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Numero do processo: 19515.720788/2012-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2007
IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO.
A falta de prova das operações ou da causa dos pagamentos efetuados ou dos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, configura a ocorrência do pressuposto material para a incidência da tributação do imposto de renda exclusivamente na fonte, consoante disposto no art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995 (pagamento a beneficiário não identificado ou sem causa).
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
Conforme tese fixada no Recurso Especial nº 973.733/SC, (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO DE FATO. RECURSO INTEMPESTIVO.
De acordo com a legislação de regência, os administradores e/ou sócios de fato respondem solidariamente pelos créditos tributários autuados em face do sujeito passivo da obrigação tributária principal nas circunstâncias em que revelado o exercício fraudulento de atos de gestão, mercantis e financeiros praticados com abuso de direito e infração à lei, bem assim a ocultação de suas práticas por meio de interpostas pessoas.
Não se conhece do recurso protocolizado após o prazo legalmente previsto no Decreto nº 70.235, de 1972.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2202-003.857
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso do responsável solidário Andre Zinn e, quanto ao recurso do sujeito passivo, rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negar-lhe provimento. Os Conselheiros Martin da Silva Gesto e Dilson Jatahy Fonseca Neto votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. A falta de prova das operações ou da causa dos pagamentos efetuados ou dos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, configura a ocorrência do pressuposto material para a incidência da tributação do imposto de renda exclusivamente na fonte, consoante disposto no art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995 (pagamento a beneficiário não identificado ou sem causa). DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Conforme tese fixada no Recurso Especial nº 973.733/SC, (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO DE FATO. RECURSO INTEMPESTIVO. De acordo com a legislação de regência, os administradores e/ou sócios de fato respondem solidariamente pelos créditos tributários autuados em face do sujeito passivo da obrigação tributária principal nas circunstâncias em que revelado o exercício fraudulento de atos de gestão, mercantis e financeiros praticados com abuso de direito e infração à lei, bem assim a ocultação de suas práticas por meio de interpostas pessoas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 07 88 /2 01 2- 44 Fl. 2696DF CARF MF Processo nº 19515.720788/201244 Acórdão n.º 2202003.857 S2C2T2 Fl. 2.697 2 Não se conhece do recurso protocolizado após o prazo legalmente previsto no Decreto nº 70.235, de 1972. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso do responsável solidário Andre Zinn e, quanto ao recurso do sujeito passivo, rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negarlhe provimento. Os Conselheiros Martin da Silva Gesto e Dilson Jatahy Fonseca Neto votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório Em desfavor do contribuinte em epígrafe foi lavrado Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Retido na Fonte, do ano calendário de 2007, no total de R$ 1.216.341,64, acrescido de multa proporcional de 150% e mais juros de mora, com base na taxa Selic. A ciência foi dada pessoalmente ao contribuinte em 15/04/2012. Em resumo, narra a Autoridade Fiscal responsável pelo feito, em seu Termo de Verificação Fiscal de fls. 1227 e seguintes, que: 1 O contribuinte foi intimado a apresentar documentos e explicações sobre o exercício de sua atividade que, segundo o contrato social, era de "factoring", qual seja, a prestação de serviços de orientação de gestão de negócios, a administração de ativos financeiros de terceiros e a administração de caixa, contas a pagar e contas a receber de terceiros; 2 De acordo com tal contrato social, havia um sócio minoritário, o brasileiro João Luís Gil, e um sócio estrangeiro, pessoa jurídica com sede nas Ilhas Virgens Britânicas, a Bfactor International Ltd. A fiscalização traça comentários sobre particularidades na administração da empresa, envolvendo esses dois sócios e a empresa Uabi Comissária Mercantil Ltda, representada por André Zinn; 3 Houve intimação para apresentação de extratos bancários, parcialmente atendida, no entender da fiscalização, o que motivou a emissão de RMF (requisição de Fl. 2697DF CARF MF Processo nº 19515.720788/201244 Acórdão n.º 2202003.857 S2C2T2 Fl. 2.698 3 informações sobre movimentação financeira) aos bancos detentores das contas bancárias, sobretudo com base na constatação de "interposta pessoa" ("laranjas") na movimentação das mesmas. Constatouse a omissão de receitas com base em depósitos bancários sem origem comprovada; 4 Constatouse ainda a existência de transferências eletrônicas de valores (TED) efetuadas pela PROMEIOS, pelo que foi intimada a apresentar documentação de suporte dessas operações. Algumas comprovações não foram aceitas, pelos motivos que elencou a fiscalização, que enfim concluiu que seriam considerados pagamentos sem causa todas as transferências por ordem de outras empresas, não comprovadas, visto que o contribuinte não logrou comprovar a operação ou a causa dos mesmos, contabilizados ou não, sujeitandose à alíquota de 35% de imposto, exclusivamente na fonte, a título de "pagamento a beneficiário sem causa". Enquadrou a infração no artigo 61 da Lei nº 8.981, de 1995; 5 Voltando à questão da interposição de terceiros na movimentação das contas bancárias, esclareceu que André Zinn, Jorge Kaminsky e Betina Lea Zinn Kaminsky (sócios da Uabi Comissária) foram intervenientes nas operações de crédito da PROMEIOS e que deveriam responder pelo crédito tributário como verdadeiros sócios da pessoa jurídica, na condição de "solidariamente responsáveis", pois têm interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária; 6 Entendeu ainda, nessa situação, pela existência de "evidente intuito de fraude", que autorizaria a qualificação da multa de ofício, elevandoa ao percentual de 150%, nos termos do artigo 44, da Lei nº 9.430, de 1996. O contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, na folha 1.320, acompanhada de extensa documentação. Pede reconhecimento parcial de decadência e anulação total do lançamento. Na folha 2.288 consta impugnação apresentada por André Zinn, para tratar da questão da "exclusão de sua responsabilidade pelos tributos gerados neste auto de infração, tendo em vista que não possui qualquer responsabilidade pelo débito", como resume em seu pedido. Na folha 2.312, impugna Jorge Luiz Kaminsky, fazendo o mesmo pedido. As impugnações têm o mesmo teor. Ao analisar a Impugnação, a DRJ em São Paulo/SP I, entendeu, conforme expresso na ementa do Acórdão (fl. 2357), que: PAGAMENTO SEM CAUSA. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA NA FONTE. Por expressa disposição legal, a feitura de pagamentos sem causa sujeitase à tributação exclusivamente na fonte, com reajustamento da base de cálculo, arcando a fonte pagadora com o ônus do tributo. Nestes termos, não demonstrada a pertinência das operações de fomento mercantil que pretensamente justificaram da realização dos desembolsos financeiros levados a efeito pela empresa, torna imperativo a manutenção eficácia da tributação levada a efeito com base no art. 674 do RIR/99. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DOLO. FRAUDE. SIMULAÇÃO. Fl. 2698DF CARF MF Processo nº 19515.720788/201244 Acórdão n.º 2202003.857 S2C2T2 Fl. 2.699 4 Configurada a prática de dolo, fraude ou simulação o regramento normativo autoriza a inauguração da contagem do prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento do crédito tributário poderia ter sido efetuado pela autoridade tributária competente. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DE TERCEIROS. INTERESSE COMUM. ADMISSIBILIDADE DE ATRIBUIÇÃO DA SUJEIÇÃO PASSIVA AOS ADMINISTRADORES DE FATO DA SOCIEDADE. ATOS PRATICADOS DE FORMA REITERADA E SISTEMÁTICA COM ABUSO DE DIREITO E INFRAÇÃO À LEI. OCULTAÇÃO DE OPERAÇÕES CORPORATIVAS MEDIANTE INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. De acordo com a legislação de regência, os administradores e/ou sócios de fato respondem solidariamente pelos créditos tributários autuados em face do sujeito passivo da obrigação tributária principal nas circunstâncias em que revelado o exercício fraudulento de atos de gestão, mercantis e financeiros praticados com abuso de direito e infração à lei, bem assim a ocultação de suas práticas por meio de interpostas pessoas. Demonstrado o vínculo jurídico das infrações tipificadas na autuação fiscal com a prática de operações dissimuladas exercidas pelos responsáveis inseridos no pólo passivo da obrigação tributária, resta caracterizada a admissibilidade de eficácia dos termos de sujeição passiva firmada pela autoridade lançadora.(destaquei) Destaco ainda que, no início de seu Voto, aquela Autoridade Julgadora fez constar que (fl. 2375): Denotase que a defesa conduzida nos presentes autos, de conteúdo similar àquela instruída no Processo nº 19515.720787/201208, revelam a pretensão do impugnante em afastar a legitimidade das autuações, primeiramente, amparado em argüições que protestam a decadência de parcela dos valores constituídos pela autoridade lançadora. No plano do mérito da autuação, a empresa pautou suas assertivas com base em acervo documental que depreende bastante para comprovar e trazer maiores esclarecimentos acerca das operações de factoring destinadas à prestação de serviços de administração da carteira de recebíveis e obrigações que mantêm relação com os desembolsos financeiros considerados na determinação das bases imponíveis da aludida tributação na fonte. Finalmente, no tocante à responsabilidade solidária atribuída aos Srs. André Zinn e Jorge Luiz Kaminsky, cada qual se opõe às inferências reportadas pela autoridade lançadora assentandose, em síntese, a inexistência de vínculo societário ou na gestão da empresa autuada. Sob esta perspectiva, registrese de antemão que as razões para a aplicação da multa de ofício qualificada e para a atribuição da Fl. 2699DF CARF MF Processo nº 19515.720788/201244 Acórdão n.º 2202003.857 S2C2T2 Fl. 2.700 5 responsabilidade solidária em face da Sra. Gisela Zinn, CPF nº 187.754.03820 e da Uabi Comissária Mercantil Ltda., CNPJ nº 04.794.180/000181, não foram objeto de oposição de contrarrazões, configurandose, assim, a preclusão do direito de instauração do contencioso tributário no que concerne a estas matérias. Encerrado tais comentários inaugurais, passase a analisar a presente controvérsia. A empresa PROMEIOS foi cientificada da decisão da DRJ em 06/11/2014, conforme Aviso de Recebimento na folha 2.396, apresentando recurso voluntário em 04/12/2014, com protocolo na folha 2.398. Em sede de recurso faz histórico da atividade de factoring e sua regulamentação no Brasil; fala também do Trustee e de fomento mercantil. Explica sua operação e defende a licitude da mesma. Pugna pela decadência parcial do lançamento. Trata dos pagamentos realizados, para justificálos. Fala também de depósitos bancários e de base de cálculo da CSLL. PEDE reconhecimento parcial da decadência do crédito lançado; anulação integral do crédito em debate, referindose a IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. A DRF de origem, anotando a apresentação de recurso voluntário tempestivo, encaminhou o processo ao CARF (fl. 2542). Esta Turma julgadora, mediante a Resolução 2202000.714, datada de 17 de agosto de 2016, entendeu pela conversão do julgamento em diligência, uma vez que foi constatada a ausência de intimação dos responsáveis solidários, do resultado do julgamento de 1ª instância, para que se manifestassem, devidamente. Copio: Ocorre que apenas a pessoa jurídica PROMEIOS foi cientificada da decisão de 1ª instância, abrindose prazo para a interposição de recurso voluntário (fls. 2395, 2396 e 2398). Não localizei nestes autos a ciência de André Zinn e Jorge Kaminsky sobre o resultado de suas impugnações regularmente apresentadas (despacho fl. 2340) e que foram indeferidas pela DRJ (fl. 2387 e ss.). Sendo assim, entendo que existe uma impropriedade na formalização dos autos e, dessa feita, VOTO pela conversão do julgamento em diligência para que a DRF de origem: a) Intime as pessoas físicas ANDRÉ ZINN, CPF nº 033.848.188 57 e JORGE LUIZ KAMINSKY, CPF nº 010.529.46836 do Acórdão nº 1662.365 7ª Turma da DRJ/SP1, nos mesmos termos da intimação que foi enviada à empresa PROMEIOS, como consta da folha 2395, abrindose prazo de trinta dias para a apresentação de recurso voluntário. O contribuinte ANDRÉ ZINN foi intimado conforme fls. 2551/4, em 21 de outubro de 2016 (sexta feira), e o contribuinte JORGE LUIZ KAMINSKY conforme fls. 2552/3, também em 21 de outubro de 2016, tendo apresentado recurso voluntário o primeiro em 23 de novembro de 2016 (fl. 2556). Não consta apresentação de recurso pelo segundo. Fl. 2700DF CARF MF Processo nº 19515.720788/201244 Acórdão n.º 2202003.857 S2C2T2 Fl. 2.701 6 É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. DELIMITAÇÃO DA LIDE As infrações certificadas em decorrência de depósitos bancários com origem não comprovada, estribadas em presunção legal foram objeto de lançamento de ofício formalizadas nos autos do Processo nº 19515.720787/201208, como destacou a DRJ na fl. 2364. Portanto, exigências relativas a PIS, COFINS, IRPJ e CSLL não serão discutidas aqui. Além disso, conforme destacou a DRJ, na folha 2376 (voto): "... registrese de antemão que as razões para a aplicação da multa de ofício qualificada e para a atribuição da responsabilidade solidária em face da Sra. Gisela Zinn, CPF nº 187.754.03820 e da Uabi Comissária Mercantil Ltda., CNPJ nº 04.794.180/000181, não foram objeto de oposição de contrarrazões, configurandose, assim, a preclusão do direito de instauração do contencioso tributário no que concerne a estas matérias." Portanto, tais matérias, de fato, a teor do artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, estão fora do litígio, por não terem sido expressamente contestadas em sede de impugnação. RECURSO DO CONTRIBUINTE PROMEIOS LOCAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS LTDA O recurso da empresa PROMEIOS LOCAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS LTDA é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais disposições legais, dele tomo conhecimento. No que tange à infração capitulada como "pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado", que ensejou o lançamento relativo ao IRRF (fl. 1244), objeto deste processo, a fiscalização iniciou analisando os extratos bancários obtidos a verificou a transferência de créditos entre contas (Banco ABC Brasil e Sofisa) e transferência de valores para UABI Comissária. Aprofundados os exames, a fiscalização registrou que o contribuinte comprovara apenas parte das transferências efetuadas por ordem de terceiros, esclareceu que a falta de prova das operações ou da causa dos pagamentos efetuados ou dos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, sujeitaramse à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35% (trinta e cinco por cento), indicando que configura a ocorrência do pressuposto material para a incidência da tributação do imposto de renda na fonte, consoante disposto no art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995 (pagamento a beneficiário sem causa). Segundo o Relatório Fiscal, o contribuinte foi intimado no Termo nº 08, de 15/09/2011, a apresentar a relação e justificar todas as transferências via TED efetuadas da PROMEIOS, em sua conta corrente no Banco Sofisa, Ag. 2839, c/c 161047, para "alguns destinatários", apresentando os documentos contábeis de suporte. Chamara a atenção da fiscalização transferências para destinatários que não seriam seus clientes, como R$ 80.000,00 para a UABI Comissária Mercantil. Fl. 2701DF CARF MF Processo nº 19515.720788/201244 Acórdão n.º 2202003.857 S2C2T2 Fl. 2.702 7 Na apuração do tributo IRRF, a Auditora Fiscal tomou como base de cálculo o valor total de R$ 2.258.920,14, relativo a saídas de recursos das contas correntes dos Bancos SOFISA e ITAÚ, constantes da planilha denominada “pagamentos efetuados por conta de outras empresas não comprovados”. (fl. 541) Como foi o procedimento fiscal para considerar determinados pagamentos comprovados e outros não? A descrição é encontrada na fl. 1232, no Termo de Verificação Fiscal. Em suma: a) O Termo de Intimação n. 11 relacionou tranferências em uma planilha denominada “Pagamentos efetuados por conta de outras empresas” (fl. 535), para que o contribuinte os comprovasse. b) Em atendimento, no entender da fiscalização, o contribuinte logrou comprovar algumas transferências por ordem de terceiros, por meio de aditivos. Os aditivos foram analisados um a um na planilha denominada “aditivos analisados” (fl. 542). Nessa planilha, existe uma listagem com o número do aditivo e a referência “presente” OK ou espaço em branco, indicando que tal aditivo não fora apresentado. Os aditivos 541, 615 e 642, não foram apresentados à fiscalização. c) Foi elaborada então uma nova planilha denominada “Comprovação dos pagamentos efetuados por conta de outras empresas do Termo n. 11” (fl. 538/540), onde a fiscalização lista e motiva um a um quais pagamentos considerou comprovados e quais não considerou. d) Foi então elaborada uma planilha final, onde foram listados os “pagamentos efetuados por conta de outras empresas não comprovados” (fl. 541), que foram enfim levados ao Auto de Infração. O recurso encontrase anexado nas folhas 2399 e seguintes. O recorrente inicia suas considerações definindo seu objeto social como: "atividades de factoring e operações de trustee, ou seja, a prestação de serviços de orientação de gestão de negócios, a administração de ativos financeiros de terceiros e a administração do caixa, contas a pagar e contas a receber de terceiros." Depois traz um longo histórico sobre o que seja e como surgiram no Brasil o "factoring" e o "trustee". Como já se disse, não será tratada aqui a questão da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários, com base em presunção legal, objeto de outro processo administrativo. Diz o recorrente que "o objetivo deste recurso é evidenciar que os pagamentos efetuados a terceiros foram realizados através de operações de trust ... exercendo a recorrente as atividades descritas em seu contrato social." Nessa linha, a recorrente "possuía contrato com as empresas Juresa Industrial de Ferro Ltda ... bem como com a empresa Fopame Materiais Siderúrgicos Ltda, nos mesmos moldes." (destaquei) Fl. 2702DF CARF MF Processo nº 19515.720788/201244 Acórdão n.º 2202003.857 S2C2T2 Fl. 2.703 8 Juntamente com a impugnação, a empresa apresentou um Parecer Técnico Contábil (fl. 1418), onde se afirma que adquiriu contínua e sistematicamente, com pagamentos à vista, mediante a aplicação de um percentual relativo à comissão cobrada ad valorem incidente sobre o valor de face dos títulos a um adicional de serviços de acompanhamento, diversos títulos de crédito dos seus clientes, consubstanciados em duplicatas e cheques. Havia um contrato principal com cada cliente e a cada aquisição de título emitiase um "aditivo" ao contrato principal. Em suma, seus clientes enviavam a ela os valores a serem recebidos de terceiros. Ela efetuava as cobranças e os recebimentos e o cliente determinava os pagamentos que seriam feitos, com os recursos recebidos. (item 59, do recurso) Qual o registro documental entre a recorrente e seus clientes, nessas operações? Segunda ela, havia "aditivo contratual da operação"; "a nota fiscal para justificar o pagamento" e a "carta de autorização e pedido do cliente determinando que aquele pagamento fosse realizado". (item 60, do recurso) Nos itens 91 e seguintes de seu recurso (fl. 2418), que repetem a impugnação, a Recorrente se dispõe a informar, um a um, a operação que daria suporte aos pagamentos realizados e considerados como “sem causa ou a beneficiário não identificado” na planilha da Fiscalização. 1 Assim, o pagamento no valor de R$ 10.663,46, realizado em 02/01/2007 ao favorecido Simonetti Serviços Ltda, teria como registro o termo aditivo contratual que está na fl. 1582, como se indicou na impugnação (anexo I – fl. 1448). Ocorre que, como se pode verificar, tal aditivo não contém assinatura de nenhuma das partes. Ou seja, a FOPAME não reconhece documentalmente que tenha havido essa operação. Em relação a essa operação, especificamente, a causa listada pela Fiscalização (planilha, fl. 538) foi exatamente a falta do Termo Aditivo, que aparece depois, em sede de impugnação, porém sem assinaturas. 2 O segundo pagamento, no valor de R$ 8.843,51, favorecido Eletropaulo Metrop. Eletro S/A, foi reputado como não comprovado pela fiscalização também porque o aditivo não fora apresentado. A situação se repete, na fl. 1591, com um aditivo sem qualquer assinatura, conforme acima descrito. 