Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,235)
- Segunda Câmara (27,802)
- Primeira Câmara (25,085)
- Segunda Turma Ordinária d (17,417)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,076)
- Primeira Turma Ordinária (15,870)
- Primeira Turma Ordinária (15,862)
- Primeira Turma Ordinária (15,851)
- Segunda Turma Ordinária d (15,719)
- Segunda Turma Ordinária d (14,277)
- Primeira Turma Ordinária (12,970)
- Primeira Turma Ordinária (12,280)
- Segunda Turma Ordinária d (12,256)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,304)
- Quarta Câmara (84,103)
- Terceira Câmara (66,411)
- Segunda Câmara (54,642)
- Primeira Câmara (19,299)
- 3ª SEÇÃO (16,076)
- 2ª SEÇÃO (11,243)
- 1ª SEÇÃO (6,794)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (122,446)
- Segunda Seção de Julgamen (113,241)
- Primeira Seção de Julgame (75,650)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,918)
- Câmara Superior de Recurs (37,709)
- Terceiro Conselho de Cont (25,973)
- IPI- processos NT - ressa (5,010)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,057)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,864)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,245)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,099)
- IRPJ - restituição e comp (2,087)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,627)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,201)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,645)
- HELCIO LAFETA REIS (3,513)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,210)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,899)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,625)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,614)
- WILDERSON BOTTO (2,602)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,084)
- 2021 (35,828)
- 2019 (30,958)
- 2018 (26,045)
- 2024 (25,915)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,467)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,246)
- 2010 (18,058)
- 2008 (17,078)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,840)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 35013.000985/2007-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 29 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2302-000.256
Decisão: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 22/12/2005.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência fiscal nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liége Lacroix Thomasi - Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201310
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 29 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 35013.000985/2007-93
anomes_publicacao_s : 201310
conteudo_id_s : 5303034
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 29 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2302-000.256
nome_arquivo_s : Decisao_35013000985200793.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : Não se aplica
nome_arquivo_pdf_s : 35013000985200793_5303034.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 22/12/2005. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência fiscal nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi - Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
id : 5142122
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:15:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046173269360640
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1512; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2‐C3T2 Fl. 1.293 1 1.292 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 35013.000985/200793 Recurso nº 00.025.6De Ofício e Voluntário Resolução nº 2302000.256 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 17 de outubro de 2013 Assunto Realização de Diligência Fiscal Recorrentes FUNDAÇÃODE ADMINISTRAÇÃO E PESQUISA ECONOMICOSOCIAL FAPES FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 22/12/2005. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência fiscal nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 3 50 13 .0 00 98 5/ 20 07 -9 3 Fl. 1630DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35013.000985/200793 Resolução nº 2302000.256 S2‐C3T2 Fl. 1.294 2 RELATÓRIO Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/2005. Data da lavratura do Auto de Infração: 22/12/2005. Data da Ciência do Auto de Infração: 22/12/2005. Tratase de Recurso Voluntário e de Ofício interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em Salvador/BA que julgou procedente em parte a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração nº 37.900.2161, decorrente do descumprimento de obrigação acessória prevista no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91, lavrado em desfavor do Recorrente em virtude de este ter apresentado GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme descrito no Relatório Fiscal da Infração a fls. 1522/1523. CFL 68 Apresentar a empresa GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural) Art. 284, II na redação do Dec.4.729, de 09/06/2003. Relata a Autoridade Lançadora que no decorrer da ação fiscal foi constatado que o contribuinte apresentou as GFIP das competências 01/1999 a 01/2005 com omissões de informações relativas às remunerações de segurados empregados relativamente às parcelas de auxílio transporte, refeição, assistência médica e bolsa para estagiários em desacordo com a legislação vigente, bem como todas as remunerações dos segurados contribuintes individuais. Informa o auditor fiscal autuante que a multa foi aplicada em conformidade com o art. 32, §5º da Lei n° 8.212/91 e inciso II do art. 284 e art. 373 do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. Assim, a multa para cada competência corresponde a 100% (cem por cento) do valor das contribuições sociais previdenciárias devidas ou do valor que seria devido no período em que houvesse a substituição tributária e que não foram declaradas, sendo limitada aos valores previstos no parágrafo 4º do artigo 32 da Lei nº 8.212/91, atualizados pela Portaria MPS nº 822, DE 11/05/2005, conforme Relatório Fiscal da Multa Aplicada, a fl. 07/13, e Demonstrativo de Segurados com Informações Omissas na GFIP – CFL 68, a fls. 015/1521. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 1544/1562. Fl. 1631DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35013.000985/200793 Resolução nº 2302000.256 S2‐C3T2 Fl. 1.295 3 A Delegacia da Receita Previdenciária em Salvador/BA lavrou Despacho Decisório a fls. 1565/1572, retificando o valor da multa aplicada, ajustandoa ao mecanismo de cálculo fixado no art. 32 da Lei nº 8.212/91. Alegando que o Sistema Previdenciário não permitia a retificação do débito apurado para maior, foi feita a exclusão do lançamento da multa nas competências março de 2001, abril de 2001, dezembro de 2001, março de 2004, julho a novembro de 2004. Devidamente intimado do teor do Despacho Decisório suso referido, o Autuado ofereceu aditamento à impugnação administrativa, a fls. 1584/1588. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador/BA lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1519.074 – 5ª Turma da DRJ/SDR, a fls. 1591/1602, julgando procedente em parte a autuação, fazendo excluir do lançamento as obrigações tributárias alcançadas pela decadência (art. 150, §4º do CTN), retificando o cálculo da multa para aplicar a comparação entre a multa de ofício e as multas de mora previstas no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela lei nº 9.876/99, e recorrendo de ofício de sua decisão. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 28/07/2009, conforme Aviso de Recebimento a fl. 1609. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 1611/1625, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos termos que se vos seguem: · Dependência do julgamento da NFLD nº 35.900.2110, em razão da prejudicialidade; · Nulidade do Acórdão nº 1519.074 – 5ª Turma da DRJ/SDR, na medida em que apresenta contradição em sua fundamentação e ausência de fundamentação legal para aplicação de multa, de modo a comprometer cabalmente a defesa da Recorrente; · Que o Despacho Decisório realizou o papel de um novo Lançamento, que reconheceu de oficio a ilegalidade do anterior e o substituiu para efeitos fiscais. Por isso, ocorreu a devolução do prazo para pagar ou impugnar o Auto de Infração. Tal situação gera efeitos diretos na aplicação, ao caso, do art. 150, §4º do CTN; · Requer a incidência da retroatividade benigna para fazer aplicar a metodologia de cálculo instituída pela MP nº 449/2008; Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 1632DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35013.000985/200793 Resolução nº 2302000.256 S2‐C3T2 Fl. 1.296 4 VOTO Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 28/07/2009. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 26 de agosto do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. DA DECISÃO E FUNDAMENTAÇÃO Com efeito, os créditos tributários relativos às obrigações tributárias principais correspondentes aos fatos geradores referidos neste Auto de Infração foram apurados mediante a NFLD nº 35.900.2110, lavrada na mesma ação fiscal, objeto do Processo Administrativo Fiscal nº 18050.002705/200805, que promoveu o lançamento tributário das contribuições previdenciárias previstas nos artigos 20 e 22 da Lei nº 8.212/91 e das contribuições sociais destinadas a Outras Entidades e Fundos, incidentes sobre diferenças de folha de pagamento não declaradas em GFIP, e sobre rubricas pagas a segurados empregados a título de auxílio transporte, auxílio refeição, auxílio bolsa estagiários e sobre a remuneração de segurados contribuintes individuais. O lançamento efetuado por intermédio da NFLD n° 37.900.2110 foi julgado procedente em parte pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador/BA, em sede de 1ª Instância Administrativa, nos termos do Acórdão nº 1518.901 – 5ª Turma da DRJ/SDR, de 09 de abril de 2009, sendo certo que, em face de tal decisão, o Notificado interpôs Recurso Voluntário a fls. 3.790/3.853 dos autos do PAF nº 18050.002705/200805, pendente ainda de julgamento na 2ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF. Por todo o exposto, diante da ostensiva relação de prejudicialidade entre ambos os lançamentos, e visando à esquiva de prolação de decisões conflitantes, pugnamos pela conversão do vertente julgamento em diligência fiscal, sobrestandose o trâmite do presente feito até o Trânsito em Julgado da decisão relativa à NFLD n° 35.900.2110 a ser proferida nos autos do Processo Administrativo Fiscal nº 18050.002705/200805. A diligência fiscal ora comandada deverá ser concluída com a juntada aos presentes autos de cópia da decisão administrativa definitiva referida no parágrafo anterior. RESOLUÇÃO Fl. 1633DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35013.000985/200793 Resolução nº 2302000.256 S2‐C3T2 Fl. 1.297 5 Pelos motivos expendidos, voto pela CONVERSÃO do julgamento em diligência fiscal, nos exatos termos detalhados nos parágrafos precedentes. Antes de os autos retornarem a este Colegiado, deverá ser concedida a devida ciência do teor da diligência fiscal ora em realce ao Sujeito Passivo, para que este, desejando, possa se manifestar nos autos do processo no prazo normativo. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 1634DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 19515.005980/2009-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
REAVALIAÇÃO DO ATIVO PERMANENTE. ERRO NA DATA DO FATO GERADOR. VÍCIO INSANÁVEL
Incabível a exigência fiscal quando a infração descrita pela autoridade fiscalizadora não ocorreu na data consignada no Auto de Infração.
REAVALIAÇÃO DE BENS DO ATIVO. TRIBUTAÇÃO. REALIZAÇÃO
A partir de 1° de janeiro de 2000, a contrapartida da reavaliação de quaisquer bens da pessoa jurídica somente poderá ser computada em conta de resultado ou na determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido quando ocorrer a efetiva realização do bem reavaliado.
LANÇAMENTO. DECADÊNCIA
O Fisco não poderá constituir o crédito tributário, quando decorridos mais de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador ou do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
OMISSÃO DE RECEITA. ERRO DE PREENCHIMENTO DA DIPJ
Cancela-se a exigência fiscal, quando ficar comprovado que a infração apontado no lançamento decorre de mero erro de fato no preenchimento da DIPJ.
Numero da decisão: 1401-000.941
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao RECURSO DE OFÍCIO.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Victor Humberto da Silva Maizman, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira.
Nome do relator: Relator
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201303
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 REAVALIAÇÃO DO ATIVO PERMANENTE. ERRO NA DATA DO FATO GERADOR. VÍCIO INSANÁVEL Incabível a exigência fiscal quando a infração descrita pela autoridade fiscalizadora não ocorreu na data consignada no Auto de Infração. REAVALIAÇÃO DE BENS DO ATIVO. TRIBUTAÇÃO. REALIZAÇÃO A partir de 1° de janeiro de 2000, a contrapartida da reavaliação de quaisquer bens da pessoa jurídica somente poderá ser computada em conta de resultado ou na determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido quando ocorrer a efetiva realização do bem reavaliado. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA O Fisco não poderá constituir o crédito tributário, quando decorridos mais de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador ou do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. OMISSÃO DE RECEITA. ERRO DE PREENCHIMENTO DA DIPJ Cancela-se a exigência fiscal, quando ficar comprovado que a infração apontado no lançamento decorre de mero erro de fato no preenchimento da DIPJ.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 19515.005980/2009-10
anomes_publicacao_s : 201308
conteudo_id_s : 5285496
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1401-000.941
nome_arquivo_s : Decisao_19515005980200910.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : Relator
nome_arquivo_pdf_s : 19515005980200910_5285496.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao RECURSO DE OFÍCIO. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Victor Humberto da Silva Maizman, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
id : 5026568
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:12:49 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046173271457792
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2103; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 676 1 675 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.005980/200910 Recurso nº 999.999 De Ofício Acórdão nº 1401000.941 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 06 de março de 2013 Matéria IRPJ/Reflexos Recorrente CONSTRUTORA MIGUEL CURI LIMITADA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 REAVALIAÇÃO DO ATIVO PERMANENTE. ERRO NA DATA DO FATO GERADOR. VÍCIO INSANÁVEL Incabível a exigência fiscal quando a infração descrita pela autoridade fiscalizadora não ocorreu na data consignada no Auto de Infração. REAVALIAÇÃO DE BENS DO ATIVO. TRIBUTAÇÃO. REALIZAÇÃO A partir de 1° de janeiro de 2000, a contrapartida da reavaliação de quaisquer bens da pessoa jurídica somente poderá ser computada em conta de resultado ou na determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido quando ocorrer a efetiva realização do bem reavaliado. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA O Fisco não poderá constituir o crédito tributário, quando decorridos mais de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador ou do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. OMISSÃO DE RECEITA. ERRO DE PREENCHIMENTO DA DIPJ Cancelase a exigência fiscal, quando ficar comprovado que a infração apontado no lançamento decorre de mero erro de fato no preenchimento da DIPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao RECURSO DE OFÍCIO. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 59 80 /2 00 9- 10 Fl. 676DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.005980/200910 Acórdão n.º 1401000.941 S1C4T1 Fl. 677 2 (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Victor Humberto da Silva Maizman, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira. Fl. 677DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.005980/200910 Acórdão n.º 1401000.941 S1C4T1 Fl. 678 3 Relatório Tratase de analisar recurso ofício no Acórdão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Porto AlegreRS. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: Trata o presente processo de Autos de Infração relativos: ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), no valor de R$1.034.139,79 (um milhão, trinta e quatro mil, cento e trinta e nove reais e setenta e nove centavos); à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), no valor de R$380.930,32 (trezentos e oitenta mil, novecentos e trinta reais e trinta e dois centavos);à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), no valor de R$972.331,86 (novecentos e setenta e dois mil, trezentos e trinta e um reais e oitenta e seis centavos); e à Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), no valor de R$156.814,11 (cento e cinquenta e seis mil, oitocentos e quatorze reais e onze centavos), acrescidos da multa de ofício qualificada, no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento) e dos juros de mora calculados até a data dos lançamentos, e de Autos de Infração para exigência de Multa Regulamenta pela Falta de apresentação de Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), no valor de R$185.641,30 (cento e oitenta e cinco mil, seiscentos e quarenta e um reais e trinta centavos), e Multa Regulamentar pela Falta de apresentação da Declaração de Informações Econômico Fiscais (DIPJ), no valor de R$500,00 (quinhentos reais), totalizando R$7.204.733,07 (sete milhões , setecentos e trinta e três reais e sete centavos). O Relatório Fiscal (fls. 61 a 79), subscrito pela Autoridade Tributária, registra os seguintes fatos: a Tecnologia Avançada Garantida S/A, doravante denominada Contribuinte, está inscrita no CNPJ sob o n° 01.009.886/000105, com endereço cadastral na Rua do Paço n° 498, Itinga, Lauro de Freitas BA, CEP 42.700000, conforme extrato do CNPJ em anexo; o art. 5° do Estatuto Social, contido na Ata de Assembléia de Constituição de 31/10/2005, registra que "O capital social é de R$3.000.000,00 (três milhões de reais) dividido em 2.832.153 (dois milhões, oitocentos e trinta e duas mil e cento e cinqüenta e três) ações ordinárias, 153.215 (cento e cinqüenta e três mil e duzentos e quinze) ações preferenciais, 14.632 (quatorze mil seiscentos e trinta e duas) ações preferenciais classe B, no valor nominal de R$1,00 (um real) cada uma subscrito e integralizado em bens abaixo relacionados, vertidos pela empresa IMS INDÚSTRIA MECÂNICA DE SALVADOR S.A., conforme Laudo de Avaliação, que fica como parte integrante deste instrumento, aprovado na Ata de Assembléia Geral Extraordinária realizada no dia 31 de outubro de 1995."; entretanto, em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal 0002, o Contribuinte informa que a sua composição atual é conforme demonstrado abaixo: Lin has Saldo s Saldos Sald os Fl. 678DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.005980/200910 Acórdão n.º 1401000.941 S1C4T1 Fl. 679 4 31/12/2003 31/12/2004 31/12/2003 Linha 03 Valores Mobiliários Linha 03 Valores Mobiliário s Linha 16 Créd. C/Pess. Ligadas inha 16 Créd. C/Pess. Ligadas inha s aldos S aldos aldo s 3 1/12/2003 31/12/2004 1/12/2003 Observação: na DIPJ do anocalendário de 2004, essas linhas estão inseridas na Ficha 45 A (fl. 13) e na DIPJ do anocalendário de 2005 na Ficha 36 A (fl. 19). Assim, está descrita a infração no Termo de Verificação Fiscal: 11) Considerando que não há comprovação da origem dos valores inseridos no Balanço de abertura do anocalendário de 2005 relativamente a essas contas, presumese que sejam provenientes de operações realizadas à margem da escrituração contábil e fiscal, sendo utilizado mesmo artifício para encobrir a significativa variação patrimonial que ocorreria, caso os saldos do Balanço de abertura do anocalendário de 2005 fossem idênticos àqueles do Balanço de encerramento do ano calendário de 2004. Enquadramento legal: arts. 249, inciso II, 251, e parágrafo único, 278, 279, 280 e 288 do Regulamento do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza Decreto n.° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/1999) e art. 24 da Lei n° 9.249, de 1995. 2 Falta de adição ao lucro líquido do valor de R$ 57.737.201,63, anocalendário de 2004, referente à reserva de reavaliação de bens do Ativo Permanente, em razão da inobservância dos requisitos legais, que assim está descrito no Termo de Verificação Fiscal (fls. 7677): 4) Para justificar a diferença entre os valores referentes à rubrica "Edificios e Construções", constantes da linha 33 das fichas 45 A (R$733.725,18) e 36 A (R$ 56.895.696,59), das DIPJ 2005 e 2006, respectivamente, foinos apresentada cópia do laudo de reavaliação elaborado supostamente em 1998, sem os requisitos formais exigidos pela Lei n° 6.404/76 em seu caput e § 1°, grifados e negritados na transcrição da norma a seguir, aplicáveis indistintamente a todas as Fl. 679DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.005980/200910 Acórdão n.º 1401000.941 S1C4T1 Fl. 680 5 pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, conforme entendimento constante do ACÓRDÃO 10193.125 exarado pelo 1° CC, transcrito no item 7 abaixo; Art. 8° A avaliação dos bens será feita por 3 (três) peritos ou por empresa especializada, nomeados em assembléia geral dos subscritores, convocada pela imprensa e presidida por um dos fundadores, instalandose em primeira convocação com a presença de subscritores que representam metade, pelo menos, do capital social, em segunda convocação com qualquer número. § 1° Os peritos ou a empresa avaliadora deverão apresentar laudo fundamentado, com indicação dos critérios de avaliação e dos elementos de comparação adotados e instruído com os documentos relativos aos bens avaliados e estarão presentes à assembléia que conhecer (grifo e negrito nosos). 5) De acordo com os valores declarados nas DIPJ de 2005 e 2006, mais especificamente nos respectivos Balanços Patrimoniais, o contribuinte procedeu a Reavaliação espontânea dos Bens integrantes do Ativo Permanente no anocalendário de 2005, utilizandose eventualmente dos valores constantes do referido laudo de reavaliação, conforme demonstrativo a seguir: DIPJ 2005 AC 2004 DECL 0467182 DVM60 DIPJ 2006 AC 2005 DECL 1336196 DV 60 FICHA 45 A (2005)/36 A (2006) ATIVO BAJ'NÇO PATRIMONIAL 31/12/2003 31/12/2004 31/12/2004 31/12/2005 Linha 03 VALORESMOBILIÁRIO S 17.966.880,41 19.226.821,44 Linha 16CRED.C/PESS.LIGADAS 8.625.446,70 9.344.973,25 Linha 33 EDIFÍCIOS E CONST 733.725,18 733.725,18 56.895.696,59 56.742.476,60 FICHA 46 A (2005) 37 A (2006) PASSIVO 31/12/2003 31/12/2004 31/12/2004 31/12/2005 BAJANÇO PATRIMONIAJ Linha 30 RESERVA DE CAPITAL 811.590,33 811.590,03 82.343.129,35 82.343.129,35 Linha 31 RESERVA DE REAVALIAÇÃO 1.575.230,22 1.575.230,22 Nesse demonstrativo, observase que o contribuinte declarou valores divergentes em 31/12/2004, nos Balanços Patrimoniais dos anoscalendário de 2004 e 2005 exercícios 2005 e 2006, R$ 733.725,18 eR$ 56.895.696,59, respectivamente. 7) A inserção de valores no Balanço de Abertura de 2005 que inexistiam no Balanço de encerramento de 2004, a fim de que os valores iniciais e finais das contas do Balanço Patrimonial de 2005 não apresentassem variações significativas, como a que apresentariam, caso os saldos iniciais no Balanço de 2005 fossem os mesmos daqueles do Balanço de encerramento de 2004, demonstra o intuito de omitir a operação, de modo a dificultar o reconhecimento da reavaliação espontânea de bens realizada pelo contribuinte pela autoridade fazendária, para fins tributários, uma vez que, essa operação, realizada sem o cumprimento dos requisitos formais exigidos pela Lei n° 6.404/76, obriga o contribuinte a contrapartida do aumento do valor dos bens reavaliados no seu resultado tributável, conforme entendimento exarado nos acórdãos do 1° CC, cuja ... 8) A apuração do resultado tributável, constante da DIPJ 2006, demonstra que o contribuinte não ofereceu à tributação a contrapartida do aumento do valor dos bens reavaliados espontaneamente, conforme determina a legislação de regência e entendimentos constante dos acórdãos do 1° CC, confirmando que o procedimento foi adotado de forma a dificultar o conhecimento pela autoridade fazendária da operação que se sujeita à tributação. Fl. 680DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.005980/200910 Acórdão n.º 1401000.941 S1C4T1 Fl. 681 6 9) Tal procedimento caracterizase como Crime Contra a Ordem Tributária, nos termos do art. 1° da Lei n° 8.137/90.... Informase, que a cópia do Laudo de Avaliação está anexado às fls. 482 a Enquadramento legal: arts. 249, inciso II, 251, e parágrafo único, e 434, § 3°, do Regulamento do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza Decreto n.° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/1999). A multa de 150% foi aplicada em razão de que os procedimentos realizados pelo Contribuinte caracterizamse como Crime Contra a Ordem Tributária, nos O Auto de Infração da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS/PASEP), às fls. 110 a 112, com os demonstrativos de fls. 108 a 109, decorrente da fiscalização do IRPJ, exige o recolhimento do valor de R$438.773,39 de contribuição, acrescido da multa de 150% e dos juros de mora. O lançamento foi efetuado em razão da omissão de receita apurado no Auto de Infração do IRPJ e referese ao período de apuração 12/2004. Enquadramento legal: arts. 1°, 3° e 4° da Lei n° 10.637, de 2002. O Auto de Infração da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), às fls. 115 a 117, com os demonstrativos de fls. 113 a 114, decorrente da fiscalização do IRPJ, exige o recolhimento do valor de R$2.021.016,86 de contribuição, acrescido da multa no percentual de 150% e dos juros de mora. O lançamento foi efetuado em razão da omissão de receita apurado no Auto de Infração do IRPJ e referese ao período de apuração 12/2004. Enquadramento legal: arts. 1°, 3° e 5° da Lei n° 10.637, de 2002. O Auto de Infração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), às fls. 120 a 123, com os demonstrativos de fls. 118 a 119, decorrente da fiscalização do IRPJ, exige o recolhimento do valor de R$7.589.657,58 de contribuição, acrescido da multa de ofício no percentual de 150% e dos juros de mora. Enquadramento legal: artigo 2°, e §§, da Lei n° 7.689, de 1988, art. 28 da Lei n° 9.430, de 1996, art. 1° da Lei n° 9.316, de 1996 e art. 37 da Lei n° 10.637, de 2002. O Contribuinte tomou ciência da autuação em 13/01/2010. Discordando dos lançamentos, o Contribuinte apresentou, por intermédio de seus procuradores, a impugnação de fls. 198 a 228, com os documentos de fls. 271 a 369, de faz sua defesa. DA IMPUGNAÇÃO Comentários sobre o procedimento fiscal Inicialmente, faz comentários sobre as intimações recebidas durante a ação fiscal, dos documentos fornecidos em atendimento as intimações, das divergências e das infrações apontadas pela Fiscalização. Entende que a Fiscalização presumiu que os valores inseridos no Balanço Patrimonial eram provenientes de operações realizadas à margem da escrita contábil e fiscal. Argumenta que a multa de 150% foi aplicada sem a devida justificativa. Fl. 681DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.005980/200910 Acórdão n.