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Numero do processo: 10580.724434/2013-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2009
INAPLICABILIDADE DE MULTA QUALIFICADA. SÚMULA 14/CARF.
Para a aplicação da multa disposta no art. 44, inciso I, e § 1°, da Lei n. 9.430/1996, faz-se necessário a comprovação do intuito de fraude.
Se o intuito de fraude não for comprovado, a omissão de receita por si só não autoriza a qualificação da multa, nos termos da Súmula nº. 14 do CARF.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DOS SÓCIOS. APLICABILIDADE DO ART. 135, CTN. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE SEUS REQUISITOS TAXATIVOS.
Deve haver comprovação dos requisitos elencados pelo art. 135, do Código Tributário Nacional, para que haja a responsabilização dos sócios pela integralidade das obrigações tributárias da empresa contribuinte.
Numero da decisão: 1302-001.619
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar parcial provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto proferido pelo relator. Questionamento informado equivocadamente, pois se trata apenas de recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (Presidente), Eduardo de Andrade, Helio Eduardo de Paiva Araujo, Marcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha e Guilherme Pollastri Gomes da Silva
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO
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RECUPERAÇÃO DE PREJUÍZOS. INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. A recuperação de prejuízos e despesas de resultados anteriores deve compor o Lucro Real do período em que forem recuperados, pois não têm natureza de simples reposição de um ativo. INDENIZAÇÃO. LUCROS CESSANTES. EXISTÊNCIA DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. A indenização a título de lucros cessantes por perda da chance de faturamento deve ser tributada pela existência de acréscimo patrimonial da empresa, como faturamento recuperado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2009 LANÇAMENTO DECORRENTE. TRIBUTO REFLEXO. Subsistindo o lançamento principal sobre determinados fatos que restaram constituídos ou caracterizados, acompanham a mesma sorte os demais lançamentos decorrentes dos mesmos fatos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2009 INAPLICABILIDADE DE MULTA QUALIFICADA. SÚMULA 14/CARF. Para a aplicação da multa disposta no art. 44, inciso I, e § 1°, da Lei n. 9.430/1996, fazse necessário a comprovação do intuito de fraude. Se o intuito de fraude não for comprovado, a omissão de receita por si só não autoriza a qualificação da multa, nos termos da Súmula nº. 14 do CARF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 44 34 /2 01 3- 00 Fl. 556DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DOS SÓCIOS. APLICABILIDADE DO ART. 135, CTN. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE SEUS REQUISITOS TAXATIVOS. Deve haver comprovação dos requisitos elencados pelo art. 135, do Código Tributário Nacional, para que haja a responsabilização dos sócios pela integralidade das obrigações tributárias da empresa contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar parcial provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto proferido pelo relator. Questionamento informado equivocadamente, pois se trata apenas de recurso de ofício. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (Presidente), Eduardo de Andrade, Helio Eduardo de Paiva Araujo, Marcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha e Guilherme Pollastri Gomes da Silva Fl. 557DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10580.724434/201300 Acórdão n.º 1302001.619 S1C3T2 Fl. 557 3 Relatório Tratase de recurso de ofício. Por bem descrever o ocorrido, valhome de parte do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância pela DRJ/BHE, a seguir transcrito (fls. 545/550): Mediante o processo em epígrafe, foram lavrados autos de infração IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido no valor total de R$1.720.892,61, ano calendário 2009, sob o fundamento de resultados operacionais não declarados (fls. 02 a 17), sob o entendimento de que o valor recebido a título de indenização constituiria receita tributável em decorrência de constar da sentença judicial que tal indenização referese a faturamento (TVF de fls.18 a 20). Por considerar caracterizado “o desejo de esconder do fisco a receita tributável”, a fiscalização aplicou a multa qualificada de 150% e lavrou termos de responsabilidade solidária para os sócios Carlos Eduardo Vilares Barral e Maria Aparecida Freitas de Castro Barral, sóciosgerentes à época da ocorrência dos fatos geradores. A pessoa jurídica e os sócios apresentam a impugnação, de fls..152 a 214, acompanhada dos documentos de fls. 215 a 541, argumentando inicialmente contra a indicação de responsabilidade solidária, consignando que o recebimento da referida indenização fora devidamente contabilizado e informado pela DIPJ retificadora. No que diz respeito ao entendimento de que a indenização seria faturamento, defende que tal valor, decorrente da condenação imposta pelo juízo ao Banco do Nordeste para reparar o prejuízo que lhe causou, é substancialmente inferior ao desfalque patrimonial que o ato ilícito lhe causou. Acrescenta que não foi respeitado o regime de competência. Encerrada a fiscalização, depois de protocolado as devidas impugnações, os autos foram remetidos à 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE) que as julgou procedente e exonerou integralmente o crédito tributário constituído nos autos, proferindo o Acórdão nº. 0251.277 (fls. 545/550), de 14/11/2013, cuja ementa merece ser transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 INDENIZAÇÃO Fl. 558DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 Não tendo sido comprovado que o valor recebido a título de indenização, em decorrência de sentença judicial, se trata efetivamente de faturamento, não havendo demonstração de que o quantum corresponde a eventual acréscimo patrimonial, é insubsistente o auto de infração que exige o IRPJ calculado sobre o valor integral da indenização recebida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009 LANÇAMENTO DECORRENTE Tratandose de lançamento decorrente, a relação de causa e efeito que informa o procedimento leva a que o resultado do julgamento do feito reflexo acompanhe aquele que foi dado ao lançamento principal. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado O Presidente da 4ª Turma da DRJ de Belo Horizonte (DRJ/BHE) recorreu de ofício do acórdão a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, por ser caso de exoneração do crédito tributário de valor superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). É o Relatório. Fl. 559DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10580.724434/201300 Acórdão n.º 1302001.619 S1C3T2 Fl. 558 5 Voto Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo O Recurso de Ofício atende ao requisito legal previsto no art. 1º, da Portaria MF n.º 03/2008 e, portanto, dele conheço. 1. Do valor recebido a título de ressarcimento de prejuízos (R$ 800.000,00). No presente caso a questão fundamental a ser solucionada é saber se a natureza jurídica do valor recebido pela recorrente, por ocasião da sentença proferida contra o Banco Nordeste, consistiu em acréscimo patrimonial e receita, ou alternativamente se ela apenas serviu de reparação de um dano patrimonial reestabelecendo o “status quo”, e, portanto, não passível de tributação. Ponderase que o lançamento ora combatido se deu por ter o AFRFB entendido que o valor recebido pela recorrente, por consequência do dispositivo da sentença judicial havida nos autos nº. 011457861.2000.8.05.0001, teria natureza de faturamento. No presente caso, por opção do contribuinte, o AFRFB tributou com base no Lucro Real, isso é fundamental, pois o meu entendimento seria diferente se houvesse a opção pelo lucro presumido, arbitrado, ou sistema simplificado de tributação. A referida sentença judicial (fls. 114/125 e 358/369) foi proferida em 28/08/2001, nos autos de Ação Ordinária nº. 011457861.2000.8.05.0001, que tramitou perante a 27ª Vara dos Feitos de Rel. de Cons. Cíveis e Comerciais do Foro Central da Comarca da Região Metropolitana de Salvador/BA, através da qual houve a condenação do Banco Nordeste ao pagamento a contribuinte da quantia de R$ 2.300.000,00 (dois milhões e trezentos mil reais) a título de indenização, valor este atualizado para R$ 5.212.916,29 na data do pagamento, que ocorreu no anocalendário de 2009. O valor originário da condenação (R$ 2.300.000,00) era composto por R$ 1.500.000,00 a título de indenização por perda de faturamento e R$ 800.000,00 de indenização a título de prejuízos sofridos. A referida sentença foi mantida pelo Acórdão (fls. 126/132) proferido pela Terceira Câmara Cível do E. Tribunal de Justiça do Estado da Bahia em 09/10/2002, em sede da Apelação Cível nº. 233077/2001, permanecendo o mesmo valor da condenação. Dessa forma, o Fisco considerou o valor recebido pela contribuinte pela condenação judicial como faturamento passível de tributação de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, conforme consta do Termo de Verificação Fiscal às fls. 18/19: (...) a indenização recebida pelo contribuinte referese ao faturamento que o mesmo deixou de realizar por culpa do réu. Fl. 560DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 Deste modo estamos diante de um acréscimo patrimonial sujeito à tributação do Imposto de Renda de Pessoas Jurídicas, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido bem como ao PIS e COFINS por tratarse de faturamento como está claramente definido na referida sentença. (...) Pelo acima exposto, estamos levando à tributação o valor de R$ 1.866.893,33 referente ao lucro real anual apurado deduzido valor de prejuízo acumulado correspondente a 30% do lucro apurado. Estamos procedendo também a tributação do PIS e da COFINS pela omissão da receita praticada. No presente processo, somente estamos analisando o IRPJ e CSLL, pois PIS e COFINS estão em processo separado, que ainda se encontra em fase de julgamento na DRJ (10580.724435/201346). A sentença judicial mencionada é clara ao condenar o Banco Nordeste a pagar para a contribuinte o valor total de R$ 2.300.000,00 a título de indenização, sendo a quantia de R$ 1.500.000,00 a título de perdas e danos e a quantia de R$ 800.000,00 a título de reposição de prejuízos sofridos pela recorrente. Houve, ainda, a condenação do Banco do Nordeste ao ressarcimento de despesas havidas pela Impugnante em relação ao empreendimento efetuado por ela em Porto Seguro/BA, que também constitui indenização ou compensação de valores. Para que não haja dúvidas, colaciono abaixo o inteiro teor do dispositivo da sentença judicial em favor da contribuinte, constante às fls. 114/125 e 358/369 dos autos: Condeno, outrossim, o Réu, com base no art. 1.059 e seguintes do Código Civil, ao dever de indenizar os danos que o inadimplemento da sua obrigação causou à Autora, ora fixados e arbitrados em R$2.300.000,00 (dois milhões e trezentos mil reais), a saber: R$1.500.00,00, ora fixados, de perda de faturamento nos meses de alta estação conforme exposto pela Autora às fls. 7 da inicial; R$800.000,00, ora arbitrados, de prejuízos pela não divulgação do empreendimento, no momento próprio, e não participação da Autora no evento da ABAV, (considerando que Autora alegou prejuízo de “quase R$ 1.000.000,00); Condeno ainda ao ressarcimento das despesas havidas pela Autora durante o período do início de operação, de Fevereiro de 2000 a março de 2001, fim do período de alta estação, estas a serem apuradas em liquidação de sentença, arcando, ainda, com o pagamento das custas e honorários advocatícios, estes à razão de 20% sobre o valor da causa. (grifos não originais). Assim, entendo que o valor arbitrado na sentença possui cunho notoriamente indenizatório de despesas e prejuízos quanto ao montante de R$ 800.000,00. Tratase de uma indenização a fim de restituir os prejuízos suportados pela recorrente, conforme os documentos trazidos aos autos (fls. 219/541), não sobrando dúvidas quanto à natureza meramente indenizatória do valor recebido de R$ 800.000,00 em razão da condenação judicial. Fl. 561DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10580.724434/201300 Acórdão n.º 1302001.619 S1C3T2 Fl. 559 7 Porém a opção da Recorrente para o exercício em análise, é o Lucro Real, e qualquer recuperação de prejuízos, ou despesas de resultados anteriores, devem sim compor o Lucro Real do período em que foram recuperados. Isso é tão evidente que o próprio AFRFB compensa o prejuízo de exercícios anteriores com o lucro encontrado, claro que limitado a 30% (matéria que entendo ilegal, mas já pacificado no judiciário). Ou seja, se os prejuízos do passado interferem no exercício em discussão, prejuízos estes que podem inclusive ser compostos pelos fatos narrados na ação indenizatória, a recuperação de despesa também deve ser computada para efeito de terminação do Lucro Real. Não como Faturamento, mas sim como recuperação de despesas, o que no presente caso (IRPJ e CSLL) me faz chegar ao mesmo resultado, quando tributado pelo Lucro Real. Foi neste ponto que se equivocou o entendimento do acórdão proferido pela DRJ/BHE de origem, sob os seguintes termos (fl. 549): Em sua defesa, a impugnante apresenta argumentos, demonstrativos e documentos para comprovar que o valor recebido trata efetivamente de indenização, inclusive em valor inferior ao seu prejuízo real. (...). Com respeito ao primeiro argumento, verificase mais uma circunstância comprobatória de que o valor recebido encontra se fora do campo de incidência de qualquer tributação. Quanto ao regime de competência, ainda que se aceitasse o valor mencionado como faturamento, é certo que não se pode considerar o ano do recebimento, mas sim o período em que tal faturamento teria sido gerado. Assim, por tudo o quanto ficou assentado até aqui, evidenciase que os valores auferidos pela recorrente não representam receitas decorrentes da atividade empresarial, vale dizer, não representam qualquer hipótese de faturamento. (grifos não originais). A verba indenizatória que não pode ser tributada no Lucro Real, é somente aquela que causa a reposição de um ativo, exemplo a Difamação de uma Marca que deve ser reparada, o pagamento de um veículo furtado, etc. Não podemos dizer que a recuperação de uma despesa é uma simples reposição de um ativo, patrimônio anterior. Alias a recuperação de uma despesa do passado, no resultado atual, faz repor um patrimônio que neste caso foi representado por lucro, que tanto naquele, como neste exercício seriam tributados, mas pelo regime da competência a tributação se dá no transito em julgado e no recebimento, agindo corretamente o AFRFB. Portanto, concluo que a natureza jurídica da quantia recebida pela parte impugnante no ano de 2009, no valor de R$ 800.000,00, a título de ressarcimento de prejuízos (não divulgação do empreendimento da recorrente), que é parte do valor recebido por ela por ocasião da sentença alhures mencionada, apesar de ser indenizatória, esta por repor um resultado não tido anteriormente, devendo ser tributada neste ponto no IRPJ e CSLL. Fl. 562DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 2. Do valor recebido a título de lucros cessantes (R$ 1.500.000,00). Quanto ao valor recebido pela empresa recorrente a título de perda de faturamento (R$ 1.500.000,00), o Acórdão proferido pela DRJ de origem considerou que a perda de faturamento não pode ser considerada simplesmente faturamento empresarial e levada à tributação, conforme disposto às fls. 548/549, cujo seguinte trecho merece destaque: A fiscalização considerou como faturamento o total recebido de R$ 5.212.916,29,por entender que a sentença determina que a indenização recebida pelo impugnante referese ao faturamento que o mesmo deixou de realizar por culpa do réu. Entendo que não é esta a conclusão da sentença. A única referência a faturamento reportase ao valor de R$1.500.000,00. No entanto, mesmo com relação a este valor, a sentença é clara. Tratase efetivamente de indenização de danos por perda de faturamento, que não pode ser considerado simplesmente faturamento e levar à tributação. (...) Com respeito ao primeiro argumento, verificase mais uma circunstância comprobatória de que o valor recebido encontra se fora do campo de incidência de qualquer tributação. Quanto ao regime de competência, ainda que se aceitasse o valor mencionado como faturamento, é certo que não se pode considerar o ano do recebimento, mas sim o período em que tal faturamento teria sido gerado. Seguindo o entendimento exarado no tópico anterior, de que se há o auferimento de renda deve também existir a obrigação tributária (opção do contribuinte pelo Luro Real), por haver fato gerador, tenho que o valor de R$ 1.500.000,00 recebido em 2009 pela recorrente deve ser tributado, por configurar acréscimo em seu patrimônio no conceito de receita. Isso porque, de fato, o referido valor tem natureza jurídica de lucros cessantes, traduzindo o que a empresa contribuinte razoavelmente deixou de ganhar com o fracasso de seu empreendimento, em tese, por culpa do Banco do Nordeste, ou seja, existiu a perda da chance de faturamento pela empresa Capitania em relação ao empreendimento. Tal fato é descrito por ela em sua Petição Inicial da Ação Ordinária nº. 011457861.2000.8.05.0001, na qual a sentença indenizatória foi proferida, petição esta constante às fls. 412/426 dos autos. Vale destacar o que foi aduzido pela empresa Capitania às fls. 418, 7ª folha da mencionada petição inicial: O adiantamento da construção do cais do empreendimento no continente, o atraso na folha de pagamento, enfim todos os investimentos que deveriam ser realizados para afirmar o conceito e a credibilidade do Parque e não puderam ser feitos, determinaram a perda do período de alta estação relativos a janeiro e fevereiro, abril, junho e julho, épocas em que o fluxo turístico é mais intenso, traduzindose num prejuízo de R$ 1.500.000,00 (hum milhão e quinhentos mil reais) de faturamento perdido e quase R$ 600.000,00 (seiscentos mil reais) de despesas com pessoal e manutenção, realizadas em Fl. 563DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10580.724434/201300 Acórdão n.º 1302001.619 S1C3T2 Fl. 560 9 vão, posto que sem o correspondente retorno. (grifo não original). Dessa forma, fica claro que a origem do valor de R$ 1.500.000,00 contido no dispositivo da sentença referese ao valor informado pela empresa recorrente em sua petição inicial naquela ação judicial, sendo ele relativo à “perda de período de alta estação, traduzindose num prejuízo [...] de faturamento perdido”, consistindo claramente em lucro cessante, ou seja, a renda que a empresa deixou de auferir em determinado período por culpa de outrem. Faturamento recuperado, deve ser tributado na competência em que foi recuperado. Não existiu, então, efetivo prejuízo nem seu ressarcimento quanto à referida verba, mas existiu apenas a perda da chance de se faturar com a alta estação turística com o fracasso do empreendimento planejado pela empresa recorrente, que nada mais é que lucro cessante. Vale trazer à baila o alegado pela empresa contribuinte em sua impugnação, apresentada nestes autos às fls. 152/214, cujo seguinte trecho merece destaque (fl. 168): E, imbuído deste mesmo espírito, enviesado e destinado a autuar e prejudicar financeiramente a Impugnante e seu sócio majoritário, o Fiscal Autuante arremata, interpretando a ordem judicial de pagamento ao seu bel prazer, para afirmar que o valor recebido “referese ao faturamento que o mesmo [o contribuinte] deixou de realizar por culpa do réu.” Ora, todo aquele com parca noção de aspectos jurídicos do dano e sua reparação, mesmo leigos que já figuraram em juízo como litigante, sabe que uma indenização nunca se refere apenas ao que se deixou de ganhar ou faturar, ou seja aos lucros cessantes, que nem sempre estão presentes, mas também e principalmente, o prejuízo causado, ou seja, o desfalque no patrimônio da vítima, que são os danos emergentes, estes sim a prestação que compõe o cerne de uma pretensão indenizatória. (grifo original). De fato assiste razão à empresa recorrente quanto ao alegado que uma indenização nunca se refere apenas ao que se deixou de ganhar ou faturar (lucro cessante), mas também ao prejuízo causado (dano emergente). Ocorre que neste caso o dano emergente foi o valor de R$ 800.000,00 e o lucro cessante o valor de R$ 1.500.000,00, ambos constantes no dispositivo da sentença mencionada e, ao passo que o primeiro valor deve ser tributado, o segundo também o será por ter ocorrido acréscimo no patrimônio da empresa. No mesmo sentido dos artigos 114, 115 e 118, do Código Tributário Nacional, bem como o entendimento proferido pelo Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), o auferimento de renda (acréscimo patrimonial) é fato gerador da obrigação tributária de se pagar Imposto de Renda de Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, ou seja, em relação à parcela de R$ 1.500.000,00 recebida pela recorrente do Banco do Nordeste a título de perda de faturamento, deve incidir a tributação. Fl. 564DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 10 Assim, voto no sentido de provimento ao recurso de ofício nesse ponto, mantendo o lançamento em relação ao valor de R$ 1.500.000,00, recebido pela recorrente a título de lucros cessantes. 3. Da Inaplicabilidade da Multa Qualificada de 150%. Quanto à multa qualificada, visto que a mesma foi exonerada pela DRJ, sob o fundamento da exoneração do crédito tributário (principal e acessório), superando este argumento (exoneração do crédito tributário), passo analisar a matéria sob outros fundamentos, os quais passo a discorrer. O primeiro ponto que analiso é que o caso de difícil interpretação jurídica, quando a sua incidência tributária, ou não. Tanto o é que o AFRFB lançou o crédito tributário, o colegiado da DRJ exonerou e na minha relatoria entendi que deveria ser tributado. Ou seja, aqui o contribuinte pode ter ocorrido em um erro, justificável, da interpretação da norma tributária, que inclusive é atualmente objeto de discussão doutrinária e gera diversas interpretações, a exemplo o próprio caso concreto. Assim não vejo dolo na conduta da recorrente de suprimir ou reduzir tributo, mais ainda o TVF não fundamenta a existência de dolo ou descreve os atos voluntários que geraram tal contencioso fiscal. Reforçando, entendo que não restou comprovado neste caso que a empresa autuada ou seus sócios agiram com dolo de fraude para ludibriar o Fisco quanto à existência de valores tributáveis, o que foi expressamente consignado pelo acórdão da DRJ, como se destaca adiante (fls. 549): (...) O termo de verificação fiscal conclui pela qualificação da multa sob o fundamento de que a impugnante teria manifestado o desejo de esconder do fisco a receita tributável pelo fato de ter apresentado DIPJ retificadora sem submeter tal valor à tributação. Entendo que esta circunstância, por si só, não se reveste de características suficientes para qualificação da multa. Desta maneira, aplicase ao caso a súmula 14 do CARF, adiante transcrita: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Portanto, voto no sentido de afastar a multa qualificada. 4. Da sujeição passiva dos sócios da empresa impugnante Também quanto à sujeição passiva dos sócios da empresa impugnante, visto que a mesma foi afastada pela DRJ sob o fundamento da exoneração do crédito tributário (principal e acessório), superando este argumento (exoneração do crédito tributário), passo analisar a matéria sob outros fundamentos, os quais passo a discorrer. Este caso é de simples análise, pois não fica provado no TVF os atos que caracterizam o excesso de poder praticados pelos sócios. Fl. 565DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10580.724434/201300 Acórdão n.º 1302001.619 S1C3T2 Fl. 561 11 No tocante à responsabilidade dos sócios, tenho que o artigo 135, III, do Código Tributário Nacional, só pode ser aplicado quando há o cumprimento dos requisitos elencados na legislação, qual seja a existência de créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, de maneira taxativa. Esses requisitos devem ser comprovados no caso concreto, sendo necessário ser elencado qual deles foi praticado pelo terceiro sobre o qual incidirá a responsabilidade tributária pela integral quantia do débito fiscal, que era de responsabilidade do contribuinte originário. É entendimento pacífico do Superior Tribunal de Justiça que para aplicação do art. 135, III, do CTN, é necessário a comprovação de que estes agiram dolosamente e com excesso de poder quanto à infração do Estatuto ou da Lei, como se destaca: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. REDIRECIONAMENTO. NOME DO SÓCIO CONSTANTE DA CDA. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO AFASTADA PELAS INSTÂNCIAS ORDINÁRIAS. MERO INADIMPLEMENTO. QUESTÃO ATRELADA AO REEXAME DE MATÉRIA FÁTICA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. 1. Consoante a pacífica jurisprudência deste Tribunal, em tese, permitese o redirecionamento da execução fiscal contra o sócio gerente, cujo nome consta do título, desde que ele tenha agido com excesso de poderes, infração à lei ou estatuto, contrato social, ou na hipótese de dissolução irregular da empresa, não se incluindo o simples inadimplemento da obrigação tributária (art. 135 do CTN). (STJ. AgRg no AREsp 329592/RN. Rel. Min. Og Fernandes. DJe de 18/12/2013). (...) 2. A responsabilidade prevista no art. 135, III, do CTN não é objetiva. Desse modo, para haver o redirecionamento da execução fiscal, e seus consectários legais, para o sóciogerente da empresa, deve ficar demonstrado que este agiu com excesso de poderes ou infringiu a lei ou o estatuto, na hipótese de dissolução irregular da empresa. (...) (STJ. AgRg no AREsp 294214/RN. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe de 06/12/2013) TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RESPONSABILIDADE DO SÓCIOGERENTE. DISSOLUÇÃO IRREGULAR DA SOCIEDADE. ART. 134, VII, DO CTN. FUNDAMENTO INATACADO. SÚMULA 283/STF. (...). 2. Quanto à alegação de que teria ocorrido dissolução irregular da sociedade, a ensejar a responsabilização dos sócios nos termos do art. 134, VII, do CTN, convém destacar que o aresto recorrido afastou a incidência desse dispositivo legal sob o argumento de que a sociedade por quotas de responsabilidade limitada não se constitui numa sociedade de pessoas. 3. O recorrente, na via especial, não teceu qualquer consideração sobre a aplicabilidade deste dispositivo legal às Fl. 566DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 12 sociedades limitadas que não se enquadrem como sociedades de pessoas. Aplicabilidade da Súmula 283/STF. 4. Restou asseverado pelo Tribunal a quo que não foi demonstrado o cometimento pelo sóciogerente de ato praticado com excesso de poderes ou infração de lei ou contrato social. 5. Os sócios (diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica) são responsáveis, por substituição, nos termos do art. 135, III, do CTN, somente pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias, quando se comprova a prática de ato ou fato eivado de excesso de poderes ou de infração de lei, contrato social ou estatutos. 6. Embargos de declaração acolhidos, sem efeitos modificativos. (STJ, 2ª Turma. Relator: Ministro CASTRO MEIRA, Data de Julgamento: 14/12/2004). (grifos não originais). No entanto, analisando os autos, entendo que não restou comprovada a ocorrência de quaisquer dos requisitos do art. 135, III, do CTN, para caracterização da responsabilidade pessoal dos sócios pela obrigação tributária da empresa. Ademais, como bem destacou a decisão da DRJ no trecho abaixo destacado, a responsabilização dos sócios da empresa recorrente com fundamento no art. 135, III, do CTN, deuse apenas em razão do inadimplemento da obrigação tributária, não se demonstrando qualquer outro motivo ou cumprimento dos requisitos daquele preceito legal: Por oportuno, acrescentese que, inobstante o termo de verificação fiscal assinalar que: “No presente caso está bem definido a infração à lei por parte do Sr. Carlos Eduardo Vilares Barral e pela Sra. Maria Aparecida Freitas de Castro Barral, sóciosgerentes à época da ocorrência dos Fatos Geradores lançados na empresa autuada, que tentaram eximirse do pagamento dos tributos prestando informações inverídicas ao Fisco, conforme já detalhadamente exposto” não existe qualquer demonstração neste sentido. A única menção é que estas pessoas físicas seriam sóciosgerentes. Mais nada. Assim, mesmo se prevalecesse o lançamento, a indicação de sujeição passiva solidária não encontraria ressonância pela absoluta falta de comprovação de qualquer ato doloso praticado pelos indicados. Desta maneira, destacase que é assente o entendimento neste Conselho de que a falta de pagamento de tributo não é circunstância suficiente para responsabilização dos sócios com fulcro no art. 135, III, do CTN, como se demonstra dos julgados abaixo: (...) RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. 135 DO CTN. INOCORRÊNCIA DE ATOS PRATICADOS COM EXCESSO DE PODER, INFRAÇÃO A LEI, CONTRATO SOCIAL OU ESTATUTOS. O sócioadministrador da autuada agiu dentro dos limites legais, não havendo que se falar em atos praticados com excesso de poder ou infração a lei, contrato social ou estatutos, que motivassem a aplicação do art. 135, inciso II do CTN. Ademais, a falta de pagamento de tributo não configura, por si só, nem em tese, circunstância que acarreta a responsabilidade Fl. 567DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10580.724434/201300 Acórdão n.º 1302001.619 S1C3T2 Fl. 562 13 subsidiária do sócio, prevista no art. 135 do CTN, conforme posicionamento já sedimentado nesta corte e no egrégio Superior Tribunal de Justiça (Resp 1.101.728/SP, 543C do CPC). (...) (CARF. Acórdão n.º 1402001.628. Rel. Carlos Pela. Sessão de 08/04/2014). (...) IRPJ. CSLL. PIS. COFINS. RESPONSABILIDADE. FALTA DE PAGAMENTO DE TRIBUTOS. ART. 135, III, DO CTN. INAPLICÁVEL. O inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sóciogerente. (...) (CARF. Acórdão n.º 1302001.213. Rel. Waldir Veiga Rocha. Sessão de 05/11/2013). (grifos não originais). Portanto, não restaram comprovados os requisitos taxativos do art. 135, III do CTN, de que os sócios da empresa tiveram o dolo de praticar atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Assim, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício nesse ponto, por não existir responsabilidade solidária dos sócios da empresa neste caso, conforme fundamentado. 5. Da conclusão Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso de ofício para reformar a decisão recorrida a fim de manter o lançamento tributário, contudo afasto a aplicação da multa qualificada (de 150% para 75%) e a responsabilidade pessoal dos sócios da empresa recorrente. (assinado digitalmente) Marcio Rodrigo Frizzo Relator Fl. 568DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000984/2007-61
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2001, 2002
DECADÊNCIA. PAGAMENTO PARCIAL.
O prazo decadencial apenas será contado nos moldes do art. 150, §4º do CTN quando o contribuinte realizar atividade sujeita à posterior homologação do Fisco. A exigência do IRRF exclusivamente na fonte e à alíquota de 35% com fundamento no art. 675 do RIR/99 decorre exatamente da omissão da fonte pagadora, que deixa de efetuar a retenção e o recolhimento do imposto, ou seja, não existe atividade de lançamento realizada pelo responsável tributário sujeita à homologação do Fisco, o que torna imperiosa a contagem do prazo decadencial nos termos do art. 173, I do CTN.
Recurso de Ofício e Recurso Voluntário negados.
Numero da decisão: 1103-001.112
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso de ofício, por unanimidade, e negar provimento ao recurso voluntário, por maioria, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa e Aloysio José Percínio da Silva, que acolheram a preliminar de decadência.
(assinado digitalmente)
ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Aloysio José Percínio da Silva, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Breno Ferreira Martins Vasconcelos.
Nome do relator: BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2001, 2002 DECADÊNCIA. PAGAMENTO PARCIAL. O prazo decadencial apenas será contado nos moldes do art. 150, §4º do CTN quando o contribuinte realizar atividade sujeita à posterior homologação do Fisco. A exigência do IRRF exclusivamente na fonte e à alíquota de 35% com fundamento no art. 675 do RIR/99 decorre exatamente da omissão da fonte pagadora, que deixa de efetuar a retenção e o recolhimento do imposto, ou seja, não existe atividade de lançamento realizada pelo responsável tributário sujeita à homologação do Fisco, o que torna imperiosa a contagem do prazo decadencial nos termos do art. 173, I do CTN. Recurso de Ofício e Recurso Voluntário negados.
