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Numero do processo: 35462.000783/2006-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2302-000.382
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que os autos retornem à origem em atendimento ao que prescrevem os artigos 44 e 45 do Decreto nº 7.237/2010.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente da 2ª Seção de Julgamento na data da formalização do acórdão.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira Redator-Designado ad hoc para formalizar a presente resolução.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Luciana Matos Pereira Barbosa, Leonardo Henrique Pires Lopes e Liège Lacroix Thomasi.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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(assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente da 2ª Seção de Julgamento na data da formalização do acórdão. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira – RedatorDesignado ad hoc para formalizar a presente resolução. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Luciana Matos Pereira Barbosa, Leonardo Henrique Pires Lopes e Liège Lacroix Thomasi. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância, reproduzo o relatório constante da DECISÃONOTIFICAÇÃO DE CANCELAMENTO DE ISENÇÃO nº 21.003/003/2006, fls. 2.608 a 2.627, da Delegacia da Receita Previdenciária São Paulo – Oeste: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 3 54 62 .0 00 78 3/ 20 06 -7 2 Fl. 2869DF CARF MF Processo nº 35462.000783/200672 Resolução nº 2302000.382 S2C3T2 Fl. 2.870 2 DA INFORMAÇÃO FISCAL Tratase de Informação Fiscal na qual é solicitado o cancelamento da isenção das contribuições sociais da entidade em epígrafe, alegando em síntese: 1.1. que os projetos sociais denominados "Bolsas de Estudo Oferecidas na Educação Infantil", "Bolsas de Estudo Oferecidas na Educação em Regime Sócioeducativo em meio Aberto" e "Bolsas de Estudo Oferecidas na Educação Profissionalizante" – que correspondem à Creche Dom José Gaspar, Creche Santa Escolástica, Centro de Educação Infantil Isabel Ribeiro o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos (atualmente Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, Espaço Gente Jovem de Paraisópolis e Espaço Gente Jovem Vila Morse — são mantidos por meio de convênio com a Prefeitura Municipal de São Paulo; 1.2. que ainda que os assistidos pelos referidos projetos façam parte do público alvo do LOAS, o serviço é prestado pelo órgão governamental (Prefeitura), sendo a • entidade contratada como "prestadora de serviços", sendo remunerada para tanto; 1.3. que os projetos "Atendimento Odontológico", "Profilaxia e Terapia Através da Massagem Oriental", "Clube das Mães", "Encontros de Integração Comunitária e Fraterna" etc, considerados pela entidade como serviços assistenciais, são executados por trabalhadores voluntários, não havendo qualquer pagamento de remuneração efetiva nesses projetos; 1.4. que a própria entidade reconhece que para a apuração do valor aplicado nestes projetos, foi utilizada a média salarial paga no mercado de trabalho a cada categoria dos profissionais envolvidos; 1.5. que nos projetos "Fui Hóspede e Me Recebestes" e "Cedência de Imóveis e de MãodeObra para Atividades Assistenciais", a entidade coloca seus imóveis à disposição das comunidades abrangidas para reuniões, encontros festivo, salas de aula para alfabetização de adultos etc. 1.6. que a cessão gratuita de espaço para a comunidade não se subsume ao conceito de aplicação em gratuidade, conforme dispõe o Parecer da Consultoria Jurídica do MPAS n° 2.414/02; 1.7. que o projeto "Gratuidade de Ensino Médio e Fundamental, I e II graus, referese a bolsas de estudo no Colégio Santo Américo, freqüentado pela classe média alta de São Paulo — concedidas a filhos de funcionários por força de acordo sindical (bolsas integrais) e a alunos, cuja renda familiar varia de R$ 2.000,00 a R$ 5.000,00 (parciais); 1.8. que referidos alunos e seus familiares não são o público alvo da assistência social, que tem como finalidade atender aos grupos sociais mais frágeis da sociedade, dentro de critérios de renda e de condições de existência, conforme dispõe o Parecer CJ n° 1.701/99; Fl. 2870DF CARF MF Processo nº 35462.000783/200672 Resolução nº 2302000.382 S2C3T2 Fl. 2.871 3 1.9. que as atividades desenvolvidas no projeto "Reciclagem Profissional Através de Promoção de Cursos e Treinamentos", embora louváveis, não têm aptidão para caracterizar a benemerência, pois as necessidades envolvidas não podem ser consideradas básicas e muito menos voltadas para o âmbito da assistência Social; 1.10. que os projetos "Educação Sexual" e "Educação Sanitária" referemse a palestras e seminários sobre sexualidade e higiene para jovens e adolescentes, atividades estas que não se subsumem ao conceito de aplicação em gratuidade, segundo o Parecer CJ, n° 2.414/02; 1.11. que o projeto "Educação Através da Música" beneficia o público em geral, não se caracterizando com assistência social como definida na lei; 1.12. que o projeto "Criança, Expressão e Arte", nos termos do parecer CJ 2.414/02, referese a atividades que, embora louváveis, não podem ser caracterizadas como benemerência; 1.13 que o projeto "Distribuição de Medicamentos" é mantido com a distribuição de amostras grátis de medicamentos, fornecidos por laboratórios, médicos e particulares e, portanto, as despesas não são custeadas pela entidade; 1.14. que de acordo com a Assembléia Geral Extraordinária do Mosteiro São Geraldo, realizada em 31/12/96, foi criada a Abadia São Geraldo CNP 01.696.184/000139, por desmembramento (cisão) do Mosteiro, devendo ser salientado que a entidade criada não é de assistência social, razão pela qual foi descumprido o requisito previsto no inciso VII do art. • 2°, do Decreto 752/93 e no inciso VII do art. 3° do Decreto 2.536/98; 1.15. que a entidade pagou a seus empregados verbas a título de "participação no resultado", descumprindo, assim, o disposto no inciso III do art. 2°, do Decreto 752/93 e no inciso IV do art. 3° do Decreto 2.536/98. 1.16. Pelo exposto, a autoridade fiscal sugeriu o cancelamento da isenção das contribuições previdenciárias da entidade em causa, a partir de 01/01/1995, em virtude do descumprimento dos requisitos previstos nos incisos III e V, do ar. 55, da Lei 8.212/91. DA DEFESA 2. Dentro do prazo legal, a Entidade apresentou defesa administrativa, alegando em síntese: 2.1. que o Decreto Lei n° 1.572, de 1977, assegurou indefinidamente o CEFF, até então sem prazo de validade, razão pela qual as entidades filantrópicas registradas no CNAS e detentoras do referido certificado, além da declaração de utilidade pública federal, não eram obrigadas à renovação de quaisquer destes requisitos (direito adquirido), de modo que a lei nova (Lei 8.212/91) não pode impor o cancelamento da imunidade: Fl. 2871DF CARF MF Processo nº 35462.000783/200672 Resolução nº 2302000.382 S2C3T2 Fl. 2.872 4 2.2. que a Auditoria Fiscal da Previdência Social não tem competência jurídica para julgar projetos de assistência social, sendo que tal prerrogativa é exclusiva do Conselho Nacional de Assistência Social, conforme parecer CJ n° 2.272/2000; 2.3. que toda ação da entidade na consecução de seus objetivos social é voltada para a promoção beneficente, filantrópica e de assistência social, mantendo escrituração regular, não remunera seus membros da Diretoria e Conselho Fiscal e não distribui lucros, bonificações ou parcelas de seu patrimônio; 2.4. que as suas ações não se resumem à assistência educacional, mas, por várias outras formas de prestação de serviços de assistência social e todas as suas despesas são destinadas a estas atividades beneficentes; 2.5. que nos arts. 6° e 194 da CF são relacionados, respectivamente, os direitos sociais do cidadão e a definição de seguridade social, que compreende as ações integradas nas áreas de previdência, assistência social e saúde; 2.6. que o art. 203 dispõe que a assistência social será prestada a quem dela necessitar, independentemente de contribuição à seguridade social, não sendo aceitável a exclusão de pessoas, razão pela qual não se deve confundir "assistência social" com pobreza e miséria; 2.7. que a avaliação da carência e da necessidade do assistido é de competência daquele ou daquela pessoa, física ou jurídica que prestar os serviços de assistência social; 2.8. que o Parecer CJ n° 2.414/2001 não se reveste de dogma, de normatização e de opinião infalível, pois é apenas uma opinião da Consultoria Jurídica do Ministério da Previdência Social aplicável a uma consulta determinada, formulada em caráter genérico e abstrato; 2.9. que, mesmo que este parecer fosse válido ele somente produziria efeitos a partir da data da sua publicação, ou seja, a partir de fevereiro de 2001 e nunca para período anterior e ainda de forma irrestrita; 2.10. que todos os projetos e ações da assistência social praticados pela entidade foram analisados e aprovados pelo Conselho Nacional de Assistência Social — CNAS, que vem concedendolhe, sucessivamente, os Certificados de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEAS/CEBAS); 2.11. que todas as mensurações econômicas e financeiras da entidade encontramse demonstradas nos Relatórios de Atividades, nas Demonstrações Contábeis, que comprovam efetivamente o atendimento ao disposto nos Decretos 752/93 e 2.536/98; 2.12. que a Auditoria Fiscal da Previdência Social não fez a mensuração econômica e financeira das gratuidades com assistência social praticada pela entidade, bastando a análise das demonstrações contábeis e dos relatórios de atividades para se verificar que o valor de gratuidades foi superior à "isenção da quota patronal" usufruída pela entidade; Fl. 2872DF CARF MF Processo nº 35462.000783/200672 Resolução nº 2302000.382 S2C3T2 Fl. 2.873 5 2.13. que os projetos "Bolsas de Estudo Oferecidos à Educação Infantil", "Bolsa de Estudo Oferecidas na Educação em Regime Sócio Educativo em Meio Aberto" e "Bolsa de Estudo Oferecidas na Educação Profissionalizante", não foram considerados como aplicação em assistência social, de forma indevida pela Auditoria Fiscal da Previdência Social, tendo em vista que, apesar do convênio com Prefeitura Municipal de São Paulo, os valores pagos pelo setor público não cobrem os custos da prestação dos serviços, exigindo recurso próprios da entidade; 2.14. que, nos Projeto "Atendimento Odontológico" e "Atendimento Fonoaudiológico" e "Profilaxia e Terapia Através da Massagem Oriental", embora ocorra a participação de trabalho voluntário nos atendimentos, a entidade tem todo o custo operacional para mantêlos; 2.15. que não há motivos para a não consideração dos projetos "Encontros de Integração Comunitária e Fraterna" e "Clube de Mães" como aplicação em assistência social; 2.16. que no projeto "Fui Hóspede e me Recebestes", o Mosteiro assume todos os custos de manutenção e limpeza das instalações, manutenção e fornecimento de energia elétrica , dos prédios, auditórios, quadras desportivas etc; 2.17. que no projeto "Cedência de Imóveis" a cessão de imóveis tem efetivo valor de assistência social, pois viabiliza centenas de projetos sociais; 2.18. que a concessão de bolsas de estudo aos filhos dos funcionários, no caso em questão, derivou de expressas previsões inseridas nas convenções coletivas de trabalho celebradas com o sindicato de seus empregados; 2.9. que deve ser observada a existência, em todas as convenções, de cláusula expressa afastando a natureza salarial da referidas verbas; 2.10. que, em 19/06/2001, foi editada a Lei n° 10.243/01, que alterou a redação do parágrafo 2°, do art. 458, da CLT, para estabelecer que não serão consideradas como salário as utilidades concedidas pelo empregador referentes à educação em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático 2.11. que as bolsas de estudo concedidas não se destinam a retribuir o trabalho pois nada é devido (contraprestação) dos empregados e as norma referentes à concessão do CEBAS pelo CNAS, no período de 1994 a 2000, não impediam que este benefício pudesse ser considerado como gratuidade; 2.12. que o Mosteiro oferece cursos de formação de mãodeobra e reciclagem profissional, através da promoção de cursos e sessões de treinamento, colocando à disposição dos assistidos todos os recurso materiais: salas, materiais audiovisuais, datashow, hardware, software, apostilas etc, inclusive pagando os cursos em outras instituições; Fl. 2873DF CARF MF Processo nº 35462.000783/200672 Resolução nº 2302000.382 S2C3T2 Fl. 2.874 6 2.13. que a gratuidade atribuída aos cargos de diretoria e de membros de funções técnicas, é destinada ao atendimento das atividades institucionais ligadas à promoção da coletividade, tem em si um custo a favor dos assistidos, que deve ser computado do valor da gratuidade oferecida; 2.14. que o programa de distribuição de medicamentos, destinase às famílias com renda inferior a 4 salários mínimos que não tem acesso a serviços médicos e medicamentos, devendo ser salientado que quando os remédios não estão disponibilizados na farmácia do Mosteiro, as receitas são aviadas em farmácias da região e as despesas são custeadas com as verbas destinadas ao programa; 2.15. que, nos programas "Educando Através da Música" e "Criança, Expressão e Arte", a Auditoria da Previdência Social não considerou a grande eficácia de tais programas na formação humana; 2.16. que as bolsas de estudo oferecidas na educação profissionalizante tem como objetivo garantir aos jovens adolescentes uma convivência em grupo e discussão de situações diversas de direitos e deveres do cidadão, buscando a formação do indivíduo, a formação profissional e o ingresso no mercado de trabalho; 2.17. que não foi cometida qualquer infração à lei, por ocasião da constituição da Abadia São Geraldo — CNPJ 01.696.184/000139, em virtude da cisão (desmembramento) do Mosteiro São Geraldo de São Paulo; 2.18. que o disposto no § 11, do art. 206, do decreto 3.048/99 permite que a entidade cindida ou desmembrada possa se valer da mesma documentação que possibilitou o reconhecimento da isenção da pessoa jurídica que lhe deu origem, para instruir seu pedido de registro e de concessão do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos; 2.19. que a Abadia São Geraldo tem efetiva ação beneficente e assistencial, no campo da educação e da promoção humana, conforme pode ser constatado no seu estatuto social; 2.20. que o Mosteiro pagou aos seus professores e auxiliares da administração escolar, por força de acordo coletivo, um abono especial que não tem natureza salarial, não tendo cabimento a alegação da autoridade fiscal de que tais pagamentos constituem distribuição de lucro e afronta ao disposto no inciso V, do art. 55, da Lei 8.212/91; DO PEDIDO 3. Pelo exposto, a entidade pede a improcedência da Informação Fiscal, tendo em vista a falta de fundamento das alegações da Auditoria Fiscal da Previdência Social. DA DILIGÊNCIA 4. Após a análise da defesa interposta, o Serviço de Contencioso Administrativo • converteu o julgamento em diligência e solicitou manifestação da autoridade fiscal, conforme despacho de fls. 1678/1679. Fl. 2874DF CARF MF Processo nº 35462.000783/200672 Resolução nº 2302000.382 S2C3T2 Fl. 2.875 7 4.1. A Fiscalização manifestouse às fls. 1681/168 afirmando que a entidade não contabilizou, de forma segregada, os supostos gastos em assistência social, razão pela qual não há como elaborar planilhas com a especificação dos totais das despesas efetuadas em cada projeto, a fim de confrontálos com os valores constantes nos Relatórios Anuais de Atividades. Esclarece, ainda, que o cancelamento da isenção deve ser feito a partir da competência 01/95. DA MANIFESTAÇÃO DA ENTIDADE 5. A entidade manifestouse às fls. 2255/2282, reiterando as razões de fato e de direito trazidas na sua defesa administrativa, não acrescentando qualquer fato novo. É o Relatório. Ao julgar a defesa administrativa, a Delegacia da Receita Previdenciária São Paulo – Oeste concluiu pela sua improcedência, ou seja, pela procedência da Informação Fiscal, conforme conclusão da DECISÃONOTIFICAÇÃO transcrita a seguir: CONCLUSÃO 7. Posto isso, e CONSIDERANDO tudo o mais que dos autos consta; DECIDO: a) Rejeitar as argumentações suscitadas na impugnação; b) Julgar PROCEDENTE a Informação Fiscal; c) Encaminhar os autos à autoridade competente para a emissão do Ato Cancelatório da isenção da quota patronal previdenciária concedida ao Mosteiro São Geraldo de São Paulo, cancelandoa a partir de 1° de janeiro de 1995, em virtude do descumprimento, pela interessada, dos requisitos previstos nos incisos III e V, do Art. 55, da Lei 8.212/91. Para maior clareza quanto à decisão a quo, transcrevemos, também, a ementa consignada na DECISÃONOTIFICAÇÃO: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA CANCELAMENTO DE ISENÇÃO 1. A melhor interpretação a ser dada ao disposto no § 1°, do art. 55, da Lei 8.212/91 (direito adquirido) é aquela que garante às entidades isentas pela Lei n° 3.577, de 1959, que continuaram a usufruir o benefício após o DecretoLei n° 1.575, de 1977, o direito de não precisarem requerer novamente a isenção ao INSS, devendo, contudo, adequaremse a todos os requisitos da nova legislação, ficando sujeitas a fiscalização posterior. Não há direito adquirido à "isenção". 2. Cabe à Secretaria da Receita Previdenciária verificar se os requisitos para a isenção continuam sendo cumpridos, conforme dispõe o § 70 do art. 206, do Regulamento da Previdência Social. Se detectar que a entidade não cumpre todos os requisitos previstos no art. 55 da Lei 8.212/91, de modo cumulativo, o Fisco deve cancelar a isenção. 