º 1401000.941 S1C4T1 Fl. 682 7 Afirma que o aperfeiçoamento do lançamento tributário somente se deu em 13/01/2010, ou seja, mais de cinco anos após a ocorrência do fato gerador, estando os débitos caducos. Da decadência Todas as obrigações tributárias, sem exceção, estão sujeitas ao prazo decadencial com termo inicial, estando previsto nos artigos 150, § 4° e 173, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN). Como já mencionado, a Fiscalização apesar de ter aplicado a multa qualificada de 150%, não alegou e muito menos comprovou a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. A ausência da comprovação de intuito fraudulento ou da efetiva ocorrência de fraude, dolo ou simulação acarreta conseqüência direta em relação à decadência do crédito tributário, ou seja, na contagem do prazo decadencial. Sobre o assunto cita jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. A ausência da comprovação de dolo, fraude ou simulação, ou ao menos, do intuito fraudulento, é indispensável para a aplicação da regra de contagem do prazo decadencial prevista no art. 173, I, do CTN, bem como da multa qualificada de 150%. A ausência dessa comprovação impõe a contagem do prazo decadencial segundo a regra prevista no art. 150, § 4°, nos casos em que o tributo for sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso do IRPJ, PIS/PASEP, COFINS e CSLL. Para efeito de aplicação da regra desse artigo, o que importa é a natureza do lançamento a que está sujeito o tributo e não se houve ou não pagamento, pois o que se homologa é a atividade do Contribuinte e não o pagamento do tributo. Sobre o assunto, cita ensinamentos de José Souto Maior Borges e entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Argumenta que diferentemente do que afirma a Fiscalização, efetuou recolhimentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS durante todo o anocalendário de 2004. Contudo, mesmo que não tivesse recolhido nem um centavo desses tributos, tal fato não afastaria a aplicação da regra contida no art. 150, § 4°, do CTN, pois o que importa é natureza do lançamento a que está sujeito o tributo. Dessa forma, não pairam dúvidas de que o termo inicial para a contagem do prazo decadencial no presente caso deve ser a data da ocorrência dos fatos geradores, nos termos do art. 150, § 4°, do CTN. No caso, para o PIS e a COFINS, devese considerar ocorridos os fatos geradores no último dia de cada mês de 2004. Já para o IRPJ e a CSLL, devese considerar ocorrido o fato gerador em 31/12/2004. Observa que o crédito tributário formalizase apenas com a entrega da autuação fiscal ao Contribuinte, na forma prevista no art. 23 do Decreto n° 70.235, de 1972. Na prática, continua o Contribuinte, o decurso do prazo qüinqüenal deve ser contado entre o momento da ocorrência do fato gerador (termo inicial), seja ele mensal ou anual e o momento da notificação da autuação (termo final). Se entre o termo inicial e o termo final decorrerem mais de cinco anos, a cobrança será considerada caduca. No caso sob análise, exigese da Impugnante o pagamento de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS referente a todo o anocalendário de 2004. Entretanto, como foi cientificada dos lançamentos em 13/01/2010, a totalidade dos débitos exigidos nos Autos de Infração foram alcançados pela decadência. Assim, a totalidade do crédito tributário constituído neste processo foi atingida pela decadência, tendo em vista o decurso do prazo superior a cinco anos contados da data da ocorrência do fato gerador até a intimação dos respectivos lançamentos tributários. Fl. 682DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.005980/200910 Acórdão n.º 1401000.941 S1C4T1 Fl. 683 8 Da adição ao lucro real do valor da reavaliação de bens do ativo permanente Entende que o argumento da Fiscalização de que o laudo de avaliação dos bens do ativo permanente não observou alguns dos requisitos constantes do art. 8° da Lei n° 6.404, de 1976, é equivocado, padecendo de inúmeros vícios. Destaca que apesar de os Autos de Infração considerarem que o suposto não atendimento do laudo de avaliação aos requisitos legais implicam a adição do valor da reavaliação ao lucro do anocalendário de 2004, como será demonstrado no item III.A, a exigência dos respectivos tributos deveria ser atribuída ao anocalendário de 1999, quando foi procedida à escrituração da reavaliação nos seus livros contábeis. O laudo de avaliação foi elaborado em dezembro de 1998 e o aumento do valor dos bens do ativo permanente e a respectiva contrapartida na conta de reserva do patrimônio líquido foram registrados no balanço patrimonial de 1999, conforme Livro Diário (fls. 319 a 326). Assim, se o registro da reavaliação se deu no período de apuração de 1999, a eventual adição ao lucro líquido em decorrência de vícios do laudo em que se fundamentou o registro deveria se dar neste mesmo período de apuração e jamais em período de apuração posterior, sob pena de ficar caracterizado erro material do lançamento. Sobre o assunto, cita jurisprudência administrativa. Alerta que a sua escrituração contábil faz prova em seu favor, sendo ônus da Fiscalização a comprovação da inveracidade dos fatos nela registrado. No caso, a Fiscalização não trouxe qualquer elemento que pudesse desmerecêla, o que torna inequívoca que a reavaliação dos bens do ativo permanente se deu em 1999 e eventual adição do respectivo valor ao lucro líquido deveria ocorrer nesse período de apuração. Na realidade, mais do que um erro material, a atitude da Fiscalização configura verdadeiro artifício com o objetivo de evitar que o crédito tributário fosse alcançado pela decadência. A reavaliação dos bens do ativo imobilizado tem amparo legal, não procedendo os argumentos da Fiscalização de que o perito responsável pela elaboração do laudo de avaliação não foi nomeado em assembléia geral dos subscritores e que o laudo de avaliação não foi instruído com os documentos relativos aos bens avaliados. O Contribuinte lembra que é uma sociedade limitada, tipo societário que era em 1998, ano em que promoveu a reavaliação dos bens, regida pelo disposto no Decreto n° 3.708, de 10/01/1919. Nos termos do Decreto n° 3.708, de 1919, o Contrato Social (fls. 327 a 332) regia por completo sua vida social, não havendo necessidade de deliberação dos sócios em assembléia geral ou reunião quanto a qualquer matéria de interesse social. No caso, a simples assinatura por dois sócios para a contratação do perito era suficiente para conferirlhe validade, desde que observadas as limitações impostas pelo próprio contrato. No caso, o contrato de fls. 333 a 334, celebrado com a empresa especializada de laudo de avaliação foi assinado pelos sócios Marlene Cury e Munir Miguel Curi, sendo válido. O simples fato de os documentos relativos aos imóveis avaliados não estarem anexados ao laudo de avaliação, não é suficiente para tornálo sem efeito. Na pior das hipóteses, tratase de imperfeições formais do laudo de avaliação, as quais não são suficientes para descaracterizar a reavaliação ou tornála tributável de imediato. Sobre o assunto, cita jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais. A Fiscalização, em momento algum refutou os valores atribuídos aos imóveis no laudo de avaliação, limitandose a desqualificálo, buscando simplesmente, erros formais que sequer existem. Essa pretensão não pode prosperar, pois com o advento do art. 4º da Lei nº 9.959, de 27/01/2000, a contrapartida da reavaliação de bens do ativo permanente somente será computada na determinação do lucro real ou em conta de resultado, quando ocorrer a efetiva realização do bem Fl. 683DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.005980/200910 Acórdão n.º 1401000.941 S1C4T1 Fl. 684 9 avaliado. A tributação ocorre caso os bens sejam realizados, ou seja, efetivamente incorporados ao lucro da sociedade para posterior distribuição aos seus sócios. Na verdade, a partir do ano de 2000, mesmo a reavaliação de bens do ativo permanente calcada em laudo de avaliação elaborado sem a observância dos requisitos previstos no art. 8° da Lei das S/A é válida e somente deve ser levada à tributação quando efetivamente realizada. Enfim, a partir de 2000 deixa de existir a obrigatoriedade de laudo de avaliação que cumpra todos os requisitos previstos no referido dispositivo legal. Sobre o assunto, transcreve jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e entendimento do Tribunal Regional Federal da 4a Região. Conforme é facilmente comprovado pela simples análise da contabilidade do anocalendário de 2004 (fls. 319 a 326) e na própria DIPJ, não realizou qualquer parte da contrapartida do aumento de valor dos bens de sus ativo permanente, mantendo tais valores em conta de reserva de capital, conforme constante na linha 30, balanços de abertura e fechamento, da ficha 37 A da DIPJ do anocalendário de 2005. Portanto, tais valores jamais transitaram pela conta de resultado. Dessa forma, não pairam dúvidas de que o valor de R$ 57.737.201,63, relativo à contrapartida do aumento do valor dos bens do ativo permanente, jamais poderia ter sido adicionado ao lucro líquido do anocalendário de 2004. Da omissão de receita Como já devidamente informado durante a ação fiscal, a suposta discrepância de valores ocorreu pura e simplesmente por erro no preenchimento da DIPJ do anocalendário de 2004, sendo certo que não reflete os valores reconhecidos na escrituração contábil, conforme se depreende da simples leitura de cópia de sua balanço patrimonial de 31/12/2004. Causa estranheza os argumentos da Fiscalização, uma vez que entregoulhe as vias originais de suas demonstrações financeiras, referentes ao anocalendário de 2004. Pelo cotejo das DIPJs de 2005 e 2006 com a escrituração contábil, percebese claramente que os valores divergentes foram devidamente reconhecidos na contabilidade desde o ano de 2004 e que a suposta divergência decorre unicamente de erros no preenchimento da DIPJ. Os valores constantes nas linhas 03, 16 e 33 da Ficha 36 A do balanço de abertura da DIPJ 2006, anocalendário de 2005, já haviam sido reconhecidos na contabilidade desde o anocalendário de 2003, conforme documentação entregue em 21/10/2009 (fls. 42 a 48). No caso, cabe esclarecer que a diferença verificada na conta "aplicações financeiras", no valor de R$1.259.941,03, entre os anoscalendário 2004 e 2005, se deve aos rendimentos auferidos no período de apuração de 2005. Outrossim, os valores constantes na conta "contas a receber" referemse a créditos contra os sócios Munir Miguel Curi, Miller Miguel Curi e Marlene Cury e do exsócio Maurílio Miguel Curi, os quais são objeto de ação de cobrança movida junto à Justiça do Estado de São Paulo (fls. 340 a 347). O que não é admissível é lavratura dos Autos de Infração com base exclusivamente no argumento de que foi constatada divergência entre os valores informados nas DIPJ, sendo certo que no curso da ação fiscal informou que havia cometido erro no preenchimentos da DIPJ do anocalendário de 2004 e que os valores corretos eram aqueles constantes nos seus livros contábeis, não ocorrendo as divergências apontadas pela Fiscalização. Ao que tudo indica, a Fiscalização, convenientemente, esqueceu de verificar a contabilidade do anocalendário de 2004, eis que da simples leitura das folhas 20 a 68 e 52 a 66 dos livros Razão n° 30 e 32 para os anoscalendário 2003 e 2004, respectivamente, justificamse por um erro de preenchimento. Fl. 684DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.005980/200910 Acórdão n.º 1401000.941 S1C4T1 Fl. 685 10 Portanto, não há que se falar em omissão de receitas, pois todos os valores objeto das autuações já constavam na sua escrituração e não constaram da respectiva DIPJ por erro no seu preenchimento. Da multa agravada de 150% De acordo com o art. 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996, a multa qualificada é aplicável somente quando houver intuito de fraude, conforme definido na Lei n° 4.502, de 1964. Como se percebe claramente no disposto no art. 72 da Lei n° 4.502, de 1964, a fraude tem por elemento necessário uma ação ou omissão dolosa do Contribuinte com o objetivo de impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador ou excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir ou evitar o pagamento do tributo devido. Assim, para que seja caracterizada a fraude fiscal é necessário que a autoridade tributária comprove a prática de atos com ardil, astúcia, malícia ou máfé, não bastando a alegação leviana de que o procedimento adotado pela Impugnante dificultou o conhecimento pela autoridade fazendária da operação tributável. O simples erro no preenchimento da DIPJ, sendo que todos os dados estavam devidamente escriturados nos livros contábeis, jamais poderia configurar o intuito fraudulento. Nesse sentido, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já firmou entendimento no sentido de que a caracterização da fraude fiscal depende da comprovação de que o Contribuinte agiu com evidente intuito de fraude de não recolher o tributo, utilizandose de meios ardilosos e maliciosos. Cita jurisprudência desse Conselho, que pede ser adotada no presente caso para se determinar a desqualificação da multa aplicada na remota hipótese de se considerar ocorridas as infrações objeto das autuação fiscais ora atacadas. Conclusão e Pedido Diante das considerações conclui que: (i) a totalidade do crédito tributário exigido nos autos de infração ora atacados foi atingida pela decadência, tendo em vista o decurso de prazo superior a 05 anos entre a ocorrência dos respectivos fatos geradores ao longo de todo o ano de 2004 e a intimação pessoal da Impugnante em 13 de janeiro de 2010, nos termos do art. 150, § 4°, do CTN. Na espécie, não é aplicável a regra prevista no art. 173, I, do CTN, tendo em vista que (a) não foi alegada nem comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, cujo ônus recai sobre a autoridade fiscal e (b) houve a antecipação do recolhimento dos tributos pela Impugnante; (ii) a exigência de IRPJ e CSLL sobre o valor da reavaliação dos bens imóveis constantes do ativo imobilizado da Impugnante, com base na suposta irregularidade formal apresentada no laudo de avaliação é de todo descabida, pois: (1) o registro da reavaliação dos imóveis na escrituração contábil da impugnante se deu no período de apuração de 1999. Assim, os autos de infração ora atacados possuem erro material insanável, pois foram lavrados como se a reavaliação supostamente irregular dos imóveis tivesse ocorrido em 2004; (2) as alegadas incorreções do laudo de avaliação (a) falta de aprovação da contratação do perito em assembléia geral dos subscritores: e (b) não instrução do laudo de avaliação com os documentos relativos aos bens avaliados] não procedem, pois (a) a exigência da realização de assembléia geral de subscritores é incompatível com o tipo societário da Impugnante que, por outro, teve o respectivo contrato de elaboração do laudo assinado por dois de seus sócios, na A forma estabelecida por seu contrato social; e (b) todos os documentos relativos aos bens avaliados foram entregues, analisados e citados pelo perito em seu laudo de avaliação. Mesmo que procedessem as alegações de irregularidades formais do laudo de avaliação, tais irregularidades não Fl. 685DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.005980/200910 Acórdão n.º 1401000.941 S1C4T1 Fl. 686 11 seriam suficientes para descaracterizar a reavaliação e autorizar a tributação dos respectivos valores, conforme jurisprudência pacífica da CSRF; e (3) com o advento do art. 4° da Lei n° 9.959/00, a contrapartida da reavaliação dos bens do ativo permanente somente poderá ser computada na determinação do lucro real ou na conta de resultados quando houver a sua efetiva realização. A ausência ou a existência de irregularidades formais de laudo de avaliação deixou de ser requisito essencial para o deferimento da tributação; (iii) as diferenças verificadas nos balanços patrimoniais informados nas DIPJ dos exercícios de 2005 e 2006 da Impugnante decorrem de mero erro no preenchimento da DIPJ do exercício de 2005, a qual não reflete a escrituração contábil da impugnante. Pela simples análise do balanço patrimonial de 31 de dezembro de 2004, entregue pela Impugnante à. fiscalização federal, verificase claramente que tais valores não se referem a "operações realizadas à margem da escrita contábil e fiscal" da Impugnante, na medida em que já constavam da escrituração contábil e apenas não foram devidamente refletidas na DIPJ 2005; (iv) o ônus de provar que a Impugnante agiu com intuito fraudulento, de forma a autorizar a aplicação da multa qualificada prevista no art. 44, II, da Lei n° 9.430/96, é da d. fiscalização federal que, ao contrário, simplesmente alegou de forma leviana que a Impugnante havia entregue sua DIPJ 2005 com alguns campos zerados com o objetivo de encobrir a significativa variação patrimonial. Ora, a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é pacífica no sentido de que a simples existência de erro no preenchimento da DIPJ pelo contribuinte não configura intuito de fraude, o que o torna imperiosa, caso seja mantida a exigência fiscal, a redução da multa para o percentual de 75%. 94. Ao final, diante dos fundamentos esposados ao longo da presente Impugnação, requerse seu integral acolhimento, para que sejam julgados improcedentes os autos de infração que integram o presente processo administrativo, cancelandose as exigências fiscais concernentes a IRPJ, CSLL, PIS e COFINS e determinandose a extinção e o consequente arquivamento do processo administrativo. DA DILIGÊNCIA Em razão das alegações e documentos apresentados na impugnação, foi o processo encaminhado à Delegacia de origem (fls. 371 e 372) para: a) Informar os saldos das contas "Valores Mobiliários" e "Créditos com Pessoas Ligadas (Físicas/Jurídicas)" em 31/12/2003, examinando os documentos relativos a essas contas e juntar os respectivos documentos comprobatórios. b) Atestar a legitimidade das folhas do Livro Diário anexado às fls. 319 a 326, referente ao Balanço Patrimonial encerrado em 31/12/1999. c) Emitir parecer conclusivo. Retornando o processo, o AFRFB designado atestou a legitimidade das folhas do Livro Diário e concluiu que (fls. 473 a 477): Considerando então que: A Em 31/12/2003, já existiam os seguintes saldos: Fl. 686DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.005980/200910 Acórdão n.º 1401000.941 S1C4T1 Fl. 687 12 Conta "ValoresMobiliários" R$ 15.859.410,31 Conta "Crédito com pessoas ligadas R$ 8.200.972,53 b A contabilidade da empresa não fora analisada pelo Auditor autuante, c Os Autos de Infrações foram pautados somente nas DIPJs entregues com inexatidão, TRANSFERÊNCIA DE COMPETÊNCIA Em decorrência da transferência da competência definida no Anexo Único da Portaria Sutri n° 1.092, de 14 de maio de 2010, o processo foi encaminhado para julgamento nesta DRJ. É o relatório. A DRJ CANCELOU os lançamentos, nos termos da ementa abaixo, e RECORREU de OFÍCIO: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 REAVALIAÇÃO DO ATIVO PERMANENTE. ERRO NA DATA DO FATO GERADOR. VÍCIO INSANÁVEL Incabível a exigência fiscal quando a infração descrita pela autoridade fiscalizadora não ocorreu na data consignada no Auto de Infração. REAVALIAÇÃO DE BENS DO ATIVO. TRIBUTAÇÃO. REALIZAÇÃO A partir de 1° de janeiro de 2000, a contrapartida da reavaliação de quaisquer bens da pessoa jurídica somente poderá ser computada em conta de resultado ou na determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido quando ocorrer a efetiva realização do bem reavaliado. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA O Fisco não poderá constituir o crédito tributário, quando decorridos mais de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador ou do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. OMISSÃO DE RECEITA. ERRO DE PREENCHIMENTO DA DIPJ Cancelase a exigiência fiscal, quando ficar comprovado que a infração apontado no lançamento decorre de mero erro no preenchimento da DIPJ. LANÇAMENTOS DECORRENTES CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL, CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO E CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL A solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, aplicase aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. . É o relatório. Fl. 687DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.005980/200910 Acórdão n.º 1401000.941 S1C4T1 Fl. 688 13 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator Os recursos de ofício preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, deles tomo conhecimento. RECURSO DE OFÍCIO 1) OMISSÃO DE RECEITAS O primeiro item que foi cancelado versa sobre omissão de receitas, no ano calendário de 2004. Segundo a fiscalização, tal infração ficou caracterizada pela falta de comprovação da origem dos valores declarados nas linhas 03 (Valores Mobiliários R$17.966.880,41) e 16 (Créditos com Pessoas Ligadas R$8.625.696,70) da Ficha 36 A da DIPJ do anocalendário de 2005. Na DIPJ do anocalendário de 2004, os valores dessas linhas estavam zeradas, conforme a seguir é demonstrado: Saldos Saldos Linhas 31/12/2003 31/12/2004 31/12/2004 31/12/2005 Linha 03 Valores Mobiliários 17.966.884,41 19.226.821,44 Linha 16 Créd. C/Pess. Ligadas 8.625.446,70 9.344.973,25 Basicamente a defesa do contribuinte gira em torno da indicação de mero erro no preenchimento das DIPJs (2004 e 2005) e que os valores estariam corretos em sua escrituração. Alega que não se pode lavrar autos de infração baseandose exclusivamente na análise de DIPJs sem o devido confronto com a escrituração. A DRJ baixou o feito em diligência (fls. 371 a 372) para que fosse informado os saldos das contas "Valores Mobiliários" e "Créditos com Pessoas Ligadas (Físicas/Jurídicas)" em 31/12/2003, examinando os documentos relativos a essas contas e juntando os respectivos documentos comprobatórios. O resultado de diligência atestou exatamente o que o contribuinte alegara, motivo pelo qual o fiscal propugnou pela exoneração desse crédito tributário. Eis a conclusão fiscal, nas palavras da DRJ: A Atendendo a solicitação, o AFRFB designado apresentou os documentos comprobatórios (fls. 389 a 472) e concluiu que os lançamentos não devem prosperar, em razão dos seguintes fatos (fls. 473 a 477): a) Que a conta "Valores Mobiliários" apresentava, em 31/12/2003, um saldo de R$ 15.859.410,31. Fl. 688DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.005980/200910 Acórdão n.º 1401000.941 S1C4T1 Fl. 689 14 b) Que a conta "Crédito com pessoas ligadas" apresentava um saldo de R$ 8.200.972,53. c) Que a contabilidade não foi analisada pela Fiscalização durante a ação fiscal. d) Que os Autos de Infração foram pautados somente nas DIPJ entregues com inexatidão. Pelas informações obtidas e pelos documentos constantes nos autos, os valores passam a ser os seguintes: Linhas Saldos Saldos 31/12/2003 31/12/2004 31/12/2004 31/12/2005 Linha 03 Valores Mobiliários 15.859.410,31 17 17.966.884,41 17.966.884,4 1 19.226.821,44 Linha 16 Créd. C/Pess. Ligadas 8.200.972,53 8.625.446,70 8.625.446,70 9.344.973,25 Como se vê, tratase mesmo de mero erro de fato no preenchimento da DIPJ, em que o contribuinte apenas omitiu o preenchimento desses campos, fato atestado inclusive por meio de diligência. Portanto, revisados os autos, constato a correção do Acórdão recorrido. Assim, adoto as mesmas razões de decidir do voto condutor, negando provimento ao recurso de ofício nesta parte. 2) FALTA DE ADIÇÃO DA RESERVA DE REAVALIAÇÃO DE BENS DO ATIVO PERMANENTE Conforme relatado essa infração adveio do fato de o laudo de avaliação dos bens do ativo permanente não terem observado alguns dos requisitos formais constantes do art. 8° da Lei n° 6.404, de 1976. Conforme DIPJ dos anoscalendário de 2004 e 2005 (fls. 10 a 22), o Contribuinte declarou os seguintes valores: DIPJ anocalendário 2004 DIPJ anocalendário 2005 FICHA 45 A (2005)/ 36 A (2006) ATIVO BALANÇO PATRIMONIAL 1/12/2003 1/12/2004 1/12/2004 1/12/2005 Linha 33 Edifícios e Construções (fls. 13 e 19) 733.725,18 733.725,18 56.895.696,59 56.742.476,60 FICHA 46 A (2005) 37 A (2006) PASSIVO BALANÇO PATRIMONIAL 1/12/2003 1/12/2004 1/12/2004 1/12/2005 Linha 30 Reserva de capital (fls. 14 e 20) 811.590,33 811.590,03 82.343.129,35 82.343.129,35 Linha 31 Reserva de reavaliação (fls. 14 e 20) 1.575.230,22 1.575.230,22 Fl. 689DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.005980/200910 Acórdão n.º 1401000.941 S1C4T1 Fl. 690 15 Eis agora as razões de decidir da DRJ para cancelar esta parte da autuação por três motivos cumulativos: registro da reavaliação dos imóveis na escrituração contábil do Contribuinte foi feito no período de apuração de 1999. Dessa forma, os autos de infração padece de erro grave no critério temporal da regra matriz de incidência, pois foram lavrados como se a reavaliação supostamente irregular dos imóveis tivesse ocorrido em 2004; Acolhe a decadência. Eis o teor do voto da DRJ: (...) Destacase, que a conseqüência da mudança da data do fato gerador para 31/12/1999 é a perda do direito do Fisco de constituir eventual crédito tributário, tanto no caso previsto no art. 173, inciso I, do CTN, como também no caso do art. 150, § 4°, do mesmo código. Desse modo, a Fiscalização não poderá efetuar mais o lançamento referente a essa irregularidade, pois já se passaram mais de cinco anos contados da data do fato gerador ou do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. com o advento do art. 4° da Lei n° 9.959/00, a contrapartida da reavaliação dos bens do ativo permanente somente poderia ser computada na determinação do lucro real ou na conta de resultados quando houver a sua efetiva realização. Nesse aspecto eis os fundamentos da DRJ por suas próprias palavras: (...) O referido art. 4° da Lei n° 9.959, de 2000, tornou sem sentido o § 3° do art. 434 do RIR/1999, na medida em que estabelece como condição para que a contrapartida da reavaliação dos bens móveis e imóveis seja computada em conta de resultado ou na determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido a efetiva realização do bem reavaliado, que se dá quando ocorrer a alienação, sob qualquer forma, depreciação, amortização ou exaustão e baixa por perecimento. Em razão disso, o laudo de avaliação de que trata o art. 8° da Lei n° 6.404, de 1976, tornouse, tão somente, um documento societário, sem reflexo tributário. De acordo com a nova norma, somente quando ocorrer a alienação, sob qualquer forma; depreciação, amortização ou exaustão e baixa por perecimento dos bens imóveis objeto da reavaliação terá reflexo tributário, ocasião em que o valor da reavaliação deverá ser computado para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social. A ausência ou a existência de irregularidades formais de laudo de avaliação deixou de ser requisito essencial para o deferimento da tributação; (..) Bastaria apenas um fundamento para derrubar o auto de infração, mas a DRJ conseguiu alinhavar três fundamentos distintos, sendo dois deles dependentes (decadência e a vigência do art. 4º da lei n.9.959, de 2000). Revisados os autos, nada a reparar na decisão de piso. Em primeiro lugar é insanável o erro no critério temporal da regra matriz de incidência dos tributos que fulmina completamente o lançamento. Conforme colocado pela Fl. 690DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.005980/200910 Acórdão n.º 1401000.941 S1C4T1 Fl. 691 16 DRJ e se deduz pelo resultado de diligência, a infração foi apurada sem análise da escrituração do contribuinte. Ora, como o laudo de avaliação foi invalidado pela fiscalização e ficou comprovado que a escrituração dessa reavaliação efetivamente se deu no anocalendário de 1999, o lançamento não poderia ter sido efetuado em 2004. Considerandose o fato gerador ocorrido em 1999, decadência se impõe, tanto considerando a regra do art. 150, parágrafo 4º, quanto do art. 173, I. Também estou de acordo com o outro argumento dependente utilizado pela DRJ. Caso se considere que o fato gerador da reavaliação tenha ocorrido por hipótese em 2004, a partir da vigência do referido art. 4º da Lei n. 9.959, de 2000, tornouse inócuo o art. 434 do RIR/99, onde a existência de irregularidades formais do laudo de avaliação deixou de ser requisito essencial para o reconhecimento da tributação, pois a partir de então, somente quando ocorrer a alienação, sob qualquer forma; terá reflexo tributário, ocasião em que o valor da reavaliação deverá ser computado para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social. Portanto, revisados os autos, constato a correção do Acórdão recorrido, adotando as mesmas razões de decidir do voto condutor, negando provimento ao recurso de ofício, inclusive em relação aos autos reflexos. Por todo o exposto, NEGO provimento ao RECURSO DE OFÍCIO. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 691DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10680.018703/2007-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 20/07/2002 a 10/06/2003
IPI. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA REGULAMENTAR. CAPITULAÇÃO LEGAL. ERRO.
É nulo o auto de infração que contenha capitulação legal não correspondente à da multa efetivamente aplicada.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3302-002.156
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencida a conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, que negava provimento.
Fez sustentação oral pela Recorrente Oscar SantAnna de Freitas e Castro OAB/RJ nº 32641.
(Assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente
(Assinado digitalmente)
JOSÉ ANTONIO FRANCISCO - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó e Jonathan Barros Vita.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201306
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 20/07/2002 a 10/06/2003 IPI. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA REGULAMENTAR. CAPITULAÇÃO LEGAL. ERRO. É nulo o auto de infração que contenha capitulação legal não correspondente à da multa efetivamente aplicada. Recurso Voluntário Provido
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10680.018703/2007-11
anomes_publicacao_s : 201309
conteudo_id_s : 5291236
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3302-002.156
nome_arquivo_s : Decisao_10680018703200711.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : JOSE ANTONIO FRANCISCO
nome_arquivo_pdf_s : 10680018703200711_5291236.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencida a conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, que negava provimento. Fez sustentação oral pela Recorrente Oscar SantAnna de Freitas e Castro OAB/RJ nº 32641. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó e Jonathan Barros Vita.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
id : 5060210
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:13:42 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046173277749248
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1709; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 257 1 256 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.018703/200711 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302002.156 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de junho de 2013 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO IPI Recorrente OURO MINAS VEÍCULOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 20/07/2002 a 10/06/2003 IPI. MULTA REGULAMENTAR. DECADÊNCIA. PRAZO. O prazo decadencial para aplicação da multa regulamentar iniciase no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 20/07/2002 a 10/06/2003 IPI. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA REGULAMENTAR. CAPITULAÇÃO LEGAL. ERRO. É nulo o auto de infração que contenha capitulação legal não correspondente à da multa efetivamente aplicada. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencida a conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, que negava provimento. Fez sustentação oral pela Recorrente Oscar Sant’Anna de Freitas e Castro – OAB/RJ nº 32641. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 87 03 /2 00 7- 11 Fl. 258DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.018703/200711 Acórdão n.º 3302002.156 S3C3T2 Fl. 258 2 (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó e Jonathan Barros Vita. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 238 a 254) apresentado em 13 de dezembro de 2011 contra o Acórdão no 1135.055, de 28 de setembro de 2011, da 5ª Turma da DRJ/REC (fls. 222 a 233), cientificado em 21 de novembro de 2011, que, relativamente a auto de infração de IPI dos períodos de julho de 2002 a junho de 2003, considerou a impugnação improcedente, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 20/07/2002 a 10/06/2003 PRELIMINARES. DEPENDÊNCIA DE OUTRO PROCESSO. ILEGITIMIDADE PASSIVA. AFASTADAS. O objeto do presente processo não guarda nenhuma relação de dependência em relação a eventual processo administrativo que tenha por objeto o auto de infração lavrado contra a VW/Taubaté. No presente caso, acusase que a distribuidora deixou de cumprir obrigação perante a administração tributária prevista na legislação regente. O mérito abrangido neste processo independe da conclusão de haver, ou não, débito de IPI por parte da montadora, cabendo aqui ser decidido se, em face da Lei e da legislação regulamentar regente, houve infração ao controle da arrecadação e fiscalização tributária federal por parte da distribuidora, o que evidencia a sua legitimidade passiva. ARGUIÇÃO DE DECADÊNCIA. AFASTADA. Tratase de lançamento de penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Nesse caso, o prazo decadencial é o previsto no art.173,I, do CTN, contandose do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter havido o lançamento. No auto de infração apontouse que o fato gerador mais remoto ocorreu em 29.07.2002, assim o prazo decadencial somente se iniciou a partir de 01.01.2003 e se completaria em Fl. 259DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.018703/200711 Acórdão n.º 3302002.156 S3C3T2 Fl. 259 3 01.01.2008, porém o auto de infração objeto do presente processo foi cientificado à interessada em 07.12.2007. Portanto não houve a decadência. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA ISOLADA. A distribuidora, ora impugnante, recebeu/adquiriu veículos da montadora, em operações supostamente isentas do IPI, sem que estivessem acompanhados de prévia autorização da Receita Federal relacionada ao taxista destinatário do benefício fiscal especificamente identificado na respectiva nota fiscal VW. A distribuidora se omitiu de comunicar à autoridade competente no prazo regulamentar a falta documental e destinou cada veículo a comprador diferente daquele beneficiário identificado na correspondente nota fiscal da VW/Taubaté. A infração constatada atenta contra o controle administrativo, sendo exigível a penalidade legalmente prevista, visto que no momento de cada uma das operações identificadas, quando da recepção pela distribuidora, o veículo não estava acompanhado da autorização da Receita Federal. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA LANÇADA. A partir da Lei 9.430/96, art.43, resta clara a possibilidade de lançamento de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa isolada prevista em lei e, nos termos previstos no parágrafo único do referido art.43, sobre o valor da multa lançada, quando não pago no respectivo vencimento, devem incidir juros de mora. Impugnação Improcedente O auto de infração foi lavrado em 07 de dezembro de 2009, de acordo com o termo de fl. 25. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Este processo tem por objeto o lançamento de multa isolada contra a Ouro Minas Veículos por descumprimento de obrigação acessória. A fiscalização relata que o estabelecimento industrial da Volkswagen do Brasil, em Taubaté/SP, deu saída a produtos tributados pelo IPI, porém sem fazer o devido destaque do tributo nas respectivas notas fiscais indicadas, sob a alegação de que seriam operações isentas destinadas a determinados motoristas profissionais (taxistas) autorizados. Entretanto, essas saídas com isenção do IPI requeriam do estabelecimento industrial que as fizessem acompanhadas da autorização expedida pela Secretaria da Receita Federal, supostamente concedida especificamente ao taxista destinatário devidamente credenciado. Com base na legislação regente, exigese que nas notas de venda para o distribuidor, de veículos com isenção do IPI, conste formalmente e expressamente a indicação de dados específicos, assim: “ISENTO DO IMPOSTO SOBRE PRODUTOS Fl. 260DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.018703/200711 Acórdão n.º 3302002.156 S3C3T2 Fl. 260 4 INDUSTRIALIZADOS – LEI Nº 8.989, DE 1995, CONFORME AUTORIZAÇÃO Nº..., CPF Nº ... E PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº ...”. No entanto, a unidade da Volkswagen do Brasil (VW) em Taubaté/SP deu saída aos veículos sem observação das normas regulamentares e apenas indicando nomes de supostos taxistas, porém diversos dos efetivos destinatários posteriormente identificados nas notas fiscais de saída da distribuidora em causa (conforme elementos colhidos no auto de infração lavrado contra a VW/Taubaté, cujas cópias foram anexadas às fls.27/168). A autuada no presente processo é a empresa distribuidora que adquiriu da VW/Taubaté veículos com isenção do IPI destinados a supostos taxistas previamente autorizados. Ficou constatado que recebeu tais veículos sem observar as formalidades exigidas pela legislação competente, especialmente previstas no artigo 266 do RIPI/2002 (artigo 248 do RIPI/98). Diante da infração apontada remanesce a responsabilidade do distribuidor em relação à infração contra o controle administrativo da arrecadação federal, sujeitandose à multa isolada prevista no art.492 do RIPI/2002 (ou art. 465 do RIPI/98). A planilha de fls.169 aponta as datas dos fatos geradores identificados entre 20/07/2002 e 10/06/2003. A mesma planilha identifica o número das NF VW (saída da montadora e entrada na distribuidora), data de emissão, valor do IPI incidente, nome do beneficiário indicado na NF VW, NF Ouro Minas, data de emissão, nome do beneficiário indicado (distinto do da NF VW), e indica os valores das multas isoladas respectivamente exigidas da concessionária distribuidora. Cientificada do lançamento em 07/12/2007, conforme documento de fls.176verso, a interessada apresentou tempestiva impugnação, em 02.01.2008, cujo inteiro teor consta às fls.177/193. As principais razões da contestação podem ser assim resumidas: 1. Preliminarmente, a acusação é atípica porque depende de desfecho de eventual lide administrativa que trate da cobrança do IPI que o fornecedor deixou de lançar (destacar). O E. 2º Conselho de Contribuintes/MF pacificou o entendimento de que em casos como o presente, onde existe vinculação direta e expressa da multa aplicada à distribuidora à exigência de imposto (IPI) e multa ao fornecedor industrial, há que se respeitar a condição de haver condenação deste último em decisão administrativa final, para que se possa processar a penalidade imposta à ora impugnante; conforme decisões proferidas, em relação a erro de classificação fiscal, nos acórdãos nº 20308005, em 20.02.2002, e nº 20305210, em 03.02.1999, cujas ementas estão transcritas às fls.180/181. 2. Há uma prejudicial de mérito. Houve decadência em relação aos eventos ocorridos anteriormente a 03/12/2002 (sic). Tratase de multa pelo descumprimento de obrigação acessória vinculada a imposto cujo lançamento é por homologação. O prazo Fl. 261DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.018703/200711 Acórdão n.º 3302002.156 S3C3T2 Fl. 261 5 decadencial é de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador do tributo. O lançamento da multa foi cientificado à ora impugnante em 03/12/2007 (rectius, na verdade em 07/12/2007), mas a multa foi aplicada com relação a uma série de operações que ocorreram antes de 03/12/2002. 3. Ausência de embasamento legal da multa imposta. Atipicidade da conduta imputada à ora impugnante. É incabível penalizar a ora impugnante (distribuidora) por eventual erro da fornecedora que deixou de lançar IPI na Nota Fiscal, sendo gravame não previsto na Lei 4.502/64. A obrigação que a fiscalização pretendeu impor à ora impugnante, de verificar a correção do destaque do IPI nas NF’s que acompanharam os veículos adquiridos, não encontra respaldo no art. 62 da Lei 4.502/64. Ora, a norma regulamentar que imponha à ora impugnante o dever de fiscalizar a origem e as condições para que os produtos de seu fornecedor faça jus a isenção extrapola a matriz legal acima referida. Deve ser aplicada ao caso a torrencial jurisprudência do E. 2º Conselho de Contribuintes que embora trate de classificação fiscal, pode ser adequada à hipótese sob discussão, posto que também remete ao lançamento/destaque do IPI (ver ementas transcritas às fls.182/183). Vale notar que a Lei 4.502/64 foi editada anteriormente à Lei nº 5.172/66 (CTN). Razão suficiente para que em Regulamento do IPI que se seguiu ao CTN as anteriores exigências de que o adquirente verificasse a correção da classificação fiscal do produto e o correspondente devido lançamento do IPI foram expressamente suprimidas Ademais, já se encontrava pacificado na jurisprudência pátria o entendimento emanado no julgamento do MS nº 105.951RS, pelo então TRF, de que era incabível exigir do adquirente a obrigação de examinar se os produtos e documentos recebidos estariam de acordo com a classificação fiscal e o LANÇAMENTO DO IMPOSTO. Vale dizer, mesmo quando o RIPI/79, arts.169 e 266, previam tal obrigação, a jurisprudência já apontava falta de base legal, o que dirá agora que nem no RIPI existe mais a previsão daquela suposta obrigação. 4. A ora impugnante não é contribuinte do IPI e sua conduta não importa em falta de arrecadação do referido imposto, sendo incabível a penalidade lançada. O descumprimento de obrigação acessória somente é passível de penalização se for capaz de causar impacto na arrecadação de tributos ou venha a representar empecilho à fiscalização de tributos. Não é o caso. Nenhum centavo de imposto é cobrado no auto de infração em foco, mesmo porque a impugnante não é contribuinte do IPI. Em suma as penalidades por descumprimento de obrigação acessória, sem vínculo com ato que implique em falta de recolhimento de tributo, somente são cabíveis quando se caracterize dolo, fraude ou simulação. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.018703/200711 Acórdão n.º 3302002.156 S3C3T2 Fl. 262 6 Cita a jurisprudência do E. STJ no sentido de que deve haver respeito à razoabilidade, devendose graduar as penalidades em compatibilidade com os atos tidos como delituosos, ou seja, tornando razoáveis as multas impostas (ver transcrição às fls.186/187). Aponta fundamento doutrinário para a vigência da TIPICIDADE FECHADA DA NORMA PENAL, que no caso não se verifica. Afirma que se pretendeu impor penalidade sem que a autuada tenha concorrido para qualquer falta de arrecadação ou fiscalização tributária, com violação do disposto no art.113, §2º, do CTN. 5. Sobre os reais destinatários da isenção do IPI Táxi. O beneficiário da isenção do IPI/Táxi é o taxista e não a ora impugnante; se o veículo vendido foi de fato destinado a um taxista autorizado pela SRF não há fundamento para cobrança do IPI não destacado na saída da fornecedora e nem muito menos para a multa aplicada à ora impugnante. A impugnante é parte ilegítima para figurar na relação tributária delineada pelo auto de infração aqui impugnado. É totalmente desarrazoada a imposição de multa com relação a operações que indiscutivelmente faziam jus ao benefício da isenção, apenas porque a fornecedora dos veículos à ora impugnante, à época da fiscalização, não localizou as respectivas autorizações concedidas pela Receita Federal aos taxistas beneficiários. Apresentamse em anexo cópia das autorizações concedidas pela SRF aos taxistas, bem como documentação comprobatória de que os veículos que suscitaram a presente autuação foram efetivamente destinados a estes reais e únicos beneficiários da isenção. Por outro lado, a Lei 8.989/95 ao tratar das obrigações acessórias complementares à fruição da isenção pelos taxistas, não faz nenhuma exigência especial às revendedoras dos veículos. É o taxista beneficiário que se torna passível de responsabilização pelo IPI objeto da isenção e multas na hipótese de se constatar o desatendimento às condições para fruição do benefício fiscal. Neste diapasão a norma regulamentar ou ato normativo que, a exemplo do art.6º da IN SRF 31/00, disponha sobre a suposta obrigação de que o fabricante ou equiparado só possa dar saída a veículo com isenção do IPI quando de posse de autorização emitida pela Receita Federal extrapola violentamente o comando legal que instituiu o benefício fiscal. No caso presente, as condições para a fruição do benefício não podem ser estendidas a outros não mencionados na regra matriz isencional, por mero ato infralegal do Poder Executivo. Assim, a impugnante é parte ilegítima para figurar na relação tributária delineada pelo auto de infração aqui impugnado. Além disso, demonstrado que os veículos foram comercializados aos taxistas e, portanto, legítimos beneficiários da isenção do IPI, foi correto o tratamento tributário dado pela montadora e, por Fl. 263DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.018703/200711 Acórdão n.º 3302002.156 S3C3T2 Fl. 263 7 conseqüência, é incabível a penalidade imposta à ora impugnante. 6. No caso de ser mantida a exigência, lembrase que não deve incidir juros de mora sobre a multa lançada de ofício. Diante do disposto no art.61, caput e §3º, da Lei 9.430/96, resta claro que juros de mora somente devem incidir sobre débitos de tributos/contribuições. As multas não estão abrangidas nesse dispositivo, que se assim pretendesse o legislador teria utilizado a expressão “débitos de qualquer natureza”, a exemplo do que fez no art.29 da Lei 10.522/02, no lugar da expressão efetivamente utilizada no art.61 da Lei 9.430/96: ... “débitos de correntes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”. Ante todo o exposto, requerse: (i) a decadência da imposição de penalidade para os eventos ocorridos anteriormente a 03/12/2002; (ii) a improcedência da exigência porque não há decisão definitiva quanto à operação (desde a saída da montadora dos veículos); (iii) a improcedência da multa imposta sem respaldo legal, carecendo de tipicidade penal, e (iv) total improcedência da multa fiscal imposta, reconhecendose que as vendas efetuadas tiveram como destinatários taxistas e, portanto, as operações de compra de veículos da montadora são mesmo isentas do IPI. No recurso, a Interessada repetiu as alegações quanto à decadência, à impossibilidade de ser considerada responsável pelo IPI nas operações em questão, à ausência de embasamento legal para imposição da multa, à impossibilidade de ser exigida a multa por não ser a contribuinte do IPI e aos reais destinatários da isenção do “IPITáxi”. Além disso, teceu considerações sobre a não incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício e a decisão de primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ ANTONIO FRANCISCO, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Inicialmente, devese esclarecer que o auto de infração trata de multa regulamentar, por falta de observância pelo adquirente de cumprimento de obrigação acessória, relativamente ao cumprimento das condições para isenção de veículos destinados a taxistas. Em auto de infração de 20 de dezembro de 2006 (fls. 29 e seguintes), o fabricante foi autuado por dar saída com isenção sem autorizações idôneas da Receita Federal. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.018703/200711 Acórdão n.º 3302002.156 S3C3T2 Fl. 264 8 A causa da imposição da multa é o dever, previsto no regulamento, de o contribuinte adquirente verificar, no recebimento dos produtos tributados, a regularidade do não destaque do imposto. Conforme constou do auto de infração (fl. 27), o enquadramento legal foi o seguinte: Inobservância pelo Adquirente ou Depositário do Cumprimento de Obrigações Acessórias: Art. 821 da Lei n ° 4.502/64 c/c art. 322 do Decretolei n ° 1.593/77, e art. 303 da Lei n ° 9.249/95. Já do termo de verificação (fl. 26), constou o seguinte enquadramento legal: Art. 4654 c/c art. 2485 do Decreto n° 2.637/98 (RIPI/98) ; Art. 4926 c/c art. 2667 do Decreto n° 4.544/02 (RIPI/02). Os arts. 248 e 266 acima mencionados referemse ao art. 62 da Lei n. 4.502, de 1964, cujas disposições são estendidas aos adquirentes pelo já citado art. 82: Art. 62. Os fabricantes, comerciantes e depositários que receberem ou adquirirem para industrialização, comércio ou depósito, ou para emprego ou utilização nos respectivos estabelecimentos, produtos tributados ou isentos, deverão examinar se eles se acham devidamente rotulados ou marcados ou, ainda, selados se estiverem sujeitos ao selo de controle, bem como se estão acompanhados dos documentos exigidos e se estes satisfazem a todas as prescrições legais e regulamentares. Com essas considerações, passase ao exame do recurso. 1 Art . 82. A inobservância das prescrições do artigo 62 e de seus parágrafos, pelos adquirentes e depositários ali mencionados, sujeitálosá às mesmas penas cominadas ao produtor ou remetente dos produtos pela falta apurada, considerada, porém, para efeito de fixação e graduação da penalidade, o capital registrado daqueles responsáveis. 2 Art 32 Aos que descumprirem as exigências de rotularem ou marcação do artigo 30 ou das instruções baixadas pelo Ministro da Fazenda, na forma prevista no artigo 31, será aplicada a multa de Cr$ 20.000,00 (vinte mil cruzeiros). 3 Art. 30. Os valores constantes da legislação tributária, expressos em quantidade de UFIR, serão convertidos em Reais pelo valor da UFIR vigente em 1º de janeiro de 1996. 4 Art. 465. A inobservância das prescrições do art. 248 e de seus §§ 1º e 3º, pelos adquirentes e depositários de produtos mencionados no mesmo dispositivo, sujeitálosá às mesmas penas cominadas ao industrial ou remetente, pela falta apurada (Lei nº 4.502, de 1964, art. 82). 5 Art. 248. Os fabricantes, comerciantes e depositários que receberem ou adquirirem para industrialização, comércio ou depósito, ou para emprego ou utilização nos respectivos estabelecimentos, produtos tributados ou isentos, deverão examinar se eles se acham devidamente rotulados ou marcados ou, ainda, selados se estiverem sujeitos ao selo de controle, bem assim se estão acompanhados dos documentos exigidos e se estes satisfazem a todas as prescrições deste Regulamento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 62). 6 Art. 492. A inobservância das prescrições do art. 266 e de seus § 1º e §3º, pelos adquirentes e depositários de produtos mencionados no mesmo dispositivo, sujeitálosá às mesmas penas cominadas ao industrial ou remetente, pela falta apurada (Lei nº 4.502, de 1964, art. 82). 7 Art. 266. Os fabricantes, comerciantes e depositários que receberem ou adquirirem para industrialização, comércio ou depósito, ou para emprego ou utilização nos respectivos estabelecimentos, produtos tributados ou isentos, deverão examinar se eles se acham devidamente rotulados ou marcados ou, ainda, selados se estiverem sujeitos ao selo de controle, bem assim se estão acompanhados dos documentos exigidos e se estes satisfazem a todas as prescrições deste Regulamento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 62). Fl. 265DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.018703/200711 Acórdão n.º 3302002.156 S3C3T2 Fl. 265 9 Em relação à decadência, não há que se falar em aplicação do art. 150, § 4º, do CTN, pois o lançamento referiuse a multa regulamentar, que somente pode ser lançada de ofício, aplicandose, necessariamente, o prazo do art. 173, I, do Código Tributário Nacional. Assim determina, também, o art. 129, II, do Ripi/82. Em relação às alegações iniciais, conforme os dispositivos legais citados anteriormente, a Lei n. 4.502, de 1964, em seu art. 62, prevê a obrigação dos fabricantes, comerciantes ou depositários de verificarem os documentos exigidos pelo Regulamento para a isenção e se tais documentos satisfazem as prescrições legais e regulamentes. O art. 82 estendeu ao adquirente a multa aplicada ao remetente. A multa a ser aplicada seria a do Decretolei n. 1.593, de 1977, art. 32 (citado expressamente no TVF), que se refere ao descumprimento das “exigências de rotularem ou marcação do artigo 30 ou das instruções baixadas pelo Ministro da Fazenda, na forma prevista no artigo 31” (“expressão ‘Indústria Brasileira’”). Entretanto, não foi essa a multa aplicada à Interessada no auto de infração. Conforme descrito no termo de verificação, as multas foram apurados pelos demonstrativo de fl. 169 (fl. 174 do eProcesso), no montante de 75% do IPI devido em cada operação. Essa apuração foi esclarecida no acórdão de primeira instância, que defendeu que as disposições dos arts. 248 e 266 já citados aplicamse também à multa proporcional por falta de lançamento do imposto pelo remetente. Entretanto, não constou do auto de infração essa capitulação legal para a multa aplicada e sim aquela anteriormente indicada. Portanto, nessa questão, está certa a Recorrente, uma vez que o auto de infração não atendeu ao disposto no art. 10, IV, do Decreto n. 70.235, de 1972, requisito essencial do lançamento, ensejando o reconhecimento de sua nulidade. Desse observar que o art. 142 do Código Tributário Nacional referese a aspectos formais e materiais do lançamento, ao caracterizálo como atividade plenamente vinculada. À vista do exposto, voto por dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Fl. 266DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.018703/200711 Acórdão n.º 3302002.156 S3C3T2 Fl. 266 10 Fl. 267DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10768.906754/2006-51
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1103-000.090
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Takata - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Mário Sérgio Fernandes Barroso, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201305
camara_s : Primeira Câmara
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10768.906754/2006-51
anomes_publicacao_s : 201308
conteudo_id_s : 5285166
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1103-000.090
nome_arquivo_s : Decisao_10768906754200651.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : MARCOS SHIGUEO TAKATA
nome_arquivo_pdf_s : 10768906754200651_5285166.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Takata - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Mário Sérgio Fernandes Barroso, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva.
dt_sessao_tdt : Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
id : 5019919
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:12:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046173281943552
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1297; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T3 Fl. 728 1 727 S1C1T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10768.906754/200651 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1103000.090 – 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Data 8 de maio de 2013 Assunto COMPENSAÇÃO Recorrente TELEMAR NORTE LESTE S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva – Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Mário Sérgio Fernandes Barroso, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 68 .9 06 75 4/ 20 06 -5 1 Fl. 736DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 13/06/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10768.906754/200651 Resolução nº 1103000.090 S1C1T3 Fl. 729 2 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de processo referente à Dcomp eletrônica nº 17073.61870.150703.1.3.037357, baixada para tratamento manual junto às correlacionadas, conforme fl. 1, e, posteriormente, retificada (a de numeração citada) pela Dcomp nº 42605.86692.161006.1.7.031585, admitida pelo sistema, conforme fls. 131 a 134. O crédito faz referência a saldo negativo de CSL do anocalendário de 2000 no valor de R$ 2.793.144,91, pertencente à empresa sucedida por incorporação, Telecomunicações do Pará S.A., conforme fls. 132 a 134. O crédito referente ao saldo negativo de CSL seria oriundo das seguintes deduções: 1) IRRF órgão público, sob o código de receita 6190, no valor de R$ 27.974,16, fonte pagadora inscrita sob o CNPJ nº 00.394.452/043929; e no valor de R$ 52.363,95, fonte pagadora inscrita sob o CNPJ nº 26.994.558/001871, conforme fl. 19 da Dcomp retificadora; 2) Estimativas, sob o código de receita 2484, compensadas com DARF e/ou compensadas com saldo negativo de CSL relativo a períodos anteriores, conforme informado em Dcomp retificadora, fls. 20 a 26. Mediante a DIPJ/2001, conforme ficha 17, a incorporada apurou, após adições e exclusões ao lucro líquido do exercício, o valor de R$ 2.051.551,71. Do referido valor foram deduzidas as antecipações de estimativas no valor de R$ 4.839.756,97 e de IRRF por órgão público no valor de R$ 4.939,65, resultando saldo negativo no valor de R$ 2.793.144,91. Também na apuração de estimativas mensais foram deduzidas retenções de IRRF por órgão público, conforme ficha 11 da DIPJ/2001, fls. 42 a 45. À fl. 211 foi apresentada planilha com todos os valores a título de estimativas no ano 2000. Da análise de sua DIRPJ/99 se verificou que a recorrente apurou saldo negativo de CSL no valor de R$ 654.215,17, conforme fl. 161. Observouse também que a recorrente compensou parte da estimativa referente a janeiro de 1999, no valor de R$ 139.287,46 com seu saldo negativo de IRPJ referente ao ano de 1998, fl. 163. Perfezse, assim, valor total de R$ 798.674,57, compensado com o referido saldo. Através do sistema SAPO se constatou ser suficiente o saldo negativo de 1998 para a realização da compensação dos quatro débitos, conforme relatórios juntados às fls. 163 a 166. Sobre o IRRF por órgãos públicos foram constatadas divergências entre os valores de retenção sob o código 6190 declarados em Dcomp e valores pagos a menor em relação ao que declarado pelas respectivas fontes pagadoras, conforme consta abaixo: Fl. 737DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 13/06/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10768.906754/200651 Resolução nº 1103000.090 S1C1T3 Fl. 730 3 · As fontes pagadoras informadas em Dcomp declararam em Dirf retenções menores que as deduzidas pela recorrente. A fonte inscrita sob o CNPJ nº 00.394.452/043929 declarou o valor de R$ 7.466,19 e a inscrita sob o CNPJ nº 26.994.558/001871 declarou o valor R$ 1.460,34. O valor total de IRRF constante de Dirf é de R$ 363.482,60, sob o código 6190, conforme fls. 170 e 171; · Conforme planilha de fl. 211, o total de IRRF por órgão público foi de R$ 80.338,11, sendo que R$ 75.398,46 foram deduzidos nas estimativas e R$ 4.939,65 foram deduzidos no ajuste final. A recorrente não declarou na ficha 43 de sua DIPJ/2001, “Demonstrativo de IRRF”, o IRRF do ano 2000, deixandoa em branco (fl. 168). Em pesquisa ao sistema Dirf, foi encontrado o valor total de retenção de R$ 363.482,60, sob o código 6190. Aplicandose a este valor as especificações do art. 64, §§ 3º e 4º, da Lei 9.430/96 e do art. 7º, parágrafo único, da IN SRF nº 480/04, resta o total de R$ 38.463,77 de retenção passível de dedução da CSL no ano 2000, valor inferior ao total deduzido pela recorrente nas estimativas pagas e no ajuste anual. Nesse sentido a tabela de fl. 213. Em termo de intimação fiscal de fl. 72, foi solicitado que a recorrente apresentasse memória de cálculo e respectivos documentos comprobatórios do valor deduzido na linha 26 “Outras Exclusões”, da ficha 17 “Cálculo da CSL”, da DIPJ/2001, no valor de R$ 56.720.000,00. Em resposta, a recorrente afirmou que esse valor faz referência a juros sobre o capital próprio, conforme demonstrado nas contas de nºs 41920851 e 41920870, fls. 75 a 108. Com o fito de atribuir certeza e liquidez ao crédito alegado pela recorrente, foi elaborado pedido de diligência pela Diort/Derat do Rio de Janeiro, fl. 113, visto que o sistema da RFB apontava valor inferior de JCP àquele apresentado em Dirf, no total de R$ 492.004,18, em 2000 e R$ 15.992.679,81 em 2001. Foi então solicitado à Defis que apurasse a divergência entre os valores apresentados em Dirfs e em sua DIPJ/2001, bem como a data do registro contábil dos JCP distribuídos no ano 2000. A recorrente afirmou em sua resposta que as diferenças apontadas são resultantes de incorreções de preenchimento da Dirf e que, inclusive, anexou telas dos lançamentos contábeis extraídos do SAP, referentes ao JCP pago na data de 22/6/01, no valor de aproximadamente R$ 49.000.000,00 do total provisionado de R$ 56.720.000,00. Afirmou, ainda, que apresentou cópias das telas do sistema da RFB com os Darfs pagos: em 13/9/00, no valor de R$ 1.425.000,00, em 8/11/00, no valor de R$ 1.425.000,00 e em 10/1/01, no valor de R$ 5.113.639,26, todos sob o código 5706, mesmo que não constassem em Dirf em virtude das incorreções de preenchimento. Acrescentou que a data do registro contábil dos valores é 22/1/01. Às fls. 127 e 128 a Defis apresentou termo de informação fiscal informando: · O valor de IRRF, código 5706 JCP, relativo ao somatório dos Darfs, no total de R$ 7.963.639,26 (R$1.425.000,00 + R$1.425.000,00 + R$ Fl. 738DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 13/06/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10768.906754/200651 Resolução nº 1103000.090 S1C1T3 Fl. 731 4 5.113.639,26), o que presumiria valor de JCP distribuído/pago correspondente a R$ 53.090.928,40; · Que na contabilidade apresentada não existem lançamentos contábeis coincidentes em datas e valores com o valor de JCP informado pela recorrente. Todos os lançamentos são datados de 22/6/01, posteriores às datas dos pagamentos efetuados que lhes seriam correspondentes. A soma dos lançamentos contábeis apresentados, fls. 118 a 121, totalizaria R$ 38.525.029,49, valor diverso do apresentado em resposta apresentada à fiscalização, em que afirmou que os pagamentos realizados a título de JCP em 22/6/01 totalizariam R$ 49.000.000,00. · Sobre o questionamento da data em que teria sido efetuado o registro contábil referente ao pagamento dos JCP de 2000, a recorrente informou ser 22/1/01 a data do registro contábil, mas não juntou documentação probatória, apenas um documento denominado “Demonstração Contábil Estruturada”, em que consta total de JCP no valor de R$ 56.720.000,00. A recorrente foi então intimada a: · Informar e comprovar através de documentação hábil e idônea, se efetuou a reversão dos JCP nos termos da Deliberação CVM nº 207/96, VIII e IX, já que no documento “Demonstração Contábil Estruturada Plano Contas 2000” se verifica que a conta de despesa de JCP aparece zerada; · Apresentar o Livro Razão dos registros contábeis com marcação indicativa correlacionando os lançamentos escriturados do Razão com os valores apresentados na “Demonstração Contábil Estruturada Plano Contas 2000”, de modo a possibilitar