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Numero do processo: 10380.721384/2013-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
Ementa:
DESPESAS NÃO COMPROVADAS.
Somente as despesas comprovadas com documentação hábil e idônea são dedutíveis na apuração do resultado tributável.
BENS DO ATIVO PERMANENTE. REAVALIAÇÃO. ALIENAÇÃO.
A contrapartida do aumento de valor de bem do ativo permanente, em virtude de nova avaliação nos termos da legislação empresarial, será computada no lucro real no período de apuração em que for alienado.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF
Ano calendário:2008
ALCANCE ARTIGO 61 DA LEI 8.981/95 PAGAMENTOS SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS QUALQUER PESSOA JURÍDICA. FALTA DE COMPROVAÇÃO INCIDÊNCIA.
Toda pessoa jurídica que efetuar pagamentos sem causa e/ou a beneficiários não identificados assume o ônus do imposto de renda na fonte respectivo, calculado sobre a base de cálculo reajustada..
LANÇAMENTO REFLEXO - CSLL
O decidido para o lançamento de IRPJ estende-se aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual, salvo se houver razão de ordem jurídica que lhes recomende tratamento diverso. Assim, aplica-se à tributação reflexa - CSLL, a mesma solução dada ao IRPJ em face da estreita relação de causa e efeito.
Numero da decisão: 1302-002.339
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
( assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca e Julio Lima Souza Martins. Ausentes justificadamente, os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado e Carlos Cesar Candal Moreira Filho.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 Ementa: DESPESAS NÃO COMPROVADAS. Somente as despesas comprovadas com documentação hábil e idônea são dedutíveis na apuração do resultado tributável. BENS DO ATIVO PERMANENTE. REAVALIAÇÃO. ALIENAÇÃO. A contrapartida do aumento de valor de bem do ativo permanente, em virtude de nova avaliação nos termos da legislação empresarial, será computada no lucro real no período de apuração em que for alienado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano calendário:2008 ALCANCE ARTIGO 61 DA LEI 8.981/95 PAGAMENTOS SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS QUALQUER PESSOA JURÍDICA. FALTA DE COMPROVAÇÃO INCIDÊNCIA. Toda pessoa jurídica que efetuar pagamentos sem causa e/ou a beneficiários não identificados assume o ônus do imposto de renda na fonte respectivo, calculado sobre a base de cálculo reajustada.. LANÇAMENTO REFLEXO - CSLL O decidido para o lançamento de IRPJ estende-se aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual, salvo se houver razão de ordem jurídica que lhes recomende tratamento diverso. Assim, aplica-se à tributação reflexa - CSLL, a mesma solução dada ao IRPJ em face da estreita relação de causa e efeito.
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Somente as despesas comprovadas com documentação hábil e idônea são dedutíveis na apuração do resultado tributável. BENS DO ATIVO PERMANENTE. REAVALIAÇÃO. ALIENAÇÃO. A contrapartida do aumento de valor de bem do ativo permanente, em virtude de nova avaliação nos termos da legislação empresarial, será computada no lucro real no período de apuração em que for alienado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano calendário:2008 ALCANCE ARTIGO 61 DA LEI 8.981/95 PAGAMENTOS SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS QUALQUER PESSOA JURÍDICA. FALTA DE COMPROVAÇÃO INCIDÊNCIA. Toda pessoa jurídica que efetuar pagamentos sem causa e/ou a beneficiários não identificados assume o ônus do imposto de renda na fonte respectivo, calculado sobre a base de cálculo reajustada.. LANÇAMENTO REFLEXO CSLL O decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual, salvo se houver razão de ordem jurídica que lhes recomende tratamento diverso. Assim, aplicase à tributação reflexa CSLL, a mesma solução dada ao IRPJ em face da estreita relação de causa e efeito. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 13 84 /2 01 3- 57 Fl. 1256DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. ( assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca e Julio Lima Souza Martins. Ausentes justificadamente, os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado e Carlos Cesar Candal Moreira Filho. Relatório Trata o presente processo dos Autos de Infração do IRPJ (R$ 133.746.247,00), da CSLL (R$ 48.167.106,56) e do IRRF (R$ 56.930.805,69), efls.02/33, lavrados em 14/02/2013, relativos ao anocalendário de 2008, cada um deles acrescido dos juros de mora calculados até fevereiro/2013 e da multa de ofício de 75%. Por economia processual e bem descrever os fatos, adoto parte do relatório da decisão recorrida (efls.1140/1148) que a seguir transcrevo: O procedimento fiscal apontou as seguintes irregularidades para configurar as exigências apuradas. • despesas não comprovadas deduzidas indevidamente do resultado do exercício, a título de serviços prestados, locações e fornecimentos de materiais, conforme circunstanciado no subitem 1.1 do Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 34/41; • despesas de combustíveis deduzidas indevidamente (subitem 1.2 do TVF); • despesas levadas ao Resultado do Exercício, a débito da conta nº 4.2.1.09.33 –OUTRAS DESPESAS ADMINISTRATIVAS, cuja dedutibilidade a empresa não justificou (subitem 2.1 do TVF); • despesas financeiras levadas ao Resultado do Exercício, a débito da conta nº 4.2.2.01.05 – JUROS E MULTAS DE MORA, cuja dedutibilidade a empresa não justificou (subitem 2.2 do TVF); • realização de Reserva de Reavaliação de bens do Ativo Permanente – Investimento (Títulos Públicos) pertencentes à empresa, os quais foram alienados em 26/09/2008, sem que Fl. 1257DF CARF MF Processo nº 10380.721384/201357 Acórdão n.º 1302002.339 S1C3T2 Fl. 3 3 tenha havido a devida adição da reserva ao lucro líquido para a apuração do lucro real (item 3 do TVF); • pagamentos realizados pela empresa sem a devida comprovação das operações que lhe deram causa (apontados no item 1 do TVF), ensejando a tributação do imposto de renda na fonte à alíquota de 35%, conforme dispõe o art. 61, § 1º da Lei nº 8.981, de 1995 (item 4 o TVF). Cientificado em 15/02/2013, o Sujeito Passivo apresentou impugnação em 18/03/2013 (fls. 808/821), onde alega, em síntese, o seguinte: • Sobre a glosa de despesas de serviços prestados, locação, fornecimento de materiais e combustíveis afirma que sofreu arresto de documentos contábeis em operação policial e, apesar de já pleiteada a devolução dos referidos documentos, estes não foram devolvidos; aduz que a sua escrituração contábil se presta para demonstrar a veracidade das operações questionadas; • No que diz respeito à glosa de despesas financeiras relativas a juros e multas de mora (conta nº 4.2.2.01.05), alega que referem se ao ‘estorno de atualização INSS’, afirma que vem apresentar planilha detalhando os cálculos da referida atualização justificando a diferença em questão; • Quanto à glosa de despesas administrativas (conta nº 4.2.1.09.33) aduz que os lançamentos referemse a ajustes realizados na contabilidade e correspondem a cancelamento de notas fiscais; alega que notas fiscais emitidas no ano de 2000 teriam sido glosadas pela Prefeitura Municipal de Fortaleza, dessa forma, a receita lançada em 2000 não seria recebida, e não mais seriam pagos os impostos. Alega gozar do benefício do diferimento previsto nos art. 407 a 409 do RIR/99. • Já quanto à realização da reserva de reavaliação alega que de fato ocorreu o aumento de capital mediante incorporação de reservas de reavaliação; alega também que somente a efetiva realização do bem reavaliado, mediante alienação ou baixa por perecimento, poderia conferir a realização passível de tributação; aduz que o termo contábil por ele utilizado nas contas de reavaliação está inadequado, afirma também que a maioria dos títulos públicos não estavam anteriormente registrados em seus assentamentos contábeis; • Ainda sobre a tributação da reserva de reavaliação afirma que apenas houve a atualização dos títulos, mediante a aplicação de índices oficiais, na forma dos laudos de avaliação emitidos por peritos especializados; afirma que não se pode falar em tributação de acréscimo patrimonial de algo que sequer estava anteriormente monetizado; Fl. 1258DF CARF MF 4 • Concluindo o arrazoado sobre a operação realizada com os títulos públicos, apresenta texto argumentativo sobre a utilização de títulos públicos para fins de compensação com tributos federais; • Por fim, sobre as operações que deram causa à tributação do imposto de renda na fonte sobre pagamentos de despesas não comprovadas, apenas afirma que os pagamentos foram efetivamente realizados, sendo as despesas necessárias à atividade da empresa. Ao concluir a impugnação o interessado requer a improcedência da autuação fiscal. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Fortaleza/CE) negou provimento à impugnação em decisão proferida no venerando, Acórdão nº 0825.975, de 17 de julho de 2013, assim ementado (fl. 1140): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário:2008 DESPESAS NÃO COMPROVADAS. Somente as despesas comprovadas com documentação hábil e idônea são dedutíveis na apuração do resultado tributável. BENS DO ATIVO PERMANENTE. REAVALIAÇÃO. ALIENAÇÃO. A contrapartida do aumento de valor de bem do ativo permanente, em virtude de nova avaliação nos termos da legislação empresarial, será computada no lucro real no período de apuração em que for alienado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano calendário:2008 PAGAMENTO SEM CAUSA. Sujeitase à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas quando não comprovada a operação que lhe deu causa. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano calendário:2008 LANÇAMENTO DECORRENTE CSLL O decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo Fl. 1259DF CARF MF Processo nº 10380.721384/201357 Acórdão n.º 1302002.339 S1C3T2 Fl. 4 5 fundamento factual, salvo se houver razão de ordem jurídica que lhes recomende tratamento diverso. A empresa tomou ciência da referida decisão, conforme o Aviso de Recebimento (AR), efl.1163/1164, em 08/08/2013 e, interpôs Recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em 09/09/2013, efls.1221/1225. Em sua peça recursal, a Recorrente reproduz, no essencial, as mesmas razões aduzidas em sua impugnação, acima relatadas, portanto, desnecessário repetilas. Finalmente requer seja conhecido e provido o Recurso apresentado e julgados improcedentes os Autos de Infração. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. Conforme relatado os Autos de Infração (efls.03/23) decorrem de infrações relacionadas às seguintes matérias: Despesas de prestação de serviço, locações, fornecimento de materiais não comprovadas; Despesas de combustíveis deduzidas indevidamente; Outras despesas administrativas não justificadas; Despesas financeiras não justificadas; Reavaliação de títulos utilizados para fins de aumento de capital, e, Pagamentos realizados pela empresa sem a devida comprovação das operações que lhe deram causa. Assim, serão analisadas na mesma ordem em que apresentadas. 1. PAGAMENTOS DE DESPESAS NÃO COMPROVADAS 1.1 Prestação de Serviços, Locações e Fornecimento de Materiais Do Termo de Verificação Fiscal consta o seguinte: A partir dos assentamentos contábeis da fiscalizada, verificouse uma intensa movimentação da conta Caixa decorrente de expressivos saques bancários feitos em espécie. Esse fato ensejou de parte desta auditoria fiscal, um exame mais acurado sobre a regularidade das contrapartidas dadas à destinação desses recursos, mormente envolvendo contas de "Resultado". Com este foco, examinandose o rol de lançamentos escriturados no Livro Razão, a débito de contas de Despesas e a crédito, após trânsito em conta de fornecedores, na conta Fl. 1260DF CARF MF 6 Caixa, selecionamos, a partir dos dados registrados nos respectivos históricos desses lançamentos, as diversas empresas listadas no Termo de Intimação n° 01, as quais figuram como beneficiárias dos mencionados pagamentos, em contraprestação por serviços prestados, locações de veículos e equipamentos e fornecimento de material, conforme indicado pelas respectivas rubricas contábeis em que foram escriturados. O referido Termo de Intimação foi aplicado exigindose da fiscalizada a devida comprovação da efetividade das mencionadas despesas, tendo em conta a expressividade dos valores envolvidos que, a princípio, transpareciam incompatíveis com os portes operacionais das empresas beneficiárias, consoante informações colhidas dos sistemas internos da Receita Federal. Da lista de despesas arroladas no Termo de Intimação acima referido, a fiscalizada apresentou comprovação satisfatória apenas em relação a duas das empresas perquiridas,restando sem nenhuma comprovação os dispêndios ditos como efetuados em favor das demais empresas, a seguir relacionadas, conforme consta dos assentamentos contábeis da fiscalizada, cujos extratos das correspondentes folhas do Livro Razão integram o presente Termo de Verificação. Em Reais ... TOTAL 43.884.880,03 Com efeito, através de Termo próprio, que foi cientificado ao representante legal da fiscalizada na data de 23/04/2012, foi a mesma devidamente intimada a comprovar a efetividade das despesas ditas como pagas à diversas empresas citadas nos históricos dos respectivos lançamentos objeto da presente glosa, dentre as quais, as relacionadas no quadro acima. No referido Termo, exigiase a apresentação, no prazo de 20 dias, da documentação comprobatoria das despesas debitadas nas contas, datas e valores ali relacionadas, cujos lançamentos contábeis foram colhidos do Livro Razão, devendo a empresa apresentar notas fiscais, contratos, recibos, boletos bancários, cópias de cheques ou equivalentes, de forma a comprovar a efetividade dos pagamentos aos respectivos fornecedores, bem como a efetiva prestação dos correspondentes serviços ou a entrega dos materiais por parte dos mesmos. Esgotado o prazo estabelecido, sobreveio sucessivos pedidos de prorrogação por parte da fiscalizada, através de correspondências datadas de 09/05/2012, 31/05/2012, 21/06/2012 nas quais seu representante alega, em resumo, a necessidade de prazo adicional para atendimento da intimação em razão do grande volume de documentos a serem levantados e da escassez de mão de obra. Os pedidos de prorrogação prosseguiram ainda, através de novas correspondências datadas de 14/08/2012 e 16/10/2012, nas quais a empresa acrescenta aos argumentos já expostos anteriormente, o fato da mesma ter sofrido operação policial de busca e apreensão e ter sido alvo de ação cautelar fiscal, alegando que por essas razões, necessitava de mais prazo para apresentar a documentação solicitada. E assim, o prazo concedido na intimação inicial, vencido em 14/05/2012. estendeuse por conta das prorrogações acima citadas, até 16/11/2012. Entretanto, em que pese terse dado todas as oportunidades para atendimento, eis que todas as prorrogações foram concedidas, ao final, o representante legal da fiscalizada limitouse à apresentar a documentação comprobatória relacionada apenas às despesas realizadas junto às empresas Metalmecânica Maia Ltda e Auto Peças Brandão Ltda, sendo que em relação às demais (relacionadas no quadro acima) absolutamente nada nos foi apresentado. Ou seja: em relação a esses supostos fornecedores, não houve, por parte da fiscalizada, a apresentação de Fl. 1261DF CARF MF Processo nº 10380.721384/201357 Acórdão n.º 1302002.339 S1C3T2 Fl. 5 7 nenhum documento que pudesse lastrear os correspondentes lançamentos contábeis a débito de despesa, nem muito menos, capaz de comprovar a efetividade desses gastos ou os correspondentes pagamentos ditos como feitos às empresas indicadas, na forma como consignado nos históricos dos respectivos lançamentos constantes do Livro Razão. A justificativa final, dada pela fiscalizada seis meses depois da nossa intimação e após os sucessivos pedidos de prorrogações, para a não comprovação das despesas em questão, consta de correspondência subscrita pelo representante da empresa, com data de 23/11/2012, onde é alegado, em síntese, incapacidade de levantar e recuperar toda a documentação requisitada, em razão da redução drástica de seu quadro de pessoal, por se encontrar em fase de recuperação judicial, ter sofrido ação cautelar com bloqueio dos seus bens e ainda ter sofrido uma ação de busca por parte da polícia federal. A resposta da empresa é evasiva. Primeiro porque o fato de encontrar se sob recuperação judicial ou ter seus bens bloqueados não são impeditivos para as comprovações requeridas, e, segundo, porque o fato de ter sofrido uma operação policial de busca, não implica que, necessariamente, todos os documentos relacionados às despesas aqui referenciadas, tenham sido subtraídos de seus arquivos. Aliás, é bom que se frise, não há em nenhuma das seis correspondências dirigidas pela empresa a esta fiscalização, qualquer afirmação de que a documentação necessária ao atendimento de nossa intimação tivesse sido objeto de apreensão por parte da Polícia Federal, tanto é que prometeu por diversas vezes a sua apresentação, conforme se infere dos seus reiterados pedidos de prorrogação de prazos acima mencionados. Importa ainda notar que a falta de comprovação das despesas em comento, dáse, por parte da fiscalizada, em caráter absoluto. Ou seja: embora constem na sua contabilidade, ao longo do ano de 2008, dezenas de registros de pagamentos ditos como feitos a todos esses supostos credores, simplesmente nenhum documento é apresentado ao Fisco, sendo inadmissível, desta forma, as justificativas apresentadas pela fiscalizada. No decorrer da ação fiscal, a empresa foi ainda intimada, através do item 5 do Termo de Intimação Fiscal n° 04, a comprovar a efetividade das despesas ditas como pagas as empresas a seguir relacionadas, citadas nos históricos dos respectivos lançamentos objeto da presente glosa, conforme constam dos assentamentos contábeis da fiscalizada, cujos extratos das correspondentes folhas do Livro Razão integram o presente Termo de Verificação. No referido Termo, exigiase a apresentação, no prazo de 20 dias, da documentação comprobatória das despesas debitadas nas contas, datas e valores ali relacionadas, cujos lançamentos contábeis foram colhidos do Livro Razão, devendo a empresa apresentar notas fiscais, contratos, recibos, boletos bancários, cópias de cheques ou equivalentes, de forma a comprovar a efetividade dos pagamentos aos respectivos fornecedores, bem como a efetiva prestação dos correspondentes serviços. Em Reais ... TOTAL 4.008.700,00 Fl. 1262DF CARF MF 8 Em sua resposta datada de 23/11/2012, a empresa informa que não localizou em seus arquivos as comprovações das despesas solicitadas. Assim sendo, dada a falta de comprovação da efetividade das despesas sob exame, procedese à glosa dos correspondentes valores, por indedutíveis na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, a teor do disposto no art. 299 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n° 3.000/99). Total Glosado neste subitem (43.884.880,03 + 4.008.700,00) R$ 47.893.580,03 Conforme transcrição acima do Termo de Verificação Fiscal, ação fiscal foi concluída com a lavratura dos autos de infração cientificados à empresa em 15/02/2013, portanto, desde abril/2012, o autuante insiste com a empresa (mediante intimação), a apresentar notas fiscais, contratos, recibos, boletos bancários, cópias de cheques ou equivalentes, de forma a comprovar a efetividade dos pagamentos aos respectivos fornecedores, bem como a efetiva prestação dos correspondentes serviços ou a entrega dos materiais por parte dos mesmos, de modo a comprovar a efetividade das despesas ditas como pagas à diversas empresas citadas nos históricos dos respectivos lançamentos objeto da glosa, exigindo a apresentação da documentação comprobatória das despesas debitadas nas contas discriminadas nos termos de intimação, datas e valores ali relacionadas, cujos lançamentos contábeis foram colhidos do Livro Razão. A Recorrente argúi que a fiscalização, desconsiderando as razões demonstradas pela Recorrente no curso da fiscalização, glosou o pagamento de diversas despesas a título de serviços prestados, locação, fornecimento de materiais, no montante de R$ 47.893.580,03, e de gastos com combustíveis (R$ 4.725.905,67), aplicando, ainda, os reflexos de referida glosa. Contudo, a Recorrente requer a revisão de tal posicionamento, haja vista que sofreu arresto de documentos contábeis em Operação Policial e, apesar de já pleiteada a devolução de referidos documentos, até o presente momento não foram devolvidos. Não bastasse a arrecadação de seus documentos, o que sobrou ficou completamente desordenado e incompleto, razão pela qual não foi possível apresentar mais do que já foi devidamente entregue durante o procedimento. Como bem lembrado na decisão recorrida (fl.1143), o autuante informa que houve comprovação, por parte do contribuinte, para a maioria das despesas que foram objeto de auditoria, restando incomprovadas apenas aquelas sobre as quais recaíram as glosas. Na peça de defesa inicial (impugnação), bem como no recurso voluntário a autuada persiste na alegação de que “sofreu arresto de documentos contábeis em Operação Policial e, apesar de já pleiteada a devolução de referidos documentos, até o presente momento não foram devolvidos”. Tal alegação já fora adotada pela autuada no decorrer da ação fiscal para finalmente justificar a falta de comprovação das despesas escrituradas, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal: ... Entretanto, em que pese terse dado todas as oportunidades para atendimento, eis que todas as prorrogações foram concedidas, ao final, o representante legal da fiscalizada limitouse à apresentar a documentação comprobatória relacionada apenas às despesas Fl. 1263DF CARF MF Processo nº 10380.721384/201357 Acórdão n.º 1302002.339 S1C3T2 Fl. 6 9 realizadas junto às empresas Metalmecânica Maia Ltda e Auto Peças Brandão Ltda, sendo que em relação às demais (relacionadas no quadro acima) absolutamente nada nos foi apresentado. Ou seja: em relação a esses supostos fornecedores, não houve, por parte da fiscalizada, a apresentação de nenhum documento que pudesse lastrear os correspondentes lançamentos contábeis a débito de despesa, nem muito menos, capaz de comprovar a efetividade desses gastos ou os correspondentes pagamentos ditos como feitos às empresas indicadas, na forma como consignado nos históricos dos respectivos lançamentos constantes do Livro Razão. A justificativa final, dada pela fiscalizada seis meses depois da nossa intimação e após os sucessivos pedidos de prorrogações, para a não comprovação das despesas em questão, consta de correspondência subscrita pelo representante da empresa, com data de 23/11/2012, onde é alegado, em síntese, incapacidade de levantar e recuperar toda a documentação requisitada, em razão da redução drástica de seu quadro de pessoal, por se encontrar em fase de recuperação judicial, ter sofrido ação cautelar com bloqueio dos seus bens e ainda ter sofrido uma ação de busca por parte da polícia federal. Aliás, é bom que se frise, não há em nenhuma das seis correspondências dirigidas pela empresa a esta fiscalização, qualquer afirmação de que a documentação necessária ao atendimento de nossa intimação tivesse sido objeto de apreensão por parte da Polícia Federal, tanto é que prometeu por diversas vezes a sua apresentação, conforme se infere dos seus reiterados pedidos de prorrogação de prazos acima mencionados. Importa ainda notar que a falta de comprovação das despesas em comento, dáse, por parte da fiscalizada, em caráter absoluto. Ou seja: embora constem na sua contabilidade, ao longo do ano de 2008, dezenas de registros de pagamentos ditos como feitos a todos esses supostos credores, simplesmente nenhum documento é apresentado ao Fisco, sendo inadmissível, desta forma, as justificativas apresentadas pela fiscalizada. ... Em sua resposta datada de 23/11/2012, a empresa informa que não localizou em seus arquivos as comprovações das despesas solicitadas. A alegação da defesa, de arresto de documentos, não serve para contraditar os argumentos e meios utilizados pela fiscalização para embasar os lançamentos, a uma porque, ainda que existente o tal arresto, o interessado conseguiu elementos para comprovar (no mesmo período de apuração) parte das despesas perquiridas pela fiscalização; a duas, porque, não ha comprovação de que os documentos solicitados pela fiscalização tenham sido objeto de apreensão por parte da Polícia Federal. É cediço que, a escrituração contábil da empresa somente faz prova a seu favor nos casos em que, além de observadas as disposições legais, os fatos nela registrados estejam comprovados por documentos hábeis e idôneos, conforme prescreve o art. 923 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999) Decreto nº 3.000, de 1999: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais, faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo Fl. 1264DF CARF MF 10 sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art.9º, § 2º) Como visto acima, a empresa, ao longo da fiscalização empreendida, teve atendido diversos pedidos de prorrogação e, mesmo assim, não conseguiu justificar as despesas contabilizadas que lhe cabia comprovar que os fatos ocorreram na forma como diz. Não basta ao contribuinte justificar suas operações apenas de forma escritural, deve, pois, manter os documentos que instrumentam seus registros contábeis. À mingua da comprovação das operações com documentos hábeis, apenas a escrituração não se presta como suficiente para a dedutibilidade pretendida pelo interessado. Dessa forma, devem ser mantidas as glosas realizadas sobre despesas de prestação de serviços, locações e fornecimento de materiais. 