Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,060)
- Primeira Turma Ordinária (16,521)
- Primeira Turma Ordinária (16,450)
- Primeira Turma Ordinária (16,356)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,086)
- Segunda Turma Ordinária d (14,557)
- Primeira Turma Ordinária (13,115)
- Primeira Turma Ordinária (12,614)
- Segunda Turma Ordinária d (12,545)
- Primeira Turma Ordinária (11,521)
- Quarta Câmara (11,514)
- Quarta Câmara (85,953)
- Terceira Câmara (68,506)
- Segunda Câmara (57,351)
- Primeira Câmara (21,646)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,359)
- 1ª SEÇÃO (6,889)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,647)
- Segunda Seção de Julgamen (116,088)
- Primeira Seção de Julgame (77,943)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,140)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,432)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,612)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,273)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,201)
- HELCIO LAFETA REIS (3,911)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,937)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,875)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,769)
- WILDERSON BOTTO (2,683)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,961)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,477)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,673)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2026 (16,299)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (20,523)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 16692.720252/2016-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2013
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDEFERIMENTO EM RAZÃO DE NÃO HOMOLOGAÇÃO DE ESTIMATIVAS COMPENSADAS NO PERÍODO. IMPOSSIBILIDADE. Na hipótese de compensação de estimativas não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômico-fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ).
A compensação regularmente declarada, tem o efeito de extinguir o crédito tributário, equivalendo ao pagamento para todos os fins, inclusive, para fins de composição de saldo negativo.
A glosa do saldo negativo utilizado pela ora Recorrente acarreta cobrança em duplicidade do mesmo débito.
Numero da decisão: 1401-002.656
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: DANIEL RIBEIRO SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2013 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDEFERIMENTO EM RAZÃO DE NÃO HOMOLOGAÇÃO DE ESTIMATIVAS COMPENSADAS NO PERÍODO. IMPOSSIBILIDADE. Na hipótese de compensação de estimativas não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômico-fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). A compensação regularmente declarada, tem o efeito de extinguir o crédito tributário, equivalendo ao pagamento para todos os fins, inclusive, para fins de composição de saldo negativo. A glosa do saldo negativo utilizado pela ora Recorrente acarreta cobrança em duplicidade do mesmo débito.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jul 13 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16692.720252/2016-13
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5877371
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 13 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1401-002.656
nome_arquivo_s : Decisao_16692720252201613.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : DANIEL RIBEIRO SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 16692720252201613_5877371.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
id : 7356104
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:21:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050586128056320
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1551; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 266 1 265 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16692.720252/201613 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401002.656 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de junho de 2018 Matéria IRPJ Recorrente LOUIS DREYFUS COMMODITIES BRASIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2013 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDEFERIMENTO EM RAZÃO DE NÃO HOMOLOGAÇÃO DE ESTIMATIVAS COMPENSADAS NO PERÍODO. IMPOSSIBILIDADE. Na hipótese de compensação de estimativas não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). A compensação regularmente declarada, tem o efeito de extinguir o crédito tributário, equivalendo ao pagamento para todos os fins, inclusive, para fins de composição de saldo negativo. A glosa do saldo negativo utilizado pela ora Recorrente acarreta cobrança em duplicidade do mesmo débito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 69 2. 72 02 52 /2 01 6- 13 Fl. 266DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (VicePresidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal em São Paulo (SP), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte em virtude do Despacho Decisório de fls. 117/118 não reconhecer a totalidade do crédito indicado no PER/DCOMP nº 03968.57512.030714.1.2.020045, transmitido com o objetivo de solicitar a restituição do montante de R$ 37.367.781,29, correspondente ao saldo negativo de IRPJ apurado no ano calendário de 2013. Segundo informações constantes nos autos, o PER/DCOMP acima descrito, “foi analisado pela Divisão de Orientação e Análise Tributária (DIORT) da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo que emitiu o Despacho Decisório em comento, pelo qual foi confirmado o saldo negativo de IRPJ disponível para restituição no montante de R$ 9.608.000,24”. As informações do demonstrativo do crédito não confirmado foram detalhadas às fls.118 dos autos, conforme descrito na tabela abaixo: Fl. 267DF CARF MF Processo nº 16692.720252/201613 Acórdão n.º 1401002.656 S1C4T1 Fl. 267 3 Ciente da autuação em 24/06/2016, o interessado apresentou MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE em 20/07/2016 (fls. 123/138), na qual alegou: 1. DA IMPOSSIBILIDADE DE GLOSA DO SALDO NEGATIVO COMPOSTO POR ESTIMATIVAS PENDENTES DE DECISÃO FINAL: Diz que “a impossibilidade do indeferimento do presente pedido de restituição decorre de litispendência com os processos administrativos dos créditos utilizados para compensação das estimativas antecipadas, nos quais nos quais já foram proferidos despachos decisórios e apresentadas as competentes manifestações inconformidade ou ainda se encontram pendentes de análise”.(...) “Observese, ainda, que em relação à inexistência de indicações de processos administrativos dos PERs 21823.84696.190613.1.1.08 2806, 20652.89675.190613.1.1.090352, 16450.66673.201113.1.1.08 9792, 07987.01179.201113.1.1.095299, 11146.74172.201113.1.1.09 5899 e 07560.76019.201113.1.1.086001, cujas respectivas declarações de compensações não foram confirmadas, verificase inexistir razões para os respectivos valores serem glosados”. 2. Segue afirmando, "conforme dispõe o artigo 150, §1º do Código Tributário Nacional, as declarações de compensação realizadas pela Recorrente encontramse extintas. Ora, referido artigo previu o lançamento por homologação, (que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa).” 3. Afirma que “o lançamento por homologação pode ser dissociado em dois momentos distintos: o primeiro é aquele que se refere ao lançamento propriamente dito, em que o sujeito passivo apura a ocorrência do fato gerador e o valor devido, constituindo o crédito tributário; o segundo, por sua vez, é o recolhimento do valor que, justamente, opera a extinção do crédito tributário”. Assim, uma vez que os foram declarados e recolhidos, não há que se falar em possibilidade de glosa, já que é claro o entendimento quanto à consequente extinção do respectivo crédito tributário. “Dessa forma, a análise do presente pedido de restituição fica prejudicada, tendo em vista os argumentos acima, razão pela qual a equipe de fiscalização, ao invés de indeferir de plano o pedido feito pela Recorrente, deveria aguardar o desfecho de todos os recursos apresentados”. 4. Diz que “até que exista decisão que analise definitivamente a validade dos créditos tributários que compuseram as estimativas do ano de 2013, não há o que se falar em indeferimento do saldo negativo, pois tal decisão está vinculada à validação daquela parcela do crédito, que ainda está em discussão em sede administrativa (aguarda julgamento de Manifestação de Inconformidade ou mesmo aguarda análise do pedido)”. “Mesmo que se mantenha a glosa do crédito utilizado na compensação das estimativas indicadas, após julgamento e diligência Fl. 268DF CARF MF 4 fiscal, tal valor compensado por DCOMP será cobrado no respectivo Processo Administrativo”. 5. Nesse sentido, “não cabe glosa de saldo negativo cujas estimativas foram compensadas, pois a confissão de dívida constituída através de DCOMP é suficiente para garantir o pagamento – seja pelo reconhecimento do crédito glosado ou pelo pagamento direto no caso de não reconhecimento”. (...) Descabida a glosa do saldo negativo de IRPJ apurado pela Recorrente durante o ano de 2013, pois o mesmo será reconhecido após o julgamento da manifestação de inconformidade ou será objeto de execução fiscal ou futuro pagamento”. 6. Desta forma, “dúvidas não restam que o saldo negativo de IRPJ, referente ao ano de 2013, deve ser integralmente restituído à Recorrente, uma vez que os valores das estimativas, em algum momento, serão validados, seja através do deferimento dos recursos administrativos interpostos nos respectivos processos onde se discute o crédito compensado, ou através do efetivo pagamento em dinheiro das antecipações após eventual decisão desfavorável”. 7. Requereu a “(i) a não homologação das compensações das estimativas não é fato suficiente para que ocorra glosa do saldo negativo; (ii) ainda está pendente de análise os processos administrativos que compuseram o saldo negativo de IRPJ (parte glosada); (iii) a transmissão de DCOMP é instrumento suficiente para assegurar o direito de recebimento da Receita Federal perante a Recorrente”; 8. Requereu “o recebimento e provimento da presente Manifestação de Inconformidade, com vistas à reforma do despacho decisório, levando ao reconhecimento integral o saldo negativo de IRPJ do exercício de 2014 (ano calendário de 2013), no montante total de R$ 37.367.781,29 (trinta e sete milhões e trezentos e sessenta e sete mil e setecentos e oitenta e um reais e vinte”; 9. Subsidiariamente, “a suspensão deste processo até que haja a decisão final dos processos administrativos dos créditos ou Pedidos de Ressarcimento pendentes de análise, conforme mencionado, utilizados para as compensações com as estimativas que compuseram o saldo negativo analisado nestes autos”. O Acórdão ora Recorrido (1679.353 5ª Turma da DRJ/SPO) recebeu a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2013 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVA COMPENSADA. Fl. 269DF CARF MF Processo nº 16692.720252/201613 Acórdão n.º 1401002.656 S1C4T1 Fl. 268 5 O saldo negativo de IRPJ/CSLL decorrente de estimativa objeto de Declaração de Compensação não homologada, não goza dos atributos de liquidez e certeza, e por conseguinte o pedido de restituição não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Isto porque, segundo entendimento da Turma, “o fato de a compensação declarada constituir confissão de divida, não confere liquidez ao crédito em comento. Isso porque, o regime de estimativa, na verdade, constituise em mera antecipação de tributo eventualmente devido quando da apuração de sua efetiva base imponível, sob forma de lucro real. Assim, se a falta ou insuficiência de pagamento for constatada no curso do anocalendário e os valores não tiverem sido incluídos na DCTF do período correspondente como saldo a pagar, é cabível em procedimento de ofício o lançamento do tributo acrescido de multa de ofício (art. 97, parágrafo único da Lei 8.981/1995)”. (...) “Devido ao conflito existente entre as normas que regulam a exigência e cobrança do IRPJ / CSLL devido por estimativa e o entendimento exposto pela COSIT na SCI nº 18 de 13/10/2006 de que, "na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em D.comp, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ", a própria COSIT por meio da Nota nº 31 de 20/11/2013, consultou a PGFN acerca do procedimento de cobrança da estimativa compensada”. Segundo a turma, o entendimento da PGFN “deixa claro que a exigência do imposto ou contribuição devido por estimativa, objeto de compensação não homologada, esta restrita à parcela utilizada na extinção do IRPJ / CSLL devido no final do ano calendário. Em outras palavras a parcela que compõe o saldo negativo consolidado no encerramento do período de apuração não goza dos atributos de liquidez e certeza. O entendimento de que crédito oriundo de saldo negativo formado por estimativas compensadas pode ser validado para fins de Declaração de Compensação, decorre do fato de que a sua não homologação implica na possibilidade de que o valor do débito que permaneceu em aberto seja exigido em dobro, a saber: (i) no PER/DCOMP em que o débito do IRPJ/CSLL devido por estimativa foi compensado; e, (ii) na exigência da compensação não homologada no PER/DCOMP vinculado ao saldo negativo pertinente à estimativa não confirmada”. Concluiuse pela improcedência da Manifestação de Inconformidade apresentada para manter em sua totalidade, o crédito indicado no PER/DCOMP nº 03968.57512.030714.1.2.020045, transmitido com o objetivo de solicitar a restituição do montante de R$ 37.367.781,29, correspondente ao saldo negativo de IRPJ apurado no ano calendário de 2013. Ciente da decisão do Acórdão, o contribuinte interpõe Recurso Voluntário em 18/09/2017 (fls. 236/250), alegando seguintes as razões: 1. DO PAGAMENTO DAS ESTIMATIVAS MEDIANTE COMPENSAÇÃO: Diz que “a Recorrente efetuou pagamentos do IRPJ/CSLL por estimativa, mediante declarações de compensação. Fl. 270DF CARF MF 6 No entanto, o despacho decisório indeferiu parte da restituição requerida com o argumento de que certas D.COMPs ainda se encontram pendentes de análise pela Receita Federal”. 2. Diz que “Esse é um dos motivos pelo qual se atribui à compensação realizada a condição resolutória (§ 2º do art. 74, Lei nº 9.430/96), que nada mais é, do que a extinção imediata do crédito tributário confessado e compensado, até que haja a sua homologação expressa ou tácita, isto é, a compensação realizada, a quitação do valor confessado, é imediata, não podendo ser objeto de alegação por parte do Fisco de falta de pagamento ou ausência de liquidez e certeza, enquanto não homologada a D.Comp”. 3. Afirma que “o artigo 17 da Lei nº 10.833/2003, assevera que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. E que, a DCTF é meio hábil para a constituição do crédito tributário, conforme reiterada jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça”. 4. Diz que “O texto é claro no sentido de prever que a compensação é forma de extinção do crédito tributário, como, aliás, não poderia deixar de ser, em face do texto do artigo 156, II do CTN. Dessa forma, assim como ocorre no caso de pagamento antecipado dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a compensação validamente realizada extingue o crédito tributário para todos os fins, a despeito de o fisco poder desconsiderala no futuro”. (...) Isso ocorre porque, “nos termos do § 2º, do art. 74 da Lei n° 9.430/96, a compensação se equipara ao pagamento, sob condição resolutória de ulterior homologação, ou seja, a quitação é imediata e o Fisco dispõe do prazo de cinco anos, contados da entrega da declaração, para manifestarse sobre a compensação”. 5. E que, “uma vez quitadas às estimativas em decorrência de procedimentos compensatórios, não há outra solução senão o cômputo para fins de apuração do saldo negativo do IRPJ/CSLL, sem prejuízo de cobrança com acréscimos legais do crédito pleiteado no PER/DCOMP, na hipótese de ausência de homologação”. 6. Por fim, aduz que “em caso de não homologação da compensação declarada caberá ao contribuinte à apresentação de manifestação de inconformidade perante a Delegacia de Julgamento da Receita Federal, permanecendo o crédito tributário suspenso até o trânsito em julgado do processo administrativo, pelo que no seu final a confirmação ou não da decisão, pelo CARF, implicará em: (i) Procedência do recurso do contribuinte, com a confirmação do seu direito creditório; ou (ii) Improcedência do recurso do contribuinte, que assim terá que quitar o crédito tributário, com todos os acréscimos dos encargos pertinentes”. 7. Considerou que “admitir que só as compensações homologadas podem compor o crédito resultante no saldo negativo é negar a extinção imediata do crédito tributário, efeito direto da compensação, Fl. 271DF CARF MF Processo nº 16692.720252/201613 Acórdão n.º 1401002.656 S1C4T1 Fl. 269 7 independentemente de sua homologação; Mas o mais relevante de tudo é que, aceitar o procedimento do despacho decisório, é rasgar o devido processo legal, pois a lei estabelece um modus operandi para cobrança de compensações não homologadas, não podendo, de um lado, não homologar a compensação e cobrar o débito então compensado e ao mesmo tempo reduzir o crédito tributário originário desta quitação”. 8. E que “decorre da disposição legal que, tendo o Fisco apurado alguma inconsistência na declaração de compensação apresentada pelo contribuinte, este terá a oportunidade de manifestar seu inconformismo, e caso seja mantida a exigência, os débitos indevidamente compensados serão exigidos com acréscimos legais e, em última circunstância, inscritos em dívida ativa”; 9. Por fim, afirma que “na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em D.Comp, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ [Solução de Consulta Interna Cosit nº 18, de 13 de outubro de 2006] e Parecer PGFN/CAT n. 88/2014”. 10. Requereu o julgamento procedente do presente recurso, para reconhecer na sua totalidade o direito creditório da Recorrente. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Daniel Ribeiro Silva Relator. Observo que as referências a fls. feitas no decorrer deste voto se referem ao eprocesso. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. O cerne da discussão está no indeferimento do pedido de restituição de saldo negativo pleiteado pelo Recorrente, o qual, na sua apuração, levou em consideração a quitação do pagamento das estimativas por meio de compensações com outros créditos. Tendo em vista que parte das compensações não foram homologadas ou ainda não apreciadas, a DRJ manteve o entendimento de que não deveria ter sido reconhecida a integralidade do crédito pleiteado. Da análise dos autos entendo assistir razão ao Recorrente. Em relação às estimativas compensadas em outros processos, estas deverão ser consideradas no limite dos valores que tiveram a compensação requerida vez que, estando Fl. 272DF CARF MF 8 os débitos controlados no processo, conforme pudemos comprovar, mesmo que a compensação ao final não seja integralmente homologada, a empresa será cobrada e executada do saldo de débitos não compensados. Indeferir a restituição do saldo negativo apurado com levando em consideração as referidas compensações e, ao mesmo tempo, exigir do contribuinte nos referidos processos de cobrança as estimativas não pagas (em razão do indeferimento da compensação), tem como conseqüência exigir do contribuinte o mesmo crédito duas vezes. E caso sobrevenha decisão definitiva desfavorável ao contribuinte, ainda assim o débito de estimativa será objeto de cobrança em procedimento específico e poderá ser normalmente executado, não impedindo sua inclusão para efeitos de saldo negativo. A negativa do cômputo das estimativas no saldo negativo apurado no ano causaria o enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional, pois ao mesmo tempo em que o fisco exige o seu pagamento nos autos dos processos de compensação, também ora impede a sua utilização. Este entendimento decorre do fato de a Declaração de Compensação apresentada pelo contribuinte constituir em confissão de débitos, na forma das normas do art. 74, da Lei nº 9.430/96. Assim, mesmo não homologada a compensação do débito da estimativa que compôs o crédito do processo, aquele débito será objeto de cobrança administrativa e/ou judicial. Por esta razão, impedir a utilização da estimativa em processo subsequente enquanto é mantida a cobrança do débito não compensado no processo anterior implicaria em prejuízo duplo ao contribuinte. Primeiro porque seria obrigado a pagar a estimativa não compensada integralmente. Segundo porque veria este valor não compensado ser excluído da composição do crédito. Assim, para evitar prejuízos ao contribuinte, haja vista que a ação de cobrança da Fazenda Nacional quanto à estimativa não compensada é perfeitamente legal, há de se admitir a utilização dos débitos de estimativa compensados em Declaração de Compensação, mesmo que a compensação não tenha sido homologada, posto que o pressuposto é que os débitos deverão ser cobrados posteriormente, de modo a evitar prejuízos ao particular e encerrar a análise dos processos de compensação posteriores que, de outra forma, permaneceriam pendentes até a conclusão de todos os procedimentos de cobrança. Desta forma, sendo obrigatoriamente pagos os débitos naquele processo, as estimativas nele controladas devem ser consideradas para fins de composição dos créditos neste processo. Os demais valores de retenção na fonte e de pagamentos foram obtidos diretamente do já aceito pela decisão da Delegacia de Origem. Outrossim, também entendo que é isso o que determina a interpretação do (§ 2º do art. 74, Lei nº 9.430/96, em que, seguindo o que dispõe do CTN, atribui à compensação os efeitos de extinção do crédito sob condição resolutória, o que nada mais é, do que a extinção imediata do crédito tributário confessado e compensado, até que haja a sua homologação expressa ou tácita, isto é, a compensação realizada, a quitação do valor confessado. Caso a compensação não seja homologada, total ou parcialmente, caberá ao Fisco o direito de execução imediata do valor devidamente confessado. Se assim não fosse, em casos como o da Recorrente, em que estimativas foram compensadas, a apuração de eventual saldo negativo sempre restaria prejudicada, até que o pedido de compensação fosse efetivamente analisado. Certamente não foi essa a intenção do Fl. 273DF CARF MF Processo nº 16692.720252/201613 Acórdão n.º 1401002.656 S1C4T1 Fl. 270 9 legislador ao estabelecer o procedimento para realização de compensação de débitos tributários federais, visando dar agilidade mas, ao mesmo tempo, garantindo ao Fisco a segurança de que caso a compensação não fosse homologada restaria assegurado o seu direito à cobrança. Outrossim, como demonstrado no relatório, através de tabela extraída do Acórdão Recorrido, todos os pedidos de compensação ainda não confirmados encontramse devidamente controlados pelos seus respectivos processos administrativos. Além da decisão já citada do nobre colega desta TO, o CARF, aliás, vem se posicionando sobre a necessidade de inclusão de estimativa compensada, ainda que esta não tenha sido homologada, no cálculo do saldo negativo, justamente para evitar a dupla cobrança do mesmo crédito tributário. Vejase, a título exemplificativo, as ementas dos julgados abaixo: “COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. APROVEITAMENTO DE SALDO NEGATIVO COMPOSTO POR COMPENSAÇÕES ANTERIORES. POSSIBILIDADE. A compensação regularmente declarada, tem o efeito de extinguir o crédito tributário, equivalendo ao pagamento para todos os fins, inclusive, para fins de composição de saldo negativo. Na hipótese de não homologação da compensação que compõe o saldo negativo, a Fazenda poderá exigir o débito compensado pelas vias ordinárias, através de Execução Fiscal. A glosa do saldo negativo utilizado pela ora Recorrente acarreta cobrança em duplicidade do mesmo débito, tendo em vista que, de um lado terá prosseguimento a cobrança do débito decorrente da estimativa de IRPJ não homologada, e, de outro, haverá a redução do saldo negativo gerando outro débito com a mesma origem”. (Acórdão 1201001.054 – 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, Relator Luis Fabiano Alves Penteado, Sessão de 30/07/2014). “DIREITO CREDITÓRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DÉBITOS COM CRÉDITOS DE PERÍODOS ANTERIORES. DUPLA COBRANÇA. A compensação regularmente declarada extingue o crédito tributário, equivalendo ao pagamento para todos os fins, inclusive a composição do saldo negativo. Glosar o saldo negativo quando este for composto por estimativas quitadas por compensação não homologada implica dupla cobrança do mesmo crédito tributário. Mesmo que haja decisão administrativa não homologando a compensação de um débito de estimativa essa parcela deverá ser considerada para fins de composição do saldo negativo”. (Acórdão nº 1803002.353 – 3ª Turma Especial, Relator Arthur Jose Andre Neto, Sessão de 23/09/2014). Em julgado mais recente, a CSRF adotou semelhante posição, conforme atesta o julgado abaixo: Fl. 274DF CARF MF 10 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário:2004 COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). (Acórdão n. 9101002.489. Dj 06/12/2016). Assim, face ao exposto, voto pelo provimento do Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 275DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.722865/2015-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/2010 a 21/07/2015
ZONA FRANCA DE MANAUS. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ARBITRAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Não restando demonstrado que os documentos e esclarecimentos apresentados pelos contribuinte não mereçam fé, bem como não se vislumbrando que a interessada tenha sido omissa na prestação de informações nas respostas aos termos de intimação formulados quanto aos aspectos quantitativos e qualitativos dos insumos importados e registrados nos Demonstrativos do Coeficiente de Redução - Eletrônico, inaplicável o critério de arbitramento previsto no artigo 148, do CTN.
Numero da decisão: 3302-005.593
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/08/2010 a 21/07/2015 ZONA FRANCA DE MANAUS. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ARBITRAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não restando demonstrado que os documentos e esclarecimentos apresentados pelos contribuinte não mereçam fé, bem como não se vislumbrando que a interessada tenha sido omissa na prestação de informações nas respostas aos termos de intimação formulados quanto aos aspectos quantitativos e qualitativos dos insumos importados e registrados nos Demonstrativos do Coeficiente de Redução - Eletrônico, inaplicável o critério de arbitramento previsto no artigo 148, do CTN.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 16 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10283.722865/2015-40
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5878093
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3302-005.593
nome_arquivo_s : Decisao_10283722865201540.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : WALKER ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 10283722865201540_5878093.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
id : 7359452
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:21:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050586135396352
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1590; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.722865/201540 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 3302005.593 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de junho de 2018 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado VIDEOLARINNOVA S/A ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2010 a 21/07/2015 ZONA FRANCA DE MANAUS. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ARBITRAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não restando demonstrado que os documentos e esclarecimentos apresentados pelos contribuinte não mereçam fé, bem como não se vislumbrando que a interessada tenha sido omissa na prestação de informações nas respostas aos termos de intimação formulados quanto aos aspectos quantitativos e qualitativos dos insumos importados e registrados nos Demonstrativos do Coeficiente de Redução Eletrônico, inaplicável o critério de arbitramento previsto no artigo 148, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 28 65 /2 01 5- 40 Fl. 624DF CARF MF 2 Relatório Por bem retratar a realidade dos fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão de piso proferida 1ª Turma da DRJ/FNS: Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 33.959.788,76, referentes a imposto de importação, multa proporcional qualificada (112,5%) e juros de mora (calculados até 30/06/2015) em face de revisão das Declarações para Controle de Internação (DCI) registradas no período fiscalizado e vinculadas aos Demonstrativos do Coeficiente de Redução – Eletrônico (DCRE) n° 2009/06010 e 2009/06011. Segundo a fiscalização, a soma da proporção/quantidade de cada insumo que compõe os produtos dos dois Demonstrativos do Coeficiente de Redução – Eletrônico é inferior a 1; não foi realizada atualização dos preços dos insumos constantes de tais demonstrativos; insumos que são importados constam destes demonstrativos como sendo de origem nacional; há erro na conversão do preço por unidade de medida comercializada na importação para a unidade de medida utilizada nos demonstrativos. Relativamente às Declarações para Controle de Internação, a fiscalização informa que não houve atualização das alíquotas do imposto de importação para as alíquotas das datas vigentes no registro das mesmas. Segundo o explicitado no “Relatório de Fiscalização Aduaneira EQFIA/ALF/MNS n° 16, de 22 de julho de 2015” (fls. 31 a 56), a autuada utiliza, para as internações que realiza, Declarações para Controle de Internação na modalidade mensal e, como coeficiente de redução do imposto de importação, o coeficiente fixo de 88%. Considerando que o lançamento tributário só poderia ser realizado após o registro das Declarações para Controle de Internação, a fiscalização concluiu que o prazo decadencial aplicado ao caso deve ser contado tendo por base o registro de tais declarações. Informando que apesar de terem sido realizadas duas intimações (com vistas a alcançar esclarecimentos relacionados aos insumos importados que compõem ou acompanham o produto internado e, também, à exata proporção ou participação de cada insumo na composição do produto final) o contribuinte não respondeu adequadamente o pretendido, a autoridade aduz que aplicou o disposto no artigo 148 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional – CTN), arbitrando: tanto a quantidade informada na composição dos insumos importados declarados nos Demonstrativos do Coeficiente de Redução – Eletrônico (DCRE) n° 2009/06010 e 2009/06011, para que sua soma seja igual a 1 (procedimento descrito a folhas 47 e 48); quanto a própria composição dos insumos (importados x nacionais) registrados nos demonstrativos – inclusão de insumos originalmente declarados como a serem adquiridos no mercado interno para a categoria de insumos importados. A partir do arbitramento acima indicado, e com base nas variações dos valores aduaneiros dos insumos importados, e também variação das alíquotas e taxas de câmbio, a fiscalização recalculou o valor do imposto de importação reduzido, concluindo então que a autuada havia recolhido a menor o imposto de importação devido em face das internações realizadas, como apontam os diversos documentos e Anexos produzidos para fins de demonstração dos cálculos realizados (fls. 131 a 453). Fl. 625DF CARF MF Processo nº 10283.722865/201540 Acórdão n.º 3302005.593 S3C3T2 Fl. 3 3 A autoridade aponta que não houve atendimento às intimações que objetivavam atestar a correta proporção de cada insumo na composição dos produtos industrializados, identificar se todos os insumos que de fato compõem ou acompanham o produto estavam declarados nos Demonstrativos do Coeficiente de Redução – Eletrônico e identificar suas origens. A fiscalização aplicou, em outro auto de infração (processo administrativo fiscal n° 10283.722812/201529) a multa por embaraço à fiscalização. No presente processo foi autuada a multa de 75% sobre a diferença não recolhida, agravada pela metade em face do contribuinte não prestar esclarecimentos no prazo previsto na intimação. Também informa que o procedimento fiscal acarretou a aplicação de penalidade de suspensão da habilitação para o procedimento simplificado de internação (fl. 56): Não obstante, suspendese a habilitação do sujeito passivo para o procedimento simplificado de internação e determinase que este proceda com o rito ordinário de internação a partir da data da ciência deste auto de infração, sob pena de responsabilidade diante das infrações previstas em Lei. ...(Grifos acrescidos) Cientificada, a interessada apresentou impugnação de folhas 525 a 553, anexando os documentos de folhas 554 a 566 (documentos em formato digital). Em síntese, traz as seguintes alegações: Que, há nulidade em razão da aplicação do método de arbitramento, o ato é ilegal e arbitrário. As intimações exigiam apenas informações atinentes aos anos de 2012 e 2013, não foram exigidos documentos dos demais anos autuados (2010, 2011, 2014 e 2015); Que, os DCRsE foram tidos como incorretos, o que é um verdadeiro contra senso. Os critérios utilizados não estão previstos em lei. Em nenhum momento a idoneidade dos documentos apresentados foi colocada em xeque; Que, houve cobrança em duplicidade dos meses de agosto a dezembro de 2010; Que, a decadência deve ser contada do registro das declarações de importação e não das Declarações para Controle de Internação; Que, o cálculo é errôneo, incabível o arbitramento, no máximo poderia a autoridade recalcular fidedignamente o valor do imposto e exigir a diferença que deixou de ser recolhida quando das internações; Que, se os insumos dos demonstrativos estavam errados, a fiscalização não poderia utilizar como base para o arbitramento, é incabível. Deveria ter sido captado informações junto à SUFRAMA (insumos que fazem parte do processo básico aprovado); Que, apresenta exemplos de cálculos para demonstrar o equívoco da fiscalização; Que, a título exemplificativo apresenta notas fiscais que comprovam a aquisição no mercado nacional de parte da “Borracha Sintética de Polibutadieno”; Fl. 626DF CARF MF 4 Que, a fiscalização não levou em conta as variações de preço a menor; Que, ausente a conduta que justifique o agravamento da multa de ofício. Não houve máfé, não houve negativa de apresentação de documentos, mas sim prazo insuficiente concedido pela própria autoridade; Que, requer diligência para demonstrar que o cálculo realizado pela fiscalização alcançou um imposto muito superior ao eventualmente devido pela Impugnante; Requer seja julgado procedente a impugnação, reconhecida a nulidade do auto de infração, cancelada integralmente a autuação, rechaçando a exigência do imposto, inclusive juros e multa de ofício agravada. Alternativamente, seja determinada a realização de perícia e/ou diligência fiscal. A decisão de primeiro grau julgou, por unanimidade de votos, procedente a impugnação, cancelando o crédito tributário exigido, conforme se verifica na ementa abaixo sintetizada, senão vejamos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2010 a 21/07/2015 ZONA FRANCA DE MANAUS. INCENTIVOS FISCAIS. DEMONSTRATIVO DE COEFICIENTE DE REDUÇÃO DCRE. INSUMOS. ARBITRAMENTO. O arbitramento, tanto dos componentes que compõem determinado produto industrializado (aspecto qualitativo dos insumos), quanto das quantias necessárias a produção de tal produto (aspecto quantitativo dos insumos), não pode ser levado adiante sem a devida sustentação probatória e legal. É ônus do Fisco instruir o auto de infração com todos os elementos de prova dos fatos constituintes do direito da Fazenda. Exonerado crédito superior ao limite de alçada, recorrese de ofício ao Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos do artigo 1º, da Portaria MF nº, de 03 de janeiro de 2008, vigente à época do julgamento do processo em primeira instância administrativa. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator Nos termos do artigo 1º, da Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017, haverá recurso de ofício sempre a decisão de primeiro grau exonerar o contribuinte do pagamento de tributos e encargos da multa, em valor superior a R$ 2.500.000,001. 1 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. Fl. 627DF CARF MF Processo nº 10283.722865/201540 Acórdão n.º 3302005.593 S3C3T2 Fl. 4 5 No presente caso, o recurso de ofício deve ser conhecido, considerando que o crédito exonerado pela decisão "a quo" perfaz o montante originário de R$ 33.959.788,76. Pois bem. Dispõe os artigos 50, §1º, e 64, da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. *** Art. 64. O órgão competente para decidir o recurso poderá confirmar, modificar, anular ou revogar, total ou parcialmente, a decisão recorrida, se a matéria for de sua competência. Com base nas normas anteriormente citadas, adoto como fundamento de decidir as razões apresentadas pelo i. julgador de piso, o que peço vênia para reproduzir: Pois bem, entre as diversas alegações apresentadas pela interessada em suas peças de defesa, há uma alegação cujo teor, como se verá adiante, é suficientemente forte para que seja de pronto analisado, posto que, em verdade acaba por fulminar o lançamento combatido logo em sua origem, fato este que torna a analise dos demais argumentos apresentados pela interessada prescindível à solução da lide que se apresenta. Depreendese da análise do processo, que os fatos controversos decorrem, em sua grande maioria, do procedimento de arbitramento relacionado à composição dos insumos (aspectos qualitativos relacionados a origem: importados ou nacionais e, aspectos quantitativos) indicados nos Demonstrativos do Coeficiente de Redução – Eletrônico (DCRE) n° 2009/06010 e 2009/06011 utilizados pela interessada com vistas a usufruir o direito a redução do imposto de importação devido em razão da internação de produtos industrializados na Zona Franca de Manaus (ZFM) que contenham em sua composição matériasprimas ou insumos importados. Decreto Lei n° 288/67, artigo 7º: Art. 7° Os produtos industrializados na Zona Franca de Manaus, salvo os bens de informática e os veículos automóveis, tratores e outros veículos terrestres, suas partes e peças, excluídos os das posições 8711 a 8714 da Tarifa Aduaneira do Brasil (TAB), e respectivas partes e peças, quando dela saírem para qualquer ponto do Território Nacional, estarão sujeitos à exigibilidade do Imposto sobre Importação relativo a matériasprimas, produtos intermediários, materiais secundários e de embalagem, componentes e outros insumos de origem estrangeira neles empregados, calculado o tributo mediante coeficiente de redução de sua alíquota ad valorem, na conformidade do § 1° deste artigo, desde que atendam nível de industrialização local compatível com processo produtivo básico para produtos compreendidos na mesma posição e subposição da Tarifa Aduaneira do Brasil (TAB). § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Fl. 628DF CARF MF 6 ... § 4° Para os produtos industrializados na Zona Franca de Manaus, salvo os bens de informática e os veículos automóveis, tratores e outros veículos terrestres, suas partes e peças, excluídos os das posições 8711 a 8714 da Tarifa Aduaneira do Brasil (TAB), cujos projetos tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da Suframa até 31 de março de 1991 ou para seus congêneres ou similares, compreendidos na mesma posição e subposição da Tarifa Aduaneira do Brasil (TAB), constantes de projetos que venham a ser aprovados, no prazo de que trata o art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, a redução de que trata o caput deste artigo será de oitenta e oito por cento.