a identificação, no Razão, dos valores detalhados na Demonstração, caso tivesse procedido à referida reversão; · Informar em que linha da ficha 6A “Demonstração de Resultado” da DIPJ/2000 da sucedida consta a aludida reversão; · Apresentar demais esclarecimentos julgados necessários. À fl. 182 a empresa apresentou sua resposta ratificando ter efetuado a reversão dos JCP e acrescentou que a receita de JCP teria sido adicionada ao lucro bruto através da linha 23 e, posteriormente, revertida através da linha 35 da ficha 6A da DIPJ/2000. Assim, juntou cópia da ficha, fl. 183, sem juntar os registros contábeis da referida despesa, conforme solicitado. Mesmo intimada por três vezes a apresentar documentação comprobatória acerca das despesas com JCP, a recorrente não apresentou seus registros contábeis, lançamento nos Livros Diário e Razão; apenas juntou documento denominado “Demonstração Contábil Estruturada” e extratos do sistema de controle interno da empresa (SAP), que não são hábeis à comprovação das despesas excluídas do cálculo da CSL. Refazendo os cálculos da contribuição, após as constatações acima, verificouse que não existiria saldo negativo de CSL e sim contribuição a pagar, conforme tabela de fl. 216. Fl. 739DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 13/06/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10768.906754/200651 Resolução nº 1103000.090 S1C1T3 Fl. 732 5 Acrescentouse, ainda, que após consulta aos dados de DCTF relativos aos anos posteriores a 2000 se verificou que a empresa sucedida, inicial detentora do saldo negativo tratado pelo presente processo, já havia utilizado R$ 1.095.215,69 do saldo negativo de CSL apurado no ano 2000 para compensação da estimativa apurada no mês de janeiro de 2001, conforme confessou em DCTF juntada à fl. 167. O referido valor não foi descontado pela recorrente do valor do saldo negativo objeto de suas compensações, fl. 189. Por tudo o que foi exposto, se verificou que há elementos suficientes para afastar a certeza e a liquidez do crédito, concluindo pela inexistência de saldo negativo de CSL relativo ao ano 2000. Assim, não foi homologada a compensação efetuada através da Dcomp eletrônica nº 42605.86692.161006.1.7.031585, no valor de R$ 2.793.144,91. DA IMPUGNAÇÃO Irresignada, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade em 20/7/2011, de fls. 262 a 277, em que aduz, em síntese, o que segue. Afirmou ter decaído o direito do fisco de refazer a apuração de seu saldo negativo de CSL em virtude da ocorrência da previsão do art. 150, § 4º, do CTN. Assim, o fisco teve prazo de cinco anos, contados do fato gerador, para atestar a regularidade dos procedimentos realizados pela recorrente. O despacho decisório que questiona a existência do saldo negativo da recorrente foi proferido em junho de 2011. Contudo, o fato gerador do tributo ocorreu em 31/12/00, de forma que o termo final do prazo decadencial para que o fisco revisse a apuração da recorrente ocorreu em 31/12/05. Alegou ter apresentado cópias de suas DIPJs, onde estão demonstradas todas as receitas, exclusões e deduções que levaram à apuração da contribuição devida com o fito de comprovar a existência do saldo devedor. A apresentação da referida documentação se deu justamente para que o fisco tomasse conhecimento dos resultados da empresa para avaliar a existência ou inexistência de tributo em aberto. Afirmou que toda atividade do contribuinte é atingida pela homologação tácita, de forma que sua apuração registrada na DIPJ não pode ser alterada. Nesse sentido, apresentou julgados proferidos pelo antigo 1º Conselho de Contribuintes. Asseverou que, conforme art. 37 da Lei 9.430/96, o contribuinte não é obrigado a conservar documentos que se refiram a períodos decaídos. Ainda, o art. 265 do RIR/99, dispõe que a documentação contábil deve ser mantida durante cinco anos. Não sendo exigível a manutenção da documentação, sua ausência não pode ser motivo para desqualificação das receitas registradas em suas declarações fiscais. Sobre a principal questão discutida nos autos, a comprovação do pagamento de JCP no anocalendário de 2000 pela Telecomunicações do Pará (sucedida), ressaltou que a RFB não questionou a dedutibilidade das referidas despesas ou mesmo o montante reduzido (R$ 56.720.000,00). A autoridade fiscal afirmou não haver provas de que a empresa pagou JCP no exercício e, por isso, glosou a exclusão realizada. Fl. 740DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 13/06/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10768.906754/200651 Resolução nº 1103000.090 S1C1T3 Fl. 733 6 Sobre a glosa, afirmou que, ainda que não seja obrigada a manter documentação referente a operações realizadas onze anos antes da glosa, a recorrente logrou apresentar documentação contábil demonstrando a existência do pagamento de JCP. À fl 123 consta seu plano de contas do ano 2000 registrando despesas decorrentes de JCP no valor total de R$ 56.720.000,00. Ainda, as referidas despesas foram registradas no Livro Razão da empresa, entregue à fiscalização, conforme fls. 350 e seguintes (eprocesso), nas contas nº 41920870 e 41920851. Assim, fez alusão à previsão dos arts. 923 e 924, do RIR/99. Acrescentou que a própria fiscalização confirmou parte das retenções de CSL por órgão público em seu Parecer Conclusivo nº 95/11, conforme se vê à fl. 275, em que apresentou o excerto que trata do assunto. Assim, uma vez que a própria fiscalização reconheceu parte das retenções, deveria ter considerado ao menos os valores informados em DIRF como passíveis de deduções de CSL em 2000, ou seja, o montante de R$ 8.926,53. Sobre a alegação de que a recorrente já teria utilizado parte do saldo negativo de CSL de 1999 em compensações realizadas por encontro de contas indicadas em DCTF, afirmou que o despacho decisório sequer indicou se houve ou não homologação da suposta compensação ou se foi juntada a DCTF que a pudesse comprovar. Sendo assim, deve ser desconsiderada essa alegação por ser “absolutamente despida de comprovação”. Pelo exposto, requereu a homologação de sua declaração de compensação. DA DECISÃO DA DRJ Em 4/11/2011, acordaram os julgadores da 7ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro I, por unanimidade de votos, negar provimento à manifestação de inconformidade e não reconhecer o direito creditório e não homologar a compensação, conforme o entendimento que segue. Apresentou, novamente, o quadro que refez os cálculos da CSL e apurou CSL a ser paga, e não saldo negativo, conforme alegou a recorrente. Também apresentou tabela acerca dos valores apurados na DIPJ/2001 da recorrente. Fazem parte da controvérsia dos presentes autos a CSL retida por órgão público compensada com estimativas de CSL (R$ 36.934,69) e compensada no final do ano (R$ 4.939,65) e também a exclusão dos JCP no montante de R$ 56.720.000,00, que aumentou a CSL apurada de R$ 2.051.551,71 para R$ 7.107.725,37 e influenciou no resultado final do exercício. Afirmouse que, para que seja efetivada a compensação, o crédito contra a Fazenda Pública deve ser líquido e certo, segundo art. 170 do CTN, cabendo ao sujeito passivo a comprovação da certeza e liquidez de seu suposto crédito, conforme art. 333, I, do CPC. Não cabendo à Fazenda Pública o ônus da prova e não havendo nos autos lançamento de ofício, não há que se falar em decadência. Fl. 741DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 13/06/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10768.906754/200651 Resolução nº 1103000.090 S1C1T3 Fl. 734 7 Dessa forma, a Fazenda Pública não só pode como tem o dever legal de questionar a qualquer tempo os saldos negativos declarados em DIPJ e não declarados, por se tratar de questão de natureza meramente probatória. Sobre a alegação da recorrente de que, em tendo transcorrido o prazo para a guarda de documentos, a prova da natureza de suas deduções/exclusões passaria a ser sua DIPJ, foi novamente afirmado que se trata de matéria puramente probatória, não havendo que se falar em decadência. Ao caso se aplica a disposição do art. 264 do RIR/99. Nesse sentido, a recorrente deveria ter guardado seus livros e documentos capazes de comprovar seu suposto saldo negativo de CSL até que sua Dcomp fosse analisada pela SRF, tendo em vista que, a depender do resultado da análise, sua situação patrimonial poderia ser modificada. Acerca da defesa da recorrente embasada nos artigos 923 e 924 do RIR/99, asseverou que, para que sua escrituração contábil fosse capaz de fazer prova dos fatos a seu favor, deveria estar suportada por documentação hábil e idônea, o que não ocorreu. Além disso, as inconsistências verificadas e relatadas na informação fiscal de fls. 129 e 130, elencadas novamente à fl. 372, desconstroem a regularidade de sua escrituração. Ainda que o pagamento dos JCP tivesse sido comprovado, a empresa sucedida, à época, efetuou indevida exclusão do montante de R$ 56.720.000,00 na apuração da CSL, equivocandose quanto à sistemática dos JCP. Para as despesas com JCP são impostas regras de dedutibilidade previstas no art. 9º da Lei nº 9.249/95 e seus parágrafos. Afirmouse, inclusive, ter havido dedução em duplicidade (bis in idem), tendo em vista a ausência de comprovação da reversão da despesa de JCP. Portanto, agiu corretamente a autoridade a quo ao desconsiderar a exclusão dos JCP, resultando não em saldo negativo de CSL, mas em CSL a pagar e, essa sim, não poderia ser lançada em virtude da decadência. Ao contrário do que alegado pela recorrente, a autoridade a quo não só considerou o valor pretendido na manifestação de inconformidade, como o fez em valor a maior. Assim, em seu Parecer Conclusivo 95/11, a autoridade fiscal quando se refere a “IRRF por órgão público” está se referindo, na realidade, à parcela de CSL (1%), no montante de R$ 38.463,77, conforme quadro apresentado à fl. 220. Asseverou, por fim, que, ao contrário do que alegado pela recorrente, a autoridade fiscalizadora apresentou fundamentação acerca da utilização parcial do crédito pela empresa sucedida, conforme excerto de fl. 220 do despacho decisório, à fl. 376. Acrescentou que basta que seja consultada a fl. 167 dos autos (fl. 169, pela numeração eletrônica) para que se constate que o débito de R$ 1.095.215,69 de CSL referente a janeiro de 2001 já havia sido compensado pela sucedida com saldo negativo de CSL 31/12/00. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Em 5/7/2012, a recorrente interpôs recurso voluntário de fls. 425 a 448, reiterando o que alegado em sede de impugnação e acrescentando, em síntese, o que segue. Fl. 742DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 13/06/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10768.906754/200651 Resolução nº 1103000.090 S1C1T3 Fl. 735 8 Afirmou que a DRJ inovou nas razões de decidir levantadas pelo despacho decisório e passou a questionar supostas inconsistências entre o montante de IRRF pago sobre JCP distribuídos e o valor deduzido, conforme excerto trazido às fls. 436 e 437. Assim, ainda que a recorrente não tenha pago o IRRF sobre JCP corretamente, a discussão dos presentes autos é acerca da ocorrência ou não da distribuição de JCP no valor de R$ 56.720.000,00. Nesse sentido, não tendo havido o pagamento de IRRF que o fisco entende devida, deveria, então, ter efetuado o lançamento de ofício do tributo dentro do prazo e nos termos estipulados pelo CTN. Asseverou que na distribuição de JCP a pessoa jurídica incorre em despesa financeira passível de dedução, ou seja, a distribuição afeta, e deve afetar, o resultado. “A partir do momento em que ocorre uma inversão com a anulação dos efeitos da consideração da despesa, as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL são alteradas, com a apuração de IRPJ e CSLL maiores do que o efetivamente devido”. E, ainda, que demonstrações financeiras que sejam baseadas em normativos expedidos pela CVM não podem gerar impactos fiscais. Dividendos e JCP, para fins societários, são institutos de mesma natureza, entretanto, para fins fiscais a assertiva não é válida. Assim, afirmou que: “As sociedades anônimas de capital aberto não podem deixar de considerar os efeitos de um pagamento de JCP em suas bases. Se contabilmente o efeito no resultado foi anulado por meio de uma reversão, para fins fiscais, tal ajuste deve ser excluído”. À fl. 441 colacionou print da ficha 6A de sua DIPJ/2001, destacando os lançamentos contábeis correspondentes ao referido valor e, à fl. 442, print das contas de despesas de seu balancete de dezembro de 2000, destacando as contas que demonstram o lançamento a débito das despesas de JCP e seu posterior estorno, deixando o saldo da conta no final do exercício igual a zero. Por não terem sido consideradas as despesas financeiras a título de JCP em seu resultado, a recorrente promoveu em DIPJ sua exclusão, como se vê da linha 26 da ficha 17A, “Cálculo da CSL – Outras exclusões”. Alegou que assim determina a Deliberação nº 207 da CVM ao estabelecer o procedimento a ser observado para empresas que consideram os juros como despesa financeira; também de acordo com a Solução de Consulta nº 68/98. No mesmo sentido a ementa, colacionada à fl. 444, de julgado proferido pelo CARF. Esclareceu que deduziu e adicionou ao lucro líquido o montante de R$ 56.720.000,00 a título de JCP: o mesmo valor contabilizado como despesas com JCP. A princípio as despesas com JCP não tiveram efeitos fiscais. Posteriormente a recorrente excluiu o mesmo montante na apuração da base do IRPJ e da CSL, aproveitando o benefício fiscal previsto no art. 9º da Lei 9.249/95. Acrescentou, por fim, que, mesmo sendo dispensável, juntou aos autos os lançamentos contábeis que comprovam a adição contábil dos JCP anteriormente deduzidos. Dessa forma não poderiam existir mais dúvidas quanto à comprovação das despesas com JCP deduzidos pela recorrente em sua DIPJ. Quanto à comprovação da CSL retida por órgãos públicos, afirmou que o fisco deveria ter realizado diligência interna para buscar em seus sistemas todas as Dirfs que indicassem a recorrente como beneficiária das retenções, não só sob o CNPJ da matriz, mas também das filiais. Fl. 743DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 13/06/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10768.906754/200651 Resolução nº 1103000.090 S1C1T3 Fl. 736 9 Não tendo isso ocorrido, a própria recorrente efetuou busca das referidas Dirfs nos sistemas informatizados da RFB transmitidas no anocalendário 2000 em que o CNPJ da matriz consta como beneficiário das retenções, conforme já informado anteriormente, em sede de manifestação de inconformidade. Como resultado, localizou quase 1000 Dirfs, no total de mais de R$ 390.000,00, conforme tabela à fl. 446. A CSL retida apurada nessas Dirfs chegou a R$ 35.137,39, desconsiderandose eventuais erros cometidos quanto ao número de CNPJ das fontes pagadoras, ou mesmo valor incorreto de IRRF, porquanto o importante seja a apuração da existência de efetivas retenções contra a recorrente. Sendo assim, necessário baixar os autos em diligência para que a autoridade fiscal pesquise em sua base de dados a existência das Dirfs que indiquem a recorrente como beneficiária das retenções de CSL. Pelo exposto, requere a homologação de sua declaração de compensação. É o relatório. Fl. 744DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 13/06/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10768.906754/200651 Resolução nº 1103000.090 S1C1T3 Fl. 737 10 Voto Conselheiro Marcos Shigueo Takata O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade (fls. 129 e 131, numeração do eprocesso). Dele, pois, conheço. Como se viu do relatório a lide versa sobre saldo negativo de CSL do ano calendário de 2000, no valor original de R$ 2.793.144,91, objetivado à compensação com débito de Cofins de junho/03, mediante a Dcomp de nº 42605.86692.161006.1.7.031585. Os limites objetivos da lide se fixam no não reconhecimento de CSL na fonte de R$ 41.874,34, na glosa de exclusão de JCP pagos de R$ 56.720.000,00, e no reconhecimento de uso de parte do saldo negativo em jogo, por compensação, para adimplir estimativa de janeiro de 2001 – no caso, de R$ 1.095.215,69. Quanto à glosa da exclusão de JCP pagos, a recorrente lança irresignação ao argumento de que o fisco não poderia infirmar os resultados dela, com o decurso do prazo decadencial de lançamento do art. 150, § 4º, do CTN. Se não pode lançar, não pode revisar sua declaração. Sem prejuízo dessa questão, a recorrente procura comprovar a correção de seu procedimento, que se teria dado em conformidade com as normas da CVM, segundo as quais o tratamento tributário dos JCP como despesas não pode influenciar o lucro líquido, base para cálculo e distribuição de dividendos, porquanto os JCP efetivamente são distribuição de resultado, e não despesa. Daí ter lançado a débito em Lucros Acumulados o valor das despesas de JCP com contrapartida a crédito de receita de reversão de despesas de JCP. E, por isso, a dedução dos JCP se dera mediante exclusão do lucro líquido – porquanto tivera de neutralizar ou “anular” as despesas de JCP. Principio com o exame da questão da decadência. Sobre isso deduzo parte das considerações que fiz, ao tratar da questão da decadência em sede de saldo negativo (compensação) no outro processo da recorrente (de nº 15374.723795/200901). Suponhase que o contribuinte, no legítimo exercício desse direito, venha a fazer a declaração de compensação de, por ex., saldo negativo de IRPJ no penúltimo dia para a consumação do prazo decadencial do art. 150, § 4º, do CTN. A autoridade fazendária não disporia de mais de um dia para homologar ou não a compensação declarada? Isso concorreria ao absurdo. Por outro lado, o contribuinte tem o direito de apresentar sua declaração de compensação até que se atinja aquele termo final, pois é o mesmo termo final a que se refere o art. 168, I, do CTN. Como a compensação pode ser operada, ao alvitre do contribuinte, dentro daquele prazo decadencial (cinco anos contados da ocorrência do fato gerador), e isso não pode ser obstado, é imperativo lógico e do razoável e do possível que o termo final para o fisco Fl. 745DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 13/06/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10768.906754/200651 Resolução nº 1103000.090 S1C1T3 Fl. 738 11 homologar ou não a compensação não seja o mesmo segundo aquele prazo (cinco anos contados da ocorrência do fato gerador)1. É por isso que o art. 74, § 5º, da Lei 9.430/96 impõe como prazo decadencial para a homologação ou não da compensação declarada pelo contribuinte o prazo de cinco anos contado da data da entrega da declaração de compensação. É nessa medida e nesses termos que não vejo o preceito do art. 74, § 5º, da Lei 9.430/96 esbarrar no art. 150, § 4º, do CTN. O caso ganha similitude com a hipótese em que o contribuinte apresenta uma retificadora de DIPJ, para aumentar por ex., o valor das despesas dedutíveis, e consequentemente reduzir o IRPJ devido ou aumentar o prejuízo fiscal, faltando um dia para a consumação do prazo do art. 150, § 4º, do CTN. Nesta hipótese, o direito do fisco de lançar (no sentido amplo já descrito), por via da revisão da retificadora da DIPJ, se consumaria no dia seguinte? Não sinalizo dessa forma, e isso conduziria ao mesmo absurdo já comentado. Mas, certo é que a não consumação da decadência para o fisco ficaria restrita ao que foi retificado na DIPJ (no exemplo, o aumento do valor das despesas dedutíveis). Nos devidos termos, a mesma inteligência é aplicável, a meu ver, no âmbito de uma declaração de compensação, quanto aos limites do que é possível se questionar ou infirmar. Mas como aplicar tal inteligência no processo de compensação? Ilustro com alguns exemplos sobre os limites positivos. Questionarse sobre a receita (se ela foi oferecida à tributação) que dá causa ao IRRF que compõe o saldo negativo de IRPJ. Questionar se as estimativas de IRPJ que compõem o saldo negativo de IRPJ foram mesmo adimplidas. Questionarse quanto a certas deduções do próprio IRPJ devido, na apuração do saldo negativo de IRPJ. Não é o caso dos autos. Aqui se versa sobre glosa de exclusão feita pela contribuinte na apuração da base de cálculo da CSL. Se fosse possível isso, igualmente seria possível, por ex., a glosa de despesas deduzidas, adicionarse uma exclusão temporária, enfim, refazerse toda a base de cálculo da CSL. Ora, isso é o mesmo que se proceder ao lançamento, por meio indireto, com a consumação da decadência. Basta lembrar dos autos de infração sem exigência de tributo, em que somente se reduz o prejuízo fiscal e/ou a base de cálculo da CSL. A hipótese, aqui, é bem diversa daquele outro julgamento relativo à pretensão da recorrente, em que se infirmou o IRRF que compõe o saldo negativo de IRPJ, para o que expendi o juízo de que não há concreção da decadência. Aí era caso da mesma inteligência acima descrita aplicável em compensação, e que coaduna o art. 74, § 5º, da Lei 9.430/96 com o art. 150, § 4º, do CTN, na esfera do que é imperativo lógico, do razoável e do possível. 1 No caso de saldo negativo de IRPJ, esse também é o prazo decadencial do contribuinte para a compensação, pois é nesse momento é que se tem por “extinto” o crédito tributário, ao teor do art. 168, I, do CTN. Fl. 746DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 13/06/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10768.906754/200651 Resolução nº 1103000.090 S1C1T3 Fl. 739 12 Mutatis mutandis, a prevalecer a glosa da exclusão processada no despacho decisório, isso seria como o fisco questionar aquilo que não fora retificado pela contribuinte na DIPJ apresentada um dia antes da consumação do prazo do art. 150, § 4º, do CTN. Chancelar isso é permitir tudo ao fisco, mesmo com o decurso do prazo decadencial, e não no limite do que mantém conexão imediata com o saldo negativo pretendido, para o que vale somente o prazo da homologação tácita do art. 74, § 5º, da Lei 9.430/96. Daí porque não pode prevalecer a glosa do valor dos JCP na apuração da base de cálculo da CSL, e, por conseguinte, na apuração do saldo negativo de CSL. Mais. Ainda que assim não fosse, dos elementos coligidos aos autos, vejo que há enorme verossimilhança para a exclusão de R$ 56.720.000,00 do lucro líquido corresponder ao valor dos JCP creditados, cujas despesas foram neutralizadas, por reversão delas, em atendimento ao que prevê o inciso VIII da Deliberação CVM 207/96. Assim, nas fls. 547 e 548 (numeração do eprocesso), na demonstração do resultado analítica, constam: o débito de JCP na conta de resultado 41920851, do grupo 419.2151 – empresas associadas, no valor de R$ 31.287.521,64; o débito de JCP na conta de resultado 41920870, do grupo 419.2152 – empresas não associadas, no valor de R$ 25.432.470,36; o crédito de JCP na conta de resultado (redutora de despesa) 41920881, do grupo 419.2153 – empresas associadas, no valor de R$ 31.287.521,64; o crédito de JCP na conta de resultado (redutora de despesa) 41920898, do grupo 419.2154 – empresas não associadas, no valor de R$ 25.432.470,36; com o total de JCP (conta de resultado) de zero. Nas fls. 510 a 515 (numeração do eprocesso) figura a cópia da ata de Assembleia Geral Ordinária e de Assembleia Geral Extraordinária, relativas a 2000, sendo que da deliberação ordinária figura a distribuição de JCP no valor de R$ 56.720.000,00. Na fl. 70 (numeração do eprocesso), vejo que na ficha 40 da DIPJ/01, relativa à Demonstração dos Lucros e Prejuízos Acumulados, em sua linha 13 “outras destinações dos lucros acumulados” consta o débito de R$ 56.720.000,00. Tudo isso está a indicar que o procedimento contábil da recorrente foi de reverter as despesas de JCP, de modo que seu saldo líquido fosse zero, em contrapartida a débito de lucros acumulados, “recompondo” o lucro líquido antes das despesas de JCP, como predica a Deliberação CVM 207/96. Disse enorme verossimilhança, pois, apesar do descrito acima, não vi a conta do razão da reversão de JCP com a indicação da contrapartida a débito de lucros acumulados. Diante de toda essa ordem de considerações, não há como prevalecer a glosa da exclusão de JCP para apuração da base de cálculo da CSL. Fl. 747DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 13/06/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10768.906754/200651 Resolução nº 1103000.090 S1C1T3 Fl. 740 13 Insurgese a recorrente contra a compensação de parte do saldo negativo de CSL postulado com a estimativa de janeiro de 2001, sob a alegação de que no despacho decisório não se indica se houve ou não a homologação de tal compensação nem indica a DCTF comprobatória dela. Como se cuida do ano de 2001, sabese que a compensação entre tributos da mesma espécie prescindia de pedido de compensação, processandose aquela diretamente pela contribuinte. E a declaração de compensação só nasceu com o advento da MP 66/02, ao alterar o art. 74 da Lei 9.430/96. Vêse claramente, na fl. 167, a DCTF do 1º trimestre de 2001, na qual é declarado o adimplemento da estimativa de CSL de janeiro de 2001 por compensação de R$ 1.095.215,69, mediante o saldo negativo de CSL de 2000. E não há indicação nos autos de que referido valor tenha sido objeto de cobrança. A titular da pretensão também não fez tal afirmação, nem trouxe documento que acuse a cobrança daquele valor compensado. Logo, sobre a questão não assiste razão à recorrente. Resta enfrentar a questão das diferenças de CSL na fonte acusadas no despacho decisório. O valor total das estimativas de CSL informadas na ficha 16 da DIPJ/01 monta R$ 4.839.766,95 (fls. 49 a 52, numeração do eprocesso). Na linha 38 da ficha 17 da DIPJ/01 é informado como dedução – estimativas de CSL pagas – o valor de R$ 4.839.756,97, montante inclusive menor que a soma das estimativas (conquanto a diferença seja desprezível). E ainda é informado na linha 41 da ficha 17 como dedução – CSL retida por órgão público – o valor de R$ 4.939,65. Disso resulta um saldo a pagar de CSL negativo de R$ 2.793.144,91 (R$ 2.051.551,71 de CSL devida – R$ 4.839.756,97 R$ 4.939,65). Do total das estimativas de CSL de R$ 4.839.766,95 foram reconhecidos no despacho decisório R$ 4.802.832,26, conforme a seguinte correspondência: a) R$ 3.677.791,83 por estimativas pagas com Darf; b) R$ 427.189,55 por estimativas compensada com Darf; c) R$ 659.387,11 por estimativas compensadas com saldo negativo de período anterior; e d) R$ 38.463,77 por estimativas deduzidas com CSL retida na fonte. A diferença entre R$ 4.839.766,95 de estimativas de CSL informadas e R$ 4.802.832,26 de estimativas de CSL reconhecidas como pagas (sentido amplo) decorre do montante de CSL retida na fonte chancelada pelo órgão de origem: R$ 75.398,46 compuseram as estimativa de CSL e foram reconhecidos R$ 38.463,77. Há ainda a dedução de CSL retida na fonte de R$ 4.939,65 informada na ficha 17, que, evidentemente, não foi reconhecida no despacho decisório. Fl. 748DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 13/06/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10768.906754/200651 Resolução nº 1103000.090 S1C1T3 Fl. 741 14 Conforme o parecer conclusivo que foi adotado no despacho decisório, foram constatados em Dirfs R$ 363.482,60 de retenção de tributos, sob o código 6190 (informado na Dcomp), de modo que com a aplicação do percentual correspondente à CSL, resulta o valor de R$ 38.463,77. Pois bem. Nos termos do art. 943, § 2º, do RIR/99, o comprovante de rendimentos e de retenção de IR é o documento necessário e suficiente para a dedução do IRRF do IRPJ devido. O mesmo vale, a meu ver, para a dedução da CSL na fonte. A recorrente não carreara aos autos os comprovantes de rendimentos e de retenção de IR. Por outro lado, aduz a recorrente que buscou nos sistemas da Receita Federal as Dirfs com beneficiária sob o CNPJ de sua matriz, tendo constatado R$ 366.376,12 de retenção de tributos, sob os códigos 6190 e 6147, de modo que a CSL retida é de R$ 35.137,39. Dos documentos carreados aos autos pela recorrente nas fls. 625 a 718 (numeração do eprocesso) figura o total de retenção informado de R$ 366.376,12. Aliás, esse total também já constava na fl. 171 (numeração do eprocesso). Mas, a bem ver, a CSL retida é de R$ 38.769,96, ao se proporcionalizar a alíquota de CSL (1%) em relação à alíquota total (9,45%), e se aplicar a proporcionalização sobre o total de retenção de R$ 366.376,12 sob os referidos códigos. Requer a recorrente a baixa dos autos para diligência para se verificar o total de CSL dela retida segundo as Dirfs que a indiquem como beneficiária, não só sob o CNPJ da matriz, mas também das filiais. Aqui a situação é bem distinta da que figura no outro feito da recorrente, em cujo julgamento rejeitei o pedido de conversão em diligência, e que resultou no acórdão nº 1103000.840. Na ocasião disse: Na ficha 12A figura o valor de saldo negativo de R$ 2.982.940,62, decorrente de retenções de IRF em geral de R$ 1.254.998,60, e de retenções de IRF por entes públicos de R$ 1.727.942,02, como alega a recorrente. Mas noto que na ficha 11 correspondente às estimativas de outubro a dezembro de 2000, há informação de dedução de IRRF em geral em valores bem significativos (superiores aos da ficha 12A). Pode ser que o IRPJ por estimativa apurado com base em balanço de suspensão de dezembro de 2000 se encontre errado, pois não apresenta nenhuma conexão com o IRPJ anual conforme a ficha 12A. Ou pode ser que o IRPJ por estimativa de dezembro se encontre correto, pois se vê na ficha 9A (demonstração do lucro real) que o lucro real é zero, por ser informada compensação de prejuízos fiscais de períodos anteriores no valor igual ao do lucro real antes dessa compensação, portanto, sem a “trava” de 30% (linhas 41 e 42 da ficha 9A). Acentuo que o registro feito no parágrafo anterior não se presta a questionar tais informações. Filo porque a cadeia fática não Fl. 749DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 13/06/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10768.906754/200651 Resolução nº 1103000.090 S1C1T3 Fl. 742 15 contribui para indicação de que retenções sob outros códigos de arrecadação possam estar compreendidos no valor de IRRF em geral e no valor de IRF retido por entes públicos indicados na ficha 12A, cuja soma representa o saldo negativo de IRPJ. Conectemse especialmente o que se disse sobre as informações constantes nos autos da DIPJ/01 dos autos com as relativas às declaradas na Dcomp. Lembrase que se está diante de pretensão da recorrente, e não de pretensão fiscal. O onus probandi é da recorrente. Como falar de diligência para compreender códigos diversos aos declarados na Dcomp, sem que a recorrente tenha trazido dados, para o devido encadeamento fático que evidencie ou no mínimo indicie que as retenções usadas na composição do saldo negativo são de códigos diversos aos da Dcomp? Essas as razões pelas quais não vejo justificativa para diligência na amplitude propugnada pela recorrente. E quanto a retenções sob os códigos 3426 e 6190 por fontes pagadoras diversas das informadas na Dcomp? Igualmente não vejo justificativa para diligência, por duas razões fundamentais. Como descrevi acima, há valores significativos de IRRF em geral utilizados na apuração do IRPJ por estimativa de outubro a dezembro de 2000 (todos os meses com base em balanço de suspensão ou redução), conforme a ficha 11A da DIPJ/01. Os valores de IRRF em geral informados na ficha 12A (que compõem o saldo negativo de IRPJ) são os que constam na Dcomp e são diversos dos que figuram na ficha 11A, mas não se sabe, com base no que figura nos autos, se há IRRF sob o código 3426 entre os valores de IRRF da ficha 11A. Como afirmar que naqueles valores de IRRF usados na apuração de IRPJ por estimativa não estão contidos IRRF sob o código 3426 por pessoas diversas das acusadas em Dcomp? Dito por outro ângulo, como afirmar que os IRRF sob o código 3426 que compõem o saldo negativo de IRPJ compreendem os retidos por pessoas diversas das indicadas em Dcomp (= erro na informação em Dcomp) e que não sejam os utilizados nas estimativas? (...) Compulsando os autos, noto que na ficha 16 da DIPJ/01 são informadas retenções de CSL feitas por entes públicos aproveitadas nas estimativas de abril, maio, julho, agosto, setembro e novembro de 2000 (fls. 49 a 52, numeração do eprocesso). Na ficha 17, constam como deduções na apuração do saldo negativo de CSL as estimativas de CSL (linha 38) e CSL retida fonte por entes públicos (linha 41), como aliás, já descrevi alhures. Diante desse quadro, proponho a conversão do feito em diligência, com o seguinte quesito para o órgão de origem: Fl. 750DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 13/06/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10768.906754/200651 Resolução nº 1103000.090 S1C1T3 Fl. 743 16 Seja informado o valor total das retenções feitas por entes públicos, tendo como beneficiária a recorrente, seja sob o CNPJ da matriz, seja sob o das filiais, por entes públicos no anocalendário de 2000, conforme as Dirfs por eles apresentadas. Seja calculada e informada do total das retenções em questão a parcela imputável à CSL. Após, reabrir o prazo de 30 (trinta) dias para a recorrente, se quiser, manifestar se sobre o relatório de diligência, conforme o art. 35, parágrafo único, do Decreto 7.574/11. É o meu voto. Sala das Sessões, em 8 de maio de 2013 (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Fl. 751DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 13/06/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 12157.000055/2008-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 12/11/1999, 15/12/1999, 14/01/2000, 15/02/2000
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO.