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PAGAMENTO PARCIAL. Por força do art. 62A do Anexo do II do RICARF, deve ser adotado pelos membros do CARF o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial nº 973.733 de que, em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial será regido pelo art. 150, §4º do CTN quando houver declaração ou pagamento antecipado do tributo e pelo art. 173, I do CTN quando não ocorrer a declaração ou o pagamento antecipado ou quando houver declaração ou antecipação, mas constatada a prática de dolo, fraude ou simulação. Tendo ocorrido o pagamento parcial, pois os autos de infração decorreram de mera glosa de despesas, deve ser aplicado o prazo decadencial contado nos moldes do art. 150, §4º do CTN aos débitos de IRPJ. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2001 DECADÊNCIA. PAGAMENTO PARCIAL. Por força do art. 62A do Anexo do II do RICARF, deve ser adotado pelos membros do CARF o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial nº 973.733 de que, em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial será regido pelo art. 150, §4º do CTN quando houver declaração ou pagamento antecipado do tributo e pelo art. 173, I do CTN quando não ocorrer a declaração ou o pagamento antecipado ou quando houver declaração ou antecipação, mas constatada a prática de dolo, fraude ou simulação. Tendo ocorrido o pagamento parcial, pois os autos de infração decorreram de mera glosa de despesas, deve ser aplicado o prazo decadencial contado nos moldes do art. 150, §4º do CTN aos débitos de CSLL. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 09 84 /2 00 7- 61 Fl. 396DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000984/200761 Acórdão n.º 1103001.112 S1C1T3 Fl. 386 2 Anocalendário: 2001, 2002 DECADÊNCIA. PAGAMENTO PARCIAL. O prazo decadencial apenas será contado nos moldes do art. 150, §4º do CTN quando o contribuinte realizar atividade sujeita à posterior homologação do Fisco. A exigência do IRRF exclusivamente na fonte e à alíquota de 35% com fundamento no art. 675 do RIR/99 decorre exatamente da omissão da fonte pagadora, que deixa de efetuar a retenção e o recolhimento do imposto, ou seja, não existe atividade de lançamento realizada pelo responsável tributário sujeita à homologação do Fisco, o que torna imperiosa a contagem do prazo decadencial nos termos do art. 173, I do CTN. Recurso de Ofício e Recurso Voluntário negados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso de ofício, por unanimidade, e negar provimento ao recurso voluntário, por maioria, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa e Aloysio José Percínio da Silva, que acolheram a preliminar de decadência. (assinado digitalmente) ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Aloysio José Percínio da Silva, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Breno Ferreira Martins Vasconcelos. Fl. 397DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000984/200761 Acórdão n.º 1103001.112 S1C1T3 Fl. 387 3 Relatório LANÇAMENTO A questão sob julgamento diz respeito a autos de infração lavrados em 22/06/2007 para a exigência de débitos de IRPJ, CSLL e IRRF (fls. 170195). Foi relatado, no termo de verificação fiscal nº 01 (“TVF 1” fls. 145156), que, por meio do Ofício nº 21.401.2/382/2006, datado de 05 de dezembro de 2006 e expedido pela Delegacia da Receita Previdenciária de São Paulo, a Delegacia da Receita Federal em São Paulo tomou conhecimento de operações em que a recorrente, valendose de serviços oferecidos por uma empresa contratada, efetuou pagamentos a diretores, empregados próprios e empregados terceirizados. Registrou que, após o recebimento da referida representação, a recorrente foi intimada para apresentar documentos relacionados às operações realizadas com a empresa Incentive House S.A., os quais foram devidamente apresentados à fiscalização e indicam que os pagamentos correspondiam a prêmios de incentivo. Destacou que, à época em que os fatos ocorreram, a recorrente deu às operações o tratamento de simples prestações de serviços por parte da Incentive House S.A., tendo deixado de efetuar os recolhimentos das contribuições previdenciárias e do IRRF. Consignou que, sob a vigência dos contratos firmados com a Incentive House S.A., a recorrente adquiria cartões denominados Flexcard, contendo créditos passíveis de utilização pelos beneficiários “de acordo com suas vontades e conveniência, para pagamentos de seus compromissos pessoais, saques em dinheiro etc.” (p. 3 do TVF 1 – fls. 147). A Incentive House S.A. emitia uma nota fiscal/fatura de serviços, na qual cobrava, a título de encargos de responsabilidade do cliente, o valor correspondente aos créditos disponibilizados nos cartões Flexcard e, a título de contraprestação pelos serviços, a comissão pactuada entre as partes. No termo de verificação fiscal nº 02 (“TVF 2” fls. 145156), descreveu que a partir de 2003 os cartões (Spiritcard, Spiritcard Prata ou Ourocard) passaram a ser fornecidos pela empresa Spirit Incentivo e Fidelização S.A., cuja denominação foi posteriormente alterada para Spirit Marketing Promocional Ltda. Fl. 398DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000984/200761 Acórdão n.º 1103001.112 S1C1T3 Fl. 388 4 Registrou que a empresa Spirit emitia nota fiscal/fatura de serviços contra a recorrente consignando (i) no campo “Demonstrativo de Despesas com Terceiros” o valor dos créditos disponibilizados nos cartões e (ii) no campo “Discriminação dos Serviços Prestados” o valor da sua comissão de agenciamento e intermediação. A autoridade autuante entendeu (i) que os créditos disponibilizados para os empregados estavam sujeitos à retenção do Imposto sobre a Renda pela fonte pagadora, providência que não foi tomada pela recorrente, razão pela qual foi lavrado auto de infração para exigência do IRRF calculado mediante aplicação da alíquota de 35% sobre os respectivos valores e (ii) que as comissões pagas à empresa Spirit seriam indedutíveis na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, razão pela qual foram lavrados autos de infração para a exigência das diferenças de IRPJ e CSLL devidas em razão da glosa de tais despesas. IMPUGNAÇÃO Em 24/07/2007 a ora recorrente apresentou a Impugnação de fls. 197202. Por sua pertinência, transcrevo parte do relatório do acórdão proferido pela DRJ (fls. 350351): DA IMPUGNAÇÃO O interessado foi cientificado dos autos de infração em 22 de junho de 2007 (sextafeira), conforme consignado às fls. 175, 183 e 189, e em 24 de julho de 2007 apresenta impugnação, com os argumentos de fls. 195 a 201, acompanhados dos documentos de fls. 203 a 291. Em síntese, expõe a defesa que, numa opção eminentemente gerencial, não pretende discutir o mérito das exigências fiscais formuladas, tendo realizado, em 23.7.2007, o pagamento de parte dos três Autos de Infração (docs. 8 a 30), e que os créditos tributários correspondentes encontramse extintos por força do artigo 156, inciso I, do Código Tributário Nacional. Questiona, no entanto, a decadência do direito à constituição dos créditos tributários relativos (i) ao fato gerador em 31/12/2001 para o IRPJ e a CSLL, e (ii) fatos geradores de 12/02/2001, 07/08/2001, 06/02/2002 e 07/02/2002, do IRRF, pois alega que tais tributos sujeitamse ao lançamento por homologação, sendo o prazo de decadência de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, a teor do artigo 150, §4º, do CTN. Fl. 399DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000984/200761 Acórdão n.º 1103001.112 S1C1T3 Fl. 389 5 Em 05/08/2008 a recorrente protocolou a petição de fls. 329330 mencionando a Súmula Vinculante nº 8 do STF, que enuncia a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, para afirmar que deve ser aplicado o prazo decadencial de 5 anos para a CSLL. ACÓRDÃO DA DRJ Em 10/08/2009 os membros da 10ª Turma de Julgamento da DRJ de São Paulo I decidiram, por unanimidade de votos, acolher integralmente a alegação de decadência em relação ao IRPJ e à CSLL e acolher em parte a alegação de decadência quanto ao IRRF, ficando mantidos os valores relativos às infrações ocorridas no anocalendário de 2002 (fls. 349356). Em suma, os julgadores de primeiro grau concluíram pela aplicação do prazo decadencial estabelecido pelo art. 150, §4º do CTN em relação aos débitos de IRPJ e CSLL cujo fato gerador ocorreu em 31/12/2001 porque foram efetuados pagamentos a título de estimativas mensais e os autos de infração foram cientificados em 22/06/2007. Já quanto ao IRRF, os julgadores entenderam que, não tendo havido a retenção na fonte e não tendo sido comprovado o recolhimento pela recorrente, deve ser aplicada a regra do inciso I do art. 173 do CTN, segundo a qual a contagem do prazo decadencial se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Dessa forma, e considerandose que o auto de infração foi cientificado à recorrente em 22/06/2007, a DRJ concluiu que os fatos geradores ocorridos no ano de 2001 foram atingidos pela decadência e os fatos geradores ocorridos em 2002, não, devendo, portanto, ser mantida a exigência neste ponto. RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformada com parte da decisão de primeiro grau, a recorrente interpôs em 29/09/2009 o Recurso Voluntário de fls. 370375, no qual alegou, em suma, que: (i) Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicamse as regras do art. 150, §4º do CTN, sendo incorreto dizer, como na r. decisão recorrida, que, na hipótese de não ter havido o recolhimento na fonte do imposto, aplicarseia o prazo do art. 173 do CTN; (ii) O art. 173 só se aplicaria ao lançamento por homologação caso se tratasse de hipótese de dolo, fraude ou simulação, o que nitidamente não ocorreu; e (iii) Tal entendimento foi adotado pela CSRF em relação ao Imposto sobre a Renda retido na fonte nos acórdãos 0105.163 (de 29/11/2004) e 0400.304 (de 12/06/2006). Fl. 400DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000984/200761 Acórdão n.º 1103001.112 S1C1T3 Fl. 390 6 Em 21/07/2014 a contribuinte protocolou a petição de fls. 377383 para a apresentação de comprovantes de retenção e recolhimento de IRRF em fevereiro e março de 2002 sob os códigos 0561 (rendimento do trabalho assalariado) e 0588 (rendimento do trabalho sem vínculo empregatício). É o relatório. Voto Conselheiro Breno Ferreira Martins Vasconcelos O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade (fls. 382), razão pela qual dele conheço. A numeração de fls. indicada neste voto é a do eprocesso. Conforme relatado, a recorrente realizou o pagamento de parte dos débitos colhidos pelos autos de infração, tendo sido objeto de Impugnação apenas débitos alegadamente atingidos pela decadência. A DRJ, por sua vez, acolheu parcialmente as alegações da recorrente, tendo sido interpostos Recurso Voluntário e Recurso de Ofício, conforme indicado no seguinte quadro: Tributo Fato gerador Decisão DRJ Julgamento CARF IRPJ 31/12/2001 Decadência ocorreu, cf. art. 150, §4º do CTN CSLL 31/12/2001 Decadência ocorreu, cf. art. 150, §4º do CTN IRRF 12/02/2001 Decadência ocorreu, cf. art. 173, I do CTN IRRF 07/08/2001 Decadência ocorreu, cf. art. 173, I do CTN Recurso de ofício IRRF 06/02/2002 Decadência não ocorreu, cf. art. 173, I do CTN IRRF 07/02/2002 Decadência não ocorreu, cf. art. 173, I do CTN Recurso voluntário Recurso Voluntário A questão suscitada no recurso voluntário diz respeito ao prazo decadencial aplicável ao IRRF que, consoante o auto de infração, deveria ter sido retido e recolhido aos cofres públicos pela recorrente sobre os prêmios de incentivo. Em suma, impende analisar se seria aplicável o prazo estabelecido pelo art. 150, §4º ou aquele fixado pelo art. 173, I, ambos do Código Tributário Nacional. Fl. 401DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000984/200761 Acórdão n.º 1103001.112 S1C1T3 Fl. 391 7 Entendo, em regra, que, sendo o IRRF tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo para a realização do lançamento é regido pelo art. 150, §4º do CTN, independentemente da existência de pagamento parcial ou apresentação de declaração. Ao meu ver, a regra contida no art. 173, I do CTN apenas pode ser aplicada a tributos sujeitos a lançamento por homologação quando houver a constatação de dolo, fraude ou simulação. Este Conselho e, inclusive, esta Turma proferiram diversos acórdãos entendendo que, em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial apenas será contado nos moldes do art. 173, I do CTN quando houver dolo, fraude ou simulação, “independentemente da apresentação de declarações ou da realização de pagamentos” (Acórdão 110300.378, de 15/12/2010, cujo voto vencedor foi lavrado pelo eminente Presidente Aloysio José Percínio da Silva). Ocorre que, após as alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010 no Regimento Interno do CARF, o art. 62A do Anexo II passou a impor aos membros deste Conselho a aplicação do entendimento adotado pelo Superior Tribunal de Justiça em julgamentos realizados sob o rito dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC). No que tange ao prazo decadencial aplicável aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, tornouse imperiosa a aplicação do entendimento manifestado no julgamento do Recurso Especial nº 973.733 de que “O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito” (Rel. Min. Luiz Fux, DJe 18/09/2009). Dessa forma, deve ser adotado pelos membros deste Conselho o entendimento do STJ de que o prazo decadencial, em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, será regido (i) pelo art. 150, §4º do CTN quando houver declaração ou pagamento antecipado do tributo e (ii) pelo art. 173, I do CTN (ii.1) quando não ocorrer a declaração ou o pagamento antecipado ou (ii.2) quando houver declaração ou antecipação, mas constatada a prática de dolo, fraude ou simulação. Fl. 402DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000984/200761 Acórdão n.º 1103001.112 S1C1T3 Fl. 392 8 O referido entendimento do STJ tem origem no seguinte raciocínio, que, embora não tenha sido amplamente descrito no acórdão proferido no julgamento do Recurso Especial nº 973.733, foi explicitado em diversos outros precedentes da Corte Superior: na “modalidade de lançamento por homologação, quando o contribuinte deixa de declarar e antecipar o pagamento do tributo devido, não há o que ser homologado pelo Fisco, dando espaço à figura do lançamento direto substitutivo a que alude o art. 149 do CTN” (AgRg no REsp 1145116/PR, DJe 07/05/2014), hipótese em que deve ser observado o prazo decadencial estabelecido pelo art. 173, I do CTN, aplicável ao lançamento de ofício. Em outras palavras: o que se homologa é a atividade de apuração do tributo efetuada pelo sujeito passivo, de modo que, se o contribuinte ou responsável tributário não atuou comissivamente de maneira a levar o crédito tributário ao conhecimento do Fisco, não incide o prazo decadencial previsto pelo art. 150, §4º, que se refere à atividade de homologação realizada pela Administração tributária, mas sim aquele estabelecido pelo art. 173, I do CTN, aplicável à atividade de lançamento direto realizada pela autoridade fiscal. A discussão quanto à existência de pagamento antecipado ou declaração, porém, é irrelevante no caso destes autos, em que foi exigido o IRRF devido exclusivamente na fonte e à alíquota de 35%, com fundamento nos seguintes dispositivos: Art. 622. Integrarão a remuneração dos beneficiários (Lei n º 8.383, de 1991, art.74): I a contraprestação de arrendamento mercantil ou o aluguel ou, quando for o caso, os respectivos encargos de depreciação: a) de veículo utilizado no transporte de administradores, diretores, gerentes e seus assessores ou de terceiros em relação à pessoa jurídica; b) de imóvel cedido para uso de qualquer pessoa dentre as referidas na alínea precedente; II as despesas com benefícios e vantagens concedidos pela empresa a administradores, diretores, gerentes e seus assessores, pagos diretamente ou através da contratação de terceiros, tais como: a) a aquisição de alimentos ou quaisquer outros bens para utilização pelo beneficiário fora do estabelecimento da empresa; b) os pagamentos relativos a clubes e assemelhados; Fl. 403DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000984/200761 Acórdão n.º 1103001.112 S1C1T3 Fl. 393 9 c) o salário e respectivos encargos sociais de empregados postos à disposição ou cedidos, pela empresa, a administradores, diretores, gerentes e seus assessores ou de terceiros; d) a conservação, o custeio e a manutenção dos bens referidos no inciso I. Parágrafo único. A falta de identificação do beneficiário da despesa e a não incorporação das vantagens aos respectivos salários dos beneficiários, implicará a tributação na forma do art. 675. Art. 675. A falta de identificação do beneficiário das despesas e vantagens a que se refere o art. 622 e a sua não incorporação ao salário dos beneficiários, implicará a tributação exclusiva na fonte dos respectivos valores, à alíquota de trinta e cinco por cento (Lei n º 8.383, de 1991, art. 74, § 2º, e Lei n º 8.981, de 1995, art. 61, §1º). §1º O rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto (Lei n º 8.981, de 1995, art. 61, §3º). §2º Considerase vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância (Lei n º 8.981, de 1995, art. 61, §2º). Essa regra existe porque, quando não houver identificação do beneficiário, tampouco incorporação do benefício ao seu salário, é logicamente inviável ao Fisco exigir o Imposto sobre a Renda do beneficiário. Não existe alternativa, portanto, senão atribuir responsabilidade exclusiva à fonte pagadora pelo recolhimento do imposto ao erário. É fácil notar que a realização de lançamento de ofício é inerente à exigência do IRRF nos moldes do art. 675 do RIR/99, o que torna imperiosa a aplicação do prazo decadencial previsto pelo art. 173, I do CTN. Vale destacar que a exigência do IRRF exclusivamente na fonte e à alíquota de 35% decorre exatamente da omissão da fonte pagadora, que deixa de efetuar a retenção e o recolhimento do imposto aos cofres públicos, ou seja, não existe atividade de lançamento realizada pelo responsável tributário sujeita à homologação do Fisco, o que corrobora a conclusão de ser inaplicável o art. 150, §4º do CTN à situação objeto do recurso voluntário interposto nestes autos. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000984/200761 Acórdão n.º 1103001.112 S1C1T3 Fl. 394 10 Nesse sentido, transcrevo trecho do voto proferido pelo Conselheiro André Mendes de Moura no Acórdão nº 1103000.904, de 06/08/2013: Observese que o tipo previsto para a infração tributária em debate pressupõe a omissão do contribuinte, que, na condição de responsável tributário, não efetua a devida retenção na fonte dos valores de imposto de renda a título de remuneração de serviços prestados pelo beneficiário. Não há que se falar, portanto, em lançamento por homologação, no qual cabe ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Pelo contrário, a consumação do lançamento fiscal demanda a investigação da autoridade fiscal, no sentido de averiguar se a hipótese de incidência da norma se concretizou. Caso afirmativo, a constituição do crédito tributário devido só pode ser efetuada com base no art. 149, inciso I, do CTN, ou seja, mediante lançamento de ofício. Por sua pertinência, transcrevo, ainda, excerto do voto proferido pelo Conselheiro Marcos Takata no Acórdão nº 110300.933, de 08/10/2013, seguido por unanimidade pelos demais membros desta Turma: Com a devida vênia, aqui, não vejo lugar para aplicação do art. 150, § 4º, do CTN. (...) Como se vê do §1º do art. 358 do RIR/99, compete à fonte pagadora identificar os beneficiários e adicionar os valores das despesas a eles correspondentes. Vale dizer, aplicar a tabela progressiva (IRRF). O § 2º do mesmo art. 358 prevê que, na inobservância do § 1º, caberá a aplicação da alíquota de 35% de IRRF exclusivo na fonte. A estrutura do tipo do § 2º do art. 358 do RIR/99 é do lançamento de ofício conforme o art. 149 do CTN. Por conseguinte, aplicável ao caso o prazo decadencial do art. 173, I, do CTN. Eventual ausência de retenção de IRF sob a tabela progressiva pode ensejar o pagamento pela fonte pagadora, sponte sua, de encargos moratórios, e tão só, após o prazo previsto para entrega da DIRPF, desde que evidentemente haja identificação dos e quantificação aos beneficiários. É porque, aí, ainda resta possibilidade de a hipótese de IRRF não se convolar em IRRF exclusivo na fonte (§ 2º do art. 358 do RIR/99). Fl. 405DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000984/200761 Acórdão n.º 1103001.112 S1C1T3 Fl. 395 11 Dito em outras palavras, já há a norma de “base” para o IRRF, que é o da tabela progressiva, com o desdobramento do § 1º do art. 358 do RIR/99. A norma que prevê o IRRF exclusivo na fonte, à alíquota majorada de 35%, no caso, é norma sobrejacente (à de “base”), estruturada para o lançamento de ofício. Por tais razões, reputo aplicável para a hipótese de IRRF à alíquota de 35% sobre remunerações indiretas, o prazo decadencial do art. 173, I, do CTN. Sendo assim, recebo os novos documentos trazidos aos autos pela contribuinte às fls. 377383 (comprovantes de retenção e recolhimento de IRRF em fevereiro e março de 2002 sob os códigos 0561 e 0588) em homenagem ao princípio da verdade material, mas entendo que, apesar do louvável esforço dos patronos, tais elementos não implicam necessidade de reforma da decisão de primeiro grau, que acertadamente concluiu pela aplicação do art. 173, I aos débitos de IRRF em questão. Registro, por fim, que não analisei se, no mérito, procede a exigência do IRRF nos moldes exigidos pela autoridade fiscal, pois às fls. 198 (Impugnação) a contribuinte afirmou que, “numa opção eminentemente gerencial, não pretende discutir o mérito das exigências fiscais”, o que impediu, portanto, o julgamento da matéria pela DRJ e sua devolução a este Conselho. Desse modo, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, devendo ser mantida a exigência dos débitos de IRRF cujos fatos geradores ocorreram em 06/02/2002 e 07/02/2002. Recurso de Ofício Quanto à parcela do débito exonerada pela DRJ, entendo não merecer reforma o acórdão recorrido, pois os débitos de IRPJ e CSLL com fato gerador em 28/03/2002 e de IRRF com fato gerador em 12/02/2001 e 07/08/2001 realmente foram atingidos pela decadência. Em relação aos débitos de IRPJ e CSLL, tendo ocorrido o pagamento parcial, pois os autos de infração decorreram de mera glosa das despesas correspondentes a comissões pagas à empresa que fornecia os cartões contendo os prêmios pelo alcance de metas, deve ser aplicado, consoante o entendimento do Superior Tribunal de Justiça acima descrito, o prazo decadencial contado nos moldes do art. 150, §4º do CTN. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.000984/200761 Acórdão n.º 1103001.112 S1C1T3 Fl. 396 12 Considerandose o prazo decadencial como sendo de 5 anos contados da ocorrência do fato gerador, o prazo para a lavratura de auto de infração venceu em 28/03/2007. Tendo em vista que os respectivos autos de infração foram lavrados apenas em 22/06/2007, não restam dúvidas quanto à ocorrência da decadência. Também no que concerne aos débitos de IRRF entendo que não merece reparo a decisão de primeiro grau porque os fatos geradores ocorridos em 12/02/2001 e 07/08/2001 foram atingidos pela decadência ainda que seja considerada a aplicação do art. 173, I do CTN (pois, nessa hipótese, o prazo teria início em 1º/01/2002 e vencimento em 1º/01/2007, mas o auto de infração foi lavrado apenas em 22/06/2007). Sendo assim, nego provimento ao recurso de ofício. Conclusão Pelas razões acima, voto por negar provimento ao recurso voluntário e ao recurso de ofício, devendo, portanto, ser mantido o acórdão proferido pela DRJ. É o meu voto. Sala das Sessões, em 25 de setembro de 2014 (assinado digitalmente) Breno Ferreira Martins Vasconcelos Relator Fl. 407DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10283.909659/2009-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005
DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM.
Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-001.535
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM. Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 96 59 /2 00 9- 02 Fl. 392DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de compensação de débitos próprios com crédito oriundo de pagamento a maior de Imposto de Importação – II e de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, com origem no período de 08/05/2001 a 12/12/2005. A compensação não foi homologada, ao fundamento de que o DARF a indicado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Alegado pela contribuinte o cometimento de um equívoco no preenchimento do DARF, os autos foram baixados em diligência pela DRJ, quando se constatou que o presente processo é conexo ao de nº 10283.007613/200604, por meio do qual se requereu a restituição do crédito que se pretende compensar. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o argumento de inexistência do direito creditório objeto do processo nº 10283.007613/200604. No prazo legal, a contribuinte apresentou recurso voluntário, cujas razões de defesa não serão relatadas em vista do que se passa a expor no voto. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP objetivando a compensação de débito próprio com crédito oriundo de pagamento indevido de II e de IPI vinculado que são objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604. Como o direito à restituição foi negado, também aqui negouse o direito à compensação. Contudo, nesta mesma sessão de julgamento consideraramse indevidas as razões adotadas pela DRF de origem, e mantidas pela instância de piso, para denegar o pedido de restituição, motivo pelo qual determinouse que os autos do processo administrativo n.º 10283.007613/200604 devem retornar à DRF para que, ultrapassada a questão decidida no julgamento, estime os valores a serem restituídos. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10283.909659/200902 Acórdão n.º 3202001.535 S3C2T2 Fl. 393 3 Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para que a DRF de origem, após a análise do direito creditório objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604, profira nova decisão quanto ao pedido de compensação. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 394DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 13807.010069/2002-88
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/1989 a 31/08/1991
Ementa:
COMPENSAÇÃO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. ENCONTRO DE CONTAS.
A lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda e do contribuinte (REsp no 1.164.452/MG e art. 62-A do RICARF).
COMPENSAÇÃO. ART. 170-A DO CTN. APLICAÇÃO NO TEMPO.
Em se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial, conforme prevê o art. 170-A do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo, introduzido pela Lei Complementar no 104/2001 (REsp no 1.164.452/MG e art. 62-A do RICARF).
HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. CONTAGEM DE PRAZO EM ANOS.
Os prazos em meses e anos expiram no dia de igual número do de início, ou no imediato, se faltar exata correspondência, conforme art. 132, § 3o do Código Civil brasileiro (Lei no 10.406/2002). Assim, uma DCOMP apresentada em 13/02/2003 só se considera homologada tacitamente em 14/02/2008.
Numero da decisão: 3403-003.595
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, para reconhecer a homologação tácita em relação ao pedido de compensação apresentado em 12/09/2002, e para, em função da unidade de jurisdição, devolver o processo à unidade preparadora, para que aplique ao caso concreto o que foi decidido em definitivo pelo Poder Judiciário, não cabendo a oposição do art. 170-A do CTN, em função de a data de propositura da ação judicial ser anterior à Lei Complementar no 104/2001 (conforme REsp no 1.164.452/MG, julgado na sistemática dos recursos repetitivos), ressalvando que tal unidade da RFB, antes de implementar a decisão judicial, deve certificar-se de que as quantias demandadas no presente processo não estejam sendo objeto de execução judicial, determinando à recorrente que apresente o respectivo pedido de desistência da execução, homologado pelo juízo. Esteve presente ao julgamento a Dra. Fabiana Carsoni A Fernandes da Silva, OAB/SP no 246.569, que desistiu do pedido de adiamento do julgamento para a sessão de março.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Fenelon Moscoso de Almeida, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/1989 a 31/08/1991 Ementa: COMPENSAÇÃO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. ENCONTRO DE CONTAS. A lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda e do contribuinte (REsp no 1.164.452/MG e art. 62-A do RICARF). COMPENSAÇÃO. ART. 170-A DO CTN. APLICAÇÃO NO TEMPO. Em se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial, conforme prevê o art. 170-A do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo, introduzido pela Lei Complementar no 104/2001 (REsp no 1.164.452/MG e art. 62-A do RICARF). HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. CONTAGEM DE PRAZO EM ANOS. Os prazos em meses e anos expiram no dia de igual número do de início, ou no imediato, se faltar exata correspondência, conforme art. 132, § 3o do Código Civil brasileiro (Lei no 10.406/2002). Assim, uma DCOMP apresentada em 13/02/2003 só se considera homologada tacitamente em 14/02/2008.
