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Numero do processo: 15504.014863/2009-15
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. INCIDÊNCIA
Integra o salário-de-contribuição a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada em desacordo com lei específica.
DEIXAR DE ARRECADAR CONTRIBUIÇÃO.
Constitui-se infração deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos determinadas pela legislação.
Numero da decisão: 2403-002.567
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (presidente), Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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INCIDÊNCIA Integra o saláriodecontribuição a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada em desacordo com lei específica. DEIXAR DE ARRECADAR CONTRIBUIÇÃO. Constituise infração deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos determinadas pela legislação. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 48 63 /2 00 9- 15 Fl. 259DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (presidente), Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014863/200915 Acórdão n.º 2403002.567 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, Acórdão 0227.640 da 8ª Turma, que julgou a impugnação improcedente, conforme ementa abaixo transcrita. LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. DEIXAR DE ARRECADAR AS CONTRIBUIÇÕES DO SEGURADO. CONEXÃO. Constitui infração A legislação previdenciária, a empresa deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados a seu serviço. Devem ser julgados em conjunto com o processo principal os processos apensados por conexão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido em Parte Acórdão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros da 8' Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação e procedente em parte do lançamento, retificando o valor da multa aplicada no Auto de Infração n°37.218.9156 para R$1.329,18. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Tratase de infração à Lei 8.212/91, artigo 30, inciso I, alínea 'a' e artigo 4° da Lei 10.666/03, tendo em vista que a empresa deixou de arrecadar, mediante desconto da remuneração, a contribuição de segurados empregados, conforme discriminado no Relatório Fiscal da Infração, fls. 25/27. Conforme Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fl. 28, a multa cabível está prevista nos artigos 92 e 102 da Lei 8.212/91 e RPS, artigo 283, inciso I, alínea 'g', e o valor da multa aplicável corresponde a R$ 1.329,18. Contudo, ante a presença de circunstância agravante de reincidência genérica, a multa aplicada corresponde ao valor mínimo elevado em duas vezes, Fl. 261DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 de acordo com o RPS, artigo 292, inciso IV, totalizando R$ 2.658,36. A ação fiscal teve inicio com o Termo de Inicio de Procedimento Fiscal —TIPF de fls. 6/7. A interessada foi cientificada da presente autuação em 01/09/2009, conforme documento de fl. 1, e apresentou defesa, as fls. 76/85, que contém, em síntese: Quanto aos valores pagos a segurados empregados a titulo de participação nos lucros e resultados, a defesa apresenta os mesmos argumentos da defesa apresentada nos autos do processo principal 15504.014864/200951, DEBCAD 37.218.9164, lavrado na mesma ação fiscal, ao qual o presente processo está vinculado, cujo conteúdo foi relatado no Acórdão 0227.636, julgado conjuntamente com o presente processo, na mesma sessão de julgamento da 8a turma da DRJ/BHE. Alega ainda que não pode ser considerada reincidente, pois sobre a PLR não incidem contribuições previdenciárias. Requer a extinção do Auto de Infração. A DRJ afastou a circunstância agravante identificada quando do lançamento e reduziu a multa ao valor mínimo. Todavia, da análise dos autos (fls.19/24) e em pesquisa realizada ao sistema informatizado da Receita Federal do Brasil, constata se que os autos de infração lavrados contra a empresa, em ações fiscais anteriores (AI n°37.025.7480 e 37.025.7499) transitaram em julgado em 13/08/2008, mas ambas autuações foram julgadas improcedentes. Assim, não há que se falar em circunstância agravante de reincidência. Portanto, a multa aplicada deve ser retificada para o valor mínimo (sem majoração), passando a mesma, à importância de R$1.329,18. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · Não tem como prosperar o entendimento firmado pelo i. julgador a quo no sentido de que a participação nos lucros e resultados tenha que ser paga para todos os estabelecimentos da empresa na mesma forma e parâmetros, sendo vetado o pagamento da PLR para os funcionários de um único estabelecimento da empresa. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014863/200915 Acórdão n.º 2403002.567 S2C4T3 Fl. 4 5 · A lei não determina que a PLR tenha que ser paga para todos os empregados de todos os estabelecimentos da empresa. · A Lei 10.101/00, estipula que a PLR será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante negociação direta com os empregados, formados em comissão, DELA CONSTANDO UM REPRESENTANTE DO SINDICATO da respectiva categoria ou mediante acordo coletivo. · O sistema sindical brasileiro prevê a representação dos empregados através de sindicatos com base territorial definida. · Se a empresa possui diversos estabelecimentos, ou seja, é "repartida" relativamente aos sindicatos com os quais interage, terá necessariamente, diversos acordo coletivos, alguns instituindo a distribuição de PLR, outros não, respeitando as particularidades de cada regido e de cada sindicato · A jurisprudência já é pacifica quanto a natureza não salarial da PLR quando esta é distribuída respeitandose o disposto no art.7°'XI da Constituição Federal e art. 2° da Lei 10.101/2000. É o relatório. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. Segundo o Relatório Fiscal, a atuação foi motivada pelo fato de a empresa ter deixa do de arrecada, mediante desconto, a totalidade da contribuição dos segurados empregados. A rubrica PLR não foi tributadada. 1 0 presente Auto de Infração foi lavrado contra a empresa acima identificada, uma vez que a mesma deixou de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições de segurados empregados, o que constitui infração ao artigo 4 0 , "caput", da Lei no 10.666/03, e artigo 30°, Inciso I, alínea "a" da Lei n° 8.212/91, combinado com o artigo 216, Inciso I, alínea "a", do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, na redação do Decreto n° 4.729103. 2 A empresa remunerou segurados empregados, sem efetuar o desconto da contribuição previdenciária devida pelos mesmos em benefícios pagos ou creditados a titulo de Participação nos Lucros e/ou Resultados, constantes em folhas de pagamento no período de JANEIRO a DEZEMBRO DE 2005. 3 Os valores pagos aos empregados sem a realização do desconto correspondente à contribuição previdenciária encontramse relacionados no "Anexo I — Participação nos Lucros e Resultados", que se constitui parte integrante deste Relatório. A recorrente entende que seu proceder está correto e que não incide tributação sobre a PLR. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS – PLR GERAL A CF, nos termos do art. 7º, inciso XI, assegura aos empregados o direito à participação nos lucros ou resultados da empresa desvinculada da remuneração, quando Fl. 264DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014863/200915 Acórdão n.º 2403002.567 S2C4T3 Fl. 5 7 concedida de acordo com lei específica, é , portanto, uma normas constitucionais de eficácia limitada. Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; Como se denota do dispositivo constitucional transcrito, tratase de norma de eficácia limitada, cuja produção plena de efeitos foi condicionada à regulamentação pelo legislador infraconstitucional. Nesse sentido, o entendimento do Supremo Tribunal Federal: Participação nos lucros. Art. 7°, XI, da CF. Necessidade de lei para o exercício desse direito. O exercício do direito assegurado pelo art. 7°, XI, da CF começa com a edição da lei prevista no dispositivo para regulamentálo, diante da imperativa necessidade de integração. Com isso, possível a cobrança das contribuições previdenciárias até a data em que entrou em vigor a regulamentação do dispositivo. (RE 398.284, Rel. Min. Menezes Direito, julgamento em 2392008, Primeira Turma, DJE de 19122008.) No mesmo sentido: RE 505.597AgRAgR, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 1º122009, Segunda Turma, DJE de 18122009; RE 393.764–AgR, Rel. Min. Ellen Gracie, julgamento em 25112008, Segunda Turma, DJE de 1912 2008. Em atendimento ao comando constitucional, sobreveio a Lei nº 10.101/2000, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e que, no artigo 1º dispõe ser a Participação nos Lucros e Resultados instrumento de integração entre o capital e trabalho, ou seja, é importante estratégia para atingir motivação e produtividade por parte dos empregados, lucro para as empresas e melhores condições sociais. Art. 1º Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. A Participação nos Lucros ou Resultados, na forma concebida pela Lei 10.101/2000, tem caráter notoriamente condicional. Sua percepção está vinculada ao Fl. 265DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 alcance de metas pelos empregados, estabelecidas por meio de negociação entre esses e o empregador. Como ensina Fabio Campinho, na obra Participação nos Lucros ou Resultados Subordinação e Gestão da Subjetividade, o pagamento de valor desatrelado do alcance ou cumprimento de metas nada contribui para a integração capital e trabalho, configurando juridicamente salário sendo perfeitamente admissível que nestes casos o judiciário trabalhista considere o valor pago como parte integrante do complexo salarial. A incerteza é intrínseca à PLR. Sem a fixação prévia de um percentual sobre os lucros ou de metas a serem atingidas não pode haver participação. Pelo menos não segundo os ditames fixados pela Lei 10.101/2000. Este fator imponderável que faz com que o lucro a ser atingido ao final do exercício contábil não seja previsível a não ser por estimativas, que faz com que as metas possam ou não ser alcançadas, é o que torna o programa condizente com os dispositivos legais. Portanto, parcela fixa, sem qualquer condicionante, não é PLR. É juridicamente salário. (...) Ao conceder a participação sob a forma de um “abono” desvinculado de qualquer meta não produz qualquer motivação adicional. Tratase apenas de uma mudança de rubrica. A parcela que anteriormente era considerada salarial para a não ser mais. Fato que em nada contribui para a “integração do trabalhador na vida da empresa” (Lei nº 10.101/2000, art. 1º). Em verdade, é perfeitamente admissível que nestes casos o judiciário trabalhista considere o valor pago como parte integrante do complexo salarial. Afinal, a incerteza é intrínseca a PLR. Sem a fixação prévia de um percentual sobre os lucros ou de metas a serem atingidas não pode haver participação. Pelo menos não segundo os ditames fixados pela Lei 10.101/2000. Este fator imponderável que faz com que o lucro a ser atingido ao final do exercício contábil não seja previsível a não ser por estimativas (que não deixam de ser aproximações), que faz com que as metas possam ou não ser alcançadas, é o que torna o programa condizente com os dispositivos legais. Portanto, parcela fixa, sem qualquer condicionante, não é PLR. É juridicamente salário. (Editora LTR, São Paulo, 2009, p. 90.) A Lei nº. 10.101, de 19/12/2000 ao estabelecer critérios, estabelece uma definição para “participação nos lucros ou resultados”, logo, se de acordo com a Lei 10.101/2000 é PLR imune à tributação, senão, apesar do “nome”, não é PLR e será integralmente tributado. Para que o segurado empregado tenha direito à PLR não há necessidade de lucro por parte da empresa, podendo ser paga em função de um resultado. O resultado, conforme previsto na Lei nº. 10.101/00, é um resultado que se baseia em regras claras e objetivas de metas a serem alcançadas e que tem o intuito de incentivar a produtividade. Para a participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa, a Lei nº. 10.101/00 estabelece as seguintes condições: Fl. 266DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014863/200915 Acórdão n.º 2403002.567 S2C4T3 Fl. 6 9 a) A PLR deve ser objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos abaixo, escolhidos pelas partes de comum acordo: · Comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; · Convenção ou acordo coletivo. b) Dos instrumentos decorrentes da negociação, deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: · Índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; · Programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. c) É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de PLR em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Art.1oEsta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art.2oA participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: Icomissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; IIconvenção ou acordo coletivo. §1oDos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Iíndices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; IIprogramas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 §2oO instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. ... Art.3oA participação de que trata o art. 2onão substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. §1oPara efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dentro do próprio exercício de sua constituição. §2oÉ vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. A ausência de um desses requisitos é suficiente para desqualificação da verba paga como PLR. Somente os valores pagos com estrita obediência aos comandos previstos na Lei nº 10.101/00 estão fora da esfera de tributação da contribuição previdenciária. Nesse sentido, apresento jurisprudência do CARF e também do STJ: CARF ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1997 a 31/12/2003 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS PARCELA INTEGRANTE DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DESCUMPRIMENTO DAS REGRAS DA LEI 10.101/2000. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. O pagamento de participação nos lucros e resultados em desacordo com os dispositivos legais da lei 10.101/00, quais sejam, existência de acordo prévio ao exercício, bem como a existência de regras previamente ajustadas, enseja a incidência de contribuições previdenciárias, posto a não aplicação da regra do art. 28, §9º, “j” da Lei 8.212/91. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. (...)NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA.(...). RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. (Acórdão 240100545) STJ Fl. 268DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014863/200915 Acórdão n.º 2403002.567 S2C4T3 Fl. 7 11 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. 1. Embasado o acórdão recorrido também em fundamentação infraconstitucional autônoma e preenchidos os demais pressupostos de admissibilidade, deve ser conhecido o recurso especial. 2. O gozo da isenção fiscal sobre os valores creditados a título de participação nos lucros ou resultados pressupõe a observância da legislação específica regulamentadora, como dispõe a Lei 8.212/91. 3. Descumpridas as exigências legais, as quantias em comento pagas pela empresa a seus empregados ostentam a natureza de remuneração, passíveis, pois, de serem tributadas. 4. Ambas as Turmas do STF têm decidido que é legítima a incidência da contribuição previdenciária mesmo no período anterior à regulamentação do art. 7º, XI, da Constituição Federal, atribuindolhe eficácia dita limitada, fato que não pode ser desconsiderado por esta Corte. 5. Recurso especial não provido (REsp 856160/PR, Relatora Ministra ELIANA CALMON, DJe 23/06/2009). Conforme disposição expressa no art. 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, notase que a exclusão da parcela de participação nos lucros na composição do saláriode contribuição está condicionada à estrita observância da lei reguladora do dispositivo constitucional. Essa regulamentação somente ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, reeditada sucessivas vezes e convertida na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, que veio regular o assunto em tela. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: § 9º Não integram o saláriodecontribuição: j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. Conforme previsto na alínea “j” do § 9o do art. 28 da Lei n º 8.212, a única hipótese para que a participação nos lucros e resultados não sofra incidência de contribuição previdenciária é que seja paga de acordo com a lei específica, isto é, se enquadre no estabelecido na lei 10.101/2000. Assim, onde o legislador dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 Constatado o desrespeito à exigência legal, resulta descaracterizados os pagamentos como sendo PLR e passam à condição de pagamentos com natureza remuneratória. PLR CASO CONCRETO. A divergência entre a recorrente e o fisco é que a recorrente entende harmônico com a Lei 10.101/2000 a previsão do pagamento de PLR apenas para empregados de 1 estabelecimento e nada (nenhuma previsão) para os demais empregados da empresa, enquanto o fisco entende que para se harmonizar com a Lei 10.101/2000, devese prever PLR para toda a empresa. O relatório fiscal da obrigação principal apontou como fatos geradores das contribuições lançadas o pagamento de Participação nos Lucros e Resultados, alegando que a PLR pago está em desacordo com a lei 10.101 de 19/12/2000, uma vez que o pagamento do beneficio ocorreu somente para empregados da filial de Ipatinga/MG. 2 A empresa omitiu da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social — GFIP os seguintes dados: 2.1 Benefícios pagos ou creditados a segurados empregados, constantes em folhas de pagamento no período de JANEIRO a DEZEMBRO DE 2005, a titulo de Participação nos Lucros e/ou Resultados. 2.2 Remunerações pagas a pessoas físicas, a titulo de serviços prestados na condição de autônomos no período de JANEIRO a DEZEMBRO DE 2005. 3 DETALHAMENTO DAS INFORMAÇÕES OMITIDAS 3.1 — Participação nos Lucros e/ou Resultados 3.1.1 Beneficio pago a empregados, a titulo de Participação nos Lucros e Resultados, constantes em folha de pagamento, em desacordo com a Lei 10.101, de 19/12/2000, uma vez que o pagamento do beneficio é pago somente a empregados da filial de Ipatinga/MG, conforme documento apresentado pelo contribuinte e que se encontra anexado ao processo principal — DEBCAD 37.218.9164 — protocolo 15504.014864/200951. 3.1.2 — 0 beneficio integra o salário de contribuição por não atender o disposto no § 9°, letra "j", do art. 28 da Lei n° 8.212, de 24/07/1991. ... Fl. 270DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014863/200915 Acórdão n.º 2403002.567 S2C4T3 Fl. 8 13 3.1.3 Portanto, estando em desacordo com a legislação, o beneficio se incorpora ao salário de contribuição dos empregados. 3.1.4 — A relação dos empregados com os respectivos valores do beneficio estão demonstrados no "Anexo I — Participação nos Lucros e Resultados". A recorrente alega que a lei não determina que a PLR tenha que ser paga para todos os empregados de todos os estabelecimentos da empresa e que seu procedimento está conforme a lei 10.101/2000, fora, portanto do alcance da tributação. Entendo correto o entendimento do fisco. Para fundamentar meu entendimento, reproduzo a Lei 10.101/2000, com suas alterações, para demonstrar que sempre se refere à “Empresa” e nunca a “Estabelecimento”. LEI No10.101, DE 19 DE DEZEMBRO DE 2000. Dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e dá outras providências. Art.1oEsta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos doart. 