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Numero do processo: 11080.918957/2012-20
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2010
MULTA DE MORA. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. SÚMULA CARF Nº 02.
De acordo com a Súmula CARF nº 02, o Conselho não tem competência para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno.
PRELIMINAR. NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO, DA AMPLA DEFESA E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Não é nulo o despacho decisório que, embora conciso, contém a exposição das razões de fato e de direito que fundamentaram a não-homologação da compensação. Não há, ademais, qualquer violação aos princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, porque o interessado foi devidamente intimado do despacho decisório e da decisão recorrida, apresentando manifestação de inconformidade e interpondo recurso voluntário, na forma prevista na legislação. Preliminar de nulidade afastada.
DILIGÊNCIA. PRINCÍPIO DA PERSUASÃO RACIONAL OU DO LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO.
No processo administrativo fiscal, vigora o princípio da persuasão racional ou do livre convencimento motivado, o que garante ao julgador, nos arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972, a liberdade para formar a sua convicção, deferindo as diligências que entender necessárias ou indeferi-las, quando prescindíveis ou impraticáveis.
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
O contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Na falta de provas, deve ser mantida a não-homologação da compensação.
MULTA DE MORA. LEGALIDADE. ART. 61 DA LEI Nº 9.430/1996.
A incidência de multa de mora encontra-se expressamente prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Alegação de ilegalidade afastada.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-002.423
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010 MULTA DE MORA. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. SÚMULA CARF Nº 02. De acordo com a Súmula CARF nº 02, o Conselho não tem competência para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno. PRELIMINAR. NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO, DA AMPLA DEFESA E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Não é nulo o despacho decisório que, embora conciso, contém a exposição das razões de fato e de direito que fundamentaram a nãohomologação da compensação. Não há, ademais, qualquer violação aos princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, porque o interessado foi devidamente intimado do despacho decisório e da decisão recorrida, apresentando manifestação de inconformidade e interpondo recurso voluntário, na forma prevista na legislação. Preliminar de nulidade afastada. DILIGÊNCIA. PRINCÍPIO DA PERSUASÃO RACIONAL OU DO LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. No processo administrativo fiscal, vigora o princípio da persuasão racional ou do livre convencimento motivado, o que garante ao julgador, nos arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972, a liberdade para formar a sua convicção, deferindo as diligências que entender necessárias ou indeferilas, quando prescindíveis ou impraticáveis. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 89 57 /2 01 2- 20 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Na falta de provas, deve ser mantida a nãohomologação da compensação. MULTA DE MORA. LEGALIDADE. ART. 61 DA LEI Nº 9.430/1996. A incidência de multa de mora encontrase expressamente prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Alegação de ilegalidade afastada. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, com base nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 125DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11080.918957/201220 Acórdão n.º 3802002.423 S3TE02 Fl. 124 3 O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. O Recorrente, nas razões recursais de fls. 74 e ss., alega preliminarmente a nulidade do despacho decisório, por ausência de fundamentação e violação aos princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal. No mérito, sustenta que o ônus da prova do direito de crédito não seria do sujeito passivo. Ao contrário, caberia à decisão recorrida demonstrar a ausência de liquidez e de certeza do crédito, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. Aduz que deve ser possibilitado ao contribuinte, inclusive por meio de diligência, a juntada posterior de provas do direito de crédito. Por fim, sustenta a ilegalidade e a inconstitucionalidade da incidência de multa de mora sobre o débito confessado, por incompatibilidade com os princípios constitucionais do nãoconfisco, da razoabilidade e da proporcionalidade. Requer o provimento do recurso voluntário e a consequente reforma da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O Recorrente teve ciência da decisão no dia 13/09/2013 (fls. 72), interpondo recurso tempestivo em 08/10/2013 (fls. 74). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido, ressalvado no que se refere às alegações de inconstitucionalidade da multa de mora. Isso porque, consoante entendimento consolidado na Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não tem competência para a declaração de inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses do art. 62 do Regimento Interno: Súmula Carf nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; Fl. 126DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Por outro lado, em que pese os argumentos apresentados pelo Recorrente, não há como se acolher a preliminar de nulidade. Isso porque, ainda que conciso, o despacho decisório encontrase suficientemente fundamentação, contendo a exposição das razões de fato e de direito da nãohomologação da compensação. Não há, ademais, qualquer violação aos princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal. O interessado, afinal, foi devidamente intimado do despacho decisório e da decisão recorrida, apresentando manifestação de inconformidade e interpondo recurso voluntário, na forma prevista na legislação federal que disciplina o procedimento administrativo fiscal. No tocante à diligência, devese ter presente que, no processo administrativo fiscal, vigora o princípio da persuasão racional ou do livre convencimento motivado, o que garante ao julgador, nos termos dos arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972, a liberdade para formar a sua convicção, deferindo as diligências que entender necessárias ou indeferindoas, quando prescindíveis ou impraticáveis: “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” “Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias.” No presente caso, por sua vez, é prescindível a realização da diligência, porquanto o feito pode ser decidido à luz das regras de distribuição do ônus da prova. Com efeito, o contribuinte, ao transmitir o PER/Dcomp, deixou de retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) do período correspondente, o que fez com que a mesma continuasse atrelada à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Em casos dessa natureza, a Turma tem interpretado que o contribuinte, por força do princípio da verdade material, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes julgados: “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz Fl. 127DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11080.918957/201220 Acórdão n.º 3802002.423 S3TE02 Fl. 125 5 efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. [...] Recurso Voluntário Negado.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.290. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. 25/09/2012). “COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.” Fl. 128DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802001.593. Rel. Conselheiro Francisco José Barroso Rios. S. 27/02/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “COMPENSAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO PELO CONTRIBUINTE APÓS DECORRIDOS CINCO ANOS DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO. EXCEPCIONALIDADE DE ACEITAÇÃO PELO CARF. A retificação de DCTF constitui requisito formal do contribuinte, ao efetuar pedido de compensação com base em créditos decorrentes de retificação de documentos de cunho declaratório (DACON, DIPJ, dentre outros). Assim, a ausência de apresentação da DCTF retificadora é causa para negação do crédito pleiteado. Todavia, excepcionalmente se permite a Fl. 129DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11080.918957/201220 Acórdão n.º 3802002.423 S3TE02 Fl. 126 7 compensação caso o contribuinte demonstre que a retificação só foi apontada como não efetuada após o decurso dos cinco anos contados da extinção do crédito, sendo certo que a negativa importaria em situação excepcional de restrição formal à verdade material, contrassenso à própria finalidade do processo administrativo tributário. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 3802001.642. Rel. Conselheiro Bruno Macedo Curi. S. 28/02/2013) No presente caso, o contribuinte não apresentou qualquer prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Portanto, nada justifica a reforma da decisão recorrida, porque, ao contrário do sustentado pelo Recorrente, cabe ao sujeito passivo o ônus da prova nos pedidos de compensação. Por fim, melhor sorte não socorre ao Recorrente na pretensão de afastamento da multa de mora. Esta foi exigida validamente, na forma do art. 61 da Lei nº 9.430/1996, o que torna manifestamente improcedente a alegação de ilegalidade. Votase, assim, pelo conhecimento parcial e desprovimento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 130DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 16327.720075/2012-18
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
DESMUTUALIZAÇÃO DA BOLSA DE VALORES. INCORPORAÇÃO DE ASSOCIAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS POR SOCIEDADE POR AÇÕES. SUBSTITUIÇÃO DE TÍTULOS POR AÇÕES REPRESENTATIVAS DO MESMO ACERVO PATRIMONIAL. VENDA DE ATIVO IMOBILIZADO.
A desmutualização, tal como ocorreu de fato, envolveu um conjunto de atos típicos das operações societárias de cisão e incorporação, com o que não houve concretamente um ato de restituição do patrimônio pela associação aos associados, tampouco um ato sucessivo de utilização destes recursos para a aquisição das ações.
Houve a substituição das quotas patrimoniais da entidade sem fins lucrativos por ações da sociedade anônima, em razão da sucessão, por incorporação, da primeira pela segunda - evento o qual, aliás, marca a extinção da associação e dos títulos.
A substituição dos títulos patrimoniais pelas ações caracteriza a permanência do mesmo ativo, devendo ser admitida sua manutenção na conta de ativo permanente, tal como procedeu ao contribuinte, de modo que sua alienação configura receita da venda de ativo permanente, a qual não compõe a base de cálculo de PIS/Cofins.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3403-003.153
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan e Luiz Rogério Sawaya Batista. Os Conselheiros Antonio Carlos Atulim e Alexandre Kern apresentaram declarações de voto. Esteve presente ao julgamento a Dra. Marise Ferreira de Oliveira. OAB/SP nº225.008.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan allegretti.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 DESMUTUALIZAÇÃO DA BOLSA DE VALORES. INCORPORAÇÃO DE ASSOCIAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS POR SOCIEDADE POR AÇÕES. SUBSTITUIÇÃO DE TÍTULOS POR AÇÕES REPRESENTATIVAS DO MESMO ACERVO PATRIMONIAL. VENDA DE ATIVO IMOBILIZADO. A “desmutualização”, tal como ocorreu de fato, envolveu um conjunto de atos típicos das operações societárias de cisão e incorporação, com o que não houve concretamente um ato de restituição do patrimônio pela associação aos associados, tampouco um ato sucessivo de utilização destes recursos para a aquisição das ações. Houve a substituição das quotas patrimoniais da entidade sem fins lucrativos por ações da sociedade anônima, em razão da sucessão, por incorporação, da primeira pela segunda evento o qual, aliás, marca a extinção da associação e dos títulos. A substituição dos títulos patrimoniais pelas ações caracteriza a permanência do mesmo ativo, devendo ser admitida sua manutenção na conta de ativo permanente, tal como procedeu ao contribuinte, de modo que sua alienação configura receita da venda de ativo permanente, a qual não compõe a base de cálculo de PIS/Cofins. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan e Luiz Rogério AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 00 75 /2 01 2- 18 Fl. 845DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Sawaya Batista. Os Conselheiros Antonio Carlos Atulim e Alexandre Kern apresentaram declarações de voto. Esteve presente ao julgamento a Dra. Marise Ferreira de Oliveira. OAB/SP nº225.008. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan allegretti. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário Interposto pelo Banco Itaú BBA S/A visando modificar a decisão de piso que lhe foi totalmente desfavorável, mantendo o lançamento. Insurge o Banco Itaú contra o lançamento que incluiu à base de cálculo da determinação da COFINS o ingresso de recurso financeiro proveniente da venda de ações oriundas de processo de desmutualização contra o entendimento do Fisco de que os títulos recebidos deveriam ter sido classificados em conta de Ativo Circulante, direito realizável no curso do exercício social subseqüente por ser atividade típica de banco múltiplo que opere carteira de investimento. A discussão se refere à incidência das Contribuições para o Programa de Integração Social e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social sobre receitas oriundas de venda de ações BM&F recebidas pela Recorrente oriunda do processo denominado “desmutualização” das associações Bovespa e BM&F em substituição aos antigos títulos patrimoniais que possuía das entidades. O entendimento expressado no Acórdão recorrido é de que as ações recebidas teriam que ser contabilizadas em conta de Ativo Circulante, em razão de configurar uma operação típica de “mercado de Balcão” Contrapondo, argumenta a empresa recorrente, que a natureza jurídica do negócio implicou na extinção das entidades, de modo que a ação das sociedades anônimas recebidas pelos associados se apresentaria como novo bem a integrar o patrimônio da pessoa jurídica adquirente dessas ações. Além do que, seja qual for à classificação contábil não o fato gerador do tributo por não se adequar ao conceito de faturamento, incerto no artigo 3º da Lei nº 9.718/98, motivo pelo qual não pode compor a base de cálculo das contribuições para o PIS e COFINS. Acrescenta que alienação das ações não foi realizada na exploração do objeto social da sociedade, acresce segundo o Recorrente, a revogação do parágrafo primeiro do art. 3º da Lei nº 9718/98 pela Lei nº 11.941/2009, restringiu à incidência das contribuições ao faturamento. Fl. 846DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 16327.720075/201218 Acórdão n.º 3403003.153 S3C4T3 Fl. 16 3 Em síntese afirma ter ocorrido cisão seguida de incorporação, tudo isso autorizado nos artigos 2.033 e 2116 do Código Civil Brasileiro e o art. 225 da Lei Societária. “A Bovespa associação (Bovespa), por meio de cisão parcial, verteu parte de seu patrimônio para duas Sociedades já existentes, no caso, para a Bovespa Serviços e Participações S.A (Bovespa Serviços), e Bovespa Holding S.A (Bovespa Holding”. Por derradeiro sustenta em suas razões a impossibilidade de incidir juros de mora sobre o valor da Multa de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Cuidase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O cerne da questão colocada reside em saber se as ações recebidas e negociadas deveriam ter sido contabilizadas em Circulante ou no Permanente, o esse fato não ser relevante à incidência tributária que exige a Fazenda Federal. Em sendo assim, a controvérsia trazida neste caderno processual administrativo centra na exigência de contribuição para o PIS e COFINS incidentes sobre operação denominadas “desmutualização” com alienação de ações resultante. Temse em conta como contribuintes da COFINS e do PIS/Pasep na modalidade não cumulativa as pessoas jurídicas que auferirem receitas, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Compreendem a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Assim, basicamente, estão sujeitas a COFINS e à contribuição para o PIS/PASEP na modalidade não cumulativa as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, com algumas exceções, como as instituições financeiras e as receitas decorrentes de prestação de serviços com transporte coletivo com observância do Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 23/2008, de acordo com o disposto no inciso XII do art. 10 da Lei nº 10.833/2003, hospitalares e educação, independentemente da forma de tributação adotada. As pessoas jurídicas de que trata a Lei nº 9.718/98 correspondem: bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamentos e investimento, sociedade de créditos imobiliários, sociedade corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativa de crédito, empresas de seguros privados, entidades de previdência privada, abertas e fechadas, empresas de capitalização, pessoas jurídicas que tenham por objeto a securitização de créditos imobiliários e financeiros e as operadoras de planos de assistência à Fl. 847DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 saúde. Estende também as empresas de que trata a Lei nº 7.102/1983 ao dispor sobre segurança para estabelecimento financeiro e estabelece normas para constituição e funcionamento das empresas particulares que exploram serviços de vigilância e de transporte de valores. Em sendo assim, as corretoras para os fins tributários encontram encartadas no rol das pessoas jurídicas sujeitas à modalidade cumulativa, permanecendo às normas da legislação vigente anteriormente às Leis nºs 10.833/2003 e 10.637/2002, alteradas pelas Leis nºs 10.865/2004 e 10.925/2004. Feitas essas considerações, passo ao exame do caso concreto. As ações negociadas decorrem das modificações advindas do tipo de sociedade civil para sociedade anônima, cujos títulos patrimoniais ao tempo estavam contabilizados no Ativo Permanente, grupo Investimento. Celeuma se exacerba em razão do objetivo social da Recorrente incluir transações de títulos em bolsa e mercado de balcão. Por isso entende o Fisco tratarse de receita pertinente ao objetivo social, e, sendo assim, deveria submeterse à incidência das contribuições para o PIS e a COFINS, além do que, as ações deveriam ter sido contabilizadas em Ativo Circulante. A operação realizada consistiu em recebimento de ações em decorrência da cisão parcial, vertendo parte de seu patrimônio para duas sociedades já existentes, e, a título de pagamento do patrimônio vertido recebeu ações, posteriormente permutadas por ações da Holding. Mantendo desse modo a participação da Interessada no novel empreendimento, Bovespa Holding. Conforme se depreende dos autos os títulos patrimoniais foram substituídos por ações da Bovespa Holding. Em síntese ocorreu uma troca dos ativos, quanto a isso não resta dúvida. A meu ver essa operação jamais pode ser considerada devolução de patrimônio aos associados da extinta associação. Também, tenho como certo a contabilização das ações no grupo de Investimento em razão do caráter permanente, o fato de alienação de parte desses títulos no futuro não descaracteriza a intenção de manter a participação na sociedade constituída com parte do patrimônio da empresa cindida. A participação permanente em outras sociedades é tradicionais investimentos em outras empresas, tanto na forma de ações quanto de quotas, configura aplicação de capital não de forma temporária ou especulativa, demonstra o interesse e intenção de usufruir os frutos (rendimentos) na proporção do montante investido. Vislumbro nesse caso a natureza voluntária, como sendo uma espécie da extensão da atividade econômica como sendo a pessoa encarregada de efetivar os negócios e os interesses da investidora. De modo que, o investidor espera são valores significativos desse empreendimento, entre esses, rentabilidade que seja direta ou indireta, isso é o que importa. A classificação contábil é atribuição da empresa investidora, só ela sabe da sua própria intenção, daí cabe tãosó a ela essa tarefa. Esse fato leva ao passado recente quando existia inflação absurdamente insuportável e destruidora da economia nacional, nesse tempo a correção monetária dos ativos permanente era obrigatória, isso é, até 1995. Fl. 848DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 16327.720075/201218 Acórdão n.º 3403003.153 S3C4T3 Fl. 17 5 Naquele tempo era inaceitável a reclassificação de ativos contabilizados no grupo investimento permanente para o circulante. Prevalecia o entendimento das autoridades fiscais de que a legislação relativa ao Imposto de Renda vedava reclassificação de elementos registrados no Ativo Permanente para o Ativo Circulante, que deveria continuar integrando o Permanente até a efetivação da alienação. Como é de conhecimento geral que a contrapartida do acréscimo do Ativo Permanente decorrente da correção monetária era contabilizada a crédito em conta de Resultado, cujo resultado era tributado pela legislação do Imposto de Renda, facultado ao diferimento. Essa matéria em voto recente da lavra do Conselheiro e relator Ivan Alegre, bem como, em declaração de voto do Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, foi esmiuçada e restou bem fundamentada, na qual busco socorro como fundamento de decidir: “Conselheiro Ivan Allegretti, Relator. O recurso é tempestivo, motivo pelo qual dele conheço. A exigência de PIS/COFINS está lastreada no entendimento da Fiscalização de que o resultado da vendas, da contribuinte para terceiros, de ações da Bovespa Holding SA e da BM&F SA deveria receber o tratamento de receita operacional, e não de venda de ativo imobilizado. A Fiscalização entende que, por força do art. 61, § 1º, do Código Civil vigente, as associações sem fins lucrativos – que era a modalidade na qual se encontravam formatadas as bolsas de valores antes da desmutualização – apenas poderiam destinar o seu patrimônio para entidades congêneres ou, quando muito, restituir aos seus associados o valor atualizado das contribuições que prestaram ao patrimônio da associação. Baseada neste dispositivo, a Fiscalização entende que a venda das ações pela contribuinte teria sido o desfecho de uma seqüência de operações, as quais teriam começado com o ato de devolução de patrimônio da associação para os seus quotistas, seguido da aquisição das ações e a sua subseqüente venda, de modo que tal venda revelaria a prática de atividade operacional típica da atuação econômica da contribuinte, de negociação de títulos no mercado financeiro. É isto o que transparece do seguinte trecho do Termo de Verificação Fiscal (fl. 224): Como se vê, o dispositivo é claro ao exigir que o estatuto de associação só possa destinar seu patrimônio em caso de dissolução, mesmo parcial, para outra entidade de fins não lucrativos. Porém, permite que os associados recebam em restituição, as contribuições prestadas no passado. Resta irrefutável a necessidade de que sejam observadas as limitações impostas pelo Código Civil. Assim, as contribuições prestadas no passado pelas corretoras, convertidas em títulos Fl. 849DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 6 patrimoniais, não podiam ser destinadas a uma sociedade empresarial com fins lucrativos. Entretanto, a norma jurídica permite a DEVOLUÇÃO DO PATRIMÔNIO aos associados, referente às contribuições prestadas no passado, no caso, o valor dos títulos patrimoniais. Diante do acima exposto, concluise que houve uma Devolução de Patrimônio, seguida da aquisição das ações subscritas, apesar de a Bolsa denominar a operação de "cisão parcial", seguida de "incorporação". Não se trata, pois, de mera SUBSTITUIÇÃO de títulos por ações. A Fiscalização, como visto, não concorda com os fatos: discorda da possibilidade de incorporação, com fundamento na qual procedeuse a substituição dos títulos patrimoniais por ações, tal como concretamente foi realizado. Entende que apenas seria possível a devolução do patrimônio pela associação aos seus associados, na forma do art. 61, § 1º do Código Civil vigente. Ocorre que, concretamente, não houve um ato de restituição do patrimônio pela associação aos seus associados. O que houve, de fato, foi a troca dos títulos por ações, em concretização das operações de cisão e incorporação do patrimônio da associação, resultando em sua extinção. Não parece possível dizer que as ações teriam sido dadas em pagamento pelas sociedades anônimas, pois concretamente não houve a compra dos títulos patrimoniais pelas sociedades anônimas. Não houve mudança de titularidade dos títulos patrimoniais para si. Também não parece possível dizer que teriam sido dados em pagamento pela associação, como forma de pagamento em restituição do patrimônio, pois a associação nunca foi titular das ações. Não foi a associação quem teria utilizado as ações, pois as ações não lhe pertenciam. Nem houve concretamente, repise se, uma restituição do patrimônio pela associação, em resgate de seus próprios títulos. A restituição prevista no art. 61, § 1º, do CC possivelmente teria acontecido se, diante da finalidade de extinguir a associação, não fossem aplicáveis a cisão e a incorporação. O que se percebe, pois, é que a aplicação destes institutos societários no caso concreto suprimiu o ato de restituição do patrimônio aos associados. Neste ponto, aliás, o recorrente argúi a aplicação do art. 2.033 do CC para sustentar a possibilidade jurídica de aplicaremse os fenômenos societários da mutação, incorporação, cisão e fusão às associações. Este dispositivo prevê que, “Salvo o disposto em lei especial, as modificações dos atos constitutivos das pessoas jurídicas referidas no art. 44, bem como a sua transformação, incorporação, cisão ou fusão, regemse desde logo por este Fl. 850DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 16327.720075/201218 Acórdão n.