3 – idem nas fl. 1598, fl. 1628, fl. 1644, fl. 1654, fl. 1661, etc...com relação aos pagamentos seguintes, listados pela fiscalização. Ou seja, outra conclusão não se pode chegar senão àquela registrada pelo julgador de 1ª instância. Disse a DRJ que (fl. 2378): No plano da validade e eficácia dos aditivos contratuais trazidos aos autos (apresentação parcial de documentos), a efetividade probante revelase prejudicada por conta do conteúdo extrínseco de seus termos. Da análise do conjunto probatório, constatase a quase totalidade do acervo documental traz aditivos sem assinatura das partes. No restante dos casos, não há sequer a juntada dos instrumentos aditivos. Fl. 2703DF CARF MF Processo nº 19515.720788/201244 Acórdão n.º 2202003.857 S2C2T2 Fl. 2.704 9 Além disso, observo outro ponto importante, que não localizo no conjunto documental que a recorrente apresentou, que era a efetiva existência dos créditos de FOPAME e JURESA basicamente, que teria recebido em seus nomes, a suportar os pagamentos então efetuados. Não há nada indicando de onde veio o dinheiro que ensejou os pagamentos, se eram realmente créditos recebidos em nome das representadas. Ao analisar os documentos trazidos até a impugnação, a DRJ os criticou, concluindo que (fl. 2383): Não obstante tais circunstâncias, ainda que fosse admitida a pertinência dos aludidos instrumentos aditivos, vale ressaltar que, igualmente, não mereceriam melhor sorte para efeito de prova da legitimidade das operações, porquanto a observância do que se segue: 1) Falta de comprovação do conjunto de operações e recursos financeiros de propriedade das faturizadas que dariam lastro ao pagamento dos valores das obrigações por elas contraídas e das importâncias realizadas por ordem de terceiros;(destaquei) 2) Apresentação de títulos de cobrança sem a demonstração da feitura do endossomandato em preto inerente às obrigações oriundas do patrimônio das faturizadas e negociadas na operação de factoring; 3) Livro Diário (devidamente registrado no órgão competente) e Razão representativos da escrituração do conjunto de fatos contábeis que designam a contratação da operação de gestão financeira de operações de contas a pagar e contas a receber das faturizadas e sua associação com os respectivos pagamentos sem causa tipificados pela autoridade lançadora. Diante destas inferências, afastase a eficácia probatória do acervo documental trazido aos autos por intermédio da peça impugnatória, visto que eivado de vícios que comprometem sua representação fidedigna para evidenciar a autenticidade das transações correspondentes, não permitindo, assim, retirar os efeitos jurídicos da autuação fiscal promovida pela autoridade lançadora. O ponto acima destacado, apesar de alertado pelo julgador recorrido, não foi resolvido em sede de recurso. Existem ainda diversos pagamentos realizados à UABI COMISSÁRIA, no valor de R$ 80.000,00, que foram rejeitados pela Fiscalização. De acordo com o contrato entre a FOPAME e a UABI, a primeira deveria pagar à segunda R$ 80.000,00 mensais pelo “uso de marca” (fl. 1646). Esses pagamentos teriam sido realizados através da PROMEIOS. Bem, a PROMEIOS tem como sócios João Luís Gil (pequeníssimo percentual) e BFACTOR Internacional, com sede nas Ilhas Virgens Britânicas. João Luís Gil tem poderes para administrar a PROMEIOS no Brasil, mas desde que suas instruções sejam reconhecidas como válidas pela UABI Comissária Mercantil Ltda. Os sócios da UABI são André Zinn e Jorge Luiz Kaminsky, que foram apontados nestes autos como responsáveis solidários. Fl. 2704DF CARF MF Processo nº 19515.720788/201244 Acórdão n.º 2202003.857 S2C2T2 Fl. 2.705 10 Aí a FOPAME faz um contrato de uso de marca com a UABI e autoriza a PROMEIOS a pagar R$ 80.000,00 a ela, sem que se demonstre a origem dos supostos créditos que suportaram os pagamentos. Enfim, tratamse de operações entre partes relacionadas, onde supostamente a PROMEIOS fora constituída com o objetivo de gerir o caixa (recebimentos/pagamentos) de outras empresas que tinham sócios em comum, ainda que de forma indireta, como se observa na necessidade de que a UABI chancelasse as decisões do sócio (minoritário) no Brasil, João Luís Gil. Nessa situação, o registro documental de todas as operações, entendo, deveria ser preciso, formal, extrínseca e intrinsecamente. As deficiências apontadas pela Fiscalização, para rejeitar alguns dos pagamentos, bem como os tópicos levantados pela DRJ, não são rebatidos em sede de recurso, onde se apresenta as mesmas razões e os mesmos documentos já criticados em sede de impugnação. A falta de comprovação documental hábil, por parte do impugnante, para justificar a causa dos pagamentos, foi, em suma, o motivo que levou o julgador de 1ª instância, no mérito, a negar provimento à impugnação. Corroboro o seguinte entendimento, que acresço às minhas razões, vejamos (fl. 2384): No caso concreto, consoante minudentemente demonstrado nas linhas anteriores, a iniciativa do contribuinte mostrouse improfícua, porquanto, notadamente, não amparado em robusta prova inequívoca hábil e idônea que permita qualificar a própria validade das operações de fomento mercantil. Somase a isto, a demonstração da ocorrência de participação de interposição de pessoas nos negócios jurídicos levados a efeito em nome da entidade. Dessa feita, entendo que deva ser mantida a decisão de 1ª instância. SOLIDARIEDADE A solidariedade tributária de que tratam as situações previstas no artigo 124, I, do CTN, pressupõe a existência de dois sujeitos passivos praticando conduta lícita, descrita na regra matriz de incidência tributária. Do fato gerador, nestas situações, decorre a possibilidade do sujeito ativo exigir o pagamento de tributos de qualquer um dos sujeitos que integrou a relação jurídicotributária. Por sua vez, a responsabilidade tributária decorrente das situações previstas no artigo 135 do CTN, está ligada à prática de atos com excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatutos, por quem não integra a relação jurídicotributária, mas é chamado a responder pelo crédito tributário em virtude do ilícito praticado. A Fiscalização, ao concluir seu trabalho, enviou Termo de Sujeição Passiva Solidária a André Zinn (fl. 1253/1264), Jorge Luiz Kaminsky (fl. 1265/1276), Gisela Zinn (fl. 1277/1300) e Uabi Comissária Mercatil Ltda (fl. 1288/1312), porque entendeu que para essas três pessoas físicas e uma pessoa jurídica (fl. 1261/2): Como ficou provado, os atos financeiros da Promeios foram outorgados à terceira pessoa, estranha ao Contrato Social e verdadeira interessada no negócio (sócios de fato), caracterizando o que em Direito, se denomina “interposição de Fl. 2705DF CARF MF Processo nº 19515.720788/201244 Acórdão n.º 2202003.857 S2C2T2 Fl. 2.706 11 pessoas”. Respondem pelo crédito tributário os verdadeiros sócios da pessoa jurídica, acobertados por terceiras pessoas (“laranjas”) que apenas emprestavam o nome para que eles realizassem operações em nome da pessoa jurídica, da qual tinham todo o poder para gerir seus negócios e suas contas correntes bancárias. Como são sócios de fato, serão solidariamente obrigadas pois tem interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Restando comprovado que, efetivamente, tais pessoas administram a sociedade, é correta a atribuição da responsabilidade solidária pelos impostos e contribuições devidos pela Promeios. Enquadramento Legal: Para Interposta Pessoa: Arts. 124, I e 135, II e III do CTN ; Arts. 990 e 967 do Código Civi l ( Lei n º 10.406/02 ); Art. 150 do RIR/99 Todos foram cientificados da sujeição passiva solidária, registrandose que para Gisela Zinn a ciência se deu por Edital. Como registrou a DRJ em seu julgamento, André Zinn e Jorge Kaminsky impugnaram essa responsabilização solidária, tendo decidido aquela instância julgadora pela improcedência da suas impugnações, tal como relatado aqui. Em sede recursal, apenas ANDRÉ ZINN apresentou manifestação. Também conforme relatado, a ciência a esse contribuinte deuse conforme fls. 2551/4, em 21 de outubro de 2016 (sexta feira) tendo apresentado recurso voluntário protocolizado em 23 de novembro de 2016 (fl. 2556). Fazendo a contagem do prazo para apresentação do recurso nos termos do artigo 5º do Decreto 70.235, de 1972 (PAF) o prazo expirou no dia 22 de novembro (30º dia) e o recurso apresentado no dia 23 estaria intempestivo. Existem cópias de ‘telas’ nas folhas 2690/2692, dando conta de que o contribuinte tentara apresentar o recurso via internet (solicitação eletrônica de juntada) dia 21 de novembro e que houve problemas de transmissão. Vejamos: O processamento de sua solicitação de juntada de documento excedeu o limite de tempo de 1 hora. Tente novamente e, se o problema persistir, favor dirijase a unidade da Receita Federal do Brasil para entrega presencial.(...) Depois dizse que ele "não tinha autorização para juntar documentos neste processo": Não foi possível registrar a solicitação de juntada de documento, pois o solicitante não possui autorização para enviar solicitação para o processo Tal fato é até compreensível pois aqui tratase de responsável solidário que em princípio não consta como responsável pela empresa autuada. Fl. 2706DF CARF MF Processo nº 19515.720788/201244 Acórdão n.º 2202003.857 S2C2T2 Fl. 2.707 12 Existiu ainda outra tentativa, já no dia 23 de novembro. Primeiro, a DRF não "chancelou" essas telas com supostas tentativas de envio do recurso, ao recebêlo, no dia 23 de novembro. Não se sabe o que, de fato, o contribuinte tentara transmitir no dia 21. Segundo, o recurso, verificandose a data de assinatura (fl. 2648), só foi feito no dia 23 de novembro, assim, não parece factível que de fato tentaram enviálo no dia 21. E as telas anexadas não indicam que documento se tentou transmitir. Além disso, por que ele não apresentou então no dia 22, último dia do prazo, uma vez que a tentativa frustrada de transmissão teria ocorrido em 21/11? No recurso, como se poderá observar, não se fala sobre tempestividade. No despacho de encaminhamento (fl. 2695) a DRF não faz nenhuma alusão à questão. Dessa feita, não deve ser conhecido, por intempestivo, o recurso apresentado por André Zinn. DECADÊNCIA. Este CARF vem adotando a tese fixada pelo Recurso Especial nº 973.733/SC, (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC (1973) e da Resolução STJ 08/2008, segundo o qual o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Considerando que quando se constata a existência de dolo, fraude ou simulação, condutas apontadas conforme o tópico anterior, especialmente pela interposição de terceira pessoa nos negócios, o termo de início do prazo decadencial, mesmo nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, deslocase para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, na forma do artigo 173, do CTN, tratandose de fatos geradores ocorridos em 2007, o primeiro dia do exercício seguinte é 1º de janeiro de 2008 e o prazo decadencial somente expirarseia em 1º de janeiro de 2013. Tendo o Auto de Infração sido lavrado em 04/04/2012 e aperfeiçoado com a ciência ao sujeito passivo em 19/04/2012 (fl. 1243), não há que se falar em decadência de nenhum fato gerador. CONCLUSÃO Considerando o acima exposto, VOTO por rejeitar a alegação de decadência parcial do lançamento e, no mérito, negar provimento ao recurso da contribuinte Promeios Locação de Mão de Obra e Serviços Ltda e manter o contribuinte André Zinn como devedor solidário, destacando que os demais devedores solidários autuados não impugnaram ou não recorreram e, portanto, também estão mantidos. (assinado digitalmente) Fl. 2707DF CARF MF Processo nº 19515.720788/201244 Acórdão n.º 2202003.857 S2C2T2 Fl. 2.708 13 Marcio Henrique Sales Parada Fl. 2708DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12571.000269/2009-47
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS.
Somente geram direito a crédito de PIS/COFINS, na condição de insumos, os gastos com itens - bens ou serviços - utilizados na produção de outros bens ou na prestação de serviços. Nesse conceito, pois, não se incluem itens consumidos previamente ao início do processo produtivo ou a ele posteriores.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-005.021
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CONCEITO DE INSUMO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado DITZEL & SANCHES LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. Somente geram direito a crédito de PIS/COFINS, na condição de insumos, os gastos com itens bens ou serviços utilizados na produção de outros bens ou na prestação de serviços. Nesse conceito, pois, não se incluem itens consumidos previamente ao início do processo produtivo ou a ele posteriores. Recurso Especial do Procurador Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3803002.911, que, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário, consignando a seguinte ementa: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 57 1. 00 02 69 /2 00 9- 47 Fl. 348DF CARF MF Processo nº 12571.000269/200947 Acórdão n.º 9303005.021 CSRFT3 Fl. 3 2 ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Os gastos com combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos da sociedade e as despesas com manutenção de veículos da frota própria, empregados no processo produtivo ensejam o creditamento da Contribuição Social não cumulativa. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO Os encargos de depreciação sobre semireboque, peças para caminhão e outros relacionados, incorporados ao ativo imobilizado, e empregados no processo produtivo, adquiridos depois de 30/04/2004, ensejam direito a crédito. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, trazendo que: · Para efeito de crédito do tributo, a legislação esclarece que se incluem no conceito de insumo, além das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, itens que se incorporam ao bem produzido, os bens que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos/alterados no processo de industrialização em função de ação exercida diretamente sobre o produto, salvo se compreendidos no ativo permanente; · No caso concreto, os insumos glosados pela autoridade fiscal, embora não sejam bens do ativo permanente e tenham tido alguma relação com o processo industrial, não tiveram contato físico direto, nem exerceram diretamente ação no produto industrializado, não se enquadrando, portanto, na condição de insumo para o aproveitamento do crédito da contribuição. Mediante Despacho do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção do CARF, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pelo sujeito passivo, que trouxe, entre outros argumentos: · Que deve ser mantido o entendimento do colegiado do acórdão recorrido, eis que proveu o recurso voluntário para admitir a inclusão dos custos referentes aos gastos com combustíveis e Fl. 349DF CARF MF Processo nº 12571.000269/200947 Acórdão n.º 9303005.021 CSRFT3 Fl. 4 3 lubrificantes utilizados em veículos da empresa e às despesas com manutenção de veículos da frota própria, fundamentando que para a caracterização do bem ou serviço como insumo, é suficiente o seu emprego no processo de produção, ainda que não haja contato direto com o produto em fabricação; · Os combustíveis e lubrificantes utilizados, seja no transporte dos produtos destinados à venda, seja no transporte da matériaprima utilizada em seu processo produtivo, geram direito a crédito, já que atendem aos critérios de pertinência e essencialidade; · As despesas com bens e serviços de manutenção de veículos utilizados no transporte de produtos destinados à venda e de matériaprima geram direito a crédito, haja vista que tais bens, ainda que indiretamente, são aplicados no processo produtivo. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.003, de 12/04/2017, proferido no julgamento do processo 12571.000207/200935, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.003): Da Admissibilidade "O Recurso Especial é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade do recurso interposto pela Fazenda Nacional, eis que, confrontando os conceitos de “insumo” empregados pelos arestos envolvidos é irrefragável a confirmação do dissídio jurisprudencial. Quanto às Contrarrazões apresentadas, devem ser consideradas, eis que tempestivas." Do Mérito "Designoume a Presidência para a redação do acórdão já que a proposta da relatora, de negar provimento ao recurso da Fazenda, não restou acolhida. Frisese, desde logo, que a decisão combatida já aplicou entendimento de que as Instruções Normativas da SRF, ao equipararem o Fl. 350DF CARF MF Processo nº 12571.000269/200947 Acórdão n.º 9303005.021 CSRFT3 Fl. 5 4 conceito de insumo para fins das contribuições ao do IPI o restringiram em excesso. Sendo sua aplicação, porém, o objeto do recurso da Fazenda Nacional, natural começar pelos motivos que me levam a rejeitar tal exigência, uma vez que, embora nisso não divirja da i. relatora, essa rejeição, para mim, leva a diferente conclusão. É que, acredito já seja de conhecimento amplo, também não adiro à tese de que o conceito de insumos que permitem a tomada de créditos, nos termos do art. 3º da Lei 10.637, para o PIS e do art. 3º da Lei 10.833, para a COFINS, seja tão restrito quanto o pretendido por elas. Mas apenas rejeitar o critério da IN SRF também não nos leva muito longe. Parece igualmente óbvio que permitir a inclusão de toda e qualquer despesa, desde que aceita pela legislação do IRPJ, tampouco está em conformidade com o texto legal, que tanto se esmerou em enunciar as hipóteses ensejadoras. Por isso, para avançar na fixação de um critério para tal conceito que seja suficientemente flexível para permitir a análise de qualquer item, fixeime na expressão legal "bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviço e na produção ou fabricação..."1. Dessa expressão, algumas conclusões se impõem de plano; a) os beneficiários do crédito podem ser fabricantes, mas também "produtores", e mesmo prestadores de serviço; b) um serviço pode se enquadrar como tal, e mesmo que "utilizado na prestação de serviço". Essas observações preliminares já são suficientes para rejeitar a pretensão de utilizar o critério há muito aceito para o IPI: que o bem candidato a gerador de crédito entre em contato físico com o bem que está sendo industrializado. Por óbvio, ela não se aplica nem à "prestação de serviço", nem a um serviço como insumo. Mas uma atenta leitura do §4º do art. 8º da IN 4042 deixa igualmente claro que a SRF não o pretendeu aplicar aos serviços em qualquer das "pontas". Pretende fazêlo, porém, sempre que se estiver cuidando de "produção ou fabricação", aparentemente tomando as duas expressões como sinônimas. E é aí, a meu ver, que começam os problemas. Por primeiro, não me parece que o legislador da 10.833 (assim como o da 10.637) tenha buscado equiparar as expressões, atento que estava à 1 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes; 2 § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; Fl. 351DF CARF MF Processo nº 12571.000269/200947 Acórdão n.º 9303005.021 CSRFT3 Fl. 6 5 possibilidade de que a "produção" ensejadora de crédito no âmbito das contribuições não corresponda a uma efetiva industrialização nos termos do IPI. Como é cediço, fora daquele contexto produção pode se referir, e no mais das vezes se refere, a um conjunto de atividades bem maior, que inclui, entre outras, a atividade agropecuária, bem como a agroindustrial. Ainda assim, como em todos os casos há um produto físico gerado ao final de um processo produtivo, pareceria, em princípio, razoável a adoção daquele critério mesmo quando de industrialização em sentido estrito não se tratasse. O problema, entretanto, é que o critério do Parecer Normativo CST 65/79 destinase a definir o que se poderia enquadrar no conceito de "produto intermediário" apenas referido mas não definido no art. 25 da Lei 4.502/643 . Ou seja, ele não é destinado à definição do que seja insumo, mas do que seja produto intermediário, ou mais precisamente, de qual seria o critério para considerar um bem como consumido no processo produtivo. Sobre esse ponto, peço licença para reproduzir considerações que expendi em julgamento realizado ainda no antigo Conselho de Contribuintes, no já distante ano de 20084: Como se disse no relatório, o contribuinte recorre de decisão que lhe negou o ressarcimento de saldo credor originado no registro de créditos de IPI em relação às aquisições de energia elétrica, produto considerado pelo IPI como nãotributado. Entende possível incluir a energia elétrica consumida no processo produtivo entre os “produtos que, embora não se integrando ao produto final, são consumidos no processo produtivo, desde que não compreendidos entre os bens do Ativo Permanente”, consoante redação do art. 147 do Regulamento do IPI baixado pelo Decreto 2.637/98 (atual art. 164 do Regulamento baixado em 2002). A SRF considera, com base no Parecer Normativo CST nº 65/79, entre outros, que não, visto não ter contato físico com o produto em elaboração. Para mim, a decisão recorrida não merece reparos. É que, embora lastreada na orientação do Parecer Normativo, a que está vinculada, e com a qual não concordo inteiramente, o que fez foi dar correta aplicação ao princípio da nãocumulatividade. Para melhor compreensão, necessário um registro, ainda que breve, da evolução legislativa da matéria. Como se sabe, a Lei nº 4.502/64, foi a última a regular o extinto Imposto Sobre o Consumo instituído pelo Decretolei nº 7.404/45 e transformado no IPI. Na evolução legislativa daquele imposto é que se vai encontrar pela primeira vez tentativa de aplicação do princípio 3 Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a MP, PI e ME , adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; 4 Julgamento do recurso voluntário nº 147.752, no Processo 10830.000989/200474, sessão de agosto de 2008 Fl. 352DF CARF MF Processo nº 12571.000269/200947 Acórdão n.