(Parágrafo incluído pela Lei nº 8.387, de 30.12.91) ...(Grifos acrescidos) A Instrução Normativa SRF n° 17/2001, em seu artigo 3°, informa quais os elementos que devem ser informados com vistas a apurar o imposto de importação reduzido (devido na internação) para o produto industrializado: Art. 3º Para efeito de apuração do coeficiente de redução do imposto de importação serão considerados como custos da unidade de mercadoria osseguintes elementos: I na hipótese de apuração do coeficiente de redução variável: a)custo dos componentes nacionais (CCN): o preço de aquisição mais recente de matériasprimas, produtos intermediários e materiais secundários e de embalagem, de origem nacional, registrado nas respectivas notas fiscais, convertido em dólar dos Estados Unidos pela taxa de câmbio vigente à data de emissão desses documentos; b)custo dos componentes importados (CCI): o valor aduaneiro de aquisição mais recente de matériasprimas, produtos intermediários e materiais secundários e de embalagem, de origem estrangeira, em dólar dos Estados Unidos constante da respectiva Declaração de Importação (DI); c)quantidade dos componentes: a quantidade estimada com base na composição média empregada na produção da mercadoria nos três meses anteriores à apresentação do DCRE; d)custo da mãodeobra (CMO): o custo da mãodeobra, apropriado nos três meses anteriores à apuração, compreendendo os salários despendidos com o pessoal empregado como mãodeobra direta no processo produtivo para a fabricação de uma unidade, incluídos os encargos trabalhistas e sociais, convertido em dólar dos Estados Unidos pela taxa de câmbio média do trimestre considerado; II na hipótese de utilização do coeficiente de redução fixo, serão computados somente os elementos constantes das alíneas "b" e "c" do inciso I deste artigo. § 1º Incluemse no CCI: I os insumos de origem estrangeira adquiridos no mercado interno: a)importados por qualquer ponto do território nacional; b)admitidos no país com os benefícios do Decretoleino288, de 1967, para efeito de apuração do valor do imposto de importação por unidade de mercadoria; Fl. 629DF CARF MF Processo nº 10283.722865/201540 Acórdão n.º 3302005.593 S3C3T2 Fl. 5 7 II os insumos importados empregados na industrialização de produto que, por sua vez, sejam utilizados como insumos por empresa coligada à empresa fornecedora, de acordo com projeto aprovado com processo produtivo básico (PPB), na industrialização de produto na ZFM. ...(Grifos acrescidos) E, quanto à vigência e retificação do Demonstrativo do Coeficiente de Redução – Eletrônico, o artigo 5º da Instrução Normativa SRF n° 17/2001 assim dispõe: Art. 5º O DCRE deve ser apresentado por produto industrializado, com a indicação do respectivo código na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), especificação do modelo, tipo e demais características, conforme estabelecido no art. 316, inciso IV, alíneas "a" e "b", do Ripi/1998, por estabelecimento industrial interessado em internar produto, com projeto aprovado pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) e cujo PPB esteja definido nos termos do§ 6odo art. 7odo Decretolei no288, de 1967, com a redação dada pela Leino8.387, de 1991. Parágrafo único.O estabelecimento poderá apresentar um único DCRE para vários modelos de produto classificados no mesmo código NCM, desde que possuam a mesma composição de custos e o mesmo valor do imposto de importação por unidade de mercadoria. Art. 6º O DCRE vigorará por prazo indeterminado ou até o início da vigência daquele que o substituir. § 1º Considerase registrado o DCRE após a conclusão de sua análise eletrônica sem erros, cujo resultado ficará disponível por até quinze dias para consulta na Internet. § 2º O resultado da análise eletrônica e o número de registro do DCRE serão obtidos pelo interessado na página da SRF na Internet, mediante informação do correspondente protocolo de transmissão para análise. § 3º A vigência do DCRE terá início no segundo dia subseqüente ao registro definitivo, não amparando internações realizadas anteriormente. § 4º O estabelecimento industrial deverá apresentar retificação das informações prestadas no DCRE sempre que a situação o exija, desde que não implique alteração do valor aduaneiro, classificação fiscal ou outro elemento que modifique o valor do imposto de importação do produto. § 5º A retificação do DCRE terá efeito retroativo à data do registro do demonstrativo a que se refere, aplicandose, para o seu registro, o disposto nos§§ 1º e 2º deste artigo. § 6º O estabelecimento industrial deverá apresentar a substituição do DCR E, desde que não implique alteração da classificação fiscal do produto, quando: I ocorrer variação superior a dez por cento no valor do imposto de importação por unidade de mercadoria; II houver alteração na composição do produto. § 7º No caso de ocorrer variação a menor do imposto de importação, o estabelecimento industrial poderá apresentar a substituição do DCRE. Fl. 630DF CARF MF 8 § 8º A substituição do DCRE terá efeito a partir do seu registro, aplicandose o disposto nos §§ 1oe 2odeste artigo. ...(Grifos acrescidos) A fiscalização, em seu “Relatório de Fiscalização Aduaneira EQFIA/ALF/MNS n° 16, de 22 de julho de 2015”, informa que se viu obrigada a realizar o procedimento de arbitramento previsto no artigo 148 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional – CTN) face a ausência de respostas por parte da interessada: Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. ...(Grifos acrescidos) A autoridade fiscal assim informou (fl. 44): Diante de todo o exposto, resta claro que para saber de forma precisa o montante do imposto de importação devido na internação é necessário saber quais são todos os insumos importados que compõem ou acompanham o produto internado. Digo acompanham, pois na definição de CCI são incluídos “matérias primas, produtos intermediários e materiais secundários e de embalagem, de origem estrangeira” por expressa previsão do artigo 3º, inciso I, alínea “b” da IN SRF nº. 17/2001. Além disso, também é necessário saber a exata proporção ou participação de cada insumo na composição do produto final, o que justifica o disposto na alínea “c” do mesmo dispositivo legal. Foram feitas duas intimações no sentido de se alcançar os esclarecimentos relativos às questões expostas acima, sem, no entanto, obter o sucesso necessário. Segundo o artigo... ...(Grifos acrescidos) E mais adiante citou os questionamentos realizados (fls. 45 e 46): Na intimação constante do Termo de Início EQFIA/ALF/MNS nº 011/2015: “6. Informar quais foram os insumos importados pela empresa utilizados no processo de industrialização dos produtos constantes nas DCI’s registradas em 2012 e 2013.” “7. Informar se houve compra de insumos no mercado nacional. Em caso positivo, relacionar as Notas Fiscais de entrada desses insumos de origem nacional com os insumos constantes nas DCR’s que foram referência para as DCI’s registradas em 2012 e 2013.” No Termo de Reintimação – EQFIA/ALF/MNS nº 024/2015: “1. Na intimação anterior, quando questionado sobre quais foram os insumos importados pela empresa utilizados no processo de industrialização dos produtos constantes nas DCI’s registradas em 2012 e 2013, a empresa se limitou a apresentar os DCRs, informando que os insumos importados são os mesmos descritos nos DCRs 2009/06010 e 2009/06011. No entanto, não foram importados Fl. 631DF CARF MF Processo nº 10283.722865/201540 Acórdão n.º 3302005.593 S3C3T2 Fl. 6 9 apenas os insumos constantes nos DCRs. Podemos citar outros insumos importados, por exemplo: ANTIOXIDANTE DE PROPIONATO DE OCTADECILA, OLEO DE PARAFINA, ETILBENZENO, PIGMENTO ORGANICO EM PO e ALUMINA ATIVADA. Esclarecer porque eles não foram informados na intimação anterior e porque esses produtos não constam nos DCRs utilizados pela empresa. ” “2. Confirmar se os insumos comprados no mercado nacional correspondem ao que está nos DCRs, já que, aparentemente, como houve divergência nas importações com os DCRs, apontadas no item 1 acima, pode haver também nos insumos nacionais.” “4. Explicar do que se trata as letras que constam após o hífen nas descrições dos produtos industrializados. A título de exemplo segue a descrição do produto: POLIESTIRENO VIDEOLAR GPPS 535OSB. O que significa, nesse caso, as letras OSB e, principalmente, se essas diferentes especificações de produtos implicam na diferença de insumos utilizados ou mesmo nas proporções da composição do produto entre os insumos. ” ... (Grifos acrescidos) Como se observa acima, a fiscalização, no “Termo de Início EQFIA/ALF/MNS nº 011/2015” questionou quais foram os insumos importados pela empresa utilizados no processo de industrialização dos produtos constantes nas DCI’s registradas em 2012 e 2013, e, a interessada respondeu (conforme consignado pela própria fiscalização no “Termo de Reintimação – EQFIA/ALF/MNS nº 024/2015”) informando que os insumos importados são os mesmos descritos nos demonstrativos que apresentou. Referidos questionamentos em nenhum momento fazem qualquer referência à exata proporção ou participação de cada insumo na composição do produto final. A pergunta estava relacionada objetivamente a aspectos qualitativos (quais foram os insumos importados) e não quantitativos, portanto há que se registrar que não se vislumbra a esquiva ou omissão da interessada em esclarecer as dúvidas da fiscalização no que tange aos aspectos quantitativos, isto porque não houve a intimação para tanto. Se havia dúvidas quanto às quantidades de cada um dos insumos importados que compõem o produto final, haveria que se questionar tal fato objetivamente à interessada, o que segundo os documentos acostados aos autos não aconteceu. Também se depreende das informações acima que, ao ratificar as informações (quais insumos importados e nacionais) prestadas nos Demonstrativos do Coeficiente de Redução – Eletrônico (DCRE) n° 2009/06010 e 2009/06011 a interessada confirmou que, para o produto que industrializa, utiliza especificamente determinados insumos com origem estrangeira e determinados insumos com origem nacional. Por outro lado, analisando os demais documentos acostados aos autos pela fiscalização (fls. 57 a 507) não se logrou encontrar qualquer outro termo de intimação que apresentasse exigências aptas a fundamentar o procedimento adotado. Como se observa do texto legal do artigo 148 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional – CTN), no caso concreto não se vislumbra que a interessada tenha sido omissa na prestação de informações nas respostas aos termos de Fl. 632DF CARF MF 10 intimação formulados quanto aos citados aspectos quantitativos e qualitativos dos insumos importados e registrados nos Demonstrativos do Coeficiente de Redução – Eletrônico. Também não restou demonstrado que os documentos e esclarecimentos apresentados não mereçam fé (não há razoabilidade em exigir informação que não foi requerida). Mas, para além dos requisitos acima indicados como ausentes, o dispositivo legal permite apenas o arbitramento de valor ou preço. No caso concreto a autoridade fiscal acabou por arbitrar a própria composição do produto industrializado (quantidade e qualidade de insumos). No ver deste Relator o procedimento foi equivocado. Primeiro, não houve a intimação objetiva para prestar esclarecimentos dos aspectos posteriormente arbitrados. Segundo, ainda que se pudesse ter por certa referida intimação e, a resposta apresentada não fosse a contento, deveria então, face aos aspectos eminentemente técnicos (composição quantitativa e qualitativa dos insumos que compõem o produto industrializado), a fiscalização, ter buscado auxílio de um assistente técnico devidamente credenciado junto à repartição aduaneira para que este emitisse laudo a respeito das dúvidas então existentes. Os insumos que compõem um determinado produto não podem ser alvo de arbitramento realizado pela própria autoridade fiscal, devem ser primeiramente apresentados pelo próprio fabricante e, num segundo momento, se persistirem dúvidas, retificados ou ratificados por um assistente técnico devidamente credenciado. A matéria é eminentemente técnica. A conclusão é de que o arbitramento levado a efeito pela autoridade fiscal não encontra amparo no dispositivo legal invocado para tanto, vez que o arbitramento não foi de valor ou preço, mas sim da própria composição qualitativa e quantitativa do produto industrializado. Aqui é importante fazer um esclarecimento. Em face de a interessada ter realizado importação de mercadorias com as mesmas descrições dos insumos nacionais a fiscalização vislumbrou a hipótese de tais mercadorias (estrangeiras) estarem sendo utilizadas na fabricação do produto industrializado objeto de internação. Ocorre que, embora tal fato possa, em tese, até estar ocorrendo (não provado nos autos), a inclusão destas mercadorias estrangeiras (arbitramento realizado) nos Demonstrativos do Coeficiente de Redução – Eletrônico acabam por conceder, de ofício, redução de tributo a mercadoria que não fora objeto de concessão originalmente. Em outras palavras, as mercadorias importadas (insumos), se internadas sem que estejam vinculadas a determinado Demonstrativo do Coeficiente de Redução – Eletrônico (isto é vinculadas a um produto industrializado na Zona Franca de Manaus – ZFM) devem ser tributadas sem qualquer coeficiente de redução de imposto conforme preconiza o artigo 6º do DecretoLei n° 288/67: Art 6º As mercadorias de origem estrangeira estocadas na Zona Franca, quando saírem desta para comercialização em qualquer ponto do território nacional, ficam sujeitas ao pagamento de todos os impostos de uma importação do exterior, a não ser nos casos de isenção prevista em legislação específica. Assim, a inclusão de insumos estrangeiros no Demonstrativo do Coeficiente de Redução – Eletrônico é interesse do importador que poderá, conforme determina a legislação, comprovar o direito de redução do imposto de importação devido no momento da internação do produto industrializado. Se o próprio importador afirma que não irá utilizar determinado insumo estrangeiro na produção de uma mercadoria por ele produzida, a ele caberá o ônus de recolher o imposto de importação devido, sem qualquer redução, se realizar a internação deste mesmo insumo. Fl. 633DF CARF MF Processo nº 10283.722865/201540 Acórdão n.º 3302005.593 S3C3T2 Fl. 7 11 Logo, o importador não poderá se beneficiar diretamente do direito de redução de imposto de importação de um insumo nas internações vinculadas ao produto industrializado se não houver expressamente consignado a sua existência no Demonstrativo do Coeficiente de Redução – Eletrônico. Tal mercadoria importada (insumo) se não encontrada nos estoques da industria (e internada no País) deve ser normalmente tributada, portanto a inclusão de ofício (arbitramento) destas mercadorias estrangeiras (insumos) no Demonstrativo do Coeficiente de Redução – Eletrônico, apenas em face da existência de importação de mercadorias da mesma espécie ou da não comprovação de aquisição no mercado interno, não pode ser tida por correta, deve tal procedimento ser afastado. No mesmo sentido, o arbitramento quantitativo dos insumos importados (realizados pela própria autoridade fiscal para que sua soma alcançasse o número 1) acabou por aumentar a quantidade de mercadorias estrangeiras beneficiadas com a redução do imposto de importação no momento da internação do produto industrializado. Tal fato, como o da inclusão de outros insumos anteriormente descritos, acaba por conceder, de ofício, benefício a uma quantidade maior de mercadorias (insumos estrangeiros) do que aquela inicialmente solicitada/indicada pelo próprio importador no Demonstrativo do Coeficiente de Redução –Eletrônico. Se o próprio importador afirma que não irá utilizar determinada quantidade de insumo estrangeiro na produção de uma mercadoria por ele produzida, a ele caberá o ônus de recolher o imposto de importação devido sobre a “sobra” deste insumo, sem qualquer redução, se vier a realizar a internação desta mesma “sobra” de insumo. A exigência de crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada seguem o rito do processo administrativo fiscal regido pelo Decreto n.º 70.235/72, que tem como princípios basilares os da ampla defesa e do contraditório, e que mais especificamente em seu artigo 9° assim determina: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) ...(Grifos acrescidos) No presente caso a autoridade fiscal não logrou trazer elemento de prova capaz de comprovar que a interessada tenha adotado, nos Demonstrativos do Coeficiente de Redução – Eletrônico insumos estrangeiros (em quantidade e qualidade) diversos daqueles consignados, portanto há que se concluir que a autuação não pode prosperar. O caso dos autos é daqueles em que não basta apenas que a fiscalização apresente o seu entendimento sobre a natureza das mercadorias, o caso não se limita à interpretação da descrição formulada pela interessada e à aplicação das regras inerentes ao coeficiente de redução, mas à própria natureza da mercadoria objeto de internação: sua composição e constituição. Assim, não basta apenas que a “Descrição do Fato”, requisito obrigatório do auto de infração nos termos do inciso III, do artigo 10, do Decreto n° 70.235/72, contenha a necessária concatenação de idéias que permitam fazer a ligação entre todos os elementos que compõem a autuação. É imprescindível que os elementos de prova sejam apresentados e atestem que os fatos atribuídos ao contribuinte se alinham com os dispositivos legais relacionados ao caso. Fl. 634DF CARF MF 12 Assim, diante de todos os motivos apresentados e dos fatos presentes no caso concreto, voto no sentido de JULGAR PROCEDENTE A IMPUGNAÇÃO, cancelando o crédito tributário. Somase a isso, que a fiscalização solicitou informações e documentos relativos apenas aos períodos de 2012 e 2013, ao passo que o arbitramento abrangeu, além daqueles períodos, os anos de 2010, 2011, 2014 e 2015, fato este que corrobora, ainda mais, com a ausência de respaldo jurídico para a fiscalização realizar o arbitramento dos anos 2010, 2011, 2014 e 2015. Com efeito, o arbitramento tipificado no artigo 148, do CTN, é remédio que viabiliza o lançamento, em face da inexistência de documentos ou da imprestabilidade dos documentos e dados fornecidos pelo próprio contribuinte. Não é critério alternativo de presunção de fatos jurídicos ou de base de cálculo, que possa ser utilizado quando o contribuinte mantenha escrita ou documentação e seja correto suas informações. Assim, o dispositivo anteriormente citado somente autoriza a utilização do arbitramento nos casos de omissões ou quando não mereçam fé as declarações, as informações prestadas ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo. No presente caso, não houve por parte da autoridade fiscal (i) exigências realizados ao contribuinte aptas a fundamentar o procedimento adotado; e (ii) prova capaz de comprovar que a interessada tenha adotado, nos Demonstrativos do Coeficiente de Redução – Eletrônico insumos estrangeiros (em quantidade e qualidade) diversos daqueles consignados. Logo, entendo correta a decisão de primeiro grau que cancelou o lançamento fiscal sob análise. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 635DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000843/2011-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2008 a 30/11/2008
JUNTADA DE DOCUMENTO NO RECURSO. POSSIBILIDADE.
De acordo com o art. 15 do Decreto nº 70.235/1972, a impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar. O § 4º do art. 16, por sua vez, estabelece que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. É possível o deferimento do pedido para apresentação de provas após o prazo para impugnação quando comprovada a ocorrência de hipótese normativa que faculte tal permissão.
NULIDADE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF
O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) constitui mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária, sendo assim, irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para anular o lançamento.
CERCEAMENTO DE DEFESA. DEVIDO PROCESSO LEGAL. PREJUÍZO. NECESSÁRIA COMPROVAÇÃO. INSTRUMENTALIDADE.
O princípio do devido processo legal possui como núcleo mínimo o respeito às formas que asseguram a dialética sobre fatos e imputações jurídicas enfrentadas pelas partes. Para que ocorra cerceamento de defesa é necessário que o descumprimento de determinada forma cause prejuízo à parte, e que lhe seja frustrado o direito de defesa.
PEDIDO DE PERÍCIA. DILIGÊNCIA. LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO.
Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar a realização de diligências e perícias apenas quando entenda necessárias ao deslinde da controvérsia.
SISTEMA GFIP/SEFIP. VERSÃO 8.0 E SEGUINTES. TRANSMISSÃO COM A MESMA CHAVE.
Havendo a transmissão de mais de uma GFIP/SEFIP para o mesmo empregador/contribuinte, competência, código de recolhimento e FPAS (mesma chave), a GFIP/SEFIP transmitida posteriormente é considerada como retificadora para a Previdência Social, substituindo integralmente a GFIP/SEFIP transmitida anteriormente. Item 7.2 do Manual da GFIP Versão 8.x.
FATOS GERADORES NÃO DECLARADOS EM GFIP. GFIP VÁLIDA.
Sujeitam-se ao lançamento de ofício os fatos geradores identificados pela fiscalização e não declarados pelo contribuinte em GFIP, ou declarados em GFIP posteriormente substituída. Somente considera-se válida a última GFIP entregue antes do início do procedimento fiscal com a mesma chave, em cada competência.
ADESÃO AO PARCELAMENTO AUTORIZADO PELA LEI N° 11.941/2009.
Alega o Recorrente que aderiu ao parcelamento autorizado pela Lei n° 11.941/2009. Contudo, o Recorrente não comprovou a sua adesão, não havendo que se falar em cobrança em duplicidade.
MULTA. ATUALIZAÇÃO DE VALOR. LEGALIDADE
O reajustamento dos valores de multa por descumprimento de obrigações acessórias é feito mediante edição de Portarias Ministeriais, publicadas em Diário Oficial, na estrita observância dos limites e parâmetros impostos pela Lei nº 8.212/91. O regulamento ou a Portaria não estão cominando penalidades por infração à legislação, ou seja, não estão inovando a legislação; tão-somente atualizam-se valores de penalidades cuja cominação já estava prevista na lei, em sentido estrito.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. REAJUSTE DO VALOR. VALOR-BASE VIGENTE NA DATA DA AUTUAÇÃO.
Aplica-se a multa por infração a dispositivo da legislação previdenciária de acordo com a legislação da época dos fatos geradores, porém o seu valor-base reajustado na forma prevista na legislação, será o vigente na data da lavratura do auto de infração.
MULTA. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Em face do disposto no art. 57 da Lei n° 11.941, de 2009, a aplicação da penalidade mais benéfica deve observar o regramento traçado em portaria conjunta da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e da Secretaria da Receita Federal do Brasil, no caso a Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 14, de 2009.
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA.
É vedado aos membros das turmas de julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONO DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO
O art. 23 da Lei n° 70.235/72 não traz previsão da possibilidade de a intimação dar-se na pessoa do advogado do autuado, tampouco o RICARF apresenta regramento nesse sentido. Pretensão sem amparo.
SUSTENTAÇÃO ORAL.
A sustentação oral por casuístico está jungida às normas constantes no parágrafo primeiro do art. 55 c/c art. 58, ambos do Anexo II, do RICARF.
Numero da decisão: 2401-005.649
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Matheus Soares Leite (relator), Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial ao recurso para que a multa fosse calculada nos termos da Lei 8.212/91, art. 32-A. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro. Processo julgado em 05/07/2018, às 9h.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Matheus Soares Leite - Relator
(assinado digitalmente)
José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: MATHEUS SOARES LEITE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 01 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 19515.000843/2011-03
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5887142
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 01 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2401-005.649
nome_arquivo_s : Decisao_19515000843201103.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MATHEUS SOARES LEITE
nome_arquivo_pdf_s : 19515000843201103_5887142.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Matheus Soares Leite (relator), Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial ao recurso para que a multa fosse calculada nos termos da Lei 8.212/91, art. 32-A. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro. Processo julgado em 05/07/2018, às 9h. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite - Relator (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
id : 7374701
ano_sessao_s : 2018
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2008 a 30/11/2008 JUNTADA DE DOCUMENTO NO RECURSO. POSSIBILIDADE. De acordo com o art. 15 do Decreto nº 70.235/1972, a impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar. O § 4º do art. 16, por sua vez, estabelece que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. É possível o deferimento do pedido para apresentação de provas após o prazo para impugnação quando comprovada a ocorrência de hipótese normativa que faculte tal permissão. NULIDADE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) constitui mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária, sendo assim, irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para anular o lançamento. CERCEAMENTO DE DEFESA. DEVIDO PROCESSO LEGAL. PREJUÍZO. NECESSÁRIA COMPROVAÇÃO. INSTRUMENTALIDADE. O princípio do devido processo legal possui como núcleo mínimo o respeito às formas que asseguram a dialética sobre fatos e imputações jurídicas enfrentadas pelas partes. Para que ocorra cerceamento de defesa é necessário que o descumprimento de determinada forma cause prejuízo à parte, e que lhe seja frustrado o direito de defesa. PEDIDO DE PERÍCIA. DILIGÊNCIA. LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar a realização de diligências e perícias apenas quando entenda necessárias ao deslinde da controvérsia. SISTEMA GFIP/SEFIP. VERSÃO 8.0 E SEGUINTES. TRANSMISSÃO COM A MESMA CHAVE. Havendo a transmissão de mais de uma GFIP/SEFIP para o mesmo empregador/contribuinte, competência, código de recolhimento e FPAS (mesma chave), a GFIP/SEFIP transmitida posteriormente é considerada como retificadora para a Previdência Social, substituindo integralmente a GFIP/SEFIP transmitida anteriormente. Item 7.2 do Manual da GFIP Versão 8.x. FATOS GERADORES NÃO DECLARADOS EM GFIP. GFIP VÁLIDA. Sujeitam-se ao lançamento de ofício os fatos geradores identificados pela fiscalização e não declarados pelo contribuinte em GFIP, ou declarados em GFIP posteriormente substituída. Somente considera-se válida a última GFIP entregue antes do início do procedimento fiscal com a mesma chave, em cada competência. ADESÃO AO PARCELAMENTO AUTORIZADO PELA LEI N° 11.941/2009. Alega o Recorrente que aderiu ao parcelamento autorizado pela Lei n° 11.941/2009. Contudo, o Recorrente não comprovou a sua adesão, não havendo que se falar em cobrança em duplicidade. MULTA. ATUALIZAÇÃO DE VALOR. LEGALIDADE O reajustamento dos valores de multa por descumprimento de obrigações acessórias é feito mediante edição de Portarias Ministeriais, publicadas em Diário Oficial, na estrita observância dos limites e parâmetros impostos pela Lei nº 8.212/91. O regulamento ou a Portaria não estão cominando penalidades por infração à legislação, ou seja, não estão inovando a legislação; tão-somente atualizam-se valores de penalidades cuja cominação já estava prevista na lei, em sentido estrito. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. REAJUSTE DO VALOR. VALOR-BASE VIGENTE NA DATA DA AUTUAÇÃO. Aplica-se a multa por infração a dispositivo da legislação previdenciária de acordo com a legislação da época dos fatos geradores, porém o seu valor-base reajustado na forma prevista na legislação, será o vigente na data da lavratura do auto de infração. MULTA. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em face do disposto no art. 57 da Lei n° 11.941, de 2009, a aplicação da penalidade mais benéfica deve observar o regramento traçado em portaria conjunta da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e da Secretaria da Receita Federal do Brasil, no caso a Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 14, de 2009. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. É vedado aos membros das turmas de julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONO DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO O art. 23 da Lei n° 70.235/72 não traz previsão da possibilidade de a intimação dar-se na pessoa do advogado do autuado, tampouco o RICARF apresenta regramento nesse sentido. Pretensão sem amparo. SUSTENTAÇÃO ORAL. A sustentação oral por casuístico está jungida às normas constantes no parágrafo primeiro do art. 55 c/c art. 58, ambos do Anexo II, do RICARF.
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050586202505216
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 38; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1839; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 4.798 1 4.797 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.000843/201103 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401005.649 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 05 de julho de 2018 Matéria OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente RODOPA INDUSTRIA E COMERCIO DE ALIMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 30/11/2008 JUNTADA DE DOCUMENTO NO RECURSO. POSSIBILIDADE. De acordo com o art. 15 do Decreto nº 70.235/1972, a impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar. O § 4º do art. 16, por sua vez, estabelece que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. É possível o deferimento do pedido para apresentação de provas após o prazo para impugnação quando comprovada a ocorrência de hipótese normativa que faculte tal permissão. NULIDADE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) constitui mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária, sendo assim, irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para anular o lançamento. CERCEAMENTO DE DEFESA. DEVIDO PROCESSO LEGAL. PREJUÍZO. NECESSÁRIA COMPROVAÇÃO. INSTRUMENTALIDADE. O princípio do devido processo legal possui como núcleo mínimo o respeito às formas que asseguram a dialética sobre fatos e imputações jurídicas enfrentadas pelas partes. Para que ocorra cerceamento de defesa é necessário que o descumprimento de determinada forma cause prejuízo à parte, e que lhe seja frustrado o direito de defesa. PEDIDO DE PERÍCIA. DILIGÊNCIA. LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 08 43 /2 01 1- 03 Fl. 4798DF CARF MF Processo nº 19515.000843/201103 Acórdão n.º 2401005.649 S2C4T1 Fl. 4.799 2 Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar a realização de diligências e perícias apenas quando entenda necessárias ao deslinde da controvérsia. SISTEMA GFIP/SEFIP. VERSÃO 8.0 E SEGUINTES. TRANSMISSÃO COM A MESMA CHAVE. Havendo a transmissão de mais de uma GFIP/SEFIP para o mesmo empregador/contribuinte, competência, código de recolhimento e FPAS (mesma chave), a GFIP/SEFIP transmitida posteriormente é considerada como retificadora para a Previdência Social, substituindo integralmente a GFIP/SEFIP transmitida anteriormente. Item 7.2 do Manual da GFIP Versão 8.x. FATOS GERADORES NÃO DECLARADOS EM GFIP. GFIP VÁLIDA. Sujeitamse ao lançamento de ofício os fatos geradores identificados pela fiscalização e não declarados pelo contribuinte em GFIP, ou declarados em GFIP posteriormente substituída. Somente considerase válida a última GFIP entregue antes do início do procedimento fiscal com a mesma chave, em cada competência. ADESÃO AO PARCELAMENTO AUTORIZADO PELA LEI N° 11.941/2009. Alega o Recorrente que aderiu ao parcelamento autorizado pela Lei n° 11.941/2009. Contudo, o Recorrente não comprovou a sua adesão, não havendo que se falar em cobrança em duplicidade. MULTA. ATUALIZAÇÃO DE VALOR. LEGALIDADE O reajustamento dos valores de multa por descumprimento de obrigações acessórias é feito mediante edição de Portarias Ministeriais, publicadas em Diário Oficial, na estrita observância dos limites e parâmetros impostos pela Lei nº 8.212/91. O regulamento ou a Portaria não estão cominando penalidades por infração à legislação, ou seja, não estão inovando a legislação; tãosomente atualizamse valores de penalidades cuja cominação já estava prevista na lei, em sentido estrito. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. REAJUSTE DO VALOR. VALORBASE VIGENTE NA DATA DA AUTUAÇÃO. Aplicase a multa por infração a dispositivo da legislação previdenciária de acordo com a legislação da época dos fatos geradores, porém o seu valorbase reajustado na forma prevista na legislação, será o vigente na data da lavratura do auto de infração. MULTA. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 4799DF CARF MF Processo nº 19515.000843/201103 Acórdão n.º 2401005.649 S2C4T1 Fl. 4.800 3 Em face do disposto no art. 57 da Lei n° 11.941, de 2009, a aplicação da penalidade mais benéfica deve observar o regramento traçado em portaria conjunta da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e da Secretaria da Receita Federal do Brasil, no caso a Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 14, de 2009. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. É vedado aos membros das turmas de julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONO DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO O art. 23 da Lei n° 70.235/72 não traz previsão da possibilidade de a intimação darse na pessoa do advogado do autuado, tampouco o RICARF apresenta regramento nesse sentido. Pretensão sem amparo. SUSTENTAÇÃO ORAL. A sustentação oral por casuístico está jungida às normas constantes no parágrafo primeiro do art. 55 c/c art. 58, ambos do Anexo II, do RICARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Matheus Soares Leite (relator), Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial ao recurso para que a multa fosse calculada nos termos da Lei 8.212/91, art. 32A. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro. Processo julgado em 05/07/2018, às 9h. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Relator (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Fl. 4800DF CARF MF Processo nº 19515.000843/201103 Acórdão n.º 2401005.649 S2C4T1 Fl. 4.801 4 José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório A bem da celeridade, peço licença para aproveitar os relatórios já elaborados em ocasiões anteriores e que bem elucidam a controvérsia posta, para, ao final, complementá los (fls. 747/751, 4317/4319 e 4737/4741). Pois bem. Tratase de Auto de Infração de Obrigação Acessória n° 37.263.2530, lavrado em 08/04/2011, sob a acusação de infração ao disposto no artigo 32, IV, § 5°, da Lei n° 8.212/91, c/c artigo 284, II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, com a alteração do Decreto n° 4.729/2003, em razão de o contribuinte apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias (Relatório Fiscal de fls. 22). No exame das GFIP Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, verificouse que a empresa entregou no período compreendido entre janeiro 2008 a novembro/2009 GFIP de seus segurados não informando todos os valores de Base de Cálculo (BC) de seus segurados empregados e contribuintes individuais constantes das folhas de pagamento apresentadas e respectivos lançamentos contábeis, ocorrendo omissão parcial de informação na GFIP. Desta forma, ocorreu omissão de fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme apurado na tabela (RODOPA AI CFL 68 2008) anexa às fls. 41/474. A multa, ressaltase no relatório fiscal, foi imposta levando em consideração o disposto no art. 106, II, “c” do CTN, optandose pelo valor mais favorável ao sujeito passivo, quando se comparou a multa aplicada com base na legislação vigente no momento da ocorrência dos fatos geradores e aquela calculada com esteio na norma atual. Tendo sido cientificado, pessoalmente, do Auto de Infração em 08/04/2011, o contribuinte apresentou impugnação tempestiva (fls. 485/496), alegando, em síntese, que: (a) Após breve relato sobre a autuação e o desenvolvimento de sua atividade mercantil, o Contribuinte alega que o presente procedimento fiscal merece anulação total, pois mediante a fiscalização procedida e os documentos entregues e analisados, ficou cabalmente demonstrado que o Impugnante entregou no período compreendido entre janeiro de 2008 a abril de 2009, todas as GFIPs de seus segurados, com todos os valores da base de cálculo de seus segurados empregados e contribuintes individuais, conforme folha de pagamento elaborada e disposta à fiscalização, cópia anexa, sem qualquer omissão de lançamento, fato gerador ou valor que pudesse ensejar a presente autuação; (b) Errou o D. Fiscal ao apontar em seu relatório que levou em consideração para lavratura do presente auto o período de janeiro de 2008 a novembro de 2009, quando, na verdade, não solicitou nenhuma documentação desse período, de maio de 2009 a novembro de 2009, até porque o mandado de procedimento fiscal não contemplou esse período para fiscalização, não podendo servir de base para lavratura do presente auto; (c) Em relação aos débitos previdenciários, todos estão incluídos no parcelamento previsto na Lei n° 11.941/2009, da qual o Impugnante é optante, e se encontra em dia com o pagamento dos valores mínimos/parcelas dispostas em lei, aguardando a ulterior Fl. 4801DF CARF MF Processo nº 19515.000843/201103 Acórdão n.