º 3403003.153 S3C4T3 Fl. 18 7 Código”, sendo que, dentre as pessoas jurídicas listadas no art. 44, logo no inciso I, figuram as associações. Não parece que a ressalva inicial seja capaz de eliminar todo o conteúdo que se segue, no sentido de que as entidades sem fins lucrativos estariam excluídas do envolvimento nestes fenômenos societários. De fato, não parece possível extrair outra interpretação do dispositivo, senão de que permite tais operações em relação às associações, nada obstante se possa lamentar a falta de detalhamentos normativos mais precisos para a sua aplicação em relação às entidades sem fins lucrativos. Este caso, aliás, é sintomático das dificuldades geradas pela falta de um balizamento mais detalhado e devidamente contextualizado com as características próprias das entidades sem fins lucrativos, em especial quando estão envolvidas entidades com fins lucrativos. De outro lado, chama atenção o fato de que não houve qualquer notícia de questionamentos na época, colocando em dúvida a legalidade ou acusando de algum tipo de falta de ortodoxia os atos concretos praticados para levar a efeito a desmutualização das bolsas. Dentre os atos praticados não houve, pois, uma restituição de patrimônio da associação para os seus associados. Também não houve uma aquisição propriamente dita das ações. Houve, em concretização das operações societárias, a substituição dos títulos patrimoniais por ações. Interpretar como quer a Fiscalização exigiria desconstituir a operação concreta, por ilegalidade, ante a convicção de que não poderia ter acontecido pelo itinerário jurídico adotado, pois apenas outro caminho seria possível: o qual passaria necessariamente pelo ato específico de restituição, pela associação aos seus associados, das suas contribuições ao patrimônio da entidade. Ocorre que, respeitada a competência deste Tribunal Administrativo, tornase necessário presumir a legalidade das operações que concretizaram a “desmutualização”, mesmo porque ocorridas sob a tutela e autorização do Conselho Monetário Nacional e da Comissão de Valores Mobiliários. Baseado, pois, na convicção de que de fato não houve uma devolução pela associação aos associados, do patrimônio da associação, seguida da aquisição e venda das ações, mas que concretamente houve a troca dos títulos patrimoniais pelas ações, entendo que a posterior venda destas ações não configura receita operacional da contribuinte, mas venda de seu ativo imobilizado. Na DRJSão Paulo/SP, prevaleceu por maioria de votos o entendimento de que se estaria tratando de receita operacional, Fl. 851DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 8 pelo argumento central de que os ativos em questão teriam natureza distinta. Ou seja, porque os títulos patrimoniais não teriam a mesma natureza das ações, estaria justificada a desclassificação destes últimos da conta de ativo permanente, devendo ser reclassificados na conta de ativo circulante, diante da natureza operacional da negociação que teria envolvido seu ingresso e sua saída. O raciocínio é linear, mas apenas formalmente. Esbarra no mesmo problema anterior, na mesma complexidade dos atos que envolveram a cisão e a incorporação, dando causa ao deslocamento do patrimônio da associação para patrimônio de sociedade anônima, à mutação da condição de associado em acionista, e da substituição de títulos por ações. Embora juridicamente sejam distintas as qualidades de um título e de uma ação, no conjunto de direitos e deveres que encerram, os dados da operação concreta demonstram que significam substancialmente o mesmo conteúdo patrimonial. Podese dizer, com efeito, que se trata da mesma participação e do mesmo conteúdo econômicopatrimonial, relativas a uma pessoa jurídica que manteve a mesma atividade e finalidade, mas agora atuando com um estatuto diferente, sob um regime jurídico diferente. Frisese que a situação aqui tratada é bastante peculiar, pois não se está tratando de uma troca genérica de ativos diferentes, mas da troca de um título de uma participação societária que deixou de existir, por extinção da própria associação, por um título de participação societária de uma sociedade anônima que passou a existir, sucedendo o patrimônio da pessoa jurídica extinta. Na perspectiva da contribuinte, portanto, legitimase dizer que onde antes havia os títulos patrimoniais – que deixaram de existir – passou a haver as ações – que tomaram o lugar dos títulos extintos –, uma substituindo o lugar da outra na mesma conta de ativo permanente. Se tal operação societária não seria possível de acordo com a legislação civil, este Tribunal não tem como questionar, mas tendo assim ocorrido, é de acordo com estes atos concretos que levaram a cabo tais operações que deve ser aplicada a legislação. A substituição das quotas pelas ações, portanto, caracterizam a sucessão de um título – que deixou de existir – por outro – que passou a existir em seu lugar –, representativos da sucessão ocorrida entre as pessoas jurídicas envolvidas – a que deixou de existir e a que passou a existir em seu lugar –, devendo ser admitida sua manutenção na conta de ativo permanente, tal como procedeu o contribuinte, de modo que sua alienação configura receita da venda de ativo permanente, a qual não compõe a base de cálculo de PIS/Cofins. Voto pelo provimento do recurso. Ivan Allegretti.” Fl. 852DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 16327.720075/201218 Acórdão n.º 3403003.153 S3C4T3 Fl. 19 9 No mesmo sentido é a declaração de voto do Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz: “O recurso voluntário ora em debate controverte autos de infração de COFINS e da contribuição ao PIS lavrados na pressuposição de que a recorrente haveria de ter espontaneamente exposto à tributação receitas por ela auferidas da alienação de ações ocorrida em 2007. Em suma, discutese se tratava da alienação de itens legitimamente classificados no “ativo permanente” – e, portanto, da obtenção de receitas insujeitas às exações, nos termos do artigo 3º, § 2º, inciso IV, da Lei nº 9.718/98 – ou se, ao contrário, referidos direitos deveriam compor o “ativo circulante” da pessoa jurídica e, nesta condição, ao serem cedidos a terceiros, proporcionar receitas passíveis de incidência. Pois bem. Corretora de títulos e valores mobiliários, a recorrente deteve títulos representativos do patrimônio da Bolsa de Valores de São Paulo, enquanto a investida revestiu a forma de associação civil (a “Associação Bovespa”). Neste período, aliás, todo e qualquer operador do mercado de ações mantinha vínculo associativo com a Bovespa, uma vez que somente assim, ostentando título de associado, era admitido a atuar junto à entidade. Em agosto de 2007, entretanto, a Associação Bovespa se submeteu a uma operação societária que resultou em versão de boa parte de seu patrimônio para uma pessoa jurídica com fins lucrativos. Inicialmente, a instituição sujeitouse a uma cisão parcial, com alocação dos ativos e passivos cindidos em duas sociedades, a Bovespa Holding S.A. e a Bovespa Serviços e Participações S.A., ambas constituídas imediatamente antes da operação. Em seguida, as ações emitidas por esta última sociedade foram incorporadas pela primeira, daí decorrendo a formação de uma subsidiária integral. Concluídos os atos societários, portanto, parte dos títulos patrimoniais emitidos pela Associação Bovespa foi extinta e substituída por ações representativas do capital social da incorporadora, a Bovespa Holding S.A., a significar que, no ativo da recorrente e dos demais associados, as novas ações passaram a ocupar a posição dos antigos títulos (a “Desmutualização”). O Fisco não questiona, entendase bem, a classificação adotada pela recorrente na ativação dos títulos emitidos pela Associação Bovespa. Reconhecelhes a condição de “ativos permanentes”, inclusive porque, como mencionado, o próprio exercício das atividades de corretagem pressuponha à época a aquisição e a manutenção da propriedade destes direitos. Quem quer que pretendesse intermediar valores mobiliários negociados na Bovespa haveria de previamente se associar à entidade. Fl. 853DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 10 O Fisco constrói os lançamentos em debate sustentando que, embora os títulos patrimoniais estivessem acertadamente contabilizados no ativo permanente, as ações que os substituíram não poderiam ter sido validamente escrituradas ali. Acusa a recorrente, em síntese, de não ter realizado uma supostamente obrigatória reclassificação dos novos ativos, por ocasião da operação societária a que se submeteu a investida. Numa palavra: dada a natureza dos atos societários levados a efeito pela Associação Bovespa em agosto de 2007, era exigível que a recorrente alterasse a classificação contábil que validamente adotara com relação aos títulos patrimoniais substituídos? É disso que se trata. Para dar consistência à sua tese, a autoridade lançadora argumenta que a operação societária em questão percorreu as seguintes etapas: (i) extinção da associação até então existente; (II) devolução de seu acervo patrimonial aos associados; e, finalmente (iii) reaplicação deste acervo, pelos associados, na integralização do preço devido pela subscrição, por cada qual, das ações emitidas pela Bovespa Holding S.A. E digo que a narrativa se presta a dar consistência aos autos de infração porque é a partir desta sequência de supostas fases em que se desdobraria a operação societária que o Fisco constrói seu argumento quanto à obrigatoriedade da reclassificação dos ativos. É que de acordo com o Parecer Normativo CST nº 108, de 1978, editado a propósito do advento da Lei nº 6.404/76, a classificação das participações societárias no ativo permanente ou no circulante é presidida pela intenção manifestada pelo investidor no momento da aquisição. Vejase: “Investimentos: (...) 7.1 Por participações permanentes em outras sociedades se entendem as importâncias aplicadas na aquisição de ações e outros títulos de participação societária, com a intenção de mantêlas em caráter permanente, seja para obter controle acionário, seja por interesses econômicos, como, por exemplo, a constituição de fonte permanente de renda. Essa intenção será manifestada no momento em que se adquire a participação, mediante a sua inclusão no subgrupo de investimentos – caso haja interesse de permanência – ou registro no ativo circulante, não havendo esse interesse. Será, no entanto, presumida a intenção de permanência sempre que o valor registrado no circulante não for alienado até a data do balanço do exercício seguinte àquele em que tiver sido adquirido.” (grifamos) De acordo com a orientação fixada no normativo acima, a intenção presente por ocasião da aquisição do ativo é a que, em princípio, deve orientar a classificação contábil, a significar que direitos escriturados no permanente quando da respectiva aquisição devem permanecer como tais mesmo depois de sobrevinda a decisão de alienálos. Nesse sentido, aliás, dispõe o Parecer Normativo CST nº 3/1980, segundo o qual: Fl. 854DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 16327.720075/201218 Acórdão n.º 3403003.153 S3C4T3 Fl. 20 11 “8. (...) a simples pretensão da pessoa jurídica no sentido de alienar bens destinados à utilização na exploração do objeto social ou na manutenção das atividades da empresa não autoriza, para os efeitos da legislação do imposto de renda, a exclusão dos elementos correspondentes registrados em contas do ativo permanente, devendo a cifra respectiva continuar integrando aquele agrupamento até a alienação, baixa ou liquidação do bem.” Só por isso, aliás, é que se cogita da alienação de bens integrantes do ativo permanente da pessoa jurídica. Se a só cessação da intenção de permanência bastasse para compelir a sociedade a reclassificar direitos anteriormente escriturados em “investimentos” ou em “imobilizado”, somente itens do ativo circulante seriam passíveis de alienação. Sim, porque se a intenção subsequente de venda importasse a obrigatoriedade da prévia realocação, os negócios de alienação teriam por objeto, sempre e por princípio, elementos tão só do próprio circulante. Desta forma, se a classificação pautase pela vontade exteriorizada no momento da aquisição, a subsistência dos autos de infração aqui recorridos pressupõe que se possa divisar, na operação societária por que passou a investida, um negócio jurídico de aquisição de ações praticado por seus associados. É o que sustenta a autoridade lançadora, para quem a recorrente obteve as ações em suposto ato de integralização do capital social da Bovespa Holding S.A., depois de ter recebido em devolução parcela do patrimônio pertencente à Associação Bovespa. No raciocínio trilhado pelo Fisco, como visto acima, a Desmutualização da entidade se consumou, primeiro, através da partilha do patrimônio então existente entre seus associados e, na sequência, por meio de atos individuais de reaplicação deste mesmo patrimônio na sociedade anônima sucessora, mediante subscrição de capital. E é nesta última etapa que a fiscalização se permite enxergar o ato volitivo de aquisição a que alude o PN CST nº 108/78 para demandar da recorrente a reclassificação do ativo. Sucede que a reestruturação por que passou a associação se deu por meio de cisão. Nas cisões, a pessoa jurídica cindida delibera segregar direitos e obrigações que integram seu patrimônio e vertêlos para uma entidade já existente – caso da operação realizada pela Associação Bovespa – ou então para uma cuja constituição é deliberada na própria ocasião. De acordo com a Lei nº 6.404/76, no que dela não difere a disciplina do atual Código Civil, a transferência do patrimônio cindido para a pessoa jurídica que o absorver dáse a título de integralização de capital social. Pelo ato de cisão, portanto, a cindida subscreve a benefício de seus próprios acionistas a formação ou o aumento do capital social da sucessora e o integraliza com o patrimônio líquido segregado. Como consequência, o capital da cindida se divide e parte dos títulos Fl. 855DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 12 que o representam é automaticamente extinta e substituída por papéis emitidos pela receptora, em decorrência da própria subscrição. A cisão não envolve devolução de patrimônio aos detentores de títulos emitidos pela cindida pela singela razão de que o ato implica transferência direta de patrimônio de uma pessoa jurídica à outra, sem intermediação. Direitos e obrigações objeto da operação passam da cindida imediatamente à incorporadora, sem transitarem pelo patrimônio dos investidores. É o que se lê do contido nos artigos 223, §2º, 227, §2º e 229, §§3º e 5º, todos da Lei nº 6.404/76 e, de resto, dito e repetido em doutrina. Nesse sentido, confirase em Modesto Carvalhosa as seguintes relevantes passagens: “Subscreve o aumento a incorporada e não seus acionistas, embora o produto dessa subscrição, ou seja, as ações ou quotas dela decorrentes, sejalhes entregue. Temos assim que o pagamento da subscrição é feito pela incorporada, em benefício de seus sócios ou acionistas, e não em benefício próprio.” 1 “Ocorre que a incorporação, que se efetiva com a subscrição do capital da incorporadora com o patrimônio líquido da incorporada, não constitui nem compra e venda, nem alienação sui generis. Isto porque a transferência do patrimônio de uma para outra sociedade dáse a título de pagamento das ações subscritas pela incorporada a favor de seus sócios ou acionistas. E, com efeito, a vontade da sociedade que será incorporada não é de alienar, permutar ou vender seu patrimônio, mas de subscrever com ele o capital de outra sociedade. Assim, a subscrição, que é obrigação da incorporada, cumprese com a integralização em bens e direitos que constituem o seu patrimônio, fazendoo pelo valor líquido deste. A entrega desse patrimônio como forma de pagamento tem como efeito a transferência de propriedade sobre o mesmo, no valor correspondente ao da subscrição. Temos, assim, que a transferência do patrimônio da incorporada para a incorporadora se dá a título de pagamento da dívida contraída com a subscrição.” 2 “Dessa forma, diretamente, o patrimônio da sociedade cindida transferese às novas ou já existentes sociedades, que se tornam suas sucessoras universais, na exata medida da parcela do patrimônio que lhes é transferida.” 3 Ainda nesse sentido, advogar a tese do Fisco, no sentido de que a operação em análise envolveu devolução de patrimônio aos associados da Bovespa, exigiria reconhecer que, por um átimo de tempo ao menos, referidos associados detiveram a disponibilidade destes direitos. Por coerência, exigiria admitir que, tendo obtido a propriedade do patrimônio partilhado, os associados pudessem individualmente decidir por não reaplicá 1 Comentários à Lei de Sociedades Anônimas. São Paulo: Saraiva, v. 4, 4ª. ed., p. 266. 2 Ob. cit., p. 275. 3 Ob. cit., p. 308. Fl. 856DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 16327.720075/201218 Acórdão n.º 3403003.153 S3C4T3 Fl. 21 13 lo na Bovespa Holding S.A. ou, então, por investilo apenas em parte nesta sociedade. Ocorre que, numa operação de cisão, os sócios da pessoa jurídica cindida não põem as mãos no patrimônio segregado. E os títulos (quotas ou ações) que lhes são entregues em substituição aos extintos jamais integrarão o patrimônio da sociedade submetida à cisão. Tais participações são emitidas pela incorporadora ou pela entidade constituída pelo ato de cisão e, sem transitar pela propriedade da cindida, são diretamente destinadas a seus sócios. Na hipótese dos autos, portanto, as ações emitidas pela Bovespa Holding S.A. por ocasião da cisão parcial não chegaram a pertencer à Associação Bovespa antes de serem entregues aos associados. Também por isso é incabível falar, aqui, em devolução de capital ou de patrimônio. Vou além. De uma operação de cisão participam somente a própria cindida e a sociedade que houver de absorver a parte destacada de seu patrimônio (em se tratando de incorporação por sociedade préexistente). Nem mesmo os sócios da cindida são parte do negócio jurídico de cisão, muito embora o ato repercuta diretamente em suas esferas de direito. Quem decide pela cisão e define todos os seus termos são unicamente as pessoas jurídicas envolvidas, através de seus respectivos órgãos deliberativos. Nesse sentido, vide os §§ 1º e 2º do artigo 227, da Lei das S.A. Isso é relevante na medida em que, não participando diretamente da operação, os detentores de títulos emitidos pela cindida nada podem opor individualmente ao ato ou à própria substituição de suas participações por papéis emitidos pela incorporadora. Podem, sim, comparecer à assembléia convocada para deliberar a operação e manifestar sua eventual contrariedade mas, vencidos na votação, os efeitos da deliberação lhe são impostos. Daí porque, como a substituição de títulos, quotas ou ações prescinde, numa cisão, da aquiescência dos respectivos proprietários, não é possível equiparar a operação a um ato volitivo de aquisição, para fins de reclassificação contábil dos ativos. Dado que a cisão parcial em debate produziu a extinção de parte dos títulos representativos do patrimônio da associação e, em lugar deles, entregou aos respectivos detentores ações emitidas pela sociedade incorporadora, não observo impropriedade na conduta praticada pela ora recorrente, no que alocou os direitos substitutos na mesma posição onde mantivera, até então, os direitos substituídos. Sequer o argumento de que a operação em tela resultou na prática de ilícitos civis ou tributários justificaria a preservação dos autos de infração de PIS e de COFINS aqui recorridos. Nos debates que precederam a colheita dos votos no julgamento deste recurso voluntário, discutiuse a própria higidez jurídica da cisão a que se submeteu a Associação Bovespa, Fl. 857DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 14 particularmente em razão da destinação de seu patrimônio – patrimônio esse amealhado sob regime jurídicotributário de isenção – a entidade de propósitos lucrativos. Cogitouse de violação ao artigo 61, do Código Civil, no que obriga a destinação do patrimônio remanescente das associações a entidades de fins igualmente não lucrativos, na hipótese de dissolução. Aventouse também eventual infração aos artigos 15 e 12, §§2º, ‘b’ e 3º da Lei nº 9.532/97, segundo os quais a isenção relativa ao IRPJ e à CSL depende da permanente reaplicação do patrimônio social na consecução dos fins a que se dedica a entidade. De minha parte, penso que o destino dos autos de infração em julgamento dispense o prévio enfrentamento destas questões. Se a operação não poderia ter sido ultimada nestes termos, não quer dizer que não tenha sido. É dizer: não se pode concluir que a Bovespa não verteu patrimônio diretamente para entidade vocacionada a fins lucrativos apenas porque fazêlo seria supostamente ilícito. Não é aceitável, do ponto de vista exegético, tratar a operação societária em causa como se fora de devolução de patrimônio com posterior reaplicação somente porque, da forma como efetivamente praticada, perpetraria um ilícito. Fato é que, se a obtenção das ações em substituição aos extintos títulos patrimoniais não teve, para a recorrente, o sentido de uma aquisição (com a significação do PN CST nº 108/78), nada exigia uma reclassificação. Com estes fundamentos, voto no sentido de dar provimento integral ao recurso voluntário, cancelandose, por conseguinte, os autos de infração constantes dos autos. Marcos Tranchesi Ortiz”. De modo que, penso no caso deste caderno administrativo que o fato das recebidas em substituição aos extintos títulos não configura aquisição, independentemente da intenção inicial ou por possível acordo prévio. A meu sentir alienação das ações configura receita não operacional essencialmente em razão da origem. Tenho como certo que o fato do objeto social permitir aquisições e vendas de ações próprias e de terceiros não interfere neste caso a transmudar para receita operacional, não vislumbro essa possibilidade. Forte nesses argumentos, e, o fato da Recorrente encontrar encartada no rol das pessoas jurídicas de que trata a Lei nº 9.718/98, sociedade corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários e empresas de arrendamento mercantil, concluo pelo desacerto do lançamento. Ante o exposto, conheço do recurso e voto no sentido de darlhe provimento para cancelar o lançamento. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 858DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 16327.720075/201218 Acórdão n.º 3403003.153 S3C4T3 Fl. 22 15 Declaração de Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim A questão posta para deslinde por parte deste colegiado não é nova. Tratase mais uma vez de analisar a incidência do PIS e da Cofins sobre as receitas provenientes da venda das ações que resultaram da transformação da Bolsa de Valores de São Paulo e da Bolsa Mercantil e de Futuros em sociedades por ações. É incontroverso que o contribuinte ora autuado possuía na conta do Ativo Permanente/Investimentos títulos patrimoniais das antigas Bovespa e BM&F, os quais foram recebidos em virtude da redução do capital social da corretora de títulos e valores mobiliários da qual era o único proprietário. Com a transformação societária daquelas entidades em sociedades por ações (a denominada desmutualização das bolsas), os títulos sociais então existentes no Ativo Permanente/Investimentos do Banco foram transformados em ações em quantidade monetariamente equivalente ao valor dos aludidos títulos. Tendo em vista que o Banco já sabia de antemão que iria alienar parte das ações de sua propriedade, entendeu a fiscalização que os títulos deveriam ter sido reclassificados para o circulante e o produto da venda tributado pelo PIS e COFINS. Basicamente a fiscalização e a decisão de primeira instância entenderam que as ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F recebidas pelo Banco, em razão da desmutualização, constituíam um outro ativo diferente dos títulos patrimoniais da antiga Bovespa e da BM&F. Assim, o momento do recebimento desse novo ativo seria aquele em que se deveria averiguar a intenção (ou não) de a pessoa jurídica o alienar, classificandoo em conta do circulante ou do permanente, conforme o caso. No caso, entendeu a DRJ que como a intenção do contribuinte era a de vender as ações, a classificação deveria ter ocorrido no circulante. Tratandose de receita proveniente da venda de ações que deveriam ter sido classificadas no ativo circulante, e estando essa atividade incluída no objeto social da pessoa jurídica, tratarseia de receita operacional passível de inclusão nas bases de cálculo do PIS e da COFINS. O entendimento da fiscalização e da DRJ está calcado no art. 61 do Código Civil, que determina a devolução de patrimônio aos sócios quando da dissolução das associações. Fl. 859DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 16 Ora, o art. 61 do Código Civil é inaplicável ao caso concreto, pois a BOVESPA ASSOCIAÇÃO CIVIL e a BM&F não foram dissolvidas e nem tiveram seus patrimônios devolvidos aos seus antigos sócios. É de conhecimento público e notório que as duas entidades desapareceram do cenário jurídico no processo denominado desmutualização das bolsas. Mas desaparecer por dissolução e desaparecer por cisão são coisas totalmente diferentes sob o ponto de vista jurídico. O que houve no caso da desmutualização foi uma cisão seguida de incorporação. Na cisão o patrimônio da entidade cindida não retorna para os seus sócios, ele é transferido diretamente para a nova entidade que se originou. O que houve no caso da “desmutualização” foi a transformação de um tipo de sociedade em outra e não a dissolução tratada no art. 61 do Código Civil. Não se olvide que o art. 1.113 do Código Civil estabelece que o ato de transformação da sociedade independe de dissolução ou liquidação e obedecerá aos preceitos reguladores da constituição e inscrição próprios do tipo em que vai se converter, enquanto que o art. 2.033, do mesmo Código, autoriza as associações a sofrerem cisão, fusão e incorporação. Assim, se o Código Civil não impede a transformação de uma associação em uma sociedade anônima e se o estatuto da S/A foi regularmente registrado na Junta Comercial, não há que se cogitar de ilegalidade na operação. Não tendo ocorrido a dissolução das antigas entidades, não há como sustentar as premissas adotadas pela DRJ, no sentido de que houve devolução de patrimônio e, assim, que as ações recebidas constituem um ativo novo e diferente dos títulos patrimoniais até então existentes. O que de fato ocorreu foi a troca dos antigos títulos patrimoniais das associações civis pelas ações das novas companhias, como resultado das operações societárias de cisão seguida de incorporação sofridas pela antiga Bovespa e BM&F. Os títulos patrimoniais foram sucedidos por ações, as quais foram emitidas em quantidades que possuíam valor monetário equivalente aos dos títulos substituídos. Tanto os antigos títulos patrimoniais, quanto as ações em que foram transformados, são papéis representativos de frações do mesmo patrimônio. Assim, mostrase temerária a premissa de que as ações emitidas constituem um ativo diferente dos antigos títulos patrimoniais. Se as ações são representativas do mesmo patrimônio que era representado pelos títulos patrimoniais que estavam no permanente, então é evidente que a reclassificação para o ativo circulante não retira das ações a condição de ser um investimento, uma participação do Banco no patrimônio de terceiros. A obrigatoriedade de efetuar essa reclassificação consta do art. 179 e incisos da Lei nº 6.404/76, mas segundo orientação da própria Receita Federal a venda dessas ações poderia (ou deveria) ter sido feita sem essa reclassificação. Não se olvide que nos longínquos tempos em que os contribuintes estavam obrigados à correção monetária das demonstrações financeiras, a própria Receita Federal vedou a reclassificação de bens do ativo permanente para o ativo circulante a pretexto de serem alienados (Parecer Normativo CST nº 3/80). Desse modo, como houve uma continuidade, ou seja, os antigos títulos patrimoniais contabilizados no permanente foram sucedidos pelas ações alienadas, o faturamento decorrente dessa alienação se enquadra como venda de um investimento classificado no ativo permanente, ou seja, venda de ativo próprio, e está expressamente Fl. 860DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 16327.720075/201218 Acórdão n.º 3403003.153 S3C4T3 Fl. 23 17 excluído da incidência das contribuições, por força do art. 3º, § 2º, inciso IV, da Lei nº 9.718/98. Para aqueles que preferem a linguagem contábil, a receita proveniente da venda dessas ações constitui receita não operacional, pois a venda de patrimônio próprio não constitui objeto social de nenhuma empresa. Tributar a venda dessas ações por meio do PIS e da Cofins seria o mesmo que obrigar uma montadora de veículos a tributar a venda dos veículos pertencentes à sua frota. Ou então obrigar uma construtora a tributar a eventual venda do edifício que constitui sua sede própria. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Conselheiro Alexandre Kern A controvérsia em discussão referese aos efeitos jurídicotributários advindos do conjunto de operações societárias denominada “desmutualização” da Bovespa e da BM&F, especificamente quanto a incidência das contribuições sociais sobre as receitas de alienações das ações recebidas quando da transferência das atividades, até então desempenhadas pelas associações sem fins lucrativos, para as sociedades anônimas (BM&F S/A e Bovespa Holding S/A). A autoridade fiscal alega que os referidos direitos sobre as ações deveriam compor o “ativo circulante”, por obra do Ofício Circular nº 225/2007DG, de 18/09/2007 e quando da venda haveria a incidência das contribuições; a Recorrente entende que deveriam ser classificados no “ativo permanente”, portanto, as receitas decorrentes da venda não sofreriam a incidência das contribuições. A BM&F e a BOVESPA eram entidades estabelecidas na forma de associações civis sem fins lucrativos, que se enquadravam no artigo 15 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e que, portanto, eram isentas do pagamento do IRPJ e CSLL. Para que pudessem operar no mercado de capitais por meio das aludidas Bolsas, as sociedades corretoras e distribuidoras de valores mobiliários deveriam deter títulos representativos do patrimônio daquelas entidades (art. 3º, §2º, do Regulamento Anexo à Resolução BACEN nº 1.655, de 26 de outubro de 1989). A forma de contabilização desses títulos patrimoniais da Bovespa e da BM&F estava prevista no capítulo 1, item 11, subitem 3, do Plano Contábil do Sistema Financeiro Nacional – Cosif, criado pela Circular BACEN nº 1.273, de 29 de dezembro de 1987, e a conta prevista para registro dos títulos patrimoniais de bolsas de valores e bolsas de mercadorias e futuros está classificada no Ativo Permanente – Investimentos, código Cosif 2.1.4.10.208. Fl. 861DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 18 No ano de 1997, houve a primeira operação de reestruturação da BOVESPA, pela qual foram criadas duas empresas distintas, a Clearing S.A. (“Clearing”) – posteriormente denominada Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (“CLBC”) – e a Bovespa Serviços e Participações S.A. (“Bovespa Serviços”). A CBLC foi criada mediante cisão de parte do patrimônio da BOVESPA e ficou incumbida de atuar como câmara de compensação e custodiar ações e títulos. Por sua vez, a Bovespa Serviços, subsidiária integral da BOVESPA, ficou com as funções de dar suporte aos serviços de informática e telefonia da BOVESPA, portanto responsável por exercer atividades relacionadas com negociação, controle, fiscalização e difusão de informações. Em 2007, visando à unificação de suas operações e à obtenção de lucro com as suas atividades, as Bolsas iniciaram mais uma reestruturação societária, que se deu mediante cisão das associações e incorporação da parcela cindida por sociedades anônimas de capital aberto. Nessa medida, os títulos detidos pelas sociedades corretoras na BM&F e na BOVESPA foram trocados por ações das novas companhias – BM&F S.A. e BOVESPA HOLDING S.A., respectivamente. A desmutualização da Bovespa e da BM&F transformou as estruturas societárias de ambas, que passaram de associações civis sem fins lucrativos para sociedades empresárias na forma de sociedades anônimas, com fins lucrativos. No caso da Bovespa, incluise também no processo a troca de ações da CBLC por ações da Bovespa Holding S/A. Em 28/08/2007, conforme Ofício Circular BACEN nº 225/2007, de 18 de setembro de 2007, o patrimônio da Bovespa era representado por títulos de valor unitário de R$1.568.890,19, tendo como referência o valor apurado nas demonstrações financeiras (balanço patrimonial) da associação, efetuado naquela data (28/08/2007). Segundo referido ofício, cada título patrimonial da Bovespa passou a representar 706.762 ações da nova empresa Bovespa Holding S/A totalizando R$1.568.803,71 pelo total de ações mais R$86,46 de valor residual que deveriam ser registrados no Ativo Permanente da Bovespa Holding S/A. E cada lote de 25 ações de emissão da CBLC passaria a equivaler a 46.223 ações da Bovespa Holding S/A. O valor unitário de cada ação da Bovespa Holding S/A passou a ser R$2,23, em 28/08/2007. Na mesma data, houve a entrega de 706.762 ações da Bovespa Holding S/A como devolução de capital para os detentores de cada título patrimonial da antiga associação Bovespa. Após a devolução de capital, houve a IPO no qual foram negociadas 288.066.125 ações da Bovespa Holding S/A, ao valor unitário de R$23,00 por ação, alcançando o montante de R$6.625.520.000,00. As despesas com a IPO foram custeadas pela Bovespa Holding S/A. Em relação à BM&F, conforme Comunicado Externo 082/2007, de 19/09/2007, o patrimônio em 31/08/2007 era representado por: Membro de compensação: R$4.961.610,00 por título, transformado em 4.961.610 ações da BM&F S/A; Corretora de mercadorias: R$4.898.015,00 por título, transformado em 4.898.015 ações da BM&F S/A; Operador especial: R$1.335.141,00 por título, transformado em 1.335.141 ações da BM&F; Sócio efetivo: R$10.000,00 por título, transformado em 10.000 ações da BM&F S/A. Fl. 862DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 16327.720075/201218 Acórdão n.º 3403003.153 S3C4T3 Fl. 24 19 Em 01/10/2007 houve a entrega de ações da BM&F S/A como devolução de capital dos detentores dos títulos da antiga associação BM&F. Após a devolução de capital da BM&F, houve a IPO da BM&F S/A, no curso da qual foram negociadas 299.184.846 ações ao valor unitário de R$20,00, alcançando o montante de R$5.983.696.920,004. O argumento recursal fundamental é o de que a cisão seguida de incorporação levou à sucessão universal, transferindose os direitos e obrigações da cindida para a incorporadora, e de que não ocorreu dissolução de sociedades, nem devolução de capital, apenas a transferência do patrimônio da exassociação para a nova sociedade, substituindose o investimento em títulos por ações. Não há como aceitar a tese de que houve uma singela “transformação” dos títulos patrimoniais detidos por ações das novas companhias, uma vez que se trata de direitos de naturezas jurídicas absolutamente distintas. Ao fim e ao cabo, a Recorrente recebeu novas ações, até então inexistentes, emitidas por pessoas jurídicas constituídas sob a forma de sociedade anônima (BM&F S.A. e Bovespa Holding S.A.). As bolsas de valores, nos termos da Lei nº 6.385, de 1976, integram o sistema de distribuição de valores mobiliários. Voltamse à realização do interesse geral do mercado. Conquanto pessoas jurídicas de direito privado, são órgãos auxiliares da CVM, para o desempenho de tarefas de serviço público, que a própria lei atribuiu à CVM, entre os quais se destaca o exercício do poder de polícia no mercado de capitais, não apenas no recinto do pregão durante a sua realização, mas também fora dele, fiscalizando as instituições financeiras associadas e exigindo esclarecimentos públicos às companhias abertas emissoras de títulos e valores mobiliários. Não se pode deixar de levar em consideração que os expressivos patrimônios da BMF e da Bovespa foram constituídos com forte incentivo estatal e, por conseqüência, com utilização de recursos que foram extraídos de toda a sociedade. Durante décadas, para incentivo de uma atividade que não poderia buscar o lucro individual , mas o benefício de toda a sociedade (incentivo à capitalização das empresas), deixouse de tributar o enriquecimento daqueles órgãos. Quando, por iniciativa de seus participantes decidem alterar seu funcionamento, seguindo tendência do mercado e não orientação estatal, não se mostra admissível que todo o recurso estatal (subtraído da sociedade) possa ser revertido em benefício de alguns poucos privilegiados, sem ao menos submeterse à tributação, por sinal bastante módica. As então associações sem fins lucrativos realizaram uma operação societária que entendo inadequada às associações, que foi a cisão parcial, no intuito de dar aparência de que não houve a dissolução e, por conseqüência, não teria havido a devolução de patrimônio aos associados, o que poderia evitar a tributação. Os institutos da fusão, cisão e incorporação não são de utilização permitida pelas associações por força do disposto no artigo 1.113 e seguintes do Código Civil, cuja localização topográfica indica sua aplicação somente às sociedades empresárias (Livro II – Do Direito de Empresa; Título II – Da Sociedade; Subtítulo II – Da Sociedade 4 Para um relato histórico minudente das operações societárias realizadas, ver "A Desmutualização das Bolsas de Valores e seus Efeitos Fiscais para IS/COFINS”, de Cassio Sztokfisz e Igor Nascimento de Souza (publicado no livro “PIS e Cofins à luz da jurisprudência do CARF – volume 2” – coordenadores Marcelo Magalhães Peixoto e Gilberto de Castro Moreira Junior. São Paulo: MP Editora, 2013. Fl. 863DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 20 Personificada; Capítulo X – Da Transformação, Da Incorporação, Da Fusão e Da Cisão das Sociedades). Corrobora esse entendimento, ou seja, de aplicação daqueles institutos jurídicos somente às sociedades mercantis, a Instrução Normativa DNRC nº 88, de 2 de agosto de 20015, que, em pleno vigor, dispõe sobre o arquivamento dos atos de transformação, incorporação, fusão e cisão de sociedades mercantis. A referida IN assim dispõe: “Art. 23. As operações de transformação, incorporação, fusão e cisão abrangem apenas as sociedades mercantis, não se aplicando às firmas mercantis individuais.” Admitir a utilização da denominada “cisão”, além de contrariar a legislação de regência, pois este instituto foi previsto para as sociedades com finalidades lucrativas, viria a frustrar totalmente o objetivo do arcabouço legal que rege as associações sem fins lucrativos de impedir que seu patrimônio, formado às custas de benefícios fiscais, recursos extraídos de toda a sociedade, pudessem ser transferidos a particulares de maneira gratuita, sem qualquer contraprestação àqueles que contribuíram para a sua formação, a sociedade brasileira. Entendo que, no caso concreto, retirado o “véu” da cisão, o que fica transparente é a situação inicial, quando a recorrente pertencia a uma associação sem fins lucrativos, que gozava de vultuosos incentivos fiscais custeados pela sociedade e, logo após o processo de desmutualização, aparece como sócia de uma lucrativa sociedade com fins lucrativos e sua participação societária foi adquirida com os recursos oriundos daquela associação, via devolução de seu capital, capital esse formado com forte incentivo estatal. No momento em que são conferidas ações da Bovespa e da BM&F, em substituição aos antigos títulos patrimoniais,a recorrente já não ostenta mais a condição de “associada” à bolsa, até então entidade sem fins lucrativos, agora figura como sócia de empresas com finalidades lucrativas. Sabiamente o legislador impede que as entidades constituídas como associação sem fins lucrativos venham a distribuir os “ganhos obtidos”, pelo menos em parte graças a benefícios concedidos pelo Estado aos seus associados, evitando o enriquecimento sem causa destes. Assim sendo, dissolvida a associação o destino do seu patrimônio deve ser aquele previsto no Código Civil não se podendo admitir destinação diversa. O Código Civil, no art. 61, prescreve que, em caso de dissolução da associação o seu patrimônio remanescente será destinado à outra “entidade de fins não econômicos designada no estatuto”, ou, em caso de omissão estatutária, por deliberação dos associados o patrimônio deverá ser destinado à instituição municipal, estadual ou federal. O §1º possibilita, ainda, que por cláusula estatutária, ou no seu silêncio, por deliberação dos associados, antes da destinação do patrimônio como previsto no caput, seja restituída a parcela das contribuições que os associados tiverem prestado ao patrimônio da associação. Não há como reverter o patrimônio de uma associação sem fins lucrativos a uma sociedade por ações. A conversão dos títulos patrimoniais de associação sem fins lucrativos para uma sociedade por ações, após a cisão das associações e incorporação da 5 Disponível em https://www.legisweb.com.br/legislacao/?id=75025, acesso em 07/08/2014. Fl. 864DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 16327.720075/201218 Acórdão n.º 3403003.153 S3C4T3 Fl. 25 21 parcela cindida por sociedades anônimas de capital aberto, como pretende justificar a Recorrente, afronta despudoradamente o artigo 61 do Código Civil. Também me parece certo que houve a devolução de capital pelas extintas bolsas à recorrente embora não devolvidos em espécie, mas utilizados na obtenção/subscrição de ações das novas sociedades (Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A). E esses direitos recebidos foram utilizados para compor o capital das novas empresas. Este fato é evidente, muito embora todas as operações societárias tenham sido conduzidas para tentar contornar o negócio jurídico efetivamente ocorrido, estruturadas com a aparência de “cisão seguida de incorporação”. Entendo que, uma vez qualificada como associação, sua transformação para sociedade anônima, requer necessariamente a devolução do patrimônio aos seus respectivos sócios, na forma da lei civil, sob pena de macular os comandos legais da associação civil sem fins lucrativos, então concebida pela lei. De outro lado, o artigo 1.113 do Código Civil não socorre a Recorrente, uma vez que se refere especificamente ao ato de transformação das sociedades (dentro do Livro II – Do Direito de Empresa; Título II – Da Sociedade: artigos 981/1.141), não se aplicando às associações sem fins lucrativos (tratadas nos artigos 53 a 61). Reforça este entendimento a distinção feita no artigo 44 do mesmo Código, ao relacionar (e, portanto, distinguir) as pessoas jurídicas de direito privado. Também é relevante esclarecer que a citação do instituto da cisão no art. 2033 do Código Civil não tem o condão de permitir que esse instituto seja aplicado às associações, mas somente determinar que, caso aplicável a qualquer das pessoas jurídicas elencada no art. 44 que estejam no âmbito da permissão legal para tal instituto, deve se aplicar o Código Civil. A concepção original delineada para as bolsas era de associação sem fins lucrativos, regida por normas do Direito Civil, de sorte que resta inaplicável a sua sucessão a forma da legislação comercial, próprio das sociedades mercantis, ex vi o tratamento distinto da associação e da sociedade, concebido em capítulos e normativas inteiramente distintas na legislação civil e tributária. Tanto que o Código Civil, em sintonia com a tradição legislativa secular dispôs separadamente seus preceitos legais, princípios, órgãos, e a sua própria dissolução, conforme se constata do Livro I do Código Civil que rege os preceitos das associações, ao passo que o Livro II rege a sociedade empresarial, consoante explicita a cabal distinção de uma e de outra. Não se trata de desconsideração de negócio jurídico pelo fisco, mas sim de analisar quais os efeitos fiscais de cada negócio jurídico. Da mesma forma que em casos de certos “planejamentos tributários”, como casasepara, incorporação às avessas e outros, quando o fisco não tem a necessidade de “desconstruir o negócio jurídico mas simplesmente analisar seu efeito fiscal, ou seja, é analisada a situação jurídica do contribuinte antes e depois do “negócio” e abstraise dos atos e fatos intermediários, que apenas buscam “benefício fiscal” indevido. Esse entendimento está em linha com o que já decidiu o TRF3ª Região, embora tratando da incidência do IRPJ e da CSLL. Transcrevese a ementa constante da Apelação Cívil nº 000870605.2008.4.03.6100/ SP: Fl. 865DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 22 TRIBUTÁRIO. DEVOLUÇÃO À IMPETRANTE DOS VALORES CORRESPONDENTES A TÍTULOS DA BOVESPA E DA BM&F. INVESTIMENTO INTEGRAL EM AÇÕES DAS MESMAS ENTIDADES, TRANSFORMADAS EM SOCIEDADES POR AÇÕES. DIFERENÇA ENTRE O VALOR INVESTIDO E O VALOR DEVOLVIDO. CARACTERIZAÇÃO DE GANHOS DE CAPITAL. INAPLICABILIDADE DO "MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL". CARACTERIZAÇÃO DE RENDA. DISPONIBILIDADE JURÍDICA. INCIDÊNCIA DO ART. 17 DA LEI 9.532/97. 1. Nos termos da decisão já proferida no dia três do corrente, mantenho meu entendimento no sentido de que a matéria dos autos não se insere na competência da CVM, visto que esta não tem função de fiscalizar e exigir o pagamento de tributos, ainda que incidente sobre operações gestadas nas suas atividades típicas, pelo que deve ser indeferido o pedido de retirada do processo de pauta e o seu sobrestamento para manifestação da CVM. 2. Controvérsia sobre a aplicabilidade ou não do art. 17 e seus parágrafos, da Lei 9.532/97, para efeito de incidência do IRPJ e CSLL, sobre ganhos de capital, no tocante aos valores gerados pela atualização dos títulos patrimoniais que a impetrante detinha na BOVESPA e BM&F e que foram convertidos em ações daquelas instituições, quando da cisão em duas novas entidades, operação intitulada "desmutualização". 3. A conversão dos títulos em ações importa em reversão jurídica dos valores a que correspondiam os citados títulos, ainda que tais valores tenham sido integralmente convertidos em ações da entidade que resultou da transformação. 4. Caracterizada a disponibilidade jurídica dos ganhos de capital equivalentes à diferença entre o valor investido pela pessoa jurídica e aquele posteriormente devolvido a ela, configurando renda nos moldes do art. 43 do CTN. 5. A inocorrência de dissolução ou extinção da associação que se transformou em sociedade por ações (art. 1.113 e 2.033 do Código Civil) tem relevância apenas para a preservação da titularidade dos direitos e obrigações da própria sociedade, que não terá solução de continuidade e manterseá íntegra. 6. Todavia, é inegável que a transformação implica em modificação da natureza jurídica das participações societárias ou dos títulos de natureza similar que forem convertidos em ações da neonata pessoa jurídica. 7. Não há como ignorar o fato de que houve, do ponto de vista jurídico, a devolução à impetrante dos valores que correspondiam aos títulos que ela detinha, ainda que estes valores tenham sido inteiramente utilizados na aquisição de ações da nova sociedade. 8. Não há lugar, na hipótese dos autos, para contabilização dos ganhos de capital pelo "método da equivalência patrimonial", posto que este método tem aplicação quando surge a Fl. 866DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 16327.720075/201218 Acórdão n.º 3403003.153 S3C4T3 Fl. 26 23 necessidade de encontrar a expressão econômica das participações no capital social de outra pessoa jurídica. 9. Esta não é a hipótese dos autos, em que o capital da impetrante estava investido em títulos e não em participação societária na outra empresa, daí porque as diferenças entre os valores investidos e aqueles devolvidos devem ser tratadas como ganhos de capital, sofrendo incidência do art. 17 da Lei 9.532/97. 10. Não socorrem a impetrante os atos regulamentares e interpretativos editados antes da apontada lei, tal como a Portaria MF 785/77, visto que se consideram abrogados pela nova legislação, que cuida especificamente do tema em discussão. 11. Rejeitada a alegação de decadência, haja vista que o fato gerador do IRPJ e da CSLL (devolução dos títulos) ocorreu somente depois que houve a deliberação, em Assembléia Geral Extraordinária, pela transformação da BOVESPA e da BM&F em sociedades anônimas, respectivamente, em 28 de agosto e 20 de setembro de 2007, menos de um ano antes do ajuizamento do presente "mandamus". 12. Improvido o agravo retido, por ausência de verossimilhança das alegações da parte agravante. 13. Apelação improvida. No mesmo sentido, os seguintes julgados do TRF3 ª Região: Apelação Cívil Nº 000812150.2008.4.03.6100/ SP; Apelação Cívil Nº 000238466.2008.4.03.6100/ SP e Apelação Cívil Nº 000852215.2009.4.03.6100/ SP. Portanto, o que de fato ocorreu, ainda que outra tenha sido outra a denominação dada pela recorrente, foi a dissolvição parcial das bolsas, com a respectiva restituição do seu patrimônio, tal como expresso no artigo 61, § 1º, do CC, na forma de ações, a seus associados, e a constituição de duas novas sociedades: a BM&F S.A. e a Associação BM&F. Interpretação diversa implicaria fraude a sucessão legal das associações, e burla ao Fisco. Se os títulos patrimoniais eram necessários para que as corretoras pudessem exercer sua atividade de operar nas bolsas, o que impunha sua contabilização no Ativo Permanente em função do princípio da continuidade, o mesmo não acontece com as ações recebidas na desmutualização, que são valores mobiliários ordinários com características distintas dos títulos patrimoniais, deixando de ser condição para operar nas bolsas a sua posse. Essas ações representam papéis negociáveis e justamente por isso puderam ser vendidas pela Recorrente. As desmutualizações contemplavam a necessidade de que fossem promovidas ofertas públicas iniciais, destinadas à colocação das novas ações no mercado. Antes mesmo de receber as ações da Bovespa Holding S.A. e da Bolsa de Mercadorias & Fl. 867DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 24 Futuros BM&F S.A., os então associados já tinham ciência de tal fato. Os compromissos formais de cada associado, no sentido de participar das IPOs, eram de caráter "irrevogável e irretratável", indicando o número de ações e/ou o percentual das ações a receber que seriam ofertados. O Termo de Verificação Fiscal, fls. 20, dá conta de que, em decorrência de sua participação no processo de desmutualização da Bovespa, por meio da Procuração nº 151/07, de 27/09/2007, outorgou à Bovespa S/A a autorização para ofertar 8.723.798 ações ordinárias de sua emissão e da titularidade da recorrente. Na mesma data, subscreveu o “Instrumento Particular de Contrato e Outras Avenças”, em cuja cláusula 2.1 ratifica sua intenção de alienar 8.723.798 ações, com compromisso de não alterar essa quantidade (TVF, fls. 21). Da mesma forma, em decorrência de sua participação na desmutualização da BM&F, a recorrente manifestou sua adesão à oferta pública secundária de ações ordinária de emissão da BM&F S.A., para vender 1.500.483 ações (TVF, fls. 25). Adicionalmente, por meio da “RE ratificação do acordo de acionistas da BM&F S.A., concordou expressamente com a alteração do compromisso de venda de apenas 25% das ações, estabelecida em cláusula do Acordo de Acionistas, de modo a permitir a si e aos demais a alienação de parcela superior àquela originalmente estabelecida. Em atendimento ao compromisso assumido, a Recorrente alienou 8.823.798 ações da Bovespa S.A., em 25/10/2007, e de 2.000.644 ações da BM&F, em 21/11/2007 e 30/11/2007, auferindo ganhos de capital da ordem de R$ 181.201.662,47 e R$ 33.000.122,62, respectivamente. Fica evidente que, em decorrência da própria formatação das operações negociais efetuadas, a Recorrente obteve, com a desmutualização, ações de terceiros com a intenção (ou compromisso) de posterior alienação e que, efetivamente, como compromissado, vendeu as ações no mesmo exercício de sua aquisição (ano 2007). Enquanto direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente, tais ações recebidas deveriam ter sido classificadas no Ativo Circulante, na esteira, aliás, da orientação emanada do Parecer Normativo CST nº 108/78 e a doutrina mais abalizada. 6 Assim, em atendimento ao artigo 179, inciso I, da Lei nº 6.404/1976 a Recorrente deveria ter contabilizado esses direitos sobre as ações no Ativo Circulante, uma vez que em decorrência da modificação da natureza jurídica dos direitos possuídos, caracterizada pela devolução dos títulos patrimoniais e o recebimento das ações, o momento da criação das sociedades anônimas é que deve ser considerado como marco inicial para se averiguar a intenção de alienar aquele determinado ativo, com vistas a classificálo no Ativo Circulante ou no Ativo Permanente. A recorrente atua como banco múltiplo, conforme o art.2º de seu Estatuto Social, possuindo como objeto social, entre outros, a operação de carteira de investimentos. Nesse contexto, a venda de ações constitui uma das receitas obtidas com operações usuais típicas de uma instituição bancária que opera com carteira de investimentos, constituindo o seu faturamento. A receita da venda de ações é reconhecida como operacional pelo próprio Cosif (conta 7.1.5.20.003 Rendas de Títulos de Renda Variável, do grupo 7.1 – Receitas Operacionais), que estabelece também que as rendas obtidas tanto com as operações ativas, como com a prestação de serviços, ambas referentes a atividades típicas, regulares e habituais da instituição financeira, são classificadas como operacionais. 6 IUDÍCIBUS, Sérgio de; MARTINS, Eliseu; GELBCKE, Ernesto Rubens; Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações. 6ª ed., São Paulo: Editora Atlas, 2006, pag. 147/148. Fl. 868DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 16327.720075/201218 Acórdão n.º 3403003.153 S3C4T3 Fl. 27 25 Desse modo, as receitas auferidas pela alienação das ações da BM&F S.A e Bovespa Holding S.A. de sua titularidade (venda de ações de terceiros que deveriam estar escrituradas no ativo circulante), decorrentes de atividade típica da Recorrente (subscrever, comprar e vender ações) devem ser enquadradas como receitas brutas operacionais e por isso estão sujeitas à incidência do PIS e da Cofins, tanto pela caracterização destas operações como “vendas de mercadorias”, que compõem o seu faturamento, conforme dispõem o caput, dos artigos 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 1998, como pelo fato de comporem a receita bruta operacional das instituições financeiras, nos termos dos parágrafos 5º e 6º do artigo 3º dessa Lei. Com essas considerações, nego provimento ao recurso. Sala de sessões, em 19 de agosto de 2014 Fl. 869DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO
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Numero do processo: 19515.000644/2007-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002, 2003
AUTO DE INFRAÇÃO - NULIDADE - INOCORRÊNCIA - ART. 40, III. do Decreto nº 70.235/75 - OBSERVÂNCIA.
Uma vez que a descrição da causa que enseja a glosa, pela fiscalização, não se dá de forma superficial e permite ao contribuinte o exercício de sua defesa, inexiste prejuízo, de modo que o lançamento não é nulo. Inexistência de qualquer prejuízo ao contribuinte neste ponto, pois o mesmo manifestou, claramente, as razões pelas quais entende que deve ser afastado o lançamento, de modo que não merece prosperar alegações de que o auto de infração é nulo, por não observar o disposto no art. 10, III, do Decreto nº 70.235/72 ou por violação à ampla defesa.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL - GASTOS E/OU APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COM A RENDA DECLARADA - LEVANTAMENTO PATRIMONIAL - FLUXO FINANCEIRO - BASE DE CÁLCULO APURAÇÃO MENSAL.
O fluxo financeiro de origens das aplicações de recursos será apurado mensalmente, considerando-se todos os ingressos e dispêndios realizados, no mês, pelo contribuinte. Sendo o acréscimo patrimonial presunção válida na tributação do rendimento pressuposto, é inegável que o excesso de aplicações autoriza a lavratura do auto de infração.
ÔNUS DA PROVA - PRESUNÇÃO LEGAL - CONTRIBUINTE
Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais
Numero da decisão: 2202-002.666
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Rafael Pandolfo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Pedro Anan Junior, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Rafael Pandolfo, Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada), Fabio Brun Goldschmidt.