3. Os requisitos previstos no art. 55, da lei 8.212/91 devem ser atendidos, de forma cumulativa, pelas entidades beneficentes e de Fl. 2875DF CARF MF Processo nº 35462.000783/200672 Resolução nº 2302000.382 S2C3T2 Fl. 2.876 8 assistência social, para estarem autorizadas a deixar de recolher a cota patronal da contribuição previdenciária. 4. Os valores referentes à concessão de "bolsa de estudo aos filhos dos empregados" têm nítida natureza salarial", além de não beneficiarem pessoas carentes, razão pela qual não podem ser considerados como aplicação em assistência social, para fins de obtenção da isenção prevista no § 7°, do art. 195 da CF.5. O público alvo das concessões de bolsas de estudo não pode ser considerado como necessitado de assistência social. Não são pessoas carentes, em estado de hipossuficientes que necessitam de auxilio social para o atendimento de suas necessidades básicas. (sic) 5. As despesas referentes aos projetos (creches, espaços de juventude e ensino profissionalizante) objeto de convênios, que são ressarcidas pelos valores pagos pela Prefeitura de São Paulo não podem ser considerados como aplicação em gratuidade para efeitos de concessão de isenção. 6. O Mosteiro São Geraldo, ao transferir parte de seu patrimônio para a constituição de entidade que não reúne os requisitos para a obtenção do direito à isenção, descumpriu o disposto no inciso V, do art. 55, da Lei 8.212/91, pois aplicou seu patrimônio em atividade não relacionada com seus objetivos institucionais. Nos termos da DECISÃONOTIFICAÇÃO acima, foi emitido o Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais nº 02/2006, fl. 2.631, com efeitos a partir de 1º/1/95. Cientificado da decisão, em 2/6/06, segundo o Aviso de Recebimento (AR) de fl. 2.632, o contribuinte interpôs o recurso de fls. 2.636 a 2.674, em 30/6/06, no qual repete os argumentos deduzidos na defesa administrativa, porém, acrescentando as seguintes alegações: b) Da Incompetência Jurídica da Auditora Fiscal da Previdência Social para se manifestar sobre as Demonstrações Contábeis. 40) As Demonstrações Contábeis da RECORRENTE foram elaboradas por "CONTADOR" devidamente registrado no "CONSELHO REGIONAL DE CONTABILIDADE". 41) As Demonstrações Contábeis da RECORRENTE foram devidamente auditadas por Auditores Externos Independentes inscritos no "Conselho Regional de Contabilidade" e na Comissão de Valores Mobiliários (C.V.M.). 42) Somente Auditores Externos Independentes inscritos no "Conselho Regional de Contabilidade" e na Comissão de Valores Mobiliários (C.V.M.) podem se manifestar sobre as Demonstrações Contábeis e sobre o sistema contábil da RECORRENTE. 43) Inexiste nos autos da INFORMAÇÃO FISCAL comprovação de que a Senhora EDVAN MARIA LEAL RODRIGUES, Auditora Fiscal Previdenciária Matrícula n o 0.935.938, que apresentou a INFORMAÇÃO FISCAL, fosse habilitada como "Contadora" e devidamente registrada no "CONSELHO REGIONAL DE Fl. 2876DF CARF MF Processo nº 35462.000783/200672 Resolução nº 2302000.382 S2C3T2 Fl. 2.877 9 CONTABILIDADE" para se manifestar sobre as Demonstrações Contábeis e sobre o sistema contábil da RECORRENTE. É o Relatório. Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira, RedatorDesignado ad hoc para formalizar a resolução. Pelo fato de o ConselheiroRelator Leonardo Henrique Pires Lopes, que já não se encontra mais no quadro de Conselheiros do CARF, não ter formalizado a presente resolução, fui designado para proceder à sua formalização, nos termos do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9/6/15, Anexo II, art. 17, inciso III, conforme despacho de fl. 2.868. Destaco, contudo, que fui designado apenas para formalizar esta resolução, razão pela qual não me vincularei às razões fáticas e jurídicas nela consignadas. Da admissibilidade O recurso é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais; portanto, dele tomo conhecimento. Da conversão do julgamento em diligência Compulsando os autos, vemos que se trata de recurso de decisão de 1ª Instância que cancelou a isenção patronal das contribuições previdenciárias da entidade, desde 1/1/1995, em virtude do descumprimento dos requisitos previstos nos incisos III e V, do art. 55 da Lei n.º 8.212/91. A Lei nº 8.212/91, em seu art. 55 estabeleceu, expressamente, ser isenta de contribuições previdenciárias a entidade beneficente de assistência social que atendesse, cumulativamente, aos requisitos estatuídos em seus incisos I a V: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; (Redação dada pela Lei nº 9.732/98). Fl. 2877DF CARF MF Processo nº 35462.000783/200672 Resolução nº 2302000.382 S2C3T2 Fl. 2.878 10 IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 9.528/97). §1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. (grifos nossos) §2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. §3º Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. (Incluído pela Lei nº 9.732/98). §4º O Instituto Nacional do Seguro Social INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 9.732/98). §5º Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. (Incluído pela Lei nº 9.732/98). §6º A inexistência de débitos em relação às contribuições sociais é condição necessária ao deferimento e à manutenção da isenção de que trata este artigo, em observância ao disposto no §3o do art. 195 da Constituição. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). Ainda, dispõe o § 4º do dispositivo legal citado, que o Instituto Nacional do Seguro Social INSS (hoje RFB) cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto nesse artigo de lei. Entretanto, em 27 de novembro de 2009, foi promulgada a Lei nº 12.101/2009, cujo art. 44, I revogou, expressamente, o art. 55 da Lei nº 8.212/91, sendo que a fruição da isenção de contribuição para a seguridade social passou a depender do cumprimento, pelas entidades beneficentes de assistência social, das exigências estabelecidas no art. 29 da Lei nº 12.101/2009. Lei nº 12.101, de 27 de novembro de 2009. Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: I não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração, vantagens ou benefícios, direta ou indiretamente, por qualquer forma ou título, em razão das Fl. 2878DF CARF MF Processo nº 35462.000783/200672 Resolução nº 2302000.382 S2C3T2 Fl. 2.879 11 competências, funções ou atividades que lhes sejam atribuídas pelos respectivos atos constitutivos; II aplique suas rendas, seus recursos e eventual superávit integralmente no território nacional, na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais; III apresente certidão negativa ou certidão positiva com efeito de negativa de débitos relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e certificado de regularidade do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; IV mantenha escrituração contábil regular que registre as receitas e despesas, bem como a aplicação em gratuidade de forma segregada, em consonância com as normas emanadas do Conselho Federal de Contabilidade; V não distribua resultados, dividendos, bonificações, participações ou parcelas do seu patrimônio, sob qualquer forma ou pretexto; VI conserve em boa ordem, pelo prazo de 10 (dez) anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem e a aplicação de seus recursos e os relativos a atos ou operações realizados que impliquem modificação da situação patrimonial; VII cumpra as obrigações acessórias estabelecidas na legislação tributária; VIII apresente as demonstrações contábeis e financeiras devidamente auditadas por auditor independente legalmente habilitado nos Conselhos Regionais de Contabilidade quando a receita bruta anual auferida for superior ao limite fixado pela Lei Complementar no 123, de 14 de dezembro de 2006. Na sequência, o Decreto nº 7.237/2010 trouxe norma de transição dispondo que os processos para cancelamento de isenção em curso no âmbito do Ministério da Fazenda e ainda não definitivamente julgados, devem ser encaminhados à unidade competente daquele órgão para verificação do cumprimento dos requisitos da isenção na forma do rito estabelecido no art. 32 da Lei nº 12.101/2009, aplicada a legislação vigente à época do fato gerador. Decreto nº 7.237, de 20 de julho de 2010 Art. 45. Os processos para cancelamento de isenção não definitivamente julgados em curso no âmbito do Ministério da Fazenda serão encaminhados à unidade competente daquele órgão para verificação do cumprimento dos requisitos da isenção na forma do rito estabelecido no art. 32 da Lei nº 12.101, de 2009, aplicada a legislação vigente à época do fato gerador. Nesse contexto, tendo em consideração o comando inscrito no art. 45 do Decreto n° 7.237/2010, os presentes autos devem ser encaminhados à unidade da Receita Federal do Brasil de origem para a verificação do cumprimento dos requisitos da isenção conforme estabelecido no art. 32 da Lei n° 12.101/2009. Fl. 2879DF CARF MF Processo nº 35462.000783/200672 Resolução nº 2302000.382 S2C3T2 Fl. 2.880 12 Conclusão Isso posto, voto por converter o julgamento em diligência para que os autos retornem à origem em atendimento ao que prescrevem os artigos 44 e 45 do Decreto nº 7.237/2010. ASSIM VOTOU O CONSELHEIRO NA SESSÃO DE JULGAMENTO. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira RedatorDesignado ad hoc. Fl. 2880DF CARF MF
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Numero do processo: 13819.000233/2004-71
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jan 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
SIMPLES. VEDAÇÃO INEXISTENTE NA LEI COMPLEMENTAR 123/06. IRRELEVÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA DA LC
Embora a Lei Complementar nº 123/2006 tenha autorizado a inclusão de pessoa jurídica que preste serviço de instalação, de reparos e de manutenção em geral no Simples Nacional, não há retroatividade da norma, nos termos da Súmula CARF nº 81. Recurso especial parcialmente provido, reconhecendo a impossibilidade de aplicação retroativa da Lei Complementar 123/2006.
SIMPLES. MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS. MATÉRIA NÃO JULGADA PELA TURMA A QUO. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE PROVIDO.
O recurso especial não é conhecido quanto a tema não julgado pela Turma a quo, pois inviável a demonstração da divergência na interpretação da lei tributária que teria sido interpretada (art, 9º, XIII, da Lei nº 9.317/1996), requisito essencial para conhecimento.
Numero da decisão: 9101-003.260
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, apenas quanto à retroatividade da Lei Complementar nº 123/06, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas -Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Adriana Gomes Rego.
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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VEDAÇÃO INEXISTENTE NA LEI COMPLEMENTAR 123/06. IRRELEVÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA DA LC Embora a Lei Complementar nº 123/2006 tenha autorizado a inclusão de pessoa jurídica que preste “serviço de instalação, de reparos e de manutenção em geral” no Simples Nacional, não há retroatividade da norma, nos termos da Súmula CARF nº 81. Recurso especial parcialmente provido, reconhecendo a impossibilidade de aplicação retroativa da Lei Complementar 123/2006. SIMPLES. MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS. MATÉRIA NÃO JULGADA PELA TURMA A QUO. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE PROVIDO. O recurso especial não é conhecido quanto a tema não julgado pela Turma a quo, pois inviável a demonstração da divergência na interpretação da lei tributária que teria sido interpretada (art, 9º, XIII, da Lei nº 9.317/1996), requisito essencial para conhecimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, apenas quanto à retroatividade da Lei Complementar nº 123/06, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 00 02 33 /2 00 4- 71 Fl. 105DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Adriana Gomes Rego. Relatório Tratase de processo originado pedido de inclusão no Simples Federal, apresentado em 10/02/2004 (fls. 2), O requerimento foi indeferido pela Delegacia da Receita Federal em São Bernardo do Campo, pelas razões seguintes (fls. 24/25): Entretanto, ao analisar a documentação apresentada pela empresa foi verificado no Contrato Social, fls. 06 a 09, que objetivo social da empresa é COMÉRCIO E MANUTENÇÃO DE MOTORES E EQUIPVAMENTOS ELÉTRICOS EM GERAL. Verificouse, ainda, que existem decisões de Processos de Consulta proferidas pelas Regiões Fiscais vedando a opção pelo Simples a empresas cuja atividade seja: Nº 192/00 – 7ª RF – Instalação e manutenção de equipamentos elétricos, eletrônicos e de telefonia; Nº 375/99 – 8ª RF – Montagem e construção eletromecânica de subestação e manutenção de equipamentos Elétricos. (...) Face o exposto acima, proponho o indeferimento do processo, tendo em vista que o contribuinte se enquadra em uma das hipótese de Vedação à Opção. Após requerimento do contribuinte para reforma desta decisão (fls. 30), a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas manteve o indeferimento à adesão ao Simples, conforme acórdão ementado da forma seguinte (fls 40): Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2004 Fl. 106DF CARF MF Processo nº 13819.000233/200471 Acórdão n.º 9101003.260 CSRFT1 Fl. 106 3 CIRCUNSTÂNCIA IMPEDITIVAS DE INGRESSO E/OU PERMANÊNCIA NO SIMPLES. O exercício de atividade que pressupõe o domínio de conhecimento técnicocientífico próprio de profissional de engenharia é circunstância que impede o ingresso ou a permanência no Simples. Solicitação indeferida. A Turma a quo deu provimento ao recurso voluntário, em acórdão cuja ementa se transcreve a seguir (fls. 57/60): ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário:2004 A atividade da Recorrente está enquadrada na Lei Complementar nº 128/2008 em seu art. 3º que deu nova redação ao artigo 18, §5º B inciso IX da Lei Complementar nº 123. Aplicase ao caso a retroatividade benigna. Recurso voluntário provido. Os autos foram remetidos à Procuradoria em 25/05/2010 (fls. 62), que interpôs recurso especial em 10/06/2010, sustentando divergência (fls. 63/81): (i) sobre a retroatividade da Lei Complementar nº 123/2006 para legitimar a permanência da contribuinte no Simples Federal, com os paradigmas nº: (i.1) 30335326, nos seguintes termos: "a alteração da legislação disciplinadora do regime de impedimentos à opção pelo Simples não autoriza a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do Código Tributário Nacional, para efeito de reincluir contribuinte regularmente excluído com base na legislação vigente à época do ato.” (i.2) 30236070, decisão proferida nos seguintes termos: "Não poderia optar pelo Simples a pessoa jurídica que, até 31/05/2003, prestava serviços assemelhados aos de representação comercial (art. 9º, inciso XIII, da Lei nº 9.317/96, e art. 1º, inciso IV, da Lei nº 10.034/2000, com redação dada pelo art. 24 da Lei nº 10.684/2003)” (ii) sobre a interpretação a respeito do artigo 9º, XIII, da Lei nº 9.317/1996, apontando como paradigmas os acórdãos nº: (ii.1) 20213444, constando desta decisão: "Conforme dispõe o item XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/96 não poderá optar pelo SIMPLES a pessoa jurídica que preste serviços na área de instalação e manutenção de máquinas e equipamentos elétricos, eletrônicos e mecânicos profissionais, por constituírem atividades típicas e inseridas no campo das atribuições do profissional de engenharia, de acordo com a legislação que regula o exercício desta profissão ". Fl. 107DF CARF MF 4 (ii.2) 30236.709, do qual se extrai: "Não pode optar pelo SIMPLES a pessoa jurídica que presta serviços elétricos de manutenção, projetos, assistência técnica, montagens e venda de materiais elétricos, por serem equiparados a serviços profissionais de engenharia (art. 9º, XIII, da Lei nº 9.317/96". O recurso especial foi admitido, conforme razões a seguir reproduzidas pelo então Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção (fls. 99) Demonstra a recorrente que o acórdão combatido aplicou retroativamente norma que admitiu a atividade econômica exercida pela contribuinte para fins de opção pelo SIMPLES, diversamente do entendimento fixado nos acórdãos paradigma, que, embora em relação a outras hipóteses fáticas, negou esta retroatividade. Em acréscimo reportase aos Acórdãos nº 20213.444 e 302 36.709, que firmaram entendimento de que atividades semelhantes às exercidas pela contribuinte estão inseridas no campo das vedações previstas pela Lei nº 9.317/96. Constato, assim, que o recurso é tempestivo e que a recorrente identifica a divergência. Portanto, satisfeitos os pressupostos de sua admissibilidade DOU SEGUIMENTO ao recurso especial. O contribuinte foi intimado em 10/08/2012 (fls. 103), sem que tenha apresentado contrarrazões ao recurso especial. Voto Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora O recurso especial trata de dois temas: (i) retroatividade da Lei Complementar nº 123/2006 e (ii) interpretação do artigo 9º, XIII, da Lei nº 9.317/1996. Diante da tempestividade do recurso especial, passo à análise destes temas de forma separada: Retroatividade da Lei Complementar nº 123/2006 Reconheço a tempestividade do recurso especial e a demonstração da divergência na interpretação da lei tributária com relação ao primeiro tema (retroatividade da LC 123/06), adotando a decisão do Presidente de Câmara para conhecer o recurso neste ponto. A Turma a quo deu provimento ao recurso voluntário unicamente por entender pela aplicação retroativa da Lei Complementar nº 123/2006, como se verifica do voto condutor, integralmente colacionado a seguir: Fl. 108DF CARF MF Processo nº 13819.000233/200471 Acórdão n.