Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,224)
- Segunda Câmara (27,799)
- Primeira Câmara (25,084)
- Segunda Turma Ordinária d (17,395)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,074)
- Primeira Turma Ordinária (15,860)
- Primeira Turma Ordinária (15,855)
- Primeira Turma Ordinária (15,831)
- Segunda Turma Ordinária d (15,688)
- Segunda Turma Ordinária d (14,225)
- Primeira Turma Ordinária (12,958)
- Primeira Turma Ordinária (12,272)
- Segunda Turma Ordinária d (12,235)
- Quarta Câmara (11,513)
- Primeira Turma Ordinária (11,304)
- Quarta Câmara (83,955)
- Terceira Câmara (66,335)
- Segunda Câmara (54,592)
- Primeira Câmara (19,126)
- 3ª SEÇÃO (16,074)
- 2ª SEÇÃO (11,242)
- 1ª SEÇÃO (6,788)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (122,260)
- Segunda Seção de Julgamen (113,023)
- Primeira Seção de Julgame (75,502)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,910)
- Câmara Superior de Recurs (37,700)
- Terceiro Conselho de Cont (25,965)
- IPI- processos NT - ressa (5,006)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,057)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,860)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,242)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,099)
- IRPJ - restituição e comp (2,087)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,641)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,197)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,619)
- HELCIO LAFETA REIS (3,510)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,210)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,899)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,625)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,605)
- WILDERSON BOTTO (2,588)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,074)
- 2021 (35,828)
- 2019 (30,958)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,914)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,465)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,086)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,176)
- 2010 (18,058)
- 2008 (17,077)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,838)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 10660.905856/2011-14
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/04/2001
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-006.018
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201404
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2001 a 30/04/2001 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10660.905856/2011-14
anomes_publicacao_s : 201407
conteudo_id_s : 5362390
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 25 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3803-006.018
nome_arquivo_s : Decisao_10660905856201114.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : HELCIO LAFETA REIS
nome_arquivo_pdf_s : 10660905856201114_5362390.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
id : 5533947
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:24:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046810851803136
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1706; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 164 1 163 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10660.905856/201114 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803006.018 – 3ª Turma Especial Sessão de 23 de abril de 2014 Matéria PIS RESTITUIÇÃO Recorrente MAHLE METAL LEVE S/A (Sucessora de MAHLE COMPONENTES DE MOTORES DO BRASIL LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2001 a 30/04/2001 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 58 56 /2 01 1- 14 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905856/201114 Acórdão n.º 3803006.018 S3TE03 Fl. 165 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Juiz de Fora/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência do indeferimento do Pedido de Restituição. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição (PER) referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da contribuição para o PIS, no valor de R$ 9.505,53. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem indeferiu a restituição pleiteada, pelo fato de que o pagamento declarado no PER já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos da titularidade do sujeito passivo. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento do direito creditório, bem como o deferimento da restituição pleiteada, alegando que o indébito reclamado decorria do reconhecimento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Reportandose aos princípios da verdade material e da moralidade administrativa, requereu a realização de diligências e perícias, para fins de se confirmar o crédito pleiteado. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e de representação, assim como cópias do despacho decisório, do DARF e de planilha por ele elaborada. A DRJ Juiz de Fora/MG não reconheceu o direito creditório, fundamentando sua decisão (i) na inaplicabilidade, no presente caso, da decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em sede de recurso extraordinário, (ii) na incompetência da Administração tributária para se manifestar sobre ofensa a princípios constitucionais, (iii) na ausência de eficácia normativa da doutrina e da jurisprudência administrativa e judicial colacionadas na peça recursal, (iv) na ausência de nulidade no despacho decisório e (v) na desnecessidade de realização de diligências e perícias. Constou, ainda, do voto condutor da decisão recorrida que, “no presente caso, não foram trazidos ao processo, quaisquer elementos que viessem a comprovar o direito alegado e mais, a legislação tributária, determina que juntamente com a manifestação de inconformidade devem ser apresentadas as provas que fundamentem de modo concreto e veemente a discordância da contribuinte do entendimento adotado pela administração, precluindo seu direito de fazêlo em outro momento processual”. Cientificado do acórdão da DRJ Juiz de Fora/MG em 23 de dezembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 16 de janeiro de 2014, e reiterou seu pedido de reconhecimento do direito creditório e de deferimento integral da restituição, repisando os mesmos argumentos de defesa. Aduziu, ainda, o ora Recorrente, que a Delegacia de Julgamento deveria ter avançado na matéria fática e convertido o julgamento em diligência para que fossem prestados esclarecimentos e apresentada a documentação comprobatória do crédito pleiteado, sem o que tevese por configurado cerceamento do seu direito de defesa. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905856/201114 Acórdão n.º 3803006.018 S3TE03 Fl. 166 3 Ressaltou, também, que a inobservância da inconstitucionalidade declarada pelo STF acerca do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pela Lei nº 9.718, de 1998, “representa inegável afronta à Constituição Federal e negativa de prestação administrativa”. Junto ao Recurso Voluntário, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e de representação. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme se verifica do relatório supra, o pedido de restituição foi indeferido pela repartição de origem pelo fato de que o pagamento informado já se encontrava vinculado a outro débito da titularidade do contribuinte, decisão essa mantida pela DRJ Juiz de Fora/MG. De início, registrese que, para se apreciarem pleitos da espécie, não basta que se alegue, em tese, o direito assegurado pela ordem jurídica, havendo necessidade de que os argumentos fáticos trazidos aos autos sejam demonstrados e comprovados, sob pena de total inviabilidade da apreciação do pedido. Não há dúvidas que este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, encontrase obrigado a reproduzir decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal (STF) submetidas à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC), mas desde que comprovada, com documentação hábil e idônea, a ocorrência de pagamento indevido relativo à parcela do tributo apurada sobre a base de cálculo prevista em dispositivo legal declarado inconstitucional. No que tange ao material probatório do seu direito, o contribuinte trouxe aos autos apenas cópias de documentos societários, do DARF e de uma planilha por ele elaborada, documentos esses insuficientes à comprovação do indébito, dado que desacompanhados de qualquer elemento da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. Destaquese que, na planilha trazida aos autos pelo contribuinte na primeira instância administrativa, não são identificadas as outras receitas, além do faturamento, que teriam ensejado a tributação indevida decorrente da inconstitucionalidade do preceptivo legal. Para decidir acerca do pedido de reconhecimento do direito creditório decorrente do pagamento da contribuição apurada sobre outras receitas que não o faturamento, em razão da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1988, este Colegiado necessita, além de conhecer os valores envolvidos nas operações mercantis, como o faturamento, o total das outras receitas, a contribuição devida etc., confirmar sua ocorrência na contabilidade da pessoa jurídica. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905856/201114 Acórdão n.º 3803006.018 S3TE03 Fl. 167 4 Em processos da espécie ao ora analisado, a falta da devida instrução dos autos por parte da pessoa obrigada não pode ser suprida por diligência à repartição de origem, dada a inexistência de um início de prova que convença o julgador quanto à probabilidade de efetiva existência do direito creditório pleiteado, isso em conformidade com os princípios constitucionais da celeridade processual e da eficiência, princípios esses que regem a atuação da Administração Pública, previstos, respectivamente, no art. 5º, inciso LXXVIII, e no art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão a uma possível inversão do ônus da prova. Mesmo depois de ter sido alertado pelo julgador administrativo de primeira instância acerca da necessidade de apresentação de documentos comprobatórios do crédito pleiteado o Recorrente não se predispôs a instruir o processo nesta segunda instância. Bastaria que o interessado tivesse trazido aos autos cópias da escrituração contábilfiscal abrangendo o período sob análise, observandose as formalidades exigidas pela legislação tributária, para que se tivesse por configurado o início de prova requerido para justificar a realização de diligência ou perícia destinada à confirmação do crédito pleiteado. Uma simples planilha elaborada pelo próprio interessado não supre a necessidade de apresentação da documentação fiscal apta a comprovar os fatos alegados. A não apresentação de provas dos fatos apontados encontrase em total desacordo com a disciplina do art. 16, inciso III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 167DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905856/201114 Acórdão n.º 3803006.018 S3TE03 Fl. 168 5 Em conformidade com o excerto supra, temse que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações declaradas pelo próprio sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, em razão da ausência de prova hábil e idônea do direito creditório reclamado. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 168DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 10830.005913/2003-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3102-000.292
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Decidem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do Relatório e Voto que integram a presente Resolução.
(assinatura digital)
Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa - Relator
EDITADO EM: 13/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento e Andréa Medrado Darzé.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
camara_s : Primeira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10830.005913/2003-54
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5352658
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3102-000.292
nome_arquivo_s : Decisao_10830005913200354.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : RICARDO PAULO ROSA
nome_arquivo_pdf_s : 10830005913200354_5352658.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Decidem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do Relatório e Voto que integram a presente Resolução. (assinatura digital) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa - Relator EDITADO EM: 13/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento e Andréa Medrado Darzé.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
id : 5486175
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046811183153152
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1841; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 2 1 1 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.005913/200354 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3102000.292 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 27 de novembro de 2013 Assunto Auto de Infração DCTF Recorrente SHERWINWILLIAMS DO BRASIL IND E COM LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Decidem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do Relatório e Voto que integram a presente Resolução. (assinatura digital) Luis Marcelo Guerra de Castro – Presidente (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator EDITADO EM: 13/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento e Andréa Medrado Darzé. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. A empresa qualificada em epígrafe foi autuada (fls. 20/26) em virtude da apuração de falta de recolhimento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), referente aos decêndios entre julho e dezembro de 1998, exigindo o imposto de R$ 1.059.489,44, multa de ofício de R$ 794.617,08 e juros de mora de R$ 949.784,05, perfazendo o total de R$ 2.803.890,57. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .0 05 91 3/ 20 03 -5 4 Fl. 457DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.005913/200354 Resolução nº 3102000.292 S3C1T2 Fl. 3 2 O lançamento devese à nãocomprovação de compensação sem Darf informada em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) no período acima, conforme “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” de fl. 21 e “Demonstrativo Dos Créditos Vinculados Não Confirmados” de fls. 22/23. Inconformada, a autuada apresentou a impugnação de fls. 01/03, acompanhada dos documentos de fls. 04/17, alegando, em síntese, que: 1. Na verdade, tivesse a Fiscalização comparecido ao estabelecimento Sherwin Williams, aí procedido à devida intimação para prestação das informações que deram azo ao lançamento, repitase, antes que ele se consumasse, teria a oportunidade de constatar que o auto de infração, como se o demonstrará a seguir, é improcedente; 2. Qualquer maneira, anota a SherwinWilliams que os valores objeto de lançamento no auto de infração já foram devidamente contemplados na DCTF Declaração de Contribuições e Tributos Federais, e, ainda que alegadamente não tivessem sido liquidados através regular pagamento, a verdade é que a medida subseqüente da inadimplência é a inscrição na dívida para a cobrança judicial. Nunca a lavratura de auto de infração sob pena de o tributo vir a ser cobrado duas vezes; 3. Finalmente, é de se considerar que a SherwinWilliams encontrou os pagamentos, conforme faz prova cópias dos mesmos, para comprovar a improcedência meritória do lançamento. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/07/1998 a 31/12/1998 LANÇAMENTO. DCTF. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Mantémse o lançamento de ofício da diferença apurada, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrente de compensação indevida. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratandose de ato não definitivamente julgado aplicase retroativamente a lei nova quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo do lançamento (CTN, art. 106, II, “c”). Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a empresa apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Requer a decretação da nulidade da decisão de primeira instância, por ausência de fundamentação legal e por falta de comprovação da efetiva inexistência do crédito informado na Declaração de Débito e Créditos Tributários Federais – DCTF para compensação dos débitos constituídos no Auto de Infração. Argumenta, Isso porque, a luz do que prevê o artigo supra, o v. acórdão que não homologou a compensação deveria conter a descrição dos fatos, e do(s) respectivo(s) dispositivo legal tido por infringido. Contudo, não foi o que sucedeu. Fl. 458DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.005913/200354 Resolução nº 3102000.292 S3C1T2 Fl. 4 3 Assevera existirem os processos de restituição informados na DCTF como origem do crédito utilizado para compensação dos valores devidos. 47. Vejase a discrepância entre as informações fornecidas pela Receita Federal, na medida em que informa em seu v. acórdão que não encontrou os processos no PROFISC, mas, contudo, há a informação no COMPROT de que os processos administrativos ainda estão em andamento e foram encaminhados à Equipe de Restituição Compensação da Delegacia da Receita Federal de Osasco, em 02/10/2007. Informa que outros processos informados na DCTF já estão arquivados. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso Voluntário. Digase, de início, que a Recorrente inova drasticamente nos argumentos apresentados em sede de Recurso Voluntário. Por ocasião da impugnação ao lançamento, em nenhum momento referiu a existência dos processos de restituição informados na DCTF como sendo a origem do crédito com os quais estava compensando os débitos tributários declarados. Embora não veja razão para enquadrar a ocorrência na hipótese de preclusão, uma vez que o assunto “existência de crédito para compensação” foi desde o início trazido e debatido nos autos, entendo que a conduta labora em desfavor da Parte, demonstrandona desprovida de razão e fundamentação meritória do direito. Na impugnação apresenta os DARF de pagamento dos valores declarados, no Recurso afirma que esses mesmos valores foram compensados e que os processos informados existem. Isto posto, passo a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância. A Recorrente entende que a decisão não tem fundamentação legal e não comprovou a efetiva inexistência do crédito informado na Declaração de Débito e Créditos Tributários Federais – DCTF para compensação dos débitos constituídos no Auto de Infração. Ainda mais, que o Acórdão que não homologou a compensação deveria conter a descrição dos fatos e dispositivo legal infringido. Primeiro, o Acórdão contraditado não se destinava à homologação de nenhuma compensação, mas ao julgamento da procedência da exigência contida no Auto de Infração originado de procedimento de auditoria interna das Declarações de Débitos e Créditos de Tributos Federais – DCTF apresentadas pelo contribuinte. Segundo, basta um passar de olhos no Voto que veicula a decisão contestada para identificarlhe os fundamentos. Terceiro, não cabe à Delegacia da Receita Federal de Julgamento apresentar provas dos fatos, mas julgálos. Ainda mais, se ausência de provas houvesse, decidirseia favoravelmente à empresa no mérito. Não é caso de nulidade da decisão de primeiro grau. Superada a preliminar, passo ao mérito. Inicio, justamente, pela questão do ônus da prova. Fl. 459DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.005913/200354 Resolução nº 3102000.292 S3C1T2 Fl. 5 4 A comprovação do fato ou direito, com se sabe, é ônus de quem alega. A Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código do Processo Civil, fixa assim a responsabilidade. Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A relação jurídica entre sujeito passivo e o Estado; no entanto, não se molda tão bem a essa máxima. No campo do direito tributário, é do próprio administrado o dever registrar e guardar os documentos e demais efeitos que testemunham a ocorrência dos eventos que se pretende provar. A guarda não constitui obrigação do Erário e não integra a natureza das relações fiscocontribuinte. Nem mesmo se pode falar em constituição formal do fato constitutivo do direito. A comprovação do fato jurídico tributário, por isso, depende, em regra geral, de que o administrado apresente os documentos que a legislação fiscal o obriga a produzir e manter ou declare sua ocorrência em declaração prestada à autoridade pública. No caso concreto, foram identificados pelo Fisco processos inexistentes, com os quais a empresa declarou ter compensado os débitos tributários. Como disse acima, num primeiro momento, por ocasião da impugnação ao lançamento, a empresa apresentou DARF para comprovar o pagamento dos valores devidos. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento deixou claro que esses DARF já haviam sido considerados desde a constituição da exigência no Auto de Infração combatido. Em Recurso, a empresa tergiversa a respeito do assunto e redireciona a defesa para alegação de que os processos informados nas DCTF existem. Referese a informação no COMPROT de que os processos administrativos ainda estão em andamento e foram encaminhados à Equipe de Restituição Compensação da Delegacia da Receita Federal de Osasco, em 02/10/2007. Desde o primeiro momento, pareceume que, em prestígio à verdade material, haveria de ser suficiente que o contribuinte apresentasse qualquer evidência da existência dos Processos Administrativos informados nas DCTF, para que uma medida saneadora se tornasse necessária. Fosse um print do protocolo correspondente, uma cópia obtida na repartição ou qualquer outro elemento e a solução da lide terminaria, necessariamente, por atrelarse ao esclarecimento acerca da efetiva existência de tais Processos. Até a data de inclusão do Processo em pauta; contudo, nenhuma evidência das alegações da Partes havia sido apresentada, conduzindo a decisão, inevitavelmente, ao desprovimento do Recurso. O problema foi que, durante a realização da sessão de julgamento, a Recorrente apresentou memorial onde parece oferecer evidências da existência dos tais processos que dariam respaldo ao direito pleiteado. Ainda que toda a confusão acima relatada, como já disse, labore em desfavor da Empresa, sinto grande dificuldade em desprover um recurso à luz de elementos materiais que podem, de fato, comprovar o direito reclamado. VOTO pela conversão do julgamento em diligência para que, após a anexação, pela Secretaria da Câmara, do memorial apresentado pela Recorrente em Sessão, o processo seja remetido à Unidade de Jurisdição da empresa, para que a Fiscalização se manifeste sobre a efetiva existência de tais processos e seu efeito sobre o Auto de Infração objeto do presente. Fl. 460DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.005913/200354 Resolução nº 3102000.292 S3C1T2 Fl. 6 5 Abrase prazo de trinta dias para manifestação do contribuinte. Após retorne para decisão final. Sala de Sessões, 27 de novembro de 2013. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 461DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 16643.000158/2010-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Ano-calendário: 2005, 2006
PAGAMENTOS DE ROYALTIES AO EXTERIOR. LICENÇA DE USO DE PROGRAMAS DE COMPUTADOR (SOFTWARE). FATOS GERADORES ATÉ 31/12/2005. INCIDÊNCIA INDEPENDENTE DE TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA.
No período anterior a 1º de janeiro de 2006, a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico instituída pela Lei nº 10.168, de 2000, incide sobre os pagamentos ao exterior pela cessão ou licença de uso de programa de computador (software), independentemente de haver transferência de tecnologia.
BASE DE CÁLCULO. IRRF. EXCLUSÃO
O Imposto de Renda assumido pela recorrente quando da remessa de royalties a residentes ou domiciliados no exterior, representa despesa própria que não pode ser incluída na base de cálculo da CIDE, em atenção ao princípio da interpretação estrita em matéria de incidência tributária.
Numero da decisão: 3401-002.539
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: Por maioria, deu-se parcial provimento ao recurso para afastar a inclusão do IRRF na base de cálculo da CIDE. Vencidos os Conselheiros Júlio Ramos e Fenelon Moscoso.
(assinado digitalmente)
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
(assinado digitalmente)
FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simoes Mendonca, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso De Almeida (Suplente), Angela Sartori.