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DISTRIBUIDORA DE VEÍCULOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/1989 a 31/08/1991 UNIDADE DE JURISDIÇÃO. DECISÃO JUDICIAL DEFINITIVA. APLICAÇÃO. Conforme Súmula CARF no 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Com o trânsito em julgado do processo judicial, resta à fiscalização aplicar ao caso concreto o que foi decidido em definitivo pelo Poder Judiciário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/1989 a 31/08/1991 Ementa: COMPENSAÇÃO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. ENCONTRO DE CONTAS. A lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda e do contribuinte (REsp no 1.164.452/MG e art. 62A do RICARF). COMPENSAÇÃO. ART. 170A DO CTN. APLICAÇÃO NO TEMPO. Em se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização “antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial”, conforme prevê o art. 170A do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo, introduzido pela Lei Complementar no 104/2001 (REsp no 1.164.452/MG e art. 62A do RICARF). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 01 00 69 /2 00 2- 88 Fl. 950DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 2 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. CONTAGEM DE PRAZO EM ANOS. Os prazos em meses e anos expiram no dia de igual número do de início, ou no imediato, se faltar exata correspondência, conforme art. 132, § 3o do Código Civil brasileiro (Lei no 10.406/2002). Assim, uma DCOMP apresentada em 13/02/2003 só se considera homologada tacitamente em 14/02/2008. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, para reconhecer a homologação tácita em relação ao pedido de compensação apresentado em 12/09/2002, e para, em função da unidade de jurisdição, devolver o processo à unidade preparadora, para que aplique ao caso concreto o que foi decidido em definitivo pelo Poder Judiciário, não cabendo a oposição do art. 170A do CTN, em função de a data de propositura da ação judicial ser anterior à Lei Complementar no 104/2001 (conforme REsp no 1.164.452/MG, julgado na sistemática dos recursos repetitivos), ressalvando que tal unidade da RFB, antes de implementar a decisão judicial, deve certificarse de que as quantias demandadas no presente processo não estejam sendo objeto de execução judicial, determinando à recorrente que apresente o respectivo pedido de desistência da execução, homologado pelo juízo. Esteve presente ao julgamento a Dra. Fabiana Carsoni A Fernandes da Silva, OAB/SP no 246.569, que desistiu do pedido de adiamento do julgamento para a sessão de março. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Fenelon Moscoso de Almeida, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Relatório Versa o presente sobre Pedido de Restituição (fl. 2)1, em formulário, registrado em 23/08/2002, demandando crédito de R$ 1.730.611,68 decorrente de pagamento indevido em função de “decisão transitada em julgado nos autos da ação ordinária no 94.00109814, em trâmite perante a 14a Vara da Justiça Federal de São Paulo” (cópias da inicial às fls. 66 a 81, da contestação às fls. 179 a 184, da sentença de primeiro grau às fls. 188 a 192, da apelação da empresa às fls. 195 a 208, da apelação da União às fls. 210 a 215, das contrarrazões da empresa às fls. 219 a 223, das contrarrazões da Fazenda às fls. 224 a 226, e de decisão do TRF3 às fls. 234 a 239). A partir de 27/06/2003 (fl. 245 a 496) a empresa junta 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 951DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13807.010069/200288 Acórdão n.º 3403003.595 S3C4T3 Fl. 951 3 ainda diversas declarações de compensação vinculadas ao pedido de restituição, sendo juntados diversos processos ao presente, por apensação. No despacho decisório de fls. 609 a 616, proferido em 31/01/2008 (com ciência à empresa em 13/02/2008, cf. AR de fl. 618), dispõese que: (a) em análise do pedido de restituição fundado em ação judicial (no 94.00109814 Apelação Cível no 95.03.0686156), cumulado com as declarações de compensação listadas às fls. 601/611 (todas em formulário), verificouse que a sentença de primeiro grau julgou extinto sem julgamento de mérito o pedido de compensação, e procedente o pedido de restituição, tendo o acórdão do TRF3 reformado a decisão de piso determinando a apreciação do pedido de compensação, que passou a ser julgado procedente com determinadas restrições (para que a recorrente compensasse com COFINS, observada a prescrição decenal e a inclusão de juros à Taxa SELIC a partir de 1996); (b) em 28/03/2007 o TRF3 deu provimento à apelação da União e à remessa oficial, para afirmar prescrito o direito pleiteado pela recorrente; (c) a recorrente ingressou com recurso especial, e os autos estavam no STF, aguardando julgamento; (d) o pedido de restituição, assim, está fundado em ação que não transitou em julgado, não havendo qualquer execução em curso, sendo a última decisão proferida no processo judicial desfavorável à recorrente; e (e) com base no exposto, no art. 74 da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002, no art. 170A do CTN, e na unidade de jurisdição, cabe o indeferimento do pedido de restituição e a não homologação das compensações. A empresa apresenta manifestação de inconformidade em 25/02/2008 (fls. 739 a 759), e recurso hierárquico (fls. 638 a 657), sustentando basicamente que: (a) a ação ordinária no 94.00109814 buscava a obtenção de tutela judicial para declarar o direito da empresa à restituição do FINSOCIAL recolhido a alíquotas superiores a 0,5%, mediante compensação, ou, alternativamente, em espécie, tendo em conta o julgamento da inconstitucionalidade de tal exação pelo STF; (b) no bojo da sentença de primeiro grau proferida por determinação do TRF3 restou consignado “não se aplicar ao caso o disposto no art. 170A do CTN”; (c) previamente à análise administrativa da restituição e das declarações de compensação apresentadas, o TRF3 deu provimento à Apelação da União, entendendo que a prescrição seria quinquenal, restando prescrita a pretensão da recorrente; (d) ocorre que quando consignou tal entendimento o acórdão incorreu em erro material (declarando prescritas as parcelas anteriores a maio de 1989 quando a ação versava somente sobre parcelas de outubro de 1989 a agosto de 1991), tendo a requerente interposto recurso especial; (e) dias depois da emissão do despacho decisório administrativo, o STJ deu provimento ao recurso especial da empresa, para assegurar a repetição do indébito com obediência ao prazo de dez anos, retornando os autos ao tribunal de origem para análise das demais questões; (f) sendo o art. 170A do CTN inaplicável ao caso, os pedidos de compensação estavam pendentes de apreciação com o advento da Lei no 10.637/2002, e convolaramse em declarações de compensação para os efeitos do art. 74 da Lei no 9.430/1996; (g) não era imperioso o trânsito em julgado para que se desse a compensação, tendo sido a ação ajuizada antes da edição do art. 170A do CTN; (h) o art. 170A é inaplicável a situações em que haja reconhecimento pelo STF da inconstitucionalidade da exação, como no caso em análise; e (i) houve homologação tácita das compensações realizadas em 12/09/2002, 30/10/2002, 03/01/2003 e 13/02/2003, por ter sido a glosa fiscal concluída após 5 anos do protocolo dos respectivos pedidos, e havendo a decadência do direito de glosar e prescrição. Em 26/04/2010 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 844 a 854), no qual se acorda pela parcial procedência da manifestação de inconformidade, concluindo aquele colegiado unanimemente que: (a) o provimento judicial para afastar o art. 170A não Fl. 952DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 4 possui eficácia imediata, e não consta da parte dispositiva da sentença, sendo correto o despacho decisório ao indeferir o pedido de restituição e não homologar as compensações; (b) houve homologação tácita apenas em relação às declarações de compensação apresentadas em 30/10/2002 e 03/01/2003; (c) ao pedido de compensação efetuado em 12/09/2002, tendo em vista que não foi apreciado até 01/10/2002, aplicase o disposto no § 4o do art. 74 da Lei no 9.430/1996 (combinado com o entendimento da PGFN no Parecer PGFN/CDA/CAT no 1.499/2005), não havendo convolação em declaração de compensação, inexistindo homologação tácita; e (d) é cabível a manifestação de inconformidade em relação ao caso (ao invés de recurso hierárquico). Cientificada da decisão de piso em 08/06/2010 (AR à fl. 856), a empresa apresenta recurso voluntário em 05/07/2010 (fls. 857 a 883), reiterando os argumentos expressos na manifestação de inconformidade (no sentido de que não era imperioso o trânsito em julgado para que se desse a compensação), e acrescentando que: (a) a ação judicial estava no aguardo de julgamento do recurso extraordinário interposto pela União, cujo processamento foi sobrestado no STJ; (b) a interpretação de que deva o afastamento do art. 170A constar da parte dispositiva á precário e formalista, citando a doutrina de Humberto Theodoro Jr. E Ada Pellegrini Grinover, dado que a decisão autorizou as compensações, e efetivamente possui eficácia imediata (ademais, a questão da não aplicação ao art. 170A não foi objeto de recurso na ação judicial, não havendo suspensão da eficácia); (c) acabou, em função dos percalços na via judicial, sendo prejudicada inclusive em relação a quem demandou apenas administrativamente a repetição do indébito, em função da inconstitucionalidade reconhecida pelo STF; e (d) houve homologação tácita em relação às compensações realizadas em 12/09/2002 (porque errou a DRJ na interpretação do § 4o do art. 74 da Lei no 9.430/1996) e 13/02/2003 (porque errou a DRJ na contagem de prazo), repetindo ainda as disposições sobre decadência para a glosa e prescrição expressas na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Restam contenciosos, após a decisão de piso: (a) a preliminar de homologação tácita (ou ainda de decadência ou mesmo prescrição) em relação ao pedido de compensação de 12/09/2002 e à declaração de compensação de 13/02/2003; e (b) a apreciação do mérito do cabimento do pedido de restituição, em face do art. 170A do CTN e da demanda judicial pleiteada. Antes de seguir na análise, contudo, cabe verificar objetivamente qual a afetação da ação judicial sobre o presente processo administrativo de restituição/compensação, e eventual evolução da análise da ação judicial. Fl. 953DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13807.010069/200288 Acórdão n.º 3403003.595 S3C4T3 Fl. 952 5 Da ação judicial, e sua relação com o processo administrativo de restituição/compensação A demanda judicial, conforme inicial de fls. 66 a 81, proposta ainda em 1994, objetivava (fls. 80/81): Pedese então judicialmente o direito à restituição e à compensação com débitos de COFINS (restituição em espécie como pedido alternativo). Demandase ainda correção monetária com índices que reflitam a perda do poder aquisitivo em termos reais. A sentença de primeiro grau, proferida em 24/02/1995 (fls. 188 a 192) apreciou somente a repetição, dando razão à empresa, e fixando os índices de correção: Fl. 954DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 6 A matéria foi submetida ao TRF da 3a Região, que decidiu, em 14/03/2001 (fls. 234 a 239), não haver incongruência entre os pedidos sucessivos de compensação e repetição, devolvendo o processo à análise da instância de piso para apreciação de ambos os pedidos: É nesse cenário que a empresa apresenta, em 23/08/2002, seu pedido de restituição de fl. 2, informando que o crédito deriva de “decisão transitada em julgado nos autos da ação ordinária no 94.00109814, em trâmite perante a 14a Vara da Justiça Federal de São Paulo”. De fato, a ação não havia transitado em julgado. A segunda sentença de piso é proferida em dezembro de 2002 (já na vigência do art. 170A do CTN), acolhendo a demanda pela compensação: “Mantenho a decisão de fl. 144 por seus próprios fundamentos. I. Segue sentença em separado. Vistos etc.(...) e Sadive S/A Distribuidora de Veículos, qualificadas na inicial, propuseram ação, sob o rito ordinário, contra a União Federal, objetivando Fl. 955DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13807.010069/200288 Acórdão n.º 3403003.595 S3C4T3 Fl. 953 7 a declaração de existência de relação jurídica que assegure o reconhecimento pela ré de seu direito de efetuarem a compensação das quantias pagas indevidamente a título de contribuição ao FINSOCIAL, a alíquotas superiores a 0,5% (meio por cento), com prestações relativas à contribuição instituída pela Lei Complementar no 70/91, com correção monetária desde o pagamento indevido, por índices que reflitam a perda do poder aquisitivo da moeda em termos reais. Alternativamente, caso seja negada a compensação, requerem as autoras a repetição em dinheiro (fls. 03/18). Isto posto: (...) em relação à autora SADIVE S/A DISTRIBUIDORA DE VEÍCULOS, JULGO PROCEDENTE a ação, pelo que DECLARO A EXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICA que fundamente o direito dessa autora à compensação das quantias pagas indevidamente a título da extinta contribuição ao FINSOCIAL à alíquota superior de 0,5% (meio por cento)P.R.I.” (disponível em: http://www.jfsp.jus.br/forunsfederais/, acesso em 11.fev.2015) (houve embargos, acolhidos, para tratar de custas antecipadas e honorários) A partir de tal decisão a empresa começa a apresentar um pedido (fl. 303) e diversas declarações de compensação, listados às fls. 610/611 do despacho decisório. Enquanto pendiam de análise os pedidos e as declarações apresentados administrativamente, os autos da ação judicial retornaram ao TRF da 3a Região, que proferiu o seguinte acórdão, em 28/03/2007: “INEXIGIBILIDADE DO FINSOCIAL. DECRETOLEI 1.940/82. AUMENTO DE ALÍQUOTA. LEI 7.689/88 E SEGUINTES. COMPENSAÇÃO. 1. Quando o Tribunal determinou que o juízo de primeiro grau modificasse seu entendimento, anulou a sentença proferida. E, no momento em que outra sentença é proferida, todas as questões devem ser analisadas de novo, inclusive à relativa à existência do indébito, que, em verdade, é prejudicial à análise da possibilidade de ser compensar algo. 2. A especificação dos índices de correção monetária é decorrência do pedido de compensação, que é efetuado pelo contribuinte independente de execução do julgado e, neste caso, antes do trânsito em julgado da decisão. 3. O Supremo Tribunal Federal concluiu pela inconstitucionalidade do artigo 9o da Lei 7.689/88, que se refere ao FINSOCIAL instituído pelo Decretolei 1.940/82, incidente sobre o faturamento das empresas. (...) 6. O artigo 168 do Código Tributário Nacional estabelece o prazo de 5 (cinco) anos para a extinção do direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo pago indevidamente ou a maior e determina a contagem a partir da data da extinção Fl. 956DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 8 do crédito tributário, ou seja, do pagamento, inclusive daqueles tributos sujeitos a lançamento por homologação. 7. Preliminares rejeitadas. Apelação da União Federal e remessa oficial providas. Apelação das autoras desprovida e em parte prejudicada.” (disponível em: http://web.trf3.jus.br/consultas/Internet/ConsultaProcessual/Pro cesso?numeroProcesso=00109811519944036100, acesso em 11.fev.2015) Em face do acórdão, a empresa interpôs recurso especial (REsp no 1.008.305/SP) em 09/05/2007 (fls. 722 a 731). É nesse contexto que é proferido, em 31/01/2008 (fl. 616), o despacho decisório, cientificado ao sujeito passivo em 13/02/2008 (cf. AR de fl. 618). Não havia, na ocasião, provimento judicial vigente que amparasse o direito de crédito. E a discussão sobre o direito de crédito estava inegavelmente submetida ao Poder Judiciário. Daí o despacho decisório mencionar (fl. 613) que: Como afirma a recorrente, dias depois da emissão do despacho decisório administrativo (mais precisamente em 19/02/2008), o STJ deu provimento ao recurso especial da empresa, para assegurar a repetição do indébito com obediência ao prazo de dez anos, retornando os autos ao tribunal de origem para análise das demais questões (fl. 738): Contra a decisão do STJ a Fazenda interpôs Recurso Extraordinário, tendo sido determinado o sobrestamento por despacho de 17/04/2008 (publicado em 30/04/2008), em função do art. 543B, § 1o do CPC, até o pronunciamento definitivo do STF no RE no 561.908/RS. Nesse estágio se encontrava o processo judicial quando da apreciação pela DRJ, em 26/04/2010. Assim, discordase do entendimento do julgador de piso em relação à apreciação do mérito, pois este acabou julgando matéria submetida ao Poder Judiciário, ferindo a unidade de jurisdição. Mas se compreende que o não reconhecimento da concomitância é compatível com a linha da decisão da DRJ, de que ainda que houvesse decisão judicial Fl. 957DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13807.010069/200288 Acórdão n.º 3403003.595 S3C4T3 Fl. 954 9 posterior, ela não permitiria a compensação, em face da vedação imposta no art. 170A. No que se refere a eventual homologação tácita, acordase que era cabível a análise, porque a matéria não estava submetida ao crivo do Poder Judiciário. Após o julgamento da DRJ e a interposição do recurso voluntário administrativo, a ação judicial seguiu trâmite. Em decisão de 19/03/2012 (publicado em 02/04/2012), o Ministro Félix Fischer, em função do julgamento do RE no 566.621/RS, que reconheceu a inconstitucionalidade do art. 4o, segunda parte, da Lei Complementar no 118/2005, considerando válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias (09/06/2005), julgou prejudicado o Recurso Extraordinário interposto pela União. A nova decisão do TRF da 3a Região é proferida em 03/07/2013 (publicação em 22/07/2013), basicamente mantendo a sentença de primeiro grau: “Decido. O feito comporta julgamento nos termos do artigo 557 do Código de Processo Civil. O acórdão recorrido já analisou a legislação impugnada, pelo que passo a analisar a questão da correção monetária. Quanto à correção do indébito, é entendimento jurisprudencial tranquilo, exaustivamente afirmado por esta Terceira Turma, que ela não implica em penalidade nem em acréscimo ao montante a ser restituído, mas é tãosomente a reconstituição do valor da moeda, devendo ser procedida pelos índices para tanto pacificamente aceitos pela jurisprudência, por melhor refletirem a altíssima inflação de certos períodos no país. Tal entendimento é aplicável também à compensação de indébitos tributários. Registrese que devem ser considerados, para o cômputo da correção monetária, os índices estabelecidos nos Provimentos 24, de 29 de abril de 1997,26, de 10 de setembro de 2001, e64, de 28 de abril de 2005, todos da CorregedoriaGeral da Justiça Federal da 3ª Região, que adotaram os critérios fixados nos Manuais de Orientação de Procedimentos para os Cálculos da Justiça Federal, então aprovados pelo Conselho da Justiça Federal, com a inclusão dos expurgos inflacionários ali previstos. Saliento que o artigo 167 do Código Tributário Nacional não é aplicado, pois se restringe à repetição do indébito, no entendimento firmado por esta Turma. E, ainda que se entendesse de maneira diferente, os juros incidiriam somente a partir do trânsito em julgado até a edição da Lei que instituiu a taxa SELIC, lei específica a regular o tema. Como neste caso o trânsito em julgado ocorrerá em data posterior a janeiro de 1996, o percentual previsto no artigo 167 do CTN não incidiria de qualquer maneira. Fl. 958DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 10 Verifico, no entanto, que em relação à matéria aqui analisada é caso de não conhecer do apelo da impetrante, por falta de interesse em recorrer, na medida em que a sentença de primeiro grau já determinou a aplicação dos índices previstos no Provimento 26, além da SELIC, o qual contempla a correção plena (índices expurgados), como pretendido pela autoria. Com relação à sucumbência, fica mantida a condenação da União ao pagamento de honorários, tal como fixados na sentença. Ante o exposto, no tocante à matéria aqui analisada não conheço da apelação da impetrante quanto aos índices de correção monetária mantendose a sentença nesse aspecto, com fundamento no artigo 557 do CPC.” Após embargos da empresa, acolhidos, decide o TRF3, em 08/08/2013 (publicado em 19/08/2013) que: “De fato, a decisão monocrática que examinou os critérios de correção monetária de indébito (deixando de conhecer da apelação da autora quanto a este aspecto), omitiuse na parte dispositiva quanto à remessa necessária e a apelação fazendária. Ante o exposto, dou provimento aos embargos interpostos pela autora, para suprir a omissão, acrescentando ao dispositivo da decisão de fls. 429/431 que se nega provimento à apelação fazendária e à remessa oficial. Publiquese. Intimemse. Após o decurso do prazo, baixem os autos à vara de origem.” (grifos no original) O trânsito em julgado ocorre em 16/09/2013, conforme se atesta no sítio web do Tribunal Regional Federal da 3a Região (http://web.trf3.jus.br/consultas/Internet/ConsultaProcessual/Processo?numeroProcesso=00109 811519944036100). Retornado o processo à seção de origem, em 18/09/2013, há despacho de 03/10/2013 determinando a execução da sentença: “DESPACHO/DECISÃO. DETERMINADA A EXECUCAO DE SENTENCA/ACÓRDÃO. Complemento Livre: Exeq: SADIVE S/A DISTRIBUIDORA DE VEICULOS X Exec: UNIAO FEDERAL Despacho n:440”. Foi, na sequência, expedido ofício requisitório em nome da recorrente (SADIVE), no tocante à verba honorária, em 21/01/2014 (publicação em 28/01/2014), com requisição de pagamento de precatório expedida em 14/05/2014, e remetida ao TRF em 28/05/2014. Em 26/08/2014 consta a última movimentação disponível no sítio web da Justiça Federal de São Paulo: “SUSPENSAO/SOBRESTAMENTO POR DECISAO JUDICIAL conf. Guia n.114/2014 (14a. Vara) (em Secretaria)” Ao que parece, a execução só repousa sobre honorários. Mas não há conclusividade nos autos judiciais disponíveis na web de modo a permitir com certeza que a empresa não demande (ou não venha a demandar) judicialmente as quantias que está a solicitar administrativamente. Fl. 959DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13807.010069/200288 Acórdão n.º 3403003.595 S3C4T3 Fl. 955 11 No entanto, uma coisa é certa: com o trânsito em julgado, a empresa tem direito ao crédito, e na forma assegurada pelo Poder Judiciário, em função da unidade de jurisdição. E o art. 170A não se aplica ao caso em análise, pois a data da propositura da ação judicial (no ano de 1994) é certamente anterior à Lei Complementar no 104/2001. Tal entendimento é vinculante para este colegiado, conforme art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF no 256/2009 (com a redação dada pela Portaria MF no 586/2010), por força da decisão proferida no REsp no 1.164.452/MG (na sistemática dos recursos repetitivos): “TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEI APLICÁVEL. VEDAÇÃO DO ART. 170A DO CTN. INAPLICABILIDADE A DEMANDA ANTERIOR À LC 104/2001. 1. A lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda e do contribuinte. Precedentes. 2. Em se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização "antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", conforme prevê o art. 170A do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo, introduzido pela LC 104/2001. Precedentes. 3. Recurso especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08.” 2 (grifos nossos) A matéria é inclusive relacionada pela PGFN no quadro anexo à Nota Conjunta PGFN/CRJ no 1.114/2012, que orienta os procedimentos da RFB, delimitando da seguinte forma o julgado: “DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: o entendimento do STJ se consolidou no sentido de que se aplica à compensação tributária a lei vigente na data do encontro de contas entre os créditos e débitos recíprocos de contribuinte e Fisco. A definição do momento em que ocorre o encontro de contas está estabelecida no Parecer PGFN/CAT 2093/2011. Neste parecer ficou definido que o encontro de contas dáse no momento em que o contribuinte apresenta a declaração de compensação (DECOMP). Destaquese que é possível realizar a compensação antes do trânsito em julgado nos casos de ações ajuizadas antes da vigência da LC 104/2001.” (disponível em http://idg.receita.fazenda.gov.br/acesso rapido/legislacao/decisoesvinculantesdostfedostj repercussaogeralerecursosrepetitivos/arquivose imagens/nota_pgfn_crj_n_1114_2012.pdf; acesso em 11.fev.2015) 2 REsp 1.164.452MG, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, unânime, julgado em 25.ago.2010. Fl. 960DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 12 Vejase que neste mesmo julgamento vinculante do STJ são decididas duas matérias de extrema relevância à análise do presente caso. A primeira já foi aqui tratada: a inaplicabilidade do art. 170A do CTN. E a segunda trata da legislação que rege as compensações, que é a vigente na data de registro/transmissão das declarações de compensação (recordando que o pedido de compensação foi transmitido em 12/09/2002 e as declarações de compensação, de 30/10/2002 a 20/02/2004). Afastada a questão referente à necessidade de trânsito em julgado, e havendo decisão judicial assegurando o crédito (hoje sim já com trânsito em julgado), nos termos e com os índices de correção nela estabelecidos, cabe à fiscalização aplicar administrativamente o que ficou judicialmente decidido, com a ressalva de que, antes de tal aplicação, deve ser atestado o cumprimento da legislação que regia as compensações ao tempo de seu registro. Assim, reconhecese que houve identidade de objeto entre a demanda administrativa e a demanda judicial, nos termos da Súmula CARF no 1: “Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” (grifo nosso) Mas, por outro lado, com o trânsito em julgado da ação judicial, resta à fiscalização implementála, em seus estritos termos, apenas tomando as devidas cautelas para que o crédito não seja objeto de dupla restituição (na via administrativa e na via judicial), e para que seja sempre respeitada a legislação vigente ao tempo das compensações. A Lei no 9.430/1996, em seu art. 74, § 4o, na redação dada pela Lei no 10.637/2002 (arts. 49 e 68, I) estabeleceu que os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa em 01/10/2002 serão considerados declaração de compensação, desde seu protocolo, para os efeitos previstos no artigo. E não fez nenhuma ressalva como a estabelecida na decisão da DRJ, derivada de Parecer PGFN que reflete entendimento superado em virtude do aqui exposto sobre a decisão do STJ na sistemática dos recursos repetitivos. Não se pode negar a conversão do pedido em declaração de compensação em função de a ação judicial (proposta antes da Lei Complementar no 104/2001) ainda não ter trânsito em julgado. Assim, o pedido de compensação datado de 12/09/2002, ainda não analisado em 01/10/2002, nesta data passou a constituir declaração de compensação. Às declarações de compensação (expurgadas aquelas já reconhecidas como tacitamente homologadas, pela DRJ, datadas de 30/10/2002 e 03/01/2003) registradas entre 13/02/2003 e 28/10/2003, aplicase o art. 74 da Lei no 9.430/1996, na redação dada pela Lei no 10.637/2002 (vigente de 01/10/2002 a 30/10/2003, reiterandose que deve ser relevada, como exposto, a inexistência de trânsito em julgado da ação judicial): "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e Fl. 961DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13807.010069/200288 Acórdão n.º 3403003.595 S3C4T3 Fl. 956 13 contribuições administrados por aquele Órgão. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. § 5o A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo."(NR) (grifo nosso) (a disciplina da SRF, à época, constava na IN SRF no 210/2002) Às declarações de compensação registradas entre 11/11/2003 e 20/02/2004 (data da última DCOMP que consta nos autos), aplicase o art. 74 da Lei no 9.430/1996, na redação dada pela Lei no 10.833/2003 (vigente a partir de 31/10/2003, ainda se relevando a questão referente ao trânsito em julgado): “Art. 74. (...) (...) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. § 8o Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7o, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9o. (...)” (NR) (grifo nosso) Isto posto, entendo que no presente processo, em função da unidade de jurisdição, incumbe à fiscalização aplicar ao caso concreto o que foi decidido em definitivo pelo Poder Judiciário, não cabendo a oposição do art. 170A, em função de a data de propositura da ação judicial ser anterior à Lei Complementar no 104/2001 (conforme REsp no 1.164.452/MG, julgado na sistemática dos recursos repetitivos). Fl. 962DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 14 Contudo, cabe a ressalva de que a unidade local deve certificarse, antes de implementar a decisão judicial, de que as quantias demandadas no presente processo não estejam sendo objeto de execução judicial, determinando à recorrente que apresente o respectivo pedido de desistência da execução, homologado pelo juízo. Resta analisar, assim, a única matéria não submetida a juízo, referente à homologação tácita (ou ainda decadência/prescrição) em relação ao pedido de compensação apresentado em 12/09/2002 e às declarações de compensação apresentadas em 13/02/2003. Da homologação tácita A DRJ reconheceu a homologação tácita em relação às declarações de compensação registradas em 30/10/2002 e 03/01/2003, aplicando a homologação tácita prevista na redação do § 5o do art. 74 da Lei no 9.430/1996, na redação dada pela Lei no 10.833/2003 (reproduzido ao final do tópico anterior deste voto). A recorrente sustenta que houve ainda homologação tácita em relação às compensações realizadas em 12/09/2002 (porque errou a DRJ na interpretação do § 4o do art. 74 da Lei no 9.430/1996) e 13/02/2003 (porque errou a DRJ na contagem de prazo), trazendo argumentos adicionais a respeito de decadência e prescrição (não aplicáveis ao caso concreto, que não trata efetivamente de lançamento dos débitos em aberto, mas de análise dos créditos demandados). O erro na leitura do § 4o do art. 74 da Lei no 9.430/1996 pela DRJ já foi atestado, também no tópico anterior, e foi causado pela inclusão indevida do art. 170A na discussão. Ademais, efetivamente o § 4o, como visto, não efetua a restrição observada pela DRJ, que só veio a ser inserida na norma dezembro de 2004, pela Lei no 11.051/2004. Assim, o pedido efetivamente convertese em declaração de compensação, tendo ocorrido a homologação tácita. Em relação às DCOMP apresentadas em 13/02/2003, a discussão reside na contagem do prazo decadencial, visto que é inequívoco que a ciência do despacho decisório se deu em 13/02/2008. Contando o prazo de cinco anos a partir da data da entrega da compensação (as partes não divergem de que o termo inicial é 13/02/2003), a DRJ chegou a 13/02/2008, e a recorrente chegou a 12/02/2008. E a divergência na contagem obviamente influencia a acolhida ou não do argumento de homologação tácita em relação às DCOMP apresentadas em 13/02/2003. Aqui assiste razão à DRJ, que parece ter acompanhado o art. 132, § 3o do Código Civil brasileiro (Lei no 10.406/2002), no sentido de que “os prazos em meses e anos expiram no dia de igual número do de início, ou no imediato, se faltar exata correspondência”. Assim, a contagem de cinco anos iniciada em 13/02/2003 encerra em 13/02/2008, não tendo ocorrido homologação tácita em relação às DCOMP apresentadas em 13/02/2003. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, para reconhecer a homologação tácita em relação ao pedido de compensação apresentado em 12/09/2002, e para, em função da unidade de jurisdição, Fl. 963DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13807.010069/200288 Acórdão n.º 3403003.595 S3C4T3 Fl. 957 15 devolver o processo à unidade preparadora, para que aplique ao caso concreto o que foi decidido em definitivo pelo Poder Judiciário, não cabendo a oposição do art. 170A do CTN, em função de a data de propositura da ação judicial ser anterior à Lei Complementar no 104/2001 (conforme REsp no 1.164.452/MG, julgado na sistemática dos recursos repetitivos), ressalvando que tal unidade da RFB, antes de implementar a decisão judicial, deve certificarse de que as quantias demandadas no presente processo não estejam sendo objeto de execução judicial, determinando à recorrente que apresente o respectivo pedido de desistência da execução, homologado pelo juízo. Rosaldo Trevisan Fl. 964DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 16327.720694/2012-02
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3403-000.514
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, sobrestar o julgamento do recurso voluntário até que sobrevenha decisão definitiva do STF no RE nº 609.096. Vencido o Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, que votou no sentido de julgar o mérito do recurso. Sustentou pela recorrente o Dr. Maucir Fregonesi Júnior. OAB/SP nº 142.393.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, sobrestar o julgamento do recurso voluntário até que sobrevenha decisão definitiva do STF no RE nº 609.096. Vencido o Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, que votou no sentido de julgar o mérito do recurso. Sustentou pela recorrente o Dr. Maucir Fregonesi Júnior. OAB/SP nº 142.393. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase recurso voluntário visando modificar a decisão de piso que manteve intacto o lançamento do crédito tributário referente Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2010, base de cálculo em inconstitucionalidade do 1º do art. 3º da lei nº 9.718/98. A atividade da recorrente é o setor financeiro, razão pela qual o debate se refere às receitas oriundas da totalidade das atividades desempenhadas. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .7 20 69 4/ 20 12 -0 2 Fl. 677DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 16327.720694/201202 Resolução nº 3403000.514 S3C4T3 Fl. 5 2 Sustenta a fiscalização que, no período fiscalizado, a contribuinte recolheu o PIS e a COFINS somente sobre as receitas de prestação de serviços escrituradas na conta Cosif nº 7.1.7.00.00.9, devendo ser constituídos de ofício os créditos tributários relativos às demais receitas operacionais não tributadas A sustentação contrária ao Fisco é de que a receita proveniente da atividade financeira não se classifica como receitas a fazer incidir as contribuições sociais, PIS e COFINS. Contrariamente ao entendimento da Recorrente, assevera o Fisco: “As receitas operacionais decorrentes das atividades do setor financeiro (serviços bancários e intermediação financeira) são classificadas como receitas de serviços para fins tributários, estando sujeitas à incidência da Cofins na forma dos artigos 2º e 3º da Lei nº 9.718/98. A declaração de inconstitucionalidade, pelo Poder Judiciário, do §1º do art. 3º dessa Lei afasta a incidência da contribuição em relação às receitas não operacionais”. No caso houve recolhimento do PIS e COFINS somente sobre as receitas de prestação de serviços escrituradas na conta Cosif nº 7.1.7.00.00.9, motivo pelo qual foi lavrado o auto de infração para constituir o crédito tributário sobre o total das receitas, que no entendimento da fiscalização deve incidir sobre as demais receitas operacionais. Assevera a Recorrente que submeteu apenas as receitas decorrentes da prestação de serviços pelo simples fato de possuir, em seu favor, decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal, transitada em julgado, nos autos do Recurso Extraordinário nº 405.5686, que lhe assegura o recolhimento de tais exações tãosomente sobre as receitas decorrentes das vendas de bens e prestação de serviços, nos termos do art. 2º da Lei Complementar n. 70/91, traz à colação o excerto da decisão: “Certo é que citada majoração há de ser observada, entretanto, tendo em consideração a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. É dizer, a majoração da alíquota ocorrerá, apenas, relativamente às bases de cálculo inscritas no art. 2º da Lei Complementar 70, de 1991”. Diz que obteve provimento judicial, ainda, em caráter liminar sobre a matéria: “... o Recorrente impetra Mandado de Segurança (Processo n. 99.00223080) em 22/09/1999, em face do Delegado da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro – Delegacia Especial das Instituições Financeiras, objetivando recolher as contribuições devidas ao PIS e a COFINS sem as modificações trazidas pela Lei 9.718/98, ou melhor, na forma das Leis Complementares nº 07/70 e 70/91. Obteve êxito logo em sede de liminar, sendo lhe autorizado que procedesse ao recolhimento das contribuições tãosomente sobre as receitas decorrentes da prestação de serviços, o que garantiu a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários decorrentes”. Fl. 678DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 16327.720694/201202 Resolução nº 3403000.514 S3C4T3 Fl. 6 3 Assegura que ordem foi concedida nos termos: “Assente na doutrina e na jurisprudência das Cortes Superiores o conceito de faturamento – receita bruta proveniente das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, expressamente declinado na norma instituidora da COFINS (LC 70/91, art. 2º) e adotado para efeitos da contribuição para o PIS, não poderia a lei 9.718/98, ao arrepio dos artigos 108, § 1º e 110 do Código Tributário Nacional, ampliálo, nele incluindo as demais receitas procedentes de outras fontes, desbordando da definição consagrada na sede normativa das duas contribuições e, em agravante, da previsão constitucional do art. 195, I, na redação anterior à EC 20/98.” Dessa decisão houve Embargos de Declaração, cujo resultado segue: “ISTO POSTO, declarando incidenter tantum à inconstitucionalidade dos artigos 3º, 8º e 17 da lei 9.718, de 27/11/1998, CONCEDO a SEGURANÇA, retificando a liminar deferida às fls. 46, para que os impetrantes continuem recolhendo o PIS e a COFINS de acordo com a sistemática prevista na Lei 9.701/98, até 31 de dezembro de 1999 (ADCT, art. 72, V) e, posteriormente, na Lei Complementar 07/70 e na Lei Complementar 70/91, abstendose a autoridade impetrada de qualquer medida coercitiva correlacionada, mantido o poder fiscalizatório quanto à exatidão dos valores”. Alega impertinência da aplicação da multa de ofício por possuir decisão judicial favorável quanto à matéria debatida. Assim, como sustenta que a exigência ofende a coisa julgada. Apresentado recurso de apelação pela União Federal, restou provido. Dessa decisão a Interessada interpôs Recurso Extraordinário, tomou o número 405.5686. É o relatório. Voto A matéria trazida neste caderno processual administrativo remete a discussão da extensão do alcance da exação sobre as receitas das Instituições Financeiras, nesse ponto essa Turma vem entendendo que esse assunto encontra em repercussão geral perante o Supremo Tribunal Federal, motivo pelo qual tem sobrestado o feito até o desfecho perante aquela corte. Parece necessário, em razão disso, concluir que a presente discussão encontrase retratada e abrangida pela Repercussão Geral reconhecida pelo STF no Recurso Extraordinário 609.096, como Tema nº 372, com a descrição “a) Exigibilidade do PIS e da COFINS sobre as receitas financeiras das instituições financeiras; b) Exigência de reserva de plenário para as situações em que se afasta a incidência do disposto no art. 3º, §§ 5º e 6º, da Lei nº 9.718/1998”. Entendo que a questão em discussão neste recurso foi abrangida pelo referido Tema em Repercussão Geral, devendo haver o sobrestamento do julgamento, em razão do Fl. 679DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 16327.720694/201202 Resolução nº 3403000.514 S3C4T3 Fl. 7 4 disposto no parágrafo 1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF, o qual prevê que “Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B”. Assim, deve ser aplicado neste caso o disposto no art. 62A do RICARF, sobrestandose o julgamento até que sobrevenha o julgamento final pelo STF da Repercussão Geral reconhecida no RE nº 609.096. Em sendo assim, voto no sentido de converter o julgamento em diligência no sentido de aguardar o pronunciamento do assunto pelo Supremo Tribunal Federal. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 680DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO
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Numero do processo: 10840.904896/2011-21
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. NÃO CABIMENTO.