º 2401005.649 S2C4T1 Fl. 4.802 5 consolidação do mesmo para efetivamente ter todos seus débitos encampados pelo parcelamento, na forma preconizada pela aludida legislação, inclusive fazendo jus a todos os benefícios decorrentes, com redução de multas e outros benefícios; (d) Foi apresentado durante o procedimento fiscal a relação de todos os segurados empregados e contribuintes, bem como os arquivos magnéticos contendo todas as informações necessárias à aferição dos lançamentos, e conforme consta não houve qualquer tipo de omissão de informação, mesmo que parcial conforme lançado no impugnado auto de infração; (e) Todos os valores da base de cálculo encontravamse devidamente lançados, sem qualquer omissão, inclusive nunca houve qualquer solicitação ou indagação do Fiscal, quando da fiscalização. Pelos sistemas da própria Receita verificase que não há diferenças de lançamentos ou informações e a base apresentada é até menor que a declarada pelo Impugnante; (f) A multa deveria, no mínimo, se realmente existissem tais diferenças, obedecer ao que dispõe o artigo 284 do RPS, atingindo na sua forma aritmética a importância compatível, considerando a suposta base omitida como valor a recolher, e não o valor aplicado, que supera em muito os limites legais; (g) Sequer houve aplicação adequada para apuração da “suposta multa devida”, sem contar a ausência de contemplação aos benefícios trazidos pela Lei nº 11.941/2009, considerando que o débito do período fiscalizado se encontra inserido no aludido parcelamento, pendente de consolidação pelo órgão competente; (h) Verificando a própria planilha apresentada pelo D. Fiscal, fica impossível tecnicamente entender como o mesmo chegou em tais valores, não há forma de apurar o lançamento havido, portanto, resta impossível qualquer tipo de impugnação acerca de valores lançados sem fundamento ou base legal; (i) Há que se apresentar pelo Fisco, nota ou planilha explicativa do valor aplicado a título de multa, para que o Impugnante possa efetivamente exercer seu direito de impugnar o presente auto de infração de forma adequada, mediante a devolução do prazo para apresentação desta defesa; (j) Ademais, a multa aplicada estaria consubstanciada em decorrência da lavratura de dois autos de infração nºs: 37.263.2483 e 37.263.2505, que são nulos de pleno direito e estão sendo impugnados, uma vez que foram lavrados sem atenção aos débitos já declarados espontaneamente pela Impugnante, que inclusive são maiores que o débito levantado de ofício; (k) Mesmo considerando a manutenção dos autos originários, o que não se acredita, a fiscalização fez incidir multa exacerbada sobre o débito que considerou devido, sem considerar o que dispõe o artigo 150, IV, da Constituição da República, em síntese: que é vedado à União utilizar tributo com efeito de confisco. Transcreve doutrina e decisão do Supremo Tribunal Federal para subsidiar suas alegações; (l) Após discorrer sobre a matéria, alegou que é inconstitucional a aplicação da multa no patamar exigido, por ter caráter confiscatório e, portanto, malferir o disposto no inciso IV, do artigo 150, da Lei Maior; Fl. 4802DF CARF MF Processo nº 19515.000843/201103 Acórdão n.º 2401005.649 S2C4T1 Fl. 4.803 6 (m) Considerando que não houve omissão na formação da base de cálculo, as informações foram transmitidas corretamente, não merece prosperar a multa de aplicada, ao menos nos patamares atribuídos; (n) Caso entenda pela manutenção da multa, a mesma deve ser fixada em seu limite mínimo legal, retornandose à fiscalização ou outro órgão competente para compilação correta dos valores a serem aplicados; (o) Requer seja a presente impugnação recebida e, no mérito, integralmente provida para anular e julgar improcedente o Auto de Infração nº 37.263.2530, consubstanciado nas razões acima, reconhecendo a ausência de omissão de valores para composição das bases de cálculo; (p) Diante do erro na aplicação da multa e da inconstitucionalidade apontada, requer o acolhimento da defesa para o fim de julgar improcedente o lançamento em questão ou via de consequência determinar a remessa dos autos ao órgão competente para lançamento da multa em valores condizentes com a legislação, abrindose nova oportunidade para este contribuinte contestála, ou na sua correta formação, concordar com os valores apresentados; (q) Sem prejuízo dos demais pedidos, em razão do período fiscalizado e origem da multa, requer, caso este auto seja mantido, seja o presente débito lançado no parcelamento trazido pela Lei nº 11.941/09, aproveitando todos os benefícios, uma vez que o mesmo é incidente em débitos declarados à parcelar no disposto diploma; (r) Protestase provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, requerendo desde já a realização das diligências necessárias, em especial a remessa dos autos ao perito ou contador, para correta aferição da multa aplicada, abrindose nova oportunidade à Impugnante para contestálos, bem como para correta aferição da base apresentada pela Impugnante com a base composta pelo Fisco Autuante; (s) Requer que o presente Auto de Infração seja suspenso e suspensa a exigibilidade, até final decisão dos processos DEBCAD´s nºs: 37.263.2483 e 37.263.2505, que deram origem à presente lavratura, e que serão ao final, anulados; (t) Requer ainda, sejam as intimações e notificações referentes ao presente, encaminhadas diretamente à sede do Impugnante, na pessoa do seu representante legal, mediante carta registrada ou outro expediente legal, sob pena de nulidade absoluta, não se admitindo, sob hipótese alguma, a intimação via imprensa oficial. Posteriormente, sobreveio julgamento proferido pela 12ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (DRJ/SP1), por meio do Acórdão nº 1635.517 (fls. 745/762), de 22/12/2011, cujo dispositivo considerou improcedente a Impugnação, com a manutenção do crédito tributário. É ver a ementa do julgado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 08/04/2011 a 08/04/2011 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS Fl. 4803DF CARF MF Processo nº 19515.000843/201103 Acórdão n.º 2401005.649 S2C4T1 Fl. 4.804 7 GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Constitui infração à legislação previdenciária a empresa apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA PREVISTA EM LEI. AUTUAÇÃO. INOCORRÊNCIA DE ILEGALIDADE. LANÇAMENTO. ATO VINCULADO E OBRIGATÓRIO. Constatada a ocorrência de descumprimento de obrigação acessória prevista em lei, cumpre à autoridade administrativa lavrar o respectivo auto de infração impondo a respectiva multa, sendo o lançamento um ato vinculado e obrigatório sob pena de responsabilidade funcional. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O Relatório Fiscal da Infração, o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa e os Anexos que acompanham o Auto de Infração oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa ao lançamento. ATOS ADMINISTRATIVOS. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Os atos administrativos, qualquer que seja sua categoria ou espécie, nascem com a presunção de legitimidade, independentemente de norma legal que a estabeleça. Essa presunção decorre do princípio da legalidade da Administração. Outra conseqüência da presunção de legitimidade é a transferência do ônus da prova de invalidade do ato administrativo para quem a invoca. CONSTITUCIONALIDADE/LEGALIDADE. Não cabe em sede de processo administrativo a discussão sobre legalidade ou constitucionalidade de lei. PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. DA MULTA APLICADA. NATUREZA DE NÃO CONFISCO. RETROATIVIDADE BENIGNA. O valor da multa aplicada decorre do disposto na Lei, tendo em vista a infração a dispositivo legal cometida pelo sujeito passivo. Fl. 4804DF CARF MF Processo nº 19515.000843/201103 Acórdão n.º 2401005.649 S2C4T1 Fl. 4.805 8 O que determina a aplicação da multa é a legislação pertinente, que de forma objetiva fixa os valores a serem aplicados, sendo que não se pode afastar o critério legal, baseandose em critérios subjetivos de justiça. A lei aplicase a ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. SUJEITO PASSIVO. INTIMAÇÃO. Pertence à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária DERAT jurisdicionante do contribuinte a competência para intimação de acórdão emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. JULGAMENTO SIMULTÂNEO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Inexiste mandamento legal determinando julgamento simultâneo das impugnações, devendo a decisão de primeira instância ser fundada com observância do princípio da celeridade do julgamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Nesse sentido, cumpre repisar que a decisão a quo exarou, em síntese, os seguintes motivos e que delimitam o objeto do debate recursal: (a) O lançamento em questão se encontra revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, consoante ao disposto nos artigos 2° e 3° da Lei n° 11.457 de 16/03/2007, e no artigo 293, caput, do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999; (b) Considerando que o Impugnante apresentou impugnação tempestiva e não comprovou a ocorrência de nenhuma das situações previstas no art. 16 do Decreto n° 70.235/72, indefiro o pedido para devolução do prazo para apresentação de nova defesa e ou juntada de provas; (c) A respeito da realização de perícia e diligência previsto nos artigos 16, inciso IV e § 1º, e 18, caput, do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, com as alterações introduzidas pela Lei nº 8.748, de 09/12/1993, só há perícia se o fato depender de conhecimento especial, o que não é o caso do presente processo, posto conforme demonstrado, o crédito aqui tratado se encontra devidamente constituído e fundamentado, não formulando o Impugnante os quesitos necessários para apreciação de seu pedido, e ainda não indicando o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito; (d) Equivocase o Impugnante quando alega que “errou o D. Fiscal ao apontar em seu relatório que levou em consideração para lavratura do presente auto o período de janeiro de 2008 a novembro de 2009, quando na verdade não solicitou nenhuma documentação desse período, de maio de 2009 a novembro de 2009, até porque o mandado de Fl. 4805DF CARF MF Processo nº 19515.000843/201103 Acórdão n.º 2401005.649 S2C4T1 Fl. 4.806 9 procedimento fiscal não contemplou esse período para fiscalização, não podendo servir de base para lavratura desse auto”; (e) O Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização nº 08.1.90.002010001548, emitido em 18 de janeiro de 2010 para fiscalização de Tributos/Contribuições: Contribuições Previdenciárias e para Outras Entidades e Fundos, inicialmente previsto para apuração do período de 01/2006 a 04/2009, foi alterado por três vezes, ou seja, 25/05/2010, 16/12/2010 e 25/02/2011; (f) A alteração ocorrida em 25/02/2011 serviu para incluir os seguintes tributos: IRPJ para o período de 01/2007 a 12/2008 e CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS E PARA OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS, para o período 05/2009 a 12/2010. Sendo assim, não procedem as alegações da defesa de que errou a fiscalização ao incluir o período posterior a 04/2009; (g) Ressaltase, como se verá abaixo, que para elaborar o comparativo da multa e concluir pela multa mais benéfica ao contribuinte, muito embora a fiscalização tenha considerado na planilha todo o período fiscalizado, foram consideradas apenas as competências 01/2008 a 11/2008, cujas competências nos Autos de Infração de Obrigação Principal foram beneficiadas com a multa de mora de 24% (vinte e quatro por cento); (h) Desta forma, o período de 05/2009 a 11/2009, mencionado pela fiscalização encontrase totalmente amparado pelo Mandado de Procedimento Fiscal emitido em nome do autuado; (i) O total da multa aplicada neste Auto de Infração de Obrigação Acessória (FL 68), abrangendo o período de 01/2008 a 11/2008, foi corretamente aplicado, conforme comparativo da Multa anexa aos autos, vez que nos Autos de Infração de Obrigação Principal, para o mesmo período em questão foi aplicada multa de mora de 24% por ser mais benéfica ao Contribuinte, não havendo que se falar em retorno do processo à fiscalização ou a outro órgão competente para compilação correta dos valores a serem aplicados; (j) A multa foi corretamente aplicada, atendendo à legislação previdenciária, levando em conta os documentos apresentados durante a ação fiscal, os dados fornecidos e declarados pela empresa, bem como os dados constantes dos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil; (k) Não merecem acolhida também as alegações da empresa no sentido de cerceamento de defesa e nulidade da presente autuação. O ato administrativo consubstanciado neste Auto de Infração possui motivo legal, tendo sido praticado em conformidade ao legalmente estipulado, e estando os seus fundamentos legais devidamente discriminados. Possui também motivo de fato, tendo havido, pela fiscalização, a verificação concreta da situação fática para a qual a lei previu o cabimento do ato. Os Relatórios Fiscais e seus anexos possibilitam a compreensão da origem das exigências lançadas, pois houve, no caso, a discriminação clara e precisa da infração cometida e do cálculo da multa aplicada; (l) O Contribuinte pode observar desta planilha que, atendendo à legislação, a fiscalização apurou a multa por competência e estabelecimento, observando em cada competência o limite previsto em lei, resultando num total de multa para as competências e categorias de segurados envolvidos na autuação; Fl. 4806DF CARF MF Processo nº 19515.000843/201103 Acórdão n.º 2401005.649 S2C4T1 Fl. 4.807 10 (m) É importante ressaltar que, conforme acima relatado, foi respeitado o disposto no art. 106, inciso II, “c” , da Lei n. 5.172, de 25/10/1966 CTN, que trata da retroatividade benigna, constando às fls. 475/479, os anexos: RODOPA – TOTAL AI CFL 68 (2008); RODOPA TOTAL AIOP PARA COMPARATIVO DA MULTA e RODOPA COMPARATIVO DA MULTA (2008); (n) Diante do exposto, não prospera o argumento da defesa de que fica impossível tecnicamente entender como a fiscalização chegou ao valor da multa aplicada, restando impossível qualquer tipo de impugnação acerca de valores lançados sem fundamento legal; (o) O Impugnante alega que vem pagando as parcelas mínimas do parcelamento e que está aguardando a sua ulterior consolidação para inserção plena do débito em questão, ao mesmo tempo em que solicita, caso este auto se mantenha, seja o presente débito lançado no parcelamento trazido pela Lei nº 11.941/09. Contudo, este não é meio adequado para tal solicitação; (p) O contribuinte não comprovou a inclusão do débito em pauta em qualquer parcelamento devidamente consolidado pela Receita Federal do Brasil, não havendo que se rever o lançamento efetuado; (q) Quanto aos argumentos de que a multa seria abusiva e teria caráter confiscatório, os mesmos não podem prosperar, porquanto o que determina a aplicação da multa é a legislação pertinente, que de forma objetiva fixa os valores a serem aplicados, sendo que não se pode afastar o critério legal, baseandose em critérios subjetivos de justiça; (r) Quanto aos questionamentos do Impugnante relativos à legalidade/constitucionalidade de leis, temse que os atos administrativos são vinculados e obrigatórios, devendo a autoridade administrativa observar o que determinam as normas legais (art. 26A do Decreto n° 70.235/72); (s) Cabia ao Impugnante apresentar ou demonstrar suas alegações com elementos capazes de desconstituir o lançamento, em especial documentos probantes, tendo em vista que os atos administrativos possuem como atributo intrínseco a presunção de legitimidade e legalidade e, com efeito, não logrou fazêlo; (t) Requer o Impugnante que o presente Auto de Infração seja suspenso e suspensa a exigibilidade, até final decisão dos processos DEBCAD´s nºs: 37.263.2483 e 37.263.2505, que deram origem à presente lavratura. De pronto, salientase que inexiste mandamento legal capaz de dar suporte ao pedido da Impugnante; (u) A intimação deve ser realizada no domicílio tributário do sujeito passivo, assim considerado o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo; (v) Entretanto, a competência para intimação do presente acórdão e demais intimações compete à DERAT jurisdicionante do sujeito passivo, pois, de acordo com o disposto no Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária – DERAT compete desenvolver, dentre Fl. 4807DF CARF MF Processo nº 19515.000843/201103 Acórdão n.º 2401005.649 S2C4T1 Fl. 4.808 11 outras, as atividades relativas à cobrança, recolhimento de créditos tributários e parcelamento de débitos. Inconformado com a decisão de piso, o sujeito passivo interpôs Recurso Voluntário (fls. 765/814), no qual, após breve relato de suas atividades empresariais e das autuações combatidas, apresentou os seguintes argumentos: (a) Os AI n.º 37.263.2483 e 37.263.2505, conexos ao que ora se julga, devem ser cancelados, posto que a empresa efetuou a declaração dos fatos geradores neles incluídos antes da ação fiscal, por esse motivo, não deve a multa por descumprimento de obrigação acessória prevalecer; (b) As GFIP apresentadas comprovam a inocorrência da infração; (c) Mesmo com a emissão de MPF complementar, não poderia ter sido incluído na autuação o período de 05 a 11/2009, posto que não houve solicitação de documentos para as referidas competências; (d) No julgamento dos AI conexos, o órgão julgador trouxe ao processo informações que o recorrente desconhecia, as quais alteraram inclusive a descrição da suposta infração, portanto, merece a recorrente a reabertura do prazo de defesa; (e) A empresa somente veio a tomar conhecimento de supostas substituições das informações prestadas mediante a GFIP com a decisão sobre os AI conexos, devendo ser anulado a autuação, posto que o fisco não descreveu o fato gerador a contento, deixando de tratar de erros cometidos nas transmissões da guia informativa; (f) A DRJ, ao detectar os alegados erros que teriam motivado a substituição dos valores declarados, deveria, pelo menos, ter retornado o processo à fiscalização para que fosse procedido a emenda do relatório, com reabertura de prazo para defesa; (g) A empresa possui os protocolos de envios da GFIP, comprovando suas afirmações, ao passo que o órgão recorrido não juntou aos autos nenhuma comprovação de que os dados teriam sido apagados; (h) Não houve por parte do autuado qualquer retransmissão de dados que pudesse acarretar na falha apontada pela DRJ; (i) Ao trazer ao processo fato novo e, com base nesse, decidir contra o sujeito passivo, o órgão recorrido violou a garantia constitucional ao contraditório e à ampla defesa; (j) Agiu conforme a legislação, não podendo ser prejudicada por erros em sistemas sobre os quais não tem gestão; (k) O julgador de primeira instância deveria ter trazido ao processo as provas de que o sujeito passivo incorreu nos erros que motivaram as autuações, conforme determinam os artigos 36 e 37 da Lei n.º 9.784/1999; (l) No mínimo, o erro apontado deveria ter sido demonstrado com informações prestadas pela instituição bancária responsável pelo recebimento e processamento dos dados declarados na GFIP; Fl. 4808DF CARF MF Processo nº 19515.000843/201103 Acórdão n.º 2401005.649 S2C4T1 Fl. 4.809 12 (m) O AI foi lavrado de forma genérica, dificultando a produção da defesa e, somente após a decisão da DRJ, as circunstâncias em que ocorreram os fatos geradores foram demonstrados; (n) O recorrente comprovou que bem antes do início do procedimento fiscal já havia declarado, até em montantes superiores, os valores supostamente omitidos, fato que impediria a imposição da multa; (o) A realização de diligência/perícia é imprescindível para solução da contenda, ainda mais quando a DRJ apresentou novos fatos, sem comproválos; (p) Para comprovar suas alegações, o sujeito passivo, mais uma vez, junta aos autos todas as GFIP entregues via sistema; (q) O julgamento se apresenta incoerente, posto que o próprio fisco reconheceu que as contribuições declaradas na GFIP estavam provisionadas na contabilidade do recorrente; (r) A multa aplicada é confiscatória e foi aplicada em desconformidade com a legislação de regência; (s) A multa de ofício não deve prevalecer, posto que o sujeito passivo declarou as contribuições na GFIP; Ao final requereu: (a) A improcedência da lavratura, posto que as contribuições já haviam sido confessadas; (b) A exclusão da multa aplicada; (c) Que o processo fosse baixado em diligência, de modo que lhe fossem apresentados os motivos que levaram à desconsideração das declarações efetuadas; (d) Que lhe fosse dada oportunidade de se manifestar sobre esses fatos, antes da nova decisão de primeira instância. Inicialmente distribuído ao Ilmo. Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, o presente processo foi incluído em pauta de julgamento de 18 de abril de 2013, na qual os julgadores da então composição desta r. Turma, decidiram, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência por meio da Resolução nº. 2401000.275 (fls. 4316/4325), nos termos do voto da Redatora Designada Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, conforme abaixo: (...) Ou seja, existe realmente um descompasso entre as informações trazidas pelo auditor fiscal em seu relatório e aquelas utilizadas pelo órgão julgador para manutenção do lançamento, contudo, não entendo que isso implica a nulidade da referida decisão ou mesmo do lançamento, necessitando apenas sejam prestados esclarecimentos, de forma a possibilitar ao contribuinte ter apreciadas suas alegações, e os documentos colacionados aos autos. Fl. 4809DF CARF MF Processo nº 19515.000843/201103 Acórdão n.º 2401005.649 S2C4T1 Fl. 4.810 13 Não identifico na referida decisão, nulidade, tendo o julgador esclarecido ao recorrente que a entrega posterior de novas GFIP na mesma chave, implica sobreposição das mesmas, apagandose dos sistemas da Receita Federal as informações anteriores. Todavia, o recorrente, alega não ter sido informado dessa sobreposição durante o procedimento fiscal, o que realmente não consta do relatório, fato que criou obstáculo aos seus argumentos, impossibilitando o pleno exercício do direito de defesa. É nesse ponto, que entendo devam ser prestados esclarecimentos detalhados entre os documentos GFIP que o contribuinte diz ter entregue para declarar os fatos geradores e aqueles descritos pelo auditor fiscal como constantes do sistema e que servirão de base para a comparação entre os valores declarados, não declarados e recolhidos. É nesse ponto, que entendo ser desnecessária a declaração de nulidade, visto que tal fato poderá ser sanado por meio de uma diligência, na qual seja O RECORRENTE INTIMADO: a apresentar planilha detalhada (inclusive em meio magnético), por competência com cada uma das GFIPs entregues, com a respectiva data de entrega, competência a que se refere e código de entrega; em relação a cada GFIP informar a base de cálculo declarada; Deve ser enfatizado ao recorrente, que o mesmo não deverá indicar na planilha apenas, as GFIPs que alega ter entregue, para rebater o lançamento, mas todas as GFIP, por ele transmitidas em cada competência. De posse desses documentos (planilha contendo as informações), deverá auditor elaborar nova planilha, agora incluindo, os valores das bases de cálculo apuradas durante o lançamento nos documentos apresentados pela empresa e da GFIP constante nos sistemas da Receita. Entendo que dessa forma, poderemos esclarecer no lançamento em questão, o que foi apurado de base, as GFIP entregues, a GFIP entregue por último, e a GFIP constante do SISTEMA. Dito fato, embora trabalhoso, mostrase necessário, uma vez que descreveu a autoridade fiscal ter apreciado as GFIPs apresentadas pelo contribuinte durante o procedimento e não ter mencionado a sobreposição das mesmas em seu relatório, quando utilizou as informações dos sistemas da Receita para comparar com os fatos geradores apurados durante o procedimento. Ademais, apenas com esse comparativo será possível afastar ou acatar os argumentos do recorrente de que não houve entrega de novas GFIPs capazes de sobrepor as anteriores, e da impossibilidade de lançar no presente AIOP valores já declarados. Por fim, apenas no intuito de esclarecer, foi colacionado recentemente pelo recorrente uma planilha, com informações semelhantes, porém apenas, destacou as GFIP que o mesmo alega ter entregue, sem prestar informações sobre outras GFIP Fl. 4810DF CARF MF Processo nº 19515.000843/201103 Acórdão n.º 2401005.649 S2C4T1 Fl. 4.811 14 entregues para a mesma competência, razão pela qual imprescindível a diligência requerida. Após a auditoria emitir suas conclusões, verificando inclusive os documentos acostados após a apresentação do recurso, deverá ser facultado a empresa o prazo legal para manifestação e, somente após esse contraditório, cabe a emissão de nova decisão de primeira instância. Em cumprimento à Resolução nº. 2401000.275 (fls. 4316/4325), foi elaborado o Termo de Diligência, Informação Fiscal e de Encerramento (fls. 4629 e ss), sendo apresentadas as seguintes conclusões: Com relação a planilha de Base de Cálculo apurada e GFIPs válidas já constam no Relatório Fiscal que acompanhou os lançamentos dos AI – Autos de Infração em questão, inclusive detalhando competência, segurando, NIT, estabelecimento, base de cálculo declarada e não declarada, contribuição de segurado declarada e não declarada e diferenças apuradas. Lembramos que todas as GFIPs entregues constam no sistema, sejam válidas ou substituídas, sendo considerada válida aquela entregue por último à época do lançamento. Em 18/03/2014 o contribuinte apresentou relação de GFIPs entregues (anexa ao processo nesta data) porém só relacionou as primeiras de cada estabelecimento e não todas como solicitado, inclusive com os códigos de entrega divergentes aos que constam no sistema, portanto não atendeu as solicitações do Termo de Início de Procedimento Fiscal de 03/02/2014 que intimava o sujeito passivo a: Apresentar planilha detalhada (inclusive em meio magnético), por competência com cada uma das GFIPs entregues, com a respectiva data de entrega, competência a que se refere e código de entrega, em relação a cada GFIP informar a base de cálculo declarada. INDICAR NA PLANILHA TODAS AS GFIPs ENTREGUES (TRANSMITIDAS) EM CADA COMPETÊNCIA E NÃO SOMENTE AS ALEGADAS PARA REBATER O LANÇAMENTO DE CRÉDITO. Diante do exposto, estamos procedendo ao encerramento da presente diligência fiscal mantendo os lançamentos dos Autos na sua totalidade e dando ciência ao contribuinte supracitado, por via postal com Avisos de Recebimento – AR, da diligência, do seu encerramento e do resultado da diligência, cientificando também o contribuinte do prazo de 10 (dez) dias, conforme art. 44, Lei 9.784 de 29/01/1999, para, caso não concorde com os resultados desta diligência, apresentar contrarazões por escrito, nos Centros de Atendimento ao Cliente – CAC, conforme segue: (...) Intimado a se manifestar, o contribuinte apresentou a petição de fls. 4647/4649, reiterando as alegações tecidas na Impugnação e no Recurso Voluntário. Fl. 4811DF CARF MF Processo nº 19515.000843/201103 Acórdão n.º 2401005.649 S2C4T1 Fl. 4.812 15 Houve a apresentação de embargos de declaração (fls. 6094/6104), em face da Resolução nº. 2401000.275 (fls. 4693/4704) que determinou a conversão do feito em diligência, sendo rejeitados (fls. 4719/4724). Por entender pela insuficiência das conclusões apresentadas no Termo de Diligência, Informação Fiscal e de Encerramento (fls. 4629 e ss), em sessão de julgamento realizada no dia 09/05/2017, a 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, houve por bem prolatar a Resolução n° 2401000.575 (fls. 4736/4744), novamente convertendo o feito em diligência, nos termos que seguem: a) Para que a fiscalização, admitindo que não há nestes autos as informações que ora se requer, apresente planilha com as bases de cálculo por competência utilizadas no lançamento, bem como todas as GFIP’s que constam nos sistemas da RFB e as GFIP’s utilizadas como parâmetro para o presente lançamento (ou seja, a última entregue e considerada válida no sistema informatizado da RFB); b) Acaso a fiscalização identifique que em alguma das competências houve a ocorrência de entrega de GFIP antes do procedimento fiscal, não considerada na lavratura do Auto de Infração e que seja capaz de alterar o lançamento, que também faça constar referida informação no resultado da diligência; e c) Que seja a Recorrente intimada para se pronunciar sobre quais GFIP’s teriam sido entregues e que não sejam aquelas utilizadas pela fiscalização como parâmetro do lançamento, que não constem na planilha a vir a ser elaborada pela fiscalização, com a devida prova de suas alegações. Posteriormente, em cumprimento à diligência fiscal requerida, foi lavrado o Termo de Início de Procedimento Fiscal – Diligência (fls. 4750), que houve por bem intimar o contribuinte para apresentar planilha detalhada, por competência e por estabelecimento, relacionando cada uma das GFIPs entregues e informando, para cada respectiva GFIP, o seu Número de Controle da GFIP, a sua data de entrega, a competência a que se refere, o código de entrega e a base de cálculo declarada. Regularmente intimado, o contribuinte requereu, no dia 17/08/2017, a solicitação de prazo suplementar de 60 (sessenta) dias (fls. 4752). Em seguida, houve a lavratura do Termo de Reintimação Fiscal (fls. 4767), tendo sido o contribuinte notificado no dia 13/10/2017 (fls. 4768). Novamente, o contribuinte requereu a prorrogação do prazo para atendimento da intimação, por mais 20 (vinte) dias (fls. 4769). Após o escoamento do prazo solicitado, no dia 29/01/2018, a diligência foi encerrada e formalizada no documento Relatório de Encerramento de Diligência Fiscal (fls. 4772/4792), no qual a autoridade fiscal reforçou a procedência integral do lançamento, tendo sido o contribuinte intimado a se manifestar, no prazo de 10 (dez) dias (fls. 4775), em 05/02/2018 (fls. 4793). Até a presente data o contribuinte não se manifestou. Fl. 4812DF CARF MF Processo nº 19515.000843/201103 Acórdão n.º 2401005.649 S2C4T1 Fl. 4.813 16 Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento do Recurso Voluntário, sendo redistribuídos a este Relator, tendo em vista que o Conselheiro, anteriormente designado, não mais integra o colegiado. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Matheus Soares Leite – Relator 1. Juízo de Admissibilidade. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/72. Portanto, dele tomo conhecimento. 2. Conexão. Esclareço que, nos termos do art. 6°, § 1°, I, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015, o presente processo é conexo com o Processo n° 19515.000841/201114 que é constituído pelos Autos de Infração a seguir descritos e que foram lavrados pela Fiscalização com base nos mesmos elementos de prova: AIOP DEBCAD n° 37.263.2483: Auto de Infração de Obrigação Principal, relativo às contribuições sociais, incidentes sobre remunerações pagas ou creditadas a segurados empregados e contribuintes individuais (administradores e autônomos) não recolhidas nas épocas próprias à Seguridade Social, referente a contribuição da empresa e financiamento das prestações por acidente do trabalho, no montante de R$8.970.635,02 (Oito milhões, novecentos e setenta mil, seiscentos e trinta e cinco reais e dois centavos), incluindo juros e multa, abrangendo as competências 01/2008 a 04/2009, consolidado em 23/03/2011. AIOP DEBCAD n° 37.263.2491: Auto de Infração de Obrigação Principal, referente a parte dos segurados empregados e contribuintes individuais (administradores e autônomos) não recolhidas à Seguridade Social, não se tratando de apropriação indébita, visto que a empresa no período recolheu GPS num montante superior ao retido de seus segurados (empregados e contribuintes individuais). O crédito previdenciário atingiu o montante de R$45.608,12 (Quarenta e cinco mil, seiscentos e oito reais e doze centavos), no período de 01/2008 a 04/2009. AIOP DEBCAD n° 37.263.2505: Auto de Infração de Obrigação Principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre remunerações pagas ou creditadas a segurados empregados, destinadas a terceiros (SALÁRIO EDUCAÇÃO, INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE), no montante de R$2.307.964,90 (Dois milhões, trezentos e sete mil, novecentos e sessenta e quatro reais e noventa centavos), incluindo juros e multa, abrangendo as competências 01/2008 a 04/2009, consolidado em 23/03/2011. Por fim, destaco que ambos os processos foram redistribuídos a este Relator. Fl. 4813DF CARF MF Processo nº 19515.000843/201103 Acórdão n.º 2401005.649 S2C4T1 Fl. 4.814 17 3. Considerações iniciais. O julgador administrativo deve fundamentar suas decisões com a indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos que a motivam (art. 50 da Lei n° 9.784/99), observando, dentre outros, os princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência (art. 2° da Lei n° 9.784/99). O dever de motivação oportuniza a concretização dos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório (art. 5º, LV, da CR/88), abrindo aos interessados a possibilidade de contestar a legalidade do entendimento adotado, mediante a apresentação de razões possivelmente desconsideradas pela autoridade na prolação do decisum. Para a solução do litígio tributário, deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Os limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro lado, pela resistência do contribuinte, que culminam com a prolação de uma decisão de primeira instância, objeto de revisão na instância recursal. Para solucionar a lide posta, o julgador se vale do livre convencimento motivado, resguardado pelos artigos 29 e 31 do Decreto n° 70.235/72. Assim, não é obrigado a manifestar sobre todas as alegações das partes, nem a se ater aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando possui motivos suficientes para fundamentar a decisão. Cabe a ele decidir a questão de acordo com o seu livre convencimento, utilizandose dos fatos, das provas, da jurisprudência, dos aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto. Caso o recorrente discorde da decisão proferida por este Colegiado, pode, ainda: (a) opor embargos de declaração no caso de “obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma” (art. 65 do RICARF); ou (b) interpor Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, desde que demonstre a existência de decisão de outra Câmara, Turma de Câmara, Turma Especial ou a própria CSRF que dê a à lei tributária interpretação divergente (art. 67 do RICARF). 4. Do pedido de juntada de documentos na fase recursal. Adentrandose na questão probatória pertinente aos autos, o contribuinte, em sede de Recurso Voluntário, requereu, novamente, a juntada das GFIPs transmitidas, referentes ao período de 01/2008 a 04/2009, devidamente impressas, bem como, na oportunidade, Guias de Recolhimento do FGTS, além das GFIPs no formato digital, devidamente validadas pelo Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais, versão 3.0.9 (2012.03.22), conforme Recibo de Entrega de Arquivos Digitais. Ademais, após a apresentação do apelo recursal, em petição de fls. 4289/4311, o contribuinte requereu a juntada e apreciação do Relatório denominado CVALDIV – Consulta Demonstrativo da Divergência Apurada, documento interno e disponibilizado pela Receita Federal do Brasil de Jales (SP), após requerimento formal e recolhimento das respectivas custas. Na mesma oportunidade, requereu a juntada de “Planilha Comparativa – GFIP x Pendências Apuradas”, de todas as filiais e respectivas competências, acompanhada de informações detalhas na forma de “Anexo” e “Notas Explicativas”. Fl. 4814DF CARF MF Processo nº 19515.000843/201103 Acórdão n.º 2401005.649 S2C4T1 Fl. 4.815 18 Esclareço que, nos termos do art. 16, § 4°, do Decreto n° 70.235/72, a prova documental será apresentada na Impugnação, precluindo o direito da prática do ato em outra oportunidade, a menos que: (a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (b) refirase a fato ou a direito superveniente; (c) destine se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Ademais, o § 5°, do mesmo dispositivo legal, transfere ao litigante, o ônus de demonstrar, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas para que a autoridade julgadora aceita a juntada posterior de documentos, após apresentada a Impugnação. Assim, tendo em vista que o Relatório denominado CVALDIV – Consulta Demonstrativo da Divergência Apurada se trata de documento novo, não se encontrando anteriormente à disposição do contribuinte, não vejo óbices para sua juntada. Na mesma toada, autorizo a juntada da Planilha Comparativa – GFIP x Pendências Apuradas”, de todas as filiais e respectivas competências, acompanhada de informações detalhas na forma de “Anexo” e “Notas Explicativas”, eis que elaborada com base no Relatório denominado CVALDIV. Da mesma forma, não vejo óbice para autorizar a juntada das GFIPs no formato digital, eis que o contribuinte, anteriormente, já apresentara as GFIPs devidamente impressas, com apuração do saldo consolidado por competência. Também não vejo óbices para a juntada das Guias de Recolhimento do FGTS, eis que tais documentos colaboram para o atingimento do princípio da verdade material que predomina no processo administrativo, no sentido de buscar e descobrir se realmente ocorreu o fato gerador e sua real expressão econômica. Tais documentos são pertinentes, pois se destinam a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Ademais, com isso, evitamse eventuais discussões acerca do cerceamento do direito de defesa, garantindo ao contribuinte a ampla possibilidade de instrução probatória. Esclareço, contudo, que tal fato não implica em acatar os argumentos de defesa, tendo em vista que o julgador é livre para formar seu convencimento e valorar a prova. 5. Preliminares. 5.1. Da arguição de nulidade do auto de infração em razão de suposta deficiência no Mandado de Procedimento Fiscal MPF. O contribuinte sustenta que houve erro do agente autuante, ao apontar em seu relatório que levou em consideração para lavratura do presente auto, o período de janeiro de 2008 a novembro de 2009, quando na verdade não solicitou nenhuma documentação desse período, de maio de 2009 a novembro de 2009, até porque o Mandado de Procedimento Fiscal não teria contemplado esse período para fiscalização, não podendo servir de base para lavratura do presente auto. Contudo, conforme esclareceu a decisão de piso, o Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização nº 08.1.90.002010001548, emitido em 18 de janeiro de 2010 para fiscalização de Tributos/Contribuições: Contribuições Previdenciárias e para Outras Entidades e Fundos, inicialmente previsto para apuração do período de 01/2006 a 04/2009, foi alterado por três vezes, ou seja, 25/05/2010, 16/12/2010 e 25/02/2011. A alteração ocorrida em 25/02/2011 serviu para incluir os seguintes tributos: IRPJ para o período de 01/2007 a 12/2008 e CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS E PARA OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS, para o período 05/2009 a 12/2010. Fl. 4815DF CARF MF Processo nº 19515.000843/201103 Acórdão n.º 2401005.649 S2C4T1 Fl. 4.816 19 Ressaltase, que apesar de o agente autuante mencionar em seu Relatório Fiscal o período de janeiro de 2008 a novembro de 2009, o valor da multa lançada, no montante de R$ 586.574,45, diz respeito somente aos fatos geradores compreendidos entre janeiro a novembro de 2008 (fls. 477), cujas competências nos Autos de Infração de Obrigação Principal foram beneficiadas com a multa de mora de 24% (vinte e quatro por cento). Assim, a menção a período diverso do autuado, tratase de mero erro material que não prejudicou o exercício da ampla defesa pelo contribuinte. Ademais, é assente neste Conselho o entendimento segundo o qual o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) constitui mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária, sendo assim, irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para anular o lançamento que se constitui em ato obrigatório e vinculado, sob pena de responsabilidade funcional por parte do agente fiscal. 