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201403
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE Ano-calendário: 2005, 2006 PAGAMENTOS DE ROYALTIES AO EXTERIOR. LICENÇA DE USO DE PROGRAMAS DE COMPUTADOR (SOFTWARE). FATOS GERADORES ATÉ 31/12/2005. INCIDÊNCIA INDEPENDENTE DE TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. No período anterior a 1º de janeiro de 2006, a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico instituída pela Lei nº 10.168, de 2000, incide sobre os pagamentos ao exterior pela cessão ou licença de uso de programa de computador (software), independentemente de haver transferência de tecnologia. BASE DE CÁLCULO. IRRF. EXCLUSÃO O Imposto de Renda assumido pela recorrente quando da remessa de royalties a residentes ou domiciliados no exterior, representa despesa própria que não pode ser incluída na base de cálculo da CIDE, em atenção ao princípio da interpretação estrita em matéria de incidência tributária.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 16643.000158/2010-34
anomes_publicacao_s : 201408
conteudo_id_s : 5366724
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3401-002.539
nome_arquivo_s : Decisao_16643000158201034.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
nome_arquivo_pdf_s : 16643000158201034_5366724.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Por maioria, deu-se parcial provimento ao recurso para afastar a inclusão do IRRF na base de cálculo da CIDE. Vencidos os Conselheiros Júlio Ramos e Fenelon Moscoso. (assinado digitalmente) JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente. (assinado digitalmente) FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simoes Mendonca, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso De Almeida (Suplente), Angela Sartori.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
id : 5560658
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:25:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046811315273728
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2016; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 1.277 1 1.276 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16643.000158/201034 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401002.539 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de março de 2014 Matéria CIDE Recorrente NEXTEL TELECOMUNICAÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2005, 2006 PAGAMENTOS DE ROYALTIES AO EXTERIOR. LICENÇA DE USO DE PROGRAMAS DE COMPUTADOR (SOFTWARE). FATOS GERADORES ATÉ 31/12/2005. INCIDÊNCIA INDEPENDENTE DE TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. No período anterior a 1º de janeiro de 2006, a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico instituída pela Lei nº 10.168, de 2000, incide sobre os pagamentos ao exterior pela cessão ou licença de uso de programa de computador (software), independentemente de haver transferência de tecnologia. BASE DE CÁLCULO. IRRF. EXCLUSÃO O Imposto de Renda assumido pela recorrente quando da remessa de royalties a residentes ou domiciliados no exterior, representa despesa própria que não pode ser incluída na base de cálculo da CIDE, em atenção ao princípio da interpretação estrita em matéria de incidência tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Por maioria, deuse parcial provimento ao recurso para afastar a inclusão do IRRF na base de cálculo da CIDE. Vencidos os Conselheiros Júlio Ramos e Fenelon Moscoso. (assinado digitalmente) JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 00 01 58 /2 01 0- 34 Fl. 1277DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 5/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 2 FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simoes Mendonca, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso De Almeida (Suplente), Angela Sartori. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela empresa NEXTEL TELECOMUNICAÇÕES LTDA, em face de acórdão proferido pela 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP), que julgou improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 1033 a 1059), a matéria em discussão referese a auto de infração relativo à Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE, sobre os valores remetidos às pessoas jurídicas domiciliadas no exterior a título de remuneração de alegada aquisição de software e contratação de serviços de assistência técnica, no que tange a períodos de apuração dos anoscalendário de 2005 e 2006. Segundo o Termo de Verificação, a Lei 10.332/2001 foi alterada, e instituiu que a partir de 1º de janeiro de 2002 a CIDE fosse estendida, abarcando valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos por pessoa jurídicas sediada no País a residentes ou domiciliados no exterior com o objetivo de saldar '"royalties" a qualquer título e serviços, com ou sem transferência de tecnologia; de que com fulcro na Lei 11.452/2007, a partir de 1º de janeiro de 2006 os valores remetidos a título de remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador (software) estariam submetidos à incidência de contribuições. A empresa, após ter sido devidamente intimada, impugnou o lançamento tempestivamente. Ao analisar os argumentos constantes na peça impugnatória, a primeira instância administrativa decidiu considerar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido (ff. 1.193/1.205), nos seguintes termos: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO C I D E Anocalendário: 2005, 2006 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Descabem ser apreciados no julgamento administrativo argumentos de inconstitucionalidade. PROVAS. PRECLUSÃO. As provas documentais devem ser disponibilizadas pelo sujeito passivo juntamente com sua impugnação, "precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual", salvo as exceções legalmente previstas. PROGRAMA DE COMPUTADOR. Até o império da Lei 11.452/2007, a CIDE era devida sobre a remuneração pela licença de uso de programa de computador, houvesse ou não houvesse transferência de tecnologia. Somente a Fl. 1278DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 5/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 16643.000158/201034 Acórdão n.º 3401002.539 S3C4T1 Fl. 1.278 3 partir da produção de efeitos do art. 20 da Lei 11.452/2007, a contribuição não é mais devida sobre a remuneração pela licença de uso de programa de computador, se não houver transferência de tecnologia. SERVIÇOS TÉCNICOS E DE ASSISTÊNCIA ADMINISTRATIVA e SEMELHANTES A partir de 1º de janeiro de 2002, a CIDE passou a ser devida pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes prestados por residentes ou domiciliados no exterior, não havendo, nestes casos, para a caracterização da hipótese de incidência da contribuição qualquer vinculação com transferência de tecnologia. CIDE. BASE DE CÁLCULO. A contribuição incide sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações contraídas, sendo considerada líquida a quantia enviada ao exterior. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Inconformada com a decisão proferida a contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo as fls. 1.250/1.270, no qual aduz em síntese: a) inicialmente, que o período autuado, referese ao período de 2005, não tendo sido autuado o período de 2006, face ausência de transferência de tecnologia, devendo o presente lançamento tributário ser cancelado por força do § 1º A, do artigo 2º da Lei nº 10.168/2000, combinado com o artigo 106, inciso I do CTN, conforme entendimento da jurisprudência dos Tribunais Superiores; b) sustenta que os contratos firmados entre a Recorrente e outas empresas sediadas no exterior, conforme afirmação no próprio auto de infração, referemse a serviços administrativos e/ou atualização de software sempre executados fora do Brasil. Portanto, serviços que não implicam na transferência de tecnologia. Assim, não estando sua remuneração sujeita à incidência da CIDETecnologia; c) alega que ao contrário do que afirma a fiscalização, os contratos firmados com a Motorola e Tekelec não se referem à prestação de serviços técnicos de manutenção, mas sim de garantia estendida; d) que é ilegal a inclusão do IRRF na base de cálculo da CIDETecnologia, cita artigo 150, inciso I, CF e artigo 97, incisos I e V do CTN; e) por fim, provimento do recurso voluntário para reformar a decisão de primeira instância, cancelando o auto de infração e a imposição de multa. Fl. 1279DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 5/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 4 O fisco não apresentou contrarrazões e o processo foi encaminhado para análise e julgamento por este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte DA ADMISSIBILIDADE O presente recurso é tempestivo e presentes estão os demais requisitos para a sua admissibilidade, razão pela qual dele eu conheço. DA INCIDÊNCIA DA CIDE A matéria ora em debate já foi apresentada a esta Turma em diferentes assentadas, sendo a decisão deste colegiado unânime pela incidência da CIDE independente da transferência de tecnologia ou não. Trago a colação as ementas dos julgados já apreciados por esta Turma com escopo de orientar meu posicionamento. No Processo nº 19740.000489/200840, de relatoria do Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, a decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Data do fato gerador: 09/09/2004, 12/11/2004, 24/08/2005, 20/10/2005 PAGAMENTOS DE ROYALTIES AO EXTERIOR. LICENÇA DE USO DE PROGRAMAS DE COMPUTADOR (SOFTWARE). FATOS GERADORES ATÉ 31/12/2005. INCIDÊNCIA INDEPENDENTE DE TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. No período anterior a 1º de janeiro de 2006, a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico instituída pela Lei nº 10.168, de 2000, incide sobre os pagamentos ao exterior pela cessão ou licença de uso de programa de computador (software), independentemente de haver transferência de tecnologia. O posicionamento foi uniforme ao apreciar o processo nº 18471.001867/200867, de relatoria do Conselheiro Robson José Bayerl: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Data do fato gerador: 12/01/2004, 22/01/2004 Fl. 1280DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 5/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 16643.000158/201034 Acórdão n.º 3401002.539 S3C4T1 Fl. 1.279 5 CIDE. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSULTORIA. REMESSAS A DOCIMICILIADOS NO EXTERIOR. INCIDÊNCIA. Consoante art. 2º, § 2º da Lei nº 10.168/2000, na redação dada pela Lei nº 10.332/01, a partir de 1o de janeiro de 2002, a CIDE tratada em aludido diploma passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, ainda que não haja transferência de tecnologia. LANÇAMENTO. ALEGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO COMO MATÉRIA DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. A compensação configura modalidade de extinção do crédito tributário, razão que impõe sua realização por intermédio de procedimentos específicos previstos na legislação, o que não se compagina com a sustentação aleatória, em sede recursal, da existência de indébito suficiente para saldar valores exigidos em auto de infração Recurso voluntário negado. Assim, em respeito á segurança jurídica e, principalmente, à apurada formação técnica deste colegiado, não divirjo do posicionamento já adotado por essa Turma de que a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico instituída pela Lei nº 10.168, de 2000, incide sobre os pagamentos ao exterior, independentemente de haver transferência de tecnologia, não merecendo reforma o julgado neste ponto. Ultrapassado este ponto, como bem ressaltou a instância a quo, não só os contratos de prestação de assistência técnica propriamente dita são visados pela CIDE, mas igualmente são visados por ela serviços cm concepção mais amplo, vale dizer, serviços técnicos e de assistência administrativa c semelhantes, independentemente de transferência de tecnologia. Cabe ressaltar que a Instrução Normativa SRF n° 252, de 3 de dezembro de 2002, ao dispor sobre a incidência do Imposto de Renda na Fonte sobre rendimentos pagos, creditados, empregados, entregues ou remetidos a pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, veio a dispor sobre o que é serviço técnico e assistência técnica, in verbis: "Art.17. As importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas a pessoa jurídica domiciliada no exterior a título de royalties de qualquer natureza e de remuneração de serviços técnicos e de assistência técnica, administrativa e semelhantes sujeitamse à incidência do imposto na fonte à alíquota de quinze por cento. § 1" Para fins do disposto no caput: (...) II considerase: Fl. 1281DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 5/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 6 a) serviço técnico o trabalho, obra ou empreendimento cuja execução dependa de conhecimentos técnicos especializados, prestados por profissionais liberais ou de artes e ofícios; b) assistência técnica a assessoria permanente prestada pela cedente de processo ou fórmula secreta à concessionária, mediante técnicos, desenhos, estudos, instruções enviadas ao País e outros serviços semelhantes, os quais possibilitem a efetiva utilização do processo ou fórmula cedido. (...) " Analisando os esclarecimentos contidos no referido ato normativo constatase que para ser considerado "serviço técnico", o mesmo deve ser prestado por profissionais liberais ou de artes e ofícios que detenham conhecimentos técnicos especializados, quer seja de natureza científica, tecnológica ou artística, enquanto que a assistência técnica é uma forma de prestação de serviços específica, representada pelo assessoramento permanente (o que não quer dizer, num alcance temporal indiscriminado, eterno), podendo se concluir, daí, que assistência administrativa é aquela assessoria peculiarmente concernente à área administrativa, incidindo a CIDE, além das remessas relativas a tais espécies, sobre remessas relativas a espécies semelhantes. No caso da CIDE, os serviços podem ser agrupados a partir da lei como: a) prestação de assistência técnica, sendo que, por definição legal, os contratos a ela relativos, para efeito dessa contribuição, são sempre contratos de transferência de tecnologia, pois assim consideradoos o § 1º do art. 2º da Lei n.° 10.168, de 29/12/2000: § 1º Consideramse, para fins desta Lei, contratos de transferência de tecnologia os relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica. b) serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes, independentemente de transferência de tecnologia, sendo que em nenhum momento a lei tributária exige que tais serviços envolvam ou não a transferência de tecnologia (§ 2º do art. 2º da Lei 10.168/2000). Quanto à alegada garantia estendida, cumpre observar que esta, quando não firmada com companhias seguradoras, é modalidade de serviço técnico, no caso disponibilizado pela pessoa jurídica domiciliada no exterior, portanto são sujeitas à Cide as remessas relacionadas a ela, e se em função da garantia prestada são eventualmente substituídas ou utilizadas peças de reposição, partes, equipamentos ou outros bens cujo valor comercial pode, em tese, ser inferior ou superior ao valor gasto com o pagamento da "garantia estendida", isto não retira a natureza de remessas por serviços que possuem, sem prejuízo do tratamento aduaneiro que for devido às peças, partes, equipamentos ou outros bens eventualmente utilizados. Com efeito, os contratos de prestação de assistência técnica são visados pela Cide, assim como os serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes, sendo a garantia estendida, na forma não securitária, serviço de caráter técnico disponibilizado pela pessoa jurídica domiciliada no exterior e sujeitamse à Cide as remessas a ela concernentes. Já a garantia estendida, enquanto modalidade de seguro, é contratada junto a companhias de seguro, admitindo, para fins de indenização, as hipóteses de pagamento em Fl. 1282DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 5/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 16643.000158/201034 Acórdão n.º 3401002.539 S3C4T1 Fl. 1.280 7 dinheiro, reposição ou reparo da coisa, devendo as sociedades seguradoras, consequentemente, constituir as devidas provisões relativas a esse serviço. No presente caso, não consta que os alegados serviços de garantia foram decorrentes de contratos com companhias de seguro. Portanto, a garantia estendida de que fala a contribuinte seguro não é, tratandose de serviço de índole técnica, como referido. Não se cuida, assim, da desconsideração de negócios jurídicos com o objetivo de cobrar tributo, mas de verificar o conteúdo desses negócios, aplicando a legislação a eles cabível em âmbito tributário. Assim, neste aspecto, entendo que correta a interpretação da DRFJ, mantendo irretocável o acórdão nestes pontos. DA BASE DE CÁLCULO No tocante a inclusão do IRRF na base de cálculo da CIDE, entendo que razão assiste à recorrente. Como já ressaltado, a A CIDETecnologia é um tributo cobrado sobre os valores remetidos a residentes ou domiciliados no exterior a título de royalties. Sobre as importâncias enviadas, além da CIDE, incide o IRRF (imposto de renda retido na fonte) e geralmente a sociedade brasileira (pagadora do rendimento) e sociedade residente no exterior (beneficiária do rendimento) decidem com antecedência quem arcará com o ônus do IRRF. Na hipótese em que a empresa brasileira fica com o ônus do pagamento IRRF, a Receita Federal entende que o IRRF integra a base da CIDE (Solução de Divergência nº 17, em 29/06/2011). É que a fiscalização entende que, neste caso, a empresa brasileira realiza por via indireta um pagamento maior para empresa residente no exterior, visto que assume obrigação que a rigor é da sociedade estrangeira. O entendimento da Receita tem como base lei aplicável exclusivamente ao cálculo do imposto de renda (art. 725 do RIR/99) e, assim, a interpretação fazendária não se sustenta, pois não se pode aplicar norma do Imposto de Renda para a CIDE, por força do princípio constitucional estrita legalidade (art. 150, I da CF/88) e por força do disposto no artigo 97, IV, do CTN, que determina que somente a lei pode estabelecer a fixação de base de cálculo dos tributos. Todavia, entendo que, na incidência da CIDE sobre os valores remetidos a residentes ou domiciliados no exterior, não se pode cogitar da inclusão do Imposto de Renda incidente sobre esta operação, uma vez que esta não é uma verba que se enquadra na hipótese de incidência da norma tributária, na medida em que representa ônus tributário assumido pela própria fonte pagadora dos rendimentos e não um ônus dos respectivos beneficiários, os quais, digase de passagem, não são contribuintes de Imposto de Renda no Brasil. Concluise, portanto, que especificamente no caso dos autos, o Imposto de Renda assumido pela recorrente quando da remessa de royalties a residentes ou domiciliados no exterior, representa despesa própria que não pode ser incluída na base de cálculo da CIDE, em atenção ao princípio da interpretação estrita em matéria de incidência tributária. Assim, dou provimento ao recurso voluntário neste tópico. CONCLUSÃO Fl. 1283DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 5/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 8 Isto posto, conheço do recurso voluntário para no mérito darlhe parcial provimento, afastando a inclusão na base de cálculo da CIDE, o Imposto de Renda incidente na fonte sobre a remessa de royalties a residentes ou domiciliados no exterior, enquanto em vigor a redação do parágrafo 3º, do artigo 2º da Lei 10.168/2000, na redação que lhe deu a lei nº 10.332/2001.” Fernando Marques Cleto Duarte Relator Fl. 1284DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 5/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE
score : 1.0
Numero do processo: 19647.005399/2006-41
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. COMPENSAÇÃO.COMPROVAÇÃO.
No pedido de restituição/compensação, a prova hábil para comprovar os rendimentos obtidos e o imposto retido na fonte (IRRF) é o comprovante de que trata a específica legislação tributária. Na sua ausência, por interpretação razoável, são admitidos os valores apresentados em Declaração de Imposto de Renda na Fonte (DIRF). Todavia as notas fiscais com mera indicação de tributos retidos na fonte não comprovam a retenção no período, não se sobrepõem nem invalidam as informações constantes dos comprovantes de rendimentos e imposto retido na fonte e das DIRF utilizadas pela Administração Tributária para reconhecimento do direito creditório.
IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) bem como as notas fiscais são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, de modo a comprovar que sofreu o ônus da retenção do tributo, e que das notas fiscais emitidas recebeu apenas o valor líquido já descontado o tributo na fonte, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN). À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida.
Numero da decisão: 1802-002.244
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano e Marciel Eder Costa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. COMPENSAÇÃO.COMPROVAÇÃO. No pedido de restituição/compensação, a prova hábil para comprovar os rendimentos obtidos e o imposto retido na fonte (IRRF) é o comprovante de que trata a específica legislação tributária. Na sua ausência, por interpretação razoável, são admitidos os valores apresentados em Declaração de Imposto de Renda na Fonte (DIRF). Todavia as notas fiscais com mera indicação de tributos retidos na fonte não comprovam a retenção no período, não se sobrepõem nem invalidam as informações constantes dos comprovantes de rendimentos e imposto retido na fonte e das DIRF utilizadas pela Administração Tributária para reconhecimento do direito creditório. IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) bem como as notas fiscais são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, de modo a comprovar que sofreu o ônus da retenção do tributo, e que das notas fiscais emitidas recebeu apenas o valor líquido já descontado o tributo na fonte, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN). À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida.
turma_s : Segunda Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 19647.005399/2006-41
anomes_publicacao_s : 201408
conteudo_id_s : 5364689
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1802-002.244
nome_arquivo_s : Decisao_19647005399200641.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 19647005399200641_5364689.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano e Marciel Eder Costa.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
id : 5551594
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:25:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046811364556800
