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Numero do processo: 10983.908288/2009-46
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
VÍCIO. REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. AUSÊNCIA DE SANEAMENTO.
A não regularização da representação processual da recorrente, embora regularmente intimada a saná-la, impossibilita o conhecimento do recurso voluntário.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3801-004.739
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Demes Brito, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 VÍCIO. REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. AUSÊNCIA DE SANEAMENTO. A não regularização da representação processual da recorrente, embora regularmente intimada a saná-la, impossibilita o conhecimento do recurso voluntário. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. AUSÊNCIA DE SANEAMENTO. A não regularização da representação processual da recorrente, embora regularmente intimada a sanála, impossibilita o conhecimento do recurso voluntário. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Demes Brito, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 82 88 /2 00 9- 46 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.908288/200946 Acórdão n.º 3801004.739 S3TE01 Fl. 12 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Trata o presente processo de Declaração de Compensação DCOMP, apresentada pela contribuinte com o fim de ver compensado débito seu com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior, referente a Contribuição para o Programa de Integração Social PIS. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis/SC pela não homologação da compensação (Despacho Decisório juntado aos autos), fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado. Irresignada com a não homologação integral de suas compensações, encaminhou a contribuinte manifestação de inconformidade, na qual expõe suas razões de irresignação. Inicialmente, alega a contribuinte que o recolhimento efetuado via DARF se conforma como "pagamento indevido ou a maior", porque no cálculo da contribuição devida teria sido indevidamente utilizado como base de cálculo o critério definido na Lei n.o 9.718/1998 (teria havido a indevida inclusão das receitas financeiras e não operacionais). Entende a contribuinte que o alargamento da base de cálculo promovida por este ato legal é inconstitucional, e elenca extensivamente as razões pelas quais assim entende (tais razões não serão, entretanto, aqui minudentemente relatoriadas, em face daquilo que se prolatará no voto deste acórdão). Assim, em razão da pretensa inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições sociais trazido pela Lei n.o 9.718/1998 e da conseqüente majoração indevida da contribuição devida apurada, entende a contribuinte que há recolhimento a maior a ensejar a compensação pleiteada. Ao final, defende a contribuinte seu direito genérico à compensação, afirmando não ter incorrido em qualquer das vedações legais ao procedimento repetitório. A DRJ em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para Fl. 123DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.908288/200946 Acórdão n.º 3801004.739 S3TE01 Fl. 13 3 a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. COMPENSAÇÃO. REQUISITO DE VALIDADE A compensação de créditos tributários depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos contra a Fazenda Nacional. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na manifestação de inconformidade, acrescentando basicamente que: se a lei já foi declarada inconstitucional por decisão definitiva plenária do Egrégio Supremo Tribunal Federal, podem os órgãos de julgamento entender pela sua inconstitucionalidade e afastar a sua aplicação; tratase da possibilidade de um órgão da administração deixar de aplicar urna norma inconstitucional, desde que essa já tenha sido assim declarada em decisão plenária pelo órgão máximo do Poder Judiciário; se a lei autoriza os órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade quando o órgão máximo do Poder Judiciário assim já declarou, em decisão plenária, DEVE esse Colendo Conselho afastar a aplicação do disposto no parágrafo 1° do artigo 3° da Lei n° 9.718/98 e reconhecer a legitimidade do crédito pleiteado pela Requerente e, por consequência, declarar homologada a compensação, visto que foram observados todos os ditames do artigo 74 da Lei n° 9430/96. Assim, requereu que esse Colendo Conselho desse provimento integral ao presente Recurso Voluntário. Em face do bom direito da recorrente, o processo, em julgamento unânime, foi convertido em diligência para que a Delegacia de origem apurasse a correta composição da base de cálculo da contribuição com base na escrituração fiscal e contábil, segundo o conceito de faturamento adotado na Lei Complementar nº 70, de 1991, qual seja, a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Além disso, solicitouse que fosse informado se a recorrente havia proposto ação judicial com o mesmo objeto deste processo administrativo fiscal. A DRF de origem atendeu parcialmente o solicitado na Resolução. Após a realização da diligência fiscal, a autoridade fiscal arguiu que o prazo para apresentação do Recurso Voluntário transcorreu sem qualquer manifestação válida do contribuinte, devendo ser procedida a imediata cobrança dos débitos indevidamente compensados. Sustenta que houve um equívoco no encaminhamento anterior do processo ao CARF, visto que o recurso voluntário foi assinado pelo Sr. Maurício Alvarez Mateos, o qual não tem legitimidade para representar a interessada perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Fl. 124DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.908288/200946 Acórdão n.º 3801004.739 S3TE01 Fl. 14 4 Outrossim, apurouse com fundamento na escrita fiscal e contábil a base de cálculo e o valor devido da contribuição para o período de apuração em discussão. Em face da constatação da irregularidade na representação processual, o processo foi convertido novamente em diligência para que a Delegacia de origem intimasse à interessada no prazo de 15 (quinze) dias a regularizar a representação processual. A Delegacia atendeu o solicitado e intimou a recorrente a apresentar documento que permita a comprovação de poderes representação da pessoa jurídica pelo signatário do Recurso Voluntário, Sr. Maurício Alvarez Mateos (p.p. Vicente Greco Filho) para atuação perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil em nome da empresa, à época (20 de julho de 2009). A interessada foi cientificada da diligência e não se manifestou no prazo assinalado e tampouco apresentou qualquer documento. Assim, os autos administrativos retornaram mais uma vez a esse colegiado para julgamento. É o relatório. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.908288/200946 Acórdão n.º 3801004.739 S3TE01 Fl. 15 5 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes Embora o recurso seja tempestivo, ele não atende os demais pressupostos recursais, portanto dele não se toma conhecimento pelas razões a seguir expostas. Como relatado, a autoridade fiscal constatou em diligência fiscal a irregularidade na representação processual, isto é, o signatário do recurso voluntário, Sr. Maurício Alvarez Mateos, não tinha legitimidade para representar a interessada perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) quando da apresentação do recurso voluntário. O vício na representação processual não resultou na cobrança imediata dos débitos, pois a recorrente foi intimada a regularizar a representação processual. Ocorre, todavia, embora intimada, que a interessada não regularizou a representação processual. O vício na representação processual implica a revelia do réu, segundo o disposto no 13 do Código de Processo Civil, inciso II: “Art. 13. Verificando a incapacidade processual ou a irregularidade da representação das partes, o juiz, suspendendo o processo, marcará prazo razoável para sanar o defeito. Não cumprindo o despacho dentro do prazo, se a providência couber: (...) II – ao réu, reputarseá revel.”(grifo nosso) No mesmo sentido, a Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, dispõe no art. 6º, inciso V, que o requerimento inicial do interessado deve conter assinatura do requerente ou de seu representante: Art. 6o O requerimento inicial do interessado, salvo casos em que for admitida solicitação oral, deve ser formulado por escrito e conter os seguintes dados: I órgão ou autoridade administrativa a que se dirige; II identificação do interessado ou de quem o represente; III domicílio do requerente ou local para recebimento de comunicações; IV formulação do pedido, com exposição dos fatos e de seus fundamentos; Fl. 126DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.908288/200946 Acórdão n.º 3801004.739 S3TE01 Fl. 16 6 V data e assinatura do requerente ou de seu representante. (grifouse) Deste modo, não há nos autos documentos que comprovem que o signatário do recurso voluntário tinha poderes para representar a recorrente no momento da interposição do recurso, logo este colegiado não pode conhecer do mesmo. Insistase, quando da apresentação do recurso voluntário ficou caracterizada a falta de procuração hábil para o signatário do aludido recurso. Em face do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário em face de irregularidade na representação processual. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 127DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10880.677973/2009-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3302-000.471
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Walber José da Silva
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Gileno Gurjão Barreto, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède e Antonio Mário de Abreu Pinto.
RELATÓRIO
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Gileno Gurjão Barreto, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède e Antonio Mário de Abreu Pinto. RELATÓRIO Trata o presente de declaração de compensação, relativa a crédito de junho/2004 indeferida pela autoridade administrativa sob o fundamento de que o DARF informado como origem do crédito fora utilizado para quitação de outros débitos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 77 97 3/ 20 09 -7 3 Fl. 290DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677973/200973 Resolução nº 3302000.471 S3C3T2 Fl. 291 2 A recorrente apresentou manifestação de inconformidade, alegando que: 1. A maior parte das receitas decorrem da prestação do serviço de transmissão de energia elétrica de acordo com contrato firmado em 13/09/1999 (CONTRATO CPST Nº 006/1999), firmado com o Operador Nacional do Sistema Elétrico ONS; 2. Estas receitas estariam sujeitas à incidência cumulativa da Lei nº 9.718/98, por decorrerem de contratos de longo prazo, a preço predeterminado e firmado anteriormente a 31/10/2003, por disposição prevista no inciso XI, alíneas "b" e "c", do art. 10 da Lei nº 10.833/2003; 3. A Nota Técnica nº 224/2006, expedida pela SFF/ANEEL, apresentou entendimento sobre o tema, concluindo que as receitas decorrentes dos Contratos de Prestação de Serviço de Trasmissão CPST, firmados anteriormente a 31/10/2003, e reajustados anualmente pelo IGPM, se sujeitam à incidência cumulativa das contribuições prevista na Lei nº 9718/98; 4. Recolheu, equivocadamente, as contribuições para o PIS e Cofins no regime nãocumulativo, não separando as sujeitas ao regime cumulativo, e, posteriormente, transmitiu várias DCOMPs para aproveitar o crédito originado do pagamento indevido; 5. Estava providenciando a retificação das DCTF e Dacons, quando foi surpreendida com a ciência dos despachos decisórios, não homologando as compensações; 6. Foi necessária a retificação dos Dacons e das DCTF, após a ciência dos despachos decisórios, para corrigir o erro de fato cometido e que as DCOMPs não foram retificadas em razão da intimação para ciência dos despachos decisórios, de acordo com a vedação constante nos artigos 77 e 95 da IN RFB nº 900/2008; 7. Os erros cometidos no preenchimento dos DARFs, DCTFs, Dacons e DCOMP não causaram prejuízo ao erário e devem ser reconhecidos pela Administração Tributária, nos termos do art. 147 do CTN e em atendimento ao princípio da verdade material; 8. Poderá disponibilizar os documentos como Diário, Razão, Faturas, Balancetes, Contratos, normas da ANEEL para realização de diligência, caso seja necessária; A Terceira Turma da DRJ/BEL em Belém proferiu decisão nos termos da ementa que abaixo transcrevese: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2004 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Considerase não homologada a declaração de compensação quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Em sede de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. DCTF E DACON RETIFICADORES. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677973/200973 Resolução nº 3302000.471 S3C3T2 Fl. 292 3 A DCTF e o DACON Retificadores, na condição de documentos confeccionados pelo próprio interessado, não exprimem nem materializam, por si só, o indébito fiscal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A recorrente interpôs tempestivamente recurso voluntário, alegando resumidamente que: 1. O IGPM deve ser considerado índice que reflete a variação ponderada dos custos e, portanto, enquadrado no art. 109 da Lei nº 11.196/2005; 2. Ainda que se negue a inclusão do IGPM no art. 109 da Lei n 11.196/2005, tal índice é mero reajuste do preço contratado, e não modificação deste preço, e que se o art. 109 da Lei nº 11.196/2005 estipulou que a variação dos custos não descaracteriza o preço predeterminado, com maior razão, um índice geral de correção não deveria descaracterizálo; 3. As IN SRF 468/2004 e 658/2006 consistem em flagrante ofensa ao princípio da legalidade insculpido no art. 150, inciso I da Constituição Federal; 4. O indébito decorre de erro na aplicação da alíquota; 5. Não disponibilizou toda a documentação, como Diário, Razão, Faturas, Balancetes, normas da ANEEL em razão do grande volume, vez que foram apresentadas 51 defesas administrativas; 6. Em momento algum, afirmou que a retificação do DACON e da DCTF constituem o direito creditório líquido e oponível à RFB, mas que pretendeu apenas cumprir os deveres instrumentais quanto ao erro alegado e que tais informações estão consubstanciadas em sua escrituração contábil; Cita, ainda, jurisprudência deste Conselho e do STJ e apresenta cópia do balancete, demonstrativos das receitas, indicação da conta contábil, de modo a corroborar suas alegações. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. VOTO Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A autoridade administrativa indeferiu a homologação pelo fato de o DARF apontado como origem do crédito pleiteado estava alocado a débitos em DCTF. Após a ciência do despacho, a recorrente providenciou a retificação do Dacon e da DCTF, demonstrando os valores alegados como corretos. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677973/200973 Resolução nº 3302000.471 S3C3T2 Fl. 293 4 A DRJ considerou a manifestação de inconformidade improcedente, sob os argumentos de que o contrato CPST 006/1999, apresentado pela recorrente, não era apto a demonstrar que não houve após 31/10/2003 a implementação de quaisquer das ocorrências que descaracterizassem o preço predeterminado; que a Cláusula 53 assegurava às partes a prerrogativa de solicitar a revisão das cláusulas e condições avençadas; que a competência da ANEEL não alcança a interpretação da legislação tributária; que o IGPM não constitui índice que reflete a variação dos custos de produção nem reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; que a desconstituição dos créditos confessados não se efetiva com a apresentação da DCTF e Dacon retificadores, mas com a apresentação da escrita fiscal e contábil e respectiva documentação de suporte. Por sua vez, a recorrente, em recurso voluntário, alega que o reajuste pelo IGP M não descaracteriza o preço determinado, e apresenta cópias dos balancetes e demonstrativos de forma a comprovar seu direito. Vêse que a lide se refere ao alcance da expressão "preço predeterminado", e, consequentemente, da sujeição das receitas auferidas à incidência nãocumulativa ou cumulativa das contribuições. Passase, assim, à análise dos requisitos para exclusão das receitas em questão da incidência nãocumulativa das contribuições e da definição de preço predeterminado. As receitas decorrentes de determinados contratos firmados antes de 31/10/2003 foram excluídas da incidência nãocumulativa das contribuições, a partir da vigência do inciso XI do artigo 10 da Lei nº 10.833/2003, aplicado ao PIS/Pasep pelo art. 15 da referida lei: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: (Produção de efeito) [...]XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: a) com prazo superior a 1 (um) ano, de administradoras de planos de consórcios de bens móveis e imóveis, regularmente autorizadas a funcionar pelo Banco Central; b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; c) de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem como os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas, em processo licitatório, até aquela data; [...]Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...]V no art. 10, incisos VI, IX e XI a XXI desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 293DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677973/200973 Resolução nº 3302000.471 S3C3T2 Fl. 294 5 V nos incisos VI, IX a XXV do caput e no § 2o do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1o e 2o do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Regulamentando o dispositivo, a RFB editou a IN SRF 468/2004, que, em seu art.2º, estipulou que a implementação do primeiro reajuste ou a revisão para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro dos contratos, após 31/10/2003, descaracterizariam o preço predeterminado, nos seguintes termos: Art. 2o Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1 o Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2 o Se estipulada no contrato cláusula de aplicação de reajuste, periódico ou não, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços verificada após a data mencionada no art. 1 o . § 3 º Se o contrato estiver sujeito a regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei n º 8.666, de 21 de junho de 1993, o caráter predeterminado do preço subsiste até a eventual implementação da primeira alteração nela fundada após a data mencionada no art. 1 º . Posteriormente, a Lei nº 11.196/2005, em seu art. 109, dispôs que o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos não será considerado para fins de descaracterização do preço determinado: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1o de novembro de 2003. Novamente, regulamentando a matéria, a RFB editou a IN SRF nº 658/2006, revogando a IN SRF nº 468/2004 e incorporando as disposições do art. 109 acima mencionado, nos seguintes termos: Do Preço Predeterminado Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677973/200973 Resolução nº 3302000.471 S3C3T2 Fl. 295 6 § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º1, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado.(grifo não original) Art. 4º Na hipótese de pactuada, a qualquer título, a prorrogação do contrato, as receitas auferidas depois de vencido o prazo contratual vigente em 31 de outubro de 2003 sujeitarseão à incidência não cumulativa das contribuições. Verificase que a Receita Federal considerou que as hipóteses de reajuste e de revisão dos contratos administrativos, destinados à manutenção do equilíbrio econômico financeiro, expressos no art. 55, inciso III, 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666/93, descaracterizariam o preço predeterminado, excetuando o reajuste não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. A revisão contratual decorre de fatos imprevisíveis, ou previsíveis, porém de conseqüências incalculáveis, retardadores ou impeditivos da execução do ajustado, ou, ainda, em caso de força maior, caso fortuito ou fato do príncipe, configurando álea econômica extraordinária e extracontratual2. Já o reajuste é cláusula necessária nos contratos administrativos3 e "objetiva reconstituir os preços praticados no contrato em razão de fatos previsíveis, é dizer, álea econômica ordinária, no momento da contratação, ante a realidade existente, como a variação inflacionária. Por decorrência, o reajuste deve retratar a alteração dos custos de produção a fim de manter as condições efetivas da proposta contratual, embora muitas vezes não alcance este desiderato relativamente a certo segmento ou agente econômicos". A legislação distingue as duas figuras, como se observa na Lei nº 8.987/95, que, dispondo sobre o regime de concessão de serviços públicos, especifica em seu art. 9º, §3º4, a 1 A data é 31/10/2003. 2 Art. 65, inciso II, alínea "d" da Lei nº 8.666/93 3 Art. 55, inciso III da Lei nº 8.666/93 4 Lei 8.987/95: Art. 9o A tarifa do serviço público concedido será fixada pelo preço da proposta vencedora da licitação e preservada pelas regras de revisão previstas nesta Lei, no edital e no contrato. [..~] § 2o Os contratos poderão prever mecanismos de revisão das tarifas, a fim de manterse o equilíbrio econômicofinanceiro. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677973/200973 Resolução nº 3302000.471 S3C3T2 Fl. 296 7 possibilidade de revisão da tarifa decorrente da criação ou alteração de tributos. Já o artigo 18 da referida lei dispõe que o edital de licitação deverá prever os critérios de reajuste e revisão da tarifa, também ocorrendo a referida distinção nos artigos 23 e 29. A situação aqui tratada referese a reajuste e não a revisão contratual e se o procedimento altera o preço predeterminado. A definição desta expressão adotada pela RFB era a disposta na IN SRF nº 21/79: 3 Produção em Longo Prazo O contrato de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens e serviços a serem produzidos, com prazo de execução física superior a 12 (doze) meses, terá seu resultado apurado, em cada períodobase, segundo o progresso dessa execução: 3.1 Preço predeterminado é aquele fixado contratualmente, sujeito ou não a reajustamento, para execução global; no caso de construções, bens ou serviços divisíveis, o preço predeterminado é o fixado contratualmente para cada unidade. A instrução normativa acima foi utilizada como fundamento em diversas soluções de consulta da RFB, após a edição do inciso XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003. O entendimento era pacífico neste sentido até a edição da IN SRF 468/2004. Porém a RFB editou a referida instrução, modificando o entendimento sobre a definição de preço predeterminado, sem que qualquer lei tenha sido publicada alterando tal definição. Foi meramente nova interpretação normativa que suscitou rebates por parte dos contribuintes, tendo o STJ se pronunciado sobre a ilegalidade da IN SRF 468/2004: AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.310.284 PR (2012/00355487) EMENTA TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 557 DO CPC. INEXISTÊNCIA. ALEGAÇÃO GENÉRICA. SÚMULA 284/STF. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. A eventual nulidade da decisão monocrática calcada no art. 557 do CPC fica superada com a reapreciação do recurso pelo órgão colegiado, na via de agravo regimental, como bem analisado no REsp 824.406/RS de Relatoria do Min. Teori Albino Zavascki, em 18.5.2006. § 3o Ressalvados os impostos sobre a renda, a criação, alteração ou extinção de quaisquer tributos ou encargos legais, após a apresentação da proposta, quando comprovado seu impacto, implicará a revisão da tarifa, para mais ou para menos, conforme o caso. [...] Art. 23. São cláusulas essenciais do contrato de concessão as relativas: [...] IV ao preço do serviço e aos critérios e procedimentos para o reajuste e a revisão das tarifas; Art. 29. Incumbe ao poder concedente: [...] V homologar reajustes e proceder à revisão das tarifas na forma desta Lei, das normas pertinentes e do contrato; Fl. 296DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677973/200973 Resolução nº 3302000.471 S3C3T2 Fl. 297 8 2. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços" e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 3. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. Precedentes: REsp 1.089.998RJ, DJe 30/11/2011; REsp 1.109.034 PR, DJe 6/5/2009; e REsp 872.169RS, Dje 13/5/2009. RECURSO ESPECIAL Nº 1.169.088 MT (2009/02357184) EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ART. 535, II, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. INTIMAÇÃO PESSOAL DA FAZENDA. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL. MANDADO DE SEGURANÇA. NATUREZA PREVENTIVA. SÚMULA 7/STJ. ART. 10, XI, "B' DA LEI 10.833/03. CONCEITO DE PREÇO PREDETERMINADO. IN SRF 468/04. ILEGALIDADE. PRECEDENTE. ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. MULTA. AFASTAMENTO. SÚMULA 98/STJ. [...]4. O preço predeterminado em contrato, previsto no art. 10, XI, "b", da Lei 10.833/03, não perde sua natureza simplesmente por conter cláusula de reajuste decorrente da correção monetária. Ilegalidade da IN n.º 468/04. Precedente. 5. A multa fixada com base no art. 538, parágrafo único, do CPC, deve ser afastada quando notório o propósito de prequestionamento dos embargos de declaração. Incidência da Súmula 98/STJ. 6. Recurso especial conhecido em parte e provido também em parte. RECURSO ESPECIAL Nº 1.089.998 RJ (2008/02056082) EMENTA TRIBUTÁRIO. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA N. 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. Cuidase de recurso especial interposto pelo contribuinte, questionando o poder regulamentar da Secretaria da Receita Federal, na edição da Instrução Normativa n. 468/04, que regulamentou o art. 10 da Lei n. 10.833/03. 2. O art. 10, inciso XI, da Lei n. 10.833/03 determina que os contratos de prestação de serviço firmados a preço determinado antes de 31.10.2003, e com prazo superior a 1 (um) ano, permanecem sujeitos ao regime tributário da cumulatividade para a incidência da COFINS. (Grifo meu.) 3. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa n. 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a Fl. 297DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677973/200973 Resolução nº 3302000.471 S3C3T2 Fl. 298 9 implementação da primeira alteração de preços " e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 4. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. 5. No mesmo sentido do voto que eu proferi, o Ministério Público Federal entendeu que houve ilegalidade na regulamentação da lei pela Secretaria da Receita Federal, pois "a simples aplicação da cláusula de reajuste prevista em contrato firmado anteriormente a 31.10.2003 não configura, por si só, causa de indeterminação de preço, uma vez que não muda a natureza do valor inicialmente fixado, mas tão somente repõe, com fim na preservação do equilíbrio econômico financeiro entre as partes, a desvalorização da moeda frente à inflação ." (Fls. 335, grifo meu.) Mantenho o voto apresentado, no sentido de dar provimento ao recurso especial. De fato, a IN SRF nº 468/2004 extrapolou a legislação vigente ao estipular que o reajuste implicaria em descaracterização do preço predeterminado. Entretanto, o advento do art. 109 da Lei nº 11.196/2005 alterou a configuração legislativa sobre a matéria. O art. 109 mencionou expressamente que "o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069/95, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado". Se a intenção da modificação era permitir que o reajuste não descaracterizasse o preço predeterminado, não foi o que restou publicado. O art. 109 faz referência à Lei 9.069/95, conversão das MPs que criaram o Plano Real, na qual estipulava que a correção monetária, em virtude de estipulação legal ou em negócio jurídico, deveria darse pelo Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr, de acordo com o art. 27 da Lei nº 9.069/95, mas ressalvadas as hipóteses de seu parágrafo primeiro: § 1º O disposto neste artigo não se aplica: I às operações e contratos de que tratam o Decretolei nº 857, de 11 de setembro de 1969, e o art. 6º da Lei nº 8.880, de 27 de maio de 1994; II aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; III às hipóteses tratadas em lei especial. Foi justamente sobre o inciso II do §1º que o art. 109 fez a ressalva quanto ao reajuste não descaracterizar o preço predeterminado e não sobre o IPCr. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677973/200973 Resolução nº 3302000.471 S3C3T2 Fl. 299 10 Salientase que a Lei nº 10.192/2001, conversão de MPs que se originaram da MP nº 1.503/95, extinguiu o IPCr em seu art. 8º: Art. 8o A partir de 1o de julho de 1995, a Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE deixará de calcular e divulgar o IPCr. § 1o Nas obrigações e contratos em que haja estipulação de reajuste pelo IPCr, este será substituído, a partir de 1o de julho de 1995, pelo índice previsto contratualmente para este fim. § 2o Na hipótese de não existir previsão de índice de preços substituto, e caso não haja acordo entre as partes, deverá ser utilizada média de índices de preços de abrangência nacional, na forma de regulamentação a ser baixada pelo Poder Executivo. A mesma lei, em seu artigo 2º, dispôs que: Art. 1o As estipulações de pagamento de obrigações pecuniárias exeqüíveis no território nacional deverão ser feitas em Real, pelo seu valor nominal. Parágrafo único. São vedadas, sob pena de nulidade, quaisquer estipulações de: I pagamento expressas em, ou vinculadas a ouro ou moeda estrangeira, ressalvado o disposto nos arts. 2o e 3o do DecretoLei no 857, de 11 de setembro de 1969, e na parte final do art. 6o da Lei no 8.880, de 27 de maio de 1994; II reajuste ou correção monetária expressas em, ou vinculadas a unidade monetária de conta de qualquer natureza; III correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados, ressalvado o disposto no artigo seguinte. Art. 2o É admitida estipulação de correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano. § 1o É nula de pleno direito qualquer estipulação de reajuste ou correção monetária de periodicidade inferior a um ano. § 2o Em caso de revisão contratual, o termo inicial do período de correção monetária ou reajuste, ou de nova revisão, será a data em que a anterior revisão tiver ocorrido. § 3o Ressalvado o disposto no § 7o do art. 28 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, e no parágrafo seguinte, são nulos de pleno direito quaisquer expedientes que, na apuração do índice de reajuste, produzam efeitos financeiros equivalentes aos de reajuste de periodicidade inferior à anual. O Decreto nº 1.544/95 estipulou que, na hipótese de não existir previsão de índice para substituir o IPCr e na falta de acordo entre as partes, deveria ser utilizada a média Fl. 299DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677973/200973 Resolução nº 3302000.471 S3C3T2 Fl. 300 11 aritmética entre o Índice Nacional de Preços ao Consumidor INPC do IBGE e o Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna IGPDI da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Art. 1º Na hipótese de não existir previsão de índice de preços substituto, e caso não haja acordo entre as partes, a média de índices de preços de abrangência nacional a ser utilizada nas obrigações e contratos anteriormente estipulados com reajustamentos pelo IPCr, a partir de 1º de julho de 1995, será a média aritmética simples dos seguintes índices: I Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); II Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna (IGPDI), da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Observase que a própria legislação, já em 1995, cuidou de diferenciar o reajuste em função de índices gerais ou setoriais do reajuste em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, inicialmente no art. 27 da Lei 9.069/95 e posteriormente nos artigos 1º e 2º da Lei nº 10.192/2001 (na realidade, a diferença temporal entre as disposições é de apenas 10 dias). O art. 109, ao se referir apenas ao reajuste em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, acabou inovando a definição de preço predeterminado, estabelecendo uma distinção até então inexistente. Quisesse apenas referirse a reajuste em geral, bastaria têlo feito nos termos do art. 2º da Lei nº 10.192/2001. Reforçam este entendimento, as emendas feitas à MP 252/2005, citadas na Nota Técnica 224/2006 SFFANEEL: Emendas n° 224 (Dep. Eduardo Gomes), 225 (Dep. Eduardo Sciarra), e 353 (Dep. Max Rosenmann): EMENDA ART. 44A. O art. 10, inciso XI,da Lei nº 10.833, de 2003, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 10........................................................................... ........................................................................................ XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, independentemente de a eles serem aplicados reajustamentos previstos em cláusulas contratuais." JUSTIFICATIVA: a redação proposta , com adição da locução "independentemente de a eles serem aplicados reajustamentos previstos em cláusulas contratuais" fazse necessária, visto que o Poder Executivo através da Instrução Normativa nº 468/2004, da SRF, mudou a interpretação do conceito de "preço predeterminado" passando a impedir que os contratos abrigados pela Lei nº 10.833/2003, deixem de usufruir o direito de permanecer sob o regime da cumulatividade. A IN em questão entende que o simples reajuste de preço por índices oficiais já caracteriza uma mudança da base do preço e desta forma afasta a eficácia do dispositivo legal. No fundo o que a IN faz é, na prática, Fl. 300DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677973/200973 Resolução nº 3302000.471 S3C3T2 Fl. 301 12 equiparar o conceito de preço predeterminado " ao conceito de preço fixo, uma vez que praticamente não existe contrato com prazo superior a um ano sem previsão de reajustamento. Tivesse sido assim publicado o artigo 109, a interpretação forçosamente retornaria ao texto da IN SRF nº 21/79, mas não foi o ocorrido. Todavia, a redação da IN SRF 658/2006 modificou, sutilmente, a redação do art. 109, ao dispor no §3º do art. 3º: § 3 º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1 º do art. 27 da Lei n º 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. A redação da lei que era "reajuste de preços em função do" foi regulamentada como "reajuste de preços em percentual não superior". Esta redação não exclui, a priori, a utilização de qualquer índice, desde que ele não ultrapasse o acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Assim, se a fórmula de reajuste utilizada não ultrapassar aqueles limites, deve tal fórmula de reajuste não descaracterizar o preço predeterminado. Ressaltase que o art. 109 está em consonância com o fundamento econômico para o reajuste que é a variação dos custos, como dispõe o inciso XI do art. 40 da Lei nº 8.666/93 e o inciso XVIII do art. 3º da Lei nº 9.427/96, que instituiu a Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL: Lei nº 8.666/93: Art. 40. O edital conterá no preâmbulo o número de ordem em série anual, o nome da repartição interessada e de seu setor, a modalidade, o regime de execução e o tipo da licitação, a menção de que será regida por esta Lei, o local, dia e hora para recebimento da documentação e proposta, bem como para início da abertura dos envelopes, e indicará, obrigatoriamente, o seguinte: [...]XI critério de reajuste, que deverá retratar a variação efetiva do custo de produção, admitida a adoção de índices específicos ou setoriais, desde a data prevista para apresentação da proposta, ou do orçamento a que essa proposta se referir, até a data do adimplemento de cada parcela; (Redação dada pela Lei nº 8.883, de 1994) Lei nº 9.427/96: Art. 3o Além das atribuições previstas nos incisos II, III, V, VI, VII, X, XI e XII do art. 29 e no art. 30 da Lei no 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, de outras incumbências expressamente previstas em lei e observado o disposto no § 1o, compete à ANEEL: (Redação dada pela Lei nº 10.848, de 2004) (Vide Decreto nº 6.802, de 2009). [...]XVIII definir as tarifas de uso dos sistemas de transmissão e distribuição, sendo que as de transmissão devem ser baseadas nas seguintes diretrizes: (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) Fl. 301DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677973/200973 Resolução nº 3302000.471 S3C3T2 Fl. 302 13 a) assegurar arrecadação de recursos suficientes para cobertura dos custos dos sistemas de transmissão; e (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) a) assegurar arrecadação de recursos suficientes para a cobertura dos custos dos sistemas de transmissão, inclusive das interligações internacionais conectadas à rede básica; (Redação dada pela Lei nº 12.111, de 2009) b) utilizar sinal locacional visando a assegurar maiores encargos para os agentes que mais onerem o sistema de transmissão; (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) Estabelecidas as condições para a definição de preço predeterminado, passase à análise do contrato apresentado. A recorrente auferiu receitas decorrentes da prestação de serviço de transmissão de energia elétrica, regulado pela Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL instituída pela Lei nº 9.427/1996, e pelo contrato firmado com o Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS em 13/09/1999, intitulado Contrato de Prestação de Serviço de Transmissão de Energia Elétrica (CONTRATO CPST Nº 006/1999). O ONS é entidade de direito privado sem fins lucrativos, cabendolhe, dentre outras atribuições, a de contratar e administrar os serviços de transmissão de energia elétrica e respectivas condições de acesso, bem como dos serviços ancilares, nos termos do art. 13, parágrafo único, alínea “d” da Lei nº 9.648/98, sob fiscalização e regulação da ANEEL (Resolução nº 351/98 e Decreto nº 2.655/98). O contrato celebrado denominase CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE TRANSMISSÃO e tem por objeto regular as condições de administração e coordenação por parte da ONS, da prestação de serviço de transmissão pela Transmissora (recorrente). Seu prazo de vigência é a partir de 13/09/1999 e permanece até a extinção da concessão da transmissora. A claúsula 36º dispõe que a recorrente teria direito a receber dos usuários, mediante os Contratos de Uso do Sistema de Transmissão, um duodécimo da receita anual permitida, e seu parágrafo 1º dispôs que os serviços de operação de rede básica, serviços de telecomunicações e serviços ancilares seriam remunerados pela RAP até a assinatura de contratos específicos, a serem assinados até 30/06/2000 e 31/12/2002. A cláusula 37º menciona ainda a existência de Contrato de Concessão de Serviço Público de Transmissão de Energia Elétrica. A cláusula 40º estipula que o pagamento mensal à transmissora será realizado de acordo com as datas e condições definidas nos Contratos de Uso do Sistema de Transmissão. Cláusula 40º O pagamento mensal, definido na Cláusula 36*, devido pelos USUÁRIOS à TRANSMISSORA pela Prestação dos Serviços de Transmissão, será realizado em 3 (três) vencimentos, cada um equivalente a 1/3 (um terço) do valor global devido, nas datas e condições definidas nos CONTRATOS DE USO DO SISTEMA DE TRANSMISSÃO. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677973/200973 Resolução nº 3302000.471 S3C3T2 Fl. 303 14 Verificase que o contrato apresentado é entre o ONS e a recorrente e destinase a regular as condições de administração e coordenação por parte da ONS, da prestação de serviço de transmissão, mas não corresponde aos contratos dos quais decorrem as receitas auferidas. Assim, nestes contratos é que estão previstos as condições que permitem aferir sua caracterização como de longo prazo e do preço predeterminado, como: data de assinatura, prazo de vigência, data em que ocorreu o primeiro reajuste, fórmula estabelecida para cálculo do reajuste, e outros. Por outro lado, a Nota Técnica nº 224/2006, elaborada pela Superintendência de Fiscalização Econômica e Financeira – SFF/ANEEL, apresenta os modelos de contratos utilizados na concessão do serviço público de transmissão, contratos de prestação de serviços de transmissão CPST e contratos de uso do sistema de transmissão CUST. Da análise das cláusulas dos modelos apresentados, são necessários alguns esclarecimentos por parte da recorrente para melhor compreendêlos, bem como detalhar a receita auferida, vinculando cada parcela ao contrato que lhe deu origem. Diante do exposto, voto para converter o presente julgamento em resolução para que a autoridade administrativa intime a recorrente a: 1. Relacionar as receitas auferidas ao contrato do qual decorrem; 2. Apresentar o Contrato de Concessão do Serviço Público de Transmissão, especificando a data de assinatura, o prazo de vigência, as condições contratadas para o reajustamento fórmula e datas de reajuste; 3. Identificar o primeiro reajustamento ocorrido após 31/10/2003, relativamente às receitas auferidas; 4. Esclarecer se houve alguma revisão do contrato visando a manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro; 5. Apresentar as resoluções da ANEEL relativas a novos acréscimos ao preço originalmente contrato Receita Anual Permitida identificando a origem destes acréscimos; 6. Esclarecer se na receita auferida constam revisões de que trata a cláusula abaixo reproduzida: Oitava Subcláusula A ANEEL procederá, anualmente, à revisão da RECEITA ANUAL PERMITIDA do SERVIÇO PÚBLICO DE TRANSMISSÃO, pela execução de modificações, reforços e ampliações nas INSTALAÇÕES DE TRANSMISSÃO, inclusive as decorrentes de novos padrões de desempenho técnico determinados peia ANEEL, conforme procedimentos definidos na Oitava Subcláusula da Cláusula Quarta deste CONTRA TO DE CONCESSÃO 7. Esclarecer se na receita auferida há parcela recebida devida à ultrapassagem do sistema de transmissão e da sobrecarga; 8. Informar a existência de Contratos de Conexão à Transmissão firmados após 31/10/2003, de acordo com a Resolução nº 489/2002; Fl. 303DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677973/200973 Resolução nº 3302000.471 S3C3T2 Fl. 304 15 9. Se houve parcela de ajuste na Receita Anual Permitida, relacionada com a majoração das alíquotas de PIS e Cofins, nos termos do disposto no item 69 da Nota Técnica 224/2006: PA (PIS/COFINS) = parcela a ser adicionada a PA de cada concessionária de serviço público de transmissão de energia elétrica, resultante do impacto financeiro decorrente da majoração das alíquotas do PIS/PASEP e da COFINS 10. Esclarecer se consta receita auferida de novas instalações de transmissão, de acordo com o item 70 da Nota Técnica 224/2006 e a data em que foram autorizadas pela ANEEL: Dessa forma, é possível, e freqüentemente ocorre, a necessidade da realização de obras visando a implantação de novas instalações de transmissão de energia elétrica integrantes da Rede Básica do Sistema Interligado Nacional SIN. Tais obras são então autorizadas por esta ANEEL, mediante a publicação de Resoluções Autorizativas, nas quais é fixada respectiva receita.. 11. Esclarecer se existe algum índice setorial que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; 12. Elaborar comparativo entre a evolução dos custos da prestação do serviço e da variação do índice mencionado no item anterior e o reajuste adotado, relativo ao período correspondente ao reajuste ocorrido imediatamente anterior a 31/10/2003 e os ocorridos até a competência do crédito objeto da DCOMP. Após concluída a resposta à intimação, elaborar relatório fiscal, separando as receitas que entender sujeitas à incidência nãocumulativa das sujeitas à incidência cumulativa, a partir das premissas contidas nesta resolução, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre as conclusões obtidas, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574, de 2011. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 304DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Numero do processo: 18088.720389/2011-17
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2008
NULIDADE. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio.
Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.
PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL.
A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA.
A pessoa jurídica fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Havendo previsão legal e procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos às autoridades obrigadas a mantê-los no âmbito do sigilo fiscal.
MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL QUALIFICADA.
A multa de ofício proporcional qualificada é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta dolosa.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Os lançamentos de PIS, de CSLL, de COFINS e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
Numero da decisão: 1803-002.464
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2008 NULIDADE. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A pessoa jurídica fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Havendo previsão legal e procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos às autoridades obrigadas a mantê-los no âmbito do sigilo fiscal. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL QUALIFICADA. A multa de ofício proporcional qualificada é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta dolosa. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de CSLL, de COFINS e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 35; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2376; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 677 1 676 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18088.720389/201117 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1803002.464 – 3ª Turma Especial Sessão de 25 de novembro de 2014 Matéria SIMPLES Recorrente FURLAN DISTRIBUIDORAS DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2008 NULIDADE. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A pessoa jurídica fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Havendo previsão legal e procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 72 03 89 /2 01 1- 17 Fl. 760DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18088.720389/201117 Acórdão n.º 1803002.464 S1TE03 Fl. 678 2 mera transferência de dados protegidos às autoridades obrigadas a mantêlos no âmbito do sigilo fiscal. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL QUALIFICADA. A multa de ofício proporcional qualificada é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta dolosa. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de CSLL, de COFINS e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 615621, com a exigência do crédito tributário no valor de R$15.961,82, a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada, apurado no regime tributário do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), referente ao período de janeiro a junho do anocalendário de 2007. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: Fl. 761DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18088.720389/201117 Acórdão n.º 1803002.464 S1TE03 Fl. 679 3 001 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS Valor apurado conforme relatório de fiscal às fls 595/603 do eprocesso. [...] Art. 24 da Lei nº 9.249/95; arts. 2º, § 2º, 3º, § 1º, alínea "a", 5º, 7º, § 1º, 18, da Lei nº 9.317/96; art. 42 da Lei nº 9.430/96.; Art. 3º da Lei nº 9.732/98.; Arts. 186, 188 e 199, do RIR/99. 002 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Insuficiência de valor recolhido apurada conforme relatório de fiscalização [...] Art. 5º da Lei nº 9.317/96 c/c art. 3º da Lei nº 9.732/98.; Arts. 186 e 188, do RIR/99. Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: II O Auto de Infração às fls. 622628 com a exigência do crédito tributário no valor de R$11.528,00 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS Valor apurado conforme relatório de fiscal às fls 595/603 do eprocesso. [...] Art. 3º, alínea "b" da Lei Complementar nº 7/70 c/c art. 1º, parágrafo único, da Lei Complementar nº 17/73 e arts. 2º, inciso I, 3º e 9º, da Medida Provisória nº 1.249/95 e suas reedições; arts. 2º, § 2º, 3º, § 1º, alínea "b", 5º, 7º, § 1º, 18, da Lei nº 9.317/96; Art. 3º da Lei nº 9.732/98. [...] 002 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Insuficiência de valor recolhido apurada conforme relatório de fiscalização [...] Art. 3º, alínea "b" da Lei Complementar nº 7/70 c/c art.1º, parágrafo único da Lei Complementar nº 17/73 e arts. 2º, inciso I, 3º e 9º, da Medida Provisória nº1.249/95 e suas reedições; art. 5º da Lei nº9.317/96; Art. 3º da Lei nº 9.732/98. III – O Auto de Infração às fls. 629636 com a exigência do crédito tributário no valor de R$19.029,93 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS Valor apurado conforme relatório de fiscal às fls 595/603 do eprocesso. [...] Fl. 762DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18088.720389/201117 Acórdão n.º 1803002.464 S1TE03 Fl. 680 4 Art. 1º da Lei nº 7.689/88; arts. 2º, § 2º, 3º, § 1º, alínea "c", 5º, 7º, § 1º, 18, da Lei nº 9.317/96.Art. 3º da Lei nº 9.732/98. 002 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Insuficiência de valor recolhido apurada conforme relatório de fiscalização [...] Art. 1º da Lei nº 7.689/88; art. 5º da Lei nº 9.317/96.Art. 3º da Lei nº 9.732/98. IV – O Auto de Infração às fls. 637644 com a exigência do crédito tributário no valor de R$56.719,42 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS Valor apurado conforme relatório de fiscal às fls 595/603 do eprocesso. [...] Arts. 1º e 2º da Lei Complementar nº 70/91; arts. 2º,§ 2º, 3º, § 1º, alínea "d", 5º, 7º, § 1º, e 18 da Lei n º9.317/96.Art. 3º da Lei nº 9.732/98. 002 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Insuficiência de valor recolhido apurada conforme relatório de fiscalização [...] Art. 1º da Lei Complementar nº 70/91; art. 5º da Lei nº 9.317/96. Art. 3º da Lei nº 9.732/98. V O Auto de Infração às fls. 645652 com a exigência do crédito tributário no valor de R$154.859,21 a título de Contribuição para a Seguridade Social (INSS), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS Valor apurado conforme relatório de fiscal às fls 595/603 do eprocesso. [...] Arts. 2º, § 2º, 3º, § 1º, alínea "f", 5º, 7º, § 1º, e 18, da Lei nº 9.317/96. Art. 3º da Lei nº 9.732/98. 002 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Insuficiência de valor recolhido apurada conforme relatório de fiscalização [...] Art. 5º da Lei nº 9.317/96. Art. 3º da Lei nº 9.732/98. Cientificada, a Recorrente apresenta a impugnação, fls. 669695, com as alegações abaixo sintetizadas. Fl. 763DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18088.720389/201117 Acórdão n.º 1803002.464 S1TE03 Fl. 681 5 Tece esclarecimentos sobre a ação fiscal e suscita que: PRELIMINARMENTE A fiscalização a qual resultou no Auto de Infração referente ao período de Janeiro a Junho de 2007 (SIMPLES FEDERAL), ora impugnado, também procedeu a elaboração de mais 2 (dois) Autos de Infração de números 18088.720390/201141 (período de Julho a Dezembro de 2007 SIMPLES NACIONAL) e 18088.720391/201196 (PAGAMENTO SEM CAUSA/OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA;. Diante disso, requerse o julgamento em conjunto dos Autos de Infração acima mencionados, pois possuem como fundamento o mesmo fato (a suposta cessão de conta corrente de pessoa física para pessoa jurídica Impugnante). I DO LANÇAMENTO [...] Os depósitos bancários tidos por não escriturados foram acrescidos às receitas declaradas, ocasionando o surgimento de nova base de cálculo que foi submetida aos percentuais determinantes das incidências dos impostos e contribuições compreendidos no Simples Federal (IRPJ, CSLL, COFINS, PIS e INSS), e em função do reajuste do valor das receitas, formalizouse a exigência rotulada de insuficiência de recolhimentos. A descrição dos fatos noticia o início do procedimento fiscal na pessoa física de Joel Marciano, que juntamente com Maria Sônia Marciano Furlan eram titulares de conta bancária n° 0100501, mantida junto ao Banco Bradesco, Agência 192, cuja movimentação apresentarase incompatível com os rendimentos declarados. Intimado a justificar a origem dos créditos/depósitos efetuados na referida conta, o Sr. Joel Marciano informou que a mesma era utilizada exclusivamente em negócios de interesse da outra titular, sua filha. Esta, por sua vez, confirmou a circunstância, acrescentando ter operado a movimentação financeira mediante descontos habituais e sistemáticos de cheques prédatados de terceiros, adquiridos da empresa da qual era sócia, no caso, a autuada. Em resposta a nova indagação fiscal, aduziu que a atividade, mesmo se exercida de maneira informal, como é o seu caso, não demanda apenas a saída de recursos da conta bancária analisada, mas também o depósito de valores concernentes aos cheques/títulos adquiridos cujos vencimentos vão se operando a cada dia, o que, como é sobejamente conhecido, propicia a continuidade das operações. Com base nessa realidade, de domínio público, salientou o engodo semeado mediante a falsa premissa de ser necessária a disponibilidade antecipada e imediata de R$2,2 milhões de reais, para justificar a prática dessas operações de fomento mercantil, que realizadas no curso de determinado ano reproduziram a movimentação bancária daquele valor. O raciocínio concebido pela fiscalização descarta, sumariamente, o giro normal desse tipo de negócio. E para evidenciar o fato, a intimada demonstrou que no ano examinado as operações dessa natureza envolveram R$1.769.422,77 de cheques emitidos e R$309.401,48 de pagamentos debitados, o que totaliza R$2.078.824,25 de saídas da conta, enquanto os depósitos efetuados no mesmo período, representados pelos cheques adquiridos, somaram R$2.218.149,52, números por si só suficientes para desacreditar a afirmação do item 4, do Termo de Intimação n° 003 173 2011, que Fl. 764DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18088.720389/201117 Acórdão n.º 1803002.464 S1TE03 Fl. 682 6 assegura ter a fiscalizada ANTECIPADO R$2,2 milhões à empresa da qual faz parte, sem ter declarado o referido valor. Destacou, ainda, que os lançamentos constantes dos extratos bancários, de um lado cheques emitidos e pagamentos autorizados, e de outro, depósitos na mesma conta dos valores correspondentes aos cheques vencidos, evidenciam o vínculo desses novos depósitos com as liquidações (recebimentos) de cheques/títulos adquiridos anteriormente, e a utilização dos recursos depositados em nova compra de direitos creditórios. Sob a ótica fiscal, essa vinculação é fantasiosa e desprovida de lógica matemática, afirmação que se afigura totalmente descabida e tendenciosa, a revelar total despreparo na apreciação de movimentação bancária oriunda da atividade de factoring. O Relatório da Fiscalização informa que devidamente intimada, a Impugnante confirmou a efetivação dessas operações, mas além de não comproválas, também não as escriturou no livro Caixa a que está obrigada. Também acrescenta que em diligências efetuadas junto a fornecedores constatou o pagamento de obrigações da pessoa jurídica mediante cheques emitidos pelos titulares da conta conjunta. Destaca, por fim, ter constatado a existência de 27 cheques nominais a Reginaldo Furlan, filho dos sócios e também funcionário da empresa. Intimado, este declarou que fora encarregado de cumprir serviços bancários, efetuar pagamentos de boletos emitidos por fornecedores da empresa, e também promover retiradas ordenadas por sua progenitora, sendo que por vezes o Caixa do banco exigiu que seu nome constasse como beneficiário dos cheques e após endossado no verso. Ante o exposto, a fiscalização concluiu pela cessão para uso da empresa da conta conjunta n° 0192100501, de titularidade de Joel Marciano e Maria Sônia Marciano Furlan, mantida junto ao Banco Bradesco, com ofensa ao princípio contábil da Entidade, porque mistura o patrimônio dos sócios com o da pessoa jurídica. [...] Enfatiza, uma vez mais (item 21), que o contribuinte não cumpriu o dever de escriturar toda a movimentação financeira inclusive bancária, apesar de intimado a refazer a escrituração do livro Caixa, para que TODAS essas operações fossem registradas. Justifica, finalmente, não ter compensado os créditos bancários atribuídos à empresa com as receitas por ela declarada porque a tributação decorre de recursos que ingressaram na empresa através de conta bancária, cuja comprovação das origens não foi feita, e também porque dentro do faturamento declarado pelo contribuinte há valores que presumidamente foram recebidos em espécie (dinheiro), e, "como não houve a regular escrituração dos livros, não há como se saber, dentre os R$ 1,02 milhões declarados, o que o contribuinte recebeu em cheque (ou depósito bancário), e o que foi recebido em dinheiro não depositado nas contas bancárias utilizadas pela mesma". Com essas conclusões, imputou à pessoa jurídica, a título de omissão de receitas, todos os créditos/depósitos bancários registrados nas contas 101966 e 100501, Agência 192, do Banco Bradesco, no período de janeiro a dezembro de 2007, formalizando a exigência dos tributos e contribuições alcançados pelo Fl. 765DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18088.720389/201117 Acórdão n.