º 9303005.021 CSRFT3 Fl. 7 6 de tributação sobre o valor agregado. Tratase, como é de sabença geral, da disposição do art. 213 da Lei nº 3.520/58: Art. 213 ... 2º Os fabricantes pagarão o impôsto com base nas vendas de mercadorias tributadas, apuradas quinzenalmente, deduzido, no mesmo período o valor do impôsto relativo às matérias primas e outros produtos adquiridos a fabricantes ou importadores ou importados diretamente, para emprêgo na fabricação e acondicionamento de artigos ou produtos tributados; Após ser regulamentada pelo Decreto 45.422/59, essa lei foi alterada pela de nº 4.153, já em 1962, na qual se promoveu grande ampliação do instituto. Vejamos: Art. 34. O artigo 148 do atual Regulamento do Imposto de Consumo aprovado pelo Decreto nº 45.422, passa a vigorar com as seguintes alterações: a) As palavra As palavras "nas vendas de mercadorias tributadas" são substituídas pelas seguintes: "nas entregas a consumo de mercadorias tributadas"; b) Para os fins do art. 148, entendemse como adquiridos para emprêgo na fabricação e acondicionamento de artigos ou produtos tributados: na fabricação as matérias primas ou artigos e produtos secundários ou intermediários que, integrando o produto final ou sendo consumidos total ou parcialmente no processo de sua fabricação, sejam utilizados na sua composição, elaboração, preparo, obtenção e confecção, inclusive na fase de aprêsto e acabamento. Portanto, além das matérias primas, davam direito de abatimento do valor devido as aquisições dos chamados produtos secundários e intermediários. Na busca de distinção entre eles, confirmouse a definição mais ou menos consensual de que produtos intermediários são os que partilham com as matérias primas o caráter de se integrarem fisicamente aos produtos fabricados, delas diferindo apenas pelo fato de já serem produtos prontos, passíveis, assim, de utilização adicional. Já os produtos secundários é que consistiam naqueles que, embora não se integrando ao produto final, fossem consumidos, total ou parcialmente, no processo de fabricação. Ocorre que a Lei nº 4.502/64 suprimiu a referência a produtos secundários como possibilitadores de dedução do IPI devido pelas saídas. Confiramse os artigos da Lei 4.502 que cuidaram da matéria: Art. 25. Para efeito do recolhimento, na forma do art. 27, será deduzido do valor resultante do cálculo. I o impôsto relativo às matériasprimas produtos intermediários e embalagens, adquiridos ou recebidos para emprêgo na industrialização e no acondicionamento de produtos tributados; Fl. 353DF CARF MF Processo nº 12571.000269/200947 Acórdão n.º 9303005.021 CSRFT3 Fl. 8 7 II o impôsto pago por ocasião do despacho de produtos de procedência estrangeira ou da remessa de produtos nacionais ou estrangeiras para estabelecimentos revendedores ou depositários. Art. 27. A importância a recolher será: I no caso do inciso I do artigo anterior a resultante do cálculo do impôsto; II No caso do inciso II a necessária à manutenção de saldo suficiente para cobertura do impôsto devido pela saída dos produtos; III no caso do inciso III a resultante do cálculo do impôsto relativo aos produtos saídos do estabelecimento produtor na quinzena anterior, deduzida: a) do valor do impôsto relativo as matérias primas, produtos intermediários e embalagens, adquiridos no mesmo período, quando se tratar de estabelecimento industrial; b) do valor do impôsto pago por ocasião do despacho ou da remessa, quando se tratar de estabelecimento importador, arrematante ou revendedor, considerados, para efeito da apuração, os capítulos de classificação dos produtos. § 1º Será excluído do crédito o impôsto relativo às matérias primas, produtos intermediários e embalagens que forem objeto de revenda ou que forem empregados na industrialização ou no acondicionamento de produtos isentos e não tributados. § 2º O devedor remisso, sujeito ao recolhimento antecipado, utilizar seá do crédito de impôsto, mediante adição ao seu saldo. § 3º O impôsto relativo às matériasprimas, produtos intermediários e embalagens, adquiridos a revendedores não contribuintes, será calculado, para efeito de crédito mediante aplicação da alíquota a que estiver sujeito o produto sôbre 50% (cinqüenta por cento) do seu valor constante da nota fiscal. § 4º Em qualquer hipótese, o direito ao crédito do impôsto será condicionado às exigências de escrituração estabelecidas nesta lei e em seu regulamento, e, quando não exercido na época própria, só poderá sêlo, cumprida a formalidade do inciso I do art. 76 ou quando o seu valor fôr incluído em reconstituição de escrita, efetuada pela fiscalização. § 5º Quando ocorrer saldo credor numa quinzena, será êle transportado para a quinzena seguinte, sem prejuízo da obrigação do contribuinte apresentar ao órgão arrecadador, dentro do prazo legal previsto para o recolhimento, a guia demonstrativa dêsse saldo. Ainda assim, o primeiro regulamento do IPI já editado após a Lei 4.502 – Decreto 56.791/65 – ao “regulamentar” o dispositivo acima, estabeleceu: Art. 27. Para efeito do recolhimento, será deduzido do valor resultante do cálculo, na forma do art. 29: I o impôsto relativo às matériasprimas, produtos intermediários e embalagens, adquiridos ou recebidos para emprêgo na Fl. 354DF CARF MF Processo nº 12571.000269/200947 Acórdão n.º 9303005.021 CSRFT3 Fl. 9 8 industrialização e no acondicionamento de produtos tributados, compreendidos, entre os primeiros, aquêles que, embora não se integrando no nôvo produto, são consumidos no processo de industrialização; Ou seja, mantevese a possibilidade de dedução do imposto pago sobre os produtos secundários, agora “apelidados” de produtos intermediários. Ainda mais, sua redação irrestrita parece permitir que aí se incluíssem mesmo os produtos para uso e consumo e os constituintes de máquinas e equipamentos, visto que nem mesmo quanto a estes houve qualquer restrição. Tal largueza de conceitos, porém, não vinha sendo aceita pelo Fisco, o que suscitou diversos questionamentos ao Poder Judiciário quanto à abrangência do conceito de produtos intermediários. Em diversos julgados proferidos, a partir de 1966, no âmbito do STF (RMS 19.625GB, julgado em 20/6/1966, relator Ministro Victor Gomes; Recurso Extraordinário 18.661PE, julgado pelo Pleno em 16/10/1968 sob relatoria do Ministro Aliomar Baleeiro), firmouse o entendimento de que a expressão poderia sim englobar produtos que fossem apenas consumidos no processo industrial, desde que cumpridos, porém, dois requisitos primordiais: que os produtos consumidos fossem essenciais e específicos à fabricação em questão (vide votos condutores das decisões mencionadas). Pelo primeiro, requerse que o processo produtivo não se possa completar na ausência daquele “produto intermediário”; pelo segundo, que não sejam eles de uso comum, indiscriminado a todo e qualquer processo industrial. Destarte, o primeiro requisito determinava a exclusão, entre outros, da energia elétrica usada para iluminação, ainda que do ambiente onde se realizasse a produção, que poderia perfeitamente prosseguir sem a sua presença (salvo, talvez, situações muito específicas de ausência completa de iluminação natural).Também dos combustíveis empregados para acionamento de máquinas e equipamentos (em que também se pode utilizar a eletricidade). Pelo segundo, afastouse a aplicação ao desgaste de equipamentos físicos (depreciação de máquinas, equipamentos e instrumentos), componentes da estrutura física do estabelecimento, porque comuns a praticamente todo processo industrial. Tentando, ao meu ver, dar aplicação a essas restrições impostas pelo Judiciário é que o Regulamento seguinte, baixado pelo Decreto 70.163/72, acresceu a necessidade de que o consumo se desse de forma “imediata e integral”, bem como incluiu a restrição aos bens integrantes do ativo permanente. Suscitou, porém, novos questionamentos judiciais (Recurso Extraordinário ao STF nº 79.601RS, de 1974, também relatado pelo Ministro Aliomar Baleeiro e, no extinto Tribunal Federal de Recursos, a Apelação Cível nº 44.781SP, de 1978, relatada pelo Ministro Carlos Velloso). Em ambos, ratificaram os Tribunais Superiores os critérios estabelecidos nos julgamentos anteriores, Fl. 355DF CARF MF Processo nº 12571.000269/200947 Acórdão n.º 9303005.021 CSRFT3 Fl. 10 9 mesmo com a mudança de redação introduzida no Regulamento do Imposto. Daí, viuse o Poder Executivo instado a alterar novamente a redação dos decretos regulamentares posteriores, que deixaram de trazer a restrição quanto ao consumo imediato e integral. Essa ausência, então, suscitou a edição do mencionado Parecer Normativo nº 65/79, pela Coordenação do Sistema de Tributação da SRF, que vincula a possibilidade de crédito ao emprego sobre o produto em elaboração.Tratase de nova tentativa de dar aplicação aos critérios aceitos no Poder Judiciário5. Embora imprecisa, tal definição, a meu ver, atinge o cerne da discussão, ao menos para a grande maioria dos processos industriais. É que, salvo honrosas exceções que têm de ser comprovadas caso a caso, não vemos, em princípio, como considerar essenciais e específicos ao processo artigos que sequer entrem em contato direto com o produto em elaboração. De todo modo, restringindose a discussão do presente feito, à energia elétrica, dúvida não tenho de que, de ordinário, ela não pode ser considerada produto intermediário mesmo nessa mais ampla 5 O que resulta claro nos itens 8 a 10 do citado Parecer Normativo: 8. No caso, entretanto, a própria exegese histórica da norma desmente esta acepção, de vez que a expressão "incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando no novo produto, forem consumidos no processo de industrialização" é justamente a única que consta de todos os dispositivos anteriores (inciso I do art. 27 do Decreto nº 56.791/65, inciso I do art. 30 do Decreto nº 61.514/67 e inciso I do art. 32 do Decreto nº 70.162/72), o que equivale a dizer que foi sempre em função dela que se fez a distinção entre os bens que, não sendo matériasprimas nem produtos intermediários stricto sensu, geram ou não direito ao crédito, isto é, segundo todos estes dispositivos, geravam o direito os produtos que, embora não se integrando no novo produto, fossem consumidos no processo de industrialização. 8.1. A norma constante do direito anterior (inciso I do art. 32 do Decreto nº 70.162/72), todavia, restringia o alcance do dispositivo, dispondo que o consumo do produto, para que se aperfeiçoasse o direito ao crédito, deveria se dar imediata e integralmente. 8.2. O dispositivo vigente (inciso I do art. 66 do RIPI/79), por sua vez, deixou de registrar tal restrição, acrescentando, a título de inovação, a parte final referente à contabilização no ativo permanente. 9. Como se vê, o que mudou não foi o critério, que continua sendo o do consumo do bem no processo industrial, mas a restrição a este. 10. Resumese, portanto, o problema na determinação do que se deva entender como produtos "que, embora não se integrando no novo produto, forem consumidos, no processo de industrialização", para efeito de reconhecimento ou não do direito ao crédito. 10.1. Como o texto fala em "incluindose entre as matériasprimas e os produtos intermediários", é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matériasprimas e os produtos intermediários stricto sensu, semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida. 10.2. A expressão "consumidos", sobretudo levandose em conta que as restrições "imediata e integralmente", constantes do dispositivo correspondente do Regulamento anterior, foram omitidas, há de ser entendida em sentido amplo, abrangendo, exemplificativamente, o desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre o insumo. 10.3. Passam, portanto, a fazer jus ao crédito, distintamente do que ocorria em face da norma anterior, as ferramentas manuais e as intermutáveis, bem como quaisquer outros bens que, não sendo partes nem peças de máquinas, independentemente de suas qualificações tecnológicas, se enquadrem no que ficou exposto na parte final do subitem 10.1 (se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida). Fl. 356DF CARF MF Processo nº 12571.000269/200947 Acórdão n.º 9303005.021 CSRFT3 Fl. 11 10 acepção. Há, por certo, situações em que a energia elétrica cumpre aqueles requisitos: tratase daqueles processos que requerem a separação molecular, via eletrólise, para que o processo possa continuar. Presentes aí a essencialidade e a especificidade, mas também a aplicação sobre o produto em elaboração como requer o Parecer. Assim, não demonstrado nos presentes autos que a energia elétrica é empregada dessa forma, ou de alguma similar, não vejo como acatar sua inclusão no conceito de produtos intermediários, mesmo na mais ampla definição que a eles se deu nos últimos regulamentos do IPI. E isso bastaria à negativa de provimento do recurso do contribuinte. Mas, como disse, esse é apenas o primeiro dos requisitos, e a energia elétrica também não cumpre o segundo: não há IPI algum para gerar crédito. Deveras, a energia elétrica está fora do campo de incidência do imposto, merecendo na TIPI a expressão NT – de não tributado. É certo que há outra linha de questionamento judicial, esta mais recente, que diz respeito a essa necessidade de que tenha havido destaque de IPI na aquisição feita. Mas esses questionamentos, normalmente, a isso se resumem, sendo indiscutível o enquadramento do produto adquirido na condição de matéria prima ou produto intermediário. Por isso, o “quase ineditismo” deste recurso, a que fiz referência no relatório. Nele se discutem os dois requisitos. Com efeito, aqui se tem um produto que, segundo as disposições do Parecer Normativo, não é matéria prima, produto intermediário nem material de embalagem e que também não sofreu o gravame do imposto. E quanto a esse último aspecto, da forma mais importante, isto é, não está sequer no seu campo de incidência. Da leitura das leis instituidoras da nãocumulatividade das contribuições não chego à conclusão de que, para elas, também se precise demarcar o que significa "ser consumido no processo produtivo". Seja porque a expressão legal não é essa, como também porque não se está a definir produto intermediário, mas sim insumo. Já se vê daí que, com as escusas sempre necessárias, não tenho como partilhar a premissa de sua excia. o ministro Herman Benjamim, citado no voto do dr. Henrique. É que, a meu ver, a legislação do IPI não identifica o conjunto formado por matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem ao conceito de insumo. Para tanto, é óbvio, não basta dizer que aquele conjunto é insumo; é preciso, mais, dizer que só ele o é. Mas, longe disso, a este último não é dada qualquer definição formal naquela legislação, a começar pela Lei 4.502/64 em que sequer se encontra o vocábulo "insumos". Mesmo nos decretos regulamentares, o que se diz ou sempre se pode ler é que aquele conjunto é insumo; nada há sobre a recíproca. Assim, pareceme, mesmo para o legislador do IPI, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem formam um subconjunto do conjunto mais amplo dos insumos. Aliás, de não ser assim, desnecessárias seriam as diversas ressalvas a itens passíveis de enquadramento no conjunto maior. Especialmente, no artigo definidor dos créditos não se precisaria especificar que ele se restringe Fl. 357DF CARF MF Processo nº 12571.000269/200947 Acórdão n.º 9303005.021 CSRFT3 Fl. 12 11 àquele subconjunto; bastaria autorizálo aos "insumos", que seria a mesma coisa. A consequência lógica dessa divergência é que não se precisa pensar em legisladores tributários distintos. Mesmo admitindo que o conceito de insumos deva ser uno para todos os efeitos tributários, nada há que impeça usarse o que proponho aqui: bem utilizado no processo produtivo e aí "consumido" ainda que não por um contato físico com o produto em elaboração. Mas é preciso demarcar bem quando começa o processo produtivo, pois, como já reiterou suficientemente a doutrina, não se está aqui limitado aos "produtores" no sentido do IPI, isto é, a lei não está a cuidar apenas de processos industriais, stricto sensu, embora seja aqui o caso. Destarte, quando o produto final gerado (e a ser vendido) depende de uma etapa prévia, ainda não exatamente industrial, mas que seja realizada pela mesma empresa, não vejo nenhuma incompatibilidade com a lei em considerar também integrante do processo essa etapa prévia, como ocorre em diversas cadeias produtivas, a exemplo da celulose, do álcool etc. Embora irrelevante para o presente caso, o critério genérico há de ser, portanto, o do início das operações que culminarão com a obtenção daquilo que gerará a receita da empresa, esta que será a base de cálculo da exação. E em se tratando aqui de uma simples operação industrial, parece fácil identificálo com o início das operações tipicamente industriais como o faz também a IN SRF. Assim, nesses casos de empreendimentos tipicamente industriais minha única divergência com o critério da IN SRF se prende à exigência de que os insumos tenham contato físico com o produto final, o que já excluiria, de plano, todos os serviços, mas não só. Por ele, também ficariam de fora todos os itens normalmente glosados no IPI embora participantes efetivos do processo, onde se desgastam, também sem controvérsia, mesmo sem ter "contato" com o produto em elaboração. De outra banda, não adiro à noção de essencialidade que é por muitos advogada. Como primeiro contraargumento, porque, preservada a premissa econômica de racionalidade do empresário, seria difícil encontrar algum item efetivamente empregado no processo, e portanto gerador de custo, sem que haja necessidade para tal, no mínimo, para que o produto final seja aceito pelo consumidor. De fato, esse critério apenas nos leva a uma nova dificuldade, qual seja, a delimitação do grau de necessidade do item em consideração: seria ela estritamente técnica ou também econômica, no sentido acima? A primeiro opção nos levaria a ter de nos embrenhar nas minúcias de cada processo produtivo; a segunda, a aceitar praticamente todo e qualquer gasto. Em segundo lugar, porque há inúmeros itens, especialmente de serviços, que são "essenciais ao", mas não "utilizados no", processo produtivo. Além desse requisito, considero igualmente excluídos pela expressão "utilizados no processo produtivo" os bens que devem compor o ativo permanente, o que significa que, em meu entender, a legislação das Fl. 358DF CARF MF Processo nº 12571.000269/200947 Acórdão n.º 9303005.021 CSRFT3 Fl. 13 12 contribuições preservou este específico óbice existente quanto ao IPI. E assim concluo porque, quanto a eles, a legislação permitiu a dedução da despesa de depreciação e desde que o bem ativado seja efetivamente empregado no processo produtivo o que inviabiliza a tomada de crédito sobre o valor integral da aquisição de uma só vez. Rejeitados, assim, os demais critérios, o da IN, o da essencialidade e o da apropriação de custos nos termos da legislação do IR, analiso cada item candidato a insumo sob o duplo ponto de vista: a) participa efetivamente do processo produtivo? b) aí se desgasta em menos de um ano, de modo a não ser ativado? Respostas afirmativas a ambas levamme a aceitálo. Passando, então, ao caso concreto, vêse que se debate a despesa com combustíveis e lubrificantes empregados em frota própria, que é utilizada para transportar a matéria prima e os produtos elaborados. Conforme se comprova da simples leitura da passagem transcrita, a lei apenas deferiu o creditamento com esses itens "quando utilizados como insumo na fabricação de produtos ou prestação de serviços". Necessário, pois, que elas se refiram a atividades que ocorram durante o processo produtivo, o que não se dá tanto no transporte de matérias primas a serem nele empregadas, nem com respeito a transporte de produtos finais dele decorrentes. O segundo item objeto de polêmica referese a bens utilizados na manutenção de tais veículos. A negativa tem o mesmo respaldo, ainda que aqui com mais intensidade, pois sequer estão eles mencionados em qualquer dos incisos do ato legal. Com efeito, o legislador apenas autorizou o creditamento, no que se relaciona aos bens do ativo permanente, quando se trate de depreciação. Não há, pois, tal direito em ambas as situações para os que, como este conselheiro, advogam a tese acima exposta. Com tais considerações, entendeu o colegiado descabido o creditamento deferido na decisão recorrida, e deu provimento ao recurso da Fazenda Nacional." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 359DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.900337/2014-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 06/07/2012
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez.
