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Numero do processo: 10410.720067/2011-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do Fato Gerador: 29/04/2011
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado.
À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação.
Numero da decisão: 3401-004.981
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ÔNUS DA PROVA. Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 00 67 /2 01 1- 57 Fl. 59236DF CARF MF Processo nº 10410.720067/201157 Acórdão n.º 3401004.981 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra decisão da DRJ/CTA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte contra Despacho Decisório que indeferiu totalmente o Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER, relativo a contribuições não cumulativas, face a ausência de comprovação dos créditos pleiteados. O Despacho Decisório adotou as razões exaradas em Parecer Fiscal resultante de diligência havida em cumprimento ao provimento judicial contido no Mandado de Segurança nº 000020560.210.4.05.8000, da 1ª Vara da Justiça Federal de Alagoas e ao MPF – Mandado de Procedimento Fiscal nº 0440100 004622010. Cientificada desta decisão, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade em que sustenta a legitimidade de seus créditos, pugna pela aplicação do princípio da verdade material, afirma que atendeu as solicitações do Fisco no curso da fiscalização e solicita que os autos sejam novamente baixados em diligência para apurar o valor que a autoridade administrativa entende ser devido. Por unanimidade de votos, a DRJ/CTA indeferiu o pedido de diligência e julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade. Entendeu este colegiado que é ônus do contribuinte a comprovação da existência de seu direito creditório e que há de se indeferir solicitação que objetive transferir esta obrigação à autoridade administrativa. Irresignada, a recorrente interpôs seu recurso voluntário tempestivo, requerendo em preliminar a nulidade do presente processo, pois tanto o despacho decisório, quanto o acórdão da DRJ/CTA, não poderiam ser emitidos antes da decisão final administrativa do auto de infração 10410.006237/201014, vez que este auto discute justamente a legitimidade dos créditos pleiteados e que foram objeto de glosa tanto no despacho decisório quanto no acórdão. No mérito, basicamente ratifica os argumentos expendidos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 59237DF CARF MF Processo nº 10410.720067/201157 Acórdão n.º 3401004.981 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.972, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10410.720043/201106, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.972): "O recurso voluntário é tempestivo, vez que a Recorrente tomou ciência da decisão recorrida em 11/05/2015 (efl. 59.145), interpondo seu voluntário em 09/06/2015 (efls. 59.146/59.147), logo, dele tomo conhecimento. O ponto nodal diz respeito ao reconhecimento de créditos fiscais do PIS e da COFINS nãocumulativas, no ramo de laticínios leite e seus derivados , acumulados mensalmente, decorrentes das aquisições de matériasprimas, embalagens, materiais intermediários, dentre outros, os quais restaram indeferidos totalmente pela autoridade fiscal, por meio de despacho decisório em sede de Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso PER. Notese que a questão cingese à formação, instrução, cognição da prova, e esta, quando se trata de PER/DCOMP um pedido de iniciativa do sujeito passivo , a ele cabe tal ônus. Por mais longínquo e penoso tenha sido o percurso judicial e administrativo percorrido pela Recorrente no caso concreto, a conclusão é de que o contribuinte há de fazer esta prova. Antes de adentrar neste assunto de mérito, necessário tratar da preliminar de nulidade. Entende a Recorrente que tanto o despacho decisório, quanto o acórdão da DRJ/CTA, não poderiam ser emitidos antes da decisão final administrativa do auto de infração 10410.006237/201014, vez que este auto discute justamente a legitimidade dos créditos pleiteados e que foram objeto de glosa tanto no despacho decisório quanto no acórdão, asseverando que este teve como nascedouro o mesmo mandado de procedimento fiscal. A lógica é respeitável, porém, como se trata de Pedido de Restituição, a prova dos créditos diz respeito a cada um dos PER, para os quais, dependendo de sua instrução e prova cabal, logrará ou não êxito o Pleiteante. Fl. 59238DF CARF MF Processo nº 10410.720067/201157 Acórdão n.º 3401004.981 S3C4T1 Fl. 5 4 Portanto, afasto a nulidade arguida. Volvendo a questão meritória, destacamse trechos do Termo de Encerramento de Diligência 0001 (efl. 9 e ss.): No dia 18/02/2010, o contribuinte entregou basicamente os livros contábeis e fiscais e alguns arquivos magnéticos contendo memórias de cálculo. Constatamos após examinar os primeiros arquivos entregues, que os mesmo possuíam erros formais e tivemos que solicitar que os arquivos fossem refeitos. Este fato demonstrou que o contribuinte não possuía memória de cálculo dos valores informados na DACON e conseqüentemente dos PER/DCOMP. A partir desta data começou um processo inverso. A Receita Federal que estava com o prazo fixado para apreciar os PER/DCOMP, teve que pedir prorrogações de prazo ao Judiciário, não para fazer o trabalho, mas para que o contribuinte pudesse apresentar os documentos e elementos necessários ao exame dos PER/DCOMP. Foram solicitadas e concedidas duas prorrogações de prazo. Uma de 250 dias em 10/05/2010 e outra de 180 em 02/08/2010. Desde a data da entrega dos primeiros arquivos, até 27/10/2010, data do último arquivo entregue, diversos contatos telefônicos, 02 reintimações fiscais e cerca de 30 e mails foram enviados e recebidos, cobrando as informações e recebendo arquivos magnéticos. Em 18/06/2010, através da Reintimação Fiscal nº0001, foi feito um resumo do que havia sido entregue e o que estava pendente. Podese verificar que passados quase 5 meses do termo de diligência fiscal/solicitação de documentos, apenas 4 itens haviam sido entregues, faltavam 12 itens. Mais uma vez o contribuinte apresentou pedido de prorrogação para entrega dos documentos. Em 08/07/2010 o contribuinte entregou a maior parte das informações restantes. Faltando ainda o arquivo do almoxarifado e da depreciação. (...) Estes mesmos arquivos de saída de mercadorias, no campo "tributação", onde informa se o produto vendido é tributado a alíquota zero ou é tributado a alíquota positiva, foram fornecidos com essa informação totalmente equivocada. Produtos que na época da emissão da nota fiscal eram tributados, foram considerados como alíquota zero e vice versa. Assim, tivemos que refazer esta informação, produto a produto, nota fiscal a nota fiscal obedecendo à legislação vigente, no intuito de aproveitar o arquivo para confronto com a DACON. Após finalizar, formatar e totalizar mensalmente os arquivos. Fomos fazer o confronto com os valores Fl. 59239DF CARF MF Processo nº 10410.720067/201157 Acórdão n.º 3401004.981 S3C4T1 Fl. 6 5 informados na DACON, para então passar para a segunda etapa do trabalho que é a auditoria propriamente dita, ou seja, fazer os devidos ajustes na ótica da Receita Federal, apurar os créditos devidos e confrontar com os respectivos PER/DCOMP. (...) Constatamos uma total divergência de valores. Nas rubricas acima relacionada, não houve um mês em que houvesse coincidência de valores entre os constantes na DACON e os valores constantes nos arquivos fornecidos. Elaboramos as planilhas denominadas: Demonstrativo das diferenças entre os valores constantes da DACON e arquivos magnéticos fornecidos como memória de cálculo I, II e III, os quais evidenciam as divergências encontradas. (...) CONCLUSÃO O ônus da prova dos créditos pleiteados é do contribuinte, assim deve haver uma correspondência entre os valores constantes no documentário fiscal, esses com os arquivos magnéticos, esses com a DACON, que é base de apuração dos créditos, e por final, a DACON com os PER/DCOMP, para que então possamos examinar, fazer os ajustes necessários de acordo com a legislação e deferir os eventuais créditos que o contribuinte esteja pleiteando. O fato de entregar uma série de arquivos magnéticos, livros fiscais e documentos, não fazem prova dos créditos. É preciso que os mesmos guardem estrita correlação com o valor exato do crédito pedido. Não se pode pedir um crédito de um determinado valor e tentar comprovar outro. No caso em tela, ao longo de 10 meses e muito esforço envidado para obtenção das informações e execução do trabalho, restou demonstrado que o contribuinte não possuía memória de cálculu dos créditos solicitados, foi fazendo durante a execução do trabalho e os elementos e documentos fornecidos, não guardam nenhuma correlação com os valores dos créditos pleiteados nos PED/COMP. Desta forma, face à falta de comprovação, não se revela possível deferir os créditos solicitados pelos motivos acima expostos. A partir de sua manifestação de inconformidade, juntou a Recorrente mais de 5.000 documentos, a partir da efl. 66 e seguintes, num total de 49 (quarenta e nove) Anexos, na realidade, planilhas, informando, em síntese, número das notas fiscais, CFOP, tipo de tributação (alíquota zero, isento e tributado), descrição do material, montante, etc. Fl. 59240DF CARF MF Processo nº 10410.720067/201157 Acórdão n.º 3401004.981 S3C4T1 Fl. 7 6 Enfatiza a decisão da DRJ/CTA (efl. 59.137) que o direito creditório deve estar lastreado em documentação comprobatória (artigo 1.179 do CC c/c artigos 3°, 34 e 65, todos da IN/RFB 900/2008), asseverando ainda (efl. 59.138): Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio. No presente processo, salientase que a unidade de origem não indeferiu o pleito com base na falta da escrituração contábil, pois, como bem acentuou a interessada, a fiscalização não encontrou nenhuma anormalidade formal nos arquivos da contabilidade. O crédito não foi concedido, simplesmente, porque a interessada, mesmo diante dos inúmeros demonstrativos e documentos apresentados, não logrou êxito em comprovar a origem dos valores solicitados. Ao que se viu, durante muitos meses fora oportunizado o direito de a Recorrente fazer prova de seus hipotéticos créditos, porém, embora juntando muitos documentos, faltou comprovação da origem de seus valores, e por conseguinte, o quantum respectivo para fins de restituição. Noutro falar, há se ter uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros, não bastando os apresentar, mas também indicar, de forma específica que os documentos estão associados aos respectivos registros; natureza da operação escriturada/documentada, a fim de caracterizar ou não o direito ao crédito. Dispõe o artigo 373, I do CPC/2015, aplicado subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal PAF (Decreto 70.235/72): "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito;" A propósito, neste sentido entende o CARF: DCOMP. CRÉDITOS. HOMOLOGAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação eficaz desses atributos Fl. 59241DF CARF MF Processo nº 10410.720067/201157 Acórdão n.º 3401004.981 S3C4T1 Fl. 8 7 impossibilita à homologação. (Acórdão 3802003.395, v.u., para negar provimento ao recurso voluntário). RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS. Nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido. (Acórdão 3301003.192, v. u. para negar provimento ao recurso voluntário). Ante o exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 59242DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13964.000405/2010-81
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2006
PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Carece de fundamento a alegação de cerceamento do direito de defesa, na medida em que, tanto na fase fiscalizatória (procedimental), regida pelo princípio inquisitório, quanto na fase impugnatória (processual), ocasião em que foi inaugurada a fase do contraditório, o contribuinte teve ampla oportunidade de exercer o seu direito de defesa.
EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL. INTERPOSTA PESSOA.
A constatação de interposição de pessoa autoriza a exclusão do sujeito passivo do regime de tributação por meio SIMPLES, nos termos do disposto no inciso IV do artigo 14 da Lei nº 9.317, de 1996, retroagindo seus efeitos à data de verificação do fato ensejador da exclusão.
Numero da decisão: 1003-000.056
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no Recurso Voluntário e, no mérito, em negar-lhe provimento, vencida a conselheira Bárbara Santos Guedes (relatora), que acatou a preliminar e deu provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Sérgio Abelson.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2006 PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Carece de fundamento a alegação de cerceamento do direito de defesa, na medida em que, tanto na fase fiscalizatória (procedimental), regida pelo princípio inquisitório, quanto na fase impugnatória (processual), ocasião em que foi inaugurada a fase do contraditório, o contribuinte teve ampla oportunidade de exercer o seu direito de defesa. EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL. INTERPOSTA PESSOA. A constatação de interposição de pessoa autoriza a exclusão do sujeito passivo do regime de tributação por meio SIMPLES, nos termos do disposto no inciso IV do artigo 14 da Lei nº 9.317, de 1996, retroagindo seus efeitos à data de verificação do fato ensejador da exclusão.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no Recurso Voluntário e, no mérito, em negar-lhe provimento, vencida a conselheira Bárbara Santos Guedes (relatora), que acatou a preliminar e deu provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Sérgio Abelson. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes - Relatora (assinado digitalmente) Sérgio Abelson - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Carece de fundamento a alegação de cerceamento do direito de defesa, na medida em que, tanto na fase fiscalizatória (procedimental), regida pelo princípio inquisitório, quanto na fase impugnatória (processual), ocasião em que foi inaugurada a fase do contraditório, o contribuinte teve ampla oportunidade de exercer o seu direito de defesa. EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL. INTERPOSTA PESSOA. A constatação de interposição de pessoa autoriza a exclusão do sujeito passivo do regime de tributação por meio SIMPLES, nos termos do disposto no inciso IV do artigo 14 da Lei nº 9.317, de 1996, retroagindo seus efeitos à data de verificação do fato ensejador da exclusão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no Recurso Voluntário e, no mérito, em negarlhe provimento, vencida a conselheira Bárbara Santos Guedes (relatora), que acatou a preliminar e deu provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Sérgio Abelson. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 96 4. 00 04 05 /2 01 0- 81 Fl. 120DF CARF MF Processo nº 13964.000405/201081 Acórdão n.º 1003000.056 S1C0T3 Fl. 3 2 Bárbara Santos Guedes Relatora (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão de nº 0129.060, de 22 de abril de 20014, da 2ª Turma da DRJ/BEL, que negou provimento à manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte. Em fiscalização realizada na empresa contribuinte, os auditores fiscais responsáveis concluíram que, mediante as condutas apresentadas na representação fiscal e na interposição de pessoa jurídica Gonçalves Romagna EPP, o representante legal da empresa Gimara Confecções Ltda deu causa a exclusão de oficio, com efeito , no período de 01/2006 a 06/2007, do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequenos Portes SIMPLES, instituídos pela Lei no 9.317, de 05 de dezembro de 1996 (fls. 01 a 08). Através do Ato Declaratório de nº 158, de 06 de setembro de 2010, a empresa GIMARA foi excluída do Simples por utilizarse de pessoa jurídica constituída por interpostas pessoas, que não os verdadeiros sócios, infringindo o art. 9º, inciso IV c/c art. 12 ambos da Lei 9.317/96 (fls. 67). Contra essa decisão, Recorrente apresentou manifestação de inconformidade defendendo que a empresa possuia os mesmos sócios desde a constituição, em 10/07/1990, quais sejam, Antônio Romagna e Maria Aparecida Romagna. Logo, a Recorrente não foi criada por interpostas pessoas. Que a alegação na representação fiscal de que a empresa GISELE GONÇALVES ROMAGNA EPP não existia de fato, não vincula a Recorrente, pois aquela é pessoa jurídica independente e, caso ela fosse constituída por quem não é seu sócio, então essa empresa deveria ser afastada e não a GIMARA (fls. 69 a 71). Por unanimidade de votos, através do acórdão de nº 0129.060, de 22 de abril de 2014, a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte foi julgada improcedente, tendo o julgador relator destacado em seu voto: 8. Acertou a fiscalização ao observar que a empresa GIMARA CONFECÇÕES LTDA. empreendia negócio no ramo de confecção de roupas íntimas, com seu corpo funcional formalmente dividido com a pessoa jurídica denominada Gisele Gonçalves Romagna EPP e também com outra pessoa jurídica denominada Rafael Gonçalves Romagna ME, tudo congregado no mesmo local, o mesmo parque industrial e equipamentos, sob administração do empresário Antônio Romagna. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 13964.000405/201081 Acórdão n.º 1003000.056 S1C0T3 Fl. 4 3 9. Observese ainda que a empresa Gisele Gonçalves Romagna EPP foi considerada empresa de fato inexistente, razão da representação administrativa encaminhada à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis, com vistas à sua baixa de oficio na inscrição do CNPJ. 10. Ao contrário do que sugere a contribuinte em sua defesa, a interposição de pessoas no presente caso, não ocorre exclusivamente pela inserção de um sócio vulgarmente conhecido como “laranja” em seu quadro societário. 11. Ainda que desde o início de sua constituição societária, permaneçam os mesmos sócios, Sr. Antônio Romagna e Sra.Maria Aparecida Gonçalves Romagna, a existência da interposição de pessoas é patente no presente caso, pois conforme está claramente relatado na Representação Fiscal que deu origem à exclusão, fls.02/06, a interposição que ocorre é da pessoa jurídica Gisele Gonçalves Romagna EPP, a qual corresponde a uma mera simulação para que a empresa ora excluída pudesse usufruir indevidamente do tratamento tributário favorecido instituído pela Lei no 9.317/96 (Simples Federal) com vigência até junho de 2007. Inconformada com o julgamento, a Recorrente apresentou recurso voluntário, defendendo a nulidade do processo em razão de cerceamento de defesa, visto que recebeu o Ato Declaratório de exclusão do Simples Nacional sem a respectiva representação fiscal, fato que impediu a sua defesa plena. Outrossim, fundamentando no inciso IV do art. 14 da Lei 9.317/96, a Recorrente explica que só poderia ocorrer interposta pessoa se a pessoa jurídica a ser excluída tenha sido constituída, em seu quadro societário, por interpostas pessoas que não os verdadeiros sócios. Aduz que, com relação aos efeitos da exclusão, essa só poderia ocorrer a partir da decisão final do ato de exclusão. Por fim, requereu a procedência do pedido liminar e, ultrapassado esse argumento, requer seja acolhida as razões de mérito. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo, visto que atende o prazo regulamentar estabelecido pelo Decreto 70.235/1972, art. 33. Portanto, o mesmo atende aos requisitos de admissibilidade, pelo que, conheço do recurso. O cerne do litígio é a exclusão da GIMARA do Simples Federal por supostamente ter incorrido em situação excludente prevista no art. 9º, inciso IV c/c art. 12 ambos da Lei 9.317/96 , nos termos do ADE nº 158, de 06 de setembro de 2010. DA PRELIMINAR DE CERCEAMENTO DE DEFESA Fl. 122DF CARF MF Processo nº 13964.000405/201081 Acórdão n.º 1003000.056 S1C0T3 Fl. 5 4 A Recorrente pede, em sede de preliminar, que seja analisado seu pedido de cerceamento de defesa, em razão de não ter a mesma recebido a representação fiscal que levou à autoridade fiscal a emitir Ato Declaratório de nº 158. A exclusão da Recorrente pelo Ato Declaratório em questão trouxe como motivo : Art. 10 A contribuinte GIMARA CONFECÇÕES LTDA, CNPJ — 82.116.831/000198, excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, por utilizarse de interpostas pessoas que não os verdadeiros sócios, infringindo o disposto no art. 14, inciso IV, da Lei 9.317/96, c/c o artigo 12, da mesma Lei. Apesar do enquadramento legal, o ato não fundamenta a exclusão em fatos, tais alegações estão na representação fiscal, o qual a Recorrente alega não ter recebido. O Ato Declaratório precisa ser motivado e deverá sempre ser vinculado. A Lei 9.784/99, em seu art. 2º, esclarece: Art. 2oA Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Quanto à motivação, o artigo 50 do mesmo dispositivo legal, determina o que se segue: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; (...) § 1oA motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. A motivação dos fundamentos que justificam uma decisão do administrador público é fundamental para dar legitimidade e legalidade ao ato da Administração Pública e, conseqüentemente, para possibilitar o efetivo exercício do direito de defesa do contribuinte. A motivação é princípio de direito administrativo e consiste na exposição dos elementos que ensejaram a prática do ato administrativo, mais especificamente com a indicação de seus pressupostos fáticos e jurídicos, bem como a justificação do processo de tomada de decisão. Da análise do caso concreto, verificase que o Ato Declaratório não atende à essa determinação, uma vez que os fatos que motivaram a exclusão não estavam discriminados no termo. A motivação poderia ter sido dada a partir pareceres anteriores, como é o caso dos Fl. 123DF CARF MF Processo nº 13964.000405/201081 Acórdão n.º 1003000.056 S1C0T3 Fl. 6 5 autos (representação fiscal), mas tal documento deveria ter sido enviado à empresa para a livre e plena defesa da Recorrente. Não há nos autos prova de que tal documento tenha sido enviado e a Recorrente, desde a primeira impugnação apresentada, levanta a questão em debate. Entendo que a autoridade fiscal não motivou o Ato Declaratório de exclusão, em obediência ao art. 50, § 1º da Lei 9.784/99. Nos termos do artigo 59, do Decreto 70.235/72, são nulos os despachos e decisões que tenham sido proferidos com preterição do direito de defesa, o que se aplica ao presente, visto que o não envio da representação fiscal junto ao Ato Declaratório, indicando os fatos que levaram à exclusão, é um vício de forma e impossibilita ou mesmo prejudica a defesa adequada da Recorrente. Diante do exposto, voto no sentido de acolher a preliminar de cerceamento de defesa, restando, por conseguinte, nulo o Ato Declaratório constante dos autos. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Voto Vencedor Conselheiro Sérgio Abelson, Redator designado. Discordo do voto da ilustre Conselheira Relatora no que tange ao acolhimento da preliminar de cerceamento de defesa. A recorrente, por meio de seu representante legal, tomou ciência pessoal do ADE em questão em 29/09/2010 (folha 67, numeração em papel), momento em que se encontrava sob o procedimento de fiscalização de MPF nº 09.2.01.002010007481 (folha 08), conforme relatado na Representação Administrativa para Exclusão do Simples (folhas 01/07). A Representação Administrativa para Exclusão do Simples consiste em uma comunicação do AuditorFiscal responsável pela ação fiscal para o setor da unidade da RFB responsável pela emissão dos ADE. Em tal documento estão relatados os fatos ocorridos durante a ação fiscal, elencada a documentação coletada e apresentadas as conclusões no que se refere, no caso, à exclusão da fiscalizada do Simples Federal. Ou seja, é um documento que reproduz as informações obtidas no curso da ação fiscal para fundamentar a emissão do ADE por parte de outro setor da unidade da RFB. Não há, na referida representação, informação que não conste da ação fiscal então em curso. Além disso, do referido ADE consta referência ao número do presente processo, ao qual a representação é o primeiro documento, tendo sido anexada, portanto, em 27/08/2010 (data do protocolo, na capa do processo). Desta forma, observase que, estando sob o procedimento de fiscalização que motivou a exclusão e, diante da informação constante do ADE do número do presente processo, a contribuinte já tinha conhecimento prévio dos motivos de sua exclusão, e teve Fl. 124DF CARF MF Processo nº 13964.000405/201081 Acórdão n.º 1003000.056 S1C0T3 Fl. 7 6 facultado pleno acesso à Representação Administrativa para Exclusão do Simples Nacional mediante vistas ao presente processo. Cabe registrar que é usual a emissão de ADE também fora de procedimento de fiscalização, derivada de cruzamento de informações em sistemas, e que, nestes casos, sequer há representação interna, ou seja, as contribuintes são cientificadas de sua exclusão mediante apenas o ADE, sem qualquer outro documento explicativo. A ciência da fiscalizada ao ADE no curso do procedimento fiscal é procedimento corriqueiro e, usualmente, não é dada ciência específica à contribuinte da representação que fundamentou o ADE, à qual esta tem acesso mediante vista ao processo. Desta forma, não vejo razão para considerar ter havido o cerceamento do direito de defesa alegado pela recorrente. No mérito, a recorrente argumenta, inicialmente, que a exclusão do Simples por infração ao disposto no inciso IV do artigo 14 da Lei 9.317/96 somente pode ocorrer se ficar devidamente comprovado que a pessoa jurídica a ser excluída foi constituída, em seu quadro societário, por interpostas pessoas, que não sejam os verdadeiros sócios, acionistas ou titular, e afirma não ter ocorrido simulação pela atividade de mais de uma pessoa jurídica no mesmo endereço. A contribuinte se refere à sua atividade no mesmo endereço que a pessoa jurídica Gisele Gonçalves Romagna EPP, fato mencionado na Representação Administrativa para Exclusão do Simples (folhas 01/07) que alegou desconhecer, nas preliminares. Não contesta, no entanto, outros fatos relatados no documento: a exploração de uma única atividade econômica confecção de roupas íntimas, utilização indistinta do quadro funcional de ambas, gestão de fato de um só administrador, com comprovação inclusive por assinatura de documentos, configurando claramente unicidade empresarial e comunhão administrativa, bem como inexistência de fato da mencionada EPP, utilizada apenas para divisão de receita bruta e contratação de empregados, com a finalidade, com a permanência no Simples, de supressão de tributos, notadamente a contribuição previdenciária destinada à seguridade social, fragmentando a folha de pagamentos de salários para usufruir indevidamente de tratamento tributário favorecido. Procedimento, inclusive, repetido a partir de 2010, com a constituição de mais uma pessoa jurídica nas mesmas condições, Rafael Gonçalves Romagna ME. O procedimento fiscal que conclui pela inexistência de fato da pessoa jurídica Gisele Gonçalves Romagna EPP não pode, por óbvio, limitarse por sua existência formal, demonstradamente mero instrumento de simulação. Quando fica comprovada a interposição de pessoa na administração da referida EPP, que nada mais é que parte não autônoma da recorrente e gerida, de fato, pelo sócioadministrador da última, está caracterizada a utilização de interposta pessoa em parte não autônoma da própria recorrente e, portanto, na própria recorrente, estando claramente configurada a hipótese de sua exclusão do Simples constante do art. 14, IV, da Lei 9.317/96. Correto, portanto, o procedimento, ao excluir a recorrente do Simples Federal e representar pela baixa de ofício da inscrição no CNPJ da pessoa jurídica que demonstrou ser inexistente de fato, por não exercer autonomamente suas atividades. A outra alegação de mérito da recorrente se refere aos efeitos da exclusão. Argumenta que não consta dos autos data da ocorrência da alegada infração e, portanto, não há termo inicial para os efeitos da pretendida exclusão, que pelo art. 15, V, da Lei 9.317/96, deve surtir efeitos a partir do mês de ocorrência, no caso, da constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas. Entende, assim, que a exclusão só poderia surtir efeitos a partir da decisão administrativa final relativa ao ato de exclusão. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 13964.000405/201081 Acórdão n.º 1003000.056 S1C0T3 Fl. 8 7 A constituição da pessoa jurídica recorrente por interpostas pessoas se dá a partir da constituição formal da pessoa jurídica Gisele Gonçalves Romagna EPP, a qual, conforme já demonstrado, representa parte não autônoma da pessoa jurídica recorrente, com titularidade de direito não correspondente à gestão de fato. A referida EPP foi aberta em 19/04/2004 (folha 01), e a partir de então configurouse a infração legal. Contudo, como a ação fiscal se deu em 2010, pelo reconhecimento de ofício do prazo decadencial, bem como pelo período determinado no Mandado de Procedimento Fiscal (folhas 08/09), entendeuse por bem, e corretamente, excluir a interessada do Simples apenas a partir de 01/01/2006, conforme ADE à folha 67. Nenhum reparo a fazer, portanto, ao termo inicial da exclusão. Pelo exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 126DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.731976/2012-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012
CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXTINTO. PAGAMENTO. MATÉRIA NÃO CONHECIDA.
O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso.
MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL.
Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício.
Numero da decisão: 2402-006.533
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012 CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXTINTO. PAGAMENTO. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício.
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PAGAMENTO. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 19 76 /2 01 2- 43 Fl. 280DF CARF MF Processo nº 11080.731976/201243 Acórdão n.º 2402006.533 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que julgou improcedente a Impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Contra a contribuinte foi lavrado Auto de Infração para cobrança do IRPF, relativo aos exercícios 2008, 2009, 2010, 2011 e 2012, no importe de R$ 53.408,75, acrescido de multa de oficio (75%) e juros legais Selic. Foi lavravada, ainda, multa pela falta de recolhimento do carnêleão no valor de R$ 114.18. Como infração, foi apontada a omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício, caracterizada pelo não tributação dos valores de "ajuda de custo" recebidos duas vezes por ano no referido período. Regulamente intimado do lançamento, apresentou Impugnação, que, como dito, foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, com a seguinte ementa: MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. MULTA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DE RENDA A TÍTULO DE CARNÊ LEÃO. Considerase não impugnada, portanto não litigiosa, a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. EXTINÇÃO PARCIAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PAGAMENTO DO IMPOSTO COM JUROS E MULTA DE MORA. O recolhimento do imposto apurado em procedimento de ofício, com juros e multa de mora, configura extinção do litígio administrativo em relação a estas matérias, por falta de objeto, ficando o litígio restrito à aplicação da multa de ofício de 75%. NULIDADE. ILEGITIMIDADE PASSIVA. FALTA DE RETENÇÃO DO IRRF. A falta de retenção do imposto de renda pela fonte pagadora não exonera o beneficiário dos rendimentos da obrigação de incluílos na Declaração de Ajuste Anual DAA, para efeitos de tributação. Verificada a falta de retenção após a data fixada para entrega da declaração, serão exigidos do contribuinte o imposto, a multa de ofício e os juros de mora, caso não tenha submetido os respectivos rendimentos à tributação na DAA. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. Fl. 281DF CARF MF Processo nº 11080.731976/201243 Acórdão n.º 2402006.533 S2C4T2 Fl. 4 3 Nos procedimentos de ofício, a legislação tributária confere à autoridade Fiscal competência para lançar o imposto devido, com juros de mora e multa de ofício no percentual de 75%, se não constatada a intenção dolosa. A aplicação das multas de ofício decorre de expressa disposição legal. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. As decisões judiciais e administrativas não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação. Irresignado, apresentou Recurso Voluntário às fls. 195/227, aduzindo, em resumo: Preliminarmente, quanto ao recolhimento pelo Senado Federal do valor do imposto, informa que tal fato deveuse ao Ato da Comissão Diretora 14/2012, que determinou à administração senatorial o recolhimento do imposto, respeitada a prescrição qüinqüenal. E mais, por meio da Resolução do Senado nº 58/2012, ratificouse referido ato, bem como a natureza indenizatória da parcela ajuda de custo. Contudo, em 16.07.2013, a 2ª TO da 2ª Câmara do CARF, por unanimidade, deu provimento ao Recurso Voluntário nº 171.640, no processo 11516.001485/200740, para cassar o auto de infração que tinha fundamentos fático e jurídicos idênticos ao lavrado contra o recorrente. Por essa razão, o Senado Federal apresentou requerimento administrativo ao SRF, nos autos do processo 13355.725147/201280, postulando o reconhecimento da inexigibilidade do IR sobre tal parcela, paga aos Senadores nos anos de 2007 a 2010, sob o fundamento de possuir natureza indenizatória. Como referido requerimento tem natureza de prejudicial externa, pugna pela suspensão deste processo, até que sobrevenha decisão naquele petitório. Quanto à multa de ofício, argumenta que a legislação tributária não define com objetividade que a ajuda de custo seria rendimento tributável. Assim sendo, por não existir norma expressa definindoos como tributáveis, não há como atribuir a responsabilidade objetiva ao recorrente. Inclusive o não oferecimento à tributação deveuse a parecer jurídico plausível, chancelado pela RFB, por intermédio da súmula nº 87/2012, do CARF. Que os valores foram pagos a título de ajuda de custo a que alude o inciso I do artigo 39 do RIR/99. Que há uma diferença entre as verbas "ajuda de custo", que se destina a ressarcir gastos antes ou após o exercício do mandato, mas em razão dele, e aquela relacionada ao Exercício da Atividade Parlamentar (CEAPS), que se refere às despesas realizadas durante o exercício do mandato. Fl. 282DF CARF MF Processo nº 11080.731976/201243 Acórdão n.º 2402006.533 S2C4T2 Fl. 5 4 Que a Resolução do Senado Federal nº 58/2012 alterou a natureza jurídica da ajuda de custo, com eficácia ex nunc, ressaltandose a natureza indenizatória da parcela nos anos anteriores. Que o retorno do parlamentar ao Estado de origem no período de recesso consiste em etapa da representação popular, por meio da aproximação e do diálogo com os eleitores, fazendo com a que a verba paga para custear tais despesa relacionese inegavelmente ao exercício do mandato. Que é irrelevante a exigência da respectiva prestação de contas para fins de definição da natureza indenizatória da verba. Que seria uma espécie de correspondência presumida entre a parcela e as respectivas despesas. Que os valores recebidos a titulo de compensação são imunes ao IR, em decorrência do regime jurídico do tributo, que tem matriz constitucional. Que o Requerente não pode ser responsabilizado por um ato a que não deu causa, direta ou indiretamente, e para o qual não concorreu. Assim, não é possível aferir culpa ou dolo, pressuposto de toda e qualquer aplicação de sanção jurídica. Sustenta, no caso, a tese do erro escusável. É o relatório. Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator O contribuinte tomou ciência do acórdão recorrido em 12.11.2013 e apresentou tempestivamente seu Recurso Voluntário no dia 10.12.2013. Observadas as considerações a seguir, dele passo a, parcialmente, conhecer. A autuação se deu em 11.09.2012, cuja ciência foi dada ao autuado em 14.09.2012. A impugnação foi apresentada em 15.10.2012. Ocorre que em 28.11.2012, por meio do ofício 225/2012DGER subscrito pela DiretoraGeral do Senado, aquela casa legislativa, atuando na condição de responsável tributário e após reconhecer a natureza remuneratória da verba, efetuou o recolhimento do imposto nos CPF dos Senadores. Com isso, a DRJ entendeu que o recolhimento do imposto apurado em procedimento de ofício, com juros e multa de mora, configura extinção do litígio administrativo em relação a estas matérias, por falta de objeto, ficando o litígio restrito à aplicação da multa de ofício de 75%. Confirase da ementa: OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. EXTINÇÃO PARCIAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PAGAMENTO DO IMPOSTO COM JUROS E MULTA DE MORA. O recolhimento do imposto apurado em procedimento de ofício, com juros e multa de mora, configura extinção do litígio administrativo em relação a estas Fl. 283DF CARF MF Processo nº 11080.731976/201243 Acórdão n.º 2402006.533 S2C4T2 Fl. 6 5 matérias, por falta de objeto, ficando o litígio restrito à aplicação da multa de ofício de 75%. Assiste razão à DRJ, na medida em que o pagamento do crédito tributário, na forma do artigo 156, I do CTN, é hipótese de desistência do recurso, consoante estabelece o § 2º do artigo 78 do RICARF. Confirase: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. (...) § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. Quanto à multa de ofício, ressalvando meu entendimento pessoal, penso não haver maiores questionamentos. A Súmula CARF nº 73, de observância obrigatória por este Colegiado, por força do artigo 72 do RICARF, afasta a multa de ofício quando o erro no preenchimento da DAA tenha se dado por informações erradas prestadas pela fonte pagadora. Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Por tudo que costa dos autos, em especial os documentos de fls. 66/70, penso ter sido esse o caso. Forte no acima exposto, voto por CONHECER parcialmente do recurso apresentado e, na parte conhecida, DARLHE PROVIMENTO para excluir do lançamento, a multa de ofício aplicada. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 284DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.720259/2012-10
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
Numero da decisão: 2001-000.528
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para acatar parcialmente as despesas médicas do contribuinte e de seus dependentes no valor total de R$ 18.052,36