º 9101003.260 CSRFT1 Fl. 107 5 (...) Conheço do Recurso Voluntário presente, por tempestivo e por apresentar todas as condições de admissibilidade. Observase que o objeto da lide versa sobre o indeferimento de sua inclusão no SIMPLES pelo motivo que consta como objeto do seu contrato social, entre outros, a prestação de "SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE MOTORES E EQUIPAMENTOS ELÉTRICOS EM GERAL" incidindo na hipótese de vedação prevista no inciso XIII, do art.9° da Lei n°9.317/96. Da análise do Contrato Social da Recorrente, fls. 06 observase que o seu objetivo social é do ramo de "COMERCIO E SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE MOTORES E EQUIPAMENTOS ELÉTRICOS EM GERAL" Consultando a legislação atual que trata do Simples Nacional, ou seja, a Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, em seu artigo 3°, que deu nova redação ao artigo 18 § 5°B inciso IX da Lei Complementar n° 123 (instituidora do Simples Nacional), onde podemos observar que a atividade de. "Serviços de instalação, de reparos e de manutenção em geral, bem como de usina gem, solda, tratamento e revestimento em metais", Está incluída entre as atividades permitidas a optarem pelo regime simplificado de apuração de tributos na forma do SIMPLES NACIONAL. Assim, não obstante, as razões de recurso, e os fundamentos da decisão de primeira instância recorrida, o serviço prestado pela Recorrente dentro da exegese do novo manto legal, vale dizer, LC 123 de 14/12/2006 com a redação dada pela LC 128, não está mais vedada à opção pelo SIMPLES NACIONAL. Contudo, impõese ao caso a retroatividade da lei superveniente acima citada, como atividade econômica beneficiada pelo recolhimento de impostos e contribuições na forma simplificada, fato com repercussão pretérita por força do principio da retroatividade benigna previsto no Código Tributário Nacional. Diante do exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário da Recorrente, com a determinação da INCLUSÃO RETROATIVA NO SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE (SIMPLES) desde janeiro de 2004, observada as condições do Ato Declaratório Interpretativo da Receita Federal SRF 16/2002. Com efeito, a Lei Complementar nº 123/2006, com redação alterada pela Lei Complementar nº 128/2008, autorizou a inclusão no Simples Nacional das prestadoras dos seguintes serviços: Art. 18. O valor devido mensalmente pela microempresa ou empresa de pequeno porte, optante pelo Simples Nacional, será Fl. 109DF CARF MF 6 determinado mediante aplicação das alíquotas constantes das tabelas dos Anexos I a VI desta Lei Complementar sobre a base de cálculo de que trata o § 3o deste artigo, observado o disposto no § 15 do art. 3º. (...) § 5ºB Sem prejuízo do disposto no § 1º do art. 17 desta Lei Complementar, serão tributadas na forma do Anexo III desta Lei Complementar as seguintes atividades de prestação de serviços: (...) IX serviços de instalação, de reparos e de manutenção em geral, bem como de usinagem, solda, tratamento e revestimento em metais; No entendimento da Turma prolatora do acórdão recorrido, a Lei Complementar nº 123/2006 poderia ser aplicada retroativamente, justificando a inclusão do contribuinte no Simples Federal. Entendo equivocada a decisão recorrida neste ponto, afinal, não há fundamento legal para retroatividade da legislação que trata do regime simplificado (Simples Nacional) estabelecido pela Lei Complementar nº 123/2006 , para assegurar a opção quanto ao Simples Federal que tem regramento próprio, em especial a Lei nº 9.317/1996. O artigo 106, I, do Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a retroatividade, limitase à hipótese de norma interpretativa, que exclua a aplicação de penalidade, hipótese distinta do caso dos autos. É o teor do artigo 106: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nesse sentido, destaco o Enunciado da Súmula do CARF impedindo a retroatividade em casos de atividade anteriormente vedada, verbis: Súmula CARF nº 81: É vedada a aplicação retroativa de lei que admite atividade anteriormente impeditiva ao ingresso na sistemática do Simples. Em julgamento realizado em 13 de março de 2017, esta Turma da CSRF decidiu pela impossibilidade de aplicação da Lei Complementar nº 123 de forma retroativa, conforme acórdão 9101002.574 do qual se transcreve ementa a seguir: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002 Fl. 110DF CARF MF Processo nº 13819.000233/200471 Acórdão n.º 9101003.260 CSRFT1 Fl. 108 7 SIMPLES. LEI 9.317/1996. ACADEMIA DE GINÁSTICA. ATIVIDADE VEDADA. As academias de ginástica exercem atividades assemelhadas às de fisicultor, sendo vedada a opção pelo Simples Federal, nos termos do artigo 9º, XIII, da Lei nº 9.317/1996. SIMPLES. VEDAÇÃO INEXISTENTE NA LEI COMPLEMENTAR 123/06. IRRELEVÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA DESTA LC Embora a Lei Complementar nº 123/2006 tenha autorizado a inclusão de academias de ginástica no Simples Nacional, não há retroatividade da norma, nos termos da Súmula CARF nº 81. Por tais razões, voto por dar parcial provimento ao recurso especial quanto ao primeiro tema (retroatividade da Lei Complementar nº 123/2006). Esclareço que, em seu recurso especial, a Procuradoria pleitea seja mantida a “exclusão do interessado do Simples”, pedido que não é integralmente acolhido pelo presente voto. Isto porque a Turma a quo não analisou de forma suficiente a matéria que lhe foi devolvida pela interposição de recurso voluntário – notadamente o cerne da discussão no processo administrativo relacionado à interpretação do artigo 9º, XIII, da Lei nº 9.317/1996. Diante disso, proponho a baixa dos autos para complemento ao julgamento pela Turma a quo e, assim, voto pelo provimento parcial ao recurso especial quanto ao primeiro tema. Assim, resta analisar se a atividade do contribuinte seria efetivamente vedada no regime da Lei nº 9.317/1996, segundo tema do recurso especial, devidamente admitido pelo Presidente de Câmara. Interpretação do artigo 9º, XIII, da Lei nº 9.317/1996 A Procuradoria recorrente sustenta a existência de divergência na interpretação da lei tributária a respeito do artigo 9º, XIII, da Lei nº 9.317/1996, tendo indicado dois acórdãos como paradigmas. Ocorre que a matéria não foi analisada pelo acórdão recorrido, que se limitou a autorizar a inclusão retroativa no Simples Federal, no entendimento dos Conselheiros julgadores pela retroatividade da Lei Complementar nº 123/2006. Diante disso, não há como se vislumbrar a divergência na interpretação da lei tributária – requisito inafastável para conhecimento do recurso especial quanto ao segundo tema do recurso especial. Afinal, não se pode inferir qual a interpretação que a Turma a quo adotaria a respeito do artigo 9º, XIII, da Lei nº 9.317/1996. Fl. 111DF CARF MF 8 Assim, voto por não conhecer do recurso especial quanto ao segunda tema (art. 9º, XIII, da Lei nº 9.317/1996). E, nesse contexto, reafirmo o voto pela baixa dos autos à Turma a quo, para análise das razões do recurso voluntário, que tratou deste tema (fls. 49/53) Conclusões Por tais razões, voto por conhecer e dar parcial provimento ao recurso especial da Procuradoria quanto à retroatividade da Lei Complementar nº 123/06 (primeiro tema), determinando a baixa dos autos para pronunciamento da Turma quanto ao artigo 9º, XIII, da Lei nº 9.317/96. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 112DF CARF MF
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Numero do processo: 10235.720206/2009-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-001.190
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade local da RFB: (a) verifique se houve apropriação dos créditos referentes a "florestamento e reflorestamento" como custo na proporção da exaustão ou depreciação; e (b) caso seja negativa a resposta à pergunta anterior, apresente relação exaustiva e detalhada dos itens glosados sob o tópico "florestamento e reflorestamento".
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade local da RFB: (a) verifique se houve apropriação dos créditos referentes a "florestamento e reflorestamento" como custo na proporção da exaustão ou depreciação; e (b) caso seja negativa a resposta à pergunta anterior, apresente relação exaustiva e detalhada dos itens glosados sob o tópico "florestamento e reflorestamento". ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre o Pedido de Ressarcimento (PER) no 32483.06370.311007.1.1.080599 (fls. 9 a 12)1, transmitido em 31/10/2007, e analisado, ao lado de outros treze, por força de decisão judicial no Mandado de Segurança no 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 35 .7 20 20 6/ 20 09 -0 4 Fl. 965DF CARF MF Processo nº 10235.720206/200904 Resolução nº 3401001.190 S3C4T1 Fl. 962 2 2009.31.00.0018582 (fls. 4 a 8), no valor de R$ 237.654,56, e referente a Contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, do segundo trimestre de 2007. No parecer de fls. 90 a 98, informa a fiscalização que: (a) apurouse que os dispêndios que originaram o ressarcimento podem ser agrupados em “florestamento e reflorestamento”, “transporte e carregamento de madeira”, “serviço de desgalho/descasque”, “energia elétrica”, “depreciação” e “diesel e lubrificantes”; e (b) no que se refere a (b1) “florestamento e reflorestamento”, os dispêndios não são originários de créditos de COFINS e Contribuição para o PIS/PASEP, pois devem compor o custo de formação de floresta contabilizável no Ativo Não Circulante Imobilizado e será apropriado como custo na proporção da exaustão, e nem mesmo a parcela de exaustão apurada para compor o custo de determinados períodos é geradora de créditos das contribuições, conforme dispõem os artigos 3o da Lei no 10.833/03 e da no 10.637/02; (b2) no “transporte e carregamento de madeira”, foram analisados, por amostragem, conhecimentos de transporte e notas fiscais de serviços, evidenciandose que os dispêndios compõem a conta de estoque e são registráveis no Ativo Circulante, portanto com permissibilidade de geração de direito creditório das contribuições; (b3) “serviço de desgalho/descasque”, “energia elétrica” e “depreciação”, geram créditos das contribuições; e (b4) “diesel e lubrificantes”, observouse que a empresa não possui um sistema contábil capaz de evidenciar de forma segregada os valores utilizados em reflorestamento (que não geram crédito) e os utilizados nos setores produtivos da empresa (que geram crédito), em desatendimento à exigência prevista no art. 30 da Instrução Normativa SRF no 387/2004. Com base em tal parecer é emitido o Despacho Decisório de fl. 99, em 10/03/2010 (com ciência à empresa em 12/03/2010 fl. 102), deferindo parcialmente o crédito pleiteado, no valor de R$ 138.268,02. A empresa apresenta oposição à Compensação de Ofício (fls. 103 a 103), em 17/03/2010, e Manifestação de Inconformidade, em 12/04/2010 (fls. 162 a 190), alegando, em síntese, que: (a) pelo artigo 3o, II das leis de regência das contribuições, passou a empresa a ter direito a tomar crédito sobre aquisições de insumos, independente de estes serem utilizados na fabricação de produtos destinados à exportação ou ao mercado interno; (b) em virtude de se tratar de empresa eminentemente exportadora de cavacos de madeira (pinus e eucalyptus), acumulase grande saldo credor da contribuição, apurado na forma do artigo 3o, havendo acumulação de saldo remanescente, após compensação de tributos e contribuições administrados pela RFB, conforme se solicita no processo; (c) o processo produtivo da empresa possui quatro fases: produção de mudas pelo método de mini estaquia (formação de brotos no mini jardim clonal ,por aproximadamente oito a nove meses), silvicultura (reflorestamento: derrubada, enleiramento, subsolagem, fosfatagem e aplicação e herbicida), colheita (por meio da derrubada, desgalhe, carregamento e transporte para a fábrica), e processo fabril (descascamento das toras, picagem e repicagem), sendo as glosas referentes às duas primeiras fases (“florestamento e reflorestamento”, assim como “diesel e lubrificantes” a ela referentes, por não haver segregação); (d) a atividade é agroindustrial, conforme preceitos da Lei no 10.256/2001; (e) todas as fases produtivas são essenciais necessárias para o funcionamento da empresa, desde o plantio das mudas até o transporte dos cavacos à embarcação nos navios cargueiros; (f) todos os insumos relativos às fases 1 e 2 são consumidos na planta, pois, do sucesso da floresta depende a aplicação de defensivos, adubos, inseticidas, ou seja, são determinantes para a qualidade do produto em sua fase de industrialização, e “se integram ao produto final, pois sua utilização está intrinsecamente ligada à qualidade final do produto, caracterizandose como produto intermediário, tendo em vista que, embora não se integrando ao novo produto fabricado, são consumidos em decorrência de ação direta no processo de fabricação”, e correspondem às hipóteses tratadas na IN SRF no 404/2004, artigo 9o; (g) ainda Fl. 966DF CARF MF Processo nº 10235.720206/200904 Resolução nº 3401001.190 S3C4T1 Fl. 963 3 que se sustente que os dispêndios das fases 1 e 2 devem compor o custo de formação de floresta contabilizável no Ativo Não Circulante Imobilizado, e apropriado como custo na proporção de exaustão, melhor sorte não assiste ao fisco, pois segundo soluções de consulta exaradas pela RFB (no 254/2007 e no 18/2009), já se sedimentou o entendimento em casos análogos de que as despesas de exaustão geram direito ao crédito da contribuição; (h) sobre as glosas de “diesel e lubrificantes”, além de serem indevidas nas fases 1 e 2, a empresa possui demonstrativos que permitem segregar os dispêndios, anexandoa à defesa; e (i) os créditos devem ser monetariamente atualizados, pela Taxa SELIC. A decisão de primeira instância, proferida em 21/09/2010 (fls. 527 a 537) foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos. (a) a condição imposta para o aproveitamento dos créditos da contribuição gerados por insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda é o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da sua ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou seja, o termo “insumo” não pode ser interpretado como todo e qualquer bem utilizado no processo produtivo da empresa e não incorporado ao ativo imobilizado, mas tãosomente aquele que efetivamente teve ação sobre o produto fabricado, sendo correta a glosa sobre dispêndios com “florestamento e reflorestamento”; (b) o “relatório de custos” (planilha de fls. 402/478) trazido pela empresa para segregar custos de “diesel e lubrificantes”, nas diferentes fases da produção, constitui peça em papel que não se reveste de qualquer formalidade mínima que dê suporte à sua validade e empreste aos créditos pleiteados a liquidez e certeza necessárias para fruição do crédito; e (c) há comando normativo específico impedindo a fruição de juros no ressarcimento de créditos. Após ciência da decisão da DRJ, em 20/12/2010 (fl. 538), a empresa apresenta o Recurso Voluntário de fls. 542 a 574, em 14/01/2011, reiterando os argumentos expressos na manifestação de inconformidade, e agregando que: (a) a aquisição de “diesel e lubrificantes” utilizados na fase do reflorestamento para o funcionamento de equipamentos agrícolas geram créditos das contribuições, no conceito de insumos esclarecido pela Solução de Consulta RFB no 398/2008, assim como “diesel e lubrificantes” utilizados nos setores produtivos/industriais; e (b) apesar da distinção conceitual dos institutos, consolidouse o entendimento de que, na prática, o ressarcimento é considerado uma espécie do gênero restituição e, por isso, aplicamse os princípios atinentes à repetição de indébito, incidindo, assim, os índices de correção monetária para suprir os prejuízos causados pela inflação, sendo legítima a incidência da correção dos créditos pela Taxa SELIC, como vem decidindo o CARF. No CARF, o julgamento foi convertido em diligência, de forma unânime, em 21/05/2012, pela Resolução no 3401000.465 (fls. 597 a 601), para que fossem “identificados e quantificados os valores referentes ao diesel e lubrificantes utilizados no processo efetivamente industrial, bem como quais gastos referentes ao plantio e ao reflorestamento são efetivamente agregados à matéria prima que adentra o processo industrial da contribuinte”. Após o retorno ao CARF, o julgamento foi novamente convertido em diligência, de forma unânime, pela Resolução no 3401000.912 (fls. 941 a 945), em 28/01/2016, para juntada de arquivo correto correspondente ao relatório de diligência. Juntado o relatório às fls. 947 a 951, verificase que a fiscalização segregou em planilhas distintas, com base em notas fiscais apresentadas pela empresa, os créditos referentes a “diesel e lubrificantes” passíveis de ressarcimento, por serem atrelados a etapas não relacionadas a plantio e a reflorestamento. Fl. 967DF CARF MF Processo nº 10235.720206/200904 Resolução nº 3401001.190 S3C4T1 Fl. 964 4 Em 22/07/2016 o processo foi a mim distribuído, por sorteio, visto que o relator original não mais compunha o colegiado. O processo não foi indicado para pauta nos meses novembro e dezembro de 2016, por estarem as sessões suspensas por determinação do CARF. O processo, derradeiramente, não foi indicado para o mês de janeiro de 2017, por ser a pauta mera reprodução da referente ao mês de outubro de 2016, que também teve a sessão