7o, inciso XI, da Constituição. Art.2oA participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: Icomissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria;(Redação dada pela Lei nº 12.832, de 2013)(Produção de efeito) IIconvenção ou acordo coletivo. §1oDos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo Fl. 271DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Iíndices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; IIprogramas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. §2oO instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. §3oNão se equipara a empresa, para os fins desta Lei: Ia pessoa física; IIa entidade sem fins lucrativos que, cumulativamente: a)não distribua resultados, a qualquer título, ainda que indiretamente, a dirigentes, administradores ou empresas vinculadas; b)aplique integralmente os seus recursos em sua atividade institucional e no País; c)destine o seu patrimônio a entidade congênere ou ao poder público, em caso de encerramento de suas atividades; d)mantenha escrituração contábil capaz de comprovar a observância dos demais requisitos deste inciso, e das normas fiscais, comerciais e de direito econômico que lhe sejam aplicáveis. § 4oQuando forem considerados os critérios e condições definidos nos incisos I e II do § 1odeste artigo:(Incluído pela Lei nº 12.832, de 2013)(Produção de efeito) I a empresa deverá prestar aos representantes dos trabalhadores na comissão paritária informações que colaborem para a negociação;(Incluído pela Lei nº 12.832, de 2013)(Produção de efeito) II não se aplicam as metas referentes à saúde e segurança no trabalho.(Incluído pela Lei nº 12.832, de 2013)(Produção de efeito) Art.3oA participação de que trata o art. 2onão substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. §1oPara efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dentro do próprio exercício de sua constituição. §2oÉ vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014863/200915 Acórdão n.º 2403002.567 S2C4T3 Fl. 9 15 § 2oÉ vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em mais de 2 (duas) vezes no mesmo ano civil e em periodicidade inferior a 1 (um) trimestre civil.(Redação dada pela Lei nº 12.832, de 2013)(Produção de efeito) §3oTodos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. §4oA periodicidade semestral mínima referida no § 2opoderá ser alterada pelo Poder Executivo, até 31 de dezembro de 2000, em função de eventuais impactos nas receitas tributárias. §5oAs participações de que trata este artigo serão tributadas na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, como antecipação do imposto de renda devido na declaração de rendimentos da pessoa física, competindo à pessoa jurídica a responsabilidade pela retenção e pelo recolhimento do imposto. § 5º A participação de que trata este artigo será tributada pelo imposto sobre a renda exclusivamente na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos, no ano do recebimento ou crédito, com base na tabela progressiva anual constante do Anexo e não integrará a base de cálculo do imposto devido pelo beneficiário na Declaração de Ajuste Anual.(Redação dada pela Medida Provisória nº 597, de 2012)(Vigência) § 6º Para efeito da apuração do imposto sobre a renda, a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa será integralmente tributada, com base na tabela progressiva constante do Anexo.(Incluído pela Medida Provisória nº 597, de 2012)(Vigência) § 7º Na hipótese de pagamento de mais de uma parcela referente a um mesmo anocalendário, o imposto deve ser recalculado, com base no total da participação nos lucros recebida no ano calendário, mediante a utilização da tabela constante do Anexo, deduzindose do imposto assim apurado o valor retido anteriormente.(Incluído pela Medida Provisória nº 597, de 2012)(Vigência) § 8º Os rendimentos pagos acumuladamente a título de participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa serão tributados exclusivamente na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos, sujeitandose, também de forma acumulada, ao imposto sobre a renda com base na tabela progressiva constante do Anexo.(Incluído pela Medida Provisória nº 597, de 2012)(Vigência) § 9º Considerase pagamento acumulado, para fins do § 8º, o pagamento da participação nos lucros relativa a mais de um Fl. 273DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 anocalendário. (Incluído pela Medida Provisória nº 597, de 2012)(Vigência) § 10. Na determinação da base de cálculo da participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados, poderão ser deduzidas as importâncias pagas em dinheiro a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente ou de separação ou divórcio consensual realizado por escritura pública, desde que correspondentes a esse rendimento, não podendo ser utilizada a mesma parcela para a determinação da base de cálculo dos demais rendimentos.(Incluído pela Medida Provisória nº 597, de 2012)(Vigência) § 5º A participação de que trata este artigo será tributada pelo imposto sobre a renda exclusivamente na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos, no ano do recebimento ou crédito, com base na tabela progressiva anual constante do Anexo e não integrará a base de cálculo do imposto devido pelo beneficiário na Declaração de Ajuste Anual.(Redação dada pela Lei nº 12.832, de 2013)(Produção de efeito) § 6oPara efeito da apuração do imposto sobre a renda, a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa será integralmente tributada com base na tabela progressiva constante do Anexo.(Incluído pela Lei nº 12.832, de 2013)(Produção de efeito) § 7oNa hipótese de pagamento de mais de 1 (uma) parcela referente a um mesmo anocalendário, o imposto deve ser recalculado, com base no total da participação nos lucros recebida no anocalendário, mediante a utilização da tabela constante do Anexo, deduzindose do imposto assim apurado o valor retido anteriormente.(Incluído pela Lei nº 12.832, de 2013)(Produção de efeito) § 8oOs rendimentos pagos acumuladamente a título de participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa serão tributados exclusivamente na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos, sujeitandose, também de forma acumulada, ao imposto sobre a renda com base na tabela progressiva constante do Anexo.(Incluído pela Lei nº 12.832, de 2013)(Produção de efeito) § 9oConsiderase pagamento acumulado, para fins do § 8o, o pagamento da participação nos lucros relativa a mais de um anocalendário.(Incluído pela Lei nº 12.832, de 2013)(Produção de efeito) § 10. Na determinação da base de cálculo da participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados, poderão ser deduzidas as importâncias pagas em dinheiro a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente ou de separação ou divórcio consensual realizado por escritura pública, desde que correspondentes a esse rendimento, não podendo ser utilizada a mesma parcela para a determinação da base de cálculo dos demais Fl. 274DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014863/200915 Acórdão n.º 2403002.567 S2C4T3 Fl. 10 17 rendimentos.(Incluído pela Lei nº 12.832, de 2013)(Produção de efeito) § 11. A partir do anocalendário de 2014, inclusive, os valores da tabela progressiva anual constante do Anexo serão reajustados no mesmo percentual de reajuste da Tabela Progressiva Mensal do imposto de renda incidente sobre os rendimentos das pessoas físicas.(Incluído dada pela Lei nº 12.832, de 2013)(Produção de efeito) Art.4oCaso a negociação visando à participação nos lucros ou resultados da empresa resulte em impasse, as partes poderão utilizarse dos seguintes mecanismos de solução do litígio: Imediação; IIarbitragem de ofertas finais. II arbitragem de ofertas finais, utilizandose, no que couber, os termos daLei no9.307, de 23 de setembro de 1996.(Redação dada pela Lei nº 12.832, de 2013)(Produção de efeito) §1oConsiderase arbitragem de ofertas finais aquela em que o árbitro deve restringirse a optar pela proposta apresentada, em caráter definitivo, por uma das partes. §2oO mediador ou o árbitro será escolhido de comum acordo entre as partes. §3oFirmado o compromisso arbitral, não será admitida a desistência unilateral de qualquer das partes. §4oO laudo arbitral terá força normativa, independentemente de homologação judicial. Art.5oA participação de que trata o art. 1odesta Lei, relativamente aos trabalhadores em empresas estatais, observará diretrizes específicas fixadas pelo Poder Executivo. Parágrafoúnico.Consideramse empresas estatais as empresas públicas, sociedades de economia mista, suas subsidiárias e controladas e demais empresas em que a União, direta ou indiretamente, detenha a maioria do capital social com direito a voto. Art.6oFica autorizado, a partir de 9 de novembro de 1997, o trabalho aos domingos no comércio varejista em geral, observado o art. 30, inciso I, da Constituição. Parágrafo único.O repouso semanal remunerado deverá coincidir, pelo menos uma vez no período máximo de quatro semanas, com o domingo, respeitadas as demais normas de proteção ao trabalho e outras previstas em acordo ou convenção coletiva. Art.6oFica autorizado o trabalho aos domingos nas atividades do comércio em geral,observada a legislação municipal, nos termos do art. 30, inciso I, da Constituição.(Redação dada pela Medida Provisória nº 388, de 2007) Parágrafoúnico.O repouso semanal Fl. 275DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 18 remunerado deverá coincidir, pelo menos uma vez no período máximo de três semanas, com o domingo, respeitadas as demais normas de proteção ao trabalho e outras a serem estipuladas em negociação coletiva.(Redação dada pela Medida Provisória nº 388, de 2007) Art.6oFica autorizado o trabalho aos domingos nas atividades do comércio em geral,observada a legislação municipal, nos termos doart. 30, inciso I, da Constituição.(Redação dada pela Lei nº 11.603, de 2007) Parágrafoúnico.O repouso semanal remunerado deverá coincidir, pelo menos uma vez no período máximo de três semanas, com o domingo, respeitadas as demais normas de proteção ao trabalho e outras a serem estipuladas em negociação coletiva.(Redação dada pela Lei nº 11.603, de 2007) Art.6oA.É permitido o trabalho em feriados nas atividades do comércio em geral, desde que autorizado em convenção coletiva de trabalho eobservada a legislação municipal, nos termos doart. 30, inciso I, da Constituição.(Incluído pela Medida Provisória nº 388, de 2007) Art.6oA.É permitido o trabalho em feriados nas atividades do comércio em geral, desde que autorizado em convenção coletiva de trabalho eobservada a legislação municipal, nos termos doart. 30, inciso I, da Constituição.(Incluído pela Lei nº 11.603, de 2007) Art.6oB.As infrações ao disposto nos arts. 6oe 6oA desta Lei serão punidas com a multa prevista noart. 75 da Consolidação das Leis do Trabalho, aprovada pelo DecretoLei no5.452, de 1ode maio de 1943.(Incluído pela Medida Provisória nº 388, de 2007)Parágrafoúnico.O processo de fiscalização, de autuação e de imposição de multas regerseá pelo disposto noTítulo VII da Consolidação das Leis do Trabalho.(Incluído pela Medida Provisória nº 388, de 2007) Art.6oB.As infrações ao disposto nos arts. 6oe 6oA desta Lei serão punidas com a multa prevista noart. 75 da Consolidação das Leis do Trabalho, aprovada pelo DecretoLei no5.452, de 1ode maio de 1943.(Incluído pela Lei nº 11.603, de 2007) Parágrafoúnico.O processo de fiscalização, de autuação e de imposição de multas regerseá pelo disposto noTítulo VII da Consolidação das Leis do Trabalho.(Incluído pela Lei nº 11.603, de 2007) Art.7oFicam convalidados os atos praticados com base naMedida Provisória no1.98276, de 26 de outubro de 2000. Art.8oEsta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Congresso Nacional, em 19 de dezembro de 2000; 179oda Independência e 112oda República. Senador ANTONIO CARLOS MAGALHÃESPresidente Este texto não substitui o publicado no DOU de 20.12.2000 Fl. 276DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014863/200915 Acórdão n.º 2403002.567 S2C4T3 Fl. 11 19 Uma vez considerado o procedimento da empresa em desarmonia com a Lei 10.101/2000, devese considerar procedente o lançamento. CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 277DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10580.010914/00-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/12/2000
PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. MATÉRIA IDÊNTICA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA.
A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica na renúncia à instância administrativa.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3101-001.665
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por concomitância.
Rodrigo Mineiro Fernandes Presidente substituto e relator.
EDITADO EM: 26/06/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Luiz Feistauer de Oliveira, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (Suplente), Glauco Antonio De Azevedo Morais, Luiz Roberto Domingo e Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por concomitância. Rodrigo Mineiro Fernandes Presidente substituto e relator. EDITADO EM: 26/06/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Luiz Feistauer de Oliveira, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (Suplente), Glauco Antonio De Azevedo Morais, Luiz Roberto Domingo e Rodrigo Mineiro Fernandes.
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MATÉRIA IDÊNTICA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica na renúncia à instância administrativa. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por concomitância. Rodrigo Mineiro Fernandes – Presidente substituto e relator. EDITADO EM: 26/06/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Luiz Feistauer de Oliveira, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (Suplente), Glauco Antonio De Azevedo Morais, Luiz Roberto Domingo e Rodrigo Mineiro Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 01 09 14 /0 0- 87 Fl. 177DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/06 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 4a. Turma da DRJ em Salvador/BA que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra ato de não homologação de compensações pleiteadas nos autos. Pelo Despacho Decisório n°645/2009, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador/BA, indeferiu o direito de compensação de débitos declarados com direito creditório relativo a contribuição para o PIS/PASEP proveniente da Ação Ordinária 1997.33.5810, na qual se discute o direito ao reconhecimento de indébito de PIS recolhido com base nos Decretoslei n°2.445 e 2.449, ambos de 1988, uma vez que este mesmo crédito já tinha sido objeto de análise no processo administrativo n°10580.000290/0017, Despacho Decisório DRF/SDR n°573, de 07/11/2008, para indeferilo, em razão da identidade entre os créditos pleiteados nas esferas judicial e administrativa, tendo o contribuinte optado em prosseguir com a execução. Na manifestação de inconformidade tempestivamente apresentada a empresa alegou que em virtude da revogação dos efeitos suspensivos relativos aos débitos do PAF ora discutido, com impedimento à emissão de CND, ingressou com medida liminar através do processo n° 2002.33.00.0232244, na 1a. Vara da Justiça Federal, com objetivo de restaurar a suspensão, tendo sido concedida a segurança, mas cuja medida judicial o órgão de origem insiste em contrariar. No voto proferido a Turma Julgadora de 1a. instância indeferiu o pleito e consignou que a partir de janeiro de 2001, passou a ser vedada a compensação de tributo objeto de discussão judicial antes do trânsito em julgado da respectiva ação e os eventuais encontros de contas baseados em ação judicial a partir de então deveriam aguardar o desfecho da lide. Explicou que o contribuinte ingressou com o PAF n° 10580.000290/0017 visando a restituição dos valores do PIS pagos a maior tendo sido indeferido o direito pleiteado mediante o Despacho Decisório DRF/SDR n° 573, de 07/11/2008, uma vez que ficou constatada a identidade entre o crédito nas esferas judicial e administrativa, e que o contribuinte optou em prosseguir com a execução, conforme Laudo Pericial da Primeira Vara da Seção Judiciária do Estado da Bahia, na ação constante dos auto n°1997.33.5810. Nessas condições não poderia, por via obliqua, obter outro provimento jurisdicional, dado o risco de tornarse detentor de dois títulos executivos, na esfera judicial, a execução, e no processo administrativo, a restituição e compensações a esta vinculada, fato que foi levado em consideração na apreciação do processo n°10580.000290/0017, para indeferilo, sendo vedado ao interessado utilizar novamente os créditos para compensação administrativa após ter obtido judicialmente o direito à repetição dos valores pagos a maior. Notificada da decisão, em 05/02/2010, apresentou a interessada, em 09/03/2010, recurso voluntário, no qual alega que o crédito pleiteado na esfera administrativa difere consideravelmente do crédito pleiteado na ação judicial e que, para evitar possíveis prejuízos futuros, não poderia desistir da ação judicial. Discorre a respeito do princípio da irretroatividade da lei, da constitucionalidade e da verdade material para concluir que restaria comprovada a regularidade das compensações efetuadas. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/06 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 10580.010914/0087 Acórdão n.º 3101001.665 S3C1T1 Fl. 4 3 Ao final, pede pelo provimento do recurso voluntário com a homologação integral das compensações formalizadas. Os autos foram encaminhados inicialmente a Primeira Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento do CARF que, em sessão de julgamento de 9 de julho de 2013, declinou a competência em favor da Terceira Seção. O processo foi encaminhado a esta Seção de Julgamento e posteriormente distribuído a este Conselheiro. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator Tratase de pedido de compensação pelo qual pretende, a recorrente, o reconhecimento de direito creditório a título de pagamento indevido de PIS recolhido com base nos Decretos 2.445 e 2.449, de 1988. Como o alegado direito creditório é proveniente de decisão judicial, importanos examinar o teor da ação ajuizada pela Recorrente e seus efeitos. É incontroverso que a recorrente ajuizou uma ação ordinária, autos nº 1997.33.5810, junto à 1ª Vara Cível Federal de Salvador objetivando o reconhecimento de seu direito à restituição e posterior compensação dos valores indevidamente recolhidos a título de PIS, nos termos dos DecretosLeis 2.445/88 e 2.449/88, com parcelas do próprio PIS. A ação judicial já transitou em julgado e encontrase em fase de liquidação de sentença. Não restam dúvidas que o objeto dessa ação judicial é o mesmo deste processo administrativo: a restituição e a compensação de valores recolhidos indevidamente da contribuição PIS em face da declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLeis 2.445/88 e 2.449/88. É ponto pacífico que a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. Como o contribuinte preferiu prosseguir com a execução, prejudicado ficou seu requerimento administrativo. Isso porque a coisa julgada proferida no âmbito do Poder Judiciário jamais poderia ser alterada no processo administrativo, pois tal procedimento feriria a Constituição Federal brasileira, que adota o modelo de jurisdição una, onde são soberanas as decisões judiciais. Eventuais decisões antagônicas, nas esferas administrativa e judicial, teriam uma única solução, qual seja, prevaleceria a da esfera judicial, em razão do princípio constitucional da jurisdição única, art. 5º, XXXV, da Constituição Federal. Destarte, não faz sentido a continuação da discussão no âmbito administrativo, pois o mérito da questão será decidido pelo Poder Judiciário com efeito de coisa julgada. Assim sendo, a existência de uma ação judicial, por parte da requerente, com o mesmo objeto desse processo administrativo fiscal importa na renúncia à esfera Fl. 179DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/06 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 4 administrativa. Em relação a essa discussão, aplicase a Súmula nº 01 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) que uniformizou o seguinte entendimento: SÚMULA Nº 1 do CARF: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário, por estar caracterizada a coincidência entre a matéria recursal e o objeto da ação judicial.. Sala das sessões, em 28 de maio de 2014. [assinado digitalmente] Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator Fl. 180DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/06 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10945.001782/2008-53
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2007, 2008
OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL. EMPRESA EM INÍCIO DE
ATIVIDADE. PRODUÇÃO DE EFEITOS.
A opção pelo Simples Nacional efetuada por empresa em início de atividade com data de abertura constante do CNPJ anterior a 01/01/2008 produz efeitos apenas a partir da data do último deferimento da inscrição nos cadastros estadual e municipal.
