos 11.814.128,85 21.605.378,85 Alíquota de 15% 1.772.119,33 3.240.806,83 Adicional 671.502,40 1.650.627,40 IRPJ Apurado 2.443.621,72 4.891.434,22 Antecipações IRRF 6.200.498,15 6.200.498,15 6.200.498,15 IR Mensal por Estimativa 40.532,41 40.532,41 40.532,41 IR a Pagar (6.241.030,56) (3.797.408,84) (1.349.596,34) Inconformada, em virtude de não ter logrando êxito total na instância inicial, a contribuinte apresenta a sua peça recursal a este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pleiteando a reforma da decisão prolatada na Primeira Instância onde, em sua defesa, ataca o que entende terem sido os fundamentos da decisão recorrida amparado, em síntese, nas seguintes considerações: que ora recorrida incorreu em evidente erro material ao afirmar que do saldo negativo de R$ 13.785.659,43 estaria reconhecendo como saldo remanescente o valor de R$ 5.682.690,78, posto que o correto seria afirmar que do saldo negativo em 31/12/97 de R$ 13.785.659,43 foi reconhecido um saldo de R$ 8.819.797,26, e do saldo negativo cuja restituição se pleiteia no presente processo, de R$ 10.642.867,09 (R$ 13.785.659,43 deduzidas as compensações no valor de R$ 3.142.792,34), foi reconhecido como saldo remanescente o valor de R$5.682.690,78; que nessas condições, pede e espera a Recorrente preliminarmente que a r. decisão seja corrigida nos pontos indicados para que fique inequívoco que do saldo negativo em 31/12/97 de R$ 13.785.659,43 foi reconhecido um saldo de R$ 8.957.417,29, e do saldo negativo cuja restituição se pleiteia no presente processo, de R$ R$ 10.642.867,09 (R$ 13.785.659,43 deduzidas as compensações no valor de R$ 3.142.792,34), foi reconhecido como saldo remanescente o valor de R$ 5.814.624,95; que, no que diz respeito à decadência – necessidade de lançamento para desconsideração de compensações realizadas contabilmente, é de se dizer que, inicialmente, é de se ponderar que as compensações das estimativas do ano de 1997 realizadas com o saldo Fl. 2290DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 26 negativo de 1996 foram realizadas à época, em consonância à legislação então em vigor independentemente de requerimento à Secretaria da Receita Federal, apenas contabilmente; que, no que diz respeito a suposta falta de adição de despesa indedutível de IRRF incidente sobre o pagamento de JCP, mantidos em conta de reserva destinada a aumento de capital, é de se dizer que sem prejuízo da nulidade da decisão fundada em argumento jamais antes invocado nos autos, de qualquer modo a Recorrente já efetuou à época própria a adição reclamada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Inicialmente é de se concordar com a recorrente da existência de erro material na decisão recorrida, já que do saldo negativo em 31/12/97 de R$ 13.785.659,43 foi reconhecido um saldo de R$ 8.957.417,29, e do saldo negativo cuja restituição se pleiteia no presente processo, de R$ R$ 10.642.867,09 (R$ 13.785.659,43 deduzidas as compensações no valor de R$ 3.142.792,34), foi reconhecido como saldo remanescente o valor de R$ 5.814.624,95 ou invés de R$ 5.682.690,78. Como visto a principal discussão, nesta fase recursal, resumese a glosa do valor das estimativas mensais de IRPJ devidas no anocalendário de 1997, compensadas com o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1996, que teria sido invalidado pela autoridade fiscal, no valor de R$ 6.622.835,32. Resta claro, no que diz respeito à suposta irregularidade relativa à “compensação das estimativas devidas em 1997, com o saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 1996", de que a Delegacia da Receita Federal de Osasco havia invocado três motivos que a levaram a considerar "matematicamente incorreta" a apuração do saldo negativo de IRPJ relativo ao anocalendário de 1996: (a) redução do saldo negativo de IRPJ de R$ 6.241.030,56 para R$ 3.797.408,85, por força de procedimento fiscal (Processo Administrativo n° 10882.001598/200119), do qual não cabe mais recurso na esfera administrativa; (b) suposta não submissão à tributação dos rendimentos de aplicações financeiras no importe de R$ 34.639.386,09; e (c) suposto "excesso de receita sobre a despesa de JCP de R$ 7.836.632, 99, cujo imposto devido na fonte seria de R$ 1.175.494, 95”. De plano se verifica, nos autos do processo, que consta da cópia da DIRPJ 1997 do anocalendário 1996 (fls. 578/588) a apuração de um saldo negativo de IRPJ de R$6.241.030,56, formado a partir do IRRF de R$ 6.200.498,15 e do Imposto Mensal pago por estimativa de R$ 40.532,41. Todavia, na mesma DIRPJ, verificase que a contribuinte não teria observado, na determinação do lucro real, a limitação de compensação de prejuízos fiscais, tendo sido lavrado auto de infração, em 05/09/2001, para retificação do IRPJ a restituir/compensar para R$ 3.797.408,85. Carreouse para os autos, cópia do Acórdão n° 796, de 27 de março de 2002, prolatado pela lª Turma da DRJ Campinas/SP (fls. 1963/1964) que não conheceu da impugnação, tendo em conta que a defesa acatava as alterações na base de cálculo, formalizadas de ofício, por meio do auto de infração, protestando apenas pelo direito de reversão da limitação imposta, em face de superveniente decisão judicial favorável. O saldo negativo de fls. 359, fora alterado mediante procedimento fiscal instaurado em 2001, através do processo n° 10882.001598/200119, que reduziu o saldo negativo do ano de 1996 de R$ 6.241.030,56 para R$ 3.797.408,85, conforme fls. 360/363, decorrente de compensação indevida de prejuízos fiscais acima do limite de 30%, nos termos da legislação vigente, de cuja decisão exarada através do Acórdão nº 796/2002 da DRJ/CAMPINASSP (fls. 361/63), não cabe mais recurso em virtude do seu transito em julgado na esfera administrativa. Fl. 2291DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10882.003744/200221 Acórdão n.º 1402001.736 S1C4T2 Fl. 15 27 Dessa decisão observase o seguinte: 1 O contribuinte, por intermédio de seus advogados e procuradores, protocolizou a impugnação de fls. 171/172, em 26/10/2001, juntando os documentos de fls. 173/219, mas concordando com as alterações que lhe foram impostas por meio do Auto de Infração, visto não se encontrar mais amparado pela liminar proferida nos autos do Mandado de Segurança n°. 97.00116450; 2 Esclarece que "estará procedendo aos ajustes de seus registros contábeis fiscais, tal como indicado no Auto Infração lavrado, sem prejuízo, no entanto, do direito de reverter tais lançamentos na hipótese de sobrevir afinal decisão favorável nos autos do processo judicial mencionado”; 3 O contribuinte não questiona as alterações promovidas pela fiscalização, apenas destaca seu direito de recuperar os créditos caso venha a obter, judicialmente, decisão favorável relativa à compensação de prejuízos fiscais; 4 Ante a ausência de qualquer manifestação do Fisco acerca da possibilidade desta reversão no futuro, inexiste litígio sobre a matéria tratada nos autos do presente processo administrativo. A intenção manifestada pelo contribuinte não possui relação imediata com os fatos aqui tratados, e sua pertinência somente pode ser apreciada em face de eventos futuros e incertos; 5 Como o presente Auto de Infração prestase, apenas, a exigir do contribuinte a alteração de seus controles de prejuízos fiscais a compensar e a redução do imposto de renda a compensar ou restituir, com as quais o contribuinte concordou, qualquer outro aspecto extrapola os limites desta lide, e não exige decisão por este órgão. Neste ponto, cumpre esclarecer que até que sobrevenha tal decisão judicial favorável ao intento da contribuinte de proceder à compensação de prejuízo fiscal, sem a limitação imposta por Lei, é válida e eficaz a retificação do saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 1996, materializada no auto de infração, lavrado em época oportuna através do processo nº 10882001598/200119, já transitado em julgado na área administrativa desfavorável ao contribuinte. Pelas informações disponíveis no sitio do Tribunal Regional Federal da 3ª Região os Embargos de Declaração, interpostos contra o Acórdão da 3ª Turma do TRF da 3ª Região, prolatado no âmbito da Apelação no Mandado de Segurança n° 2001.03.99.0061038 (na origem n° 97.00116450), já foram apreciados e indeferidos, conforme abaixo se verifica: TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 3ª REGIÃO EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM APELAÇÃO CÍVEL Nº 2001.03.99.0061038/SP Tratase de embargos de declaração, opostos por Cidade de Deus Companhia Comercial de Participações e outra, fls. 474/481, em face do v. acórdão proferido nestes autos, fls. 464/471. Fl. 2292DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 28 Pretendem os declaratórios sejam devidamente admitidos e providos para o fim de suprir a omissão ventilada, bem como prequestionar a matéria. É o relatório. VOTO O v. Relatório de fls. 464 se revela suficiente, pois, mantida em seu desfecho a r. sentença, fls. 303, este relata o implicado ano 1996, como também os subsequentes. Integrandose os julgados em único todo, harmonioso e no mesmo sentido, ausente desejado forma reparo, por si incapaz de abalar a solidez do v. acórdão. Em mérito, então, o tema foi integralmente analisado no v. voto condutor, inexistindo qualquer vício, tendo os embargos único propósito de préquestionamento. Então, a respeito tem entendido a E. Terceira Turma desta C. Corte pela denegação, quando este o único alicerce, conforme v. julgamento "in verbis" (Autos de processo n.º 2002.61.00.0299570, AC 989365 data do julgamento 17 de agosto de 2005), da lavra do Eminente Desembargador Federal Dr. Carlos Muta: "... O recurso deve, pois, ser desprovido, ainda porque sequer necessário, como postulado, o prequestionamento que, consoante a melhor exegese jurisprudencial, "consiste na apreciação e solução, pelo tribunal de origem, das questões jurídicas que envolvam a norma positiva tida por violada, inexistindo a exigência de sua expressa referência no acórdão impugnado." (ERESP nº 162608/SP, Rel. Min. SÁLVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA, julgado em 16.06.99). Tal exegese, de forma igualmente lapidar, foi assentada pela Suprema Corte (RE nº 184347/SP, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJU de 20.03.98),verbis: "Prescinde o prequestionamento da referência expressa, no acórdão impugnado mediante o recurso, a números de artigos, parágrafos, incisos ou alíneas. Precedente: Recurso Extraordinário nº 128.5192/DF, por mim relatado, perante o Pleno, com aresto veiculado no Diário da Justiça de 7 de março de 1991 (...)." Ademais, busca a parte recorrente rediscutir o quanto já exaustivamente julgado, o que impróprio à via eleita. Ante o exposto, pelo improvimento aos embargos de declaração. É como voto. Silva Neto Juiz Federal Convocado Ademais, naquele sitio resta claro que o processo transitou em julgado, conforme se observa abaixo: Fl. 2293DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10882.003744/200221 Acórdão n.º 1402001.736 S1C4T2 Fl. 16 29 03/02/2010 BAIXA DEFINITIVA A SECAO JUDICIARIA DE ORIGEM GRPJ N. GR.2010020216 Destino: JUIZO FEDERAL DA 6 VARA SÃO PAULO >1ªSSJ>SP 01/02/2010 RECEBIDO(A) GUIA NR. : 2010014013 ORIGEM : SUBSECRETARIA DA TERCEIRA TURMA 27/01/2010 REMESSA À DPAS PARA BAIXA DEFINITIVA GUIA NR.: 2010014013 DESTINO: PASSAGEM DE AUTOS 17/12/2009 RECEBIDO(A) DA FN COM CIÊNCIA DE ACÓRDÃO DE 01/12/2009 30/11/2009 REMESSA GUIA NR.: 2009256446 DESTINO: UNIÃO FEDERAL (Fazenda Nacional) 27/11/2009 JUNTADA DE PETIÇÃO Petição Número 2009169669 13/11/2009 RECEBIDO(A) DO MPF C/CIENCIA DE ACORDAO 03/11/09 27/10/2009 REMESSA GUIA NR.: 2009232447 DESTINO: MINISTERIO PUBLICO FEDERAL 16/09/2009 DEVOLVIDO PELO ADVOGADO/PROCURADOR OAB: SP172006E 02/09/2009 RETIRADO PELO ADVOGADO/PROCURADOR OAB: SP172006E 01/09/2009 DISPONIBILIZADO NO DIÁRIO ELETRÔNICO ACORDÃO no dia 200991 . 7:32 (Boletim 410/2009) Visualizar 31/08/2009 INFORMAÇÃO ENCAMINHADO PARA DISPONIBILIZAÇÃO DE ACÓRDÃO EM 01/09/09 24/08/2009 RECEBIDO COM ACORDÃO GUIA NR. : 2009177748 ORIGEM : GAB.DES.FED. NERY JUNIOR 13/08/2009 JULGADO EMBARGOS DE DECLARAÇÃO (DECISÃO: "A Turma, por unanimidade, rejeitou os embargos, nos termos do voto do(a) Relator(a) Contudo é entendimento de que desde a publicação da sentença de primeira instância não dispõe mais a contribuinte de respaldo judicial para a compensação de prejuízos fiscais sem a limitação imposta por Lei, sentença esta confirmada no Tribunal. Assim, só resta a discussão sobre o valor de R$ 3.797.408,85 Não há dúvidas de que decisão recorrida validou o entendimento da autoridade administrativa, além disso, reduziu o valor de R$ 3.797.408,84 para R$ 1.349.596,34, julgando improcedente o pedido da contribuinte, sob o argumento de que para regularizar a apuração efetuada pela empresa no anocalendário de 1996, cumpre adicionar à base de cálculo a despesa indedutível de IRRF incidente sobre o pagamento dos JSCP, mantidos em conta de reserva destinada a aumento de capital em favor dos acionistas. Ora, no caso concreto sob análise, da análise do processo observase, de forma clara e indiscutível, a inexistência de regular ato de lançamento, a substanciar o crédito pretendido pela Fazenda Pública. Todavia, como já dito preambularmente, o processo em questão, a nosso ver, não pode ser objeto de apreciação porquanto inexiste o ato de lançamento que lhe deveria dar suporte. A recorrente, mediante o uso do procedimento de compensação outorgado em lei, extinguiu tributos declarados devidos, no caso recolhimento de estimativas do ano calendário de 1997, com créditos a que se julga de direito, nascidos, repitase, em decorrência de ter apurado saldo negativo de IRPJ no anocalendário de 1996. Ora, tendo a recorrente se validado do direito de compensação outorgado em lei, extinguiu os tributos que declarou devidos se dando por satisfeita. Noutras palavras, a recorrente, pela adoção do procedimento, quitou os tributos devidos declarados nos Fl. 2294DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 30 documentos fiscais de controle (declaração de rendimentos, DCTF's, etc.), inexistindo, pois, a partir desse ato, tributos efetivamente devidos. Nesse contexto, não concordando as autoridades fiscais com o procedimento de compensação levado a efeito pela recorrente, deveria, mediante regular ato de lançamento, ter formalizado a obrigação tributária, por duas fundamentais razões: (I) primeiro, porque a formalização do crédito tributário, ex vi do disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional, somente pode se realizar pelo ato lançamento de ofício, comumente denominado de auto de infração; (II) segundo, porque a contribuinte, em face do art. 5°, inciso LV, da CF, tem o inafastável direito, em processo judicial ou administrativo, ao contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes, objetivo em princípio somente atingível, na esfera administrativa, pela lavratura de auto de infração que, devidamente impugnado, possibilita a instauração da fase litigiosa abrindo, em derradeira instância, a competência deste Colegiado. Tenhase presente que este relator, ao assim decidir, não está afirmando que nos denominados tributos sujeitos a lançamento por homologação seria imprescindível o ato de lançamento quando o contribuinte, de forma regular, tenha declarado o montante de sua dívida tributária. A jurisprudência no Poder Judiciário é mansa e pacífica quanto à desnecessidade de lançamento nos denominados tributos sujeitos a lançamento por homologação, podendo desde logo a divida tributária regularmente confessada ser objeto de cobrança judicial, estando, pois, nessa circunstância, correta a orientação deste Colegiado quando entende não ser de sua competência a apreciação de recursos relativos a”'verdadeiros avisos de cobrança". Diante dessas circunstâncias, é dever inafastável das autoridades fiscais o de promover o regular e competente lançamento, formalizando adequadamente a obrigação tributária, respeitando o prazo decadencial de cada tributo. Nessa linha de entendimento, a autoridade fiscal não estava autorizada a promover revisão dos fatos ocorridos e registrados no ano de 1996, base do exercício de 1997, pois não houve auto de lançamento e se houvesse as irregularidades já estariam alcançados pelo instituto da decadência. Tendo presente que a autoridade fiscal não estava mais autorizada, observadas as normas jurídicas constantes do nosso ordenamento, a promover quaisquer alterações nos lançamentos contábeis efetuados pelo sujeito passivo, em datas anteriores ao anocalendário de 1997, o saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 1997 deve ser assim recomposto: DIPJ 1997 AC 1996 DRPJ 1997 DRF AUTO INFRAÇÃO JULGAMENTO DRJ JULGAMENTO CARF Lucro Real antes da compensação de prejuízos 16.877.326,93 16.877.326,93 16.877.326,93 16.877.326,93 Glosa de Despesa de JSCP 13.987.500,00 Lucro Real antes da Compensação de Prejuízos 16.877.326,93 16.877.326,93 30.864.826,93 16.877.326,93 Compensação de Prejuízos 6.877.326,93 5.063.198,08 9.259.448,08 5.063.198,08 Lucro Real após Compensação de Prejuízos 11.814.128,85 21.605.378,85 11.814.128,85 Fl. 2295DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10882.003744/200221 Acórdão n.º 1402001.736 S1C4T2 Fl. 17 31 Alíquota de 15% 1.772.119,33 3.240.806,83 1.772.119,33 Adicional 671.502,40 1.650.627,40 671.502,40 IRPJ Apurado 2.443.621,72 4.891.434,22 2.443.621,72 Antecipações IRRF 6.200.498,15 6.200.498,15 6.200.498,15 6.200.498,15 IR Mensal por Estimativa 40.532,41 40.532,41 40.532,41 40.532,41 IR a Pagar (6.241.030,56) (3.797.408,84) (1.349.596,34) (3.797.408,84) Descrição DIRPJ 1998 JULGAMENTO DRJ JULGAMENTO CARF Lucro Real após Compensação de Prejuízos 1.774.389,29 1.774.389,29 1.774.389,29 Alíquota de 15% 266.158,39 266.158,39 266.158,39 Adicional 153.438,93 153.438,93 153.438,93 IRPJ Apurado 419.597,32 419.597,32 419.597,32 Antecipações IRRF 6.329.662,56 6.472.983,14 6.610.907,14 IR Mensal por Estimativa 7.875.594,18 2.766.411,44 5.588.763,40 IR a pagar (13.785.659,42) (8.819.797,26) (11.780.073,22) Saldo Negativo de IRPJ 13.785.659,42 8.819.797,26 11.780.073,22 Compensação efetuada contabilmente 3.142.782,34 3.142.792,34 3.142.792,34 Saldo Negativo de IRPJ a Compensar 10.642.867,09 5.682.690,78 8.637.280,88 Registrese que o valor do IR Mensal por Estimativa representa a soma dos seguintes valores; (i) IRRF comprovadamente retido e deduzido de R$ 1.252.466,59; (ii) a parte paga de R$ 292,28; (iii) as estimativas de fevereiro a junho de 1997 (no valor total de R$ 125.057,86) e, em parte, a estimativa de julho de 1997, no valor de R$ 4.210.946,67 (R$ 3.797.408,85 mais atualização) regularmente compensadas com o saldo negativo de IRPJ apurado em 1996. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria, voto no sentido de dar provimento parcial ao Fl. 2296DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 32 recurso para reconhecer o direito creditório em litígio, no valor de R$ 8.637.280,88, incluído aí o valor reconhecido pela decisão recorrida e homologar as compensações até o limite do crédito ora reconhecido. Observando que, se houver crédito remanescente após a implementação das compensações formalizadas nas declarações de compensação, é que poderá ser atendido o pedido de restituição de fls. 01/02. (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Fl. 2297DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ
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Numero do processo: 19647.002428/2009-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 01 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1302-000.218
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros 2ª Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Eduardo de Andrade
Presidente em Exercício
(documento assinado digitalmente)
Paulo Roberto Cortez - Relator
Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo de Andrade (Presidente), Marcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Alberto Pinto Souza Junior, Paulo Roberto Cortez e Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros 2ª Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Presidente em Exercício (documento assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Relator Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo de Andrade (Presidente), Marcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Alberto Pinto Souza Junior, Paulo Roberto Cortez e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 96 47 .0 02 42 8/ 20 09 -6 6 Fl. 427DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 19647.002428/200966 Resolução nº 1302000.218 S1C3T2 Fl. 9 2 Relatório HIPERCARD BANCO MULTIPLO S/A, já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife PE, que negou provimento à impugnação apresentada contra os autos de infração lavrados a título de IRPJ (fls. 06, vol. 1) CSLL (fls. 11, vol. 1). Consta no Termo de Verificação Fiscal (fls. 14/18), “1. SALDOS DE PREJUÍZOS DE PERÍODOS ANTERIORES (ATÉ 31/12/2003) Apresentamos no quadro abaixo a situação fiscal do contribuinte, relativa aos saldos anteriores de prejuízo fiscal, levantada a partir das informações prestadas por ele nas DIPJs cujos os períodos de apuração foram encerrados de 01/01/2000 até 31/12/2003, sendo as aludidas informações controladas no âmbito da Receita Federal pelo Sistema de Acompanhamento de Prejuízo Fiscal, da Base de Cálculo Negativa da CSLL e do Lucro Inflacionário — SAPLI. ANO CALENDÁRIO LUCRO REAL COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO DE PERÍODOS ANTERIORES OBSERVAÇÕES 2000 50.184.378,22 DIPJ/2001 2001 59.933.550,83 Lançamento de Ofício * 1/01 a 19/04/2002 15.832.423,33 Lançamento de Ofício * 20/04 a 25/09/2002 52.024.846,29 Lançamento de Ofício 26/09 a 31/12/2002 7.100.678,27 Lançamento de Ofício 2003 72.659.080,98 Lançamento de Ofício Salientamos que, nos períodos 2001 e 2002 os prejuízos fiscais declarados foram revertidos após lançamento de ofício na determinação do lucro real nos termos do Processo Administrativo Fiscal n° 19647.013200/200497. Portanto, inexistia no anocalendário 2004, saldo de prejuízo fiscal de períodos anteriores. 2. SALDOS DA BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL DE PERÍODOS ANTERIORES (ATÉ 31/1212003) No quadro resumo abaixo transcrevemos a situação fiscal do contribuinte, relativa aos saldos anteriores da base de cálculo negativa da CSLL, levantada a partir das informações prestadas por ele nas Fl. 428DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 19647.002428/200966 Resolução nº 1302000.218 S1C3T2 Fl. 10 3 DIPJs cujos os períodos de apuração foram encerrados de 01/01/2000 até 31/12/2003, sendo as referidas informações controladas no âmbito da Receita Federal pelo Sistema SAPLI. ANO CALENDÁRIO BASE DE CÁLCULO DA CSLL COMPENSAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL DE PERÍODOS ANTERIORES OBSERVAÇÕES 2000 44.900.951,04 DIPJ/2001 2001 53.516.556,87 DIPJ/2002 * 1/01 a 19/04/2002 10.582.371,24 DIPJ/2002 * 20/04 a 25/09/2002 47.804.696,57 Lançamento de Oficio 26/09 a 31/12/2002 27.119.725,18 Lançamento de Oficio 2003 71.741.331,14 Lançamento de Oficio Ressaltamos que, no anocalendário 2002 a base de cálculo negativa da CSLL declarada foi revertida após lançamento de ofício na determinação da contribuição social sobre o lucro nos termos do Processo Administrativo Fiscal n° 19647.013200/200497. Logo, inexistia no anocalendário 2004 saldo de base de cálculo negativa da CSLL de períodos anteriores. 3 — RESPONSABILIDADE DA EMPRESA SUCESSORA Em razão da extinção de HIPERCARD ADMINISTRADORA DE CARTÃO DE CRÉDITO LTDA, CNPJ n° 35.525.989/000131, por ter sido incorporada por HIPERCARD BANCO MÚLTIPLO S/A, CNPJ n° 03.012.230/000169, evento ocorrido em 28/07/2005 conforme Protocolo e Justificação de Incorporação DOC.8. , assim sendo, nos termos dos Arts. 129 e 132, da Lei n° 5.172/1966; inciso III do art. 5% do DecretoLei n° 1.598/1977; inciso III do art. 207 e art. 209, do Decreto n° 3.000/1999 a sucessão naquela data passou a ser responsável pelos tributos devidos pela sucedida. Então, todos os atos processuais relativos aos lançamentos de ofício do IRPJ e da CSLL serão lavrados em nome do contribuinte sucessor. 4. DAS ALEGAÇOES APRESENTADAS PELA SUCESSORA Durante o procedimento de revisão a sucessora foi regularmente intimada a apresentar esclarecimentos acerca da compensação a maior realizada no anocalendário 2004 relativamente ao prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa da CSLL e, dentre outros elementos, a sua escrita contábil e fiscal, conforme demonstram os documentos: TERMO N° 001, lavra de 21/11/2008, enviado pelos Correios; e, TERMO N° 002, a ciência a esse termo foi pessoal em 03/12/2008 DOC.2. Fl. 429DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 19647.002428/200966 Resolução nº 1302000.218 S1C3T2 Fl. 11 4 Mediante correspondência datada de 12/12/2008 a sucessora HIPERCARD BANCO MÚLTIPLO S/A, por intermédio de sua representante legal DOC.3 , tentou justificar as aludidas compensações apresentando 02(dois) quadros demonstrativos de composição e utilização do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL, onde esclareceu que a sucedida possuía um saldo de prejuízo fiscal de R$ 133.053.849,72 e de base de cálculo negativa da CSLL um saldo de R$ 129.196.835,23 oriundos do período de apuração encerrado em 25/09/2002. O sujeito passivo não apresentou a escrita fiscal e/ou contábil, especialmente, o LALUR. Diante do exposto e considerando que as matérias tributárias (lucro real e base de cálculo da CSLL) do período encerrado em 25/09/2002 foram determinadas e lançadas de ofício, conforme já evidenciamos nos tópicos 1 e 2, o que nos leva a concluir que a pessoa jurídica sucedida dispunha efetivamente para compensação no anocalendário 2004,;relativamente a prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL de períodos anteriores, saldos iguais a zero. 5 — EFEITOS TRIBUTÁRIOS DECORRENTES DAS DIVERGENCIAS APURADAS DO IRPJ E DA CSLL ANO CALENDÁRIO 2004 Conforme verificamos, a empresa apresentou a DIPJ do ano calendário de 2004, pela forma de tributação com base no Lucro Real Anual. Em conseqüência de o contribuinte ter reduzido indevidamente em 30% o Lucro Líquido Ajustado na forma do artigo 510 do RIR/1999, como também a base de cálculo da CSLL; tendo em vista a inexistência de saldos de prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL de períodos anteriores, por conseguinte, no referido anocalendário ocorreu falta ou insuficiência de recolhimentos do IRPJ e CSLL. Dessa forma, elaboramos nos tópicos 6.1 e 6.2 demonstrativos de apuração anual do IRPJ e da CSLL, com base nos quais apuramos os valores de insuficiência de recolhimentos. Face ao exposto, estamos procedendo ao Lançamento de Ofício sobre os valores de insuficiências de recolhimentos do IRPJ e da CSLL, para fins de constituição do Crédito Tributário na forma do artigo 841 — III e IV, 926 e 957 — I, § único — I, do Regulamento do imposto de Renda, aprovado pelo Decreto N° 3.000 de 29/03/1999; art. 33, caput e §3°, da Lei n° 8.212/1991; arts. 57 e 97, Lei n° 8.981/1995, c/c inciso I do art. 44, da Lei N° 9.430/96. Irresignada com a exigência fiscal, a contribuinte apresentou tempestiva impugnação (fis. 136/151), alegando em síntese, que: a) os valores lançados só poderiam ser exigidos se confirmadas, por decisão final, as reversões de oficio efetuadas no Sapli decorrentes do lançamento consubstanciado no Processo n° 19647.013200/200497. De maneira que haveria a necessidade de sobrestar o presente processo, ou suspender a exigibilidade do crédito, "sob pena de cobrança indevida de tributos"; Fl. 430DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 19647.002428/200966 Resolução nº 1302000.218 S1C3T2 Fl. 12 5 b) a multa de 75% seria indevida, porquanto a infração que lhe • deu ensejo teria sido praticada pela Hipercard Administradora de Cartão de Crédito, antes de essa empresa ter sido incorporada pela impugnante, o que teria ocorrido em 28/07/2005; c) seria indevida a exigência de juros sobre a multa e seria imprestável a aplicação da Taxa Selic, para efeito de cálculo dos juros de mora. A 3ª Turma da DRJ em Recife/PE analisou a defesa apresentada pela contribuinte e, mediante o Acórdão nº 1129.377, de 30 de março de 2010 (fls. 631/640), negou provimento, conforme ementa a seguir transcrita: Assunto: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEL INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade, tarefa privativa do Poder Judiciário. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO, IMPOSSIBILIDADE. O processo administrativo fiscal é regido por princípios, dentre os quais o da oficialidade, que obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 PREJUÍZO. INEXISTÊNCIA DE SALDO. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. APURAÇÃO DO IMPOSTO. É cabível lançamento de ofício para formalizar crédito decorrente de compensação indevida de prejuízos de anos anteriores caracterizada pela inexistência de saldo acumulado. Assunto: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO CSLL Anocalendário: 2004 BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. APURAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO. É cabível lançamento de oficio para formalizar crédito decorrente de compensação indevida de bases de cálculo negativas de anos anteriores, caracterizada pela inexistência de saldo acumulado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 Fl. 431DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 19647.002428/200966 Resolução nº 1302000.218 S1C3T2 Fl. 13 6 MULTA DE OFICIO. SUCESSORA POR INCORPORAÇÃO. RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA. A incorporadora é responsável pelo pagamento da multa de ofício decorrente de infração atribuída à incorporada, mormente se sucessora e sucedida têm em comum a mesma controladora. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Ciente da decisão de primeira instância em 17/05/2000 (fls. 642), e com ela inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário em 16/06/2010 (registro de recepção à fl. 643 e razões de recurso às fls. 643/667, mediante o qual reitera todos os argumentos expendidos na manifestação e inconformidade, reforçando os seguintes itens: que o Termo de Verificação Fiscal anexo aos autos de infração esclarece que o que levou o ilustre fiscal autuante a concluir pela suposta insuficiência de saldo de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSL foi o fato de ter assumido como definitivas as reversões efetuadas de oficio pela fiscalização no auto de infração que deu origem ao processo administrativo n° 19647.013200/200497, o qual contudo é objeto de impugnação na esfera administrativa, estando atualmente aguardando julgamento do recurso voluntário pela lª Turma., 2ª Câmara Ordinária do CARF (doc. j.), encontrandose por esse motivo o crédito tributário correspondente (e as respectivas compensações de oficio de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa) com sua exigibilidade suspensa, nos termos do artigo 151, inciso III do Código Tributário Nacional; que os valores objeto destes autos de infração somente poderão ser exigidos se confirmadas por decisão final as reversões de oficio procedidas naquele auto de infração n° 19647.013200/200497, prejudicial ao presente lançamento, posto que até que isto ocorra permanece suspensa a exigibilidade do crédito tributário correspondente, nos termos do artigo 151, inciso III do CTN, não se podendo falar em insuficiência de saldo de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa da M. de modo que, tal como demonstrado na impugnação interposta, deverá ser sobrestado o julgamento deste feito, ou suspensa a exigibilidade do crédito tributário, até julgamento final daquele outro processo administrativo; que, a prevalecer a cobrança dos autos de infração em questão correse o risco de ver concretizada nestes autos a execução definitiva da conseqüência de uma decisão ainda provisória proferida nos autos do processo administrativo n° 19647 .0132001200497, o que não pode ser admitido; que os autos de infração impugnados foram lavrados contra o ora Recorrente na qualidade de sucessor por incorporação, tendo as infrações apontadas pela fiscalização sido supostamente praticadas pela empresa sucedida em 31/12/2004, antes portanto do evento sucessório que se deu em 28/07/2005. Não obstante o Recorrente ser responsável pelos tributos devidos pela pessoa jurídica sucedida, contudo, certo é que na qualidade de sucessor por incorporação jamais poderia dele ser exigida a multa por infração supostamente cometida pela empresa incorporada. Com efeito, nos termos do artigo 132 do Código Tributário Nacional, o sucessor responde apenas pelos tributos devidos, jamais por multas Punitivas; que os juros moratórios sobre a multa de ofício, incidentes com base na taxa Selic, embora não exigidos nos autos de infração, o Recorrente impugnou a pretensão Fl. 432DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 19647.002428/200966 Resolução nº 1302000.218 S1C3T2 Fl. 14 7 fiscal, até para que não se alegue posteriormente que tal matéria não pode ser objeto de exame porque não foi abordada na defesa apresentada; que é imprestável a taxa Selic para o cômputo dos juros moratórios. É o Relatório. Fl. 433DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 19647.002428/200966 Resolução nº 1302000.218 S1C3T2 Fl. 15 8 Voto Conselheiro Paulo Roberto Cortez Relator O recurso voluntário apresentado pela Recorrente é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Dele tomo conhecimento. Da análise das peças que compõe os presentes autos, concluise que não se encontram presentes os requisitos indispensáveis à solução da lide, tendo em vista a existência de uma questão processual que é prejudicial à apreciação deste processo. O presente auto de infração foi lavrado em decorrência exclusiva da inexistência, no anocalendário de 2004, de saldo de prejuízo fiscal e de base negativa da CSLL compensáveis, tendo em vista a reversão efetuada por ocasião da lavratura do auto de infração constante no processo n° 19647.013200/200497, ainda não decidido definitivamente neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. De acordo com pesquisa feita no site do CARF (carf.fazenda.gov.br), constata se que o citado processo, encontrase pendente de análise de embargos de declaração junto à 1ª Turma da 2ª Câmara da 1ª Seção deste CARF. Nessas condições, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que o presente processo fique sobrestado até a decisão final do processo nº 19647.013200/200497, da qual deverá ser juntada cópia da mesma e só então retornar o presente a este tribunal administrativo. É como voto. Paulo Roberto Cortez Fl. 434DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ
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Numero do processo: 11080.722758/2009-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA
A simples contrariedade do recorrente com a motivação esposada na decisão de primeira instância não constitui vício capaz de incorrer em sua desconsideração, mormente quando o julgado a quo abordou todos os argumentos da impugnação e expôs seus motivos para acatar ou não as alegações da defesa.
CRÉDITO SOBRE DISPÊNDIOS PREVISTOS NO ART. 3º, II, DA LEI 10.833/2003. CONCEITO DE INSUMOS. RELAÇÃO DE PERTINÊNCIA E DEPENDÊNCIA COM O PROCESSO DE PRODUÇÃO E FABRICAÇÃO DE BENS OU PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS.
No regime de apuração não cumulativa das contribuições ao PIS e à COFINS, o desconto de créditos das aquisições de bens e direitos utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens destinados a venda (art. 3°, II, das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03), está condicionado a relação de pertinência e dependência do insumo ao processo produtivo ou de fabricação do bem ou prestação de serviços pelo contribuinte, analisada em cada caso em concreto, não sendo aplicável o conceito restrito das INs 247/02 e 404/04, que equiparou o insumo aos produtos intermediários no âmbito do IPI e nem o conceito mais elástico de despesa necessária previsto para o IRPJ.
PIS E COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITO SOBRE SERVIÇOS DE ARMAZENAGEM. SERVIÇOS PORTUÁRIOS. ABRANGÊNCIA E LIMITES.
Concedem o crédito das contribuições ao PIS e à COFINS os serviços de armazenagem, sendo a esta inerentes os serviços portuários que compreendem dispêndios com serviços de carregamento, armazenagem na venda, emissão notas fiscais de armazenamento/importação e serviços de medição de equipamentos portuários.
COFINS. SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA A TAXA SELIC. ÓBICE CRIADO PELA ADMINISTRAÇÃO. INCIDÊNCIA.
O art. 13 da Lei n° 10.833/2003, que veda a atualização monetária e a incidência dos juros, não se aplica quando a mora no ressarcimento decorre de óbice criado pela própria Administração, caso em que incide a correção pela SELIC.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 3402-002.436
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencidos conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida e Gilson Macedo Rosenburg Filho quanto a aplicação da taxa selic ao valor ressarcido. Fez sustentação oral dr Rafael Korff Wagner OAB/RS 48127.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (SUPLENTE), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA A simples contrariedade do recorrente com a motivação esposada na decisão de primeira instância não constitui vício capaz de incorrer em sua desconsideração, mormente quando o julgado a quo abordou todos os argumentos da impugnação e expôs seus motivos para acatar ou não as alegações da defesa. CRÉDITO SOBRE DISPÊNDIOS PREVISTOS NO ART. 3º, II, DA LEI 10.833/2003. CONCEITO DE INSUMOS. RELAÇÃO DE PERTINÊNCIA E DEPENDÊNCIA COM O PROCESSO DE PRODUÇÃO E FABRICAÇÃO DE BENS OU PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. No regime de apuração não cumulativa das contribuições ao PIS e à COFINS, o desconto de créditos das aquisições de bens e direitos utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens destinados a venda (art. 3°, II, das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03), está condicionado a relação de pertinência e dependência do insumo ao processo produtivo ou de fabricação do bem ou prestação de serviços pelo contribuinte, analisada em cada caso em concreto, não sendo aplicável o conceito restrito das IN’s 247/02 e 404/04, que equiparou o insumo aos produtos intermediários no âmbito do IPI e nem o conceito mais elástico de despesa necessária previsto para o IRPJ. PIS E COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO SOBRE SERVIÇOS DE ARMAZENAGEM. SERVIÇOS PORTUÁRIOS. ABRANGÊNCIA E LIMITES. Concedem o crédito das contribuições ao PIS e à COFINS os serviços de armazenagem, sendo a esta inerentes os serviços portuários que compreendem dispêndios com serviços de carregamento, armazenagem na AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 27 58 /2 00 9- 12 Fl. 234DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 2 venda, emissão notas fiscais de armazenamento/importação e serviços de medição de equipamentos portuários. COFINS. SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA A TAXA SELIC. ÓBICE CRIADO PELA ADMINISTRAÇÃO. INCIDÊNCIA. O art. 13 da Lei n° 10.833/2003, que veda a atualização monetária e a incidência dos juros, não se aplica quando a mora no ressarcimento decorre de óbice criado pela própria Administração, caso em que incide a correção pela SELIC. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencidos conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida e Gilson Macedo Rosenburg Filho quanto a aplicação da taxa selic ao valor ressarcido. Fez sustentação oral dr Rafael Korff Wagner OAB/RS 48127. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (SUPLENTE), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 11080.722758/200912 Acórdão n.º 3402002.436 S3C4T2 Fl. 235 3 Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento realizado em 09/03/2009, de COFINS não cumulativa vinculado ao mercado interno (alíquota zero) dos meses de outubro a dezembro de 2006, para posterior compensação, no valor de R$561.428,57 (quinhentos e sessenta e um mil e quatrocentos e vinte e oito reais e cinquenta e sete centavos). A DRF de origem analisou o pleito do contribuinte com base na Informação Fiscal de fls. 04 a 10 – numeração eletrônica, reconhecendo parcialmente o crédito pleiteado (até o limite de R$561.257,93), constatando supostas irregularidades nos cálculos dos créditos quanto à: (i) créditos de fretes e armazenagem nas vendas – alegando que algumas das rubricas a seguir não são, efetivamente, frete ou armazenagem nas operações de venda (1.1.06.04.0002 Armazenagem Exterior e 3.1.04.46.4602 Gastos c/ Exportação relativos a serviços de emissão de NF de armazenagem de importação, medição de equipamentos armazéns portuários, transporte de produtos granel de inflável, serviços prestados de carregamento no Porto de Rio Grande; (ii) crédito de bens ou serviços utilizados como insumos – (produto descarregado no porto e transportado até a fábrica por TUBOVIA, montagem de andaimes, instalação de cano condutor de água na granulação, recuperação e modificação de rampa de entrada de caminhões, separação e construção de rede de esgotos, andaime tubular para manutenção de ponte aérea. O Despacho Decisório 1.716/2009, em 12/11/2009, homologou assim parcialmente o direito creditório, intimando o contribuinte a se manifestar. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório em 04/12/2009, o contribuinte apresentou tempestivamente, em 04/01/2010, sua Manifestação de Inconformidade, aduzindo sinteticamente que: · tem direito a creditarse dos valores glosados referentes a gastos com armazenagem e movimentações dos produtos necessários a venda, nos exatos termos do §1º do art. 6º da Lei nº 10.833/03, do qual interpreta que as empresas exportadoras podem se creditar do PIS e da COFINS inclusive sobre despesas com armazenagens e frete em suas operações de venda, pagas ou creditadas as pessoas residentes no Brasil, mesmo que as movimentações tenham sido efetuadas dentro de suas dependências ou porto, para tanto, anexa notas fiscais de frete; · é cabível o direito creditório em relação aos bens e serviços utilizados como insumos, uma vez que os gastos glosados pela Fiscalização se referem a serviço de logística, realizados por máquinas e operadores necessários tendo em vista que os produtos recebidos são a granel e necessitam desses meios próprios para transporte, caracterizando prestação de serviço e gerando direito de créditos das contribuições; Fl. 236DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 4 · alega ainda, que o crédito a ser aproveitado pelo contribuinte, deverá ser corrigido pela aplicação da taxa SELIC para fins da aplicação dos débitos fazendários. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise aos argumentos sustentados pelo sujeito passivo em sua defesa, a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (DRJ/POA), houve por bem considerar improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, não reconhecendo o direito creditório em questão, tendo proferido o Acórdão nº 1030.520, ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA CONCESSÃO SEGUNDO PREVISÃO E REGULAMENTAÇÃO. Os créditos da contribuição não cumulativa devem ser concedidos e negados nos termos da previsão legal e regulamentação normativa sobre o assunto. CONTROLE DA CONSTITUCIONALIDADE. O controle de constitucionalidade da legislação que fundamenta o lançamento é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instância revisional no STF. TAXA SELIC FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Não incidem correção monetária e juros sobre os créditos de PIS e de COFINS objetos de ressarcimento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em apertada síntese, a DRJ/POA entendeu que na atual legislação vigente, não há previsão para o creditamento do frete utilizado para transportar bens importados, empregados como insumos em processo produtivo, do local do desembaraço, inclusive em depósito portuário ou não, até o estabelecimento fabril da contribuinte. Quanto à rubrica 1.1.06.04.0002 Armazenagem Exterior, houve explicação no processo administrativo nº 11080.003570/200971, onde o contribuinte relata que se referem a despesas com processo de desembaraço aduaneiro e aquisição das matérias primas importadas e não de exportação, e por esse motivo não há direito de crédito da contribuição ao contribuinte. Além disso, como os insumos são adquiridos à alíquota zero (art. 1º da Lei 10.925/2004), mesmo que fossem adquiridos no mercado interno, não poderiam ter direito de Fl. 237DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 11080.722758/200912 Acórdão n.º 3402002.436 S3C4T2 Fl. 236 5 crédito sobre bens e serviços agregados ao custo de aquisição ao custo da matériaprima. Isto porque se não há tributação sobre os insumos, não gerando direito de desconto de crédito da contribuição, também não pode haver sobre bens e insumos que se agregam a matériaprima como o frete ou seguro, pois a natureza da tributação incidente sobre o principal (insumos) não pode ser descaracterizada por elementos secundários que se agregam ao principal. Por fim, asseverou que, não consta nos autos que a contribuinte tenha solicitado para a DRF de origem a aplicação da taxa SELIC (art.39,§4°, da lei 9.250/1995) do momento do pedido de ressarcimento até o momento do efetivo recebimento, como meio de correção monetária e, mesmo que tivesse pedido, não seria cabível. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificado em 18/04/2011 do Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (Termo de Ciência de fls. 170 – n.e.), o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário em 18/05/2011, argumentando preliminarmente a nulidade da decisão da DRJ tendo em vista deixou apreciar argumentos trazidos na sua impugnação sob o fundamento de que é defeso à Administração Tributária analisar arguições de inconstitucionalidade, porém, que não pediu ao julgador que declarasse alguma inconstitucionalidade no processo, mas sim, que aos olhos de sua livre convicção, verificasse se as situações de fato ocorridas nos autos (ou as leis nele utilizadas) contrariariam, em substancia, princípios constitucionais pelo que, em sendo positiva esta resposta, deveria o julgador, por obrigação deixar de aplicálas. Meritoriamente, pugna pelo reconhecimento do direito de crédito de PIS e COFINS sobre as despesas formadoras de receita da Recorrente, previsto no art. 3º da Lei nº 10.637/02 e 10.833/2004 (e alterações posteriores), sob pena de violação da sistemática de não cumulatividade quista pelo legislador constitucional, repisando todos os argumentos trazidos em sede de Impugnação, trazendo, segundo sua ótica, um breve resumo dos insumos glosados e jurisprudência no sentido, requerendo, por fim, seja reconhecida a nulidade da decisão recorrida e a reforma da mesma, para o fim de reconhecer o direito creditório ora pleiteado homologandose as compensações efetuadas no curso do processo. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, numerado até a folha 233 (duzentos e trinta e três), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 6 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. O recurso foi apresentado tempestivamente, preenchendo os demais pressupostos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Tratase de glosa de créditos de PIS e de COFINS, decorrentes de apropriação a maior de créditos das contribuições em questão, em relação a bens e serviços utilizados como insumo pelo contribuinte, segundo o comando do artigo 3º da Lei 10.637/2002 e 10.833/2002 (sistemática da nãocumulatividade), assim como com despesas de armazenagem e frete nas operações de venda. Sustenta, ainda, o direito a incidência da SELIC sobre os créditos objeto do ressarcimento. Delimitado o cerne da controvérsia, cumpre abordar separadamente as questões em discussão, nos termos a seguir: I PRELIMINAR: I.a) Nulidade da decisão pela não apreciação de argumentos na impugnação: A primeira questão a ser analisada diz respeito à nulidade da decisão recorrida alegada pelo fato de ter deixado apreciar argumentos trazidos na sua impugnação sob o fundamento de que é defeso à Administração Tributária analisar arguições de inconstitucionalidade. As regras sobre nulidades, no Decreto nº 70.235/72, estão contidas basicamente em três artigos, a saber: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. §1º. A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. §2º. Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. §3º. Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade Fl. 239DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 11080.722758/200912 Acórdão n.º 3402002.436 S3C4T2 Fl. 237 7 julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Depreendese que as nulidades absolutas, em princípio, se cingem aos atos com vícios por incapacidade do agente ou que ocasionem cerceamento do direito de defesa. De outra sorte, é de se aplicar o princípio da salvabilidade do processo artigo 60 por medida de economia processual e, por conseguinte, com vantagem ao Erário e ao administrado. Cabe esclarecer, que não se caracteriza omissão da autoridade julgadora de primeiro grau ou cerceamento do direito à ampla defesa, declarar ser defeso, no âmbito administrativo, qualquer manifestação acerca da legalidade ou inconstitucionalidade das leis. Tratase apenas de delimitar a competência do julgador administrativo que, como se sabe, não abrange arguições de inconstitucionalidade, matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário, por atribuição constitucional. Da mesma forma, não compete a este Colegiado se pronunciar quanto à legalidade ou inconstitucionalidade da Lei Tributária, de acordo com o art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009 (publicada no DOU de 23/ 06/2009), que regula o julgamento administrativo de segunda instância, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. O entendimento acima também já foi sumulado: Fl. 240DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 8 Súmula CARF no 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. O resultado do julgamento pode não ter sido o esperado pela defesa, porém a simples contrariedade do recorrente com a motivação esposada no acórdão guerreado, não constitui qualquer vício material capaz de incorrer em sua plena desconsideração, até porque o livre convencimento do julgador administrativo encontrase resguardado pelo art. 29, do Decreto no 70.235, de 1972. Nestes termos, não houve a alegada falta de fundamentação da decisão recorrida, pelo que rejeito a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância. II – MÉRITO II.a) Glosas de Créditos sobre Aquisição de Bens ou Serviços utilizados como insumos: Como se atesta da análise dos autos, uma das principais questões do processo diz respeito à interpretação e ao alcance da expressão “insumo”, contida no inciso II, do artigo 3°, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003, para as Contribuições ao PIS e à COFINS, respectivamente, e que muito tem rendido de debates na comunidade jurídica tributária e fiscal pátria nos últimos anos. Neste sentido, antes de adentrar nos itens que compuseram a glosa a título de insumo no caso em concreto, é mister deixar firmadas as premissas que presidem o entendimento deste Relator acerca da interpretação do conceito de insumo, sendo o que passo a fazer. Inicialmente, é sabido que as Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03 instituíram, para o PIS e a COFINS, um sistema de concessão e proibição de créditos expressamente mencionados, denominandoo de “nãocumulatividade”. Contudo, os contribuintes conheciam, até então, somente a sistemática de apuração nãocumulativa aplicável ao IPI e ao ICMS, para os quais o direito de crédito está relacionado ao pagamento (ou “incidência”) de tais tributos nas etapas anteriores de produção e circulação de bens, e, ainda, que estão balizados pela produção e circulação “física” de produtos ou mercadorias. Para melhor posicionar, convém destacar o dispositivo legal das leis citadas que em ambas estão no artigo 3º artigo, e que em seus incisos II, rezam especificamente haver direito ao crédito pela entrada de “... bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda...”. Ao assim dispor, considerando o grande número de produtos, bens e serviços utilizados pelos contribuintes na produção ou fabricação, nem tudo pôde ali ser contemplado. Ainda, as mesmas leis cometeram a grave omissão (sob o particular ponto de vista) de, ao se referirem aos “insumos” como concessores de crédito, não definiram ou especificaram o alcance de seu conceito. É importante frisar que para fins tributários, o termo “insumo” nem sempre representa o mesmo universo de bens ou serviços, como se tem exemplificado na apuração do IPI e do Imposto sobre a Renda – para citar tais exemplos, por mais marcantes e frequentes. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 11080.722758/200912 Acórdão n.º 3402002.436 S3C4T2 Fl. 238 9 Enquanto no universo do primeiro o conceito de insumo está ligado aos bens “consumidos no processo produtivo” no do segundo, corresponde a “custos e despesas necessárias”. Assim, ao se referirem as Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 ao direito de crédito relativo a insumos, sem lhes delimitar a extensão, trouxe consigo a dúvida se nesse conceito estarão incluídas as despesas que se demonstram necessárias, mas não representam entradas de bens ou serviços utilizados diretamente na produção, fabricação ou na comercialização dos produtos. Maior ainda a dificuldade de, ao elaborar uma “lista” de bens e serviços concedentes de créditos é discernir o que representa insumo para algumas atividades e não para outras. O posicionamento da Administração tributária, diante das dúvidas geradas, tem sido o de restringir a eficácia do sistema previsto como nãocumulativo para uma técnica de abatimento de créditos pontuais, sendo tal posicionamento externado através das Instruções Normativas nºs 247/02 e 404/04, que reconhecem como insumos concessivos de crédito somente aqueles bens ou serviços que são utilizados na fabricação ou produção dos bens tais como a matéria prima, produtos intermediários, as embalagens e “quaisquer outros bens que sofreram alterações, tais como desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobiliado” (§ 4° do art. 8° da IN 404/04), ou seja, buscou aplicar ao PIS e à COFINS o conceito de insumos utilizado para o IPI, desde o Parecer CST n° 65/79, que definiu o conceito de “produto intermediário” para fins deste tributo que grava a industrialização. No entanto, em que pese referida regulamentação decorrer de competência outorgada pelas próprias Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03,é assente que essa delegação de competência não permite às normas infralegais inovarem a ordem jurídica, mas apenas disciplinarem os procedimentos para o fiel cumprimento da lei (art. 84, IV, da CRFB1988). Ao pretenderem definir o alcance do conceito do que seja insumo, aplicando o mesmo raciocínio vigente para a disciplina do IPI, as citadas Instruções Normativas, no entendimento particular, olvidaram dos diversos aspectos vinculados a técnica da não cumulatividade, especialmente o fato de que as contribuições ao PIS e à COFINS gravam a “totalidade das receitas”, e não apenas produção e circulação de produtos/mercadorias, fisicamente considerados. E, ao partir dessa premissa por elas pressuposta (e não pela legislação) acabaram inovando a ordem jurídica, o que lhes é vedado. Nesta mesma linha temos o entendimento de José Antonio Minatel, ao pontuar que: ...essa técnica adotada para a neutralização da incidência daqueles impostos, que como se disse gravam a circulação de bens (aqui tomada em seu sentido lato,) não tem a mesma pertinência que a recomende para ser introduzida no contexto da tributação da receita, por absoluta falta de afinidade entre os conteúdos do pressuposto material das diferentes realidades. 1 Na mesma linha de entendimento leciona Marco Aurélio Greco, destacando a impossibilidade de serem utilizados os conceitos do IPI na apuração do PIS e da COFINS não cumulativos: (...) não há um dispositivo que, categoricamente, determine que “insumo” deva ser entendido como algo assim regulado pela legislação 1 MINATEL, José Antonio. Conteúdo do conceito de receita e regime jurídico para sua tributação. São Paulo, MP, 2005, p. 180. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 10 daquele imposto (...) o regime de créditos existe atrelado à técnica da nãocumulatividade que, em se tratando de PIS/COFINS não encontra na Constituição perfil idêntico ao do IPI. (...) no âmbito da não cumulatividade do IPI, a CF/88 (art. 153, § 3°, II) restringe o crédito ao valor do imposto cobrado nas operações anteriores... Por isso, insumo para fins de nãocumulatividade de IPI é conceito de âmbito restrito, por alcançar, fundamentalmente, matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Por outro lado, nas contribuições, o § 12 do art. 195 da CF não fixa parâmetros para o desenho da nãocumulatividade o que permite às Leis mencionadas adotarem a técnica de mandar calcular o crédito sobre o valor dos dispêndios feitos com a aquisição de bens e também de serviços tributados, mas não restringe o crédito ao montante cobrado anteriormente. (...) No âmbito do IPI o referencial constitucional é um produto (objeto físico) e a ele deve ser reportada a relação funcional determinante que poderá, ou não, ser considerado “insumo”... no âmbito do PIS/COFINS a referência explícita é a “produção ou fabricação”, vale dizer às ATIVIDADES e PROCESSOS de produzir ou fabricar, de modo que a partir deste referencial deverá ser identificado o universo de bens e serviços reputados seus respectivos insumos.2 Com efeito, entendo que a pretensão das citadas Instruções Normativas editadas pela Receita Federal do Brasil está em desacordo com o comando normativo contido nos arts. 3º, das citadas Leis, pois que não se poderia vincular a não cumulatividade inerente as contribuições ao PIS e à COFINS, que gravam a receita bruta das empresas, ao pressuposto de que os dispêndios concessores de crédito fossem apenas aqueles ligados fisicamente ao processo produtivo, no sentido de entender como insumos apenas os itens que neles se desgastam. E isto porque, fundamentalmente inexiste previsão legal para tanto, sendo que a interpretação que se deve aplicar, em consonância com o comando do art. 109 do CTN, deve guardar relação de proporcionalidade com o fato jurídico gravado pelo tributo, no caso, a receita bruta, e não a produção ou circulação, fisicamente falando, de produtos ou mercadorias, estes sim, vinculados ao IPI e ICMS. É nesse sentido o entendimento contido no v. Acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região, nos autos da Apelação Cível Nº 002904040.2008.404.7100/RS, em 14.07.2011, cuja Ementa, da lavra do Desembargador Federal Joel Ilan Paciornik, contém a afirmação que segue: Não há paralelo entre o regime não cumulativo de IPI/ICMS e o de PIS/COFINS, justamente porque os fatos tributários que os originam são completamente distintos. O IPI e o ICMS incidem sobre as operações com produtos industrializados e a circulação de bens e serviços em inúmeras etapas da cadeia econômica; a não cumulatividade visa evitar o efeito cascata da tributação, por meio da técnica de compensação de débitos com créditos. Já o PIS e a COFINS incidem sobre a totalidade das receitas auferidas, não havendo semelhança com a circulação característica de IPI e ICMS, em que existem várias operações em uma cadeia produtiva ou circulatória de bens e serviços. Assim, a técnica empregada para concretizar a não cumulatividade de PIS e COFINS se dá mediante redução da base de cálculo, com a dedução de créditos relativos às contribuições que foram 2 GRECO, Marco Aurélio. Conceito de insumo à luz da legislação de PIS e COFINS. Revista Fórum de Direito Tributário, v. 34, jul/ago. 2008. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 11080.722758/200912 Acórdão n.º 3402002.436 S3C4T2 Fl. 239 11 recolhidas sobre bens ou serviços objeto de faturamento em momento anterior. (Grifouse) Igualmente pertinentes são as ponderações feitas por Leandro Paulsen3, as quais, dada sua total aplicabilidade ao caso, transcrevese: Preliminarmente à análise da dita nãocumulativade das contribuições PIS/PASEP e COFINS, importa ter em consideração alguns aspectos: a) a nãocumulatividade do PIS e da COFINS surgiu por força de leis ordinárias, e a EC 42/03, ao acrescentar o § 12 ao art. 195 da Constituição, apenas a refere, sem estabelecer critérios a serem observados; b) a receita é fenômeno que diz respeito a cada contribuinte individualmente considerado, não havendo que se falar propriamente em ciclo ou cadeia econômica; c) a nãocumulatividade em tributo sobre a receita é uma ficção que, justamente por ter em conta a receita, induz uma amplitude maior que a da nãocumulatividade dos impostos sobre operações com produtos industrializados ou mesmo sobre a circulação de mercadorias. Neste sentido, são as lições de Marco Aurélio Greco, que chama atenção para a necessidade de ser interpretar os dispositivos da legislação específica tendo como referência, sempre e necessariamente, a base econômica que é objeto de tributação a receita , a racionalidade da sua incidência e a necessária coerência interna do seu regime jurídico: (...) como não há subjacente à noção de receita um ciclo econômico a ser considerado (posto ser fenômeno ligado a uma única pessoa), os critérios para definir a dedutibilidade de valores devem ser construídos em função da realidade "receita" como figura atrelada subjetivamente ao contribuinte, isoladamente considerado. (...) enquanto o processo formativo de um produto aponta no sentido de eventos de caráter físico a ele relativos, o processo formativo de uma receita aponta na direção de todos os elementos (físicos ou funcionais) relevantes para sua obtenção. Vale dizer, o universo de elementos captáveis pela não cumulatividade de PIS/COFINS é mais amplo do que aquele, por exemplo, do IPI. (Grifouse) Portanto, de início afastase a interpretação que está contida nas citadas Instruções Normativas, passando a perquirir as premissas que sustentam a técnica da não cumulatividade aplicável às contribuições ao PIS e à COFINS. 3 PAULSEN, Leandro. Contribuições: custeio da seguridade social. Porto Alegre, Livraria do Advogado, 2007, p. 184185. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 12 Neste sentido, é preciso lembrar que ao tempo em que foram editadas as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, inexistia qualquer dispositivo constitucional dispondo sobre a não cumulatividade dessas contribuições. Somente a Emenda Constitucional nº 42/03, que introduziu o § 12, do art. 195 veio tratar do assunto. Contudo, não cuidou de estabelecer o modo e a forma dessa nãocumulatividade que deveria ser obedecida pelo PIS e pela COFINS. E após o advento da Emenda, nenhuma regulamentação àquela norma nova surgiu. Dessa forma, a nãocumulatividade do PIS e da COFINS deve obedecer ao regramento estabelecido pelas normas infralegais, ao mesmo tempo em que estas mesmas leis não se prestam com reguladoras dos dispositivos constitucionais acrescentados pela EC 42/03. As leis em comento e mesmo a Emenda Constitucional (EC) n° 42/03, ao determinarem a aplicação do regime nãocumulativo às contribuições de PIS e COFINS, não foram capazes de criar um novo sistema de nãocumulatividade, razão pela qual se deveria, ao meu sentir, admitir créditos relativos a todas as operações anteriores e não apenas as relacionadas com determinados produtos, sob pena de se estar inaugurando outro instituto jurídico apartado da conhecida “nãocumulatividade”, desde que tais itens concorressem positivamente para a geração da receita bruta sobre a qual incidirá a tributação das contribuições, para que se tenha, portanto, o sentido da nãocumulatividade. No entanto, apesar de ter havido diversas decisões que alargaram o conceito de insumo, mesmo neste tribunal (por exemplo: Processo nº 11065.101271/200647, Rel. Cons. Henrique Pinheiro Torres; Processo nº 13974.000199/200361, Cons. Júlio César Alves Ramos; Processo n° 11020.001952/200622, Rel. Cons. Gilberto de Castro Moreira Junior, entre outros), e ainda, que a questão absolutamente encontrase em aberto, a verdade é que a única certeza que se tem é que o conceito de insumo não é nem aquele “importado” e restrito do IPI, e nem tão amplo como aquele previsto para custo e despesa necessária prevista para o Imposto sobre a Renda. Embora com a ressalva de meu entendimento pessoal, decorrente de toda a gama de fundamentos jurídicos até aqui expostos, a verdade é que tem prevalecido o entendimento de que o direito ao crédito emerge da análise de cada caso em concreto, buscando a relação de pertinência do processo produtivo do sujeito passivo com o emprego do respectivo insumo naquele respectivo processo, para então, se perquirir de sua efetiva participação, decidindose pela concessão ou não do direito de crédito no caso concreto. Não há, portanto, um critério objetivo definido, mas há um critério que é a relação de pertinência e dependência do insumo ao processo produtivo ou de fabricação do bem pelo contribuinte, sendo essa a premissa que, por hora, se aplicará neste voto, com as observações que, ponto a ponto e quando necessário, se fará observar. Assim sendo, partindo destes entendimentos e das premissas colocadas, revelase que a decisão recorrida glosou créditos mediante o emprego da interpretação contida nas Instruções Normativas n°s. 247/02 e 404/04, que trazem para as contribuições ao PIS e COFINS o conceito de insumo (ou de “produto intermediário”) empregado para o IPI desde o Parecer CST n° 65/79, e, por tal razão, merecerá reparos a partir da análise dos itens em si, o que se fará também em tópicos, a partir dos “Títulos” extraídos da Informação Fiscal, como passa a expor: II.a.1) Produto descarregado no porto e transportado até a fábrica por TUBOVIA Fl. 245DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 11080.722758/200912 Acórdão n.