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2637; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 2 1 1 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19647.005399/200641 Recurso nº 000.001 Voluntário Acórdão nº 1802002.244 – 2ª Turma Especial Sessão de 30 de julho de 2014 Matéria PER/DCOMP Recorrente LISERVE VIGILÂNCIA E TRANSPORTE DE VALORES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. COMPENSAÇÃO.COMPROVAÇÃO. No pedido de restituição/compensação, a prova hábil para comprovar os rendimentos obtidos e o imposto retido na fonte (IRRF) é o comprovante de que trata a específica legislação tributária. Na sua ausência, por interpretação razoável, são admitidos os valores apresentados em Declaração de Imposto de Renda na Fonte (DIRF). Todavia as notas fiscais com mera indicação de tributos retidos na fonte não comprovam a retenção no período, não se sobrepõem nem invalidam as informações constantes dos comprovantes de rendimentos e imposto retido na fonte e das DIRF utilizadas pela Administração Tributária para reconhecimento do direito creditório. IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) bem como as notas fiscais são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, de modo a comprovar que sofreu o ônus da retenção do tributo, e que das notas fiscais emitidas recebeu apenas o valor líquido já descontado o tributo na fonte, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 53 99 /2 00 6- 41 Fl. 6998DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano e Marciel Eder Costa. Relatório Por economia processual e bem descrever os fatos adoto o Relatório da decisão recorrida (fls.6940/6950) que transcrevo a seguir: Ao presente processo 19647.005399/200641, foram juntados os processos 19647.005400/200638 e 19647.005402/200627, sendo realizada a análise dos créditos informados nas PERDCOMP constantes desses processos, conforme Termo de Encerramento de Diligência Fiscal, fls. 1682 a 1686. 2. Nas fls. 1682 a 1686 consta o Termo de Encerramento de Diligência Fiscal, no qual é descrito, em síntese, que: 2.1. a diligência tinha o objetivo de analisar os créditos informados através dos PERDCOMP dos processos administrativos de nºs 19647.005399/200641, 19647.005400/200638 e 19647.005402/200627; 2.2. intimada a comprovar as operações que resultariam nos créditos utilizados nos PERDcomp citados no Termo de Diligência Fiscal/Solicitação de Documentos (fl. 300, atual fl. 589), datado de 26/03/2007, a empresa LISERVE apresentou a correspondência de fls. 301 a 329 (atuais fls. 590 a 618), em 12/04/2007, inclusive relação das declarações retificadoras então já apresentadas; 2.3. em 08/06/2007 foi lavrado Termo de Reintimação Fiscal para regularização das divergências apuradas, informando da necessidade de apresentação dos comprovantes de retenção do imposto/contribuições (fls. 333 a 341, atuais fls. 622 a 630); 2.4. em 06/06/2007, 25/07/2007, 08/08/2007, 25/10/2007, 29/10/2007,27/12/20007, a empresa apresenta elementos para esclarecimento de divergências apontadas pela fiscalização nas Fl. 6999DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19647.005399/200641 Acórdão n.º 1802002.244 S1TE02 Fl. 3 3 antigas (antes de transformação em processo eletrônico) fls. 352, 355,356, 359 a 362, 363, 364; 2.5. para comprovação das retenções utilizadas nos PERDCOMP, a empresa juntou os documentos de fls. 366 a 838, atuais fls. 656 a 1137, sendo os demais devolvidos por faltar nos mesmos a comprovação das respectivas retenções; 2.6. os documentos foram separados por período de apuração, estando nas (antigas) fls. 366 a 394, aqueles referentes ao IRPJ dos 3o e 4o trimestres de 2002, nas (antigas) fls. 395 a 769 referentes ao IRPJ dos 4 trimestres de 2003, nas (antigas) fls. 770 a 816 os referentes ao IRPJ dos quatro trimestres de 2004, e nas (antigas) fls. 817 a 838 os que se referem à CSLL dos quatros trimestres de 2004; 2.7. os PERDCOMP e DIPJ foram retificados, embora tenham implicado em redução dos valores dos débitos e dos créditos compensados nas PERDCOMP; 2.8. todos os créditos utilizados trimestralmente pela contribuinte se referem unicamente a saldos negativos de IRPJ e CSLL e as retenções de uma forma geral se referem à prestação de serviços, cujo recolhimento se dá no terceiro dia útil da semana seguinte ao pagamento, podendo haver divergência entre as datas das notas fiscais (registros da prestadora dos serviços) e aqueles dos pagamentos (empresa tomadora dos serviços); 2.9. a fiscalização procedeu à apuração dos créditos dos PERDCOMP para cada trimestre examinado (fls. 839 a 1313, atuais fls. 1138 a 1679), considerando: a) todas as retenções na fonte registradas nas DIRF apresentadas pelos clientes da empresa; b) todos os comprovantes de retenções na fonte apresentados pelo contribuinte; c) os créditos de um trimestre, porventura considerados nos PERDCOMP em outro trimestre do mesmo ano calendário e para um mesmo cliente, foram acatados tendo em vista a não coincidência entre as datas de emissão das notas fiscais e dos respectivos recolhimentos do tributo/contribuição; d) nos relatórios apresentados pela fiscalização constam observações dos (1) valores que se compensam dentro do anocalendário para o mesmo CNPJ; (2) quando não há registro de retenção em DIRF; (3) quando o contribuinte comprovou a retenção total ou parcialmente; (4) quando o comprovante do cliente (que efetuou a retenção) diverge da DIRF; (5) e quando os elementos apresentados não comprovam a retenção no período; e) após cada relatório trimestral foram juntados o PERDCOMP respectivo, relatório das DIRF (Dossiê Integrado) e a DIPJ ativa do período, (antigas) fls. 839 a 1313; 2.10. “como observação especial, registramos que com relação ao CNPJ 33.066.408/000115 e às retenções de IRPJ do ano calendário 2003 (fls. g a h), pretendeu a contribuinte comprovar um crédito de R$ 43.816,57, mas de acordo com as notas fiscais apresentadas (retenção a 1%) e com os registros dos débitos do Fl. 7000DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 MOVIMENTO DE CONTAS do contribuinte, a soma dos débitos é compatível com os valores registrados na DIRF do cliente, valores estes considerados na apuração desta fiscalização”. Transcreve a fiscalização dispositivos sobre a obrigatoriedade da entrega da DIRF (art. 86 da Lei 8.981/95 e art. 1o da IN RFB nº 784/2007); 2.11. “confirmamos os créditos apurados conforme cada um dos relatórios trimestrais, do período desde o 3o trimestre de 2002 até o 4o trimestre de 2004, de acordo com os relatórios ‘APURAÇÃO DOS CRÉDITOS DOS PER/DCOMPs’ aqui juntados às fls. m a n, resultando nos valores a seguir:”. Relaciona os seguintes valores dos créditos apurados nos PERDCOMP e os respectivos novos valores apurados pela fiscalização: Período Tributo Crédito no PERDcomp Crédito Apurado 2002 3º Trimestre IRPJ 54.211,15 39.371,72 2002 4º Trimestre IRPJ 56.162,89 41.320,61 2003 1º Trimestre IRPJ 55.030,00 48.438,33 2003 2º Trimestre IRPJ 48.196,21 45.075,92 2003 3º Trimestre IRPJ 47.064,95 39.985,58 2003 4º Trimestre IRPJ 56.435,74 49.226,51 2004 1º Trimestre IRPJ 56.134,67 54.147,87 2004 2º Trimestre IRPJ 61.453,16 50.519,23 2004 3º Trimestre IRPJ 72.499,26 47.325,00 2004 4º Trimestre IRPJ 126.717,71 104.528,77 2004 1º Trimestre CSLL 30.926,64 19.364,28 2004 2º Trimestre CSLL 46.498,92 27.735,87 2004 3º Trimestre CSLL 46.402,80 26.046,23 2004 4º Trimestre CSLL 53.623,65 42.562,64 3. Na “Informação Fiscal” de fl. 1793 é informado que as DCOMP eletrônicas retificadoras nºs 38968.43996.110407.1.7.029031 e 16098.34427.110407.1.7.03 6789 não puderam ser admitidas, em virtude da vedação imposta pelo art. 59 da IN SRF n° 600/05. 4. No Termo de Informação Fiscal de fl. 1794 a 1803, é informado que a contribuinte apresentou Dcomp para compensar débitos tributários com créditos provenientes de saldos negativos de IRPJ do 3o e 4o trimestres de 2002, dos quatro trimestres de 2003 e quatro trimestres de 2004, e de CSLL, dos quatro trimestres de 2004. Nesse Termo é ainda informado que: Fl. 7001DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19647.005399/200641 Acórdão n.º 1802002.244 S1TE02 Fl. 4 5 4.1. todas as DCOMP vinculadas aos supostos créditos deste processo encontramse juntadas nas folhas que especifica, listadas as Dcomp nas fls. 1350 e 1351, atuais fls. 1716 e 1717, com a indicação das Dcomp originais e respectivas retificadoras sujeitas à admissão; 4.2. as apurações dos saldos negativos referidos, de IRPJ do 3o trimestre de 2002 ao 4o trimestre de 2004, e de CSLL, do 1o ao 4o trimestre de 2004, foram objeto de procedimento fiscal que culminou no Termo de Diligência Fiscal de fls. 1316 a 1320, atuais fls.1682 a 1686; 4.3. nas datas de transmissão das Dcomp não havia transcorrido o prazo decadencial; 4.4. “(...) as compensações (...) estão condicionadas à confirmação da apuração dos respectivos créditos (...)”; 4.5. “(...) foram analisados em DIRF os IRRF que tiveram o contribuinte como beneficiário, confrontandose as informações declaradas com os valores solicitados pelo contribuinte em DCOMP”; 4.6. “Para a comprovação de divergências, foram apresentadas notas fiscais emitidas pela prestação de serviços por parte do contribuinte e também Comprovantes de Rendimentos e Retenções na Fonte (fls. 394 a 838)”; 4.7. “Com isso, o Serviço de Fiscalização elaborou tabelas comparativas do IRRF de forma a apurar os possíveis créditos de IRRF passíveis de serem lançados em DIPJ como dedução ao IRPJ devido em cada trimestre de apuração. As tabelas são encontradas às folhas 839 a 843,859 a 863, 916 a 923, 940 a 947, 962 a 969, 985 a 992, 1071 a 1076, 1090 a 1095, 1109 a 1114 e 1128 a1133”; 4.8. “Assim, de acordo com as tabelas de IRRF cujos resultados foram expressos no Termo de Diligência Fiscal às folhas 1319 e 1320, os créditos de IR retidos na fonte que tiveram o contribuinte como beneficiário durante os períodos de apuração indicados no item 8 encontramse resumidos na primeira tabela da folha 1371”, atual fl. 1737; 4.9. “Assim, partindose das verificações efetuadas pelo Serviço de Fiscalização, juntamente com a apuração dos IRRF e as informações prestadas pelo contribuinte em DIPJ (fls. 1353 a 1362), foram elaboradas as planilhas de folhas 1372 a 1374, as quais mostram numa coluna os valores informados pelo contribuinte em DIPJ e na outra os valores apurados em fiscalização, listados na primeira tabela da folha 1371. Nessa última coluna, partindose do IRPJ devido, são efetuadas as devidas deduções de IRRF, calculandose, então, o valor dos saldos negativos de IRPJ apurados em cada trimestre”; 4.10. “Da mesma forma foram calculados os possíveis créditos de saldos negativos de CSLL para os trimestres de 2004”, Fl. 7002DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 considerandose as informações da DIPJ (fls.1363 a 1370, elaborandose a planilha de fl. 1375, atual fl. 1741; 4.11. nas fls. 1372 a 1375, “observase que o valor apurado pela fiscalização ora é menor que o informado em DIPJ, ora é maior. Tal fato decorre da possibilidade do IR ou CSLL referentes a um trimestre terem sido utilizados como dedução em outro trimestre, em virtude do lapso temporal entre o pagamento do serviço sujeito a retenção na fonte do tributo, com a emissão da nota fiscal, e o efetivo recolhimento do tributo retido”; 4.12. os saldos negativos apurados pela fiscalização se encontram na última coluna das tabelas de fls. 1372 a 1375, sendo tais saldos negativos listados abaixo: Saldo Período Tributo Negativo 3º Trim/2002 IRPJ 16.578,45 4º Trim/2002 IRPJ 24.196,76 1º Trim/2003 IRPJ 3.862,02 2º Trim/2003 IRPJ 16.112,27 3º Trim/2003 IRPJ 31.879,58 4º Trim/2003 IRPJ 49.226,51 1º Trim/2004 IRPJ 9.488,73 2º Trim/2004 IRPJ 18.107,15 3º Trim/2004 IRPJ 34.764,29 4º Trim/2004 IRPJ 81.998,69 1º Trim/2004 CSLL 1.126,99 2º Trim/2004 CSLL 13.907,52 3º Trim/2004 CSLL 19.364,38 4º Trim/2004 CSLL 31.931,81 4.13. “Com a transmissão da DCOMP canceladora nº 40102.77842.230807.1.8.028069 (fl. 1350, In. 18), há que se cancelar as DCOMP anteriores nºs 17965.31367.131104.1.3.02 8742 e 37848.51235.110407.1.7.020980 (fl. 1350, Ins. 16 e 17)”; 4.14. da análise da “admissibilidade das DCOMP retificadoras, verificouse a impossibilidade de admissão da DCOMP n° 38968.43996.110407.1.7.029031, vinculada ao credito de saldo negativo de IRPJ do 4o. trim/2004, em virtude da vedação imposta pelo art.59 da IN SRF n° 600/05, já que nessa DCOMP (fls. 1145 a 1148) existem mais débitos incluídos do que os declarados em sua DCOMP original (fls. 254 e 255). Dessa forma, a DCOMP original no 27978.69206.120205.1.3.028068 Fl. 7003DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19647.005399/200641 Acórdão n.º 1802002.244 S1TE02 Fl. 5 7 deve permanecer ativa, sujeitandose a homologação da compensação de seus débitos e à cobrança daqueles não homologados”; 4.15. discorre sobre situação de débitos de Cofins, PIS e IRPJ informados em Dcomps; 4.16. “Para a CSLL, a transmissão da DCOMP canceladora n° 42511.86338.120205.1.8.030043 (fl. 1351, In. 8) ensejou o cancelamento da DCOMP anterior n° 12251.14966.120205.1.3.034061 (fl. 1351, In. 7)”; 4.17. “Analisandose as DCOMP retificadoras vinculadas aos créditos de saldo negativo de CSLL, verificouse que a retificadora n° 28662.86441.110407.1.7.030208 declarou o período de apuração de seu início débito de forma equivocada, já que em comparação com os dados informados em DCTF (fl. 1385), na DCOMP original (fl. 224) e pela data de vencimento indicada (fl. 1189) tratase de débito de Cofins com período de apuração nov/03 e não dez/03, devendo ser retificado”; 4.18. “Em relação a DCOMP retificadora n° 16098.34427.110407.1.7.036789, vinculada ao crédito de saldo negativo de CSLL do 3° trim/2004, verificouse a impossibilidade de sua admissão em virtude da vedação imposta pelo art. 59 da IN SRF nº 600/05, já que nessa DCOMP (fl. 1207) existem mais débitos incluídos do que os declarados em sua DCOMP original (fl. 247, verso). Dessa forma, a DCOMP original n° 05135.01223.131104.1.3.030931 deve permanecer ativa, sujeitandose à homologação da compensação de seus débitos e cobrança daqueles não homologados”; 4.19. discorre sobre a situação de débitos de CSLL e Cofins informados nas Dcomp e sua exigibilidade e aduz que “o debito de CSLL, apuração trimestral, do 1° trim/2004 declarado na DCOMP original (fl. 247, verso) já foi reduzido pela CSLL retida na fonte quando da apuração do correspondente saldo negativo (fls. 1364 e 1375) e, portanto, já se encontra extinto, não cabendo mais a sua exigibilidade, devendo ser cancelado daDCOMP”; 4.20. “Tomandose como data efetiva das compensações as datas de transmissão das DCOMP originais de folhas 1350 e 1351, vinculadas aos créditos de saldos negativos dos respectivos períodos de apuração ali informados, juntamente com os créditos de saldos negativos de IRPJ e CSLL já devidamente apurados, conforme folhas 1372 a 1375 e tabela do item 18, foram efetuados às folhas 1390 a 1422 os demonstrativos de compensação dos débitos para cada período trimestral de apuração”; 4.21. discorre sobre débitos de IRRF, PIS e Cofins e sua exigibilidade; 4.22. conclui que “as DCOMP ativas vinculadas a este processo são as de nºs 00590.45835.110407.1.7.026835, Fl. 7004DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 32956.19364.110407.1.7.022208, 29665.96383.110407.1.7.02 2244, 12290.33368.110407.1.7.023014, 21648.73048.250804.1.3.020605, 42436.27563.110407.l.7.02 3000, 16818.65699.110407.1.7.028088, 28441.63852.110407.1.7.022092, 27978.69206.120205.1.3.02 8068, 08535.60249.240807.1.3.027444, 35429.46759.110407.1.7.037648, 28662.86441.110407.1.7.03 0208, 05135.01223.131104.1.3.030931 e 05306.01719.110407.1.7.032367. Os saldos remanescentes dos débitos nelas compensados, cujos respectivos créditos não foram suficientes para suas homologações, se encontram nas listas anexas a este Termo de Informação, às folhas 1437 a 1450”, atuais fls. 1804 a 1817; 4.23. com amparo na apuração da fiscalização das retenções de IR e de CSLL e pela insuficiência de créditos de saldo negativo para compensação de todos os débitos das Dcomps deste processo, propõe: 4.23.1 a admissão das Dcomp retificadoras e canceladoras nºs “00590.45835.110407.1.7.026835, 32956.19364.110407.1.7.02 2208, 29665.96383.110407.1.7.022244, 12290.33368.110407.1.7.023014, 42436.27563.110407.1.7.02 3000, 16818.65699.110407.1.7.028088, 28441.63852.110407.1.7.022092, 40102.77842.230807.1.8.02 8069, 35429.46759.110407.1.7.037648, 28662.86441.110407.1.7.030208, 42511.86338.120205.1.8.03 0043 e 05306. 01719.110407.1.7.032367, não admitindo as DCOMP retificadoras nºs 38968.43996.110407.1.7.029031 e 16098.34427.110407.1.7.036789”; 4.23.2. “A RETIFICAÇÃO do período de apuração do debito de Cofins declarado na DCOMP retificadora n° 28662.86441.110407.1.7.030208 (fl. 1189) de dez/03 para nov/03, em total acordo com o vencimento ali informado e com os dados declarados em DCTF (fl. 1385)”; 4.23.3. “O CANCELAMENTO dos débitos de IRPJ, apuração trimestral, do 1o, 2° e 3° trim/2004 declarados na DCOMP original n° 27978.69206.120205.1.3.028068 (fl. 254, verso) em virtude de já terem sido deduzidos/compensados pelos IRRF de cada período quando da apuração dos respectivos saldos negativos (fl.1374), não sendo mais exigidos nessa DCOMP”; 4.23.4. “O CANCELAMENTO do débito de CSLL, apuração trimestral, do 1o trim/2004 declarado na DCOMP original n° 05135.01223.131104.1.3.030931 (fl. 247,verso) em virtude de já terem sido deduzidos/compensados pela CSLL retida na fonte quando da apuração do correspondente saldo negativo (fls. 1364 e 1375), não sendo mais exigido nessa DCOMP”; 4.23.5. “A HOMOLOGAÇÃO da compensação do debito da DCOMP n° 00590.45835.110407.1.7.026835 (fl. 857) até o montante do crédito de saldo negativo de IRPJ do 3° trimestre de 2002 no valor original de R$ 16.578,45, não homologando o saldo remanescente conforme listagem do Anexo 1 deste Termo (fl. 1437)”; Fl. 7005DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19647.005399/200641 Acórdão n.º 1802002.244 S1TE02 Fl. 6 9 4.23.6. “A HOMOLOGAÇÃO das compensações dos débitos da DCOMP no 32956.19364.110407.1.7.022208 (fl. 878) ate o montante do crédito de saldo negativo de IRPJ do 4° trimestre de 2002 no valor original de R$ 24.196,76, não homologando os saldos remanescentes conforme listagem do Anexo 2 deste Termo (fl. 1438)”; 4.23.7. “A HOMOLOGAÇÃO da compensação do debito da DCOMP n°29665.96383.110407.1.7.022244 (fl. 938) ate o montante do credito de saldo negativo de IRPJ do 1° trimestre de 2003 no valor original de R$ 3.862,02, não homologando o saldo remanescente conforme listagem do Anexo 3 deste Termo (fl. 1439)”; 4.23.8. “A HOMOLOGAÇÃO das compensações dos débitos da DCOMP n° 12290.33368.110407.1.7.023014 (fl. 960) até o montante do credito de saldo negativo de IRPJ do 2° trimestre de 2003 no valor original de R$ 16.112,27, não homologando os saldos remanescentes conforme listagem do Anexo 4 deste Termo (fl. 1440)”; 4.23.9. “A HOMOLOGAÇÃO da compensação do débito da DCOMP n° 42436.27563.110407.1.7.023000 (fl. 983) até o montante do crédito de saldo negativo de IRPJ do 3° trimestre de 2003 no valor original de R$ 31.879,58, não homologando o saldo remanescente conforme listagem do Anexo 5 deste Termo (fl. 1441)”; 4.23.10. “A HOMOLOGAÇÃO das compensações dos débitos da DCOMP n° 21648.73048.250804.1.3.020605 (fl. 132, verso) até o montante do crédito de saldo negativo de IRPJ do 4° trimestre de 2003 no valor original de R$ 49.226,51, não homologando os saldos remanescentes conforme listagem do Anexo 6 deste Termo (fl. 1442)”; 4.23.11. “A HOMOLOGAÇÃO das compensações dos débitos da DCOMP n° 16818.65699.110407.1.7.028088 (fl. 1088) ate o montante do crédito de saldo negativo de IRPJ do 1° trimestre de 2004 no valor original de R$ 9.488,73, não homologando os saldos remanescentes conforme listagem do Anexo 7 deste Termo (fl. 1443)”; 4.23.12. “A HOMOLOGAÇÃO das compensações dos débitos da DCOMP n° 28441.63852.110407.1.7.022092 (fl. 1107) até o montante do crédito de saldo negativo de IRPJ do 2° trimestre de 2004 no valor original de R$ 18.107,15, não homologando os saldos remanescentes conforme listagem do Anexo 8 deste Termo (fl. 1444)”; 4.23.13. “A HOMOLOGAÇÃO das compensações dos débitos da DCOMP n° 08535.60249.240807.1.3.027444 (fls. 1334 a 1342) ate o montante do crédito de saldo negativo, de IRPJ do 3° trimestre de 2004 no valor original de R$ 34.764,29, não homologando os saldos remanescentes conforme listagem do Anexo 9 deste Termo (fl. 1445)”; Fl. 7006DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 10 4.23.14. “A HOMOLOGAÇÃO das compensações dos débitos da DCOMP n° 27978.69206.120205.1.3.028068 (fls. 254, verso, e 255) até o montante do credito de saldo negativo de IRPJ do 4º trimestre de 2004 no valor original de R$ 81.998,69, não se exigindo os débitos de IRPJ, apuração trimestral, do 1°, 2° e 3° trim/2004 em virtude de já estarem extintos pela compensação/dedução com os respectivos IRRF quando de suas apurações em DIPJ (fls. 1359 a 1361 e 1374)”; 4.23.15. “A HOMOLOGAÇÃO da compensação do debito da DCOMP n°35429.46759.110407.1.7.037648 (fl. 1170) até o montante do credito de saldo negativo de CSLL do 1° trimestre de 2004 no valor original de R$ 1.126,99, não homologando o saldo remanescente conforme listagem do Anexo 11 deste Termo (fl. 1447)”; 4.23.16. “A HOMOLOGAÇÃO da compensação do debito da DCOMP n° 28662.86441.110407.1.7.030208 (fl. 1189) ate o montante do credito de saldo negativo de CSLL do 2° trimestre de 2004 no valor original de R$ 13.907,52, não homologando o saldo remanescente conforme listagem do Anexo 12 deste Termo (fl. 1448)”; 4.23.17. “A HOMOLOGAÇÃO das compensações dos débitos da DCOMP n° 05135.01223.131104.1.3.030931 (fl. 247, verso) até o montante do crédito de saldo negativo de CSLL do 3° trimestre de 2004 no valor original de R$ 19.364,38, não homologando o saldo remanescente conforme listagem do Anexo 13 deste Termo (fl. 1449) e não se exigindo o débito de CSLL do 1º trim/2004 em virtude de já estar extinto pela compensação/dedução com as correspondentes CSLL retidas na fonte quando de sua apuração em DIPJ (fls. 1364 e 1375)”; 4.23.18. “A HOMOLOGAÇÃO das compensações dos débitos da DCOMP n° 05306.01719.110407.1.7.032367 (fls. 1224 a 1226) ate o montante do crédito de saldo negativo de CSLL do 4º trimestre de 2004 no valor original de R$ 31.931,81, não homologando o saldo remanescente conforme listagem do Anexo 14 deste Termo (fl. 1450)”; 4.23.19. “A COBRANÇA dos débitos de PIS (8109) com períodos de apuração fev/03, mar/03, abr/03, mai/03 e jun/03, do débito de IRRF (3208) com período de apuração 3o sem/ago/03 e do débito de Cofins (2172) com período de apuração fev/03, todos contidos na DCOMP não admitida n° 38968.43996.110407.1.7.029031 (fls. 1145 a 1148), não contidos em outras DCOMP, mas já declarados/confessados em DCTF (fls. 1376 a 1382 e 1386), nos respectivos valores originais de R$ 7.397,89, R$ 6.630,80, R$ 6.752,61, R$ 6.407,91, R$ 6.301,88, R$ 2.357,60 e R$ 6.144,09”; 4.23.20. “A COBRANÇA do débito de Cofins (2172) com período de apuração nov/03, contido na DCOMP não admitida n° 16098.34427.110407.1.7.036789 (fl.1207), não contido em outra DCOMP, mas já declarado/confessado em DCTF (fl. 1385), no valor original de R$ 8.809,24”. 5. Nas fls. 1451 a 1454, atuais fls. 1818 a 1821, consta o Despacho Decisório DRF/REC/Pessoa Jurídica/2008”, por meio Fl. 7007DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19647.005399/200641 Acórdão n.º 1802002.244 S1TE02 Fl. 7 11 do qual, basicamente, é acatado o conteúdo do Termo de Informação Fiscal de fl. 1794 a 1803, determinandose o cumprimento das propostas efetuadas naquele Termo e “o ENVIO de Informação Fiscal ao SAPAC comunicando a existência de débitos não declarados em DCTF” e “a COBRANÇA de todos os débitos cujas compensações não foram homologadas”. 6. Cientificada do Despacho Decisório em 01/12/2008, conforme fl. 1823, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, fls. 1825 a 1831, em 30/12/2008, conforme fl. 1826, alegando que: 6.1. “(...) apresentou (...) DCOMP's (...) visando compensar débitos tributários com créditos provenientes de saldos negativos de IRPJ e CSLL, sendo os saldos negativos de IRPJ apurados no 3° e 4° trimestre de 2002, nos quatro trimestres de 2003 e nos quatro trimestres de 2004 e os saldos negativos de CSLL apurados nos quatro trimestres de 2004”; 6.2. a “Administração realizou (...) a comparação das informações constantes das apurações do IRPJ devidos (...) com as Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF 's) que tiveram o contribuinte como beneficiário”; 6.3. “(...) o RECORRENTE também apresentou as notas fiscais de prestação de serviços do período fiscalizado e Comprovantes de Retenção na Fonte”; 6.4. “De posse de tais informações, o Serviço de Fiscalização hipoteticamente elaborou planilhas comparativas do IRRF, de maneira a apurar os possíveis créditos de IRRF passiveis de serem lançados em DIPJ como dedução ao IRRJ devido em cada trimestre de apuração”; 6.5. “Em tese, portanto, os créditos de IR retido na fonte que tiveram o contribuinte como beneficiário durante o período fiscalizado estão expressos na planilha de folha 1371”; 6.6. a Fiscalização, partindo de suas verificações “(...), juntamente com a apuração dos IRRF e as informações prestadas pelo Contribuinte em DIPJ, procedeuse à apuração dos saldos negativos de IRPJ” (IRPJ trimestrais deduzidos do IR retido na fonte) e da mesma forma procedeu para a CSLL; 6.7. “(...) entretanto (...) em inúmeros casos, os valores apurados” pela “(...) Fiscalização a titulo de IR e CSLL retidos na fonte são inferiores aos reais, o que originou um significativo equívoco quanto aos valores dos saldos negativos da RECORRENTE (...)”; 6.8. “A cabal comprovação (...) das retenções não consideradas na apuração dos créditos referentes aos saldos negativos de IR e CSLL (...), entretanto, podem ser facilmente aferidas pelo cotejo das notas fiscais em anexo (...)”; Fl. 7008DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 12 6.9. “A partir de referidos documentos fiscais (...) procedeuse a apuração dos valores efetivos dos créditos de IRRF e CSLL fonte da RECORRENTE, demonstrandose, na coluna "valor indevidamente negado", o valor correspondente a parcela do crédito do saldo negativo desconsiderado pela Administração (...)”; 6.10. “(...) inexiste qualquer (...) dúvida quanto aos valores apurados pela RECORRENTE, sendo correto afirmar que: a) existe inequívoco registro de todas as notas fiscais emitidas, o que se comprova, inclusive, pela apresentação das respectivas Declarações de serviços (DS), fornecidas pela Recorrente à Prefeitura da Cidade do Recife; b) em todas as notas existe o necessário destaque dos valores retidos a titulo de IR e CSLL”; 6.11. “Nos termos da legislação de regência, pois, os valores retidos serão considerados como antecipação do que for devido pelo contribuinte que sofreu a retenção, em relação às respectivas contribuições e ao imposto de renda, podendo ser compensados com o imposto e contribuições de mesma espécie, devidos relativamente a fatos geradores ocorridos a partir do mês da retenção”; 6.12. “Especificamente em relação às contribuições sociais, o valor a ser compensado, correspondente a cada espécie de contribuição, será determinado pelo próprio contribuinte mediante a aplicação, sobre o valor da fatura, das alíquotas respectivas às retenções efetuadas”; 6.13. “Logo, a partir da emissão de referidas notas fiscais a RECORRENTE tornouse titular de tais créditos, não se podendo desconsiderar a integralidade e/ou parcela dos valores retidos, discriminados nas notas fiscais em anexo, na apuração dos créditos dos saldos negativos do período”; 6.14. “(...) a RECORRENTE procedeu a entrega de referidas notas fiscais comprobatórias dos valores efetivamente retidos. Contudo, tais documentos não foram devidamente valorados pelo Serviço de Fiscalização (...)”; 6.15. “(...) os documentos fiscais em anexo indicam deva ser feita a retificação dos valores do crédito atribuído à RECORRENTE. (...), já decidiu (...) o Conselho de Contribuintes que a ausência de declaração dos valores retidos pode ser suprida pela apresentação das notas fiscais que comprovam as retenções pelos tomadores de serviço”, “Assim, indevida é a negativa do crédito ante a apresentação das notas fiscais com destaque dos valores devidos”. Transcreve ementa de decisão do Conselho de Contribuintes sobre, entre outros, possibilidade de conferir os valores retidos por meio de notas fiscais; 6.16. “(...) o despacho decisório (...) deve ser revisto, determinandose a retificação (...) para (...) o reconhecimento das parcelas não homologadas do crédito (...), devidamente veiculadas nas planilhas em anexo (Docs. 04 a 17) no campo "valores indevidamente negados" (...) comprovados através das notas fiscais ora apresentadas”; Fl. 7009DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19647.005399/200641 Acórdão n.