Não caracteriza cerceamento do direito de defesa, logo não é passível de declaração de nulidade, a decisão de primeira instância administrativa que não apreciou matéria não contestada expressamente na manifestação de inconformidade.
NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO.
Gastos com bens e serviços não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas.
REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL.
No cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não-cumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, no valor da receita bruta total incluem-se as receitas da vendas de bens e serviços e todas as demais receitas, inclusive as financeiras.
NÃO-CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÕES NÃO TRIBUTADAS.
Aquisições de bens que não sofreram cobrança da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não dão direito a crédito destas contribuições.
VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO DA DECISÃO DO STF.
A reprodução de decisão do STF em julgamento na sistemática do recurso repetitivo, que baseou-se no entendimento de que a receita originada da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos é considerada receita decorrente de exportação, implica considerar tal receita como receita de mercado externo, devendo ser incluída, no cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não-cumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, como receita de exportação e como receita bruta total, acrescendo tanto o numerador quanto o denominador da rateio.
ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTES. INCIDÊNCIA CUMULATIVA DA CONTRIBUIÇÃO.
A receita de venda de álcool para fins carburantes não pode ser incluída no cálculo de receitas de exportação para apuração da relação percentual a ser aplicada à soma dos gastos que dão direito a crédito presumido mercado externo, porque se enquadra no regime não-cumulativo de apuração.
DEPRECIAÇÃO. ATIVO PERMANENTE. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. COLHEITA E TRANSPORTE DE CANA-DE-AÇÚCAR.
A não-ocorrência de produção de bens e serviços destinados à venda em um período de apuração não exclui a possibilidade de os gastos de empresa de produção de açúcar e álcool com depreciação de máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na colheita e no transporte de cana-de-açúcar gerarem direito a créditos da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas, atendidas as demais condições.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
Quem alega um direito deve provar os fatos em que ele se fundamenta.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3801-004.625
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso em relação à preliminar suscitada de nulidade da decisão da DRJ; II) Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar as exclusões no cálculo dos gastos que dão direito ao crédito presumido dos valores referentes às aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados em máquinas e equipamentos empregados no corte e carregamento de cana-de-açúcar, desde que nas aquisições tenha ocorrido a cobrança da contribuição social, e dos encargos com depreciação dos veículos e equipamentos utilizados no transporte e na colheita de cana-de-açúcar, e incluir os valores das variações cambiais decorrentes de operações de exportação como receita de mercado externo e, no cálculo do rateio proporcional, no numerador e no denominador; III) Pelo voto de qualidade, negar provimento em relação as demais matérias. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso em face das demais matérias.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Shcappo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. NÃO CABIMENTO. Não caracteriza cerceamento do direito de defesa, logo não é passível de declaração de nulidade, a decisão de primeira instância administrativa que não apreciou matéria não contestada expressamente na manifestação de inconformidade. NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO. Gastos com bens e serviços não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. No cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não-cumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, no valor da receita bruta total incluem-se as receitas da vendas de bens e serviços e todas as demais receitas, inclusive as financeiras. NÃO-CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÕES NÃO TRIBUTADAS. Aquisições de bens que não sofreram cobrança da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não dão direito a crédito destas contribuições. VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO DA DECISÃO DO STF. A reprodução de decisão do STF em julgamento na sistemática do recurso repetitivo, que baseou-se no entendimento de que a receita originada da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos é considerada receita decorrente de exportação, implica considerar tal receita como receita de mercado externo, devendo ser incluída, no cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não-cumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, como receita de exportação e como receita bruta total, acrescendo tanto o numerador quanto o denominador da rateio. ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTES. INCIDÊNCIA CUMULATIVA DA CONTRIBUIÇÃO. A receita de venda de álcool para fins carburantes não pode ser incluída no cálculo de receitas de exportação para apuração da relação percentual a ser aplicada à soma dos gastos que dão direito a crédito presumido mercado externo, porque se enquadra no regime não-cumulativo de apuração. DEPRECIAÇÃO. ATIVO PERMANENTE. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. COLHEITA E TRANSPORTE DE CANA-DE-AÇÚCAR. A não-ocorrência de produção de bens e serviços destinados à venda em um período de apuração não exclui a possibilidade de os gastos de empresa de produção de açúcar e álcool com depreciação de máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na colheita e no transporte de cana-de-açúcar gerarem direito a créditos da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas, atendidas as demais condições. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. Quem alega um direito deve provar os fatos em que ele se fundamenta. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. NÃO CABIMENTO. Não caracteriza cerceamento do direito de defesa, logo não é passível de declaração de nulidade, a decisão de primeira instância administrativa que não apreciou matéria não contestada expressamente na manifestação de inconformidade. NÃOCUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO. Gastos com bens e serviços não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. No cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da nãocumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, no valor da receita bruta total incluemse as receitas da vendas de bens e serviços e todas as demais receitas, inclusive as financeiras. NÃOCUMULATIVIDADE. AQUISIÇÕES NÃO TRIBUTADAS. Aquisições de bens que não sofreram cobrança da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não dão direito a crédito destas contribuições. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 48 96 /2 01 1- 21 Fl. 172DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904896/201121 Acórdão n.º 3801004.625 S3TE01 Fl. 3 2 VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO DA DECISÃO DO STF. A reprodução de decisão do STF em julgamento na sistemática do recurso repetitivo, que baseouse no entendimento de que a receita originada da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos é considerada receita decorrente de exportação, implica considerar tal receita como receita de mercado externo, devendo ser incluída, no cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da nãocumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, como receita de exportação e como receita bruta total, acrescendo tanto o numerador quanto o denominador da rateio. ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTES. INCIDÊNCIA CUMULATIVA DA CONTRIBUIÇÃO. A receita de venda de álcool para fins carburantes não pode ser incluída no cálculo de receitas de exportação para apuração da relação percentual a ser aplicada à soma dos gastos que dão direito a crédito presumido mercado externo, porque se enquadra no regime nãocumulativo de apuração. DEPRECIAÇÃO. ATIVO PERMANENTE. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. COLHEITA E TRANSPORTE DE CANADE AÇÚCAR. A nãoocorrência de produção de bens e serviços destinados à venda em um período de apuração não exclui a possibilidade de os gastos de empresa de produção de açúcar e álcool com depreciação de máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na colheita e no transporte de canadeaçúcar gerarem direito a créditos da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas, atendidas as demais condições. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. Quem alega um direito deve provar os fatos em que ele se fundamenta. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso em relação à preliminar suscitada de nulidade da decisão da DRJ; II) Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar as exclusões no cálculo dos gastos que dão direito ao crédito presumido dos valores referentes às aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados em máquinas e equipamentos empregados no corte e carregamento de canadeaçúcar, desde que nas aquisições tenha ocorrido a cobrança Fl. 173DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904896/201121 Acórdão n.º 3801004.625 S3TE01 Fl. 4 3 da contribuição social, e dos encargos com depreciação dos veículos e equipamentos utilizados no transporte e na colheita de canadeaçúcar, e incluir os valores das variações cambiais decorrentes de operações de exportação como receita de mercado externo e, no cálculo do rateio proporcional, no numerador e no denominador; III) Pelo voto de qualidade, negar provimento em relação as demais matérias. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso em face das demais matérias. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Shcappo. Relatório Adoto o relatório do acórdão recorrido, por retratar suficientemente a lide. “A interessada pleiteia, por meio de Declaração de Compensação, o crédito relativo à COFINS, mercado externo, do primeiro trimestre de 2007, apurado de conformidade com o art.3° da Lei n° 10.833/2003, que após a dedução com a COFINS devida, nos termos do art. 6°, §1°, Inciso I da mesma Lei, resultou, segundo entendimento da empresa, em um remanescente a compensar de 250.564,60. O Serviço de Fiscalização, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto procedeu à fiscalização e por meio do Relatório da Ação Fiscal (fls. 35/53), constatou as seguintes incorreções: 1 – utilização incorreta de receitas na apuração do rateio dos custos, despesas e encargos vinculados às receitas cumulativas e não cumulativas; 2 – aquisição de canadeaçúcar em desacordo com a legislação de contribuinte pessoa física e jurídica; 3 – bens não incluídos no conceito de insumos: Combustíveis e Lubrificantes utilizados nos veículos para cultivo e transporte de canadeaçúcar; desconto de créditos sobre os valores das aquisições de Óleo Diesel tributado à alíquota zero; Fl. 174DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904896/201121 Acórdão n.º 3801004.625 S3TE01 Fl. 5 4 Lubrificantes; Mercadorias e Serviços não aplicados no sistema produtivo da empresa; 4 Despesas de Fretes e Armazenagem de Mercadorias/Produtos, sem apresentar os documentos hábeis e idôneos (notas fiscais) para ter direito ao respectivo crédito: Com relação aos valores registrados sob os títulos “ARMAZENAGEM E OPERAÇÃO PORTUÁRIA” e “ARMAZENAGEM NO TERMINAL PORTUÁRIO” a empresa não apresentou documentos hábeis e idôneos (notas fiscais) para ter direito ao desconto do respectivo crédito. Foram apresentados apenas Recibos emitidos pelo prestador de serviço. 5 Créditos apurados sobre as Despesas de Depreciação A contribuinte contabilizou créditos mesmo sem produzir canadeaçúcar, conforme narrou o Auditorfiscal e, ainda, apropriou despesas de depreciação de bens que não estão alocados diretamente no processo produtivo da empresa: Neste período de apuração a contribuinte inseriu em sua apuração, indevidamente, créditos apurados sobre despesas de depreciação relativas a equipamentos não utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Encontramos nestas condições os seguintes itens, informados na coluna “Utilização no Processo Produtivo” da planilha da contribuinte com a denominação: “Transp. Cana” (veículos diversos) e “Agrícola” (colhedoras de cana). Estes itens foram excluídos do cálculo do benefício na apuração fiscal efetuada tendo em vista que a contribuinte não produziu canadeaçúcar em nenhum dos períodos de apuração analisados nesta ação fiscal. Ou seja, não há vinculação dos custos e despesas agrícolas com receitas oriundas destas atividades. Verificamos, também, que o item “Semi Reboque Prancha”, que teria sido utilizado como máquina e equipamento na indústria, corresponde, na verdade, a veículo utilizado no transporte de peças, que não está alocado diretamente no processo produtivo da empresa. O mesmo ocorre para o item “Ônibus MB”, que corresponde a veículo utilizado no transporte de pessoal. 6 Receitas de exportações de álcool carburante (incidência cumulativa) classificadas incorretamente como receitas nãocumulativas pela contribuinte; 7 – Variação Cambial decorrente das exportações efetuadas pela empresa incluídas indevidamente no valor das exportações. Após a auditoria, foi glosado o valor de R$ 214.759,82 no trimestre, sendo que a empresa tem direito ao ressarcimento nos montantes de R$ 17.290,76 no mês de janeiro, R$ 2.706,65 no mês de fevereiro e R$ 15.807,37 no mês de março de 2007, para compensação, conforme a legislação vigente. Cientificada do Despacho Decisório de fl. 27, e inconformada, a contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade, de fls. 58/72. Inicialmente, disserta sobre a sistemática da não cumulatividade e discorda do rateio proporcional, alegando que não é esta a forma prevista pelas normas aplicáveis. Afirma que toda a canadeaçúcar adquirida pela Manifestante tem como único destino a produção de açúcar e etanol, e, por conseguinte, tem direito ao crédito presumido. Continua, rebatendo que não utilizou crédito presumido de Fl. 175DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904896/201121 Acórdão n.º 3801004.625 S3TE01 Fl. 6 5 Cofins para compensar com outros tributos e alega ilegalidade quanto à Instrução Normativa nº 660/2006. Quanto ao crédito presumido de aquisição de canadeaçúcar de pessoa jurídica, alega inconstitucionalidade da Lei nº 10.925/2004. Referese aos insumos utilizados no processo produtivo, defende os créditos do óleo diesel com alíquota zero e, ainda, óleo e lubrificante desconsiderados, são utilizados em fase procedimental intrínseca à atividade principal e defende a ilegalidade da Instrução Normativa nº 404/2004. Afirma que “as receitas decorrentes de exportação de álcool enquadramse no regime nãocumulativo”. Defende que os documentos apresentados comprovam a armazenagem de álcool para exportação e combate o entendimento do Auditorfiscal que somente seria possível crédito sobre o frete pago para aquisição de canadeaçúcar. Discorda da glosa de despesas de depreciação dos bens não utilizados diretamente na produção, sob a alegação de que são utilizados em etapas indispensáveis da atividade da Manifestante e, ainda, transcreve jurisprudência do TRF 4º Região, para enquadrar variação cambial como receita de exportação. Finalmente, solicita o acolhimento da Manifestação de Inconformidade.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto DRJ/RPO julgou improcedente a manifestação de inconformidade conforme ementa a seguir: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos da Contribuição para a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins nãocumulativa, entendese como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda apenas as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Apenas os serviços diretamente utilizados na fabricação dos produtos é que dão direito ao creditamento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins incidente em suas aquisições. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904896/201121 Acórdão n.º 3801004.625 S3TE01 Fl. 7 6 CRÉDITOS. CRITÉRIO DE DETERMINAÇÃO. Inexistindo sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, a apropriação dos créditos deve ser feita por rateio proporcional. ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTES. REGIME. A receita de venda de álcool para fins carburantes teve mantida sua forma de tributação, cumulativa, mesmo após a instituição do regime nãocumulativo de apuração. VARIAÇÃO CAMBIAL RECEITA FINANCEIRA. As variações monetárias ativas dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, são consideradas receitas financeiras. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS DE EXPORTAÇÃO. Em relação às despesas de exportação, apenas as despesas de frete do produto destinado à venda, ou de armazenagem, comprovadas com documentos hábeis e idôneos, geram direito ao crédito da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. A argüição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo.” Contra esta decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual repete as alegações da impugnação e acrescenta: i) Houve cerceamento do direito de defesa, pois, no voto condutor da decisão recorrida, afirmouse que a manifestação de inconformidade foi genérica e, por isso, a decisão também seria genérica. Segundo a recorrente, todos os pontos entendidos como controversos pela contribuinte foram abordados na manifestação de inconformidade, porém, a DRJ deixou de apreciar argumentos e documentos colacionados. ii) Os créditos da contribuição devem ser apurados segundo o critério de rateio proporcional, conforme legislação aplicável. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904896/201121 Acórdão n.º 3801004.625 S3TE01 Fl. 8 7 iii) Que juntou notas fiscais de remessa e de transporte e conhecimentos de transporte para remessa de produtos exportados até o porto de embarque. É o relatório. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904896/201121 Acórdão n.º 3801004.625 S3TE01 Fl. 9 8 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Preliminar de nulidade da decisão de primeira instância administrativa. Extraio da decisão recorrida o seguinte trecho: “2 . Bens utilizados como insumos A este respeito, observo que a recorrente, muito embora tenha atacado todos os itens do lançamento de maneira genérica, especificamente reportouse a óleo diesel, lubrificantes, despesas de armazenagem e frete e depreciação, os quais são necessários para suas atividades, razão pelo qual deveriam ter sido admitidos pela autoridade fiscal”. Importante destacar que a recorrente não se reportou especificamente a um determinado item, identificando os dados da aquisição do bem desconsiderado (nota fiscal, valor, data, ou mesmo o item destacado nas planilhas incluídas no referido Relatório da Ação Fiscal (fls. 403/420). Concentrou seus protestos em termos genéricos, quanto aos créditos glosados em relação aos bens que entende se tratarem de insumos (aliás, assim também procedeu em relação aos demais itens do lançamento especificamente apontadas no recurso). Assim sendo, entendo que o julgamento também deve analisar a questão nos mesmos termos genéricos postos pela recorrente, sem se debruçar especificamente e individualizadamente nos itens indicados no auto de infração e termo de verificação pela fiscalização (identificados pelas respectivas notas fiscais de aquisição).” Verifico que na manifestação de inconformidade a contribuinte trata especificamente dos itens óleo diesel, lubrificantes, despesas de armazenagem e frete e depreciação. Quanto aos demais bens e serviços entendidos pela fiscalização como não integrantes do conceito de insumo, não foram abordados, tendo sido defendido que todos deveriam ser considerados insumo, segundo o entendimento de que este não se equipararia ao conceito de insumo obtido da legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados. A DRF deixou claro qual o seu entendimento sobre o conceito do termo “insumo”, o mesmo do IPI, e que os gastos com aquisições de bens e serviços que não se enquadrassem neste conceito não poderiam ensejar o direito ao crédito. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904896/201121 Acórdão n.º 3801004.625 S3TE01 Fl. 10 9 Se a contribuinte apenas argumenta contra o entendimento adotado pela fiscalização quanto ao conceito em questão e nada diz contra o enquadramento naquele conceito de vários itens, aceita as conseqüências de restar vencido na única discussão proposta. Vejase que no recurso voluntário, ela afirmou que “todos os pontos entendidos como controversos pela contribuinte foram abordados na manifestação de inconformidade”. Se todos os pontos controversos foram abordados, os não abordados, entre eles, o enquadramento dos bens e serviços excluídos do cálculo do crédito no conceito restritivo de insumo, são tidos como incontroversos. Assim, uma vez que a DRJ também adotou o entendimento de que o conceito de insumo é o mais restritivo, semelhante ao do IPI, e que não foi demonstrado, sequer argumentado, que algum bem o serviço específico, além daqueles citados acima, deveria ser enquadrado no conceito restritivo, correta a decisão recorrida em não discutir especificamente sobre todos os itens. O Decreto nº 70.235, de 6/3/1972, em seus artigos 16 e 17 ampara a decisão recorrida. Cito: “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997).” Ressaltando que os pontos atacados na manifestação de inconformidade foram todos enfrentados na decisão recorrida, pelas razões acima, voto por negar a preliminar suscitada. Insumo e a Cofins sob a regência da Lei nº 10.833, de 2003. No recurso voluntário, os gastos especificamente abordados pela recorrente são os mesmos tratados na manifestação de inconformidade: óleo diesel, lubrificantes, despesas de armazenagem e frete e depreciação. Os demais foram tratados como se atendessem a um conceito de insumo mais amplo do que o adotado pela DRF de origem e pela DRJ. A primeira questão a se tratar é, pois, o conceito de insumo na legislação da contribuição social em tela. A Lei nº 10.833, de 2003, determina: Fl. 180DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904896/201121 Acórdão n.º 3801004.625 S3TE01 Fl. 11 10 “Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (negritei) Para gerarem crédito, os gastos glosados pela fiscalização deveriam enquadrarse no conceito de insumo previsto no inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003, pois não se enquadram em nenhum dos demais incisos deste artigo. Tendo em vista que a recorrente alega justamente isto, pois, segundo ela, todos os gastos necessários ao processo produtivo poderiam ser incluídos no cálculo dos créditos a serem deduzidos dos valores a recolher, seja da COFINS, seja da Contribuição para o PIS/Pasep, tratemos do conceito de insumo. Conforme o art. 153, IV, § 3º II, da CF/88, o imposto sobre produtos industrializados (IPI), de competência da União, será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores. E, segundo o art. 155, II, §2º, I, da CF/88, o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação (ICMS), de competência dos Estados e do Distrito Federal, será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas anteriores pelos Estados ou pelo Distrito Federal. Até pouco tempo atrás, apenas a estes dois tributos, classificados no CTN como impostos sobre a produção e a circulação, aplicavase a nãocumulatividade. Muito se discutiu sobre que bens e serviços, uma vez adquiridos, ensejariam crédito para compensar com o que seria devido nas operações tributadas por estes impostos, de modo que o que se entende por “insumo” está atrelado à materialidade deles. Vale dizer, o conteúdo do conceito de “insumo” decorre dos entendimentos firmados sobre quais bens e serviços seriam alcançados pela nãocumulatividade própria de impostos incidentes sobre a produção e a circulação. É este conteúdo que o legislador tinha em mente, quando se referiu a bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens Fl. 181DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904896/201121 Acórdão n.º 3801004.625 S3TE01 Fl. 12 11 ou produtos destinados à venda como aqueles que dariam direito a créditos para abatimento da COFINS e da Contribuição para o PIS/PASEP a serem recolhidas. Ao não elucidar o que deveria ser entendido por “insumo”, o legislador, por certo, admitiu que aquilo que se tinha como o seu conteúdo deveria servir para nortear a concretização do comando legal bem como as condutas das pessoas a quem a norma se destinava. Fosse intenção do legislador que o termo “insumo” tivesse um alcance maior do que o já consolidado, teria ele expressado um conceito de insumo diferente. Assim, devem ser rechaçados argumentos segundo os quais o conceito de “insumo” somente poderia ser igual ao utilizado pela legislação do IPI se a lei assim determinasse. Pelo contrário, por serem, COFINS e PIS/Pasep, contribuições instituídas por lei federal, a legislação do IPI, que também é tributo federal nãocumulativo, pode e deve ser utilizada para obtenção do conceito de “insumo”. Também não deve ser aceito argumento segundo o qual todos os gastos dedutíveis na apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda incluirseiam no conceito de insumo para fins de abatimento dos valores a serem recolhidos como COFINS e contribuição para o PIS/PASEP, pois, isto implicaria considerar letra morta muitos dos dispositivos das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003, que apresentam rol de bens, cujas aquisições podem ser incluídas na apuração de créditos a serem descontados destas contribuições. Quisesse o legislador que todos os gastos necessários à produção, fabricação ou prestação de serviços ensejassem o direito ao crédito, não usaria o termo “insumo”; reproduziria legislação do IRPJ ou evidenciaria que todos os gastos dedutíveis em relação ao IRPJ dariam aquele direito. Assim, da leitura dos dispositivos que trataram da nãocumulatividade da COFINS e da Contribuição para o PIS/PASEP, com base no que foi dito acima, aos bens conceituados como insumo à luz da legislação do IPI, a saber, matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem consumidos na produção industrial de produtos, em decorrência de contato direto com estes, devem ser acrescentados: os serviços utilizados na prestação de serviços e na produção e fabricação de bens ou produtos destinados à venda; outros bens utilizados na prestação de serviços e na produção, ainda que não industrial, de bens destinados à venda; outros gastos expressamente citados nas Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003. Em reforço a tal entendimento, vejamse alguns trechos da Exposição de Motivos da MP nº 66, de 26/08/2002, posteriormente convertida na Lei nº 10.637/2002: “2. A proposta, de plano, dá curso a uma ampla reestruturação na cobrança das contribuições sociais incidentes sobre o faturamento. Após a instituição da cobrança monofásica em vários setores da economia, o que se pretende, na forma desta Medida Provisória, é, gradualmente, procederse à introdução da cobrança em regime de valor agregado – inicialmente com o Fl. 182DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904896/201121 Acórdão n.º 3801004.625 S3TE01 Fl. 13 12 PIS/Pasep para, posteriormente, alcançar a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). 3. O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep. ... 7. Para fins de controle do crédito presumido, a Secretaria da Receita Federal poderá estabelecer limites, por espécie de bem ou serviço, para o valor das aquisições realizadas. ... 9. A alíquota foi fixada em 1,65% e incidirá sobre as receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, admitido o aproveitamento de créditos vinculados à aquisição de insumos, bens para revenda e bens destinados ao ativo imobilizado, ademais de, entre outras, despesas financeiras. ... 44. Com relação ao atendimento das condições e restrições estabelecidas pelo art. 14 da Lei de Responsabilidade Fiscal, cumpre esclarecer que: a) a introdução da incidência não cumulativa na cobrança do PIS/Pasep, prevista nos arts. 1º a 7º, é rigorosamente neutra do ponto de vista fiscal, porquanto a alíquota estabelecida para esse tipo de incidência foi projetada, precisamente, para compensar o estreitamento da base de cálculo; ... ...” E, na Mensagem de Veto nº 1.243, de 30/12/2002, a razão que levou o Presidente da República a vetar dispositivos, por meio dos quais se tentava alterar a MP, foi que, se fossem sancionados, romperseia a premissa sobre a qual foi construída a nova modalidade de incidência da contribuição, devidamente acertada com a comissão especial constituída no âmbito da Câmara dos Deputados para tratar da matéria, a qual previa neutralidade sob o ponto de vista da arrecadação. Havia, pois, preocupação quanto ao atendimento às condições e restrições da Lei de Responsabilidade Fiscal, de modo que o equilíbrio das contas públicas não seria posto em risco pela introdução da cobrança nãocumulativa, e a carga tributária correspondente ao que se arrecadava com a cobrança do PIS/PASEP seria mantida. Assim, caberia à RFB, para fins de controle do crédito presumido, estabelecer limites, por espécie de bem ou serviço, para o valor das aquisições realizadas. É razoável acreditar que, segundo expectativas da época, se fossem incluídos todos os gastos na apuração do crédito a ser descontado, a arrecadação tributária não se Fl. 183DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904896/201121 Acórdão n.