Cabem embargos de declaração para sanar contradição entre a decisão e seu fundamento.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 3301-001.993
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos declaratórios opostos pela Fazenda Nacional, conferindo-lhes efeitos infringentes, para rerratificar o acórdão embargado e dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso e Andrada Márcio Canuto Natal. Ausente momentaneamente a conselheira Fábia Regina Freitas.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201308
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 12/11/1999, 15/12/1999, 14/01/2000, 15/02/2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. Cabem embargos de declaração para sanar contradição entre a decisão e seu fundamento. Embargos Acolhidos.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Oct 25 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 12157.000055/2008-81
anomes_publicacao_s : 201310
conteudo_id_s : 5302984
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 29 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3301-001.993
nome_arquivo_s : Decisao_12157000055200881.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
nome_arquivo_pdf_s : 12157000055200881_5302984.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos declaratórios opostos pela Fazenda Nacional, conferindo-lhes efeitos infringentes, para rerratificar o acórdão embargado e dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso e Andrada Márcio Canuto Natal. Ausente momentaneamente a conselheira Fábia Regina Freitas.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
id : 5142072
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:15:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046173360586752
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1710; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 304 1 303 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12157.000055/200881 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3301001.993 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de agosto de 2013 Matéria FINSOCIAL COMPENSAÇAÕ Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado WHIRLPOOL S/A ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 12/11/1999, 15/12/1999, 14/01/2000, 15/02/2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. Cabem embargos de declaração para sanar contradição entre a decisão e seu fundamento. Embargos Acolhidos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos declaratórios opostos pela Fazenda Nacional, conferindolhes efeitos infringentes, para rerratificar o acórdão embargado e dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso e Andrada Márcio Canuto Natal. Ausente momentaneamente a conselheira Fábia Regina Freitas. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 15 7. 00 00 55 /2 00 8- 81 Fl. 304DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /08/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Tratase de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3301001.280, proferido por esta Turma Ordinária, que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário do interessado. Segundo a embargante, o acórdão embargado é contraditório pelo fato ter sido fundamentado na prescrição do direito de a Fazenda Nacional cobrar os débitos tributários declarados e compensados nas DCTF do 4º trimestre de 1999 e do 1º trimestre de 2000, transmitidas e recepcionadas em 11/02/2000 e 15/08/2000, respectivamente. Contudo, ao contrário do que consta do voto do acórdão embargado, o extrato do Sistema Gerencial da DCTF às fls. 176 (fls. 174) comprova que as datas de recepção ocorreram em 26/05/2004 (4º trimestre/1999) e 15/08/2000 (1º trimestre/2000). É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais Os embargos de declaração interpostos atendem aos requisitos de admissibilidade. Assim, deles conheço. No acórdão embargado, esta Turma reconheceu a prescrição do direito de a Fazenda Nacional cobrar débitos da Cofins, declarados e compensados nas DCTF do 4º trimestre de 1999 e do 1º trimestre de 2000, bem como a ocorrência da convalidação tácita das compensações sob o fundamento de que decorreram mais de cinco anos, contados das datas das transmissões/recepções das respectivas DCTF e a data em que a recorrente foi intimada do despacho decisório que não convalidou as compensações declaradas, levandose em a conta que aquelas declarações foram transmitidas/recepcionadas nas datas de 11/02/2000 e 15/08/2000. No entanto, do exame dos autos, verificamos que houve equívoco quanto à data de transmissão/recepção da DCTF do 4º trimestre de 1999. Conforme prova o extrato do Sistema Gerencial da DCTF – Relação de Declarações 4/1999 a 1/2000, às fls. 176 (fls. 174), a DCTF do 4º trimestre de 1999, transmitida/recepcionada em 11/02/2000, foi posteriormente cancelada e transmitida uma Retificadora na data de 26/05/2004. Já a DCTF do 1º trimestre de 2000 realmente foi transmitida/recepcionada em 15/08/2000. Conforme demonstrado nos autos, a Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (Derat) em São Paulo não convalidou as compensações dos débitos fiscais informados nas DCTFs sob o argumento de que, na data em que foram efetuadas, 15/08/2000 e 26/05/2004, o direito de a recorrente repetir/compensar o crédito financeiro utilizado já havia decaído/prescrito, conforme Despacho Decisório às fls. 180/183 (fls. 178/181), datado de 19/06/2008, do qual foi intimada em 25/06/2008. Além disto, por meio da Carta Cobrança, datada de 08/07/2008, às fls. 186 (fls. 184), recebida em 15/07/2008, conforme prova o “AR” às fls. 187 (fls. 185), foi intimada a pagar os débitos cujas compensações não foram convalidadas. Dessa forma, ao contrário do decidido no acórdão embargado, na data em que a recorrente tomou ciência do referido despacho decisório, a convalidação tácita da compensação declarada na DCTF do 4º trimestre de 1999 ainda não havia ocorrido, assim como a prescrição do direito de a Fazenda Nacional cobrar os débitos tributários declarados Fl. 305DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /08/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12157.000055/200881 Acórdão n.º 3301001.993 S3C3T1 Fl. 305 3 cuja compensação não fora homologada. A data limite expiraria em 26 de maio de 2009. Como foi intimada do despacho decisório na data de 25 de junho de 2008 e da carta cobrança em 15 de julho de 2008, não há que se falar em convalidação de compensação e prescrição do direito de a Fazenda cobrar os débitos declarados e compensados indevidamente naquela DCTF. Já em relação ao débito declarado na DCTF do 1º trimestre de 2000, mantémse a decisão do acórdão embargado. Como as questões de mérito do direito de a recorrente repetir/compensar o indébito tributário não foram enfrentadas no acórdão embargado, em face do reconhecimento equivocado da homologação tácita de todas compensações declaradas e da prescrição do direito de a Fazenda cobrar todos débitos declarados na DCTF, as enfrentaremos neste momento. A Derat em São Paulo não convalidou as compensações declaradas e efetuadas nas DCTF sob o fundamento de que, na data de suas transmissões, em 15/08/2000 e 26/05/2004, o direito de a recorrente repetir/compensar o crédito financeiro utilizado já havia decaído/prescrito. Também, a decisão de primeira instância julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob o mesmo fundamento, mantendo a não convalidação das compensações declaradas. Em seu recurso voluntário, a recorrente insiste no reconhecimento da ocorrência da homologação (convalidação) tácita das compensações declaradas nas DCTFs, nos termos do § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996; e, alternativamente, a suas homologações (convalidações), sob o argumento de que, nas datas em que as declarou nas respectivas DCTFs, seu direito à repetição/compensação dos valores utilizados não havia decaído/prescrito, defendendo o prazo de 10 (dez) anos, nos termos da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), tese dos “cinco mais cinco” e, caso se decida pela inexistência do direito creditório e, conseqüentemente, pela não convalidação das compensações, os débitos deverão ser cancelados porque foram também objeto do processo administrativo nº 13807.004773/200111; assim sua exigência, neste processo, implica duplicidade. a) homologação tácita A Lei nº 9.430, de 27/12/1996, que trata de compensação de crédito financeiro contra a Fazenda Nacional com débito tributário, ambos do mesmo sujeito passivo, assim dispõe: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 306DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /08/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...]. § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 5º A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...].” Já o instituto da homologação tácita surgiu com a edição da MP nº 135, de 30 de outubro de 2003, com vigência a partir desta mesma data, convertida na Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que, por meio art. 17, deu nova redação ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, incluindo nele o parágrafo 5º, assim dispondo: “§ 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.” Ao contrário do entendimento da recorrente, a homologação tácita de compensação, nos termos destes dispositivos legais, somente se aplica àquela efetuada, mediante Declaração de Compensação (Dcomp). A compensação declarada em DCTF não está amparada naqueles dispositivos legais. A titulo de esclarecimento, ainda que se aplicasse, ao presente caso, aqueles dispositivos legais, na data em que foi intimada do despacho decisório, não teria ocorrida a suscitada homologação (convalidação) tácita. Conforme demonstrado nos autos, a recorrente transmitiu a DCTF em 26/05/2004 e foi intimada do despacho decisório da não convalidação em 25/06/2008, dentro do prazo qüinqüenal previsto naquela lei. b) prescrição do direito de repetir o crédito financeiro utilizado na DCTF O direito à repetição/compensação do crédito financeiro utilizado na compensação declarada na DCTF em discussão foi reconhecido à recorrente na esfera judicial, processo nº 92.00027334, cuja decisão transitou em julgado na data de 24 de maio de 1994. O prazo prescricional da ação para se repetir/compensar crédito financeiro cujo direito foi reconhecido na esfera judicial deve ser contado nos termos do Código Tributário Nacional (CTN), art. 165, c/c o art. 168, que assim dispõe: “Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; Fl. 307DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /08/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12157.000055/200881 Acórdão n.º 3301001.993 S3C3T1 Fl. 306 5 [...]. III – reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: [...]; II – na hipótese do inciso III do art. 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória.” No presente caso, a decisão proferida no processo judicial nº 92.00027334 que reconheceu o direito de a recorrente repetir/compensar os créditos financeiros declarados na DCTF em discussão transitou em julgado na data de 24 de maio de 1994, conforme consta dos autos. Assim, nos termos dos dispositivos legais citados e transcritos anteriormente, na data em que a recorrente transmitiu a DCTF, em 26 de maio de 2004, o seu direito já havia prescrito. O prazo limite expirou em 26 de maio de 1999. Para aqueles que entendem que a compensação ocorreu na data do vencimento dos débitos compensados, também em 11 de novembro de 1999, data do vencimento do débito mais antigo, a prescrição já havia ocorrido. c) cancelamento dos débitos por duplicidade de cobrança Embora, esta matéria somente tenha sido suscitada nesta fase recursal, em virtude do princípio da verdade material, a enfrentaremos. A recorrente alega que os débitos objetos deste processo administrativo foram também objeto de lançamento de ofício por meio do processo administrativo nº 13807.004773/200111, conforme prova a cópia do auto de infração, em anexo, às fls. 283/290 (fls. 272/279. Realmente, do exame da cópia daquele auto de infração, verificamos que parte dos débitos, objeto da DCTF do 4º trimestre de 1999, foram lançadas e exigidas nele. Contudo, por meio de consulta ao conteúdo daquele processo, no sistema “e Processo”, verificamos que a parte dos débitos objetos da compensação declarada na DCTF do 4º trimestre de 1999 e cuja convalidação se discute, neste fase recursal, foram integralmente transferidos daquele processo administrativo para este processo, na data de 28/02/2008, conforme prova o extrato “Histórico” às fls. 319 daquele processo, reproduzido, em parte, a seguir: “MINISTÉRIO DA FAZENDA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL SINCOR – PROFISC PROCESSO NRO : 13807004.773/200111 UL CONTROLE : 08.180.00 SÃO PAULO CONTRIBUINTE : 59.105.999/000186 WHIRLPOOL S.A SIT. ATU : SUSPENSO POR MEDIDA JUDICIAL INIC: 06/12/2006 EVENTO Fl. 308DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /08/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 EVENTO INFORMAÇÕES ADICIONAIS TRANSFERÊNCIA DE DÉBITO (PROC. ORIGEM) EVENTO ORIGINADO POR TRANSFERE DÉBITOS (CADASTRA/ATUAL) TRANSFERÊNCIA REALIZADA PARA O PROCESSO 12157 000.055/200881 VALORES DO(S) DEBITO(S) TRANSFERIDO(S) SEQ 009 IMPOSTO: 1.214.651,46 SEQ 010 IMPOSTO: 3.893.304,87 SEQ 011 IMPOSTO: 443.464,13 SEQ 012 IMPOSTO: 2.249.611,79.” Assim, ao contrário do entendimento da recorrente, os débitos, objetos da convalidação das compensações em discussão, não serão cobrados em duplicidade, mas tão somente por meio deste processo. Dessa forma, o acórdão embargado deverá ser rerratificado de conformidade com este voto, passando a ter as seguintes ementas: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 24/05/1994 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. AÇÃO JUDICIAL. REPETIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. O direito de o contribuinte repetir e/ ou compensar indébito tributário, reconhecido na esfera judicial prescreve em cinco anos, contados a partir da data do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 12/11/1999, 15/12/1999, 14/01/2000 COMPENSAÇÃO. DCTF. CONVALIDAÇÃO. A convalidação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF), está condicionada à certeza e liquidez dos créditos financeiros utilizados. DCTF. DÉBITOS. COMPENSAÇÃO. CONVALIDAÇÃO TÁCITA. INAPLICABILIDADE. Inexiste amparo legal para se aplicar a convalidação tácita à compensação de débitos tributários declarados em DCTF. A intimação do contribuinte da não convalidação dentro do prazo qüinqüenal, contado da data de transmissão da respectiva DCTF afasta a aplicação da convalidação tácita. Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 15/02/2000 DCTF. DÉBITO DECLARADO. O direito de a Fazenda Pública cobrar débito tributário declarado e compensado indevidamente em DCTF prescreve em cinco anos contados da data de sua recepção. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /08/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12157.000055/200881 Acórdão n.º 3301001.993 S3C3T1 Fl. 307 7 COMPENSAÇÃO INFORMADA EM DCTF. CONVALIDAÇÃO. Decorrido o prazo de cinco anos contados da data de transmissão da DCTF, sem que a autoridade administrativa tenha se manifestado, considerase ocorrida a convalidação tácita da compensação declarada. Recurso Voluntário Provido em Parte. Em face do exposto, acolho os embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional para rerratificar o acórdão embargado, conferindolhes efeitos infringentes, para dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo a convalidação tácita da compensação do debito da Cofins referente à competência de janeiro de 2000, vencida em 15/02/2000, mantendo, contudo, a não convalidação da compensação dos débitos referentes às competências de outubro, novembro e dezembro de 1999, vencidas em 12/11/1999, 15/12/1999, e 14/01/2000, respectivamente. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 310DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /08/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10640.902900/2009-58
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
Ementa:
Afastado o óbice que serviu de fundamento legal para a não homologação da compensação pleiteada e, não havendo análise pelas autoridades a quo, quanto ao aspecto quantificativo do direito creditório alegado e a compensação objeto do PERDCOMP, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar o direito creditório alegado
Numero da decisão: 1802-001.738
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Antonio Nunes Castilho Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201307
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 Ementa: Afastado o óbice que serviu de fundamento legal para a não homologação da compensação pleiteada e, não havendo análise pelas autoridades a quo, quanto ao aspecto quantificativo do direito creditório alegado e a compensação objeto do PERDCOMP, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar o direito creditório alegado
turma_s : Segunda Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10640.902900/2009-58
anomes_publicacao_s : 201309
conteudo_id_s : 5292445
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1802-001.738
nome_arquivo_s : Decisao_10640902900200958.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO
nome_arquivo_pdf_s : 10640902900200958_5292445.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
id : 5065388
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:13:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046173363732480
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1567; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 80 1 79 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10640.902900/200958 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1802001.738 – 2ª Turma Especial Sessão de 9 de julho de 2013 Matéria IRPJ Recorrente Rosagas Comercio de Gas Ltda Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 Ementa: Afastado o óbice que serviu de fundamento legal para a não homologação da compensação pleiteada e, não havendo análise pelas autoridades a quo, quanto ao aspecto quantificativo do direito creditório alegado e a compensação objeto do PERDCOMP, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar o direito creditório alegado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho – Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 90 29 00 /2 00 9- 58 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Juiz de Fora – RJ (DRJJFA), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Recorrente. Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante do Acórdão citado, verbis: Trata o presente processo da Declaração de Compensação Eletrônica — Dcomp n° 39580.06132.310106.1.3.040040 (fls. 26 a 28), transmitida em 31/01/2006, de débito de IRRF, código 1708, período de apuração 1º Sem./julho/2004, no valor original de R$26,10, com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ (estimativa), efetuado por meio do DARF abaixo discriminado: Código da Receita Data de Arrecadação Período de Apuração Principal Multa Juros Valor Total de DARF 5993 27.02.2004 31.01.2004 800,00 800,00 O valor do crédito original utilizado nesta Dcomp é de R$27,83. A DRF/JFA/MG, em 09/04/2009, emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, em virtude de o pagamento efetuado por meio do DARF indicado na Dcomp estar totalmente alocado ao débito de IRPJ, código 5993, período de apuração 31/01/2004, não restando crédito disponível para compensação ora declarada (fl. 29). A empresa contribuinte foi cientificada, em 30/04/2009, da não homologação da declaração de compensação (fl. 33), e apresentou, em 27/05/2009, a manifestação de fls. 1 e 2, na qual alega que juntou cópia do correto lançamento, demonstrando o valor real devido para o mês de janeiro de 2004, que cotejado com o pagamento, efetuado em 27/02/2004, comprova cabalmente o pagamento indevido ou a maior. É o relatório. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10640.902900/200958 Acórdão n.º 1802001.738 S1TE02 Fl. 81 3 Em sua decisão, a DRJJFA houve por bem não reconhecer o direito creditório pleiteado pelo contribuinte através do Acórdão n° 9 36.530, Sessão de 25 de agosto de 2011, conforme ementa transcrita abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 27/02/2004 ESTIMATIVA MENSAL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago na dedução do IRPJ ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período. DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. Comprovada a improcedência do direito creditório, deixase de homologar a compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com a decisão, o Recorrente apresentou, em 23/12/2011, Recurso Voluntário (fls. 44/74) no qual aduziu, em síntese, que a existência do recolhimento a maior da estimativa mensal de IRPJ, seria suficiente para embasar o pedido de compensação. É o relatório, passo a decidir. Voto Conselheiro Relator Marco Antonio Nunes Castilho Admissibilidade do Recurso Voluntário A recorrente foi cientificada da decisão da DRJ, em 25.11.2011, conforme aviso de recebimento às fls. 43 e, apresentou o recurso, tempestivamente, no prazo de 30 dias, em 23.12.2011, atendendo aos demais pressupostos para sua admissibilidade. Portanto, dele conheço. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO 4 Mérito Durante a construção da sua tese de defesa o Recorrente alega que restou comprovado nos documentos apresentados perante a Delegacia Regional de Julgamento de Juiz de Fora a existência do crédito tributário, decorrente do pagamento a maior de estimativa mensal de IRPJ, referente ao período de janeiro de 2004, sendo assim, não haveria motivo para não homologação da Per/Dcomp nº 39580.06132.310106.1.3.040040. A DRJ manteve a não homologação da compensação efetuada, sob o argumento de que o pagamento efetuado a título de estimativa de IRPJ não pode ser objeto de compensação, devendo ser usado para dedução da contribuição anual devida ou na composição do saldo negativo respectivo. Em seu recurso voluntário, a Recorrente alega que a existência do recolhimento a maior da estimativa mensal de IRPJ, seria suficiente para embasar o pedido de compensação. Assim, a decisão da DRJ concluiu que, somente o saldo negativo do IRPJ apurado no encerramento do ano calendário constitui valor passível de restituição/compensação, não sendo cabível, portanto, a solicitação decorrente de eventuais valores relativos a recolhimentos efetuados por estimativa no decorrer do ano calendário. À época em que a compensação foi processada encontravase em vigor a Instrução Normativa nº 460/2004, que em seu artigo 10 previa a impossibilidade de compensação em caso de pagamento a maior ou indevido de estimativa mensal e, quando do julgamento se encontrava em vigor a Instrução Normativa nº 600/2005, que em seu artigo 10, reproduzia de forma integral o preceito da Instrução Normativa nº 460/2004, também vedando a possibilidade de compensação do pagamento a maior efetuado a título de estimativa. Sobre os mencionados atos normativos deve ser admitida, nos termos do artigo 106 do Código Tributário Nacional, a retroatividade benéfica da revogação da Instrução Normativa SRF n° 600/05, pelo artigo 100 da Instrução Normativa RFB n° 900/08 que, inclusive, não mais veda a compensação de créditos relativos a pagamentos de IRPJ e CSLL por estimativa, conforme previsto em seu artigo 11. De fato a restrição contida no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004 e da IN SRF n° 600, de 2005 não mais se repete na IN SRF nº 900/2008 e alterações posteriores. Portanto, ressalvadas as situações do parágrafo 3º (créditos não compensáveis) do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que disciplina a matéria relativa à compensação no âmbito federal, o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo e/ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos vencidos ou vincendos próprios do contribuinte, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração do mencionado órgão administrativo, vejamos: Artigo 74 0 sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. ... Fl. 83DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10640.902900/200958 Acórdão n.º 1802001.738 S1TE02 Fl. 82 5 § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) IV os créditos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal com o débito consolidado no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal Refis, ou do parcelamento a ele alternativo; e (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V os débitos que já tenham sido objeto de compensação não homologada pela Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004). VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) VIIos débitos relativos a tributos e contribuições de valores originais inferiores a R$ 500,00 (quinhentos reais); (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) VIIIos débitos relativos ao recolhimento mensal obrigatório da pessoa física apurados na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 1988; e (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) IXos débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda da Pessoa JurídicaIRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL apurados na forma do art. 2o. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) Fl. 84DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO 6 Sobre essa matéria, o próprio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais editou a Súmula no. 84, em 10.12.2012, com o seguinte teor: Súmula 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Como visto, os fundamentos para o indeferimento do PERDCOMP, por si só, tanto pela DRF, quanto pela DRJ, não encontram amparo na norma legal que rege a matéria. A questão é saber se de fato resta caracterizado o indébito do pagamento de estimativa, comprovado mediante escrituração contábil e fiscal, para que se possa aferir a certeza e liquidez do crédito tributário como dispõe o artigo 170 da Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário NacionalCTN). Nesse sentido, ante a documentação acostada dos autos, não fora possível aferir qual valor das estimativas levado para compor o ajuste final. Desta forma, tornase inviável, nessa fase processual, a análise quanto ao crédito alegado e conseqüente compensação pleiteada. Porém, a motivação para o indeferimento do pleito tanto pela autoridade administrativa da Receita Federal, quanto pela Delegacia de Julgamento restringese ao teor da IN SRF no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004, e como visto extrapolam o conteúdo da Lei nº 9430/96. Assim, não havendo análise quanto ao aspecto quantificativo do direito creditório alegado objeto do PERDCOMP e, afastado o óbice escorado apenas no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004 e da IN SRF n° 600, de 2005, que serviu de fundamento para a não homologação da compensação pleiteada, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar ou não o direito creditório alegado. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, para que sejam devolvidos os autos à DRF de origem (Juiz de Fora) para análise do PERDCOMP no. 39580.06132.310106.1.3.040040 e, proferido outro despacho decisório que deverá ser cientificado ao interessado para sua manifestação se for o caso. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho – Relator Fl. 85DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10640.902900/200958 Acórdão n.º 1802001.738 S1TE02 Fl. 83 7 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000973/2008-32
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006
BOLSAS DE ESTUDO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. NÃO INTEGRAÇÃO.
A bolsa de estudo destina-se a ressarcir os valores pagos a título de mensalidades escolares dos próprios empregados ou de seus filhos, não possuindo natureza salarial. É um incentivo para o trabalho, e não pelo trabalho. Por tal razão, os valores que porventura forem expendidos a este título não devem integrar o salário de contribuição.
MULTA. RECÁLCULO.
Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, c do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.219
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, 1) Por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso, para determinar a exclusão dos valores apurados a título de bolsas de estudo. 2) Por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte, vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201308
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 BOLSAS DE ESTUDO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. NÃO INTEGRAÇÃO. A bolsa de estudo destina-se a ressarcir os valores pagos a título de mensalidades escolares dos próprios empregados ou de seus filhos, não possuindo natureza salarial. É um incentivo para o trabalho, e não pelo trabalho. Por tal razão, os valores que porventura forem expendidos a este título não devem integrar o salário de contribuição. MULTA. RECÁLCULO. Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, c do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 07 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 14041.000973/2008-32
anomes_publicacao_s : 201310
conteudo_id_s : 5296981
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2403-002.219
nome_arquivo_s : Decisao_14041000973200832.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
nome_arquivo_pdf_s : 14041000973200832_5296981.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, 1) Por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso, para determinar a exclusão dos valores apurados a título de bolsas de estudo. 2) Por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte, vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Marcelo Magalhães Peixoto - Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
id : 5103729
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:14:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046173366878208
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1538; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14041.000973/200832 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2403002.219 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 14 de agosto de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente CENTRO DE ENSINO UNIFICADO DE BRASÍLIA CEUB Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 BOLSAS DE ESTUDO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. NÃO INTEGRAÇÃO. A bolsa de estudo destinase a ressarcir os valores pagos a título de mensalidades escolares dos próprios empregados ou de seus filhos, não possuindo natureza salarial. É um incentivo para o trabalho, e não pelo trabalho. Por tal razão, os valores que porventura forem expendidos a este título não devem integrar o salário de contribuição. MULTA. RECÁLCULO. Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 09 73 /2 00 8- 32 Fl. 187DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, 1) Por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso, para determinar a exclusão dos valores apurados a título de bolsas de estudo. 2) Por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte, vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14041.000973/200832 Acórdão n.º 2403002.219 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº. 0336.152 fls. 128/144, que julgou parcialmente procedente a Impugnação apresentada para exonerar parte do crédito tributário exigido no AI DEBCAD 37.142.1500, cujo valor originariamente lançado equivale ao importe de R$ 1.998.672,68 (um milhão novecentos e noventa e oito mil seiscentos e setenta e dois reais e sessenta e oito centavos) em razão do reconhecimento da decadência, nos termos do parágrafo 4º do Art. 150 do CTN, para as competências 01/2003 a 09/2003. O Auto de Infração abrange o período de 01/2003 a 12/2006, tendo sido lavrado em 07/10/2008 e cientificado o contribuinte em 10/10/2008, almeja o recolhimento de diferenças de contribuições previdenciárias devidas pelos segurados empregados e contribuintes individuais a serviço da empresa, em razão dos fatos assim consignados no Relatório Fiscal, fls. 65/82: 10. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO 10.1. Análise da Folha de Pagamento dos Segurados Empregados e Contribuintes Individuais (...) Os valores da folha de pagamento foram compatibilizados com os valores declarados em GFIP antes do início da ação fiscal. Foram encontrados valores não declarados em GFIP que são objeto de lançamento (...). 10.2. Análise da Folha de Pagamento dos Segurados Empregados – rubricas não tributadas pelo sujeito passivo 10.2.1. Da análise das rubricas apresentadas na folha de pagamento forame encontradas algumas rubricas que não foram consideradas como base de contribuições previdenciárias. São elas: a) Rubrica 172 – DIF. 13.SALÁRIO: Os valores pagos a título de 13º salário deverão ser tributados com base no § 7º do art. 28 da Lei 8.212/91. b) Rubrica 238 – RECESSO ESCOLAR, Rubrica 331 – INDENIZAÇÃO SEMESTRAL e Rubrica 808 – ESTABILIDADE CL.21: Os valores pagos deverão ser tributados por não corresponder a nenhuma das exclusões previstas no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91. Vale salientar que a lista apresentada no referido artigo é exaustiva e deverá ter interpretação literal conforme doutrina pacífica no direito civil brasileiro. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 O inciso VI do art. 97 do Código Tributário Nacional estipula que “Somente a lei pode estabelecer: VI – as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades”. Não pode nenhum documento infralegal ou interpartes definir não incidência de contribuição previdenciária, incluindo acordos e convenções coletivas de trabalho. 10.3 .Análise dos documentos, livros e arquivos contábeis (...) 10.3.3. Analisados os lançamentos contábeis constatouse as seguintes incongruências: a) Lançamentos contábeis diversos nas contas relativas à folha de pagamento cujos valores não constaram da tabela de itens prevista no MANAD. Também foram encontrados lançamentos realizados em conta diversa da de salário, valores pagos aos segurados empregados e contribuintes individuais. Os valores foram apresentados ao sujeito passivo conforme item 5.5 deste relatório. Após resposta, para os lançamentos com a identificação correta da pessoa física envolvida, pelo fornecimento do CPF e nome completo, foram confrontados com os itens constantes da folha de pagamento individual de cada empregado. O sujeito passivo realizou lançamento de fatos geradores de previdência social em contas diversas daquelas corretamente previstas no Plano de Contas da empresa, conforme detalhado no “Relatório 06 – Valores lançados na CONTABILIDADE sem identificação (NIT/CPF) b) Lançamentos contábeis diversos relativos a serviços prestados por pessoas físicas pagas por RPA, lançados em contas diversas. Procedida à identificação correta do prestador de serviço ocorreram duas situações: a. Quando se tratava de segurados empregados, referidos valores foram adicionados às remunerações pagas no mês e realizados os cálculos de contribuições previdenciárias devidas. b. Quando se tratava de contribuintes individuais foram cobrados como tal, agrupandose os valores pagos dentro da competência para o cálculo das contribuições devidas pela pessoa física. (...) 10.4. Análise das despesas médicas contabilizadas Fl. 190DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14041.000973/200832 Acórdão n.º 2403002.219 S2C4T3 Fl. 4 5 10.4.1. Da análise dos lançamentos contábeis realizados na conta 51021 – ASSISTÊNCIA MEDICO HOSPITALAR verificou se a existência de vários lançamentos relacionados à assistência médica paga a diretores e alguns funcionários. 10.4.2. Tendo em vista que esses valores não foram pagos de forma homogênea a todos os empregados e que a empresa não tem plano de saúde extensivo a todos os funcionários e diretores, referidos valores foram considerada base de contribuição previdenciária nos termos da letra “q” do § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91 (...) 10.5. Análise dos valores declarados na DIRF 10.5.1. Dos valores declarados na Declaração do Imposto Retido na Fonte constatouse que vários não constavam da folha de pagamento ou da GFIP, além do que também não foi localizado o lançamento contábil relativo. (...) 10.6. Descontos concedidos nas mensalidades escolares 10.6.1. Da análise dos dados apresentados pela empresa conforme itens 5.9 se verificou que vários funcionários obtiveram, para si ou para seus dependentes, descontos nas mensalidades escolares. (...) 10.6.9. Desta forma os descontos concedidos em mensalidades escolares, denominado pelo sujeito passivo de bolsa, quando concedidos às pessoas que lhes prestam qualquer tipo de serviço, correspondem a uma contraprestação inerente à relação comercial e trabalhista criada e, portanto tratase de remuneração indireta passível de tributação. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa apresentou Impugnação, a qual foi anexada ao processo principal nº. 14041.00972/200898. DA INFORMAÇÃO FISCAL Diante da vastidão de documentos apresentados pelo contribuinte, foi proferido despacho pela DRJ, fls. 86/87, solicitando diligência fiscal para que haja o pronunciamento do auditor notificante. A informação fiscal, fls. 101/102, reconheceu a duplicidade de lançamentos feitos a Danilo Barbosa e demais contas, tendo elaborado planilha de exclusão dos valores indevidamente lançados, entretanto rebateu as demais alegações. Devidamente cientificado da informação fiscal, o contribuinte apresentou sua manifestação por meio das fls. 105/126. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, a 5ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Brasília, DRJ/BSB, prolatou o Acórdão n° 0336.152, fls. 128/144, acolhendo parcialmente a impugnação para exonerar o crédito tributário em razão de se ter operado a decadência nos termos do art. 150, parágrafo 4º do CTN, excluindose, desta feita, as competências de 01/2003 a 09/2003, conforme ementa que abaixo é transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006. AIOP DEBCAD nº. 37.142.1500 CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não há cerceamento de defesa quando o Auto de Infração (AI) e seus anexos integrantes são regularmente cientificados ao sujeito passivo, sendolhes concedido prazo para sua manifestação, e quanto estejam discriminados nestes a situação fática constatada e os dispositivos legais que amparam a autuação. DECADÊNCIA. Quando se verifica a antecipação de pagamento, mesmo que parcial, por parte do contribuinte, aplicase o prazo decadencial previsto no § 4º do art. 150 do CTN. BOLSA DE ESTUDO. ISENÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. A previsão legal de exclusão do saláriodecontribuição somente é aplicável aos pagamentos de plano educacional que vise à educação básica e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao benefício. JUROS SELIC. As contribuições sociais arrecadadas em atraso ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC, de caráter irrelevável. Impugnação Improcedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada, a empresa interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, fls. 166/183, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, utilizandose, para tanto, dos seguintes argumentos: Em sede preliminar, almeja à nulidade do lançamento em razão dos seguintes fatos: Fl. 192DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14041.000973/200832 Acórdão n.º 2403002.219 S2C4T3 Fl. 5 7 1. não fornecimento das planilhas de forma a possibilitar o seu manuseio e total compreensão dos cálculos efetuados pelo Auditor Fiscal; 2. a inexistência da coluna utilizada pelo Auditor para fundamentar os cálculos e valores apurados; 3. desconsideração das retificações promovidas pelo Recorrente antes da lavratura do Auto de Infração; 4. ausência de fundamentação e insuficiente exposição dos fatos. Ausência de remuneração indireta, eis que a concessão de descontos nas mensalidades não constitui salário, nos termos do art. 458, § 2º, da CLT. É o relatório. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme documento de fl. 186, temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DOS ARGUMENTOS DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Dos documentos em formato “xls” A Recorrente apresentou petição, fls. 306/307 nos autos processo principal nº. 14041.00972/200898, anterior à Impugnação, na qual requereu a entrega das planilhas elaboradas pela auditoria fiscal no formato “xls”, alegando não ser possível a leitura de dados através do formato “pdf”, razão pela qual cercearia o seu direito de defesa. Tal argumento, entretanto, não merece guarida. O formato como são entregues as planilhas ao contribuinte tem por objetivo evitar possíveis alterações nos dados informados pelo Auditor, eis que o formato solicitado pela Recorrente permite o fácil manuseio das informações ali contidas. Portanto, não há que se considerar cerceamento do direito de defesa pela não entrega dos documentos em “xls”, eis que independente do formato, os dados ali consignados são os mesmos e o contribuinte teve ciência do que se tratava. Inexistência de fundamentação quanto ao cálculo e os valores apurados As planilhas elaboradas pela auditoria, ao contrário do que alega a Recorrente, encontra a explicação da aplicação de alíquotas e resultado dos valores apurados no Relatório Fiscal, mais precisamente em seu item 09, fls. 71/72. Ademais, o Relatório Fiscal consigna minuciosamente todo o procedimento fiscal e todo o percurso para encontrar os valores apurados e lançados na presente autuação. Portanto, não prospera tais argumentos da Recorrente. Retificações realizadas após o início do procedimento fiscal Segundo relata a Recorrente, não foram consideradas as retificações promovidas até 16/09/2008, as quais não foram inseridas nas planilhas da auditoria, razão pela qual foram indevidamente tributadas, restando, por conseguinte, a anulação da presente autuação. É sabido, contudo, que iniciado o procedimento fiscal, quaisquer declarações ou retificações não surtiram efeitos em eventual lançamento de ofício oriundo da dita fiscalização, conforme entendimento sumulado por este Conselho, in verbis: Fl. 194DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14041.000973/200832 Acórdão n.º 2403002.219 S2C4T3 Fl. 6 9 Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Portanto, tendo em vista que o TIAF foi lavrado e cientificado ao contribuinte em 29/01/2008, conforme fls. 177/178 do processo principal mencionado, desde a referida data não hão que ser consideradas eventuais declarações e/ou retificações posteriormente apresentadas, muito menos após a lavratura do Auto de Infração. Entretanto, é de se considerar que o Relatório 04, anexo ao Relatório Fiscal, fls. 269/272 do processo principal, foi elaborado especificamente para se proceder à comparação entre os valores apurados pela auditoria e os corrigidos durante a ação fiscal, inclusive aquelas realizadas em 16/09/2008, item 9.1.4 do Relatório Fiscal. Importa ressaltar que a empresa não procedeu a integral correção dos valores, de modo que não foi aplicada a redução prevista no § 4º do art. 35, vigente à época dos fatos geradores e das retificações. Ausência de fundamentação e insuficiente exposição dos fatos O Relatório Fiscal consigna minuciosamente todos os fatos que culminaram na autuação em epígrafe. Desde a análise dos documentos apresentados pelo contribuinte, informações obtidas pela Receita Federal, consideração dos recolhimentos apresentados pelo contribuinte até à explicação dos relatórios e créditos constituídos, com a respectiva análise dos documentos, rubricas e diferenças encontradas. Vêse que, pois, que a Recorrente teve conhecimento de todos os atos do procedimento fiscal, bem como estavam claros os fatos e valores apurados, o que permitiu a devida elaboração de sua defesa. Quanto à fundamentação, inobstante o Relatório Fiscal consignar, no item 11 – dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, a transcrição e indicação dos artigos que fundamentaram a autuação, há nas fls. 61/62, documento específico, denominado Fundamentos Legais do Débito – FLD, no qual é elencado todos os dispositivos legais que embasam a presente autuação,desde a competência para fiscalizar até à aplicação da multa. DO MÉRITO DAS BOLSAS DE ESTUDO PARA FILHOS DE FUNCIONÁRIOS E DO SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO Uma das imputações lavradas em face da Recorrente foi oriunda da não inclusão na base de cálculo da contribuição previdenciária os valores correspondentes às bolsas de estudo concedidas a seus funcionários e dependentes, nem tal informação em GFIP. Entretanto, cabem ser feitas algumas considerações acerca desta rubrica. A base de cálculo tomada para mensurar o valor da cotização dos segurados é denominada salário de contribuição. O salário de contribuição é grandeza fiscal pecuniária útil para a aferição da contribuição do segurado e do salário de benefício 1e encontrase definido no inc. I, do art. 28, da Lei n. 8.212/91: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: 1 Martinez, Wladimir Novaes. Curso de direito previdenciário 4 ed. São Paulo: LTr, 2011. p. 475. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (grifamos) Notese que o saláriodecontribuição tem como núcleo principal a remuneração percebida pelo empregado, englobando o salário, a gorjeta e as conquistas sociais, ou seja, benefícios obtidos sem terem correspondência com a prestação direta do serviço, normalmente oriundos de determinação legal, contrato individual ou coletivo de trabalho, como é o caso que ora se analisa. Já se encontra devidamente pacificado que, a partir da Emenda Constitucional n. 20, de 15 de dezembro de 1998, a qual trouxe alterações ao regime de previdência social, as contribuições previdenciárias podem incidir sobre o salário indireto por possuírem natureza salarial. Nesse sentido, cito os acórdãos nº. 230200.569, 240201.216, 230101.367, 280300.163, 230101.471, todos do CARF. O parágrafo 9º, da Lei n. 8.212/91, elenca uma série de hipóteses que não integram o saláriodecontribuição para fins da contribuição previdenciária. A situação que mais se encontra em evidência, no presente caso, é aquela prevista na alínea “t”, que trata sobre a educação básica do trabalhador, in verbis: t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; Apesar da redação, o art. 458 das Consolidações das Leis do Trabalho – CLT, inserido no Capítulo II – Da Remuneração, preceitua que, de um modo geral, compreendese no salário, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações in natura que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Contudo, no parágrafo 2º, inciso II, do mesmo diploma legal, o legislador excetua do referido conceito as utilidades concedidas pelo empregador para fins de educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático. Art. 458. Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações in natura que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. § 1º Os valores atribuídos às prestações in natura deverão ser justos e razoáveis, não podendo exceder, em cada caso, os Fl. 196DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14041.000973/200832 Acórdão n.º 2403002.219 S2C4T3 Fl. 7 11 dos percentuais das parcelas componentes do salário mínimo (arts. 81 e 82). § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: I vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; II educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; III transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; IV assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante segurosaúde; V seguros de vida e de acidentes pessoais; VI previdência privada; VII (VETADO) (grifamos) Em 26/10/2011, por intermédio da Lei n. 12.513/11, o legislador alterou a redação da alínea “t”, do parágrafo 9º, do art. 28, da Lei n. 8.212/91, de modo que o normativo se harmonizou com o preceituado na consolidação trabalhista quanto ao conceito de salário e as parcelas dele excluídas. Eis a nova e atual redação: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente:(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e: (Redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011) O mesmo dispõe o parágrafo 6º, do art. 15, da Lei n. 8.036/90, para o FGTS: § 6º Não se incluem na remuneração, para os fins desta Lei, as parcelas elencadas no § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Por tudo o que se expôs, percebese que o auxílioeducação ou “bolsas de estudo”, muitas vezes custeado pela empresa, destinase a ressarcir os valores pagos a título de mensalidades escolares dos próprios empregados ou de seus filhos. No caso da Recorrente, por ser Instituição de Ensino, e em razão da função exercida pelos empregados, as bolsas não Fl. 197DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 12 representaram nenhum dispêndio a este título, ao contrário, um incentivo para o trabalho, e não pelo trabalho. No mesmo sentido a apelação n. 1665246 (APELREEX), 1685621 (AC), 1552052 (AC), 299875 (AMS), 297063 (AMS), todos do TRF da 3a Região; com destaque para o seguinte julgado do STJ,de relatoria do Min. Luiz Fux: PREVIDENCIÁRIO. RECURSO ESPECIAL. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. BOLSA DE ESTUDO. VERBA DE CARÁTER INDENIZATÓRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA SOBRE A BASE DE CÁLCULO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. "O auxílioeducação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba empregada para o trabalho, e não pelo trabalho." (RESP 324.178PR, Relatora Min. Denise Arruda, DJ de 17.12.2004). 2. In casu, a bolsa de estudos, é paga pela empresa e destina se a auxiliar o pagamento a título de mensalidades de nível superior e pósgraduação dos próprios empregados ou dependentes, de modo que a falta de comprovação do pagamento às instituições de ensino ou a repetição do ano letivo implica na exigência de devolução do auxílio. Precedentes:. (Resp. 784887/SC. Rel. Min. Teori Albino Zavascki. DJ. 05.12.2005 REsp 324178/PR, Rel. Min. Denise Arruda, DJ. 17.02.2004; AgRg no REsp 328602/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ.02.12.2002; REsp 365398/RS, Rel. Min. José Delgado, DJ. 18.03.2002). 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no Ag 1330484/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18/11/2010, DJe 01/12/2010) Sabendo então que as bolsas de estudo, seja ela destinada aos empregados ou aos dependentes deste, não possuem natureza salarial, não há que se falar em recolhimento de contribuição previdenciária neste caso. DA MULTA APLICADA No que se referem à multa de mora aplicada, mister se faz tecer alguns comentários. A MP nº 449, convertida na Lei nº 11.941/09, que deu nova redação aos arts. 32 e 35 e incluiu os arts. 32A e 35A na Lei nº 8.212/91, trouxe mudanças em relação à multa aplicada no caso de contribuição previdenciária. Assim dispunha o art. 35 da Lei nº 8.212/91 antes da MP nº 449, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 198DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14041.000973/200832 Acórdão n.º 2403002.219 S2C4T3 Fl. 8 13 I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (sem destaques no original) Verificase, portanto, que antes da MP nº 449 não havia multa de ofício. Havia apenas multa de mora em duas modalidades: a uma decorrente do pagamento em atraso, desde que de forma espontânea a duas decorrente da notificação fiscal de lançamento, conforme previsto nos incisos I e II, respectivamente, do art. 35 da Lei nº 8.212/91, então vigente. Nesse sentido dispõe a hodierna doutrina (Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais / Elias Sampaio Freire, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores). – Julio César Vieira Gomes (autor) – São Paulo: MP Ed., 2012. Pág. 94), in verbis: “De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto, necessária a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, ainda assim a multa era de mora. (...) Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora.” (com destaque no original) Fl. 199DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 14 Com o advento da MP nº 449, que passou a vigorar a partir 04/12/2008, data da sua publicação, e posteriormente convertida na Lei nº 11.941/09, foi dada nova redação ao art. 35 e incluído o art. 35A na Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (sem destaques no original) Nesse momento surgiu a multa de ofício em relação à contribuição previdenciária, até então inexistente, conforme destacado alhures. Logo, tendo em vista que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN, temse que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, data da MP nº 449, aplicase apenas a multa de mora. Já em relação aos fatos geradores ocorridos após 12/2008, aplicase apenas a multa de ofício. Contudo, no que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, cominelhe penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. DOS DEMAIS LANÇAMENTOS Constam no relatório fiscal, diversos outros lançamentos, dentre eles: Diferença de 13º salário; recesso escolar; indenização semestral; estabilidade; despesas com vestibular; RPA lançado na contabilidade; assistência médica. No entanto, o recorrente não enfrenta em qualquer momento estes lançamentos, atendose apenas às nulidades, assim como para o mérito da assistência escolar, da mesma forma procedeu em sede de impugnação. Portanto, não apresentou o contribuinte qualquer prova capaz de infirmar as imputações realizadas pelo fiscal, afastandose de seu ônus probatório, razão pela qual temse por procedente os demais lançamentos. CONCLUSÃO Do exposto, conheço do recurso voluntário para dar parcial provimento, a fim de determinar a exclusão dos valores apurados a título de bolsas de estudo assim como Fl. 200DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14041.000973/200832 Acórdão n.º 2403002.219 S2C4T3 Fl. 9 15 determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 201DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10880.900151/2009-00
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/06/2000
PER/DCOMP. ERRO MATERIAL. RETIFICAÇÃO. DÉBITO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
A manifestação de inconformidade e o recurso voluntário não constituem veículos idôneos para a retificação do débito informado no PER/Dcomp pelo sujeito passivo. Não obstante o erro material ocorrido, uma vez constituído o débito por meio da PER/Dcomp, a sua retificação deve ocorrer mediante documento retificador específico, antes da intimação do despacho decisório, que será apreciado pelo autoridade competente da Receita Federal em conjunto com o pedido de restituição, ressarcimento, reembolso ou de compensação.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-001.961
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por maioria, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Francisco Rios (relator) que dava provimento.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios Relator
(assinado digitalmente)
Solon Sehn Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Declarou-se impedido o Conselheiro Bruno Mauricio Macedo Curi.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201308
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 15/06/2000 PER/DCOMP. ERRO MATERIAL. RETIFICAÇÃO. DÉBITO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. A manifestação de inconformidade e o recurso voluntário não constituem veículos idôneos para a retificação do débito informado no PER/Dcomp pelo sujeito passivo. Não obstante o erro material ocorrido, uma vez constituído o débito por meio da PER/Dcomp, a sua retificação deve ocorrer mediante documento retificador específico, antes da intimação do despacho decisório, que será apreciado pelo autoridade competente da Receita Federal em conjunto com o pedido de restituição, ressarcimento, reembolso ou de compensação. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10880.900151/2009-00
anomes_publicacao_s : 201311
conteudo_id_s : 5305011
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3802-001.961
nome_arquivo_s : Decisao_10880900151200900.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
nome_arquivo_pdf_s : 10880900151200900_5305011.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por maioria, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Francisco Rios (relator) que dava provimento. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator (assinado digitalmente) Solon Sehn Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Declarou-se impedido o Conselheiro Bruno Mauricio Macedo Curi.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
id : 5156860
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:15:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046173372121088
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1986; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 138 1 137 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.900151/200900 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802001.961 – 2ª Turma Especial Sessão de 21 de agosto de 2013 Matéria DCOMP Eletrônico Pagamento a maior ou indevido Recorrente Telmex do Brasil Ltda. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/06/2000 PER/DCOMP. ERRO MATERIAL. RETIFICAÇÃO. DÉBITO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. A manifestação de inconformidade e o recurso voluntário não constituem veículos idôneos para a retificação do débito informado no PER/Dcomp pelo sujeito passivo. Não obstante o erro material ocorrido, uma vez constituído o débito por meio da PER/Dcomp, a sua retificação deve ocorrer mediante documento retificador específico, antes da intimação do despacho decisório, que será apreciado pelo autoridade competente da Receita Federal em conjunto com o pedido de restituição, ressarcimento, reembolso ou de compensação. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por maioria, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Francisco Rios (relator) que dava provimento. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Relator (assinado digitalmente) Solon Sehn – Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 01 51 /2 00 9- 00 Fl. 138DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 25/09/ 2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Declarouse impedido o Conselheiro Bruno Mauricio Macedo Curi. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 11a Turma da DRJ São Paulo I (fls. 67/75 da cópia digitalizada do processo), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela recorrente em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/06/2000 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO E DESISTÊNCIA. A declaração de compensação DCOMP constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do débito indevidamente compensado. A retificação ou desistência da declaração de compensação somente são admitidas com observância das condicionantes legais estabelecidas pela norma de regência, bem como desde que requeridas antes da prolação de decisão administrativa pela autoridade administrativa competente. DÉBITO. EXIGÊNCIA. CANCELAMENTO. ÔNUS DA PROVA. A alegação de que o débito declarado em DCOMP como compensado já estaria confessado em DCTF, e quitado mediante pagamento por DARF, deve vir lastreada com prova inequívoca mediante documentação hábil e idônea, cuja incumbência (ônus processual) compete ao Contribuinte. Por bem descrever os fatos, reproduzo, abaixo, o relatório objeto da decisão recorrida: Trata o presente processo de Declaração de Compensação PER/DCOMP nº 07344.37058.211106.1.7.043074, fls. 01 a 05, na qual a Interessada pretende compensar débito de PIS – código 8109, com suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de PIS, no valor de R$ 25.927,44, realizado por meio do DARF de 15/06/2000, código de receita 8109, de mesmo valor do crédito declarado. Consta à página 1 que se trata de PER/DCOMP retificador de nº 02318.32734.261104.1.3.049198. Transmitida em 15/12/2004, a declaração em tela foi analisada de forma eletrônica pelo sistema de processamento da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, e foi emitido o Despacho Decisório nº de Rastreamento 815456249, de fl. 08, que não homologou a compensação declarada por inexistência de crédito, visto que o pagamento indicado foi integralmente utilizado para quitação de débitos do Contribuinte. Cientificado em 16/01/2009, fl. 09, o Contribuinte, por meio de seu procurador, interpôs tempestivamente, conforme despacho de fl. 50, a Manifestação de Inconformidade de fls. 10 a 18, com a juntada dos seguintes documentos: Fl. 139DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 25/09/ 2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10880.900151/200900 Acórdão n.º 3802001.961 S3TE02 Fl. 139 3 · Doc. 01 – Substabelecimento; cópias autenticadas de Procuração, documentos do patrono, Alteração e Consolidação de Contrato Social, fls. 19/36; · Doc. 02 – Tela do sistema de Comprovante de Arrecadação, fls. 37/38; · Doc. 03 – Cópia da página 29 da DCTF período de apuração maio/2000, fls. 39/40; · Doc. 04 – Cópias do Acórdão nº 10808.805 da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, e do Despacho Decisório, fls. 41/49. Apresenta, resumidamente, as seguintes alegações: Síntese dos Fatos Em 26/11/2004, através do PER/DCOMP nº 02318.32734.261104.1.3.049198, a Requerente apresentou pedido de compensação de crédito decorrente de aparente pagamento a maior de PIS, relativo a 05/2000, com débitos de PIS código 8109 e código 6912, também de 05/2000. Entretanto, verificouse equívoco no pedido de compensação, pois em 05/2000 somente haveria débito de PIS código 8109 para ser quitado (Doc. 03), no exato valor anteriormente recolhido através do DARF que sustentava o alegado crédito (Doc. 02). Assim, o Contribuinte retificou o PER/DCOMP anterior nº 02318.32734.261104.1.3.049198 através do PER/DCOMP “nº 39420.44972.151204.1.7.044329” (sic), “manifestando seu interesse em compensar somente o débito “PIS” incidente sobre o faturamento, que já havia sido quitado com o próprio “DARF” original de 15 de junho de 2000 (Doc. nº 02), fonte de seu suposto “crédito” na compensação”. Este segundo PER/DCOMP não deveria ter retificado o PER/DCOMP anterior, mas, sim, têlo cancelado, pois conforme se verifica através da “Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais” DCTF do período (Doc. 03), o PIS código 8109, de maio de 2000, fora integral e tempestivamente quitado pelo DARF original de 15/06/2000 (Doc. 02), suposta fonte de seu “crédito”. Em virtude dos equívocos, a DERAT de São Paulo, ao analisar os pedidos de compensação apresentados, proferiu decisão no sentido de não homologar a compensação pleiteada, uma vez que o DARF indicado como instrumento representativo do crédito (Doc. 02) já se encontrava vinculado à quitação do suposto débito a compensar. Da análise dos fatos, verificase que os PER/DCOMP´s nº 02318.32734.261104.1.3.049198 e “nº 39420.44972.151204.1.7.044329” (sic), “sequer deveriam ter sido formulados, eis que os mesmos apenas desejavam quitar “débito” já tempestiva e integralmente adimplido por “DARF” (Doc. nº 02), razão pela qual se impõe sua extinção sem qualquer julgamento de seu mérito.” Do Direito Como demonstrado, os presentes autos referemse a “pedido de compensação formulado equivocadamente, em que se desejava quitar Fl. 140DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 25/09/ 2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 4 “débito” já extinto com o próprio crédito” que o extinguiu (Docs. nºs 02 e 03).” Deste modo, nos termos da Instrução Normativa RFB nº 900/2008, os PER/DCOMP´s nº 02318.32734.261104.1.3.049198 e “nº 39420.44972.151204.1.7.044329” (sic), foram “formulados por erro material, impondose, de imediato, seu não conhecimento e extinção do presente processo administrativo sem resolução de seu mérito”. Transcreve jurisprudência administrativa, inclusive a que foi anexada aos autos, Doc. 04, e conclui que tendo sido os PER/DCOMP´s nº 02318.32734.261104.1.3.049198 e “nº 39420.44972.151204.1.7.044329” (sic), formulados para extinguir “débito” tributário plena e anteriormente extinto com o próprio pretenso “crédito” apontado, nos termos do artigo 156, inciso I, do CTN, impõese o não conhecimento deste PER/DCOMP e o arquivamento do presente processo administrativo. Dos Pedidos Pelo exposto, pede o provimento desta Manifestação de Inconformidade, para que seja reformada integralmente a recorrida decisão da DERAT de São Paulo, no sentido de extinguir sem julgamento de mérito a compensação pleiteada nos PER/DCOMP´s nºs 02318.32734.261104.1.3.049198 e “39420.44972.151204.1.7.044329” (sic), pelo fato de objetivarem quitar “débito” anteriormente extinto com o próprio “crédito” que o extinguiu (Docs. 02 e 03), arquivandose os autos do presente processo administrativo. Ao analisar o pleito, a primeira instância de julgamento ressaltou, notadamente, o seguinte: a) que o contribuinte fez referência indevida ao PER/DCOMP nº 39420.44972.151204.1.7.044329, já que o processo tem como objeto o PER/DCOMP nº 07344.37058.211106.1.7.043074, o qual cancelou o de nº 02318.32734.261104.1.3.049198; b) que a requerente não questiona a inexistência de crédito em seu favor, pois confirma que o pagamento apontado como indevido, no valor de R$ 25.927,44, está vinculado a débito de PIS, código de receita 8109, do período de apuração de maio/2000, confessado em DCTF; c) que concernente ao débito alvo da compensação, a manifestação de inconformidade objetiva mostrar sua inexistência pois este já estaria extinto por DARF; d) contudo, nos termos do artigo 74, parágrafo 6º, da Lei n.º 9.430, de 1996, com a redação do artigo 17 da Medida Provisória n.º 135, de 2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, todas as declarações de compensação apresentadas a partir de 31/10/2003 possuem caráter de confissão de dívida, revestindose de instrumentos hábeis e suficientes para a cobrança dos débitos dela constantes; e) que, nos termos do despacho decisório que não homologou a compensação, o pagamento indicado como origem do crédito foi integralmente utilizado para a quitação de débito do contribuinte referente ao período de apuração 31/05/2000 e código de receita 8109; Fl. 141DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 25/09/ 2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10880.900151/200900 Acórdão n.º 3802001.961 S3TE02 Fl. 140 5 f) que, “[...] no presente caso, as provas que foram juntadas, quais sejam, Tela de Comprovante de Arrecadação, e cópia da página 29 de DCTF correspondente ao mês de maio de 2000, não permitem considerar que o débito de PIS, código 8109, do período de apuração de maio/2000, confessado na DCOMP nº 07344.37058.211106.1.7.043074, no valor de R$ 25.927,44, é parte integrante do débito constituído pela DCTF (Doc. 03), no montante de R$ 29.164,15, que estaria extinto pela via do pagamento mediante os DARF´S nela indicados”; g) que os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca do real valor devido a título de PIS código 8109, apurado em maio de 2000, embora indispensáveis para comprovar a alegação de que o débito confessado na DCOMP já estaria quitado, não foram acostados aos autos. A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 17/06/2011 – uma sextafeira – (fls. 77 do eprocesso). Inconformado, o sujeito passivo apresentou, em 19/07/2011, o recurso voluntário de fls. 78/90 onde reitera os argumentos aduzidos na primeira instância e acosta cópia de folhas do Livro Diário do mês de maio de 2000, o qual, segundo a recorrente, demonstraria a evidência de que o débito do PIS código de receita 8109, no valor de R$ 25.927,44, corresponde efetivamente ao débito constituído pela DCTF e devidamente extinto pelo pagamento do DARF acostado à manifestação de inconformidade (Doc. Nº 03). Diante do exposto, requer seja provido integralmente o recurso com a consequente extinção, sem julgamento de seu mérito, da compensação objeto dos autos, por ser destinada a quitar débito outrora extinto. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Francisco José Barroso Rios O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Em análise da DCOMP nº 07344.37058.211106.1.7.043074, que cancelou a de nº 02318.32734.261104.1.3.049198 (v. fls. 01/05), constatase que o sujeito passivo, mediante referido pedido de compensação, declarou: a) a título de crédito por pagamento indevido ou a maior o pagamento do PIS (código de receita 8109) realizado em 15/06/2000, correspondente ao período de apuração de maio de 2000, no montante de R$ 25.927,44 (v. fls. 03); b) a título de débito a ser compensado, o mesmo tributo (mesmo código de receita 8109), também referente ao mês de maio de 2000, na idêntica quantia de R$ 25.927,44 (v. fls. 4) Segundo o despacho decisório de fls. 08, a “compensação” não foi homologada porque o pagamento no valor de R$ 25.927,44 já havia sido integralmente Fl. 142DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 25/09/ 2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 6 utilizado para a quitação do débito código de receita 8109, do mesmo período de apuração e no mesmo valor do crédito apresentado (R$ 25.927,44). Assim, o “débito” de R$ 25.927,44 teria sido “indevidamente compensado”. De acordo com a DCTF do 2º trimestre de 2000 (fls. 56) o débito declarado do PIS (código de receita 8109) do PA de maio/2000, no montante de R$ 29.164,15, fora quitado com dois recolhimentos efetuados via DARF nos montantes de R$ 3.236,71 e de R$ 25.927,44. Ambos os pagamentos foram realizados em 15/06/2000 e correspondem ao PA de maio de 2000. Aliás, às fls. 54 consta impresso extraído do sítio da Receita Federal que atesta o recolhimento de R$ 25.927,44, no código de receita 8109, referente ao PA de 31/05/2000. Tais fatos demonstram, de forma evidente, o equívoco cometido pelo sujeito passivo ao apresentar a DCOMP, uma vez que inexistia débito a ser compensado, posto que este já fora extinto mediante o correspondente pagamento, como fartamente comprovado nos autos. A questão, aliás, poderia ter sido solucionada com uma simples revisão interna da unidade preparadora, o que dispensaria a instauração do litígio. Da conclusão Diante do exposto, e uma vez caracterizado o erro de fato em que incorreu o sujeito passivo quando do preenchimento da declaração de compensação, voto para dar provimento ao recurso, com o conseqüente cancelamento da exigência decorrente da não homologação da DCOMP objeto dos autos, no valor de R$ 25.927,44. Sala de Sessões, em. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Relator Voto Vencedor Conselheiro Solon Sehn Não obstante o erro material ocorrido, entendese, com a devida vênia ao entendimento do eminente Conselheiro Relator, que a manifestação de inconformidade e o recurso voluntário não constituem veículos idôneos para a retificação do débito informado no PER/Dcomp pelo sujeito passivo. A declaração do sujeito passivo denominada PER/Dcomp revestese de especial importância no mundo jurídico, porquanto representa a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Tratase, consoante destaca Paulo de Barros Carvalho, do veículo introdutor da norma individual e concreta que positiva o fato jurídico extintivo: “O fato extintivo da compensação será positivado por norma individual e concreta que promova o encontro das relações, extinguindoas no quantum em que se equivalerem. Os sujeitos habilitados a expedir a norma individual e concreta da compensação, formalizando o mencionado ‘encontro de contas’, são a autoridade administrativa e a autoridade judiciária. Há hipóteses em que a lei autoriza ao próprio particular a Fl. 143DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 25/09/ 2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10880.900151/200900 Acórdão n.º 3802001.961 S3TE02 Fl. 141 7 efetivação da compensação tributária. Esta, todavia, somente é utilizada quando o ato do particular for homologado pela Administração, de maneira tácita ou expressa. Dito de outro modo, o aplicarse da norma de compensação gera a extinção do crédito tributário e do débito do Fisco. Mas, para que esta se concretize, necessário o relato em linguagem competente não apenas das relações que se pretende compensar, mas também do fato da compensação. Apenas se descrito no antecedente de norma individual e concreta irradiará os efeitos previstos no consequente normativo, operandose extinção dos vínculos obrigacionais.” (CARVALHO, Paulo de Barros. Direito tributário, linguagem e método. 2. ed. São Paulo: Noeses, 2008, p. 480481). Uma vez constituído o débito por meio da PER/Dcomp, a sua retificação, de acordo com a Instrução Normativa RFB nº 1.300/2012, deve ocorrer mediante documento retificador específico, que será apreciado pelo autoridade competente da Receita Federal em conjunto com o pedido de restituição, ressarcimento, reembolso ou de compensação: “Art. 87. A retificação do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso e da Declaração de Compensação gerados a partir do programa PER/DCOMP, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante apresentação à RFB de documento retificador gerado a partir do referido programa. Parágrafo único. A retificação do pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e da Declaração de Compensação apresentados em formulário, nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante apresentação à RFB de formulário retificador, o qual será juntado ao processo administrativo de restituição, de ressarcimento, de reembolso ou de compensação para posterior exame pela autoridade competente da RFB.” Ademais, a apresentação do requerimento de retificação pelo sujeito passivo, de acordo com os arts. 88 e 107 da Instrução Normativa RFB nº 1.300/2012, deve ocorrer antes da intimação do despacho decisório: “Art. 88. O pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, observado o disposto nos arts. 89 e 90 no que se refere à Declaração de Compensação. Parágrafo único. A retificação do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso e da Declaração de Compensação será indeferida quando formalizada depois da intimação para apresentação de documentos comprobatórios.” “Art. 107. Considerase pendente de decisão administrativa, para fins do disposto nos arts. 88, 93 e 97, a Declaração de Fl. 144DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 25/09/ 2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 8 Compensação, o pedido de restituição, de ressarcimento ou de reembolso, em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pelo titular da DRF, Derat, Demac/RJ, Deinf, IRF ou ALF competente para decidir sobre a compensação, a restituição, o ressarcimento ou o reembolso.” Votase, assim, pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Fl. 145DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 25/09/ 2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
score : 1.0
Numero do processo: 13896.905266/2008-11
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 14 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1801-000.283
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligência para proceder à apensação dos presentes autos de cobrança ao processo principal (Per/Dcomp), nos termos do voto da Relatora..