Numero da decisão: 3401-003.711
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 03 37 /2 01 4- 36 Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13888.900337/201436 Acórdão n.º 3401003.711 S3C4T1 Fl. 3 2 Versam os autos sobre PER/DCOMP cujo direito creditório alegado seria oriundo de recolhimento indevido do IPI, a ser compensado com débito de tributo administrado pela RFB. O despacho decisório não homologou a compensação em razão do recolhimento indevido já ter sido integralmente quitado com outros débitos do contribuinte. O contribuinte apresentou tempestivamente sua manifestação de inconformidade, arguindo várias nulidades, mormente que o aludido Despacho não teria fundamentação, teria se desviado de sua finalidade e lhe causado cerceamento de defesa. Sobreveio decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, na qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja ementa possui o seguinte teor: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 06/07/2012 NULIDADES. As causas de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal são somente aquelas elencadas na legislação de regência. O Despacho Decisório devidamente fundamentado é regularmente válido. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte interpôs tempestivamente o seu recurso voluntário, asseverando que a decisão não levou em consideração, nas razões de decidir a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, impedindo que a Recorrente apresentasse defesa, bem como demonstrasse a existência do crédito, requerendo a nulidade da decisão, vez que não lhe foi oportunizado conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada. É o relatório. Voto Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13888.900337/201436 Acórdão n.º 3401003.711 S3C4T1 Fl. 4 3 Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.652, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 13888.900243/201467, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.652): Como se viu do relatório, o presente recurso voluntário visa a nulidade da decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, entendendo que esta não restou motivada, implicando seu cerceamento de defesa. Não merece prosperar as alegações da Recorrente. A uma, disse o Despacho Decisório: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A duas, mencionou expressamente a decisão de piso que a Recorrente não trouxe qualquer prova (DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI), indício ou justificativa que permitisse comprovar o alegado recolhimento indevido. A propósito, merece destaque parte do voto do e. relator: Inicialmente vale verificar o que consta no Despacho Decisório, devidamente assinado pela autoridade competente: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ou seja, o alegado pagamento indevido não foi restituído porque já tinha sido utilizado para quitar outros débitos. Com efeito, se há erro nos arquivos da Receita, bastaria o interessado juntar a idônea e hábil documentação contraditória (DARF, DCTF e Livro de Apuração e Registro do IPI), até em homenagem o princípio da verdade material tanto invocado, sendo que, se tratam de declarações e livros cuja boa guarda e apresentação imediata estão legalmente determinadas. A manifestação do interessado não traz qualquer prova, indício ou mesmo justificativa que permita comprovar o alegado Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13888.900337/201436 Acórdão n.º 3401003.711 S3C4T1 Fl. 5 4 recolhimento indevido, limitandose, tão somente a colecionar julgados e doutrinas sobre nulidades. Considerando que nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, consta que os valores recolhidos no indigitado DARF já foram utilizados para quitar outros débitos e nada o contribuinte a isto contrapõe, não há o que reconsiderar ou anular, sendo que não se justifica a falta de apresentação de documentos que provassem seu direito creditório, na medida que a alegação de cerceamento da defesa não se sustenta. A três, vêse que a decisão fora motivada, embora cingiramse as assertivas da Recorrente apenas e tão somente na juntada da DCOMP, informando que detinha um crédito de IPI, oriundo de pagamento indevido, o qual seria compensado com débitos da COFINS. A quatro, temse que, sobrevindo a decisão da manifestação de inconformidade, deveria a Recorrente fazer prova deste suposto pagamento indevido ou a maior do IPI, conforme determinava o artigo 333 do CPC, vigente à época ademais, como ressalvada pela decisão da DRJ , porém, quedou silente a contribuinterecorrente. A quinto, o processo há de vir devidamente instruído para que o Colegiado possa apreciálo, de modo que, diante da ausência de qualquer prova, a conclusão que se chega é que a decisão de piso não merece reparos. Não maiores ilações a serem feitas e diante da ausência de provas, voto em negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 65DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.903347/2011-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.988
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente AUTO R COMERCIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 33 47 /2 01 1- 66 Fl. 90DF CARF MF Processo nº 13839.903347/201166 Acórdão n.º 3302003.988 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de PIS/PASEP incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06049.515. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 13839.903347/201166 Acórdão n.º 3302003.988 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: Fl. 92DF CARF MF Processo nº 13839.903347/201166 Acórdão n.º 3302003.988 S3C3T2 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) Fl. 93DF CARF MF Processo nº 13839.903347/201166 Acórdão n.º 3302003.988 S3C3T2 Fl. 6 5 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 94DF CARF MF Processo nº 13839.903347/201166 Acórdão n.º 3302003.988 S3C3T2 Fl. 7 6 Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 95DF CARF MF
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Numero do processo: 10940.901116/2012-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/08/2008 a 31/08/2008
ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO
O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de restituição/compensação deve ser mantido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.421
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente PARIZOTTO & CIA. LTDA. EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2008 a 31/08/2008 ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de restituição/compensação deve ser mantido. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Tratase o presente processo de Declaração de Compensação – DCOMP, com base em suposto crédito de contribuição social (PIS/Cofins), sendo que a DRF de origem emitiu Despacho Decisório eletrônico não homologando a compensação, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 11 16 /2 01 2- 43 Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10940.901116/201243 Acórdão n.º 3302004.421 S3C3T2 Fl. 3 2 pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, conforme relatado na decisão recorrida, alegando, em síntese: "Inicialmente, contextualiza a existência de seu direito creditório nos seguintes termos: 01. DOS FATOS ... A contribuinte é tributada pelo imposto de renda com base no lucro presumido. Por isso, permanece sujeita à sistemática cumulativa de tributação do PIS e da COFINS estabelecida na Lei n° 9.718/1998, mesmo com entrada em vigor, respectivamente, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, que introduziram modificações na legislação das referidas contribuições (sistemática nãocumulativa). A Recorrente é uma sociedade empresária limitada, cujo objeto social se resume no comércio de gêneros alimentícios naturais e industrializados, artigos de vestuário, utilidades domésticas e eletrodomésticas, bebidas, refrigerantes, produtos de limpeza, higiene pessoal, carnes e derivados, conforme comprova a inclusa cópia do seu contrato social (Doc. 02). Dentre os produtos comercializados em seu estabelecimento, há alguns que estão sujeitos a incidência do PIS/COFINS à alíquota zero, como por exemplo: a) Farinha de trigo: Lei n° 10.925/2004, art. I o , XIV; b) Leite fluido pasteurizado ou industrializado: Lei n° 10.925/2004, art. I, XI; c) Feijão comum, arroz e farinhas, sêmolas e pós de sagu ou das raízes ou tubérculos: Lei n° 10.925/2004, art. I, V; d) Farinha, grumos e sêmolas, grãos esmagados ou em flocos, de milho: Lei n° 10.925/2004, art. 1º, IX; e) Produtos hortícolas, frutas e ovos: Lei n° 10.865/2004, art. 8° , § 12, X e art. 28, III; f) Gás natural liqüefeito: Lei n° 10.865/2004, art. 8º , § 12, IX e XVI; g) Água, refrigerante, cerveja sem álcool e cerveja de malte: Lei n° 10.833/2003, art. 50, I; h) Produtos farmacêuticos e produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal: Lei n° 10.147/2000, Art. 2°. A Contribuinte tributou indevidamente PIS e COFINS nas saídas dos produtos acima listados, majorando a base de incidência das contribuições e aumentando o valor a ser recolhido mensalmente. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10940.901116/201243 Acórdão n.º 3302004.421 S3C3T2 Fl. 4 3 Alega ter retificado as informações prestadas em Dacon e DCTF anteriormente à formalização do pedido de restituição e implementação da compensação. Cita legislação que ampara seu direito de restituição e compensação. Cita ainda jurisprudência administrativa que vêm entendendo ser necessária a reforma da decisão para desconsiderar a alocação de valores maiores do que os efetivamente utilizados. Prossegue: Ficou evidente que a Contribuinte efetuou pagamento a maior e detém o crédito solicitado. Ao que tudo indica, ocorreu apenas equívoco no momento do processamento das informações na Receita Federal. Por certo, a DCTF e a DACON retificadoras não foram processadas juntamente com a PER/DCOMP, apontando assim divergências, que motivaram o Despacho Decisório expedido eletronicamente, indeferindo a pretensão da Contribuinte. Todas as informações prestadas pelo contribuinte devem ser analisadas e processadas pelo Fisco antes de se efetuar o lançamento de eventuais débitos. No caso vertente, é imperativo que a autoridade administrativa de primeira instância analise previamente o direito creditório declarado para só depois proferir decisão, propiciando adequado contraditório. A própria Receita Federal reconhece que pode ser exigida a apresentação de elementos que comprovem o direito creditório do contribuinte, em normas expedidas pelo órgão, como é o caso da Instrução Normativa n° 900/2008, pelo seu art. 65, vejamos: ... Diante dos fatos acima expostos, percebese que a Recorrente faz juz ao crédito decorrente de pagamento a maior de COFINS [...] Para demonstrar o seu direito, junta em anexo (Doc. 11) os demonstrativos dos produtos excluídos da base de cálculo de incidência da COFINS [...], em face da tributação à alíquota zero. Desta forma, requer a Contribuinte que o Despacho Decisório [...] seja cancelado, por ter suprimido a análise em primeira instância do direito creditório declarado. Requer também que, a declaração de compensação [...] seja homologada, tendo em vista que a Recorrente é detentora do crédito utilizado para amparála. Requer ainda que, o crédito declarado e compensado seja analisado com base nos documentos probatórios juntados a presente manifestação de inconformidade. Caso a Delegacia de Julgamento entenda não serem suficientes para efetuar a análise, que o processo seja baixado em diligência à origem, na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ponta Grossa PR, para que a Contribuinte seja intimada a apresentar novos documentos que se façam necessários, de acordo com o art. 65 da IN 900/2008. Requer, por fim, que quaisquer intimações relativos a atos e termos do presente processo recaiam na pessoa do subscritor da presente Manifestação de Inconformidade, mandatário da Contribuinte, devidamente habilitado nos autos, pessoalmente, ou pela via postal, no endereço constante do mandato, a fim de que não haja prejuízo para a Contribuinte. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10940.901116/201243 Acórdão n.º 3302004.421 S3C3T2 Fl. 5 4 A DRJ julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, por entender que o contribuinte não comprovou documentalmente a origem dos créditos que alegou possuir, nos termos do Acórdão 14 052.234. Intimada de decisão piso, a Recorrente interpôs tempestivamente recurso voluntário, alegando, em síntese: (i) nulidade da decisão recorrida, por alteração do critério jurídico; e (ii) a falta de retificação de outras declarações não são hábeis a fazer com que o crédito deixe de existir. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.411, de 29 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10940.901106/201216, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.411): "I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 01.09.2014 (fls.127) e protocolou Recurso Voluntário em 16.09.2014 (fls. 131141), dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Nulidade da decisão recorrido mudança de critério jurídico Segundo a Recorrente houve mudança de critério jurídico por parte da Turma Julgadora "a quo", na medida em que Despacho Decisório não homologou as compensações apresentadas pela Recorrente pelo fato de que todos os DARF’s haviam sido integralmente utilizados para extinguir débitos (não havia saldo “em aberto”), ao passo que a decisão recorrida motivou a glosa pelo fato de não haver apoio legal (produtos que são tributados) e nem documental (ausência de apresentação de documentos). Sobre mudança de critério jurídico, vale transcrever os ensinamentos do i. professor Hugo Brito de Machado Machado que, com a clarividência que lhe é peculiar expõe seu entendimento sobre o tema: 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10940.901116/201243 Acórdão n.º 3302004.421 S3C3T2 Fl. 6 5 Há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa simplesmente muda de interpretação, substitui uma interpretação por outra, sem que se possa dizer que qualquer das duas seja incorreta. Também há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa, tendo adotado uma entre várias alternativas expressamente admitidas em lei, na feitura do lançamento, depois pretende alterar esse lançamento, mediante a escolha de outra das alternativas admitidas e que enseja a determinação de um crédito tributário em valor diverso, geralmente mais elevado (Hugo de Brito Machado, Curso de Direito Tributário, 12ª edição, Malheiros, 1997, p 123) No presente caso, entendo que não houve mudança de critério jurídico, na medida em que tanto a autoridade julgadora quanto a fiscalização analisaram a origem do crédito com base nos fatos e fundamentos apresentados pela Recorrente. Com efeito, a fiscalização indeferiu o pedido formulado pela Recorrente baseada nos dados informados na DCTF e DACON originariamente apresentadas, sendo que, naquela oportunidade foi constatada a ausência de saldo em aberto. Tanto é que própria Recorrente, após ser cientificada do despacho decisório e reconhecer o equivoco cometido, procedeu a retificação de suas declarações e pleiteou o reconhecimento do crédito em sede de manifestação de inconformidade. Nesse contexto, coube à autoridade julgador analisar o direito da Recorrente com base nos novos fatos e fundamentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade, justificando, assim, a alteração dos fundamentos para manter o indeferimento do pedido de compensação, sem que isso acarrete em mudança de critério jurídico. Assim, afasto a preliminar de nulidade suscita pela Recorrente. III Mérito Neste ponto, sustenta a Recorrente (i) que com a retificação das declarações restaram sanados os motivos da glosa fiscal, com o que só por esta razão devem ser homologadas as declarações de compensação; (ii) que o direito à compensação decorre da existência do crédito e de sua titularidade e não do preenchimento do pedido pelo qual se requer a compensação ou pela retificação de outras declarações; (iii) que a retificação de declarações da empresa não é condição para homologação ou não das compensações, pois o direito creditório da Recorrente existe; e (iv) que autoridade julgadora deve sempre e obrigatoriamente verificar aquilo que é realmente verdadeiro para desvelar o direito da Recorrente, devendo proferir decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, isso em atenção ao princípio da verdade real. Inicialmente, é imperioso destacar que a decisão recorrida não desconsiderou as retificações realizados pela Recorrente para manter o indeferimento do pedido de compensação, sendo que o fundamento utilizado pela fiscalização foi apenas a ausência de comprovação documental da origem do crédito. Sobre isso, destaco trecho da decisão de piso: Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10940.901116/201243 Acórdão n.º 3302004.421 S3C3T2 Fl. 7 6 Oportuno ainda esclarecer que a simples retificação dessas declarações não é hábil à comprovação do crédito pretendido, devendo estar acompanhada dos documentos fiscais e contábeis pertinentes. Assim, a questão envolvendo a retificação da DCTF, não foi o fundamento utilizado pela autoridade julgadora para afastar o direito ao crédito, sendo que ela própria (autoridade julgadora), admitiu que tal procedimento pode ser superado com a apresentação de provas capazes de comprovar a existência de erro na apuração contábil/fiscal e consequentemente do pagamento indevido ou a maior alegado pelo contribuinte. No presente caso, a Recorrente não trouxe aos autos documentos necessários e substanciais à comprovar suas alegações e demonstrar a origem do crédito apresentado no PER/DCOMP nº 21879.54431.120609.1.3.042690, alegando, pura e simplesmente que o citado pedido referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão de ter considerado equivocadamente na base de cálculo das contribuições receitas sujeitas à alíquota zero. Com efeito, o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC2). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o indeferindo do crédito é medida que se impõe. Nesse sentido: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...)" (Processo n.º 11516.721501/201443. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401003.096 grifei) Pertinente destacar a lição do professor Hugo de Brito Machado, a respeito da divisão do ônus da prova: No processo tributário fiscal para apuração e exigência do crédito tributário, ou procedimento administrativo de lançamento tributário, autor é o Fisco. A ele, portanto, incumbe o ônus de provar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária que 2 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10940.901116/201243 Acórdão n.º 3302004.421 S3C3T2 Fl. 8 7 serve de suporte à exigência do crédito que está a constituir. Na linguagem do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus do fato constitutivo de seu direito (Código de Processo Civil, art.333, I). Se o contribuinte, ao impugnar a exigência, em vez de negar o fato gerador do tributo, alega ser imune, ou isento, ou haver sido, no todo ou em parte, desconstituída a situação de fato geradora da obrigação tributária, ou ainda, já haver pago o tributo, é seu ônus de provar o que alegou. A imunidade, como isenção, impedem o nascimento da obrigação tributária. São, na linguagem do Código de Processo Civil, fatos impeditivos do direito do Fisco. A desconstituição, parcial ou total, do fato gerador do tributo, é fato modificativo ou extintivo, e o pagamento é fato extintivo do direito do Fisco. Deve ser comprovado, portanto, pelo contribuinte, que assume no processo administrativo de determinação e exigência do tributo posição equivalente a do réu no processo civil”. (original não destacado)3 Somase a isso, que a escrituração somente faz prova a favor do sujeito passivo se acompanhada por documentos hábeis à comprovar a origem do crédito pleiteado, conforme previsão contida no artigo 26, do Decreto nº 7574/20114. IV Conclusão Diante do exposto, considerando que a Recorrente não comprovou a origem do crédito, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário também foi apresentado tempestivamente e a Recorrente não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède 3 Mandado de Segurança em Matéria Tributária, 3. ed., São Paulo: Dialética, 1998, p.252. 4 Art. 26. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 9o, § 1o). Fl. 172DF CARF MF
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Numero do processo: 11128.725137/2015-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/03/2012 a 30/09/2014
ARBITRAMENTO VALOR ADUANEIRO. ERRO DE DIREITO.