º 1803002.464 S1TE03 Fl. 683 7 SIMPLES FEDERAL (janeiro a junho/2007) e SIMPLES NACIONAL (julho a dezembro/2007). O crédito tributário foi constituído com multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, § 1º da Lei n° 9.430/96, penalidade também aplicada no lançamento de imposto de renda na fonte, a título de pagamento sem causa/operação não comprovada prevista no artigo 674 do RIR/99. II DA IMPUGNAÇÃO 1. Preliminarmente 1.2 Erro na Identificação do Sujeito Passivo A síntese da narrativa constante do Relatório Fiscal deixa latente o afastamento do Sr. Joel Marciano do pólo passivo da ação, providência corretamente tomada pelo servidor que presidiu os trabalhos. Todavia, não agiu com o mesmo tirocínio em relação ao tratamento adequado das operações praticadas pela outra titular da conta conjunta n° 100501, mantida na Agência 192, do Banco Bradesco, Sra. Maria Sônia Marciano Furlan. Os esclarecimentos por ela prestados contemplam declaração expressa de que a movimentação financeira ocorrida na indigitada conta repousa no exercício informal e contínuo da atividade de descontos de cheques/títulos de terceiros mediante pequeno deságio. Essas operações, também confirmadas pela Impugnante, foram não só confessadas, mas também demonstradas mediante o confronto da soma de cheques emitidos e pagamentos debitados na aludida conta (R$2.078.824,25) com os créditos nela ingressados (R$2.218.149,52). Ademais, a grande quantidade de depósitos (mais de 250 efetuados em cheques e em dinheiro), o volume de cheques emitidos (mais de 600), cheques depositados e devolvidos (691), por si só apontam para a existência de uma atividade econômica explorada de forma empresarial, ainda que de maneira informal. Essa movimentação não pode ser imputada à Impugnante, mesmo que por razões de conveniência e oportunidade a iniciativa dessa atividade tenha objetivado atender suas necessidades financeiras. Inequivocamente, a utilização da conta bancária para a efetivação reiterada de negócios envolvendo a compra de direitos creditórios, recebimentos dos valores a eles pertinentes e o depósito desse produto configuram operação de natureza empresarial, de iniciativa e responsabilidade da mencionada cotitular, e não da empresa beneficiária dos descontos de cheques pré datados. Mesmo diante dos esclarecimentos prestados desde o início dos trabalhos, a ação fiscal preferiu ignorar o enquadramento da atividade exercida e a correta identificação do sujeito passivo de eventual obrigação tributária. O fato de a empresa utilizar os cheques recebidos daquela pessoa física para quitar obrigações contraídas com fornecedores não descaracteriza a natureza dos negócios praticados, mas substancial economia de CPMF. O mesmo se diga em relação aos débitos autorizados por aquela titular, com idêntico objetivo. A pretensão indisfarçável da ação fiscal era obter da empresa borderôs de desconto de cheques, como se aquelas operações fossem praticadas por instituições Fl. 766DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18088.720389/201117 Acórdão n.º 1803002.464 S1TE03 Fl. 684 8 financeiras ou pessoas jurídicas regularmente constituídas para a prática de operações de envolvendo a aquisição de direitos creditórios. Talvez desconheça que em se tratando de operações informais, materializadas em simples troca de cheques e títulos, esses documentos não são emitidos. Tendo demonstrado, à exaustão, o desenvolvimento da atividade econômica de fomento mercantil, aflora a nítida e determinante providência indispensável para a equiparação daquela pessoa física à pessoa jurídica, para tributação da atividade exercida segundo os contornos da legislação aplicável. Deixando de promover a tributação mediante equiparação da pessoa física à jurídica em razão do confessado e comprovado exercício da atividade empresarial que envolveu a conta bancária assinalada, a fiscalização incidiu em erro na identificação do sujeito passivo, pois as operações que ensejaram os créditos bancários verificados no período auditado são de titularidade de pessoa física e não da Impugnante. E, a evidência dos fatos econômicos que ensejaram os depósitos/créditos bancários impede a tributação dos mesmos não só na Impugnante, mas também na pessoa física da cotitular da conta bancária, em respeito ao artigo 150, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99. [...] Como se verifica, a atribuição de titularidade de conta bancária a terceiro não prescinde do afastamento irrecusável e definitivo de qualquer outra explicação para a movimentação bancária, realizada sob o patrocínio da pessoa física titular de direito. Destituída de provas concretas, robustas e objetivas, não pode prosperar a infundada denúncia fiscal de participação conjunta em situação deliberada de omitir do fisco parte da receita auferida, visando o interesse econômico de reduzir tributos. O erro na identificação do sujeito passivo macula o lançamento de vício insanável, impondose o reconhecimento de sua nulidade. O procedimento açodado da fiscalização exorbita os contornos do razoável. Atende julgamento precipitado e interesse subjetivo no desfecho do procedimento até mesmo na noticiada Representação Fiscal para Fins Penais, onde arrola, além do Sr. Joel Marciano afastado pólo passivo, o funcionário da empresa Reginaldo Furlan encarregado da execução de serviços bancários e Antonio Valdeci Jacob, sócio de cliente da Impugnante, pessoas estas totalmente estranhas ao pretenso fato gerador do tributo. 2. O Mérito do Lançamento 2.1 Movimentação financeira não contabilizada Segundo a fiscalização, a Impugnante, optante pelo Simples é a titular de fato da conta bancária n° 0100501, mantida por Maria Sônia Marciano Furlan, junto ao Banco Bradesco, agência 192, que no ano calendário de 2007 teria movimentado cerca de R$ 2,2 milhões, sem qualquer escrituração no livro Caixa. Em reiterados tópicos, entre eles os itens 14 e 15 , o Relatório Fiscal denuncia afronta ao Princípio da Entidade que impõe autonomia patrimonial da empresa em relação aos sócios, e também ao artigo 7º , § 1º , "a", da Lei n° 9.317/96, e artigo 26, § 2o , da Lei Complementar n° 123/2006, "que determina que toda a movimentação da empresa, INCLUSIVE BANCÁRIA, deve ser escriturada no livro Caixa". Fl. 767DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18088.720389/201117 Acórdão n.º 1803002.464 S1TE03 Fl. 685 9 Acrescenta nos itens 16 e 21 que mesmo estando obrigada a tais registros, a Contribuinte não o fez. Por isso, foi intimada a refazer a escrituração do livro Caixa, para que TODA a movimentação financeira fosse efetivamente registrada, mas não providenciou essa regularização sob o argumento de não ser a titular da conta e também tendo em conta o caráter informal das operações de desconto de cheques. A fiscalização não considerou os esclarecimentos prestados tanto pelas pessoas físicas Maria Sônia Marciano Furlan (também nominada no Relatório Fiscal Sônia Maria Marciano Furlan e Sônia Maria Camargo Furlan) e Reginaldo Furlan, como pela Impugnante em resposta as diversas e ameaçadoras intimações formalizadas, e imputou a esta a titularidade da conta bancária n° 0100501, e também o IRRF sobre Pagamento Sem Causa ou Operação Não Comprovada. Desse procedimento resulta a denúncia de violação ao artigo 7o , § I o , "a", da Lei 9.317/1996 e artigo 26, § 2º da Lei Complementar n° 123/2006, que encerram a obrigatoriedade de as empresas optantes pelo Simples manterem escrituração da movimentação financeira, inclusive bancárias, no livro Caixa. [...] Ao denunciar reiteradamente que a escrituração da Impugnante não reflete a realidade da movimentação financeira, inclusive bancária, realizada no período, porque não registra movimento da conta n° 100501, do Bradesco, o Relatório Fiscal deixa latente o descumprimento da obrigação a que estava subordinada a pessoa jurídica. Tendo o Fisco tomado a iniciativa de atribuir a titularidade da conta bancária à Impugnante, e em conseqüência formalizar a acusação de afronta a dispositivos que regem a escrituração das empresas optantes pelo Simples, também deveria submeter a apuração do imposto aos critérios estabelecidos na legislação tributária, promovendo, de imediato, sua exclusão do Simples e lançamento com base no arbitramento de lucros. [...] Tendo a legislação pátria alçado a escrituração da movimentação bancária como um dos pressupostos básicos a condicionar a permanência no Regime Simplificado e Arrecadação de Tributos e Contribuições, a inobservância desse requisito basilar configura ofensa ao critério legal de apuração dos tributos e contribuições compreendidos nessa modalidade. Como se verifica, ao não escriturar a movimentação bancária assinalada, a empresa teria incorrido em falta, cuja essência é determinante para o arbitramento de lucros, não se permitindo ao servidor encarregado de presidir os trabalhos fiscais esposar alternativa diferente. Resta consagrado pela doutrina e jurisprudência administrativa que a falta dessa escrituração macula de forma irremediável a manutenção da tributação pelo Simples, quer Federal ou Nacional, impondo ao Fisco excluir o sujeito passivo dessa sistemática de tributação, e ex officio, adotar o regime do arbitramento. A incidência dessa hipótese prevista objetivamente em comando legal específico da legislação tributaria, não pode passar despercebida às autoridades lançadoras e julgadoras, em tudo e por tudo subordinadas ao princípio da legalidade. Mesmo quando a pessoa jurídica tenha determinado seus resultados sob qualquer outro regime tributário, este não pode prevalecer em face de constatação da deficiência destacada na ação fiscal, notadamente quando a empresa declara não ter condições de refazer sua escrituração para incluir pretensa movimentação bancária que lhe é atribuída. [...] Fl. 768DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18088.720389/201117 Acórdão n.º 1803002.464 S1TE03 Fl. 686 10 O contexto da decisão guarda perfeita sintonia com o caso vertente, cabendo ressaltar a inaplicabilidade do artigo 24 da Lei n° 9.249/95, ante a disposição impositiva do arbitramento de lucros. [...] A condição da regular escrituração contemplando toda a movimentação financeira, inclusive bancária, seja em livro Caixa ou através de contabilidade comercial é suficiente para descaracterizar não só a apuração do lucro real. Também alcança as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido e na sistemática do Simples, quer Federal, quer Nacional, que devem ser subordinadas ao arbitramento do lucro no próprio ano da ocorrência da falta. [...] Não tendo a autoridade administrativa promovido a exclusão ex officio do Simples, quer Federal quer Nacional, mediante a edição de Ato Declaratório especifico, e a indispensável reversão do regime tributário de Simples para lucro arbitrado, os lançamentos não podem prosperar. Por outro lado, afigurase impossível postergar para o exercício seguinte os efeitos da exclusão motivada pela acusação delineada nos autos, "falta da escrituração da movimentação financeira inclusive bancária", pois as determinações constantes dos artigos 14, 15 e 16, da mesma Lei n° 9.317/96, [...]. Segundo a fiscalização, a irregularidade motivadora dos lançamentos, denunciada em seu Relatório, configura procedimento continuado, repetido a cada movimentação da conta bancária, o que compreende todos os meses do ano calendário de 2007, circunstancia inequivocamente enquadrada como prática reiterada da pretensa infração. A qualificação dos fatos, sua tributação mediante fato gerador mensal, a aplicação da multa exasperada de 150% e a elaboração de Representação Fiscal para Fins Penais são providências resultantes desse enfoque de prática reiterada de infração I 1 à legislação tributária, prevista no inciso V desse artigo 14. E, a conseqüência legal desse enquadramento é a exclusão de oficio imediata do Sistema Integrado de Pagamentos de Tributos e Contribuições SIMPLES, não sendo permitido compatibilizar a incidência dos fatos denunciados com a permanência da pessoa jurídica no regime. Essa a determinação constante do artigo 15, da mencionada Lei n° 9.317/1996, e artigo 24, da Instrução Normativa n° 608/2006. [...] A objetividade dos textos legais espanca qualquer dúvida. Verificada a prática reiterada de infração à legislação tributária, os fatos verificados pelo servidor encarregado dos trabalhos serão objeto de representação ao Sr. Delegado da Receita Federal, que promoverá a exclusão de ofício, mediante Ato Declaratório Executivo, assegurado o contraditório e ampla defesa. E, os efeitos dessa exclusão operamse a partir, inclusive, do mês de ocorrência de qualquer dos fatos mencionados nos incisos II a VII do artigo anterior, isto é, a partir do próprio mês de janeiro de 2007, quando a fiscalização verifica sucessivos depósitos na conta bancária cuja titularidade atribuiu à Impugnante, não escriturados. Nos termos do artigo 16, já a partir daquele o mês de janeiro de 2007, a empresa deveria ser desenquadrada do Simples, e submetida aos regimes de tributação aplicáveis as demais pessoas jurídicas, no caso o arbitramento de lucros. Fl. 769DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18088.720389/201117 Acórdão n.º 1803002.464 S1TE03 Fl. 687 11 A sucessão de equívocos patrocinados pela autoridade fiscalizadora afeta a legalidade da tributação, tornando insubsistentes seus fundamentos. 2.2 A Receita Declarada [...] Ancorado no interesse subjetivo em produzir crédito tributário de elevada monta, já manifestado através de intimações ameaçadoras e também demonstrado na insegurança quanto a correta identificação do sujeito passivo, apuração e enquadramento da matéria tributável, o servidor autuante produziu os sofismas abaixo: "...não há de se falar em "descontar" dos valores a serem tributados aqueles DECLARADOS pelo contribuinte, haja vista que estamos TRIBUTANDO os recursos que ingressaram na empresa através de conta bancária, cuja comprovação das origens não foi feita". [...] Tamanha falácia não pode prosperar, pois foi da própria fiscalização a iniciativa de atribuir a titularidade da conta bancária à Impugnante. Tendo a empresa movimentado apenas UMA conta bancária (n° 101966), com movimento de apenas R$53 mil, obviamente o faturamento registrado e declarado mensalmente não transitou por ela, não se podendo presumir que a receita recebida e oferecida à tributação, não tenha transitado por contas bancárias. [...] Tendo a empresa declarado no primeiro semestre de 2007, ainda sob a égide do Simples Federal, receitas da ordem de: R$47.436,26 em janeiro; R$54.617,14 em fevereiro; R$100.005,68 em março; R$86.239,70 em abril; R$97.882,34 em maio e R$87.486,57 em junho, e recolhido os tributos sobre elas incidentes, não se afigura lícito presumir a volatilização desses recursos. No âmbito da tributação de depósitos bancários, a pacífica e remansosa jurisprudência administrativa tem sido pródiga em acolher rendimentos tempestivamente declarados por pessoas físicas e jurídicas fiscalizadas, como aptos a justificar a origem de recursos depositados/creditados em contas bancárias. [...] Se os recursos ingressaram na empresa através da conta bancária n° 100501 como assegura a fiscalização (item 23.2), evidentemente tornaramse disponíveis para depósito, mesmo se recebidos em dinheiro ou cheques. Se ela própria confirma que não há como saber, dentre os R$1,02 milhões declarados, o que foi recebido em cheque (ou depósito bancário) ou em dinheiro, e o que foi depositado, não há como legitimar o fantasioso raciocínio engendrado pela ação fiscal para negar a inclusão dos valores pertinentes a receita declarada na movimentação da conta bancária. Não bastassem todas as contradições, incertezas, dúvidas e inseguranças que permeiam os lançamentos perpetrados, também nesse aspecto a base de cálculo eleita pela fiscalização não condiz com os preceitos da legalidade, pois encontrase majorada mensalmente em importância equivalente a receita declarada. 2.3 Multa Qualificada A latente improcedência das exigências formalizadas através dos autos de infração de IRPJ, CSLL, COFINS, PIS e INSS, aos quais estendemse os argumentos esposados na presente constatação, determina o cancelamento integral da multa porque é parte integrante do crédito tributário constituído à revelia da legislação aplicável. Fl. 770DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18088.720389/201117 Acórdão n.º 1803002.464 S1TE03 Fl. 688 12 Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Expostas e comprovadas as razões determinantes da nulidade das exações, postula a Impugnante o acolhimento de seu pleito, por configurar homenagem ao Direito e a Justiça! Todavia, a nulidade pode deixar de ser declarado, pois no mérito todos os lançamentos são improcedentes. Está registrado como ementa do Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/RPO/SP nº 14 38.224, de 15.07.2012, fls. 703712: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE. Incabível a nulidade do lançamento por erro na identificação do sujeito passivo, quando devidamente demonstrado nos autos que a pessoa jurídica autuada tem relação direta com a situação que constitui o fato gerador do tributo. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2007 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. Por presunção legal, os depósitos efetuados em conta bancária, cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pelo contribuinte, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, caracterizam omissão de receita. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Apurada omissão de receita e estando a empresa submetida às regras de tributação do Simples, já que dele não houve a exclusão para o período fiscalizado, os lançamentos devem ser realizados de acordo com as regras dessa sistemática de tributação, relativa ao período de apuração a que corresponder a receita omitida. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Notificada em 17.09.2012, fl. 723, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 17.10.2012, fls. 726738 e 751, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Acrescenta que: I DOS FATOS Fl. 771DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18088.720389/201117 Acórdão n.º 1803002.464 S1TE03 Fl. 689 13 O litígio foi instaurado em decorrência de autuação formalizada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para exigência dos tributos compreendidos no Simples Federal, relativos ao período de janeiro a junho de 2007. A autuação fundamentase em suposta omissão de receitas caracterizada por movimentação de recursos da empresa em conta bancária de sócio sem o correspondente registro contábil a ela pertinente, o que ensejou o lançamento do tributo acrescido da multa de 150%. II DA IMPUGNAÇÃO Irresignada, a Recorrente apresentou Impugnação tempestiva onde suscita, preliminarmente, erro na eleição do polo passivo da obrigação tributária, tendo em vista que apenas socorreuse de descontos de cheques e outros direitos creditórios junto a sócia Maria Sônia Marciano Furlan, que exercia a atividade habitual de fomento mercantil, caracterizada mediante operações de desconto de cheques pré datados e outros efeitos comerciais, prática determinante de sua equiparação à pessoa jurídica. A movimentação financeira foi efetuada no interesse da própria titular da conta bancária, mesmo quando utilizados para quitar obrigações da pessoa jurídica. E, o volume de depósitos, cheques emitidos, cheques depositados e devolvidos, bem como o diferencial existente entre o montante de depósitos e saques da aludida conta, R$139.325,27, evidenciam, por si só, a prática da atividade empresarial. A equivocada atribuição de titularidade da movimentação financeira, em detrimento da equiparação da pessoa física à jurídica prevista no artigo 150, inciso II, do RIR/99, reflete no lançamento questionado, configurando o vício material consubstanciado em erro na identificação do sujeito passivo, mácula suficiente para decretar sua nulidade. Na sequência, reclama que a fiscalização ignorou os esclarecimentos prestados desde o início dos trabalhos reveladores da atividade exercida pela titular, recusando o enquadramento legal correspondente e a correta identificação do sujeito passivo de eventual obrigação tributária. Aduziu que o fato da empresa utilizar os cheques recebidos da pessoa física para quitar obrigações com fornecedores não descaracteriza a natureza dos negócios por ela praticados, sendo descabida a pretensão da existência de borderôs de descontos de cheques, como se aquelas operações fossem praticadas por instituições financeiras ou pessoas jurídicas regularmente constituídas com o objetivo de praticar a aquisição de direitos creditórios. Colacionando ementas de diversos acórdãos desse Colegiado, defende que a atribuição de titularidade de conta bancária a terceiro não prescinde do afastamento irrecusável e definitivo de qualquer outra explicação para a movimentação bancária realizada sobre o patrocínio da pessoa física titular da conta. No mérito, salienta a contradição assumida na conclusão do procedimento fiscal, que após atribuir a conta bancária à pessoa jurídica Recorrente aponta infração ao artigo 7º , § 1º , "a", da Lei n° 9.317/96, decorrente da não escrituração obrigatória daquela movimentação bancária no livro Caixa, mesmo após intimada a refazer tais registros. No entanto, apesar da reiterada denuncia esposada nos autos de que a escrituração não reflete a realidade da movimentação financeira, inclusive bancária, Fl. 772DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18088.720389/201117 Acórdão n.º 1803002.464 S1TE03 Fl. 690 14 deixou de promover a exclusão ex officio do Simples Federal e exigir os tributos segundo o critério do arbitramento de lucros, tal como previsto no artigo 530, inciso II, "a", do RIR/99, que conjugado com o artigo 7º §1°, "a", da Lei n° 9.317/96, constitui procedimento impositivo e não faculdade. O artigo 47, da Lei n° 8.981/1995, não usa a expressão "o lucro poderá ser arbitrado", mas sim "o lucro será arbitrado" Ilustrando seu questionamento com ementas de acórdãos desse E. Colegiado, argumenta que a falta de escrituração da movimentação financeira, inclusive bancária, constitui prática reiterada de infração à legislação tributária, eleita pelos artigos 14 e 15 da Lei n° 9.317/1996, como circunstância determinante da imediata exclusão do Simples Federal, a partir, inclusive, do mês da ocorrência desse fato. O detalhamento mais analítico das articulações constantes da peça vestibular afiguramse inevitáveis ante a omissão do voto condutor no enfrentamento das questões colocadas a seu juízo. Com efeito, em apenas dois parágrafos aborda o alegado erro na identificação do sujeito passivo, limitandose a afirmar que a conta bancária n° 0100501, ag. 192, mantida no Banco Bradesco, sob a titularidade de Joel Marciano e Maria Sônia Marciano Furlan é utilizada pela pessoa jurídica, sendo a movimentação financeira nessa conta oriunda de suas atividades operacionais. Nada mais além disso. Nenhuma alusão a atividade habitual de fomento mercantil exercida pela Sra. Maria Sônia Marciano Furlan e a equiparação dessa pessoa física à pessoa jurídica, com fundamento no artigo 150, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda. O confessado exercício da atividade empresarial de compra de direitos creditórios, recebimentos dos valores a eles pertinentes e o depósito desse produto podem ser constatados pelo expressivo volume de depósitos, cheques emitidos e também daqueles depositados e devolvidos, a revelar a exploração de uma atividade econômica, ainda que de maneira informal, distinta do objeto social da pessoa jurídica e que participa. E como já salientado, o fato da empresa utilizar os cheques recebidos da pessoa física na contrapartida dos descontos para quitar suas obrigações normais de funcionamento não descaracteriza a natureza dos negócios com ela realizados, mas substancial economia de CPMF. Também ficou demonstrado na inauguração do contraditório que o confronto entre a soma dos cheques sacados e pagamentos debitados na aludida conta (R$2.078.824,25) com os depósitos nela efetuados (R$2.218.149,52), resulta em importância equivalente ao redito das operações de fomento praticadas durante o ano de 2007. À míngua do enfrentamento por parte da decisão recorrida, vem reiterar o questionamento lançado as fls. 10 e 11, da impugnação, nos termos seguintes. "Deixando de promover a tributação mediante equiparação da pessoa física à jurídica em razão do confessado e comprovado exercício da atividade empresarial que envolveu a conta bancária assinalada, a fiscalização incidiu em erro na identificação do sujeito passivo, pois as operações que ensejaram os créditos bancários verificados no período auditado são de titularidade de pessoa física e não da Impugnante. Fl. 773DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18088.720389/201117 Acórdão n.º 1803002.464 S1TE03 Fl. 691 15 E, a evidência dos fatos econômicos que ensejaram os depósitos/créditos bancários impede a tributação dos mesmos não só na Impugnante, mas também na pessoa física da cotitular da conta bancária, em respeito ao artigo 150, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99. [...] Como se verifica, a atribuição de titularidade de conta bancária a terceiro não prescinde do afastamento irrecusável e definitivo de qualquer outra explicação para a movimentação bancária, realizada sob o patrocínio da pessoa física titular de direito. Destituída de provas concretas, robustas e objetivas, não pode prosperar a infundada denúncia fiscal de participação conjunta em situação deliberada de omitir do fisco parte da receita auferida, visando o interesse econômico de reduzir tributos". 2. Exclusão do Simples e Arbitramento de Lucros Na análise do mérito do lançamento a Turma Julgadora limitase precariamente a defender, a tributação com depósitos bancários, prevista no artigo 42, da Lei n° 9.430/1996, acrescendo ao dispositivo o imperativo de coincidência de datas e valores. Resvala no questionamento da Impugnação apenas para mencionar que o artigo 7o , § 1º , "a", da Lei n° 9.317/1996, determina que toda a movimentação financeira da empresa, inclusive a bancária, deve ser escriturada no livro Caixa. Nada mais acrescenta. Essa omissão no enfrentamento das questões colocadas a seu juízo, constitui a tônica de todo o voto condutor. Nenhuma menção a incidência dos motivos determinantes da exclusão de ofício do Simples e tributação com base no arbitramento de lucros já a partir do primeiro mês em que não escriturada a movimentação financeira, inclusive bancária, argumentos substancialmente enfocados na impugnação. [...] Evidentemente compete ao Fisco proceder a exclusão da contribuinte do Simples. Todavia, a negligência nesse proceder não pode ser invocada como sustentáculo para manter tributação formalizada sob critério incompatível com a legislação vigente. A exclusão de oficio não é uma faculdade concedida ao servidor que preside os trabalhos fiscais, mas uma imposição da norma legal quando presente a prática reiterada da infração, no caso, a suposta interposição de pessoa e não escrituração da movimentação financeira, inclusive bancária. Se a Recorrente utilizou interposta pessoa para movimentar recursos financeiros, não escriturou em seu Livro Caixa essa movimentação, omitiu em todos os meses do ano calendário receitas operacionais, tais suportes táticos não podem ser descartados na aplicação das normas determinantes da exclusão do Simples, previstas nos artigos 14 a 16 da Lei n° 9.317/1996 e reproduzidos na Impugnação e também na Instrução Normativa SRF n° 608/2006. A previsão de tributação pelo lucro arbitrado é consequência natural dos fatos denunciados pela fiscalização, pois tem previsão expressa no artigo 530, inciso II, "a", do RIR/99. 3. A Receita Declarada Fl. 774DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18088.720389/201117 Acórdão n.