º 3402002.436 S3C4T2 Fl. 240 13 Diante de toda a gama de fundamentos jurídicos até aqui expostos, tenho que não exista um critério objetivo definido, mas há um critério que é a relação de pertinência e dependência do insumo ao processo produtivo ou de fabricação do bem pelo contribuinte, sendo essa a premissa que, por hora, se aplicará neste voto. No caso em concreto, foram glosados os créditos sobre dispêndios incorridos pela Recorrente, a título de insumos, relativos aos seguintes bens e direitos: produto descarregado no porto e transportado até a fábrica por TUBOVIA, montagem de andaimes, instalação de cano condutor de água na granulação, recuperação e modificação de rampa de entrada de caminhões, separação e construção de rede de esgotos, andaime tubular para manutenção de ponte aérea. Quanto aos referidos dispêndios, tenho que todos podem compor os “custos” do processo produtivo ou de fabricação, posto que são procedimentos indispensáveis para que o produto importado seja transportado desde o Porto até o estabelecimento fabril da Recorrente, sem os quais inviabilizaria a produção, agregando, desta forma, ao custo da própria matériaprima a ser submetida a industrialização, passando a conceder o crédito conforme previsão expressa da Lei (Inciso II, do artigo 3°, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003). Neste sentido, o Comitê de Pronunciamentos Contábeis emitiu o pronunciamento técnico CPC nº 16, aprovado pela Comissão de Valores Mobiliários através da Deliberação CVM nº 575, de 05 de Junho de 2009, que regulamenta o registro dos estoques, dispondo, em seu itens 9 e 10, que: Mensuração de estoques 9. Os estoques objeto deste Pronunciamento devem ser mensurados pelo valor de custo ou pelo valor realizável líquido, dos dois o menor. Custos dos estoques 10. O valor de custo dos estoques deve incluir todos os custos de aquisição e de transformação, bem como outros custos incorridos para trazer os estoques à sua condição e localização atuais. (grifouse) Portanto, entendo que mesmo que não haja contato físico com o produto final, uma vez sendo os custos supracitados essenciais e indispensáveis para a atividade produtiva para que se forme o produto final da Recorrente, tais custos devem ser considerados para fins de apuração de crédito, em consonância com o princípio da nãocumulatividade. Cabe, no entanto, uma ressalva, pois que entendo que com relação aos itens glosados (produto descarregado no porto e transportado até a fábrica por TUBOVIA, montagem de andaimes, instalação de cano condutor de água na granulação, recuperação e modificação de rampa de entrada de caminhões, separação e construção de rede de esgotos, andaime tubular para manutenção de ponte aérea), os únicos que efetivamente restaram comprovadas sua pertinência à produção são os serviços de descarregamento do produto importado e seu transporte, por “tubovias”, do porto até a fábrica. Os demais serviços arrolados foram empregados em reparos e manutenções das próprias “tubovias”, o que, a meu sentir, até poderiam gerar o direito ao desconto de Fl. 246DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 14 créditos, mas através de depreciação, mas, para tanto, deverseia comprovar se seria o caso de serem levados ao ativo permanente e posteriormente depreciados, o que, a toda evidência, prescindiria de prova relativa ao tempo de vida útil que referidos dispêndios agregariam ao ativo sobre os quais foram empregados. Tratandose de pedido de ressarcimento, referida prova assistiria à Recorrente, e, a míngua do cumprimento de tal ônus, não é possível aferir o direito ao crédito em questão. Desta forma, merece ser parcialmente afastada a glosa, apenas sobre os dispêndios com a rubrica produto descarregado no porto e transportado até a fábrica por TUBOVIA. II.a.2) Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda Foram também glosados valores de pagamentos relativos a "Armazenagem Exterior" e “Gastos com Exportação”, os quais, no entendimento da autoridade fiscal, não se enquadrariam no prescrito pelo art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/2003. Por sua vez, consta da Informação Fiscal que tais serviços consistem em: a) Serv. emissão de NF de armazenagem e de importação; b) Serv. Medição de Equipamentos Armazéns Portuários; c) Serv. transporte prod. Granel de inflável – diárias; d) Serviços prestados de carregamento no Porto de Rio Grande. Analisando referida descrição, temse que a glosa não procede com relação aos itens “b”, “c” e “d”, acima listados, pois que efetivamente trata de transportes de produtos acabados destinados a exportação (ou de transporte destinado à produção, o que redundaria no crédito por força do conceito de insumo), ou ainda, pertinentes aos serviços de armazenagem como no caso de medição dos equipamentos dentro dos armazéns o que é inerente à própria armazenagem, e, finalmente, a parte final do transporte e armazenagem, que é o carregamento do produto para embarque de exportação. Os serviços de emissão de Notas Fiscais de Armazenagem, na exportação, a meu sentir são serviços administrativos e não agregam nem o transporte e nem a armazenagem, propriamente ditos. Já no caso de “importação”, não se tratariam de despesas de transporte e nem de armazenagem na venda, mas sim de “custos” que agregariam aos produtos importados, pelo que poderia se cogitar de concessão do crédito através da agregação dos mesmos aos custos dos insumos importados. Porém, também neste aspecto está carente de prova esta relação de pertinência, e em se tratando de pedido de ressarcimento, o ônus da prova desta pertinência é da Recorrente, pelo que entendo deva permanecer a glosa efetivada pela Administração. Merece, assim, ser parcialmente afastada a glosa dos créditos calculados sobre os itens acima (Serv. Medição de Equipamentos Armazéns Portuários; Serv. transporte prod. Granel de inflável – diárias, Serviços prestados de carregamento no Porto de Rio Grande), mantendoa sobre dispêndios com Serviços de emissão de NF de armazenagem e de importação. III – SELIC sobre os créditos ressarciendos: Fl. 247DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 11080.722758/200912 Acórdão n.º 3402002.436 S3C4T2 Fl. 241 15 Por fim, cabe abordar a questão trazida no Recurso pelo contribuinte, atinente ao direito de incidência da SELIC sobre os créditos objeto do ressarcimento em análise. Como bem se sabe, para que o ressarcimento ou a restituição ocorra de forma integral, o sujeito passivo tem direito à correção monetária e juros incidentes sobre os valores indevidamente pagos, salvo nos casos em que a proibição venha expressa, como forma de sanção por procedimento incorreto, indevido ou da desídia do próprio credor. No caso dos autos, a recorrente faz jus ao direito de uso dos créditos apontados pelo art. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003, apesar de uma aparente resistência criada pelo art. 13 deste último diploma legal, como passo a expor. Antes de mais nada, salientase que os créditos constantes no dispositivo supra mencionado passaram a fazer parte do sistema não cumulativo implantado, decorrendo como consequência um menor recolhimento das contribuições sociais ali disciplinadas, ou de desoneração da cadeia produtiva mediante um sistema de ressarcimento de saldos credores que se acumulem na escrita do contribuinte. Dessa forma, sempre que houver restrições à tomada de créditos, maior será o desembolso (ou o custo) do contribuinte. A premissa inicial é a de que, em sendo ilegítima a restrição ao desconto de créditos, o desembolso (ou o custo) equivalente ao crédito não tomado, importa em um recolhimento maior que o devido. Tendo em vista o acima exposto entendo que, embora possa se extrair do art. 13, da Lei nº 10.833/03, de forma literal, que possa existir uma aparente resistência à atualização monetária sobre os valores a serem ressarcidos nos termos do art. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003, na verdade havendo resistência normativa ou através de ato expresso emitido pela Administração (como no caso e na parte que houve deferimento apenas parcial do crédito em face da glosa de valores referentes a dispêndios com armazenagem e fretes nas operações de venda bem como gastos com serviços considerados insumos, diminuindo o valor a ressarcir), passa a existir o direito a correção monetária. Os créditos pleiteados nesses autos deixaram de ser utilizados por força de ato proibitivo emanado da própria Fazenda, necessitando da interferência deste Conselho CARF, para que se lhe declarasse o direito, transmudandose a sua natureza de mero crédito escritural, passando a se constituir uma “dívida” de valor. E às dívidas de valor é inconteste a aplicação da SELIC, nos termos do §4º, do art. 39, da Lei n° 9.250/95. Nesse sentido ocorreu o desfecho do Recurso Especial nº 1.035.847/RS, da relatoria do Ministro Luiz Fux, que embora tenha sido proferido em torno de outro tributo, a circunstância aqui referida mostrase equivalente, razão pela qual se destaca parte do julgado: “1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 16 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, Dje 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (STJ – 1ª Seção – Rel. Min. Luiz Fux – j. 25.6.2009 DJe 03/08/2009) – grifouse. Como dito, embora o julgado transcrito tenha sido proferido em sede de IPI, a verdade é que o raciocínio se aplica aos créditos escriturais como um todo, no sentido de que, havendo permissão legal para tomada dos créditos e o contribuinte não os escriturou no devido tempo, por sua própria mora ou omissão, não fará jus aos juros e correção, pois que não pode imputar ao Poder Público uma penalização que decorre de sua própria inércia. No entanto, o inverso também é verdadeiro, na medida em que, havendo oposição da Administração Tributária, no tocante ao direito de escriturar determinados créditos, ou pela sua diminuição por inserção indevida de “débitos” em sua base de cálculo, inibindo o contribuinte de lançálos no tempo oportuno ou obrigandoo a correr o risco de glosa ou mesmo de indeferimento de créditos acumulados, forçandoo, com isso, a buscar guarida num processo litigioso, administrativo ou judicial, será então debitada a mora ao Poder Público, que dessa forma, deverá permitir a incidência de SELIC sobre os créditos que até então tinham seu registro vedado, por norma expressa ou oposição na interpretação dada pela Administração Pública. Tanto é verdadeira a situação que o entendimento já está plasmado na Súmula nº 411, do STJ, que se transcreve: "É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco" A aplicabilidade deste entendimento e posicionamento a todos os tipos de créditos escriturais também já foi discutido pelo próprio STJ que, em decisão da 2ª Turma, nos autos do REsp nº 1.203.802/RS, cujo relator foi o Min. Herman Benjamin, em 03.02.2011 (DJe 03.02.2011) expressou seu entendimento como abaixo se alinha: “1. O regramento específico para os créditos de PIS e Cofins apurados na forma do art. 3º das Leis 10.637∕02 e 10.833∕03 só Fl. 249DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 11080.722758/200912 Acórdão n.º 3402002.436 S3C4T2 Fl. 242 17 permite que sejam deduzidos do montante a ser pago a título da própria contribuição. No entanto, havendo saldo credor acumulado ao final do trimestre, é possível a compensação com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, conforme autoriza o art. 16 da Lei 11.116∕2005. 2. A Primeira Seção do STJ, no julgamento do REsp 1.035.847∕RS (assentada de 24.6.2009), submetido ao rito dos recursos repetitivos Cura correção monetária dos créditos escriturais de IPI nos casos em que o direito ao creditamento não foi exercido no momento oportuno, em razão de óbice normativo instituído pelo Fisco. O mesmo raciocínio aplicase aos créditos escriturais de PIS e Cofins obtidos na forma do art. 3º das Leis 10.637∕2002 e 10.833∕2003, já que não há previsão legal que admita sua correção monetária.” (grifei) No mesmo sentido, analisando se a simples demora na análise de pleito de ressarcimento declinado pelo contribuinte subsumirseia a chamada “resistência ilegítima” da Administração, autorizando consequentemente a incidência da correção monetária, aquele mesmo Superior Tribunal de Justiça, pela sua 2ª Turma (REsp nº 1.331.033 – SC, Rel. Ministro Mauro Campbell, julgado em 02 de abril de 2013), posicionouse favoravelmente a incidência da SELIC, sendo que do voto do Relator cabe destacar: “Decerto, essa lógica é pertinente quando estamos a falar de créditos escriturais recebidos em um período de apuração e utilizados em outro, ou seja, de créditos inseridos na escrita fiscal da empresa em um período de apuração para efeito de dedução dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos tributados em períodos de apuração subsequentes (se forem utilizados em um mesmo período de apuração não há diferença de correção monetária, vejase o votovista vencido do Min. José Delgado no REsp. n. 212.899 RS, Primeira Turma, Rel. Min. Garcia Vieira, julgado em 5.10.1999). Se o Fisco impede a utilização desses créditos escriturais, seja por entendêlos inexistentes ou por qualquer outro motivo, a hipótese é de incidência de correção monetária, se ficar caracterizada a injustiça desse impedimento. Por outro lado, se o próprio contribuinte acumula tais créditos para utilizálos posteriormente em sua escrita fiscal por opção sua ou imposição legal, não há que se falar em correção monetária, pois a postergação do uso foi legítima. Contudo, no presente caso estamos a falar de ressarcimento de créditos, sistemática diversa onde os créditos outrora escriturais passam a ser objeto de ressarcimento em dinheiro ou compensação com outros tributos em virtude da impossibilidade de dedução com débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos (normalmente porque isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero), ou até mesmo por opção do contribuinte, nas hipóteses permitidas por lei. Tais créditos deixam de ser escriturais, pois não estão mais acumulados na escrita fiscal para uso exclusivo no abatimento do IPI devido na saída. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 18 Nestes casos, o ressarcimento em dinheiro ou compensação com outros tributos se dá mediante requerimento feito pelo contribuinte que, muitas vezes, diante das vicissitudes burocráticas do Fisco, demora a ser atendido, gerando uma defasagem no valor do crédito que não existiria caso fosse reconhecido anteriormente. (...) A lógica é simples: se há pedido de ressarcimento de créditos de IPI, PIS/COFINS (em dinheiro ou via compensação com outros tributos) e esses créditos são reconhecidos pela Receita Federal com mora, essa demora no ressarcimento enseja a incidência de correção monetária, posto que caracteriza a chamada ´resistência ilegítima´. Desse modo, o óbice do fisco a ensejar a incidência de correção monetária se deu em uma e outra hipóteses: a do reconhecimento espontâneo crédito pela administração tributária com mora e a da negativa reconhecimento do crédito pela administração tributária vindo a ser reconhecido apenas pela via judicial.” Do mesmo modo, a Primeira Seção (congregando as 1ª e 2ª Turmas do STJ – competente para julgar essa matéria), acabou firmando posicionamento nos Embargos de Divergência em Recurso Especial nº 1.220.942/SP, de Relatoria do Min. Mauro Campbell Marques (julgado em 14.04 e publicado no DJE em 18.04.2013), reiterando os mesmos termos acima, no qual cita expressamente o trecho relativo ao PIS e COFINS, acima transcrito, na própria Ementa do referido julgado, deixando expresso que o Recurso Representativo de Controvérsia REsp nº 1.035.847/RS (Rel. Min. Luiz Fux), aplicase também a todos os casos de pedidos de ressarcimento, quando os créditos deles objeto deixam de ser meramente “escriturais”. Assim sendo, com ainda mais razão, em havendo oposição da Administração tributária tolhendo o aproveitamento integral ou tempestivo dos créditos, será devida a correção monetária. E para tal fim, se entende como vedação ou oposição ao aproveitamento dos créditos, a prolação de Despacho que aumenta os “débitos” do contribuinte para com isso diminuir o seu saldo credor. Nessas circunstâncias de oposição da Administração ao registro tempestivo dos créditos, se entende que dúvida não deveria haver no sentido de ser cabível o direito a correção dos créditos apropriados extemporaneamente pelo contribuinte, através do índice da SELIC, nos mesmos termos em que se tem entendido cabível a correção monetária pelo aproveitamento extemporâneo de créditos escriturais em geral, se igualmente não foram escriturados por óbice criado pela Administração. Ao aplicar a SELIC aos créditos reconhecidos tardiamente, administrativa ou judicialmente, ao contribuinte, ainda que sejam oriundos de anteriores créditos escriturais, se está meramente recompondo o poder aquisitivo da moeda e, ao mesmo tempo, compensando o contribuinte pela demora do Estado em reconhecer um direito. E como visto pelo excerto a seguir, não é outro o entendimento do próprio STF como se pode conferir: “... 1. Apesar de ter sido alegado durante todo o processo que a escrituração tardia dos créditos tributários se deu em razão de Fl. 251DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 11080.722758/200912 Acórdão n.º 3402002.436 S3C4T2 Fl. 243 19 óbice imposto pelo Estado, tal alegação não foi apreciada pelo acórdão embargado. Configurada, assim, omissão passível de correção por meio de embargos de declaração. 2. Fazem jus à correção monetária os créditos tributários tardiamente escriturados em função de oposição injustificada do Fisco. (RE 200.379EDEDEDv, rel. Min. Sepúlveda Pertence, Tribunal Pleno, DJ 05052006).” (RE 372975, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 21.05.13, DJ de 04.06.13). Este Conselho já concedeu referido direito aos créditos de PIS não cumulativo, em função deste entendimento, como se pode atestar pelo precedente cuja ementa abaixo segue transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO RA O PIS/PASEP Período de apuração:01/01/2008 a 31/03/2008 REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM SERVIÇOS DE CORRETAGEM NECESSÁRIOS À COMPRA DE MATÉRIAPRIMA. INSUMO APLICADO NA PRODUÇÃO DE BENS DESTINADOS À VENDA. DEDUÇÃO DO CRÉDITO. POSSIBILIDADE. No regime da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep, por serem considerados insumos, os gastos com serviços de corretagem de compra de matériaprima, utilizada na fabricação de produtos destinados à venda, integram a base de cálculo do crédito da referida Contribuição, nos termos do art. 3o, § 1o, I da Lei no 10.637, de 2002. CRÉDITO ESCRITURAL BÁSICO. SALDO CREDOR. ATUALIZAÇÃO PELA A TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. O art. 13 da Lei no 10.833/2003, que veda a atualização monetária e a incidência dos juros, não se aplica quando a mora decorre de impedimento ou de óbice da Administração Fazendária. Recurso Provido em Parte.” (CARF – 2ª Turma Especial da 3ª Seção – Acórdão 3802 001.418 Red. designado Cons. Solon Sehn, julgado em 25.10.12). Isto posto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito a incidência da SELIC sobre os créditos ressarciendos cuja glosa é afastada, calculados desde a efetiva glosa até o efetivo aproveitamento do crédito via ressarcimento em espécie ou compensação. IV DISPOSITIVO Fl. 252DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 20 Na esteira das considerações acima, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar parcialmente as glosas de créditos sobre os itens descritos ao longo do voto, bem como para reconhecer o direito à incidência da SELIC sobre os créditos ressarciendos cuja glosa é afastada, calculados desde a efetiva glosa até o efetivo aproveitamento do crédito via ressarcimento em espécie ou compensação. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
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Numero do processo: 11020.007629/2008-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 31/12/2002 a 30/11/2003
DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART. 150 DO CTN
Diante de comprovação de existência de pagamento nos termos estipulados no art. 124 do RIPI/2002 é de se aplicar a regra decadencial contida no parágrafo 4º do art. 150 do CTN, referente aos lançamentos por homologação, cujo prazo para efetuar o lançamento é de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador
CRÉDITOS ESCRITURAIS. INAPLICAÇÃO DO ART. 170-A DO CTN.
Inaplica-se o art. 170-A do CTN para fins de aproveitamento de créditos escriturais de IPI, uma vez que não se trata de repetição de indébito e/ou compensação de créditos tributários.
GLOSA DE CRÉDITOS DE INSUMOS ISENTOS ADQUIRIDOS NA ZFM. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE DE ESCRITURAÇÃO DOS CRÉDITOS. EXCLUSÃO.
Deve-se excluir do lançamento os créditos tributários decorrentes de glosa de créditos presumidos de IPI em face de aquisição de insumos isentos, independentemente de terem os mesmos sido adquiridos na ZFM, quando se constata cumulativamente estar o direito albergado por decisão judicial transitada em julgado e a regularidade do procedimento de escrituração de créditos presumidos nas aquisições dos insumos isentos, em conformidade com a decisão prolatada em sentença judicial transitada em julgado.
GLOSA DE CRÉDITOS DE INSUMOS ISENTOS. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE DE ESCRITURAÇÃO DE CRÉDITOS CFOP 1.94 e 1.994 . ÔNUS DA PROVA. MANUTENÇÃO
Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos constitutivos do direito que pleiteia. Tratando-se de crédito escritural a que a contribuinte alega o seu direito, à ela cabe o ônus da prova de que possui, de fato, os créditos decorrentes de aquisição de produtos isentos, tudo em conformidade com o direito, em tese, reconhecido em decisão judicial.
Inexistindo a devida comprovação pelo o interessado dos direitos que pleiteia, deve-se manter as glosas dos créditos presumidos.
GLOSA DE CRÉDITOS DE INSUMOS NÃO TRIBUTADOS E DE ALÍQUOTA ZERO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. MANUTENÇÃO
Deve-se manter as glosas de créditos presumidos decorrentes de quisição de insumos não tributados e de alíquota zero, cujos direitos foram expressamente afastados em sentença judicial transitada em julgado.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-002.646
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora
(Assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Jonathan Barros Vita.; Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó.
Nome do relator: MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 31/12/2002 a 30/11/2003 DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART. 150 DO CTN Diante de comprovação de existência de pagamento nos termos estipulados no art. 124 do RIPI/2002 é de se aplicar a regra decadencial contida no parágrafo 4º do art. 150 do CTN, referente aos lançamentos por homologação, cujo prazo para efetuar o lançamento é de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador CRÉDITOS ESCRITURAIS. INAPLICAÇÃO DO ART. 170-A DO CTN. Inaplica-se o art. 170-A do CTN para fins de aproveitamento de créditos escriturais de IPI, uma vez que não se trata de repetição de indébito e/ou compensação de créditos tributários. GLOSA DE CRÉDITOS DE INSUMOS ISENTOS ADQUIRIDOS NA ZFM. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE DE ESCRITURAÇÃO DOS CRÉDITOS. EXCLUSÃO. Deve-se excluir do lançamento os créditos tributários decorrentes de glosa de créditos presumidos de IPI em face de aquisição de insumos isentos, independentemente de terem os mesmos sido adquiridos na ZFM, quando se constata cumulativamente estar o direito albergado por decisão judicial transitada em julgado e a regularidade do procedimento de escrituração de créditos presumidos nas aquisições dos insumos isentos, em conformidade com a decisão prolatada em sentença judicial transitada em julgado. GLOSA DE CRÉDITOS DE INSUMOS ISENTOS. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE DE ESCRITURAÇÃO DE CRÉDITOS CFOP 1.94 e 1.994 . ÔNUS DA PROVA. MANUTENÇÃO Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos constitutivos do direito que pleiteia. Tratando-se de crédito escritural a que a contribuinte alega o seu direito, à ela cabe o ônus da prova de que possui, de fato, os créditos decorrentes de aquisição de produtos isentos, tudo em conformidade com o direito, em tese, reconhecido em decisão judicial. Inexistindo a devida comprovação pelo o interessado dos direitos que pleiteia, deve-se manter as glosas dos créditos presumidos. GLOSA DE CRÉDITOS DE INSUMOS NÃO TRIBUTADOS E DE ALÍQUOTA ZERO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. MANUTENÇÃO Deve-se manter as glosas de créditos presumidos decorrentes de quisição de insumos não tributados e de alíquota zero, cujos direitos foram expressamente afastados em sentença judicial transitada em julgado. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Jonathan Barros Vita.; Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó.