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo anocalendário da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para acatar parcialmente as despesas médicas do contribuinte e de seus dependentes no valor total de R$ 18.052,36 (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 72 02 59 /2 01 2- 10 Fl. 87DF CARF MF 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2009, anocalendário de 2008, por meio do qual foram glosadas despesas médicas no valor total de R$ 34.144,26, por falta de comprovação de beneficiário, gerando um crédito tributário de imposto de renda suplementar de R$228,50 acrescido de juros e multa de oficio. O interessado foi cientificada da notificação e apresentou impugnação, juntando documentos para evidenciar as despesas. Alega, em síntese, que se trata de despesa própria e dependentes, consigna a anexação dos documentos probatórios correspondentes e requer o acolhimento da impugnação. A DRJ Brasília, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que os comprovantes fornecidos e juntados ao processo pela Contribuinte não comprovam que o beneficiário dos serviços era o próprio contribuinte ou algum de seus dependentes. Em sede de Recurso Voluntário, junta a contribuinte todos os demais documentos necessários para tentar comprovar o quanto alegado. Anexa comprovante onde conta claramente o valor das despesas por beneficiário. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: Fl. 88DF CARF MF Processo nº 13839.720259/201210 Acórdão n.º 2001000.528 S2C0T1 Fl. 3 3 a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” O Recorrente apresentou os documentos necessários a comprovar as despesas médicas incorridas por ele bem como por seus dependentes relativos a plano de saúde . A decisão de primeira instancia sustentou que o Recorrente não comprovou as despesas médicas , nos seguintes termos: “[...] Apesar de intimado a apresentar comprovantes de pagamento de plano de saúde com valores discriminados por dependente, o contribuinte traz aos autos documentos que comprovam pagamentos com plano de saúde que totalizam R$22.565,46, mas que não identificam os beneficiários do plano de saúde nem os valores correspondentes a cada um. É indispensável que o contribuinte identifique os beneficiários, uma vez que somente podem ser deduzidas despesas médicas realizadas com dependentes do sujeito passivo. Caberia ao contribuinte solicitar diretamente à empresa prestadora dos serviços que fornecesse demonstrativo evidenciando os beneficiários do plano de saúde e a empresa seria obrigada a fornecer, ainda que a legislação vigente à época não a obrigasse a disponibilizar tal demonstrativo espontaneamente a todos os usuários. Quanto à solicitação de que seja realizada diligência para obter as provas solicitadas pela fiscalização, deve ser analisado se o pedido de realização de diligências é considerado imprescindível à tomada de decisão para julgamento da lide, de acordo com o que dispõe o art. 18 do mesmo diploma legal, com a redação dada pelo art. 1º da Lei n.º8.748/1993: Fl. 89DF CARF MF 4 “Art. 18 – A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, ‘in fine’.” Considero que a diligência é prescindível, uma vez que, de acordo com o inciso III, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72, cabe ao contribuinte, no momento da impugnação, trazer aos autos os motivos e as provas que possuir. De acordo com o § 4º, do artigo 16 do PAF, o momento oportuno de apresentação de provas é na impugnação, a não ser que se avente a existência de uma das hipóteses ali previstas. Assim, cabia ao interessado providenciar as provas que solicita sejam obtidas por meio de diligência. Desse modo, descabe o pedido de diligência formulado pelo interessado. O contribuinte foi intimado em 16/08/2011 a apresentar os comprovantes de pagamento discriminados por beneficiário e até agora não as apresentou, mantendose a glosa efetuada. Em resumo, VOTO por julgar improcedente a impugnação, para manter, integralmente, o lançamento [...]” No caso concreto, demonstrase, ao longo do processo, que a autoridade fiscal entende que a documentação apresentada não foi suficiente para comprovar que as despesas médicas apresentadas são próprias e dos dependentes, eis que não estaria claro nos documentos apresentados. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material Fl. 90DF CARF MF Processo nº 13839.720259/201210 Acórdão n.º 2001000.528 S2C0T1 Fl. 4 5 apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se no quanto exposto pelo Contribuinte, ou seja, de que a despesa incorreu de fato (evidenciada através dos comprovantes de pagamento) e que o beneficiários seriam ele e 3 de seus dependentes, entendo que deve ser dado provimento parcial ao recurso para considerar como dedutível as despesas: Marcello Haroldo (2.197,33+2.315,76), Katia Aparecida Gomes Haroldo (2.197,33 + 2.315,76), Juliana Gomes Haroldo (2.197,33 + 2.315,76) e Darcy Olivia Haroldo (2.197,33+2.315,76). CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para acatar parcialmente as despesas médicas acima mencionadas, qual seja do contribuinte e de seus dependentes (conforme declaração do IR) no valor total de R$18.052,36. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 91DF CARF MF 6 Fl. 92DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.902819/2010-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
Pagamento Indevido. Direito de Crédito. ônus da Prova.
Nos pedidos de restituição e nos casos de declaração de compensação, o ônus da prova do indébito é do contribuinte.
Numero da decisão: 1301-003.235
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1236; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10840.902819/201055 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1301003.235 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de julho de 2018 Matéria IRPJ COMPENSAÇÃO Recorrente HOSPITAL SÃO FRANCISCO SOCIEDADE EMPRESÁRIA LIMITADA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 PAGAMENTO INDEVIDO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. Nos pedidos de restituição e nos casos de declaração de compensação, o ônus da prova do indébito é do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 28 19 /2 01 0- 55 Fl. 278DF CARF MF Processo nº 10840.902819/201055 Acórdão n.º 1301003.235 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso interposto por HOSPITAL SÃO FRANCISCO SOCIEDADE EMPRESÁRIA LIMITADA, pessoa jurídica já qualificada nos autos, contra a decisão da DRJ, que negou provimento à manifestação de inconformidade da recorrente, mantendo o despacho decisório da DRF Ribeirão Preto. No referido despacho decisório, a autoridade administrativa não reconheceu a existência do crédito pleiteado pela recorrente e, assim, deixou de homologar a compensação declarada em dcomp. A decisão fundouse no argumento de que, embora tendo sido encontrado o DARF, o pagamento já estava inteiramente utilizado para quitar outro débito da própria recorrente, não remanescendo qualquer valor. Na manifestação de inconformidade, a recorrente alegou que, em procedimento de auditoria interna, constatouse a ocorrência de recolhimento de tributo superior ao devido, em face da majoração da base de cálculo. Tal fato deu ensejo à compensação realizada em dcomp. A DRJ, entretanto, alegando que o direito não tinha sido demonstrado e que não havia certeza, nem liquidez do crédito pleiteado, negou provimento à manifestação de inconformidade. Não resignada, a contribuinte interpôs recurso, trazendo os mesmos argumentos expostos perante o órgão de primeira instância. Reiterou que a causa do indébito foi erro na base de cálculo do IRPJ: "... em procedimento de auditoria e verificação interna da apuração dos tributos, constatouse que o Recorrente recolheu a maior o tributo em questão, face a majoração da base de cálculo. Este fato ensejou a compensação realizada via PER/DCOMP ( ...), visando a quitação dos débitos do IRPJ vincendo." Frisou a recorrente que o direito estaria comprovado pelas declarações retificadoras, que, para todos os fins, substituem as originais. Aduziu que, se as declarações retificadoras tivessem sido analisadas, não existiria motivo para não se homologar a compensação. Com esses fundamentos, pugnou pela reforma da decisão recorrida, para reconhecer o direito ao crédito e homologar a compensação. Subsidiariamente, requereu a conversão do julgamento em diligência, para exame dos documentos contábeis que acompanham o recurso. É o relatório. Fl. 279DF CARF MF Processo nº 10840.902819/201055 Acórdão n.º 1301003.235 S1C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.234, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10840.903677/2009 18, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O crédito analisado no processo paradigma referese a pagamento indevido ou a maior de IRPJ, relativo ao período de apuração de maio/2006. No presente processo, o direito creditório analisado tem como origem pagamento indevido ou a maior do IRPJ, referente ao período de apuração de 30/11/2006. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.234): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. A controvérsia gira em torno da existência do direito creditório oriundo de pagamento parcialmente indevido de IRPJ apurado por estimativa mensal. A DRFRibeirão Preto não homologou a compensação porque o pagamento se encontrava inteiramente alocado a um débito declarado pela própria recorrente. A DRJ, por sua vez, negou provimento à manifestação de inconformidade por falta de comprovação do direito. Nos pedidos de restituição e nas compensações, cumpre ao contribuinte, em primeiro lugar, fazer prova do pagamento, vale dizer, demonstrar que o dinheiro entrou nos cofres públicos. Depois, tem de provar que esse pagamento se fez em desacordo com a legislação aplicável, ou seja, provar que houve erro na apuração do tributo, ou provar que o contribuinte não era o devedor, ou que o Fisco não era o credor. O contribuinte não precisa provar que pagou por erro, nem que o erro era escusável. Basta demonstrar que o pagamento se fez em desacordo com a legislação. No caso em exame, a recorrente limitouse a afirmar que o indébito decorreu de "majoração da base de cálculo". Essa expressão é vaga e comporta inúmeras situações. Pode ser a inclusão de receitas isentas ou imunes, de receitas já tributadas ou passíveis de diferimento; pode ser o registro de meros ingressos de caixa como sendo valor tributável. O erro também pode advir da falta de registro de despesas dedutíveis, além de Fl. 280DF CARF MF Processo nº 10840.902819/201055 Acórdão n.º 1301003.235 S1C3T1 Fl. 5 4 toda sorte de equívocos referentes aos ajustes ao lucro líquido. Em suma, as possibilidade são tantas, que dizer apenas que houve majoração indevida da base de cálculo é quase o mesmo que não dizer nada. Diante dessa imprecisão, tornase ocioso qualquer exame de livros fiscais e contábeis, bem como a determinação de qualquer tipo de diligência, em face da impossibilidade de delimitar o objeto a ser examinado. Ressaltese que a retificação da DCTF, ou de qualquer outra declaração pelo próprio contribuinte, depois de ter sido intimado do despacho decisório, não vale como prova do pretenso direito creditório. Na situação em análise, não há sequer a descrição do fato de que teria se originado o crédito pretendido. A regra básica, em matéria de prova, é a de que aquele que alega o fato tem o ônus de proválo. Portanto, se no auto de infração o ônus da prova é da autoridade fiscal, nos pedidos de restituição e nas compensações o ônus de provar o indébito é daquele que bate às portas do Fisco, reivindicando o direito. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 281DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12466.722114/2014-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 09/09/2014
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NÃO COMPROVADA A CONTRADIÇÃO. REJEIÇÃO.
Inexistindo obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, impõe-se a rejeição dos embargos de declaração.
Numero da decisão: 3302-005.645
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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NÃO COMPROVADA A CONTRADIÇÃO. REJEIÇÃO. Inexistindo obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, impõese a rejeição dos embargos de declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 21 14 /2 01 4- 20 Fl. 7648DF CARF MF Processo nº 12466.722114/201420 Acórdão n.º 3302005.645 S3C3T2 Fl. 7.649 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3302003.371 que, por unanimidade de votos, negou provimento aos recursos de ofício e voluntário, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 09/09/2014 RECURSO DE OFÍCIO. EXCLUSÃO DA EMPRESA ABC BRASIL DA EXIGÊNCIA FISCAL. INEXISTÊNCIA DE PROVAS CONTRA A SOLIDÁRIA. É inconteste que o importador e o encomendante são pessoas jurídicas distintas. Logo, não é plausível exigir que o encomendante tenha responsabilidade sobre a contabilidade do importador. ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. INTIMAÇÃO VIA EDITAL. DEVOLUÇÃO DO PRAZO RECURSAL. Diante da expressa previsão contida no Decreto n. 70.235/1972, não há se falar em nulidade da intimação feita por edital, desde que cumpridos os requisitos elencados no próprio artigo 23. ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. JURISDIÇÃO DIVERSA. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE EXPEDIDORA. INOCORRÊNCIA. Alteração do domicílio fiscal do contribuinte após o início do procedimento de fiscalização. IN RFB 748/2002. Delegação possível. Previsão IN SRF 228/2002. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. IMPORTAÇÕES POR ENCOMENDA. A legislação que tipifica a prática da interposição fraudulenta na modalidade presumida expressamente prevê que para a constatação dessa infração basta a inexistência de provas. Para elidir os indícios é de responsabilidade do importador que atue por encomenda fazer provas sobre a existência de recursos próprios na data de fechamento das operações. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. INFRAÇÃO ADUANEIRA SUI GENERIS. INDEPENDE DE COMPROVAÇÃO DE DOLO OU DE RESULTADO. A interposição fraudulenta presumida é caracterizada, apenas, pela não comprovação da origem, disponibilidade e transferências dos recursos empregados nas operações de comércio exterior. Art. 23 do DecretoLei n.1.455/1976. Em seu arrazoado (fls. 1.1521.156), a Embargante alega ter ocorrido omissão no acórdão embargado com base nos seguintes fundamentos, a saber: Embora tenha reconhecido que a Recorrida se enquadrava como encomendante, a 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF negou provimento ao recurso de ofício para manter a exclusão da empresa ABC Brasil do polo passivo da exigência fiscal. Contudo, analisando detidamente o inteiro teor da decisão, constatase a existência de omissão, pois a e. Turma não justificou o afastamento dos arts. 106, IV e 674, VI do Decreto nº 6.759/2009 (dispostos no item 8 do Auto de Infração), que expressamente determinam a responsabilização do encomendante. Fl. 7649DF CARF MF Processo nº 12466.722114/201420 Acórdão n.º 3302005.645 S3C3T2 Fl. 7.650 3 Nos termos do despacho de fls.7.6307.33, os Embargos de Declaração foram admitidos para sanar omissão noticiada anteriormente. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator Os embargos de declaração opostos pelo Fazenda Nacional teve o exame de admissibilidade processado regularmente, dele tomo conhecimento. Segundo a Embargante, a omissão contida no v. acórdão embargado se deu pelo fato de não constar no julgado, que adotou como causa de decidir as razões da decisão de piso, qualquer justificativa para se afastar os artigos 106, IV, e 674, VI, do Decreto nº 6.759/2009, outrora aplicados em detrimento da empresa ABC Brasil, que expressamente determinam a responsabilização do encomendamente, in verbis: Art. 106. É responsável solidário: (...) IV o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 32, parágrafo único, alínea “d”, com a redação dada pela Lei nº 11.281, de 2006, art. 12); (...) Art. 674. Respondem pela infração (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 95): (...) VI conjunta ou isoladamente, o importador e o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 95, inciso VI, com a redação dada pela Lei no 11.281, de 2006, art. 12). Contudo, em que pese os argumentos explicitados pela Embargante, entendo que o acórdão embargado não padece de omissão, senão vejamos. Inicialmente, é imperioso destacar que a relatora original do acórdão embargado adotou "in totum" a fundamentação apresentada pelo i. julgador de piso, como razão para negar provimento ao recurso de ofício, destacando alguns trechos da decisão de piso que entendeu justificar a exclusão da empresa ABC do polo passivo da presente lide e, acrescentando outros fundamentos para corroborar o então acertado voto adotado, senão vejamos: 1. RECURSO DE OFÍCIO Tratase de recurso de ofício submetido a este Colegiado em virtude da exclusão da empresa ABC Brasil do pólo passivo da exigência fiscal, o que exonera crédito tributário em montante superior1 ao limite de alçada previsto no art. 1º da Portaria MF n. 03, de 03 de janeiro de 2008. Fl. 7650DF CARF MF Processo nº 12466.722114/201420 Acórdão n.º 3302005.645 S3C3T2 Fl. 7.651 4 A instância de origem considerou que a exigência lavrada no auto de infração contra a contribuinte ABC Brasil tem por fundamento exclusivo a sua condição de empresa encomendante de produtos importados pela Multimex (caracterizada como interposta pessoa). E resume os principais argumentos trazidos na ação fiscal, no que se refere a contribuinte solidária, da seguinte forma: "1. A contabilidade da empresa MULTIMEX é imprestável, o que implica em sua incapacidade de efetuar a comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação; 2. A empresa ABC Brasil figura como ENCOMENDANTE nas Declarações de Importação em análise no presente Auto de Infração". A turma julgadora acatou o raciocínio lógico e jurídico apresentado pelo relator, que brilhantemente aponta que: "Se a empresa ABC Brasil se apresente à fiscalização como encomendante, tal qual afirmado no próprio Relatório de Procedimento Fiscal, que outra conduta a fiscalização pode exigir dessa empresa? A fiscalização não trouxe evidências de confusão patrimonial, administrativa, de uso de pessoal, como é próprio de outros casos envolvendo o uso de interposta pessoa em operações de importação maculadas pela prática de interposição fraudulenta de terceiros. Entendese que a fiscalização para abarcar a empresa ABC BRASIL no pólo passivo da autuação mescla indevidamente os conceitos de prática efetiva e prática presumida da interposição fraudulenta de terceiros. Pinçase o seguinte fragmento do Relatório de Procedimento Fiscal, às folhas 6 do processo digital, que expressa justamente tal confusão conceitual: Em que pese a obrigação do importador de revender as mercadorias importadas ao encomendante prédeterminado, é o importador quem formaliza a compra internacional, logo deve dispor de capacidade econômica e financeira para o pagamento da importação, bem como das demais despesas de nacionalização. Da mesma forma, o encomendante também deve ter capacidade econômica e financeira para adquirir as mercadorias revendidas pelo importador contratado, conforme se depreende do art. 5º da IN SRF n. 634/06. Sim, sem dúvida. A colocação da fiscalização é irrepreensível. Contudo, não se pode confundir os conceitos que alicerçam as duas formas de prática de interposição fraudulenta de terceiros (efetiva e presumida), sob o risco de se remeter aquele indicado como sujeito passivo oculto a exigência de produção de prova infernal! Cada qual deve responder pela comprovação da origem, disponibilidade e transferência DOS SEUS PRÓPRIOS RECURSOS empregados na transação, não podendo se responsabilizar um pela não comprovação do outro. (...) Há a necessidade premente da fiscalização aduaneira atentar para tal distinção conceitual, sob o risco de se inviabilizar toda e qualquer revenda de Fl. 7651DF CARF MF Processo nº 12466.722114/201420 Acórdão n.