Nome do relator: RAFAEL PANDOLFO
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Uma vez que a descrição da causa que enseja a glosa, pela fiscalização, não se dá de forma superficial e permite ao contribuinte o exercício de sua defesa, inexiste prejuízo, de modo que o lançamento não é nulo. Inexistência de qualquer prejuízo ao contribuinte neste ponto, pois o mesmo manifestou, claramente, as razões pelas quais entende que deve ser afastado o lançamento, de modo que não merece prosperar alegações de que o auto de infração é nulo, por não observar o disposto no art. 10, III, do Decreto nº 70.235/72 ou por violação à ampla defesa. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL GASTOS E/OU APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COM A RENDA DECLARADA LEVANTAMENTO PATRIMONIAL FLUXO FINANCEIRO BASE DE CÁLCULO APURAÇÃO MENSAL. O fluxo financeiro de origens das aplicações de recursos será apurado mensalmente, considerandose todos os ingressos e dispêndios realizados, no mês, pelo contribuinte. Sendo o acréscimo patrimonial presunção válida na tributação do rendimento pressuposto, é inegável que o excesso de aplicações autoriza a lavratura do auto de infração. ÔNUS DA PROVA PRESUNÇÃO LEGAL CONTRIBUINTE Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 06 44 /2 00 7- 19 Fl. 413DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Pedro Anan Junior, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Rafael Pandolfo, Dayse Fernandes Leite (Suplente convocada), Fabio Brun Goldschmidt. Fl. 414DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19515.000644/200719 Acórdão n.º 2202002.666 S2C2T2 Fl. 400 3 Relatório 1 Procedimento de Fiscalização O recorrente foi intimado do termo de início de fiscalização, em 14/06/06 requisitando: a) documentação comprobatória de todos os valores de rendimentos tributáveis recebidos por ele ou seus dependentes, referente ao período de apuração de janeiro/2001 a dezembro/2003; b) documentação comprobatória de todos os valores lançados a título de rendimentos isentos e nãotributáveis e tributados exclusivamente na fonte, referentes ao período referido; c) documentação hábil comprobatória da relação de dependência dos dependentes informados nas DIRPF’s; d) comprovantes de despesas médicas, de despesas com instrução e de pagamentos e doações efetuados e informados nas DIRPF’s; e) documento de aquisição e/ou alienação de todos os bens móveis e bens imóveis, em nome do contribuinte cônjuge e dependente, nos anos calendários especificados; f) documentação referente às datas e valores de aquisição e alienação dos veículos informados nas DIRF’s nos períodos especificados; g) cópia do contrato social e alterações posteriores referentes às empresas São Paulo Games Comercial Ltda., Selbras Soc. de Entretenimentos Legais do Brasil S/A e Tropical Entretenimentos Ltda., nas quais foi titular ou que tivesse participação como sócio ou acionista; h) extratos bancários de conta corrente e de aplicações financeiras, cadernetas de poupança, de todas as contas mantidas pelo declarante, cônjuge e seus dependentes junto a instituições financeiras no Brasil e no exterior, referentes ao período especificado; i) relação dos nomes dos bancos, nº de agência e nº de conta corrente, de todas as instituições financeiras que mantém ou manteve conta no período especificado; j) comprovação dos pagamentos efetuados a título de cartão de crédito, em nome do próprio contribuinte assim como de seus dependentes (fls. 1415). Em 02/08/06, o recorrente foi intimado a apresentar: a) cópia do comprovante de pagamento fornecido pela fonte pagadora São Paulo Gomes Ltda., no valor de R$ 19.800,00, constante na sua Declaração de Rendimentos anocalendário 2001; b) documentação comprobatória de todos os valores de rendimentos tributáveis recebidos, mensalmente, de pessoas físicas, referentes ao anocalendário 2001; c) comprovante dos rendimentos isentos e não tributáveis, no valor total de R$ 278.962,45, assim como dos rendimentos sujeitos a tributação exclusiva, no valor total de R$ 151.065,97, relativos ao ano calendário 2001; d) documentação hábil comprobatória da relação de dependência dos dependentes informados nas DIRPF’s; e) comprovantes dos pagamentos e doações efetuados a Mayra Polyana de Melo, ao Laboratório Bio Médico de Análises Clínicas, à ANESP Anestesiologia Espec. S/C, à RRTT Serviços Médicos S/A Ltda., à Ecocenter Ltda. e à Andréia Carla Rodrigues, informados na DIRPF anocalendário 2001; f) documentação hábil e comprobatória das datas e valores recebidos, mensalmente, pela alienação dos seguintes imóveis: (i) Apto. tipo Fla, nº 2010, Cond. Edif. Parthenon Golden Beach, na Av. Bernardo Vieira de Melo, 1204 – Piedade – Jaboatão dos Guararapes/PE; (ii) casa, Av. Novaro 950 – Belo Horizonte/MG; e (iii) Prédio residencial, Rua Oscar Versiani Veloso, 339 – Mangabeiras – Belo Horizonte/MG; g) documentação hábil e comprobatória das datas e valores pagos, mensalmente, pela aquisição dos seguintes imóveis: (i) Imóvel residencial, Rua Bernardino de Queiróz Guimarães, s/n – City América/SP; (ii) Imóvel residencial, Rua Duarte Muniz Barreto. 240 – Chácara Flora – São Paulo/SP; e (iii) Loja e galpão comercial, Rua Goitacazes, 1325, Fl. 415DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO 4 lote 21 da quadra 24, Belo Horizonte/MG; h) documentação referente às datas e valores de alienação dos seguintes veículos: (i) Automóvel Mercedes Benz, modelo SL500R, 1997, branca; e (ii) Automóvel Mercedes Benz, modelo GUS 0128, ano 1997, branca; e i) extratos bancários de conta corrente e de aplicações financeiras, cadernetas de poupança, de todas as contas mantidas pelo declarante, cônjuge e seus dependentes junto a instituições financeiras no Brasil e no exterior, referentes ao período de janeiro/2001 a dezembro/2003 (fls. 1718). Em 05/12/06, o contribuinte foi intimado a comprovar a origem dos valores creditados/depositados em as conta corrente, conforme relação anexada ao Termo de Intimação (fls. 2224). Em 08/02/07, o recorrente foi intimado a apresentar, quanto ao período de janeiro/2002 a dezembro/2003: a) documentação hábil e comprobatória das datas e valores recebidos pela alienação do Apartamento nº 901 Bloco B, Camboriú/SC, arrematado para ação de imissão da 2ª Vara Cível; b) documentação hábil e comprobatória da aquisição dos seguintes imóveis: (i) salas comerciais 58, 59 e 69 do Criciúma Shopping Center, à Rua Helmut Anton Schaarschmidt, 1455, Criciúma/SC; (ii) Lojas 14, 67, 81, 88, 203 e 213 do Shopping Internacional de Descontos Trevo Mercosul, Itajaí/SC; c) documentação referente às datas e valores de alienação dos seguintes veículos: (i) Gran Caravan, adaptada para deficiente físico, ano 1999, constante de sua DIRPF2002; e (ii) BMW 540i, placa EEC700, constante de sua DIRPF2003; d) documentação referente às datas e valores de aquisição, no anocalendário 2003, dos seguintes veículos: (i) Saveiro, placa DAV 5804, ano 2000, modelo 2001; e (ii) Auto Mercedes Benz, Mod. S55 AMG, preta, 2002, placa FMD 7000; e) comprovante dos rendimento isentos e não tributáveis declarados a título de lucros e dividendos recebidos, no valor de R$ 1.557.987,00, no anocalendário 2002; f) escrituração comercial da São Paulo Games (Livro Diário e Livro Razão), em função do lucro distribuído, no anocalendário 2002, no valor de R$ 109.498,07; g) cópia do contrato social e alterações posteriores referentes às empresas Tropical Entretenimentos Ltda. e A.C.F Restaurante e Prestação de Serviços de Hotelaria Ltda., nas quais fosse titular ou tivesse participação como sócio ou acionista (fls. 28 29). Foram juntados aos autos, pelo contribuinte, os seguintes documentos: a) documentação do Banco Safra (fls. 3569 do eprocesso e fls. 115129); b) escrituras públicas (fls. 7476); c) instrumento de alteração contratual da empresa São Paulo Games Comercial (fls. 8289); d) comprovantes de despesas médicas do Hospital Albert Einstein (fls. 9091); e) escrituras públicas (fls. 100111) f) documentos do Banco Sudameris (fls. 130151); g) escritura de compra e venda (fls. 154167); h) recibos médicos (fls. 156177); i) comprovante de compra de veículo (fl. 185); j) comprovantes de pagamentos de cartões de crédito (fls. 186 198). Em 26/03/07 a fiscalização lavrou Termo de Verificação Fiscal (fls. 217222) e Demonstrativo de Variação Patrimonial (fls. 199218). Tendo, posteriormente encerrado o procedimento de fiscalização. 2 Notificação do Lançamento Em 27/03/07, a autoridade administrativa lavrou lançamento de ofício (fls. 212222), embasado no argumento de que houve: a) acréscimo patrimonial a descoberto; b) omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos adquiridos em reais; c) falta de recolhimento de IRPF devido a título de carnêleão. Considerando o período apurado, o crédito tributário quanto ao IRPF foi de R$ 773.787,13, e, quanto à multa exigida isoladamente foi de R$ 1.236,72. Desta forma, o total Fl. 416DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19515.000644/200719 Acórdão n.º 2202002.666 S2C2T2 Fl. 401 5 do credito tributário constituído foi de R$ 775.023,85, incluídos multa de 75% e juros moratórios. 4 Impugnação Indignado com a autuação, o recorrente apresentou impugnação (fls. 228 260) tempestiva, esgrimindo os seguintes argumentos: a) a acusação fiscal é de manifesta improcedência, pois pautada em presunções e suposições das autoridades lançadoras, as quais não encontram respaldo em lei; b) a autoridade julgadora deixou de considerar, como origem de recursos o valor de R$ 1.557.987,00, recebidos a título de lucros e dividendos no anocalendário 2002; c) o recorrente permaneceu no quadro societário da empresa São Paulo Games Comercial Ltda. até abril de 2002, tendo, no período de janeiro de 2002 a abril de 2002, percebido o valor de R$ 109.498,07, conforme se comprova da DIPJ da referida empresa e de seus livros caixas. Nos meses de janeiro, fevereiro, março e abril do anocalendário 2002, o recorrente percebeu as quantias de R$ 24.177,97, R$ 23.753,55, R$ 27.639,25 e R$ 33.927,28, respectivamente, a título de “lucros antecipados”. Em maio de 2002, o recorrente retirouse da sociedade e, após efetuado o distrato, recebeu a título de reembolso do capital social e lucro suspenso montante que, somado aos referidos, totaliza R$ 1.557.987,00; d) decadência dos fatos geradores ocorridos no ano de 2002, especificamente nos meses de janeiro a março, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN; e) o Conselho de Contribuintes pacificou entendimento no sentido de repelir a aplicação cumulada da multa de ofício e a multa isolada, posto incidirem sobre mesma base de cálculo, caracterizando verdadeiro bis in idem. Tanto a multa do art. 44, I, da Lei nº 9.430/6, quanto o inciso II do mesmo artigo incidem sobre os valores devidos e não recolhidos ao Fisco, ou seja, sobre a mesma base de cálculo, motivo pelo qual a aplicação concomitante deve ser repelida; f) deve ser afastada a incidência da taxa Selic para atualização do crédito tributário, bem como do percentual aplicado a título de multa, o qual fere o princípio que proíbe o fisco de estabelecer exação e consectários com caráter confiscatório, isto sem dizer a flagrante ofensa ao devido processo legal, existente inclusive no âmbito das normas administrativas e regulamentadoras; g) o art. 150, IV, CF dispõe ser vedado utilizar tributo com efeito de confisco, logo, por força de imposição constitucional é vedado utilizar tributo com efeito de confisco e, portanto, a aplicação do referido percentual apresenta natureza confiscatória, devendo assim ser repelida; Fl. 417DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO 6 Anexos à Impugnação, o contribuinte apresentou os seguintes documentos: a) DIPJ da empresa São Paulo Gomes Comercial Ltda. (fls. 254260); b) Livro caixa da empresa São Paulo Gomes Comercial Ltda. (fls. 261266); 4 Acórdão de Impugnação A impugnação foi julgada pela 7ª Turma da DRJ/SP2, por unanimidade, procedente em parte (fls. 317342), mantendo o crédito tributário em parte. Os fundamentos foram os seguintes: a) o contribuinte concordou com a omissão de ganhos de capital óbitos na alienação de bens e direitos apurados de ofício, pelo que não há litígio em relação à citada infração, estando, definitivamente constituído na esfera administrativa o correspondente crédito tributário; b) o acréscimo patrimonial é uma das formas colocadas à disposição do Fisco para detectar omissão de rendimentos, cabendo à Fazenda Pública tornar evidente o fato constitutivo do seu direito e ao contribuinte provar os fatos modificativos ou extintivos desse direito. Tratase de presunção legal, tipo relativa, e impõe ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação da origem dos recursos; c) verificase que o contribuinte logrou a origem dos recursos, relativamente, aos lucros e dividendos recebidos da empresa São Paulo Games Comercial Ltda., nos meses de janeiro, fevereiro, março e abril de 2002, respectivamente, nos montantes de R$ 24.177,97, R$ 23.753,55, R$ 27.639,25 e R$ 33.927,28, totalizando a importância de R$ 109.498,05, conforme comprovam a DIPJ 2003 (fls. 254260) e o livro caixa da referida empresa (fls. 261266). Assim, é de computar tais valores, percebidos a título de lucros e dividendos, como Recursos/Origens no Demonstrativo de Variação Patrimonial referente ao anocalendário 2002; d) percebese do exame do Demonstrativo de Variação Patrimonial referente ao anocalendário 2002, que a transferências de 26 cotas (alienação), pelo valor nominal de R$ 208.000,00, realizada pelo recorrente na condição de sócio cotista da empresa São Paulo Games Comercial Ltda., a Alexandre José Wissmann Folgado Sanchez Moreno, consoante Instrumento de Alteração do Contrato, foi considerada como Recursos/Origens no mês de maio/2002. Todavia, o recorrente não logrou comprovar, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, o recebimento da diferença de R$ 1.240.488,95 a título de lucros e dividendos no anocalendário de 2002, motivo pelo qual descabe considerala como origem de recursos; e) a decadência de lançamento de ofício deve ser determinada exclusivamente à luz do que dispõe o art. 173, I, do CTN. Verificase que, no caso do lançamento de ofício referente aos fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro de 2002 a março do mesmo ano sujeito à tributação por declaração de ajuste anual correspondente, em 28/03/07 data do Auto de Infração não estava extinto o direito de a Fazenda Nacional efetuar o lançamento em tela; Fl. 418DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19515.000644/200719 Acórdão n.º 2202002.666 S2C2T2 Fl. 402 7 f) a exigência da multa isolada, com fundamento no art. 8º da Lei nº 7.713/98 c/c os arts. 43 e 44, II, “a”, da Lei nº 9.430/96, deveuse ao fato de o contribuinte não ter efetuado o recolhimento do imposto devido a título de carnêleão incidente sobre os rendimentos recebidos de pessoas físicas declarados na DIRPF/2003; g) a multa de ofício de 75% foi aplicada em razão da declaração inexata motivada pela omissão de rendimentos apurada em face do acréscimo patrimonial a descoberto, bem como da omissão dos ganhos de capital auferidos na alienação de bens e direitos, tendo como base de cálculo o imposto devido, incidente sobre os rendimentos omitidos pelo contribuinte, que deixou de ser recolhido; h) não pode órgão integrante do Poder Executivo deixar de aplicar penalidade prevista na legislação tributária, cuja inconstitucionalidade da lei não foi reconhecida pelo STF. Além disso, a vedação constitucional estatuída no art. 150, IV, da CF, quanto à instituição de exação de caráter confiscatório referese a tributo, e não a multa, e se dirige ao legislador, e não ao aplicador da lei; i) qualquer alegação de ofensa aos princípios constitucionais da proibição de confisco e da capacidade contributiva, deve ser proposta ao Poder Judiciário, que detém com exclusividade a prerrogativa de decidir sobre a matéria, conforme arts. 97 e 102 da CF; j) a ação fiscal fundamentada na norma questionada revestese de legitimidade, desde que o ato administrativo obedeceu a vontade expressa da lei e/ou de atos normativos. Tal procedimento é obrigatório e vinculase estritamente aos ditames da norma legal. Ignorar o disposto nestas normas, como sugere o recorrente, sob o pretexto de ilegalidade, seria, no mínimo, ato danoso que, além de violentar a função jurisdicional, constituiria omissão funcional grave, aí sim, contrariando os princípios dispostos no caput do art. 37 da CF. Por dever de ofício, a autoridade administrativa está obrigada a observar as disposições legais, no seu sentido lato sensu; k) ao impugnar o lançamento consubstanciado no Auto de Infração, o recorrente abriu mão da redução de 50% que é concedida ao contribuinte que, notificado do lançamento de ofício, efetuar o pagamento do débito no prazo legal de impugnação ou de 40% sobre o valor da multa, se requerer o parcelamento do débito no prazo legal de impugnação; l) a cobrança de juros de mora em percentual equivalente à taxa referencial Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, foi fixada pelo art. 13 da Lei nº 9.065/95, exigência esta que foi mantida para débitos cujos fatos geradores ocorreram a partir de 01/01/97, pelo art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96. Portanto, a exigência de juros de mora está amparada em lei, tanto no CTN quanto na legislação ordinária. Assim, cabe à autoridade administrativa cumprir a determinação legal, aplicando o ordenamento jurídico vigente às infrações concretamente constatada, não sendo sua competência discutir a legalidade/constitucionalidade da lei, nem a natureza da taxa Selic; Fl. 419DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO 8 m) no processo administrativo fiscal, as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, na forma escrita, conforme art. 15 do Decreto nº 70.235/72. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que, em petição devidamente fundamentada; 5 Recurso Voluntário Notificado da decisão em 08/12/10, o recorrente, não satisfeito com o resultado do julgamento, interpôs recurso voluntário (fls. 362374 do eprocesso) em 06/01/01, apresentando os seguintes argumentos: a) a discrição do fato, no auto de infração, referente ao acréscimo patrimonial a descoberto, deuse de maneira superficial, violando o art. 10, III, de Decreto nº 70.235/72; b) não houve demonstração de sinais exteriores de riqueza, uma vez que a autoridade fiscal não vinculou os dispêndios com renda consumida ou aumento patrimonial, inexistindo o acréscimo patrimonial a descoberto e, portanto, aplicável as diretrizes do art. 59, § 3º, do Decreto nº 70.235/72 A autoridade fiscal limitouse a elaborar planilha denominada “Conta Corrente” onde especificou, mês a mês, o saldo inicia e final das contas bancárias, não mencionando o motivo do crédito e do débito e, baseado no montante inicial e final, concluiu pelo acréscimo patrimonial a descoberto; c) a autoridade realizou o simples cotejamento entre os recursos e dispêndios, e, ao lavrar o auto de infração, pautouse, basicamente, na existência de saldo bancário credor, como se estes, por si só, caracterizassem disponibilidade de renda ou acréscimo patrimonial; d) o acréscimo patrimonial somente pode ser considerado se houver sinais exteriores de riqueza, ou seja, o indivíduo deve ter um gasto incompatível com sua renda disponível, de tal forma que seus rendimentos não justifiquem suas despesas. De modo que para que o acréscimo patrimonial seja demonstrado, é preciso vincular os dispêndios às despesas definitivamente incorridas, sendo imperioso afirmar, em última análise, que simples depósitos bancários ou excesso de aplicações não implicam, necessariamente, em sinais exteriores de riqueza; e) é improcedente a autuação fiscal que alega “omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, onde verificouse excesso de aplicações sobre origens não respaldado por rendimentos declarados/comprovados”. É o relatório. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19515.000644/200719 Acórdão n.º 2202002.666 S2C2T2 Fl. 403 9 Voto Conselheiro Rafael Pandolfo 1. PRELIMINAR: Da Nulidade do Auto de Infração Sustenta o contribuinte que a descrição do fato deuse de maneira superficial, violando o art. 10, III, de Decreto nº 70.235/72. Esse dispositivo prevê que o auto de infração deverá ser lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá, obrigatoriamente, a discrição do fato. Desse modo, a ausência da descrição do fato constitui cerceamento de defesa, pois é por meio dela que o autuante demonstra a consonância da matéria de fato constatada na ação fiscal e a hipótese abstrata constante da norma jurídica. O direito à ampla defesa é um dos pilares do devido processo legal, princípio estruturante do Estado Democrático de Direito, e está explicitado na Constituição Federal em diversos incisos do art. 5º, reforçandose os seguintes: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: XXXIV são a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas: a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder; LIV ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal; LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; LXXVIII a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação. No âmbito do processo administrativo federal, esse direito tem seu conteúdo reafirmado pela Lei nº 9.784/99, que consolida institutos identificados pela doutrina como o direito de petição, a razoável duração do processo, o direito à ampla defesa, instrumentalidade das formas, dentre outros: Art. 3º O administrado tem os seguintes direitos perante a Administração, sem prejuízo de outros que lhe sejam assegurados: Fl. 421DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO 10 II ter ciência da tramitação dos processos administrativos em que tenha a condição de interessado, ter vista dos autos, obter cópias de documentos neles contidos e conhecer as decisões proferidas; III formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de consideração pelo órgão competente; IV fazerse assistir, facultativamente, por advogado, salvo quando obrigatória a representação, por força de lei. Art. 22. Os atos do processo administrativo não dependem de forma determinada senão quando a lei expressamente a exigir. § 1º Os atos do processo devem ser produzidos por escrito, em vernáculo, com a data e o local de sua realização e a assinatura da autoridade responsável. § 2º Salvo imposição legal, o reconhecimento de firma somente será exigido quando houver dúvida de autenticidade. Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Como se observa, o princípio do devido processo legal possui como núcleo mínimo o respeito às formas que asseguram a dialética a respeito dos fatos e imputações jurídicas enfrentadas pelas partes. A forma está ligada a uma finalidade (contraditório, ampla defesa, imparcialidade, etc.) da qual constitui instrumento. Assim, é assentado na doutrina o entendimento de que o descumprimento de determinada forma, desde que não cause prejuízo ao contribuinte, não acarreta nulidade do procedimento (princípio da instrumentalidade). O Auto de Infração (fls. 280284) é claro ao indicar seu fundamento: “Omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, onde verificouse excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados/comprovados, conforme demonstrado no Termo de Verificação Fiscal, parte integrante deste Auto de Infração” (fl. 281). Fl. 422DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19515.000644/200719 Acórdão n.º 2202002.666 S2C2T2 Fl. 404 11 O referido Termo de Verificação Fiscal (fls. 267272), de sua vez, detalha os fatos que ensejaram a lavratura do auto de infração, referindose ao acréscimo patrimonial da seguinte forma: “III – DOS RESULTADOS: 3.1) SALDO POSITIVO: Nos meses de maio a agosto/2002, maio, julho e outubro/2003, foram apurados os saldos positivos mensais no “Demonstrativo de Variação Patrimonial” (recursos/ origens > dispêndios/Aplicações), que foram aproveitados para o (s) mês (es) subsequente (s), dentro do mesmo anocalendário, através do item “Saldo disponível do mês anterior” do quadro Recursos/Origens. 3.2) ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO: Nos demais meses, o total mensal dos dispêndios/aplicações foi maior que o total mensal de recursos/origens e consequentemente gerou ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO, no valor total de R$ R$ (sic) 1.161.032,59, conforme abaixo discriminado: MÊS/ANO ACRÉSCIMO PATRIMONIAL janeiro/2002 21.363,63 fevereiro/2002 18.950,00 março/2002 408.734,07 abril/2002 26.879,51 setembro/2002 150.891,04 outubro/2002 285.626,00 novembro/2002 11.221,01 TOTAL 923.665,26 janeiro/2003 10.048,21 fevereiro/2003 18.075,49 março/2003 11.612,95 abril/2003 24.085,35 junho/2003 34.351,05 agosto/2003 10.324,71 setembro/2003 2.572,37 novembro/2003 660,59 dezembro/2003 125.636,61 TOTAL 237.367,33 Como se vê, a descrição da causa que ensejou a glosa por acréscimo patrimonial a descoberto não se deu de forma superficial, mas foi plena e possibilitou o pleno exercício do direito de defesa. 2. MÉRITO: Do Acréscimo Patrimonial a Descoberto O recorrente sustenta que a autuação fiscal é improcedente ao alegar que houve omissão de rendimentos em razão da variação patrimonial a descoberto, onde se verificou excesso de aplicações sobre origens não respaldadas por rendimentos declarados/comprovados. Não assiste razão ao recorrente. Fl. 423DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO 12 O art. 55, XIII, do RIR/99 prevê a possibilidade de tributação de acréscimo patrimonial da pessoa física, quando esse não for justificado. In verbis: Art. 55. São também tributáveis: XIII – as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. Nos termos do art. 3º, §1º, da Lei nº 7.713/88, a constatação de acréscimo patrimonial desprovida de rendimentos que lhe sirvam de esteio constitui fato suficiente à exigência do respectivo Imposto sobre a Renda. Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º e 14 desta Lei: § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. É a própria legislação que, estabelecendo uma presunção de omissão de rendimentos, autoriza o lançamento do imposto devido correspondente, sempre que se apure acréscimo patrimonial não justificado por rendimentos declarados. E, como bem fundamenta a decisão recorrida, “cabe comprovar que as aplicações/dispêndios têm respaldo em rendimentos tributáveis, isentos ou não tributáveis e/ou tributados exclusivamente na fonte, e/ou que as aplicações imputadas ao contribuinte não são pertinentes” (fl. 325). O requisito legal que afasta a incidência do IR, obviamente, não é satisfeito com a mera referência dos rendimentos na Declaração do contribuinte, mas exige a apresentação do respectivo documento, no qual esteja retratado o respectivo ato/fato jurídico. Essa a correta linha na qual caminha a jurisprudência desta Turma: ACRÉSCIMO PATRIMONIAL GASTOS E/OU APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COM A RENDA DECLARADA LEVANTAMENTO PATRIMONIAL FLUXO FINANCEIRO BASE DE CÁLCULO APURAÇÃO MENSAL – O fluxo financeiro de origens e aplicações de recursos será apurado mensalmente, considerandose todos os ingressos e dispêndios realizados, no mês, pelo contribuinte. Dessa forma, a determinação de acréscimo patrimonial a descoberto, considerandose o conjunto anual de operações não pode prevalecer, uma vez que na determinação da omissão, as mutações patrimoniais devem ser levantadas mensalmente. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA PRESUNÇÃO LEGAL CONSTRUÍDA PELO ART. 42 DA LEI N° 9.430/96 IMPOSSIBILIDADE DA DESCONSTRUÇÃO DA Fl. 424DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19515.000644/200719 Acórdão n.º 2202002.666 S2C2T2 Fl. 405 13 PRESUNÇÃO A PARTIR DA VARIAÇÃO DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. Não se deve confundir a tributação prevista no art. 42 da Lei n° 9.430/96 com a referente ao acréscimo patrimonial a descoberto, na forma do art. 3º,§ 1º (parte final), da Lei n° 7.713/88. Nesta, utilizamse os saldos das contas correntes e de aplicações financeiras, como origem e aplicação de recursos, apontandose, se for o caso, o acréscimo patrimonial a descoberto. Naquela devese comprovar a origem dos depósitos bancários individualizadamente, não sendo possível efetuar a comprovação a partir da variação dos saldos de aplicações financeiras. Sendo comprovada a origem do depósito, este deve ser excluído da base de cálculo da omissão dos rendimentos. IRPFERRO NA INDICAÇÃO DA INFRAÇÃO ENQUADRAMENTO LEGAL LANÇAMENTO NULO A precisa indicação cia infração e enquadramento legal é aspecto essencial na fixação da matéria tributável de modo que eventual erro nesse aspecto do lançamento se constitui vício substancial e insanável e, portanto, enseja a nulidade do lançamento. Recurso parcialmente provido.” (CARF 2a. Seção 2a. Turma da 2a. Câmara, Data de Publicação: 04/02/2010, Processo nº 10510.002305/200653 Recurso nº 165.378 Voluntário, Acórdão n° 220200.427) Por fim, deve ser dito que a autoridade fiscal, como revela o demonstrativo de evolução patrimonial do contribuinte, seguiu rigorosamente os critérios fixados pela própria jurisprudência transcrita na peça recursal, considerando no fluxo apenas os dispêndios e gastos que tiveram como comprovado beneficiário o contribuinte. Sendo o acréscimo patrimonial presunção válida na tributação do rendimento pressuposto, é inegável que o excesso de aplicações autoriza a lavratura do auto de infração. Ante o exposto, voto por REJEITAR a preliminar, e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator Fl. 425DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por RAFAEL PANDOLFO
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Numero do processo: 10730.004066/2010-68
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. GRATIFICAÇÃO DE LOCOMOÇÃO. OFICIAL DE JUSTIÇA. NATUREZA NÃO TRIBUTÁVEL RECONHECIDA PELA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. IMPUGNAÇÃO INDEFERIDA POR FALTA DE COMPROVAÇÃO NO ANO-CALENDÁRIO. COMPROVAÇÃO NA FASE RECURSAL. EXCLUSÃO DO LANÇAMENTO DA QUANTIA COMPROVADA.