1.2 Combustíveis No Recurso Voluntário, as glosas de combustíveis foram conjuntamente refutadas no mesmo tópico e pelos mesmos motivos dispostos pela autuada em relação a glosa relativa às despesas de prestação de serviços, locações e fornecimento de materiais. Do Termo de Verificação Fiscal consta o seguinte: A empresa foi igualmente intimada a comprovar a procedência das despesas contabilizadas a título de aquisição de combustíveis, feitos junto às empresas listadas no Termo de Intimação n° 02, sendo que, desta feita, houve por parte da fiscalizada, comprovação razoável para a maioria delas, exceto em relação às empresas apontadas a seguir: Em Reais Dallas Derivados de Petróleo Ltda4.1.1.02.01 Combustíveis e Lubrificantes1.695.775,41 Florida Distribuidora de Petróleo Ltda4.1.1.02.01 Combustíveis e Lubrificantes1.034.400,00 Iguatemi Derivados de Petróleo Ltda4.1.1.02.01 Combustíveis e Lubrificantes1.095.730,26 RM Petróleo Ltda4.1.1.02.01 Combustíveis e Lubrificantes 900.000,00 TOTAL 4.725.905,67 Em relação a essas empresas, não houve por parte da fiscalizada quaisquer comprovações para as supostas aquisições de combustíveis noticiadas nos seus assentamentos contábeis, em que pese os sucessivos pedidos de prorrogação que foram por ela formulados através das mesmas correspondências citadas no subitem precedente, cujas justificativas não merecem o acatamento desta fiscalização, porque o fato da empresa encontrarse sob recuperação judicial ou ter seus bens bloqueados não são impeditivos para as comprovações requeridas, como também o fato de ter sofrido uma operação policial de busca, não implica que, necessariamente, todos os documentos relacionados às despesas aqui referenciadas, tenham sido subtraídos de seus arquivos. Aliás, é bom que se frise, não há em nenhuma das seis correspondências dirigidas pela empresa a esta fiscalização, qualquer afirmação de que a documentação necessária ao atendimento de nossa intimação tivesse sido objeto de apreensão por parte da Polícia Fl. 1265DF CARF MF Processo nº 10380.721384/201357 Acórdão n.º 1302002.339 S1C3T2 Fl. 7 11 Federal, tanto é que prometeu por diversas vezes a sua apresentação, conforme se infere dos seus reiterados pedidos de prorrogação de prazos acima mencionados. Importa notar que a falta de comprovação das despesas em comento, dáse por parte da fiscalizada, em caráter absoluto. Ou seja: embora constem na sua contabilidade, ao longo do ano de 2008, dezenas de registros de pagamentos ditos como feitos a todos esses supostos credores, simplesmente nenhum documento é apresentado ao Fisco, sendo inadmissível, desta forma, as justificativas apresentadas pela fiscalizada. Diante do exposto, dada a falta de comprovação da efetividade das despesas sob exame, procedese à glosa dos correspondentes valores, por indedutíveis na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, a teor do disposto no art. 299 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n° 3.000/99). Total Glosado neste subitem RS 4.725.905,67 Como se vê, tanto em relação ao subitem 1.1 Prestação de Serviços, Locações e Fornecimento de Materiais, quanto em relação ao subitem 1.2 Combustíveis, a autuação decorre de glosas de despesas escrituradas que não foram comprovadas pela empresa. Assim, adoto como razão de decidir em relação à glosa de "Combustíveis" os mesmos fundamentos legais acima que sustento para a manutenção da glosa de " Prestação de Serviços, Locações e Fornecimento de Materiais", no sentido de que, somente as despesas comprovadas com documentação hábil e idônea são dedutíveis na apuração do resultado tributável. Dessa forma, apenas a escrituração não se presta como suficiente para a dedutibilidade pretendida pelo interessado. À mingua da comprovação das operações com documentos hábeis, devem ser mantidas as glosas realizadas sobre despesas de prestação de serviços, locações e fornecimento de materiais e combustíveis. 2. OUTRAS DESPESAS INDEDUTÍVEIS 2.1 Outras Despesas Administrativas Do Termo de Verificação Fiscal consta o seguinte: Através do item 1 do Termo de Intimação Fiscal n° 04 , a empresa foi intimada a comprovar a procedência de algumas das despesas contabilizadas na conta n° 4.2.1.09.33 Outras Despesas Administrativas, entretanto, não houve por parte da fiscalizada os devidos esclarecimentos e nem a apresentação da documentação comprobatória, acerca dos lançamentos contábeis apontados a seguir: Data HistóricoValor (R$) 31/01/2008 BxNF 405321/08/00291010 205.461,14 19/03/2008 NF 000348 cancelada 590900 4.000.000,00 18/11/2008 Cancelada NF 000274 de 04/06/07 590992 371.224,45 Subtotal 4.576.685,59 Fl. 1266DF CARF MF 12 A empresa em sua resposta datada de 23/11/2012, informa que tais lançamentos tratamse de ajustes realizados na contabilidade e que correspondem a cancelamento de notas fiscais, conforme documentação constituída por cópia das notas fiscais e de folhas do Razão das contas envolvidas na operação, que fez juntar à sua correspondência. Consoante resposta e documentos apresentados pela fiscalizada, verificase que os lançamentos em questão reduziram o lucro liquido a pretexto de que houvera cancelamento de notas fiscais de serviços emitidas pela fiscalizada em 21/08/2000, 29/12/2006 e 04/06/2007, nos valores de R$ 205.461,14; R$ 4.000.000,00 e R$ 371.224,45, respectivamente. Entretanto, a documentação apresentada pela empresa não é suficiente para justificar tais deduções, uma vez que a prova do cancelamento de nota fiscal se dá pela apresentação de todas as vias originais desses documentos e não de simples fotocópia de uma das vias, como fez a empresa. Ademais, importa registrar que o cancelamento de receitas pretendido pela empresa, se reporta a faturamentos de períodos bem anteriores a 2008 (as notas são datadas de 08/2000, 12/2006 e 06/2007) e com a agravante de se referirem a prestação de serviços, que não se pode devolver ou cancelar. Por outro lado, ainda que a transferência desses valores para conta de "Resultado" fosse decorrente de perdas em operações de crédito, a respectiva dedução deveria atender aos requisitos legais previstos no artigo 340 do Decreto 3.000/99, que, em função dos valores envolvidos, requereriam a implementação das correspondentes ações judiciais de cobrança, conforme estabelecido no § Io, inciso II, letra "c" e inciso III desse diploma legal, fato esse que não foi comprovado pela intimada. Por esses motivos, glosase essas despesas pelo montante lançado de R$ 4.576.685,59. Ainda no citado Termo de Intimação Fiscal n° 04, item 1, foi a empresa do mesmo modo intimada a apresentar a comprovação da despesa contabilizada na conta n° 4.2.1.09.33 Outras Despesas Administrativas, correspondente ao lançamento abaixo relacionado: Data Histórico Valor (R$) 22/12/2008 Juros de Mora Multa Auto 562.859,01 Com relação a esse lançamento, a empresa esclarece que o valor se refere a lançamento de juros e multa referente a um auto de infração de IOF, fazendo ajuntada de cópia desse Auto de Infração . De acordo com a cópia do auto de infração de IOF (processo n° 10380.019.679/200801) apresentada pela fiscalizada, que inclusive foi parcelado, o valor em causa corresponde ao somatório dos juros de mora e da multa de oficio lançada (com redução de 40%). Ou seja: conforme demonstrado abaixo, o total deduzido pela empresa envolve parcela correspondente a multa de ofício, que consoante disposto no art. 344 § 5o do Decreto n° 3.000/99, não é dedutível como custo ou despesa operacional. Portanto, nessa parte, impõe se a glosa, conforme segue: Juros de Mora até 12/2008 321.831,55 Multa de Oficio lançada (R$ 401.712,44) 241.027,46 Total contabilizado 562.859,01 Valor a ser glosado 241.027,46 Total Glosado neste subitem (4.576.685,59 + 241.027,46) R$ 4.817.713,05 Fl. 1267DF CARF MF Processo nº 10380.721384/201357 Acórdão n.º 1302002.339 S1C3T2 Fl. 8 13 De início vale esclarecer que não há qualquer manifestação de Recorrente, em relação à glosa no valor de R$ 241.027,46 (Juros de Mora Auto). Portanto, matéria não impugnada. Sobre a glosa de despesas administrativas contabilizadas na conta nº 4.2.1.09.33 – Outras Despesas Administrativas, tanto no decorrer da ação fiscal quanto na impugnação e também em sede recursal, a autuada alega que os lançamentos referemse a “ajustes realizados na contabilidade da impugnante e correspondem a cancelamento de notas fiscais”. Também no Recurso Voluntário a Recorrente afirma que, o estorno na conta ocorreu porque as notas fiscais (NF) originárias do faturamento foram emitidas em 2000. No encerramento do balanço em 2008, a Recorrente teve informação da glosa pelo órgão (Prefeitura Municipal de Fortaleza). Dessa forma, a receita lançada em 2000 não seria recebida, e não seriam mais pagos os impostos, pois a Recorrente goza do benefício do diferimento, com fundamento legal nos arts. 407 a 409 do RIR/99 e art. 7o da Lei n° 9.718/98. No que diz respeito à prestação de serviços, no regime de competência, a receita é considerada realizada e, portanto, auferida quando um serviço é prestado com a anuência do tomador e com o compromisso contratual deste de pagar o preço acertado, sendo irrelevante, nesse caso, a ocorrência de sua efetiva quitação. Assim, não há falar em registro de despesa na escrita contábil para configurar “receita não recebida”. Sobre a matéria, não merece reparo à decisão da DRJ, cujos fundamentos também adoto como razão de decidir que a seguir transcrevo: Depreendese da explicação apresentada pelo sujeito passivo que as despesas teriam sido contabilizadas para registrar receita não recebida, mas contabilizada anos antes. Não se mostra razoável a justificativa trazida na impugnação. Em primeiro lugar, não cabe registro de despesa na escrita contábil para configurar “receita não recebida”. Em segundo lugar, as três notas fiscais apontadas pelo contribuinte durante o procedimento fiscal referemse aos anos de 2000, 2006 e 2007 e devem produzir efeitos contábeis apenas naqueles anos. Aqui cabe esclarecer que o interessado não apresentou junto com a impugnação qualquer documento que justificasse a ligação entre o serviço prestado em anos pretéritos e a despesa contabilizada em 2008. Caberia ao defendente trazer elementos de prova que justificassem o alegado “ajuste”, à luz do que dispõe o art. 333 do Código de Processo Civil (CPC) 2. Registrese que a impugnação produzida menciona tão somente a nota fiscal emitida no ano de 2000. No tocante aos contratos de longo prazo, devese ressaltar que, o artigo 4073 do RIR determina que sejam apropriados em cada período de apuração as parcelas do preço contratado correspondentes à parte executada em cada período de apuração (regra geral). Fl. 1268DF CARF MF 14 Quanto ao diferimento da tributação do lucro prevista no art. 4094, este se restringe à permissão da postergação do lucro já computado no período de apuração. Portanto, o mencionado artigo trata apenas do diferimento do lucro já contabilizado, não acobertando o alegado “estorno de receita não auferida”. Além do que foi dito, mesmo que se tratasse de situação de diferimento de lucro, o controle desse diferimento deveria ser feito no LALUR, e não na escrita contábil da empresa, conforme previsto no art. 409 do RIR acima mencionado. Dessa forma, cabível foi a glosa realizada sobre despesas administrativas contabilizadas na conta nº 4.2.1.09.33 – Outras Despesas Administrativas. 2.2 Despesas Financeiras Não Comprovadas Do Termo de Verificação Fiscal consta o seguinte: Através do item 1 do Termo de Intimação Fiscal n° 04, a empresa foi intimada a comprovar a procedência da despesa contabilizada na conta n° 4.2.2.01.05 Juros e Multas de Mora, no valor de R$ 4.988.000,00, cujo histórico tem a indicação de "Estorno de atualização INSS". Entretanto, não houve por parte da fiscalizada os devidos esclarecimentos e nem a apresentação da correspondente documentação comprobatória. Com efeito, na sua resposta, a empresa limitase a informar, que tal valor se refere a correção de atualização a maior referente a um crédito de INSS, ao tempo em que apresentou as cópias do livro Razão referentes as contas n° 1.2.1.02.01020001 INSS a compensar (Ação Judicial) e n° 4.2.2.01.05 Juros e Multas de Mora. Como visto, a resposta apresentada pela empresa, não demonstra de forma adequada a ocorrência do aludido erro de cálculo, eis que nenhuma planilha ou demonstrativo foi trazido com o detalhamento dos cálculos da referida atualização, que justificasse a diferença em questão. Por esta razão procedese à glosa do correspondente valor, para efeitos da apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, a teor do disposto nos arts. 299 e 374 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n° 3.000/99).. A Recorrente apenas repete que o autuante glosou as despesas financeiras relativas a juros e multa de mora, correspondente ao 'estorno de atualização INSS', no montante de R$ 4.988.000,00, ou seja, não se convenceu de que esse valor referese à correção de atualização efetuada a maior, referente a um crédito de INSS, mesmo com a entrega de cópias do Livro Razão, onde constam as contas n° 1.2.1.02.01020001 INSS a compensar (Ação Judicial) e 4.2.2.01.05 Juros e Multas de Mora. Como se vê a Recorrente reportase à autuação mas nada esclarece para que se vislumbre o caráter de necessidade da despesa, a teor do art.299 do RIR/99, e a possibilidade de dedutibilidade de supostas despesas financeiras, para fins de apuração do IRPJ e da CSLL, como bem expressa a DRJ em sua decisão que também acompanho como razão de decidir: ... Contudo, o defendente não explica o que vem a ser a correção de atualização que menciona, bem como não anexa a citada planilha à impugnação. Fl. 1269DF CARF MF Processo nº 10380.721384/201357 Acórdão n.º 1302002.339 S1C3T2 Fl. 9 15 Há de se concluir que o sujeito passivo não consegue, minimamente, apresentar justificativa para a manutenção da referida despesa na apuração de seu resultado. Portanto, mostrase correta a glosa realizada sobre a conta nº 4.2.2.01.05 Juros e Multas de Mora . 3. Realização da Reserva de Reavaliação Do Termo de Verificação Fiscal consta o seguinte: A fiscalizada deixou de adicionar ao lucro líquido, para efeito de apuração do lucro real, o valor de R$ 196.950.952,65, correspondente à Realização de Reserva de Reavaliação de bens do ativo permanente (investimentos), ocorrida mediante alienação dos respectivos ativos reavaliados, conforme registrado nos assentamentos contábeis da fiscalizada, lastreado em Instrumento Particular de Compra e Venda de Títulos Públicos datado de 26/09/2008, conforme circunstanciado a seguir: Com efeito, consta dos assentamentos contábeis da empresa, a realização de aumento de capital (conta n° 2.4.1.01.01 Capital Subscrito) com utilização de reservas de reavaliação (conta n° 2.4.3.05.01 Reavaliação de Bens em Controladas; conta n° 2.4.3.05.06 Reavaliação de Títulos e conta n° 2.4.3.05.07 Reavaliação de Apólice) no valor total de R$ 323.270.901,00 em 30/12/2008, conforme AGE de 30/12/2008. Através do Termo de Intimação Fiscal n° 03, datado de 17/08/2012, foi a empresa intimada a apresentar os seguintes elementos: 1. Demonstrativo com a composição das referidas reservas de reavaliação, identificando as datas e valores de suas respectivas constituições e os bens reavaliados; 2. Informar por que as reservas de reavaliação em apreço não foram computadas no lucro liquido, para efeito de apuração do lucro real, por ocasião de suas realizações. Em sua resposta datada de 11/09/2012, a empresa, no que se refere ao item 1, apresenta a demonstração da composição da Reserva de Reavaliação e dos ativos reavaliados que deram origem ao aumento de capital, conforme planilha e cópias do razão, em anexo. Já com relação ao item 2, a empresa informa o seguinte: "A Reserva de Reavaliação em apreço não foi computada na apuração do Lucro Real, tendo em vista que, segundo o art. 4o da Lei n° 9.959, de 2000, a partir de 1o de janeiro de 2000, a contrapartida da reavaliação de quaisquer bens da pessoa jurídica somente poderá ser computada em conta de resultado ou na determinação do lucro real quando ocorrer a efetiva realização do bem reavaliado, mediante alienação, sob qualquer forma, depreciação, amortização ou baixa por perecimento". À vista do documentário trazido pela empresa, em particular, no demonstrativo intitulado "Composição Reservas de Reavaliação de Títulos. Públicos/Apólices Posição em 31/12/2007" e "Composição dos Títulos Públicos/Apólices Ativo Permanente/Realizável a Longo Prazo Posição em 31/12/2007", bem como no Instrumento Particular de Compra e Venda de Títulos Públicos entre a EIT e a empresa Hage Irrigação, Indústria e Comércio Ltda, datado de 26/09/2008, apresentado anteriormente a esta fiscalização, verificase que a fiscalizada vendeu os Títulos Públicos, que se encontram discriminados no referido demonstrativo, sob a denominação de "Obrigações do Reaparelhamento Econômico",' "Títulos BNDES", "Port of Pará", "Apólice da Dívida Pública" e "Título da Dívida Fl. 1270DF CARF MF 16 Pública", retratados no Ativo Permanente da empresa, nas rubricas contábeis a seguir discriminadas, ao custo total (aquisição + reavaliação) de R$ 197.207.960,65, como segue: N° Conta/Nome Saldo em 01/01/2008 1.3.1.01.01060001 Títulos da Divida Publica (Custo) 7,00 1.3.1.01.01060002 Títulos da Divida Publica (Reavaliação) 169.682.341,13 1.3.1.01.01060003 Apólice da Divida Publica (Custo) 256.001,00 1.3.1.01.01060004 Apólice da Divida Publica (Reavaliação) 27.268.611,52 Assim, sendo, considerando que parte das reservas capitalizadas pela empresa no ano de 2008, mantidas nas contas 2.4.3.05.06 Reserva de Reavaliação de Títulos e 2.4.3.05.07Reserva de Reavaliação de Apólice, no total de R$ 196.950.952,65, referiamse à reavaliação dos bens acima relacionados, os quais, naquele ano, haviam sido alienados, deve essas reservas serem consideradas como realizadas para os efeitos de inclusão no lucro, líquido do período, nos termos como estabelecido no art. 4o da Lei n° 9.959/2000. A Recorrente aduz que, a fiscalização considerou como realizada parcela da reserva de reavaliação de títulos públicos, no montante de R$ 196.950.952,65, lançado em conta de investimentos no ativo permanente da Recorrente, em face da suposta alienação dos respectivos ativos 'reavaliados', operação lastreada em Instrumento Particular de Compra e Venda de Títulos Públicos, celebrada entre a Recorrente e a empresa Hage Irrigação, Indústria e Comércio Ltda. (Hage), CNPJ n° 40.780.603/000178, em 26 de setembro de 2008. Destaca que, tanto a Recorrente, quanto a Hage, e seu sócio majoritário, Sr. Geraldo Cabral Rola Filho, CPF n° 074.340.57300, não tiveram qualquer disponibilidade econômica na operação, na forma do art. 43 do CTN, primeiro, porque o sócio majoritário assumiu a dívida da Hage com a Recorrente e, esta, por sua vez, cedeu seu crédito a seu novo sócio majoritário, aqui designado; segundo, porque os títulos públicos perderam totalmente seu valor com o decorrer do tempo, devendo ser baixados do capital da Hage, e da Recorrente, bem como da Declaração de Rendimentos do citado sócio. Ou seja, a atualização monetária pretendida, de fato, não se efetivou. Diz que: De fato, ocorreu o aumento de capital (conta n° 2.4.1.01.01) mediante incorporação de reservas de reavaliação (contas n° 2.4.3.05.01 Reavaliação de bens em controladas, n° 2.4.3.05.06 Reavaliação de títulos e n° 2.4.3.05.07 Reavaliação de apólice), no montante de R$ 323.270.901,00, conforme AGE de 30 de dezembro de 2008. Só que o mero aumento de capital, mediante incorporação de reserva de reavaliação de qualquer natureza, não é considerado realização para fins fiscais, em face dos ditames prescritos no art. 4o da Lei n° 9.959, de 2000. E que, "somente a efetiva realização de bem reavaliado, mediante alienação ou baixa por perecimento, poderia conferir à realização, passível de tributação, o que não é o caso". Argúi que, o termo contábil utilizado pela Recorrente nas contas ditas de reavaliação está inadequado, pois para haver reavaliação de algum bem suscetível de reavaliação, inclusive títulos públicos, seria necessário que estivesse registrado anteriormente nos assentamentos contábeis, o que não foi o caso, ao menos, em sua maioria. O procedimento que ocorreu, de fato, foi o de atualização monetária dos títulos públicos e não de reavaliação, o que pode ser perfeitamente comprovado pelos respectivos laudos emitidos por perito legalmente habilitado (vide laudos de atualização anexos). ... o que houve foi a devida atualização do valor dos títulos públicos pertencentes à Recorrente, por força de adaptação às Fl. 1271DF CARF MF Processo nº 10380.721384/201357 Acórdão n.º 1302002.339 S1C3T2 Fl. 10 17 novas normas da lei das sociedades anônimas e da nova sistemática de contabilidade vigente no país, impostas pela Lei n° 11.638, de 2007. ... o que de fato ocorreu foi uma mera atualização dos títulos públicos, mediante aplicação de índices oficiais, na forma dos respectivos laudos de avaliação emitidos por peritos especializados. No tocante à realização da Reserva de Reavaliação vale tecer as seguintes considerações sobre a legislação que rege a matéria. Antes de 01/01/2000, data em que a Lei nº 9.959/00 (Conversão da MP nº 1.924/99) entrou em vigor, a incorporação da reserva de reavaliação de bens ao capital social enseja sua tributação, como regra, no período em que for efetivada, como prescrevem os artigos 434 e 435 do RIR/99. RIR/1999. Art. 434. A contrapartida do aumento de valor de bens do ativo permanente, em virtude de nova avaliação baseada em laudo nos termos do art. 8º da Lei nº 6.404, de 1976, não será computada no lucro real enquanto mantida em conta de reserva de reavaliação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 35, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso VI). Art. 435. O valor da reserva referida no artigo anterior será computado na determinação do lucro real (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 35, §1º, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso VI): I no período de apuração em que for utilizado para aumento do capital social, no montante capitalizado, ressalvado o disposto no artigo seguinte; II em cada período de apuração, no montante do aumento do valor dos bens reavaliados que tenha sido realizado no período, inclusive mediante: a) alienação, sob qualquer forma; b) depreciação, amortização ou exaustão; c) baixa por perecimento. (grifos nossos) Com o advento das disposições trazidas pelo art. 4º, da Lei nº 9.959, de 2000, a contrapartida da reavaliação de quaisquer bens que fossem classificados ou não no ativo imobilizado da entidade deve ser oferecida à tributação, pela adição ao lucro líquido para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, por ocasião da efetiva realização do bem que se dá no período em que ocorrer: a) alienação, sob qualquer forma; b) depreciação, amortização ou exaustão; e, c) baixa por perecimento. Assim, a partir de 01/01/2000, com a vigência da Lei nº 9.959/2000, a contrapartida da reavaliação somente pode ser oferecida à tributação quando ocorrer a efetiva realização do bem reavaliado, verbis: LEI Nº 9.959, DE 2000. Fl. 1272DF CARF MF 18 Art. 4º. A contrapartida da reavaliação de quaisquer bens da pessoa jurídica somente poderá ser computada em conta de resultado ou na determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido quando ocorrer a efetiva realização do bem reavaliado. (...) Até a entrada em vigor da Lei nº 11.638/2007, ou seja até 31/12/2007, a legislação societária permitia a reavaliação dos bens de seu custo de aquisição para o valor de mercado, se este fosse superior. Até a mencionada data, eram classificadas como Reserva de Reavaliação as contrapartidas de aumento do valor de bens do antigo Ativo Permanente em virtude de constatação, com base em laudo especializado, de que possuíam valor de mercado superior ao custo contábil do bem. Conforme explicado na decisão de 1ª instância, a legislação empresarial, principalmente, a Lei nº 6.404, de 1976, nos seus arts. 8º e 182, § 3º, previa a possibilidade de constituição de reservas de reavaliação sobre os bens da empresa (o § 3º do art. 182 da Lei nº 6.404, de 1976, teve sua redação alterada pela Lei nº 11.638, de 2007; com essa alteração, a empresa não mais registra valores na conta de reserva de reavaliação; em seu lugar, foi criada a conta de “ajustes de avaliação patrimonial”). Enfim, a partir de 01.01.2008, a Reserva de Reavaliação foi extinta, por força da Lei 11.638/2007. E, serão classificadas como Ajustes de Avaliação Patrimonial, enquanto não computadas no resultado do exercício em obediência ao regime de competência, as contrapartidas de aumentos ou diminuições de valor atribuído a elementos do ativo e do passivo, em decorrência da sua avaliação a preço de mercado. A Lei nº 11.941, de 27/05/2009 (conversão da MP nº 449/2008), alterou o § 3º do art. 182 da Lei nº 6.404, de 1976, que tinha sido alterado anteriormente pela Lei nº 11.638, de 2007, desaparecendo a figura da Reserva de Reavaliação, e, de acordo com o art.6º da mencionada Lei nº 11.638/2007 restou permitido que as sociedades que tivessem constituída a reserva a mantivessem até sua realização. Vejamos: Lei nº 11.638/2007 Art. 6o Os saldos existentes nas reservas de reavaliação deverão ser mantidos até a sua efetiva realização ou estornados até o final do exercício social em que esta Lei entrar em vigor. Assim, os saldos existentes nas reservas de reavaliação deverão ser mantidos até a sua efetiva realização ou estornados até o final do exercício social de 2008. Com efeito, a Recorrente não contesta a "reavaliação do ativo" em 2007, ainda que intitulando de "atualização monetária". Apenas exorta que de fato ocorreu o aumento de capital em 2008, e que, o mero aumento de capital, mediante incorporação de reserva de reavaliação de qualquer natureza, não é considerado realização para fins fiscais. Gizse que, a Recorrente em nenhum momento põe em dúvida o Instrumento Particular de Compra e Venda de Títulos Públicos, celebrado entre a Recorrente e a empresa Hage Irrigação, Indústria e Comércio Ltda. (Hage), CNPJ n° 40.780.603/000178, em 26 de setembro de 2008, (fls.713/716), que comprova a alienação dos respectivos ativos 'reavaliados', antes do dito aumento de capital conforme AGE de 30/12/2008. Fl. 1273DF CARF MF Processo nº 10380.721384/201357 Acórdão n.