º 1802002.244 S1TE02 Fl. 8 13 6.17. “(...) requer (...), o reconhecimento das parcelas não homologadas (...) devidamente veiculadas nas planilhas em anexo (Docs. 04 a 17) no campo "valores indevidamente negados", com “a homologação das DCOMP's ali discriminadas até os limites dos créditos informados e comprovados no presente recurso”; 6.18. “Protesta, finalmente, acaso se entenda necessário, pela realização de diligência fiscal para conferência das notas fiscais ora apresentadas e verificação de sua escrituração, bem como pela realização e/ou reiteração de perícia contábil e/ou conferência aritmética dos valores ora apresentados, tomando se por base as notas fiscais em estudo.” 7. Nas fls. 6775 a 6777 consta o Termo de Informação Fiscal, referindose ao Processo 14766.000287/200977, sendo informado nesse Termo que: 7.1. “Todas as DCOMP eletrônicas vinculadas a este processo são retificadoras e possuem os números 42446.21885.160409.1.7.023919, juntada às folhas 01 a 05, 02301.95530.160409.1.7.020933, juntada às folhas 06 a 11, e 19817.29786.160409.1.7.03 7190, juntada às folhas 12 a 15”; 7.2. “Todos os créditos de saldos negativos citados no item 01 já foram objeto de análise e de Despacho Decisório proferido no processo n° 19647.005399/200641, juntado às folhas 16 a 19, e cuja ciência ao contribuinte foi dada em 01/12/2008 (fl. 21).”; 7.3. “Todas as três DCOMP aqui analisadas, citadas no item 02, são retificadoras e foram transmitidas em 16/04/09, portanto, após a ciência do Despacho Decisório do processo n° 19647.005399/200641”; 7.4. “A DCOMP no 02301.95530.160409.1.7.020933 possui como DCOMP ativa anterior a retificadora de n° 00590.45835.110407.1.7.026835 (fls. 06 e 23) cujas compensações dos débitos já foram parcialmente homologadas no Despacho Decisório anterior (fl. 16)”; 7.5. “A DCOMP nº 42446.21885.160409.1.7.023919 possui como DCOMP ativa anterior a de n° 21648.73048.250804.1.3.020605 (fls. 01 e 23) cujas compensações dos débitos também já foram parcialmente homologadas no Despacho Decisório anterior (fl. 17)”; 7.6. “E a DCOMP nº 19817.29786.160409.1.7.037190 possui como DCOMP ativa anterior a de n ° 28662.86441.110407.1.7.030208 (fls. 12 e 24) cujas compensações dos débitos também já foram parcialmente homologadas no Despacho Decisório anterior (fl. 18)”; 7.7. “De acordo com os artigos 77 e 95 da IN RFB no 900/2008 as Declarações de Compensação retificadoras só serão admitidas caso as DCOMP a serem retificadas ainda se Fl. 7010DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 14 encontrem pendentes de decisão administrativa, sem ciência do Despacho Decisório, à data do envio da retificadora”; 7.8. “Mas todas três DCOMP a serem retificadas já foram objeto de Despacho Decisório com intimação ao contribuinte já efetuada (fls. 20 e 21), impossibilitando a admissão das DCOMP retificadoras Os 42446.21885.160409.1.7.023919, 02301.95530.160409.1.7.020933 e 19817.29786.160409.1.7.03 7190”; 7.9. “Devem ser mantidas as cobranças dos débitos não homologados pela decisão do processo anterior n° 19647.005399/200641 e daqueles contidos em DCTF e não compensados, conforme decisão daquele processo”; 7.10. “Logo, devido à impossibilidade de retificação das DCOMP objetos de Despacho Decisório anterior no processo n° 19647.005399/200641, proponho a não admissão das DCOMP retificadoras nos 42446.21885.160409.1.7.023919, 02301.95530.160409.1.7.020933 e 19817.29786.160409.1.7.03 7190 e o seguimento das cobranças determinadas naquele despacho”. 8. Nas fl. 6778 consta o DESPACHO DECISÓRIO DRF/REC/PESSOA JURÍDICA/2009, que determinou a não admissão das DCOMP retificadoras nºs 42446.21885.160409.1.7.023919, 02301.95530.160409.1.7.02 0933 e 19817.29786.160409.1.7.037190 e a manutenção das cobranças determinadas no Despacho Decisório do processo n° 19647.005399/200641, observando a diferença entre os valores declarados em DCTF e aqueles efetivamente compensados. 9. Na fl. 6901 consta a Intimação para ciência à contribuinte de que “Tendo em vista que o Despacho Decisório DRF/REC/PESSOA JURÍDICA/2009 contido no Processo 14766.000287/200977 considerou NÃO ADMITIDA as Dcomp's de nºs 42446.21885; 02301.95530 e 19817.29786, bem como manteve as cobranças determinadas no Despacho Decisório DRF/REC/PJ/2008 contido no processo de no 19647.005399/200641 (já encaminhado e cuja ciência foi dada em 01/12/2008), solicitamos efetuar o recolhimento dos débitos relacionados no extrato anexo, dentro do prazo de 30 (trinta) dias, contados a partir do recebimento desta (data e assinatura do AR) (...)”. 10. Na fl. 6904 consta Informação da DRF/Recife relativamente ao controle de débitos da contribuinte informados em Dcomps. A 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Recife/PE) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1139.584, de 31 de janeiro de 2013 (fls.6938/6960), cientificado ao interessado em 01/04/2013. A decisão recorrida possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 7011DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19647.005399/200641 Acórdão n.º 1802002.244 S1TE02 Fl. 9 15 Anocalendário: 2002, 2003, 2004 COMPENSAÇÃO. REQUISITO. Somente são compensáveis os créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. IRRF. COMPROVAÇÃO. Para que seja possível a compensação a título de saldo negativo de IRPJ ou CSLL, em cujas apurações se pretenda deduzir, respectivamente, IRRF ou CSLL retidos na fonte, fazemse necessárias a liquidez e certeza de tais deduções que repercutirão no montante do crédito apurado. RETENÇÕES DE TRIBUTOS. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E LEGAL À COMPROVAÇÃO. O comprovante de rendimentos, emitido pela fonte pagadora (tomadora do serviço) e entregue ao beneficiário do pagamento (prestador do serviço), é o documento hábil e legal à comprovação da retenção e deve espelhar a informação da Declaração de Impostos Retidos na Fonte DIRF prestada pela mesma fonte pagadora à RFB. Notas fiscais de emissão própria do prestador do serviço e beneficiário do pagamento cujas informações de retenção de tributos não estão lastreadas na informação oficial da fonte pagadora (comprovante de rendimentos/DIRF) não constituem documentação legal hábil à prova inequívoca da retenção e seu valor, e muito menos da liquidez e certeza do saldo negativo em cujo cálculo se utilizam tais supostas retenções. Para o interessado constituir prova a seu favor, não basta carrear aos autos elementos por ele mesmo elaborados; deverá ratificálos por outros meios probatórios cuja produção não decorra exclusivamente de seu próprio ato de vontade. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002, 2003, 2004 PROVAS. A prova documental deve ser apresentada juntamente com a manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, a menos que demonstrado, justificadamente, o preenchimento de um dos requisitos constantes do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de perícia quando este não atender ao disposto na legislação de regência, bem como quando for prescindível à solução da lide. Fl. 7012DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 16 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 02/05/2013. A Recorrente discorda da decisão da DRJ e, no essencial, alega que, ao apresentar todas as notas fiscais que atestam a retenção dos tributos ora pleiteados, a Recorrente se desincumbiu de seu ônus de comprovar a origem e o montante do crédito apresentado para compensação. Diz a Recorrente que, não se mostra razoável que o direito de um contribuinte à recuperação do tributo retido fique condicionado, de forma absoluta, a um procedimento formal da fonte pagadora de emitir um determinado documento, principalmente quando o contribuinteprestador do serviço não tem meios cogentes de exigir o cumprimento dessa obrigação pelo tomador do serviçofonte pagadora. Destaca ainda que, ao exigir a apresentação das DIRF"s como único documento apto a comprovar as retenções realizadas, está a autoridade fiscal e, por consequência, também a Turma de Julgadora de 1ª instância, atribuindo à ora Recorrente a responsabilidade solidária, tanto pelo tributo retido e eventualmente não recolhido pela fonte pagadora, como também pelo descumprimento de obrigação acessória, consistente na omissão de informações nas DIRFs. Em um e em outro caso, contudo, a responsabilidade e as sanções decorrentes não podem ser imputadas à ora Recorrente. Cita acórdãos do Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, favoráveis ao seu ponto de vista. Finalmente requer a reforma do acórdão recorrido para reconhecer as notas fiscais como documentos hábeis e suficientes para comprovação do Imposto de renda e da CSLL retidos,convertendose o presente julgamento em diligência, se assim entender necessário, para que a autoridade fiscal proceda à conferência das notas fiscais e à apuração dos valores nela informados a título de retenção do IRPJ e da CSLL, ressaltandose que todas as respectivas notas fiscais já foram acostadas aos autos pela Recorrente por ocasião da apresentação da Manifestação de Inconformidade, conforme Jurisprudência sedimentada no CARF e com fulcro na ausência de responsabilidade da Recorrente (prestadora de serviço) pela eventual ausência de recolhimento dos tributos retidos informados nas aludidas notas fiscais É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. Fl. 7013DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19647.005399/200641 Acórdão n.º 1802002.244 S1TE02 Fl. 10 17 O presente processo trata de PERDDCOMPs apresentados pela Recorrente, nos quais pretende a compensação de créditos de Saldo Negativo de IRPJ do 3o trimestre/2002 até o 4o Trimestre/2004, bem como de créditos de Saldo Negativo de CSLL do 1o ao 4o trimestres/2004 com débitos próprios do sujeito passivo. Conforme relatado, ao presente processo 19647.005399/200641, foram juntados os processos nºs 19647.005400/200638 e 19647.005402/200627, sendo realizada a análise dos créditos informados nos PERDCOMPs constantes desses processos, conforme Termo de Encerramento de Diligência Fiscal, fls. 1682 a 1686. De acordo com o entendimento da DRF de origem (DRF Recife/PE) corroborada pela decisão de primeira instância da DRJ de Recife/PE, a interessada não comprovou totalmente as supostas retenções do imposto de renda na fonte, razão pela qual o crédito foi reconhecido no limite da apresentação dos devidos comprovantes de retenção e dos valores declarados em DIRF pelos clientes da recorrente nos mencionados trimestres dos anos calendário de 2002 a 2004. A Recorrente sustenta que a controvérsia ora posta à apreciação e decisão desta Egrégia Corte Administrativa é exclusivamente a seguinte: as notas fiscais emitidas pela contribuinte, nas quais exista a identificação da retenção do IRPJ e CSLL, são provas hábeis a comprovar a retenção e, consequentemente, o montante do saldo negativo de IRPJ e da base de cálculo negativa de CSLL pleiteados nas DCOMP's . A recorrente em seu recurso voluntário afirma que os comprovantes de retenção fornecidos pelas fontes pagadoras não seriam a única forma de comprovar as retenções sofridas e que as notas fiscais já apresentadas, bem como a jurisprudência administrativa dos Conselhos de Contribuintes corroboram o seu entendimento e amparam a sua pretensão. Por oportuno, convém registrar que a jurisprudência ou doutrina citada pelo Recorrente em sua defesa serve apenas como forma de ilustrar e reforçar sua argumentação, não vinculando a administração àquela interpretação, isto porque não têm eficácia normativa. Da mesma forma, se utilizadas neste voto, as citações e transcrições jurisprudenciais ou doutrinárias, terão como objetivo ilustrar e reforçar o posicionamento desta relatora. A Recorrente aduz que, ao exigir a apresentação das DIRFs como único documento apto a comprovar as retenções realizadas, está a autoridade fiscal e, por consequência, também a Turma de Julgadora de 1a instância, atribuindo à ora Recorrente a responsabilidade solidária, tanto pelo tributo retido e eventualmente não recolhido pela fonte pagadora, como também pelo descumprimento de obrigação acessória, consistente na omissão de informações nas DIRFs. A questão dos autos não é de imputação de responsabilidade atribuída ao contribuinte. Mas do confronto de provas necessárias à comprovação do indébito arguída pelo interessado. Toda a atividade fiscal para verificar os saldos negativos utilizados nos PERDCOMPs pela interessada, ora Recorrente, encontrase exaustivamente descrito no Termo de Encerramento de Diligência Fiscal, fls. 1682 a 1686 e no Termo de Informação Fiscal de fls. Fl. 7014DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 18 1794 a 1803 consubstanciados no Despacho Decisório que homologou parcialmente as compensações apresentadas pelo contribuinte, conforme se extrai do seguinte relato retrotranscrito : ... 2.8. todos os créditos utilizados trimestralmente pela contribuinte se referem unicamente a saldos negativos de IRPJ e CSLL e as retenções de uma forma geral se referem à prestação de serviços, cujo recolhimento se dá no terceiro dia útil da semana seguinte ao pagamento, podendo haver divergência entre as datas das notas fiscais (registros da prestadora dos serviços) e aqueles dos pagamentos (empresa tomadora dos serviços); 2.9. a fiscalização procedeu à apuração dos créditos dos PERDCOMP para cada trimestre examinado (fls. 839 a 1313, atuais fls. 1138 a 1679), considerando: a) todas as retenções na fonte registradas nas DIRF apresentadas pelos clientes da empresa; b) todos os comprovantes de retenções na fonte apresentados pelo contribuinte; c) os créditos de um trimestre, porventura considerados nos PERDCOMP em outro trimestre do mesmo ano calendário e para um mesmo cliente, foram acatados tendo em vista a não coincidência entre as datas de emissão das notas fiscais e dos respectivos recolhimentos do tributo/contribuição; d) nos relatórios apresentados pela fiscalização constam observações dos (1) valores que se compensam dentro do anocalendário para o mesmo CNPJ; (2) quando não há registro de retenção em DIRF; (3) quando o contribuinte comprovou a retenção total ou parcialmente; (4) quando o comprovante do cliente (que efetuou a retenção) diverge da DIRF; (5) e quando os elementos apresentados não comprovam a retenção no período; e) após cada relatório trimestral foram juntados o PERDCOMP respectivo, relatório das DIRF (Dossiê Integrado) e a DIPJ ativa do período, (antigas) fls. 839 a 1313; ... 4.5. “(...) foram analisados em DIRF os IRRF que tiveram o contribuinte como beneficiário, confrontandose as informações declaradas com os valores solicitados pelo contribuinte em DCOMP”; 4.6. “Para a comprovação de divergências, foram apresentadas notas fiscais emitidas pela prestação de serviços por parte do contribuinte e também Comprovantes de Rendimentos e Retenções na Fonte (fls. 394 a 838)”; 4.7. “Com isso, o Serviço de Fiscalização elaborou tabelas comparativas do IRRF de forma a apurar os possíveis créditos de IRRF passíveis de serem lançados em DIPJ como dedução ao IRPJ devido em cada trimestre de apuração. As tabelas são encontradas às folhas 839 a 843,859 a 863, 916 a 923, 940 a 947, 962 a 969, 985 a 992, 1071 a 1076, 1090 a 1095, 1109 a 1114 e 1128 a1133”; Fl. 7015DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19647.005399/200641 Acórdão n.º 1802002.244 S1TE02 Fl. 11 19 4.8. “Assim, de acordo com as tabelas de IRRF cujos resultados foram expressos no Termo de Diligência Fiscal às folhas 1319 e 1320, os créditos de IR retidos na fonte que tiveram o contribuinte como beneficiário durante os períodos de apuração indicados no item 8 encontramse resumidos na primeira tabela da folha 1371”, atual fl. 1737; 4.9. “Assim, partindose das verificações efetuadas pelo Serviço de Fiscalização, juntamente com a apuração dos IRRF e as informações prestadas pelo contribuinte em DIPJ (fls. 1353 a 1362), foram elaboradas as planilhas de folhas 1372 a 1374, as quais mostram numa coluna os valores informados pelo contribuinte em DIPJ e na outra os valores apurados em fiscalização, listados na primeira tabela da folha 1371. Nessa última coluna, partindose do IRPJ devido, são efetuadas as devidas deduções de IRRF, calculandose, então, o valor dos saldos negativos de IRPJ apurados em cada trimestre”; 4.10. “Da mesma forma foram calculados os possíveis créditos de saldos negativos de CSLL para os trimestres de 2004”, considerandose as informações da DIPJ (fls.1363 a 1370, elaborandose a planilha de fl. 1375, atual fl. 1741; 4.11. nas fls. 1372 a 1375, “observase que o valor apurado pela fiscalização ora é menor que o informado em DIPJ, ora é maior. Tal fato decorre da possibilidade do IR ou CSLL referentes a um trimestre terem sido utilizados como dedução em outro trimestre, em virtude do lapso temporal entre o pagamento do serviço sujeito a retenção na fonte do tributo, com a emissão da nota fiscal, e o efetivo recolhimento do tributo retido”; ... É indiscutível que o direito de o imposto de renda retido na fonte (IRRF) sobre as receitas, pode ser deduzido do apurado no encerramento do período, conforme estabelecido no artigo 231do Decreto 3.000, de 26 de março de 1999. Contudo há de se observar a prescrição contida no art.55 da Lei nº 7.450/85: o imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Nessa toada, não se pode reconhecer como pagamento indevido de tributo passível de restituição/compensação, valor que se baseia apenas em notas fiscais e declarações (DIPJ ), mas não se encontra lastreado em comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. No pedido de restituição/compensação, a prova hábil para comprovar os rendimentos obtidos e o imposto retido na fonte (IRRF) é o comprovante de que trata a específica legislação tributária. Na sua ausência, por interpretação razoável, são admitidos os valores apresentados em Declaração de Imposto de Renda na Fonte (DIRF). Com efeito, as notas fiscais com mera indicação de tributos retidos na fonte temse como prova indiciária mas não comprovam a retenção no período, tampouco se Fl. 7016DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 20 sobrepõem nem invalidam as informações constantes dos comprovantes de rendimentos e imposto retido na fonte e das DIRF utilizadas pela Administração Tributária para o reconhecimento do direito creditório. Nada impedira a Recorrente em apresentar elementos que pudessem contradizer os comprovantes de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos ou as informações das DIRF, apresentando caso a caso, cliente a cliente, as inexatidões ou incorreções das informações prestadas pelas fontes pagadoras. A Recorrente requer seja convertido o julgamento em diligência, se assim entender necessário, para que a autoridade fiscal proceda à conferência das notas fiscais e à apuração dos valores nela informados a título de retenção do IRPJ e da CSLL, ressaltandose que todas as respectivas notas fiscais já foram acostadas aos autos pela Recorrente por ocasião da apresentação da Manifestação de Inconformidade. Pelos próprios fundamentos expendidos na pretensão da Recorrente tornase desnecessária a diligência a verificar os mesmos documentos juntados já analisados descritos no Termo de Encerramento de Diligência Fiscal, fls. 1682 a 1686 e no Termo de Informação Fiscal de fl. 1794 a 1803. A Recorrente diz que se a nota fiscal não poderia comprovar a retenção, tampouco poderia ser utilizado para fins de apuração dos referidos tributos. Tal argumentação não se sustenta, pois, a emissão da nota fiscal pode traduzir a receita obtida declarada pelo prestador do serviço que tem a obrigação de expedir o documento ao tomador do serviço a dar lastro a sua escrituração contábil para fins de apuração de custo ou despesa como documento hábil para fins de dedução e apuração do lucro líquido do tomador do serviço. Já o comprovante de rendimento com retenção na fonte é o documento que comprova a efetividade da retenção na fonte a ser utilizado como prova hábil e idônea para fins de dedução do tributo devido no período de apuração. Embora a comprovação da retenção do imposto de renda na fonte possa em tese ser efetuada por outros elementos indiciários,cabe ao contribuinte trazer aos autos além das notas fiscais, prova robusta da apresentação de elementos hábeis e idôneos da existência da retenção do imposto de renda, por ele indicado nas notas fiscais. A Recorrente aduz que, ao exigir a apresentação das DIRFs como único documento apto a comprovar as retenções realizadas, está a autoridade fiscal e, por consequência, também a Turma de Julgadora de Ia instância, atribuindo à ora Recorrente a responsabilidade solidária, tanto pelo tributo retido e eventualmente não recolhido pela fonte pagadora, como também pelo descumprimento de obrigação acessória, consistente na omissão de informações nas DIRFs. Como visto no Relatório com excertos transcritos acima, a fiscalização não se ateve apenas aos valores contidos em DIRFs, mas, também naqueles valores suportados por comprovante de rendimentos e retenção na fonte apresentado pelo contribuinte. Ora, de acordo com a lei tributária acima citada (art.55, Lei nº 7.450/85) cabe ao contribuinte apresentar o documento hábil, emitido em nome da Recorrente, pela fonte pagadora dos rendimentos, a comprovar a retenção do IRRF. Fl. 7017DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19647.005399/200641 Acórdão n.º 1802002.244 S1TE02 Fl. 12 21 É sabido que a retenção na fonte é devida por lei e não constitui, em princípio, indébito ou recolhimento a maior, de modo que, apenas notas fiscais, não têm o condão de afastar o comprovante de que trata a legislação tributária. Portanto, notas fiscais sem a comprovação de que o emitente sofreu o ônus da retenção do tributo não faz prova por si só. É necessário que o contribuinte traga aos autos o conjunto probatório de que recebeu apenas o valor líquido, ou seja, o valor da nota fiscal deduzido do tributo retido. Acaso verificado pelo contribuinte que, os comprovantes de rendimento com retenção na fonte estavam com valores retidos aquém dos indicados nas notas fiscais deveria ter adotado providência no sentido de substituir, se fosse o caso, os comprovante de rendimentos, pois, o contribuinte antes de ingressar com o pedido de restituição/compensação já deveria manter em seu poder os comprovantes de retenção do IRRF que utilizou para compor o saldo credor do IRPJ pleiteado, pois, de acordo com a legislação tributária, o comprovante de rendimentos seria fornecido, em uma única via, até o último dia útil do mês de fevereiro do anocalendário subseqüente àquele a que se referirem os rendimentos informados. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o IRPJ devido no período de apuração do ano calendário e comparálo ao pagamento efetuado. Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). É certo que o artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Como cediço, as Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) bem como as notas fiscais são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, de modo a comprovar que sofreu o ônus da retenção do tributo, e que das notas fiscais emitidas recebeu apenas o valor líquido já descontado o tributo na fonte, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). A busca da verdade material não autoriza o julgador a substituir o interessado na produção das provas. A apresentação dos documentos juntamente com a defesa é ônus da alçada da recorrente. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. Fl. 7018DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 22 (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 7019DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/ 08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10980.015279/2008-59
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002, 2003
NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA.