º 1803002.464 S1TE03 Fl. 692 16 Também nesse enfoque as razões de decidir limitamse a informar que a contribuinte não comprovou que a origem dos depósitos listados pelo Fisco correspondem a receitas declaradas, não sendo possível presumir que tais valores tenham transitado nas contas bancárias auditadas. Com uma só frase a Turma Julgadora espanca o equilíbrio e o desinteresse subjetivo na solução da lide. Inadmissível é presumir que os valores ingressados na conta bancária atribuída à pessoa jurídica e até mesmo na conta onde ela figura como titular são estranhas ao faturamento declarado e tributado. A contradição permeia não só o lançamento mas também as débeis conclusões do voto condutor, que um uma vez mais invade a competência da autoridade lançadora para introduzir inovações e aperfeiçoar o feito. Os fatos denunciados foram eleitos para respaldar a tributação e justificar a aplicação da multa qualificada de 150%, mas mesmo continuados afiguramse inócuos para determinar a exclusão da pessoa jurídica do Simples Federal. Inegavelmente o raciocínio engendrado pela fiscalização e homologado pela Turma Julgadora agride o bom senso. No entender de ambas os recursos movimentados na conta bancária são presumidamente de titularidade da Recorrente, mas embora os saques e demais débitos nela efetuados correspondam ao pagamento de obrigações de sua responsabilidade, os créditos presumemse não originados de receitas faturadas. Nos esclarecimentos prestados e também na Impugnação, a Recorrente argumentou que a receita declarada pela pessoa jurídica no primeiro semestre de 2007, da ordem de R$473 mil não poderia ser descartada na apuração da pretensa omissão de receita. Eis as razões esposadas: "Tendo a empresa declarado no primeiro semestre de 2007, ainda sob a égide do Simples Federal, receitas da ordem de: R$47.436,26 em janeiro; R$54.617,14 em fevereiro; R$100.005,68 em março; R$86.239,70 em abril; R$97.882,34 em maio e R$87.486,57 em junho, e recolhido os tributos sobre elas incidentes, não se afigura lícito presumir a volatilização desses recursos. No âmbito da tributação de depósitos bancários, a pacífica e remansosa jurisprudência administrativa tem sido pródiga em acolher rendimentos tempestivamente declarados por pessoas físicas e jurídicas fiscalizadas, como aptos a justificar a origem de recursos depositados/creditados em contas bancárias. [...] Se os recursos ingressaram na empresa através da conta bancária n° 100501 como assegura a fiscalização [...], e ficou demonstrada que a demonstração financeira nessa conta originase da atividade da pessoa jurídica autuada como salienta o voto condutor, evidentemente aí se inclui o faturamento declarado e tributado mesmo se recebido em dinheiro ou cheques. Se ela própria confirma que não há como saber, dentre os R$1,02 milhões declarados no ano de 2007, o que foi recebido em cheque (ou depósito bancário) ou em dinheiro, e o que foi depositado, não há como legitimar o fantasioso raciocínio engendrado pela ação fiscal para negar a inclusão dos valores pertinentes à receita declarada na movimentação da conta bancária." Fl. 775DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18088.720389/201117 Acórdão n.º 1803002.464 S1TE03 Fl. 693 17 A decisão também noticia que o motivo da aplicação da multa de 150% não foi aquele apontado pela Impugnante. Todavia, não traduz qual o motivo por ela alegado. Por fim, resta notar outra infidelidade da decisão recorrida no desfecho do relatório assumido pelo voto condutor. Ali diz que as pessoas físicas não se manifestaram sobre a responsabilidade tributária. E nem poderiam fazêlo, já que o Relatório Fiscal e os Autos de Infração não cogitam dessa responsabilidade solidária, inexistindo nesses documentos qualquer menção de sujeição passiva solidária e intimação aos sócios da pessoa jurídica e a seu funcionário Reginaldo Furlan. 4. Multa Qualificada Embora haja presunção legal para a tributação da parcela de depósitos bancários cuja origem não foi suficientemente comprovada, não prospera a presunção simples de titularidade da conta bancária para justificar a multa de 150%, inexigível quando constatadas presunções relativas. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Expostas as razões determinantes para o reconhecimento da nulidade do auto de infração e a consequente reforma do julgador recorrido, postula a Recorrente o acolhimento de suas razões, para, mesmo se não decretada a nulidade seja reconhecida a improcedência do lançamento perpetrado. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. No que se refere ao argumento da Recorrente de que foi excluída no Simples, temse que nos presentes autos essa situação não é ocorrente na espécie e por não ser objeto desse procedimento de ofício não pode aqui ser analisada. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Fl. 776DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18088.720389/201117 Acórdão n.º 1803002.464 S1TE03 Fl. 694 18 Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, os Autos de Infração podem ser lavrados sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. As manifestações unilaterais da RFB foram formalizadas por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos que lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais2. Os Autos de Infração foram lavrados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional. A autoridade tributária tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos3. As Autoridade Fiscais agiram em cumprimento com o dever de ofício com zelo e dedicação as atribuições do cargo, observando as normas legais e regulamentares e 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. 2 Fundamentação legal: art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. 3 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999. Fl. 777DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18088.720389/201117 Acórdão n.º 1803002.464 S1TE03 Fl. 695 19 justificando o processo de execução do serviço, bem como obedecendo aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. 4 Desse modo, não tem validade jurídica a alegação da Recorrente. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Ainda, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formou livremente sua convicção, em conformidade do princípio da persuasão racional5. Assim, os Autos de Infração, fls. 605654 e o Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/RPO/SP nº 1438.224, de 15.07.2012, fls. 703712, contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos no processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pelas defendentes, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos6. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo constantes nos dados informados à RFB ou ainda quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente discorda da apuração da omissão de receitas com base em depósitos bancários. A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a 4 Fundamentação legal: art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 21 de janeiro de 1999 e art. 37 da Constituição Federal. 5 Fundamentação legal: art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. 6 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 170 do Código Tributário Nacional. Fl. 778DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18088.720389/201117 Acórdão n.º 1803002.464 S1TE03 Fl. 696 20 que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Fica sujeita a todas as presunções de omissão de receitas existentes na legislação tributária a pessoa jurídica optante pelo Simples. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido denominado Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) é mensal e uma opção do sujeito passivo para todo anocalendário, desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada mediante a alteração cadastral no prazo previsto em lei. É determinado pela aplicação do percentual correspondente ao valor acumulado mensalmente da receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. Abrange o IRPJ, Pis, CSLL, Cofins, INSS e IPI, se for estabelecimento industrial. Está dispensada de escrituração comercial desde que mantenha o Livro Caixa, no qual deve estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária, o Livro de Registro de Inventário, no qual deve constar registrados os estoques existentes no término de cada anocalendário, bem como todos os documentos e demais papéis que serviram de base para sua a escrituração7. Caracteriza omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Positivada em uma norma com os atributos de ser abstrata, geral, imperativa e impessoal, há presunção de ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, o que afasta a obrigatoriedade de a Fazenda Pública comprovar a relação de causalidade entre o fato e o ilícito tributário. A Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, determina: Art. 18º Aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições de que trata esta Lei, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas. 7 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 1º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 2º e art. 5º da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. Fl. 779DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18088.720389/201117 Acórdão n.º 1803002.464 S1TE03 Fl. 697 21 Cabe à pessoa jurídica o ônus de provar a veracidade de fatos registrados na sua escrituração de modo a desconstituir inequivocamente a relação jurídica presumida. Assim, se o ônus da prova, por presunção legal, é da Recorrente, cabe a ela comprovar a origem dos recursos informados para acobertar a movimentação financeira. É determinada mensalmente pelo somatório de cada crédito, que deve ser analisado de forma individual, observando que os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. A sua titularidade, via de regra, pertence à pessoa jurídica indicada nos dados cadastrais. Podem ser excluídos, mediante demonstração inequívoca, os créditos decorrentes de transferências de outras contas do própria pessoa jurídica, de mútuos destinados a fins econômicos, de cheques objeto de devolução e de resgates de aplicações financeiras. Assim, é regular o procedimento de fiscalização que, após a análise da sua escrituração, examina os documentos referentes à sua movimentação financeira para verificar a compatibilidade entre as informações. Ademais, a presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996 dispensa o Erário de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes, em conformidade com as Súmulas CARF nºs 26 e 30. Constatada a disparidade a pessoa jurídica é intimado a demonstrar a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito. Os valores, em relação aos quais não foram evidenciadas as origens, presumem receitas omitidas, o que dispensa a autoridade administrativa de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada8. Em relação à possibilidade jurídica de obtenção dos dados bancários pela autoridade tributária da RFB temse que no caso em que há processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso o agente fiscal pode examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que tais exames sejam considerados indispensáveis. É certo que o resultado dos exames, as informações e os documentos devem ser conservados em sigilo9. Prevalece o entendimento de que o sigilo bancário, fundado constitucionalmente no direito à privacidade10, não se reveste de caráter absoluto, possibilitando a lei o seu afastamento em determinadas hipóteses. Não há que se confundir quebra de sigilo bancário com solicitação de informações cadastrais lastreada em processo administrativo fiscal regularmente instaurado e subscrita por autoridade administrativa competente. A matéria (art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001) é objeto de recuso extraordinário com repercussão geral em análise no Supremo Tribunal Federal (STF), tema de nº 225, sem trânsito em julgado (art. 543B do Código de Processo Civil 8 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 1º e art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 2º, art. 5º e art. 18 da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996 e Súmulas CARF nºs 06, 30, 32 e 61. 9 Fundamentação legal: art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 e janeiro de 2001. 10 Fundamentação Legal: incisos X e XII do art. 5º da Constituição Federal. Fl. 780DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18088.720389/201117 Acórdão n.º 1803002.464 S1TE03 Fl. 698 22 CPC) 11 e por essa razão não se pode aplicar o art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Ressaltese que o exame dos dados financeiros afigurase como medida necessária e não afeta esfera de privacidade da pessoa jurídica, mormente quando há previsão legal permissiva expressa e esta se destina a identificar a materialidade do ilícito tributário. Além disso esses dados devem ser mantidos em sigilo pela autoridade fiscal. Assim, não há que se falar em obtenção de prova por meio ilícito. Havendo procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos pelo sigilo bancário às autoridades obrigadas a mantêlos no âmbito do sigilo fiscal. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. A Recorrente sendo optante pelo Simples a autuada sujeitase às determinações contidas na alínea “a” do § 1º do art. 7º da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, que determina que toda sua movimentação financeira, inclusive bancária, seja devidamente escriturada no Livro Caixa. Entretanto tal procedimento não se verificou, conforme está registrado no Relatório de Fiscalização – Simples Federal de 01/2007 a 06/2007, fls. 656664, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: 1) Este procedimento teve como origem a auditoria fiscal no contribuinte JOEL MARCIANO (MPF 08122 2011 00021), pai da sócia MARIA SONIA MARCIANO FURLAN, onde se constatou movimentação financeira no Banco Bradesco, agência 192, Conta 0100501 incompatível com os rendimentos declarados. 2) Cabe frisar que a citada conta corrente era conjunta entre JOEL MARCIANO e SONIA MARIA MARCIANO FURLAN. Não tendo o titular da conta atendido á intimação para entregar os extratos bancários – termo 01/21/2011 de 12.01.2011 (fls 163) e respostas às fls 164/165, eles foram requisitados diretamente à instituição financeira através de Requisição de Movimentação Financeira (RMF) – Lei Complementar 105/2001 – fls. 166/169. As informações foram requisitadas com fulcro no artigo 3°, incisos VII e XI do Decreto nº 3.724/2011. 3) Analisando os extratos bancários (fls. 170/213), constatouse: 3.1 Mais de 250 depósitos (feitos em cheques e em dinheiro) cuja soma resultou em valores totais superiores a R$2,2 milhões – anexo 2 do termo 02/021/2011 – fls 229/233 3.2 Mais de 600 cheques compensados e/ou pagos em dinheiro, num valor total de cerca de R$1,7 milhões. Cabe frisar que na declaração de IRPF do ano de 11 Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudenciaRepercussao/verAndamentoProcesso.asp?incidente=2689108&numero Processo=601314&classeProcesso=RE&numeroTema=225>. Acesso em 16 ago. 2014. Fl. 781DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18088.720389/201117 Acórdão n.º 1803002.464 S1TE03 Fl. 699 23 2007 não consta aquisição de bens pelos titulares da conta – anexo 1 do termo 02/021/2011 – fls 216/228 3.3 Vinte e sete (27) débitos com a rubrica “pagamento de contas” num valor total de cerca de R$309 mil – anexo 4 do termo 02/021/2011 – fls 235. 3.4 Seiscentos e noventa e um (691) cheques depositados e posteriormente devolvidos, num total de cerca de R$141 mil. 4) O Sr. Joel Marciano foi intimado item 5.1 do termo 02/021/2011 (fls 214/215) a esclarecer se tinha cedido suas contas correntes para o uso de terceiros (pessoa física ou jurídica). Em caso positivo, deveria informar o nome, CPF/CNPJ e endereço de quem, de fato, se utilizou a conta corrente. Também foi intimado a apresentar: 4.1) Cópias dos cheques emitidos constantes no anexo 1 (item 5.2 da intimação) 4.2) Cópias dos cheques depositados na conta constantes no anexo 2 (item 5.3) 4.3) Informar quem foi/foram os beneficiários dos pagamentos constantes no anexo 4 (item 5.5) 5) Em resposta à intimação feita por este auditor (fls 237/238), o Sr. Joel Marciano informou que a conta era conjunta com Maria Sonia Marciano Furlan e ainda, textualmente: “não me consta a utilização da referida conta por terceiros ou em negócios alheios aos interesses da outra titular”. Declarou também que não possuía cópia dos documentos solicitados e nem guardava registro dos pagamentos. 6) Também devidamente intimada – termo 01/173/2011 (fls 126/127), a sócia Maria Sonia declarou (fls 148/150) que a movimentação da conta era exclusivamente de sua responsabilidade e que “operouse para atender a negócios relacionados com meus interesses particulares, constituindose de descontos de cheques prédatados da empresa em que participo” 7) Declarou ainda que se tratava de “prática informal e continuada de operações de factoring”. Não apresentou quaisquer documentos que corroborassem tal assertiva. Não justificou como praticou operações de factoring na ordem de mais de R$ 2,2 milhões sem recursos declarados em sua declaração de IRPF. 8) A movimentação da conta corrente é totalmente incompatível com os rendimentos declarados pelo Sr. Joel Marciano e pela Sra. Maria Sonia Marciano Furlan. 9) Ainda denotouse movimentação bancária típica de pessoa jurídica na citada conta, como “pagamento a fornecedores”, pagamento de contas, etc.. Devese salientar que a única pessoa jurídica que a Sra. Sonia participa é a empresa Furlan Distribuidora de Produtos Alimentícios Ltda. 10) O própria pessoa jurídica ora fiscalizada, devidamente intimado através do termo 03/407/2011 (fls 86/87), também alegou (fls 89/92) que a movimentação era de “factoring”, mas não logrou comprovar tais operações. Também não escriturou tais operações no livro caixa a que estaria obrigado. 11) Centenas de cheques da conta conjunta de Joel Marciano e Maria Sonia (fls 246/531) foram emitidos para pagamento de fornecedores da empresa Fl. 782DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18088.720389/201117 Acórdão n.º 1803002.464 S1TE03 Fl. 700 24 fiscalizada, conforme rol constante na planilha às fls. 216/228. Em procedimento de diligência junto aos fornecedores do contribuinte, os mesmos confirmaram os pagamentos e os vincularam às notas fiscais emitidas contra Furlan Distribuidora de Produtos Alimentícios Ltda, conforme abaixo discriminado: 11.1) Ponto de Dose Comercial e Distribuidora de Produtos Alimentícios – Resposta ao termo de intimação 02/428/2011 (fls 93/94). Confirmou (fls 107) o recebimento de 15 cheques emitidos da conta 100501 (conta corrente de Joel Marciano e Sonia), vinculandoos a 37 (trinta e sete) notas fiscais emitidas à empresa Furlan. 11.2) Kambé Industria e Comércio de Embalagens Ltda – Resposta ao termo de intimação 02/442/2011 (fls 100), onde declarou (fls 108/110) que os cheques recebidos num valor total de R$12.326,18 foram recebidos como pagamento de prateleiras vendidas à empresa Furlan. 11.3) Sukest Indústria e Comércio de Alimentos Ltda – resposta ao termo de intimação 02/430/2011 (fls 95) – declarou (fls. 111/113) que tem como tradição receber cheques de terceiros nas transações. 11.4) Ki Kakau Indústria e Comércio de Chocolates Ltda – resposta ao termo 02/440/2011 (fls 98) – Declarou (fls. 106), através de seu sócio ANTONIO VALDECI JACOB, que “tomou emprestados cheques prédatados” de Joel Marciano e descontou os títulos. Declarou que tinha uma amizade particular com o Sr. Joel. 11.4.1 Porém, o sr. Joel foi devidamente intimado através do termo 03/02/2011 (fls. 534) a esclarecer se conhecia o Sr. Antonio Valdeci Jacob e já havia feito negócios com o mesmo. 11.4.2 Em resposta (fls. 536/537) o Sr. Joel declarou que “não se lembrava da fisionomia do Sr. Antonio Valdeci Jacob”. Disse ainda que “pode ser que eu o conheça, mas não se trata de pessoa que eu mantenha freqüente relacionamento, seja de amizade ou de qualquer outra natureza” 11.4.3 Ficou claro então a incongruência da resposta dada pela pessoa jurídica Ki Kakau, que se beneficiou de cheques emitidos pela conta de Joel Marciano, num total de R$24.827,49 e declarou que “pegou emprestado” e o “mutuante”, Sr Joel, não se lembra do fato. 12) Constam também 27 cheques sacados da conta conjunta de Joel e Maria Sonia, num valor total de R$125.972,02 (fls 381/531 e rol constante no termo 01/458/2011 – fls 116/117). Os cheques eram nominais a Reginaldo Furlan, filho dos sócios da pessoa jurídica. 12.1 Devidamente intimado (fls 116/117) , o mesmo declarou (fls. 119/120) que, “na qualidade de filho da Sra. Sonia e funcionário da empresa, fui encarregado de efetuar pagamentos por ela selecionados e também promover as retiradas em dinheiro mediante cheques por ela emitidos”. Vale salientar que o Sr. Reginaldo Furlan tem vinculo empregatício com a empresa fiscalizada. 12.2 Posteriormente, através do termo 02/458/2011 (fls. 121) o mesmo foi INTIMADO a esclarecer: a quem se destinavam tais pagamentos e se os valores retirados pertenciam à Sra. Sonia ou à empresa. 12.3 Em resposta, declarou que “fui apenas encarregado de fazer pagamentos e retiradas”... “não mantive controles individuais ou quaisquer outros registros...” Fl. 783DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18088.720389/201117 Acórdão n.º 1803002.464 S1TE03 Fl. 701 25 13) De todo o exposto nesse termo, inferese que houve a cessão, para USO pela pessoa jurídica FURLAN DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA, da conta corrente do Banco Bradesco n° 0192/100501, cujos titulares são JOEL MARCIANO e MARIA SONIA MARCIANO FURLAN 14) Assim, destacase a afronta ao princípio contábil da Entidade (Resolução 750/93 do Conselho Federal de Contabilidade) que determina a autonomia patrimonial, ou seja, o patrimônio dos sócios não pode se misturar com o patrimônio de empresa. 15) Destacase ainda a afronta ao artigo 7°, parágrafo 1°, “a”, da Lei 9.317/96 e artigo 26, parágrafo 2° da Lei Complementar nº 123/2006, que determina que toda a movimentação da empresa, INCLUSIVE BANCÁRIA, deve ser escriturada no livro caixa. 16) Isso posto, sendo constatada a utilização da conta do sócio pela pessoa jurídica, o contribuinte foi devidamente intimado através do termo 03/407/2011, de 21/06/2011 (fls 86/87), a refazer a escrituração do livro caixa, para que TODA a movimentação financeira da empresa fosse devidamente registrada. Em resposta (fls 89/92), o contribuinte declarou que as operações eram “informais” e que impossibilitaria promover a reescrituração. 17) A empresa fiscalizada, devidamente intimada, apresentou extratos relativos a UMA conta corrente em nome da pessoa jurídica, no Banco Bradesco, Agência 0192, conta 101966 (fls 564/576) . Nessa conta consta movimento de apenas R$53 mil, apesar do faturamento declarado pelo contribuinte no AC de 2007 ter sido de R$473 mil (1° semestre – SIMPLES FEDERAL – fls 577/588) e de R$547 mil (2° semestre – SIMPLES NACIONAL – fls 589/594), totalizando cerca de R$1,02 milhões. 18) Finalizando, devido à cessão da conta corrente já citada no item 13, o contribuinte foi intimado através do termo 05/407/2011 de 24.10.2011 (fls 538/542) a, num prazo de 30 (TRINTA) dias, a contar da ciência, a: 18.1 Comprovar, com documentos hábeis e idôneos, as ORIGENS dos recursos creditados na conta corrente 100501 (titularidade de Joel Marciano e de Sonia Maria Marciano Furlan) e na conta corrente 101966 (titularidade da pessoa jurídica). Os créditos, num total de 278, foram listados no anexo 1 da intimação, numerados de 1 a 278 – fls. 543/548. 18.1.1 As justificativas deveriam ser feitas de forma INDIVIDUAL e o contribuinte deveria trazer elementos comprobatórios, coincidentes em datas e valores, para CADA crédito a comprovar. 18.1.2 Constou ainda na intimação que a falta de comprovação do item 18.1 acarretaria na tributação dos valores como OMISSÃO DE RECEITAS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO COMPROVADOS – artigo 42 da Lei 9.430/1996 18.2 Justificar e comprovar, com documentos hábeis e idôneos, quem foram os beneficiários dos 27 pagamentos listados no anexo 2 da intimação (fls 549), num valor total de R$309.401,48. 18.2.1 Constou ainda na intimação que a falta de comprovação deste item acarretaria na tributação dos respectivos valores como “Omissão de Receitas Falta de escrituração de pagamentos efetuados”, conforme artigo 281, II do RIR/99. 18.3 Na mesma intimação o contribuinte foi INTIMADO a justificar e comprovar (com documentos hábeis e idôneos) o motivo pela qual emitiu os Fl. 784DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18088.720389/201117 Acórdão n.º 1803002.464 S1TE03 Fl. 702 26 cheques abaixo listados, cujo beneficiário foi REGINALDO FURLAN, conforme descrito no item 12: DATA CHEQUE CHEQUE VALOR 04/09/2007 8561 4.979,55 05/11/2007 8685 4.000,00 05/11/2007 8686 4.000,00 05/11/2007 8687 4.000,00 05/11/2007 8688 4.781,68 07/11/2007 8689 6.762,47 12/12/2007 8741 10.065,11 13/12/2007 8742 4.812,48 13/12/2007 8743 4.812,48 13/12/2007 8744 4.812,48 14/12/2007 8761 4.359,82 14/12/2007 8762 4.000,00 14/12/2007 8763 4.000,00 14/12/2007 8764 4.000,00 17/12/2007 8765 4.000,00 17/12/2007 8766 4.000,00 17/12/2007 8767 4.000,00 18/12/2007 8768 4.366,00 18/12/2007 8769 4.366,00 18/12/2007 8770 4.366,00 18/12/2007 8771 4.366,00 18/12/2007 8772 4.366,00 18/12/2007 8773 4.366,00 18/12/2007 8774 4.367,45 28/12/2007 8780 4.674,00 28/12/2007 8789 4.674,00 28/12/2007 8790 4.674,00 TOTAL 125.972,02 18.3.1 Constou ainda na intimação que a falta de comprovação do item 18.3 acarretaria na tributação, sobre os respectivos valores, com base de cálculo reajustada, do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) –pagamento sem causa e/ou a beneficiários não identificados, conforme artigo 674 do RIR/99. 19 Findo o prazo, o contribuinte apresentou a resposta às fls. 551/555, porém não apresentou as comprovações solicitadas pela fiscalização e tampouco justificou quaisquer itens do termo 05/407/2011. Declarou que a pessoa jurídica não era titular da conta 100501 de Joel Marciano. Também voltou a alegar que “negociou direitos da empresa com os titulares da conta”. 20 Não há como prosperar as alegações do contribuinte, pois ficou claro que a conta corrente da pessoa física era utilizada para movimentar recursos da pessoa jurídica. Isso se prova: 20.1 pelos vultosos valores movimentados e pelos “pagamento a fornecedores” e pagamento de contas, os quais indicam que a conta bancária utilizada foi efetivamente utilizada por pessoa jurídica; 20.2 pela circularização feita com os fornecedores que receberam cheques oriundos da conta 100511 (de Joel Marciano e Sonia Maria Camargo Furlan). Tais Fl. 785DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18088.720389/201117 Acórdão n.º 1803002.464 S1TE03 Fl. 703 27 cheques foram utilizados para pagamento de notas fiscais emitidas contra a empresa fiscalizada; 20.3 nem o Sr. Joel Marciano nem a Sra. Sonia Maria Camargo Furlan comprovaram que exerciam outras atividades (atividade rural, prestação de serviços como autônomo etc) que dessem origem à movimentação de R$2,2 milhões na conta bancária cujo os mesmos figuram como titulares e 20.4 nem o Sr. Joel Marciano nem a Sra. Sonia Maria Camargo Furlan comprovaram ter realizado qualquer tipo de operação de alienação de bens móveis e imóveis que dessem origem à movimentação de R$2,2 milhões na conta bancária cujo os mesmos figuram como titulares. 21 Assim, era dever do contribuinte escriturar toda a movimentação financeira da empresa (inclusive bancária), mas não o fez. Cabe salientar que no curso do procedimento fiscal o contribuinte foi intimado (através do termo 03/407/2011, de 21/06/2011 – fls. 86/87), a refazer a escrituração do livro caixa, para que TODA a movimentação financeira da empresa fosse devidamente registrada. Em resposta (fls 89/92), o contribuinte declarou que as operações eram “informais” e que impossibilitaria promover a reescrituração. 22 Cabe aqui também discorrer sobre os argumentos levantados pela sócia Sonia acerca da movimentação financeira da conta 100511 (cuja a mesma é co titular). 22.1 Em resposta à intimação 01/173/2011 (fls. 126/127), declarou (fls. 148/150) que a movimentação da citada conta era de sua inteira responsabilidade. 22.2 Em resposta à intimação 02/173/2011 (fls. 151), declarou (fls. 153/156) que a “movimentação da conta examinada operouse para atender a negócios relacionados com meus interesses particulares, constituídos de descontos de cheques prédatados recebidos pela empresa na qual participo” 22.3 Em resposta à intimação 03/173/2011 (fls. 157/158), onde foi intimada a esclarecer as ORIGENS dos recursos utilizados para descontar tais cheques, não conseguiu explicar, apesar da prolixa resposta, como fez tais operações sem recursos declarados no IRPF. Declarou (fls. 160/162) que as origens dos recursos eram os próprios recursos recebidos, um argumento totalmente fantasioso e desprovido de lógica matemática, semelhante ao “quem veio primeiro, o ovo ou a galinha” DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO COMPROVADOS 23 De todo exposto, conforme já relatado no item 13, caracterizada a CESSÃO da conta corrente da pessoa física para a jurídica e NÃO COMPROVADO a origem dos valores creditados na citada conta, estou tributando os valores listados nas fls. 558/563 como OMISSÃO DE RECEITAS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO COMPROVADOS. Os valores foram totalizados mês a mês. Na planilha abaixo consta o resumo, onde foram excluídas as devoluções: Mês Créditos Bancários () Devoluções = Valor Líquido a Tributar Jan/07 199.788,66 (10.203,92) 189.584,74 Fev/07 144.920,86 (10.748,20) 134.172,66 Mar/07 166.733,43 (11.200,23) 134.172,66 Abr/07 283.398,15 (25.920,23) 257.477,92 Fl. 786DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18088.720389/201117 Acórdão n.