º 1302002.339 S1C3T2 Fl. 11 19 No caso em espécie, houve a efetiva realização dos bens reavaliados, conforme se constata pela leitura do contrato de compra e venda dos títulos públicos (fls.713/716), por meio do qual são alienados os citados títulos à empresa HAGE IRRIGAÇÃO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO. De fato, restou evidenciado, através das informações trazidas no Termo de Verificação Fiscal, que houve a alienação do bem reavaliado (títulos públicos) por parte da recorrente em 26/09/2008. A exigência fiscal, em relação à venda dos títulos pelo contribuinte, diz respeito à tributação do valor da Reserva de Reavaliação em decorrência de sua realização pela alienação do ativo, tal como prescreve o artigo 4º da Lei nº 9.959, de 2000. Não merece reparos à decisão da DRJ que assim conclui no voto condutor do acórdão: ... Como já se viu, no caso vertente, títulos públicos que estavam em poder do contribuinte foram reavaliados e, posteriormente, alienados para que os valores obtidos fossem utilizados pela empresa para aumento de capital social. Dessa forma, diferentemente do que alega o interessado, houve sim efeitos patrimoniais, haja vista a ocorrência de efetivo acréscimo no capital social da empresa, lastreado nos valores decorrentes da reavaliação empreendida. Portanto, à luz da legislação colacionada, resta claro que a quantia correspondente à reavaliação deveria ter sido incluída pelo sujeito passivo no lucro líquido para fins de apuração do lucro real, remanescendo, portanto, correta a exigência apurada na autuação. Destarte, tendo em vista a alienação em comento, a baixa efetuada na conta Reserva de Reavaliação constitui realização da reserva, sujeita à tributação, razão pela qual a decisão recorrida,também neste ponto,deve ser mantida. 4. IRRF Pagamentos realizados pela empresa sem a devida comprovação das operações que lhe deram causa. Do Termo de Verificação Fiscal consta o seguinte: Considerando que não houve, por parte da fiscalizada, a comprovação das operações que deram causa aos pagamentos das despesas arroladas no item 1 (Pagamentos de Despesas Não Comprovadas) do presente Termo, ditas como realizados em favor das empresas ali relacionadas, eis que, conforme já relatado, nenhum documento nos foi apresentado capaz de atestar a veracidade desses gastos nem os reais beneficiários dos recursos desembolsados, restou caracterizada a hipótese de tributação do imposto de renda na fonte à alíquota de 35% de que trata o art. 61, § I o da Lei 8.981/95. Essa tributação incide sobre os pagamentos desembolsados pela empresa tais quais registrados na sua contabilidade, a pretexto das despesas supracitadas, adotandose como base imponível os valores creditados na conta "Caixa", reajustados na forma do parágrafo 3o do artigo supracitado, conforme detalhadamente demonstrado em planilhas próprias Fl. 1274DF CARF MF 20 intituladas "Demonstrativo dos Pagamentos Referentes as Operações Não Comprovadas" que se encontram anexas ao presente Termo. A Recorrente aduz que a fiscalização fundamentou a incidência do IRRF na falta de comprovação das operações que deram causa ao pagamento das despesas anteriormente arroladas como "Pagamento de Despesas Não Comprovadas", aplicando a alíquota de 35% (trinta cinco por cento) sobre base reajustada, forma do disposto no art. 61, §§ Io e 3o, da Lei n° 8.981/95. Todavia, os pagamentos foram efetivamente realizados em favor daquelas empresas arroladas nas diversas contas objeto de questionamento da fiscalização, estando todos os documentos em boa forma, em cujas despesas necessárias à atividade da Recorrente, portanto, está perfeitamente demonstrada a veracidade desses gastos, comprovandose as operações e suas causas, bem como identificados os reais beneficiários dos recursos desembolsados, corretamente contabilizadas, motivo pelo qual deve ser afastada a referida incidência tributária. E, ao contrário do entendimento do ilustre Julgador, não existem provas suficientes nos autos a corroborar o fundamento adotado pela fiscalização no sentido de que se trataria de pagamentos efetuados a beneficiário desconhecido ou sem causa. Finalmente a Recorrente insurgese contra essa incidência do IRRF, requerendo sua exclusão do crédito tributário do processo em questão. Vejamos o que diz o art. 61, da Lei n° 8.981/95: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o§ 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. GRIFEI Pela redação do § 1º do artigo percebese que o comando da norma é no sentido da comprovação da veracidade da operação e/ou de sua causa, mediante a documentação respectiva. Dai a irrelevância de estar ou não a mesma contabilizada. A jurisprudência é justamente nesse sentido, senão vejamos: Processo n° 15983.000320/200614 Recurso n° 162.191 De Oficio e Voluntário Acórdão n° 130100.120— 3' Câmara / l' Turma Ordinária Sessão de 17 de junho de 2009 Matéria IRPJ E OUTROS Fl. 1275DF CARF MF Processo nº 10380.721384/201357 Acórdão n.º 1302002.339 S1C3T2 Fl. 12 21 Recorrentes: 4a TURMA / DRJ SÃO PAULO1 / SP e VIAÇÃO VALE DO RIBEIRA TRANSPORTE E TURISMO LTDA. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS E/OU SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU SUA CAUSA. Procedente o lançamento que exige imposto de renda na fonte na situação em que o contribuinte, devidamente intimado, não logrou identificar o beneficiário de pagamentos e, cumulativamente, comprovar a operação correspondente e/ou sua causa. Não é suficiente a identificação dos beneficiários dos pagamentos, pela apresentação de cópias dos cheques nominativos utilizados. Não restando dúvidas sobre a efetividade dos pagamentos a terceiros, mediante cheques compensados ou sacados por outras pessoas físicas ou jurídicas "na boca do caixa", compete ao contribuinte o ônus de comprovar as operações ou causas correspondentes a cada pagamento realizado, sob pena de se sujeitar à tributação do imposto de renda na fonte. No mesmo sentido, correta a decisão de primeira instância que exonerou a exigência incidente sobre pagamentos para os quais o contribuinte comprovou, com documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores, as operações que deram causa a pagamentos por ele efetuados. Processo nº 10384.001021/200985 Recurso nº 510.779 Voluntário Acórdão nº 130200.490– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de fevereiro de 2011 Matéria IRPJ OMISSÃO DE RECEITA Recorrente LIMPEL SERVIÇOS GERAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL IRRF. PAGAMENTO A TERCEIRO SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU DE SUA CAUSA. Havendo pagamento a terceiro, e não comprovada a operação ou sua causa, é correta a tributação exclusiva na fonte, nos termos do art. 61 da Lei nº 8.981/95. Ressaltase que os pagamentos sobre os quais houve a incidência do IRRF são aqueles discriminados no demonstrativo (anexo ao Termo de Verificação Fiscal, item 1 do TVF). Neste diapasão, o que a Recorrente deveria ter feito para que houvesse o reconhecimento da comprovação dos pagamentos e/ou identificação dos beneficiários de forma incontroversa, seria trazer ao processo os comprovantes relativos aos pagamentos constantes do aludido demonstrativo. De maneira oposta, a Recorrente apenas se limitou a declarar que os beneficiários e a causa das operações foram identificadas pela própria autoridade fiscal e por ele próprio, na medida em que, os pagamentos foram efetivamente realizados em favor Fl. 1276DF CARF MF 22 daquelas empresas arroladas nas diversas contas objeto de questionamento da fiscalização, estando todos os documentos em boa forma, em cujas despesas necessárias à atividade da Recorrente. Não é demais repetir, que bastava a recorrente trazer aos autos provas que demonstrassem a correlação com os pagamentos identificados no supracitado demonstrativo – com coincidência de data e valor para ver afastado o lançamento efetuado no presente processo. Todavia, a Recorrente apenas se limitou no recurso voluntário a reiterar as alegações já acostadas na impugnação, não trazendo elementos ou provas que pudessem afastar as conclusões do trabalho fiscal neste item. Assim, havendo pagamento a terceiros item 1 do TVF (demonstrativo anexo ao TVF) e não comprovada a operação ou sua causa, é correta a tributação exclusiva na fonte, nos termos do § 1º do art. 61 da Lei nº 8.981/95, devendo ser mantida exigência fiscal, na forma como realizado o lançamento. LANÇAMENTO REFLEXO – CSLL. Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. ( assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 1277DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000471/2003-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
SIGILO BANCÁRIO. CONSTITUCIONALIDADE. ACESSO À INFORMAÇÃO DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. SÚMULA CARF N° 2.
Nos termos da Súmula CARF n° 2, este Conselho não tem competência para se pronunciar sobre a constitucionalidade da Lei tributária. Ademais, uma vez que o STF já se pronunciou sobre a constitucionalidade da Lei Complementar n° 105, de 2001, não há que se discutir sobre a transferência do sigilo de dados bancários à RFB.
CPMF. UTILIZAÇÃO DOS DADOS. RETROATIVIDADE. SÚMULA CARF N° 35.
O artigo 11, § 3°, da Lei n° 9.311/96, com redação dada pela Lei n° 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Caracterizam-se como omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Tratando-se de uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora exime-se de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida.
Numero da decisão: 2201-003.755
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguída e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
(Assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1998 SIGILO BANCÁRIO. CONSTITUCIONALIDADE. ACESSO À INFORMAÇÃO DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. SÚMULA CARF N° 2. Nos termos da Súmula CARF n° 2, este Conselho não tem competência para se pronunciar sobre a constitucionalidade da Lei tributária. Ademais, uma vez que o STF já se pronunciou sobre a constitucionalidade da Lei Complementar n° 105, de 2001, não há que se discutir sobre a transferência do sigilo de dados bancários à RFB. CPMF. UTILIZAÇÃO DOS DADOS. RETROATIVIDADE. SÚMULA CARF N° 35. O artigo 11, § 3°, da Lei n° 9.311/96, com redação dada pela Lei n° 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Caracterizam-se como omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tratando-se de uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora exime-se de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguída e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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CONSTITUCIONALIDADE. ACESSO À INFORMAÇÃO DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. SÚMULA CARF N° 2. Nos termos da Súmula CARF n° 2, este Conselho não tem competência para se pronunciar sobre a constitucionalidade da Lei tributária. Ademais, uma vez que o STF já se pronunciou sobre a constitucionalidade da Lei Complementar n° 105, de 2001, não há que se discutir sobre a transferência do sigilo de dados bancários à RFB. CPMF. UTILIZAÇÃO DOS DADOS. RETROATIVIDADE. SÚMULA CARF N° 35. O artigo 11, § 3°, da Lei n° 9.311/96, com redação dada pela Lei n° 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Caracterizamse como omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tratandose de uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora eximese de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 04 71 /2 00 3- 05 Fl. 193DF CARF MF Processo nº 19515.000471/200305 Acórdão n.º 2201003.755 S2C2T1 Fl. 194 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguída e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra a decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, ofertada em face da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF, que é objeto do presente processo. Os aspectos principais do lançamento estão delineados no relatório da decisão de primeira instância, nos seguintes termos: Antonio Rodrigues, acima identificado, foi autuado a recolher crédito tributário do Imposto de Renda Pessoa Física IRPF no montante de R$ 155.186,56, sendo R$ 64.747,40 de imposto de renda, R$ 48.560,55 de multa de ofício de 75% e R$ 41.878,61 de juros de mora, calculados até 31/01/2003, conforme Auto de Infração, demonstrativos e termo de fls. 76/88. O lançamento ocorreu em razão da omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta(s) de depósito ou de investimento mantida(s) em instituição(ões) financeira(s), em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações ocorridas no ano calendário 1998, no montante de RS 251.154,21 (fl. 84), conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 81/83) e demais documentos que instruem o lançamento. Fundamento legal: art. 42 da Lei n° 9.430/1996, art. 4o da Lei n° 9.481/1997, art. 21 da Lei n° 9.532/1997 (fl. 88). Fl. 194DF CARF MF Processo nº 19515.000471/200305 Acórdão n.º 2201003.755 S2C2T1 Fl. 195 3 Regularmente cientificado do lançamento em 12/02/2003 (fl. 86), o interessado, por intermédio de seu procurador legalmente constituído (fl. 93), ingressou com a impugnação de fls. 96/113, em 12/03/2003, argumentando, preliminarmente, que: a) o auto de infração é nulo porque se baseou em informação incorreta do Banco do Itaú, fruto de problemas na geração de arquivos magnéticos. Baseouse ainda em informações obtidas de forma inconstitucional, ante a flagrante inconstitucionalidade do § 2o do art. 11 da Lei n° 9.311/1996, e do art. 1o da Lei n° 10.174/2001 (que deu nova redação ao § 3o do art. 11 da Lei n° 9.311/1996); b) houve a ofensa ao princípio da vedação da utilização de informações da CPMF para constituição de crédito tributário, à luz da redação originária do art. 11, § 3o, da Lei n° 9.311, de 24/10/1996. Quanto ao mérito, alegou, em síntese, que: a) ao elaborar o demonstrativo de fls. 81/83, o auditor fiscal considerou todos os depósitos efetuados em sua contacorrente, excluindo, apenas, as devoluções de cheques. Não considerou os saques em dinheiro e os cheques compensados, os quais deram origem àqueles créditos havidos; citando jurisprudência do Conselho de Contribuintes, afirmou que o auditor fiscal agiu de forma simplista, optando por desconsiderar a verdade material, não obstante os esclarecimentos verbais que prestou; sendo aposentado por tempo de serviço e com parca pensão, viu se obrigado a realizar alguns pequenos negócios. Em 1989 vendeu o único imóvel que possuía por NCz$ 85.000,00, que em dezembro de 1997, equivalia a R$ 55.733,70. Passou a adquirir veículos usados e a recuperálos (já que sempre trabalhou como funileiro) para posterior venda; os valores depositados na contacorrente nada mais são do que os valores recebidos em pagamento de automóveis adquiridos anteriormente e por ele recuperados, com serviços de funilaria e pintura, ou apenas embelezados através de polimento. À guisa de demonstração, relata a aquisição de compra e venda de 4 caminhões; não obstante a inexistência de documentação que comprove todas as transações, tentou esclarecer a origem de alguns dos valores depositados em sua conta corrente, afirmando que decorriam de compra de veículos usados, sua recuperação e posterior venda, trazendo dez exemplos; há divergências entre o extrato retificado do Banco Itaú (fl. 46), que totaliza movimentação financeira de R$ 636.989,19 e CPMF de RS 1.272,82. A segunda via do extrato de conta universal ora juntada, consigna o total de R$ 710.453,23 como créditos e R$ Fl. 195DF CARF MF Processo nº 19515.000471/200305 Acórdão n.º 2201003.755 S2C2T1 Fl. 196 4 710.438,57 como débitos, demonstrando os erros dos arquivos magnéticos do banco; todo o saldo existente num dia na contacorrente era automaticamente investido, criandose, assim, um enorme volume de créditos e débitos que não geravam rendimento algum; quanto ao fato de ter declarado com isento, é porque é aposentado pelo INSS e o valor percebido em 1998 nãõ.alcançou o limite mínimo para a obrigatoriedade de apresentação da DIRPF, e os rendimentos financeiros, isentos, nãotributáveis ou tributáveis exclusivamente na fonte, não alcançaram o montante de R$ 40.000,00. também não participou do quadro societário de empresa ou possuíabens, cujo montante excedesse R$ 80.000,00; os resultados auferidos com a compra e venda de veículos foram de pequena monta, pois tinha despesas com o embelezamento, conserto e melhoria do bem a ser vendido. Finalizou requerendo o cancelamento do auto de infração. A decisão de primeira instância julgou improcedente a impugnação (fls. 160/172), nos termos da seguinte ementa: Preliminar de Nulidade. Tendo o auto de infração sido lavrado por servidor competente, com estrita observância das normas reguladoras dá atividade de lançamento e, existentes no instrumento òs elementos necessários para que o contribuinte exerçao direito do contraditório e da ampla defesa, afastamse as preliminares de nulidade arguidas. Nulidade. Quebra do sigilo bancário. O sigilo bancário não é oponível ao Fisco ante ao contido na Lei Complementar n° 105/2001. Preliminar de Ilegalidade e Inconstitucionalidade. A instância administrativa é incompetente para manifestarse sobre a constitucionalidade de leis. Preliminar. Irretroatividade da Lei Tributária. Utilização de Informações Relativas a CPMF. É legítima a utilização das informações sobre as movimentações financeiras relativas a CPMF para instaurar procedimento administrativo que resulte em lançamento de outros tributos, ainda que os fatos geradores tenham ocorrido antes da vigência da Lei n° 10.174, de 2001. Omissão de Rendimentos. Depósitos Bancários. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 19515.000471/200305 Acórdão n.º 2201003.755 S2C2T1 Fl. 197 5 A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo, quando não restar devidamente comprovada a fonte dos recursos. Cientificado do acórdão da DRJ em 02/10/2008, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 29/10/2008 (fls. 177/191), em que expressamente reitera os temos expendidos na peça impugnatória, para que seja acolhida a preliminar arguída, ou no mérito, seja declarada a improcedência da autuação. É o relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Preliminar Em preliminar, o recorrente alega nulidade do lançamento por ilegalidade na quebra do sigilo bancário com ofensa direta ao artigo 5°, XII, da Constituição Federal. Considera que a autoridade fiscal afrontou princípios constitucionais básicos ao quebrar o sigilo bancário sem autorização judicial e contrariou posicionamento do Supremo Tribunal Federal pela impossibilidade de quebra e utilização pela Receita Federal dos extratos bancários, quando obtidos sem autorização judicial. A quebra de sigilo bancário é questão extremamente delicada, porquanto resvala sobre o direito à intimidade, à privacidade e à liberdade do indivíduo, confronta o dever ético e contratual das instituições financeiras e, por fim, põe em risco a verdadeira segurança e integridade física da pessoa. Conforme relatado, o auto de infração foi lavrado com base em dados bancários obtidos por meio de RMF, nos termos da Lei Complementar n° 105, de 2001. A discussão acerca da inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário foi ventilada em sede de impugnação e, posteriormente sedimentada pela declaração de Repercussão Geral sobre o tema, pelo STF. Efetivamente, a discussão estava contida no Tema de Repercussão Geral n° 225, daquela Corte Constitucional. Ocorre que a matéria já foi julgada no “leading case” RE n° 601.314, no qual se definiu que: “Decisão: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Relator, apreciando o tema 225 da repercussão geral, conheceu do recurso e a este negou provimento, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Fl. 197DF CARF MF Processo nº 19515.000471/200305 Acórdão n.º 2201003.755 S2C2T1 Fl. 198 6 Por maioria, o Tribunal fixou, quanto ao item “a” do tema em questão, a seguinte tese: “O art. 6° da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”; ...” Em suma, a despeito de polêmicas de cunho acadêmico no que se refere à adequação do art. 6° da Lei Complementar n° 105/2001 ao ordenamento pátrio, o STF já se pronunciou em sede de Repercussão Geral (no RE n° 601.314) sobre a constitucionalidade da referida norma. Dessa forma, não apenas a Súmula CARF n° 2 declara que este Conselho Administrativo não tem competência para se pronunciar acerca da inconstitucionalidade das leis tributárias, como inclusive o STF já consolidou a posição e confirmou que a Lei Complementar n° 105, de 2001 é efetivamente constitucional e, portanto, deve ser aplicada. Além disso, esclareço que conforme artigo 72 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09 de junho de 2015, as "decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória" pelos seus membros. Sobre a matéria relativa à tributação com base em depósitos bancários de origem não comprovada há várias delas em vigor, que indicam entendimentos convergentes, em inúmeros julgamentos. A utilização de súmulas, que também são aplicadas pelos Tribunais Judiciários, visa a conferir confiança, segurança e eficiência aos julgamentos administrativos, dentre outros princípios a serem observados pela Administração Pública. Diz a Súmula CARF n° 35: ”O artigo 11, § 3°, da Lei n° 9.311/96, com redação dada pela Lei n° 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. ” Ou seja, podese usar as informações da CPMF para constituições de créditos tributários relativos a outros tributos, no caso o IRPF, inclusive retroativamente, por se tratar de norma procedimental (§1° do artigo 144, do CTN). Assim, rejeito as preliminares de nulidade arguidas. Do Mérito Inicialmente, fazse necessário esclarecer que o que se tributa, no presente processo, não são os depósitos bancários, como tais considerados, mas a omissão de rendimentos por eles representada. Os depósitos bancários são apenas a forma, o sinal de exteriorização, pelos quais se manifesta a omissão de rendimentos objeto de tributação. Depósitos bancários se apresentam, num primeiro momento, como simples indício da existência de omissão de rendimentos. Entretanto, esse indício se transforma na Fl. 198DF CARF MF Processo nº 19515.000471/200305 Acórdão n.º 2201003.755 S2C2T1 Fl. 199 7 prova da omissão de rendimentos, quando o contribuinte, tendo a oportunidade de comprovar a origem dos recursos aplicados em tais depósitos, se nega a fazêlo, ou não o faz satisfatoriamente. Não comprovada a origem dos recursos, tem a autoridade fiscal o dever/poder de considerar os valores depositados como rendimentos tributáveis e omitidos na declaração de ajuste anual, efetuando o lançamento do imposto correspondente. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do princípio da legalidade que rege a administração pública, cabendo ao agente tão somente a inquestionável observância do diploma legal. O recorrente afirma que a utilização dos depósitos bancários como rendimentos tributáveis é uma presunção que embora prevista em lei, só poderá subsistir quando não impugnada. É cediço que a exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção em favor do Fisco, que fica dispensado de provar o fato que originou a omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte elidir a imputação, comprovando a origem dos recursos, conforme estabelece o art. 42 da Lei n° 9.430/1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1° O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil Reais). § 4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Fl. 199DF CARF MF Processo nº 19515.000471/200305 Acórdão n.º 2201003.755 S2C2T1 Fl. 200 8 De acordo com disposto no art. 42 da Lei n° 9.430/96, é necessário comprovar individualizadamente a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos ou não tributáveis. Cabe ao recorrente comprovar a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo suficiente alegações e indícios de prova sem correspondência com os valores lançados. Verificase que o próprio recorrente reconhece que não dispõe de documentos para comprovar a origem dos depósitos em sua conta corrente. Segundo o seu entendimento, a mera justificativa já seria suficiente para afastar a presunção legal. Ainda assim, apresenta alguns recibos de vendas veículos no afã de comprovar a origem dos recursos. Contudo, além de não ter sido demonstrada a correspondência de forma individualizada entre os valores supostamente decorrentes de comercialização de veículos com os valores lançados, os referidos documentos não se prestam para comprovar a transação. É cediço que somente a Autorização para Transferência do Veículo com firma reconhecida do alienante em cartório é documento hábil para comprovar a comercialização de veículos. Destarte, a tese do recorrente não merece prosperar. A presunção estabelecida pelo art. 42 da Lei n° 9.430/96 só poderá ser afastada através de documentos hábeis e idôneos, não bastando a mera alegação ou apresentação de simples recibos, que não se prestam para comprovar a origem dos valores depositados na conta corrente do sujeito passivo. Assim, em razão da ausência de comprovação das origens dos valores que transitaram na conta corrente do sujeito passivo, não merece reforma a decisão recorrida. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, rejeitar a preliminar arguída, e no mérito, negarlhe provimento. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 200DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001201/2009-28
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CARACTERIZAÇÃO. Devem ser acolhidos os embargos de declaração que demonstram ter havido omissão no acórdão embargado, sobre ponto a respeito do qual deveria ter se pronunciado a turma julgadora, em razões de defesa deduzidas em Recurso Voluntário e não apreciadas pelo colegiado a quo, em face da exoneração da exigência por aquele colegiado.