O arbitramento do valor aduaneiro, quando não há prova de fraude, de sonegação ou de conluio, tem lugar quando há falta de apresentação dos documentos de instrução obrigatória da declaração, desde que haja dúvida sobre o preço praticado (art. 70, II, Lei n.º 10.833/2003).
Tratando o caso concreto da falta de apresentação de documentos comprobatórios da transação comercial e da falta de clareza e de precisão dos registros contábeis, não tem lugar o arbitramento, devendo-se seguir as regras do Acordo de Valoração Aduaneira - AVA GATT (art. 70, I, Lei n.º 10.833/2003).
Erro de direito cometido pela fiscalização, vez que, após analisar os fatos procedeu com um enquadramento jurídico equivocado. (art. 10, IV e V, do Decreto n.º 70.235/72 e Resp 1.130.545)
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 3402-004.268
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto da Relatora.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em exercício.
(Assinado com certificado digital)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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ARBITRAMENTO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CAMINHO DAS INDIAS VESTUARIOS LTDA EPP ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2012 a 30/09/2014 ARBITRAMENTO VALOR ADUANEIRO. ERRO DE DIREITO. O arbitramento do valor aduaneiro, quando não há prova de fraude, de sonegação ou de conluio, tem lugar quando há falta de apresentação dos documentos de instrução obrigatória da declaração, desde que haja dúvida sobre o preço praticado (art. 70, II, Lei n.º 10.833/2003). Tratando o caso concreto da falta de apresentação de documentos comprobatórios da transação comercial e da falta de clareza e de precisão dos registros contábeis, não tem lugar o arbitramento, devendose seguir as regras do Acordo de Valoração Aduaneira AVA GATT (art. 70, I, Lei n.º 10.833/2003). Erro de direito cometido pela fiscalização, vez que, após analisar os fatos procedeu com um enquadramento jurídico equivocado. (art. 10, IV e V, do Decreto n.º 70.235/72 e Resp 1.130.545) Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto da Relatora. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente em exercício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 51 37 /2 01 5- 45 Fl. 685DF CARF MF 2 (Assinado com certificado digital) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Por trazer uma clara síntese do processo até a interposição da Impugnação Administrativa, peço vênia para transcrever o relatório da decisão recorrida: "Tratase de auto de infração (fls.02 a 64), autuado em 16/10/2015, notificado ao contribuinte em 18/11/2015 (fls.557), lavrado em face de revisão sobre o valor aduaneiro declarado na importação, com indícios de subfaturamento, cujo crédito lançado montou valor total igual a R$ 3.437.048,52, com fundamento no art.88, da Medida Provisória nº 2.15835/2001, no art.70 – II – “a”, da Lei nº 10.833/2003, e no art.86 – II c/c §único – I, do Decreto nº 6.759/2009. Segundo se depreende do Relatório Fiscal (fls.65 a 92), a operação tinha por objetivo verificar a ocorrência de subfaturamento em operações de importação. No período compreendido entre março de 2012 e setembro de 2014, o contribuinte fiscalizado realizou 13 operações de importação, todas com mercadorias classificadas na NCM 6703.00.00 [CABELO HUMANO PARA FABRICAÇÃO DE PERUCA], sempre provenientes de exportadores localizados na Índia, (...) As análises feitas pela fiscalização sobre os livros contábeis do contribuinte (Livros Razão e Diário) levaram ao entendimento de que suas informações não possuíam clareza e precisão. Ademais, não foi apresentada “correspondência comercial relativa aos documentos de negociação e cotação de preços”, levando a autoridade fiscal a arbitrar o preço da mercadoria, com base no art.86 – II, do Decreto nº 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro) (fls.69). Segundo levantamento (fls.157 a 171), a partir da rede mundial de computadores, feito pela autoridade fiscal, acostado à fls.72/73, os preços variavam – sem considerar a qualidade do tipo de mercadoria importada – entre $120 e $1.100, a partir de vendedores localizados na mesma cidade da Índia de onde foram efetuadas as importações pela fiscalizada. Segundo a autoridade autuante (última linha de fls.73 e primeiro parágrafo de fls.74): “Não foi encontrado valor inferior a US$120,00/Kg do cabelo indiano considerado “Remy Single Drawn”, tendo como parâmetro o menor tamanho 4” e na cor preta. O valor apresentado pela fiscalizada nas faturas que instruíram o despacho de importação foi de US$15,00/Kg.” O estabelecimento do importador foi diligenciado em 22/10/2014, constituindose de uma sala comercial, sendo que o armazenamento das mercadorias era feito em outro endereço, cujo local era de propriedade de outra pessoa jurídica, da qual o principal sócio da empresa fiscalizada também tinha participação societária (fls.80, segundo parágrafo). No contrato de compra e venda internacional nº 052012 (fls.114 a 117), apresentado em face da primeira intimação, ao ser analisado pela fiscalização, constatouse que “não foram verificados os valores dos diversos tipos de Fl. 686DF CARF MF Processo nº 11128.725137/201545 Acórdão n.º 3402004.268 S3C4T2 Fl. 686 3 mercadoria como menciona o contribuinte”. Os preços, segundo a fiscalização, deveriam seguir a lista contida no endereço eletrônico do vendedor estrangeiro (fls.115, segundo parágrafo). Ademais, aquele que figurava como vendedor, nesse contrato, a empresa indiana SHRI DURGA EXPORTS INC., teve o registro de seu endereço eletrônico firmado somente em 29/07/2014 (fls.545), embora tal contrato tenha sido assinado em 09 de janeiro de 2012 (fls.114). Em face disso, a “fiscalização desconsiderou tal informação para efeito de comprovação do tipo de mercadoria e preço por entender que tais dados não possuem coerência”. Em relação aos demais fornecedores estrangeiros – BLUE STAR ENTERPRISES, SHANMUGA HAIR PRODUCTS e SUBHULAKSHMI ENTERPRISES – “não foram apresentadas correspondências comerciais relativas à negociação” (fls.79, penúltimo parágrafo). Foram demandados os extratos bancários da fiscalizada (item “5”, do Termo de Intimação nº 02, acostado à fls.104), mas esta se negou a apresentálos, pois queria manter seu direito ao sigilo. Segundo suas palavras: “A Interessada não pode abrir mão da garantia constitucional disposta no art.5º, X da CF/88, assim solicita que a Autoridade Fiscal utilize suas prerrogativas legais dispostas no art.6º da LC nº 105/2001 e solicite o respectivo RMF (Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira) ao Banco Central do Brasil, com estabelecido no art.4º, §1º do Decreto nº 3.724/2001” (fls.109). A RMF se encontra acostada à fls.133 a 137 e 139. A partir dessas informações, foram cruzados os valores recebidos e aqueles constantes das notas fiscais de saída (fls.83, terceiro parágrafo), tendose concluído que não havia como conferir credibilidade às informações do contribuinte, haja vista que os valores recebidos de um determinado cliente não correspondiam aos valores constantes das notas fiscais de venda expedidas para esse mesmo cliente (fls.88). A conclusão da autoridade fiscal foi a seguinte (fls.91, primeiro parágrafo): “Diante dos fatos narrados e certo de que esta fiscalização percorreu todos os caminhos para elucidar a veracidade do valor de transação declarado, através dos extratos bancários, obtidos por meio de Requisição de Movimentação Financeira, combinados com as Notas Fiscais emitidas pelo contribuinte, pesquisas em sites de fornecedores especializados relativas à descrição constantes em suas faturas devido à falta de precisão na descrição constante nas Dis, classificação fiscal e livros contábeis, a legislação, por meio do art. 86 do Regulamento Aduaneiro, nos permite arbitrar o valor aduaneiro no presente caso, obedecendo o princípio da razoabilidade, previsto na alínea “b” do inciso II do parágrafo único do art.86 do Regulamento Aduaneiro. Sendo assim buscouse preços de mercadorias com a mesma descrição apresentada nas faturas obtidas junto a Beauty, de empresas fornecedoras da mesma cidade e país de origem das mercadorias importadas (Chennai – India), sendo obtido o menor valor de US$120,00/Kg do cabelo (cento e vinte dólares), conforme demonstrado anteriormente.” Em 17/12/2015, o contribuinte apresentou sua impugnação, na qual mencionou, em síntese, no que interessa para solução do litígio: (a). que houve quebra de sigilo fiscal, porque os dados bancários somente poderiam ser obtidos mediante autorização judicial; (b). que não foi apresentado o sistema da RFB a partir do qual a fiscalização obteve a lista de preços que serviu de parâmetro para análises da mercadoria importada pela autuada; (c). que não foi imputado à impugnante qualquer hipótese de fraude, simulação [Cremos que, por equívoco redacional, foi escrito "simulação", mas, na verdade, deveria ser escrito "sonegação", consoante disposto no art.86 I, do Decreto nº Fl. 687DF CARF MF 4 6.759/2009] ou conluio, mas sim, que a fiscalização fundamentou a autuação na “dúvida sobre o preço efetivamente praticado”, consoante disposto no art.86 – II e §único, c/c art.18, do Decreto nº 6.759/2009; (d). que o arbitramento foi motivado unicamente no preço médio, ofendendo as disposições do Acordo de Valoração Aduaneira, justificando a autuação na falta de precisão e de clareza nos livros contábeis, bem assim na falta de correspondência comercial relativa à negociação e preço das mercadorias; (e). que o desembaraço aduaneiro representa homologação expressa do ato pela Administração, além de se enquadrar como “práticas reiteradas”, já que foram diversos os despachos, o que impediria a Revisão Aduaneira, ressalvados os casos aventados pelo art.149, do CTN. No pedido formulado, demandou pela improcedência da ação fiscal." (efls. 641/644 grifei) A Impugnação foi julgada integralmente procedente em decisão unânime ementada nos seguintes termos: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/03/2012 a 30/09/2014 Ementa: VALOR ADUANEIRO. ARBITRAMENTO. O arbitramento do valor aduaneiro, quando não há prova de fraude, de sonegação ou de conluio, tem lugar quando há falta de apresentação dos documentos de instrução obrigatória da declaração, desde que haja dúvida sobre o preço praticado. Se o caso concreto versar a falta de apresentação de documentos comprobatórios da transação comercial ou a falta de clareza e de precisão dos registros contábeis, não tem lugar o arbitramento, devendose seguir as regras do Acordo de Valoração Aduaneira. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado" (efl. 640 grifei) Em razão do montante exonerado, foi interposto Recurso de Ofício e os autos foram remetidos para este E. Conselho. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne Com fulcro no art. 34, I, do Decreto n.º 70.235/72 e presentes os pressupostos de admissibilidade, vez que o valor exonerado ultrapassa o valor de alçada previsto na Portaria n.º 63/2017, conheço do Recurso de Ofício, passando à análise do mérito. Como relatado, o presente Auto de Infração foi lavrado por arbitramento vez que o sujeito passivo deixou de apresentar documentos comprobatórios da transação comercial e pela ausência de clareza e precisão dos registros contábeis. Nos exatos termos do Relatório Fiscal: "Considerando que os registros contábeis (livros Razão e Diário) apresentados pela fiscalizada não possuem precisão e clareza em suas informações, sendo assim Fl. 688DF CARF MF Processo nº 11128.725137/201545 Acórdão n.º 3402004.268 S3C4T2 Fl. 687 5 considerados imprestáveis para os fins a que se destinam, e que não foi apresentada correspondência comercial relativa aos documentos de negociação e cotação de preços, conforme será demonstrado adiante, entendeuse pelo arbitramento do preço da mercadoria, sendo aplicado o inciso II do art.86 do Regulamento Aduaneiro." (efl. 69 grifei) Assim, a base legal para o arbitramento procedido pela fiscalização na autuação foi o art. 86, II e parágrafo único do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n.º 6.759/2009, que expressa: "Art. 86. A base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria nas seguintes hipóteses: (...) II descumprimento de obrigação referida no caput do art. 18, se relativo aos documentos obrigatórios de instrução das declarações aduaneiras, quando existir dúvida sobre o preço efetivamente praticado (Lei nº 10.833, de 2003, art. 70, inciso II, alínea “a”). Parágrafo único. O arbitramento de que trata o caput será realizado com base em um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 88, caput; e Lei nº 10.833, de 2003, art. 70, inciso II, alínea “a”): I preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar; ou II preço no mercado internacional, apurado: a) em cotação de bolsa de mercadoria ou em publicação especializada; b) mediante método substitutivo ao do valor de transação, observado ainda o princípio da razoabilidade; ou c) mediante laudo expedido por entidade ou técnico especializado." (grifei) Entretanto, como se depreende da redação do dispositivo, o arbitramento nele previsto somente será cabível quando o sujeito passivo deixar de manter em boa guarda e ordem, na forma e no prazo previsto no art. 18 do Regulamento Aduaneiro/20091, os "documentos obrigatórios de instrução das declarações aduaneiras", relacionados no art. 553 daquele Regulamento2, e não os documentos comprobatórios da transação comercial e os respectivos registros contábeis como identificado pela fiscalização no caso em tela. A possibilidade do arbitramento apenas em razão da ausência dos documentos obrigatórios de instrução das Declarações aduaneiras é depreendida com ainda 1 "Art. 18. O importador, o exportador ou o adquirente de mercadoria importada por sua conta e ordem têm a obrigação de manter, em boa guarda e ordem, os documentos relativos às transações que realizarem, pelo prazo decadencial estabelecido na legislação tributária a que estão submetidos, e de apresentálos à fiscalização aduaneira quando exigidos (Lei nº 10.833, de 2003, art. 70, caput)." 2 "Art. 553. A declaração de importação será obrigatoriamente instruída com (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 46, caput, com a redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 1988, art. 2º): (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) I a via original do conhecimento de carga ou documento de efeito equivalente; II a via original da fatura comercial, assinada pelo exportador; e (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) III o comprovante de pagamento dos tributos, se exigível. (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) Parágrafo único. Poderão ser exigidos outros documentos instrutivos da declaração aduaneira em decorrência de acordos internacionais ou por força de lei, de regulamento ou de outro ato normativo. (Incluído pelo Decreto nº 8.010, de 2013)" Fl. 689DF CARF MF 6 mais clareza da redação do dispositivo legal que a instituiu, qual seja, o art. 70, II, 'a' da Lei n.º 10.833/2003: "Art. 70. O descumprimento pelo importador, exportador ou adquirente de mercadoria importada por sua conta e ordem, da obrigação de manter, em boa guarda e ordem, os documentos relativos às transações que realizarem, pelo prazo decadencial estabelecido na legislação tributária a que estão submetidos, ou da obrigação de os apresentar à fiscalização aduaneira quando exigidos, implicará: I se relativo aos documentos comprobatórios da transação comercial ou os respectivos registros contábeis: a) a apuração do valor aduaneiro com base em método substitutivo ao valor de transação, caso exista dúvida quanto ao valor aduaneiro declarado; e b) o nãoreconhecimento de tratamento mais benéfico de natureza tarifária, tributária ou aduaneira eventualmente concedido, com efeitos retroativos à data do fato gerador, caso não sejam apresentadas provas do regular cumprimento das condições previstas na legislação específica para obtêlo; II se relativo aos documentos obrigatórios de instrução das declarações aduaneiras: a) o arbitramento do preço da mercadoria para fins de determinação da base de cálculo, conforme os critérios definidos no art. 88 da Medida Provisória no 2.158 35, de 24 de agosto de 2001, se existir dúvida quanto ao preço efetivamente praticado; e b) a aplicação cumulativa das multas de: 1. 5% (cinco por cento) do valor aduaneiro das mercadorias importadas; e 2. 100% (cem por cento) sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado. " (grifei) Pela leitura do dispositivo acima, vislumbrase com clareza a diferença entre deixar de guardar/apresentar os documentos da transação comercial e registros contábeis, para o qual é prevista a apuração do valor aduaneiro "com base em método substitutivo ao valor de transação" (inciso I, 'a'), em relação à deixar de apresentar os documentos obrigatórios de instrução da declaração aduaneira, com a possibilidade de arbitramento do preço da mercadoria (inciso II, 'a'). No presente caso, diante dos fatos descritos no inciso I do art. 70 da Lei n.º 10.833/2003, o fiscal indevidamente aplicou a consequência prevista no inciso II, 'a', equivocandose no enquadramento legal da infração. E foi exatamente esse o raciocínio traçado pela Delegacia de Julgamento, em decisão que não merece qualquer reparo: "Assim, uma vez que a fiscalização citou, em seu fundamento, à fls.69, último parágrafo antes do tópico “4”, que não foi apresentada “correspondência comercial relativa aos documentos de negociação e cotação de preços”, bem como que os livros contábeis não possuíam clareza e precisão adequadas, não sendo tais documentos de “instrução obrigatória do despacho aduaneiro de importação”, cremos que não seria cabível o arbitramento com fundamento no art.86 – II, do Decreto nº 6.759/2009, que se lastreia no art.70 – II – “a”, da Lei nº 10.833/2003, mas sim, no art.70 – I, da mesma Lei nº 10.833/2003 (...) Isso, na opinião desse relator, implica dizer que não seria o caso de arbitramento, no presente caso, mas de utilização das regras de valoração, previstas no Acordo sobre implementação do Art.VII, do GATT1994, conhecido como Acordo de Valoração Aduaneira (AVA), aprovado pelo Decreto Legislativo nº 30/94 e promulgado pelo Decreto nº 1.355/94. Fl. 690DF CARF MF Processo nº 11128.725137/201545 Acórdão n.