º 1803002.464 S1TE03 Fl. 704 28 Mai/07 177.207,82 (20.925,21) 156.282,61 Jun/07 164.132,27 (10.912,67) 153.219,60 23.1 Em resposta ao termo 05/407/2011 (fls. 538/542) o contribuinte declarou (fls. 551/555) que o faturamento declarado não “poderia ser ignorado” no desfecho do procedimento. 23.2 Porém, salientase que não há de se falar em “descontar” dos valores a serem tributados aqueles DECLARADOS pelo contribuinte, haja vista que estamos TRIBUTANDO os recursos que ingressaram na empresa através de conta bancária, cuja comprovação das origens não foi feita. 23.3 Obviamente que dentro do faturamento declarado pelo contribuinte há valores que foram recebidos em espécie (dinheiro). Assim, como não houve a regular escrituração dos livros, não há como se saber, dentre os R$1,02 milhões declarados, o que o contribuinte recebeu em cheque (ou depósito bancário) e o que foi recebido em dinheiro não depositado nas contas bancárias utilizadas pela mesma. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE PAGAMENTOS EFETUADOS PAGAMENTOS ESCRITURADOS COM RECURSOS ESTRANHOS À ESCRITURAÇÃO 24 Não estou tributando os pagamentos listados na planilha às fls 557, totalizando R$ 309.401,48, os quais, devidamente intimado, o contribuinte NÃO logrou comprovar a que título tais valores saíram do caixa da empresa. Isso porque, os pagamentos saíram da mesma conta em que está sendo feita a tributação dos depósitos bancários. Assim, considerada como OMISSÃO DE RECEITAS os depósitos não comprovados, inferese que há origem para os citados pagamentos. Caso contrário, estaria incorrendo em bitributação dos valores. A omissão de receita foi determinada mensalmente pelo somatório de cada crédito, que foi analisado de forma individual, procedimento que foi rigorosamente observado pelas autoridades fiscais, de modo que cada valor creditado em conta de depósito ou de investimento mantida junto às instituições financeiras, a Recorrente titular foi regularmente intimada não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. No que se refere aos valores a serem excluídos do montante dos depósitos tributados, os valores declarados, ressaltese que a Recorrente foi intimada a comprovar a origem dos depósitos listados pelo Fisco, no anexo 1 da intimação nº 05 407 2011 (fls. 538 548)), não só da conta que lhe foi cedida para movimentação mantida junto ao Banco Bradesco S/A, agência 192, contacorrente de nº 0100501, de titularidade do Sr. Joel Marciano e sua filha Maria Sonia Marciano Furlan, mas também a do Banco Bradesco S/A, agência 192, contacorrente de nº da contacorrente nº 101966, de titularidade da Recorrente. Embora deva ser observado o disposto no art. 42 da Lei n° 9.430, 27 de dezembro de 1996, sobre a totalidade dos depósitos cuja origem a Recorrente não logrou comprovar, é possível presumir que os valores a título de receita bruta contidas da DSPJ tenham transitado nas contas bancárias que foram objeto de análise nos presentes autos. Assim sendo, há como acatar a pretensão da Recorrente de excluir da base de cálculo os valores a título de receita bruta informadas da DSPJ, fls. 577594 no período de janeiro a junho do ano calendário de 2007, conforme Tabela 1. Fl. 787DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18088.720389/201117 Acórdão n.º 1803002.464 S1TE03 Fl. 705 29 Tabela 1 – Receita omitida no período de janeiro a junho de 2007 AnoCalendário 2007 Mês (A) Créditos Bancários Líquidos Apurados de Ofício AI R$ (B) Valores Informados na DSPJ R$ (C) Receita Omitida R$ D = (BC) Jan/07 189.584,74 (47.436,26) 142.148,48 Fev/07 134.172,66 (54.617,14) 79.555,52 Mar/07 155.533,20 (100.005,68) 55.527,52 Abr/07 257.477,92 (86.239,70) 171.238,22 Mai/07 156.282,61 (97.882,34) 58.400,27 Jun/07 153.219,60 (87.486,57) 65.733,03 Devem ser revistos os percentuais de apuração dos tributos do Simples, em face da redução da matéria tributável aqui procedida. Desse modo que o conjunto probatório produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto em parte. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, é acertada em parte. A Requerente diz que houve erro na identificação do sujeito passivo. Sobre a matéria, o Código Tributário Nacional determina: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; O contribuinte direto é aquele indicado na lei para ocupar o pólo passivo da obrigação tributária é também quem deve recolher o tributo devido. A conta mantida no Banco Bradesco S/A, agência 192, contacorrente nº 0100501, de titularidade do Sr. Joel Marciano e sua filha Maria Sonia Marciano Furlan, é utilizada pela Recorrente, conforme os fatos demonstrados nos autos. Conquanto mantida à margem de sua escrituração ficou demonstrada a movimentação financeira nessa conta, decorrente do exercício da atividade econômica pela Recorrente, conforme diligências realizadas junto a fornecedores e demais informações comprovadas nos autos. Além disso, as alegações da sócia não estão demonstradas de forma, clara precisa e congruente. Inferese que houve cessão da referida conta bancária, mantida no Banco Bradesco S/A, agência. 192, contacorrente nº 0100501, de titularidade do Sr. Joel Marciano e sua filha Maria Sonia Marciano Furlan para movimentação financeira da Recorrente, à margem da sua escrituração. Fl. 788DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18088.720389/201117 Acórdão n.º 1803002.464 S1TE03 Fl. 706 30 Considerando a análise da movimentação bancária e constatada a omissão de receita de que trata o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996 ficou evidenciada a materialidade do fato gerador e o sujeito passivo da obrigação tributária é de fato a Recorrente. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente afirma que os tributos deveriam ter sido apurados com base no lucro arbitrado. A autoridade fiscal verificando que a pessoa jurídica deixou de cumprir as obrigações acessórias relativas à determinação do lucro real ou presumido, conforme o caso, deve adotar regime de tributação com base no lucro arbitrado trimestral válido para todo ano calendário, sendo conhecida ou não a receita bruta, de acordo com as determinações legais. Este regime aplicase no caso de a pessoa jurídica não mantiver a escrituração na forma das leis comerciais e fiscais ou a escrituração revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências ou deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal ou optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido ou deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro proveniente do exterior. Em relação à receita bruta ser conhecida, o lucro arbitrado é determinado pelo somatório do ganho de capital, da receita financeira e das demais receitas auferidas incluindo os valores recuperados correspondentes a custos e despesas inclusive com perdas no recebimento de créditos, bem como do valor resultante da aplicação do coeficiente legal correspondente a sua atividade econômica sobre a receita bruta total auferida no período de apuração fixado para o lucro presumido acrescido de 20% (vinte por cento). Quando se tratar de pessoa jurídica com atividades diversificadas serão adotados os percentuais específicos para cada uma das atividades econômicas, cujas receitas deverão ser apuradas separadamente. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia incluído o ICMS. Somente podem ser excluídos da receita bruta as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador dos quais o vendedor ou prestador é mero depositário, uma vez que se presume que uma parcela da receita bruta foi consumida na produção dos rendimentos decorrentes da atividade econômica. Vale esclarecer que permanece a obrigatoriedade de comprovação das receitas efetivamente recebidas ou auferidas. Este regime não é uma sanção, tanto que a pessoa jurídica, desde que preencha as condições legais, pode optar pelo lucro arbitrado com base na receita conhecida mediante o pagamento da primeira quota ou da quota única do imposto devido correspondente ao período. No presente caso, não foram identificados os requisitos indispensáveis para que os lançamentos dos tributos fossem apurados com base no lucro arbitrado, mesmo porque a Recorrente, optante pelo Simples, mantinha a escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ainda que de forma incompleta. A alegação assinalada pela defendente, desta forma, não tem fundamento. A Recorrente discorda da aplicação da multa de ofício proporcional qualificada. Fl. 789DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18088.720389/201117 Acórdão n.º 1803002.464 S1TE03 Fl. 707 31 Em relação à aplicação da multa de ofício proporcional qualificada, via de regra, a norma jurídica secundária impõe uma sanção em decorrência da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A multa de natureza tributária, penalidade que tem como fonte a lei, é imposta em razão do inadimplemento de uma obrigação legal principal ou acessória e expressa a obrigação de dar determinada quantia em dinheiro ao sujeito passivo. A aplicação da multa de ofício proporcional qualificada pressupõe a constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, diante da constatação da falta de pagamento ou recolhimento, pela falta de declaração e pela declaração inexata de obrigações tributárias pelo sujeito passivo. Tem como requisito necessário a comprovação, de plano, da conduta dolosa, que é a vontade livre e consciente de o agente praticar um fato ilícito, ainda que por erro, mas desde de evidenciada a máfé, da qual decorre prejuízo a outrem. Caracterizase pela sonegação, que é a ação ou omissão dolosa do agente de encobrir fatos tributários da Administração Pública, pela fraude, que é a ação ou omissão dolosa de não revelar a ocorrência do fato gerador do tributo ou pelo conluio, que é o ajuste doloso entre pessoas, seja para encobrir fatos tributários da Administração Pública, seja para não revelar a ocorrência do fato gerador do tributo. Há que se perquirir se houve simulação, vício ou falsificação de documentos ou a escrituração de livros fiscais ou comerciais, ou utilização de documentos falsos para iludir a fiscalização ou fugir ao pagamento do imposto. A mesma conduta reprovável deve ser reiterada, ou continuada, assim entendida em relação à qual tenham sido lavrados diversos autos ou representações12. Temse que a multa de ofício proporcional pode ser reduzida nos seguintes percentuais, se o sujeito passivo, uma vez notificado, efetuar o pagamento, a compensação ou o parcelamento dos tributos lançados de ofício: – 50% (cinquenta por cento), se efetuar o pagamento ou a compensação no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado do lançamento; – 40% (quarenta por cento), se requerer o parcelamento no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado do lançamento; – 30% (trinta por cento), se efetuar o pagamento ou a compensação no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado da decisão administrativa de primeira instância; e – 20% (vinte por cento), se requerer o parcelamento no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado da decisão administrativa de primeira instância13. No presente caso, houve constituição do crédito tributário pelo lançamento direito e a Recorrente não efetuou o pagamento, a compensação ou o parcelamento dos tributos lançados de ofício até a notificação da decisão administrativa de primeira instância. 12 Fundamentação legal: art. 142 e art. 149 do Código Tributário Nacional, art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 68, art. 70, art. 71, art. 72, art. 73, art. 74 e art. 85 da Lei n.º 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 13 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 20 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002. 13 Fundamentação legal: art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 14 de julho de 2007 e art. 6º Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991 com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Fl. 790DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18088.720389/201117 Acórdão n.º 1803002.464 S1TE03 Fl. 708 32 Está registrado no Relatório de Fiscalização – Simples Federal de 01/2007 a 06/2007, fls. 656664, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO 25 No que tange às infrações descritas, entendo que a conduta do contribuinte enseja a aplicação da multa de ofício duplicada, conforme reza o artigo 44 § 1° da Lei 9.430/1996, com redação dada pela Lei 11.488/2007, pois a omissão de receita descrita caracterizase como sonegação e a utilização da conta dos sócios para movimentar recursos à MARGEM da contabilidade é fraude, conforme se depreende da leitura do artigo 71 da Lei 4502/1964, abaixo transcrito: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. 26 Mesmo após o início da fiscalização, o contribuinte faltou com a verdade ao responder à intimação do auditor (fls 08/09), alegando que os recursos foram movimentados apenas na conta 101966 (de titularidade do contribuinte). 27 Posteriormente, indagado sobre a utilização da conta 100501, alegou de maneira falaciosa que “negociou créditos” com a titular da conta. NÃO APRESENTOU quaisquer comprovações do fato. Alegou que a negociação se deu de maneira “informal” apesar de se tratar de R$2,2 milhões. 28 Na conta citada no item 27 (10.1966 – de titularidade do contribuinte) houve movimento de apenas R$53 mil, apesar do faturamento declarado pelo contribuinte ser de R$1,02 milhões no ano. 29 Assim, não há de se falar em erro, haja vista que está caracterizada a intenção dolosa de esconder do fisco o real movimento financeiro da empresa em conta de terceiros, cujo titular principal é um senhor de 79 anos, pai de um dos sócios da Furlan. 30 Isso posto, estou elaborando a respectiva representação fiscal para fins penais, nos termos da Portaria RFB nº 2.439, de 21 de dezembro de 2010, pelo fato de a conduta do sujeito passivo caracterizar crime contra a ordem tributária, conforme disposto nos artigos 1º e 2º da Lei nº 8.137/90, abaixo transcritos: Art. 1º Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: I omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias; Art. 2º Constitui crime da mesma natureza: II – deixar de recolher, no prazo legal, valor de tributo ou de contribuição social, descontado ou cobrado, na qualidade de sujeito passivo de obrigação e que deveria recolher aos cofres públicos; Fl. 791DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18088.720389/201117 Acórdão n.º 1803002.464 S1TE03 Fl. 709 33 31 Na citada representação, estou apondo como responsáveis os sócios da pessoa MARIA SONIA MARCIANO FURLAN e REYNALDO CAMARGO FURLAN; JOEL MARCIANO, titular da conta corrente 100501, que foi utilizada para movimentar recursos da empresa à margem da contabilidade; REGINALDO FURLAN, que efetuou saques da conta 100501; ANTONIO VALDECI JACOB, sócio da empresa KiKakau, fornecedora da Furlan, por ter prestado falsas informações ao fisco, conforme narrado no item 11.4 32 Esse relatório é parte integrante e indissociável do auto de infração, processo administrativo fiscal digital (eprocesso) 18088.720389/201117 – SIMPLES FEDERAL. No presente caso, houve constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, de modo que está correta a aplicação da multa de ofício proporcional qualificada pelo grau de reprobabilidade da conduta reiterada de omissão de receitas e ainda por declaração inexata com intenção de omitir sistematicamente dos rendimentos escriturados em seus assentos contábeis referente ao meses de janeiro a junho do anocalendário 2007. Não se trata assim de simples apuração de omissão de receita, mas restou comprovado o evidente intuito de fraude da Recorrente. A conclusão oferecida pela defendente, porém, não pode subsistir. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso14. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade15. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo 16. Os lançamentos de PIS, de CSLL, de COFINS e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. 14 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 15 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. 16 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 792DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18088.720389/201117 Acórdão n.º 1803002.464 S1TE03 Fl. 710 34 Ressaltese que devem ser revistos os percentuais de apuração dos tributos do Simples, em face da redução da matéria tributável aqui procedida. Em assim sucedendo, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Declaração de Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes Diz a decisão recorrida (fls. 712 – numeração digital ND): [...], não sendo possível presumir que os valores relativos à receita declarada tenham transitado nas contas bancárias auditadas. Assim sendo, não há como acatar a pretensão da contribuinte de excluir, do montante considerado omitido, o valor das receitas que foram declaradas na DIPJ. Indagase: se não é possível presumir que os valores relativos à receita declarada tenham transitado nas contas bancárias auditadas, o que dizer, então, da presunção de que os valores relativos à receita omitida tenham transitado naquelas mesmas contas? Deixaria de existir, embora referendada pela lei? Ora, da mesma forma que não é admissível a divisão da prova, também não o é a divisão da presunção: ou se presume o trânsito pelas contas bancárias de todas as receitas auferidas, sejam elas tributadas ou não – de modo a tornar válida e admissível a presunção legal – ou não se presume aquele trânsito. O que não é possível é a “presunção gravosa”, contrária, em todas as situações, ao sujeito passivo. Do contrário, não se estaria diante de uma presunção legal (formada, como se sabe, a partir de uma presunção hominis), mas, sim, de uma ficção legal, o que não é o presente caso. De outro lado, o que está a fiscalização fazendo, senão presumindo que os valores relativos à receita declarada não transitaram nas contas bancárias auditadas, embora reconheça expressamente que, na conta bancária em nome da própria empresa “consta movimento de apenas R$ 53 mil, apesar do faturamento declarado pelo contribuinte no AC de 2007 ter sido de 473 mil (1º semestre – SIMPLES FEDERAL – fls. 577/588)” (fls. 539, item 12, e 659, item 17 – ND)? Fl. 793DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18088.720389/201117 Acórdão n.º 1803002.464 S1TE03 Fl. 711 35 Menciono, por fim, o seguinte precedente, citado pela própria Recorrente: IRPF. OMISSÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO VALOR DOS RENDIMENTOS DECLARADOS PELO CONTRIBUINTE. Nos termos da jurisprudência hoje majoritária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, devem ser considerados como origem, para fins de apuração do IRPF devido nos casos em que a tributação se dá nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o valor dos rendimentos declarados pelo contribuinte. Tal medida se justifica pelo fato de que não se pode presumir que os rendimentos recebidos e declarados (e por isso já oferecidos à tributação, quando for o caso) tenham sido utilizados de qualquer outra forma, e não tenham transitado pelas contas bancárias do contribuinte. (Acórdão nº 210200.469 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 03 de fevereiro de 2010). Dou provimento parcial ao Recurso, acompanhando o Voto da Relatora. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 794DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES
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Numero do processo: 10480.725916/2012-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2011
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA.
Não é nula a decisão de primeira instância que enfrentou a matéria constante da Impugnação.
IRRF NÃO DECLARADO EM DCTF. PAGAMENTOS ESPONTÂNEOS.
A falta de registro em DCTF do Imposto de Renda Retido na Fonte impõe a necessidade do lançamento, para constituição do crédito tributário correspondente, sem considerar os pagamentos efetuados, os quais deverão ser utilizados na sua amortização quando da fase de cobrança.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. ART. 112 DO CTN. INAPLICABILIDADE.
Não havendo divergência acerca da interpretação da lei tributária, o art. 112 do CTN não pode ser aplicado.
Numero da decisão: 2201-002.608
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para determinar o retorno à DRF de origem, para verificar acerca da pertinência da compensação relativa aos pagamentos relacionados às fls. 123 a 137 (arquivo pdf), nos termos do voto do Relator.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH Relator
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), NATHALIA MESQUITA CEIA, GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA e EDUARDO TADEU FARAH.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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INOCORRÊNCIA. Não é nula a decisão de primeira instância que enfrentou a matéria constante da Impugnação. IRRF NÃO DECLARADO EM DCTF. PAGAMENTOS ESPONTÂNEOS. A falta de registro em DCTF do Imposto de Renda Retido na Fonte impõe a necessidade do lançamento, para constituição do crédito tributário correspondente, sem considerar os pagamentos efetuados, os quais deverão ser utilizados na sua amortização quando da fase de cobrança. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. ART. 112 DO CTN. INAPLICABILIDADE. Não havendo divergência acerca da interpretação da lei tributária, o art. 112 do CTN não pode ser aplicado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para determinar o retorno à DRF de origem, para verificar acerca da pertinência da compensação relativa aos pagamentos relacionados às fls. 123 a 137 (arquivo pdf), nos termos do voto do Relator. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 59 16 /2 01 2- 16 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), NATHALIA MESQUITA CEIA, GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA e EDUARDO TADEU FARAH. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto Sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), anocalendário 2010, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 71/79, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 25.566,71. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 53/57), o lançamento decorreu de falta de recolhimento do imposto sobre trabalho assalariado, sobre trabalho sem vínculo empregatício e sobre remuneração de serviços prestados por pessoas jurídicas. As infrações foram apuradas cotejandose as DIRFs e DCTFs apresentadas com os DARFs de códigos 0561, 0588 e 1708. Cientificada do lançamento, a interessada apresentou tempestivamente impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: 3. Apresentouse impugnação (fls. 91 a 93) contrapondose, em síntese, que teriam sido efetuados recolhimentos indevidos, “face a ocorrência de equívocos nos prazos de recolhimento”, mas que esses equívocos teriam sido regularizados no curso da fiscalização, por meio de retificações de DCTFs, elaboração de PERDCOMPS e recolhimento das diferenças. 4. Solicitouse a nulidade e a improcedência do auto de infração e a observação do art. 112 do CTN. A 3ª Turma da DRJ em Recife/PE julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado na ementa abaixo transcrita: IRRF. PAGAMENTO APÓS INCÍCIO DA AÇÃO FISCAL. ESPONTANEIDADE. PERDA. LANÇAMENTO. Pagamento efetuado após o início da ação fiscal, dado a perda de espontaneidade pelo sujeito passivo, não tem o condão de interromper o lançamento de ofício. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada da decisão de primeira instância em 04/02/2013 (fl. 151), a autuada apresenta Recurso Voluntário em 05/03/2013 (fls. 153/156), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua impugnação. É o relatório. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10480.725916/201216 Acórdão n.º 2201002.608 S2C2T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade. Cuidam os autos de lançamento fiscal decorrente de procedimento de auditoria, que constatou a falta de recolhimento do imposto de renda retido na fonte sobre o trabalho assalariado, trabalho sem vínculo empregatício e sobre remuneração de serviços prestados por pessoas jurídicas, referente ao período de janeiro a dezembro de 2010. Antes de se entrar no mérito, cumpre enfrentar, de antemão, a preliminar suscitada pela recorrente. Alega a suplicante, em linhas gerais, que a decisão recorrida padece de nulidade por carência de amparo legal. Pois bem, do exame do julgamento de primeira instância, constatase que todos os questionamentos efetuados por ocasião da impugnação foram analisados e fundamentados em todas as matérias, inclusive no momento em que concordou com o lançamento. Portanto, como a decisão da Delegacia de Julgamento encontrase fundamentada e revestida de legalidade, não pode ser invalidada sem provas, demonstrando de forma clara e objetiva sua improcedência. Assim, não vislumbro nenhum vício na decisão recorrida. No mérito, cumpre transcrever trecho do Termo de Verificação Fiscal (fl. 53): Anocalendário Código DIRF DCTF DARF 2010 0561 58.803,58 9.278,80 50.723,59 2010 0588 2.250,35 562,22 2.501,05 2010 1708 1.445,58 710,07 1.183,08 (...) 06 A Apresentação de DCTF´s Retificadoras Em 15/03/2012 foram apresentadas as DCTF´s retificadoras cujos números são descritos a seguir: janeiro/10 (1891675519), fevereiro/10 (1811680754), março/10 (1821679522), abril/10 (1831679116), maio/10 (1841678723), junho/10 (1851678139), julho/10 (1861677093), agosto/10 (1871676840), setembro /10 (1881676266), outubro/10 (1891675520), novembro/2010 (1811680755), dezembro/ 10 (1831679117). (...) Fl. 164DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 4 07 Os Valores Lançados de Ofício Em decorrência dos fatos acima expostos, de conformidade com o art. 841, inciso II, do RIR/99 serão lançados de ofício os valores do IRRF, códigos 0561, 0588 e 1708 descritos a seguir: a) IRRF, código 0561: setembro (R$ 3.829,31) e dezembro (R$ 8.821,25); b) IRRF, código 0588: janeiro (R$ 101,56), maio (R$ 29,74) e agosto (R$ 101,56); c) IRRF, código 1708 : janeiro (R$ 45,78), fevereiro (R$ 22,14) março (R$ 33,90), maio (R$ 27,34), junho (R$ 114,18), julho (R$ 99,20), setembro (R$ 212,47), outubro (R$ 27,34) e novembro (R$ 84,59). Do exposto, verificase que a autoridade fiscal formalizou a exigência em razão das divergências apuradas entre os valores apontados nas DCTFs retificadoras, declarados em DIRF e pagos por meio de DARFs. Em seu apelo, alega a recorrente que a julgadora a quo não poderia deixar de considerar as diferenças espontaneamente recolhidas, conforme DARFs às fls. 123/137. De fato, penso que assiste razão à recorrente. Como a autoridade fiscal identificou a omissão, em razão das divergências apuradas entre os valores apontados nas DCTFs retificadoras, declarados em DIRF e pagos por meio de DARFs, entendo que o pagamento efetuado pela recorrente deve ser utilizado para amortização do crédito tributário apurado, caso esses pagamentos não tenham sido utilizados anteriormente. Não se pode perder de vista que as autoridades fiscais devem colher as provas que entender indispensáveis para verificar a ocorrência do fato gerador efetivo, já que no processo administrativo tributário deve sempre prevalecer à verdade material. Assim, reafirmando o posicionamento da autoridade recorrida, deve “... à DRF de origem verificar a disponibilidade dos pagamentos efetuados e, se for o caso, abatê los do crédito em questão”. Ressaltese que não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionada à infração, consoante prevê o Parágrafo Único do art. 138 do CTN: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. (grifei) Por fim, não havendo divergência acerca da interpretação da lei tributária, o art. 112 do CTN não pode ser aplicado. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10480.725916/201216 Acórdão n.º 2201002.608 S2C2T1 Fl. 4 5 Ante ao exposto, voto por rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para determinar o retorno dos autos à DRF de origem para verificar acerca da pertinência da amortização dos pagamentos efetuados às fls. 123 a 137, com crédito tributário apurado. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 166DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 12898.001077/2009-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário:2006
CRÉDITOS NÃO DECLARADOS EM DCTF. RECOLHIMENTO
EFETUADO.