MATÉRIA NÃO APRECIADA PELA CÂMARA A QUO. Devem os autos retornar para que a Câmara a quo profira nova decisão a respeito de matéria meritória que não foi dirimida no julgamento inicial, em face da exoneração da exigência por aquele colegiado.
Numero da decisão: 9101-003.036
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, re-ratificando o Acórdão nº 9101-002.249, de 01/03/2016, sanar a omissão apontada, mantendo inalterado o resultado do julgamento, com retorno dos autos ao colegiado de origem para proferir novo julgamento a respeito da legalidade da exigência de juros de mora sobre a multa de ofício. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, substituída pela conselheira Lívia de Carli Germano. Em um primeiro momento, a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio participou da votação e, posteriormente, depois de proclamado o resultado, avisou que estaria impedida de votar nesse processo. O colegiado convocou a conselheira Lívia de Carli Germano para substituí-la e foi realizada nova votação, o que não alterou o resultado.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Gerson Macedo Guerra e Lívia de Carli Germano (suplente convocada em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio).
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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OMISSÃO. CARACTERIZAÇÃO. Devem ser acolhidos os embargos de declaração que demonstram ter havido omissão no acórdão embargado, sobre ponto a respeito do qual deveria ter se pronunciado a turma julgadora, em razões de defesa deduzidas em Recurso Voluntário e não apreciadas pelo colegiado a quo, em face da exoneração da exigência por aquele colegiado. MATÉRIA NÃO APRECIADA PELA CÂMARA A QUO. Devem os autos retornar para que a Câmara a quo profira nova decisão a respeito de matéria meritória que não foi dirimida no julgamento inicial, em face da exoneração da exigência por aquele colegiado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, reratificando o Acórdão nº 9101002.249, de 01/03/2016, sanar a omissão apontada, mantendo inalterado o resultado do julgamento, com retorno dos autos ao colegiado de origem para proferir novo julgamento a respeito da legalidade da exigência de juros de mora sobre a multa de ofício. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, substituída pela conselheira Lívia de Carli Germano. Em um primeiro momento, a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio participou da votação e, posteriormente, depois de proclamado o resultado, avisou que estaria impedida de votar nesse processo. O colegiado convocou a conselheira Lívia de Carli Germano para substituíla e foi realizada nova votação, o que não alterou o resultado. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 12 01 /2 00 9- 28 Fl. 688DF CARF MF Processo nº 16327.001201/200928 Acórdão n.º 9101003.036 CSRFT1 Fl. 689 2 (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Gerson Macedo Guerra e Lívia de Carli Germano (suplente convocada em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio). Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Contribuinte em face do Acórdão nº 9101002.249 (efls. 384/414), proferido por esta 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF em julgamento de Recurso Especial da Fazenda Nacional, em sessão realizada em 01/03/2016. O presente processo trata de Autos de Infração de IRPJ e CSLL referentes ao anocalendário 2007, como resultado da adição ao lucro líquido, de valores considerados indevidamente pagos ou creditados a título de Juros sobre o Capital Próprio (Termo de Verificação Fiscal fls. 55 e ss do volume 1 digitalizado). As exigências foram mantidas pela Turma Julgadora de 1ª Instância o que levou a contribuinte a manejar Recurso Voluntário (fls. 214 e ss do volume 2 digitalizado), ocasião em que contestou, dentre outras alegações, a legalidade da cobrança de juros sobre a multa de ofício item II.6 pagina 26 e ss da referida peça de defesa, acostada ao volume 2 digitalizado. A 2ª Turma Ordinária da Quarta Câmara do CARF, em sessão realizada em 11/09/2012, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário de forma que toda a exigência restou exonerada. A decisão foi formalizada no Acórdão nº 1402001.179 (e fls. 320/343). A Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial afirmando que a decisão recorrida, ao cancelar os lançamentos, deduziu conclusão contrária ao entendimento manifestado por outras turmas, que defenderam que as despesas de JCP devem obedecer ao regime de competência, conforme o disposto no art. 177 da Lei nº 6.404/76, ratificado pelo art. 29 da Instrução Normativa nº 11/96, de forma que esta não seria ilegal, assim como não teria validade para efeitos fiscais a decisão da assembléia que credita aos sócios JCP referentes a exercícios anteriores. O Recurso Especial da PFN foi admitido (efls. 363/364) e, em julgamento realizado em 01/03/2016, a 1ª Turma da CSRF, por maioria de votos, deu provimento ao apelo especial da PFN e restabeleceu as exigências. O Acórdão nº 9101002.249, recebeu a seguinte ementa (efls. 384/414): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 Fl. 689DF CARF MF Processo nº 16327.001201/200928 Acórdão n.º 9101003.036 CSRFT1 Fl. 690 3 DESPESAS. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. PERÍODOS ANTERIORES. REGIME DE COMPETÊNCIA. INDEDUTIBILIDADE. As despesas com juros sobre o capital próprio (JCP) se submetem às regras gerais de contabilização de despesas, obedecendo o regime de competência: somente podem incorrer no mesmo exercício social em que as receitas correlacionadas (geradas com o uso do capital que os JCP remuneram) se produzem, formando o resultado daquele exercício. Não se admite a dedução de JCP calculados sobre as contas do patrimônio líquido de exercícios anteriores. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 LANÇAMENTOS REFLEXOS OU DECORRENTES. Pela íntima relação de causa e efeito, aplicase o decidido ao lançamento principal ou matriz de IRPJ também ao lançamento reflexo ou decorrente de CSLL. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Recurso Especial da Fazenda Nacional conhecido por unanimidade de votos e, no mérito, dado provimento por maioria de votos, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Lívia De Carli Germano (Suplente Convocada) e Daniele Souto Rodrigues Amadio (Suplente Convocada). Declarouse impedida de participar do julgamento, a Conselheira Maria Teresa Martinez Lopez. O Conselheiro Luís Flávio Neto apresentará declaração de voto. Cientificado, o sujeito passivo manejou, tempestivamente, Embargos de Declaração (efls. 437/449). Para melhor demonstrar as alegações deduzidas nessa peça recursal, transcrevo relato do despacho que admitiu o recurso (efls. 528/535): Preliminarmente, a Embargante alega nulidade de sua intimação via Edital Eletrônico, acerca da decisão que deu provimento integral ao Recurso Voluntário e do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra aquela decisão. De acordo com a Embargante a intimação não poderia se dar por Edital Eletrônico, tendo em vista que nunca optou pelo Domicílio Tributário Eletrônico. Ademais, afirma que "não se tem conhecimento de tentativa de intimação decorrente de qualquer das formas ordinárias" previstas no art. 23, do Decreto nº 70.235/72, o que invalidaria a intimação via Edital. Nesse ponto, a Embargante requer a devolução de todos os prazos de manifestação. Quanto ao mérito, inicialmente a Embargante alega que os autos deveriam retornar à apreciação da 2ª Turma, 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, uma vez que alguns argumentos expostos no Recurso Voluntário, "fundamentais para o deslinde da controvérsia", não foram apreciados pelo citado Colegiado no Acórdão nº 1402001.179, reformado pelo acórdão ora embargado. Ainda quanto ao mérito, alega a Embargante que o acórdão embargado incorreu em: Fl. 690DF CARF MF Processo nº 16327.001201/200928 Acórdão n.º 9101003.036 CSRFT1 Fl. 691 4 1) Omissão, quanto aos seguintes argumentos apresentados no Recurso Voluntário: a) observância do regime de competência; b) inexistência de prejuízo ao Fisco e c) ilegalidade da cobrança de juros de mora sobre multa de ofício. 2) Obscuridade quanto aos "fundamentos da decisão". Segundo a Embargante, para fundamentar o entendimento de que "não haveria autorização legal para o cálculo do JCP retroativo" o acórdão embargado se utiliza tão somente de "dispositivos relacionados aos procedimentos de deliberação em assembléia e decisão do CARF". Entende o Embargante que a decisão "não conseguiu demonstrar com clareza e com fundamentos legais seu entendimento". 3) Contradição, que, nos termos dos embargos apreciados, se verifica porque "inicialmente, a Conselheira Relatora menciona que o pagamento de JCP é facultativo às empresas e acionistas, dependendo apenas de deliberação em assembléia", restando "incontroverso, inclusive, o reconhecimento da ocorrência de assembléia no presente caso" e "posteriormente, a própria Conselheira Relatora cai em nítida contradição ao dispor que a Embargante teria 'renunciado' à despesa do JCP no ano de 2000. Tal entendimento tem como base a suposta ausência de deliberação de assembléia para pagamento do JCP". Requer a Embargante que sejam conhecidos e providos os Embargos para que sejam devolvidos todos os prazos de manifestação; seja determinado que a 2ª Turma, 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento profira nova decisão, analisando todos os argumentos apresentados no Recurso Voluntário; e, subsidiariamente, que seja determinado o saneamento das omissões, obscuridade e contradição alegadas. Os Embargos foram admitidos parcialmente (efls. 528/535), exclusivamente no tocante à alegada omissão do acórdão embargado a respeito do argumento deduzido no Recurso Voluntário a respeito da ilegalidade da cobrança de juros de mora sobre multa de ofício, conforme trecho que colaciono do despacho de admissibilidade dos Embargos: Já quanto ao terceiro ponto trazido como omissão pela embargante, qual seja a de que em seu recurso voluntário teria peticionado pelo não cabimento de juros de mora sobre a multa de ofício, e que o acórdão deveria, ao reverter o lançamento que havia sido exonerado pelo acórdão do recurso voluntário, ter devolvido os autos à Câmara a quo para manifestação, assiste razão à recorrente pois, de fato, o acórdão da 4ª Câmara não analisou este aspecto porque exonerou a totalidade do crédito tributário. Assim, ao restabelecer o lançamento, o acórdão embargado deveria ter se manifestado, sim, sobre tal pedido, motivo pelo qual manifestome pelo reconhecimento desta omissão. Nessas condições, foi proposta a admissão parcial dos Embargos: Em face dos argumentos acima, proponho que sejam os presentes embargos PARCIALMENTE ADMITIDOS apenas no tocante à omissão relativa à matéria Ilegalidade ou Não da Cobrança de Juros sobre Multa. Submetido o referido despacho ao Sr. Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, este o admitiu, parcialmente, nos seguintes termos: Por concordar com os argumentos trazidos pela Relatora, nos termos do §3º do art. 65 do Anexo II do RICARF, admito parcialmente, em caráter definitivo, os embargos de declaração interpostos pelo sujeito passivo, nos termos acima propostos. Encaminhemse os autos à unidade da RFB de origem para dar ciência ao sujeito passivo do presente despacho e demais providências. Fl. 691DF CARF MF Processo nº 16327.001201/200928 Acórdão n.º 9101003.036 CSRFT1 Fl. 692 5 Por meio dos documentos de efls. 552 e seguintes, o contribuinte apresenta uma petição denominada “ Embargos Inominados” contra o Despacho de Exame de Admissibilidade de Embargos de Declaração. Tais “Embargos Inominados” foram rejeitados por meio do Despacho de efls. 675 e seguintes. É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo Relatora Alega a embargante que o Acórdão nº 9101002.249, proferido por esta 1ª Turma da CSRF, em 01/03/2016, na parte admitida, foi omisso por ter deixado, este colegiado, de se pronunciar sobre a questão da legalidade da exigência de juros sobre multa de ofício, nos termos das razões deduzidas em sede de Recurso Voluntário. Com efeito, o colegiado a quo, ao julgar o Recurso Voluntário, deulhe integral provimento, exonerando totalmente as exigências, motivo pelo qual a matéria a respeito da legalidade da exigência de juros de mora sobre a multa de ofício deixou de ser apreciada, por prejudicada em virtude da exoneração dos lançamentos na questão de mérito. Assim, o Acórdão nº 9101002.249, desta 1ª Turma da CSRF, ao restabelecer os lançamentos, deveria ter apreciado a questão, o que não foi feito à época do julgamento, e que deve agora ser sanada. De fato, tratase de questão que não foi apreciada pelo colegiado a quo, e nem por este colegiado superior como de fato não poderia ter sido, por supressão de instância. Nessas condições, tem direito, o sujeito passivo, de ter analisada a questão nas duas câmaras de julgamento, evitandose, assim, o cerceamento do direito de sua defesa. Feitos os necessários esclarecimentos e sanada a omissão, voto no sentido de ACOLHER os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes, para determinar o retorno dos autos à Câmara a quo, para que esta profira novo julgamento a respeito, unicamente, da matéria meritória não dirimida e que diz respeito à legalidade da exigência de juros de mora sobre a multa de ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 692DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.001478/2009-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 31/12/2009
PRAZO DECADENCIAL. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Em se tratando de lançamento de ofício por descumprimento de obrigação acessória, o prazo decadencial, de cinco anos, é regido pelo art. 173, I, do CTN.
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
A obrigação acessória existiria mesmo se não houvesse obrigação principal, elas são independentes, e pela sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente a penalidade pecuniária (artigo 113, § 3º, CTN).Considerando que a empresa apresentou as informações solicitadas em meio digital com leiaute previsto nas normas da RFB e/ou do MPS, mas com dados discriminados em desacordo com o previsto no manual, mantém-se a multa pelo descumprimento das obrigações acessórias por ter deixado de prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) todas as informações de interesse, na forma estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, embora devidamente intimada.
MULTA PUNITIVA. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA. FATO GERADOR OCORRIDO ANTES DA INCORPORAÇÃO. TESE FIRMADA PELO STJ. REGIMENTO INTERNO DO CARF.