suspensa por determinação do CARF. De fevereiro a junho de 2017 o processo foi indicado para pauta, mas não pautado, em função do excesso de número de processos a julgar. Em julho o processo foi pautado, e retirado de pauta por falta de tempo hábil para julgamento, não tendo sido incluído em pauta em agosto por não estar presente o relator, justificadamente, na sessão de julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O cumprimento dos requisitos formais de admissibilidade já foi verificado na conversão em diligência, passandose, então, aqui, à análise de mérito. Em função de não versar o presente processo sobre créditos extemporâneos (como esclareceu o julgador de piso, apesar de a empresa insistir nas alegações de defesa em relação ao assunto), e de terem sido deferidos os créditos relativos a “transporte e carregamento de madeira”, “serviço de desgalho/descasque”, “energia elétrica”, e “depreciação”, restam contenciosos nestes autos apenas três temas: (a) a possibilidade (ou não) de tomada de créditos em relação a despesas com “florestamento e reflorestamento”, como insumos; (b) a falta de detalhamento individualizado, por fase, das despesas com “diesel e lubrificantes”, ensejadora da conversão em diligência; e (c) a incidência (ou não) de juros à Taxa SELIC sobre os valores a eventualmente ressarcir. Preliminarmente a tais temas, no entanto, cabe discorrer sobre a delimitação do conceito de insumos na legislação que rege as contribuições. Da delimitação do conceito de insumos para as contribuições O termo insumo é polissêmico. Por isso, há que se indagar qual é sua abrangência no contexto das Leis no 10.627/2002 e no 10.833/2003. Na busca de um norte para a questão, poderseia ter em consideração os teores do § 5o do art. 66 da IN SRF no 247/2002 (editado com base no art. 66 da Lei no 10.637/2002) e do art. 8o da IN SRF no 404/2004 (editado com alicerce no art. 92 da Lei no 10.833/2003), que, para efeito de disciplina da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, estabelecem entendimento de que o termo insumo utilizado na fabricação ou produção de bens destinados à venda abrange “as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que Fl. 968DF CARF MF Processo nº 10235.720206/200904 Resolução nº 3401001.190 S3C4T1 Fl. 965 5 não estejam incluídos no ativo imobilizado” e “os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto”. Outro caminho seria buscar analogia com a legislação do IPI ou do IR (ambas frequentes na jurisprudência deste CARF). Contudo, tal tarefa se revela improfícua, pois em face da legislação que rege as contribuições, o conceito expresso nas normas que tratam do IPI é demasiadamente restritivo, e o encontrado na legislação do IR é excessivamente amplo, visto que se adotada a acepção de “despesas operacionais”, chegarseia à absurda conclusão de que a maior parte dos incisos do art. 3o das Leis no 10.637/2002 e 10.833/2003 (inclusive alguns que demandaram alteração legislativa para inclusão v.g. incisos IX, referente a energia elétrica e térmica, e X, sobre valetransporte ... para prestadoras de serviços de limpeza...) é inútil ou desnecessária. A Lei no 10.637/2002, que trata da Contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, e a Lei no 10.833/2003, que trata da COFINS nãocumulativa, explicitam, em seus arts. 3o, que podem ser descontados créditos em relação a: “II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis (...)” (grifo nosso) A mera leitura dos dispositivos legais já aponta para a impossibilidade de se considerar como insumo um bem ou serviço que não seja utilizado na produção ou fabricação do bem destinado à venda. Há, assim, que se concluir que o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final, como vem reiteradamente decidindo este CARF: “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. (...).” (Acórdão 3403003.166, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime – em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014) (na mesma linha os Acórdãos no 3403002.469 a 477; no 3403001.893 a 896; no 3403 001.935; no 3403002.318 e 319; no 3403.002.783 e 784, e no 3401.003.097) Isto posto, incumbe analisar a adequação ao conceito de insumo das rubricas questionadas no presente contencioso, já destacando que não se identifica com a legislação do IPI nem com a do IR. Tratase, assim, na sequência, das glosas referentes a despesas com “florestamento e reflorestamento”. Fl. 969DF CARF MF Processo nº 10235.720206/200904 Resolução nº 3401001.190 S3C4T1 Fl. 966 6 Das despesas com florestamento e reflorestamento Já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre a fruição de créditos em relação a “insumos dos insumos...” (característica típica de processos produtivos verticalizados, como o aqui analisado) em relatoria de processo referente à fabricação de ferro gusa, que contou com a participação de cinco dos conselheiros que compõem este colegiado (este relator, e os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Fenelon Moscoso de Almeida, que o acompanharam, ao lado de Waltamir Barreiros, Eloy Eros da Silva Nogueira e Elias Fernandes Eufrásio, sendo vencido unicamente o Conselheiro Robson José Bayerl). Na ocasião (fevereiro de 2016, no Acórdão no 3401003.097), sustentei o seguinte, no voto majoritariamente acolhido no colegiado: “Quando a recorrente se refere a custos de produção relacionados a formação de florestas de eucalipto e produção do próprio carvão vegetal, está a tratar dos insumos necessários à produção do carvão vegetal, que na verdade é um insumo para produção do ferrogusa, que é o produto vendido pela empresa. Daí intitularmos este tópico de “insumos dos insumos...”. E as reticências se devem à explicação da recorrente sobre o processo produtivo do ferrogusa, no qual existem basicamente três etapas, cada uma gerando um produto que será insumo na etapa seguinte. Assim, temse, em verdade, os “insumos dos insumos dos insumos” (sementes como insumos para gerar árvores/madeira, que servem de insumos na obtenção do carvão vegetal, que constitui insumo para a produção do ferrogusa). Não se tem dúvidas de que se estivéssemos a analisar a semente, por exemplo, adquirida de pessoa jurídica como insumo para uma empresa que comercializa toras de madeira, pouco restaria de contencioso. Igualmente se estivéssemos a analisar aquisições de madeira como insumo para uma empresa que vende carvão vegetal. De forma idêntica, seria incontroverso (inclusive para o autuante, se estivessem compatíveis as quantificações nas notas fiscais, ou se tivessem havido complementações) que as aquisições de carvão vegetal constituem insumos para empresa que vende ferrogusa. Considerando o exposto, e o conceito de insumo aqui adotado (bens necessários ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final), temse que o único elemento que se acrescenta no caso concreto é o silogismo: se a semente é necessária à obtenção da madeira, necessária à obtenção do carvão vegetal, por sua vez necessário à obtenção do ferrogusa, logo a semente é necessária à obtenção do ferrogusa. Não faz sentido culpar/penalizar a empresa por ter fabricação/produção própria dos insumos necessários a etapas subsequentes de seu processo produtivo. Não assiste razão ao fisco, assim, para efetuar as glosas. A exigência de vinculação “direta” (ou mesmo contato físico) com o produto vendido não encontra respaldo legal para as contribuições não cumulativas. A simples leitura do inciso II do art. 3o das leis de regência (Lei no 10.637/2002 e Lei no 10.833/2003) mostra que os bens e serviços devem ser utilizados como insumo “na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda...”, e não “na Fl. 970DF CARF MF Processo nº 10235.720206/200904 Resolução nº 3401001.190 S3C4T1 Fl. 967 7 produção ou fabricação direta de bens ou produtos destinados à venda...”, como deseja o fisco. A turma de origem havia apreciado casos semelhantes, à época (a árvore plantada era inclusive a mesma, eucalipto, mas havia uma etapa a menos, tratandose apenas de “insumos dos insumos”). Abaixo são transcritos excertos da ementa do julgamento e do voto condutor, unanimemente acolhido por aquela turma em relação à matéria em discussão: “CRÉDITOS. CUSTOS INCORRIDOS NO CULTIVO DE EUCALIPTOS. Os custos incorridos com bens e serviços aplicados na floresta de eucaliptos destinados à extração da celulose configuram custo de produção e, por tal razão, integram a base de cálculo do crédito das contribuições não cumulativas. (...)” “Conforme se verifica nos autos, a fiscalização não só adotou o conceito de insumo estabelecido para o IPI, por meio das instruções normativas da Receita Federal; mas também seccionou a atividade do contribuinte em duas etapas: a produção da matériaprima (madeira) e a extração da celulose (produto final industrializado a ser exportado). Ao assim proceder a fiscalização acabou por considerar como “produção” apenas a etapa industrial do processo produtivo, como se estivesse analisando um processo de ressarcimento de IPI, esquecendose de que os arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 utilizam os termos “produção” e “fabricação”. (...) No caso concreto, o contribuinte exerce as duas atividades: produz sua própria matériaprima (produção de madeira) e extrai a celulose da matériaprima (fabricação), por meio do processo industrial descrito nos recursos apresentados neste processo. Tendo em vista que a lei contemplou com o direito de crédito os contribuintes que exerçam as duas atividades, concluise, a partir da interpretação literal dos textos dos arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, que não há respaldo legal para expurgar dos cálculos do crédito os custos incorridos na fase agrícola (produção da madeira), sob argumento de que esta fase culmina na produção de bem para consumo próprio. (...) Sendo assim, devem ser revertidas as glosas dos créditos relativos aos custos incorridos com os bens e serviços discriminados nas planilhas de glosa sob as rubricas: a) manejo das plantações de eucalipto; (...)” (Acórdãos n. 3403 002.815 a 824, Rel. Antonio Carlos Atulim, unânimes em relação à matéria, sessão de 27.fev.2014) (grifo nosso) Fl. 971DF CARF MF Processo nº 10235.720206/200904 Resolução nº 3401001.190 S3C4T1 Fl. 968 8 Há que se destacar, no entanto, que o recurso voluntário alude genericamente a custos de produção relacionados a formação de florestas de eucalipto e produção do próprio carvão vegetal. E a autuação remete aos bens/valores constantes das contas “custo da produção carvão vegetal” (4.1.2, desmembrado em “serviços de terceiros” PJ, “frete matéria prima” PJ, e “aluguel de máquinas e equipamentos”); “custo transporte próprio” (4.1.3, desmembrado em “combustíveis e lubrificantes”, e “serviços de terceiros” PJ) e “custos das fazendas “ (4.1.5, desmembrado em “combustíveis e lubrificantes”, “serviços de terceiros” PJ; e “aluguel de máquinas e equipamentos”). Não havia nos autos nenhum detalhamento dos lançamentos efetuados em relação a tais contas, o que, por certo, era irrelevante tanto para o fisco (que associava o conceito de insumos à legislação do IPI, na qual haveria necessidade de “contato físico”/desgaste do insumo em contato com o produto final) quanto para a recorrente (que acreditava estar o conceito de insumos associado simplesmente à atividade empresarial, inspirada pela legislação do IRPJ).” Não tendo havido nenhuma alteração legislativa em relação ao tema, de lá para cá, continuo a endossar as considerações expostas, entendendo que são passíveis de tomada de crédito as despesas referentes a “insumos dos insumos...”. Reitero, então, que, em um processo produtivo de uma mesma empresa com várias etapas, cada qual gerando um produto que será insumo na etapa seguinte ("insumos dos insumos...") temse que o único elemento que se acrescenta ao conceito de insumo é o silogismo (se "a" é necessário a "b", e "b" é necessário a "c", então "a" é necessário a "c"), não obstando a tomada de créditos, tendo em vista que a exigência de vinculação “direta” (ou mesmo contato físico) com o produto vendido não encontra respaldo legal para as contribuições não cumulativas. A simples leitura do inciso II do art. 3o das leis de regência (Lei no 10.637/2002 e Lei no 10.833/2003) mostra que os bens e serviços devem ser utilizados como insumo “na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda...”, e não “na produção ou fabricação direta de bens ou produtos destinados à venda...”. No entanto, durante os debates, no seio do colegiado, já substancialmente diferente daquele que converteu em diligência o processo inicialmente, foram levantadas novas questões, que acabam por prejudicar o julgamento imediato do processo, demandando nova conversão em diligência. A primeira delas se refere a ter ou não a empresa apropriado créditos referentes a "florestamento e reflorestamento" como custo na proporção da exaustão ou depreciação. A ideia é evitar que a empresa tenha duplicidade de creditamento. Como alega a fiscalização, por estar atrelado a exaustão, não haveria geração de créditos como “insumos”. Mas é necessário saber com segurança se a empresa não tomou de outra forma tais créditos, como custo na proporção da exaustão ou depreciação, demandandoos agora também como “insumos”. Sendo negativa a resposta a tal questão, há ainda necessidade de detalhamento (não só por mês, mas por item glosado sob o tópico "florestamento e reflorestamento"), para que o colegiado verifique a adequação de tais itens, individualizadamente, ao conceito de insumo adotado e aclarado neste voto. Fl. 972DF CARF MF Processo nº 10235.720206/200904 Resolução nº 3401001.190 S3C4T1 Fl. 969 9 Em síntese, a nova composição do colegiado deu ensejo a debates mais abrangentes, e que demandaram um novo pronunciamento conclusivo da unidade local da RFB, em um segundo relatório de diligência. E de tal relatório devese dar ciência à empresa, para eventual manifestação, no prazo previsto no artigo 35 do Decreto no 7.574/2001 (30 dias), retornandose, posteriormente, os autos a este CARF, para julgamento. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que a unidade local da RFB: (a) verifique se houve apropriação dos créditos referentes a "florestamento e reflorestamento" como custo na proporção da exaustão ou depreciação; e (b) caso seja negativa a resposta à pergunta anterior, apresente relação exaustiva e detalhada dos itens glosados sob o tópico "florestamento e reflorestamento" Rosaldo Trevisan Fl. 973DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17460.000670/2007-96
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 21/03/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.943
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 46 0. 00 06 70 /2 00 7- 96 Fl. 85DF CARF MF Processo nº 17460.000670/200796 Acórdão n.º 9202005.943 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 15979.000274/200701. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 17460.000670/200796 Acórdão n.º 9202005.943 CSRFT2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202005.782, de 26/09/2017, proferido no julgamento do processo 15979.000274/200701, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202005.782): Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade Fl. 87DF CARF MF Processo nº 17460.000670/200796 Acórdão n.º 9202005.943 CSRFT2 Fl. 0 4 benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262 (Sessão de23dejunhode2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 17460.000670/200796 Acórdão n.º 9202005.943 CSRFT2 Fl. 0 5 A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdãonº9202004.499 (Sessão de 29desetembrode2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 89DF CARF MF Processo nº 17460.000670/200796 Acórdão n.º 9202005.943 CSRFT2 Fl. 0 6 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao Fl. 90DF CARF MF Processo nº 17460.000670/200796 Acórdão n.º 9202005.943 CSRFT2 Fl. 0 7 raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na Fl. 91DF CARF MF Processo nº 17460.000670/200796 Acórdão n.º 9202005.943 CSRFT2 Fl. 0 8 NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 92DF CARF MF Processo nº 17460.000670/200796 Acórdão n.º 9202005.943 CSRFT2 Fl. 0 9 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de Fl. 93DF CARF MF Processo nº 17460.000670/200796 Acórdão n.º 9202005.943 CSRFT2 Fl. 0 10 ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 94DF CARF MF Processo nº 17460.000670/200796 Acórdão n.º 9202005.943 CSRFT2 Fl. 0 11 Fl. 95DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.001883/2007-74
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
CRÉDITO. CÁLCULO. RATEIO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. EXCLUSÃO.
As receitas decorrentes de exportação de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação não integram o total das receitas de exportação da empresa comercial exportadora, para efeito de cálculo do índice de rateio utilizado, na apuração do crédito da contribuição passível de aproveitamento.
CRÉDITOS. COMBUSTÍVEIS. GLOSA.
Mantém-se a glosa dos créditos aproveitados indevidamente sobre os gastos com combustíveis que não foram utilizados na produção industrial dos produtos fabricados e vendidos.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO.
A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja e milho, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de Cofins.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO.
Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação.
SALDO CREDOR TRIMESTRAL. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO.