No acórdão recorrido, a questão controversa diz respeito à multa isolada exigida pela falta do pagamento do carnê-leão devido, aplicada cumulativamente com a multa de ofício sobre o imposto apurado de ofício na declaração de ajuste anual.
O acórdão paradigma, apesar de tratar da aplicação da multa isolada do carnê-leão, não trata da questão controversa tratada no acórdão recorrido, qual seja, a questão da aplicação cumulativa da multa isolada do carnê-leão com a multa de ofício sobre o imposto apurado de ofício na declaração de ajuste anual.
Não resta configurado o dissídio jurisprudencial que possa ensejar o conhecimento do recurso.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-002.493
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Elias Sampaio Freire Relator
EDITADO EM: 21/05/2014
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201301
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2002, 2003 NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. No acórdão recorrido, a questão controversa diz respeito à multa isolada exigida pela falta do pagamento do carnê-leão devido, aplicada cumulativamente com a multa de ofício sobre o imposto apurado de ofício na declaração de ajuste anual. O acórdão paradigma, apesar de tratar da aplicação da multa isolada do carnê-leão, não trata da questão controversa tratada no acórdão recorrido, qual seja, a questão da aplicação cumulativa da multa isolada do carnê-leão com a multa de ofício sobre o imposto apurado de ofício na declaração de ajuste anual. Não resta configurado o dissídio jurisprudencial que possa ensejar o conhecimento do recurso. Recurso especial não conhecido.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Jun 06 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10980.015279/2008-59
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5351982
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 9202-002.493
nome_arquivo_s : Decisao_10980015279200859.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ELIAS SAMPAIO FREIRE
nome_arquivo_pdf_s : 10980015279200859_5351982.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Relator EDITADO EM: 21/05/2014 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2013
id : 5481617
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:22:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046811387625472
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1714; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 4 1 3 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10980.015279/200859 Recurso nº 178.749 Especial do Procurador Acórdão nº 9202002.493 – 2ª Turma Sessão de 29 de janeiro de 2013 Matéria IRPF MULTA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ELIAS LIPATIN FURMAN ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002, 2003 NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. No acórdão recorrido, a questão controversa diz respeito à multa isolada exigida pela falta do pagamento do carnêleão devido, aplicada cumulativamente com a multa de ofício sobre o imposto apurado de ofício na declaração de ajuste anual. O acórdão paradigma, apesar de tratar da aplicação da multa isolada do carnêleão, não trata da questão controversa tratada no acórdão recorrido, qual seja, a questão da aplicação cumulativa da multa isolada do carnêleão com a multa de ofício sobre o imposto apurado de ofício na declaração de ajuste anual. Não resta configurado o dissídio jurisprudencial que possa ensejar o conhecimento do recurso. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 52 79 /2 00 8- 59 Fl. 318DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/06/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Relator EDITADO EM: 21/05/2014 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão n.º 2202 01.330, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção em 24/08/2011, interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais. A decisão recorrida, por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar suscitada pelo recorrente e, no mérito, por maioria de votos, deu provimento ao recurso. Segue abaixo sua ementa: “MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. É incabível, por expressa disposição legal, a aplicação concomitante de multa de lançamento de ofício exigida com o tributo ou contribuição, com multa de lançamento de ofício exigida isoladamente. Preliminar rejeitada. Recurso provido.” A PGFN afirma que a decisão recorrida diverge do paradigma que apresenta, cuja ementa será reproduzida a seguir: “DECADÊNCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO TERMO INICIAL PRAZO No caso de lançamento por homologação, o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário extinguese no prazo de cinco anos, contados da data de ocorrência do fato gerador que, em se tratando de Imposto de Renda Pessoa Física sobre rendimentos sujeitos ao ajuste anual, considerase ocorrido em 31 de dezembro do ano calendário. GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE IMÓVEL Integram o valor de alienação os itens que constituem partes integrantes e indissociáveis do imóvel alienado, constando inclusive da escritura de compra e venda e obviamente compondo o preço do negócio. DEPÓSITOS Fl. 319DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/06/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10980.015279/200859 Acórdão n.º 9202002.493 CSRFT2 Fl. 5 3 BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Caracterizamse como rendimentos omitidos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular pessoa física, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996). MULTA ISOLADA DO CARNÊ LEÃO REDUÇÃO – RETROATIVIDADE BENIGNA Tratandose de penalidade cuja exigência se encontra pendente de julgamento, aplicase a legislação superveniente que venha a beneficiar o contribuinte, em respeito ao princípio da retroatividade benigna (Medida Provisória n°303, de 29/06/2006, e art. 106 do CTN). Preliminar rejeitada. Recurso parcialmente provido.” (AC 10422.037) Explica que o acórdão recorrido afastou a aplicação da multa isolada prevista originalmente no art. 44, II, a, da Lei 9.430/96, por considerar ilegítima sua exigência em concomitância com a multa de ofício. Por outro lado, afirma que o acórdão paradigma manteve a aplicação da mesma multa, decorrente do descumprimento da sistemática do carnê leão, em igual hipótese de aplicação concomitante com a penalidade exigida no lançamento de ofício. No mérito, observa que a aplicação da multa de ofício resultou da omissão de rendimentos, enquanto que a denominada multa isolada foi aplicada em razão do descumprimento, pelo contribuinte, da sistemática de recolhimento mensal antecipado do IR. Argumenta que nada impede que dessas infrações resultem penalidades distintas: da omissão de rendimentos, decorre a multa de ofício, enquanto que, do descumprimento do regime de antecipação pelo carnê leão, decorre a multa isolada. Destaca que a multa de ofício somente será devida caso exista imposto a pagar por ocasião do Ajuste Anual. Por sua vez, a multa isolada será devida ainda que, ao final do período, não reste imposto a recolher, já que a infração da qual resulta essa multa consiste, simplesmente, no descumprimento do regime de antecipação pelo carnê leão, não possuindo qualquer relação com o pagamento em si do imposto (Art. 44, II da Lei 9430/96). Sustenta que o fato de estar sendo exigido ao sujeito passivo a multa de ofício decorrente do não pagamento de tributo, não afasta a incidência da multa prevista no art. 44, II, a, da Lei 9.430/96, uma vez que a lei não dispensa a cobrança de penalidade nesses casos. Sob essa ótica, entende que o acórdão recorrido criou nova hipótese de dispensa da multa isolada, não prevista na legislação, qual seja, a cobrança, concomitante, de multa de ofício decorrente do não pagamento do tributo, o que não pode ser admitido. Ao final, requer o conhecimento e provimento de seu recurso especial. Nos termos do Despacho n.º 220000.885, foi dado seguimento ao pedido em análise. O contribuinte apresentou, tempestivamente, contrarazões. Preliminarmente, afirma que a divergência não foi comprovada, motivo pelo qual requer o não conhecimento do recurso especial em análise. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/06/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Em seguida cita diversos acórdãos, alguns até prolatados pelo colegiado do qual emanou o paradigma (4ª Câmara), que decidiram da mesma forma que o acórdão recorrido. Requer que o recurso especial da Fazenda não seja provido. Eis o breve relatório. Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator Acerca da admissibilidade do recurso especial há de se salientar que, no acórdão recorrido, a questão controversa diz respeito à multa isolada exigida pela falta do pagamento do carnêleão devido, aplicada cumulativamente com a multa de ofício sobre o imposto apurado de ofício na declaração de ajuste anual. Por seu turno, o acórdão paradigma, apesar de tratar da aplicação da multa isolada do carnêleão, não trata da questão controversa tratada no acórdão recorrido, qual seja, a questão da aplicação cumulativa da multa isolada do carnêleão com a multa de ofício sobre o imposto apurado de ofício na declaração de ajuste anual. Destarte, entendo que não resta configurado o dissídio jurisprudencial que possa ensejar o conhecimento do recurso. Ante o exposto, voto por não conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 321DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/06/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10711.006397/2006-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 23/07/2002
Ementa:
MULTA DO CONTROLE ADMINISTRATIVO. ART. 526, INCISO II DO REGULAMENTO ADUANEIRO/1985. ADN COSIT Nº 12/1997. DESCRIÇÃO DA MERCADORIA.
Não havendo descrição correra da mercadoria na declaração de importação, é correta a aplicação da multa do controle administrativo, prevista no art. 526, inciso II do Regulamento Aduaneiro.
MULTA DO CONTROLE ADMINISTRATIVO. ART. 526, INCISO II DO REGULAMENTO ADUANEIRO/1985. TIPICIDADE.
A declaração de importação sem a descrição correta da mercadoria equivale à ausência desta, pois inexistiu licenciamento para o produto efetivamente importado, objeto da reclassificação fiscal, sendo cabível, dessa maneira, a aplicação da penalidade, prevista no art. 526, inciso II do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 91.030/1985.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-001.040
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 23/07/2002 Ementa: MULTA DO CONTROLE ADMINISTRATIVO. ART. 526, INCISO II DO REGULAMENTO ADUANEIRO/1985. ADN COSIT Nº 12/1997. DESCRIÇÃO DA MERCADORIA. Não havendo descrição correra da mercadoria na declaração de importação, é correta a aplicação da multa do controle administrativo, prevista no art. 526, inciso II do Regulamento Aduaneiro. MULTA DO CONTROLE ADMINISTRATIVO. ART. 526, INCISO II DO REGULAMENTO ADUANEIRO/1985. TIPICIDADE. A declaração de importação sem a descrição correta da mercadoria equivale à ausência desta, pois inexistiu licenciamento para o produto efetivamente importado, objeto da reclassificação fiscal, sendo cabível, dessa maneira, a aplicação da penalidade, prevista no art. 526, inciso II do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 91.030/1985. Recurso voluntário negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri May 30 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10711.006397/2006-84
anomes_publicacao_s : 201405
conteudo_id_s : 5351055
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri May 30 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3202-001.040
nome_arquivo_s : Decisao_10711006397200684.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
nome_arquivo_pdf_s : 10711006397200684_5351055.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves.
dt_sessao_tdt : Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
id : 5471449
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:22:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046811405451264
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1882; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 82 1 81 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10711.006397/200684 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3202001.040 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de novembro de 2013 Matéria OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente XIS ENE INDUSTRIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 23/07/2002 Ementa: MULTA DO CONTROLE ADMINISTRATIVO. ART. 526, INCISO II DO REGULAMENTO ADUANEIRO/1985. ADN COSIT Nº 12/1997. DESCRIÇÃO DA MERCADORIA. Não havendo descrição correra da mercadoria na declaração de importação, é correta a aplicação da multa do controle administrativo, prevista no art. 526, inciso II do Regulamento Aduaneiro. MULTA DO CONTROLE ADMINISTRATIVO. ART. 526, INCISO II DO REGULAMENTO ADUANEIRO/1985. TIPICIDADE. A declaração de importação sem a descrição correta da mercadoria equivale à ausência desta, pois inexistiu licenciamento para o produto efetivamente importado, objeto da reclassificação fiscal, sendo cabível, dessa maneira, a aplicação da penalidade, prevista no art. 526, inciso II do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 91.030/1985. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 00 63 97 /2 00 6- 84 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 2 Thiago Moura de Albuquerque Alves – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Por bem descrever o histórico da presente controvérsia, passo a transcrever parte do relatório da DRJ: Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 13.687,99, referente a imposto de importação, a juros de mora (calculados até 29/09/2006), a multa do controle administrativo (importação de mercadoria sem licença de importação ou documento de efeito equivalente) e, multa proporcional ao valor aduaneiro (1 %, classificação fiscal incorreta). A interessada por meio da declaração de importação (DI) n° 02/06493988 (fls. 10 a 13) submeteu a despacho mercadorias descritas como "CORANTE PARA PIGMENTO, COR AZUL REF.:7531 ", "CORANTE PARA PIGMENTO, COR AZUL REF.:7536" , "CORANTE PARA PIGMENTO, COR PRETO REF.:7931", classificando no código da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) 3206.49.00. Com base nos Laudos do Laboratório de Análises do Ministério da Fazenda n° 0525/02, 0526/02 e 0527/02 (fls. 27 a 29), que indicaram que as mercadorias se tratam de "corante ao enxofre" a fiscalização concluiu que a mercadoria não pode ser classificada no código da NCM declarado pela interessada. Assim, com base nas informações acima, a fiscalização reclassifcou as mercadorias para o código da NCM 3204.19.90. Tendo em vista que a alíquota do imposto de importação, prevista para o código da NCM considerada correta, é maior que o do código da NCM declarada na DI, a fiscalização lançou a diferença dos tributos e respectivos consectários. Considerando que a interessada errou a classificação fiscal, bem como não apresentou descrições corretas e completas das mercadorias importadas para suas identificações, a fiscalização aplicou a multa por considerar a importação desamparada de guia ou documento equivalente. Foi aplicada também a multa por ter sido a mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10711.006397/200684 Acórdão n.º 3202001.040 S3C2T2 Fl. 83 3 Regularmente cientificada, a interessada apresentou impugnação de fls. 44 a 48. Conclusos os autos com a defesa da contribuinte, a DRJ julgou improcedente a impugnação (fls. 60 e ss.). Primeiramente vale ressaltar que, a impugnante não apresentou qualquer contestação referente ao lançamento relativo à multa por classificação incorreta na NCM. Dito isso, na ótica da DRJ, a peça impugnatória insurgese apenas contra a imposição de multa prevista no art. 526, II do Regulamento Aduaneiro. Assim, constatou a DRJ que a mercadoria foi classificada como “corante para pigmento”, quando o correto seria “corante ao enxofre”. Com isso, restou configurada a infração capitulada no art. 526, inciso II do RA/1985, ou seja, não foi emitido o devido licenciamento para o produto que foi importado. Eis suas palavras: Art. 526. Constituem infrações administrativas ao controle das importações, sujeitas às seguintes penas (Decretolei No 37/66, art. 169, alterado pela Lei No 6.562178, art. 2o): (...) II importar mercadoria do exterior sem guia de importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: multa de trinta por cento (30%) do valor da mercadoria; (..) (Grifos acrescidos) O §1 do artigo 4 da Portaria MF/MICT n° 291/1996, anteriormente citado, estabelece que nos casos de licenciamento automático, as informações são prestadas, para fins de licenciamento, por ocasião da formulação da declaração de importação, sendo tal documento aproveitado, para fins de processamento do despacho aduaneiro da mercadoria, de forma automática (§ 3°). Por sua vez, a Portaria SECEX n° 21/1996, determina em seus artigos 7 e 14: Art. 7° O licenciamento das importações ocorrerá de forma automática e não automática e será efetuado por meio do SISCOMEX. § 1 As informações de natureza comercial, financeira, cambial e fiscal a serem prestadas para fins de licenciamento estão contidas no Anexo II da Portaria Interministerial MFIMICT n°291, de 12 de dezembro de 1996. Art 14. A descrição da mercadoria deverá conter o maior número de características identificadoras possíveis, tais como: marca, tipo, cor, acessórios e outras informações relativas ao produto. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 4 ... (Grifos acrescidos) A interessada descreveu as mercadorias no campo "Descrição Detalhada da Mercadoria" da DI (fl. 10) como: CORANTE PARA PIGMENTO, COR AZUL REF.: 7531 CORANTE PARA PIGMENTO, COR AZUL REF.: 7536 CORANTE PARA PIGMENTO, COR PRETO REF.: 7931 A descrição das mercadorias, formulada pela interessada, faz referência genérica de que as mercadorias se tratam de "corante para pigmento", indicando ainda a cor, e o código comercial das mercadorias, não há, na descrição apresentada, qualquer referência que indique que tais mercadorias se tratam de "corante ao enxofre", característica fundamental para que se identifique as mercadorias e se efetue o correto enquadramento. (Grifos acrescidos) No caso vertente, em procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, baseado em Laudos Técnicos de identificação, o fisco constatou que a mercadoria em tela estava erroneamente classificada, e que suas características não haviam sido adequadamente especificadas na Declaração de Importação, logo não se pode aplicar o disposto em sobredito dispositivo normativo. Cumpre observar que ainda que tenha informado o código comercial, a cor e uma descrição genérica das mercadorias, as descrições consignadas pela interessada de modo algum são satisfatórias para classificar as mercadorias importadas, pois omitem elemento essencial, notadamente a indicação de que as mercadorias em questão se tratavam "corantes ao enxofre", informação imprescindível para enquadramento no código na NCM.. Não obstante o previsto no Ato Declaratório (Normativo) COSIT n° 12/1997, o Parecer CST no 477/1988 já determinava que se a discriminação da mercadoria na guia de importação fosse omissa, incorreta ou imprecisa quanto a elementos indispensáveis à identificação do produto, seria de se aplicar a multa por falta de guia de importação ou documento equivalente, prevista no art. 526, inciso II do RA/ 1985. Cientificado do acórdão, acima destacado, a recorrente apresentou recurso voluntário, reiterando suas razões para julgar improcedente a autuação (fls. 72 e ss.). Confira se: No presente recurso voluntário a Recorrente afirma que: i. Não importou a mercadoria sem a guia de importação. (Não indica a recorrente qualquer comprovação). ii. Tinha licença para efetuar a operação. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10711.006397/200684 Acórdão n.º 3202001.040 S3C2T2 Fl. 84 5 iii. Não houve infração, pois o registro da declaração de importação foi realizado no dia 23 de julho de 2002, quando também foi efetuado a quitação da guia referente à diferença do imposto apurado. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo, merecendo ser apreciado. Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 13.687,99, referente a imposto de importação, a juros de mora (calculados até 29/09/2006), a multa do controle administrativo (importação de mercadoria sem licença de importação ou documento de efeito equivalente) e, multa proporcional ao valor aduaneiro (1 %, classificação fiscal incorreta). O debate restringese apenas contra a imposição da multa do controle administrativo, prevista no art. 526, inciso II do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 91.030/1985 (RA/1985), em consequência da reclassificação da mercadoria importada. In verbis: Art. 526. Constituem infrações administrativas ao controle das importações, sujeitas às seguintes penas (Decretolei No 37/66, art. 169, alterado pela Lei nº 6.562178, art. 2o): (...) II importar mercadoria do exterior sem guia de importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: multa de trinta por cento (30%) do valor da mercadoria; (..) (Grifos acrescidos) De acordo com a recorrente, a empresa teria descrito corretamente a mercadoria, o que a exoneraria da aplicação da citada penalidade, ao teor do Ato Declaratório (Normativo) COSIT n° 12/1997, cuja parte essencial transcrevese abaixo: ...não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação de mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior – SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteada... Fl. 86DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 6 No entanto, a DRJ negou que a mercadoria estivesse corretamente descrita, apoiandose nos seguintes argumentos: A descrição das mercadorias, formulada pela interessada, faz referência genérica de que as mercadorias se tratam de "corante para pigmento", indicando ainda a cor, e o código comercial das mercadorias, não há, na descrição apresentada, qualquer referência que indique que tais mercadorias se tratam de "corante ao enxofre", característica fundamental para que se identifique as mercadorias e se efetue o correto enquadramento. [...] Cumpre observar que ainda que tenha informado o código comercial, a cor e uma descrição genérica das mercadorias, as descrições consignadas pela interessada de modo algum são satisfatórias para classificar as mercadorias importadas, pois omitem elemento essencial, notadamente a indicação de que as mercadorias em questão se tratavam "corantes ao enxofre", informação imprescindível para enquadramento no código na NCM. Não obstante o previsto no Ato Declaratório (Normativo) COSIT n° 12/1997, o Parecer CST no 477/1988 já determinava que se a discriminação da mercadoria na guia de importação fosse omissa, incorreta ou imprecisa quanto a elementos indispensáveis à identificação do produto, seria de se aplicar a multa por falta de guia de importação ou documento equivalente, prevista no art. 526, inciso II do RA/ 1985. Entendo que não merece reparos o acórdão recorrido, uma vez que, como bem destacado, a contribuinte não descreveu elemento essencial à classificação do produto, a saber: o fato de o corante não ser para pigmento, mas, sim, ao enxofre. Eis os termos da descrição da mercadoria realizada pela contribuinte (fl. 13): CORANTE PARA PIGMENTO, COR AZUL REF.: 7031 CORANTE PARA PIGMENTO, COR VERDE REF.: 7713 CORANTE PARA PIGMENTO, COR AMARELO REF.: 7811 CORANTE PARA PIGMENTO, COR BORDEAUX REF.: 7361 Como se vê, a descrição da recorrente não trouxe elemento considerado essencial para classificação fiscal, conforme se constata dos Laudos do Laboratório de Análises do Ministério da Fazenda n° 0525/02, 0526/02 e 0527/02, às fls. 32 e ss., cujas conclusões não foram contestadas pela contribuinte, a qual, inclusive, pagou a diferença do crédito tributário resultante, exceto a multa ora discutida no presente recurso. Igualmente, improcede a asserção da contribuinte, pedindo a exoneração da penalidade de controle administrativo, porque a empresa teria importado as mercadorias com a Guia de Importação e tinha a licença para efetuar a importação. Isso porque a declaração de importação sem a descrição completa da mercadoria equivale à ausência desta, pois inexistiu licenciamento para o produto efetivamente Fl. 87DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10711.006397/200684 Acórdão n.º 3202001.040 S3C2T2 Fl. 85 7 importado, objeto da reclassificação fiscal, sendo cabível, dessa maneira, a aplicação da penalidade, prevista no art. 526, inciso II do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 91.030/1985. Ante o exposto, NEGO provimento ao recurso voluntário. É como voto. Thiago Moura de Albuquerque Alves Fl. 88DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 11080.723860/2010-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 07 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2301-000.403
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA Presidente
(assinado digitalmente)
WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Damião Cordeiro de Moraes e Wilson Antonio de Souza Corrêa.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201308
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 07 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11080.723860/2010-79
anomes_publicacao_s : 201407
conteudo_id_s : 5357839
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 07 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2301-000.403
nome_arquivo_s : Decisao_11080723860201079.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
nome_arquivo_pdf_s : 11080723860201079_5357839.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Damião Cordeiro de Moraes e Wilson Antonio de Souza Corrêa.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
id : 5512411
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:24:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046811426422784
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1317; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.723860/201079 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2301000.403 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 14 de agosto de 2013 Assunto Contribuição Previdenciaria Recorrente SPORT CLUB INTERNACIONAL Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA – Presidente (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA – Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Damião Cordeiro de Moraes e Wilson Antonio de Souza Corrêa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .7 23 86 0/ 20 10 -7 9 Fl. 471DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 11080.723860/201079 Resolução nº 2301000.403 S2C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tem o Recorrente a Classificação Nacional de Atividade Econômica — CNAE sob n° 92614 — atividades desportivas, e, quanto ao FPAS — Fundo de Previdência e Assistência Social pertence ao código 647 0 clubes de futebol. O crédito previdenciário constituído neste lançamento fiscal destinase à Seguridade Social e referese a contribuições da parte dos segurados empregados, descontadas de suas remunerações, e incidentes sobre as rubricas “tarefa”, “auxílio creche” e “quebra de caixa”, observado o limite máximo do salário de contribuição, que não foram declaradas em GFIP. Segundo relatório fiscal foi aplicado multa de ofício de 75%, conforme art. 35A da Lei 8.212/1991, acrescido pela Lei 11.941/2009, por ser mais benéfica ao contribuinte. Por julgar a Fiscalização que, em tese, houve crimes de sonegação de contribuição previdenciária e de apropriação indébita previdenciária, ambos previstos no Código Penal, tais ocorrências serão objeto de Representação Fiscal para Fins Penais, com comunicação ao Ministério Público Federal. Irresignado impugnou com suas argumentações, cujas quais foram insuficientes para modificar o lançamento, sendo julgada improcedente. Em 10.08.2012 (sextafeira) foi noticiado da decisão e no dia 11.09.2012 interpôs o presente remédio recursivo, alegando: i) que o Recorrente é ilegítimo para figurar no pólo passivo; ii) aderiu ao ‘Time Mania’; iii) indevida a contribuição previdenciária exigida, eis que as verbas pagas são indenizatórias; iv) que a multa aplicada não é a estipulada na Lei 11.941/2009. É a síntese do necessário. Fl. 472DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 11080.723860/201079 Resolução nº 2301000.403 S2C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator O presente Recurso Voluntário acode os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual, desde já, dele conheço. DA ADESÃO AO TIME MANIA Alega a Recorrente a adesão ao ‘Time Mania’, estando, portanto, o débito incluso no mencionado parcelamento. Todavia, com a impugnação não foi juntado nenhum comprovante de tal alegação, tão pouco o presente recurso foi acompanhado de qualquer documento que comprovasse a referida adesão. Para conhecimento percuciente da causa com todo elemento probatório, urge que seja diligenciado no sentido de a DRJ informar se de fato houve a a mencionada adesão, e qual sua abrangência. Portanto, sugiro que a DRJ diligencie no sentido de informar se houve a dita adesão ao ‘Time Mania’ e qual o período foi abrangido. CONCLUSÃO Diante do acima exposto, como o presente recurso voluntário atende os pressupostos de admissibilidade, dele conheço, para determinar o retorno dos autos à autoridade de origem para que esta informe se houve a adesão ao ‘Time Mania’ e qual a sua abrangência. É o voto. (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator Fl. 473DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVE IRA
score : 1.0
Numero do processo: 10830.914920/2012-30
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2009
NULIDADE.