Numero da decisão: 1802-002.218
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
ESTER MARQUES LINS DE SOUSA- Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2007, 2008 OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL. EMPRESA EM INÍCIO DE ATIVIDADE. PRODUÇÃO DE EFEITOS. A opção pelo Simples Nacional efetuada por empresa em início de atividade com data de abertura constante do CNPJ anterior a 01/01/2008 produz efeitos apenas a partir da data do último deferimento da inscrição nos cadastros estadual e municipal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) ESTER MARQUES LINS DE SOUSA- Presidente. (assinado digitalmente) Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
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Recorrente ÓTICA FOX LTDA – ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2007, 2008 OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL. EMPRESA EM INÍCIO DE ATIVIDADE. PRODUÇÃO DE EFEITOS. A opção pelo Simples Nacional efetuada por empresa em início de atividade com data de abertura constante do CNPJ anterior a 01/01/2008 produz efeitos apenas a partir da data do último deferimento da inscrição nos cadastros estadual e municipal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 00 17 82 /2 00 8- 53 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 03/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBER TO BUELONI SANTOS FERREIRA Processo nº 10945.001782/200853 Acórdão n.º 1802002.218 S1‐TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso contra decisão da autoridade fiscal, que indeferiu pedido de inclusão no Simples Nacional com data retroativa à constituição da interessada. A recorrente teve sua solicitação de opção pelo Simples Nacional deferida com efeitos a partir de 17/03/2008 e apresentou pedido solicitando que fosse deferida sua inclusão no regime com efeito retroativo à data de constituição da empresa, ocorrida em 05/10/2007. 0 pedido da interessada foi indeferido pela Delegacia da Receita Federal de Foz do Iguaçu, sob o argumento de que a inclusão da empresa no Simples Nacional com efeitos a partir de 17/03/2008 foi feita conforme o disposto na alínea "a", inciso V, § 30, art. 7°, da Resolução CGSN no 4/2007 (v. Informação Fiscal e do Despacho Decisório de fls. 45 a 47). Da Impugnação Inconformada com o indeferimento, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade acompanhada de documentos, com as seguinte alegações: Alega que a empresa obteve CNPJ em outubro/2007 e teve sua inscrição estadual expedida em novembro/2007, mas não teve a mesma agilidade na obtenção do alvará municipal, o qual, embora solicitado em outubro/2007, só foi expedido em 17/03/2008. Afirma desconhecer o motivo pelo qual a Receita Federal, em vez de enquadrar a empresa no Simples Nacional desde a data da constituição da empresa, incluiua apenas a partir de março/2008, o que a impediu de apresentar a Declaração Anual do Simples Nacional DAS referente ao Exercício 2008, AnoCalendário 2007. Assevera que diante da circunstância acima relatada, a empresa poderá ser prejudicada em suas atividades normais, por estar se apresentando ao fisco em situação de irregularidade, por não ter apresentado no prazo legal a sua DAS 2008, o que acarretará o não fornecimento de certidões negativas para fins de participação em licitações públicas, obtenção de financiamentos, além de outras situações indesejáveis e danosas ao seu empreendimento, tais como a própria multa por atraso na entrega da referida declaração. Discorre sobre as normas constitucionais que determinam tratamento jurídico diferenciado e favorecido às microempresas e empresas de pequeno porte e sugere que o poder público repense sua ação e sua postura, pois ao invés de simplificar e agilizar a legalização das empresas, o país continua criando e aplicando leis e sistemas que nada contribuem nesse aspecto. Afirma que os que mais sofrem com esse inadequado e arcaico sistema são os pequenos empreendedores, que com poucos recursos financeiros têm de pagar aluguéis e outras despesas préoperacionais até que o poder público lhe dê autorização para início de suas Fl. 111DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 03/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBER TO BUELONI SANTOS FERREIRA Processo nº 10945.001782/200853 Acórdão n.º 1802002.218 S1‐TE02 Fl. 4 3 atividades regulares, o que lhe retira o ânimo de continuar investindo e criando oportunidades de trabalho. Requer, ao final, o deferimento de sua inclusão no Simples Nacional com efeito retroativo à data de sua constituição, ocorrida no mês de outubro de 2007, com a consequente permissão da entrega da DAS 2008 fora do prazo legal e sem nenhuma penalidade. Do Acórdão Em sessão de 22 de julho de 2011, a 7ª Turma da DRJ/CTA proferiu o Acórdão n.°0632.792, o qual indeferiu o pleito da recorrente, nos seguintes termos: Segundo a DRJ, a forma, o prazo e a produção de efeitos da opção das empresas em inicio de atividade pelo Simples Nacional foi disciplinada pelo Comitê Gestor do Simples Nacional, por meio da Resolução n° 4, de 30/05/2007 (art. 7 0, § 30, V): Art. 7° A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (.) 3° No caso de inicio de atividade da ME ou EPP no anocalendário da opção, deverá ser observado o seguinte: I a ME ou a EPP, após efetuar a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), bem como obter a sua inscrição estadual e municipal, caso exigíveis, terá o prazo de até 10 (dez) dias, contados do tiltimo deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo Simples Nacional; V a opção produzirá efeitos: (Redação dada pela Resolução CGSN n° 29, de 21 de janeiro de 2008) a) para as empresas com data de abertura constante do CNPJ até 31 de dezembro de 2007, a partir da data do último deferimento da inscrição nos cadastros estadual e municipal, salvo se o ente federativo considerar inválidas as informações prestadas pela ME ou EPP, hipótese em que a opção será considerada indeferida; (Incluída pela Resolução CGSN n° 29, de 21 de janeiro de 2008) b) para as empresas com data de abertura constante do CNPJ a partir de 10 de janeiro de 2008, desde a respectiva data de abertura, salvo se o ente federativo considerar inválidas as informações prestadas pela ME ou EPP nos cadastros estadual e municipal, hipótese em que a opção será considerada indeferida; (Incluída pela Resolução CGSN n°29, de 21 de janeiro de 2008) Nos termos da norma transcrita, resta claro que para as empresas em inicio de atividade com data de abertura constante do CNPJ até 31/12/2007 a opção pelo Simples Nacional produz efeitos a partir da data do último deferimento da inscrição nos cadastros estadual e municipal, exatamente esse o caso da interessada, cuja data de abertura constante do CNPJ é 05/10/2007, ou seja, anterior a 01/01/2008. Nessa situação, não há que se falar em efeito retroativo à data de constituição da pessoa jurídica, devendo a opção pelo Simples Nacional produzir efeitos tãosomente a partir da data do último deferimento de inscrição. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 03/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBER TO BUELONI SANTOS FERREIRA Processo nº 10945.001782/200853 Acórdão n.º 1802002.218 S1‐TE02 Fl. 5 4 Como o último deferimento de inscrição da empresa foi obtido em 17/03/2008 (Alvará da Prefeitura Municipal, fls. 09), mostrase correta a inclusão da interessada no Simples Nacional com efeitos somente a partir dessa data. De se ressaltar que o Comité Gestor do Simples Nacional (CGSN) tem competência para regulamentar a opção pelo Simples Nacional, conforme previsão expressa contida no § 6° do art. 2° e no art. 16 da Lei Complementar n° 123, de 14/12/2006 (lei que instituiu o Simples Nacional). Portanto, as normas acima referidas foram editadas pelo órgão competente e por isso devem ser estritamente observadas por esta Turma de Julgamento, nos termos do disposto no artigo 116, III, da Lei 8.112/90 (estatuto dos servidores públicos civis da Unido), e no artigo 7° da Portaria MF no 341, de 12/07/2011 (que atualmente disciplina o funcionamento das Delegacias da Receita Federal de Julgamento — DRJ). A DRJ entendeu que a inconformidade manifestada pela empresa interessada não tem amparo em nenhum ato normativo específico relativo à sistemática do Simples Nacional. Suas alegações representam apenas críticas e sugestões de alterações relativos às normas e práticas vigentes, o que está fora do alcance e do objetivo do presente processo administrativo fiscal. Na verdade, o que se deve discutir e analisar no presente processo administrativo é a veracidade dos fatos que originaram a edição do ato administrativo impugnado, bem como a validade do referido ato em face da legislação aplicável. E no presente caso, conforme já demonstrado, a inclusão da pessoa jurídica interessada no Simples Nacional com efeitos somente a partir de 17/03/2008 está em plena consonância com os fatos demonstrados nos autos e com as normas aplicáveis à matéria. Portanto, votou a DRJ no sentido de considerar improcedente a manifestação de inconformidade. Do Recurso Voluntário Inconformada, a recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual reiterou os termos do quanto alegado em sua Manifestação de Inconformidade e requereu o deferimento de seu pedido de reinclusão no SUPER SIMPLES NACIONAL retroativo ao mês de sua constituição, ocorrida em outubro de 2007, e lhe permita a entrega do DAS/2008, fora do prazo legal, sem nenhuma penalidade. Esse o relatório. Passo ao Voto. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 03/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBER TO BUELONI SANTOS FERREIRA Processo nº 10945.001782/200853 Acórdão n.º 1802002.218 S1‐TE02 Fl. 6 5 Voto Conselheiro: Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Relator. Da Tempestividade A ciência do Acórdão deuse em 02/09/2011 e o Recurso Voluntário foi apresentado tempestivamente, em 29/09/2011. Sendo tempestivo e dotado dos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Do Mérito Tratase de recurso contra o acórdão 0632.792, da 2ª Turma DRJ/CTA, proferido em 22/09/2011, que manteve o indeferimento do pedido de inclusão no Simples Nacional com data retroativa à constituição da interessada. A recorrente teve sua solicitação de opção pelo Simples Nacional deferida com efeitos a partir de 17/03/2008 e apresentou pedido solicitando que fosse deferida sua inclusão no regime com efeito retroativo à data de constituição da empresa, ocorrida em 05/10/2007. Referido pedido foi indeferido pela Delegacia da Receita Federal de Foz do Iguaçu, sob o argumento de que a inclusão da empresa no Simples Nacional com efeitos a partir de 17/03/2008 foi feita conforme o disposto na alínea "a", inciso V, § 30, art. 7°, da Resolução CGSN no 4/2007. Na manifestação de inconformidade, a recorrente alegou, entre outros, o fato de ter obtido CNPJ em outubro/2007 e inscrição estadual em novembro/2007, mas não teve a mesma agilidade na obtenção do alvará municipal, o qual, embora solicitado em outubro/2007, só foi expedido em 17/03/2008, sendo esse o motivo do indeferimento de seu pleito. Discorre também sobre as normas constitucionais que determinam tratamento jurídico diferenciado e favorecido às microempresas e empresas de pequeno porte, e reitera seu pedido de inclusão no Simples Nacional com efeito retroativo à data de sua constituição, ocorrida no mês de outubro de 2007. Em sessão de 22 de julho de 2011, a 7ª Turma da DRJ/CTA proferiu o Acórdão n° 0632.792, o qual indeferiu novamente o pleito da recorrente, alegando serem rígidas as normas de inclusão no Simples Nacional, quanto à formalização dos atos, não comportando interpretações elásticas. De fato, a Resolução nº 4, de 30/05/2007, do Comitê Gestor do Simples Nacional, tem a seguinte redação: Fl. 114DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 03/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBER TO BUELONI SANTOS FERREIRA Processo nº 10945.001782/200853 Acórdão n.º 1802002.218 S1‐TE02 Fl. 7 6 Art. 7° A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (.) 3° No caso de inicio de atividade da ME ou EPP no anocalendário da opção, deverá ser observado o seguinte: I a ME ou a EPP, após efetuar a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), bem como obter a sua inscrição estadual e municipal, caso exigíveis, terá o prazo de até 10 (dez) dias, contados do tiltimo deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo Simples Nacional; V a opção produzirá efeitos: (Redação dada pela Resolução CGSN n° 29, de 21 de janeiro de 2008) a) para as empresas com data de abertura constante do CNPJ até 31 de dezembro de 2007, a partir da data do último deferimento da inscrição nos cadastros estadual e municipal, salvo se o ente federativo considerar inválidas as informações prestadas pela ME ou EPP, hipótese em que a opção será considerada indeferida; (Incluída pela Resolução CGSN n° 29, de 21 de janeiro de 2008) b) para as empresas com data de abertura constante do CNPJ a partir de 10 de janeiro de 2008, desde a respectiva data de abertura, salvo se o ente federativo considerar inválidas as informações prestadas pela ME ou EPP nos cadastros estadual e municipal, hipótese em que a opção será considerada indeferida; (Incluída pela Resolução CGSN n°29, de 21 de janeiro de 2008) O Comité Gestor do Simples Nacional (CGSN) tem competência para regulamentar a opção pelo Simples Nacional, conforme previsão expressa contida no § 6° do art. 2° e no art. 16 da Lei Complementar n° 123, de 14/12/2006 (lei que instituiu o Simples Nacional). Portanto, as normas acima referidas foram editadas pelo órgão competente e por isso devem ser estritamente observadas por esta casa. A norma é clara no sentido de que para as empresas em início de atividade com data de abertura constante do CNPJ até 31/12/2007, a opção pelo Simples Nacional produz efeitos a partir da data do último deferimento da inscrição nos cadastros estadual e municipal, sendo esse justamente o caso da Recorrente, cuja data de abertura constante do CNPJ é 05/10/2007, ou seja, anterior a 01/01/2008. É forçoso reconhecer que no presente caso, não há que se falar em efeito retroativo à data de constituição da pessoa jurídica, devendo a opção pelo Simples Nacional produzir efeitos tãosomente a partir da data do último deferimento de inscrição. Como o último deferimento de inscrição da empresa foi obtido em 17/03/2008 (Alvará da Prefeitura Municipal, fls. 09), mostrase correta a inclusão da interessada no Simples Nacional com efeitos somente a partir dessa data. Entendo, assim como entendeu a DRJ, que a inconformidade manifestada pela empresa interessada não tem amparo em nenhum ato normativo específico relativo à sistemática do Simples Nacional, representando apenas críticas e sugestões de alterações relativos às normas e práticas vigentes, o que está fora do alcance e do objetivo do presente processo administrativo fiscal. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 03/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBER TO BUELONI SANTOS FERREIRA Processo nº 10945.001782/200853 Acórdão n.º 1802002.218 S1‐TE02 Fl. 8 7 Diante do exposto, voto pelo não provimento do Recurso. Esse o meu voto. (assinado digitalmente) Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Fl. 116DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 03/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBER TO BUELONI SANTOS FERREIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13502.902680/2012-31
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2009 a 30/06/2009
NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO.
Os argumentos de defesa devem ser trazidos na primeira instância administrativa.
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente motivada não infirmada com elementos de prova hábeis e idôneos.
Numero da decisão: 3803-006.255
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2009 a 30/06/2009 NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa devem ser trazidos na primeira instância administrativa. INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente motivada não infirmada com elementos de prova hábeis e idôneos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 90 26 80 /2 01 2- 31 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/06/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13502.902680/201231 Acórdão n.º 3803006.255 S3TE03 Fl. 108 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em decorrência da não homologação da compensação declarada. O contribuinte havia transmitido Declaração de Compensação em 1º de junho de 2012, referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior de Cofins, no valor de R$ 126.766,17, destinado a quitar débito de sua titularidade. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento declarado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento do crédito e a homologação da compensação, com o seguinte argumento: “Tal indeferimento não pode prosperar porque os créditos oriundos de pagamento indevido ou maior já tinham sido devidamente disponibilizados em razão da desvinculação dos mesmos das DCTFs daquele período.” Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e do despacho decisório. A DRJ Belo Horizonte/MG não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado da decisão em 14 de outubro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário no dia 31 do mesmo mês e requereu prorrogação do prazo para a apuração adequada do efetivo direito creditório, alegando que o seu departamento fiscal não enviara as declarações retificadoras, sendo essa a razão da existência do presente passivo tributário. É o relatório. Voto Fl. 108DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/06/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13502.902680/201231 Acórdão n.º 3803006.255 S3TE03 Fl. 109 3 Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, mas dele não conheço, em razão dos fatos a seguir identificados. Diante do acima relatado, constatase que o Recorrente, nesta fase recursal, altera totalmente o seu pedido, não mais pleiteando a homologação da compensação devidamente declarada, conforme fizera na Manifestação de Inconformidade, mas requerendo a dilação de prazo para a apuração adequada do efetivo direito creditório e para produção de provas, em razão de equívoco cometido por seu departamento fiscal, que não providenciara a retificação das DCTFs do período. Notese que a afirmativa do Recorrente de que necessita de mais prazo para apurar adequadamente o efetivo direito creditório denota, inequivocamente, que as informações constantes da Declaração de Compensação foram repassadas de forma inadvertida, sem lastro na escrituração contábilfiscal, pois, do contrário, nada haveria a ser apurado, mas apenas informado no bojo deste processo. É flagrante a inovação operada em sede de recurso, tratandose de matéria preclusa em razão de sua não exposição na primeira instância administrativa, não tendo sido examinada pela autoridade julgadora de piso, o que contraria o princípio do duplo grau de jurisdição, bem como o do contraditório e o da ampla defesa. A preclusão processual é um elemento que limita a atuação das partes durante a tramitação do processo, imputandolhe celeridade, numa sequência lógica e ordenada dos fatos, em prol da pretendida pacificação social. Humberto Theodoro Júnior1 nos ensina que preclusão é “a perda da faculdade ou direito processual, que se extinguiu por não exercício em tempo útil”. Ainda segundo o mestre, com a preclusão, “evitase o desenvolvimento arbitrário do processo, que só geraria a balbúrdia, o caos e a perplexidade para as partes e o juiz”. O princípio da preclusão conectase ao princípio do impulso processual e destinase “não apenas a proporcionar uma mais rápida solução do litígio, mas bem ainda a tutelar a boafé no processo, impedindo o emprego de expedientes que configurem litigância de máfé” 2. Tal princípio busca garantir o avanço da relação processual e impedir o retrocesso às fases anteriores do processo, encontrandose fixado o limite da controvérsia, no Processo Administrativo Fiscal (PAF), no momento da impugnação/manifestação de inconformidade. De acordo com o art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 1972, os atos processuais se concentram no momento da impugnação, cujo teor deverá abranger “os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância, as razões e provas que 1 HUMBERTO, Theodoro Júnior. Curso de direito processual civil. vol. 1. Rio de Janeiro: Forense, 2003, p. 225 226. 2 GRINOVER, Ada Pellegrini. “Interesse da União, preclusão. A preclusão e o órgão judicial”. In: A Marcha do Processo. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2000, p. 230/241. Disponível em: http://www.ambito juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11781. Acesso em: 15 abr 2013. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/06/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13502.902680/201231 Acórdão n.º 3803006.255 S3TE03 Fl. 110 4 possuir", considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante (art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972). Não é lícito inovar no recurso para inserir questão diversa daquela originalmente deduzida na impugnação/manifestação de inconformidade, devendo a inovação ser afastada por se referir a matéria não exposta no momento processual devido. Além disso, mesmo que preclusão não houvesse, o interessado não trouxe aos autos nem mesmo um início de prova, tendo a instrução se dado apenas com documentos societários, nada tendo sido dito acerca da natureza do indébito utilizado em compensação. Não se pode perder de vista que a prova encontrase em poder do próprio Recorrente, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do presente processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão à preponderância do princípio da verdade material sobre, por exemplo, o princípio constitucional da celeridade processual (art. 5º, inciso LXXVIII, da Constituição Federal de 1988) ou o dever de comprovação dos fatos alegados (art. 16, inciso III, e § 4º do Decreto nº 70.235, de 1972). O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal (DCTF e sistemas de arrecadação), não cabendo no Processo Administrativo Fiscal (PAF) a requisição de prorrogação de prazos fixados na legislação processual tributária. Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/19723, que regula o PAF, aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação. 3 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 110DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/06/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13502.902680/201231 Acórdão n.º 3803006.255 S3TE03 Fl. 111 5 Nesse contexto, por inovação dos argumentos de defesa, associada à ausência de qualquer elemento de prova do crédito reclamado, voto por NÃO CONHECER do recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 111DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/06/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 11634.000325/2010-32
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2006 a 31/10/2009
PREVIDENCIÁRIO. FALTA DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA.