5.2. Da arguição de nulidade do auto de infração e da decisão de primeira instância em decorrência do cerceamento do direito de defesa e contraditório. Pedido de prova pericial. Alega o recorrente, a nulidade do lançamento efetuado pela fiscalização, bem como do acórdão proferido pela decisão de primeira instância, por entender que vulnera os princípios do contraditório e da ampla defesa, com resultado danoso ao seu interesse defensivo, pela surpresa de fatos novos imputados, sem prova, e colhidos informalmente, após a apresentação da impugnação. Assim, entende que, no desenrolar do processo administrativo, deveria ter sido notificado ou intimado para se manifestar pessoalmente ou por meio do seu advogado, tomando ciência dos novos fatos, documentos, aferições procedidas e das informações colhidas de maneira informal e extemporânea, pelo Julgador, principalmente dos fatos que culminaram no redirecionamento do relato fiscal e no julgamento do feito, em homenagem ao princípio do contraditório e da ampla defesa. Nesse sentido, defende que sua intimação era imprescindível para que pudesse apresentar e opor argumentos e/ou documentos acerca da diligência informal empreendida pelo Julgador que apontou falhas no sistema de transmissão das GFIPs (transmissão de novas GFIPs e/ou GFIPs retificadoras que substituíram as anteriores), fato de importância que, no seu entendimento, alterou o auto de infração e corroborou para a manutenção da referida exigência. Ademais, sustenta ter o direito incondicional de produzir e requerer as diligências e perícias necessárias para contrapor os novos elementos elencados e imputados pelo julgador, inclusive a apresentação de provas que estariam na posse do ente administrativo. Pois bem. Entendo que a questão se encontra superada, tendo sido outorgado ao contribuinte, durante o processo administrativo, a mais ampla possibilidade de produção de provas, além do exercício do contraditório, não havendo que se falar em prejuízo à ampla defesa. Vale lembrar que após a apresentação do apelo recursal, em petição de fls. 4289/4311, o contribuinte requereu a juntada e apreciação do Relatório denominado CVALDIV – Consulta Demonstrativo da Divergência Apurada, documento interno e Fl. 4816DF CARF MF Processo nº 19515.000843/201103 Acórdão n.º 2401005.649 S2C4T1 Fl. 4.817 20 disponibilizado pela Receita Federal do Brasil de Jales (SP), após requerimento formal e recolhimento das respectivas custas. Na mesma oportunidade, requereu a juntada de “Planilha Comparativa – GFIP x Pendências Apuradas”, de todas as filiais e respectivas competências, acompanhada de informações detalhas na forma de “Anexo” e “Notas Explicativas”. É ver, ainda, que com a prolação da Resolução nº. 2401000.275 (fls. 4316/4325), de lavra desta 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, o contribuinte foi intimado a prestar esclarecimentos sobre as divergências verificadas entre as GFIPs apresentadas e os dados constantes no sistema informatizado da Receita Federal. Ato contínuo, sobreveio a instauração do Mandado de Procedimento Fiscal – Diligência n° 08.1.90.002014002050 (fls. 4338), com a consequente intimação do contribuinte, por meio do Termo de Início de Procedimento Fiscal (fls. 6054 do Processo n° 19515.000841/201114), a apresentar: planilha detalhada (inclusive em meio magnético), por competência, com cada uma das GFIPs entregues, com a respectiva data de entrega, competência a que se refere e código de entrega e em relação a cada GFIP informar a base de cálculo declarada; sendo necessário, ainda, indicar na planilha todas as GFIPs entregues (transmitidas) em cada competência e não somente as alegadas para rebater o lançamento de crédito. O contribuinte, após requerer a prorrogação de prazo para atendimento da intimação (fls. 4359/4360), compareceu aos autos, requerendo a juntada da planilha elaborada conforme solicitação fiscal (fls. 4367/4628), contendo: (i) GFIPs entregues por competência (mês e estabelecimento); (ii) Data de entrega de cada GFIP; (iii) Código de entrega de cada GFIP; (iv) Base de cálculo declarada em cada GFIP. Em seguida, foi lavrado o Termo de Ciência de Diligência, Informação Fiscal e de Encerramento de Diligência Fiscal n° 08.1.90.002014002050 (fls. 4629/4631), tendo sido o contribuinte devidamente intimado para se manifestar sobre o resultado da diligência, no prazo de 10 (dez) dias, o que foi feito no dia 04/04/2014 (fls. 4647/4649). Ademais, o presente feito foi novamente convertido em diligência, por meio da Resolução n° 2401000.575 (fls. 4736/4744), de lavra desta 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, tendo sido o contribuinte intimado em duas oportunidades para prestar esclarecimentos (fls. 4750 e 4767), quedandose, contudo, inerte, mesmo após ter solicitado a prorrogação de prazo (fls. 4752 e 4769). Como consequência, houve a formalização do Relatório de Encerramento de Diligência Fiscal (fls. 4772/4792), encaminhado para o contribuinte, oportunizandose, sua manifestação, também no prazo de 10 (dez) dias (fls. 4775), tendo tomado ciência no dia 05/02/2018 (fls. 4793), quedandose, também, inerte. Pois bem. Vale lembrar que a fiscalização utilizou para cálculo dos valores das contribuições as informações constantes em GFIP, bem como o valor das remunerações pagas pela empresa e seus segurados informadas nas folhas de pagamento, nas planilhas de contribuintes individuais e na contabilidade da empresa, conforme podese verificar no Relatório Fiscal do Auto de Infração (fls. 24/25). Dos valores apurados foram abatidos do lançamento os valores recolhidos pelo contribuinte nas respectivas guias de Recolhimento – GPS, conforme Relatório de Fl. 4817DF CARF MF Processo nº 19515.000843/201103 Acórdão n.º 2401005.649 S2C4T1 Fl. 4.818 21 Apropriação de Documentos Apresentados – RADA (fls. 213 a 260 do Processo n° 19515.000841/201114). Constato que foi oportunizado ao contribuinte o devido processo legal e a ampla possibilidade de instrução probatória, não havendo qualquer nulidade no presente feito, estando íntegro o acórdão proferido pela decisão de piso. Friso que o exercício da ampla defesa, se não exercido, foi por opção do contribuinte, tendo sido outorgado durante o curso do processo administrativo a mais ampla oportunidade para se manifestar e comprovar suas alegações. Ademais, não há nenhum vício que macula o presente lançamento tributário, não tendo sido constatada violação ao devido processo legal e à ampla defesa, havendo a devida descrição dos fatos e dos dispositivos infringidos e da multa aplicada. Portanto, entendo que não se encontram motivos para se determinar a nulidade do lançamento, por terem sido cumpridos os requisitos legais estabelecidos no artigo 11 do Decreto n° 70.235/72, notadamente considerando que o contribuinte teve oportunidade de se manifestar durante todo o curso do processo administrativo, após a conversão do feito em diligência, o que ocorreu em duas oportunidades. Nesse desiderato, destaco que a conversão do julgamento em diligência ou eventual pedido de produção de prova pericial não serve para suprir ônus da prova que pertence ao próprio contribuinte, dispensandoo de comprovar suas alegações. Deve haver um lastro mínimo de indício probatório e que exija conhecimentos técnicos ou científicos para fins de autorizar o deferimento de prova pericial, não sendo a hipótese dos autos. Dessa forma, entendo que o presente feito não demanda maiores investigações e está pronto para ser julgado, dispensando, ainda, a produção de prova pericial técnica, por não depender de maiores conhecimentos científicos, podendo a questão ser resolvida por meio da análise dos documentos colacionados nos autos, bem como pela dinâmica do ônus da prova, conforme se verá. E, ainda, o feito em questão perdura desde o ano de 2011, sendo dever dos conselheiros observar o devido processo legal, assegurando às partes igualdade de tratamento e zelando pela rápida solução do litígio (art. 41, III, Anexo II, do RICARF). 6. Mérito. Estando devidamente superadas e enfrentadas as questões acima, passo a analisar o mérito. 6.1. Da alegação de que o débito apurado já foi declarado em GFIP. Conforme consta no Relatório Fiscal de fls. 377/379 do Processo n° 19515.000841/201114, que diz respeito aos Autos de Infração de Obrigação Principal, conexo com o presente Auto de Infração de Obrigação Acessória, a acusação fiscal está lastreada pelos seguintes fundamentos e elementos de prova que elucidam didaticamente o caminho percorrido pela fiscalização para se chegar ao montante autuado: (a) Os valores das contribuições apuradas tiveram origem nos montantes mensais lançados nas folhas de pagamento, planilhas de contribuintes individuais apresentadas e em sua contabilidade nas contas dos Grupos 3.1.01.01.01 – Mão de Obra (Custo), Fl. 4818DF CARF MF Processo nº 19515.000843/201103 Acórdão n.º 2401005.649 S2C4T1 Fl. 4.819 22 5.1.01.01.01 – Despesas de Pessoal, 3.1.01.05.01 – Serviços de Terceiros Pessoa Física, 5.2.02.01.01.00003 – Comissões sobre Vendas; (b) Os pagamentos efetuados, não declarados em GFIP – Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações sobre a Previdência Social podem ser observados de forma individualizado na planilha anexa aos autos; (c) Foram utilizados os seguintes códigos de levantamento: IN – Contribuintes Individuais não declarados em GFIP com multa de mora de 24%; NI – Contribuintes Individuais não Declarados em GFIP com multa de ofício de 75%; ND – Segurados empregados não declarados em GFIP com multa de ofício de 75%; e SN – Segurados empregados não declarados em GFIP com multa de mora de 24%; NT – Transportador Autônomo Não Declarado em GFIP com multa de ofício de 75% e TN – e Transportador Autônomo Não Declarado em GFIP com multa de mora de 24%; (d) Foi feita a comparação entre a situação atual e a anterior, no tocante à aplicação da multa, aplicandose sempre a mais benéfica ao contribuinte, situação anterior à MP n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, e situação atual, conforme determina o artigo 106, II, alínea “c” do CTN – Lei n° 5.172/66 (tabela comparativa); (e) Serviram de base para análise e apuração do crédito: as contas contábeis do contribuinte (elencadas acima), GFIPs constantes no sistema da Previdência Social, planilhas de pagamento a Contribuintes Individuais e Folhas de Pagamento apresentadas. Já no Relatório Fiscal de fls. 24/25, referente ao presente Processo que diz respeito ao Auto de Infração de Obrigação Acessória, consta que: (a) No exame das GFIP – Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, verificouse que a empresa entregou no período compreendido entre janeiro de 2008 a novembro de 2009 GFIP de seus segurados não informando todos os valores de Base de Cálculo (BC) de seus segurados empregados e contribuintes individuais constantes das folhas de pagamento apresentadas e respectivos lançamentos contábeis, ocorrendo omissão parcial de informação na GFIP; (b) A multa aplicada está prevista no artigo 32, § 5° da Lei n° 8.212/91 c/c artigo 284, II, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99 e alterado pelo Decreto n° 4.862/03, e corresponde a R$ 586.574,45, valor com atualização feita pela Portaria Interministerial MPS/MF 568 de 31/12/2010, por fora do artigo 373 do RPS; (c) Quanto às contribuições sociais referentes aos contribuintes individuais (administradores e autônomos), a parte referente à contribuição do segurado foi calculada individualmente de acordo com a alíquota vigente à época (11%), respeitandose o limite estabelecido; na contribuição patronal foi utilizada a alíquota de 20%, aplicada sobre a base de cálculo não declarada; já para os segurados empregados, a parte referente à contribuição do segurado foi calculada individualmente respeitandose as alíquotas e limites nas épocas próprias, para a parte patronal a alíquota aplicada foi de 20% para a empresa e 3% SAT/RAT sobre as bases de cálculo não declaradas; Fl. 4819DF CARF MF Processo nº 19515.000843/201103 Acórdão n.º 2401005.649 S2C4T1 Fl. 4.820 23 (d) No período em questão, o número de segurados da empresa a enquadrava na faixa de 1001 a 5000 segurados (35 vezes o Valor Mínimo), para efeito de limite do valor da multa, consoante legislação, correspondente a R$ 53.324,95 por competência; (e) Foi respeitado o disposto no art. 106, II, “c”, do CTN que trata da retroatividade benigna. Pois bem. Insurgindose contra o presente lançamento, o recorrente traz como principal argumento de mérito para elidir a acusação fiscal, a alegação no sentido de que o débito levantado de ofício já estava declarado pelo contribuinte em sua GFIP, apresentada, tempestivamente, não incorrendo, portanto, na conduta infracional apontada pelo fisco. Para reforçar sua alegação, o contribuinte juntou, aos autos, durante o curso do processo administrativo, os seguintes documentos: GFIPs (fls. 538/741); GFIPs transmitidas, referentes ao período de 01/2008 a 04/2009, devidamente impressas, bem como as Guias de Recolhimento do FGTS, além das GFIPs no formato digital, devidamente validada pelo Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais, versão 3.0.9 (2012.03.22) (fls. 931/4284); Relatório denominado CVALDIV – Consulta Demonstrativo da Divergência Apurada e “Planilha Comparativa – GFIP x Pendências Apuradas”, de todas as filiais e respectivas competências, acompanhada de informações detalhas na forma de “Anexo” e “Notas Explicativas” (fls. 4289/4311). E, ainda, após a primeira conversão do julgamento em diligência, com a prolação da Resolução n° 2401000.275 (fls. 4316/4325), o contribuinte fez a juntada de planilha (fls. 4367/4628), contendo: (i) GFIPs entregues por competência (mês e estabelecimento); (ii) Data de entrega de cada GFIP; (iii) Código de entrega de cada GFIP; (iv) Base de cálculo declarada em cada GFIP. Contudo, entendo que os documentos apresentados pelo contribuinte, longe de ilidirem a acusação fiscal, reforçam o acerto do lançamento. Isso porque, as GFIPs juntadas aos autos pelo recorrente, de fato, foram “excluídas” ou “substituídas” por outras, de modo que para afastar o presente lançamento, não basta a juntada de GFIPs, exigindo, ainda, que sejam as últimas GFIPs transmitidas, pois somente essas é que são consideradas válidas. É ver os exemplos abaixo: Competência Número de Controle da GFIP Situação 01/2008 FquEK6tcwUB00005 Exportada – Excluída 02/2008 MtZfF1mn67l00000 Exportada – Substituída 03/2008 HfbnsASOww800007 Exportada – Excluída 04/2008 BwQFC0q8Isv00006 Excluída – Não Exportada 05/2008 MKQYG1SfGSR00005 Exportada Excluída Fl. 4820DF CARF MF Processo nº 19515.000843/201103 Acórdão n.º 2401005.649 S2C4T1 Fl. 4.821 24 01/2009 PebUdnr5Zsm00007 Exportada Substituída 02/2009 Hut7cw84g7O00002 Exportada Substituída 03/2009 OuK92EBvHF500003 Exportada Substituída 04/2009 Mhvn9h8agXK00006 Exportada – Substituída 01/2008 I0WuHt0A0SY00005 Exportada – Excluída 01/2009 FkwNbH0Dr5700000 Exportada Substituída A conclusão acima foi, inclusive, a mesma do Acórdão n° 1635.485 – de lavra da 12ª Turma da DRJ/SP1 (fls. 1566/1585 do Processo n° 19515.000841/201114) que diz respeito aos conexos Autos de Infração de Obrigação Principal, bem como do Termo de Ciência de Diligência, Informação Fiscal e de Encerramento da 1ª Diligência Fiscal (fls. 4629/4631), e, ainda, do Relatório de Encerramento da 2ª Diligência Fiscal (fls. 4772/4792). É ver os seguintes excertos: Acórdão n° 1635.485 – 12ª Turma da DRJ/SP1 (fls. 1566/1585 do Processo n° 19515.000841/201114) (...) Ocorre que, com o intuito de verificarmos as GFIP´s entregues pela Impugnante, para confrontarmos os valores por ela declarados e os apurados pela fiscalização, consultamos o sistema informatizado da Receita Federal do Brasil e constatamos que embora a empresa tenha juntado na defesa cópias de GFIP´s por ela declaradas, entregou na rede bancária novas GFIP´s, apagando do sistema as informações anteriormente prestadas. Tomandose como exemplo a competência 10/2008, do Estabelecimento CNPJ nº 65.791.980/000133 verificase que a empresa entregou 4 GFIP’s para esta competência entre 05/11/2008 e 14/06/2009, sendo duas com o FPAS 612 e duas com o FPAS 515; código de recolhimento 115. Sendo assim, muito embora a empresa tenha declarado informações nas GFIP; ter alegado e juntado na defesa GFIP que abrangem o período do débito aqui discutido, tais informações não constam mais do sistema informatizado da RFB, tendo sido apagadas pelo Contribuinte. Vale esclarecer ainda que a partir da versão 8.0 do SEFIP, o empregador/contribuinte deve elaborar uma única GFIP para cada chave (dados básicos que identificam a GFIP: CNPJ, competência, FPAS e código de recolhimento. Caso sejam transmitidas mais de uma GFIP para uma mesma chave; ou seja, com o mesmo CNPJ do empregador/contribuinte, mesma competência, mesmo FPAS e mesmo código de recolhimento, a Previdência Social considera a GFIP entregue posteriormente como GFIP retificadora, substituindo as Fl. 4821DF CARF MF Processo nº 19515.000843/201103 Acórdão n.º 2401005.649 S2C4T1 Fl. 4.822 25 informações anteriormente prestadas na GFIP/SEFIP com a mesma chave. Assim, no caso de retificação de informações de GFIP anteriormente transmitidas para uma referida competência, o contribuinte deve informar na nova GFIP todos os trabalhadores constantes daquela apresentada anteriormente, e a informação a ser retificada. Tivesse a empresa entregue GFIP’s na forma estabelecida pelo Manual da GFIP, não haveria substituição das GFIP´s entregues anteriormente. Diligência Fiscal n° 08.1.90.002014002050 (fls. 4629/4631) (...) Resultado do Procedimento Fiscal: O contribuinte entregou e vem entregando novas GFIPs para os diversos estabelecimentos e competência que acabam por alterar as bases de cálculo e consequentemente os valores devidos, e em nenhum momento verificase que o contribuinte ao entregar as GFIPs retificadoras observou o que determina o Manual da GFIP/SEFIP especificamente o Capítulo V – RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÕES Item 1 – ORIENTAÇÕES GERAIS PARA RETIFICAÇÃO VIA GFIP/SEFIP. Relatório de encerramento de diligência fiscal (fls. 4772/4792) (...) Portanto a sistemática de retificações da GFIP (transmissão de novo arquivo SEFIPCR.SFP, contendo todos os fatos geradores) data de 2005 (não tendo sido modificado até o presente), sendo que a empresa objeto dos lançamentos fiscais NÃO efetuou as retificações das suas GFIPs de acordo com a legislação, ou seja, transmitiu novos arquivos SEFIPCR.SFP informando apenas parte dos fatos geradores, por esse motivo houve a lavratura de Autos de Infração referentes à obrigação acessória. Ademais, conforme esclarecido no Relatório de Encerramento de Diligência Fiscal (fls. 4772/4792), não se constatou em nenhuma competência a ocorrência de entrega de GFIP antes do procedimento fiscal, não considerada na lavratura do Auto de Infração e que fosse capaz de alterar o lançamento. Em resumo, as GFIPs devidamente “exportadas”, foram consideradas na apuração do débito, sendo que os valores ali constantes não foram utilizados para o cálculo das contribuições referentes à “Obrigação Principal”, evitandose, com isso, sua constituição em duplicidade. Conforme esclarecido, a fiscalização efetuou o lançamento das Contribuições Previdenciárias considerando os valores das remunerações pagas pela empresa a seus segurados, informados nas folhas de pagamento, nas planilhas de contribuintes individuais e na contabilidade da empresa. Não é demasiado esclarecer que o registro das informações em GFIP, dos dados da empresa e dos trabalhadores, dos fatos geradores de contribuições previdenciárias e dos valores devidos ao INSS, bem como das remunerações dos trabalhadores e do valor a ser Fl. 4822DF CARF MF Processo nº 19515.000843/201103 Acórdão n.º 2401005.649 S2C4T1 Fl. 4.823 26 recolhido ao FGTS, tratase de obrigatoriedade introduzida pela Lei nº 9.528/97, não se tratando de mera faculdade do contribuinte. Fato é que desde a competência janeiro de 1999, todas as pessoas físicas ou jurídicas sujeitas ao recolhimento do FGTS, conforme estabelece a Lei nº 8.036/90 e legislação posterior, bem como às contribuições e/ou informações à Previdência Social, conforme disposto nas Leis nº 8.212/91 e 8.213/91 e legislação posterior, devem cumprir esta obrigação1. Ademais, a obrigatoriedade de entrega da GFIP persiste ainda que não haja recolhimento para o FGTS, caso em que esta GFIP será declaratória, contendo todas as informações cadastrais e financeiras de interesse da Previdência Social. Inexistindo recolhimento ao FGTS e informações à Previdência Social, o empregador/contribuinte deve transmitir pelo Conectividade Social um arquivo SEFIPCR.SFP com indicativo de ausência de fato gerador (sem movimento), que é assinalado na tela de abertura do movimento, para o código 1152. As informações prestadas incorretamente devem ser corrigidas por meio do próprio SEFIP a partir de 01/12/2005, conforme estabelecido no Capítulo V do Manual da GFIP aprovado pela IN RFB nº 880, de 16/10/2008 e pela Circular CAIXA nº 451, de 13/10/2008. Os fatos geradores omitidos devem ser informados mediante a transmissão de novo arquivo SEFIPCR.SFP, contendo todos os fatos geradores, inclusive os já informados, com as respectivas correções e confirmações3. Dessa forma, como bem esclarecido pela decisão de piso, a partir da versão 8.0 do SEFIP, o empregador/contribuinte deve elaborar uma única GFIP para cada chave (dados básicos que identificam a GFIP: CNPJ, competência, FPAS e código de recolhimento). Caso sejam transmitidas mais de uma GFIP para uma mesma chave; ou seja, com o mesmo CNPJ do empregador/contribuinte, mesma competência, mesmo FPAS e mesmo código de recolhimento, a Previdência Social considera a GFIP entregue posteriormente como GFIP retificadora, substituindo as informações anteriormente prestadas na GFIP/SEFIP com a mesma chave. Assim, no caso de retificação de informações de GFIP anteriormente transmitidas para uma referida competência, o contribuinte deve informar na nova GFIP todos os trabalhadores constantes daquela apresentada anteriormente, e a informação a ser retificada, sob pena de a GFIP restar incompleta. O Órgão Julgador de 1ª Instância, nos autos do Processo n° 19515.000841/201114, que diz respeito aos conexos Autos de Infração de Obrigação Principal, consultando o sistema SEFIP/GFIP, constatou que, para as competências do período fiscalizado, a empresa autuada declarou inúmeras GFIPs para a mesma competência, 1 GFIP e SEFIP – Orientações Gerais. Disponível em: <http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/tributaria/declaracoesedemonstrativos/gfipsefipguiadofgtse informacoesaprevidenciasocial1/orientacoesgerais/gfipesefiporientacoesgerais>. Acesso em: 13/06/2018. 2 GFIP e SEFIP – Orientações Gerais. Disponível em: <http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/tributaria/declaracoesedemonstrativos/gfipsefipguiadofgtse informacoesaprevidenciasocial1/orientacoesgerais/gfipesefiporientacoesgerais>. Acesso em: 13/06/2018. 3 GFIP e SEFIP – Orientações Gerais. Disponível em: <http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/tributaria/declaracoesedemonstrativos/gfipsefipguiadofgtse informacoesaprevidenciasocial1/orientacoesgerais/gfipesefiporientacoesgerais>. Acesso em: 13/06/2018. Fl. 4823DF CARF MF Processo nº 19515.000843/201103 Acórdão n.º 2401005.649 S2C4T1 Fl. 4.824 27 sobrepondose umas às outras, todas preenchidas em desacordo com as orientações sobre chave de GFIP/SEFIP e modalidades, nos subitens 7.1 e 7.2 no Capítulo I do Manual da GFIP. Dessa maneira, nos sistemas informatizados da RFB restaram registrados, tão somente, as declarações contidas na última GFIP enviada com a mesma chave, a qual, reitere se, substitui integralmente as informações declaradas nas GFIPs anteriores. Nesse sentido, malgrado o Recorrente alegue ter declarado os fatos geradores nas GFIPs do período em questão, não se tratam das últimas GFIPs transmitidas e consideradas válidas, pois foram substituídas ou excluídas. Ao agir de maneira equivocada, em desconformidade com as determinações e orientações constantes no Manual da GFIP/SEFIP para Usuários do SFIP 8, tal fato acarretou a substituição das informações antes prestadas pela empresa, como alerta o item 7.2 do Manual da GFIP Versão 8.44. O lançamento tomou como base as informações prestadas em folhas de pagamento e GFIP, sem que o recorrente tenha trazido aos autos, qualquer documentação hábil ou mesmo idônea a demonstrar a efetiva declaração em GFIP válida ou mesmo eventual equívoco nas declarações prestadas. Comprovar a declaração em GIFIP, mas que não seja GFIP válida (última transmitida), não é o suficiente para afastar a acusação fiscal. Alertase, ainda, que todos os recolhimentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao período fiscalizado, encontramse registrados no Relatório de Documentos Apresentados (fls. 345/359 do Processo n° 19515.000841/201114) e que foram considerados pela fiscalização quando dos lançamentos efetuados, não sendo possível arguir a exigência de cobrança em duplicidade. Nesse sentido, as diferenças de contribuições sociais apuradas no lançamento tributário não foram declaradas em GFIPs correspondentes, antes do início do procedimento fiscal, tampouco recolhidas em Guias da Previdência Social – GPS. Descabe, ainda, a alegação do recorrente no sentido responsabilizar o Fisco ou a Instituição Bancária responsável pela suposta transmissão das GFIPs, pois é o próprio contribuinte que tem o dever de zelar pelo bom e efetivo cumprimento de suas obrigações tributárias, não sendo possível transferir responsabilidade que lhe é imposta, por força de lei, a terceiros. E, ainda, apesar de o contribuinte defender com veemência que desconhece a existência eventuais GFIPs retificadoras, no curso do processo administrativo, acaba por reconhecer sua existência, afirmando, contudo, que o ônus de sua juntada nos autos seria da própria fiscalização. É ver o seguinte trecho da manifestação de fls. 4647/4649, protocolizada no dia 04/04/2014: Finalmente, vale ressaltar que a não apresentação pela requerente de eventuais GFIP’s retificadoras, não pode ter o 4 Manual da GFIP/SEFIP Para Usuários do SEFIP 8.4. Orientação para prestação das informações. Atualização: 10/2008. Disponível em: <http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/tributaria/declaracoese demonstrativos/gfipsefipguiadofgtseinformacoesaprevidenciasocial1/orientacoesgerais/gfipesefip orientacoesgerais> . Acesso em: 13/06/2018. Fl. 4824DF CARF MF Processo nº 19515.000843/201103 Acórdão n.º 2401005.649 S2C4T1 Fl. 4.825 28 condão de validar a lavratura do Auto de Infração, posto ser flagrante a sua nulidade. Ademais, conforme consta no relatório de encerramento do procedimento fiscal ora impugnado, o sr. Auditor fiscal afirma que “todas as GFIP’s entregues constam no sistema, sejam válidas ou substituídas (...)”, o que demonstra cabalmente que todas as informações solicitadas (GFIP’s entregues por competência, data de entrega, código de entrega e base de cálculo declarada de cada GFIP) constam no banco de dados da Previdência Social, inexistindo, portanto, qualquer óbice para que o sr. Auditor atendesse a determinação emanada do Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e que deu origem a presente diligência, qual seja, a elaboração de nova planilha esclarecendo os lançamentos em questão e sua manifestação quanto aos documentos juntados posteriormente a apresentação do recurso, consistente no Relatório “CVALDIN”, documento interno da Receita Federal comprobatório de que não existe nenhuma divergência dos valores declarados espontaneamente pelo contribuinte, com os que constam nos bancos de dados da Previdência Social, que pudesse ensejar ou justificar o aditamento e alteração substancial do auto de infração. E, ainda, o próprio contribuinte, em resposta ao Termo de Início de Constatação RPF/MPF n° 08.1.90.00.2014.002050 (fls. 4367/4628), por meio de consulta ao sistema DATAPREV GFIP WEB – Usuário UI21404/0935880, demonstrou ter absoluta ciência da existência das GFIPs retificadoras (fls. 4385/4606), fato anteriormente negado, uma vez que alegou ter sido surpreendido, com essa informação, tão somente durante o curso do processo administrativo. Ademais, após a elaboração do Relatório de Encerramento de Diligência Fiscal (fls. 4772/4792) pela autoridade fiscal, como resultado da 2ª Conversão do Julgamento em Diligência, o contribuinte foi intimado no dia 05/02/2018 (fls. 4793) para se pronunciar sobre “quais GFIPs teriam sido entregues e que não sejam aquelas utilizadas pela fiscalização como parâmetro do lançamento, que não constem na planilha elaborada pela fiscalização, com a devida prova de suas alegações”, sendo que permaneceu inerte, mostrando desinteresse na instrução probatória. Por outro lado, a alegação de que o ônus de colacionar aos autos as GFIPs substitutas seria do fisco que possui o controle das informações fiscais, merece profundas ressalvas. O princípio da verdade material exige que o fisco busque as provas para fundamentar suas alegações, mas o contribuinte tem também a obrigação de colaborar para que a realidade dos fatos venha a prevalecer, sobretudo quando a prova é de seu próprio interesse. Entendo que caberia ao contribuinte demonstrar a efetiva validade das GFIPs que colacionou aos autos, por serem as últimas transmitidas antes do início da ação fiscal ou lançamento, ou, ainda, apresentar as GFIPs retificadoras com a declaração dos respectivos fatos geradores e com validade perante o sistema da Receita Federal, ou, até mesmo, a existência de eventuais erros de declaração, ônus esse que não se desincumbiu. Fl. 4825DF CARF MF Processo nº 19515.000843/201103 Acórdão n.º 2401005.649 S2C4T1 Fl. 4.826 29 Nesse ponto, vale transcrever as lições de Fabiana Del Padre Tomé5: Tendo em visa ser a prova uma espécie de fato que se reporta a outro enunciado fático, motivando o fato jurídico em sentido estrito, apresentase a prova como elemento indispensável para a regular constituição do fato jurídico em sentido estrito, no âmbito de norma jurídica em sentido estrito [mais especificamente, de norma individual e concreta]. Tal conclusão aplicase ainda que a assertiva seja referente a fatos negativos. A negação de um fato jurídico exige determinação no tempo e no espaço, caracterizando aquilo que Devis Echandía denominou negativas formais, por seu conteúdo implicar afirmação de fato positivo contrário ao alegado pela parte adversa. Semelhante é o posicionamento de Nicola Framarino dei Malatesta, para quem “a negação de uma determinada qualidade e a de um direito determinado são sempre formais”. Esclarece o autor: “Não se nega a qualidade de branco a um objeto, senão para asseverar que sua cor é vermelha, verde, amarela, ou qualquer outra, contrária ao branco. A negação de uma qualidade é sempre, portanto, formal, tendo por conteúdo imediato, a afirmação de uma outra qualidade. [...] A existência real de todo direito concreto está sempre ligada à existência de condições positivas. Por isso, de um lado, o sujeito exclusivo do direito é a pessoa humana e não se pode conceber um direito, direi assim, suspenso fora do sujeito; do outro, a existência de todo direito concreto está ligada à existência de determinadas condições positivas e não é por isso admissível pela existência de condições positivas contrárias. Quando, pois, se nega um direito a uma pessoa, se o afirma a outra ou ao menos se afirma uma condição positiva, incompatível com a existência do direito em questão”. A prova compete a quem tem interesse em fazer prevalecer o fato afirmado. Por outro lado, se o autor apresenta provas do fato que alega, incumbe ao demandado fazer a contraprova, demonstrando fato oposto. Em processo tributário, por exemplo, se o Fisco afirma que houve determinado fato jurídico, apresentando documento comprobatório, ao contribuinte cabe provar a inocorrência do alegado fato, apresentando outro documento, pois a negativa se resolve em uma ou mais afirmativas. (Grifo nosso) Ressalto, ainda, que não se trata de invocar a presunção de legitimidade dos atos administrativos para fazer prevalecer a autuação, dado que é “(...) insustentável o lançamento ou o ato de aplicação de penalidade que não tenha suporte em provas suficientes da ocorrência do evento”6, mas sim de privilegiar a correta distribuição do ônus da prova, já que o fato alegado e não comprovado, no sentido de que as GFIPs colacionadas aos autos em defesa são válidas, é de interesse do próprio contribuinte. 5 TOMÉ, Fabiana Del Padre. A prova no direito tributário: de acordo com o código de processo civil de 2015. 4. Ed. Rev. Atual. São Paulo: Noeses, 2016. p. 288289. 6 TOMÉ, Fabiana Del Padre. A prova no direito tributário: de acordo com o código de processo civil de 2015. 4. Ed. Rev. Atual. São Paulo: Noeses, 2016. p. 298. Fl. 4826DF CARF MF Processo nº 19515.000843/201103 Acórdão n.º 2401005.649 S2C4T1 Fl. 4.827 30 Ademais, conforme novamente esclarece Fabiana Del Padre Tomé7, “(...) provar algo não significa simplesmente juntar um documento aos autos. É preciso estabelecer relação de implicação entre esse documento e o fato que se pretende provar, fazendoo com o animus de convencimento”. Para além do exposto, o Relatório de Encerramento de Diligência Fiscal (fls. 4772/4792) foi enfático em afirmar que não se constatou em nenhuma competência a ocorrência de entrega de GFIP antes do procedimento fiscal, não considerada na lavratura do Auto de Infração e que fosse capaz de alterar o lançamento. E, ainda, o mesmo Relatório de Encerramento de Diligência Fiscal (fls. 4772/4792) afirmou que: Nos Autos de Infração referentes a obrigação principal os argumentos elencados pelo contribuinte contra o lançamento fiscal não se sustentam visto que a sobreposição de GFIPs NÃO alterou o cálculo das contribuições lançadas, posto que foram calculadas pela diferença entre os valores devidos (decorrentes dos fatos geradores encontrados nas folhas de pagamento, nas planilhas de contribuintes individuais e na contabilidade da empresa) e dos valores recolhidos nas guias de recolhimento – GPS. Oportuno, ainda, refutar as alegações do contribuinte no sentido de que a regularidade do procedimento adotado estaria comprovada no Relatório denominado CVALDIV – Consulta Demonstrativo da Divergência Apurada e “Planilha Comparativa – GFIP x Pendências Apuradas”, de todas as filiais e respectivas competências, acompanhada de informações detalhas na forma de “Anexo” e “Notas Explicativas” (fls. 4289/4311). Tratase de documento interno da Receita Federal do Brasil e que, no meu entendimento, não tem o alcance probatório que o contribuinte alega ter, mormente considerando que serviram de base para análise e apuração do presente lançamento, as contas contábeis do contribuinte, as GFIPs constantes no sistema da Previdência Social quando do fato gerador, as planilhas de pagamento a Contribuintes Individuais, bem como as Folhas de Pagamento apresentadas. Em outras palavras, foi mediante o confronto desses documentos é que a fiscalização tributária efetuou o lançamento que aqui se combate. Assim, o Relatório denominado CVALDIV – Consulta Demonstrativo da Divergência Apurada e “Planilha Comparativa – GFIP x Pendências Apuradas” (fls. 4289/4311), apenas traz uma visão isolada das informações constantes em GFIPs no sistema da Receita Federal, em momento dissociado do fato gerador, sendo que o lançamento tributário em questão, referese justamente a débitos não declarados em GFIP, não havendo comprovação do contribuinte em sentido contrário, ou seja, de que os débitos objeto do presente lançamento foram efetivamente declarados tempestivamente em GFIP válidas. Nesse compasso, o comparativo elaborado pelo contribuinte levou em consideração GFIPs que já foram substituídas e que, portanto, não se prestam a afastar a higidez do presente lançamento. Ademais, o número de controle das GFIPs constantes no Relatório denominado CVALDIV – Consulta Demonstrativo da Divergência Apurada (fls. 4289/4311), 7 TOMÉ, Fabiana Del Padre. A prova no direito tributário: de acordo com o código de processo civil de 2015. 4. Ed. Rev. Atual. São Paulo: Noeses, 2016. p. 405. Fl. 4827DF CARF MF Processo nº 19515.000843/201103 Acórdão n.º 2401005.649 S2C4T1 Fl. 4.828 31 são de GFIPs posteriores ao lançamento tributário, não fazendo prova, pois, de que o contribuinte havia declarado os débitos em GFIP em momento anterior à ação fiscal. Tal fato é possível constatar mediante a análise em conjunta do número de controle das GFIPs constantes no Relatório denominado CVALDIV – Consulta Demonstrativo da Divergência Apurada (fls. 4289/4311 do presente Processo e fls. 5111/5728 do Processo n° 19515.000841/201114), com o documento pertencente ao sistema DATAPREV GFIP WEB – Usuário UI21404/0935880, apresentado pelo próprio contribuinte em sua resposta ao Termo de Início de Constatação RPF/MPF n° 08.1.90.00.2014.002050 (fls. 4385/4606). É ver os seguintes exemplos: Datas Competência Número de Controle da GFIP Envio Gravação Exportação Auto de Infração Consolidado em Situação 04/2008 PxwcMz9Y1z900005 10/04/2012 12/04/2012 15/04/2012 23/03/2011 Exportada 09/2008 IRgzf0G26AL00004 10/04/2012 12/04/2012 15/04/2012 23/03/2011 Exportada 04/2009 KqzIU3QV7XX00009 16/04/2012 17/04/2012 01/05/2012 23/03/2011 Exportada Tais fatos demonstram, ainda, que o contribuinte, após o lançamento tributário e após o Acórdão de primeira instância, transmitiu novas GFIPs com o intuito de sanar o erro, contudo, não afetando a integridade do lançamento tributário a que se discute, por não ter se desincumbido do ônus de demonstrar que, quando do fato gerador, os débitos já estavam devidamente declarados em GFIPs válidas. Dessa forma, sujeitamse ao lançamento de ofício os fatos geradores identificados pela fiscalização e não declarados pelo contribuinte em GFIP, ou declarados em GFIP posteriormente substituída. Somente considerase válida a última GFIP entregue antes do início do procedimento fiscal com a mesma chave, em cada competência. Assim, com base nos elementos apresentados nos autos, houve omissão nas informações prestadas em GFIP e no recolhimento dos valores devidos, prestadas em desacordo com a folha de pagamento do contribuinte, de modo que a fiscalização agiu com acerto, estando correto, neste ponto, o lançamento tributário efetuado. 6.2. Da alegação de que houve opção e deferimento de adesão ao Parcelamento Especial da Lei n° 11.941/2009 e que a cobrança posta nos autos ocorre em duplicidade. O recorrente ainda alega que, tempestivamente, optou pela adesão ao parcelamento previsto na Lei n° 11.941/2009, incluindo todos os seus débitos, inclusive os previdenciários. Assim, entende que os débitos não poderiam ser exigidos no presente auto de infração, eis que já eram conhecidos e estavam inseridos no parcelamento, trazido pela Lei n° 11.941/2009, sendo que sua exigência configuraria verdadeira cobrança em duplicidade. Ocorre que, apesar de o contribuinte apresentar essa alegação com bastante insistência, não apresentou nenhum documento capaz de confirmar a inclusão do débito em Fl. 4828DF CARF MF Processo nº 19515.000843/201103 Acórdão n.