º 3302005.645 S3C3T2 Fl. 7.652 5 produtos importados no mercado nacional, ao confundir a figura do REAL COMPRADOR (sujeito passivo oculto) com a do MERO COMPRADOR. Se a empresa ABC BRASIL se identifica para a fiscalização como encomendante, no momento do registro da Declaração de Importação, onde está a ocultação do sujeito passivo? (...) Não há o menor sentido em apontála como sujeito passivo oculto, a luz do inciso V, do artigo 23 do Decreto Lei n. 1.455/76. Antes de prosseguir na análise, um importante adendo se faz necessário: É preciso reprimir o uso indevido do artigo 124, I, do Código Tributário Nacional para querer abarcar tanto importador quanto o sujeito passivo oculto no pólo passivo do Auto de Infração nas autuações de prática de interposição fraudulenta de terceiros. (...) Isso porque o artigo 124 do Código Tributário Nacional é próprio para a Sujeição Passiva Solidária, no âmbito das normas gerais da relação jurídico tributária, disciplinada ao longo do segundo livro do CTN, cujo objeto é o tributo! (...) Nesse diapasão, pelo fato da prática de interposição fraudulenta de terceiros (efetiva ou presumida) ser um ilícito aduaneiro, o instituto a ser considerado não é a responsabilidade solidária tributária, mas sim o da coautoria, na forma do artigo 95 do DecretoLei n. 37/66". Diante desses esclarecimentos, acrescido ainda os fatos que (i) a fiscalização não apresentou provas de confusão patrimonial, administrativa, ou de uso pessoal, e; (ii) que a contribuinte ABC BRASIL se apresentou à fiscalização como encomendante (nos termos dos arts. 32 e 95 do Decreto Lei n. 37/66), a instância de origem concluiu que não é plausível exigir que a contribuinte ABC BRASIL tenha conhecimento ou ingerência sobre a contabilidade (imprestável) da empresa MULTIMEX, motivo pelo qual não é possível descrevêla como sujeito passivo oculto. Por essas razões foi decretada a exclusão da contribuinte ABC BRASIL do pólo passivo da exigência fiscal sob julgamento. Sobre essa conclusão, entendo que não há reparos a fazer ao acórdão recorrido. Acrescento ao rol dos fundamentos que remetem à exclusão da contribuinte do auto de infração, o fato que não há no relatório fiscal qualquer menção a vantagem percebida pela empresa ABC BRASIL nas transações investigadas, nem tão pouco qualquer prejuízo ao erário. Por esse motivo, voto pelo improvimento do recurso de ofício, adotando in totum a fundamentação apresentada pelo Conselheiro Jorge Lima Abud, relator do acórdão recorrido, no que concerne a apreciação da responsabilidade da contribuinte ABC BRASIL. (GRIFADO) Fl. 7652DF CARF MF Processo nº 12466.722114/201420 Acórdão n.º 3302005.645 S3C3T2 Fl. 7.653 6 Não obstante esteja ausente a menção expressa aos artigos 106, IV, e 674, VI, do Decreto nº 6.759/2009, fato é que o tanto o relator de piso quanto a relatora do acórdão embargado (vide parte sublinhada), justificaram de forma acentuada os motivos que levaram excluir da lide a empresa ABC do Brasil, não existindo, no entendimento deste relator, omissão à ser sanada. É de se ver, ao menos na interpretação feita por este relator, que tanto o julgador de piso quanto o relator do acórdão embargado, entenderam que a responsabilidade tratada no artigo 106, do referido Decreto é subjetiva e não objetiva. No mais, tornase desnecessário, exigir que o julgador, depois dele apresentar os motivos que o levaram a decidir da forma como decidiu, fazer menção expressa à inaplicabilidade de texto legal, posto que os motivos por si só, já nos levam a irremediável conclusão de afastamento da norma que embasou o lançamento fiscal. Deste modo, entendo não ser o caso de omissão apontada pela Embargante em relação a matéria por ela suscitada, posto que o sistema de livre convencimento motivado, adotado no nosso ordenamento jurídico, permite que a decisão proferida seja fundamentada com base nos argumentos que o julgador entender cabíveis, o que foi feito no caso concreto. O Superior Tribunal de Justiça firmou jurisprudência de que as decisões devem formar um conjunto coerente de enfrentamento das razões apresentadas pelo recorrente, sendo assim desnecessário o enfrentamento pontoaponto: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Diante do exposto, voto por rejeitar os Embargos de Declaração. É como voto (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 7653DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10932.000185/2009-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2005 a 30/06/2006
INTEMPESTIVIDADE CARACTERIZADA. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância.
Efetiva-se a ciência do contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, o que ocorrer primeiro.
Numero da decisão: 2202-004.389
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2005 a 30/06/2006 INTEMPESTIVIDADE CARACTERIZADA. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Efetiva-se a ciência do contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, o que ocorrer primeiro.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho.
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RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Efetivase a ciência do contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, o que ocorrer primeiro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 01 85 /2 00 9- 31 Fl. 1391DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018, proferido no âmbito do processo n° 10932.000179/200984, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que julgou a impugnação improcedente. Conforme Relatório Fiscal, a fiscalização foi comandada para fins de verificação da regularidade do recolhimento das contribuições previdenciárias e devidas a outras entidades e fundos. Após intimada e reintimada a apresentar a Contabilidade por Centro de Custo/individualizada por obra, a empresa não a apresentou, o que levou a auditoria a efetuar o lançamento por aferição indireta nos termos do art. 33, §6º, da Lei nº 8.212/91 e do art. 473 da IN 03/2005 e alterações posteriores. Os autos de Infração lavrados no procedimento fiscal foram discriminados pela fiscalização na seguinte planilha: DEBCAD N° LEVANTAMENTO REFERENTE REF. AO ESTABELECIMENTO 37.227.3645 Auto de Infração por falta de Matrícula CEI 56.473.317/000108 37.227.3653 Auto de Infração por Deixar de contabilizar em Títulos próprios 56.473.317/000108 37.227.3661 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 186 70.000.52148/71 37.227.367 0 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 186 70.000.52148/71 37.227.3688 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 186 70.000.52148/71 37.227.3696 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 220 50.022.27566/71 37.227.3700 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 220 50.022.27566/71 37.227.3718 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 220 50.022.27566/71 37.227.3726 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 232 50.022.27644/77 37.227.3734 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 232 50.022.27644/77 37.227.3742 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Oora 232 50.022.27644/77 37.227.3750 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 233 50.022.27538/76 37.227.3769 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 233 50.022.27538/76 37.227.3777 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 233 50.022.27538/76 37.227.3785 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 234 50.025.43828/73 37.227.3793 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 240 50.022.27455/79 37.227.3807 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 240 50.022.27455/79 37.227.3815 Auto de Infração de Emp/RAT reforente a Obra 240 50.022.27455/79 37.227.3823 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 243 50.011.88359/75 37.227.3831 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 243 50.011.88359/75 37.227.3840 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 243 50.011.88359/75 37.227.3858 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 244 70.000.52155/71 37.227.3866 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 244 70.000.52155/71 37.227.3874 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 244 70.000.52155/71 37.227.388 2 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 251 G 50.022.22636/70 Fl. 1392DF CARF MF Processo nº 10932.000185/200931 Acórdão n.º 2202004.389 S2C2T2 Fl. 3 3 37.227.3890 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 251 G 50.022.22636/70 37.227.3904 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 251G 50.022.22636/70 37.227.3912 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 252 70.000.52167/72 37.227.3920 Auto de Infração tíc Terceiros referente a Obra 252 70.000.52167/72 37.227.3939 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 252 70.000.52167/72 37.231.6220 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 254 50.024.17099/73 37.231.6239 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 254 50.024.17099/73 37.231.621/ Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 254 50.024.17099/73 37.231.6255 Auto de Infração dc Segurados referente a Obra 255 50.024.19184/76 37.231.6263 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 255 50.024.19184/76 37.231.6271 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 255 50.024.19184/76 37.231.6280 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 256 50.025.43742/79 37.231.6298 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 900.34 70.000.52152/74 37.231.6301 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 900.34 70.000.52152/74 37.231.6310 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 900.34 70.000.52152/74 37.231.6328 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 250.01 70.000.52150/79 3/.231.6336 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 250.01 70.000.52150/79 37.231.6344 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 250.01 70.000.52150/79 37.231.6352 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 250.03 G 70.000.52161/78 37.231.6360 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 250.03 G 70.000.52161/78 37.231.6379 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 250.03 G 70.000.52161/78 37.231.6387 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 231 G 70.000.52163/73 37.231.6395 Auto de In'ração de Terceiros referente a Obra 231 G 70.000.52163/73 37.231.6409 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 231 G 70.000.52163/73 37.231.6417 Auto de Infração de Segurados referente a Serviços da Emparsanco 56.473.317/000108 37.231.6425 Auto de Infração de Terceiros referente a Serviços da Emparsanco 56.473.317/000108 3/.231.6433 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Serviços da Emparsanco 56.473.317/000108 37.231.6441 Auto de Infração de Terceiros referente a Serviços da Giagui 56.473.317/000108 37.231.6450 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Serviços da Giagui 56.473.317/000108 Cientificado da autuação a recorrente apresentou impugnação alegando, em síntese, a improcedência e incorreção da aferição indireta. Diante das alegações da recorrente a autoridade julgadora de primeira instância, converteu o julgamento em diligência, a fim de que a fiscalização se pronunciasse sobre os argumentos levantados pela defesa. No resultado da diligência a fiscalização se manifestou sobre todos os processos gerados no procedimento fiscal, listando os seguintes: 10932.000171/200918 10932.000187/200921 10932.000205/200974 10932.000172/200962 10932.000190/200944 10932.000206/200919 10932.000173/200915 10932.000192/200933 10932.000207/200963 10932.000174/200951 10932.000189/200910 10932.000208/200916 10932.000175/200904 10932.000191/200999 10932.000209/200952 10932.000177/200995 10932.000193/200988 10932.000210/200987 10932.000176/200941 10932.000194/200922 10932.000211/200921 10932.000178/200930 10932.000197/200966 10932.000212/200976 Fl. 1393DF CARF MF 4 10932.000180/200917 10932.000200/200941 10932.000213/200911 10932.000179/200984 10932.000195/200977 10932.000214/200965 10932.000181/200953 10932.000196/200911 10932.000215/200918 10932.000183/200942 10932.000198/200919 10932.000217/200907 10932.000182/200906 10932.000199/200955 10932.000218/200943 10932.000184/200997 10932.000202/200931 10932.000219/200998 10932.000186/200986 10932.000204/200920 10932.000220/200912 10932.000185/200931 10932.000201/200996 10932.000221/200967 10932.000188/200975 10932.000203/200985 10932.000222/200910 10932.000223/200956 A auditoria reafirmou a procedência do lançamento por aferição indireta, de cujo Termo de Constatação extraio os seguintes trechos: “Ora, se a empresa possui controles analíticos de salários, se possui controles contábeis para identificação individual dos lançamentos dos encargos previdenciários, isto não foi demonstrado nem no momento da fiscalização e muito menos na documentação anexada como meio de prova, nesta fase de defesa administrativa, Todos os documentos apresentados nesta fase se referem a VALORES GLOBAIS, como o resumo da folha de pagamento GERAL e os tais relatórios de composição contábil, como detalharemos mais abaixo. Portanto, em nenhum momento desta defesa, o contribuinte conseguiu provar a contabilização em títulos próprios, por obra de construção civil, dos fatos geradores previdenciários, conforme prega o art. 32 da lei 8.212/91.” A recorrente apresentou contrarrazões ao resultado da diligência, reafirmando a improcedência do lançamento. A impugnação foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil, cujo resultado foi levado à ciência da recorrente por meio da disponibilização na Caixa Postal, Módulo eCAC do Site da Receita Federal. Após ciência por meio da abertura dos arquivos disponibilizados, via Termo de Abertura de Documento, não houve manifestação dentro do prazo que teria para apresentação de Recurso Voluntário. Diante disso, lavrouse o respectivo Termo de Perempção e o processo foi encaminhado à PGFN. Nessa fase, passados mais de 100 (cem) dias desde a data da ciência do Acórdão da DRJ, pelo contribuinte, este protocolizou recurso voluntário em face da Decisão de 1ª Instância Administrativa. O processo, então, retornou à fase administrativa para apreciação do recurso interposto, no qual se alega, em síntese: · Tempestividade. Admissibilidade do recurso. · Alteração da forma de intimação de meio papel para digital sem autorização do recorrente. · Falta de comprovação da intimação do resultado do julgamento de primeira instância. · Vícios do procedimento fiscal e vícios da autuação. Fl. 1394DF CARF MF Processo nº 10932.000185/200931 Acórdão n.º 2202004.389 S2C2T2 Fl. 4 5 Por fim, requereu o Recorrente o cancelamento da inscrição em dívida ativa e o retorno ao trâmite administrativo, para declaração de nulidade do auto de infração. É o relatório." Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson – Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo n° 10932.000179/200984, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pela Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, digna relatora da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018: Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "O Recurso Voluntário é intempestivo, o que prejudica sua admissibilidade. Primeiramente, informo que a matéria tratada nos autos é a mesma discutida nos processos nº 10932.000187/200921, 10932.000190/200944, 10932.000192/200933, originados do mesmo procedimento fiscal, conforme relatado anteriormente, e que já foram julgados pelo CARF em 08/03/2016, tendo sido exarados os acórdãos nº 2201002.966, 2201002.965, 2201 002.964, respectivamente. Conforme relatórios constantes nos acórdãos citados, os processos foram baixados em diligência, a fim de que fosse comprovada a opção do recorrente pelo Domicílio Tributário Eletrônico (DTE), conforme trecho extraído do Acórdão nº 2201 002.966 (processo 10932.000187/200921): “O processo baixou em diligência para comprovar a opção do contribuinte pelo Domicílio Tributário Eletrônico DTE, apresentar as normas e condições de sua utilização e confirmar a data de entrada do Recurso Voluntário na Receita Federal. A DERAT/SP informou que a empresa realizou a opção pelo DTE em 13/01/2012 e em 27/08/2012, anexou tela com as orientações sobre o funcionamento do DTE na Caixa Postal do eCAC e confirmou o de recebimento do Recurso Voluntário pela Receita Federal em 05/08/2013. Fl. 1395DF CARF MF 6 Conforme fl. 1368 foi solicitada Apuração Especial pelo SERPRO, cujo resultado encontrase nas fls. 13691373 e comprova que o contribuinte de CNPJ 56.473.317/00001 08 (NI logado e NI papel) realizou a opção pelo DTE no dia 13/01/2012 e no dia 27/08/2012. De acordo com o despacho do SETEC, fl. 1366, foi anexada a tela na fl. 1365 com as orientações sobre o funcionamento do DTE na Caixa Postal do eCAC Considerandose na fl. 1336 (última do Recurso Voluntário) a menção ao recebimento dos documentos naquela data, cujo carimbo está na fl. 1262 (primeira do Recurso Voluntário), além da Tela do Histórico de eventos no SICOB, na JL1374 (campo data do Evento Recurso Voluntário), compreendese que a data de recebimento do Recurso Voluntário pela Receita Federal foi em 05/08/2013.” Restou comprovado, por meio de diligência naqueles processos, que a recorrente fez opção pelo DTE, o que levou o Colegiado de segunda instância a não conhecer dos recursos, conforme dispositivos dos acórdãos citados: "ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo.". Diante da informação exarada nos acórdãos citados, a qual aproveito para análise do presente processo, entendo que a ciência do resultado do julgamento de primeira instância se deu pela Abertura dos Arquivos correspondentes no link Processo Digital, disponibilizados no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC), por meio da opção Consulta Comunicados/Intimações, conforme Termo de Abertura de Documentos, nos termos da alínea "b" do inciso III do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto 70.235/72 (PAF): “Art. 23. Farseá a intimação: [...] III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] § 2° Considerase feita a intimação: [...] III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) (Grifei).” Registrese, por relevante, que, mesmo que se adotasse o critério de ciência do contribuinte por decurso de prazo, previsto na Fl. 1396DF CARF MF Processo nº 10932.000185/200931 Acórdão n.º 2202004.389 S2C2T2 Fl. 5 7 alínea "a" do inciso III do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto nº 70.235/72, ainda assim o recurso voluntário interposto pelo Sujeito Passivo permaneceria infectado pelo vício da intempestividade, eis que, na data de sua interposição, o prazo recursal já se haveria exaurido há, pelo menos, dois meses. Portanto, como o Recurso Voluntário foi apresentado após o limite estabelecido pelo Decreto nº 70.235/72, ele é extemporâneo. Conclusão Por todo o exposto, voto por não conhecer do recurso, por intempestividade. (assinado digitalmente) Ana Maria Bandeira." Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário, em razão de sua apresentação intempestiva. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson. Fl. 1397DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001833/2006-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
Decadência. Lançamento por homologação.