No lançamento de omissão de rendimentos em que a decisão de primeira instância reconhece a natureza não tributável da gratificação de locomoção paga aos Oficiais de Justiça, mas não exclui os valores alegadamente dessa natureza por falta de comprovação do pagamento dessa rubrica no ano-calendário da autuação, uma vez que o impugnante apresentou os contracheques do ano-calendário posterior, deve-se excluir do lançamento os valores pagos na referida rubrica que foram comprovados na fase recursal. Se a comprovação é de valor inferior à omissão lançada, cabe dar parcial provimento ao apelo recursal.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-003.049
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a omissão de rendimentos de R$7.673,78 (sete mil, seiscentos e setenta e três reais e setenta e oito centavos), nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 18/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. GRATIFICAÇÃO DE LOCOMOÇÃO. OFICIAL DE JUSTIÇA. NATUREZA NÃO TRIBUTÁVEL RECONHECIDA PELA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. IMPUGNAÇÃO INDEFERIDA POR FALTA DE COMPROVAÇÃO NO ANO-CALENDÁRIO. COMPROVAÇÃO NA FASE RECURSAL. EXCLUSÃO DO LANÇAMENTO DA QUANTIA COMPROVADA. No lançamento de omissão de rendimentos em que a decisão de primeira instância reconhece a natureza não tributável da gratificação de locomoção paga aos Oficiais de Justiça, mas não exclui os valores alegadamente dessa natureza por falta de comprovação do pagamento dessa rubrica no ano-calendário da autuação, uma vez que o impugnante apresentou os contracheques do ano-calendário posterior, deve-se excluir do lançamento os valores pagos na referida rubrica que foram comprovados na fase recursal. Se a comprovação é de valor inferior à omissão lançada, cabe dar parcial provimento ao apelo recursal. Recurso provido em parte.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. GRATIFICAÇÃO DE LOCOMOÇÃO. OFICIAL DE JUSTIÇA. NATUREZA NÃO TRIBUTÁVEL RECONHECIDA PELA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. IMPUGNAÇÃO INDEFERIDA POR FALTA DE COMPROVAÇÃO NO ANOCALENDÁRIO. COMPROVAÇÃO NA FASE RECURSAL. EXCLUSÃO DO LANÇAMENTO DA QUANTIA COMPROVADA. No lançamento de omissão de rendimentos em que a decisão de primeira instância reconhece a natureza não tributável da gratificação de locomoção paga aos Oficiais de Justiça, mas não exclui os valores alegadamente dessa natureza por falta de comprovação do pagamento dessa rubrica no ano calendário da autuação, uma vez que o impugnante apresentou os contracheques do anocalendário posterior, devese excluir do lançamento os valores pagos na referida rubrica que foram comprovados na fase recursal. Se a comprovação é de valor inferior à omissão lançada, cabe dar parcial provimento ao apelo recursal. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a omissão de rendimentos de R$7.673,78 (sete mil, seiscentos e setenta e três reais e setenta e oito centavos), nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 40 66 /2 01 0- 68 Fl. 74DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 18/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário em que se discute o direito a não considerar como rendimentos tributáveis os valores recebidos por Oficial de Justiça a título de gratificação de locomoção. Fundamentandose na existência do Ato Declaratório PGFN nº 4, de 01/12/2008, emitido nos termos do inciso II do art. 19 da lei 10.522, de 2002, o acórdão recorrido consignou que deve ser excluída da tributação a parcela recebida a título de auxílio condução, entretanto, os comprovantes de rendimentos anexados pelo impugnante (fls. 14/19) não se reportam ao anocalendário da autuação, qual seja 2004, razão pela qual foi indeferida a impugnação. Foi interposto recurso voluntário, em cuja peça recursal foi protocolada a data de recepção 10/04/2013, anterior à data indicada como do recebimento do Aviso de Recebimento (22/04/2013). No recurso voluntário, em síntese, o contribuinte discorre sobre a natureza não tributável da gratificação de auxílio condução paga pelo exercício do cargo de Oficial de Justiça e anexa contracheques dos meses de dezembro de 2003 a novembro de 2004 (fls. 56/67). O processo foi distribuídos a este Relator, por sorteio, durante a sessão de abril de 2014. É o Relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Foi lançada uma omissão de rendimentos de R$7.735,66 (fls. 07, numeração digital 09). Após decisão de primeira instância, já não se discute mais que a verba recebida pelo recorrente a título de Gratificação de Locomoção deve ser excluída do lançamento, o litígio persiste tão somente porque, na impugnação, o contribuinte ao invés de Fl. 75DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10730.004066/201068 Acórdão n.º 2802003.049 S2TE02 Fl. 75 3 apresentar os contracheques referentes ao anocalendário 2004, apresentou os do ano calendário 2005. Na fase recursal, chegam aos autos os contracheques do período da autuação (fls. 56/67), nos quais constam valores de gratificação de locomoção, na quantia de R$636,96 nos meses de dezembro/2003 a outubro de 2004 e de R$667,22, no mês de novembro de 2004, o que totaliza R$7.673,78, que deve ser excluído do lançamento. Não obstante, essa soma é R$61,88 inferior ao valor da omissão de rendimentos lançada. Portanto, devese DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir omissão de rendimentos de R$7.673,78. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 76DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 16004.000077/2009-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2402-000.397
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presente autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Lourenço Ferreira do Prado Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presente autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Júlio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Júlio César Vieira Gomes – Presidente Lourenço Ferreira do Prado – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 04 .0 00 07 7/ 20 09 -2 6 Fl. 9950DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/02/2 014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO Processo nº 16004.000077/200926 Resolução nº 2402000.397 S2C4T2 Fl. 2.061 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário interposto por COMERCIAL DE CARNES E DERIVADOS VALENTIM GENTIL LTDA., em face de acórdão que manteve a integralidade do Auto de Infração n. 37.128.7995, lavrado para a cobrança de contribuições parte da empresa e as destinadas ao GILRAT incidentes sobre pagamentos efetuados a empregados fora da folha de pagamentos. Consta do relatório fiscal que a fiscalização foi realizada em decorrência da denominada "Operação Grandes Lagos", deflagrada pela Polícia Federal, por solicitação da Receita Federal, que desbaratou uma organização criminosa criada para fraudar a administração tributária, no qual houve a prisão de vários envolvidos. Ademais esclareceu o fiscal autuante que dos recibos de pagamento e relatórios de pagamento; cartões de ponto e demais documentos apreendidos pela fiscalização da Secretaria da Receita Previdenciária e que e o "modus operandi", com que gerenciavam as empresas, a contabilidade, o caixa, o registro dos empregados, o cadastro das empresas como integrantes do Regime Tributário do Simples, partilhando o faturamento em diversas pequenas empresas – para escaparem à tributação e à Ação Fiscal, levaram à conclusão da existência de "um grupo econômico de fato / solidariedade", principalmente considerandose o interesse COMUM entre as Empresas e as pessoas Sócios de Fato, nos termos da legislação tributária vigente, notadamente os dispositivos do Artigo 30, inciso IX da Lei 8212 de 24 de julho de 1991 e Artigos 121 e 124 do CTN Código Tributário Nacional. A descrição pormenorizada da caracterização do grupo econômico encontrase nos autos do processo administrativo n° 16004.001550/200804, que faz parte do presente como Anexo I. O Relatório Fiscal identifica, além da autuada, as seguintes pessoas jurídicas integrantes do "Grupo Nivaldo" e por tal motivo responsabilizadas solidariamente pelo crédito tributário lançado: Sebo Sol Indústria de Sub Produtos de Bovinos Ltda EPP, Agro Rio Preto Representações Comerciais Ltda, Rio Preto Abatedouro de Bovinos Ltda, Fortes Empreendimentos Rio Preto Ltda, Sol Importadora e Exportadora de Couros Ltda, CMG Transportes Rio Preto Ltda, FEISP Ltda, Viena Empreendimentos Imobiliários Rio Preto Ltda RPMC Comércio de Carnes e Derivados Ltda, Sol Empreendimentos Imobiliários Rio Preto Ltda, América Industrial e Comercial Ltda, Agroalto Industrialização e Distribuição Ltda, Mega Distribuidora de Gorduras Ltda, Valentim Gentil Abatedouros de Bovinos e Suínos Ltda Frigo Vale Indústria e Comércio de Carnes Ltda O lançamento compreende o período de 12/2003 a 09/2004, tendo sido o contribuinte cientificado em 11/08/2009. Devidamente intimados do julgamento em primeira instância, as seguintes interessadas apresentaram recurso voluntário: SOL EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS RIO PRETO LTDA Fl. 9951DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/02/2 014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO Processo nº 16004.000077/200926 Resolução nº 2402000.397 S2C4T2 Fl. 2.062 3 1. que o termo de sujeição passiva não traz provas das alegações nele constantes contra a recorrente, sobretudo relativamente a existência de interesse comum na ocorrência do fato gerador das contribuições lançadas; 2. que o acórdão de primeira instância deixou de analisar os argumentos da ora recorrente acerca da inexistência de solidariedade; 3. É nula a autuação que não traz a devida instrução referente aos termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova, com flagrante contrariedade ao artigo 1"., parágrafo único da Lei 9.784/99 e violação do princípio da ampla defesa, vez que não lhe foram encaminhadas cópias do MPF ou dos documentos básicos que instruíram as autuações e que lhe possibilitariam o exercício da ampla defesa, também não tendo recebido cópia do "Termo de Descrição dos Fatos", não tendo sido notificado para prestar esclarecimentos durante o procedimento fiscal. Ademais, não se identifica a contribuição lançada ou o período de apuração do débito. 4. que não há qualquer corelação da recorrente ou vínculo jurídico com a empresa autuada, que não participa de seu capital social, possui outra sede e com sócios diferentes; 5. que não se enquadra nas hipóteses de responsabilidade solidária previstas no CTN, não havendo dispositivo legal que impute responsabilidade a quem não tem participação societária ou gerencial na empresa, não podendo ser aplicada a responsabilidade tributária ao impugnante diretamente, por força do artigo 134 do CTN. 6. que o "interesse comum" deveria ser provado pela fiscalização e não apenas aventado, conforme exige o artigo 142 o CTN e artigo 924 do RIR. Nesse sentido, não há nexo entre o contexto e os motivos apontados pelos auditores. 7. que caso houvesse qualquer interesse comum entre a recorrente e a autuada, esta deveria ser provada pelo fisco e não simplesmente alegada; PEDRO GIGLIO SOBRINHO, JOSÉ ROBERTO GIGLIO 8. repete as razões de recurso da empresa SOL EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS RIO PRETO LTDA; Fl. 9952DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/02/2 014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO Processo nº 16004.000077/200926 Resolução nº 2402000.397 S2C4T2 Fl. 2.063 4 FEISP, LUCIANO DA SILVA PERES, ,MARIA HELENA LA ROTONDO, NIVALDO FORTES PERES e RODRIGO DAS SILVA PERES 9. a preterição de seu direito de defesa em razão do indeferimento da perícia a ser realizada nos extratos bancários obtidos pela Secretaria da Receita Federal; 10. suscita a suspeição dos fiscais que levaram a efeito o procedimento fiscal, eis que os mesmos agiram com abuso de poder, motivo que ensejou a elaboração de representação junto a SRFB, tudo de acordo com o art. 18, III, da Lei 9.784/99; 11. que nos termos do artigo 6o da Lei Complementar 105/2001, o acesso a documentos, livros e registros de instituições financeiras somente é possível se houver instauração de procedimento fiscal regular. A regularidade do procedimento depende da emissão de Mandado de Procedimento Fiscal MPF, conforme prescreve o artigo 2o do Decreto 3.724/2001. Assim, são nulos os procedimentos fiscais que se iniciam, se desenvolvem ou são concluídos com fundamento em ato administrativo inexistente ou inválido. O MPF é imprescindível à definição da competência da autoridade administrativa. Consoante o estabelecido no art. 7o da Portaria RFB 11.371/2007, a realização de ação fiscal requer a emissão de MPFFiscalização (MPFF). Não foi emitido MPFF com o objetivo de investigar a participação dos impugnantes na administração da autuada, razão pela qual não é possível a atribuição a ele de responsabilidade pelos tributos devidos pela pessoa jurídica. Os impugnantes não foram identificados como sujeitos passivos no MPFF emitido para a realização da ação fiscal que resultou na lavratura dos autos de infração de que trata o presente processo administrativo, de modo que não podem ter o crédito tributário constituído em seu desfavor, sendo nulo o AI lavrado desta forma, por pessoa incompetente 12. a ausência de prova da solidariedade passiva, em clara ofensa ao art. 142 e 116, ambos do CTN; 13. a decadência, com arrimo no art. 150, §4o do CTN, por não haver dolo no presente caso; 14. o pedido de quebra do sigilo bancário foi feito indevidamente à Vara Federal de Jales, quando deveria ser dirigido à 3a Vara Federal de São José do Rio Preto, em razão de decisão proferida por este Juízo em 22/11/2006, em virtude da qual passou a deter a exclusiva competência para o julgamento da persecução Fl. 9953DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/02/2 014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO Processo nº 16004.000077/200926 Resolução nº 2402000.397 S2C4T2 Fl. 2.064 5 penal do impugnante. A quebra do sigilo bancário e fiscal só poderia ser decretada pela autoridade competente para o inquérito ou para o processo judicial. Sendo nula a decisão judicial de quebra dos sigilos bancário e fiscal, nulas são todas as informações bancárias, financeiras e fiscais obtidas sob este fundamento, conforme preconiza a teoria dos frutos da árvore envenenada, encampada pelo Supremo Tribunal Federal em diversos julgados 15. que o julgamento do acórdão recorrido foi tão parcial quanto o procedimento de lançamento; 16. que de acordo com a evolução da vida empresarial dos recorrentes, com a fundação das empresas SEBO SOL e COURO SOL e das demais empresas criadas pelos recorrentes e pelas empresas das quais faziam parte, resta demonstrado que não fora montado qualquer esquema de fraude tributária; 17. que o fato de ex funcionários da empresa SEBO SOL constituírem suas próprias empresas, por si só não autoriza o reconhecimento da solidariedade. 18. que a coincidência de endereços entre as empresas também não autoriza o lançamento em face dos recorrentes; 19. que os recorrentes não detém qualquer corelação com as atividades das empresas que tiveram seus documentos apreendidos; 20. houveram erros de cálculo na análise das informações bancárias; 21. que os depoimentos adotados como razões de decidir pelo v. acórdão recorrido merecem desconfiança, até porque um desses depoimentos veio a ser retificado; 22. que na fiscalização direcionada às pessoas físicas dos recorrentes não foram lançados quaisquer valores de IPRF, IRRF ou acréscimo patrimonial com vinculação a empresa Valentim Gentil; 23. que a multa aplicada deve observar o que disposto na Lei 11.941/09; ANTONIO GIGLIO SOBRINHO 24. a nulidade do acórdão recorrido em razão do indeferimento da perícia; Fl. 9954DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/02/2 014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO Processo nº 16004.000077/200926 Resolução nº 2402000.397 S2C4T2 Fl. 2.065 6 25. não tem qualquer vínculo com a autuada e sua responsabilização afronta os princípios da legalidade, do contraditório e da ampla defesa, não tendo sido cientificado durante o procedimento fiscal realizado, impossibilitandoo de apresentar provas que poderiam afastar a absurda e infundada responsabilidade que lhe foi imputada; 26. que nunca foi sócio, procurador ou gestor da autuada, não tendo qualquer vinculação com as demais empresas, exceto por ter sido sócio da Sebo Sol (atual Sol Empreendimentos). 27. que de acordo com o histórico familiar do recorrente, este somente constou no termo de sujeição passiva por ser filho de do fundador da Sebo Sol (atualmente Sol Empreendimentos Imobiliários), a qual não tem qualquer ligação direta com a autuada; 28. que desde 1984 sempre exerceu a função de músico contrabaixista, não tendo qualquer contato com a família Giglio, tendo sido envolvido nos autos apenas por ser herdeiro, tendo se retirado das empresas SEBO SOL e VIENA EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS no ano de 2001; 29. nas empresas em que continuou ficou apenas como sócio minoritário, sem praticar qualquer ato negocial, sendo que referidas empresa, mesmo em sendo da família Giglio, não fizeram parte do Termo de Sujeição Passiva; 30. que os endossos em cheques das empresas não são de sua autoria; 31. que nunca participou de qualquer atividade direta ou indireta relativa as empresas incluídas no termo de sujeição passiva. 32. que eventuais pagamentos recebidos o foram a título de distribuição de lucros; 33. que 0 "interesse comum" deveria ser provado pela fiscalização e não apenas aventado, conforme exige o artigo 142 do CTN; 34. que a não aceitação dos fundamentos da impugnação do recorrente, por fundamentos gerais não pode ser mantida; RIO PRETO ABATEDOURO DE BOVINOS LTDA Fl. 9955DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/02/2 014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO Processo nº 16004.000077/200926 Resolução nº 2402000.397 S2C4T2 Fl. 2.066 7 35. Inexiste prova que evidencie sua responsabilidade solidária. A impugnante ou seus sócios não são sócios da autuada e inexiste o interesse comum, não cabendo a aplicação do artigo 124, 1 do CTN. Não existe vinculação com o fato gerador nem relação pessoal direta com a situação que o constitui. 36. que a prova emprestada no caso é nula pois não permitiu ao recorrente o exercício do contraditório, antes de ter sido adotada como verdade material pelo auditor fiscal; Processados os recursos sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 9956DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/02/2 014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO Processo nº 16004.000077/200926 Resolução nº 2402000.397 S2C4T2 Fl. 2.067 8 VOTO Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator Conforme se verifica do recurso voluntário impetrado a recorrente sustenta que foram juntados comprovantes de pagamento relativamente às contribuições lançadas nos autos do presente processo, os quais englobam a totalidade do valor lançado. Assim sendo, voto no sentido de que o presente julgamento seja CONVERTIDO EM DILIGÊNCIA, para que os autos do presente processo baixem a delegacia de origem para que a fiscalização se manifeste se os documentos juntados às fls. 9.896 à 9.936 são suficientes a comprovar o integral e efetivo recolhimento dos valores das contribuições lançadas nos autos do presente processo administrativo, bem como no dos autos do processo 16004.000078/200971, ora apensado. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 9957DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/02/2 014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO
score : 1.0
Numero do processo: 11065.002499/2009-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2402-000.451
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes,Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo, Luciana de Souza Espíndola Reis e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Julio César Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes,Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo, Luciana de Souza Espíndola Reis e Lourenço Ferreira do Prado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 65 .0 02 49 9/ 20 09 -0 6 Fl. 339DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 22/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 11065.002499/200906 Resolução nº 2402000.451 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de auto de infração constituído em 27/10/2009 (fl. 159), para exigência de recolhimento das contribuições previdenciárias referentes à cota dos segurados e contribuintes individuais, em determinados meses compreendidos no período de 02/2005 a 12/2008, e exigência de complementação de multa em razão do recolhimento em atraso de contribuições previdenciárias no período de 08/2004 a 09/2006. A Recorrente interpôs impugnação (fl. 167/246), requerendo a total improcedência do lançamento. A d. Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre – DRJ/RS julgou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário exigido (fl. 295/299), entendendo, em suma, que: (i) “no caso em que o pagamento após o vencimento foi espontaneamente efetuado pela empresa autuada, a cobrança da multa moratória incidente sobre as contribuições sociais recolhidas em atraso é devida, já que tem sua previsão na legislação previdenciária”; (ii) “quanto à alegação de que o Auto de Infração Debcad nº 37.216.5060 foi lavrado com as mesmas contribuições, é de se esclarecer que se tratam de autuações distintas. Enquanto este Auto de Infração Debcad nº 37.216.5095 (processo nº 11065.002499/200906) trata do lançamento da obrigação principal referente às contribuições sociais previdenciárias inadimplidas e às diferenças de acréscimos legais, o Auto de Infração Debcad nº 37.216.5060 (processo nº 11065.002495/200910) referese à autuação por descumprimento da obrigação acessória de apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social sem incorreções ou omissões”; (iii) “a empresa autuada não trouxe aos autos qualquer prova material que pudesse implicar na alteração do lançamento”; (iv) “cabe à impugnante, dentro do prazo de defesa, apresentar a impugnação com os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, bem como trazer aos autos as provas que possuir (...) Não se conhece, portanto, do protesto da impugnante pela produção de provas, além daquelas já arroladas no presente processo, exceção feita, à evidência, ao disposto nos parágrafos 4º a 6º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.” O Recorrente interpôs recurso voluntário (fl. 304/311), no qual esclarece que: (i) efetuou o pagamento das contribuições, atualizadas, com juros e multa de 10%, antes mesmo de qualquer procedimento por parte da Receita Federal, porém nunca declarou em GFIP; (ii) a multa do auto de infração é indevida, uma vez que houve denúncia espontânea; (iii) ajuizou demanda judicial a fim de anular o crédito tributário; (iv) a partir desta demanda judicial foi prolatada sentença, transitada em julgado, cancelando o crédito tributário. A Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Canoas informou que o débito sob nº 37.216.5095 (fls. 329) não está inscrito em dívida ativa, em decorrência do trânsito em julgado na ação judicial sob nº 500128983.2010.40407112. É o relatório. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 22/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 11065.002499/200906 Resolução nº 2402000.451 S2C4T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Analisando as questões suscitadas no presente processo, observase que existe óbice ao julgamento do recurso apresentado. A presente autuação versa sobre (i) a exigência de recolhimento das contribuições previdenciárias referentes à cota dos segurados empregados e contribuintes individuais, nas competências de 05/2005 a 07/2005, 12/2005, 05/2006 e 12/2008, não recolhidas aos cofres públicos, bem como (ii) exigência de complementação de multa em razão do recolhimento em atraso de contribuições previdenciárias no período de 08/2004 a 09/2006 (o contribuinte, nessas competências, aplicou percentual de multa inferior ao devido quando do pagamento em atraso). O presente DEBCAD sob nº 37.216.5095 foi objeto de análise na esfera judicial, por meio da ação declaratória de inexigibilidade de débito sob nº 5001289 83.2010.404.7112, ajuizada pelo Recorrente. O dispositivo da sentença da referida demanda judicial foi prolatado no seguinte sentido: “Ate o exposto, julgo procedente o pedido para a) declarar inexigível o crédito relativo a multa moratória objeto do auto de infração DEBCAD n. 37.216.5095 e b) condenar a União (Fazenda Nacional) a restituir ao contribuinte os valores pagos indevidamente a título de multa em função do referido auto de infração, corrigidos pela SELIC.” Destaquei Notese que o Magistrado não traz, na parte dispositiva da sentença, menção quanto ao julgamento do montante principal, referente à contribuição previdenciária exigida na presente autuação, tratando somente acerca da inexigibilidade da multa. Contudo, ao fundamentar as razões de seu convencimento, o D. Magistrado afirma que o contribuinte teria comprovado o recolhimento da contribuição previdenciária, juntamente com a peça inicial, conforme se vê abaixo: “No caso dos autos, a parte autora demonstrou o recolhimento das contribuições previdenciárias descritas na peça vestibular, posteriormente ao vencimento, atualizadas e acrescidas de juros de mora.” Entretanto, não há menção na sentença se o recolhimento realizado pelo contribuinte, de que trata a decisão judicial, compreendeu todos os valores exigidos através da autuação. Analisando o inteiro teor da sentença temse a impressão de que a ação judicial proposta pelo contribuinte visou atacar, apenas, a parcela do auto de infração referente à Fl. 341DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 22/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 11065.002499/200906 Resolução nº 2402000.451 S2C4T2 Fl. 5 4 exigência de complementação de multa em razão do recolhimento em atraso de contribuições previdenciárias no período de 08/2004 a 09/2006, não se insurgindo contra a exigência de retenção e recolhimento das contribuições previdenciárias referentes à cota dos segurados empregados e contribuintes individuais, nas competências de 05/2005 a 07/2005, 12/2005, 05/2006 e 12/2008, de que também trata o auto de infração. Contudo, em seu recurso voluntário (fls. 306) o contribuinte alega que “ajuizou ação perante a Justiça Federal, na qual anulou o crédito tributário objeto do presente recurso, por decisão confirmada no Tribunal Regional Federal da 4ª Região, a qual já transitou em julgado, motivo pelo qual merece ser arquivado o presente recurso e cancelado o crédito tributário”. Logo, considerando o que foi exposto acima, e que nos autos não consta a petição inicial da ação proposta pelo contribuinte, dúvida há acerca do que o contribuinte efetivamente discutiu e teve reconhecido na ação judicial. Diante disso, utilizandome do princípio da verdade material, bem como da informalidade, a fim de que se verifique a verdade real acerca dos fatos, fazse necessária a diligência para que se junte aos autos cópia integral da Ação Judicial nº 5001289 83.2010.404.7112, que tramitou perante a 2ª Vara Federal de Canoas. Ante o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que seja cumprida a solicitação acima. Após a realização da diligência, e independentemente do seu resultado, deve ser obrigatoriamente aberto prazo de 30 dias para manifestação do contribuinte, em atenção ao princípio do contraditório e da ampla defesa, após o qual deverão retornar os autos para julgamento neste Conselho. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 22/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES
score : 1.0
Numero do processo: 10830.002706/2002-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
Ementa:
CONTROLE DE INCONSTITUCIONALIDADE. PROCESSO ADMINISTRATIVO. ATRIBUIÇÃO DO JUDICIÁRIO. SÚMULA CARF Nº 02.
O controle da constitucionalidade das leis pertence ao Poder Judiciário, de forma difusa ou concentrada, não cabendo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais negar vigência à norma emanada do Poder Legislativo sob pena de invasão indevida de um poder na esfera de competência exclusiva do outro. Súmula CARF nº 02.
INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. NORMA POSTERIOR AO FATO GERADOR. SÚMULA CARF Nº 35.
As normas que autorizam a disponibilização à Receita Federal de informações bancárias, bem como a sua utilização para fins de lançamento do crédito tributário aplicam-se aos procedimentos atuais, ainda que relativos a fatos anteriores à promulgação destas normas. Violação à irretroatividade e à anterioridade tributária não configurada. Aplicação da Súmula do CARF nº 35.
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INADMISSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 11.
Não é admissível no processo administrativo fiscal aduzir prescrição intercorrente por quanto não há como se prescrever algo que não se pode executar, pois o crédito tributário encontra-se com sua exigibilidade suspensa na forma do art. 151, III do Código Tributário Nacional. Súmula CARF nº 11.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE RENDIMENTOS. SÚMULA CARF Nº 26.
A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Súmula CARF nº 26.
Numero da decisão: 2201-002.421
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora.
EDITADO EM: 09/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERÇOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH e NATHALIA MESQUITA CEIA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD.
Nome do relator: NATHÁLIA MESQUITA CEIA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1999 Ementa: CONTROLE DE INCONSTITUCIONALIDADE. PROCESSO ADMINISTRATIVO. ATRIBUIÇÃO DO JUDICIÁRIO. SÚMULA CARF Nº 02. O controle da constitucionalidade das leis pertence ao Poder Judiciário, de forma difusa ou concentrada, não cabendo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais negar vigência à norma emanada do Poder Legislativo sob pena de invasão indevida de um poder na esfera de competência exclusiva do outro. Súmula CARF nº 02. INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. NORMA POSTERIOR AO FATO GERADOR. SÚMULA CARF Nº 35. As normas que autorizam a disponibilização à Receita Federal de informações bancárias, bem como a sua utilização para fins de lançamento do crédito tributário aplicam-se aos procedimentos atuais, ainda que relativos a fatos anteriores à promulgação destas normas. Violação à irretroatividade e à anterioridade tributária não configurada. Aplicação da Súmula do CARF nº 35. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INADMISSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 11. Não é admissível no processo administrativo fiscal aduzir prescrição intercorrente por quanto não há como se prescrever algo que não se pode executar, pois o crédito tributário encontra-se com sua exigibilidade suspensa na forma do art. 151, III do Código Tributário Nacional. Súmula CARF nº 11. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE RENDIMENTOS. SÚMULA CARF Nº 26. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Súmula CARF nº 26.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente. Assinado Digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora. EDITADO EM: 09/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERÇOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH e NATHALIA MESQUITA CEIA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD.