Nos termos do inciso I do art. 156 do CTN, o pagamento extingue o crédito tributário, sendo a cobrança, acaso feita, indevida. A prestação equivocada da DCTF que não os contemplou, é infração que possui penalidade específica
(art. 7º da Lei nº 10.426/02).
Numero da decisão: 1302-001.099
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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RECOLHIMENTO EFETUADO. Nos termos do inciso I do art. 156 do CTN, o pagamento extingue o crédito tributário, sendo a cobrança, acaso feita, indevida. A prestação equivocada da DCTF que não os contemplou, é infração que possui penalidade específica (art. 7º da Lei nº 10.426/02). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade (presidente da turma em exercício), Paulo Roberto Cortez, Alberto Pinto Souza Junior, Márcio Rodrigo Frizzo, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 10 77 /2 00 9- 75 Fl. 605DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 12898.001077/200975 Acórdão n.º 1302001.099 S1C3T2 Fl. 606 2 Relatório Tratase de apreciar Recurso de Ofício interposto em face de acórdão proferido nestes autos pela 5ª Turma da DRJ/RJ1, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade, dar provimento parcial à impugnação, para julgar procedentes em parte os lançamentos efetuados, mantendo a cobrança do IRPJ no valor de R$1.271,98, e da CSLL, no valor de R$457,92, com multa de ofício e juros de mora, conforme ementa que abaixo reproduzo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2006 Ementa: IRPJ DIVERGÊNCIA DIPJ X DCTF Cabe o lançamento dos tributos informados na DIPJ, e não declarados em DCTF, devendo ser exonerados os valores cujos recolhimentos forem comprovados. DIPJ DCTF – CONFISSÃO DE DÍVIDA Nos termos do artigo 11 da IN SRF nº 583/2005, a DCTF é instrumento próprio para confissão de dívida. A DIPJ tem a função meramente informativa, cabendo o lançamento dos valores nelas informados, quando não recolhidos ou não confessados. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006 CSLL DIVERGÊNCIA DIPJ X DCTF – Cabe o lançamento dos tributos informados na DIPJ, e não declarados em DCTF, devendo ser exonerados os valores cujos recolhimentos forem comprovados. DIPJ – DCTF – CONFISSÃO DE DÍVIDA – Nos termos do artigo 11 da IN SRF nº 583/2005, a DCTF é instrumento próprio para confissão de dívida. A DIPJ tem a função meramente informativa, cabendo o lançamento dos valores nelas informados, quando não recolhidos ou não confessados. Os eventos ocorridos até o julgamento na DRJ, foram assim relatados no acórdão recorrido: Trata o processo do auto de infração, com ciência em 02/07/2009, referente ao anocalendário de 2006, através do qual é exigido da interessada o imposto de renda da pessoa jurídica IRPJ, no valor de R$ 934.419,54 (fls. 28/32), e da Contribuição Fl. 606DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 12898.001077/200975 Acórdão n.º 1302001.099 S1C3T2 Fl. 607 3 Social sobre o Lucro Líquido, no valor de R$ 318.734,69 (fls. 33/38), acrescido da multa de 75% e encargos moratórios. A exação teve como motivo a constatação de divergências entre os valores informados na DIPJ/2007 (Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica) e os valores declarados nas DCTF (Declaração de Créditos Tributários Federais), referentes ao IRPJ e CSLL. Abaixo, tabela com as diferenças apuradas: IRPJ CSLL PA DIPJ DCTF Diferença DIPJ DCTF Diferença 2º Trim/2006 310.212,14 0,00 310.212,14 105.030,42 0,00 105.030,42 3º Trim/2006 367.785,82 0,00 367.785,82 123.775,74 0,00 123.775,74 4º Trim/2006 384.707,34 128.285,79 256.421,55 134.892,79 44.964,20 89.928,59 TOTAL 934.419,51 TOTAL 318.734,75 Enquadramento legal: 516, §§ 4° e 5°, 541, 841, incisos I e IV, do RIR/99. Inconformada, a autuada ingressou com impugnação em face à cobrança de IRPJ, em 31/07/2009, fls. 53/66, alegando: é tributada com base no Lucro Presumido, e não realizou corretamente a declaração do IRPJ na DCTF. a autoridade fiscal lavrou auto de infração ao verificar as divergências entre a DIPJ e DCTF, presumindo a falta de recolhimento, sem levar em consideração a documentação apresentada. efetuou os seguintes recolhimentos: Data de Apuração Vencimento Código de Receita Data de Arrecadação Valor DARF 30/6/2006 31/7/2006 2089 31/7/2006 R$ 103.404,05 30/6/2006 31/8/2006 2089 31/8/2006 R$ 104.438,09 30/6/2006 29/9/2006 2089 29/9/2006 R$ 105.740,98 30/9/2006 31/10/2006 2089 31/10/2006 R$ 122.171,28 30/9/2006 30/11/2006 2089 30/11/2006 R$ 123.392,99 30/9/2006 28/12/2006 2089 3/1/2007 R$ 126.654,96 31/12/2006 31/1/2007 2089 31/1/2007 R$ 128.285,79 31/12/2006 28/2/2007 2089 28/2/2007 R$ 129.518,14 31/12/2006 30/3/2007 2089 30/3/2007 R$ 130.633,79 os supostos débitos de IRPJ estão extinto por pagamento, conforme artigo 156, I do CTN. da leitura dos artigos 113 e 115, ambos do CTN, temse que a obrigação acessória existe em função da obrigação principal, servindo para documentar e auxiliar a atividade privativa de verificação da ocorrência dos fatos geradores; o seu descumprimento acarreta cobrança de multas fixas, e não multas punitivas, que cabem quando descumprida a obrigação principal. mesmo com informações incorretas na DCTF, é possível comprovar os recolhimentos a título de IRPJ, efetuados no prazo devido. Fl. 607DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 12898.001077/200975 Acórdão n.º 1302001.099 S1C3T2 Fl. 608 4 assim, demonstrada a inaplicabilidade da multa de ofício de 75% por descumprimento de obrigação acessória, cabendo elucidar que o artigo 7º da Lei nº 10.426/2002 prevê multa de R$ 20,00 para grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas na DCTF. não deve pagar a multa de ofício de 75%, e também a multa estabelecida pela Lei 10.426/2002 e pela Instrução Normativa nº 903/2008, tendo em vista a natureza de confissão de divida. da DIPJ/ 2007, regularmente apresentada Na mesma data, apresentou impugnação com relação ao lançamento da CSLL, fls. 328/340, trazendo os mesmos argumentos. Abaixo, transcrevo a tabela onde discrimina os pagamentos da CSLL para este período: Data de Apuração Vencimento Código de Receita Data de Arrecadação Valor DARF 30/6/2006 31/7/2006 2372 31/7/2006 R$ 35.010,14 30/6/2006 31/8/2006 2372 31/8/2006 R$ 35.360,24 30/6/2006 29/9/2006 2372 29/9/2006 R$ 35.801,36 30/9/2006 31/10/2006 2372 31/10/2006 R$ 41.105,94 30/9/2006 30/11/2006 2372 30/11/2006 R$ 41.516,99 30/9/2006 28/12/2006 2372 3/1/2007 R$ 42.614,51 31/12/2006 31/1/2007 2372 31/1/2007 R$ 44.964,26 31/12/2006 28/2/2007 2372 28/2/2007 R$ 45.413,90, 31/12/2006 30/3/2007 2372 30/3/2007 R$ 45.805,09 A parcela exonerada não mereceu remanescer porque, no entender do colegiado, a recorrente efetivamente provou ter efetuado os recolhimentos, embora o valor não estivesse declarado em DCTF. É o relatório. Fl. 608DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 12898.001077/200975 Acórdão n.º 1302001.099 S1C3T2 Fl. 609 5 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. O recurso satisfaz os requisitos de admissibilidade, por ser o montante do crédito exonerado superior a R$ 1.000.000,00, nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto n° 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei n° 9.532, de 1997, e do art. 1º da Portaria MF nº 3, de 03 de janeiro de 2008, e portanto, dele conheço. Débitos não pagos mas declarados em DCTF O presente lançamento decorreu de divergências entre os valores declarados na DIPJ/2007 com aqueles declarados em DCTF. A recorrente afirma que embora tenha se equivocado no preenchimento da DCTF, efetuou os recolhimentos devidos, relativamente aos fatos geradores autuados, fazendo o ainda sob espontaneidade, anteriormente ao início do procedimento fiscal. A DRJ constatou, analisando os documentos acostados pela recorrente, que os recolhimentos espontâneos foram efetivamente realizados, verificando, ainda, que a quitação se deu em 03 quotas, com os acréscimos de juros de mora. Vejase a este ponto seu pronunciamento: Abaixo, tabela com os valores declarados na DIPJ/2007 e os recolhimentos, a partir da qual se constata que o recolhimento do IRPJ e CSLL do 3º trimestre de 2006 não foi integral. Cumpre ainda adicionar que, em pesquisas aos sistemas da Receita Federal do Brasil, os pagamentos não foram objeto de pedido de restituição ou compensação: PA IRPJ DIPJ/2007 Data Arrec. Valor Principal Juros de mora Valor recolhido 2º Trim/2006 310.212,14 31/07/2006 103.404,05 0,00 103.404,05 31/08/2006 103.404,05 1.034,04 104.438,09 29/09/2006 103.404,05 2.336,93 105.740,98 IRPJ Pago 310.212,15 PA IRPJ DIPJ/2007 Data Arrec. Valor Principal Juros de mora Valor recolhido 3º Trim/2006 367.785,82 31/10/2006 122.171,28 0,00 122.171,28 30/11/2006 122.171,28 1.221,71 123.392,99 03/01/2007 122.171,28 4.483,68 126.654,96 IRPJ Pago 366.513,84 Fl. 609DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 12898.001077/200975 Acórdão n.º 1302001.099 S1C3T2 Fl. 610 6 PA IRPJ DIPJ/2007 Data Arrec. Valor Principal Juros de mora Valor recolhido 4º Trim/2006 384.707,34 31/01/2007 128.285,79 0,00 128.285,79 28/02/2007 128.285,79 1.232,35 129.518,14 30/03/2007 128.285,79 2.348,00 130.633,79 IRPJ Pago 384.857,37 PA CSLL DIPJ/2007 Data Arrec. Valor Principal Juros de mora Valor recolhido 2º Trim/2006 105.030,42 31/07/2006 35.010,14 0,00 35.010,14 31/08/2006 35.010,14 350,10 35.360,24 29/09/2006 35.010,14 791,22 35.801,36 CSLL Pago 105.030,42 PA CSLL DIPJ/2007 Data Arrec. Valor Principal Juros de mora Valor recolhido 3º Trim/2006 123.775,74 31/10/2006 41.105,94 0,00 41.105,94 30/11/2006 41.105,94 411,05 41.516,99 03/01/2007 41.105,94 1.508,57 42.614,51 CSLL Pago 123.317,82 PA CSLL DIPJ/2007 Data Arrec. Valor Principal Juros de mora Valor recolhido 4º Trim/2006 134.892,79 31/01/2007 44.964,26 0,00 44.964,26 28/02/2007 44.964,26 449,64 45.413,90 30/03/2007 44.964,26 840,83 45.805,09 CSLL Pago 134.892,78 Assim, considerando a legislação acima citada, a constituição do crédito tributário deverá se limitar a diferença apurada entre o montante recolhido e aquele declarado na DIPJ/2007, cabendo a cobrança com multa de ofício de 75%. Diferente do que alega a autuada, a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica não possui natureza de confissão de dívida, pois é considerada meramente informativa para a Administração. Cabe esclarecer que a DCTF é instrumento próprio para confissão de dívida, nos termos do artigo 11 da IN SRF nº 583/2005, já que os valores informados, e não pagos, são enviados para inscrição em Dívida Ativa da União, prescindido de lançamento de ofício. Na ordem de intimação do acórdão, ficou ainda determinado à Secat proceder à vinculação a este processo dos pagamentos apresentados pela autuada em sua defesa, evitando possível restituição ou compensação dos mesmos. Considerando que o objetivo principal de toda a comunicação dentro do processo jurídico tributário se destina a apurar os créditos tributários e promover sua extinção, não há melhor forma para que isto ocorra que com a extinção por pagamento. Sendo os pagamentos vinculados ao débito, e mais que isso, vinculados a este processo, ficam definitivamente destinados a extinguir os créditos aqui constituídos. Assim sendo, a prestação equivocada da DCTF constituise em mero descumprimento de obrigação acessória, o qual possui penalidade específica (art. 7º da Lei nº Fl. 610DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 12898.001077/200975 Acórdão n.º 1302001.099 S1C3T2 Fl. 611 7 10.426/2002), sendo a cobrança do principal indevida, nos termos do inciso I do art. 156 do CTN, verbis: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; Isto posto, voto para negar provimento ao Recurso de Ofício. Sala das Sessões, 8 de maio de 2013. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Fl. 611DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE
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Numero do processo: 10930.720861/2011-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1202-000.206
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em sobrestamento.
(documento assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Orlando José Gonçalves Bueno- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Orlando José Gonçalves Bueno.
Como se pode constatar nos autos, foi solicitada a RMF a fim de acesso a movimentação financeira da contribuinte.
Trata-se de processo administrativo fiscal instaurado após impugnação ao auto de infração de fls. , relativo a exigência do (i) IRPJ; (ii) PIS; (iii) COFINS; (iv) CSLL, decorrentes de suposta omissão de receitas praticada pela Recorrente no ano-calendário de 200 oriunda de depósitos bancários de origem não comprovada.
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em sobrestamento. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Orlando José Gonçalves Bueno. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 30 .7 20 86 1/ 20 11 -2 1 Fl. 560DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 24 /07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10930.720861/201121 Resolução nº 1202000.206 S1C2T2 Fl. 7 2 Como se pode constatar nos autos, foi solicitada a RMF a fim de acesso a movimentação financeira da contribuinte. Tratase de processo administrativo fiscal instaurado após impugnação ao auto de infração de fls. , relativo a exigência do (i) IRPJ; (ii) PIS; (iii) COFINS; (iv) CSLL, decorrentes de suposta omissão de receitas praticada pela Recorrente no anocalendário de 200 oriunda de depósitos bancários de origem não comprovada. À luz do artigo 26A, § 6º, I, do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, a seguir transcrito, os Conselheiros do Carf somente podem deixar de aplicar lei sob o fundamento de inconstitucionalidade após o Supremo Tribunal Federal, por seu Plenário, em controle concentrado ou difuso, por decisão definitiva, ter reconhecido a inconstitucionalidade da norma. Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). .... § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) A discussão sobre a questão do sigilo bancário encontrase em fase de julgamento no Supremo Tribunal Federal, ainda sem decisão definitiva, conforme relato seguinte. Em 15 de dezembro de 2010, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, o Plenário do STF, por maioria, proferiu a decisão abaixo (DJe086 em 10052011): SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. Ocorre que o acórdão exarado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, com a ementa acima transcrita, foi desafiado por embargos de declaração, com pedido de modificação da decisão. Fl. 561DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 24 /07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10930.720861/201121 Resolução nº 1202000.206 S1C2T2 Fl. 8 3 Pesquisa realizada no site do STF nesta data demonstra que os citados embargos foram recebidos por despacho datado de 07/10/2011 e ainda se encontram pendentes de julgamento. Assim, considerando que a decisão resultante do RE 389.808/PR ainda não transitou em julgado, não é possível, nesta instância administrativa, deixar de aplicar as disposições constantes na Lei Complementar nº 105, de 2001 e na Lei nº 10.174, de 2001. Por outro lado, quanto ao processamento e julgamento junto ao Carf, o artigo 62A, § 1º e 2º, do Regimento Interno, assim dispõe: Art. 62 [....] § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B, do CPC. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. O sobrestamento dos processos pendentes de julgamento nos tribunais estaduais ou regionais, nos casos de julgamentos no STF, decorre do disposto no art. 543B, do CPC: Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo. (acrescentado pela Lei 11.418, de 2006). § 1º Caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhálos ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais até o pronunciamento definitivo da Corte. (grifei). § 2º Negada a existência de repercussão geral, os recursos sobrestados considerarseão automaticamente não admitidos. § 3º Julgado o mérito do recurso extraordinário, os recursos sobrestados serão apreciados pelos Tribunais, Turmas de Uniformização ou Turmas Recursais, que poderão declarálos prejudicados ou retratarse. § 4º Mantida a decisão e admitido o recurso, poderá o Supremo Tribunal Federal, nos termos do Regimento Interno, cassar ou reformar, liminarmente, o acórdão contrário à orientação firmada. § 5º O Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal disporá sobre as atribuições dos Ministros, das Turmas e de outros órgãos, na análise da repercussão geral. Fl. 562DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 24 /07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10930.720861/201121 Resolução nº 1202000.206 S1C2T2 Fl. 9 4 Cabe, assim, aos tribunais de origem suspender o processamento dos recursos extraordinários quando versarem sobre matéria de múltiplos recursos, com repercussão geral reconhecida. Recentemente, o STF vem utilizando a regra prevista no § 2o do art.543C, que se refere ao STJ, para expedir atos nesse sentido. Vale lembrar que, quando da entrada em vigor dos artigos 543B e 543C, ambos do CPC, existiam processos já admitidos pelos tribunais de origem pendentes de julgamento no STF e no STJ. Em relação a esses processos ou a todos quanto chegarem ao STF tratando de matéria em relação a qual for reconhecida repercussão geral, aplicase o disposto no artigo 328 do Regimento Interno, a seguir transcrito: Art. 328. Protocolado ou distribuído recurso cuja questão for suscetível de reproduzirse em múltiplos feitos, o Presidente do Tribunal ou o Relator, de ofício ou a requerimento da parte interessada, comunicará o fato aos tribunais ou turmas de juizado especial, a fim de que observem o disposto no art. 543B do Código de Processo Civil, podendo pedirlhes informações, que deverão ser prestadas em 5 (cinco) dias, e sobrestar todas as demais causas com questão idêntica. Parágrafo único. Quando se verificar subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, o Presidente do Tribunal ou o Relator selecionará um ou mais representativos da questão e determinará a devolução dos demais aos tribunais ou turmas de juizado especial de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. (grifei). O dispositivo transcrito acima prevê que nos casos em que se verificar a subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, tanto o relator quanto o Presidente do Tribunal podem determinar a devolução dos demais processos aos tribunais de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. A questão do sigilo bancário também está sendo tratada no Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, de relatoria do Ministro Ricardo Lewandowski, no qual a Suprema Corte, em 20/11/2009, reconheceu, quanto à matéria, a existência de repercussão geral, nos seguintes moldes: EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao fisco, sem prévia autorização judicial (lei complementar 105/2001). Possibilidade de aplicação da lei 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Relevância jurídica da questão constitucional. Existência de repercussão geral. Embora naqueles autos inexista pronunciamento específico do relator ou do Presidente da Corte determinando a devolução de processos com a mesma matéria para que aguardassem o desfecho do citado Recurso Extraordinário, sobre o mesmo tema, verificouse que, no exame do Agravo de Instrumento nº 765.714, o mesmo relator do processo acerca do sigilo bancário em relação ao qual foi reconhecida repercussão geral proferiu, em 19/10/2010, a seguinte decisão: Fl. 563DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 24 /07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10930.720861/201121 Resolução nº 1202000.206 S1C2T2 Fl. 10 5 “Tratase de agravo de instrumento contra decisão que negou seguimento a recurso extraordinário interposto de acórdão, cuja ementa segue transcrita: “TRIBUTÁRIO. SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR 105/2001. CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO DA LEI 9.311/96 (ART. 11, § 3º). APROVEITAMENTO DE DADOS PARA CONSTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. IMPOSSIBILIDADE. 1. A Lei 4.595/64 permitia o acesso aos agentes fiscais tributários de documentos, livros e registros de contas de depósitos quando houvesse processo instaurado e quando tais documentos fossem considerados indispensáveis pela autoridade competente. A jurisprudência se manifestou, afirmando que o processo seria o judicial e a autoridade competente seria a judiciária. 2. Em 2001, essa matéria foi alterada, tendo sido editada a Lei Complementar 105. Não há inconstitucionalidade nessa legislação, pois, na coexistência de dois bens ou valores protegidos constitucionalmente, devese sobrepor o que visa atender ao interesse público e não ao interesse privado. Os direitos fundamentais não são absolutos e podem sofrer abalo se colocados em conflito com outro valor que deva ter preferência. 3. A fiscalização pela autoridade administrativa é instrumento de arrecadação tributária pelo Estado, que, por sua vez, visa atender ao princípio da capacidade contributiva (tributando quem capacidade detém) e ao da isonomia (tributando todos aqueles que podem ser tributados), corolários dos objetivos da República de construção de uma sociedade justa e solidária e de redução das desigualdades sociais. 4. Diante do princípio da irretroatividade das leis, a utilização dos dados da CPMF para apuração de eventual crédito tributário relativo a tributos diversos é vedada para anos anteriores ao de 2001. Fatos ocorridos e já consumados não se regem por lei nova, mas sim pelas leis que vigoravam no seu tempo. Leis novas valem para o futuro. 5. Na redação original do art. 11, § 3º, da Lei 9.311/96, o legislador impunha à Secretaria da Receita Federal “o sigilo das informações prestadas” e vedava sua utilização para a constituição de crédito relativo a outros tributos. Tratavase de norma que impunha o sigilo e vedava a constituição de outros tributos com a utilização dos dados da CPMF, resguardando um direito do contribuinte, e sendo, portanto, norma material ou substantiva e não processual ou adjetiva sobre a qual se aplicaria o art. 144, § 1º, do Código Tributário Nacional. 6. Apelação provida em parte” (fls. 4950). No RE, fundado no art. 102, III, a, da Constituição, alegouse ofensa, em suma, ao art. 5º, X e XII, da mesma Carta. No caso, o recurso extraordinário versa sobre matéria sigilo bancário, quebra. Fornecimento de informações sobre a movimentação bancária de contribuintes diretamente ao Fisco, sem autorização judicial (Lei complementar 105/2001, art. 6º). Aplicação retroativa da Lei 10.174/2001, que alterou o art. 11, § 3º, da Lei 9.311/96 e possibilitou que as informações obtidas, referentes à CPMF, também pudessem ser utilizadas para apurar eventuais créditos relativos a outros tributos, no tocante a exercícios anteriores a sua vigência cuja repercussão geral já foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (RE 601.314RG/SP, de minha relatoria). Isso posto, preenchidos os demais requisitos de admissibilidade, dou provimento ao agravo de instrumento para admitir o recurso extraordinário e, com fundamento no art. 328, parágrafo único, do RISTF, determino a devolução destes autos ao Tribunal de origem para que seja Fl. 564DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 24 /07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10930.720861/201121 Resolução nº 1202000.206 S1C2T2 Fl. 11 6 observado o disposto no art. 543B do CPC, visto que no recurso extraordinário discutese questão idêntica à apreciada no RE 601.314RG/SP. (grifei). A devolução dos autos ao Tribunal de origem para que se aguarde a decisão do RE 601.314/MG, nos termos do 543B, do CPC, evidencia o sobrestamento, exatamente nos termos do art. 328, parágrafo único, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, que atribui tal procedimento ao relator ou ao Presidente da Corte. Assim, a partir da constatação de que, no caso do AI 765714/SP, o relator do Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, processado pelo regime da repercussão geral, determinou o retorno à origem para que os autos do AI 765714/SP ficassem sobrestados, observandose o disposto no art. 543B do CPC, visto que no recurso discutese questão idêntica à apreciada no RE 601.314RG/SP, concluise pela verificação de hipótese de sobrestamento previsto no art. 62A, § 1º, do Regimento Interno do Carf (RICARF). Diante de todo o exposto, propõese o sobrestamento do julgamento do presente recurso, à luz do RICARF e nos termos do art. 2º, §1º, da Portaria CARF nº 2, de 2012. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 565DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 24 /07/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO
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Numero do processo: 35464.003654/2005-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2000 a 31/12/2004
ARTIGO 22, IV DA LEI 8.212/91. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NOS SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO INCONTITUCIONALIDADE.