º 3801004.625 S3TE01 Fl. 14 13 manteria, o que nos leva a concluir que o conceito de insumo não poderia ser alargado em relação àquele então aceito. Por tudo isso, correto o entendimento expressado pela RFB órgão responsável pela administração tributária da União, a quem compete interpretar e aplicar a legislação tributária federal, ao editar os atos normativos e as instruções necessárias à sua execução que, ao expedir a Instrução Normativa nº 247/2002, com redação dada pela IN SRF nº 358/03, e a IN SRF nº 404/2004 adotou interpretação para o conceito de insumo, com base na concepção tradicional da legislação do IPI: Cito a IN/SRF nº 404/04, que dispôs “sobre a incidência nãocumulativa da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social na forma estabelecida pela Lei nº 10.833, de 2003, [...]”: “Art. 7º Sobre a base de cálculo apurada conforme art. 4º, aplicase a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: a) [...]; b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e Fl. 184DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904896/201121 Acórdão n.º 3801004.625 S3TE01 Fl. 15 14 b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Esta turma decidiu no mesmo sentido, por voto de qualidade, conforme acórdão nº 3801002.668, de 29/01/2014, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes, de cujo voto extraio a seguinte passagem, com grifos no original: “Com efeito, o conceito de insumo no âmbito do direito tributário foi estabelecido no inciso I, § 1º, do artigo 1º da Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001, in verbis: Art. 1º (...) §1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matérias primas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo. Destarte, em tributos não cumulativos o conceito de insumo corresponde a matériasprimas, produtos intermediários e a materiais de embalagem. Ampliar este conceito implica em fragilizar a segurança jurídica tão almejada pelos sujeitos ativo e passivo. Nesse sentido, recentemente o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do Recurso Especial 1.020.991 RS, assim se pronunciou: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CREDITAMENTO. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. NÃOCUMULATIVIDADE. ART. 195, § 12, DA CF. MATÉRIA EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF 247/02 e SRF 404/04. EXPLICITAÇÃO DO CONCEITO DE INSUMO. BENS E SERVIÇOS EMPREGADOS OU UTILIZADOS DIRETAMENTE NO PROCESSO PRODUTIVO. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. IMPOSSIBILIDADE. ART. 111 CTN. 1. A análise do alcance do conceito de nãocumulatividade, previsto no art. 195, § 12, da CF, é vedada neste Tribunal Superior, por se tratar de matéria eminentemente constitucional, sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. 2. As Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04 não restringem, mas apenas explicitam o conceito de insumo previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904896/201121 Acórdão n.º 3801004.625 S3TE01 Fl. 16 15 3. Possibilidade de creditamento de PIS e COFINS apenas em relação aos bens e serviços empregados ou utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. 4. Interpretação extensiva que não se admite nos casos de concessão de benefício fiscal (art. 111 do CTN). Precedentes: AgRg no REsp 1.335.014/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/2/13, e Resp 1.140.723/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22/9/10. 5. Recurso especial a que se nega provimento. (STJ, 1ª Turma, REsp 1.020.991RS, Dje 14/05/2013, rel. Sérgio Kukina) Por pertinente, transcrevese o seguinte excerto do voto proferido pelo Ministro Relator no julgamento deste recurso especial: No mais, não houve a alegada restrição do conceito de insumo com a edição das Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04, mas apenas a explicitação da definição deste termo, que já se encontrava previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. Nesses instrumentos normativos, o critério para a obtenção do creditamento é que os bens e serviços empregados sejam utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. Logo, não se relacionam a insumo as despesas decorrentes de mera administração interna da empresa. Assim, a parte recorrente não faz jus à obtenção de créditos de PIS e COFINS sobre todos os serviços mencionados como necessários à consecução do objeto da empresa, como pretende relativamente aos valores pagos à empresas pela representação comercial (comissões), pelas despesas de marketing para divulgação do produto, pelos serviços de consultoria prestados por pessoas jurídicas (aqui incluídos assessoria na área industrial, jurídica, contábil, comércio exterior, etc), pelos serviços de limpeza, pelos serviços de vigilância, etc., porque tais serviços não se encontram abarcados pelo conceito de insumo previsto na legislação, visto não incidirem diretamente sobre o produto em fabricação. Quando a lei entendeu pela incidência de crédito nesses serviços secundários, expressamente os mencionou, a exemplo do creditamento de combustíveis e lubrificantes previsto nos dispositivos legais questionados (...) (grifouse)” Mercadorias e Serviços não aplicados no sistema produtivo da empresa. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904896/201121 Acórdão n.º 3801004.625 S3TE01 Fl. 17 16 Rateio proporcional É incontroverso que o critério a se adotar é o de rateio proporcional. Esta turma já se deparou com questão semelhante, no processo 11075.000705/200754, de relatoria do Conselheiro Flávio de Castro Pontes, que assim se manifestou: “Não se pode perder de vista que a recorrente somente tem direito ao ressarcimento de créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados às receitas sujeitas à incidência não cumulativa, observados os critérios previstos no § 8º do art. 3º da Lei 10.637/2002: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a (...) § 7º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da contribuição para o PIS/Pasep, em relação apenas a parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. (Vide Lei nº 10.865, de 2004) § 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7º e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I – apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II – rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês.(grifouse) O dispositivo legal acima estabelece uma proporção entre receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total. Por analogia, neste caso concreto estabelecese uma proporção entre receitas de alíquota zero e/ou exportação e a receita bruta total. Destacase que não existe uma norma específica regulamentando essa matéria. Como amplamente demonstrado, o conceito de receita bruta total está estabelecido no art. 1º, da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, abaixo transcrito: Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. §1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica.(grifouse) Assim, no conceito de [receita] bruta incluemse as receitas da venda de bens e serviços e todas as demais receitas. Desta forma, no item receita bruta, como Fl. 187DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904896/201121 Acórdão n.º 3801004.625 S3TE01 Fl. 18 17 acertadamente procedeu a autoridade fiscal, incluemse as receitas financeiras, as receitas decorrentes dos créditos presumidos de ICMS e de recuperação de custos. Vale o mesmo para a Cofins e para o PIS/Pasep. Concluise que todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, inclusive as receitas financeiras, devem compor a receita bruta total, denominador da relação percentual a ser aplicada aos custos, despesas e encargos comuns; porém, no numerador desta relação, devemse incluir apenas as receitas das exportações de bens e serviços que não se enquadrem no regime cumulativo da contribuição. Falta de demonstração da utilização de bens e serviços no processo produtivo. Com base no exposto nas seções acima sobre a preliminar de nulidade e sobre o conceito de insumo, tendo em vista que o conceito aqui adotado é o mesmo adotado pelas unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil que já decidiram neste processo; que é ônus daquele que alega o direito provar os fatos em que se fundamenta, conforme art. 333 do Código de Processo Civil; que, no Processo Administrativo Fiscal Federal, a prova deve ser feita na impugnação ou, excepcionalmente, no recurso voluntário; que a contribuinte, até o presente, não alegou nem demonstrou que os gastos com bens ou serviços excluídos pela fiscalização poderiam se enquadrar neste conceito restritivo; devese manter a decisão, quanto aos gastos com bens e serviços constantes das planilhas “Bens Utilizados como Insumo” e “Serviços Utilizados como Insumo”, excluídos pela fiscalização. Gastos com óleo diesel e lubrificantes. Observase no Relatório da Ação Fiscal que a autoridade fiscal constatou que todos os lubrificantes adquiridos foram utilizados no transporte de canadeaçúcar e que a empresa a utilizou como insumo na industrialização de diversos produtos, como açúcar e álcool, em todos os meses do trimestre, porém não produziu e não vendeu o produto canade açúcar no período fiscalizado. Entendendo que os insumos não poderiam ser considerados como utilizados diretamente na fabricação ou produção de açúcar ou álcool; que somente seriam admitidos créditos destes insumos se houvesse produção e faturamento de canadeaçúcar, proporcionalmente à receita de canadeaçúcar auferida; que, não tendo havido exportação de canadeaçúcar, eventual crédito estaria vinculado apenas ao mercado interno, a fiscalização concluiu pela não inclusão destes gastos na apuração do benefício fiscal pleiteado. A lei permite que se incluam no cálculo do crédito as aquisições de insumos utilizados na prestação de serviços, na produção ou fabricação de bens destinados à venda. Logo, não são apenas os insumos da indústria que ensejam o crédito; os utilizados na produção agropecuária também são alcançados pela norma. Incluem o custo dos insumos, os gastos com o transporte destes insumos, os gastos com combustíveis e lubrificantes utilizados neste transporte, e com aqueles utilizados nas máquinas e equipamentos empregados em contato direto com os produtos agropecuários. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904896/201121 Acórdão n.º 3801004.625 S3TE01 Fl. 19 18 Canadeaçúcar é produto agrícola e é insumo da indústria de açúcar e álcool. Máquinas e equipamentos utilizados no corte da canadeaçúcar são utilizados no processo produtivo deste produto; máquinas e equipamento utilizados no carregamento da canade açúcar para as instalações industriais de fabricação de açúcar e álcool são utilizados no processo produtivo destes bens. Assim, combustíveis e lubrificantes utilizados nestas máquinas e equipamentos são utilizados como insumos na produção ou fabricação de açúcar e álcool destinado à venda. Por isso, dão direito ao crédito, desde que tenha havido a cobrança da contribuição na sua aquisição, por força do art. 3º, §2º, inc. II, da Lei nº 10.637, de 2002, com redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004, ressalvandose os casos de álcool carburante, tratado na seqüência deste voto. Uma vez que a norma, ao estabelecer o direito ao crédito nas aquisições de insumos, usa a expressão “bens destinados à venda”, não cabe ao aplicador da norma restringi la de modo a não admitir o crédito apenas porque no período em discussão não houve exportação da canadeaçúcar. Conforme atestado no relatório fiscal, no período, houve venda de açúcar, que é produzido a partir da canadeaçúcar, e nada foi dito sobre as vendas de álcool terem sido exclusivamente de álcool carburante. O fato de não ter havido exportação de canadeaçúcar repercute sim no rateio, mas não elimina o direito ao crédito. Por outro lado, no citado Relatório de Ação Fiscal, verifico afirmativa da autoridade fiscal de que a aquisição de óleo diesel não sofreu cobrança da contribuição, porquanto se deu à alíquota zero, o que não foi contestado pela contribuinte, logo, não enseja direito ao crédito. Pelo exposto nesta seção: 1º) As aquisições tributadas de lubrificantes utilizados no transporte de canadeaçúcar até a usina dão direito ao crédito e devem ser incluídas nos custos, encargos e despesas comuns; 2º) Com fundamento no art. 3º, §2º, II, da Lei nº 10.637, de 2002, com redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004, deve ser mantida a decisão administrativa quanto às exclusões referentes às aquisições de óleo diesel à alíquota zero. Depreciação As pessoas jurídicas sujeitas à incidência nãocumulativa da Cofins e da contribuição para o PISPasep, em relação aos serviços e bens adquiridos no País ou no exterior a partir de 1º de maio de 2004, podem descontar créditos calculados sobre os encargos de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços (artigo 3º, inciso VI e §1º, inc. III, da Lei nº.10.637/2002, e art. 3º, inc. VI e §1º, inc. III, da Lei nº 10.833, de 2003). A fiscalização excluiu da cálculo dos gastos que dão direito ao crédito presumido valores de depreciação com veículos e equipamentos utilizados para transporte e colheita de cana sob o fundamento de que no período não houve produção de canadeaçúcar, Fl. 189DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904896/201121 Acórdão n.º 3801004.625 S3TE01 Fl. 20 19 logo, não haveria vinculação dos custos e despesas agrícolas com receitas oriundas destas atividades. A norma exige que os equipamentos e bens incorporados ao ativo imobilizado sejam adquiridos ou fabricados para utilização na produção de bens. Isto não é o mesmo que dizer que apenas se houver efetiva produção no período o direito a descontar crédito poderá ser exercido. Aqui também não cabe ao aplicador da norma restringir, se a lei não restringiu. Por outro lado, os gastos com depreciação de ônibus utilizado para transporte de pessoal e de veículo utilizado no transporte de peças que não estão alocadas no processo produtivo não estão amparados pela norma que autoriza descontar créditos calculados sobre os encargos de depreciação. Assim, devem ser incluídos no cálculo dos gastos que dão direito ao crédito os encargos com depreciação dos equipamentos e veículos utilizados na colheita e no transporte de canadeaçúcar. Receita da exportação de álcool combustível. A fiscalização excluiu do cálculo do rateio do regime não cumulativo receitas de exportações de álcool combustível que foram descritos em documentos e especificados em contrato como álcool etílico hidratado padrão ANP, sob o fundamento de que a venda de álcool para fins carburantes, tanto no mercado interno quanto no externo, não integra a base de cálculo da apuração da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas, representando receitas cumulativas, não podendo aumentar o percentual dos créditos não cumulativos. A receita de venda de álcool para fins carburantes sujeitavase à incidência não cumulativa da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep antes da entrada em vigor da Lei nº 10.865, de 2004. A Lei nº 9.718, de 1999, dispôs: “Art. 5º As contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/Pasep e para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins devidas pelas distribuidoras de álcool para fins carburantes serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: (Redação dada pela Lei nº 9.990, de 2000) I – um inteiro e quarenta e seis centésimos por cento e seis inteiros e setenta e quatro centésimos por cento, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de álcool para fins carburantes, exceto quando adicionado à gasolina; (Incluído pela Lei nº 9.990, de 2000) II – sessenta e cinco centésimos por cento e três por cento incidentes sobre a receita bruta decorrente das demais atividades. (Incluído pela Lei nº 9.990, de 2000.)” Fl. 190DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904896/201121 Acórdão n.º 3801004.625 S3TE01 Fl. 21 20 A Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, reduziu a zero a alíquota das contribuições sobre a receita de vendas de álcool para fins carburantes auferida por varejistas e concentrou a tributação nos distribuidores em substituição a esses dois. E as Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, determinaram: Art. 1º ... § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: (...) IV de venda dos produtos de que tratam as Leis no 9.990, de 21 de julho de 2000, no 10.147, de 21 de dezembro de 2000, e no 10.485, de 3 de julho de 2002, ou quaisquer outras submetidas à incidência monofásica da contribuição; “Art. 8o Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 6o: (...) VII – as receitas decorrentes das operações: a) referidas no inciso IV do § 3o do art. 1o; Uma vez que o álcool para fins carburantes é um dos produtos de que trata a Lei nº 9.990, sua receita não integra a base de cálculo prevista no art. 1º da Lei nº 10.637, de 2002, e, nos termos do seu art. 8º, VII, “a”, a receita de venda de álcool para fins carburantes permaneceu fora da sistemática nãocumulativa das contribuições. A alteração efetuada pela Lei nº 10.865, de 2004, apenas deu maior especificidade ao inciso IV do §3º dos arts. 1º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 18.833, de 2003, excluindo as vendas dos outros produtos de que tratam as Leis nº 9.990, de 2000, e as outras submetidas à incidência monofásica da contribuição, mantendo apenas a venda de álcool para fins carburantes. O mesmo entendimento está expresso no Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 1, de 2005: “Artigo único. As receitas auferidas pelas pessoas jurídicas produtoras (usinas e destilarias) com as vendas de álcool para fins carburantes continuam sujeitas à incidência cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), às alíquotas de 0,65% (zero vírgula sessenta e cinco por cento) e de 3% (três por cento), respectivamente, por não terem sido alcançadas pela incidência nãocumulativa das referidas contribuições de que tratam as Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Assim, com relação à receita de exportação de álcool, mantémse a decisão recorrida. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904896/201121 Acórdão n.º 3801004.625 S3TE01 Fl. 22 21 Aquisições de pessoas físicas e jurídicas referentes à atividade agropastoril. Quanto a esta questão, a recorrente não apontou erros nos cálculos efetuados pela fiscalização, que seguiram as disposições contidas na Lei nº 10.925, de 23/07/2004 e na IN SRF nº 660, de 17/07/2006, limitandose a defender que fossem afastadas estas normas. Alega que o art. 8º da lei nº 10.925, de 2004, não pode ser aplicado, porque é regra viciada ante a comandos constitucional (art. 195, §12, da CF/1988) e legal mais específico (Art. 6º da Lei 10.833, de 2003). Diz que esta alegação não se trata de pedido de apreciação de ilegalidade ou inconstitucionalidade. Deste modo, poderseia afastar a aplicação da Súmula CARF nº 2 ao caso, porém, a alegação não merece ser acolhida. Invocar a nãoaplicação de uma norma porque é viciada em relação à norma constitucional é o mesmo que invocar sua inconstitucionalidade, o que é vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF, por força do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/6/2009. Alegações de caráter constitucional não podem ser apreciadas por este Colegiado, tendo em vista a súmula n° 2 do CARF, verbis. “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Não sendo apontados erros nos cálculos, estes devem ser tidos como corretos, seja porque tratase de matéria não questionada, seja porque não cabe ao julgador revisálos. Não obstante, valhome das razões da decisão da DRJ, proferida no Processo nº 10840.003379/200594, da mesma empresa, para assentar a correção do procedimento fiscal na exclusão, no cálculo dos gastos que dão direito a crédito, de aquisições de pessoa física e de pessoa jurídica, produtores rurais. Transcrevo os seguintes trechos que contêm estas razões, válidas para a Cofins e para a contribuição para o PIS/Pasep: “Quanto às aquisições de pessoa física, os créditos relativos à agroindústria, a partir do período de apuração de agosto de 2004, só podem ser utilizados para abater os débitos da COFINS nãocumulativa, devendo ser somados aos créditos relativos ao mercado interno, pois não são passíveis de compensação. Isto se deve ao fato de que a referida compensação só pode ser efetuada quanto aos créditos apurados no artigo 3o da Lei n° 10.833/2003, por força do disposto no parágrafo I e seu inciso 11 do artigo 6o da referida Lei n° 10.833/2003. Porém, os incisos 11e 12 do artigo 3o da Lei n° 10.833/2003, que tratavam do crédito presumido da agroindústria, foram revogados pelo artigo 16, alínea "b" da Lei n° 10.925/2004. A nova sistemática de apuração do crédito presumido da agroindústria foi estabelecida pelo artigo 8° da referida Lei n° 10.925/2004, a partir de agosto de 2004. Assim sendo, o referido crédito, que não consta mais da Lei n° 10.833/2003, Fl. 192DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904896/201121 Acórdão n.º 3801004.625 S3TE01 Fl. 23 22 não é passível de compensação ou ressarcimento, a partir do referido período de apuração. Quanto às aquisições de cana de açúcar adquirida de pessoa jurídica, o Auditorfiscal constatou que a contribuinte descontou créditos integrais de COFINS nãocumulativa calculados sobre os valores das aquisições de canadeaçúcar de empresa jurídica que exerce atividade agropecuária. Contudo, a partir do mês de agosto de 2004, tal procedimento fere a legislação das contribuições, tendo em vista que o artigo 9° da Lei n° 10.925/2004 estabeleceu que a incidência da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda de insumos destinados à industrialização dos produtos fabricados pela fiscalizada, quando efetuada por pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária, o que, em princípio, vedaria a utilização de quaisquer créditos decorrentes destas operações. A partir de 01/08/2004, as empresas produtoras podem descontar o crédito presumido decorrente destas aquisições, em função do disposto no item III do parágrafo 1º do artigo 8o da referida Lei n° 10.925/2004. O referido crédito, que não consta mais da Lei n° 10.833/2003, não sendo passível de compensação ou ressarcimento.” Fretes utilizados no transporte de canadeaçúcar No relatório fiscal verificase que a fiscalização constatou que a contribuinte apurou créditos da Cofins sobre valores do frete pagos nas aquisições de canadeaçúcar, como se fosse um insumo normal: aplicou a alíquota própria do sistema não cumulativo sobre os valores das despesas pagas e inseriu o resultado na apuração do benefício. Ora, os valores dos fretes pagos à pessoa jurídica integram o custo de aquisição da canadeaçúcar e devem ter tratamento tributário igual ao desta, de modo que, assim como os valores das aquisições de canadeaçúcar de pessoas físicas e jurídicas, os valores dos fretes destas aquisições devem ser incluídos no crédito presumido da indústria, devendo, por isso, ser considerados no cálculo na coluna do mercado interno, que é o que se depreende dos arts. 8º e 15 de Lei nº 10.925, de 2004, e arts. 1º e 2º do Ato Declaratório Interpretativo nº 15, de 2005: Correta a fiscalização que calculou os valores destes créditos da mesma forma dos créditos com aquisição de canadeaçúcar, alocando os valores na coluna “Mercado Interno”, porque servem apenas para abater os débitos do período, não podendo ser utilizados para ressarcimento ou compensação. Despesas de armazenagem de produtos. A fiscalização reconheceu que as despesas de fretes e armazenagem sobre vendas ensejam direito a crédito, por isso aceitou a inclusão destas despesas no cálculo do crédito presumido. As despesas não reconhecidas referemse à locação de espaço de tancagem para armazenagem e movimentação de produto álcool carburante para exportação, cujas vendas se submetem à incidência cumulativa da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, conforme tópico específico acima. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904896/201121 Acórdão n.º 3801004.625 S3TE01 Fl. 24 23 Tendo em vista que somente são permitidos descontos de créditos sobre despesas relativas a produtos sujeitos à contribuição nãocumulativa, conforme artigo 10, inciso VII, alínea "a", combinado com o art. 1º, parágrafo 3º, inciso IV e com o art. 3º, parágrafo 7º, da Lei nº. 10.637, de 2002, e art. 5º da Lei nº 9.718, de 27/11/1998, com redação dada pela Lei nº 11.727, de 23/6/2008, agiu com acerto a autoridade fiscal em excluir do cálculo estas despesas, devendo ser mantida a decisão administrativa. Variação cambial. No Relatório da Ação Fiscal, observase que a autoridade fiscal constatou, após analisar planilha de cálculo da contribuinte, que esta considerou como receitas de exportação notas fiscais de complemento de preço, as quais, segundo a própria autoridade administrativa, referirseiam à variação cambial do dólar e, por isso, deveriam ser enquadradas como receita financeira. Concluise da leitura do relatório fiscal que estas notas fiscais dizem respeito a variações cambiais originadas em operações de exportação O Supremo Tribunal FederalSTF proferiu decisão de mérito no RE 627.815/PR, na sistemática de recurso repetitivo, assentando a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre a receita decorrente da variação cambial ativa obtida nas operações de exportação de produtos. Transcrevo a ementa do acórdão, relatado pela Ministra Rosa Weber. “RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. OPERAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II O contrato de câmbio constitui negócio inerente à exportação, diretamente associado aos negócios realizados em moeda estrangeira. Consubstancia etapa inafastável do processo de exportação de bens e serviços, pois todas as transações com residentes no exterior pressupõem a efetivação de uma operação cambial, consistente na troca de moedas. III – O legislador constituinte ao contemplar na redação do art. 149, § 2º, I, da Lei Maior as “receitas decorrentes de exportação” conferiu maior amplitude à desoneração constitucional, suprimindo do alcance da competência impositiva federal todas as receitas que resultem da exportação, que nela encontrem a sua causa, representando consequências financeiras do negócio jurídico de compra e venda internacional. A intenção plasmada na Carta Política é a de desonerar as exportações por completo, a fim de que as Fl. 194DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904896/201121 Acórdão n.º 3801004.625 S3TE01 Fl. 25 24 empresas brasileiras não sejam coagidas a exportarem os tributos que, de outra forma, onerariam as operações de exportação, quer de modo direto, quer indireto. IV Consideramse receitas decorrentes de exportação as receitas das variações cambiais ativas, a atrair a aplicação da regra de imunidade e afastar a incidência da contribuição ao PIS e da COFINS. V Assenta esta Suprema Corte, ao exame do leading case, a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre a receita decorrente da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos. VI Ausência de afronta aos arts. 149, § 2º, I, e 150, § 6º, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC.” Tendo em vista o disposto no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, esta decisão deve ser reproduzida no presente julgamento, o que implica considerar as variações cambiais receitas não tributas pela Cofins e pela contribuição para o PIS/Pasep, tanto no sistema cumulativo quanto no não cumulativo. Porém, uma vez que foram consideradas pelo STF receitas decorrentes de exportação, devem ser consideradas como receitas de mercado externo, e não mercado interno, e devem ser incluídas, na apuração do percentual a ser aplicado aos custos, despesas e encargos comuns, no numerador, como receitas de exportação, e no denominador, integrando a receita bruta total, de modo que a fiscalização deverá corrigir os cálculos, adequandoos a esta decisão. Conclusão. Por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para cancelar as exclusões no cálculo dos gastos que dão direito ao crédito presumido dos valores referentes às aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados em máquinas e equipamentos empregados no corte e carregamento de canadeaçúcar, desde que nas aquisições tenha ocorrido a cobrança da contribuição social, e dos encargos com depreciação dos veículos e equipamentos utilizados no transporte e na colheita de canadeaçúcar, e incluir os valores das variações cambiais decorrentes de operações de exportação como receita de mercado externo e, no cálculo do rateio proporcional, no numerador e no denominador. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904896/201121 Acórdão n.º 3801004.625 S3TE01 Fl. 26 25 Fl. 196DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10280.722255/2009-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3401-000.896
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, converter o presente julgamento em diligência nos termos do voto da relatora.
JULIO CÉSAR ALVES RAMOS- Presidente.