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APLICAÇÃO DO ART. 150 DO CTN Diante de comprovação de existência de pagamento nos termos estipulados no art. 124 do RIPI/2002 é de se aplicar a regra decadencial contida no parágrafo 4º do art. 150 do CTN, referente aos lançamentos por homologação, cujo prazo para efetuar o lançamento é de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador CRÉDITOS ESCRITURAIS. INAPLICAÇÃO DO ART. 170A DO CTN. Inaplicase o art. 170A do CTN para fins de aproveitamento de créditos escriturais de IPI, uma vez que não se trata de repetição de indébito e/ou compensação de créditos tributários. GLOSA DE CRÉDITOS DE INSUMOS ISENTOS ADQUIRIDOS NA ZFM. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE DE ESCRITURAÇÃO DOS CRÉDITOS. EXCLUSÃO. Devese excluir do lançamento os créditos tributários decorrentes de glosa de créditos presumidos de IPI em face de aquisição de insumos isentos, independentemente de terem os mesmos sido adquiridos na ZFM, quando se constata cumulativamente estar o direito albergado por decisão judicial transitada em julgado e a regularidade do procedimento de escrituração de créditos presumidos nas aquisições dos insumos isentos, em conformidade com a decisão prolatada em sentença judicial transitada em julgado. GLOSA DE CRÉDITOS DE INSUMOS ISENTOS. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE DE ESCRITURAÇÃO DE CRÉDITOS CFOP 1.94 e 1.994 . ÔNUS DA PROVA. MANUTENÇÃO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 76 29 /2 00 8- 24 Fl. 730DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos constitutivos do direito que pleiteia. Tratandose de crédito escritural a que a contribuinte alega o seu direito, à ela cabe o ônus da prova de que possui, de fato, os créditos decorrentes de aquisição de produtos isentos, tudo em conformidade com o direito, em tese, reconhecido em decisão judicial. Inexistindo a devida comprovação pelo o interessado dos direitos que pleiteia, devese manter as glosas dos créditos presumidos. GLOSA DE CRÉDITOS DE INSUMOS NÃO TRIBUTADOS E DE ALÍQUOTA ZERO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. MANUTENÇÃO Devese manter as glosas de créditos presumidos decorrentes de quisição de insumos não tributados e de alíquota zero, cujos direitos foram expressamente afastados em sentença judicial transitada em julgado. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Jonathan Barros Vita.; Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 600 a 623 do Vol. III) apresentado pela MONTECARLO INDÚSTRIA DE BEBIDAS LTDA, CNPJ 90.999.392/000137, em 14 de Abril de 2010, contra o Acórdão no 1024.193 de 04 de Março de 2010 da 3ª Turma da DRJ/POA (fls. 582 a 589), cientificado em 16 de Março de 2010, que, relativamente ao auto de infração de IPI dos períodos de 31/12/2002 a 31/12/2007, julgou a impugnação improcedente, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: “Assunto: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 31/12/2002 a 31/12/2007 ALEGAÇÃO DE NULIDADE DA AUTUAÇÃO. Fl. 731DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.007629/200824 Acórdão n.º 3302002.646 S3C3T2 Fl. 731 3 É descabida a alegação de nulidade da autuação, fundada em suposta preterição do direito de defesa, não verificada no caso concreto, por terem sido as infrações descritas e enquadradas com clareza. CRÉDITOS DO IPI DECORRENTES DE DECISÃO JUDICIAL. COMPENSAÇÃO. DEDUÇÃO. AUSÊNCIA DE TRÂNSITO EM JULGADO. IMPOSSIBILIDADE. A legislação tributária não admite a compensação nem a dedução de créditos do IPI, decorrentes de decisão judicial, antes do respectivo trânsito em julgado. ISENÇÃO DO IPI. INSUMOS INDUSTRIALIZADOS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO PARA O ADQUIRENTE. O adquirente de insumos isentos do IPI, industrializados na Zona Franca de Manaus, não tem direito a crédito do imposto, nas referidas aquisições. MULTA DE OFÍCIO. A falta de recolhimento do IPI é punida com a multa de 75% do valor do imposto não recolhido. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos, acordam os membros da Terceira Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, julgar improcedente a impugnação, para manter integralmente a exigência formalizada no Auto de Infração das fls. 2 a 14 (vol. I), nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.” O auto de infração foi lavrado em 24 de novembro de 2008 (efls. 02 a 15) por falta de recolhimento do IPI, decorrente da utilização de créditos indevidos desse imposto, no valor total original de R$ 6.383.743,34, para dedução de débitos do IPI, no período compreendido entre dezembro de 2002 e dezembro de 2007, conforme Relatório de Fiscalização, das efls. 54 a 69 (vol. I). O Relatório do Acórdão ora recorrido esclarece o procedimento nos seguintes termos: “Segundo o Relatório de Fiscalização, das fls. 53 a 64 (vol. I), foram encontrados na escrita fiscal do estabelecimento valores significativos de créditos do IPI, a título de "outras entradas — serviços não especificados", "compras para brinde" e "outros créditos de IPI, conforme planilha das fls. 65 a 68 (vol. I). Posteriormente, o interessado retificou a natureza das operações Fl. 732DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 4 para "outras entradas — serviços não especificados" e "outros créditos de IPI". A fiscalização, por seu turno, apurou duas infrações, que levaram à glosa integral dos créditos, no valor total antes mencionado, de R$ 6.383.743,34. A primeira infração se deve ao fato de que o contribuinte escriturou e utilizou créditos não autorizados na legislação do IPI, com alegado amparo no Mandado de Segurança nº 1999.71.07.0057175, da 1ª Vara Federal de Caxias do Sul, e medidas judiciais subsequentes. O autor do procedimento fiscal resume a controvérsia em juízo, dizendo, inicialmente, que, na petição inicial do citado mandado de segurança, o contribuinte solicitou a concessão de liminar para que lhe fosse garantido o direito de crédito dos valores expostos em planilha de cálculo, com determinação no sentido de que a autoridade fiscal se abstivesse de promover qualquer ato restritivo ou punitivo diante do creditamento, nas aquisições de insumos e matériasprimas isentas, tributadas à alíquota zero ou nãotributadas (NT), pedindo também que fosse definitivamente garantido esse direito, no período correspondente a dez anos anteriores ao ajuizamento da ação. Os créditos efetivamente utilizados em face da ação judicial se referem a aquisições de insumos e matériasprimas isentas, tributadas à alíquota zero ou NT ocorridas entre janeiro de 1994 e fevereiro de 2001, segundo a planilha das fls. 111 a 118 (vol.I), posteriormente apresentada à fiscalização. O pedido de liminar aludido no parágrafo anterior foi negado, mas, por força de sentença proferida em 22 de novembro de 2000, a segurança foi concedida em parte, para declarar o direito de crédito dos valores referentes ao IPI não aproveitados nos cinco anos anteriores ao ajuizamento da ação, no tocante às aquisições de insumos tributados à alíquota zero e isentos, com incidência de atualização monetária, sendo que a partir prolação dessa sentença o contribuinte passou a escriturar e utilizar os créditos por ela reconhecidos, para dedução de débitos do IPI. Na sequência, no julgamento das apelações interpostas por ambas as partes, o Tribunal Regional Federal (TRF) da 4 Região deu parcial provimento ao apelo do impetrante, para declarar o direito de crédito do IPI inclusive nas aquisições de produtos NT, e deu parcial provimento ao apelo da União, para afastar a incidência da correção monetária sobre os créditos deferidos, além de dar parcial provimento à remessa oficial, para determinar a apuração e aproveitamento dos créditos nos termos dos fundamentos. No Superior Tribunal de Justiça (STJ), foi negado seguimento ao recurso especial do contribuinte, que se insurgiu contra a prescrição quinquenal, em detrimento da decenal, restando mantido o prazo prescricional de cinco anos para os créditos. Por último, a fiscalização noticia o provimento do Recurso Extraordinário (RE) ri° 419.6662, interposto pela União perante o Supremo Tribunal Federal (STF), contra o reconhecimento do direito de crédito do IPI, nas aquisições de insumos NT ou tributados à alíquota zero, com trânsito em julgado em 12 de maio de 2008, segundo consta na fl. 157 (vol. I). Fl. 733DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.007629/200824 Acórdão n.º 3302002.646 S3C3T2 Fl. 732 5 Ainda no tocante à primeira infração, o autor do procedimento fiscal ressalta, a par da tramitação do Mandado de Segurança nº 1999.71.07.0057175, que a legislação tributária não admite a dedução de débitos do IPI com a utilização de créditos decorrentes de decisão judicial não transitada em julgado. Passando para a segunda infração, foi apurado que o contribuinte se creditou indevidamente nas aquisições a que se refere a planilha da fl. 99 (vol. I), ocorridas de março a dezembro de 2007, de concentrados (sabores laranja, guaraná e cola), para elaboração de bebidas nãoalcoólicas, fornecidos por estabelecimento localizado na Zona Franca de Manaus (ZFM), sendo que as notas fiscais correspondentes mencionam, equivocadamente, o enquadramento no art. 82, III, do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002, Regulamento do IPI (RIPI), de 2002, referente à isenção do referido imposto, para os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental, cujos projetos tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa). O enquadramento correto, no caso, é no art. 69, II, do RIPI de 2002, também mencionado nas mesmas notas fiscais, dispositivo segundo o qual são isentos do IPI os produtos industrializados na ZFM, por estabelecimentos com projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Suframa, que não sejam industrializados pelas modalidades de acondicionamento ou reacondicionamento, destinados a comercialização em qualquer outro ponto do Território Nacional, excluídos armas e munições, fumo, bebidas alcoólicas e automóveis de passageiros e produtos de perfumaria ou de toucador, preparados ou preparações cosméticas, salvo quanto a estes (posições 33.03 a 33.07 da Tabela de Incidência do IPI) se produzidos com utilização de matériasprimas da fauna e flora regionais, em conformidade com processo produtivo básico. Diante das duas infrações mencionadas e considerando que a escrita fiscal do estabelecimento apresentava exclusivamente saldos devedores do IPI, os créditos glosados foram objeto de lançamento de oficio em seu exato valor, sem que houvesse necessidade de reconstituição da escrita.” Irresignada, a contribuinte apresenta impugnação, assim resumida pela autoridade julgadora de 1º instância: “O impugnante principia, fazendo um histórico da tramitação do Mandado de Segurança nº 1999.71.07.0057175, afirmando que não teria havido recurso voluntário contra a sentença proferida em 22 de novembro de 2000, a qual declarou o direito aos créditos do IPI, nas aquisições com isenção e com alíquota zero de matériasprimas, insumos, material de embalagem e produtos intermediários, utilizados no processo de produção, tudo corrigido monetariamente, como explicitado na fundamentação da referida sentença. Fl. 734DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 6 Prossegue a defesa, alegando que, pela decisão monocrática do Ministro Ricardo Lewandowski, do STF, proferida em 7 de novembro de 2007, apreciando o RE nº 419.6662, interposto pela União, foi negado o direito de compensação dos créditos do IPI decorrentes da aquisição de insumos e matériasprimas NT ou sujeitos à alíquota zero, restando incólume o direito reconhecido em juízo, no tocante aos insumos adquiridos com isenção, direito esse que, embora reconhecido por decisão de primeira instância contra a qual foram opostos recursos sem efeito suspensivo, não foi observado pelo autor do procedimento fiscal. Para o impugnante, a glosa integral ocorreu sem critério e com falta de clareza e especificidade, ferindo os ditames da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), no que diz respeito à validade do Auto de Infração contestado. Quanto à glosa de créditos relativos a aquisições de concentrados isentos do IPI, industrializados na ZFM, o impugnante se estende em sua argumentação, alegando, em suma, que a ZFM está localizada no Estado do Amazonas, unidade da federação que, por sua vez, localizase na Amazônia Ocidental, restando correto o enquadramento das operações no art. 82, III, do RIPI de 2002. Consequentemente, a defesa afirma que, pelo art. 175 do mesmo diploma regulamentar, os estabelecimentos industriais podem creditarse do valor do imposto calculado, como se devido fosse, sobre os produtos adquiridos com a isenção do inciso III do art. 82, desde que para emprego como MP, PI e ME, na industrialização de produtos sujeitos ao imposto, como é o seu caso, motivo pelo qual a fiscalização se equivocou ao não reconhecer os créditos. Ainda quanto à glosa referida no item precedente, o interessado diz que a fiscalização poderia ter questionado se o estabelecimento industrial fornecedor da matéria prima utilizada na fabricação da bebida do código 2208 da TIPI tem projeto aprovado pelo Conselho de Administração da Suframa, questionamento que não aconteceu. Segue a defesa, citando e transcrevendo excerto doutrinário, favorável ao crédito do IPI, nas aquisições de insumos isentos desse imposto. Com respeito à multa de ofício sobre os créditos autorizados por decisão judicial, diz que a exigência correspondente é descabida, eis que desde a sentença que lhe foi favorável em primeira instância iniciou o aproveitamento dos créditos, não por sua vontade, mas por força de decisão judicial aplicável de imediato, sem efeito suspensivo. O impugnante finaliza, pedindo a nulidade do Auto de Infração contestado, ou a improcedência do lançamento de ofício, com a consequente reversão, na escrita fiscal, dos valores glosados” A seguir resumese os fundamentos do voto do relator do acórdão recorrido no julgamento da impugnação: Fl. 735DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.007629/200824 Acórdão n.º 3302002.646 S3C3T2 Fl. 733 7 Alegação de nulidade Rejeita a alegação preliminar de nulidade do lançamento de ofício, por suposta preterição do direito de defesa sob o fundamento de que tanto o Auto de Infração das fls. 2 a 14 (vol. I) quanto o Relatório de Fiscalização, das fls. 53 a 64 (vol. I), dos quais o interessado tomou ciência, conforme consta na fl. 541 (vol. III), são instrumentos suficientemente claros na descrição e no enquadramento das infrações cometidas pelo impugnante, satisfazendo, na íntegra, os requisitos de validade estabelecidos nas normas de regência da matéria, em especial, o art. 142 do Código Tributário Nacional e o art. 10 do Decreto n' 70.235, de 6 de março de 1972. Glosa de créditos decorrentes de decisão judicial No tocante à glosa de créditos decorrentes de decisão judicial defende que os créditos foram corretamente glosados, justificando o lançamento de ofício dos valores correspondentes, lançamento esse que deve ser mantido nessa parte. Para justificar sua decisão, registra que mediante consulta à página do STF na rede mundial de computadores (Internet), que, na decisão monocrática do Ministro Ricardo Lewandowski, que apreciou o RE 419.6662 e em face do provimento do RE nº 419.6662, com trânsito em julgado em 12 de maio de 2008, segundo a mesma consulta referida no item precedente, restou mantido o reconhecimento do direito do contribuinte de se creditar do IPI relativo aos insumos e matériasprimas adquiridos sob o regime de isenção, tendo sido negado o direito ao crédito de IPI quanto aos insumos e matériasprimas adquiridos sob o regime de nãotributação ou sujeitos à alíquota zero, neste ponto concordando com os argumentos da impugnante. Mas, ressalta que, todavia, independentemente do desfecho da ação judicial em comento, importa considerar que o impugnante, conforme ressaltado no Relatório de Fiscalização, das fls. 53 a 64 (vol. I), infringiu a legislação tributária, por ter utilizado os créditos afinal reconhecidos em juízo antes do respectivo trânsito em julgado. Reconhece que no caso, a expressão "montante cobrado nas (operações) anteriores", segundo regra da nãocumulatividade fixada no art. 153, § 3, II, da Constituição da República, foi relativizada nas decisões judiciais de 1ª e 2ª instâncias que favoreceram o impugnante, para justificar o crédito do IPI nas aquisições de insumos desonerados desse imposto, em nome do princípio da nãocumulatividade. Mas, ressalta que tal circunstância não afasta o princípio insculpido no art. 170 do Código Tributário Nacional, no sentido de que só se admite compensação (e dedução) com créditos líquidos e certos, aduzindo que, na linguagem do RIPI de 2002 (art. 190, caput): os créditos do IPI serão escriturados pelo beneficiário, em seus livros fiscais, à vista do documento que lhes confira legitimidade. No caso de créditos decorrentes de decisão judicial, o art. 170A do Código Tributário Nacional, inserido pelo art. 1º da Lei Complementar nº 104, de 10 de janeiro de 2001, reza que é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial,bem como, registra, que as decisões judiciais pertinentes ao caso não afastaram a necessidade de se aguardar o trânsito em julgado, para utilização dos créditos. Entendeu a autoridade julgadora, em concordância com o relatado pela autoridade autuante, que, no caso concreto, os créditos pleiteados em juízo, segundo consta na petição inicial reproduzida neste processo administrativo (fl. 130), foram exclusivamente os Fl. 736DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 8 que foram expostos e quantificados pelo impetrante em planilha anexa à mesma petição. E, registra que os créditos efetivamente utilizados em face da ação judicial se referem a aquisições de insumos e matériasprimas isentas, tributadas à alíquota zero ou NT ocorridas entre janeiro de 1994 e fevereiro de 2001, segundo a planilha das fls. 111 a 118 (vol. I), posteriormente apresentada à fiscalização, tendo sido utilizados esses créditos, na escrita fiscal do estabelecimento, de dezembro de 2002 a dezembro de 2007, antes, portanto, do trânsito em julgado, ocorrido em 12 de maio de 2008, o que não é admitido. Glosa de créditos nas aquisições de produtos industrializados na ZFM Inicialmente, ressalta que os créditos alegados pelo impugnante, com suporte nas notas fiscais relacionadas na planilha da fl. 99 (vol. I) e reproduzidas nas fls. 100 a 108 (vol. I), se referem a aquisições ocorridas em 2007, de produtos industrializados na ZFM, saídos com isenção do IPI, créditos esses que não se confundem com os créditos reivindicados pelo impugnante em juízo, no Mandado de Segurança n" 1999.71.07.0057175, os quais estão, por sua vez, conforme explicado anteriormente, individualizados na planilha das fls. 111 a 118 (vol. I), e se referem a aquisições ocorridas entre janeiro de 1994 e fevereiro de 2001. Em seguida, cabe dizer que as notas fiscais relacionadas na planilha da fl. 99 (vol. I) e reproduzidas nas fls. 100 a 108 (vol. I) mencionam, com acerto, o enquadramento das operações no art. 69, II, do RIPI de 2002, e, com erro, o art. 82, III, do mesmo diploma regulamentar. Tratase de enquadramentos distintos, referentes a benefícios fiscais distintos, que não se confundem, ao contrário do que afirma a defesa. Esclarece a diferença entre essas duas regras legais e afirma que apenas a isenção estabelecida no inciso III do art. 82 do RIPI de 2002 é deferida com o incentivo adicional (e excepcional) da utilização, pelo adquirente dos produtos, de crédito do IPI, como se devido fosse o imposto, no caso, conforme dispõe o art. 175 do mesmo RIPI de 2002. É justamente isso que o autuado pleiteia. Mas, ressalva, no tocante à infração em comento, as compras de insumos efetuadas pelo interessado se restringiram a produtos industrializados na ZFM, conforme notas fiscais correspondentes (fls. 100 a 108), também objeto de isenção na saída, mas sem gozar do incentivo adicional de utilização de crédito do IPI, como se devido fosse, pelo adquirente. Justifica que, segundo o § 4° do art. 1" do Decretolei nº 291, de 28 de fevereiro de 1967, combinado com o §1º do art. 1º do Decretolei nº 356, de 15 de agosto de 1968, a Amazônia Ocidental é constituída pela área abrangida pelos Estados do Amazonas, Acre e Territórios (hoje Estados) de Rondônia e Roraima, sendo que a ZFM efetivamente se localiza no Estado do Amazonas, sem que isso signifique, como pensa equivocadamente o impugnante, que os benefícios fiscais se confundam, tendo o regime da ZFM as suas especificidades. Acrescenta que, a propósito, a ZFM teve seus limites geográficos configurados pelo art. 2º do Decretolei n 288, de 28 de fevereiro de 1967, e pelo art. 2' do Decreto n 61.244, de 28 de agosto de 1967. Com base nessa fundamentação, concluiu que os créditos em comento foram corretamente glosados, justificando o lançamento de ofício dos valores correspondentes, lançamento esse que deve ser mantido também nessa parte. Registra, adicionalmente, pela impossibilidade de se examinar, neste processo administrativo, o cabimento ou não do crédito do IPI nas aquisições de insumos beneficiados com isenção desse imposto, por ter o interessado optado por discutir essa matéria no Mandado de Segurança n' 1999.71.07.0057175. Fl. 737DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.007629/200824 Acórdão n.º 3302002.646 S3C3T2 Fl. 734 9 A exigência da multa Com respeito à alegação de defesa, de que a multa de ofício sobre os créditos autorizados por decisão judicial seria descabida, eis que desde a sentença favorável em primeira instância o impugnante iniciou o aproveitamento dos créditos, não por sua vontade, mas por força de decisão judicial aplicável de imediato, sem efeito suspensivo, decide que, independentemente do motivo alegado na defesa, a multa é devida e deve ter sua exigência mantida, em função das razões já expostas anteriormente, de que o estabelecimento utilizou os créditos, por sua conta e risco, antes do trânsito em julgado, deixando de recolher saldos devedores do IPI, motivo pelo qual incidiu na multa de ofício por falta de recolhimento, com base no enquadramento mencionado na fl. 50 (vol. I). No recurso Voluntário, a contribuinte reprisou os argumentos da peça impugnatória, excetuandose as alegações de nulidade e da multa de ofício que não mais foram formuladas e, portanto, não mais objeto do litígio, acrescendo alegação de decadência, argüindo, em síntese: a) preliminarmente, a decadência do direito de lançar os períodos de 31.12.2002 a 30.11.2003, tendo em vista que a Recorrente tomou ciência das autuações em dezembro de 2008. Defende tratarse de lançamento por homologação, com base no art. 124 do RIPI 2002 e que, neste caso a contagem do prazo decadencial é feita a partir da data da ocorrência do fato gerador, ex vi do disposto no §4° do art. 150, do CTN. b) no mérito: b.1) o direito ao crédito de IPI no caso de insumos isentos, inclusive daqueles procedentes da Zona Franca de Manaus – ZFM, posto que esta se encontra incluída na Amazônia ocidental e posto que nenhuma irregularidade acerca dos descumprimento de requisitos da isenção foi alegada pelo o autuante; b.2) a não aplicação do ART 170A do CTN no caso específico, em face do princípio da irretroatividade de lei, posto que a mesma passou a ter vigência depois da sentença proferida pela 1ª instância judicial que lhe garantiu o direito de se creditar de insumos isentos e de alíquota zero, sentença essa executável de imediato, nos termos das regras legais sobre o Mandado de Segurança e regimentos do TRF, que recebe os recursos apenas com efeito devolutivo, salvo se a parte requerer o efeito suspensivo e assim for decidido, o que não ocorreu no recurso da União contra a sentença proferida no referido Mandado de Segurança. b.3) o equívoco da autoridade lançadora e da DRJ ao entender que o pedido formulado no Mandado de Segurança impetrado só contemplava os créditos listados na planilha efetuada pela fiscalização com base em sua escrituração. Fl. 738DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 10 Destaca o pedido formulado pra demonstrar que o seu pedido englobou também os créditos futuros à interposição da ação judicial, e fundamenta que “pela natureza do imposto, estabelecese uma relação jurídica continuativa, passando a empresa ao estado de sujeição passiva sucessiva e habitual frente à norma tributária, cujas operações passíveis de tributação ocorrem num encadeamento sistemático, somente cessando quando há alteração da norma legal, do objeto social, ou extinção da pessoa jurídica. Tratandose, pois, de obrigações continuativas, a eficácia da sentença atingiu todos os fatos subsumidos à hipótese prevista na legislação, sendo válida para as ocorrências passadas, presentes e futuras, pois a relação jurídica tributária é a mesma, não podendo ser negada sua eficácia plena sob pena de negar a garantia constitucional do Mandado de Segurança. Nessa ação, o direito líquido e certo protegido tem como fonte regra inscrita na Constituição Federal (art. 153, § 3°, inciso II), e a partir do momento de seu deferimento, a autoridade administrativa não pode interpretálo como indevido ou glosar o valor dos créditos de IPI baseados nas aquisições de insumos isentos.”Afirma que o seu pedido contempla inclusive os insumos adquiridos na ZFM. Diante dos argumentos apresentados, formula seu pedido, in verbis: “V. DO PEDIDO À vista do exposto, a Recorrente requer seja julgado insubsistente o lançamento de ofício do IPI, fatos geradores de 31.12.2002 a 31.12.2007, tendo em vista: a) a legitimidade dos créditos de IPI quanto aos insumos adquiridos com isenção, vez que o direito creditório foi reconhecido em Sentença monocrática de primeiro grau, e confirmado em última instância; b) a Sentença foi prolatada antes da vigência da norma ínsita no art. 170A do CTN, portanto, a aplicação retroativa desse dispositivo fere o princípio da irretroatividade da lei tributária; c) os créditos de IPI aproveitados quanto aos insumos isentos adquiridos da ZFM também estão amparados pela Sentença proferida. Entendendo diferentemente, a Recorrente requer seja declarado insubsistente o lançamento de ofício, considerando o decurso do prazo decadencial de 5 anos, para que a Fazenda Pública exercesse o direito de constituir o crédito tributário do IPI, com relação aos fatos geradores de 31.12.2002 a 30.11.2003”. Em 21 de março de 2013, o presente recurso foi a julgamento, onde esta Turma, acatando o voto da relatora, converteu o julgamento em diligência, o que se fez por meio da Resolução nº 3302000.293, com a intenção de: Fl. 739DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.007629/200824 Acórdão n.