º 3402004.268 S3C4T2 Fl. 688 7 Ainda que fosse o caso de arbitramento do valor aduaneiro, o “preço no mercado internacional” somente pode ser considerado após análise da inviabilidade de utilização do “preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar”, haja vista que a parte final do §único, do art.86, do Regulamento Aduaneiro, estabelece uma ordem sequencial de observância obrigatória: “O arbitramento de que trata o caput será realizado com base em um dos seguintes critérios, observada a ordem sequencial (...)”. Em face do exposto, voto pela PROCEDÊNCIA DA IMPUGNAÇÃO, exonerando o crédito lançado." (efls. 646/647 grifei) Como já tivemos a oportunidade de discutir nos acórdãos relativos ao PTA n.º 10945.000888/200597, de relatoria do Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto a desconsideração do valor indicado nas DIs, por parte da fiscalização deve atender a dois ônus argumentativoprobatórios distintos: a) um relativo à descaracterização do valor aduaneiro adotado pelo importador, através da prova do subfaturamento; e b) determinação do correto valor aduaneiro, com base na legislação aplicável. No caso em tela, antes mesmo de adentrar na questão em torno das provas do subfaturamento, confirmouse que a autoridade procedeu com a equivocada determinação do valor aduaneiro por arbitramento, quando deveria aplicar as regras de valoração do Artigo VII do Acordo Geral de Tarifas e Comércio Gatt (método substitutivo ao valor de transação), considerando os fatos por ela própria descritos. Com isso, mostrase evidente o erro de direito cometido pela fiscalização, vez que, após analisar os fatos procedeu com um enquadramento jurídico equivocado, ferindo a exigência do art. 10, IV e V, do Decreto n.º 70.235/72, que expressam: "Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: (...) IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias;" (grifei) Tratase, portanto, de um equívoco na valoração jurídica dos fatos pela fiscalização que não é passível de ser revisado à luz do art. 146, do Código Tributário Nacional, na forma sedimentada pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial n.º 1.130.545, julgado em sede de recurso repetitivo: "(...) 6. Ao revés, nas hipóteses de erro de direito (equívoco na valoração jurídica dos fatos), o ato administrativo de lançamento tributário revelase imodificável, máxime em virtude do princípio da proteção à confiança, encartado no artigo 146, do CTN, segundo o qual "a modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução". 7. Nesse segmento, é que a Súmula 227/TFR consolidou o entendimento de que "a mudança de critério jurídico adotado pelo Fisco não autoriza a revisão de lançamento". Fl. 691DF CARF MF 8 8. A distinção entre o "erro de fato" (que autoriza a revisão do lançamento) e o "erro de direito" (hipótese que inviabiliza a revisão) é enfrentada pela doutrina, verbis: "Enquanto o 'erro de fato' é um problema intranormativo, um desajuste interno na estrutura do enunciado, o 'erro de direito' é vício de feição internormativa, um descompasso entre a norma geral e abstrata e a individual e concreta. Assim constitui 'erro de fato', por exemplo, a contingência de o evento ter ocorrido no território do Município 'X', mas estar consignado como tendo acontecido no Município 'Y' (erro de fato localizado no critério espacial), ou, ainda, quando a base de cálculo registrada para efeito do IPTU foi o valor do imóvel vizinho (erro de fato verificado no elemento quantitativo). 'Erro de direito', por sua vez, está configurado, exemplificativamente, quando a autoridade administrativa, em vez de exigir o ITR do proprietário do imóvel rural, entende que o sujeito passivo pode ser o arrendatário, ou quando, ao lavrar o lançamento relativo à contribuição social incidente sobre o lucro, mal interpreta a lei, elaborando seus cálculos com base no faturamento da empresa, ou, ainda, quando a base de cálculo de certo imposto é o valor da operação, acrescido do frete, mas o agente, ao lavrar o ato de lançamento, registra apenas o valor da operação, por assim entender a previsão legal. A distinção entre ambos é sutil, mas incisiva." (Paulo de Barros Carvalho, in "Direito Tributário Linguagem e Método", 2ª Ed., Ed. Noeses, São Paulo, 2008, págs. 445/446) "O erro de fato ou erro sobre o fato darseia no plano dos acontecimentos: dar por ocorrido o que não ocorreu. Valorar fato diverso daquele implicado na controvérsia ou no tema sob inspeção. O erro de direito seria, à sua vez, decorrente da escolha equivocada de um módulo normativo inservível ou não mais aplicável à regência da questão que estivesse sendo juridicamente considerada. Entre nós, os critérios jurídicos (art. 146, do CTN) reiteradamente aplicados pela Administração na feitura de lançamentos têm conteúdo de precedente obrigatório. Significa que tais critérios podem ser alterados em razão de decisão judicial ou administrativa, mas a aplicação dos novos critérios somente pode darse em relação aos fatos geradores posteriores à alteração." (Sacha Calmon Navarro Coêlho, in "Curso de Direito Tributário Brasileiro", 10ª Ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2009, pág. 708) (...) 10. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008." (REsp 1130545/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/08/2010, DJe 22/02/2011 grifei) Assim, irretocável a decisão de primeira instância que cancelou a exigência do auto de infração. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso de Ofício. É como voto. Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora Fl. 692DF CARF MF Processo nº 11128.725137/201545 Acórdão n.º 3402004.268 S3C4T2 Fl. 689 9 Fl. 693DF CARF MF
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Numero do processo: 15374.724408/2009-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006
EMBARGOS DECLARATÓRIOS.
Devem ser rejeitados os embargos quando constatado que não há omissão, contradição ou obscuridade na decisão questionada.
Numero da decisão: 1201-001.754
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não acolher os embargos opostos pela Fazenda Nacional.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Devem ser rejeitados os embargos quando constatado que não há omissão, contradição ou obscuridade na decisão questionada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não acolher os embargos opostos pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 72 44 08 /2 00 9- 46 Fl. 396DF CARF MF Processo nº 15374.724408/200946 Acórdão n.º 1201001.754 S1C2T1 Fl. 3 2 Tratase de embargos declaratórios opostos pela Fazenda Nacional contra o acórdão nº 1201001.193. Aduz a embargante que o Acórdão padeceria de omissões, cujos fundamentos são reproduzidos, sinteticamente, a seguir: Trata o presente processo de Declaração de Compensação nº 41997.44483.050509.1.3.045319 (fls. 03/10) apresentada em 05/05/2009, cujo crédito informado referese a pagamento a maior de CSLL, período de apuração 30/09/2006, no valor de R$ 11.728.027,00, recolhido em 16/11/2006. Consta dos autos que o recolhimento foi feito quando suspensa a exigibilidade de parte do crédito tributário atinente à CSLL, por força do Mandado de Segurança n° 2004.51.01.0031513 e, por isso, considerado indevido pelo contribuinte. O colegiado, analisando o feito, deu provimento parcial ao recurso voluntário, por considerar que o pagamento seria indevido já que feito na pendência de julgamento do apelo fazendário, recebido sem efeito suspensivo hábil a restaurar a exigibilidade do tributo em destaque, suspenso pela validade da medida liminar outrora concedida. Acrescenta, ainda que o fato do contribuinte ter renunciado ao direito no qual se fundava a ação, pugnando pela sua extinção, em virtude da adesão ao parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009, tendo sido certificado o trânsito da sentença extintiva em 04.09.2012, acarretaria no reconhecimento do crédito pela Recorrente pleiteado, sob pena de se incorrer em duplicidade na cobrança. (...) Contudo, compulsando o r. voto condutor do aresto ora embargado, observase que o mesmo deixou de se manifestar sobre os efeitos da decisão que extingue o processo com julgamento do mérito sobre a suspensão da exigibilidade do crédito pleiteado em compensação. Com efeito, o colegiado analisou o momento do pagamento realizado pelo contribuinte como se fosse um fato isolado, estanque, sem atentar para o fato de que a decisão final de extinção do processo com julgamento do mérito tem efeitos retroativos. É dizer que aquela suspensão da exigibilidade do crédito não mais existe e aquilo que em um determinado momento não era exigível, passou a ser. Outro ponto que merece destaque e que não foi abordado pelo colegiado é o fato de que não há nos autos prova de que o crédito a ser compensado tenha sido também incluído na consolidação do parcelamento da Lei 11.941/2009. O colegiado apenas noticiou a adesão ao parcelamento por que efetuou diligências no sentido de verificar a situação atual do processo judicial cujo contribuinte é o autor. Não há notícias Fl. 397DF CARF MF Processo nº 15374.724408/200946 Acórdão n.º 1201001.754 S1C2T1 Fl. 4 3 dos autos do parcelamento e muito menos se a consolidação do crédito a ser parcelado já foi feita. Entende a d. Fazenda Nacional que o parcelamento previsto pela Lei n. 11.941/2009 possibilita a inclusão de débitos específicos pelo interessado e não a adesão integral, como nos anteriores , razão pela qual alega que não se pode afirmar, como fez o Acórdão, que o crédito pleiteado estaria sendo exigido em duplicidade, ante a falta de informação sobre a sua efetiva inclusão na sistemática conferida pela lei. A embargada, em contraminuta de fls. 273 e seguintes, apresenta argumentos e documentos que, em seu entendimento, confirmariam a procedência e a pertinência do acórdão embargado. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator Os embargos são tempestivos e atendem aos pressupostos legais, razão pela qual deles conheço. A Fazenda Nacional, como visto, aduz dois argumentos para justificar a oposição dos presentes embargos: a) O Acórdão não teria se manifestado sobre os efeitos da decisão que extinguiu o processo, por força da renúncia do contribuinte, que teria efeitos retroativos e b) Não haveria nos autos prova de que o crédito relativo à CSLL teria sido incluído na consolidação do parcelamento previsto na Lei n. 11.941/2009. Em relação ao primeiro argumento, constatase que a decisão embargada enfrentou a questão, nos seguintes termos (destacaremos): Sem maiores digressões, o que se vê, in casu, é que, embora tenha ocorrido a hipótese de incidência, é latente a ausência de exigibilidade do montante de R$ 51.861.846,60, posto que a Recorrente estava amparada por decisão judicial que a eximia do recolhimento de CSLL incidente sobre as receitas auferidas nas exportações, senão vejamos: Em 26.02.2004, a Recorrente impetrou o Mandado de Segurança nº 000315163.2004.4.02.5101 (antigo 2004.51.01.0031513), perante a Justiça Federal do Rio de Janeiro, com o fito acima destacado, qual seja, não mais se submeter ao recolhimento da contribuição em testilha sobre as receitas resultantes das operações de exportação. Fl. 398DF CARF MF Processo nº 15374.724408/200946 Acórdão n.º 1201001.754 S1C2T1 Fl. 5 4 A medida liminar por ela pleiteada restou deferida em 27.02.2004, sendo ratificada e tornada definitiva quando da prolação da sentença que houve por bem conceder a segurança, sentença esta publicada em 26.04.2004. Ainda que a União tenha ofertado recurso de apelação, restou confirmado que o reclamo foi recebido, na origem, apenas no efeito devolutivo, donde se conclui que, até decisão da 2ª Instância, permanecia incólume e apta a produzir efeitos a decisão que amparava o não recolhimento da CSLL incidente sobre as receitas de exportação. Remetidos os autos ao TRF da 2ª Região, o provimento da remessa oficial só fora conferido por acórdão de 13.03.2007, publicado na imprensa oficial em 23.08.2007. Ora, se o recolhimento que a Recorrente considera indevido deuse em 16 de novembro de 2006 (fls. 121), de rigor concluir que sua alegação procede, já que feito na pendência de julgamento do apelo fazendário, recebido sem efeito suspensivo hábil a restaurar a exigibilidade do tributo em destaque, suspenso pela validade da medida liminar outrora concedida. (...) Ademais, há de se rememorar que, na vigência de condição suspensiva da exigibilidade do crédito tributário, é franqueado ao contribuinte não se submeter a qualquer espécie de pagamento, sobretudo quando externa que seu intento jamais fora o de pagar tributo que reputa indevido, inclusive, junto ao Poder Judiciário. Percebese, do trecho transcrito, que a decisão considerou como período apto a justificar a compensação do crédito o intervalo de tempo em que estava suspensa a exigibilidade do crédito. Não se vislumbra, portanto, omissão quanto a este ponto, mas entendimento distinto daquele pugnado pela embargante, de sorte que se descortina questão de mérito, não passível de modificação pela via estreita dos declaratórios. Destaquese que o julgador, ao decidir, pode conferir aos fatos e ao direito qualificação jurídica diversa da atribuída pelas partes, desde que lhes entregue a prestação jurisdicional, considerando as teses discutidas no processo, enquanto necessárias ao julgamento da causa. Nesse sentido o entendimento dos Tribunais Superiores: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OPOSTOS PELA TERCEIRA VEZ NA AÇÃO RESCISÓRIA. COFINS. LEGITIMIDADE DA REVOGAÇÃO DO BENEFÍCIO PELA LEI 9.430/96. AÇÃO JULGADA PROCEDENTE. ALEGAÇÃO DE OMISSÃO QUANTO A ARGUMENTOS CONCERNENTES AO NÃO CABIMENTO DA AÇÃO RESCISÓRIA. VÍCIO NÃO EVIDENCIADO. Fl. 399DF CARF MF Processo nº 15374.724408/200946 Acórdão n.º 1201001.754 S1C2T1 Fl. 6 5 ACLARATÓRIOS PROTELATÓRIOS. MULTA PROCESSUAL MANTIDA. 1. Terceiros aclaratórios pelos quais a contribuinte insiste em asseverar que o acórdão impugnado continua omisso no que tange à alegação de que não caberia o ajuizamento da presente ação rescisória, porquanto, na data da sua propositura, ainda estava em vigor a Súmula 276/STJ e o STF não havia reconhecido a constitucionalidade do art. 56 da Lei 9.430/96. 2. É cediço que o julgador, desde que fundamente suficientemente sua decisão, não está obrigado a responder todas as alegações das partes, a aterse aos fundamentos por elas apresentados nem a rebater um a um todos os argumentos levantados, de tal sorte que a insatisfação quanto ao deslinde da causa não oportuniza a oposição de embargos de declaração. No caso concreto, importa repetir que o acórdão embargado, respaldado na jurisprudência do STJ, afastou o enunciado 343/STF e admitiu a ação rescisória por entender que o acórdão rescindendo apreciou equivocadamente matéria de índole constitucional. 3. Os argumentos ventilados pela embargante não dizem respeito a vício de integração do julgado, mas a esforço meramente infringente tendente a respaldar tese que não foi acolhida, o que não é admitido na via dos aclaratórios. Ainda assim, caso a embargante entenda que não foi prestada a jurisdição, caberá a ela intentar a anulação do julgado mediante a interposição de recurso próprio. 4. A presente ação rescisória foi julgada em 14/4/2010 e até o momento a entrega da efetiva prestação jurisdicional vem sendo retardada pela parte sucumbente em razão de repetidos embargos de declaração pelos quais ela busca, tão somente, a modificação do resultado que lhe foi desfavorável. A constatação do caráter protelatório dos aclaratórios justifica a manutenção da multa processual de 1% sobre o valor da causa (art. 538, parágrafo único, do CPC). 5. Embargos de declaração rejeitados." (EDcl nos EDcl nos EDcl na AR 3788 PE 2007/01440842, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, DJe 02/03/2011). (grifamos) Entendo que a renúncia apresentada pelo contribuinte, quando ciente da posição consolidada no STF, não tem como alterar a suspensão da exigibilidade do crédito antes vigente, circunstância que ensejou, nos termos do acórdão atacado, o indébito compensado, o que afasta a tese de omissão. No que tange ao segundo argumento, de que não restaria demonstrada a inscrição integral dos créditos na consolidação do parcelamento previsto na Lei n. 11.941/2009, convém destacar que o acórdão embargado assim se manifestou: Por fim, como se mais não bastasse, há que se consignar que, diligenciando na busca do atual status processual do Mandado de Segurança nº 000315163.2004.4.02.5101, vêse que a Recorrente renunciou ao direito no qual se fundava a ação, pugnando pela sua extinção, em virtude da adesão ao parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009, tendo sido certificado o trânsito da sentença extintiva em 04.09.2012. Fl. 400DF CARF MF Processo nº 15374.724408/200946 Acórdão n.º 1201001.754 S1C2T1 Fl. 7 6 Desta feita, tendo em consideração o parcelamento da integralidade do montante de CSLL incidente sobre as receitas de exportação apurada no 3º trimestre de 2006, forçoso reconhecer o crédito pela Recorrente pleiteado, sob pena de se incorrer em duplicidade na cobrança, o que não há de se admitir. Notase que a decisão reconheceu a adesão ao parcelamento, considerando como integral a inclusão do montante relativo à CSLL apurada no terceiro trimestre de 2006. Ademais, a interessada alega ter feito prova, inclusive em memoriais, do integral recolhimento dos débitos questionados, e apresenta documentos, junto com a contraminuta aos embargos, para demonstrar os pagamentos. A análise dos documentos acostados aos autos, com especial destaque para o doc. 8, de fls. 363 e seguintes, nos leva a concluir pela procedência das alegações da interessada, que corroboram o entendimento do Acórdão exarado, no sentido de que houve adesão ao parcelamento dos débitos relativos à CSLL. Com isso, resta confirmado o acerto da decisão e não se vislumbra omissão quanto aos pontos suscitados pela d. Fazenda Nacional. Ante o exposto, voto por não acolher os embargos opostos pela Fazenda Nacional. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 401DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.904825/2009-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE INDUSTRIAL (INDUSTRIALIZAÇÃO SOB ENCOMENDA DE TERCEIROS). ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% e as receitas decorrentes do exercício de atividade considerada como industrialização por encomenda sujeitam-se ao percentual de 8%.
APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil-fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 1402-002.575
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE INDUSTRIAL (INDUSTRIALIZAÇÃO SOB ENCOMENDA DE TERCEIROS). ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% e as receitas decorrentes do exercício de atividade considerada como industrialização por encomenda sujeitamse ao percentual de 8%. APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 48 25 /2 00 9- 56 Fl. 337DF CARF MF Processo nº 13896.904825/200956 Acórdão n.º 1402002.575 S1C4T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Relatório A origem do litígio aqui presente remonta ao Despacho Decisório exarado em relação ao pedido original da contribuinte expresso em PER/DCOMP apresentado perante a Autoridade Tributária de sua jurisdição e no qual buscou ver reconhecido seu direito creditório e consequente compensação com débitos de sua responsabilidade. O requerido foi parcialmente deferido sob entendimento do DD de que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos". Irresignada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade que, apreciada em 1ª Instância pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. nos autos), foi julgada improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Discordando do r. decisum, a contribuinte interpôs recurso voluntário tempestivo no qual reafirma a correção de seu procedimento e requer a reforma da decisão de 1º Piso de forma a reconhecer o direito creditório buscado e homologar a compensação requerida, aduzindo, em síntese, os seguintes argumentos: 1. ser pessoa jurídica com atividade de "industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento consubstanciada na aplicação de produtos químicos que atribuem a elementos de fixação roscados características vedantes e travantes, os quais retornarão para serem utilizados pelos seus clientes como insumos em novos processos de industrialização ou de circulação de mercadorias"; 2. ser optante pelo regime do lucro presumido e, por essa razão, na forma do artigo 15, da Lei nº 9.249, de 1995, sujeito à apuração (base de cálculo) do IRPJ à alíquota de 8%; 3. que, entretanto, "em que pese a Recorrente induvidosamente desempenhar atividades tipicamente industriais e se sujeitar, via de consequência, à base presumida de 8% (oito por cento), durante os anos de 1999 a 2003, apurou o Imposto de Renda através da aplicação do percentual de 32%"; 4. em razão deste "equívoco", ocorrido em função da "falsa premissa de que a industrialização por encomenda desempenhada pela Recorrente pudesse ser enquadrada como a prestação de um serviço", teria, durantes os mencionados Fl. 338DF CARF MF Processo nº 13896.904825/200956 Acórdão n.º 1402002.575 S1C4T2 Fl. 4 3 anos, efetuado recolhimentos do IRPJ "em montantes maiores do que os efetivamente devidos, sendo, por isso, detentora de créditos líquidos e certos em quantia correspondente à diferença dos montantes recolhidos a maior e aqueles efetivamente devidos a título do IRPJ, conforme demonstrativo": ANO RECEITA TOTAL Em Reais BASE APURADA (32%) Em Reais IMPOSTO RECOLHIDO (A) Em Reais BASE CORRETA (8%) Em Reais IMPOSTO EFETIVAMENTE DEVIDO (B) Em Reais DIFERENÇA (AB) Em Reais 1999 1.865.163,63 596.296,15 125.074,04 149.213,09 22.381,96 102.692,08 2000 2.849.822,21 910.674,63 203.668,67 227.985,78 34.925,44 168.743,23 2001 3.077.709,99 984.867,20 222.216,78 246.216,80 39.449,77 182.761,01 2002 3.396.147,20 1.086.767,10 247.691,78 271.691,78 44.489,88 203.201,90 2003 4.268.370,21 1.365.878,56 333.586,11 341.469,64 61.367,41 272.218,70 Total 15.457.213,2 4 4.944.483,64 1.132.237,38 1.236.577,09 202.614,46 929.616,92 6. que, no seu contrato social já constava a atividade de "beneficiamento de produtos metálicos, por conta própria e/ou terceiros", alterada a partir de 01.09.2006 para "industrialização de produtos metálicos, por conta própria e/ou de terceiros"; que, não obstante somente tenha realizado a alteração naquela data, ou seja, "após a ocorrência dos fatos geradores ora em comento", a verdade a sua atividade "nunca foi de prestadora de serviço, mas sim de indústria"; 7. restar evidente que suas atividades sujeitamse, "como sempre se sujeitaram, à alíquota de 8% (oito por cento) para fins de apuração do IRPJ pela sistemática do lucro presumido"; 8. por fim, "requer a juntada de diversas notas fiscais de remessa de insumos e do respectivo retorno dos bens beneficiados aos seus clientes [...] não há razão para que não se reconheça que a base presumida por ela inicialmente utilizada [...] estava inteiramente equivocada, de modo que a compensação declarada utiliza se de crédito advindo de pagamentos a maior de IRPJ comprovadamente existente, em valor suficiente para a quitação do débito informado na declaração de compensação em comento". Conclui requerendo o provimento do RV. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402002.537, de 18.05.2017, proferido no julgamento do Processo nº 13896.900601/200975. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402002.537): O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Fl. 339DF CARF MF Processo nº 13896.904825/200956 Acórdão n.º 1402002.575 S1C4T2 Fl. 5 4 No mérito, alega a recorrente que sua atividade, seu objeto social, sua real operação empresarial seria "industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento" e não "prestação de serviços". Argui ainda que, por equívoco, partiu da premissa de que "a industrialização por encomenda desempenhada (...) pudesse ser enquadrada como a prestação de um serviço" e que, em razão deste entendimento, efetuou recolhimentos do IRPJ "em montantes maiores do que os efetivamente devidos, sendo, por isso, detentora de créditos líquidos e certos em quantia correspondente à diferença dos montantes recolhidos a maior e aqueles efetivamente devidos a título do IRPJ, conforme demonstrativo". Assenta ainda que, a fim de regularizar a situação, apresentou DIPJ retificadoras aplicando sobre a receita obtida, a alíquota de 8% que seria a utilizável no caso. Com isso, em suma, teria recolhido IRPJ a maior, implicando em surgir direito à repetição de indébito, via compensação. Os valores apurados, segundo cálculos e informação presentes nos autos, da lavra da recorrente, seriam os seguintes (cf. planilha já trazida neste voto, mas novamente reproduzida para melhor fixação): ANO RECEITA TOTAL Em Reais BASE APURADA (32%) Em Reais IMPOSTO RECOLHIDO (A) Em Reais BASE CORRETA (8%) Em Reais IMPOSTO EFETIVAMENTE DEVIDO (B) Em Reais DIFERENÇA (AB) Em Reais 1999 1.865.163,63 596.296,15 125.074,04 149.213,09 22.381,96 102.692,08 2000 2.849.822,21 910.674,63 203.668,67 227.985,78 34.925,44 168.743,23 2001 3.077.709,99 984.867,20 222.216,78 246.216,80 39.449,77 182.761,01 2002 3.396.147,20 1.086.767,10 247.691,78 271.691,78 44.489,88 203.201,90 2003 4.268.370,21 1.365.878,56 333.586,11 341.469,64 61.367,41 272.218,70 Total 15.457.213,24 4.944.483,64 1.132.237,38 1.236.577,09 202.614,46 929.616,92 Pois bem, é certo que os contribuintes que realizam atividades industriais sujeitamse à alíquota de 8% para apuração do Lucro Presumido (art. 518, do RIR/1999): Art. 518. A base de cálculo do imposto e do adicional (541 e 542), em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração, observado o que dispõe o § 7º do art. 240 e demais disposições deste Subtítulo (Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 25, e inciso I). Na mesma linha, induvidoso que o equívoco da adoção de coeficiente eventualmente assumido (32% e não 8%) pode ser corrigido mediante os procedimentos cabíveis previstos, dentre eles a retificação das DIPJ dos períodos em foco, caso dos autos. Tais declarações retificadoras estão acostadas aos autos e reproduzem os montantes inseridos na planilha acima transcrita. Fl. 340DF CARF MF Processo nº 13896.904825/200956 Acórdão n.º 1402002.575 S1C4T2 Fl. 6 5 Todavia, como se está diante de pedido que busca reconhecimento de crédito contra a Fazenda Pública, não basta o noticiado pela recorrente nas DIPJ retificadoras, antes é preciso que tais informações tenham substância, consistência e comprovação. Como se vê nos autos, a decisão recorrida fez alusão a este requisito, ou seja, que se comprovassem os números inseridos nas DIPJ, providência que poderia ser feita pela juntada de livros ou qualquer outro meio legal, o que, no entender do Acórdão da DRJ não foi atendido. Na elaboração do recurso voluntário ora apreciado, a recorrente, embora rebata veementemente a posição firmada pela DRJ assentando que, "nem se diga que (...) deveria ter apresentado excertos da sua escrituração contábil fiscal que viessem a retratar a apuração do tributo a menor na sua DCTF retificadora", e que, "os valores constantes nas declarações retificadoras são revestidos de veracidade", acabou por “tentar” fazer a comprovação exigida, como se vê no excerto abaixo, extraído do recurso voluntário: De todo modo, para que se ponha uma pá de cal na questão, a ora Recorrente requer a juntada de diversas notas fiscais de remessa de insumos e do respectivo retorno dos bens beneficiados aos seus clientes ao longo dos anos 2000 a 2003 (doc. 01), as quais evidenciam a natureza da sua atividade e, por consequência comprovam que não há razão para que se reconheça que a base presumida por ela inicialmente utilizada (isto é, 32%) estava inteiramente equivocada, de modo de que a compensação declarada utilizase de crédito advindo de pagamento a maior de IRPJ comprovadamente existente, em valor suficiente para a quitação do débito informado na declaração de compensação em comento. Pois bem, compulsando os autos vejo que “as provas” a que alude a recorrente compõemse de cópias esparsas de notas ficais de remessa de seu estabelecimento, grande parte delas de difícil (ou mesmo impossível!) leitura. Além disso, os montantes de referidas notas fiscais, mesmo com a maior boa vontade em se “descobrir” os valores corretos, representariam, quando comparados com a receita total informada em DIPJ, percentuais ínfimos!, impossibilitando chegarse à necessária certeza e liquidez exigidas. Certeza e liquidez que, como não poderia ser diferente, é ônus que caberia ao interessado comprovar, a teor do artigo 333, I, do CPC de 1973 (art. 373, I, do CPC de 2015 Lei nº 13.105/2015). Nesta linha, o crédito que se pleiteia deve ter comprovação sólida, não se podendo aceitar documentação esparsa e por amostragem. Dizendo diferentemente, se a recorrente alegou (e informou em DIPJ) que toda a sua receita referiase a “industrialização por encomenda”, deveria ter acostado aos autos a totalidade (ou ao menos a maior parte) das notas fiscais que comprovassem tal Fl. 341DF CARF MF Processo nº 13896.904825/200956 Acórdão n.º 1402002.575 S1C4T2 Fl. 7 6 faturamento. Ou livros contábeis ou fiscais que assim o mostrassem. Não o fez. Por este motivo, ainda que suas alegações de erro na adoção do coeficiente do lucro presumido (32% e não 8%) possam ter solidez, faltou o principal, a comprovação do quanto suscitado. Incomprovado, portanto, que todas (ou a maior parte) das receitas fossem efetivamente de “industrialização por encomenda”, impossível validar os argumentos aduzidos por falta de documentação probatória. Ademais, não se olvide, só se permite compensação com a utilização de créditos dotados de liquidez e certeza (art. 170, do CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) E valores incomprovados não possuem estes requisitos. A jurisprudência administrativa é pacífica em torno do tema: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. (Acórdão nº 10323.579, sessão de 18/09/2008) Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a decisão recorrida. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 342DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.909849/2009-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
DIREITO CREDITÓRIO. IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto a Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis, de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 1201-001.606
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto a Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis, de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 98 49 /2 00 9- 90 Fl. 515DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes e José Carlos de Assis Guimarães. Relatório Tratase da não homologação de compensação cujo crédito se origina de suposto pagamento indevido/a maior do IRPJ recolhido em 31/05/2006, no valor de R$ 175.891,97 e cujo débito é do IRPJ relativo ao 1° Trimestre de 2008, vencido em 30/06/2008. Reiterase a reprodução elucidativa do relatório proferido pela 5ª Turma da DRJ/RPO, através do Acórdão n° 1435.114, constante às fls.79: “Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 01/02, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito de IRPJ (código de receita: 0220) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ: 0220). Por intermédio do despacho decisório de fl. 03, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 06/07, acompanhada dos documentos de fls. 08/48, na qual alega, em síntese, que: a) no Doc 1, DIPJ/2007, consta IRPJ a pagar no valor de R$ 449.183,37, referente ao 1° trimestre de 2006, que foi dividido em três cotas no valor de R$ 149.727,79; b) no Doc 2, DCTF de março de 2006, consta débito de IRPJ do 1° trimestre de 2006, no valor de R$ 449.183,37, onde o mesmo foi dividido em três quotas a ser demonstrado na DCTF do próximo trimestre; c) no Doc 3, DCTF de junho de 2006, consta débito de IRPJ do 1° trimestre de 2006, no valor de R$ 449.183,37, onde o mesmo foi dividido em três cotas no valor de R$ 149.727,79; d) apresenta cópia do DARF, referente ao recolhimento do IRPJ do 1° trimestre de 2006, 1a quota, no valor de R$ 170.789,91, recolhido em 28/04/2006; e) o PER/Dcomp referese à compensação de R$ 24.442,68, relativo à diferença apurada de R$ 146.347,23 e o valor efetivamente pago de R$ 170.789,91, 1ª cota do IRPJ do 1° trimestre de 2006, compensando o saldo de R$ 30.712,23 (R$ 24.442,68 do crédito original acrescentado de R$ 6.269,55, Fl. 516DF CARF MF Processo nº 10855.909849/200990 Acórdão n.º 1201001.606 S1C2T1 Fl. 3 3 referente à taxa Selic acumulada de 25,65%). Ao final, requer a homologação do crédito. É o relatório.” Na oportunidade, a nobre turma julgadora entendeu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, conforme representado pela seguinte ementa (fls. 78): “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/05/2006 DIREITO CREDITÓRIO. IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis, de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Entendeuse que, apesar das informações contidas em DIPJ/2007, DCTF e DARF apontarem para o pagamento a maior do tributo, o contribuinte não logrou êxito em demonstrar plenamente seu direito creditório, pois“ Tal fato, todavia, resumese à seara do indicio, vez que tanto as declarações, como o pagamento, são manifestações da própria contribuinte e, no caso, desacompanhadas da escrita contábil e fiscal, não surtem o efeito desejado.”. Complementouse que “os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca da base de cálculo do IRPJ são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado”. Frisouse que a ora recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou qualquer documentação com este escopo. Votouse, então, pela improcedência da manifestação de inconformidade. Recurso Voluntário Fl. 517DF CARF MF 4 Em suma, o ora recorrente pugna pela prevalência do princípio da verdade material e pede vênia para a juntada de documentos contábeis que, “embora declarados necessários para comprovação da existência do crédito tributário em litígio, não foram requisitados pelo julgador de 1ª Instância, a despeito do que determina a legislação de regência”. Disto, conclui demonstrando o entendimento jurisprudencial do CARF afirmando a possibilidade de apresentação a qualquer tempo dos documentos como prova. Requer a procedência do recurso para que se proceda o cancelamento do lançamento fiscal resultante da negativa de provimento à impugnação apresentada. Resolução nº 1802000.251 – 2ª Turma Especial Houvese por bem converter o julgamento em diligência, nos seguintes termos: “ (...) para fins de vinculação ao despacho decisório, os débitos declarados em DCTF retificadora não têm força probatória suficiente a sustentar o direito creditório alegado. Deste fato, surge a necessidade da identificação de outros elementos para atestar a liquidez e certeza do crédito pretendido, que não só na DIPJ. Isto porque, o extrato constante às fls. 70 denota que somente a DCTF original havia sido entregue antes da DCOMP apresentada e constava como saldo devedor para o IRPJ (0220) o montante de R$ 522.451,41, resultando em três cotas no montante de R$ 174.150,47, o que importaria na não existência do crédito pretendido, na forma do Despacho Decisório emitido. Ora, da insuficiência de provas pela manifestação de inconformidade apresentada, deveria a autoridade julgadora a quo, converter em diligência o julgamento a fim de apurar a verdadeira condição do crédito pleiteado. Contudo, aplicando com supremacia o art. 333 da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil), julgou improcedente a manifestação por ausência de provas. (...) Ao que consta na própria DIPJ, a diferença do valor inicialmente declarado em DCTF como devido para o tributo IRPJ (0220) de R$ 522.451,41 para o retificado de R$449.183,37 referemse ao Imposto de Renda Retido na Fonte relativos ao 1° Trimestre, no valor de R$ 64.518,97 (Comprovantes de Rendimento fls. 137/145) e a dedução relativa ao PAT (Programa de Alimentação do Trabalhador), no valor de R$ 8.749,06. (...) Fl. 518DF CARF MF Processo nº 10855.909849/200990 Acórdão n.º 1201001.606 S1C2T1 Fl. 4 5 Diante do exposto, converto o presente julgamento em diligência a fim de que sejam apurados o montante de imposto de renda retido na fonte na forma em que declarados em DIPJ, bem como, seja atestado quanto ao valor utilizado como abatimento do IRPJ devido a título de PAT, da seguinte forma: A recorrente deverá trazer aos autos cópias das notas fiscais emitidas que contém os impostos retidos que perfazem o montante de R$ 64.518,97 e os comprovantes de rendimento das pessoas jurídicas que retiveram esse montante no 1° Trimestre de 2006, devidamente identificados, comprovantes estes que devem ser objeto de validação pela autoridade fiscal; A recorrente também deverá demonstrar o cálculo do montante utilizado a título de PAT, com os documentos que entender cabíveis a fim de satisfazer o alegado direito creditório no montante de R$ 8.749,06. (...)” É o relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Admissibilidade O recurso interposto é tempestivo e encontrase revestido das formalidades legais cabíveis, merecendo ser apreciado. Mérito Neste momento processual, a resolução da lide limitase a análise dos documentos presentes nos autos. Veja, a DRJ/RPO reputou a ausência de robustez do conjunto probatório como a causa principal para o não reconhecimento do crédito alvo da compensação, diante da total insegurança quanto a determinação de sua liquidez e certeza. Fl. 519DF CARF MF 6 O recorrente alega, em suma, que não fora provocado a apresentar sua documentação contábil de modo pormenorizado, mas o fez oportunamente quando da apresentação de seu recurso voluntário. Quanto ao oferecimento das provas neste momento processual, de fato, assiste razão o recorrente, sob a égide do princípio da verdade material. Afinal, o que se busca aqui, é a verdade dos autos, que será muito mais refinada conforme o maior número de evidências, indícios e provas forem colhidas. Devese percorrer, até o último instante processual, novos elementos capazes de formar a convicção do julgador, para que o atingimento da justiça seja pleno. Ademais, a Resolução nº 1802000.251 – 2ª Turma Especial do CARF determina a conversão do julgamento em diligência a fim de provocar uma análise aprofundada da documentação trazida aos autos, de modo inédito, e ainda instiga o contribuinte a trazer, especificamente, as notas fiscais que comprovem as retenções de IRRF e, no que concerne ao PAT deduzido, quaisquer provas capazes de demonstrar o cálculo do benefício fiscal gozado. Sem mais delongas, a fiscalização (SEORT), em atendimento ao pedido de diligência, intimou o contribuinte a apresentar os documentos e concluiu, após análise minuciosa, o seguinte: “(...) Requereu prorrogação de prazo para atendimento. Foi deferida. Atendeu parcialmente à intimação, apresentando “comprovantes de Informes de Rendimentos do 1º Trimestre de 2006”. Requereu novo prazo para apresentação de notas fiscais, pois seria “um grande montante de notas fiscais de todas as filiais e nosso arquivo morto fica em cada filial”. Foi mais uma vez atendido. Em nova manifestação, atendendo conjuntamente às intimações de nos. 27 e 28, o contribuinte apresentou Notas Fiscais de saída, justificandose, nos seguintes termos: “[...]não conseguimos levantar todos os documentos, pois alguns já foram descartados por já ter se passado o período de 5 anos.” Por um lapso, o contribuinte foi intimado a apresentar notas fiscais emitidas pelas fontes pagadoras. Com razão, não atendeu à intimação. Para atender plenamente à demanda do julgador, o contribuinte foi intimado a apresentar demonstrativo correlacionando as notas fiscais emitidas com os valores de retenção na fonte. Neste mesmo ato, foi lhe dada ciência de relatório com a relação das notas fiscais anteriormente apresentadas, inclusive mencionando que algumas se encontravam ilegíveis. Foi requisitada a apresentação das notas fiscais porventura ainda não disponibilizadas ou ilegíveis. Quanto aos comprovantes de retenção apresentados, estes foram confrontados com as Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) transmitidas pelas fontes pagadoras. Como resultado, temos que o valor total das retenções no primeiro trimestre de 2006, período sob análise, atingiu R$ 63.351,66. A diferença para o montante que se pretendia ser comprovado (R$ 64.518,97) referese a um comprovante de retenção emitido pela Fl. 520DF CARF MF Processo nº 10855.909849/200990 Acórdão n.