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PROCESSO ADMINISTRATIVO. ATRIBUIÇÃO DO JUDICIÁRIO. SÚMULA CARF Nº 02. O controle da constitucionalidade das leis pertence ao Poder Judiciário, de forma difusa ou concentrada, não cabendo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais negar vigência à norma emanada do Poder Legislativo sob pena de invasão indevida de um poder na esfera de competência exclusiva do outro. Súmula CARF nº 02. INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. NORMA POSTERIOR AO FATO GERADOR. SÚMULA CARF Nº 35. As normas que autorizam a disponibilização à Receita Federal de informações bancárias, bem como a sua utilização para fins de lançamento do crédito tributário aplicamse aos procedimentos atuais, ainda que relativos a fatos anteriores à promulgação destas normas. Violação à irretroatividade e à anterioridade tributária não configurada. Aplicação da Súmula do CARF nº 35. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INADMISSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 11. Não é admissível no processo administrativo fiscal aduzir prescrição intercorrente por quanto não há como se prescrever algo que não se pode executar, pois o crédito tributário encontrase com sua exigibilidade suspensa na forma do art. 151, III do Código Tributário Nacional. Súmula CARF nº 11. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE RENDIMENTOS. SÚMULA CARF Nº 26. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 27 06 /2 00 2- 67 Fl. 659DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Súmula CARF nº 26. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA Relatora. EDITADO EM: 09/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERÇOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH e NATHALIA MESQUITA CEIA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Relatório Por meio do Auto de Infração de fls. 420 lavrado em 07/03/2002, exigese do Contribuinte WILSON DE SOUZA COELHO o montante de R$ 1.137.073,39 a título de imposto sobre a renda da pessoa física, R$ 543.862,20 de juros de mora e R$ 852.805,04 de multa de ofício, decorrente de a omissão de rendimentos provenientes de depósitos bancários referentes ao anocalendário 1998, exercício de 1999. O Termo de Verificação Fiscal de fls. 430 relata: · Em 29/03/2001, o Contribuinte, tomou ciência regularmente do MPF n° 0810400 2001 002750 e do Termo de Início de Fiscalização. Em 08/05/2001, o Contribuinte apresentou os extratos do Bradesco referentes a 1998, pleiteando prorrogação para o restante. Em 17/05/2001, o Contribuinte comunicou que não havia conseguido os demais extratos (Banco Itaú e Caixa Econômica Federal). O Contribuinte solicitou sucessivas prorrogações de prazo para apresentação dos extratos do Banco Itaú e Caixa Econômica Federal sem, no entanto, atender ao solicitado até a data de 29/05/2001, data em que foi solicitada a emissão de Requisição de Movimentação Financeira (RMF) às instituições bancárias. · Em 07/06/2001, foi indeferida a liminar em sede de mandado de segurança impetrado pelo Contribuinte, processo n° 2001.61.05.0045628 da 3ª Vara da Justiça Federal em Campinas SP, visando impedir que a autoridade exigisse informações de sua movimentação financeira. Fl. 660DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10830.002706/200267 Acórdão n.º 2201002.421 S2C2T1 Fl. 3 3 Diante do fato susomencionado, foram então emitidas intimações ao Banco Itaú e a Caixa Econômica Federal, que enviaram as informações que por sua vez foram repassadas ao Contribuinte em 29/06/2001 e 21/08/2001, com esclarecimento de que os levantamentos seriam feitos a partir daquelas informações. · Em 31/08/2001, foi denegada a segurança, extinguindose o processo judicial n° 2001.61.05.04628, mencionado acima, com o julgamento do mérito. · Constatouse também que foi apresentada apenas a Declaração de Isento relativa ao ano calendário 1998 à Secretaria da Receita Federal, na qual não consta qualquer valor de rendimento tributável. · Diante dos fatos acima, foi então lavrado Auto de Infração restrito aos rendimentos provenientes dos depósitos bancários de origem não comprovada referente ao ano calendário de 1998, nos termos da legislação vigente. O Contribuinte se insurgiu contra o lançamento apresentando Impugnação de fls. 472 em 08/04/2002, na qual trouxe as seguintes alegações: · Apóia a tese de ilicitude das provas pelo fato de ter contestado em juízo o direito de o Fisco efetuar a quebra do seu sigilo bancário sem autorização judicial e afirma que o Mandado de Segurança impetrado junto 3ª Vara Federal de Campinas, processo n° 2001.61.05.0045628 encontrase em grau de recurso. · Prossegue em seu arrazoado apresentando doutrinas e jurisprudências acerca do sigilo bancário e opõe tese de inconstitucionalidade das Leis Complementar ES nº 104 e 105/2001, sobre a qual sustenta que o artigo 6° desta última ofende a garantia do devido processo legal e nesse diapasão afirma que o § 3° do artigo 3° da referida Lei Complementar ofende os incisos X, XII e XXXV do artigo 5° da CF/88, visto que propicia lesão ao sigilo bancário sem a intervenção do Judiciário. · Afirma que os dispositivos da Lei Complementar nº 104/2001 que alteraram o artigo 198 do CTN violam o principio da proporcionalidade visto que perpetra excesso na quebra de sigilo bancário. · Alega ainda que o autuado é advogado e que a ação fiscal redunda em ofensa as garantias previstas na Lei nº 8.906/94 (Estatuto da OAB), visto que o artigo 7° da referia Lei prevê inviolabilidade de seu escritório e arquivos de dados, excetuada a hipótese de busca e apreensão determinada por magistrado e acompanhada de representante da OAB. · Sustenta que a hipótese prevista no artigo 144, § 1º do CTN que cuida de novos critérios de apuração ou processo de investigação não é aplicável ao caso, assim, pugna pela irretroatividade das Leis Complementares de 2001 acrescentando que o artigo 11 da Lei nº 9.311/96 veda a utilização das informações para constituição do crédito relativo a outras contribuições ou impostos. · Argumenta no sentido de que os depósitos bancários não implicaram em ganho ou acréscimo patrimonial para se sujeitar à tributação de imposto sobre a renda. O Acórdão nº 1726.299 da 8ª /turma da DRJ/SPOII na sessão de julgamento de 10/07/2008 julgou procedente o lançamento, nos seguintes termos: Fl. 661DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 · Em face da supremacia da decisão judicial sobre a administrativa e da unicidade de jurisdição prevista na constituição não cabe a esta instância de julgamento se pronunciar sobre questão também submetida A apreciação do Poder Judiciário. Art. 5°, XXXV da CF/88 e Ato Declaratório Normativo (ADN) n° 3/1996. · Denegada medida liminar em contrário, não há qualquer impedimento ao Fisco de requisitar, amparado na LC n° 105/2001, os extratos das contas bancárias do Contribuinte e demais informações necessárias ao lançamento. · Desta feita, restou superada no campo administrativo a preliminar de nulidade suscitada, não obstante, conferiuse inexigibilidade ao presente crédito até o deslinde da Ação Judicial de n° 2001.61.05.0045628. · A Lei nº 8.906/94 que dispõe sobre o Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil não confere aos advogados qualquer possibilidade de tratamento diferenciado dos demais cidadãos para privilegiar atividades dissonantes do contexto profissional. Os elementos e circunstâncias dos fatos que orientam o procedimento adotado pela fiscalização nada tem a ver com o exercício da profissão de advogado. Na condição de contribuinte, todo cidadão, quando intimado, tem o dever de prestar os esclarecimentos necessários ao Fisco, a Lei supra mencionada não excetua o advogado não se aplicando, portanto, ao caso, visto que nenhuma medida afrontou o exercício de sua profissão. · O art. 42 da Lei nº 9.430/96 estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. É a própria lei definindo que os depósitos bancários, de origem não comprovada, caracterizam omissão de receita ou de rendimentos. Portanto, não meros indícios de omissão; razão por que não há que estabelecer o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão de receita. · O Contribuinte não logrou comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados/creditados nas contas correntes e de poupança, relacionados nos extratos bancários obtidos junto às instituições financeiras, ao contrário, sua conduta visou desde as primeiras intimações retardar a ação fiscal, caracterizando, assim, a omissão de rendimentos, como definida no artigo 42, da Lei nº 9.430/96, com os limites alterados pelo art. 40 da Lei n° 9.481/97 e artigo 849 e parágrafos do Regulamento do Imposto de Renda RIR199 (Decreto n° 3.000/99). · Em cognição direta dos dispositivos legais prodigamente registrados, tomase por improcedente a alegação de que os depósitos bancários não caracterizam acréscimo patrimonial, visto que se tornou inequívoca a disponibilidade econômica em favor do autuado no ano de 1998, no qual mesmo a evidência de depósitos superiores a quatro milhões, apresentou singela Declaração de Isento. O Contribuinte tomou ciência da decisão em 14/08/2008 conforme AR de fls. 552, vindo apresentar Recurso Voluntário em 10/09/2008 às fls. 554, aduzindo: · Ser inescusável "in casu" não apreciar totalmente a Impugnação apresentada, a pretexto de que à autoridade administrativa julgadora não compete formar juízo sobre a validade jurídica das normas aplicadas na determinação do crédito tributário, sendo defeso apreciar arguições de aspectos da constitucionalidade do lançamento. Frisa que em nenhum ponto a Constituição previu que apenas o Poder Judiciário poderia conhecer o tema de constitucionalidade. A existência de regra explícita produzida pelo Poder Legislativo não exime o agente público de responsabilidade pela promoção dos valores fundamentais. Todos aqueles que exercem função pública estão obrigados a concretizar os valores jurídicos fundamentais e devem nortear seus Fl. 662DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10830.002706/200267 Acórdão n.º 2201002.421 S2C2T1 Fl. 4 5 atos segundo esse postulado. Dessa forma, têm o dever de recusar cumprimento de leis inconstitucionais. Logo, "in casu" a decisão administrativa foi proferida sem respeitar o contraditório e a ampla defesa ao deixar de apreciar fatos relevantes, portanto, deve ser considerada nula por falta de elemento essencial à sua formação. · Que se insurge contra a alegação de que a propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda implicaria renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto, entendendo que só aplica naquilo em que houver identidade de objetos. · Que o mandado de segurança discutese questões pertinentes ao sigilo bancário, enquanto no presente feito é contestado o levantamento realizado contra o Contribuinte pelo fato de não haver omissão de receita pelo simples exame dos extratos bancários. · Que a ciência da lavratura do Auto de Infração ocorreu em 07/03/2002 e a intimação da decisão de primeira instância se deu apenas em agosto de 2008 e, por tanto, ocorreu a prescrição intercorrente diante da inércia da Fazenda de decidir o contencioso administrativo, eis que transcorridos mais de 5 anos da lavratura do Auto de Infração. · Em continuidade retoma os argumentos levantados na peça de Impugnação. Pela Resolução nº 220200.305 de 18/09/2012, às fls. 636, a 2ª Câmara da 2ª Turma Ordinária do CARF decidiu sobrestar o presente processo administrativo tributário, com base no art. 62A, §1º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, uma vez que o presente tema encontrase em sede de Recurso Repetitivo no STF através do Recurso Extraordinário nº 601.314/SP de 22/10/2009, onde o Supremo Tribunal Federal reconheceu a existência de repercussão geral, nos termos do art. 543A, §1º, do CPC, combinado com art. 323, §1º, do Regimento Interno do STF, no que diz respeito à constitucionalidade do art. 6º da Lei Complementar nº 105/01, no tocante ao fornecimento de informações sobre a movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem a prévia autorização judicial, assim como a aplicação retroativa da Lei nº 10.174/01, que alterou o art. 11, § 3º da Lei nº 9.311/96, e possibilitou que as informações obtidas, referentes à CPMF, também pudessem ser utilizadas para apurar eventuais créditos relativos a outros tributos, no tocante a exercícios anteriores a sua vigência. Posteriormente a Portaria/MF nº 545/13 revogou os dispositivos do Regimento Interno do CARF que determinavam o sobrestamento dos autos, nos termos já referidos, possibilitando o prosseguimento do feito, eis que a sua inclusão em pauta de julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Nathália Mesquita Ceia. O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. I Das Preliminares Fl. 663DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 I.1 Da Nulidade da Decisão por Afronta ao Contraditório e Ampla Defesa Decorrente da não Apreciação da Matéria Constitucional. O Contribuinte argui a nulidade da decisão recorrida, uma vez que a Impugnação apresentada não teria sido apreciada totalmente, cerceando seu direito de defesa, visto que não poderia a autoridade administrativa julgadora alegar ser defeso apreciar arguições de aspectos da constitucionalidade do lançamento e deixar de formar juízo sobre a validade jurídica das normas aplicadas na determinação do crédito tributário, ressaltando que em nenhum momento a Constituição previu que apenas o Poder Judiciário poderia conhecer sobre o tema de constitucionalidade. Já é posição consolidada nos tribunais administrativos o entendimento de que a arguição de inconstitucionalidade de lei não deve ser objeto de apreciação nesta esfera, a menos que já exista manifestação do Supremo Tribunal Federal, uniformizando a matéria questionada. No âmbito do processo administrativo fiscal tal matéria já foi consolidada pelo enunciado nº 02 da Súmula do CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária O referido enunciado decorreu das reiteradas decisões da presente Corte Administrativa com base no parágrafo único do art. 4º do Decreto nº. 2.346/97: Art. 4º Ficam o Secretário da Receita Federal e o ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, relativamente aos créditos tributários, autorizados a determinar, no âmbito de suas competências e com base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei, tratado ou ato normativo, que: I não sejam constituídos ou que sejam retificados ou cancelados; II não sejam efetivadas inscrições de débitos em dívida ativa da União; III sejam revistos os valores já inscritos, para retificação ou cancelamento da respectiva inscrição; IV sejam formuladas desistências de ações de execução fiscal. Parágrafo único. Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. O fundamento constitucional, inexistente, segundo o Contribuinte, está na atribuição, com exclusividade, conferida pela Constituição da República ao STF de guarda da Constituição, através do controle concentrado e difuso previstos no art. 102 da CRFB/88: Fl. 664DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10830.002706/200267 Acórdão n.º 2201002.421 S2C2T1 Fl. 5 7 Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendolhe: I processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de lei ou ato normativo federal; III julgar, mediante recurso extraordinário, as causas decididas em única ou última instância, quando a decisão recorrida: a) contrariar dispositivo desta Constituição; b) declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal; c) julgar válida lei ou ato de governo local contestado em face desta Constituição. d) julgar válida lei local contestada em face de lei federal. (Incluída pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Na criação do controle difuso da constitucionalidade das leis a Carta Magna, no Capítulo pertinente ao Poder Judiciário, estabelece no art. 97, a reserva de plenário para matéria constitucional, possibilitando, assim, a apreciação, pelos demais órgãos judiciais (outros que não o STF) a matéria constitucional. Dispositivo semelhante não se encontra seja no capítulo pertinente ao Poder Executivo seja no Capítulo pertinente à Administração Pública: Art. 97. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. Neste diapasão resta esclarecido que o controle da constitucionalidade das leis pertence ao Poder Judiciário, de forma difusa ou concentrada, não cabendo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais negar vigência à norma emanada do Poder Legislativo sob pena de invasão indevida de um poder na esfera de competência exclusiva do outro. Logo não se caracteriza omissão da autoridade julgadora de primeiro grau ou cerceamento do direito à ampla defesa, declarar ser defeso, no âmbito administrativo, qualquer manifestação acerca da legalidade ou inconstitucionalidade das leis. Tratase apenas de delimitar a competência do julgador administrativo, razão pela qual não se conhece da preliminar de nulidade. I.2 Da Renúncia à Esfera Administrativa Quanto à Preliminar de Quebra de Sigilo Bancário. No que diz respeito à renúncia à esfera administrativa, como já destacado pela presente Corte Administrativa na Resolução 220200.305 de 18/09/2012, às fls. 636, constatase que o relator deixou claro, logo no início, que não conheceu do recurso tão somente Fl. 665DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 no que diz respeito à preliminar de quebra do sigilo bancário, matéria objeto do mandado de segurança interposto pelo Contribuinte. Notase que em seguida, o Acórdão apreciou os questionamentos feitos pelo Contribuinte expondo seus motivos para acatálos ou não, estando a decisão em verdadeira consonância com o disposto no art. 31 do Decreto nº 70.235/72. Nessa linha, como a decisão judicial foi desfavorável ao pleito do Contribuinte (medida liminar negada), não há efeito suspensivo. Logo, a preliminar de quebra de sigilo bancário alegada pelo Contribuinte deve ser rejeitada, devendose enfrentar o mérito. I.3 Da Proteção Conferida Pelo Estatuto da OAB O Acórdão recorrido não merece reparos na análise do presente tema. A Lei nº 8.906/94 que dispõe sobre o Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil não confere aos advogados qualquer possibilidade de tratamento diferenciado dos demais cidadãos para privilegiar atividades dissonantes do contexto profissional. Os elementos e circunstâncias dos fatos que orientam o procedimento adotado pela fiscalização nada tem a ver com o exercício da profissão de advogado. Ou seja, na condição de contribuinte, todo cidadão, quando intimado, tem o dever de prestar os esclarecimentos necessários ao Fisco, a Lei supra mencionada não excetua o advogado não se aplicando, portanto, ao caso, visto que nenhuma medida afrontou o exercício de sua profissão. I.4 Da Aplicação da Lei Complementar nº 105/01 O Contribuinte argumenta que haja vista o presente Auto de Infração apurar crédito tributário concernente ao ano calendário de 1998, não seria possível aplicar a Lei Complementar nº 105/01 em razão dos Princípios da Irretroatividade e da Não Surpresa, vindo assim a discorrer sobre tais princípios e lei de regência do fato gerador do Imposto de Renda. Em que pese a argumentação do Contribuinte, cabe frisar que a Lei Complementar nº 105/01 aborda a produção de provas e os poderes administrativos de investigação no âmbito do processo administrativo fiscal (art. 6º), tratandose, portanto, de norma de natureza procedimental e não de direito material, aplicandose, desta feita, a todos os casos ainda não julgados. O § 1º do art. 144 do CTN determina que se aplica ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processo de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades tributárias: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou Fl. 666DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10830.002706/200267 Acórdão n.º 2201002.421 S2C2T1 Fl. 6 9 privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. Logo, inexiste impedimento legal à aplicação imediata de norma que apenas define a natureza não sigilosa das informações bancárias para fins de investigação fiscal. Sendo assim, não há violação ao Princípio da Anterioridade tributária, pois, conforme já apontado, o art. 6º da Lei Complementar nº 105/01 apresenta norma de direito procedimental e não norma de direito material que venha a instituir ou majorar tributo (art. 150, III, b e c): Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. (Regulamento). Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: III cobrar tributos: a) em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver instituído ou aumentado; b) no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou; (Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) c) antes de decorridos noventa dias da data em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou, observado o disposto na alínea b; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003). Este entendimento já restou pacificado na presente Corte administrativa com base na Súmula do CARF nº 35: Súmula do CARF nº 35 – O art. 11, § 3º da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. Logo, consoante o disposto na Súmula do CARF nº 35, rejeito essa preliminar. II Do Mérito II.1 Da Prescrição Intercorrente O Contribuinte defende que entre a ciência da lavratura do Auto de Infração (07/03/2002) e a intimação da decisão de primeira instância (agosto de 2008) haveria ocorrido Fl. 667DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 a prescrição intercorrente diante da inércia da Fazenda de decidir o contencioso administrativo, eis que transcorridos mais de 05 anos da lavratura do Auto de Infração. Não há previsão legislativa específica para o processo administrativo fiscal de prescrição intercorrente, semelhante às previsões para o Processo Tributário Judicial (§ 4º do art. 40 da Lei nº 6.830/80 – LEF) ou legislação sobre prescrição punitiva do poder de polícia na esfera administrativa (§1º do art. 1º da Lei nº 9.873/99). Ademais, não se poderia aduzir prescrição intercorrente por quanto não há como se prescrever algo que não se pode executar, pois o crédito tributário encontrase com sua exigibilidade suspensa na forma do art. 151, III do CTN: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; O presente posicionamento já restou consolidado no enunciado nº 11 da Súmula do CARF, razão pela qual afastase o argumento de prescrição intercorrente: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. II.2 Da Omissão de Rendimento Decorrente da Não Comprovação Quanto à Origem dos Depósitos O Contribuinte argumenta no sentido de que os depósitos bancários não implicaram em ganho ou acréscimo patrimonial para se sujeitar à tributação de imposto sobre a renda, vindo a discorrer sobre o conceito de renda. A argumentação levantada pelo Contribuinte não procede diante da presunção criada pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96, que autorizando a exigência de imposto de renda, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Nesta nova realidade erigida pelo legislador à condição de presunção legal, a caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se dá pela mera constatação de um depósito bancário, isoladamente considerada, mas sim pela falta de esclarecimentos da origem dos numerários depositados. Ou seja, há uma correlação lógica estabelecida pelo legislador entre o fato conhecido (ser beneficiado com depósito bancário sem demonstração de sua origem) e o fato desconhecido (auferir rendimentos) e é esta correlação que dá fundamento à presunção legal Fl. 668DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10830.002706/200267 Acórdão n.º 2201002.421 S2C2T1 Fl. 7 11 em comento, de que o dinheiro surgido na conta bancária, sem qualquer justificativa, provém de receitas ou rendimentos omitidos. Portanto, a Lei nº 9.430/1996, tornou lícita a utilização de depósitos bancários de origem não comprovada como presunção legal de omissão de receitas ou de rendimentos. O presente tema encontrase pacificado no âmbito do presente Conselho através do Enunciado nº 26 da Súmula do CARF: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430q/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Neste diapasão, é função do Fisco, entre outras, comprovar o crédito dos valores em contas de depósito ou de investimento e intimar o titular da conta bancária a apresentar os documentos, informações e esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência de omissão de receitas de que trata o artigo 42 da Lei nº 9.430/96. O Contribuinte regularmente intimado não produziu documentação hábil e idônea quanto à origem dos valores depositados/creditados nas suas contas correntes, que possibilitem elidir a presunção legal criada. Logo, é poderdever da Autoridade Tributária, em razão do princípio da legalidade ao qual está jungida, de considerar os valores depositados em contas bancárias como receita efetuando o lançamento do imposto correspondente. Conclusão Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, negar Provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Nathália Mesquita Ceia Fl. 669DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10950.904874/2009-07
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2001
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO.
Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação.
ALEGAÇÕES E PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3803-005.049
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
CORINTHO OLIVEIRA MACHADO - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JORGE VICTOR RODRIGUES - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, juliano Eduardo Llirani; Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues., João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (Presidente).
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2001 MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação. ALEGAÇÕES E PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Presidente. (Assinado digitalmente) JORGE VICTOR RODRIGUES Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 48 74 /2 00 9- 07 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, juliano Eduardo Llirani; Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues., João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (Presidente). Relatório Trata o processo de manifestação de inconformidade, apresentada em face da não homologação da compensação declarada por meio de Per/Dcomp nos termos do despacho decisório 841959045 emitido pela DRF em Maringá/PR. Segundo o despacho decisório, do qual o contribuinte foi cientificado, a compensação não foi homologada porque o crédito indicado (parte do pagamento de R$ 7.095,54, cód 2172) já se encontrava integralmente utilizado, vinculado ao processo administrativo n. 13951.000331/200131. Manifestando a sua inconformidade a contribuinte, após breve relato dos fatos, suscitou a título de premissas as seguintes questões: (i) a LC nº 70/91, por ser materialmente lei ordinária, poderia ter sido alterada e até revogada pela Lei 7.718/98; (ii) A LC nº 70/91 foi legitimamente revogada (por incompatibilidade) pela Lei 9.718/98; (iii) como a Lei nº 9.718/98 era vigente (sentido amplo) e eficaz desde a sua publicação, foi nessa data que ocorreu a revogação da LC 70/91; (iv) A Lei nº 9.718/98 não foi recepcionada pelo artigo 195, I, da CF, pela redação dada pela EC 20/98; e, (v) apesar da Lei 9.718/98 ter sido recepcionada pela Constituição (EC 20/98), não fica restabelecida a LC 70/91 anteriormente revogada. Consubstanciada em tais premissas a Manifestante observou que a havendo a LC nº 70/91 sido revogada legitimamente pela Lei nº 9.718/98, na data de sua publicação, bem assim que esta lei não foi recepcionada pela EC nº 20/98, atualmente não existe norma válida impondo a exigência da COFINS, seja sobre o faturamento, seja sobre a totalidade das receitas, para concluir pela inconstitucionalidade das modificações de base de cálculo. Ademais disso aduziu a contribuinte que a Lei nº 9.718/98 ao tentar fazer incidir a contribuição sobre a totalidade das receitas, mesmo com as exclusões de que trata o § 2º do art. 3º, acabou por alargar o conceito de faturamento para receitas que extrapolam aquelas decorrentes da venda de mercadorias e serviços. Postulou ao final pela reforma da decisão proferida pela DRF Maringá PR, para homologação integral da compensação pleiteada, e para determinação: a) da suspensão dos valores compensados na presente DComp até que haja o julgamento definitivo na esfera administrativa do presente processo de crédito de nº 109*50.904867/200905, ao qual se encontra vinculada a presente compensação, por força do previsto no art. 48, § 3º, I, da IN SRF nº 600/05 e § 5º do art. 66 da IN RFB nº 900/08, bem como do art. 151, III, do CTN; b) que a autoridade administrativa se abstenha de emitir auto de infração e de exigir a aplicação de multa moratória, seja o percentual limitado a 20% legais, seja superior a este; e c) não seja Fl. 97DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10950.904874/200907 Acórdão n.º 3803005.049 S3TE03 Fl. 7 3 aplicada multa isolada punitiva, tendo em vista que o crédito tributário ainda se encontra sob análise do processo de compensação, tendo em vista as implicações que dela possam advir. A decisão da DRJ/CTA, em seu acórdão de n. 0635.699, de 29 de fevereiro de 2012 assim julgou: Assunto: Normas da Administração Tributária Período de Apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. O Julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a aplicar a legislação vigente, restando, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. A DRJ também se manifestou quanto aos demais pedidos: Quanto ao efeito suspensivo da manifestação apresentada, são oportunas as seguintes considerações. Segundo o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, as declarações de compensação constituem confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados (§ 6º). Essas declarações, acaso não homologadas, são passíveis, em relação à decisão denegatória, de apresentação de manifestação de inconformidade, que, a propósito, deve obedecer ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 1972, e se enquadra no disposto no inc. III do art. 151 do CTN, relativamente ao objeto da compensação. Assim, à vista da legislação de regência, uma vez apresentada a manifestação de inconformidade, a exigência do “débito objeto da compensação” encontrasse temporariamente suspensa, cabendo à DRF competente observar os efeitos pertinentes. Quanto ao pedido para que não seja lavrado auto de infração para exigir multa (moratória ou isolada punitiva), tratase de questão que vai além do litígio presente nos autos e que, portanto, não pode ser apreciada no presente âmbito. No que tange à alegação de inconstitucionalidade da majoração da base de cálculo da Cofins pela Lei nº 9.718, de 1998, também não há como analisála no âmbito administrativo. Com efeito, por conta do caráter vinculado da atividade administrativa, considerações sobre a inconstitucionalidade de dispositivos legais não se encontram sob a discricionariedade da autoridade administrativa, uma vez definida objetivamente pela lei, não dando, portanto, margem a conjecturas atinentes a juízos de valor. Nesse contexto, qualquer pedido ou alegação que ultrapasse a análise de conformidade do ato administrativo de lançamento com as normas legais vigentes, como a Fl. 98DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 contraposição a princípios constitucionais, somente podem ser reconhecidos pela via competente, no caso o Poder Judiciário. Em sede de Recurso Voluntário a contribuinte usou os mesmos argumentos usados em sua Manifestação de Inconformidade, qual seja: A inconstitucionalidade a Lei 9.718/98. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Jorge Victor Rodrigues Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade e dele conheço. A matéria devolvida para apreciação por esta Corte resumese à inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, pois tal premissa serviu como pressuposto ensejador do recolhimento realizado a maior ou indevido pela contribuinte, eis que do aludido alargamento resultaram créditos que foram utilizados em pedido de compensação, com débitos próprios, bem assim à comprovação de liquidez e certeza do crédito tributário alegado pelo sujeito passivo. O alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins foi matéria analisada em definitivo no âmbito do Supremo Tribunal Federal, que reconheceu a repercussão geral para a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 e, dentre os precedentes destacase aquele cuja ementa transcrevese adiante: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE 585235/MG, Relator: Min. Cézar Peluso, julgado em 10/09/2008). Por sua vez a Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, introduziu nova redação ao artigo 62 e 62A do RICARF/2009, notadamente ao parágrafo único e inciso I, respectivamente, in verbis: Fl. 99DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10950.904874/200907 Acórdão n.º 3803005.049 S3TE03 Fl. 8 5 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. (Grifei). Inferese do texto acima transcrito que a decisão do STF é vinculativa para os órgãos judicantes integrantes do CARF, portanto devendo ser reproduzida pelos seus conselheiros, ex vi da orientação normativa contida no RICARF/09. Os efeitos jurídicos decorrentes dessa decisão também trouxeram implicações em relação ao conceito de faturamento instituído pela LC nº 70/91, que houvera sido alterado com o advento da Lei nº 9.718/98, notadamente no que pertine ao alargamento da base de cálculo, ou seja, a referida decisão devolveu o entendimento dado à definição de faturamento àquele já consagrado pelo artigo 2º do DL nº 70/91, que compreende tão somente o ingresso de receitas provenientes da venda de mercadorias e da prestação de serviços, ou da combinação de ambos. A este entendimento me filio em observância ao disposto nos artigos 62 e 62 A do RICARF/09, ao contido nos artigos 1º e 4º do Decreto nº 2.346/97, e no art. 79, XII, da Lei nº 11.941/09. De outra parte, há o tema acerca da não homologação do Per/DComp por meio de despacho decisório eletrônico, que compreende a insuficiência de saldo credor para solver os débitos informados na aludida DComp, sendo certo que a este respeito esteve silente a Recorrente, tanto por ocasião da manifestação de inconformidade aviada, quanto no recurso voluntário interposto, inclusive não constando dos autos os elementos de prova que deveriam consubstanciar os argumentos probantes da liquidez, certeza e exigibilidade do crédito vindicado, o que deveria ocorrer sob à égide do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 (ressalvadas as hipóteses previstas no seu § 4º), eis que cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado, haja vista que tal procedimento é de iniciativa exclusivamente sua. Em contrapartida cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação. Com estas observações, em face do disposto no princípio da verdade material, oriento o meu voto pelo desprovimento do recurso, por não restar demonstrada a existência do crédito alegado. É assim que voto. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Sala de Sessões, em 27 de novembro de 2013. (Assinado digitalmente) JORGE VICTOR RODRIGUES Relator Fl. 101DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 12466.722369/2011-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 18 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3201-000.470