º 3302002.646 S3C3T2 Fl. 735 11 “i. Verificar e informar se houve recolhimento dos saldos devedores originalmente apurados pela a contribuinte, em cada um dos períodos de apuração objeto do presente lançamento; ii. analisar as notas fiscais e efetuar planilha informando de forma desmembrada, dentre dos créditos glosados escriturados no LRAIPI nos códigos CFOP 1.94 e 1.994, quais se referem à aquisições de insumos NT, com alíquota zero e isentos; iii. Analisar e demonstrar se a escrituração dos créditos referentes aos insumos isentos deuse em conformidade com a sentença prolatada pelo o TRF/4ªRegião, que, neste aspecto, foi mantida pela sentença proferida pelo o STF no julgamento do RE 419666, tendo em mente que o TRF reconheceu o direito de se creditar do IPI nas aquisições de insumo isento, em face do princípio da não cumulatividade, sem qualquer atualização monetária ou juros, uma vez que esses créditos têm natureza meramente contábil, observado o prazo prescricional e utilizandose, para o cálculo do crédito, a, acaso existente, alíquota aplicável ao insumo se não fosse a isenção. iv. prestar demais informações que entendam necessários; v. dar ciência do resultado da diligência para a contribuinte, concedendolhe prazo para manifestação; vi. retornar o presente processo ao CARF para posterior julgamento.” Para dar cumprimento ao solicitado a unidade de origem emitiu os termos de Intimação nº 1 e 2 (efls 666 a 668 e 688 a 699, respectivamente) intimando a contribuinte a apresentar os originais ou cópias autenticadas legíveis dos DARF, das Notas Fiscais acompanhados de planilhas , demonstrativos e informações, bem como os Livros de Apuração de IPI relativos aos períodos de apuração do 3º decêndio de dezembro de 2002 ao 3º decêndio de dezembro de 2007 e Livros Registro de Entradas referentes ao Período de Janeiro de 1994 a Março de 2001. A contribuinte, pelos motivos que apresenta nas respostas de efls 685 a 687 e 703 a 706, só apresenta os Darf solicitados. A Unidade de Origem emite, então, o Relatório de Diligência Fiscal de efls 711 a 714, concedendo à contribuinte o prazo de 30 (trinta) dias, a partir da ciência, para manifestação. A contribuinte foi cientificada do referido relatório em 24/10/2013, conforme demonstra o AR de efl. 720. Contudo, a contribuinte solicita cópia integral do processo (efl. 724), mas não se manifesta sobre o resultado da diligência. Retorna o Processo a este colegiado para realização do julgamento. É o relatório. Voto Conselheira MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Fl. 740DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 12 O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele se conhece. Conforme se verifica do relatório, as matérias ora sob litígio contra o lançamento do Crédito Tributário de IPI, período de 01/12/2002 a 31/12/2007, referemse a: 1 Preliminarmente, decadência do direito de lançar os períodos de 31.12.2002 a 30.11.2003, sob argumento de tratarse de Homologação tácita; 2 Não aplicação do Art. 170A do CTN ao caso em questão; 3 Direito aos créditos decorrentes de aquisição de insumos isentos, em face de decisão judicial transitada em julgado, inclusive os referentes aos insumos isentos adquiridos na ZFM. Passase ao voto: DA PRELIMINAR Decadência do direito de lançar os períodos de 31.12.2002 a 30.11.2003 – Homologação tácita Verificase que a preliminar de decadência não foi objeto da impugnação, motivo pelo o qual a autoridade julgadora de 1ª instância administrativa não se pronunciou a respeito. Não obstante, sabese que a decadência faz com que desapareça o direito. O direito “caduco” é igual ao direito inexistente. Neste caso, a decadência pode ser suscitada pelo o contribuinte em fase recursal, bem como esta também pode ser declarada de ofício pela autoridade administrativa. O Lançamento por homologação tem sua matriz no art. 150 do Código Tributário Nacional, verbis: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. Fl. 741DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.007629/200824 Acórdão n.º 3302002.646 S3C3T2 Fl. 736 13 § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” O termo "antecipado" previsto no caput e no § 1.º, do artigo acima transcrito, significa que o pagamento deve ser feito antes de o fisco efetuar o lançamento, ou sem aguardar que este seja realizado (AMARO, 2002, p. 352). É inconteste que no caso de IPI a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. E, o art. 124 do RIPI 2002 em que se baseou a recorrente para justificar tratarse o presente caso de lançamento por homologação, assim prescreve: “Regulamento do IPI — Decreto n° 4.544, de 26.12.2002 Art. 124. Os atos de iniciativa do sujeito passivo, no lançamento por homologação, aperfeiçoamse com o pagamento do imposto ou com a compensação do mesmo, nos termos dos arts. 207 e 208 e efetuados antes de qualquer procedimento de ofício da autoridade administrativa (Lei n° 5.172, de 1966, art. 150 e § 1°, Lei n° 9.430, de 1996, arts. 73 e 74, e Medida Provisória n° 66, de 2002, art.49). Parágrafo único. Considerase pagamento: I — o recolhimento do saldo devedor, após serem deduzidos os créditos admitidos dos débitos, no período de apuração do imposto; II — o recolhimento do imposto não sujeito a apuração por períodos, haja ou não créditos a deduzir;ou; III — a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher.” (grifos nossos). Quando do lançamento de ofício, ora sob litígio, a autoridade lançadora efetuou a seguinte ressalva: “Em função de o contribuinte ter apurado sistematicamente saldos devedores em sua escrita fiscal — LRAIPI nos períodos de apuração objeto deste lançamento de ofício 3°. decêndio de dezembro/2002 ao 3° decêndio de dezembro/2007 não há necessidade de efetuarse a reconstituição da escrita, cujo objetivo é compensar eventuais saldos credores apurados pelo contribuinte no LRAIPI, o que não é o caso. Dessa forma os valores glosados são integralmente devidos”. Os recolhimentos dos saldos devedores originalmente apurados pela a contribuinte, em cada um dos períodos de apuração objeto do presente lançamento; restaram Fl. 742DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 14 comprovados no procedimento de diligência realizado, consoante consta no Relatório de Diligência Fiscal de efls 711 a 714. Contudo, quando da fiscalização, a seguinte ressalva foi efetuada pelo o agente fiscal: “em face de a legislação tributária do IPI não admitir os créditos escriturados pelo contribuinte com amparo em ação judicial ainda não transitada em julgado e que este procedimento de escriturar créditos não admitidos pela legislação que rege o imposto, para deduzir débitos decorrentes de suas operações normais, não caracteriza pagamento, nos termos do artigo 124 e parágrafo único do RIPI/02 (abaixo transcrito), de modo que o prazo para efetuar o lançamento é de cinco anos contados do 1° dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado, não se aplicando a regra do lançamento por homologação.” Tal entendimento, contudo, não deve prevalecer, consoante demonstrarseá quando da análise do mérito, de modo que, tendo a contribuinte efetuado o recolhimento do saldo devedor apurado ao longo do período fiscalizado, estes calculados a partir da dedução de créditos de IPI amparados pela sentença judicial de 1ª Instância proferida em sede de Mandado de Segurança, válida à época da apuração, considerase realizado o pagamento, nos termos do parágrafo único, inciso I, do art. 124 do RIPI/2002, e, em conseqüência, aplicase, no caso, a regra do lançamento por homologação disposta no parágrafo 4º do art. 150 do CTN, para considerar decaídos os lançamentos efetuados há mais de cinco anos, a contar do fato gerador. Assim, tendo o lançamento se efetivado em 01/12/2008, consoante se denota pelo o Aviso de recebimento– AR de efl 546, VOL III, há de se considerar decaídos os lançamentos atinentes aos fatos geradores de 31.12.2002 a 30.11.2003, motivo pelo o qual devese acatar a preliminar de decadência arguída. DO MÉRITO DO DIREITO, EM TESE Entenderam as autoridades lançadora e julgadora de 1ª instância pela ilegalidade do procedimento da contribuinte em deduzir crédito escritural de IPI decorrente da aquisição de produtos isentos, de alíquota zero e não tributados amparada em sentença judicial ainda não transitada em julgado, em face da disposição contida no art. 170A do CTN, inserido pelo art. 1º da Lei Complementar nº 104, de 10 de janeiro de 2001, que reza que é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Neste sentido, o acórdão de 1ª instância ora recorrido registra, que as decisões judiciais pertinentes ao caso não afastaram a necessidade de se aguardar o trânsito em julgado, para utilização dos créditos. Entretanto, é de se ressaltar que o art. 170A, inserido na SEÇÃO IV (Demais modalidades de Extinção), referese à compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. A teor do disposto no art. 170A do CTN, de fato, a compensação de créditos tributários mostrase viável desde que não mais haja discussão judicial acerca dos respectivos créditos, ou seja, após o trânsito em julgado da demanda. Mas, não há que se confundir as hipóteses de compensação de crédito tributário com as de aproveitamento de créditos escriturais decorrentes do mecanismo da não cumulatividade. Fl. 743DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.007629/200824 Acórdão n.º 3302002.646 S3C3T2 Fl. 737 15 De fato, são distintas, seja quanto aos fundamentos, seja quanto ao modo de operacionalização, as hipóteses (a) em que a contribuinte busca compensar um crédito tributário a seu favor com créditos tributários devidos ao fisco e (b) aquelas em que, para dar cumprimento ao princípio constitucional da nãocumulatividade, pode abater do valor do tributo (IPI) apurado nas saídas dos produtos industrializados em determinado período de apuração o valor pago na etapa anterior da cadeia produtiva. Aqui, tratase de técnica de contabilização para a equação entre débitos e créditos, a fim de fazer valer o princípio da não cumulatividade, a partir da qual apurase o crédito tributário, que pode ser a favor da contribuinte (se apurar saldo credor) ou a favor da União (se apurar saldo devedor). Portanto, podese concluir que o art. 170A do CTN, segundo o qual "é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", não é aplicável às hipóteses de aproveitamento de crédito escritural. Neste sentido tem sido a jurisprudência do STJ, conforme se demonstra com a ementa transcrita a seguir, cujo voto teve como relator o SR. MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES: “EDcl no AgRg no AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 927.616 PR (2007/01689116) EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO CARACTERIZADA. IPI. CRÉDITOS ESCRITURAIS. INAPLICABILIDADE DOS ARTS. 166 E 170A DO CTN. CASO EM QUE NÃO HÁ REPETIÇÃO DE INDÉBITO. 1. O acórdão combatido pelo especial (fls. 20/27) contém capítulos de natureza infraconstitucional que merecem apreciação por esta Corte Superior, quais sejam, incidência dos arts. 166 e 170A do Código Tributário Nacional CTN. Dessa forma, devem ser acolhidos os embargos para conhecer do agravo de instrumento e reapreciar o recurso especial. 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmouse no sentido da inaplicabilidade dos arts. 166 e 170A do CTN para fins de aproveitamento de créditos escriturais de IPI como os presentes, uma vez que não se trata de repetição de indébito. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para negar provimento ao agravo de instrumento. Desta forma, em tese, entendese que não há nenhuma irregularidade na ação de creditamento do IPI nas aquisições dos insumos isentos, não tributáveis e de alíquota zero, efetuada sob o amparo de sentença judicial em mandado de segurança favorável à contribuinte uma vez que, primeiro, não há regra legal impeditiva de aproveitamento de créditos escriturais de IPI, decorrentes do mecanismo da nãocumulatividade, em decorrência de direito reconhecido em sentenças judiciais e, por segunda razão, consoante alegado pela recorrente, os recursos interpostos contra sentença em mandado de segurança tem apenas efeito devolutivo, Fl. 744DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 16 salvo se ressaltado em contrário no julgamento do próprio recurso, o que não se deu no presente caso. NO MÉRITO, QUANTO AOS FATOS Glosa de créditos presumidos de IPI decorrentes de aquisição de insumos isentos, com alíquota zero e NT, sob o amparo de decisão judicial e Glosa de insumos isentos adquiridos na ZFM. Conforme bem destaca o agente fiscal, “a legislação que rege o IPI quando trata das espécies créditos — créditos básicos (art. 82 do RIPI/82, aprovado pelo Decreto nº 87.981/82; art. 147 do RIPI/98, aprovado pelo Decreto 2.637/98; art. 164 do RIPI/02, aprovado pelo Decreto 4.544/02) é clara quanto à impossibilidade de creditarse de valores calculados sobre aquisição de insumos isentos, de alíquota zero ou NT.” Entrementes, denotase que a dedução dos créditos escriturais presumidos para a apuração do IPI nos períodos fiscalizados foram efetuados com base em sentença judicial favorável em face de Mandado de Segurança impetrado pela contribuinte. De antemão, cabe esclarecer que diferentemente do entendimento proferido pela autoridade lançadora e convalidado pela autoridade julgadora de 1ª instância administrativa, a contribuinte solicitou, em sede de Mandado de Segurança Preventivo, que fosse declarado o direito de se utilizar dos créditos escriturais do IPI, desde o período de 10 anos anteriores à interposição do mandamus, consoante planilha apresentada, e, também, de créditos futuros, consoante se denota da petição acostada aos autos às fls. 124 a 132 O direito de dedução dos créditos presumidos de IPI constou inicialmente na decisão de 1ª instância proferida em 22/11/2000 que decidiu favoravelmente à contribuinte tendo reconhecido o direito de creditarse dos valores referentes ao IPI em relação às aquisições de insumos tributados a alíquota zero e isentos, incluindo os não aproveitados nos cinco anos anteriores ao ajuizamento da ação com incidência de atualização monetária; em sequência, pela decisão do TRF/4ª Região proferida quando do julgamento das apelações na qual foi dado provimento parcial à demanda da autora para (i) declarar direito ao crédito do IPI em relação às aquisições de produtos NT, (ii) dar parcial provimento ao apelo da União para afastar a correção monetária sobre os créditos escriturais deferidos e (iii) dar parcial provimento à remessa oficial para determinar a apuração e aproveitamento dos créditos nos termos dos fundamentos. De fato, da Análise que se faz dos autos, constatase que no caso específico, a Primeira Instância Judicial no julgamento do Mandado de Segurança nº 1999.71.07.0057175 impetrado pela a contribuinte, ora recorrente, decidiu: 1) Que, em se tratando de ação que busca o aproveitamento de crédito de IPI decorrente da aquisição de matériasprimas, insumos e produtos intermediários isentos, a prescrição é qüinqüenal, seguindo entendimento pacificado no STJ; 2) pelo o direito ao crédito escritural de insumos isentos e de alíquota zero. Negou o direito aos insumos NT; 3) autorizou a aplicação da correção monetária pela UFIR e a partir de 010196 pela taxa SELIC; 4) determinou que a autoridade fazendária se abstivesse de proceder quaisquer ato em prejuízo desse direito; Fl. 745DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.007629/200824 Acórdão n.º 3302002.646 S3C3T2 Fl. 738 17 A contribuinte, desde a sentença judicial de 1ª instância, começou a se creditar dos insumos isentos, de alíquota zero e NT, utilizandose dos códigos CFOP 1.94 e 1.994, consoante esclareceu durante o procedimento fiscal. E, ao responder (Fl. 122) à Intimação, onde informa que os créditos de IPI com Código 1.99 referemse aos processo judicial de Mandado de Segurança impetrado 1999.71.07.0057175, protocolado no dia 07/12/1999, por meio do qual se requereu o creditamento de matérias primas isentas e alíquota zero e NT, destacou que o processo teve decisão favorável em 1ª instância onde reconheceuse o creditamento postulado, utilizandose como fator de cálculo a alíquota de saída dos produtos. Mas, que, como vários são os produtos industrializados e cada um possui uma alíquota, utilizouse uma alíquota média já que os mesmos produtos poderia estar incorporado a vários subprodutos finais. Por sua vez, no julgamento das apelações ao TRF/4° Região, em Acórdão proferido em 28/05/2002 e publicado no DJU em 19/06/2002Boletim 173/02, foi dado provimento parcial à demanda da autora para (i) declarar direito ao crédito do IPI em relação às aquisições de produtos NT, (ii) dar parcial provimento ao apelo da União para afastar a correção monetária sobre os créditos escriturais deferidos e (iii) dar parcial provimento à remessa oficial para determinar a apuração e aproveitamento dos créditos nos termos dos fundamentos (fls. 136). Consoante consta na cópia da Decisão do TRF, exatamente à efl 136, o relator do voto efetuou o seguinte esclarecimento acerca do cálculo do crédito: “Para o cálculo do crédito, deve ser utilizada a, acaso existente, alíquota aplicável ao insumo se não fosse a isenção. Caso não exista previsão de alíquota ou no caso de insumo nãotributado ou sujeito à alíquota zero, deve ser empregada, na Falta de outra opção, a alíquota a qual estão sujeitos os produtos resultantes do processo de industrialização e comercializados pela Impetrante. Se o insumo A é utilizado para produto B, então é a alíquota deste que deverá ser utilizada. Se B não estiver sujeito a tributo na saída (seja por nãotributação, alíquota zero ou isenção), então não há crédito. Se um mesmo insumo for utilizado para produzir mais de um produto, sendo impossível a diferenciação, então o cálculo deve ser proporcional à quantidade de cada um dos produtos.” No julgamento do recurso especial da impetrante ao STJ, foi mantido o prazo prescricional de cinco anos anteriores ao ajuizamento da ação. Finalmente, o STF em decisão de 07/11/2007 no julgamento do Recurso Extraordinário (RE 419666) da União, que foi conhecido e provido e na qual efetuou a ressalva de que no referido RE, fundado no art. 102, III, a, da Constituição, sustentouse a inexistência de crédito de IPI nas operações não tributadas ou sujeitas à alíquota zero (a citada decisão foi publicada no Diário da Justiça n° 227/2007, de 27/11/2007, páginas 56/57 e Transitou em julgado em 12 maio 2008) decidiu por negar a compensação dos créditos do IPI decorrentes da aquisição de insumos e matériasprimas não tributados ou sujeitos à alíquota zero. Sem honorários (Súmula 512 do STF). Vêse, pois que o STF, no caso específico, só afastou a possibilidade de creditamento de insumos não tributados NT e de alíquota Zero, permanecendo, portanto, o Fl. 746DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 18 direito de a contribuinte creditarse do IPI nas aquisições de insumos isentos, em conformidade com o decidido pela sentença proferida pelo o TRF/4ªRegião, que, inclusive, neste item específico, registrese, sequer foi objeto de contradição da União no RE 419666. A Autoridade Julgadora de 1ª Instância Administrativa, reconheceu o direito concedido judicialmente à contribuinte, ora recorrente, de se creditar do IPI nos insumos isentos, quando assim se expressou em seu voto: “Em face do provimento do RE º 419.6662, com trânsito em julgado em 12 de maio de 2008, segundo a mesma consulta referida no item precedente, restou mantido o reconhecimento do direito do contribuinte de se creditar do IPI relativo aos insumos e matériasprimas adquiridos sob o regime de isenção, tendo sido negado o direito quanto aos insumos e matériasprimas adquiridos sob o regime de nãotributação ou sujeitos à alíquota zero” No entanto, a Autoridade Julgadora de 1ª Instância Administrativa entendeu pela manutenção integral do lançamento sob o fundamento da existência de regra impeditiva de se creditar escrituralmente do IPI antes do crédito em julgado, em face do dispositivo constante no ART 170A do CTN. Entretanto, consoante análise acima efetuada, o ART 170A do CTN , repita se, não é aplicável às hipóteses de aproveitamento de crédito escritural, posto não se tratar aqui de pedido de compensação de crédito tributário a favor da contribuinte. Inclusive, foi exatamente nesta linha de raciocínio que a sentença judicial de 1ª instância indeferiu o pedido formulado pela contribuinte, ora recorrente, do direito de se escriturar de créditos de IPI dos 10 anos antecedentes ao pedido formulado no Mandado de Segurança, ressaltando não se tratar o pedido de repetição de indébito, mas sim do direito de lançar em sua escrituração os créditos presumidos decorrentes da aquisição de matériasprimas, insumos, material de embalagens e produtos intermediários isentos e com alíquota zero, utilizados no processo de produção. Portanto, entendese, exatamente pelos motivos já ressaltados na análise do direito, em tese, que a contribuinte poderia de imediato utilizarse do direito reconhecido nas sentenças proferidas pelas 1ª e 2ª instâncias judiciais quando do julgamento do Mandado de Segurança Preventivo relativo ao creditamento do IPI nas aquisições dos insumos isentos, não tributáveis e de alíquota zero, desde que, em consonância com a autorização dada nas respectivas sentenças. Neste sentido, convém registrar que em decisão monocrática de primeiro grau, na qual foi reconhecido o direito creditório da Recorrente quanto ao aspecto temporal de seu exercício (cinco anos antes do ingresso da ação mandamental) e com relação às hipóteses de aproveitamento dos créditos (isentos e de alíquota zero), a decisão já dispunha que (fls. 140 e 152): “Ressalto ao Fisco o poderdever de fiscalizar a escrituração de tais créditos presumidos, que haverão de se ater aqueles que, não houvesse a isenção ou a tributação à alíquota zero, poderiam ser escriturados, independentemente da presente decisão, como crédito de IPI” Da mesma forma, no Acórdão do TRF da 4ª Região (efl. 137), o relator do voto assim destacou: Fl. 747DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.007629/200824 Acórdão n.