No caso dos tributos submetidos à sistemática do lançamento por homologação, extingue-se em cinco anos a contar dos respectivos fatos geradores o direito de o fisco proceder ao lançamento de oficio.
O lançamento de ofício deve respeitar a modalidade de tributação eleita pelo sujeito passivo.
Quando o sujeito passivo optou originalmente pelo lucro presumido, cancela-se o lançamento formalizado com base no lucro real.
Depósitos bancários. Presunção de omissão de receitas.
Nos termos do art 42 da Lei 9.430/1996 a presunção de omissão de receitas não recai sobre créditos oriundos de transferências de mesma titularidade.
Lançamentos reflexos. PIS, COFINS , CSLL.
Na ausência de fatos novos a ensejarem conclusões diversas, o decidido no lançamento principal se estende aos reflexos.
Numero da decisão: 1402-003.135
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos inominados para, sem efeitos infringentes, dar-lhe provimento a fim de sanar a obscuridade aventada, ratificando a decisão embargada no sentido de excluir da tributação os valores de IRPJ e CSLL do 1º, 2º, 3º trimestres de 2001 e do ano-calendário de 2002; excluir da tributação os valores de PIS e COFINS dos períodos janeiro/2001 a novembro/2001; excluir da tributação os lançamentos de PIS do mês de dezembro de 2002; excluir da tributação do 4º trimestre de 2001, o montante tributável de R$ 2.671.010,00.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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Lançamento por homologação. No caso dos tributos submetidos à sistemática do lançamento por homologação, extinguese em cinco anos a contar dos respectivos fatos geradores o direito de o fisco proceder ao lançamento de oficio. O lançamento de ofício deve respeitar a modalidade de tributação eleita pelo sujeito passivo. Quando o sujeito passivo optou originalmente pelo lucro presumido, cancela se o lançamento formalizado com base no lucro real. Depósitos bancários. Presunção de omissão de receitas. Nos termos do art 42 da Lei 9.430/1996 a presunção de omissão de receitas não recai sobre créditos oriundos de transferências de mesma titularidade. Lançamentos reflexos. PIS, COFINS , CSLL. Na ausência de fatos novos a ensejarem conclusões diversas, o decidido no lançamento principal se estende aos reflexos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos inominados para, sem efeitos infringentes, darlhe provimento a fim de sanar a obscuridade aventada, ratificando a decisão embargada no sentido de excluir da tributação os valores de IRPJ e CSLL do 1º, 2º, 3º trimestres de 2001 e do anocalendário de 2002; excluir da tributação os valores de PIS e COFINS dos períodos janeiro/2001 a novembro/2001; excluir da tributação os lançamentos de PIS do mês de dezembro de 2002; excluir da tributação do 4º trimestre de 2001, o montante tributável de R$ 2.671.010,00. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 18 33 /2 00 6- 19 Fl. 4086DF CARF MF Processo nº 18471.001833/200619 Acórdão n.º 1402003.135 S1C4T2 Fl. 4.087 2 Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone. Fl. 4087DF CARF MF Processo nº 18471.001833/200619 Acórdão n.º 1402003.135 S1C4T2 Fl. 4.088 3 Relatório Trata o presente de Embargos Inominados opostos pela Unidade Preparadora fls. 4076/4080 contra acórdão do proferido por este C. Turma ao julgar o Recurso de Ofício e o Recurso Voluntário (fls.1125 e 1177). O r. despacho de admissibilidade dos Embargos Inominados (fls.4082/4085) descreve o seguinte: 2. O Embargante alega inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculo existentes no acórdão, em face do Acórdão nº 1402002.354, de 24 de janeiro de 2017, proferido pela Segunda Turma Ordinária desta Câmara, sob os seguintes fundamentos: a) o Acórdão da DRJ, no que diz respeito ao anocalendário 2001, declarou a decadência dos três primeiros trimestres com relação aos débitos de IRPJ e CSLL, sendo que, com relação aos débitos de PIS e Cofins, a decadência atingiu os débitos apurados até o mês de novembro; b) quanto ao anocalendário 2002, os débitos cancelados foram tão somente os de IRPJ e CSLL, ao passo que os de PIS e Cofins foram apenas reduzidos em função de deduções aplicadas à base de cálculo dos seus respectivos períodos de apuração; e c) os valores devidos de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins relativos aos anos calendário 2003 e 2004 são todos superiores aos calculados conforme Acórdão da DRJ/RJ1 (exceção feita aos débitos de PIS e Cofins relativos ao mês 11/2003). 3. Da análise dos autos, entendo estarem presentes todos os requisitos de admissibilidade para apreciação pela Turma. 4. A decisão embargada assim se manifestou a respeito (efls. 4.055 e 4.059, respectivamente): Pelo exposto e por tudo que consta processado nos autos, conheço do Recurso de Ofício e nego provimento, mantendo a decadência dos três primeiros trimestres do anocalendário de 2001 e o cancelamento integral do anocalendário de 2002. [...]. Por todo o exposto e por tudo que consta processado nos autos, conheço do Recurso Voluntário [...], e, em relação aos anoscalendário 2003 e 2004, excluir os valores indicados no Termo de Diligência de fls. 3924/3998, mantendo o restante dos créditos exigidos conforme quadros colacionados acima. 5. Constam, ainda, da mesma decisão embargada os seguintes quadros demonstrativos dos valores remanescentes mantidos pela DRJ e pelo CARF (efls. 4.047 e 4.058, respectivamente): Fl. 4088DF CARF MF Processo nº 18471.001833/200619 Acórdão n.º 1402003.135 S1C4T2 Fl. 4.089 4 [...] ver as tabelas no corpo dos Embargos. 6. Como visto, nos anoscalendário de 2001 e 2002, a decisão embargada não explicitou a situação de cada um dos tributos objeto de lançamento (IRPJ, CSLL, Pis e Cofins), em face de suas especificidades, mas apenas a do IRPJ e da CSLL. Por outro lado, os demonstrativos constantes de efls. 4.047 (DRJ) e 4.058 (CARF) da decisão embargada estão em aparente conflito, sendo os montantes tributáveis, neles indicados, diferentes entre si (receitas apuradas/totais de valores tributáveis). 7. Com fundamento nas razões expendidas, ADMITO os Embargos Inominados interpostos. Passo a relatar os fatos relativos a autuação e as alegações feitas pelas partes no processo em epígrafe. Conforme muito bem relatado no v. acórdão recorrido e na Resolução 1401000.274, ocorreram nos seguintes fatos: Trata o presente feito de auto de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS relativos ao anoscalendários 2001 a 2004, com imputação de omissão de receitas decorrentes de transações financeiras não identificadas, nos termos do art. 42 da lei nº 9.430, apuradas a partir dos extratos bancários apresentados pela Contribuinte no curso da Fiscalização. Houve aplicação da multa de ofício, no patamar de 75%. Por ser fidedigno aos fatos descritos no TVF, reproduzo a descrições de fato constantes do relatório da decisão proferida pela DRJ, in litteris: Conforme descrição de fatos de fls 652, 655 e 656 a exigência tributária principal teve como fundamento omissão de receitas apurada a partir da constatação de depósitos bancários em conta corrente de titularidade da interessada sem a comprovação das respectivas origens dos recursos. Dentre as intimações constantes dos autos, ressaltam a de fls 466, datada de 24/08/06 e a de fls 50, datada de 25/10/06. A primeira delas solicitou à interessada os extratos bancários das contas correntes de sua titularidade, mantidas em 16 instituições financeiras. A segunda, formalizada após o fornecimento dos referidos extratos (anexos I a XIII), solicitou a comprovação da origem dos créditos constantes dos documentos em questão. Em esclarecimento à origem dos depósitos investigados, a interessada apresentou a resposta de fls. 232, acompanhada da listagem de fls. 233 a 465. Com base nela, foi elaborada a tabela de fls. 476/599, que discrimina por data, instituição financeira e valor os depósitos que foram objeto da autuação, bem como o demonstrativo de fls. 644 a 651, que consolida, por período de apuração, os mesmos valores. Segundo relato da autoridade autuante (fls. 652), a base sobre a qual incidiu a tributação resultou dos depósitos tidos como não comprovados após subtração das "transferências entre contas da própria empresa e outros créditos do tipo devolução de cheques e empréstimos" (sic). Dos montantes assim apurados foram ainda excluídas as receitas informadas nas declarações de rendimentos. Fl. 4089DF CARF MF Processo nº 18471.001833/200619 Acórdão n.º 1402003.135 S1C4T2 Fl. 4.090 5 O procedimento de oficio abarcou os anos de 2001, 2002, 2003 e 2004. Nos anos de 2001, 2003 e 2004 , a tributação dos valores supostamente omitidos ocorreu segundo as regras pertinentes ao lucro presumido, conforme opção manifestada nas respectivas declarações de rendimentos. Relativamente ao ano de 2002, apesar de a interessada ter optado pelo lucro presumido, em sua DIPJ, a tributação de oficio se deu conforme as regras e critérios inerentes ao lucro real, tendo em vista que, conforme justificativa apresentada às fls 652, no ano de 2001 a receita apurada, considerandose os valores supostamente omitidos, ultrapassa o limite máximo para a permanência no lucro presumido. Inconformada, a interessada apresentou a impugnação de fls. 750/771, na qual solicita perícia, formulando os quesitos que pretende esclarecidos às fls 770/771. Quanto ao mérito, alega que: • operouse a decadência relativamente aos fatos geradores ocorridos entre janeiro e novembro de 2001; • relativamente ao ano de 2002 a interessada optou pela tributação com base no lucro presumido e a autoridade autuante formalizou o lançamento adotando o lucro real. Os critérios para o desenquadramento foram incorretos; • a adoção do lucro real, na hipótese de anterior opção pelo lucro presumido, exige que também sejam consideradas as adições, compensações, despesas e exclusões previstas em lei. Seria ainda necessário levantamento patrimonial e posterior elaboração de balanço de abertura, conforme prescreve o art. 5° da Lei 6.468/1977; • a adoção do lucro real enquanto modalidade de tributação exige que sejam atendidos os requisitos legais previstos em Lei. No caso concreto, o atendimento de tais requisitos não foi sequer checado pela autoridade autuante; • no caso concreto, havendo a interessada ultrapassado o limite máximo de receita, a tributação de oficio deveria ter sido formalizada com base no lucro arbitrado, já que a interessada não possui os requisitos mínimos exigidos para a apuração do lucro real; • dentre os depósitos considerados não comprovados constam valores referentes a "doc's", "Ted", "transf. cédula HC p/ cédula CG","transf. B HC p/ BB CG","doc D compensado", "Ted sem CPMF", "transferência entre contas" "estorno de débitos", "cheques devolvidos" etc. Tais valores deveriam ter sido expurgados da base tributável apurada e não o foram. O demonstrativo 1 (DOC 01) explicita os valores referidos; • a rubrica "doc" designa tanto recursos provenientes de terceiros como transferências entre contas de mesma titularidade e, apesar de estar de posse dos extratos, a autoridade autuante não fez a segregação necessária; • novas investigações seriam necessárias para a correta apuração da base tributável, • é ilegal a utilização da taxa Selic para efeitos de juros moratórios incidentes sobre débitos de natureza fiscal; Fl. 4090DF CARF MF Processo nº 18471.001833/200619 Acórdão n.º 1402003.135 S1C4T2 Fl. 4.091 6 • é nulo o lançamento relativo ao Pis, ano calendário 2002, já que equivocadamente foi capitulado em dispositivos da Lei 10.637/2002. Em 31/01/2007 a interessada apresentou a petição de fls. 882/883 na qual reitera o pedido de perícia, apresenta documento do Unibanco que, segundo afirma, por amostragem, demonstra que muitos dos valores autuados correspondem a transferências entre contas de mesma titularidade. Em 25/06/2007 o julgamento foi convertido em diligência para que fossem discriminados, dentre os depósitos que foram objeto de lançamento, aqueles que corresponderiam a transferências interbancárias de mesma titularidade, cheques devolvidos ou quaisquer outros valores passíveis de redução da base tributável apurada. O relatório conclusivo da diligência realizada foi acostado às fls. 1032/1033 e 1035/1036/1037. Não havendo, porém, sido acostado aos autos qualquer comprovante de que a interessada tenha de fato sido cientificada dos novos elementos trazidos aos autos em decorrência da diligência realizada, foi determinado o retorno dos autos ao órgão de origem (fls 1039). Formalizada a ciência, conforme fls 1045/1046, sem que a interessada tenha juntado aos autos novos argumentos de defesa, retornaram os autos para julgamento. Colocado o feito em julgamento perante a DRJ do Rio de Janeiro, o processo foi baixado em diligência para verificação e revisão das acusações de transferências interbancárias da própria Contribuinte, assim como para identificação de valores não considerados como receita. Em seguida, posto o feito em julgamento, a Turma Julgadora entendeu por bem em dar parcial provimento à impugnação, nos seguintes termos: i. Reconhecer a decadência do lançamento de IRPJ e CSLL relativo aos 1º, 2º e 3º trimestres de 2001, assim como de PIS e COFINS relativo aos mês de janeiro a novembro de 2001; ii. Cancelar o lançamento de IRPJ e CSLL do ano calendário de 2002, lançado na sistemática do lucro real. A contribuinte optou, nos anos de 2001 a 2004, pela apuração do lucro pela sistemática do lucro presumido. Tendo, no entanto, no ano de 2001, após a adição das receitas omitidas, superado o limite de opção pelo lucro presumido, a Autoridade Fiscal procedeu o lançamento pela sistemática do lucro real. Entendeu a DRJ, contudo que, tendo em vista a decadência que se operou em relação ao ano calendário 2001, “o que se observa é que o excesso referido deixa de existir se desconsideradas as receitas tidas por omitidas para os três primeiros trimestres de 2001, desconsideração que se impõe já que para tais períodos o lançamento foi formalizado após transcorrido o prazo decadencial” (fls. 1131). iii. Com relação aos anos calendário 2003 e 2004, cancelar todos os valores relativos a “todos os depósitos que, havendo sido indicados, na resposta a intimação formalizada ( fls 233/465) ou no demonstrativo de créditos tributados ( fls 476/499), como transferências interbancária, Ted ou doc — (com indicação do banco de origem e destino), doc d e operações sem CPMF, também tenham sido apontados pela interessada em sua impugnação (fls 780/799) como operações não tributáveis ou já tributadas. As demais deduções pleiteadas na peça de defesa, Fl. 4091DF CARF MF Processo nº 18471.001833/200619 Acórdão n.º 1402003.135 S1C4T2 Fl. 4.092 7 meramente identificadas como "empréstimos", "Doc", "Ted" e outros não foram acatadas já que, em tais casos, a incompletude das informações prestadas não permitiriam o prosseguimento da investigação, por ocasião da auditoria. Os valores expurgados constam da memória de cálculo anexa”. Isso porque, segundo a DRJ, tratase de auditoria fiscal relativa a 16 contas bancárias, tendo a Contribuinte apresentado relatórios das transferências que entende não se sujeitarem à tributação. Entendeu, a DRJ, que “é ônus da autoridade autuante, de posse dos documentos bancários, fazer as indagações e investigações pertinentes para confirmar ou não se os valores apontados são transferências de mesma titularidade. Deixando, a autoridade autuante, de trilhar o caminho da continuidade das investigações, a presunção não recai sobre os valores apontados como transferências, pois a origem do crédito foi indicada, ao longo da auditoria, e era plenamente possível, diante dos documentos e informações disponíveis., confirmála ou, justificadamente, rejeitála. Neste ponto, volto a repisar a peculiaridade do caso concreto, de estarem sendo trabalhadas 16 contas correntes”. iv. Manter, quanto ao demais, a autuação, afastando, ainda, o questionamento acerca da aplicação da SELIC. v. Houve declaração de voto, em que o Julgador Rodrigo Luiz de Azevedo Ferreira Bettamio afastou a decadência por não identificação de pagamento parcial dos tributos durante o ano calendário 2001, o que levaria à aplicação do prazo decadencial do art. 173, I do CTN, em detrimento do art. 150, §4º do mesmo Diploma, bem como entendeu pelo cancelamento do lançamento de IRPJ e CSLL do ano calendário 2002, posto que, tendo a Contribuinte optado indevidamente pelo lucro real, a apuração do lucro deveria ter se dado pela sistemática do lucro arbitrado, nos termos do art. 530, IV do RIR/99. Para deixar mais claro, a DRJ decidiu da seguinte forma: Pelos motivos expostos e na ausência de outros fatos que indiquem contra a legalidade do procedimento, voto pelo prosseguimento parcial da exigência, que remanesce relativamente As bases tributáveis a seguir demonstradas: Lançamentos Reflexos : Pis, Cofins e CSLL • Contribuição Social Fl. 4092DF CARF MF Processo nº 18471.001833/200619 Acórdão n.º 1402003.135 S1C4T2 Fl. 4.093 8 Na ausência de fatos novos a indicarem conclusões diversas, a tributação relativa a CSLL prossegue sobre as mesmas bases que prosseguirá a exigência principal ( IRPJ). • Pis e Cofins Relativamente aos anos de 2003 e 2004, as exigências relativas ao Pis e Cofins seguem o decidido no lançamento principal. No que tange ao 4° trimestre de 2001, as referidas exigências prosseguem, tão somente, no que diz respeito a dezembro, uma vez que os meses de outubro e novembro foram atingidos pela decadência. Quanto a 2002, não obstante a exigência relativa ao IRPJ ter equivocadamente seguido a sistemática do lucro real, os lançamentos de Pis e Cofins foram corretamente formalizados. A única exceção diz respeito ao Pis, mês dezembro de 2002, cuja exigência foi cancelada em razão de ter sido formalizada conforme metodologia prevista na Lei 10.637/2002 (nãocumulatividade), aplicável, tão somente, As pessoas jurídicas que adotem o lucro real (art 8°, inciso II da Lei 10.637/2002). Houve interposição de recurso de ofício (fls. 1125) e, notificado o contribuinte, de recurso voluntário (fls. 1177eletrônico e seguintes). Neste, a Recorrente aduziu as seguintes razões: 1. Acerto quanto ao cancelamento dos lançamentos relativos aos anos calendário 2001 e 2002; 2. A fragilidade do lançamento, posto que nem mesmo a DRJ ou a Autoridade Fiscal conseguiram processar os documentos que embasam o lançamento e a defesa da Contribuinte. Neste sentido, a Recorrente aponta outras receitas que deveriam ter sido expurgadas, mas que não foram levadas em consideração pela Autoridade lançadora; 3. Que ante a insuficiência da diligência realizada, e do reconhecimento, pela DRJ, do não esgotamento pela Autoridade Lançadora, na conferência dos documentos relativos à comprovação dos depósitos realizados nas 16 contas bancárias mantida pela Contribuinte, a necessidade de realização de perícia; 4. Que o lançamento deveria obrigatoriamente ter sido realizado pela modalidade de lucro arbitrado, sendo que “tal hipótese sequer foi cogitada pelo agente autuante quando da consecução do lançamento”. Recebido o processo no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a 2ª Turma da 4ª Câmara baixou o feito em diligência, com o objetivo de que a DRJ promovesse o recurso de ofício, que supostamente teria deixado de ser interposto quando da prolação da respectiva decisão. Retornado os autos, foi novamente o processo baixado em diligência, agora para que a fosse identificada a existência de eventuais pagamentos parcial de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS no ano calendário 2001, o que teria relevância não apenas para a aplicação da regra de decadência relativa ao referido ano calendário, mas também para a verificação da correção do lançamento relativo ao ano calendário 2002. Em diligência, a Auditoria Fiscal fez juntar os relatórios de fls. 3895 e seguintes, consistentes na relação de pagamentos extraída do Sistema Fl. 4093DF CARF MF Processo nº 18471.001833/200619 Acórdão n.