O STJ, no julgamento do REsp nº 923.012/MG, submetido ao regime do artigo 543-C, do revogado Código de Processo Civil, e já transitado em julgado em 04/06/2013, firmou a tese que a responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. Tal tema gerou inclusive a Súmula 554/STJ, publicada em 15/12/2015, com o seguinte teor: na hipótese de sucessão empresarial, a responsabilidade da sucessora abrange não apenas os tributos devidos pela sucedida, mas também as multas moratórias ou punitivas referentes a fatos geradores ocorridos até a data da sucessão.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2202-004.038
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 31/12/2009 PRAZO DECADENCIAL. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Em se tratando de lançamento de ofício por descumprimento de obrigação acessória, o prazo decadencial, de cinco anos, é regido pelo art. 173, I, do CTN. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A obrigação acessória existiria mesmo se não houvesse obrigação principal, elas são independentes, e pela sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente a penalidade pecuniária (artigo 113, § 3º, CTN).Considerando que a empresa apresentou as informações solicitadas em meio digital com leiaute previsto nas normas da RFB e/ou do MPS, mas com dados discriminados em desacordo com o previsto no manual, mantémse a multa pelo descumprimento das obrigações acessórias por ter deixado de prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) todas as informações de interesse, na forma estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, embora devidamente intimada. MULTA PUNITIVA. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA. FATO GERADOR OCORRIDO ANTES DA INCORPORAÇÃO. TESE FIRMADA PELO STJ. REGIMENTO INTERNO DO CARF. O STJ, no julgamento do REsp nº 923.012/MG, submetido ao regime do artigo 543C, do revogado Código de Processo Civil, e já transitado em julgado em 04/06/2013, firmou a tese que a responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. Tal tema gerou inclusive a Súmula 554/STJ, publicada em 15/12/2015, com o seguinte teor: na hipótese de sucessão empresarial, a responsabilidade da sucessora abrange não apenas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 14 78 /2 00 9- 51 Fl. 339DF CARF MF Processo nº 16327.001478/200951 Acórdão n.º 2202004.038 S2C2T2 Fl. 340 2 os tributos devidos pela sucedida, mas também as multas moratórias ou punitivas referentes a fatos geradores ocorridos até a data da sucessão. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Este processo já foi submetido à análise desta Turma de Julgamento, por ocasião da Resolução nº 2202000.648, de 16 de fevereiro de 2016, quando foi decidido converter o julgamento em diligência. Daquele relatório (fl. 277), colho o seguinte: Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente contra Acórdão nº 1625.901 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo I SP que julgou procedente em parte a autuação por descumprimento de obrigação acessória, Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA nº. 37.265.8970 (CFL 35). Conforme o Relatório Fiscal da Infração, o Auto de Infração, Código de Fundamentação Legal – CFL 35, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter deixado de prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) todas as informações de interesse, na forma estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, embora devidamente intimada. (...) A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente em parte a autuação, em virtude da retificação de ofício da multa aplicada, nos termos do Acórdão nº 1625.901 Fl. 340DF CARF MF Processo nº 16327.001478/200951 Acórdão n.º 2202004.038 S2C2T2 Fl. 341 3 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo I SP, conforme Ementa a seguir: (...) Ainda, a decisão de primeira instância retificou, de ofício, a multa aplicada pois não constatou a ocorrência de circunstâncias agravantes, nos termos do art. 290, V, parágrafo único do Decreto n.° 3.048/99: (...) Inconformada com a decisão de 1ª instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, onde combate fundamentadamente a decisão de primeira instância e reitera as argumentações deduzidas em sede de Impugnação. (i) Da Decadência aplicação do critério do art. 150, § 4º, CTN (ii) Do Mérito. Da Natureza Jurídica do Plano de Participação nos Lucros e Resultados e a Não Incidência de Contribuições Previdenciárias sobre Tais Valores (iii) Da Não Incidência de Contribuições Previdenciárias sobre Verbas Pagas de Vale Transporte em Dinheiro (iv) Da ilegalidade da aplicação das multas Impossibilidade de sucessão da responsabilidade por infrações. Em seu voto, esclareceu o Relator, ainda, que: O período objeto do auto de infração conforme o Relatório Fiscal da Infração é de 01/2004 a 12/2004. A Recorrente teve ciência do auto de infração em 31.12.2009, às fls. 01. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente em parte a autuação, em virtude da retificação de ofício da multa aplicada, nos termos do Acórdão nº 1625.901 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo I SP. Observase que a decisão de primeira instância adotou o critério decadencial do art. 173, I, CTN, de forma a que não houve o reconhecimento de decadência. Conforme o protocolo do CARF de 09.12.2015, às fls. 150 a 153, anotese que a Recorrente atravessou petição nos autos anexando cópias de Guias de Recolhimentos GPS de janeiro a dezembro de 2004, às fls. 164 a 262, requerendo a aplicação decadencial do art. 150, § 4º, CTN para as competências 01/2004 a 11/2004, bem como da Súmula CARF 99 e do entendimento do STJ no REsp 973.733. Ainda assim, o contribuinte na Petição atravessada nos autos, informando que para a competência 12/2004, permanecendo a discussão administrativa. reitera os argumentos já deduzidos em sede de Recurso Voluntário no sentido da plena satisfação dos Fl. 341DF CARF MF Processo nº 16327.001478/200951 Acórdão n.º 2202004.038 S2C2T2 Fl. 342 4 requisitos da Lei 10.101/2000, bem como em relação às verbas de vale transporte: (...) Entendeuse, porém, pela necessidade de confirmação dos recolhimentos, nos seguintes termos: ... a unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte verifique e informe conclusivamente a este E. Conselho, observandose a abertura de prazo de 30 dias para Manifestação do contribuinte, com vistas ao contraditório e à ampla defesa: (i) se nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, como por exemplo o PLENUS/CCOR, em quais competências, entre 01/2004 a 12/2004, há o registro de recolhimentos relativos à contribuição social previdenciária feitos pela Recorrente. (ii) se, em relação ao recolhimento feito no conexo processo principal nº 16327.001473/200928 na competência 12/2004, com cópia da GPS às fls. 559, este recolhimento é suficiente para afastar a tributação incidente na competência 12/2004, no conexo processo principal nº 16327.001473/200928. (iii) se há processo judicial na qual a Recorrente seja parte, por qualquer modalidade processual, com o mesmo objeto do presente processo administrativofiscal. A diligência foi cumprida, anexandose nas fls. 287 e seguintes a Informação Fiscal DICAT/DEINF, de 13 de maio de 2016. Regularmente intimado, o contribuinte manifestouse nas fls. 299 e seguintes. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais disposições legais, dele tomo conhecimento. A numeração de folhas a que me refiro é a existente no processo digital, após a transformação em arquivo magnético (eprocesso). Conforme destacado no relatório, tratamos aqui de lançamento de ofício de multa por deixar a empresa de prestar a Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários a fiscalização, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, III e parágrafo 11, com redação da MP n. 449, de 03.12.2008, uma vez que o Contribuinte apresentou as Informações solicitadas em meio digital com leiaute Fl. 342DF CARF MF Processo nº 16327.001478/200951 Acórdão n.º 2202004.038 S2C2T2 Fl. 343 5 previsto nas normas da RFB e/ou do MPS, atual ou em vigor a época de ocorrência dos fatos geradores; com dados discriminados em desacordo com o previsto no manual, quais sejam, a tabela de incidência das rubricas não está correta, não foi possível validar a base cálculo das contribuições previdenciárias. Os dados informados referemse ao período de 01/2004 a 12/2004 conforme Termo de Intimação. A DRJ, ao julgar a impugnação, entendeu por manter em parte o crédito tributário, em virtude da retificação de ofício da multa aplicada, alterando seu valor para R$ 79.749,96 (setenta e nove mil e setecentos e quarenta e nove reais e noventa e seis centavos). Considerando que a ciência do Auto de Infração deuse em 31/12/2009 (fl.02), o contribuinte vem, desde a impugnação, requerendo que seja reconhecida a decadência do lançamento. DECADÊNCIA. Conforme disposto no relatório, o período em questão estendese de 01/2004 a 12/2004 e o Auto de Infração foi regularmente cientificado ao sujeito passivo em 31/12/2009, conforme fl. 02. No voto no processo 16327.001473/200928, ao qual este está apensado, manifesteime pela aplicação do entendimento do seguinte Acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF): Acórdão 9202005.380, de 25 de abril de 2017. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/1995 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. COMPROVAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o., DO CTN. O § 2º do art. 62 do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com que a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173 nas demais situações. SÚMULA CARF nº 99. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. No presente caso, existe, nos autos, Fl. 343DF CARF MF Processo nº 16327.001478/200951 Acórdão n.º 2202004.038 S2C2T2 Fl. 344 6 evidência de recolhimento antecipado para algumas das competências lançadas, devendose assim aplicar, para fins de reconhecimento de eventual decadência dessas competências, o disposto no citado art. 150, § 4°, do CTN, mantendose a regra geral, insculpida no art. 173, I, do CTN para as demais competências. (destaquei) Entretanto, aqui se trata de multa por lançamento de ofício, não havendo porque ser aplicado o artigo 150 do CTN, que fala em lançamento por homologação. Assim, repisese o que foi dito no Acórdão 2202003.683, de 08 de fevereiro de 2017: PRAZO DECADENCIAL OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Em se tratando de crédito por descumprimento de obrigação acessória, o prazo decadencial, de cinco anos, é regido pelo art. 173, I, do CTN. voto (...)Portanto, no caso aqui sob análise, em relação ao DEBCAD nº ... AIOA, onde foi aplicada a multa por descumprimento da obrigação acessória prevista no Art.32, inciso IV, e § 5º, da Lei 8.212/91 (omissão de contribuições nas GFIP), o prazo decadencial começa a fluir a partir do 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.... Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado é 01 de janeiro de 2005 e tendo em conta que a ciência do lançamento deuse em 31/12/2009, não há que se falar em decadência do lançamento. MÉRITO O contribuinte, assim como em outros processos decorrentes da mesma ação fiscal (16327.001473/200928, 16327.001474/200972, 16327.001475/200917, 16327.001477/200914 e 16327.001476/200961) discute no recurso a questão do pagamento de PLR, defendendo que teria sido dentro dos ditames legais, e do pagamento de vale transporte em dinheiro, defendendo a não incidência de contribuições previdenciárias. Entretanto, independentemente do que se disse nos votos proferidos naqueles processos, aqui a situação é diferente, pela natureza da infração. Observese que a infração apontada referese à falta de apresentação de informações/arquivos à fiscalização, na forma prevista na legislação tributária, conforme se detalhou no início deste voto. Portanto, nada tem a ver com pagamento de PLR ou Vale Transporte, tenha sido ele regular ou irregular. O CTN é claro ao discernir a obrigação principal (pagar o tributo) das obrigações acessórias (fazer ou não fazer algo no interesse da fiscalização e da arrecadação tributárias). No caso específico, apresentar as informações, discriminadas conforme definido pela legislação, era um "fazer no interesse da fiscalização". Fl. 344DF CARF MF Processo nº 16327.001478/200951 Acórdão n.º 2202004.038 S2C2T2 Fl. 345 7 A obrigação acessória existe mesmo que não haja obrigação principal, elas são independentes, e pela sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente a penalidade pecuniária (artigo 113, § 3º, CTN). Não verifiquei no recurso que o contribuinte tenha rebatido a acusação de que não apresentou os arquivos e informações requisitadas, na forma prevista na legislação. APLICAÇÃO DA MULTA Expôs a DRJ, em seu Voto, que: Quanto à multa relativa à infração em tela, temse que ela está prevista nos artigos 92 e 102 da Lei n. ° 8.212/91, e nos artigos 283, inciso II, alínea "b", e 373 do RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99, sendo seu valor atualizado pela Portaria Interministerial MPS/MF n.° 48, de 12/02/2009, D.O.U. de 13/02/2009, correspondendo, na data de lavratura do AI, a R$ 13.291,66 (treze mil e duzentos e noventa e um reais e sessenta e seis centavos), na situação de não ocorrência de circunstância agravante. (...) Como se depreende dos dispositivos legais retro transcritos, a correta gradação da multa deve se dar com a elevação em 6 (seis) vezes o valor mínimo de R$ 13.291.66 (treze mil e duzentos e noventa e um reais e sessenta e seis centavos), atualizado pela Portaria Interministerial MPS/MF n.° 48, de 12/02/2009, D.O.U. de 13/02/2009, tendo em vista a ocorrência de uma reincidência totalizando o valor de R$ 79.749,96 (setenta e nove mil e setecentos e quarenta e nove reais e noventa e seis centavos).(destaquei) Também não verifiquei no recurso que o contribuinte questionasse essa gradação da penalidade. IMPOSSIBILIDADE DE SUCESSÃO DA RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES TRIBUTÁRIAS PELA RECORRENTE. Alega ainda a Recorrente que sendo sucessor por incorporação da UNIBANCO SEGUROS S/A, possui responsabilidade pelos tributos devidos até a data da aludida incorporação. No entanto, diz que a interpretação do artigo 132 do CTN, moldada no conceito de que a pena não deve passar da pessoa de seu infrator, leva a crer que a empresa incorporadora é responsável apenas pelos tributos/contribuições devidos pela empresa incorporada, uma vez que a norma não faz referência às multas por infração à legislação tributária. Na ATA Sumária da Assembléia Geral Extraordinária realizada no dia 28 de fevereiro de 2009, cuja cópia consta dos autos do processo 16327.001473/200928 (fl. 228), temos que: DELIBERAÇÕES TOMADAS POR UNANIMIDADE DOS PRESENTES: Fl. 345DF CARF MF Processo nº 16327.001478/200951 Acórdão n.º 2202004.038 S2C2T2 Fl. 346 8 1. Aprovado o Protocolo e Justificação de incorporação (" Protocolo e Justificação ), celebrado em 28 de fevereiro de 2009 pelos órgãos de administração da Sociedade e da UNIBANCO SEGUROS S.A., com sede em São Paulo (SP), na Avenida Eusébio Matoso n° 1.375, 8 4 andar, inscrita no CNPJ sob o n° 33.166.1581000195 (Anexo 1). O Protocolo e Justificação estabelece todos os termos e condições da incorporação da totalidade do patrimônio da UNIBANCO SEGUROS S.A. pela Sociedade ("incorporação"). Portanto, a incorporação só começou a ser tratada em 2009 e aqui falamos de fatos geradores ocorridos em 2004. Apliquese o entendimento proferido no Acórdão 2202003.437, de 14 de junho de 2016: MULTA PUNITIVA. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA. FATO GERADOR OCORRIDO ANTES DA INCORPORAÇÃO. TESE FIRMADA PELO STJ. REGIMENTO INTERNO DO CARF. O STJ, no julgamento do REsp nº 923.012/MG, submetido ao regime do artigo 543C, do revogado Código de Processo Civil, e já transitado em julgado em 04/06/2013, firmou a tese que a responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. Tal tema gerou inclusive a Súmula 554/STJ, publicada em 15/12/2015, com o seguinte teor: na hipótese de sucessão empresarial, a responsabilidade da sucessora abrange não apenas os tributos devidos pela sucedida, mas também as multas moratórias ou punitivas referentes a fatos geradores ocorridos até a data da sucessão. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.(sublinhei) CONCLUSÃO Pelo exposto, VOTO por não reconhecer a decadência do lançamento e, no mérito, VOTO por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada Fl. 346DF CARF MF Processo nº 16327.001478/200951 Acórdão n.º 2202004.038 S2C2T2 Fl. 347 9 Fl. 347DF CARF MF
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Numero do processo: 10932.000181/2008-72
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano calendário: 2004 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Incabível embargos de declaração quando o acórdão embargado não contém os vícios apontados pela embargante.
Numero da decisão: 1802-001.132
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos interpostos pela Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Incabível embargos de declaração quando o acórdão embargado não contém os vícios apontados pela embargante. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos interpostos pela Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marco Antonio Nunes Castilho, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marciel Eder Costa. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/ 03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional com base no artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (aprovado pela Portaria MF n. 256, de 22/06/2009 e alterações posteriores), sob alegação de “omissão/contradição/obscuridade” no acórdão nº 1802001.022 proferido pelo colegiado dessa Segunda Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento do CARF, no processo em epígrafe, em sessão realizada no dia 22/11/2011. O acórdão foi recepcionado na Procuradoria da Fazenda Nacional, em 06/12/2011, e, os embargos foram apresentados em 13/12/2011. A Embargante afirma que o r. acórdão proveu o recurso voluntário, sob o fundamento de precariedade da prova apresentada pelo Fisco, contudo, contrapõese ao decidido no mencionado acórdão afirmando que, a acusação fiscal tem esteio em prova emprestada, produzida no bojo dos processos criminais nº:2003.70.00303334 e 2004.70.0000082670, em curso perante a 2ª Vara Federal de Curitiba. Assim, continuam os presentes embargos: (...) Resulta disso, a teor do disposto no Código Civil, art.935,I, e CPP, art. 63 e ss, que as questões que foram objeto daqueles feitos criminais são prejudiciais em relação ao presente processo administrativo. Por conseguinte, é defeso discutir na via do contencioso administrativo a validez dos laudos, inclusive suas conclusões, sob pena de o processo fiscal se sobrepujar ao Judicial. Ad argumentandum tantum, cumpre consignar que as remessas foram feitas a favor de tradicionais fornecedores da Embargada. São elas: Daewoo Heavy Industries And Machinery Ltda e Tuthill Corporation³. Anteriormente, ao longo do ano de 2002, a Embargada remeteu àquelas empresas valores a título de pagamento de fatura, tal como registram os documentos de fls:45, 47 e 49. Consta nos registros do Banco Central do Brasil, Departamento de Capitais Estrangeiros e Câmbio, as seguintes remessas ao longo do ano de 2002: Objeto: Certificados de Registro de Capital Estrangeiro; ROF REGISTROS APROVADOS EM: MAIO/2002 IMPORTACAO FINANCIADA4. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/ 03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10932.000181/200872 Acórdão n.º 1802001.132 S1TE02 Fl. 538 3 TA1/ 68512 PROEMA AUTOMOTIVA S. A. SP 1 A responsabilidade civil é independente da criminal, não se podendo questionar mais sobre a existência do fato, ou sobre quem seja o seu autor, quando estas questões se acharem decididas no juízo criminal. 2 Vide documentos de fls. 47 e 49. 3 Vide documentos de fl. 45. 4 http://www.bcb.gov.br/rex/registrosCE/2002/rce052002.pdf DAEWOO HEAVY INDS.L COREIA DO SUL USD 248.568,00 TA1/68727 PROEMA AUTOMOTIVA S. A. SP DAEWO HEAVY INDS.AM EUA USD 92.560,00 Objeto: Certificados de Registro de Capital Estrangeiro; ROF REGISTROS APROVADOS EM: ABRIL/2002 IMPORTACAO FINANCIADA5 TA1/ 68576 PROEMA AUTOMOTIVA S. A. SP DAEWOO HEAVY INDS.L COREIA DO SUL USD 26.393,40 TA1/68740 PROEMA AUTOMOTIVA S. A. SP DAEWO HEAVY INDS.AM EUA USD 7.383,00 Objeto: Certificados de Registro de Capital Estrangeiro ROF REGISTROS APROVADOS EM: JULHO/2002 IMPORTACAO FINANCIADA6 TA1/89651 PROEMA PRODS.ELETROMETALURGICOS S.A. SP TUTHILL CORP. CABLE EUA USD 22.336,00 TA1/89654 PROEMA PRODS.ELETROMETALURGICOS S.A. SP TUTHILL CORP. CABLE EUA USD 51.720,00 TA1/89659 PROEMA PRODS.ELETROMETALURGICOS S.A. SP TUTHILL CORP. CABLE EUA USD 50.111,00 Fl. 295DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/ 03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 TA1/89663 5 http://www.bcb.gov.br/rex/registrosCE/2002/rce042002.pdf 6 http://www.bcb.gov.br/rex/registrosCE/2002/rce072002.pdf PROEMA PRODS.ELETROMETALURGICOS S.A. SP TUTHILL CORP. CABLE EUA USD 21.835,30 TA1/89665 PROEMA PRODS.ELETROMETALURGICOS S.A. SP TUTHILL CORP. CABLE EUA USD 36.400,00 Assim, a acusação fiscal não destoa em nada da prática comercial da Embargada, exceto, pelo fato de que a mesma remeteu os valores por meio ilegal. Não é difícil entender o porquê dos pagamentos aos fornecedores por meio ilegal. Por óbvio, a medida visava encobrir o “ estouro de caixa” , pois, não se poderia registrar legalmente pagamentos ancorados em omissão de receita. PEDIDO Posto isso, a FAZENDA NACIONAL requer o conhecimento e provimento destes embargos declaratórios para ser sanada a contradição e a omissão acima indicadas. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Ester Marques Lins de Sousa Conforme relatado o acórdão embargado foi recepcionado pela Procuradoria da Fazenda Nacional, em 06/12/2011, conforme Despacho de Encaminhamento – CARF, considerandose intimada 30 (trinta) dias após. (§§ 7º ao 9º, do art.23, do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pela Lei nº 11.547, de 16/03/2007, D.O.U de 19/03/2007). Os embargos foram apresentados em 13/12/2011, portanto, tempestivos, deles conheço. O acórdão embargado concluiu pela ausência de documentos que possam caracterizar a autoria das operações no exterior. A Embargante contrapõese ao decidido no mencionado acórdão afirmando que, a acusação fiscal tem esteio em prova emprestada, produzida no bojo dos processos criminais nº:2003.70.00303334 e 2004.70.0000082670, em curso perante a 2ª Vara Federal de Curitiba. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/ 03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10932.000181/200872 Acórdão n.º 1802001.132 S1TE02 Fl. 539 5 Ocorre que, se provas existem produzidas no bojo do processo criminal nº:2003.70.00303334, nada consta dos autos do presente processo administrativo nesse sentido. Quanto ao processo nº 2004.70.0000082670, dessumese que o Juíz da 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba, em 29 de abril de 2004, decretou a quebra do sigilo bancário e autorizou o Ministério Público Federal a utilizar documentos e mídias eletrônicas recebidas da CPMI do Banestado, que, por sua vez, os receberam da Promotoria Distrital de Nova York, relativamente às contas mantidas no MTBCBCHudson Bank, Safra Bank e Lespan. Bem como, o compartilhamento de todos estes dados com a Receita Federal, Bacen, e Coaf, para instruir as atividades especificas desses órgãos. No entanto, apesar de constar do Termo de Verificação Fiscal que, em 09/09/2003, a Promotoria apresentou as mídias eletrônicas e documentos contendo dados financeiros relativos à empresa Beacon Hill, após decisão judicial (Order to Disclose), de 29/08/2003 (fls. 42 a 48). E que, no Brasil, foi instaurado inquérito para apurar crime contra o Sistema Financeiro Nacional e contra a Ordem Tributária. Não constam dos autos mencionados documentos que fariam parte do conjunto probatório a evidenciar as operações no exterior. Afora a transcrição dos dados da Recorrente pela própria Receita Federal às fls.40/48, inexiste nos autos qualquer documento de prova que trate do fato que ensejou a tributação onde o contribuinte seja identificado como remetente e/ou ordenante e/ou beneficiário dos recursos financeiros movimentados no exterior, através de conta mantida no banco "JP Morgan Chase Bank" pela empresa "Beacon Hill Service Corporation”. A explicação acima consta no voto condutor do Acórdão embargado, razão pela qual se concluiu que apenas os dados transcritos de fls.40/48, de forma isolada, não fazem prova da autoria efetiva da remessa em comento, seja como remetente e/ou ordenante. Como se vê a afirmação da Embargante de que, “é defeso discutir na via do contencioso administrativo a validez dos laudos, inclusive suas conclusões, sob pena de o processo fiscal se sobrepujar ao Judicial” , é totalmente fora de contexto, pois, inexiste nos presentes autos “ conclusões de laudos” extraídas de processo judicial a fazer prova no âmbito administrativo. Contrapondose aos fundamentos do acórdão embargado a Embargante traz para sustentar sua argumentação remessas ao longo do ano de 2002 colhidas de registros do Banco Central do Brasil, Departamento de Capitais Estrangeiros e Câmbio http://www.bcb.gov.br . E afirma que a acusação fiscal não destoa em nada da prática comercial da Embargada, exceto, pelo fato de que a mesma remeteu os valores por meio ilegal. A ilação feita pela Embargante por remessas em 2002 não constitui fundamento para as remessas em 2004 de que trata o auto de infração. Assim, não há qualquer fundamento para que sejam acolhidos os Embargos apresentados sob o pretexto de que o julgado embargado foi omisso ou ainda viciado por contradição ou obscuridade. A rigor, não vejo como acolher os presentes embargos, pois, toda argumentação da Embargante diz respeito à matéria de prova. Como se sabe, no exame da prova dos autos o julgador é detentor do livre convencimento, não se prestando embargos de declaração para, sob a suposição de omissão no exame de ponto essencial ao deslinde da controvérsia e contradição Fl. 297DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/ 03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 na sua fundamentação instigar à nova apreciação e julgamento.Incabível os embargos quando inexiste qualquer dos vícios apontados pela embargante. Portanto, da análise dos autos entendo não estarem presentes no acórdão embargado qualquer das situações previstas no dispositivo regimental, ou seja, no artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Diante das considerações acima, voto no sentido de que sejam REJEITADOS os embargos de declaração. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/ 03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 11060.001354/2009-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Sep 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006
AUSÊNCIA DE EXAME DAS RAZÕES DE IMPUGNAÇÃO PELA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. NULIDADE.