É expressamente vedado por lei a atualização monetária do ressarcimento do saldo credor trimestral dos créditos da Cofins não cumulativa, pela taxa Selic.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-005.839
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Demes Brito.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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DIREITO A CRÉDITOS. Recorrente FERTIMOURAO AGRICOLA EIRELI EM RECUPERACAO JUDICIAL Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 CRÉDITO. CÁLCULO. RATEIO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. EXCLUSÃO. As receitas decorrentes de exportação de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação não integram o total das receitas de exportação da empresa comercial exportadora, para efeito de cálculo do índice de rateio utilizado, na apuração do crédito da contribuição passível de aproveitamento. CRÉDITOS. COMBUSTÍVEIS. GLOSA. Mantémse a glosa dos créditos aproveitados indevidamente sobre os gastos com combustíveis que não foram utilizados na produção industrial dos produtos fabricados e vendidos. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. CEREALISTA. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO. A pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenagem e comercialização de produtos agrícolas, soja e milho, não faz jus ao crédito presumido da agroindústria a título de Cofins. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. Os saldos credores trimestrais de créditos presumidos da agroindústria, a título de Cofins, não são passiveis de ressarcimento/compensação. SALDO CREDOR TRIMESTRAL. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO. É expressamente vedado por lei a atualização monetária do ressarcimento do saldo credor trimestral dos créditos da Cofins não cumulativa, pela taxa Selic. Recurso Especial do Contribuinte Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 18 83 /2 00 7- 74 Fl. 779DF CARF MF Processo nº 10950.001883/200774 Acórdão n.º 9303005.839 CSRFT3 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Demes Brito. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 3801004.378, da 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que negou provimento ao recurso, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. RESSARCIMENTO. No cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não cumulatividade das contribuições sociais, excluise da proporção as receitas de exportação decorrentes das aquisições de mercadorias com fim específico de exportação. VENDAS MERCADO INTERNO E EXTERNO. CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS COMUNS. RATEIO PROPORCIONAL. A determinação do crédito pelo rateio proporcional, entre receitas de exportação e receitas do mercado interno, aplicase somente aos custos, despesas e encargos que sejam vinculados às receitas de mercado interno e exportação. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. COMBUSTÍVEIS. COMPROVAÇÃO. Os combustíveis utilizados ou consumidos diretamente no processo fabril geram o direito de descontar créditos da contribuição apurada de forma não cumulativa, todavia o reconhecimento dos créditos está condicionado a efetiva comprovação de que as aquisições de combustíveis são utilizadas efetivamente no processo produtivo. Fl. 780DF CARF MF Processo nº 10950.001883/200774 Acórdão n.º 9303005.839 CSRFT3 Fl. 4 3 CRÉDITO PRESUMIDO. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. CEREALISTA. VEDAÇÃO. Há vedação legal ao aproveitamento do crédito presumido para as cerealistas que exerçam cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal. VENDAS COM SUSPENSÃO. VIGÊNCIA. DO ART. 9º DA LEI Nº 10.925, DE 2004. O art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004 teve eficácia a partir de 4 de abril de 2006, data prevista na norma regulamentadora, in casu, a Instrução Normativa SRF nº 660, de 2006. RESSARCIMENTO DE CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CORREÇÃO MONETÁRIA PELA TAXA SELIC. VEDAÇÃO EXPRESSA. É incabível, por expressa vedação legal, a incidência de atualização monetária pela taxa Selic sobre o ressarcimento de créditos de contribuição não cumulativa. Recurso Voluntário Negado. ” Irresignado, o sujeito passivo opôs Embargos de Declaração, alegando que a decisão prolatada incorreu em contradição entre a decisão e seus fundamentos. Todavia, os embargos foram rejeitados. O sujeito passivo interpôs, então, Recurso Especial suscitando divergência em relação às seguintes matérias: · Rateio dos créditos apurados; · Glosa das aquisições de combustíveis; · Aproveitamento do crédito presumido da atividade agroindustrial; · Possibilidade de ressarcimento do crédito presumido; · Vendas efetuadas com suspensão; e · Atualização monetária. Mediante Despacho do Presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção do CARF foi dado seguimento parcial ao recurso. Foram admitidas as matérias “rateio dos créditos apurados”, “glosa das aquisições de combustíveis”, “aproveitamento do crédito presumido da atividade agroindustrial”, “possibilidade de ressarcimento do crédito”, e “atualização monetária (SELIC)”. Apenas a matéria “vendas efetuadas com suspensão – eficácia do art. 9º da Lei 10.925/04” teve o seguimento negado. Contrarrazões ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo foram apresentadas pela Fazenda Nacional. É o relatório. Fl. 781DF CARF MF Processo nº 10950.001883/200774 Acórdão n.º 9303005.839 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303 005.815, de 17/10/2017, proferido no julgamento do processo 10950.001882/200720, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.815): Da Admissibilidade "Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, na parte admitida em Despacho, eis que atendidos os critérios de conhecimento trazidos pelo art. 67 do RICARF/2015 – com alterações posteriores. O que concordo com o despacho de exame de admissibilidade. Ora, em relação à discussão acerca: · Do rateio dos créditos apurados, foi comprovada a divergência, vez que a decisão recorrida entendeu pela exclusão das receitas de exportação decorrentes das aquisições de mercadorias com fim específico de exportação do cálculo do rateio proporcional e o acórdão indicado como paradigma de nº 3202001.618 concluiu pela não exclusão dos valores de receita que se originaram de operações com o fim específico de exportação; · Das aquisições de combustíveis, foi comprovada a divergência, eis que enquanto o aresto recorrido adotou um conceito restritivo de insumo e o indicado como paradigma de nº 203.12.896 reconheceu o direito de aproveitar créditos decorrentes de aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados no processo produtivo e nas operações de vendas e entrega direta da produção; · Do crédito presumido da atividade agroindustrial, foi comprovada a divergência, vez que o aresto recorrido entendeu pela vedação legal ao aproveitamento do crédito presumido por enquadrar o sujeito passivo como cerealista que exerce cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal e o acórdão indicado como paradigma de nº 3202001.618 divergiu da interpretação relativa ao processo produtivo de grão e o conceito de agroindústria, sem a restrição ao direito creditório; · Da possibilidade de ressarcimento do crédito presumido, também foi comprovada a divergência, eis que o aresto recorrido não conheceu das alegações em relação à forma de utilização do crédito presumido, divergindo, assim, da interpretação adotada no acórdão paradigma de nº 3803002.336 que, por sua vez não aplicou a restrição prevista na IN Fl. 782DF CARF MF Processo nº 10950.001883/200774 Acórdão n.º 9303005.839 CSRFT3 Fl. 6 5 SRF 660/06 quanto ao direito a compensação e/ou ressarcimento do Crédito Presumido de PIS e COFINS; · Da atualização monetária, foi comprovada a divergência, vez que o aresto recorrido entendeu não ser cabível a aplicação de correção monetária, com base na taxa Selic, nos casos de pedidos de ressarcimento de contribuição nãocumulativa, por expressa vedação legal, enquanto que o acórdão paradigma de nº 3802001.418 entendeu pela possibilidade de atualização do crédito pela taxa Selic. Em vista do exposto, entendo que devo conhecer o recurso especial em relação às matérias admitidas em Despacho de Exame de Admissibilidade – ou seja, sobre as seguintes matérias: · Rateio dos créditos apurados; · Glosa das aquisições de combustíveis; · Aproveitamento do crédito presumido da atividade agroindustrial; · Possibilidade de ressarcimento do crédito presumido; · Atualização monetária. Contrarrazões devem ser consideradas, eis que tempestivas." Do Mérito "Antes de se adentrar a cada matéria, importante trazer breve histórico do caso vertente: · O sujeito passivo desenvolve atividades agroindustriais e produz as mercadorias de NCM dos capítulos 8 a 12 referidas no art. 8º da Lei 10.925/074, realizando operações no mercado interno e exportações diretas e indiretas; · Observa a sistemática não cumulativa das contribuições, nos termos da Lei 10.833/03 e da Lei 10.637/02, sendo que para a sua atividade, adquire de fornecedores pessoas físicas residentes no país e jurídicas situadas no mercado interno, bens e serviços – insumos – para a produção de mercadorias; · Tendo acumulado créditos por aquisições – custos, despesas e demais encargos, protocolou pedido de ressarcimento do saldo de crédito. Ventiladas tais considerações, passo a discorrer a priori sobre o critério de rateio dos créditos apurados e em seguida sobre as demais matérias conhecidas." (...)1 "Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo de suas conclusões. A discussão gira em torno das seguintes matérias: i) rateio das receitas de exportação; ii) glosa de créditos sobre combustíveis; iii) aproveitamento do crédito presumido da agroindústria; iv) ressarcimento/compensação do crédito presumido da agroindústria; e, v) atualização monetária do ressarcimento do saldo credor. 1 Deixouse de transcrever, do voto do paradigma, a parte na qual a relatora enfrentou as questões admitidas no recurso, pois todos os entendimentos foram vencidos na votação, não se aplicando, portanto, na solução do presente litígio (íntegra do voto no acórdão do processo paradigma). Fl. 783DF CARF MF Processo nº 10950.001883/200774 Acórdão n.º 9303005.839 CSRFT3 Fl. 7 6 i) rateio das receitas de exportação O contribuinte questionou o critério utilizado pela autoridade administrativa para o rateio das receitas, utilizado para apuração dos créditos da Cofins, passiveis de desconto e/ ou ressarcimento. Conforme demonstrado nos autos e não impugnado pelo contribuinte, as receitas de exportação decorrem de vendas de mercadorias próprias e de mercadorias adquiridas de terceiros com o fim específico de exportação. A Lei nº 10.833, de 29/12/2003, assim dispõe sobre os créditos da Cofins não cumulativa, vinculados às exportações: "Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; (...). III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3º O disposto nos §§ 1º e 2º aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3o. § 4º O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1º não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação."(destaque não original). Ora, nos termos deste dispositivo, é vedado o aproveitamento (desconto) de créditos vinculados às receitas de exportação de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação, por da parte da exportadora (comercial/trading). Assim, se tais receitas não geram créditos para a exportadora, obviamente, que não podem integrar as receitas de exportação, para efeito de cálculo do índice de rateio utilizado para a apuração dos créditos da contribuição a que o contribuinte faz jus. No mês de outubro de 2006, as receitas de exportação do contribuinte decorreram integralmente da exportação de mercadorias adquiridas de terceiros com o fim específico de exportação. Portanto, neste mês, o índice apurado foi de zero, caso contrário, estaria permitindo o aproveitamento com base num índice de 100,0%, em total desacordo com o § 4º do art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003, citado e transcrito anteriormente. ii) glosa de créditos sobre combustíveis. Fl. 784DF CARF MF Processo nº 10950.001883/200774 Acórdão n.º 9303005.839 CSRFT3 Fl. 8 7 A Lei nº 10.833, de 2003, prevê o aproveitamento de créditos sobre custos com combustíveis, desde que utilizados na produção ou fabricação dos bens vendidos, conforme estabelece o art. 3º, inciso II, literalmente: "Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...). II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; " (...)." No presente caso, conforme demonstrado nos autos e não impugnado pelo contribuinte as glosas foram efetuadas sobre os gastos com combustíveis que não foram utilizados/consumidos no processo de produção ou fabricação dos produtos vendidos e sim em outros setores da empresa. Comprova esta afirmativa excertos transcritos do relatório produzido pela fiscalização, abaixo transcrito: iii) aproveitamento do crédito presumido da agroindústria O contribuinte pleiteia créditos presumidos da Cofins sobre as aquisições de produtos agrícolas (soja e milho) adquiridos de produtores rurais pessoas físicas, beneficiados e vendidos por ele. No entanto, somente faz jus a esse crédito as pessoas jurídicas produtoras de mercadorias de origem animal e vegetal, conforme estabelece a Lei nº 10.925, de 23 de junho de 2004, que assim dispõe: "Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos Fl. 785DF CARF MF Processo nº 10950.001883/200774 Acórdão n.º 9303005.839 CSRFT3 Fl. 9 8 códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (...); III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (...). § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; (destaques não originais) (...)." No presente caso, do exame da Trigésima Quarta Alteração do Contrato Social às fls. 129/138, constatase que o contribuinte exerce, dentre outras, as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, bem como a atividade agrícola, o que o enquadra no § 4º, inciso I, do art. 8º, da Lei nº 10.925/2004, que veda o aproveitamento de crédito presumido da agroindústria para tais atividades. Além disto, segundo o disposto no art. 8º, citado e transcrito anteriormente, a pessoa jurídica para ter direito ao crédito presumido da agroindústria deve produzir mercadorias classificadas nos capítulos e códigos da Nomenclatura Comum do Mercosul elencados no caput do artigo; as mercadorias devem ser destinadas à alimentação humana ou animal; e as pessoas jurídicas produtoras devem adquirir os insumos (conforme alusão ao inciso II do art. 3o da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e ao inciso II do art. 3o da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003) de pessoas físicas, de cerealista ou de pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária, o que não é o caso em discussão. iv) ressarcimento/compensação do crédito presumido da agroindústria. Embora o julgamento desta matéria tenha ficado prejudicado, em virtude do não reconhecimento do direito de o contribuinte aproveitar os créditos presumidos da Fl. 786DF CARF MF Processo nº 10950.001883/200774 Acórdão n.º 9303005.839 CSRFT3 Fl. 10 9 agroindústria, ora reclamados, demonstrase, a seguir, a falta de amparo para o ressarcimento/compensação de tais créditos. O crédito presumido da agroindústria referente ao PIS e à Cofins foi inicialmente instituído pela Lei nº 10.833, de 29/12/2003, art. 3º, § 11, foi extinto pela Lei nº 10.925, de 23/07/2004, art. 16, convertida da MP nº 183, de 30/4/2004. Contudo, esta mesma lei o reinstituiu, nos termos do art. 8º, já citado e transcrito anteriormente, e art. 15, que assim dispõe: "Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (destaque não original) [...]." Ora, segundo o disposto nos art. 8º e 15, citados e transcritos anteriormente, o crédito presumido da agroindústria somente pode ser utilizado para a dedução da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, inexistindo previsão legal para o ressarcimento/compensação. Com efeito, não é despiciendo reiterar que a compensação e o ressarcimento admitidos pelo art. 6º da Lei n° 10.833, de 2003, contemplam unicamente aos créditos apurados na forma do art. 3º daquela lei, assim dispondo: "Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...]; § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art 3º, para fins de: (destaque não original) [...]." Neste diapasão, a IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, dispõe em seu art. 21: “Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637. de 30 de dezembro de 2002. e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: (destaque não original) [...].” Segundo, estes dispositivos legais, apenas os créditos apurados na forma do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, podem ser objeto de pedido de restituição/compensação, ou seja, os créditos sobre insumos adquiridos com incidência da contribuição cujo ônus do pagamento efetivo é do adquirente. Fl. 787DF CARF MF Processo nº 10950.001883/200774 Acórdão n.º 9303005.839 CSRFT3 Fl. 11 10 Os créditos presumidos da agroindústria não são apurados na forma daquele artigo, mas sim nos termos do art. 8º, § 3º da Lei nº 10.925, de 23/07/2004. Já suas utilizações estão previstas no próprio art. 8º e no art. 15, desta mesma lei, citados e transcritos anteriormente, ou seja, podem ser utilizados apenas e tão somente para dedução da contribuição devida em cada período de apuração. v) atualização monetária do ressarcimento do saldo credor. A atualização monetária do ressarcimento de saldo credor da Cofins não cumulativa, calculados à taxa Selic, é expressamente vedado pela própria Lei nº 10.833, de 2003, que instituiu o regime nãocumulativo, assim dispondo: “Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores.” Contra disposição expressa da lei não é cabível aplicar analogias com decisões judiciais não aplicáveis ao caso concreto, como pretende a relatora. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial do contribuinte." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 788DF CARF MF
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Numero do processo: 13822.000120/2005-06
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
CRÉDITOS. FASE AGRÍCOLA DO PROCESSO PRODUTIVO. REGIME NÃO CUMULATIVO.