º 1201001.606 S1C2T1 Fl. 5 7 pessoa jurídica CONSORCIO NACIONAL VOLVO S/C LTDA, CNPJ 74.118.381/000144, no valor de R$ 1.167,31 para o mês de fevereiro de 2006, cujo beneficiário não é o contribuinte em foco mas sim a pessoa jurídica LAPONIA VEICULOS SOROCABA LTDA, CNPJ 45.040.789/000657. Em resposta à última intimação lavrada, o contribuinte relacionou as retenções ao número de notas fiscais emitidas. Como já relatado, na documentação anteriormente apresentada havia notas fiscais ilegíveis. Outras não foram encaminhadas. As informações prestadas foram confrontadas com as notas fiscais disponibilizadas. Como resultado, temos que, dos R$ 63.351,66 informados em DIRF, foram passíveis de verificação R$ 57.149,88 (neste valor estão relacionados os destaques em Notas Fiscais e as operações que não necessitam de emissão de tal documento, como rendimentos de aplicações financeiras). O detalhamento tanto do confronto dos comprovantes de retenção com as DIRF, quanto do confronto da informação prestada pelo contribuinte com as notas fiscais por ele apresentadas, pode ser verificado no demonstrativo “RETENÇÕES NA FONTE – 1ºTRIM 2006”, parte integrante desta Informação Fiscal. Já quanto ao valor informado a título de Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), o contribuinte apresentou planilha detalhando sua constituição (processo 10855.909848/200945: fls. 5023; 10855.909849/200990: fls. 5001; 10855.909852/200911: 5145; 10855.909870/200959: 4689). Porém, mesmo reintimado, não apresentou documentação comprobatória que a suportasse.(...)” Retrocedendo ao cerne da discussão levantada pela DRJ/RPO, de fato deve se ter como premissa que as documentações fiscais trazidas pelo recorrente são dotadas de presunção relativa de veracidade, ou seja, invertem o ônus probante para a fiscalização, mas, ressaltese, são passiveis de serem ilididas a qualquer tempo. O fisco demonstrou a inconsistência/insuficiência das informações e requereu o suporte contábil e comercial que atribuísse veracidade absoluta às informações ali declaradas pelo contribuinte. O contribuinte, por sua vez, teve a oportunidade de fazêlo e de fato o fez, em relação a uma parte significativa de seu direito creditório. Dito isto, peço vênia para adotar o racional norteado pela SEORT em sua análise como razão para decidir. Conforme já explanado no relatório, a diferença do valor constante em DCTF como devido para o tributo IRPJ de R$ 522.451,41 para o valor retificado de R$449.183,37, referese ao IRRF relativo ao 1° Trimestre, no valor de R$ 64.518,97 e a dedução relativa ao PAT (Programa de Alimentação do Trabalhador), no valor de R$ 8.749,06. Tal informação tornase perceptível e clara a partir da análise da DIPJ/2007, evidenciando e atestando o Fl. 521DF CARF MF 8 aproveitamento do crédito de IRRF no 1º trimestre de 2006, bem como o gozo do benefício fiscal neste período. Especificamente quanto ao IRRF, a SEORT, primeiramente confrontou os valores contidos nos comprovantes de rendimentos com as DIRFs transmitidas pelas fontes pagadoras. Apurouse uma diferença de R$ R$ 1.167,31, o que culminou na suficiência do crédito de R$ 63.351,66. Ocorre que, em nova confrontação, agora das retenções com as notas fiscais emitidas e trazidas aos autos, apurouse nova diferença, que limitou o valor do crédito efetivamente comprovado no montante de R$ R$ 57.149,88 Veja, a condução da construção do conjunto probatório guiado pela fiscalização fora irretocável. Provocou a apresentação de documentos relacionados, mas de origens diversas, ou seja, trouxe aos autos tanto a escrituração contábil, quanto a comercial, as informações fiscais e ainda obteve meio de prova com o lastro de terceiro (DIRFs). Há total completude de informações, as quais, confrontadas, apontam para a validade de todas as informações trazidas pela SEORT e pelo reconhecimento do direito creditório em exatos R$ R$ 57.149,88. Superado este ponto, passase a análise da dedução do PAT. O recorrente, em resposta a intimação, trouxe uma memória de cálculo, às fls. 502 e 503. De fato, os cálculos ali realizados estão corretos: multiplicouse i) as quantidades de refeição realizadas pelo ii) custo médio das refeições, limitados a R$ 1,99, (resultado do custo máximo por refeição admitido para o cálculo do incentivo, R$ 2,49, menos a participação de 20% cobrável do trabalhador, ou seja, R$ 0,50). Somados todos os valores do período atingiu se o total de R$ 8749,06, que está dentro do limite legal para o aproveitamento do benefício fiscal de 4% do IRPJ apurado (15%, sem adicional, = 317.070,84*4%= 12682,83). Apesar dos cálculos estarem de acordo com a legislação, não fora possível apurar, com documentações concretas, a origem dos números, ou seja, a efetiva identificação da quantidade de refeições e o custo médio das mesmas. Mesmo sendo reiteradamente intimado para apresentar qualquer documentação que suportasse a memória de cálculo, o recorrente não o fez. Há total unilateralidade na comprovação trazida aos autos, razão esta que deve culminar na impossibilidade de reconhecimento dos valores deduzidos como PAT, no montante de R$ 8.749,06. Com a exclusão de apenas R$ 57.149,88, referente ao IRRF, o total de IRPJ efetivamente devido seria de R$ 465.301,52. Dividindo esse valor em três quotas iguais, atingirseia o valor de R$ 155.100,50 para cada quota. Subtraindo o valor da 1ª quota de fato paga, no total de R$ 170.789,91, pelo valor devido de IRPJ, haveria um crédito de R$ 15.689,41. Por fim, a atualização deste valor, aplicando o percentual de 25, 65%, acrescentaria a monta de R$ 4.024,33, para totalizar o crédito atualizado em R$ 19.713,74. O débito alvo da compensação, relativo ao 1º Trimestre de 2008, era de R$ 30.145,49. Resta patente que o crédito apurado é insuficiente na compensação do total do débito constante em PER/DCOMP. Conquanto forçoso reconhecer o direito creditório Fl. 522DF CARF MF Processo nº 10855.909849/200990 Acórdão n.º 1201001.606 S1C2T1 Fl. 6 9 no total de R$ 19.713,74, capaz de compensar apenas parcialmente o débito objeto do processo n. 10855.909848/200945 e nada mais. Conclusão Diante de todo o exposto, CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO para, no MÉRITO, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Fl. 523DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.905017/2012-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO.
Verifica-se no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada.
Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.571
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DIREITO DE CREDITO. Recorrente O. G. SISTEMAS DE EXAUSTÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO. Verificase no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada. Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 50 17 /2 01 2- 81 Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10865.905017/201281 Acórdão n.º 3301003.571 S3C3T1 Fl. 3 2 descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, conforme relatado na decisão recorrida, alegando que após análise efetuada junto a seus arquivos verificou que pediu restituição para o período em discussão e solicitou futura compensação, na qual a empresa se beneficia de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, daí a origem do crédito. Por não ter feito a retificação da DCTF, houve o indeferimento. Solicita que seja feita a retificação na DCTF, uma vez que não há tempo hábil nem permitido para devida retificação, pois assim se fará um ato de justiça. Requerendo, ainda, a reavaliação do Despacho Decisório. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 02049.477. O fundamento adotado, em síntese, foi a necessidade de comprovação pelo contribuinte do direito creditório pretendido. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, através do qual alega, resumidamente: (i) que o crédito pleiteado decorre do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%); (ii) que o indébito em questão estaria comprovado por meio da documentação acostada em seu recurso voluntário (faz pedido alternativo de diligência, caso se entenda necessário); (iii) que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. Requer, então, que o recurso seja provido, a fim de reformar a r. decisão de primeira instância, culminando com o reconhecimento do direito creditório e a consequente homologação das compensações vinculadas. Posteriormente, o contribuinte protocolizou nova petição aos autos, através da qual requereu a juntada de notas fiscais, no intuito de comprovar o seu direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.443, de 27 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10865.905013/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.443): "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10865.905017/201281 Acórdão n.º 3301003.571 S3C3T1 Fl. 4 3 Conforme relatado acima, a compensação apresentada pelo contribuinte fora indeferida por ausência de comprovação do crédito pleiteado. Os fundamentos do voto proferido pela DRJ consta da transcrição a seguir: No processo de restituição, de ressarcimento ou de compensação, é o contribuinte quem toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, mediante a apresentação do PerDcomp. No Processo Civil, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC, art. 333). No Processo Administrativo Fiscal não há uma regra própria, por isso utilizase a existente no CPC. Por essa razão, cabe ao contribuinte provar a existência do crédito pretendido. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). Pelo princípio da Indisponibilidade do Interesse Público e pela vinculação da função pública, é inadmissível que a RFB aceite a extinção do tributo por compensação com crédito que não seja comprovadamente certo nem possa ser quantificado. Esse entendimento aplicase também à restituição. Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. Feitas estas considerações, passemos ao exame da manifestação de inconformidade. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS 5 ANOS DO FATO GERADOR A DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (Instrução Normativa RFB 1.110/2010, art. 9º, § 2o, I, c). A declaração apresentada presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art. 131 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Entretanto, essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Limitase a informar que se beneficia de tributação monofásica de “alguns produtos” que comercializa, mas não informa quais são os produtos. Além disso, não apresenta nenhum documento fiscal ou contábil que confirme seus argumentos. Ademais, o prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário é o mesmo para que o contribuinte proceda Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10865.905017/201281 Acórdão n.º 3301003.571 S3C3T1 Fl. 5 4 à retificação da respectiva declaração apresentada. Esse entendimento foi adotado pelo Parecer Cosit nº 48, de 7 de julho de 1999, que trata da declaração de rendimentos, mas que se aplica por analogia à presente situação: “Dos comandos legais citados, temos que extinguese no prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da declaração de rendimentos ou da data em que se tornar definitiva a decisão que anulou, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Assim, da mesma forma que a Fazenda Pública submetese a um prazo final para rever de ofício seu lançamento ou para constituir o crédito tributário, o contribuinte deve igualmente dispor de um termo para que sejam corrigidos eventuais erros cometidos quando da elaboração de sua declaração de rendimentos.” (grifouse) O Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF) também já se pronunciou nesse sentido: “DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS DCTF RETIFICAÇÃO PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de o contribuinte proceder à retificação das DCTF trimestrais extinguese após 5 (cinco) anos contados da data da ocorrência dos correspondentes fatos geradores, como analogamente ao Fisco seria vedado o direito de proceder à sua revisão. IRPJ e CSLL COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO A compensação de tributos em face de seu alegado pagamento a maior condicionase à demonstração efetiva da ocorrência do pagamento em excesso, mediante documentação hábil (1º CC; 8ª Câmara; processo 13707.001451/0087; Acórdão nº 10808913; data da sessão: 23/06/2006). (grifouse) Diante disso, verificase que já decaíra o direito de o contribuinte proceder à retificação da DCTF. APURAÇÃO DO TRIBUTO A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior. As verificações efetuadas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e nos autos desse processo confirmam os fatos relatados e podem ser assim consolidadas: (...). Em face do exposto, voto por julgar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório postulado e não homologar as compensações em litígio. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10865.905017/201281 Acórdão n.º 3301003.571 S3C3T1 Fl. 6 5 Concordo com os termos da decisão recorrida, a qual entendo não merecer reparos. Como é cediço, é do contribuinte o ônus da prova do seu direito creditório. Tanto que este, em seu recurso voluntário, reconhece a ausência de comprovação do seu direito creditório nas fases anteriores do presente processo. Pleiteia, contudo, que a documentação apresentada quando do Recurso Voluntário seja levada em consideração por este Conselho, seja para fins de reconhecimento do crédito pleiteado, seja para fins de, ao menos, determinar diligência para fins de confirmação do direito requerido. Alega, para tanto, que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. É importante que se esclareça, em princípio, que esta turma julgadora tem, em determinadas situações, admitido a análise de documentos anexados pelo contribuinte a destempo, desde que aptas a comprovar o direito alegado, em atenção ao princípio da verdade material. Entendo, contudo, que não deve ser esta a conduta a ser adotada neste caso concreto. Isso porque, consoante bem assinalou a decisão recorrida, o contribuinte apresentou DCOMP indicando um suposto crédito oriundo de DARF já integralmente utilizado para fins de quitação de outro débito do contribuinte. Logo, não havia como se admitir a compensação apresentada, por ausência de direito creditório. Em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte limitouse a alegar que o seu direito creditório decorreria do recolhimento indevido realizado em razão de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, e que o indeferimento teria se dado em razão da ausência de retificação da DCTF, uma vez que não havia tempo hábil para proceder à devida retificação. Neste ponto, entendeu corretamente a decisão recorrida no sentido de que não se deve admitir DCTF retificadora fora do prazo legal de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Verificase no caso concreto aqui analisado que o período que o contribuinte pretende retificar reportase ao 2º semestre de 2005, ao passo que a primeira manifestação de que haveria informação incorreta na referida DCTF outrora apresentada reportase a setembro de 2012, quando o contribuinte apresentou a sua manifestação de inconformidade, já comunicando a impossibilidade de apresentação da DCTF retificadora. Sendo assim, não havia mais tempo hábil para se admitir a retificação da DCTF pretendida pelo contribuinte, ou mesmo para se reanalisar as informações ali transmitidas pelo próprio contribuinte. Nesse sentido, inclusive, trazse à colação decisões deste Conselho, proferidas à unanimidade de votos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/09/2003 COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. INTEMPESTIVIDADE. AUSÊNCIA DE PROVA. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10865.905017/201281 Acórdão n.º 3301003.571 S3C3T1 Fl. 7 6 É ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo de 5 anos contados do fato gerador ou da entrega da declaração para fins de comprovação de pagamento indevido passível de compensação. O prazo para constituição do crédito tributário deve ser o mesmo para o Fisco e para o contribuinte. Também ineficaz a DCTF retificadora se desacompanhada de documentação comprobatória hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado. (Acórdão n. 3802001.464). *** Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/05/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVADO Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus de sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem que faça prova de sua liquidez e certeza. DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. Por aplicação do parágrafo único do art 149 do CTN, as novas informações trazidas em DCTF retificadora somente produzem efeito se a retificação ocorrer dentro do prazo de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário negado. (Acórdão n. 3202000.862). É importante que se tenha em mente que o direito não socorre aos que dormem. Nesse contexto, da mesma forma que a Fazenda possui prazos para fiscalizar o contribuinte, este possui prazos para retificar as suas declarações, no intuito de constituir direito creditório que entende fazer jus. A observância de tais prazos legais, inclusive, precisam ser observadas em benefício da sociedade como um todo, em prol da segurança jurídica. É importante que se esclareça que não se está aqui dispondo que a verdade material não deve prevalecer sobre a verdade formal. Contudo, a aplicação do princípio da verdade material possui limites que precisam ser observados, a exemplo dos prazos decadencial e prescricional, os quais devem ser observados sem distinção, às vezes a favor, às vezes contra o contribuinte/Fisco. E, uma vez encerrado o prazo legal para retificação da DCTF, resta forçoso reconhecer que a documentação apresentada pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário não o socorre em seu pleito. Ainda que tivesse o contribuinte direito ao crédito pleiteado em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não poderia o contribuinte pleitear tal crédito ad eternum. Existe um marco temporal que precisa ser observado e a apresentação de documentos comprobatórios quando já decorrido tal prazo não deve ser considerada. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10865.905017/201281 Acórdão n.º 3301003.571 S3C3T1 Fl. 8 7 É a mesma situação que ocorre quando um crédito tributário resta fulminado pela decadência. Ainda que a Receita Federal tenha provas cabais de que determinado montante é devido, não pode exigilo após o decurso do prazo quinquenal previsto na legislação. Diante das razões acima expostas, entendo que deverá ser negado provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo a decisão recorrida em sua integralidade, por seus próprios fundamentos." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não se admitindo a DCTF retificadora e a documentação comprobatória apresentados a destempo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 161DF CARF MF
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