O lançamento deve conter os requisitos constantes no art. 142 do CTN. A falta do MPF não constitui causa de nulidade do Auto de Infração.
REPRESENTAÇÃO PARA FINS PENAIS.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais, nos termos da Súmula nº 28 do CARF.
COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA QUE ATESTE A LEGITIMIDADE DOS CRÉDITOS.
Uma vez que a empresa não apresenta documento probatório da legitimidade dos créditos objetos dos pedidos de compensação, não há que se falar em direito creditório a ser reconhecido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-002.475
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2006 a 31/10/2009 PREVIDENCIÁRIO. FALTA DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. O lançamento deve conter os requisitos constantes no art. 142 do CTN. A falta do MPF não constitui causa de nulidade do Auto de Infração. REPRESENTAÇÃO PARA FINS PENAIS. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais, nos termos da Súmula nº 28 do CARF. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA QUE ATESTE A LEGITIMIDADE DOS CRÉDITOS. Uma vez que a empresa não apresenta documento probatório da legitimidade dos créditos objetos dos pedidos de compensação, não há que se falar em direito creditório a ser reconhecido. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Marcelo Magalhães Peixoto - Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
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FALTA DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. O lançamento deve conter os requisitos constantes no art. 142 do CTN. A falta do MPF não constitui causa de nulidade do Auto de Infração. REPRESENTAÇÃO PARA FINS PENAIS. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais, nos termos da Súmula nº 28 do CARF. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA QUE ATESTE A LEGITIMIDADE DOS CRÉDITOS. Uma vez que a empresa não apresenta documento probatório da legitimidade dos créditos objetos dos pedidos de compensação, não há que se falar em direito creditório a ser reconhecido. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 03 25 /2 01 0- 32 Fl. 233DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11634.000325/201032 Acórdão n.º 2403002.475 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP, DEBCAD nº 37.272.8685, lavrado em 06/04/2010 (fl. 3 da numeração digital), cuja notificação ocorreu em 15/04/2010 (fl. 75 da numeração digital), em face da ASSOCIAÇÃO DOS DEFICIENTES FÍSICOS DE LONDRINA – ADEFIL, no valor de R$ 132.819,52 (cento e trinta e dois mil, oitocentos e dezenove reais e cinquenta e dois centavos), para constituição do crédito tributário relativo a glosa de compensações de supostos recolhimentos indevidos com as contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais que prestaram serviços à Recorrente, no período compreendido entre 05/2006 a 10/2009. Segundo o Relatório Fiscal de Infração de fls. 16/18, in verbis: “INTRODUÇÃO 1. O presente relatório é parte integrante do AUTO DE INFRAÇÃO AI com o número acima indicado. O mencionado AI tem por finalidade apurar e constituir os créditos relativos às glosas de compensação efetuadas, são provenientes de compensações declaradas nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP. (...) FATO GERADOR 3. A entidade não apresentou a documentação solicitada através do Termo de Inicio de Procedimento Fiscal e Termo de Intimação Fiscal, datados de 08/12/09 e 16/03/10; 4. A partir da competência 05/2006 o contribuinte declarou compensações em GFIP, como não houve entrega da documentação solicitada, não foi possível confirmar a regularidade dessas compensações. 5. Diante disso, efetuamos a glosa das compensações com base nos valores declarados pelo contribuinte em GFIP. 6. Os valores das compensações estão demonstrados através das GFIPs anexas ao presente levantamento.” DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a Recorrente apresentou, tempestivamente, Impugnação de fls. 81/109. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaPR, por meio da 5a Turma da DRJ/CTA, prolatou o Fl. 235DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 Acórdão n° 0633.360 de fls. 191/205, mantendo procedente o lançamento, conforme ementa que abaixo se transcreve, in verbis: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2006 a 31/10/2009 AIOP 37.272.8685 IMUNIDADE. DISCUSSÃO INCABÍVEL EM PROCESSO DE LANÇAMENTO FISCAL DE GLOSAS DE COMPENSAÇÕES Tratando os autos de lançamento de glosas de compensações, cujo direito não restou demonstrado pelo contribuinte, descabe examinar nesse processo as alegações produzidas acerca dos requisitos pertinentes à imunidade tributária da impugnante. MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento gerencial de controle administrativo da atividade fiscal, cuja emissão é feita de forma exclusivamente eletrônica, ficando disponível na internet para consulta pelo sujeito passivo. Não é nulo o procedimento fiscal amparado por MPF válido, cuja ciência foi dada ao sujeito passivo por meio do Termo de Início do Procedimento Fiscal. MOTIVAÇÃO DAS GLOSAS A renitência do contribuinte no cumprimento de sua obrigação tributária acessória, concretizada na falta de apresentação da documentação necessária ao exame das compensações, de modo a impossibilitar à autoridade fiscal aferir a existência do crédito favorável ao sujeito passivo, constitui motivação para as glosas dessas compensações. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Não compete ao julgador administrativo de primeira instância reconhecer ou declarar a legalidade ou ilegalidade nem a improcedência da Representação Fiscal para Fins Penais instaurada em face do sujeito passivo. RETRATAÇÃO FISCAL Não compete à autoridade julgadora nem às Turmas de Julgamento impor à Auditora Fiscal autuante qualquer retratação em decorrência de informações prestadas no curso do procedimento fiscal ou no auto de infração resultante desse procedimento. IMPUGNAÇÃO. PROVAS. OPORTUNIDADE. Com a impugnação ocorre a oportunidade da apresentação de provas, precluindo o direito de o impugnante apresentálas em outro momento processual. Precluso o direito, devese indeferir o pedido genérico de apresentação de provas. PROVA TESTEMUNHAL Fl. 236DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11634.000325/201032 Acórdão n.º 2403002.475 S2C4T3 Fl. 4 5 Prescinde da apresentação de prova testemunhal quando o deslinde da questão, em processo administrativo fiscal, depender exclusivamente da prova documental. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” DO RECURSO Inconformada, a empresa interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 209/223, com os seguintes argumentos, em suma: I. Pelo Mérito – Inconsistência e Ilegalidade da Apreciação e Decisão no Acórdão Recorrido Segundo a Recorrente, o relatório da DRJ foi omisso e evasivo, descontextualizando a sua impugnação. O relatório busca dar uma nova interpretação à sentença de mérito proferida no Mandado de Segurança que reconheceu a imunidade a partir de novembro de 2002, supondo que caberia à AFTN e também à DRJ o “julgamento” do direito da Recorrente à imunidade, mesmo ela tendo sido declarada pelo Sr. Delegado da RFB em Londrina (fl. 120). I.I. Quanto à impossibilidade de discussão de imunidade em processo de compensação e à suposta ausência de comprovação do direito da Recorrente à Imunidade Para a Recorrente, o Relator elaborou uma tese equivocada para averiguar a inexistência do direito da Recorrente à imunidade, assim como afirmou ser incabível a discussão da imunidade em procedimento que aprecia a compensação. Para a Recorrente, essa argumentação deve ser rechaçada, pois é equivocada e ofende o devido processo legal. Isso porque o AI em tela foi lavrado num contexto de um MPF ilegal, que ignorou a imunidade tributária da Recorrente e determinando ilegal procedimento fiscal, tendente a constituir o crédito tributário sobre todas as supostas obrigações relativas às contribuições previdenciárias. A Recorrente destaca que o período de apuração constante no AI em tela está totalmente coberto e respaldado pelo Ato Declaratório expedido pelo Sr. Delegado da RFB de Londrina, que analisou todos os requisitos da Lei para expedir tal documento em favor da Recorrente e atestou estarem satisfeitos. No AI atacado, a AFRFB ignorou o Ato Declaratório do seu superior hierárquico que reconheceu a imunidade da Recorrente. Para a Recorrente, a AFRFB excedeu, ilegal e arbitrariamente a limitação do seu poder de tributar garantida pela imunidade constitucional que possui a Recorrente, ignorando os procedimentos legais aplicáveis, agindo em completo abuso de autoridade e poder. Assim como o Sr. Relator que “extrapolou a sua competência e buscou navegar fora dos limites de sua jurisdição, adentrando, inclusive, em terreno completamente hostil à sua atuação e cognição, que jamais pode ser subjetiva.” Fl. 237DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Pelas razões acima, a Recorrente entende que a fundamentação de que ela não cumpriu as obrigações previstas nos arts. 32 e 33 da Lei nº 8.212/91 devem ser repelidas. Pois, ninguém é obrigado a cumprir uma ordem manifestamente ilegal, que fere os direitos e garantias individuais constitucionalmente assegurados. O MPF não se assemelha ao que a CF denomina “devido processo legal”. O MPF foi lavrado ao arrepio do Ato Declaratório de fls. 76 e a imunidade ali conferida impede a sua expedição com o escopo que foi relatado no seu objeto. A Recorrente, verificando a arbitrariedade e nulidade do MPF, que apontava a sua total desconformidade com o devido processo legal, agindo em seu direito constitucionalmente garantido, informou à AFRFB a irregularidade e se negou a dar validade àquele procedimento. I.II. MPF – Nulidade pela ausência de juntada Sustenta a Recorrente que o entendimento do Sr. Relator, no sentido de que a juntada do MPF é dispensável, é equivocado e corporativista, pois tem a clara intenção de acobertar o erro grosseiro da Sra. AFRFB. A Recorrente alega que o MPF passou a ser indispensável por força da disposição contida no art. 2º do Decreto nº 3.724/01, que regulamentou a LC nº 105, com as alterações do Decreto nº 6.104/07. Tanto que a Portaria RFB nº 11.371/07, invocada pelo Sr, Relator na sua fundamentação, atribui a validade do MPF ao válido e vigente Procedimento Fiscal, acarretando a sua extinção se não for requerida a prorrogação do MPF, nos termos dos arts. 11 a 15 da referida norma. O MPF é o ato que autoriza e dimensiona a instauração do processo administrativo fiscal. Sem ele o processo fiscal é nulo, por ausência de legalidade, nos termos da LC nº 105, combinada com os Decretos nºs 70.235/72 e 3.724/01. Sendo o § 1º do art. 2º do Decreto nº 3.24/01 que atribuiu ao MPF o ato que demarca o termo inicial do procedimento fiscal que trata o art. 7º do Decreto nº 70,235/72. Daí a obrigatoriedade da sua juntada aos autos como requisito de validade do processo fiscal, nos termos do art. 8º do Decreto nº 70.235/72. Não há no âmbito do direito brasileiro a possibilidade de haver dois processos distintos e paralelos sobre os mesmos fatos, ainda mais sendo um virtual e outro físico, como equivocadamente afirma o Sr. Relator. Essa impossibilidade emana dos princípios da segurança jurídica e do devido processo legal. I.III. Quanto à motivação das glosas A Recorrente sustenta que com o reconhecimento definitivo da imunidade, passou a retificar as respectivas GFIP, encontrando uma série de dificuldades operacionais, posto que o sistema da RFB é muito burocrático e engessado também nesse aspecto. Entretanto, a dificuldade administrativa operacional não extingue seu crédito e, muito menos, o seu direito de ver compensado valores recolhidos indevidamente à época. Para a Recorrente, a simples alegação de inexistência de entrega de comprovantes de pagamento não pode dar sustentação à glosa como pretendeu a Sra. AFRFB, posto que materializa apropriação indébita ou enriquecimento sem causa da União. I.IV. Quanto à Representação Fiscal para Fins Penais e Inconsistência (falsidade) da narrativa fática Fl. 238DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11634.000325/201032 Acórdão n.º 2403002.475 S2C4T3 Fl. 5 7 A Recorrente se insurge em face da não apreciação do mérito da representação para fins penais, sob o argumento de que o Sr. Relator “abordou o tema de maneira totalmente equivocada e corporativa.” Segundo a Recorrente, não se verifica no contexto do procedimento fiscal, decorrente do MPF nº 09.1.02.002009017144, de 02/12/2009, a configuração de quaisquer das figuras dos arts. 168A ou 337A do Código Penal, muito menos a obrigatoriedade da Recorrente de apurar e recolher os tributos ali fiscalizados. Logo, se a Sra. AFRFB pratica ato que não contém os pressupostos legais, cabe à autoridade superior administrativa analisar, julgar a anular o ato ilegal. A Recorrente sustenta que o Sr. Relator se equivocou ao negar validade ao Ato Declaratório expedido pelo Sr. Delegado da RFB de Londrina para dizer que o sistema CONFILAM é soberano e infalível, com poder para desconstituir qualquer ato específico praticado por um delegado da RFB. Para a Recorrente, da mesma forma que a DRJ se julgou incompetente para analisar eventuais falsidades praticadas por Autoridades Fiscais, julgouse competente para desenvolver atividade típica judicial, quando decretou que a sentença de mérito obtida do Mandado de Segurança e o Ato Declaratório expedido pelo Sr. Delegado da RFB de Londrina, perderam as validades em 18/10/2005. Por esses motivos, entende que o AI deve ser anulado. I.V. Quanto à multa Sustenta a Recorrente que, neste tópico, o Sr. Relator condensou seu julgamento dos tópicos III.V e III.IV da impugnação. Para a Recorrente, os tópicos III.V e III.IV referemse à inconsistência da multa e a nulidade de seu agravamento. Para a Recorrente, o Sr. Relator sustentou que as multas aplicadas são legais e não sofreram agravamento. Sendo, portanto, arbitrário, vez que não considerou corretamente os fundamentos da impugnação. O art. 89 da Lei nº 8.212/91 não institui a multa aplicada, pois a única hipótese de aplicação da citada multa ocorre quando houver dolo, fraude ou simulação, o que não ocorreu no caso em tela. Ademais, a narrativa sucinta e genérica utilizada pela Sra. AFRFB para dar suporte à motivação fática do lançamento não pode ser aceita. I.VI. Quanto ao tópico “Pedido genérico de juntada de Provas” Sustenta a Recorrente que o Sr. Relator faz extenso arrazoado para negar o pedido formulado ad cauletam de produção de provas formulado com base no seu direito à ampla defesa e contraditório, inclusive consoante previsão específica dos §§ 4º, 5º, e 6º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 Para a Recorrente, a argumentação do Sr. Relator dá a entender que os diversos documentos apresentados com a impugnação não são passíveis de serem acatados e juntados aos autos. A Recorrente questiona: se a DRFB, no Ato Declaratório Executivo nº 19 reconhece a imunidade, como poderia a DRJ/CTA desconhecer e não acatálo? Sustenta a Recorrente que não houve qualquer ato decretando ou comunicando a perda da isenção ou imunidade. Por esse motivo, deve o AI ser anulado. DA BAIXA EM DILIGÊNCIA – DA RESOLUÇÃO Diante das informações trazidas pela Recorrente, foi proferida a Resolução nº. 2403000.118, fls. 225/232, na qual converteu o julgamento em diligência para determinar à Receita Federal que informasse eventual processo administrativo de cancelamento do gozo dos benefícios da imunidade, e caso positivo, instruísse os presentes autos com cópia integral do dito processo. DA INFORMAÇÃO FISCAL Ato contínuo, foi anexado aos autos do processo principal nº. 11634.000321/201054, informação fiscal consignando a inexistência de processo próprio de cancelamento, afirmando, inclusive, a ausência de qualquer procedimento tendente ao ato cancelatório no bojo dos autos do processo nº. 10930.005924/200811 (processo administrativo que reconheceu, através de Ato Declaratório Executivo, a isenção da empresa para o período de 10/2002 a 10/2005), entretanto esclarecendo que à época da autuação já não mais havia previsão para expedição de Ato Cancelatório de Isenção, previsto no art. 55, § 4º, da Lei nº. 8.212/91, porém revogada pela Lei nº. 12.101/09, mas que não macula a validade dos certificados que a Recorrente detém. É o relatório. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11634.000325/201032 Acórdão n.º 2403002.475 S2C4T3 Fl. 6 9 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme fls. 208 e 209, da numeração digital, o recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. PRELIMINARMENTE DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL A Recorrente pleiteia a nulidade do Auto de Infração em tela, ante a falta do Mandado de Procedimento Fiscal. Ocorre que a ausência do MPF no Auto de Infração não é causa de nulidade, até porque o Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, constante na fl. 20, traz o Número do MPF e o Código de Acesso para se constatar a autenticidade do mesmo, por meio do sítio da RFB. Ademais, o lançamento deve atender as exigências contidas no art. 142 do CTN, in verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Tendo, portanto, o lançamento atendido aos requisitos constantes no supracitado artigo, não há que se falar em nulidade do Auto de Infração, vez que o MPF não é elemento essencial do lançamento. DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Insurge a Recorrente em face da não apreciação do mérito por parte da DRJ da Representação Fiscal para Fins Penais. Ocorre que a DRJ agiu de forma correta, vez que a Súmula nº 28 do CARF dispõe nesse sentido, in verbis: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 Nesse diapasão, não compete ao CARF se manifestar sobre esse tema, vez que, as Súmulas do CARF têm efeito vinculante, nos termos do art. 72, § 4º do RICARF, in verbis: Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) § 4° As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF. DO MÉRITO Este processo está apensado ao Processo Principal de nº 11634.000321/2010 54, fl. 206, também de minha relatoria. Nele, votei pelo provimento do recurso para anular o lançamento em razão de vício material ali verificado. Ocorre que esse fato é irrelevante para o deslinde da questão, tendo em vista que a autuação se deu porque a Recorrente não apresentou a documentação solicitada para comprovar os créditos existentes pleiteados nas compensações. Para realizar compensações, é imprescindível que a Recorrente comprove a existência de crédito passível de compensação, uma vez que para tal procedimento consiste na prova da materialidade e certeza do crédito, que devem ser apresentados à Receita Federal, nos termos do art. 170 do CTN. Nesse sentido, vejase a jurisprudência deste conselho, in verbis: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/09/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. No rito da declaração de compensação é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito, especialmente se ele está alocado a outro PER/DCOMP. (CARF. Terceira Seção de Julgamento, Processo n. 11030.904985/200950, Acórdão n. 3802001.707 – 2ª Turma Especial, 20 de março de 2013) Também não há como prosperar a alegação de não lhe ser assegurado o devido processo legal, pois ele está sendo assegurado por meio deste Processo Administrativo Fiscal. Logo, mesmo reconhecido o vício material no processo principal, deve a glosa ser mantida. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11634.000325/201032 Acórdão n.º 2403002.475 S2C4T3 Fl. 7 11 CONCLUSÃO Do exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, negar provimento. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 13884.904223/2009-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3401-000.812