º 2401005.649 S2C4T1 Fl. 4.829 32 pauta em qualquer programa de parcelamento previsto em lei, não havendo que se falar em cobrança em duplicidade, estando íntegro, neste ponto, o lançamento. Ademais, destaco que, em consulta pública ao sítio da Receita Federal do Brasil, no ambiente “Consulta Parcelamentos Concedidos no Âmbito da RFB8”, constam os seguintes resultados relativos ao contribuinte: CNPJ/MF Consulta Parcelamentos Concedidos no Âmbito da RFB Matriz 65.791.980/000133 Não consta Parcelamento deferido para este CNPJ Filial Transportes 65.791.980/000214 Não consta Parcelamento deferido para este CNPJ Filial Cassilândia 65.791.980/000486 Não consta Parcelamento deferido para este CNPJ Filial Sinop 65.791.980/000567 Não consta Parcelamento deferido para este CNPJ Filial Cassilândia 65.791.980/000648 Não consta Parcelamento deferido para este CNPJ Filial Peruíbe 65.791.980/000800 Não consta Parcelamento deferido para este CNPJ Filial Santa Fé do Sul 65.791.980/000990 Não consta Parcelamento deferido para este CNPJ Filial Divisão Higiene e Limpeza 65.791.980/001024 Não consta Parcelamento deferido para este CNPJ Filial Santa Fé do Sul (indústria) 65.791.980/001105 Não consta Parcelamento deferido para este CNPJ Filial Carapicuíba 65.791.980/001296 Não consta Parcelamento deferido para este CNPJ Boutique de Carnes 65.791.980/001377 Não consta Parcelamento deferido para este CNPJ Filial Araçariguama 65.791.980/001458 Não consta Parcelamento deferido para este CNPJ Filial Araraquara 65.791.980/001962 Não consta Parcelamento deferido para este CNPJ Filial – Triparia – Santa Fé do Sul 65.791.980/000303 Não consta Parcelamento deferido para este CNPJ Filial – Sinop – Couro 65.791.980/000729 Não consta Parcelamento deferido para este CNPJ Para além do exposto, ressaltese que os valores recolhidos pela empresa foram devidamente apropriados ao débito, mediante as Guias de Recolhimento da Previdência Social – GPS apresentadas pelo sujeito passivo durante a ação fiscal. Nesse sentido, se o contribuinte estivesse inscrito em algum parcelamento consolidado, contendo as mesmas competências do período aqui apurado, o mesmo teria sido apropriado ao lançamento como o foram as Guias da Previdência Social (GPS) recolhidas pela empresa e apresentadas durante a ação fiscal, o que não ocorreu. Mais uma vez, entendo que o contribuinte não se desincumbiu do ônus probatório, não sendo possível atestar a veracidade de suas alegações e, apesar da insistência e 8 Consulta Parcelamentos Concedidos no Âmbito da RFB. Disponível em: < http://www.receita.fazenda.gov.br/Aplicacoes/ATSPO/Parcelamento/Consulta.asp>. Acesso em: 14/06/2018. Fl. 4829DF CARF MF Processo nº 19515.000843/201103 Acórdão n.º 2401005.649 S2C4T1 Fl. 4.830 33 resistência em reconhecer a higidez do presente lançamento, não logrou êxito em produzir prova em sentido contrário. Decerto, considerando que o contribuinte não comprovou a inclusão do débito em pauta em qualquer programa de parcelamento ou o recolhimento dos montantes autuados, não há que se rever o lançamento efetuado, nem que se falar em cobrança em duplicidade. Diante do acima exposto, as alegações da defesa e os documentos juntados aos autos em nada alteram o procedimento fiscal que, acertadamente, constatou a apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. 6.3. Da Multa Aplicada. Alega o contribuinte, ora recorrente, que a fiscalização sequer atendeu os ditames legais da multa aplicada, pois se realmente existisse as diferenças apuradas, a multa deveria, no mínimo, obedecer ao que dispõe o artigo 284 do RPS, considerando a suposta base omitida como valor a recolher, e não o valor aplicado, que supera em muito os limites legais. Argumenta, pois, que a multa foi aplicada em desconformidade com a legislação, sem levar em conta os documentos apresentados e os dados fornecidos à fiscalização, inclusive incidindo sobre período que não foi fiscalizado e consequentemente não houve levantamento, qual seja, maio a novembro de 2009. Também alega que verificando a planilha constante no Auto de Infração, fica impossível tecnicamente entender como o agente autuante chegou em tais valores, não havendo forma de apurar o lançamento havido, restando impossível qualquer tipo de impugnação acerca de valores lançados sem fundamento ou base legal. Nesse sentido, entende que o fisco deve apresentar nota ou planilha compreendendo o período lançado no auto e nota explicativa do valor aplicado a título de multa, a fim de que possa exercer seu direito de impugnar o Auto de Infração de forma adequada. Subsidiariamente, argumenta que a multa deveria ser aplicada no patamar mínimo em decorrência das circunstâncias do caso, que a par da legislação vigente à época, não poderia exceder o limite de R$ 49.377,65. Pois bem. Também entendo que não assiste razão ao recorrente, neste ponto, sendo que a decisão recorrida enfrentou muito bem a questão. Isso porque, no caso, foi devidamente aplicada a multa correspondente a 100% (cem por cento) do valor devido relativo à contribuição não declarada, conforme artigo 32, § 5° da Lei nº 8.212/91, c/c o artigo 284, II, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99 e alterado pelo Decreto 4.862/03, valor atualizado pela Portaria Interministerial MPS/MF 568 de 31/12/2010, por força do artigo 373 do RPS, observado o limite por competência, em função do número de segurados da empresa, previsto no artigo 32, parágrafo 4º da Lei n.º 8.212/91. Nas competências objeto deste auto de infração, o número de segurados da empresa variou entre 1001 a 5000 segurados (35 vezes o Valor Mínimo) para efeito de limite do valor da multa, consoante legislação, correspondente nesta data a R$53.324,95 por competência. Fl. 4830DF CARF MF Processo nº 19515.000843/201103 Acórdão n.º 2401005.649 S2C4T1 Fl. 4.831 34 A esse respeito, não prospera a alegação do recorrente ao defender que a multa deveria ser aplicada no patamar mínimo em decorrência das circunstâncias do caso, que a par da legislação vigente à época, não poderia exceder o limite de R$ 49.377,65. Isso porque, conforme já debatido neste Conselho9, o reajustamento dos valores de multa por descumprimento de obrigações acessórias é feito mediante edição de Portarias Ministeriais, publicadas em Diário Oficial, na estrita observância dos limites e parâmetros impostos pela Lei n° 8.212/91. O regulamento ou a Portaria não estão cominando penalidades por infração à legislação, ou seja, não estão inovando a legislação; tão somente atualizamse valores de penalidades cuja cominação já estava prevista na lei, em sentido estrito. Nesse sentido, aplicase a multa por infração a dispositivo da legislação previdenciária de acordo com a legislação da época dos fatos geradores, porém, o seu valor base, reajustado na forma prevista ne legislação, será o vigente na data da lavratura do auto de infração10. Para além do exposto, novamente se esclarece que, apesar de o agente autuante mencionar em seu Relatório Fiscal o período de janeiro de 2008 a novembro de 2009, o valor da multa lançada, no montante de R$ 586.574,45, diz respeito somente aos fatos geradores compreendidos entre janeiro a novembro de 2008 (fls. 477), cujas competências nos Autos de Infração de Obrigação Principal foram beneficiadas com a multa de mora de 24% (vinte e quatro por cento). Assim, a menção a período diverso do autuado, tratase de mero erro material que não prejudicou o exercício da ampla defesa pelo contribuinte, não havendo razão ao recorrente quando afirma que houve sua incidência sobre “período que não foi fiscalizado e consequentemente não houve levantamento, qual seja, maio a novembro de 2009”. Enfrentada as questões acima, apenas faço um pequeno reparo na decisão de piso, determinando, de ofício e por força do art. 106, II, “c”, do Código Tributário nacional, o recálculo do presente Auto de Infração de Obrigação Acessória (CFL 68), tomandose em consideração as disposições inscritas no art. 32A, I, da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 11.941/2009, se e somente se o valor da multa assim calculado se mostrar menos gravoso ao Recorrente. Isso porque, a ausência de apresentação da GFIP, bem como sua entrega com atraso, com incorreções ou com omissões, constituise violação à obrigação acessória prevista no artigo 32, inciso IV, da Lei n° 8.212/91 e sujeita o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. Com o advento da Medida Provisória n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, a penalidade para tal infração, que até então constava no artigo 32, § 5°, da Lei n° 8.212/91, passou a estar prevista no artigo 32A da Lei n° 8.212/91, o qual é aplicável por força da retroatividade benigna prevista no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional. Saliento que não se trata de decisão extra petita ou mesmo ultra petita, eis que se trata de matéria de ordem pública, cuja aplicação decorre de lei (art. 106, II, “c”, do CTN), independentemente da vontade manifestada pela parte nos autos do presente processo. 9 Acórdão n° 2302003.634 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária. ReldatorDesignado ad hoc: Denny Medeiros da Silva. 11 de fevereiro de 2015. 10 Acórdão n° 2401004.187 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária. Relator: Cleberson Alex Friess. 19 de fevereiro de 2016. Fl. 4831DF CARF MF Processo nº 19515.000843/201103 Acórdão n.º 2401005.649 S2C4T1 Fl. 4.832 35 Ante o exposto, voto no sentido de determinar, de ofício e por força do art. 106, II, “c”, do Código Tributário nacional, o recálculo do presente Auto de Infração de Obrigação Acessória (CFL 68), tomandose em consideração as disposições inscritas no art. 32A, I, da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 11.941/2009, se e somente se o valor da multa assim calculado se mostrar menos gravoso ao Recorrente. 7. Das alegações acerca da legalidade e inconstitucionalidade da legislação. Em seu apelo recursal o contribuinte alega, ainda, a inconstitucionalidade da multa aplicada no patamar exigido, por ter supostamente caráter confiscatório e, portanto, malferir o disposto no inciso IV, do artigo 150, da Lei Maior. Contudo, já está sumulado o entendimento segundo o qual falece competência a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Tratase, ainda, de mandamento previsto no art. 26A, do Decreto n° 70.235/72: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 4832DF CARF MF Processo nº 19515.000843/201103 Acórdão n.º 2401005.649 S2C4T1 Fl. 4.833 36 b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) A proibição consta, ainda, no art. 62, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria n° 343/2015, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no Fl. 4833DF CARF MF Processo nº 19515.000843/201103 Acórdão n.º 2401005.649 S2C4T1 Fl. 4.834 37 âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Temse, pois, que a declaração de inconstitucionalidade de leis ou a ilegalidade de atos administrativos é prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário, outorgada pela própria Constituição Federal, falecendo competência a esta autoridade julgadora, salvo nas hipóteses expressamente excepcionadas no parágrafo primeiro do art. 62 do Anexo II, do RICARF, bem como no art. 26A, do Decreto n° 70.235/72, não sendo essa a situação em questão. Portanto, não assiste razão ao contribuinte. 8. Da intimação pessoal do patrono do contribuinte e da sustentação oral. O contribuinte, em seu petitório recursal, protesta pela realização de sustentação oral em plenário, quando do julgamento do recurso, mediante intimação pessoal de seu patrono, sob pena de nulidade. Para tanto, requer sejam as intimações e notificações referentes ao presente processo, expedidas em nome do advogado Erick Alexandre do Carmo Cesar de Jesus, portador da OAB/SP 252.824, sob pena de nulidade absoluta. Contudo, tratase de pleito que não possui previsão legal no Decreto n° 70.235/72, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal, nem mesmo no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria n° 343/2015, por força do art. 37 do referido Decreto. Ademais, o art. 23, incisos I a III do Decreto n° 70.235/72, dispõe expressamente que as intimações, no decorrer do contencioso administrativo, serão realizadas pessoalmente ao sujeito passivo e não a seu patrono. Por fim, cabe esclarecer que as pautas de julgamento dos Recursos submetidos à apreciação deste Conselho são publicadas no Diário Oficial da União, com a indicação da data, horário e local, o que possibilita o pleno exercício do contraditório, inclusive para fins de o patrono do sujeito passivo, querendo, estar presente para realização de sustentação oral na sessão de julgamento (parágrafo primeiro do art. 55 c/c art. 58, ambos do Anexo II, do RICARF). Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, apenas para determinar, de ofício e por força do art. 106, II, “c”, do Código Tributário nacional, o recálculo do presente Auto de Infração de Obrigação Acessória (CFL 68), tomandose em consideração as disposições inscritas no art. 32A, I, da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 11.941/2009, se e somente se o valor da multa assim calculado se mostrar menos gravoso ao Recorrente. É como voto. (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Voto Vencedor Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Redator Designado Fl. 4834DF CARF MF Processo nº 19515.000843/201103 Acórdão n.º 2401005.649 S2C4T1 Fl. 4.835 38 Divirjo tão somente em relação ao entendimento de ser cabível recálculo de ofício da multa aplicada com base em critério diverso do veiculado na Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 14, de 2009, o qual lastreou o art. 476A da IN RFB nº 971, de 2009, incluído pela IN RFB nº 1.027, de 2010. Isso porque, em face do disposto no art. 57 da Lei n° 11.941, de 2009, a aplicação da penalidade mais benéfica deve observar regramento a ser traçado em portaria conjunta da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e da Secretaria da Receita Federal do Brasil, no caso a Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 14, de 2009; regramento incompatível com o recálculo vertido no voto do Relator. Logo, voto por CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Fl. 4835DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.000513/2007-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2006
CUMULATIVIDADE. COOPERATIVAS. ELETRIFICAÇÃO RURAL.
Aplicada pela Fiscalização corretamente a legislação atinente à composição da base de cálculo do PIS e da COFINS para as cooperativas de eletrificação rural e não tendo logrado a Recorrente demonstrar qualquer equívoco incorrido pela Fiscalização, deve ser mantido o lançamento fiscal.
Numero da decisão: 3201-003.712
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2006 CUMULATIVIDADE. COOPERATIVAS. ELETRIFICAÇÃO RURAL. Aplicada pela Fiscalização corretamente a legislação atinente à composição da base de cálculo do PIS e da COFINS para as cooperativas de eletrificação rural e não tendo logrado a Recorrente demonstrar qualquer equívoco incorrido pela Fiscalização, deve ser mantido o lançamento fiscal.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11516.000513/2007-10
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5883954
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3201-003.712
nome_arquivo_s : Decisao_11516000513200710.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
nome_arquivo_pdf_s : 11516000513200710_5883954.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
dt_sessao_tdt : Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
id : 7370630
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050586217185280
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1502; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 624 1 623 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.000513/200710 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201003.712 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de maio de 2018 Matéria PIS COFINS COOPERATIVAS Recorrente COOPERATIVA DE ELETRIFICIDADE GRÃO PARÁ Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2006 CUMULATIVIDADE. COOPERATIVAS. ELETRIFICAÇÃO RURAL. Aplicada pela Fiscalização corretamente a legislação atinente à composição da base de cálculo do PIS e da COFINS para as cooperativas de eletrificação rural e não tendo logrado a Recorrente demonstrar qualquer equívoco incorrido pela Fiscalização, deve ser mantido o lançamento fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 05 13 /2 00 7- 10 Fl. 624DF CARF MF Processo nº 11516.000513/200710 Acórdão n.º 3201003.712 S3C2T1 Fl. 625 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 0729.360, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC), que assim relatou o feito: Trata o presente processo de auto de infração por falta/insuficiência das Contribuições para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, no valor de R$ 186.541,06, e para o Programa de Integração Social PIS/ Pasep, no valor de R$ 40.417,03, acrescidos de multa e juros de mora, do período de 01/2002 a 06/2006. Consta do Termo de Encerramento e Verificação Fiscal que a contribuinte impetrou Mandado de Segurança no ano de 1999, requerendo a concessão de liminar para que não fosse exigida a Cofins, com base na Medida Provisória nº. 1858 e suas sucessivas reedições. Segundo o fisco, o pedido de liminar foi indeferido em 15/08/2001 e denegada a segurança. Em 05/11/2001, foi julgado deserto o recurso de apelação da impetrante e, por fim, em 08/02/2002, a sentença transitou em julgado. O processo se encontra arquivado desde 15/04/2002. Conforme o referido termo, a contribuinte deixou de recolher as contribuições para o PIS/Cofins sobre a receita bruta e não declarou os respectivos valores em DCTF. Os fundamentos legais para o lançamento se encontram na Lei nº. 9.718/98 e da MP nº. 1.8586/ 99 e posteriores, as quais deram novo tratamento à base de cálculo para o PIS e a Cofins. Cita as Instruções Normativas IN SRF 145/1999 e IN SRF nº. 247/2002, alterada pela IN SRF nº. 358/2003, a qual veio a autorizar a dedução dos custos dos serviços prestados pelas cooperativas a seus associados. A base de cálculo apurada é o total do faturamento apresentado pela contribuinte, composto pelas receitas de:Fornecimento de Energia e Serviços, Receitas Financeiras e Receitas de Aluguel de Postes. Foram diminuídos dessas receitas os custos que trata a Instrução Normativa n° 358 de 09.09.2003, ou seja, os custos da Energia Elétrica e os custo de manutenção da rede de distribuição (grupo 61503) e as sobras que trata a IN acima citada (antes das reservas previstas no art. 28 da Lei nº. 5.764, de 1971, e efetivamente distribuídas). Os valores apurados como Receita Tributável, ou seja, a base de cálculo para o Pis e para a afins são os apresentados no quadro constante das fls.285 a 286. Na impugnação, a contribuinte alega, em síntese: a) dos atos cooperativos inexigibilidade da Contribuições: que as cooperativas não estão sujeitas ao pagamento das contribuições no que se refere ao seus atos cooperados; que as contribuições incidem sobre o faturamento e as cooperativas não Fl. 625DF CARF MF Processo nº 11516.000513/200710 Acórdão n.º 3201003.712 S3C2T1 Fl. 626 3 faturam, mas tão somente procedem às atividades básicas com seus cooperados; que qualquer sobra ou prejuízo é dividido com os associados; que a revogação da isenção prevista na LC nº. 70/91 pela MP nº. 1.8589 fere o principio da hierarquia das leis, pois só poderia ser veiculada por outra lei complementar; que a Lei nº. 11.051/2004 reconheceu a impropriedade da exigência do PIS/Cofins sobre o ato cooperativo, em seu art. 30; b) das Receitas Financeiras – alargamento da base de cálculo: que o alargamento da base de cálculo deuse de forma inconstitucional, conforme já pacificado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, que declarou a inconstitucionalidade do §1º. Do art. 3º da Lei nº. 9.718, nos autos do RE 357.950, Rel. Marco Aurélio, sessão de 09 de novembro de 2005. c) Ato não cooperativos – Recolhimento: reconhece que deve as contribuições sobre a locação de postes, atividade considerada não cooperativa, efetuando seu imediato recolhimento de acordo com a planilha e guias em anexo. Por fim, requer a nulidade, ante a exigência do Pis e da Cofins sobre os atos cooperativos; caso superado esse pedido, requer que se exclua da base de cálculo os atos cooperativos, a partir da edição da Lei nº. 11.051/2004; e que se exclua a aplicabilidade do § 1º. do artigo 3º. da Lei nº. 9.718/98, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. É o relatório. Trata o presente processo de auto de infração por falta/insuficiência das Contribuições para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, no valor de R$ 186.541,06, e para o Programa de Integração Social PIS/ Pasep, no valor de R$ 40.417,03, acrescidos de multa e juros de mora, do período de janeiro/2002 a junho/2006. A Cooperativa de Eletricidade GrãoPará– CEGAPA – tem por objetivo principal a pretação de serviço público de compra e distribuição de energia elétrica a seus associados e terceiros atendidos de forma indistinta e não discriminatória de acordo com as classes e subclasses de consumidores descritas em legislação específica do setor através de sistema de distribuição de sua propriedade. Consta do Termo de Encerramento e Verificação Fiscal que a contribuinte impetrou Mandado de Segurança como litisconsorte, em ação na qual se discute a suspensão da exigibilidade da Cofins em razão do alargamento da base de cálculo e da majoração da alíquota da Lei 9.718/98 (fls. 79/89). O processo foi remetido ao Juízo Federal da 3ª. Vara Federal de Florianópolis onde tramitou sob o nº. 99.00098501, sendo concedida parcialmente a segurança. Todavia, por força dos recursos apresentados pelas partes, em 03 de outubro de 2002, o o TRF 4a. Região decidiu negar provimento à apelação da impetrante (Processo nº. 2001.04.01.0300288) e dar provimento à apelação da União Federal. Fl. 626DF CARF MF Processo nº 11516.000513/200710 Acórdão n.º 3201003.712 S3C2T1 Fl. 627 4 Conforme o referido termo, a contribuinte deixou de recolher as contribuições para o PIS/Cofins sobre a receita bruta e não declarou os respectivos valores em DCTF. Os fundamentos legais para o lançamento se encontram na Lei nº. 9.718/98 e da MP nº. 1.8586/ 99 e posteriores, as quais deram novo tratamento à base de cálculo para o PIS e a Cofins. Reportase às exclusões de valores referentes aos atos cooperativos deste tipo societário, disciplinadas nas Instruções Normativas IN SRF 145/1999, nas deduções específicas introduzidas pelo art. 17 da Lei nº. 10.684/2003, bem como à IN SRF nº. 247/2002, alterada pela IN SRF nº. 358/2003, a qual veio a autorizar a dedução dos custos dos serviços prestados pelas cooperativas a seus associados. A base de cálculo apurada é o total do faturamento apresentado pela contribuinte, composto pelas receitas de fornecimento de energia e serviços e das receitas financeiras. Foram diminuídos dessas receitas os custos que trata a Instrução Normativa n° 358 de 09.09.2003, ou seja, os custos da energia elétrica e os custos de manutenção da rede de distribuição, e as sobras de que trata a IN acima citada (antes das reservas previstas no art. 28 da Lei nº. 5.764, de 1971, e efetivamente distribuídas). Os valores apurados como Receita Tributável, ou seja, a base de cálculo para o Pis e para a afins são os apresentados no quadro constante das fls. 90/91. Na impugnação, a interessada suscita inicialmente a nulidade por cerceamento do direito de defesa. Alega que não tem como saber de onde foram buscados os custos que servem de exclusão para a tributação no “Demonstrativo de Receita Tributável” elaborado pela fiscalização. Sustenta que há necessidade de apresentar lançamento por lançamento para que se analise a natureza e o destino destes, que não sabe o critério usado para incluir contas ou excluílas, e que não foram inclusas as contas do setor administrativo e pessoal. Por último, alega que a base imponível é determinada pela natureza da conta, já que não há isenção geral do ato cooperativo e sim, não incidência. No mérito, tece inúmeras considerações em sua defesa, onde explica e argumenta, ora em breve síntese, que: 1) como sociedade cooperativa, é regida por legislação própria do setor cooperativo e elétrico, detentora de tratamento constitucional “especial” (art. 146, III, “c”), classificada no ramo da infraestrutura, tendo por finalidade a prestação de serviços a seus associados, prestação de serviço público de energia elétrica a consumidores urbanos e rurais, através de serviços de distribuição, administração e comercialização aos seus associados; 2) não dispõe de receita, visto que paga o custo de sua estrutura administrativa em nome dos cooperativados e com os recursos destes; Fl. 627DF CARF MF Processo nº 11516.000513/200710 Acórdão n.º 3201003.712 S3C2T1 Fl. 628 5 3) o art. 79 da Lei 5.764/71 dispõe que o ato cooperativo não implica operação de mercado, implicando a não incidência da Cofins sobre os atos cooperativos, que é princípio assente na jurisprudência que os atos cooperados são isentos do pagamento dos tributos; que a doutrina é uníssona ao assentar que os valores que ingressam na cooperativa, decorrentes do associado não são receitas da cooperativa; 4) a Cooperativa de Eletrificação Rural do ramo de infraestrutura é tratada de maneira especial pela Lei nº. 10.684/03, art. 17, onde é possível excluir da base de cálculo os valores repassados aos associados, e que o conceito de “valores” é o preço total do que é repassado na tarifa e na distribuição e destino das sobras legais e estatutárias; 5) a IN SRF 358/03 e a IN 635/2006 permitem a exclusão dos custos da base imponível do PIS/Cofins da geração, transmissão, comercialização, manutenção (administrativo e financeiro) nas Cooperativas de Eletrificação Rural e que esses são calculados: (1) pelos custos do setor elétrico, lei 8631/93, onde os custos repassados são para a tarifa que será suportada pelo consumidor (associado), (2) pelos custos previstos na lei Cooperativista, art. 80., onde as despesas da sociedade serão cobertas pelos associados mediante rateio na proporção direta da fruição de serviços e (3) que a própria receita orienta excluir da base de cálculo os custos administrativos e financeiros, conforme consulta 352/04 da 9ª. Região fiscal; 6) ao ceder sua infraestrutura, via compartilhamento de postes, está praticando ato cooperativo (art. 79 – Lei Cooperativista); 7) pelo princípio da hierarquia das leis, o artigo da Lei Complementar 70/91, que confere isenção do PIS/Cofins às cooperativas, não pode ser revogado pela Medida Provisória 185810/ 99 e Lei 9.718/98, lei ordinária; 8) conforme IN 635, art. 12, II, a base de cálculo apurada pelas sociedades cooperativas de eletrificação rural pode ser ajustada pela dedução dos custos dos serviços prestados aos associados e pela exclusão da receita referente aos bens vendidos aos associados, vinculados às atividades destes; 9) pela Súmula Vinculante nº. 06 (seis), as pessoas jurídicas como as Cooperativas de Eletrificação, classificadas no regime cumulativo (Lei 10833/2003 – art. 10, VI), aproveitam a decisão de inconstitucionalidade do STF para não pagar o PIS/Cofins sobre outras receitas, tais como a financeira, compartilhamento de postes, receitas diversas, já que estão abrangidas pelo regime da cumulatividade da Lei 9.718/98; 10) as razões do Mandado de Segurança foram: Razão (1) Com a edição da Medida Provisória 1858/99, que revogava o Art.6. da Lei Complementar n°. 70/91(que isentava as cooperativas quanto ao PIS/COFINS) numa violação ao principio da hierarquia das LEIS (medida provisória revogando lei complementar), majoração da Fl. 628DF CARF MF Processo nº 11516.000513/200710 Acórdão n.º 3201003.712 S3C2T1 Fl. 629 6 aliquota de 2% para 3% da Cofins, ampliação do conceito de faturamento, instalouse um período de ampla incerteza no plano legal,com relação às Cooperativas ,em especial, as de Eletrificação Rural. Com sua reedição, a MP tomou o N°. 21583501, no art.15, permitia excluir da base de cálculo os “valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produtos por eles entregues à cooperativa.” Ainda não se alterava a situação de inconformidade e incerteza com os dispositivos legais, reinantes no seio do Cooperativismo (veja que se trata de" produtos" e , não atingia as prestadoras de serviço, tipo Cooperativas de Eletrificação) Razão (2) :Essa situação só veio a ser corrigida pela Lei 10684/03, que no Art. 17, com efeito retroativo a 1999em que é aberta a possibilidade de exclusão da base de cálculo dos valores dos serviços prestados pelas cooperativas de eletrificação rural a seus associados" Razão(3): Com edição deste dispositivo legal e, o grau de abrangência (como já demonstrado em toda essa impugnação ) para a impugnante,o cenário tomouse mais claro, pois, na prática só os atos nãocooperativos seriam abrangidos pela taxação das contribuições sociais, ante a clareza daquele dispositivo e sua retroatividade:1999. Não houve interesse na continuação do Processo. Razão (4): Ressaltese, que o Superior Tribunal de Justiça, AgRg no Ag 755013/PR; agravo regimental no agravo de instrumento 2006/005717867continua a julgar que "uma lei ordinária não pode revogar o Inciso I da LC n° 70/91". Logo, o Ato Cooperativo (mais uma razão) não pode ser base imponivel para o PIS/COFINS. As cooperativas estariam ainda ao abrigo do Art.6° da Lei Complementar 70/91 e seriam "isentas". Razão(05): A Decisão do TRF 4a. Região está superada pela súmula vinculante 06STF que deu interpretação definitiva sobre a matéria "Faturamentoreceita bruta"(Art.3. Parag.1 da Lei 9718/98), diferente deste tribunal, como já analisamos nesta impugnação. Logo, esta interpretação perde o efeito, ante decisão da corte maior. Razão(06): Já demonstramos, amplamente, que a Jurisprudência do STJ diferente dessa decisão do TRF4a. é no sentido da não incidência do PISCofins sobre o Ato Cooperativo.(vide decisões juntadas). Concluindo:Pelo que se demonstrou sobre o ATO COOPERATIVO, PIS/COFINS (embasados nas decisões do STJ), nossa compreensão não se acha descompassada. 0 FISCO está fazendo o papel dele e, nós, o nosso: instaurase o contencioso administrativo. A Autoridade julgadora, decidirá. (g.n.) Fl. 629DF CARF MF Processo nº 11516.000513/200710 Acórdão n.º 3201003.712 S3C2T1 Fl. 630 7 11) não há base imponível para cooperativa de eletrificação rural nos atos cooperativos, o faturamento é resultado dos valores repassados aos associados, via tarifa; dos valores repassados, via tarifa, que correspondem ao faturamento bruto, alguns servirão como base imponível, já que tratam se de contas que não estão incluídas nos atos cooperativos, por exemplo, os ingressos advindos das receitas não operacionais; 12) a lei manda excluir da Base de Cálculo os chamados “valores repassados aos associados” e estes se encontram na tarifa; o fisco identificou, via Demonstrativo da Receita Tributável, as contas oriundas de ingressos repassados para a tarifa (residencial, industrial, comercial, rural) e são estas as contas que devem ser excluída; 13) mesmo admitindo que as exclusões da base de cálculo se reduzissem aos custos somente, o auto de infração merece reparos, ante o abandono dos custos relacionados com a distribuição e manutenção (administrativo e financeiro); 14) o auto de infração não contempla a IN SRF 635 da SRF, art. 12, II, onde é prevista a exclusão da receita referente aos bens vendidos aos associados, vinculados às atividades destes; o art. 83 do Código Civil – CC – classifica a energia elétrica como um bem móvel, de forma que está inserida na definição do art. 13 da IN 635/06; o faturamento advindo do “bem” Energia Elétrica é essencial e, portanto, vinculado a qualquer atividade que o associado faça; 15) na prática, todos os dispêndios são custos relativos à operacionalidade para entrega da energia aos associados, investimentos em linhas de redes de transmissão de energia e despesas administrativas, manutenção, comercialização, necessários ao funcionamento da cooperativa e necessários à prestação dos serviços aos associados poderão ser excluídos da base de cálculo das contribuições; 16) o art. 17 da Lei 10.684/03 está claramente definindo que os valores dos serviços repassados aos associados os quais, na cooperativa de eletrificação, se faz via tarifa de energia, devem ser excluídos da base de cálculo. Por fim, requer, em síntese, que: seja julgado nulo o auto, ante o cerceamento de defesa presente no Demonstrativo de Receita Tributável; seja declarada a nulidade ante a nãoincidência sobre o ato cooperativo por ausência de faturamento ou receita bruta, que constituem a base imponível das contribuições; o compartilhamento de infraestrutura (aluguel de postes) seja considerado ato cooperativo, já que diz respeito a ato próprio do ramo de infraestrutura a que a impugnante pertence com associado BrasilTelecom; Fl. 630DF CARF MF Processo nº 11516.000513/200710 Acórdão n.º 3201003.712 S3C2T1 Fl. 631 8 seja reconhecido que a Lei 10.684/03, art. 17, tem como imprópria a exigência do PIS/Cofins sobre o ato cooperativo da Cooperativa de Eletrificação Rural; sejam aplicados os pareceres 77/76 e 66/86 para excluir da base de cálculo os valores advindos de ato cooperativo, com a exclusão dos ingressos da tarifa de energia elétrica; sejam excluídos todos os valores – ingressos – oriundos da cobrança da tarifa de energia elétrica, em obediência ao art. 17 da Lei 10.684/03, regulamentada pela IN SRF 635/06 – art. 12, II; seja considerada a nulidade por erro na base de cálculo por erro na aplicação da IN SRF 358/03 e IN SRF 635/06; caso não seja aceito na totalidade, sejam parcialmente reduzidos os valores previstos na planilha que se junta em anexo, embasada nos lançamentos contábeis da impugnante, as quais contemplam a totalidade dos custos repassados aos associados como quer a Lei 10.684/03, art. 17, e IN SRF 358/03 (247/02, art. 33, II) e IN SRF 635/06; sejam excluídas as receitas (ingressos) da venda de bens aos associados, vinculados às atividades destes (art. 635, art. 12, II), lançadas como “Receita fornecimento de energia”, de janeiro/2002 até junho/2006, ante a conceituação legal do art. 88 do CC, que classifica a energia elétrica como bem móvel, por imposição legal; seja aplicado ao ato fiscal a diretriz fixada na Consulta 354/04 – 9ª. Região Fiscal – que, interpretando o art. 17 da Lei 10.684/03 – IN 358/03, determina a exclusão de diversos custos (recursos humanos, financeiros, contábeis, jurídicaos, etc.) da base imponível do PIS/Cofins; seja reconhecido, na aplicabilidade da IN SRF 358/2003 e IN SRF 635/2006, o disposto na legislação federal, cuja operacionalidade é feita pela ANEEL, para detectar o que significa “valores repassados aos associados”; seja aplicada a Súmula nº. 6 do STF, para incluir no conceito de faturamento somente a receita obtida com a venda de mercadorias ou prestação de serviços, sendo que a impugnante, classificado no regime cumulativo, aproveita a decisão de inconstitucionalidade do STF para não pagar o PIS/Cofins sobre receitas não compreendidas na receita bruta, tais como a receita financeira, compartilhamento de postes, receitas diversas. Após exame da Impugnação apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2006 Fl. 631DF CARF MF Processo nº 11516.000513/200710 Acórdão n.º 3201003.712 S3C2T1 Fl. 632 9 CUMULATIVIDADE. COOPERATIVAS. ELETRIFICAÇÃO RURAL. FATURAMENTO.ATO COOPERATIVO. Em virtude da revogação do art. 6º da LC nº 70, de 1991, efetuada pela Medida Provisória nº 1.8586, de 1999 e suas reedições, as Sociedades Cooperativas em geral passaram a recolher o PIS/Cofins sobre o seu faturamento, conforme a Lei 9.718/98, o qual deve ser entendido como a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais, sendo irrelevante o fato desta receita ser ou não oriunda de ato cooperativo. CUMULATIVIDADE. COOPERATIVAS. ELETRIFICAÇÃO RURAL. RECEITAS FINANCEIRAS. As receitas financeiras não se enquadram no conceito de faturamento da Lei nº. 9.718/98, visto que não se tratam de receitas oriundas do exercício das atividades empresariais da cooperativa de eletrificação rural. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2006 CUMULATIVIDADE. COOPERATIVAS. ELETRIFICAÇÃO RURAL. FATURAMENTO.ATO COOPERATIVO. Em virtude da revogação do art. 6º da LC nº 70, de 1991, efetuada pela Medida Provisória nº 1.8586, de 1999 e suas reedições, as Sociedades Cooperativas em geral passaram a recolher o PIS/Cofins sobre o seu faturamento, conforme a Lei 9.718/98, o qual deve ser entendido como a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais, sendo irrelevante o fato desta receita ser ou não oriunda de ato cooperativo. CUMULATIVIDADE. COOPERATIVAS. ELETRIFICAÇÃO RURAL. RECEITAS FINANCEIRAS. As receitas financeiras não se enquadram no conceito de faturamento da Lei nº. 9.718/98, visto que não se tratam de receitas oriundas do exercício das atividades empresariais da cooperativa de eletrificação rural. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A procedência parcial do julgamento foi no sentido de excluir, tão somente, as receitas financeiras da base de cálculo das contribuições: Isso posto, acatase em parte a impugnação, apenas no que se refere à Súmula nº. 6 do STF, aplicável para as empresas tributadas no regime cumulativo, conforme a Lei 9.718/98. Tal decisão implica em excluir as receitas financeiras da base de cálculo do lançamento. Fl. 632DF CARF MF Processo nº 11516.000513/200710 Acórdão n.º 3201003.712 S3C2T1 Fl. 633 10 Diante do que exposto, os valores lançados de PIS/Cofins devem ser reconsiderados, excluindose da base de cálculo os valores relativos à Receitas Financeiras, no período de 01/2002 a 06/2006, reconstituindose a planilha fiscal de fls. 93/94 dos autos, a partir da Base de Cálculo: (...) Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados quanto ao crédito tributário mantido, insistindo na não incidência das contribuições sobre a receita de ato cooperativo, devendose observar a natureza das atividades exercidas. Não houve a interposição de Recurso de Ofício. Após os autos foram remetidos a este CARF e a mim distribuídos por sorteio. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Relatora O Recurso é próprio e tempestivo e, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relato dos fatos, verificase tratar de exigência de PIS e COFINS sobre o faturamento de Sociedade Cooperativa de Eletrificação Rural, nos termos da Lei nº 9.718/98. Importa ressaltar que já foi determinada, pela DRJ, a exclusão da totalidade das receitas financeiras percebidas, posto que não compreendidas no conceito de faturamento chancelado pelo Supremo Tribunal Federal. Há notícia nos autos da impetração de Mandados de Segurança pela Contribuinte questionando a incidência das referidas contribuições. Às fls. 82 e seguintes dos autos consta cópia do Acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (Apelação nº 2001.04.01.0300288 SC), do qual extraio breve texto do relatório: Tratase de mandado de segurança, através do qual a parte impetrante, sociedade cooperativa, requer a suspensão da exigibilidade da COF1NS conforme a Medida Provisória n° 1.858/99. Relata que a Lei n° 9.718/98 alargou a base de cálculo da COFINS, bem corno majorou a aliquota. Refere, ainda, que a Medida provisória n° 1.8586/99 revogou o artigo 6° da Lei Complementar n° 70/91, que isentava as cooperativas da COFINS. Invoca o artigo 146, III, c, e o art. 174, § 2°, da CF/88, defendendo a necessidade de um tratamento tributário adequado ao ato cooperativo. Destaca que as cooperativas não possuem .receita ou faturamento. Sustenta a inconstitucionalidade do alargamento da base' de cálculo da COF1NS pela Lei n° 9.718/98. O MM. Fl. 633DF CARF MF Processo nº 11516.000513/200710 Acórdão n.