Os gastos realizados na fase agrícola da agroindústria não geram créditos de PIS/COFINS apurados no regime não cumulativo.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-005.808
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento integral e o conselheiro Demes Brito que lhe deu provimento parcial, para excluir o frete no transporte de pessoal e itens do ativo permanente. Votou pelas conclusões o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1600; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13822.000120/200506 Recurso nº 1 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303005.808 – 3ª Turma Sessão de 17 de outubro de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CONCEITO DE INSUMO. Recorrente CLEALCO AÇÚCAR E ÁLCOOL S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 CRÉDITOS. FASE AGRÍCOLA DO PROCESSO PRODUTIVO. REGIME NÃO CUMULATIVO. Os gastos realizados na fase agrícola da agroindústria não geram créditos de PIS/COFINS apurados no regime não cumulativo. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento integral e o conselheiro Demes Brito que lhe deu provimento parcial, para excluir o frete no transporte de pessoal e itens do ativo permanente. Votou pelas conclusões o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 2. 00 01 20 /2 00 5- 06 Fl. 534DF CARF MF Processo nº 13822.000120/200506 Acórdão n.º 9303005.808 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3401002.976, de 18/03/2015, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção do CARF, que possui a seguinte ementa, transcrita na parte de interesse: (...) ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. A arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. Apenas os bens integrantes do Ativo Imobilizado, adquiridos posteriormente a 01/05/2004 e diretamente ligados ao processo produtivo da empresa podem gerar despesas de depreciação que dão direito ao creditamento na apuração do PIS e da Cofins. DESPESAS, CUSTOS E ENCARGOS COMUNS VINCULADOS A RECEITAS SUJEITAS À INCIDÊNCIA CUMULATIVA E NÃO CUMULATIVA. RATEIO PROPORCIONAL. NECESSIDADE. No caso da existência de despesas, custos e encargos comuns vinculadas a receitas sujeitas à incidência cumulativa e não cumulativa, não havendo sistema contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, necessário se faz a apropriação por meio de rateio proporcional, nos termos do disposto no § 8º, do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002. Intimada da decisão, a contribuinte apresentou embargos de declaração, os quais, todavia, não foram admitidos. Irresignada, interpôs recurso especial suscitando divergência em relação às seguintes matérias: a) quanto ao que constitui o seu processo produtivo para identificação dos gastos que dão direito a crédito da contribuição não cumulativa; e b) quanto ao conceito de insumo. Alega divergência com relação ao que decidido nos Acórdãos nº 3402002.396, 3402 002.605 e 9903003.069 (primeiro tema) e 320200.226 (segundo tema). Por intermédio do despacho de admissibilidade do Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF, foi dado seguimento ao recurso. Intimada, a PFN apresentou contrarrazões ao recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Fl. 535DF CARF MF Processo nº 13822.000120/200506 Acórdão n.º 9303005.808 CSRFT3 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.802, de 17/10/2017, proferido no julgamento do processo 13822.000009/200773, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.802): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela contribuinte deve ser conhecido. Malgrado o recurso especial pretenda discutir dois temas – o processo produtivo da Recorrente e o conceito de insumo –, no fundo está a debater apenas o último, uma vez que, a depender da definição que se venha a emprestar ao termo "insumo" adotado na legislação do PIS/Cofins não cumulativos os gastos realizados em etapa anterior à produção do produto final – vale dizer, aquela anterior à industrialização propriamente dita – pode vir ou não a ser assim considerados (como insumos!), de modo que ensejaria, no primeiro caso, a apropriação de créditos sobre eles incidentes (p. ex., os gastos realizados na etapa agrícola, portanto, anterior à industrialização). A própria ementa do Acórdão paradigma de nº 3402002.605 comprova esse fato: NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. As Leis de Regência da não cumulatividade atribuem o direito de crédito em relação ao custo de bens e serviços aplicados na "produção ou fabricação" de bens destinados à venda, inexistindo amparo legal para secção do processo produtivo da sociedade empresária agroindustrial em cultivo de matériaprima para consumo próprio e em industrialização propriamente dita, a fim de expurgar do cálculo do crédito os custos incorridos na fase agrícola da produção. Os custos incorridos com bens e serviços aplicados na floresta de eucaliptos guardam relação de pertinência e essencialidade com o processo produtivo da pasta de celulose e configuram custo de produção, razão pela qual integram a base de cálculo do crédito das contribuições nãocumulativas. (g.n.) Feita essa breve introdução, vemos que, de fato, enquanto o acórdão recorrido consubstanciou o entendimento de que o termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gere despesa necessária para a atividade da empresa, mas apenas aqueles bens e serviços que, adquiridos de pessoa jurídica, sejam efetivamente aplicados ou consumidos na produção de açúcar e álcool (os produtos fabricados pela Recorrente), o Acórdão paradigma de nº 320200.226, em divergência, adotou conceito bem mais largo, a conhecida tese do IRPJ. Contudo, a despeito de conhecido o recurso, vemos que o acórdão recorrido não merece reparos. Fl. 536DF CARF MF Processo nº 13822.000120/200506 Acórdão n.º 9303005.808 CSRFT3 Fl. 5 4 No regime não cumulativo do PIS/Cofins, os créditos a que tem direito a pessoa jurídica estão elencados no art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, que, no ponto, apresentam redação bastante semelhante. Na Lei nº 10.833, de 2003, é a seguinte: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (g.n.) Fl. 537DF CARF MF Processo nº 13822.000120/200506 Acórdão n.º 9303005.808 CSRFT3 Fl. 6 5 Não há, nos diplomas legais referidos, qualquer dispositivo conceituando o termo “insumo”, tampouco atribuindo a sua definição àquela adotada pela legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, o que só o legislador infralegal fez ao editar as Instruções Normativas RFB n.º 247, de 2002, e 404, de 2004. Aqui também reproduziremos apenas uma delas, uma vez que idênticas na parte que nos interessa: IN SRF nº 247, de 2002: Art. 66 A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: (...) § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I – utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matériasprimas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II – utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Daí a controvérsia que se instaurou no âmbito do Contencioso Administrativo, uma vez que muitos contribuintes passaram a emprestar ao termo “insumo” significado muito mais elástico do que aquele aparentemente conferido pelas normas infralegais que regulamentaram as Leis n.ºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, e cuja origem é, evidentemente, a legislação do IPI, mas apenas quanto a uma parte dos créditos – aqueles bens fisicamente ligados ao produto final (alínea “a” do inciso I do § 5º do art. 66, supra) –, já que os serviços, dada a impossibilidade de ligação física, encontramse autorizados em alínea diversa (alínea “b”). O cerne da questão, portanto, está em definir o conceito de insumo para fins de creditamento do PIS e da Cofins: se este se apresenta numa perspectiva muito ampla, em ordem a abarcar, como querem alguns, todo ou qualquer custo ou despesa operacional da pessoa jurídica (tese do IRPJ), ou se, como pretendem outros, apresentase de modo mais restritivo, mais próximo ao que ocorre na legislação do IPI. Há, ainda, uma posição intermédia, aceitando o creditamento sobre tudo que for pertinente ou necessário na produção ou na prestação de serviço. De todo modo, entendemos que, no presente caso, não cabe conceituar o termo "insumo" a ponto de alcançar etapas anteriores à efetiva produção do açúcar e do álcool. Um pesticida, por exemplo, não é – nem jamais poderia ser! – insumo na industrialização do açúcar, uma vez que, fosse nele empregado, o inutilizaria completamente para o consumo. O legislador deixou cristalino, na Exposição de Motivos da Medida Provisória – MP n.º 135, de 30/10/2003, posteriormente convertida na Lei n.º 10.833, de 2003, que um dos Fl. 538DF CARF MF Processo nº 13822.000120/200506 Acórdão n.º 9303005.808 CSRFT3 Fl. 7 6 principais motivos para o estabelecimento do regime não cumulativo na apuração do PIS e da Cofins foi combater a verticalização artificial das empresas, a fim de que as diversas etapas da fabricação de um produto ou da prestação de um serviço pudesse ser realizado por empresas diversas, de sorte a gerar condições para o crescimento da economia. Vejam: 1.1. O principal objetivo das medidas ora propostas é o de estimular a eficiência econômica, gerando condições para um crescimento mais acelerado da economia brasileira nos próximos anos. Neste sentido, a instituição da Cofins nãocumulativa visa corrigir distorções relevantes decorrentes da cobrança cumulativa do tributo, como por exemplo a indução a uma verticalização artificial das empresas, em detrimento da distribuição da produção por um número maior de empresas mais eficientes – em particular empresas de pequeno e médio porte, que usualmente são mais intensivas em mão de obra. Assim, considerar como insumos todos os gastos realizados da etapa agrícola da produção do açúcar e do álcool, como pretende a Recorrente, é admitir que, no referido conceito, estejam todos os “insumos dos insumos". Explicitamente, não foi esta a intenção do legislador. Diverso, contudo, é, a nosso juízo, o caso, por exemplo, de uma mineradora, cuja atividade, a mineração, consiste no processo de extração de minerais da terra. Ainda que posteriormente à retirada do minério algum beneficiamento seja por ela mesma realizado, como, por exemplo, a fragmentação da pedra, dando origem à conhecida "brita", a verdade é que há, neste caso, um todo indissociável, não se podendo cindir a retirada do minério do solo, para o efeito de determinar o que é ou não é insumo, sob pena de descaracterizar a própria atividade realizada pela mineradora, uma vez que, no exemplo, a quebra da pedra não tem existência autônoma em relação à sua retirada do solo. Não é caso da Recorrente, porém. As usinas de açúcar e álcool, como se sabe, são estabelecimentos agroindustriais que produzem, a partir da cana, o açúcar, o melaço, a aguardente e o álcool. Além de sua fabricação própria, costumam adquirir a cana de outros estabelecimentos produtores. Pelos motivos aqui adotados (existência autônoma da atividade industrial propriamente dita), a aquisição de cana gera, sim, o direito à apropriação dos créditos correspondentes, não, contudo, os gastos realizados, pela própria Recorrente, no plantio e colheita da cana de açúcar. Podese até achar inconveniente, mas é assim que a lei é. No caso específico, foram os seguintes os itens glosados (apenas os referidos no recurso especial e na ordem em que elencados), glosa com a qual, pelas razões antes explicitadas, concordamos: a) Material Intermediário – Serviços de Manutenção: partes e peças de veículos, caminhões, ônibus, máquinas agrícolas, recauchutagem e aquisição de pneus, manutenção de veículos, locação de veículos para uso administrativo, obras de recuperação de rodovias, etc.; b) Frete no transporte de pessoal e itens do ativo permanente. À falta de maiores informações, entendemos que os bens do ativo permanente são aqueles empregados na fase agrícola, tal como indica um dos paradigmas trazidos no recurso (Acórdão nº 3402002.605). Nesse contexto, não há o direito ao crédito, conforme, a contrario sensu, indica o inciso VI do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003 (inciso VI do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002). Ante o exposto, conheço do recurso especial interposto pela contribuinte e, no mérito, negolhe provimento." Fl. 539DF CARF MF Processo nº 13822.000120/200506 Acórdão n.º 9303005.808 CSRFT3 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 540DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.005168/2005-91
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jan 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2005
PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. ATIVIDADE VEDADA. ARTIGO 9º, XIII, DA LEI Nº 9.317/1996. PROVA.
Não há fundamento para negar a inclusão de pessoa jurídica no regime do SIMPLES por desrespeito ao inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/1996, se não há prova de que a fiscalizada prestou os serviços constante da acusação, que se baseara apenas na previsão do contrato social.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA NÃO COMPROVADA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece do Recurso Especial de Divergência quando não existe similitude fática entre o acórdão ofertado como paradigma e o acórdão recorrido.
Numero da decisão: 9101-003.267
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas em relação à atividade de produção de filmes e, no mérito, na parte conhecida, em negar-lhe provimento.
Rodrigo Costa Pôssas - Presidente em exercício.
Flávio Franco Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Adriana Gomes Rêgo.
Nome do relator: Relator
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ATIVIDADE VEDADA. ARTIGO 9º, XIII, DA LEI Nº 9.317/1996. PROVA. Não há fundamento para negar a inclusão de pessoa jurídica no regime do SIMPLES por desrespeito ao inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/1996, se não há prova de que a fiscalizada prestou os serviços constante da acusação, que se baseara apenas na previsão do contrato social. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA NÃO COMPROVADA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do Recurso Especial de Divergência quando não existe similitude fática entre o acórdão ofertado como paradigma e o acórdão recorrido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas em relação à atividade de produção de filmes e, no mérito, na parte conhecida, em negarlhe provimento. Rodrigo Costa Pôssas Presidente em exercício. Flávio Franco Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 51 68 /2 00 5- 91 Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10980.005168/200591 Acórdão n.º 9101003.267 CSRFT1 Fl. 220 2 Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Adriana Gomes Rêgo. Relatório Tratase de Recurso Especial (fls. 531/536) interposto em face do acórdão nº 130200.519 (fls. 143/146), assim ementado: “Comprovado que a recorrente é uma sociedade empresária que se dedica exclusivamente a um pequeno negócio no ramo de meras filmagens inerentes a atividade de produção de eventos e festividades para divulgação da criação publicitária de terceiros, prestados por profissionais de nível médio que independem de habilitação profissional legalmente exigida, ou assemelhados, e que este ramo não se confunde de modo algum com o de "diretor ou produtor de espetáculos e publicitário", sendo essas atividades exercidas pela recorrente, perfeitamente permitidas pela legislação vigente aplicável à espécie, é de se reconsiderar o ADE que a excluiu do sistema integrado de pagamento de impostos e contribuições das microempresas e das empresas de pequeno porte Simples. De acordo com o respectivo voto condutor, inexistia norma estatuidora da exigência de que os serviços executados pela recorrida fossem realizados por profissional técnico especializado. Nesse sentido, observouse, ainda, que tais atividades dependiam apenas de conhecimentos empíricos para os quais não se requeria habilitação legalmente estatuída. O processo foi encaminhado à PGFN em 27/10/2011 (RM de Encaminhamento de fl. 146). Em conformidade com o disposto no artigo 79, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, com a redação da Portaria MF nº 39/2016, a intimação pessoal do procurador da Fazenda Nacional ocorreu em 03/12/2011 (fl. 145). Recurso Especial da PGFN (fls. 148/160) interposto no dia 05/12/2011 (vide RM datada de 05/12/2011, de fl. 147). Nessa oportunidade, a recorrente aduz que o contrato social da recorrida prevê a realização de atividade econômica de produção de filmes para publicidade; serviços fotográficos; serviços de organização de eventos exclusive culturais e desportivos; atividades de produção de filmes e fitas de vídeo exceto estúdio fotográfico; e projeção de filmes e vídeos. Essas atividades, de um modo geral, seriam enquadráveis entre os serviços profissionais de diretor ou produtor de espetáculo, publicitário ou assemelhados. No mais, a recorrente acrescenta que a recorrida descurouse do ônus de provar que não prestava serviços listados no contrato social que estivessem vedados pela Lei do Simples. Para demonstrar a divergência interpretativa, a recorrente apresenta os seguintes arestos: "SIMPLES. EXCLUSÃO. ATIVIDADE ECONÔMICA NÃO PERMITIDA – I A caracterização da atividade econômica da pessoa jurídica, primordialmente, dáse pela verificação do registro de seu objeto social. II — A previsão no objeto social da pessoa jurídica ou o exercício das atividades de publicidade e propaganda, ou de atividades assemelhadas a uma delas, ainda que não esteja ela exercendo, efetivamente, por estarem relacionadas no art. 9º, inciso XIII, da Lei n° 9.317/96, Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10980.005168/200591 Acórdão n.º 9101003.267 CSRFT1 Fl. 221 3 constituem impedimento à opção ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES. Recurso que se nega provimento." (2ºCC, 2ª Câmara, Acórdão nº 20212.341, de 07/07/2000) "SIMPLES. EXCLUSÃO. VEDAÇÃO À OPÇÃO. PRODUÇÃO DE FILMES. A pessoa jurídica que se dedica à atividade de produção cinematográfica ou videofonográfica está impedida de optar pelo Simples, por se enquadrar na vedação de prestação de serviços de produção de espetáculos ou assemelhados." (3º CC, 1ª Câmara, Acórdão nº 30132.532, de 23/02/2006) De acordo com o voto condutor do primeiro acórdão, deve preponderar na análise, diversamente do que se fixou no acórdão recorrido, a atividade que consta do contrato social, não o seu efetivo exercício: “(...) Por fim, é oportuno ressaltar que o que deve preponderar no caso não é o efetivo exercício da atividade da pessoa jurídica, mas sim, sua capacidade, demonstrada em seu objeto social, de prestar um dos serviços elencados (sic) na norma restritiva.” (Acórdão nº 20212.341). Ao seu turno, o voto condutor do segundo acórdão assentou que a produção de obras cinematográficas e videofonográficas que têm como objetivo a produção de filmes "com a contratação de diversos profissionais, com ou sem habilitação exigida, como atores, técnicos de som, fotógrafos, maquiadores, cinegrafistas, figurinistas, sonoplastas etc [...] guarda semelhança com a de produção de espetáculos, sendo irrelevante a participação, no contexto da produção, de profissionais sem habilitação". Também se ressaltou, no mesmo julgado, que "a existência de semelhança com a produção de espetáculos não guarda dependência com o nível de produção ou com seu grau de grandeza, sendo irrelevante que a produção envolva custos expressivos aspecto em relação ao qual a lei não se deteve , bastando que ocorra a produção de filmes ou vídeos". A recorrida não apresentou contrarrazões, embora regularmente intimada à fl. 169. É o relatório. Voto Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator. O presente Recurso Especial é tempestivo. Em primeiro plano, esclareçase que o Ato Declaratório Executivo DRF/CTA nº 163, de 23 de junho de 2008, à fl. 12, retroagiu seus efeitos a partir do dia 01/06/2005. Vale lembrar que o ato constitutivo originário da sociedade recorrida, de 11 de maio de 2005, prescrevia que o objeto social estava circunscrito a "serviços fotográficos; serviços de organização de eventos exclusive culturais e desportivos; atividades de produção de filmes e fitas de vídeo exceto estúdios fotográficos, e projeção de filmes de vídeo". Importa considerar, nesse contexto, que a autoridade da DRF/CTA entendeu que tal objeto social era incompatível Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10980.005168/200591 Acórdão n.