ANGELA SARTORI - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JULIO CESAR ALVES RAMOS (Presidente), ROBSON JOSE BAYERL, JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA, ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, ANGELA SARTORI e BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, converter o presente julgamento em diligência nos termos do voto da relatora. JULIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. ANGELA SARTORI Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JULIO CESAR ALVES RAMOS (Presidente), ROBSON JOSE BAYERL, JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA, ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, ANGELA SARTORI e BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA RELATÓRIO Trata o presente processo de Pedido de Reconhecimento de crédito da Contribuição para o PIS no montante de R$ 1.252.547,26, referente ao quarto trimestre de 2004 (fl. 05/10), acompanhado de Declaração de Compensação (fl. 11/14), com fundamento na Lei nº 10.637, de 2002. A unidade de origem, após procedimento fiscal tendente à verificação da exatidão do crédito apurado pela contribuinte, expediu o relatório de diligência fiscal (fls. 19/30) e os despachos decisórios de fls. 31/32, indeferindo integralmente o pedido de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 80 .7 22 25 5/ 20 09 -2 8 Fl. 241DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10280.722255/200928 Resolução nº 3401000.896 S3C4T1 Fl. 6 2 ressarcimento e não homologou as compensações vinculadas ao crédito pleiteado (DCOMP nº 03286.50299.130508.1.3.083903). Foram adotados, em síntese, os seguintes fundamentos para glosa do crédito pleiteado (fls.19/30): a) No que se refere aos créditos provenientes de bens utilizados como insumos, houve glosa de IPI recuperável, referente às entradas no mercado interno, incluído indevidamente na base de cálculo como parte integrante do valor de aquisição dos bens; b) Foram glosados os valores descritos como itens Refratários, os quais são utilizados como material refratário de bens integrantes do ativo imobilizado, não caracterizados como gastos de manutenção do dia a dia, uma vez que a reposição se dá a intervalos superiores a um ano. Também valores referentes à Manutenção de Cubas, semelhante à situação dos refratários, foram glosados. Tratam se de dispêndios relevantes e recuperáveis por meio das operações normais da empresa, pertinentes a serviços contratados de terceiros para a manutenção de cubas integrantes de bens do ativo imobilizado, não caracterizados como gasto de manutenção do dia a dia, uma vez que tais serviços, conjuntamente com a substituição dos refratários, são efetivados a intervalos superiores a um ano. c) No que concerne à análise dos créditos decorrentes de despesas financeiras de empréstimos e financiamentos obtidos junto a pessoas jurídicas, houve enquadramento no conceito de receitas financeiras das variações monetárias ativas. Foram, pois, incluídos valores lançados a crédito (receitas financeiras) de contas de despesa financeira identificadas nas contas dos grupos 3401, 3402, 3406. d) As operações de hedge/opções identificadas nas contas do grupo 4303, bem como as transações controladas nas contas de receita do grupo 4304, a empresa aproveitou indevidamente no DACON os lançamentos a débitos de tais contas. e) No que concerne aos lançamentos da conta de despesa 330101 (IPI s/ venda de alumínio primário), os quais foram subtraídos das Receitas de Vendas no Mercado Interno, o contribuinte informou que utilizou na base de cálculo do PIS o valor contábil, excluindo o IPI recuperável. Portanto, foram indevidamente deduzidos os valores de IPI das Receitas de Venda no Mercado Interno, pois a memória de cálculo das contas 4102 e 4103 já reflete os valores das vendas excluído o IPI recuperável, sendo tal procedimento revertido no DACON elaborado pela fiscalização. f) Por último, a contribuinte cometeu erros nos DACONs transmitidos, ao não informar/informar incorretamente valores objeto de compensação em DCOMP, referente a alguns meses do AC 2004, gerando saldo de créditos indevidos de um mês para os seguintes, havendo procedido à retificação cabível. Também cometeu erro no DACON do 4º Trimestre de 2004 ao informar incorretamente os valores de R$ 775.195,81 (mercado interno) e R$_18.604.699,54 (mercado externo) referentes a encargos de depreciação na apuração dos créditos para o PIS (FICHA 04 / LINHA 09), quando os valores Fl. 242DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10280.722255/200928 Resolução nº 3401000.896 S3C4T1 Fl. 7 3 corretos são de R$ 2.003,18 (mercado interno) e R$ 48.076,30 (mercado externo), conforme planilha entregue pelo próprio contribuinte (em anexo) e o preenchimento do DACON transmitido pelo contribuinte à SRFB (em anexo) em relação à encargos de depreciação na apuração dos créditos para a COFINS (FICHA 06 / LINHA 09). Tais circunstâncias foram retificadas nos DACON's elaborados pela fiscalização (em anexo) g) O Crédito Presumido de IPI enquadrase como receita para fins de incidência das contribuições PIS. Destarte, foi acrescido ao cálculo da contribuição ao PIS o valor do credito/presumido de IPI. Cientificada em 12/06/2012 (fl. 38), a contribuinte apresentou, em 12/07/2012, a manifestação de inconformidade de fls. 39/77, da qual consta: a) “Razão não assiste à Nobre Fiscalização pelo que pelas razões expendidas a seguir há que ser desconstituído o crédito suplementar pretendido, senão, preliminarmente reconhecida sua nulidade ante a violação do devido processo legal e normas procedimentais peculiares à constituição de glosas sobre insumos contabilizados na quantificação do crédito presumido de IPI, usado em analogia ao crédito de PIS/PASEP não cumulativo, e benefícios congêneres.”; b) “Com base na Planilha Demonstrativa de Créditos formulada pela própria fiscalização referente ao processo em discussão, constatase divergência entre o valor glosado de R$1.252.547,26 (hum milhão, duzentos e cinqüenta e dois mil, quinhentos e quarenta e sete reais e vinte e seis centavos) e o valor constante na Planilha de R$ 321.295,94 (trezentos e vinte e um mil, duzentos e noventa e cinco reais e noventa e quatro centavos), razão pela qual pugna a contribuinte, preliminarmente, pela RETIFICAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO SEFIS/DRF/BEL N° 386/2012. POIS DIVERGE DOS PRÓPRIOS CÁLCULOS FORMULADOS PELA I. FISCALIZAÇÃO, sob pena de incorrer a mesma em CERCEAMENTO DE DEFESA.” c) Quanto ao IPI recuperável referente a aquisições no mercado interno manifestase a requente da seguinte forma: “a contribuinte ratifica o entendimento já apresentado de que o mesmo enquadrarse ia como receita para fins de incidência das contribuições de PIS e COFINS, tal crédito representaria entrada de benefício econômico recebido/a receber, com aumento do patrimônio líquido e a contrapartida de tal beneficio (ativo), para que não transitasse em contas de resultado (receita), dependeria de expressa previsão legal.”; d) “...conforme a decisão do Tribunal Regional Federal da Primeira Região, acima transcrita, a ALBRAS está desobrigada a recolher a contribuição do PIS/PASEP com a ampliação da base de cálculo da Lei n° 9.718 de 1998. Cumpre destacar inclusive que esta própria delegacia da Receita Federal, em cumprimento à decisão judicial acima, vem anulando Autos de Infração, como o presente, onde se questiona pretendida tributação das "receitas financeiras" geradas por variações cambiais em face de PIS/PASEP, conforme se observa na Fl. 243DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10280.722255/200928 Resolução nº 3401000.896 S3C4T1 Fl. 8 4 decisão proferida no PAF n° 10208.006.163/2002.21 (documento em anexo).”; e) “Nada obstante ao que está explicado acima que já é causa suficiente para anular a presente autuação, por mero exercício da faculdade de argumentação, a requerente vem argumentar o seguinte:” e.1) “Face à majoração das alíquotas tanto da COFINS, quanto do PIS/Pasep, a própria legislação permitiu aos contribuintes a fruição de um sistema de desconto de créditos pertinentes a determinadas despesas e custos da sociedade empresária. Exatamente em meio a essas despesas e custos que geram os créditos, dedutíveis da base apuratória, no vertente caso, do PIS/Pasep, estão os desembolsos da requerente com bens e serviços utilizados como insumos em seu processo produtivo, energia elétrica, aluguéis, bens do ativo imobilizado e afins, inclusive as despesas financeiras e aplicações financeiras. Desta forma, inviável é a tributação de receitas financeiras, mesmo em face a Lei 10.637, a qual foi indevidamente realizada pela I. fiscalização. O próprio Conselho de Contribuintes não admite de há muito que Contribuições Sociais que oneram o faturamento, como é o caso da Contribuição a COFINS, recaiam sobre "receitas" de aplicação financeira, exatamente porque não estão compreendidas no conceito de faturamento. Mesmo antes da aludida decisão do Supremo Tribunal Federal, o Conselho de Contribuintes somente admitia a repercussão das variações cambiais sobre a base apuratória das contribuições sociais, quando houvesse efeito direto no produto da venda:” Cita decisões; e.2) “É cristalino o impacto direto das decisões do STF sobre o lançamento suplementar, uma vez que com a decisão do Supremo, retirase o subsídio fundamental do mesmo a base de cálculo do PIS/PASEP de sorte que jamais poderia a postulante ter sido autuada com fundamento em uma base de cálculo inconstitucional receita bruta, como receitas financeiras.”; e.3) “Por derradeiro, quanto à tributação dos ganhos de variação cambial nos empréstimos contraídos no exterior, há inúmeros precedentes também do STJ no sentido de que há isenção em face da COFINS e PIS PASEP, senão determinando que apenas a variação final apurada quando da liquidação da operação de empréstimo é que pode ser efetivamente tributada, entendimento este abaixo transcrito”. Cita decisões e.4) “As contribuições para o PIS/PASEP, inclusive sob a égide do regime da incidência não cumulativa, tal como se trata no vertente caso, mantem com a base apuratória, consoante a emenda Constitucional 20/1998, correspondente à totalidade das receitas amealhadas pela sociedade empresária malgrado o enquadramento contábil que lhe seja atribuído pela mesma. É o que consagra, aliás os arts. 1º , §§1° e 2º d a Lei 10.637, de 2002.”; e.5) “A questão central, portanto, para a análise do Despacho Decisório presentemente impugnado é a possibilidade ao lume do ordenamento vigente, de que os valores dos serviços e produtos adquiridos pela postulante para aplicação/consumo direto em seu processo produtivo da alumina, são ou não repetíveis via créditos sobre as bases de cálculo do mesmo PIS/PASEP. Ponto fundamental, portanto, em razão das glosas perpetradas pelo I. Fiscal, é o da Fl. 244DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10280.722255/200928 Resolução nº 3401000.896 S3C4T1 Fl. 9 5 definição e amplitude conceitual dispensadas aos insumos que gerariam o crédito das Contribuições ao PIS/PASEP não cumulativo, e que seriam os bens e serviços que seriam utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda, abrangendo mas não se restringindo ao universo das matérias primas, produtos intermediários, material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto destinado à venda.”; e.6) “O fato é que a D. autoridade fazendária, glosara serviços inegavelmente empregados como insumos porque diretamente aplicados ao processo produtivo, particularmente o de transporte e manutenção de material refratário. Ora, com toda a necessidade de que o insumo material refratário seja empregado de modo direto, na geração do alumínio final que será objeto de exportação, não se vê como possamos acatar a glosa dos serviços de transporte do item em voga, como, igualmente nos termos da legislação vigente, insumo de aplicação direta, que, portanto, não pode ser recusado enquanto serviço creditável. e.7) A instrução normativa SRF n° 457/2004 veiculo a facultatividade do cálculo do crédito insculpido na aludida lei ordinária, observada a periodicidade de 4 (quatro) anos, ou seja 1/48 meses sobre o valor da aquisição do bem destinado ao ativo imobilizado da pessoa jurídica . É ver o art. 1º da aludida IN, incisos I e II, §§ 1 ° e 2°. Ocorre que a lei 11.196/2005, o Decreto 5789/2006, e o Decreto 5988/2006 , previram que sociedades empresárias, beneficiárias de incentivos da SUDAM poderiam optar por uma periodicidade diferenciada, de 1/12 (um e doze avos) para os equipamentos descritos no Regime Especial de Aquisição de Bens de Capital para empresas Exportadoras RECAP. A Lei 11196, de 21 de novembro de 2005, que institui o Regime Especial de Tributação para a Plataforma de Exportação de Serviços de Tecnologia da Informação REPES, o Regime Especial de Aquisição de Bens de Capital para Empresas Exportadoras RECAP e o Programa de Inclusão Digital; dispõe sobre incentivos fiscais para a inovação tecnológica, prevê em seus arts. 13 e 14. O Decreto 5789/2006, que dispõe sobre os bens amparados pelo Regime Especial de Aquisição de Bens de Capital para Empresas Exportadoras RECAP, na f o r m a do art. 16 da Lei n2 11.196, de 21 de novembro de 2005, preceitua, A querela reside, pois, no fato de que a I. fiscalização, injustificadamente, glosou não menos que a totalidade dos créditos gerados sobre maquinas e equipamentos adquiridos e incorporados ao ativo imobilizado da requerente, sob o suposto fundamento de que a mesma não teria observado as exigências constantes da Lei 11.196/2005, ou seja, não teria considerado na periodicidade legal diferencial de apuração do crédito sobre ativo imobilizado, apenas as máquinas e equipamentos adquiridos sob o regime incentivado do RECAP, utilizandose ao revés da periodicidade excepcional dos 1/12 (um e doze avos) sobre a totalidade das máquinas e equipamentos adquiridos no período auditado. O fato, contudo, que, data venia, desmantela a pretensão esposada p e l a I. Autoridade Fazendária, é Fl. 245DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10280.722255/200928 Resolução nº 3401000.896 S3C4T1 Fl. 10 6 que a postulante, por uma questão de tempo real de depreciação das máquinas e equipamentos aplicados em seu processo de industrialização, não se apropria de tais crédito automaticamente, de modo que pelas especificidades da impugnante, evidente que a conduta apontada no Despacho Decisorio seria, como é impraticável. A n t e tal quadro, o mínimo que se poderia aceitar para a pretensa manutenção das glosas, seria a demonstração por parte da N. Fiscalização de que a requerente, efetivamente, se apropriou de créditos sobre máquinas e equipamentos adquiridos fora do regime diferenciado do RECAP, s em observar a periodicidade permitida pela lei e pela IN aplicáveis. Logo não há como se vislumbrar infringência da requerente à Lei 11488/2007, que criara o Regime Especial de Incentivos par a o Desenvolvimento da InfraEstrutura REIDI; reduzindo para 24 (vinte e quatro) meses o prazo mínimo para utilização dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep decorrentes da aquisição de edificações; ampliando o prazo p a r a pagamento de impostos e contribuições, em seus arts. 6o e estipulando o termo inicial de vigência em seu art. 4 1. e.8) “Aduzse do Relatório de Diligência Fiscal, que os valores de aquisição dos produtos compostos de materiais refratários, tal e qual os desembolsos com o transporte dos mesmos também haveriam de ser glosados, em vista inclusive do que dispõem normas complementares ao ordenamento garantidor da não cumulatividade sobre as exações sociais, consoante a interpretação pelos mesmos dispensada. De plano, cabe destacar que a razão primordial da glosa perpetrada pelo N. Fiscal fora a de que considerou que o refratário somente geraria direito ao crédito não cumulativo de PIS/PASEP caso tivesse sido enquadrado pela requerente como Ativo Imobilizado, onde o tempo legal de apropriação é de 1/12. Sucede que a requerente optou por qualificar o "material refratário" como insumo, e a rigor, segundo a legislação regente da não cumulatividade para o PIS, não há diversidade de tratamento de vez gue seja considerando como insumo seja considerando como ativo imobilizado, o refratário, gera direito ao crédito não cumulativo. Outrossim, a conclusão da Fiscalização de que à vista das normas internas os materiais refratários se perdem sem se incorporarem ao produto final, sendo uma decorrência natural do processo de industrialização, não conduz à exclusão do direito de crédito não cumulativo de PIS/COFINS relativo aos valores de aquisição dos mesmos. Muito pelo contrário, as razões apontadas endossam a inclusão do material refratário e dos dispêndios com o seu traslado, no rol de despesas reembolsáveis via créditos de PIS/COFINS não cumulativa,até pela natureza estrita do refratário que é de aplicação peculiar à indústria siderúrgica, petroquímica e do alumínio. Tijolos refratários isolantes são aplicados diretamente às atmosferas de redução, aos vapores alcalinos, ciclos de temperaturas e o resultante esforço mecânico que existe nos fornos de cozimento de carbono, de sorte que é de clareza palmar o desgaste e contato físico destes materiais com o alumínio fabricado e comercializado. Demais disso, há que se enfatizar que a legislação de modo algum, confere equivalência entre o desgaste e a não integração ao processo de industrialização do produto final respectivo. Examinandose o Fl. 246DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10280.722255/200928 Resolução nº 3401000.896 S3C4T1 Fl. 11 7 arquétipo legal bem se vê que não é pelo fato de sofrer desgaste que o produto deixa de ser qualificado como insumo integrante do processo de industrialização do produto final, principalmente quando, como no caso dos materiais refratários, é ele essencial e de aplicação direta ao processo, como é a exigência infraconstitucional.” Em face de tais alegações, requer que: que seja anulada a glosa em razão da decisão transitada em julgado, proferida pelo Tribunal Regional Federal da Primeira Região no Processo Judicial 1999.39.00.003461.5. Em caráter argumentativo: preliminarmente, que seja RETIFICADO o montante glosado no despacho decisório SEFIS/DRF/BEL N° 387/2012 de R$ 546.622,32 (quinhentos e quarenta e seis reais, seiscentos e vinte e dois reais e trinta e dois centavos) pois que INCOMPATÍVEL com o valor de R$ 383.010,18 (trezentos e oitenta e três mil, dez reais e dezoito centavos) constante na Planilha DACON, com posterior ciência à contribuinte. 3) sejam acolhidas as razões constantes da presente Manifestação de Inconformidade por este Ilustre Órgão, para o fim de desconstituir as glosas objeto do Despacho Decisório constante no Processo n° 10280.722.777/201144, homologadas no DESPACHO DECISÓRIO SEFIS/DRJ/BEL N° 387/2012 no valor de R$ 546.622,32 (quinhentos e quarenta e seis reais, seiscentos e vinte e dois reais e trinta e dois centavos) e o aproveitamento dos créditos lançados nos pedidos de compensação do 4o trimestre de 2004 advindos da não cumulatividade da COFINS, sob pena de violação frontal art. 195, §12, da Constituição Federal, ao § 1o do art. 6o , da Lei N° 10.833/2003, art. 100 da Lei 5.172/1966 (CTN), arts. 13 e 14, da Lei 11.196/2005, art. 1o do Decreto 5789/2006, arts. 1ºo , 2º e 3º do Decreto 5988/2006, art. 6o e 41 da Lei 11.488/2007, art. 8o , inciso I, alínea b e § 4°, Inc. II, alíneas a e b, da IN/SRF n° 404, de 12 de março de 2004, art. 1o incisos I e II, §§1° e 2o da IN/SRF 457/2004, ao lado da farta Doutrina e Jurisprudência colacionadas ao longo da presente, sendo esta pois a medida de pleno Direito. A DRJ decidiu em síntese: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados judiciais e administrativos trazidos pelo sujeito passivo, por lhes falecer eficácia normativa, na forma do artigo 100, II, do Código Tributário Nacional. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE VALIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a arguição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos normativos. A legislação regularmente editada goza de presunção de constitucionalidade e de legalidade. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10280.722255/200928 Resolução nº 3401000.896 S3C4T1 Fl. 12 8 PIS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. Na sistemática não cumulativa, o PIS incide sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, nelas incluídas as receitas operacionais e não operacionais, inclusive receitas financeiras, uma vez que inexiste dispositivo legal que possibilite suas exclusões da base de cálculo respectiva. PIS. CRÉDITOS. INSUMOS. No cálculo do PIS não cumulativo somente podem ser descontados créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens ou serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens e na prestação de serviços. PROVAS. INFORMAÇÕES PRESTADAS PELO CONTRIBUINTE. Inatacável o procedimento fiscal baseado em informações prestadas pelo próprio contribuinte no decorrer da auditoria. Ineficaz a contestação de tais informações, na impugnação, sem a reunião e apresentação de um conjunto probatório capaz de infirmar os dados originais. Manifestação de Inconformidade Improcedente Foi apresentado recurso voluntário reiterando os argumentos acima. É o relatório. VOTO Conselheiro Angela Sartori O recurso em análise atendeu aos pressupostos de admissibilidade dispostos em lei, pelo que dele tomo conhecimento e passo ao julgamento de suas razões. No caso em comento, a Recorrente apresentou pedido de ressarcimento de crédito sendo que a Delegacia da Receita Federal de origem, após a realização de diligência destinada a apurar a liquidez e certeza do direito creditório, expediu o auto de infração e o relatório fiscal seguido do despacho decisório, por intermédio dos quais reconheceu apenas parcialmente o crédito invocado. Foi intimada de Despacho Decisório que reconheceu parte do crédito, tendo sido glosada a diferença do crédito. Convém assim ressaltar apenas meu o entendimento sobre o conceito do termo “insumos” do PIS e da COFINS que adoto o posicionamento do Acórdão n. 3302002.260 da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, julgado em 20/08/2013, cujos termos transcrevo: “... A problemática inferese no fato de a legislação referirse a insumos de forma genérica, o que permite aos operadores do direito realizar a própria interpretação do conceito e alcance do termo Fl. 248DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10280.722255/200928 Resolução nº 3401000.896 S3C4T1 Fl. 13 9 “insumo”. E é exatamente o que se discute nos presentes autos, o conceito de insumo para a Recorrente. Determina a lei: “Lei 10.833/03 – COFINS Não Cumulativo: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: ............... A discussão acerca da conceituação do termo “insumos” têm tomado tempo e espaço da doutrina e da jurisprudência administrativa. Naturalmente, os intérpretes buscam definições já conhecidas. A Receita Federal defende, para o PIS e COFINS, o emprego do conceito de insumos utilizado pela legislação de IPI e ICMS. Já alguns julgadores deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF emprestam o conceito de custo e despesa aplicado no imposto de renda (RIR artigos 290/299). Particularmente, entendo que o sistema não cumulativo de PIS e COFINS não se identificam com o IPI, ICMS ou IRPJ. O tributo é diverso, a sistemática é diversa, e não há necessidade de se aplicar um conceito preexistente simplesmente porque ele já existe. A meu sentir, é preciso que o intérprete do direito utilize as normas de hermenêutica, juntamente com as demais regras do ordenamento jurídico, e forme um conceito próprio de insumo que seja aplicável a esta nova sistemática. Em vista desta disparidade de entendimentos, pareceme prudente realizar uma prévia análise acerca das diferenças entre as formas de apuração. No que se refere à equiparação dos sistemas não cumulativos do IPI/ICMS e PIS/COFINS, tenho defendido a total diferença entre os regimes, as quais causam reflexos indiscutíveis e indissociáveis à apuração dos créditos tributários. É cediço que até a criação do sistema não cumulativo para o PIS e COFINS, a não cumulatividade alcançava, apenas, o imposto estadual sobre circulação de mercadorias – ICMS – e o imposto federal incidente sobre o produto industrializado – IPI. Em vista deste fato, conforme já esclarecido, é natural que os intérpretes do direito (neste caso entendidos como as autoridades administrativas fiscalizadoras por aplicarem as normas e as autoridades administrativas de julgamento por julgar a forma como as normas foram aplicadas) busquem as definições préestabelecidas e já conhecidas dos regimes cumulativos do ICMS e IPI para conceituar o novo sistema. Foi exatamente o que ocorreu no caso em apreço, por entender que os insumos não foram utilizados diretamente na produção, os agentes administrativos glosaram os créditos ora objeto do presente recurso voluntário. Todavia, este procedimento quase que automático, ao invés de solucionar a questão, acabou por confundir e inviabilizar a correta aplicação da norma tributária. A não cumulatividade para fins de PIS e COFINS instituiuse, inicialmente no âmbito legislativo, tendo sido expedidas as medidas provisórias MP 66/02 e 135/03, posteriormente convertidas nas Leis Ordinárias nº 10.637/02 – PIS – e nº10. 833/03 – COFINS. O supedâneo constitucional surgiu com a alteração do Fl. 249DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10280.722255/200928 Resolução nº 3401000.896 S3C4T1 Fl. 14 10 artigo 195 da carta magna, ao qual foi incluído o parágrafo 12, conforme redação trazida pela Emenda Constitucional nº 42 (EC nº 42 de 19.12.03), in verbis: "Art. 195. 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas (...)” Além da diversidade de fundamentação legal e constitucional, o principal fato diferenciador dos regimes deve ser observado em relação à regra matriz do tributo, especificamente em relação ao seu aspecto material. É exatamente este o critério que entendo que deve ser observado para nortear a interpretação da regra do crédito na sistemática em apreço. As contribuições ao PIS/COFINS, desde o início de sua “existência”, pretenderam a tributação da receita das pessoas jurídicas, sem qualquer vinculação a um bem ou produto, incidindo, portanto, sobre uma grandeza econômica formada por uma série de fatores contábeis, os quais constituem a receita de uma empresa. Já o IPI/ICMS, prevê a tributação do valor de determinado produto. Tal diferença torna evidente a distinção dos regimes não cumulativos. Explico. Adoto a premissa de que o conceito de cumulatividade significa tributar mais de uma vez a mesma grandeza econômica. Nestes termos, para se alcançar o efeito não cumulativo é necessário, exatamente, evitar esta reiterada incidência tributária sobre a mesma riqueza. No caso da não cumulatividade aplicável ao IPI/ICMS este processo é facilmente constatável. Isto porque se está tratando de não cumulatividade vinculada ao preço do produto, logo, toda vez que o produto for tributado (independente da fase em que ele se encontre), estarseá diante da cumulação de carga tributária. O reflexo no aumento do preço do produto é visível, quase palpável, e o simples destaque na nota fiscal permite impedir a cumulatividade da carga tributária. Todavia, este mesmo pressuposto não se aplica a não cumulatividade trazida ao PIS/COFINS. Diferentemente da hipótese dos impostos, a cumulação que se pretende evitar no caso das contribuições, referese à receita da pessoa jurídica. É em relação a esse aspecto econômico que se deve impedir a reiterada incidência tributária. Neste sentido cito Marco Aurélio Greco8: “Embora a não cumulatividade seja uma idéia comum a IPI e a PIS/COFINS a diferença de pressuposto de fato (produto industrializado versus receita) faz com que assuma dimensão e perfil distintos. Por esta razão, pretender aplicar na interpretação de normas de PIS/COFINS critérios ou formulações construídas em relação ao IPI é: a) desconsiderar os diferentes pressupostos constitucionais; b) agredir a racionalidade da incidência de PIS/COFINS; e c) contrariar a coerência interna da exigência, pois esta se forma a partir do pressuposto ‘receita’e não ‘produto’.” O critério “receita”, ao contrário do critério “produto”, não possui, como bem esclarecido pelo doutrinador supracitado, “um ciclo econômico a ser considerado, posto ser fenômeno ligado a uma única pessoa”. Inexiste imposto de etapa anterior a ser deduzido, uma vez que não há estágio prévio na apuração da receita da pessoa jurídica, e esta particularidade inviabiliza a aplicação da mesma interpretação para ambos os regimes Não há meios, portanto de confusão entre os sistemas não cumulativos de impostos e contribuições. Diferentemente do regime previsto para o IPI e ICMS que pretende a compensação de “imposto sobre imposto”, importando se com o valor despendido a título de tributo, a não cumulatividade das contribuições sociais se preocupa com o quantum consumido pelo Fl. 250DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10280.722255/200928 Resolução nº 3401000.896 S3C4T1 Fl. 15 11 contribuinte a título de insumos em todo processo de produção. Importa sim, para viabilizar o crédito, que o insumo tenha sido tributado, mas é irrelevante a forma desta tributação e o quanto representou esta incidência tributária. O contribuinte terá direito ao crédito se o insumo tiver sido tributado pelo regime cumulativo, pelo regime não cumulativo ou mesmo pelo Simples, até porque o montante recolhido a título de PIS e COFINS não consiste em fator decisivo à obtenção do crédito tributário. Tanto é assim que, independentemente do critério de tributação ao qual foi submetido o insumo, o contribuinte terá direito à grandeza de 9,25% (PIS + COFINS) de todo o valor que foi despendido para a sua aquisição. Assim, claro está que não é o valor gasto a título de tributo que interessa, contrariamente aos regimes aplicados ao IPI/ICMS. Tenho para mim que o legislador infraconstitucional, ao definir os ditames para evitar a cumulação das contribuições, criou critério híbrido e único, mesclando conceitos já existentes com outros inevitavelmente formados de significação específica para as contribuições ao PIS/COFINS. Tal procedimento pretendeu alcançar os aspectos particulares das contribuições sociais, bem como neutralizar efetivamente a cumulação destes tributos, que possuem regra matriz de incidência totalmente diversa dos demais tributos não cumulativos. .............. Realmente, dos termos legais não se depreende a limitação invocada pelo acórdão recorrido, não sendo lícito ao agente administrativo, sem fundamentação legal, deliberar em sentido de reduzir o crédito do contribuinte. Não se aplica, portanto, o critério de IPI/ICMS, uma vez que não importa, no caso das contribuições em análise, se o insumo consumido obteve ou não algum contato com o produto final comercializado. Da mesma forma não interessa em que momento do processo de produção o insumo foi utilizado. Melhor sorte não alcança a equiparação do conceito da não cumulatividade com as noções de custo e despesa necessária para o Imposto de Renda, conforme os artigos 29011 e 29912 do RIR/99. Realmente, correta a doutrina ao perceber que o conceito de receita está mais próximo do conceito de lucro, do que da definição de valor agregado ao produto, aplicável ao ICMS e IPI. Todavia, não se trata de identidade de materialidade, receita não é lucro e este fato não pode ser ignorado. Ao analisar o disposto na legislação verificase que as despesas contabilizadas como “operacionais” são mais amplas do que o conceito de insumos em análise. O critério de classificação da despesa operacional é que ela seja necessária, usual ou normal para as atividades da empresa. Todavia, este não é o critério utilizado para o conceito de insumos. Vários itens, que são classificados como despesas necessárias (despesas realizadas com vendas, pessoal, administração, propaganda, publicidade, etc.) ao meu sentir, não serão, obrigatoriamente, insumos para o PIS e COFINS não cumulativos. Da mesma forma, o custo de produção também é diferente de insumos, basta constatar que as Leis nº 10.833/03 e 10.637/02 negam, expressamente, a folha de salários como insumo para o PIS COFINS. Por outro giro, a legislação específica define que a base do crédito, para o PIS e COFINS, será formada pelas despesas e custos de “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes...” A redação do dispositivo legal é clara, e define como critério os bens e serviços UTILIZADOS na PRESTAÇÃO de serviços; na PRODUÇÃO e na Fl. 251DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10280.722255/200928 Resolução nº 3401000.896 S3C4T1 Fl. 16 12 FABRICAÇÃO de bens e produtos. Neste sentido, “somente os bens e serviços que forem utilizados direta ou indiretamente na fabricação de bens ou na prestação de serviços darão direito ao crédito. Essa ressalva é muito importante, na medida em que a lei exige que os bens e serviços sejam efetivamente utilizados pela empresa para tais finalidades, e não simplesmente adquiridos e consumidos em suas operações.” A questão é que e aqui, entendo se formar um critério específico para o conceito de insumos no PIS e COFINS não cumulativo para a produção/fabricação de determinada mercadoria final (ou serviço), o insumo tem que ser UTILIZADO e, mais ainda, tem que ser INDISPENSÁVEL para o resultado final pretendido. De acordo com este raciocínio o insumo, para gerar crédito, deve estar diretamente vinculado ao objeto social da empresa e, em meu entender, é este o componente diferenciador que deve ser considerado pelos intérpretes do direito. Com base na legislação pertinente ao assunto, concluo que para gerar crédito de PIS e COFINS não cumulativo o insumo deve: ser UTILIZADO direta ou indiretamente pelo contribuinte; ser INDISPENSÁVEL para a formação daquele produto/serviço final; e estar RELACIONADO ao objeto social do contribuinte. Mencionada conclusão foi realizada à luz da materialidade das contribuições sociais em análise, sendo que o critério material da regra matriz de incidência tributária do PIS/COFINS é aferir receita, e a receita de uma empresa está diretamente ligada à atividade que esta empresa exerce. Logo, para conceituar insumo, primordial verificar o que foi utilizado para se alcançar aquela determinada receita naquele específico mês. Finalizada esta análise preliminar de conceitos, é preciso avaliar se os insumos pleiteados pela Recorrente são desta forma considerado pela legislação do PIS/COFINS. Neste item, discutese o frete realizado entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, para transporte dos produtos acabados para o centro de distribuição/exportação. Conforme tenho defendido, sou da opinião de impossibilidade de crédito no caso de frete entre estabelecimentos da empresa. Isto porque não há hipótese legal expressa permitindo este creditamento, razão pela qual a hipótese de concessão seria a conclusão de que este gasto representaria um “serviço utilizado como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.” Assim, conforme premissa adotada, para ser considerado crédito o frete entre estabelecimentos deve ser UTILIZADO direta ou indiretamente pelo contribuinte como insumo na produção; ser INDISPENSÁVEL para a formação daquele produto/serviço final e estar RELACIONADO ao seu objeto social. In casu, a meu sentir, o frete entre estabelecimentos de produto já acabado não se refere à fase produtiva, que se findou com a formação do produto. Desta forma, entendo que falta a este insumo um dos três requisitos que considero indispensáveis para a concessão do crédito, qual seja, aquele que determina que o insumo deve ser UTILIZADO direta ou indiretamente pelo contribuinte em sua produção. Lembro que afasto a alegação de que o crédito é devido porque equiparase ao conceito de custo do Imposto de Renda em função da premissa que adoto, de que o PIS e Fl. 252DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10280.722255/200928 Resolução nº 3401000.896 S3C4T1 Fl. 17 13 COFINS possuem seu próprio conceito de insumo, diverso daquela utilizado pelo ICMS/IPI/IRPJ.....” Tecidas estas considerações se faz indispensável analisar o conteúdo do objeto social da Recorrente para se verificar se os insumos aqui discutidos são considerados indispensáveis para a formação do produto final. Outro ponto a observar no caso em comento é o entendimento já esposado em julgamento anterior da mesma empresa, (Processo n. 10280.722246/200937, 4ª Câmara da 2ª Turma Ordinária) onde se decidiu que a Autoridade Fiscal e a Delegacia de Julgamento partiram da premissa de que, para serem considerados insumos, os itens devem ser aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação do bem, tendo sido glosado tudo aquilo que não se submeteram a tal regra. Deste modo, aproveito tal julgado, o qual será reproduzido abaixo, para requerer análise conclusiva por parte da unidade de origem sobre as características de cada um dos “insumos” glosados e o seu entendimento sobre a relação com o processo produtivo da Recorrente, especialmente após a análise do recurso voluntário ora apresentado e dos objetivos da empresa mencionados em seu contrato social. Vejamos a decisão mencionada: “..Ao meu sentir, o conceito utilizado de insumo utilizado pelo Legislador na apuração de créditos a serem descontados da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Por isso, entendo que em todo processo administrativo que envolver créditos referentes a não cumulatividade do PIS ou da Cofins, deve ser analisado cada item relacionado como “insumos” e o seu envolvimento no processo produtivo, para então definir a possibilidade de aproveitamento do crédito. Retornando aos autos, para uma decisão justa e precisa, necessito que a Unidade de Origem emita um parecer conclusivo acerca da relação de inerência entre os dispêndios realizados a título de transporte e coprocessamento de rejeito gasto de cubas – RGC, de beneficiamento de banho eletrolítico, de processamento de borra de alumínio e refratários e o transporte de rejeitos industriais, e a realização da produção industrial do recorrente em face da eventual inexistência desses gastos. Necessito, outrossim, que sejam identificas as máquinas, os equipamentos e as edificações do parque industrial do recorrente e seus os respectivos custos. Da conclusão da diligência deve ser dada ciência à contribuinte, abrindolhe O prazo de trinta dias para, querendo, pronunciarse sobre o feito. Após todos os procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual. É como voto. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10280.722255/200928 Resolução nº 3401000.896 S3C4T1 Fl. 18 14 Sala das Sessões, em 27/11/2007. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO.” Ante o exposto, voto por converter o presente julgamento em diligência para que seja descrita a função, forma de utilização dos produtos, análise conclusiva sobre as características e relação dos insumos com o processo produtivo, forma de desgaste do produto no processo produtivo. Após a emissão de relatório circunstanciado pela SRF e manifestação do contribuinte em 30 dias para que se manifeste sobre o relatório. Angela Sartori Relator Fl. 254DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 19515.001773/2007-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 15 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001, 2002
IRPF. PRAZO DECADENCIAL NÃO ULTRAPASSADO.