º 3302002.646 S3C3T2 Fl. 739 19 “A recuperação do crédito, deferido nos termos anteriormente expostos, será recuperado exclusivamente nas formas previstas no art. 11 da Lei nº. 9.779/89, ou seja, compensado com IPI devido na saída de outros produtos, ou, ressarcido e compensado com quaisquer débitos para com a SRF, nos termos dos artigos 73 e 74 da Lei 9.430/96 e INSRF 33/99, afastado desta os óbices colidirem com os ditames deste acórdão. Havendo forma positivamente normatizada para compensação/ressarcimento incabe ao Judiciário, que só legisla negativamente, regrar diversamente. Ressalvase, contudo, as vias judiciárias para o caso de desobediência pela SRF aos comandos deste acórdão, garantido, porém ao Fisco, o direito de homologar (CTN, art. 150, § 4º ) os registros de apropriação dos créditos, e de lançar de oficio eventuais dissonâncias, caso em que, garantese ao contribuinte regular direito de defesa.” Fazse, necessário, então, averiguar a conformidade das deduções efetuadas pela contribuinte com o direito que lhe foi concedido judicialmente. Por oportuno, relembrase que o STF, no caso específico, só afastou a possibilidade de creditamento de insumos não tributados NT e de alíquota Zero, permanecendo, portanto, o direito de a contribuinte creditarse do IPI nas aquisições de insumos isentos, em conformidade com o decidido pela sentença proferida pelo o TRF/4ªRegião, na qual se indeferiu a correção monetária do crédito escritural e se alertou que, para o cálculo do crédito de insumo isento, deveria ser utilizada a, acaso existente, alíquota aplicável ao insumo se não fosse a isenção. De antemão, é de se ressaltar que, quanto à aquisição de insumos isentos, a petição da contribuinte no Mandado de Segurança foi feito de forma genérica, independentemente de sua procedência, o que, devese entender, engloba, inclusive, os insumos isentos adquiridos na ZFM. Em sendo assim, é indiferente que a isenção dos insumos adquiridos na ZFM tenham ocorrido, no caso, sob o fundamento legal do inciso II do art. 69 ou do inciso III do art. 82 do RIPI 2002, assim como, também, perde o sentido a discussão no presente caso acerca da questão específica sobre um dos requisitos do art. 82, III do RIPI/2002, qual seja, se os estabelecimentos localizados na Zona Franca de Manaus poderiam ser enquadrados também como pertencentes à Amazônia Ocidental ou não, para fins de ter direito, ou não, ao crédito incentivado e excepcional de que trata o artigo 175 do RIPI/2002, posto que o direito à utilização do crédito na aquisição de insumos isentos adquiridos de forma indistinta estão, em tese, amparados pelas decisões judiciais de 1ª e 2ª instância. Porém, compulsando os autos, verificase que o auditor fiscal, quando do procedimento de fiscalização, por meio do Termo de Intimação Fiscal de fl. 92, solicitou à fiscalizada para: “1. Informar a origem dos créditos de IPI lançados em sua escrita fiscal, nos CFOP's 1.99 e 1949, nos períodos de apuração de 01/01/2002 a 31/12/2007, apresentando documentos (p.ex.: notas fiscais, planilhas, demonstrativos/memórias de cálculo, cópia de ações judiciais, etc.) que demonstrem a composição dos valores lançados em cada período de apuração e amparem o procedimento do Fl. 748DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 20 contribuinte em se apropriar de tais créditos em sua escrituração. No caso de ação judicial, apresentar cópia integral da decisão, inclusive da petição inicial. Os valores são os constantes da coluna "CFOP 1.99 e 1.949 Outras entradas serviços não especif"da planilha em anexo. 2. Apresentar as notas fiscais de entrada que dão suporte aos créditos de IPI lançados no código 1.949 sob a discriminação "compras para brindes", nos valores constantes da coluna "CFOP 1.949 — Compras para brindes"da planilha em anexo. 3. Demonstrar a composição dos valores de IPI creditados no LRAIPI pelo contribuinte no campo "Apuração do Saldo", conforme coluna "Outros créditos de IPI" da planilha em anexo, detalhando a forma de apuração/cálculo de tais créditos e apresentando as notas fiscais de compra correspondentes. 4. Notas fiscais de saída emitidas pelo contribuinte dos seguintes períodos: dezembro/2005; abril /2006; fevereiro/2007.” Em resposta à intimação a contribuinte apresenta: a) efl FL 98 – Resposta Parcial à Intimação,onde informa estar entregando as notas fiscais de saída referentes aos PA de Dezembro/2005, Abril/2006 e Fevereiro/2007, conforme a numeração que identifica; b) efls. 99 a 109 Resposta informando que encaminha os seguintes documentos: (FL 100) Planilha demonstrando os valores de IPI creditados no LRAIPI no campo "Apuração do Saldo", conforme coluna "Outros Créditos de IPI", (Fls 101 a 109) cópia das notas fiscais de compra correspondentes, referentes à aquisição de concentrados (sabores laranja, guaraná e cola) para elaboração de bebidas não alcoólicas de fornecedor localizado na Zona Franca de Manaus c) efl. 111 Resposta à intimação, onde informa estar encaminhando os documentos: Notas Fiscais e Planilha demonstrando a origem dos créditos de IPI lançados na escrita fiscal, nos CFOP's 1.99 e 1949, nos períodos de 01/12/2006 a 31/11/2007.; e (efl 112 a 120) Planilha do IPI — SOBRE O VALOR AGREGADO do período de 01/94 a 12/2001; d) efl 121 – Resposta onde informa estar encaminhando os documentos: Notas Fiscais e Planilha demonstrando a origem dos créditos de IPI lançados na escrita fiscal, nos CFOP's 1.99 e 1949, nos períodos de 01/12/2002 a 31/12/2005. E, Notas Fiscais e Planilha demonstrando a origem dos créditos de IPI lançados no código CFOP 1.949 sob a discriminação "compras para brindes", sendo o correto "Outras Entradas e Serv. Prestados Não Especificado". Fl. 749DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.007629/200824 Acórdão n.º 3302002.646 S3C3T2 Fl. 740 21 e) efl. 122 e 123 Resposta à Intimação onde informa que os créditos de IPI referemse aos processo judicial de Mandado de Segurança impetrado 1999.71.07.0057175, protocolado no dia 07/12/1999, onde requereuse o creditamento de matérias primas isentas e alíquota zero e NT. Em anexos a inicial, a Sentença, acórdão do TRF da 4a Região e acórdão do STJ (peças às efls 124 a 165).(grifos nossos). Não obstante tais respostas, não se conseguiu localizar nos autos os documentos atinentes aos créditos amparados pelas sentenças judiciais (Notas fiscais de entradas e as planilhas demonstrando a origem dos créditos de IPI lançados na escrita fiscal, nos CFOP's 1.99 e 1949), nos períodos do 3º decêndio de Dezembro de 2002 ao 3º decêndio de Dezembro de 2007. Localizouse, apenas, a Planilha demonstrando os valores de IPI creditados no LRAIPI no campo "Apuração do Saldo", conforme coluna "Outros Créditos de IPI", acompanhado de cópia das notas fiscais de compra correspondentes, que se referem aos insumos isentos adquiridos na ZFM, nos períodos do 3º decêndio de março de 2007 ao 3º decêndio de Dezembro de 2007 (fls. 99 a 109, volume I). Tais documentos faziamse necessários para se identificar especificamente os valores dos créditos escriturados atinentes às aquisições dos insumos isentos, com suspensão, não tributados e de alíquota zero, bem como identificar se os créditos de IPI referentes aos insumos isentos teriam sido escriturados em conformidade com o direito autorizado na sentença prolatada no TRF/4ªRegião, neste aspecto mantida pela sentença proferida pelo STF, de modo a fazer prevalecer a sentença judicial transitada em julgado. A contribuinte escriturou a dedução no LRAIPI pelo o valor total e, por sua vez, a Autoridade lançadora não sentiu necessidade de efetuar o desmembramento das deduções por rubrica, posto que o seu entendimento, conforme descrito no Relatório de Fiscalização (efls 54 a 65) e consoante acima relatado, foi pela total improcedência do procedimento de dedução, antes do trânsito em julgado, o que a conduziu a efetuar a glosa do valor total deduzido em cada um dos períodos fiscalizados. Entretanto, tendo em vista as respostas da contribuinte às intimações, tendo se em conta a decisão judicial transitada em julgado, que conferia à contribuinte o direito de se creditar do IPI relativo aos insumos isentos, sem correção monetária, bem como, tendo em face o princípio da ampla defesa e do contraditório, por ser determinante para o julgamento dos presentes autos a anexação de tais informações e documentos, conforme já relatado, foi o julgamento anterior convertido em diligência, visando, entre outros: “ii. analisar as notas fiscais e efetuar planilha informando de forma desmembrada, dentre dos créditos glosados escriturados no LRAIPI nos códigos CFOP 1.94 e 1.994, quais se referem à aquisições de insumos NT, com alíquota zero e isentos; iii. Analisar e demonstrar se a escrituração dos créditos referentes aos insumos isentos deuse em conformidade com a sentença prolatada pelo o TRF/4ªRegião, que, neste aspecto, foi mantida pela sentença proferida pelo o STF no julgamento do RE 419666, tendo em mente que o TRF reconheceu o direito de Fl. 750DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 22 se creditar do IPI nas aquisições de insumo isento, em face do princípio da não cumulatividade, sem qualquer atualização monetária ou juros, uma vez que esses créditos têm natureza meramente contábil, observado o prazo prescricional e utilizandose, para o cálculo do crédito, a, acaso existente, alíquota aplicável ao insumo se não fosse a isenção.” Para atender aos termos da Resolução nº 3302000.293, de 21 de março de 2013, a contribuinte foi intimada e reintimada pelo fiscal diligenciante (Termos de efls 666 a 668 e 688 a 691) para apresentar as Notas Fiscais de Entrada que embasaram os créditos escriturados nos códigos CFOP 1.94 e 1.994, no LRAIPI nos períodos do 3º decêndio de Dezembro de 2002 ao 3º decêndio de Dezembro de 2007, bem como a apresentar planilhas demonstrando separadamente quais os créditos que se referem à aquisições de insumos NT, com alíquota zero e isentos, e ainda, informar se os créditos referentes ao insumos isentos deu se pelo o valor original, sem qualquer correção monetária, e, em caso contrário, apresentar planilhas demonstrando os valores dos créditos apropriados a maior sob esta rubrica, em face da atualização monetária. Entretanto, a contribuinte, ora recorrente, nesta questão, deixa de atender à tais intimações, argumentando que, quando do procedimento de fiscalização, à exceção dos DARF, já havia apresentado as notas fiscais, planilhas e prestados os esclarecimentos que lhe foram solicitados, inclusive as decisões judiciais que davam conta sobre a necessidade de exclusão dos valores da base de cálculo, e que atualmente a empresa encontrase com suas atividades reduzidas, limitadas às atividades administrativas exercidas pelos sócios, bem como, segundo declara, a empresa que lhe prestava serviços de assessoria relativos à análise e aos creditamentos dos valores do IPI, teve seu contrato rescindido e que citada empresa de consultoria não mais atua, resultando, desta forma, a impossibilidade de atender a solicitação do fiscal. Na resposta à segunda reintimação, relaciona os termos de devolução dos documentos, informando que tais documentos foram devolvidos a funcionário que não mais labora na empresa e acrescenta que não se tem notícias de que outros documentos além dos mencionados em tais termos, tenham sidos devolvidos, concluindo que não devem terlhe sido devolvidas as notas fiscais pertinentes às operações de creditamento de IPI, tornando impossível a confecção de planilhas de cálculo e relatórios pormenorizados, pelo o que não dispõe de meios de prestar as informações solicitadas. Por último, argúi a aplicação do art. 545 do Decreto nº 7212, de 2010. Os argumentos apresentados pela contribuinte para a não apresentação dos documentos e informações solicitadas durante a diligência não têm cabimento, posto que, compulsando os autos, verificase que tal conclusão de não devolução das notas fiscais é contraditada pelos Termos mencionados pela contribuinte e pelo o próprio Termo de Encerramento de Fiscalização de efl 52, no qual é registrado que foram devolvidos todos os livros e documentos utilizados na fiscalização. E, por outro lado, em conformidade com o disposto no art. 17 do Decreto nº 7574, de 29 de setembro de 2011, a contribuinte tem o dever de preservar todos os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. “CAPÍTULO III Fl. 751DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.007629/200824 Acórdão n.º 3302002.646 S3C3T2 Fl. 741 23 DO EXAME DE LIVROS E DE DOCUMENTOS Art.17.Para o efeito da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos empresários e das sociedades, ou da obrigação destes de exibilos (Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966Código Tributário Nacional, art. 195; Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002Código Civil, art. 1.179). §1oOs livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram (Lei nº 5.172, de 1966Código Tributário Nacional, art. 195, parágrafo único; Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, art. 32, § 11, com a redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, art. 26). §2oOs comprovantes da escrituração comercial e fiscal relativos a fatos que repercutem em lançamentos contábeis de exercícios futuros serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios (Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 37).” E, quanto ao mencionado art. 545 do Decreto nº 7212, de 15 de setembro de 20101 (RIPI 2010), a contribuinte não procedeu em conformidade com a regra ali estabelecida, não merecendo, pois, a sua aplicação ao caso. Sabese que cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos constitutivos do direito que pleiteia. Por se tratar de crédito escritural a que a contribuinte alega o seu direito, à ela cabe o ônus da prova de que possui, de fato, os créditos decorrentes de aquisição de produtos isentos, tudo em conformidade com o direito, em tese, reconhecido em decisão judicial. De forma que, não obstante a oportunidade ofertada na diligência, não logrando, a contribuinte, comprovar as existências e os valores dos créditos decorrentes da aquisição de insumos isentos que foram escriturados no LRAIPI nos códigos CFOP 1.94 e 1.994, nos períodos do 3º decêndio de Dezembro de 2002 ao 3º decêndio de Dezembro de 2007, é de se manter o lançamento do crédito tributário decorrente da glosa dos valores totais ali escriturados em referidos CFOP, exceto quanto aos períodos em que se reconhece atingidos pela decadência. Por oportuno, é de se ressaltar que, em face da decisão proferida pelo o STF, transitada em julgado em 12 de maio de 2008, a qual, repitase, afastou a possibilidade de 1 Decreto nº 7212, de 15 de Junho de 2010 Extravio Art. 545. Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição, não intencionais, de livros, notas fiscais ou outros documentos da escrita fiscal ou geral do contribuinte, este comunicará o fato, por escrito e minudentemente, à unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil que tiver jurisdição sobre o estabelecimento, dentro das 48h (quarenta e oito horas) seguintes à ocorrência. Fl. 752DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 24 creditamento de insumos não tributados NT e de alíquota Zero, permanecendo, porém, o direito de a contribuinte creditarse do IPI nas aquisições de insumos isentos, sem qualquer correção monetária do crédito escritural, em conformidade com o decidido pela sentença proferida pelo o TRF/4ªRegião, teria a contribuinte de refazer os cálculos do IPI devido nos respectivos períodos de apuração em razão exatamente das exclusões desses créditos indevidos e das respectivas atualizações monetárias, e de efetuar espontaneamente o recolhimento do valor indevidamente deduzido, a título de IPI,, sem a incidência de multa de mora, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial proferida pelo Supremo Tribunal Federal, nos termos do §2º do art. 63 da Lei nº 9.430/96. Não tendo assim procedido e sendo devido o crédito tributário decorrente das exclusões dos créditos considerados indevidos em decisão judicial, o lançamento poderia ser efetuado de ofício, com multa de 75%, exatamente como se deu. Devendose, pois, ser mantido, também, o crédito tributário decorrente das glosas dos créditos de IPI apurados pela contribuinte em relação à aquisição de produtos não tributados ou tributados à alíquota zero e escriturados nos períodos do 3º decêndio de Dezembro de 2002 ao 3º decêndio de Dezembro de 2007. Contudo, é de se excluir do lançamento o crédito tributário decorrente da glosa dos créditos escriturados no LRAIPI no campo "Apuração do Saldo", conforme coluna "Outros Créditos de IPI", nos períodos do 3º decêndio de março de 2007 ao 3º decêndio de Dezembro de 2007, que se referem aos insumos isentos adquiridos na ZFM, posto que albergados pela decisão judicial transitada em julgado, tendo em vista que relativamente à estes foram apresentados a planilha.acompanhada de cópia das notas fiscais de compra correspondentes, (fls. 99 a 109 volume I), não contestados pela fiscalização, e que, do batimento entre o Demonstrativo de valores de IPI creditados no LRAIPI glosados de efl 69 e a planilha de efl 100, constatase correspondência entre os valores do IPI em ambos discriminados e que estes foram apurados à alíquota de 27% e deduzidos no LRAIPI sem qualquer correção monetária. CONCLUSÃO Em face do acima exposto, conduzo o meu voto no sentido dar provimento parcial ao recurso voluntário para, preliminarmente, reconhecer a ocorrência da decadência dos lançamentos atinentes aos fatos geradores de 31.12.2002 a 30.11.2003 e, no mérito, afastar os lançamentos decorrentes unicamente da glosa dos créditos escriturados no LRAIPI no campo "Apuração do Saldo", conforme coluna "Outros Créditos de IPI", nos períodos do 3º decêndio de março de 2007 ao 3º decêndio de Dezembro de 2007, mantendose, porém, os lançamentos, quanto aos fatos geradores de 10/12/2003 a 31/12/2007, decorrentes da glosas dos créditos escriturados no LRAIPI, nos códigos CFOP 1.94 e 1.994, nos respectivos períodos. É como voto. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora Fl. 753DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.007629/200824 Acórdão n.º 3302002.646 S3C3T2 Fl. 742 25 Fl. 754DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 31/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10932.000261/2010-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1202-000.187
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, SOBRESTAR o julgamento do recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(Documento Assinado Digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo - Presidente Substituto.
(Documento Assinado Digitalmente)
Geraldo Valentim Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Marcos Antonio Pires (suplente convocado), Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, SOBRESTAR o julgamento do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Documento Assinado Digitalmente) Carlos Alberto Donassolo - Presidente Substituto. (Documento Assinado Digitalmente) Geraldo Valentim Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Marcos Antonio Pires (suplente convocado), Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno
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Resolvem os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, SOBRESTAR o julgamento do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Documento Assinado Digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente Substituto. (Documento Assinado Digitalmente) Geraldo Valentim Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Marcos Antonio Pires (suplente convocado), Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 32 .0 00 26 1/ 20 10 -4 2 Fl. 2484DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 13/08/201 3 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 10932.000261/201042 Resolução nº 1202000.187 S1C2T2 Fl. 2.475 2 Relatório e voto Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Relator Recebido o processo para relato, realizei um exame preliminar que indicou estar apto ao julgamento, tendo sido incluído em pauta da sessão de abril de 2013. Ocorre que posterior exame detalhado dos autos para elaboração do relatório e voto demonstrou que, entre as matérias afetas ao julgamento do presente processo, está a questão inerente ao acesso aos dados bancários, sem ordem judicial, por parte da autoridade fiscal. Tratase, entre outras infrações, de omissão de receitas decorrente de depósitos bancários em conta corrente cuja origem não foi comprovada mediante documentos hábeis e idôneos. Para ter acesso à conta bancária da Recorrente foram emitidas Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) diretamente às Instituições Financeiras, de maneira que teria ocorrido, em tese, uma possível quebra de sigilo bancário. A discussão sobre a questão do sigilo bancário encontrase em fase de julgamento no Supremo Tribunal Federal, ainda sem decisão definitiva, conforme se passa a demonstrar. Em 15 de dezembro de 2010, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, cuja repercussão geral foi reconhecida, o Plenário do STF, por maioria, proferiu a decisão abaixo (DJe086 em 10052011): SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. Ocorre que o acórdão exarado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, com a ementa acima transcrita, foi recorrido por Embargos de Declaração, com pedido de modificação da decisão. Pesquisa realizada no site do STF nesta data demonstra que os citados embargos foram recebidos por despacho datado de 09/11/2011 e ainda se encontram pendentes de julgamento. Assim, considerando que a decisão resultante do RE 389.808/PR ainda não transitou em julgado, é dever deste E. Conselho sobrestar o julgamento dos processos que tratam sobre a matéria, conforme dispõe o artigo 62A, § 1º e 2º, do Regimento Interno do CARF, transcrito abaixo: Fl. 2485DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 13/08/201 3 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 10932.000261/201042 Resolução nº 1202000.187 S1C2T2 Fl. 2.476 3 Art. 62 [....]§ 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B, do CPC. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. O sobrestamento dos processos pendentes de julgamento nos tribunais estaduais ou regionais, nos casos de julgamentos no STF, decorre do disposto no art. 543B, do CPC: Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo. (acrescentado pela Lei 11.418, de 2006). § 1º Caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhálos ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais até o pronunciamento definitivo da Corte. (grifei). § 2º Negada a existência de repercussão geral, os recursos sobrestados considerarseão automaticamente não admitidos. § 3º Julgado o mérito do recurso extraordinário, os recursos sobrestados serão apreciados pelos Tribunais, Turmas de Uniformização ou Turmas Recursais, que poderão declarálos prejudicados ou retratarse. § 4º Mantida a decisão e admitido o recurso, poderá o Supremo Tribunal Federal, nos termos do Regimento Interno, cassar ou reformar, liminarmente, o acórdão contrário à orientação firmada. § 5º O Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal disporá sobre as atribuições dos Ministros, das Turmas e de outros órgãos, na análise da repercussão geral. Cabe, assim, aos tribunais de origem suspenderem o processamento dos recursos extraordinários quando versarem sobre matéria de múltiplos recursos, com repercussão geral reconhecida, exatamente o caso dos autos. Diante de todo o exposto, manifestome pelo sobrestamento do julgamento do presente recurso, à luz do RICARF e nos termos do art. 2º, §1º, da Portaria CARF nº 2, de 2012. É como voto. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto. Fl. 2486DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 13/08/201 3 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por GERALDO VALENTIM NETO
score : 1.0
Numero do processo: 15868.720066/2012-39
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011
LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE NULIDADE.
Cumpridos os artigos 33 e 37, da Lei n. 8.212/1991, e 142 do CTN, em que o lançamento de crédito tributário contém todos os motivos fáticos e legais, descrição e cálculo do crédito, bem como descrição precisa dos fatos ocorridos e suas fontes para sua apuração, não há vícios no mesmo.
MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO RETROATIVA.
Apenas cabe aplicação retroativa de multa ou penalidade quando a mesma for realmente mais benéfica.
Recurso Voluntário Provido Em Parte - Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2803-003.386
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, no sentido de que a multa a ser aplicada aos créditos tributários constituídos com base a fatos geradores ocorridos até o dia 05.12.2008 seja a estabelecida no art. 35, da Lei n. 8.212-1991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, conforme a fase processual e de pagamento, comparada apenas com a do art. 35-A, da Lei n. 8.212-1991, com redação posterior à MP n 449, de 04.12.2008, desde que mais favorável ao contribuinte, sendo vedada a comparação conjunta com as penalidades dos arts. 32 e 32-A, sob a anterior e atual redação. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto à multa aplicada.