º 1402003.135 S1C4T2 Fl. 4.094 9 de Informações da Arrecadação Federal, acerca dos quais não foi dada ciência à Recorrente. Ato contínuo, o julgamento dos recursos foi convertido em diligência novamente no seguintes termos: Quando o processo tramitava perante a DRJ do Rio de Janeiro, foi o mesmo baixado em diligência para que se promovesse a verificação das alegações da Recorrente quanto à comprovação de parte das movimentações financeiras realizadas. Em trabalho da auditoria fiscal, a diligência foi relatada com os seguinte dizeres (fls. 1035/1036 ou 1094/1095 – eletrônicos): Relatório da diligência. Em atendimento ao despacho de fls 1.019, deste Processo, para cumprir Diligência de interesse da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (Resolução n° 62/20078' Turma, sessão de 25/06/2007), emitimos o relato que segue. Inicialmente informamos que a empresa, depois da lavratura do auto de infração objeto da lide neste Processo, mudou o seu endereço para a cidade de NiteróiRJ, Rua Visconde de Sepetiba, n° 935 — salas 1.411/1.424, conforme consta do sistema CNPJ, com data da situação 08/2005. Para proceder aos trabalhos comparecemos ao local indicado acima, onde nos deparamos com uma sala fechada sem ninguém para atender, apesar de insistentes chamadas pela campainha. Na portaria do prédio fomos informados que a empresa não mais se encontrava naquele local. Sabendo da existência de uma fábrica sua no nosso Estado, localizada na Av. Bispo Dom Jodc3 Matta, no 1.113 Santa Luzia — São Gonçalo RJ, com a anuência da chefia desta Difis I, nos' dirigimos ao local, onde entregamos Termo de Intimação Fiscal, lavrado e recepcionado em 23/09/2008. Fomos recebidos pelo Dr. Marcelo Vilella, advogado da empresa que interrogado sobre o real endereço da sua sede, informou que é aquele o endereço dado pela empresa. Pelo Termo de Intimação há pouco referenciado solicitamos que disponibilizasse a documentação probatória de toda a movimentação financeira junto aos Bancos com os quais manteve transações nos anos de 2001 a 2004, todos eles citados nos relatórios que acompanham o auto de infração. Foi solicitado, também, que disponibilizasse local para o exame dos elementos que fossem apresentados, com o prazo concedido para o atendimento de 10(dez) dias ( fls.fic24 ). No dia 30 30/09/2008, solicitou prorrogação do prazo por mais 20 (vinte) dias (fls.) Sem restrição por parte desta fiscalização, teria a empresa até o dia 20/16/2008, para o atendimento ou pronunciamento. 0 prazo expirou sem a sua manifestação. Somente em 11/11/2008, encaminhou expediente a esta fiscalização dando informação lacônica de que sua "escrita contábil/fiscal, aliada aos extratos bancários já constantes dos autos (Anexos I a XIII), se encontram devidamente alocados para as verificações que se fizerem pertinentes". Ou seja, não atendeu na plenitude do solicitado no Termo de Intimação já referenciado. Mesmo na extemporaneidade da manifestação, as suas informações foram recebidas juntamente com as planilhas juntadas. Estas trazendo valores de créditos em conta corrente junto ao UNIBANCO e que foram considerados na autuação e agora justificados como sendo meras transferências (fls.1.026 a 1030). Fl. 4094DF CARF MF Processo nº 18471.001833/200619 Acórdão n.º 1402003.135 S1C4T2 Fl. 4.095 10 Examinando esses valores reconhecemos razão a recorrente dada a coincidência de valores e datas entre as operações citadas. Assim opinamos por se acatar o pleito da recorrente no sentido de excluir dos valores tributados a soma daqueles depósitos no UNIBANCO descaracterizados como receitas, no montante de R$ 6.790.190,00 (seis milhões, setecentos e noventa mil, cento e noventa reais), no ano calendário de 2001. Diante do exposto o valor tributável ficaria conforme demonstrado na planilha anexa, onde consideramos T na parte superior, os valores dos depósitos, créditos, como receitas (coluna 1); em seguida são apresentados os valores dos depósitos aceitos como meras transferências (coluna 2); estes, deduzidos dos primeiros, concluise a coluna (3) como créditosreceitas retificados. Na segunda parte do demonstrativo foram considerados os valores totalizados conforme apresentação no quadro de fls. 644/645. Quanto a recomendação da determinação da Diligência, às fls. 1.018, item 1, não encontramos evidencias que determinassem reconhecimento de exclusões da base tributável de outros valores. Atendesse a empresa ao pedido formalizado no Termo de Intimação de 23/09/2008, na sua plenitude, poderíamos ter avançado no exame e outras exclusões serem possíveis. Mas faltou determinação da interessada em bem atender a esta fiscalização, deixando transparecer a vontade de postergar a instrução do Processo. Em conclusão, são estas as informações que trazemos ao Processo esperando poderem ajudar a convicção do julgamento da lide. Diante da inconclusividade dos trabalhos, a DRJ cancelou parte dos lançamentos – objeto de recurso de ofício: O art 42 da Lei 9.430/96 autoriza a presunção de omissão de receitas sobre créditos sem comprovação de origem, claramente excepcionando as transferências interbancárias entre contas de mesma titularidade. Assim, se a interessada, ao longo da auditoria, em resposta à intimação formalizada, informa os créditos que correspondem a transferências, indicando, ainda, banco de origem e destino, é ônus da autoridade autuante, de posse dos documentos bancários, fazer as indagações e investigações pertinentes para confirmar ou não se os valores apontados são transferências de mesma titularidade. Deixando, a autoridade autuante, de trilhar o caminho da continuidade das investigações, a presunção não recai sobre os valores apontados como transferências, pois a origem do crédito foi indicada, ao longo da auditoria, e era plenamente possível, diante dos documentos e informações disponíveis., confirmála ou, justificadamente, rejeitála. Neste ponto, volto a repisar a peculiaridade do caso concreto, de estarem sendo trabalhadas 16 contas correntes. Com esse fundamento, a DRJ decidiu por cancelar parte do auto de infração, nos seguintes termos: À vista do exposto, considerando ainda o risco maior de tributar duplamente os mesmos valores, concluo por expurgar da base do lançamento todos os depósitos que, havendo sido indicados, na resposta a intimação formalizada (fls 233/465) ou no demonstrativo de créditos tributados (fls.476/499), como transferências interbancária, Ted ou doc — (com indicação do banco de origem e destino), doc d e operações sem CPMF, também tenham sido apontados pela interessada Fl. 4095DF CARF MF Processo nº 18471.001833/200619 Acórdão n.º 1402003.135 S1C4T2 Fl. 4.096 11 em sua impugnação (fls 780/799) como operações não tributáveis ou já tributadas. As demais deduções pleiteadas na peça de defesa, meramente identificadas como "empréstimos", "Doc", "Ted" e outros não foram acatadas já que, em tais casos, a incompletude das informações prestadas não permitiriam o prosseguimento da investigação, por ocasião da auditoria. Os valores expurgados constam da memória de cálculo anexa”. De um lado, identifico que, na realização da diligência promovida no âmbito da DRJ, a Contribuinte não foi das mais diligentes, tendo deixado de apresentar a documentação solicitada pela Auditoria Fiscal, conforme comportamento descrito no relatório de fls. ou 1094/1095 – eletrônico. De outro lado, também identifico que, além de a Contribuinte não ter sido cientificada do relatório da diligência (assim como não o foi do resultado da diligência promovida no âmbito deste Conselho), a decisão da DRJ não se deteve na análise pormenorizada dos fatos para promover o cancelamento parcial do auto de infração, conforme fundamentos adotados pelo voto condutor do acórdão. Por fim, identifico que a Recorrente fez acostar, juntamente com suas razões de recurso, demonstrativo pormenorizado e estruturado por banco, datas, valores e descrição, aquilo que entende ser indevido, com indicação dos respectivos documentos que corroboram sua precisa indicação. Diante do exposto, como elemento de análise probatória indispensável tanto para o julgamento do recurso de ofício quanto para o julgamento do recurso voluntário, proponho a conversão do presente feito em diligência, com o fim de, apenas com relação aos anos calendário 2003 e 2004: 1. Promover a conferência individualizada dos valores e justificativas discriminadas na planilha de fls. 1190/1252 eletrônico; 2. Promover a exclusão das transferências entre as contas bancárias da mesma contribuinte; 3. Promover a exclusão dos valores creditados a título de empréstimos tomados pela contribuinte; 4. Promover a exclusão dos valores creditados a título de estornos e devolução de cheques, TED’s ou DOC’s; 5. Promover a exclusão de valores apontados na planilha de omissão de receita que não possuem correlação com valores registrados como entrada na conta corrente; 6. Promover a exclusão de valores de utilização da conta garantia; 7. Elaborar relatório conclusivo sobre o crédito tributário remanescente, considerandose os expurgos descritos nos itens anteriores; 8. Cientificar o contribuinte acerca do relatório da diligência, bem como do resultado da diligência consolidada na resolução nº 1402000.163 deste Conselho, com a juntada dos documentos de fls. 3895 e seguintes, dandolhe o prazo de 30 dias se pronunciar acerca do mesmo; 9. Após, retornem os autos a este Conselho para julgamento. Fl. 4096DF CARF MF Processo nº 18471.001833/200619 Acórdão n.º 1402003.135 S1C4T2 Fl. 4.097 12 Em seguida foi elaborado Termo de Diligência fls. (3924/3998 4919/4924) onde o contribuinte foi devidamente notificado. Vejamos as resposta. Fl. 4097DF CARF MF Processo nº 18471.001833/200619 Acórdão n.º 1402003.135 S1C4T2 Fl. 4.098 13 Em seguida foi proferido v. acórdão pela 2 Turma da Quarta Câmara da Primeira Seção que julgou o Recurso de Ofício e o Recurso Voluntário. Ato contínuo, a Unidade de Preparadora opôs Embargos Inominados pedindo a reforma do v. acórdão. É o relatório. Fl. 4098DF CARF MF Processo nº 18471.001833/200619 Acórdão n.º 1402003.135 S1C4T2 Fl. 4.099 14 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Embargos Inominados: Ao analisar o v. acórdão embargado de numero 1402.002.354, proferido por esta C. Turma Ordinária, constatei que realmente constam erros materiais, omissão e contradição no voto vencedor, tanto em relação ao Recurso de Ofício, como em relação ao Recurso Voluntário. Sendo assim, acolho os Embargos Inominados, sem efeitos infringentes, para reformar o texto do acórdão 1402.002.354 e julgar novamente o Recurso de Ofício e o Recurso Voluntário, conforme fundamentos abaixo expostos. Passo a apontar as matérias que devem ser analisadas e julgadas em sede de Recurso de Ofício e posteriormente as que devem ser julgadas no Recurso Voluntário. Recurso Ofício: De acordo com o v. acórdão da DRJ (fls.1062/1087 do volume 6), a matéria a ser analisada no Recurso de Ofício é relativa: 1 ao cancelamento por decadência nos termos do artigo 150, parágrafo quarto do CTN, do lançamento do IRPJ e CSLL relativo aos 1º, 2º e 3º trimestres de 2001, assim como de PIS e COFINS relativo aos mês de janeiro à novembro de 2001; A DRJ decidiu manter o lançamento do PIS/COFINS em relação ao mês de dezembro de 2001 por entender que não foi atingido pela decadência. 2 ao cancelamento total da exigência do IRPJ e da CSLL relativa ao ano calendário de 2002, devido o Auditor Fiscal ter lançado tais créditos pela sistemática do lucro real, sendo que deveria ter aplicado o método do lucro arbitrado. 3 ao cancelamento do PIS do mês de dezembro de 2002, cuja exigência foi cancelada em razão de ter sido formalizada conforme metodologia prevista na Lei 10.637/2002 (nãocumulatividade), aplicável, tão somente, as pessoas jurídicas que adotem o lucro real (art 8°, inciso II da Lei 10.637/2002). A DRJ decidiu manter o lançamento dos meses de janeiro a novembro do anocalendário de 2002, por entender que não obstante a exigência relativa ao IRPJ ter Fl. 4099DF CARF MF Processo nº 18471.001833/200619 Acórdão n.º 1402003.135 S1C4T2 Fl. 4.100 15 equivocadamente seguido a sistemática do lucro real, os lançamentos de Pis e Cofins foram corretamente formalizados. A única exceção diz respeito ao PIS do mês dezembro de 2002, conforme explicado no parágrafo acima. 4 ao cancelamento da exigência de parte dos créditos de IRPJ e CSLL (aplicando o mesmo entendimento ao PIS/COFINS) relativos aos anoscalendário de 2003 e 2004, por entender que a contribuinte apresentou documentos para comprovar operações entre contas da mesma titularidade e devido a fiscalização não ter efetuado um trabalho de investigação aprofundado em relação a alguns depósitos, nos seguintes termos: ( volume 6, fls. 1071/1075 do v. acórdão da DRJ) iii. Com relação aos anos calendário 2003 e 2004, cancelar todos os valores relativos a “todos os depósitos que, havendo sido indicados, na resposta a intimação formalizada ( fls 233/465) ou no demonstrativo de créditos tributados ( fls 476/499), como transferências interbancária, Ted ou doc — (com indicação do banco de origem e destino), doc d e operações sem CPMF, também tenham sido apontados pela interessada em sua impugnação (fls 780/799) como operações não tributáveis ou já tributadas. As demais deduções pleiteadas na peça de defesa, meramente identificadas como "empréstimos", "Doc", "Ted" e outros não foram acatadas já que, em tais casos, a incompletude das informações prestadas não permitiriam o prosseguimento da investigação, por ocasião da auditoria. Os valores expurgados constam da memória de cálculo anexa”. Isso porque, segundo a DRJ, tratase de auditoria fiscal relativa a 16 contas bancárias, tendo a Contribuinte apresentado relatórios das transferências que entende não se sujeitarem à tributação. Entendeu, a DRJ, que “é ônus da autoridade autuante, de posse dos documentos bancários, fazer as indagações e investigações pertinentes para confirmar ou não se os valores apontados são transferências de mesma titularidade. Deixando, a autoridade autuante, de trilhar o caminho da continuidade das investigações, a presunção não recai sobre os valores apontados como transferências, pois a origem do crédito foi indicada, ao longo da auditoria, e era plenamente possível, diante dos documentos e informações disponíveis., confirmála ou, justificadamente, rejeitála. Neste ponto, volto a repisar a peculiaridade do caso concreto, de estarem sendo trabalhadas 16 contas correntes”. Após o breve resumo do que foi decidido no v. acórdão da DRJ e a delimitação da matéria que deveria ser analisada em sede de Recurso de Ofício, passo a julgar. Em relação a decadência do lançamento dos três primeiros trimestres do IRPJ e da CSLL do anocalendário de 2001, bem como dos meses de janeiro à novembro do PIS/COFINS do anocalendário de 2001, que foram cancelados nos termos do artigo 150, parágrafo quarto do CTN, entendo que a r. decisão deve ser mantida. Não restou demonstrado nos autos, atos praticados pela Recorrente com dolo, fraude ou simulação e conforme Resolução de fls. 3894/3896, que culminou no r. despacho de fl. 3905 (abaixo colacionado e que apontou a juntada do Extrato Sistema Sinal 7 de fl. 3901/3904), restou comprovado que parte dos recolhimentos/pagamentos do IRPJ, CSLL, Fl. 4100DF CARF MF Processo nº 18471.001833/200619 Acórdão n.º 1402003.135 S1C4T2 Fl. 4.101 16 PIS/COFINS do período de 2001, devendo assim, ser aplicado a decadência nos termos do artigo 150, parágrafo quarto do CTN. Em atendimento a Resolução do CARF nº 1402000.163, constante de fls.3888 a 3890, juntei as fls.3895 a 3898, extratos do sistema Sinal 07 com a relação dos pagamentos realizados do IRPJ/CSLL/PIS/COFINS, relativos ao ano de 2001. Dessa forma retornese ao CARF para prosseguimento.À consideração da Supervisão. Desta forma, mantenho o v. acórdão da DRJ e afasto a exigência do IRPJ e CSLL dos três primeiros trimestres do anocalendário de 2001 e o lançamento relativo ao PIS/COFINS dos meses de janeiro a novembro do mesmo anocalendário de 2001, por terem sido atingidos pela decadência nos termos do artigo 150, parágrafo quarto do CTN. Em relação ao cancelamento total do lançamento de IRPJ e da CSLL do ano calendário de 2002, bem como do lançamento do PIS relativo ao mês de dezembro do mesmo anocalendário de 2002, também entendo que o v. acórdão 'a quo" deve ser mantido. Relativamente ao ano de 2002, a tributação realizou de oficio o lançamento pela metodologia do lucro real. A justificativa para tal procedimento do Auditor Fiscal foi a de se computadas as receitas informadas em DIPJ com as decorrentes do procedimento de oficio relativo ao ano de 2001, o montante a ser apurado para o ano de 2002 seria superior ao limite máximo permitido pela legislação tributária (R$ 24.000.000,00) para permanência no lucro presumido no ano subseqüente (no caso ano de 2002). O voto vencedor do acórdão da DRJ decidiu cancelar a exigência relativa ao IRPJ e CSLL do anocalendário de 2002, por entender que o excesso de receita apurada no ano de 2002, deixa de existir se desconsideradas as receitas tidas como omitidas para os três primeiros trimestres de 2001 que decaíram nos termos do artigo 150, parágrafo quarto do CTN. Aponta no corpo do voto vencedor uma tabela, onde discrimina os valores de receita bruta informados pela interessada na DIPJ/2002 (Declaração n° 0641595), bem como as receitas apuradas como omitidas para 2001 e demonstra que, cancelado o lançamento relativo aos três primeiros trimestres de 2001, deixa de existir o excesso que respaldou a formalização da exigência do ano de 2002 com base no lucro real. Sendo assim, decidiu cancelar totalmente a exigência relativa ao IRPJ e CSLL do ano de 2002 e manter a exigência dos meses de janeiro a novembro de 2002 relativa ao PIS, bem como a exigência da COFINS do mesmo ano de 2002. (o acórdão decidiu cancelar a exigência do mês de dezembro de 2002 relativa ao PIS com base nos mesmos fundamentos do IRPJ e da CSLL). Pois bem. Assim como o v. acórdão da DRJ, entendo que o cancelamento das exigências dos créditos de IRPJ, CSLL e do mês de dezembro do PIS, todos do anocalendário de 2002 não devem prevalecer. Entretanto, discordo dos fundamentos utilizados pela D. Relatora, eis que entendo que a fiscalização deveria ter arbitrado o lucro e não ter apurado o lançamento pelo método do lucro real. Fl. 4101DF CARF MF Processo nº 18471.001833/200619 Acórdão n.