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori. RELATÓRIO Trata o presente processo de PER/DCOMP transmitido em 03/03/2005 (fls. 45/49), pelo qual a Contribuinte busca o ressarcimento da COFINS, paga supostamente de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 84 .9 04 22 3/ 20 09 -3 8 Fl. 320DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 13884.904223/200938 Resolução nº 3401000.812 S3C4T1 Fl. 321 2 modo indevido ou a maior em 15/02/2005, para compensar com débito da COFINS não cumulativa de janeiro de 2005. O crédito foi inferido sob fundamento de que o DARF indicado não foi localizado no sistema da Receita Federal (fl. 71). A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls.02/05) e a DRJ em Campinas/SP converteu o julgamento em diligência para que a delegacia de origem analisasse a liquidez e certeza do crédito, haja vista o fato de contribuinte já ter retificado os erros quanto às informações do DARF que impediram o reconhecimento do crédito (fls. 88/90). No relatório de diligência (fls. 249/250), a autoridade fiscal afirmou que a contribuinte não fez a retificação da DCTF, conforme alegado na manifestação de inconformidade, e não apresentou os documentos exigidos para a análise do crédito. Por fim, concluiu que, pela falta de atendimento das intimações pela Contribuinte, a análise de liquidez e certeza do crédito ficou prejudicada. A Contribuinte se manifestou acerca da conclusão da diligência, alegando que os documentos apresentados são suficientes para provar o direito creditório (fls. 260/263). Ao julgar o mérito (fls. 271/277), a DRJ manteve o indeferimento do crédito, ao prolatar acórdão com a seguinte ementa: “DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, não suprido mesmo após a realização de diligência, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. A Contribuinte foi intimada da decisão da DRJ em 05/06/2012 (fl.281) e interpôs recurso voluntário, via Correios, em 05/07/2012 , com as alegações resumidas abaixo: 1. O crédito só não foi reconhecido e as compensações homologadas por falta de apresentação das notas fiscais nºs 823 e 824, as quais estão anexadas ao recurso voluntário; 2. A falta da apresentação das notas fiscais em momento anterior se deu por motivo de força maior, por isso a juntada deste momento deve ser acolhida. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 13884.904223/200938 Resolução nº 3401000.812 S3C4T1 Fl. 322 3 Ao fim, a Recorrente pediu o reconhecimento do crédito e a homologação das compensações. É o Relatório. VOTO Conselheiro Relator Jean Cleuter Simões Mendonça O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. O cerne da questão consiste em matéria de fato a respeito de a apresentação das notas fiscais nºs 823 e 824 ser suficiente para provar o crédito alegado. Ocorre que, em uma das repostas à intimação, a Recorrente justificou que, apesar de sua atividade ser do regime cumulativo, quando se tratar de receita oriunda de cessão de direito de uso de software importado, a tributação deve ser pelo regime nãocumulativo. Sendo assim, as notas fiscais nºs 823 e 824 deveriam ser segregadas e tributadas com base na nãocumulatividade, o que teria causado o recolhimento a maior. Contudo, a falta de apresentação dessas notas, como já relatado, levou ao indeferimento do crédito. Em anexo ao recurso voluntário a recorrente apresentou as notas fiscais nºs 823 e 824. Como o processo administrativo tem como fim a busca da verdade material e o relatório de diligência de fls. 249/250 chegou à conclusão de impossibilidade de reconhecimento de crédito pela falta de apresentação das notas fiscais nºs 823 e 824, uma vez apresentadas essas notas, é conveniente que os autos retornem à delegacia de origem, em diligência, a fim de que sejam analisados todos os documentos já apresentados no processo, inclusive as notas fiscais ora juntadas, a fim de esclarecer as seguintes questões: 1. As notas fiscais nº 823 e 824 são referentes às operações mencionadas nas fls. 106/109? 2. Com base nos documentos apresentados, é possível concluir que houve pagamento indevido ou a maior efetuado pela Recorrente referente ao mês de janeiro de 2005? 3. Existe crédito a ser restituído? 4. Qual o valor do crédito a ser restituído? 5. O valor do crédito a ser ressarcido é suficiente para compensar os débitos declarados na PER/DCOMP? 6. Incluir informações que entenda ser pertinentes. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 13884.904223/200938 Resolução nº 3401000.812 S3C4T1 Fl. 323 4 Para responder aos quesitos acima, caso julgue necessário, a autoridade fiscal poderá intimar a Recorrente a prestar esclarecimento e/ou apresentar novos documentos. Ao fim da diligência, deverá ser elaborado relatório conclusivo, do qual a Recorrente deverá ser intimada a se manifestar no prazo de trinta de dias. Passado o prazo para manifestação, os autos devem ser devolvidos a este Conselho para julgamento do mérito. Ex positis, converto o julgamento em diligência nos termos propostos acima. Jean Cleuter Simões Mendonçca Relator Fl. 323DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA
score : 1.0
Numero do processo: 13888.724085/2011-90
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA. OMISSÃO DE RECEITAS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. NÃO DEVOLVIDA AO TRIBUNAL.
Matéria que não foi contestada na impugnação foi considerada como não impugnada pela DRJ. Encontra-se, portanto, preclusa e não devolvida para apreciação do CARF.
MULTA QUALIFICADA. NÃO COMPROVAÇÃO DO DOLO. CONDUTA DO AGENTE. CONDUTA DO AGENTE. TIPO DA NORMA TRIBUTÁRIA.
Para se justificar a qualificação da multa de ofício, há que se constatar um plus na conduta do agente, o dolo, aspecto subjetivo que ultrapassa a moldura delineada pelo tipo da norma tributária. Situação no qual as ações do contribuinte amoldam-se apenas ao tipo objetivo delineado pela infração tributária não é suficiente para demonstrar a ocorrência de dolo, razão pela qual a multa qualificada deve ser afastada.
MULTA PROPORCIONAL DE 75%. LEGALIDADE.
A multa proporcional de 75% é prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DE SÓCIO GERENTE. FALTA DE LEGITIMAÇÃO PASSIVA TRIBUTÁRIA.
A circunstância de se manter a qualificação da multa não é elemento, de per se, que permita a automática ou imediata conclusão de que o sócio administrador concretizou o tipo do art. 135, III, do CTN. Deve haver plus, em relação à conduta da contribuinte, para a tipificação da hipótese de responsabilidade tributária do sócio administrador ou sócio gerente. No caso em dissídio, sequer há elementos para manutenção da qualificação da multa; a fortiori, para imputação de responsabilidade tributária ao sócio gerente da contribuinte. Legitimação tributária passiva como questão conhecível de ofício.
Numero da decisão: 1103-001.053
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, dar provimento parcial por unanimidade para afastar a qualificação da multa, reduzindo-a ao percentual de 75%, e afastar do pólo passivo o Sr. Demerval da Fonseca Nevoeiro Júnior. A questão relativa à responsabilidade tributária foi conhecida de ofício mediante proposta do Conselheiro Marcos Shigueo Takata, sendo acolhida por maioria em votação preliminar, vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro e André Mendes de Moura (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcos Shigueo Takata.
Assinado Digitalmente
Aloysio José Percínio da Silva Presidente
Assinado Digitalmente
André Mendes de Moura Relator
Assinado Digitalmente
Marcos Shigueo Takata Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA. OMISSÃO DE RECEITAS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. NÃO DEVOLVIDA AO TRIBUNAL. Matéria que não foi contestada na impugnação foi considerada como não impugnada pela DRJ. Encontra-se, portanto, preclusa e não devolvida para apreciação do CARF. MULTA QUALIFICADA. NÃO COMPROVAÇÃO DO DOLO. CONDUTA DO AGENTE. CONDUTA DO AGENTE. TIPO DA NORMA TRIBUTÁRIA. Para se justificar a qualificação da multa de ofício, há que se constatar um plus na conduta do agente, o dolo, aspecto subjetivo que ultrapassa a moldura delineada pelo tipo da norma tributária. Situação no qual as ações do contribuinte amoldam-se apenas ao tipo objetivo delineado pela infração tributária não é suficiente para demonstrar a ocorrência de dolo, razão pela qual a multa qualificada deve ser afastada. MULTA PROPORCIONAL DE 75%. LEGALIDADE. A multa proporcional de 75% é prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DE SÓCIO GERENTE. FALTA DE LEGITIMAÇÃO PASSIVA TRIBUTÁRIA. A circunstância de se manter a qualificação da multa não é elemento, de per se, que permita a automática ou imediata conclusão de que o sócio administrador concretizou o tipo do art. 135, III, do CTN. Deve haver plus, em relação à conduta da contribuinte, para a tipificação da hipótese de responsabilidade tributária do sócio administrador ou sócio gerente. No caso em dissídio, sequer há elementos para manutenção da qualificação da multa; a fortiori, para imputação de responsabilidade tributária ao sócio gerente da contribuinte. Legitimação tributária passiva como questão conhecível de ofício.
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OMISSÃO DE RECEITAS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. NÃO DEVOLVIDA AO TRIBUNAL. Matéria que não foi contestada na impugnação foi considerada como não impugnada pela DRJ. Encontrase, portanto, preclusa e não devolvida para apreciação do CARF. MULTA QUALIFICADA. NÃO COMPROVAÇÃO DO DOLO. CONDUTA DO AGENTE. CONDUTA DO AGENTE. TIPO DA NORMA TRIBUTÁRIA. Para se justificar a qualificação da multa de ofício, há que se constatar um plus na conduta do agente, o dolo, aspecto subjetivo que ultrapassa a moldura delineada pelo tipo da norma tributária. Situação no qual as ações do contribuinte amoldamse apenas ao tipo objetivo delineado pela infração tributária não é suficiente para demonstrar a ocorrência de dolo, razão pela qual a multa qualificada deve ser afastada. MULTA PROPORCIONAL DE 75%. LEGALIDADE. A multa proporcional de 75% é prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DE SÓCIO GERENTE. FALTA DE LEGITIMAÇÃO PASSIVA TRIBUTÁRIA. A circunstância de se manter a qualificação da multa não é elemento, de per se, que permita a automática ou imediata conclusão de que o sócio administrador concretizou o tipo do art. 135, III, do CTN. Deve haver plus, em relação à conduta da contribuinte, para a tipificação da hipótese de responsabilidade tributária do sócio administrador ou sócio gerente. No caso em dissídio, sequer há elementos para manutenção da qualificação da multa; AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 72 40 85 /2 01 1- 90 Fl. 576DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/07/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13888.724085/201190 Acórdão n.º 1103001.053 S1C1T3 Fl. 577 2 a fortiori, para imputação de responsabilidade tributária ao sócio gerente da contribuinte. Legitimação tributária passiva como questão conhecível de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, dar provimento parcial por unanimidade para afastar a qualificação da multa, reduzindoa ao percentual de 75%, e afastar do pólo passivo o Sr. Demerval da Fonseca Nevoeiro Júnior. A questão relativa à responsabilidade tributária foi conhecida de ofício mediante proposta do Conselheiro Marcos Shigueo Takata, sendo acolhida por maioria em votação preliminar, vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro e André Mendes de Moura (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcos Shigueo Takata. Assinado Digitalmente Aloysio José Percínio da Silva– Presidente Assinado Digitalmente André Mendes de Moura – Relator Assinado Digitalmente Marcos Shigueo Takata – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 553/563 contra decisão da 2ª Turma da DRJ/Campo Grande (fls. 534/539), que apresentou a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Fl. 577DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/07/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13888.724085/201190 Acórdão n.º 1103001.053 S1C1T3 Fl. 578 3 MULTA QUALIFICADA. Falta de apresentação de DCTFs durante três anos consecutivos e de pagamento dos tributos devidos nesse período caracterizam a conduta dolosa da contribuinte ensejadora da qualificação da multa. MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO. Alegações que ultrapassem a análise de conformidade do ato de lançamento com as normas legais vigentes somente podem ser reconhecidas pelo Poder Judiciário e os princípios constitucionais têm por destinatário o legislador ordinário e não o mero aplicador da lei, que a ela deve obediência. SÓCIOGERENTE. RESPONSABILIZAÇÃO. Estando presentes os requisitos prescritos no art. 135 do CTN, correta a responsabilização do sócio gerente. AUTUAÇÕES REFLEXAS: PIS/PASEP, COFINS E CSLL. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal. INTIMAÇÕES. REMESSA AO PATRONO DO CONTRIBUINTE OU DO REPONSÁVEL. Não há previsão legal para a remessa de intimações ao patrono do contribuinte ou do responsável. I. Dos fatos da Autuação Fiscal. O Termo de Constatação Fiscal de fls. 442/446 discorre sobre o procedimento fiscal referente à Mineração Caviúna Ltda, cujo início deuse em 05/05/2011 por meio de ciência postal. Ao apreciar os livros contábeis e fiscais e as declarações, relativos ao anocalendário de 2006 (do qual fez a empresa fez a opção pelo lucro presumido), constatou a autoridade autuante que, não obstante os valores de receitas informados em DIPJ e nos Livros de Registros de Saídas do ICMS, não haviam sido recolhidos nem confessados os tributos. Quanto aos recolhimentos, verificouse apenas aqueles referentes aos código de receita 0561 (IRRF RENDIMENTO DO TRABALHO ASSALARIADO) e 1708 (IRRF REMUNERAÇÃO SERVIÇOS PRESTADOS POR PESSOA JURÍDICA). Registrese que, após o início da ação fiscal, em 20/06/2011, encaminhou a contribuinte as DCTF, visando a confissão dos tributos devidos e não pagos, que, contudo, foi considerada extemporânea. Ainda, entendeu a autoridade autuante que restou caracterizada a conduta dolosa, atitude que teve os seguintes desdobramentos: 1) qualificação da multa de ofício (150%), consoante disposto no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996; Fl. 578DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/07/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13888.724085/201190 Acórdão n.º 1103001.053 S1C1T3 Fl. 579 4 2) inclusão na condição de sujeito passivo solidário o sóciogerente Demerval da Fonseca Nevoeiro Júnior, nos termos do art. 135, inciso III, do CTN (Termo de Sujeição Passiva Solidária de fl. 479). Foram lavrados os autos de infração (fls. 447/478) de IRPJ e os decorrentes de CSLL, PIS e Cofins, nos termos do art. 24, § 2º da Lei nº 9.249, de 1995. Foram cientificados a contribuinte e o responsável tributário em 25/10/2011. II. Da Fase Contenciosa. Foram apresentadas as impugnação de fls. 486/496, pela Mineração Caviúna Ltda, e de fls. 512, pelo responsável tributário Demerval da Fonseca Nevoeiro Júnior, ambas encaminhadas por via postal em 24/11/2011 (fls. 507 e 516). As defesas foram apreciadas pela 2ª Turma da DRJ/Campo Grande, em sessão realizada no dia 07/05/2013, que julgou as impugnações improcedentes, no Acórdão nº 0431.637, de fls. 534/539. Nos autos consta ciência de primeira instância: 1) para a Mineração Caviúna Ltda em 20/05/2013 (fl. 551); 2) para Demerval da Fonseca Nevoeiro Júnior, no qual não é possível averiguar a data de ciência, conforme “AR” de fl. 549. Em 11/06/2013, foi interposto Recurso Voluntário de fls. 553/563 pela Mineração Caviúna Ltda, no qual discorre sobre os seguintes pontos. a DCTF é declaração acessória que complementa informações já fornecidas em DIPJ, de maneira mais detalhada, no qual se indica o fato gerador de tributo, e isso somando ao fato de que sua entrega ocorreu após o início do procedimento de fiscalização não implica em conduta dolosa, porque não se consumou a omissão de nenhuma informação, ou seja, não haveria que se falar em qualificação da multa de ofício; é inconstitucional da multa aplicada no percentual de 150%, é abusiva e confiscatória; ainda que se mantenha a imputação da multa, que seja limitada ao percentual de 20% sobre o valor do tributo devido, conforme entendimento de tribunais do Poder Judiciário. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro André Mendes de Moura A princípio, há que se registrar que integram o pólo passivo da autuação em debate a pessoa jurídica Mineração Caviúna Ltda, na condição de contribuinte, e o sócio gerente Demerval da Fonseca Nevoeiro Júnior, como responsável tributário. Fl. 579DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/07/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13888.724085/201190 Acórdão n.