A ausência de exame das razões que embasam a impugnação do lançamento enseja a declaração de nulidade da decisão de primeiro grau, com o retorno do processo à Delegacia de Julgamento para a sua devida apreciação, sob pena de supressão de instância e cerceamento de defesa.
Numero da decisão: 2402-005.929
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso para anular a decisão de primeira instância administrativa, determinando que o processo retorne à instância de origem para que essa se pronuncie acerca da aplicabilidade, no caso concreto, da isenção prevista no art. 39 da Lei nº 11.196/2005.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006 AUSÊNCIA DE EXAME DAS RAZÕES DE IMPUGNAÇÃO PELA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. NULIDADE. A ausência de exame das razões que embasam a impugnação do lançamento enseja a declaração de nulidade da decisão de primeiro grau, com o retorno do processo à Delegacia de Julgamento para a sua devida apreciação, sob pena de supressão de instância e cerceamento de defesa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso para anular a decisão de primeira instância administrativa, determinando que o processo retorne à instância de origem para que essa se pronuncie acerca da aplicabilidade, no caso concreto, da isenção prevista no art. 39 da Lei nº 11.196/2005. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Fernanda Melo Leal.
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NULIDADE. A ausência de exame das razões que embasam a impugnação do lançamento enseja a declaração de nulidade da decisão de primeiro grau, com o retorno do processo à Delegacia de Julgamento para a sua devida apreciação, sob pena de supressão de instância e cerceamento de defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 13 54 /2 00 9- 20 Fl. 117DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso para anular a decisão de primeira instância administrativa, determinando que o processo retorne à instância de origem para que essa se pronuncie acerca da aplicabilidade, no caso concreto, da isenção prevista no art. 39 da Lei nº 11.196/2005. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Fernanda Melo Leal. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 11060.001354/200920 Acórdão n.º 2402005.929 S2C4T2 Fl. 13 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS) DRJ/POA, que julgou procedente Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) relativo aos anoscalendário 2004 e 2009. Os termos da autuação e da impugnação foram assim resumidos no relatório da decisão de piso: O contribuinte supraidentificado foi autuado por omitir ganho de capital na alienação de bens adquiridos em reais nos anoscalendário 2004 e 2006. Em 31/05/2004 foram alienados 45,32058 hectares para Manuel Munhoz Pereira, CPF nº 324.673.38053, pelo valor de R$54.384,60 e em 08/06/2006 foram vendidos 103,6234 hectares à Agroflorestal Verde Sul S.A., CNPJ nº 07.479.026/000103 pelo montante de R$307.817,41. As alienações anteriores foram atingidas pela decadência. O imóvel objeto da alienação em 08/06/2006, matricula 14.696, foi adquirido do pai Militão Fialho Gonçalves (R.3/14.696) por doação, constando como valor de aquisição o montante de R$52.091,70 e, posteriormente, alienado por R$517.837,20 (R.12/14.696) à Agroflorestal Verde Sul S.A. Enquanto, o imóvel objeto da alienação em 31/05/2004, 45,3205 hectares (matricula nº 14.695) foi adquirido da mãe, Maria Antonieta Gonçalves, por R$33.990,37 e alienado para Manuel Munhoz Pereira por R$54.384,60, conforme descrição no Relatório de Fiscalização das folhas 05 a 09. O imposto de renda apurado no ganho de capital está no Demonstrativo de Apuração das folhas 10 a 12. O autuado apresentou impugnação em 16/06/2009 através de sua representante legal, qualificada na folha 48, alegando, inicialmente, que os campos objeto das alienações foram adquiridos por herança em 2001 e 2002 e vendidos em 2003 a 2006 e que os tiveram valorização acentuada em função da demanda por empresas de reflorestamento. Não concorda com os cálculos efetuados em relação ao custo de aquisição e salienta que os valores auferidos na alienação foram reinvestidos em outros imóveis e que, segundo orientação do contador, só seriam tributáveis se não reinvestidos. Diante desta informação, entende que não cometeu qualquer irregularidade pois adquiriu bens moveis e imóveis conforme observa na impugnação das folhas 46/47. Diante do exposto requer seja tornado nulo o auto de infração. A exigência foi mantida no julgamento de primeiro grau (fls. 93/96), motivando a interposição de recurso voluntário em 11/6/2012 (fls. 104/113), no qual foram repisadas os argumentos da impugnação. É o relatório. Fl. 119DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O contribuinte na impugnação, além de se irresignar no que tange ao custo de aquisição dos imóveis por ele vendidos o que foi devidamente analisado pela decisão de piso, ressaltese também trouxe alegação no seguinte sentido (fls. 45/47): Salientese, contudo que tal patrimônio advindo de herança e doação foi devidamente alienado e os valores empreendidos em outros imóveis sendo informado ao requerente por seu contabilista que somente geraria tributo se tais valores decorrente da alienação não fossem vendidos e incorporassem em moeda corrente aumentando o ganho do mesmo junto ao imposto de renda. Diante de tal informação o requerente crê que não efetuou qualquer irregularidade eis que todo o valor adquirido através das alienações constantes no auto de infração foram aplicadas na compra de outros imóveis, tudo advindo da herança e doações percebidas por seu pai e sua mãe. Conforme documentos em anexo que foram devidamente discriminados em seu imposto de renda tudo o que foi auferido através de alienações referentes a matrícula nº 14.696 e 14.695 o requerente adquiriu os seguintes bens móveis e imóveis: (...) Os bens adquiridos oriundos da alienação dos bens doados bem como os percebidos de herança de seu pai e de sua mãe foram empreendidos em bens imóveis no valor total de R$ 782.269,18. (...) Por seu turno, a DRJ/POA manifestouse sobre a espécie em apenas um parágrafo, que aqui se transcreve: Da mesma forma, não há qualquer previsão legal para exclusão da tributação sobre o ganho de capital visto que não se enquadra nas situações previstas nos artigos 120 a 122 do Decreto nº 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR). Ora, em que pese a algo tortuosa linha argumentativa do arrazoado, resta claro o suficiente que o recorrente entende que, tendo aplicado o montante auferido na venda dos bens imóveis na compra de outros bens móveis e imóveis que descreve e documenta, estaria ele contemplado por hipótese isentiva no que tange ao ganho de capital. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 11060.001354/200920 Acórdão n.º 2402005.929 S2C4T2 Fl. 14 5 À toda vista, então, o contribuinte não se refere às isenções referidas nos arts. 120 a 122 do RIR/99, ou seja, atinentes a alienação de bens e direitos de pequeno valor, cujo preço unitário de alienação, no mês em que esta se realizar, seja igual ou inferior a vinte mil reais, ou à venda do único imóvel que o titular possua, cujo valor de alienação seja de até quatrocentos e quarenta mil reais, desde que não tenha sido realizada qualquer outra alienação nos últimos cinco anos. Mas sim à prevista no art. 39 da Lei nº 11.196/05, verbis: Art. 39. Fica isento do imposto de renda o ganho auferido por pessoa física residente no País na venda de imóveis residenciais, desde que o alienante, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias contado da celebração do contrato, aplique o produto da venda na aquisição de imóveis residenciais localizados no País. § 1oNo caso de venda de mais de 1 (um) imóvel, o prazo referido neste artigo será contado a partir da data de celebração do contrato relativo à 1a(primeira) operação. § 2oA aplicação parcial do produto da venda implicará tributação do ganho proporcionalmente ao valor da parcela não aplicada. § 3oNo caso de aquisição de mais de um imóvel, a isenção de que trata este artigo aplicarseá ao ganho de capital correspondente apenas à parcela empregada na aquisição de imóveis residenciais. § 4oA inobservância das condições estabelecidas neste artigo importará em exigência do imposto com base no ganho de capital, acrescido de: I juros de mora, calculados a partir do 2o(segundo) mês subseqüente ao do recebimento do valor ou de parcela do valor do imóvel vendido; e II multa, de mora ou de ofício, calculada a partir do 2o(segundo) mês seguinte ao do recebimento do valor ou de parcela do valor do imóvel vendido, se o imposto não for pago até 30 (trinta) dias após o prazo de que trata o caput deste artigo. § 5oO contribuinte somente poderá usufruir do benefício de que trata este artigo 1 (uma) vez a cada 5 (cinco) anos. Não se refere o contribuinte, assim, às situações previstas nos arts. 120 e 122 do RIR/99, mas sim ao preceito do art. 39 da Lei nº 11.196/05. E, como nesse particular as razões de fato e de direito carreados pelo impugnante quedaram não apreciadas no julgamento de primeiro grau, verificase preterição do exercício de direito de defesa a ensejar a nulidade do acórdão guerreado, bem como supressão de instância e violação ao princípio/garantia do duplo grau de jurisdição administrativo. Nessa feita, deverá o processo retornar para a Delegacia de Julgamento, para que ela se manifeste sobre se os documentos carreados pelo contribuinte permitem a conclusão de estar ele contemplado pelo benefício isentivo que postula, ou seja, o disposto no art. 39 da Fl. 121DF CARF MF 6 Lei nº 11.196/05 supra, bem como, sendo o caso, dimensionar concretamente o impacto dessa conclusão no crédito tributário guerreado. Ante o exposto, voto no sentido dar parcial provimento ao recurso para anular a decisão de primeira instância administrativa, determinando que o processo retorne à instância de origem para que essa se pronuncie acerca da aplicabilidade, no caso concreto, da isenção prevista no art. 39 da Lei nº 11.196/05. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 122DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19647.003804/2003-44
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 14 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003
VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS. COTEJO ENTRE VALORES
PAGOS/DECLARADOS E ESCRITURADOS. LIVROS FISCAIS.
É legítimo o procedimento fiscal do lançamento tributário das diferenças encontradas entre os valores efetivamente pagos e declarados em DCTF pela empresa e aqueles escriturados em seus livros fiscais.
Numero da decisão: 1801-000.415
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Ana de Barros Fernandes
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003 VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS. COTEJO ENTRE VALORES PAGOS/DECLARADOS E ESCRITURADOS. LIVROS FISCAIS. É legítimo o procedimento fiscal do lançamento tributário das diferenças encontradas entre os valores efetivamente pagos e declarados em DCTF pela empresa e aqueles escriturados em seus livros fiscais.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003 VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS. COTEJO ENTRE VALORES PAGOS/DECLARADOS E ESCRITURADOS. LIVROS FISCAIS. É legítimo o procedimento fiscal do lançamento tributário das diferenças encontradas entre os valores efetivamente pagos e declarados em DCTF pela empresa e aqueles escriturados em seus livros fiscais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora EDITADO EM: 17/12/2010 Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Sandra Maria Dias Nunes, Rogério Garcia Peres e Ana de Barros Fernandes. Relatório Fl. 460DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Em procedimento de verificações obrigatórias do cumprimento das obrigações tributárias, que consiste no cotejo entre os valores declarados em DCTF e/ou pagos com aqueles escriturados pelo contribuinte, a fiscalização constatou que houve diferenças nos trimestres dos anos-calendários de 1999, 2000, 2001 e 2002, ensejando os lançamentos tributários, de ofício, para as exigências de IRPJ e CSLL, com os acréscimos legais (multa de ofício regular e juros moratórios). Os Autos de Infração encontram-se às fls. 04 a 17 (IRPJ) e 206 a 219 (CSLL) e as ocorrências estão minuciosamente explicitadas no Termo de Verificações de fls. 159 a 166 (IRPJ) e 365 a 372 (CSLL). A empresa é optante pelo Lucro Presumido e as DIPJ dos períodos assinalados – exercício 2000 a 2003 – foram entregues preenchidas com valores ‘zerados’. A fiscalização juntou ao presente cópias de alguns balancetes mensais – janeiro a março de 1999 – (fls. 47 a 52) e cópias do Livro de Registro de Apuração do ICMS (LAICMS), às fls. 53 a 145, nos demais meses (abril de 1999 a dezembro de 2002), consolidando-se os valores das receitas brutas mensais, e trimestrais, bem como os valores pagos e declarados em DCTF pela contribuinte, relativos ao IRPJ, às fls. 147 a 157, e relativos à CSLL, às fls. 350 a 363. A empresa impugnou os lançamentos tributários às fls. 171 a 174 (IRPJ) e 375 a 378 (CSLL) argumentando que se especializou em fornecer merenda escolar, praticando melhores preços do que a concorrência e, em vista dos contratos firmados, impossibilitada de reajustar os preços, o que a levou a não pagar integralmente os tributos, mormente os federais. Alega que assim procedeu para não deixar de cumprir a folha de pagamento dos funcionários e para garantir a sobrevivência da empresa, não agindo de má-fé, mas em benefício do município ao qual se destinam as merendas. Defende que, na qualidade de optante pelo lucro presumido, pode escolher entre o regime de caixa e o de competência, sendo que a fiscalização não atentou para o elemento do diferimento, exigindo os tributos de forma antecipada e gravados com “...multa e juros em patamares superiores aos efetivamente devidos pelo contribuinte”. A Terceira Turma de Julgamento da DRJ em Recife/PE exarou o Acórdão nº 11-19.851/07, fls. 406 a 410, e manteve os lançamentos tributários, restando o aresto assim ementado: “RESPONSABILIDADE PELA INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA: Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações à legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. DIFERENÇA ENTRE VALORES DECLARADOS E ESCRITURADOS. Procede a tributação do IRPJ e da CSLL sobre diferenças encontradas pela comparação entre valores de receitas declarados ou pagos e valores escriturados no Registro de Apuração do ICMS.” Irresignada, a empresa, tempestivamente, interpôs o Recurso Voluntário de fls. 420 a 423, trazendo novas razões de defesa, além de genericamente se referir àquelas apresentadas na defesa inicial. Assim se reporta: “Torna-se maculado o lançamento que com base em informações prestadas ao fisco estadual caracteriza o arbitramento do lucro, quando por caso fortuito, inclusive com declaração expressa à fiscalização, o Contribuinte deixa de apresentar os livros Fl. 461DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19647.003804/2003-44 Acórdão n.º 1801-00.415 S1-TE01 Fl. 435 3 diário e razão, não havendo nenhuma prova de inexatidão de suas declarações de rendimentos. Ademais, para a apuração da pretensa receita omitida, não foram levados a efeito as vendas canceladas e os estornos, aumentando dessa forma os valores envolvidos, como se tratassem de receita auferida e não declarada. Assim, como visto, mostra-se injustificável a não-exoneração total do pretenso crédito tributário apurado a titulo de IRRJ e da CSLL. Em assim sendo, e, CONSIDERANDO que a tributação imposta ao Recorrente é por demais abusiva e fere os seus direitos e garantias individuais; CONSIDERANDO a impossibilidade da tributação apenas com base nas informações prestadas ao fisco estadual, consoante farta jurisprudência administrativa colacionada.” Cita duas ementas de acórdãos: um julgado referente ao arbitramento do lucro com base em prova emprestada do fisco estadual; o outro relativo a arbitramento do lucro quando resultar inexistentes livros e documentos devido a incêndio e não comprovado os vícios nas declarações apresentadas. Requer a insubsistência dos lançamentos tributários e o arquivamento do processo. É o relatório. Passo a analisar as razões recursais. Voto Conselheira ANA DE BARROS FERNANDES, Relatora Conheço do recurso voluntário, por tempestivo. De plano, adoto integralmente os fundamentos do aresto ora vergastado em vista da recorrente não haver contraposto qualquer ponto em relação àqueles. As argumentações iniciais da recorrente, tais como fornecer merenda escolar por preços bons, com qualidade, a município ou prestigiar o pagamento da folha de funcionários, impostos municipais e estaduais em detrimento aos federais, não tem o condão de afastar a tributação realizada e erguida em face aos recolhimentos efetuados a menores, a título de IRPJ e CSLL, dada a natureza cogente das obrigações tributárias, quer sejam federais ou não. Circunstâncias e aspectos subjetivos não podem ser opostos ao dever de cumprir com estas obrigações. Com referência ao que denomina “diferimentos” não considerados pela fiscalização, a recorrente não refuta as bem colocadas razões expostas pela turma julgadora a quo, que salientou o fato de os lançamentos terem sido realizados com base nos registros fiscais, e contábeis, apresentados pela própria recorrente. Fl. 462DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Com relação às alegações trazidas na peça recursal, nota-se o caráter visível de ser o recurso meramente protelatório, pois em nada condiz com a realidade fática estampada nos presentes autos: a) a fiscalização não buscou prova “emprestada” utilizada pelo fisco estadual, mas considerou os valores escriturados pela própria recorrente em seus livros fiscais – no caso, Livro de Registro de Apuração de ICMS que retratam as receitas brutas obtidas e balancetes mensais também apresentados pela empresa à fiscalização; b) no presente caso não está caracterizado qualquer incêndio, ou outro caso fortuito, que impedisse a fiscalizada de apresentar os Livros Diário e Razão, o que sequer está obrigada a fazer, pois é optante pelo lucro presumido (pode manter apenas a escrituração do livro Caixa); c) as declarações de rendimentos e os valores nelas expressos não foram desconsideradas porque havia nelas inexatidões, mas sim porque as suas juntadas aos autos comprovam que foram todas preenchidas com valores ‘zerados’, em flagrante descompasso com os livros escriturados; d) com relação às vendas canceladas e estornos, está explicitado no Termo de Verificações que não se verificou registros contábeis quaisquer que atestem existirem, e nem a empresa em suas defesas traz qualquer elemento de prova para que supostos valores sejam abatidos das receitas brutas mensais. Ademais, como é cediço, essas matérias não foram trazidas na impugnação interposta pela contribuinte, sendo insuscetível de ser apreciada por este órgão colegiado de segunda instância. Enriqueço esse voto com a ementa do Acórdão nº CSRF / 01-03.351/01, prolatado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais: MATÉRIA PRECLUSA – O julgamento administrativo inicia-se com o exame do lançamento sobre o qual pode falar o julgador independentemente de argumentação por parte do sujeito passivo. Admitida a legalidade do ato, questões não provocadas a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, com a apresentação da petição impugnativa inicial, constituem matérias preclusas das quais não pode o Conselho tomar conhecimento, por afrontar o princípio do duplo grau de jurisdição a que está submetido o Processo Administrativo Fiscal. O não enfrentamento da matéria na inicial implica em concordância tácita do contribuinte com a tributação do valor omitido, sendo “extra petita” a decisão que afasta a exigência. Recurso de ofício provido. (grifos não pertencem ao original) Por todo o exposto, verificando-se a improcedência das alegações da recorrente e que os lançamentos tributários consubstanciados nos Autos de Infração lavrados para as exigências de IRPJ e CSLL pautaram-se pela estrita observância às normas tributárias vigentes, observado o princípio da legalidade, devem ser mantidos. Tanto no que respeita aos valores dos tributos, em si considerados, bem como em relação à multa de ofício e juros preceituados nas normas tributárias. Fl. 463DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19647.003804/2003-44 Acórdão n.º 1801-00.415 S1-TE01 Fl. 436 5 Voto em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 464DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10580.726964/2010-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO.
Constitui infração à legislação previdenciária deixar de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos.
ALEGAÇÃO DE LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF N° 02.
É vedado à Administração Pública o exame da legalidade e constitucionalidade das Leis.