º 9101003.267 CSRFT1 Fl. 222 4 com o Simples desde a origem, razão pela qual, aplicando o disposto no artigo 15, inciso II1, da Lei nº 9.317/1996, retroagiu os efeitos do citado Ato Declaratórios Executivo ao mês seguinte ao da ocorrência da causa excludente, isto é, o mês de junho de 2005. A recorrida esclareceu, na oportunidade da apresentação da impugnação em primeira instância, que, em 14/12/2007, alterou o objeto social, que passou a abranger: "produção de filmes para publicidade; serviços fotográficos; serviços de organização e eventos exclusive culturais e desportivos; atividades de produção de filmes e fitas de vídeo exceto estúdio fotográfico; projeção de filmes e vídeos." Nessas circunstâncias, não se pode negar que não há lide quanto à alteração contratual efetuada em 14/12/2007, porquanto o Ato Declaratório Executivo DRF/CTA nº 163/2008 restringiuse ao objeto social consignado no ato constitutivo original, de 2005. No mesmo rumo, é incabível que se examine a eventual prestação de serviço vedado pela Lei do Simples, uma vez que o Despacho Decisório (fls.10/11) que emprestou fundamento ao citado Ato Declaratório Executivo não discorreu sobre a concreta realização de atividade em descompasso com a legislação do Simples. Para a autoridade da DRF/CTA, a exclusão do aludido regime se impunha como medida necessária em decorrência do mero cotejo direto do objeto social com a Lei nº 9.317/1996. Com efeito, no Despacho Decisório de fls. 10/11 assentouse que os "serviços de organização de eventos exclusive culturais e desportivos" e a "produção de filmes" correspondem, por adequação típica, aos serviços profissionais de ator, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, ou assemelhado, afigurados no inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/1996. O acórdão da DRJ, por sua vez, indeferiu a manifestação de inconformidade com o suporte de provas referentes a serviços prestados em 2007 e 2008. Tal decisão ultrapassou o limite da cognoscibilidade fixada na instauração da lide, que havia sido predefinida pela DRF/CTA e reservada ao momento da constituição da sociedade, em 2005, em razão da incompatibilidade entre o objeto social, abstratamente posto no contrato social, e a Lei nº 9.317/1996. Já a decisão da Turma recorrida contevese na afirmação de que inexiste exigência de que os serviços que vêm sendo exercidos ("serviços de organização de eventos exclusive culturais e desportivos" e "produção de filmes") devam ser "feitos" (sic) mediante profissionais com conhecimentos técnicos especializados ou habilitação legalmente estatuída. À vista do exposto, o acórdão recorrido despregouse dos limites delineados pela acusação, pois, retornando ao ponto de partida, a questão que deveria ser decidida é aquela que indaga se "serviços de organização de eventos exclusive culturais e desportivos" e "produção de filmes", abstratamente convencionados no contrato social, se ajustam tipicamente, ou não, a serviços profissionais de ator, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, ou assemelhado. Seja como for, o Recurso Especial de Divergência não se presta à revisão de decisão da segunda instância, mas à harmonização da jurisprudência do CARF. Para tal desiderato, cabe ao recorrente apresentar divergência interpretativa entre a decisão recorrida e outro acórdão do CARF, em relação a certo dispositivo da legislação. Nessa empreitada, a recorrente insurgiuse contra a Turma recorrida, que deliberou contrariamente à Fazenda Nacional com base no argumento de que os "serviços de organização de eventos exclusive culturais e desportivos" e a "produção de filmes" não são suscetíveis à exigência de serem 1 Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: [...] II a partir do mês subseqüente ao que for incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIV e XVII a XIX do caput do art. 9o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10980.005168/200591 Acórdão n.º 9101003.267 CSRFT1 Fl. 223 5 prestados por profissionais com conhecimentos técnicos especializados ou habilitação legalmente estatuída. Preliminarmente, na sustentação da similitude fática, a recorrente suscitou o acórdão nº 20212.341, no bojo do qual se decidiu sobre pessoa jurídica cujo objeto social consistia na prestação de serviços de propaganda, publicidade, eventos e serviços gerais. Já no acórdão nº 30132.532, também ofertado como paradigma, constatase que a lide circunscreveuse à discussão sobre a atividade cinematográfica ou videofonográfica. Assim, depreendese que a atividade de produção de filmes, reportada no acórdão recorrido, é faticamente similar à atividade de produção cinematográfica ou videofonográfica, referida no acórdão nº 30132.532. Além disso, a Turma recorrida decidiu no sentido de que, sendo dispensada a presença de um técnico especializado ou um profissional com habilitação legalmente estatuída, as atividades questionadas não se subsomem ao disposto no inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/1996, ao passo que, no acórdão paradigma de nº 30132.532, prevaleceu a tese de que a atividade cinematográfica ou videofonográfica se sobsome, sim, ao inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/1997, porque é assemelhada à atividade de diretor ou produtor de espetáculos. Por conseguinte, é inevitável a conclusão de que o acórdão recorrido e o acórdão paradigma nº 30132.532 controvertem quanto à interpretação do inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/1996. No entanto, é preciso assinalar que a similitude fática é parcial, já que a recorrente não ofertou paradigmas que se abeirassem dos "serviços de organização de eventos exclusive culturais e desportivos", motivo por que o conhecimento do presente Recurso Especial deve ser parcial e restrito à atividade de produção de filmes. No mérito, a questão a ser decidida recai sobre a subsunção, ou não, da atividade de prestação de filmes, conforme convencionada no contrato social, ao inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/1996, in verbis: “Art. 9º. Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: [...] XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida." A Fazenda Nacional não tem razão. De modo algum há prova de que a recorrida tenha sido constituída para atuar na área de espetáculos, com a produção ou direção de peças de cinema ou dança, circenses, teatrais, musicais, com vistas à exibição comercial em salas adequadas a essas finalidades. Enfim, nada que possa sugerir produção ou direção de atividades artísticas, para as quais, em última instância, se dirige a vedação em tela, assim como para as atividades de cantor, músico ou dança, que sucedem, no texto do dispositivo ora interpretado, os diretores ou produtores de espetáculos. Já na impugnação, a sociedade expressou que realizava filmagens de palestras, cursos e eventos, para as quais jamais recorreu a serviços profissionais de artistas, diretores ou produtores de espetáculos. Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10980.005168/200591 Acórdão n.º 9101003.267 CSRFT1 Fl. 224 6 É certo, pois, que o serviço prestado em dissonância com o artigo 9º da antedita Lei implica vedação ao ingresso no regime do Simples. O cerne da questão se situa no verbo "prestar" ao qual se associa o objeto "serviços profissionais", ambos inscritos no tipo legal do inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/1996. Diante disso, é lícito concluir que a efetiva prestação de serviço fixado no texto desse dispositivo legal é determinante da vedação à opção pelo regime do Simples. No entanto, os autos carecem de prova da realização das atividades apontadas pela Fiscalização, motivo pelo qual a acusação não pode prosperar. CONCLUSÃO: conheço parcialmente do Recurso Especial da Fazenda Nacional apenas para a atividade de produção de filmes e, no mérito, nego provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 224DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.905326/2011-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-001.080
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontá-los com o recolhido, apurando-se, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Recorrente RODOBENS CAMINHÕES CIRASA S.A. (SUCESSORA DE BELÉM DIESEL S.A.) Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido, apurandose, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Campinas que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: (...) AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 80 .9 05 32 6/ 20 11 -4 1 Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10280.905326/201141 Resolução nº 3402001.080 S3C4T2 Fl. 186 2 A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (...) PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. A prova documental do direito creditório deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual sem que verifiquem as exceções previstas em lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Versa o processo sobre pedido de restituição de crédito de contribuição não cumulativa, o qual foi indeferido pela DRF de origem, em razão de o recolhimento indicado ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pela contribuinte em outro PER/DCOMP. A interessada apresentou a manifestação de inconformidade, sustentando seu direito creditório na inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/1998 (RE nº 390.840/MG e RE nº 585.235, com repercussão geral). O julgador de primeira instância não acolheu as razões de defesa da interessada, sob os seguintes fundamentos: A autoridade a quo procedeu corretamente ao indeferir o pleito da interessada, eis que existem débitos, confessado pela própria contribuinte por meio de DCTF e outro PER/DCOMP, no valor igual ao do recolhimento objeto do pedido de restituição, de forma que inexiste saldo passível de restituição. Seria necessário que, no mínimo, a interessada houvesse retificado sua DCTF até a transmissão do seu PER/DCOMP, fazendo constar o suposto débito inferior ao declarado, o que faria exsurgir a possibilidade de se alegar pagamento a maior. Como não o fez, não havia saldo de pagamento sobre o qual a autoridade fiscal tivesse que se manifestar. No tocante à inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo, não se discute o entendimento do STF, exposto nos REs mencionados pela interessada. Tampouco se questiona a vinculação do CARF à decisão proferida no RE julgado na sistemática de repercussão geral, conforme prevê seu regimento. Sobre a revogação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, pela Lei nº 11.941, apenas deve ser esclarecido que tal revogação não tem efeitos retroativos, e portanto não atinge o período a que se refere o PER/DCOMP em análise. Ainda que os óbices quanto à utilização integral do recolhimento não existissem, e que fosse possível estender os efeitos do julgado do STF para o presente caso, a interessada não se desincumbiu de demonstrar e provar o suposto recolhimento a maior. A cópia parcial do balancete apresentada permite vislumbrar tão somente as receitas financeiras do período, mas não o faturamento da empresa. Assim, não haveria como se apurar o total da base de cálculo e a contribuição devida, para comparála com o recolhimento efetuado e concluirse pela eventual existência de recolhimento a maior, e em que montante. E mais, não tendo a interessada apresentado provas de seu suposto crédito, precluiu do direito de fazêlo em outro momento, a teor do disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10280.905326/201141 Resolução nº 3402001.080 S3C4T2 Fl. 187 3 Cientificada, a contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo, alegando e requerendo o que se segue: a) Requer a recorrente a reunião dos processos apontados de modo a haver seu julgamento conjunto em face da existência de conexão entre os mesmos. b) Houve falta de aprofundamento da investigação dos fatos, o que contraria o contido no art. 76 da IN RFB nº 1300/12. A DCTF não é o único meio hábil de prova da existência de crédito passível de restituição. Nem o art. 165 do CTN e nem o art. 74 da Lei nº9.430/96 condicionam o reconhecimento do crédito à retificação de declarações, tratandose de formalidade, a qual não pode se sobrepor ao direito substantivo. c) Acerca das provas juntadas para demonstrar a existência do crédito pleiteado, a decisão recorrida alegou a insuficiência para o intento, entretanto esse entendimento não merece prosperar, eis que os documentos colacionados são suficientes para a comprovação do direito de crédito alegado. O valor recolhido indevidamente sobre as receitas financeiras está devidamente lastreado nas receitas financeiras destacadas no balancete em anexo à manifestação de inconformidade, documento este obrigatório paras as pessoas jurídicas, possuindo, inclusive, força probante para recolhimento de estimativas em caso de pessoa jurídica optante pelo lucro real mensal, nos termos do art. 230 do RIR/99. d) Com relação à preclusão da produção da prova, a alínea "c" do §4º do art. 16 do Dec. nº 70.235/72 possibilita a produção de provas em outro momento processual, quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Nesse passo, para corroborar os fatos já demonstrados pela documentação carreada à manifestação de inconformidade, e também com vistas a contrapor os argumentos da decisão recorrida, requer a juntada do livro Razão, o qual, por si só, tem o condão de comprovar o direito creditório ora postulado. e) Quanto ao mérito, a discussão encontrase totalmente superada na jurisprudência do STF que, em sessão plenária, declarou a inconstitucionalidade do parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 no julgamento do RE nº 390840/MG em 9.11.2005. Não há dúvida de que esse entendimento do STF, com repercussão geral reconhecida, deve ser aplicado ao caso dos autos. Assim é que na base de cálculo do PIS e da Cofins somente deveriam ter sido incluídos pela recorrente os valores correspondentes ao seu faturamento, ou seja, os ingressos que correspondem as suas receitas das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, razão pela qual a decisão a quo deve ser reformada a fim de que seja deferido o direito creditório pleiteado. É o relatório. VOTO Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.050, de 27 de setembro de 2017, proferida no julgamento do processo 10280.900096/201212, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402001.050: Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10280.905326/201141 Resolução nº 3402001.080 S3C4T2 Fl. 188 4 "Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Como se sabe, é obrigatória aos membros deste CARF a reprodução do conteúdo de decisão definitiva de mérito proferida pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil. Também não se desconhece que foi declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal, tendo sido reconhecida a repercussão geral, para reafirmar a jurisprudência do Tribunal nesse sentido1. Em consequência, para as empresas que se dedicam à venda de mercadorias comerciais e industriais e/ou à prestação de serviços, é ao total das receitas oriundas dessas atividades que corresponde a base de cálculo das contribuições do PIS e da Cofins enquanto aplicável aquele ato legal2 . No que concerne à possibilidade de reconhecimento do direito creditório independentemente da retificação da DCTF, este CARF já decidiu favoravelmente à própria contribuinte, mediante o Acórdão nº 3302004623 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 27 de julho de 2017, no processo nº 10280.905792/201126, no qual foi apurado, em diligência, que a recorrente demonstrou cabalmente a existência do crédito. Conforme assentado na Resolução nº 3401000.737, da 3ª Seção/4ª Câmara/1ªTurma Ordinária, de 24/07/2013, esta 3ª Seção de Julgamento do Carf tem orientado sua jurisprudência no sentido de que, não obstante a 1 RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.09.2006; REs 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, DJ de 18.08.2006)Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso Improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE 585235/MG, Relator: Min. Cézar Peluso, julgado em 10/09/2008). 2 Acórdão nº 9303002.444– 3ª Turma, de 08 de outubro de 2013 Relator: JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS PIS E COFINS. ALARGAMENTO. EMPRESAS INDUSTRIAIS E DE SERVIÇOS. Nos termos do quanto decidido pelo Pleno do STF no julgamento dos recursos extraordinários nºs 357.950, 390840, 358273 e 346084, deve ser repudiada a ampliação do conceito de faturamento intentado pelo § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Em conseqüência, para as empresas que se dedicam à venda de mercadorias comerciais e industriais e/ ou à prestação de serviços, é ao total das receitas oriundas dessas atividades que corresponde a base de cálculo das contribuições PISe PASEP enquanto aplicável aquele ato legal. Acórdão nº 3401003.828– 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 29 de junho de 2017 Relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. ART. 3º, § 1º, LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. As receitas que não se caracterizam como próprias da atividade da entidade, tal como estabelecido pelo estatuto ou contrato social, não compõem o seu faturamento, conforme decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em repercussão geral, ao declarar a inconstitucionalidade da ampliação do conceito de receita bruta promovida pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Devese, assim, ser acolhido o resultado da diligência constante no Relatório de Diligência Fiscal. Considerando a comprovação documental da validade do crédito, consistente em recolhimento indevido ou a maior de Cofins sobre receitas financeiras, deve o sujeito passivo ter atendido o seu pleito creditório. Recurso Voluntário provido. Direito creditório reconhecido. Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10280.905326/201141 Resolução nº 3402001.080 S3C4T2 Fl. 189 5 preclusão do art. 16, §4° do Decreto nº 70.235/72, em situações em que há alguns indícios de provas, o julgamento pode ser convertido em diligência para análise da nova documentação acostada. No presente processo, embora a recorrente não tenha produzido a prova necessária por ocasião da apresentação de seu pedido ou da manifestação de inconformidade, apresentou, posteriormente, no Recurso Voluntário, outros documentos na tentativa de comprovação do direito alegado. Assim, resguardando eventual julgamento posterior do Colegiado na linha dos entendimentos acima apontados, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, um Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido, apurandose, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. Após a intimação da recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011, o processo deve retornar a este Colegiado para prosseguimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, um Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido, apurandose, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. Após a intimação da recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011, o processo deve retornar a este Colegiado para prosseguimento. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 207DF CARF MF
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Numero do processo: 10855.721217/2013-82
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 15 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1001-000.071