º 1103001.053 S1C1T3 Fl. 580 5 Quanto ao recurso voluntário de fls. 553/563 interposto pela Mineração Caviúna Ltda, encontrase tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. Antes de iniciar a apreciação do mérito, venho delimitar a matéria devolvida ao Tribunal. Analisando a impugnação apresentada pela Mineração Caviúna Ltda, entendo não haver reparos na decisão da DRJ, que, ao tratar da infração tributária omissão de receitas (art. 528 do RIR/99) tipificada pela autoridade autuante, esclarece que se trata de matéria não impugnada. Assim, apesar do pedido para que os autos sejam anulados, a matéria impugnada restringese à multa e à exclusão do sócio do pólo passivo. Não há nas impugnações nenhuma oposição relativamente aos lançamentos dos tributos, quer quanto à matéria de direito, quer à de fato, não sendo contestada a apuração, reputandose esta, portanto, como correta. (grifei) Nesse contexto, considero como matéria devolvida ao CARF, no que se refere ao recurso voluntário interposto pela Mineração Caviúna Ltda, a qualificação da multa de ofício. O Termo de Verificação Fiscal discorre sobre a penalidade de 150% nos seguintes termos: O contribuinte, por intermédio de seu agente, assumiu de forma livre e consciente o risco de omitir à tributação as receitas ora apuradas. O contribuinte efetuou a entrega da DIPJ, contudo, não complementou com a entrega da DCTF, nem efetuou os respectivos recolhimentos, fazendoo apenas após o inicio do procedimento de fiscalização (fato formalizado com a lavratura de um Termo de Constatação enviado ao contribuinte via postal). Portanto, o contexto revela a presença de conduta DOLOSA tendente a impedir a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir as suas características essenciais, de modo a evitar o pagamento do imposto devido, o que caracteriza FRAUDE, nos termos do Art. 72 da lei 4.502/64. Com isso as infrações apuradas sujeitamse a multa de ofício QUALIFICADA, conforme item específico previsto no Art. 44, inciso II da Lei 9.430/96. "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) Fl. 580DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/07/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13888.724085/201190 Acórdão n.º 1103001.053 S1C1T3 Fl. 581 6 II – de 50% (cento e cinqüenta por cento) nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...) Ocorre que, para se justificar a qualificação da multa de ofício, há que se constatar um plus na conduta do agente, o dolo, aspecto subjetivo que ultrapassa a moldura delineada pelo tipo da norma tributária. E, no caso em tela, o tipo objetivo delineado pela infração tributária omissão de receitas amoldase, perfeitamente, à conduta da contribuinte, razão pela qual a tipificação adotada pela autoridade autuante não merece reparos. Contudo, não se constata na conduta do agente nenhuma ação que extrapole a moldura estabelecida pelo art. 528 do RIR/99. Incorreu, sem dúvidas, a contribuinte em atos que se encontram inseridos na hipótese de incidência definida pelo aspecto objetivo da infração tributária. E ponto. Não restou demonstrada o ocorrência de dolo. Inclusive, apesar de a ementa da decisão da DRJ referirse a conduta reiterada por três anoscalendário consecutivos, no caso em tela, os presentes autos tratam apenas do anocalendário de 2006. No que concerne às alegações de confisco da multa imputada, e que deveria ser mantido o percentual de 20%, cumpre esclarecer que a multa proporcional de 75% encontrase prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. Não há que se falar em inconstitucionalidade de norma tributária consolidada no ordenamento jurídico, tanto que se trata de matéria já sumulada pelo CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, diante do exposto, deve ser afastada a qualificação da multa de ofício, e mantida a imputação da multa proporcional de 75%. Quanto à sujeição passiva aplicada a Demerval da Fonseca Nevoeiro Júnior, consta nos autos, à fl. 549 , “AR” no qual o sócio gerente tomou ciência do acórdão da DRJ, que decidiu manter o responsável tributário no pólo passivo da autuação fiscal. Há que se registrar que, na digitalização dos autos processuais, a imagem referente ao “AR” em que consta a ciência postal dada ao responsável tributário não permite identificar a data de recebimento da correspondência. Contudo, não considero que seja situação que prejudique o andamento do presente processo. O “AR” de fl. 549 demonstra que Demerval da Fonseca Nevoeiro Júnior tomou ciência tomou ciência da decisão da primeira instância. E a informação referente à data, por sua vez, não se mostra necessária no presente caso, porque resolveu o sócio gerente não interpor recurso voluntário. Nesse sentido, tratase também de matéria não devolvida ao CARF, razão pela qual há que se manter a decisão proferida pela DRJ, qual seja, entender como correta a responsabilização tributária imputada ao sóciogerente. Fl. 581DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/07/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13888.724085/201190 Acórdão n.º 1103001.053 S1C1T3 Fl. 582 7 Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial no recurso voluntário interposto pela Mineração Caviúna Ltda para afastar a qualificação da multa de ofício, e manter no pólo passivo o responsável tributário Demerval da Fonseca Nevoeiro Júnior. Assinatura Digital André Mendes de Moura Voto Vencedor Conselheiro Marcos Shigueo Takata Rendo minhas homenagens ao ilustre relator, cujo voto, ao enfrentar a matéria de fundo, é preciso. Peço vênia ao nobre relator, para dissentir, não quanto a questão de fundo ou relação de valuta, mas a uma questão prévia, cuja consequência leva ao enfrentamento de questão de fundo. Tratase da questão da responsabilidade imputada ao sócio gerente da contribuinte, o sr. Demerval da Fonseca Nevoeiro Júnior. A questão de legitimidade passiva tributária é a meu ver, conhecível e enfrentável de ofício, na medida em que tenha havido algum recurso, ainda que não pelo responsabilizado tributariamente (mas pela contribuinte), mesmo que não se tenha articulado tal questão. É o que se dá no caso vertente. A questão é conhecível e enfrentável de ofício, tal como a é, por ex., a de sujeição de contribuinte ao IRPJ e a CSL ao regime de lucro presumido (ao invés de o ser ao regime do lucro arbitrado), ainda que não tenha sido alegada pela contribuinte. É o que sucedeu no Acórdão nº 1103001.018, da sessão de 8/4/14, de minha relatoria, em que, por maioria de votos se reconheceu o conhecimento de ofício da referida matéria (no mais o julgado foi por unanimidade). Transcrevo a ementa desse acórdão: NULIDADE DOS LANÇAMENTOS SUSPENSÃO DOS EFEITOS DA EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL Nada há que objete serem exarados os lançamento de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, pelo fato de a exclusão do Simples não ter seu desfecho selado. Aliás, é consectário da própria exclusão do Simples a apuração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, ainda que aquela não tenha tido sua solução derradeira no processo administrativo fiscal. A questão é de prejudicialidade. Se derruído o ato de exclusão do Simples, como corolário os lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins resultarão prejudicados e igualmente fulminados. EXIGÊNCIA SOB O REGIME DE LUCRO PRESUMIDO POR EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL IMPOSSIBILIDADE Fl. 582DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/07/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13888.724085/201190 Acórdão n.º 1103001.053 S1C1T3 Fl. 583 8 A partir da vigência da Lei 9.718/98 não é possível a opção pelo regime do lucro presumido, mediante simples apresentação da atual DIPJ, muito menos por resposta a intimação para se escolher o regime de apuração. Mister se faz o pagamento de alguma parcela relativa ao primeiro período de apuração do anocalendário sob o regime de lucro presumido, para configurar a opção. Impunhase a exigência de IRPJ e de CSLL pelo lucro arbitrado, diante da exclusão da recorrente do Simples federal, e da inexistência de escrituração contábil regular. Vício substancial que fulmina os lançamentos. PIS, COFINS OMISSÃO DE RECEITAS A omissão de receitas foi apurada pela fiscalização, com base nos Livros de Registro de Apuração de ICMS. Não se está aqui diante de prova emprestada, mas de meio comprobatório de “escrituração” de débitos e, assim, de operações de venda (receitas de venda). Tal formulação probatória não foi elidida pela recorrente. Lançamentos procedentes. Como disse, o voto do ilustre relator foi preciso na apreciação da matéria de fundo – no caso, a imputação de multa qualificada. Conforme deduzido em seu voto, é necessário plus na conduta, o dolo, aspecto subjetivo que ultrapassa a moldura do tipo objetivo, para a tipificação da multa qualificada; há elemento subjetivo do tipo da qualificação da multa, nos termos do art. 44, § 1º, da Lei 9.430/96, com a redação da Lei 11.488/07. Aliás, houve erro de capitulação legal do autuante que invoca o art. 44, II, da Lei 9.430/96. Porém, sempre foi meu entendimento de que o mero erro de capitulação legal não é suficiente para conformar vício substancial que vitime o auto de infração: fundamental é o erro ou o equívoco no motivo do ato (auto de infração), que, presente, pode fulminar o ato de nulidade, por vício substancial. Se é necessário plus no comportamento para tipificação de multa qualificada, a levar à interpretação de que se encontra presente o elemento subjetivo do tipo, com maioridade de razões, plus é necessário para imputação de responsabilidade ao sócio gerente, nos termos do art. 135, III, do CTN. Esclareço. Mesmo na circunstância de se manter a qualificação da multa, isso não é elemento, de per se, que permita a automática ou imediata conclusão de que o sócio administrador concretizou o tipo do art. 135, III, do CTN1. Deve haver plus, em relação à conduta da contribuinte, para incidência do art. 135, III, do CTN, a meu ver. Não houve, no caso, demonstração de uso de artifícios por parte do sócio administrador, por ex., como indicativos de comandos pessoais para não escrituração de receitas, transferências injustificadas de recursos para sua conta pessoal, uso de interpostas pessoas. Quer dizer, de que o sócio administrador tenha orquestrado ou comandado a omissão de receitas. 1 Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Fl. 583DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/07/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13888.724085/201190 Acórdão n.º 1103001.053 S1C1T3 Fl. 584 9 Mais. No caso em dissídio, sequer há elementos para manutenção da qualificação da multa, como acentou o ilustre relator. O que se divisa aqui são praticamente inadimplementos de obrigações tributárias, e tão só. A contribuinte registrou em sua escrituração contábil as receitas objeto da autuação fiscal, e ainda as declarou em sua DIPJ/07 (além de terem sido declaradas nos Livros de Registros de Saídas de ICMS). Tudo estava à disposição do Fisco para a exigência dos tributos devidos, e que se concretizou. A contribuinte só não confessou os tributos nas DCTFs tributos decorrentes de tais receitas escrituradas contabilmente e informadas na DIPJ/07. Daí haver dito que são praticamente inadimplementos de obrigações tributárias e tão só a situação fáticojurídica objeto da autuação em discussão. Desnecessárias mais digressões a respeito, para se concluir que, sobre não haver lugar para a qualificação da multa, nos termos do art. 44, § 1º, da Lei 9.430/96, não há espaço jurídico para se imputar a responsabilidade ao sócio gerente da contribuinte. O contrário levaria ao absurdo de se dizer que o mero inadimplemento ou praticamente só o inadimplemento de obrigações tributárias principais leva à responsabilização tributária do sócio gerente – assim como à qualificação de multa à contribuinte. Sob essa ordem de considerações e juízo, dou provimento parcial para afastar a qualificação da multa e a responsabilidade tributária imputada ao sócio gerente Demerval da Fonseca Nevoeiro Júnior. É o meu voto. Assinado Digitalmente Marcos Takata Fl. 584DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/07/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/07/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 10830.004146/2007-90
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Exercício: 2002
IRPF. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO § 4°, ART. 150, DO CTN.
Comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no § 4°, Art. 150 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62-A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733.
No presente caso, não há nos autos demonstração de recolhimentos parciais efetuados pelo sujeito passivo, motivo da aplicação do determinado no I, Art. 173, do CTN, e, conseqüentemente, do provimento do recurso.
Numero da decisão: 9202-003.125
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, substituído pelo Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado).
(assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO
Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, substituído pelo Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado). (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire.
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO § 4°, ART. 150, DO CTN. Comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no § 4°, Art. 150 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733. No presente caso, não há nos autos demonstração de recolhimentos parciais efetuados pelo sujeito passivo, motivo da aplicação do determinado no I, Art. 173, do CTN, e, conseqüentemente, do provimento do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, substituído pelo Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 41 46 /2 00 7- 90 Fl. 201DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.004146/200790 Acórdão n.º 9202003.125 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, fls. 0116, interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão, fls. 0110, que decidiu dar provimento a recurso voluntário do sujeito passivo, nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2002 Ementa: IRPF. DECADÊNCIA. O imposto de renda da pessoa física é tributo sujeito ao regime denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, salvo nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação. Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício, operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4º e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. A Conselheira Lúcia Reiko Sakae votou pelas conclusões. Como esclarecimento inicial, o litígio em questão versa sobre qual regra decadencial expressa no CTN, deve ser aplicada ao caso. Em seu recurso especial a Procuradoria alega, em síntese, que não houve a necessária e obrigatória antecipação de pagamento, para aplicação da regra determinada no Art. 150 do CTN, devendo, portanto, ser aplicada a regra determinada no Art. 173 do CTN, não ocorrendo, conseqüentemente, os efeitos da decadência. Por despacho, fls. 0147, deuse seguimento ao recurso especial. O sujeito passivo apresentou suas contra razões, argumentando, em síntese, que a decisão recorrida deve ser cumprida. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade – recurso tempestivo e divergência confirmada e não reformada conheço do Recurso Especial e passo à análise de suas razões recursais. O cerne da questão sobre a decadência é a discussão sobre qual das regras decadenciais, presentes no CTN, aplicarseá, a expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, como decidido no acórdão recorrido, ou a constante do I, Art. 173 do CTN. Para a recorrente, a regra a ser aplicada deve ser a prevista no Art. 173, pois não houve a necessária e obrigatória antecipação parcial de pagamento. Creio que já temos resposta sobre esta dúvida. O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). No que diz respeito a decadência dos tributos lançados por homologação temos o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Fl. 204DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.004146/200790 Acórdão n.º 9202003.125 CSRFT2 Fl. 4 5 julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Portanto, o STJ, em Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). Fl. 205DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 Cabe destacar que na análise dos autos não encontramos valores recolhidos no período que importa para a definição da regra. Portanto, como não há recolhimentos a homologar, deve ser aplicada ao caso, como determina, inclusive, o RICARF, a regra expresso no Art. 173, I, do CTN. CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Logo, como o fato gerador do IRPF é complexivo, ocorrendo somente em 31 de dezembro, no caso no ano de 2001, verificase que o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado foi em 01/01/2003, com a decadência, pela regra acima, consumandose em 01/01/2008. Conseqüentemente, como o lançamento foi efetuado em 2007, a decadência não produziu efeitos no presente lançamento. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto em dar provimento ao recurso da PGFN, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 206DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10640.000825/2010-22
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
DECADÊNCIA. PRONUNCIAMENTO DE OFÍCIO.
O julgador da instância ordinária pode e deve se pronunciar quanto à decadência verificada no caso submetido ao seu crivo no processo de verificação de sua legalidade, mesmo que a parte não tenha suscitado tal perda de prazo para a formalização do lançamento.
DECADÊNCIA. COFINS E PIS. RECOLHIMENTOS PARCIAIS NA MESMA COMPETÊNCIA E MULTA DE OFÍCIO NÃO QUALIFICADA. INCIDÊNCIA DO PARÁGRAFO 4º, ARTIGO 150, CTN.
Havendo prova de recolhimento parcial das contribuições, e ausente imputação de multa qualificada, a regra decadencial deve ser colhida no CTN, artigo 150, em seu parágrafo 4º, para verificar a decadência dos créditos referentes a fatos geradores anteriores a cinco anos contados da formalização do lançamento.
Numero da decisão: 1801-001.940
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer, de ofício, a decadência dos lançamentos relativos às contribuições ao PIS e a COFINS cujos fatos geradores ocorreram no mês de fevereiro de 2005, nos termos do voto do Relator. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Ana de Barros Fernandes (Presidente) e Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira.
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Leonardo Mendonça Marques - Relator.
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: MARIA DE LOURDES RAMIREZ (Presidente), ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, LEONARDO MENDONCA MARQUES, HENRIQUE HEIJI ERBANO, ROBERTO MASSAO CHINEN.