º 3201003.712 S3C2T1 Fl. 634 11 Magistrado, concedeu parcialmente a segurança para determinar à autoridade coatora que se abstenha de cobrar a COFINSS com aliquota superior a 2%. A parte impetrante interpõe apelação, defendendo a sua isenção ao recolhimento da COFINS, com base na inconstitucionalidade da revogação da isenção perpetrada pela MP n° 1.858/99 e suas reedições. Sustenta que a Medida Provisória violou o art. 246 da CF. Alega, ainda, a ilegalidade da alteração da base de cálculo da COFINS pela Lei n° 9.718/98, ao considerar como faturamento a receita bruta da pessoa jurídica. A União Federal, por sua vez, apela, requerendo a reforma da sentença no ponto em que reconheceu a inconstitucionalidade do art. 3°, § 1ª, da Lei n° 9.718/98. Sustenta, que as impetrantes não comprovaram o fato de que não auferem lucro, bem como, alega que o pagamento da COFINS à aliquota de 3% é extensivo a todos. O acórdão foi proferido de modo a denegar a segurança postulada: TRIBUTÁRIO. COFINS. SOCIEDADE COOPERATIVA. ADEQUADO TRATAMENTO TRIBUTÁRIO. ART. 146,111, "C", DA CF. ISENÇÃO. ART. 6°, I, DA LC 70/91. REVOGAÇÃO PELA MP N° 1858/99. LEI N° 9.718/98. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. CONSTITUCIONALIDADE. PRECEDENTES DESTE TRF. FATURAMENTO. MAJORAÇÃO DA ALÍQUOTA. COMPENSAÇÃO COM CSLL. A corte especial, quando do julgamento da argüição de inconstitucionalidade na AMS no 1999.70.04.0035020/PR, decidiu que foi válida a revogação da isenção prevista no artigo 6°, I, da LC 70/91 por parte da MP n° 2.113 27/2001 (nova numeração adotada pela. MP 1.858/99). O plenário desta corte federal, quando do julgamento da argüição de inconstitucionalidade na AMS n° 1999.04.01.0802741, decidiu que o art. 3°, § 1°, da Lei n° 9.718/98, ao ampliar a base de cálculo da cofins, não feriu o texto constitucional, pois tal dispositivo apenas reiterou a equiparação do conceito de faturamento ao de receita bruta, o que, inclusive, já havia sido realizado pela Lei Complementar n° 70/91, a qual teve sua constitucionalidade afirmada pela corte suprema na adc n° 01/DF. Ressalva do ponto de vista em contrário do relator. Cooperativa é pessoa jurídica que, nas suas relações com terceiros, tem faturamento e seus resultados positivos constituem renda tributável. A 1ª e a 2ª Turmas deste Colegiado têm entendido que não há qualquer inconstitucionalidade na majoração da aliquota da COFINS, bem como na sistemática de compensação com a CSLL. Fl. 634DF CARF MF Processo nº 11516.000513/200710 Acórdão n.º 3201003.712 S3C2T1 Fl. 635 12 Muito embora a segurança tenha sido denegada inclusive no que se refere à inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da COFINS, a Fiscalização aplicou corretamente o entendimento estabilizado pelo Supremo Tribunal Federal no sentido de excluir as receitas não correspondentes ao faturamento. Entendeu que estas, na hipótese dos autos, são apenas as receitas financeiras. Quanto à existência de concomitância, vejase que esta não foi aplicada pela Fiscalização. Com efeito, a ação judicial questionava apenas a inconstitucionalidade da revogação da incidência da COFINS para as sociedades cooperativas, assim como a possibilidade de sua incidência sobre receita advinda de atos cooperados. Esta matéria não é objeto da lide. A discussão ora centrada diz respeito às exclusões permitidas pela legislação à contribuinte, sociedade cooperativa de eletrificação rural. Antes de se adentrar ao mérito, contudo, necessário examinar alegação preliminar apresentadas pela Recorrente, no sentido de ter sido violado o art. 142 do CTN. Alega a Recorrente que "não há um demonstrativo específico das exclusões [e inclusões] que seja claro e objetivo", acrescentando que determinadas contas contábeis que deveriam ser excluídas, não o foram. Todavia, a própria afirmação do recorrente no sentido de que determinadas contas contábeis não foram excluídas demonstra que esta tem plena ciência de quais contas foram ou não excluídas ou incluídas na base de cálculo das contribuições. Ademais, o Relatório Fiscal de fls. 226 e seguintes mostra de modo suficientemente clara a fundamentação da autuação fiscal, destacando a existência de planilhas indicativas das bases de cálculo utilizadas às fls. 234 e seguintes, conforme DIPJ transmitidas. Desse modo, afasto a preliminar de nulidade suscitada. Finalmente adentrando ao mérito, como exposto, este se limita ao exame das deduções legais permitidas pela Recorrente, na apuração do PIS e da COFINS, na condição de Cooperativa de Eletrificação Rural. A Recorrente afirma que a Fiscalização "não considerou a legislação do Setor Elétrico que fixa os custos dos Serviços do setor, formadores da tarifa de energia elétrica e causa de exclusão na base imponível do PIS e COFINS [art 17 da Lei 10.684/03 e IN SRF 247/02 Art 33 IN SRF 358/03] e, IN 635/06" (verbis). Todos os dispositivos citados foram analisados e transcrito pela decisão recorrida. Não obstante as alegações da Recorrente, entendo que esta não foi capaz de demonstrar, de forma objetiva, em seu Recurso, exatamente quais parcelas compuseram a seu ver indevidamente a base de cálculo das contribuições, tampouco quais deixaram de ser admitidas como exclusão na referida apuração. Embora discorra longamente acerca da legislação aplicável, o faz de forma genérica, sem adentrar ao que teria sido feito de forma indevida pela Fiscalização. Fl. 635DF CARF MF Processo nº 11516.000513/200710 Acórdão n.º 3201003.712 S3C2T1 Fl. 636 13 Ademais, reputo que a DRJ analisou detidamente as alegações da Recorrente, aplicando à espécie o melhor direito. Assim, faço parte integrante desta decisão o seguinte trecho do acórdão recorrido: 2.2. Das deduções e exclusões específicas das Cooperativas de Eletrificação Rural: Para as cooperativas de eletrificação rural, se aplica o artigo 17 da Lei nº. 10.684/2003: Art. 17. Sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, e no art. 1º da Medida Provisória nº 101, de 30 de dezembro de 2002, as sociedades cooperativas de produção agropecuária e de eletrificação rural poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/ PASEP e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social COFINS os custos agregados ao produto agropecuário dos associados, quando da sua comercialização e os valores dos serviços prestados pelas cooperativas de eletrificação rural a seus associados. Regulamentando a matéria, a Receita Federal editou as regras a serem aplicadas particularmente às sociedades cooperativas em geral, na Instrução Normativa SRF IN SRF nº 145, de 1999, e, posteriormente, nas Instruções Normativas IN SRF nº 247, de 2002 e IN SRF 635, de 2006. No caso em concreto, a IN SRF 247/2002 estabeleceu em seu art. 33, as exclusões e deduções específicas para os fatos ocorridos a partir de novembro/99: Exclusões e Deduções Especificas § 8º As sociedades cooperativas de eletrificação rural poderão excluir da base de cálculo, os valores: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) I das sobras e dos fundos de que trata o inciso VI do caput; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) II dos custos dos serviços prestados pelas cooperativas de eletrificação rural a seus associados. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) (...) § 10. Os custos dos serviços prestados pela cooperativa de eletrificação rural abrangem os gastos de geração, transmissão, manutenção e distribuição de energia elétrica, quando repassados aos associados. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) § 12. O disposto nos §§ 7º, 8º e 11 aplicase a fatos geradores ocorridos a partir de 1º de novembro de 1999. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) (g.n.) A IN SRF 635/2006 determina em seus artigos 12, 13 e 14: Fl. 636DF CARF MF Processo nº 11516.000513/200710 Acórdão n.º 3201003.712 S3C2T1 Fl. 637 14 Das exclusões e deduções da base de cálculo das cooperativas de eletrificação rural Art. 12. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, apurada pelas sociedades cooperativas de eletrificação rural, pode ser ajustada, além do disposto no art. 9º, pela: I dedução dos custos dos serviços prestados aos associados, observado o disposto no § 2º; II exclusão da receita referente aos bens vendidos aos associados, vinculados às atividades destes; III dedução das sobras líquidas apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social (Fates), previstos no art. 28 da Lei nº 5.764, de 1971. §1º Os custos dos serviços prestados pela cooperativa de eletrificação rural, referidos no inciso I do caput, abrangem os gastos de geração, transmissão, manutenção, distribuição e comercialização de energia elétrica, quando repassados aos associados. §2º Quando o custo dos serviços prestados for repassado a prazo, a cooperativa poderá deduzir da receita bruta mensal o valor correspondente ao pagamento a ser efetuado pelo associado, em cada período de apuração. §3º A sociedade cooperativa de eletrificação rural, nos meses em que fizer uso de qualquer das exclusões ou deduções previstas nos incisos I a III do caput, deverá, também, efetuar o pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários, conforme disposto no art. 28. §4º A dedução e a exclusão previstas, respectivamente, nos incisos I e II do caput: I ocorrerão no mês da emissão da nota fiscal correspondente a venda de bens e e/ou prestação de serviços pela cooperativa; e II terão as operações que as originaram contabilizadas destacadamente, sujeitas à comprovação mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor, da espécie e quantidade dos bens, ou serviços vendidos. §5º As disposições dos incisos I a III do caput aplicamse aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de novembro de 1999. §6º As sobras líquidas, apuradas após a destinação para constituição dos fundos a que se refere o inciso III do caput, somente serão computadas na receita bruta do cooperado pessoa jurídica, para fins de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, quando a ele creditadas, distribuídas ou capitalizadas. Fl. 637DF CARF MF Processo nº 11516.000513/200710 Acórdão n.º 3201003.712 S3C2T1 Fl. 638 15 §7º A dedução de que trata o inciso III do caput poderá ser efetivada a partir do mês de sua formação, devendo o excesso ser aproveitado nos meses subseqüentes. Art. 13 Considerase sociedade cooperativa de eletrificação rural aquela que realiza a transmissão, manutenção, distribuição e comercialização de energia elétrica de produção própria ou adquirida de concessionárias, com o objetivo de atender à demanda de seus associados, pessoas físicas ou jurídicas. Art. 14 As sociedades cooperativas de eletrificação rural que realizarem cumulativamente atividades idênticas às cooperativas de produção agropecuária e de consumo, objetivando atender aos interesses de seus associados, deverão contabilizar as operações delas decorrentes separadamente, a fim de permitir, na apuração da base de cálculo, a utilização das deduções e exclusões específicas, e aproveitamento dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins correspondentes à incidência nãocumulativa. (g.n.) Em uma brevíssima síntese do que já foi relatado anteriormente, a contribuinte alega que Cooperativa de Eletrificação Rural do ramo de infraestrutura é tratada de maneira especial pela Lei nº. 10.684/03, art. 17, onde é possível excluir da base de cálculo os valores repassados aos associados, ou seja, o preço total da tarifa; que, conforme IN 635, art. 12, II, a base de cálculo pode ser ajustada pela dedução dos custos dos serviços prestados aos associados e pela exclusão da receita referente aos bens vendidos aos associados, vinculados às atividades destes; que o art. 83 do Código Civil – CC – classifica a energia elétrica como um bem móvel, de forma que está inserida na definição do art. 13 da IN 635/06; que o faturamento advindo do “bem” Energia Elétrica é essencial e, portanto, vinculado a qualquer atividade que o associado faça; que os chamados “valores repassados aos associados” se encontram na tarifa; que devem ser excluídos do Demonstrativo da Receita Tributável, as contas oriundas de ingressos repassados para a tarifa (residencial, industrial, comercial, rural); que todos os dispêndios são custos relativos à operacionalidade para entrega da energia aos associados, investimentos em linhas de redes de transmissão de energia e despesas administrativas, manutenção, comercialização, necessários ao funcionamento da cooperativa e necessários à prestação dos serviços aos associados e poderão ser excluídos da base de cálculo das contribuições; e, por fim, que o art. 17 da Lei 10.684/03 está claramente definindo que os valores dos serviços repassados aos associados os quais, na cooperativa de eletrificação, se faz via tarifa de energia, devem ser excluídos da base de cálculo. Como se viu acima, o artigo 17 da Lei 10.684/2003 dispõe sobre as sociedades cooperativas de produção agropecuária e de eletrificação rural. No que tange às cooperativas de eletrificação, determina a exclusão da base de cálculo dos Fl. 638DF CARF MF Processo nº 11516.000513/200710 Acórdão n.º 3201003.712 S3C2T1 Fl. 639 16 valores dos serviços prestados. As Instruções Normativas que se sucederam determinaram que as sociedades cooperativas de eletrificação rural poderiam excluir da base de cálculo, dentre outros, dos custos dos serviços prestados, os quais abrangem os gastos de geração, transmissão, manutenção e distribuição de energia elétrica, quando repassados aos associados. Não cabe razão à contribuinte, portanto, quando afirma que a tarifa deve ser considerada como o valor repassado ao cooperado. Deve ser considerado, como o foi no presente, o custo dos serviços prestados, os quais, por óbvio, estão contidos na tarifa. Ocorre que a tarifa, ou seja, a cobrança pelo serviço prestado é receita da cooperativa e, como já analisado no item anterior, é base tributável, devendo ser deduzido desta base os custos e as outras deduções legais. A contribuinte expõe também o entendimento de que, conforme o Código Civil, a Energia Elétrica é classificada como um bem móvel. Desta forma, entende que poderia excluir o valor do bem “Energia Elétrica” vendido, uma vez que na IN SRF 635/2006 há previsão para a exclusão da receita referente aos bens vendidos aos associados, vinculados à atividade destes. Todavia, novamente se equivoca a impugnante. As cooperativas de eletrificação estão operacionalizando a entrega da energia aos seus associados, prestando e recebendo a contrapartida, através da tarifa, por um serviço de fornecimento de energia elétrica, conforme consta do seu objeto social. Não está vendendo um bem, pois a energia não lhe pertence, mas apenas propicia as condições adequadas para o fornecimento desta energia no meio rural. A impugnante alega ainda que todos os dispêndios são custos relativos à operacionalização para entrega da energia aos associados, tais como investimentos em linhas de redes de transmissão de energia e despesas administrativas, manutenção, comercialização, são necessários ao funcionamento da cooperativa e necessários à prestação dos serviços aos associados e poderão ser excluídos da base de cálculo das contribuições. Apresenta uma planilha em anexo onde confronta apresenta o demonstrativo com as deduções que entende serem passíveis de exclusão da base de cálculo. Da planilha fiscal (fls.93/94), verificase que foram incluídos na base de cálculo os ingressos relativos ao fornecimento de energia, outras receitas, compartilhamento de postes (não constam valores) e receitas financeiras, das quais foram deduzidos os custos com distribuição, da energia elétrica e das sobras. Na planilha elaborada pela contribuinte, esta exclui da base de cálculo as receitas financeiras, e inclui como dedutíveis da base de cálculo os custos/despesas com pessoal, outros custos/despesas, e despesas financeiras (fls. 171/175). Verificase que o fisco lançou as parcelas dedutíveis, conforme o que consta nos demonstrativos contábeis da contribuinte. Para a base de cálculo, lançou o resultado das contas “Receita Fl. 639DF CARF MF Processo nº 11516.000513/200710 Acórdão n.º 3201003.712 S3C2T1 Fl. 640 17 Operacional Bruta”, “Prestação de Serviços”, e “Receitas Financeiras”. Em que pesem as alegações da contribuinte, quanto aos custos/despesas com pessoal, outros custos/despesas, e despesas financeiras, não há previsão legal para essas deduções da base de cálculo. Como já visto nos dispositivos legais colacionados aos autos, as deduções da base de cálculo das cooperativas de eletrificação são apenas as relativas aos custos dos serviços prestados aos associados, bem como às sobras líquidas, e as exclusões permitidas são àquelas receitas relativas aos bens vendidos aos associados e vinculados às atividades destes. Os custos dos serviços abrangem os gastos de geração, transmissão, manutenção, distribuição e comercialização de energia elétrica. Não abrangem os custos de despesas com pessoal administrativo , despesas financeiras dentre outros. Além disso, a contribuinte remete à Consulta 354/04 – 9ª. Região Fiscal , para alegar que esta, interpretando o art. 17 da Lei 10.684/03 – IN 358/03, determina a exclusão de diversos custos (recursos humanos, financeiros, contábeis, jurídicos, etc.) da base imponível do PIS/Cofins. Tal consulta diz respeito à Cooperativa de Produção Agropecuária, todavia, não me deterei sobre este assunto, visto que tal consulta se refere à cooperativa com atividades diversas, cujo resultado se aplica apenas à consulente. Diante do exposto, entendo que as deduções e exclusões utilizadas pelo fisco estão de acordo com o que estabelecem as instruções normativas da RFB. A base de cálculo também está correta no que se ao lançamento dos ingressos relativos ao fornecimento de energia e outras receitas. Todavia, quanto às receitas financeiras, há algumas considerações a fazer no próximo tópico. Quanto ao requerimento de exclusão de multa e juros com fulcro no art; 106, II, 'a' do CTN, tratase de dispositivo inaplicável à hipótese dos autos. Quanto às alegações de não incidência do PIS e da COFINS sobre atos cooperativos, deixo de examinar as alegações, uma vez que, como exposto, são objeto de ação judicial, sendo vedada a manifestação em sede de contencioso administrativo (concomitância) Assim, pelas razões expostas, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo a decisão proferida pela DRJ. Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 640DF CARF MF Processo nº 11516.000513/200710 Acórdão n.º 3201003.712 S3C2T1 Fl. 641 18 Fl. 641DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.722303/2011-46
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
RECURSO ESPECIAL DO SUJEITO PASSIVO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece em sede de Recurso Especial de matéria que não tenha sido objeto de impugnação e que, em virtude disso, não tenha sido analisada por ocasião do julgamento do recurso voluntário.
SALÁRIO INDIRETO. AUXÍLIO EDUCAÇÃO DESTINADO AOS EMPREGADOS. NÍVEL SUPERIOR. CURSOS DE CAPACITAÇÃO E QUALIFICAÇÃO. POSSIBILIDADE DE ENQUADRAMENTO.
A descrição prevista no art. 28, §9º, "t" da lei 8212/91, admite a interpretação de que a educação superior estaria abrangida nos cursos de capacitação ou mesmo qualificação profissional até a edição da Lei nº 12.513, de 2011, que alterou o dispositivo, devendo a autoridade fiscal, apresentar o descumprimento da extensão a todos ou da desvinculação das atividades na empresa para respaldar o lançamento.
Numero da decisão: 9202-006.578
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, vencida a conselheira Ana Paula Fernandes (relatora), que conheceu do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado). Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões, em relação ao recurso fazendário, os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Júnior, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado) e Maria Helena Cotta Cardozo. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
(Assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 RECURSO ESPECIAL DO SUJEITO PASSIVO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece em sede de Recurso Especial de matéria que não tenha sido objeto de impugnação e que, em virtude disso, não tenha sido analisada por ocasião do julgamento do recurso voluntário. SALÁRIO INDIRETO. AUXÍLIO EDUCAÇÃO DESTINADO AOS EMPREGADOS. NÍVEL SUPERIOR. CURSOS DE CAPACITAÇÃO E QUALIFICAÇÃO. POSSIBILIDADE DE ENQUADRAMENTO. A descrição prevista no art. 28, §9º, "t" da lei 8212/91, admite a interpretação de que a educação superior estaria abrangida nos cursos de capacitação ou mesmo qualificação profissional até a edição da Lei nº 12.513, de 2011, que alterou o dispositivo, devendo a autoridade fiscal, apresentar o descumprimento da extensão a todos ou da desvinculação das atividades na empresa para respaldar o lançamento.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 09 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10480.722303/2011-46
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5874595
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 09 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9202-006.578
nome_arquivo_s : Decisao_10480722303201146.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ANA PAULA FERNANDES
nome_arquivo_pdf_s : 10480722303201146_5874595.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, vencida a conselheira Ana Paula Fernandes (relatora), que conheceu do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado). Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões, em relação ao recurso fazendário, os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Júnior, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado) e Maria Helena Cotta Cardozo. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora (Assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
dt_sessao_tdt : Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
id : 7352132
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:21:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050586224525312
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2212; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 9 1 8 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10480.722303/201146 Recurso nº Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 9202006.578 – 2ª Turma Sessão de 20 de março de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA Recorrentes COMPANHIA ENERGETICA DE PERNAMBUCO FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 RECURSO ESPECIAL DO SUJEITO PASSIVO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece em sede de Recurso Especial de matéria que não tenha sido objeto de impugnação e que, em virtude disso, não tenha sido analisada por ocasião do julgamento do recurso voluntário. SALÁRIO INDIRETO. AUXÍLIO EDUCAÇÃO DESTINADO AOS EMPREGADOS. NÍVEL SUPERIOR. CURSOS DE CAPACITAÇÃO E QUALIFICAÇÃO. POSSIBILIDADE DE ENQUADRAMENTO. A descrição prevista no art. 28, §9º, "t" da lei 8212/91, admite a interpretação de que a educação superior estaria abrangida nos cursos de capacitação ou mesmo qualificação profissional até a edição da Lei nº 12.513, de 2011, que alterou o dispositivo, devendo a autoridade fiscal, apresentar o descumprimento da extensão a todos ou da desvinculação das atividades na empresa para respaldar o lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, vencida a conselheira Ana Paula Fernandes (relatora), que conheceu do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado). Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões, em relação ao recurso fazendário, os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Júnior, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado) e Maria Helena Cotta Cardozo. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 23 03 /2 01 1- 46 Fl. 4456DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora (Assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho – Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Os presentes Recursos Especiais tratam de pedido de análise de divergência motivados pela Fazenda Nacional e pelo Contribuinte face ao acórdão 2803003.394, proferido pela 3ª Turma Especial/ 2ª Seção de Julgamento. Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento, conforme DEBCADs nºs 37.284.9512 (contribuições patronal e SAT/RAT), 37.284.9539 (contribuições aos Terceiros Salário Educação, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE) e 37.284.9547 (multa por omitir fatos geradores em GFIP), apuradas a partir dos seguintes fatos geradores: salário indireto decorrente de pagamento de alimentação, desvinculada do PAT; pagamento (integral) de previdência privada complementar a diretores; pagamento (50%) de previdência privada complementar a empregados dirigentes; e valores pagos pela autuada em cursos de pósgraduação, deduzidos dos valores descontados dos empregados, não declarados nas competentes GFIP, totalizando um crédito no valor de R$ 436.345,36. O Contribuinte apresentou impugnação tempestiva.. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, às fls. 4178/4184, julgou PROCEDENTE EM PARTE o lançamento efetuado, excluindo o levantamento AL dos AI de nº 37.284.9512 e 37.284.9539, e mantido, na íntegra, o valor lançado no AI nº 37.284.9547. Às fls. 4203/4235, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário. A 3ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 4263/4269, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para excluir da base de cálculo dos DEBCAD 37.284.9512 e DEBCAD 37.284.9539 os valores referentes às verbas pagas a título de auxílio educação. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: Fl. 4457DF CARF MF Processo nº 10480.722303/201146 Acórdão n.º 9202006.578 CSRFT2 Fl. 10 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 BOLSAS DE ESTUDO DE GRADUAÇÃO E PÓSGRADUAÇÃO. BASE DE CÁLCULO.INAPLICABILIDADE O pagamento de bolsas de estudo de graduação e pósgraduação a todos os empregados e dirigentes, enquadrase na exceção legal prevista na alínea “t” do § 9° do art. 28 da lei 8.212/91, não se constituindo em salário de contribuição. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. PAGAMENTO EM DESCONFORMIDADE COM REGRA ISENTIVA PREVISTA NO ART. 28 DA LEI 8.212/91. BASE DE CÁLCULO. CONFIGURAÇÃO. O pagamento de contribuições pagas pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, somente não integra o saláriodecontribuição quando disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT. Recurso Voluntário Provido em Parte Às fls. 4271/4280, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, apontando divergência jurisprudencial em relação à incidência de contribuição previdenciária sobre a verba relativa ao ensino superior (graduação e pósgraduação). Enquanto o acórdão recorrido entendeu que a verba relativa ao ensino superior (graduação e pósgraduação) está fora do campo de incidência das contribuições previdenciárias, contrariamente, os acórdãos paradigmas analisando a mesma verba e entenderam pela incidência da contribuição previdenciária, prevista no art. 28, § 9º, “t” da Lei n ° 8.212/91, pois somente o que não integra o salário de contribuição é o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, aplicando a interpretação literal disposta no art. 111 do CTN. Às fls. 4299 e ss, a 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, NÃO CONHECENDO do recurso por INTEMPESTIVIDADE, tendo em vista que se presume a intimação no prazo de trinta dias da remessa do processo à PFN, iniciandose daí a contagem do prazo recursal. O processo foi encaminhado à PFN em 22/07/2014 (Despacho de Encaminhamento de fl. 4270). De acordo com o disposto no art. 7º, §§ 3º e 5º, da Portaria MF nº 527, de 2010 (art. 79, § 2º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015), a intimação presumida da Fazenda Nacional ocorreu em 21/08/2014. Em 09/09/2014, intempestivamente, foi interposto o Recurso Especial de fls. 4271 a 4280 (Despacho de Encaminhamento de fls. 4281). O encerramento do prazo se deu 05/09/2015. Às fls. 4305 e ss., a Fazenda Nacional peticionou alegando ERRO MATERIAL na análise da admissibilidade do Recurso Especial por ela interposto, restando corrigido e CONHECIDO, às fls. 4311 e ss., em novo exame de admissibilidade, no qual também DEU SEGUIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. Intimado à fl. 4319, o Contribuinte interpôs Recurso Especial, às fls. 4322/4339, alegando divergência entre decisões em relação a seguinte matéria: incidência de Fl. 4458DF CARF MF 4 contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de previdência complementar. Segundo o acórdão recorrido, os valores pagos a título de previdência complementar privada, seja oriundo de entidade de previdência aberta ou fechada, fazem parte do saláriode contribuição, devendo incidir contribuição previdenciária. Já o acórdão paradigma interpreta que, em se tratando de entidade aberta de previdência complementar, não há a estrita necessidade de que os planos sejam oferecidos a todos os empregados e dirigentes. Na sequencia, às fls. 4408 e ss., o Contribuinte também apresentou Contrarrazões ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, rebatendo apenas matéria de mérito. Às fls. 4435/4444, a 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, DANDO SEU SEGUIMENTO em relação a matéria de divergência arguida. A Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões, fls. 4446/4454, atacando estritamente matéria relativa ao mérito, arguindo, dentre outras ponderações, que os valores pagos pelo empregador aos empregados beneficiários programa de previdência privada possuem natureza salarial, pois decorrem do contrato de trabalho. Que eram pagos com habitualidade, eis que nos termos do art. 458 Consolidação das Leis do Trabalho considerase salário não somente os valores pagos em espécie, mas também outras prestações "in natura" que a empresa, por força do contrato ou do costume, forneça habitualmente ao empregado. Que o benefício de previdência complementar implantado pela empresa não era oferecido à totalidade de seus empregados, logo, não se aplica ao caso a norma isentiva prevista no § 9º, d, art. 28, Lei n.º8.212/91. Por fim, que a Lei Complementar 109/01 não aborda as implicações tributárias, devendo as exigências para usufruir do benefício de isenção serem analisadas à luz da Lei 8.212/91. Vieram os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora DO CONHECIMENTO Os Recursos Especiais interpostos pela Fazenda Nacional e pelo Contribuinte são tempestivos e atendem aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merecem ser conhecidos. DO MÉRITO Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento, conforme DEBCADs nºs 37.284.9512 (contribuições patronal e SAT/RAT), 37.284.9539 (contribuições aos Terceiros Salário Educação, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE) e 37.284.9547 (multa por omitir fatos Fl. 4459DF CARF MF Processo nº 10480.722303/201146 Acórdão n.º 9202006.578 CSRFT2 Fl. 11 5 geradores em GFIP), apuradas a partir dos seguintes fatos geradores: salário indireto decorrente de pagamento de alimentação, desvinculada do PAT; pagamento (integral) de previdência privada complementar a diretores; pagamento (50%) de previdência privada complementar a empregados dirigentes; e valores pagos pela autuada em cursos de pósgraduação, deduzidos dos valores descontados dos empregados, não declarados nas competentes GFIP, totalizando um crédito no valor de R$ 436.345,36. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. Já o Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise as divergências jurisprudenciais no tocante a incidência de contribuição previdenciária sobre a verba relativa ao ensino superior (graduação e pósgraduação). RECURSO DA FAZENDA NACIONAL a) Valores pagos a título de auxílioeducação (bolsa de estudo ensino superior); A Autuação Fiscal em questão se deu em razão dos Cursos custeados pela CELPE serem de ensino superior: O Auditor Fiscal assim aduziu: Cursos & Treinamentos – após intimada via TIF2, datado de 07/02/2011, a CELPE apresentou a relação dos empregados beneficiários e especificação dos cursos de educação e capacitação profissional custeados pela empresa no período 2007, tendo sido identificados cursos de educação superior (pós graduação) para alguns empregados. � Folha de Pagamento – no exame da Folha foram identificadas as rubricas “41PP Partic Pós Graduação” e “51PPPartic Pós Graduação ATR”, onde se registram os valores descontados a título de participação dos empregados no custeio dos cursos de pósgraduação. � Incidência – a ajuda de custo para financiar a formação educacional dos trabalhadores da CELPE em cursos de educação em nível superior (graduação e/ou pós graduação), de que trata o Capítulo IV, arts. 43 a 57 da Lei 9.394/96, integra o salário de contribuição para efeito de incidência de contribuição previdenciária. Vale dizer que tal benefício não está alcançado pela exclusão prevista na alínea "t", § 9º, art. 28 da Lei 8.212/91 Fl. 4460DF CARF MF 6 As Contribuições Previdenciárias possuem uma restrita linha de aplicação. Conforme bem delimitado pela Constituição Federal e pela Lei de Custeio estas exações se referem exclusivamente a valores advindos do trabalho, portanto, verbas de natureza remuneratória. O acórdão recorrido orienta a questão considerando que valores pagos relativos à educação superior (graduação e pósgraduação) se enquadram na hipótese de não incidência prevista na alínea “t”, § 9º, artigo 28, da lei 8.212/91 visto que a Lei 9394/96, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, no artigo 39, estabelece que a educação profissional se integra aos diferentes níveis e modalidades de educação e inclui graduação e pósgraduação. Independentemente desta argumentação a qual aproveita o contribuinte ter sido dada apenas na nova redação dada ao tema pela L. 11.741/2008 e que poderia ser considerada possível de aplicação para eventos passados em razão de ser norma mais favorável e razão de legiferar do legislador que representa a vontade do Estado, registro o mesmo encaminhamento com a inclusão de outros argumentos. Para dirimir esta questão me aproveito de alguns entendimentos veiculados no voto da Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, nos termos que segue: Segundo afirma o jurista mineiro e Ministro do Tribunal Superior do Trabalho, Mauricio Godinho Delgado, na obra "Curso de Direito do Trabalho", 2ª ed., para caracterizar salário utilidade devem ser analisados três requisitos. O primeiro deles é o da "habitualidade do fornecimento", deve o fornecimento do bem ou serviço ser reiterado ao longo do contrato de trabalho, deve estar presente a idéia de ser uma prestação de repetição uniforme em certo contexto temporal. O segundo requisito é a presença do "caráter contraprestativo do fornecimento", defende que é necessário que a causa e objetivos envolvidos no fornecimento da utilidade sejam essencialmente contraprestativo, é preciso que a utilidade seja fornecida preponderantemente com o intuito retributivo, como um acréscimo de vantagens contraprestativas ofertadas ao empregado. Pela pertinência vale citar (p. 712): Nesse quadro, não terá caráter retributivo o fornecimento de bens ou serviços feito como instrumento para viabilização ou aperfeiçoamento da prestação laboral. É claro que não se trata, restritivamente, de essencialidade do fornecimento para que o serviço possa ocorrer; o que é importante, para ordem jurídica, é o aspecto funcional, prático, instrumental, da utilidade ofertada para o melhor funcionamento do serviço. A esse respeito, já existe clássica fórmula exposta pela doutrina com suporte no texto do velho art. 458, §2º da CLT: somente terá natureza salarial a utilidade fornecida pelo trabalho e não para o trabalho. E quanto ao fornecimento e provimento da educação referido Ministro ainda destaca que tratase de dever imposto à empresa pela própria Constituição Federal, e por tal razão o bem ou serviço ofertado não pode ser classificado como salário utilidade, vale citar (p. 715): O dever, como se sabe, é tutela de interesse de outrem imposta a alguém pela ordem jurídica. O dever não necessariamente favorece o sujeito passivo de uma relação jurídica direta (como a relação de emprego); neste sentido distinguese da simples obrigação contratual. Pode, assim, a conduta derivada da tutela de interesse de outrem reportarse a uma comunidade Fl. 4461DF CARF MF Processo nº 10480.722303/201146 Acórdão n.º 9202006.578 CSRFT2 Fl. 12 7 indiferenciadas de favorecidos. É o que se passa com as atividades educacionais, por exemplo. O empregador tem o dever de participar das atividades educacionais do país pelo menos o ensino fundamental (art. 205, 212, §5º, CF/88). Esse dever não se restringe a seus exclusivos empregados estendese aos filhos destes e até mesmo à comunidade, através da contribuição parafiscal chamada salárioeducação (art. 212, §5º, CF/88; DecretoLei n. 1.422/75). Há, pois, fixado em norma jurídica heterônoma do Estado (inclusive na Constituição) um dever jurídico das empresas com respeito ao ensino no país (pelo menos o ensino fundamental): ou esse dever concretizase em ações diretas perante sues próprios empregados e os filhos destes ou, na falta de tais ações diretas, ele se concretiza perante o conjunto societário, através do recolhimento do salário educação. Estáse, desse modo, perante um dever jurídico geral e não mera obrigação contratual. Quanto ao terceiro requisito "onerosidade unilateral", embora reconheça trata se de conduta técnicojuridico extremamente controvertida, o Ministro Delgado admite sua aplicação em casos específicos (p. 718): É claro que ocorrem, na prática juslaborativa, algumas poucas situações em que fica nítido o interesse real do obreiro em ingressar em certos programas ou atividades subsidiados pela empresa. Tratase de atividades ou programas cuja fruição é indubitavelmente vantajosa ao trabalhador e sua família, e cujo custo econômico para o empregado é claramente favorável, em decorrência do subsídio empresarial existente. Nestas situações, que afastam de modo patente a idéia de mera simulação trabalhista, não há por que negarlhe relevância ao terceiro requisito ora examinado. Aliás, a quase singularidade de tais situações é que certamente conduz a jurisprudência a valorizar o presente requisito apenas em alguns poucos casos concretos efetivamente convincentes. Embora haja habitualidade na ofertada das bolsas à totalidade dos empregados, a utilização do benefício pelo obreiro é facultativa e onerosa, já que condicionada ao pagamento da parcela da mensalidade devida, e salvo na hipóteses de realização de cursos sucessivos, teremos uma prestação com duração delimitada no tempo (período letivo) não se estendendo por todo contrato de trabalho. Por força do art. Art. 110 do CTN a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal e com base nessa premissa o art. 195, I, alínea a da Constituição Federal deve ser interpretado utilizandose os conceitos construídos pelo Direito do Trabalho o qual, no entender desta Relatora, seria o ramo do direito competente para se manifestar sobre as relações e reflexos dos contratos de trabalho. Dispões o art. 195 da CF/88: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, Fl. 4462DF CARF MF 8 mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; ... Em contrapartida o art. 458, §2º, inciso II da Consolidação das Leis do Trabalho assim define o salário: Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por fôrça do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. ... § 2o Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: ... II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; ... Ora, se os benefícios ofertados aos empregados na forma de educação são considerados pela CLT como verbas não salariais, não pode a fiscalização interpretar a norma tributária no sentido de classificar tais vantagens como "salário utilidade" dandolhes caráter remuneratório. Embora o art. 28, §9º, alínea 't' da Lei nº 8.212/91, somente após 2011 e em situações restritas, tenha admitido a exclusão de bolsas de estudos do conceito de salário de contribuição, o Superior Tribunal de Justiça bem antes havia pacificado seu entendimento pela exclusão de tais verbas do conceito de saláriodecontribuição. Vale citar recente decisão monocrática proferida pela Ministra Regina Helena Costa no Recurso Especial 1.634.880/RS (publicada em 11/11/2016), que negou seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional entendo que a decisão recorrida seguia a jurisprudência da Corte: Acerca da contribuição previdenciária, esta Corte adota o posicionamento segundo o qual não incide essa contribuição sobre os valores pagos a título de auxílioeducação. Nessa linha: PROCESSUAL CIVIL. AUSÊNCIA DE OMISSÃO. ART. 535, II, DO CPC. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA. SITUAÇÃO FÁTICA DIVERSA. Fl. 4463DF CARF MF Processo nº 10480.722303/201146 Acórdão n.º 9202006.578 CSRFT2 Fl. 13 9 POSSIBILIDADE. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE VALETRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. (...) 5. O STJ tem pacífica jurisprudência no sentido de que o auxílio educação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba utilizada para o trabalho, e não pelo trabalho. Portanto, existe interesse processual da empresa em obter a declaração do Poder Judiciário na hipótese de a Fazenda Nacional estar cobrando indevidamente tal tributo. 6. Recurso Especial da Fazenda Nacional parcialmente conhecido e, nessa parte não provido e Recurso Especial da empresa provido. (REsp 1586940/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 10/05/2016, DJe 24/05/2016); PREVIDENCIÁRIO. RECURSO ESPECIAL. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. BOLSA DE ESTUDO. VERBA DE CARÁTER INDENIZATÓRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA SOBRE A BASE DE CÁLCULO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. "O auxílioeducação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba empregada para o trabalho, e não pelo trabalho." (RESP 324.178PR, Relatora Min. Denise Arruda, DJ de 17.12.2004). 2. In casu, a bolsa de estudos, é paga pela empresa e destinase a auxiliar o pagamento a título de mensalidades de nível superior e pósgraduação dos próprios empregados ou dependentes, de modo que a falta de comprovação do pagamento às instituições de ensino ou a repetição do ano letivo implica na exigência de devolução do auxílio. Precedentes:. (Resp. 784887/SC. Rel. Min. Teori Albino Zavascki. DJ. 05.12.2005 REsp 324178/PR, Rel. Min. Denise Arruda, DJ. 17.02.2004; AgRg no REsp 328602/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ.02.12.2002; REsp 365398/RS, Rel. Min. José Delgado, DJ. 18.03.2002). 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no Ag 1330484/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18/11/2010, DJe 01/12/2010) Fl. 4464DF CARF MF 10 In casu, tendo o acórdão recorrido adotado entendimento pacificado nesta Corte, o Recurso Especial não merece prosperar pela incidência da Súmula 83/STJ. Isto posto, com fundamento no art. 557, caput, do Código de Processo Civil, NEGO SEGUIMENTO ao Recurso Especial. Adotando como fonte de direito o jurisprudência dominante do Superior Tribunal de Justiça, a qual melhor interpreta a amplitude da base de cálculo da contribuição previdenciária, concluo que as bolsas de estudos fornecidas pela instituição aos empregados e seus respectivos dependentes não possuem natureza remuneratória, seja em nível básico, médio ou superior, não se sujeitando, portanto, à incidência do tributo lançado.” Defendo aqui meu posicionamento de que o Tribunal Administrativo deve ser útil à sociedade, motivo pelo qual deve se adequar a jurisprudência dominante do Poder Judiciário, a fim de evitar a repetitiva judicialização de demandas (tão nefasta ao orçamento público), mesmo que não esteja adstrita a aplicação dela por força do regimento, uma vez que a jurisprudência citada não procede de repetitivo de controvérsia (STJ), nem de repercussão geral (STF). Saliento aqui, que não desconheço a previsão legal que restringe os critérios para a concessão de bolsas de estudo, bem como suas alterações legais, mas considerando o princípio da juridicidade, abarcado no Art. 2º da Lei 9784/99, que preleciona que o julgador no âmbito do Tribunal Administrativo deve atuar conforme a lei o Direito, sendo a Jurisprudência do STJ uma das fontes do Direito, aplicoa como razão de decidir. Não se trata aqui de afastar a constitucionalidade da norma, mas sim de interpretar o ordenamento jurídico com base em uma das fontes do Direito previstas em Lei Específica do Processo Administrativo Federal, tomando a máxima de que “a Lei não prevê palavras inúteis”, a aplicação acima referida está permitida dentro do âmbito administrativo fiscal, vez que este está abarcado no Procedimento Administrativo Federal. E assim acredito que a melhor interpretação seja aquela dada pelo STJ na ementa que transcrita na citação acima, não devendo incidir Contribuição Previdenciária sobre as verbas decorrentes de bolsa de estudos concedidas aos empregados, mesmo em se tratando se ensino superior. Ressalto que a maioria do colegiado possui outro posicionamento quanto as questões aqui suscitadas, contudo para este caso concreto este posicionamento possibilita a mesma solução dada ao caso. Assim, para a maioria poderia o auditor promover o lançamento sobre essa rubrica, mas teria a autoridade fiscal de identificar que o curso superior não possuía qualquer relação com as atividades desenvolvidas na empresa, ou tão somente, não era extensível a todos os dirigentes e empregados. Pela transcrição dos trechos do relatório fiscal, não é possível vislumbrar nenhuma dessas duas imputações fiscais, razão pela qual não há como dar guarida ao entendimento da Fazenda Nacional. E sendo assim, voto pelo conhecimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional para no mérito negarlhe provimento. É o voto. Fl. 4465DF CARF MF Processo nº 10480.722303/201146 Acórdão n.º 9202006.578 CSRFT2 Fl. 14 11 (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Voto Vencedor Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho – Redator Designado Não obstante o posicionamento da i. Relatora pelo conhecimento do Recurso Especial do sujeito passivo, entendo que matéria veiculada não pode ser conhecida, eis que sequer fora objeto de impugnação. Examinandose a peça impugnatória é possível verificar que a recorrente, naquela ocasião, não contestou a incidência de contribuição previdenciária em relação a parcelas pagas a título de previdência complementar. Ao contrário disso, o sujeito passivo reconheceu tal parcela como base de incidência da contribuição, questionando somente a base de cálculo adotada pela autoridade autuante para a determinação do montante devido, tendo inclusive informado que providenciaria recolhimento do tributo lançado. Senão vejamos o inteiro teor da impugnação em relação a tal matéria: V. Do BENEFÍCIO DE APOSENTADORIA COMPLEMENTAR. ERRO NA BASE DE CÁLCULO UTILIZADA PELO I. FISCAL. Em relação ao benefício da aposentadoria complementar, a Empresa Impugnante reconhece em parte a autuação realizada. Entretanto, a base de cálculo utilizada pelo I. Fiscal não corresponde à realidade. De fato, conforme se observa na planilha constante neste Auto de Infração, o I. Fiscal incluiu na base de cálculo utilizada para incidência da contribuição previdenciária pagamentos que foram estornados do sistema financeiro interno da empresa, o SAP, Explicase: o I Fiscal teve acesso ao sistema financeiro interno da empresa autuada, e, com base nos pagamentos registrados nele, produziu a sua planilha de valores que supostamente não teriam sido objeto de incidência do INSS. Ocorre que o 1. Fiscal não observou que diversos pagamentos haviam sido estornados do sistema, ou seja, não chegaram a ser realizados. O sistema interno da empresa, por questão de segurança, registra todos os lançamentos efetuados, indicando aqueles que foram estornados, fato não observado pelo I. Fiscal. Desta forma, temos que os valores realmente pagos pela empresa autuada, e que devem compor a basedecálculo do INSS, estão relacionados no Conjunto Documental 04. A empresa autuada informa que procederá tempestivamente ao pagamento do valor acima referido, solicitando a juntada posterior do devido comprovante de recolhimento. (Grifouse) Fl. 4466DF CARF MF 12 Em vista disso, e tendo a recorrente trazido argumentos a esse respeito somente por ocasião do recurso voluntário, o colegiado a quo suscitou o inciso III do art. 16 e o art. 17 do Decreto nº 70.235/1972 como óbice à análise dos argumentos recursais. Confirase: A recorrente, em sua defesa, contesta apenas os valores levantados e não o mérito da autuação referente aos pagamentos de previdência complementar aos dirigentes. No recurso apresentado tenta agora impugnar as razões do levantamento, o que encontra óbice nos arts. 16, IV e 17 do decreto 70.235/72, que transcrevo. Art. 16. A impugnação mencionará: ... III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Grifouse) Vejase que a decisão recorrida sequer adentrou a discussão das questões jurídicas trazidas no recurso voluntário acerca dos valores pagos sob a denominação de previdência complementar, visto que referida matéria já não fazia parte da lide por não ter sido suscitada em momento processual adequado. Não cabe agora, já em sede Recurso Especial retomar a discussão a respeito desse tema haja vista sua preclusão e a consequente ausência de prequestionamento. Ademais, o § 5º do art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF é taxativo a respeito da impossibilidade de se dar prosseguimento a Recurso Especial quanto a matéria que não tenha sido devidamente prequestionada. Senão vejamos: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar de forma objetiva qual a legislação que está sendo interpretada de forma divergente. [...] § 5º O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. [...] (Grifouse) CONCLUSÃO Em razão do exposto voto no sentido de NÃO CONHECER do Recurso Especial da contribuinte. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 4467DF CARF MF Processo nº 10480.722303/201146 Acórdão n.º 9202006.578 CSRFT2 Fl. 15 13 Declaração de Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. A presente declaração tem por escopo apenas esclarecer a motivação do acompanhamento da relatora pelas conclusões, tendo em vista que a tese por ela defendida quando da análise pontual das matérias em outros julgados, apresentase diferente da por mim defendida em relação a bolsa de estudos de nível superior. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Existem parcelas que não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras, especificamente em relação a bolsas de estudo: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) No caso, quanto a verba BOLSA DE ESTUDOS, nos termos em que foi concedida não constituir salário de contribuição, entendo ser possível a interpretação adotada em parte pelo acórdão recorrido. Isso porque, aproveitando toda a análise da legislação acima descrita, fazse necessário agora apreciar a procedência do lançamento em relação à concessão de auxílios de cursos superiores fornecidos pela empresa aos seus empregados. Fl. 4468DF CARF MF 14 Primeiro, vejamos os fundamentos do lançamento quanto ao fato gerador ora sob análise: CURSOS DE EDUCAÇÃO SUPERIOR (PÓSGRADUAÇÃO) 19. Na continuidade do exame dos Acordos Coletivos de Trabalho, foi constatado que a CELPE proverá dotação de recursos para a formação educacional e profissional dos seus trabalhadores, conforme disposto no art. 9o e 30 do ACT 2006/2007 e no art. 7o e 25 do ACT 2007/2008. Cursos & Treinamentos – após intimada via TIF2, datado de 07/02/2011, a CELPE apresentou a relação dos empregados beneficiários e especificação dos cursos de educação e capacitação profissional custeados pela empresa no período 2007, tendo sido identificados cursos de educação superior (pós graduação) para alguns empregados. Folha de Pagamento – no exame da Folha foram identificadas as rubricas “41PPPartic Pós Graduação” e “51PPPartic Pós Graduação ATR”, onde se registram os valores descontados a título de participação dos empregados no custeio dos cursos de pósgraduação. Incidência – a ajuda de custo para financiar a formação educacional dos trabalhadores da CELPE em cursos de educação em nível superior (graduação e/ou pós graduação), de que trata o Capítulo IV, arts. 43 a 57 da Lei 9.394/96, integra o salário de contribuição para efeito de incidência de contribuição previdenciária. Vale dizer que tal benefício não está alcançado pela exclusão prevista na alínea "t", § 9º, art. 28 da Lei 8.212/91. Sendo assim, foi constituído o crédito previdenciário, mediante lançamento de ofício das contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores pagos, devidos ou creditados, conforme previsto no inciso I, art. 28 da Lei nº 8.212/91, deduzidos os valores descontados dos empregados em Folha de Pagamento (Rubricas 41PP e 51PP). Tais valores foram consolidados no levantamento PG, criado para esta finalidade. Planilha Demonstrativa dos Cursos e Beneficiários – anexada ao presente Auto de Infração planilha contendo a discriminação dos trabalhadores beneficiários e respectivos cursos de pós graduação custeados pela CELPE no período 2007, deduzidos os valores descontados dos empregados na Folha de Pagamento. Notas Fiscais / Recibos – após intimada via TIF3, datado de 10/03/2011, a CELPE apresentou os documentos (notas fiscais / recibos / boletos) correspondentes aos cursos de educação superior (graduação e/ou pósgraduação), tendo sido anexado ao presente Auto de Infração cópia dos documentos fornecidos pela empresa no formato/imagem PDF. Conforme podemos extrair dos pontos descritos no relatório fiscal, a base para o lançamento é a interpretação da autoridade fiscal de que o ensino superior não estaria abrangido no programa de capacitação e qualificação profissional previsto no art. 28, §9º, "t" da lei 8212/90: Fl. 4469DF CARF MF Processo nº 10480.722303/201146 Acórdão n.º 9202006.578 CSRFT2 Fl. 16 15 t)o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Embora tenha me filiado a tese da autoridade fiscal no passado, no sentido de que a educação superior não estaria abrangida no dispositivo acima transcrito, revisitando o texto da Lei de Diretrizes Básicas da Educação, Lei 9394/1996, não vejo a impossibilidade de considerar a educação superior como uma forma de capacitação ou mesmo qualificação profissional. No caso, desde que a educação proporcionada seja vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, possível a sua exclusão do conceito de salário de contribuição desde que cumpridos os demais requisitos. Notese que não estou com isso afastando toda e qualquer fornecimento de auxílio educação de curso superior do conceito de salário de contribuição, mas tão somente, abrindo a possibilidade de interpretação de que essa modalidade de curso esteja amparada na exclusão prevista no art. 28, §º, "t" da lei 8212/90 desde que cumprido os requisitos ali expostos, mas precisamente: “e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; No caso, poderia o auditor promover o lançamento sobre essa rubrica, mas teria a autoridade fiscal de identificar que o curso superior não possuía qualquer relação com as atividades desenvolvidas na empresa, ou tão somente, não era extensível a todos os dirigentes e empregados. Pela transcrição dos trechos do relatório fiscal, não é possível vislumbrar nenhuma dessas duas imputações fiscais, razão pela qual não há como dar guarida ao entendimento da Fazenda Nacional, devendo ser negado provimento ao seu recurso especial. Conclusão Face as considerações acima, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional em relação ao auxílio educação fornecido aos empregados para os cursos de educação superior. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 4470DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.916631/2008-37
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1001-000.614
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, para confirmar a decisão de piso, que entendeu que não houve contestação quanto ao direito creditório e, no mérito, negar-lhe provimento.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 15374.916631/2008-37
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5878661
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1001-000.614
nome_arquivo_s : Decisao_15374916631200837.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 15374916631200837_5878661.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, para confirmar a decisão de piso, que entendeu que não houve contestação quanto ao direito creditório e, no mérito, negar-lhe provimento. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
id : 7360072
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050586235011072
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1448; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 208 1 207 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.916631/200837 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.614 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 07 de junho de 2018 Matéria PERDCOMP Recorrente MAN DIESEL & TURBO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, para confirmar a decisão de piso, que entendeu que não houve contestação quanto ao direito creditório e, no mérito, negarlhe provimento. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de Declaração de Compensação 25451.62703.270904.1.3.049304 (e fls. 04/08), de 27/09/2004, através da qual o contribuinte pretende compensar débitos de sua AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 66 31 /2 00 8- 37 Fl. 208DF CARF MF 2 responsabilidade com créditos decorrentes de pagamentos indevidos (IRPJ PA: 29/02/2004). O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório 781160579 (efl. 11), que analisou as informações e reconheceu que localizou o pagamento, o qual entretanto fora integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, motivo por que não se homologou a compensação. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em que pede o cancelamento da PERDCOMP. Assim foi resumida a manifestação no relatório da decisão recorrida (efls. 99/101): Cientificada em 22/08/2008 (fls 08), a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls 13 na qual alega que errou ao preencher o PerDcomp que é objeto dos autos e pede seu cancelamento. A manifestação foi analisada pela Delegacia de Julgamento (Acórdão 1256.900 6 ª Turma da DRJ/RJ1, efl. 99/101). A decisão de primeira instância não conheceu da manifestação de inconformidade, por entender que o cancelamento e a retificação de declaração de compensação são de competência da Delegacia da Receita Federal que tenha jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo e que as Delegacias de Julgamento não são sequer instâncias revisoras. Cientificada em 19/02/2015 (efl. 106), a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 17/03/2015 (efl. 143), repetindo os argumentos levados à primeira instância e adicionando que há jurisprudência que atesta que deve ser aceita a retificação de DCTF e cancelamento de PERDCOMP. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço parcialmente do recurso para confirmar a decisão de piso. No caso presente, a contribuinte não se insurge contra o despacho decisório e seus fundamentos em virtude de algum vício nele existente. Pelo contrário, limitase a argumentar sobre o débito confessado. Entretanto, tal competência não foi deferida regimentalmente ao contencioso, mas exclusivamente às DRFs (art. 244 do Regimento Interno da SRF). Desta forma, e conforme autoriza o § 3º do art. 57 do RICARF, adiro às razões da decisão de piso, que bem fundamentaram a resolução do imbróglio: O presente processo tem como objeto declaração de compensação não homologada pelo despacho decisório de fls 11, tendo em vista que o darf indicado como origem do crédito já estaria alocado a outro débito, conforme vinculação informada em DCTF. Na manifestação de inconformidade a interessada não contesta os fundamentos do despacho que não homologou a compensação Fl. 209DF CARF MF Processo nº 15374.916631/200837 Acórdão n.º 1001000.614 S1C0T1 Fl. 209 3 declarada. Ao contrário, afirma que errou no preenchimento do Per Dcomp e limitase a solicitar seu cancelamento. Sobre o pedido formulado, faço as considerações seguintes. O cancelamento e a retificação de declaração de compensação são de competência da Delegacia da Receita Federal que tenha jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo e as Delegacias de Julgamento não são sequer instâncias revisoras relativamente a tais matérias (art 69 e 78 da IN 1300/2012 e art 224, inciso XXII da Portaria MF 203/2012). Ademais, nos termos do art 93 da IN 1300/2012, a desistência da compensação declarada só será acatada caso esta “ainda se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do pedido ”. Somase aos fundamentos acima elencados o fato de que a interessada sequer esclareceu qual teria sido o erro que justificaria o pleito de cancelamento da compensação que declarou. À vista de todo o exposto, diante da ausência de fatos novos que indiquem contra a legalidade do despacho decisório de fls 11, concluo por ratificálo. No que se refere à solicitação de atenção ao decidido por jurisprudência não vinculante deste CARF cabe destacar que as turmas do CARF estão vinculadas às decisões fixadas em súmulas, na forma do art. 72 do seu Regimento Interno: Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Desta forma, voto por conhecer parcialmente do recurso e no mérito confirmar a decisão de piso, que entendeu que o cancelamento e a retificação de declaração de compensação são de competência da Delegacia da Receita Federal que tenha jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, não cabendo contencioso relativamente a tais matérias. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 210DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15578.000630/2009-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 02 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.648
Decisão: Vistos relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 02 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 15578.000630/2009-63
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5887613
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 02 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-000.648
nome_arquivo_s : Decisao_15578000630200963.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
nome_arquivo_pdf_s : 15578000630200963_5887613.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro - Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro.
dt_sessao_tdt : Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
id : 7375741
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050586274856960
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1749; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 240 1 239 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15578.000630/200963 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3301000.648 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 22 de maio de 2018 Assunto INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE COFINS Recorrente CBF INDÚSTRIA DE GUSA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Contra a empresa foi lavrado o auto de infração de efls. 108 e seguintes, por falta/insuficiência de recolhimento de Cofins, no período de 01/06/2004 a 31/08/2004, constituindo a exigência de contribuição de R$ 94.596,89; multa de ofício de R$ 70.947,65 e juros de mora de R$ 59.816,41, perfazendo o total de R$ 225.360,95. A Autoridade autuante afirma que “Os valores foram apurados em decorrência da análise dos créditos da nãocumulatividade da COFINS analisados no processo 11962.000257/200441, cuja cópia do Parecer foi cientificada ao contribuinte quando da análise do direito creditório e das compensações realizadas no citado processo”. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 78 .0 00 63 0/ 20 09 -6 3 Fl. 240DF CARF MF Processo nº 15578.000630/200963 Resolução nº 3301000.648 S3C3T1 Fl. 241 2 Verificouse que no período de junho a agosto de 2004 os créditos reconhecidos da nãocumulatividade da COFINS não foram suficientes para cobrir o débito apurado para a contribuição (efl. 110). No processo n° 11962.000257/200441, discutiuse um conjunto de declarações de compensação, destinadas a compensar débitos de IRPJ e CSLL do período de junho de 2004, com créditos decorrentes da nãocumulatividade da COFINS apurados no período de 01/05/2004 a 30/09/2004. A DRF de origem, por meio do Parecer SEORT n° 3392/08, homologou parcialmente as compensações efetuadas. Confirase (efls. 166175): ASSUNTO: COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO PARA A COFINS INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. Período de apuração do crédito: 01/05/2004 a 30/09/2004. As aquisições de carvão vegetal de pessoas jurídicas não comprovadas pelo contribuinte não dão direito ao crédito; Não dá direito a crédito despesas com combustível usado na comercialização; Não dá direito a crédito despesas com depreciação associadas à ativos ligados às atividades de comercialização; Não dá direito a crédito despesas com escolta na comercialização; Não dá direito a crédito despesas com movimentação de produtos. COMPENSAÇÃO PARCIALMENTE HOMOLOGADA Relatório Ao presente processo foi apensado o processo 11543.100025/200512, por tratar de crédito analisado neste processo; 2. Versa o presente processo sobre Declarações de Compensação de débitos de CSLL e IRPJ do período de apuração de junho de 2004, com o aproveitamento do crédito da Contribuição para a COFINS, vinculado a operações de exportações e levantado durante o os meses de maio a setembro de 2004, conforme tabela a seguir apresentada: O contribuinte apresentou novos formulários de créditos da COFINS às fls. 299/303 em 31/03/2005 alterando o valor do crédito. Cabe ressaltar que o contribuinte informa, à f1.300 do presente processo que utilizou saldo do crédito de maio, no valor de R$ 27.198,88 para compensação da própria COFINS devida em junho. Desta forma, o crédito total Fl. 241DF CARF MF Processo nº 15578.000630/200963 Resolução nº 3301000.648 S3C3T1 Fl. 242 3 pleiteado para compensação no período de maio a setembro de 2004 é de R$ 425.712,06. (...) 37. Os ajustes realizados pela fiscalização decorrem da glosa de despesas de combustível e depreciação associadas às atividades de comercialização, bem como serviços de escolta na venda e movimentação de produtos acabados e da constatação que aquisições de carvão vegetal de pessoas jurídicas não foram confirmadas uma vez que os pagamentos foram realizados a terceiros. (...) Tendo em vista o Parecer DRFNIT/Seort, que APROVO, e, ainda, o disposto no art. 238, VI, do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda n° 95, de 30104/2007, publicada na Edição Extra do DOU de 02/05/2007, RECONHEÇO os créditos relativos à nãocumulatividade da contribuição para a COFINS, referente ao período de maio de 2004 a setembro de 2004 de que trata a Lei n° 10.833/03 no valor de R$111.297,90 (cento e onze mil e duzentos e noventa e sete reais e noventa centavos), por conseguinte, HOIVIOLOGO AS COMPENSAÇÕES dos débitos a seguir listados apresentadas no presente processo e no processo 11543.100025/200512, no limite do crédito reconhecido. Posteriormente, tal decisão foi reformada parcialmente pela 5ª Turma da DRJ/RJ2, no acórdão n° 1326.483 (efls. 219228), que reverteu as glosas de créditos referentes a bens fornecidos (carvão) por pessoas jurídicas inativas, baixadas, omissas: II – Glosa de créditos referentes a bens fornecidos por pessoas jurídicas inativas, baixadas, omissas A autoridade fiscal glosou créditos relativos às mercadorias adquiridas de pessoas jurídicas inativas, omissas ou com receita declarada incompatível com as vendas realizadas. Argumentou que a glosa se deveu ao fato de ter sido o pagamento referente a cada transação realizado à terceiro e à inexistência do recolhimento do tributo por parte da empresa vendedora. A impugnante argumentou, por outro lado, que todas as notas fiscais referentes às aquisições de tais empresas foram devidamente registradas, lançadas, escrituradas e contabilizadas de acordo com a legislação, e os correspondentes pagamentos foram realizados, embora a terceiros. Entendo não assistir razão à autoridade fiscal da Unidade a quo neste ponto, quanto ao seu fundamento. Os elementos acostados aos autos permitem inferir ter havido aquisições de bens, registradas pelo contribuinte, potencialmente capazes de gerar crédito a ser deduzido da contribuição apurada segundo o regime nãocumulativo. Em primeiro lugar cumpre observar o disposto no art. 9º, § 1º do Decretolei n.º 1.598 de 1977, consolidado no §1º, do art. 923, do RIR/1999: “a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim Fl. 242DF CARF MF Processo nº 15578.000630/200963 Resolução nº 3301000.648 S3C3T1 Fl. 243 4 definidos em preceitos legais.”(gn). No caso em análise, os registros contábeis da empresa interessada relativos às aquisições de bens para revenda estão amparados por notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas domiciliadas no País. As Notas Fiscais de venda comprovam, em princípio, a aquisição das mercadorias pela empresa interessada, de seus fornecedores, pessoas jurídicas emitentes das notas fiscais. É verdade, por outro lado, que a empresa declarada inapta pode ter, em consequência, seus documentos considerados inidôneos não produzindo efeitos tributários, inclusive para terceiros, como se constata na legislação abaixo examinada, que trata de inaptidão da pessoa jurídica e suas consequências tributárias. (...) Como se depreende da análise dos preceitos normativos aduzidos, as consequências tributárias se configuram após a declaração de inaptidão, neste caso, os documentos fiscais emitidos pelas empresas declaradas inaptas podem ser reputados como inidôneos, e, assim, tributariamente ineficazes, autorizando a glosa dos custos na escrita fiscal do terceiro interessado, salvo comprovação do pagamento pelo preço da mercadoria e do real ingresso desta no estabelecimento do adquirente. No presente caso, a autoridade a quo não alega que algum fornecedor conste no sistema CNPJ com situação cadastral de inapta. Não há qualquer prova nesse sentido declaração de inaptidão das empresas fornecedoras das mercadorias adquiridas pelo contribuinte, o que afastaria o aproveitamento pela empresa interessada dos valores registrados como custo, decorrentes das compras efetuadas junto a tais empresas, dispensandose, nesse caso, a produção de outras provas pela autoridade fiscal. Ao contribuinte, nessa hipótese, caberia refutar a presunção, em conformidade com o disposto no parágrafo único do artigo 82 da Lei 9.430/96 e parágrafo 5° do artigo 43 da IN SRF nº 200/2002, ou seja, provando o recebimento dos bens e o pagamento do preço respectivo. Por outro lado, independentemente da declaração de inaptidão em ato oficial adequado emitido pela autoridade competente da Receita Federal do Brasil, a documentação fiscal poderia ser considerada como tributariamente ineficaz, quando comprovado – direta ou indiretamente não ter havido transação a que se refere, permitindo concluir que os documentos apresentados mascaram uma aquisição fictícia de mercadorias, e impondo afastar a faculdade de a interessada calcular crédito da contribuição na incidência não cumulativa. A existência de notas fiscais de vendas de mercadorias emitidas por pessoas jurídicas domiciliadas no país e a comprovação do efetivo pagamento dos valores constantes das notas, ainda que efetuados mediante depósito em conta bancária em nome de terceiros, milita a favor da contribuinte, ora recorrente. Ademais, a fiscalização não demonstrou qualquer incompatibilidade entre os registros contábeis e as correspondentes aquisições de mercadorias e o movimento de numerário da empresa. Fl. 243DF CARF MF Processo nº 15578.000630/200963 Resolução nº 3301000.648 S3C3T1 Fl. 244 5 Diante dos elementos de prova anexados, entendese não ter ficado caracterizada nos autos a ineficácia das Notas Fiscais de Vendas emitidas pelas empresas fornecedoras, uma vez que os fatos apontados pela autoridade administrativa não são suficientes para amparar a glosa nos custos registrados pela empresa adquirente, quando os mesmos estão amparados por documentos cuja eficácia não foi afastada. Nesse sentido, é irrelevante ter havido, ou não, o pagamento da contribuição, de fato, no elo anterior da cadeia. Caso não tenha havido declaração e/ou pagamento da contribuição, quando a lei assim o impõe, as medidas cabíveis devem ser tomadas contra o contribuinte faltoso. Por outro lado, não é suficiente para descaracterizar a aquisição de bens, vinculada ao negócio jurídico de compra e venda, a correspondente falta de pagamento, ou mesmo o pagamento efetuado a terceiro. Portanto, o fundamento da Unidade a quo para excluir o direito de crédito da contribuinte, ora impugnante, no caso em exame não pode prosperar. (...) Do exposto, VOTO no sentido de julgar procedente em parte a manifestação de inconformidade para reconhecer o direito creditório da Cofins relativo ao período de 01/05/04 a 30/09/04, no valor de R$ 408.569,90 – na forma da tabela abaixo, que deve ser acrescentado ao valor já reconhecido na origem, para o fim de compensar os débitos tratados neste processo, na forma da legislação pertinente. Em seguida, o recurso voluntário do contribuinte foi negado, conforme consulta no sítio do CARF: O processo n° 11962.000257/200441 já foi baixado para a origem, não permitindo, portanto, a vinculação com este processo, nesta instância de julgamento. Relatado o essencial sobre o processo n° 11962.000257/200441, prossigo com os fatos deste presente processo. A 17ª Turma da DRJ/RJ1, no acórdão nº 1251.035, deu provimento parcial à impugnação ao auto de infração, pois aplicou a decisão proferida nos autos do outro processo. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 244DF CARF MF Processo nº 15578.000630/200963 Resolução nº 3301000.648 S3C3T1 Fl. 245 6 Período de apuração: 01/06/2004 a 31/08/2004 Crédito Tributário. Não Extinto. Valor Incontroverso. Mantido. O crédito da Fazenda incontroverso, mas ainda não extinto, constituído por auto de infração, deve ser mantido sem multa, quando comprovada a existência de crédito da não cumulatividade suficiente para sua extinção ao tempo do vencimento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2004 a 31/08/2004 Matéria não Impugnada. Efeitos Preclusivos. Operamse os efeitos preclusivos previstos nas normas do processo administrativo fiscal em relação à matéria que não tenha sido expressamente contestada. Assim, a DRJ aplicou o entendimento do acórdão proferido no processo n° 11962.000257/200441 e manteve a constituição do crédito principal da COFINS, mas excluiu a multa de ofício, “alertando para o crédito, em tese, disponível reconhecido nos autos do Processo nº 11962.000257/200441”. Em seu recurso voluntário, a empresa aduz que não há saldo devedor de COFINS. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Nestes autos, a decisão da DRJ consignou: O valor total de crédito reconhecido, naqueles autos (Processo nº 11962.000257/200441), após a decisão do julgamento na DRJ corresponde a: R$111.297,90 (DRF) + R$408.569,90 (DRJ) = R$519.867,8. Do qual deve ser abatido R$94.596,89 (débito de Cofins), resultando R$519.867,8 R$ 94.596,89 = R$425.270,91. Registrando se que a contribuinte havia solicitado reconhecimento de direito creditório no valor de R$425.712,06. No entanto, não há prova nos autos de que foram devidamente abatidas no cálculo do crédito as contribuições referentes ao período considerado no Auto de Infração. Sublinhandose ainda que a impugnante não contestou, em nenhum momento, o valor da contribuição, tornando incontroverso o valor de R$94.596,89. Assim, não havendo contestação específica quanto ao ponto (valor do crédito constituído), operamse os efeitos preclusivos resultantes da aplicação Fl. 245DF CARF MF Processo nº 15578.000630/200963 Resolução nº 3301000.648 S3C3T1 Fl. 246 7 do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, diploma regulador do Processo Administrativo Fiscal, quanto às matérias não expressamente contestadas (...) Deste modo, a fim de preservar o crédito da Fazenda Nacional, uma vez que não há prova de extinção do crédito tributário do período de 06/04 a 08/04 de Cofins da contribuinte, ora impugnante; deve ser mantida a constituição do crédito principal (valor incontroverso), excluída a multa de ofício, uma vez que a contribuinte já possuía crédito da nãocumulatividade – conforme decidido por esta Turma de Julgamento – para satisfazer o crédito tributário no vencimento. Do exposto, VOTO no sentido de manter o crédito principal constituído, mas excluir a multa de ofício, alertando para o crédito, em tese, disponível reconhecido nos autos do Processo nº 11962.000257/200441. Discordo do argumento da DRJ de que a empresa não contestou, em nenhum momento, o valor da contribuição, tornando incontroverso o valor de R$ 94.596,89. Nestes autos e no processo n° 11962.000257/200441, a Recorrente atacou frontalmente as glosas, alegando que não há saldo devedor de COFINS. Ademais, discordo também da solução dada: se não há prova nestes autos de que o valor de R$ 94.596,89 foi devidamente abatido no cálculo do crédito das contribuições referentes ao período considerado no auto de infração, tal fato deve ser investigado. Isso porque, alega a Recorrente que: Por conseguinte, voto pela conversão do julgamento em diligência para solicitar à unidade de origem que examine a escrituração fiscal da Recorrente e as declarações de compensação, para verificar: I Se o crédito restaurado pela DRJ de R$ 408.569,90, somado ao reconhecido pela DRF de origem de R$ 111.297,90, são suficientes para compensar os débitos tratados nos processos n° 11962.000257/200441 e n° 11543.100025/200512; Fl. 246DF CARF MF Processo nº 15578.000630/200963 Resolução nº 3301000.648 S3C3T1 Fl. 247 8 II Se reconhecimento parcial do direito creditório (DRJ de R$ 408.569,90 + R$ 111.297,90) é suficiente para cobrir os débitos da COFINS, apurados nos períodos de junho, julho e agosto de 2004. E ainda, solicitase a elaboração de relatório conclusivo. Caso a autoridade fiscal entenda necessário, intime o sujeito passivo para prestar outros esclarecimentos. Após, cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe prazo para manifestação. Por fim, retornar o processo ao CARF para julgamento. (Assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Fl. 247DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 23034.024659/2001-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/1997 a 30/06/1999
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
Caracterizada a intempestividade do Recurso Voluntário, não há dele de se conhecer.