Nos casos em que comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se somente após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art.173, I, do CTN).
ATIVIDADE EMPRESARIAL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.
Inexistindo provas e elementos que desconstituam a fundamentação fático-jurídica sobre a qual foi efetivado o lançamento de omissão de rendimentos, deve ser mantida a exigência fiscal.
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430/1996.
Por disposição legal, caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta bancária mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos relativos a essas operações, de forma individualizada. Precedentes.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DESNECESSIDADE DA COMPROVAÇÃO DA EXTERIORIZAÇÃO DE RIQUEZA. SÚMULA Nº 26 DO CARF.
A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não está mais obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada. Súmula nº 26 do CARF.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ARTIGOS 45 E 55 DO RIR/99.
Não comprovado por meio de documentação hábil e idônea que os rendimentos recebidos no período fiscalizado foram oferecidos à tributação, mesmo após a devida intimação do contribuinte, resta caracterizada a omissão de rendimentos e legítimo o lançamento fiscal.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. TRIBUTAÇÃO.
São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva.
OMISSÃO DE RENDIMENTO. ALUGUEIS.
São tributáveis os rendimentos oriundos da locação de imóveis que não foram informados pelo contribuinte na sua Declaração de Ajuste.
MULTA QUALIFICADA. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO QUE AUTORIZA SUA APLICAÇÃO.
Nos exatos termos do art. 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), decorre de comprovação do evidente intuito de fraude ou simulação por parte do contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 2101-002.728
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao Recurso Voluntário, para afastar o lançamento do tributo relativo aos valores recebidos a título de aluguel.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
EDUARDO DE SOUZA LEÃO - Relator.
EDITADO EM: 24/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (presidente da turma), DANIEL PEREIRA ARTUZO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS e EDUARDO DE SOUZA LEÃO.
Nome do relator: EDUARDO DE SOUZA LEAO
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PRAZO DECADENCIAL NÃO ULTRAPASSADO. Nos casos em que comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese somente após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art.173, I, do CTN). ATIVIDADE EMPRESARIAL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Inexistindo provas e elementos que desconstituam a fundamentação fático jurídica sobre a qual foi efetivado o lançamento de omissão de rendimentos, deve ser mantida a exigência fiscal. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430/1996. Por disposição legal, caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta bancária mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos relativos a essas operações, de forma individualizada. Precedentes. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DESNECESSIDADE DA COMPROVAÇÃO DA EXTERIORIZAÇÃO DE RIQUEZA. SÚMULA Nº 26 DO CARF. A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não está mais obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada. Súmula nº 26 do CARF. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ARTIGOS 45 E 55 DO RIR/99. Não comprovado por meio de documentação hábil e idônea que os rendimentos recebidos no período fiscalizado foram oferecidos à tributação, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 17 73 /2 00 7- 16 Fl. 1648DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 mesmo após a devida intimação do contribuinte, resta caracterizada a omissão de rendimentos e legítimo o lançamento fiscal. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. TRIBUTAÇÃO. São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. OMISSÃO DE RENDIMENTO. ALUGUEIS. São tributáveis os rendimentos oriundos da locação de imóveis que não foram informados pelo contribuinte na sua Declaração de Ajuste. MULTA QUALIFICADA. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO QUE AUTORIZA SUA APLICAÇÃO. Nos exatos termos do art. 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), decorre de comprovação do evidente intuito de fraude ou simulação por parte do contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao Recurso Voluntário, para afastar o lançamento do tributo relativo aos valores recebidos a título de aluguel. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. EDUARDO DE SOUZA LEÃO Relator. EDITADO EM: 24/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (presidente da turma), DANIEL PEREIRA ARTUZO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS e EDUARDO DE SOUZA LEÃO. Relatório Fl. 1649DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.001773/200716 Acórdão n.º 2101002.728 S2C1T1 Fl. 3 3 Em princípio deve ser ressaltado que a numeração de folhas referidas no presente julgado foi a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). Tratase de Recurso Voluntário onde o Contribuinte/Recorrente objetiva a reforma do Acórdão de nº 1725.297 da 4ª Turma da DRJ/SPOII (fls. 1.568/1.586), que, por unanimidade de votos, afastou a preliminar de decadência e, no mérito, considerou procedente o lançamento, mantendo crédito tributário exigido a título de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, no montante histórico de R$ 16.254.519,76, correspondendo a imposto R$ 4.975.090,80, multa qualificada de 150% R$ 7.462.636,20, e os juros de mora R$ 3.816.792,76, calculados até 31/07/2007. Para melhor compreensão do caso em análise, se faz didaticamente necessário transcrever algumas informações advindas do Termo de Verificação Fiscal de fls. 1.452/1.476, in verbis: “I – CONSIDERAÇÕES INICIAIS A presente ação fiscal teve como motivação a Representação Fiscal n° 36/2004 (fls. 1235), de 03/05/2005, elaborada pela Equipe Especial de Fiscalização EEF/Port 463/04, que analisou informações resultantes dos trabalhos realizados pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito CPMI — "BANESTADO". A CPMI em questão tinha como finalidade "apurar as responsabilidades sobre evasão de divisas do Brasil, especificamente para os chamados paraísos fiscais, em razão de denúncias veiculadas pela imprensa, reveladas pela operação macuco, realizada pela Policia Federal, a qual apurou evasão de divisas do Pais, efetuadas entre 1996 e 2002, por meio das chamadas contas CC5." Em 04/08/2003, o Departamento da Policia Federal/Superintendência Regional no Estado do Paraná, por meio do oficio n° 120/03PF/FT/SR/DPF/PR, solicitou ao juiz da 2ª Vara Criminal de Curitiba/PR, a quebra do sigilo bancário da empresa "Beacon Hill Service Corporation" e suas subcontas, mantidas no JP Morgan Chase Bank (fls. 1246 a 1248). A quebra do sigilo foi autorizada em 14/08/2003 pelo MM. Juiz Federal da 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba, nos autos do processo n° 200370000303334 (fls. 1249 a fls. 1254). Fl. 1650DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Em 27/08/2003, o Departamento de Policia Federal/Superintendência Regional do Estado do Paraná, pelo Oficio n° 001/03PF/FT/NY/SR/DPF/PR, solicitou ao Dr. Robert Morgenthau, District Attorney,s, Órgão do Condado de Nova Iorque/EUA, no interesse das investigações no Caso Banestado, que fossem disponibilizados para análise a documentação relativa a empresa Beacon Hill e suas subcontas (fls. 1255 a fls. 1257). Em 29/08/2003, o Juiz da Suprema Corte de Nova Iorque, Renee White, expediu documento denominado "Order to Disclose" visando liberar à CPMI "BANESTADO" e ao Ministério da Justiça provas e documentos havidos em investigações e procedimentos do Grande Júri conhecido como "International Money Laudering by John Doe" (fls. 1261 a fls. 1263). Em 20/04/2004, conforme decisão da 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba/PR, houve a transferência das informações e documentos trazidos ao país pela autoridade policial à Secretaria da Receita Federal (fls. 1266 a fls. 1267). Assim, tendo em vista a documentação retrocitada, obtida com base no Tratado de Mútua Assistência em Matéria Penal (MLTA), verificouse que diversos contribuintes nacionais enviaram e/ou movimentaram divisas no exterior, ordenando, remetendo ou se beneficiando desses recursos, em seu nome ou no nome de terceiros, utilizandose, para tanto, contas ou subcontas, de titularidade de pessoas fisicas ou de "off shores" (pessoas jurídicas sediadas no exterior, notoriamente em locais ditos "paraísos fiscais"), mantidas no JP Morgan Chase Bank e administradas por Beacon Hill Service Corporation. (...) III DO INÍCIO E DESENVOLVIMENTO DO PROCEDIMENTO FISCAL Através do Termo de Inicio de Fiscalização, lavrado em 14/11/2006, remetido via postal para o endereço eleito pelo contribuinte como seu domicilio fiscal e constante dos Sistemas Computadorizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, buscamos dar inicio à ação fiscal, amparada pelo MPF nº 0819000 2006 028046, e solicitamos ao contribuinte documentos e esclarecimentos referentes ao Imposto de Renda Pessoa Física dos anoscalendário 2001 e 2002/exercícios 2002 e 2003 (fls. 21 a fls. 73). A ciência do contribuinte se deu em 23/11/2006 (fls. 74). (...) Até o presente momento o contribuinte não apresentou, integralmente, a documentação solicitada pela fiscalização. Ressaltamos que o contribuinte foi devidamente notificado, através do Termo de Inicio de Fiscalização, da Intimação de 12/12/2006 e dos Termos de Constatação e Intimação 01/2007 e 02/2007 do procedimento de arbitramento dos valores não Fl. 1651DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.001773/200716 Acórdão n.º 2101002.728 S2C1T1 Fl. 4 5 comprovados e lançamento de oficio, abandonandose as parcelas que não tiverem sido esclarecidas e fixando e/ou arbitrando os rendimentos tributáveis de acordo com os elementos que esta fiscalização dispuser, conforme disposto no artigo 845 do Decreto 3.000/99. IV DAS VERIFICAÇÕES REALIZADAS 1 DA ANÁLISE DA MOVIMENTAÇÃO DE RECURSOS NO EXTERIOR No resguardo dos interesses da Fazenda Nacional, tendo em vista as ocorrências apontadas no item I do presente Termo de Verificação Fiscal e tendo como base a documentação disponível à fiscalização até o presente momento, qual seja: os documentos numerados de 01 a 11, discriminados no item I do presente Termo; das informações contidas nas Declarações de Rendimento apresentadas pelo contribuinte e seu cônjuge nos exercícios de 2002 e 2003; das informações contidas nos Sistemas Computadorizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil; das informações apresentadas pelo contribuinte no curso da ação fiscal e discriminadas no item III do presente Termo, consideramos que, durante os anoscalendário de 2001 e 2002, o contribuinte, na posição de cotitular da subconta 310913, denominada Global, movimentou recursos, através de Beacon Hill Service Corporation, junto ao JP Morgan Chase Bank, sendo que, devidamente intimado a esclarecer as origens, bem como as destinações dos recursos movimentados, alegou, tão somente: "No entanto, está encontrando sérios óbices, tendo em vista que, quando da realização da denominada "Operação Farol da Colina", pela Policia Federal, o contribuinte teve inúmeros documentos apreendidos, o mesmo se dando em relação ao seu microcomputador, o quê o faz requerer a concessão de prazo não inferior a 30 (trinta) dias, com a finalidade de possibilitar o atendimento efetivo à intimação em pauta." (...) No Relatório de Identificação de Conta/Subconta Administrada pela Beacon Hill Service Corporation (fls. 216), elaborado pela Equipe Especial de Fiscalização EEF/Port 463/04, que analisou informações resultantes dos trabalhos realizados pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito CPMI — "BANESTADO" consta que ..."Em trabalho de análise documental da subconta 310913 denominada "Global", administrada pela empresa Beacon Hill Service Corporation, em agência do banco JP Morgan Chase Bank, foram identificados como responsáveis os contribuintes JAIRO MARCOS BAUM, CPF 057.269.0 2823 e MARCIO PAULO BAUM, CPF 003.518.37809, pelo motivo abaixo explicitado: 1 . Os nomes e assinaturas dos contribuintes JAIRO MARCOS BAUM e MARCIO PAULO BAUM constam nos documentos de fl. 22 a 26; 31, 34, 36/37; 40 a 43, do Dossiêvolume 01 denominado Cadastro, encaminhado pelo Departamento de Policia Federal, relacionado à subconta 310913 no banco JP Morgan." Fl. 1652DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 Os membros da Equipe Especial de Fiscalização EEF/Port 463/04 concluem o Relatório de Identificação de Conta/Subconta Administrada pela Beacon Hill Service Corporation, afirmando "Diante dos fatos acima descritos, a conclusão é que JAIRO MARCOS BAUM e MARCIO PAULO BAUM são de fato as pessoas autorizadas a movimentar a subconta 310913, denominada Global no banco JP Morgan...". Tal conclusão pode ser corroborada pela análise da documentação abaixo relacionada, citada no item I deste Termo de Verificação Fiscal: (...) Dessa forma, temos que as alegações do contribuinte, no que se refere movimentação de recursos da subconta 310913 Global, realizada durante os anos calendário de 2001 e 2002, junto ao JP Morgan Chase Bank, por si só, não são suficientes para contradizer os fatos apurados pela fiscalização até o presente momento. Assim, a documentação fornecida pela Policia Federal, base para a elaboração do Laudo de Exame EconômicoFinanceiro n° 1607/04 – INC (fls. 1236 a fls. 1245), obtida de instituição formalmente constituída no exterior, via Tratado de Mútua Assistência em Matéria Penal – MLAT, portanto, ratificada por autoridades norte americanas, não foi contraposta por documentação hábil e idônea, suficientemente hígida a contradizêla, presumindose aquela, então, como verdadeira, e portanto, fazendo surtir os devidos efeitos jurídicos do ponto de vista da legislação tributária brasileira.” Nesses termos, segundo disposto no Auto de Infração de fls. 1.480/1.486, o Contribuinte teria cometido as seguintes infrações tributárias: 001 RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS SUJEITOS A CARNELEÃO OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUEIS E ROYALTIES RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS 002 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO 003 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA Fl. 1653DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.001773/200716 Acórdão n.º 2101002.728 S2C1T1 Fl. 5 7 Os argumentos trazidos na Impugnação foram sintetizados pelo Órgão Julgador a quo nos seguintes termos: “Cientificado do lançamento em 23/08/2007 (AR de fl. 1398), o contribuinte apresentou, em 18/09/2007, a impugnação de fls. 1401 a 1439, subscrita por procuradora (documento de fl. 950), acompanhada dos documentos de fls. 1440 a 1465, na qual alega, após breves histórico da autuação e enfoque sobre o impugnante, em síntese, que: AUSÊNCIA DE PROVA MATERIAL 1. não há em relação ao impugnante qualquer registro hábil e idôneo que comprove a remessa de valores ao exterior ou mesmo o recebimento de importâncias da mesma origem, inexistindo, também, qualquer registro de envio de quaisquer valores quer no Banco Central, quer na própria Receita, ou qualquer movimentação financeira irregular relacionada ao seu nome; 2. a fiscal autuante pautouse, exclusivamente, no fato do nome do recorrente figurar em uma conta, na qual foram movimentados valores, que o impugnante desconhece assim como grandes personalidades da mídia atual, na forma que se extrai de matéria publicada da revista Isto É (anexa), sendo sabido que a utilização de nomes de terceiros e de empresas para movimentação de contas bancárias sempre foram utilizados para garantir o anonimato dos efetivos remetentes e usuários desses valores, tanto em território nacional quanto no exterior; 3. o impugnante foi autuado com base em mera presunção, que prevalecendo, inverterá o ônus da prova, cabendo ao impugnante o impossível ônus de fazer a prova negativa, o que é absurdo; 4. imputase ao impugnante a realização de mais de três mil operações financeiras, entre créditos e débitos, por ele absolutamente desconhecidas, sem a existência de um cheque do impugnante, de uma ordem de pagamento, de uma única transferência bancária que de subsidio à conduta que lhe é imputada sendo que, ao contrário, a análise minuciosa da vida do impugnante e sua cônjuge, feita para auditora fiscal – que chegou ao ponto de verificar todos os depósitos, retiradas e transferências realizados do mais ínfimo valor nas contas efetivamente mantidas por eles – desautorizam tal imputação e atestam que o impugnante jamais foi detentor de nenhuma das importâncias em dólares americanos que constam da relação que compõe os autos; 5. com efeito, a simples abertura de uma conta nada prova pois a caracterização da omissão de rendimentos prescinde da prévia identificação e discriminação da efetiva movimentação de valores, com os títulos utilizados para tal Fl. 1654DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 finalidade; prescinde, também, da fixação da renda tributável relacionada com a indicada movimentação e, por fim, da demonstração da natureza tributável do rendimento, requisitos desatendidos no presente auto de infração; 6. ressaltese que o recorrente jamais usufruiu de um único cent da moeda americana que lhe é imputada como renda omitida, sendo o seu patrimônio prova disso; 7. é inaceitável a inexistência de prova material na presente autuação, notadamente porque os órgãos de arrecadação e fiscalização dos Entes Políticos encontramse amplamente informatizados, possibilitandolhes o cruzamento de informações obrigatoriamente prestadas pelas instituições financeiras, permitindo o monitoramento, por parte da Receita Federal, de todas as informações do contribuinte, de sorte que uma averiguação de omissão de rendimentos não pode se ater a uma relação de nomes produzida em pais estrangeiro e desprovida de comprovação documental quanto à efetiva movimentação por parte do agente e quanto ao efetivo proveito dos valores; 8. o Laudo do Exame Econômico Financeiro elaborado pelo Instituto Nacional de Criminalística do Departamento da Policia Federal informa a existência de documentos comprobatórios das movimentações financeiras do Beacon Hill, inegavelmente as operações ocorriam mediante ordens de pagamento, no entanto nenhuma é apresentada na autuação imposta ao impugnante (transcreve jurisprudência do Conselho de Contribuintes sobre omissão de rendimentos); MERA PRESUNÇÃO 9. a autuação imposta ao recorrente baseouse em mera presunção, sendo que a utilização da presunção determina que entre o fato conhecido (fato indiciário) e o fato desconhecido (provável) deve haver uma correlação segura e direta, não podendo pairar quaisquer dúvidas sobre a materialização dessa correlação; 10. no caso do impugnante não há correlação lógica e segura entre a ausência de indícios de riqueza – comprovada pelo patrimônio e extratos bancários, documentos de fls. 947 a 1234 – e a omissão de rendimentos imputada ao recorrente (traz a colação jurisprudências administrativas e judiciais que repudiam a adoção da presunção); 11. na esfera judicial, o extinto Tribunal Federal de Recursos – TRF, em sua Súmula n° 182, consolidou ser ilegítimo o lançamento arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários, e, o que se dizer, então, de mera figuração em lista desprovida de comprovação das movimentações ali registradas? (transcreve texto do Eminente Ministro Carlos Mario da Silva Velloso); Fl. 1655DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.001773/200716 Acórdão n.º 2101002.728 S2C1T1 Fl. 6 9 12. no caso em tela, o documento de abertura de conta no exterior representa o marco inicial da investigação, não podendo constituir fato sólido passível de sustentar uma autuação baseada em presunção, uma vez que além de inexistir correlação natural, transferiria integralmente o encargo probatório para o contribuinte, implicando na impossibilidade de produzir essa prova; 13. não pode prevalecer a presunção estabelecida no auto de infração uma vez que entre os fatos analisados não existe nexo causal, vale dizer, inexiste liame absoluto entre os documentos que instruem o processo administrativo e a imputação de omissão de receita; 14. até mesmo pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, a autuação baseada em presunção não subsiste, pois a presunção por ele estabelecida exige a correlação segura e direta entre o fato indiciário e o fato provável, sendo imprescindível que não haja quaisquer dúvidas na materialização dessa correlação; 15. o lançamento da omissão de rendimentos/variação patrimonial a descoberto, só poderia prevalecer se corroborado por outros elementos, tais como, comprovantes de despesas, transações com imóveis, rendimentos indevidamente declarados como isentos, além de sinais exteriores de riqueza, o que inexiste nos presentes autos; INEXISTÊNCIA DE VALOR A TRIBUTAR 16. a planilha de ordens recebidas e emitidas (fls. 1290 a 1343) indica mera movimentação de valores e a movimentação de valores, por si só, não corporifica fato gerador do imposto de renda além de vir expressa por mera planilha eletrônica (transcreve acórdão do Conselho de Contribuintes); AUSÊNCIA DE DOCUMENTOS 17. inexiste prova de haver o impugnante procedido à transferência do numerário indicado na planilha e não há indícios de possuir o impugnante os recursos apontados, razão pela qual não ha de cogitar de omissão de informação as autoridades fazendárias, relativamente aos rendimentos auferidos pelo impugnante, assim não há prova da autoria nem da materialidade do fato imputado ao impugnante não podendo prevalecer a autuação; DA EXISTÊNCIA DE PROCESSO CRIMINAL Fl. 1656DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 10 18. tramita na Justiça Federal de São Paulo, processo criminal originado da Operação Farol da Colina, no qual o recorrente é investigado pela prática, em tese, de operações de câmbio; 19. apesar do recorrente não ter realizado operação alguma de câmbio e jamais ter recebido um único centavo relativo à movimentação em tela, há inegável paradoxo entre o processo criminal e a presente autuação, pois nesta os valores indicados nas fls. 1290 a 1343 são considerados receitas omitidas e naquele esses valores estão sendo investigados a titulo de operações de terceiros; 20. assim, ou esses valores pertencem ao impugnante – o que não é correto em face da vasta documentação que comprova sua real condição financeira, ou os valores são de terceiros decorrente de atividade de doleiro – o que se admite somente para argumentar e nem toda a movimentação seria do recorrente, e sim apenas a margem de ganho da operação de câmbio; 21. o que se pretende com a presente argumentação é demonstrar que o lançamento deve primarse pelos princípios da segurança e da certeza jurídica, de forma que a utilização de mera presunção torna insubsistente a autuação (transcreve acórdão do Conselho de Contribuintes); DO ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO 22. a minuciosa análise da vida do impugnante (documentos de fls. 947 a 1234) desautoriza a imputação de acréscimo patrimonial a descoberto, pois esta se caracteriza imprescindivelmente pelos sinais exteriores de riqueza, que evidenciem a renda auferida e não declarada, sendo que tal circunstância não é caracterizada nos presentes autos; DO ERRO ESTAMPADO NO AUTO DE INFRAÇÃO 23. o contribuinte apresentou informe de rendimentos emitido pela administradora da locação do imóvel situado na rua Alfonso Bovero, 918, São PauloSP e correspondência eletrônica da administradora comprovando o valor liquido recebido, não podendo ser desconsiderado o montante recebido e declarado a titulo de aluguel; 24. o contribuinte apresentou também documentação hábil e idônea comprovando os recebimentos de lucros e dividendos no ano de 2002, qual seja o comprovante de rendimentos emitidos pela pessoa jurídica STRATUS FACTORING E FOMENTO COMERCIAL LTDA, não podendo ser desconsiderada a importância comprovada para efeitos da variação patrimonial, (demonstra que a receita pseudamente omitida pelo impugnante deriva da renda de aluguel e dos rendimentos isentos e não tributáveis desconsiderados pela Fl. 1657DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.001773/200716 Acórdão n.º 2101002.728 S2C1T1 Fl. 7 11 fiscalização, subtraindose, ainda, os valores da conta GLOBAL, posto que estes não podem ser imputados como renda do impugnante); 25. somente são tributáveis os acréscimos patrimoniais caracterizados pela realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte, o que não ocorreu no caso em tela; DA MULTA 26. diante do exaustivamente exposto, além de inexistir a conduta irregular, por parte do impugnante, inexiste, igualmente, a evidência do intuito de fraudar o fisco, razão pela qual não se cogita do agravamento da multa (transcreve jurisprudência administrativa); DA DECADÊNCIA 27. os lançamentos realizados em face do anocalendário de 2001 já decaíram, não podendo se cogitar de fraude uma vez que todas as informações solicitadas pelo fisco foram prestadas e que o patrimônio do contribuinte desautoriza tal caracterização (transcreve jurisprudência administrativa); DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS 28. em julgado proferido na Ação Direta de Inconstitucionalidade n° 1521, o Supremo Tribunal Federal, reconheceu que somente é permitida a representação fiscal para fins penais após o fim do processo administrativo; 29. tal decisão afigurase mais do que justa, sendo que o pagamento do tributo devido, depois de encerrado o processo administrativo fiscal e dentro do prazo legal, também extingue a punibilidade nos termos do artigo 34 da Lei n° 9.249/1995, aplicado analogicamente (transcreve decisão do STF); DA CONCLUSÃO 30. requer seja o auto de infração julgado insubsistente e que, na remota e improvável hipótese contrária, seja dado provimento à arguição de decadência, bem como a aplicação da multa de lançamento de oficio fique adstrita ao inciso I do artigo 44 da Lei n° 9.430/1996; Fl. 1658DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 12 31. por cautela, contesta as imposições infracionais imputadas pelo auditor fiscal ao impugnante, bem como as implicações legais e multas previstas na legislação.” (fls. 1.570/1.574). Atentando aos argumentos de defesa e às provas colacionadas nos autos, a 4ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal em São Paulo II (SP) proferiu decisão que restou assim ementada: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2001, 2002 DECADÊNCIA. Tratandose de lançamento ex officio, a regra aplicável na contagem do prazo decadencial é a estatuída pelo art. 173, I, do Código Tributário Nacional, iniciandose o prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. O acréscimo patrimonial, não justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis ou isentos e tributados exclusivamente na fonte só é elidido mediante a apresentação de documentação hábil que não deixe margem a dúvida. Para que sejam utilizados como recursos no fluxo financeiro mensal, os valores correspondentes à retirada de lucros em empresas das quais o contribuinte é sócio deve vir acompanhada de prova inequívoca da efetiva transferência do numerário. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997. A Lei n° 9430/96, que teve vigência a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu art. 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito ou investimento. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Configurada a existência de dolo, impõese ao infrator a aplicação da multa qualificada prevista na legislação de regência. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EXTENSÃO. Fl. 1659DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.001773/200716 Acórdão n.º 2101002.728 S2C1T1 Fl. 8 13 As decisões judiciais, a exceção daquelas proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade de normas legais, e as administrativas não têm caráter de norma geral, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão àquela objeto da decisão. Lançamento Procedente” No Recurso Voluntário disposto às fls. 1.592/1.619, o Recorrente repisou suas argumentações de Defesa, insistindo na decadência do débito relativo ao anocalendário 2001, assim como critica a presunção utilizada no lançamento fiscal, alegando a necessidade de apresentação de provas do ilícito fiscal, e ainda ressalta uma contradição no acórdão recorrido quanto a consideração dos valores de alugueis como prova de omissão de rendimentos e de acréscimo patrimonial a descoberto. No mais, reforça a tese de erros nos dados extraídos do demonstrativo de evolução patrimonial, da inexistência de sinais exteriores de riqueza e de motivações para o agravamento da multa, para ao final requerer a decretação da insubsistência do Auto de Infração. Distribuído o feito para nossa Relatoria, coloco em pauta para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Em princípio, conforme se verifica nos autos, importa salientar que na Impugnação e no Recurso Voluntário em julgamento, o Contribuinte/Recorrente se esforça em arguir decadência em relação aos fatos ocorridos no anocalendário de 2001. Fl. 1660DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 14 A bem da verdade, não se pode olvidar que o IRPF é tributo sujeito ao regime denominado lançamento por homologação. Assim, entregue a Declaração de Ajuste Anual, antecipado pagamento, mesmo que parcial, e inexistindo dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário seria de cinco anos contados do fato gerador – que se perfaz em 31 de dezembro de cada ano (Súmula nº 38 do CARF) –, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. Ocorre que, não havendo pagamento ou evidenciada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o prazo decadencial deve ser apurado conforme prevê o inc. I do art. 173, do CTN, ou seja, o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese somente após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. No caso em análise, deve ser observado todo o conjunto fáticoprobatório evidenciado nos autos, informando uma verdade material bastante peculiar, não superada pelas alegativas superficiais e desarrazoadas do Recorrente, conforme se extrai de relato disposto no voto do acórdão recorrido: “É oportuno tecer um relato histórico dos fatos que levaram ao procedimento fiscal e à exigência imputada ao contribuinte, já que foi identificada movimentação em conta bancária mantida no exterior. Decorre o procedimento de uma operação mais abrangente desencadeada por autoridades públicas nacionais no combate à transferência ilícita de recursos ao e do exterior, e aos crimes correlacionados, destacandose o crime de lavagem de dinheiro. Foi constatada pelo Banco Central e pelo Ministério Público Federal a remessa de quantias milionárias para o exterior através de contas CC5 mantidas em instituições financeiras em Foz do Iguaçu, tendo sido instaurado inquérito policial. No curso das investigações houve o afastamento do sigilo bancário da empresa "Beacon Hill Service Corporation" que atuava como preposto bancário financeiro de pessoas físicas ou jurídicas e utilizavase de contas/subcontas mantidas no "JP Morgan Chase Bank". A Promotoria do Distrito de Nova Iorque apresentou as mídias eletrônicas e documentos contendo dados financeiros da empresa Beacon Hill. De posse dessa documentação, o Departamento de Policia Federal emitiu Laudos Periciais, a fim de trazer elementos de provas necessários a subsidiar os esclarecimentos dos fatos relativos às movimentações financeiras. Os dados obtidos no afastamento de sigilo e na investigação criminal foram transferidos a Secretaria da Receita Federal conforme decisões judiciais. Em relação à subconta n° 310913, denominada GLOBAL, mantida no JP Morgan Chase Bank foi elaborado o Laudo de Exame EconômicoFinanceiro n° 1607/041NC (fls. 217/226), com base nos documentos encaminhados pela Justiça Federal. Verificase que no citado laudo e/ou nos documentos que constam dos autos relativos à conta movimentada no exterior, entre eles, cartões de assinatura (fls. Fl. 1661DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.001773/200716 Acórdão n.