Nome do relator: LEONARDO MENDONCA MARQUES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI 9.430/96. SÚMULA CARF Nº. 26. Presumemse, por força de lei, advindos de transações realizadas à margem da contabilidade, os depósitos em conta corrente cujas operações que lhes deram origem restem incomprovadas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 DECADÊNCIA. PRONUNCIAMENTO DE OFÍCIO. O julgador da instância ordinária pode e deve se pronunciar quanto à decadência verificada no caso submetido ao seu crivo no processo de verificação de sua legalidade, mesmo que a parte não tenha suscitado tal perda de prazo para a formalização do lançamento. DECADÊNCIA. COFINS E PIS. RECOLHIMENTOS PARCIAIS NA MESMA COMPETÊNCIA E MULTA DE OFÍCIO NÃO QUALIFICADA. INCIDÊNCIA DO PARÁGRAFO 4º, ARTIGO 150, CTN. Havendo prova de recolhimento parcial das contribuições, e ausente imputação de multa qualificada, a regra decadencial deve ser colhida no CTN, artigo 150, em seu parágrafo 4º, para verificar a decadência dos créditos referentes a fatos geradores anteriores a cinco anos contados da formalização do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer, de ofício, a decadência dos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 08 25 /2 01 0- 22 Fl. 377DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 09/07 /2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUE S 2 lançamentos relativos às contribuições ao PIS e a COFINS cujos fatos geradores ocorreram no mês de fevereiro de 2005, nos termos do voto do Relator. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Ana de Barros Fernandes (Presidente) e Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Leonardo Mendonça Marques Relator. Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: MARIA DE LOURDES RAMIREZ (Presidente), ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, LEONARDO MENDONCA MARQUES, HENRIQUE HEIJI ERBANO, ROBERTO MASSAO CHINEN. Relatório Tratase de lançamento de IRPJ e reflexos (IRPJ, R$ 126.463,07, PIS, R$ 27.670,60, CSLL, R$ 45.650,67 e Cofins, R$ 127.711,30, respectivamente), com imposição de multa de ofício em 75%, e os respectivos juros de mora. A fiscalização intimou a empresa a entregar sua escrituração, seus extratos bancários e demais documentos vinculados à tributação (notas fiscais, recibos, etc.). A pessoa jurídica formalizou resposta narrando que após o falecimento de um de seus sócios, suas atividades foram esvaziadas, e que enfrentava grande dificuldade para encontrar, organizar e entregar os livros contábeis e documentos fiscais do período demandado (2005). Afirmou que a documentação estaria no escritório do contador da empresa, declinando seu endereço e telefones. A fiscalização narra que efetuou contato com tal profissional, que informou ainda não dispor da documentação, aventando a necessidade de mais prazo. Após algumas intimações, sem resposta com entrega dos documentos e dados pela fiscalizada, foram emitidas RMF’s aos bancos em que a empresa mantinha movimentação bancária. O tratamento conferido aos dados coletados pela fiscalização, foi assim referido no item 2.5 do TVF (fl. 31 dos autos digitais): Então, recebidos dos bancos os extratos (fls.C7 ) referentes a movimentação financeira do contribuinte, listamos os depósitos/créditos havidos nas suas contascorrente, já excluídos aqueles créditos decorrentes de transferências de outras contas do próprio contribuinte, de resgates de aplicações financeiras, de estornos de débitos, de cheques devolvidos, de empréstimos bancários, etc, e intimamos o contribuinte/fiscalizado por meio do Termo de Intimação Fiscal, datado do mesmo dia 02/02/2010 (fls. /?6 . 903 ), a comprovar, no prazo de vinte dias, a origem dos recursos utilizados nessas operações de depósito/crédito, ressaltando que a não comprovação da origem dos recursos, na Fl. 378DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 09/07 /2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUE S Processo nº 10640.000825/201022 Acórdão n.º 1801001.940 S1TE01 Fl. 378 3 forma e prazo estabelecidos, ensejaria lançamento de oficio, a titulo de omissão de receita, nos termos do art. 849, do RIR/99. Nenhuma resposta da empresa nos foi dada para atender ao requerido nesse Termo de Intimação Fiscal de 02/02/2010. Foram expedidas outras intimações, concedendo novas oportunidades para que a fiscalizada pudesse, eventualmente, esclarecer as origens dos depósitos bancários, mas não houve respostas da empresa no sentido de fornecer as origens dos créditos em contas, nem para entregar os livros contábeis e fiscais. A fiscalização ainda promoveu cotejo tendente a apurar a receita omitida, ilustrada nos termos seguintes: No Anexo I a este Relatório, relacionamos todos os depósitos/créditos que foram intimados para o contribuinte comprovar a origem dos recursos, ou seja, aqueles listados no anexo ao Termo de Intimação Fiscal de 02/02/2010 (fls./01(7 07)33). No Anexo II a este Relatório, relacionamos os estornos de créditos, ou seja, os débitos efetuados nas contascorrente da empresa com o propósito de estornar créditos indevidos — tais como: devoluções de cheques depositados, estornos de depósito, devoluções de cheques descontados — a maioria dos quais não puderam simplesmente ser excluídos ou eliminados da relação do Anexo I, visto que os valores creditados, em geral, englobavam vários cheques depositados ou descontados, sendo estornados apenas valores parciais, ou seja, apenas os valores daqueles cheques depositados/descontados e que, posteriormente, foram devolvidos. Assim, os montantes mensais de estorno de créditos serão deduzidos dos valores apurados no Anexo I. Analisando os créditos relacionados no Anexo I, e comparando com a Receita Declarada (R$ 3.054.589,99), verificamos o seguinte: (i) 0 montante total dos créditos — relacionados no Anexo I — atinge o valor de R$ 5.191.825,02 (cinco milhões e cento e noventa e um mil e oitocentos e vinte e cinco reais e dois centavos). (ii) Desse montante total, acima exposto, os créditos referentes à cobranças e descontos de títulos ou duplicatas atingem um valor próximo de R$ 3.900.000,00 (três milhões e novecentos mil reais), ou seja, aproximadamente 75% do montante total dos créditos relacionados no anexo I. (iii) Esses mesmos créditos referentes à cobranças e descontos de títulos ou duplicatas tem valor total (—R$ 3.900.000,00) Fl. 379DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 09/07 /2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUE S 4 aproximadamente 28% superior à receita declarada (R$ 3.054.589,99). Da verificação, por amostragem, das notas fiscais de saída apresentadas pelo contribuinte, constatamos a existência de muitas notas fiscais coerentes em datas e valores com créditos relacionados no Anexo I. Então, da análise dos créditos relacionados no Anexo I e da análise das notas fiscais apresentadas, concluise que existem créditos no Anexo I referentes às notas fiscais emitidas, e assim, inferese que é correto concluir e considerar que a Receita Declarada da empresa está contida no montante dos depósitos/créditos intimados, embora a escrituração não tenha sido apresentada. Dessa forma, a Receita Declarada também deverá ser deduzida dos valores dos depósitos/créditos apurados no Anexo I. No Anexo III a este Relatório, relacionamos os montantes mensais dos depósitos/créditos obtidos no Anexo I e destes deduzimos os valores dos estornos de créditos apurados no Anexo ll e deduzimos a Receita Declarada. Dessa forma, a diferença obtida (coluna "e" do anexo Ill) é o valor dos depósitos/créditos sem comprovação de origem, que corresponde ao valor da Omissão de Receita Apurada a lançar, nos termos do art. 849, do RIR/99, o qual é reprodução do art. 42 da Lei n° 9.430/96. Lavramos, então, o Auto de Infração para constituir o crédito tributário do imposto de renda (IRPJ) e das contribuições reflexas (CSLL, Pis e Cofins) devido sobre a referida omissão de receita. Por fim, o autor do lançamento expõe as razões pelas quais promoveu o arbitramento do lucro (ausência de escrituração), demonstrando em seguida os procedimentos adotados para tributar a diferença decorrente de tal arbitramento por sobre as receitas antes declaradas e consignadas em DCTF. Em impugnação alegouse: “[...] Os depósitos foram tomados como um indicio de omissão de receita e ao se esbaterem com as provas aqui acostadas, não consegue formar uma situação suficiente de presunção de omissão de receita. Indício, para se tornar presunção válida, necessita obrigatoriamente de uma prova que o consubstancie, o que no caso em pauta, não aconteceu. [...] esta autuação de omissão de receita não sobreviverá, e explicase o porquê. Primeiro; o fiscal não construiu o arcabouço de provas que legitimassem a manutenção da presunção embasando a dita omissão de receita. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 09/07 /2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUE S Processo nº 10640.000825/201022 Acórdão n.º 1801001.940 S1TE01 Fl. 379 5 Segundo; não ficou demonstrado que os valores movimentados na conta da Impugnante ocorreram em decorrência de receitas. Além do mais, a Súmula 182 do TRF tem como ilegítimo o lançamento do Imposto de Renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários. [...] referidos depósitos ocorreram em um momento em que a gerência da Impugnante era do Sr. Wander Bertoni Linares, que veio falecer, conforme Certidão de Óbito em anexo e o Contador da empresa era outro, sendo que em virtude disso não foi possível localizar os livros solicitados pelo Sr. Fiscal. A ausência dos Livros não enseja por si só, que as movimentações bancárias constantes nas contas correntes da Impugnante se referem a receitas. Todas estas questões foram esclarecidas ao Sr. Fiscal, mas este preferiu se ater aos extratos bancários e lavrar este Auto de Infração.” A d. DRJ recorrida julgou procedente o lançamento, afirmando a validade da presunção legal atrelada aos depósitos bancários não identificados, quando o contribuinte não comprove as origens, e atestando a correição do arbitramento, no caso, já que a pessoa jurídica não apresentou seus livros respectivos, nem mesmo livro caixa. Em recurso voluntário, o sujeito passivo pleiteia a reforma do aresto de 1º grau, com base nas mesmas razões veiculadas na impugnação, invocando julgados antigos de Tribunal Federal e do Conselho de Contribuintes. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Mendonça Marques O recurso é tempestivo, preenchendo os requisitos previstos na norma processual, devendo ser conhecido e suas razões apreciadas nesta instância de julgamento. A insurgência recursal busca lastro, exclusivamente, no questionamento teórico da assunção dos depósitos bancários como signo de receitas omitidas. O debate quanto ao ônus de comprovar que os depósitos poderiam ser receitas, e mais ainda, receitas omitidas, chegou a encaminhar tal tarefa ao fisco. No entanto, com a edição do artigo 42 da Lei 9.430, em 1996, nosso ordenamento tributário implementou presunção legal, nos moldes abaixo: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 09/07 /2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUE S 6 § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. A partir de então, o fisco não precisa mais demonstrar “sinais exteriores de riqueza”, ou “aplicações dos rendimentos”, correlacionados aos depósitos bancários. Passou a ser do sujeito passivo o ônus de provar que aqueles valores já foram submetidos à tributação, ou que seriam isentos ou não tributáveis, sob pena de subsunção ao comando do artigo 42 supra. Portanto, os julgados do antigo Conselho de Contribuintes e do TRF da 1ª Região, bem como enunciado do extinto TRF, não fornecem subsídio à resolução da presente lide. Nestes autos, o i. Auditor adotou a providência prescrita na lei (intimação do contribuinte para esclarecer as origens dos depósitos), mas o sujeito passivo nada trouxe a seu favor. Ademais, as exclusões e ponderações dos depósitos que representavam meras transferências entre contas de mesma titularidade, e de receitas já declaradas, foram todas realizadas na edificação da base de cálculo. O presente caso ajustase ao enunciado da Súmula nº 26, desta E. Corte Administrativa: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. De modo que a argumentação vinda com o recurso voluntário não merece acolhida, eis a matéria arguida em suas razões resta pacificada no CARF, em sentido contrário à pretensão do sujeito passivo. Há, outrossim, aspecto não suscitado no recurso, que demanda pronunciamento de ofício: a configuração de decadência de parcela do lançamento. Por ser matéria de ordem pública, os julgadores em instâncias ordinárias podem e devem reconhecer de ofício a caducidade do lançamento tributário (e.g., RESP 1.340.386/PE, Rel. Ministro Herman Benjamin, DJ 08/03/2013). No processo administrativo de verificação da legalidade do lançamento, revelase pertinente o crivo da intempestividade do ato administrativo, que logo seguirá para a inscrição na Dívida Ativa. O auto de infração sob exame teve sua formalização ultimada em 25 de março de 2010 (AR na fl. 48 do processo eletrônico). Referese aos fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2005. Como a contribuição ao PIS e a COFINS tem conformação jurídica que aloca seus fatos geradores em períodos mensais, revelarseá a extemporaneidade dos lançamento Fl. 382DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 09/07 /2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUE S Processo nº 10640.000825/201022 Acórdão n.º 1801001.940 S1TE01 Fl. 380 7 dessas contribuições para os meses de janeiro e fevereiro de 2005, se não houver sonegação e se forem verificados recolhimentos no período respectivo. Não houve imputação de dolo, de fraude, que pudesse deslocar a regra decadencial da prescrição do par. 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional. À fl. 90 dos autos eletrônicos, consta extrato de débitos confessados em DCTF, e dos recolhimentos realizados em DARF. Em janeiro de 2005 foi declarado débito, mas não houve recolhimentos de PIS, nem da COFINS. Em fevereiro de 2005 verificase que o débito confessado foi devidamente quitado. Portanto, o lançamento de ofício relativo a essas duas contribuições com referência a fevereiro de 2005, merece afastamento, por extemporâneo. Pelo exposto, voto por provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo de ofício a decadência parcial dos lançamentos, para cancelar os créditos constituídos a título de PIS e de COFINS relativos a fevereiro de 2005. (assinado digitalmente) Leonardo Mendonça Marques Relator. Fl. 383DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 09/07 /2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUE S
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Numero do processo: 11065.724033/2011-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
SIMULAÇÃO.
A constatação de atos simulados, acobertando o verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária, enseja a autuação tendo como base a situação de fato.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2402-004.095
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues que dava provimento.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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A constatação de atos simulados, acobertando o verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária, enseja a autuação tendo como base a situação de fato. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 40 33 /2 01 1- 71 Fl. 615DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues que dava provimento. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 616DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11065.724033/201171 Acórdão n.º 2402004.095 S2C4T2 Fl. 616 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente os lançamentos tributários realizados em 10/10/2011, relativos às contribuições sociais destinadas a outras entidades e fundos (FNDE, INCRA, SESI, SENAI e SEBRAE), pela apresentação de GFIP com informações incorretas ou imprecisas e por falta de apresentação de documentos. Os lançamentos são decorrente da constatação de fatos que segundo à fiscalização denunciam uma simulação com finalidade de redução de tributo através do sistema de tratamento diferenciado, simplificado e favorecido às micro e pequenas empresas SIMPLES NACIONAL de duas empresas supostamente pertencentes ao mesmo grupo econômico da autuada. Os fatos foram constatados na escrituração contábil, contratos sociais/instrumentos de alterações, verificações físicas, escrituração contábil, folhas de pagamento e outros documentos pertencentes às empresas envolvidas. Seguem transcrições do relatório fiscal: 4.1.4 A empresa STAMPA atua no mercado de bolsas, calçados, carteiras, cintos e acessórios direcionados ao público feminino, com a marca “Luz da Lua”, estando enquadrada na forma de tributação do lucro presumido para apuração do imposto de renda da pessoa jurídica. Atuando juntamente com ela na produção desses produtos, evidenciamos uma estreita relação com a empresa DY MONI Indústria de Artefatos de Couro Ltda, optante pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES NACIONAL. ... 4.1.6 Em diligência a esse endereço para lavratura do Termo de Início do Procedimento Fiscal – TIPF, evidenciamos que ele se encontra disponível para locação, conforme fotos retiradas do local, onde colhemos informações de que a empresa DY MONI estava estabelecida no mesmo prédio atualmente utilizado como sede pela empresa STAMPA: Rua Marechal Câmara, 820, bairro Ideal, Novo Hamburgo, RS. Nesse endereço, fomos recebidos pela Sra. Maria Izabel Deves Jorge, que se apresentou como Diretora da DY MONI e Procuradora da STAMPA, assinando os TIPF dessas empresas, apensos ao presente processo. ... 4.1.8 O acesso ao prédio que abriga essas empresas tem entrada comum, através da Rua Marechal Câmara, 820, conforme fotos retiradas do local, assim como a recepção é única para elas. Compartilham dos mesmos recursos disponíveis, como, por exemplo, a sala disponibilizada à auditoria fiscal para exame da amostragem dos documentos a elas solicitados. Fl. 617DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 4.1.9 Acompanhado pelo Sr. Delmar Arcenio Bender, sócio administrador da DY MONI, que prestou as informações, realizamos diligência ao atual local onde as empresas se encontram estabelecidas. Evidenciamos não existir nenhuma separação física das empresas DY MONI e STAMPA, estando os seus empregados laborando juntos, tanto nas áreas produtivas, como nas de atividade meio. ... 4.1.11.1 Os Srs. Celso Antônio Jorge e Maria Izabel Deves Jorge são cônjuges. Ele é o sócioadministrador da STAMPA e ocupa o cargo de Diretor Industrial, enquanto ela é empregada da DY MONI, ocupando o cargo de Diretora Administrativo Financeiro. Informações prestadas em GFIP pela empresa STAMPA indicam que ela foi sua empregada até o ano de 2005 – 01/03/1995 a 10/05/2001 e 01/08/2003 a 17/06/2005, quando a deixou para se tornar empregada da DY MONI. 4.1.11.2 Os sócios Delmar Arcenio Bender e Margarida Liane Schneider Bender também são cônjuges e pais de Monia Bender, sócia da DY MONI. Ele ocupa o cargo de Diretor Comercial na DY MONI e ela, Auxiliar Administrativo na STAMPA, como Contribuinte Individual Diretor não empregado com FGTS – Categoria 05. Ele, além de ser sócioadministrador da DY MONI desde 01/02/2001, também foi empregado da empresa STAMPA, conforme informações prestadas em GFIP por esta, no período de 01/04/2000 a 17/06/2005. Os atos constitutivos da empresa STAMPA indicam que ele também já foi seu sócio através da empresa Dikecouros Comércio e Representações Ltda, a qual encerrou as suas atividades no ano de 1997. Essa empresa, inclusive, era a proprietária dos imóveis situados nas Ruas 3 de Outubro, 322 e Marechal Câmara, 811, os quais já foram da STAMPA e atualmente são da SÃO BENTO, conforme matrículas 14.829 e 14.830, respectivamente, incluídas no processo. ... 4.1.12 Essa análise incipiente dos contratos sociais, de empresas estabelecidas no mesmo local, da exploração do mesmo objeto social e da utilização dos mesmos trabalhadores, juntamente com o exame dos registros contábeis, que adiante serão demonstrados, formam nosso entendimento de que as empresas simulam uma situação, a fim de utilizar tratamento tributário diferenciado com o propósito de evadir as contribuições previdenciárias patronais. ... 4.2.3.1.3 Depreendese, pela análise dos dados, um enorme comprometimento das receitas da DY MONI com os seus custos/despesas com pessoal, que, inclusive, no ano de 2008, foram insuficientes para absorvêlos. Ao contrário, o mesmo não ocorre com a empresa STAMPA, onde se observa que essa relação é reduzidíssima, quase inexistindo. 4.2.3.1.4 Incluímos no processo planilha contendo a comparação realizada entre as Demonstrações do Resultado do Exercício do Fl. 618DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11065.724033/201171 Acórdão n.º 2402004.095 S2C4T2 Fl. 617 5 ano de 2009 das empresas STAMPA e DY MONI, onde, pela análise visual, podemos facilmente comparar o comportamento dos registros contábeis efetuados. 4.2.3.1.4.1 Nela, por exemplo, além de visualizarmos que inúmeras contas contábeis da empresa DY MONI não receberam nenhum registro contábil durante o ano, ao contrário do que ocorreu com a empresa STAMPA, vemos que 99,2% do total de todos os seus custos e despesas realizados referiramse a custos e despesas com pessoal. Na empresa STAMPA essa relação é de 3,32%. 