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki Presidente (assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Mara Cristina Sifuentes. Ausentes Justificadamente os Conselheiros Winderley Morais Pereira e Daniel Mariz Gudiño.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Mara Cristina Sifuentes. Ausentes Justificadamente os Conselheiros Winderley Morais Pereira e Daniel Mariz Gudiño. Referese o presente processo a auto de infração relativo ao regime aduaneiro especial de drawback. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Trata o presente processo do Auto de Infração de fls. 02/51, lavrado para exigência de Imposto de Importação, IPI, PIS/Pasep importação e Cofins importação,acrescidos dos juros de mora e multa de ofício, totalizando um crédito tributário exigível no valor de R$18.421.201,58, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 24 66 .7 22 36 9/ 20 11 -4 0 Fl. 1652DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 12466.722369/201140 Resolução nº 3201000.470 S3C2T1 Fl. 94 2 pelo descumprimento das obrigações assumidas no regime de Drawback. Segundo relato da autoridade lançadora, foram fiscalizados os Atos Concessórios (AC) n.ºs 20040012697, 20040136353, 20040310671, 20050094076, 20050262670 e 20060046529, para verificação do cumprimento das obrigações assumidas no regime de Drawback, tendo sido, a interessada, intimada a prestar informações e a respectiva comprovação do adimplemento destas concessões. A fiscalização concluiu pelo adimplemento dos AC’s n.ºs 20040012697, 20040136353 e 20040310671. Com relação aos demais AC’S, foram apuradas as irregularidades elencadas abaixo, originando a exigência da diferença de tributos com os respectivos acréscimos legais. A fiscalização defende a constituição dos créditos, afastando a ocorrência da decadência com base no art. 150, § 4.º da Lei n.º 5.172/66 (CTN), considerando que o marco inicial para contagem da decadência é data da comunicação pela SECEX da inadimplência do Ato Concessório por parte da beneficiária. Ressalta a competência da Secretaria da Receita Federal para fiscalização e lançamento dos tributos suspensos, quando apurada infração à legislação, conforme dispõe o art. 3.º da Portaria MF n.º 594/92, art. 93 da Lei n° 4.502/64, os incisos I e II do art. 1o da Lei n° 5.314/67 e o inciso I dos arts. 605 e 676 do antigo e do atual Regulamento Aduaneiro, aprovados pelos Decretos n° 4.543/02 e 6.759/09. A)Ato Concessório n.º 20050094076: Através deste AC e seus aditivos, a interessada assumiu o compromisso de importar mercadorias no valor de U$82.857.952,60 e exportar até 20/04/2007 o valor de U$511.988.379,91. A partir dos dados constantes no Sistema Siscomex Exportação foi verificado que realizou exportações no valor de U$450.019.500,72, representando um percentual de 87,9% da obrigação assumida. Como é impossível, com base na documentação apresentada, definir quais as mercadorias não foram utilizadas na produção dos bens exportados, foi lançado o percentual de 12,1 % sobre o valor CIF das adições das Declarações de Importação – DI’s vinculadas ao Ato Concessório, correspondente ao percentual de insuficiência de exportações obrigatórias. B) Ato Concessório n.º 20050262670: Através deste AC e seus aditivos, a interessada assumiu o compromisso de importar mercadorias no valor de U$54.573.850,16 e exportar até 28/07/2007 o valor de U$298.015.883,42. A contribuinte registrou Declarações de Importação – DI’s, no valor total de US$59.167.633,83, considerados os valores parciais e integrais transferidos do AC 20050094076 e deduzidos os valores das Declarações de Importação – DI’s transferidas para o AC 20060049529. O excesso de 8.7% ocorreu a partir do registro da DI 060005110701, em 03.01.2006. Estão sendo cobrados, integralmente, Fl. 1653DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 12466.722369/201140 Resolução nº 3201000.470 S3C2T1 Fl. 95 3 os tributos incidentes nas adições das DI’s vinculadas ao Ato Concessório registradas além do limite permitido pelo Ato Concessório, a partir da data em que foi ultrapassado. C) Ato Concessório n.º 20060049529: Nos termos do Ato Concessório, foi estabelecido o limite máximo (Valor CIF) de importações em US$57.877,702.14. A interessada registrou DI’s no valor total de US$60.626,535.22, considerados os valores parciais e integrais transferidos do AC 20050262670 e deduzidos os valores das DI’s transferidas para o AC 20060137541, que não é objeto desta Ação Fiscal. O excesso de 4,7% ocorreu a partir do registro da DI0602350055, em 02/03/2006. Estão sendo cobrados, integralmente, os tributos incidentes nas DI’s registradas além do limite permitido pelo Ato Concessório, a partir da data em que foi ultrapassado. Nos termos do Ato Concessório, a contribuinte tinha a obrigatoriedade de exportar o valor de mercadorias no total de US$350.106.272,74 e, conforme os dados constantes do Sistema Siscomex, foram realizadas exportações no valor total de US$347.914.106,97, o que representa o percentual de 99,4 % da obrigação assumida. Como é impossível, com base na documentação apresentada, definir quais as mercadorias não foram utilizadas na produção dos bens exportados, está sendo lançado o percentual de 0,6 % sobre o valor CIF adições das DI’s vinculadas ao Ato Concessório, correspondente ao percentual de insuficiência de exportações obrigatórias. A demonstração dos cálculos e a indicação das DI’s vinculadas aos respectivos Atos Concessórios encontramse nos Anexos X e XI, às fls. 1150/1174. Informa também a autoridade lançadora que todos os Atos Concessórios,Declarações, Registros, e DARF’s e referidos neste Auto de Infração, estão em nome de Companhia Siderúrgica de Tubarão, razão social anterior da autuada, sendo que o número de registro no CNPJ é o mesmo. Também esclarece que em algumas Declarações de Importação a autuada informa redução da base de cálculo do ICMS, para efeito da apuração do valor das Contribuições, com base no artigo 70 do Regulamento do ICMS do Estado do Espírito Santo. No entanto tal artigo foi revogado pelo Decreto n.º 1.090R,de 25/10/2002. Às fls. 40/48 a fiscalização junta diversas decisões administrativas que tratam da matéria da autuação. Intimada da autuação, a interessada apresentou a impugnação de fls. 1176/1202, alegando, em síntese, o que segue: Preliminares: Fl. 1654DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 12466.722369/201140 Resolução nº 3201000.470 S3C2T1 Fl. 96 4 1) Ilegitimidade da impugnante para figurar no polo passivo da autuação, tendo em vista a reestruturação societária da empresa Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST) conforme resumo abaixo: a) 29/02/2008: a Vega do Sul (CNPJ 03.795.031/000174) foi cindida parcialmente com versão da parcela cindida do patrimônio líquido para a Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST, CNPJ 27.251.974/000102). Nesta mesma data a denominação social da Vega do Sul foi alterada para Arcelormittal Tubarão Comercial S/A e sua sede foi transferida do Estado de Santa Catarina para a capital do Estado de São Paulo. b) 30/06/2008: a Arcelormittal Tubarão Comercial S/A (CNPJ03.795.031/000174,ex Vega) foi incorporada pela CST, com a consequente extinção da Arcelormittal Tubarão Comercial. c) 01/09/2008: em Assembleias Gerais Extraordinárias, os acionistas da então CST e da Arcelormittal Brasil (CNPJ 17.469.701/000177) aprovaram a cisão parcial da CST e a incorporação da parcela cindida (equivalente a aproximadamente 95% do patrimônio líquido da CST) pela Arcelormittal Brasil. Além disso, na mesma ocasião, a denominação da CST foi alterada para Arcelormittal Tubarão Comercial e sua sede foi transferida para a capital do Estado de São Paulo. Para a comprovação, anexa as alterações societárias nas Juntas Comerciais (fls. 1150/1159) e protocolo de justificação (fls. 1160/1174), onde consta que quem deve arcar e assumir eventuais passivos e, portanto, figurar no polo passivo da autuação é a Arcelormittal Brasil S/A. Por esta razão deve ser anulada a autuação por vício formal, por descumprimento dos arts. 10 e 11 e do Decreto n.º 70.232/72 e Lei n.º 6.404/76. 2) Decadência: Os valores lançados correspondem ao período de 02/2005 a 12/2006, e a ciência do auto de infração se deu em 10/08/2011. Como se sabe, o prazo decadencial do direito de o fisco efetuar o lançamento de ofício dos tributos é fixado pelo art.150, § 4.º, do CTN: cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. Ainda que não se entenda pela aplicação do art. 150, § 4.º, ainda assim a maior parte do crédito estaria fulminado pela decadência por aplicação do art. 173, I, já que as declarações glosadas foram registradas a partir de 12/02/2005, o que levaria o prazo final decadencial para 01/01/2011. 3) da incompetência da Receita Federal do Brasil para desconsiderar o cumprimento do regime aduaneiro pelo beneficiário, quanto aos fundamentos lançados no relatório fiscal regularidade comprovada pelo Decex: sendo inconteste a competência da Secex para conceder e emitir o relatório de adimplência, quanto às comprovações de quantidade ou vinculação física não há que se falar em nova revisão por parte da Receita Federal. Ademais ao relatar as divergências e supostas irregularidades constatadas, a fiscalização afirma que "o Decex é o órgão do Ministério do Desenvolvimento Indústria, Comércio e Turismo Fl. 1655DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 12466.722369/201140 Resolução nº 3201000.470 S3C2T1 Fl. 97 5 competente para a gestão do benefício fiscal. Assim, não cabe ao fisco discutir as transferências que o contribuinte/autuado solicitou e sua aceitação. A competência do fisco se restringe ao desembaraço aduaneiro de importação e exportação e aos seus aspectos tributários". Mérito: A) Ato Concessório n.º 20050094076: Afirma a fiscalização que "nos termos do AC, a Empresa teria a obrigatoriedade de exportar o valor de mercadorias no total de U$511.988.379,91 e, conforme os dados constantes do Sistema Siscomex Exportação realizou exportações no valor total de US$450.019.500,72, o que representa o percentual de 87,9% da obrigação assumida". Em relação a este Ato Concessório, a divergência encontrada quanto ao valor das exportações, referese exclusivamente à um pequeno equívoco ocorrido no momento do lançamento no sistema, dos dados constantes no RE 07/0360903002 (fls.1348/1350). O valor lançado neste RE para efeito de baixa do Ato Concessório enviado ao DECEX foi de US$69.142.723,62, enquanto o correto seria US$ 6.914.272,62, valor real do referido RE, que nada mais é do que o mesmo numero com a inclusão de um dígito a mais, o número 3. Este erro foi constatado pelo DECEX como um simples erro de lançamento, sem comprometer o AC que foi baixado por aquele órgão. O numero 3 ao final, antes dos dígitos dos centavos, foi incluído equivocadamente. Notese que a diferença entre os valores (correta e errado) corresponde a US$62.228.451,00 que praticamente corresponde a diferença apontado pelo fisco de US$61.968.879,91, sendo que a pequena distorção se dá em decorrência da inclusão dos valores do frete e eventualmente, conversão de moeda. Conforme informado pela Impugnante durante o procedimento fiscal, algumas declarações de Importação vinculadas ao Ato Concessório em referência foram transferidas para o Ato Concessório n.° 20050262670, de acordo com a solicitação de transferência enviada ao DECEX em 28.03.2007 (fls. 1352/1353)), nos moldes do art. 160 da Portaria SECEX n.° 14, de 17.11.04 e também houve a nacionalização de DI's proporcionais à quantidade de produtos não exportados com o devido recolhimento dos tributos (fls. 1355/1375). No entanto, nem todas essas informações foram corretamente consideradas pela fiscalização na elaboração da planilha de memória de cálculo anexada ao Auto de Infração. Apenas como um exemplo do que acima se afirmou, tomase a DI n.º 051072345901, que foi parcialmente transferida para o Ato Concessório 20050262670, no entanto a transferência foi desconsiderada pela fiscalização constando na memória de cálculo o seu valor integral (CIF), no caso US$1.288.301,32, enquanto o correto seria constar o saldo remanescente de US$874.397,85 (fls. 1377). Ocorreram, outras transferências parciais que apesar de mencionadas no relatório fiscal, na memória de cálculo utilizada para se apurar o suposto tributo devido e ora cobrado, o saldo remanescente não foi Fl. 1656DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 12466.722369/201140 Resolução nº 3201000.470 S3C2T1 Fl. 98 6 corretamente lançado (DI’s 05/0793893802, 05/0793912801, 050867335001 e 05/0941753601), conforme demonstrado na tabela de fls.1192. Requer a insubsistência do auto pelos erros de apuração que comprometem a autuação ou, alternativamente a correção da memória de cálculo elaborada pela fiscalização. B) Ato Concessório n.º 20050262670: A impugnante questiona os valores apresentados pela fiscalização na memória de cálculo que relaciona as DI’s para apuração do valor total importado. Apresenta uma relação às fls. 1193/1194 para demonstrar erro de cálculo na tabela da fiscalização, cotejando com as informações constantes nas DI’s que alega ter juntado aos autos. Também parte das diferenças apontadas pela fiscalização referese à transferência de importações do AC 20050262670 para 20060049529, conforme solicitação feita ao Decex em 09/07/2007 (fls. 1388/1391). A fiscalização alega que a interessada não solicitou a retificação dos Dados Complementares das DI’s para alterar a vinculação dos AC’s. No entanto a fiscalização em vários casos aceitou as transferências realizadas, não podendo, então, adotar critérios jurídicos distintos. Também não há obrigatoriedade em retificar os Dados Complementares das DI’s. C) Ato Concessório 20060049529: A fiscalização aponta uma divergência nos valores de importação entre o que foi estabelecido como limite máximo (US$57.877.702,14) e o constante como registrado no Siscomex (US$60.626.535,22). A diferença entre os valores de limite e os informados pela requerente (US$58.220.285,12) reside no fato de que foram acrescidos aos valores das importações aqueles referentes a multas e encargos que não deveriam constar na planilha apresentada à fiscalização. Anexa às fls. 1393/1394 uma tabela para demonstrar que excluindo estes acréscimos, o valor de importações resulta em US$57.758.079,22, inferior ao constante no Ato Concessório. Alega também, a interessada, que as divergências encontradas entre os valores constantes no auto e os valores nas declarações de Importação encontramse demonstradas na planilha de fls. 1197/1198, e que se somando a diferença obtida, chegase ao valor das importações constante no Siscomex (US$60.626.535,22). Atribui estes erros materiais da fiscalização às transferências parciais entre AC’s desconsideradas no auto. Exemplifica com a DI n.º 05/1213106001 (anexa às fls. 1396/1401), onde as adições foram vinculadas parcialmente a dois AC’s diferentes sem que a fiscalização tenha feito a necessária regra de três. Quanto às exportações alega que também houve erros materiais em dois RE’s: RE 07/1323234 onde foram contabilizadas duas vezes e com Fl. 1657DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 12466.722369/201140 Resolução nº 3201000.470 S3C2T1 Fl. 99 7 valores divergentes (US$17.835,25 e US$17.339,40); RE 07/1287074, onde o fisco considerou o valor de US$245.026,05, enquanto o correto é US$2.457.026,05, vendo que se trata de um erro material por ser desconsiderado um algarismo. Consideradas estas divergências, encontrase o valor de US$350.106.272,74 indicado pela impugnante. Ao final conclui que a autuação não pode sobreviver diante dos erros materiais apontados e as transferências realizadas pela interessada que foram desconsideradas pela fiscalização. Requer prova pericial nos termos do art. 16, IV, do Decreto n.º 70.235/72, apontando quesitos técnicos para análise da documentação e transferências realizadas (quesitos às fls. 1200/1201). Conclui pela: 1) anulação por vício formal por erro na indicação do sujeito passivo; 2) extinção do crédito tributário pela ocorrência da decadência; 3) descabimento por parte da Receita Federal da comprovação dos Atos Concessórios que cabe à Secex; 4) improcedência dos autos pelos erros apontados na memória de cálculo elaborada pela fiscalização e pelas transferências e retificações desconsideradas na autuação. A Delegacia de Julgamento julgou parcialmente procedente a impugnação, em decisão assim ementada: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Anocalendário:2005, 2006 DRAWBACK. DECADÊNCIA. PRAZO. ART. 173, INCISO I DO CTN. A fiscalização do cumprimento do regime aduaneiro de Drawback, somente pode ser iniciado após 30 dias do prazo final para cumprimento do compromisso de exportação, portanto o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente ao descumprimento do regime de drawback, extingue em 5 (cinco) anos, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte, àquele em que foi extinto o prazo para a conclusão do regime, nos termos do inciso I, do art. 173 do CTN. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA. Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA TRIBUTÁRIA. CISÃO PARCIAL. O ato de cisão parcial pode estipular que as sociedades que absorverem parcelas do patrimônio da sociedade cindida serão responsáveis apenas pelas obrigações que lhes forem transferidas, sem solidariedade entre si ou com a companhia cindida, mas essa disposição não se aplica a tributos, pois não há lei que autorize alterar a definição legal do sujeito passivo por meio de convenções particulares. DRAWBACK. CONCESSÃO E APLICAÇÃO. COMPETÊNCIA RFB/SECEX. Fl. 1658DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 12466.722369/201140 Resolução nº 3201000.470 S3C2T1 Fl. 100 8 É competência da SRF (RFB) a aplicação e a fiscalização do regime aduaneiro especial de drawback, modalidade suspensão. A SECEX é o órgão responsável pelo controle administrativo de regime a quem compete a sua concessão, mediante emissão de ato concessório e respectivos aditivos, inclusive, possíveis prorrogações de prazo e transferências de Declarações de Importação para outros Atos Concessórios. Impugnação Procedente em Parte Na decisão ora recorrida entendeu se, em síntese, que: i. sobre a ilegitimidade passiva: a disposição contida no protocolo de justificação, pactuada entre as partes, não é oponível à Fazenda Nacional, a teor do art. 123 do CTN, havendo a sujeição passiva nos termos do art.121 do CTN; ii. sobre a decadência, aplicouse a inteligência do art. 752, § 3.º, I, do Regulamento Aduaneiro, Decreto n.º 6.759/2009, entendendose que a regra de decadência do drawback estribase no art.173, I do CTN, sendo o marco inicial da contagem, o momento de finalização do prazo do cumprimento do regime, acrescido dos 30 dias para pagamento dos tributos, a partir do qual, pode agir a fiscalização; iii. sobre a competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil, afirma que consistem em verificar o cumprimento dos requisitos e condições fixados pela legislação, independentemente da baixa de atos concessórios, nos termos do Parecer COSIT n.º 53, de 22/07/99; iv. sobre o Ato Concessório 2005094076, transcrevese a conclusão da decisão recorrida: A impugnante referese a um pequeno equívoco ocorrido no momento do lançamento no sistema dos dados constantes no RE 07/0360903002 (fls. 1348/1350). O valor lançado neste RE para efeito de baixa do Ato Concessório enviado ao Decex foi de US$69.142.723,62, enquanto o correto seria US$6.914.272,62 (erro de digitação), sendo que o Decex reconheceu como um simples erro, não comprometendo o AC. Destaca que a diferença entre os valores (correto e errado) corresponde a US$62.228.451,00 que praticamente corresponde à diferença apontada pelo fisco de US$61.968.879,91, No entanto tal argumento acabaria por alterar a relação entre as importações autorizadas e as exportações comprometidas, causando uma diminuição no total das exportações, em prejuízo à própria interessada. Além disto, tal fato (correção do RE) foi considerado pela fiscalização ao relacionar os RE’s vinculados a este AC para totalizar as exportações, conforme se verifica da planilha no auto de infração às fls. 29 (8.º registro na tabela) Ainda conforme informado pela impugnante durante o procedimento fiscal, algumas Declarações de Importação vinculadas ao Ato Concessório em referência foram transferidas para o Ato Concessório n.° 20050262670, de acordo com a solicitação de transferência enviada ao Decex em 28.03.2007 (Anexo V fls. 1352/1353), nos moldes Fl. 1659DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 12466.722369/201140 Resolução nº 3201000.470 S3C2T1 Fl. 101 9 do art. 160 da Portaria SECEX n.° 14, de 17.11.04, fato este que não teria sido considerado na autuação. No entanto estas transferências foram consideradas na memória de cálculo, com exceção da DI 05/10723459001. De acordo com o histórico dos atos concessórios juntados pela fiscalização (fls 377/435), constatase que parte da DI foi transferida do AC 2005094076 para o AC 20050262670. Estes valores, portanto, devem ser adequados ao cálculo feito pela fiscalização, devendo ser considerada da referida DI no AC 2005094076 o valor aduaneiro de US$876.312,52 e no AC 20050262670 o valor de US$411.988,80. Também não confere a informação dada pela impugnante de que as DI’s que tiveram pagamentos efetuados não foram considerados pela fiscalização. Vêse pela planilha de cálculos (Anexo X – fls. 1151/1159) que referidos pagamentos foram computados. Em relação, portanto, ao AC 20050094076, acatase a alegação quanto à transferência parcial da DI n.º 05/10723459001 para o AC 20050262670, devendo ser considerados os seguintes valores CIF: AC 20050094076: US$876.312,52 AC 20050262670: US$411.988,80 v. sobre o Ato Concessório 20050262670 transcrevese a conclusão da decisão recorrida: A impugnante questiona os valores apresentados pela fiscalização na memória de cálculo onde estão relacionadas as DI’s para apuração do valor total importado. Apresenta uma relação às fls. 1193/1194 para demonstrar erro de cálculo na tabela da fiscalização, cotejando com as informações constantes nas DI’s que alega ter juntado aos autos. Juntou às fls. 1396/1401 a DI n.º 05/12131060 como exemplo de erro de cálculo, todavia a partir dela verificamos que estão corretos os cálculos da fiscalização, com seguro e frete calculados proporcionalmente. Quanto à DI n.º 05/10723459001, como já exposto acima no item anterior, está correta a impugnante. Parte do valor foi transferido do AC 2005094076 para o AC 20050262670 e os dados constam nos respectivos dados do histórico dos atos concessórios fornecidos pela SECEX (fls. 396 e 421). Assim deve ser alterado o valor aduaneiro desta DI neste AC para US$$411.988,80. Demais alegações de divergências não foram comprovadas, pois embora alegado na impugnação, as DI’s não foram juntadas aos autos a fim de que fosse possível a constatação dos valores CIF corretos. Alega também que parte das diferenças apontadas pela fiscalização referese à transferência de importações do AC 20050262670 para o AC 20060049529, conforme solicitação feita ao Decex em 09/07/2007 (fls. 1388/1391) e que a fiscalização não teria aceitado haja vista que a interessada não solicitou a retificação dos Dados Complementares das DI’s para alterar a vinculação dos AC’s. Fl. 1660DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 12466.722369/201140 Resolução nº 3201000.470 S3C2T1 Fl. 102 10 Cotejandose referido requerimento dirigido ao Decex para transferência de DI’s para o AC 20060049529 com as planilhas elaboradas pela fiscalização às fls.1154/1159 constatase que as DI’s elencadas pela impugnante como transferidas para o AC 20060049529 foram perfeitamente indicadas e consideradas nos cálculos dos tributos devidos. Verificase, inclusive, que parte destas mesmas DI’s foram posteriormente transferidas para outro AC de n.º 20060137541, que não é objeto desta autuação. As planilhas citadas estão elaboradas de tal foram a permitir a identificação de quais DI’s estão sendo autuadas tanto pelo seu excesso na importação autorizada, quanto pelo excedente de importações em relação ao valor das exportações efetivadas que ficaram inferiores ao limite mínimo exigido. Assim, vemos que nas fls. 1154 estão relacionadas as DI’s vinculadas ao AC 20050262670 na sua origem e as que foram posteriormente transferidas do AC 20050094076 (integral e parcial). Às fls. 1155/1156 estão relacionadas as DI’s transferidas para o AC 20060049529 e que, portanto, não foram computadas no AC 20050262670. Aqui cabe esclarecer que estas DI’s são justamente aquelas que a impugnante reclama que não teriam sido consideradas pela fiscalização como transferidas. Às fls. 1157, finalmente, constam as DI’s vinculadas ao AC 20060049529, tanto as originalmente quanto aquelas transferidas do AC 20050262670 e ainda duas DI’s que tiveram seus valores parciais transferidos para o AC 20060137541. E complementando esta informação, às fls. 1158/1159 a fiscalização relaciona as DI’s transferidas para o AC 20060137541, citando, inclusive, aquelas que vieram transferidas do AC 20050262670. Com isto a fiscalização demonstra que as operações de transferências de DI’s entre os AC’s, foram consideradas nos cálculos da autuação, contrariando as alegações da impugnante, e ainda justifica a ausência de algumas DI’s que a interessada alega que não estariam sendo devidamente relacionadas pela fiscalização, já que posteriormente foram novamente transferidas para outros atos concessórios. vi. sobre o Ato Concessório 20060049529 transcrevese a conclusão da decisão recorrida: A impugnante alega que diferença entre os valores de limite e os informados pela requerente (US$58.220.285,12) reside no fato de que foram acrescidos aos valores das importações aqueles referentes a multas e encargos que não deveriam constar na planilha apresentada à fiscalização, anexando uma planilha às fls. 1393/1394 uma tabela para demonstrar que excluindo estes acréscimos, obtémse o valor de importações em US$57.758.079,22, inferior ao constante no Ato Concessório. De início cumpre destacar que esta tabela é desprovida de comprovação. A impugnante alega que os acréscimos ali indicados (e Fl. 1661DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 12466.722369/201140 Resolução nº 3201000.470 S3C2T1 Fl. 103 11 que deveriam ser excluídos dos valores das importações feitas) são multas e encargos. Todavia não comprova tais afirmações e sequer junta as DI’s para comprovar os valores aduaneiros das mercadorias importadas para contestar os valores extraídos do Sistema Siscomex. No tocante as divergências apontadas na planilha elaborada pela impugnante às fls. 1197/1198 que seriam originadas de acréscimos (multa e encargos), é de se esclarecer que deveram ser comprovadas com as DI’s que alega ter juntado aos autos, mas não juntou. Não cabe a simples alegação de supostos valores incluídos indevidamente sem que se comprove a efetivação dos mesmos. A interessada, para exemplificar, junta uma única Declaração de Importação, DI n.º 05/12131060 (fls. 1396/1401). Alega que neste caso a diferença provém das adições que seriam vinculadas a DI’s diferentes e que a fiscalização não teria feito a necessária “regra de três”. No entanto, verificando a cópia da DI juntada pela interessada, vemos que no campo dos dados complementares (fls.1398) consta anotado que a DI foi transferida integralmente para o AC 20060049529. Desta forma está correta a indicação do valor integral para este AC referente a esta DI nas planilhas elaboradas pela fiscalização, não existindo divergência. Demais valores apontados como divergentes não podem ser verificados, pois, como já dito antes, a impugnante não trouxe aos autos as DI’s que demonstrariam os valores aduaneiros que indica como sendo os corretos e não aqueles constantes nos dados do Siscomex indicados pela fiscalização em suas planilhas. Quanto às exportações, a impugnante se limita a apontar duas RE’s que teriam divergências. 1.º) RE 07/1323234 que teria sido contabilizado duas vezes com valores diferentes: de fato, analisando a planilha de fls. 34, encontramos este RE aparentemente repetido. Digo aparentemente, pois os valores atribuídos são diferentes e as Declarações de Exportação (DDE) são distintas, o que leva a concluir que se trata de um erro de transcrição no número do RE. Até porque um RE não poderia estar vinculado a mais de DDE. Como a impugnante não trouxe documentos que pudessem confirmar a repetição de um mesmo RE, e diante da quantidade de fatos e elementos que compõe a presente autuação, no intuito de privilegiar a celeridade processual, entendo desnecessário a determinação de diligência para esclarecer o erro de digitação praticado pela fiscalização, já que, repito, os valores e os n.ºs de DDE’s distintos levam a esta conclusão. Reforça, ainda, a tese deste erro o fato de que se se admitisse a duplicidade de RE’s, a exclusão de um deles levaria a diminuição das exportações, sendo mais prejudicial à contribuinte. O outro RE acusado é o de n.