Numero da decisão: 2402-006.287
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/06/1997 a 30/06/1999 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Caracterizada a intempestividade do Recurso Voluntário, não há dele de se conhecer.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 23034.024659/2001-59
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5875197
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2402-006.287
nome_arquivo_s : Decisao_23034024659200159.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
nome_arquivo_pdf_s : 23034024659200159_5875197.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
id : 7352762
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:21:42 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050586282196992
conteudo_txt : Metadados => date: 2018-06-26T17:43:34Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-06-26T17:43:34Z; Last-Modified: 2018-06-26T17:43:34Z; dcterms:modified: 2018-06-26T17:43:34Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2018-06-26T17:43:34Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-06-26T17:43:34Z; meta:save-date: 2018-06-26T17:43:34Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-06-26T17:43:34Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-06-26T17:43:34Z; created: 2018-06-26T17:43:34Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 2; Creation-Date: 2018-06-26T17:43:34Z; pdf:charsPerPage: 1682; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-06-26T17:43:34Z | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 101 1 100 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 23034.024659/200159 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402006.287 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 07 de junho de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FURNAS CENTRAIS ELÉTRICAS S/A RJ Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/1997 a 30/06/1999 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Caracterizada a intempestividade do Recurso Voluntário, não há dele de se conhecer. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de efls. 48/50 em face de decisão do Ilmo. Sr. Presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) efls. 31/32 que julgou pelo indeferimento da defesa apresentada pelo contribuinte em epígrafe (efls. 15/16), mantendo, destarte, o crédito tributário referente ao não recolhimento do salário educação consignado na Notificação para Recolhimento de Débito n. 618/2001 no valor total AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 23 03 4. 02 46 59 /2 00 1- 59 Fl. 98DF CARF MF Processo nº 23034.024659/200159 Acórdão n.º 2402006.287 S2C4T2 Fl. 102 2 de R$ 33.293,79 (efls. 11/13), com fulcro em irregularidades verificadas nos recolhimentos referentes ao SalárioEducação especificamente quanto à ausência da indicação de alunos indenizados no Programa RAI relativas às competências 06/1997; 12/1997; 06/1998; 12/1998; e 06/1999. A Recorrente foi cientificada da Notificação para Recolhimento de Débito (NRD) n. 618/2001 (efls. 11/13) em 19/07/2001 (efl. 14) e apresentou defesa em 07/08/2001 (efls. 15/16), solicitando a suspensão da cobrança. O FNDE exarou decisão pelo indeferimento (efls. 31/32), oportunidade em que destaca que, quando da apresentação da defesa de efls. 15/16) a Recorrente enviou arquivos de programa RAI referentes a competências distintas daquelas objeto da NRD n. 618/2001 (efls. 11/13). A Recorrente foi notificada da decisão do Ilmo. Sr. Presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) efls. 31/32 na data de 21/03/2005 (efl. 38) e apresentou Recurso Voluntário em 25/05/2005 (efls. 48/50). Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. O Recurso Voluntário (efls. 48/50) é intempestivo e, assim, não atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, não havendo, portanto, dele de se conhecer. Com efeito, a Recorrente foi cientificada da decisão do Ilmo. Sr. Presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) efls. 31/32 na data de 21/03/2005 (efl. 38) e interpôs Recurso Voluntário em 25/05/2005 (efls. 48/50). Desta forma, resta caracterizada a intempestividade, forte no art. 33 do Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores. Ante o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do Recurso Voluntário de efls. 48/50. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 99DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13964.000040/2010-95
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2007, 2008
SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DE LIVRO-CAIXA E MOVIMENTAÇÕES BANCÁRIAS. OBRIGAÇÃO LEGAL.
A Lei Complementar nº 123/2006, art. 29, VIII, determina que é motivo de exclusão de ofício o contribuinte que deixar de apresentar o Livro-Caixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive a bancária. Obrigação formal para se manter no benefício.
Numero da decisão: 1003-000.055
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2007, 2008 SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DE LIVRO-CAIXA E MOVIMENTAÇÕES BANCÁRIAS. OBRIGAÇÃO LEGAL. A Lei Complementar nº 123/2006, art. 29, VIII, determina que é motivo de exclusão de ofício o contribuinte que deixar de apresentar o Livro-Caixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive a bancária. Obrigação formal para se manter no benefício.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13964.000040/2010-95
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5893579
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1003-000.055
nome_arquivo_s : Decisao_13964000040201095.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : BARBARA SANTOS GUEDES
nome_arquivo_pdf_s : 13964000040201095_5893579.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
id : 7398174
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:42 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050586305265664
conteudo_txt : Metadados => date: 2018-08-06T18:18:38Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-08-06T18:18:38Z; Last-Modified: 2018-08-06T18:18:38Z; dcterms:modified: 2018-08-06T18:18:38Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2018-08-06T18:18:38Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-08-06T18:18:38Z; meta:save-date: 2018-08-06T18:18:38Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-08-06T18:18:38Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-08-06T18:18:38Z; created: 2018-08-06T18:18:38Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2018-08-06T18:18:38Z; pdf:charsPerPage: 1340; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-08-06T18:18:38Z | Conteúdo => S1C0T3 Fl. 2 1 1 S1C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13964.000040/201095 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1003000.055 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 04 de julho de 2018 Matéria SIMPLES NACIONAL Recorrente CONFECÇÕES BONIN LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2007, 2008 SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROCAIXA E MOVIMENTAÇÕES BANCÁRIAS. OBRIGAÇÃO LEGAL. A Lei Complementar nº 123/2006, art. 29, VIII, determina que é motivo de exclusão de ofício o contribuinte que deixar de apresentar o LivroCaixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive a bancária. Obrigação formal para se manter no benefício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 96 4. 00 00 40 /2 01 0- 95 Fl. 317DF CARF MF Processo nº 13964.000040/201095 Acórdão n.º 1003000.055 S1C0T3 Fl. 3 2 Tratase de recurso voluntário contra acórdão de nº 0729.308, de 14 de junho de 2012, da 5ª Turma da DRJ/FNS, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente. A autoridade fiscal formalizou a Representação Fiscal de fls. 01 e 02, em razão de ter verificado fatos que podem configurar motivo de exclusão do Simples Nacional. A Autoridade informa que a Recorrente, em fiscalização, apresentou o Livro Diário, que não possui movimentação bancária, em substituição ao Livro Caixa. Através de Despacho Decisório nº 38, de 29 de abril de 2010 (fls. 39), a autoridade administrativa concluiu pela exclusão da Recorrente do Simples Nacional, "por ter apresentado no curso da fiscalização o Livro Diário, em substituição do Livro Caixa, sem a devida escrituração da movimentação financeira, inclusive a bancária, para os anoscalendário 2007 e 2008, fatos que importam na sua exclusão de oficio do Simples Nacional, com fundamento no artigo 29, inciso VIII, da Lei Complementar n° 123/2006". Contra o Despacho Decisório a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls 46 a 53), alegando que os Livros Diários apresentados possuem o registro de toda movimentação financeira e bancária . Efetua a juntada dos Livros Razão da Conta Caixa 2007 e 2008 e Livros Razão 2007 e 2008 O acórdão de nº 0729.308, de 44 de junho de 2012, julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, nos moldes da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário:2007, 2008 EXCLUSÃO. FALTA DA ESCRITURAÇÃO FINANCEIRA, INCLUSIVE BANCÁRIA.Deve ser excluída do Simples Nacional a empresa que escriturar o livro caixa, ou o livro diário se esta for a opção da contribuinte, de forma a não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive a bancária, nos termos do inciso VIII do artigo 29 da Lei Complementar nº 123/2006. RETROATIVIDADE DA EXCLUSÃO. TERMOS DA LEI. Nas hipóteses de exclusão de ofício do Simples Nacional previstas nos incisos II a XII do caput do artigo 29 da LC 123/2006, a exclusão produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorridas. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. EFEITO SUSPENSIVO.AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.A interposição de manifestação de inconformidade contra o ato declaratório de exclusão não possui efeito suspenso, por ausência de previsão legal. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Sem Crédito em Litígio Inconformada com a decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário no qual declara ter havido erro por parte do auditor fiscal em proceder a exclusão da Recorrente Fl. 318DF CARF MF Processo nº 13964.000040/201095 Acórdão n.º 1003000.055 S1C0T3 Fl. 4 3 do Simples Nacional, porque os livros de escrituração contábil apresentados (Livros Diários e Livros Razão), demonstram toda a movimentação financeira da mesma. Afirma que, nos Livros Diários apresentados, estão escrituradas todas as movimentações financeiras da Recorrente, inclusive a bancária, como se verifica às fls. 06, na qual consta empréstimos obtidos; às fls. 10, apresenta a escrituração bancária e às fls.12, expressa as despesas financeiras, as quais advêm dos bancos. Igualmente, a escrituração bancária é possível ser identificada às fls. 28, 32 e 34 (despesas financeiras). Em razão disso, a Recorrente conclui que a movimentação bancária estaria inserida na movimentação financeira. Defende a Recorrente que o fundamento primordial da Lei Complementar nº 123/2006 é a simplificação e o favorecimento da tributação às microempresas e empresas de pequeno porte. Em razão disso, conclui que o objetivo do art. 29, VIII, da citada Lei Complementar, é o de permitir a visualização da receita bruta obtida pela empresa contribuinte, a fim de verificar se a mesma continua enquadrada nos limites expostos pela norma legal. Dessa forma, o que importa é o conhecimento da movimentação financeira geral da empresa contribuinte, a qual foi informada e apresentada à autoridade fiscalizadora. A recorrente ainda destaca que não se quedou inerte diante das intimações fiscais, tendo apresentado todos os seus documentos à fiscalização, bem como destaca que eventual equívoco na escrituração contábil não acarreta intenção de lesar o Fisco, de modo que penalizar com a exclusão seria inviabilizar a atividade empresarial da mesma. Aduz ainda a Recorrente que o ADE de exclusão somente deve surtir efeitos a partir do ato de exclusão, isto é, em 29/04/2010. Aponta que os efeitos do ato de exclusão do Simples Nacional devem ficar suspensos até decisão final do presente processo Por fim, requer a reforma do acórdão da DRJ e a procedência do presente Recurso para afastar a exclusão da Recorrente do Simples Nacional. É o Relatório. Voto Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo, visto que atende o prazo regulamentar estabelecido pelo Decreto 70.235/1972, art. 33. Portanto, o mesmo atende aos requisitos de admissibilidade, pelo que, conheço do recurso. Insurgese a Recorrente contra acórdão de primeira instância administrativa que manteve a exclusão da mesma do Simples Nacional em razão de não ter essa apresentado a movimentação bancária dos anos de 2007 e 2008. A Recorrente afirma que livros de escrituração contábil apresentados (Livros Diários e Livros Razão), demonstram toda a movimentação financeira da mesma. Ocorre, no entanto, que a Lei Complementar nº 123/2006, art. 29, inciso VIII, determina: Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: Fl. 319DF CARF MF Processo nº 13964.000040/201095 Acórdão n.º 1003000.055 S1C0T3 Fl. 5 4 VIII houver falta de escrituração do livrocaixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária; Pela leitura da norma acima transcrita, não há dúvidas de que manter a escrituração do livrocaixa ou possuir livros suficientes que indiquem a movimentação financeira, INCLUINDO a movimentação bancária, é uma obrigação do contribuinte (vide arts. 26 e 27 da mesma Lei Complementar). Em que pese a alegação de ter apresentado a movimentação financeira, a bancária, segundo provas constantes no processo, não foi apresentada. É digno registrar que a lei não faculta a entrega. A obrigação de manter a escrituração do livrocaixa, ou permitir a identificação, através de outros livros fiscais, das movimentações financeiras e bancárias é um dever da empresa que está sendo beneficiada pelo Simples Nacional. O Ato Declaratório combatido destaca que a Recorrente possuía contas bancárias (fls. 19 a 22 e 39), contudo a movimentação de tais contas não aparecem nos livros fiscais apresentados. A própria Recorrente reiteradamente em sua peça informa ter apresentado a movimentação financeira, mas silencia em relação à movimentação bancária. Pelos Livros Diário apresentados pela fiscalização não é possível concluir que toda a movimentação financeira da Recorrente está ali descrita.Existem informações e registros bancários que informam a existência de empréstimos e outros encargos, mas tais informações não demonstram a movimentação completa das contas bancárias. Ainda, trago ao presente os fundamentos utilizados pelo Ilmo. Julgador de primeira instância administrativa sobre os Livros Razão, do qual tenho a mesma posição: "(...) Ocorre que da análise do Livro Razão da conta Caixa dos anos de 2007 e 2008, onde a contribuinte alega que estaria toda a movimentação financeira da empresa, não é possível verificar a movimentação bancária da contribuinte, corroborando com os fatos verificados na ação fiscal. Assim, não se pode dizer, como quer a impugnante, que nos Livros Diários apresentados (Livros Diários nºs 06 e 07), fls. 03/13 e 25/35 está escriturada toda a movimentação financeira da impugnante, inclusive a bancária. O fato de haver registros de empréstimos bancários ou de encargos financeiros na escrituração contábil em nada enfraquece a conclusão da fiscalização, contrariamente, demonstra que a escrituração da movimentação bancária é apenas parcial. Ademais, a falta ou escrituração deficiente de toda a sua movimentação bancária significa não permitir a identificação daquela movimentação nos termos do inciso VIII do artigo 29 da Lei n° 123, de 2006, antes transcrito. Ressaltese, ainda, que os pagamentos colhidos pela fiscalização, que são exemplos de pagamentos efetuados pela interessada via bancos no ano de 2007, abaixo listadas, não Fl. 320DF CARF MF Processo nº 13964.000040/201095 Acórdão n.º 1003000.055 S1C0T3 Fl. 6 5 possuem lançamentos correspondentes, possíveis de serem identificados no Razão da Conta Caixa apresentado pela contribuinte, quer pelo valor, histórico e data de pagamento, são eles: título pago com saque em conta corrente do Banco do Brasil em 09/03/2007, no valor de R$ 822,50 (fl. 20); pagamento de título emitido pela Sancris Linhas e Fios Ltda em 31/08/2007, no valor de R$ 143,10, efetivado junto ao Banco do Brasil (fl. 22); pagamento de título emitido pela Freudenberg Não Tecidos Ltda. & Cia, no valor de R$ 1.140,00, pago em 10/08/2007, efetivado junto ao Banco do Brasil (fl. 23); De outro lado, outros pagamentos efetuados com recursos das contas bancárias do contribuinte, demonstrados pela fiscalização, são identificáveis pela data do pagamento, valor e histórico no Livro Razão da Conta Caixa apresentados com a impugnação, todavia, por esses lançamentos, não é possível identificar que se tratam de operações envolvendo bancos. São eles: pagamento de DARF Simples com débito na conta do Banco do Brasil, data de arrecadação em 20/07/2007, no valor de R$ 1.169,62 (fl. 21), identificado na conta Caixa fl. 77, lançamento contrapartida 961279– Simples (fls. 100 e 137); pagamento de título em 26/09/2007, no valor de R$ 460,00, efetivado junto ao Banco do Brasil (fl. 24). Nesse caso, há um lançamento de 27/09/2007, com histórico pagamento cfe. NF 6060 – lançamento contrapartida 156.7927 Brasil Botões Ltda. (fls. 103); DARF pago em 09/11/2007, no valor de R$ 169,53 com débito na conta do Banco do Brasil (fl. 25) – identificado no lançamento de 09/11/2007, com histórico “pagto IRPF s/ salários e prolabore 10/2007”, lanctocontr. 31236– Imposto de Renda Retido na Fonte (fls. 105); FGTS pago com recursos da conta do Banco do Brasil em 07/02/2008 (R$ 3.669,19), fl. 19; lançamento da data com histórico “pagto FGTS ref. Mês 01/2008, Lancto – Contr. 161333 0FGTS a recolher (lançamento conta caixa à fl. 175 e contrapartida à fl. 139); GPS paga com recursos da conta do Banco co Brasil em 11/08/2008, no valor de R$ 3.166,34 (fl. 37); lançamento na data com histórico “INSS ref mês 07/2008”, lancto – Contr.. 4 – 1325 Previdência Social (lançamento conta caixa à fl. 205 e contrapartida à fl. 251); GPS paga com recursos da conta da Caixa Econômica Federal, em 10/10/2008, no valor de R$ 3.263,89; lançamento na data com histórico “Pagto INSS ref. MÊS Fl. 321DF CARF MF Processo nº 13964.000040/201095 Acórdão n.º 1003000.055 S1C0T3 Fl. 7 6 Portanto, o exame dos Livros Razão (anos de 2007 e 2008), anexados pela manifestante, reforça que na conta Caixa, onde alega que esta escriturada toda a sua movimentação financeira, não é possível verificar a movimentação bancária da contribuinte, corroborando com os fatos apurados na ação fiscal Considerando o acima exposto, não há nos autos prova de que a Recorrente tenha apresentado a movimentação bancária. Defendeu ainda a Recorrente que o fundamento da Lei Complementar nº 123/2006 é a simplificação e o favorecimento da tributação às microempresas e empresas de pequeno porte e que o art. 29, VIII, da citada Lei tem o condão apenas de permitir a visualização da receita bruta obtida pela empresa contribuinte, a fim de verificar se a mesma continua enquadrada nos limites expostos pela norma legal. De fato, a Lei Complementar nº 123/2006 teve a intenção de criar um regime tributário mais benéfico as microempresas e empresas de pequeno porte, contudo a mesma legislação estabeleceu requisitos formais para poder ser beneficiado, como também se manter no benefício. Dessa forma, se a Lei expressamente determina que a movimentação bancária deve ser apresentada e registrada nas escriturações da empresa. Isto se deu não para um simples conhecimento da movimentação financeira geral, como faz crer a Recorrente, mas sim para um conhecimento pleno da movimentação financeira e bancária da empresa beneficiada por um regime diferenciado. O erro na escrituração contábil, como apontou a Recorrente, pode não ter sido intencional, com intuito de lesar o Fisco, mas descumpriu obrigação legal determinada pela norma instituidora, conforme se depreende abaixo: Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006 Art. 26. As microempresas e empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional ficam obrigadas a: (...) II manter em boa ordem e guarda os documentos que fundamentaram a apuração dos impostos e contribuições devidos e o cumprimento das obrigações acessórias a que se refere o art. 25 desta Lei Complementar enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes. (...) § 2º As demais microempresas e as empresas de pequeno porte, além do disposto nos incisos I e II do caput deste artigo, deverão, ainda, manter o livrocaixa em que será escriturada sua movimentação financeira e bancária. A exclusão de ofício, como já determinada na norma acima transcrita (art. 29. VIII) se deu em razão de não cumprimento de requisito formal para manutenção do benefício. Não se está analisando a intenção de lesar ou não o Fisco. Fl. 322DF CARF MF Processo nº 13964.000040/201095 Acórdão n.º 1003000.055 S1C0T3 Fl. 8 7 Quanto aos demais argumentos da Recorrente, por concordar com o já exposto no acórdão ora combatido, fundamento com o voto do Relator, conforme abaixo: 2. Efeitos da exclusão De acordo com o Art. 29, §1º da LC nº 123/2006, a exclusão do Simples Nacional, na hipótese verificada no caso, prevista no inciso VIII do artigo 29, produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorridas, impedindo a opção pelo regime diferenciado e favorecido pelos próximos 3 (três) anoscalendário seguintes, cito: §1o Nas hipóteses previstas nos incisos II a XII do caput deste artigo, a exclusão produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorridas, impedindo a opção pelo regime diferenciado e favorecido desta Lei Complementar pelos próximos 3 (três) anoscalendário seguintes. Assim, uma vez excluída a empresa do Sistema Simplificado, resta ao fisco aplicar as normas das demais pessoas jurídicas nos exatos termos da lei. No caso, a infração incorrida pela empresa se verificou nos exercício 2007 e 2008, e os efeitos da exclusão retrocederam até 1° de julho de 2007, dada em que a interessada ingressou no Simples Nacional. O termo inicial dos efeitos da exclusão pretendido pela impugnante, qual seja, 29/04/2010, data em que a fiscalização teria constatado a infração à Lei Complementar nº 123, de 2006, não pode prosperar, porque os efeitos da exclusão se processam a partir da data em que ocorrida a infração, por força de dispositivo legal expresso, acima transcrito. Também em consonância com a legislação aplicável, acima transcrita, não prospera o requerimento da impugnante, de que os efeitos da exclusão se restrinjam ao período da fiscalização. Isto posto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão de primeira instância que determinou a exclusão da Recorrente do Simples Nacional para os anoscalendário 2007 e 2008. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 323DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.723390/2014-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011, 2012
DILIGÊNCIA. PRODUÇÃO DE PROVAS.
A diligência não é via que se destine a produzir provas de responsabilidade das partes, suprindo o encargo que lhes compete.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A presunção legal de omissão de rendimentos tributáveis, estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM.
Uma vez transposta a fase do lançamento fiscal, sem a comprovação da origem dos depósitos bancários, a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, somente é elidida com a comprovação, inequívoca, de que os valores depositados não são tributáveis ou que já foram submetidos à tributação do imposto de renda.
Numero da decisão: 2401-005.550
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011, 2012 DILIGÊNCIA. PRODUÇÃO DE PROVAS. A diligência não é via que se destine a produzir provas de responsabilidade das partes, suprindo o encargo que lhes compete. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de rendimentos tributáveis, estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Uma vez transposta a fase do lançamento fiscal, sem a comprovação da origem dos depósitos bancários, a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, somente é elidida com a comprovação, inequívoca, de que os valores depositados não são tributáveis ou que já foram submetidos à tributação do imposto de renda.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10950.723390/2014-18
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5886278
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2401-005.550
nome_arquivo_s : Decisao_10950723390201418.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CLEBERSON ALEX FRIESS
nome_arquivo_pdf_s : 10950723390201418_5886278.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
id : 7374529
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050586328334336
conteudo_txt : Metadados => date: 2018-07-18T07:12:58Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-07-18T07:12:58Z; Last-Modified: 2018-07-18T07:12:58Z; dcterms:modified: 2018-07-18T07:12:58Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2018-07-18T07:12:58Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-07-18T07:12:58Z; meta:save-date: 2018-07-18T07:12:58Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-07-18T07:12:58Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-07-18T07:12:58Z; created: 2018-07-18T07:12:58Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2018-07-18T07:12:58Z; pdf:charsPerPage: 1522; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-07-18T07:12:58Z | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 866 1 865 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10950.723390/201418 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401005.550 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 6 de junho de 2018 Matéria IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS Recorrente JÚNIOR CÉSAR MOREIRA ALVES YOSHIDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011, 2012 DILIGÊNCIA. PRODUÇÃO DE PROVAS. A diligência não é via que se destine a produzir provas de responsabilidade das partes, suprindo o encargo que lhes compete. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de rendimentos tributáveis, estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Uma vez transposta a fase do lançamento fiscal, sem a comprovação da origem dos depósitos bancários, a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, somente é elidida com a comprovação, inequívoca, de que os valores depositados não são tributáveis ou que já foram submetidos à tributação do imposto de renda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 72 33 90 /2 01 4- 18 Fl. 866DF CARF MF Processo nº 10950.723390/201418 Acórdão n.º 2401005.550 S2C4T1 Fl. 867 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar a preliminar e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (DRJ/CTA), através do Acórdão nº 0650.572, de 16/12/2014, cujo dispositivo considerou procedente em parte a impugnação apresentada pelo contribuinte, mantendo parcialmente o crédito tributário lançado pela fiscalização (fls. 804/822): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011, 2012 RAZÕES DE IMPUGNAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. PRAZO. A impugnação do lançamento fiscal deve ser apresentada no prazo de trinta dias da ciência e deve vir instruída com os elementos de prova em que se fundamentar. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Descabe a realização de diligência que tenha por objetivo produzir provas que competiria ao contribuinte trazer aos autos. Fl. 867DF CARF MF Processo nº 10950.723390/201418 Acórdão n.º 2401005.550 S2C4T1 Fl. 868 3 SIGILO BANCÁRIO. PROCEDIMENTO FISCAL. PRERROGATIVA E REQUISITOS. A legislação vigente garante à autoridade fiscal a prerrogativa de examinar a movimentação financeira dos contribuintes, observandose os requisitos que disciplinam a matéria. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizam omissão de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Impugnação Procedente em Parte 2. Extraise do Termo de Verificação Fiscal, acostado às fls. 608/620, que o processo administrativo é composto da exigência do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF), relativamente aos anoscalendário de 2011 e 2012, acrescido de juros de mora e multa de ofício de 75%, em virtude de omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada. 3. O Auto de Infração encontrase juntado às fls. 621/634, enquanto a relação de depósitos não comprovados, por data e valor, está anexada às fls. 585/601. 4. Cientificado da autuação, por via postal, em 23/06/2014, o contribuinte apresentou impugnação no prazo legal (fls. 638 e 640/667). 5. Intimado da decisão de piso, também por via postal, em 22/12/2014, às fls. 823/825, o recorrente apresentou recurso voluntário no dia 21/01/2015, em que repisa os argumentos de fato e direito da impugnação, com relação aos valores não excluídos pela decisão de piso, a seguir resumidos (fls. 826/848): (i) preliminarmente, alega a necessidade de conversão do julgamento em diligência, tendo em vista a necessidade de tempo hábil para demonstrar que os valores não excluídos pelo acórdão de primeira instância não têm a natureza de rendimentos, e sim configuram apenas movimentações bancárias entre contas do mesmo titular; (ii) parte dos valores em conta corrente referese à transferências entre contas do próprio contribuinte, cuja origem dos recursos provém de limite de conta, contratação de crédito rotativo e dinheiro à época que residiu no Japão, devidamente declarado; (iii) outra parte, diz respeito à devolução de mútuo em dinheiro feito pelo Sr. Levi Alves Guimarães, que realizava o pagamento do empréstimo muitas vezes por meio de cheques de terceiros; Fl. 868DF CARF MF Processo nº 10950.723390/201418 Acórdão n.º 2401005.550 S2C4T1 Fl. 869 4 (iv) há ainda uma parcela da movimentação bancária que relacionase a saques e depósitos feitos pelo contribuinte, no qual retirou dinheiro de uma conta e depositou em outra, sendo ambas do próprio contribuinte; (v) os valores dos depósitos na conta corrente do recorrente provenientes da pessoa jurídica da qual era sócio não constituem rendimentos, e sim operações realizadas entre mesmo titular. Embora não esteja em discussão a origem dos valores da pessoa jurídica, providenciou os extratos para demonstrar as movimentações bancárias; e (vi) os saques e depósitos ocorriam em datas próximas ou no mesmo dia, havendo compatibilidade de valores, o que implica afastar a hipótese de rendimentos para fins de tributação do imposto de renda. É o relatório. Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade 6. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Preliminar 7. Como alegação inicial, o recorrente solicita a conversão do julgamento em diligência para a produção de provas contra a exigência fiscal remanescente do acórdão recorrido, na medida em que os valores não excluídos são apenas movimentações bancárias entre contas do mesmo titular. 8. Pois bem. A diligência não é via que se destine a produzir provas de responsabilidade das partes, suprindo o encargo que lhes compete. 9. A despeito das ponderações sobre dificuldades na coleta de documentos para comprovar a origem dos depósitos, é certo que o recorrente teve a sua disposição tempo razoável durante o procedimento fiscal, desde a primeira intimação, em 27/06/2013, até a Fl. 869DF CARF MF Processo nº 10950.723390/201418 Acórdão n.º 2401005.550 S2C4T1 Fl. 870 5 última, no dia 26/05/2014, para validar os fatos que pretende fazer prevalecer por meio de documentação hábil e idônea. 10. Ademais disso, poderia apresentar documentos e/ou esclarecimentos quando do protocolo da impugnação ao lançamento fiscal, assim como, eventualmente, complementálos na interposição do recurso voluntário. Por tais razões, a concessão de prazo adicional ou a determinação de diligência são medidas que não merecem acolhimento. Mérito 11. A autuação fiscal respaldase na aplicação da presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em que se considera omissão de rendimentos tributáveis quando o titular de conta bancária mantida junto à instituição financeira, após regularmente intimado, deixa de comprovar a origem dos recursos creditados: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. (...) 11.1 Conforme ressaltou o acórdão recorrido, o ônus de comprovar a origem dos depósitos bancários recai sobre o titular ou cotitulares da conta, sob pena de presumirse rendimentos tributáveis omitidos. Tratase de presunção relativa passível de prova em contrário. 12. A fim de afastar a presunção legal, há a necessidade de se comprovar, como regra geral, cada depósito de forma individualizada, vedada a justificação de forma generalizada. É razoável haver uma simetria, na medida em que, para efeitos de determinação dos rendimentos omitidos, os créditos são analisados individualmente (art. 42, § 3º, da Lei nº 9.430, de 1996). 13. Com o advento da presunção do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, o agente lançador está dispensado de comprovar a existência de sinais exteriores de riqueza ou acréscimo patrimonial incompatível com os rendimentos declarados pelo contribuinte, tampouco há necessidade de mostrar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. 13.1 É o que diz, de forma sintética, o enunciado sumulado nº 26, deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Fl. 870DF CARF MF Processo nº 10950.723390/201418 Acórdão n.º 2401005.550 S2C4T1 Fl. 871 6 Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. 14. No caso em apreço, embora intimado mais de uma vez no curso do procedimento fiscal para comprovar a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias, o contribuinte permaneceu inerte. Eis o que diz o Termo de Verificação Fiscal (fls. 615/616): (...) Ressaltese que durante todo o procedimento, em que pese as intimações efetuadas, o contribuinte não se manifestou sobre os créditos (depósitos) bancários, nada trazendo aos autos que pudesse infirmar os valores apurados pela fiscalização, relativamente à movimentação financeira. Vencidos todos os prazos concedidos, em que pese as dilações concedidas, sem que o intimado apresentasse as comprovações e elementos solicitados no curso do processo fiscalizatório, importa diante dos elementos levantados pela auditoria, encerrar o trabalho, com a apuração da base de cálculo que será demonstrada adiante (...) 15. Caso tivesse havido a comprovação de forma individualizada da origem dos depósitos no curso do procedimento fiscal, ou seja, antes da constituição do crédito tributário, seria possível à fiscalização aprofundar a investigação para submeter os rendimentos, sendo o caso, às normas específicas de tributação do imposto de renda, na forma prevista no § 2º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. 16. Todavia, transposta a fase de autuação, sem a comprovação da origem dos depósitos bancários, a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, somente é elidida com a comprovação, inequívoca, de que os valores depositados não são tributáveis ou que já foram submetidos à tributação. 17. Por esses motivos, para fins de avaliação da movimentação bancária, é inviável a aceitação de justificativa generalizada, devendo o recorrente indicar não só a procedência dos fluxos financeiros, como também comprovar a natureza dos recursos que ingressaram nas contas correntes, de modo a permitir a identificação se tributáveis ou não. 18. Basicamente o recurso voluntário contém os mesmos argumentos da impugnação, exaustivamente analisados pela decisão de piso, a qual deu parcial razão para excluir uma parcela do crédito tributário lançado. 19. Com o propósito de obstar a presunção legal, não é suficiente a alegação de movimentação financeira entre suas contas a partir de recursos decorrentes de contratação de crédito rotativo, utilização de limite bancário ou valores remanescentes de economia à época que residia no Japão, quando deixa de comprovar através de documentos as operações específicas de origem dos recursos, tampouco mostra a correlação entre datas e valores com os depósitos apontados pelo agente lançador. Fl. 871DF CARF MF Processo nº 10950.723390/201418 Acórdão n.º 2401005.550 S2C4T1 Fl. 872 7 20. Para as operações entre contas bancárias advindas da pessoa jurídica da qual era sócio, denominada de "J.C.M.A. Yoshida Pastelaria ME", não está configurada a transferência entre contas de mesma titularidade, porque a pessoa física não se confunde com a pessoa jurídica. 20.1 A toda a evidência, a partir dos fundamentos expostos neste voto, não há reparo a fazer na decisão de piso quando assevera que não basta o recorrente demonstrar que recebeu o numerário da empresa, cabendo, necessariamente, demonstrar a natureza das transferências de recursos financeiros envolvidos, se haviam sido submetidos à tributação ou, alternativamente, que não seriam tributáveis. 21. Quanto aos saques efetuados em datas diversas aos depósitos bancários, copio abaixo as justificativas do acórdão de primeira instância para deixar de admitir como prova da origem dos ingressos em conta, as quais, desde já, adiciono com fundamentos às minhas razões de decidir (fls. 819/820): (...) De outra parte, os saques efetuados em datas diversas não se prestam à comprovação da origem, posto que não há como se vislumbrar motivo lógico e racional para o que contribuinte procedesse a um determinado saque, mantivesse esses recursos em mãos, eventualmente os acumulasse com outros saques e, posteriormente, os depositasse novamente, como se estabelecesse em um ciclo com os mesmos valores; obviamente, via de regra, os saques são efetuados pelas pessoas físicas para fazer frente a despesas cotidianas, não se destinando ao depósito dos mesmos valores em datas diversas. (...) 22. No que tange à origem de créditos em conta como pagamentos de empréstimos concedidos ao Sr. Levi Alves Guimarães, inclusive mediante cheques de terceiros, o recorrente pouco acrescentou no recurso voluntário, além dos fatos já expostos por ocasião da impugnação. Mais uma vez, reproduzo um trecho do acórdão recorrido em que analisou as razões de defesa (fls. 821): (...) Quanto aos alegados recebimentos de cheques de terceiros como pagamento de empréstimos concedidos, o interessado não identifica quais seriam os supostos depósitos que atenderiam a essa condição, não relaciona os aventados cheques que corresponderiam a essa tese e limitase a exemplificar os fatos com aludidos empréstimos a LEVI ALVES GUIMARÃES, que, por sua vez, à fl. 668, firma declaração em referência a empréstimos de “valor aproximado de R$ 250.000,00” que teriam sido depositados na conta do “Sr. Junior” e da pessoa jurídica “denominada JCMA”. Tratandose de alegações meramente ventiladas, desacompanhadas de documentos comprobatórios, não são aptas à modificação do lançamento, eis que não comprovam origem alguma de valores creditados em favor do contribuinte, apenas suscitando fato não provado, tampouco demonstrado. De outra parte, a simples declaração fornecida por terceiro, sem elemento algum de prova que lhe dê Fl. 872DF CARF MF Processo nº 10950.723390/201418 Acórdão n.º 2401005.550 S2C4T1 Fl. 873 8 base de sustentação, não é oponível ao lançamento, não se prestando à comprovação de origem de créditos. (...) 23. Acrescento que aparenta a pura verdade a existência dos empréstimos ao Sr. Levi Alves Guimarães, conforme sinalizam os depoimentos colhidos nos autos dos embargos à execução fiscal nº 500326996.2013.404.7003/PR, porém não têm o condão de provar a origem dos depósitos relacionados pelo agente lançador. 23.1 Com efeito, não há qualquer vinculação, por meio de datas e valores, entre os alegados pagamentos dos empréstimos, utilizandose o devedor de cheques de terceiros, e os créditos em conta corrente relacionados pelo agente fazendário para as operações feitas durante os anos de 2011 a 2012. 23.2 Impende ao recorrente, igualmente, o ônus de demonstrar, por meio de documentação hábil e idônea, o procedimento da quitação dos empréstimos concedidos mediante o recebimento de cheques emitidos por terceiros, na medida em que aceitou tal forma de liberação da dívida. 24. Em linha de arremate, por derradeiro, é mister dizer que o ato de provar não é sinônimo de colocar à disposição do julgador uma massa de documentos, sem a mínima preocupação em correlacionálos um a um com a movimentação bancária listada pela autoridade tributária. 24.1 Nessa linha de entendimento, transcrevo abaixo as palavras de Fabiana Del Padre Tomé: 1 Provar algo não significa simplesmente juntar um documento aos autos. É preciso estabelecer relação de implicação entre esse documento e o fato que se pretende provar, fazendoo com o 'animus' de convencimento. 25. À vista dos motivos acima, cabe, portanto, negar provimento ao recurso voluntário. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, REJEITO a preliminar e, no mérito, NEGOLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess 1 TOMÉ, Fabiana Del Padre. A prova no direito tributário. 3 ed. São Paulo : Editora Noeses, 2011, p. 369. Fl. 873DF CARF MF
score : 1.0