As informações não prestadas na GFIP, objeto deste processo, referem-se unicamente à contribuição prevista no art. 22, IV da lei 8.212/91, que prevê a incidência de contribuição previdenciária nos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Ocorre que o aludido dispositivo foi julgado inconstitucional, por unanimidade de votos, pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, nos autos doRecurso Extraordinário n° 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2302-003.472
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo a declaração de inconstitucionalidade do inciso IV do artigo 22, da Lei n.º 8.212/91, por decisão unânime do Plenário do Supremo Tribunal Federal no RE 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida, não havendo, por conseqüência, fato gerador a ser declarado em GFIP.
Fez sustentação oral: Rodrigo Arruda Campos OAB/SP 157.768
Liege Lacroix Thomasi - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2000 a 31/12/2004 ARTIGO 22, IV DA LEI 8.212/91. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NOS SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO INCONTITUCIONALIDADE. As informações não prestadas na GFIP, objeto deste processo, referem-se unicamente à contribuição prevista no art. 22, IV da lei 8.212/91, que prevê a incidência de contribuição previdenciária nos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Ocorre que o aludido dispositivo foi julgado inconstitucional, por unanimidade de votos, pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, nos autos doRecurso Extraordinário n° 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2000 a 31/12/2004 ARTIGO 22, IV DA LEI 8.212/91. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NOS SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO INCONTITUCIONALIDADE. As informações não prestadas na GFIP, objeto deste processo, referemse unicamente à contribuição prevista no art. 22, IV da lei 8.212/91, que prevê a incidência de contribuição previdenciária nos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Ocorre que o aludido dispositivo foi julgado inconstitucional, por unanimidade de votos, pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, nos autos doRecurso Extraordinário n° 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso voluntário, reconhecendo a declaração de inconstitucionalidade do inciso IV do artigo 22, da Lei n.º 8.212/91, por decisão unânime do Plenário do Supremo Tribunal Federal no RE 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida, não havendo, por conseqüência, fato gerador a ser declarado em GFIP. Fez sustentação oral: Rodrigo Arruda Campos OAB/SP 157.768 Liege Lacroix Thomasi Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 46 4. 00 36 54 /2 00 5- 35 Fl. 406DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 5/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI 2 Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Relatório Tratase do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Acessória, DEBCAD 35.787.4196, consolidado em 10/10/2005, em face de MONSANTO DO BRASIL LTDA, no valor de R$ 731.850,09 (setecentos e trinta e um mil e oitocentos e cinqüenta reais e nove centavos) referente à multa por entregar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias – Fundamento Legal AI 68, no período de 03/2000 a 12/2004 Segundo relatório fiscal, no decorrer da ação fiscal realizada, verificouse que a empresa em questão deixou de informar nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social GFIP, entre as competências 03/2000 a 12/2004, os valores pagos a cooperativas de trabalho referentes a serviços realizados por estas por intermédio de seus cooperados, sendo que o preenchimento incorreto do campo "VALOR PAGO COOP TRABALHO SERV PRESTADOS" acarretou o cálculo a menor das contribuições devidas. Apresentada impugnação pela Empresa, impugnação posteriormente complementada, foi convertido o julgamento dos presentes Autos em diligência, posto a conexão da presente NFLD com a de n° 35.787.4145 objeto do Processo n. 14485.000081/200812, que fora convertida em diligência primeiramente. Atendida a diligência, foi elaborada outras informações por parte da fiscalização e o lançamento foi mantido, em parte, pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I/SP, vez que houve retificação do valor da multa, por competência, considerando que a base de cálculo relativa aos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativa ligada a área de saúde é de 60% (sessenta por cento) do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo. A ementa de tal decisão foi proferida nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 10/10/2005 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRAZO DECADENCIAL. A obrigação acessória, caracterizada como dever instrumental, não implica em antecipação de pagamento, razão pela qual à correspondente autuação aplicase o prazo decadencial previsto no art. 173, inc. I do Código Tributário Nacional. Fl. 407DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 5/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 35464.003654/200535 Acórdão n.º 2302003.472 S2C3T2 Fl. 3 3 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. Qualquer alegação de lançamento indevido de tributos deve vir acompanhada de documentos fiscais ou contábeis que efetivamente comprovem a improcedência do lançamento fiscal, sob pena de sua integral manutenção. CONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. No âmbito do processo administrativo fiscal é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECLARAÇÃO EM GFIP. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A análise da penalidade mais benéfica será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212/91, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941 de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35ª da Lei nº 8.212/91, devendo ser realizada no momento do pagamento, parcelamento ou execução do crédito, considerando todos os processos conexos nesta comparação. SUJEITO PASSIVO. DOMICÍLIO FISCAL. INTIMAÇÃO. COMPETÊNCIA. As intimações ao sujeito passivo são feitas somente no domicílio fiscal eleito por ele junto à Administração Tributária, pertencendo à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária DERAT jurisdicionante do contribuinte a competência para intimação de acórdão emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Irresignada com a decisão, a empresa interpôs Recurso Voluntário tempestivo, alegando, em síntese: a) As penalidades referentes aos fatos geradores ocorridos no período de 03/2000 a 12/2004 foram atingidas pela decadência, nos termos do art. 150,§ 4°, posto que houve recolhimento de valores a título de contribuição previdenciária no período; b) Não existe a infração relatada. Primeiramente, a recorrente tem contrato com a Unimed Seguradoras S/A, a qual não se configura como uma cooperativa; devendo, pois, ser excluído da multa qualquer valor incidente sobre as faturas desta. De outra parte, a autuação também deve ser declarada nula devido a inconstitucionalidade da exigência da contribuição de 15% sobre as faturas de serviços das cooperativas de trabalho (Lei 9.876/99); Fl. 408DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 5/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI 4 c) Conforme preceitua o art. 154, I da Constituição Federal, impossível se apresenta a existência de duas contribuições com mesmo fato gerador e base de cálculo. Desta feita, a determinação do recolhimento por parte das empresas de 15% do valor das faturas de serviços das cooperativas de trabalho coaduna com a obrigação de recolher o COFINS, cuja base de cálculo também é o faturamento. Ademais, há que se ressaltar que o valor das faturas de serviço não corresponde á efetiva remuneração do cooperado que presta serviço; d) A Lei 9.876/99 não atende aos requisitos constitucionais para a criação de uma nova contribuição, tal é cabível apenas à Lei Complementar, conforme previsto no art. 149 da Magna Carta. Patente é a violação do princípio da legalidade neste caso; e) A infração prevista no Art. 32 § 5°, da Lei 8.212/91, é inaplicável no presente caso, vez que tal dispositivo foi revogado pela Lei 11.941/2009, devendo ser aplicada a penalidade mais benéfica; f) Devem ser excluídos do Relatório de Vínculos os nomes dos ‘diretores’ (administradores e contadores), já que, com a revogação do Art. 13 da Lei 8.620/93, a fiscalização só pode incluir corresponsável pessoa física se comprovar a prática de atos com excesso de poder, infração á Lei, contrato social, ou estatutos, no período do objeto da autuação, o que não ocorreu. Sem contrarrazões. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo o presente Recurso Voluntário tempestivo e apresentando os requisitos de admissibilidade, passo ao seu exame. Do Mérito Tratase de Auto de Infração de fundamento legal 68, por não ter a empresa informado em GFIP todos os dados correspondentes aos fatos geradores de Obrigação Tributária. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 5/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 35464.003654/200535 Acórdão n.º 2302003.472 S2C3T2 Fl. 4 5 Analisando os autos, verifico que as informações não prestadas em GFIP referemse unicamente à contribuição prevista no art. 22, IV da lei 8.212/91, que prevê a incidência de contribuição previdenciária nos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Ocorre que o aludido dispositivo foi julgado inconstitucional, por unanimidade de votos, pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, nos autos do Recurso Extraordinário n° 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida. Sendo assim, não mais existe base jurídica para a manutenção do presente lançamento. Conclusão Ante todo o exposto, conheço do recurso, para, no mérito, DARLHE TOTAL PROVIMENTO. É como voto. Sala das Sessões, 05 de novembro de 2014 Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Fl. 410DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 5/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 37280.002020/2005-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RETENÇÃO. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. FATO GERADOR. DEMONSTRAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. AUSÊNCIA.
A Lei 8.212/1991 determina que a empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mão-de-obra, observado o disposto no § 5o do art. 33 do mesmo diploma legal.
A Lei 8.212/1991 define que é cessão de mão-de-obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade-fim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação.
Portanto, para a demonstração da certeza sobre a exigência a fiscalização deve demonstrar que a cessão de mão de obra ocorreu, com todas as características que a definem.
No presente caso, não há demonstração de que a cessão de mão de obra ocorreu, motivo da ausência de que o fato gerador ocorreu, impedindo a exigência do crédito, motivo do provimento do recurso.
Numero da decisão: 2301-004.236
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA
Presidente - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, ANDREA BROSE ADOLFO, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANO GONZALES SILVÉRIO.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RETENÇÃO. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. FATO GERADOR. DEMONSTRAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. AUSÊNCIA. A Lei 8.212/1991 determina que a empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mão-de-obra, observado o disposto no § 5o do art. 33 do mesmo diploma legal. A Lei 8.212/1991 define que é cessão de mão-de-obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade-fim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. Portanto, para a demonstração da certeza sobre a exigência a fiscalização deve demonstrar que a cessão de mão de obra ocorreu, com todas as características que a definem. No presente caso, não há demonstração de que a cessão de mão de obra ocorreu, motivo da ausência de que o fato gerador ocorreu, impedindo a exigência do crédito, motivo do provimento do recurso.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, ANDREA BROSE ADOLFO, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANO GONZALES SILVÉRIO.
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RETENÇÃO. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. FATO GERADOR. DEMONSTRAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. AUSÊNCIA. A Lei 8.212/1991 determina que a empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5o do art. 33 do mesmo diploma legal. A Lei 8.212/1991 define que é cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. Portanto, para a demonstração da certeza sobre a exigência a fiscalização deve demonstrar que a cessão de mão de obra ocorreu, com todas as características que a definem. No presente caso, não há demonstração de que a cessão de mão de obra ocorreu, motivo da ausência de que o fato gerador ocorreu, impedindo a exigência do crédito, motivo do provimento do recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 28 0. 00 20 20 /2 00 5- 49 Fl. 389DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, ANDREA BROSE ADOLFO, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANO GONZALES SILVÉRIO. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 37280.002020/200549 Acórdão n.º 2301004.236 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de pedido de revisão, já analisado e aceito, interposto pela Receita Previdenciária, fls. 0324 a 0334, combatendo o acórdão, fls. 0314 a 0317, proferido pela 4" Câmara do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), que anulou lançamento por vicio formal. Como o pedido de revisão foi aceito, cabe analisar as questões do recurso. Foi apresentado recurso voluntário, fls 0302, contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Previdenciária (DRP), fls. 0275, que negou provimento à impugnação do sujeito passivo, nos seguintes termos: “DIREITO PREVIDENCIARIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIARIA — RETENÇÃO. A teor do art. 31 da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.711/98, a empresa é obrigada a reter 11% sobre o valor bruto dos serviços contidos na nota fiscal e prestados pela contratada, mediante cessão de mãodeobra ou empreitada de mãodeobra, e recolher a importância retida na época própria ou empreitada de mãodeobra, e recolher a importância retida na época própria. RECOLHIMENTO FORA DO PRAZO. SUJEIÇÃO AOS ACRÉSCIMOS MORATóRIOS. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS recolhidas fora do prazo legal sujeitamse aos juros equivalentes ã taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia — SELIC, com fulcro no art. 34, da Lei nº 8.212/91. INCONSTITUCIONALIDADE E/OU ILEGALIDADE DA RETENÇÃO DE 11% SOBRE A NOTA FISCAL DE SERVIÇOS E DA APLICAÇÃO DO JUROS SELIC. 0 julgador de instância administrativa não possui competência para apreciar arguições de inconstitucionalidade/ilegalidade. LANÇAMENTO PROCEDENTE.” Segundo o relatório fiscal, fls. 0184, o lançamento referese a contribuições destinadas à Seguridade Social, oriundas da retenção de 11% (onze por cento), sobre os valores que pagam as empresas por serviços prestados mediante cessão de mão de obra. Empresa prestadora de serviços: MOSCA GRUPO NACIONAL DE SERVIÇOS LTDA. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 4 Contra o lançamento, a recorrente apresentou impugnação, fls. 0243, acompanhada de anexos, onde argumenta, em síntese, que: 1. O indeferimento do pedido de vista dos autos fora da repartição cerceou o direito de defesa do recorrente; 2. Houve cerceamento de defesa quando não foi admitida a juntada de prova documental após a apresentação de defesa administrativa; 3. O lançamento deve ser anulado ante a ausência fundamentação da indicação da Governadora como co responsável pelo lançamento; 4. Deveria se verificar se a empresa tomadora cumpriu com suas obrigações de recolher os valores devidos; 5. É inconstitucional e ilegal a retenção de 11% (onze por cento) introduzida pela Lei n°9.711/98; 6. Insurge contra a utilização da Taxa Selic; 7. requer seja o recurso conhecido e provido. Em sede de contrarazões, o INSS pugna pela manutenção da decisão proferida em primeira instância. A Delegacia analisou o lançamento e a impugnação, julgando procedente o lançamento. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso, fls. 0302, acompanhado de anexos, onde alega, as mesmas razões já expostas em sua impugnação. O CRPS analisou a questão e anulou o lançamento, pois entendeu que deveria ser emitido novo lançamento com observância do art. 351, da Instrução Normativa n ° 100, pois, em síntese, não foi citado o órgão público na capara da autuação. O autoridade preparadora ingressou com pedido de revisão, pois, em síntese, defende que a falha encontrada é uma mera irregularidade e não um vicio insanável. A Presidência da Quinta Câmara, do Segundo Conselho de Contribuintes, acolheu o pedido de revisão. Na análise do pleito, o colegiado acolheu o pedido de revisão – pois o lançamento não é só composto de sua capa e decidiu converter o julgamento em diligência, a fim de que se verificasse datas sobre ciência dos termos e do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). A fiscalização emitiu parecer conclusivo, onde relata as datas e a conformidade com o exposto na legislação, fls. 0375. Fl. 392DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 37280.002020/200549 Acórdão n.º 2301004.236 S2C3T1 Fl. 4 5 O sujeito passivo foi intimado do parecer e não apresentou suas razões. Os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 6 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame de seus argumentos. DO MÉRITO Quanto ao mérito, a questão a ser analisada. Na alegação do sujeito passivo sobre a necessidade de fiscalização do prestador de serviço, em primeiro lugar, necessitamos para tanto, demonstrar a ele que o fato gerador ocorreu e qual foi o motivo de sua responsabilização. Pois bem, como estamos tratando no presente processo de obrigação de retenção, em casos de prestação de serviços por cessão de mão de obra, fomos verificar se o fato gerador está comprovado, a cessão, como determina a legislação Lei 8.212/1991: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5o do art. 33. ... § 3o Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação Portanto, o fato gerador da retenção ocorre somente quando os serviços forem prestados por cessão de mão de obra (colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação). Fl. 394DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 37280.002020/200549 Acórdão n.º 2301004.236 S2C3T1 Fl. 5 7 Assim, o Fisco, como acusador, deve provar que o fato ocorreu, na subsunção do fato à norma. Procuramos, por vezes, onde o fato está demonstrado. Para a decisão de primeira instância o fato está demonstrado nos autos, fls. 0203 a 0207. Com todo respeito, nestas folhas só encontramos a seguinte descrição: “Serviços de limpeza, vigia e preparo e distribuição de refeições”. Não há uma prova (contrato) ou acusação de que os serviços foram efetuados, por exemplo, por segurados colocados à disposição do contratante, nas dependências deste ou de terceiro. Cabe destacar que há no relatório fiscal informação de que os contratos foram fornecidos. Os serviço descritos podem, ou não, encaixarse na definição de cessão, mas o Fisco deve demonstrar a cessão na acusação. Portanto, como o fato gerador não foi demonstrado, não há como exigir o tributo do sujeito passivo. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto em dar provimento ao recurso, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 395DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10120.908107/2009-31
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Dec 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/04/2004
COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTOS INDEVIDOS DE COFINS/PIS. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO.
É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art. 170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência.
RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE NEGADO.
Numero da decisão: 9303-002.585
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo.
(assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
(assinado digitalmente)
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/2004 COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTOS INDEVIDOS DE COFINS/PIS. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO. É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art. 170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência. RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño (Substituto convocado), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 81 07 /2 00 9- 31 Fl. 155DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/07/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela pelo sujeito passivo, contra acórdão proferido pela 1ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, que deu provimento, por maioria de votos, ao Recurso Voluntário, sob a seguinte ementa: COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/04/2004 PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deverá ser apresentada com a manifestação de inconformidade, sob pena de ocorrer a preclusão temporal. Não restou caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (PAF). Recurso Voluntário Negado. É o relatório. Voto Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram todos cumpridos e respeitadas a formalidades previstas no RICARF. Os objetos da presente lide são o ônus probatório nos casos de repetição de indébito e também o momento legal para a apresentação das provas (preclusão temporal), nos termos do art. 16 do decreto 70.235/72. Primeiramente cabe dizer que todo direito pleiteado deve ser acompanhado das provas que trazem a certeza daquele direito, principalmente quando se trata de um direito creditório pleiteado por um particular contra o Estado. Aqui o ônus probante é daquele que pleiteia o direito creditório, nos exatos termos do art. 333 do CPC. A comprovação de uma das partes de determinado fato ou situação jurídica decorre das distribuição legal do ônus da prova. Há que se “convencer” o julgador da existência do direito e a parte contrária dos fatos impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do sujeito ativo. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/07/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10120.908107/200931 Acórdão n.º 9303002.585 CSRFT3 Fl. 423 3 O que ocorre é a assunção dos riscos de uma decisão desfavorável de quem efetivamente tinha o ônus probatório, ou seja, o encargo jurídico de demonstrar a veracidade de fatos ou a existência de situações jurídicas que ensejassem que os julgadores tomassem uma decisão que lhe fosse favorável. Não há a obrigatoriedade das partes em se produzir a prova. È interesse de ambas as parte em fazêlo. Mas se o ônus decaí em uma parte e ela não o faz, assume os riscos e as conseqüências estabelecidos no arcabouço jurídico relacionado àquela matéria. O ônus da prova não é um dever e nem um comportamento necessário da parte interessada, mas um direito de a parte poder convencer os julgadores acerca da veracidade de suas alegações, aumentando as chances de uma decisão favorável. In casu, o titular do direito creditório, em tese, é que tem que provar, por meio de provas sufuciciente para demosntrar a certeza e liquidez do direito. A meu ver o contribuinte não se desimcimbiu desse ônus. Destarte, apenas com a retificação da DCTF não gera direito creditório. Mesmo que haja uma retificação a destempo, o fato é que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem relativizando o entendimento da preclusão tanto da retificação da DCTF quanto ao momento da apresentação de provas, desde sejam provas cabais, necessárias e suficientes. A prova deve exaurir em si mesma, ou seja, a sua simples apresentação é suficiente para a comprovação do direito , não tento que se fazer outras averiguações. Reforçando: quando demonstrado pelo contribuinte, que o seu direito creditório é líquido e certo, tudo em homenagem ao Princípio da Verdade Material, desde que sejam apresentadas as provas necessárias e sufucientes para embasar a operação, temse relativizado a ocorrência da preclusão temporal. Nesse sentido, há diversos julgados, tais como: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 DCTF. RETIFICAÇÃO CONSIDERADA NÃO ESPONTÂNEA EM PROCESSO ANTERIOR. VERDADE MATERIAL. DCTF retificadora apresentada de forma não espontânea, em virtude de transmissão efetivada após a ciência de despacho decisório de não homologação de compensação, que não reconhecer o direito creditório alegado, viabiliza compensações posteriores, relativas a esse mesmo crédito se for comprovada através dos documentos fiscais competentes em virtude do princípio da verdade material. DÉBITOS CONFESSADOS. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE ESCRITA FISCAL. COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Eventual retificação dos valores confessados em DCTF deve ter por fundamento, como no caso, os dados da escrita fiscal do contribuinte, para a comprovação da existência de direito creditório decorrente de pagamento indevido (Acórdão 130201.015– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária) Fl. 157DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/07/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2004 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. A simples retificação, desacompanhada de suporte probatório, não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (Acórdão3802001.550– 2ª Turma Especial) Observese que para que seja aceito o direito creditório, ainda que a DCTF não tenha sido retificada espontaneamente, deve ser comprovado de maneira cabal o direito creditório, mediante a comprovação dos valores pagos a maior pela apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos, acompanhada por documentos que a embasam. É dizer, planilha confeccionada pela empresa, desacompanhada de quaisquer outros documentos, não se prestam à finalidade almejada. Aliás, a consulta ao banco de dados da jurisprudência deste Conselho, demonstra que há diversos pedidos de compensação da Recorrente, que foram denegados pela ausência de prova, como os Acórdãos 3802001.602, 3801001.660, 3801001.659, 3802 001.598, 3802001.599, 3802001.593, entre outros. Tampouco procede a argumentação da Recorrente no sentido de que haveria a obrigação do Fisco em comprovar a inexistência de indébito, pois não se está diante de lançamento de ofício. Não há motivos para a pleiteada inversão do ônus da prova. Também não se verificou nehumas da exceções previstas no PAF para apresentação a posteriori das provas alegadas. Assim, voto por negar provimento ao Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 158DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/07/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10120.908107/200931 Acórdão n.º 9303002.585 CSRFT3 Fl. 424 5 Fl. 159DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/07/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 13609.001603/2009-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 17 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3202-000.303
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Acompanhou o julgamento, pela Recorrente, o advogado Dr. Gustavo Froner Minatel, OAB/SP 210.198.