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201309
turma_s : Primeira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 14 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 13896.905266/2008-11
anomes_publicacao_s : 201310
conteudo_id_s : 5298403
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 14 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1801-000.283
nome_arquivo_s : Decisao_13896905266200811.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : ANA DE BARROS FERNANDES
nome_arquivo_pdf_s : 13896905266200811_5298403.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligência para proceder à apensação dos presentes autos de cobrança ao processo principal (Per/Dcomp), nos termos do voto da Relatora.. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
id : 5109001
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:14:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046173375266816
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 2; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1940; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 2 1 1 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.905266/200811 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1801000.283 – 1ª Turma Especial Data 12 de setembro de 2013 Assunto Realização de diligência Recorrente BRASILSITE TELECOMUNICAÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligência para proceder à apensação dos presentes autos de cobrança ao processo principal (Per/Dcomp), nos termos do voto da Relatora.. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. RELATÓRIO Trata o presente de Recurso Voluntário contra a cobrança de débitos federais vinculados ao Per/Dcomp objeto de julgamento no processo administrativo fiscal nº 13896.904035/200890, cujo direito creditório pleiteado pela recorrente foi apreciado nesta mesma sessão de julgamento – Acórdão nº 1801001.627(a ser anexado digitalmente). Consta dos autos despacho para a apensação deste processo àquele, principal, bem como nota digital, às efls. , mas tal procedimento não foi efetuado pelo que o presente foi distribuído por sorteio para a apreciação por esta ConselheiraRelatora. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 05 26 6/ 20 08 -1 1 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/09/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13896.905266/200811 Resolução nº 1801000.283 S1TE01 Fl. 3 2 VOTO Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Não havendo direito creditório a ser reconhecido nos autos, foge ao escopo deste órgão julgador pronunciarse sobre o débito tributário, por ser valor confessado pela recorrente, ainda que alegue ser indevido. Tratandose de confissão de dívida realizada de forma unilateral pelo contribuinte, não há que se falar em instauração de litígio, quando o contribuinte se arrepende de valores que espontaneamente confessou como devidos ao fisco. Não há, pois, litígio administrativo, mas solicitação de cancelamento da cobrança dos débitos confessados pela contribuinte – daí que o rito processual não é o previsto pelo Decreto nº 70.235/72 – PAF, mas segue o rito previsto na Lei nº 9.784/99 (processos administrativos em geral). A competência para julgar o cancelamento do Per/Dcomp regularmente emitido eletronicamente, ou cobrança de débitos correspondentes, é da unidade de jurisdição da recorrente. A decisão cabe às autoridades com competência para processar as declarações entregues, ou seja, em primeira instância as unidades de jurisdição do contribuinte (DRF Delegado) e em segunda instância a autoridade hierárquica superior (Superintendência da Região Fiscal – SRRF). Dispõe o artigo 302, inciso XI, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012: Art. 302. Aos Delegados da Receita Federal do Brasil e Inspetores Chefes da Receita Federal do Brasil incumbem, no âmbito da respectiva jurisdição, as atividades relacionadas com a gerência e a modernização da administração tributária e aduaneira e, especificamente: [...]XI decidir sobre pedidos de cancelamento ou reativação de declarações; O processo de cobrança dos débitos confessados nos Per/Dcomp é decorrente do processo em que se discute o direito creditório pleiteado para a quitação (compensação) destes débitos e deve seguir a sorte do principal, por isso, deve ser apensado àquele. Pelo exposto, voto em converter o julgamento do presente na realização de diligência para apensálo ao processo principal citado no início do relatório. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 141DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/09/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 13888.005604/2010-36
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE DA AUTUAÇÃO - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - SÚMULA VINCULANTE STF Nº 8 - PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL - APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
Aplica-se o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62-A, Anexo II, Regimento Interno do CARF - RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte no conexo auto de infração de obrigação principal.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - COOPERATIVAS DE TRABALHO - CONTRATANTE - CONTRIBUINTE.
Incidem contribuições previdenciárias na prestação de serviços por intermédio de cooperativas de trabalho, nos termos do art. 22, IV, lei 8.212/1991. Desta forma, há a responsabilidade da empresa relativas a serviços prestados à contratante, por cooperados e por intermédio de cooperativa de trabalho.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - GFIP - APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS
Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de-infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a RFB na administração previdenciária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - CIÊNCIA DO LANÇAMENTO - ASSINATURA DO RECEBEDOR - VALIDADE
É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Igualmente è válida a intimação pessoal comprovada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - MPF - REGRA APLICÁVEL DA ÉPOCA DO PROCEDIMENTO FISCAL
Presente a colisão de regras, a regra de hermenêutica indica o afastamento de uma delas. À época do procedimento fiscal deve-se verificar qual a regra vigente, o que, no presente caso, afasta a aplicação de Portaria da RFB expressamente revogada por Portaria posterior então vigente à época do procedimento fiscal.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - DELEGACIA DE JULGAMENTO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL - ÓRGÃO DE DELIBERAÇÃO INTERNA
A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento é um órgão de deliberação interna e natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal do Brasil, sendo assim não há previsão normativa para que o contribuinte possa assistir ao julgamento em primeira instância, conforme se depreende do art. 25, Decreto 70.235/1972.
CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, IV, §§ 4º e 5º, LEI Nº 8.212/91 - APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32-A, LEI Nº 8.212/91 - PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA - ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO - ART. 106, II, C, CTN
Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional -CTN a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. 32, §§ 4º e 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32-A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-002.059
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para: (i) declarar a decadência até a competência de 11/2005, inclusive, com base no art. 150,§ 4º, do CTN: (ii) que se recalcule o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32-A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Jhonatas Ribeiro da Silva, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Marcelo Freitas. Souza Costa. Ausente justificadamente o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201305
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Sep 20 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 13888.005604/2010-36
anomes_publicacao_s : 201309
conteudo_id_s : 5293434
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Sep 20 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2403-002.059
nome_arquivo_s : Decisao_13888005604201036.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
nome_arquivo_pdf_s : 13888005604201036_5293434.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para: (i) declarar a decadência até a competência de 11/2005, inclusive, com base no art. 150,§ 4º, do CTN: (ii) que se recalcule o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32-A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Jhonatas Ribeiro da Silva, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Marcelo Freitas. Souza Costa. Ausente justificadamente o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto.
dt_sessao_tdt : Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
id : 5074834
ano_sessao_s : 2013
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE DA AUTUAÇÃO - INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - SÚMULA VINCULANTE STF Nº 8 - PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL - APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Aplica-se o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62-A, Anexo II, Regimento Interno do CARF - RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte no conexo auto de infração de obrigação principal. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - COOPERATIVAS DE TRABALHO - CONTRATANTE - CONTRIBUINTE. Incidem contribuições previdenciárias na prestação de serviços por intermédio de cooperativas de trabalho, nos termos do art. 22, IV, lei 8.212/1991. Desta forma, há a responsabilidade da empresa relativas a serviços prestados à contratante, por cooperados e por intermédio de cooperativa de trabalho. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - GFIP - APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de-infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a RFB na administração previdenciária. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - CIÊNCIA DO LANÇAMENTO - ASSINATURA DO RECEBEDOR - VALIDADE É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Igualmente è válida a intimação pessoal comprovada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - MPF - REGRA APLICÁVEL DA ÉPOCA DO PROCEDIMENTO FISCAL Presente a colisão de regras, a regra de hermenêutica indica o afastamento de uma delas. À época do procedimento fiscal deve-se verificar qual a regra vigente, o que, no presente caso, afasta a aplicação de Portaria da RFB expressamente revogada por Portaria posterior então vigente à época do procedimento fiscal. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - DELEGACIA DE JULGAMENTO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL - ÓRGÃO DE DELIBERAÇÃO INTERNA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento é um órgão de deliberação interna e natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal do Brasil, sendo assim não há previsão normativa para que o contribuinte possa assistir ao julgamento em primeira instância, conforme se depreende do art. 25, Decreto 70.235/1972. CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, IV, §§ 4º e 5º, LEI Nº 8.212/91 - APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32-A, LEI Nº 8.212/91 - PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA - ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO - ART. 106, II, C, CTN Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional -CTN a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. 32, §§ 4º e 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32-A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Recurso Voluntário Provido em Parte
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:14:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046173401481216
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 31; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2457; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 401 1 400 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.005604/201036 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 2403002.059 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 14 de maio de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA Recorrente SINDICATO DOS TRABALHADORES MUNICIPAIS DE PIRACICABA, SÃO PEDRO, AGUAS DE SÃO PEDRO, SALTINHO E REGIÃO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO IRREGULARIDADE DA AUTUAÇÃO INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA SÚMULA VINCULANTE STF Nº 8 PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 56 04 /2 01 0- 36 Fl. 401DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Aplicase o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62 A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte no conexo auto de infração de obrigação principal. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO COOPERATIVAS DE TRABALHO CONTRATANTE CONTRIBUINTE. Incidem contribuições previdenciárias na prestação de serviços por intermédio de cooperativas de trabalho, nos termos do art. 22, IV, lei 8.212/1991. Desta forma, há a responsabilidade da empresa relativas a serviços prestados à contratante, por cooperados e por intermédio de cooperativa de trabalho. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO GFIP APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autode infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a RFB na administração previdenciária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO CIÊNCIA DO LANÇAMENTO ASSINATURA DO RECEBEDOR VALIDADE É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Igualmente è válida a intimação pessoal comprovada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO MPF REGRA APLICÁVEL DA ÉPOCA DO PROCEDIMENTO FISCAL Presente a colisão de regras, a regra de hermenêutica indica o afastamento de uma delas. À época do procedimento fiscal devese verificar qual a regra vigente, o que, no presente caso, afasta a aplicação de Portaria da RFB expressamente revogada por Portaria posterior então vigente à época do procedimento fiscal. Fl. 402DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.005604/201036 Acórdão n.º 2403002.059 S2C4T3 Fl. 402 3 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO DELEGACIA DE JULGAMENTO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL ÓRGÃO DE DELIBERAÇÃO INTERNA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento é um órgão de deliberação interna e natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal do Brasil, sendo assim não há previsão normativa para que o contribuinte possa assistir ao julgamento em primeira instância, conforme se depreende do art. 25, Decreto 70.235/1972. CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, §§ 4º e 5º, LEI Nº 8.212/91 APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32A, LEI Nº 8.212/91 PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO ART. 106, II, C, CTN Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional CTN a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. 32, §§ 4º e 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para: (i) declarar a decadência até a competência de 11/2005, inclusive, com base no art. 150,§ 4º, do CTN: (ii) que se recalcule o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Jhonatas Ribeiro da Silva, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Marcelo Freitas. Souza Costa. Ausente justificadamente o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 403DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, apresentado contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto SP, Acórdão nº 1435.353 9ª Turma, que julgou procedente em parte a autuação por descumprimento de obrigação acessória, AIOA nº. 37.294.5589, com valor consolidado de R$ 100.225,30. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o Auto de Infração, Código de Fundamentação Legal – CFL 68, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter apresentado a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP sem a informação da remuneração paga ou creditada aos segurados contribuintes individuais e dos valores contidos nas notas fiscais ou faturas de prestação de serviços, relativamente aos serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho médico e odontológico, no período de 01/2005 a 12/2009. Segundo o Relatório Fiscal do conexo processo principal nº 13888.005605/201081, AIOP nº 37.294.5597, a empresa apesar de formalmente intimada a apresentar os documentos através do TIPF deixou de apresentar, justificando através de Boletim de Ocorrência – BO nº 2609 de 06/10/2010, onde informa a ocorrência de furto de veículo, com toda a documentação que seria entregue ao Advogado Dr. Dilmas Falcão Filho, para avaliação e parecer, e, após, seriam encaminhados à fiscalização. Com o ocorrido, a empresa apresentou apenas os Livros Diário e Razão, referente ao exercício de 2009, as faturas de serviços das Cooperativas de Trabalho Médico e Odontológico, as quais foram solicitadas segundas vias aos prestadores de serviço e relação de Contribuintes Individuais que prestaram serviços no período fiscalizado. Tendo em vista o descumprimento da obrigação acessória, foi aplicada a multa estabelecida no §5º do artigo 32 da Lei nº 8.212/91 e no artigo 284, II do RPS nas competências em que esta se revelou mais benéfica ao contribuinte, correspondente a 100% do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no §4º do artigo 32, Lei 8212/1991. Em relação ao cálculo dos acréscimos legais, o Relatório Fiscal informa ter sido efetuado no Relatório Demonstrativo do Cálculo da Multa, o quadro comparativo das multas, dada a vigência da MP 449/2008 e da Lei 11.941/2009, observandose o mais benéfico ao contribuinte. O período objeto do AIOA, conforme o Relatório Fiscal da Infração, é de 01/2005 a 12/2009. A Recorrente teve ciência do AIOA no dia 29.12.2010, conforme fls. 01. Contra a autuação, a Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, resumidamente, conforme Relatório da decisão de primeira instância: Fl. 404DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.005604/201036 Acórdão n.º 2403002.059 S2C4T3 Fl. 403 5 Por não concordar com os termos da autuação o contribuinte, por seu representante legal, apresentou impugnação ao débito alegando, em síntese, o que segue. Aduz ter sido surpreendida em 10/01/2011 quando recebeu do vice presidente o auto de infração lavrado em 16/12/2010, informando que no período de 23/12/2010 a 10/01/2011 estiveram em férias coletivas. Que o auto de infração teve origem no Termo de Início de Ação fiscal lavrado em 24/08/2010 cuja entrega foi feita por AR, sem o acompanhamento do Mandado de Procedimento Fiscal correspondente. Que a fiscalização foi atendida pelo funcionário do sindicato, Sr. Luiz Henrique de Almeida Leme, o qual não tem poderes para representar o impugnante. Que o suposto descumprimento da obrigação acessória de informar em GFIP ocorreu, primeiro, por ser indevida a cobrança e segundo, pela ocorrência de furto do veículo utilizado pelo sindicato, onde constava toda a sua documentação contábil e fiscal. Aduz, ainda, que o presente auto de infração se encontra diretamente vinculado aos autos da obrigação principal (37.294.5587 e 37.294.560) e, assim, as preliminares da defesa apresentadas naqueles, afetam diretamente a obrigação acessória ora impugnada. Insurgese contra a intenção da fiscalização elaborar representação ao Ministério Público Federal por crime, em tese, de sonegação fiscal, uma vez que não se fala em crime contra a ordem tributária quando os dirigentes de um sindicato não visam interesse pessoal e trabalham em favor da classe, sem qualquer remuneração. Aduz que o procedimento da fiscalização foi parcial e arbitrário e não deu espaço para a impugnante se manifestar em nenhum momento, trazendo provas ao processo que não foram obtidas nas dependências do sindicato. Alega a nulidade do lançamento por violação aos princípios da publicidade, da legalidade, da ampla defesa, do contraditório e da segurança jurídica, mencionando que por ocasião da entrega do Termo de Início de Procedimento Fiscal não foi entregue ao contribuinte o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. Além disso, afirma não ter sido comunicada sobre a prorrogação do prazo do MPF, na forma prevista no §2o do artigo 13 da Portaria nº 4.066/07. Nesse sentido, argumenta que o término do prazo previsto no MPF acarreta a sua extinção trazendo, por conseqüência, a nulidade dos atos praticados no curso da ação fiscal. Aduz, ainda, a nulidade do auto de infração devido à existência de erro na identificação do sujeito passivo, uma vez que a autuação identifica o sujeito passivo como sociedade anônima. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Menciona que ao presidente compete a representação do sindicato, sendo o auto de infração, inclusive termos de início e de encerramento de procedimento fiscal entregues a pessoas que não possuem competência para tanto, requerendo o reconhecimento da extinção do crédito tributário. Insurgese contra a planilha de prestadores de serviços mencionada pela autoridade fiscal, contendo os dados dos contribuintes individuais relativos ao período analisado. Afirma não ter sido o documento fornecido pela entidade, estando esta impedida de apresentar as informações necessárias devido à ocorrência de furto de veículo contendo grande parte dos documentos relativos ao período fiscalizado. Protesta contra a relação apresentada e não a aceita como prova material a determinar a base de cálculo das contribuições devidas à Seguridade Social por entender tratarse de prova obtida por meio ilícito e de origem não declarada. Menciona a existência de erro na capitulação legal do fato, já que fundamentada no artigo 22, III da Lei nº 8.212/91. Aduz a decadência do lançamento relativo ao período de janeiro a dezembro de 2005, com fundamento no artigo 173, I do Código Tributário Nacional, considerando a ciência do contribuinte no dia 10 de janeiro de 2011. Insurgese contra o lançamento da contribuição capitulada no inciso IV do artigo 22 da Lei nº 8.212/91 alegando não se tratar de empresa e nem de tomadora dos serviços prestados pelas cooperativas, realizando somente o repasse da verba através de desconto em folha de pagamento dos servidores. Portanto, os serviços são prestados às pessoas físicas filiadas, e não ao sindicato. Entende ser contraditória a fundamentação do relatório do auto de infração uma vez que o próprio artigo 224A do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99: excluiu as cooperativas de trabalho do rol de sociedades cedentes de mãodeobra. E além disso, entende que a contribuição ora analisada não encontra fundamento de validade no inciso I do artigo 195 da Constituição Federal, uma vez não incidir sobre relação de emprego, e, tampouco, na folha de salários e no lucro, configurando a criação de uma nova fonte de custeio sem o respaldo constitucional, já que não foi utilizada a via legislativa exigida. Que sua regra matriz de incidência se destoa da norma constitucional, pois incide sobre o faturamento das cooperativas de trabalho, possuindo a mesma hipótese de incidência da COFINS, o que configura bis in idem. Menciona, ainda, descumprimento do princípio da isonomia tributária, uma vez que planos de saúde mantidos por entidades filantrópicas ou empresas privadas com fins lucrativos não se sujeitam ao tributo em comento. Aduz que, sendo a infração baseada na omissão de lançamentos, a impossibilidade de apresentação da DIRF pela impugnante Fl. 406DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.005604/201036 Acórdão n.º 2403002.059 S2C4T3 Fl. 404 7 devido ao furto dos documentos acarreta a nulidade da autuação em relação ao período de janeiro/2005 a novembro/2008, devido à inexistência nos autos de prova material da suposta omissão. Pretende, assim, demonstrar que a fiscalização recorreu a presunções para concluir que a autuada deixou de lançar na GFIP valores de pagamento a autônomos presumindo, também, a base de cálculo no período de 2005 a 2008, sem qualquer prova material válida. Nesse sentido, argumenta que a concretização do fato gerador deve ser calcada em provas robustas que demonstrem a obrigação tributária percorrida. Em relação ao ano de 2009, para o qual foi apresentada DIRF, afirma que os pagamentos não se tratam de remuneração a contribuintes individuais, mas tão somente de repasse aos profissionais pelos serviços prestados aos associados do sindicato e pagos por estes, mediante autorização de desconto em conta corrente. Afirma que os segurados Arlindo Azeredo Filho e Ubiraci Lara não são contribuintes individuais pois já são empregados do Sindicato dos Municipais, com pagamento mensal e demais encargos recolhidos. Quando estes atendem fora do ambulatório da impugnante, prestam serviços diretamente aos servidores filiados, com desconto dos valores da conta corrente dos mesmos. Que a inclusão destes em GFIP ocorreu por erro da contabilidade, já que o segurado não pode ser empregado e prestador de serviço ao mesmo tempo. Quanto aos prestadores de serviços Fulvio Basso e Giovanni José Osmir Bertazzoni, afirma que a sua inclusão em DIRF foi um equívoco pois os mesmos apresentaram declaração comprovando o recolhimento da contribuição sobre o teto. Além disso, argumenta que os servidores Ubiraci Lara, Arlindo Azeredo Filho, Vilson Ferreira Dornelles e Giovanni José Osmir Bertazzoni são servidores públicos e já recolhem para a previdência própria pelo teto máximo ou para o regime geral, não restando créditos devidos à Seguridade Social para o ano de 2009. Requer, finalmente, a procedência dos argumentos expostos, cancelando o lançamento efetuado. Após análise, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto SP, emitiu o Acórdão nº 1435.353 9ª Turma, julgando procedente em parte a autuação excluindo o crédito lançado referente aos AUTÔNOMOS, mantendo o crédito remanescente, conforme a Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIA S Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009 Fl. 407DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA DE DECLARAÇÃO DE FATO GERADOR DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA EM GFIP. Constitui infração à legislação previdenciária apresentar, a empresa, GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE A REMUNERAÇÃO DE CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. INSUFICIÊNCIA DE PROVAS. Compete ao Fisco a comprovação da ocorrência do fato imponível para amparar o exercício do lançamento, devendo ser retificado o débito lançado com fundamento em provas consideradas insuficientes à comprovação do ilícito. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRORROGAÇÃO. REGISTRO ELETRÔNICO. Não enseja nulidade a emissão e prorrogação de Mandado de Procedimento Fiscal por meio de registro eletrônico. Tratandose, o MPF, de instrumento de controle interno da administração, a eventual identificação de vício na sua expedição ou renovação não se revela apta a gerar nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. CIÊNCIA DOS ATOS ADMINISTRATIVOS. REPRESENTANTE LEGAL. É válida a intimação pessoal realizada pela autoridade fiscal, comprovada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto. DECADÊNCIA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 173, I DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. INOCORRÊNCIA. Não se vislumbra a decadência do crédito tributário, quando o lançamento é realizado no prazo de cinco anos, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ser constituído, mediante aplicação do artigo 173, inciso I do Código Tributário Nacional. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Acórdão Acordam os membros da 9ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a impugnação, mantendo o crédito remanescente de R$89.755,25. Deixase de submeter ao 2º Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para reexame necessário, em face de o crédito tributário exonerado estar abaixo do limite de alçada fixado na Portaria MF nº 03/2008. Fl. 408DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.005604/201036 Acórdão n.º 2403002.059 S2C4T3 Fl. 405 9 Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo, conforme facultado pela lei. Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, combatendo a decisão de primeira instância e reiterando o aduzido em sede de Impugnação, em apertada síntese: Das questões preliminares. (i) Da nulidade do auto de infração A decisão da 9ª Turma Julgadora é parcial, arbitrária, nula de pleno direito não propiciou ao recorrente se manifestar, evidenciando a ruptura dos princípios constitucionais da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade etc. (ii) Os vícios insanáveis no procedimento fiscal decorrente do MPF nº 08.1.25.002010006096 A decisão não apreciou as regras com base em prévia emissão de MPF, lavrado pelas autoridades indicadas no art. 6 º Portaria RFB 4066/2007. O Agente Fiscal não deu ciência ao contribuinte do Demonstrativo de Emissão e Prorrogação, contendo o MPF emitido e as prorrogações. A decisão da DRJ, em considerar que a Portaria RFB 11371/2007 ao não reproduzir as disposições da Portaria RFB 4066/2007 teria revogado tais dispositivos, não pode ser considerada pois a matéria é de ordem pública e obedece aos ditame legais, constitucionais e infraconstitucionais, e seus efeitos ultrapassam a esfera administrativa atingindo terceiros. Aduz a nulidade dos atos praticados no curso da ação fiscal por vício na emissão e prorrogação do MPF. Nesse sentido, argumenta não ter sido entregue o referido MPF por ocasião da entrega do Termo de Início de Procedimento Fiscal, como prevê o artigo 4o da Portaria RFB nº 4.066/07 e nem comunicado ao representante legal da empresa a prorrogação do mesmo, na forma prevista no §2o do artigo 13 da mesma portaria. Entende pela violação dos princípios da publicidade, da legalidade, da ampla defesa, do contraditório e da segurança jurídica (iii) Erro na identificação do sujeito passivo. Aduz, ainda, a nulidade do auto de infração devido à existência de erro na identificação do sujeito passivo, uma vez que a autuação identifica o sujeito passivo como sociedade anônima. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 (iv) Auto de infração apresentado a quem não tem representação legal Requer a extinção do crédito tributário por entender que o mesmo foi apresentado a quem não tem representação legal para tanto. Nesse sentido, menciona que ao presidente compete a representação do sindicato, sendo o auto de infração e os termos de início e encerramento do procedimento fiscal entregues a pessoas que não possuem competência para tanto sido fornecida pela entidade, estando esta impedida de apresentar as informações necessárias devido à ocorrência de furto de veículo contendo grande parte dos documentos relativos ao período fiscalizado. Protesta contra a relação apresentada e não a aceita como prova material a determinar a base de cálculo das contribuições devidas à Seguridade Social, seja pela falsidade documental ou ideológica. (v) Da decadência do direito de lançar A DRJ considerou a ciência do contribuinte na pessoa do vice presidente do sindicato em 29/12/2010, comprovada mediante aposição de sua assinatura, para então declarar a decadência de 01/2005 a 11/2005. Aduz a decadência do lançamento relativo ao período de janeiro a dezembro de 2005, com fundamento no artigo 173, I do Código Tributário Nacional, considerando a ciência do contribuinte no dia 10 de janeiro de 2011. Do Mérito. (vi) Crédito de contribuições incidentes sobre valores brutos das faturas de prestação de serviços tomados através de cooperativas de trabalho Insurgese contra o lançamento da contribuição capitulada no inciso IV do artigo 22 da Lei nº 8.212/91 alegando não se tratar de empresa e nem de tomadora dos serviços prestados pelas cooperativas, realizando somente o repasse da verba através de desconto em folha de pagamento dos servidores. Portanto, os serviços são prestados às pessoas físicas filiadas, e não ao sindicato. (vii) Da contribuição social aplicada no Relatório do auto de infração – art. 22, IV, Lei 8.212/1991 (dos autos da obrigação principal DEBCAD nº37.294.5597) Aduz que o dispositivo estabelece tratamento tributário para as empresas tomadoras de serviço das cooperativas de trabalho, Fl. 410DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.005604/201036 Acórdão n.