Numero da decisão: 2401-005.080
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. ALEGAÇÃO DE LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF N° 02. É vedado à Administração Pública o exame da legalidade e constitucionalidade das Leis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 69 64 /2 01 0- 31 Fl. 208DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10580.726964/201031 Acórdão n.º 2401005.080 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório BAHIA SERVIÇOS DE SAÚDE S.A., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 7a Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP, Acórdão nº 1449.851/2014, às efls. 121/126, que julgou procedente o lançamento fiscal, por ter a empresa deixado de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, fato que constitui infração às disposições contidas no inc. II do art. 32 da Lei nº 8.212/91, c/c art. 225, inciso II, §§ 13 a 17, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, em relação ao período de 01/2006 a 12/2007, conforme Relatório Fiscal, às efls. 29/32, consubstanciado no seguinte Auto de Infração: DEBCAD n° 37.058.2560 Deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, Código de Fundamentação Legal CFL 34. Conforme explicitado pela fiscalização no Relatório Fiscal do Auto de Infração e da Aplicação da Multa, a autuada lançou em diversas contas, fatos geradores de contribuição previdenciária (remuneração paga a pessoas físicas em virtude de prestação de serviços remunerados) juntamente com outros fatos contábeis que não possuem tal característica. A título de exemplificação, cita as contas 4.1.1.03.022 – Serv. Manutenção Equipamentos não Médicos Hospitalares e 4.1.01.03.006 – Serviços de terceiros – PF, onde se constatou as infrações que levaram a lavratura do presente AIOA. Foi aplicada a multa correspondente a R$ 14.317,78 (quatorze mil, trezentos e dezessete reais e setenta e oito centavos), fundamentada nos artigos 92 e 102 da Lei nº 8.212/91 e na alínea “a” do inc. II do art. 283 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, conforme disposto na folha de rosto do AIOA, valor atualizado pela Portaria Interministerial MPS/MF nº 333, de 29/06/2010. Informa ainda que não restaram configuradas circunstâncias agravantes. Inconformada com a Decisão recorrida a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às efls. 130/136, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, repisa as alegações da impugnação, pugnando inicialmente pelo enviou das notificações e/ou intimações ao endereço dos patronos, sob pena de nulidade. Insurgese quanto a exigência de depósito prévio de 30% do valor discutido em débito para conhecimento do recurso, visto que tal exigência já foi devidamente considerada inconstitucional pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal. Quanto ao mérito, aduz que visa impedir a cobrança da multa por suposto descumprimento de obrigações acessórias dispondo sobre o art. 442 da CLT que autoriza a Fl. 210DF CARF MF 4 relação contratual com cooperativas. Faz um histórico da legislação que trata de cooperativas desde a Lei Complementar nº 84/96 até sua revogação pela Lei nº 9.876/99 que modificou a Lei nº 8.212/91, aduzindo que é inconstitucional a contribuição em discussão, já que há a impossibilidade de lei ordinária revogar lei complementar, a lei ordinária em comento usurpou competência prevista no art. 146, inciso III, alínea “c”, da CF, eis que, em se tratando de matéria envolvendo atividade cooperativa, o instrumento normativo é lei complementar, e, a tal lei ordinária violou regra contida no art. 195, § 4º, da CF, na medida que nova contribuição previdenciária só pode criada mediante Lei Complementar. Afirma ter o STF no julgamento do RE 595838 declarada inconstitucional a contribuição sobre serviços de cooperativas de trabalho, anexando tal decisão. Explicita não haver qualquer renúncia ou desistência ao litígio na esfera administrativa. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10580.726964/201031 Acórdão n.º 2401005.080 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Quanto ao dispositivo legal infringido, a empresa deixou de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, fatos geradores de contribuições previdenciárias, de acordo com o disposto no RF, demonstrando uma conduta em desacordo com o determinado nos dispositivos legais que regem a matéria, quais sejam, inc. II do art. 32 da Lei nº 8.212/91, c/c art. 225, inciso II, §§ 13 a 17, do Regulamento da Previdência Social – RPS e, restou configurado o descumprimento da obrigação acessória, ensejando a obrigatoriedade da lavratura do presente AIOA, com a respectiva aplicação da multa. Assim, agiu com acerto a auditoria fiscal. O foco das alegações da recorrente, em suma, consiste no que se sintetizou no Relatório que precede a este Voto, ou seja, asseverando que a Lei nº 9.876/99 revogou a Lei Complementar nº 84/96, aduz que é inconstitucional a contribuição disposta no art. 22, inciso III, da Lei nº 8.212/91, já que i) há a impossibilidade de lei ordinária revogar lei complementar, e, ii) a tal lei ordinária violou regra contida no art. 195, § 4º, c/c 154, I, da CF, na medida que nova contribuição previdenciária só pode ser criada mediante Lei Complementar. Observese que, apesar de não estarmos neste AIOA diante de cobrança de contribuição previdenciária não recolhida, diante de obrigação tributária principal, e sim de obrigação acessória decorrente de descumprimento de legislação previdenciária, conforme disposto anteriormente, e, de a defesa apresentada apenas contraporse a constitucionalidade da contribuição incidente sobre a remuneração dos contribuintes individuais a serviço da impugnante, é possível conjecturarse que o objetivo da impugnante era de que, sendo inconstitucional a contribuição previdenciária em debate, não haveria razão para se lavrar o presente AIOA por falta de inclusão dos contribuintes individuais nas suas folhas de pagamento, mesmo não havendo nenhuma consideração direta nesse sentido na impugnação apresentada. Ou seja, especificamente quanto à infração cometida não se defende a autuada. Neste contexto, necessário trazer à pauta os limites deste julgamento administrativo. Há que se destacar que um dos princípios basilares da administração pública é o da legalidade, princípio que obsta a aplicação da discricionariedade pelo gestor público, ou seja, existe a obrigação de cumprir e respeitar as leis em vigor. Assim, a lei, cuja invalidade ou inconstitucionalidade não tenha sido declarada pelos órgãos competentes do Poder Judiciário, surtirá efeito enquanto vigente e será obrigatoriamente cumprida pela administração por força do ato administrativo vinculado. Não é possível, em sede administrativa, afastar a aplicação de legislação em vigor, conforme estabelece o art. 18 da Portaria RFB nº 10.875, de 16/08/2007 (DOU de 24/08/2007) e art. 26A do Decreto n° 70.235/1972, acrescentado pela MP 449, de 03/12/2008, transformada na Lei nº 11.941/2009, este transcrito abaixo: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 212DF CARF MF 6 Além do mais, salvo casos excepcionais, é vedado a órgão administrativo declarar inconstitucionalidade de norma vigente e eficaz. Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria CARF n.º 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre a alegação de inconstitucionalidade da legislação aplicada, uma vez que o fisco tão somente utilizou os instrumentos legais de que dispunha para efetuar o lançamento. Por fim, a interessada requer que sejam notificados/intimados os advogados constituídos da impugnante, no endereço destes. Observase que, na presente fase do processo administrativo fiscal, no âmbito da Receita Federal do Brasil (RFB), aplicamse as seguintes determinações constantes no art. 23 do Decreto nº 70.235/1972 e no art. 10 do Decreto n° 7.574/2011, este abaixo: Art. 10. As formas de intimação são as seguintes: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 23, inciso I, com a redação dada pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 67); II por via postal ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 23, inciso II, com a redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997, art. 67); III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 23, inciso III, com a redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005, art. 113); ou IV por edital, quando resultar improfícuo um dos meios previstos nos incisos I a III do caput ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, publicado (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 23, § 1º, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, art. 25): a) no endereço da administração tributária na Internet; b) em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação;ou c) uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. §1° A utilização das formas de intimação previstas nos incisos I a III não está sujeita a ordem de preferência (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 23, § 3º, com a redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005, art. 113). §2° Para fins de intimação por meio das formas previstas nos incisos II e III, considerase domicílio tributário do sujeito Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10580.726964/201031 Acórdão n.º 2401005.080 S2C4T1 Fl. 5 7 passivo (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 23, § 4º, com a redação dada pela Lei n° 9.532, de 1997, art. 67): I o endereço postal fornecido à administração tributária, para fins cadastrais; e II o endereço eletrônico atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 23, § 4º, inciso II, com a redação dada pela Lei n° 11.196, de 2005, art. 113). § 3° O endereço eletrônico de que trata o inciso II do § 2° somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 23, § 5º, com a redação dada pela Lei n° 11.196, de 2005, art. 113) Conforme parágrafo 1º do art. 10 do Decreto n° 7.574/2011, entre as formas de cientificação do sujeito passivo constantes nos incisos I a III não há ordem de preferência e a RFB utilizase, nesta fase do julgamento administrativo, a via postal ou via eletrônica. Neste contexto, verificase que o local legalmente determinado para o recebimento de intimações, é aquele eleito pelo sujeito passivo como seu domicílio tributário (endereço, postal fornecido pelo próprio contribuinte à Receita Federal do Brasil para fins cadastrais ou eletrônico autorizado). Portanto, indeferese o pedido no sentido de que as intimações sejam efetuadas em nome e no endereço do patrono ou advogado, pois na atual fase do procedimento elas são feitas por via postal ou eletrônica, endereçadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, nos termos do Decreto nº 70.235, de 1972, art. 23, II e III, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532/97 e pelos dispositivos elencados acima. Por todo o exposto, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 214DF CARF MF
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Numero do processo: 13708.000396/2003-21
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE SALDO NEGATIVO ORIGINADO EM ANOS ANTERIORES. APRECIAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. GLOSA DE SALDO NEGATIVO SEM TRIBUTO A PAGAR. DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE.
Quando o crédito utilizado na compensação tem origem em saldos negativos de anos anteriores, há que se proceder com análise da apuração de cada um dos anos-calendário pretéritos, que serviram para a composição do saldo negativo utilizado como direito creditório. Trata-se de apreciação no qual não se aplica contagem de decadência, vez que se restringe à verificação da liquidez e certeza do crédito tributário.
Caso resulte em glosa de saldo negativo sem desdobramento em tributo a pagar, não se constitui em lançamento de ofício, razão pela qual não se submete à contagem do prazo decadencial. Trata-se de situação complemente diferente daquela em que a glosa do saldo negativo tem como resultado tributo a pagar, ocasião na qual o correspondente lançamento de ofício só poderá ser efetuado caso esteja dentro do prazo decadencial previsto na legislação tributária.
Numero da decisão: 9101-003.032
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões de mérito constantes do recurso voluntário, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE SALDO NEGATIVO ORIGINADO EM ANOS ANTERIORES. APRECIAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. GLOSA DE SALDO NEGATIVO SEM TRIBUTO A PAGAR. DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE. Quando o crédito utilizado na compensação tem origem em saldos negativos de anos anteriores, há que se proceder com análise da apuração de cada um dos anos-calendário pretéritos, que serviram para a composição do saldo negativo utilizado como direito creditório. Trata-se de apreciação no qual não se aplica contagem de decadência, vez que se restringe à verificação da liquidez e certeza do crédito tributário. Caso resulte em glosa de saldo negativo sem desdobramento em tributo a pagar, não se constitui em lançamento de ofício, razão pela qual não se submete à contagem do prazo decadencial. Trata-se de situação complemente diferente daquela em que a glosa do saldo negativo tem como resultado tributo a pagar, ocasião na qual o correspondente lançamento de ofício só poderá ser efetuado caso esteja dentro do prazo decadencial previsto na legislação tributária.
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CRÉDITO DE SALDO NEGATIVO ORIGINADO EM ANOS ANTERIORES. APRECIAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. GLOSA DE SALDO NEGATIVO SEM TRIBUTO A PAGAR. DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE. Quando o crédito utilizado na compensação tem origem em saldos negativos de anos anteriores, há que se proceder com análise da apuração de cada um dos anoscalendário pretéritos, que serviram para a composição do saldo negativo utilizado como direito creditório. Tratase de apreciação no qual não se aplica contagem de decadência, vez que se restringe à verificação da liquidez e certeza do crédito tributário. Caso resulte em glosa de saldo negativo sem desdobramento em tributo a pagar, não se constitui em lançamento de ofício, razão pela qual não se submete à contagem do prazo decadencial. Tratase de situação complemente diferente daquela em que a glosa do saldo negativo tem como resultado tributo a pagar, ocasião na qual o correspondente lançamento de ofício só poderá ser efetuado caso esteja dentro do prazo decadencial previsto na legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões de mérito constantes do recurso voluntário, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 8. 00 03 96 /2 00 3- 21 Fl. 1279DF CARF MF Processo nº 13708.000396/200321 Acórdão n.º 9101003.032 CSRFT1 Fl. 1.280 2 (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN (efls. 1135/1140) em face da decisão proferida no Acórdão nº 1202001.014 (efls. 1111 e segs), pela 2ª Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção, na sessão de 07/08/2013, no qual foi dado provimento ao recurso voluntário da Contribuinte. Resumo Processual São compensações pleiteadas pela TELEMAR NORTE LESTE S/A (Contribuinte) relativas a pretensos saldos negativos de IRPJ e CSLL, cujo pleito foi indeferido pela Derat/RJ (Parecer Conclusivo Diort/Derat/RJ n.° 58/08 de efls. 159/162 e Despacho Decisório de efls. 163). Foram apresentadas manifestações de inconformidade (efls. 240 e segs. e 504 e segs.) que foram indeferidas pela DRJ (efl. 983 e segs). Foi interposto recurso voluntário (efls. 999 e segs.) pela Contribuinte, que foi provido pela Turma Ordinária do CARF (efls. 1111 e segs). Foi interposto recurso especial pela PGFN (efls. 1135/1140). O despacho de exame de admissibilidade (efls. 1148/1152) deu seguimento ao recurso. A Contribuinte apresentou contrarrazões (efls. 1161/1185). A seguir, maiores detalhes da fase contenciosa. Fase Contenciosa Peço vênia para transcrever excerto do relatório da decisão recorrida, objetivo e preciso. Fl. 1280DF CARF MF Processo nº 13708.000396/200321 Acórdão n.º 9101003.032 CSRFT1 Fl. 1.281 3 Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) retificadora (fls. 54/55), em relação à de fls. 1/02, bem como outras relacionadas no quadro de fls. 103, em que foram empregados alegados créditos de saldos negativos de imposto sobre a renda da pessoa jurídica (IRPJ) e de contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL), respectivamente, no valor de R$23.441.045,99 e R$ 19.237.056,16. Dos autos se extrai que, para fins de análise das referidas DCOMP, foi realizada diligência para apurar o efetivo valor dos saldos negativos declarados, que teria restado frustrada ante a falta de resposta da interessada, conforme despacho (fls. 92). Através do parecer conclusivo Diort/Derat/RJ n.° 58/08 (fls. 103/106), com fulcro no art. 74 da Lei n.° 9.430/96, os art. 2°, 4°, 5° e 26 da IN SRF n.° 600/05, o art. 170 da Lei n.° 5.172/66 (CTN) e o art. 36 da Lei n.° 9.784/99, bem como no não atendimento, pela interessada, à intimação, o direito creditório não foi reconhecido e, conseqüentemente, não homologadas as compensações analisadas. Despacho decisório do titular da Derat/RJ (fls. 107), que aprovou o referido parecer, determinou o apensamento ao presente do processo n.° 15374.720026/200862, cuja compensação também não foi homologada, por valerse do mesmo direito creditório não reconhecido (fls. 135/136). Em razão da não homologação das compensações, foram apresentadas manifestações de inconformidade (efls. 240 e segs. e 504 e segs.), que foram indeferidas pela 6ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I, na sessão de 21/12/2009, no Acórdão 1227.874, conforme ementa a seguir. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. DECADÊNCIA. Para a verificação da certeza e da liquidez de existência de crédito alegado por contribuintes, não há restrição temporal ao poder de investigação da Fazenda Pública, COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PRAZO. O prazo para homologação tácita da compensação declarada pelo sujeito passivo é de cinco anos, contados da data da entrega da última declaração retificadora que tenha tratado da mesma compensação. DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. PRECLUSÃO. Operase a preclusão e o conseqüente não reconhecimento do direito creditório do contribuinte quando este, intimado a apresentar documentos comprobatórios do seu direito, deixa de apresentálos ou de indicar motivos para a não apresentação. Fl. 1281DF CARF MF Processo nº 13708.000396/200321 Acórdão n.º 9101003.032 CSRFT1 Fl. 1.282 4 A Contribuinte interpôs recurso voluntário. A 2ª Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção, por meio do Acórdão nº 1202001.014, na sessão de 07/08/2013, deu provimento ao recurso, conforme a ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA VERIFICAR A APURAÇÃO DO SALDO NEGATIVO DE IRPJ E CSLL. Incabível a verificação, por parte do Fisco, da atividade desenvolvida pelo contribuinte com o fito único de apurar o tributo devido ou saldo negativo no encerramento do ano calendário, quando tiver sido correta e adequada sua informação na declaração pertinente, após o prazo de 5 anos contados da data de ocorrência do fato gerador. Aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, aplicase o artigo 150, parágrafo 4º, do CTN, desde que não seja constatado dolo, fraude ou simulação. A PGFN interpôs recurso especial, no qual aduz que os artigos 165 e 170 do CTN não impõem qualquer restrição temporal no procedimento de verificação da liquidez e certeza do direito creditório. Aduz que a apuração do saldo a restituir não faz parte dos atos do Fisco cuja implementação exige lançamento. Conclui no sentido de que há de se reconhecer à administração tributária o direito à investigação, a qualquer tempo, dos saldos negativos de recolhimentos de IRPJ/CSLL, uma vez que no caso não se fala em lançamento tributário, mas sim na comprovação da liquidez e certeza do crédito para fins de compensação. O despacho de exame de admissibilidade de efls. 1148/1152 deu seguimento ao recurso. Foram apresentadas contrarrazões pela Contribuinte, no qual protesta que a pretensão do Fisco em reapurar, no ano de 2008, os saldos negativos de IRPJ e CSLL relativos ao anocalendário de 2002, afronta a decadência prevista no § 4º, art. 150 do CTN. Entende que os prazos extintos tem a função de estabilizar as relações jurídicas, discorre sobre os efeitos da decadência no regime jurídico do lançamento por homologação e que a administração tributária encontrase submetida a prazo decadencial ao analisar os saldos negativos informados na declaração de compensação. Aduz que não há como se alterar os saldos negativos por uma suposta irregularidade na base de cálculo sem que seja efetuado o lançamento de ofício, o que no caso concreto não seria mais possível em razão do prazo decadencial. Requer pela manutenção da decisão recorrida e, caso seja provido o recurso da PGFN, pelo retorno dos autos ao CARF para apreciação do mérito do recurso voluntário. É o relatório. Fl. 1282DF CARF MF Processo nº 13708.000396/200321 Acórdão n.º 9101003.032 CSRFT1 Fl. 1.283 5 Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. Em relação à admissibilidade, adoto as razões do Despacho de Admissibilidade de efls. 1148/1152, com fulcro no art. 50, § 1º da Lei nº 9.784, de 1999 1, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, para conhecer do Recurso Especial da PGFN. Passo ao exame do mérito. A matéria já foi debatida pelo presente Colegiado. Tratase de verificar se a administração tributária, ao verificar a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado pelo contribuinte, encontrase submetida ao prazo decadencial de cinco anos previsto no § 4º, art. 150 do CTN, aplicável aos lançamentos por homologação. Ocorre que o processo de reconhecimento de direito creditório é diferente daquele previsto para a constituição do crédito tributário. O direito creditório só é reconhecido se revestido dos atributos de liquidez e certeza, conforme o art. 170 do CTN: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (grifei) Por isso, compete à autoridade tributária apurar a origem do crédito tributário, sendo que, neste caso, o ônus da prova é do contribuinte. Por outro lado, o Fisco tem um prazo determinado para promover a devida análise e a homologação do direito creditório, sob pena de se homologar tacitamente o pedido do sujeito passivo. Assim, a contagem do prazo decadencial para que o Fisco possa promover a análise do direito creditório pleiteado pelo contribuinte iniciase a partir da data de entrega da 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) V decidam recursos administrativos; (...) § 1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 1283DF CARF MF Processo nº 13708.000396/200321 Acórdão n.º 9101003.032 CSRFT1 Fl. 1.284 6 declaração, conforme dispõe o § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003 (O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação). A devida investigação da origem do crédito, que, no caso concreto, teve origem em saldos negativos de anos anteriores, resultou em uma nova apuração do tributo referente ao anocalendário. Tratase de análise em que não se aplica contagem de decadência, vez que se restringe à verificação da liquidez e certeza do crédito tributário. É situação distinta daquela em que a investigação da autoridade autuante é no sentido de se verificar a apuração efetuada pelo sujeito passivo para a constituição do crédito tributário e, caso seja detectado tributo a pagar, efetuase o lançamento de ofício. A diferença é ilustrada com bastante precisão no voto proferido pela Conselheira Edeli Pereira Bessa no Acórdão nº 1101001.084, do qual peço vênia para transcrever excerto. O caput do art. 74 da Lei n° 9.430/96, nesta nova redação, exige que o credito indicado em DCOMP seja passível de restituição ou ressarcimento, significando que ele não pode estar prescrito. Contudo, uma vez deduzida tempestivamente a pretensão de ver extintos débitos com aquele crédito, admitir que o prazo para confirmação deste já estaria fluindo desde o encerramento do período de apuração correspondente, limitaria significativamente a eficácia do §5° do referido art. 74, pois antes de cinco anos da apresentação da DCOMP a certeza e liquidez do crédito restaria afirmada pelo decurso do prazo decadencial no qual, no entender da recorrente, o Fisco poderia questionar sua apuração. Não há qualquer ressalva na disposição legal que autorize esta interpretação. Os prazos decadenciais estão previstos para fins de lançamento de crédito tributário, ou seja, para que a autoridade fiscal: 1) discorde do tributo pago com base em apuração do sujeito passivo; 2) supra a omissão do sujeito passivo na apuração daquele pagamento; ou 3) pratique o lançamento dos tributos ou penalidades cuja constituição a Lei reserva ao agente fiscal. Esta é a dicção do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172/66): Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1° O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. (...) § 4º Se a lei não fixar o prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado Fl. 1284DF CARF MF Processo nº 13708.000396/200321 Acórdão n.º 9101003.032 CSRFT1 Fl. 1.285 7 esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de • qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. (negrejouse) A decadência, nestes termos, encerra o poderdever do Fisco de formalizar o credito tributário por intermédio do lançamento, pondo fim à relação jurídica material surgida entre o contribuinte e o Estado com a ocorrência do fato gerador. Recordese que a atividade de lançamento é definida pelo art. 142 do Código Tributário Nacional como o procedimento tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Nestes termos, se a autoridade fiscal constatar divergências na apuração que resultou em saldo negativo de IRPJ, não poderá lançar a diferença apurada se o fato gerador lucro pertencer a período já atingido pela decadência. Mas pode e deve o Fisco indeferir pedido de restituição ou não homologar compensações que tenham se valido de indébito tributário inexistente conforme o ajuste realizado de oficio. É certo que nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, há uma grande discussão doutrinária e jurisprudencial acerca de qual seria o objeto da homologação: a atividade de apuração ou o pagamento do tributo devido. Todavia, há relativo consenso no sentido de que o transcurso do prazo contido no §4° do art. 150 do CTN atinge o direito de o Fisco constituir o crédito tributário, mediante o lançamento substitutivo da apuração efetuada pelo sujeito passivo, veiculada pelos instrumentos definidos na legislação fiscal. Ainda, aqueles que defendem a homologação tácita da apuração efetuada pelo sujeito passivo, consideram que o prazo decadencial tem o efeito especifico de atingir o dever/poder de o Fisco efetuar o lançamento de oficio, e não o de fazer prova Fl. 1285DF CARF MF Processo nº 13708.000396/200321 Acórdão n.