Luis Eduardo Garrossino Barbieri Presidente Substituto
Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Paulo Roberto Stocco Portes e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Acompanhou o julgamento, pela Recorrente, o advogado Dr. Gustavo Froner Minatel, OAB/SP 210.198. Luis Eduardo Garrossino Barbieri – Presidente Substituto Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Paulo Roberto Stocco Portes e Tatiana Midori Migiyama. Relatório Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante do acórdão da DRJ de Belo Horizonte, verbis: Lavrouse, contra a contribuinte acima qualificada, o auto de infração de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 09 .0 01 60 3/ 20 09 -7 8 Fl. 1419DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 13609.001603/200978 Resolução nº 3202000.303 S3C2T2 Fl. 1.401 2 fls. 315/320, para exigência de multa isolada no valor de R$ 21.412.613,33, decorrente de compensação indevida, relativa ao período de 31/01/2004 a 31/12/2005. Segundo a "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal" (fls. 317/318), constatouse, no curso do procedimento fiscal, a compensação indevida de valores em declaração prestada pelo sujeito passivo. O fundamento legal do lançamento está indicado à fl. 318. No Relatório de Auditoria Fiscal de folhas 307/314, a autoridade fiscal relata os procedimentos realizados e os fatos apurados, que podem ser assim sintetizados: . a fiscalização foi motivada por demanda interna e baseouse por Representação fiscal oriunda da SAFIS/DRFNarginha noticiando sobre a utilização, por parte da empresa Embrasil — Empresa Brasileira Distribuidora Ltda., de créditos de terceiros na compensação de débitos próprios; . intimada a se manifestar a respeito dos PER/DCOMPs que apresentam créditos vinculados ao processo administrativo n° 10660.000339/200266, referente à empresa COMERCIAL BENEFICIADORA DE CAFÉ LTDA, informou a contribuinte que os créditos. foram adquiridos através de procedimento de cisão e incorporação e que a decisão proferida pela DRF/Varginha no citado processo, indeferindo os créditos, havia sido reformada pelo Conselho de Contribuintes; . intimada, ainda, a se manifestar sobre PER/DCOMP com crédito vinculado ao processo administrativo n° 10070.000778/200561, considerada não declarada por utilizar crédito de terceiro, informou a contribuinte que os créditos foram adquiridos da empresa PARADIESEL por cessão e assunção de pólo ativo na liquidação de sentença levada a efeito pela cedente nos autos do processo n° 96.00000042 da 5 a Vara da Justiça Federal de Belém do Pará; . da análise da representação fiscal elaborada pela Auditora Fiscal da DRF/Varginha, verificase que o trabalho desenvolvido por ela na empresa Comercial Beneficiadora de Café demonstra que, na verdade, a cisão parcial foi uma manobra para encobrir a real operação: a cessão de créditos; . a representação fiscal enumera os vários indícios de fraude em relação à cisão parcial de 12 de dezembro de 2003: não foi encontrada, na escrituração contábil da empresa Comercial Beneficiadora de Café, a correta contabilização que corrobore o procedimento de cisão parcial; os livros Diários da empresa foram sendo autenticados à medida que a empresa era intimada a apresentálos; no protocolo de cisão há a redação expressa de que esses créditos foram transferidos para a Embrasil; praticamente a totalidade do patrimônio, que consiste no suposto direito a esses créditos, foi vertido sem receber "nada em troca", ainda mais quando se constata, na verdade, a existência de várias transferências on une de valores expressivos, documentalmente comprovadas; renúncia expressa, de forma irrevogável e irretratável, dos sócios da cindida ao direito de participação societária na Embrasil; • e em relação à cisão parcial de 10 de maio de 2005: não foi encontrada a correta contabilização do procedimento de cisão parcial; o livro Diário foi autenticado no órgão competente após a intimição para apresentação; Fl. 1420DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 13609.001603/200978 Resolução nº 3202000.303 S3C2T2 Fl. 1.402 3 diferença relevante de valores nas operações de admissão e retirada dos sócios da cindida na Embrasil, realizadas no mesmo dia e no mesmo ato; constatação de várias transferências on une de valores expressivos, documentalmente comprovadas, enviadas pela Embrasil para a conta corrente conjunta dos sócios da Comercial Beneficiadora de Café Ltda.; . segundo o PROTOCOLO DE CISÃO, de 12 de dezembro de 2003, as empresas expressamente declaram: "a cindida possui um crédito registrado em seu ativo referente a recolhimentos no período de dezembro de 1986 a abril de 1990 de tributo (.) e não tendo como a aproveitálo por intermédio próprio decidiu transferilo para a EMBRASIL e EMBRAEX ..."; . na alteração contratual n° 44 de 10 de maio de 2005 os sócios da COMERCIAL BENEFICIADORA DE CAFÉ LTDA, ADRIANO FERREIRA SODRÉ e ALYSON CARVALHO ROCHA são admitidos como sócios da EMBRASIL e no mesmo ato, retiramse da sociedade transferindo aos sócios remanescentes a totalidade de suas cotas; . no PROTOCOLO/JUSTIFICATIVA DE CISÃO COMPLEMENTAR, de 10 de maio de 2005, consta a seguinte expressão "Os sócios da cindida renunciam expressamente ao direito de sua participação societária decorrente do procedimento de cisão anterior..."; . diferentemente da Cisão prescrita no art. 229 da Lei n° 6.404/1976, o que houve no caso presente demonstra um evidente intuito de através de um procedimento de cisão parcial encobrir uma real cessão de créditos, com evidente intuito de fraude; . em documentação complementar enviada pela DRF/VAR, verificase que o Instrumento Particular de Cessão de Créditos Tributários e Outras Avencas, de 11 de dezembro de 2003, entre a EMBRASIL e a Comercial Beneficiadora de Café Ltda. não deixam dúvidas de que a operação é uma cessão de créditos, que os signatários sabiam que a Instrução Normativa n° 41/2000 impediu a cessão de créditos tributários de um contribuinte para outro e que houve um deságio de 40%, usual no caso de cessão de créditos; . do mesmo modo se verifica no Instrumento Particular de Cessão de Créditos Tributários e Outras Avencas, de 20 de abril de 2005, entre a EMBRASIL e a Exportadora Varginha Ltda, pertencente aos mesmos sócios da Comercial Beneficiadora de Café, que o deságio foi de 50%; . nos mesmos termos no Instrumento Particular de Cessão de Créditos Tributários e Outras Avencas, de 20 de abril de 2005, entre a EMBRASIL e a Comercial Beneficiadora de Café Ltda.; . presentes, portanto, o evidente intuito de sonegação, fraude e conluio prescritos nos art. 71 a 73 da Lei n°4.502/1964; . ademais, já existe manifestação da Receita Federal de que na cisão parcial é vedado ao contribuinte ceder créditos tributários: Solução de Consulta SRRF/CRF/DISIT n° 85, de 15 de maio de 2001; . portanto, sujeitase a contribuinte à aplicação da multa isolada prevista no art. 90 da Medida Provisória n° 2.15835/2001 c/c o art. 18 da Lei n° 10.833/2003 e seu § 2°, com a redação anterior à Lei n° 11.051/2004, para os fatos anteriores a 30/12/2004; . para os fatos a partir de 30/12/2004, art. 18 da Lei n° 10.833/2003 e seus §§ 2° e 4°, com a redação da Lei n° 11.051/2004 c/c artigo 44, II, da Lei n° 9.430/96, tendo em vista evidente intuito de fraude; . foi formalizado o processo administrativo n° 13609.001605/200967 que Fl. 1421DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 13609.001603/200978 Resolução nº 3202000.303 S3C2T2 Fl. 1.403 4 trata de Representação Fiscal para Fins Penais e o processo administrativo n° 13609.001604/200912 que trata do arrolamento de bens e direitos. Cientificada do lançamento em 10/12/2009 (fl. 316), a contribuinte apresentou, tempestivamente (fl. 1.250), suas razões de defesa, alegando, em síntese e fundamentalmente, que (fls. 324/380): . o autuante cometeu equívocos na apuração do montante da multa ao incluir na sua base de cálculo valores de multa moratória e juros; . a multa incide apenas sobre o valor original do imposto ou contribuição apurados e declarados em DCTFs; . a negativa da autoridade administrativa em revisar o lançamento constituirseá em evidente cerceamento de defesa; . as compensações de débitos da impugnante, efetivadas através das DCOMPs citadas no termo de início da ação fiscal de fls. 95/97 dos presentes autos, utilizaram o direito creditório oriundo do PTA n° 10660.000339/200266 e foram baixadas para tratamento manual nos autos do PTA n° 13609.720020/200605; . tais DCOMPs foram consideradas nãohomologadas em decisão proferida em 13/11/2006, contra a qual a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade; . em 23/02/2007, a decisão foi revista pela autoridade administrativa para considerar não declaradas as compensações, com alteração, portanto, dos critérios jurídicos do lançamento e da tipificação da compensação nãohomologada para não declarada; . é importante destacar que no caso em tela a autoridade administrativa recorrida, desde o primeiro lançamento efetuado, tinha o conhecimento da ocorrência da titularidade do crédito utilizado na compensação, não enfrentando este fato a tempo e modo, mesmo diante do fato de todas as informações referentes à compensação terem sido devidamente informadas legalmente à Secretaria da Receita Federal, contrariando com isso, o disposto no art. 145 e 149 do CTN; . inconformada com tais atos, a ora impugnante impetrou mandado de segurança autos do processo n° 2007.38.12.0021685, perante a Justiça Federal, objetivando suspender a exigibilidade dos débitos exigidos no PTA de cobrança n° 13609.720020/200605, bem como o deferimento da oportunidade de apresentar manifestação de inconformidade, noticiandose o julgamento do recurso voluntário interposto nos autos do PTA n° 10660.000339/200266, que recebeu provimento do CARF para afastar a prejudicial de decadência e determinar o retomo dos autos à DRF/Varginha; . na sentença exarada no mandado de segurança decidiu o juízo o seguinte: "JULGO PROCEDENTE EM PARTE O PEDIDO deduzido na inicial e CONCEDO A SEGURANÇA, apenas para suspender a exigibilidade da cobrança dos créditos relacionados no PTA no. 13609.720020/200605 até ulterior manifestação acerca do pedido de compensação aviado nos autos de PTA no. 10660.000339/200266"; . entretanto, a autoridade administrativa desrespeita a ordem judicial, continuando na cobrança dos débitos extintos por compensação com a mesma alegação anterior de que os créditos seriam de "terceiros", o que fulmina por completo o auto de infração e decreta sua nulidade ab initio; • o art. 145 do CTN consagra o princípio da inalterabilidade do lançamento Fl. 1422DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 13609.001603/200978 Resolução nº 3202000.303 S3C2T2 Fl. 1.404 5 regularmente notificado ao sujeito passivo; . segundo a doutrina e a jurisprudência, não está o Fisco autorizado a rever o lançamento por erro de direito, o que equivale à mudança de critério jurídico vedada pelo CTN; . outro não foi o entendimento recente proferido em acórdão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; • de tudo, concluise serem fortes e irrefutáveis as razões de nulidade do presente lançamento, afinal três situações se verificaram: 1. primeiro, a autoridade administrativa considerou não homologadas as compensações por ter sido indeferido o direito ao crédito em outro processo administrativo; 2. na sequência, promoveu a primeira revisão daquele lançamento, tomando por base os mesmos fatos e fundamentos, para considerar não declaradas as compensações e negar seguimento à manifestação de inconformidade; 3. após, tomando novamente os mesmos fatos e fundamentos, promove uma terceira revisão daquele mesmo lançamento, para aplicar a exorbitante multa de 150% dos créditos tributários legalmente compensados pela impugnante, concluindo agora ter havido na verdade cessão de créditos e evidente intuito de fraude no comportamento da impugnante; . ao se promover a terceira revisão do lançamento, houve mudança de critério jurídico adotado pelo Fisco, isso porque, antes a Autoridade Administrativa entendeu não haver ilegalidade alguma no ato de cisão seguido de incorporação, tanto é que não homologou as compensações e depois considerouas nãodeclaradas; . a referida Autoridade conhecia, desde o primeiro lançamento, em toda a sua inteireza o ato de cisão seguida de incorporação promovida pela Impugnante e a empresa Comercial Beneficiadora de Café Ltda., não podendo agora com base em outros critérios jurídicos entender que tal operação se deu com intuito de fraude ao Fisco Federal; . noutra vertente, é ilícito e ilegal o ato praticado pela autoridade administrativa que afronte a ordem judicial suspensiva como ocorre no caso em discussão, afinal o lançamento posterior agravando a exigência inicial de débitos, cuja exigibilidade encontrase suspensa por decisão judicial proferida nos autos do mandado de segurança n° 2007.38.12.0021685, carrega a marca do desrespeito à ordem judicial; . chegase à conclusão óbvia de que não poderia nem mesmo ter existido algum procedimento fiscal em face da Impugnante e destas compensações, cujos valores estão com sua exigibilidade suspensa por força da referida decisão judicial, e, assim, ao lavrar o auto de infração as autoridades administrativas violam literal dispositivo de lei, desobedecem a uma determinação judicial, além de violação funcional; . endossar tal decisão é atrair para si as mesmas responsabilidades civis, criminais e funcionais eventualmente praticadas pelo auditor fiscal subscritor do ilegal e abusivo auto de infração, devendo este ser cancelado para não se evidenciar cumplicidade e coautoria na prática dos atos ilegais; . o artigo 62 do Decreto n° 70.235/72 é norma cogente de observação obrigatória pela autoridade administrativa; . a medida judicial acima suspendeu a cobrança dos débitos objeto das compensações exigidas nos autos do PTA n° 13609.720020/200605 que ora são revistas, de oficio, no presente auto de infração; Fl. 1423DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 13609.001603/200978 Resolução nº 3202000.303 S3C2T2 Fl. 1.405 6 . tais fatos, por si só, demonstram a total impropriedade da presente autuação, isto sem falar na sua nulidade ah initio; . outra ilegalidade a macular o presente auto de infração vem a ser a multiplicidade de revisões do lançamento, sem que tenha havido qualquer modificação ou ocorrência de fato gerador posterior ao primeiro lançamento, sendo óbice para essas revisões o estatuído no artigo 146 do CTN; . a Impugnante considera a atitude do autuante como desobediência a ordem judicial, violação ao art. 62 do Decreto n° 70.235/72 e inobservância de deveres funcionais contidos na Lei n° 8.112/90, como também contrária aos artigos 136, § 1°, 319 e 330 do Código Penal brasileiro; . neste sentido, jurisprudência do STJ, que assegura ao contribuinte que o Fisco se abstenha de promover qualquer ato que afronte a decisão judicial que suspendeu a exigibilidade dos débitos compensados, sob pena de responsabilidade criminal; . o autuante impôs severa multa sobre o valor das compensações sob o singelo e descabido argumento de que a Impugnante efetuou compensação indevida; . há que se ressaltar logo de início, e conforme se verá adiante, que não houve a utilização de crédito de terceiros nas compensações dos créditos tributários que deram origem à multa ora aplicada, isso porque os créditos eram e são de titularidade da Impugnante, já que foram a ela cedidos mediante o legítimo e regular processo de cisão parcial seguido de incorporação, devidamente formalizada na forma do art. 229 da Lei n° 6.404/76, que incorporou ao seu patrimônio o direito creditório contido nos autos do PTA n° 10660.000339/200266; . diante da ausência de disposição legal específica estabelecendo penalidade tributária nas situações de compensações "não homologadas", a Secretaria da Receita Federal passou a estabelecer imposições de penalidades mediante presunção de fraude com fundamento tão somente no Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 17, de 03/10/2002; . o suprimento da disposição legal somente adveio com a edição da Lei n° 11.051, de 2004, vigente a partir de 02/2005, que deu nova redação ao art. 18 da Lei n° 10.833/03, citada no enquadramento legal; . da mesma forma, a proibição de algumas modalidades de compensação tributária somente fora introduzida pela mesma Lei, ao estabelecer alterações, com a inclusão do parágrafo 12 ao artigo 74, da Lei n° 9.430/6; . portanto, somente com o advento da Lei ri° 11.051/2004 passou a existir uma redação expressa a respeito das vedações à compensação nos casos de crédito de terceiros, refirase ao créditoprêmio, refirase a título público e não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal; . vale dizer, a respeito dos fatos que ocorreram até 31 de dezembro de 2004, não havia qualquer amparo legal para restrições à compensação e, tampouco, para imposições de penalidades; . e somente através da Lei n° 11.196, de 2005, com vigência iniciada em 01/01/2006, é que restou introduzido no ordenamento jurídico a possibilidade da aplicação da multa isolada no percentual de 150% sobre o valor compensado, caso a compensação declarada estivesse tipificada no rol de restrições nela consagradas; Fl. 1424DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 13609.001603/200978 Resolução nº 3202000.303 S3C2T2 Fl. 1.406 7 . no caso, verificase que as compensações referemse ao período de 19/01/2004 a 13/09/2005, ou seja, são anteriores também às disposições implementadas pela Lei n° 11.196/2005; . a realização de compensação antes da vigência dessas normas não caracteriza fraude fiscal; . os atos praticados pela Impugnante quando operou os atos de transferência do crédito na forma da Lei Comercial e Civil e o aproveitamento do mesmo na extinção de seus créditos através da compensação não encontravam impedimento na lei tributária anterior; . na essência, o que a autoridade pretende é a imposição de penalidades calcadas em presunção absoluta; . a lei nova não pode e não deve retroceder, sob pena de macular preceitos constitucionais como o princípio da irretroatividade e da segurança jurídica; . não é aceitável que o contribuinte venha a ser penalizado, de forma exorbitante, pela prática de um fato sobre o qual, à época de sua realização, não havia qualquer norma que estabelecesse de forma clara mínima obrigação ou proibição; • a fraude deverá ser provada e caberá prova em contrário; • mesmo que se admita a possibilidade de enquadramento das compensações relativas aos fatos mencionados no art. 74, § 12, da Lei n° 9.430/96, em hipótese alguma ela poderia atingir fatos praticados antes da vigência da Lei, vale dizer, fatos ocorridos até 31/12/2004; . a imposição de multa isolada no patamar de 150% não poderia jamais atingir os fatos ocorridos até o dia 31/12/2005, porque o veículo jurídico desta modalidade de penalidade, referente às compensações não declaradas, supostamente somente foi estabelecido pela Lei n° 11.196, de 2005; . inferese que as multas foram impostas pela suposta ocorrência de pelo menos um dos seguintes motivos: a) hipótese prevista no § 4° do art. 18 da Lei n° 10.833/03, que se refere às compensações nãodeclaradas; hipótese do capuz' do art. 18 da Lei n° 10.833/03, na redação dada pela Lei n° 11.051/04, que se relaciona à fraude; . todavia, nos termos do despacho decisório (anexo à presente) atinente ao processo n° 13609.720020/200605, verificase que as compensações da Impugnante não foram consideradas nãodeclaradas, mas sim não homologadas; . não obstante a tudo isso, conquanto subsista a cominação das multas ora aplicada com arrimo no § 4° do art. 18 da Lei n° 10.833/03, impende destacar a superveniência da lei n° 11.488/2007, que estabeleceu percentual menor a ser aplicado, o qual passou a ser o de 75%, ex vi do art. 27 da Medida Provisória n° 472, de 2009; . também não há como subsistir a imposição das multas com base na aplicação do capuz' do art. 18 da Lei n° 10.833/03, na redação dada pela Lei n° 11.051/04, pois não configuradas nos autos a práticas das infrações previstas nos ares. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64; . os §§ 12 e 13 da Lei n° 9.430/96 não devem prevalecer no mundo jurídico, sob pena de ofensa aos incisos XXXIV, LIV e LV do artigo 50 e inciso IV do § 4° do artigo 60 da Constituição Federal; . não foi efetivada nenhuma declaração ou notificação considerando ilícito Fl. 1425DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 13609.001603/200978 Resolução nº 3202000.303 S3C2T2 Fl. 1.407 8 o procedimento de cisão seguido de incorporação das empresas ali citadas, que pudesse dar ensejo a esta autuação, o que também a torna nula, por implicar evidente cerceamento de defesa; . a referida operação permanece revestida do ato jurídico perfeito, o que por si só veda completamente a desconsideração por mera subjetividade do autuante; . a cisão e a incorporação são situações legais, o que por si só já demonstra ser o procedimento levado a efeito entre cedente e cessionária absolutamente legal; . não há uma só legislação de natureza civil, comercial ou tributária impeditiva de tal procedimento, razão pela qual não seria a mera subjetividade de uma auditora fiscal que haveria de desconsiderála, e nem mesmo a lei tributária nos termos do artigo 110 do CTN; • a impugnante, ao contrário do que aduz a autoridade recorrida, é legítima titular do crédito legalmente compensado, razão pela qual não há que se falar em compensação indevida, muito menos em manobra para encobrir uma real cessão de créditos; . a operação de reorganização societária, cisão seguid& de incorporação, forma legal de reorganização societária, tratada expressamente pela legislação comercial brasileira: artigos 227 e 229 da Lei n° 6.404/76, e a legítima transferência do direito creditório decorre do direito à propriedade, além dos princípios da livre iniciativa e legalidade, são todos amparados em sede constitucional; . o direito de propriedade é absoluto e abrange qualquer direito de conteúdo patrimonial, econômico e tudo que possa ser convertido em dinheiro, alcançando créditos e direitos pessoais, que podem ser legitimamente alienados ou cedidos ao patrimônio de outra pessoa física ou jurídica; . com a reorganização societária, o direito ao crédito, antes pertencente à empresa Comercial Beneficiadora de Café Ltda., foi legitimamente inserido no patrimônio da impugnante e, como consequência, passou a assumir a condição de créditos próprios; . o programa eletrônico PER/DCOMP contempla a possibilidade de compensação com créditos da empresa sucedida, cujas situações ali estão previstas nos itens "cisão", "fusão", "incorporação" e "outra"; . os atos praticados pelas empresas (cindida e seus sócios) foram feitos "às claras" e sob o amparo de lei e não têm ou tiveram intenção de lesar o fisco; . para a aplicação da multa ora aplicada é absolutamente necessário restar demonstrada a materialidade dessa conduta, ou que reste configurado o dolo específico do agente, evidenciando não somente a intenção, mas também o seu objetivo, isso porque a fraude não pode ser presumida, mas sim comprovada através de elementos contundentes, e a prova neste aspecto deve ser material, evidente, como diz a lei; . o evidente intuito de fraude se configura nas situações em que fica demonstrado o emprego de meios ardilosos, que floresce nos casos típicos de adulteração de comprovantes, adulteração de notas fiscais, conta bancária em nome fictício, falsidade ideológica, notas calçadas, notas frias, notas paralelas, contabilização de despesas e escrituração de créditos de impostos inexistentes, etc.; Fl. 1426DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 13609.001603/200978 Resolução nº 3202000.303 S3C2T2 Fl. 1.408 9 • a fraude se caracteriza por uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe, sempre, a intenção de causar dano à fazenda pública; • a leitura do parágrafo 6° do artigo 17 da Lei 10.833/03 autoriza a dizer que se demonstra inviável a caracterização da conduta típica prevista nos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64 para o caso de não homologação de compensação, eis que o contribuinte confessa a dívida quando realiza a declaração de compensação, e se há confissão da dívida não se pode cogitar na presença do intuito de evitar ou protelar o pagamento; • nos protocolos de cisão, em nenhum momento deixouse de afirmar, ou tentouse esconder, que a motivação negocial consistente na cisão seguida da incorporação foi a transferência do direito creditório oriundo de recolhimento indevido; • a redação do § 12 do artigo 74, da Lei n° 9.430/96, introduzida pela Lei n° 11.051/04, não pode não deve ser aplicado na hipótese vertente, pois ali se considera como "não declarada" a compensação nas hipóteses em que o crédito utilizado pelo contribuinte seja "de terceiros", o que não é caso destes autos; . o instituto da cessão de direitos creditórios não depende de autorização judicial, já que nem mesmo o devedor do crédito cedido a ela pode se opor, tratandose de autonomia de vontade do credor, de livremente dispor de seus bens; . a legislação tributária não proíbe o uso da cessão de créditos e também não o contempla expressamente, porém, havendo sua previsão em outro ramo do direito, é plenamente viável a sua aplicação subsidiária à espécie; . neste sentido a doutrina e a jurisprudência do STJ; . o art. 74 da Lei n° 9.430/96 não carrega12ipue veda a cessão sobre determinado crédito cuidando tão somente do instituto da compensação de débitos relativos a tributos e contribuições; . segundo a doutrina, o art. 109 do CTN muniu o legislador de meios para enfrentar o abuso de formas de Direito Privado não significando, conclusivamente, permissãopara a interpretação econômica dos fatos geradores pelos intérpretes; . nem se alegue que, assim agindo, estaria o contribuinte pretendendomodificar a definição legal do sujeito passivo da obrigação tributária, em afronta ao art. 123 doCTN; . o sujeito passivo continuará sendo o cessionário; . devidamente autorizada pela previsão legal dos artigos 42, § 3° c/c art.567, II, do CPC, e atendendo às exigências do art. 288 e 290 do CC, a cessionária pode adquirirparte, ou a totalidade, dos direitos creditórios reconhecidos judicialmente passando a ser partena relação processual, tornandose legítima titular desse direito, podendo promover a execuçãodo julgado (administrativa ou judicialmente) em nome próprio, com todas as prerrogativas docredor originário; . devese reconhecer a distinção da relação processual em face da relação material; . as normas existentes no âmbito tributário tratam apenas de regular opagamento de tributos, relações típicas de Direito Tributário, porém, não se aplicam à repetiçãodo indébito, muito menos à alienação de crédito oriundo do mesmo, matérias totalmenteavessas à tipologia fiscal; Fl. 1427DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 13609.001603/200978 Resolução nº 3202000.303 S3C2T2 Fl. 1.409 10 o STJ, em casos similares, decidiu que os créditos do contribuinte, por não estar sob a égide do direito tributário, pode ser cedido a terceiros, se inexistir óbices na lei que instituir a exação; . a especialidade do instituto da cessão de crédito como forma de transmissão de obrigações , está tanto na sua origem, que pode decorrer de lei, decisão judicial ou administrativa, ou convenção entre as partes, quanto pela transferência da posição de sujeito ativo na relação obrigacional; . não pode a administração pública interpretar de forma diversa normas de direito privado, chamando de "crédito de terceiro" o que, na realidade, é de legítima titularidade do cessionário, ou seja, crédito próprio; . como consequência, não restou configurado intuito de fraude ou conluio entre as empresas. Ao final, pleiteia o cancelamento do Auto de Infração, a extinção e o arquivamento deste processo e dos decorrentes representação fiscal para fins penais e arrolamento de bens. O Acordão da DRJ foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/01/2004 a 31/12/2005 Ementa: Quando a pretensão judicial tem objeto distinto do processo administrativo não ocorre renúncia à instância administrativa. São nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. A cobrança em auto de infração da multa isolada decorre da aplicação da lei tributária, que, em decorrência dos princípios da legalidade e da indisponibilidade, é de aplicação compulsória pelos agentes públicos. A multa isolada exigida em razão do artigo 18 da Lei n° 10.833, de 2003, não se caracteriza como acréscimo ao principal não recolhido, tendo por base de cálculo o valor indevidamente compensado. Com a Instrução Normativa n° 534, de 2005, foi expurgada a presunção de fraude presente no ADI SRF n° 17, de 2002, e na IN SRF n° 226, de 2002, que determinavam a aplicação de multa de 150%, prevista no artigo 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996, na hipótese de utilização de crédito não passível de compensação por expressa disposição de lei. Cabe a duplicação do percentual de 75% desde que evidenciadas as condutas previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte. Inconformada com tal decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário, onde repisa os argumentos anteriormente apresentados. Fl. 1428DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 13609.001603/200978 Resolução nº 3202000.303 S3C2T2 Fl. 1.410 11 É o Relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Para o deslinde questão da multa isolada é importante saber quais foram as decisões finais dos processos administrativos citados na decisão recorrida: 10070.000778/200561 (habilitação de crédito), 13609.720020/200605 (compensação) e 10660.000339/200266 (restituição movida por COMERCIAL BENEFICIADORA DE CAFE LTDA, ainda em andamento segundo pesquisa no COMPROT). Diante disso, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a Unidade de origem aguarde a decisão definitiva na esfera administrativa, assim entendida aquela contra a qual não caiba mais nenhum tipo de recurso, do PAF 10660.000339/200266 10070.000778/200561, de modo que, somente após a juntada da referida decisão e das decisões definitivas dos PAFs 10070.000778/200561 e 13609.720020/200605 nestes autos, ele retorne a julgamento neste Colegiado. Após a realização da(s) diligência(s), remetamse os autos a este Conselho para que seja proferido acórdão tratando dos temas objeto de recurso voluntário. É como voto. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 1429DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI
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