º 1402003.135 S1C4T2 Fl. 4.102 17 De acordo com meu entendimento, o Auditor Fiscal deveria ter arbitrado o lucro nos termos do inciso IV, do artigo 530 do RIR/00. Vejamos o texto do dispositivo. Art. 530. 0 imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei n2 8.981, de 1995, art. 47, e Lei n2 9.430, de 1996, art. 12): IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido. No caso, como a fiscalização não arbitrou o lucro e utilizou a sistemática do lucro real, entendo que todo o lançamento do anocalendário de 2002 restou eivado de vício insanável, devendo ser cancelada a exigência de todos os créditos relativos ao IRPJ, CSLL do respectivo ano. A fiscalização utilizou critérios incorretos para o desenquadramento do lucro presumido, eis que ao adotar a sistemática do lucro real deveria considerar as adições, compensações, despesas e exclusões previstas na legislação para apurar a receita do IRPJ e da CSLL. Também seria necessário o levantamento patrimonial e elaboração de balanço de abertura, o que não foi feito e não consta nos autos. Para adotar a sistemática do lucro real se deve respeitar alguns requisitos legais previstos na legislação, o que no caso concreto não foram atendidos. Assim, como a contribuinte não possuía os requisitos necessários para apuração do lucro real, a tributação deveria ter formalizado de ofício a autuação com base no lucro arbitrado. Assim, o equivoco cometido pelo Auditor Fiscal ao ter lançado os créditos pelo lucro real, eivou o lançamento do IRPJ e CSLL de vício insanável, devendo ser decretado o cancelamento da exigências relativa ao anocalendário de 2002. Desta forma, voto por cancelar todas as exigências relativas ao IRPJ e CSLL do anocalendário de 2002. Aplico o entendimento de que quando constatado vício insanável passível de se decretar nulidade, não é possível retificar o lançamento neste momento processual, devendo ser cancelado as exigências relativas ao IRPJ e a CSLL do anocalendário de 2002. Assim, o fato de ter sido constatada a decadência no v. acórdão "a quo", após o oferecimento da impugnação, não possibilita que o lançamento seja retificado neste momento, devendo todos os créditos relativos ao anocalendário de 2002 serem cancelados. Aproveito para ressaltar que em relação as exigência dos créditos relativos ao COFINS e a dos meses de janeiro a novembro de 2002 relativos ao PIS, mantenho o v. acórdão recorrido nos termos do acórdão. Fl. 4102DF CARF MF Processo nº 18471.001833/200619 Acórdão n.º 1402003.135 S1C4T2 Fl. 4.103 18 Em relação ao cancelamento da exigência de parte dos créditos de IRPJ e CSLL (aplicando o mesmo entendimento ao PIS/COFINS) relativos aos anoscalendário de 2003 e 2004, por entender que a contribuinte apresentou documentos para comprovar operações entre contas da mesma titularidade e devido a fiscalização não ter efetuado um trabalho de investigação aprofundado em relação a alguns depósitos, entendo que o v. acórdão da DRJ deve ser mantido nesta parte. A contribuinte trouxe aos autos documentos que demonstraram a transferência entre contas da mesma titularidade e apontaram depósitos que já tinham sido tributados. Desta forma, como não se pode imputar dupla tributação, bem como com a constatação de receita não é tributável, voto por manter o v. acórdão da DRJ em relação a esta parte dos créditos dos anos de 2003 e 2004. No mais, utilizo os fundamentos do acórdão da DRJ para motivar meu voto. 2.3 Demais anos calendários : 2003 e 2004. A presente autuação tem como objeto omissão de receitas apurada por presunção legal a partir da falta de comprovação da origem de depósitos bancários efetuados em contas correntes de titularidade da interessada. A partir da intimação fiscal de fls 50, que solicitou a origem dos depósitos bancários discriminados As fls 51 a 231, referentes a 16 contas bancárias, a interessada apresentou a resposta de fls 232, acompanhada da listagem de fls 233 a 465, da qual constam, dentre outras, as seguintes anotações indicativas da origem dos créditos investigados: "receita", "transferência" , "cheque devolvido"," doc sem CPMF", etc Havendo constatado que as rubricas assinaladas como receitas, na referida listagem, superavam em muito os montantes informados na declaração de rendimentos, a autoridade autuante considerou como receitas omitidas, segundo autorização dada pelo art 42 da Lei 9.430/1996 , o valor referente ao excesso. Foram ainda subtraidas , conforme relato, as "transferências entre contas da própria empresa e outros créditos do tipo devolução de cheques e empréstimos" (sic). Na peça impugnatória apresentada não foi contestada, em especifico, a prática de omissão de receitas. Foi, sim, questionada a quantificação da base de cálculo , mediante a alegação de que deveriam ter sido expurgados valores referentes a "doc's","Ted","transf. cédula HC p/ cédula CG","transf. B HC p/ BB CG","doc D compensado" , "Ted sem CPMF", "transferência entre contas" "estorno de débitos", "cheques devolvidos" etc . O demonstrativo 1 (DOC 01), parte integrante da impugnação apresentada, explicita individualizadamente cada um dos valores referidos. Em análise ao demonstrativo dos créditos que foram objeto da autuação —(fls 476/599), elaborados a partir da listagem fornecida pela interessada (fls 233/465), é possível observar que desta última listagem foram selecionados para tributação tão somente valores para os quais na coluna "tipo" foi consignada a rubrica "receita". Fl. 4103DF CARF MF Processo nº 18471.001833/200619 Acórdão n.º 1402003.135 S1C4T2 Fl. 4.104 19 Contudo, ao lado de tais rubricas — ("receita") constam, por vezes, outras que poderiam, possivelmente, indicar transferências interbancárias de mesma titularidade. Exemplo pode ser encontrado às fls 234, onde para o depósito de R$ 1.500,00, efetuado em 07/08/2002, constam, simultaneamente, as rubricas "receita" e " transf Unib HC P/ Banespa CG" Este depósito foi selecionado para tributação e vários outros valores em situação análoga também o foram. Buscando esclarecimentos, considerando que a auditoria envolveu 16 contas correntes da mesma empresa e ainda que, possivelmente, os valores com referências similares A. acima exemplificada tanto poderiam sinalizar depósitos já tributados em outra conta corrente como transferencias entre contas de mesma titularidade, foi solicitada, por este órgão julgador, a realização de diligência. 0 despacho que solicitou os itens a serem esclarecidos consta das fls 1018 (vol 06). Da análise do referido despacho, bem como da documentação que lhe sucedeu, constatase que o órgão lançador não logrou êxito na tarefa de., conforme solicitado às fls 1018, identificar se os valores indicados pela interessada (fls 780/799) como "transferências"de fato eram montantes a serem deduzidos da base tributável apurada. Registro que grande parte da documentação necessária a tal identificação (extratos bancários) id constava dos autos desde a ocasião da auditoria, de forma que era tarefa inconteste do agente público responsável pelo lançamento, no âmbito da inescusável obrigação de quantificar a base tributável, proceder às verificações necessárias A. identificação de possíveis transferências de mesma titularidade. Mormente quando, como ocorreu no caso concreto, estavam sendo trabalhadas 16 contas correntes e as próprias planilhas que identificaram os depósitos que foram objeto de tributação e que embasaram a autuação associavam parte destes valores A. "transferências/ Teds/Doc " (com identificação de data, banco de origem e destino), "Ted sem CPMF',"doc D', etc. 0 art 42 da Lei 9.430/96 autoriza a presunção de omissão de receitas sobre créditos sem comprovação de origem, claramente excepcionando as transferencias interbancárias entre contas de mesma titularidade. Assim, se a interessada, ao longo da auditoria, em resposta A intimação formalizada, informa os créditos que correspondem a transferências, indicando, ainda, banco de origem e destino, é ônus da autoridade autuante, de posse dos documentos bancários, fazer as indagações e investigações pertinentes para confirmar ou não se os valores apontados são transferências de mesma titularidade. Deixando, a autoridade autuante, de trilhar o caminho da continuidade das investigações, a presunção não recai sobre os valores apontados como transferências, pois a origem do crédito foi indicada, ao longo da auditoria, e era plenamente possível, diante dos documentos e informações disponíveis., confirmála ou, justificadamente, rejeitála. Neste ponto, volto a repisar a peculiaridade do caso concreto, de estarem sendo trabalhadas 16 contas correntes. vista do exposto, considerando ainda o risco maior de tributar duplamente os mesmos valores, concluo por expurgar da base do lançamento todos os depósitos que, havendo sido indicados, na resposta intimação formalizada (fls 233/465) ou no demonstrativo de créditos tributados (fls 476/499), como transferências interbancária, Ted ou doc — (com indicação do banco de origem e destino), doc d e operações sem CPMF, também tenham sido apontados pela interessada em sua impugnação (fls 780/799) como operações não tributáveis ou já Fl. 4104DF CARF MF Processo nº 18471.001833/200619 Acórdão n.º 1402003.135 S1C4T2 Fl. 4.105 20 tributadas. As demais deduções pleiteadas na peça de defesa, meramente identificadas como "empréstimos", "Doc", "Ted" e outros não foram acatadas já que, em tais casos, a incompletude das informações prestadas não permitiriam o prosseguimento da investigação, por ocasião da auditoria. Os valores expurgados constam da memória de cálculo anexa. Por fim, esclareço ã. interessada que a presunção legal de omissão de receitas inverte o ônus da prova, cabendo à própria a prova de que os valores que compuseram o lançamento não correspondem a receitas, ou, ainda, que correspondem a receitas já tributadas. Na ausência de tais provas, refuto a alegação da interessada de que parte dos créditos tributados não correspondem efetivamente a receitas. [...] Desta forma, considerando o risco de tributar duplamente os mesmos valores, concluo por expurgar da base do lançamento todos os depósitos que, havendo sido indicados, na resposta a intimação formalizada de fls. 233/465 ou no demonstrativo de créditos tributados de fls. 476/499 como transferências interbancária, Ted ou doc — (com indicação do banco de origem e destino), doc "d" e operações sem CPMF, que também tenham sido apontados pela contribuinte em sua impugnação (fls 780/799) como operações não tributáveis ou já tributadas. (Os valores que foram cancelados estão na memória de calculo anexo ao acórdão da DRJ, as fls. 1076/1079. Pelo exposto e por tudo que consta processado nos autos, conheço do Recurso de Ofício e nego provimento, mantendo a decadência dos três primeiros trimestres do anocalendário de 2001, assim como de PIS e COFINS relativos aos meses de janeiro a novembro de 2001, o cancelamento integral dos créditos de IRPJ, CSLL de todo o ano calendário de 2002, bem como o mês de dezembro de 2002 do PIS e a parcela dos depósitos excluídos da base tributável dos anoscalendário de 2003 e 2004 nos termos da memória de cálculo de fls. 1076/1079 anexa ao acórdão. Recurso Voluntário. Preliminar. A Recorrente entende ser necessário a produção de prova pericial no presente caso para determinar com precisão os valores relativos a receita omitida, bem como a base de cálculo, sob pena de o lançamento exigir créditos tributários incertos e ilíquidos. Assim, como a DRJ decidiu negar a produção da prova pericial, a Recorrente alega que o lançamento é nulo por exigir créditos sem a devida certeza e liquidez. De uma análise acurada dos autos, podemos constatar que o processo foi convertido em diligência mais de uma vez e todos os documentos acostados aos autos pela Recorrente foram devidamente analisados. Fl. 4105DF CARF MF Processo nº 18471.001833/200619 Acórdão n.º 1402003.135 S1C4T2 Fl. 4.106 21 A Recorrente inclusive juntou aos autos, após a interposição de Recurso Voluntário, Pareceres Técnicos, que segundo ela indicariam valores que não seriam receita tributável. O Auto de Infração está devidamente fundamentado tanto em relação a matéria de direito, como está lastreado com todo as provas necessárias para demonstrar a infração cometida pela Recorrente, bem como os valores que estão sendo exigidos. Desta forma, entendo que tanto a perícia, como a o pedido de conversão do presente julgamento em nova diligência, não são necessários. O processo em epígrafe está bem instruído e entendo que está em condições de ser julgado. Ademais, o artigo 42 da Lei 9.430/96, autoriza a autoridade Fiscal a presumir que os créditos sem comprovação em documentos hábeis e idôneos sejam considerados receita omitida, devendo, neste caso, a contribuinte comprovar que os depósitos não são receita tributável; fato que não ocorreu no processo em epígrafe em relação a parcela abaixo discutida. Assim, nos termos do artigo 18, do Decreto Lei 70.235/72, indefiro tanto o pedido de perícia, como o pedido de diligência formulado no Recurso Voluntário. Mérito: A v. acórdão recorrido da DRJ após a exclusão dos valores dos créditos que decaíram, bem como dos valores/depósitos que restaram comprovados ou foram considerados com receita não tributável, apurou a seguinte base tributável por trimestre: Em relação ao restante dos créditos de 2001 (quarto trimestre do IRPJ e da CSLL, bem como o mês de dezembro do PIS/COFINS de 2001), conforme relatório de diligência de fls. 1035/1037 e os Anexos 1 à 13 (fls. 2417/3038 do Anexo 8) onde constam boletos e extratos bancários das contas correntes, descrevendo os TEDs, DOCs, cheques compensados e devolvidos, entendo que o valor de R$ 6.790.190,00 (seis milhões, setecentos e Fl. 4106DF CARF MF Processo nº 18471.001833/200619 Acórdão n.º 1402003.135 S1C4T2 Fl. 4.107 22 noventa mil, cento e noventa reais) deve ser excluído da base cálculo tributável. Vejamos a parte do relatório que nos interessa em relação a este ponto ora analisado. Mesmo na extemporaneidade da manifestação, as suas informações foram recebidas juntamente com as planilhas juntadas. Estas trazendo valores de créditos em conta corrente junto ao UNIBANCO e que foram considerados na autuação e agora justificados como sendo meras transferências. (fls. 1026/1030). Examinando esses valores reconhecemos razão a recorrente dada a coincidência de valores e datas entre as operações citadas. Assim opinamos por se acatar o pleito da recorrente no sentido de excluir dos valores tributados a soma daqueles depósitos no UNIBANCO descaracterizados como receitas, no montante de R$ 6.790.190,00 (seis milhões, setecentos e noventa mil, cento e noventa reais), no ano calendário de 2001. Diante do exposto o valor tributável ficaria conforme demonstrado na planilha anexa, onde consideramos T na parte superior, os valores dos depósitos, créditos, como receitas (coluna 1); em seguida são apresentados os valores dos depósitos aceitos como meras transferências (coluna 2); estes, deduzidos dos primeiros, concluise a coluna (3) como créditos receitas retificados. Na segunda parte do demonstrativo foram considerados os valores totalizados conforme apresentação no quadro de fls. 644/645. Sendo assim, conforme a resposta da diligência acima colacionada e o quadro acima apontado, o valor de R$ 6.790.190,00 deve ser excluído da base tributável do quarto Fl. 4107DF CARF MF Processo nº 18471.001833/200619 Acórdão n.º 1402003.135 S1C4T2 Fl. 4.108 23 trimestre do anocalendário de 2001 (R$ 2.671.010,00), eis que foram descaracterizados como receitas tributáveis. Desta forma, a base tributável do IRPJ e da CSLL do quarto trimestre do ano de 2001 (parte que não foi atingida pela decadência), deve ser ajustada, excluindose os valores dos depósitos feitos no UNIBANCO dentro do quarto trimestre, que foram desconsiderados como receitas, por serem meras transferências bancárias entre contas da própria Recorrente. Da mesma forma, também deve ser ajustada a base tributável do mês de dezembro de 2001 que não foi atingida pela decadência. Já em relação aos anoscalendário de 2003 e 2004, acato as exclusão dos valores indicados nos anexos (paginas 3/7) do Termo de Diligência fls.3924/3998, que devem ser excluídos da base tributável apurada no quadro v. acórdão da DRJ (fls. 1074 13 do acórdão) abaixo colacionado, devendo o restante dos créditos serem mantidos, eis que a Recorrente não conseguiu apresentar provas para elidir a presunção de omissão de receita. Da mesma forma, assim como nas bases do IRPJ e da CSLL, os valores indicados no anexos do Termo de Diligência também devem ser excluídos da base tributável do PIS/COFINS dos anoscalendário de 2003 e 2004. Em relação aos Pareceres Técnicos que apresentaram outra perspectiva da autuação, mas não apresentaram provas contundentes de comprovação dos depósitos ou de que não seriam receita tributável, entendo que a autuação deve ser mantida em relação a estes créditos. Quanto a alegação de inconstitucionalidade da aplicação da Taxa Selic para o cálculo dos juros de moratórios, entendo que os D. Julgadores estão impedidos de analisálas nos termos da Súmula Carf 2. No mais, a jurisprudência desta C. Segunda Turma Ordinária é pacífica no sentido de ser legitima a aplicação da Taxa Selic no cálculo dos juros de mora. Por fim, cumpre ressaltar que as alegações relativas aos créditos de PIS/CONFINS do anocalendário de 2002 perderam seu objeto, eis que conforme decidido no Recurso de Ofício, a autuação relativa a este período foi totalmente cancelada devido ao Fl. 4108DF CARF MF Processo nº 18471.001833/200619 Acórdão n.º 1402003.135 S1C4T2 Fl. 4.109 24 método de apuração aplicado pela fiscalização. (a autuação do ano de 2002 foi elaborado pela sistemática do lucro real, quando deveria ter sido arbitrado o lucro). Por todo o exposto e por tudo que consta processado nos autos, acolho os Embargos Inominados e dou provimento sem efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Fl. 4109DF CARF MF
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Numero do processo: 10932.000205/2009-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2004 a 30/10/2006
INTEMPESTIVIDADE CARACTERIZADA. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância.