4.2.3.1.5 Evidenciase, na relação massa salarial x faturamento, que os custos/despesas com pessoal estão alocados de forma desproporcional nas duas empresas, onerando, quase que exclusivamente, a empresa DY MONI, optante pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES NACIONAL. 4.2.3.2.2 Os dados demonstram que a empresa teve somente receitas com a prestação de serviços, das quais 91% são direcionadas para a empresa STAMPA. 4.2.3.2.3 A empresa DY MONI nada vende, pois nada compra, haja vista que as matériasprimas utilizadas no processo produtivo são de propriedade da empresa STAMPA, que utiliza os seus serviços. A DY MONI fornece exclusivamente a mãode obra necessária para a confecção dos produtos com a marca “Luz da Lua”. Foi criada para esse objetivo. Dessa forma, a empresa STAMPA terceiriza parte das suas atividadesfins definidas em seu contrato social. 4.2.3.4.1 As máquinas e os equipamentos utilizados no processo produtivo são de propriedade da STAMPA. As demonstrações contábeis apresentadas pela empresa DY MONI não apresentam nenhum bem registrado em seu ativo não circulante, assim como nenhum custo e/ou despesa com a locação deles. 4.2.3.4.2 Assim como os gastos com água e energia elétrica, também os com a manutenção de máquinas e equipamentos estão todos apropriados na empresa STAMPA, conforme se pode observar nas Demonstrações do Resultado do Exercício apensadas ao processo, bem como na planilha a que se refere o item 4.2.3.1.4. 4.3.3 Igualmente, com base no artigo 124, incisos I e II do CTN, Lei 5.172, de 25/10/66; artigo 30, inciso IX da Lei 8.212, de 24/07/1991; artigo 222 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06/05/1999 e artigo 17 da Lei 8.884, de 11/06/1994, restou caracterizada a sujeição passiva solidária da empresa São Bento Participações Ltda, CNPJ 04.229.626/000125, estabelecida na Rua 3 de Outubro, 298, bairro Pátria Nova, Novo Hamburgo, RS, uma vez que a amostragem dos fatos e provas arrolada ao longo deste relatório Fl. 619DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 fiscal evidencia a existência de grupo econômico de fato, haja vista: • O seu contrato social e alterações apresentarem os mesmos sócios da empresa STAMPA, a qual lhe deu origem, através da operação de cisão parcial, com a versão de todos os seus bens imóveis na época; • A existência de procuradores comuns às empresas STAMPA e SÃO BENTO, dotados de amplos poderes para a administração em geral, inclusive para a movimentação de contas bancárias, conforme procurações apensas ao processo; • Utilização da mesma estrutura de logística da empresa STAMPA. As GFIP entregues pela empresa SÃO BENTO, desde a sua constituição, à exceção de 04/2008, em que houve a informação de remuneração a um contribuinte individual, não apresentaram nenhuma movimentação de segurados; • A empresa STAMPA é locatária do endereço da sede da SÃO BENTO; • Gastos com energia elétrica e água de imóveis da SÃO BENTO estão registrados na contabilidade da STAMPA, conforme amostragem de documentos incluídos no processo; • Amostragem efetuada na contabilidade da empresa STAMPA, na conta “Empréstimos Concedidos”, apensa ao processo, revelou o registro de notas fiscais emitidas em nome da SÃO BENTO. Essa conta, no encerramento do exercício, teve os seus lançamentos transferidos para a conta “Lucros do Exercício”; • Os direitos correspondentes a propriedade da marca “Luz da Lua”, que identifica os produtos da empresa STAMPA, pertencem a SÃO BENTO. Em síntese, alguns sócios são representantes legais das empresas envolvidas e/ou mantêm relação de parentesco e teriam feito uso de duas empresas criadas a alguns anos antes para que nelas fossem realizadas as novas contratações de segurados ou para as mesmas fossem transferidos número expressivo de segurados pertencentes à autuada, esta com a principal receita bruta do grupo. A opção pelo SIMPLES NACIONAL pode proporcionar redução das contribuições previdenciárias, conforme seja a relação existente entre folha de salários e receita bruta. Quanto maior a folha de salários e menor a receita bruta, maior será a economia com as contribuições previdenciárias. Afirma a fiscalização que é justamente essa a situação das duas empresas do grupo mantidas no SIMPLES NACIONAL. Após impugnação, a decisão de primeira instância foi no sentido de julgar o lançamento procedente: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. No tocante à relação previdenciária, os fatos devem prevalecer sobre a aparência que, formal ou documentalmente, possam oferecer, ficando a empresa autuada, na condição de efetiva Fl. 620DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11065.724033/201171 Acórdão n.º 2402004.095 S2C4T2 Fl. 618 7 beneficiária do trabalho dos segurados que lhe prestaram serviços através de empresa interposta, obrigada ao recolhimento das contribuições devidas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 MULTAS. VALORES. REAJUSTE. A multa variável estabelecida no artigo 92 da Lei n.º 8.212/91 é reajustada nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido ... 3) AI n.º DEBCAD 51.006.0609, relativo ao lançamento de multa por haver deixado de apresentar, durante a ação fiscal, livros e documentos relacionados com as contribuições previstas na Lei n.º 8.212, de 24 de julho de 1991, ou haver apresentado documentos e livros que não atendam as formalidades legais exigidas, que contenham informação diversa da realidade ou que omitam informação verdadeira (CFL 38). A autoridade lançadora esclarece, no subitem 5.2 do Relatório Fiscal, que a empresa deixou de apresentar os seus Programas de Prevenção de Riscos Ambientais PPRA e de Controle Médico de Saúde Ocupacional PCMSO, dos anos de 2008 e 2009, solicitados através do Termo de Intimação Fiscal TIF n.º 3, de 22 de julho de 2011. Contra a decisão, os recorrentes interpuseram recursos voluntários, onde se reiteram as alegações trazidas na impugnação: Questiona, inicialmente, a aferição indireta utilizada na constituição do crédito tributário. Afirma, a um, a impossibilidade de arbitramento, porquanto fornecida toda a documentação solicitada no curso da ação fiscal; a dois, que o arbitramento deve “ser utilizado como medida de repressão a uma conduta omissa ou dolosa, contudo, esse caráter inibitório do instituto não permite sua utilização indiscriminada”; e, a três, que o arbitramento, “sob pena de nulidade, deve respeitar todos os princípios constitucionais que asseguram a tributação de acordo com a capacidade econômica do contribuinte não podendo ser realizado sob o prisma da conveniência e oportunidade da Autoridade Administrativa”. Em seqüência, analisa as observações feitas pela Fiscalização, no tocante “às alterações dos atos societários da Impugnante, bem como suas alterações de endereço”, sustentando inexistir qualquer irregularidade nessas modificações. “Incorreto seria Fl. 621DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 alterar o endereço da sede da empresa sem o competente arquivamento dos atos societários na Junta Comercial.” Quanto à inspeção local e às fotos juntadas, consigna que se verifica, no caso, “a utilização de um conjunto de prédios, entre os números 298 e 312, da Rua Três de Outubro, de nada valendo a pretensão de se utilizar de subterfúgios para tentar induzir o Julgador em erro quanto ao local, uma vez que as atividades efetivamente se desenvolveram no local indicado nos documentos oficiais”. Quanto ao exame do local onde se encontrava placa de aluguel do imóvel sede da empresa Dy Moni Indústria de Artefatos de Couro Ltda., também objeto de fiscalização, explica que “as empresas no final do ano pretérito, início do ano em curso, se encontravam em processo de mudança de endereço e readequação de seu parque industrial. Nada mais coerente do que rescindir o contrato de locação e passar a utilizar outro imóvel sem dispêndio de locativos.” Prossegue, esclarecendo, quanto à modalidade de apuração de seus resultados, que esta “não interfere no procedimento fiscalizatório uma vez que o regime de apuração é de competência da Contribuinte, previsto em lei, sendo de seu livre arbítrio decidir pela modalidade que melhor lhe aprouver”. No tocante ao acesso comum entre as empresas, pelo endereço da Rua Marechal Câmara, n.º 820, referido no Relatório Fiscal, registra ser ele transitório, “uma vez que a unidade atual encontrase em fase de licenciamento para construção”. Em seqüência, impugna, por impertinentes, na medida em que alheias ao procedimento fiscalizatório, as informações acerca da situação matrimonial das pessoas envolvidas na relação negocial, constantes do Relatório Fiscal. Ainda, quanto ao desligamento de Maria Izabel de uma empresa e seu ingresso em outra em curto espaço de tempo, entende que tal decisão não pode “ser alvo de críticas ou comentários, uma vez que o mundo do trabalho é livre e a iniciativa privada é fomentada e assegurada pela Constituição Federal”. Assim também no tocante à situação dos sócios Delmar e Margarida, pois, ao entendimento da autoridade lançadora, “os parentes não podem constituir sociedade, vindo a negar o modo como as empresas foram constituídas e contribuíram para o desenvolvimento da região coureiro calçadista”. Quanto à prática de atos simulados, apontada pela Fiscalização, assevera que tal pretensão não se concretiza, uma vez que não houve prova quanto ao alegado. Entende que tal imposição ofende o disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional CTN, segundo o qual a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, para definir ou limitar competências tributárias. “Verificase, de plano, uma ilegalidade, em razão da interferência do Direito Tributário no âmbito do Direito Privado.” Fl. 622DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11065.724033/201171 Acórdão n.º 2402004.095 S2C4T2 Fl. 619 9 Entende que, no caso, não se trata de dissimulação, muito menos de simulação, “uma vez que a constituição de empresa revelase lícita e possível, assegurando a Carta Constitucional a livre iniciativa, não discriminando pessoas ou fatos”. Ainda, quanto à requalificação de atos praticados pelos contribuintes, no sentido de reduzir a carga tributária, registra, primeiro, que “a Constituição Federal determina aos contribuintes a realização de planejamento, especialmente tributário, como pode ser comprovado pelo exame de seu art. 174”; segundo, que o planejamento tributário não pode ser objeto de atos discricionários por parte da Administração, “uma vez que a própria lei permite sua implementação, especialmente quando da existência de leis que não apresentem vedação, mas que o induzem, como é o caso das empresas optantes pelo SIMPLES NACIONAL, uma vez que lhes foi assegurado tratamento tributário diferenciado, previsto no art. 146, III, “d”, da Constituição Federal, sem a existência de condicionantes para sua efetivação”. Refere, neste passo, ainda acerca da simulação, as disposições dos artigos 167 e 168 do Código Civil, especialmente este último dispositivo, no sentido de que, no caso, “a Fazenda Pública não poderá acusar e julgar, ao mesmo tempo, uma vez que a simulação somente poderá ser declarada pelo Poder Judiciário, a pedido do ente público. No caso, não poderá existir confusão para permitir à Fazenda constituir o crédito tributário, bem como desqualificar o ato tido por ela como dissimulado”. Aduz que “o parágrafo único do art. 116 do CTN, atropelou a previsão constante do art. 168 do Código Civil, ao investir a Autoridade Administrativa do poder de desconsiderar, de ofício, atos ou negócios jurídicos ‘dissimulados’, tendo por finalidade retirar ‘eficácia tributária’”. Ainda quanto ao parágrafo único do artigo 116 do CTN, sublinha que a sua eficácia “está atrelada ao princípio da legalidade, por remeter aos ‘procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária’, que, até o momento presente, não restou editada, estando as Autoridades Fazendárias impedidas de desconsiderar ou (re)qualificar atos ou negócios jurídicos que julgarem inquinados de simulação”. Afirma que também não há que falar em “instituição de tributo por analogia, o que é vedado pela lei brasileira”, no caso, o parágrafo 1.º do artigo 108 do CTN. Colaciona, ainda, excertos doutrinários em defesa da elisão fiscal, concluindo no sentido de que “não praticou ato simulado, muito menos dissimulado, uma vez que o planejamento tributário, se assim se pode chamar, por ela praticado, foi induzido pela lei– Lei Complementar n.º 123/06, inexistindo espaço para a requalificação dos atos praticados”. Registra que “não deixou de recolher as contribuições previdenciárias, como restou comprovado pela auditoria fiscal realizada nas empresas, não havendo registro no relatório fiscal Fl. 623DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 de ausência de recolhimento de contribuição previdenciária”. Em conseqüência, refere a juntada de cópia dos comprovantes de pagamento, “bem como ver referidos montantes abatidos da autuação”. Reitera que a Fiscalização utilizouse do instituto da aferição indireta para, mediante a utilização de presunções, apurar o “montante a ser pago a título de contribuição previdenciária que não tem o menor amparo na legislação vigente”. “Além do mais, o ônus da prova é de quem alega”. Ademais, tem que não há como “olvidar que o ato de lançamento é ato administrativo, em razão de sua emanação, devendo, portanto, atender aos requisitos de validade, estando elencados entre estes a motivação, como pode ser comprovado pelo exame do art. 2.º da Lei n.º 9.784/99”, motivação esta que “compreende a necessidade de se trazer à evidência os motivos de fato e os fundamentos jurídicos em que está apoiado o administrador para justificar a tomada de decisão”. Registra, ainda, que a intimação contida no auto de infração deixou de atender os requisitos inseridos no artigo 11 do Decreto n.º 70.235/72, “que rege o processo administrativo fiscal no âmbito dos tributos federais”. Mais especificamente, dele “não consta qual o fundamento para constituição do crédito tributário, inexistindo desta forma lançamento”. Em relação à solidariedade apontada no Relatório Fiscal, entende que “tal situação não se configura, uma vez que o montante apurado da contribuição previdenciária não teve seu crédito constituído e, se tivesse sido constituído, não seria este de responsabilidade da empresa São Bento Participações Ltda., mas da Impugnante”. Assevera, no caso, que “A jurisprudência de nossos Tribunais afasta pretensões dessa natureza, por entender que a mera existência de relação de natureza societária entre empresas não tem o condão de caracterizar o interesse comum dos envolvidos, sem que se comprove que ambas têm relação direta com o fato gerador.” Ao final, postula “seja recebida, conhecida e provida a presente Impugnação para anular o pseudo auto de infração, determinando sua baixa e arquivamento, em razão de sua invalidade, bem como da ausência de lançamento. Requer, igualmente, seja apreciada sob o ângulo do préquestionamento a ausência de lançamento, contrariando os dispores do art. 142 da Lei n.º 5.172/66.” Instruem a peça impugnatória os documentos de fls. 580/583, referentes à entrega das Declarações Anuais do Simples Nacional, exercícios 2009 e 2010, da empresa Dy Moni Indústria de Artefatos de Couro Ltda., e de fls. 584/593 e 597, concernentes à representação da empresa autuada. É o Relatório. Fl. 624DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11065.724033/201171 Acórdão n.º 2402004.095 S2C4T2 Fl. 620 11 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Procedimentos formais O procedimento da fiscalização e formalização da autuação cumpriram todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 625DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou todas as alegações do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos de regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Simulação Venho defendendo neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF que independentemente da existência de norma que fundamente o meio adotado, a prevalência do conteúdo sob a forma, Princípio da Verdade Material1, eleva o propósito negocial ao centro da discussão sobre a licitude ou não do planejamento fiscal2. Ainda que as pessoas jurídicas 1 NEDER, Marcos Vinícius. MARTINEZ, Maria Teresa. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado. 3 edição. São Paulo: Dialética, 2010. página: 78. 2 JARACH, Dino. O Fato Imponível Teoria Geral do Direito Tributário Substantivo. Trad. Dejalma de Campos. 2 edição. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2004. Páginas: 164 e 165. Fl. 626DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11065.724033/201171 Acórdão n.º 2402004.095 S2C4T2 Fl. 621 13 envolvidas tenham sido formalmente constituídas, como demonstra o minucioso e extenso conjunto probatório, de fato, as atividades empresariais foram exercidas apenas por uma delas. A pessoa jurídica formalmente constituída com a finalidade de ser instrumento de uma simulação para a evasão tributária não apresenta a característica essencial das empresas em geral: assumir riscos. Quando somente mantém relação com empresa do mesmo grupo para proporcionarlhe economia tributária, sem qualquer outra finalidade, ainda que seja a eficiência na condução dos negócios, fica forçoso reconhecêla como uma unidade empresarial: Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; Meu voto condutor do acórdão n° 920201.194, de 19/10/2010 da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais traz esse entendimento: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Data do fato gerador: 30/04/2000 IRPF. SIMULAÇÃO. OCORRÊNCIA. Ementa: A ausência de propósito negocial válido e justificável advindo do conjunto de operações realizadas pelo contribuinte com redução de tributo e em prejuízo de terceiro, a Fazenda Nacional, evidencia simulação tributária. ... A ausência de propósito negocial válido e justificável advindo do conjunto de operações realizadas pelo contribuinte com redução de tributo evidencia simulação tributária. Ou nas palavras de Clovis Bevilaqua3 quando define a simulação nas relações jurídicas privadas: “ocorre simulação quando o ato existe apenas aparentemente, sob a forma em que o agente faz entrar nas relações da vida; é um ato fictício, uma declaração enganosa da vontade, visando produzir efeito diverso do ostensivamente indicado.” ... Não se nega que, isoladamente, cada operação realizada é revestida das formalidades necessárias para sua comprovação. Sim, de fato, todas as operações foram praticadas. Os balanços patrimoniais, demonstrativos de resultados, atas de reuniões societárias e outros documentos comprovam isso; contudo, não poderia ser diferente. Na simulação, necessitase que a aparência seja notória para melhor escamotear a realidade; caso contrário, os verdadeiros propósitos seriam evidenciados e 3 Bevilaqua, Clovis. Teoria geral do direito civil. Campinas : RED livros, 2001 Fl. 627DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 não se alcançariam os efeitos desejados. Existe simulação quando a aparência não coincide com a realidade. O natural é que as coisas aparentem o que são; para mudar isso é necessária a simulação. No que se refere aos atos isoladamente, todos estão perfeitamente formalizados; tomadas um a um encontram validade. Essa característica da forma é importante para convencer o observador de que aparência e realidade coincidem; mas, convence o “míope”, aquele que ao enxergar somente de perto só vê as partes e não o conjunto como um todo. Em conjunto, a obra é travestida. ... Merece citação a doutrina mais moderna que, com inspiração no princípio da capacidade tributária, promove uma interpretação mais alinhada com os valores da justiça tributária. Assim, o professor Ricardo Lodi Ribeiro4 identifica elementos que denunciam uma elisão abusiva: “ prática de um ato jurídico, ou um conjunto deles, cuja forma escolhida não se adapte à finalidade da norma que o ampara, ou à vontade e aos efeitos dos atos praticados esperados pelo contribuinte; intenção, única ou preponderante, de eliminar ou reduzir o montante de tributo devido; ...” Destacase, para fins de comprovação da simulação para fins de evasão tributária, que a empresa optante pelo SIMPLES NACIONAL mantém quase a totalidade dos empregados e sua receita bruta é inexpressiva; enquanto, inversamente, a outra empresa do grupo que contribui sobre a folha de salários, concentra as receitas e quase não possui empregados. Por tudo, entendo que houve simulação com única finalidade de reduzir obrigações tributárias. Quanto ao descumprimento de obrigações acessórias, a recorrente não trouxe qualquer prova que contraponha a vasta comprovação das infrações juntadas pela fiscalização. Em razão do exposto, voto por negar provimento ao recurso. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes 4 LODI RIBEIRO, Ricardo. Justiça, Interpretação e Elisão Tributária. Rio de Janeiro: Editora Lumen Juris, 2003, pp. 145146. Fl. 628DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11065.724033/201171 Acórdão n.º 2402004.095 S2C4T2 Fl. 622 15 Fl. 629DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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