º 07/1287074 ao qual a impugnante atribui o valor de exportação de US$2.457.026,05, enquanto a fiscalização considerou o valor de US$245.026,05. No entanto, mais uma vez, se trata de uma alegação sem qualquer comprovação. Apenas levanta a hipótese de erro de valores, mas não comprova com qualquer documento. Fl. 1662DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 12466.722369/201140 Resolução nº 3201000.470 S3C2T1 Fl. 104 12 No que concerne a este AC 20060049529, portanto, corretos estão os valores considerados pela fiscalização na apuração do descumprimento das obrigações e exigência de tributos. Em síntese, a decisão recorrida foi no sentido de dar parcial procedência ao lançamento, cancelandose o crédito tributário exigido no valor de R$63.209,66. Em sede de recurso voluntário, a Recorrente reiterou os argumentos preliminares da impugnação, sobre a ilegitimidade passiva, decadência e incompetência da Receita Federal do Brasil para a análise da baixa dos atos concessórios. No mérito, alegou, em síntese que: i. sobre o Ato Concessório n° 2005094076: presumiu o fisco que 12,1% das importações não teriam sido utilizadas na produto exportada, motivo pelo qual foram glosadas nesta autuação em nenhum momento demonstrou que as importações vinculadas ao AC não foram exportadas; o DECEX devidamente procedeu à baixa do Ato Concessório; não teria feito a Fiscalização a comparação entre o índice estabelecido pelo DECEX e o índice cumprido, ou seja, não verificou que, se a Recorrente exportou menos do que se comprometeu, também importou menos; o índice previsto no ato concessório foi de 16,18% (US$ 82.857.952,60 para importação e US$ 511.988.379,91 para exportação).; todavia, pelos números estabelecidos pela Fiscalização, o índice alcançado foi de 17,95% (US$ 80.807.214.27 para as importações e US$ 450.019.500,72), o que é bem próximo do índice inicialmente prometido e muito abaixo do limite de 40% estipulado pelo DECEX; partindo da premissa do que fez a fiscalização, a glosa jamais poderia ser de 2,1% das importações, mas a diferença entre o limite inicialmente permitido (16,18%) e o limite que na visão fiscal teria sido alcançado (17,95%), o que daria bem menos do que foi glosado; o regime de Drawback abrange uma cadeia de eventos de indiscutível complexidade, sobre os quais incidem a todo momento diversas variáveis de mercado e de produção. por causa disso que a relação de valores (US$) importados e exportados sofre com oscilações que afetam, por exemplo, o valor final prometido para as exportações; para que se cumpra o regime, o que importa é que as mercadorias importadas (em termos de volume) sejam integralmente utilizadas na exportação, sendo irrelevantes o preço, variações cambiais, oscilações de frete, etc. a Portaria n° 14/2004 da SECEX determina que a relação básica entre importação e exportação é de 40%; Fl. 1663DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 12466.722369/201140 Resolução nº 3201000.470 S3C2T1 Fl. 105 13 o ato concessório foi aprovado pelo DECEX porque atendeu às expectativas e exigências do regime, que podem ser traduzidas em duas premissas: a) exportou tudo aquilo que importou e; b) exportou agregando satisfatoriamente valor ao insumo importado; ainda que prevalecesse a tese fiscal, reconstruindo a razão entre o valor a ser exportado (US$ 499.426.540,61) e o valor exportado a menor (US$49.407.039,89), na verdade o suposto inadimplemento é da ordem de 9,89% ; os valores decotados da Dl 05/12 31060 em primeira instância, bem como os valores impugnados, fazem reduzir ainda mais o valor de importações encontrado pela fiscalização; as DIs 050793912801, 050867335001 e 050941753601 foram parcialmente transferidas para outro AC, mas com frete integralmente computado no AC 2005094076; quanto aos valores de mercadoria fixados na autuação, a Recorrente não tem discordância em relação ao fisco, contudo, os fretes a elas vinculados foram computados integralmente em duplicidade; em alguns casos verificase que no valor da mercadoria já está incluído o valor do frete, pois ali foi computado o valor CFR, de forma que, se o frete for novamente incluído na coluna "frete", ele estará novamente sendo cobrado em duplicidade; a própria fiscalização demonstra que o frete já está embutido nesse valor, mas além de cobrálo novamente na coluna ao lado, o faz duas vezes integralmente, em dois atos concessórios diferentes; quanto ao RE n° 06/1890358, verificouse um erro de digitação no lançamento fiscal, posto que na autuação é computado o valor de US$ 720.284,30 (doe. 10), enquanto na verdade o valor correto do RE é US$ 790.284,30 valor ser de pronto retificado no cálculo fiscal . ii. sobre o Ato Concessório n° 20050262670 o suposto descumprimento do regime verificouse porquanto a Empresa deveria ter importado um máximo de US$ 54.573.850,16, mas entendeu o fisco que foram importados US$ 59.167.633,83 –havendo um excedente de US$ 4.593.783,67; o suposto excedente adviria da Dl 06/0005110701 (doc. 12), no valor de US$ 4.858.778,30, que, contudo, conforme demonstra consulta ao Extrato do Siscomex em junho/2013 (doc. 14), não pertence ao AC 20050262670 mas sim ao AC 20060137541 (integralmente), que não é objeto desta autuação; iii. sobre o Ato Concessório n° 20060049529 entende a fiscalização ter a Empresa excedido o limite de importações em US$ 2.748.833,08, contudo a respectiva Dl 05/12131060 (doc. 15), possui duas adições, sendo que a adição 01 inicialmente está vinculada ao AC 20050094076 enquanto a segunda inicialmente vinculase ao AC 20050262670; Fl. 1664DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 12466.722369/201140 Resolução nº 3201000.470 S3C2T1 Fl. 106 14 segundo anotação no campo complementar da Dl, esta foi transferida para o AC 20060049529, porém não integralmente, ou seja, de US$9.558.416,97 (doc. 16). a adição 1 foi transferida para o AC 20050262670 (doc. 17), ao passo que a adição 2 foi transferida para o AC 20060049529 (doc. 18); destaca que este ponto é referendado (ainda que contraditoriamente) pela própria fiscalização, pois esta Dl foi contabilizada em duplicidade nas planilhas fiscais:parcialmente (adição 01) para o AC 20050262670 (doc. 19) e;integralmente (adição 01 e 02) para o AC 20060049529 (doc. 16); em relação à Dl 06/06415003 (doc. 20), parte dos valores foram transferidos para o AC 20060137541 (que não é objeto desta autuação), restando saldo remanescente de US$ 106.974,9, no entanto, entende a Recorrente que o valor CIF remanescente representa a soma de US$ 106.974,97 + seguro de US$ 250,32; a fiscalização entende que o valor de US$ 106.974,97 representa somente o valor remanescente da mercadoria, acrescendo a esse valor o montante proporcionalizado de frete e seguro, o que gerou a divergência apontada; contudo o valor de US$ 106.974,97 é o valor Custo Frete (CFR) e não o valor FOB dessa importação, devendo ser acrescido somente do seguro proporcional (US$ 254,04) mas não do frete, posto que este valor já está incluído no valor da mercadoria; quanto à DI 06/05377795, da mesma forma, parte do valor CIF da DI 06/05377795 (doc. 21), foi transferido para o AC 20060137541, restando saldo remanescente de US$ 71.200,99; essa informação é acatada pelo fisco, no entanto, entende que o valor CIF remanescente representa a soma de US$ 71.200,99 + seguro proporcional de US$ 166,60, embora a fiscalização entenda que o valor de US$ 71.200,99 representa somente o valor remanescente da mercadoria, acrescendo a esse valor o montante proporcionalizado de frete e seguro, o que gerou a divergência apontada; o valor de US$ 71.200,99 contempla mercadoria + frete, não devendo ser a esse valor somado novamente o frete; finalmente, as demais divergências, decorrem da inclusão, na base de cálculo do valor CIF, de valores denominados de "acréscimos", conforme planilha anexada (doc. 22) as divergências referemse a "deduct moisture penalty" = "dedução da penalidade de umidade", como demonstram as respectivas invoices: dedução de um valor de Fl. 1665DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 12466.722369/201140 Resolução nº 3201000.470 S3C2T1 Fl. 107 15 US$ 0,69 no preço do milhar de tonelada (inicialmente US$ 125,00) a ser cobrado da importadora, acarretando uma redução no valor final a ser pago de aproximadamente US$ 47.534,109; tais descontos são bastante usuais nas transações comerciais de produtos a granel, como minério de ferro, coque ou carvão o fornecedor efetua o desconto na fatura e o valor da importação é, consequentemente, diminuído; estes valores devem ser desconsiderados para efeitos do valor CIF, pois, como visto, se tratam de abatimentos na nota, não do valor CIF (mercadorias + frete + seguro) e esses valores sequer foram remetidos ao exterior; para o registro das importações nestes casos (descontos informados na Invoice), a empresa adota a posição "prófisco" já que, se o registro fosse efetuado indicando apenas o valor líquido do material como valor aduaneiro, o recolhimento de impostos, caso existisse, poderia a ser contestado pela fiscalização; para evitar o problema, a empresa de antemão indica no valor da VMLE o valor bruto da fatura e na ficha 'valor aduaneiro' indica o valor líquido inserindo o valor do desconto no item "acréscimos de DI"; a Recorrente anexa todas as demais DIs (doc. 24) em que foram verificados tais acréscimos, a fim de comprovar que os VLME's, utilizados pela fiscalização como valor CIF, computam em seu quantum os descontos aqui combatidos, para que o valor a ser considerado seja o VMCV apontado nas adições de cada DI, tal qual explicitado em planilha e discriminado detalhadamente; quanto às exportações, a principal divergência entre os valores do fisco e os valores da Empresa reside no RE 07/1287074, que apresentou uma divergência de US$ 2.212.000,00 defende a fiscalização que o valor seria de US$ 245.026,05 (doc. 25), enquanto defende a fiscalização que este RE possui o valor de US$ 2.457.026,05, demonstrando que o problema reside em erro de digitação (não inclusão do dígito 7 na contagem); a própria fiscalização assim como a DRJ, obteve estes dados por meio do SISCOMEX, no qual se verifica que no RE 07/1287074 o valor registrado para a exportação foi efetivamente de US$ 2.457.026,05; assim, retificado o valor na planilha, acrescentase o valor de US$ 2.212.000,00 ao valor das exportações, atingindo assim a meta de exportação. Por fim, requer a realização de prova pericial para: (i) comprovação das exportações e; (ii) comprovação de que as importações foram fisicamente vinculadas aos produtos exportados. Com o recurso voluntário, foram juntados diversos documentos que seriam comprobatórios do cumprimento do regime (registros dos atos concessórios, planilhas de cálculos, relatórios de baixa, dentre outros), bem como as respectivas declarações de importação, que de acordo com a fiscalização, deveriam ter sido juntadas aos autos. É o relatório. Fl. 1666DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 12466.722369/201140 Resolução nº 3201000.470 S3C2T1 Fl. 108 16 Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Tal como relatado, versa os autos sobre diversas divergências constatadas pela fiscalização , tanto no que tange às importações, como nas exportações, em relação a três atos concessórios de drawback na modalidade suspensão. O drawback suspensão é a modalidade que permite a isenção do pagamento dos tributos incidentes na importação de matériasprimas, produtos intermediários e componentes destinados à fabricação de mercadoria a ser exportada. Tratase de espécie de isenção condicionada, pois o registro da declaração de importação não há o nascimento do direito subjetivo do Fisco de exigir o pagamento dos tributos, sendo a obrigação do contribuinte, nessas situações, fixada no Ato Concessório de drawback, incorporar em um processo de industrialização materiais importados, em produto final a ser exportado, em certo prazo, promovendo um efetivo ganho cambial para o País. Tratase de uma condição resolutiva, já que o gozo do direito verificase já no momento do registro da Declaração de Importação, ficando sujeito a um evento futuro e incerto (exportação), que aperfeiçoado, extinguirá em definitivo, o crédito tributário com a exigibilidade suspensa. O Poder Público, por sua vez, comprometese a isentar o contribuinte dos tributos incidentes sobre a importação dos insumos utilizados, desde que ocorrida condição prescrita, da exportação, numa verdadeira relação bilateral, pois há ônus e prerrogativas para ambas as partes. Portanto, a análise do regime pressupõe diversas variáveis, como a análise da conveniência e interesses nacionais, sob o ponto de vista econômico e cambial a ser obtido com a operação, efetiva exportação, não somente se restringindo ao aspecto puramente arrecadatório, pois o fundamento econômico deste incentivo é estimular a obtenção e a produção de bens exportáveis pelo incremento do sistema produtivo, proporcionando maior capacidade competitiva no mercado internacional. No caso em apreço, a autuação baseouse em diversos itens de descumprimento dos atos concessórios, os quais, rebate a contribuinte, um a um, afirmando que as inconsistências para demonstração do cumprimento do regime deramse por erros de digitação, aditivos que alteraram condições iniciais de concessão do regime, especificidades do mercado e do produto, objeto do regime. Ademais de detalhada argumentação em sede de recurso, como se depreende do relatório, com a juntada das provas que suportariam as alegações, a Recorrente juntou, após a interposição do recurso voluntário, laudo técnico elaborado pela KPMG Assessores Tributários, cujo objetivo foi a verificação de documentos e controles ocorridos no âmbito dos atos concessórios em questão, respondendo a quesitos formulados para cada um dos três atos, relativos às questão controvertidas ora analisadas. Fl. 1667DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 12466.722369/201140 Resolução nº 3201000.470 S3C2T1 Fl. 109 17 Considerandose que a questão dos autos é sobretudo de cunho probatório, e sendo o regime de drawback fundamental incentivo às exportações brasileiras, entendo deva ser acolhida a juntada do referido laudo técnico, em homenagem ao Princípio da Verdade Material. Contudo, para que não reste prejudicada a dialética processual, e prejudicados o contraditório e a ampla defesa, deve ser dada a ciência à Fazenda Nacional, para que se manifeste sobre o teor do laudo técnico; e, após, ciência a Recorrente, para, da mesma forma, querendo, manifestese, para só então retornar os autos para essa Turma, para que se prossiga o julgamento. Assim, voto por converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 1668DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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Numero do processo: 19515.721082/2012-08
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/10/2008
BASE DE CÁLCULO. REPASSE DE FUNDO DE COMPENSAÇÃO TARIFÁRIO. INCIDÊNCIA. COFINS. PIS.
O valor auferido a título de repasse de Fundo de Compensação Tarifário constituído ou não pelo Poder Concedente da concessão ou da permissão configura faturamento e integra para todo efeito à base de cálculo. Inexistindo prova de desacerto dos valores incluídos pela fiscalização na determinação da contribuição devida, há de ser mantido o lançamento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3403-003.006
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/10/2008 BASE DE CÁLCULO. REPASSE DE FUNDO DE COMPENSAÇÃO TARIFÁRIO. INCIDÊNCIA. COFINS. PIS. O valor auferido a título de repasse de Fundo de Compensação Tarifário constituído ou não pelo Poder Concedente da concessão ou da permissão configura faturamento e integra para todo efeito à base de cálculo. Inexistindo prova de desacerto dos valores incluídos pela fiscalização na determinação da contribuição devida, há de ser mantido o lançamento. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 10 82 /2 01 2- 08 Fl. 903DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto visando modificar a decisão de piso que julgou improcedente a Impugnação apresentada referente o crédito tributário constituído para a COFINS e o PIS do período de apuração 01.01.2008 a 31.10.2008. A matéria trazida no bojo desses autos se refere exigência das contribuições para o PIS e COFINS sobre entrada de recursos provindo do fundo de compensação tarifária recebida a título de repasse. Consta dos autos que o repasse integra a receita bruta em conformidade com o disposto nos artigos 2º e 3º da Lei nº 9.718/1998. Combatendo esse entendimento a Recorrente discorre a legislação pertinente, aduz que o Fundo de Compensação Tarifária possui caráter de natureza jurídica específica de imunidade tributária, art. 195 da Carta Política de 1988 e art. 4º do CTN, ressalta a orientação extraída do art. 34 da Instrução Normativa da RFB de nº 247/2002, que assevera à exclusão da base de cálculo, motivo principal a justificar o pedido de improcedência da constituição do crédito tributário. Em síntese diz que o repasse oriundo do Poder concedente representa mero ingresso (subvenção) de valor e tal qual não representa faturamento, motivo pelo qual não incide contribuições para a COFINS e o PIS. Além do argumento da não inclusão do repasse à base de cálculo, aduz também inexistência de divergência apurada entre a contabilidade, que subvenção não é receita, discorda da aplicação de multa, fundamento o entendimento na tese do não confisco. Reclama da exigência juros, assim como, da negativa de sustentação oral. Verifica ainda argüição da perda de validade do Mandado de Procedimento Fiscal. O lançamento por meio do auto de infração foi motivado pela não inclusão da totalidade do faturamento à base de cálculo das contribuições para o PIS e a COFINS, e, pela falta da entrega do DACON originou a multa correspondente. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Cuidase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, motivo que justifica o conhecimento. A discussão centra na exigência de contribuição destinada para o PIS e COFINS sobre repasse recebido a título de Fundo de Compensação Tarifária. Antes de adentrar na matéria de fundo, fazse necessário o exame das nulidades levantadas: Prazo de Duração do Mandado de Procedimento Fiscal. O mandato de Procedimento Fiscal é instrumento de autorização e apresentação do agente encarregado da auditoria dos livros e contabilidade do cliente. O início Fl. 904DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 19515.721082/201208 Acórdão n.º 3403003.006 S3C4T3 Fl. 9 3 da fiscalização se dá com a emissão do Termo de Inicio de Fiscalização, a partir do qual exclui a espontaneidade, de modo que, o prazo de validade fixado é prorrogável, sucessivamente, por igual período por qualquer outro ato escrito que indique a continuação do procedimento fiscalizatório. Quando verificado o silêncio fiscal por período superior a 60 (sessenta) dias, o fato marcante é a devolução da espontaneidade a autorizar o contribuinte praticar todo e qualquer ato com relação fatos passado vinculado ao procedimento fiscal. Portanto, não assiste razão a recorrente, é de se rejeitar preliminar. Do Repasse Auferido de Fundo de Compensação Tarifário constituído pelo Poder Concedente da Concessão e ou da Permissão. Tratase de contribuinte submetido à sistemática tributária cumulativa. As deduções autorizadas são todas aquelas elencadas pelo parágrafo 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. O art. 34 da Instrução Normativa SRF nº 247/2002, ao dispor sobre o assunto, assim, o fez: “Art. 34 – As empresas concessionárias ou permissionárias de serviço público de transporte urbano de passageiros, subordinados ao sistema de compensação tarifária, para efeito da apuração da base de cálculo das contribuições, podem excluir da receita bruta o valor recebido que deva ser repassado a outras empresas do mesmo ramo, por meio de fundo de compensação criado ou aprovado pelo Poder Público Concedente ou Permissionário.” A norma contida pelo art. 11 do Decreto nº 4.524/2002 fixa determinação de que o valor repassado oriundo de fundo de compensação tarifário compõe à base de cálculo de que trata às disposições da Lei nº 9.718/98: “Art. 11 – O valor auferido de fundo de compensação tarifário, criado ou aprovado pelo Poder Público Concedente ou Permissório, integra a receita bruta das empresas concessionárias ou permissionárias de serviço público de transporte urbano de passageiros”. Cabe definir se no caso concreto os recebimentos repassados para empresa VIP VIACAO ITAIM PAULISTA LTDA. pelo fundo de compensação tarifário deve ser incluído à base de cálculo das contribuições, desprezando o conceito de receita auferida, que é mais largo que o de faturamento, tendo em conta a sistemática do regime cumulativo, considerando o pronunciamento STF em torno da inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. A defesa sustenta que os repasses são por natureza subvençao de quem teria a obrigação de suportar o custo da atividade, e, sendo assim, é apenas ingresso financeiro e não pode ser confundido com faturamento. Nesse sentido é oportuno trazer à baila a lição de José Antonio Minatel: Fl. 905DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 “Receita x Faturamento x renda”. “ 11. Do cotejo com expressões que podem revelar realidades afins, confirmase não se confundir os conteúdos materiais da receita e do faturamento. Pode haver convergência ou sobreposição de conceitos no ponto em que faturamento é visto como receita, mas unicamente receita proveniente de vendas de mercadorias e serviços. A recíproca nem sempre é verdadeira, pois nem toda receitacaracteriza faturamento, como, por exemplo, os juros ou dividendos recebidos. 12. O ingresso financeiro é um dos atributos que permitem qualificar o conteúdo material da receita, mas nem todo ingresso tem natureza de receita. É preciso caráter de definitividade da quantia ingressada, e que tenha como causa o exercício de atividade empresarial. 13. Receita, renda e lucro revelam conteúdo de diferentes realidades e, portanto, não se confundem. Renda e lucro são conceitos relacionais, que expressam resultado positivo pelo confronto entre receitas e custos em período certo de tempo. Por sua vez, receita é conceito isolado, autônomo, depurado instantaneamente, independente de outrows confrontos. Pode existir reeceita e não aparecer o lucro, pois o exame do conteúdo material da receita prescinde da apuração de acréscimo patrimonial.”(Minital, José Antonio Minatel. Conteúdo do Conceito de Receita e Regime Jurídico para sua Tributação. MP. 205.p…254)”. A doutrina entende que os ingressos financeiros por meio de subvenção não configura receita proveniente do faturamento: “Receita x incentivos – Subvenções. “Receita é conceito substantivo, no qual não se inserem recursos que o contribuinte recebe por determinação do Estado, a título de reembolso por ter adiantado custos que não devem ser por ele suportados, mas por uma conta, ou um fundo administrado pelo próprio Estado (ou entidade de sua administração indireta), em consideração à necessidade de atender a um interesse público que, na espécie, é o de aumetnar as fontes de energia indispensáveis para prover o desenvolvimento nacional. {...{ No caso da consulta. O reembolso pela Eletrobrás às usinas, com recursos provenientes da CCC/CDE, destinase à redução dos custos ou de despesas destas, não sendo possível enquadralo como receita...Não tem, portanto, sustentaçaão conveniente linhade interpretação oficial, que, na ânsia de obter cada vez mais recursos da sociedade, a qualquer título... vem sustenando que estimulo como, por exemplo, um inventivo fiscal corrspondente à eliminaçáoda tributação é uma “receita”” (Martins, Ives Gandra da Silva, PIS e COFINS – não incidência sobre o reembolso, feito pela Eletrobrás com recursos da CDE (Lei n. 10.438/02 e Decreto n. 4.541/02) às usinas termelétricas, do custo do carvaão mineral nacional utilizado como combustível – sua nãoinclusão no conceito de receita,base de cálculo das contribuições objeto do Fl. 906DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 19515.721082/201208 Acórdão n.º 3403003.006 S3C4T3 Fl. 10 5 art. 195. I, “b”, da CF devidas pela usina. RDDT 122/132, nov/05”.) O objetivo social da sociedade é o transporte urbano de passageiro conforme se extraí da leitura da cláusula III do contrato social, fl.297 que instrui a peça inicial. Vislumbra nesse caso que o faturamento da recorrente, concretamente, é o recebimento do preço da passagem pago pelos passageiros, o que configura a contra prestação. Acusação fiscal é de que trata de prestador de serviço de transporte público de passageiro, tem como cliente único a empresa São Paulo Transporte S/A, a quem presta serviços por meio de concessão. O valor repassado pelo fundo de compensação tarifário tem vínculo direto com o valor do preço cobrado pela prestação do serviço de transporte, pois a remuneração representa cobertura do custo realizado. Se o repasse recebido pela recorrente é a forma encontrada pelo Poder Concedente em alguns casos de cobrir custo, em outro serve de instrumento de compensação por determinado percurso não atrativo por ser deficitário ou de alto custo, mas que o Estado tem o dever de colocar à disposição dos cidadãos. O complemento da tarifa por parte do Poder Concedente sempre tem cunho de auxílio pecuniário concedido pelo Poder Público quando o subvencionado desempenha função típica de obrigação estatal, diferentemente do programa de subvenção econômica cujo objetivo aumento da atividade de inovação e o incremento da competitividade das empresas e da economia do país, modalidade incrementada pela Lei nº 10.973/2004. A tarefa agora é o deslinde da questão em saber se as quantias recebidas são provenientes de repasse do fundo de compensação tarifária, que seria um subsídio, ou da prestação de serviços para a empresa São Paulo Transporte S/A, equivaleria o preço da prestação do serviço de transporte de passageiro, o que configuraria faturamento. Ao trazer em contestação alegação de que os ingressos auferidos são provenientes de repasse, portanto, trataria de subvenção não encontra devidamente provado. A fiscalização apurou diferença da inclusão da totalidade das receitas comparando o declarado em DCTF, por meio de cálculo inverso, com os valores declarados em DIPJ. O discurso trazido é de que os valores são oriundos do Orçamento Municipal, e, manda que diligencie junto ao Município com objetivo de verificar a existência da verba disponibilizada para subsidiar as empresas de transporte que servem a municipalidade. Em que pese o brilhantismo do patrono subscritor das peças de resistência e do Recurso, a toda evidência que há intenção de transferência da obrigação da prova. Cabia a Recorrente demonstrar que os valores auferidos eram provenientes de repasse do Fundo de Compensação Tarifário, esse por seu turno oriundo do orçamento do Município. Do mesmo modo não restou provado que parte do recebimento do preço da passagem era repassado para empresa São Paulo Transporte S/A., o repasse encontra incluído no rol de permissão de exclusão da base de cálculo. Fl. 907DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 6 Daí a preocupação do legislador tributário ao afastar da base de cálculo das contribuições o valor repassado a outras empresas do mesmo ramo. O repasse de valor pelo fundo de compensação tarifário significa para quem recebe receita da atividade desenvolvida, in casu, se revela o faturamento, capaz de cobrir os custos inerentes e proporcionar lucro. O entendimento de faturamento, ao contrario do que pensa a recorrente, não importa nesse caso em alargamento da base de cálculo, pois o recebimento configura remuneração pela prestação de serviço, seja proveniente de ingresso direto pelo pagamento do usuário ou por cobertura de diferença tarifária pelo Poder Público, ambos fazem parte do faturamento. As exclusões previstas pelo parágrafo segundo do art. 3º da Lei nº 9.718/98 não contemplam em momento algum à exclusão pretendida pela recorrente. A instrução Normativa SRF nº 247/20, em seu artigo 34, autoriza à exclusão quando o valor for repassado a outras empresas do mesmo ramo. Sepulta de vez a pretensão da recorrente a norma disposta no art. 11 do Decreto nº 4.524/2002, é taxativo no sentido de que integra a base de cálculo os valores auferidos de fundo de compensação tarifário, criado ou aprovado pelo Poder Público Concedente. Alegação de que o repasse pelo fundo de compensação tarifária configura subvenção, por isso não pode ser considerada receita, penso diferente nesse caso, pois aqui não restou provado de que trata de recursos financeiros auferidos de fundo constituído pelo Poder Concedente e tampou que parte do faturamento tenha sido transferido a empresa detentora da concessão, São Paulo Transporte S/A. De modo que, não há espaço para acolher a tese erguida pela recorrente de que o valor recebido de fundo de compensação tarifário não incide as contribuições devidas para o PIS e a COFINS por ausência total de prova, assim como, não se vislumbra repasse de parte do faturamento para outra empresa do mesmo ramo. Da discordância dos valores indicados pela fiscalização. Os valores excluídos e os incluídos encontram especificados em planilhas elaboradas pelo agente fiscal encarregado da fiscalização. A resistência demonstrada encontrada descalçada de elementos de convicção, para que seja aceita fazse necessário que venha robustamente contrariando os dados indicados pela fiscalização apoiada em documentos capaz de demonstrar o desacerto fiscal. No caso não há qualquer demonstração de que os dados extraídos da DIPJ e da contabilidade utilizados para formar a base de cálculo contenha vícios o erro material a macular o lançamento. Da multa tributária e o Princípio do Não Confisco. A pena tributária encontra prevista pelo artigo 44 da Lei nº 9.496/96: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007)”. Fl. 908DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 19515.721082/201208 Acórdão n.º 3403003.006 S3C4T3 Fl. 11 7 “II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007)”. “a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007)”. A exigência encontra amparada em lei o que torna a aplicação compulsória. Como é de conhecimento geral, o Julgador Administrativo não dispõem de função legislativa, assim sendo, ainda que sob o fundamento de isonomia, ilegalidade, (inconstitucionalidade), não pode conceder benefício da exclusão do crédito tributário e encargos incidentes, em favor daqueles a quem o legislador, ordinário ou constitucional, com apoio em critérios impessoais, racionais e objetivos, não quis contemplar com a vantagem da isenção ou da não exigência. Portanto, não é dado ao Julgador Administrativo competência para decidir sobre matéria de inconstitucionalidade, aliás, é assunto que encontra barreira instransponível pela Súmula nº 02 do CARF: “Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Exigência de Juros. Aplicação Taxa Selic. O juro encontra respaldado pela norma do art. Da lei nº 6.430/96: Esse a matéria encontra pacificada no seio do CARF pela Súmula nº 04. “Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais” Em sendo assim, sobe os débitos tributários para com a União Federal, não pagos no prazo previsto em lei aplicamse juros de mora calculado com base na Taxa Selic. Fl. 909DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 8 Da Sustentação Oral. Em momento algum o legislador ordinário autorizou sustentação oral na fase preliminar do processo administrativo, a impugnação e manifestação de inconformidade, em regra, são escritas. Inexistindo essa possibilidade na Lei de Rito Administrativo, Decreto nº 70.235/76, não há meio de se conceder a sustentação oral perante os Julgadores de Piso. A inexistência da possibilidade da sustentação oral não resulta prejuízo ao princípio da ampla defesa e do contraditório, pois esse direito é assegurado pela impugnação e a manifestação de inconformidade, oportunidade que cabe ao interessado resistir toda e qualquer acusação apontada pelo fisco e fazer defesa dos seus direito e interesses, juntando, para tanto, quando for o caso, as provas necessárias. Assim, não se vê meio de acudir o pleito. Diante do exposto, conheço do recurso e voto no sentido de negar provimento. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 910DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO
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