º 2403002.059 S2C4T3 Fl. 406 11 enquanto o artigo 224A do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99 excluiu as cooperativas de trabalho do rol de sociedades cedentes de mãodeobra Que a contribuição ora analisada não encontra fundamento de validade no inciso I do artigo 195 da Constituição Federal, uma vez não incidir sobre relação de emprego, e, tampouco, na folha de salários e no lucro, configurando a criação de uma nova fonte de custeio sem o respaldo constitucional, já que não foi utilizada a via legislativa exigida. Que sua regra matriz de incidência destoa da norma constitucional, pois incide sobre o faturamento das cooperativas de trabalho, possuindo a mesma hipótese de incidência da COFINS, o que configura bis in idem. (viii) Da posição do STF em relação a novas fontes de custeio – do sobrestamento até o julgamento da Medida Cautelar nº 1805 e da ADIN nº 2594 Mesmo a DRJ entendendo que o Executivo não pode aplicar a argüição de inconstitucionalidade, o STF já assentou a necessidade de adoção de lei complementar de acordo com a técnica da competência residual, art. 154, I, CF/88. O Recorrente requer o sobrestamento previsto no art. 62A, § 2º, Anexo II do RICARF até o julgamento da Medida Cautelar nº 1805 (em face do art. 22, IV, Lei 8212/1991) e da ADIN nº 2594 (em face do art. 22, IV, Lei 8212/1991). (ix) Crédito de contribuições devidas à seguridade social, incidente sobre prestação de serviços de cooperados Em que pese a decisão da DRJ no sentido de que a omissão em GFIP dos serviços prestados por cooperativas de trabalho poderem ser constatados no sistema RFB GFIPWeb, independente da apresentação pela empresa, se verifica que inexiste prova material pois a fiscalização se baseou em suposição ficta a fim de demonstrar que os lançamentos não se realizaram em GFIP. Então não se pode proceder a autuação no período janeiro 2005 a novembro de 2008. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 302. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (A) Da inconstitucionalidade Analisemos. O previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 412DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.005604/201036 Acórdão n.º 2403002.059 S2C4T3 Fl. 407 13 II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (B) Da regularidade do lançamento. Analisemos. Notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o Auto de Infração, Código de Fundamentação Legal – CFL 68, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter apresentado a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP sem a informação da remuneração paga ou creditada aos segurados contribuintes individuais e dos valores contidos nas notas fiscais ou faturas de prestação de serviços, relativamente aos serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho médico e odontológico, no período de 01/2005 a 12/2009. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrado AIOA nº 37.294.5589 que, conforme definido nos artigos 460, 467 e 468 da IN RFB n° 971/2009, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela RFB, apuradas mediante procedimento fiscal: Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 413DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 IN RFB n° 971/20095 Art. 460. São documentos de constituição do crédito tributário relativo às contribuições de que trata esta Instrução Normativa: I Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), é o documento declaratório da obrigação, caracterizado como instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário; II Lançamento do Débito Confessado (LDC), é o documento por meio do qual o sujeito passivo confessa os débitos que verifica; III Auto de Infração (AI), é o documento constitutivo de crédito, inclusive relativo à multa aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, lavrado por AFRFB e apurado mediante procedimento de fiscalização; IV – Notificação de Lançamento (NL), é o documento constitutivo de crédito expedido pelo órgão da Administração Tributária; V Débito Confessado em GFIP (DCG), é o documento que registra o débito decorrente de divergência entre os valores recolhidos em documento de arrecadação previdenciária e os declarados em GFIP; e Art. 467. Será lavrado Auto de Infração ou Notificação de Lançamento para constituir o crédito relativo às contribuições de que tratam os arts. 2º e 3º da Lei nº 11.457, de 2007. Art. 468. A autoridade administrativa competente para a lavratura do Auto de Infração pelo descumprimento de obrigação principal ou acessória, nos termos dos arts. 142 e 196 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), e art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, é o AFRFB que presidir e executar o procedimento fiscal. Parágrafo único. Considerase procedimento fiscal quaisquer das espécies elencadas no art. 7º e seguintes do Decreto nº 70.235, de 1972, observadas as normas específicas da RFB. (grifo nosso) Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 33, §§ 2º, 3º da Lei 8.212/1991, os artigos 232 e 233 do decreto 3.048/1991, bem como dos artigos 113, 115 e 122 do Código Tributário Nacional. O artigo 33, §§ 2º, 3º da Lei 8.212/1991: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 414DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.005604/201036 Acórdão n.º 2403002.059 S2C4T3 Fl. 408 15 (...) § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Os arts. 232 e 233, Decreto 3.048/1999: Art. 232. A empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante legal, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento. Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. O art. 113, CTN, estabelece que: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Fl. 415DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 O art. 115, CTN, estabelece que: Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. O art. 122, CTN, estabelece que: Art. 122. Sujeito passivo da obrigação acessória é a pessoa obrigada às prestações que constituam o seu objeto. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: A autorização por meio da emissão de TIPF – Termo de Início do Procedimento Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento, bem como a intimação para que o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instrução para o Contribuinte, onde constam as instruções necessárias à empresa no tocante ao recolhimento, parcelamento, apresentação de defesa e demais informações; b. VÍNCULOS Relação de Vínculos, que relaciona todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão do seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente; c. REFISC – Relatório Fiscal da Infração e da Aplicação da Multa. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Desta forma, o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não prosperando as alegações da Recorrente. Fl. 416DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.005604/201036 Acórdão n.º 2403002.059 S2C4T3 Fl. 409 17 (i) Da nulidade do auto de infração A decisão da 9ª Turma Julgadora é parcial, arbitrária, nula de pleno direito não propiciou ao recorrente se manifestar, evidenciando a ruptura dos princípios constitucionais da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade etc. Analisemos. Não prospera a alegação da Recorrente porque a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento é um órgão de deliberação interna e natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal do Brasil, sendo assim não há previsão normativa para que o contribuinte possa assistir ao julgamento em primeira instância, conforme se depreende do art. 25, Decreto 70.235/1972: Art.25.O julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) (Vide Decreto nº 2.562, de 1998) (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) I em primeira instância, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento, órgãos de deliberação interna e natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) a) aos Delegados da Receita Federal, titulares de Delegacias especializadas nas atividades concernentes a julgamento de processos, quanto aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (Vide Lei nº 11.119, de 2005) b) às autoridades mencionadas na legislação de cada um dos demais tributos ou, na falta dessa indicação, aos chefes da projeção regional ou local da entidade que administra o tributo, conforme for por ela estabelecido. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) Outrossim, a Recorrente foi regularmente cientificada da decisão de primeira instância e apresentou Recurso Voluntário à segunda instância administrativa. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (ii) Os vícios insanáveis no procedimento fiscal decorrente do MPF nº 08.1.25.002010006096 A decisão não apreciou as regras com base em prévia emissão de MPF, lavrado pelas autoridades indicadas no art. 6 º Portaria RFB 4066/2007. O Agente Fiscal não deu ciência ao contribuinte do Demonstrativo de Emissão e Prorrogação, contendo o MPF emitido e as prorrogações. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 18 A decisão da DRJ, em considerar que a Portaria RFB 11371/2007 ao não reproduzir as disposições da Portaria RFB 4066/2007 teria revogado tais dispositivos, não pode ser considerada pois a matéria é de ordem pública e obedece aos ditame legais, constitucionais e infraconstitucionais, e seus efeitos ultrapassam a esfera administrativa atingindo terceiros. Aduz a nulidade dos atos praticados no curso da ação fiscal por vício na emissão e prorrogação do MPF. Nesse sentido, argumenta não ter sido entregue o referido MPF por ocasião da entrega do Termo de Início de Procedimento Fiscal, como prevê o artigo 4º da Portaria RFB nº 4.066/07 e nem comunicado ao representante legal da empresa a prorrogação do mesmo, na forma prevista no §2o do artigo 13 da mesma portaria. Entende pela violação dos princípios da publicidade, da legalidade, da ampla defesa, do contraditório e da segurança jurídica Analisemos. A questão central em relação ao procedimento fiscal e a emissão e prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF é acerca de qual regra utilizar, ou a da Portaria RFB nº 4066, de 02.05.2007, ou a da Portaria RFB nº 11.371, de 12.12.2007. Por um lado, conforme já debatido nos autos, os art. 4º e art. 13 da Portaria RFB nº 4066, de 02.05.2007, dispõe que o MPF será emitido na forma dos modelos constantes dos Anexos de I a V desta Portaria, enquanto que a prorrogação do prazo do MPF poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, por intermédio de registro eletrônico, que fornecerá ao sujeito passivo, quando do primeiro ato de ofício praticado junto ao mesmo após cada prorrogação, o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação, conforme modelo constante do Anexo VI: Art. 4º O MPF será emitido na forma dos modelos constantes dos Anexos de I a V desta Portaria, do qual será dada ciência ao sujeito passivo, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de novembro de 1997, por ocasião do início do procedimento fiscal. Art. 13. A prorrogação do prazo de que trata o artigo anterior poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de diligência. § 1º A prorrogação de que trata o caput poderá ser feita por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação estará disponível na Internet, nos termos do art. 7º, inciso VIII. § 2º Na hipótese do § 1º, o AFRFB responsável pelo procedimento fiscal fornecerá ao sujeito passivo, quando do primeiro ato de ofício praticado junto ao mesmo após cada prorrogação, o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação, contendo o MPF emitido e as prorrogações efetuadas, reproduzido a partir das informações apresentadas na Internet, conforme modelo constante do Anexo VI. Fl. 418DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.005604/201036 Acórdão n.º 2403002.059 S2C4T3 Fl. 410 19 Por outro lado, a Portaria RFB nº 11.371, de 12.12.2007, que no seu art. 22 expressamente revogou a Portaria RFB nº 4066, de 02.05.2007, dispõe que o MPF será emitido exclusivamente em forma eletrônica, com a ciência do sujeito passivo feita por intermédio da internet e com a prorrogação do prazo de que trata o art. 11 podendo ser efetuada pela autoridade outorgante tantas vezes quantas necessárias: Art. 4º O MPF será emitido exclusivamente em forma eletrônica e assinado pela autoridade outorgante, mediante a utilização de certificado digital válido, conforme modelos constantes dos Anexos de I a III desta Portaria. Parágrafo único. A ciência pelo sujeito passivo do MPF, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de novembro de 1997, darseá por intermédio da Internet, no endereço eletrônico www.receita.fazenda.gov.br, com a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal. Art. 11. Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade: I cento e vinte dias, nos casos de MPFF e de MPFE; II sessenta dias, no caso de MPFD. Art. 12. A prorrogação do prazo de que trata o art. 11 poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de diligência. Ou seja, a Portaria RFB nº 11.371, de 12.12.2007, que expressamente revogou a Portaria RFB nº 4066, de 02.05.2007, não mais dispôs acerca da emissão do Demonstrativo de Emissão e Prorrogação. Observase que o fato gerador ocorreu entre as competências 01/2005 a 12/2009, a ciência do TIPF – Termo de Início do Procedimento Fiscal, às fls. 29 e 30, ocorreu em 21/10/2010, conforme Aviso de recebimento – AR às fls. 31, a ciência da autuação ocorreu em 29/12/2010, portanto, no curso do ´procedimento fiscal a Portaria RFB nº 11.371, de 12.12.2007 estava em plena vigência, posto que a Portaria RFB nº 4066, de 02.05.2007 já havia sido revogada expressamente pela Portaria RFB nº 11.371, de 12.12.2007. Ora, presente a colisão de regras, a regra de hermenêutica indica o afastamento de uma delas. Então, considero que a regra aplicável para a emissão e prorrogação do MPF é a insculpida na Portaria RFB nº 11.371, de 12.12.2007, o que afasta a argumentação da Recorrente de nulidade do procedimento fiscal pelo descumprimento do disposto na Portaria RFB nº 4066, de 02.05.2007. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 20 (iii) Erro na identificação do sujeito passivo. Aduz, ainda, a nulidade do auto de infração devido à existência de erro na identificação do sujeito passivo, uma vez que a autuação identifica o sujeito passivo como sociedade anônima. Analisemos. O Recorrente aduz ter ocorrido erro na identificação do sujeito passivo quando da identificação do mesmo como sociedade anônima, quando da emissão do TIPF – Termo de Início do Procedimento Fiscal, às fls. 29 e 30, bem como na capa do Auto de Infração. Observemos o que ocorreu. Quando da emissão do TIPF – Termo de Início do Procedimento Fiscal, às fls. 29 e 30, bem como na capa do Auto de Infração, constou o nome como sendo: SINDICATO DOS TRABALHADORES MUNICIPAIS DE PIRACICABA SA Enquanto que o correto: SINDICATO DOS TRABALHADORES MUNICIPAIS DE PIRACICABA, SÃO PEDRO, AGUAS DE SÃO PEDRO, SALTINHO E REGIÃO Ora, tal incorreção verificada na abreviação do nome do sujeito passivo, SA ao invés de SÃO PEDRO, AGUAS DE SÃO PEDRO, SALTINHO E REGIÃO, conforme inclusive já foi explicado na decisão de primeira instância, ocorreu em função da limitação de caracteres do sistema da RFB: A abreviação da razão social do sujeito passivo, procedida em virtude da limitação na quantidade de caracteres permitidos no campo específico do sistema informatizado, não se revela motivo apto a ensejar a nulidade da autuação, ainda mais quando se vislumbra a correção dos demais campos informativos dos dados do sujeito passivo, como CNPJ, endereço, município De qualquer forma, observemos que não houve qualquer prejuízo ao sujeito passivo posto que os demais dados informativos do mesmo estavam corretos. Neste sentido, o art. 13 do Decreto 7574/2011 aponta que tal incorreção ocorrida na abreviação do nome do sujeito passivo, diferentemente do que aguerridamente aponta a Recorrente, não importa nulidade posto em que em nada influi na solução do litígio: Art. 12. São nulos (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 59): Ios atos e os termos lavrados por pessoa incompetente; e IIos despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. §1oA nulidade de qualquer ato só prejudica os atos posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. §2oNa declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.005604/201036 Acórdão n.º 2403002.059 S2C4T3 Fl. 411 21 §3oQuando puder decidir o mérito em favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará, nem mandará repetir o ato, ou suprirlhe a falta. Art.13.As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no art. 12 não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 60). Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (iv) Auto de infração apresentado a quem não tem representação legal Requer a extinção do crédito tributário por entender que o mesmo foi apresentado a quem não tem representação legal para tanto. Nesse sentido, menciona que ao presidente compete a representação do sindicato, sendo o auto de infração e os termos de início e encerramento do procedimento fiscal entregues a pessoas que não possuem competência para tanto sido fornecida pela entidade, estando esta impedida de apresentar as informações necessárias devido à ocorrência de furto de veículo contendo grande parte dos documentos relativos ao período fiscalizado. Protesta contra a relação apresentada e não a aceita como prova material a determinar a base de cálculo das contribuições devidas à Seguridade Social, seja pela falsidade documental ou ideológica. Analisemos. De plano, temos que a Súmula nº 9 do CARF considera válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Neste sentido, o Termo de Início do Procedimento Fiscal – TIPF, que foi enviado por via postal, foi plenamente válido. Em relação ao Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal – TEPF, devidamente cientificado por funcionário do sindicato, e o Auto de Infração cientificado pelo vicepresidente do sindicato, consideroas válidas posto que provadas com as assinatura dos recebedores, conforme se depreende dos art. 10 e art. 11 do Decreto 7574/2011: Art. 10. As formas de intimação são as seguintes: Fl. 421DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 22 I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar (Decreto no 70.235, de 1972, art. 23, inciso I, com a redação dada pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 67); (...) Art.11.Considerase feita a intimação (Decreto no 70.235, de 1972, art. 23, § 2o, com a redação dada pela Lei no 11.196, de 2005, art. 113): I se pessoal, na data da ciência do intimado ou da declaração de recusa lavrada pelo servidor responsável pela intimação; De qualquer forma, com as intimações efetuadas no procedimento fiscal e a interposição da Impugnação tempestiva e do Recurso Voluntário também tempestivo, não se constata nos autos qualquer ocorrência de prejuízo à defesa que pudesse evidenciar ora cerceamento de ampla defesa ora ofensa ao contraditório. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (ix) Crédito de contribuições devidas à seguridade social, incidente sobre prestação de serviços de cooperados Em que pese a decisão da DRJ no sentido de que a omissão em GFIP dos serviços prestados por cooperativas de trabalho poderem ser constatados no sistema RFB GFIPWeb, independente da apresentação pela empresa, se verifica que inexiste prova material pois a fiscalização se baseou em suposição ficta a fim de demonstrar que os lançamentos não se realizaram em GFIP. Então não se pode proceder a autuação no período janeiro 2005 a novembro de 2008. Analisemos. Em relação a contribuição devida pela empresa incidente sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços, a decisão de primeira instância excluiu a tributação sobre esses levantamentos. De forma que a relação nos autos que trata de contribuintes individuais, não está mais em discussão no âmbito do recurso Voluntário por perda de objeto. Outrossim, em relação à alegação da Recorrente de não alegação da Recorrente de não ter entregue as relações de pagamento às cooperativas em função do Boletim de Ocorrências, tal argumento não se sustenta porque a Fiscalização colacionou nos autos elementos de prova. Ou seja, em relação às cooperativas UNIMED de Piracicaba Sociedade Cooperativa Serviços Médicos e AMHPLA Cooperativa de Assistência Médica, nos autos a Fiscalização colacionou contratos e relações de duplicatas a receber e de Notas Fiscais ou Faturas de Prestação de Serviços, fazendo com isso prova material dos fatos geradores Fl. 422DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.005604/201036 Acórdão n.º 2403002.059 S2C4T3 Fl. 412 23 independentemente da alegação da Recorrente de não ter entregue tais relações em função do Boletim de Ocorrências. Ademais, no Relatório de Lançamentos – RL constam os valores discriminados das faturas emitidas pelas Cooperativas contra o Sindicato. Em relação ao sistema RFB GFIPWeb, o Relatório Fiscal apenas esclarece o sujeito passivo de que a omissão do fato gerador em GFIP pode ser constatado pela análise das GFIPs constantes do sistema GFIPWeb, independentemente da entrega das GFIPs pelo sujeito passivo. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (v) Da decadência do direito de lançar A DRJ considerou a ciência do contribuinte na pessoa do vice presidente do sindicato em 29/12/2010, comprovada mediante aposição de sua assinatura, para então declarar a decadência de 01/2005 a 11/2005. Aduz a decadência do lançamento relativo ao período de janeiro a dezembro de 2005, com fundamento no artigo 173, I do Código Tributário Nacional, considerando a ciência do contribuinte no dia 10 de janeiro de 2011. Analisemos. A controvérsia suscitada pela Recorrente é no sentido de se considerar a ciência da autuação em 10 de janeiro de 2011. Ora, tal argumento não prospera porque houve expressamente a ciência do sujeito passivo na pessoa do vicepresidente do sindicato em 29/12/2010, comprovada mediante aposição de sua assinatura às fls. 01. Outrossim, devese verificar a ocorrência, ou não, da decadência. O Supremo Tribunal Federal STF, conforme o Informativo STF nº 510 de 19 de junho de 2008, por entender que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, b, da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nºs 556664/RS, 559882/RS, 559.943 e 560626/RS, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8.212/91, atribuindose, à decisão, eficácia ex nunc apenas em relação aos recolhimentos efetuados antes de 11.6.2008 e não impugnados até a mesma data, seja pela via judicial, seja pela administrativa. Após, o STF aprovou o Enunciado da Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nestes termos: Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de Fl. 423DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 24 crédito tributário. Publicada no DOU de 20/6/2008, Seção 1, p.1. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Portanto, da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, deve adequar a decisão administrativa ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de 22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.005604/201036 Acórdão n.º 2403002.059 S2C4T3 Fl. 413 25 Porém, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. (g.n.)” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, nos termos dos artigos 150, § 4o, e 173 do Código Tributário Nacional. O meu posicionamento se identifica com o direcionamento do Superior Tribunal de Justiça – STJ e com a primeira corrente doutrinária exposta no sentido de no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento e não se configure os casos de dolo, fraude ou simulação, se aplica a regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN, conforme se depreende do REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF. Entretanto, há de se salientar que a MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, trouxe nova disciplina para as punições pelo descumprimento das obrigações acessórias, ao revogar os parágrafos do art. 32 da Lei nº 8.212/91 e ao criar o art. 32A como nova sistemática de aplicação de multas. Ademais, o art. 32, § 11, da Lei 8.212/1991, correlaciona o arquivamento dos documentos comprobatórios das obrigações tributárias à prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. Art. 32. A empresa é também obrigada a: Fl. 425DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 26 (...) § 11. Os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Parágrafo renumerado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (gn) Temse que na atual disciplina trazida pela Lei 11.941/2009, conforme o art. 32, § 11, Lei 8.212/1991, a avaliação da decadência da penalidade pecuniária por declaração que não contempla todos os fatos geradores darseia nos autos do processo em que tivesse sido realizado o lançamento das contribuições não recolhidas. Desta forma, devese cotejar o presente AIOA nº. 37.294.5589 com o correlato processo principal nº 13888.005605/201081, AIOP nº 37.294.5597. No processo AIOP nº 37.294.5597, a decisão de primeira instância verificou nos sistemas da RFB a ocorrência de recolhimentos parciais feitos pelo sujeito passivo, a partir do qual aplicou a decadência com base no art. 150, § 4º, CTN: Não obstante, considerando a existência de recolhimento parcial da contribuição devida nas competências abrangidas no exercício de 2005, identificado em consulta ao sistema informatizado da Receita Federal do Brasil, vislumbrase a necessidade de aplicação do prazo decadencial previsto no §4o do artigo 150 do Código Tributário Nacional, conforme esclarece o Parecer PGFN/CAT nº 1.617/2008. Então, aplicandose o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF, exsurge a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar pelo contribuinte. Verificase, da análise dos autos, que a cientificação do auto de infração pela Recorrente, às fls. 01, se deu em 29.12.2010 e o período objeto do auto de infração se refere a 01/2005 a 12/2009. Dessa forma, nos termos do artigo 150, § 4o, CTN, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos lançados até a competência 11/2005, inclusive. Do Mérito. (vi) Crédito de contribuições incidentes sobre valores brutos das faturas de prestação de serviços tomados através de cooperativas de trabalho Insurgese contra o lançamento da contribuição capitulada no inciso IV do artigo 22 da Lei nº 8.212/91 alegando não se tratar Fl. 426DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.005604/201036 Acórdão n.º 2403002.059 S2C4T3 Fl. 414 27 de empresa e nem de tomadora dos serviços prestados pelas cooperativas, realizando somente o repasse da verba através de desconto em folha de pagamento dos servidores. Portanto, os serviços são prestados às pessoas físicas filiadas, e não ao sindicato. Analisemos. A questão de fundo do argumento da Recorrente é a de que o sindicato não pode ser equiparado à empresa, por não se tratar de empresa e nem de tomadora dos serviços prestados pelas cooperativas. Ora, tal argumento da Recorrente carece de razão posto que o art. 15, parágrafo único, da Lei 8.212/1991 expressamente trata a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade de forma equiparada à empresa: Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; II empregador doméstico a pessoa ou família que admite a seu serviço, sem finalidade lucrativa, empregado doméstico. Parágrafo único. Equiparase a empresa, para os efeitos desta Lei, o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Portanto, plenamente aplicável ao sujeito passivo a contribuição lançada com fundamento no art. 22, IV, Lei 8.212/1991: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (vii) Da contribuição social aplicada no Relatório do auto de infração – art. 22, IV, Lei 8.212/1991 (dos autos da obrigação principal DEBCAD nº37.294.5597) Aduz que o dispositivo estabelece tratamento tributário para as empresas tomadoras de serviço das cooperativas de trabalho, enquanto o artigo 224A do Regulamento da Previdência Social, Fl. 427DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 28 aprovado pelo Decreto nº 3.048/99 excluiu as cooperativas de trabalho do rol de sociedades cedentes de mãodeobra Que a contribuição ora analisada não encontra fundamento de validade no inciso I do artigo 195 da Constituição Federal, uma vez não incidir sobre relação de emprego, e, tampouco, na folha de salários e no lucro, configurando a criação de uma nova fonte de custeio sem o respaldo constitucional, já que não foi utilizada a via legislativa exigida. Que sua regra matriz de incidência destoa da norma constitucional, pois incide sobre o faturamento das cooperativas de trabalho, possuindo a mesma hipótese de incidência da COFINS, o que configura bis in idem. Analisemos. A questão de fundo da argumentação da Recorrente que é o transbordamento para a apreciação de inconstitucionalidade, já foi abordada no tópico (A). Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (viii) Da posição do STF em relação a novas fontes de custeio – do sobrestamento até o julgamento da Medida Cautelar nº 1805 e da ADIN nº 2594 Mesmo a DRJ entendendo que o Executivo não pode aplicar a argüição de inconstitucionalidade, o STF já assentou a necessidade de adoção de lei complementar de acordo com a técnica da competência residual, art. 154, I, CF/88. O Recorrente requer o sobrestamento previsto no art. 62A, § 2º, Anexo II do RICARF até o julgamento da Medida Cautelar nº 1805 (em face do art. 22, IV, Lei 8212/1991) e da ADIN nº 2594 (em face do art. 22, IV, Lei 8212/1991). Analisemos. Em relação à apreciação de inconstitucionalidade, a questão já foi abordada no tópico (A). Outrossim, em relação à Ação Direta de Inconstitucionalidade – ADI 2954, em consulta ao site do Supremo Tribunal Federal – STF (http://www.stf.jus.br/portal/peticaoInicial/verPeticaoInicial.asp?base=ADIN&s1=2594&proce sso=2594) em 09.05.2013, observase que encontrase aguardando julgamento tanto o pedido de liminar quanto o julgamento do mérito em si. Segue a última movimentação processual em 29.11.2012: Substituição do Relator, art. 38 do RISTF MIN. TEORI ZAVASCKI Já em relação à Ação Cautelar – AC 1805, em consulta ao site do Supremo Tribunal Federal STF (http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.asp?incidente=2558336) em 09.05.2013, observase que na última movimentação processual na data de 14.02.2012, houve a Fl. 428DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.005604/201036 Acórdão n.º 2403002.059 S2C4T3 Fl. 415 29 remessa dos autos à origem – TRF 3ª Região – em função do declínio de competência do STF para o Tribunal de origem, agora órgão competente para processar e julgar a presente ação cautelar. Quanto ao pedido de sobrestamento da Recorrente, devese observar o teor da Portaria CARF nº 01, de 03.01.2012, para efeitos de uniformização do procedimento de sobrestamento de julgamento de recursos, previstos no art. 62A, § 1º, Anexo II, RICARF: Ora, o art. 1º, parágrafo único, da Portaria CARF nº 01, de 03.01.2012, determina que o sobrestamento será plicado nos casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal – STF o sobrestamento de processos, nos termos do art. 543B, CPC, relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso. Desta forma, em que pese a Recorrente ter se referido ao julgamento da Medida Cautelar nº 1805 e também da ADIN nº 25945/DF, não há qualquer comprovação expressa no Recurso Voluntário, tampouco há nos autos, de que o STF tenha determinado o sobrestamento para a contribuição destinada à seguridade social com fundamento no art. 22, IV, Lei 8.212/1991. Então, considerandose o disposto na Portaria CARF nº 01, de 03.01.2012, de observância obrigatório no âmbito do CARF, não é possível a aplicação do sobrestamento do presente processo. Fl. 429DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 30 Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. Da multa aplicada Analisemos. No que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da recente Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. A citada Lei 11.941/2009 alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a Lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art.32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no §3o; e II de R$ 20,00 (vinte reais)para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento §2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação §3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos”. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Art.106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 430DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.005604/201036 Acórdão n.º 2403002.059 S2C4T3 Fl. 416 31 (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso da presente autuação, Auto de Infração nº. 37.309.1834, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 e do art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991, o qual previa que pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no art. 32, § 4º, da Lei nº 8.212/1991. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32, § 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, em dar provimento parcial ao recurso para: (i) declarar a decadência até a competência 11/2005, inclusive, com base no art. 150, § 4º, CTN; (ii) que se recalcule o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 431DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