º 9101003.032 CSRFT1 Fl. 1.286 8 absoluta de indébitos tributários, não constituídos na forma da legislação. Admitir que os saldos negativos informados na DIPJ estariam homologados tacitamente depois de transcorridos 5 (cinco) anos do fato gerador correspondente, exigiria que se emprestasse A. DIPJ o poder de constituir aquele direito creditório, o que vai contra o caráter meramente informativo daquele documento, o qual não se presta, sequer, a instrumentalizar a cobrança dos saldos devedores nele indicados. Somente se concebe como instrumentos de constituição formal de direitos e obrigações aqueles assim expressamente previstos na legislação, como é o caso, por exemplo da Declaração de Débitos e Créditos Federais — DCTF, relativamente aos tributos devidos pelos contribuintes. Já relativamente aos direitos credit6rios detidos pelos sujeitos passivos, a legislação apenas prevê, atualmente e na época em que a contribuinte argüiu seu direito, a DCOMP e o Pedido de Restituição como instrumentos para sua formalização perante a Receita Federal. É certo que o recolhimento indevido já existe, como evento, desde sua ocorrência no mundo fenomênico. Procedidas as antecipações exigidas por lei, encerrado o período de apuração e efetivados os recolhimentos que se entendeu devidos, temse do confronto destes, eventualmente, um desembolso maior que o devido. Todavia, este evento somente passa a se constituir em um fato jurídico apto a produzir as conseqüências previstas em lei quando formalizado pelo interessado em face do devedor, no caso, o Fisco. Dai porque, a partir do recolhimento indevido, deflagrase o prazo prescricional para que o sujeito passivo manifeste seu direito perante o Fisco, e a partir desta manifestação o prazo para o Fisco, em caso de compensação, reconhecer ou não aquele crédito. Alias, vejase que, à época em que este direito era deduzido apenas mediante a apresentação de Pedido de Restituição, sequer havia prazo fixado em lei para manifestação do Fisco acerca do que ali veiculado. Cabia ao interessado manter a guarda dos comprovantes necessários para prestar eventuais esclarecimentos acerca de seu direito, enquanto o crédito não lhe fosse reconhecido. Apenas com a criação da DCOMP passou a existir um prazo para que o Fisco pudesse questionar o direito manifestado pelo interessado, até porque, vinculado o crédito a débitos que se pretendia ver extintos, somente haveria alguma utilidade no questionamento daquele crédito enquanto possível a cobrança dos débitos compensados, direito este que pereceria ante a inércia do Fisco por mais de 5 (cinco) anos. Impróprio, assim, tentar opor, ao Fisco, uma limitação temporal à confirmação do direito creditório deduzido pelo sujeito passivo, que em momento algum esteve prevista no Código Fl. 1286DF CARF MF Processo nº 13708.000396/200321 Acórdão n.º 9101003.032 CSRFT1 Fl. 1.287 9 Tributário Nacional ou em lei ordinária, sendo na sistemática instituída a partir da criação da DCOMP, e evidentemente em função da vinculação daquele crédito a débitos compensados. Interessante notar, ainda, que a formalização do direito creditório em outras declarações não é requisito para sua veiculação em DCOMP. Do caput do art. 74 da Lei n° 9.430/96, desde a redação que lhe foi dada pela Lei no 10.637/2002, não se extrai qualquer exigência de que o direito credit6rio deva estar previamente evidenciado em declarações prestadas pelos sujeitos passivos, A exceção da própria DCOMP, prevista no seu § 10. É certo que a evidenciação do credito em DIPJ ou DCTF é um elemento de prova em favor do sujeito passivo que afirma ter efetuado recolhimento a maior. Mas somente quando provocado pelo sujeito passivo acerca do seu interesse de se valer daquele crédito, mediante restituição ou compensação, passa o Fisco a ter o dever de avaliar a certeza e a liquidez daquele valor para admitir, ou não, a destinação pretendida pelo interessado. Firmadas estas premissas, recordese que, nos termos da legislação processual em vigor, o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333 do Código de Processo Civil). Assim, no presente caso, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Decorre, dai, que a compensação deveria estar suportada por provas do indébito tributário no qual se fundamenta. Contudo, devese recordar que o procedimento em debate já se iniciou mediante a apresentação de DCOMP, desacompanhada, por autorização normativa, de qualquer prova do indébito ali indicado, posto que o Fisco teria ainda cinco anos para confirmálo. Em verdade, a interpretação veiculada pela recorrente confere ao sujeito passivo a faculdade de definir o prazo do qual o Fisco dispõe para homologar, ou não, a compensação declarada. Optando o sujeito passivo por utilizar seu crédito depois de transcorridos quatro anos e 11 meses do fato gerador, o Fisco teria apenas um mês para avaliar a liquidez e certeza do credito. Se utilizasse mais rapidamente seu credito, maior prazo teria o Fisco para esta confirmação. Certamente outro foi o objetivo da criação da DCOMP. Tal instrumento conferiu tratamento diferenciado aos contribuintes que, deduzindo créditos na forma da nova redação do caput do art. 74 da Lei n° 9.430/96, já poderiam, sem prévio exame do seu real conteúdo, angariar a extinção imediata dos débitos compensados, bem como a suspensão de sua exigibilidade até a decisão administrativa final acerca da regularidade de seu procedimento. Fl. 1287DF CARF MF Processo nº 13708.000396/200321 Acórdão n.º 9101003.032 CSRFT1 Fl. 1.288 10 Admitir que o prazo para questionamento desta regularidade seria definido pelo sujeito passivo está em evidente descompasso com a referência contida na Exposição de Motivos da Medida Provisória n° 66/2002, convertida na Lei n° 10.637/2002: 35. O art. 49 institui mecanismo que simplifica os procedimentos de compensa cão, pelos sujeitos passivos, dos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, atribuindo maior liquidez para seus créditos, sem que disso decorra perda nos controles fiscais . (negrejouse) Argumenta a recorrente que o Fisco não poderia questionar a compensação de prejuízos fiscais acima do limite legal depois de transcorridos 5 (cinco) anos de sua apuração. E de se questionar, porém, no presente caso, que interesse fiscal existiria na revisão de uma D1PJ que, mesmo considerando a retificação necessária, ainda apontasse saldo negativo de IRPJ? Caberia ao Fisco anteciparse à pretensão da contribuinte de utilizar este valor, com vistas a convalidálo ou retificálo? E, ainda que se insista na fluência do prazo para revisão do crédito, pelo Fisco, a partir do período de apuração correspondente, do recolhimento que se mostrou indevido, ou mesmo da declaração que inicialmente informou o indébito, é licito concluir que, ao manifestar seu interesse em utilizar tal crédito mediante DCOMP, o sujeito passivo renuncia ao prazo em curso, e submetese ao prazo fixado na sistemática prevista para aquele instrumento de utilização de créditos, sob pena de retirar a eficácia do §5 ° do referido art. 74 da Lei nº 9.430/96. Por todo o exposto, resta demonstrado que a autoridade fiscal competente detinha o poder/dever de aferir a existência, suficiência e disponibilidade do crédito utilizado em compensação em até 5 (cinco) anos da entrega da correspondente DCOMP, e neste mister nenhum impedimento legal existe para confirmação, inclusive, da base de cálculo do IRPJ devido no período, mormente tendo em conta que a contribuinte equivocadamente manifestou seu direito de crédito como oriundo de retenções sofridas na fonte, sem antes confrontálo com o IRPJ devido no período, e ao adequar tal pedido As normas legais de apuração do IRPJ, a autoridade fiscal logrou identificar que o IRPJ devido no período não seria aquele originalmente indicado na DIPJ, em razão da compensação de prejuízos fiscais acima do limite legal. Em síntese, concluise que o ato de verificação da certeza e liquidez do indébito, em sede de DCOMP ou pedido de restituição apresentados pelo sujeito passivo, não está limitado aos valores das antecipações recolhidas no curso do ano calendário, devendo atingir, também, a verificação da regularidade da determinação da base de calculo apurada pelo interessado. Conseqüentemente, ainda que a retificação de base de calculo do tributo para fins de sua exigência somente seja cabível mediante lançamento de oficio, a verificação também deve ser efetuada no âmbito da análise de DCOMP ou pedido de Fl. 1288DF CARF MF Processo nº 13708.000396/200321 Acórdão n.º 9101003.032 CSRFT1 Fl. 1.289 11 restituição vinculados ao saldo negativo de IRPJ, para efeito de determinação da certeza e liquidez do crédito invocado pelo sujeito passivo para extinção de outros débitos fiscais. Esclareçase, por oportuno, que a mencionada liberação da DIPJ em malha cadastro não revela qualquer revisão anterior da declaração do sujeito passivo, na medida em inexiste qualquer ato administrativo praticado e, demais disso, pela denominação atribuída ao procedimento realizado, é licito inferir que tratase, apenas, de confirmações cadastrais do declarante, sem adentrar A apuração por ele informada. Por tais razões, inclusive, é imprópria, aqui, a referência As disposições da Instrução Normativa SRF n° 656/2006 acerca dos procedimentos para revisão de declarações no âmbito da Receita Federal. A matéria também foi tratada recentemente pelo presente Colegiado, no Acórdão nº 9101002.548, na sessão de julgamento de 07/02/2017, voto do relator Marcos Aurélio Pereira Valadão, cuja ementa foi a seguinte: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO.CRÉDITO.COMPROVAÇÃO. Tratandose de fato constitutivo de direito, cujo ônus da prova incumbe ao autor, em conformidade com o art. 373, inciso I, do Código de Processo Civil CPC (Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015), e tendo em vista que a existência, certeza e liquidez do crédito pleiteado são requisitos essenciais ao deferimento da restituição/compensação requerida, na forma do art. 170 do Código Tributário Nacional CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), compete ao sujeito passivo, que dele pretende se beneficiar, a efetiva comprovação daquele crédito, não cabendo opor a esse ônus alegações de decadência ou de homologação tácita por parte do Fisco. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Cristiane Silva Costa. Assim, uma situação é se falar em lançamento de ofício, para a constituição do crédito tributário, caso em que se aplica a contagem do prazo decadencial. Outra completamente diferente é a análise do direito creditório, cuja liquidez e certeza devem ser verificadas, razão pela qual, em se tratando de apuração de prejuízos fiscais, é dever do Fisco apreciar a sua formação desde a origem, tendo, no caso concreto, agido de maneira correta. Fl. 1289DF CARF MF Processo nº 13708.000396/200321 Acórdão n.º 9101003.032 CSRFT1 Fl. 1.290 12 Cabe, portanto, ser reformada a decisão recorrida. Aduz a Contribuinte em pedido subsidiário que, caso o recurso da PGFN seja provido, seria necessário o retorno dos autos para apreciação do mérito do direito creditório. De fato, como a decisão recorrida deu provimento ao recurso voluntário, encerrou a apreciação da lide sem que fosse necessário apreciar o mérito, no qual pretendeu a Contribuinte demonstrar a existência do direito creditório com base nas informações prestadas por meio da DIPJ. Nesse contexto, devem os autos retornar para a turma a quo, para que se possa apreciar as argumentações da Contribuinte em relação à comprovação do direito creditório pleiteado. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer e dar provimento ao recurso especial da PGFN, e determinar o retorno dos autos para a turma a quo apreciar a matéria suscitada no recurso voluntário relativa ao mérito do reconhecimento do direito creditório. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 1290DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.720013/2007-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA.
É ônus processual da contribuinte fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito.
PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. NÃO OCORRÊNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. FALTA DE ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO.
No caso em análise, a contribuinte foi intimada a apresentar documentação, no entanto, não atendeu à respectiva solicitação, implicando na negativa do seu crédito pelo seu próprio comportamento. Não cabe dizer, portanto, que há afronta ao princípio da verdade material ou cerceamento ao direito de defesa.
Numero da decisão: 3302-004.694
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinatura digital)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinatura digital)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza - Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo.
Nome do relator: SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
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ÔNUS DA PROVA. É ônus processual da contribuinte fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. NÃO OCORRÊNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. FALTA DE ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. No caso em análise, a contribuinte foi intimada a apresentar documentação, no entanto, não atendeu à respectiva solicitação, implicando na negativa do seu crédito pelo seu próprio comportamento. Não cabe dizer, portanto, que há afronta ao princípio da verdade material ou cerceamento ao direito de defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 00 13 /2 00 7- 48 Fl. 515DF CARF MF 2 Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de IPI, com fundamento no crédito presumido, como ressarcimento da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para a Seguridade Social COFINS, previsto na Lei nº 9.363, de 1996, e Portaria MF nº 38/97, do período de apuração referente ao 4º trimestre de 2003. A contribuinte impetrou mandado de segurança, fls. 2251, a fim de que seus pedidos de compensação fossem analisados, e obteve a segurança pleiteada, na qual a sentença determinou que o processo administrativo fosse instruído em 30 dias e decidido nos trinta dias seguintes. Sobreveio o despacho decisório, indeferindo o pedido, fls. 248 e seguintes, cuja ementa é transcrita abaixo: O saldo credor do IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME), aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à aliquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos art. 73 e 74 da Lei n°9.430, de 27/12/1996. Sua utilização deverá observar as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda, cabendo interessada a prova dos fatos que tenha alegado. A contribuinte, irresignada, apresentou manifestação de inconformidade, fls. 259 e seguintes, onde alegou em síntese que: 1. Que ela foi intimada pela SAORT/DRF/Blumenau pela intimação fiscal nº 051/2007 para apresentar documentos, visando à análise dos pedidos de homologação de declarações de compensação de tributos. A contribuinte solicitou prorrogação de prazo para a entrega de documentos, contudo, a DRF em Blumenau indeferiu o pedido de prorrogação sob o argumento de que a análise estava sendo examinada em atendimento à decisão proferida nos autos do Mandado de Segurança nº 2006.72.05.0051978/SC, onde foi fixado um prazo de 60 (sessenta dias) para finalização do procedimento; 2. Afirma que possui toda a documentação e não pode ser privada do direto de ver seu crédito tributário compensado em razão da não apresentação de todos os documentos. Ela informa que teve que instruir simultaneamente 24 (vinte e quatro) processos administrativos de compensações de tributos, envolvendo vários exercícios fiscais, atendendo rigorosamente as diretrizes impostas pelas portarias e instruções normativas da SRF, tanto que necessitou contratar serviços especializados de assessoria especializada na área para dar 1 Todas as páginas, referencidas no voto, correspondem ao eprocesso. Fl. 516DF CARF MF Processo nº 13971.720013/200748 Acórdão n.º 3302004.694 S3C3T2 Fl. 3 3 atendimento as exigências, o que lamentavelmente não foi possível diante da exiguidade do prazo concedido; 3. Sustenta que ela pode juntar documentos em qualquer fase do processo administrativo, em razão do princípio da verdade documental, razão pela qual requereu a juntada dos documentos exigidos pela autoridade fiscal, solicitando revisão da decisão de indeferimento do pedido de compensação. Houve o julgamento da manifestação de inconformidade pela DRJ/Ribeirão Preto, fls. 365 e seguintes, cuja ementa é transcrita abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/10/2003 a 31/12/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. E ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. FALTA DE ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. Quando documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará arquivamento do processo. A contribuinte apresentou Recurso Voluntário, fls. 371 e seguintes, onde reafirmou as alegações da manifestação de inconformidade e acrescentou: 1. Ela é empresa fabricante e exportadora de móveis e esquadrias de madeira. Durante muitos anos, vem desenvolvendo atividades de produção destinadas especificamente à exportação, direcionando seus esforços ao comércio exterior; 2. Em razão do princípio da verdade material, os documentos anexados na fase impugnatória devem ser analisados e assim já decidiu este Tribunal Administrativo que a apresentação dos documentos na fase de impugnação é válido; 3. Pleiteia pela nulidade do acórdão da DRJ, devendo os autos serem baixados à gerência de origem, de modo que a autoridade originária analise o pedido da interessada à luz dos documentos por ela trazidos aos autos. Sobreveio, então, julgamento do CARF, acórdão nº 380300.745, de 29 de setembro de 2010, Relator Hélcio Lafetá Reis, que anulou a decisão da DRJ, a ementa do julgado é transcrita abaixo, fls. 395: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 Fl. 517DF CARF MF 4 RESSARCIMENTO DE IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (PAF). ANULAÇÃO DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. No processo administrativo fiscal vigoram os princípios da verdade material, do informalismo moderado e da oficialidade, devendo a autoridade administrativa julgadora proceder de forma a garantir a elucidação dos fatos que propicie o bom deslinde da controvérsia. Ao contribuinte é assegurado o direito de apresentar os elementos probatórios na manifestação de conformidade, que equivale à fase de impugnação do PAF. Deve ser anulada a decisão administrtiva de primeira instância em que se ignoraram tais condicionantes, para que outra seja proferida, ainda que se valendo de diligencias junto à repartição de origem. O processo retornou à DRJ/Ribeirão Preto, que devolveu o presente processo ao órgão preparador para, fls. 404: Diante do teor do acórdão proferido pelo CARF entendo que o presente processo deva ser baixado em diligência para que a fiscalização se pronuncie sobre: 1°) A documentação juntada pelo interessado atendeu as intimações, inclusive o arquivo magnético (CD) apresentado, feitas no decorrer do exame do pedido? 2°) A documentação juntada pelo interessado prova no todo ou em parte o direito creditório alegado? (Em caso afirmativo, em quanto montaria tal crédito contra a Fazenda nacional?). Sobreveio a informação fiscal, fls. 411, onde demonstrou quais itens foram atendidos e não atendidos, e em relação a um documento específico informou, in verbis: Assim, tendo em vista a ausência da memória de cálculo a que se refere o artigo 6º da IN SRF nº 23/97, informase que a documentação juntada pela interessada não comprova o direito ao crédito presumido. A contribuinte, então, manifestouse, fls. 421, no sentido de que a lei não prevê que, para a comprovação do direito ao crédito, se faz necessária a apresentação da memória de cálculo, nem mesmo o mencionado artigo 6º, da IN SRF nº 23, de 1997, ademais junta memória de cálculo na referida manifestação. O acórdão da DRJ/Ribeirão Preto julgou totalmente improcedente a segunda manifestação de inconformidade, fls. 446. A ementa é transcrita abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito, sendo que a aceitação destas, quando intempestivamente apresentadas, submetese às hipóteses legais. Fl. 518DF CARF MF Processo nº 13971.720013/200748 Acórdão n.º 3302004.694 S3C3T2 Fl. 4 5 OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. A obrigação acessória decorre da legislação tributária (leis, tratados e convenções internacionais, decretos e normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. ) e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. A contribuinte, então, apresentou novamente Recurso Voluntário, fls. 453, onde repisou a argumentação apresentada e acrescentou: 1. Que a alegação da DRJ/Riberão Preto no sentido de não comprovação do crédito por intempestividade é infundada, afirma que mesmo não apresentada a memória de cálculo, não poderia o julgador concluir que não está comprovado o direito alegado; 2. Diz que no anexo V, em formato exigido pela SRFB, consta a relação das entradas de insumos, demonstrados todos os produtos com seu respectivo destaque de IPI, dos CFOP's 1.11 e 2.11, que deram origem ao crédito. Além disso, estão relacionadas todas as Notas Fiscais de exportação direta e indireta, que compõem os CFOP's informados em documento anexo e arquivo digital; 3. Afirma que os documentos constantes dos autos, juntamente aos que seguiram em anexo por ocasião à Manifestação à Informação Fiscal, protocolada em 06/01/2011 (memória de cálculo), comprovam a existência do crédito reclamado; 4. Suscita que não houve zelo por parte da fiscalização na análise dos documentos apresentados, uma vez que eles atendem ao exigido na legislação, pois os cálculos foram baseados no que prescreve o artigo 3º, da Portaria 38/1997. Os autos subiram, novamente, a este Egrégio Tribunal Administrativo, onde por meio da Resolução nº 38030.163, Relator Hélcio Lafetá Reis, o feito foi convertido em diligência para, fls. 488: Nesse contexto, considerando que para se concluir acerca da extensão do direito creditório pleiteado há a necessidade de se confrontarem os dados presentes nos autos, muitos deles apresentados em arquivos magnéticos, com outros constantes dos sistemas internos da Receita Federal, bem como da escrituração contábil fiscal e da documentação da pessoa jurídica trazidas aos autos, surge como única alternativa à pacificação no processo a conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que a Fiscalização, com base em todas as informações já disponíveis nos autos, proceda ao exame do crédito presumido requerido pelo Recorrente. Concluise, portanto, com base no contido no art. 18, inciso I, do Anexo II do Regimento Interno do CARF – Portaria MF n° 256/2008 – que prevê a realização de diligências para suprir deficiências do processo, bem como no princípio da verdade material decorrente do princípio da legalidade, pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem para que se apure, observandose as normas que regem a matéria, a extensão do crédito presumido de IPI a que tem direito o Fl. 519DF CARF MF 6 Recorrente, valendose de todas as informações e documentos presentes nos autos, bem como de outros que se mostrarem necessários ao bom cumprimento desta decisão. Sobreveio informação fiscal, fls. 503, com abertura do documento pela contribuinte, fls. 510, em 15 de julho de 2015, mas sem qualquer tipo de manifestação por parte desta. É o relatório. Voto Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Relatora. 1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Do Recurso Voluntário 2.1. Momento para apresentação da documentação A Recorrente faz uma retrospectiva fática no início do seu Recurso Voluntário, posteriormente, insurgese contra a decisão da DRJ/Ribeirão Preto, que entendeu, por sua vez, que houve a preclusão temporal e que a contribuinte não pode carrear aos autos provas ou alegações suplementares. Ela fundamenta o seu direito crédito no artigo 1º, da Lei nº 9.393, de 1996, e diz que o crédito pleiteado pode ser comprovado por meio das informações contidas nos autos, relacionando os documentos que se encontram acostados e que comprovam o referido crédito. Quanto ao momento de apresentação da documentação, não vejo qualquer óbice à apresentação no momento da manifestação da inconformidade, período no qual se instaura o real litígio entre o contribuinte e a Secretaria da Receita Federal, fazendo uma analogia entre a impugnação administrativa e a manifestação de inconformidade: Decreto nº 70.235/1972 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. No caso em apreço, houve análise da documentação acostada, mas não houve reconhecimento de crédito, fls. 411: No que tange a parcela de crédito básico, apurouse, com fulcro nos arquivos contendo os registros de entradas e os registros de saídas, e no pedido de ressarcimento, créditos passíveis de ressarcimento equivalentes a R$ 0,00, tendo em vista que os créditos passíveis de ressarcimento das aquisições são inferiores aos destacados nas saídas conforme se demonstra a seguir: Fl. 520DF CARF MF Processo nº 13971.720013/200748 Acórdão n.º 3302004.694 S3C3T2 Fl. 5 7 A contribuinte obteve a partir de tal análise a verificação de sua documentação e, portanto, a presente alegação encontrase superada. 2.2. Princípio da verdade material A Recorrente argumenta que apresentou a documentação e que a decisão da DRJ/Ribeirão Preto desrespeita o princípio da verdade material, ademais, cita uma série de precedentes do Carf. Pelos mesmos fundamentos, adotados no tópico anterior, a argumentação encontrase superada pela conversão do feito em diligência e análise da documentação acostada aos autos. 2.3. Cerceamento ao direito de defesa A Recorrente alega que o entendimento da DRJ/Ribeirão Preto, ao fundamentar que após a apresentação do contencioso administrativo não pode mais analisar a documentação, fere o direito de defesa com previsão constitucional, e, portanto, pela falta de análise deve ser considerada nula, citando, mais uma vez, uma série de precedentes do Carf. Afirma que os cálculos foram realizados em conformidade com a legislação pertinente, qual seja, a Portaria nº 38, de 1997. Mais uma vez, voltase ao fato de que o feito foi convertido em diligência com a finalidade de apurar os valores dos créditos presumidos e constatouse, no caso em análise, que não havia direito ao crédito. Cabe esclarecer que o ônus da prova, quanto à existência de crédito ou não, cabe à Recorrente nos termos do artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, Lei nº 13.105/2015. Portanto, diante da falta de produção probatória por parte da Recorrente, tornase improcedente o pedido contido no Recurso Voluntário quanto à verificação dos créditos. Quanto ao pedido de que as intimações sejam dirigidas ao escritório do patrono da Recorrente, não há previsão legal para tal determinação, pois o artigo 67, da Lei nº 9.532, de 1997, determina que as intimações serão "por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo." Portanto, o domicílio tributário, eleito pela Recorrente, é o local das intimações. 3. Conclusão Por todo exposto, conheço o recurso voluntário, mas nego provimento. Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Fl. 521DF CARF MF 8 Fl. 522DF CARF MF
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