º 2101002.728 S2C1T1 Fl. 9 15 256/261), Formulário W8 exigido pelas autoridades americanas (fls. 277) e cópias de passaporte (fls. 284/285), que o Sr. Jairo Marcos Baum, é identificado como um dos titulares da citada conta. Assim, não se pode desqualificar as provas que embasaram o lançamento – que se originaram a partir dos dados e arquivos eletrônicos disponibilizados pela Justiça Federal, e do Laudo Pericial elaborado pelo INC, constatado nos documentos acostados aos autos o rigor na elaboração dos laudos supracitados, a lisura dos peritos criminais do Departamento de Policia Federal envolvidos e a confiabilidade dos dados (pela total impossibilidade de eles sofrerem qualquer tipo de alteração), sem provas incontestáveis, o que o contribuinte não logrou trazer aos autos. Tais documentos, que constam dos autos, são hábeis a comprovar a titularidade da conta GLOBAL, os créditos recebidos nesta conta e as ordens remetidas desta conta, não sendo necessário qualquer outro documento, estando evidente que tais movimentações não foram efetuadas pelo Banco Central, nem tampouco com registro nos sistemas da Receita Federal do Brasil, e que as movimentações se deram por ordens eletrônicas (que constam dos arquivos magnéticos), não havendo ordens de pagamento assinadas e/ou cheques emitidos. Há, portanto, ao contrário do afirmado pelo recorrente, provas inquestionáveis nos autos de que o contribuinte era cotitular da conta GLOBAL (prova de autoria), sendo que o próprio recorrente em momento algum negou ter aberto a citada conta, e de que a movimentação financeira é de sua responsabilidade de acordo com as disposições legais, o que leva a prova da materialidade do fato imputado, assunto abordado na sequência deste voto.” (fls. 1.576/1577). Ora, se o lançamento fiscal persegue imposto complementar de IRPF referente ao exercício de 2002, anocalendário 2001, em decorrência da omissão de rendimentos e acréscimo patrimonial a descoberto, efetivados por meio das atividades fraudulentas promovidas pelo Contribuinte, e a ciência do Auto de Infração ocorreu em 23/08/2007, neste caso, descabe falar em decadência, porquanto prazo da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguiuse somente em 1º/01/2008 (cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), nos termos do art. 173, inc. I do CTN. A verdade que todas as alegativas do Recorrente não conseguem superar, é que os rendimentos questionados pela Fiscalização não foram lançados à tributação, e não houve defesa satisfatória sustentando a legitimidade de tal procedimento. No caso, avultam dos autos, mais categoricamente descrevido no Termo de Verificação Fiscal de fls. 1.452/1.476, que o Contribuinte/Recorrente foi intimado para Fl. 1662DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 16 comprovar, com documentação hábil e idônea, a origem dos recursos depositados em contas bancárias mantidas no exterior, conforme extratos obtidos em face de Decisões Judiciais (fls. 243/248, 1.341/1346 e 1.357/1.359). Diante da ausência de qualquer resposta plausível do Fiscalizado, e considerando a documentação obtida e os resultados das diligências promovidas, inclusive Laudos de Exame EconômicoFinanceiro do Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal (fls. 220/229; 1.328/1.337 e 1.363/1.369), foi que a Fiscalização lavrou o Auto de Infração de fls. 1.480/1.486, considerando ter havido omissão de rendimentos em face de depósitos bancários de origem não comprovada, além de rendimentos recebidos de pessoas físicas – alugueis, e acréscimo patrimonial a descoberto. Diante do escorço fático, as alegações de nulidade do procedimento fiscal em razão de suposta ausência de provas, não merecem acolhimento. Ora, o Recorrente foi devidamente intimado a prestar esclarecimentos em diversos momentos do procedimento fiscal, tendo se recusado a colaborar com a fiscalização tributária. E mesmo quanto restou autuado, tendo prazo suficiente para apresentação de defesa, em nenhum momento o Recorrente apresentou qualquer documento visando justificar o montante dos valores questionados. Nesses termos, inexistem dúvidas que o lançamento fiscal em questão figura íntegro, tendo em vista que os elementos de convicção contundentes acostados não foram devidamente combatidos na Impugnação e no Recurso, sendo ônus do contribuinte, conforme sistema de repartição do ônus probatório adotado pelo Decreto nº 70.235/1972, norma que rege o processo administrativo fiscal, no seu artigo 16, inciso III, e de acordo com o artigo 333 do Código de Processo Civil, aplicável à espécie de forma subsidiária. Com efeito, não basta que o Recorrente rebata o lançamento, devendo rechaçalo de forma coerente por meio de provas que visem demonstrar suas alegações. No caso deve ser mantida a exação, diante da inércia do contribuinte em comprovar a regularidade dos rendimentos obtidos no período, e sua consequente oferta à tributação, por meio de documentação hábil e idônea. Vale destacar que o exercício de uma suposta atividade econômica, a míngua de provas e elementos que ilidam a ausência da comprovação da origem dos depósitos bancários questionados, não é suficiente para alterar o acerto da decisão recorrida, quanto a omissão de rendimentos. Neste sentido é pacífico o entendimento desta Corte Tributária: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Fl. 1663DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.001773/200716 Acórdão n.º 2101002.728 S2C1T1 Fl. 10 17 Exercício: 1999 RENUNCIA ÀS INSTÂNCIA ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). CAPITULAÇÃO LEGAL. DESCRIÇÃO DOS FATOS. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ALEGAÇÃO DE QUE SE TRATA DE RECEITA DECORRENTE DE ATIVIDADE RURAL NÃO COMPROVADA. AUTUAÇÃO MANTIDA. Somente mediante a comprovação pelo contribuinte de que os depósitos efetivados em conta bancária são decorrentes de atividade rural, é que se pode aplicar a tributação favorecida prevista no art. 5º, da Lei 8.023/90. No caso dos autos, tendo havido mera alegação de que o contribuinte exercia exclusivamente atividade rural sem qualquer comprovação de tal fato, assim como, sem comprovar às origens dos depósitos, deve ser mantida a tributação dos rendimentos omitidos com base no art. 42, da Lei 9430/96. MULTA QUALIFICADA A simples omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, devendo a autoridade fiscal fundamentar a caracterização do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Por essa razão, afastase a qualificação da multa aplicada. TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF n° 4)” (Acórdão nº 2202002.657, Processo nº 10925.001777/200111, Relator Cons. FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, 2ª TO/ 2ª CÂMARA/ 2ª SEJUL/ CARF/MF, Data de Publicação: 10/09/2014 grifamos); “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2005, 2006 Fl. 1664DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 18 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. SÚMULA CARF Nº 26. A Lei nº 9.430 de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, dispensando o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada, somente a partir do anocalendário de 1997. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL. SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Caracterizamse como omissão de receita ou de rendimento, por presunção legal juris tantum os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte desfazer a presunção legal com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários), desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de receitas, justificandose sua tributação a esse título. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ATIVIDADE RURAL Para que a origem dos depósitos bancários seja considerada como atividade rural, é necessário que haja prova inequívoca de que a renda auferida decorreu em face do exercício dessa atividade.” (Acórdão nº 2201002.405, Processo nº 10120.002591/200993, Relatora Conselheira NATHALIA MESQUITA CEIA, Data de Publicação: 30/07/2014). Na verdade, o fato do Recorrente ter informado que operava uma pequena empresa, sem que haja algum indício de prova que relacione as operações comerciais desta aos valores individualizados questionados, não permite concluir que os depósitos existentes em sua conta referemse a tal atividade. Para tanto, seria necessário que o contribuinte fizesse prova individualizada de que os valores que transitaram em suas contas bancárias seriam efetivamente provenientes da sua atividade empresarial. Como bem destacado na decisão recorrida, a farta documentação que serviu de base ao lançamento fiscal, correspondendo a extratos bancários, laudos periciais, depoimentos e declarações de pessoas físicas e jurídicas, dentre outras provas, consolidam certeza e liquidez ao lançamento fiscal, não havendo como serem desconsideradas apenas pelo fato de não apontarem para a conclusão pretendida pela Contribuinte/Recorrente. Fl. 1665DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.001773/200716 Acórdão n.º 2101002.728 S2C1T1 Fl. 11 19 Nesse sentido, não se pode coibir o desenvolvimento da atividade administrativa, sob pena de impedir a fiscalização tributária de cumprir sua função institucional (art. 142 do CTN), ainda mais diante da previsão legal expressa autorizando o exame de informações bancárias em caso de procedimento fiscal. De fato, nos termos da Lei Complementar nº 105/2001: “Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária.” Portanto, deve ser mantida a exação verificada em face da omissão de rendimentos e acréscimos patrimonial a descoberto, diante da incapacidade do contribuinte em justificar a legalidade da disponibilidade econômica por meio de documentação hábil e idônea. No que diz respeito às disposições trazidas na Impugnação e no Recurso, questionando a legalidade da presunção em face dos valores existentes em conta corrente no exterior, não se pode olvidar que, nos termos da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com as alterações introduzidas pelo art. 4º da Lei n° 9.481, de 13 de agosto de 1997, o contribuinte deveria comprovar a origem dos depósitos efetuados em suas contas bancárias. Na letra da lei: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” Deste modo, não há dúvida de que a autoridade fiscal pode utilizar a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96 para considerar como rendimentos omitidos os valores depositados em conta corrente sem comprovação de sua origem. Fl. 1666DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 20 A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras. Noutro dizer, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, temse a autorização para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. E cumpre salientar que a presunção não foi estabelecida pelo Fisco e sim pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Tal dispositivo autorizou ao Fisco proceder ao lançamento quando identificado o fato indiciário (depósitos bancários não comprovados), conformando demonstrado o fato jurídico tributário do imposto de renda (obtenção de rendimentos). Assim, não cabe ao julgador discutir se tal presunção é equivocada ou não, pois se encontra totalmente vinculado aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei nº 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN). Nesse passo, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal que, de modo inequívoco, estabelece a presunção legal de omissão de receita ou de rendimento sobre os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (art. 42, caput, da Lei nº 9.430/1996). Até porque figura inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de inúmeros depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada, é certa a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. No caso em análise, o Contribuinte/Recorrente não se desincumbiu de sua obrigação quanto aos depósitos questionados pela fiscalização, resultando totalmente procedente o feito fiscal neste aspecto, não havendo que se falar em nulidade ou violação do preceito legal. Fl. 1667DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.001773/200716 Acórdão n.º 2101002.728 S2C1T1 Fl. 12 21 Além disto, sabese que a partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90, conforme entendimento sumulado neste CARF: Súmula CARF nº 26: “A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada” Nesses termos, é obrigação do contribuinte comprovar a origem dos depósitos bancários questionados pela fiscalização, sob pena de se presumir que são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva, independentemente da indicação de utilização e/ou consumo dos rendimentos questionados. Ademais, pelo exame do processo, verificase que os rendimentos recebidos de pessoas físicas e jurídicas, são alcançados pela tributação qualquer que seja sua origem, nos termos dos artigos 45 e 55 do Decreto 3.000/99 (RIR/99), que dispõem expressamente: “Art. 45. São tributáveis os rendimentos do trabalho não assalariado, tais como (Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º): I honorários do livre exercício das profissões de médico, engenheiro, advogado, dentista, veterinário, professor, economista, contador, jornalista, pintor, escritor, escultor e de outras que lhes possam ser assemelhadas; II remuneração proveniente de profissões, ocupações e prestação de serviços nãocomerciais; III remuneração dos agentes, representantes e outras pessoas sem vínculo empregatício que, tomando parte em atos de comércio, não os pratiquem por conta própria; IV emolumentos e custas dos serventuários da Justiça, como tabeliães, notários, oficiais públicos e outros, quando não forem remunerados exclusivamente pelos cofres públicos; V corretagens e comissões dos corretores, leiloeiros e despachantes, seus prepostos e adjuntos; (...) Fl. 1668DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 22 Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): I as importâncias com que for beneficiado o devedor, nos casos de perdão ou cancelamento de dívida em troca de serviços prestados; II as importâncias originadas dos títulos que tocarem ao meeiro, herdeiro ou legatário, ainda que correspondam a período anterior à data da partilha ou adjudicação dos bens, excluída a parte já tributada em poder do espólio; III os lucros do comércio e da indústria, auferidos por todo aquele que não exercer, habitualmente, a profissão de comerciante ou industrial; IV os rendimentos recebidos na forma de bens ou direitos, avaliados em dinheiro, pelo valor que tiverem na data da percepção; V os rendimentos recebidos de governo estrangeiro e de organismos internacionais, quando correspondam à atividade exercida no território nacional, observado o disposto no art. 22; VI as importâncias recebidas a título de juros e indenizações por lucros cessantes; VII os rendimentos recebidos no exterior, transferidos ou não para o Brasil, decorrentes de atividade desenvolvida ou de capital situado no exterior; (...) X os rendimentos derivados de atividades ou transações ilícitas ou percebidos com infração à lei, independentemente das sanções que couberem; (...)” Por outro lado, atentese que a tributação do acréscimo patrimonial a descoberto está fundada nos arts. 1º, 2º e 3º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, in verbis: “Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Fl. 1669DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.001773/200716 Acórdão n.º 2101002.728 S2C1T1 Fl. 13 23 Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. (Vide Lei 8.023, de 12.4.90) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. § 2º Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos arts. 15 a 22 desta Lei. § 3º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título.” (grifamos) Por sua vez, o Regulamento do Imposto de Renda disposto no Decreto nº 3.000/1999, prevê expressamente: Fl. 1670DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 24 “Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): (...) XIII as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva; (...) Parágrafo único. Na hipótese do inciso XIII, o valor apurado será acrescido ao valor dos rendimentos tributáveis na declaração de rendimentos, submetendose à aplicação das alíquotas constantes da tabela progressiva de que trata o art. 86.” Avultam das normas transcritas que o Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, incidirá sobre o acréscimo patrimonial, compreendido como rendimento bruto do Contribuinte, que não corresponda ao seu rendimento declarado. E a presunção legal da omissão de rendimentos representada pelo acréscimo patrimonial a descoberto, decorre da constatação lógica de que ninguém aumenta seu patrimônio sem a obtenção dos recursos para isso necessários. Neste sentido, para que seja desconstituída a presunção fiscal, caberia ao Contribuinte/Fiscalizado justificar o acréscimo patrimonial verificado nos autos com provas e/ou documentos satisfatórios, que apontassem a disponibilidade financeira por meio de rendimentos tributáveis, isentos ou não tributáveis ou, ainda, tributáveis exclusivamente na fonte. Contudo, as conclusões proferidas pela Fiscalização não foram suficientemente combatidas na Impugnação e no Recurso, eis que o Contribuinte/Recorrente deveria apresentar elementos de convicção satisfatórios quanto à inocorrência de fato gerador do imposto, por meio de documentos hábeis e idôneos, que justificassem legitimamente o acréscimo patrimonial. Ora, em nenhum momento a Recorrente conseguiu comprovar a legitimidade dos recursos operacionalizados nas constas bancárias no exterior, muito menos o efetivo recebimento de lucros da empresa STRATUS FACTORING E FOMENTO COMERCIAL LTDA., de modo que os valores envolvidos conformam uma disponibilidade econômica injustificada. Fl. 1671DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.001773/200716 Acórdão n.º 2101002.728 S2C1T1 Fl. 14 25 Além disso, as alegativas trazidas no Recurso quanto a supostos erros no cálculo do imposto, além de carecer de documentação comprobatória, não têm como serem admitidos. Destarte, verificase que todas as provas e documentos produzidos no procedimento fiscal foram consideradas no lançamento fiscal, tanto para afastar como para confirmar a conclusão do acréscimo patrimonial a descoberto, e os argumentos trazidos na Impugnação e no Recurso da Contribuinte/Recorrente não conseguiram aferir a justa obtenção de recursos disponibilizados, restando íntegra a decisão recorrida. Desta feita caberia apenas um pequeno ajuste quanto a consideração das provas produzidas pelo Contribuinte/Recorrente, em relação ao recebimento de alugueis e suas consequências no crédito tributário lançado. De fato, restaram omitidos os valores recebidos a título de aluguel relativos ao apartamento 156, localizado na Rua Afonso Bovero, 918, São PauloSP, porquanto não há provas de que foram ofertados a tributação. Contudo, estes mesmos valores não podem compor o montante de acréscimo patrimonial a descoberto, tendo em vista os documentos juntados aos autos pelo Recorrente, correspondentes a um recibo de fl. 127, o Contrato de Locação de fls. 136/146 e 1.061/1.070, além de um email da empresa administradora na fl. 1.072, conformando justificativa patrimonial quanto ao montante apurado nestes documentos. Assim, para evitar uma dupla tributação sobre o mesmo fato gerador, os valores recebidos a título de aluguel do citado apartamento devem ser tributados como rendimentos omitidos, sendo afastados estes mesmos valores da tributação do acréscimo patrimonial a descoberto. Por fim, o Recorrente insurgiuse contra a aplicação da multa qualificada, por entender que não cometeu qualquer ato com evidente intuito de fraude, que justificasse o agravamento da multa. Da análise dos autos e de todo seu conjunto probatório, em que pese a tentativa de interpretação dada aos fatos pelo Recorrente, entendo que a opção do contribuinte em abrir uma conta corrente no exterior onde houve movimentação de recursos em considerável quantia, esquivando do controle do Banco Central e da Administração Tributária por meio de simulação de negócios jurídicos inexistentes, jamais comprovados, disfarçando evidente disponibilidade econômica, figuram como ato ilícito constituindo evidente tentativa de fraudar a ordem tributária. Fl. 1672DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 26 A meu ver, a existência de dolo fica ainda mais clara quando se observa que o Recorrente prestou informações completamente desconectadas da realidade, não admitindo a verdade fática e jurídica evidenciada pelos documentos obtidos após os inúmeros procedimentos perpetrados pela Fiscalização durante o procedimento fiscal, que descortinaram as injuridicidades cometidas com a flagrante intenção de reduzir o valor dos impostos devidos. Neste sentido, conformando as hipóteses de sonegação e fraude previstas nos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502/64, aplicável a multa qualificada de 150%, nos termos do art. 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96. Ante todo o acima exposto e o que mais constam nos autos, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, apenas para afastar os valores recebidos a título de aluguel relativos ao apartamento 156, localizado na Rua Afonso Bovero, 918, São PauloSP da composição da evolução patrimonial (fls. 1.449/1451) que identificou o montante do imposto relativo ao acréscimo patrimonial a descoberto, mantendo todo o restante dos valores delimitados na decisão recorrida. É como voto. Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO Fl. 1673DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 13896.910098/2012-61
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 01 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3801-000.890
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do presente voto.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do presente voto. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Relatório Tratase de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório eletronicamente emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil no Recife, por meio do RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 10 09 8/ 20 12 -6 1 Fl. 313DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910098/201261 Resolução nº 3801000.890 S3TE01 Fl. 12 2 qual foi não homologada a Declaração de Compensação DCOMP em que é indicado suposto crédito a título de pagamento indevido ou a maior da COFINS. Por bem descrever os fatos, transcrevo o Relatório da DRJ de Recife: 2. A não homologação da compensação se deu porque, embora localizado supradito pagamento, ele fora integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação. 3. No recurso, a defendente alega que tem por objeto a prestação de serviços técnicos no ramo de engenharia e que tem como principal tomadora de serviços o Grupo PETROBRÁS, estando submetida ao pagamento, dentre outros tributos, da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP, relativamente às quais as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 estabeleceram sistemática não cumulativa de pagamento, que consiste “em deduzir, dos débitos apurados de cada contribuição, os respectivos créditos admitidos na legislação”. 4. Transcreve a recorrente o art. 3º, da Lei nº 10.833/2003, que prevê a possibilidade de desconto de créditos da COFINS, e apresenta decisões administrativas e judiciais que tratam do conceito de insumos para fins de desconto de créditos desta contribuição, após o que assevera que, “fundamentada na legislação tributária e no entendimento dado pelos Tribunais Pátrios, em decorrência de recolhimentos realizados a maior no exercício de liquidação de sua carga tributária inerente às Contribuições Sociais em comento, razão pela qual requereuse a presente compensação administrativa”. 5. Diz ter cumprido todas as etapas legais estabelecidas e que preencheu todos os requisitos e que, desta forma, não haveria que se negar a homologação das compensações e muito menos ainda aplicar multa. 6. Argúi que a alegação do Despacho Decisório recorrido de que inexistiria crédito indicaria, de forma clara, erro no cruzamento de informações dos sistemas que impediu a identificação do crédito, que fala ser líquido e certo. 7. Menciona que, para sanar quaisquer dúvidas, apresenta Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais – DACON e de Declaração de Débitos e Créditos – DCTF da DCOMP. 8. Ao final, diante das provas apresentadas, requereu o acolhimento da defesa e que seja julgada “improcedente a autuação e, em decorrência, cancelada a exigência”. 9. Dentre outros documentos, a contribuinte anexou aos presentes autos cópia de DACON retificadora e este. Analisando o caso, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife entendeu por bem julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade do contribuinte, ao Fl. 314DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910098/201261 Resolução nº 3801000.890 S3TE01 Fl. 13 3 argumento de que este não apresentou documentos que evidenciassem, de forma inequívoca, o direito ao pretendido indébito. Transcrevase a ementa da referida decisão: TRIBUTO. PAGAMENTO ESPONTÂNEO. RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO. REQUISITOS. O reconhecimento do direito à restituição/compensação de tributo recolhido de acordo com confissão de dívida constante de DCTF ativa quando da emissão do Despacho Decisório que não homologa a compensação exige a comprovação, pelo sujeito passivo, de erro na confissão e de que o pagamento realizado foi indevido ou a maior que o devido em face da legislação aplicável ou das circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c”, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72, as provas do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Diante dessa decisão, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário, alegando, em síntese, que não fora intimado para prestar qualquer esclarecimento ou apresentar documentação fiscal que atestassem a natureza e demonstrassem inequivocamente o seu crédito, tendo o seu pedido de compensação sido não homologado direto por meio de despacho eletrônico. Assim, juntou ao Recurso todos os documentos contábeis, fiscais, relatórios, planilhas demonstrativas, balancetes, que comprovam a natureza do crédito. Registrou também disponibilizar os documentos fiscais e contábeis, que poderão ser retirados a qualquer momento no arquivo central da empresa, em Barueri. Argumentou que o processo administrativo fiscal possui como princípio a verdade material e traz jurisprudência deste Conselho e do Poder Judiciário sobre a necessidade e importância de sua aplicação. É o relatório. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910098/201261 Resolução nº 3801000.890 S3TE01 Fl. 14 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Analisando os autos, entendo que no julgamento da Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente, a Delegacia de Julgamento de Recife poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir autenticidade e correção dos créditos declarados pela Recorrente. Esta é a orientação do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A ilação do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifouse). (MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita, não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a Fl. 316DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910098/201261 Resolução nº 3801000.890 S3TE01 Fl. 15 5 ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/00 99, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda) PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 103 18789 3ª. Câmara 1º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/0304.371 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (10950.002540/200565, Recurso Voluntário n°. 136.880, Acórdão 30239947, Relatora Judith do Amaral Marcondes) IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara: Quinta Câmara Número do Processo: 13877.000442/200269 – Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇÃO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Fl. 317DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910098/201261 Resolução nº 3801000.890 S3TE01 Fl. 16 6 Processo:10768.100409/200368 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, devem ser considerados, in casu, a DACON que foi retificada pelo Recorrente, que, a princípio, em uma análise superficial, demonstra créditos passíveis de compensação. Contudo, só através de diligência, que deverá ser realizada pela DRF de Recife, é que se poderá ter certeza de que os créditos utilizados são mesmo decorrentes de bens e serviços utilizados como insumos na sua prestação de serviços de engenharia e, em conseqüência, são passíveis de compensação, como pretendeu a Recorrente. Não se pode olvidar que consta anexada aos Autos, além da DACON retificada, balancete, documentação fiscal e contábil passível de verificação do direito creditório. Tal documentação, contudo, não foi considerada pela DRJ/Recife, sob a alegação de ter sido apresentada posteriormente ao indeferimento da compensação. Tendo em vista o acima exposto, voto por converter o julgamento em diligência à DRF de Recife para: 1. Apurar se, com base na documentação acostada aos autos, os valores dos créditos de bens e serviços utilizados como insumos na sua atividade declarado no DACON retificado estão corretos; 2. Caso se entenda que a documentação acostada aos autos não seja suficiente para a verificação dos créditos, intimar a empresa a apresentar documentos adicionais para esse fim específico, concedendolhe prazo para tal apresentação; 3. Intimar a empresa a se manifestar acerca da diligência realizada, se assim desejar, no prazo de trinta dias de sua ciência; 4. Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento. Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 318DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 13830.722243/2012-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2009
ITR. ÁREAS COM PRODUTOS VEGETAIS E PASTAGEM. COMPROVAÇÃO.
Comprovada a existência das áreas com produtos vegetais e pastagem por meio de documentação idônea, tais áreas devem ser consideradas no cálculo do ITR.
Numero da decisão: 2101-002.704
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
DANIEL PEREIRA ARTUZO - Relator.
EDITADO EM: 12/02/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), DANIEL PEREIRA ARTUZO (Relator), MARIA CLECI COTI MARTINS, EDUARDO DE SOUZA LEÃO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR e ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
Nome do relator: DANIEL PEREIRA ARTUZO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2009 ITR. ÁREAS COM PRODUTOS VEGETAIS E PASTAGEM. COMPROVAÇÃO. Comprovada a existência das áreas com produtos vegetais e pastagem por meio de documentação idônea, tais áreas devem ser consideradas no cálculo do ITR.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente. DANIEL PEREIRA ARTUZO - Relator. EDITADO EM: 12/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), DANIEL PEREIRA ARTUZO (Relator), MARIA CLECI COTI MARTINS, EDUARDO DE SOUZA LEÃO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR e ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2009 ITR. ÁREAS COM PRODUTOS VEGETAIS E PASTAGEM. COMPROVAÇÃO. Comprovada a existência das áreas com produtos vegetais e pastagem por meio de documentação idônea, tais áreas devem ser consideradas no cálculo do ITR. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. DANIEL PEREIRA ARTUZO Relator. EDITADO EM: 12/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), DANIEL PEREIRA ARTUZO (Relator), MARIA CLECI COTI MARTINS, EDUARDO DE SOUZA LEÃO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR e ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 72 22 43 /2 01 2- 13 Fl. 627DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 19/02/201 5 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Relatório Em 2012 foi emitida a Notificação de Lançamento de fls. 03 a 07, para a exigência de ITR do Exercício 2009, relativo ao imóvel rural “Fazenda Nova América”, com área de 6.050,2 ha, NIRF 0.737.2345, localizado no município de Tarumã/SP. De acordo com a “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, “após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou a área efetivamente utilizada para plantação com produtos vegetais declarada e também deixou de comprovar a área utilizada com pastagem, razão pela qual esses itens foram alterados e efetuado o lançamento de ofício com base no art. 10 § 1º inciso I e art. 14 da Lei nº 9.393/1996.” Cientificada do lançamento, a Contribuinte apresentou a Impugnação de fls. 164 a 175, alegando, em síntese, que a área do imóvel correspondente a 5.221,8 ha, no ano de 2008, era utilizada com cultura de canadeaçúcar e eucalipto, conforme Contrato de Parceria Agrícola firmado com a empresa Nova América S/A, denominada atualmente Nova Agrícola Ltda., e para justificar apresenta, nos autos, cópia do Instrumento Particular de Parceria Agrícola, Notas Fiscais de Entrada e de Saída de mercadorias, Laudo Técnico de Comprovação de Exploração do Imóvel Rural; a área de 358,9 ha era utilizada com pecuária de acordo com o Contrato de Arrendamento firmado com Renato Eugênio de Rezende Barbosa e outros (Condomínio – CNPJ 08.037.690/000165), para a qual apresenta Demonstrativo do Movimento de Gado, Notas Fiscais, entre outros documentos, que comprovam a altíssima produtividade do imóvel; requer perícia técnica, juntada de novos documentos; e, por último, solicita cancelamento da notificação de lançamento ora impugnada (docs. de fls. 176 a 606). Ao analisar a Impugnação, a DRJ de Campo Grande reconheceu a existência das Áreas de Produtos Vegetais e de Pastagem: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR Exercício: 2009 Áreas de Produtos Vegetais/Pastagens. Comprovadas, mediante documentação hábil e idônea, a produção agrícola e a existência de animais no imóvel em 2008, impõese restabelecer a área efetivamente utilizada para produção vegetal e a área servida de pastagens, glosadas pela fiscalização no procedimento de revisão interna na declaração do ITR daquele exercício. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado” (acórdão de fls. 609/613) Como o crédito tributário exonerado é superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), foi interposto o presente Recurso de Ofício. É o relatório. Fl. 628DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 19/02/201 5 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13830.722243/201213 Acórdão n.º 2101002.704 S2C1T1 Fl. 23 3 Voto Conselheiro DANIEL PEREIRA ARTUZO O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Tratase de Recurso de Ofício no qual deverá ser analisado se os documentos apresentados pela Contribuinte são suficientes para a comprovação da Áreas de Produtos Vegetais e de Pastagem. A Contribuinte declarou que a área correspondente a 5.221,8 ha era utilizada com cultura de canadeaçúcar em regime de parceria agrícola e 358,9 ha com pecuária sob a forma de arrendamento com terceiros. A autoridade julgadora de 1ª Instância entendeu que, “para comprovar as áreas utilizadas com produção vegetal, com pastagem, com exploração extrativa, atividade granjeira ou agrícola é necessária apresentação de Laudo Técnico elaborado por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhada da anotação responsabilidade técnica – ART, devidamente registrada no CREA, ou laudo de acompanhamento de projeto fornecido por instituições oficiais (Secretarias Estaduais de Agricultura, Banco do Brasil, Bancos e Órgãos Regionais e Estaduais de Desenvolvimento), nos quais deverão estar discriminadas as culturas e atividades desenvolvidas e as áreas com elas utilizadas, acompanhadas de notas fiscais de produtor rural, notas fiscais de compras de insumos, notas fiscais de comercialização de produtos, certificado de depósito, contratos ou cédulas de crédito rural. Por outro lado, em se tratando da atividade pecuária, no laudo deverão estar discriminadas as áreas utilizadas com pastagem nativa, plantada e com forrageira de corte destinada à alimentação dos animais na propriedade, a quantidade de animais de grande e médio portes existente no imóvel no período de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2008, acompanhado das fichas de vacinação expedidas pelos órgãos competentes, demonstrativo de movimentação de gado (DMG/DMR) emitidos pelos Estados, notas fiscais de aquisição de vacinas, notas fiscais de produtor referente a venda/compra de gado”. Já em relação à parceria agrícola, afirmou que “o interessado deve comprová la mediante Contrato de Parceria entre as partes contratantes e as respectivas notas fiscais em nome do parceiro outorgado e que estas tenham vínculo com o imóvel objeto do contrato.” Analisando o conjunto probatório juntado aos autos, entendo que a existência das referidas áreas e a sua utilização restaram devidamente comprovadas e, portanto, correta a decisão de 1ª Instância que julgou improcedente o lançamento fiscal. Assim, a decisão da DRJ de Campo Grande deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos e, por isso, voto no sentido de NEGAR provimento ao Recurso de Ofício. É o meu voto. Fl. 629DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 19/02/201 5 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 DANIEL PEREIRA ARTUZO Relator Fl. 630DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 19/02/201 5 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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