Efetiva-se a ciência do contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, o que ocorrer primeiro.
Numero da decisão: 2202-004.406
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Efetivase a ciência do contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, o que ocorrer primeiro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 02 05 /2 00 9- 74 Fl. 1345DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018, proferido no âmbito do processo n° 10932.000179/200984, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que julgou a impugnação improcedente. Conforme Relatório Fiscal, a fiscalização foi comandada para fins de verificação da regularidade do recolhimento das contribuições previdenciárias e devidas a outras entidades e fundos. Após intimada e reintimada a apresentar a Contabilidade por Centro de Custo/individualizada por obra, a empresa não a apresentou, o que levou a auditoria a efetuar o lançamento por aferição indireta nos termos do art. 33, §6º, da Lei nº 8.212/91 e do art. 473 da IN 03/2005 e alterações posteriores. Os autos de Infração lavrados no procedimento fiscal foram discriminados pela fiscalização na seguinte planilha: DEBCAD N° LEVANTAMENTO REFERENTE REF. AO ESTABELECIMENTO 37.227.3645 Auto de Infração por falta de Matrícula CEI 56.473.317/000108 37.227.3653 Auto de Infração por Deixar de contabilizar em Títulos próprios 56.473.317/000108 37.227.3661 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 186 70.000.52148/71 37.227.367 0 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 186 70.000.52148/71 37.227.3688 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 186 70.000.52148/71 37.227.3696 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 220 50.022.27566/71 37.227.3700 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 220 50.022.27566/71 37.227.3718 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 220 50.022.27566/71 37.227.3726 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 232 50.022.27644/77 37.227.3734 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 232 50.022.27644/77 37.227.3742 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Oora 232 50.022.27644/77 37.227.3750 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 233 50.022.27538/76 37.227.3769 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 233 50.022.27538/76 37.227.3777 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 233 50.022.27538/76 37.227.3785 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 234 50.025.43828/73 37.227.3793 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 240 50.022.27455/79 37.227.3807 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 240 50.022.27455/79 37.227.3815 Auto de Infração de Emp/RAT reforente a Obra 240 50.022.27455/79 37.227.3823 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 243 50.011.88359/75 37.227.3831 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 243 50.011.88359/75 37.227.3840 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 243 50.011.88359/75 37.227.3858 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 244 70.000.52155/71 37.227.3866 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 244 70.000.52155/71 37.227.3874 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 244 70.000.52155/71 37.227.388 2 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 251 G 50.022.22636/70 Fl. 1346DF CARF MF Processo nº 10932.000205/200974 Acórdão n.º 2202004.406 S2C2T2 Fl. 3 3 37.227.3890 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 251 G 50.022.22636/70 37.227.3904 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 251G 50.022.22636/70 37.227.3912 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 252 70.000.52167/72 37.227.3920 Auto de Infração tíc Terceiros referente a Obra 252 70.000.52167/72 37.227.3939 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 252 70.000.52167/72 37.231.6220 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 254 50.024.17099/73 37.231.6239 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 254 50.024.17099/73 37.231.621/ Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 254 50.024.17099/73 37.231.6255 Auto de Infração dc Segurados referente a Obra 255 50.024.19184/76 37.231.6263 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 255 50.024.19184/76 37.231.6271 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 255 50.024.19184/76 37.231.6280 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 256 50.025.43742/79 37.231.6298 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 900.34 70.000.52152/74 37.231.6301 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 900.34 70.000.52152/74 37.231.6310 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 900.34 70.000.52152/74 37.231.6328 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 250.01 70.000.52150/79 3/.231.6336 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 250.01 70.000.52150/79 37.231.6344 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 250.01 70.000.52150/79 37.231.6352 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 250.03 G 70.000.52161/78 37.231.6360 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 250.03 G 70.000.52161/78 37.231.6379 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 250.03 G 70.000.52161/78 37.231.6387 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 231 G 70.000.52163/73 37.231.6395 Auto de In'ração de Terceiros referente a Obra 231 G 70.000.52163/73 37.231.6409 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 231 G 70.000.52163/73 37.231.6417 Auto de Infração de Segurados referente a Serviços da Emparsanco 56.473.317/000108 37.231.6425 Auto de Infração de Terceiros referente a Serviços da Emparsanco 56.473.317/000108 3/.231.6433 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Serviços da Emparsanco 56.473.317/000108 37.231.6441 Auto de Infração de Terceiros referente a Serviços da Giagui 56.473.317/000108 37.231.6450 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Serviços da Giagui 56.473.317/000108 Cientificado da autuação a recorrente apresentou impugnação alegando, em síntese, a improcedência e incorreção da aferição indireta. Diante das alegações da recorrente a autoridade julgadora de primeira instância, converteu o julgamento em diligência, a fim de que a fiscalização se pronunciasse sobre os argumentos levantados pela defesa. No resultado da diligência a fiscalização se manifestou sobre todos os processos gerados no procedimento fiscal, listando os seguintes: 10932.000171/200918 10932.000187/200921 10932.000205/200974 10932.000172/200962 10932.000190/200944 10932.000206/200919 10932.000173/200915 10932.000192/200933 10932.000207/200963 10932.000174/200951 10932.000189/200910 10932.000208/200916 10932.000175/200904 10932.000191/200999 10932.000209/200952 10932.000177/200995 10932.000193/200988 10932.000210/200987 10932.000176/200941 10932.000194/200922 10932.000211/200921 10932.000178/200930 10932.000197/200966 10932.000212/200976 Fl. 1347DF CARF MF 4 10932.000180/200917 10932.000200/200941 10932.000213/200911 10932.000179/200984 10932.000195/200977 10932.000214/200965 10932.000181/200953 10932.000196/200911 10932.000215/200918 10932.000183/200942 10932.000198/200919 10932.000217/200907 10932.000182/200906 10932.000199/200955 10932.000218/200943 10932.000184/200997 10932.000202/200931 10932.000219/200998 10932.000186/200986 10932.000204/200920 10932.000220/200912 10932.000185/200931 10932.000201/200996 10932.000221/200967 10932.000188/200975 10932.000203/200985 10932.000222/200910 10932.000223/200956 A auditoria reafirmou a procedência do lançamento por aferição indireta, de cujo Termo de Constatação extraio os seguintes trechos: “Ora, se a empresa possui controles analíticos de salários, se possui controles contábeis para identificação individual dos lançamentos dos encargos previdenciários, isto não foi demonstrado nem no momento da fiscalização e muito menos na documentação anexada como meio de prova, nesta fase de defesa administrativa, Todos os documentos apresentados nesta fase se referem a VALORES GLOBAIS, como o resumo da folha de pagamento GERAL e os tais relatórios de composição contábil, como detalharemos mais abaixo. Portanto, em nenhum momento desta defesa, o contribuinte conseguiu provar a contabilização em títulos próprios, por obra de construção civil, dos fatos geradores previdenciários, conforme prega o art. 32 da lei 8.212/91.” A recorrente apresentou contrarrazões ao resultado da diligência, reafirmando a improcedência do lançamento. A impugnação foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil, cujo resultado foi levado à ciência da recorrente por meio da disponibilização na Caixa Postal, Módulo eCAC do Site da Receita Federal. Após ciência por meio da abertura dos arquivos disponibilizados, via Termo de Abertura de Documento, não houve manifestação dentro do prazo que teria para apresentação de Recurso Voluntário. Diante disso, lavrouse o respectivo Termo de Perempção e o processo foi encaminhado à PGFN. Nessa fase, passados mais de 100 (cem) dias desde a data da ciência do Acórdão da DRJ, pelo contribuinte, este protocolizou recurso voluntário em face da Decisão de 1ª Instância Administrativa. O processo, então, retornou à fase administrativa para apreciação do recurso interposto, no qual se alega, em síntese: · Tempestividade. Admissibilidade do recurso. · Alteração da forma de intimação de meio papel para digital sem autorização do recorrente. · Falta de comprovação da intimação do resultado do julgamento de primeira instância. · Vícios do procedimento fiscal e vícios da autuação. Fl. 1348DF CARF MF Processo nº 10932.000205/200974 Acórdão n.º 2202004.406 S2C2T2 Fl. 4 5 Por fim, requereu o Recorrente o cancelamento da inscrição em dívida ativa e o retorno ao trâmite administrativo, para declaração de nulidade do auto de infração. É o relatório." Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson – Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo n° 10932.000179/200984, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pela Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, digna relatora da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018: Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "O Recurso Voluntário é intempestivo, o que prejudica sua admissibilidade. Primeiramente, informo que a matéria tratada nos autos é a mesma discutida nos processos nº 10932.000187/200921, 10932.000190/200944, 10932.000192/200933, originados do mesmo procedimento fiscal, conforme relatado anteriormente, e que já foram julgados pelo CARF em 08/03/2016, tendo sido exarados os acórdãos nº 2201002.966, 2201002.965, 2201 002.964, respectivamente. Conforme relatórios constantes nos acórdãos citados, os processos foram baixados em diligência, a fim de que fosse comprovada a opção do recorrente pelo Domicílio Tributário Eletrônico (DTE), conforme trecho extraído do Acórdão nº 2201 002.966 (processo 10932.000187/200921): “O processo baixou em diligência para comprovar a opção do contribuinte pelo Domicílio Tributário Eletrônico DTE, apresentar as normas e condições de sua utilização e confirmar a data de entrada do Recurso Voluntário na Receita Federal. A DERAT/SP informou que a empresa realizou a opção pelo DTE em 13/01/2012 e em 27/08/2012, anexou tela com as orientações sobre o funcionamento do DTE na Caixa Postal do eCAC e confirmou o de recebimento do Recurso Voluntário pela Receita Federal em 05/08/2013. Fl. 1349DF CARF MF 6 Conforme fl. 1368 foi solicitada Apuração Especial pelo SERPRO, cujo resultado encontrase nas fls. 13691373 e comprova que o contribuinte de CNPJ 56.473.317/00001 08 (NI logado e NI papel) realizou a opção pelo DTE no dia 13/01/2012 e no dia 27/08/2012. De acordo com o despacho do SETEC, fl. 1366, foi anexada a tela na fl. 1365 com as orientações sobre o funcionamento do DTE na Caixa Postal do eCAC Considerandose na fl. 1336 (última do Recurso Voluntário) a menção ao recebimento dos documentos naquela data, cujo carimbo está na fl. 1262 (primeira do Recurso Voluntário), além da Tela do Histórico de eventos no SICOB, na JL1374 (campo data do Evento Recurso Voluntário), compreendese que a data de recebimento do Recurso Voluntário pela Receita Federal foi em 05/08/2013.” Restou comprovado, por meio de diligência naqueles processos, que a recorrente fez opção pelo DTE, o que levou o Colegiado de segunda instância a não conhecer dos recursos, conforme dispositivos dos acórdãos citados: "ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo.". Diante da informação exarada nos acórdãos citados, a qual aproveito para análise do presente processo, entendo que a ciência do resultado do julgamento de primeira instância se deu pela Abertura dos Arquivos correspondentes no link Processo Digital, disponibilizados no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC), por meio da opção Consulta Comunicados/Intimações, conforme Termo de Abertura de Documentos, nos termos da alínea "b" do inciso III do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto 70.235/72 (PAF): “Art. 23. Farseá a intimação: [...] III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] § 2° Considerase feita a intimação: [...] III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) (Grifei).” Registrese, por relevante, que, mesmo que se adotasse o critério de ciência do contribuinte por decurso de prazo, previsto na Fl. 1350DF CARF MF Processo nº 10932.000205/200974 Acórdão n.º 2202004.406 S2C2T2 Fl. 5 7 alínea "a" do inciso III do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto nº 70.235/72, ainda assim o recurso voluntário interposto pelo Sujeito Passivo permaneceria infectado pelo vício da intempestividade, eis que, na data de sua interposição, o prazo recursal já se haveria exaurido há, pelo menos, dois meses. Portanto, como o Recurso Voluntário foi apresentado após o limite estabelecido pelo Decreto nº 70.235/72, ele é extemporâneo. Conclusão Por todo o exposto, voto por não conhecer do recurso, por intempestividade. (assinado digitalmente) Ana Maria Bandeira." Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário, em razão de sua apresentação intempestiva. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson. Fl. 1351DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.660361/2012-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.762
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 03 61 /2 01 2- 47 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10880.660361/201247 Acórdão n.º 3401004.762 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660361/201247 Acórdão n.º 3401004.762 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660361/201247 Acórdão n.º 3401004.762 S3C4T1 Fl. 5 4 que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660361/201247 Acórdão n.º 3401004.762 S3C4T1 Fl. 6 5 contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660361/201247 Acórdão n.º 3401004.762 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660361/201247 Acórdão n.º 3401004.762 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 80DF CARF MF
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