As atos administrativos que contêm todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia, em observância às garantias constitucionais do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa não são passíveis de nulidade.
PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL.
A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais.
PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA.
Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1803-002.231
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Arthur José André Neto, Meigan Sack Rodrigues, e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201406
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2009 NULIDADE. As atos administrativos que contêm todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia, em observância às garantias constitucionais do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa não são passíveis de nulidade. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
turma_s : Terceira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jun 12 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10830.914920/2012-30
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5352990
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jun 12 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1803-002.231
nome_arquivo_s : Decisao_10830914920201230.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : CARMEN FERREIRA SARAIVA
nome_arquivo_pdf_s : 10830914920201230_5352990.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Arthur José André Neto, Meigan Sack Rodrigues, e Carmen Ferreira Saraiva.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
id : 5490241
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:23 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046811616215040
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1910; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 66 1 65 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.914920/201230 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1803002.231 – 3ª Turma Especial Sessão de 04 de junho de 2014 Matéria PER/DCOMP Recorrente INDASEG CORRETORA DE SEGUROS LIMITADA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2009 NULIDADE. As atos administrativos que contêm todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia, em observância às garantias constitucionais do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa não são passíveis de nulidade. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 49 20 /2 01 2- 30 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914920/201230 Acórdão n.º 1803002.231 S1TE03 Fl. 67 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Arthur José André Neto, Meigan Sack Rodrigues, e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 27791.53256.140812.1.3.045886, em 14.08.2012, fls. 2327, utilizandose do pagamento a maior de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), código 2089, no valor de R$1.208,00 contido no DARF no valor de R$1.212,06 recolhido em 30.05.2008, apurado pelo lucro presumido para fins de compensação do débito ali confessado. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 28, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: Limite do crédito analisado correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 1.208,00 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Características do DARF discriminado no PER/DCOMP PERÍODO DE APURAÇÃO CÓDIGO DE RECEITA VALOR TOTAL DO DARF DATA DE ARRECADAÇÃO 30/06/2008 2089 1.212,06 30/05/2008 UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS PARA O DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP NÚMERO DO PAGAMENTO VALOR ORIGINAL TOTAL PROCESSO(PR)/ PERD/COMP(PD)/DÉBITO(DB) VALOR ORIGINAL UTILIZADO 4708854061 1.212,06 Db: cód 2089 PA 30/06/2008 1.212,06 [...] Fl. 67DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914920/201230 Acórdão n.º 1803002.231 S1TE03 Fl. 68 3 Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN) e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade, fls. 0211, suscitando: II Do Mérito II. a Das nulidades O despacho decisório, em que pese o esforço da autoridade administrativa em cumprir os prazos a que está submetida, para não se ver compelida a acatar o ato praticado pelo sujeito passivo, em razão de sua inércia, está totalmente eivado de nulidades. [...] A alegação de que não existe crédito disponível não pode ser entendida como fundamento para o despacho decisório, sem constar o porquê desta ir existência. A autoridade quedouse inerte na análise de qualquer situação que legitima o crédito postulado, sendo que esta deve total obediência à legalidade, nos termos em que preconiza [o art. 37 da] Carta Magna [,...]. Assim sendo, o processo administrativo no âmbito federal, tal como é o caso, tem regulamentação própria e deve ser observada pela autoridade administrativa julgadora. Dispõe a Lei n.° 9.784/99: "Art. 2° A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. (...) VIII observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados" [...]. Resta claro que, tendo a administração pública o dever de obediência à legalidade e dispondo a lei que em seus atos tem de ser motivados, logo se conclui facilmente que há o dever de motivar as decisões proferidas nos processos sob sua jurisdição. Tanto é assim que a própria Lei n.° 9.784/99 prevê [...]: "Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou Interesses; (...) § lº A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato" [...]. Devese entender por motivação, os fundamentos fatídicos e legais que formaram a convicção da autoridade administrativa no caso concreto.Deveras, a autoridade administrativa simplesmente não homologou a compensação realizada pela empresa, por supostamente o crédito não existir. Não se deu sequer ao trabalho de motivar sua decisão, de tal como que a empresa está impedida de promover a sua defesa, na medida em que sequer sabe o motivo pelo qual o crédito inexiste. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914920/201230 Acórdão n.º 1803002.231 S1TE03 Fl. 69 4 Nem se diga ao fato de se tratar de um despacho decisório eletrônico, que sequer passou pelo crivo de um auditor fiscal. É evidente que a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, porque o crédito propriamente dito sequer foi apreciado.Limitouse a autoridade administrativa, em fazer uma verificação prévia se o pagamento realizado indevidamente ou a maior estava disponível em seus sistemas. Todavia, para o deslinde da questão aqui trazida, mister seja definido o significado de "inexistência do crédito" a que afirma a autoridade administrativa. Como se pode observar do despacho decisório, não há esclarecimentos quanto a esse significado, aliás, não há qualquer outro esclarecimento. Diversas são as situações que acarretariam na restituição do valor recolhido, seja pela inclusão indevida de valores na base de cálculo, seja por erro de fato na apuração do imposto, seja por situações que autorizam o contribuinte a reduzir valores da base de cálculo da exação. [...] O fato é que a autoridade administrativa furtouse em analisar, efetivamente, qualquer das possibilidades que ensejaria a restituição postulada. Denotamse facilmente esses fatos, por se tratar de um despacho eletrônico, que não é submetido ao crivo de um auditor fiscal para analisar essas situações. A ausência de motivação das decisões, como é o caso, importa em nulidade do ato praticado, consoante preleciona o artigo 59 do Decreto n.° 70.235/72 que, digase, é aplicado subsidiariamente ao processo de compensação. [...] É cediço que simplesmente não homologar a compensação sem explicar os motivos da suposta inexistência do crédito em que se funda, torna a decisão NULA, por não oferecer os elementos necessários para que a empresa possa promover sua defesa e a prova da existência deste crédito. [...] Deve, pois, ser julgado NULO o despacho decisório, por ausência de motivação, devendo o crédito postulado ser totalmente reconhecido, bem como a compensação totalmente homologada. II.b Do cerceamento do direito de defesa Reza a Constituição Federal que: "Art. 5º (...) LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral, são assegurados o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes". A ampla defesa e o contraditório devem ser entendidos em seu sentido amplo, de utilizarse de todos os meios admitidos em direito para promover a defesa de seus interesses. [...] Primeiramente, porque a autoridade administrativa simplesmente não analisou o mérito do pedido de restituição/compensação postulado peia empresa. Da mesma forma, sequer intimou a empresa a esclarecer os motivos de ter pleiteado a restituição do tributo pago, quando poderia têlo feito, conforme dispõe a IN 1.300/2012: "Art. 76. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas". Fl. 69DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914920/201230 Acórdão n.º 1803002.231 S1TE03 Fl. 70 5 Apesar de que a previsão normativa se utilize da expressão "poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito", há um dever previsto na Constituição Federal de Eficiência. Em observância a este princípio, a administração deve intimar o interessado a fazer os esclarecimentos necessários e a comprovar o alegado, sempre que lhe restar dúvidas. Isto porque, a ampla defesa como garantia constitucional, deve ser entendida em seu sentido amplo, como o direito de produzir todas as provas necessárias à defesa do interesse postulado. Desta forma, não há que se dizer que este direito somente restaria violado em sede de recurso, principalmente à vista do dever de Eficiência, como dito alhures. Restou violado, além do direito de ampla defesa, este dever de eficiência dos atos administrativos. Além de não analisar o mérito da questão, a autoridade administrativa quedouse omissa quanto aos fundamentos que formaram o seu entendimento. Essa fundamentação é essencial e extremamente necessária para preservar a garantia de ampla defesa e contraditório, inerente ao processo administrativo. A não observância deste dever de motivar suas decisões, como se observa no caso destes autos, obsta o exercício dessas garantias constitucionais. Ora, não é possível promover uma defesa quando não são expostos os argumentos que levaram ao indeferimento do seu pedido. A falta de motivação/fundamentação da decisão proferida pela Autoridade Administrativa obsta até mesmo a produção das provas necessárias, já que sequer é sabido o que não foi reconhecido. Portanto, TOTALMENTE NULO o despacho decisório, devendo estes autos retornarem à origem para efetiva apreciação e total homologação da compensação postulada. II.c Da produção de provas Determina o Decreto n.° 70.235/72, lei que regula o processo administrativo de exigência de créditos tributários e é aplicado subsidiariamente ao processo de restituição/compensação: "Art. 16. (...) § 4° A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior; [...]. Como amplamente defendido nesta peça processual, a autoridade administrativa quedouse inerte em expor os motivos pelos quais entendeu por não reconhecer o direito creditório e, por conseguinte, não homologar as compensações realizadas. Aliado a essa omissão, há também o fato de a empresa não ter tido oportunidade de esclarecer as razões pelas quais é detentora do crédito postulado. Logo, não há como promover uma defesa, com a apresentação de documentos comprobatórios do direito alegado, já que, nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a requerente. Neste diapasão, a empresa está impedida de exercer plenamente o seu direito de defesa, como já dito alhures e de forma exaustiva. Desta feita, ao caso em tela, há de ser aplicada a regra autorizadora da produção posterior das provas, para o momento em que a lide esteja delineada em seus termos. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914920/201230 Acórdão n.º 1803002.231 S1TE03 Fl. 71 6 Conclui que: Diante do exposto, requer: • seja o presente recurso recebido e processado, bem como encaminhado à autoridade competente para o seu julgamento; • seja determinada a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em questão, conforme artigo 151, inciso III, do Código Tributário Nacional; • seja acatada as preliminares arguidas neste manifesto, a fim de declarar NULO DE PLENO DIREITO o despacho decisório, pois eivado de vício insanável decorrente da ausência da exposição dos fundamentos que culminaram a não homologação da compensação. • sejam os autos remetidos à Delegacia de origem, para que, enfim, sejam promovidas todas as diligências necessárias à comprovação do crédito. • caso o entendimento dos Nobres Julgadores seja pelo não reconhecimento das nulidades arguidas, requer seja o presente manifesto julgado TOTALMENTE PROCEDENTE, reformando o despacho decisório, reconhecendose o direito creditório em sua integralidade, assim como, homologando toda a compensação realizada. Está registrado como ementa do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/JFA/MG nº 09 46.806, de 26.09.2013, fls. 4043: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2008 COMPENSAÇÃO. Se o pagamento utilizado como crédito encontrase alocado a débito declarado pela empresa, não existe o crédito pretendido. DISCUSSÃO DE MÉRITO. Se a manifestante não discute o mérito da lide, ou seja, não traz aos autos documentação hábil e idônea que demonstre o certeza e liquidez do crédito pretendido, a decisão administrativa deve ser mantida. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Notificada em 06.11.2013, fl. 62, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 06.12.2013, fls. 4760, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge, reiterando os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Acrescenta que: Tratase de RECURSO VOLUNTÁRIO interposto contra decisão que manteve o despacho decisório que não homologa a compensação realizada, utilizandose como fundamentação a simples menção de que inexiste crédito. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914920/201230 Acórdão n.º 1803002.231 S1TE03 Fl. 72 7 Em que pese às razões, de fato e de direito, apresentadas pela ora Recorrente, na Manifestação de Inconformidade apresentada, o nobre julgador a quo decidiu pela manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de compensação, afirmando que este havia sido fundamentado. Pelo que se percebe, a r. decisão não levou em consideração, nas razões de decidir a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, impedindo a Recorrente de apresentar defesa, bem como demonstrar a existência do crédito. O princípio da motivação dos atos administrativos foi desrespeitado, uma vez que a autoridade indeferiu a homologação das compensações utilizando como fundamento a inexistência do crédito, sem qualquer esclarecimento adicional, tendo a decisão de primeira instância alegado que esta estava fundamentada, com a menção de artigos genéricos da legislação tributária. Ora, como pode a recorrente argumentar e apresentar defesa sem saber ao certo por qual motivo sua compensação não foi homologada? Logo, inexistindo fundamentação que sustenta decisão da autoridade administrativa, esta passa a ser nula, por desrespeitai o princípio da motivação dos atos administrativos, impedindo que a Recorrente apresente uma defesa concreta. Além do princípio da motivação dos atos administrativos, restou violado o direito a ampla defesa, pois, como afirmado anteriormente, sem conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada, a apresentação de qualquer defesa está prejudicada. Sendo assim, resta claro que o despacho decisório é completamente nulo, pois não apresenta fundamentações que permitam a Recorrente compreender por qual motivo sua compensação não foi homologada e impedindo que esta comprove seu direito ao crédito, constituindo o cerceamento de defesa. Ante o exposto, a Recorrente requer seja o RECURSO VOLUNTÁRIO conhecido e provido, reformandose a r. decisão de primeira instância, declarando insubsistente o despacho decisório que não homologa a compensação, sendo acolhido o presente recurso para homologar a compensação. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914920/201230 Acórdão n.º 1803002.231 S1TE03 Fl. 73 8 Em conformidade com o processo administrativo fiscal, a manifestação de inconformidade instaura a fase litigiosa no procedimento. Deve ser formalizada por escrito e instruída com os documentos, incluindo necessariamente os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir e apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação do Despacho Decisório Eletrônico. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela Recorrente na peça de defesa por ter sido alcançada pela preclusão1. O Despacho Decisório Eletrônico foi lavrado por servidor competente, na forma prescrita e com a observância completa das formalidades indispensáveis à existência do ato. O objeto está previsto em ato normativo, contendo expressamente os motivos referentes à matéria de fato ou de direito, em que se fundamenta o ato, sendo materialmente existente e juridicamente adequado ao resultado obtido. Ainda o ato foi exarado com a finalidade, pois o agente pratica o ato visando o fim previsto explicitamente na regra de competência, com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilo ou impugnálo no prazo legal2. A decisão de primeira instância e o Despacho Decisório Eletrônico estão motivados de forma explícita, clara e congruente e dos quais a Recorrente foi regularmente cientificada para se defender. Ademais, o procedimento de ofício foi realizado sem prévia intimação à Recorrente, uma vez que a Administração Tributária dispunha de elementos suficientes à análise do direito creditório 3. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 28, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: Limite do crédito analisado correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 1.208,00 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Características do DARF discriminado no PER/DCOMP PERÍODO DE APURAÇÃO CÓDIGO DE RECEITA VALOR TOTAL DO DARF DATA DE ARRECADAÇÃO 30/06/2008 2089 1.212,06 30/05/2008 UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS PARA O DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP 1 Fundamentação legal: art. 14, art. 15 e art. 16 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. 2 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. 3 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmula CARF 46. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914920/201230 Acórdão n.º 1803002.231 S1TE03 Fl. 74 9 NÚMERO DO PAGAMENTO VALOR ORIGINAL TOTAL PROCESSO(PR)/ PERD/COMP(PD)/DÉBITO(DB) VALOR ORIGINAL UTILIZADO 4708854061 1.212,06 Db: cód 2089 PA 30/06/2008 1.212,06 [...] Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN) e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. No Voto condutor do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/JFA/MG nº 0946.806, de 26.09.2013, fls. 4043, está registrado: O Despacho Decisório em questão foi lavrado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, competente para tal, e não há que se falar em preterição do direito de defesa, pois, pelo fato de ter sido dado à contribuinte o direito de apresentar sua manifestação de inconformidade, instaurando a fase litigiosa do procedimento, nos termos do disposto no art. 14 do Decreto n.º 70.235/1972, e não tendo havido qualquer ato que a impedisse de apresentar na manifestação, todos os seus argumentos e comprovantes contrários a não homologação, verificase que não foram feridos os princípios do contraditório e da ampla defesa. Quaisquer defeitos porventura presentes no despacho decisório não ensejam sua nulidade e serão sanados se comprovadamente resultarem em prejuízo para a empresa (art. 60). A empresa afirma que “a alegação de que não existe crédito disponível não pode ser entendida como fundamento para o despacho decisório, sem constar o porquê desta inexistência”, pois segundo ela “para o deslinde da questão aqui trazida, mister seja definido o significado de ‘inexistência do crédito’ a que afirma a autoridade administrativa” e “como se pode observar do despacho decisório, não há esclarecimentos quanto a esse significado, aliás, não há qualquer outro esclarecimento”. Tais alegações mostram que a manifestante não leu com atenção ou não entendeu os termos despacho decisório, tendo em vista que esse é claro ao afirmar que “a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP” (grifei). Como se vê, está explicado com clareza o motivo da inexistência de crédito: a utilização do pagamento relacionado pela empresa na Dcomp em análise, para quitar débito dela própria. Ora, que débito seria esse para o qual o pagamento foi integralmente utilizado? O despacho decisório esclarece informando o código do tributo e o período de apuração a que se refere, quais sejam, Db: código 2089 PA 30/06/2008. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914920/201230 Acórdão n.º 1803002.231 S1TE03 Fl. 75 10 Mas como teria surgido esse débito? Obviamente que da DCTF apresentada pela empresa em 07/10/2008, referente ao 2º trimestre de 2008. Nessa DCTF ela declara débito de IRPJ para o 2º trim/2008 no valor de R$2.649,97 e vincula a ele o pagamento efetuado em 30/05/2008 no valor de R$ 1.212,06 (o mesmo que usa como crédito na Dcomp em análise). O saldo de R$ 1.437,91, ela transfere para o parcelamento concedido pela Lei 11.941/2011, por meio do processo administrativo nº 18208.079223/201108 [que se encontra no Setor Proc Eletrônico REFIS DRF/CPS/SP4. [...] Posteriormente, essa mesma empresa, entendendo o débito era menor que o declarado, e que portanto, segundo ela, o pagamento teria sido efetuado a maior apresenta uma declaração de compensação utilizando o valor supostamente pago a maior como crédito. No entanto, ela não retifica a DCTF apresentada anteriormente e conseqüentemente o sistema mantém o pagamento alocado ao débito que ela declarou e não retificou. Daí a informação esclarecedora constante do despacho decisório que “foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte”. A manifestante poderia trazer nessa fase do processo as explicações (acompanhada da documentação hábil e idônea para comprovar a afirmação) sobre o motivo do débito real ser menor do que o que ela declarou. Considerando que ela não fez isso, ou seja, ela não discutiu o mérito da lide, a decisão administrativa deve ser mantida. Assim, estes atos estão motivados e contêm todos os requisitos legais, que lhes conferem existência, validade e eficácia, em observância às garantias constitucionais do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, inclusive a partir da informações prestadas pela própria Recorrente à`RFB, O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos5. 4 Diaponível em: <http://comprot.fazenda.gov.br/egov/cons_dados_processo.asp?proc=18208079223201108>. Acesso em: 22 mai.2014. 5 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 170 do Código Tributário Nacional. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914920/201230 Acórdão n.º 1803002.231 S1TE03 Fl. 76 11 Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo constantes nos dados informados à RFB ou ainda quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência, tampouco procurou de alguma forma evidenciar inequivocamente a liquidez e a certeza do valor de direito creditório pleiteado. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente suscita que o Per/DComp deve ser deferido. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Ainda, o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional 6. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a seu favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais7. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de registro obrigatório pela 6 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 7 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914920/201230 Acórdão n.º 1803002.231 S1TE03 Fl. 77 12 legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. Nos presentes autos não há como aferir e corroborar o valor inequivocamente do direito creditório pleiteado, uma vez que a Recorrente apenas argumenta e efetivamente não apresenta seus assentos contábeis e os documentos correspondentes para essa finalidade. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade8. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 8 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914920/201230 Acórdão n.º 1803002.231 S1TE03 Fl. 78 13 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 14485.003204/2007-96
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2004
PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE REMUNERAÇÃO PARA FINS DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
A LC n° 109/2001 alterou a regulamentação da matéria antes adstrita à Lei n. 8.212/1991, passando a admitir que no caso de plano de previdência complementar em regime aberto a concessão pela empresa a grupos de empregados e dirigentes pertencentes a determinada categoria não caracteriza salário-de-contribuição sujeito à incidência de contribuições previdenciárias.