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso voluntário, posto que intempestivo, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Encaminhe-se para a Unidade de Origem para ciência do(a) Contribuinte do teor do presente Acórdão e demais providências cabíveis.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso voluntário, posto que intempestivo, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Encaminhe-se para a Unidade de Origem para ciência do(a) Contribuinte do teor do presente Acórdão e demais providências cabíveis. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso voluntário, posto que intempestivo, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Encaminhese para a Unidade de Origem para ciência do(a) Contribuinte do teor do presente Acórdão e demais providências cabíveis. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 12 17 /2 01 3- 82 Fl. 131DF CARF MF 2 Tratase Recurso Voluntário contra o acórdão 0955.025, proferido pela 1ª Turma da DRJ/JFA, a qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade contra Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, face à existência de débito inscrito em Dívida Ativa da União, sem exigibilidade suspensa, consoante o artigo 17, inciso V, da Lei Complementar nº 123, de 2006. Foi expedido o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional devido à existência de débitos para com a Fazenda Nacional, conforme a seguir transcrito: A seguir, transcrevo o acórdão da DRJ: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra o Termo de Indeferimento relativo ao pedido de inclusão ao Simples Nacional, a partir de 01/01/2013, tendo em vista o contribuinte possuir débitos de natureza previdenciária com a Secretaria da Receita Federal do Brasil, cuja exigibilidade não está suspensa, conforme Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art. 17º, V. (Débitos 390027839 e 393362230) Inconformado, o interessado alegou que os débitos previdenciários foram parcelados em parcelamento normal para ingresso no Simples Nacional. A manifestação de inconformidade foi analisada pela delegacia de origem que exarou o Despacho Decisório DRF/SOR/SEORT nº 429/2013 indeferindo o pleito, sob a alegação de que os Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10855.721217/201382 Acórdão n.º 1001000.071 S1C0T1 Fl. 3 3 débitos não foram parcelados e encontramse na Procuradoria da Fazenda Nacional. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou nova manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que após constatar os débitos, quando da opção pelo Simples Nacional, selecionou as divergências e parcelou dentro do prazo exigido, conforme documentos 04 e 05. Acontece que o sistema da Receita Federal não processou o parcelamento e esses débitos entraram no sistema da Procuradoria. A delegacia de origem, entendeu que o Despacho Decisório anterior, usurpou competência do órgão julgador e decidiu anulálo. Após ciência do contribuinte, o processo foi encaminhado a esta Delegacia de Julgamento Voto A manifestação de inconformidade atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06/03/1972. Assim, dela tomo conhecimento e passo à análise. A opção pelo Simples Nacional, sistema instituído pela Lei Complementar nº 123, de 14.12.2006, está regulamentada na Resolução do Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN) nº 004, de 30 de maio de 2007 (até 2011) e na Resolução CGSN nº 94, de 29de novembro de 2011 (após 2012). O Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional têm como fundamento legal o art. 17, inciso V, da Lei Complementar nº 123/2006, que assim dispõe: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: [...]. V – que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; Segundo ainda o art. 6º, §§ 1º e 2º, II, da Resolução CGSN nº 94/2011 (mesma redação do art. 7º, § 1º e 1ºA, da Resolução CGSN nº 4/2007), a opção pelo Simples Nacional deverá ser realizada no mês de janeiro, até o último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção e que eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional poderão ser regularizadas dentro deste prazo. Art. 6 º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio do Portal do Simples Nacional na internet, sendo irretratável para todo o ano calendário. (LeiComplementar n º123, de 2006, art. 16, caput ) § 1 º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do ano calendário da opção, ressalvado o disposto no § 5 º . (Lei Complementar n º 123, de 2006, art. 16, § 2 º ) § 2 º Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Lei Complementar n º 123, de 2006, art. 16, caput ) Fl. 133DF CARF MF 4 I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; O contribuinte alega que quando da opção pelo Simples Nacional, selecionou as divergências de débitos previdenciários e que as parcelou. O documento de folha 13 (Sistema de Parcelamento Previdenciário Confirmação da seleção de divergências para negociação...), anexado pelo contribuinte, relaciona débitos da competência 11/2008 a 05/2012. Por outro lado, os débitos 390027839 e 393362230 compreendem débitos cujas competências são dos períodos de 12/2003 a 09/2008 e de 08/2000 a 07/2005, respectivamente, conforme telas de folhas 31 a 40. Assim, claro está que os débitos 390027839 e 393362230 não foram incluídos no parcelamento solicitado, nem podiam, uma vez que tais débitos se encontravam na Procuradoria da Fazenda Nacional já com ajuizamento automático. Dessa forma, como os débitos não foram regularizados dentro do prazo legal, voto no sentido de julgar improcedente a manifestação de inconformidade contra o Termo de Indeferimento de Opção pelo Simples Nacional. Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator O Recurso Voluntário foi apresentado à DRJ em 04 de dezembro de 2014, 31 dias após a ciência da decisão que ocorrera em 03 de novembro de 2014. O artigo 33, do Decreto n°70.235/72, dispõe que: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Portanto, o presente Recurso Voluntário é intempestivo. Recurso voluntário não conhecido (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10855.721217/201382 Acórdão n.º 1001000.071 S1C0T1 Fl. 4 5 Fl. 135DF CARF MF
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Numero do processo: 11070.001280/2010-46
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SIMPLES NACIONAL Exercício: 2008 PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. INTIMAÇÃO PRÉVIA. DISPENSABILIDADE. O procedimento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que a Administração Tributária dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. NULIDADE. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. DEVER FUNCIONAL. No caso de a pessoa jurídica optante incorrer em hipótese legal de vedação e não comunicar espontaneamente o fato, há exclusão de ofício mediante emissão do termo pela autoridade competente, sob pena de responsabilidade funcional. OPÇÃO. REQUISITOS. ESCRITURAÇÃO. O Simples Nacional é uma opção da pessoa jurídica para todo ano- calendário, desde que observados os requisitos legais, inclusive no que se refere à escrituração do Livro Caixa com a movimentação financeira, inclusive bancária. OPÇÃO. CAUSA IMPEDITIVA LEGAL. A legislação expressamente não admite o recolhimento dos tributos na forma do Simples Nacional pela microempresa ou empresa de pequeno porte que ter embaraçado à fiscalização. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA.Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1801-000.974
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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INTIMAÇÃO PRÉVIA. DISPENSABILIDADE. O procedimento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que a Administração Tributária dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. NULIDADE. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. DEVER FUNCIONAL. No caso de a pessoa jurídica optante incorrer em hipótese legal de vedação e não comunicar espontaneamente o fato, há exclusão de ofício mediante emissão do termo pela autoridade competente, sob pena de responsabilidade funcional. OPÇÃO. REQUISITOS. ESCRITURAÇÃO. O Simples Nacional é uma opção da pessoa jurídica para todo ano calendário, desde que observados os requisitos legais, inclusive no que se refere à escrituração do Livro Caixa com a movimentação financeira, inclusive bancária. OPÇÃO. CAUSA IMPEDITIVA LEGAL. A legislação expressamente não admite o recolhimento dos tributos na forma do Simples Nacional pela microempresa ou empresa de pequeno porte que ter embaraçado à fiscalização. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001280/201046 Acórdão n.º 180100.974 S1TE01 Fl. 211 2 Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Maria de Lourdes Ramirez, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente optante pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) foi excluída de ofício mediante o Ato Declaratório Executivo DRF/SAO/RS nº 89, de 08.07.2010, com efeitos a partir de 01.07.2007, fl. 140, em razão de, depois de intimada: (a) ter oferecido embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiverem obrigadas, bem como pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade que estiverem intimadas a apresentar; (b) verificouse a falta de escrituração do livrocaixa ou não se permitiu a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária. Para tanto foi indicado o seguinte enquadramento lega: inciso II e VII do art. 29 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. Na Representação Fiscal, fls. 0105, está registrado que nos anoscalendário de 2007 e 2008 pela falta de escrituração do Livro Diário, do Livro Razão e do Livro Caixa com a movimentação financeira, inclusive bancária de forma integral. É fato incontroverso que as despesas da sociedade foram pagas com receitas provenientes de outras fontes, incluindo a própria receita, quais sejam, das pessoas jurídicas Rádio Santa Rosa Ltda, CNPJ Fl. 211DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001280/201046 Acórdão n.º 180100.974 S1TE01 Fl. 212 3 95.818.282/000145, Rádio Lidersom Ltda, CNPJ 88.628.722/000136, Rádio Mauá Ltda, CNPJ 89.478.944/000160 e Rádio Regional Ltda, CNPJ 89.096.994/000103, que têm em comum o sócio administrador Roberto Antônio Donadel, CPF 102.300.92004. Os autos estão instruídos, dentre outros, com as cópias das Declarações Anuais do Simples Nacional, fls. 64 85, do Livro Caixa, fls. 86113, do Demonstrativo da Escrituração, fls. 3343 e das Notas Fiscais, fls. 4463. Cientificada em 20.07.2010, fl. 141, a Recorrente apresentou a impugnação em 19.08.2010, fls. 143149, argumentando em síntese Suscita que os prazos para atendimento às intimações foram muito exíguos, de modo sua defesa ficou prejudicada. Defende a tese de que tem direito de se beneficiar do tratamento tributário diferenciado e favorecido previsto do art. 179 da Constituição Federal, uma vez que preenche todas as condições normativas. Esclarece que não houve embaraço à fiscalização, uma vez que atendeu a todas as intimações. Informa que escritura o Livro Caixa, e que não apresentou o Livro Diário e o Livro Razão por estar legalmente desobrigada de têlos. Em relação à movimentação financeira, menciona que as autoridades fiscais não deram oportunidade de escriturála corretamente. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Da análise de todo exposto, extraise que os prazos estipulados para o atendimento das solicitações eram curtos, em sua justificativa altera a letra da lei, o que acarreta uma nova interpretação legal, requereu livros os quais a empresa não está obrigada a têlos; no relatório fiscal da infração apenas alegou que a empresa fez uma declaração que não possuía livros os quais não está obrigada a ter; portanto, o procedimento fiscal está eivado de atitudes arbitrárias, equivocadas e tem caráter puramente arrecadatório para os cofres públicos. Mas em caso de interpretação contrária, requer seja mantida a opção do Simples Nacional, caso contrário inviabilizara competitividade da empresa, aumentando os custos dos quais são repassados aos clientes, encarecendo o preço final em relação às demais empresas do ramos que são beneficiadas pela redução dos impostos deste regime de tributação diferenciado ou ainda das tantas rádios piratas que assolam o ramo. À vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. Está registrado como resultado do Acórdão da 14ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 1236.339, de 30.03.2011, fls. 172180: “Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Restou ementado Fl. 212DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001280/201046 Acórdão n.º 180100.974 S1TE01 Fl. 213 4 ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL AnoCalendário:2007 OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá, dentre outras hipóteses, pela falta não justificada de exibição de livros e documentos a que tais empresas estiverem obrigadas e, ainda pela não escrituração do Livro Caixa ou quando não for possível fazer a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária. FASE DE AUDITORIA. INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OFENSA AO PRINCÍPIO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL E DO CONTRADITÓRIO. Os procedimentos no curso da auditoria fiscal, cujo início foi regularmente cientificado ao Contribuinte, não determinam nulidade, por cerceamento ao direito de defesa ou ofensa ao princípio do contraditório, do auto de infração correspondente, pois tais direitos só se estabelecem com a instauração da fase litigiosa por meio da impugnação à autuação, ainda mais quando todos os fatos que motivaram a autuação estão devidamente historiados nos autos. Notificada em 27.04.2011, fl. 181, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 26.05.2011, fls. 200207, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na peça impugnatória. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente diz que deveria ser intimada antes da formalização da exigência. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Este procedimento, via de regra, é precedido pelo Termo de Início de Procedimento Fiscal objetivando a verificação do cumprimento das obrigações tributárias, por parte da pessoa jurídica, mediante termo circunstanciado do qual será dada ciência ao sujeito passivo. Por ser dispensável, o procedimento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação à pessoa jurídica, nos casos em que a Administração Tributária dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, formalizando em auto de infração ou notificação de lançamento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, Fl. 213DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001280/201046 Acórdão n.º 180100.974 S1TE01 Fl. 214 5 laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual, bem como todos os princípios constitucionais derivados do devido processo legal1. No presente caso, houve a ciência válida de modo que está correta a emissão do ato de exclusão do Simples Nacional. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente alega que o ato administrativo é nulo. O ato administrativo foi lavrado por servidor competente que verificando a ocorrência da causa de vedação emitiu o ato revestido das formalidades legais com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilo ou impugnálo no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos que lhe confere existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas, de modo a ocasionar a oportunidade de comprovação de todas as matérias de fato e de direito pela defesa 2. A Recorrente foi intimada do Termo de Início de Procedimento Fiscal, fl. 06 e dos Termos de Intimação Fiscal, fls. 07, 10 e 13, para prestação de informações. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejou o procedimento de ofício. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente menciona que o procedimento não poderia ter sido formalizado. A pessoa jurídica optante deve comunicar obrigatoriamente a sua exclusão à RFB, por meio do Portal do Simples Nacional na internet, quando incorrer em hipótese legal de vedação. Verificada a falta de informação espontânea, há exclusão de ofício mediante emissão do termo de exclusão do Simples Nacional pela autoridade competente, sob pena de responsabilidade funcional, devendo ser observadas as determinações do processo administrativo fiscal3. Por esta razão está correto o procedimento fiscal, motivado pelo oferecimento de embaraço à fiscalização pela negativa imotivada de fornecimento de dados para fins de exame da escrituração da movimentação financeira, inclusive bancária de forma integral. A proposição mencionada pela defendente, por conseguinte, não tem validade. A Recorrente afirma que fez a opção pelo Simples Nacional nos termos legais. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido denominado Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) é regulamentado pelo Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN). A opção do sujeito passivo deve ser manifestada por meio da 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º e art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007 e Súmula CARF nº 46. 2 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 29 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, art 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2001 e art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 3 Fundamentação legal: art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 29, art. 33 e art. 39 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, Resolução CGSN nº 15 de 23 de julho de 2007 e art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001280/201046 Acórdão n.º 180100.974 S1TE01 Fl. 215 6 internet até o último dia útil do janeiro sendo irretratável para todo anocalendário oportunidade em que presta declaração quanto ao não enquadramento nas vedações legais. Toda pessoa jurídica deve atentar para os princípios fundamentais da contabilidade, dentre outros, o da entidade que distingue que há autonomia patrimonial decorrente da necessidade da diferenciação de um patrimônio particular no universo dos patrimônios existentes, independentemente de pertencer a uma pessoa, um conjunto de pessoas, uma sociedade ou instituição de qualquer natureza ou finalidade, com ou sem fins lucrativos. Também o da oportunidade que destaca a tempestividade e a integridade do registro do patrimônio e das suas mutações, determinando que este seja feito de imediato e com a extensão correta, independentemente das causas que as originaram. Ainda o da competência que reconhece que as receitas e as despesas devem ser incluídas na apuração do resultado do período em que ocorrerem, sempre simultaneamente quando se correlacionarem, independentemente de recebimento ou pagamento4. A pessoa jurídica optante deve manter a escrituração do Livro Diário, do Livro Razão, do Livro Caixa, no qual deve estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária, do Livro Registro de Inventário e do Livro Registro de Entradas, modelo 1 ou 1A, quando contribuinte do ICMS, do Livro Registro dos Serviços Prestados e do Livro Registro de Serviços Tomados, quando contribuinte do ISS, do Livro de Registro de Entrada e Saída de Selo de Controle, quando contribuinte de IPI, do Livro Registro de Impressão de Documentos Fiscais, pelo estabelecimento gráfico, do Livros específicos pelos contribuintes que comercializem combustíveis, bem como do Livro Registro de Veículos, por todas as pessoas que interfiram habitualmente no processo de intermediação de veículos, bem como todos os documentos e demais papéis que serviram de base para os registros. A apresentação da escrituração contábil, em especial do Livro Diário e do Livro Razão, dispensa a apresentação do Livro Caixa5. A Recorrente apresentou somente o Livro Caixa, fls. 86113, sem a movimentação financeira, inclusive bancária. Os demais livros de escrituração obrigatória não foram exibidos às autoridades fiscais. Diferente do que dispõe a legislação tributária de regência da matéria, a própria Recorrente afirma que não está obrigada a escriturálos. Ademais, é fato incontroverso que as despesas foram pagas com receitas provenientes de outras fontes, incluindo a própria receita, quais sejam, das pessoas jurídicas Rádio Santa Rosa Ltda, CNPJ 95.818.282/000145, Rádio Lidersom Ltda, CNPJ 88.628.722/000136, Rádio Mauá Ltda, CNPJ 89.478.944/000160 e Rádio Regional Ltda, CNPJ 89.096.994/000103, que têm em comum o sócio administrador Roberto Antônio Donadel, CPF 102.300.92004. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não está comprovada. A Recorrente se insurge contra a exclusão do Simples Nacional. A exclusão por comunicação decorrente de opção ou de obrigatoriedade é feita pela internet. Verificada a falta da comunicação obrigatória, a exclusão de ofício é 4 Fundamentação legal: Rosolução do Conselho Federal de Contabilidade nº 750, de 29 de dezembro de 1993. 5 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007, Resolução CGSN nº 5, de 30 de maio de 2007, Resolução CGSN nº 10, de 28 de junho de 2007, Resolução CGSN nº 11, de 23 de julho de 2007, Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007, Resolução CGSN nº 30, de 7 de fevereiro de 2008, Resolução CGSN nº 39, de 1º de dezembro de 2008 e Resolução CGSN nº 51, de 22 de dezembro de 2008. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001280/201046 Acórdão n.º 180100.974 S1TE01 Fl. 216 7 formalizada mediante termo emitido pelo ente federativo que iniciar o processo de exclusão de ofício. O seus efeitos podem ser retroativos, conforme o caso. Não pode recolher os tributos na forma do Simples Nacional a pessoa jurídica que comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho. A manifestação unilateral da RFB deve ser formalizada por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos que lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente6. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais que constituem pressupostos essenciais de sua existência, de sua validade e de sua eficácia. Ademais a Administração Pública deve observar, dentre outros, os princípios da ampla defesa e do contraditório e por esta razão, no processo administrativo fiscal deve ser adotado o critério da necessária indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinam a sua emissão. O ato de exclusão foi emitido de maneira correta pela autoridade competente em razão de, depois de intimada, ter oferecido embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa injustificada de fornecimento de informações que permitissem a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária. Estes fatos estão comprovados pelos documentos que instruem os autos dos quais se pode verificar que nos anoscalendário de 2007 e 2008 não a escrituração do Livro Diário, do Livro Razão e do Livro Caixa de forma integral, em conformidade com as afirmativas da própria Recorrente, com o Demonstrativo da Escrituração, fls. 3343, com as Notas Fiscais, fls. 4463, com as cópias das Declarações Anuais do Simples Nacional, fls. 6485 e do Livro Caixa, fls. 86113. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso7. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade8. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. 6 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 29, art. 33 e art. 39 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007, Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007 e art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965. 7 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 8 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001280/201046 Acórdão n.º 180100.974 S1TE01 Fl. 217 8 (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 217DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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