(Assinado Digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Exercício: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE NULIDADE. Cumpridos os artigos 33 e 37, da Lei n. 8.212/1991, e 142 do CTN, em que o lançamento de crédito tributário contém todos os motivos fáticos e legais, descrição e cálculo do crédito, bem como descrição precisa dos fatos ocorridos e suas fontes para sua apuração, não há vícios no mesmo. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Apenas cabe aplicação retroativa de multa ou penalidade quando a mesma for realmente mais benéfica. Recurso Voluntário Provido Em Parte - Crédito Tributário Mantido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, no sentido de que a multa a ser aplicada aos créditos tributários constituídos com base a fatos geradores ocorridos até o dia 05.12.2008 seja a estabelecida no art. 35, da Lei n. 8.212-1991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, conforme a fase processual e de pagamento, comparada apenas com a do art. 35-A, da Lei n. 8.212-1991, com redação posterior à MP n 449, de 04.12.2008, desde que mais favorável ao contribuinte, sendo vedada a comparação conjunta com as penalidades dos arts. 32 e 32-A, sob a anterior e atual redação. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto à multa aplicada. (Assinado Digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
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AUSÊNCIA DE NULIDADE. Cumpridos os artigos 33 e 37, da Lei n. 8.212/1991, e 142 do CTN, em que o lançamento de crédito tributário contém todos os motivos fáticos e legais, descrição e cálculo do crédito, bem como descrição precisa dos fatos ocorridos e suas fontes para sua apuração, não há vícios no mesmo. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Apenas cabe aplicação retroativa de multa ou penalidade quando a mesma for realmente mais benéfica. Recurso Voluntário Provido Em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, no sentido de que a multa a ser aplicada aos créditos tributários constituídos com base a fatos geradores ocorridos até o dia 05.12.2008 seja a estabelecida no art. 35, da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, conforme a fase processual e de pagamento, comparada apenas com a do art. 35A, da Lei n. 8.2121991, com redação posterior à MP n 449, de 04.12.2008, desde que mais favorável ao contribuinte, sendo vedada a comparação conjunta com as penalidades dos arts. 32 e 32A, sob a anterior e atual redação. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto à multa aplicada. (Assinado Digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado Digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 72 00 66 /2 01 2- 39 Fl. 1176DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 2 Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 1177DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15868.720066/201239 Acórdão n.º 2803003.386 S2TE03 Fl. 1.177 3 Relatório O presente recurso voluntário busca a revisão dos seguintes lançamentos que foram parcialmente mantidos pela decisão a quo, compostos pelos seguintes AutosdeInfração – AI: DEBCAD 37.369.5314: decorrente do descumprimento da obrigação tributária principal, referente às contribuições previdenciárias devidas pela empresa, incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados, inclusive alíquota RAT (Lei 8.212/91, artigo 22, I e II) e sobre as remunerações dos segurados contribuintes individuais (Lei 8.212/91, artigo 22, III), totalizando R$ 457.470,83 (quatrocentos e cinqüenta e sete mil, quatrocentos e setenta reais e oitenta e três centavos), incluindo o valor atualizado, juros e multa de ofício. DEBCAD 37.369.5322: decorrente do descumprimento da obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas pelos segurados empregados e contribuintes individuais, não retidas nem recolhidas pela empresa na forma da lei, totalizando R$ 148.990,45 (cento e quarenta e oito mil, novecentos e noventa reais e quarenta e cinco centavos), incluindo o valor atualizado, juros e multa de ofício. DEBCAD 37.369.5330: decorrente do descumprimento da obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas pela empresa e destinadas a outras entidades e fundos – Terceiros (SalárioEducação, INCRA, SEST/SENAT, e SEBRAE),incidentes sobre as remunerações dos segurados, totalizando R$ 79.181,28 (setenta e nove mil, cento e oitenta e um reais e vinte e oito centavos), incluindo o valor atualizado, juros e multas de ofício e de mora. Desses lançamentos, a decisão recorrida reformou parcialmente os lançamentos com base no levantamento PS deve ter seus valores alterados para os Debcad 37.369.5314 e 37.369.5322, conforme planilhas de fls. 11211123 dos presentes autos digitais. O fundamento de retificação por ter entendido que o levantamento da fiscalização por amostragem, em especial desconsiderando pagamentos, não pode ser aceita, mantendo somente ao créditos efetivamente demonstrado nos autos. Rememorando o Relatório Fiscal, citado pela decisão recorrida: “(...)o início da ação fiscal foi levado ao conhecimento do sujeito passivo em 21/11/2011 mediante Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF entregue ao contador, intimando a empresa à exibir no prazo de 20 (vinte) dias úteis livros fiscais e contábeis, arquivos magnéticos, documentos, informações e esclarecimentos necessários. Fl. 1178DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 4 Em 06/12/2011, foram apresentados pela empresa os documentos solicitados referentes ao período de 01/2008 a 12/2008. Após, em 26/01/2012, foi dada ciência ao sujeito passivo da inclusão na fiscalização do período de 04/2007 a 12/2007 e 01/2009 a 12/2010, tendo sido intimado a apresentar os documentos do período, também no prazo de 20 (vinte) dias úteis. Conforme quadro apresentado no Relatório Fiscal, novos termos de intimação para apresentação de documentos foram levados à ciência do sujeito passivo em 29/02/2012, 12/03/2012 e 23/03/2012, todos eles concedendo prazo de 05 (cinco) dias úteis. Com base nos elementos apresentados, a fiscalização apurou e lançou as contribuições incidentes sobre os seguintes fatos geradores: Ajuda de Custo: apurada no período de 04/2007 a 12/2008 conforme folhas de pagamento e contabilidade (Anexo I). Valores pagos mensalmente, de forma fixa, contínua, habitual, assumindo feições de verba de natureza salarial de caráter remuneratório, não se aplicando a regra do artigo 457, § 2o da CLT. Honorários Contábeis: apurados além dos valores declarados em GFIP, conforme Anexo II, mediante a análise dos lançamentos contábeis e do “Contas a Pagar”, cópias de cheques nominais e recibos de pagamentos para o período de 04/2007 a 12/2008. Complementos de Salários: apurados no período de 04/2007 a 12/2008, com base em folhas de pagamento, recibos de pagamento, cópias de cheques e contabilidade (Anexos VII e XIII) e também referente a aferição indireta dos complementos salariais dos motoristas e empregados do setor administrativo (Anexos V, VIII, XIV, XVIII), apurados com base em cópias de cheques, recibos de pagamentos e no relatório interno da empresa denominado “Contas a Pagar”. Remunerações de Contribuintes Individuais: apuradas no período de 04/2007 a 12/2008 conforme folhas de pagamento, recibos de pagamento, TED, cópias de cheques e contabilidade (Anexos IV e XIII). Distribuição de Lucros – Pro labore: apuração no período de 04/2007 a 12/2008, conforme contabilidade, recibos de pagamentos, cópias de cheques, contrato social e DIPJ (Anexos VI e XVI). Foi constatada a distribuição em percentual maior que o estabelecido no contrato social, que previa 70% para o sócio Luiz Carlos e 30% para o sócio Paulo Eduardo, sendo que em 2007 e 2008 os lucros distribuídos foram destinados integralmente ao sócio Luiz Carlos (em valores de R$ 135.000,00 e R$ 70.648,61, respectivamente). Assim, foi considerado pro labore o valor excedente a 70% pago ao sócio Luiz Carlos. Fl. 1179DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15868.720066/201239 Acórdão n.º 2803003.386 S2TE03 Fl. 1.178 5 Prossegue a fiscalização informando que efetuou aferição indireta da base de cálculo das contribuições lançadas, com base na contabilidade da empresa, controle interno denominado “contas a pagar”, cópias de cheques e recibos de pagamentos. Não foram apresentados pelo sujeito passivo folhas de pagamento, recibos de pagamentos e todos os documentos que deram suporte aos lançamentos contábeis. Também relata a lavratura em 21/03/2012 de Auto de Embaraço decorrente da não apresentação dos elementos constantes na intimação e imprescindíveis às necessárias análises da auditoria. Os fatos que ensejaram a aferição indireta foram: a não apresentação de todos os documentos e os pagamentos habituais a título de complementos salariais. Assim, apresenta detalhes relacionados aos procedimentos utilizados pela empresa para o pagamento dos Complementos de Salários dos motoristas e empregados da administração, explicitando também os critérios utilizados na aferição indireta. Quanto à multa aplicada, discorre a respeito das alterações promovidas pela Medida Provisória 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável a partir da competência 12/2008 e, caso se mostre menos gravosa ao sujeito passivo, também para as competências anteriores (nos termos termos do artigo 106, II, “a” do CTN). Menciona o “Demonstrativo Comparativo da Multa Menos Severa em face da MP 449/2008”. Expõe detalhes quanto aos elementos que integram as autuações e discorre especificamente acerca de cada AI que compõe o processo. Quanto à multa qualificada (aplicada apenas na competência 12/2008), justifica sua aplicação ante a não apresentação de todos os documentos que deram suporte aos lançamentos contábeis, não juntar às cópias de cheques os documentos correspondentes e adulterar documentos contábeis mediante cortes e rasuras, com a intenção de suprimir ou reduzir tributo ou acessório. Apresenta informações finais, inclusive quanto à Representação Fiscal Para Fins Penais – RFFP lavrada, e presta esclarecimentos quanto ao exercício do direito de defesa pela empresa autuada. Merece detalhe, antes do julgamento de primeira instância, foi realizada diligência que gerou informações complementares, com concessão de manifestação da contribuinte por 30(trinta) dias, sendo o fez complementando e ratificando a defesa inicial. Em recurso voluntário tempestivo, a parte alega o seguinte: nulidade do lançamento por ter sido o Termo de Início de Procedimento de Fiscalização (TIPF) entregue a pessoa não autorizada para representar a contribuinte, nulidade por não concessão de prazo hábil para apresentar os documentos solicitados em face dos princípios da ampla defesa, razoabilidade e proporcionalidade; nulidade por não disponibilização em prazo hábil dos documentos referentes aos autos de infração após a sua ciência; que a natureza dos valores a Fl. 1180DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 6 título de “ajuda de custo” paga aos funcionários, desconsideradas pela fiscalização, condizem com a verdade, não merecendo a incidência da norma tributária; inexistência de pagamentos de complementação de salário e pagamento a contribuintes individuais (transportadores e honorários contábeis), não havendo elementos probatórios levantados para tanto, bem como houve aferição indireta por amostragem, o que não seria possível no presente caso, da mesma forma quanto aos levantamentos por pagamentos de prólabore disfarçado de distribuição de lucros, que não fora feito em desconformidade com o contrato social, mas apenas referiase a distribuição de anos anteriores, ilegalidade das multas de aplicadas, inexigibilidade dos juros moratórios, e indevida representação fiscal para fins penais. Os autos foram remetidos à esta turma especial do CARF/MF para sua apreciação. É o relatório. Fl. 1181DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15868.720066/201239 Acórdão n.º 2803003.386 S2TE03 Fl. 1.179 7 Voto O recurso é tempestivo, preenchendo os requisitos de admissibilidade, assim deve o mesmo ser conhecido. 1) Quanto à primeira preliminar, de que a pessoa cientificada do TIPF (Sr. Édson) não tinha poderes para tanto, em concordância do julgamento anterior, não se vê vício insanável ao presente caso, pois não houve demonstração de prejuízo. Observese que a empresa, pela mesma pessoa (Sr. Édson), entregou e recebeu em devolução os documentos para fiscalização, em que pese em parte. A própria defesa busca fundamentos nesta entrega para fins de questionar a utilização de amostragem, e, sequer, questiona a origem dos documentos. Ou seja, ao longo da fiscalização, demonstrouse plena ciência da empresa quanto tais procedimentos. Ainda, a Súmula 9 do CARF/MF, no caso das intimações postais, em determinar como válida a intimação fiscal feita acompanhada de Aviso de Recebimento no domicílio fiscal do contribuinte. 2) Quanto à segunda preliminar, a não concessão de prazo hábil para apresentação dos documentos solicitados pela fiscalização, a mesma também deve seguir o entendimento do julgamento anterior. Todos os pedidos da fiscalização concederam 20(vinte) dias, ou em alguns casos 5(cinco), que são prazos definidos pela própria legislação, respeitando o mínimo. Em momento, algum foi apresentado pedido de dilação de prazo por qualquer razão, o que poderia fundamentar tal aumento de prazo. Assim, não houve desrespeito à razoabilidade ou proporcionalidade, bem com ao direito de defesa, pois esse se dedica principalmente ao momento contencioso. 3) Quanto à terceira preliminar, por não disponibilização em prazo hábil dos documentos referentes aos autos de infração após a sua ciência, caso não tivesse sido aberto novo prazo para manifestação, após as informações complementares, efetivamente teria ocorrido um prejuízo à defesa. Entretanto, como relatado, a contribuinte teve nova oportunidade de manifestação, no prazo de 30(trinta) dias, com disponibilização completa dos autos, assim, foi saneada justamente a nulidade argüida em primeiro grau, conforme autoriza o 18, §3º, do Decreto 70235. 4) Iniciado o mérito, quanto à alegação da natureza indenizatória dos pagamentos a título de ajuda de custo, não merece acolhimento. Como observado pela fiscalização, os valores com tais títulos eram repetidos nos períodos de lançamento, de forma igual, em que sequer a empresa apresentou algum documento probatório de que se tratava de ajuda de custo com atividades da mesma ou mudança de endereços, na forma do art. 457, §2ª, da CLT ou art. 28, § 9º, da Lei n. 8.212/1991. Fatos esses que deveriam ter a hipótese de não incidência minimamente demonstrada nos autos, para contrastar a repetição de valores por cada colaborador mês a mês,fatos que levam a conclusão de se tratar de remuneração, logo base de cálculo da contribuição previdenciária, na forma do art. 28, I, da Lei n. 8.212/1991. Fl. 1182DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 8 5) No mérito, quanto à alegação de inexistência de pagamentos de complementação de salário e pagamento a contribuintes individuais (transportadores e honorários contábeis), não havendo elementos probatórios levantados para tanto, bem como houve a necessidade de aferição indireta, utilizandose a amostragem para suprir as lacunas, em que houve a não apresentação de documentos solicitados pela fiscalização, devese observar que houve clara dissonância entre os valores declarados em GFIP e registrado nos documentos autuados, em especial cheques, recibos e folhas de pagamento. Fatos que ficaram claros pela fiscalização. Inclusive, efetivamente não houve arbitramento ou aferição indireta, sim coleta de dados que foram diretamente utilizados para a obtenção dos eventos tributados e bases de cálculos dos tributos cobrados. A utilização da obtenção de amostragem, não se refere a utilização de métodos de cálculo, mas sim como forma de observação das diferenças entre os valores informados e os efetivos pagamentos de verbas. Quanto a mesma não foi efetivamente apresentada, a decisão a quo excluiu o lançamento do lançado sem efetiva base documental. Ao alegar que a aplicação do art. 33, §3ª, da Lei n. 8.212/1991, permite a aplicação e utilização de outros documentos para o levantamento do crédito tributário, nos casos em que verificase a dissonância, inclusive por arbitramento indireto. Para evitar a repetição dos fortes fundamentos da decisão a quo, transcrevem se trechos determinantes da mesma, aos quais acolhemos quanto sua interpretação dos fatos: Posta a controvérsia, para o deslinde da questão é necessário analisar a documentação constante nos autos e, ao contrário do que sustenta a impugnante, existe prova suficientemente robusta à demonstrar que os pagamentos em questão foram realizados e possuem a natureza atribuída pela autoridade fiscalizadora. Quanto aos lançamentos contábeis listados pela fiscalização no Anexo VII, considerandose os esclarecimentos prestados pela Informação Fiscal emitida, resta prejudicada a análise desse item vez que o lançamento referente a essas contribuição não foi efetuado neste processo, mas sim no processo complementar (15868.720131/201315), onde o tema deverá ser analisado. Quanto aos documentos trazidos aos autos pela fiscalização, é oportuno registrar no presente Voto que, parte desses documentos são relativos a período diverso daquele englobado no presente processo, conforme restou esclarecido na Informação Fiscal. Assim, o procedimento fiscal abrangeu o período de 04/2007 a 12/2010, no qual foi verificada a ocorrência dos mesmos fatos que se repetiram durante todo o período. Porém, em virtude das alterações legais promovidas pela Medida Provisória 449/2008, o lançamento foi feito em dois processos distintos, um deles para o período posterior à MP (processo 15868.720065/201294) e o presente para o período anterior à MP. Com isso, para constituir um conjunto probatório consistente, justificase a utilização de documentos de todo o período fiscalizado para a comprovação dos fatos ocorridos, Fl. 1183DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15868.720066/201239 Acórdão n.º 2803003.386 S2TE03 Fl. 1.180 9 independente da divisão do lançamento em dois processos ocasionada pela alteração legislativa ocasionada pela MP 449/2008. Essa é a correta interpretação que deve ser dada aos elementos probatórios trazidos aos autos, os quais, ainda quando sejam referentes a período não incluído no presente processo, devem ser considerados, pois, vistos em um contexto único, demonstram a ocorrência dos fatos geradores e a existência de pagamentos irregulares efetuados pela autuada durante todo o período fiscalizado. E quanto aos TED em favor dos Srs. Antonio César Boldorini e Antonio Carlos de Oliveira, constante no Anexo XIII, apesar da alegação de que se trata de despesas com conserto de veículos, a autuada não procedeu a juntada de qualquer elemento comprobatório nesse sentido, prevalecendo o entendimento que o pagamento feito ao empregado – dada à natureza sinalagmática do contrato de trabalho referese à remuneração pelos serviços prestados. Quanto à aferição indireta da remuneração complementar de motoristas e empregados do setor administrativo, não se pode acolher a alegação de que os relatórios “Contas a Pagar” devem ser desconsiderados por se tratar de elementos sem valor e meros rascunhos, já que foram elaborados espontaneamente pela empresa e representam mecanismo de controle de suas despesas. As cópias de cheques também devem ser levadas em conta, pois tratase de documentos ordinariamente elaborados pelas empresas e que registram os fatos ocorridos para fins de controle de seus administradores As cópias usualmente relacionamse aos cheques emitidos e não apenas a rascunhos prévios. Eventualmente, os cheques emitidos podem ser cancelados, mas no presente caso, caberia à empresa o ônus de demonstrar tal situação, esta sim excepcional. Ademais, os recibos com valores e datas coincidentes às cópias de cheques corroboram sua veracidade. Alega a impugnante que era comum a emissão de cheques sacados pelo sócio da empresa para suprimento da conta Caixa e que não há cheques em favor dos supostos beneficiários para comprovação dos pagamento. Porém, os mencionados cheques em favor dos beneficiários não podem ser considerados elementos indispensáveis à comprovação dos pagamentos de complementos salariais dos empregados. Devese levar em conta que se trata de valores adicionais, à margem dos pagamentos regularmente efetuados e por isso, não se pode exigir toda a comprovação documental das operações regulares. Não seria crível esperar que, em se tratando de pagamentos irregulares, estes restassem documentados por meio Fl. 1184DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 10 de cheques emitidos em favor de seus beneficiários ou que outras formalidades fossem preenchidas. A fiscalização descreveu em detalhes o procedimento da empresa, com a emissão de cheques para si própria e o saque em dinheiro para o pagamento dos complementos salariais com tais numerários, identificando, quando possível, os seus beneficiários e, mesmo quando não individualizados tais beneficiários, não se deve desconsiderar os pagamentos, vez que, por se tratar de operações irregulares, a formalização das operações não preenche todos os requisitos formais e, muitas vezes, a comprovação documental, embora demonstre o efetivo pagamento da remuneração ao segurado, não permite a identificação do beneficiário. Os anexos V e VIII são compostos por planilhas referentes a este complementos, apurados com base nas cópias de cheques trazidas nos autos em valores e datas coincidentes com os recibos firmados pelos beneficiários e constantes nos mesmos anexos e também com os valores constantes no “Contas a Pagar”. A fiscalização destacou ter procedido a juntada dos documentos por amostragem, o que em conjunto, mostrouse suficiente para se observar a constância nos pagamentos. Assim, quanto aos empregados do setor administrativo, verifica se que no “Contas a Pagar” (Anexo XV) de 06/03/2008 consta a previsão dos pagamentos em 10/03/2008 de R$ 2.800,00 e R$ 1.000,00, com o registro no histórico do nome da autuada no campo “fornecedor” e de “FP” no campo de discriminação dos pagamentos. Já com relação ao mês seguinte, consta no Anexo XVII cópias de cheques e recibos de pagamentos aos empregados do setor administrativo em valores correspondentes. Quanto aos motoristas, do mesmo modo, os pagamentos no “Contas a Pagar” de 11/03/2008 nos valores de R$ 4.821,04 e R$ 4.850,00 (cinco vezes), com o nome da autuada no campo “fornecedor” e “FP C MOT” no campo de discriminação dos pagamentos, corresponde às cópias de cheques do Anexo XVIII. Dessa maneira, observase que a empresa efetuava pagamentos complementares mensais em valores fixos aos seus empregados, não se podendo acolher o argumento da impugnante de que inexistiu habitualidade e periodicidade, muito menos de que os cheques que trouxe aos autos prestamse a comprovar seus argumentos. Os pagamentos possuem caráter remuneratório, vez que não incluídos nas exceções trazidas pelo artigo 28, § 9o da Lei 8.212/91 que trata das verbas que não integram o saláriodecontribuição. Também está correto o procedimento fiscal ao imputar nos meses em que não teve acesso aos documentos comprobatórios os valores correspondentes aos meses anteriores, dada a constância observada e à fundamentação legal que assim o autoriza a proceder, Fl. 1185DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15868.720066/201239 Acórdão n.º 2803003.386 S2TE03 Fl. 1.181 11 estando o caso concreto, ao contrário do que alega a impugnante, enquadrado nas disposições contidas nos §§ 3o e 6o do artigo 33 da Lei 8.212/91 (ambos citados nos FLD –Fundamentos Legais do Débito que integram o processo), pelos quais a fiscalização deverá apurar por aferição indireta as contribuições devidas e efetuar o lançamento de ofício, no caso de recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, ou ainda quando observar irregularidades na contabilidade ou na documentação da empresa. Desse modo, não merece reparo o lançamento efetuado quanto às contribuições incidentes sobre os complementos salariais pagos pela autuada. Assim, neste pontos não há o que retocar a decisão recorrida. 6) No tangente sobre os créditos lançados oriundos do pagamento irregular de distribuição de lucros e resultados, pela conclusão da decisão a quo este voto se alia. Observase que no lançamento os lucros foram distribuídos de forma diversa do que estabelecido no contrato social da contribuinte. conforme informou a fiscalização, o capital societário estava distribuído na proporção de 70% para o sócio Luiz Carlos e 30% para o sócio Paulo Eduardo, e esses percentuais não foram observados para a distribuição dos lucros no período de 2007 e 2008. Logo a fiscalização teve que considerar os valores excedentes como pagamentos a título de pro labore, por não se enquadrarem nas causas de nãoincidência e exclusão, do art. 28, §9º, da Lei nº 8.212/1991, e enquadrando como fato gerador disposto no caput do mesmo dispositivo. Em que pese a possibilidade de operação pela empresa de atuar de tal forma, em caso de não previsão de tal procedimento, a decisão dos sócios deve ser deve ser documentada com as devidas atas exigidas pelo próprio Direito Civil. Ou que tais valores referiamse a exercícios anteriores, também poderia ter sido demonstrado, mediante a escrituração contábil, ou mesmo pelo balanço da contribuinte. Efetivamente, não há incidência de tributos sobre a distribuição de lucros, contudo no momento em que a mesma não for realizada conforme previsto legislação e no contrato social, será enquadrado como remuneração a prestação de serviço/trabalho dos sócios à pessoa jurídica. Interessante é que a defesa deixa claro que tais valores tem correlação à atividades dos sócios à empresa. Não foi juntado qualquer documento referente à tal distribuição de lucros, pela recorrente (art. 16, do Dec 70235), tornando vazias as suas alegações. 7) Quanto às alegações de ilegalidade ou inconstitucionalidade das multas e juros aplicados, devese observar que conforme o art. 62 e 62A, do Anexo II, do RICARF, o CARF não tem competência para afastar a aplicação da lei em razão de alegação de inconstitucionalidade, salvo no caso das exceções daqueles dispositivos, o mesmo está consolidado na Súmula 1, do CARF. Logo, não deve ser apreciado. Fl. 1186DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 12 8) Entretanto, entendo que a fiscalização aplicou de forma equivocada o art. 35A, da Lei n. 82121991, na redação posterior à MP n 449, de 04.12.2008, convertido na Lei n. 11.9412009, que remete à aplicação do art. 44, I, da Lei n. 94301996, com multa estabelecida no patamar de 75%, por entender mais benéfico ao contribuinte. Em análise ao art. 35, da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, a multa aplicada ao caso é escalonada de acordo com a fase do processo de constituição e cobrança das contribuições previdenciárias, iniciando com 4% a 100%. Os patamares superiores à 75% somente eram aplicáveis após o ajuizamento de ação de execução fiscal. Ou seja, em fase administrativa, a aplicação mais favorável é a da redação do art. 35, , da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008. Notese que os créditos são inclusive anteriores à publicação da MP n 449, de 04.12.2008, Assim, entendimento contrário, será uma afronta à irretroatividade da aplicação da lei, salvo se mais benéfica,(art. 104, III, c;c 106, I, do CTN) bem como negar vigência à necessidade de interpretação mais benéfica ao contribuinte (art. 112, do CTN), pois o ato omissivo de não pagamento de contribuições que não foram devidamente declaradas ocorreu antes do lançamento. Toda multa tributária é uma sanção, ou seja tem natureza primária punitiva, ou de penalização. Contudo, ainda assim podem ser classificadas em multa moratória, decorrente do simples atraso na satisfação da obrigação tributária principal, e multa punitiva em sentido estrito, quando decorrente de infração à obrigação instrumental cumulada ou não com a obrigações principais. Tal classificação é necessária pois, apesar de não terem natureza remuneratória, mas sancionatória, os tribunais brasileiros admitem que as multas tributárias devem ser classificadas em moratórias e punitivas (sentido estrito), em razão da existência de tratamentos diversos para cada espécie pelo próprio Código Tributário Nacional e legislação esparsas. (RESP 201000456864, HUMBERTO MARTINS, STJ SEGUNDA TURMA, 29/04/2010; PAULSEN, Leandro. Direito tributário, constituição e código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 12ª Ed., Porto Alegre : Livraria do Advogado, 2010, p.1103 1109) Assim, coloco como premissa que a diferença entre multa moratória e multa punitiva em sentido estrito. Como supra colocado, a primeira decorre do mero atraso da obrigação tributária principal, podendo sendo constituída pelo próprio contribuinte inadimplente no momento de sua apuração e pagamento. Já, a segunda espécie de multa, a punitiva em sentido estrito, demanda constituição pelos instrumentos de lançamento de ofício por parte dos agentes fiscais (art. 149, do CTN), em que se apura a infração cometida e a penalidade a ser aplicada. Inclusive a estipulação e definição da espécie de multa é dado exclusivamente pela lei, fato ressaltado em face do principio da estrita legalidade a que se regula o Direito Tributário e suas sanções (art. 97, V, do CTN). A mudança de natureza para fins de comparação no tempo, não pode ser realizada sem autorização legal, e por isso não se poderia comparar com multas punitiva em sentido estrito (referente à descumprimento de obrigação exclusivamente instrumental) com multas de natureza moratória a exemplo com a nova redação do art. 35A, da Lei n. 8212/1991, com a redação a partir da Medida Provisória n. 449/2008. Não se pode tratar a hipótese de incidência da multa moratória disposta no art. 32A cumulada com a multa do art. 35, com a redação anterior, como uma possível multa de ofício para comparar com a nova redação do art. 35A, da Lei n. 8.212/1991, incluso pela Medida Provisória n. 449/2008, convertida em Lei n. 11.941/2009, porque a multa aplicada pela redação anterior do art. 35, somente tratava de multa de natureza moratória, variada em razão das fases (tempo) do processo. Salvo se a própria lei, expressamente assim definisse. Fl. 1187DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15868.720066/201239 Acórdão n.º 2803003.386 S2TE03 Fl. 1.182 13 Dessa forma, entendo que deve ser aplicado ao caso as penalidades estabelecidas no art. 35, da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, até o limite de 75% (art.. 35A da Lei n. 8.21211991 combinado com o art. 44, II, da Lei n. 9.4301996), conforme estabelecido pela redação posterior a da comentada alteração. 9) Quanto às alegações da parte de não ser devida a Representação Penal Para Fins Penais, devese observar que o CARF não têm competência para análise de sua apreciação, sendo competência da Polícia Federal, Ministério Público Federal e Poder Judiciário. A sua emissão é ato totalmente vinculado, tanto que o CARF já consolidou o entendimento da matéria na Sumula 28: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais” Conclusão Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso, para no mérito DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, no sentido de que a multa a ser aplicada aos créditos tributários constituídos com base a fatos geradores ocorridos até o dia 05.12.208 seja a estabelecida no art. 35, da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, conforme a fase processual e de pagamento, comparada apenas com a do art. 35A, da Lei n. 8.2121991, com redação posterior à MP n 449, de 04.12.2008, desde que mais favorável ao contribuinte, sendo vedada a comparação conjunta com as penalidades dos arts. 32 e 32A, sob a anterior e atual redação. É como voto. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator Fl. 1188DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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