Recurso especial conhecido e provido.
Numero da decisão: 9202-003.193
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. No mérito, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marcelo Oliveira, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. O Conselheiro Marcelo Oliveira apresentará declaração de voto.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio Pereira Valadão - Presidente
(Assinado digitalmente)
Gustavo Lian Haddad Relator
(Assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Declaração de voto
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2004 PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE REMUNERAÇÃO PARA FINS DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A LC n° 109/2001 alterou a regulamentação da matéria antes adstrita à Lei n. 8.212/1991, passando a admitir que no caso de plano de previdência complementar em regime aberto a concessão pela empresa a grupos de empregados e dirigentes pertencentes a determinada categoria não caracteriza salário-de-contribuição sujeito à incidência de contribuições previdenciárias. Recurso especial conhecido e provido.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 14485.003204/2007-96
anomes_publicacao_s : 201407
conteudo_id_s : 5363092
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 9202-003.193
nome_arquivo_s : Decisao_14485003204200796.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : GUSTAVO LIAN HADDAD
nome_arquivo_pdf_s : 14485003204200796_5363092.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. No mérito, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marcelo Oliveira, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. O Conselheiro Marcelo Oliveira apresentará declaração de voto. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio Pereira Valadão - Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Relator (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Declaração de voto Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire.
dt_sessao_tdt : Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
id : 5540567
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:24:51 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046811655012352
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1898; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 14485.003204/200796 Recurso nº 999.999 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9202003.193 – 2ª Turma Sessão de 07 de maio de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente SERASA S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2004 PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE REMUNERAÇÃO PARA FINS DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A LC n° 109/2001 alterou a regulamentação da matéria antes adstrita à Lei n. 8.212/1991, passando a admitir que no caso de plano de previdência complementar em regime aberto a concessão pela empresa a grupos de empregados e dirigentes pertencentes a determinada categoria não caracteriza saláriodecontribuição sujeito à incidência de contribuições previdenciárias. Recurso especial conhecido e provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. No mérito, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marcelo Oliveira, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. O Conselheiro Marcelo Oliveira apresentará declaração de voto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 32 04 /2 00 7- 96 Fl. 13DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalment e em 29/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 (Assinado digitalmente) Marco Aurélio Pereira Valadão Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – Relator (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Declaração de voto Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire. Fl. 14DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalment e em 29/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 14485.003204/200796 Acórdão n.º 9202003.193 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Em face de Serasa S/A foi lavrado Auto de Infração de fls. 01/84, relativo a lançamento de contribuições previdenciárias incidentes sobre valores pagos pela empresa para custeio de planos de previdência privada oferecidos aos empregados e sobre valores relativos à participação nos lucros e resultados – PLR. A Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, ao apreciar o recurso voluntário interposto pela contribuinte, exarou o acórdão n° 240101.758, que se encontra às fls. 441/446 e cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2004 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. COMISSÃO DE EMPREGADOS SEM REPRESENTANTE DO SINDICATO. DESCUMPRIMENTO DA LEI ESPECÍFICA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. A comissão de empregados eleita para negociar com o empregador o pagamento de PLR deve necessariamente contar com a presença de representante do sindicato, sem a qual resta desatendida a lei de regência, acarretando a incidência de contribuição sobre a verba. PREVIDÊNCIA PRIVADA. NÃO ABRANGÊNCIA A TODOS OS EMPREGADOS E DIRIGENTES. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. Está sujeita a incidência de contribuição previdenciária os valores pagos pela empresa para custeio de plano de previdência privada, quando este não abrange todos os seus empregados e dirigentes. Recurso Voluntário Negado A anotação do resultado do julgamento indica que a Turma a quo, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário interposto para manter as exigências de contribuição previdenciária sobre: (i) valores pagos pela empresa para custeio de plano de previdência privada, sob o fundamento que estavam excluídos do plano três categorias de empregados os que recebiam menos que o limite da previdência oficial, os maiores de 50 anos (cuja inclusão dependia de aprovação da diretoria) e aqueles que ainda se encontravam no período de experiência. Fl. 15DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalment e em 29/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 (ii) valores pagos a título de participação nos lucros e resultados, pelo fato de a comissão de negociação não contar com a participação de representante sindical. Intimada do acórdão em 17/06/2011 (fls. 454), a Recorrente interpôs o recurso especial de fls. 457/477 em 30/06/2011, por meio do qual sustentou divergência entre o v. acórdão recorrido e (i) os acórdãos nº 230100.545 e 20600.640, no tocante à contribuição previdenciária incidente sobre os valores pagos a título de participação nos lucros e resultados e (ii) o acórdão n° 230100.571, no tocante à incidência de contribuições previdenciárias sobre valores pagos a título de previdência complementar em regime aberto, para determinados grupos de empregados e dirigentes de certas categorias. Ao recurso especial foi dado seguimento com relação à incidência de contribuição previdenciária sobre verbas pagas a título de previdência complementar e negado seguimento no que diz respeito á cobrança sobre valores de participação nos lucros e resultados, por não haver similitude da situação fática do acórdão recorrido com os acórdãos paradigmas, conforme Despacho nº 2400449/2011, de 12/09/2011 (fls. 556) e Despacho nº 2400518R/2011, de 28/11/2011 (fls.561). Intimada sobre a admissão do recurso especial interposto pela contribuinte (fls. 562), a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 565/574). É o Relatório. Fl. 16DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalment e em 29/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 14485.003204/200796 Acórdão n.º 9202003.193 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator Inicialmente analiso a admissibilidade do recurso especial interposto. Como se verifica dos autos, o recurso foi admitido apenas em razão da divergência entre o v. acórdão recorrido e o acórdão nº 230100.571 que tange a incidências sobre despesas de custeio de previdência privada para empregados e dirigentes. O acórdão paradigma encontrase assim ementado: "PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. ENTIDADE EM REGIME ABERTO. NÃO INCIDÊNCIA. Após a LC n° 109/2001, os benefícios oferecidos através de entidade de previdência complementar no regime aberto não necessita ser extensivo à totalidade dos segurados empregados e diretores. Recurso Voluntário Provido em Parte" Verifico, ainda, constar do voto que integra o acórdão paradigma: "Para o regime aberto a lei faculta que, direta ou indiretamente através da entidade, a empresa contrate em beneficio de grupos específicos de categorias de empregados plano de previdência complementar, artigo 26, §§2° e 3º da lei. Então, neste caso não incidem contribuições previdenciárias ainda que o beneficio não seja a oferecido à totalidade dos empregados ". O acórdão paradigma reconheceu, em situação semelhante à dos presentes autos, a possibilidade da não incidência de contribuição previdenciária ainda que o benefício não seja oferecido à totalidade dos empregados, nos casos de programa de previdência complementar em regime aberto, por ser aplicável a Lei Complementar 109/2001, e não o art. 28, § 9º, alínea p, da Lei n. 8.212/91. O acórdão recorrido, por sua vez, manifestou entendimento diverso para a mesma situação fática, entendendo aplicável o art. 28, § 9º, alínea p, da Lei 8.212/91, embora sem enfrentar sua superação por legislação posterior (no caso a Lei Complementar 109/2001). É fato que o acórdão recorrido não discutiu o impacto que a Lei Complementar 109/2001 teria na aplicação do art. 28, § 9º, p, da Lei 8.212/91, o que para alguns poderia ser indicativo de ausência de divergência a exigir o não conhecimento do recurso especial. Penso diferente. O que se confronta são dois acórdãos que, diante de situações comparáveis quanto à aplicação da tese, concluíram diferentemente sobre a aplicação do art. 28, § 9º, p, da Lei 8.212/91. No acórdão recorrido concluiuse que, mesmo em se tratando de planos abertos, por haver exclusão de empregados que recebiam menos do que o teto máximo da contribuição previdenciária, que tivessem idade superior a 50 anos, ou que estivessem em Fl. 17DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalment e em 29/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 período de experiência, o art. 28, § 9º, p, da Lei 8.212/91, acima referido deveria ser aplicado em sua integralidade, sem cogitar de seu afastamento por legislação posterior. O paradigma considerou que, mesmo diante da exclusão de empregados temporários, o art. 28, § 9º, p, da Lei 8.212/91 não deveria ser aplicado em face de legislação posterior. Embora os critérios de inclusão ou exclusão de empregados no plano de previdência privada sejam distintos – no caso dos autos eram excluídos empregados em função da idade, do salário ou do vínculo temporário de emprego e no caso paradigma em função da temporariedade da relação de emprego – há comparabilidade quanto ao confronto de teses sobre o art. 28, § 9º, p, da Lei 8.212/91, isto é, se a não incidência de contribuições previdenciárias se dá somente no caso da inclusão da totalidade dos empregados e dirigentes. A título ilustrativo podemos considerar a seguinte representação: Universo dos empregados e dirigentes da empresa: Grupo A Grupo dos beneficiados pelo plano de previdência complementar: Grupo B Grupo dos não beneficiados: Grupo C Graficamente teríamos: O acórdão paradigma entendeu que não deveria ser aplicada a restrição do art. 28, § 9º, p, da Lei 8.212/91 ainda que apenas uma parcela dos empregados e/ou dirigentes (i.e. integrantes do Grupo B) fosse beneficiada com contribuições ao plano de previdência complementar pela empresa. Em outras palavras, para o acórdão paradigma não incide contribuição previdenciária sobre pagamentos a título de previdência complementar para beneficiários constantes de um grupo específico de empregados e/ou dirigentes (e.g. Grupo B) ainda que este grupo não seja idêntico à totalidade deles (e.g. Grupo A) e haja empregados e/ou dirigentes excluídos do plano (e.g. Grupo C). O acórdão recorrido, por sua vez, entendeu que a condição estabelecida no referido art. 28, § 9º, p, da Lei 8.212/91 deve ser atendida para a não incidência de contribuição previdenciária sobre a participação da empresa no plano de previdência complementar do empregado ou dirigente. Consequentemente, decidiu o acórdão recorrido que deve incidir contribuição previdenciária sobre a participação da empresa quando apenas uma parcela de empregados e/ou dirigentes (i.e. Grupo B, que corresponde ao Grupo A excluídos os integrantes do Grupo C). Em outras palavras, somente não incidiria contribuição previdenciária se o benefício fosse concedido a todos os empregados (e.g. Grupo A) e deveria haver incidência se o benefício fosse concedido a um grupo específico (e.g. Grupo B, que corresponde ao Grupo A – Grupo C). Fl. 18DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalment e em 29/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 14485.003204/200796 Acórdão n.º 9202003.193 CSRFT2 Fl. 5 7 Diante do exposto, concluise que aplicada a tese do paradigma aos fatos do caso dos autos, haveria reversão do resultado do julgamento proferido pelo acórdão recorrido. Nisto reside, para mim, a divergência apta ao confronto de teses. Resultados jurídicos diversos a partir da interpretação da legislação, considerada esta no seu todo, como sistema, para quadrantes fáticos comparáveis. O papel desta instância especial é precisamente o de solucionar tal divergência. Entendo, portanto, caracterizada a divergência de interpretação, razão pela qual conheço do recurso especial interposto. No mérito, a discussão nos presentes autos se refere à obrigatoriedade de se disponibilizar programa de previdência privada complementar (em regime aberto) à totalidade dos empregados e dirigentes para que tais valores não integrem o saláriodecontribuição e, consequentemente, não estejam sujeitos à incidência de contribuições previdenciárias. A fiscalização aplicou à espécie o art. 28, § 9°, p, da Lei 8.212/91, segundo o qual contribuições da empresa para planos de previdência privada de seus empregados e dirigentes somente não estão sujeitas a contribuições previdenciárias se estiverem disponíveis à totalidade de seus empregados e dirigentes. In verbis: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT;” (Destaquei) Referido dispositivo foi incluído na Lei 8.212/91 no âmbito das alterações promovidas pela Lei 9.528, de dezembro de 1997. Nada obstante o dispositivo acima transcrito não tenha sido expressamente revogado, a regulação da matéria foi substancialmente alterada pela Emenda Constitucional 20/1998 e pela Lei Complementar 109/2001. Com o advento da Emenda Constitucional 20/1998, que alterou o art. 202 da Constituição Federal, a previsão de que as contribuições pagas pelo empregador a título de previdência privada para seus empregados não integram a remuneração do empregado ganhou status constitucional, in verbis: “Art. 202. O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, será facultativo, baseado na Fl. 19DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalment e em 29/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 8 constituição de reservas que garantam o benefício contratado, e regulado por lei complementar. (...) § 2° As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstas nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência privada não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes, nos termos da lei.” (Destaquei) A Lei Complementar 109/2001 foi aprovada para regulamentar o referido dispositivo constitucional e previu, no mesmo sentido da Constituição Federal, que as contribuições do empregador feitas a entidades de previdência privada não estão sujeitas a tributação e contribuições de qualquer natureza: “Art. 68. As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstos nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência complementar não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes. (...) Art. 69. As contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar, destinadas ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária, são dedutíveis para fins de incidência de imposto sobre a renda, nos limites e nas condições fixadas em lei. § 1o Sobre as contribuições de que trata o caput não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. (...)” (Destaquei) Da leitura dos dispositivos acima se constata que eles não contêm a condição antes prevista no art. 28, § 9°, p, da Lei 8.212/91. Isto é, nos termos dos arts. 68 e 69 acima citados, as contribuições que o empregador faz ao plano de previdência complementar do empregado não devem ser consideradas parte de sua remuneração e, especificamente, sobre elas não devem incidir quaisquer tributos ou contribuições. Especificamente em relação aos planos abertos de previdência complementar, como é o caso dos presentes autos (conforme item 4.6 do Relatório fiscal da NFLD, fls. 549), a Lei Complementar 109/2001 permite de forma expressa que sejam disponibilizados pelo empregador a grupos de uma ou mais categorias específicas dos seus empregados: Dos Planos de Benefícios de Entidades Abertas Art. 26. Os planos de benefícios instituídos por entidades abertas poderão ser: Fl. 20DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalment e em 29/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 14485.003204/200796 Acórdão n.º 9202003.193 CSRFT2 Fl. 6 9 I individuais, quando acessíveis a quaisquer pessoas físicas; ou II coletivos, quando tenham por objetivo garantir benefícios previdenciários a pessoas físicas vinculadas, direta ou indiretamente, a uma pessoa jurídica contratante. § 1o O plano coletivo poderá ser contratado por uma ou várias pessoas jurídicas. § 2o O vínculo indireto de que trata o inciso II deste artigo referese aos casos em que uma entidade representativa de pessoas jurídicas contrate plano previdenciário coletivo para grupos de pessoas físicas vinculadas a suas filiadas. § 3o Os grupos de pessoas de que trata o parágrafo anterior poderão ser constituídos por uma ou mais categorias específicas de empregados de um mesmo empregador, podendo abranger empresas coligadas, controladas ou subsidiárias, e por membros de associações legalmente constituídas, de caráter profissional ou classista, e seus cônjuges ou companheiros e dependentes econômicos. (Destaquei) A Lei Complementar 109/2001 não apenas omitiu a condição antes prevista no art. 28, § 9°, p, da Lei 8.212/91 (isto é, estabeleceu que as contribuições do empregador a plano de previdência privada ou complementar dos empregados não devem ser consideradas como remuneração destes e não se submetem à incidência de qualquer imposto ou contribuição) como também expressamente permitiu o estabelecimento de planos de previdência complementar abertos coletivos, os quais podem ser compostos por grupos de uma ou mais categorias específicas de um mesmo empregador. A ratio motivadora do legislador complementar parece ter sido o de estimular a poupança privada pelos vários meios possíveis, inclusive a instituição de programas pelos empregadores em benefício de categorias específicas de empregados quando se tratar de plano aberto, oferecido pelo mercado, evitando o “engessamento” que por certo desestimularia a concessão de planos se houvesse rigidez exagerada quanto no público alvo do plano. Neste ponto, ainda que se entenda que a regulamentação do art. 202, § 2º, da Constituição Federal deveria ter sido veiculada por lei formalmente ordinária, em vista do previsto na parte final do dispositivo, a conclusão seria que, nesta parte, a Lei Complementar 109/2001 atua materialmente como lei ordinária, regulando a matéria de modo diferente da regulamentação anterior da Lei 8.212/91, com as alterações da Lei 9.528/97. A noção de que as leis complementares em sua forma também o são em sua substância ou matéria apenas e tão somente quando regulam matérias reservadas a esta espécie legislativa pela Constituição é assente na moderna doutrina e na jurisprudência do E. Supremo Tribunal Federal, consagrada no julgamento da ADIN 4.0715 (que tratou da COFINS de sociedades civis). Fl. 21DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalment e em 29/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 10 Neste caso, o plenário do E. STF entendeu que lei ordinária poderia revogar previsão de lei complementar anterior que tratava de matéria não reservada especificamente à lei complementar pela Constituição Federal já que, neste ponto a previsão contida em lei complementar tem status de lei ordinária (é materialmente lei ordinária). Deste modo, entendo que a condição estabelecida pelo artigo 28, §9º, p, da Lei 8.212/91, isto é, a cláusula “desde que o programa de previdência complementar, aberto ou fechado, esteja disponível à totalidade de empregados e dirigentes” para que a contribuição do empregador a plano de previdência complementar não sofra incidência de contribuição previdenciária não é aplicável aos casos de previdência privada complementar em regime aberto coletivo, uma vez que legislação posterior (arts 68 e 69 c/c art. 26, §§ 2º e 3º, todos da Lei Complementar 109/2001 e transcritos acima) deixou de prever tal condição e, além disto, expressamente previu a possibilidade de o empregador contratar a previdência privada para grupos ou categorias específicas de empregados. Por óbvio que tal faculdade não pode servir de propósito a transmudar remuneração ou prêmio em contribuição a previdência privada não tributável, aspecto que deve ser aferido considerando as circunstâncias fáticas do caso. Esse mesmo entendimento foi consignado no voto proferido pelo Ilmo. Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, no Acórdão nº 2402002.806: “Agora, como já sinalizado acima, para o regime aberto a lei faculta que, direta ou indiretamente através da entidade, a empresa contrate em benefício de grupos específicos de categorias de empregados plano de previdência complementar, artigo 26, §2° e 3° da lei. Então, neste caso não incidem contribuições previdenciárias ainda que o benefício não seja oferecido à totalidade dos empregados. Mas, sem precipitações, a interpretação será mais segura quando considerado o todo da lei. No caso dos programas em regime aberto, embora não seja necessário estendêlo à totalidade dos empregados e dirigentes, os grupos selecionados são de categorias de empregados, sem discriminações dentro de um mesmo grupo. A escolha recai sobre determinada categoria não como incentivo à produtividade ou outras finalidades relacionadas ao trabalho, mas em razão de necessidades específicas. Em síntese, temos que para a não incidência de contribuições previdenciárias: a) até o advento da LC n° 109/2001, em quaisquer casos, a empresa tinha que oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados e dirigentes; b) a partir da LC n° 109/2001, somente no regime fechado, a empresa deverá oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados, diretores, conselheiros ocupantes de cargo eletivo e outros dirigentes de patrocinadores e instituidores. Caso adotado o regime aberto, poderá oferecer o benefício a grupos de empregados ou dirigentes pertencentes a determinada categoria, mas não como instrumento de incentivo ao trabalho, Fl. 22DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalment e em 29/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 14485.003204/200796 Acórdão n.º 9202003.193 CSRFT2 Fl. 7 11 eis que flagrantemente o caracterizaria como um prêmio e, portanto, gratificação.”(Destaques originais) (Acórdão 2402002.806, de 21 de junho de 2012 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária / Segunda Seção de Julgamento) No caso presente, a Recorrente Serasa instituiu dois planos habituais em favor de seus empregados – um básico e um complementar, ambos com contribuições regulares e limitadas nos termos do Plano de fls. 291 e seguintes. Foram instituídos junto a duas instituições financeiras, sendo a eles elegíveis todos os funcionários com idade entre 18 e 50 anos, que tenham ultrapassado o período de experiência e que recebem acima do limite da previdência social (oficial). A meu ver, as exclusões de elegibilidade em questão se aplicam a categorias específicas de empregados, estando dentro dos limites da faculdade conferida ao empregador pelo art. 26, § 3º da Lei Complementar 109/2001, não constituindo discriminação ou escolha aleatória ou subjetiva de pessoas pelo empregador que pudesse transmudar a contribuição para a previdência privada em prêmio, mas eleição de uma ou mais classes ou categorias de empregados a serem beneficiados. Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de conhecer o recurso especial interposto pela Recorrente nos limites em que admitido pelos Despachos nº 2400 449/2011, de 12/09/2011 (fls. 556), e nº 2400518R/2011, de 28/11/2011 (fls.561), para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO para excluir da exigência a parcela relativa aos planos abertos de previdência privada em regime aberto. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 23DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalment e em 29/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 12 Declaração de Voto Conselheiro Marcelo Oliveira. Com todo respeito ao nobre Relator, divirjo de seu entendimento. Como muito bem destacado no voto do Relator, a Lei 8.212/991, Lei específica sobre o custeio das contribuições para a Previdência Social, possui determinaç~]ao sobre a incidência, ou não, de contribuições previdenciárias. Basicamente, toda a remuneração auferida por pessoas física, destinadas a retribuir o trabalho, quer pelos serviços prestados ou pelo tempo à disposição, conceituase como Salário de Contribuição (SC), que é o fato gerador e a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Lei 8.212/1991: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). ... Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 24DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalment e em 29/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 14485.003204/200796 Acórdão n.º 9202003.193 CSRFT2 Fl. 8 13 Só para destaque, pois não estamos discutindo esta questão, claro que verbas como indenizações e ressarcimentos não integram o SC, pois não retribuem o trabalho. Seguindo em frente, o legislador, na Lei 8.212/1991, definiu algumas verbas que são isentas de incidência da contribuição, desde que atendam requisitos. Dentre elas estão os valores recebidos pelos segurados para previdência privada. Lei 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: ... § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: ... p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, DESDE QUE DISPONÍVEL À TOTALIDADE DE SEUS EMPREGADOS E DIRIGENTES, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; Para a determinação legal acima, não integra o SC os valore vertidos para previdência privada, desde que o programa esteja disponível a todos seus empregados e dirigentes. Para o relator, em síntese, não haveria mais incidência do tributo federal previdenciário para esse tipo de verba remuneratória, pois legislação complementar posterior não manteve a exigência – para tanto de disponibilidade a todos os empregados e dirigentes. Lei Complementar 109/2001: “Art. 68. As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstos nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência complementar não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes. (...) Art. 69. As contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar, destinadas ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária, são dedutíveis para fins de incidência de imposto sobre a renda, nos limites e nas condições fixadas em lei. Fl. 25DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalment e em 29/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 14 § 1o Sobre as contribuições de que trata o caput não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. Com todo respeito ao nobre relator, não concordamos com sua decisão. Em primeiro lugar, a determinação contida na Lei 8.212/1991 está vigente, não tendo sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o que, por súmula do CARF, impede sua inobservância. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Uma das hipóteses para afastar a aplicação de uma norma legal em vigor é declarála inconstitucional e o CARF não possui competência para tanto. Portanto, não há como deixar de aplicar a Lei 8.212/1991 ao caso, motivo da discordância em relação ao voto do Relator. Outra hipótese de se afastar a aplicação de uma norma legal em vigor é se esta estiver em discordância com outra, situação em que caberia ao julgador interpretar qual é a legislação que se aplica ao caso. Ocorrer que esse fato também não acontece com a incidência da contribuição em discussão. Pela interpretação das legislações acima, verificamos que elas não estão em conflito. A Lei 8.212/1991, assim como a Lei Complementar 109/2001, determina que não integra o SC o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado. A lei 8.212/1991, específica sobre o tema, só determina uma condição, a disponibilidade do programa a todos os empregados e dirigentes da empresa. Somase a esse fato que a Constituição Federal de 1988 (CF/1988) não determinou que a regulação desse benefício fiscal fosse por Lei Complementar. CF/1988: “Art. 202. O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, será facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício contratado, e regulado por lei complementar. (...) § 2° As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstas nos estatutos, regulamentos e Fl. 26DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalment e em 29/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 14485.003204/200796 Acórdão n.º 9202003.193 CSRFT2 Fl. 9 15 planos de benefícios das entidades de previdência privada não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes, NOS TERMOS DA LEI.” Portanto, por não estarem em conflito, não há como afastar a aplicação da Lei 8.212/1991. Devemos destacar, também, que a entrada em vigor da Lei Complementar 109/2001 não afastou a aplicação da Lei 8.212/1991, pois esta é lei especial e, por este critério (lex specialis derogat legi generali), não havendo conflito entre as legislação, também não há como afastála. Por fim, destaquese que a jurisprudência dominante do CARF não compactua com a decisão expressa no voto do Relator: “PREVIDÊNCIA PRIVADA. DISPONIBILIDADE A TODOS OS EMPREGADOS COMO CONDIÇÃO PARA A ISENÇÃO. Estar disponível a todos os empregados é condição presente em l ex specialis em relação à LC 109/2001 que, por contribuir para realizar os desígnios constitucionais com limitações razoáveis e logicamente relacionadas à finalidade social do amparo previdenciário, em nada ofende a proporcionalidade, sendo, portanto, condição inafastável para que os pagamentos a plano de previdência complementar que beneficiam os empregados estejam sob o albergue da isenção. (Processo 10680.723654/201037, Mauro José Silva) ... PLANO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA COMPLEMENTAR. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. NECESSIDADE EXTENSÃO À TOTALIDADE DOS EMPREGADOS E DIRIGENTES. LEI N° 8.212/91 EM CONFRONTAÇÃO COM A LEI COMPLEMENTAR N° 109/2001. PRINCÍPIO DA ESPECIALID ADE. Os valores pagos aos funcionários da contribuinte a título de plano de previdência privada complementar somente estarão fora do campo de incidência das contribuições previdenciárias se extensivos à totalidade dos empregados e dirigentes da empresa, nos termos do artigo 28, § 9o , alínea “p”, da Lei n° 8.212/91, a qual prevalece em relação ao disposto na Lei Complementar n° 109/2001 em razão do princípio da especialidade, sobretudo quando àquela LC adentrou a matéria reservada à Lei Ordinária, se Fl. 27DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalment e em 29/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 16 equiparando a esta, portanto, neste tema. (15504.005717/20102 4, Rycardo Henrique Magalhães Oliveira) Conseqüentemente, como a regra condicional para a isenção da contribuição previdenciária nos pagamentos referentes à previdência privada está em pleno vigor e não está em conflito com norma alguma, não há motivos para o provimento do recurso do sujeito passivo sobre esse prisma. CONCLUSÃO: Pelos motivos expostos, voto em negar provimento ao recurso do sujeito passivo, nos termos do voto. (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 28DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalment e em 29/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 10410.005913/2008-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VIOLAÇÃO NÃO PROVADA.
Inexistindo violação às disposições contidas no art. 142, do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59, do Decreto nº 70.235, de 1972, e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento.
DOMICÍLIO DO CONTRIBUINTE. CIÊNCIA POR VIA POSTAL. VÁLIDO COMO NOTIFICAÇÃO.
É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. (Súmula CARF nº 9)
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (PAF). PRECLUSÃO.
A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, salvo se caracterizada alguma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 (PAF).
DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO JUSTIFICADOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ELEMENTOS CARACTERIZADORES DO FATO GERADOR.
A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Em se tratando de imposto de renda com base em depósitos bancários não justificados, o fato gerador não se dá pela constatação de depósitos bancários creditados em conta corrente do contribuinte, mas pela falta de comprovação da origem dos valores ingressados no sistema financeiro.
Numero da decisão: 2201-002.401
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
MARIA HELENA COTA CARDOZO Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Nathalia Mesquita Ceia, Francisco Marconi de Oliveira, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VIOLAÇÃO NÃO PROVADA. Inexistindo violação às disposições contidas no art. 142, do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59, do Decreto nº 70.235, de 1972, e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento. DOMICÍLIO DO CONTRIBUINTE. CIÊNCIA POR VIA POSTAL. VÁLIDO COMO NOTIFICAÇÃO. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. (Súmula CARF nº 9) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (PAF). PRECLUSÃO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, salvo se caracterizada alguma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 (PAF). DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO JUSTIFICADOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ELEMENTOS CARACTERIZADORES DO FATO GERADOR. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Em se tratando de imposto de renda com base em depósitos bancários não justificados, o fato gerador não se dá pela constatação de depósitos bancários creditados em conta corrente do contribuinte, mas pela falta de comprovação da origem dos valores ingressados no sistema financeiro.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10410.005913/2008-18
anomes_publicacao_s : 201407
conteudo_id_s : 5359908
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2201-002.401
nome_arquivo_s : Decisao_10410005913200818.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10410005913200818_5359908.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) MARIA HELENA COTA CARDOZO Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Nathalia Mesquita Ceia, Francisco Marconi de Oliveira, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Gustavo Lian Haddad.
dt_sessao_tdt : Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
id : 5521751
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:24:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046811660255232
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2400; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10410.005913/200818 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201002.401 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 13 de maio de 2014 Matéria IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS Recorrente JOÃO FELIPE BARROS DE LIMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VIOLAÇÃO NÃO PROVADA. Inexistindo violação às disposições contidas no art. 142, do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59, do Decreto nº 70.235, de 1972, e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento. DOMICÍLIO DO CONTRIBUINTE. CIÊNCIA POR VIA POSTAL. VÁLIDO COMO NOTIFICAÇÃO. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. (Súmula CARF nº 9) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (PAF). PRECLUSÃO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo se caracterizada alguma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 (PAF). DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO JUSTIFICADOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ELEMENTOS CARACTERIZADORES DO FATO GERADOR. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Em se tratando de imposto de renda com base em depósitos bancários não justificados, o fato gerador não se dá pela constatação de depósitos bancários creditados em conta corrente do contribuinte, mas pela falta de comprovação da origem dos valores ingressados no sistema financeiro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 59 13 /2 00 8- 18 Fl. 281DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 4/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) MARIA HELENA COTA CARDOZO – Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Nathalia Mesquita Ceia, Francisco Marconi de Oliveira, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Gustavo Lian Haddad. Relatório Contra o contribuinte qualificado neste processo, foi lavrado o auto de infração de IRPF, exercício 2005, com base no art. 42 da Lei nº 8.430, de 1996 (fls. 4 a 9), sendo apurados R$ 674.124,50, sobre o qual incidiam multa de ofício agravada e juros de mora. O auditor, na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 8) informa que os motivos que justificaram o lançamento foi a omissão de rendimentos no valor de R$ 2.451.361,84, no anobase de 2004, caracterizada por valores creditados Banco Safra S/A e Banco do Brasil S/A, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizadas nessas operações. Cientificado e inconformado com a autuação, o contribuinte impugnou o lançamento alegando nulidade do lançamento e que os recursos movimentados em suas contas têm origem comprovas. A sua petição pode ser assim resumida: Em relação à nulidade da ação fiscal, argui que: (i) as provas foram obtidas de forma ilegal e que a autoridade fiscal extrapolou os limites da lei e fundamentou o pedido de tais documentos de forma equivocada, sem especificar a necessidade do acesso às informações, nem apresentar relatório circunstanciado; (ii) nos termos do Decreto nº 3.724, de 2001, a Receita Federal somente poderia examinar as informações e documentos de instituições financeiras, relativos a terceiros, quando tais exames forem indispensáveis, comprovandose que haja a interposição do titular de fato; (iii) a autoridade fiscal estaria equivocada, pois Decreto nº 3.724, de 2001 impõe critérios claros e objetivos no § 22 do art. 32; e (iv) o RMF deve ser expedido com base em relatório circunstanciado, apontando a motivação e indicando a sua indispensabilidade. No mérito, insurgese contra o lançamento pelo fato de não ter tomado conhecimento da ação fiscal, pois, muito embora tenha mudado de endereço, na sua declaração Fl. 282DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 4/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10410.005913/200818 Acórdão n.º 2201002.401 S2C2T1 Fl. 3 3 de rendimento consta o telefone e email e somente tomou conhecimento das intimações e da existência do MPF depois que foi notificado do Auto de Infração, e que: a) os recursos movimentados em suas contas correntes e aplicações são originários das atividades empresarias junto à JJ Factoring Fomento Mercantil Ltda, TRIPLIC Rent a Car Ltda e outras; doações recebidas de seus pais; vendas de bens; empréstimos bancários; empréstimos junto às empresas que detém participação societária e rendas auferida em anos anteriores; b) a sua movimentação bancária decorre de transferências de caixa para banco, de banco para banco, de retorno ao caixa, de remessas para empresas, de devoluções e outros empréstimos, não havendo razão para se cogitar a omissão de rendimentos; e c) descabe a multa agravada, pois não se esquivou ou se omitiu de prestar quaisquer esclarecimentos à Receita Federal. Os membros da 5ª Turma de Julgamento da DRJ Belém (PA), por unanimidade de votos, julgaram procedente em parte a impugnação e manter em parte o crédito tributário, excluindo o agravamento da multa de ofício (fls. 231 a 244). Cientificado em (fls. 246) em 11 de outubro de 2010, o contribuinte apresentou o recurso voluntário em 11 de novembro de 2010 (fls. 248 a 255), repetindo os argumentos da nulidade do lançamento, por ser constituído com base em prova ilegal, por não ter sido informado previamente dos procedimentos da autuação, e por ser abusiva a forma pela qual a autoridade fiscal teria obtido as informações da movimentação financeira. Questiona o MPF, citando doutrinadores do direito e decisões deste Conselho, e por fim, alega que solicitou das instituições os documentos comprobatórios da movimentação dos recursos de suas contas correntes e aplicações, e, tão logo os tenha em mãos, as encaminhará a este Colegiado. Por meio da Resolução nº 220200.188, a 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Segunda Sessão sobrestou o julgamento até que ocorresse decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE n.º 614.406, nos termos do disposto no artigo 62A, §§ 1º e 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF). Porém, em 18 de novembro de 2013, com a edição da Portaria nº 545 do Ministério da Fazenda, foram revogados os §§ 1º e 2º do supracitado artigo 62A, do RICARF, razão pela qual os autos retornaram para julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 4/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 4 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira O recurso voluntário é tempestivo e, atendidas as demais formalidades, dele tomo conhecimento. O contribuinte alega, basicamente, nulidade do lançamento, discorrendo sobre a ilegalidade da prova, obtida de forma abusiva pela autoridade fiscal; por não ter sido informado sobre os procedimentos de fiscalização e nem ter tomado ciência do MPF. Argui ainda que solicitou das instituições os documentos comprobatórios da movimentação dos recursos de suas contas correntes e aplicações, e, tão logo os tenha em mãos, as encaminhará a este Colegiado Ao contrário do que entende o impugnante, não cabe nulidade do auto de infração, que se revestiu de todas as formalidades legais previstas pelo art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, com as alterações introduzidas pela Lei n° 8.748, de 1993, que assim dispõe: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Também, não se encontram presentes nos autos aspectos que impliquem em nulidade, dispostos nos arts. 59, 60 e 61 do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 4/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10410.005913/200818 Acórdão n.º 2201002.401 S2C2T1 Fl. 4 5 Assim, não cabem os questionamentos do sujeito passivo acerca da validade do procedimento fiscal, pois não há nele qualquer vício que comprometa a validade do lançamento, que contém a descrição detalhada do fato gerador do imposto de renda da pessoa física, o fundamento legal, a identificação da matéria e do sujeito passivo, bem como estão presentes todos os elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito, e que ao contribuinte foi possibilitado a defesa por meio da impugnação e do recurso, não se verifica qualquer hipótese de nulidade. Também não precede as alegações de não ter sido informado sobre os procedimentos de fiscalização e nem ter tomado ciência do MPF, já que nos autos constam avisos de recebimentos de correspondências entregues no endereço informado pelo contribuinte à Receita Federal, sendo um deles o Termo de Início de Fiscalização (fl. 32), e nos termos da Súmula CARF nº 9, “É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.” Assim, como o contribuinte foi intimado e não apresentou a comprovação de origem dos recursos, não há qualquer vício ou irregularidade nesse sentido. Em relação à alegação de que teria sido descumprido o Decreto no 3.724/2001, que “estabeleceu no art. 2°, § 5°, com redação dada pelo Decreto 6.104/2007, que a Receita Federal do Brasil, por seus Auditores, somente poderia examinar informações e documentos de instituições financeiras, relativos a terceiros, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, verificase que a situação em tela é exatamente esta. O fato de a fiscalização ter iniciado a fiscalização em função de indícios de interposição de pessoa titular de fato não impede que o lançamento seja efetuado ao se concluir que os recursos movimentados pertencem, de fato, ao contribuinte. Isso está claro na citada norma legal (Decreto no 3.724/2001), como se observa a seguir: Art. 2º Os procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil serão executados, em nome desta, pelos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil e somente terão inicio por força de ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), instituído mediante ato da Secretaria da Receita Federal do Brasil. [...] § 5° A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio de servidor ocupante do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, somente poderá examinar informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. Art. 3º Os exames referidos no § 5º do art. 2º somente serão considerados indispensáveis nas seguintes hipóteses: [...] XI presença de indicio de que o titular de direito é interposta pessoa do titular de fato. § 2º Considerase indicio de interposição de pessoa, para os fins do inciso XI deste artigo, quando: I as informações disponíveis, relativas ao sujeito passivo, indicarem movimentação financeira superior a dez vezes a renda disponível declarada ou, na ausência de Fl. 285DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 4/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 6 Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda, o montante anual da movimentação for superior ao estabelecido no inciso II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996; Art. 42. Poderão requisitar as informações referidas no § 5ª do art. 22 as autoridades competentes para expedir o MPE [...] § 5º A RMF será expedida com base em relatório circunstanciado, elaborado pelo AuditorFiscal da Receita Federal encarregado da execução do MPF ou por seu chefe imediato. [...] § 6º No relatório referido no parágrafo anterior, deverá constar a motivação da proposta de expedição da RMF, que demonstre, com precisão e clareza, tratarse de situação enquadrada em hipótese de indispensabilidade prevista no artigo anterior, observado o principio da razoabilidade. [...] § 8º A expedição da RMF presume indispensabilidade das informações requisitadas, nos termos deste Decreto. (grifos não presentes no texto original). Ora, o contribuinte, regularmente intimado, deixou de apresentar os extratos bancários de sua movimentação financeira, não restando outra alternativa a fiscalização, para dar seguimento à ação fiscal, senão solicitar a expedição RMF para o Banco do Brasil e o Banco Safra. Portanto, quanto à expedição do MPF e, por consequência, do RMF, não há qualquer irregularidade no lançamento ou na decisão de primeira instância. O recorrente cita acórdãos do CARF, entretanto, esses não têm caráter de norma geral, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão àquela objeto da decisão. Quanto à informação que solicitou das instituições os documentos comprobatórios da movimentação dos recursos de suas contas correntes e aplicações, e, tão logo os tenha em mãos, as encaminhará a este Colegiado, cabe informar que prova documental deve ser apresentada no momento da impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que a situação esteja inserida nas exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 (PAF): fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; refirase a fato ou a direito superveniente; ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Por fim, vale salientar, o legislador ordinário presumiu que há aquisição de riqueza nova nos casos de movimentação financeira em que o contribuinte não demonstre a origem dos recursos. E, nesse caso, ante a vinculação do princípio da legalidade que rege a administração pública, tem a fiscalização a obrigação de autuar a omissão no valor dos depósitos bancários recebidos. Assim está expresso no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se dá pela constatação de depósitos bancários, mas pela falta de esclarecimentos por parte do contribuinte da origem dos numerários depositados em contas bancárias, com a análise individualizada dos créditos, conforme expressamente previsto na lei, resultando na presunção de omissão de rendimentos. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 4/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10410.005913/200818 Acórdão n.º 2201002.401 S2C2T1 Fl. 5 7 As presunções legais invertem o ônus da prova, cabendo ao Fisco comprovar tão somente a ocorrência da hipótese descrita na norma como presuntiva da infração. Nos autos, o contribuinte não apresentou provas, mediante documentação hábil e idônea, da origem dos valores depositados/creditados nas contas correntes, assim, correto lançamento por omissão de rendimentos como definido no artigo 42, da Lei 4.930, de 1996, com os limites alterados pelo art. 40 da lei n° 9.481, de 1997, e no artigo 849 e parágrafos do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999). Isto posto, voto em rejeitar as preliminares e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator Fl. 287DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 4/07/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO
score : 1.0
